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Trítono: o verdadeiro "diabo na música" e outros subliminares

Enquanto algumas pessoas desinformadas perdem um tempo precioso virando velhos d


iscos de vinil ao contrário, as verdadeiras tecnologias de manipulação empregando onda
s sonoras continuam pouco pesquisadas no Brasil, aqui esboço um breve panorama apr
esentando algumas destas tecnologias que nada tem a ver com nenhuma religião, e si
m com a Ciência .
Os efeitos da música têm sido registrados em diversas culturas; na antiga China o Li
ki (livro cerimonial de protocolo e etiqueta) já discorria sobre harmonia e dissonân
cia na música ambiente e sua influência nas relações entre os convidados; e no Livro da
Música, escrito no período de Wou Li (147-178 a.C.) há estudos sobre notas musicais (e
scala pentatônica) e seus efeitos políticos, sociais e psicológicos. No entendimento c
hinês, a música tem efeitos que passam despercebidos pelas pessoas, daí sua importância
no ambiente.
Os indianos consideravam dois aspectos musicais: Marga (leis permanentes, arquétip
os do inconsciente coletivo, volksgeist) e Deshi (modismos, estereótipos, zeitgeis
t), e registram efeitos da música como energia ou vibração influenciando o crescimento
das plantas e o temperamento de animais (mais tarde um tratado de cura pela músic
a dos Persas afirmaria que "a música acalma as feras", e tal axioma correria depoi
s por todo o mundo greco-romano).
O filósofo grego Pitágoras também descreveu o poder do som e seus efeitos sobre a psiq
ue humana.
Os gritos de guerra (Sluarg Gaurm-Slogan) refletem um arquétipo musical, proferido
em um intervalo que corresponde a uma quarta aumentada (Dó, Fá sustenido), um inter
valo que geraria medo no inimigo; os chineses denominam tal intervalo como Jwei-
Pin, os hindus o empregavam em rituais noturnos, e os ocidentais reconhecem que
tal intervalo tem um aspecto angustiante, inquietante e desagradável. Esse interva
lo chegou a ser proibido pelos musicistas religiosos católicos, que o denominavam
Diabolus In Musica, e foi empregado por Berlioz na "Sinfonia Fantástica" e por Wag
ner nos momentos mágicos de suas óperas com simbolismos maçônicos.
Esse intervalo de três tons, o Trítono, como entre fá e si, em efeito inverso ao da oi
tava, enquanto a oitava é estável, o trítono é instável, baseado na relação 32/45 pulsos me
os (Wisnik, 1999, p. 82, 83) e tal corte separa, divide, desune, dissolve, o sol
ve da alquimia, a função do diabolus. Por tal efeito psíquico o trítono é proibido no cant
o gregoriano como o símbolo da dissonância, do desacordo, da discordância e rebelião, se
ndo censurado, calado, evitado, omitido, esquecido a força, negado, reprimido, aus
ente – in absentia.
A primeira notação musical canônica foi um esforço do beneditino italiano Guido de Arezz
o (990-1050) no século XI, empregando os fonemas de um cântico religioso famoso, "Hi
no a São João":
UT queant laxis
RE sonare fibris
MI ra gestorum
FA multi tuorum
SOL ve populi
LA eris reatum
S ancte Iohannes
Somente no século XVII "Ut" foi substituído por "Dó" por razões meramente fonéticas; Arezz
o criou o sistema de notação musical e do solfejo, e o "Si" foi incorporado depois,
quando se passou do sistema hexacorde para o da oitava.
Efeitos subliminares subaudíveis podem ser plantados em baixo volume em diversas f
aixas de som e velocidade inaudíveis pelo ouvido humano no nível consciente, porém, ca
usando reações subliminares facilmente comprováveis.

Key explica que o coração humano bate a 72 pulsações por minuto, e que músicas ou vozes ne
sse ritmo afetam o comportamento humano. Tais efeitos sonoros seriam tal qual os
cenários de filmes, o discurso gráfico e os iconesos em fotos ou desenhos, um fundo
subliminar inaudível.
