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e v o l u ç ã o d o

DESIGN
DESIGN JAPONÊS
INFODESIGN
OS SHAKERS

1
Editora
UFSC
EDITORIAL
Tem sido crescente o surgimento de cursos de design.Mas, afinal quem é o profissional que,
para ser compreendido pela população tem que usar um termo em idioma estrangeiro -
designer. Será que não possuimos uma definição em Português para esta misteriosa
profissão. Alguns estudiosos, bem que tentaram, más, com a desculpa de que nada que
dissermos definirá fielmente a essência dese ofício, aqui estamos nós, os designers. Nossa
função primordial é transmitir de maneira eficiente um conceito, fazer com que as pessoas
identifiquem-se com nossos produtos e, de preferência “comprem” nossas idéias. Mesmo
não tendo delimitada nossa área de atuação- não sei dse feliz ou infelizmente - , posto que é
muito ampla, uma coisa é bem clara: qualquer um pode ser nosso concorrente. É o
arquiteto, que acha que com bom gosto e traços criativos pode fazer um bom design; é o
micreiro que por ser “fera” em ferramentas computacionais, e sendo capaz de produzir
peças “bonitinhas”, julga-se capaz de comunicar. Porém, o nosso cliente, que não é
obrigado a entender de design, acaba colocando suas paças publicitárias ou produtos nas
mãos de profissionais desqualificados. O univeros dos designers é bastante complexo.
Passam o dia imersos em cores, formas, marketing, criatividade, semiótica, etc., etc., etc.
Pra você conhecer um pouquinho desse nosso mundo fantástico e desafiador, mostramos
nessa edição um pouco de História do Design. Voce irá conhecer os simples mais eficientes
Shakers, os minimalistas e práticos Japoneses e o atual Infodesign.

Ín d ice Shakers

8 Logotipo CEV
10
Design Japonês
20
Infodesign
Shakers
Shakers
Ann Lee
Os shakers são uma das seitas religiosas mais ferreiro,
numerosas e mais antigas que imigraram à costa Abraham
dos Estados Unidos. Originados na Inglaterra Standley, que
com um grupo pequeno de dissidentes dos mais tarde a
Quakers cuja opinião foi influenciada pelas deixou e suas
doutrinas e pelas práticas de Protestantes q u a t r o
exilados na França em 1689. crianças
A fundadora dos shakers, Ann Lee, era filha de morreram no
um ferreiro de Manchester, Inglaterra. nascimento
Procurando uma religião mais pessoal e mais o u n a
emocional do que a igreja oficial da Inglaterra, infância.
em 1758 juntou um grupo chamado Sociedade Começou
de Wardley que tinha deixado os Quakers. porque também a ter
a versão de Wardley da adoração religiosa incluía visões; estas
movimentos do corpo, da cabeça e dos braços, s u a s
eles vieram a ser chamados "Shaking Quakers" e habilidades e carisma nato de
esta com o tempo foi encurtada para Shakers. O liderança tornaram-na líder do grupo.
nome oficial do grupo, após a imigração para a Entretanto, seu jeito não tradicional de
América, era "A Sociedade Unida de Crentes na adoração trouxe também ao grupo
Segunda Vinda de Cristo". Em seus anos mais muita perseguição. Finalmente uma
adiantados denominavam-se geralmente como das visões de Ann Lee dirigiu-a fazer
“Crentes". seguidores na América.
Ann Lee não foi muito ativa no grupo até que Eles chegaram em Nova Iorque em 6 de
vivenciou diversos eventos infelizes. Seu pai agosto de 1774 (uma data
arranjou uma união para ela com um outro comemorada mais tarde pelos
Shakers) e começaram a procurar um
lugar para estabelecer-se, fazendo
trabalhos na cidade para ganhar sua
vida. Havia outros oito no grupo,
incluindo o irmão de Ann, William.
Estes primeiros Shakers encontraram
u m l o c a l a p r o p r i a d o ,
aproximadamente oito milhas ao
noroeste de Albany e, acompanhados
por quatro outros que tinham vindo da
Inglaterra, estabeleceram-se lá em
1776.

