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Língua Portuguesa - CEESVO - apostila1

Língua Portuguesa - CEESVO - apostila1

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APRESENTAÇÃO Caro (a) aluno (a), Você está iniciando seu curso de Português no Ensino Médio, seja bem-vindo !

Queremos caminhar ao seu lado para auxiliá-lo e juntos fazer descobertas e vencer novos desafios. Sabemos que a Língua Portuguesa está presente em nosso dia-a-dia, em nossa comunicação, portanto é importante que saibamos usá-la e interpretá-la corretamente para compreendermos melhor o mundo em que vivemos. Pensando nisso é que elaboramos 13 módulos contendo: ▪ Literatura Brasileira ▪ Leitura e Produção de Texto ▪ Estudo da Norma Padrão (gramática) Lembre-se: o seu esforço e a sua dedicação são os fatores mais importantes para o seu desenvolvimento e crescimento pessoal. Desejamos que você consiga vencer ainda mais facilmente o desafio desse mundo em constante evolução. Estamos aqui para colaborar com esse desafio. Então vamos começar ! Boa sorte ! Equipe de Português : Cristiane, Ilza, Ivânia, Maura e Sandra.
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INSTRUÇÕES

Como estudar Português

1. Leia atentamente todos os assuntos dos módulos; 2. Se houver necessidade, para assimilar melhor o assunto, faça as atividades em seu caderno. NÃO ESCREVA E NEM RASURE A APOSTILA, pois você a trocará e outro aluno irá usá-la; 3. Depois que você terminar as atividades, consulte o gabarito de respostas que está no final da apostila. Você que irá corrigir os exercícios; 4. Consulte o dicionário quando encontrar desconhecida; uma palavra

5. As redações devem ser feitas com capricho ! Não se esqueça de fazer um rascunho antes da redação final. 6. Para se submeter às avaliações, você deverá apresentar tudo o que foi solicitado, em seu caderno. 7. Sempre que houver dúvidas, procure esclarecê-las com o professor; 8. Freqüente a biblioteca da escola e utilize os recursos que nela estão disponíveis.

Bom estudo ! Bom aproveitamento !

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MÓDULOS 01 E 02

ÍNDICE

LITERATURA BRASILEIRA
Linguagem literária (conotação e denotação)......mód. 01 Texto literário e texto não – literário...........................mód. 01 Formas literárias (prosa e verso).................................mód. 01 Gêneros literários.........................................................mód. 02 Movimentos literários...................................................mód. 02

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO
Prosa e Verso..............................................................mód. 01 O Jornal........................................................................mód. 02

ESTUDANDO A NORMA PADRÃO
Figuras de Linguagem ( parte I ).............................mód. 01 Figuras de Linguagem ( parte II )...........................mód. 02

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LINGUAGEM

LITERÁRIA

I - DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
amor. O texto que você vai ler é uma composição musical que tem como tema o

Leia-o e observe como o seu autor, Djavan, elabora seus versos, usando as palavras de um jeito próprio, pessoal, atribuindo-lhes novas significações.

Texto 1 Faltando um pedaço
O amor é um grande laço Um passo p'ruma armadilha Um lobo correndo em círculo Pra alimentar a matilha Comparo sua chegada Com a fuga de uma ilha Tanto engorda quanto mata Feito desgosto de filha De filha O amor é como um raio Galopando em desafio Abre fendas, cobre vales Revolta as águas dos rios Quem tentar seguir seu rastro Se perderá no caminho Na pureza de um limão Ou na solidão do espinho O amor e a agonia Cerraram fogo no espaço Brigando horas a fio O cio vence o cansaço E o coração de quem ama Fica faltando um pedaço Que nem a lua minguando Que nem o meu nos teus braços ( Djavan)

Você observou que, para dar mais expressividade às emoções que quer transmitir, o autor usa algumas palavras com sentido diferente do uso que delas fazemos no cotidiano. Observe: O amor é um grande laço. O amor é como um raio. Vejamos abaixo no quadro 1, raio, no dicionário. os significados que podem ter as palavras laço e

Quadro 1

Significado 1 (no dicionário) Laço - S.m. Nó que se desata facilmente. Raio - S.m. Descarga elétrica atmosférica; faísca; corisco.

O significado encontrado no quadro 1, tal qual aparece nos dicionários, é o sentido próprio da palavra que não permite outra interpretação. É o caso das frases abaixo. Observe:

A garota usava laço azul prendendo os cabelos louros. O pai de Sílvia foi morto por um raio.

Nas frases acima, as palavras laço e raio não possibilitam outra interpretação , outro significado que não seja o do dicionário. Dizemos que estão sendo empregadas no sentido denotativo. Observe agora, no quadro 2, o significado dessas mesmas palavras, nos versos do compositor.

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Quadro 2

Significado 2 (na música) Laço - Fig. Estratégia para atrair ou enganar. Raio - Fig. Calamidade; algo que destrói, causa desgraça, deixa marca, traz aborrecimentos.
Como você observou, as palavras laço e raio nos versos do Djavan, extrapolam o significado do dicionário e adquirem, de acordo com o contexto, outras significações. Portanto no verso: "O amor é um grande laço", significa que o amor pode atrair ou enganar; No verso: "O amor é como um raio", quer dizer que o amor deixa marcas, traz aborrecimentos. Então dizemos que as palavras estão sendo empregadas no sentido conotativo. Observe o quadro a seguir:

Denotação • Emprego da palavra no seu sentido • real, próprio, encontrado no dicionário; Não possibilita dupla interpretação; •

Conotação Emprego da palavra com sentido figurado, subjetivo, poético, produzido pelo contexto; Possibilita dupla interpretação; Linguagem utilizada em textos publicitários, poemas, músicas, etc.

• •

Linguagem mais utilizada em textos • científicos e técnicos.

Esse modo especial (conotativo) de usar as palavras é o que possibilita a multiplicidade de interpretações e o encantamento dos textos literários com os quais você vai estar em contato freqüente, ao estudar a literatura brasileira. Para verificar se você entendeu o que é denotação e conotação, faça as atividades a seguir em seu caderno.

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ATIVIDADE 1
1. Observe as frases abaixo e assinale as que estão no sentido conotativo. a- ( b- ( c- ( d- ( e- ( f- ( g- ( h- ( i- ( ) ) ) ) ) ) ) ) ) "Sem aviso, o vento vira uma página da vida! " "Não faça tempestade em copo d' água" Durante o verão, a tempestade é comum. A justiça é cega. Chapeuzinho Vermelho percorria os bosques até a casa da vovozinha. Nos meus pensamentos, ando perdido nos bosques da minha infância. "A alma se aquece na chama das cores." "Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar." Desejo ver a imensidão do rio Paraná.

Observe atentamente a história em quadrinhos a seguir:

2. Como você pôde notar, o uso conotativo das palavras pode provocar duplo sentido, como nesta história em quadrinhos.

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Agora, responda em seu caderno: a) Que palavra da história em quadrinhos, por ter duplo sentido, provocou o malentendido entre os personagens? b) A palavra "fogo", para o marido, tinha qual significado? c) A palavra "fogo" ouvida pelo personagem pintor teve o mesmo significado que para o marido? Qual foi, para o pintor, o significado dessa palavra? d) Qual dos dois personagens usou a palavra no sentido conotativo?

II - TEXTO LITERÁRIO X TEXTO NÃO-LITERÁRIO

Existem muitas formas de manifestações artísticas: a música, a pintura, a dança, a literatura... Cada uma delas tem o seu meio de expressão. A música se manifesta através dos sons; a pintura, através das cores; a dança, através dos movimentos corporais. A literatura se manifesta através da palavra. Todos esses meios de expressão são considerados arte, porque são recriações que o artista, com sua experiência, transforma em uma outra realidade, a realidade artística. É o caso da literatura. Poemas, contos, novelas, romances são formas especiais de o artista expressar e recriar a vida através da palavra.

Literatura, portanto, é ficção, é imaginação, é a criação do mundo ficcional, ou seja, um mundo que não existe e que faz parte da fantasia de alguém.

Para você entender bem como ocorre a representação da realidade na literatura, vamos considerar dois textos que tratam do mesmo assunto.

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Texto 1
Executado a tiros Um rapaz conhecido pelo apelido de "Tiquinho", de aproximadamente 20 anos, foi morto a tiros, na noite de ontem, na Vila Osternack, em Curitiba. Ele recebeu um tiro na cabeça e dois no peito, dos seis que teriam sido disparados contra ele, segundo testemunhas. O rapaz tem uma águia tatuada nas costas e não portava nenhum documento. Suspeita-se que o motivo do crime tinha sido drogas. Gazeta do Povo, Terça-feira 27 de março de 2001. "Executado a tiros" é uma notícia de jornal. Trata-se portanto, de um texto não-literário, pois são veiculadas informações reais sobre um fato ocorrido. Há compromissos com a verdade. A linguagem que predomina nesse tipo de texto é denotativa (objetiva), pois pela leitura podemos concluir onde, com quem e quando ocorreu o fato, o que permite a comprovação dos acontecimentos.

Texto 2
Quando, seu moço, nasceu meu rebento Não era o momento dele rebentar Já foi nascendo com cara de fome E eu não tinha nem nome pra lhe dar Como fui levando, não sei lhe explicar Fui assim levando ele a me levar E na sua meninice ele um dia me disse Que chegava lá Olha aí Olha aí Olha aí, ai o meu guri, olha aí Olha aí é o meu guri E ele chega Chega suado e veloz do batente E traz sempre um presente pra me encabular Tanta corrente de ouro, seu moço Que haja pescoço pra enfiar Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro Chave, caderneta, terço e patuá Um lenço e uma penca de documentos Pra finalmente eu me identificar, olha aí Olha aí, aí o meu guri, olha aí Olha aí, é o meu guri

O

MEU GURI

E ele chega Chega no morro com o carregamento Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador Rezo até chegar cá no alto Essa onda de assaltos tá um horror Eu consolo ele, ele me consola Boto ele no colo pra ele me ninar De repente acordo, olho pro lado E o danado já foi trabalhar, olha aí Olha aí, ai o meu guri, olha aí Olha aí, é o meu guri E ele chega Chega estampado, manchete, retrato Com venda nos olhos, legenda e as iniciais Eu não entendo essa gente, seu moço Fazendo alvoroço demais O guri no mato, acho que tá rindo Acho que tá lindo de papo pro ar Desde o começo, eu não disse, seu moço Ele disse que chegava lá Olha aí, olha aí Olha aí, ai o meu guri, olha aí Olha aí, é o meu guri

( Chico Buarque de Hollanda)

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Você observou, pela leitura do texto 2 "O meu guri" que os fatos narrados partem de um acontecimento da vida real, porém, nesse texto, não há compromisso com a veracidade desses fatos, pois estes são recriados pelo autor através de sua imaginação e sensibilidade. Trata-se, portanto, de um texto literário, pois apresenta uma realidade inventada (mundo imaginário) em que predomina a subjetividade do autor e o emprego constante da linguagem conotativa (figurada).
Para verificar se você entendeu o que é TEXTO LITERÁRIO e NÃO-LITERÁRIO, resolva as atividades a seguir em seu caderno:

ATIVIDADE

2

Releia o texto 1 e 2 para responder as seguintes questões: 1. Qual a finalidade do texto "Executado a tiros" ? a- ( ) narrar fatos imaginários baseados na emoção e subjetividade. b- ( ) transmitir informações da vida real de modo objetivo e impessoal. 2. No poema "O meu guri" o que predomina é: a- ( ) subjetividade, emoção. b-( ) objetividade, informação.

Leia o conto a seguir para responder a questão nº 03.

Conto de todas as cores Eu já escrevi um conto azul, vários até. Mas este é um conto de todas as cores. Porque era uma vez um menino azul, uma menina verde, um negrinho dourado e um cachorro com todos os tons e entretons do arco-íris. Até que apareceu uma Comissão de Doutores os quais, por mais que esfregassem os nossos quatro amigos, viram que não adiantava. E perguntaram se aquilo era de nascença ou se... Mas nós não nascemos - interrompeu o cachorro. – Nós fomos inventados!
Mário Quintana

3. No conto do escritor Mário Quintana, predomina a linguagem literária ou a nãoliterária. Explique sua resposta.

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AS FORMAS LITERÁRIAS
Como vimos, a obra literária é a recriação de uma realidade através do trabalho criativo do artista, portanto, é criação e representação e pode se apresentar em prosa e verso. Moliére, escritor francês, no trecho abaixo, extraído de uma de suas peças teatrais, retrata com humor, o assunto que vamos estudar neste módulo. Leia-o.

