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Igor I. G. eee lan McReath Ce Oe Ly ) \ maior parte do interior da Tetra € inacessivel as observagdes diretas, de modo que, para eo: hecer sua constituig so interna, € necessirio recorter a meétodos indiretos. No Cap. 3 foi apresentada uma aplicagio da sismologia na obtencio de estimativas para as densidades ¢ outras propriedades fisicas das rochas do interior do planeta, A primeira ordem, a cestrutura interna da Terra con- camackas qu sismologia revela que siste de uma série de compdem : crosta, ‘© manto ¢ 0 nticleo, A partir das propriedades fisicas, © com 0 apoio de experiéncias que simulam as condi ees de temperatura ¢ pressio no interior da Terra, é possivel inferir as composigdes mineraléygieas das cx madas presentes. © calor interno da Terra € 0% pro tes pana entender os movimentos dentro de ¢ entre as esses de sua redistribuigio sfo fatores importan. camadas da Ter Faves movimentos sio respons veis pela estrutusa interna de segunda ordem, que é 5.1 Introdugao No séeculo 19, os cientistas especulavam sobre a constituigio interna da Terra. Charles Danwin, por exemplo, depois de testemunhar etupgdes vulcinicas € terremotos nos Andes, sugeriu, jé na primeira meta- de daguele séeulo, que a Terra era composta por uma fina easea, que denominamos erosta, ao redor de uma massa fundida, Na segunda metade do século, partin- do de estimativas para o raio © massa da Terra, a g/em cz que essi densidade & densidade média terrestre foi calculada em aproximadamente. Uma maior que a da grande maioria das rochas expostas na superficie terrestre (2.5 - 3,0 g/em’), coneluiu-se que pelo menos parte do interios terrestre deveria ser com posta por material muito denso, Usando os sideritos cos meteorites petreos (Cap. 1) como analogia, suge riu-se, ainda no final do século 19, que a ‘Terra teria tum nticleo composto por uma lige metiliea de ferro € niquel, envolto por um manto de silicatos de ferro © magnésio, Antes da terrestre, essas idias representavam meras especulacdes, tilizacho da sismologia para des vendar a estrutu Como visto no Cap. 3 anterior, embora os focos da maioria dos terremotos estejam a menos de 100 kkm de profundidade, eles emitem ondas clisticay em todas as diecdes, propagando-se por todo 0 interior a Erupcto do Kiloues ‘da Terea. Poem ser detectadas pelt rede de observa totios sismogrificos distribuidos pelos continentes, apés sofferem reflesies, refragdes ¢ diftagdes, quan= do encomtram superficies de separacao entre exmadas que contristem por sua densidade, parimetros elis- ticos (tais como compressibilidade ¢ rigidez) ou composigio mineralogiea © quimica (Cap. 5 5.11 As descontinuidades mais notaveis do interior da Terra idade derectada na ‘Terns \ primeira deseor foi o limite crosta-manto, encontrada pelo sismdlogo iugoslavo Andsi do 0s tempos de chegada 4 virios observatorios das Mohorovicie, em 1909. Comparan condas sismicas de um grande terremoto ocorride na Croicia, Mohorovicie verificou que a velocidade era sensivelmente maior para distincias ao epicentro su petiores a 200 km, Explicou a diferenga supondo que, ii profundidade de cerea de 50 km, haveria uma brus ca variagio das propriedades elisticas do material rerrestre, Esta éa descontinuidade que separa a crosta do manto que, em homenagem a seu descobridor, passou a ser chamada de Moho, Sabemos hoje que ‘0 Moho nao esti a profundidade constante por toda a Terra mas a cerea de 5-10) km nas areas oce Anicas ¢ a 30-80 km nos continentes, vatiande com o relevo, as ondas sismicas Quanto mais penettam na Terra vio sendo detctadas em observatérios eada ver mais distantes do epicentro (Cap. 3). Entretanto, ha uma zona de sombra entre 103° e 14" do toco sismico (Cap, 3), que toi interpretada como sendo devida ao clea, por conta de propriedades muito diferentes daquclas do manto, A interface manto-odcleo, ow descontinuidade de Gutenberg, situa se a 2.900 kin de profundidade, implieando que o manto forma 83% do volume da Terra, transversais, verificon-se que clas nile se propagavam sstudando as ondas S, que sdo ez do no miiclen, 0 que levou 4 coneluso de que ari ‘material é nula, ou sca, 0 meio & Kiquido (Fig, 5.1). Fxaminando os sismogramas com mais detalhe, ve rificou-se que apareciam algumas ondas, de amplitude muito reduzida na zona de sombra que io cra, entio, uma zona de completa sombra, Fim 1936, a sisméloga dinamarquesa Inga Lehman concluiu que a parte inter na do niicleo era distinta da parte externa, com no Havai, um dos mais ativos vulcdes do planeta, derramands sve lave nas aguas do oceano Pacifico. No detalhe, fotogralia tomada no Microscdpio Optico de uma racha ignea. G. Brad Lewis / SPL/ Stock Photos ee) velocidades de propagagio das ondas P muito maio res, dando origem iis ondas que apareciam na gona de sombra, Sahemos hoje que o miieleo interna comeca aprosimadamente 5,100 km de profundidade e que rele se propagam io $6 as ondas P mas também as ‘ondas $ que, como ja vimos, so ondas transversais, 0 que significa que o material constituinte é sélido, Ver fica-se, portanta, que o miicleo é composto por uma parte externa que € liquida © uma parte interna, slid 5.2 Modelos de Estrutura e Composicao Com o desenvolvimento da rede sismoggrifiea mun: dial ¢ dos