3
Primeiros anos em Albany
Nos primeiros anos, a área onde os fim de suprir as necessidades do grupo,
Shakers estavam era chamada trabalharam plantando, semeando grãos,
"Niskayuna" (Watervliet depois). Os e colhendo. Este trabalho duro teve por
primeiros anos eram difíceis, e a resultado a perda de peso e desmaios. Seu
pequena comunidade viveu em grupo aumentou, agora eram quinze, mas
circunstâncias primitivas. tiveram que dormir no assoalho de sua
A terra provou ser pantanosa e casa. Não havia nenhum descanso e
coberta com mato denso. No começo o somente alguns tinham cobertores. No
pequeno grupo trabalhou duramente outono, quando as colheitas começaram a
drenando a terra, redirecionando e amadurecer, as coisas eram melhores.
endireitando o pequeno córrego que
corria através dela e enchendo os Em 1781 Ann Lee, seguida por um fiel,
p o n t o s viajou dois anos
b a i x o s . c o m o
Aceitaram missionária por
t a m b é m N ov a I o rq u e,
c o nve r s o s , Massachusetts
como os e Connecticut.
primeiros Conver teram
n o v o s muitas pessoas,
membros e por causa de
em 1778. O seu sucesso, o
crescimento grupo cresceu e
era lento até prosperou.
1780. Retor naram
O grupo persistiu, embora um irmão para casa em 1784, onde Ann Lee morreu
do Shaker Jonathan Clark tenha dito naquele outono. James Whittaker foi
mais tarde, em 1778, que tivessem nomeado como seu sucessor.
pouco e às vezes nenhum pão, Diversas outras comunidades tinham sido
manteiga ou queijo durante a fundadas e em 1793 haviam 12
primavera e o verão. Seu alimento estabelecimentos entre Nova Iorque e Nova
principal era arroz e leite e às vezes Inglaterra. Por volta de 1800 a
iam ao rio caçar peixes. Joseph comunidade de Watervliet era composta
Preston e um outro irmão foram 87 pessoas.
pescar um dia, e Joseph tinha tanta
fome que comeu dois arenques crus. A
O início dos Estabelecimentos
Comunitários e das “Famílias" Shakers

da enfermaria. As "Famílias" maiores.


Shakers variavam de tamanho Os shakers floresceram no
para 50 a 150 pessoas. Em século XX, mas o celibato na
1790-91, em Watervliet, o seita levou seus números a
prédio, uma nova casa de caminharem para uma
moradia e de reunião, foi extinção próxima. Uma das
construído devido as grandes últimas vilas a fechar foi a
"reuniões" e o aumento do Cidade da Paz, ou vila de
número de membros novos Hancock perto de Pittsfield,
que ocorreu desse tempo até que se transformou numa
1850, causando a ampliação cidade fantasma em 1960,
d a s c o mu n i d a d e s quando o último de seus
estabelecidas e a criação de habitantes se afastou. A vila
novas. hoje é um museu como
Em seu auge, os Shakers eram monumento à simplicidade,
dezoito comunidades, em New integridade e à tradição dos
Inic
York, em Massachusetts, em S h a k e r. S u a i n f l u ê n c i a
ialmente, a maioria dos
Connecticut, em New- continua na arte popular
shakers em cada local viveu
Hampshire, Maine, Ohio, americana e na arquitetura.
em um estabelecimento
Indiana e Kentucky, um dos
comum, mas alguns membros
per maneceram em suas
próprias fazendas. Em 1787, o
Ministro de Liderança,
Lebanon, direcionou todos os
membros a unirem-se aos
estabelecimentos
comunitários, conhecidos
como "famílias". A primeira
casa comunitária de moradia
em Watervliet, segundo os
registros, foi construída em
1779. Logo foi substituída por
uma moradia feita sob
medida, construída em 1783;
esta foi usada até que uma
maior fosse construída em
1816, quando a original se
transformou na "segunda
casa" e foi usada como um tipo

5
Movelaria
Apesar de pregarem uma

existência simples mas

confor tavelmente auto-

suficiente, sobrevivendo dos

frutos de sua terra, os Shakers

vieram ser conhecidos pela sua


união feliz entre a forma e a
arquitetura, ofícios, e seus
função, de uma incorporação
móveis. Os projetos dos Shaker,
real do credo dos Shaker: "a
com suas linhas limpas e
beleza na utilidade"; "Forma =
econômicas, são a indicação da
Função". À exceção das

viagens dos missionários

da Mãe Ann para converter

pessoas, e suas indústrias

no campo, em que

vendiam os móveis e os

ofícios para seus vizinhos,


os Shakers isolaram-se

consientemente do resto

do mundo. Hoje há

muitos museus, e locais

restaurados para que se

possa continuar a

aprender sobre eles.

