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GO 164 – 07/04/2000 – A SIGLA MISTERIOSA – Parte 2

A Reguladora Andrea, da metrópole formiguense, ficou novamente lívida ao ouvir a


opinião do Justiceiro Advíncula sobre as iniciais ‘T.P.’ contidas no estranho anel que recebera
há pouco e a estava intrigando tanto.
“Estimada Reguladora de nossa amada Comunidade. Em verdade, posso até afirmar
que tais iniciais são mágicas! O ouro desta peça, nada vale se comparado com esta sigla.”
“Posso observar que ao tocá-lo, sinto-me reconfortada. Sim, sim, posso notar isto
muito bem. Mas, o mistério permanece. Que significa, afinal, ‘T.P’ ?”
O sábio Justiceiro ergueu o rosto e, discorrendo em tom pausado e claro, explicou com
a sua habitual serenidade que antes de revelar, deveria explicar primeiro a essência de seu
significado.
“Como sempre acontece no decorrer de nossas vidas, temos de seguir determinadas
convenções e regras para que possamos desfrutá-las na sua plenitude. Apesar de nós,
habitantes deste Planeta, termos nosso arbítrio liberado, ainda não podemos fazer tudo que
desejamos, sob pena de voltar para corrigir eventuais desvios em nossa conduta...”
Impaciente, Andrea, a bela e imponente Reguladora, interrompeu Advíncula, exigindo
uma resposta menos evasiva.
“Concordo com seus princípios sapientes que sempre nos conforta a todos, mas então
responda-me, por favor: por que recebi este presente? Por acaso, não estão vendo que passo
por momentos difíceis em minha vida e que nenhum presente poderá dirimir a dor que sinto
nestas angustiantes horas que estou tendo de viver?”
“Reconheço que a dileta e justa Reguladora passa por momentos delicados em sua
existência nesta presente vida. Todos sabemos que a perda de sua amada genitora tocou-a
profundamente. Sua ausência temporária, a faz sofrer em demasia. O colo, o carinho e a
palavra amiga de sua mãe fazem muita falta. Sinta a energia reconfortante deste anel!Use-o!”
“Coloco-o agora, mas não posso sentir muita coisa. Apenas posso visualizar sua beleza
e estas iniciais ‘T.P’, que o senhor ainda não me explicou o significado....”
“Cumpre-me dizer, eminente Reguladora, que ‘T.P’ são as iniciais de uma frase
mágica, de alto e misterioso poder. Asseguro que é a frase mais expressiva e eloqüente entre
todas as que já ouvimos! Repito: é mágica pura...”
Com os olhos fixos no Justiceiro Advíncula, a Reguladora Andrea começava a
perceber e a sentir a força daquelas palavras. Enquanto ouvia, alisava a misteriosa, mas
poderosa sigla, que estava em alto-relevo. Aos poucos, uma onda de calor percorreu-lhe as
entranhas. Podia sentir, também, que algo forte logo lhe seria revelado.
“Singular, muito singular – continuou o Justiceiro – É realmente poderosa esta magia
que emana desta sigla! São as palavras que transformam!”
E fitando a Reguladora, complementou, finalmente:
“Quando o homem atravessa períodos de felicidade, de alegria, de sorte e
tranqüilidade, deve pensar no futuro e ser comedido em suas expansões. Há ocasiões, porém,
em que nos sentimos anavalhados pelos sofrimentos, pelas enfermidades, caminhando sobre
nuvens de má-sorte e atingidos pelo infortúnio. Para que o ânimo volte ao nosso espírito,
proferimos, cheios de esperanças esta frase!”
“Por favor, conclua, Justiceiro, para o meu conforto...”
“Esta frase alivia e abranda as tristezas dos infelizes; controla e arrefece as alegrias
alucinadas dos exaltados! Sim, ‘Tudo Passa’! Eis a frase que diz que virão dias melhores, dias
calmos e felizes quando se está desorientado, mas não se deve esquecer também que em todos
os momentos culminantes da vida, no meio de estonteantes triunfos, a vida prossegue, pois ela
passa e os sentimentos passam juntos. Esqueça, pois, querida Andrea, por um momento, as
suas tristezas e aflitivas saudades. Um dia estará com sua mãe, porque ‘Tudo Passa’!”
FIM