Sara Melissa Müller desenvolveu estudos e apresentou papers em co-autoria comigo e
m congressos científicos internacionais como o IAMCR nos quais aprofunda o tema do
som subliminar. Segundo Müller o médico e músico Wilson Luiz Sanvito condena os vários
estudos sobre a capacidade da música em influenciar o cérebro, o corpo físico e as emoções
. Para ele, a música afeta fisicamente por possuir um ritmo (pulsações) e um tempo (co
mpasso), como as funções biológicas. O cérebro parece analisar os estímulos sonoros através
de padrões de referência tendo como modelo freqüências harmônicas, no caso da música.
Watson, no livro “War On The Mind: The Military Uses And Abuses Of Psychology” (p. 4
22), revela outro segredo do Exército dos Estados Unidos: em 1973 a Allen Internac
ional publicou o registro de um canhão para dissolver multidões urbanas, o "Photic D
river" que pulsa sons que reverberam nos edifícios sincronizados com flashes de lu
zes piscando velozmente, refletindo nas paredes dos edifícios; o barulho e as luze
s causam náuseas na multidão, mas o risco de ataques epiléticos registrados nos testes
levou ao arquivamento do protótipo experimental.
Pulsos de som em certas freqüências podem deixar a multidão enjoada ou até causar ataque
s epiléticos induzidos sonicamente por padrões de ondas repetidas ritmicamente; tais
padrões podem ser baixas freqüências, até inaudíveis (subliminares); segundo Peter, um pr
otótipo empregado em uma manifestação da Irlanda do Norte dispersou uma multidão de mani
festantes católicos com notas agudas dolorosas.
Em uma propaganda para a televisão, por exemplo, o receptor percebe antes a imagem
, e o áudio neste contexto seria classificado como "música de fundo", pois há muitas i
nformações sendo transmitidas em um pequeno espaço de tempo. Esses elementos que ficam
em segundo plano seriam um fundo subliminar.
Segundo o "Princípio Poetzle", todos os sons que não são percebidos conscientemente at
uariam de forma subliminar, recebemos múltiplas mensagens, e nossa atenção seletiva fi
ltra e focaliza um único canal sensório, deixando todo o resto como subliminar. Tais
informações entram "de contrabando" e se depositam na memória subliminar ou subconsci
ente.
Os pensamentos e idéias não-iluminados, esquecidos, não deixam de existir: se encontra
m em estado latente, adormecidos num estado subliminar, além do limite da atenção cons
ciente ou da memória, o que não impede que a qualquer momento possam surgir.
há aquilo que se pode chamar de audição sensorial, ou seja, o tipo de audição no qual o ou
vinte não volta toda a sua atenção para o discurso musical, por exemplo, quando ouve mús
ica enquanto desenvolve outra atividade qualquer. Isso ocorre todos os dias: no
consultório médico, no supermercado, durante o trabalho, no carro.

Nesses momentos, a música ocupa um espaço secundário em nossa percepção consciente podendo
ser considerada percepção inconsciente, ou seja, subliminar. Vários sons podem ser ut
ilizados para se comunicar de forma subliminar variando de acordo com o contexto
em que é inserido e embutido o som.
Todos os sons podem ter uma razão de ser, até mesmo o silêncio. Os silêncios também são uma
dimensão de som. Há dúzias de silêncios eletrônicos diferentes, cada um deles produzindo u
ma reação definida no receptor. Sons e silêncios podem ser alternados, criando um pelo
tão de efeitos para o público. Esses sons e silêncios, quando bem combinados não são perce
bidos conscientemente.
Key, no livro Media Sexploitation, descreve diversos subliminares sonoros, inclu
sive explica a decupagem dos efeitos sincronizados na mixagem ou edição do filme O e
xorcista.
Segundo Key, o reforço que o som causa na imagem é a causa do sucesso desse filme de
terror, pois foi realizado com engenharia de som subliminar sofisticada para a ép
oca, chegando a ganhar um Oscar pela trilha sonora.
Friedkin, o responsável, explica que aplicou diversos tipos de subliminar no fundo
sonoro, por exemplo:
1) Som do enxame de abelhas furiosas, zunindo em dezesseis freqüências diferentes mi
xadas – o consciente as ouve como um único som. Todos os humanos reagem com medo e a
nsiedade ao som das abelhas, mesmo se nunca ouviram tal som, este desperta o des
ejo de fugir, esconder-se, e o medo de sofrer dores.
