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CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

Arts. 267 a 284 DO CP


Bibliografia – DAMÁSIO DE JESUS E
CELSO DELMANTO
TÍTULO VIII
DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA
CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA
Epidemia
Art. 267 - Causar epidemia, mediante
a propagação de germes
patogênicos:
Pena - reclusão, de dez a quinze
anos.
§ 1º - Se do fato resulta morte, a pena
é aplicada em dobro.
§ 2º - No caso de culpa, a pena é de
detenção, de um a dois anos, ou, se
resulta morte, de dois a quatro anos.
Seu objeto jurídico é a incolumidade pública,
especialmente a saúde pública. Sujeito ativo pode
ser qualquer pessoa, até mesmo o infectado.
Sujeito passivo é a coletividade. Tipo objetivo: O
núcleo causar tem a significação de provocar,
motivar, produzir. Epidemia é “o contágio de uma
doença infecciosa que atinge grande número de
pessoas. Exemplos: epidemia de varíola, febre
amarela, febre tifóide etc”. O meio de execução é
indicado pela lei: mediante a propagação de germes
patogênicos, que são microrganismos (vírus,
bactérias e protozoários).
O comportamento pode comissivo ou omissivo.
O perigo é presumido. Consuma-se com o
surgimento da epidemia, ou seja, com o
aparecimento em número que dão o caráter de
epidemia. Admite-se tentativa. A epidemia com
resultado morte é considerada crime hediondo.
Se resultar várias mortes da epidemia, o agente
responde apenas pelo crime do art. 267, não se
falando em concurso formal; essa circunstância
influirá apenas na aplicação da pena. O erro
quanto à potencialidade infecciosa do
microorganismo exclui o dolo.
LEI Nº 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990.
Dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos
do art. 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, e
determina outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber
que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a
seguinte lei:
Art. 1o São considerados hediondos os seguintes
crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7
de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou
tentados: (Redação dada pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994)
I - homicídio (art. 121), quando praticado em
atividade típica de grupo de extermínio, ainda que
cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art.
121, § 2o, I, II, III, IV e V); (Inciso incluído pela Lei nº
8.930, de 6.9.1994)
II - latrocínio (art. 157, § 3o, in fine); (Inciso
incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994)
III - extorsão qualificada pela morte (art.
158, § 2o); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de
6.9.1994)
IV - extorsão mediante seqüestro e na forma
qualificada (art. 159, caput, e §§ lo, 2o e 3o); (Inciso
incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994)
V - estupro (art. 213, caput e §§ 1o e
2o); (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput
e §§ 1o, 2o, 3o e 4o); (Redação dada pela Lei nº
12.015, de 2009)
VII - epidemia com resultado morte (art. 267,
§ 1o). (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994)
VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou
alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou
medicinais (art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com
a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de julho de
1998). (Inciso incluído pela Lei nº 9.695, de 20.8.1998)
Parágrafo único. Considera-se também
hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. 1o, 2o
e 3o da Lei no 2.889, de 1o de outubro de 1956, tentado
ou consumado. (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.930, de
6.9.1994)
Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e
o terrorismo são insuscetíveis de:
I - anistia, graça e indulto;
II - fiança. (Redação dada pela Lei nº 11.464,
de 2007)
§ 1o A pena por crime previsto neste
artigo será cumprida inicialmente em regime
fechado. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de
2007)
§ 2o A progressão de regime, no caso
dos condenados aos crimes previstos neste
artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5
(dois quintos) da pena, se o apenado for
primário, e de 3/5 (três quintos), se
reincidente. (Redação dada pela Lei nº 11.464,
de 2007)
3o Em caso de sentença condenatória,
o juiz decidirá fundamentadamente se o réu
poderá apelar em liberdade. (Redação dada pela
Lei nº 11.464, de 2007)
§ 4o A prisão temporária, sobre a qual
dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro de
1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o
prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual
período em caso de extrema e comprovada
necessidade. (Incluído pela Lei nº 11.464, de
2007)
Art. 3º A União manterá
estabelecimentos penais, de segurança máxima,
destinados ao cumprimento de penas impostas a
condenados de alta periculosidade, cuja
permanência em presídios estaduais ponha em
risco a ordem ou incolumidade pública.
Art. 4º (Vetado).
Art. 5º Ao art. 83 do Código Penal é
acrescido o seguinte inciso:
"Art. 83. ..........................................
V - cumprido mais de dois terços da pena,
nos casos de condenação por crime hediondo, prática da
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e
terrorismo, se o apenado não for reincidente específico
em crimes dessa natureza."
Art. 6º Os arts. 157, § 3º; 159, caput e seus
§§ 1º, 2º e 3º; 213; 214; 223, caput e seu parágrafo
