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Apocrifos

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OS LIVROS APÓCRIFOS DA BÍBLIA

www.profnoronha.kit.net Os livros apócrifos da Bíblia são uma importante e complementar fonte de informação e conhecimento, acrescentando preciosos esclarecimentos às Sagradas Escrituras, principalmente naquilo que se refere à vida de Jesus Cristo entre os oito e os trinta anos. A INFÂNCIA DE CRISTO SEGUNDO TIAGO INTRODUÇÃO Apresentamos, numa versão modernizada, textos considerados apócrifos e que trazem importantes informações a respeito da vida de Cristo, preenchendo lacunas até então criadas pelos Evangelhos constantes da Bíblia. Estes textos retratam os acontecimentos que precederam o nascimento de Cristo, contando a história de Maria e da natividade, além da história da infância do Senhor Jesus, no Evangelho de Tomé. Há também excertos do Livro da Infância do Salvador, onde a vida de Jesus, dos cinco aos doze anos, é retratada. Vale lembrar que numa outra obra desta coleção, o Evangelho de São Pedro, a Infância de Cristo é apresentada na sua íntegra, mostrando fatos e passagens importantes da vida do Senhor Jesus, nos seus primeiros anos. Os textos chamados de apócrifos são aqueles não incluídos pela Igreja no Cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas. Como foi feita essa seleção, até hoje a Igreja não explicou adequadamente. Se inspirados ou não, são relatos dos primeiros tempos do Cristianismo, importantes para quem deseja conhecer a fundo essa religião. A NATIVIDADE Este livro, apesar de conhecido como o Evangelho de Tiago ou Proto-Evangelho de Tiago, tem sua autoria desconhecida. Publicado em fins do século XVI, não se sabe exatamente ainda qual a época em que foi escrito, mas os maiores estudiosos dos Livros Apócrifos afirmam que é anterior aos Quatro Evangelhos Canônicos, servindo, em muitos aspectos, como base para estes. O Proto-Evangelho de Tiago conta a vida de Maria, seu nascimento de Ana e Joaquim, considerados estéreis, de como foi sua educação no Templo até a sua puberdade, como se deu a escolha de seu futuro esposo, José, velho, viúvo e pai de seis filhos: Judas, Josetos, Tiago, Simão, Lígia e Lídia. Continua, narrando a concepção e a virgindade, que se manteve após dar à luz o Salvador, numa caverna. Fala da estrela misteriosa e radiante, que guiou os magos até a caverna e da nuvem de luz que pairou sobre o local, na hora em que o Senhor Jesus nascia. Narra, também, a participação da parteira que testemunhou a virgindade de Maria, após o nascimento do Senhor E cita o testemunho de uma parteira que constatou a virgindade de Maria após dar à luz. PROTO-EVANGELHO DE TIAGO I

Segundo narram as memórias das doze tribos de Israel, havia um homem muito rico, de nome Joaquim, que fazia suas oferendas em quantidade dobrada, dizendo: - O que sobra, ofereça-o para todo o povoado e o devido na expiação de meus pecados será para o Senhor, a fim de ganhar-lhe as boas graças. Chegou a grande festa do Senhor, na qual os filhos de Israel devem oferecer seus donativos. Rubem se pôs à frente de Joaquim, dizendo-lhe: - Não te é lícito oferecer tuas dádivas, enquanto não tiveres gerado um rebento em Israel. Joaquim mortificou-se tanto que se dirigiu aos arquivos de Israel, com intenção de consultar o censo genealógico e verificar se, porventura, teria sido ele o único que não havia tido prosperidade em seu povoado. Examinando os pergaminhos, constatou que todos os justos haviam gerado descendentes. Lembrou-se, por exemplo, de como o Senhor deu Isaac ao patriarca Abraão, em seus derradeiros anos de vida. Joaquim ficou muito atormentado, não procurou sua mulher e se retirou para o deserto. Ali armou sua tenda e jejuou por quarenta dias e quarenta noites, dizendo: - Não sairei daqui nem sequer para comer ou beber, até que não me visite o Senhor meu Deus. Que minhas preces me sirvam de comida e de bebida. II Ana lamentava-se e gemia dolorosamente, dizendo: - Chorarei minha viuvez e minha esterilidade. Chegou, porém, a grande festa do Senhor e disse-lhe Judite, sua criada: - Até quando vais humilhar tua alma? Já é chegada a festa maior e não te é lícito entristecer-te. Toma este lenço de cabeça, que me foi dado pela dona da tecelagem, já que não posso cingir-me com ele por ser eu de condição servil e levar ele ao selo real. Disse Ana: - Afasta-te de mim, pois que não fiz tal coisa e, além do mais, o Senhor já me humilhou em demasia para que eu o use. A não ser que algum malfeitor o haja dado e tenhas vindo para fazer-me também cúmplice do pecado. Replicou Judite: - Que motivo tenho eu para maldizer-te, se o Senhor já te amaldiçoou não te dando fruto de Israel? Ana, ainda que profundamente triste, despiu suas vestes de luto, cingiu-se com um toucado, vestiu suas roupas de bodas e desceu, na hora nona, ao jardim para passear. Ali viu um loureiro, assentou-se à sua sombra e orou ao Senhor, dizendo: - Ó Deus de nossos pais! Ouve-me e bendize-me da maneira que bendisseste o ventre de Sara, dando-lhe como filho Isaac! III Tendo elevado seus olhos aos céus, viu um ninho de passarinhos no loureiro e novamente lamentou-se dizendo: - Ai de mim! Por que nasci e em que hora fui concebida? Vim ao mundo para ser como terra maldita entre os filhos de Israel. Estes me cumularam de injúrias e me escorraçaram do templo de Deus. Ai de mim! A quem me assemelho eu? Não às aves do céu, pois elas são fecundas em tua presença, Senhor. Ai de mim! A quem me pareço eu? Não às bestas da terra, pois que até esses animais irracionais são prolíficos ante teus olhos, Senhor. Ai de mim! A quem me posso comparar? Nem

sequer a estas águas, porque até elas são férteis diante de ti, Senhor. Ai de mim! A quem me igualo eu? Nem sequer a esta terra, porque ela também é fecundada, dando seus frutos na ocasião própria e te bendiz, Senhor. IV Eis que se lhe apresentou o anjo de Deus, dizendo-lhe: - Ana, Ana, o Senhor escutou teus rogos! Conceberás e darás à luz e de tua prole se falará em todo o mundo. Ana respondeu: - Viva o Senhor meu Deus, que, se chegar a ter algum fruto de bênção, seja menino ou menina, levá-lo-ei como oferenda ao Senhor e estará a seu serviço todos os dias de sua vida. Então vieram a ela dois mensageiros com este recado: - Joaquim, teu marido, está de volta com seus rebanhos, pois que um anjo de Deus desceu até ele e lhe disse que o Senhor escutou seus rogos e que Ana, sua mulher, vai conceber em seu ventre. Tendo saído Joaquim, mandou que seus pastores lhe trouxessem dez ovelhas sem mancha. Disse ele: - Estas serão para o Senhor. Mandou, então separar doze novilhas de leite, dizendo: - Estas serão para os sacerdotes e para o sinédrio. Finalmente, mandou apartar cem cabritos para todo o povoado. Ao chegar Joaquim com seus rebanhos, estava Ana à porta e, ao vê-lo chegar, pôs-se a correr e atirou-se ao seu pescoço dizendo: - Agora vejo que Deus me bendisse copiosamente, pois, sendo viúva, deixo de sê-lo e, sendo estéril, vou conceber em meu ventre. Então Joaquim repousou naquele dia em sua casa. V No dia seguinte, ao ir oferecer sua dádivas ao Senhor, dizia para consigo mesmo: - Saberei se Deus me vai ser favorável se eu chegar a ver o éfode do sacerdote. Ao oferecer o sacrifício, observou o éfode do sacerdote, quando este se acercava do altar de Deus, e, não encontrando pecado algum em sua consciência, disse: - Agora vejo que o Senhor houve por bem perdoar todos os meus pecados. Desceu Joaquim justificado do templo e foi para casa. O tempo de Ana cumpriu-se e no nono mês deu à luz. Perguntou à parteira: - A quem dei à luz? A parteira respondeu: - Uma menina. Então Ana exclamou: - Minha alma foi enaltecida - e reclinou a menina no berço. Ao fim do tempo marcado pela lei, Ana purificou-se, deu o peito à menina e pôs-lhe o nome de Maria. VI

Dia a dia a menina ia robustecendo-se. Ao chegar aos seis meses, sua mãe deixou-a só no chão, para ver se sustentava-se de pé. Ela, depois de andar sete passos, voltou ao regaço de sua mãe. Esta levantou-se, dizendo: - Salve o Senhor! Não andarás mais por este solo, até que te leve ao templo do Senhor. Fez-lhe um oratório em sua casa e não consentiu que nenhuma coisa vulgar ou impura passasse por suas mãos. Chamou, além disso, umas donzelas hebréias, todas virgens, para que a entretivessem. Quando a menina completou um ano, Joaquim deu um grande banquete, para o qual convidou os sacerdotes, os escribas, o sinédrio e todo o povo de Israel. Apresentou a menina aos sacerdotes, que a abençoaram assim: - Ó Deus de nossos pais, bendiz esta menina e dá-lhe um nome glorioso e eterno por todas as gerações. Ao que todo o povo respondeu: - Assim seja, assim seja! Amém! Apresentou-a também Joaquim aos príncipes e aos sacerdotes e estes a abençoaram assim: - Ó Deus Altíssimo, põe teus olhos nesta menina e outorga-lhe uma bênção perfeita, dessas que excluem as ulteriores. Sua mãe levou-a ao oratório de sua casa e deu-lhe o peito. Compôs, então, um hino ao Senhor Deus, dizendo: - Entoarei um cântico ao Senhor meu Deus, porque me visitaste, afastaste de mim o opróbrio de meus inimigos e me deste um fruto santo, que é único e múltiplo a seus olhos. Quem dará aos filhos de Rubem a notícia de que Ana está amamentando? Ouvi, ouvi, ó Doze Tribos de Israel: Ana está amamentando! Tendo deixado a menina para que repousasse na câmara onde havia o oratório, saiu e pôs-se a servir os comensais. Estes, uma vez terminada a ceia, saíram regozijando-se e louvando ao Deus de Israel. VII Entretanto, os meses iam-se passando para a menina. Ao fazer dois anos, disse Joaquim a Ana: - Levemo-la ao templo do Senhor para cumprir a promessa que fizemos, para que Senhor não a reclame e nossa oferenda se torne inaceitável a seus olhos. Ana respondeu: - Esperamos, todavia, até que complete três anos, para que a menina não tenha saudades de nós. Joaquim respondeu: - Esperaremos. Ao chegar aos três anos, disse Joaquim: - Chama as donzelas hebréias que não têm mancha e que tomem, duas a duas, uma candeia acesa e a acompanhem, para que a menina não olhe para trás e seu coração seja cativado por alguma coisa fora do templo de Deus. Assim fizeram enquanto iam subindo ao templo de Deus. Lá recebeu-a o sacerdote, o qual, depois de tê-la beijado, abençoou-a e exclamou: - O Senhor engrandeceu teu nome diante de todas as gerações, pois que, no final dos tempos, manifestará em ti sua redenção aos filhos de Israel.

Fê-la sentar-se no terceiro degrau do altar. O Senhor derramou graças sobre a menina, que dançou cativando toda a casa de Israel. VIII Saíram, então, seus pais, cheios de admiração, louvando ao Senhor Deus porque a menina não havia olhado para trás. Maria permaneceu no templo como uma pombinha, recebendo alimento pelas mãos de um anjo. Ao completar doze anos, os sacerdotes reuniram-se para deliberar, dizendo: - Eis que Maria cumpriu doze anos no templo do Senhor. Que faremos para que ela não chegue a manchar o santuário? Disseram ao sumo sacerdote: - Tu que tens o altar ao teu cargo, entra e ora por ela. O que o Senhor te disser, isso será o que haveremos de fazer. O sumo sacerdote, cingindo-se com o manto das doze sinetas, entrou no Santo dos Santos e orou por ela. Eis que um anjo do Senhor apareceu, dizendo-lhe: - Zacarias, Zacarias, sai e reúne a todos os viúvos do povoado. Que cada um venha com um bastão e o daquele em que o Senhor fizer um sinal singular, deste será ela a esposa. Saíram os arautos por toda a região da Judéia e, ao soar a trombeta do Senhor, todos acudiram. IX José, deixando de lado sua acha, uniu-se a eles. Uma vez que se juntaram todos, tomaram cada qual seu bastão e puseram-se a caminho, à procura do sumo sacerdote. Este tomou todos os bastões, entrou no templo e pôs-se a orar. Terminadas as suas preces, tomou de novo os bastões e os entregou, mas em nenhum deles apareceu sinal algum. Porém, ao pegar José o último, eis que uma pomba saiu dele e se pôs a voar sobre sua cabeça. Então o sacerdote disse: - A ti coube a sorte de receber sob tua custódia a Virgem do Senhor. José replicou: - Tenho filhos e sou velho, enquanto que ela é uma menina. Não gostaria de ser objeto de zombaria por parte dos filhos de Israel. Então tornou o sacerdote: - Teme ao Senhor teu Deus e tem presente o que fez Ele com Datan, Abiron e Corê, de como abriu-se a terra e foram sepultados por sua rebelião. Teme agora tu também, José, para que não aconteça o mesmo a tua casa. Ele, cheio de temor, recebeu-a sob proteção. Depois, disse-lhe: - Tomei-te do templo. Deixo-te agora em minha casa e vou continuar minhas construções. Logo voltarei. O Senhor te guardará. X Os sacerdotes, então, reuniram-se e concordaram em fazer um véu para o templo do Senhor. O sumo sacerdote disse: - Chama algumas donzelas sem mancha, da tribo de Davi. Os ministros se foram e, depois de terem procurado, encontraram sete virgens. Então o sacerdote lembrou-se de Maria, a jovenzinha que, sendo de estirpe davídica, se conservava imaculada aos olhos de Deus. Os emissários foram buscá-la. Depois de as terem introduzido no templo, disse o sacerdote:

- Vejamos qual há de bordar o ouro, o amianto, o linho, a seda, o zircão, o escarlate e a verdadeira púrpura. O escarlate e a verdadeira púrpura couberam a Maria que, tomando-as, foi para casa. Naquela época, Zacarias ficou mudo, sendo substituído por Samuel, até quando pôde falar novamente. Maria tomou em suas mãos o escarlate e pôs-se a tecê-lo. XI Certo dia, pegou Maria um cântaro e foi enchê-lo de água. Eis que ouviu uma voz que lhe dizia: - Deus te salve, cheia de graça! O Senhor está contigo, bendita és entre as mulheres! Ela olhou a sua volta, à direita, à esquerda, para ver de onde vinha aquela voz. Tremendo, voltou para casa, deixou a ânfora, pegou a púrpura, sentou-se no divã e pôs-se a tecê-la. Logo um anjo do Senhor apresentou-se diante dela, dizendo: - Não temas, Maria, pois alcançaste graça ante o Senhor onipotente e vais conceber por Sua palavra! Ela, ao ouví-lo, ficou perplexa e disse consigo mesma: - Deverei eu conceber por virtude de Deus vivo e haverei de dar à luz como as demais mulheres? Ao que lhe respondeu o anjo: - Não será assim, Maria, pois que a virtude do Senhor te cobrirá com sua sombra. Depois, o fruto santo que deverá nascer de ti será chamado de Filho do Altíssimo. Chamar-lhe-ás Jesus, pois Ele salvará seu povo de suas iniqüidades. Então, disse Maria: - Eis aqui a escrava do Senhor em Sua presença. Que isto aconteça a mim conforme Sua palavra. XII Concluído seu trabalho com a púrpura e o escarlate, levou-o ao sacerdote. Este a abençoou dizendo: - Maria, o Senhor enaltecer seu nome e serás bendita entre todas as gerações da terra. Cheia de alegria, Maria foi à casa de sua parente Isabel. Chamou-a da porta e, ao ouví-la, Isabel largou o escarlate, correu para a porta, abriu-a e, vendo Maria, louvou-a dizendo: - Que fiz eu para que a mãe do meu Senhor venha a minha casa? Pois saiba que o fruto que carrego em meu ventre se pôs a pular dentro de mim, como que para bendizer-se. Maria havia se esquecido dos mistérios que o anjo Gabriel lhe comunicara, elevou os olhos aos céus e disse: - Quem sou eu, Senhor, para que todas as gerações me bendigam? Passou três meses em casa de Isabel. Dia a dia seu ventre aumentava e, cheia de temor, pôs-se a caminho de casa e escondia-se dos filhos de Israel. Quando sucederam essas coisas, ela contava dezesseis anos. XIII Ao chegar Maria ao sexto mês de gravidez, voltou José de suas construções e, ao entrar em casa, deu-se conta de que ela estava grávida. Então, feriu seu próprio rosto, jogou-se no chão sobre uma manta e chorou amargamente, dizendo:

- Como é que me vou apresentar agora diante do meu Senhor? E que oração direi eu agora por esta donzela, pois que a recebi virgem do templo do Senhor e não a soube guardar? Será que a história de Adão se repetiu comigo? Assim como no instante em que ela estava glorificando a Deus veio a serpente e, ao encontrar Eva sozinha, a enganou, o mesmo me aconteceu. Levantando-se, José chamou Maria e disse-lhe: - Predileta como eras de Deus, como foste capaz de fazer isso? Acaso te esqueceste do Senhor teu Deus? Com pudeste vilipendiar tua alma, tu que te criaste no Santo dos Santos e recebeste alimento das mãos de um anjo? Ela chorou amargamente dizendo: - Sou pura e não conheço varão algum. Replicou José: - De onde, pois, provém o que carregas no seio? Ao que Maria respondeu: - Pelo Senhor, meu Deus, eu juro que não sei como aconteceu. XIV José encheu-se de temor, retirou-se da presença de Maria e pôs-se a pensar sobre o que faria com ela. Dizia consigo próprio: - Se escondo seu erro, contrario a lei do Senhor. Se a denuncio ao povo de Israel, temo que o que acontecer a ela se deva a uma intervenção dos anjos e venha a entregar à morte uma inocente. Como deverei proceder, pois? Mandá-la embora às escondidas. Enquanto isso, caiu a noite. Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, dizendo-lhe: - Não temas por esta donzela, pois o que ela carrega em suas entranhas é fruto do Espírito Santo. Dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, pois que ele há de salvar seu povo dos pecados. Ao despertar, José levantou-se, glorificou a Deus de Israel por haver-lhe concedido tal graça e continuou guardando Maria. XV Por essa ocasião, veio à casa de José um escriba chamado Anás, que lhe disse: - Por que não compareceste à nossa reunião? Respondeu-lhe José: - Estava cansado da caminhada e decidi repousar este primeiro dia. Ao voltar-se, Anás deu-se conta da gravidez de Maria. Então, correu ao sacerdote, dizendo-lhe: - Esse José, por quem respondes, cometeu uma falta grave. - Que queres dizer com isso? - perguntou o sacerdote. Ao que respondeu Anás: - Pois violou aquela virgem que recebeu do templo de Deus, com fraude de seu casamento e sem manifestá-lo ao povo de Israel. Disse o sacerdote: - Estás certo de que foi José que fez tal coisa? Replicou Anás: - Envia uma comissão e te certificarás de que a donzela está realmente grávida. Saíram os emissário e encontraram-na tal qual havia dito Anás. Por isso levaram-na, juntamente com José, ante o tribunal.

O sacerdote iniciou, dizendo: - Maria, como fizeste tal coisa? Que te levou a vilipendiar tua alma e esquecer-te do Senhor teu Deus? Tu que te criaste no Santo dos Santos, que recebias alimento das mãos de um anjo, que escutaste os hinos e que dançavas na presença de Deus? Como fizeste isso? Ela se pôs a chorar amargamente, dizendo: - Juro pelo Senhor meu Deus que estou pura em sua presença e que não conheci varão. Então o sacerdote dirigiu-se a José, perguntando-lhe: - Por que fizeste isso? Replicou José: - Juro pelo Senhor meu Deus, que me encontro puro com relação a ela. Acrescentou o sacerdote: - Não jures em falso! Dize a verdade! Usaste fraudulentamente o matrimônio e não o deste a conhecer ao povo de Israel. Não abaixaste tua cabeça sob a mão poderosa de Deus, por quem sua descendência havia sido bendita. José guardou silêncio. XVI - Devolve, pois - continuou o sacerdote, - a virgem que recebeste do templo do Senhor. José ficou com os olhos marejados em lágrimas. Acrescentou ainda o sacerdote: - Farei com que bebais da água da prova do Senhor e ela vos mostrará, diante de vossos próprios olhos, vossos pecados. Tomando da água, fez José bebê-la, enviando-o em seguida à montanha, de onde voltou são e salvo. Fez o mesmo com Maria, enviando-a também à montanha, mas ela voltou sã e salva. Toda a cidade encheu-se de admiração ao ver que não havia pecado neles. Disse o sacerdote: - Posto que o Senhor não declarou vosso pecado, tampouco irei condenar-vos. Então despediu-os. Tomando Maria, José voltou para casa cheio de alegria e louvado ao Deus de Israel. XVII Veio uma ordem do imperador Augusto para que se fizesse o censo de todos os habitantes de Belém da Judéia. Disse José: - A meus filhos posso recensear, mas que farei desta donzela? Como vou incluí-la no censo? Como minha esposa? Envergonhou-me. Como minha filha? Mas já sabem todos os filhos de Israel que não é! Este é o dia do Senhor, que se faça a sua vontade. Selando sua asna, fez com que Maria se acomodasse sobre ela. Enquanto um de seus filhos ia à frente, puxando o animal pelo cabresto, José os acompanhava. Quando estavam a três milhas de distância de Belém, José virou-se para Maria e viu que ela estava triste. Disse consigo mesmo: - Deve ser a gravidez que lhe causa incômodo. Ao voltar-se novamente, encontrou-a sorrindo e indagou-lhe: - Maria, que acontece, pois que algumas vezes te vejo sorridente e outras triste? Ela lhe disse:

- É que se apresentam dois povos diante de meus olhos: um que chora e se aflige e outro que se alegra e se regozija. Ao chegar à metade do caminho, disse Maria a José: - Desça-me, porque o fruto de minhas entranhas luta por vir à luz. Ele a ajudou a apear da asna, dizendo-lhe: - Aonde poderia eu levar-te para resguardar teu pudor, já que estamos em campo aberto? XVIII Encontrando uma caverna, levou-a para dentro e, havendo deixado seus filhos com ela, foi buscar uma parteira na região de Belém. Eis que José encontrou-se andando, mas não podia avançar. Ao levantar seus olhos para o espaço, pareceu lhe ver como se o ar estivesse estremecido de assombro. Quando fixou vista no firmamento, encontrou-o estático e os pássaros do céu, imóveis. Ao dirigir seu olhar à terra, viu um recipiente no solo e uns trabalhadores sentados em atitude de comer, com suas mãos na vasilha. Os que pareciam comer, na realidade não mastigavam, e os que estavam em atitude de pegar a comida, tampouco a tiravam do prato. Finalmente, os que pareciam levar os manjares à boca, não o faziam, ao contrário, tinham seus rostos voltados para cima. Também havia umas ovelhas que estavam sendo tangidas, mas não davam um passo. Estavam paradas. O pastor levantou sua destra para bater-lhes com um cajado, mas parou sua mão no ar. Ao dirigir seu olhar à corrente do rio, viu como uns cabritinhos punham nela seus focinhos, mas não bebiam. Em uma palavra, todas as coisas estavam afastadas, por uns instantes, de seu curso normal. XIX Então uma mulher que descia da montanha disse-lhe: - Aonde vais? Ao que ele respondeu: - Ando procurando uma parteira hebréia. Ela replicou: - Mas és de Israel? Ele respondeu: - Sim. - E quem é a que está dando à luz na caverna? - É minha esposa. - Então, não é tua mulher? Ele respondeu: - É Maria, a que se criou no templo do Senhor, e ainda que me tivesse sido dada por mulher, não o é, pois que concebeu por virtude do Espírito Santo. Insistiu a parteira: - Isso é verdade? José respondeu: - Vem e verás. Então a parteira se pôs a caminho junto com ele. Ao chegar à gruta, pararam, e eis que esta estava sombreada por uma nuvem luminosa. Exclamou a parteira:

- Minha alma foi engrandecida, porque meus olhos viram coisas incríveis, pois que nasceu a salvação para Israel. De repente, a nuvem começou a sair da gruta e dentro brilhou uma luz tão grande que seus olhos não podiam resistir. Esta, por um momento, começou a diminuir tanto que deu para ver o menino que estava tomando o peito da mãe, Maria. A parteira então deu um grito, dizendo: - Grande é para mim o dia de hoje, já que pude ver com meus próprios olhos um novo milagre. Ao sair a parteira da gruta, veio ao seu encontro Salomé. - Salomé, Salomé! - exclamou. - Tenho de te contar uma maravilha nunca vista. Uma virgem deu à luz; coisa que, como sabes, não permite a natureza humana. Salomé replicou: - Pelo Senhor, meus Deus, não acreditarei em tal coisa, se não me for dado tocar com os dedos e examinar sua natureza. XX Havendo entrado a parteira, disse a Maria: - Prepara-te, porque há entre nós uma grande querela em relação a ti. Salomé, pois, introduziu seu dedo em sua natureza, mas, de repente, deu um grito, dizendo: - Ai de mim! Minha maldade e minha incredulidade é que têm a culpa! Por descrer do Deus vivo, desprende-se de meu corpo minha mão carbonizada. Dobrou os joelhos diante do Senhor, dizendo: - Ó Deus de nossos pais! Lembra-te de mim, porque sou descendente de Abraão, Isaac e Jacó! Não faças de mim um exemplo para os filhos de Israel! Devolve-me curada, porém, aos pobres, pois que tu sabes, Senhor, que em teu nome exercia minhas curas, recebendo de ti meu salário! Apareceu um anjo do céu, dizendo-lhe: - Salomé, Salomé, Deus escutou-te. Aproxima tua mão do menino, toma-o e haverá para ti alegria e prazer. Acercou-se Salomé e o tomou, dizendo: - Adorar-te-ei, porque nasceste para ser o grande Rei de Israel. De repente, sentiu-se curada e saiu em paz da gruta. Nisso ouviu uma voz que dizia: - Salomé, Salomé, não contes as maravilhas que viste até estar o menino em Jerusalém. XXI José dispôs-se a partir para Judéia. Por essa ocasião, sobreveio um grande tumulto em Belém, pois vieram um magos dizendo: - Aonde está o recém-nascido Rei dos Judeus, pois vimos sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo? Herodes, ao ouvir isso, perturbou-se. Enviou seus emissários aos magos e convocou os príncipes e os sacerdotes, fazendo-lhes esta pergunta: - Que está escrito em relação ao Messias? Aonde ele vai nascer? Eles responderam: - Em Belém da Judéia, segundo rezam as escrituras. Com isso, despachou-os e interrogou os magos com estas palavras: - Qual é o sinal que vistes em relação ao nascimento desse rei? Responderam-lhes os magos:

- Vimos um astro muito grande, que brilhava entre as demais estrelas e as eclipsava, fazendo-as desaparecer. Nisso soubemos que a Israel havia nascido um rei e viemos com a intenção de adorá-lo. Replicou Herodes: - Ide e buscai-o, para que também possa eu ir adorá-lo! Naquele instante, a estrela que haviam visto no Oriente voltou novamente a guiá-los, até que chegaram à caverna e pousou sobre a entrada dela. Vieram, então, os magos a ter com o Menino e Sua mãe, Maria, e tiraram oferendas de seus cofres: ouro, incenso e mirra. Depois, avisados por um anjo para que não entrassem na Judéia, voltaram a suas terras por outro caminho. XXII Ao dar-se conta Herodes de que havia sido enganado, encolerizou-se e enviou seus sicários, dando-lhes a missão de assassinar todos os meninos de menos de dois anos. Quando chegou até Maria a notícia da matança das crianças, encheu-se de temor e, envolvendo seu filho em fraldas, colocou-o numa manjedoura. Quando Isabel inteirou-se de que também buscavam a seu filho João, pegou-o e levouo a uma montanha. Pôs-se a ver onde haveria de escondê-lo, mas não havia um lugar bom para isso. Entre soluços, exclamou em voz alta: - Ó Montanha de Deus, recebe em teu seio a mãe com seu filho, pois que não posso subir mais alto. Nesse instante, abriu a montanha suas entranhas para recebê-los. Acompanhou-os uma grande luz, pois estava com ele um anjo de Deus para guardá-los. XXIII Herodes prosseguia na busca de João e enviou seus emissários a Zacarias para que lhe dissessem: - Aonde escondeste teu filho? Ele respondeu desta maneira: - Eu me ocupo do serviço de Deus e me encontro sempre no templo. Não sei onde está meu filho. Os emissários informaram a Herodes tudo o que se passara e ele encolerizou-se muito, dizendo consigo mesmo: - Deve ser seu filho que vai reinar em Israel. Enviou, então, um outro recado, dizendo-lhe: - Diga-nos a verdade sobre onde está teu filho, porque do contrário bem sabes que teu sangue está sob minhas mãos. Zacarias respondeu: - Serei mártir do Senhor, se te atreveres a derramar meu sangue, porque minha alma será recolhida pelo Senhor, ao ser segada uma vida inocente no vestíbulo do santuário. Ao romper da aurora, foi assassinado Zacarias, sem que os filhos de Israel se dessem conta desse crime. XXIV Os sacerdotes se reuniram à hora da saudação, mas Zacarias não saiu a seu encontro, como de costume, para abençoá-los. Puseram-se a esperá-lo para saudá-lo na oração e para glorificar o Altíssimo.