Os artesãos shakers acreditavam


que os móveis devem ser
projetados meticulosamente
somente dentro de uma gaveta, no
lado de baixo de uma parte e em
outras áreas não facilmente
visíveis. Os encaixes encontrados
em gavetas feitas a mão nos
séculos XVIII e XIX, é
excepcionalmente forte.

7
Comunicação e Expressão Visual
Em fevereiro de 1999 iniciou na comunicação visual tem todo um
Universidade Federal de Santa sentido semiológico da visão
Catarina o Curso de Comunicação além das fronteiras pragmáticas.
e Expressão Visual. Este visa a Essa visão procura buscar através
formação de designers de estudos o maior grau de
especializados em novas comprometimento da idéia a ser
tecnologias de comunicação. O transferida, muitas vezes de
curso forma profissionais forma subjetiva onde conseguem
capazes de identificar despertar em seu público a
visualmente, e de forma plena, necessidade de obtenção da
qualquer instituição ou produto. informação. No centro desse olho
No entanto sua identidade visual estilizado foi substituído a íris
ainda não foi criada.. Numa por um monitor de computador,
iniciativa do Prof. Dr. Eugênio esse remetendo diretamente a
Merino, que ministra aulas na proposta do curso que tem por
cadeira de Semiótica para os objetivo formar profissionais de
graduandos deste curso, foi comunicação visual apoiados em
iniciado o processo de criação da recursos gráficos. Foram também
Logomarca do CEV. Nesta edição aplicados efeitos cromáticos no
trazemos a sugestão elaborada sentido de representar a origem
pelos alunos Cristiani S. de todas as cores, dessa forma
Bertoldo, Helen Pedroso, Marcio aplicamos tons das cores
L. Scheibel, Maximiliano Eller e pigmento primárias na
Paula R. Vanhoni. representação do olho. Outro
fator que pesou na escolha da
A LOGOMARCA logo é o fato de a mesma poder
representar com traços
A análise da logomarca deve ser simplificados, o que facilita sua
divida em algumas partes. divulgação nas mais diversas
Primeiramente representamos mídias, sem que com isso venha
com dois traços, de forma a perder sua forma original.
intuitiva, o olho humano, que na
C O M U N I C A Ç Ã O E

E X P R E S S Ã O V I S U A L

9
DESIGN O R I G E N S

J A importância dos Estados Unidos para a economia


japonesa após 1945 foi determinante para a sua rápida
mudança em uma nação industrializada de primeira

A
linha. Do mesmo modo que a Alemanha o Japão ficou
fortemente danificado após a segunda guerra mundial.
A ocupação dos Estados Unidos (1945-1952) se fez
notar nos aspectos econômicos, políticos e sociais da

P
mesma maneira que aconteceu na Europa.

Mesmo assim o estilo Norte Americano foi decisivo


para o desenho japonês durante muito tempo. A
indústria orientou-se em primeiro lugar exportando

O principalmente para os Estados Unidos; a pobreza de


matérias primas obrigou o Japão a exportar produtos
tecnológicos para financiar a importação destas.

N
Uma pesquisa histórico-cultural interessante, seria
analisar a repercussão da técnica moderna, e com ela o
design, em um país com uma cultura milenar. A
religião, a estética e a vida cotidiana no Japão de

Ê
sempre, se viram ameaçadas após 1945. A rápida
industrialização e a abertura do país ao mercado
mundial conduziu a uma perda das formas típicas de
vida: foi o começo de uma mudança progressiva da

S
disciplina, da moral, do trabalho e da conduta social.