Friedkin explica que, segundo Jung, tal som seria um arquétipo.
Esse som foi plantado na edição em ondas crescentes antes das cenas de maior tensão e
suspense.
2) Som dos gritos de porcos sendo degolados. A menina Reagan, ao ser possuída pelo
demônio, vai sendo maquiada gradualmente a cada cena para parecer-se com um porco
, enquanto "ouve-se" subliminarmente estes guinchos angustiantes.
3) Gemidos de casais no momento do orgasmo. Foram inseridos no fundo subliminar
nas cenas de clímax, o ato de exorcismo com a moça e o padre a sós.
Key explica que mais de 50% das mulheres entrevistadas por sua equipe afirmaram
ficar excitadas sexualmente nessa cena.
4) Som no silêncio. As pausas silenciosas do filme eram silêncio eletrônico, com fundo
de baixa freqüência inaudível, zumbindo.
Esses silêncios formam uma série de platôs que gradualmente aumentam em volume e dimin
uem de intervalo de tempo de aparição antes dos momentos de clímax. Os silêncios são empre
gados para produzir tensão emocional, tornando-se mais e mais freqüentes e pesados n
um fluxo de tensão-clímax-relaxamento-tensão.
5) Dublagem. A voz de Reagan vai sendo cuidadosamente sintetizada e mixada até ser
totalmente dublada pela voz de Mercedes McCambridge, atriz com uma voz profunda
e sensual.
Key demonstra diversas técnicas empregadas pela engenharia de som subliminar.
Ora, sons de abelhas prestam-se a anúncios de seguros de vida, planos de saúde e tud
o o que envolva o cérebro réptil, as motivações de Maslow relativas à segurança.
Já a cena dos porcos guinchando e a maquiagem da atriz é uma demonstração da intersemios
e subliminar som-imagem.
Na cena sadomasoquista do exorcismo os gemidos de orgasmos mostram o poder dos e
stímulos sexuais subliminares.
Até mesmo os silêncios apresentam pulsos subliminares inaudíveis para tornar apreensiv
os os telespectadores. Na montagem cinematográfica as imagens são editadas de modo a
intensificar a tensão, gerando um ritmo angustiante de suspense, que altera os ba
timentos cardíacos, a pressão arterial, a respiração e a taxa de adrenalina e epifremina
do público.
Isso é o que hoje é chamado "engenharia de emoções".
O exorcista, é importante lembrar, foi realizado em 1976. Hoje tais tecnologias so
fisticaram-se, bem como suas aplicações.
No Brasil, em 1989, Zé Rodrix produziu um jingle para o Chevrolet da General Motor
s, cujo ritmo era de 80 ciclos por minuto. Segundo Zé Rodrix, o ritmo do coração de um
a mãe amamentando o filho, ouvido pelo recém-nascido, é um som associado a conforto, t
ranqüilidade, segurança e prazer. Sensações que o publicitário, por meio do jingle, tentav
a associar subliminarmente ao carro.
Rodrix afirma que se baseou em pesquisas do grupo Pink Floyd que apontaram o rit
mo de 80 ciclos como o de maior efeito subliminar sobre o auditório – cobaias involu
ntárias dessas tecnologias experimentais em seus shows.
Porém, não é apenas no cinema, na publicidade e nos shows de rock que a tecnologia sub
liminar sonora pode ser aplicada.
Segundo Faria, é possível empregar essas técnicas para uma aprendizagem subliminar, co
mo explica na sua obra A comunicação na administração, ao citar o técnico francês Jacques G
nevav, que inventou o automafone, um aparelho pesando cerca de 20 quilos, o qual
"ensina as pessoas enquanto elas estão dormindo".
O tema ou lição é gravado em fita e um "baixo-falante" toca subliminarmente sob o trav
esseiro.
Além de ajudar estudantes em suas lições e na aprendizagem de idiomas, o sistema serve
para atores decorarem seus textos e para gagos corrigirem seus problemas. Esse
mesmo sistema já tem sido usado em dietas, para motivar subliminarmente a perder p
eso do mesmo modo que as fitas de videocassete já citadas.
