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Luto e Perda

LUTO

O Luto é um processo de recuperação e reparação psíquica perante mudanças e situações


que acarretam perdas e provocam desequilíbrio, afectando a ideia que temos de nós próprios,
da vida e do mundo. É uma reacção natural do nosso organismo a uma perda significativa. 

Que tipo de Perda?

Perda de alguém resltante de morte, doença crónica incapacitante ou terminal,


desaparecimento

Perda de relacionamento significativo, separação e divórcio

Perda de segurança económica, estatuto social associado a desemprego ou falência

Perda de sentido, auto-estima, confiança, referências, resultante de situações de abuso,


experiências traumáticas, violência

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Perda de um animal de estimação

Perdas associada a transições no ciclo de vida: transição da escola/universidade para o


mercado de trabalho, menopausa, reforma, envelhecimento, ninho vazio, entre outras. 

Quais os sintomas? O que normalmente sentimos, pensamos?As reacções variam consoante o


tipo de perda, circunstâncias em que ocorreu e personalidade da pessoa. Sentimentos
comuns:

Choque – muito frequente quando a perda é inesperada

Torpor - ausência de sentimentos como forma de defesa

Raiva – resultante da sensação de frustração por não ter conseguido evitar a perda; pode ser
dirigida a si próprio, a outros e, no caso de morte, esta pode ser dirigida à pessoa que morreu
porque colocou a pessoa que ficou em situação de dor

Ansiedade – a pessoa sente-se vulnerável e indefesa, insegura quanto à sua capacidade para
cuidar de si própria

Tristeza, saudade, anseio pela pessoa ou relação perdida, desejá-la fortemente de volta

Culpa e autocensura – sentir que não fez o suficiente para evitar ou pensar que podia ter feito
algo de outra forma para evitar a perda

Solidão e inadequação

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Fadiga, apatia

Desamparo

Emancipação – quando se perde algo ou alguém que oprimia a pessoa

Alívio – frequente em situações de doença prolongada ou abuso

Sensações físicas comuns: 

Vazio no estômago

Aperto no peito

Nó na garganta

Hipersensibilidade ao barulho

Sensação de despersonalização (nada parecer real, incluindo o próprio)

Falta de fôlego, sensação de falta de ar

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Fraqueza muscular

Falta de energia

Boca seca

 A nível Cognitivo:

Descrença

Confusão, dificuldade de concentração ou esquecimento de coisas

Preocupação obsessiva

Sensação de presença ou alucinações visuais e auditivas passageiras (frequente após poucas


semanas da perda por morte)

 Comportamentos usuais:

Insónias e Sonhos com a pessoa falecida

Distúrbios do apetite (redução ou aumento)

Distracção ("andar aéreo")

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Luto e Perda

Isolamento social

Suspirar, Chorar

Hiperactividade, agitação

Visitar sítios ou transportar consigo objectos que lembrem a pessoa perdida

Procurar e chamar pelo ente perdido

Evitar lembranças da pessoa falecida

Guardar objectos que pertenciam à pessoa falecida

Qual a necessidade de fazer o luto?

O ser humano para sobreviver e desenvolver-se - física, emocional e socialmente - cria


ligações e investe a sua energia afectiva em algo ou alguém: pessoas, coisas, actividades,
lugares. Quando ocorre uma perda desses seres ou coisas, produz-se uma ferida no seu
sistema de ligação. Tal como o corpo reage com o seu sistema imunológico a uma ferida, à
presença de corpos estranhos ou outro tipo de desequilíbrio, neste tipo de “ferida” o organismo
protege a sua integridade fazendo o seu luto, como forma de reparação psíquica. Este trabalho
de reparação e cura chama-se: “A resolução do luto”. É a sabedoria do nosso organismo! As
características do processo de Luto (intensidade, tempo de resolução, as emoções, os
pensamentos, os comportamentos) e o seu impacto na vida da pessoa dependem de pessoa
para pessoa, da idade, género, cultura e personalidade, da natureza do vínculo, do significado
que a pessoa atribuía e das circunstâncias em que ocorreu.