Prosa e Verso
Jourdain – Por favor. Aliás, eu vou lhe fazer uma confidência: eu estaria apaixonado por uma pessoa de alto gabarito e desejaria que o senhor me ajudasse a escrever algo num bilhetinho que eu pretenderia deixar cair aos pés dela. Filósofo – Está bem. Jourdain – Vai ser o máximo da galanteria, não? Filósofo – É em verso que lhe quer escrever Vossa Excelência? Jourdain – Não, não! Nada de versos! Filósofo – Só em prosa? Jourdain – Não! Não quero nem em verso nem em prosa. Filósofo – Temo que só possa ser de uma maneira ou de outra. Jourdain – Por quê? Filósofo – Pela simples razão de que só podemos nos exprimir em prosa ou em verso. Jourdain – Só tem prosa e verso? Filósofo – Exato. Tudo que não é prosa, é verso; e tudo que não é verso, é prosa. Jourdain – E quando a gente fala, o que é que é? Filósofo – É prosa. Jourdain – O quê? Quando eu digo: "Nicole, traga meus chinelos e me dá minha touca", isto é prosa? Filósofo – Sim, Excelência. Jourdain – Puxa vida! Há mais de quarenta anos que eu falo em prosa e não sabia. Fico agradecidíssimo por ter me ensinado isto. Moliére

Pela leitura do diálogo acima , você percebeu que o personagem Jourdain precisou de ajuda para saber que havia sempre falado em prosa. E já que estamos falando sobre prosa e verso, vamos entender o que isso significa.

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I – PROSA
Mas, como reconhecer um texto em prosa? É fácil! Sempre que escrevemos um bilhete, uma carta, contamos histórias, damos nossa opinião sobre algum assunto, estamos usando como forma de linguagem a prosa. O que identifica o texto em prosa é a sua divisão em parágrafos e o aproveitamento contínuo da linha até o seu final. Você sabe o que é parágrafo?

Parágrafo é uma frase, ou uma reunião de frases, que contém uma informação principal (idéia mais importante) combinada, em geral, com outras informações secundárias (idéias menos importantes). Cada parágrafo inicia-se com um pequeno afastamento da margem esquerda.
Para exemplificar essa forma de linguagem vamos ler o texto abaixo.

Texto 1 Para que ninguém a quisesse
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de salto altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos. Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair. Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras. Uma fina saudade, porém, começou a alinhar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela. Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite, tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos. Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
COLASANTI, Marina

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Observe que o texto foi escrito em seis parágrafos e, em cada um deles a autora apresentou um idéia nova. → No primeiro parágrafo, o marido, temendo que sua mulher fosse desejada por outros homens, retirou dela tudo o que a tornava bonita e desejada. → No segundo parágrafo, a mulher já não saía à rua e assim, o marido ficava satisfeito. → No terceiro parágrafo, o marido não a percebia mais. Ela tornou-se, para ele, parte dos móveis da casa. → No quarto parágrafo, o marido passou a ter saudade da mulher de outrora: bonita e desejada. → No quinto parágrafo, ele quis recuperar a relação anterior, devolvendo a ela o que lhe havia tirado. → No sexto parágrafo, já não adiantava mais mudá-la, pois se adaptava à vida sem luxo, sem prazeres, enfim, sem vaidade.

II - VERSO

Como são os textos em verso? Reconhecemos um texto em verso pela sua apresentação. O eu-poético (voz que fala no poema) nos passa suas emoções em versos que poderão estar organizados em estrofes ou não.

Verso é cada linha do poema. Estrofe é cada bloco de versos.

As linhas dos textos em versos não ocupam toda a extensão da página. Encontramos belos poemas que foram compostos para serem cantados. Entre muitos, vamos destacar uma canção dos compositores: Garoto, Vinícius de Moraes e Chico Buarque - "Gente Humilde".

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Gente Humilde
Tem certos dias Em que eu penso em minha gente E sinto assim Todo o meu peito se apertar Porque parece Que acontece de repente Como um desejo de eu viver Sem me notar Igual a como Quando eu passo no subúrbio Eu muito bem Vindo de trem de algum lugar E aí me dá Como uma inveja dessa gente Que vai em frente Sem nem ter com quem contar São casas simples Com cadeiras na calçada E na fachada Escrito em cima que é um lar Pela varanda Flores tristes e baldias Como a alegria Que não tem onde encostar E aí me dá uma tristeza No meu peito Feito um despeito De eu não ter como lutar E eu que não creio Peço a Deus por minha gente É gente humilde Que vontade de chorar.

Você percebe que se trata de um texto em verso, devido à disposição das palavras. Nesse poema (canção) há 32 versos, os quais estão agrupados, formando 8 estrofes. Num texto em versos também aparecem rimas. Você sabe o que é rima ?

Rimas são palavras com combinações sonoras (que têm o mesmo som), palavras idênticas ou semelhantes que normalmente estão no final dos versos.

Observe a rima nos versos abaixo: Todo meu peito se apertar Sem se notar Vindo de trem de algum lugar Sem nem ter com quem contar

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Para verificar se você entendeu o que é PROSA e VERSO, resolva as questões a seguir em seu caderno.

ATIVIDADE 3

Rua dos Cataventos II
Dorme, ruazinha... É tudo escuro... E os meus passos, quem é que pode ouvi-los? Dorme o teu sono sossegado e puro, Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos Dorme... Não há ladrões, eu te asseguro... Nem guardas para acaso persegui-los... Na noite alta, como sobre um muro, As estrelinhas cantam como grilos... O vento está dormindo na calçada, O vento enovelou-se como um cão... Dorme, ruazinha... Não há nada... Só os meus passos... Mas tão leves são Que até parecem, pela madrugada, Os da minha futura assombração...
QUINTANA, Mário.

Antes de responder às questões propostas vamos estudar sobre soneto. Você sabe o que é um Soneto?

SONETO: é uma composição poética de forma fixa, composta por dois quartetos (duas estrofes de quatro versos) e dois tercetos (duas estrofes de três versos). Geralmente, os versos dos sonetos possuem rima e o mesmo número de sílabas. Por isso, esse tipo de composição poética apresenta muita musicalidade, ritmo.

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1. O poema de Mário Quintana é um soneto porque: a- ( b- ( c- ( ) é constituído por 4 tercetos. ) é constituído por 1 quarteto e 3 tercetos. ) é constituído por 2 quartetos e 2 tercetos.

2. O poema apresenta: a- ( b- ( c- ( ) 4 versos e 4 estrofes. ) 14 versos e 4 estrofes. ) 14 estrofes e 4 versos.

3. Encontre e transcreva do poema três pares de rima.

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VERSO E PROSA (PARTE I)
Como já vimos, a obra literária pode se apresentar em prosa e verso. Para esta atividade, se necessário, relembre as leituras feitas no início deste módulo e seguindo as propostas abaixo, produza o seu próprio texto.

ATIVIDADE 4

1. Escreva em seu caderno, em prosa ou verso, um texto que fale de suas lembranças ou de um acontecimento que tenha despertado em você alguma emoção. PROPOSTA 1 • Escreva de 15 a 25 linhas, se optar por um texto em prosa. PROPOSTA 2 • Escreva até 4 estrofes, se optar por um texto em verso.

ATENÇÃO: Esse trabalho valerá ponto e deverá ser entregue em folha avulsa às professoras.

Dica importante:

Antes de começar seu texto, já tenha em mente toda a história, sabendo inclusive como finalizá-la. Não se esqueça de fazer um rascunho antes de passar a redação final.

Boa Sorte !

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FIGURAS DE LINGUAGEM (PARTE I)

No início deste módulo, você aprendeu a diferença entre conotação e denotação. Agora, vamos aprofundar esse conhecimento e estudar o uso da conotação (linguagem figurada) como recurso expressivo da linguagem. Antes de começarmos este assunto, leia atentamente o poema a seguir:

INUTILIDADES
Ninguém coça as costas da cadeira. Ninguém chupa a manga da camisa. O piano jamais abana a cauda. Tem asa, porém não voa, a xícara. De que serve o pé da mesa se não anda? E a boca da calça se não fala nunca? Nem sempre o botão está na sua casa. O dente de alho não morde coisa alguma. Ah! se trotassem os cavalos do motor... Ah! se fosse de circo o macaco do carro... Então a menina dos olhos comeria até bolo esportivo e bala de revólver. José Paulo Paes O autor José Paulo Paes, ao escrever esse poema usou uma figura de linguagem.

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Figuras de linguagem são recursos especiais utilizados por quem fala ou escreve, para dar maior expressividade, força, intensidade ou beleza à comunicação. O que se pretende, quando se usa a linguagem figurada, é fazer com que as pessoas se surpreendam, sensibilizem-se e, assim, fiquem mais atentas ao que está sendo falado ou escrito. A utilização da linguagem figurada não é um privilégio dos grandes escritores. Todos nós fazemos uso desse tipo de linguagem. Estudaremos, agora, algumas dessas figuras de linguagem. METÁFORA
Observe a música a seguir:

Seus olhos (Zezé di Camargo)
Seus olhos são dois faróis na noite Rasgando a escuridão da neblina São duas luas no horizonte Da minha vida, da minha vida Seus olhos são dois raios de luz Mostrando a direção, a saída São duas velas iluminando minha vida A minha vida, a minha vida Seu olhar é uma chuva de estrelas Caindo sobre mim É um rio desaguando em correntezas Paixão que não tem fim. Nos versos da música, Zezé di Camargo, faz comparações indiretas ao dizer que “seus olhos são dois faróis na noite”, “seus olhos são dois raios de luz”, “seu olhar é uma chuva de estrelas”. Ao fazer essas comparações ele usa a metáfora.

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Portanto, METÁFORA é uma comparação indireta (subentendida) que se estabelece entre duas coisas que julgamos semelhantes.
Agora que você aprendeu o que é metáfora, veja outros exemplos: “À noite, as ruas da vila são um deserto.” “Amor é fogo que arde sem se ver.” “Amar é um deserto. E seus temores, Vida que vai da sela Dessas dores.”

METONÍMIA

Os compositores Chico Buarque e Francis Hime fizeram uma música chamada “Trocando em Miúdos”, cujo tema é o fim de um relacionamento amoroso e separação do casal. Nela há o seguinte trecho: “Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu.” O verso se refere a um livro que um dos amantes pegou do outro e nem chegou a ler. Mas Neruda (Pablo Neruda, escritor chileno) não é o nome do livro e sim do autor do livro. Observamos, portanto, que os compositores substituíram “livro de Neruda” pelo próprio nome do autor. Essa troca foi possível porque entre as palavras existe uma relação que possibilita a substituição. Chico Buarque e Francis Hime fizeram uso de uma figura chamada metonímia.

Portanto, METONÍMIA é a substituição de uma palavra por outra, devido à proximidade de idéias que elas expressam.

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Veja outros exemplos de metonímia: O estádio aplaudiu o jogador. Estádio está substituindo torcedor (a troca foi possível porque o estádio contém os torcedores). Tudo que ele tem foi conquistado com seu próprio suor. Suor está substituindo trabalho (a troca foi possível porque o suor é a conseqüência do trabalho). No alto da torre, o bronze soava melancolicamente. Bronze está substituindo sino (a troca foi possível porque bronze é o material de que é feito o sino).

ALITERAÇÃO

Observe o seguinte trecho: “Ele, assim como veio, partiu não se sabe pra onde E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe Esperando, parada pregada na pedra do porto Com seu único velho vestido cada dia mais curto...”

(Versão de Chico Buarque de Hollanda)
Você percebeu que algumas das palavras que o poeta usou para compor o 3º verso apresenta a mesma consoante (a letra P). Leia novamente o trecho e procure observar como a repetição do som da letra P realça a musicalidade do verso. A essa figura dá-se o nome de aliteração.

Então, ALITERAÇÃO é a repetição de sons consonantais.
Veja outros exemplos de aliteração: “Rara, rubra, risonha, régua rosa.” “A fria, fluente, frouxa claridade flutua.”

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CATACRESE

Leia o trecho a seguir: “De que serve o pé da mesa se não anda? E a boca da calça se não fala?” Como você pode notar, usou-se a palavra pé para indicar uma parte da mesa. Na verdade, mesa não tem pé, que é parte do corpo dos seres humanos. No entanto, através de uma semelhança, e por não haver uma palavra mais adequada, dá-se o nome de pé à parte da mesa que a apoia no chão. A esse tipo de uso figurado da linguagem dá-se o nome de catacrese.