Atualmente, nos Estados Unidos, o mais recente emprego da tecnologia subliminar
sonora tem fins "educativos", e uma das empresas que desenvolve este trabalho é a
Corporação de Engenharia Comportamental, Engenharia de Emoções, localizada em Metairie,
Louisiana, Nova Orleans.
Segundo Peter Krass, no artigo "Computeis that Would Program People", a engenhar
ia de emoções é um ramo recente de atividades que tem por objetivo alterar o comportam
ento involuntariamente, sem a consciência dos receptores, do público que é manipulado
subliminarmente por sons e cores.
Um dos produtos à venda é o Mark VI – audio subliminal processos, um equipamento eletrôn
ico que ajusta o som para um volume subliminar abaixo de 20 ciclos por segundo,
mixado à música de fundo que toca em supermercados e lojas de departamentos. A voz d
e fundo fica repetindo todo o tempo a frase "sou honesto, não roubo", o que já reduz
iu em 30% o índice de furtos em 81 supermercados de quatro estados dos Estados Uni
dos.
O Mark VI também é instalado em consultórios de dentistas e médicos, onde recita a ladai
nha subliminar de frases que acalmam e relaxam, além de ser colocado em bancos par
a influenciar funcionários e clientes a fazerem investimentos.
Há sons no silêncio dando ordens, sugestionando, manipulando.
Por outro lado, no Oregon, EUA, a empresa Proactive Systems patenteou outro sist
ema semelhante que está no mercado desde 1981 com resultados surpreendentes, compr
ovados estatisticamente.
Alguns programas de computador têm um número limitado de canais. Porém, como foi descr
ito anteriormente, programas como o Vegas são ilimitados. Os volumes dos canais po
dem ser controlados individualmente e há também um volume geral.
O exemplo mais claro é o efeito do som no formato 5.1, aquele usado em Home Theate
r. O alto-falante mais grave reproduz algumas freqüências que o ouvido humano não capt
a, são freqüências abaixo de 20 hertz.
Mas aí vem a pergunta: por que gastar muito dinheiro comprando um alto-falante que
reproduz um som que não podemos ouvir? Resposta: o som se propaga no ar empurrand
o as moléculas do ar para frente, neste caso não podemos ouvir o som mas podemos sen
tir a sua vibração. Imagine a cena de um avião caindo em um filme. No momento da queda
, a pressão sonora é tão grande que nos dá a sensação de que o avião vai cair sobre nossas
eças. Aliás, é bom que o efeito seja real somente até esse ponto.
Desse modo, as moléculas de ar empurradas pela propagação da onda sonora chegam dentro
do ouvido e causam o bater do martelo na bigorna registrando um efeito tátil subl
iminar de pulso e freqüência, ocorrendo a cognição sem consciência, a repetição do estímulo
ocasionar um condicionamento (behaviorismo) e uma predisposição posterior a estados
emocionais ao ser exposto ao logotipo, ao candidato político, a embalagem do prod
uto etc.
E a audição periférica explica, pela Gestalt, que tal fundo é despercebido e fora do hol
ofote da consciência na explicação de Jung, sendo, pois que, se não estão conscientes são i
conscientes, logo, subliminares.
Tais mixagens de som são os iconesos sonoros.
Apesar de toda esta tecnologia disponível, diversos publicitários e sonoplastas entr
evistados alegam que ninguém nunca ouviu falar de nenhuma aplicação de subliminares no
som !!!
A audição é pura recepção. O ato de ouvir limita-se a receber um sinal sonoro e determinar
a ele um sentido. Ouvir é um estado passivo e de contemplação, porém, no âmbito da percepç
a audição é fundamental no contato com o mundo.

Por isso, é impossível "fechar os olhos" aos estímulos subliminares sonoros ou escapar
as armas de guerra sônica.
Bibliografia
Calazans, Flávio. Propaganda subliminar Multimídia, Sétima edição revista e ampliada, Summ
us editorial. 2006.
Artigo
Sendo os nossos sentidos, as janelas que dispomos para observar o mundo no qual
vivemos, assim como lentes coloridas de óculos que nos filtram as verdadeiras core
s, temos que nos contentar com essas informações fragmentadas e incontáveis evidências e
, finalmente, utilizar a razão e a intuição para deduzir e construir nossa compreensão d
os fenômenos.