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Como se faz o Luto?

Cada pessoa tem a sua forma de fazer o luto. Existem, no entanto, algumas etapas e tarefas
que a pessoa precisa de realizar de forma a restabelecer o equilíbrio, resolver o luto e
prosseguir com a sua vida:

Aceitar a realidade da perda: superando o choque e a negação da perda

Trabalhar a dor advinda da perda: reconhecendo, expressando e gerindo as emoções

Ajustar-se a um novo ambiente e situação de vida: sem a pessoa, actividade ou outros factores
que perdeu: implica uma reestruturação de identidade (valores, crenças e considerações sobre
a vida e o mundo), um trabalho de perdão e o desenvolvimento de novas competências;

Renovação e transformação interna: a pessoa não esquece mas recorda sem dor, recupera
confiança e energia, reinveste as suas emoções na vida e nas relações presentes, torna-se
gradualmente mais aberta a experiências novas, integrando a perda e retirando um sentido
dela. 

É essencial que a pessoa efectue estas tarefas. Estas requerem esforço e apoio. Quando não
tratamos adequadamente de uma infecção ou outro tipo de doença, ficamos mais susceptíveis
e vulneráveis; quando a pessoa não cuida de si, adia ou nega o seu luto, bloqueia o seu
crescimento e energia vital, auto-limita-se provocando desequilíbrios futuros e recorrentes.

Quais as consequências de Lutos mal resolvidos?

Depressão prolongada

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Abuso de substâncias: alcool, drogas, fármacos

Adicções: trabalho, internet, sexo, auto-mutilação, comida

Extrema dificuldade em criar novos relacinamentos ou dependência excessiva de algo, alguém


ou de um animal de estimação 

Extrema dificuldade em se desprender de objectos - acumulação excessiva de objectos e


"Tralha" (clutter) em casa

Burn Out e sintomas de Stress crónico

Stress Pós-Traumático e outras Perturbações do foro psiquiátrico

O que dificulta e complica o processo de luto?

Desconhecimento total ou informação insuficiente

Falta de uma rede de apoio familiar e social emocionalmente disponível ou com capacidade
para escutar, validar e respeitar o luto da pessoa

Individualismo e desintegração do apoio comunitário e espiritual na nossa cultura. A negação


da morte e do sofrimento da perda na nossa cultura, assim como a falta de rituais sociais não
criam as condições que favorecem o decorrer do luto

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Minimizar ou negar o significado e impacto de uma perda por ser considerada menor  e não
resultar de morte ou doença grave (exemplo; separação, desgosto, desemprego, falência
financeira, menopausa, etc )

Personalidade da pessoa, incapacidade de se exprimir emocionalmente, pedir e aceitar apoio

Tipo de perda e circunstâncias em que ocorreu.

O que posso fazer?

Ler e aprender sobre o luto, pesquisar e informar-se sobre grupos de entreajuda e serviços
profissionais de apoio nesta área. (Ver sugestões e Links)

 Consciencializar-se das suas emoções e necessidades

 Expressar, partilhar com pessoas da sua confiança, disponíveis para escutar e respeitar o que
sente

Superar o preconceito de que necessitar de ajuda profissional significa fraqueza ou ser


"portador de problemas psicológicos"

Pedir ajuda e aceitar ajuda!

O que posso esperar do aconselhamento de apoio ao luto?

Orientação na resolução do luto e utilização de outros recursos de apoio na comunidade

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O ambiente de confiança, respeito e empatia para partilhar o que sente

Escuta activa e validação

Fontes:

Perspectives On Loss - John Harvey 

Grief Counselling & Grief Therapy - J.W.Worden

On Death&Dying - E.Kubler-Ross

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