VANDER TIAKI YOSHIMURA – RA: 1292781 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” – UNESP CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – 3º ANO

DIURNO PSICOLOGIA SOCIAL PROFESOR: LUIZ ANTÔNIO CALMON NABUCO LASTÓRIA 28 SETEMBRO. 2010

As Esferas Pública e Privada (pp. 31 – 88). Segundo Capítulo A. Hannah. A Condição Humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 5ª Ed.
CAPÍTULO II AS ESFERAS PÚBLICAS E PRIVADA

4. O Homem: Animal Social ou Político A autora introduz a abordagem, traçando uma perspectiva distinta entre atividade humana e ação humana. Nesse sentido, para a autora, aquela é condicionada pelo convívio conjunto dos homens; a ação humana, por sua vez, precisa ser realizada numa sociedade de homens. Essa relação entre ação e vida em comum justifica a tradução do conceito aristotélico de zoon politikon em animal socialis, consagrado na tradução: o homem é, por natureza, político, isto é, social (homo est naturaliter politicus, id est, socialis). Para a autora, a substituição do político pelo social revela o esquecimento da concepção grega do político. O pensamento político grego diferencia a organização política da associação natural constituída pela casa e pela família. As atividades humanas consideradas políticas e constituintes são a ação (práxis) e o discurso (lexis). Estes eram considerados da mesma categoria e espécie na medida de em que as ações políticas eram realizadas por meio de palavras. O ato de encontrar as palavras, por sua vez, constitui uma ação. O político, ou seja, o viver numa polis, significava decidir mediante palavras e persuasão. A violência e a força, por sua vez, eram próprias dos modelos pré-políticos, típicos da vida fora da polis. A autora conclui que

a esfera social pertencia à vida privada. Destaca a autora que a polis se distingui da família. já que essa superação tornava-se a condição para a liberdade na polis. a esfera familiar era caracterizada pela convivência de homens compelidos pelas necessidades e carências. surge a esfera social que encontra uma forma política no Estado nacional. por outro lado. e abolir a ação espontânea ou reação inusitada. essas duas esferas recaem uma sobre a outra. A Promoção do Social O deslocamento da sociedade pela passagem da administração familiar dos problemas e recursos para a resolução pública. denomina-se a exigência conformismo de toda a sociedade. Na modernidade. identificase como característica do último estágio de evolução da sociedade moderna. Na modernidade. pela liberdade. atualmente. . a esfera da polis. A superação das necessidades e carências da vida relacionava as duas esferas. a esfera privada diferencia-se da esfera social. O conformismo. O deslocamento do privado para o público não só reduziu o espaço que separava essas esferas. impondo comportamento aos membros com o objetivo de normalizar. 6. 5. de desigualdade. A Polis e a Família O equívoco de interpretação do político e do social das expressões gregas e latinas agravou-se a partir do uso moderno e na moderna concepção da sociedade. enquanto. não se verificando uma separação entre o público e o privado. pois é um espaço de igualdade.Page |2 o zoon politikon de Aristóteles era uma categoria oposta à associação natural da vida no lar. A sociedade de massa alcançou o controle de todos os membros de determinada comunidade. A sociedade exclui a ação. enquanto a família. No mundo moderno. A filosofia grega entendia que a liberdade situava-se exclusivamente na esfera política. distinta da privada e da pública nos sentidos restritos do termo. mas também concedeu um novo significado a elas e uma nova importância para a vida do indivíduo e do cidadão. a necessidade. as esferas sociais e política não se diferenciam. Na tradição grega. na antiguidade. O texto descreve a exploração da intimidade desde Rousseau para afirmar que intimidade foi construída contra as exigências niveladora do social o que. por sua vez. numa esfera pré-política.

