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Luxo - Anna Godbersen

Luxo - Anna Godbersen

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f|ÇÉÑáxM f|ÇÉÑáxM f|ÇÉÑáxM f|ÇÉÑáxM Na virada do século XX, as belas irmãs Elizabeth e Diana Holland
são as rainhas da vida social de Manhattan. Pelo menos, é o que parece.
Quando as duas descobrem que sua posição na alta sociedade de Nova York não
está nem um pouco segura, subitamente todos - incluindo Penelope Hayes, uma
alpinista social traiçoeira, Henry Schoonmaker, o mais charmoso solteiro da cidade, e
Lina Bround, uma criada invejosa - ameaçam o futuro dourado de Elizabeth e Diana.
O destino da família Holland está nas mãos de Elizabeth, que precisará escolher se
vai cumprir suas obrigações ou seguir seu coração. Mas quando sua carruagem tomba às
margens do rio Hudson, a garota que vivia figurando nas colunas sociais da cidade é
engolida pela corrente gélida. Toda Nova York está em prantos e alguns começam a se
perguntar se a vida deslumbrante de Elizabeth se tornara um fardo pesado demais para
ela, ou se havia alguém que desejava que a mais famosa jovem de Manhattan
desaparecesse...
Num mundo de luxo e ilusão, onde as aparências são o mais importante e não
cumprir as regras pode levar ao ostracismo, cinco adolescentes levam vidas
perigosamente escandalosas. Essa emocionante viagem à era da inocência não é nada
inocente.

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GAROTAS LINDAS COM ROUPAS PERFEITAS, DANÇANDO ATÉ DE
MANHÃ.

GAROTOS IRRESISTÍVEIS COM SORRISOS SAFADOS E MÁS
INTENÇÕES.

MENTIRAS, SEGREDOS E AMORES ESCANDALOSOS.

ESTAMOS EM MANHATTAN E O ANO É 1899...

Assim começa a série g{x _âåxA g{x _âåxA g{x _âåxA g{x _âåxA


“Mistério, romance, ciúmes, traições, humor e uma incrível
pesquisa dos costumes da época. Quando comecei a ler Luxo,
não consegui parar mais!”

Cecily Von Ziegesar, autora dos best-sellers da série GOSSIP GIRL.




Para Suzanne e Gordon




Essa era a maneira de agir da velha Nova York... as pessoas tinham mais medo
de escândalos do que de doenças, valorizavam mais a decência do que a coragem
e achavam que nada era pior do que “cenas”, com exceção do comportamento
daqueles que as causavam.

Trecho de A era da inocência, de Edith Wharton.








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cÜ™ÄÉzÉ cÜ™ÄÉzÉ cÜ™ÄÉzÉ cÜ™ÄÉzÉ

Na manhã do dia 4 de outubro de 1899, Elizabeth Adora Holland, filha
mais velha do Sr. Edward Halland (in memoriam) e de sua viúva,
Louisa Gansevoort Holland, foi para o reino dos céus. O funeral será
amanhã, domingo, dia 8, às dez da manhã, na Igreja Escopial da Graça,
no número 800 da Broadway, Mahattan.

TIRADO DA PÁGINA DE OBITUÁRIOS DO JORNAL NEW YORK NEWS OF THE WORLD
GAZETTE, SÁBADO, 7 DE OUTUBRO DE 1899.


m vida, Elizabeth Adora Holland fora conhecida não apenas
por sua beleza, mas também por sua moral. Portanto, é justo
acreditar que, após a morte, ela ocuparia um lugar elevado no
paraíso, com uma vista especialmente deslumbrante. Se Elizabeth houvesse
olhado para baixo de seu posto celestial, numa determinada manhã de outubro, e
observado seu próprio funeral, teria ficado lisonjeada ao ver que todas as
melhores famílias de Nova York haviam comparecido para se despedir dela.
Estavam causando um engarrafamento na Broadway com sai carruagens
negras, que seguiam gravemente até a esquina da rua Dez, leste, onde ficava a
Igreja Episcopal da Graça; Embora não estivesse fazendo sol nem chovendo,
seus empregados as protegiam com enormes guarda-chuvas pretos, escondendo
seus rostos crispados de choque e dor do olhar intrometido do público. Elizabeth
teria aprovado ao ver sua melancolia e também sua indiferença em relação ao
povo curioso que se imprensava contra as barricadas da polícia. A multidão viera
ali para dar vazão ao seu espanto com a morte de uma menina perfeita e dezoito
anos de idade, cujas aparições em festas e eventos sociais sempre haviam sido
relatadas nos jornais matinais para deixar seus dias mais alegres.
Um frio súbito surgira em Nova York naquela manhã, tingindo o céu de um
inexplicável cinza. Era como se Deus não pudesse mais imaginar a beleza agora
que Elizabeth Holland se fora, murmurou o reverendo Needlehouse quando sua
carruagem chegou à igreja. Os jovens que iam carregar o caixão de Elizabeth
assentiram e foram para dentro da sombria igreja gótica ao lado do reverendo.
Aqueles jovens eram do mesmo nível social que Elizabeth, e eram os
mesmos rapazes com quem ela dançara em incontáveis bailes. Todos haviam
sido enviados para escolar particulares como St. Paul’s e Exeter em algum
momento e haviam retornado com idéias adultas e uma vontade enorme de flertar
com as meninas. Aqui estavam eles agora, com seus sobretudos negros e fumo
nas mangas, parecendo tristes pela primeira vez na vida.
Primeiro surgiu Teddy Cutting, que era conhecido por ser tão alegre e que
pedira Elizabeth em casamento duas vezes, sem ser levado a sério por ninguém.
Ele estava elegante como sempre, mas Liz teria percebido os vestígios de barba
X

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loura em seu queixo, um sinal de profundo pesar, pois Teddy era barbeado por
seu criado toda manhã e jamais era visto em público sem estar com a pele
perfeitamente lisa. Logo surgiu o belo James Hazen Hyde, que em maio herdara
o controle acionário de uma enorme empresa de seguros. Ela uma vez deixara
seu rosto próximo ao pescoço de Elizabeth, que cheirava a gardênias, e lhe
dissera que ela tinha um perfume melhor que o de todas as mademoiselles do
Boulevard Saint-Germain, em Paris. Depois de James veio Brody Parker Fish,
cuja família tinha uma casa vizinha à dos Holland no Gramercy Park, e então
Nicholas Livingston e Amos Vreewold, que muitas vezes haviam competido para
ver quem seria o próximo par na dança com Elizabeth.
Eles ficaram imóveis, com o olhar preso ao chão, esperando por Henry
Schoonmaker, que apareceu por último. As figuras elegantes de negro que se
dirigiam para a igreja não puderam deixar de soltar uma exclamação de espanto
ao ver Henry, e não apenas porque estavam acostumados a encontrá-lo com um
brilho perverso nos olhos e um drinque na mão. Pareceu-lhes profundamente
injusto que Henry precisasse carregar o caixão de Elizabeth no mesmo dia em
que iria desposá-la.
Os cavalos atrelados à carruagem funerária eram negros e lustrosos, mas o
caixão havia sido decorado com um enorme laço de cetim branco, pois Elizabeth
morrera virgem. Que pena, sussurraram todos eles, soprando pequenas nuvens
fantasmagóricas nas orelhas um dos outros, que uma morte tão prematura
ocorresse com uma menina tão boa.
Henry, com os lábios comprimidos numa linha fina, moveu-se na direção da
carruagem funerária com os outros rapazes logo atrás de si. Eles ergueram o
caixão, muito mais leve do que o normal, e se dirigiram para a porta da igreja.
Alguns soluços audíveis foram abafados por lenços bordados no segundo em que
toda Nova York se deu conta de que jamais voltaria a ver a beleza, a pele de
porcelana ou o sorriso sincero de Liz. Não restara qualquer vestígio dela, pois seu
corpo não fora recuperado do rio Hudson, apesar de ela já estar sendo procurado
há dois dias e apesar da bela recompensa oferecida pelo prefeito Robert
Anderson Van Wyck.
Na verdade, o funeral fora organizado muito rapidamente, embora todos
estivessem chocados demais para pensar nisso.
A próxima a surgir no cortejo foi a mãe de Elizabeth, que usava um vestido
e um véu de sua cor preferido, o preto. A sra. Edward Holland, cujo nome de
solteira era Louisa Gansevoort, sempre fora uma mulher fria e amedrontadora,
mesmo para suas próprias filhas, e só se tornara distante e intratável quando seu
marido falecera no último inverno. Edward Holland fora um homem estranho, e
sua estranheza só fizera crescer nos anos que antecederam sua morte. No entanto,
ele fora também o filho mais velho de um filho mais velho dos Holland, uma
família que prosperara na pequena ilha de Manhattan desde os dias em que ela se
chamava Nova Amsterdã, e por isso a alta sociedade sempre perdoara suas
excentricidades. Mas, nas semanas anteriores à sua morte, Elizabeth notara algo
de diferente em sua mãe, algo que lhe causava pena. Agora, Louisa se inclinava
levemente para a esquerda, como se desejasse que o marido estivesse ali para
apoiá-la.

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Ao lado da sra. Holland estava Edith, tia de Elizabeth e irmã mais nova de
seu falecido pai. Edith Holland fora uma das primeiras mulheres a continuar
tento um papel proeminente na alta sociedade após seu divórcio; todos sabiam,
embora não se falasse muito no assunto, que ela se casara muito jovem com um
nobre espanhol dado a ataques de mau humor, a bebedeiras e a devassidões. Ela
agora voltara a usar seu sobrenome de solteira, e parecia tão devastada pela morte
de Elizabeth como ficaria com a morte de uma filha.
A seguir, notou-se uma estranha ausência, que todos foram educados
demais para comentar, e então surgiu Agnes Jones, que soluçava copiosamente.
Agnes não era uma menina alta e, embora parecesse bem-vestida para a
multidão que tentava furar o bloqueio policial para ver melhor, Elizabeth, se a
estivesse observando, teria reconhecido o vestido preto que ela portava. A
própria Elizabeth o usara apenas uma vez, no funeral de seu pai, e então dera à
amiga, que o aumentara na cintura e diminuíra a bainha. Elizabeth sabia muito
bem que o pai de Agnes ficara arruinado financeiramente quando ela tinha
apenas onze anos e subseqüentemente se atirara da ponte do Brooklyn. Agnes
gostava de dizer a todos que Elizabeth fora a única que continuara sua amiga
naquela época negra de sua vida. E ela se tornara sua melhor amiga, dizia Agnes
sempre e, embora Elizabeth se sentisse constrangida pela afirmação exagerada,
jamais sonhara em corrigir a pobre menina.
Depois de Agnes veio Penelope Hayes, que em geral era considerada a
verdadeira melhor amiga de Elizabeth. Elizabeth decerto teria reconhecido a
expressão de impaciência que Penolope estava fazendo agora - ela detestava
esperar, especialmente ao ar livre. Uma das Vanderbilt que estava parada ali
perto reconheceu a expressão também, e soltou um muxoxo de reprovação quase
inaudível. Penelope, que tinha um perfil egípcio, enormes olhos com cílios muito
longos e que, no momento, usava penas negras no cabelo, gozava da admiração
de todos, mas da confiança de poucos.
E havia também o fato constrangedor de que Penelope estivera com
Elizabeth quando seu corpo desaparecera nas águas geladas do Hudson. Todos já
sabiam que ela fora a última pessoa a ver Elizabeth com vida. Não que
suspeitassem dela, é claro. Mas Penelope não parecia tão arrasada quanto
deveria. Exibia um cola de diamantes no pescoço e um acompanhante
formidável: Isaac Phillips Buck.
Isaac era um parente distante dos Buck - tão distante que seu parentesco não
podia ser provado ou contestado - mas era formidável em tamanho, três palmos
mais alto que Penelope e possuindo uma barriga robusta. Liz jamais gostara dele;
ela sempre tivera uma preferência secreta pelas soluções práticas e corretas, ao
contrário de Isaac, que escolhia sempre o luxo. Para ela, Isaac era um mero
escrevo da moda e, de fato, até seu canino esquerdo, que era de ouro combinava
com a corrente do relógio que ia do casaco até o bolso de sua calça. Se a
Vanderbilt que estava ali perto houvesse dito em voz alta o que estava pensando -
que Isaac parecia mais preocupado com as aparências do que com o luto -, ele
provavelmente teria considerado o comentário um elogio.
Penelope e Isaac entraram na igreja e foram imitados por todos os restantes,
que inundaram o corredor central com suas roupas negras, a caminho dos
compartimentos especialmente reservados para eles. O reverendo permaneceu em

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silêncio no púlpito enquanto as melhores famílias de Nova York - os
Schermerhorn, os Van Peyser, os Harriman, os Buck, os McBrey e os Astor - se
sentavam. Os que não conseguiram mais se controlar começaram a falar aos
sussurros sobre a chocante ausência, apesar de estarem sob a abóbada de uma
igreja.
Finalmente, a sra. Holland assentiu de forma abrupta para o reverendo.
— É com nossos corações pesados... - começou ele a discursar.
Mas foi tudo que conseguiu dizer antes que as portas da igreja se abrissem
de súbito, atingindo as paredes de pedra com um estrondo. As senhoras educadas
da alta sociedade de Nova York desejaram muito se virar e olhar mas o decoro, é
claro, proibia tal gesto. Elas mantiveram suas cabeças, encimadas por penteados
elaborados, voltadas para frente, e seis olhos fixo no reverendo Needlehouse,
cuja expressão de espanto não estava tornando seu esforço mais fácil.
Atravessando o corredor central da igreja com passos rápidos estava Diana
Holland, irmã caçula da falecida, com alguns cachos de cabelo surgindo por
debaixo do chapéu e as bochechas coradas de tanto correr. Apenas Elizabeth, se
esta de fato pudesse observar tudo do paraíso, poderia compreender por que
havia um pequeno sorriso no rosto de Diana quando ela se sentou no primeiro
banco.




























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hÅ hÅ hÅ hÅ

A FAMÍLIA RICHMOND HAYES SOLICITA O PRAZER DE SUA
COMPANHIA NUM BAILE EM HOMENAGEM AO ARQUITETO
WEBSTER YOUNGHAM NA NOITE DE SÁBADO, 16 DE
SETEMBRO ÀS 21 HORAS EM SUA NOVA RESIDÊNCIA, NA
QUINTA AVENIDA NÚMERO 670, NA CIDADE DE NOVA
YORK.

FANTASIAS SÃO OBRIGATÓRIAS.



odos estão perguntando por você - disse Louisa
Holland a Elizabeth sem levantar a voz, porém de
forma autoritária.
Elizabeth passara dezoito anos sendo treinada para ser motivo de orgulho
para sua mãe e aprendera, entre outras coisas, a interpretar perfeitamente seus
tons de voz. Esse significava que ela deveria retornar agora ao salão de baile e
dança com um parceiro qualquer que sua mãe escolhera, provavelmente um
jovem de boa família, ainda que um pouco prejudicado geneticamente pelo
inúmeros casamentos entres parentes próximos ocorridos ao longo dos séculos.
Elizabeth deu um sorriso de desculpa para a meninas com quem estivera
conversando - Annemarie d’Alembert e Eva Barbey, a quem ela conhecera na
última primavera na França, e que estavam ambas fantasiadas como cortesãs do
reinado de Luís XIV. Elizabeth estava contando a elas como Paris lhe parecia
distante agora, embora houvesse saído do transatlântico naquela manhã. Agnes
Jones, sua velha amiga, também estava sentada no sofá damasco com listras cor
de marfim e cor de ouro, mas a irmã caçula de Elizabeth, Diana, havia
desaparecido. Ela devia ter desconfiado que seu comportamento estava sendo
observado o que, é claro, era verdade. Elizabeth sentiu-se irritada ao pensar na
criancice de Diana, mas rapidamente controlou a emoção.
Afinal de contas, Diana não tivera um baile formal ao ser apresentada para
a sociedade, como ocorrera com Elizabeth há dois anos, logo após ela fazer
dezesseis. Elizabeth passara um ano tendo aulas com uma professora de etiqueta
junto com Penelope Hayes, com quem dividira diversos tutores, e recebera lições
de comportamento, dança e línguas modernas. Diana completara 16 anos durante
a viagem de Elizabeth para Paris, mas nenhum festejo especial fora preparado. A
família ainda estava de luto por causa do falecimento do pai das meninas, e não
lhes pareceu apropriado fazer uma grande celebração. Diana meramente
começara a freqüentar os bailes acompanhada por sua tia Edith durante o verão
que ambas haviam passado em Saratoga. Não era à toa que ela andava mal-
humorada.
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— Sei que lamenta deixar suas amigas - disse a senhora Holland, tirando
Elizabeth da pequena sala em que ela estivera envolta numa atmosfera silenciosa
e feminina e lavando-a de volta para o salão de baile.
Elizabeth estava usando uma fantasia de pastora feira de brocado branco, a
parecia mais bela e alta do que nunca ao lado da mãe, que ainda vestia seu luto
de viúva. Edward Holland morrera no início do ano e sua mulher usaria luto
formal por mais um ano pelo menos.
— Mas aparentemente, você é a jovem mais disputada pelos rapazes essa
noite - continuou a sra. Holland.
Elizabeth tinha um rosto em forma de coração, feições delicadas e tez de
alabastro. Um menino que não seria admitido no salão de baile dos Richmond
Hayes um dia lhe dissera que sua boca tinha o tamanho e o formato de uma
ameixa. Elizabeth tentou formar um sorriso com aquela boca, embora estivesse
preocupada com o tom de voz de sua mãe. Ela sempre fora uma mulher severa,
mas, desde que saíra do navio, Elizabeth a achara mais ansiosa, o que era
alarmante. Elizabeth partira logo após o enterro de seu pai, há nove meses, e
passara toda a primavera e o verão aprendendo a ser charmosa e elegante nos
salões de Paris, comprando vestidos na Rue de la Paix e tentando esquecer a
perda que sofrera.
— Mas eu já dancei tantas vezes esta noite - disse Elizabeth timidamente.
— Talvez - retrucou a sra. Holland. - Mas você sabe o quanto eu ficaria
satisfeita se um de seus parceiros lhe pedisse em casamento.
Elizabeth tentou rir para disfarçar o desespero que aquele comentário
causara nela.
— Bem, a senhora tem sorte por eu ser tão jovem, e por ainda ter anos antes
de precisar escolher qualquer um deles.
— Ah, não. - Os olhos da sra. Holland observaram rapidamente todo o
salão de baile. Era estonteante: tinha a abóbada do teto feita de vidro fosco, as
paredes cobertas por afrescos e inúmeros espelhos de moldura dourada, e ficava
no centro da mansão da família Hayes, cercado por inúmeros outros cômodos
menores, porém tão luxuosos e exagerados quanto ele. Próximos às paredes
ficavam vasos com enormes palmeiras formando um escudo que protegia as
mulheres que estavam nos cantos do salão dos pares de dançarinos que
deslizavam freneticamente pelo chão de mármore xadrez. Havia cerca de quatro
criados para cada convidado, o que pareceu ostentação até mesmo para Elizabeth,
que passara os últimos meses aprendendo a se comportar como uma dama na
Cidade Luz.
— A única coisa que não temos é tempo, Elizabeth. - continuou a sra.
Holland.
Ela sentiu um frio na espinha mas, antes que pudesse perguntar a sua mãe o
que aquela frase significava, chegaram ao salão de baile e estacaram junto ao
local onde casais ricamente vestidos estavam valsando. Todos eram conhecidos
das duas, que acenaram para eles.
Aqueles eram seus iguais: quatrocentas pessoas pertencentes a apenas cerca
de quarenta famílias, dançando como se não houvesse amanhã. De fato, o dia
seguinte provavelmente nem seria percebido por eles, que o passariam dormindo
sob dosséis de seda, acordando apenas para aceitar um copo de água gelada e

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para expulsar os criados do quarto. Era dia de igreja, é claro, mas, após uma noite
tão cintilante e épica, era quase certo que haveria poucos fiéis presentes. A maior
vocação daquela sociedade era receber e ser recebida, atividade pontuada
ocasionalmente pelo investimento de suas vastas fortunas em negócios ainda
mais lucrativos.
— O último rapaz que perguntou por você foi Percival Coddington. Ele
herdou toda a propriedade do pai no último verão, como você bem sabe -
informou a sra. Holland para Elizabeth, posicionando-a ao lado de uma
gigantesca coluna de mármore rosa.
Havia diversas colunas como aquela no salão, e Elizabeth teve certeza de
que não estavam ali apenas para suportar o peso do teto, mas também para
impressionar os visitantes. Ao construir sua nova casa, a família Hayes parecia
ter se aproveitado de cada pequena oportunidade de exibir sua grandiosidade.
Elizabeth suspirou. Ela pensou no único rapaz que conhecia que não ia estar
no baile naquela noite, mas não foi o suficiente para tornar a perspectiva de
dança com Percival Coddington mais atraente. Elizabeth conhecia Percival desde
criança, quando ele fora o tipo de menino que evitava o contato humano e
preferia passar seus dias sendo cruel com animas de pequeno porte. Tornara-se
um homem de poros enormes, que fungava com freqüência e colecionava
artefatos antropológicos obsessivamente, embora não tivesse estômago para ir
em pessoa nas explorações.
— Pare - disse a sra. Holland. - Você não reclamaria tanto se seu pai
estivesse aqui.
Elizabeth teve um sobressalto. Não imaginava ter demonstrado qualquer
emoção. A menção do Sr. Holland fez com que seus olhos de enchessem de
lágrimas, e ela se sentiu mais solidária à causa da mãe.
— Sinto muito - desculpou-se Elizabeth, mantendo a voz bem firme e
lutando contra as lágrimas. - Mas eu me pergunto se o Sr. Coddington, que tem
tantos talentos, se lembrará de mim após eu ter passado tanto tempo fora.
A sra. Holland respirou fundo enquanto duas meninas da família Wetmore,
que tinham um e três anos a mais do que Elizabeth, passaram por elas.
— É claro que ele se lembra de você. Especialmente quando a alternativa é
dançar com meninas como essas. Parecem ter se vestido para trabalhar no circo -
respondeu a sra. Holland.
Elizabeth estava tentando pensar em algo de bom para dizer sobre Percival
Coddington e não o comentário seguinte de sua mãe. Ela chamara alguém de
vulgar. Assim que a sra. Holland pronunciou essa palavra, Elizabeth notou que
sua amiga Penelope Hayes estava no mezanino. Ela usava um vestido cor de
papoula cheio de pregas com um corpete baixo, e Elizabeth ficou um pouco
orgulhosa ao ver como sua amiga estava deslumbrante.
— Eu nem devia ter honrado esse baile com a minha presença - comentou a
sra. Holland. Houve uma época em quae a sra. Holland nem sequer se dignaria a
visitar as mulheres da família Hayes, que considerava novas-ricas, apesar de seu
marido ter aceitado um ou dois convites para caçar com Jackson Pelham Hayes.
Mas a opinião da sociedade mudara à sua revelia e a sra. Holland fora obrigada a
aceitá-las. - Os jornais vão dizer que eu aprovo esse tipo de exibição de mau
gosto, e você bem sabe a dor de cabeça que isso vai me dar.

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— Mas senhora sabe que teria sido um escândalo muito maior se não
viéssemos. - afirmou Elizabeth.
Ela estendeu seu pescoço longo e deu um sorrisinho sutil para Penelope.
Gostaria de estar lá em cima com ela, rindo da pobre menina que tivera a má
sorte de ser tirada para dançar por Percival Coddington. Penelope, olhando para
baixo deixou que uma de suas pálpebras cobertas de sombra escura se baixasse,
piscando o olho de maneira lenta e sensual de sempre. Elizabeth teve a certeza de
que fora compreendida.
— Além do mais - disse ela para a mãe -, a senhora nunca lê jornais.
— Isso mesmo, nunca - concordou a sra. Holland.
Então, ela ergueu seu pequeno queixo, único traço físico que passara à filha,
enquanto Elizabeth cumprimentava sua melhor amiga.
Elizabeth e Penelope haviam se tornado amigas durante a adolescência,
período em que a primeira estivera mais do que nunca interessada no que teria de
fazer para ser considerada uma jovem elegante. Penelope tinha o mesmo
interesse, embora desconhecesse as regras da alta sociedade, da qual tanto
desejava fazer parte. Mesmo assim, Elizabeth, que estava apenas começando a se
importar com essas regras, desejara sua amizade. Ela rapidamente descobrira que
gostava da companhia de Penelope - tudo parecia mais divertida quando se
estava com a jovem senhorita Hayes. Logo, Penelope se tornara uma apta
estrategista nas batalhas sociais, e Elizabeth não podia imaginar ninguém melhor
para ter ao seu lado durante uma noite formal como aquela.
— Olhe! - exclamou a sra. Holland, fazendo com que a atenção de
Elizabeth se voltasse para o salão de baile. - Aqui está o senhor Coddington!
Elizabeth forçou-se a sorrir e a escapar Percival Coddington, de quem não
havia mais como escapar. Ele fez uma espécie de mesura, enquanto seus olhos
perscrutavam o decote quadrado do corpete da jovem. Elizabeth sentiu o
desânimo lhe tomando ao ver que ele usava uma fantasia de pastor, composta por
culotes, botas rústicas e suspensórios coloridos. Eles estavam combinando. O
cabelo de Percival estava alisado para trás e ele respirava pela boca de forma
audível. Elizabeth ficou esperando o convite para dançar.
— Bem, sr. Coddington, aqui está ela. - Ouviu-se a voz melodiosa da sra.
Holland alguns segundos depois.
— Muito obrigado - rosnou Percival.
Elizabeth viu que estava sendo examinada por ele e sentiu-se constrangida,
mas manteve-se bem ereta e com um sorriso no rosto. Fora treinada para ser uma
dama.
— Srta. Holland, a senhorita me daria o prazer desta dança?
— É claro, sr. Coddington.
Elizabeth ofereceu a mão a Percival, que a pegou com sua palma suarenta,
levando-a por entre a multidão de dançarinos fantasiados. Ela olhou para trás
para sorrir para a sra. Holland - poderia, ao menos, ter o prazer de vê-la satisfeita.
Em vez disso, Elizabeth viu sua mãe falando com dois homens. Reconheceu
primeiro a figura esguia de Stanley Brennan, que fora contador de seu pai, e
depois o imponente William Sackhouse Schoonmaker, patriarca da velha família
Schoonmaker, que fizera uma segunda fortuna investindo em estradas de ferro. O
único filho dele, que se chamava Henry e passara algum tempo estudando em

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Harvard, largara a faculdade na primavera e desde então as moças da elite de
Nova York não falavam em outra coisa. As cartas que Elizabeth recebera de
Agnes enquanto estivera em Paris faziam diversas menções ao nome dele, e
contavam que todas as meninas estavam disputando-o. Ele tinha uma irmã
chamada Prudie que era um ou dois anos mais nova que Diana. Prudie só usava
preto e nunca era vista, pois não gostava de multidões. Elizabeth ainda tinha uma
impressão vaga de Henry Schoonmaker, embora o visse e ouvisse falar nele
muitas vezes quando os dois eram mais jovens. Ela lembrava que ele, quando
menino, gostava de fazer travessuras e pregar peças nos outros.
O parceiro de Elizabeth provavelmente percebeu que o pensamento dela
estava longe, pois a trouxe de volta para o presente com um comentário bem
direto:
— Creio que a senhorita teria preferido continuar na saleta com suas
amigas - disse Percival amargamente.
Elizabeth tentou não tropeçar nos pés dele, que dançava muito mal.
— Asseguro-lhe que não, sr. Coddington. Estou apenas um pouco cansada -
retorquiu ela.
Não era de todo mentira. Seu navio chegara três dias atrasado, e ela
desembarcara há menos de vinte e quatro horas. Ainda sentia-e um pouco tonta
após tantos dias passados no mar e, no entanto, ali estava, já dançando. A sra.
Holland exigira que Elizabeth demitisse a criada que lhe servira em Paris e por
isso ela precisara cuidar de seu cabelo e das suas roupas sozinha durante toda a
viagem. Penelope a visitara, naquela tarde, para ensinar-lhe os passos das novas
danças e para lhe dizer que teria ficado furiosa se o navio houvesse atrasado mais
e feito com que sua melhor amiga não estivesse presente em uma das noites mais
importantes de sua vida. Depois, ela falara durante muito tempo sobre seu novo
amor secreto, cuja identidade revelaria para Elizabeth mais tarde, assim que as
duas conseguissem ficar a sós. Nas horas que antecederam o baile havia muitos
criados zanzando para lá e para cá e não teria sido prudente dizer o nome do
rapaz. Penelope parecia ainda mais competitiva do que o normal em relação a sua
aparência e a seu vestido, e Elizabeth acre ditava que era por causa desse
namorado e pelo fato de aquele baile marcar a abertura da nova mansão de sua
família. Além de tudo isso, Elizabeth também estava tensa por causa do estranho
comportamento de sua mãe.
E ela já dançara quadrilha, jantara e conversara com diversos tios e tias,
relatando inúmeras vezes como fora sua atribulada travessia transatlântica.
Quando finalmente se sentara com algumas amigas para tomar uma taça de
champanhe e conversar sobre como tudo estava deslumbrante, fora forçada a
voltar para o centro das atividades, e logo para dançar com Percival Coddington.
Mas continuara sorrindo, é claro. Já era um habito seu.
— Bem, então no que a senhorita está pensando?
Percival franziu o cenho e pressionou a mão contra as costas de Elizabeth.
Ela sabia que ele era o último homem do mundo indicado para guiá-la por um
salão repleto de pessoas levemente embriagadas.
— Hum... - começou Elizabeth, dando-se conta de que estivera pensando
que nem mesmo a saleta onde estava com as amigas era um refúgio perfeito. Na
verdade, ficara um pouco aliada ao se afastar de Agnes, embora ela fosse uma

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amiga tão leal, pois o vestido com franja de couro que estava usando era apertado
demais e lhe caía muito mal. Por isso, Elizabeth não pudera deixar de sentir pena
ao vê-la, o que lhe era desagradável. Agnes lhe parecia um constrangedor
vestígio da infância, especialmente ao lado de suas novas amigas parisienses, que
eram tão glamorosas.
Ela se concentrou novamente no rosto feio de Percival e tentou obrigar seus
pés a se moverem no ritmo correto pelo salão. Pensou em como fora a noite até
ali, com todas aquelas horas de conversa insípida, elogios cuidadosamente
aceitos e atenção minuciosa às aparências. Lembrou-se do luxo da época que
passara em Paris. O que realmente fizera durante todo aquele tempo? E o que ele
- o rapaz que estava tentando desesperadamente esquecer, e que de fato
acreditava ter esquecido - fizera durante os meses que ela passara fora? Elizabeth
se perguntou se ele deixara de amá-la. Já podia sentir o enorme peso de uma vida
inteira de arrependimento por ter desistido dele, e soube que seria o suficiente
para enterrá-la viva.
De repente, o salão ficou silencioso e suas luzes se tornaram mais vívidas.
Elizabeth fechou os olhos e sentiu a respiração quente de Percival Coddington
em seu ouvido, perguntando-lhe se ela estava bem. Seu espartilho, que fora
apertado por sua criada Lina horas antes, subitamente pareceu-lhe estar cortando
sua respiração. Elizabeth se deu conta de que sua vida era uma armadilha.
E então o pânico, que surgira de forma tão abrupta, instantaneamente
desapareceu. Elizabeth abriu os olhos. Os sons alegres do salão retornaram num
átimo. Ela olhou para a abóbada do teto, que cintilava lá em cima, para ter
certeza de que ela não havia caído.
— Estou bem, obrigada por perguntar, sr. Coddington - respondeu
Elizabeth finalmente. - Não sei exatamente o que houve comigo.





















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iana Holland viu sua mãe subir a escada de mármore que
havia do outro lado do salão, de braço dado com um
velhote robusto que ela teve certeza de que conhecia. O
contador e amigo da família delas, Stanley Brennan, ai logo atrás. Logo antes de
os três desaparecerem, indo na direção de uma saleta no segundo andar, que
decerto seria tão suntuosa quanto o resto da casa, a sra. Holland olhou para trás,
encarou Diana e lançou-lhe um olhar severo. Diana ficou furiosa por ter sido
vista e por um breve momento considerou a possibilidade de permanecer no
salão de baile e esperar pacientemente que um de seus primos lhe chamasse para
dançar. Mas a paciência não fazia parte da sua natureza.
Além do mais, ela se orgulhara tanto de sua esperteza quando escrevera o
pequeno convite mais cedo, no banheiro das mulheres, e depois o colocara na
mão do assistente do arquiteto Webster Youngham, que estivera parado na frente
da arcada da entrada para explicar para os convidados as muitas referências
arquitetônicas que haviam sido incorporadas à nova mansão da família Hayes.
Diana atravessara a multidão, fizera uma mensura, apertara a mão dele e lhe
entregara o bilhete.
— O senhor é de fato um artista, sr. Youngham - dissera ela, embora
soubesse que o arquiteto já estava bêbado de vinho Madeira e no momento
descansava numa das salas de jogos que havia no segundo andar.
— Mas eu não sou o sr. Youngham - respondera ele, com um ar
adoravelmente confuso. - Sou James Haverton, assistente dele.
— Mesmo assim.
Diana piscara o olho para James e desaparecera em meio aos dançarinos.
Ele tinha ombros largos e lindos olhos azul-acinzentados e, apesar de ser apenas
um assistente, parecia ser também um homem viajado, que já vivera a vida.
Diana não vira nenhum outro rapaz tão interessante quanto ele na hora que se
passara desde que entregara o bilhete.
Por isso, ela apanhou a saia nas mãos e passou rapidamente por entre os
vasos de palmeiras e a parede. Olhou para trás uma vez antes de deixar o salão
para certificar-se de que não estava sendo seguida e então entrou no closet. Era
enorme e muito ornamentado, pensou Diana, principalmente considerando-se que
era um cômodo cujos principais ocupantes seriam os casacos e chapéus dos
convidados. Eles não dariam a mínima para o fato de que o closet fora decorado
W

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em estilo mourisco, com o chão coberto de mosaicos coloridos e antiguidades
exibidas em nichos em forma de torreão.
Diana olhou em volta, tentando localizar seu casaco, que era do mesmo tipo
usado pelos tenentes do exército francês. Ela viera de fantasiada como a heroína
de seu romance preferido: Trilby, de George Du Maurier. Trilby surge pela
primeira vez nas páginas do livro fazendo uma pausa em seu trabalho de modelo-
vivo e vestindo apenas uma combinação, chinelos e o casaco de um soldado.
Diana não obtivera permissão para usar uma combinação sem o vestido por cima,
mas ter conseguido ir ao baile com aquela fantasia já fora um triunfo. Sua mãe
mandara fazer outra roupa de pastora para que o vestido dela combinasse com o
de Elizabeth, o que teria sido horrível e humilhante. Mas ali estava ela, com uma
saia de listras brancas e vermelhas que lhe dava um ar boêmio e com um corpete
simples de algodão que rasgara em alguns lugares sem que a sra. Holland
percebesse. Ninguém entendera a fantasia, é claro. Todas as meninas da idade de
Diana eram conformistas e suas fantasias pareciam com as roupas que usavam
todos os dias, com a adição de um pouco mais de pó de arroz e de espartilhos
mais apertados do que o comum.
Diana estava começando a se perguntar se um dos criados não levara seu
casaco esfarrapado pensando que era dele, quando o relógio que havia num dos
cantos bateu uma vez, assustando-a. Ela deu alguns passos para trás, surpresa,
cambaleando um pouco por causa de todo o champanhe que tomara escondida e,
quando o fez, sentiu o calor do peito de um homem e duas mãos em seus quadris.
A adrenalina tomou conta de seu corpo.
— Ah, é você. - disse ela, tentando mostrar indiferença, embora aquela
fosse de longe a coisa mais excitante que lhe acontecera a noite toda.
— Olá.
A boca de James estava muito próxima do ouvido dela. Diana se virou
devagar e encarou-o.
— Espero que tenha trazido cigarros - disse ela, esforçando-se para não
sorrir demais.
James tinha sobrancelhas curtas, pequenas e bem distantes uma da outra, o
que fazia com que seus olhos parecessem enormes e sinceros.
— Não achei que moças de família tivessem permissão para fumar.

Diana fez biquinho.
— Então você não tem nenhum cigarro?
James não respondeu e olhou-a de uma maneira que não a fez sentir como
uma moça de família.
— Eu tenho cigarros - disse ele. - Mas não sei bem se devo lhe dar um...
Diana percebeu que havia um brilho maroto nos olhos dele e concluiu que
devia ser o vislumbre de um espírito igual ao seu.
— O que preciso fazer para convencê-lo? - perguntou ela, virando a cabeça
alegremente.
— O que a senhorita está me pedindo para fazer é muito sério - respondeu
ele.
James fingiu seriedade ao dizer isso, mas então caiu na gargalhada. Diana
gostou do som de seu riso.

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— Você é bonita - disse ele, dando um sorriso mais largo agora.
Diana e Elizabeth tinham muitas características físicas em comum, mas
eram bem diferentes. Assim como Elizabeth, ela possuía as feições pequeninas e
a boca redonda das mulheres da família Holland, embora tivesse uma aparência
menos que a de sua irmã mais velha. Diana gostava de acreditar que seus cachos
castanhos lhe davam um certo ar de mistério, mas eles na verdade eram
completamente indomáveis. Seus olhos eram sempre descritos como sendo
“cheios de vida”. E, é claro, ela e Elizabeth tinham o mesmo queixo - o queixo de
sua mãe. Diana o odiava.
— Oh, sei que sou bonitinha - disse Diana, corando de falsa modéstia.
— Muito mais que bonitinha.
James continuou a observá-la enquanto tirava uma cigarreira do bolso do
paletó. Ele acendeu um cigarro e entregou-o a ela.
Diana deu uma tragada e tentou não tossir. Adorava fumar - na verdade,
adorava a idéia de fumar - mas era difícil aprender a fazê-lo direito com sua mãe
e os criados sempre a vigiá-la. Mas até que estava fingindo bem. Ou, ao menos,
pensou estar, soprando pequenas baforadas. Fumar parecia ser a coisa certa a
fazer naquele momento, principalmente porque os detalhes em metal e azul-
turquesa do cômodo onde estava sugeriam um lugar distante e exótico. Diana
levantou uma sobrancelha, perguntando-se o que James ia fazer agora.
— Se você é um arquiteto, isso que dizer que é um artista?
— As opiniões divergem - respondeu ele. - Alguns arquitetos gostam de
pensar que fazemos o tipo de arte mais monumental e duradouro de todos.
— Que ótimo! Porque venho tentando encontrar um artista a noite toda.
— Com que propósito? - perguntou James, apoiando-se sobre os casacos e
colocando um cigarro na boca.
— Para beijá-lo, é claro.
Diana respirou fundo após dizer isso. Até ela própria às vezes ficava
surpresa com as coisas audaciosas que lhe saíam da boca.
James exalou a fumaça, pensativo, e o doce cheiro do tabaco os envolveu. Por
um segundo, Diana achou que estava a milhão de quilômetros dali, numa tenda
escondida em algum recanto da Tunísia ou de Marrakesh, comprando um pó
mágico de um feiticeiro.
— Parece-me que você está sendo uma menininha muito levada - disse
James e seu sotaque ríspido de americano fez com que Diana se lembrasse de que
estava em Nova York e, ainda por cima, na Quinta Avenida.
— Acha mesmo? - perguntou Diana, tragando seu cigarro.
Ela também se afundou na parede fofa de casacos, aproximando-se um
pouco de James.
— Não é comum para senhoritas de classe se encontrarem com homens
mais velhos em lugares como esse, com toda a alta sociedade a poucos metros de
distância.
— E porque você acredita que eu posso ser comparada com as senhoritas de
classe?
Diana falou as duas últimas palavras com nojo. As meninas de classe eram
escravas da etiquetam, e levavam a vida - se é que se podia chamar aquilo de
vida - de manequins inanimados.

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— Eu disse a você que estava procurando um artista - disse ela
impacientemente. - Por isso, se for pensar igual a todo mundo, é melhor eu ir
embora.
James sorriu e largou seu cigarro no chão de mármore preto e branco,
pisando nele para apagar a brasa e chutando-o para o lado. Diana achou-o
subitamente velho, embora ele não devesse ter mais do que vinte anos. Ele veio
rapidamente na direção dela. Assim que seus lábios de tocaram, Diana soube que
não havia qualquer mágica naquilo. Aquele não era o toque pelo qual estivera
esperando a noite inteira, pois James achava que beijar alguém era meramente
amassar seu rosto contra o rosto alheio. Diana quase morreu de decepção.
Ela o beijou também, só para se certificar de que seus instintos estavam
corretos, mas já havia sido beijada antes e sabia como era a sensação de um beijo
bom. James era muito pior que Amos Vreewold, a quem ela beijara diversas
vezes durante o último verão que passara em Saratoga, e só um pouco melhor do
que seu primeiro beijo, que ocorrera aos treze anos e fora desagradável a ponto
de fazê-la esquecer-se completamente da identidade do garoto. Diana estava
finalmente aceitando que James Haverton, assistente de arquiteto, não era o tipo
de artista que estava procurando, quando a porta rangeu e passos soaram no
vestíbulo.
— Srta. Diana? - chamou a voz de um homem, com mais mágoa do que
choque.
Diana sentiu James apertando-a com mais força por um momento, antes que
eles se voltassem na direção da porta. Ela imediatamente reconheceu o rosto
longo e cansado de Stanley Brennan. Ele só tinha 26 anos - o posto de contador
dos Holland lhe fora passado por seu pai -, mas, como estava sempre ansioso,
parecia bem mais velho.
— Sua mãe me mandou ver onde a senhorita estava - disse ele, hesitante. -
Para me certificar de que não estava se metendo em nenhuma confusão.
James tirou a mão da cintura de Diana e se afastou. Ele não parecia muito
satisfeito com a aparição de Stanley, mas nada disse. Diana sentiu-se livre quase
instantaneamente, tomada pela alegria de não precisar mais sentir o queixo
áspero de James contra o seu.
— Obrigada, Stanley - disse ela. - Gostaria de me acompanhar até o salão
de baile?
Stanley aproximou-se cuidadosamente, estendendo a mão na direção dos
rasgões do corpete de Diana. Eles haviam se aberto mais durante aquele
malfadado beijo.
— Pare, não há problema - disse ela, dando o braço a Stanley e voltando-se
para James. - Muito obrigada por me explicar as referências islâmicas do closet,
sr. Haverton. Eu jamais esquecerei.
Diana olhou para trás apenas uma vez, imaginando que a careta que surgira
no rosto de James marcava o início de uma vida solitária e cheia de decepções.
Era mesmo o destino dela destruir corações. Ela e Stanley deixaram o closet e
caminharam para o salão de baile.
— Não vou contar a sua mãe - sussurrou Stanley. - Mas sinto que, como era
amigo de seu falecido pai, devo lembrá-la de que esse tipo de comportamento
pode ser sua ruína.

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— Não tenho medo - disse Diana alegremente.
— Considero-a quase como se fosse minha irmã, e é minha
responsabilidade cuidar da senhorita. Ao menos é isso que sua mãe pensa. - disse
Stanley, parando de andar como se quisesse mostrar que estava falando sério. -
Se ela descobrisse o que a senhorita estava fazendo e que eu sabia de tudo, seria
o fim de nós dois.
— Isso é verdade.
Diana parou ao lado dele. Já era possível ouvir as vozes e a música vindas
do salão e num segundo eles seriam envolvidos pelas luzes cintilantes do baile.
Ela fez um biquinho falso com sua boca redonda, embora seus olhos brilhassem,
sedutores.
— Mas será que seria tão ruim assim? - perguntou ela.
Então, Diana riu, agarrando a mão de Stanley e levando-o de volta para o
centro das atividades. Estava procurando por algo que não sabia explicar, e não ia
deixar que um beijinho desagradável lhe impedisse de seguir em frente.
