Assim sendo, as idéias contidas nesse artigo tem a finalidade de estimular a refle
xão a respeito de um importante atributo da existência humana senão de toda a Natureza
e o universo: o relacionamento. No que diz respeito à interação humana, gostaria de a
proveitar algumas daquelas evidências fragmentárias para montar um pequeno modelo da
comunicação que nos proporcione mais flexibilidade e autonomia para gerenciar nosso
s relacionamentos e nossa comunicação.
Para prosseguir nessas considerações, gostaria de justapor à nossa reflexão alguns fatos
curiosos. O primeiro deles foi uma experiência realizada com os mais diversos tip
os de relógios de pêndulos (tanto gravitacionais quanto elásticos) colocados em uma sa
la fechada. Originalmente, no início do experimento, não havia a mínima coordenação nos mo
vimentos dos pêndulos, enquanto um ia o outro voltava e ainda outro estava parando
e outro em sua velocidade máxima, e assim por diante (pêndulos defasados). Após algun
s dias, ao abrirem novamente esta sala no qual foram colocados os relógios, consta
taram que todos os relógios tinham entrado em fase (sintonia), isto é, os seus pêndulo
s, todos, tinham adquirido um movimento coordenado (como se movimentassem sincro
nicamente, cada um no seu diferente percurso) - como se "cantassem" juntos!
Um fenômeno semelhante pode ser observado em relação à sincronização do ciclo menstrual de
ulheres que convivem juntas, nos mais diversos contextos: internatos, empresas,
famílias, etc.
Um outro experimento interessante, descrito no livro "Memória das Células", foi real
izado com células humanas retiradas da mucosa bucal e colocadas em um aparelho sen
sível ao grau de excitação e atividade celular. Então, propuseram ao doador das células de
terminadas atividades nas quais experimentasse diferentes estados de excitação emoci
onal ou mental e observaram que suas células, embora não estivessem mais em contato
com seu corpo, alteravam o seu nível de atividade de repouso ou excitação sincronicame
nte com seu doador! Isso foi identificado até uma distância de noventa quilômetros ent
re doador e suas células ainda vivas!
Ainda no mesmo livro, foi apresentada uma pesquisa científica realizada com pacien
tes transplantados (receptores de órgãos: coração, pulmões, rins, etc) e revelado que uma
parcela de até vinte por cento desses pacientes puderam recuperar lembranças, hábitos
e mesmo gostos e desejos de seus doadores!
Embora dificilmente sejamos capazes de observar o movimento do ponteiro das hora
s de um relógio (quando seu movimento é contínuo e uniforme) devido à sua lentidão, sabemo
s que ele se movimenta, pois constatamos suas diferentes posições com o passar do te
mpo. Mesmo que seu movimento não seja explícito como o do ponteiro dos segundos. Nos
sa visão não foi treinada para perceber isso. Em suma, apesar de não o percebermos, el
e acontece!
Algumas culturas indígenas garantem ser a visão humana o mais ilusório dos sentidos físi
cos: pois é o único sentido que nos dá a impressão que existe espaço vazio entre as coisas
e as pessoas, especialmente por ser o ar que nos envolve, transparente para nos
sa visão, e invisíveis às ondas de calor e as infinitas diferentes freqüências eletromagnét
cas que permeiam nosso ambiente, como se estivéssemos dentro de um gigantesco ocea
no de vibrações eletromagnéticas e gases!
É verdade... Aqui e agora, enquanto você está lendo esse artigo, estão todos os programa
s de rádio e televisão disponíveis em sua cidade, como fantasmas, compartilhando da su
a presença, ao mesmo tempo e no mesmo espaço físico!!!! Com um aparelho adequado você po
derá encontrar vários desses fantasmas: um rádio ou uma televisão. Todos eles coexistind
o conosco, debaixo de nossos narizes e... Completamente invisíveis aos nossos olho
s, inaudíveis, impalpáveis! Quem sabe tanto quanto a água deva ser invisível para os pei
xes.
Retornando ao universo da experiência humana perceptível, você já observou que algumas p
essoas, certas vezes, estando numa discussão acalorada, estão defendendo pontos de v
ista semelhantes embora estejam discordando? Outras vezes, pessoas totalmente si
ntonizadas ou envolvidas no entusiasmo de uma conversa, em plena concordância entr
e si e interagindo com grande respeito e cordialidade, estão falando sobre assunto
s completamente conflitantes ou diferentes?