único; 267, caput e 270; caput, todos do Código Penal,
passam a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 157. .................................................
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal
grave, a pena é de reclusão, de cinco a quinze anos,
além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a
trinta anos, sem prejuízo da multa.
Art. 159. .....................................................
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.
§ 1º ............................................................
Pena - reclusão, de doze a vinte anos.
§ 2º ............................................................
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro
anos.
§ 3º ............................................................
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta
anos.
...................................................................
Art. 213. .....................................................
Pena - reclusão, de seis a dez anos.
Art. 214. .....................................................
Pena - reclusão, de seis a dez anos.
...................................................................
Art. 223. .....................................................
Pena - reclusão, de oito a doze anos.
Parágrafo único. ..........................................
Pena - reclusão, de doze a vinte e cinco anos.
....................................................
Art. 267. ....................................................
Pena - reclusão, de dez a quinze anos.
..............................................................
Art. 270. .....................................................
Pena - reclusão, de dez a quinze anos.
................................................................."
Art. 7º Ao art. 159 do Código Penal fica
acrescido o seguinte parágrafo:
"Art. 159. ....................................................
...................................................................
§ 4º Se o crime é cometido por quadrilha ou bando,
o co-autor que denunciá-lo à autoridade, facilitando a
libertação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um
a dois terços."
Art. 8º Será de três a seis anos de reclusão a
pena prevista no art. 288 do Código Penal, quando se
tratar de crimes hediondos, prática da tortura, tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo.
Parágrafo único. O participante e o associado
que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha,
possibilitando seu desmantelamento, terá a pena
reduzida de um a dois terços.
Art. 9º As penas fixadas no art. 6º para os
crimes capitulados nos arts. 157, § 3º, 158, § 2º, 159,
caput e seus §§ 1º, 2º e 3º, 213, caput e sua
combinação com o art. 223, caput e parágrafo único,
214 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo
único, todos do Código Penal, são acrescidas de metade,
respeitado o limite superior de trinta anos de reclusão,
estando a vítima em qualquer das hipóteses
referidas no art. 224 também do Código Penal.
Art. 10. O art. 35 da Lei nº 6.368, de 21 de
outubro de 1976, passa a vigorar acrescido de parágrafo
único, com a seguinte redação:
"Art. 35. ......................................................
Parágrafo único. Os prazos procedimentais
deste capítulo serão contados em dobro quando se
tratar dos crimes previstos nos arts. 12, 13 e 14."
Art. 11. (Vetado).
Art. 12. Esta lei entra em vigor na data de
sua publicação.
Art. 13. Revogam-se as disposições em
contrário.
Brasília, 25 de julho de 1990; 169º da
Independência e 102º da República.
Infração de medida sanitária preventiva
Art. 268 - Infringir determinação do poder
público, destinada a impedir introdução ou
propagação de doença contagiosa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e
multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de
um terço, se o agente é funcionário da
saúde pública ou exerce a profissão de
médico, farmacêutico, dentista ou
enfermeiro.
Seu objeto jurídico é a incolumidade pública,
especialmente a saúde pública. Sujeito ativo
pode ser qualquer pessoa. Sujeito passivo é a
coletividade. Trata-se de norma penal em
branco, cujo complemento pode constar de lei
ou ato administrativo. Não configura se não se
trata de “determinação”, mas de conselhos ou
recomendações. É crime de perigo abstrato.
Admite-se a tentativa. Estábulo ou abate
clandestino em região urbana configuram o
delito.
Omissão de notificação de
doença
Art. 269 - Deixar o médico de
denunciar à autoridade pública
doença cuja notificação é
compulsória:
Pena - detenção, de 6 (seis)
meses a 2 (dois) anos, e multa.
Seu objeto jurídico é a incolumidade pública,
especialmente a saúde pública. Sujeito ativo é
só o médico (crime próprio), não o enfermeiro ou
farmacêutico. Sujeito passivo é a coletividade.
A compulsoriedade da comunicação pode derivar
de lei ou ato administrativo. A consumação ocorre
com a não-comunicação da doença à autoridade
no prazo designado no regulamento. Não
havendo prazo, consuma-se com a realização de
ato incompatível com a vontade de fazer a
comunicação. Tratando-se de crime omissivo
puro, não se admite tentativa.
Envenenamento de água potável ou de
substância alimentícia ou medicinal
Art. 270 - Envenenar água potável, de uso
comum ou particular, ou substância alimentícia ou
medicinal destinada a consumo:
Pena - reclusão, de dez a quinze anos.
§ 1º - Está sujeito à mesma pena quem entrega a
consumo ou tem em depósito, para o fim de ser
distribuída, a água ou a substância envenenada.