Portanto, CATACRESE é o emprego de um termo figurado por falta de palavra mais apropriada.
Agora veja mais alguns exemplos de catacrese: • • • • Bico da chaleira Orelha de livro Braço de mar Batata da perna

PLEONASMO
Leia o seguinte trecho: “ Quando hoje acordei, ainda fazia escuro (Embora a manhã já estivesse avançada) Chovia Chovia uma triste chuva de resignação Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite”.
(Manuel Bandeira)

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Vamos voltar ao 4º verso: “Chovia uma triste chuva de resignação”. Você reparou que o autor, ao usar a palavra chuva, repete a idéia já contida no verbo chover (chovia chuva). A essa repetição de idéia dá-se o nome de pleonasmo.

Então, PLEONASMO é a repetição da mesma idéia, para reforçar o pensamento.
Outros exemplos de pleonasmo: • • Escrevi com estas mãos a carta que nos separou. Vi com os próprios olhos, aquele terrível acontecimento.

ATENÇÃO: O pleonasmo torna-se ERRO quando a repetição da idéia é desnecessária, como nos casos a seguir: • Cair um tombo. • Entrar para dentro. • Subir para cima. • Descer para baixo. • Colherinha pequena. • Menino homem. Portanto, nesses casos, evite o uso dessas repetições. Agora que você já sabe sobre figuras de linguagem, resolva os exercícios a seguir em seu caderno:

ATIVIDADE

5

1. a) b) c) d) e) 2.

Classifique as figuras em metáfora, metonímia, aliteração, catacrese e pleonasmo: Ele sempre viveu uma vida folgada. Seus olhos eram uma brasa. Os braços da poltrona precisam ser reformados. “Na messe, que enlouquece, estremesse a quermesse”. O Brasil gosta de samba. Marque a opção em que há metáfora:

a) “Minha vida é uma colcha de retalhos, todas da mesma cor”. b) Trata-se de uma pessoa que falta sempre com a verdade. c) Cada qual procura cuidar de si mesmo. 28

3 - Assinale a figura de linguagem existente no período: “Quando com os olhos eu quis ver o incêndio, desmaiei”. a) b) c) d) metáfora metonímia pleonasmo

catacrese

4 - Observe o verso: “A gente almoça e se coça e se roça e só se vicia”. (Chico Buarque) Que figura é usada nesse verso? 5 - Assinale as frases onde são usadas metonímias: a) b) c) d) Quando pequena, lia Monteiro Lobato. Morreu de morte muito lenta. A terra inteira lamentou a catástrofe. “Meu coração é um balde despejado”.

Parabéns você terminou o 1º módulo !!! prepareAgora, prepare-se para a prova e boa sorte !!!

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MÓDULO 2 - GÊNEROS LITERÁRIOS
Vimos anteriormente que, quanto à forma, um texto literário pode ser escrito em verso ou em prosa. Além dessa divisão, veremos outra classificação: gêneros literários. A expressão gênero literário refere-se ao conjunto de características que possibilita classificar uma obra literária, considerando a maneira como os assuntos são abordados no texto, independentemente de serem escritos em prosa ou verso. Atualmente, os gêneros literários dividem-se em : gênero lírico, gênero narrativo e gênero dramático. Vejamos as características de cada um deles lendo atentamente os textos a seguir.

TEXTO 1

"A

ADEUS, MEUS SONHOS !
deus, meus sonhos, eu pranteio e morro ! Não levo da existência uma saudade ! E a tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha mocidade ! (...) Que me resta, meu Deus? Morra comigo A estrela de meus cândidos amores Já que não levo no meu peito morto Um punhado sequer de murchas flores ! "

AZEVEDO, ''Alvares de. Lira dos Vinte anos. São Paulo: FTD, 1994.

O poema " Adeus , meus sonhos! " pertence ao gênero lírico, pois trata-se de uma composição em versos, em que predomina a subjetividade, os sentimentos, as emoções do poeta. O "eu" que fala no poema não pode ser confundido com a pessoa física do poeta. Ele é a voz do poema e é chamado de eu-lírico ou eu-poético. Os temas abordados na poesia lírica são: o amor, a morte, a saudade, o amor à pátria, os desenganos, a esperança. Temas que retratam os sentimentos íntimos e as emoções do estado de alma do homem.

Observação: A poesia lírica recebe esse nome porque na Grécia antiga, de onde se originou, era cantada com acompanhamento de uma lira, instrumento musical de cordas.

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TEXTO 2
A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO
Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito de queijo, e ele provou que tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante 15 dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Sinhá Epídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o doutor Epaminondas abanou a cabeça : __ Não há nada a fazer, dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.
ANDRADE, Carlos Drummond

O texto "A incapacidade de ser verdadeiro ", pertence ao gênero narrativo, pois está escrito em prosa, forma mais comum de apresentação desse tipo de texto. Há também a presença de um narrador (pessoa que conta a história) e personagens que agem num determinado tempo e espaço.

TEXTO 3 No
Freguês Garçom Freguês Garçom Freguês Garçom Freguês Garçom Freguês Garçom Freguês Garçom

botequim

Garçom, por favor. Eu queria um café com leite e uma rosquinha. O senhor vai me desculpar mas não tem mais rosquinha. Ah! Não tem rosquinha? Não senhor. Não faz mal. Então me dá só um cafezinho simples. Isso. Só um cafezinho. (pausa) Com uma rosquinha. - Eu acho que não me expliquei direito. Eu falei pro senhor que não tem mais rosquinha. Acabou toda rosquinha. - Ah! bom. Se é assim, muda tudo. Acabou a rosquinha? - Acabou, sim senhor. - Então me traz um copinho de leite. Leite tem? - Tem, sim senhor. - Beleza. Me traz um copo de leite. Com uma rosquinha. - Eu disse que não tem mais rosquinha! Torrada tem, rosquinha não tem ! Há três anos que não tem rosquinha! (...)
Jô Soares, Veja, 8 abr. 1992.

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O texto "No botequim", pertence ao gênero dramático, pois está organizado para ser encenado. Nele, há uma história, mas não há um narrador para contá-la. As ações dos personagens são interpretadas pelos atores e o espaço é representado pelo cenário. Neste gênero estão presentes a linguagem verbal (fala do personagem) e a linguagem não verbal (gestos, expressões faciais e corporais).

Revisamdo

Gênero lírico: poemas, poesias líricas, cantos ... Gênero narrativo: contos, romances, histórias, narrativas, novelas... Gênero dramático: teatros, tragédias, comédias, óperas...

Para verificar se você entendeu sobre Gêneros Literários resolva os exercícios a seguir em seu caderno :

ATIVIDADE 1

Leia os textos a seguir, identifique o gênero literário a que eles pertencem e justifique sua resposta. a) Chiquinha - Será possível ? Faustino - Mais que possível, possibilíssimo ! Chiquinha - Oh! Está me enganando ... E o seu amor por Maricota? Faustino - Maricota trouxe o inferno para minha alma, se é que não levou a minha alma para o inferno ! O meu amor por ela foi-se , voou, extinguiu-se como um foguete de lágrimas ! (...) (Martins Pena) 33

b) Luar do sertão Não há, ó gente , ó não Luar como este do sertão Ó que saudades do luar da minha terra Lá na serra prateando folhas secas pelo chão Esse luar cá da cidade, tão escuro Não tem aquela saudade do luar do meu sertão (...) c) A mudança O homem voltou à terra natal e achou tudo mudado. Até a igreja mudara de lugar. Os moradores pareciam ter trocado de nacionalidade, falavam uma língua incompreensível. O clima também era diferente (...) (Carlos Drummond de Andrade)

MOVIMENTOS LITERÁRIOS

I - ESTILO INDIVIDUAL E ESTILO DE ÉPOCA
Para começarmos esse assunto, leia com atenção os textos a seguir:

Texto 1 Poema do nadador
Jorge de Lima A água é falsa, a água é boa. Nada, nadador ! A água é mansa, a água é doida, aqui é fria , ali é morna, a água é fêmea. Nada, nadador ! A água sobe, a água desce, A água é mansa, a água é doida. Nada, nadador! A água te lambe, a água te abraça, A água te leva, água te mata. Nada, nadador. Senão, que restará de ti, nadador?

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Texto 2 Nadador

Fernando Paixão No semicírculo do ar A mão clareia Asa extenuada Projeta-se ao fim. Músculos tocam o arco do dia Sugam a derradeira força De penetrar no meio Escuro Dentro da água Côncavo da noite: O círculo puro.

Como você deve ter notado, apesar de apresentarem um assunto semelhante e de terem sido escritos na mesma língua, os dois textos acima, são muito diferentes. Primeiro porque cada autor tem uma visão específica de mundo; segundo, porque cada um emprega a língua portuguesa de modo particular, individual, o que determina que uma obra apresente características diferentes da obra de outro autor. A essas diferenças dá-se o nome de estilo.

Estilo individual é o conjunto de características que permitem identificar a maneira própria de cada indivíduo se expressar.
Todo estilo individual sofre influência do momento histórico em que o indivíduo vive ou viveu. É possível por isso identificar características semelhantes em obras produzidas em uma mesma época por diferentes indivíduos. É o que se chama estilo de época.

Estilo de época é o estilo que predomina nas manifestações culturais de determinada época.
As características que definem esse estilo podem ser observadas no comportamento, na moda, nos costumes e na arte de uma época.

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II - PERÍODOS LITERÁRIOS

Como vimos anteriormente, estilo de época é o estilo que predomina nas manifestações culturais de uma determinada época. Com base nesses estilos, os estudiosos fizeram uma divisão histórico-estética da literatura brasileira, estabelecendo os chamados PERÍODOS LITERÁRIOS.

Período literário é cada segmento determinado de uma época em que predominou um estilo literário.

Cada um desses períodos recebe um nome: Barroco, Arcadismo, Romantismo, etc. Veja a divisão desses períodos literários no quadro a seguir:

1601 - 1768 1768 - 1836 1836 - 1881 1881 - 1893

Barroco Arcadismo Romantismo Realismo Naturalismo Parnasianismo

1893 - 1902 Simbolismo 1902 - 1922 Pré-Modernismo 1922 até nossos dias Modernismo

ATIVIDADE

2

1. Quais são os gêneros literários ? 2. Explique a diferença entre estilo individual e estilo de época. 3. A literatura brasileira começa no período Barroco. Que outros períodos temos depois deste?

36

37

O

JORNAL

APRESENTAÇÃO
O mundo atual muda a cada instante. Para entendê-lo melhor, é necessário estar bem-informado. O jornal, o rádio e a televisão constituem as fontes mais importantes de veiculação de informação. Além das notícias, esses veículos trazem comentários e análises sobre os acontecimentos responsáveis pela feição do nosso mundo, sem contar os serviços que prestam: roteiros, chamadas para espetáculos, anúncios de emprego, previsão do tempo, etc. A leitura do jornal e o acompanhamento crítico do rádio e da televisão ajudam você a pensar e a entender o que se passa a sua volta. Esperamos que, bem informado, você possa participar mais ativamente das decisões que cabem aos cidadãos de um país democrático. A seguir, estudaremos um importante veículo de informação: o jornal.

A

primeira página do jornal

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Você observou que na primeira página de cada um desses jornais há uma notícia com o título escrito em letras bem grandes? É a manchete, título da notícia considerada mais importante do dia. A manchete ocupa sempre um espaço considerável na primeira página de um jornal. Veja no exemplo abaixo as outras partes que costumam aparecer nos jornais de grande circulação, quer dizer, jornais lidos por um grande número de pessoas em todo país.

39

ATIVIDADE 3
Agora, responda em seu caderno os exercícios a seguir: 1. Publica-se algum jornal em sua cidade ? Ele é um jornal diário, semanal ou mensal ? Que partes aparecem na primeira página desse jornal ? 2. Recorte de um jornal e cole em seu caderno duas manchetes que você considera interessante.

A

notícia

Notícia é a narrativa de um acontecimento atual. Para que um acontecimento se transforme em notícia, é necessário que ele seja interessante e tenha importância para o público. Isso quer dizer que nem tudo o que acontece pode virar notícia. Vamos imaginar a seguinte situação: um avião pequeno faz uma viagem entre duas cidades brasileiras. A viagem transcorre absolutamente tranqüila, sem qualquer problema. Ora, isso acontece centena de vezes por dia. Essas viagens não se transformam em notícia. Agora, se logo no início de uma dessas viagens um avião apresenta qualquer problema e cai, eis um fato que certamente se transformará em notícia.