Ante sua demora, começaram a ter medo. Tomando ânimo, um deles entrou, viu ao lado do altar sangue coagulado e ouviu uma voz que dizia: - Zacarias foi morto e não se limpará o seu sangue até que chegue o vingador. Ao ouvir a voz, encheu-se de temor e saiu para informar os sacerdotes que, tomando coragem, entraram e testemunharam o ocorrido. Então, os frisos do templo rangeram e eles rasgaram suas vestes de alto a baixo. Não encontraram o corpo, somente a poça de sangue coagulado. Cheios de temor, saíram para informar a todo o povo que Zacarias havia sido assassinado. A notícia correu em todas as tribos de Israel, que o choraram e guardaram luto por três dias e três noites. Concluído esse tempo, reuniram-se os sacerdotes para deliberar sobre quem iriam pôr em seu lugar. Recaiu a sorte sobre Simeão, pois, pelo Espírito Santo, havia sido assegurado de que não veria a morte até que lhe fosse dado contemplar o Messias Encarnado. XXV Eu, Tiago, escrevi esta história. Ao levantar-se um grande tumulto em Jerusalém, por ocasião da morte de Herodes, retirei-me ao deserto até que cessasse o motim, glorificando ao Senhor meu Deus, que me concedeu a graça e a sabedoria necessárias para compor esta narração. Que a graça esteja com todos aqueles que temem a Nosso Senhor Jesus Cristo, para quem deve ser a glória.

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após 1629, as igrejas reformadas excluíram totalmente os apócrifos das suas edições da Bíblia, e "induziram a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sob pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria Bíblias que tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades que incluíssem esses livros em suas edições". Melhor assim. Tinham em vista evitar confusão entre o povo simples, que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo. Há várias razões porque rejeitamos os apócrifos. Eis algumas delas: Não temos nenhum registro de alguma controvérsia entre Jesus e os judeus sobre a extensão do cânon. Jesus e os autores do Novo Testamento citam, mais de 295 vezes, várias partes das Escrituras do Antigo Testamento como palavras autorizadas por Deus, mas nem uma vez sequer mencionam alguma declaração extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se tivesse Autoridade Divina. Historicidade A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro ramos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, preocupou-se em enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Muitos livros foram traduzidos para o grego. Segundo um relato de Josefo, o sumo sacerdote de Jerusalém, Eleazar, enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco. A tradução continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo. Essa tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta ou Versão dos Setenta, foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos livros apócrifos foram acrescentados ao texto grego como apêndice do Velho Testamento. Mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados. Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas e aos demais escritos (os quais "incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas"), ele continua afirmando: "Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja". Testemunho dos pais da Igreja ORÍGENES: No terceiro século A.D., Orígenes (que morreu em 254) deixou um

catálogo de vinte e dois Livros do Antigo Testamento, preservado na História Eclesiástica de Eusébio, VI: 25. Inclui a mesma lista do cânone de vinte e dois Livros de Josefo (e do Texto Massorético), inclusive Ester, mas nenhum dos apócrifos é declarado canônico, e se diz explicitamente que os livros de Macabeus estão "fora desses [Livros canônicos]". TERTULIANO: Tertuliano (160-250 D.C.) era aproximadamente contemporâneo de Orígenes. Declara que os Livros canônicos são vinte e quatro. HILÁRIO: Hilário de Poitiers (305-366) os menciona como sendo vinte e dois. ATANÁSIO: De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja, Atanásio, bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou todos os Livros do nosso atual cânon do Novo Testamento e do Antigo Testamento, exceto Ester. JERÔNIMO: Jerônimo (340-420. A.D.) fez a seguinte citação: "Este prólogo, como vanguarda, com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os livros que traduzimos do hebraico para o latim, de tal maneira que possamos saber que tudo quanto é separado destes deve ser colocado entre os apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o Pastor (supõe-se que seja o Pastor de Hermas), não fazem parte do cânon. Descobri o Primeiro livro de Macabeus em hebraico; o Segundo foi escrito em grego, conforme testifica sua própria linguagem". MELITO: A mais antiga lista cristã dos Livros do Antigo Testamento que existe hoje é a de Melito, bispo de Sardes, que escreveu em cerca de 170 D.C. "Quando cheguei ao Oriente e encontrei-me no lugar em que essas coisas foram proclamadas e feitas, e conheci com precisão os Livros do Antigo Testamento, avaliei os fatos e os enviei a ti. São estes os seus nomes: cinco Livros de Moisés, Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio, Josué, filho de Num, Juizes, Rute, quatro Livros dos Reinos, os dois Livros de Crônicas, os Salmos de Davi, os Provérbios de Salomão e sua Sabedoria, Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, Jó, os profetas Isaías, Jeremias, os doze num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras". É digno de nota que Melito não menciona aqui nenhum livro dos apócrifos, mas inclui todos os nossos atuais livros do Antigo Testamento, exceto Ester. Mas as autoridades católicas passam por cima de todos esses testemunhos para manter, em sua teimosia, os apócrifos! As heresias dos apócrifos TOBIAS - (200 a.C.) - É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael. Apresenta: • justificação pelas obras - 4.7-l 1; 12.8.

• mediação dos Santos - 12.12 • superstições - 6.5, 7-9,19 • um anjo engana Tobias e o ensina a mentir - 5.l6 a 19 JUDITE - (150 a.C.) É a história de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. Grande heresia é a própria história onde os fins justificam os meios. BARUQUE - (100 a.D.) - Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. Mas é de data muito posterior, quando da segunda destruição de Jerusalém, no pós-Cristo. Traz, entre outras coisas, a intercessão pelos mortos - 3.4. ECLESIÁSTICO - (180 a.C.) – É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias: • justificação pelas obras - 3.33, 34. • trato cruel aos escravos - 33.26 e 30; 42.l e 5. • incentiva o ódio aos samaritanos - 50.27 e 28 SABEDORIA DE SALOMÃO - (40 a.D.) - Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã). Apresenta: • o corpo como prisão da alma - 9.15 • doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma - 8.19 e 20 • salvação pela sabedoria - 9.19 I MACABEUS - (100 a.C.) - Descreve a história de três irmãos da família "Macabeus", que no chamado período interbíblico (400 a.C. 3 A.D.) lutam contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra. II MACABEUS - (100 a.C.) - Não é a continuação de 1 Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu. Apresenta: • a oração pelos mortos - 12.44 - 46 • culto e missa pelos mortos -12.43 • o próprio autor não se julga inspirado - 15.38-40; 2.25-27. • intercessão pelos santos - 7.28 e 15.14

ADIÇÕES A DANIEL: Capítulo 13 - A história de Suzana - segundo esta lenda Daniel salva Suzana num julgamento fictício baseado em falsos testemunhos. Capítulo 14 - Bel e o Dragão - Contém histórias sobre a necessidade da idolatria. Capítulo 3.24-90 - o cântico dos três jovens na fornalha. Lendas, erros e outras heresias: 1. Histórias fictícias, lendárias e absurdas Tobias 6.1-4 - "Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse-lhe: Pega-lhe pelas guelras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o começou a palpitar a seus pés". 2. Erros históricos e geográficos Esses livros contêm erros históricos, geográficos e cronológicos, além de doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite 9.10,13). Os erros dos apócrifos são freqüentemente apontados em obras de autoridade reconhecida. Por exemplo: o erudito Bíblico DL René Paehe comenta: "Exceto no caso de determinada informação histórica interessante (especialmente em I Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (por exemplo, Sabedoria de Salomão). Tobias contém certos erros históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1.15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomada por Nabucodonosor e por Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares... Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes... [Em II Macabeus]. Há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais refletem ignorância ou confusão..". 3.Ensinam artes mágicas ou de feitiçaria como método de exorcismo Tobias 6.5-9 - "Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até que chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirá estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas, o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tomam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão". Este ensino de que o coração de um peixe tem poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre superstição.

4. Ensinam que esmolas e boas obras limpam os pecados e salvam a alma a)Tobias l2.8,9 - "É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna". b) Eclesiástico 3.33 - "A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados". A salvação por obras destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador. 5. Ensinam o perdão dos pecados através das orações Eclesiástico 3.4 - "O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias". O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado. 6. Ensinam a oração pelos mortos II Macabeus 12.43-46 - "e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente a ressurreição (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima misericórdia. E, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados". É nesse texto de um livro não canônico que a Igreja Católica Romana baseia sua doutrina do purgatório. 7. Ensinam a existência de um lugar chamado purgatório Sabedoria 3.1-4 - "As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade". A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na última parte desse texto. Afirmam os católicos que o tormento em que o justo está é o purgatório que o purifica para entrar na imortalidade. Isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo. 8. Tobias 5.15-19 "E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas de que família e de que tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração".

Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade sem violar a própria lei santa de Deus. Todos os anjos de Deus foram verdadeiros quando lhes perguntado a sua identidade. Veja Lucas 1.19. Decisão polêmica e eivada de preconceito Resumindo todos esses argumentos, essa postura afirma que o amplo emprego dos livros apócrifos por parte dos cristãos desde os tempos mais primitivos é evidência de sua aceitação pelo povo de Deus. Essa longa tradição culminou no reconhecimento oficial desses livros, no Concílio de Trento, como se tivessem sido inspirados por Deus. Mesmo não-católicos, até o presente momento, conferem aos livros apócrifos uma categoria de paracanônicos, o que se deduz do lugar que lhes dão em suas Bíblias e em suas igrejas. O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) Livros em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do século IV a.C. Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de Alexandria. Visto que alguns dos primeiros pais da igreja, de modo especial no Ocidente, mencionaram esses livros em seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de Agostinho) deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. No entanto, até a época da Reforma esses livros não eram considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio da história. A decisão desse Concílio foi polêmica e eivada de preconceito. Que os livros apócrifos. seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem, não são canônicos, o que se comprova pelos seguintes fatos: 1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos. 2. Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento. 3. A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua canonicidade. 4. Nenhum concílio da igreja os considerou canônicos senão no final do século IV. 5. Jerônimo, o grande especialista Bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou fortemente os livros apócrifos. 6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, rejeitaram os livros apócrifos. 7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data, reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras. Em virtude desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário que os cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos como se fossem Palavra

de Deus, nem os citem em apoio autorizado a qualquer doutrina cristã. Com efeito, quando examinados segundo os critérios elevados de canonicidade estabelecidos, verificamos que aos livros apócrifos faltam: 1. Os apócrifos não reivindicam ser proféticos. 2. Não detêm a autoridade de Deus. O prólogo do livro apócrifo Eclesiástico (180 a.C.) diz: "Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei, pelos profetas, e por outros escritores que vieram depois deles, o que torna Israel digno de louvor por sua doutrina e sua sabedoria, visto não somente os autores destes discursos tiveram de ser instruídos, também os próprios estrangeiros se podem tornar (por meio deles) muito hábeis, tanto para falar como para escrever. Por isso, Jesus, meu avô, depois de se ter aplicado com grande cuidado à leitura da Lei, dos profetas e dos outros livros que nossos pais nos legaram, quis também escrever alguma coisa acerca da doutrina e sabedoria... Eu vos exorto, pois, a ver com benevolência, e a empreender esta leitura com uma atenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer que, ao reproduzir este retrato da soberania, somos incapazes de dar o sentido (claro) das expressões". Este prólogo é um auto-reconhecimento da falibilidade humana. (grifo acrescentado) Diante de tudo isso, perguntamos: "Merecem confiança os livros Apócrifos?" A resposta obvia é: NÃO! Natureza e número dos apócrifos do Antigo Testamento Há quinze livros chamados apócrifos (quatorze, se a Epístola de Jeremias se unir a Baruque, como ocorre nas versões católicas de Douai). Com exceção de II Esdras, esses livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e compreendem especificamente dois ou três séculos antes de Cristo. Significado das palavras cânon e canônico CÂNON - (de origem semítica, na língua hebraica "qãneh" em Ez 40.3; e no grego: "kanón", em Gl 6.16) tem sido traduzido em nossas versões em português como "regra", "norma". Literalmente, significa vara ou instrumento de medir. CANÔNICO - Que está de acordo com o cânon. Em relação aos 66 livros da Bíblia hebraica e evangélica. Significado da palavra Pseudoepígrafado Literalmente significa "escritos falsos" - Os apócrifos não são necessariamente escritos falsos, mas, sim, não-canonicos, embora também contenham ensinos errados ou hereges. Diferença entre as Bíblias Hebraicas, Protestantes e Católicas 1. Bíblia hebraica 2. Bíblia protestante 3. Bíblia católica (a Bíblia dos Judeus)

a) Contem somente os 39 a) Aceita os 39 livros do a) Contém os 39 livros do V.T. livros do V.T. V.T. e também os 27 do e os 27 do N.T. b) Rejeita os 27 do N.T. N.T. b) Inclui, na versão como inspirado, assim b) Rejeita os livros Vulgata, os livros apócrifos como rejeitou Cristo. apócrifos incluídos na ou não canônicos que são: c) Não aceita os livros Vulgata, como não Tobias, Judite, Sabedoria, apócrifos incluídos na canônicos. Eclesiástico, Baruque, I e Vulgata (versão Católica II de Macabeus, seis Romana). capítulos e dez versículos acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel. A seguir, a lista dos que se encontravam na Septuaginta: 1. 3 Esdras 8. Baruque 2. 4 Esdras 9. A Carta de Jeremias 3. Oração de Azarias 10. Os acréscimos de Daniel 4. Tobias 11. A Oração de Manasses 5. Adições a Ester 12. I Macabeus 6. A Sabedoria de Salomão 13. II Macabeus 7. Eclesiástico (Também 14. Judite chamado de Sabedoria de Jesus, filho de Siraque). Autor: Paulo Cristiano, do CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisa www.cacp.org.br/) Fonte: Revista Defesa da Fé – ano 6, n.º 41 / dezembro/2001 – pags. 54 a 59 Instituto Cristão de Pesquisa (ICP) www.icp.com.br

estudos.htm estudos.htm Razões porque os Foram rejeitados como inspirados no

Cânon

APÓCRIFOS da Escritura

Sagrada

0. TESE: Demonstrar que somente os 66 livros que temos atualmente na Bíblia (protestante ou evangélica) são a PALAVRA DE DEUS, a) São os únicos livros inspirados por Deus, ou seja, que cada escritor destes 66 livros, não escreveram suas idéias e pensamentos, porém o Espírito Santo os moveu a escrever somente os pensamentos, idéias e palavras de Deus, (II Tm 3.16-17; II Pe 1.19-21) b) O Espírito Santo superintendeu o ato de escrever de cada escritor de maneira tão exata e precisa, que a inspiração Divina se estendeu não somente as palavras, mas até as letras empregadas nos originais do Velho e do Novo Testamentos. (Mt 5.18; 3.15-16)
Demonstrar que os livros apócrifos, incluídos impropriamente nas versões católicas romanas não são canônicos, ou seja não estão de acordo com os critérios e normas que trouxeram reconhecimento como inspirados aos outros 66 livros. Estes livros são:

1 2 3 4 5 6 7

LIVRO APÓCRIFO 3 Esdras 4 Esdras Oração de Manassés Tobias O Restante de Ester A Sabedoria de Salomão Eclesiástico (Também chamado Sabedoria de Jesus, filho de Siraque)

8 9 10 11 12 13 de

Baruque A Carta de Jeremias Os acréscimos de Daniel A Oração de Manassés 1 Macabeus 2 Macabeus

1. Significado da Etimologia = "oculto", "não canônico",

palavra

INTRODUÇÃO: APÓCRIFO:

1.1. Significado da palavra CÂNON e CANÔNICO a) CÂNON - (de origem semítica, na língua hebraica "qãneh" em Ez 40.3; e no grego grega: "kanón" em Gl 6.16"), tem sido traduzido em nossas versões em português como, "regra", "norma". Significado literal: vara ou instrumento de medir. - Significado figurado: Regra ou critérios que comprovam a autenticidade e inspiração dos livros bíblicos; Lista dos Escritos Sagrados; Sinônimo das ESCRITURAS - como a regra de fé e ação investida de autoridade divina. - Outros significados: Credo formulado (a doutrina da Igreja em Geral); Regras eclesiásticas (lista ou série de procedimentos) b) CANÔNICO - Que está de acordo com o cânon. Em relação aos 66 livros da Bíblia chamada hebraica e da Bíblica "evangélica", é o mesmo que dizer, inspirado por Deus. 1.2. Significado da palavra PSEUDOEPÍGRAFO - Literalmente significa "escritos falsos" - Os apócrifos não são necessariamente escritos falsos, mas, sim não

canônicos,

embora,

também

contenham

ensinos

errados

ou

hereges.

2 - DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS CATÓLICAS 2.A) Diferenças Básicas 1. Bíblia Hebraica – [a Bíblia dos judeus]

HEBRAICAS,

PROTESTANTES E

a) Contém somente os 39 livros do V.T. b) Rejeita os 27 do N.T. como inspirado, assim como rejeitou Cristo. c) Não aceita os livros apócrifos incluídos na Vulgata [versão Católica Romana) 2. Bíblia Protestante a) Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos 3. Bíblia Católica a) Contém os 39 livros do V.T. e os 27 b) Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos. do N.T. N.T.

2.B) Como os apócrifos acabaram sendo incluídos na versão Católica Romana? 1. Os judeus rejeitaram de modo uniforme os livros apócrifos, por isto não se encontram na Bíblia Hebraica; 2. Os apócrifos foram escritos depois do livro de Malaquias, ou seja, depois do Velho Testamento estar concluído. 3. O período é de 300 a.C. e 100 depois de Cristo. Este é o período da Helenização, onde os gregos tentarão impor a cultura pagã grega no mundo todo. 4. Nesta época a Bíblia hebraica foi traduzida em Alexandria, para o grego, e nesta versão chamada LXX ou septuaginta, foram incluídas alguns livros apócrifos. 5. No segundo século depois de Cristo, as primeiras Bíblias em latim, foram traduzidas não da Bíblia Hebraica, mas da Septuaginta, a versão grega, que tinha incluído os apócrifos no Velho Testamento. 6. A Vulgata, a versão oficial da igreja católica, feita por Jerônimo, distinguia entre: libris canonice = - libris ecclesiastici = Livros apócrifos Livros canônicos e

7. No Concílio de Cartago (397), onde a igreja Romana já estava bem solidificada, foi resolvido aceitar os livros apócrifos como próprios para leitura religiosa, embora, não fossem canônicos. 8. Foi somente em 1548, como mais um dogma herético, que a Roma reconheceu os livros apócrifos como de igual valor aos livros 66 livros canônicos. Com exceção de 3 e 4 Esdras e da Oração de Manassés. 9. Os reformadores rejeitaram completamente os apócrifos como canônicos.

3 - RAZÕES POR QUE OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM REJEITADOS 3.1a) Não estão de acordo com os critérios usados para aceitação dos livros canônicos.

1) O Pentateuco [os primeiros cinco livros da Bíblia] serve de critério na aceitação de todos os outros livros da Bíblia. Se os livros apócrifos não concordam com o Pentateuco eles não são inspirados. (Is 8.20; Mt.5.18-19) 2) Se João, o evangelista tivesse escrito algo que contradisse o que Moisés escreveu, o evangelho de João deveria ser rejeitado como não inspirado, por Deus não se contradiz; 3) Os livros apócrifos contradizem Moisés e os outros profetas, várias vezes; 4) Nem Cristo nem os apóstolos citaram os apócrifos; 5) São Jerônimo os rejeitou porque não foram escrito em hebraico (com exceção de Eclesiástico, Tobias, e 1 Macabeus ) 6) Foi a igreja católica no concílio de Trento Em 1548 d.C. que colocou os 12 livros apócrifos como inspirados. 7) O verdadeiro teste de canonicidade é o testemunho que Deus, O Espírito Santo dá a autoridade de Sua própria Palavra. - Na sua boa providência Deus fez que seu povo reconhece a Sua Palavra e recebesse a Sua Palavra. - Assim como revelou sua Palavra as autores Bíblicos, também, agiu soberanamente para que os livros canônicos fosse como de autoria Divina. 3.2a) Os Apócrifos Não São Inspirados. - Razões. 1. Seus ensinos baseados em histórias fictícios, lendárias e absurdas - Tobias 6.1-4 - "Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse disse-lhe: Pegalhe pelas guerras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o começou a palpitar a seus pés 2. Ensina erros doutrinários - tais como: a) Orações pelos mortos b) Falsas curas c) Queimar o coração de um peixe para expulsar o demônio [fetiçaria] d) Salvação por esmolas e obras; e) Alteração dos destino das almas após a morte. f) A falsa doutrina do purgatório 3. Por estas razões a igreja católica aceita os livros apócrifos, porque eles dão uma falsa base para seus ensinos heréticos.

4. - ENSINOS HERÉTICOS PELOS QUAIS OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM REJEITADOS 4.1o) Ensinam Artes Mágicas ou de Feitiçaria como método de exorcismo a) Tobias 6.5-9 - "Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a

Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o fel fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão" b) Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio. c) Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo seu, como usar os métodos da macumba e da bruxaria para expulsar demônios. d) Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e de fato ele não tem interesse nenhum em expelir demônios (Mt 12.26). e) Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e a única coisas que tiveram de usar foi o nome de Jesus (Mc 16.17; At 16.18) 4.2o) Ensinam que Esmolas e Boas Obras - Limpam os Pecados e Salvam a Alma a) Tobias 12.8, 9 - "É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna". Eclesiástico 3.33 - "A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados" b) Este é o primeiro ensino de Satanás, o mais terrível, e se encontrar basicamente em todas a seitas heréticas. c) A Salvação por obras, destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue de Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor exclusivo do sangue como um único meio de remissão e perdão de pecados: - Hb 9:11, 12, 22 - "Mas Cristo... por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido um eterna redenção ...sem derramamento de sangue não há remissão." - I Pe 1:18, 19 - "sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo," d) Contradiz Bíblia toda. Ela declara que somente pela graça de Deus e o sangue de Cristo o homem pode alcançar justificação e completa redenção: - Romanos 3.20, 24, 24 e 29 - "Ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei.. sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. A quem Deus propôs no seu sangue.... Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei". 4.3o) Ensinam o Perdão dos pecados através das oraçõesa) Eclesiástico 3.4 - "O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias". b) O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma boa obra que a ninguém pode salvar. Somente a oração de confissão e arrependimento

baseadas na fé no sacrifício vicário de Cristo traz o perdão (Pv. 28.13; I Jo 1.9; I Jo 2.1,2) 4.4o) Ensinam a Oração Pelos Mortos a) 2 Macabeus 12:43-46 - "e tendo feto uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente a ressurreição, (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados". b) É neste texto falso, de um livro não canônico, que contradiz toda a Bíblia, que a Igreja Católica Romana baseia sua falta e herege doutrina do purgatório. c) Este é novamente um ensino Satânico para desviar o homem da redenção exclusiva pelo sangue de Cristo, e não por orações que livram as almas do fogo de um lugar inventado pela mente doentia e apostata dos teólogos católicos romanos. d) Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e outros para a Salvação eterna - não existe meio de mudar o destinos de alguém após a sua morte. Veja Mt. 7:13,13; Lc 16.26 4.5o) Ensinam a Existência de um Lugar Chamado PURGATÓRIO a) Este é o ensino Satânico inventado pela Igreja Católica Romana, de que o homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma Segunda chance de Salvação. b) Sabedoria 3.1-4 - "As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade". c) A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na ultima parte deste texto, onde diz: " E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade". - Eles ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório que o purifica para entrar na imortalidade. - Isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo. De modo, que a igreja Católica é capaz de qualquer desonestidade textual, para manter suas heresias. - Até porque, ganha muito dinheiro com as indulgências e missas rezadas pelos mortos. d) Leia atentamente as seguinte textos das Escrituras, que mostram a impossibilidade do purgatório : I Jo 1.7; Hb 9.22; Lc 23.40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17; Ap 14:13; Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43) 4.6o) Nos Livros Apócrifos Os Anjos Mentem a) Tobias 5.15-19 - "E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disselhe: Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados,, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração. b) Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a própria lei

santa de Deus. Todos os anjos de Deus, foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua identidade. Veja Lc 1.19 4.7o) Mulher que Jejuava Todos os Dias de Sua Vida a) Judite 8:5,6 - "e no andar superior de sua casa tinha feito para si um quarto retirado, no qual se conservava recolhida com as suas criadas, e, trazendo um cilício sobre os seus rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, e nas neomênias, d nas festas da casa de Israel" b) Este texto legendário tem sido usado por romana relacionado com a canonização dos "santos" de idolatria. Em nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é sinal de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não jejuou mais. c) O livro de Judite é claramente um produção humana, uma lenda inspirada pelo Diabo, para escravizar os homens aos ensinos da igreja Católica Romana. 4.8o) Ensinam Atitudes Anticristãs, como: VINGANÇA, CRUELDADE E EGOÍSMO a) VINGANÇA Judite 9:2 b) CRUELDADE e EGOÍSMO Eclesiástico 12:6 c) Contraria o que a Bíblia diz sobre: Vingança (Rm 12.19, - Crueldade e Egoísmo ( Pv. 25:21,22; Rm 12:20; Jo 6:5; Mt 6:44-48) 17)

4.9o) A igreja Católica tenta defender a IMACULADA CONCEIÇÃO baseando em uma deturpação dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) - Contradizendo: Lc. 1.30-35; Sl 51:5; Rm 3:23)

5. CONCLUSÃO: - Temos todas as razões para rejeitar os livros apócrifos. 5.1. Eles são um poderoso instrumento de Satanás para semear heresias destrutivas. 5.2. A igreja Católica Romana os abraçou, porque não podia apoiar suas heresias nos livros canônicos, então, como é falsa até a raiz, apelou para livros que são fontes de falsidades e heresias. 5.3. Satanás tem usado de todos os meios e artimanhas para confundir a doutrina Bíblica, mas os eleitos terão a luz do Espírito Santo e não se deixaram enganar. 5.4. A Bíblia completa, se compõe de 66 livros, que são a Única, Verdadeira e Comprovada Palavra de Deus. * Este estudo foi resultado de pesquisas em várias fontes tais como: ”Léxicos e dicionários de grego, Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Novo Dicionário da Bíblia, Dic. Int. de Teol. Do N.T., folhetos, etc.. Pr. José Laérton – IBR de Emanuel Sola – (085) TT / 292-6204 Bibliologia-

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Scriptura

A LENDA Fonte: Autor: Tradução: Renata Itimura

DE "Enciclopédia H.

ABGARO Católica" Leclercq

O historiador Eusébio registra uma tradição (H.E. LXII) - em que ele acredita firmemente - concernente a uma correspondência trocada entre Nosso Senhor e a autoridade local de Edessa. Três são os documentos associados a esta correspondência: • A carta de Abgaro para Nosso Senhor; • A resposta de Nosso Senhor; e • Um retrato de Nosso Senhor, pintado em vida. Esta lenda teve grande popularidade tanto no Ocidente como no Oriente durante a Idade Média: a carta de Nosso Senhor foi copiada em pergaminho, mámore e metal, e usada como um talismã ou amuleto. Na época de Eusébio pensava-se que as cartas originais escritas em siríaco estivessem guardadas nos arquivos de Edessa. Nos dias de hoje, possuímos não apenas o texto siríaco mas também uma versão armênia, bem como duas versões gregas independentes - menores que a siríaca - e várias inscrições em pedra, todas elas discutidas em dois artigos no "Dicitionnaire d'archeólogie chrétienne et de liturgies" col. 88 sq. e 1807 sq. Os únicos dois trabalhos a serem consultados com referência a estes tópicos literários são a "História Eclesiástica" de Eusébio e os "Atos de Tadeu" que professam pertencer à Era Apostólica. O fato, conforme esses dois trabalhos, ocorreu assim: Abgaro, rei de Edessa, aflito com uma doença incurável, escutou a fama do poder e dos milagres de Jesus e escreveu para Ele, suplicando para que viesse curá-lo. Jesus recusa a vir, mas promete mandar um mensageiro investido com Seu poder, chamado Tadeu, um dos setenta e dois discípulos. As cartas de Nosso Senhor e do rei de Edessa variam na versão dada em Eusébio e a dada nos "Atos de Tadeu". A que segue é retirada dos "Atos de Tadeu", que é menos acessível do que a da História de Eusébio: Abgaro Ukkama a Jesus, o Bom Médico que apareceu na terra de Jerusalem, saudações: Escutei falar de Ti e de Tuas curas: que Tu não fazes uso de remédios nem raízes; que, por Tua palavra, abriste [os olhos] de um cego, fizeste o aleijado andar, limpaste o leproso, fizeste o surdo ouvir; que por Tua palavra tu [também] expulsaste espíritos daqueles que eram atormentados por demônios imundos; que, outra vez, Tu ressussitaste o morto [trazendo-o] para a vida.