Modalidade culposa
§ 2º - Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Seu objeto jurídico é a incolumidade
pública, especialmente a saúde pública.
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo é a coletividade, não
havendo crime se atinge número limitado
de pessoas. É crime de perigo abstrato.
Admite-se tentativa. Se resulta morte,
aplica-se o art. 285. Se a substância que o
agente jogou na água tornou-se tão
repugnante que ninguém iria bebê-la,
desclassifica-se para corrupção de água
(art. 271).
Corrupção ou poluição de água potável
Art. 271 - Corromper ou poluir água
potável, de uso comum ou particular,
tornando-a imprópria para consumo ou
nociva à saúde:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos.
Modalidade culposa
Parágrafo único - Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Seu objeto jurídico é a incolumidade pública,
especialmente a saúde pública. Sujeito ativo
pode ser qualquer pessoa. Sujeito passivo é a
coletividade. É necessário provar que a água,
antes do fato, era potável. É crime de perigo
presumido. Consuma-se com a corrupção ou
poluição da água, sendo desnecessário dano
efetivo às pessoas. Admite-se tentativa. Não é
necessário que a água seja irrepreensivelmente
pura, bastando que se trate de água que se possa
razoavelmente utilizar para beber e cozinhar,
habitualmente usada por indeterminado número
de pessoas.
Falsificação, corrupção, adulteração ou
alteração de substância ou produtos
alimentícios

Art. 272 - Corromper, adulterar, falsificar ou alterar


substância ou produto alimentício destinado a
consumo, tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-
lhe o valor nutritivo:

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e


multa.
§ 1º-A - Incorre nas penas deste artigo quem
fabrica, vende, expõe à venda, importa, tem em
depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui
ou entrega a consumo a substância alimentícia ou o
produto falsificado, corrompido ou adulterado.

§ 1º - Está sujeito às mesmas penas quem pratica as


ações previstas neste artigo em relação a bebidas,
com ou sem teor alcoólico.

Modalidade culposa
§ 2º - Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e
multa.
Seu objeto jurídico é a incolumidade pública,
especialmente a saúde pública. Sujeito ativo
pode ser qualquer pessoa. Sujeito passivo é a
coletividade, isto é, número indeterminado de
pessoas.
Tipo objetivo: corromper, que tem a
significação de estragar, infectar, desnaturar
(alterando a própria essência); adulterar, isto é
alterar (mudar, modificar) para pior; falsificar,
que de entende por contrafazer, dar aparência
de genuíno ao que não é.
Damásio afirma que a nova redação do artigo
fere o princípio da proporcionalidade, pois
sanciona com a mesma intensidade as condutas
que tornam o alimentos nocivo á saúde e
reduzem-lhe o valor nutritivo, esta bem menos
grave. É crime de perigo, não se exigindo dano
efetivo. Mas o perigo deve ser concreto,
exigindo-se a capacidade de produzir dano à
saúde. Exige-se que o alimento seja destinado a
número indeterminado de pessoas; se para um
número determinado, tem-se o crime do art.
132. Admite-se a tentativa.
Falsificação, corrupção, adulteração ou
alteração de produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais

Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou


alterar produto destinado a fins terapêuticos ou
medicinais:

Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos,


e multa.
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem
importa, vende, expõe à venda, tem em
depósito para vender ou, de qualquer forma,
distribui ou entrega a consumo o produto
falsificado, corrompido, adulterado ou alterado.

§ 1º-A - Incluem-se entre os produtos a que se


refere este artigo os medicamentos, as
matérias-primas, os insumos farmacêuticos, os
cosméticos, os saneantes e os de uso em
diagnóstico.
§ 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem
pratica as ações previstas no § 1º em relação a
produtos em qualquer das seguintes condições:

I - sem registro, quando exigível, no órgão de


vigilância sanitária competente;

II - em desacordo com a fórmula constante do


registro previsto no inciso anterior;

III - sem as características de identidade e


qualidade admitidas para a sua comercialização;
IV - com redução de seu valor
terapêutico ou de sua atividade;

V - de procedência ignorada;