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ma pastorinha. É a fantasia perfeita para Liz. - comentou
Penelope Hayes, pronunciando as palavras, como
sempre, com uma certa dose de veneno.
— Pelo menos ela não esqueceu suas humildes origens americanas depois
de passar tanto tempo se pavoneando para os franceses - respondeu Isaac Phillips
Buck. - E pelo menos não veio vestida de marquês ou marquesa, como todos os
outros - acrescentou ele com desdém.
Penelope deu de ombros. Há muitos anos ela percebera que Elizabeth
Holland, que agora estava rodopiando por seu gigantesco salão com o horrível
Percival Goddington, seria sua principal rival na sociedade, e por isso mesmo
tornara-se a melhor amiga dela. Se Isaac fazia questão de elogiá-la, Penelope não
se importaria. Estava se sentindo bem melhor agora, depois de ver o quanto todos
haviam ficado impressionados com a nova mansão de sua família e com sua
maneira elegante de receber as pessoas. E, é claro, com ela própria.
Penelope ficara arrasada mais cedo, quando o mensageiro lhe entregara o
bilhete. Tinha acabado de voltar da casa dos Holland, onde fora para dar as boas-
vindas a Elizabeth e para ralhar com ela por quase ter perdido a festa. Seu
coração ficara apertado quando ela lera a descuidada missiva e Penelope tivera
um acesso de raiva que fora muito injusto para com as criadas que estavam lhe
vestindo para o baile. Não tinha medo de que o rapaz que escrevera o bilhete não
se apaixonasse por ela - afinal, ninguém seria capaz de resistir por muito tempo -
mas não queria que ele perdesse essa festa em particular. Afinal, aquela seria a
melhor ocasião para ele concluir que Penelope era o centro do universo e que
manter o relacionamento deles em segredo seria um desperdício colossal.
Mas agora que Penelope estava observando o salão de baile se sua mansão
do mezanino, vestindo uma fantasia de dançarina espanhola cheia de babados
vermelhos cujo corpete deixara sua cintura com apenas 45 centímetros, não teve
dúvidas de que ele viria. Era a noite do baile da família Richmond Hayes, a noite
em que eles firmariam sua posição no mais alto círculo da sociedade nova-
iorquina - não havia outro lugar para ir. Penelope tinha certeza absoluta de que
ele ia aparecer em breve. Bem, quase absoluta. Ela colocou uma das mãos no
quadril, confiante, embora com a outra Mao ainda estivesse amassando o bilhete
que tanto a enfurecera.
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— Olha só como Elizabeth está de nariz empinado - disse Penelope,
fazendo com que as dúzias de delicadas pulseiras de ouro que trazia nos braços
tilintassem.
Isaac se empertigou e pousou as mãos sobre a barriga redonda, aparente sob
sua fantasia de bobo da corte.
— Acho que ela só está tentando fugir do mau hálito do Percival.
Então, os dois riram da maneira de sempre: com as bocas fechadas,
deixando que o riso saísse apenas pelo nariz. Penelope e Elizabeth haviam se
tornado amigas quando tiveram aulas com o mesmo tutor francês, no inicio da
adolescência. (Anos mais tarde, Penelope ficara sabendo que o sr. Holland fizera
com que a filha tivesse aulas com ela para perturbar a sra. Holland e jamais lhe
perdoara por seu esnobismo). O professor era um homenzinho adorável.
Elizabeth gostava de fazê-lo corar, perguntando, por exemplo, a diferença entre
décolletage e décolleté. Para Penelope, fora cômico ver o quanto Elizabeth se
esforçava para provar que era bem-comportada, pois ela nunca se preocupava
demais com nada e pouco se importava com sua imagem de senhorita de classe.
O que era muito bom, pois Penelope não era considerada uma senhorita de
classe, ao menos pelos membros das velhas famílias holandesas de Manhattan,
como a mãe de Elizabeth, que mesmo assim estava ali se deleitando com os luxos
da festa dos Hayes. Penelope não pôde deixar de pensar que o salão deles era
muito maior e mais suntuoso que o dos Holland. Eles viviam numa velha mansão
não muito bonita em Gramercy Park, com uma fachada marrom sem graça e
cômodos dispostos em fileiras perfeitas. E aquela parte da cidade nem estava
mais na moda.
Penelope poderia ter se sentido mal por Liz e pelo fato de que ela ainda
vivia numa parte medíocre da cidade enquanto a família Hayes se mudara para a
Quinta Avenida, onde estavam todas as novas mansões mais elegantes. Mas ela
sabia muito bem que a sra. Holland estava sempre se referindo aos Hayes como
novos-ricos. O que era uma grande injustiça. Era verdade que a fortuna da
família começara a crescer quando o avô de Penelope, Ogden Hazmat Jr., deixara
de ser alfaiate e passara a vender cobertores de algodão para o exercito da União
pelo preço da lã. Mas, desde que ele fora párea Nova York, mudara de nome e
comprara uma casa na Washington Square de uns membros falidos da família
Rhinelander, o clã dos Hayes se entrincheirara na alta sociedade.
E agora haviam deixado a Washington Square para trás para sempre e ido
viver na única residência particular de Nova York que tinha três elevadores e
uma piscina abaixo do nível da rua. Os Hayes haviam chegado e, para provar
isso, ali estava aquela mansão. Ou o palazzo, como sempre dizia a mãe de
Penelope, deixando-a profundamente irritada.
— Você fez um bom trabalho hoje, Isaac - elogiou ela, dando um largo
sorriso de orgulho.
As mulheres muitas vezes desdenhavam da beleza de Penelope, dizendo
que a única coisa bonita em seu rosto era a boca. Mas as fofoqueiras estavam
erradas: seus lábios não eram mais impressionantes que seus imensos olhos
azuis, capazes de demonstrar inocência ou desprezo em igual medida.
— Foi tudo para você - respondeu Isaac.

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Ele falou com um sotaque britânico que adquirira há pouco tempo, pois
andava sofrendo de anglomania. Como o parentesco de Isaac não era
completamente reconhecido pela família Buck, ele precisava trabalhar para viver
e se tornara um profissional indispensável para anfitriãs como a sra. Hayes. Sabia
onde conseguir as flores mais frescas da cidade e onde encontrar belos rapazes
que gostavam de dançar e sabiam agradar as senhoritas, embora não fossem
exatamente os meninos com quem elas deveriam pensar em se casar. Sabia como
gritar com os cozinheiros para que eles deixassem a carne no ponto exato. Os
gritos de Isaac não eram agradáveis, mas as festas que ele dava eram
maravilhosas.
— Preciso confessar que todos estão muito bonitos hoje - continuou Isaac,
com ar entediado. - Meu esforço não foi todo em vão. Só para ver as jóias já teria
valido a pena. Seria possível comprar a ilha de Manhattan com essas jóias.
— Tem razão - concordou Penelope. - Mas eu sempre me espanto em ver
como pessoas tão feias conseguem se cobrir com tantas coisinhas brilhantes.
— Você deve estar se referindo a Agnes, e ela não tem muitas coisinhas
brilhantes. Acho que ela esta fantasiada de cowgirl e, se você perguntasse a seu
costureiro, ele diria que a roupa é feita de camurça.
— Muito engraçado, você sabe muito bem que Agnes não tem um
costureiro, Isaac - disse Penelope, sorrindo. - E Amos Vreewold de toureiro?
Pelo amor de Deus - concluiu ela, virando-se para o amigo com uma sobrancelha
levantada.
— Seja bondosa. Não é todo homem que fica elegante de calça justa.
— Veja, ali está Teddy Cutting! - exclamou Penelope, interrompendo a
crítica às fantasias.
Teddy, que tinha cabelo loiro, olhos azuis brilhantes e uma fortuna feita no
ramo da navegação que herdara do pai, era exatamente o tipo de rapaz com quem
Penelope vinha flertando desde que fora apresentada para a sociedade, há dois
anos. Teddy gostava de Elizabeth Holland, e esse era o verdadeiro motivo pelo
qual Penelope sempre fazia questão de dançar com ele. Ela observou as mulheres
com suas enormes saias engomadas e mangas bufantes rodeando Teddy, que fez
uma galante mesura e começou a beijar as mãos enluvadas que lhe eram
oferecidas.
— Teddy está uma delícia - disse Isaac, colocando uma das mãos no
queixo. - ele está vestido de nobre francês como todo mundo, mas sua fantasia
está entre as melhores.
— Não está mal.
Penelope disse isso com indiferença, pois estava interessada em outra coisa:
onde quer que Teddy fosse, sempre havia uma certa pessoa ainda melhor logo
atrás dele. Ela estalou os dedos para um dos garçons que passavam por ali,
amassando o bilhete que estava segurando e jogando-o dentro de sua taça vazia
de champanhe. Então colocou a taça na bandeja sem olhar para o empregado e
pegou outras duas, cheias até a borda.
Foi neste momento que Henry Schoonmaker surgiu na entrada do salão de
baile e todo o resto do mundo pareceu desaparecer. Penelope permaneceu imóvel
e ereta, embora seu coração estivesse batendo forte e seu rosto formigasse de
impaciência. Henry Schoonmaker se destacava mesmo entre as pessoas mais

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ricas e elegantes da cidade, pois era muito belo e muito imoral ao mesmo tempo.
Ele foi para o lado de seu amigo Teddy e também começou a beijar o turbilhão
de mãos estendidas à sua volta, fazendo Penelope revirar os olhos.
Henry sempre parecia gozar de bom humor e de boa saúde, o que acorria
em parte devido a seu gosto por esportes e em parte devido ao drinque que
sempre segurava. Mesmo para Penelope, que estava no extremo oposto do maior
salão de baile privado de Nova York, era evidente que não havia qualquer
imperfeição em sua pele bronzeada. Ele tinha ombros largos de um general e as
maças do rosto de um aristocrata, e sua boca em geral mostrava um sorrisinho
zombeteiro. Assim como Elizabeth Holland, Henry fazia parte de uma das mais
antigas família da cidade, mas ele se preocupava muito menos em se comportar
bem.
— Eu teria vergonha de ser uma daquelas meninas - disse Penelope,
referindo-se a suas primas e amigas que rodeavam os rapazes.
Ela passou os dedos por seus cabelos negros, que estavam partidos no meio
e desciam até sua nuca, fazendo uma moldura para seu rosto oval. Enfeites de
prata cheios de filigranas se abriam em leques atrás de sua cabeça.
— Creio que vou resgatar nosso amigo das garras delas - completou, como
se aquilo houvesse acabado de lhe ocorrer.
Então ela apanhou os metros e mais metros de crepe da China vermelho que
cobriam suas pernas e começou a descer vagarosamente a escadaria de mármore.
— Isaac - disse ela após ter descido alguns degraus, voltando-se para
encará-lo com um olhar muito intenso -, esse é o homem com quem eu vou me
casar.
Isaac levantou a taça de champanhe e Penelope deu um sorriso, radiante
com sua declaração. Como ela podia falhar, se tinha toda a astúcia de Isaac
Phillips Buck a seu serviço? Penelope voltou a descer a escada e em poucos
segundos estava no salão. Um silêncio reverente se fez à sua volta, conforme os
rostos da multidão se voltaram para observá-la. Por entre todos os vestidos de
cetim branco e as perucas francesas, sua fantasia vermelha lhe dava ainda mais
destaque que o normal. Ela atravessou o grupo de meninas que criticara do
mezanino e viu-se de frente para Henry Schoonmaker.
— Quem deixou você entrar? - perguntou ela, sem sorrir e colocando as
mãos nos quadris. - Não está fantasiado. O convite dizia claramente que essa é
uma festa à fantasia.
Henry virou-se para ela com um sorriso casual, sem nem se incomodar em
fingir que estava examinando seu fraque negro.
— Eu errei, Srta. Penelope? Não tenho mais tempo de ler minha
correspondência, mas um passarinho me contou que a senhorita ia dar um baile
hoje à noite.
As mulheres de Nova York diziam que Henry sempre dava um dinheiro
adiantado para os músicos da cidade, pois muitas vezes eles começavam a tocar
uma valsa exatamente quando ele precisava terminar uma conversa. Foi o que a
banda fez nesse momento, e Henry abaixou a cabeça na direção de Penelope. Ela
não conseguiu impedir que os cantos de sua boca se erguessem num quase
sorriso. Henry manteve os olhos pregados nela enquanto a levava pro meio do
salão, até que eles começaram a dançar.

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Por alguns segundos todos em volta apenas observaram, hipnotizados pela
leveza do casal que cruzava o salão. Mas Penelope sabia muito bem como fazer
suas primas e amigas morrerem de ciúmes, e ela não tinham capacidade de
permanecer imóveis quando estavam tão incomodadas. Logo, casais menos
exuberantes começaram a valsar também, ate que o mármore xadrez do chão
quase desapareceu sob as amplas saias das damas e os pés negros e ágeis de seus
parceiros.
Muita gente ainda estava olhando para a dançarina espanhola e para o
elegante cavalheiro com quem ela dançava. Penelope sentiu todos os olhares
sobre eles dois e por isso falou baixinho:
— Por que você me mandou aquele bilhete? - perguntou ela, virando a
cabeça um pouco para o lado conforme Henry a rodopiava pelo salão.
— Gosto de provocar você - respondeu ele - Assim, sabia que ia ficar ainda
mais feliz de me ver.
Penelope pesou essas palavras por um momento, mas algo nos olhos
castanhos-escuros de Henry lhe dizia que ele estava contando uma meia-verdade.
— Você estava em outro lugar antes de vir para cá, não estava?
— Por que você pensaria isso? - replicou Henry, sem demonstrar qualquer
preocupação. - Passei o dia inteiro esperando por esse exato momento.
— Você mente muito bem. Mas sabia que não ia conseguir deixar de vir.
Henry encarou-a, divertido, mas não respondeu. Apenas pressionou a Mao
contra sua saia, um pouco abaixo de onde ficava sua lombar e continuou a valsar
com ela por entre a multidão. Naquele instante, Penelope sentiu que todos sabiam
que havia um romance entre eles dois e que todas as meninas menos importantes
estavam enxugando os olhos com seus lenços ao pensar que Henry Schoonmaker
logo iria se casar. A musica lhe pareceu triunfal, como se estivesse sendo tocada
apenas para ela. Penelope podia ter passado o resto da vida ali, dançando com
ele. Mas a figura corpulenta do pai de Henry surgiu no salão, impedindo-o de
continuar.
— Perdoe-me, Srta. Penelope - disse o sr. Schoonmaker firmemente, sem
parecer estar se desculpando de fato.
Os outros dançarinos continuaram, mas Penelope viu-se horrivelmente
paralisada no centro de tudo, com sua grande performance cortada ao meio por
essa gigantesca e odiosa presença paterna. Ela sentiu um de seus acessos de fúria
chegando, mas conseguiu controlá-lo. Os outros pares estavam fingindo não
perceber o que se desenrolava diante de seus olhos, mas sem muito sucesso.
Penélope se perguntou se Elizabeth estava vendo tudo. Ela queria revelar seu
namoro secreto para a amiga com o máximo de drama, mas aquela cena não
estava ajudando em nada.
— Vou precisar ir embora com Henry. É um assunto urgente e eu lamento
muito, mas vamos ter que partir agora mesmo.
O instinto fez com que Penelope sorrisse, apesar de estar arrasada, e ela
inclinou um pouco a cabeça.
— É claro.
Penelope nada mais pôde fazer além de ficar parada no meio daquele salão
de proporções épicas, vendo seu futuro marido desaparecer por entre aqueles

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outros seres ordinários. E, embora todos ainda dançassem, Penelope soube que,
para ela, a festa acabara.











































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dâtàÜÉ dâtàÜÉ dâtàÜÉ dâtàÜÉ

ESSE DOCUMENTO ATESTA QUE EU, WLLLIAM SACKHOUSE
SCHOONMAKER, DEIXO TODOS OS MEUS BENS, CONFORME
LISTADOS ABAIXO, INCLUINDO NEGÓCIOS, IMÓVEIS E
PROPRIEDADES PESSOAIS PARA
______________________.



enry Schoonmaker fingiu examinar o pedaço de papel por
mais alguns segundos e então fez o que sempre fazia
quando achava algo sério ou enfadonho demais para tentar
compreender. Ele abriu seus lábios finos, revelou seus dentes brancos e perfeitos
e deu uma gargalhada.
— Que coisa mais mórbida, pai. Nós saímos de uma festa por causa disso?
O pai de Henry encarou-o gravemente. William Schoonmaker, que no
momento vestia um terno preto, era um homem grandalhão, de costeletas, olhos
pequenos acostumados a intimidar quem encaravam e cabelos negros pintados.
Como tinha acessos de raiva freqüentes, sua pele era repleta de placas vermelhas,
e seu bigode fazia duas curvas por sobre seu queixo rosado. Mas também era
possível discernir nele as feições belas e aristocráticas que passara para o filho.
— Tudo é uma festa para você - disse ele. Henry soube que a parte mais
desagradável da personalidade de seu pai ia emergir agora: era a parte que ele
reservava para quando estava em sua própria casa ou escritório. Henry fora
criado por uma governanta e, por isso, seu pai sempre fora uma figura distante e
formidável para ele, marchando pela casa com um exército de criados em volta,
fazendo gestos obsequíosos em tentativas vãs de agradá-lo.
Henry empurrou o pedaço de papel para o outro lado da mesa de nogueira,
na direção de seu pai e de sua madrasta Isabelle, e desejou que não lhe
incomodassem mais com aquilo pelo resto da noite. Isabelle sorriu como se
pedisse desculpa e revirou os olhos discretamente. Ela tinha vinte e cinco anos -
apenas cinco a mais do que Henry. Os dois haviam dançado muitas vezes em
festas antes de Isabelle se casar com o mais rico e poderoso dos Schoonmaker.
Era um pouco estranho para Henry vê-la em sua casa. Ela ainda se parecia com a
Isabelle De Ford que ele conhecera e com quem sempre podia contar para um
flertezinho e algumas boas risadas. Isabelle provavelmente se casara com
William Schoonmaker apenas pelo dinheiro, mas Henry ainda sentia um orgulho
secreto do pai por ele ter conseguido conquistá-la.
— Você não devia ser tão severo com Henry - disse Isabelle com sua
vozinha aguda e infantil, tirando um cacho de cabelo louro que havia caído sobre
seu rosto.
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— Cale a boca — respondeu o sr. Schoonmaker rispidamente, sem mesmo
se virar e olhar para ela.
Isabelle fez uma expressão triste e continuou a brincar com seu cabelo.
— Vocês dois, parem de fazer essas caras de imbecis. Henry, pegue um
drinque para você.
Henry não gostava de obedecer a nenhuma ordem do pai e, de qualquer
maneira, eles dois se evitavam tanto que as oportunidades para fazê-lo eram
escassas. Mas William Schoonmaker tinha o ar distante de todos os homens
muito poderosos e parte de Henry ansiava por receber a atenção e a aprovação
dele. Além disso, nesse momento em particular, Henry escolheu fazer o que ele
mandara simplesmente porque o que mais queria no mundo era um drinque.
Atravessou o cômodo, pegou uma das garrafas de vidro lapidado que havia no
aparador e colocou uísque num copo.
A sala estava tomada pela fumaça de charuto que sempre rodeava o sr.
Schoonmaker. As paredes e o teto eram de madeira trabalhada e, embora fossem
cheias de detalhes, já eram tão familiares para Henry que ele mal as via. Era em
lugares como aquele que se faziam grandes negócios, pensou Henry com certo
espanto. Sua vida era tão repleta de alegria que aquela atmosfera séria lhe parecia
inteiramente estranha. Aquela noite ele jantara no Delmonicos, na rua 44, fora
para um daqueles bares no centro da cidade onde se podia ouvir boa música e
dançar com meninas da classe trabalhadora, e finalmente se dirigira para a festa
grandiosa de Penelope. Agora, sentiu um prazer perverso por estar ligeiramente
bêbado no meio da decoração sisuda do escritório de seu pai.
O sr. Schoonmaker se remexeu em sua poltrona, e sua jovem esposa soltou
um bocejo.
— Fale-me de Penelope - disse abruptamente o pai de Henry.
Henry cheirou seu drinque e examinou seu reflexo no espelho de uma das
paredes. Ele tinha a barba benfeita e o rosto fino de um homem que se dedicava a
não fazer nada, e seus cabelos negros, repletos de briíhantina, estavam partidos
para a direita.
— Está falando da Penelope? — perguntou Henry, surpreso.
Embora não estivesse nem um pouco inclinado a discutir seus romances
com o pai, aquele era um assunto um pouco mais agradável do que testamentos.
— Sim - insistiu o sr. Schoonmaker.
— Todo mundo acha que ela é uma das mulheres mais bonitas de sua
geração.
Henry pensou em Penelope, com seus olhos gigantescos e seu vestido
vermelho dramático, cujo objetivo parecia ser não apenas seduzir a todos, mas
também amedrontá-los. Ele sabia que Penelope, no fundo, não era nada
assustadora e sabia muito bem como se divertir com ela. Henry desejou estar de
volta ao baile, girando o corpo perfeito de Penelope pelo salão.
— E quanto a você? O que você pensa dela? - perguntou o sr.
Schoonmaker.
— Gosto muito de sua companhia.
Henry bebericou o uísque e sentiu com prazer o calor e o formigamento em
seus lábios.
— Então quer... se casar com ela?

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Henry não pôde deixar de soltar uma risada. Ele viu que Isabelle estava
encarando-o e soube que agora ela não estava pensando como sua madrasta, mas
como todas as outras jovens de Nova York, que se perguntavam quando e com
quem Henry Schoonmaker se casaria. Henry acendeu um cigarro e balançou a
cabeça.
— Ainda não conheci nenhuma mulher em quem poderia pensar com tanta
seriedade, senhor. O senhor muitas vezes já disse que eu não penso seriamente
sobre nada.
— Portanto, Penelope não é uma mulher que você vê como sua futura
esposa - confirmou o sr. Schoonmaker, fixando seus olhos ferozes em Henry.
Henry deu de ombros, lembrando-se do mês de abril, quando Penelope
estivera hospedada com a família num hotel na Quinta Avenida. Os Hayes
haviam deixado sua velha casa na Washington Square e a nova mansão ainda não
estava pronta. Embora Henry mal a conhecesse na época, Penelope o convidara a
subir na suíte que ocupava sozinha e o recebera usando apenas uma meia-calça e
um chemise.
— Não, pai. Acho que não.
— Mas a maneira como vocês estavam dançando... - começou o sr.
Schoonmaker antes de se interromper. - Deixe para lá. Já que não quer se casar
com ela, muito bem. Ótimo.
Ele bateu uma das mãos na outra, ficou de pé e rodeou a mesa, postando sua
imensa figura diante de Henry.
— E quem você acha que daria uma boa esposa?
— Para mim? — perguntou Henry, esforçando-se para não rir.
— É, seu vagabundo imprestável! - exclamou o sr. Schoonmaker, sem
qualquer vestígio de seu momentâneo bom humor.
A famosa raiva dos Schoonmaker fora um traço que Henry tivera na
infância, quando se comportava mal e quebrava seus brinquedos com a mesma
fúria do pai. William Schoonmaker sentou-se pesadamente na poltrona de couro
macia que ficava ao lado da de Henry.
— Você não acha que estou perguntando sobre seus casinhos por mera
curiosidade, acha?
— Não, senhor — respondeu Henry, piscando os olhos repetidas vezes.
— Então é mais inteligente do que eu imaginava.
— Obrigado, senhor - disse Henry seriamente, desejando que sua voz não
ficasse tão fraca em momentos como aquele.
— Henry, eu creio que a maneira imoral como você leva sua vida é
ofensiva — disse o sr. Schoonmaker, arrastando a poltrona pelo chão de madeira,
ficando de pé mais uma vez e indo de novo para o outro lado da mesa. - E não
sou o único.
— Lamento muito, pai. Mas a vida é minha, não sua. Nem de mais
ninguém.
A voz de Henry recobrara seu vigor, e ele estava se forçando a manter os
olhos fixos no pai.
— Isso não é verdade. Pois é graças ao meu dinheiro, que eu herdei, é
verdade, mas que multipliquei com o fruto do meu trabalho, que você leva a vida
que leva.

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— Está ameaçando me deixar pobre?
Henry olhou para o testamento que estava sobre a mesa enquanto acendia
um novo cigarro no que acabara de fumar. Tentou parecer indiferente ao dar uma
baforada, mas só de dizer "pobre" tivera uma sensação desagradável no
estômago. Ele sempre achara a palavra repulsiva. Durante seu primeiro semestre
em Harvard, Henry cupara a mesma suíte que um bolsista chamado Timothy
Marfield. Mais tarde, descobrira que fora seu pai quem havia escolhido seu
colega de quarto, achando que, ao conhecer alguém menos favorecido, Henry se
tornaria uma pessoa mais responsável. O pai de Timothy trabalhava doze horas
por dia num banco de Boston para pagar a mensalidade do filho. Henry gostara
de Tim, que conhecia todos os melhores bares de Boston. Mas aquela tinha sido a
primeira vez que Henry se dera conta de que muita gente não fazia outra coisa
além de trabalhar, e a idéia ainda o assombrava.
— Não exatamente. A pobreza não combina com os Schoonmaker. Gostaria
de sugerir uma alternativa. Algo que, creio, você vai considerar mais palatável do
que uma conta zerada no banco - disse o sr. Schoonmaker, abaixando a cabeça e
olhando nos olhos do filho. - Um casamento.
— O senhor quer que eu me case?
Henry sentiu vontade de cair na gargalhada. Ele era a pessoa menos
indicada para casar que havia em Nova York, e até aquelas colunistas sociais
bajuladoras sabiam disso. Tentou imaginar uma menina com quem de fato
quisesse desfilar pelos jardins da cidade de Newport, onde toda a alta sociedade
de Nova York passava o verão, ou pelos deques dos navios luxuosos até o fim da
vida, mas não conseguiu.
— Você não está falando sério - disse ele, finalmente.
— É claro que estou.
— Ah - Henry balançou a cabeça vagarosamente, tentando fingir que estava
pensando na proposta de seu pai. - Seria preciso procurar bastante, é claro, até
encontrar uma menina digna de entrar para nossa família...
— Cale a boca, Henry.
O sr. Schoonmaker se aproximou de sua jovem esposa e colocou suas
imensas mãos nos ombros dela. Isabelle deu um sorriso desconfortável.
— Eu já tenho uma garota em mente.
— O quê? - exclamou Henry, sentindo toda sua calma evaporar.
— Uma menina que tem classe, sofisticação e que vem de uma boa família.
A imprensa a adora e vai gostar de ver vocês dois casados. Ela certamente é
digna de entrar para a família, Henry. Alguém que será visto como um modelo de
boa-educação. Estou falando de...
— Por que você está se preocupando com isso? - perguntou Henry.
Ele ficara de pé, e estava furioso. Isabelle soltou um ruído de medo ao ver
os dois homens se encarando daquela maneira.
— Por quê? - rugiu o sr. Schoonmaker, rodeando a mesa. - Por quê? Porque
tenho ambições, Henry, ao contrário de você. Você não parece compreender que
cada gesto que faz é relatado nas colunas sociais. E as pessoas com quem eu me
importo lêem essas coisas idiotas e falam sobre o que leram. Você nos cobre de
ridículo. Largou a faculdade e agora anda pela cidade fazendo... cada vez que
você abre a boca, mancha o nome da nossa família.

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— Isso não responde à minha pergunta.
Parecia-lhe que seu pai, com seu temperamento explosivo e famoso amor
pelo dinheiro, já realizara muitas das suas ambições. Ela fundara uma companhia
ferroviária e a transformara num negócio extremamente lucrativo, usara os
prédios residenciais cronstruídos nas terras herdadas da sua família da forma que
quisera, casara-se com duas beldades da sociedade e sobrevivera a uma delas.
— Ainda não entendi, pai - continuou Henry. - O que você quer?
Isabelle colocou seus pequenos cotovelos em cima da mesa e disse
animadamente:
— William quer um cargo público!
— O quê? - disse Henry, incapaz de esconder sua incredulidade. - Qual
cargo?
Seu pai parecia estar levemente constrangido com a revelação e aquilo
aliviou um pouco a tensão da sala.
— Eu estive conversando com o governador, e ele me garantiu que...
O sr. Schoonmaker se interrompeu e deu de ombros. Henry sabia que seu
pai era amigo e rival do governador Theodore Rooseveit há muitos anos e
assentiu com a cabeça, indicando que ele podia continuar.
— Admiro um homem que decide servir à comunidade - enunciou o sr.
Schoonmaker com uma voz profunda e imponente - Quem disse que a classe
nobre não deve se envolver com política? É nossa obrigação. Um homem não é
nada se não puder governar o mundo em que vive e deixá-lo melhor do que o
encontrou...
— Não precisa fazer o discurso para mim - interrompeu Henry, revirando os
olhos, furioso com sua falta de sorte. - Qual cargo?
— Primeiro o de prefeito e depois...
— depois qualquer coisa pode acontecer! - disse Isabelle. - Se ele virar
presidente, eu vou ser a primeira-dama!
— Parabéns, senhor - disse Henry, sentando-se desanimado.
— Por isso você não pode mais me constranger dessa maneira. Não quero
mais ver os jornais chamando você de selvagem. Chega dessa vergonha pública.
Por isso é que você precisa se casar com uma menina de família. Não com uma
Penelope. Com uma menina de moral, de quem os eleitores vão gostar. Uma
menina que vai fazê-lo parecer respeitável. Uma menina...
Henry viu seu pai apoiar o quadril na mesa e fingir que acabara de ter uma
idéia.
— Uma menina como Elizabeth Holland, por exemplo.
— O quê? — perguntou Henry, perdendo de vez a paciência.
Ele conhecia a mais velha das irmãs Holland, é claro, mas a última vez que
conversara com ela fora antes de ir para Harvard, quando Elizabeth era muito
jovem e ainda um pouco desajeitada. Ela possuía uma beleza impecável, era
verdade, com aquele cabelo louro-acinzentado e sua boquinha redonda, mas
obviamente era um deles. Seguia todas as regras, jamais deixava de comparecer
ao chá da tarde, mandava cartõezínhos elegantes em todas as ocasiões.
— Elizabeth Holland é comportada demais.
— Exatamente - disse o sr. Schoonmaker, batendo com o punho na mesa e
fazendo ondas no uísque de Henry.

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Henry não disse nada, mas sabia que seu rosto estava distorcido por uma
expressão que misturava fúria e espanto. Seu pai não poderia ter sugerido uma
pessoa pior para ser sua esposa. Seria a mesma coisa que mandar o próprio filho
para a prisão. Ele imaginou a vida cheia de luxo e silêncio que levaria e já a viu
estendida à sua frente como os gramados sempre bem cuidados sobre os quais as
matronas de alta classe davam festas narcolépticas, em lugares como Tuxedo
Park ou Newport e tantos outros.
— Henry, sei muito bem no que está pensando, e quero que pare agora -
disse o sr. Schoonmaker, pegando o testamento que estava sobre a mesa e
sacudindo-o no ar. - Quero que se case e se torne um homem respeitável. Vai ter
de se livrar dessa Penelope. Estou lhe dando uma oportunidade aqui, Henry. Mas,
se você me contrariar, cada alfinete que eu tenho vai ser passado para Isabelle.
Vou lhe deserdar de forma rápida e muito pública.
Pensar em usar roupas velhas, rodear-se de móveis marrons e ver seus
dentes apodrecerem fez com que Henry se sentisse subitamente, horrivelmente
sóbrio, e seu olhar pousou sobre as garrafas do aparador. Por um segundo,
desejou poder voltar a Harvard. Todas aquelas aulas tinham lhe parecido uma
bobagem quando estudara lá, mas agora via que a faculdade poderia ter lhe dado
meios de vencer sozinho e não precisar mais temer as ameaças do pai.
Infelizmente, já era tarde demais.
Como Henry se comportara muito mal e tirara notas péssimas quando
estivera na faculdade, jamais poderia voltar para lá sem a ajuda do pai. Ele olhou
para as garrafas cheias de líquido âmbar e soube que a única rota para a
independência que lhe restara era uma vida de tédio mortal ao lado de Elizabeth
Holland.






















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V|ÇvÉ V|ÇvÉ V|ÇvÉ V|ÇvÉ

A criada ideal para uma mulher de classe se
levanta antes de sua senhora, trazendo-lhe água
morna para que ela lave o rosto, e não vai se
deitar até tê-la preparado para ir para a cama.
Talvez seja necessário que a criada durma um
pouco durante o dia, quando seus serviços não
forem requisitados.

GUIA VAN KAMP DE ADMINISTRAÇÃO DA CASA PARA DAMAS DE ALTA SOCIEDADE,
EDIÇÃO DE 1899


ina Broud tirou os cotovelos do parapeito da janela e colocou-
os sobre ele de novo, observando a escuridão tranqüila que
rodeava o Gramercy Park. Ela estava sentada há muitas horas
naquela posição, no quarto onde, mais cedo, vestira a primogênita das Holland
com camadas e mais camadas de seda, popelina, barbatanas de baleia e aço. Ela
agora era a Srta. Elizabeth - não mais Lizzie, como fora chamada por Lina
durante a infância das duas, ou Liz, corno ainda era chamada por Diana - mas a
srta. Elizabeth, segunda mulher mais importante da casa. Lina não estava ansiosa
por sua volta. Elizabeth passara tantos meses fora que sua criada pessoal quase se
esquecera de como era servir alguém. Contudo, desde o primeiro segundo em que
entrara em casa naquela manhã, ela deixara claro para Lina exatamente o que era
esperado dela.
Lina tensionou os ombros e deixou-os pender. Ela não era como Claire, sua
irmã mais velha, uma pessoa muito mais afável que se contentava em ler a última
edição da revista de fofocas Cité Chatter no minúsculo quarto que elas duas
dividiam no sótão da casa, observando desenhos de vestidos lindos de Charles
Worth que jamais usaria. Claire tinha vinte e um anos, quatro a mais do que Lina,
mas agia como se fosse mãe dela. E, como a mãe das duas estava morta há
tempos, de certa forma era mesmo. Mas Claire também tinha algo de infantil,
pois ficava imensamente grata por qualquer bugiganga que os Holland lhe
dessem. Lina não conseguia se sentir assim.
Lina estava, como sempre, usando um vestido preto simples de linho,
decote canoa e cintura baixa e deselegante. Ela se virou para observar o luxo do
quarto de Elizabeth: papel de parede azul-claro, uma enorme cama de mogno,
uma banheira prateada que recebia água quente encanada e peônias em vasos de
porcelana cujo perfume tomava conta da atmosfera. Desde que Elizabeth fora
apresentada formalmente à sociedade, ela passara a se considerar uma
especialista em decoração de interiores e, se alguém lhe perguntasse,
provavelmente diria que os cômodos da casa dos Holland eram muito modestos.
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E talvez fossem mesmo, se comparados com as ridículas mansões dos
milionários que moravam na Quinta Avenida. Lina olhou para um quadro
holandês de moldura dourada que mostrava uma adorável cena doméstica e
pensou que Elizabeth não fazia idéia dos privilégios extraordinários que tinha.
Mas Lina não odiava Elizabeth. Não conseguia odiá-la, por mais que suas
roupas chiques e sua maneira pomposa de agir houvessem distanciado as duas.
Elizabeth sempre fora um modelo para Lina, um lampejo de esperança de que sua
vida não fosse sempre tão sem graça. E tinha sido Elizabeth quem convencera
Lina, certa noite, há dez anos, de que elas precisavam descer até o galpão onde
ficavam as carruagens para descobrir quem estava chorando no meio da noite.
Lina sentira medo, mas Elizabeth insistira. E fora assim que Lina se apaixonara
por Will Keller, que já era lindo naquela época.
Will ficara órfão aos oito anos de idade quando o prédio em que morava
fora consumido por um daqueles incêndios que aconteciam de vez em quando,
levando as vidas de adultos e crianças. Ele fora morar na casa dos patrões de seu
pai, pagando o abrigo com trabalho apesar de ser tão pequeno, e chorava quando
sonhava com incêndios. Mas isso deixou de ser importante naquela noite, pois
Will parou de ter aqueles pesadelos quando ficou amigo de Lina e de Elizabeth.
É claro que eles já eram tratados de forma diferente, mesmo naquela época.
Mas ainda eram todos crianças, todos banidos das festas e jantares dos adultos.
Durante o dia, ficavam sob os cuidados da mãe de Lina, Marie Broud, que fora a
babá de Elizabeth e Diana e os considerava todos iguais. Ela sempre brigava com
Will e com Elizabeth usando o mesmo tom de voz para ambos, pois os dois
estavam o tempo todo fazendo alguma travessura. Claire era tímida demais para
participar das brincadeiras e Diana ainda era muito pequena. Mas Lina sempre
correra atrás de Will e de Elizabeth, desesperada para ser incluída. A noite, eles
se esgueiravam pela casa, rindo dos retratos imponentes dos antepassados de
Elizabeth, roubando açúcar da cozinha e botões de prata da sala de costura. Eles
roubavam o baralho do sr. Holland, aquele que tinha desenhos de mulheres só de
roupa de baixo, e faziam caretas para elas. Eram amigos de verdade naquela
época, antes de o esnobismo de Elizabeth crescer e ela parar de ter tempo para
seus velhos companheiros.
Lina não sabia bem quando tudo tinha mudado. Talvez na época em que sua
mãe morrera, quando Elizabeth começara a ter aulas de boas maneiras com a sra.
Bertrand. Lina estava com quase onze anos quando isso acontecera, e tinha o
corpo desajeitado e uma vontade enorme de detestar tudo o que via. Não gostava
de lembrar daquela época. Elizabeth, que era pouco menos de um ano mais velha
do que ela, subitamente fora absorta por suas aulas, nas quais aprendia qual era o
jeito correto de segurar uma xícara de chá e quando era o momento exato de
retornar uma visita feita por uma amiga casada. Cada gesto dela parecia
calculado para mostrar a Lina que as duas não eram da mesma esfera, que não
eram mais amigas. E que Elizabeth era como aquelas meninas sobre as quais
Claire lia nas revistas de fofocas.
Durante anos a existência de Lina fora silenciosa e solitária, embora ela
servisse Elizabeth o dia inteiro e a noite inteira e dividisse um quarto com sua
irmã e com as outras jovens que trabalhavam na casa dos Holland. Sua timidez a
impedira de continuar amiga de Will sem a presença de Elizabeth. Por isso, Lina

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observara Will de longe, enquanto ele ia ficando cada vez mais alto e mais
bonito. Ele também tinha passado por épocas difíceis - Lina ouvira a governanta,
que se chamava sra. Faber, falando de suas bebedeiras e das brigas em que se
metia, e se perguntara por que seu coração era tão inquieto. Fora apenas naquele
verão, quando Elizabeth viajara e Lina ficara gloriosamente livre de seus
afazeres, que ela e Will haviam se reaproximado. Os dois fumavam cigarros
juntos no final da tarde e riam escondidos da sra. Faber. Contavam um para o
outro como achavam que suas vidas seriam se pudessem fazer o que quisessem.
Lina costumava se perguntar para onde Will ia quando desaparecia. Agora sabia
que ele não era um rapaz perigoso e que passava quase todos os minutos em que
não estava trabalhando lendo livros. Livros sobre os excessos dos ricos, sobre a
teoria da democracia, sobre política e literatura e principalmente sobre o oeste do
país e sobre como qualquer um que tivesse ambição e força de vontade conseguia
vencer naquela região. Mas o verão já quase terminara e Lina ainda não tinha
encontrado uma maneira de dizer a Will que queria ir para o oeste também.
Queria ir com ele. Estava apaixonada por ele.
Lina foi despertada de seus sonhos sobre Will quando o viu em pessoa, lá
embaixo. Uma das carruagens das Holland parou na frente da casa e Will pulou
de seu assento para abrir a porta. Ela olhou para as costas dele, com ombros
largos e torso longo, e para o X que seus suspensórios formavam. Elizabeth saiu
primeiro e estendeu a mão para Diana que, apesar de gostar de contar vantagem,
estava parecendo bastante cansada. Então, Will deu o braço para a sra. Holland,
uma figura pequena vestida de negro que saltou rapidamente para o chão. As
mulheres da família Holland atravessaram a noite tranqüila e pararam na frente
da porta de sua casa. Lina ouviu Claire dando as boas-vindas a elas enquanto
Will levava os cavalos para o estábulo.
Ela sabia que Elizabeth logo ia subir a escadaria principal da casa, e sentiu
uma enorme onda de rebeldia lhe crescendo no peito. Quando ela chegasse ao
quarto, Lina teria de ajudá-la a tirar a fantasia e só poderia ir se deitar quando o
dia estivesse amanhecendo. Só de imaginar a tarefa que já fizera milhares de
vezes, mas que não precisara fazer nos últimos meses, Lina ficou cheia de rancor.
Ela levantou do parapeito da janela e saiu depressa do quarto de Elizabeth,
atravessando o longo corredor acarpetado. Chegou à escada dos empregados, que
ficava nos fundos, em poucos segundos, e desceu dois degraus de cada vez.
A caminho da cozinha, Lina ouviu Ehzabeth, Diana e a sra. Holland
subindo a escadaria principal. Ela se perguntou se seria punida por abandonar seu
posto na primeira noite após a chegada da srta. Elizabeth. Mas Lina queria contar
a Will sobre o jeito de francesa que sua patroa adquirira durante a viagem. Queria
vê-lo rindo e saber que fora ela a causa de sua alegria. E talvez... talvez
encontrasse uma maneira de lhe contar o que sentia. Então, ela atravessou a
cozinha correndo e saiu pela porta da despensa, que Elizabeth mandara instalar
no último outono para facilitar as entregas do mercado.
Os pés de Lina tocaram o chão coberto de feno do estábulo. Will já tirara os
arreios dos cavalos, que estavam enfileirados no chão para que ele pudesse
limpá-los antes de guardá-los. Ele estava suado de tanto trabalhar, e o algodão
puído de sua camisa de gola azul grudava em sua pele. Suas mangas estavam

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enroladas, deixando seus cotovelos à mostra, e os fios de cabelo que ficavam
atrás de suas orelhas estavam molhados.
Will deu um passo à frente, encarou Lina e então estacou, como se
houvesse lembrado algo.
— Olá - disse ele, baixinho.
Will olhou para a porta que estava atrás de Lina e então voltou a fixar os
olhos nela, dando um sorriso nervoso.
— Você não deveria estar lá em cima, ajudando as senhoritas?
Lina ficou parada ao lado da porta, sorrindo descontroladamente. Ela
cruzou os braços e esperou que Will a convidasse a entrar como sempre fazia.
Mas ele desviou o olhar e falou num tom de voz bem diferente do que usara com
ela ao longo do verão.
— Você está se arriscando muito, saindo assim no meio da noite agora que
a srta. Liz... que a srta. Elizabeth voltou. Você não devia. Não... pode.
Lina estremeceu de susto e o tempo pareceu passar mais devagar do que o
normal. Will estava agindo de modo tão estranho. Era como se a intimidade que
surgira entre eles naquele verão houvesse desaparecido em um segundo, ou
houvesse existido apenas na imaginação dela. Ela piscou os olhos, desejando que
ele voltasse a encará-la.
E então, finalmente, ele o fez. Suas feições estavam tensas e não havia
qualquer carinho em seus olhos. O cavalo que estava mais próximo dos dois se
remexeu, balançando a cabeça e batendo com a pata no chão. Alguns segundos se
passaram, até que Will estendeu a mão e acalmou o animal.
— Will? - chamou Lina.
Em sua voz havia uma súplica que ela não conseguiu reprimir. Queria
desesperadamente que ele dissesse algo para encorajá-la, alguma piada que
dissipasse o constrangimento que estava sentindo naquele momento.
— Por que não podemos conversar como sempre? - perguntou ela. - As
damas da sociedade fazem isso durante o dia enquanto bebem chá mas, como nós
somos o que somos, só podemos conversar de madrugada...
— Lina - disse Will, interrompendo-a.
Lina ficou alarmada ao ouvi-lo dizendo seu nome, coisa que nunca fazia.
Durante o verão ele sempre a chamara por seu apelido de infância: Liney. Will
olhou para o chão, soltou um suspiro e, sem encará-la, aproximou-se dela. Pegou
suas duas mãos com gentileza e, por um momento, Lina achou que seu coração ia
parar de bater. Mas então ele empurrou-a na direção da cozinha.
— Desculpe, Lina - disse Will baixinho, fazendo-a subir os quatro degraus
de madeira que davam na casa. - Hoje não. Não podemos conversar hoje à noite.
— Por que não? - perguntou ela num sussurro.
Will olhou para Lina. Seu cenho estava franzido e seus olhos estavam muito
sérios e mais azuis do que nunca. Ele apenas balançou a cabeça, como se
quisesse dizer que ela não compreenderia o que estava pensando.
— Hoje não, está bem?
Então, Will fechou a porta na cara de Lina, que se viu na cozinha. Ela
estendeu a mão na escuridão, procurando uma parede para se apoiar. Caiu
sentada no chão, que cheirava a cebolas e poeira, e ficou ali, imóvel, durante

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muito tempo, sentindo-se mais sozinha do que nunca. Lá fora, o céu começou a
clarear, passando do negro fechado para um roxo escuro.
Lina ainda estava ali sentada quando a porta da escada dos empregados se
abriu e uma menina envolta num quimono branco de seda atravessou a cozinha.
Ela era rápida e iridescente como um fantasma e não levantou a cabeça ao passar
por Lina.
A menina já abrira a porta do estábulo quando Lina se deu conta de que
aquela era Elizabeth Holland.







































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TRECHO DO DIÁRIO DE ELIZABETH HOLLAND


lizabeth, enrolada no quimono de seda branca que seu pai
comprara numa viagem ao Japão e dera a ela em seu
aniversário de dezesseis anos, atravessou a cozinha correndo e
saiu pela porta dos fundos. Movia-se com a determinação trêmula de um desejo
que vinha crescendo dentro dela desde o início da noite. Ela manteve a cabeça
abaixada ao subir os quatro degraus de madeira que davam no estábulo.
Ao entrar, Elizabeth deteve-se. O ar à sua volta estava pesado com o calor
daquele final de verão e com as partículas de pó que subiam do feno. Ela ouviu o
som dos cavalos movendo-se gentilmente em suas baias e sentiu-se
completamente acordada pela primeira vez naquela noite. Essas coisas - os sons
dos animais, a noite fresca e silenciosa, o cheiro doce do feno - eram tudo que ela
tentara esquecer durante sua temporada em Paris. Elizabeth seguiu em frente,
sentindo o chão do estábulo com suas sapatilhas de cetim e tentando impedir que
pedaços de feno incriminadores se agarrassem a seu quimono.
— Você veio - afirmou Will, mas usou o tom de quem fazia uma pergunta.
Ele estava sentado no compartimento onde dormia, que ficava perto do teto
do estábulo, com as pernas penduradas para baixo. Seus cabelos, que ele tinha
mania de colocar sem parar atrás das orelhas quando estava nervoso ou chateado,
estavam grudentos por causa da umidade e do suor. Will, ao contrário dos
rapazes desejados pelas amigas de Elizabeth, tinha o nariz torto por tê-lo
quebrado numa briga, e lábios grossos e expressivos. Seus olhos eram azuis e
tristes e ele estava numa posição familiar - a posição de quem espera.
— Já tinha quase desistido de ver você - acrescentou Will, escolhendo as
palavras com cuidado para mascarar o medo que sentia.
X

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Ao olhar para Will, Elizabeth sentiu-se radiante e esgotada ao mesmo
tempo, e percebeu o quão longa a noite havia sido. O baile inteiro, os risos, as
fantasias elaboradas pareciam ter acontecido num sonho absurdo que
desaparecera com a chegada da manhã. Elizabeth dançara com muitos rapazes
solteiros, o bastante para satisfazer sua mãe, e alguns deles eram menos ricos e
mais charmosos que Percival Coddington. Ela tivera tempo de conversar com
Penelope e elas haviam passeado de mãos dadas e elogiado os vestidos uma da
outra. Esquecera-se de perguntar a Penelope sobre seu caso secreto, o que a fez
se dar conta de que fora uma má amiga. Mas compensaria a falta de atenção
implorando-lhe que revelasse quem era seu namorado numa outra ocasião. As
duas haviam concordado que a terrina estava deliciosa, quando na verdade
estavam nervosas demais para comer direito, e haviam bebido mais champanhe
do que pretendiam. Mas ambas consideravam champanhe irresistível. A noite
realmente fora longa, mas agora pareceu a Elizabeth que ela não poderia ter
terminado em outro lugar.
— Desculpe... mas você sabe que não pode sempre ficar me esperando -
respondeu Elizabeth, finalmente.
O que ela quis dizer, no entanto, era que pensara em Will todos os dias e
que quase não suportara ficar longe dele. Elizabeth queria contar a ele sobre
todos os lugares exóticos que visitara, como as largas avenidas de Paris faziam
curvas e de repente se abriam em vistas panorâmicas impossíveis em Nova York,
cujas ruas eram todas em linha reta. Ela queria dizer muitas coisas, mas apenas
murmurou:
— Não quero que você fique me aguardando, pois às vezes posso não...
Mas Elizabeth parou de falar quando viu que Will abaixara a cabeça.
— Por favor, Will... - disse ela, com um pouco de desespero e sentindo seu
peito doer ao vê-lo daquela forma. - Por favor...
Era impressionante a rapidez com que Elizabeth se ajustava ao estábulo ao
sair de seu enorme quarto no segundo andar, a rapidez com que as inúmeras
regras que governavam sua vida tornavam-se inúteis e tolas. Fazia tempo que
tentava parar de se sentir assim. Durante os meses que passara em Paris ela
acreditara que conseguiria, que não se importava mais com Will, que se
transformara na dama de alta classe que nascera para ser. Mas quando Elizabeth
desembarcara do navio naquela manhã e o vira lhe esperando ao lado da
carruagem, ela tinha percebido que Will também tinha crescido e visto pelo porte
dele que não era mais um menino que se metia em brigas bobas. Havia
determinação em cada gesto seu. E agora ali estava ela, gaguejando de nervoso,
quase pedindo de joelhos que ele a amasse de novo, comportando-se como uma
menina apaixonada. Era isso que ela era, no final das contas: uma menina
apaixonada.
Mas nem tudo isso impediu que Elizabeth se lembrasse das palavras que
sua mãe dissera logo antes de ela ir dançar com Percival Coddington: “A única
coisa que não temos é tempo”. Essa frase era como um mau agouro.
— Você passou tanto tempo fora - disse Will baixinho, balançando a cabeça
com tristeza.
Elizabeth encarou-o e tentou tirar a voz de sua mãe da cabeça.

