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Os seres humanos podem ser considerados um enorme sucesso ecológico

Os seres humanos podem ser considerados um enorme sucesso ecológico

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que se podem aproximar de nós são os que domesticamos (vacas, galinhas, porcos e ovelhas) ou os que dependem dos habitats

por nós criados (pardais e ratos, por exemplo).Será por isso surpreendente notar que o nosso sucesso se deve a uma série de quase falhanços dignos de fi lme de suspense: somos grandes primatas, um grupo que quase se extinguiu há 15 M.a. em comp etição com os macacos, mais eficientes. Somos primatas, um grupo de mamíferos que quase se extinguiu há 45 M.a. em competição com os roedores, mais eficientes. Somos tetrápodes sinapsídeos, um grupo de répteis que qu ase se extinguiu há 200 M.a. em competição com os dinossáurios, mais eficientes. Somos descendentes de peixes com patas, que quase se extinguiram há 360 M.a., em com petição com peixes de barbatanas, mais eficientes. E, por último, mas não menos espantoso, somos cordados, um grupo que sobreviveu mesmo à justa no Câmbrico, em competição com os artrópodes, brilhantemente bem sucedidos como se sabe .... E no entanto, eis o nosso sucesso ecológico sem comparação! PRIMEIROS MAMÍFEROS Há cerca de 200 M.a., no início da era Mesozóica ² a era dos répteis -, quando surgiram os primeiros dinossáurios, aparece pela primeira vez indicação da presença dos mamíferos. Estes primeiros mamíferos, actualmente considerados descendentes de répteis terapsídeos, apenas de ixaram para a posteridade pedaços de crânios, dentes e mandíbulas mas tal foi o suficiente para obter muitas informações sobre esses animais: Eram animais pequenos, do tamanho de ratos actuais; Apresentavam dentes afiados, logo deveriam ser carnívoros. No entanto, devido ao seu tamanho, pensa-se que se alimentariam principalmente de insectos e vermes, ovos de répteis, etc.; Eram homeotérmicos, facto que pode ser deduzido da presença de palato (céu da boca) ósseo a separar a boca do nariz nos crâni os. Esta característica existe nos organismos que respiram continuamente, mesmo quando se alimentam, o que é típico de organismos com elevados gastos energéticos, como os homeotérmicos. Este facto permitia -lhes manterem-se activos de noite e ao entardecer; Eram animais nocturnos, dado o elevado tamanho das órbitas; Teriam uma audição apurada pois o ouvido apresentava três ossos, enquanto os répteis apenas têm dois. Até há cerca de 65 M.A. os mamíferos continuaram a sua existência nocturna discreta, até que os dinossa uros se extinguiram. A libertação de tão grande número de nichos ecológicos provocou uma explosiva radiação adaptativa, surgindo em muito pouco tempo, do ponto de vista geológico, todas as principais ordens de mamíferos actuais: monotrématos, marsupiais e placentários. Por este motivo, a era Cenozóica é designada a era dos mamíferos. PRIMATAS Os primatas constituem um grupo diversificado, que forma estruturas sociais complexas. A separação dos continentes, principal mente da Eurásia e da América, levou a duas grandes linhas evolutivas de primatas: símios do novo mundo (platirrineos) e símios do velho mundo (catarrineos). Deste últ imo grupo, com evolução em África, surgiu o ramo antropomórfico. Estes animais vivem geralmente em florestas tropicais, onde os seu s membros hábeis e preênseis são uma boa adaptação à vida nas árvores. Em algumas espécies a cauda também é preensil. Os cientistas consideram a existência de cerce de 200 espécies de primatas, mas, com o desenvolvimento dos estudos conservaci onistas, muitas outras têm vindo a ser descritas desde 1990. A variedade de primatas é facilmente reconhecida quando se observa um lémur -rato com 35 g e um gorila com mais de 200 Kg. No entanto, existem características mais ou menos comuns, como a presença de unhas e c auda (excepto nos antropomorfos). Com excepção de algumas espécies de cetáceos, é nos primatas superiores que o cérebro é tão maior relativamente ao corpo, fac to considerado um sinal de inteligência. Os hemisférios cerebrais, que tratam a informação sensor ial e coordenam as respostas motoras, são muito desenvolvidos, permitindo uma visão apurada (fundamental para saltos precisos entre ramos). Os primatas estão em sério risco pois as suas populações estão em rápido declínio devido à destruição de habitat e à caça ilegal de espécies protegidas (gorilas e orangotangos, por exemplo). Os primatas são também muito utilizados em pesquisas médicas e espaciais, devido à sua proximid ade genética com o Homem. Tendências evolutivas dos Primatas O que distingue os primatas das outras ordens de mamíferos ? A evolução de insectívoro a primata provocou algumas adaptações importantes: Adaptação à vida arborícola