Pois bem, aqui é que o imperceptível ou invisível entra: o que será que acontece além das
palavras que condiciona ou interfere tanto em alguns comportamentos humanos? Com
o uma resposta parcial, isso acontece também porque nós mesmos somos constituídos de "
camadas" ou "estações" que, nem sempre, estão em plena e constante harmonia - os chama
dos conflitos interiores.
Dessa forma, simplificadamente, ao nos comunicarmos, parte de nós (consciente) pod
e estar em sintonia enquanto outra parte (inconsciente) não, ou vice-versa. Bem, a
ciência do "rapport" (habilidade de se sintonizar com outras pessoas) ensina que
existem técnicas para conseguirmos essa harmonia ou conexão com outras pessoas: isso
nos propicia uma comunicação mais integral (consciente e inconsciente) e muito maio
r possibilidade de entendimento, tolerância, aceitação e respeito, até mesmo por pontos
de vista bastante diferentes ou conflitantes, sem desentendimentos.
Essas técnicas são bastante úteis para aprendermos a nos flexibilizar e nos sintonizar
com as outras pessoas. Os procedimentos mais simples e menos precisos sugerem q
ue devemos buscar nos "espelhar" (imitar) os gestos e movimentos de nossos inter
locutores. Um pouco mais adiante, treinamos respirar no mesmo ritmo e falar na m
esma velocidade de nossos interlocutores, até que sejamos capazes de nos adaptar a
diferentes ritmos sem tensão.
Um exemplo simples dessa flexibilidade é observar como uma pessoa do campo em esta
dia numa grande cidade acha tudo muito rápido e a vida muito frenética. Por sua vez,
um habitante das grandes cidades reclama que no campo tudo é muito lento e devaga
r, pois a intensidade de estimulação é significativamente menor.
Pois bem, para a prática da sintonia ser eficaz e suas ferramentas naturais, devem
os primeiramente aprender a alterar nossos próprios ritmos interiores até adquirir a
necessária flexibilidade para estabilizarmos (sintonizarmos) aquele ritmo que sej
a interessante em cada momento: caso contrário experimentaremos aquele conhecido d
esconforto de nos sentirmos um "peixe fora d'água" em determinados ambientes ou re
lacionamentos.
Essa habilidade é semelhante àquela de um músico que, além de saber tocar o seu instrume
nto, deve saber também tocar em conjunto (coordenado e sincronizado) com outros músi
cos para fazer uma banda ou uma orquestra. Entretanto, aprender a flexibilizar n
ossos próprios ritmos pode não ser uma tarefa rápida, especialmente quando estamos mui
to condicionados a viver em determinados universos de freqüências. Especialmente por
que nossa mente inconsciente tende a nos manter, como uma memória, naqueles ambien
tes que mais permanecemos e, algumas vezes, nos mantendo confinados ou aprisiona
dos em determinados estados mentais (ritmos de pensamento, freqüências cerebrais, et
c) e emocionais, caso pudéssemos compreender os diversos tipos de pensamentos e se
ntimentos como sendo programas de rádio coexistentes no tempo e no mesmo espaço, emb
ora em estações (freqüências) diferentes.
A partir de medições realizadas com aparelhos sensíveis as ondas cerebrais, os eletroe
ncefalógrafos, admite-se que as freqüências usuais da consciência estejam entre 12 e 26
ciclos por segundo. Não obstante, se você consultar um eletroencefalograma verá que ex
istem diferentes curvas descrevendo ritmos simultâneos de diferentes partes de nos
so crânio. Bem, se estivermos com o aparato visual ativado e sendo estimulado, em
geral as freqüências mais intensas estão no intervalo de 20 a 26 cps (ciclos por segun
do). Se estivermos atentos a ouvir algum discurso, escutando música ou percebendo
sons, as freqüências predominantes estão entre 15 e 20 cps. Se estivermos atentos às nos
sas sensações, provavelmente estaremos no intervalo de 12 a 16 cps. As freqüências típicas
de um relaxamento, devaneando, cochilando ou pré-adormecidos, as famosas ondas ce
rebrais alfa, estaremos entre 8 e 12 cps. Depois disso vem o sono leve, 4 a 8 cp
s, e, finalmente, o sono profundo, de 0,5 a 4 cps.