VI - adquiridos de estabelecimento sem


licença da autoridade sanitária
competente.
Modalidade culposa

§ 2º - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de 1 (um) a 3


(três) anos, e multa.
Seu objeto jurídico é a saúde pública.
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo é a coletividade. Não é
exigido perigo concreto para a
consumação. Admite-se tentativa. Trata-
se de crime hediondo, salvo na forma
culposa.
Emprego de processo proibido ou de
substância não permitida

Art. 274 - Empregar, no fabrico de produto


destinado a consumo, revestimento,
gaseificação artificial, matéria corante,
substância aromática, anti-séptica,
conservadora ou qualquer outra não
expressamente permitida pela legislação
sanitária:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e
multa.
Seu objeto jurídico é a incolumidade
pública, especialmente a saúde pública.
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo é a coletividade. Trata-se de
norma penal em branco: a descrição típica é
integrada pela legislação sanitária, que lhe
serve de complemento. A conduta deve
recair sobre produto destinado a consumo de
um número indeterminado de pessoas. É
crime de perigo presumido, não se exigindo
dano efetivo. Admite-se a tentativa.
Invólucro ou recipiente com falsa
indicação

Art. 275 - Inculcar, em invólucro ou recipiente


de produtos alimentícios, terapêuticos ou
medicinais, a existência de substância que
não se encontra em seu conteúdo ou que
nele existe em quantidade menor que a
mencionada:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e


multa.
Seu objeto jurídico é a saúde pública.
Sujeito ativo pode ser qualquer
pessoa. Sujeito passivo é a
coletividade. A lei não exige que o
produto seja nocivo à saúde. Consuma-
se com a falsa indicação, não se
exigindo que o produto seja entregue
ao consumo. Admite-se tentativa.
Produto ou substância nas condições
dos dois artigos anteriores

Art. 276 - Vender, expor à venda, ter em


depósito para vender ou, de qualquer
forma, entregar a consumo produto nas
condições dos arts. 274 e 275.

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco)


anos, e multa.
Seu objeto jurídico é a saúde pública.
Sujeito ativo pode ser qualquer
pessoa, desde que não seja autor dos
crimes dos arts. 274 e 275. Assim, quem
pratica as condutas dos arts. 274 e 275
e, posteriormente, vende o produto, só
pratica o crime daqueles artigos, pois
este constitui post factum impunível.
Sujeito passivo é a coletividade.
Admite-se a tentativa. Há quem entenda
que o art. 7º, IX, da Lei 8.137/90
revogou este artigo.
Substância destinada à falsificação

Art. 277 - Vender, expor à venda, ter


em depósito ou ceder substância
destinada à falsificação de produtos
alimentícios, terapêuticos ou
medicinais

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco)


anos, e multa.
Seu objeto jurídico é a saúde
pública. Sujeito ativo pode ser
qualquer pessoa. Sujeito passivo é
a coletividade. A substância pode ser
exclusivamente destinada á
falsificação ou eventualmente
destinada a tal fim (Delmanto só
admite a primeira hipótese).
É indispensável que o sujeito tenha
conhecimento da destinação da
substância. Admite-se tentativa.
Outras substâncias nocivas à
saúde pública
Art. 278 - Fabricar, vender, expor à
venda, ter em depósito para vender
ou, de qualquer forma, entregar a
consumo coisa ou substância nociva à
saúde, ainda que não destinada à
alimentação ou a fim medicinal:

Pena - detenção, de um a três anos, e


multa.
Modalidade culposa
Parágrafo único - Se o crime é
culposo:
Pena - detenção, de dois meses
a um ano.
Seu objeto jurídico é a saúde pública. Sujeito
ativo pode ser qualquer pessoa, ainda que não
seja industrial ou comerciante. Sujeito passivo
é a coletividade. Pouco importa o grau de
nocividade. Isso só deve ser levado em
consideração pelo juiz no momento da aplicação
da pena. Admite-se tentativa. É crime de perigo
abstrato ou presumido, que se aperfeiçoa tão-só
com a possibilidade de dano à saúde.
Caracteriza o delito: a) envio de agrotóxico
nocivo pelo correio; b) venda de veneno de rato
de fabricação clandestina; c) venda de produto
de limpeza doméstica, perigoso e impróprio para
sua finalidade.
Substância avariada
Art. 279
Revogado: o art. 279 foi revogado
pelo art. 23 da Lei 8.137 de
27.12.90
Medicamento em desacordo com
receita médica
Art. 280 - Fornecer substância medicinal
em desacordo com receita médica:
Pena - detenção, de um a três anos, ou
multa.