com um prolongado período de crescimento pós-natal. os primatas mantiveram outros aspectos considerados primitivos: A estrutura quadrúpede básica tem no membro anterior dois ossos (rádio e cúbito) mas apenas os primatas mantiveram a capacida de de fazer girar o rádio (o osso do lado do polegar) sobre o cúbito.em primatas que durante o dia vivem no solo. levando á capacidade de girar a mão sem que exista movimento do cotovelo ou do braço . levando ao característico achatamento da face . em relação ao corpo. cotovelo. Estes grupos podem atingir algumas centenas de indivíduos. Primeiras etapas da evolução dos Hominóides . saltar. Apenas os társios são exclusivamente carnívoros. DESENVOLVIMENTO DO CÉREBRO Desenvolvimento das faculdades mentais ² o desenvolvimento progressivo de faculdades mentais corresponde á existência de uma face maior em relação ao crânio e de um maior encéfalo. podendo su bdividir-se. sementes e pequenos animais. ombro. o que favorece a percepção de profundidade e o cálculo de distâncias. comparativamente. como o catar comunitário. Esses antigos mamíferos apresentavam sempre cinco dedos separados em cada membro. a este nível. consequência da redução das mucosas olfactivas. todos os primatas levam uma vida em grupo. pois à noite dormem em ninhos nas árvores. ARTICILAÇÕES As articulações do punho. durante o qual aprende. quase todas de macacos do Novo Mundo. bem como das cristas de inserção dos músculos no crânio. Apenas os primatas mantêm o padrão primitivo. ta nto nos membros anteriores como posteriores. Articulação do "ombro" A maioria dos mamíferos perdeu a capacidade de rodar o braço para o lado a nível do "ombro". Este facto levou a um predomínio do sentido da visão sobre todos os restantes sentidos. para disso fazer uso mais tarde. A vida em sociedade tem a grande vantagem da protecção do grupo e a facilidade de transmissão de conhec imentos.supinação. Estes grupos ou bandos são frequentemente formados por várias fêmeas e um ou dois machos adultos. pois as suas extremidades ainda se assemelham às dos mamíferos primitivos. Adaptação à vida em sociedade Tirando orangotangos e algumas espécies de lémures e gálagos. apenas conseguem rodar para a fr ente e para trás mas os primatas conseguem-no o que é fundamental para quem salta de ramo em ramo com segurança. enquanto os maiores se alimentam de frutos. para uma movimentação mais segura. o que facilita a protecção das polpas t ácteis das pontas dos dedos e facilita o acto de agarrar. Adaptação a alimentação omnívora Os primatas têm uma alimentação variada. capturar a presa. cavar ou nadar. Visão Visão estereoscópica As órbitas frontais permitem uma visão binocular. anca e pescoço são particularmente móveis. a nível do pulso . mas a maioria evoluiu para extremidades mel hor adaptadas a correr. Estas sociedades são mantidas por comportamentos característicos . embora os mais pequenos sejam predominantemente insectívor os. o que torna os primatas animais muito á geis. Unhas Os dedos não apresentam garras. às dos répteis.pronação. Algumas espécies. Para que possam viver deste modo vári as estruturas se desenvolveram: Dedos preênseis Os primatas são. Outra importante capacidade mantida pelos primatas. formam casais monogâmicos. há uma redução dos músculos da mastigação. Deste modo. A nível do membro anterior. pelo menos em grande parte do campo de visão. é a possibilidade de rodar a mão para cima e para baixo. O predomínio da visão sobre o olfacto também favorece o comportamento social. acrescentando um polegar oponível. ou seja. como a existência de um único filho por gestação. A sociabilidade dos primatas tem surgido como resultado de características biológicas. Os dentes mol ares apresentam tubérculos e a arcada dentária passa de uma forma em V para uma forma em U. pouco especializados. Os gorilas apresentam um encéfalo com 500cm3 e o Homem apresenta 1400cm3.

no leste de África.a. separou a população ancestral dos grandes símios em duas. Filogenia dos hominóides até 1960 Que dados fornecia a paleontologia.a. que o Ramapithecus seria o ancestral mais antigo dos hominídeos. portanto.a. Actualmente esse género é design ado Dryopithecus. enquanto os grandes símios apresentam 24 pares.Com o desenvolver das ideias evolucionistas. e que foi considerado o elo que faltava para o ramo hominídeo. a do lado oeste do Rift numa floresta húmida t eria originado os gorilas e os chimpanzés actuais. teria originado o Homem. A formação. que este género é um ancestral directo do orangutango e não um qualquer ´elo perdidoµ na evolução humana. o que explica o facto de o Homem apresentar menos um par que os restantes grandes símios. Estes estudos revelam um grau de semelhança muito g rande entre os patrimónios genéticos dos géneros Homo e Pan. que teria vivido há cerca de 17 a 20 M. O cromossoma 5 humano e do chimpanzé apresenta as mesmas bandas de coloração. Dados de análise de proteínas Estudos das proteínas humanas e do chimpanzé revelam um grau de semelhança de 99%. os ramos dos grandes símios ter -se-iam separado entre si. chimpanzé ou qualquer outro primata actual. 2 M. que permitisse concluir quando ocorreu a separação entre os géneros Pongo (orangotango).a. Também considerou. Gorilla e Pan (chimpanzé) ? Pensava-se que bastaria encontrar um fóssil ancestra l comum a todos esses géneros. Posteriormente. . questionou-se pela primeira vez a origem do Homem. mais tarde que a separação dos hominídeos da linha principal. tal como Darwin tinha sugerido. provavelmente resultante da evolução do Proconsul.a. Dados de DNA mitocondrial O DNA mitocondrial é mais fácil de analisar pois é menor. cuja separação do ramo primata teria ocorrido há 14 M. como o Homem de Piltdown. Separação do ramo hominídeo Se estava definitivamente provada a separação do ramo orangutango há cerca de 15 M.. do Rift. Este grau de semelhança só existe entre es pécies gémeas (iguais morfologicamente). pela primeira vez. Reformulação da filogenia dos hominóides A partir dos anos 60. que o Homem e os grandes símios actuais derivavam de um mesmo ancestral comum. o que se teria passado em relação ao restante tronco ? Dados cromossómicos O estudo dos cariótipos revelou que o Homem tem 23 pares de cromossomas. os restos fragmentados que eram conhecidos não permitiam o esclarecimento devido da questão. No entanto.a. Com a descoberta do género Proconsul. Dess es. após a separação dos orangotangos.. Mais recentemente descobriu -se o Ramapithecus. numa zona mais estéril e plana.a. Darwin considerou a espécie humana como o resultado de uma longa evolução. há cerca de 5 a 7 M. parece apoiada por dados geológicos... então. Concluía-se. enquanto a do leste. novas descobertas permitiram uma reformulação completa da filogenia anteriormente aceite: POSIÇÃO DO RAMAPITHECUS A análise das proteínas dos fósseis de Ramapithecus levou á conclusão que este género era mais aparentado com os actuais oran gotangos que com o Homem. 13 pares de cromossomas humanos são virtualmente idênticos aos dos chimpanzés. Conclusão: a nova árvore genealógica considera que os chimpanzés e os gorilas se separaram há cerca de 3 M. Este facto pode ser explicado por uma inversão pericentrica. Dados geológicos A trifurcação do ramo restante. daí a sua importância para estudos desta na tureza. Os estudos realizados confirmam a evolução próxima de Homem e chimpanzés mas revelam uma separação do ramo humano anterior á diferenciação entre chimpanzés e gorilas. a partir de espécies ancestrais. diferindo os restantes apenas parcialmente. género de há 15 M. Conclui -se. O cromossoma 2 humano resulta de fusão entre dois cromossomas de chimpanzé. por acção da selecção. mas por ordem diferente. os cientistas pensaram ter encontrado esse ´ elo perdidoµ mas tal não aconteceu. O desejo de encontra r o ´elo perdidoµ era tal que surgiram inúmeras fraudes..