Os agrupamentos de indivíduos inclinam-se ao despotismo pessoal ou ao governo da maioria. a distinção e a diferença reduziram-se a questões privadas e individuais. a estatística. aplicavam-se a certos setores da população. o intimo e o político mostram-se incapazes de . Os grandes números. Essa esfera social produz um crescimento artificial do natural (crescimento acelerado da produtividade e do trabalho (labor)) que o privado. apontando a substituição da ação pelo comportamento e. O conformismo é à base da economia. O texto apresenta a comunidade moderna como sociedades de operários e assalariados a indicação de que a nova esfera social caracteriza-se pela organização pública do próprio processo vital em que as comunidades concentramse em torno da atividade necessária para manter a vida. O texto mensura a vitória da sociedade na modernidade. Quanto maior a população de um corpo político maior é a probabilidade de que o social não o político constitua a esfera pública. na realidade. destaca que a economia. desse modo. a ciência do comportamento. por outro lado. objetiva reduzir o homem a um todo em todas as atividades o que indica um estágio final em que a “sociedade de massas devorou as camadas da nação e a conduta social foi promovida a modelo de todas as áreas da vida. Ao mesmo tempo. revelam um “equivoco” quanto à validade das leis. 55) O surgimento da sociedade mudou a avaliação da esfera privada. o labor. alteração do governo pessoal pela burocracia. Assim conclui Arendt que a igualdade moderna apóia-se no conformismo que se torna possível pela substituição da ação pelo comportamento. justificam o conformismo e o behaviorismo que. traçava padrões de comportamento que. A uniformidade estatística é um ideal político que revela uma sociedade não só imersa no cotidiano. num estágio inicial. a posterior. Uma maior população apresenta uma maior possibilidade de comportamento e uma menor possibilidade de tolerância ao desvio. na realidade.Page |3 A igualdade do mundo moderno mostra-se pelo reconhecimento político e jurídico da conquista da esfera pública pela sociedade. mas também pacífica na aceitação da concepção científica da própria existência. um instrumento desta.” (p. O caráter monolítico da sociedade e o conformismo que produzem um único interesse e uma única opinião têm raízes na unicidade da humanidade.

A autora expressa à objetividade da substituição da admiração pública pela recompensa monetária. da esfera pública. “privados de ver e ouvir os outros e privados de ser vistos e ouvidos por eles”. é o fato de que o mundo entre elas perdeu a força de mantê-las juntas. porém distinto do mundo natural condicionante da vida orgânica. A destruição do mundo comum dá-se pela impossibilidade de discernimento da identidade do objeto. a realidade manifesta-se pelo interesse de todos em um mesmo objeto. concebido como produto do humano.” (p. de relacioná-las umas às outras e de separá-las. a visibilidade em que tudo o que vem a público pode ser visto e ouvido por todos e tem a maior divulgação possível e a aparência em que aquilo é visto e ouvido pelos outros e por nós mesmos constitui a realidade. Dessa forma a percepção da realidade é dependente da aparência e. por conseqüência. O segundo. Nas palavras de Arendt “o que torna tão difícil suportar a sociedade das massas não é o número de pessoas que ela abrange. A esfera social desenvolveu-se pela organização do labor. Nas condições de um mundo comum. O discurso e a ação foram deslocados para a esfera do íntimo e do privado. Os homens tornam-se homens privados. um mundo habitado e feito pelo homem. A esfera pública é o local adequado para a excelência humana. o texto destaca que a ampliação da esfera privada não a torna pública.62) O caráter apolítico da comunidade cristão foi descrito pela autora por meio do princípio da caridade que une irmãos. o mundo que é comum a todos. transformando-se em . antes. Por outro lado. A Esfera Pública: O Comum O termo público traduz para a autora dois fenômenos: o primeiro. Nesse tópico. A esfera pública é o espaço de reunião dos homens que impede a colisão.Page |4 oferecer resistência. O texto alerta que a ciência não substitui a necessidade de concessão de espaço para o desenvolvimento de atividades. ou pelo menos não é este o fator fundamental. 7. ocorrendo normalmente pela deterioração prévia de mundo aspectos desse mundo apresentados à pluralidade humana. a autora retoma a idéia de que a desaparecimento do espaço público na modernidade advenha da perda do interesse da imortalidade e da preocupação metafísica da eternidade.