Não em vão, a importação de cultura ocidental


contribuiu para uma transformação Entre seus produtos estão os
dos hábitos de vida japoneses: dito de equipamentos de precisão (em
maneira exagerada, muitos particular relógios),
japoneses, depois do trabalho, equipamentos ópticos, aparelhos
chegam em suas casas, assistem a eletroeletrônicos (televisão e
filmes de vídeo e comem batatas vídeo) e automóveis. A estratégia
fritas. de marketing dos empresários
japoneses considera que o
A decadência das estruturas sociais
produto em si deve possuir um
tradicionais do Japão começou
alto padrão de qualidade, ter um
realmente no século passado quando
preço relativamente econômico e
o país abriu suas portas à Europa. A
estar tecnologicamente
alta densidade demográfica trouxe
atualizado.
como conseqüência uma ética de
grande adaptação social, e
conduziram por uma lado a
experiências coletivas de ócio e por
outro lado a fo r t a l ez a s de
isolamento. O individualismo
ocidental era algo desconhecido
no Japão milenar, e atualmente
está cada dia mais atrativo e
provocando conflitos sociais.

A industria japonesa resolveu


concentrar-se em poucos
campos, nos quais pode
alcançar no menor prazo
possível um rendimento máximo.
Rainer Wagner, porta voz da empresa SONY
na Alemanha, observou em relação a frase
"O imperialismo Japonês", que a pesquisa e
a industria na Europa e Estados Unidos
estão muito próximas. Efetivamente a
supremacia japonesa consiste às vezes em
saber levar as inovações ao mercado:
tomemos por exemplo o transistor. Um
americano o inventou e recebeu por ele o
prêmio Nobel. Mas os Estados Unidos não
sabiam onde usar o invento; pensou-se que
era algo para aparelhos de surdez.
A hegemonia japonesa reduz-se a setores
como o da eletrônica (1990). Os técnicos e
designers japoneses focalizam sua atenção
atualmente na miniaturização dos produtos.
Levando em conta a limitação espacial de
seu próprio ambiente, pretendiam fazer os
objetos eletrônicos tão pequenos e práticos
quanto possível. Já em 1958 a SONY
conseguia levar ao mercado um rádio
transistor de bolso. O desenvolvimento
vertiginoso da microeletrônica se deu no
Japão como um caminho para reduzir os
produtos e torna-los cada vez mais
funcionais.
O walkman - símbolo de uma XXI. Outro aspecto importante é o
juventude dinâmica e sempre em forte movimento migratório para o
movimento - surge no final dos Brasil que está sendo observado
anos 70 no Japão quando nos últimos anos incentivado pela
surgiram os recursos tecnológicos grande densidade demográfica
para tal. Observando este tipo de japonesa. Isto possibilita que a
produto eletrônico percebe-se amálgama destas duas culturas
que não tem nenhuma relação com conduza a novos padrões de
a tradição japonesa, isso foi qualidade para o design de ambos
intencional, já que o objetivo os paises.
principal era a exportação.
No design, as influências não são
As raízes culturais do Japão são até o momento equivalentes as da
bem observadas na arquitetura do arquitetura. A espreguiçadeira de
pós-guerra, na qual existe uma Toshiyuki Kita (fabricada por
série de construções Cassina) é, por exemplo, uma
significativas que acreditam criar síntese bem sucedida da cultura
uma ponte entre o passado e o pop ironizante de design funcional
presente. e prático. Os objetos domésticos e
luminárias desenhadas por
É evidente que o Japão atualmente
Masanori Umeda foram incluídos
cultiva a construção de vanguarda.
na coleção milanesa de Memphis
Portanto o mundo dos
em 1981, e o mobiliário de Shiro
especialistas deveria estar de
Kuramata mostra uma feliz
acordo que ao Japão pertence o
conjunção da tradição japonesa e
resto do século. Espera-se uma
o movimento ocidental.
maior influência do modo de viver
japonês para o início do século