40

As notícias dos jornais podem ser classificadas em: a) internacionais - são aquelas que envolvem o exterior, ou outros países e o Brasil. b) nacionais - são aquelas que envolvem só o Brasil e que têm interesse para um grande número de pessoas, independentemente da região em que elas residem. c) regionais ou locais - são aquelas que envolvem uma região, um estado ou uma cidade, apresentando maior interesse para as pessoas que moram nessa região , estado ou cidade. Observe os exemplos:

ATIVIDADE

4

Agora, responda em seu caderno os exercícios a seguir: 1. Quais dos fatos seguintes você acha que dariam notícia ? a. b. c. d. e. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Cachorro mordeu um homem. Homem mordeu um cachorro. Joaquim foi aprovado da 6ª série. Joaquim ganhou medalha de ouro na Olimpíada. Dinheiro público paga presente da esposa do prefeito.

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2. Leia o texto seguinte. O fato relatado não é suficientemente interessante para se transformar em notícia:

Cinco crianças, com idade variando de 8 a 13 anos, formaram um grupo que saiu ontem de manhã para um piquenique na mata de São Mateus, região de floresta na serra de Cantagalo. As crianças levaram lanches e bebidas. Ficaram o dia todo no mato e à tarde retornaram às suas casas. Foi um belo passeio.

Seu trabalho é reescrever o texto, acrescentando a ele um fato que possa transformá-lo em notícia.

3. Recorte de um jornal e cole em seu caderno uma notícia REGIONAL, NACIONAL E INTERNACIONAL.

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43

FIGURAS

DE

LINGUAGEM

( PARTE II )

No módulo 1, você estudou sobre figuras de linguagem e ficou conhecendo algumas delas, tais como: metáfora, metonímia, aliteração, catacrese e pleonasmo. Nesta unidade, daremos continuação a esse assunto e estudaremos, agora, outras figuras de linguagem. Veja as figuras a seguir:

Como você pôde notar, nessas figuras aparecem palavras que representam sons. Veja que no 1º quadrinho a palavra "ATCHIM" representa o som do espirro do personagem Cascão, no 2º quadrinho a palavra "BUÁÁÁ" é usada para representar o choro do homem, e no 3º quadrinho a palavra "PAF" representa o som de um tapa; portanto nesses três exemplos foi utilizada uma figura de linguagem chamada onomatopéia.

ONOMATOPÉIA é a representação de sons, ruídos ou da voz natural dos seres, através de palavras escritas.
Veja outro exemplo de onomatopéia: " Em cima do telhado, Pirulin lulin lulin, Um anjo todo molhado Soluça no seu flautim." (Mário Quintana)

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ANTÍTESE
Observe com atenção o texto a seguir:

Oração de São Francisco
Fazei de mim um instrumento De vossa paz ! Onde houver ódio, que eu leve o amor, Onde houver ofensa, Que eu leve o perdão; Onde houver discórdia, Que eu leve a união; Onde houver dúvida, que eu leve a fé; Onde houver desespero, Que eu leve a esperança; Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; Onde houver trevas que eu leve a luz ! Você observou que a oração de São Francisco foi construída com palavras ou idéias que são extremamentes opostas: ódio / amor; ofensa/perdão; discórdia / união; dúvida / fé; tristeza / alegria; trevas / luz. A esse recurso de oposição dá-se o nome de antítese.

Senhor,

Portanto, ANTÍTESE consiste no uso de palavras (ou expressões) de sentidos opostos com a intenção de realçar a força expressiva de cada uma delas.

Veja outro exemplo de antítese: " Quem morre vai descansar na paz de Deus Quem vive é arrastado pela guerra de Deus. "
(Carlos Drummond de Andrade)

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EUFEMISMO

Leia com atenção: " Estavas bem mudado Como se tivesses posto aquelas barbas brancas Para entrar com maior decoro a Eternidade. (...) Levamos-te cansado ao teu último endereço Vi com prazer Que um dia afinal seremos vizinhos Conversaremos longamente De sepultura a sepultura No silêncio das madrugadas. "
(Manuel Bandeira)

No poema o trecho, "último endereço" tem o significado de sepultura, túmulo, cemitério (que é, sem dúvida, o último endereço de todos nós). Observe que a idéia de morte aparece logo no 3º verso: " entrar a Eternidade" e se reforça nos versos: " um dia afinal seremos vizinhos / Conversaremos longamente / De sepultura a sepultura ". Fica claro, então, que o poeta está falando da morte de um amigo, porém, de uma forma suave, menos chocante e dolorosa. A essa figura de linguagem dá-se o nome de eufemismo.

EUFEMISMO é menos chocante transmitir.

usado quando queremos suavizar, tornar as mensagens desagradáveis que devemos

Veja outros exemplos de eufemismo: Foi numa tarde de inverno que meu melhor amigo foi visitar os campos santos. (O amigo morreu) Você não está falando a verdade. (Você é mentiroso)

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HIPÉRBOLE
Leia o seguinte trecho: " Nos tempos de meu Pai, sob estes galhos, Como uma vela fúnebre de cera, Chorei bilhões de vezes com a canseira De inexorabilíssimos trabalhos ! "
(Augusto dos Anjos)

Note que, no 3º verso, o poeta exagera intencionalmente o número de vezes que chorou : "bilhões de vezes". Se considerado sob o ponto de vista racional esse número é absurdo. No entanto, ao exagerar, o escritor pretendeu reforçar o verso e, assim, sensibilizar o leitor para o sofrimento pelo qual passou. A essa figura de linguagem dá-se o nome de hipérbole.

HIPÉRBOLE é um exagero intencional com a finalidade de impressionar o leitor ou o ouvinte.
Veja outros exemplos de hipérbole: Lavei uma montanha de roupas. Morro de ciúme de você.

PROSOPOPÉIA OU PERSONIFICAÇÃO
Leia com atenção: " Árvores encalhadas pedem socorro Mata-paus vou bem-de-saúde se abraçam O céu tapa o rosto Chove... chove... chove...
(Raul Bopp)

Nesse trecho, Raul Bopp, ao descrever uma enchente, atribui a seres irracionais características próprias de seres humanos: 47

Observe: " árvores" pedem socorro. "mata-paus " (um tipo de parasita) se abraçam. "o céu " tapa o rosto. Através desse recurso , o poeta transforma as plantas, os bichos e o céu em pessoas. A essa figura dá-se o nome de prosopopéia ou personificação.

PROSOPOPÉIA OU PERSONIFICAÇÃO consiste em atribuir características ou sentimentos próprios do ser humano, a seres inanimados (sem vida) ou irracionais.
Veja outro exemplo de prosopopéia: " Dona Cômoda tem três gavetas. E um ar de senhora rica. Nas gavetas guarda coisas de outros tempos, só para si. Foi sempre assim, dona Cômoda: gorda, fechada e egoísta. " (Mário Quintana) Para verificar seu aprendizado exercícios a seguir em seu caderno: sobre figuras de linguagem, resolva os

ATIVIDADE 5

1. Em "Para ele, por exemplo, o socialismo é bom e o capitalismo é mau ", qual foi a figura de linguagem usada pelo autor: a) metáfora b) hipérbato c) antítese d) prosopopéia

2. Que figura de linguagem é usada nesta frase: "Naquela terrível luta, adormeceram para sempre. " 3."Quando o tempo está seco, os sapatos ficam tão contentes que se põem a cantar ". A figura utilizada neste trecho é: a) metonímia b) prosopopéia c) antítese d) eufemismo 48

4. Observe o quadrinho a seguir:

Agora responda: Que figura de linguagem é usada ? Explique sua resposta. 5. Observe as frases: a) " Chorei um mar de lágrimas quando você partiu ". b) " Ouça o tic-tac do relógio ". c) " Calor e frio me invadiram o corpo naquele instante." As figuras de linguagem encontradas nas frases acima, classificam-se em (assinale a alternativa correta) : a) hipérbole, eufemismo e antítese b) prosopopéia, onomatopéia e eufemismo c) antítese, hipérbole e onomatopéia d) hipérbole, onomatopéia e antítese

Parabéns ! Você terminou mais um módulo. Reflita sobre a mensagem que deixamos prepareno final da apostila para você e prepare-se para a prova . Boa Sorte!!! Equipe de Português

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GABARITO - MÓDULO 01

ATIVIDADE 1
1. a b d f g h 2. a) b) c) d) A palavra “ FOGO “ Encrenqueira , briguenta Não. O significado de fogo para o pintor foi de “ incêndio “ . O marido

ATIVIDADE 2
1. b 2. a 3. Predomina a linguagem literária, pois apresenta uma realidade inventada em que predomina a subjetividade do autor e o uso da linguagem conotativa.

ATIVIDADE 3
1. c 2. b 3. 1ª estrofe: escuro / puro ouvi-los / tranqüilos 2ª estrofe: asseguro / muro persegui-los / grilos 3ª e 4ª estrofes: calçada / nada / madrugada cão / são / assombração

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ATIVIDADE 4
Resposta livre.

ATIVIDADE 5 1. a) pleonasmo

b) metáfora c) catacrese d) aliteração e) metonímia 2. a 3. c 4. aliteração 5. a / c

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GABARITO - MÓDULO 2
ATIVIDADE 1
a) Gênero dramático, pois o texto está organizado para ser encenado. Nesse texto há uma história, mas não há um narrador para contá-la. b) Gênero lírico, pois está escrito em versos em que predomina a subjetividade, os sentimentos e as emoções do poeta. c) Gênero narrativo, pois está escrito em prosa e também há presença de um narrador e personagens.

ATIVIDADE 2
1. Gênero lírico, gênero narrativo e gênero dramático. 2. “ Estilo individual “ é a maneira própria de cada indivíduo se expressar, já “ estilo de época “ é o estilo que predomina nas manifestações culturais de cada época. 3. Arcadismo, romantismo, realismo, naturalismo, parnasianismo, simbolismo, pré-modernismo e modernismo.

ATIVIDADE 3
1. Resposta livre 2. Resposta livre

ATIVIDADE 4
1. b / d / e 2. Resposta livre 3. Resposta livre

ATIVIDADE 5
1. c 2. Eufemismo 3. b 4. Onomatopéia, pois “ blosh “ representa o som da menina caindo na lama. 5. d

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Para você pensar ...

" O

Sucesso

significa nunca parar, ou seja, sempre ir em busca de algo mais ."

EQUIPE DE PORTUGUÊS / CEESVO CRISTIANE ILZA - IVÂNIA - SANDRA MAURA

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APRESENTAÇÃO Caro (a) aluno (a), Você está iniciando seu curso de Português no Ensino Médio, seja bem-vindo ! Queremos caminhar ao seu lado para auxiliá-lo e juntos fazer descobertas e vencer novos desafios. Sabemos que a Língua Portuguesa está presente em nosso dia-a-dia, em nossa comunicação, portanto é importante que saibamos usá-la e interpretá-la corretamente para compreendermos melhor o mundo em que vivemos. Pensando nisso é que elaboramos 13 módulos contendo: ▪ Literatura Brasileira ▪ Leitura e Produção de Texto ▪ Estudo da Norma Padrão (gramática) Lembre-se: o seu esforço e a sua dedicação são os fatores mais importantes para o seu desenvolvimento e crescimento pessoal. Desejamos que você consiga vencer ainda mais facilmente o desafio desse mundo em constante evolução. Estamos aqui para colaborar com esse desafio. Então vamos começar ! Boa sorte ! Equipe de Português : Cristiane, Ilza, Ivânia, Maura e Sandra.
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INSTRUÇÕES

Como estudar Português

1. Leia atentamente todos os assuntos dos módulos; 2. Se houver necessidade, faça as atividades em seu caderno, para assimilar melhor o assunto. NÃO ESCREVA E NEM RASURE A APOSTILA, pois você a trocará e outro aluno irá usá-la; 3. Depois que você terminar as atividades, consulte o gabarito de respostas que está no final da apostila. Você que irá corrigir os exercícios; 4. Consulte o dicionário quando encontrar desconhecida; uma palavra

5. As redações devem ser feitas com capricho ! Não se esqueça de fazer um rascunho antes da redação final. 6. Para se submeter às avaliações, você deverá apresentar tudo o que foi solicitado, em seu caderno. 7. Sempre que houver dúvidas, procure esclarecê-las com o professor; 8. Freqüente a biblioteca da escola e utilize os recursos que nela estão disponíveis.

Bom estudo ! Bom aproveitamento !