O texto aborda a possibilidade de má interpretação da propriedade privada em razão do equacionamento entre a propriedade e a riqueza e. privando o homem não só do lugar no mundo (espaço público). A privatividade revelava uma característica do político como a mais alta possibilidade da existência humana e do privado como própria existência humana. O texto aponta que a idéia de ato de legislar como uma atividade política é uma criação moderna expressa na filosofia política de Kant. a propriedade e a pobreza. 9. A Esfera privada: A Propriedade O termo privado está relacionada a acepção original de privação. A privação da privacidade reside na ausência de outros. esse fenômeno revela-se pela solidão. mas também a esfera privada. Conclui a autora que o mundo comum chega ao fim quando é visto sob um único aspecto e perspectiva. As circunstancias moderna. mas também do lar privado. abrigando e protegendo essas duas esferas e. nas sociedades de massa. O Social e o Privado A sociedade ao alcançar a esfera pública assumiu o papel de proteção da organização de proprietários. para garantir a estes maior possibilidade de acúmulo . Nesse sentido a conexão entre público e privado se reflete na questão da propriedade privada. 8. As sociedades de massa destroem não só a esfera pública. na medida em que a terra correspondia ao mesmo tempo à fonte de renda e ao espaço da família. destaca o texto que. A autora destaca que a consciência de estar privado de algo essencial numa vida passada na esfera doméstica perde sentido com o cristianismo. separando-as. A propriedade privada representava muito mais do que a condição para ingresso na arena pública.Page |5 prisioneiros da subjetividade da própria existência. a propriedade era sagrada. Essa qualidade é alcançada com a sociedade agrícola. de outro lado. As esferas pública e privada se relacionam de maneira que o desaparecimento da esfera pública seja acompanhado do ameaça de destruição da esfera privada. A lei correspondia a um espaço intermediário entre o público e o privado. ao mesmo tempo. antes da modernidade. Ao abordar a questão da propriedade privada.

pontua aspectos de não-privação da privacidade. encontramos em posição correta para visualizar as conseqüências para a existência humana do desaparecimento das esferas da vida em que a esfera pública tornou-se função da esfera privada e esta porque se transformou na única preocupação comum. Para demonstrar essa afirmação. Apresenta o objetivo de analisar as atividades da vita activa. a intimidade apresenta-se como o substituto da esfera privada. Na modernidade. que têm sido negligenciadas pela tradição que . As necessidades são importantes para a existência humana já que a eliminação desta ameaça a própria vida. razão pela qual o trabalho (escravo e a servidão) e a mulher eram considerados categorias semelhantes e colocados no oculto do lar. Primeiro. afirma que a privatividade oferece um refúgio ao mundo político e a publicidade deste mundo. O texto apresenta que. sem elas não há sentido no coletivo.Page |6 de riqueza. transforma-se em capital cuja função é gerar mais capital. resgata as categorias da bondade e da sabedoria para analisar a posição destas no mundo. Segundo. a contradição entre o público e o privada mostrou-se um fenômeno temporário na medida em que a esfera pública e privada foram absorvidas pela esfera social. Esta. Contudo a autora destaca que as atividades realizadas na esfera pública não foram objeto de proteção em que a preocupação voltou-se para a posse privada e a necessidade de proteção do acúmulo de riqueza. contudo para o texto essa substituição não se mostra segura. A autora destaca que os aspectos de não-privação da privatividade são expostos com mais visibilidade quando recaem sobre eles as ameaças de perda. conectando o que deve ser revelado e o que precisa ser ocultado. Na verdade. 10. Para o texto. a emancipação da modernidade da classe operária e da mulher deve estar relacionada a perda da importância das funções corporais. para o texto a privatividade sempre ocultou as atividades relacionadas com o próprio processo vital. O texto encerra o tópico abordando que a distinção entre a esfera pública e privada é encarada do ponto de vista da privatividade. A Localização das Atividades Humanas O texto afirma que todas as atividades humanas têm uma localização adequada no mundo. no início da era moderna. Segundo o texto. Para descrever. sustenta que as posses particulares são necessárias. por sua vez.

. para determinar o significado político desta.Page |7 as observa do ponto de vista da contemplação.

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