Assim sendo, uma forma de desenvolvermos nossa flexibilidade para sintonizar dif
erentes ritmos é cultivar esse hábito dentro de nosso próprio corpo, por exemplo, obse
rve o grau de facilidade e o tempo necessário para pensar em algo, uma maçã vermelha..
. Rápido, não é? Agora tente sentir a sua cabeça até perceber se sente calor ou frio, a pu
lsação ou a sensação de peso... Leva mais tempo não é? Principalmente se não estiver descon
tável com uma bela dor de cabeça! Experimente sentir agora a textura da meia que est
eja usando ou a temperatura de seus pés... Isso mesmo, cultivar sensações corporais di
minui a freqüência de nossa mente. Assistir filmes, treinar a visão de um modo geral,
aumenta.
Essa maior flexibilidade de alterar nossas freqüências mentais não seve apenas para no
s sintonizarmos com nossas dimensões interiores, sensações, percepções corporais, ela é par
icularmente útil para empreendermos o autoconhecimento ou cultivarmos a inteligência
intrapessoal. Ela servirá também para nos sintonizarmos com as pessoas e o mundo ex
terior. De um modo geral, poderemos então praticar a habilidade de flexibilizar no
ssos ritmos, no universo objetivo exterior, ao treinarmos nossos diferentes sent
idos e a comunicação interpessoal ou, no universo subjetivo interior, ao sintonizarm
os a nós mesmos em diferentes locais ou dimensões (simplificadamente é também isso o que
pretendem aqueles inúmeros exercícios de relaxamento que começam com a conscientização do
s pés em direção à cabeça ou vice-versa). Em qualquer dos casos, estaremos cultivando o po
tencial de flexibilidade automaticamente para desenvolve-lo no outro.
Para nossas reflexões, escolhi então o caminho interior... Pois talvez possamos apre
nder algo mais com a experiência além da flexibilidade! Partindo então do cultivo das
sensações de diferentes partes de nosso próprio corpo, ou seja, aprendendo a sintoniza
r ritmos internos, com o passar do tempo, nos permitirá conhecer melhor as nossas
próprias sensações, sinais corporais e sentimentos. Quando por fim, dispensando um pou
co de nosso tempo com esse relacionamento interior, estivermos mais sensíveis às nos
sas necessidades e percepções, começaremos a reconhecer quem nós somos, independente daq
uilo que aprendemos em nossa cultura e educação.
Esse reencontro consigo mesmo, pode então nos revelar novas dimensões de identidade
(diferentes formas de ser e de sentir), que muitas pessoas procuram fora de si m
esmas durante vidas inteiras e nunca encontram, enquanto buscam sentido para a p
rópria vida - todas essas respostas estão lá, disponíveis, dentro de cada um de nós; sendo
que a sintonia com os sentimentos e sensações é um caminho bastante seguro e natural
de autoconhecimento. Esse é também um caminho especialmente indicado para aquelas pe
ssoas que buscam viver melhor, mas, insistentemente se deparam com pensamentos o
u sentimentos negativos.
Para algumas dessas pessoas, não há pensamento positivo que resolva! Quanto mais se
esforçam para pensar positivo, mais crescem em tamanho e quantidade os seus maus p
ensamentos e sentimentos. Não há nada de errado com essas pessoas... Exceto que os p
ensamentos e sentimentos negativos aos quais ficam aprisionadas (confinamento em
uma determinada "estação" ou 'freqüência'), possuem uma função de alarme, isto é, em geral
rque ignoraram a si mesmas, insistentemente, por longos períodos! Simplificadament
e, o pensamento positivo é progressivamente menos eficaz com aquelas pessoas (que
mais imaginam precisar dele!) que menos se respeitam e mais ignoram os próprios se
ntimentos e inclinações!