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—E hoje eu tive de ficar lá na rua, esperando o baile acabar, sem saber o
que você estava fazendo lá dentro, quem estava lhe tocando, quem estava...
Will olhou bem nos olhos de Elizabeth e, com isso, não precisou dizer mais
nada. Um dos cavalos se remexeu, batendo os cascos no feno e soltando um
relincho.
— Will, eu não podia deixar de ir ao baile.
Elizabeth arregalou os olhos, sem saber o que fazer. Ela não sabia por que
Will precisava reclamar de coisas que ela não tinha como mudar, especialmente
na primeira noite que passava em casa depois de todos aqueles meses. Afinal,
Elizabeth estava arriscando tudo ao se esgueirar pela casa naquela hora e daquela
maneira. Será que ele não podia se contentar com o tempo que eles tinham?
— Estou aqui agora, Will. Olhe para mim. Estou aqui - disse ela
suavemente, dando um passo para frente. - Eu amo você.
Elizabeth quase riu, de tão verdadeiras que eram aquelas palavras.
— Fiquei imaginando você lá dentro, dançando com aqueles outros homens
- disse Will, apertando com força a beirada de madeira do compartimento. -
Esses caras iguais ao Henry Schoonmaker que usam ternos de cem dólares e têm
casas no campo maiores ainda do que as casas que têm na cidade...
Elizabeth foi até a escada que dava no compartimento e subiu dois degraus.
A superfície áspera da madeira arranhou suas mãos macias e perfeitas, mas ela
mal percebeu. Manteve os olhos fixos em Will, enquanto seu sorriso ficava cada
vez maior.
— Henry Schoonmaker? Aquele canalha? Você deve estar brincando.
Ela soltou sua bela risada, não conseguindo mais deixar de achar graça na
situação.
Elizabeth não sabia de onde vinha aquela vontade de abraçar e confortar
Will, mas, para ela, o sentimento era inescapável como o destino. Ela nem sabia
quando a amizade da infância se transformara em amor, mas seja lá o que fosse
que a atraia em Will, era algo que sempre estivera presente. Elizabeth jamais
conhecera alguém tão verdadeiro, tão absurdamente bom. Às vezes, ele chegava
a ser rigoroso demais com o mundo, mas ela sabia como fazê-lo se acalmar. Ela
olhou para Will, inundada de amor, e viu que ele estava pronto para fazer as
pazes. Will baixou os olhos e colocou o cabelo atrás da orelha mais uma vez.
Então ele levantou um pouco a cabeça e encarou Elizabeth.
— Você está rindo de mim, Lizzie?
— Eu nunca faria isso - disse ela seriamente, subindo mais um degrau da
escada de madeira.
Então Will passou as pernas para cima e ficou de pé, fazendo o
compartimento tremer com suas velhas botas de couro. Ao chegar na escada ele
se inclinou, tomou Elizabeth nos braços e trouxe-a para cima. Ele cheirava a
cavalos, suor e sabão ordinário - era um cheiro que Elizabeth conhecia muito
bem, e que adorava.
— Estou tão feliz por você estar de volta - disse ele, sussurrando as palavras
com a boca quase tocando o pescoço dela.
Elizabeth fechou os olhos e não disse nada. Era tão raro e tão maravilhoso
ser tocada. Ela não sabia o quanto sentira falta disso até agora.

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— E como foi a festa? - perguntou ele, falando no ouvido dela e fazendo-a
se sentar nas tábuas de madeira do chão do compartimento. - Elegante ou
animada?
Elizabeth encostou a cabeça no peito dele e tentou se lembrar de como fora
o baile, mas só conseguiu pensar nas palavras terríveis de sua mãe e nos olhares
estranhos que ela lhe lançara a noite toda. Ela pensou antes de responder e
finalmente disse:
— Chata.
Elizabeth olhou para o rosto grande e lindo de Will e desejou poder
esquecer o baile, esquecer quem era e quais eram suas obrigações. Ela fora até o
estábulo porque a única coisa que desejava era ficar perto de Will por algumas
horas, embora isso fosse proibido pela educação que recebera.
— Pensei em você a festa toda - disse ela. - Agora, será que podemos
mudar de assunto e nunca mais conversar sobre bailes a fantasia?
Will sorriu e gentilmente deitou-a no colchão de molas que havia num
canto do compartimento, abaixo das vigas de madeira onde ele pendurava suas
roupas para secar. Elizabeth abriu seu quimono de seda. Ele debruçou-se sobre
ela, segurando seu rosto com suas mãos grandes e beijando-a repetidas vezes.
Elizabeth deu um enorme sorriso.
— Acho que a senhorita me ama mesmo, srta. Elizabeth - sussurrou ele.

* * *

O sol já estava alto quando a luz da manha entrou por uma pequena janela.
Uma agitação percorreu o corpo de Elizabeth, lembrando-lhe que ela não devia
estar se sentindo tão confortável assim. Era sua segunda manhã em Nova York
após a viagem, mas ela ainda não dormira em sua própria cama.
— No que você está pensando? - sussurrou Will, usando os cotovelos para
se erguer.
— Odeio essa pergunta - disse Elizabeth, porque ela estava pensando nas
palavras de sua mãe mais uma vez e sabia que acordar com Will era o oposto do
que devia estar fazendo.
Ela se sentou e olhou pela janelinha do estábulo, vendo a horta que havia
nos fundos da casa.
— Preciso ir - afirmou, sem nenhuma convicção.
— Por quê?
Will colocou a mão dentro do quimono dela, pousando-a sobre seu coração.
O toque fez com que Elizabeth se desse conta do quanto ele estava batendo
depressa, e de que cada segundo que ela passava lá a deixava mais nervosa. Lina,
que estranhamente desaparecera na noite anterior, logo chegaria em seu quarto
com uma xícara de chocolate quente e um copo de água gelada e encontraria uma
cama vazia. Elizabeth forçou-se a dar um beijo rápido nos lábios macios de Will
e a arrancar-se de seu abraço.
— Você sabe por quê.

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Ela ficou de pé, fechando seu quimono. Olhou para os cavalos que se
remexiam nas baias lá embaixo, e tentou assumir a aparência de quem achava
que estava tomando a decisão certa.
— Se minha mãe descobrisse que eu venho aqui... se qualquer pessoa
descobrisse... seria o fim.
— Mas se a gente fosse para Montana... ou para a Califórnia... ninguém ia
se importar com o que fizéssemos. Poderíamos passar o dia todo na cama - disse
Will, ficando cada vez mais entusiasmado. - E quando levantássemos,
poderíamos ir passear de cavalo, ou fazer o que quiséssemos, e...
Elizabeth já ouvira tudo aquilo antes, mas percebeu que Will pensara muito
mais no assunto durante sua viagem. Ela gostava quando ele falava daquele jeito.
Will era o único menino que conhecia que olhava para o futuro e tentava
imaginar que poderia ser melhor do que o presente. Era a pessoa mais
assustadora, linda e complicada que ela já conhecera. Ir para longe de Nova
York, onde eles poderiam agir como um menino e uma menina qualquer, era a
idéia mais maravilhosa que ela podia conceber. Não haveria mais nenhum mal-
entendido para magoá-lo, pois ela não precisaria mais se esgueirar pela casa para
visitá-lo só quando sabia que seus outros habitantes estavam exaustos demais
para notar.
Elizabeth se virou, morrendo de vontade de se deixar levar por aquela
fantasia, mas a cena que viu fez com que se calasse: ela viu Will, usando apenas
sua calça preta puída, com o peito forte nu, apoiado apenas em um dos joelhos,
como um homem prestes a fazer um pedido de casamento. Elizabeth já o vira
naquela posição antes. Ela sabia o que aquilo significava.
— Talvez você devesse pensar em levar uma nova vida - disse ele
suavemente.
Will pegou a mão dela. Elizabeth afastou-se instintivamente dele, enquanto
seu coração voltava a bater forte. Ela olhou para as mãos e desejou que seu senso
de decoro não lhe obrigasse a fazer aquelas coisas.
— Volto quando puder, está bem?
Elizabeth se forçou a não olhar para o rosto de Will que, ela sabia, devia
estar confuso e magoado. Se olhasse para ele, perceberia o quanto tinha medo de
perdê-lo. Poderia negligenciar todas as obrigações que uma menina comportada
como ela possuía.
Elizabeth subiu a escadinha que dava na cozinha, preparando-se para tomar
a escada dos empregados e ir até seu quarto, onde poderia fazer o que todas as
outras meninas de alta classe estavam fazendo: dormindo para descansar do
primeiro baile da temporada, satisfeitas por saberem que podiam passar o dia
todo sonhando com os vestidos que iam usar e os meninos com quem iam dançar
nos próximos meses.
— Bom dia, srta. Elizabeth.
Elizabeth virou-se e viu Lina sentada na mesa pesada da cozinha onde a
cozinheira passava seus intervalos, usando seu indefectível vestido preto.
Durante o tempo que Elizabeth passara em Paris, sua criada se tornara mais alta e
magricela, enquanto as sardas espalhadas por seu nariz haviam se multiplicado.
Vê-la tão feia e emburrada logo no início do dia fez com que Elizabeth tomasse
um susto. Ela sentiu suas costas se cobrirem de suor e fechou mais o quimono

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para disfarçar o rubor que começava a se espalhar por suas faces. Certamente
estava começando a entrar em pânico e, por isso, ficou chocada com a
tranqüilidade de sua voz:
— Procurei você pela casa toda. Quero meu chocolate quente. E água
também. Passei a noite toda sem ter água para beber.
Então, se virou para começar a subir a escada e perguntou, conforme saía da
cozinha:
— Onde você estava na noite passada?
Elizabeth tentou se convencer de que conseguira disfarçar. Lina era mal-
humorada demais para prestar atenção nas coisas que ela fazia. Além do mais, ela
não devia estar na cozinha há muito tempo.




































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fxàx fxàx fxàx fxàx

No baile da família Richmond Hayes, na noite de dezesseis de
setembro, a jovem dona da casa foi vista dançando amorosamente com
um certo rapaz que chamaremos de HS. Eles estavam tão obviamente
satisfeitos com a companhia um do outro que a alta sociedade está
afirmando que um noivado será anunciado em breve, embora isso não
tenha ocorrido até o fechamento desta edição...

NOTA DA COLUNA SOCIAL DO JORNAL NEW YORK NEWS OF THE WORLD
GAZETTE, SÁBADO, 17 DE SETEMBRO DE 1899


s jornais estavam simplesmente fantásticos - disse Isaac
Phillips Buck, estendendo seu dedo mindinho ao pegar
uma xícara de porcelana para tomar um gole de chá. - Não
me divertia tanto desde que Remington Astor foi pego beijando um dos ajudantes
de cozinha. Esse foi um bom escândalo.
— Os jornais estavam ridículos.
Penelope passou seus dedos longos e cheios de anéis sobre a cabeça de
Robber, seu cãozinho da raça Boston terrier, e sorriu languidamente. Estava
usando um vestido de seda negro com um decote quadrado, cintura bem marcada
e saia em camadas e parecia mais magra do que nunca perto de Isaac, que suava
devido ao calor daquele final de verão. Eles eram as duas únicas pessoas na
imensa sala de estar da casa de Penelope, que tinha um pé-direito de oito metros
e muitos móveis franceses com estofados listrados de seda azul e branca.
— Nem sei por que você traz essas porcarias para mim - continuou
Penelope com um bocejo.
Ela passara o dia todo descansando e seu corpo ainda estava deliciosamente
relaxado, como se houvesse acabado de despertar.
— Como é aquele velho ditado... morrer de inveja é a melhor maneira de
elogiar alguém? Você devia aprender a encarar os jornais como eu.
— Eu tento, querido. Mas eles só falam de Deus isso, Deus aquilo, Deus
detesta sua nova mansão...
Penelope tentou parecer mais indiferente do que divertida, mas não
conseguiu evitar uma risadinha. Os jornalistas eram tão pretensiosos.
— Sinceramente, esses colunistas deviam empregar melhor seu tempo.
— Mas eles têm toda a eternidade pela frente - disse Isaac, rindo e fazendo
com que Penelope revirasse os olhos. - Bem, pelo menos os jornais parecem
concordar com você sobre um certo Henry. Estão prevendo que vocês dois vão
estar noivos antes do fim da temporada. Até falaram com um astrólogo para
confirmar tudo.
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Os olhos de Isaac ficaram esbugalhados de excitação quando ele revelou
essa notícia bombástica. Penelope sentiu uma enorme onda de autoconfiança,
mas controlou-se para não dar pulinhos de alegria.
— Mas nem precisavam do astrólogo, só tinham de perguntar para as
Wetmore - disse Isaac. - Elas ficaram indignadas ao ver você dançando com ele
ontem à noite. Souberam instantaneamente que os rumores eram verdadeiros.
Pareciam que tinham levado um tapa na cara.
— Adelaide Wetmore precisa mesmo levar um tapa na cara - disse
Penelope.
Ela tentou não demonstrar que estava se sentindo embriagada de felicidade,
mas saber que os jornais estavam especulando sobre ela e Henry era maravilhoso.
Ele sempre fizera muita questão de manter o namoro dos dois em segredo, mas
agora toda a cidade de Nova York ia ficar querendo saber se estavam juntos ou
não. Logo, até Elizabeth teria de admitir que o único homem perfeito de Nova
York era de Penelope. Ela forçou-se a parar de sorrir.
— Mesmo assim. É tudo tão bobo, toda essa tinta gasta por causa de uma
festinha. Da próxima vez, você devia barrar os jornalistas.
Mas Penelope não tinha nada do que reclamar. Alguns colunistas haviam
reclamado dos ombros expostos das moças, mas a grande maioria se limitara a
descrever de maneira longa e fiel o quanto o baile fora luxuoso. E Isaac tinha
razão: não havia nada melhor do que ser invejada pelas multidões. Para não falar
da ajuda dos jornais em levar seu namoro adiante. Agora, fora confirmado pela
imprensa e pelas estrelas: Henry ia pertencer a ela, de verdade.
Lá fora, os sinos da igreja de St. Patrick bateram três vezes. Já estava na
hora.
— Isaac, você precisa ir embora - disse Penelope, ficando de pé.
Isaac deu um suspiro.
— Mas, Penny, ainda nem falamos das roupas de todo mundo.
— Eu sei, Isaac, mas ainda temos a semana toda.
Penelope usou um tom firme, andando até a cadeira onde Isaac estava. Ela
estendeu o braço e ele pegou-o, embora com uma certa tristeza. A única hora em
que Isaac a irritava era quando ele agia como um menininho emburrado.
Bernardine, a governanta dos Hayes, estava parada na porta com o chapéu
de Isaac nas mãos. Ele agradeceu a ela e ela então abriu a porta da frente,
revelando a visão maravilhosa que era Henry Schoonmaker, parado, sozinho, na
escada da frente. Penelope ficou maravilhada ao ver que ele chegara bem na
hora, pela primeira vez. Henry estava usando o casaco negro que sempre vestia e
seu rosto estava belo como sempre, mas havia algo de diferente em sua
expressão. Penelope estava acostumada a um Henry sereno e despreocupado,
mas agora ele parecia um pouco... confuso.
— Olá, Schoonmaker - disse Isaac, estendo a mão para apertar a de Henry. -
O que você está fazendo aqui?
— Olá, Buck - disse Henry, apertando resignadamente a mão gorducha de
Isaac.
Penelope tentou decifrar a expressão estranha dele, em vão. Ele estava com
uma cara de quem fora pego no flagra fazendo algo errado.

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— Estou fazendo umas visitas aqui e ali. Quis deixar isso com a srta.
Penelope - continuou Henry, pegando um envelope selado do bolso do casaco.
O coração de Penelope se contraiu de raiva. Henry ia deixar um bilhete com
a governanta, só isso? E quanto ao encontro dominical deles? Ele não podia dizer
a ela o quanto ela estivera deslumbrante no baile por meio de um bilhete. Talvez
fossem boas notícias, Penelope disse a si mesma. Mas Henry nunca perdia tempo
escrevendo cartas formais, e não era de maneira alguma um rapaz tímido, do tipo
que preferia escrever algo do que dizê-lo em voz alta.
— O senhor não gostaria de entrar e me explicar do que se trata? - disse
Penelope, devagar, pegando o odioso envelope das mãos dele e lançando-lhe um
olhar cheio de determinação.
— Pode ir, eu já estava indo embora - disse Isaac, voltando-se para dar um
beijo em cada bochecha de Penelope. - Comporte-se - disse ele ao beijar a direita.
- Mas não muito - sussurrou Isaac no ouvido esquerdo dela.
Henry cobriu a boca com uma de suas mãos envolta em luvas de couro,
tossiu e acenou para Isaac. Ele foi com Penelope para o grande vestíbulo; ela
conseguira fazê-lo entrar em sua casa. O vestíbulo dos Hayes não era como o das
velhas casas, mas cheio de luz, com um chão feito de mármore preto e branco e
tetos espelhados. Às vezes, Penelope se sentia pequena como um grão de poeira
naquela imensa mansão, mas gostava do fato de poder ver seu reflexo em
praticamente todas as superfícies.
— Bernardine, pode voltar para sua costura - disse Penelope para a
governanta.
A mulher assentiu, formando diversos queixos ao fazê-lo.
— A sra. Hayes me pediu para dizer à senhorita que o reverendo
Needlehouse irá jantar aqui hoje à noite, e que ela insiste que esteja pronta para
recebê-lo às cinco em ponto.
Penelope revirou os olhos, enquanto Bernardine desaparecia por uma porta
disfarçada pela rica ornamentação da parede. Estava quase perdendo a calma.
Havia diversos motivos para irritação: então Henry achava que ia escapulir
daquela maneira? E sua mãe queria encurtar a tarde dela? O que mais ia
acontecer? Quando a criada se foi, Penelope respirou fundo para se tranqüilizar.
Então, sem se virar para encarar Henry, ela disse:
— Acho que você estava tentando deixar um bilhete para mim e ir embora.
Você sabe muito bem que domingo é o dia que passamos juntos.
Após alguns segundos ele respondeu friamente:
— Você ainda nem leu o bilhete, então como pode saber o que contém?
Penelope não tentou adivinhar no que Henry estava pensando. Em vez
disso, virou a cabeça e deixou que ele observasse seu lindo perfil e sua minúscula
cintura. Ela ouviu-o respirando de leve e esperou. Henry se remexeu e pegou seu
relógio de bolso.
— Já que estou aqui - disse ele, finalmente -, não custa nada tomar um chá
gelado, ou um uísque, ou o que quer que você esteja servindo.
— Temos o que o senhor desejar, sr. Schoonmaker.
Penelope ainda não se virara para encará-lo, pois sabia muito bem o que
Henry achava de seu corpo. Queria que ele ficasse olhando-a e se perguntando se
estava zangada ou não.

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— Mas eu acabei de mandar minha governanta para seus aposentos, e por
isso terei de preparar seu drinque eu mesma.
— Tudo bem. Mas ande logo. Não posso ficar muito tempo - respondeu
Henry.
Penelope sorriu para ele e piscou o olho de forma lenta e sugestiva. Ela
atravessou os corredores cintilantes de sua mansão com os saltos de seus sapatos
batendo no mármore do chão, ouvindo os passos de Henry atrás de si.
A cozinha estava escura mas limpa, com suas fileiras de panelas de ferro
penduradas no teto. Havia um fogo aceso na lareira do canto, mas nem sinal dos
cozinheiros ou dos outros empregados. Penelope olhou para o bilhete de Henry e
depois para ele.
— O que será que está escrito aqui? - perguntou ela, erguendo uma
sobrancelha.
Henry franziu os lábios. Quando ele se aproximou, Penelope percebeu que
havia uma camada de suor em seu rosto perfeito e moreno e que seus olhos
castanhos estavam brilhando.
— Você gosta de mim, não gosta? - indagou ele, ignorando a pergunta dela.
Havia uma certa ironia em seu tom de voz, mas Penelope jamais o vira tão
sério. Ela assentiu.
— Creio que sim - respondeu ela, prendendo a respiração enquanto
esperava para ver aonde ele queria chegar.
— Por quê?
Os olhos de Henry estavam fixos nos dela com uma expressão de
gravidade. Por um breve momento, Penelope se perguntou se ele estava prestes a
lhe pedir em casamento.
— Por quê? - repetiu ela, soltando uma risada estridente e melancólica. -
Por que no amor, assim como em todas as coisas, eu escolho apenas o melhor
para mim mesma. Eu sou a melhor das meninas da minha classe social, Henry, e
você é o melhor dos homens. Somos os mais ricos, os mais fascinantes e os mais
divertidos. Quero que todos nos olhem e morram de inveja ao ver que duas
pessoas tão superiores às outras em tudo se encontraram. Por isso.
Henry ergueu as sobrancelhas e olhou para seus sapatos engraxados.
— Os mais ricos, os mais fascinantes, os mais divertidos... parece que você
acertou - disse ele, fazendo um movimento de cabeça para seus sapatos antes de
levantar a cabeça e dar a Penelope um de seus enormes sorrisos. - De qualquer
maneira, como eu estava dizendo, estou surpreso por uma casa tão enorme e tão
elegante, a melhor de todas as casas, como você mesma disse, não ter
empregados na cozinha no meio do dia.
— Numa casa tão enorme e tão nova, naturalmente há mais de uma
cozinha. E eu disse aos empregados que eles não iam precisar desta hoje.
Penelope pegou o envelope e passou-o debaixo de seu nariz, como se
cheirá-lo pudesse ajudá-la a adivinhar qual era seu conteúdo. Fingiu hesitar por
um segundo antes de jogá-lo na lareira, onde o viu sendo destruído pelas chamas
com um sorriso de satisfação. Então, ela se virou e avaliou as diversas superfícies
que havia naquele enorme aposento. Escolheu uma mesa alta e estreita e sentou-
se sobre ela, recostando-se numa parede e deixando suas pernas dependuradas.

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— Acho que você vai ter de me dizer em pessoa o que havia no seu bilhete
- disse Penelope de forma provocante.
Ela passou as mãos sobre o corpete de seu vestido para alisá-lo, criando
discretamente um decote mais profundo do que teria mostrado ao público, e
depois pegou um pequeno cigarro num bolso da saia. Penelope sorriu para
Henry, acendeu o cigarro e exalou a fumaça. Tinha consciência de que naquele
momento parecia uma mulher barata, apesar de ser uma das meninas mais ricas
de Nova York. Ela já conhecia Henry há algum tempo, e sabia muito bem que ele
gostava desse tipo de contradição.
Henry deu um sorriso com o canto direito da boca e Penelope soube que
havia conseguido chamar sua atenção.
— O senhor se divertiu ontem à noite, sr. Schoonmaker? - perguntou ela. -
Lembro-me de que nossa conversa foi interrompida.
— De fato, eu me diverti bastante, srta. Penelope - disse Henry, observando
toda a cozinha com seus olhos castanhos e desabotoando o casaco, que colocou
sobre o bloco em cima do qual era cortada a madeira usada no fogo. - Não posso
imaginar como um baile poderia ser mais agradável.
— Nós certamente fizemos de tudo para agradar nossos convidados -
replicou Penelope. - Especialmente o senhor, sr. Schoonmaker. Se houve
qualquer coisa de errado, espero que me diga agora.
Henry fez uma pausa e então, como se houvesse acabado de ter uma idéia,
deu um passo na direção de Penelope. Ela sentiu todo o peso daquele gesto.
— Agora que estou pensando nisso, parece-me que não fiquei tempo o
suficiente na companhia da senhorita - disse ele.
— Na minha companhia? - perguntou Penelope.
— Não - disse Henry, deixando a boca um pouco entreaberta, como quem
ainda não disse tudo. - Não fiquei.
Penelope sorriu e puxou seu corpete para baixo, aumentando o decote a
ponto de quase se exibir por inteiro.
— Está melhor assim? - perguntou ela.
— Muito melhor.
Henry aproximou-se de sua anfitriã e colocou ambos os braços em volta da
cintura dela.
— O senhor dançou divinamente na noite passada - disse Penelope,
enquanto Henry lhe beijava o pescoço.
Ele não parou para responder, o que a deixou radiante.
— Na verdade, acho que nós dois dançamos divinamente juntos.
Penelope fez uma pausa quando Henry tocou a pequena depressão de sua
garganta com os lábios e então prosseguiu para o outro lado de seu pescoço.
— E, como o senhor sabe que eu sou muito modesta, precisarei acrescentar
que não fui a única a ter essa opinião.
— Não?
Henry afastou-se do pescoço dela e encarou-a. Penelope viu que havia uma
vaga expressão de zombaria nos olhos dele.
— Não. Na verdade, Isaac me disse que a opinião geral no baile foi a de
que nós dançamos tão bem juntos que deveríamos jurar fazê-lo pelo resto de
nossas vidas.

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Penelope soltou uma exclamação de espanto sem querer pois, sem que ela
se desse conta, Henry colocara as mãos debaixo de sua saia, na parte posterior de
seus joelhos. O toque dele a fez sentir um arrepio nas pernas. Mas Penelope não
ia permitir que sua insinuação passasse em branco; ela lançou um olhar
penetrante a Henry, deu um meio sorriso e disse:
— Diga-me, sr. Schoonmaker, o que o senhor acha disso?
Mas Henry, que se considerava um verdadeiro cavalheiro e, por isso, jamais
fazia promessas que não podia cumprir, e cujas mãos agora estavam nas coxas
dela, interrompeu a pergunta de Penelope com um beijo na boca.
— Henry - sussurrou ela, lânguida de prazer após o beijo -, o que o bilhete
dizia?
— Nada, Penelope - respondeu Henry, colocando os lábios na orelha dela. -
Não dizia nada.
— Conte para mim.
Henry se afastou o suficiente para encará-la. Foi nesse momento que
Penelope viu algo novo e profundo nos olhos dele. Algo que, se ela não estivesse
enganada, parecia ser o primeiro sinal de um amor que nascia.
— Você vai descobrir em breve - disse ele afinal, antes de beijar de leve os
lábios rosados e perfeitos dela.
O beijo encheu Penelope de confiança, e ela então se entregou inteiramente
ao prazer de ter Henry Schoonmaker só para si numa tarde de domingo. Ela
estava impaciente para oficializar o noivado deles mas, como ele acabara de
dizer, iria descobrir em breve quando esse dia chegaria. Uma doce satisfação
tomou conta do corpo de Penelope quando ela se perguntou se teria de esperar
muito.






















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b|àÉ b|àÉ b|àÉ b|àÉ

Uma jovem em particular chamou mais atenção do que todas as
outras: a senhorita Elizabeth Holland, filha do falecido Edward
Holland, brilhou como um diamante entre vulgares rubis, cheia de
elegância e beleza sutil numa fantasia de pastora feita exclusivamente
para ela por uma famosa costureira de Paris. Acreditamos que seu
impacto na sociedade será profundo e benéfico.

NOTA DA COLUNA "GAMESOME GALLANT", DO JORNAL NEW YORK IMPERIAL,
DOMINGO, 17 DE SETEMBRO DE 1899


lizabeth Holland adorava domingos, e esse era um dos motivos
que faziam Diana Holland ter horror àquele dia. Ela odiava
domingos porque em geral eles começavam com uma ida à
igreja e terminavam com o que era chamado de visitas informais, embora
"informal" fosse uma maneira completamente incorreta de descrevê-las, pois
tudo era feito de acordo com as regras e vigiado triplamente por sua mãe, pela tia
Edith e por todos os empregados da casa. De qualquer maneira, elas não tinham
ido à igreja naquela manhã, porque, como explicara a sra. Holland quando
estavam chegando à sala de estar, precisariam ter uma conversa muito séria.
E ali estavam as três, sentadas naquela prisão - era isso que a sala de estar
era para Diana, pelo menos quando ela era forçada a ficar ali parada por horas a
fio, comportando-se como uma senhorita de classe - e cercada por tanto luxo que
chegava a ser vergonhoso. No chão havia inúmeros tapetes persas e, nas paredes,
pinturas a óleo em molduras douradas de todos os tamanhos que mostravam,
entre outras coisas, os rostos sombrios de seus antepassados. Acima dos lambris,
as paredes eram cobertas por um couro verde-oliva trabalhado, que terminava
apenas ao chegar ao teto de mogno. A lareira de cornija de mármore era tão
grande que dava para se esconder dentro dela. Diana e Elizabeth haviam feito
isso muitas vezes quando eram crianças, e Diana ainda imaginava estar fazendo-
o, especialmente durante as enfadonhas visitas de domingo. Para onde quer que
olhasse, havia um objeto delicado, raro ou sedoso que ela estava sempre se
arriscando a quebrar ou manchar.
Havia muitos lugares onde se sentar na sala de estar, sofás e cadeiras de
diversos estilos, mas o cômodo não era confortável desde a morte do pai dela.
Ele sempre dissera que havia humor em tudo e compensara a maneira formal que
a sra. HoJland tinha de receber as visitas distribuindo comentários sarcásticos.
Diana não tinha certeza se as tardes de domingo algum dia haviam sido
divertidas, mas, naquela época, eram ao menos suportáveis. Desde que Elizabeth
fora formalmente apresentada à sociedade, ela assumira seu papel de jovem dama
com extrema seriedade, enquanto Diana desenvolvera o hábito de ir se sentar no
X

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cantinho turco da sala, onde dúzias de almofadas listradas estavam amontoadas
no chão. Ela estava ali agora, enroscada com os enormes gatos persas dos
Holland, que se chamavam Lillie Langtry e Desdêmona. Diana sempre soubera
que seu temperamento era parecido com o do pai. Eles eram românticos,
enquanto sua mãe e Elizabeth eram frias e práticas.
— O que você queria nos dizer, mamãe? - perguntou Elizabeth.
Ela se sentou no mesmo lugar de sempre, abaixo do enorme quadro que
mostrava o pai usando uma cartola e seu melhor terno preto, com as sobrancelhas
um pouco despenteadas e um ar de quem está constantemente se ofendendo com
a estupidez humana. Diana desejou que ele ainda estivesse ali em pessoa para
cuidar delas três. Ele lançaria um de seus olhares para Elizabeth e ela se sentiria
uma tola por se comportar com tanta arrogância durante as visitas de domingo.
Elizabeth pousou as mãos sobre seu colo da maneira mais correta e
educada. Diana pensou ter visto uma sombra de medo passar pelo rosto de sua
irmã mais velha, mas logo ela se recompôs. A sra. Holland ficou de pé e foi até a
lareira, parecendo mais severa do que nunca em seu vestido preto de gola alta.
Seus cabelos estavam presos num coque apertado abaixo de sua touca de viúva.
Ela ficou parada, olhando para a lareira, onde alguns pedaços de madeira
esperavam pelo fogo, que ainda não fora aceso. Tia Edith fez um gesto,
mandando que Claire, que estava servindo chá, saísse da sala.
— Em primeiro lugar, quero dizer que fiquei muito satisfeita ao ver os
magníficos comentários sobre vocês na imprensa. Todos falaram de sua beleza,
Elizabeth, e isso será muito...
A sra. Holland fez uma pausa assustadora enquanto Claire desaparecia por
uma das portas de correr da sala.
—... útil para nós nesses tempos difíceis.
— Como assim? - quis saber Elizabeth, e seu sorriso vacilou um pouco.
A sra. Holland se voltou para encará-las, e seu olhar era penetrante mesmo
quando lançado de um ponto do outro lado do cômodo.
— É absolutamente essencial que o que vou revelar para vocês agora não
seja repetido a ninguém.
— Tudo acaba sendo repetido alguma hora - comentou Diana com
atrevimento. Achou aquele teatro feito por sua mãe um pouco ridículo, embora
não pudesse negar que estava ficando curiosa. Por que ela estava sendo tão
grave?
— Não segredos de famílias como a nossa - retrucou a tia Edith, que estava
sentada numa cadeira em frente à mesa de jogo com tampo de malaquita.
Diana passara o verão inteiro em Saratoga com ela e Edith comentara
diversas vezes que elas eram parecidas tanto na aparência quanto nos desejos. O
casamento de tia Edith fora curto e difícil, e era verdade que a extensão da
depravação do duque Guillermo de Garza jamais ficara conhecida do grande
público. Mas parecia a Diana que sua tia conseguira essa discrição vivendo mais
de uma década num completo tédio.
— O que foi, mamãe? Tempos difíceis foram aqueles logo após a morte de
papai.
Diana suspirou e desviou o olhar de sua irmã, que usara o tom de voz suave
com que moças educadas demonstravam tristeza ao dizer essa última frase. Ela

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sentia saudades do pai todos os dias, mas ele jamais desejaria que sua família
ficasse paralisada pela dor. Edward Holland não gostaria de vê-las afundadas
numa melancolia comportada.
— Mas agora eu e Diana voltamos, e estamos determinadas a nos divertir
essa temporada - continuou Elizabeth, usando desta vez sua voz normal, que era
mais alegre. - Estamos preparadas para seguir em frente.
— Esse é o problema - disse a sra. Holland, indo se sentar numa cadeira
com encosto em forma de leque e braços de ouropel. - Nem todas as
conseqüências da morte do pai de vocês ficaram imediatamente óbvias. Parece
que seguir em frente será muito mais difícil do que você pensa. Teremos de
manter o menor número possível de empregados e precisaremos demitir o
tutor. Elizabeth, você cuidará da educação de sua irmã. O que ocorre, meninas...
A sra. Holland fez uma pausa e tocou de leve o centro de sua testa. Diana
agora prestava toda a atenção. Ela sentiu que algo deliciosamente dramático
estava prestes a ser anunciado e empertigou-se para poder ouvi-lo melhor. As
mãos de Elizabeth ainda estavam na mesma posição e ela manteve seu rosto
abaixado, para que ninguém pudesse ver sua expressão.
— Eu própria mal compreendo - disse a mãe delas, com algo na voz que
beirava a impaciência -, embora Brennan tenha me explicado tantas vezes. Parece
que, quando o pai de vocês faleceu, ele nos deixou com muitas dívidas e com
uma exiguidade de... de dinheiro. Mas nós ainda pertencemos à família Holland,
é claro... e isso ainda significa alguma coisa.
A sra. Hoiland revirou os olhos para o teto e emitiu um som curioso, como
se estivesse tentando não chorar.
— Mas não somos ricas - concluiu ela, finalmente. - Não mais.
Elizabeth levou a mão à boca. E, embora Diana pudesse ver que sua mãe
estava muito perturbada e que sua irmã estava reagindo de maneira apropriada
àquela notícia, não conseguiu se controlar e bateu uma palma de excitação.
— Nós estamos pobres! - disse ela, animada, e três pares de olhos
horrorizados se voltaram em sua direção.
— Diana, por favor! - exclamou a sra. Holland com uma expressão de
pavor.
— Ah, eu sei, eu sei - disse Diana, alegre.
Ela mal podia acreditar que algo tão romântico estivesse lhe acontecendo.
Sentiu que estava na beira de um enorme precipício e que, não importava o que
fizesse em seguida, viver agora seria como flutuar no ar. Sentiu-se inteiramente
livre.
— Sei que não vamos mais poder comprar jóias, nem chapéus franceses... -
continuou ela. - Mas eu vou me sentir orgulhosa da minha nova condição! Vai
ser tão divertido! Vamos ser como as princesas maculadas de um livro de Balzac,
como...
— Diana! - interrompeu a sra. Holland.
— Mas nós podemos ser qualquer coisa agora! Mendigos, ladrões de trem...
ou podemos ir a Cuba, ou para a França, ou...
Diana finalmente parou de falar quando percebeu que a boca de sua irmã
estava se movendo, mas nenhum som saía. A sra. Holland olhou friamente para
Diana e então se voltou para sua filha mais velha.

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— Agora, Elizabeth, você está vendo por que tudo, absolutamente tudo
depende de você. De você e do que conseguir até o final da temporada. Eu estava
esperando que...
A sra. Holland foi interrompida por Claire, que estava abrindo as pesadas
portas de correr da sala de estar. Ela ficou imóvel com as mãos cruzadas à sua
frente e os olhos fixos no chão.
— Perdoe-me, sra. Holland - disse Claire timidamente. - Chegou uma
visita. O senhor Teddy Cutting deixou seu cartão e gostaria de saber se a senhora
está em casa.
A sra. Holland respirou fundo, forçou-se a dar um sorriso quase assustador
e mandou que Claire deixasse o rapaz entrar. A afobação tomou conta do
cômodo, enquanto as mulheres da família Holland tentavam aparentar
normalidade. Então, elas receberam a primeira visita de domingo com mais zelo
do que o estritamente necessário.
Diana não era o tipo de menina que usava pó ou ruge. Ela gostava que suas
emoções fossem mostradas em sua própria pele e agora não conseguiu esconder
o quanto achava toda aquela situação ridícula, apesar de estar encolhida no canto
da sala. Sempre morrera de vontade de encontrar algo interessante para fazer da
vida e, agora que fora abençoada com o sagrado manto da pobreza, talvez isso
fosse possível. O resto da família estava teimosamente agindo como se nada
houvesse mudado, como se elas ainda fossem tão ricas quanto seus visitantes,
mas a mente de Diana já estava repleta de possibilidades.
— Srta. Holland, mal tenho palavras para expressar minha satisfação com
seu retorno. Jamais vi algo mais adorável que a senhorita em sua fantasia de
pastora no baile da família Richmond Hayes - disse Teddy Cutting, que agora
estava sentado no sofá furta-cor ao lado de Elizabeth.
Elizabeth sorriu modestamente e levantou uma das mãozinhas para abanar o
ar, como se quisesse espantar o elogio dali, antes de colocá-la de novo no colo,
na mesma posição.
— A senhorita fica muito bem de marfim, embora também fique de azul-
claro - continuou Teddy.
Elizabeth estava usando um vestido de gola alta que na verdade era branco
e azul-cobalto, facilmente confundível com azul-claro por um olhar masculino.
Diana achou que sua irmã parecia uma boneca sem vida.
— Teddy, você precisa me contar se vaí velejar esta semana - disse
Elizabeth.
Ela estava se comportando da maneira correta e guiando a conversa de
modo a fazê-la girar em torno da visita. Conseguiu não demonstrar quase
nenhum sinal de que havia algo errado, mas o peso da conversa recente estava
evidente em seu tom de voz. Diana olhou para Elizabeth e Teddy do canto onde
estava sentada e se deu conta do absurdo que era aquele diálogo.
— Oh, Teddy, você precisa me contar se vai velejar esta semana! - repetiu
ela, atirando as mãos para o alto num falso êxtase.
Diana balançou a cabeça e soltou uma risada bem alta para deixar claro o
que pensava. As outras podiam fingir o quanto quisessem. As regras de decoro
que regiam a vida e a morte dos ricos não se aplicavam mais a ela. É claro que

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sabia que ainda não tinha compreendido inteiramente a revelação de sua mãe,
mas sentia que sua vida só ia começar de verdade agora.
Teddy e Liz se voltaram para Diana como se houvessem acabado de se
lembrar da existência dela.
— Mamãe? - chamou Elízabeth com uma certa irritação. - Diana não tem
um outro compromisso?
A sra. Holland, que estivera jogando gin rummy com tia Edith, deixou suas
cartas caírem sobre a mesa de tampo de malaquita.
— Diana, você está agindo de forma estranha desde que acordou. Talvez
esteja se sentindo mal e deva ir lá para cima.
— Eu nunca fico doente, como todo mundo sabe - disse Diana, virando a
página do livro que segurava com certa violência. - Falar sobre velejar já era um
tédio antes. E agora não faz nenhum sentido, pois não podemos nos dar a esse
luxo.
Durante alguns segundos ninguém disse nada, pois todos estavam em
choque. Diana pensou ter visto Teddy se remexendo na cadeira de forma
constrangida. Elizabeth abaixou a cabeça e a sra. Holland estreitou os olhos de
fúria.
— Diana! Você não deve falar assim. Nosso convidado pode não
compreender - disse ela, voltando-se para Teddy. - O que ela quis dizer, é claro, é
que não podemos mais nos dar ao luxo de velejar por ser muito difícil para nós.
O senhor Holland adorava o esporte e ele nos traz lembranças dolorosas.
Diana revirou os olhos ao ouvir a mais nova das mentiras. Ela se recostou
nas almofadas enquanto sua mãe, sua tia e sua irmã assumiam expressões de
pesar. Mas o pai dela jamais se interessara por veleiros.
— É claro. Bem, eu devo sim ir velejar esta semana - disse Teddy, fazendo
um educado esforço para deixar o momento embaraçoso para trás. - Eu e Henry
podemos ir sempre...
— Como está Henry? - perguntou a sra. Holland.
Ela pegara novamente suas cartas e manteve os olhos fixos nelas enquanto
falava.
— Ah, Henry é Henry. É por isso que todos querem sempre falar com ele,
mas ninguém consegue - disse Teddy.
Ele riu e ninguém mais tocou naquele assunto. Teddy ficou na casa da
família Holland por mais quinze minutos, fazendo com que sua visita tivesse a
duração socialmente aceitável de meia hora. Ele então cumprimentou a sra.
Holland por ter filhas tão adoráveis e servir um chá gelado tão refrescante e foi-
se embora.
Diana não lamentou vê-lo partir. Aquela era uma das regras mais irritantes:
eram os cavalheiros que visitavam as damas e por isso as damas tinham de ficar
em casa. Isso significava que uma senhorita de alta classe, ou o que quer que
Diana fosse agora, não podia controlar quem lhe visitava, nem quando. E embora
Teddy Cutting fosse bastante agradável, ele sempre parecera um pouco sem
graça para ela.
— Diana! Como você pôde fazer isso?!
A jovem, que estava perdida em seus pensamentos, olhou para cima e viu
sua mãe, de pé com os punhos cerrados e o rosto distorcido de raiva.