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MÓDULOS 03 E 04

ÍNDICE

LITERATURA BRASILEIRA
Barroco..........................................................................mód. 03 Arcadismo.....................................................................mód. 04

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO
Elementos da narrativa................................................mód. 03 Estrutura da narrativa..................................................mód. 04

ESTUDANDO A NORMA PADRÃO
Classes Gramaticais...................................................mód. 03 Termos Essenciais da Oração...................................mód. 03 Tipos de Sujeito............................................................mód. 03 Tipos de Predicado.....................................................mód. 04 Predicação Verbal.....................................................mód. 04

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Módulo 3 - Barroco

(1601 - 1768)

Neste módulo vamos dar início ao estudo da literatura apresentando a letra de uma canção brasileira que fala do Brasil. A partir dessa leitura, faremos o contraponto com um texto escrito no século XVII, pertencente ao estilo Barroco, período literário que vamos estudar neste módulo. Brasil Não me convidaram pra essa festa pobre que os homens armaram pra me convencer a pagar sem ver toda essa droga que já vem malhada antes d'eu nascer não me ofereceram nem um cigarro fiquei na porta estacionando os carros não me elegeram chefe de nada o meu cartão de crédito é uma navalha Brasil mostra a tua cara quero ver quem paga pra gente ficar assim Brasil qual é o teu negócio o nome do teu sócio confia em mim Não me sortearam a garota do Fantástico não me subornaram será que é meu fim ver TV a cores na taba de um índio programada pra só dizer sim Grande pátria desimportante em nenhum instante eu vou te trair. (CAZUZA) 6

Texto 1

Como você pôde observar pela leitura do texto 1, "Brasil", seu autor, o compositor Cazuza, mostra através dos versos, aspectos negativos da sociedade brasileira atual, a grande diferença de classes sociais, a marginalização, a corrupção. Veremos, agora, como vamos encontrar a mesma temática, ou seja, o mesmo tipo de crítica aos costumes da sociedade brasileira, num texto escrito no século XVII. Leia-o.

Texto 2 Aos vícios
Eu sou aquele, que os passados anos Cantei na minha lira maldizente Torpezas do Brasil, vícios e enganos. (............................................................) De que pode servir calar, quem cala, Nunca se há de falar, o que se sente ? Sempre se há de sentir, o que se fala ! Qual homem pode haver tão paciente, Que vendo o triste estado da Bahia, Não chore, não suspire, e não lamente ? (............................................................) Se souberes falar, também falaras, Também satirizaras, se souberas, E se foras Poeta, poetizaras. A ignorância dos homens destas eras Sisudos faz ser uns, outros prudentes, Que a mudez canoniza bestas feras. Há bons, por não poder ser insolentes, Outros há comedidos de medrosos, Não mordem outros não, por não ter dentes. Quantos há que os trabalhos têm vidrosos, E deixam de atirar sua pedrada De sua mesma telha receosos. Uma só natureza nos foi dada: Não criou Deus os naturais diversos, Um só Adão formou, e esse de nada. Todos somos ruins, todos perversos, Só nos distingue o vício e a virtude, De que uns são comensais outros adversos. Quem maior a tiver, do que eu ter pude, Esse só me censure, esse me note, Calem-se os mais, chitom, e haja saúde.
Matos, Gregório de, In: antologia Poética.

Vocabulário

Chitom - (interjeição em desuso). Silêncio. Caluda.

O texto 2 é um poema satírico, escrito no século XVII, época das origens da nossa literatura. Os seus versos, como no texto de Cazuza, apresentam uma crítica violenta e contundente aos costumes e à sociedade da época. Seu autor, Gregório de Matos Guerra, foi apelidado de "Boca do Inferno ", pois suas sátiras atingiam a todos: ricos, pobres, o clero, as autoridades, os mulatos, as mulheres de vida desregrada, os senhores de engenho, os comerciantes. Além de crítico mordaz, foi um poeta lírico de grande sensibilidade. Seus versos lírico-amorosos e lírico-religiosos são considerados o melhor de sua obra. 7

brasileira e o representante do estilo Barroco no Brasil.

Gregório de

Matos é considerado o primeiro poeta da literatura

A ÉPOCA

O Barroco é um movimento que aconteceu no Brasil, no século XVII. Considera-se como seu marco inicial, o poema " Prosopopéia " , de Bento Teixeira, escrito em 1601. Esse período estendeu-se até 1768, com a publicação de "Obras poéticas "de Cláudio Manuel da Costa. Nessa época, a Bahia era o centro econômico da Colônia, graças a sua economia de base açucareira. Somente ali e em Pernambuco havia alguma atividade de natureza cultural. É nesse contexto que surge o Barroco trazido pelas mãos dos portugueses. Por certo, Gregório de Matos também recebeu influências da arte européia, principalmente do Barroco espanhol. No entanto, mesclou sua linguagem literária com termos africanos e tupi, dando-lhe um caráter peculiar, com ares de brasilidade.

CARACTERÍSTICAS

Culto dos contrastes: o estilo Barroco gosta de apresentar contrastes, ou seja, opostos difíceis de conciliar, idéias contrárias colocadas lado a lado: viver e morrer, claro e escuro, bem e mal, espírito e carne, pecado e perdão. Dúvida, tormento: o pensamento Barroco tem poucas certezas e muitas dúvidas. Há uma luta íntima entre o prazer de viver e a repressão exercida principalmente pela doutrina religiosa. Brevidade da vida: para os artistas do Barroco a vida é breve e está sempre prestes a terminar. Exagero: o artista Barroco é um exagerado que tende para o desequilíbrio total e ao pessimismo. Figuras de linguagem: a literatura Barroca é cheia de figuras de linguagem, tais como: antítese, metáfora, hipérbole e prosopopéia.

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O AUTOR E A OBRA

Gregório de Matos nasceu na Bahia, em 1633, filho de senhores de engenho. Estudou no Colégio dos Jesuítas e aos 14 anos foi para Portugal onde formou-se em Direito. Lá, exerceu a magistratura por alguns anos, mas, devido a suas sátiras irreverentes teve que regressar ao Brasil. De volta à terra natal, exerceu cargos de certa relevância e, pelo mesmo motivo (irreverência mordaz em suas sátiras) foi degredado para Angola. Retornou ao Brasil, mas foi proibido de voltar à Bahia. Estabeleceu-se em Pernambuco, onde faleceu em 1696.

POESIA

A obra de Gregório de Matos, nosso representante da poesia do estilo barroco, é dividida de acordo com a sua temática em: Poesia satírica - são as poesias nas quais o poeta critica e satiriza a todos: autoridades, padres, mulatos, mulheres de vida desregrada, senhores de engenho, comerciantes. Poesia lírica - neste tipo de poema o poeta fala de suas fortes paixões e dos sofrimentos por amor. Poesia religiosa - o poeta revela, neste tipo de poesia, a oscilação entre razão/fé, terreno/celestial, pecado/perdão. O poeta arrependido pede perdão de seus pecados e sofre remorso por suas ações insensatas.

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PROSA
Outra grande figura do estilo barroco no Brasil foi o Padre Antônio Vieira. É o representante da prosa desse período. Foi um extraordinário orador e pregador. São notáveis seus sermões dominicais onde defendia os indígenas e os mais fracos. Sua obra divide-se em cartas, sermões e profecias. Cartas - cerca de 500, versando sobre a inquisição, a atuação dos jesuítas na Colômbia e o relacionamento entre Portugal e Holanda. Sermões - são quase 200 sermões, o melhor da obra destacam-se: de Vieira, dos quais

"Sermão da Sexagésima" - neste sermão, Vieira aborda a arte de pregar. "Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda "- Vieira incita o povo a combater os invasores holandeses, realçando os horrores e depredações que os protestantes fariam no Brasil.

Estudo do Texto
O texto a seguir é um poema de Gregório de Matos. Você vai lê-lo, analisá-lo e responder às questões propostas em seu caderno:

A Jesus Cristo Nosso Senhor
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Porque quanto mais tenho delinqüido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na sacra história, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, Cobrai-a; e não queirais, pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória.
(Apude: CASTELLO, José Aderaldo. Manifestações literárias do período colonial.)

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Vocabulário Despir - abandonar (despedir). Delinqüir - pecar, errar. Irar - deixar nervoso. Abrandar - amolecer. Sobejar - sobrar. Lisonjear - agradar. Sacro - sagrado. Desgarrado - perdido.

ATIVIDADE 1
Nas questões abaixo, assinale com um X na resposta correta. 1. No texto "A Jesus Cristo Nosso Senhor ", o poeta apresenta-se diante do Senhor como: a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) um pecador um mendigo um questionador um religioso

2. Esta poesia de Gregório de Matos é classificada como: a) ( b) ( c) ( ) religiosa ) satírica ) lírica

3. O poeta quando faz o jogo das palavras (ofender x lisonjear); (irar x abrandar) recorre a que figura de linguagem ? a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) metáfora hipérbole antítese eufemismo

4. Neste poema de Gregório de Matos podemos perceber que o eu-poético clama pela: a) ( b) ( c) ( ) ira do Senhor. ) misericórdia de Deus. ) indiferença do Senhor. 11

ATIVIDADE 2

Revendo

a literatura

1. Em que época aconteceu o Barroco no Brasil? 2. Quem foi seu principal poeta? 3. Gregório de Matos foi apelidado de: a) ( b) ( c) ( ) Boca Maldita ) Boca de Fogo ) Boca do Inferno

4. Qual o motivo de seu apelido? 5. Como está dividida tematicamente a poesia de Gregório de Matos? 6. Assinale as alternativas que apresentam características do estilo barroco: a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) Rebuscamento da forma, acúmulo de ornamentos. Uso abusivo de figuras de linguagem. Equilíbrio, clareza, linguagem simples e objetiva. Preocupação com a morte, com a brevidade da vida.

7. Qual foi o grande prosador do Barroco no Brasil? Como divide-se sua obra?

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NARRAÇÃO

Contar histórias é uma atividade praticada por muita gente: pais, filhos, professores, amigos, namorados, avós,... Enfim, todos contam, escrevem, ouvem ou lêem todo tipo de narrativa: histórias de fadas, casos, piadas, mentiras, romances, contos, novelas. Narrar é contar fatos reais (que realmente aconteceram) ou fatos inventados (criados pela nossa imaginação). Toda narrativa tem elementos fundamentais, sem os quais não pode existir. Esses elementos são:

ENREDO NARRADOR PERSONAGENS TEMPO ESPAÇO
A seguir , você vai ler um texto e perceber como esses elementos aparecem.

Notícia de jornal
Tentou contra a existência Num humilde barracão Joana de Tal por causa de um tal João Depois de medicada, Retirou-se pro seu lar; E aí a notícia Carece de exatidão. O lar não mais existe, Ninguém volta ao que acabou. Joana é mais uma mulata triste Que errou um dia - errou na dose, errou no amor Joana errou de João. Ninguém notou, ninguém morou Na dor que era o seu mal: - A dor da gente não sai no jornal.
(Luis Reis e Haroldo Barbosa)

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ENREDO

O enredo é a estrutura da narrativa, é o desenrolar dos acontecimentos. O enredo se faz normalmente de incidentes, de intrigas e conflitos. No caso do texto em estudo, o enredo está centrado no conflito entre João e Joana, que levou a mulher a tentar o suicídio.

NARRADOR

Narrador é quem conta a história. Não deve ser confundido com autor. Autor é a pessoa que existe fisicamente, o narrador é inventado pelo autor para relatar os fatos. Temos 2 tipos de narrador: 1. Narrador em 3ª pessoa ou narrador-observador: é o narrador que está fora dos fatos narrados e é chamado de narrador- observador pois apenas observa os acontecimentos. Veja um exemplo de narrador observador no trecho extraído da obra de Érico Veríssimo, "O tempo e o Vento".

(...) Pedro sentou-se, cruzou as pernas, tirou algumas notas da flauta, como para experimentá-la e depois, franzindo a testa, começou a tocar. Era uma melodia lenta e meio fúnebre. O agudo som do instrumento penetrou Ana Terra como uma agulha, e ela se sentiu ferida, trespassada. (...) (...) Tirou as mãos de dentro da água da gamela, enxugou-as num pano e aproximou-se da mesa. Foi então que deu com os olhos de Pedro e daí por diante, por mais esforços que fizesse, não conseguiu desviar-se deles. Parecia-lhes que a música saía dos olhos do índio e não da flauta - morna, tremida e triste como a voz duma pessoa infeliz (...) ( O tempo e o vento. Rio de Janeiro,Globo, 1963)
2. Narrador em 1ª pessoa ou narrador personagem: é aquele que participa do enredo como qualquer personagem.

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Veja, agora, um exemplo de narrador-personagem extraído do conto: " amizade sincera ", da obra A Legião Estrangeira de Clarice Lispector.

Uma

"Não é que fôssemos amigos de longa data. Conhecemo-nos apenas no último ano da escola. Desde esse momento estávamos juntos a qualquer hora. Há tanto tempo precisávamos de um amigo que nada havia que não confiássemos um ao outro. A pretexto de férias com minha família, separamo-nos. Aliás ele também ia ao Piauí. Um aperto de mão comovido foi o nosso adeus no aeroporto. Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso. Mais que isso: que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros".