E, conhecendo as maravilhas que Tu fazes, concluí que [das duas uma]: ou Tu desceste do céu, ou mais: Tu és o Filho de Deus e por isso fizeste todas essas coisas. Por esse motivo escrevo para Ti, e rezo para que venhas até mim, que Te adoro, e cure toda a doença que carrego, de acordo com a fé que tenho em Ti. Também soube que os judeus murmuram contra Ti e Te perseguem; que buscam crucificar-Te e destruir-Te. Eu não possuo mais que uma pequena cidade, mas é bela e grande o suficiente para que nós dois vivamos em paz. Quando Jesus recebeu esta carta, na casa de um alto sacerdote dos judeus, ele disse para Hannan, o secretário: "Vá e dize para teu senhor que te enviou para mim: 'Feliz és tu que acreditaste em Mim não tendo Me visto, porque está escrito sobre Mim que aqueles que me verão não acreditarão em Mim, e aqueles que não me verão acreditarão em Mim'. Quanto ao que escreveste, que eu deveria ir até ti, devo cumprir todas as coisas para as quais fui enviado aqui; quando eu ascender outra vez para o Meu Pai que me enviou, e quando eu tiver ido ter com Ele, Eu te enviarei um dos meus discípulos, que curará todos os teus sofrimentos, e eu te darei saúde outra vez, e converterei todos os que estão contigo para a vida eterna. E tua cidade será abençoada para sempre, e os teus inimigos nunca a dominarão". Segundo Eusébio não foi Hannan que escreveu a resposta, mas o próprio Nosso Senhor. Um crescimento legendário curioso originou-se desta ocorrência imaginária. A natureza da doença de Abgaro tem sido discutida gravemente, para crédito da imaginação de vários escritores, uns sustentando que era gota, outros lepra; os primeiros dizendo que isto tinha durado sete anos, os últimos descobrindo que o doente tinha contraído a doença durante uma estadia na Pérsia. Outros cronistas, por sua vez, sustentam que a carta foi escrita em pergaminho, embora alguns favoreçam o papiro. A passagem crucial na carta de Nosso Senhor, entretanto, é a que promete à cidade de Edessa vitória sobre todos os inimigos. Isto deu à pequena cidade uma popularidade que desapareceu no dia que ela caiu nas mãos dos conquistadores. Foi um rude choque para aqueles que acreditavam na lenda; eles preferiram atribuir a queda da cidade à cólera de Deus contra os habitantes do que admitir a falha da salvaguarda, que não era menos confiante naquele tempo do que no passado. O fato relacionado correspondente há muito deixou de ter qualquer valor histórico. O texto foi tirado de duas partes do evangelho, o que em si mesmo é o suficiente para provar a não autenticidade da carta. Além disso, as citações são feitas não dos próprios evangelistas, mas da famosa concordância de Taciano, compilada no século II e conhecida como "Diatessaron", deste modo fixando a data da lenda como aproximadamente da metade do século III. Em adição, entretanto, para a importância que é alcançada no ciclo apócrifo, a correspondência do rei Abgaro também ganha lugar na liturgia . O decreto "De libris non recipiendis", do psêudo-Gelásio, coloca a carta entre os apócrifos, o que pode, possivelmente, ser uma alusão dela ter sido inserida entre as lições de liturgia oficialmente sancionadas. As liturgias sírias comemoram a correspondência de Abgaro durante a Quaresma. A liturgia celta parece ter acrescentado importância à lenda; o "Liber Hymnorum", um manuscrito preservado na Universidade Trinity, em Dublin (E. 4,2), apresenta duas compilações nas linhas da carta para Abgaro. Nem, de qualquer maneira, é impossível que esta carta, seguida de muitas orações, possa ter formado um ofício litúrgico menor em certas igrejas.

O relatório dado por Adda contém um detalhe que pode ser brevemente referido aqui. Hannan, que escreveu o ditado por Nosso Senhor, era um arquivista em Edessa e pintor do rei Abgaro. Ele tinha sido encarregado de pintar um retrato de Nosso Senhor tarefa que ele cumpriu diligentemente - trazendo de volta com ele, para Edessa, uma pintura que veio a ser objeto de veneração geral, mas que, depois de certo tempo, disse-se que foi pintada pelo próprio Nosso Senhor. Como a carta, o retrato estava destinado a ser o núcleo de um crescimento legendário: a "Face Santa de Edessa" era principalmente famosa no mundo Bizantino. Entretanto, uma mera alusão deste fato aqui deve ser suficiente, já que a lenda do retrato de Edessa faz parte de um tema extremamente difícil e obscuro da iconografia de Cristo e de pinturas de origens miraculosas conhecidas como "acheiropoietoe" (=feita sem as mãos). Como os Manuscritos do Mar Morto têm ajudado no estudo do texto do Antigo Testamento? Antes da descoberta dos manuscritos do Mar Morto, a mais antiga cópia hebraica de todo o Antigo Testamento era o assim chamado texto Ben Asher, encontrado no Códice B19A da Biblioteca Pública de Leningrado e datado de 1008 dC, que foi usado por P. Kahle na terceira edição da Bíblia Hebraica de Kittel, de 1937, e muitas vezes reimpresso. Já que os documentos bíblicos de Qumran oferecem uma forma do Antigo Testamento hebraico pelo menos mil anos mais antiga que aquele códice, seu testemunho do texto do Antigo Testamento é precioso. Aqui temos de incluir também os textos bíblicos recuperados no Wadi Murabba'at, Nahal Hever e Massada. Todos juntos, esses documentos datam de meados do século III aC ao início do século II dC, e revelam como os textos do Antigo Testamento eram copiados na Palestina daquela época. Quanto aos textos bíblicos copiados especificamente em Qumran, sua datação estaria aproximadamente entre 150 aC e 68 dC, datas que são confirmadas pela cerâmica e outros artefatos encontrados nas grutas relacionadas com o Khirbet Qumran. O terminus ad quem para os textos de Massada seria 74 dC; para Nahal Hever e Murabba'at, 132-35 dC (a revolta de Bar Kokhba). Por um lado, esses textos bíblicos muitas vezes simplesmente confirmaram as leituras do Texto Massorético medieval, o texto hebraico comumente usado para as modernas edições críticas do Antigo Testamento. Há, é claro, muitas diferenças de soletração. A scriptio plena, "escrita plena" (ou seja, com um uso abundante de consoantes como letras vogais), supera a scriptio defectiva, "escrita defectiva", especialmente nos manuscritos de Qumran, mas isso realmente é irrelevante. Por outro lado, os textos bíblicos de Qumran apresentaram formas de alguns livros do Antigo Testamento que diferem do Texto Massorético. Em tais casos, podem concordar com as diferenças encontradas no Pentateuco samaritano ou no Antigo Testamento grego, a Septuaginta. Isso é especialmente importante no último caso, já que os textos de Qumran revelam agora que a Septuaginta não era uma tradução descuidada do hebraico, nem uma alteração deliberada deste, como alguns pensavam antigamente, mas, na verdade, uma tradução cuidadosa de uma forma ou recensão hebraica diferente de alguns livros. Isso é particularmente importante para o livro de Jeremias, que em sua forma na Septuaginta é quase um oitavo mais curto que no Texto Massorético; e uma forma curta hebraica relacionada à Septuaginta é atestada agora em 4QJer b. Uma forma do texto hebraico de 1-2 Samuel relacionada à Septuaginta também foi encontrada em 4QSama e 4QSamb.

A maioria dos textos bíblicos de Qumran foi copiada nas escritas dos habituais caracteres quadrados, às vezes chamados "escrita assíria" ou "escrita aramaica", mas as Grutas 1, 2, 4, 6 e 11 revelaram textos do Antigo Testamento copiados na escrita paleo-hebraica, uma escrita que imitava a antiga escrita fenícia. A maioria estava copiada em pele, mas foram encontrados papiros com textos bíblicos nas Grutas 1, 4, 6 e 9 (se 9Q1 de fato for um fragmento de texto bíblico). Em um caso (4QNumb) alguns versículos foram escritos com tinta vermelha (20,22-23; 22,21,23,13; 23,27, 31, 25, 28,48; 32,25; 33,1); o significado disso ainda não foi determinado. Os críticos textuais debatem entre si sobre como melhor caracterizar as diferentes tradições textuais representadas pelos documentos bíblicos de Qumran. Os especialistas norte-americanos W. F. Albright e F. M. Cross distinguiram textos locais: o tipo de texto protomassorético derivado de Babilônia, o tipo Septuaginta derivado do Egito, e o tipo proto-samaritano derivado da Palestina, mas o especialista israelense S. Talmon rejeita as designações geográficas e relaciona os tipos a contextos religiososociológicos diferentes. Outros ainda, Como o israelense E. Tov, preferem não falar de tipos de texto ou recensões, mas apenas de textos independentes não aparentados. De qualquer modo, os mais importantes textos do Antigo Testamento de Qumran são as cópias de Isaías da Gruta 1, e as da Gruta 4 dos seguintes livros: Êxodo, Samuel, Jeremias e Daniel. Esses textos da Gruta 4 são os livros que manifestam as variantes textuais mais notáveis e importantes. PERGUNTAS E Existe mesmo o Apocalipse de São Pedro? RESPOSTAS

Um irmão católico ficou surpreso ao saber, pelo fragmento de Muratori (v. Área de Patrística), da existência de um "Apocalipse" atribuído a São Pedro e me pediu informações a respeito (em azul). A minha resposta segue em preto...

Caro Irmão Nabeto, Antes de mais nada, parabenizo pelo site Agnus Dei, pela diversificação dos temas e pela qualidade. [...]

Lendo um dos assuntos abordados dentro do texto "Cânon de Muratori" me deparei com a afirmação do autor do texto, escrito por volta de 150 dC, o qual reproduzo abaixo a afirmação completa: "Quantos aos apocalipses, recebemos dois: o de João e o de Pedro; mas, quanto a este último, alguns dos nossos não querem que seja lido". Caro Irmão, sinceramente é a primeira vez que escuto sobre um apocalipse "escrito" por Pedro. Você poderia me fornecer maiores informações sobre isso?? Agradeço sua atenção. Saudações em Cristo Jesus Nosso Senhor !! (Maristone) • Caro Maristone, Pax Domini! Agradeço pela visita ao site do Agnus Dei e por suas cordiais palavras. Quanto ao Apocalipse de Pedro, trata-se de um livro apócrifo redigido entre 125 e 150 dC (i.é, séc. II) e falsamente atribuído ao príncipe dos apóstolos, São Pedro. De fato, alguns cristãos consideravam-no inspirado, como, por exemplo, o escritor e doutor grego Clemente de Alexandria e o autor do já citado fragmento de Muratori (ainda que faça a ressalva). Além disso, algumas igrejas da Palestina liam partes de seu texto na liturgia da Sexta-Feira Santa (até meados do séc. V) mas, com a definição oficial do cânon bíblico no final do séc. IV, e consequente classificação do Apocalipse de Pedro como "apócrifo", o mesmo deixou de ser lido e empregado, sendo destruído ou caindo no esquecimento até que, por fim, acabou por desaparecer. E assim foi durante muito tempo; só se tinha conhecimento de sua existência através de alguns fragmentos (como um que foi encontrado num túmulo do Alto Egito) ou por ter sido citado nas obras de Clemente de Alexandria. Porém, em 1910, foi descoberto o texto completo em uma tradução etíope, que foi pesquisado por mons. Sylvain Grebaut e publicado na íntegra vários anos depois. Possui uma parte que pode ser considerada, de certa forma, paralela a Mt 24: "Muitos virão em meu nome e dirão: 'Eu sou o Cristo'. Não confieis neles e nem vos aproximeis. Na realidade, a época da vinda do Filho do Senhor não é conhecida. Mas, como o raio que surge do oriente até o poente, assim chegarei nas nuvens do céu, com um exército numeroso para minha glória e minha cruz virá na frente. Virei em minha glória resplandecendo sete vezes mais que o sol. Virei em minha glória com todos os meus santos e os meus anjos, e meu Pai me colocará, então, uma coroa sobre a cabeça para que eu julgue os vivos e os mortos e pague a cada um de acordo com seus atos. [...] Não sabes que a árvore do figo é a casa de Israel? [...] Certo eu te digo que, quando os seus ramos tiverem esverdeado no último dia, virão falsos messias. E eles dirão nas suas promessas: 'Eu sou o Cristo que vim ao mundo'. E, quando tiverem visto a malícia de suas obras, irão atrás deles e renegarão o primeiro Cristo, aquele que foi crucificado e ao qual nossos pais deram glória. Esse mentiroso não é o Cristo. E quantos se lhe opuserem, ele os matará a todos com a espada. Haverá então muitos mártires". Mas talvez a passagem mais interessante seja sobre como deverá acabar o mundo... Provavelmente teria feito muito "sucesso" no último dia 11 de agosto de 1999, dia previsto por alguns falsos profetas como final dos tempos... :) Trata-se

da passagem - que muitos talvez já tenham escutado e até acreditam que será verdade (mas não será!) - que afirma que o mundo irá ser destruído pelo fogo: "Serão escancaradas as cataratas de fogo. Sobrevirá escuridão e trevas que revestirão e cobrirão com véu o mundo todo. As águas serão mudadas e transformadas em carvões de fogo. Tudo o que está nelas queimará. Também o mar se tornará fogo. Sob o céu haverá um fogo cruel que não se apagará jamais. E escorrerá para o julgamento da ira. Também as estrelas serão fundidas pelas chamas e ficarão como se não tivessem sido criadas. [...] Os espíritos dos cadáveres se assemelharão ao fogo e se tornarão fogo por ordem do Senhor. Então todas as criaturas serão liquefeitas. Em todo lugar a ira do fogo pavoroso alcançará os filhos do homem. E, empurrando-os, as chamas que não se apagarão os obrigarão a ir para o julgamento da ira, em um rio de fogo que não se apagará e que correrá queimando. [...] E me vereis chegar sobre uma nuvem luminosa e eterna. [...] E suas ações se apresentarão perante cada um deles. E cada um será retribuído segundo seus atos." Assustador?? Talvez, afinal faz parte do gênero literário classificado como "Apocalipse" (v. livro de Daniel, Apocalipse de João)... Mas o Apocalipse de "Pedro" não tem valor nenhum para nós, cristãos, por dois motivos: • Primeiro, porque é um livro *apócrifo*, escrito por alguém que não sabemos quem é, mas que, para dar "autoridade" à sua obra, resolveu atribuir a "autoria" a São Pedro (mesmo este estando morto há pelo menos 60 anos naquela época!). Além disso, a análise do conteúdo da obra demonstra várias discordâncias com o resto do Novo Testamento... uma delas é o fato de que tal Apocalipse se diz ser "revelação secreta de Jesus a Pedro"; contudo, o próprio Jesus deixou bem claro que o Reino está aberto a todos os homens de boa vontade, sendo esta a Boa Nova a ser pregada para todas as nações; percebemos, assim, que não há espaço para "revelação secreta"... Devemos, ainda, observar que qualquer "revelação secreta" só serve para beneficiar a pessoa que a recebeu e não as demais! • Segundo, porque o cristão não deve temer o final do mundo e pouco lhe interessa saber como e quando isto se dará. Ora, tendo recebido a salvação por Cristo e perseverado como cristãos, reconhecemos que devemos estar sempre preparados para o segundo advento de Cristo, uma vez que não sabemos nem o dia e nem a hora em que Ele virá para nos julgar... O próprio Jesus, aliás, já alertara: "Orai e vigiai...". Portanto, estando sempre "rigorosamente em dia" com as nossas obrigações como cristãos, ficamos apenas fazendo eco ao penúltimo versículo da Bíblia que, por sinal, pertence ao Apocalipse de São João (este sim divinamente inspirado e de revelação pública e geral): "Vem, Senhor Jesus!" (Ap 22,20). Fontes cristãs não-canônicas 1) EVANGELHOS APÓCRIFOS O termo "apócrifos" geralmente é usado para indicar os apócrifos veterotestamentários, mas há também apócrifos do Novo Testamento, isto é, livros que em determinadas