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— Como pôde expor sua família dessa maneira? - gritou a sra. Holland. -
Será que não entende o que pode acontecer? Hein?
— Não adianta de nada fingir! - respondeu Diana acaloradamente. - Todo
mundo vai descobrir quando você parar de pagar a costureira e a florista e
quando as contas começarem a acumular...
— Silêncio!
Diana olhou em volta, mas viu que ninguém estava do seu lado. Sua tia
colocou a mão sobre a boca. Claire, que estava parada na porta, não conseguiu
encará-la.
— Você é uma menina atrevida e desprezível, Diana. Vá para o seu quarto
imediatamente. Leia a sua bíblia. Lembre-se de que nasceu para obedecer a seu
pai e sua mãe - disse a sra. Holland, olhando para baixo e deixando rolar uma
lágrima. - E agora, apenas sua mãe.
Diana não pôde acreditar na teimosia da mãe e sentiu-se enojada.
— Se você quer me punir por contar a verdade, tudo bem, mas...
Dessa vez a sra. Holland a impediu de continuar a falar com um olhar mais
severo do que qualquer palavra. Claire se adiantou para acompanhar Diana para
fora da sala. As sobrancelhas ruivas dela se juntaram no meio de sua testa e ela
lançou um olhar a Diana, implorando-lhe que viesse. Diana suspirou fundo,
jogou seu livro no chão de mogno e saiu batendo o pé, com Claire logo atrás.
— Elizabeth, graças a Deus eu posso depender de você. A salvação dessa
família está sobre seus ombros.
Diana ouviu essas palavras ao chegar na porta da sala e, pela primeira vez,
compreendeu o que sua mãe estava exigindo de Elizabeth. Não se casem por
dinheiro, dissera a sra. Holland muitas vezes em tempos mais felizes, mas casem
com alguém que tenha dinheiro.
Ela dissera aquelas palavras despreocupadamente, mas Diana sabia que
suas intenções eram diferentes agora.
Ela olhou para trás ao entrar no corredor e viu sua irmã silenciosa e imóvel
como uma estátua. Diana sentiu um aperto na garganta de raiva ao ver Elizabeth,
tão passiva e aparentemente feita de pedra. Era difícil acreditar que elas fossem
irmãs.
















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lizabeth tentou parar de brincar com o bracelete de ouro branco
entalhado que seu pai lhe dera há dois anos. Ela se deu conta de
que ia precisar ser forte e começar a agir da forma habitual.
Estava inquieta e distraída, e não conseguia parar de pensar em seu pai, em sua
mãe e em Will. Nada lhe parecia real. Nem ela mesma. O mais irreal de tudo era
a figura de Henry Schoonmaker se preparando para entrar na sala de estar dos
Holland, que ela reconheceu vagamente ao levantar os olhos e observar as portas
de correr.
— Olá, sra. Holland - cumprimentou Henry, fazendo um movimento com a
cabeça na direção da mesa de jogo.
— Olá, sr. Schoonmaker - responderam a mãe e a tia de Elizabeth.
A sra. Holland deu um sorriso radiante. Elizabeth subitamente percebeu
que, embora falassem tanto nele e embora suas famílias fossem ligadas pela
história e pela classe social, ela não falava com Henry havia anos. Ele era um
solteiro muito cobiçado, todo mundo dizia, mas isso era uma mera abstração. Há
muito Elizabeth não pensava em Henry como um ser humano de verdade e só o
fez quando ele surgiu diante dela.
— Olá, srta. Elizabeth - disse ele.
Elizabeth conseguiu se levantar e sorrir primeiro para sua mãe e depois para
Henry Schoonmaker, que estava segurando seu chapéu de forma muito educada.
Ela não imaginara que alguém como Henry seguraria seu chapéu daquela
maneira e talvez por esse motivo ficou olhando-o sem reação, até que ele
começou a parecer constrangido. Eíizabeth acabara de ver que Henry era o tipo
de homem que mandava bordar suas iniciais, HWS, em letras douradas na fita
azul-clara que passava na parte interna da aba de seu chapéu, quando Claire
pegou o objeto das mãos dele e anunciou que o colocaria no closet.
Os olhos de Henry observaram toda a sala de estar e então pousaram sobre
Elizabeth. Ela sentiu-se envergonhada apenas com aquele olhar e tentou dizer a si
mesma que o famoso Henry Schoonmaker, por quem Agnes era apaixonada, com
quem Penelope dançara e cujo pai era dono de grande parte de Manhattan, não
conhecia seu segredo. Seus segredos, na verdade, pois eram mais de um: os
Holland estavam pobres, ela estava apaixonada por um criado e ainda por cima
X

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era uma menina egoísta, que provavelmente arruinaria sua família mais do que
ela já estava arruinada.
— Esse vestido é muito bonito - disse Henry.
— Muito obrigada, sr. Schoonmaker - respondeu Elizabeth, encarando-o e
então desviando rapidamente o olhar.
Ali estava o rapaz que todas as moças de Nova York desejavam e ela
achava que deveria ter ficado maravilhada com sua visita. Henry era de fato
bonito e bem vestido, o que era tudo que ela deveria desejar num homem.
Elizabeth ficou surpresa ao perceber o quão pouco aquilo lhe atraía. Tudo o que
conseguiu pensar foi que, se ela e sua família fossem mandadas para a prisão por
não conseguir pagar suas dívidas, ele provavelmente riria. Henry parecia ser do
tipo que achava a desgraça dos outros uma comédia.
— Não gostaria de se sentar, sr. Schoonmaker? - ofereceu Edith com uma
expressão divertida.
Henry sentou-se no mesmo lugar que seu amigo Teddy escolhera. A luz do
sol entrou pelas compridas janelas da sala de estar e iluminou aquele cômodo
luxuoso, do qual Eíizabeth subitamente, e surpreendentemente, sentiu-se
orgulhosa. Era como a marca registrada de sua família. Aqueles belos móveis
arrumados de maneira tão perfeita para receber visitas. O couro verde-oliva
trabalhado acima dos lambris de mogno, que seu pai escolhera pessoalmente
após herdar a casa dos próprios pais. As curvas exuberantes dos candelabros
antigos. A parede coberta de quadros. Tudo tão suave, perfeitamente antiquado e
rico. Ela olhou para a mesa de cartas e notou que sua tia Edith estava fazendo um
movimento de cabeça para sua mãe.
— Que casalzinho mais taciturno - sussurrou ela.
Elizabeth entendeu o que sua tia quis dizer e sentiu uma onda de vergonha
ao perceber que Henry podia ouvi-la também. Ela virou-se para ele com o
coração batendo forte de constrangimento, mas ele não parecia ter prestado
atenção no comentário. Henry estava examinando suas abotoaduras, que também
eram de ouro e também tinham suas iniciais gravadas. Elizabeth poderia ter
refletido sobre o fato de que isso não demonstrava nada de positivo sobre o
caráter dele, mas estava ocupada demais em olhar para sua tia e tentar adivinhar
se ela iria dizer mais alguma coisa humilhante. Ela decidiu não se arriscar e ficou
de pé.
— Sr. Schoonmaker, o dia parece estar lindo e eu confesso que ainda não
saí de casa hoje. Gostaria de passear pelo parque?
Elizabeth viu Claire corar com o canto dos olhos e lembrou-se de que
deveria ter esperado por um convite. Sua confusão era tal que ela estava
esquecendo suas boas maneiras, mas obviamente não poderia explicar isso a
Henry.
— Quero dizer, se o senhor... - disse ela.
Mas Henry já ficara de pé e estendera o braço para ela tomar.
— Será um prazer.
Lá fora, o dia estava lindo e mais frio do que ela imaginara. Uma brisa
soprava do rio East e limpava o ar. Elizabeth relaxou um pouco ao sentir o cheiro
das folhas do parque e ver o azul brilhante do céu. O Gramercy Park era um
refúgio maravilhoso que ficava perto da barulhenta Broadway e era protegido há

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muitas gerações pela família Holland e outras tão antigas e tão ricas quanto ela.
Elizabeth tentou se convencer de que aquela época não se fora para sempre, de
que não se transformara numa era de exageros à qual ela não pertencia. Dentro
do parque, babás corriam atrás de crianças que ainda usavam os chapéus de
couro e os laçarotes com os quais tinham ido à igreja. Carruagens circulavam o
parque e os cascos dos cavalos batiam contra o pavimento. Os avós de Elizabeth
tinham comprado um dos lotes em torno do parque quando ainda não havia
nenhuma construção no lado norte de Manhattan, e seu pai fora criado na casa de
número 17. Aquele era um canto do mundo que pertencia aos Holland; era
insuportável pensar que aquilo poderia mudar em breve.
Mas aquilo era mais egoísmo. Elizabeth olhou para o elegante ferro
trabalhado dos portões do parque, para as casas imponentes que o rodeavam, para
a sombra das árvores, e seu coração se comprimiu quando ela pensou em sua mãe
na pobreza. Elizabeth imaginou um futuro em que sua família viveria num lugar
pequeno e sujo e em que as risadas de escárnio dos outros ressoariam em seus
ouvidos. O legado dos Holland seria destruído e ali estava ela, incapaz de
impedir qualquer coisa de acontecer, mantendo as costas eretas e conversando
sobre trivialidades com um rapaz de família que sem dúvida preferiria estar
correndo atrás de moças européias, que eram mais dadas do que as americanas.
Mesmo assim Elizabeth continuou a caminhar ao lado de Henry, falando
uma ou duas coisas sobre a qualidade do sol e do ar naquele dia específico. Ela
contou mais uma vez como fora sua viagem de volta, mas ele não pareceu
interessado. Eles se moviam de forma lenta e indiferente pelo parque e foram
para o lado oeste, passando pela casa número 4, que fora construída por James
Harper, o conhecido editor de livros. Ele mais tarde se tornara prefeito de Nova
York, e dois postes de ferro, as chamadas "lâmpadas do prefeito", haviam sido
instalados na frente da sua casa para indicar isso, como ocorria com todos que
ocupavam o cargo. Henry e Elizabeth viraram-se na direção norte do parque e
então Henry estacou, voltando-se para Elizabeth:
— Meu pai está organizando um jantar.
— É mesmo? Que maravilha - replicou Elizabeth.
Henry voltou a andar de braço dado com a jovem dama. Ela percebeu que
estava com o braço tenso, de modo a quase não tocar no dele.
— Sim, tenho certeza de que a sra. Schoonmaker fará de tudo para que seja
mesmo uma maravilha.
— Disseram-me que a sra. Schoonmaker sempre dá jantares adoráveis -
comentou Elizabeth, embora soubesse que a sra. Schoonmaker fosse poucos anos
mais velha do que ela e tivesse apenas metade de seu talento para cuidados
domésticos. - Eles são sempre descritos de forma tão linda nos jornais. Gostaria
de poder ir, mas creio que vocês precisam limitar o número de convidados.
Henry soltou uma risadinha melancólica e bateu na cerca de ferro com o
punho. Elizabeth esperou que ele dissesse mais alguma coisa e, quando isso não
aconteceu, sentiu uma certa raiva. Se Henry viera visitá-la, porque estava tão
horrivelmente calado? É claro que ele não tinha como saber que sua família
estava passando por uma crise, mas ela estava. E será que Henry não imaginava
que havia coisas melhores para ela fazer do que caminhar em silêncio com um
rapaz que claramente desejava estar em outro lugar? Ela se lembrou de uma vaga

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impressão que tivera de Henry na infância, quando ele estava sempre rindo e não
parecia se importar com nada.
— Creio que você sabe o motivo do jantar - disse Henry, olhando Elizabeth
com frieza.
Ela balançou a cabeça com petulância. Ocorreu-lhe que talvez Henry
estivesse bêbado. Elizabeth olhou em volta, como se procurasse um rosto
familiar que lhe confirmasse que tudo aquilo era muito estranho e muito mal-
educado. Mas havia apenas crianças e babás brincando. Todos que conhecia
estavam escondidos em suas casas e ela teria de lidar com aquela situação
sozinha.
— Não, não sei o motivo do jantar.
— O jantar - disse ele, enunciando as palavras com desprezo e revirando os
olhos para o céu - é para comemorar nosso noivado.
— Você quer dizer... nosso noivado... meu e seu?
— Isso - respondeu Henry. - O louvável noivado da srta. Elizabeth Holland
com o sr. Henry Schoonmaker.
Elizabeth sentiu que o chão sob seus pés estava se abrindo. Ela sentiu o
enjôo e a tontura que acometem uma pessoa que olha para baixo quando está
num lugar muito alto. Ao tentar manter-se de pé, sem querer lembrou-se de Will
ajoelhando, tão apaixonado e cheio de esperanças, naquela luz simples e
brilhante da manhã. Quão distinto ele era do indiferente Henry, que a observava
agora com seu rosto belo e frio.
— Oh - disse Elizabeth lenta e estupidamente - Eu... não tinha idéia de que
o motivo do jantar era esse.
— Mas é. Por isso, creio que devo lhe dizer que me sentiria honrado se a
senhorita concordasse em ser minha esposa - disse Henry, hesitando antes de
dizer a palavra “esposa”, como se não soubesse bem como pronunciá-la.
— Oh.
Elizabeth tentou recuperar o fôlego, perguntando-se por um segundo se
algum dia seria capaz de falar novamente. Ela teve uma visão de como seria sua
vida: um ambiente de hostilidade crescente. Eles se casariam na igreja. Elizabeth
teria de jurar diante de Deus que amaria aquele homem até morrer. Ela dormiria
na mesma cama que Henry Schoonmaker e acordaria ao lado dele. E, um dia,
embora aquilo fosse difícil de imaginar, eles teriam filhos que seriam metade ela,
metade Henry.
Naquela manhã mesmo Elizabeth fantasiara sobre se casar com Will. Will,
a quem ela conhecia e amava. Ela tentou pensar na reação de Will, mas a imagem
que lhe veio à cabeça foi a expressão de sua mãe quando contasse que não ia
conseguir se casar com um dos rapazes mais ricos de Manhattan, pois estava
apaixonada pelo cocheiro.
Elizabeth fechou os olhos por um segundo, imaginando as conseqüências de
aceitar o pedido de Henry - se é que aquilo podia ser chamado de pedido. Ela
ficou chocada com o que viu. Sua vida como sra. Schoonmaker seria tão...
suntuosa. Ela visualizou o rosto de sua mãe, que há tempos mostrava
preocupação e falta de sono, com um enorme sorriso de orgulho. E as bochechas
de Diana, coradas como sempre. Elizabeth viu-se fazendo aquilo que era fácil e
natural para ela: sendo graciosa, bem-vestida e admirada por todos. Nesse futuro,

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sua família estava usando roupas das quais ninguém jamais poderia rir. Ela olhou
para baixo, surpresa com o sentimento que surgira na base de seu estômago e
agora se espalhava pelo seu peito. Não era felicidade, mas era algo que lembrava
alívio.
— Isso é tão... - Elizabeth gaguejou, sem saber o que estava dizendo até que
as palavras lhe saíssem da boca - tão gentil de sua parte, sr. Schoonmaker.
Ela se forçou a dar um sorriso para Henry. O esforço foi se tornando mais
fácil a cada segundo, pois Elizabeth estava sentindo inúmeras emoções, mas a
gratidão parecia ser a mais forte de todas.
— Muito obrigada - disse ela, finalmente.
Então, Henry, acreditando que aquela resposta significava que Elizabeth
havia aceitado seu pedido, tomou o braço dela e levou-a de volta até sua casa.
Por um segundo Elizabeth pensou ter visto Will passando na frente da casa e
quase entrou em pânico. Ela se lembrou de que afirmara que Henry Schoonmaker
era um canalha na noite passada e sentiu vergonha de estar de braços dados com
ele agora, no momento em que o relacionamento deles dois dera um salto tão
enorme. Foi aí que Elizabeth percebeu que o rapaz na frente da casa era apenas
um dos cocheiros dos Parker Fish e, pela primeira vez na vida, sentiu-se
agradecida por não estar vendo o homem que amava. Ela teria de contar para ele,
é claro, mas não agora. Ainda não.
— Sr. Schoonmaker - disse ela quando eles cruzaram a rua vinte -, o senhor
acha que seria possível mantermos o noivado em segredo, pelo menos até o
jantar? Dessa forma ainda teríamos alguns dias de tranqüilidade.
Henry assentiu, indicando que não se opunha à idéia e eles subiram a
escada frontal da casa de Elizabeth. Ela tentou tocá-lo o menos possível e jurou
que ia contar a Will em breve. Amanhã.
— Você pode me chamar de Henry - disse ele friamente quando pararam
diante da porta. - Afinal, nós estamos noivos.
Elizabeth não conseguiu sorrir dessa vez. Estava preocupada demais em se
perguntar se Will ainda a amaria quando se tornasse a sra. Schoonmaker.

















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Wxé Wxé Wxé Wxé

Todos sabem que um homem, quando está
cortejando uma jovem que pretende desposar,
deve primeiro conquistar as mulheres mais
próximas a ela - suas amigas, é claro, e também
sua irmã, se ela tiver uma.

TRECHO DO LIVRO O AMOR E OUTRAS TOLICES DAS FAMÍLIAS RICAS DA VELHA
NOVA YORK, DE MAEVE DE JONG


casa estava em silêncio. Não parecia haver nada
acontecendo - nem mesmo na cozinha, onde o jantar deveria
estar sendo preparado. Diana percorreu os cômodos pisando
leve e cantarolando um ragtime, tentando encontrar algum sinal de vida. De
repente, ela imaginou que talvez a sra. Faber houvesse descoberto que a situação
financeira das Holland era desastrosa, reunido todos os criados e partido - para
trabalhar no circo, talvez, ou para abrir um bordel em São Francisco. Parecia-lhe
inconcebível que, após ser libertada daquela maneira, a governanta ainda fosse
desejar a companhia do velho sr. Faber, seu marido. Diana se esgueirou pelo
corredor dos fundos, que era usado pelos empregados, sem ver ninguém, e então
entrou no closet dos casacos, que ficava no final do enorme vestíbulo. Ela sentia
que estava vendo tudo com novos olhos. Era uma menina pobre; não tinha nada
e, portanto, não tinha nada a perder.
Diana olhou para os casacos de pele e de veludo enfileirados ao longo das
paredes do closet e se deu conta de que eles teriam de ser vendidos. Olhou atrás
da porta, procurando seu casaco militar francês - esse, ela não venderia de jeito
nenhum - mas o que encontrou foi um chapéu que não conhecia. Diana pegou-o e
colocou-o na cabeça. Era grande demais para ela, mas os cachos de seu cabelo
faziam tanto volume que o chapéu ficou quase perfeito. Diana virou-se para se
olhar no espelho e decidiu que ficaria com um ar boêmio usando aquele chapéu,
se o combinasse com os acessórios corretos. Então, ela espiou o corredor do lado
de fora e viu um homem de casaco negro que estava de costas.
Diana saiu silenciosamente do closet e andou na direção do homem.
Quando estava a cerca de um metro dele ela deve ter feito um ruído qualquer,
pois o homem se virou. Ele parecia exasperado. Diana demorou alguns segundos
para lembrar-se daquele rosto e do nome do homem, embora ela conhecesse
ambos muito bem. As feições dele eram aristocráticas, seu maxilar era
pronunciado e seus olhos castanhos pareciam já ter visto de tudo.
— Ah... eu conheço você - disse Diana.
T

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Ela sorriu, pois ficara surpresa ao se pegar pensando que aquele rapaz
realmente tinha a aparência deliciosa. Era estranho, pois todas as outras meninas
achavam o mesmo e, em geral, Diana gostava de ter opiniões originais.
— Você é Henry Schoonmaker.
— Sou - disse o rapaz, olhando para a cabeça de Diana e depois encarando-
a.
— Gostou do meu chapéu? - perguntou ela, tocando a aba e observando a
reação dele.
Diana ouvira falar muito do jovem Schoonmaker quando estava em
Saratoga. Até a tia Edith contara fofocas sobre ele. Ao que parecia, ele
participava de corridas de carruagem, dirigia carros motorizados e nunca ficava
muito tempo no mesmo lugar, e nem com a mesma garota. Para Diana, ele levava
a vida que ela levaria, se o mundo permitisse.
— Gosto muito do chapéu, mas preciso questionar o uso da palavra “meu” -
disse Henry sarcasticamente.
Então, ele piscou o olho para ela, o que fez com que Diana se desse conta
de que seu coração estava batendo bem depressa.
— E o que você vai fazer? - perguntou ela, colocando uma das mãos na
cintura e levantando o queixo orgulhosamente. - Chamar a polícia e mandar me
prender porque eu coloquei seu chapéu?
Henry abriu a boca, pronto para responder, mas foi interrompido pelo som
de passos dentro da sala de estar. Com isso, Diana se lembrou de que, apesar do
silêncio, ainda havia gente na casa toda, ouvindo conversas e vivendo de acordo
com as regras. E ela não estava seguindo as regras.
Diana estava prestes a ir embora dali quando olhou para Henry e decidiu
que ainda não queria deixá-lo ir embora. Ela agarrou a mão dele e puxou-o para
dentro da sala de estar que havia no lado leste da casa. Sua mãe a chamava de
“segunda sala de estar”, pois era o cômodo onde a família mantinha os quadros e
esculturas menos valiosos. Ali costumava ser o salão de baile, mas, desde que o
sr. Holland morrera, a família parara de dar festas e a sala recebera seu novo
nome. Todos os objetos mais bonitos haviam sido colocados na sala de estar
principal, onde os Holland recebiam seus visitantes, e essa sala ficara um pouco
desarrumada. Diana reparou bem na maneira como as almofadas estavam puídas,
para poder descrevê-las corretamente quando escrevesse em seu diário naquela
noite. Quando ela e Henry estavam do outro lado da porta de carvalho, Diana
soltou a mão dele com relutância. Ela olhou para os enormes quadros pendurados
na parede, que mostravam um mar negro e cheio de ondas. Eles pareceram a
Diana uma boa metáfora do que ela estava sentindo.
— O que você está fazendo na minha casa, Henry Schoonmaker? -
sussurrou ela.
Diana ouviu Elizabeth falando no corredor. Ela estava usando seu tom de
voz mais esnobe e autoritário e perguntando a Claire como ela podia ter perdido
o chapéu do sr. Schoonmaker.
— Creio que não é da sua conta - disse Henry.
Diana franziu o cenho ao ouvir essa resposta. Era possível, embora não
fosse provável, que Henry estivesse ali para visitar Elizabeth. Talvez ele
houvesse sido conquistado pela descrição da beleza dela que saíra no jornal. Ou

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talvez, pensou Diana, ele houvesse visto a mais nova das irmãs Holland durante o
verão, e sua curiosidade estivesse aumentando desde então. Isso, sim, teria sido
maravilhoso. E, ocorreu a Diana, que talvez Henry estivesse ali com aquela cara
séria porque os Holland deviam dinheiro aos Schoonmaker. Era uma idéia
melancólica, mas - ela devia admitir - mais realista do que a primeira. Olhando
novamente para as almofadas, Diana se deu conta de que agora estava numa
posição bastante vulnerável diante de uma pessoa tão rica quanto o herdeiro da
fortuna dos Schoonmaker. Mas então ela se deu conta de outra coisa: Henry
estava olhando-a com admiração.
— O famoso Henry Schoonmaker - disse ela, corajosamente sustentando o
olhar dele. - Aquele que não consegue ficar parado e vive partindo corações. E o
que dizem, não é?
— Por que as meninas adoram tanto fofocar? - perguntou Henry.
Diana estava tão próxima dele que podia sentir seu cheiro. Ele cheirava a
brilhantina, a cigarros e a perfume de mulher, ou ao menos foi o que lhe pareceu.
Ela encarou Henry, que estava com uma expressão divertida no rosto, e ele
sussurrou:
— Você acha que tudo o que dizem sobre mim é verdade?
— Se for, então você é uma pessoa muito interessante.
Diana sorriu, mordendo o lábio inferior.
— Bem, eu nego tudo categoricamente - afirmou Henry, dando de ombros.
- Exceto o fato de que eu realmente gosto de meninas bonitas, o que é mais ou
menos verdade. Quantos anos você tem? Não pode ter sido apresentada à
sociedade há muito tempo. Nunca nem deve ter sido beijada...
— Fui, sim! - interrompeu Diana como uma criancinha.
Ela sentiu que estava corando, mas estava excitada demais para se importar,
principalmente porque não estava mentindo.
— Aposto que não muito bem - respondeu Henry, levantando uma das
sobrancelhas.
No corredor, Claire estava dizendo a Elizabeth que o chapéu do sr.
Schoonmaker de fato desaparecera, enquanto esta lamentava a má qualidade do
serviço da casa.
Diana observou as cabeças de cervo empalhadas penduradas na parede e os
móveis antigos e pesadões. Havia um grande vaso de metal cheio de rosas que
estavam murchando devido ao descuido, com algumas pétalas amareladas já
espalhadas pelo chão. As cortinas estavam fechadas, o que por algum motivo lhe
pareceu apropriado. Ela voltou a encarar Henry Schoonmaker e teve certeza de
que sua presença ali não era um sonho. Foi quando Diana sentiu uma dor
adorável no peito. Havia tantas coisas que de que ele sabia e ela não. Pela
maneira como ele se portava, Diana pôde adivinhar que era mais velho do que
ela, e que já fizera coisas que ela jamais faria. Ela sentiu vontade de levá-lo até
seu quarto, trancar a porta e obrigá-lo a lhe contar tudo.
— Será que você já foi beijada de verdade?
Henry abaixou sua sobrancelha, mas pareceu ainda mais cético do que
antes. Ele se inclinou para pegar o chapéu e Diana sentiu a respiração quente dele
em sua orelha. Por um segundo, tudo ficou imóvel. O corpo de Henry estava tão
próximo do de Diana que ela se sentiu como se eles já houvessem se tocado.

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Então, no momento em que Henry retirou gentilmente o chapéu de cima dos
cachos dela, ele virou o rosto só um pouco e seus lábios pousaram de forma
muito suave sobre os de Diana. Ela respirou fundo. O toque de sua boca causara
uma corrente elétrica no corpo dela.
Henry olhou intensamente nos olhos de Diana, resistindo à tentação de dar
um enorme sorriso, e se inclinou de novo, beijando-a de verdade. Era isso,
pensou Diana. Era o que ela queria ter, uma sensação que ia até os dedos dos pés
e os fazia dançar.
Henry se afastou e piscou para ela com olhos vividos e sábios. Então ele
colocou o chapéu na cabeça e foi para o corredor sem dizer mais nada.
— Caras senhoritas, aparentemente eu me perdi ao sair do closet - disse ele.
- Boa tarde.
Diana ouviu o tom de zombaria na voz de Henry e soube que, embora ele
estivesse falando com Claire e Elizabeth, na realidade estava contando uma piada
só para ela.
— Boa tarde - respondeu Elizabeth.
Diana achou que sua irmã parecia estar um pouco ofendida. Ela ouviu o
som da porta se abrindo e imaginou que Henry já devia estar na rua. “Eu beijei
Henry Schoonmaker”, pensou Diana, mal conseguindo acreditar. “Eu beijei
Henry Schoonmaker.”

* * *

Foi só mais tarde, após Diana ter conseguido entrar em seu quarto sem ser
vista por ninguém, que o misterioso pacote chegou. Claire exigira saber o que ele
continha ao entregá-lo, e Diana de fato se sentira tentada a abri-lo imediatamente.
Ela e sua criada conversavam muito sobre meninos e fantasiavam sobre viagens
para lugares distantes e romances com príncipes europeus. Mas aquilo era real
demais para ser compartilhado. Por isso, Diana pediu desculpas a Claire,
abraçou-a e pediu-lhe que a deixasse sozinha.
Ela ouviu Claire se afastando da porta de seu quarto e só então tirou a
tampa ornada da caixa redonda que recebera. O interior da caixa era de veludo
cor de carvão e, lá dentro, estava um chapéu muito familiar e um bilhete que
dizia:

cÉwx y|vtÜ vÉÅ xÄxA Y|vÉâ àûÉ uxÅ xÅ äÉv£ Öâx cÉwx y|vtÜ vÉÅ xÄxA Y|vÉâ àûÉ uxÅ xÅ äÉv£ Öâx cÉwx y|vtÜ vÉÅ xÄxA Y|vÉâ àûÉ uxÅ xÅ äÉv£ Öâx cÉwx y|vtÜ vÉÅ xÄxA Y|vÉâ àûÉ uxÅ xÅ äÉv£ Öâx
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[f [f [f [f

Diana leu o bilhete duzentas vezes, tentando compreender seu sentido. “O
contexto no qual serei obrigado a conhecê-la melhor?” O que isso queria dizer?

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Depois, ela colocou o chapéu na cabeça e sentiu-se perigosamente apaixonada
por alguém que mal conhecia.













































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TRECHO DO DIÁRIO DE DIANA HOLLAND, 17 DE SETEMBRO DE 1899


Diana só tirou o chapéu muitas horas mais tarde, quando ouviu algumas
leves batidas em sua porta. Ela se levantou da cama, onde estivera sentada
escrevendo em seu diário, tirou o chapéu da cabeça e escondeu o bilhete dentro
dele, enfiando rapidamente os dois embaixo da cama. O toc-toc-toc soou mais
uma vez e Diana escondeu seu diário, cujas páginas registravam o encontro
secreto que estava inspirando todas aquelas cores, debaixo do travesseiro.
— Quem é? - gritou ela, sem tentar disfarçar a irritação em sua voz.
O rosto de Elizabeth surgiu no vão da porta. Os olhos dela estavam
arregalados e sem expressão, exatamente como quando Diana a vira mais cedo na
sala de estar. As duas não haviam conversado desde então, mas aquilo não era
uma surpresa. Há anos elas não conversavam sobre nada de importante.
— Posso entrar? - perguntou Elizabeth gentilmente.
— Tudo bem.
Diana deitou-se de novo na posição em que estivera antes de se
interrompida; de barriga para baixo, olhando para seu travesseiro. Fora nele que
ela apoiara seu precioso diário para poder escrever e embaixo dele que o
escondera. Diana sentiu necessidade de mantê-lo longe da vista de sua irmã, pois
há tempos Elizabeth era como uma estranha para ela.
Nos últimos dois anos, Diana fora traída por Elizabeth inúmeras vezes. Sua
irmã mais velha ficara cada vez mais bem-educada e distante e as duas, que já
haviam sido muito próximas, agora se ressentiam. A interrupção do momento
sagrado que passava com seu diário todos os dias foi para Diana apenas uma
pequena afronta a ser computada junto com outras bem mais graves.
— Tenho algo muito importante para lhe contar - disse Elizabeth
timidamente.
Ela se sentou na outra ponta da cama de Diana, sobre a colcha de lã branca.
— É mesmo?
Diana revirou os olhos, pois aquilo que era importante para sua irmã quase
sempre era irrelevante para ela. De qualquer maneira, ela já estava pensando de
novo em Henry, perguntando-se se ele tivera muitas namoradas e como seria a
sensação de encostar a cabeça em seu peito. Para Diana, era auspicioso que sua
família houvesse escolhido aquele momento para se tornar pobre. Talvez aquilo a

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tornasse diferente de todas as outras meninas aos olhos de Henry, fazendo-a
brilhar com uma luz singular. Diana parara de escutar Elizabeth, mas então achou
que sua irmã mais velha tinha mencionado o nome de Henry.
— O quê? - perguntou Diana, apoiando-se nos cotovelos e encarando
Elizabeth.
— Henry Schoonmaker. Ele veio aqui esta tarde para me pedir em
casamento e nós estamos noivos. Eu vou me casar, Di... Nossa família vai ficar
bem.
Diana apertou os olhos e fez um esforço para não cair na gargalhada. Ela ia
pedir que Elizabeth repetisse o que dissera, pois certamente ouvira mal,
misturando o homem em quem estava pensando com essa história boba de
noivado. Mas então Elizabeth pegou sua mão.
— Sei que é muito súbito. Mas quase ninguém tem mais dinheiro do que
eles, e Henry é o filho mais velho... aliás, o único filho — explicou Elizabeth,
como quem tentava convencer a si própria também.
— Ele... pediu você em casamento?
A boca de Diana se abriu e seus olhos se arregalaram de espanto. Ela
instintivamente puxou sua mão de volta para o peito. Elizabeth olhou para baixo,
enquanto Diana absorvia aquela informação. A deliciosa lembrança de Henry
Schoonmaker provocando-a naquela sala deserta, escura e poeirenta fora
arrancada de Diana. Ela a queria de volta.
— Mas você nem gosta dele! - exclamou Diana.
— Talvez com o tempo... - disse Elizabeth, olhando para as mãos e
mexendo em suas cutículas. - Ele é muito bonito e é considerado o solteiro mais
cobiçado da cidade.
Diana soltou uma exclamação de indignação e revirou os olhos mais uma
vez. Era injustiça demais! Ela mal podia acreditar que sua aventura ia terminar
daquela maneira. Sua raiva estava aumentando e Diana estava preparada para
atacar o homem que, aparentemente, era agora o noivo de sua irmã.
— Diana, por que você está tão malcriada? Essa é uma boa notícia.
— Porque você não ama Henry Schoonmaker - respondeu Diana
amargamente.
E ele não ama você, acrescentou ela em pensamento. Diana poderia ter dito
que o homem com quem Elizabeth estava planejando se casar era um patife e que
ele beijara a irmã mais nova de sua noiva minutos depois de pedi-la em
casamento, mas não o fez. Ela já lera muitos romances e já devia ter aprendido
que os bandidos da história muitas vezes têm o rosto bonito. Cometera um erro
clássico ao acreditar que aquele momento maravilhoso em que os lábios de
Henry haviam tocado os seus marcara o surgimento do amor. Mas não ia contar a
ninguém o que fizera; era algo que pertencia só a ela. Diana fechou os olhos e
disse:
— Bem... então, meus parabéns.
Elizabeth sorriu sem qualquer alegria e uniu as mãos. Diana sempre
considerara aquele um gesto estúpido e, naquele momento, ele o irritou mais do
que nunca.
— Os Schoonmaker têm uma ótima reputação. Além disso, Henry é muito
educado e...

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Elizabeth parou de falar, como se não conseguisse pensar em nem mais uma
coisa boa para dizer sobre seu noivo. Então, ela mordeu o lábio e Diana pensou
ter visto uma lágrima brilhar em seus olhos. Elizabeth cobriu o rosto com as
mãos.
Diana achou patético que sua irmã ficasse emocionada a ponto de chorar de
alegria devido ao surgimento de um noivo rico, principalmente porque não
parecia achá-lo grande coisa. Ela soltou um som gutural e olhou de novo para seu
travesseiro.
— Bem - disse Elizabeth, controlando-se e limpando as lágrimas. - Vai ser
bom para mamãe, bom para todos nós, que haja um casamento. Flores, vestidos
novos e tudo o mais. Tudo vai ser novo, feito especialmente para a cerimônia.
Diana olhou para a irmã e viu que ela erguera as sobrancelhas louras ao
enumerar todos os objetos lindos que ia comprar para o casamento, coisas
imaculadas e feitas de marfim. Era como se ela houvesse passado a tarde num
esgoto e houvesse acabado de emergir, desesperada para encontrar qualquer sinal
de pureza. Mas Elizabeth, na verdade, passara a tarde na suntuosa sala de estar
dos Holland e, ao descobrir que sua família estava mal financeiramente, ficara
noiva do primeiro homem rico que encontrara. Diana concluiu que sua irmã era
uma idiota por pensar em se casar com um homem obsceno como Henry
Schoonmaker, que, aparentemente, entrara na casa delas aquela tarde com a
intenção de arrumar não apenas uma esposa, mas também uma amante. Quão
conveniente para ele. Diana se perguntou se Henry também não viera levar
alguns dos móveis dos Holland, como pagamento por suas dívidas.
— Di? - chamou Eíizabeth, que continuou a falar sem esperar que ela
respondesse. - Eu e Penelope fizemos uma promessa quando tínhamos treze anos,
de que seríamos as madrinhas uma da outra. Espero que você entenda. Mas
gostaria muito que fosse uma das minhas damas de honra.
Diana deu um sorriso sardônico. Ela não podia deixar de apreciar a ironia
de ser chamada para participar de um casamento que desprezava com todo o seu
ser.
— Tudo bem - respondeu Diana, resignada.
Quando Elizabeth fosse embora, ela poderia voltar a escrever no seu diário,
mas dessa vez com raiva em vez de encantamento. Sua irmã emitiu um
barulhinho de prazer e abraçou Diana.
— Diana, não conte isso a ninguém por enquanto - pediu Elizabeth. - Por
favor, prometa.
— Prometo.
Diana deu de ombros. Aquela não era uma notícia interessante o suficiente
para querer passar adiante e, de qualquer maneira, ela não tinha ninguém para
quem contá-la.
— Ótimo. É que eu não quero que essa confusão toda comece rápido
demais... — explicou Elizabeth, abaixando os olhos.
Nem o guloso do Henry Schoonmaker, pensou Diana. Assim, ele usaria os
meses que faltavam para o casamento para beijar todas as primas de Elizabeth e
talvez algumas das criadas dos Holland.
— Não se preocupe - respondeu Diana, finalmente. - Seu caso secreto não
será revelado.

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Diana quisera magoar um pouco a irmã ao dizer isso, mas ficou surpresa ao
ver a expressão de choque de Elizabeth. Era só uma piada. Por que Elizabeth não
conseguia suportar nem uma piadinha?


























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WÉéx WÉéx WÉéx WÉéx

Se a srta. Peoelope Hayes não for pedida em casamento por Henry
Schoonmaker em breve, ela não será a única a ficar surpresa. Dizem
que a srta. Hayes estava jogando todo o seu charme para o jovem
Schoonmaker e seu pai no baile de sua família ontem à noite e isso só
pode significar uma coisa: um noivado à vista...

NOTA DA COLUNA SOCIAL DO JORNAL NEW YORKNEWS OF THE WORLD GAZETTE,
DOMINGO, 17 DE SETEMBRO DE 1899


A casa da família Holland parecia estranhamente melancólica, mas Lina
não estava dando muita importância para isso. Elizabeth estava sentada de frente
para o espelho da penteadeira de mogno que havia em seu quarto, ereta e
impassível, olhando para seu reflexo sem jamais deixar que seus olhos
encontrassem os de sua amiga de infância. Ela retornara há apenas dois dias e
Lina já voltara a ser tratada como apenas uma criada.
Ainda era difícil acreditar que Elizabeth - a menina perfeita, tão celebrada
por sua pureza, tão bela e desamparada - logo iria até o estábulo para fazer coisas
proibidas com um homem que era “um deles”. Um de nós, pensou Lina,
enquanto passava o pente de prata pelos fios louros de Elizabeth e lamentava o
fato de que a menina cujos cabelos ela penteava era sua rival no amor.
— Já está bom - disse Elizabeth, impaciente. - Pode trançá-lo agora.
Lina olhou para o reflexo de Elizabeth no espelho e ficou furiosa. Alguns
segundos se passaram e, antes que ela soubesse como reagir, alguém bateu na
porta. Elizabeth continuou imóvel, apenas levantando o queixo alguns
centímetros.
— Sim? - disse ela.
A porta se abriu e Lina viu sua irmã entrando. Ela estava usando um vestido
preto como o seu e seus cabelos vermelhos estavam presos num coque. Havia um
cesto cheio de roupa limpa apoiado em seu quadril.
— Você ainda não terminou? — perguntou Claire, olhando primeiro para
Lina e depois pata Elizabeth.
— Ah, Claire, que bom que está aqui. Pode trançar meu cabelo, por favor?
— pediu Elizabeth, deixando os olhos fixos em seu reflexo no espelho oval.
Lina afastou as mãos do cabelo de Elizabeth e saiu dali, dando passagem
para sua irmã. Claire se inclinou com ar cansado para deixar o cesto de roupa no
chão e então atravessou o cômodo de Elizabeth, que era coberto por um tapete
luxuoso, lançando um olhar de repreensão para Lina.
Lina detestava Elizabeth por fazê-la se sentir daquela maneira e ficou
observando com raiva enquanto Claire separava seus cabelos e o arrumava numa
trança perfeita com dedos rápidos e ágeis. Ao terminar, ela se afastou e disse:

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— Mais alguma coisa?
— Não - respondeu Elizabeth. - Mas deixe sua irmã praticar um pouco com
seus cabelos. Ela parece ter esquecido algumas coisas durante a minha ausência.
Lina não disse nada. Ela se lembrou dos momentos dolorosos do início de
sua adolescência, quando Elizabeth começara a se transformar na perfeccionista
que era agora. Lina só se tornara sua criada pessoal quando ela fizera 16 anos,
mas fora observar a metamorfose de sua amiga de infância em uma menina da
alta sociedade enquanto ela continuava a ser a velha Lina de sempre que a
magoara.
— É claro - disse Claire.
Ela assentiu, foi até a cama de mogno, onde Lina colocara o vestido que
Elizabeth estivera usando, apanhou-o com cuidado, colocou-o no cesto e então
pegou a mão da irmã. Lina quis arrancar sua mão dali e mandar que Claire não
fosse condescendente com ela, mas era covarde demais para dizer qualquer coisa.
— Boa noite, srta. Elizabeth - disse Claire, levando a irmã dali.
— Boa noite - respondeu Elizabeth.
Ao ver que Lina não ia dizer nada, Claire arregalou os olhos para ela
ameaçadoramente.
— Boa noite, senhorita — murmurou Lina com má vontade.
Claire fechou a porta e largou a mão de Lina. Ela atravessou o corredor que,
assim como o resto da casa, era decorado com quadros escuros mostrando uma
Manhattan composta apenas por fazendas e montanhas e seus primeiros
colonizadores. Os quartos das duas irmãs Holland ficavam na ala oeste da casa,
no segundo andar, bem distantes do quarto principal, o que as permitiria subir e
descer pela escada dos empregados sem jamais serem notadas se quisessem -
Lina acabara de perceber. O quarto de Diana dava para o sul e o de Elizabeth
para o norte, com vista para a rua. Claire e Lina subiram a escada de madeira
estreita, passando pelo terceiro andar e chegando ao quarto. O teto da escada era
tão baixo que elas precisavam tomar cuidado com suas cabeças.
O sótão que as irmãs Broud dividiam com as outras jovens mulheres que
serviam os Holland estava envolto numa escuridão impenetrável. Elas ainda
usavam velas para iluminar o cômodo e, por isso, depois que o sol se punha ele
parecia não acabar nunca - quilômetros e mais quilômetros de negror. Lina ouviu
os passos de Claire no chão sem tapete e os sons da irmã procurando por uma
vela. Ela sabia que Claire ia lhe dar uma bronca e desejou estar bem longe dali.
Após alguns segundos, uma luz fraca iluminou o cômodo.
— Queria muito que você não desagradasse à srta. Elizabeth - disse Claire,
acendendo mais duas velas e indo se deitar na cama de metal que elas duas
dividiam. - Diga alguma coisa, Lina. Não fique muda como sempre.
Lina foi até a cômoda simples, em cima da qual Claire colocara as velas, e
pegou alguns grampos enferrujados que haviam sido dados a elas pelas irmãs
Holland. Ela prendeu vários fios soltos com eles e se olhou no espelho, virando o
rosto para o lado para examinar seu perfil. Ela não sabia como explicar a Claire
que sentia que o mundo todo era injusto e que sua vida precisava mudar
drasticamente.
— Desculpe por não ter ajudado você a lavar a roupa hoje - disse Lina,
simplesmente.

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Claire suspirou, olhando para o cesto que colocara ao lado da cama.
— Não é disso que estou falando. Você vai me dizer por que anda tão
chateada?
Lina não contara a Claire o que vira na noite anterior, mas sua irmã mais
velha há muito sabia reconhecer seus humores e estava acostumada a fazer suas
tarefas quando ela não trabalhava direito. Isso sempre causava em Lina uma vaga
e incômoda sensação de culpa. Mas o que era a culpa comparada com a mistura
borbulhante de humilhação e desejos não correspondidos que ela vinha sentindo
desde a noite anterior?
— É um bom emprego, Liney, com uma boa família - disse Claire quando
Lina não respondeu, balançando a cabeça com decepção e fazendo seu coque cor
de cobre se mexer de um lado para o outro. - Não sei por que você está sempre
arrumando confusão.
Lina olhou para seu reflexo no espelho. Ela tinha pés enormes, um cabelo
sem graça e nenhuma roupa ou acessório bonitos e, por tudo isso, sentia-se como
o último dos seres humanos. Mas aquela era uma época de revoluções, disse Lina
a si mesma. Todo dia saía algo no jornal sobre isso. Fortunas eram feitas da noite
para o dia, e a diligência e a inventividade transformavam a aparência de uma
garota. Lina sempre acreditara que havia uma menina bonita por trás de sua
camada externa de feiúra.
— É que eu não estou mais acostumada a servir a srta. Elizabeth - disse ela,
finalmente.
Só de dizer aquele nome, Lina sentia um embrulho no estômago. Fazia com
que ela se lembrasse dos gestos orgulhosos de Elizabeth e de sua voz de
boazinha. Cada vez que Elizabeth dizia alguma coisa, Lina se dava conta de que
não tinha nenhuma chance contra ela.
— Era muito mais fácil dar conta de tudo quando ela estava fora -
acrescentou ela, tentando se explicar.
— Você sabe muito bem que não há muitos empregos disponíveis para
meninas como nós.
Claire balançou a cabeça com mais vigor dessa vez. Lina percebeu que sua
irmã continuava trabalhando, pois estava dobrando as fronhas nas quais as
Holland pousavam suas belas cabeças.
— Se nós perdermos esse emprego... - começou Claire - bom, aí nenhuma
outra família de Nova York vai nos contratar. Você costumava ser tão amiga da
srta. Elizabeth. É claro que nem tudo pode continuar a ser como era... mas se
você...
Lina não quis responder e, por isso, foi para o lado de sua irmã e pegou
impacientemente a fronha que ela estava dobrando. Claire virou seu rosto
cansado e cheio de sardas claras para Lina com um olhar interrogativo.
— Vá se sentar - disse Lina, fazendo um gesto para o lado com a cabeça. -
Você passou o dia todo de pé. Deixe que eu dobro isso aqui um pouco.
Claire riu e foi para o outro lado da cama, encostando a cabela na cabeceira
e cruzando as pernas. Ela ficou observando Lina durante alguns segundos com
um olhar que era quase cético.
— Cuidado com os bordados - disse Claire quando Lina pegou uma camisa
toda trabalhada.