13
O
J a p ã o
mostrou pelo Japão
menos duas faces do
design moderno ao mundo design
nos anos 80. De um lado os
eletrônicos altamente estilizados nos
dos grandes fabricantes como Sharp,
Sony, Panasonic e outras. Estes invadiram anos 80
o mercado, mostrando claramente que o
Japão é o líder nesse campo. Do outro lado,
um grupo relativamente pequeno de arquiteto-
designers procurou chamar a atenção do mundo
num esforço de mostrar o que o Japão poderia
oferecer nas áreas de design de interior e design de
móveis. Kiro Kurakawa, Masanori Umeda, Arata
Isozaki, Shigeru Uchida, Shiro Kuramata e outros
construíram uma ponte entre o Japão e o ocidente
com seus designs progressivos para construções,
interiores e móveis. Projetando boutiques eles
ligaram-se aos designers de sucesso da moda
japonesa como Issey Miyake, Rei Kawakubo e
Yo s h i o Ya m a m o t o. Uma série de
possibilidades se abriu, enquanto as
contradições entre o Modernismo e o
Pós-modernismo foram
desaparecendo do trabalho desses
talentosos designers.
Shiro Kuramata

Shiro Kuramata (1934 - 1991) estava entre os


primeiros designers que se estabeleceram no
ocidente, com uma grande produção. Acostumado
a trabalhar com madeira na Escola Técnica de
Tokyo até 1953, continuou na cidade para
estudar três anos no Departamento de Design de
Moradias do Instituo de Design de Kuwazawa.
Em 1953 também entrou para a Fábrica de
Móveis de Teikoku Kizai, e depois na próxima
década trabalhou nos setores de design de
interiores de várias lojas de departamento de
Tokyo, incluindo, em 1957, a famosa Matsuya.
Em 1956 abriu seu próprio escritório de design em
Tokyo, e dedicou a próxima década a projetar
interiores de mais de 300 boutiques e restaurantes
novos do Japão. Esse período marcou o auge da
explosão econômica pós-guerra do Japão e a
contribuição de Kuramata foi uma parte integral do
processo de reconstrução física da identidade do país.
Na essência Kuramata era minimalista - um grande
admirador do design de interior tradicional japonês.
Combinava, em suas obras detalhes trabalhados
imaculadamente, um senso de harmonia de composição
e o elemento adicional do inesperado e idiossincrático.
Suas famosas cômodas "wavy" da série "Móveis em
Formas Irregulares (1970), que lhe trouxeram
reconhecimento internacional, eram uma brilhante
combinação de suas duas tendências. Essas peças
multi-gavetas belamente feitas e detalhadas foram
consideradas incomuns por seus contornos
ondulados elegantes.

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Em 1981, com uma grande em design de objetos domésticos
quantidade de suas peças já em - por exemplo, tigelas de frutas de
exposição na Loja de Zeev Aram metal e madeira (1989) feitas
em Londres (uma loja de pelo Mercado Central do Japão, e
depar tamentos altamente uma pia de banheiro
c o n h e c i d a ) , Ku r a m a t a f o i transparente (1990),
convidado para participar da enigmaticamente chamada de
primeira Mostra de Memphis em "Coup de Foudre" (amor à
Milão, para a qual ele produziu p r i m e i r a v i s t a ) . Fr a s e s
"Imperial", um gabinete de três imaginativas simples como essas
peças". Esse foi seguido em 1983 eram marcas de sua habilidade
por "kyoto", uma mesa de de criar formas impressionantes,
concreto, em que peças de vidro inusitadas de restos de materiais,
colorido quebrado eram e foi nessa sua habilidade que a
incrustadas, criando uma peça originalidade de Kuramata se
de móvel decorativa e expressiva revelou.
que perfeitamente adequava-se
ao clima do dia. Nos próximos
anos ele veio a criar uma série de
cadeiras. Seus títulos, às vezes
tirados de músicas populares,
revelavam seu conteúdo poético.
De "Begin the Beguine" (1985),
uma homena gem a Josef
Hoffman, a "How High the Moon"
(1986), uma poltrona de metal
entrelaçado, e "Miss Blanche"
(1989), um assento de plexiglass
com rosas vermelhas imersas,
Kuramata explorou o material
das cadeiras e possibilidades
metafóricas enquanto mantinha
uma simplicidade inspirada
modernista (modernist-inpired).
Kuramata também se interessou
SONY
O design do
produto japonês
Corporation, e
renomeada em
Masaru Ibuka,
que adquiriu
Aventurando-
se no começo
na área de
gravadores de
fita - sem idéia
teve um papel 1 9 5 8 f o i uma empresa do que projetar
internacional particularmente c h a m a d a e um foco
importante nos inovadora e Instrumentos de exclusivo na
anos pós- influente a esse Precisão do engenharia -
g u e r r a . r e s p e i t o . Japão durante a eles lançaram o
Entretanto, a Naquela época a guerra, uniu p r i m e i r o
contribuição de S O N Y forças com modelo no
indivíduos inevitavelmente o u t r o m e r c a d o
específicos é emprestou suas empresário, japonês em
geralmente idéias básicas Akio Morita, 1950.
difícil de definir - de design do para formar o
com a exceção e x t e r i o r que iria se
de Kenji Ekuan, (primeiro dos tornar a SONY
que estabeleceu Estados Unidos Corporation.
a Empresa de e depois da
consultoria em Alemanha),
design GK para produtos
Design em 1957 n ovo s c o m o
- a maioria dos gravadores de
designs de fitas, rádios
p r o d u t o por táteis e
continuavam televisores,
a n ô n i m o s além de uma
dentro das s é r i e d e
grandes firmas. p r o d u t o s
A S O N Y altamente
Corporation interessantes.
surgiu em 1946 ORIGENS DA
como a Tokyo EMPRESA
Telecommunica
tion Engineering E m 1 9 4 6