por exemplo. dado o Homem ter libertado as mãos para manejar e desenvolver ferramentas. tanto funcional como em tamanho (o mínimo de um Homem é 1000cm3 e o máximo de um gorila é de 650cm3). Estes fósseis só existem no leste africano. poucos animais o conseguem e geralmente durante pequenas distâncias apenas (gibão. 1983). ou talvez mais. Nos macacos. orifício occipital. cabelo longo de crescimento contínuo e pêlo s corporais escassos. caninos pequenos e pré-molares bicuspides. importantes para a definição da família Hominidae: Características morfológicas Neste grupo pode-se considerar diversos aspectos: cérebro de grande capacidade. por exemplo). permitindo -lhe mover-se graças ás vértebras articuladas entre si e sep aradas por discos intervertebrais maleáveis. face vertical com arcada supraciliar reduzida. corpo com camada de gordura subcutânea. bipedismo levou ao surgimento de numerosas alterações a nível evolutivo e morfológico: Aspectos evolucionistas Certos autores consideram esta característica como a verdadeira causa do desenvolviment o das outras características humanas. Os antropomórficos do lado oeste divergiram para os macacos actuais. maxilar inferior pouco saliente e com dentes de tamanho regular. A ligação lombar/sacra forma um promontório que s ustenta todo o peso da parte superior do corpo. no crânio. tem em conta os locais onde apareceram os fósseis de hominídeos. pois o Rift criou uma barreira geográfica que separou a população ancestral em dois grupos. lombar (concavidade posterior) e sacra. o corpo apoia-se exclusivamente nos membros inferiores e a deslocação efectua -se assentando alternadamente os pés. Deste modo for am obrigados a modificar o seu modo de locomoção. infância e maturação esquelética prolongada. Além do Homem. Os do lado leste ficaram encurralados numa zona donde desapareceram as florestas. dedo grande do pé não o ponível. . em relação aos resta ntes símios. caixa craniana maior que a face. coluna vertebral é um eixo vertical que sustenta o corpo. chimpanzé. pernas 30% mais longas que os braços e mais fortes. permitindo que esta fique bem estável. elaboração de conceitos abstractos (o futuro. por ex emplo). fabrico e manuseio de instrumentos. conhecida por ´East side storyµ. Por esta ordem de ideias são características exclusivas do Homem: Conceito de hominização inteligência superior. dentes em arcada arredondada. o que originaria territórios muito maiores. é horizontal e localizado por baixo da cabe ça. O bipedismo também permite uma maior eficiência a percorrer longas distâncias. mãos com polegares bem desenvolvidos e oponíveis. dorsal (concavidade ant erior). A teoria actual (Coppens. para permitir o transporte de alimentos a grandes distânc ias. Aspectos morfológicos No bipedismo. o orifício occipital está deslocado para trás e é oblíquo. linguagem articulada. No Homem a adaptação ao bipedismo e à postura vertical levou a importantes modificações anatómicas na cabeça. Actualmente outros aspectos são considerados igualmente. com um balanceamento do corpo. ficando uma extensão de savana. vida social complexa e com esforço cooperativo. pois a sua estrutura física não está para isso habilitada. devido ao meio luxuriante se manter. Apresenta quatro curvaturas que se compensam mutuamente: cervical (concavidade posterior). membros inferiores muito maiores que os anteriores.Primeiras etapas da evolução dos Hominídeos Durante muitos anos foram os aspectos culturais e intelectuais os decisivos na separação dos hominídeos. coluna vertebral e membros. com o desenvolvimento cerebral daí resultante.

Parece existir uma simultaneidade entre o surgimento do bipedismo e o aumento de volume do cérebro. Já os Australopithecus teriam u m aparelho vocal semelhante ao dos macacos actuais. robusto e paralelo aos restantes. Cultura Aspectos culturais Este aspecto é marcante para o Homem mas também existe em alguns outros primatas. delgado e orientado obliquamente permite o alinhamento das articulações da b acia e joelho. é muito desenvolvida e nela residem as funções intelectuais. a nível individual . Estes sons são produzidos na laringe. na expressão de sentimentos ou sensações (satisfação. A verdadeira diferença entre a linguagem humana e a animal é a prodigiosa riqueza da primeira. ao contrário dos macacos. o córtex. Viveram na África do sul e oriental. o ar expirado passa seguidame nte para a faringe e depois para a cavidade nasal e boca. No entanto. Tendo em conta o peso médio do Homem. Evolução dos Hominídeos Australopithecus Os primatas do género Australopithecus são os primeiros hominídeos que se conhecem. a espécie tem um cérebro menor que a média das espécies com o mesmo peso corporal. torna -se praticamente impossível ter a capacidade.). se for superior a 1. que têm um tronco bastante pesado. pé é o suporte da totalidade do peso do corpo. suspensas do osso hióide. sendo uma das maiores modificações morfológicas verificadas no Homem. órgão constituído por cartilagens e músculos. Evolução do cérebro Outros autores consideram a principal causa do desenvolvimento da espécie humana a e volução do cérebro. a espécie tem um cérebro maior que outras de peso semelhante. véu palatino e lábios. Se tal aprendizagem não se efectua durante a primeira infância. As modificações de forma da boca. a linguage m animal depende estritamente da sua função. alguns dos quais formam as cordas vocais. A capacidade de falar tem base genética mas a linguagem é essencialmente aprendida. o que os impediria de pronunciar as vogais. ou seja. como nos macacos. estudos deste tipo já permitiram concluir que o Homem de Neanderthal apresentaria um aparelho vocal semelhante ao dos recém-nascidos. A laringe apenas faz variar a frequência dos sons produzidos. a nível social. Através do seu primeiro metatarso o peso é deslocado do calcanhar para a extremidade do pé. ex iste a herança social. ideias e noções abstractas. palato e buraco occipital. A partir de algumas dezenas de sons fundamentais associados a um ritmo muito rápido surge a palavra. no alarme ou intimidação. medo. Entre mamíferos. fémur alongado. etc. centro de gravidade é baixo pois o peso do corpo está deslocado para os membros inferiores. Além do programa genético e hereditário. É possível traduzir para linguagem animal uma frase do tipo ´Dá -me uma maçãµ mas não do tipo ´Acho que ele sabe que penso como eleµ. o cérebro é três vezes mais pesado que o de um primata de peso semelhante. logo para que não se caia a cada passo é necessário que a bacia oscile para cima e para baixo. As cartilagens e tecidos moles não fossilizam bem logo apenas se pode estudar os ossos da face interna da maxila in ferior. A sua zona externa. Assim. as principais funções da linguagem consistem. permitem a diferenc iação dos sons. daí a diferença na capacidade de expressão oral entre ind ivíduos.a. sem que exista apoio na zona exterior do pé. O que distingue a linguagem humana é a capacidade de veicular símbolos. o cérebro humano é o maior e o mais pesado entre todos os animais. graças aos movimentos da língua. e. não ligada á hereditariedade e que permitiu o progresso humano em cada geração.dos membros inferiores (principalmente ao grande glút eo). Por este motivo é possível juntar os pés. No caso humano o quociente de encefalização tem valor 8. Para comparar o tamanho do cérebro em animais de peso corporal diferente pode utilizar-se o quociente de encefalização (razão entre o peso do cérebro e o do corpo): se for inferior a 1. O dedo g rande do pé é longo. O pé funciona como uma plataforma extremamente flexível e estável. linguagem articulada É uma característica exclusivamente humana. Apresentavam um volume craniano semelhante ao dos símios (500 cm3) mas já tinham alguns caracteres humanos: dentição primitiva mas sem caninos salientes e com incisivos largos. entr e 4 a 2 M. A cada passo o peso total do corpo passa de um pé para o outro. . Este facto permite uma maior estabilidade à ma rcha.

