Você está na página 1de 5

CPI BANCOOP - 15ª Legislatura

14/09/2010 - 16ª Reunião - oitiva Sr. Vagner de Castro

ATA DA DÉCIMA SEXTA REUNIÃO DA COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO


CONSTITUIDA PELO ATO Nº 13, DE 2010, COM A FINALIDADE DE INVESTIGAR SUPOSTAS
IRREGULARIDADES E FRAUDES PRATICADAS CONTRA MUTUÁRIOS DA COOPERATIVA
HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DO ESTADO DE SÃO PAULO - BANCOOP, E PROPOR
SOLUÇÕES PARA O CASO.

Aos quatorze dias do mês de setembro de dois mil e dez, às nove horas e trinta minutos,
no Plenário "Dom Pedro I" da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, realizou-se a
Décima Sexta Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito constituída pelo ato nº 13,
de 2010, com a finalidade de "investigar supostas irregularidades e fraudes praticadas
contra cerca de três mil mutuários da Cooperativa Habitacional dos Bancários do Estado de
São Paulo - BANCOOP, e propor soluções para o caso", da Quarta Sessão Legislativa, da
Décima Sexta Legislatura, sob a presidência do Deputado Samuel Moreira. Presentes os
Senhores Deputados Bruno Covas, Ricardo Montoro, Vanderlei Siraque, Vicente Cândido,
Waldir Agnello (efetivos) e José Bruno (substituto eventual). Presente o Senhor Deputado
Antonio Mentor que integra este Colegiado na qualidade de membro substituto. Ausentes
os Senhores Deputados Estevam Galvão, Chico Sardelli e Roberto Morais. Havendo
número regimental, o Senhor Presidente declarou abertos os trabalhos e solicitou à
secretária a leitura da ata da reunião anterior, que foi dispensada a pedidos e considerada
aprovada. O Senhor Presidente indagou sobre a presença dos convocados a depor. Foi
informado da presença do Senhor Vagner de Castro, presidente em exercício da Bancoop,
a quem o Senhor Presidente convidou para tomar assento à mesa, acompanhado de seu
advogado, Dr. Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari, OAB nº 67.165. Após apresentar sua
qualificação e o termo de compromisso de relatar tudo o que soubesse sobre o objeto
desta CPI, o convocado lembrou que a Senhora Ana Maria Érnica, Diretora Administrativa
e Financeira da Bancoop, havia feito uma apresentação institucional da Cooperativa
quando de seu comparecimento em reunião anterior, ratificando as informações por ela
prestadas e colocou-se à disposição dos Deputados para esclarecimentos. Dando
sequência à reunião, apresentaram suas questões os Deputados: Ricardo Montoro, Bruno
Covas e Samuel Moreira. Respondendo ao que foi perguntado, o Senhor Vagner de Castro
abordou a situação financeira da instituição e as medidas que estão sendo adotadas para
solucionar os problemas de cooperados que se sentem prejudicados por cobranças de
rateios extras ou pela paralisação de alguns empreendimentos. Segundo o depoente,
desde que assumiu a presidência da Cooperativa, em 2005, após auditoria realizada pela
atual gestão, vem sendo realizadas cobranças dos cooperados para cobrir custos incorridos
nos empreendimentos, acrescentando que, naquele ano, foi feito um rearranjo da
administração com vistas a dotar a cooperativa de métodos mais adequados de
organização e foi efetuada uma apuração das contas de cada empreendimento. Foi, então,
realizado o rateio dos custos entre cooperados e começou-se a cobrar deles os valores
adicionais, previstos em contrato. No mesmo período, a Bancoop decidiu não dar
continuidade a empreendimentos considerados economicamente inviáveis. A atual
diretoria da Bancoop rescindiu contratos com empresas de ex-diretores. Existem,
atualmente, duas situações entre os cooperados da Bancoop: aqueles que questionam o
rateio relativo aos custos finais das obras já concluídas e aqueles que fazem parte de