Modalidade culposa
Parágrafo único - Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de dois meses a um
ano.
Seu objeto jurídico é a incolumidade
pública, especialmente a saúde pública.
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa que
esteja à frente da farmácia (Damásio).
Hungria considera que só pode ser o
farmacêutico, prático autorizado ou
herbatário. Sujeito passivo é a coletividade.
O fornecimento pode ser a título gratuito ou
oneroso. O desacordo pode se referir à
espécie, qualidade ou quantidade do
medicamento. Para Magalhães Noronha, se
o desacordo for para melhor, não se
caracteriza o delito.
Não interessa o fato de o medicamento
fornecido possuir o mesmo efeito do
substituído. A receita deve ser de médico; se
de dentista, psicólogo, etc. o fato é atípico. Se
o sujeito fornece o medicamento em
desacordo com a receita médica que lhe foi
apresentada, visando à morte do doente,
responde por homicídio, e não por este crime.
Consuma-se com a entrega do medicamento,
independentemente da utilização do
adquirente.
É crime de perigo presumido ou abstrato.
Comércio clandestino ou
facilitação de uso de
entorpecentes
(art. 281)
(Revogado pela Lei nº 6.368,
1976)
Exercício ilegal da medicina, arte
dentária ou farmacêutica
Art. 282 - Exercer, ainda que a título
gratuito, a profissão de médico, dentista
ou farmacêutico, sem autorização legal
ou excedendo-lhe os limites:
Pena - detenção, de seis meses a dois
anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado
com o fim de lucro, aplica-se também
multa.
Seu objeto jurídico é a saúde pública. Sujeito
ativo na forma típica do exercício “sem
autorização legal”, pode ser qualquer pessoa; na
modalidade do exercício “excedendo-lhe os
limites”, trata-se de crime próprio, que só pode ser
cometido por médico, dentista e farmacêutico.
Sujeito passivo é a coletividade e a pessoa
atendida. O crime é habitual: exige-se a reiteração
de atos, de forma a constituir um estilo de vida.
Atos ocasionais não são típicos (há quem entenda
que basta um único ato). Se o agente exerce outra
profissão comete a contravenção do art. 47 da
LCP. A eficiência do tratamento não aproveita ao
agente, pois o legislador presumiu o perigo.
Quanto ao estado de necessidade, existem
duas posições: a) não pode ser alegado, em
face da habitualidade; b) pode, em
determinadas situações (ex.: localidade sem
recursos). Não se admite tentativa (crime
habitual). É crime de perigo abstrato.
Configura o crime: a) manter laboratório de
análises clínicas; b) protético que exerce a
profissão de dentista. Não configura o crime:
a) exercício legal de protético; b) ser
proprietário de farmácia; c) exercício ilegal da
profissão de massagista e enfermeiro.
Charlatanismo

Art. 283 - Inculcar ou anunciar


cura por meio secreto ou infalível:
Pena - detenção, de três meses a
um ano, e multa.
Seu objeto jurídico é a saúde pública.
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo é a coletividade. Diferença
para o exercício ilegal da medicina (art. 282):
no charlatanismo a pessoa sabe falsa a cura
que apregoa. Não é crime habitual: basta um
ato para configurá-lo. O charlatão deve
comportar-se com insinceridade e com
falsidade. Se o agente acredita,
sinceramente, na eficácia dos meios
apregoados para a cura, o dolo está excluído.
Admite-se tentativa. Se o charlatanismo for
utilizado com meio para o estelionato, este
absorve aquele.
Curandeirismo
Art. 284 - Exercer o curandeirismo:
I - prescrevendo, ministrando ou
aplicando, habitualmente, qualquer
substância;
II - usando gestos, palavras ou
qualquer outro meio;
III - fazendo diagnósticos:
Pena - detenção, de seis meses a
dois anos.
Parágrafo único - Se o crime é
praticado mediante
remuneração, o agente fica
também sujeito à multa.
Seu objeto jurídico é a saúde pública. Sujeito
ativo pode ser qualquer pessoa. que não possua
conhecimento técnicos Sujeito passivo é a
coletividade e, secundariamente, quem submete
ao curandeiro. Distinção entre o curandeiro e o
charlatão: este propala falsamente a cura por
meios só dele conhecidos, ou infalíveis, podendo
ter ou não conhecimentos técnicos; o curandeiro
pratica atividade grosseira de quem não possui
conhecimento de medicina. Passes e rezas não
configuram o delito, pois fazem parte de ritual de
religião. É crime de perigo abstrato. Também é
habitual: a prática de um só ato não caracteriza o
tipo.
Forma qualificada

Art. 285 - Aplica-se o disposto no


art. 258 aos crimes previstos
neste Capítulo, salvo quanto ao
definido no art. 267.