17
Entretanto, em 1954 foi dada a e uma caixa de aço em dois tons de
licença de produzir transistores no cinza. A partir desse ponto a SONY
Ja p ã o e, u m a n o d e p o i s , deixou a tecnologia e a performance
produziram seu primeiro radio de seus objetos ditar sua aparência,
transistor - o "TR-55" - que trouxe até um certo ponto. Seguindo esse
sinais definitivos de ter sido criado requisito os designers da empresa
numa prancheta, com seu design aplicaram recursos visuais
claramente derivado do conceito suficientes para deixar o produto
de estilo americano. Quando, três transmitir um alto nível de
anos depois, a empresa lançou um virtuosidade tecnológica, eficiência,
rádio transistor de bolso - dessa racionalidade, beleza, originalidade
vez de cor amarelo-limão - foi e modernidade, alcançando essas
evidente que seus designers ainda qualidades seguindo as regras do
estavam olhando fixamente na minimalismo estético e chamando a
direção dos Estados Unidos para a atenção aos pequenos detalhes.
sua inspiração.
Durante os anos 60 e 70 a SONY
Apesar de sua dependência do continuou a aplicar esses princípios
estilo estrangeiro, a SONY estava a um grande número de produtos de
começando a definir design de consumo que eram também
uma nova maneira; como um inovadores tecnologicamente; isso
encontro entre tecnologia abrangia desde o primeiro gravador
avançada e marketing. A empresa de vídeo (1964), a TV colorida
precisava de um estilo apropriado Trinitron (1968), o altamente
para representar esse encontro e sucedido Walkman (lançado no final
conseguiu durante os anos 60, no dos anos 70), a câmera sem filme
minimalismo visual e físico - uma Mavica do início dos anos 80 e a TV
combinação do minimalismo Profeel de 1987.
japonês e funcionalismo alemão.
Por exemplo, o bem sucedido "TV8- Em 1978 a empresa criou seu
301" - um dos primeiros televisores "Centro de Planejamento do
transistores, com uma tela Produto". Um centro de recursos de
miniatura de 20 cm, produzido em design que ligou o processo ao
1958 - tinha uma aparência marketing "estilo de vida". O
funcional, sem detalhes estéticos, walkman foi o primeiro resultado
dessa iniciativa, e sua integração entre produto pós-guerra se deu,
inovação, engenharia, design e essencialmente, no modo em como é
marketing do produto demonstrou a explorada a nova tecnologia para criar
nova política da SONY em ação. Foi novos tipos de produtos, com uma
uma política que colocou o design ênfase (pelo menos nos primeiros
firmemente no centro das idéias da anos) na miniaturização e
empresa, de forma que se tornou p o r t a b i l i d a d e. A " e s t é t i c a d a
impossível desunir as duas áreas. Isso economia", com suas raízes no interior
foi uma façanha, sobre a qual muitas japonês minimalista, achou seu
empresas ocidentais ainda têm muito caminho para os produtos de alta
a aprender. tecnologia, e desse modo ajudaram a
criar um novo conceito do design de
A contribuição da SONY ao design de produto moderno.