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— Pode deixar! - retrucou Lina, passando a mão por sobre o bordado
delicado. - Será que dá para você relaxar um pouco? Que tal ler suas colunas de
fofocas para mim?
Lina sempre implicava com Claire por causa do passatempo preferido dela,
que era ler sobre as vidas dos ricos, mas agora sorriu para a irmã, assegurando-
lhe que não reclamaria ou diria que aquela era uma maneira idiota de se divertir.
Claire foi entusiasmada pegar a edição dobrada do News of the World Gazette e
começou a ler as notícias de Newport, que contavam o que as damas nova-
iorquinas que estavam em férias andavam fazendo.
Lina continuou a dobrar enquanto Claire lia as colunas sociais com uma voz
exageradamente pomposa. Ela assentiu como se estivesse ouvindo com atenção,
mas na verdade não podia esquecer de seu infortúnio. Tudo o que conseguia
fazer era tentar pensar numa maneira de mostrar a Will que ele não tinha que se
misturar com a metida da Elizabeth Holland. Lina ainda não conseguira ter
nenhuma idéia quando sua irmã exclamou:
— Henry Schoonmaker! Esse é o rapaz que veio visitar a srta. Elizabeth
hoje.
— O quê? - Lina levantou a cabeça e tentou parecer um pouco interessada
naquele tal de Henry Schoonmaker.
— Está dizendo aqui que a amiga da srta. Elizabeth, aquela Penelope
Hayes, está de namoro com Henry Schoonmaker. Ele é o jovem que veio esta
tarde. Ai, Lina, você viu? - comentou Claire, com os olhos cheios de espanto ao
ver o quão próximas elas duas estavam de tanta felicidade. - Ele é tão bonito que
chega a ser injustiça. E Penelope Hayes vai se casar com ele!
Lina ficou atônita ao ver como Claire conseguia ficar feliz por uma menina
que era sempre grosseira com elas, mas achou melhor não dizer nada.
— Mas então - disse Claire com curiosidade -, por que ele veio ver a srta.
Elizabeth nesta tarde?
— De repente ele queria saber como deveria fazer o pedido — sugeriu
Lina, dobrando uma anágua de algodão que pertencia a Diana.
— Talvez...
Claire deu de ombros e continuou a ler as últimas notícias sobre os
habitantes mais fascinantes de Nova York. Lina sorriu para a irmã, que estava
absorta demais nas fofocas que lia para notar qualquer coisa. Ela continuou a
dobrar as roupas de baixo das Holland e a ouvir o som reconfortante da voz de
Claire.
Lina se lembrou de Penelope Hayes, com sua pele translúcida, seus belos
vestidos, suas mãos cheias de jóias e seu jeito frio. "Você sempre reconhece os
ricos pela pele", costumava dizer sua mãe. Ela pensou no rosto de porcelana de
Elizabeth, que não tinha nenhuma mancha ou sarda, e sentiu-se mais uma vez
excluída de tudo que havia de maravilhoso no mundo.
Lina não pôde deixar de pensar que, se ela fosse uma dama como a srta.
Hayes ou como a srta. Elizabeth, Will jamais teria expulsado-a do estábulo
naquela noite. Ou em qualquer noite.



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ÑxÜáÉÇtÄ|wtwxáA ÑxÜáÉÇtÄ|wtwxáA ÑxÜáÉÇtÄ|wtwxáA ÑxÜáÉÇtÄ|wtwxáA


TRECHO DO DIÁRIO DE EDWARD HOLLAND, DEZEMBRO DE 1898.


Já passara das duas da madrugada e todos os recantos da casa dos Holland
estavam imersos na escuridão. Elizabeth desceu os degraus da escada dos
empregados um a um, tomando cuidado para não fazê-los ranger. Naquela
manha, sua mãe ordenara que ela tomasse mais cuidado do que nunca com as
aparências e ela tentou obedecer, embora estivesse se dirigindo para o estábulo.
Ela segurava uma vela num castiçal de metal para poder ver melhor.
Ao chegar, Elizabeth esperou alguns segundos para que seus olhos se
ajustassem à atmosfera do estábulo, que estava iluminado porque a janela de Will
ficava bem lá no alto e deixava entrar um pouco da luz das estrelas. Ela foi até a
escada de madeira e tentou não se esquecer do motivo de estar ali. Já era o dia
seguinte, o dia em que se prometera que ia contar tudo a Will.
Ela subiu devagar a escada que dava no compartimento onde Will dormia e
parou para admirá-lo à luz bruxuleante de sua vela. Era uma cena feita de tons de
marrom, bege e negro. Will devia ter chutado para longe sua colcha vermelha
enquanto dormia, pois estava enrascado como um bebê sem nada para protegê-lo.
Elizabeth atravessou o compartimento, ainda tomando cuidado para não
fazer o chão de madeira ranger. Colocou a vela em cima do engradado de leite
que havia do lado do colchão de Will e parou para olhar os ombros fortes e as
pálpebras dele, que escondiam seus olhos enormes e lindos. A idéia de magoá-lo
era tão terrível que Elizabeth mal podia pensar nela. Ela se deitou ao lado dele,
encostando-se no seu corpo. Will estava dormindo profundamente e seu peito
subia e descia com a respiração. Elizabeth olhou bem para o rosto dele, temendo
jamais voltar a vê-lo de forma tão íntima.
Will se remexeu e puxou-a mais para perto de si. Elizabeth quase deu um
grito de susto, mas um sorriso lhe surgiu no rosto e ela acabou dando uma risada

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baixinha. A mão de Will buscou sua nuca e ele acariciou-lhe os cabelos. O
mundo lá fora desapareceu e Elizabeth mergulhou naquilo que estava bem à sua
frente.
— Não acredito que você já veio me ver de novo - sussurrou ele.
— Não conseguia dormir - explicou Eíizabeth, sem deixar de olhar para ele.
Os olhos de Will se moveram de um lado para o outro, como se tentando
decifrá-la.
— Sorte minha - disse ele, finalmente.
Ela quis beijá-lo, mas não quis tirar os olhos dele. Will moveu sua mão
pelas costas dela, deixando-a pousada bem acima de seu quadril. Ele estava
olhando para Elizabeth de uma maneira que a fazia se sentir lânguida como se
houvesse passado a tarde no sol. Pela primeira vez naquele dia, os pulmões da
jovem se encheram de ar e seu coração foi tomado pela felicidade. Ela tentou
lembrar que seu caso com Will era impossível. Mas, ao olhar para o azul puro
dos olhos dele, Elizabeth confirmou o que soubera por mais da metade de sua
vida: ela podia confiar em Will, sempre.
— Você deve ter sentido muita saudade de mim - disse ele.
— Você é quem mesmo?
Mas Elizabeth só conseguiu ficar séria por um segundo após fazer a
pergunta e logo deu uma sonora gargalhada.
Will riu também, pegando-a pela cintura e rolando-a no colchão de forma a
ficar com seu corpo em cima do dela. Ele abriu um enorme sorriso. Ela tentou se
levantar, mas Will segurou seus pulsos e a impediu. Elizabeth riu mais e mais,
até que Will a calou com um beijo.
Aquilo era maravilhoso, mas Elizabeth estava se sentindo uma mentirosa, e
Will era a última pessoa no mundo para quem desejava mentir. Ela se afastou
gentilmente dele e lançou-lhe um olhar sério. Seria cruel esperar mais, pensou
ela. Isso só faria com que Will ficasse ainda mais arrasado quando soubesse.
— O que foi? - ele perguntou.
Elizabeth fechou a boca, abriu-a de novo e respirou fundo, tomando
coragem.
— Henry... - disse ela.
— Henry Schoonmaker? - disse Will, rindo. - Você não vai me provocar de
novo, vai? Eu o vi saindo daqui esta tarde, mas não precisa se preocupar. Não
vou mais lhe incomodar com meus ciúmes.
Will beijou-a mais uma vez. Elizabeth sentiu a garganta apertada e desejou
que aquele momento durasse para sempre. Ele estava sorrindo quando se afastou
e seus olhos estavam cheios de luz.
— Acho que vai ficar tudo bem - sussurrou ele após um longo silêncio.
Elizabeth deu uma espécie de sorriso e perguntou-se se Will ia perceber o
quanto ela estava triste.
— Vai ficar tudo bem - repetiu ela, num tom de voz que quase a convenceu.
Amanha, amanhã ela contaria. Tudo o que queria era só mais uma noite
antes que eles ficassem furiosos um com o outro ou arrasados com aquela
situação. Amanhã, repetiu ela para si mesma. Certamente não haveria problema
em esperar só mais um dia para dar aquela notícia terrível.

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Will começou a tirar a camisola de Elizabeth e ela tentou não pensar na
situação precária de sua família e em como eles estavam vulneráveis. Tentou não
pensar em suas responsabilidades. Ou em como seria impossível contar a verdade
a Will. Ela tentou se concentrar apenas na maneira como Will estava beijando a
parte de seu pescoço que ficava logo abaixo de seu queixo, para poder se lembrar
para sempre de como as coisas costumavam ser.






































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VtàÉÜéx VtàÉÜéx VtàÉÜéx VtàÉÜéx

Um jovem de sobrenome Schoonmaker que é muito querido das
meninas casadouras da cidade foi visto ontem à tarde na joalheria
Tiffany. Tenho fontes no departamento de anéis de noivado que me
disseram que ele saiu da loja com um solitário de diamante
extraordinariamente grande e belo, valendo mais de mil dólares...

NOTA DA REVISTA CITÊ CHATTER, SEXTA-FEIRA, 22 DE SETEMBRO DE 1899


enelope Hayes sorriu friamente para a criada que estava
esperando no vestíbulo de sua casa para ajudá-la a botar
sua estola de marta preta. A peça era nova, assim como seu
vestido, que era de cetim cor de marfim rebordado de veludo negro, formando
um desenho art nouveau - moderníssimo. Penelope nunca vira aquela menina
antes, com seus olhos pequenos e ansiosos e seu cabelo mal arrumado, e concluiu
que ela devia ser uma das criadas contratadas recentemente. A casa era tão
grande que o número de empregados tivera que ser muito aumentado, o que fazia
Penelope temer pela inviolabilidade de sua correspondência. Ela tentou expressae
esse sentimento na forma irritada como removeu o cartão cor de creme da
bandeja de prata que a menina lhe estendeu.
— O senhor Isaac Philips Buck chegou para acompanhar a senhorita - disse
a criada com exagerada formalidade.
Penelope e Isaac eram amigos tão íntimos que ele não precisaria mais
deixar seu cartão com a criada antes de entrar, mas Isaac não resistia a esses
pequenos floreios.
— Obrigado - disse Penelope, descendo apressadamente os degraus de
mármore branco de sua casa.
Ela olhou para trás e percebeu que cometera um erro. A criadinha estava
quase desmaiando de felicidade por ter recebido um agradecimento tão gentil.
Penelope tentou esquecer sua irritação - não fazia bem para a pele ficar irritada e
ela estava indo a um jantar na casa de Henry, onde sempre gostava de estar com a
melhor aparência possível. Virou-se e viu que Isaac estava esperando de frente
para a Avenida, com a fumaça do cigarro suspensa no ar sobre sua cartola.
— O que você estava olhando? - quis saber Penelope.
Isaac voltou-se para ela e pegou sua mão. Penelope se inclinou para dar-lhe
um beijo em cada bochecha.
- As pessoas interessantes.
Isacc deu uma pequena fungada e começou a descer a escada frontal da casa
de sua socialite preferida de braços dados com ela. A noite estava quente e um
c

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pouco enevoada e as melhores carruagens da cidade passavam pela Quinta
Avenida vagarodamente, como se desejassem ser observadas.
— Mas nenhuma delas está tão bem vestida quanto você - concluiu ele.
O cocheiro dos Hayes estava esperando numa das quatro carruagens de
madeira negra polida pertencentes a família que estavam abertas. Isaac ajudou
Penelope a subir, entrando também e acenando com a cabeça para o homem.
Uma menina mais preocupada com o decoro jamais teria ido de carruagem aberta
para um jantar formal, mas, naquele momento, Penelope estava absolutamente
deliciada consigo e não admitiria críticas. Ela se ajeitou no banco de veludo
vermelho e tirou sua estola, deixando-a cair à suas costas. Queria sentir o ar da
noite, embora os mais moralistas sem dúvida fossem criticá-Ia por expor seu
ombros nus daquela forma.
Os cavalos começaram a andar devagar para o lado sul da cidade e Isaac
entregou a Penelope um recorte de jornal que tirara do bolso do casaco.
— Achei que você pudesse achar isso interessante - disse ele num tom
casual, mas sem impedir que seus lábios úmidos se abrissem num sorriso de
satisfação.
Os olhos dela percorreram rapidamente a nota, arregalando-se ao ler as
palavras “joalheria”, “diamante” e “mil dólares”. Penelope piscou os cílios muito
maquiados e deu de ombros modestamente, embora a modéstia jamais houvesse
sido uma característica admirada ou cultivada por ela. Virou o rosto para o lado
leste, para que as carruagens que estavam passando na direção contrária a vissem
em seu melhor ângulo, e aproveitou o curto passeio pela larga Avenida. Henry
dissera que ela descobriria em breve quando eles iam ficar noivos e de fato usara
a expressão de forma correta, embora esse não fosse um hábito seu. Até mesmo
uma menina impaciente como Penelope podia considerar que o evento não
demorara para acontecer.
A mansão dos Schoonmaker surgiu no horizonte. Ela tomava meio
quarteirão na esquina da Quinta Avenida com a rua trinta e oito e, embora fosse
mais nova do que Henry, já estava começando a ter a aparência datada, com seu
telhado com mansardas e escadaria íngreme. Ela e Henry ganhariam uma nova
mansão, é claro. Talvez papai construa uma para nós de presente de casamento,
pensou Penelope. A carruagem parou na frente da casa e Isaac saltou para a rua
de forma quase delicada para um homem do seu tamanho, estendendo a mão para
ajudar Penelope a descer. Ela viu carruagens de diversos outros convidados
paradas por ali e, dentro de cada uma delas, um cocheiro, a maioria fumando.
Eles tinham uma longa espera pela frente. O cocheiro dos Holland estava ali
também, encostado na carruagem da família lendo um jornal. Ele tinha ombros
largos e brutos e Penelope não conseguiu lembrar seu nome. Elizabeth um dia
mencionara que eles haviam sido amigos quando crianças e Penelope não pôde
deixar de sorrir da maneira estranha como as coisas eram feitas na área do
Gramercy Park, com todas aquelas velhas tradições e aquela mania de dar
atenção demais para os criados. As damas e os cavalheiros subiam a escada de
calcário da mansão dos Schoonmaker em pares, indo na direção da porta
iluminada sem prestar a menor atenção aos cocheiros.
— Acho que vou demorar, Thom - disse Penelope.

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Ela nem olhou para seu empregado. Estava ocupada demais alisando suas
luvas brancas, que iam até a metade de seus braços, para tirar qualquer dobra que
houvesse restado. Mas sua aparência já estava perfeita e ela sabia disso muito
bem.
— Estarei aqui quando a senhorita sair - respondeu o cocheiro.
Penelope deu o braço a Isaac enquanto eles subiam a escada. Um dos
mordomos dos Schoonmaker pegou sua estola e levou-os até a fila de convidados
que entravam. Isabelle Schoonmaker estava recebendo cada casal que entrava e
suas bochechas já estavam coradas devido ao esforço de cumprimentar tanta
gente. Ela ava um vestido azul-turquesa de Charles Worth que se abria em leque
na cauda e lhe apertava muito a cintura, fazendo-a se inclinar para a frente como
uma sereia de proa de navio.
— Ah, Penelope! - exclamou Isabelle, dando-lhe dois beijinhos. - Lamento
tanto que seus pais e seu irmão não tenham podido vir.
— Isabelle, querida - cumprimentou Penelope, beijando-a também.
Os pais dela estavam jantando com os Astor, um convite impossível de
recusar, e Grayson, seu irmão mais velho, estava em Londres cuidando de alguns
negócios de família.
— Não se preocupe comigo. Fico muito bem só com Isaac - garantiu
Penelope.
— Eu sei.
Isabelle apertou de leve a mão dela e, nesse momento, Richard Amory e sua
esposa, que estavam casados há três anos e haviam ficado ainda mais enfadonhos
juntos do que costumavam ser quando eram solteiros, chegaram.
— Vamos ter de deixar para nos divertir mais tarde - sussurrou Isabelle para
Penelope.
Um dos criados dos Schoonmaker, que trazia o brasão da família em seu
libré de veludo, surgiu e guiou-os pelos corredores até um salão de recepção com
papel de parede vermelho vivo, onde inúmeros garçons circulavam levando taças
de champanhe nas bandejas.
— Vou ver se está tudo bem na cozinha. Vá fazer o que voce faz melhor -
disse Isaac, dando uma piscadela rápida para Penelope.
Ela parou ao chegar na porta da sala para que sua entrada causasse uma
impressão ainda maior, deixando que os metros de cauda de seu belíssimo
vestido negro e marfim se espalhassem pelo chão de carvalho. Como sempre,
Penelope sentiu uma onda muda de aprovação e inveja das pessoas à sua volta,
mas tentou se mostrar indiferente. Ela não estava interessada em ver ninguém
além de Henry, mas, em vez de sentir a mão grande e quente dele em sua cintura,
Penelope sentiu um aperto fraco e gelado em seu braço. Ela se virou e viu
Elizabeth, que estava usando um vestido de cor pálida mais uma vez e parecendo
mais insípida do que nunca.
— Penelope - sussurrou Elizabeth, dando seu sorriso recatado.
A franja loura dela formava mechas perfeitas em sua testa e no pescoço ela
usava apenas uma cruz de ouro simples.
— Passei a semana toda querendo lhe fazer uma visita - explicou Elizabeth.
- Sinto muito por não termos conversado direito no seu baile, mas tenho estado
muito ocupada e...

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— Não se preocupe comigo - disse Penelope pela segunda vez naquela
noite, pegando o braço de Elizabeth.
Elizabeth pousou a mão sobre a de Penelope e deu-lhe um sorriso afetuoso.
Elas atravessaram devagar o cômodo cheio de estátuas fantasmagóricas e
enormes samambaias cujas folhas tocavam o chão, permitindo que os outros as
admirassem. Conforme se moviam, Penelope observou as sancas do teto e a
madeira trabalhada dos lambris com olhos de futura proprietária.
— Tenho tido tanta coisa para fazer também que mal percebi. Mas estou
realmente feliz de vê-la agora - disse Penelope, olhando para Elizabeth e
erguendo uma de suas sobrancelhas pintadas. - Tenho notícias.
— Sobre seu namorado - adivinhou Elizabeth animadamente, arregalando
os olhos. - Passei a semana toda pensando em você e seu namorado.
— Sempre pensando nos outros - disse Penelope, com um pouco mais de
cinismo do que pretendia. - Mas antes que eu lhe conte tudo, precisamos brindar
a ocasião.
Penelope percebeu que Elizabeth teve um sobressalto ao ouvir isso, mas
prosseguiu:
— Parece que você ficou anos e anos fora. Minha novidade e sua volta
certamente merecem um brinde - continuou ela. sentindo-se generosa o suficiente
para incluir o retorno da amiga em sua celebração.
— Tem razão.
Elizabeth fez um gesto sutil para um dos criados dos Schoonmaker e logo
as duas estavam segurando taças de boca larga e bordas douradas cheias de
champanhe. Elas fizeram o brinde e beberam. Penelope sentiu o líquido
borbulhante esquentando-lhe o corpo e uma enorme satisfação, pois sabia que em
poucos segundos ia deixar Elizabeth bastante impressionada. A mais velha das
irmãs Holland podia ser certinha demais às vezes, mas Penelope sabia que ela
também era divertida. E, é claro, seu gosto para amizades era impecável.
— Bem - disse Penelope, enlaçando a cintura pequenina de Elizabeth com o
braço. Mas antes que pudesse começar a contar sua história, ela notou um
homem bonito usando uma roupa esporte branca que não parecia nem um pouco
com nenhum rapaz que jamais conhecera. Ele tinha olhos em formato de
amêndoa e a pele da cor de café com creme.
— Quem é esse? - perguntou Penelope a Elizabeth.
— Ah! - exclamou Elizabeth, excitada, inclinando-se para poder cochichar
ao ouvido da amiga. - Esse é o príncipe Ranjitsinhji, da Índia. Disseram-me que
ele é o capitão de um time de críquete e que está aqui para jogar com os rapazes
do Clube Union.
— Ele é um príncipe de verdade?
— Ninguém sabe com certeza - sussurrou Isabelle Schoonmaker com sua
vozinha infantil ao surgir inesperadamente ao lado de Penelope. - O pai dele
governava Nawanagar e dizem que ele foi um pouco extravagante no que diz
respeito ao matrimônio...
Penelope e Elizabeth colocaram as mãos enluvadas sobre a boca e riram,
enquanto Isabelle piscava alegremente para elas. Penelope estava prestes a fazer
mais perguntas sobre o príncipe quando notou a figura curiosa que era Diana
Holland, usando um vestido cor de pêssego debruado de renda belga com mangas

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tufadas. Ela claramente fora obrigada a vestir aquilo, pela mãe ou pela irmã.
Diana estava parada num canto, sozinha. Tinha o ar ressentido e parecia ter
escapado de um hospício. Penelope se aproximou do ouvido de Elizabeth e disse:
— O que sua irmã está fazendo?
Elizabeth estremeceu, mas resolveu ignorar o comentário.
— Isabelle - disse ela, nervosa -, está tudo tão lindo! Que seleção
maravilhosa de convidados. Mas espero que não estejamos ocupando demais seu
tempo e fazendo-a ser uma anfitriã descuida.
Penelope assentiu gravemente como se aquilo fosse a pior coisa do mundo
para ela.
— Não, de jeito nenhum... Mas preciso mesmo me comportar melhor e
conversar com os outros. Já volto - disse Isabelle, já percorrendo o salão com os
olhos. - Obrigada, meus amores, por serem tão compreensivas.
Isabelle foi falar com o príncipe indiano e imediatamente soltou uma
risadinha estridente. Penelope se virou para Elizabeth e ergueu uma sobrancelha.
— E então? Sua irmã está com alguma espécie de problema nervoso?
— Não, não, não. Você conhece Diana. Ela gosta de parecer excêntrica.
Mas o mais importante...
Dessa vez foi Elizabeth quem levou Penelope a atravessar o salão cheio de
convidados e ir com ela até a galeria de quadros adjacente, onde havia apenas
duas pessoas: um homem e uma mulher mais velhos, completamente absortos
por um retrato de Mamie Stuyvesant Fish em seu camarote de teatro. Elizabeth se
virou para que elas pudessem se afastar do casal.
— Pare de se esquivar e me conte logo a novidade. Esperei semana toda
para saber quem é esse namorado misterioso!
— Bem, ele é muito alto e muito bonito.
— É claro.
— É sócio de todos os clubes e vai a todas as festas.
— Sim?
Elizabeth sorriu para ela e lançou-lhe um olhar inquisidor. As meninas
pararam de andar pela galeria e observaram a arcada que a separava do salão de
recepção, onde os cerca de trinta convidados estavam se comportando como se
houvessem bebido um pouco demais antes do jantar.
— Ele vem me observando há algum tempo - disse Penelope, tentando não
demonstrar orgulho, em vão. - E na nossa festinha. da semana passada nós
dançamos juntos e esta manhã havia uma nota sobre ele num dos jornais. Ah,
Elizabeth! Ele foi visto comprando um anel!
Uma risada foi ouvida no salão e Penelope viu Henry do outro lado com um
drinque dourado na mão e um sorriso sardônico nos lábios. Ele vestia um fraque
e nenhum fio de seu cabelo estava fora do lugar. Estava contando uma piada para
um grupo de rapazes que eram todos bonitos e ricos, mas não tanto quanto ele.
— Sim? - insistiu Elizabeth, excitada.
Sem tirar os olhos dele, Penelope anunciou, deliciada:
— Henry Schoonmaker.
Elizabeth deixou seu braço pender e Penelope se perguntou se ela estaria
literalmente morrendo de inveja. Ótimo. Aquele era o objetivo. No salão, alguém
bateu uma faca contra um copo de cristal, chamando a atenção dos convidados

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para um brinde. Através da arcada, Penelope viu que era o pai de Henry quem o
fizera.
— Penelope, eu preciso... - sussurrou Elizabeth.
— Psiu! Pode deixar que eu conto tudo mais tarde - interrompeu Penelope,
pegando o braço da amiga mais uma vez e levando-a mais para perto do salão.
Ela percebeu que Elizabeth estava muito tensa e ficou um pouco surpresa
ao vê-la tão incapaz de esconder melhor seu lado competitivo. Isabelle, que
estava quase gargalhando de alegria, atravessou a pequena multidão de
convidados e se postou ao lado do marido. Ela parecia pequena ao lado dele,
especialmente agora, que seu peito estava estufado a ponto de quase arrebentar.
— Fui informado de que o jantar está pronto para ser servido - disse
William Schoonmaker com sua voz potente. - Mas, antes de entrarmos, tenho
uma notícia que gostaria muito de compartilhar com vocês.
Os convidados soltaram um murmúrio e se aproximaram um pouco daquele
grande homem. Penelope olhou para Henry, mas ele não a encarou e continuou a
olhar fixamente para seu drinque.
— Como vocês todos sabem, há tempos eu me dedico a transformar essa
cidade num lugar melhor, um paraíso terrestre para as mais importantes figuras
de nossa época. Venho fazendo isso com trabalho duro e um espírito
empreendedor, transformando essa cidade no mais importante centro desta nação.
Mas não estou mais satisfeito com aquilo que posso fazer dentro da esfera
privada. Decidi me unir aos homens que doaram seus nomes, seu tempo e suas
vidas inteiras ao povo. Decidi me candidatar à prefeitura de Nova York.
Todos os convidados deram vivas. Penelope deu um bocejo; olhou para
Elizabeth, esperando que ela confirmasse que esta e fato não era uma novidade
que merecia tanto entusiasmo. Mas o rosto de sua amiga estava imóvel e seus
olhos estavam fixos naquele fanfarrão que seria seu futuro sogro. Penelope
decidiu que seria melhor fingir estar escutando atentamente também.
— Obrigado, obrigado - disse William Schoonmaker. - Teremos que
esperar mais um ano, mas eu contarei com o apoie de vocês em 1900.
Penelope observou as convidadas dos Schoonmaker, com suas saias
enormes e vestidos debruados de arminho, bebendo champanhe e tentando não
demonstrar tédio diante daquele discurso. Ela acabara de fixar os olhos no
umbral dourado sob o qual se encontrava quando o pai de Henry começou a falar
de algo muito interessante.
— E tenho outra novidade, de natureza mais pessoal, porém não menos
jubilosa. Henry... meu filho, meu único filho, que está rapidamente se tornando
um homem capaz de me substituir há pouco me deu a notícia pela qual todo pai
espera. Ele me disse: “Papai, estou apaixonado.”
O peito de Penelope se encheu de alegria. De fato fora rápido - quase rápido
demais. Após tantos meses de encontros secretos, Henry confessara seu amor por
ela ao pai, o que era incrível e grandioso. Era inevitável que fosse acontecer mais
cedo ou mais tarde, mas ver seus desejos se realizarem de maneira tão pública era
extraordinário, embora um pouco presunçoso da parte do rapaz. Mas ela não se
importava. Adorava essa autoconfiança espontânea que Henry tinha. Penelope
deu um enorme sorriso de orgulho e apertou o braço de Elizabeth com mais
força.

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— Ele disse, “papai, quero que o senhor seja o primeiro a saber que eu pedi
a srta. Elizabeth Holland em casamento, e ela aceitou”.
Os convidados soltaram exclamações de prazer, mas Penelope não estava
conseguindo nem respirar e muito menos dizer qualquer coisa. Todos olharam
para onde ela e Elizabeth estavam. O sorriso de Penelope desapareceu de seu
rosto e seus lábios vermelhos e carnudos se abriram de espanto. Sua boca estava
seca. Ela sentiu-se como se houvesse levado uma patada de cavalo na cabeça e
tudo em sua mente se embaralhou. Seu mundo caíra e ela estava ficando furiosa
com uma rapidez impressionante.
Penelope largou o braço de Elizabeth como se o toque dela pudesse
envenená-la e viu sua amiga entrar no salão para receber o cumprimentos de
todos. Elizabeth se voltou e lançou um olhar de desculpa para Penelope. Ela se
virou para frente de novo no momento em que um homem de bigodinho e com
um jeito oficioso que Penelope achou conhecer de algum lugar se aproximou
após um segundo, Penelope se deu conta de que o homem lhe parecia familiar
porque ele já a atendera inúmeras vezes em suas idas à Tiffany. E ali estava ele
agora, levando a encomenda preciosa para sua dona. Ela observou com
curiosidade mórbida quando o homem tirou a caixinha de veludo do bolso. Ele
abriu-a e a visão daquele diamante gigantesco brilhando fez o corpo de Penelope
ser tomado pela revolta. Ela entrou na galeria e tentou se agarrar em alguma
coisa, pois sua vista estava escura. Sentiu madeira, um jarro de prata e as folhas
suaves de uma samambaia. Derrubou a planta. Suas estranhas estavam se
revirando e Penelope não pôde mais se controlar. Ela vomitou no jarro de prata.
Não era um grande consolo, mas pelo menos a maioria dos outros
convidados estava no salão e não viu nada. Mas eles certamente tinham ouvido.
Em poucos segundos Isaac estava ali ao lado de Penelope, sussurrando que ia
tirá-la dali antes que o estrago fosse maior. Penelope ouviu uma comoção e
discerniu a voz de Isabelle Schoonmaker. Ela estava dizendo a Elizabeth que
Henry estava pronto para levá-la até o salão de jantar e que ela devia ir agora
mesmo, antes que todos começassem a reparar.
Penelope espiou o salão por detrás do enorme escudo que era a barriga de
Isaac e percebeu que não poderia nem lançar um olhar furioso para sua ex-
melhor amiga. A anfitriã já estava tirando-a às pressas do salão onde todos os
planos de Penelope haviam caído por terra.













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dâ|Çéx dâ|Çéx dâ|Çéx dâ|Çéx

Os noivos sempre encontrarão uma maneira de
flertar, mas é muito importante para o bem-estar
da sociedade que eles não sejam encoraja-dos a
fazê-lo em público. Não devem ser vistos
passeando sozinhos pela cidade, especialmente
se forem ao teatro e, durante jantares formais,
não devem se sentar um ao lado do outro. Se
isso ocorrer, eles passarão todo o evento rindo e
brincando juntos e isso não deve ser suportado.

TRECHO DE AS LEIS DO CONVÍVIO NA ALTA SOCIEDADE, DE LA.M. BRECKINRIDGE


único consolo de Henry era que as regras de etiqueta eram
muito claras ao declarar que noivos jamais deviam sentar lado a
lado e, por isso, ele não foi forçado a conversar com sua futura
esposa durante o jantar de seis pratos que havia sido organizado para celebrar a
ocasião. Ele olhou uma ou duas vezes para o outro lado da mesa, onde estava
Elizabeth Holland, linda e radiante porém horrivelmente virginal, e cuja mao
esquerda agora exibia o maior diamante disponível na Tiffany. Henry observou a
pedra, tão grande que chegava a oprimir o dedo dela, até saber que estava sendo
impertinente. Ele soube disso porque Elizabeth tossiu delicadamente. Aquela joia
não tinha nada a ver com ele. Ele agarrou a cauda do fraque de um garçom que
passava e pediu mais um drinque.
Mas seu pai parecia estar contente, distraído pelos inúmeros bajuladores
que o rodeavam. O sr. Schoonmaker não se dera conta de que Henry só estava se
comportando relativamente bem por estar completamente bêbado. Ele estava na
cabeceira da mesa, fazendo afirmações grandiloquentes com uma voz tão
poderosa que podia ser ouvida por metade dos comensais. À sua direita estava
Isabelle. Henry fora colocado entre ela e sua irmã mais nova, Prudie, que se
considerava uma intelectual, e por isso só usava vestidos de musselina negra e se
recusava a conversar com os outros. Do outro lado da mesa de tampo de ônix,
logo à esquerda do sr. Schoonmaker, estava a sra. Holland e, do outro bdo dela,
um homem de sobrenome Brennan. Ao lado deste - e imediatamente à frente de
Henry - estava Elizabeth, remexendo com o garfo a salada que havia em seu
prato.
Duas cadeiras mais à esquerda estava Diana Holland, que lhe parecia
fascinante justamente por ser inatingível. Ela não ficava parada na cadeira como
deveria, como sua irmã fazia. Diana gesticulava largamente e ria alto, fazendo
com que o vestido que fora obrigada a usar e a sala de jantar à sua volta se
tornassem ridículos e sufocantes. A luz de seus olhos, que às vezes ficavam
b

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repletos de raiva e, outras vezes, de alegria, fazia com que as bandejas de ouro
sobre a mesa parecessem ser feitas de lata. O buquê de crisântemos atrás dela
pareceu a Henry enfadonho demais para lhe servir de pano de fundo. Ele se
lembrou de Diana usando sua cartola e sorriu. Conseguira beijá-Ia poucos
minutos depois de ficar noivo de sua irmã mas, pela lógica, jamais conseguiria
tocá-la novamente. Henry tentou chamar sua atenção, mas Diana estava se
mostrando uma mestra em olhar para todas as direções exceto a dele.
— O senhor já leu O despertar? - perguntou ela ao jogador de críquete de
Punjab, ou sei lá onde, que estava sentado a seu lado.
O suposto príncipe balançou a cabeça sem tirar os olhos de Diana.
— Dizem que é escandaloso demais para ser reeditado, mas é
absolutamente genial.
— Estou muito impressionado com o fato de a senhorita ler tantos livros -
disse o príncipe, inclinando-se na direção dela com uma intimidade que fez
Henry querer dar-lhe uma bofetada. - Quando eu morei na Inglaterra, pareceu-me
que nenhuma das mulheres gostava de ler.
— Bem, creio que não sou convencional em nada - respondeu Diana com o
mesmo brilho nos olhos que Henry vira no domingo passado.
Henry olhou para frente e viu com alegria que um copo cheio de uísque
surgira ali como num passe de mágica. Após ter testemunhado a inevitável
humilhação de Penelope, ficado noivo de sua melhor amiga e se sentido atraído
pela irmã mais nova desta, ele decidira que a única coisa sensata a fazer era
beber. Virou-se para a direita, debruçou-se sobre Prudie e falou com seu amigo
Teddy, levantando o copo:
— Tim-tim. Graças a Deus você está aqui para me ajudar a passar por isso.
Teddy desviou o olhar da menina que estava sentada do outro lado - ela era
uma prima de Elizabeth ou qualquer coisa assim, e não era feia.
— Tim-tim - respondeu ele, levantando o copo também. - Ao meu amigo
mais sortudo. Você não a merece.
— O que você quer dizer com isso? - disse Henry um pouco mais alto.
— Nada, deixe para lá - disse Teddy, rindo. - Beba seu uísque e melhore
essa cara.
Henry revirou os olhos e voltou a se concentrar no drinque. Ele achava que
tinha razão em se sentir como se estivesse sufocando. Parte de Henry desejava
que Elizabeth simplesmente evaporasse ou, melhor ainda, que ele evaporasse. Ele
estava tentando com todo seu afinco não pensar em como as pessoas que no
momento se encontravam em partes menos elegantes da cidade deviam estar se
divertindo. Por isso, tentou voltar sua atenção para as uvas vermelhas e
insuportavelmente lustrosas que ocupavam o centro da mesa.
— Srta. Diana - chamou Isabelle -, você e a srta. Elizabeth já discutiram as
cores que vão usar no casamento? Tenho visto muitos vestidos de madrinha cor
de malva. No meu casamento...
— Eu detesto cor de malva - respondeu Diana, irritada, e alguns cachos
castanhos rolaram por sobre seu pescoço, como para sublinhar sua desaprovação.
— Ah, não - disse Elizabeth. - Cor de malva é lindo. Mas - continuou ela
mais timidamente, como se houvesse acabado de notar um pedaço de comida
preso ao queixo de alguém - ela já está sendo muito usada.

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— Ah, eu concordo com você, querida. Mas quando vir sete de suas
melhores amigas nesse tom divino...
Henry ergueu os olhos e encarou Diana. Os olhos dela estavam bastante
maquiados e eram escuros e muito vívidos. Ao redor da mesa havia muito
movimento - os criados passavam de um lado para o outro nas sombras, os
jovens riam e os velhos pediam mais sopa de tartaruga - mas Henry não desviou
o olhar. Ele viu que Diana achava toda aquela conversa de casamento
insuportável, assim como ele, e subitamente não se importou mais com as festas
que estavam acontecendo sem sua presença. Tudo o que quis foi que ela
compreendesse que os dois tinham pelo menos aquilo em comum.
O olhar de Diana passou pelo teto e pelos pratos à sua frente, mas Henry
conseguiu vencê-la e ela finalmente encarou-o. Henry não desviou seus olhos por
alguns segundos, até que Diana soltou uma leve exclamação, como se alguém
houvess dito algo grosseiro. Ela se levantou da mesa e saiu rapidamente da sala
de jantar.
— Posso tirar seu prato, senhor?
Henry olhou para cima, assustado, e encontrou um do garçons.
— Claro, claro - disse ele, vendo o prato dourado com metade do salmão
com creme desaparecer.
Henry viu que seu pai ainda estava ocupado com uma discussão sobre o
preço do aço. Isabelle e Elizabeth estavam falando dos méritos de azul-piscina e
cor de lavanda. A sra. Holland estava olhando alegremente para a aliança de
noivado da filha e Prudie estava murmurando alguma coisa para sua taça de
vinho. Um violoncelista tocava uma melodia delicada. Henry pegou seu drinque
e levantou da mesa, sem permitir que sua cadeira fizesse qualquer ruído.
Ele foi para o corredor e seguiu na direção dos passos distantes que ouviu.
Uma menina num vestido cor de pêssego estava se afastando dele. Ela virou uma
esquina e desapareceu, mas Henty não conseguiu resistir e foi atrás no que
esperava ser uma boa velocidade, tentando não derramar nem uma gota de
uísque.
Diana virou outra esquina no enorme corredor e Henry seguiu-a, sem
pensar no que estava fazendo. Subitamente, ele se viu diante de uma pequena
escada, que desceu aos tropeços, derramando um pouco de seu drinque. Eles
estavam na estufa. A cinco metros de Henry, a menina por quem ele estava
ficando cada vez mais interessado parou. Uma de suas enormes mangas bufantes
havia escorregado, revelando um ombro nu, e ela virou a cabeça, com sua pilha
de cachos precariamente penteados, para cima absorvendo a imponência
silenciosa daquele lugar: o teto de vidro em abóbada, o cheiro de terra do ar, a
profusão de plantas. Henry observou Diana enquanto ela inspirou profundamente
três vezes e se inclinou para enterrar seu nariz numa hortênsia.
— Lindas, não são? É por isso que minha família nunca precisa comprar
flores no florista - afirmou Henry, encostado na porta e tomando um gole de seu
uísque. - Mas hortênsias não têm cheiro.
Diana virou o rosto, mas não o corpo.
— Ah... é você - disse ela, olhando de novo para a flor e dando de ombros. -
Sei muito bem que elas não têm cheiro. Você quer seu chapéu de volta?
— Não, é seu. Ele fica muito melhor em você do que...

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— Você já disse isso - interrompeu Diana, com raiva. - Que gracinha.
— Por que a senhorita está com raiva de mim? - perguntou Henry, sorrindo
e usando o tom de provocação que lhe era habitual. - Não queria que eu a
seguisse? Então por que saiu correndo daquele jeito?
— Saí correndo porque não aguentava mais você me olhando tanto!
Os olhos castanhos de Diana se encheram de fúria. Ela largou a hortênsia e
olhou em torno.
— Você só tem uma coisa boa, sr. Schoonmaker - disse ela, mais calma. - A
sua estufa. Preciso ir embora agora.
Diana se dirigiu para a porta e Henry, que não estava acostumado a ver
mulheres tentando evitá-lo, bloqueou-lhe a passagem. Ela ficou com raiva mais
uma vez ao ver que ele não ia permitir-lhe seguir, mas a emoção só conseguiu
deixá-la ainda mais bonita.
— A senhorita gostaria de ser a futura proprietária dessa estufa, no lugar de
sua irmã Elizabeth? - perguntou Henry, divertido.
— Ah, faça-me o favor.
Diana empurrou-o e Henry, que não tinha realmente a intenção de prendê-la
ali, afastou-se sem protestar. Mas, quando ela passou ao seu lado, ele sentiu o
calor de seu corpo e algumas das batidas rápidas de seu coração.
— Sinto nojo só de escutar isso. - disse Diana. - Não sou um brinquedinho
qualquer, Hen...
Mas antes que pudesse completar a frase ou mesmo passar pela porta, Diana
tropeçou na perna de Henry e tombou para frente. Ela conseguiu se agarrar na
parede antes de cair e voltou-se para ele, furiosa. Sua saia volumosa ondulou ao
seu redor.
— Tudo bem, srta. Di? - quis saber Henry, sem conseguir deixar de rir.
Diana cerrou os punhos, ignorando a última pergunta.
— Eu nunca senti ciúmes de minha irmã, que só se comporta do jeito que
todo mundo espera, nem nunca vou sentir. Sinto desprezo por tudo que ela deseja
e pelo que consideram ser suas qualidades. E sinto desprezo pelo senhor também!
Ela atravessou o corredor com passos fortes, quase masculinos - uma
maneira de andar que Henry jamais vira em outra moça de família de Nova York.
Antes que ele conseguisse decidir se queria ir atrás de Diana, ela desapareceu.
Henry tomou um gole de uísque, suspirou e riu um pouco de si mesmo por
ter se colocado em outra situação ridícula. Após esperar alguns segundos, para
não dar margens a rumores, ele voltou para a sala de jantar, onde a sobremesa já
estava sendo servida. Henry sentiu-se aliviado por ninguém ter notado sua
ausência, mas o alívio logo se tranformou em decepção. A cena que viu - aqueles
rostos maquiados entupindo-se de comida, aquelas risadas estridentes, aquelas
mesmas velhas piadas - era horrivelmente entediante. Havia apenas um par de
olhos brilhantes na mesa e eles estavam evitando os dele mais uma vez.
Henry voltou a se sentar, acenando educadamente para Elizabeth e sua mãe,
e não conseguia deixar de pensar que era mesmo, como Diana declarara, um ser
desprezível.



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Wxéxááx|á Wxéxááx|á Wxéxááx|á Wxéxááx|á

Num jantar íntimo oferecido pelo Sr. William S. Schoonmaker na
última sexta-feira, foi anunciado o noivado do seu filho Henry e da bela
Elizabeth Holland, que recebeu do rapaz um anel de valor superior a
mil dólares. Embora muitos da alta sociedade tenham ficado surpresos
com a notícia, eu a considero ótima: os dois são membros de boa
família e certamente trarão a elegância, o estilo de sua classe para a
união. A data do casamento logo será definida...