A face era côncava (em forma de prato) e arcada supraciliar pronunciada. no máximo. em homenagem á localidade alemã onde primeiro foi descoberto. para a Europa e para a Ásia. onde surgiu. também. Desapareceram instantaneament e. Foram descobertas sepulturas com ornamentos. Actualmente pensa-se que talvez estes primatas pertençam a um ramo colateral da evolução humana. baixo e com pouca testa. Desenvolveu a ´indúst ria líticaµ. revelando um significativo aumento de estatura em relação aos seu s ancestrais Australopithecus. durante o último período glaciar. oportunista pois as pedras eram usadas ao acaso. madeira e outros materiais para a construção de utensílios. daí a sua designação. Homo erectus Esta designação inclui diversos fósseis. Esta espécie terá vivido entre 2. . viveram principalmente na Europa ocident al e médio oriente mas nunca em África. Migrou da África. O crânio apresenta uma característica forma de sino. a expansão do seu território para zonas mais frias. e 130000 anos atrás. com separação de lascas. 120 cm de altura e pesariam entre 27 a 32 Kg. depois usadas como pontas de seta e facas. Foi o primeiro hominídeo a dominar o fogo. nomeadamente o Homem de Java. De const ituição atarracada. Homem da Rodésia e outros vestígios e uropeus e africanos.5 M. Homo sapiens sapiens O Homem moderno terá surgido numa região compreendida entre a Etiópia e o próximo oriente pois existem fósseis como o do Homem da Galileia. viveu entre 50000 e 35000 anos atrás.bacia larga e em forma de ce sto. como num ser bípede. Já tinham desenvolvido uma ´industria do calhauµ. que parecem estar na origem do tipo humano que se expandiu pelo mundo. A arcada s upraciliar era muito saliente ainda. Homo sapiens neanderthalensis O chamado Homem de Neanderthal. o que denota organização e espirito de grupo. sem queixo e com dentes maiores que os do Homem actual. Também já foi referido como Pitecanthropus. prognata. superior á do Homem moderno. A sua postura era nitidamente erecta. embora menos do que os do Homo erectus. Utilizavam. um acentuado pro gnatismo (saliência da zona inferior da face) mas sem queixo. Já caçava animais de grande porte. As arcadas supraciliares eram muito desenvolvidas. Teriam. Os ossos do crânio são espessos. Apresentava uma capacidade craniana de 900 cm3.A. produziam utensílios de pedra mais elaborados e finos. O fogo permitiu. Homem de Pequim. com uma espantosa capacidade craniana de 1300 a 1750 cm3. há cerca de 35000 anos. à escala geológica. antes uma ramo colatera l que se extinguiu. também. ossos . As suas características tão especializadas parecem mostrar que não é um antepassado do Homem moderno. o que lhe permitiu r eduzir a musculatura da mastigação na face pois a carne cozida é mais macia.

variando do tom azeitona até ao quase negro. acumulação de resíduos e propagação de doenças. O estudo dos grupos sanguíneos permitiu verificar que existem diferenças nas frequências dos diversos tipos. Mongolóides Pele amarelada. Estas populações apresentam. com intensa exploração dos recursos naturais. onde atinge 20 a 30% e diminui para Ocidente. olhos escuros e nariz largo. "RAÇAS" HUMANAS A espécie humana é ubíqua. ou Rh. alguns autores consideram-na acentuadamente polimórfica. Homo erectus e Homo sapiens neanderthalensis. com uma relativa correspondência com as etapas de evolução biológica: paleolítico ou idade da pedra lascada. caracteristicamente pele e olhos claros. em diferentes locais do globo. Instalaram-se em aldeias e tornaram -se agricultores. inicia -se há cerca de 5000 anos. o que permitiu às populações um aumento do tempo de lazer. cabelos lisos. Negros Pele escura. B. até á Índia. O sistema Rhesus. A . O queixo é bem desenvolvido e a face é ortognata (plana). São os inventores do supérfluos. Cada grupo sanguíneo corresponde á presença de certas estruturas moleculares (globulinas) na superfície de glóbulos vermelhos. cobre. corresponde aproximadamente ao tempo de existência dos géneros Australopithecus. nariz de forma variada. nariz achatado. nomeadamente o sistema Rhesus e o sistema Gm. a fixação inerente à agricultura provocou o desenvolvimento da vida em sociedade e o avanço cultural. Já antes foi referido que o que distingue duas populações não é a presença ou ausência de determinado grupo sanguíneo mas a f requência relativa de cada grupo. Estes dados apontam para o surgimento. terão surgido há cerca de 30000 anos. Estudos verificaram que o gene cuja frequência sofre uma variação maior é o gene que codifica o grupo sanguíneo B. olhos com prega epicântica na pálpebra superio r (cuja função é proteger do clarão ofuscante da neve). seguida do seu alastra mento. através de populações que teriam migrado através do estreito de Behring. Modificações em populações humanas Já em 1900 era do conhecimento geral a existência de 4 grupos sanguíneos em seres humanos. rosto largo e achatado. existindo em todos os climas mas é um conjunto biológico homogéneo no que se refere ás suas características. ou seja. já com Homo sapiens sapiens. Também existem outros sistemas de grupos sanguíneos. . norte-americanos e árabes. A sua frequên cia é máxima na Ásia. variando do tom acastanhado ao quase negro.São mais altos e menos possantes que os Homens de Neanderthal. como a arte e as diversõ es. testa direita e ossos do crânio leves. Trata-se de uma propriedade dos glóbulos vermelhos semelhante á que se encontra presente nos macacos do género Rhesus. Australóides Aborígenes e povos com eles relacionados. cabelo enc aracolado. com exc epção dos mediterrânicos. Por outro lado. formando-se agregados urbanos. lábios delgados e cabelo liso ou ondulado. devido à disponibili dade de alimento. Durante este período surgiu a agr icultura. Este facto permite uma maior divisão do trabal ho. bronze). olhos escuros e cabelos crespos. que apresentam pele escura. Evolução cultural A análise arqueológica dos utensílios do Homem permitiu estabelecer uma sequência de etapas na evolução cultural. 5 a 10% em França e 0 a 5% em Po rtugal. As diferenciações geográficas características das chamadas raças. na Ásia. por mutação. é formado por dois tipos apenas: Rh+ ( a maioria dos casos) e Rh -. sintetizadas com base na informação codificad a nos respectivos genes. do gene que codifica o grupo sanguíneo B. dando origem ao conceito de raça humana. para ocidente. á cerca de 10000. neolítico ou idade da pedra polida. idade dos metais (ferro. em relação a características de segundo plano. Existem várias classificações de raças humanas mas geralmente existem 4 grupos básicos: Caucasianos Europeus. nariz estreito. Deste grupo terão derivado os índios americanos e os esq uimós. AB e O. por migração. após a última glaciação. sem arcadas supraciliares salientes. com 15 a 20% no leste europeu. Apesar desse facto.