épocas e regiões, em determinadas comunidades cristãs, foram mais ou menos aceitos como Sagrada Escritura, mas não foram colocados no cânon pela Igreja universal. Geralmente trata-se de escritos demonstravelmente tardios (século III e depois), evidentemente imitações e/ou pretensos suplementos dos escritos canônicos do Novo Testamento. A essa categoria pertencem os evangelhos apócrifos, alguns dos quais continuaram conhecidos em toda a tradição cristã, e até o dia de hoje podem ser adquiridos em traduções modernas. O evangelho mais importante dessa categoria é o Proto-evangelho de Tiago. Admite-se geralmente que foi escrito no século II. Descreve o nascimento e a infância de Jesus, mas começa com vários detalhes da juventude da Virgem Maria. É tipicamente uma tentativa de satisfazer à curiosidade popular em torno de coisas não mencionadas nos evangelhos canônicos. A teologia desse "evangelho" é a de um docetismo popular: Jesus tem um Corpo não sujeito às leis do espaço e do tempo. O escrito não tem valor como fonte histórica sobre Jesus. Os apócrifos do Novo Testamento têm valor para nosso conhecimento da piedade popular no século II e depois. Alguns deles tiveram no passado uma influência pelo menos tão grande quanto a dos evangelhos canônicos. O evangelho do PseudoMateus, por exemplo, foi muito conhecido na Idade Média. É uma compilação (do início da Idade Média) de textos mais antigos, entre os quais o Proto-evangelho de Tiago. Teoricamente, devia ser possível encontrar nesse tipo de escritos tardios um caminho para chegar às fontes mais antigas. Mas há tantas incertezas que na prática tal programa se mostra inexeqüível. Uma segunda categoria é formada por alguns evangelhos sobre cuja existência informa a literatura cristã antiga, mas dos quais nada ou quase nada foi conservado. Dispomos apenas de alguns textos citados por Santos Padres ou teólogos da Igreja antiga. Devem ser mencionados: o Evangelho dos Egípcios, o Evangelho dos Hebreus e o Evangelho dos Ebionitas. Sem dúvida trata-se de textos bastante antigos. Clemente de Alexandria (falecido por volta de 215) cita o Evangelho dos Egípcios e o Evangelho dos Hebreus. Orígenes (falecido em 254) conheceu possivelmente o Evangelho dos Ebionitas. Qual foi o conteúdo desses textos e como devemos avaliá-los? Quem estiver esperando novidades sensacionais ficará decepcionado. Grande parte deles baseia-se evidentemente nos evangelhos canônicos. Acrescentam-se pormenores; o texto é tornado mais impressionante: indício indubitável de adaptação. Às vezes o teor de uma palavra de Jesus é ligeiramente modificado. Uma característica geral que pode ser constatada é a tendência encratista. Precisa-se de muita imaginação para encontrar nessas palavras uma tradição autêntica sobre Jesus. Uma terceira categoria de evangelhos apócrifos consta de textos em papiros e pergaminhos descobertos neste último século. Fazendo abstração, por ora, da biblioteca copta de Nag Hammadi (cf. infra), trata-se de um pequeno grupo de escritos dos quais possuímos também apenas alguns fragmentos. Os mais conhecidos são os textos evangélicos do Papiro 2 de Egerton e o Evangelho de Pedro. Ambos os textos foram escritos provavelmente no século II. Egerton 2 conta quatro cenas, três das quais, as primeiras, têm paralelos nos evangelhos canônicos; a quarta está tão danificada que é difícil formar sobre ela uma opinião sensata. Quanto a esses papiros, a maioria dos especialistas julga tratar-se de uma compilação; alguns, porém, defendem ardentemente a tese de que são independentes dos evangelhos canônicos.

Estou inclinado a concordar com a maioria, acrescentando que esses fragmentos, ainda que fossem independentes, contribuem pouco ou nada para nosso conhecimento a respeito do Jesus histórico. O Evangelho de Pedro (o fragmento que se conservou) descreve o processo contra Jesus, sua execução e sua ressurreição. Característica é a tendência antijudaica ainda mais forte que nos evangelhos canônicos. Teologicamente, ele está mais próximo de João; em contraste com João, porém, a cristologia é a do docetismo: aquele que sofre e morre é apenas uma aparição do verdadeiro Jesus, que é divino e por isso não pode sofrer e morrer. As opiniões sobre esse texto são as mesmas que sobre o papiro de Egerton. Para mim, é um rewritten gospel, uma adaptação baseada nos evangelhos canônicos. Finalmente. temos a grande biblioteca copta, encontrida, pouco depois da Segunda Guerra Mundial, perto de Nag Hammadi, no Egito superior. Além de um texto completo do Evangelho de Tomé, esta coleção contém dois outros evangelhos apócrifos: o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade. Esse último não é um evangelho no sentido costumeiro da palavra; é antes uma meditação, uma espécie de sermão sobre a redenção pelo conhecimento (gnosis) de Deus. É atribuído ao gnóstico Valentino, que viveu em meados do século II; por conseguinte, não ajuda em nada a pesquisa sobre o Jesus histórico. O Evangelho de Filipe foi escrito antes de 350; é evidentemente uma compilação de materiais mais antigos. Como sempre, coloca-se ai a questão se seria possível destacar do texto atual as fontes utilizadas. Também no caso do Evangelho de Filipe isso parece muito problemático. O texto causou certo sensacionalisnio porque sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena. Coisa semelhante consta no Evangelho de Maria Madalena, não encontrado em Nag Hammadi, mas proveniente de um ambiente semelhante. Alegando esses apócrifos, pessoas não-especializadas no assunto proferiram a suspeita de que a Igreja teria escamoteado valiosos documentos antigos. Sem dúvida, a Igreja estabeleceu seu cânon com base em determinadas suposições dogmáticas, freqüentemente em consciente polêmica contra grupos que invocavam a autoridade de escritos cuja autenticidade reivindicavam. Eu seu julgamento, o historiador terá de ponderar também esse fato. Não é impossível que em semelhantes grupos tradições originais tenham sido transmitidas, embora seja praticamente certo que elas então passaram por adaptações mais ou menos profundas. Porém, ao ler esses escritos, é difícil não chegar à conclusão de que a Igreja, com relação a eles, traçou os limites de seu cânon com razoável objetividade e com certeira avaliação da qualidade. Divergem muito entre si as opiniões acerca do valor desses escritos como fontes para a biografia de Jesus. O certo é que nenhum desses evangelhos apócrifos vem diretamente de testemunhas oculares; mas isso vale também para os evangelhos canônicos. Sobre fragmentos pequeninos não se pode dizer muita coisa. Textos de maior envergadura sempre têm uma motivação teológica, não biográfica ou histórica no sentido moderno. Mas também isso vale igualmente para os evangelhos canônicos. O fato de muitos desses escritos apresentarem traços ligeiramente "gnósticos" é para alguns motivo de desconfiança de seu valor como testemunhas, ao passo que outros lhes dão tanto mais crédito, já que para eles o próprio Jesus foi um mestre gnosticizante. Onde, então, estão as diferenças? Principalmente nas datações. Os evangelhos canônicos foram escritos antes do fim do século I. Os textos evangélicos apócrifos,

porém, na forma em que os possuimos agora, são todos posteriores. Se é que contém material historicamente confiável, teremos de investigar sua origem. Em si, isso não tem nada de extraordinário. Esse tipo de literatura costuma utilizar fontes: raramente uma narrativa sobre Jesus ou uma palavra atribuida teria nascido inteiramente da piedosa fantasia de um autor. Mas o que a fantasia piedosa fez com as fontes não pode ser mais apurado. Aí inevitavelmente a subjetividade do pesquisador vai desempenhar importante papel. 2. PALAVRAS ATRIBUÍDAS A JESUS POR COPIADORES DE MANUSCRITOS São os chamados agrapha, declarações de Jesus ou sobre ele que se encontram em um ou em alguns manuscritos, mas faltam naqueles mais confiáveis, e por isso não constam das edições críticas dos textos dos evangelhos. Podem ser encontradas, naturalmente, no aparato crítico. Esses textos provam que circulavam diversas tradições sobre Jesus que não foram integradas aos quatro evangelhos. Se são historicamente confiáveis, é outra questão. O exemplo mais conhecido é provavelmente o texto que se encontra no códex Bezae depois de Lc 6,5: "Naquele dia, (Jesus), vendo alguém trabalhar no sábado, disse-lhe: 'Homem, bem-aventurado és tu se sabes o que estás fazendo; mas, se não o sabes, és amaldiçoado e um transgressor da Lei'". Também do "final não-autêntico" de Marcos existem algumas variantes nos manuscritos. 3. AUTORES CRISTÃOS ANTIGOS Também aí encontramos agrapha a provar que, além das canônicas, circulavam ainda outras tradições sobre Jesus. Sabemo-lo igualmente por uma observação de Papias, transmitida por Eusébio: "Quando me encontrava com alguém que fora discípulo dos anciãos, perguntava sempre pelas declarações ("palavras") dos anciãos: o que dizia André ou Pedro ou Filipe ou Tomé ou Tiago ou João ou Mateus ou um dos demais discípulos do Senhor... Pois partia do princípio de que as coisas escritas nos livros não são tão úteis quanto aquilo que eu podia ouvir de uma voz viva que continuava presente". Papias é uma das testemunhas mais antigas de palavras canônicas de Jesus, mas até no século IV encontramos semelhantes agrapha. Como em outros casos, reconhecer autenticidade é em grande parte questão de gosto. Conforme já observamos, não devemos esquecer nunca que personagens famosos como Jesus muitas vezes são citados como autores de sentenças na realidade formuladas por outros, menos conhecidos. PERGUNTAS E RESPOSTAS Por que os apócrifos não podem ser considerados inspirados por Deus? Jesus realmente existiu?

Um irmão católico manifesta certa preocupação com relação aos apócrifos e à existência histórica de Jesus. Suas palavras seguem em azul; a minha resposta está em preto.

Olá, meu caro irmão em Cristo! Tudo bom com você? Eu me chamo Fernando [...] e resido [...] no interior do Estado de São Paulo. Sou católico e comecei a me interessar por Deus após eu ler o Sermão da Montanha (isto ocorreu no ano de 1998) e aprender que sem Ele eu não posso viver corretamente. • Excelente! Tenho a certeza de que, se persistir, você irá adorá-Lo (literalmente falando) cada vez mais! Durante a minha busca por Cristo, deparei-me com comentários ateus a respeito dEle, por exemplo: "Jesus é um mito inventado", "Os Evangelhos são cópias de lendas pagãs (deuses que morrem e ressuscitam)"... Ora, eu pensei comigo: se Jesus não tivesse ressuscitado, de nada adiantaria Pedro e Paulo morrerem por testemunhar o Senhor. (1) A História atesta a morte de Jesus na cruz ou os historiadores dizem que Cristo é uma figura mitológica? • Se Jesus Cristo fosse uma figura meramente mitológica, por que os historiadores ainda "perderiam" tempo procurando provas ou escrevendo livros sobre Ele? Só em 1996, existiam mais de 80 mil livros sobre Jesus no mercado editorial e mais de 1000 cursos sobre "Religião e Ciência" no mundo. É como aquele velho paradoxo: o ateu gasta tanto tempo para provar a inexistência de Deus que jamais é possível dizer que ele é completamente ateu. O problema todo é que certos pesquisadores contestam tudo, principalmente os Evangelhos, que são a fonte principal para se conhecer a vida de Jesus. Entretanto, o ponto citado por você é o mais importante: por que milhares e milhares de pessoas estariam dispostas a morrerem martirizadas no séc. I se Jesus fosse uma simples invenção? Os mártires não se deram apenas em terras estrangeiras (onde poderia ser criada uma figura lendária chamada "Jesus") mas também na Palestina (onde Jesus era conhecido por seus contemporâneos). É interessante ainda observar que os pesquisadores que declaram que as fontes primitivas não cristãs foram adulteradas não têm nenhuma prova concreta, mas apenas teorias... É noção básica de Direito que "aquele que acusa tem que provar" e não simplesmente sugerir. (2) O que eu devo fazer para que Jesus seja o meu Senhor e Salvador (eu fui batizado quando bebê...)? • É facil de se falar, mas apenas poucos conseguem: ame-O e CUMPRA os Seus ensinamentos (Jo 14-15). Em outras palavras: não basta apenas ter fé, são

necessárias boas obras para demonstrar o seu amor por Ele (Tg 2,14); mas não bastam as boas obras, é necessária a fé em Cristo (Ef 2,9). Ou, ainda em outras palavras: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mt 22,38-29)... Quanto ao seu batismo quando bebê, tem plena validade, de forma que você não precisa ser rebatizado! Só haveria preocupação caso tivesse sido ministrado de forma inválida. Para saber o que torna válido um batismo, leia o artigo "O Batismo segundo São Tomás de Aquino", na área de Artigos Diversos. (3) Por quê os livros apócrifos não foram considerados como inspirados por Deus? • Porque foram redigidos por hereges que se afastaram daquelas comunidades que mantinham a sucessão apostólica; tais hereges não pensaram duas vezes ao alterar as palavras e ensinamentos do Senhor (que as verdadeiras comunidades cristãs receberam por Tradição) para que expressassem conforme às suas heresias (ex.: Jesus era simples ser humano adotivo de Deus; o Deus do Antigo Testamento não era o mesmo Deus do Novo Testamento; etc.). Desde já, agradeço por sua atenção. Aguardo respostas. (Fernando). • Que a bênção do Senhor Deus todo-poderoso venha sobre você e toda a sua família! APOLOGÉTICA Qual a importância dos apócrifos?