empreendimentos não concluídos e que precisam de reforço de caixa para ter
prosseguimento. O Senhor Vagner de Castro disse acreditar que as controvérsias judiciais
comprometeram o fluxo de caixa da cooperativa, a qual, por essa razão, não consegue
finalizar os nove empreendimentos ainda não concluídos. Como o regime de cooperativa
baseia-se no autofinanciamento, a Bancoop não pode tomar empréstimos no mercado
para concluir esses empreendimentos. O Deputado Ricardo Montoro perguntou se existe a
possibilidade de a Cooperativa cumprir suas obrigações junto aos cooperados. O depoente
disse acreditar que a solução para o impasse está próxima. Segundo ele, estão em curso
negociações entre a cooperativa e os cooperados para solucionar os diferentes casos. A
cooperativa propõe um acordo com os cooperados para que seja feita uma redução dos
ativos e passivos em até 50% (cinquenta por cento). A Bancoop precisa negociar com seus
credores, com fornecedores e nas ações trabalhistas. Quanto aos empreendimentos ainda
em construção, a proposta é a transferência destes para construtoras particulares, a
serem escolhidas pelos cooperados, acrescentando que, para viabilizar essas
transferências, a Bancoop reduzirá em 50% (cinquenta por cento) a base de cálculo da
taxa de desligamento, prevista em contrato, bem como fará a redução de 50% (cinquenta
por cento) dos saldos referentes ao crédito solidário. Em resposta a questionamento feito
pelo Deputado Bruno Covas sobre a situação financeira da instituição, o depoente
informou que a Bancoop tem atualmente R$ 108.000.000,00 (cento e oito milhões de
reais) em ativos, sendo R$ 80.000.000,00 (oitenta milhões de reais) em recebíveis.
Segundo ele, a superação das controvérsias judiciais facilitaria o restabelecimento do
equilíbrio financeiro da cooperativa, que tem dívida de cerca de R$ 40.000.000,00
(quarenta milhões de reais) com o Sindicato dos Bancários, além de outras obrigações
com cooperados e fornecedores. O Deputado Samuel Moreira, Presidente da CPI,
perguntou qual é a receita atual da Bancoop. O Senhor Vagner de Castro informou que os
ingressos mensais totalizam aproximadamente R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) e
que as despesas chegam a R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), considerados os gastos
com folha de pagamento, operações administrativas, manutenção e segurança de
canteiros de obras. Os Deputados Bruno Covas e Ricardo Montoro perguntaram se tinha
ciência de que havia empresas contratadas pela Bancoop das quais figuravam como sócios
antigos diretores da cooperativa. O Senhor Vagner de Castro esclareceu que a gestão da
atual diretoria, que assumiu em 2005, promoveu mudanças nos critérios de contratação
de prestadoras de serviços, com novas exigências para a qualificação, que resultaram no
desligamento das antigas contratadas. O Presidente da CPI questionou se a nova diretoria
apurou responsabilidades por irregularidades praticadas pela gestão anterior. O depoente
afirmou que existem ações judiciais contra as empresas Germany e Mizu e contra o ex-
diretor Tomás Edson Botelho Fraga. Encerrado o depoimento do convocado os trabalhos
foram suspensos a pedido para que os membros da CPI pudessem discutir a agenda para
as próximas reuniões. Reabertos os trabalhos, o Senhor Presidente agradeceu a presença
de todos e, antes de dar por encerrados os trabalhos, convocou reunião para a próxima 3ª
feira, dia 21 de setembro, às 9 horas e trinta minutos. A presente reunião foi gravada pelo
serviço de Audiofonia e após transcrição fará parte integrante desta Ata, que eu Fátima
Mônica Bragante Dinardi, Agente Técnico Legislativo, lavrei e assino após sua Excelência.
Aprovada em reunião de 19/10/2010.