NOTA DA COLUNA “GAMESOME GALLANT” DO JORNAL NEW YORK IMPERIAL,
DOMINGO, 24 DE SETEMBRO DE 1899.


que você está fazendo?
Lina, que estava sentada no batente da janela do
quarto de Edith Holland, que ficava no terceiro andar,
virou-se e olhou inocentemente para a irmã.
— Ah, estava só trocando os lençóis..E está uma manhã tão bonita que eu
acho que me distrai olhando pela janela.
Na verdade, Lina escolhera trocar os lençóis naquela hora porque sabia que
Will havia saído para fazer algo para sra. Holland e ela queria vê-lo voltar. A
idéia de conseguir vislumbrar Will era tão maravilhosa que Lina não se afastou
da janela nem após ver Claire, na esperança que isso ainda fosse acontecer.
Claire veio para a janela e enlaçou a cintura de Lina.
— Você anda me ajudando tanto nos últimos dias - disse ela. - Quero que
saiba que eu fico muito agradecida.
Lina deu de ombros, como se não fosse nada demais. Desde o inverno ela
não trabalhava tanto quanto naquela semana, mas só fizera isso porque quando
estava ocupada não precisava pensar no fato de que Will era apaixonado por
Elizabeth. Em vez disso, pensava em como seus braços e sua cabeça doíam e em
como eram estúpidas suas tarefas braçais. Assim, podia sentir raiva e não
tristeza.
— Sei que é difícil para você - disse Claire em sua voz gentil e maternal. -
É muito mais inquieta do que eu. Mas espero que esteja começando a entender
que, se nos comportarmos bem, vamos acabar tendo a vida que merecemos.
Lina encostou a cabeça no ombro da irmã. Ela achava aquilo uma ilusão,
mas não queria falar isso para Claire. Isso só a magoaria, algo que Lina jamais
quisera fazer.
— E vamos encontrar um amor, também - disse Claire suavemente. - Assim
como a srta. Liz.
— O quê? - disse Lina, olhando para a irmã.
@b

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Ela sentiu uma nova pontada de dor no coração, mas então percebeu que
Claire não estava falando de Will.Os olhos dela estavam brilhando, e Lina sabia
que, para sua irmã, um namoro entre a srta. Elizabeth e o cocheiro não seria
romântico, mas trágico.
— Do que você está falando? - sussurrou ela.
— Da srta. Elizabeth e de Henry Schoonmaker, é claro.Acabei de ler no
jornal. - disse Claire, fazendo uma cara maliciosa e indo se sentar na cadeira
brocada que ficava perto da janela. - Acho que não era por Penélope Hayes que
ele estava apaixonado. Quer ouvir a noticia?
— Quero. - disse Lina, tentando não parecer ansiosa demais. - Leia para
mim.
Claire sorriu e se remexeu na poltrona. Ela pegou uma folha de jornal toda
dobrada do bolso do avental e passou o dedo por ela, procurando a nota.
— Achei! “Num jantar íntimo oferecido pelo sr. William S. Schoonmaker
na última sexta-feira...”
Lina ouviu tudo com atenção. Quando Claire repetiu o ridículo e
inimaginável custo da aliança de noivado, Lina ouviu o som da porta do estábulo
sendo fechada.
— Já volto - disse ela, subitamente.
Claire ficou atônita.
— Aonde você vai?
— Eu...as fronhas bordadas..eu as deixei de molho e, se não tirara agora,
elas vão ficar destruídas... - respondeu Lina, já na porta.
Ela se virou e arrancou a folha de jornal das mãos da irmã.
— Posso levar isso? Pode deixar que eu devolvo.
Lina desceu as escadas correndo. A frustação que ela sentira a semana toda
fora substituída por uma certeza de que conseguiria virar o jogo a seu favor. Ela
contaria a Will que Elizabeth estava noiva e então estaria na posição perfeita para
se oferecer para ser sua nova namorada. Logo Lina estava na cozinha, que
cheirava a tripas cozidas. Era um cheiro que ela sentira muito na infância, no
apartamento onde tinha morado com seu pai e sua mãe, mas jamais vira os
Holland comendo algo tão vagabundo. A cozinheira não estava ali e uma das
suas ajudantes descascava uma pilha de batatas. Lina poderia ter dado uma
desculpa para esplicar porque estava indo para o estábulo aquela hora, mas a
menina - que se chamava Colleen - mal olhou para ela.
Assim que viu Will sentado numa cadeira de madeira dobrável e
completamente absorto num livro, ela começou a falar.
— Você leu o Imperial? - disse Lina, ofegante. - Elizabeth está mentindo
para você!
Will olhou para ela, nervoso. Ele parecia esta pensando no que dizer.
— Eu... está falando da sta. Elizabeth?
— É... da srta. Elizabeth! - respondeu Lina com asco. - E eu a vi saindo
daqui de manhã cedinho, então não pense que não sei o que está acontecendo.
Will se remexeu, encolheu os ombros largos, constrangido, e olhou para o
chão.
— Não sei do que você está falando Liney, mas posso lhe dizer com
absoluta sinceridade que não há nada entre mim e a srta. Elizabeth. É muito

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perigoso dizer coisas como essa e gostaria de saber como lhe impedir de fazer
isso.
— Will, olhe para mim. Eu sou sua amiga!
Lina sabia que devia estar feia, pois estava tensa e com os olhos
arregalados. Mas não podia evitar. Precisava fazer Will compreender.
— Pode dizer o que quiser para mim, eu não me importo. Pode mentir. Mas
acho que você precisa saber que sua querida srta. Elizabeth está noiva!
Will se recostou na cadeira, pasmo. Ele continuou se recusando a encarar
Lina, mas, após gaguejar por alguns segundos, conseguiu dizer:
— Como você sabe?
— Li no jornal, assim como todo mundo. E antes que você diga que é só
um boato, saiba que ela está noiva daquele homem que veio aqui outra tarde.
Você viu, era um tal de Henry Schoonmaker - explicou ela, estendendo a folha
que segurava para Will. - Pode ler você mesmo, se quiser.
Will ficou de pé num pulo e sua cadeira caiu no chão coberto de feno. Ele
andou vários metros e parou, apoiando umas das mãos numa viga de madeira.
Lina não estava vendo seu rosto, mas percebeu que Will estava muito angustiado
e perguntou-se se não subestimara o que ele sentia por Elizabeth. Lá dentro, no
estábulo, os cavalos dormiam tranqüilos em suas baias. Will balançou a cabeça e
colocou o cabelo para trás da orelha. Lina quase lamentou ter sido a pessoa quem
dera a noticia a ele. Quase.
— O que diz o jornal? - perguntou ele com a voz entrecortada.
Lina olhou para folha e leu a nota em voz alta. Ao terminar, ela disse docemente:
— Não me parece ser mentira, Will.
Will deu soco na viga de madeira com toda força. Como toda madeira do
estábulo aquela se desfazia facilmente em farpas. Ele atingiu a viga diversas
vezes, com tanta fúria que Lina ficou com medo. Pedaços de viga voaram. Will
socou-a uma última vez, e quando se virou para Lina, ela viu que havia sangue
saindo dos nós de seus dedos e pedaços da madeira presos neles. Finalmente,
Will encarou-a.
Havia tanta magoa em seu rosto que Lina foi institivamente, para perto
dele, pegando a cadeira do chão e forçando-o a se sentar.
— Fique sentado um pouco - pediu ela.
Lina procurou algo com o qual pudesse limpar o ferimento de Will e
encontrou a bacia de água que ele usava para limpar os cavalos. Após passar a
água na mão dele, ela tirou as farpas, com dedos longos e ágeis de tanto costurar.
Então Lina rasgou sua anágua de algodão branco e envolveu o ferimento de Will
com ela para parar o sangramento. Era um curativo meio mal-feito, mas pelo
menos parecia estar funcionando.
Lina colocou a folha de jornal no chão, próximas dos pés de Will. Sem
olhá-lo, ela subiu a escada de madeira que dava em seu compartimento, onde ele
guardava o uísque. A luz de inicio de tarde entrava pela janelinha que havia
acima da cômoda velha, onde ficavam os livros e roupas dele. Lina encontrou
uma garrafa meio vazia em uma das gavetas da cômoda e levou-a lá para baixo.
Ela ofereceu a garrafa a Will, mas ele balançou a cabeça. Seus lábios
estavam tremendo devido a emoção que lhe dominava no momento e o jornal
estava sobre seus joelhos. Ele devia ter lido a nota de novo.

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— Sinto muito. - foi tudo que Lina conseguiu dizer.
Ela estava atônita com a reação dele. Certamente subestimara o que Will
sentia por Elizabeth, e embora houvesse achado que aquele seria o momento
ideal para confessar que o amava, a expressão grave dele o impediu.
Will olhou para Lina com os olhos úmidos e fez um esgar. Ela ofereceu a
garrafa para ele mais uma vez e Will tomou um grande gole de uísque.
— Não sinta. É bom que você tenha me contado. - disse ele devolvendo a
garrafa para ela.
Lina tomou um gole e sentiu o liquido lhe queimando os lábios e lhe
aquecendo a barriga. Will balançou de novo a cabeça, como se não pudesse
acreditar no que lera. Após alguns segundos, ele voltou a olhar para ela.
— Obrigado por me contar, Liney. - disse ele - Fique aqui comigo mais um
pouquinho.
Lina sorriu para ele, tonta de felicidade. Nada era melhor do que ver Will
precisando dela. Ela tinha certeza de que, se eles passassem algumas horas
juntos, não ia precisar lhe confessar nada. Ele descobriria sozinho.
— É claro que fico - disse Lina, pegando a mão boa dele e apertando-a. -
Fico o tempo que você precisar.





























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Wxéxááxàx Wxéxááxàx Wxéxááxàx Wxéxááxàx

gxÅ vxÜàxét gxÅ vxÜàxét gxÅ vxÜàxét gxÅ vxÜàxét wx wx wx wx Öâx ÇûÉ ° ÑÉÜ |ááÉ Öâx ÇûÉ ° ÑÉÜ |ááÉ Öâx ÇûÉ ° ÑÉÜ |ááÉ Öâx ÇûÉ ° ÑÉÜ |ááÉ
Öâx äÉv£ xáàö Åx xä|àtÇwÉR Öâx äÉv£ xáàö Åx xä|àtÇwÉR Öâx äÉv£ xáàö Åx xä|àtÇwÉR Öâx äÉv£ xáàö Åx xä|àtÇwÉR
j|ÄÄ j|ÄÄ j|ÄÄ j|ÄÄ


lizabeth conseguira permanecer em seu quarto a manhã toda e
estava começando a preferir a solidão. Ela se lembrava bem,
de quão perto estivera de perder o conforto de ter um quarto
só para si, de que fora ameaçada com a necessidade de dividir um cômodo com a
irmã e talvez com a mãe também. Mas, toda vez que pensava em Will, sentia-se
arrasada por ainda não ter revelado-lhe que estava noiva. Elizabeth não suportava
mentir para ele mas também não suportaria contar a verdade; por isso estava
simplesmente evitando-o. Ela tentara adiar o inevitável mandando-lhe um bilhete
em seu papel de carta pessoal, dizendo que estava sendo muito difícil ir visitá-lo
e que queria vê-lo assim que pudesse. Deixara o bilhete numa das gavetas de
Will a três dias, num momento em que sabia que ele estaria na rua, mas ainda
não recebera uma resposta.
Mas a família Holland sempre recebia visita aos domingos e Elizabeth sabia
que tinha que sair de seu refugio mais cedo ou mais tarde. Sua criada andava
silenciosa e estranha, mas ela não dissera nada para sua mãe porque fora amiga
de Lina quando era criança e ainda sentia sua falta de vez em quando. Por isso,
Elizabeth penteou o próprio cabelo, fez um coque e vestiu-se sozinha, com uma
camisa de botões e uma saia engomada azul. Não quis colocar nenhuma jóia - o
diamante que havia em seu dedo anelar esquerdo e que ela vinha virando para a
palma da mão desde sexta-feira, evitando olhar para ele, já fazia peso o
suficiente.
Elizabeth estava muito tensa. Cada músculo do seu corpo se enrijecia
quando ela pensava e Henry Schoonmaker e no fato de que casar com ele era
inescapável. Como Henry era negligente! Ao vê-lo bêbado em seu jantar de
noivado, ela soubera que sua vida juntos seria terrível, repleta de contendas
silenciosas e de noites sozinha. Elizabeth nem conseguia pensar em Will - estava
se forçando em não fazê-lo. Se pensasse nele, mesmo que por um segundo, talvez
começasse a derreter e desaparecesse. E então, o que seria de sua família?
Quando estava pronta para encarar o mundo lá fora, Elizabeth abriu a porta
do quarto e parou ao ver uma folha de jornal caindo no chão. Ela estava muito
bem dobrada e fora colocada na maçaneta de sua porta. Soube imediatamente que
aquela era a resposta de Will e por isso foi com grande ansiedade que se inclinou
para pegar a coluna social que anunciava seu noivado. Escrita na parte inferior da
X

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folha, com a letra de Will, estava uma acusação disfarçada em pergunta: “Tem
certeza que não é por isso que você está me evitando?”
A pele macia das bochechas de Elizabeth se tingiu de vermelho quando ela
leu aquilo. Seu estomago ficou embrulhado e seu coração começou a bater
descontroladamente. Ela colocou o pedaço de papel no bolso e tentou esconder
também a emoção que sentira ao vê-lo. Mas não podia controlar o tremor de seu
queixo e a aspereza em sua garganta, que conhecia tão bem. Elizabeth olhou em
volta, esperando ver Will ali, no corredor, e então desceu correndo a escada dos
empregados para procurar por ele.
Quando estava na metade do caminho a porta da cozinha se abriu e Claire
subiu alguns degraus. Ela parou ao ver Elizabeth.
— Srta. Elizabeth! O que esta fazendo aqui?
— Oh.
Elizabeth permaneceu imóvel. Ela levou alguns segundos, para pensar
numa desculpa.
— Estava indo ver se o jantar estava sendo preparado antes de me juntar ao
resto da minha família para receber os visitantes.
Claire se afastou para permitir que Elizabeth passasse.
— Não precisa fazer isso - disse ela, tocando o braço da patroa. - Pode
deixar que eu faço. A senhorita deve ir receber suas visitas, principalmente agora
que...
Claire parou de falar e deu de ombros. Elizabeth viu que Claire corara e
soube que ela estava prestes a comentar algo sobre seu noivado, mas lembrou-se
de que não deveria. A criada levou-a até o corredor e abriu a porta da sala de
estar para ela.
Quando Elizabeth atravessou o umbral da porta, ela viu sua irmã na posição
habitual: encolhida no cantinho turco com um livro de poemas. Claire conseguira
deixa-la quase respeitável num vestido rosa-chá listrado cuja enorme saia se
espalhava por sobre as almofadas, fazendo com que Diana chamasse atenção
apesar de todos os objetos preciosos que havia na sala.
— Ah, Elizabeth - disse a sra. Holland.
Elizabeth se voltou e viu a sua mãe, que tinha uma aparência quase
assustadora em seu vestido negro de mantas compridas. Ela estava sentada numa
caldeira de espaldar alto perto da lareira, que não estava acesa.
— O sr. Schoonmaker...Henry, eu deveria dizer... acabou de deixar seu
cartão na porta. Eu insisti para que ele viesse tomar chá conosco mas,
aparentemente, o que ele mais quer é levá-la para passear no Central Park. Não é
isso, Claire?
Elizabeth se virou devagar para olhar para Claire, que ainda estava ali no
corredor.
— Sim senhora, foi exatamente isso que ele disse - afirmou a criada
animadamente.
Elizabeth viu que Diana olhou rapidamente para cima, mas ela logo voltou
a se esconder atrás de seu livro.
— Ele está esperando lá fora - disse Claire com mais confiança, assumindo
seu papel - E parece estar muito impaciente. Não quer nem entrar.
— Muito bem - disse a sra. Holland.

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Elizabeth ficou parada na porta, sem saber se devia entrar ou sair. Sua mãe
se impertigou, ficando mais imponente em questão de segundos. Elizabeth
desejou receber algum encorajamento, mas fora treinada na infância para não se
agarrar a saia de ninguém ou implorar por atenção e, por isso, não se moveu.
— Como eu preciso estar aqui para receber os visitantes - disse sua mãe - e
como sua tia não esta se sentindo muito bem...pobrezinha, creio que ainda esta se
recuperando da comida pesada servida por Isabelle de Ford...quero dizer, Isabelle
Schoonmaker... Will terá de acompanhar vocês. Ele já foi preparar os cavalos...
— Não!
Elizabeth cobriu o rosto com as mãos, perturbadissimo ao pensar em Will e
Henry cara a cara. Um ruído estridente surgiu em seus ouvidos e cada centímetro
de sua pele se cobriu de suor frio.
— O que há de errado com você? - perguntou a sra. Holland, irritada.
Ela levantou o queixo e colocou as mãos firmemente nos braços da cadeira.
— Eu..
Elizabeth tentou mas não conseguiu pensar num motivo para não querer
passear de carruagem num dia lindo de Setembro. Ela tocou o bilhete de Will no
bolso da saia e achou que ia desmaiar.
— É que.. - continuou ela.
— É que o quê? Elizabeth você está sendo malcriada. Seu noivo esta lhe
esperando. Não fique aí parada. Seja digna dele.
— Mas eu... - gaguejou Elizabeth.
Ela viu a maneira como sua mãe estava lhe olhando e soube que não teria
outra escolha além de ir. Por isso, agarrou-se a única coisa que poderia lhe dar
forças naquele momento.
— O que quero dizer é... - disse Elizabeth. - Como temos de tomar tanto
cuidado com as aparências, será que a Diana não pode vir comigo?
— Não! - exclamou Diana do seu cantinho.
— Por favor, Diana? - pediu Elizabeth, resistindo a vontade de bater o pé de
impaciência.
Diana se recostou nas almofadas e suspirou, exasperada.
— Não vou dar um passeio longo e chato só porque você tem medo do seu
noivo.
— Diana, você está sendo ridícula - disse a sra. Holland friamente. - Vá
com sua irmã, ou vou lhe considerar uma perfeita inútil.
— Não é que eu tenha medo dele - disse Elizabeth, baixinho.
Ela olhou para Diana e viu que ela já estava se levantando. Sua irmã parecia
magoada e Elizabeth se deu conta de que ela concordara em acompanhá-la
apenas por causa das palavras duras de sua mãe.
— Então você vem?
— Vou - disse Diana contrariada, esticando o vestido que havia ficado
amassado quando ela se deitara sobre as almofadas. - Mas não pense que vou
abrir minha boca.
— Meninas, vocês devem parar de agir de forma tão estranha - disse a sra.
Holland. - É feio. E não se esqueçam de seus chapéus. Vou realmente perder a
cabeça se vocês ficarem com sardas logo agora.

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Diana deu um sorriso muito falso para mãe e atravessou a sala de estar com
passos rápidos. Elizabeth foi atrás, e ao chegar ao corredor, viu pelo vidro da
porta que Henry estava esperando na frente da casa. Ele usava um terno preto e
uma cartola. Estava olhando para frente, para o Gramercy Park. Elizabeth virou-
se para Diana que parecia furiosa. Mesmo assim, ela ficou feliz por saber que não
teria que lidar com Will e Henry sozinha. Tentou sorrir para demonstrar o quanto
estava grata a irmã, mas descobriu que, naquele momento, sorrir era difícil
demais.
Claire surgiu de dentro do closed com dois enormes chapéus de palha. Ela
colocou o de Diana primeiro, amarrando o laço de gorgorão branco abaixo do
queixo dela, e depois ajudou Elizabeth a botar o dela.
— Obrigada Claire - disse Elizabeth, com a voz tremendo um pouco. -
Você poderia acender a lareira na sala de estar antes de voltarmos? Pareceu-me
estranhamente frio lá dentro.
Do lado de fora, elas foram recebidas pela luminosidade de um belo dia de
setembro, pelo cheiro dos jantares sendo preparados nas casas em volta e por um
céu azul que parecia não ter fim, pontilhado de pequenas nuvens fofas e
interrompido apenas pelo topo dos poucos prédios de mais de seis andares
existentes na cidade. Elizabeth se sentiu um pouco animada pela perfeição do
tempo, mas isso foi antes que visse Henry voltando-se em sua direção e ouvisse o
som dos quatro cavalos negros da família sendo trazidos para frente da mansão.
Ela ficou feliz de estar de chapéu, pois ele escondia um pouco seus olhos. A
única coisa que impediu Elizabeth de desmaiar ali mesmo foi não poder ver a
maneira que Will estava olhando para ela.
— Srta. Elizabeth - disse Henry friamente.
Elizabeth estendeu a mão e Henry inclinou-se para beijá-la.
— Srta. Diana, a senhorita vai conosco?
Diana não respondeu por alguns segundos e Elizabeth ousou olhar para
direita para tentar ver o que ela estava aprontando.
— Bem, eu não queria - respondeu Diana rudemente. - mas ficaria chateada
de deixar de passear pelo Central Park num dia como hoje. Às vezes, o ar fresco
e a natureza são a única coisa que fazem a vida valer a pena.
— Sorte minha. Duas pelo preço de uma.
Elizabeth detectou um traço de ironia na voz de Henry e ficou insatisfeita.
Ela pegou o braço de Diana e foi até a carruagem.
— Posso ajudá-la, srta. Elizabeth? - ofereceu Will com falsa formalidade.
— Pode deixar - disse Henry para Will.
Elizabeth desejou poder dizer a Will que não queria a ajuda de Henry e que
não queria Henry, mas então sentiu a mão do noivo na cintura, empurrando-a
para dentro da carruagem. Ela sentou-se no banco de couro tentando se acalmar.
Henry sentou-se ao lado de Elizabeth e Diana na frente dos dois. Elizabeth
ouviu Will estalando o chicote e fazendo os cavalos partirem. Eles estavam sendo
instigados a correr a toda. Elizabeth segurou o braço de ferro com uma das mãos
e seu chapéu com a outra. Ela manteve a cabeça abaixada, examinando a palha
que protegia seus olhos e o azul de sua saia, que se espalhava ao seu redor. Ouviu
os sons do transito - os bondes, as pessoas gritando - quando eles entraram na
Avenida Lexington e tentou não imaginar o que Will estaria pensando.

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— Porque você não pega a Quinta Avenida? - gritou Henry para Will. - As
mulheres sempre gostam desse caminho. É lá que elas conseguem mostrar os
vestidos para mais gente.
Diana riu, mas o cocheiro continuou em silencio.
— Cocheiro? - disse Henry - Pode pegar a Quinta Avenida?
— Você não lê jornal? - respondeu Will, sem levantar muito a voz, mas
obviamente irritado.
— Às vezes - disse Henry, rindo - mas tento não prestar muita atenção.
— Bom, se tivesse prestado atenção no jornal essa manhã, saberia que a
Quinta Avenida está toda engarrafada por causa dos preparativos para a parada
que vão fazer neste fim de semana, para o almirante que vai voltar das Filipinas.
O nome dele é almirante Dewey. Ele ganhou a batalha na baía de Manila,
lembra? - disse Will dando uma risada sarcástica. - Aposto que nem sabia que
estávamos em guerra.
Elizabeth tentou esconder seu sorriso debaixo do chapéu ao escutar a
resposta constrangida de Henry:
— Eu sabia que estávamos em guerra, sim. Está bem, pode pegar a
Lexington.
Foi só depois que eles já haviam entrado no Central Park que ela teve
coragem de olhar para cima. Elizabeth chegou o chapéu um pouco para trás e
observou Diana, que estava olhando para o nada com um ar de petulância. Ela
não soube dizer o que estava esperando ate então - talvez que Will começasse a
gritar assim que ela levantasse os olhos - mas tudo que viu foram as costas dele,
que mesmo assim pareciam estar lhe repreendendo em silêncio. Will usava a
mesma camisa azul de sempre, com as mangas enroladas, e estava bastante
impertigado. Elizabeth olhou rapidamente para Henry, cujo rosto arrogante
estava virado para as árvores do parque. Ela então voltou a olhar Will e desejou
saber o que ele estava sentindo no momento.
A carruagem tremeu muito ao subir e descer as pequenas colinas numa
velocidade que fez com que diversas das senhoras que passeavam entre os elmos
carregando sombrinhas olhassem para trás. Elizabeth desejou que Henry e Diana
desaparecessem por por alguns segundos. Ela tocaria o braço de Will e ele
saberia que podia relaxar e ir mais devagar. Saberia que ela o amava. Elizabeth
estava tão absorta nesses pensamentos que não ouviu o que Henry dizia.
— Srta Diana, a senhorita será a madrinha de casamento de sua irmã?
A pergunta fez com que o corpo de Elizabeth fosse tomado pelo
desconforto. Ouvir a menção da cerimônia foi horrível para ela. Deve ter sido
para Will também, porque ele estalou o chicote de novo, fazendo os cavalos
atravessarem uma pequena ponte em disparada.
— Não. Aparentemente, ela e Penélope Hayes prometeram ser madrinhas
uma da outra quando tinham apenas treze anos - disse Diana, impaciente. - Mas
eu não ligo para essas coisas.
Os cavalos ganharam ainda mais velocidade ao sair da ponte, o que obrigou
Diana a agarrar com força o banco para não cair para fora da carruagem. Ela deu
um grito, tirando a outra mão do chapéu e usando-a para se segurar também.
Henry olhou para Will com raiva.

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— O que seu cocheiro esta fazendo? - sussurrou ele para Elizabeth. - Essa
não é uma velocidade adequada para mulheres.
Will certamente ouviu o comentário, pois deu um puxão nas rédeas, tirou os
cavalos da estradinha que cortava o parque e levou-os para o gramado onde, após
alguns segundos, eles finalmente pararam. A carruagem deu um salto antes de
estacar, e Diana só conseguiu permanecer dentro dela segurando o braço esticado
de Henry.
— Que diabos você fez, homem? Ela podia ter morrido! - disse Henry,
levantando do banco e ajudando Diana a ficar em pé.
— Eu realmente estou bem. - afirmou Diana, secamente.
Mas o passo acelerado fez com que o laço de seu chapéu se soltasse e
naquele momento uma brisa soprou, levando-o pelos ares. O vento também
bagunçou os cabelos dela e seus cachos lhe caíram sobre os ombros.
-- Meu chapéu! - exclamou Diana, tirando os cabelos da frente do rosto.
Elizabeth ficou em pé e viu o chapéu da irmã rolando por sobre a grama. Henry,
que segundo antes parecera prestes a entrar numa briga com Will, pulou da
carruagem e foi correndo atrás do objeto.
— Espere, vou pegá-lo - gritou ele, tirando a cartola e saindo a toda.
— Não vai, não! - disse Diana.
Antes que Elizabeth pudesse impedi-la, ela pulou para o gramado, segurou
o vestido nas mãos e correu atrás de Henry pela grama. O parque estava cheio de
homens de chapéu de palha fazendo piqueniques com suas namoradas de
cinturinha de vespa e todas acharam engraçado verem Schoonmaker e uma
Holland tentando agarrar um chapéu. Mas Elizabeth não teve tempo de se sentir
constrangida pela cena. Will pulara do banco do cocheiro e estava levando os
cavalos de volta para estradinha.
Ela desceu também, tomando cuidado para não prender a saia nas rodas da
carruagem, e parou logo atrás de Will um segundo após ele chegar na estrada.
Quando ele se virou para olhá-la, ela ficou surpresa que seu rosto não mostrava a
mais profunda raiva, mas uma expressão tranqüila e determinada. Então,
Elizabeth notou o enorme curativo em sua mão.
— O que aconteceu? - perguntou ela, esticando o braço para tocá-lo, sem
pensar nas conseqüências.
Will balançou a cabeça e afastou a mão dela. Ele piscou ao sentir os raios
do sol em seus olhos azuis. A luz fazia surgir tons de vermelho em seus cabelos
negros. Ele parecia já saber o que iria dizer.
— Não é isso que você quer - afirmou ele com uma voz baixa e controlada.
Elizabeth olhou para trás. As pessoas que estavam no parque não pareciam
estar prestando atenção, mas ela jamais falara com Will daquela maneira em
publico, e estava morrendo de medo.
— Sinto muito, Will - disse ela, quase desesperada. - Lamento tanto que...
— Não lamente - disse ele, aproximando seu rosto do dela.
— Mas você precisa entender! É minha família, nós...
— Não quero saber de sua família. Vou embora, Elizabeth. Tenho certeza
que você tem seus motivos, mas se ficar aqui e se casar com aquele homem, vai
se arrepender. Ainda quero casar com você Lizie, mas isso é impossível em Nova
York. Poderia acontecer no oeste do país. É para lá que eu vou.

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Will olhou para baixo, mas continuou com as mãos nas rédeas para guiar os
cavalos. Após alguns segundos, ele respirou fundo e encarou-a.
— E quero que você venha comigo.
Elizabeth cobriu o rosto com as mãos. Ela não suportou olhar para Will,
cujos olhos azuis estavam arregalados e cheios de vontade de convencê-la. Uma
tristeza abjeta estava lhe fechando a garganta e fazendo seus olhos arderem e, por
isso ela os manteve escondidos. Elizabeth não sabia bem o que ia lhe acontecer
se ela olhasse para Will, mas a sensação de estar perdida e arrasada já tomara
conta dela. Ela ficou imóvel e cega no meio do Central Park, com as palmas
pressionadas contra os olhos.





































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WxéÉ|àÉ WxéÉ|àÉ WxéÉ|àÉ WxéÉ|àÉ

Meninos no escuro não vá procurar
Dirão coisas belas para depois lhe magoar
Meninos no parque se deve encontrar
Pois lá estão os mais galantes que há

VERSINHO POPULAR, 1889


spere! - gritou Diana, correndo por sobre as toalhas de
xadrez branco e vermelho que haviam sido espalhadas na
grama e desviando de uma criança que não fora ágil o
suficiente para sair da frente.
Os pés dela estavam se movendo mais rápido do que seus pensamentos,
mas Diana foi tomada pela subita convicção de que nada era mais importante do
que não permitir que Henry tocasse em seu chapéu.
— Não preciso de sua ajuda! - gritou ela para ele, que já estava bem mais à
frente.
Henry diminuiu urn pouco de velocidade ao ouvir o som da voz dela. Diana
ainda estava irritada pela maneira como ele falara com seu cocheiro - Will
trabalhava para eles há anos e Diana gostava dele por saber que era um pouco
rebelde. Ela estava finalmente se aproximando de Henry quando ouviu a voz
anasalada de uma mulher ali perto dizendo:
— Então é assim que os Holland criam essas meninas hoje em dia.
Diana olhou para trás com desprezo e continuou com a perseguição. Estava
ofegante quando alcançou Henry, e o vento desarrumara seu vestido. Ela colocou
os braços em volta de si para se esquentar e disse o mais friamente possível:
— Muito obrigada, mas não preciso de sua ajuda.
Henry deu-lhe um sorriso lindo, mas Diana estava certa de que ele não tinha
mais qualquer efeito sobre ela.
— Se a senhorita insiste, então não vou ajudar.
Ela olhou na direção da carruagem, que estava parada ao lado da ponte de
pedra, mas não viu sua irmã ou Will. Diana então se virou para olhar para seu
chapéu, que aterrissara nas águas azul-esverdeadas de um pequeno lago. O laço
de fita branco com o qual ela o prendera na cabeça estava flutuando para longe.
Diana suspirou com impaciência, agarrou sua enorme saia com as mãos e deu um
passo hesitante na direção da borda lamacenta do laguinho.
— Cuidado, Diana...
Ela olhou para Henry. Ele não estava rindo ou caçoando dela, mas apenas
olhando para a barra de seu vestido, já sujo com a lama do lago.
— Não quero me impor a você mas, se preferir, posso ir pegar seu chapéu.
@X

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Diana observou um grupo de crianças que havia se juntado pouco atrás
deles. Quando se virou para a frente, viu que seu chapéu estava flutuando para
mais longe. Ela se sentiu muito exposta ali no meio daquele gramado, sem saber
bem o que fazer. Olhou mais uma vez para Henry, que ergueu as sobrancelhas,
rindo gentilmente.
— Quer que eu pegue?
— Bom - respondeu Diana, irritada. - Creio que...
Henry sorriu e colocou ambas as mãos em seus quadris. O toque dele
acalmou-a e ela se perguntou por que lhe parecera tão importante que ele não
tocasse em seu chapéu. Henry tirou rapidamente os sapatos e as meias e então se
enfiou no lago até os joelhos, deixando suas calças negras ensopadas.
— A-rá! - exclamou Henry, alcançando o chapéu com um gesto.
Naquele exato momento, um bando de patos veio examiná-lo e um deles
saiu voando com o laço de fita branco no bico.
— O laço, no entanto... lamento, mas ele tem um novo dono - disse ele,
apontando para o pato marrom que nadava para longe.
— Mas como vou amarrar o chapéu sem o laço de fita? - perguntou Diana,
cruzando os braços e fazendo uma careta. - Se eu ficar com sardas, minha mãe
vai matar você!
Henry olhou para o pato. Diana percebeu que ele estava mesmo
considerando a possibilidade de lutar com o bicho para reaver seu laço de fita e
deu uma risadinha, escondendo a boca com a mão. Ele olhou para ela ao ouvi-la
rindo.
— Eu estava brincando!
Henry deu uma última olhada para o laço e saiu do laguinho. As crianças
começaram a gargalhar ao vê-lo tão ensopado e Diana bateu palmas para ele. Ela
estava achando cada vez mais difícil se sentir ofendida por um homem descalço
cujas calças haviam sido arruinadas pela lama.
— Aqui está o chapéu da senhorita - disse Henry, com um certo excesso de
formalidade. - Mas ele está encharcado e eu ficaria feliz em continuar segurando-
o. Se a senhorita não se incomodar, é claro.
— Muito obrigada - disse Diana, assentindo com a cabeça.
Eles ficaram parados próximos ao lago enquanto o vento brincava com o
vestido rosa-chá de Diana. Henry encarou-a e ela sorriu para ele, um sorriso fraco
a princípio, mas que foi ficando cada vez mais radiante. O momento durou
alguns segundos a mais do que deveria e Henry disse:
— Precisamos voltar.
— É, acho que sim.
Diana o observou colocar os sapatos de volta e quis pensar em algo mais
para dizer que indicasse que não estava mais zangada. Entao Henry deu-lhe uma
piscada de olho quase imperceptível e ela soube que não seria necessário.






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WxéxÇÉäx WxéxÇÉäx WxéxÇÉäx WxéxÇÉäx

Toda família com filhas em idade de casar deve
se preocupar com os custos de uma cerimônia de
casamento que, de acordo com a tradição,
precisam ser arcados exclusivamente pelos pais
da noiva. Quando uma menina da alta sociedade
se casa, os custos podem ser astronômicos e
muitos pais abastados sentiram-se quase
arruinados por esses felizes eventos.


TRECHO DO LIVRO COLETÂNEA DE COLUNAS SOBRE A CRIAÇÃO DE JOVENS DE
CARÁTER, DA SRA. HAMILTON W. BREEDFELT, EDIÇÃO DE 1899


lizabeth ouviu a risada de sua irmã mais nova e abriu os olhos.
Ela retirou as mãos de cima das pálpebras e viu o pelo
brilhante e negro de um cavalo. Diana estava voltando com a
saia presa nas mãos e Henry estava alguns passos atrás dela, carregando o
enorme chapéu de palha amarela. O vento fazia as árvores se inclinarem para o
sul e o mundo todo parecia brilhante.
— Eles estão voltando - sussurrou ela.
Will balançou a cabeça devagar e fixou os olhos azuis nela.
— Vou embora na sexta-feira, no último trem. Vou ver como é o porto do
outro lado. Você pode vir comigo ou pode ficar aqui para sempre...
Elizabeth quis abraçar Will e tocar-lhe a boca com a sua. Quis encontrar as
palavras necessárias para convencê-lo a ficar e dizê-las claramente, com
convicção. Mas não conseguiu. Toda a cidade de Nova York estava à sua volta.
Por isso, ela cumpriu seu dever, saindo de detrás da carruagem e acenando com
os braços.
— Vocês conseguiram! - exclamou ela, como se o fato de o chapéu ter sido
recuperado fosse um triunfo pessoal seu.
O humor de Diana parecia ter mudado completamente. Ela olhou para
Henry e riu.
— O pobre Henry praticamente teve de mergulhar no lago para pegar! -
gritou ela, de longe. - Mas perdemos o laço! Ele vai fazer um ninho de pato em
algum lugar.
Elizabeth sentiu que Will estava olhando-a, mas continuou a se comportar
como uma dama. Ela foi encontrar Henry e Diana, sentindo suas botas de couro
afundando na terra fofa e o vento frio em suas orelhas. Quando chegou perto do
noivo, ele pegou seu braço e ajudou-a a subir na carruagem. Elizabeth permitiu
que ele a ajudasse e escondeu os olhos sob o chapéu mais uma vez. Os cavalos
X

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começaram a se mover. Foi só então que ela deixou que algumas lágrimas
silenciosas rolassem sobre seu rosto, guarnecidas pela sombra de seu chapéu.

***
Elizabeth tirou o chapéu ao atravessar a porta da mansão de sua família.
Alguns fios louros se prenderam na palha, mas ela apenas arrumou o cabelo de
qualquer jeito com as mãos ao entregar o chapéu para Claire, que esperava
pacientemente no vestíbulo escuro.
— Onde está minha mãe?
Elizabeth abriu a porta da sala de estar e olhou lá para dentro. Estava se
movimentando de forma frenética, como se suas chances de consertar tudo
fossem desaparecer se ela relaxasse um pouco. Mas não havia ninguém na sala
de estar. Aparentemente, sua mãe e sua tia haviam desistido de esperar pelas
visitas.
— Claire, onde está a sra. Holland?
Elizabeth se virou e viu que Diana havia enlaçado Claire e pousado a
cabeça em seu peito. A mais velha das irmãs Broud sempre tivera aquele ar
maternal, mesmo quando criança. Claire pareceu um pouco constrangida e deu
um sorriso amarelo para Elizabeth.
— Eu não a vi - respondeu ela, baixinho.
— O que foi? - perguntou Elizabeth a Diana. - Desculpe se insisti para que
você viesse, se ainda estiver chateada com isso.
Diana encarou-a, virando a cabeça devagar. Ela estava com uma expressão
melancólica que Elizabeth não teve tempo de interpretar.
— Não, estou feliz por ter ido - disse Diana.
Ela falou aquelas palavras em tom baixo e solene, mas Elizabeth não
conseguiu entender por quê. E também não quis tentar. O que queria era que
Diana desaparecesse como sempre fazia, para que ela pudesse encontrar sua mãe.
— Talvez você devesse ir se deitar um pouco - sugeriu Elizabeth, tentando
manter a calma.
— Talvez.
Diana largou Claire e subiu a escada, balançando os braços como se mal
tivesse energia para carregá-los. Quando ela sumiu, Elizabeth voltou-se para
Claire. Ela passou o dedo pela sobrancelha direita, respirou fundo e preparou-se
para fazer a pergunta pela terceira vez.
— Eu não sei - disse Claire antes que Elizabeth conseguisse dizer uma
palavra. - Não a vi. Vou procurar no terceiro andar.
— Obrigada.
Desde que Elizabeth conversara com Will no Central Park, sua ansiedade
vinha crescendo. Tudo o que ela conseguia pensar era que sua relação mentirosa
com Henry era insustentável e que precisava dizer isso a sua mãe imediatamente.
Se conseguisse parar de fingir que era uma menina perfeita, ela seria capaz de
mostrar à mãe que não podia ir adiante com aquilo. Talvez o estado das finanças
na família não estivesse tão ruim e ela não precisa-se casar imediatamente.
Talvez houvesse outra maneira de sua família recuperar a fortuna - afinal, eram
tempos modernos. Talvez ela pudesse ficar com Will.

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Claire subiu a escada quase correndo e Elizabeth foi olhar novamente na
sala de estar. Foi então que ela viu que, no chão do vestíbulo, havia uma pintura
de moldura dourada, que estava virada para a parede. Elizabeth se voltou para
perguntar a Claire o que era aquilo, mas a empregada já desaparecera. Ela afastou
o quadro da parede para poder ver qual era e reconheceu-o imediatamente: era o
Vermeer que ficara em seu quarto pelos últimos dez anos.
A pintura era uma das preferidas de seu pai - ele a comprara de um
vendedor de quadros parisiense quando a sra. Holland estava grávida pela
primeira vez. Diversos colecionadores de arte, do tipo que havia decidido parar
de ganhar milhões vendendo aço para se dedicar a gastá-los comprando as obras
dos velhos mestres, expressaram interesse pelo quadro, mas El1zabeth implorara
a seu pai para não vendê-lo. Ele mostrava duas menivas, uma loura e uma de
cabelos negros, lendo um livro numa mesa de madeira ao lado de uma janela. A
loura estava na esquerda, mais próxima da janela, e seu cabelo cintilava como
fios de ouro. As duas estavam virando as páginas do livro e a luz iluminava sua
pele, pálida e perfeita.
Elizabeth passou o dedo pela moldura dourada, onde havia um pedaço de
papel afixado. O nome escrito nele - sr. Broussard - não lhe era familiar. Embora
aquele quadro fosse dela, ela sentiu como se estivesse mexendo nas coisas de um
estranho.
Elizabeth subiu rapidamente a escada estreita dos empregados e abriu a
porta do quarto da mãe. Não havia sinal dela.
— Srta. Liz...
Elizabeth fechou a porta do quarto da sra. Holland e viu que Claire estava
logo atrás dela.
— O que foi?
Ela não entendia bem por que estava se sentindo constrangida por andar em
sua própria casa.
— A sra. Holland está lá embaixo.
— Obrigada, Claire.
Elizabeth se virou e desceu pela escada principal, coberta por um opulento
carpete persa. Já estava quase na metade do caminho, pensando em como ia dizer
para sua mãe que não ia conseguir casar com Henry Schoonmaker, quando viu o
homem no vestíbulo. Ele estava agachado na frente do Vermeer, observando o
canto superior direito com uma lupa toda ornamentada. Era ali que estava a
assinatura do pintor, acima da jarra de vinho. Elizabeth quis gritar com o homem
e mandá-lo parar de mexer em suas coisas, mas algo, talvez seu hábito de ser
sempre tão comportada, a fez continuar calada.
— Não temos quadros falsos nesta casa, sr. Broussard - disse a sra. Holland
friamente, aproximando-se dele.
O homem, que estava vestido de negro e cujos longos cabelos estavam
enfiados abaixo da gola, virou sua cabeça como se para avaliar a senhora que
acabara de lhe falar. Ele encarou-a durante diversos segundos, o que era muito
grosseiro, e voltou a olhar para as pinceladas de Johannes Vermeer. Quando
estava satisfeito, o sr. Broussard tirou um pedaço de pano de uma bolsa e
embrulhou o quadro. Ele ficou de pé, colocou a mão no bolso do casaco e tirou
um envelope.

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— Aqui está - disse o sr. Broussard bruscamente.
Elizabeth observou sua mãe abrir o envelope e examinar o conteúdo. Ver
seu quadro nas mãos de um estranho lhe fez sentir uma tristeza pesada, que
estava se transformando em raiva.
— Está tudo aí dentro - disse o homem, impaciente.
— Tenho certeza que sim - respondeu a sra. Holland. - Mas detestaria pedir
que o senhor voltasse caso houvesse algum problema.
O sr. Broussard esperou até que a sra. Holland assentisse e então apertou a
mão dela e foi embora. Quando a porta bateu, o estrondo pareceu fazer a casa
toda estremecer. Elizabeth ficou parada na escada, hesitante, enquanto sua mãe
observava o homem sair, iluminada pela luz que entrava pelo vidro da porta da
frente. A sra. Holland suspirou, virou-se e deu alguns passos, até que viu
Elizabeth ali e parou.
— O que você está fazendo aí?
Após ver sua mãe vendendo um dos objetos mais queridos da família,
Elizabeth não sabia se ia ser capaz de encará-la da mesma maneira. Aquela
mulher não parecia mais ser uma pessoa assustadora que ditava as regras da
sociedade. Parecia pequena, frágil, insignificante. E velha.
— Estava procurando você ... Queria lhe perguntar algo.
— O quê?
Elizabeth sentiu que seu coração congelara. Todas as suas emoções, seu
egoísmo, sua necessidade de mostrar lealdade a Will e obrigá-lo a continuar em
Nova York haviam desaparecido. Sua família não estava apenas pobre; estava
desesperada. Ela só tinha uma escolha: casar-se com Henry. Não haveria outra
oportunidade como aquela.
— Só queria lhe perguntar se vai querer tomar vinho no jantar.
Houve um longo momento de silêncio enquanto a sra. Holland observou
sua filha. Ela piscou os olhos e disse:
— Não, querida. Precisamos guardar o vinho para o caso de os
Schoonmaker virem jantar aqui.
Elizabeth assentiu. Não havia mais nada a dizer e, por isso, ela se virou e
foi procurar a governanta da mansão, com o pés pesados e o coração doendo. Ia
dizer a ela que não devia servir mais vinho nas refeições até que ela se tornasse a
sra. Schoonmaker.