Nossa mente inconsciente é extremamente sábia e inteligente e, tal qual uma criança, f
lexível e adaptável: quando não consegue chamar a nossa atenção para si por bem, nem obtém
respeito e a atenção que merece, faz escândalo! Para pessoas tão educadas e adestradas
assim, que aprenderam a ignorar seus próprios movimentos interiores para satisfaze
r o ambiente social ou as pessoas de sua convivência ignorando a si mesmas, quanto
mais tentam exorcizar os maus pensamentos e sentimentos, substituindo-os por po
sitivos, mais assombrosos e poderosos se tornam os maus! Muitas vezes, principal
mente nos dias de hoje, desencadeando sintomas bastante desagradáveis, tais como a
Síndrome de Pânico, ou outros ainda mais sérios... Seria também isso que acontece, num
organismo maior chamado sociedade do qual somos as células e órgãos, em relação à violência
! Bem isso é uma outra história...
Num caso desses de emergência, quando os sintomas já estão incomodando, o primeiro pas
so não é o "exorcismo", isto é, tentar se livrar daquilo que é aparentemente negativo, e
sim se permitir, durante algum tempo, sintonizar com precisão (sentir em profundi
dade) essa "estação de rádio" (esse sentimento) mesmo que seja um tanto sombria ou sin
istra (tenha a coragem de não julgar aquilo que sua própria mente inconsciente insis
te em mostrar!). Quanto mais atenção for dedicada a essas informações, percepções ou sentim
ntos, mais sabiamente é possível resgatar tal dimensão de identidade ignorada.
Por outro lado, e ao mesmo tempo, é importante sabermos que temos em nossas várias "
estações" (dimensões ou camadas de nossa identidade, em geral inconscientes), outros t
ipos de sentimentos e pensamentos coexistentes com os negativos... Resta-nos a p
ergunta: em qual estação vamos "sintonizar" o nosso "rádio"? Porém, nunca se esqueça de um
a atitude fundamental de respeito para com a sua própria organização de tensões interior
es, você chegou até aqui graças a ela! Então, assim como um adulto interessado na educação
e uma criança, atento e acessível às suas solicitações, quando se dirigir à criança pequena
em sempre a educação e a cortesia de se abaixar para falar-lhe à mesma altura, de igua
l para igual.
Conclusão
Se considerarmos que alguns dos mais valiosos tesouros da civilização moderna são o di
nheiro, o conhecimento e o relacionamento, imagino que você concordará comigo que é ap
enas esse último, os relacionamentos, aquele que vivifica os anteriores, pois dinh
eiro e conhecimento, isoladamente, no deserto, nada valem! Em última instância, rela
cionamento e habilidade de boa comunicação talvez sejam dois dos mais importantes at
ributos do sucesso, haja vista ser uma das qualidades mais comuns das grandes pe
rsonalidades e das grandes mentes da humanidade. Admitindo-se isso, certamente u
ma das mais importantes competências dos grandes gênios interpessoais e intrapessoai
s é a habilidade de se sintonizar, aquilo que chamamos de empatia.
Reflexões
Se os alimentos que ingerimos servem para nutrir o nosso corpo físico, então conheci
mento e experiências de vida são o que nutrem nossas mentes e nossas almas... Tais e
ntes existem em abundância em nosso mundo, misturados com muito ruído e conteúdos inútei
s. Saber selecionar e encontrar o conhecimento exatamente na medida de nossas ne
cessidades dependerá de conhecermos nossos próprios limites e anseios mais profundos
: essas respostas estão disponíveis somente quando cultivamos um relacionamento hone
sto com nossa identidade interior, sendo que a sintonia e a empatia com nossos p
róprios sentimentos, emoções e sensações é, certamente, um caminho bastante seguro e provei
oso.
Sugestões para leitura
As indicações com asterisco (*) são especialmente importantes se você for uma daquelas p
essoas para quem o pensamento positivo não é eficaz
• (*) Connirae Andreas - "Transformação Essencial" - Summus Editorial
• (*) Jay Haley - "Terapia Não Convencional" - Summus Editorial
• Paul Pearsall - "Memória das Células" - Ed. Mercuryo
• Tom Chung - "Qualidade Começa em Mim" - Ed. Maltese
• Walther Hermann - "Encontrando o seu Melhor Destino" - Col. Histórias que Libertam
- ed. do autor
• (*) Walther Hermann - "A Força do Dragão I - Superando o Medo" - Col. Histórias que
bertam - ed. do autor
• Walther Hermann - "Domesticando o Dragão - Aprendizagem Acelerada de Línguas Estran
eiras" - ed. do autor