TIPOS DE PERSONAGENS
A personagem constitui o elemento fundamental de um texto narrativo. Não há história sem personagem. Em torno dela, o narrador constrói o texto. A personagem só vai existir se participar da história agindo ou falando. Se um ser é apenas mencionado na história sem nada fazer direta ou indiretamente, ou não interferir de modo algum no enredo, não pode ser considerado personagem. As personagens classificam-se em: a) Protagonista: é a personagem principal, em torno da qual os fatos ocorrem; b) Secundárias: são as personagens menos importantes na história, isto é, que têm uma participação menor ou menos freqüente no enredo.

CARACTERÍSTICAS DAS PERSONAGENS
Para conhecermos melhor psicologicamente. as personagens o narrador descreve-as física e

a) Características físicas: é como a personagem é apresentada fisicamente (aquilo que é externo, que está fora). É a aparência física: a voz, a altura, os gestos, a idade, como são os cabelos, os olhos, a roupa, etc. b) Características psicológicas: é como a personagem é apresentada interiormente. É o seu jeito de ser, a sua personalidade, as suas preferências, o seu temperamento, o caráter, etc.

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TEMPO
É a época, o momento em que os fatos acontecem.

ESPAÇO
É o lugar, o cenário onde se desenvolvem os acontecimentos.

Para verificar se você entendeu sobre os “ elementos da narrativa “ resolva os exercícios a seguir em seu caderno.

ATIVIDADE 3
Releia com atenção o texto “ Notícia de jornal “ para responder as questões a seguir : 1. Que tipo de narrador aparece no texto? 2. Quem é a protagonista do texto? 3. Cite uma característica física de Joana. 4. Neste poema o autor valoriza mais o mundo interior da personagem. Assim, podemos conhecê-la melhor. Assinale a opção que corresponde às características psicológicas de Joana em relação aos seus sentimentos: a) ( ) triste, desempregada, apaixonada. b) ( ) triste, decepcionada, inconseqüente. c) ( ) triste, decepcionada, apaixonada. 5. Qual é o tempo da história? 6. Em que lugar ocorrem os fatos?

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Caro (a) aluno (a) :
Você já deve ter ouvido muitas vezes a expressão norma padrão. Vamos conversar um pouco sobre ela, antes de entrarmos no assunto propriamente dito.

O QUE VEM A SER A NORMA PADRÃO ? Você deve estar pensando que é a maneira certa, correta, de uso da língua. Mas não é bem assim, não. A norma padrão é apenas uma variação da língua, considerada, por vários motivos, a variedade de prestígio. Há situações em que você deve saber empregar a norma padrão, como por exemplo, em situações formais de fala (expor uma opinião em uma reunião, numa entrevista profissional, num discurso político, numa fala no sindicato) e, geralmente, na escrita. É com esse propósito, então, que estamos lhe propondo esse estudo, de maneira que você possa adequar sua linguagem às diferentes situações, às diferentes finalidades e aos diferentes interlocutores. É bom lembrar, ainda, que estudar a norma padrão não é decorar nomes, regras e definições para as quais você não acha nenhuma função. É, antes de tudo, refletir sobre a flexibilidade e possibilidades de uso da linguagem e fazer opções conscientes e compatíveis com suas necessidades de comunicação. Aluno (a), para iniciar o estudo da norma padrão deste módulo, faremos uma revisão das Classes Gramaticais.

I - CLASSES GRAMATICAIS

Como você já deve saber, existem, na língua portuguesa, dez classes gramaticais, cada uma delas exercendo uma determinada função. São elas:

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CLASSE GRAMATICAL SUBSTANTIVO

FUNÇÃO Dá nome aos seres em geral: coisas, pessoas, animais, sentimentos, lugares, etc. Exemplos: moça, jornal, tristeza.

ADJETIVO

Caracteriza o substantivo, indicando qualidade (ou defeito), modo de ser, aspecto, etc. Exemplos: moça triste, jornal amassado.

ARTIGO

Vem antes do substantivo, indicando o gênero (masculino ou feminino) e o número (singular ou plural). Os artigos são: Definidos: o, a, os, as Indefinidos: um, uma, uns, umas Indica quantidade, ordenação ou proporção. Exemplos: Ela tem dois irmãos. Ela riu pela primeira vez.

NUMERAL

PRONOME

Representa ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso. Existem pronomes pessoais, de tratamento, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos. Ex.: Ela está triste. (pronome pessoal) Meu amigo ficou quieto. (pronome possessivo) Exprime um fato (ação, estado ou fenômeno da natureza) situando-o no tempo (presente, passado, futuro). Ex.: Lá só chove no verão. (verbo chover) Falei demais e estou cansada. (verbos falar-estar) Palavra invariável que modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstâncias de lugar, dúvida, modo, tempo, negação, intensidade e afirmação. Ex.: Ele está muito mal de saúde. (muito - advérbio de intensidade). Ex.: Os alunos não fizeram a prova. (não – advérbio de negação).

VERBO

ADVÉRBIO

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CLASSE GRAMATICAL PREPOSIÇÃO

FUNÇÃO Relaciona dois termos da oração. Nessa relação um termo completa ou explica o sentido do outro. Algumas preposições: a, ante, com, contra, de, em, entre, para, por, sob, sobre, ao. Ex.: Comprei um presente para Fátima. Ela ficou feliz com o presente. Relaciona orações ou termos da oração que exercem a mesma função. Algumas conjunções: e, mas, porém, porque, pois, quando, portanto, ou, ora. Ex.: Eu lhe trouxe o livro, mas você não o leu. Não saia hoje, pois vai chover. Palavra ou expressão que exprime estados emotivos. Ex.: Silêncio! Hospital em frente. Ah! Que alegria.

CONJUNÇÃO

INTERJEIÇÃO

Agora que você viu em linhas gerais as dez classes gramaticais existentes na língua portuguesa, resolva os exercícios a seguir em seu caderno.

ATIVIDADE 4

1. Leia as frases abaixo e copie apenas o que é solicitado entre parênteses : a) "Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história ". (copie os artigos) b) " Hoje, gostaria de falar de tudo o que não existiu . De criaturas que não nasceram, de árvores que não brotaram, de flores transparentes, de melodias sonhando violinos ". (copie os substantivos) c) Aquela história correu por mais de dez países, por mais de cem cidades. (copie os numerais)

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2. No trecho abaixo, destaque um substantivo, um adjetivo, um artigo, uma preposição, um verbo e um pronome: " Uma moça bonita de olhar agateado deixou em pedaços o meu coração "

Aluno (a), agora vamos dar início a um outro assunto, estudaremos a seguir a relação e identificação do SUJEITO E PREDICADO.

II - TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃ0
Para conceituar esses termos da oração, vamos partir de alguns trechos de textos. Tente responder oralmente à pergunta feita logo após cada um deles. a) " O tal Ermitão foi visto vagando pelo Refúgio ". Pergunta : Quem é que foi visto ? Resposta : “ O tal Ermitão “ b) " O amor viera numa só vaga ". Pergunta: O que é que veio ? Resposta: “ O amor “ c) " No escuro, a voz de um mentiroso se revela ". Pergunta: O que é que se revela ? Resposta: “ A voz de um mentiroso “ As respostas que você deu às perguntas estão indicando a respeito de quem ( ou de que ) se está falando: "o tal Ermitão ", " o amor ", " a voz de um mentiroso ". Dizendo de outra maneira : as respostas às perguntas indicam o SUJEITO de cada oração.

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Portanto:

Sujeito: é a pessoa, a coisa, o fato a respeito do qual se declara alguma coisa.

* Regra prática para encontrar o sujeito.

Quando você tiver dúvida sobre quem é o sujeito, pergunte:

PARA PESSOAS PARA COISAS

Quem é que ... ? O que é que ... ?

Veja outros exemplos : a) Leonora engoliu uma tampinha. Quem é que engoliu uma tampinha ? Resposta Leonora = sujeito

b) O bolo estava saboroso. O que é que estava saboroso ? Resposta O bolo = sujeito

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Em Português, em geral, uma oração é constituída por duas partes. Uma delas é o sujeito e a outra é tudo aquilo que se diz do sujeito : o predicado.

Vamos retomar os exemplos já estudados, observando o sujeito e o predicado: a) “ O tal Ermitão Sujeito b) “ O amor Sujeito foi visto vagando pelo Refúgio.” Predicado viera numa só vaga. “ Predicado se revela. ”

c) No escuro, a voz de um mentiroso Sujeito Predicado Portanto:

Predicado :

é tudo aquilo que se diz do sujeito.

* Regra prática para encontrar o predicado. Primeiro procure o sujeito da oração. Tudo o que sobrar é predicado.

Exemplo: O médico Sujeito

pôs-se a rir de mim. Predicado 24

TIPOS DE SUJEITO

SUJEITO SIMPLES - é aquele que apresenta um único núcleo, isto é, uma única palavra principal.

Núcleo Exemplo: “ Uma escuridão compacta Sujeito comprimia seus olhos abertos. “

SUJEITO COMPOSTO – é aquele que apresenta mais de um núcleo, ou seja, mais de uma palavra principal. núcleo Exemplo : “ O prisioneiro e o soldado Sujeito mergulharam numa esquina. “

SUJEITO OCULTO – é aquele que existe mas NÃO aparece na oração. Exemplo : “ Amanhã cedo, continuaremos a viagem. “ Quem vai continuar a viagem ? Resposta : (Nós) sujeito oração ( está subentendido). oculto, pois o pronome nós não aparece na

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Para verificar seu aprendizado sobre sujeito e predicado, resolva seguir em seu caderno.

os

exercícios a

ATIVIDADE

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1. Classifique os sujeitos das orações, usando este código: ( SS ) sujeito simples ( SO ) sujeito oculto ( SC ) sujeito composto a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) O dia amanheceu nublado. Eu e meus amigos viemos auxiliá-lo. Nesta cidade, faz um calor intenso o ano todo. Estivemos na fazenda.

2. Copie os sujeitos das orações abaixo: a) “ As simpatias do excelente companheiro não tinham diminuído. “ b) “ No outro dia, o tempo estava inteiramente frio. “ c) “ Um homem e uma mulher loucamente apaixonados não são nenhuma novidade.” 3. Em: “ Na mocidade, muitas coisas lhe haviam acontecido. “ O termo grifado nesta oração exerce a função de : a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) predicado sujeito oculto sujeito simples sujeito composto

4. Na frase: “ Desejamos ajudar uns aos outros “ , identifique o sujeito. 5. Na frase: “ No dia seguinte, os jornais publicaram as fotos do acidente” , o sujeito é : a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) No As Os Do dia seguinte fotos jornais acidente

Parabéns !!! Você terminou o módulo 3. prepareAgora prepare-se para a prova e boa sorte !!!
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MÓDULO 4 - ARCADISMO (1768 - 1836)

Neste módulo, vamos estudar o Arcadismo, período literário que surgiu após o Barroco. Para que você compreenda melhor esta fase, vamos ler o texto a seguir.

Texto 1 Casa no campo Eu quero uma casa no campo Onde eu possa compor muitos rocks rurais E tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais Eu quero uma casa no campo onde eu possa ficar do tamanho da paz E tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais Eu quero carneiro e cabras pastando solenes no meu jardim Eu quero o silêncio das línguas cansadas Eu quero a esperança de óculos um filho de cuca legal Eu quero plantar e colher com a mão pimenta e o sal Eu quero uma casa no campo do tamanho ideal pau-a-pique e sapê Onde eu possa plantar meus amigos meus discos meus livros e nada mais.

(Tavito & Rodrix, Zé. In: REGINA, Elis.)

Este texto que você leu é uma bela composição de Tavito e Rodrix, onde o "eu-lírico" expressa o desejo de buscar na simplicidade do campo, a plenitude da vida. Este sentimento campestre, este desejo de encontrar, na natureza, a paz, já esteve presente em poemas produzidos no século XVIII, como você poderá observar pela leitura do texto a seguir.

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Texto 2

Marília de Dirceu
Tomás Antônio Gonzaga

Lira XIX
Enquanto pasta, alegre, o manso gado, Minha bela Marília, nos sentemos À sombra deste cedro levantado. Um pouco meditemos Na regular beleza, Que em tudo quanto vive, nos descobre A sábia natureza Atende, como aquela vaca preta O novilho seu dos mais separa, E o lanche, enquanto chupa a lisa teta. Atende mais, ó cara Como a ruiva cadela Suporta que lhe morda o filho o corpo, E salte em cima dela.