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i|Çàx i|Çàx i|Çàx i|Çàx

MENSAGEM TRANSATLÂNTICA
COMPANHIA TELEGRÁFICA WESTERN UNION
PARA:
CHEGOU A:



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enelope agarrou Robber, seu Boston Terrier, ao ler o
telegrama. Ela olhou para sua mãe, que estava sentada ao
lado de Webster Youngham, o arquiteto, no outro lado da
enorme sala de estar, com seus móveis da época de Luís XV forrados de seda
azul e branca e seu chão de nogueira polida. A sra. Hayes queria que todos
ficassem sabendo que o sr. Youngham fora contratado novamente pela família,
para construir uma mansão de veraneio em Newport, do tipo que tinha cinquenta
e seis cômodos e chão de mármore em todos eles. Esse não era o tipo de
novidade que devia ser mantida em segredo. Por isso, a sra. Hayes queria que o
sr. Youngham construísse a casa em tempo recorde, para que fosse forçado a se
hospedar ali e fosse visto por todos que os visitassem.
Penelope examinou sua mãe, Evelyn Archer Hayes. Ela usava um vestido
lilás que ficava ridículo numa mulher de sua idade e que apertava sua cintura
larga de forma desagradável. Penelope jurou para si mesma que jamais se
permitiria engordar tanto. Então, ela se levantou, fazendo Robber cair e deslizar
c

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pelo chão, e andou até um dos enormes espelhos incrustados com ouropel que
preenchiam os espaços existentes entre os quadros, para olhar para algo mais
atraente.
— Penelope, não quero que esse animal destrua meu chão - disse sua mãe
do sofá onde estava.
Penelope revirou os olhos para sua imagem no espelho e então juntou os
lábios como quem vai dar um beijo.
— As unhas dele estão cortadas, você sabe muito bem - respondeu ela.
Sua mãe sempre lhe irritara mas, desde que Penelope descobrira o noivado
de seu Futuro Marido com sua Ex-Melhor amiga, cada palavra que ela dizia
parecia-lhe uma afronta pessoal. Ela viu que a rotunda sra. Hayes voltara a
tagarelar com o sr. Youngham e então amassou o telegrama de seu irmão mais
velho e colocou-o num jarro de prata cheio de rosas amarelas. Penelope queria
que Grayson estivesse em Nova York para defendê-la e aquele telegrama só a
fizera sentir atacada, em vez de protegida.
Os cabelos escuros de Penelope estavam presos num coque, formando um
pompadour acima de sua testa. A moda para as meninas da sua idade era usar
cachinhos, mas Penelope sabia muito bem o que combinava com suas feições
dramáticas. Ela examinou suas sobrancelhas, esfregou a pele frágil abaixo dos
olhos para dar-lhe um pouco de cor e estava olhando com prazer para os metros
de cauda azul-piscina de seu vestido quando as portas da sala foram abertas por
uma das empregadas.
A sra. Hayes fez um gesto, como se tivesse certeza de que o visitante era
para ela, mas a criada acenou educadamente com acabeça e foi na direção de
Penelope. É claro.
— A srta. Elizabeth Holland apresentou seu cartão - disse a criada.
Penelope suspirou fundo ao ouvir o nome que tanto detestava e voltou a se
olhar no espelho. Ela amassou o cartão de Elizabeth e parou para pensar. O que
adoraria fazer seria tratá-la com perfeita indiferença, mas isso seria uma vingança
vulgar e insatisfatória. Seja forte, Penelope lembrou-se do conselho do irmão.
— A srta. Elizabeth Holland pode entrar, se assim o deseja.
— Sim, senhorita - disse a criada, saindo pela porta de umbral de mogno.
Penelope observou sua sala de estar e ficou muito feliz por ela ser bem
melhor do que a sala onde os Holland recebiam visitas, e também pelo fato de
sua mãe estar ali, porém distraída pela presença do arquiteto. Isso ao menos a
impediria de esbofetear a imbecil da Elizabeth. Ela lembrou que estava com um
vestido que a deixava particularmente bela, com um corpete elaborado, uma gola
chinesa, uma pequena fenda na altura do peito e um bordado feito com fios de
ouro de verdade. Foi até o local onde Robber estava enroscado, uma caminha
dourada forrada de veludo berinjela, pegou-o e atravessou o cômodo com seu cão
encostado no peito.
A governanta anunciou formalmente a visitante, enunciando aquele nome
tão desagradável: “Srta. Elizabeth Holland”. Ao ouvi-lo, os delicados fios de
cabelo da nuca de Penelope se eriçaram. Ela enterrou o rosto no pelo de Robber e
ouviu os passos tímidos de Elizabeth no chão polido de sua mansão. Quando já
estava ouvindo a respiração nervosa dela, Penelope olhou para cima e encarou-a.
— Penelope...

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Elizabeth franziu o cenho e seu lábio inferior tremeu. Penelope avaliou a
ex-amiga, que estava usando um vestido de seda marrom clara, por diversos
segundos antes de abrir a boca.
— O que foi? Veio até aqui sem pensar numa coisa para me dizer?
— Não, eu... eu tenho tantas coisas a lhe dizer! Lamento tanto o que
aconteceu naquela noite...
— É patético ver que você precisa competir comIgo ate nisso - interrompeu
Penelope.
Ela olhou para o outro lado da sala e viu que sua mãe estava radiante,
recebendo Ava Astor, neta da famosa sra, Astor, e que, aparentemente, era sua
nova melhor amiga. Elizabeth arregalou seus olhos castanhos.
— Não, não! Não foi isso, de jeito nenhum! Eu não tinha ideia de que você
estava tão apaixonada por Henry Schoonmaker. Você não tinha me dito.
Penelope , você precisa acreditar em mim. Eu sinto tanto!
Penelope deu uma risadinha sarcástica. Ela fingiu estar evitando olhar para
Elizaheth, mas não conseguiu deixar de ver o enorme diamante em sua mão
esquerda.
— Você não conhece Henry como eu. Sua vida não vai ser um mar de
rosas.
— Penelope - implorou Elizabeth, tentando agarrar a mão da amiga que se
esquivou. - Não posso explicar agora, mas voce precisa acreditar quando eu digo
que não fui eu quem fui atrás de Henry, e quando ele me pediu em casamento...
juro que um dia vou explicar tudo... mas eu tinha de aceitar.
Penelope examinou o rosto ansioso de Elizaheth, viu que seus olhos
estavam se enchendo de lágrimas e se deu, conta de que ela nem mesmo queria
se casar com Henry Schoonmaker. AquIlo não fazia nenhum sentido para
Penelope, pois ela estava doente há cinco dias só de pensar em perdê-lo. Mas
ficara claro que Elizabeth não estava ali para contar vantagem. Na verdad ela
parecia infeliz. E definitivamente estava abatida. Isso era algum consolo.
Penelope olhou com menos animosidade para Elizabeth e começou a andar
vagarosamente perto da parede, obrigando-a ir atrás.
— Você me humilhou - disse ela, magoada.
— Eu sei, Penny. Mas foi sem querer.
— Todos estavam rindo de mim, sabia? Eu levei um choque horrível!
Penelope fungou, como se estivesse sentindo mais tristeza do
que raiva.
— Eu sei. Mal posso explicar o quanto sinto...
— E você não disse nada! Ficou ali, parada. Você ouviu minha história e
podia ter me avisado, mas não disse coisa alguma.
Elizabeth começou a remexer na borda de seu bolero que também era
marrom-claro.
— Eu fiquei sem palavras, Penelope, juro. Ou eu teria...
Ela não conseguiu continuar, o que deixou Penelope satisfeita, pois sua voz
ficara tão aguda que parecia a de uma criança manhosa.
— Pode imaginar como eu me senti por causa do seu silêncio? - insistiu
Penelope.
Elizabeth olhou para o chão e mordeu o lábio.

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— Não, não posso.
Ela subitamente percebeu que estava quase estragando seu bolero de tanto
mexer com ele. Assim, juntou as mãos e continuou a falar, fingindo alegria:
— Mas, pense bem. Você vai poder conhecer e flertar com tantos homens
diferentes, enquanto eu vou me casar muito cedo e ficarei casada para sempre.
Você ainda vai poder se apaixonar muitas, muitas vezes!
— Isso é verdade - disse Penelope com cautela.
Ela levantou o cotovelo, indicando que Elizabeth deveria pegar seu braço.
Elas passaram devagar pelos enormes quadros da sala de estar e entraram numa
saleta menor, com papel de parede azul-escuro e branco. Ali, ficariam longe dos
olhos da sra. Hayes, tio sr. Youngham e de Ava Astor. Penelope respirou fundo e
tentou ser um pouco simpática.
— Bem, Liz, não consigo ficar zangada com você por muito tempo. Fico
feliz de Henry se casar com você e não com uma menina qualquer.
Elizabeth pareceu momentaneamente chocada com a mesquinharia de
Penelope, mas logo se recuperou.
— Obrigada por ser tão compreensiva. Muito, muito obrigada.
Penelope tentou receber a gratidão de Elizabeth com um sorriso que
pudesse ser chamado de amável. Ela já não estava tão pálida e parecia realmente
muito aliviada. Mas ainda sentia culpa. Penelope viu isso e preparou-se para tirar
toda a vantagem que pudesse da situação. Elas se sentaram num pequeno sofá de
veludo cereja, com Robber espremido entre as duas.
— Eu estava tão arrasada por ter magoado você. Seria terrível se, agora que
uma de nós está noiva, não pudéssemos cumprir nossa promessa de ser a
madrinha uma da outra.
Elizabeth sorriu, esperançosa, olhando nos olhos azuis de Penelope. Ela
sorriu também, forçando-se a pegar a mão de Elizabeth, observando mais uma
vez o diamante, e apertando-a. Não ia haver casamento, é claro... não se Penelope
pudesse impedir. E ela estava começando a ver que seria bem mais fácil estragar
tudo se mantendo bem próxima de Elizabeth.
— Você quer mesmo que eu seja sua madrinha? - perguntou ela num quase
sussurro.
— É claro, quem mais eu...
— E Diana? Ela é sua irmã. Não vai ficar magoada?
Elizabeth pareceu angustiada ao ouvir o nome da irmã e Penelope percebeu,
radiante, que ela havia lhe dado preferência na hora de escolher as madrinhas.
Ela pensou em algo que lhe fez sorrir, e não pôde deixar de dar a sugestão:
— E quanto a Agnes Jones?
Elizabeth ficou surpresa, mas logo seu rosto se desanuviou e ela também
começou a rir daquela ideia hilária.
— Seria um desastre completo - disse ela, limpando uma lágrima de alegria.
— Ou Prudie? Quero dizer...
— Penelope, não posso contar com ninguém além de você.
— Tudo bem. Como você quiser. - Penelope piscou um olho e completou: -
Será feito.
— E há um evento na sexta-feira... aquele para o almirante Dewey no
Waldorf-Astoria. Será a primeira vez que eu e Henry apareceremos em público

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como um casal. Você poderia estar ao meu lado, como minha madrinha de
casamento?
— É claro.
Penelope tentou não parecer feliz demais. Ela já estava sendo colocada na
posição onde poderia fazer o maior número de estragos.
— Preciso de um vestido novo para a ocasião, é claro, e vou fazer a última
prova na quinta, na Lord & Taylor - disse Elizabeth, claramente aliviada por
poder fazer planos como aquele. - Venha comigo e poderemos comprar algo para
você também.
— Tudo bem. Mas não é nesse vestido que deveria estar pensando. Vai usar
branco no casamento, é claro. Mas quem vai fazer a roupa? Ela precisará ter uma
cauda enorme e...
— Ah, sim - interrompeu Elizabeth...
E antes que Penelope pudesse dizer qualquer outra coisa, Elizabeth estava
falando das vantagens do marfim sobre o amarelo-claro, das variedades de flores
rosas que haveria na cerimônia e de quem ia convidar para dama de honra, além
de perguntar a ela o que achava realmente da aliança que ganhara.
A irmã mais nova de Grayson Hayes não vomitou em público de novo,
embora tenha sentido vontade. Ver os olhos de Elizabeth Holland brilhando
conforme ela imaginava os detalhes de seu suntuoso casamento fez com que a
fúria de Penelope ressurgisse. Mas, apesar de sentir uma amargura que teria
arruinado a pele de uma menina com menos força de vontade, Penelope Hayes
continuou sorrindo. Uma amiga que sorria era uma amiga verdadeira e era isso
que ela queria parecer - pelo menos por enquanto.























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i|Çàx x hÅ i|Çàx x hÅ i|Çàx x hÅ i|Çàx x hÅ

Com a chegada da frota do almirante Dewcy no porto de Nova York
ontem e as preparações frenéticas para as duas paradas - uma no mar
na sexta-feira e outra em terra no sábado - parece que a cidade
finalmente terá outro assunto para discutir além do noivado do sr.
Henry Schoonmaker com a srta. Elizabeth Holland.

EDITORIAL DO NEW YORK TIMES, QUARTA-FEIRA, 27 DE SETEMBRO DE 1899


— Vamos Ringmaster! - gritou Teddy Cutting, sacudindo o punho.
— Ande logo seu pangaré - acrescentou Henry, um pouco menos generoso.
Ele estava sentado com o amigo numa instável arquibancada de madeira do
Morris Park, bebendo cerveja Pabst, aquela que tem uma fita azul em volta do
gargalo, comendo amendoins salgados e agindo como quem pertence a uma
classe bem, inferior à sua. A pista de corrida, que ficava no bairro do Bronx, era
muito mais bonita quando vista do camarote de sua família, mas Henry estava
tentando evitar o pai. Além disso, o camarote dos Schoonmaker era de uma
opulência absurda, decorado de forma a mostrar aos convidados o tamanho da
fortuna de seu dono. Tudo o que Henry queria naquele momento era beber
cerveja o suficiente para ficar feliz e se esquecer da vida.
— Mexa-se! - gritou ele na direção do cavalo puro-sangue em que apostara.
Teddy chegou seu chapéu-coco mais para trás na cabeça, fazendo vários
fios de cabelo louro surgirem na frente, e bateu palmas ao ver o cavalo se
aproximando da linha de chegada. O Ringmaster e seu pequeno jóquei de
uniforme vermelho e branco estavam em segundo, mas foram ultrapassados no
finalzinho da corrida. Teddy soltou um muxoxo de frustração ao ver que o cavalo
chegara em quarto lugar.
— Bom, lá se vão mais vinte dólares - disse ele, atirando o papel da aposta
embaixo da arquibancada.
— Ah, deixe disso - respondeu Henry, colocando seu chapéu de palha num
ângulo mais atraente e recostando-se no assento de trás. - Dinheiro não é tudo.
— Isso é o que você pensa - disse Teddy, rindo. - Em quem apostamos
nessa próxima? La Infanta?
— Por que não apostamos em todos os cavalos? Assim, não vamos ter de
nos preocupar em perder. Estou feliz só de estar fora da cidade e longe de toda
aquela loucura.
Teddy ergueu suas sobrancelhas louras e tomou um grande gole de cerveja.
Henry ignorou o olhar do amigo e virou a gola de seu paletó de tweed para cima.
Morris Park, onde aconteciam as corridas de cavalo Belmont Stakes, ficava num
recanto do Bronx, um bairro que ainda não parecia fazer parte de Nova York. Ele

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fora anexado à cidade no dia 1º de janeiro daquele ano, assim como o Brooklyn e
o Queens, mas ainda tinha a aparência rural e ficava muito, muito longe da
frenética Manhattan, que no momento estava sendo invadida por foliões e
patriotas. A cidade estava preparando fogos de artifício e quilos de confete para
receber os marinheiros vitoriosos.
— Eu estou falando das paradas - disse Henry, tentando se esquivar do
olhar acusatório de Teddy com uma expressão séria. - Nosso barco vai participar
da aquática, é claro.
— Ah, sim.
Teddy não pareceu ter se convencido, mas também não demonstrou estar
perturbado pela mentira de Henry . Ele olhou para dentro da garrafa de cerveja
que segurava.
— O herói do Pacífico Sul - disse ele.
— Não, das Filipinas - respondeu Henry, que passara a ler os jornais
cuidadosamente desde que o cocheiro dos Holland o acusara de ser ignorante. --
Quanto trabalho por um país que é tão longe. Já a guerra de Cuba, essa sim.
Nessa eu poderia ate ter lutado.
— Sim, todos nós teríamos nos alistado se tivéssemos tido tempo.
— Está caçoando de mim?
Teddy deu de ombros.
— Se não quer admitir que na verdade está fugindo de outra coisa, não sou
eu que vou forçá-lo.
Henry suspirou e cruzou os braços. Teddy acendeu um cigarro, o que fez
com que o ar à volta deles ficasse repleto de uma fumaça com cheiro adocicado.
— Adoro dias como esse - disse Henry, olhando para os cavalos sendo
levados para a pista.
— Realmente é horrível quando temos de colocar um fraque, ficar cercados
de garotas, beber champanhe aos baldes e comer em pratos de ouro. Você detesta
isso.
— Não foi isso que eu quis dizer.
— Então, qual é o problema?
Henry olhou com cautela para o amigo, demorando alguns segundos para
encontrar as palavras certas.
— É que não sei bem se deveria ter ficado noivo. Estou ficando um pouco
nervoso agora que já começamos a discutir os detalhes da cerimônia. A coisa
toda está ficando mais real . Quer dizer, Imagine ter de receber convidados para o
almoço com a sra. Schoonmaker num dia como hoje, em vez de vir apostar nos
cavalos com você. Ou de fazer qualquer coisa que eu queira.
— Mas será que você vai pensar assim quando tiver uma esposa tão bonita?
Henry tentou não franzir a testa, mas não conseguiu. Ele tentou pensar em
sua noiva como uma mulher que o atraía, mas só conseguiu se lembrar daquela
menina fria que estremecera a cada palavra sua durante o passeio pelo Central
Park. Ela mal olhara para ele e parecera uma estátua de gelo, especialmente ao
lado de sua exuberante irmã, com suas bochechas rosadas e seu atrevimento.
— Todo mundo diz que ela é multo bonita - concordou Henry
amargamente.

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— Eu digo que ela é muito bonita. Na verdade acho que esse adjetivo nem
faz jus a ela.
— Então por que você não se casa com ela?
Teddy riu.
— Eu casaria, mas receio que a moça já esteja noiva de outro. Gostaria de
apostar a mão dela na próxima corrida?
— Que escândalo não seria. “Rapazes da alta sociedade apostam noivas nos
cavalos.” Você sabe que os jornais publicam uma matéria toda vez que eu assoo
o nariz.
— Eu estava brincando, Henry.
Teddy colocou a mão no ombro do amigo e sacudiu-o de leve.
— Eu sei.
Henry olhou para seus dedos longos e perfeitos. Aquelas eram as mãos de
um homem que jamais trabalhara na vida.
— Mas não sei se ela é a pessoa certa para mim - disse ele. - Elizabeth é
muito tímida e recatada e você sabe muito bem que eu não sou nem uma coisa,
nem outra.
— Bem - disse Teddy, terminando a cerveja e jogando a garrafa debaixo da
arquibancada -, ela não é uma versão feminina de você, se for isso que o
preocupa.
— Não, não é.
— Mas tem bom gosto e boas maneiras.
Henry revirou os olhos.
— E vai ser impecável em tudo que uma esposa precisa fazer - continuou
Teddy. - Vai dar boas festas, manter a casa de vocês perfeita, ter filhos bonitos e
não reclamar de nada disso. Enquanto você não vai precisar fazer coisa alguma, e
ninguém vai falar nada demais se continuar a ter uma vida privada paralela, com
as mesmas meninas de sempre e mais algumas novas. Você nunca fica
apaixonado por muito tempo. Por isso, Elizabeth é uma escolha tão boa quanto
outra qualquer. Provavelmente até melhor.
Teddy pensou ter posto um fim naquela discussão e gesticulou para um
menino que passava com uma caixa de madeira cheia de gelo e garrafas de Pabst.
Ele pagou pelas duas cervejas, entregou uma a Henry e bateu sua garrafa
levemente na dele.
— Tim-tim, meu amigo. Acho que você escolheu muito bem.
Henry bebeu, mas continuou a olhar tristemente para a corrida. Uma frase
lhe ocorrera durante o discurso de Teddy e ele decidiu dizê-la em voz alta:
— Acho que não quero me casar com ninguém.
Teddy deu um sorriso melancólico e observou os cavalos, que estavam
fazendo a última curva da corrida a toda velocidade.
Os homens sentados nas arquibancadas estavam de pé, gritando e pulando,
acreditando que poderiam mudar suas vidas em um segundo.
— E o que você quer, afinal? - perguntou Teddy com uma certa
impaciência.
Os cavalos cruzaram a linha de chegada e Henry lembrou que aquela seria a
última corrida do dia. A maioria dos homens à sua volta estava rasgando os
papéis que marcavam suas apostas ou indo embora desanimados, olhando para o

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chão e preparando-se para voltar para suas vidinhas miseráveis. Mas um rapaz
muito corado estava pulando e socando o ar.
— Ganhei! - gritava ele. - Ganhei!
Henry desviou o olhar daquela exibição vulgar. Teddy estava observando-o,
perguntando-se se ele o ouvira. Mas Henry ouvira, sim, e a aquela pergunta - o
que, afinal, ele queria? - estava ressoando em sua mente.
Quando ele fechou os olhos, tudo o que viu foi Diana Holland correndo
pela grama, segurando o vestido, deixando a mostra seus adoráveis tornozelos
brancos e gritando com ele. Houvera alegria na voz dela quando ela mandara
Henry ir pegar o laço que prendia seu chapéu, ou sua mãe o mataria por deixá-la
com sardas.
Henry sabia exatamente o que queria; mas não tinha a menor idéia de como
conseguir.


































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i|Çàx x WÉ|á i|Çàx x WÉ|á i|Çàx x WÉ|á i|Çàx x WÉ|á

Toda a cidade está esperando ansiosa para ver a srta. Elizabeth
Holland e seu noivo, o sr. Henry Schoonmaker em público pela
primeira vez. Eles estarão amanhã no hotel Waldorf-Astoria. onde uma
festa será dada em homenagem ao almirante Dewey. Tenho certeza de
que não sou a única pessoa já imaginando a visão romântica do
solteiro mais querido de Nova York acompanhando sua escolhida.

NOTA DA COLUNA "GAMESOME GALLANT", DO JORNAL NEW YORK IMPERIAL,
QUINTA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 1899.


Diana estava quase adormecendo devido ao calor da sala particular da loja
Lord & Taylor, onde sua irmã estava provando o vestido que usaria em sua
primeira aparição pública com o noivo, quando ouviu o nome mágico cuja
menção ela passara a tarde toda esperando.
-- Mas me conte Henry está sendo romântico com você?
Fora Penelope quem falara, tentando fingir indiferença. Ela usava uma
blusa preta de chiffon com mangas bufantes e saia castanho-amarelada debruada
com seda preta. A pergunta fora dirigida a Elizabeth, que estava parada em cima
de um bloco de madeira no meio da sala, mas fora o coração de Diana que batera
mais rápido ao ouvir aquele nome. Elizabeth que estava rodeada não apenas pelo
costureiro, o sr. Carrol1 e pela atenciosa Penelope, mas também por um pequeno
exército de atendentes, nem sequer pareceu interessada em responder. Ela olhou
para o nada e deu de ombros.
— Não ... - disse Elizabeth, devagar. - Mas amanhã vai ser a primeira vez
que vamos a um evento como um casal, então talvez ele esteja esperando até lá.
— Isso, ele provavelmente está um pouco tímido, pois ainda não conhece
você muito bem - replicou Penelope.
Diana percebeu que ela parecia ter se recuperado do escândalo que dera na
semana anterior. Mas as meninas da alta sociedade eram como mariposas em
volta de uma lâmpada quando se falava de um casamento, o que estava sendo
demonstrado pela presença constante de Penelope ao lado do costureiro.
O sr. Carroll não era um homem alto e usava fitas métricas em volta do
pescoço. Embora tivesse pouco mais de trinta anos, ele já estava quase careca,
mas movia-se com graça e elegância. Elizabeth estava imóvel, embora o sr.
Carroll estivesse aperfeiçoando seu vestido há quase uma hora, marcando
diversos locais que teriam de ser modificados. Era um vestido recatado em teoria,
que cobria a clavícula e os pulsos de Elizabeth com renda, mas cada alteração o
deixava mais justo. Era feito de seda rosa muito clara e sua saia tinha inúmeras
camadas que cascateavam até o chão. O decote era adornado com centenas de
pequeninas pérolas de água doce em suportes de ouro. Diana ouvira sua mãe

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falando daquelas pérolas de manhã - elas haviam sido um presente da sra.
Schoonmaker, aparentemente.
Diana observou Penelope mostrando um problema no corte do vestido para
o costureiro. Ela estava sentada em um dos sofás de veludo cor de ameixa que
havia na sala. Toda a loja de departamentos cheirava a almíscar, um odor que
vinha dos andares mais baixos do prédio, onde eram vendidos broches, luvas e
chapéus. A Lord &Taylor ficava na Broadway, no meio de um longo trecho
cheio de lojas de luxo, considerado um dos locais mais chiques do mundo. Todas
as paredes lá dentro eram cobertas de espelhos, de forma que uma jovem pudesse
observar seu reflexo de todos os ângulos imagináveis. Diana em geral gostava de
visitar a loja, especialmente porque a maioria dos vendedores eram rapazes
bonitos. Mas hoje ela estava cansada da imagem de sua irmã refletida inúmeras
vezes e iluminada por um candelabro. Só via um pequeno pedaço de si mesma no
espelho - uma figurante no enorme quadro que era a prova do vestido de
Elizabeth.
Ao lado de Diana estava a acompanhante das duas, a tia Edith, que
dormitava. Ela usava um vestido vermelho-escuro e seu pescoço estava coberto
por um lenço creme, que ela afirmava protegê-la de resfriados. A cada dez
minutos uma vendedora surgia com algum novo tesouro para mostrar a elas --
chapéus pena, luvas de couro, braceletes de madrepérola, todos embrulhados em
papel-seda rosa. De vez em quando elas também traziam taças de champanhe,
que eram oferecidas aos melhore clientes da loja.
— E você já escolheu a data do casamento? - perguntou Penelope,
arregalando os olhos azuis com uma curiosidade peculiar.
— Não ... talvez marque no inverno ou na primavera.
Diana pegou uma das taças de champanhe da vendedora e tomou um gole.
Era estranho que Elizabeth estivesse sendo tão vaga, mas ela decidiu não dar
muita importância ao fato. Ou também seria obrigada a notar que Penelope, que
em geral não se interessava pelos outros, estava fazendo perguntas demais. Diana
já observara que o tópico favorito de Penelope era ela mesma.
— Muito cedo -- disse Penelope. - Talvez você devesse pedir ajuda a Isaac
para planejar o casamento. Ele é muito bom no que faz.
— Acha mesmo? - disse Elizabeth, olhando sem muito entusiasmo para seu
reflexo no espelho.
— Tudo bem. Mas você pode falar com Isaac? Você o conhece tão melhor
do que eu.
Diana se recostou no papel de parede azul-marinho e esperou sua vez de
experimentar um vestido. Alguma coisa estava acontecendo entre Penelope e
Elizabeth, mas ela não sabia bem o que era. Talvez Penelope estivesse com
inveja porque a amiga ia casar primeiro. Normalmente ela não se incomodaria
com aquilo, mas hoje estava fazendo questão de ouvir a conversa das duas,
tentando escutar qualquer menção do nome de Henry. Henry, em qualquer
contexto, era-lhe interessante.
Mais cedo, quando elas quatro haviam almoçado no Palm Garden, o
restaurante do Waldorf-Astoria, Elizabeth falara sem parar sobre como era
importante para ela que Penelope houvesse aceitado ser sua madrinha, como o
casamento seria lindo e tudo mais. No momento em que Penelope fora fumar um

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cigarro no banheiro feminino, longe dos olhos da tia Edith, Elizabeth tinha
sussurrado para Diana que lamentava não poder ter duas madrinhas.
— Eu precisava convidar Penelope. Você me perdoa, não perdoa? Nós
tínhamos prometido uma para a outra.
— Eu já disse que não ligo - respondera Diana, sem se incomodar em falar
baixo. - Penelope é uma candidata melhor para segurar o buquê de uma noiva
que não ama o futuro marido.
Elizabeth se afastara rapidamente dela ao ouvir o comentário, mas Diana
não tivera a intenção de ser cruel. Estava apenas apontando um fato. Mas, desde
então, Elizabeth se mostrara sisuda e até mal-humorada, algo que ela jamais fazia
em público.
— Mas você tem visto Henry? - insistiu Penelope.
Ela estava muito próxima de Elizabeth, de forma quase impudente,
verificando a renda em torno de seu pescoço.
— Ah, sim. Nós demos um passeio no parque, no ... quando foi, Di?
— No domingo - respondeu Diana. - Ele foi muito galante - acrescentou ela
sem pensar.
— Foi? - perguntou Penelope, colocando os dedos sobre as perolas que
estavam no peito de Elizabeth, mas voltando os olhos para Diana.
— Ele foi bastante simpático - disse Elizabeth. - Resgatou o chapéu de
Diana, que tinha voado.
— Ah - disse Penelope, voltando a examinar o vestido.
Diana já se lembrara daquela tarde no Central Park incontáveis vezes e
começou a fazê-lo de novo. O borrão verde, vermelho e branco que era o
gramado e as toalhas de piquenique enquanto eles corriam, Henry em seu papel
de herói cômico ao entrar na água lamacenta do lago. A sutileza de seu sorriso e
a maneira como ele olhara para ela.
— Você já pegou um trem para oeste saindo daqui de Nova York?
Diana olhou para cima e encarou Elizabeth, que ainda parecia estar com a
cabeça em outro lugar e acabara de fazer uma pergunta completamente sem
sentido. Ela voltou a se concentrar na sala de papel de parede azul-marinho e
tapete opulento, espantando-se com a estranha indagação de sua irmã.
— Não, a não ser que você conte Newport. Mas isso fica para o norte, acho
- respondeu Penelope.
Diana observou-a pelo espelho enquanto ela se abaixava para examinar as
camadas da saia de Elizabeth. Esta última levantou o queixo, sendo imitada pelos
sete reflexos que a rodeavam.
— Quantos trens você acha que saem por dia daqui para Califórnia?
— Por que você quer saber isso, pelo amor de Deus? - quis saber Penelope,
sem olhar para cima.
Os olhos de Elizabeth se voltaram para os metros e mais metros de cetim
rosa claro à sua volta.
— Só estava pensando em como o mundo é grande hoje em dia.Você não
pensa nisso às vezes?
— Não - foi a resposta imediata de Penelope, que ficou de pé, os braços e
encostou-se num dos espelhos para encarar Elizabeth. - Além de Nova York e
Newport, ninguém precisa de mais nada. Aliás, o último verão que passei em

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Newport foi tão divertido! Foi o melhor verão da minha vida. Henry estava lá -
disse Penelope, cheia de segundas intenções.
— Não estava, não - afirmou Diana. - Pelo menos, não o verão todo. Ele
passou parte da temporada em Saratoga ... lembro-me de ouvir as outras meninas
falando nele.
As duas olharam perplexas para Diana, que continuou, falando mais baixo:
— Não foi, tia Edith? Não se lembra de todo mundo comentando que o
filho de William Schoonmaker estava na cidade?
Tia Edith, que estava com a cabeça recostada e os olhos fechados, soltou
um ronco e acordou por um segundo.
— O quê? Ninguém mais usa ancas ... - disse ela, voltando a dormitar. - Na
minha juventude era uma mania, mas agora não é mais...
Todas as mulheres da sala riram baixinho e então o sr. Carroll as fez voltar
a prestar atenção na prova do vestido.
— Muito bem, minha linda, já acabei - disse ele com sua voz musical.
Elizabeth deu-lhe o sorriso radiante de sempre e permitiu que ele a ajudasse
a descer do bloco de madeira. As irmãs Holland adoravam o sr. Carroll e sempre
o visitavam em sua loja própria, além de vê-lo na Lord & Taylor, onde ele
também mantinha um ateliê, para que suas principais clientes pudessem escolher
os melhores tecidos antes de todas as outras.
— Penelope, querida, é sua vez.
Elizabeth deu o braço a Penelope e as duas foram na direção do provador,
onde a primeira poderia tirar seu vestido novo e a segunda colocar a roupa que
mandara fazer. Diana ficou chateada de vê-Ias partir, mesmo que apenas por
alguns minutos, pois sabia que iam falar de Henry longe dela, e qualquer
conversa sobre Henry - não importava o quão banal fosse - fazia seu coração se
acelerar.
— Com licença, senhorita - disse uma vendedora que usava uma saia
branca e uma blusa negra simples e estava carregando uma caixa comprida e
estreita. - Tenho aqui um pacote da parte do sr. Henry Schoonmaker...
— Oh! - disse Elizaberh, adiantando-se e corando levemente.
—... para a srta. Diana Holland - completou a vendedora.
— Oh! -- exclamou Penelope, olhando rapidamente para Diana.
A vendedora aproximou-se de Diana, entregou-lhe a caixa e ficou
esperando.
— Por que Henry mandaria um presente para você? - perguntou Penelope
bruscamente, abrindo seus belos lábios com espanto.
Diana olhou para a caixa branca. Ela mal podia acreditar que estava
segurando algo que tinha sido enviado por Henry, principalmente porque estava
na frente de outras pessoas. Ficou com medo do conteúdo, como se seus
pensamentos secretos sobre Henry estivessem ali dentro, prontos para serem
revelados quando ela retirasse a tampa. Mas Diana lembrou que não se
amedrontava facilmente.
— Abra - disse Elizabeth.
Ela se empertigara da mesma forma que a sra. Holland fazia e estava
observando Diana com irritação.

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Diana soltou o ar que prendera e levantou a tampa. Lá dentro havia uma fita
de seda azul-clara bordada com pequenos navios azuis-marinhos e amarelos. Era
uma fita bonita, mas bastante ordinária. Diana tentou não demonstrar decepção
ao mostrá-la para Elizabeth e Penelope.
— Ah, uma fita - disse Elizabeth com indiferença. - Para substituir a que
você perdeu.
— Um presente de menininha para nossa pequena Di - disse Penelope,
sorrindo com complacência. - Que adorável. Está vendo, Elizabeth? Henry está
sendo romântico com você, mas está fazendo isso mandando bugigangas para sua
irmã mais nova.
Diana pensou em várias boas respostas para dar a Penelope, mas ela e
Elizabeth já haviam se virado e estavam indo na direção do provador. A menina
que entregara a caixa estava voltando para o trabalho, desapontada com a cena
que testemunhara na sala privada das Holland.
Diana examinou a fita e não conseguiu deixar de se sentir um pouco tola.
Penelope estava certa - isso era o pior. Era o tipo de presente que se dá a uma
criança para fazê-Ia se calar. Talvez fosse isso que Henry estava tentando fazer.
Diana puxou a fita com raiva e um pequeno pedaço de papel muito bem dobrado
caiu no chão.
Diana olhou em volta para ver o que as outras pessoas estavam fazendo. Tia
Edith roncava baixinho e o sr. Carroll se movia de um lado para o outro, falando
sozinho sem prestar atenção nela. Diana esticou o braço e apanhou o papel do
chão.

ñ Åâ|àÉ x ñ Åâ|àÉ x ñ Åâ|àÉ x ñ Åâ|àÉ xáàÜtÇ{É? Åt áàÜtÇ{É? Åt áàÜtÇ{É? Åt áàÜtÇ{É? Åtá xâ ÇûÉ vÉÇá|zÉ á xâ ÇûÉ vÉÇá|zÉ á xâ ÇûÉ vÉÇá|zÉ á xâ ÇûÉ vÉÇá|zÉ
ÑtÜtÜ wx ÑxÇátÜ xÅ äÉv£ ÑtÜtÜ wx ÑxÇátÜ xÅ äÉv£ ÑtÜtÜ wx ÑxÇátÜ xÅ äÉv£ ÑtÜtÜ wx ÑxÇátÜ xÅ äÉv£A AA A
[f [f [f [f

Ela quase desmaiou ao ler isso e um calafrio percorreu seu corpo todo. Era
quase tão bom quanto um beijo roubado.
















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i|Çàx x gÜ£á i|Çàx x gÜ£á i|Çàx x gÜ£á i|Çàx x gÜ£á

A criada pessoal de uma dama da sociedade em geral ganha em um
mês o que uma vendedora de loja ganha em uma semana. Além disso,
espera-se que ela receba com imensa alegria os vestidos velhos e
objetos de segunda mão que sua patroa não quer mais. É um absurdo
que, às vésperas do século XX, esses contrastes, ainda existam.

EDlTORlAL NO NEW YORK IMPERIAL, SEXTA-FEIRA, 29 DE SETEMBRO DE 1899


ina Broud ficou parada no vestíbulo da mansão dos Holland,
esperando algo acontecer. Talvez Will surgisse por detrás dela
e sussurrasse em seu ouvido que ficara encantado com o
curativo que ela fizera. Mas se Lina parasse de sonhar por um momento, ela seria
obrigada a admitir que Will não vinha prestando muita atenção a ela nos últimos
dias. Desde a tarde de domingo, quando ela colocara uma bandagem na mão
dele, ele estava completamente absorto por seus próprios pensamentos. Lina
sabia que Will ainda gostava de Elizabeth e estava começando a achar que
deveria ter lhe dito o que sentia aquele dia no galpão, quando tivera a chance.
Lá fora, a cidade toda estava envolvida com os preparativos da parada. É
claro que Lina estava presa atrás da porta de carvalho de suas patroas, olhando o
mundo através de um vidro. Ela gostaria de estar no meio da multidão, comendo
pipoca fresquinha ao lado de Will. Ou, melhor ainda, num daqueles barcos
enormes nos quais os ricos viajavam pelo mundo todo. Como seria maravilhoso
sentir o ar marinho no rosto, poder ir para qualquer lugar e fazer qualquer coisa.
Supostamente havia soldados por toda cidade. Lina lera na revista Harper's
Weekly que no dia seguinte trinta mil deles iam marchar por Nova York. Ela
tentou vislumbrar parte dessa horda de homens de uniforme pelo vidro da porta,
mas tudo o que viu foi Claire chegando apressada. Ela estava com um dos
meninos da Lord & Taylor - a loja só contratava vendedores bonitos, para atrair
mais compradoras - e cada um carregava uma enorme caixa.
Lina abriu a porta e decidiu que o vendedor, embora nao fosse nada mau,
não se comparava com Will.
— Quer ajuda? - perguntou ela.
Sua irmã estava corada de exaustão, mas o menino da Lord & Taylor sorriu
despreocupadamente. Ele devia ser só um pouco mais velho do que Claire e
estava com a barba loura por fazer.
— Não, já estamos quase - disse Claire, subindo a escada frontal e
chegando ao pórtico de ferro filigranado.
_

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Os dois conseguiram entrar com as caixas retangulares e colocaram-nas em
cima da mesa de carvalho que ficava perto da entrada. Claire suspirou e sorriu
para o rapaz que havia lhe ajudado.
— Obrigada...
O rapaz deu de ombros com indiferença e avaliou a empregada ruiva, cheio
de autoconfiança. Seus olhos eram castanho-claros e ele tinha um ar
impertinente. Ficou claro que pensava que sua profissão o colocava numa classe
superior à das irmãs Broud. Lina viu que Claire estava ruborizada e sentiu
vergonha por ela. Era óbvio que o vendedor não estava ali por estar interessadso
em uma das duas. Quando o constrangimento estava se tornando quase
insuportável, ele disse:
— O pagamento...
— Oh! - exclamou Claire, ficando com uma cor berinjela horrorosa e
olhando para Lina em desespero. - Bem, nós não... mas creio que...
Ele assentiu, colocou a mão no bolso e tirou uma fatura.
— Dê isso para a sra. Holland, então. E o sr. Carroll me pediu para lembrá-
la de que já existem diversas contas a pagar na loja.
— Entendo - disse Claire baixinho, pegando o papel. - Vou dizer a ela.
— Por favor, diga - replicou o rapaz com certa ironia.
Ele tocou a aba do chapéu, desceu as escadas e pegou a Broadway. Logo
antes de entrar, Lina o viu se virar e lhe dar um enorme sorriso.
— Ele é tão bonito! - disse Claire animadamente.
Elas levantaram as enormes caixas e as carregaram pela escada dos fundos.
Lina tentou fazer um gesto afirmativo, mas teve pena da irmã por ela se sentir
atraída por rapazes como aquele. Eles eram contratados devido a sua habilidade
de flertar com as meninas ricas que estavam fazendo compras e não com suas
criadas. Mas Claire vivia num mundo de fantasia e Lina achava melhor não
perturbá-la.
— Mal posso esperar para ver os vestidos - disse Claire quando elas
entraram no quarto de Elizabeth.
Elas colocaram as caixas na cama e Claire retirou a tampa de uma delas,
abrindo o papel-seda e tirando de dentro o vestido rosa-claro. A luz do vestido
pareceu refletir no rosto dela, iluminando-o.
— Não é lindo? - sussurrou Claire, pouco se importando se Lina estava
ouvindo-a.
— É - admitiu a outra.
O vestido era lindo e, embora Lina ficasse furiosa em se interessar por
essas coisas, ela não conseguiu deixar de se imaginar usando-o, só por um
segundo.
— Ela vai usá-lo hoje, quando sair com o sr. Schoonmaker pela primeira
vez. Vai ficar perfeito nela, você não acha?
Lina fez um muxoxo. Pensar na aparência perfeita de Elizabeth não lhe
dava prazer algum. Na verdade, lhe causava uma dor intensa pensar que ela
jamais teria joias e vestidos de seda e que todos os truques que Elizabeth usava
para chamar a atenção de Will estavam fora de seu alcance.

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— Você viu a aliança da srta. Elizabeth, Lina? - perguntou Claire, esticando
o vestido sobre a cama e examinando as pequenas pérolas. Que coisa mais
incrível.
— Vi. É enorme...
Lina desviou o olhar do vestido e se perguntou o que Will iria pensar se a
visse com ele. Ela sempre achara que seda rosa lhe cairia muito bem, mas jamais
tivera a chance de descobrir.
— O jornal disse que custou mil dólares. Pode imaginar. Mil dólares.
Lina balançou a cabeça com desgosto.
— Não, não posso. É imoral, isso sim. Pense só em quanto tempo íamos
levar para ganhar esse dinheiro todo.
— Bom, cada uma ganha doze dólares por mês, entao...
Claire começou a calcular, olhando para o teto. Finalmente ela perdeu a
conta e deu de ombros.
— Não sei. Mas ia ser muito tempo, com certeza.
— Iríamos demorar uma década, sua pateta. Pense no que a gente poderia
fazer com esse dinheiro, aonde poderíamos ir. Para qualquer lugar. Iríamos ser
donas dos nossos narizes e poderíamos largar esses empregos idiotas.
Lina estava falando no plural, mas na verdade estava pensando em Will e
não em Claire como acompanhante. Ela sorriu com a possibilidade.
— Se pegássemos aquele anel e vendêssemos... - continuou ela.
— Não fale assim! - ordenou Claire, amedrontada. - É errado fofocar desse
jeito.
Lina não pôde deixar de rir.
— Mas você ama fofocar!
— Não sobre os Holland - disse Claire, encerrando o assunto.
Ela passou a mão sobre o vestido para alisá-lo, pendurou-o no biombo preto
e dourado atrás do qual Elizabeth se vestia e ficou olhando-o com carinho. Lina
esperou alguns segundos e disse:
— Foi estranho o que aconteceu lá embaixo, não foi?
— O quê? - perguntou Claire inocentemente.
— Aquela história de haver contas a pagar na loja.
Claire olhou para a porta do quarto, nervosa, e então de volta para a irmã.
— Posso lhe contar uma coisa?
— Claro - disse Lina, baixinho.
— Acho que elas estão tendo problemas... financeiros.
— Quem? - perguntou Lina, dando um passo e aproximando-se de Claire.
— As Holland! É que eu vi aquele homem, o sr. Broussard... aquele que
vendeu alguns dos quadros do sr. Holland quando ele morreu? Ele esteve aqui, eu
o vi diversas vezes e ele levou ... algumas coisas. E não foram só as coisas que
estão fora de moda disse Claire, mordendo o lábio.
— Mas as Holland não podem estar...
Lina parou de falar e considerou a possibilidade de a família Holland, que
possuía tantos objetos lindos, seguia tantas regras rídiculas e agia da maneira
mais esnobe do mundo, estar sem dinheiro. Embora nos últimos dias ela viesse
pensando coisas horríveis de Elizabeth, a ideia de que ela podia não ser mais rica
lhe chocava. Virava seu mundo de cabeça para baixo. Aquilo significava que a

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maneira como Lina empregava seu tempo e a forma subserviente como sua irmã
se comportava eram absurdas.
— E acho que ouvi algo outro dia - continuou Claire. - Foi quando o sr.
Cutting estava aqui. A srta. Diana disse...
As duas tomaram um susto quando a porta se abriu e Elizabeth surgiu no
quarto.
— Oh! - exclamou ela, claramente surpresa ao ver suas duas empregadas ali
dentro.
— Srta. Elizabeth! - disse Claire, afastando-se de Lina e tentando dar um
enorme sorriso. - Acabei de trazer os vestidos da loja e nós estávamos só vendo
se estava tudo certo.
— Obrigada - disse Elizabeth.
Ela olhou para uma e depois para a outra, desconfiada. Talvez esteja se
perguntando por que nós duas estamos aqui só para isso, pensou Lina, enquanto
se movia diante do olhar de suspeita de Elizabeth. Durante alguns segundos, ela
sentiu uma certa pena da jovem dama. Era provável que ela estivesse pobre e
seria muito difícil para ela se acostumar com uma vida sem vestidos novos.
Então, Lina se lembrou de tudo que Elizabeth lhe roubara e empertigou-se
sutilmente.
— O vestido da senhorita é deslumbrante - disse Claire, com uma voz
aguda e tola que fez sua irmã mais nova estremecer. - A senhorita ficará
realmente maravilhosa com ele.
Aquilo pareceu satisfazer Elizabeth.
— Obrigada, Claire. É muito gentil de sua parte.
Ela então olhou para Lina e as duas se encararam por diversos segundos.
Lina tentou sorrir, mas Elizabeth continuou séria. Antigamente Lina a admirara,
mas essa época agora parecia muito distante. Parecia que, a cada dia, ela
descobria um segredo novo sobre sua ex-amiga. A imagem de perfeição que ela
tentava manter com tanto afinco estava toda rachada.
Lina parou de sorrir, mas não saiu do lugar onde estava, no meio do quarto.
Ela sabia o que as meninas da sociedade faziam com os segredos que
descobriam. Elas os usavam para conseguir o que queriam. Lina também tinha
ambições e sabia muito bem jogar aquele jogo. Acabara de descobrir que ficar
lamentando as injustiças da vida não levaria a lugar algum.
Lina entraria no jogo de Elizabeth e, em breve, Will veria o quão falsa a
menina perfeita era. Então ele veria Lina com novos olhos: não como uma
empregada, mas como uma dama, uma mulher que merecia seu amor.