Escritos entre o período intertestamentário e os primeiros séculos do Cristianismo, os apócrifos sempre confundiram as primeiras comunidades cristãs por causa de algumas doutrinas estranhas e também por receberem autoria de personagens bíblicos famosos. Quando a Igreja resolve definir o cânon das Sagradas Escrituras, a partir do séc. IV, pouco a pouco os apócrifos vão caindo no esquecimento até desaparecerem. Contudo, nas últimas décadas têm sido descobertos diversos desses escritos que, mesmo não pertencendo à Bíblia, nos mostram as divergências da época e esclarecem detalhes não apresentados pelos livros canônicos. INTRODUÇÃO "Ele disse: 'Aquele que encontrar o significado destas palavras não provará a morte'". Estas palavras, escritas em tom desafiador, foram retiradas do Evangelho segundo Tomé o Dídimo, escrito gnóstico do séc. II, cujos manuscritos (datados do séc. IV) foram descobertos em 1945 em Khenoboskian (Egito), contendo 114 frases (lógios) atribuídas a Jesus.

Da mesma forma que o Evangelho de Tomé o Dídimo, a arqueologia tem descoberto nas últimas décadas diversos outros "Evangelhos" (atribuídos a Pedro, Filipe, Bartolomeu, Nicodemos, etc...) e outros escritos que poderiam ser classificados como do Novo Testamento (Atos de Pedro, Apocalipse de Paulo, etc...) ou do Antigo Testamento (Ascensão de Isaías, Segredos de Enoch, etc...). Mesmo tratando sobre intervenções e milagres divinos, feitos de personagens bíblicos e outras coisas do gênero, todos são considerados apócrifos, isto é, não são reconhecidos pela Igreja como escritos inspirados. Mas por que a Igreja, os críticos e pesquisadores não os aceitam. Por acaso a Bíblia estaria completa? CANÔNICO X APÓCRIFO A palavra apócrifo deriva do grego apocryphos. A princípio, significava algo oculto, secreto ou escondido, mas com o passar do tempo, passou a ter sentido de heresia ou de autênticidade duvidosa. Ao contrário, a palavra canônico origina-se do grego kanon, significando regra ou medida. É a palavra que indica a lista dos livros inspirados por Deus, que compõem a Bíblia e são aceitos sem contestações pela Igreja. A maioria dos livros apócrifos foram escritos por volta de 200 a.C. até 350 d.C, nos mais diversos locais: Palestina, Síria, Arábia, Egito... Em contraste com os livros canônicos, os apócrifos não eram lidos nas igrejas (e sinagogas), pois a grande maioria apresentava ensinamentos heréticos e doutrinas falsas; tinham a finalidade de defender idéias de certos grupos isolados como os gnósticos, os docetas e os judaizantes. Principalmente por não receberem crédito da Igreja oficial, os apócrifos foram desaparecendo juntamente com as seitas que os usavam e defendiam. Uma observação importante: os livros canônicos estão classificados em protocanônicos, que são aqueles livros cuja autênticidade a Igreja jamais questionou, e deuterocanônicos, que são aqueles que foram aceitos pela Igreja após alguns debates que se prolongaram até o séc. IV (leia o meu artigo "Livros Deuterocanônicos" para um maior aprofundamento). É interessante saber que os protestantes chamam os livros deuterocanônicos de apócrifos e os livros apócrifos de pseudoepígrafos, que quer dizer falsa autoria. Saber isso é de suma importância para os católicos porque, como os livros deuterocanônicos contradizem algumas de suas doutrinas, foram retirados de suas Bíblias como se fossem falsos. AS RECENTES DESCOBERTAS As duas maiores descobertas de escritos apócrifos se deram em 1945, na região de Nag Hammadi (Alto Egito) e em Qumran (Palestina), nas grutas do Mar Morto, onde existia nas imediações uma comunidade de israelitas separados, conhecidos como essênios, que formavam um grupo à parte do judaísmo. Vez ou outra escutamos alguma notícia relatando o descobrimento de algum outro escrito, mas nenhum, até o momento, foi tão significante quanto os achados de Nag Hammadi e Qumran. A BÍBLIA ESTARIA INCOMPLETA? É a primeira pergunta que se faz quando se faz nova descoberta de escritos antigos. Seria um erro afirmar que a Bíblia está completa porque ela própria não fala isso em parte alguma. Muito pelo contrário, ela afirma que outros livros, inclusive cartas, foram escritos e temos duas passagens bem claras em Lucas e em Paulo:

"Muitos já tentaram compor a história do que aconteceu entre nós, assim como nos transmitiram os que foram testemunhas oculares e ministros da Palavra desde o princípio." (Lc 1,1) "Uma vez lida esta carta entre vós, fazei com que seja lida também na Igreja de Laodicéia. E vós, lede a [carta] de Laodicéia" (Cl 4,16) Portanto, vemos que a Bíblia não está completa e, como ela mesma não define quais os livros que são inspirados e que a formam, fica muito difícil determinar quando e como a Bíblia estará realmente completa. A princípio, para provar que um livro apócrifo não é inspirado, é necessário primeiro ser totalmente traduzido e devidamente interpretado pelos pesquisadores e exegetas e, depois disso, demonstrar que ele contradiz alguma outra parte da Bíblia e a doutrina e tradição da Igreja. APÓCRIFOS NA BÍBLIA? O cânon da Bíblia é formado por 73 livros. Foi a Igreja Católica, sob a inspiração do Divino Espírito Santo, que determinou o cânon dos livros inspirados por Deus e, assim, podemos ter certeza que todos os livros da Bíblia são verdadeiramente inspirados. Mesmo assim, a Bíblia faz referências a passagens que se encontram somente em livros apócrifos. Dois bons exemplos podem ser vistos na epístola de São Judas: "O arcanjo Miguel, quando discutia com o diabo na disputa pelo corpo de Moisés, não se atreveu a proferir um juízo de blasfêmia, mas disse-lhe: 'Que o Senhor te repreenda'" (Jd 1,9) "É deles que Henoc, o sétimo patriarca desde Adão, profetizou dizendo: 'Eis que vem o Senhor com suas santas miríades, para exercer um juízo contra todos os ímpios por causa das impiedades que praticaram e por todas as palavras duras que os ímpios pecadores falaram contra Ele" (Jd 1,14-15) As duas citações feitas por Judas não são encontradas na Bíblia, mas apenas em escritos apócrifos. A primeira passagem foi retirada do Livro da Assunção de Moisés que possui material herético, mas na carta de Judas possui o sentido canônico de que os homens não devem julgar, mas deixar o julgamento para Deus, como demonstrou o arcanjo Miguel ao dialogar com o diabo. A segunda passagem foi retirada do Livro de Henoc e ensina, conforme os livros canônicos, que Cristo voltará como juiz supremo para julgar todos os homens. Portanto, como a carta de São Judas não contradiz os outros livros da Bíblia e concorda plenamente com a ortodoxia da Igreja, logo é também um livro canônico, mesmo citando trechos de livros apócrifos na intenção de ensinar a verdadeira doutrina. CLASSIFICAÇÃO DOS APÓCRIFOS Assim como os livros canônicos estão classificados pelo gênero literário, também os apócrifos podem ser classificados segundo seu gênero. Já dissemos que os apócrifos foram escritos entre 200 a.C. e 350 d.C. e que eles podem ser distinguidos como pertencentes ao Antigo ou ao Novo Testamento. Assim, os livros do Antigo Testamento podem ser classificados em: 1. Históricos: são os que pretendem contar certos fatos históricos sobre o povo eleito, a grande maioria expressando a esperança da vinda do Messias prometido. 2. Proféticos: são aqueles que falam dos acontecimentos que devem acontecer num futuro eminente ou no fim dos tempos (apocalípticos).

Exortativos: são os que falam sobre a sabedoria e dão bons conselhos. Já os livros do Novo Testamento podem ser assim classificados: 1. Evangelhos: são os escritos que falam unicamente sobre a vida, as obras e os ensinamentos de Jesus Cristo. 2. Atos: são os que se dedicam a falar sobre os fatos, as obras e os ensinamentos de um ou mais apóstolos na missão de pregar o Evangelho. 3. Epístolas: são escritos atribuídos ao próprio punho dos apóstolos. 4. Proféticos: são apocalipses que narram os últimos acontecimentos, o juízo final e o triunfo de Cristo. VALOR DOS APÓCRIFOS Se, por um lado, os apócrifos não possuem a verdadeira doutrina de Cristo e de sua Igreja, por outro lado têm grande valor histórico pois demonstram as correntes ideológicas (religiosas e morais) do período em que foram escritos. Os apócrifos do Novo Testamento apresentam diversos aspectos da era pós-Cristo. Algumas idéias são conformes com o reto ensinamento da Igreja como, por exemplo, a virgindade e a assunção de Maria, a descida de Cristo aos Infernos e a divindade de Jesus. Outros esclarecem pequenos detalhes que não foram abordados pelos Evangelhos canônicos, como o nome e número dos reis magos, os nomes dos pais de Maria, o nome do soldado que traspassou a lança em Jesus, a morte de São José na presença de Jesus, a apresentação de Maria no Templo de Jerusalém e a sua morte assistida pelos apóstolos, alguns outros milagres de Jesus, etc... ALGUNS APÓCRIFOS • Do Antigo Testamento: Livro dos Jubileus, Livro de Adão e Eva, Salmos de Salomão, Terceiro Livro dos Macabeus, Quarto Livro dos Macabeus, Apocalipse de Baruc, Ascensão de Isaías, Assunção de Moisés, etc... • Do Novo Testamento: Evangelho de Pedro, Evangelho de Tomé o Dídimo, Evangelho de Filipe, Evangelho dos Hebreus, Atos de Tomé, Atos de Paulo e Tecla, Carta dos Apóstolos, Apocalipse de Paulo, Proto-Evangelho de Tiago, etc...
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APOLOGÉTICA Quais são os livros apócrifos?

Como vá vimos no artigo "Qual a importância dos apócrifos?", existem alguns livros escritos antes ou pouco depois de Cristo que tinham como intenção figurar como Escritura Sagrada. Mas, pelo Magistério da Igreja e assistência do Espírito Santo, esses livros espúrios foram definitivamente afastados, restando apenas o cânon bíblico

que guardamos até hoje. Por esse motivo, muitos desapareceram, outros sobreviveram em uma ou outra comunidade antiga, ou, ainda, em traduções, fragmentos ou citações. A seguir, apresentamos uma lista exaustiva de livros apócrifos do Antigo e do Novo Testamento que, embora longa, provavelmente não esgota todos os livros escritos ou existentes, porém, bem demonstra a quantidade de livros escritos com a intenção de "completar" a Bíblia. Incluímos também, ao final, os manuscritos encontrados em Qumran, nas grutas do Mar Morto, que foram escritos ou preservados por uma comunidade que vivia nesse deserto separada dos grupos religiosos da Palestina do tempo de Jesus (Saduceus, Fariseus, Samaritanos, etc.). Esse grupo, denominado Essênio, como podemos ver, considerava o Antigo Testamento como Escritura Sagrada (inclusive os deuterocanônicos), mas tinha como característica própria seguir ainda outros "livros sagrados". Portanto, temos como apócrifos as seguintes obras: (ATENÇÃO: os livros abaixo NÃO são Escrituras Sagradas e, portanto, NÃO são inspirados por Deus. Eles estão sendo listados aqui apenas com o objetivo de referência) ANTIGO TESTAMENTO 4. Apocalipse de Adão 5. Apocalipse de Baruc 6. Apocalipse de Moisés 7. Apocalipse de Sidrac 8. As Três Estelas de Seth 9. Ascensão de Isaías 10. Assunção de Moisés 11. Caverna dos Tesouros 12. Epístola de Aristéas 13. Livro dos Jubileus 14. Martírio de Isaías 15. Oráculos Sibilinos 16. Prece de Manassés 17. Primeiro Livro de Adão e Eva 18. Primeiro Livro de Enoque 19. Primeiro Livro de Esdras 20. Quarto Livro dos Macabeus 21. Revelação de Esdras 22. Salmo 151 23. Salmos de Salomão (ou Odes de Salomão) 24. Segundo Livro de Adão e Eva 25. Segundo Livro de Enoque (ou Livro dos Segredos de Enoque) 26. Segundo Livro de Esdras (ou Quarto Livro de Esdras) 27. Segundo Tratado do Grande Seth 28. Terceiro Livro dos Macabeus 29. Testamento de Abraão 30. Testamento dos Doze Patriarcas 31. Vida de Adão e Eva NOVO TESTAMENTO

5. A Hipostase dos Arcontes 6. (Ágrafos Extra-Evangelhos) 7. (Ágrafos de Origens Diversas) 8. Apocalipse da Virgem 9. Apocalipse de João o Teólogo 10. Apocalipse de Paulo 11. Apocalipse de Pedro 12. Apocalipse 13. Atos 14. Atos de André e Mateus 15. Atos 16. Atos de Filipe 17. Atos de João 18. Atos de João o Teólogo 19. Atos de Paulo 20. Atos de Paulo e Tecla 21. Atos de Pedro 22. Atos de de de

de

Tomé André Barnabé

Pedro

e

André

23. Atos de Pedro e Paulo 24. Atos de Pedro e os Doze Apóstolos 25. Atos de Tadeu 26. Atos de 27. Atos e Martírio de de

Tomé André Tomé

28. Atos e Martírio de Mateus 29. Consumação

30. Correspondência entre Paulo e Sêneca 31. Declaração de José de Arimatéia 32. Descida de Cristo ao Inferno 33. Desistência de Pôncio Pilatos 34. Discurso de Domingo 35. Ditos de Jesus ao rei Abgaro 36. Ensinamentos de Silvano 37. Ensinamentos do Apóstolo [T]adeu 38. Ensinamentos dos Apóstolos 39. Epístola aos Laodicenses 40. Epístola de Herodes a Pôncio Pilatos 41. Epístola de Jesus ao rei Abgaro (2 versões) 42. Epístola de Pedro a Filipe 43. Epístola de Pôncio Pilatos a Herodes