Deputado Samuel Moreira

Presidente

Fátima Mônica Bragante Dinardi

Secretária
14/09/2010 18h25
Presidente da Bancoop vincula desequilíbrio financeiro a controvérsias judiciais
Da Redação - Fernando Caldas
Wagner de Castro
Regime de autofinanciamento impede a tomada de empréstimos no mercado para
concluir empreendimentos

O presidente em exercício da Cooperativa Habitacional dos Bancários do Estado de São


Paulo (Bancoop), Wagner de Castro, prestou depoimento nesta terça-feira, 14/9, na CPI
que investiga supostas irregularidades e fraudes praticadas contra mutuários da
cooperativa. Castro abordou a situação financeira da instituição e as medidas que estão
sendo adotadas para solucionar os problemas de cooperados que se sentem prejudicados
por cobranças de rateios extras ou pela paralisação de alguns empreendimentos.
Segundo Castro, desde 2005 a Bancoop vem realizando cobranças dos cooperados para
cobrir custos incorridos nos empreendimentos, recalculados por auditoria realizada pela
atual gestão. Ele disse que naquele ano foi feito um rearranjo da administração da
cooperativa e uma apuração das contas de cada empreendimento. Desde então, foi
realizado o rateio dos custos entre cooperados e começou-se a cobrar deles os valores
adicionais, previstos em contrato. No mesmo período, a Bancoop decidiu não dar
continuidade a empreendimentos considerados economicamente inviáveis.

Atual gestão da Bancoop rescindiu contratos com empresas de ex-diretores

Existem atualmente duas situações entre os cooperados da Bancoop: aqueles que


questionam o rateio relativo aos custos finais das obras já concluídas e aqueles que
fazem parte de empreendimentos não concluídos e que precisam de reforço de caixa
para ter prosseguimento.
O presidente da Bancoop, Wagner de Castro, justifica que as controvérsias judiciais
comprometeram o fluxo de caixa da cooperativa, que em razão disso não consegue
finalizar os nove empreendimentos ainda inconclusos. Como o regime de cooperativa
baseia-se no autofinanciamento, a Bancoop não pode tomar empréstimos no mercado
para concluir esses empreendimentos.
O deputado Ricardo Montoro (PSDB) perguntou se existe a possibilidade de a Bancoop
cumprir suas obrigações junto aos cooperados. Wagner de Castro disse acreditar que a
saída para o impasse está próxima. Segundo ele, estão em curso negociações entre a
cooperativa e os cooperados para solucionar os diferentes casos.
A cooperativa propõe um acordo com os cooperados para que seja feita uma redução
dos ativos e passivos em até 50%. A Bancoop precisa negociar com seus credores, com
fornecedores e nas ações trabalhistas. Quanto aos empreendimentos ainda em
construção, a proposta é a transferência destes para construtoras particulares, a serem
escolhidas pelos cooperados. Castro acrescentou que para viabilizar essas
transferências, a Bancoop reduzirá em 50% a base de cálculo da taxa de desligamento,
prevista em contrato, bem como fará a redução de 50% dos saldos referentes ao crédito
solidário.
Em resposta a questionamento feito pelo deputado Bruno Covas (PSDB) sobre a
situação financeira da instituição, Castro informou que a Bancoop tem atualmente R$
108 milhões em ativos, sendo R$ 80 milhões em recebíveis. A superação das
controvérsias judiciais facilitariam o restabelecimento do equilíbrio financeiro da
cooperativa, que tem dívida de cerca de R$ 40 milhões com o Sindicato dos Bancários,
além de outras obrigações com cooperados e fornecedores.
O deputado Samuel Moreira (PSDB), presidente da CPI, perguntou qual é a receita atual
da Bancoop. Castro disse que os ingressos mensais totalizam aproximadamente R$ 400
mil e que as despesas chegam a R$ 300, considerados os gastos com folha de
pagamento, operações administrativas, manutenção e segurança de canteiros de obras.
Os deputados Bruno Covas e Ricardo Montoro perguntaram se Castro tinha ciência de
que havia empresas contratadas pela Bancoop das quais figuravam como sócios antigos
diretores da cooperativa. O presidente esclareceu que a gestão da atual diretoria, que
assumiu em 2005, promoveu mudanças nos critérios de contratação de prestadoras de
serviços, com novas exigências para a qualificação, que resultaram no desligamento das
antigas contratadas.
O presidente da CPI também quis saber se a nova diretoria apurou responsabilidades por
irregularidades praticadas pela gestão anterior. Wagner de Castro afirmou que existem
ações judiciais contra as empresas Germany e Mizu e o ex-diretor Tomás Edson
Botelho Fraga.

CPI da Bancoop
Wagner de Castro, presidente em exercício da Cooperativa
Habitacional dos Bancários do Estado de São Paulo (Bancoop)

Wagner de Castro e Samuel Moreira

Interesses relacionados