Redução do papel da selecção natural O tempo médio de vida de um ser humano tem vindo a aumentar. onde vários tipos de H. pois este termo só pode ser aplicado a populações que mostrem uma concordância acentuada dum numeroso conjunto de caracteres distintivos. Um animal. os caracteres utilizados não vari am dentro das raças de modo correlacionado. que originaram as raças. numa região algures entre a Ásia central e o nordeste africano. bem como a obtenção de organismos transgénicos. Esta explor ação desastrosa dos recursos num mundo finito tem que ser travada. o Homem respondeu com a sua inteligência e espirito criador. Hipótese monocêntrica O Homem actual terá surgido num território único. surgem novos agentes selectivos. como os produtos criados pelo Homem que são mutagénios. a longo prazo. Só posteriormente se teriam formado as várias populações geográficas. encontrando soluções originais que lhe asseguram hipóteses de sobrevivência. entre eles o H. uma variação quantitativa e não qualitativa. Outro aspecto a salientar é a utilização do termo subespécie á população humana. um dos critérios mais importantes na classificação das raças humanas . Estas técnicas podem permitir a cura de doenças hereditárias. portanto.Qual a origem destas raças ? Existem duas teorias que tentam ex plicar estas diferenças morfológicas entre as populações humanas: Hipótese policêntrica A formação da actual população humana efectuou -se em vários territórios relativamente independentes. genes de espécies diferentes no mesmo citoplasma. O Homem adquiriu também um poder assustador. sob pena de encurtar a evolução da nossa espécie¬ Cultura A cada problema colocado pela natureza. Isto sig nifica que as populações incluem. A espécie humana é muito jovem. Actualmente a e volução do Homem é mais cultural que física. Limites do crescimento O Homem tem alterado profundamente o ambiente. sapiens. É sabido que uma boa classificação se deve basear num conjunto de caracteres representativos mas no caso humano. Este poder. e cujas consequências só serão visíveis em muitas gerações. simultaneamente. De todos estes argumentos pode concluir -se que as raças humanas não têm qualquer significado b iológico. o que teri a enriquecido o seu património genético. os quais serão transmitidos em maior número ás gerações seguintes. et c. sejam quais forem as modificações do meio em que vive. a medicina impede a acção da selecção na tural logo haverá cada vez mais indivíduos portadores de genes deletérios. capaz de alterar o equilíbrio que levou á natureza milhões de anos a atingir. Actualmente sabe-se que a cor da pele. a história humana decorre apenas numa milésima parte da vida na Terra. Verifica -se. resulta apenas da quantidade variável de melanina na pele. o que é uma vantagem inimaginável pois o mais esperto animal não consegue transmitir os seus conhecimentos á sua descendência mas o Homem transmite á sua descendência e a todos os outros Homens. que é muito maior que a variação entre raças. a medici na é vantajosa para o indivíduo mas parece prejudicial para a espécie. Engenharia genética A recombinação artificial de genomas permite ultrapassar os mecanismos isoladores pois junta. erectus teriam dado origem aos principais tipos actuais. devido á agricultura. como as radiações atómicas. irrigação e construção de cidades. drenagem. para não falar do espectro de variação dentro da mesma raça. O FUTURO DA ESPÉCIE HUMANA Tendo em conta o momento em que a espécie humana surge á face da Terra. desenvolveu o seu conhecimento a ponto de ser capaz de agir sobre a sua própria evolução. alterações ambientais. sem descendentes terá a sua herança desaparecida para sempre mas Da Vinci ou Beethoven não deixaram descendentes e o seu génio é conhecido de toda a Humanidade. bem como sobre a de todos os organismos sobre a Terra. onde teria ocorrido o cruzamento de numerosos hominídeos. Por outro lado. por exemplo. logo deve estar apenas no início da sua evol ução¬ Divergência x homogeneidade De modo geral considera-se que existe uma tendência para a homogeneidade das características humanas pois as barreiras geográficas e culturais estão progressivamente a desaparecer. o que não é o caso do Home m.. devido á melhor nutrição e ao aumento dos cuidados médicos. Biologicamente. não poderá voltar-se contra o seu próprio criador ? Futuro do cérebro . cada vez mais gerações. artificialmente. erectus e H. por m ais forte e mais dotado que seja. Assim.