44. Epístola de Pôncio Pilatos ao Imperador 45. Epístola de Tibério a Pôncio Pilatos 46. Epístola do rei Abgaro a Jesus 47. Epístola dos Apóstolos 48. Eugnostos, o Bem-Aventurado 49. Evangelho Apócrifo de João 50. Evangelho Apócrifo de Tiago 51. Evangelho Árabe de Infância 52. Evangelho Armênio de Infância (fragmentos) 53. Evangelho da Verdade 54. Evangelho de Bartolomeu 55. Evangelho de Filipe 56. Evangelho de Marcião 57. Evangelho de Maria Madalena (ou Evangelho de Maria de Betânia) 58. Evangelho de Matias (ou Tradições de Matias) 59. Evangelho de Nicodemos (ou Atos de Pilatos) 60. Evangelho de Pedro 61. Evangelho de Tome o Dídimo 62. Evangelho do Pseudo-Mateus 63. Evangelho do Pseudo-Tomé 64. Evangelho dos Ebionitas (ou Evangelho dos Doze Apóstolos) 65. Evangelho dos Egípcios 66. Evangelho dos Hebreus 67. Evangelho Secreto de Marcos 68. Exegese sobre a Alma 69. Exposições Valentinianas 70. (Fragmentos Evangélicos Conservados em Papiros) 71. (Fragmentos Evangélicos de Textos Coptas) 72. História de José o Carpinteiro 73. Infância do Salvador 74. Julgamento de Pôncio Pilatos 75. Livro de João o Teólogo sobre a Assunção da Virgem Maria 76. Livro de Tomé o Contendor 77. Martírio de 78. Martírio de Bartolomeu 79. Martírio de Mateus 80. Morte de Pôncio Pilatos 81. Natividade de Maria 82. O Pensamento de Norea 83. O Testemunho da Verdade 84. O Trovão, Mente Perfeita 85. Passagem da Bem-Aventurada Virgem Maria 86. "Pistris Sophia" (fragmentos) 87. Prece de Ação de Graças

André

88. Prece do Apóstolo Paulo 89. Primeiro Apocalipse de Tiago 90. Proto-Evangelho de Tiago 91. Retrato de Jesus 92. Retrato do Salvador 93. Revelação de Estevão 94. Revelação de Paulo 95. Revelação de Pedro 96. Sabedoria de Jesus Cristo 97. Segundo Apocalipse de Tiago 98. Sentença de Pôncio Pilatos contra Jesus 99. Sobre a Origem do Mundo 100.Testemunho sobre o Oitavo e o Nono 101.Tratado sobre a Ressurreição 102.Vingança do Salvador 103.Visão de Paulo ESCRITOS DE QUMRAN 1. A Nova Jerusalém (5Q15) 2. A Sedutora (4Q184) 3. Antologia Messiânica (4Q175) 4. Bênção de Jacó (4QPBl) 5. Bênçãos (1QSb) 6. Cânticos do Sábio (4Q510-4Q511) 7. Cânticos para o Holocausto do Sábado (4Q400-4Q407/11Q5-11Q6) 8. Comentários sobre a Lei (4Q159/4Q513-4Q514) 9. Comentários sobre Habacuc (1QpHab) 10. Comentários sobre Isaías (4Q161-4Q164) 11. Comentários sobre Miquéias (1Q14) 12. Comentários sobre Naum (4Q169) 13. Comentários sobre Oséias (4Q166-4Q167) 14. Comentários sobre Salmos (4Q171/4Q173) 15. Consolações (4Q176) 16. Eras da Criação (4Q180) 17. Escritos do Pseudo-Daniel (4QpsDan/4Q246) 18. Exortação para Busca da Sabedoria (4Q185) 19. Gênese Apócrifo (1QapGen) 20. Hinos de Ação de Graças (1QH) 21. Horóscopos (4Q186/4QMessAr) 22. Lamentações (4Q179/4Q501) 23. Maldições de Satanás e seus Partidários (4Q286-4Q287/4Q280-4Q282) 24. Melquisedec, o Príncipe Celeste (11QMelq) 25. O Triunfo da Retidão (1Q27) 26. Oração Litúrgica (1Q34/1Q34bis) 27. Orações Diárias (4Q503) 28. Orações para as Festividades (4Q507-4Q509) 29. Os Iníqüos e os Santos (4Q181)

30. Os Últimos Dias (4Q174) 31. Palavras das Luzes Celestes (4Q504) 32. Palavras de Moisés (1Q22) 33. Pergaminho de Cobre (3Q15) 34. Pergaminho do Templo (11QT) 35. Prece de Nabonidus (4QprNab) 36. Preceito da Guerra (1QM/4QM) 37. Preceito de Damasco (CD) 38. Preceito do Messianismo (1QSa) 39. Regra da Comunidade (1QS) 40. Rito de Purificação (4Q512) 41. Salmos Apócrifos (11QPsa) 42. Samuel Apócrifo (4Q160) 43. Testamento de Amran (4QAm) OUTROS ESCRITOS 1. História do Sábio Ahicar 2. Livro do Pseudo-Filon Relembramos que esses livros não possuem qualquer valor doutrinário, podendo, no máximo, esclarecer alguns aspectos históricos da época em que foram escritos ou refletir as idéias defendidas pelos grupos heréticos que os usavam. 31 LIVROS PERDIDOS CITADOS PELA BÍBLIA Autor: Charles the Hammer Fonte: Traditional Catholic Apologetics Tradução: Carlos Martins Nabeto

NO ANTIGO TESTAMENTO: 32. Livro das Guerras de Javé: "Por isso se diz no Livro das Guerras de Javé: 'Assim como fez no Mar Vermelho, assim fará nas torrentes do Arnon. Os rochedos das torrentes se inclinaram, para descansar em Ar, e repousarem sobre os confins dos moabitas" (Num. 21,14-15) . 33. Livro do Justo: "Foi então que Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor entregou os amorreus aos filhos de Israel. Disse Josué na presença de Israel: 'Sol, detém-te em Gabaão, e tu, lua, no vale de Ajalão!' E o sol e a lua pararam até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro do Justo? Parou pois o sol no meio do céu, e não se apressou a pôr-se durante o espaço de um dia" (Jos. 10,12-13).

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"E (Davi) ordenou que ensinassem aos filhos de Judá o (cântico chamado do) arco, conforme está escrito no Livro do Justo. E disse: 'Considera, ó Israel, os que morreram sobre os teus altos, cobertos de feridas'" (2Sam. 1,18). Provérbios e Cânticos de Salomão: "Proferiu ele (Salomão) três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Discorreu acerca das plantas, desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota da parede. Também falou dos animais e das aves, e dos répteis, e dos peixes" (1Rs. 4,32-33). Livro dos Atos de Salomão: "Quanto aos demais atos de Salomão, e a tudo quanto fez, e à sua sabedoria, porventura não está escrito no Livro dos Atos de Salomão?" (1Rs. 11,41). Livro das Crônicas dos Reis de Israel: "Quanto ao restante dos atos de Jeroboão, como guerreou e como reinou, está escrito no Livro das Crônicas dos Reis de Israel" (1Rs. 14,19). Livro das Crônicas dos Reis de Judá: "Quanto ao restante dos atos de Roboão, e a tudo quanto fez, porventura não está escrito no Livro das Crônicas dos Reis de Judá?" (1Rs. 14,29). Livro do Profeta Natã: "Os atos do rei Davi, tanto os primeiros quanto os últimos, estão escritos no livro de Samuel, o vidente, no Livro de Natã, o profeta, e no Livro de Gade, o vidente" (1Cr. 29,29). "Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de Nebate?" (2Cr. 9,29). Livro de Samuel, o Vidente: "Os atos do rei Davi, tanto os primeiros quanto os últimos, estão escritos no livro de Samuel, o vidente, no Livro de Natã, o profeta, e no Livro de Gade, o vidente" (1Cr. 29,29). Livro de Aías, o Silonita: "Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de Nebate?" (2Cr. 9,29). Livro de Ado, o Vidente: "Quanto ao resto dos atos de Salomão, dos primeiros aos últimos, porventura não estão escritos no livro da história de Natã, o profeta, e nos livros de Aías, o silonita, e nas visões de Ado, o vidente, acerca de Jeroboão, filho de Nebate?" (2Cr. 9,29). "Quanto ao resto dos atos de Roboão, dos primeiros aos últimos, está escrito nos livros de Semaias, o profeta, e de Ado, o vidente, e diligentemente registrado: 'houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante todos os seus dias'" (2Cr. 12,15). "Quanto ao resto dos atos de Abias, seu caráter e obras, está diligentemente escrito no Livro de Ado, o profeta" (2Cr. 13,22). Livros de Semaias, o profeta: "Quanto ao resto dos atos de Roboão, dos primeiros aos últimos, está escrito nos livros de Semaias, o profeta, e de Ado, o vidente, e diligentemente registrado: 'houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante todos os seus dias'" (2Cr. 12,15). Livro dos Reis de Judá e Israel: "Mas os feitos de Asa, dos primeiros aos últimos, estão escritos no Livro dos Reis de Judá e Israel" (2Cr. 16,11).

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Livro dos Reis de Israel e Judá: "Quanto ao resto dos atos de Joatão, e todas as suas guerras e obras, estão escritos no Livro dos Reis de Israel e Judá" (2Cr. 27,7). Livro dos Reis: "O relato dos seus filhos, as muitas sentenças proferidas contra ele e o registro da restauração da casa de Deus, estão escritos diligentemente no Livro dos Reis. E Amasias, seu filho, reinou em seu lugar" (2Cr. 24,27). Anais dos Reis de Israel: "Mas o resto dos atos de Manassés, sua oração ao seu Deus e as palavras dos videntes que falaram-lhe em nome do Senhor Deus de Israel, estão contidas nos Anais dos Reis de Israel" (2Cr. 33,18). Comentários de Jeú, filho de Hanani: "Mas o resto dos atos de Josafá, dos primeiros aos últimos, estão escritos nos comentários de Jeú, filho de Hanani, que observou nos Livros dos Reis de Israel" (2Cr. 20,34). A História de Osias, por Isaías, filho de Amós, o profeta: Mas o resto dos atos de Ozias, dos primeiros aos últimos, foi escrito por Isaías, filho de Amós, o profeta" (2Cr. 26,22). Palavras de Hozai: "A oração que ele (Manassés) fez, como foi ouvido, todos os seus pecados e o desprezo (de Deus), os lugares também em que mandou edificar altos, em que mandou plantar bosques, e colocar estátuas, antes de fazer penitência, encontra-se tudo escrito no Livro de Hozai" (2Cr. 33,19). Livros dos Medos e dos Persas: "Ora, o rei Assuero tinha imposto tributo a toda terra e todas ilhas do mar. Nos Livros dos Medos e dos Persas se acha escrito qual foi o seu podere o seu domínio, a dignidade e a grandeza a que ele exaltou Mardoqueu" (Est. 10,1-2). Anais do Pontificado de João: "O resto dos atos de João, das suas guerras, das empresas que valorosamente se portou, da reedificação dos muros que construiu e de todas as suas ações, tudo está escrito no Livro dos Anais do seu pontificado, começando desde o tempo em que foi constituído sumo-pontífice em lugar de seu pai" (1Mac. 16,23-24). Descrições de Jeremias, o profeta: "Nos documentos referentes ao profeta Jeremias, lê-se que ele ordenou aos que eram levados para o cativeiro que tomassem o fogo, como já foi referido, e que lhe faz recomendações (...) Lia-se também nos mesmos escritos, que este profeta, por uma ordem particular recebida de Deus, mandou que se levassem com ele o tabernáculo e a arca, quando escalou o monte a que Moisés tinha subido para ver a herança de Deus. Tendo ali chegado, Jeremias achou uma caverna; pôs nela o tabernáculo, a arca e o altar dos perfumes, e tapou a entrada. Alguns dos que o seguiam voltaram de novo para marcar o caminho com sinais, mas não puderam encontrá-lo" (2Mac. 2,1.4-6). Memórias e Comentários de Neemias: "Estas mesmas coisas se achavam nos comentários e memórias de Neemias, onde se lia que ele formou uma biblioteca, recolhendo os livros referentes aos reis e profetas, os de Davi e as cartas dos reis respeitantes às oferendas" (2Mac. 2,13). Os Cinco Livros de Jasão de Cirene: "A história de Judas Macabeu e seus irmãos, a purificação do grande templo e a dedicação do altar, as guerras contra Antíoco Epífanes e seu filho Êupator, as manifestações do céu a favor dos que pelejaram pelo judaísmo com valentia e zelo, os quais, sendo poucos, se

tornaram senhores de todo o país e puseram em fuga um grande número de bárbaros, recobraram o templo famoso em todo o mundo, livraram a cidade da escravidão, restabeleceram as leis que iam ser abolidas, graças ao Senhor que lhes foi propício com evidentes provas da sua bondade, tudo isto, que Jasão de Cirene escreveu em cinco livros, procuramos nós resumir num só volume". NO NOVO TESTAMENTO: 104. A Epístola Prévia de Paulo aos Coríntios: "Por carta vos escrevi que não tivésseis comunicação com os fornicadores; não certamente com os fornicadores deste mundo, ou com os avarentos, ou ladrões, ou com os idólatras; doutra sorte deveríeis sair deste mundo. (1Cor. 5,9-10). 105. Epístola de Paulo aos Laodicenses: "Saudai os irmãos que estão em Laodicéia, e Ninfas e a igreja que se reúne em sua casa. Lida que for esta carta entre vós, fazei que seja lida também na Igreja dos Laodicenses; e vós, lede a dos laodicenses" (Col. 4,15-16). 106. A Profecia de Enoque: "Também Enoque, o sétimo patriarca depois de Adão, profetizou destes, dizendo: 'Eis que vem o Senhor, entre milhares dos seus santos, a fazer juízo contra todos, e a argüir todos os ímpios de todas as obras da sua impiedade, que impiamente fizeram, e de todas as palavras injuriosas, que os pecadores ímpios têm proferido contra Deus'" (Jd. 1,14-15). 107. [A Disputa pelo Corpo de Moisés: "Quando o arcanjo Miguel, disputando com o demônio, altercava sobre o corpo de Moisés, não se atreveu a proferir contra ele a sentença da maldição, mas disse somente: 'Reprima-te o Senhor'" (Jd. 1,9)]. www.micropic.com.br/noronha

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