O texto 2, como você observou, também faz referência à natureza, descrevendo o ambiente campestre como um lugar belo e ameno e foi escrito por Tomás Antônio Gonzaga, poeta pertencente ao Arcadismo. Os poetas árcades buscavam a simplicidade de expressão, num estilo transparente e claro. Era o fim do estilo rebuscado, exagerado, com abuso de figuras de linguagem e complexa estruturação. Vários autores se destacaram nessa época, como Cláudio Manuel da Costa , Basílio da Gama, Frei José de Santa Rita Durão. Entretanto, o mais popular dos poetas árcades foi sem dúvida, Tomás Antônio Gonzaga, que estudaremos neste módulo. Para entendermos melhor a sua obra, vamos saber como era a época em que viveu.

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A

ÉPOCA

O Arcadismo aconteceu no século XVIII, conhecido como o século das luzes, graças às novas idéias de cientistas e filósofos que promoveram uma verdadeira revolução na história do pensamento moderno. A visão de mundo era calcada em dois princípios: razão e ciência. Tudo deveria ser encarado sob um ponto de vista racional. Rejeitavam-se as superstições, as tradições pouco científicas e a religião passou a ser vista como instrumento de ignorância e tirania. É nesse contexto que o Arcadismo, nome retirado da Arcádia, região da Antiga Grécia habitada por pastores, encontra expressão no Brasil, tendo como marco inicial a publicação de "Obras Poéticas" de Cláudio Manuel da Costa, em 1768.

CARACTERÍSTICAS

Num período em que se inicia a urbanização, o árcade revela o ideal do homem natural como forma de rejeitar o artificialismo e o exagero. Por isso, no Arcadismo é comum o pastoralismo: o poeta finge ser pastor, a mulher de que ele fala é pastora. O poeta fala da vida simples, com linguagem simples, gosta de versos sem rimas, quer a liberdade na composição poética. Alguns princípios regem esse estilo de época; entre eles, destacamos:

1 - o aproveitamento máximo do presente (Carpe Diem).

Carpe Diem, na Língua latina, significa viver o presente.

2 - a fuga da cidade para o campo, onde tudo é perfeito (Fugere urbem).

Fugere urbem é uma expressão latina que significa fugir da cidade.

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3 - a eliminação de tudo que é exagero ( Inutilia truncat ). Inutilia Truncat, expressão latina que significa acabar com as inutilidades.

4 - uso de nomes poéticos simbólicos (pseudônimos). Os poetas árcades procuram inspirações nos antigos autores clássicos (gregos e latinos) e na mitologia pagã, daí o Arcadismo ser conhecido, também , como Neoclassicismo.

O AUTOR E A OBRA

Tomás Antônio Gonzaga é o mais conhecido e popular poeta do Arcadismo. Nasceu em Portugal, mas passou a infância no Brasil. De volta a Portugal, formou-se em Coimbra. E, 1782, retorna ao Brasil nomeado para o cargo de ouvidor, em Vila Rica, Minas Gerais. Aos 40 anos de idade, Gonzaga apaixonou-se por uma adolescente de 17 anos, Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. A família da moça opunha-se ao namoro. Quando já vencia as resistências da família e estava para se casar, foi preso (1789) e enviado para a ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, como participante da Inconfidência Mineira.

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Os últimos dezessete anos de sua vida passou no degredo em Moçambique, casado com a filha de um comerciante de escravos. Gonzaga nunca se casou com Maria Dorotéia, mas esse namoro tornou-se o primeiro mito amoroso de nossa literatura e inspirou uma de nossas mais belas obras líricas, as Liras de Marília de Dirceu. Nelas Gonzaga usou em seus poemas, o pseudônimo de Dirceu, como se fosse um pastor. Sua amada, Maria Dorotéia, recebe o pseudônimo de Marília, nome de uma pastora. A obra divide-se em duas partes: 1ª parte - contém os poemas escritos no período da conquista amorosa e do namoro. " Num sítio ameno Dos seus amores Cheio de rosas Na companhia De brancos lírios Dirceu passava Murtas viçosas; Alegre o dia." . 2ª parte - contém os poemas escritos na prisão da ilha das Cobras. O poeta expressa em seus versos solidão e sofrimento, saudoso de sua amada. " Nesta triste masmorra, De um semivivo corpo sepultura, Inda , Marília , adoro A tua formosura Amor na minha idéia te retrata; Busca extremoso, que eu assim resista À dor intensa que me cerca, e mata.". "Marília de Dirceu " é um dos livros mais lidos na história da literatura brasileira. Os dois pastores da Arcádia mineira tornaram-se o primeiro par amoroso do imaginário brasileiro. E isso não se deve apenas ao mito criado pelo Romantismo, mas também, e sobretudo, às qualidades superiores da poesia de Gonzaga. "
Ricardo Silva Leite, in Apostilas de Exercícios: Marília de Dirceu. Biblioteca Folha.

Além da poesia lírica, Gonzaga escreveu ainda as famosas "Cartas Chilenas", onde satiriza os desmandos do governador Luiz da Cunha Menezes. Os poemas desenvolveram-se em forma de Cartas que circulavam secretamente em Vila Rica, na época da Inconfidência Mineira. O poeta usa o pseudônimo de Critilo e critica o governador a quem chama de Fanfarrão Minésio. Finge escrever do Chile, daí o nome de "Cartas Chilenas".

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A seguir, vamos ler e analisar um texto de Tomás Antônio Gonzaga.

LIRA XXXVII
Tomás Antônio Gonzaga
Meu sonoro Passarinho, Se sabes do meu tormento E buscas dar-me, cantando, Um doce contentamento, Ah! Não cantes, mais, não cantes, Se me queres ser propício; Eu te dou em que me faças Muito maior o benefício Ergue o corpo, os ares rompe, Procura o Porto da Estrela, Sobe à terra, e se cansares, Descansa num tronco dela. Toma de Minas a estrada, Na igreja nova, que fica Ao direito lado, e segue Sempre firme a Vila Rica Entra nesta grande terra, Passa uma formosa ponte, Passa a segunda, a terceira Tem um palácio defronte. Ele tem ao pé da porta Uma rasgada janela, É da sala, aonde assiste A minha Marília bela. Para bem a conheceres, Eu te dou os sinais todos Do seu gesto, do seu talhe, Das suas feições, e modos. O seu semblante é redondo, Sobrancelhas arqueadas, Negros e finos cabelos, Carnes de neve formadas. A boca risonha, e breve, Suas faces cor-de-rosa, Numa palavra, a que vires Entre todas mais formosa.. Chega então ao seu ouvido, Dize, que sou quem te mando, Que vivo nesta masmorra, Mas sem alívio penando.

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ATIVIDADE 1
De acordo com o texto que você leu, responda em seu caderno: 1. A quem a) ( ) b) ( ) c) ( ) o poeta se dirige pedindo ajuda? À Marília Ao passarinho A uma pessoa estranha

2. Que pedido o poeta faz? 3. A amada do poeta é descrita física ou psicologicamente? Justifique sua resposta, copiando 4 versos do poema. 4. a) b) c) d) De que lugar o poeta envia sua mensagem à Marília? ( ) Do Porto da Estrela ( ) Da Vila Rica ( ) De uma formosa ponte ( ) Da masmorra

a Revendo Literatura

ATIVIDADE 2

1. Qual foi o marco inicial do Arcadismo no Brasil? 2. Quem foi o mais popular poeta Árcade? 3. Qual é o pseudônimo pastoril usado por Tomás Antônio Gonzaga? 4. Que obra satírica escreveu Tomás Antônio Gonzaga? 5. Em quantas partes se divide as "Liras de Marília de Dirceu"? Explique cada uma delas. 6. Quais são as características do Arcadismo?

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Aluno (a), Terminamos, neste módulo, o estudo da literatura brasileira do período colonial. A partir do módulo 5, você vai entrar em contato com a literatura do período nacional que se inicia com o Romantismo.

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ESTRUTURA DA NARRATIVA

Você aprendeu, no módulo 3, que um texto narrativo é formado por um enredo com personagens que agem num tempo e num espaço. Neste módulo, você verá que além desses elementos, um texto narrativo também exige uma organização própria, apresentando a seguinte estrutura:

SITUAÇÃO INCIAL OU APRESENTAÇÃO DESENVOLVIMENTO OU COMPLICAÇÃO SITUAÇÃO FINAL OU DESFECHO

A seguir , você vai ler um texto e perceber como a estrutura se organiza.

Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, foi bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho. Com os dias, Senhora, o leite a primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles iam eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda. E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada - o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? As suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros : boca nervosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
(Dalton Trevisan, Os mistérios de Curitiba)

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SITUAÇÃO INICIAL OU APRESENTAÇÃO
É o momento, quase sempre no início da história, na qual são apresentados os fatos iniciais, os personagens e às vezes, o tempo e o espaço. Veja o exemplo:

" Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa... Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho. "

DESENVOLVIMENTO OU COMPLICAÇÃO
É o fato que interrompe o equilíbrio da situação inicial e dá início à complicação, criando um problema. Veja o exemplo:

" Com os dias, Senhora, o leite a primeira vez coalhou... Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca rolhas?

SITUAÇÃO FINAL OU DESFECHO
É o momento da solução do conflito, podendo ser feliz ou não. Há vários tipos de desfechos: surpreendente, feliz, trágico , cômico, esperado ... Veja o exemplo :

" Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas nervosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor. "

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ATIVIDADE 3
Aluno (a), escolha uma das propostas abaixo para redigir (escrever) seu próprio texto narrativo.

Lembre-se: um texto narrativo é formado por elementos da narrativa ( enredo, narrador, personagem, tempo e espaço) e também exige uma estrutura ( início , desenvolvimento e fim).
Proposta 1 Redija uma narração, isto é, um texto em que você contará uma história interessante, a partir do tema proposto abaixo:

TEMA: " Com licença, mas este caso eu prefiro contar ... "

Observação: O tema proposto pede uma narrativa em 1ª pessoa (narrador personagem ).

Proposta 2 Redija uma narração, isto é, um texto em que você contará uma história, dando continuidade ao texto abaixo:

" Morador de uma cidade grande, João Brasileiro engole diariamente a fumaça lançada no ar por automóveis e fábricas . Tossindo de raiva, acende o último cigarro e joga o maço pela janela do carro. No domingo de sol, leva os filhos a passear no parque e compra sorvetes para os garotos ".
(Superintessante, 5 de maio 1989)

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Observação : o tema proposto pede uma narração em 3ª pessoa (narrador observador), o personagem principal já tem um papel definido: um homem de classe média, insatisfeito, proprietário de automóvel e pai de família.

Proposta 3 Narre um fato de sua infância que você considera significativo para a sua formação.

Observação: Além da narrativa em 1ª pessoa (narrador personagem), o tema exige um trabalho especial com o elemento tempo, pois você irá narrar fatos de sua infância (passado) que refletem em sua vida de adulto (presente).

Dica importante:

Antes de começar seu texto, já tenha em mente toda a história, sabendo inclusive como finalizá-la. Não se esqueça de fazer um rascunho antes de passar a redação final.

ATENÇÃO : Esse trabalho valerá ponto e deverá ser entregue em folha avulsa às professoras.

Boa Sorte !

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Aluno (a), você recorda que no módulo anterior iniciamos o estudo do sujeito e predicado. Você estudou os vários tipos de sujeito, tais como: sujeito simples, composto, oculto. Neste módulo, vamos dar início aos tipos de predicado. Então, vamos lá !!!

Recordando

Predicado é tudo aquilo que se diz do sujeito.

Exemplo: ♦ Os operários lutam por melhores salários. Sujeito Predicado

TIPOS DE PREDICADO

PREDICADO VERBAL - No predicado verbal, o verbo indica uma AÇÃO ou um FATO. Exemplos: ♦ As luzes da cidade surgiram à nossa frente. verbo de ação Predicado Verbal ♦ Lúcia saiu com o carro. verbo de ação Predicado Verbal

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PREDICADO NOMINAL - É formado por um VERBO DE LIGAÇÃO + um PREDICATIVO (que indica ESTADO OU QUALIDADE do sujeito).

ATENÇÃO OS VERBOS DE LIGAÇÃO SÃO: SER, ESTAR, FICAR, PARECER, PERMANECER, CONTINUAR, ANDAR.
Exemplos: • As luzes da cidade eram
verbo de ligação

brilhantes.
predicativo (qualidade)

Predicado Nominal • Lúcia estava
verbo de ligação

apressada.
predicativo (estado)

Predicado Nominal

PREDICADO VERBO-NOMINAL - É quando o predicado tem um verbo que indica AÇÃO OU FATO, e também um PREDICATIVO (que indica QUALIDADE OU ESTADO DO SUJEITO). Exemplos: • As luzes da cidade surgiram brilhantes à nossa frente.

verbo de ação

predicativo (qualidade)

Predicado Verbo - Nominal • Lúcia saiu
verbo de ação

apressada
predicativo (estado)

com o carro.