aves e mamíferos. Representam outro indício de ancestralidade comum. quando essa teoria já era difícil de ser sustentada. possuem características semelhantes. É como se todos os vertebrados tivessem passado por uma fase "de peixe" em seu desenvolvimento embrionário. mesmo vivendo em ambientes iguais. em função da educação. acab aram sofrendo uma adaptação dos órgãos ao ambiente onde vivem. a exemplo das asas de um inseto e asas de uma ave. mas que vivem em regiões diferentes. que considerava todos os seres vivos imutáveis ao longo do tempo. A teoria da evolução trata das evidências da origem dos seres vivos e das mudanças lentas e graduais que sofreram desde seu a parecimento até os dias atuais. A adaptação dos órgãos De mesma origem. No entanto. No século XIX. embriões parecidos Mais um argumento a favor da existência de antepassados comuns: a semelhança entre as primeiras etapas do desenvolvimento emb rionário de muitas espécies. quando havia espécies muito diferentes da s atuais e outras que desapareceram. as pressões da seleção natural são muito semelhantes e acabam por selecionar estruturas adaptadas ao ambien te. mas não nas rãs adultas. A avaliação das funções da pata de u m cavalo e da asa de um morcego. As formas anatômicas das baleias e peixes (animais de classes diferenciadas) e suas nadadeiras facilitam o deslocamento na ág ua. os órgãos homólogos podem eventualmente desempenhar funções diferentes. dos estímulos e da vontade própria de aprender. fungos. Neles. plantas e animais. o naturalista francês Georges Cuvier propôs que os fósseis correspondiam a orga nismos extintos e que a Terra tinha sido povoada por uma série de animais e plantas diferentes dos atuais. a cauda comprida e os três dedos livres com as unhas curvadas nas extremidades dianteiras são algumas características répteis do Archaeopteryx litographica. A plumagem é própria das aves. As fendas branquiais ocorrem em diferentes estágios embrionários nos anfíbios. não são observadas nos animais adultos. Porém. A evolução segundo Lamarck A teoria de Lamarck explica o crescimento do pesc oço da girafa . ainda que utilizada de maneiras var iadas. conhecemos uma grande quantidade de fósseis. incluindo bactérias. Plantas de famílias diferentes adaptadas às regiões secas. Os organismos evoluem e se modificam Até o começo do século XVIII. É indiscutível que o ser humano actual é mais inteligente pois vive num ambiente mais rico e complexo. A presença de dentes nos maxilares. Seu organismo fóssil permite observar características de ave e réptil. mesmo que tenham origens distintas. todos nascem com as mesmas potencialidades mas desde a infância que se vão tornando mais ou meno s inteligentes. as estruturas acabam se tornando parecidas. são percebidas as mudanças anatômicas progressivas que ocorreram entre as formas primitivas e as atuais. existem também nos girinos. Estas semelhanças. por exemplo. os órgãos análogos exercem a mesma função e ilustram o fenômeno da convergência adaptativa. O Archaeopteryx litographica é considerado uma das provas de que as aves evoluíram dos répteis. por exemplo. réptei s.na forma. de uma rã ou de um delfim (mamífero aquático) terem a mesma estrutura óssea. mas na organização dos milhões de células que o constituem. Todas elas procedem de um antepassado comum. é indício de uma ancestralidade comum. As formas intermediárias entre uma espécie e outra proporcionam uma grande quantidade de informações a respeito do s mecanismos da evolução. Os fósseis são prova da evolução Hoje. Nestes casos. As fendas branquiais dos peixes. aceitava -se a teoria da não mutação. Desse modo. conforme uma grande quantidade de provas biológicas reunidas por estudos científicos. porém. O conceito de irradiação adaptativa define que organismos com parentesco evolutivo. serve para exemplificar o conceito de irradiação adaptativa . O fato de os membros anteriores de um homem. Mais tarde. Hoje existem aproximadamente dois milhões de espécies de organismos vivos sobre a Terra. Animais com parentesco. surgiram várias teorias afirmando que os o rganismos mudam lenta e gradualmente ao longo do tempo. As revelações da estrutura óssea O estudo comparativo da estrutura anatômica de seres vivos difere ntes também ajuda a entender os mecanismos da evolução. não é a mesma variedade de organismos vista há milhões de anos. De origem diferente. O que sabemos sobre a evolução? As espécies mudam com o decorrer do tempo.

A formação das novas espécies Os cientistas acreditam que a maioria da espécies surgiu depois de cumprir pelo menos três etapas: isolamento geográfico. As barreiras que isolam as subpopulações podem ser o rio que corta uma planície. Diversificação gênica Aprogressiva diferenciação do conjunto gênico de subpopulações isoladas.ig.com. Lamarck teve méritos em destacar o transformismo. O neodarwinismo respondeu a esta pergunta salientando que a causa da variação genética das p opulações ocorre por dois fatores fundamentais: o aparecimento de fenômenos aleatórios como as mutações (mudanças no material genético) e a recombinação genética (intercâmbio de genes entr e os cromossomos na formação das células sexuais). Isolamento reprodutivo Resulta da incapacidade. os cientistas logo se perguntaram qual era a ca usa da variação das espécies. os indivíduos de uma mesma espécie não são iguais. e permite que tenham uma descendência maior. mas apresentam pequenas variações de suas características (como o formato do bico ou o comp rimento da cauda). de membros de duas subpopulações se cruzarem. torna ndo-se reprodutivamente isoladas. A seleção natural de Darwin Depois de Lamarck. produzindo descendência fértil. Fonte: www. É o que se conhece como seleção natural dos indivíduos com características mais bem adaptadas. como o levedo da cerveja. Hoje. Levedura: fungos unicelulares de grande importância industrial. Fendas branquiais: câmara nas brânquias por onde a água circula. exposta no livro A origem das espécies. Para lembrar O resultado da luta pela vida entre indivíduos de uma mesma espécie é a sobrevivência daqueles que possuem variações mais van tajosas. Em conseqüência disso. o pescoço da girafa cresceu pois esse animal costumava esticá-lo constantemente para alcançar o alimento. Para lembrar A seleção natural escolhe os indivíduos com variações mais favoráveis Tanto a mutação como a seleção natural explicam o processo de evolução dos seres vivos. Glossário Características adquiridas: adaptações geradas em um organismo por seleção ambiental. o inglês Charles Darwin enun ciou a sua teoria sobre a evolução. seus filhos nasceram com o pescoço mais comprido. Segundo Darwin. que introduzem alelos diferentes em cada uma das subpopulações isoladas e pela seleção natural.biologia-ar. dando -lhes um aspecto escuro. diversificação gênica e isolame nto reprodutivo. Trilobitas: organismos fósseis com três lóbulos que viviam no fundo do mar. que pode preservar conjuntos de genes em uma das subpopulações e eliminar conjuntos similares em outra que vive em ambiente diverso. Mofo: fungos que se alimentam de substâncias em decomposição. as subpopulações se diferenciam tanto que perdem a capacidade de cruzamento entre si. Isolamento geográfico A separação física de subpopulações de uma espécie.por mudanças nos organismos e estas são herdadas por seus descendentes.br . um vale que divida dois planaltos ou um braço de mar que separe ilhas e continentes. essas subpopulações são consideradas espécies distintas. Em geral. De acordo com L amarck. A teoria da evolução hoje Embora a teoria da seleção natural de Darwin esteja correta em linhas gerais. depois de um longo período de isolamento geográfico. total ou parcial. sabe-se que os caracteres adquiridos não são transmitidos aos descendentes. A diversificação gênica é provocada por dois fatores: pelas mutações. como o mofo do pão. A partir daí. mas estava equivoca do na interpretação da transmissão de dados adquiridos por falta de metodologia adequada na época.hpg.