19
Infodesign é o ato
O que é INFODESIGN de definir, planejar e modelar o

in
conteúdo de uma mensagem.

É o meio na qual ela é apresentada com a intenção

fo
de alcançar um objetivo particular do usuário.

Implícito a essa definição está a análise e o

de planejamento de produtos para a comunicação,

visando um retorno eficiente.

si Entretanto, o design da

Informação tem um

gn foco muito mais amplo do

que a aparência da peça produzida.

Seu foco está na efetividade da

informação.
Existe na Comunicação Visual três formas de tratar a
informação. São elas:

Arquitetura de Informação: consiste no conjunto


geral de idéias sobre como toda informação em um dado
contexto deve ser organizada. Por exemplo, alguém pode
dizer que " Toda a informação de nossos produtos devem
atender as necessidades do consumidor, sendo expressa em
tarefas que eles devem fazer com nossos produtos, e então
desenvolver um padrão que organize toda informação do
produto em módulos relacionados com as tarefas do
consumidor. O resultado é um documento de arquitetura de
informação.

Planejamento de Informação: focaliza


todos os aspectos requeridos para preparar e
sustentar a informação de um conjunto específico
de produtos, um único produto, ou evento após a
perda de popularidade do produto ou outro período
de tempo. Isso geralmente inclui definir metas,
estudando as necessidades do c liente,
considerando as possíveis mídias a serem
utilizadas e especificando o público alvo. O
resultado é um plano de informação.

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Infodesign: focaliza mais especificamente a própria informação em uma
ou mais mídias. Pode compreender os aspectos de informação do desenho

industrial (rótulos, botões, e a interface física), design do conteúdo da

informação, design de impressos, design de web sites, design de ilustrações,

decisões tipográficas, e assim por diante. O design de informação pode ser

aplicado a um único trabalho, como um catálogo, ou ao conjunto de

informações ao cliente de uma corporação inteira. O resultado pode ser um

plano de informação, um documento separado de design de informação, ou

simplesmente o design do objeto ou conjunto de objetos. As idéias de

infodesign podem ser freqüentemente testadas em laboratórios de

usabilidade observando vários usuários que interagem com a informação e

reagem a esta. Essa prática levanta questões de como as pessoas aprendem

ou preferem aprender e como elas usam a informação. Com isso obtem-se

respostas de como projetar a informação para públicos e culturas diferentes.


PoLuiÇã0 naS MíDiAs
Quem ainda não ficou confuso ao esquina, em banner's e como não
procurar entender certas peças poderia ser diferente, na rede
publicitárias? mundial.
Diariamente somos abordados por Um PROJETO VISUAL eficaz é aquele
inúmeras mensagens, sejam essas que transmite as mensagens de forma
impressas ou eletrônicas que tentam clara, tem direcionamento (target), e
das mais variadas formas conquistar conceituação; é produzido,
um tempo de nossa atenção. cer tamente, por profissionais
Informações essas que com o objetivo habilitados e empenhados em
de excitar nossos sentidos, utilizam- transformar mensagens e nformações
se dos mais variados recursos em COMUNICAÇÃO
cromáticos e visuais. EFETIVA.
Essas publicações que deixam de
lado o que deveria se primordial ao
desenvolvimento de um projeto, que é
a objetividade da informação,
passam a agregar os mais
diver sos efeitos
computacionais para
com isso nos submeter
aos seus encantos. A
seus criadores podemos
chamar de “micreiros”,
que, apoiados no
conhecimento de alguma
ferramenta computacional,
passam a produzir sem
conceitos cromáticos,
tipográficos, morfológicos e
semióticos, peças
consideradas ineficazes. E
dessa forma vão procriando sem
nenhum controle essa massa de
mensagens perdidas, sejam nos
out-door's, nos panfletos de

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C O M U N I C A Ç Ã O E

E X P R E S S Ã O V I S U A L

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA


DEPARTAMENTO DE EXPRESSÃO GRÁFICA

Projeto Gráfico: Cristiane Bertoldo, Helen


Pedroso, Marcio Scheibel, Maximiliano Eller,
Paula Vanhoni