Predicado Verbo - Nominal 43

Para verificar se você entendeu sobre os " tipos de predicado " resolva os exercícios a seguir em seu caderno.

ATIVIDADE 4
1. Observe a seguinte oração : " Todos os professores o consideram inteligente. " Assinale a alternativa INCORRETA : a) ( ) "Todos os professores " é sujeito. b) ( ) " Consideram " é verbo de ligação. c) ( ) O predicado da oração é verbo- nominal. 2. Observe o predicado das orações: I - A multidão caminha pela estrada. II - O porteiro, contrariado, foi reclamar ao gerente. III - Naquele dia eu a encontrei mais feliz. De acordo com as orações acima, ocorre predicado verbo-nominal em: a) ( ) I, II e III b) ( ) apenas I e II c) ( ) apenas I e III d) ( ) apenas II e III e) ( ) apenas II 3. Classifique o predicado das orações abaixo usando: PV (para Predicado Verbal) PN (para Predicado Nominal) PVN ( para Predicado Verbo - Nominal) a) b) c) d) e) ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) A situação realmente era grave. Cláudia saiu contente. O estúdio permaneceu fechado o dia inteiro. Entregue a carta ao chefe. A notícia deixou a mulher preocupada.

4. O professor entrou apressado. O termo grifado indica: a) ( ) predicado nominal b) ( ) predicado verbo - nominal c) ( ) predicado verbal d) ( ) adjunto adverbial 5. a) b) c) d) Assinale a alternativa onde aparece um predicativo do sujeito: ( ) Como o povo está tristonho ! ( ) Agradou ao chefe o novo funcionário. ( ) Ele nos garantiu que viria. ( ) No Rio não faltam diversões. 44

PREDICAÇÃO VERBAL

Predicação verbal é o estudo dos verbos que constituem o predicado. Quanto a predicação, os verbos podem ser:

1. VERBOS INTRANSITIVOS - são verbos que têm sentido COMPLETO, portanto NÃO precisam de complemento. Veja os exemplos : A chuva parou. O sol desapareceu. Todos riram.

Observação: Os verbos intransitivos podem vir acompanhados de circunstâncias que indiquem tempo, lugar, modo, intensidade; mas mesmo assim, continuam sendo intransitivos.
Observe os exemplos : ♦ A chuva parou ontem. ♦ O sol desapareceu atrás dos montes. ♦ Todos riram muito.

3. VERBOS TRANSITIVOS - São verbos que têm sentido INCOMPLETO, portanto EXIGEM um complemento. Os verbos transitivos são divididos em: Transitivos diretos Transitivos indiretos

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A) TRANSITIVOS DIRETOS - quando EXIGEM complemento SEM precisar de de preposição. Veja o exemplo: • O fazendeiro vendia VTD café.
complemento

O fazendeiro vendia o quê ?

café verbo

Portanto " café " é o complemento do verbo " vendia ", que é um transitivo direto pois não exigiu uma preposição.

Você se lembra das PREPOSIÇÕES ? Então recorde algumas delas:
Recordando

de - da - do - em - à - ao - para - com no - na - sobre - por - pela - pelo...

B) TRANSITIVOS INDIRETOS - quando EXIGEM complemento COM preposição. Veja o exemplo:
Preposição

Carlos necessita VTI

de

livros.

complemento

Carlos necessita de quê?

de livros.

Portanto " de livros " é o complemento do verbo " necessita ", que é um verbo transitivo indireto pois exigiu a preposição " de ".

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C) TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS - quando possuem complementos: um sem preposição e outro com preposição. Veja o exemplo :
Preposição

dois

Nós oferecemos VTDI

flores 1º complemento

à

professora.
2º complemento

Nós oferecemos o quê ? Nós oferecemos à quem ?

flores. à professora.

Portanto " flores " e " à professora " são complementos do verbo " oferecemos ", que é um verbo transitivo direto e indireto pois no 1º complemento o verbo não exigiu preposição, já no 2º complemento o verbo exigiu a preposição "à ".

3. VERBOS DE LIGAÇÃO - é todo verbo cuja única função é ligar o sujeito a um estado, uma característica ou modo de ser do sujeito. A característica, o estado ou modo de ser atribuído ao sujeito através do verbo de ligação recebe o nome de predicativo.

Os verbos de ligação são : ser, estar, ficar, parecer, permanecer, continuar, andar.

Veja os exemplos : Meu amigo é estudioso.

verbo de ligação (verbo ser)

As crianças

ficaram

felizes.

verbo de ligação (verbo ficar)

Antigamente as ruas

permaneciam mais limpas.
verbo de ligação (verbo permanecer)

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Para verificar se você entendeu sobre “ predicação verbal “ resolva os exercícios a seguir em seu caderno.

ATIVIDADE 5
1. Em a) ( b) ( c) ( d) ( 2. a) b) c) d) " O tempo estava de morte, de carnificina" o verbo grifado é: ) de ligação ) transitivo indireto ) intransitivo ) transitivo direto

Em "Cuspi no chão com um nojo desgraçado daquele sangue..." , o verbo cuspi é: ( ) transitivo direto ( ) intransitivo ( ) transitivo indireto ( ) verbo de ligação

3. Classifique os verbos das orações abaixo usando: VTD (verbo transitivo direto) VTI (verbo transitivo indireto) VTDI (verbo transitivo direto e indireto) a) b) c) d) ( ( ( ( ) Informamos o endereço ao turista ) A notícia agradou a todos. ) Precisamos de paz. ) Algumas pessoas receberam vários brindes.

4. Observe as orações abaixo : I - A chuva permanecia calma. II - A tempestade assustou os habitantes da vila. III - Os alunos estavam preocupados. Há predicativo do sujeito: a) ( ) somente na I b) ( ) em todas c) ( ) na I e III d) ( ) na II e III

Parabéns !!! Você terminou mais um módulo ,continue os seus estudos com determinação, refletindo sobre a mensagem que deixamos no final da apostila para você.

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GABARITO - MÓDULO 3

ATIVIDADE 1
1. 2. 3. 4. a a c b

ATIVIDADE 2

1. O Barroco aconteceu no Brasil no século XVII e teve seu marco inicial o pema "Prosopopéia " de Bento Teixeira, escrito em 1601. 2. O principal poeta do Barroco foi Gregório de Matos. 3. c 4. Gregório de Matos foi apelidado de "Boca do Inferno " , pois seus poemas apresentam uma crítica violenta aos costumes e à sociedade da época e suas sátiras atingiam a todos: ricos , pobres, o clero, as autoridades, os mulatos, as mulheres de vida desregrada, os senhores de engenho, os comerciantes. 5. A poesia de Gregório de Matos está dividida em : poesia satírica, poesia lírica e poesia religiosa. 6. a / b / d 7. O grande prosador do Barroco no Brasil foi Padre Antônio Vieira e sua obra dividese em cartas, sermões e profecias.

ATIVIDADE 3

1. 2. 3. 4. 5. 6.

O narrador do texto é narrador observador (3 ª pessoa) pois não participa dos fatos narrados. A protagonista do texto é a Joana. Ela é mulata. b A história se passa em apenas um dia. Os fatos ocorrem num humilde barracão.

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ATIVIDADE 4

1. a) artigos: um, o, a b) substantivo : criaturas, árvores, flores, melodias, violinos. c) numerais: dez, cem 2. substantivos: moça, olhar, pedaços, coração. adjetivos: bonita, agateado artigos: uma, o preposições: de, em verbo: deixou pronome: meu

ATIVIDADE 5
1. a) sujeito simples (SS) b) sujeito composto (SC) c) sujeito simples (SS) d) sujeito oculto (SO) 2. a) " As simpatias do excelente companheiro ". b) " O tempo " c) " Um homem e uma mulher loucamente apaixonados ". 3. c 4. Sujeito oculto 5. c

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GABARITO - MÓDULO 4

ATIVIDADE 1
1. b 2. O poeta pede ao passarinho mandar um recado à Marília , sua amada. 3. A amada do poeta é descrita fisicamente "semblante redondo "; "sobrancelhas arqueadas "; "cabelos finos e negros "; "boca risonha e breve ". 4. d

ATIVIDADE 2

1. O marco inicial do Arcadismo no Brasil foi a publicação de "Obras Poéticas " de Cláudio Manuel da Costa, em 1768. 2. O mais popular poeta árcade foi Tomás Antônio Gonzaga. 3. O pseudônimo usado por Tomás Antônio Gonzaga é "Dirceu ", um pastor. 4. Gonzaga escreveu as famosas "Cartas Chilenas ", que são poemas em forma de cartas onde ele satiriza e critica os desmandos do governador Luiz da Cunha Menezes. 5. As "Liras de Marília de Dirceu " divide-se em duas partes: a primeira parte contém os poemas escritos no período da conquista amorosa e do namoro dele, Dirceu, com Marília. A segunda parte contém os poemas escritos na prisão da ilha das Cobras, onde o poeta expressa em seus versos solidão, sofrimento e saudade de sua amada. 6. As características do arcadismo são: • Pastoralismo - o poeta finge ser pastor, gosta da vida simples, da vida no campo. • Uso da linguagem simples - o poeta gosta de versos sem rimas, usa palavras de fácil entendimento, quer liberdade na composição poética. • Eliminação de tudo que é exagero - o poeta árcade rejeita o artificialismo e o exagero do homem Barroco. • Uso de pseudônimos - o poeta árcade faz uso de nomes simbólicos.

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ATIVIDADE 3

Resposta livre.

ATIVIDADE 4

1. b 2. d 3. a) PN b) PVN c) PN d) PV e) PVN 4. b 5. a

ATIVIDADE 5

1. a 2. b 3. a) VTDI b) VTD c) VTI d) VTD 4. c

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Para pensar...

Quando tudo parecer obscuro, quando não houver mais nenhuma porta para bater, quando a solidão se instalar em nossa vida, é preciso ainda ter esperança de que corações e mãos poderão nos acolher.

EQUIPE DE PORTUGUÊS DO CEESVO CRISTIANE - ILZA - IVÂNIA – SANDRA - MAURA

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BIBLIOGRAFIA

Proposta Curricular para o Ensino de Português - Ensino Médio Secretaria de Estado da Educação - Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas - São Paulo - 2. Ed. - 1992. Parâmetros Curriculares Nacionais - Português e Apresentação dos Temas Transversais - Ministério da Educação e do Desporto Secretaria da Educação - Brasília - 1997. ABDALA JÚNIOR, Benjamim; CAPEDELLI, Samira Youssef. Tempos da literatura brasileira. São Paulo, Ática, 1985. ALMANAQUE ABRIL. CD ROM, 8. ed. 2000. Apostila de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Educação de Jovens e Adultos. Maringá, CEEBJA, 2001. CINTRA, Lindley; CUNHA, Celso Ferreira da. Nova Gramática do português contemporâneo. 3. ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário língua portuguesa. Rio de Janeiro. JORNAIS: Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Cruzeiro do KURY, Adriano da Gama. Lições de análise sintática. 3. ed. de Janeiro, Fundo de Cultura, 1984. LEITE, Lígia 1989. Moraes. O foco narrativo. 4. ed. São Paulo. da Sul. Rio Ática,

MACEDO, José Armando. A redação do vestibular. São Paulo, Moderna, 1977. MAIA, João Domingues. Língua, literatura e redação. 2. ed. São Paulo, Ática, 2002.
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NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 11. ed. São Paulo, Scipione, 1993. ROCCO, Maria Thereza Fraga. A redação no Paulo, Mestre Jou, 1981. vestibular. São de 2 ed.

SOARES, Magda; CAMPOS, Edson Nascimento. Técnica redação. Rio de Janeiro, ao Livro Técnico, 1979. TELECURSO 2000, Língua Portuguesa, São Paulo, Editora Globo. Ensino Médio.

TERRA, Ermani. Curso Prático de Gramática. 2. Ed. São Paulo, Scipione, 1991. _________. & NICOLA, José de. Guia prático de ortografia. Paulo, Scipione, 1995. São

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esta apostila foi elaborada pela equipe de português do CEESVO centro estadual de educação supletiva de votorantim professoras: professoras - 2007 cristiane albiero ilza ribeiro da silva ivânia valente miranda sandra mara romano
MAURA BERTACO TEOBALDO DIREÇÃO: DIREÇÃO: ELISABETE MARINONI GOMES MARIA ISABEL R. DE C. KUPPER

coordenação : neiva aparecida ferraz nunes

votorantim, JUNHO / 2007

Observação material elaborado para uso exclusivo de cees, sendo proibida a sua comercialização.

Apoio : prefeitura municipal de votorantim .
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