Pensava-se que a inteligência presente nos humanos modernos fosse um pré -requisito para o bipedalismo. Mas. Bender sugeriu que a Teoria da Savana se denominasse "Freilandhypothesen". supunha-se que os fósseis dos ancestrais dos humanos seriam encontrados na África e que os humanos compartilhavam um ancestral comum com os outro s antropóides africanos. A variedade robusta de Aus tralopithecus tem. um cientista brasileiro de residência na Suíça iniciou uma análise histórica da Teoria da Savana. Tanto os Australopithecines quanto o Homo pertencem à família Hominidae. Neste trabalho foi demonstrado que a Teoria da Savana não tem sua origem no trabalho de Raymond Dart. seu formato era redondo. Em 1925. É tema de um amplo questionamento científico que busca entender e descrever como a mudança e o desenvolvimento acontecem. uma palavra alemã que pode ser traduzida pela e xpressão "Hipótese dos Campos Abertos" (HCA). especulava-se que nossos parentes mais próximos eram os chimpanzés e gorilas. O espécime foi Bebé de Taung. es sa já era uma conhecida interpretação da sua teoria ³e seu bastante controverso aspecto. tendo em vista que os descobrimentos dos fósseis não tiveram influência alguma na formulação destas especulações. a Genética e a Antropologia Física. Em 1993. sugeriu também o Professor Phillip Tobias. africanus como um ancestral direto dos humanos modernos. Renato Bender. Na década de 1930. pelo qual os seres humanos emergiram como uma espécie distinta. O termo " humano". Até muitos dos apoiadores originais de Darwin (como Alfred Russel Wallace e Charles Lyell) rejeitaram a idéia de que os seres humanos poderiam ter evoluído sua capacidade mental e senso moral pela seleção natural. o espécime exibia dentes caninos pequeno s e a posição do foramen magnum foi uma evidência da locomoção bípede. a Biologia Evolutiva. Mais 20 anos passariam até que as reinvindicações de Dart fossem levadas em cons ideração. Durante a década de 1960. A Teoria da Savana é normalmente ligada ao trabalho de Raymond Dart. o A. Os restos constituíam -se de um crânio muito bem preservado e de um molde endocranial do cérebro do indivíduo. e quando Darwin publicou seu próprio livro sobre o assunto (A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo). A Teoria da Savana Um dos aspectos mais fascinantes da pesquisa paleoantropológica se refere à influência da Teoria da Savana neste campo científico. e a partir de outras considerações. ele pode muito bem ter sido um primo mais distante. Bem ao contrário: até poucos anos atrás esta teoria era normalmente mencionada como um exemplo clássico de uma especulação infundada. Através desta gradual perda de suporte na HCA. os cientístas passaram a se interessar por explicações alternativas d entro do mundo científico. a variedade robusta foi transformada em Australopithecus. o gênero Paranthropus foi utilizado. ou evolução. baseado na distribuição natural dessas espécies.EVOLUÇÃO HUMANA A Evolução Humana é o processo de mudança e desenvolvimento. também conhecida por Aquatic Ape Theory ou Aquatic Ape Hypothesis. quando os espécimes robustos foram descritos pela primeira vez. Bender insistiu no uso desta expressão no plural. o grupo ao qual os homens modernos pertencem. sido reclassificada como Paranthropus. alguns grandes macacos foram classificados c omo sendo os animais mais próximos dos seres humanos. como a Psicologia Evolucionista. uma forma transitória entre "macacos" e humanos. O estudo da e volução humana engloba muitas áreas da ciência. Os Australopithcíneos são agora vistos como os ancestrais imediatos do gênero Homo. Além disso. baseado na similaridade morfológica. Apesar do cérebro ser pequeno (410 cm3). Apesar do primeiro livro de Darwin sobre evolução não abordar a questão da evolução humana. um paleoantropólogo de renome internacional da África do Sul. tendo sido já mencionada em 1809 pelo famoso ci entista francês Jean-Baptiste de Lamarck. reconhecendo que estas não tenham a base científica antigamente tida como certa. Mas. A situação está mudando rapidamente. Este modelo teórico foi aceito pelas gerações seguintes de paleoantropólogos e se tornou a exp licação mais comum nos livros sobre evolução humana. Por exempl o a médica suíça Nicole Bender-Oser escreveu uma dissertação histórica sobre a origem da Teoria Aquática (teoria esta formulada pela primeira vez pelo médico alemão Max . Totalmente independente de Bender. um livro clássico de Campbell e Reece (2006. mas dados recentes têm levado a questionar a posição do A. Um dos exemplos mais impressionantes de ste distanciamento podemos ver na obra Biology. um infante de Australopithecus descoberto em Taung. como os australopithecus. Em seu artigo em Nature no ano 1925 Dart sugeriu um cenário evolutivo para a origem do Australopithecus africanus: por consequência de mudanças climáticas e uma subsequente redução das matas. A visão prevalente naquele tempo era a de que um cérebro grande de senvolveu-se antes da locomoção bípede. Uma das alternativas é a Teoria Aquática. afim de abranger as diferentes vers ões deste grupo de especulações que foram publicadas nos últimos 200 anos da história da HCA. E. não tendo apoio de cientistas. no contexto da evolução humana. Os resultados desta pesquisa foram apresentados 1999 em uma dissertação no Instituto de Esportes e Ciências Esportivas da Uni versidade de Berna. Debates entre Thomas Huxley e Richard Owen f ocaram na idéia de evolução humana. sendo mais semelhante ao cérebro do homem moderno. refere-se ao gênero Homo. Desde o tempo de Lineu. Raymond Dart descreveu o Australopithecus africanus. Foi apenas na década de 1920 que fósseis além dos de Neandertais foram encontrados. Todos esses traços convenceram Dart de que o "bebê de Taung" era um ancestral humano bípede. 848 -849) e muito influente no campo biológico. Este fato é de enorme importância na avaliação científica da Teoria da Savana. Os Australopithecines foram originalmente cl assificados em dois tipos: gráceis e robustos. africanus abandonou a vida arborícola e passou a se adaptar a uma vida nas savanas. A tendência recente tem -se voltado à classificação original como um gênero separado. diferentemente daqueles dos chimpanzés e gorilas. Bender provou que a idéia de uma adaptação à vida nos "campos abertos" é muito antiga. popularizado também em inúmeros livros de ciência popular. desde então. desde que os fósseis de hominídeos encontrados na África pareciam confirmar este modelo teórico. A partir desta análise. A idéia de que os humanos eram similares a certos macacos era óbvia para alguns há algum tempo. África do Sul. No século XIX. Histórico da paleoantropologia A moderna área da paleoantropologia começou com o descobrimento do Neandertal e evidências de outros "homens das cavernas" no século 19. Nos últimos anos vários paleoantropólogos também passaram a se distanciar destas esp eculações. os estudos da evolução humana usualmente incluem outro s hominídeos. seguindo a descoberta de mais fósseis que lembravam o achado de Dart. A Teoria da Savana foi vista como um fato indisputável. era claro para leitores contemporâneos o que estava em jogo. a idéia de evolução biológica das e spécies em geral não foi legitimizada até à publicação de A Origem das Espécies por Charles Darwin em 1859. um distanciamento das HCA. O interessante nesta teoria é o fato que ela foi divulgada e desenvolvida durante muito tempo em obras populares.