métodos de observacio ¢ anilise, foram inicleo so dominios hererogeneos, Partindo das velo cidades sismicas, caleulam-se as densidades das camadas principais ¢ de suas subdivisies, para em se guid buscar identificacdo das rochas presentes nessas canada, 5.2.4.4 crosta terrestre Para aleangaras partes da crosta atu almente mais profuundas, ji foram feitas sondagens tanto nos oceanos como 808 continentes. Os custos de tais sonda gens slo muito altos, e & necessirio buscar outras evidencias diretas para controlar os modelos obtidos através das ondas sismicas. Dentre as rochas expostas na superticie dos continen tes, encontram-se desde as rochas sedimentares pouco ou ndo deforma: das até as tocbas metamérfieas que foram submetidas a condigoes de tem peratuni e pressio correspondentes as dda erosta intermediiria ow profunda a mais de 20 km. Poem estar presen tes, também, rochas plutonicas que cristalizaram em niveis erustais desde fasos (1-3 km) até profundos. Tanto as rochas metamérficas como as plutonicas estio expostas arualmente pela aio combinada das Forgas geo- logieas internas que, entre outras coisas, So responsivelspeloseermeimentodss pa 51 tay cadeias montanhosas (Cap. 6), ¢ das for ra intome de Terra: 0 modelo cléssico de primalia ov bide « portrdas velocidas Lead para o deswaste das montanhas, com a expasigio ¢ rochas cada yez mais profundas (Cap. 2 pel colocagio, por sobre os continentes, tos da crosta oceiiniea chamados de offolitos e pela expotigao na superficie continental de partes da crast continental profanda, expondo na horizontal seedes que anteriormente ficavam na vertical. Obyervacies diretas cesses fragmentos ctustais permitem a verifi \ erosta continental apresenta espessora vatidvel, desde cerca de 30-40) km nas regides sismic mente estiveis mais antigas (os eratons) até 60-80 km as cadeias de momtanhas, tais como os Himalaias na Asin e 0s Andes da América do Sul. A evidéncia sism ca mostra que, em alumas regides cratdnicas, a erosta continental esti dividida em duas partes maiores pela des aumento das velocidades sismieas com a profundid: stinuidade de Conta que assinala um ligeiro CROSTA ‘Descontinuidade [de Mohoroviete Descontinuidade| de Gutenberg | ondos sismicas. Mi 86 DeciFranvo a Terra de ¢ que separa, portanto, rochas de densidade menor na erosta superior de rochas de maior densidade a crosta inferior (Fig, 5.21), enquanto as observacdes direras sugerem que uma divisio em «és partes pode ser mais adequada (Fig, 5.26). (© modelo geofisico para a erosta ocedinica su- wre a presenea de trés camadas de rochas sobre 0 manto (Fig. 5. a). Programas de sondagens do assoalho ‘oceinico inelui m alguns furos mais profundos que penetraram até em toro de 1,5 km, permitindo, sim, a verificagio direta de parte do modelo geofisico, A camada superior (camada 1), mais fina, apresenta velocidadles sismicas baisissimas e é composta predo- minantemente por secimentos inconsolidados. A de velocidad sis camada intermediaia (camada micas mais altas, inclui rochas vulednicas maficas (relativamente sieas em minerais que eontém magnésio € ferro) no topo e diques subvuleinicos maficos na base. Infere-se que a camada inferior (camada 3) deve ser composta por rochas plurdnicas predominante mente mifieas, Abaiso da camada 3, ocorre o manto superior, as vezes denominado de camada 4. Contir ma-se essa inferéncia nos ofiolitos (1 3b), que demonstram que # eamada 3 € formada por rochas intrusivas mafieas a ultramificas, muito ricas em mine sais de magnésio e ferro, Hi ampla wariacio das espessuris das camadas ¢, eonseqientemente, da es pessura total da crosta oceinica. Enquanto a erosta oceanica média apresenta espessura toral em torno de km, no Oeste do Oceano Pacifico encontram: se alguns plats ocednieos nos quais a espessura da crosta aceinica aleanea de trés a quatro veres a es pessura média, 5.2.2 O Manto © manto superior situase abaixo da descontinuidade de Mohorovieie até a primeira das descontinuidades mantélicas abruptas, que se manifes: aa uma profundidade de cerea de 40) km (Fig, 5.1), No manto superior, a densidade, geralmente ex pressa em valores para pressio zero p,, varia desde a vi Fg 52 (0) Esvutro do crosta con xis materiis fof tebe ti esculos — regides que permanece 45 | seaimenios ecimenton | Be| | cromtesormniccatzdens idisvey £2 | | lrgepetoccadetenpettonties —= a2 de hoje -sugerido pelos velocidades ranitos au Jos onds Bonde se not a separo g granites 9 3 as 3 2 co am duos pares ssmicas pelo £ piiiaans z descontinuidade de Convod em cos 3 = to] Beg] a] ‘superior com vochs dey, g [528 | miamaiios anfiboitos $B | S|_menotes.e costo inferior, com ro 5 BRP] chasdev, moors 8 7 80 8 smigmatitos eg § fg/> intrusses maticas zB le ° (6) Estutura de crosta continental tochas maticas) fanatic met daa sescavyeugace ee =| crusos expostas. Noto-s0 0 dixoo & ae ~ gnaisse = fom irs partes petrologicomente di = Bg ]Z| fereres. £ imporante notor 0 g SB | Z| presenco das rochas igneas méficas z es = Ea] | © vtromaticas no mesozona e no = = rondo contribu | 7 EG |_| cote demontondooconi g «bo da intusdo de rochas igneas & § Jsescontinuigade fermagéo da crosta continental. A ‘Mone sisrologia difclmente dasingue os 8 | Manto Superior rochos mética ignens dos malicas mmelamérfcos (onibotos