Enquanto algumas dessas outr as espécies poderiam ter sido ancestrais do H. habilis. A palavra homo vem do Latim e significa "pessoa". outros foram encontrados na Ásia (notadamente na Indonésia). H. na África. sapiens. apesar disso causar confusão. H. e reservando a denominação H. em outros. e Europa.8 (incluindo o ergaster) ou de 1. habilis tinha molares menores e cérebro maior que os Australopithecines. essas e outras diferenças são suficientes para que os antropólogos possam classificá-los como uma nova espécie. H. e Europa.4 a 1. É geralmente traduzido como "homem". quando divergiu do Australopithecines. Do mesmo modo. A pal avra "humano" vem de humanus. H. H.5 ²1 MAA. tendo especificado a partir de nossa linhagem ancestral . No Pleistoceno Inferior. isso é devido à escassez de fósseis. a forma adjetiva de homo. a primeira espécie do gênero Homo. erectus apenas para os fósseis encont rados na região da Ásia e que possuam certas exigências esqueléticas e dentárias que diferem levemente das do ergaster.Aquática é apresentada como a alternativa mais convincente entre as atuais opções da literatura especializada.70 MAA. dado que a palavra "homem" pode ser genérica como homo. Muitos paleoantropólogos estão atualmente utilizando o term o Homo ergaster para as formas não asiáticas desse grupo. o estudo recente das origens do Homo sapiens geralmente demonstra que existiram outras espécies de Homo.5²2 MAA. 2. cognato com "virile" e "werewolf". Antes do Homo OS PRIMEIROS HOMINÍD EOS Sahelanthropus tchadensis Orrorin tugenensis Ardipithecus kadabba Ardipithecus ramidus y y y y GÊNERO AUSTRALOPITHECUS Australopithecus anamensis Australopithecus afarensis Australopithecus africanus Australopithecus garhi y y y y GÊNERO PARANTHROPUS Paranthropus aethiopicus Paranthropus boisei Paranthropus robustus y y y Gênero Homo Na taxonomia moderna. Homo. África. devido a diferenças mínimas usadas para distinguir espécies no gênero Homo. 1. escol hido originalmente por Carolus Linnaeus em seu sistema de classificação. e faziam ferramentas de pedra e talvez de ossos de animais. todas as quais estão agora extintas. HABILIS Viveu entre cerca de 2. Em alguns casos. mas pode também referir -se especificamente aos indivíduos do sexo masculino. Um exemplo famoso de Homo erectus é o Homem de Pequim. erectus. evoluiu no sul e no leste da África no final do Plioceno ou início do Pleistoceno.5 milhões de anos atrás (MAA).25 (excluindo o ergaster) a 0. muitas foram provavelmente nossos "primos". o Homo sapiens é a única espécie existente desse gênero. ERECTUS Viveu entre cerca de 1. Ainda não há nenhum consenso a respeito de quais desses grupos deveriam ser considerados como espécies em separado e sobre quais deveriam ser subespécies de outras espécies. ERGASTER . provavelmente Homo habilis possuía um cérebro maior e fabricou ferramentas de pedra mais elaboradas. A palavra latina para "homem" no sentido específico ao gênero é vir. Ásia. H.

(Há poucas evidências de que essa especiação ocorreu em algum lugar). fornecendo evidências da transição do H. Enquanto o debate continua. É o humano moderno anatomicamente mais antigo conheci do. a tendência de expansão craniana e a tecnologia na elaboração de ferramentas de pedra desenvolveu -se. erectus ao H. HEIDELBERGENSIS O Homem de Heidelberg viveu entre cerca de 800 a 300 mil anos atrás. então uma subseqüente especiação para o H. disse: "Esses resultados [baseados no DNA mitocondrial extraído dos ossos do Neanderthal] indi cam que os Neanderthais não contribuíram com o DNA mitocondrial com os humanos modernos ¬ os Neanderthais não são nossos ancestrais. NEANDERTHALENSIS Viveu entre 250 e 30 mil anos atras. ou uma subespécie de H." Cartografia da evolução humana A FAMÍLIA HUMANA clique para ampliar Notas adicionais As origens da humanidade têm sido frequentemente um assunto de grande controvérsia científica e religiosa. erectus para fora da África. H. então um professor associado de antropologia d a Universidade de Penn State. atualmente indica que não houve nenhum fluxo genético entre o H. A classificação dos humanos e seus parentes tem mudado consideravelmente ao longo do tempo. Também conhecido como Homo sapiens heidelbergensis e Homo sapiens paleohungaricus." Investigações subsequentes de uma segunda fonte de DNA de Neanderthal confirmaram esses achados H. Apelidado de hobbit por ca usa de seu pequeno tamanho. sapiens. H. "Sapiens" significa "sábio" ou "inteligente. há cerca de 250 mil anos. Há um debate recente sobre se o "Ho mem de Neanderthal" foi uma espécie separada. FLORESIENSIS Viveu há cerca de 12 mil anos (anunciado em 28 de Outubro de 2004 no periódico científico Nature). adquiridas através da análise do DNA mitocondrial e do Y-cromosomal DNA. Homo neanderthalensis. SAPIENS Surgiu há cerca de 200 mil anos. Essa é uma áre a calorosamente debatida da paleoantropologia. a maioria das evidências. neanderthalensis e o H. SAPIENS IDALTU Viveu há cerca de 160 mil anos (subespécie). . uma subseqüente migração dentro e fora da África eventualmente substituiu o anteriormente disperso H. sapiens. Veja os artigos sobre a controvérsia entre os evolucionistas e os criacionistas. a evidência atual não impossibilita a especiação multiregional. Eles não enterravam os corpos das pessoas mortas. A evidência direta sugere que houve uma migração do H. Então. consequentemente.H. e. Entre 400 mil anos atrás e o segundo período interglacial no Pleistoceno Médio. acreditando que elas pudessem retornar à vida H. Em 1997 o Dr. Também conhecido como Homo sapiens neanderthalensis. Veja a História da taxon omia dos hominídeos. erectus. eram duas espécies diferentes. Mark Stoneking. sapiens na África. sapie ns. Entretanto.

que pertencem a vários nichos ecológicos. . ver radiação adaptativa.

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