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TuÜt†Éá TuÜt†Éá TuÜt†Éá TuÜt†Éá? ?? ?
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ntão hoje é a grande noite?
Elizabeth olhou para seu reflexo no espelho oval
que ficava acima de sua penteadeira e ponderou sobre a
pergunta. Seu rosto estava branco de pó de arroz, com exceção de suas
bochechas, que haviam sido coloridas com ruge, e sua boca, que estava muito
vermelha. Seus cabelos foram penteados em cachos elaborados e ornados com
pequenas pérolas de água doce. Essas eram praticamente as primeiras palavras
que Lina dissera para ela naquele dia, ou até mesmo naquela semana. Elizabeth
fez um biquinho e pensou no que responder.
— Como assim? - disse ela, finalmente.
— Com o jovem cr. Schoonmaker, é claro - explicou Lina, com uma
familiaridade que pareceu estranha a Elizabeth, pois fazia tempo que sua
empregada não falava com ela daquela maneira. - É a primeira aparição pública
de vocês dois como um casal.
Lina deu um puxão no espartilho de Elizabeth que fez as costelas da dama
doerem.
— Henry? - perguntou ela.
Sua criada deu mais um puxão, deixando sua cintura alguns centímetros
mais fina. Era quase uma surpresa ouvir falar em Henry, pois há dias ela só
conseguia pensar em Will e no fato de que ele ia partir. Para Elizabeth, aquela
não era a noite em que ela ia sair com Henry pela primeira vez. Era a noite em
que Will ia embora.
— Que horas são, Lina? - perguntou ela, pensando mais uma vez nos trens
que saíam de Nova York e se perguntando se Willestava dentro de um deles.
@X

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— Oito da noite, srta. Holland - respondeu Lina, baixinho.
Elizabeth sentiu um frio no estômago. Will lhe dissera claramente o que ia
fazer e agora ele se fora. Não havia dúvidas. Eram oito horas e certamente o
último trem já havia partido.
Lina deu outro puxão e Elizabeth tentou respirar.
— O sr. Schoonmaker vai levar a senhorita até a festa? - indagou Lina
amarrando os cordões do espartilho.
— Vamos nos encontrar no hotel, pois Henry ficou preso no Elysian -
respondeu Elizabeth automaticamente.
O bilhete, escrito com óbvia negligência, fora entregue há cerca de uma
hora por um criado que tivera de remar até a terra firme num bote, atravessando o
caos que era o rio East no momento. Elizabeth vira a expressão de sua mãe ao lê-
lo e soubera que devia estar chateada, mas na verdade não sentira nada.
— Esse é o nome do barco dos Schoonmaker - acrescentou ela. - Ele
participou da parada aquática pelo almirante Dewey.
— Ah.
Lina deu um último puxão, causando uma dor aguda no torso de Elizabeth.
Ela se levantou e ficou parada diante do espelho, esperando que a criada lhe
vestisse. Um clamor ressoou na rua. A celebração podia ser ouvida mesmo
naquela parte tranquila da cidade. Havia os sons dos fogos de artifício e de gritos
vindos da Broadway, o barulho dos cascos dos cavalos e os passos de soldados
marchando em grandes grupos. Para Elizabeth todos os ruídos pareciam com o de
um trem saindo de uma estação.
— São só os soldados - disse Lina, voltando com o vestido.
Ela estava sendo gentil demais e um pouco bisbilhoteira, o que irritou
Elizabeth.
— Quando você ficou tão tagarela? - murmurou ela.
— Perdão, eu só...
— Desculpe-me, Lina - disse Elizabeth rapidamente.
Ela tentou dar um pequeno sorriso para sua criada e lembrou que Lina
também já fora próxima de Will. Ela ainda devia sentir uma certa afeição por ele.
Lina fora fascinada por Will quando eles eram amigos, um trio inseparável, antes
de tudo ficar tão complicado, antes que ela se desse conta do quanto o amava.
Subitamente, ocorreu-lhe que talvez Lina já soubesse da partida de Will; talvez
ela também estivesse triste com a ausência dele.
— Fui cruel com você, mas sem querer. Acho que estou um pouco nervosa
por sair com Henry.
Lina fez uma pequena mesura e então ficou em silêncio e emburrada como
sempre. Ela ajudou Elizabeth a colocar o vestido, que ficou perfeito, com o
decote ornado de pérolas acentuando sua pequena cintura. Elizabeth pensou que,
se houvesse tido mais coragem e feito o que Will lhe pedira, jamais teria usado
vestidos como aquele de novo. Por um minuto ela sentiu ódio da seda, das
pérolas, do ouro e até dela mesma, por permitir que lhe comprassem por tão
pouco. É claro que os motivos para aceitar o pedido de Henry tinham sido
muitos, mas naquele momento pareceu-lhe que ela havia sido vendida pelo preço
de um vestido de luxo. Elizabeth quis cair em prantos, mas não podia fazê-lo na
frente de Lina, que estava calçando seus sapatos de salto alto.

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— Já está pronta? - perguntou Diana, surgindo no umbral de mogno.
Ela estava usando um vestido mais simples que o de Elizabeth, com mangas
curtas, decote coração e uma enorme saia lilás que se abria num leque atrás dela.
Havia uma faixa negra em sua cintura, deixando-a com a aparência muito mais
arrumada do que o normal. Elizabeth sabia que aquele vestido na verdade era um
antigo alterado, pois a família Holland mal tinha dinheiro para um vestido novo,
quanto mais dois, mas Diana estava linda, o que a deixou um pouco mais alegre.
Talvez uma delas seja feliz na vida.
— Quase.
Elizabeth conseguiu ficar de pé, embora seu corpo estivesse pesado devido
à tristeza que ela sentia. Verificou se seus cabelos estavam em ordem e pegou o
braço da irmã mais nova, indo com ela até o primeiro andar da mansão. Elizabeth
normalmente teria agradecido a Lina ou pelo menos olhado para ela, mas estava
tão concentrada em pensar em Will que não encontrou as palavras certas.
Quando as irmãs chegaram ao vestíbulo, viram a sra. Holland esperando por
elas. Ela usava um vestido negro como sempre, e pareceu aliviada ao ver como
suas duas filhas estavam bem. Até mesmo Diana parecia ansiosa para ir à festa e
Elizabeth se perguntou como podia estar tão arrasada em fazer algo que ia trazer
tanta tranquilidade para sua família. Ela conseguiu assentir para a mãe, tentando
se comportar normalmente, e então a sra. Faber surgiu para ajudá-las a colocar
suas estolas.
Quando as três mulheres estavam vestidas de maneira apropriada, elas
saíram vagarosamente pela enorme porta de carvalho. Elizabeth sentiu um aperto
na garganta. Ela olhou para a rua, onde havia tanta comoção, e sentiu-se perdida.
Então virou-se para frente, onde estava a carruagem dos Holland e seu cocheiro.
Teve de piscar duas vezes para se certificar.
Ali estava Will, diante dela. Ele não parecia feliz - como poderia? - mas
também não parecia triste ou ansioso. Parecia calmo e seus olhos azuis se
fixaram em Elizabeth de maneira tão casual que ela corou e achou que ia sair
flutuando de alegria.
Por um segundo, Elizabeth se esqueceu do que precisava fazer naquela
noite e estacou. A sra. Holland e Diana não perceberam nada. Elas seguiram
adiante, descendo a escada de sete degraus na direção da carruagem. Elizabeth
finalmente deu um passo à frente, desejando poder tocar Will para ter certeza de
que ele estava mesmo ali.
Will estava usando uma jaqueta curta de lã com a gola virada para cima,
calças pretas, as botas de couro puídas de sempre e um chapéu-coco, algo que ele
só fazia à noite. Ele não olhou para ela ao ajudá-la a entrar na carruagem, mas
Elizabeth sentiu as mãos dele em sua cintura e ficou confortada com o toque
familiar. Logo ela estava sentada na carruagem e os cavalos estavam trotando na
direção do Waldorf-Astoria.
— Finalmente, um sorriso - disse sua mãe.
— Oh - disse Elizabeth, cobrindo instintivamente o rosto com as mãos. - É
que estou aliviada. Aliviada por estarmos a caminho.
— Sim. Mas é mesmo uma pena que Henry vá encontrar você lá e não na
nossa casa.

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Elizabeth não conseguiu parar de sorrir como uma tola, sem nem ouvir
direito o que sua mãe estava dizendo. Ela sentiu-se leve como o ar, sobrevoando
a cidade e ouvindo toda aquela confusão pelas janelas da carruagem.
— Mas creio que não haverá problema - continuou a sra. Holland. - O
importante é que vocês entrem juntos no salão de baile.
— Isso mesmo - concordou Elizabeth alegremente.
Ela teria concordado alegremente com praticamente qualquel coisa naquele
momento. Will não a abandonara. Ele um dia iria compreender que ela estava
fazendo aquilo por sua família. Eles jamais poderiam ficar juntos, mas tampouco
ficariam separados. Elizabeth iria vê-lo sempre que pudesse e talvez Will
pudesse aprender a amá-la mesmo após ela se tornar a sra. Schoonmaker.
Apesar de haver muitas carruagens na rua naquela noite, eles logo
chegaram na esquina da Quinta Avenida com a rua Trinta e quatro. Elizabeth
continuou a sorrir, esperando que Will viesse abrir a porta. Lá fora, todos os
nova-iorquinos pareciam ter saído às ruas, bradando na direção do Waldorf-
Astoria. O altíssimo hotel de quinze andares parecia estar sorrindo de volta com
suas torres e inúmeras janelas. Havia carruagens paradas ao longo de todo o
quarteirão.
Depois de a sra. Holland e Diana terem saído, Elizabeth deixou que Will a
ajudasse a descer. Quando seus pés tocaram o chão ela preparou-se para soltar a
mão dele, mas ele manteve a sua firme. Elizabeth se voltou e o viu inclinar-se e
beijar sua mão. O calor dos lábios dele se espalhou por todo seu corpo. Will
levantou os olhos. Elizabeth fitou-os - aqueles lindos olhos azuis - e olhou para o
nariz adoravelmente torto e então para a boca que já beijara tantas vezes. Ela se
deu conta de que Will estava movimentando os lábios, embora sem emitir
nenhum som: ali, na frente do Waldorf-Astoria e do mundo inteiro, ele estava
dizendo silenciosamente que a amava.
— Will! - chamou a sra. Holland.
Elizabeth, apavorada, retirou sua mão, mas logo percebeu que sua mãe
estava apenas dando as instruções de sempre ao cocheiro: Will deveria levar os
cavalos para casa agora, pois os Schoonmaker as levariam de volta. O gesto
perigoso dele passara despercebido. Ela tomou coragem e deu-lhe um sorriso
tímido, para explicar, de seu jeito sutil, o quanto estava feliz por ele não ter
partido. Então entrou no hotel com sua família.
— O tempo não está perfeito?
Elizabeth se virou e viu que quem falara fora uma mulher corpulenta que
usava um vestido de brocado dourado. Ela não a reconheceu e imaginou que
devia ser um dos novos-ricos do oeste que faziam fortuna na mineração e
chegavam a Nova York aos milhares todos os dias.
— Está sob medida para o almirante - completou a mulher com um sorriso
radiante.
— A noite está muito bonita.
Só depois de falar isso Elizabeth percebeu que a temperatura estava mesmo
agradável: nem muito quente, nem muito fria. Pela primeira vez desde que a
semana começara, ela achou que fosse ficar tudo bem.
— Boa noite! - disse ela para a mulher, enquanto Diana pegava-lhe pela
mão e a levava para o suntuoso lobby do Waldorf-Astoria.

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Elas atravessaram rapidamente um longo corredor, que tinha paredes de
mármore amarelado cobertas de espelhos e um chão de mosaicos. Havia sofás de
veludo dos dois lados, onde pessoas riam, conversavam e observavam quem
passava. O lugar estava cheio de movimento e Elizabeth entendeu por que os
jornais chamavam aquele corredor de Viela dos Pavões.
— Ele não está aqui! - anunciou a sra. Holland, furiosa.
— Quem? - perguntou Elizabeth.
Ela percebeu que sua mãe estava zangada, mas mesmo assim não conseguiu
parar de sorrir. Ainda estava mergulhada na felicidade que Will lhe
proporcionara.
— Henry, é claro! Estão dizendo que ele ainda está no barco.
A sra. Holland cruzou os braços. Elizabeth viu que ela estava tendo de se
controlar muito para não ter um acesso de fúria, tão grande era sua frustração por
não poder exibir publicamente o noivado da filha. Penelope surgiu por detrás
dela, linda em seu vestido vermelho-alaranjado com decote cavado e continhas
furta-cor. O vestido era de cauda plissada e bem justo no quadril, e a pele dela
brilhava de uma maneira muito peculiar.
— É mesmo, alguns dos convidados que estavam no Elysian já chegaram,
mas parece que Henry ainda não pôde deixar o barco - relatou Penelope.
— Que pena - disse Elizabeth com alegria. - Ele deve chegar em breve. Isso
não é motivo para não aproveitar a festa.
Ela pegou a mão de Penelope e deu-lhe um beijo em cada lado do rosto. Era
bom ter Penelope de volta: ela jamais se deixaria abater enquanto houvesse uma
festa à vista.
A sra. Holland se virou, ainda visivelmente contrariada, e seguiu na direção
do enorme salão de baile do Waldorf-Astoria. Elizabeth olhou para os rostos
sorridentes de sua amiga e de sua irmã e deu de ombros.
— Alguém deveria explicar a mamãe que não é ela quem vai se casar com
Henry Schoonmaker - disse.
Penelope e Diana riram. As três meninas deram os braços e entraram
naquela festa maravilhosa, em melhor harmonia do que nunca.
















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i|Çàx x V|ÇvÉ i|Çàx x V|ÇvÉ i|Çàx x V|ÇvÉ i|Çàx x V|ÇvÉ

Há tantas festas ocorrendo na cidade e tantos eventos sendo
planejados que será impossível para o homem que ocasionou tudo isso
comparecer a todos. Refiro-me ao herói que acabou com os espanhóis
no Pacífico: o almirante George Dewey.

TRECHO RETIRADO DA PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL NEW YORK IMPERIAL,
SEXTA-FEIRA, 29 DE SETEMBRO DE 1899


icar sentada no salão de baile do hotel Waldorf-Astoria era
para Diana o mesmo que ser enterrada no mais ornamentado
mausoléu jamais construído. As paredes, o teto e até mesmo
o chão pareciam emitir um brilho amarelado, pois os incontáveis espelhos
refletiam qualquer objeto cintilante. No teto, que ficava a mais de dez metros de
altura, havia diversos candelabros que iluminavam os convidados com uma luz
cálida. Ali estavam as mesmas pessoas de sempre: os herdeiros das velhas
famílias de Nova York misturando-se aos novos milionários, todos de fraque
negro e vestidos de tule e cetim - além dos homens da marinha, com suas
dragonas e espadas. A cada dia que se passava, Diana estava vendo mais do
mundo.
— Você viu a Agnes? - perguntou Penélope a Elizabeth.
As três meninas estavam sentadas num dos sofás que havia ao longo das
paredes, abanando-se com leques de renda e descansando entre uma dança e
outra. As saias de seus vestidos - lilás, rosa e alaranjada - se espalhavam pelo
chão. Cada vez que a porta do salão se abria, elas olhavam para ver se era Henry
quem estava entrando. Nunca era, mas nenhuma parecia se incomodar muito com
isso. Diana não conseguira pensar em nada além dele desde que recebera seu
bilhete na tarde passada, mas se ele chegasse, teria de vê-lo dançando com sua
irmã a noite toda.
— Agnes realmente precisa muito de um vestido novo - disse Elizabeth,
baixinho, fazendo Diana despertar de seus pensamentos.
— E dançando com um soldado! Acho que ela daria uma boa esposa de
soldado.
— Psiu! Não vamos ser más - sussurrou Elizabeth.
Diana percebeu que ela estava constrangida pelo comentário de Penélope,
mas que também o achara divertido. Às vezes, parecia-lhe que sua irmã tinha
duas personalidades, uma boazinha e outra maliciosa, sempre brigando para ver
quem ganhava o controle.
— Eu me casaria com um soldado - disse Diana. - Assim, poderia ir para
qualquer lugar do mundo.
Y

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Ao proferir essas palavras, ela imediatamente imaginou Henry de uniforme,
muito ereto, bonito e arrumado.
— Mas, Di, você já pode ir a qualquer lugar do mundo - disse Penélope.
Diana se lembrou do comentário que ela fizera outro dia, sobre não precisar
de mais nenhum lugar além de Nova York e Newport, e decidiu que a ideia que
Penélope tinha do mundo era muito diferente da sua. Mas ela não disse nada e
recostou-se nas fofas almofadas de veludo do sofá. A sua frente, casais
deslizavam pelo chão polido, mantendo um olho em seus parceiros e outro nos
convidados que não paravam de chegar.
— Você viu seu vizinho, o Brody Fish? - continuou Penélope. - Achei que
ele ficou mais bonito.
— Ficou - concordou Elizabeth. - Acho que seus ombros estão mais largos.
— Bem, algum dia, quando você for uma matrona e estiver entediada com a
vida, talvez possa ter um casinho com ele.
Elizabeth colocou as mãos enluvadas sobre as bochechas, que haviam
ficado vermelhas. Diana não teria esperado outra reação de sua irmã, que era tão
pudica e se chocava com tão pouco, mas mesmo assim sentiu pena ao vê-la
corando daquela maneira. esticou o braço e apertou de leve a mão de Elizabeth.
— Liz, nós todos sabemos como você se comporta bem, e não pensamos
mal de você só porque acha que Brody Parker Fish tem belos ombros.
Diana olhou para todos os homens, velhos e jovens, com seus fraques feitos
sob medida, e concluiu que nenhum tinha graça perto do rapaz que dominava
seus pensamentos.
— Eu também acho que ele tem belos ombros - afirmou ela.
— Mas é que eu nunca... - começou Elizabeth, que então decidiu mudar de
assunto. - Sobre o que você acha que nossas mães estão falando?
As três se viraram e viram as expressões insatisfeitas da sra. Holland e da
sra. Hayes. Elas estavam do outro lado do salão, num outro sofá de veludo
dourado, e de vez em quando sussurravam algo uma para a outra. Diana se
lembrava de uma época em que sua mãe se recusava a visitar a sra. Hayes,
embora seu pai não se incomodasse com a companhia do pai de Penélope. Mas,
aparentemente, esses dias haviam ficado para trás. Nem mesmo a sra. Holland
pode ser esnobe, pensou Diana alegremente enquanto um grupo de dançarinos
valsava diante delas.
— Srta. Elizabeth, srta. Diana, srta. Penélope...
Diana olhou para cima e viu Teddy Cutting fazendo uma pequena mesura.
Seus cabelos louros haviam sido engomados e penteados para o lado e seu nariz
estava um pouco queimado de sol.
— Teddy! - disse Elizabeth com carinho.
— Olá, sr. Cutting - disse Penélope com um sorriso indiferente.
Teddy beijou a mão de todas. Diana mal olhou para ele, observando sua
mãe, que se despedira da sra. Hayes e afastava-se com o queixo levantado. Diana
estava tentando ver para onde ela ia quando ouviu Teddy dizer:
— Gostaria de dançar com todas vocês, é claro. Mas hoje, se me
permitirem, vou começar com a mais nova. Diana, você me daria a honra?
Diana tomou um susto. Embora Teddy fosse amigo de sua irmã e, por isso,
sempre estivesse por perto, ele geralmente parecera absorto demais por Elizabeth

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para perceber sua existência. Parecia-lhe estranho que ele estivesse sorrindo e
estendendo-lhe a mão. Ela pegou a mão de Teddy e se levantou, percebendo que
sua mãe estava conversando com um homem enorme que lhe parecia familiar.
— Henry ainda não apareceu? - perguntou Teddy.
Diana tentou não sorrir ao ouvir aquele nome, mas então notou que Teddy
estava olhando para Elizabeth e Penélope, e não para ela. Subitamente, ela se
perguntou se ele a convidara para dançar por algum motivo específico. Talvez
Henry houvesse mencionado-a. Todo mundo sabia que os dois eram amigos de
infância e, se ele fosse falar dela para alguém, era provável que fosse para o
homem que estava dançando com ela agora.
— Não - respondeu ela.
Teddy mal estava encostando em Diana e ela não conseguiu deixar de
pensar que talvez, para ele, ela fosse a namorada de Henry. É possível que Teddy
até gostasse disso, pois assim ele ainda podia ter uma chance com Elizabeth, por
quem sempre se interessara.
Diana tentou se concentrar nos passos que tinha de dar. Não era uma
dançarina tão experiente quanto sua irmã, mas parecia estar seguindo bem a
coreografia. Ela viu sua mãe de um ângulo melhor e se deu conta, de que o
homem com quem estava conversando era William Schoonmaker. Ele estava
bem próximo dela, falando algo de forma confidencial, mas seu rosto estava
avermelhado e ele parecia estar furioso. Diana se perguntou como deveria ser
para Henry ter um pai como aquele, e então Teddy falou de novo:
— Mas Elizabeth parece bem.
— Oh.
Diana tentou não olhar com pena para Teddy, embora fosse um pouco
patética a maneira como ele ainda continuava enamorado de sua irmã. Eles
giraram e Diana viu que Elizabeth estava rindo. Ela e Penélope estavam de mãos
dadas, cobrindo suas bocas com os leques de renda.
— É mesmo. Ela parece perfeitamente satisfeita com a ausência de Henry.
Diana quis fazer uma piada ao dizer isso e Teddy riu. Mas, ao pronunciar
essas palavras, ela percebeu que eram mesmo verdadeiras. Como era curioso que
a menina perfeita que fisgara o noivo perfeito estivesse aliviada de não estar com
ele.
— Nós estávamos juntos no barco esta tarde. Eu devia ter obrigado Henry a
vir comigo. Quando vim embora, ele estava lá com aquele tal de Isaac Buck, que
agora vai ser um dos padrinhos - disse Teddy, balançando a cabeça como se não
acreditasse naquilo. - Isaac me garantiu que ia trazer Henry para terra firme a
tempo para o baile. Mas, agora, estou vendo que não cumpriu a promessa.
Diana olhou para seu parceiro, cujas belas feições ficavam ainda mais
bonitas à luz dourada, e perguntou-se por que ele estava tão preocupado com o
amigo. Henry certamente sabia se cuidar. Eles já haviam rodopiado por todo o
salão e ela viu mais uma vez o pai de Henry por sobre os ombros negros dos
homens e os penteados elaborados das mulheres.
— Bem, estou vendo alguém que não está tão feliz com o atraso dele - disse
Diana, apontando o queixo para sua mãe e o sr. Schoonmaker.

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Ele ainda estava falando no ouvido dela e gesticulando e parecia estar
demonstrando um plano de ação com os movimentos de seus enormes punhos.
Teddy olhou para os dois e balançou a cabeça tristemente.
— Não quero falar mal de Isaac, mas ele parecia estar se esforçando muito
para deixar todos nós alegres demais - disse Teddy, olhando mais uma vez para
Elizabeth. - E quando digo todos nós, refiro-me mais especificamente a Henry.
Diana sorriu sem querer ao ouvir aquele nome. Teddy estava falando muito
nele, o que parecia demonstrar que sabia do flerte dos dois. A música parou de
repente. Ela e Teddy estacaram e se viraram para a porta do salão, assim como o
resto dos convidados.
— Bravo! - começaram a gritar todos.
Diana ficou na ponta dos pés e tentou vislumbrar o homem que acabara de
entrar. Ele tinha estatura média e um bigode grisalho e usava um belo uniforme
azul-marinho com borlas e enormes botões dourados. Havia uma longa espada
presa em sua cintura. Ele levantou a mão e sorriu ao ouvir os gritos de
“Almirante!” e “Viva!”.
— Então esse é o herói do Pacífico? - perguntou Teddy, batendo palmas
junto com os outros.
Diversos convidados haviam pegado pequenas bandeiras americanas e
estavam balançando-as no ar. Diana começou a bater palmas também. Todos no
salão haviam se levantado para saudar a entrada do almirante. William
Schoonmaker despediu-se da sra. Holland e foi postar-se à direita dele. Ainda
estava rubro, mas começou a sorrir e a acenar para a multidão como se fosse
igualmente um herói.
Diana sorriu também, não por estar na presença de um grande militar, mas
por ver que o homem que entrara no salão não era Henry. Ele podia ter
comparecido ao baile e dançado a noite toda com Elizabeth, mas Diana tinha
certeza de que, onde quer que estivesse, estava pensando nela.




















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xÅuÜ|tztwÉ x tzÉÜt xáàö uxuxÇwÉ xÅuÜ|tztwÉ x tzÉÜt xáàö uxuxÇwÉ xÅuÜ|tztwÉ x tzÉÜt xáàö uxuxÇwÉ xÅuÜ|tztwÉ x tzÉÜt xáàö uxuxÇwÉ âÅ ÑÉâvÉ wx âÅ ÑÉâvÉ wx âÅ ÑÉâvÉ wx âÅ ÑÉâvÉ wx
vty° vty° vty° vty° áxÅ t†ØvtÜ ÑtÜt àxÇàtÜ wxáÑxÜàtÜA áxÅ t†ØvtÜ ÑtÜt àxÇàtÜ wxáÑxÜàtÜA áxÅ t†ØvtÜ ÑtÜt àxÇàtÜ wxáÑxÜàtÜA áxÅ t†ØvtÜ ÑtÜt àxÇàtÜ wxáÑxÜàtÜA

fxâ {âÅ|Äwx áxÜäÉ? fxâ {âÅ|Äwx áxÜäÉ? fxâ {âÅ|Äwx áxÜäÉ? fxâ {âÅ|Äwx áxÜäÉ?
\ c U \ c U \ c U \ c U


enelope já fizera aquilo dezenas de vezes. Ela enrolou-se
em sua capa de lã negra, deixou que o capuz lhe caísse
sobre os olhos, deu a volta na mansão dos Schoonmaker e
entrou por uma das portas usadas pelos criados. Atravessando os fundos da casa,
que já conhecia bem, ela foi caminhando silenciosamente, levantando o vestido
para que ele não se arrastasse no chão, até o cômodo onde sabia que ia encontrar
Henry. Já era quase uma da manhã e Penélope passara a noite inteira dançando e
ouvindo os outros falarem dela. Mas não estava nem um pouco cansada. Estava
determinada.
Penélope sentiu-se viva por estar cometendo um ato tão proibido. Viva,
linda e furiosa. Elizabeth se comportara como sempre durante o baile, sorrindo
serenamente apesar da humilhação. Henry não aparecera, é claro. Ele não
conseguira se mover depois de beber todo o vinho que Isaac derramara em seu
copo ao longo do dia. Tudo havia acontecido exatamente como Penélope
planejara: Henry passara o dia bêbado no barco. Ele ficara alegre e arruaceiro, e
esquecera-se completamente de suas irritantes obrigações para com sua noiva. A
única coisa que dera errado foi Elizabeth ter sido graciosa e adorável, mesmo na
derrota.
Penélope adoraria arrancar os fios de cabelo louros de Elizabeth de sua bela
cabeça. Ela teria gostado de rasgar aquele vestido rosa tão caro. Mas não queria
uma satisfação rápida; queria vencer. E não podia vencer atacando a
namoradinha da Velha Nova York. Por isso, ela se movimentou sem fazer ruído
pelo corredor do terceiro andar, olhou para trás uma vez para certificar-se de que
não fora vista e entrou no escritório que ficava ao lado do quarto de Henry.
— Henry - sussurrou Penélope, fechando a porta de carvalho trabalhada
atrás de si.
c

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Henry estava deitado no sofá de couro marrom escuro que havia no centro
do cômodo. Seus olhos estavam fechados e ele tinha um cigarro entre os lábios.
— Henry! - repetiu ela, um pouco mais alto dessa vez. Devagar, ele esticou
o braço, tirou o cigarro da boca e virou-se na direção de Penélope.
— Ah - disse Henry, erguendo um pouco as sobrancelhas.
Ele estava tão bronzeado e bêbado quanto um marinheiro de verdade, mas
continuava lindo.
— Você está parecendo alguém da classe trabalhadora.
Henry se observou. Sua camisa branca estava desabotoada nos punhos e
suas calças azul-claras estavam amassadas por causa do dia passado no rio, mas
ele ignorou o comentário e perguntou, com ar de indiferença:
— Como foi a festa?
— Está falando da festa na qual não apareceu?
Penélope tirou o capuz da cabeça, mas o sorriso que deu foi tão sutil que
talvez Henry não tenha notado.
— É, essa mesma - respondeu ele, colocando o cigarro de volta nos lábios.
Penélope tirou uma de suas Longas luvas brancas e balançou-a de um lado
para o outro.
— Diga-me, não era nessa festa que você devia fazer uma aparição pública
com Elizabeth?
Henry exalou uma nuvem de fumaça.
— Não vamos discutir isso, Penélope.
— Mas você não acha que é significativo, Henry? Ter se esquecido de
comparecer na noite em que ia mostrar sua noiva a todos? A mãe dela ficou
furiosa.
— Ficou? - perguntou ele, baixinho.
— Sabe, teve uma época - disse Penélope, atravessando o escritório e indo
se sentar no sofá de couro, ao lado dos pés de Henry - em que você teria achado
isso engraçado.
Henry não respondeu. Apenas deu um trago no cigarro e olhou para o nada.
Penélope pegou a cigarreira dele, que estava sobre sua barriga, e acendeu um
cigarro para si. Então, ela deu algumas tragadas pensativas, levantando os joelhos
e deixando que sua saia se espalhasse pelo sofá. Sua voz ficou suave, agora que
ela estava perto dele.
— Por que você não me contou, Henry? Por que teve de ser uma surpresa
tão cruel?
— Bem, Penny...
Henry empurrou o topo de sua cabeça contra o braço do sofá e olhou para a
pintura do teto, que mostrava um alegre piquenique num estilo moderno e um
pouco ousado.
— Eu tentei contar a você - continuou ele. - Talvez soubesse disso, se não
tivesse o hábito de queimar minhas cartas.
Penélope se deu conta de que Henry teria sido capaz de terminar tudo com
ela num bilhete, o que a deixou muito infeliz. Ela sentiu-se profundamente
humilhada ao se lembrar do que eles dois tinham feito enquanto o bilhete
queimava na lareira de sua cozinha e temeu perder por completo o controle da
situação.

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— Não sabia que... eu significava tão pouco para você.
— Não é isso - respondeu Henry, dando uma última tragada no cigarro e
colocando-o no cinzeiro de vidro que pusera no chão. - Não quis que a coisa
fosse feita de uma maneira tão horrível para você. Mas vai ter de acreditar
quando eu digo que preciso fazê-la.
Penélope ficou de pé subitamente, arrastando sua cauda vermelho-
alaranjada pelo chão. Havia algo de repetitivo naquelas palavras que a deixava
insatisfeita. Ela caminhou na direção da estante cheia de livros nunca lidos e
disse:
— Foi exatamente a mesma coisa que Elizabeth me falou.
— Mesmo?
Henry apoiou-se nos cotovelos e encarou Penélope com uma expressão de
curiosidade.
— Mesmo. O que está acontecendo? Você não a ama, eu sei muito bem. Ela
é uma certinha insuportável. Se ainda não descobriu isso, vai descobrir em breve.
Penélope virou-se rapidamente e atravessou o cômodo. Ela sentou-se no
chão ao lado do sofá, colocando a mão sobre a de Henry e dobrando as pernas
para trás.
— Henry, você está apaixonado por mim. Não vê que eu sou a única que
conseguirá acompanhar seu ritmo? Quem mais poderia...
Os olhos escuros de Henry perderam o foco. Penélope encarou-o de boca
aberta, perguntando-se o que mais poderia dizer. Ela acabara de explicar tudo
para ele da maneira mais clara possível. A lógica era óbvia.
De repente, Henry tirou sua mão de debaixo da dela e se levantou. Seus
cabelos, que em geral eram impecavelmente penteados, estavam bagunçados de
forma cômica. Alguns fios da parte de trás da cabeça estavam para cima.
Penélope ficou tensa.
— Aonde você vai?
— Minha querida Penny - replicou Henry.
Por um segundo, ele pareceu ter de se concentrar em se manter de pé. Após
se firmar, Henry começou a colocar a camisa para dentro das calças e a pentear
os cabelos com os dedos. Com poucos gestos ele conseguiu voltar a ser o homem
elegante com quem Penélope adorava dançar, apesar de estar usando roupas
diurnas à noite.
— Sinto muito, mas você precisará me dar licença. Tenho algo a resolver.
— A essa hora da noite? - perguntou Penélope, fazendo um ar petulante. -
Depois de eu me desdobrar tanto para conseguir vê-lo?
Henry foi até a escrivaninha, onde havia um samovar ornamentado. Ele
colocou café numa pequena xícara de prata e tomou um gole. Então, voltou-se
para Penélope, deu de ombros e ficou olhando-a por um minuto. A luz em seus
olhos estava dançando.
— Sabe, não estou mais me sentindo nem um pouco bêbado. E olhe que eu
estava muito mal mais cedo.
— Eu sei - disse Penélope amargamente, lembrando que só tomara água
Vichy o dia todo, para ficar bem em seu vestido, e sentindo um grande vazio
dentro de si. - Fui eu que planejei tudo.

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— É mesmo? - perguntou Henry, tomando um último gole de café e
colocando a xícara de novo em cima da escrivaninha. - Isso não me surpreende
muito. Paciência.
— Paciência? Henry, eu estou aqui. Estou bem aqui.
Penélope ergueu as sobrancelhas e tentou olhar para ele como em todas as
outras vezes em que eles haviam se encontrado e flertado.
— O que mais você quer? - perguntou ela.
Henry foi até o sofá, ao lado do qual Penélope ainda estava, e deu-lhe um
beijo leve em cada bochecha.
— Você não ia entender.
Os enormes olhos azuis da jovem se estreitaram de raiva. Henry deu-lhe um
sorriso.
— Você sabe como achar a porta, não sabe? Lamento não poder levá-la
pessoalmente, mas preciso me desculpar com as Holland.
Penélope ficou ali, no chão, rodeada por montes de seda, sem conseguir
compreender o que estava ouvindo, enquanto Henry pegava um chapéu de palha
das costas de uma cadeira. Ele saiu do escritório com movimentos ágeis, sem
olhar para trás. Ao ver aquela figura esbelta e ligeiramente amarfanhada
atravessar a porta, Penélope sentiu-se, pela primeira vez na vida, muito sozinha.




























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i|Çàx x fxàx i|Çàx x fxàx i|Çàx x fxàx i|Çàx x fxàx

Uma dama deve sempre manter a compostura.
Mesmo no meio de uma tempestade, deve estar
alegre e completamente seca. Quando ela perde
sua compostura, perde também o respeito de
seus iguais e de seus criados.

GUIA VAN KAMP DE ADMINISTRAÇÃO DA CASA PARA DAMAS DE ALTA SOCIEDADE,
EDIÇÃO DE 1899


lizabeth perdera sua paciência em meio às ruas turbulentas de
Manhattan. Todo o tempo que levaria para lavar o rosto e tirar
as camadas e mais camadas daquele vestido teria deixado-a
maluca. Assim que soube que sua mãe estava na cama, pegou a escada dos
fundos, com roupa de gala e tudo.
Henry não fora ao baile e, por isso, Elizabeth ainda estava sentindo o toque
dos lábios de Will em sua mão, que não fora maculada pelo beijo de seu noivo de
araque. Elas tinham voltado para casa numa carruagem dos Schoonmaker - o pai
de Henry, todo suado e claramente irritado com a ausência do filho na festa,
havia insistido - mas nem isso desviara seus pensamentos. Ela olhara a paisagem
ao longo de todo o trajeto, observando os fogos de artifício que explodiam no céu
e desejando que os cavalos corressem mais rápido.
Elizabeth passara a noite toda pensando em Will. Mesmo enquanto estava
se movendo graciosamente pelo salão com Brody Parker Fish ou Teddy Cutting,
ela contara as horas para voltar para casa. Eles estavam apaixonados e iam dar
um jeito. Ela sentiu-se tonta ao pensar nas inúmeras possibilidades. Estava
praticamente falando em voz alta o discurso que repetia na cabeça ao cruzar a
cozinha vazia e correr pela escada de madeira que dava no estábulo.
— Will? - sussurrou Elizabeth para a escuridão.
Ela tirou os sapatos e foi andando depressa, sentindo com os pés descalços
as velhas tábuas de madeira e o feno, que lhe fazia cócegas. Então, subiu a escada
que dava no compartimento dele.
— Will? Will, você está aí?
Elizabeth caiu de joelhos no colchão que estava no chão. O cobertor e até os
lençóis haviam desaparecido. Ela se levantou, desceu a escada, atravessou o
estábulo correndo e foi até as baias onde os cavalos dormiam.
— Will? Will, você está aí? Will?
Elizabeth se lembrava de uma outra vez em que viera ver Will e não
conseguira encontrá-lo. Fora antes da morte de seu pai, quando nada parecia
muito importante. Ela havia percorrido todo o estábulo na ponta dos pés, rindo e
sussurrando o nome dele, até encontrá-lo encostado num dos postes que
X

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separavam as baias. Seus olhos estavam semicerrados e ele estava começando a
ter um de seus sonhos sobre o oeste. Estava dormindo em pé, como faziam os
cavalos. Quando Elizabeth o acordara, Will lhe contara que Jumper, sua égua
preferida, tinha ficado doente. Ele estava ali para ficar ao lado dela. Naquela
noite, os dois tinham ficado acordados até de manhã, cuidando de Jumper.
Hoje, no entanto, não havia sinal do cocheiro dormindo entre os cavalos.
Elizabeth correu de um lado para o outro, sussurrando o nome dele, mas só
encontrou os olhos negros dos cavalos observando-a de forma inexpressiva por
cima das portas das baias e o cheiro doce do feno. Ela não conseguia entender a
ausência dele. Passara a noite toda desejando tanto vê-lo. Era inconcebível que
Will não estivesse ali, sentindo exatamente a mesma coisa.
Elizabeth respirou fundo algumas vezes e subiu de novo até o
compartimento de Will. Tinha medo de acender a lâmpada a óleo, por causa de
todo o feno que havia ali e porque jamais acendera uma antes, mas seus olhos já
estavam se acostumando à escuridão. O colchão sem lençóis era uma visão
melancólica. O engradado de madeira que Will usava como estante estava vazio
e Elizabeth soube, mesmo sem olhar, que as roupas dele não estavam mais na
cômoda velha que fora de seu pai na infância. Ela foi até a borda do
compartimento e sentou-se pesadamente no mesmo local onde Will sempre lhe
esperara.
Seus cabelos estavam se soltando e ela puxou os fios louros até que as
pérolas que a adornavam começassem a rolar pelo chão de madeira. A imagem
de Will na frente do hotel estava tão vívida em sua mente que parecia ter
acontecido há poucos segundos. Ele olhara para ela intensamente, e Elizabeth
tinha acreditado que aquela era uma confirmação de seu amor. Will beijara sua
mão, e ela encarara aquilo como um gesto romântico. Elizabeth relembrou as
estúpidas imagens, momento a momento, e, com o coração doendo, começou a
compreender o que Will havia feito. Ele estava se despedindo.
Elizabeth tirou os cabelos de cima dos olhos e sentiu que sua garganta
estava se fechando. As lágrimas estavam surgindo e os soluços já sacudiam seu
corpo. Ela se inclinou para frente e encharcou o vestido com seu choro, repetindo
o nome de Will. Já estava assim há algum tempo quando ouviu a voz.
— Está chorando por quê?
Elizabeth ficou congelada de pavor.
— Como?
Ela estava com medo demais para olhar para frente e ver quem a flagrara
em sua vida secreta.
— Seu vestido parece ter estragado um pouco. As lágrimas são por isso?
Elizabeth levantou os olhos lentamente. Lá estava Lina, com os braços
cruzados na frente do peito, parada na porta onde Elizabeth sempre estacara
quando vinha visitar Will. Ela vestia o mesmo feio vestido preto, cuja bainha
ficava logo acima do calcanhar, e estava batendo o pé esquerdo no chão.
— Não - respondeu Elizabeth, ficando de pé e acalmando-se um pouco. -
Não é por causa do vestido.
— Então é por quê? Por causa do Will? - perguntou Lina, balançando a
cabeça com nojo. - Seu Will? - acrescentou ela ironicamente.
— O quê?

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Elizabeth sentiu a pele em volta de seus olhos se esticando, de tanto que
eles estavam arregalados. Lembrou-se de Lina na infância, quando ela chorara ao
se sentir excluída das brincadeiras inventadas por ela e por Will. A expressão de
mágoa de seus olhos ainda era a mesma, embora agora ela parecesse um pouco
mais assustadora. Elizabeth passou as pernas para cima do compartimento e
desceu a escada. A saia do vestido se prendeu na madeira áspera. Ela só olhou
para cima quando ouviu o tecido se rasgando. Viu que havia uma grande
quantidade de seda rosa no topo da escada, mas continuou descendo. Naquele
momento, nada lhe importava. Elizabeth chegou ao chão com um pulo
determinado e virou-se para Lina para ouvi-la dizer:
— Você nunca mereceu Will.
Elizabeth não sabia se devia discutir com Lina ou se devia encontrar uma
maneira de convencê-la a não contar seu segredo a ninguém. As duas se
encararam por um longo tempo. Quando seu coração começou a bater mais
devagar, Elizabeth notou a dor que havia no rosto de Lina. Ela estava tentando
ser cruel, mas estava claro que também ficara arrasada com a partida de Will.
— Você não sabe de nada - disse Elizabeth firmemente, ficando cada vez
mais calma. - E não está onde deveria estar no momento.
Lina deu um sorriso sardónico.
— E onde eu deveria estar, senhorita? No seu quarto, ajudando-a a tirar o
vestido? Fica muito difícil fazer meu trabalho se minha patroa não está por perto.
— É exatamente lá que você deveria estar. Não se esqueça de que deve me
obedecer sempre. Você é uma empregada da minha família.
Elizabeth respirou fundo e colocou a mão nas cadeiras. Ela olhou para Lina,
com seu nariz cheio de sardas e seus ombros grandes e ossudos, ergueu uma
sobrancelha loura e disse com a voz mais autoritária que tinha:
— Você deve ser uma enorme decepção para sua irmã. É só por causa dela
que não vou lhe demitir.
Elizabeth deixou seu braço pender, indignada. Ela apanhou seu vestido
rasgado com uma das mãos e passou por Lina, indo na direção da porta da
cozinha. Então parou com um pé no primeiro degrau e virou a cabeça.
— É só por causa dela que ainda não vou lhe demitir.
Lina encarou Elizabeth com fúria, mas não disse nada. Elizabeth levantou o
queixo e deixou que o momento se estendesse. Saber que Will se fora e que
podia estar em qualquer ponto do país estava lhe roendo as entranhas. Mas ela
não se permitiu chorar enquanto se afastava silenciosamente de sua criada e subia
a velha escada dos fundos pela última vez.











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VÉÅ t VÉÅ t VÉÅ t VÉÅ tÅÉÜ? ÅÉÜ? ÅÉÜ? ÅÉÜ?
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ina encontrou o bilhete na gaveta de cima da cômoda de Will,
escondido no bolso de um casaco azul-marinho. Ela acendeu a
lâmpada a óleo, pegando o pavio de lona e tocando-o
gentilmente com um fósforo. O bilhete havia sido escrito num pedaço de papel
creme grosso, do tipo que Elizabeth usava para toda sua correspondência.
Lina passou os dedos pelas bordas douradas do papel e pensou em como
devia ter sido difícil para Will resistir a Elizabeth. Ela deve ter-lhe parecido uma
jóia rara, a dona de objetos mágicos. Era assim que sua criada pessoal costumava
lhe ver também. Mas, agora, Lina estava vislumbrando uma nova Elizabeth. Ela
tinha de ser montada como um quebra-cabeça, penteado, maquiagem, vestido.
Ela se pavoneava sozinha no quarto, sentindo-se linda mesmo quando não havia
ninguém para vê-la. Ela era uma miragem.
A criada olhou o avesso do bilhete, ficando cada vez mais furiosa ao pensar
nas coisas que sua ex-amiga de infância lhe dissera. Suas palavras haviam sido
brutais e seu orgulho, repulsivo. Ela ficou com raiva enquanto pensava em
Elizabeth. Então, essa memória começou a desaparecer e a realidade da ausência
de Will se tornou mais presente. Lina deitou-se no colchão dele, esticando seus
longos braços acima da cabeça e quis poder fazê-lo voltar só com a força de seu
desejo. Isso só a deixava mais triste. O único homem que ela amara se fora. E ela
nunca tinha ganhado nem um beijo dele.
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Lina colocou as palmas das mãos sobre os olhos para não chorar e, quando
a vontade passou, ela se levantou. O pior de tudo era que Will partira sem nem se
lembrar dela - mas talvez ainda não fosse tarde demais. Ela foi até a cômoda e
removeu o casaco azul-marinho. Era o tipo de casaco que os marinheiros
usavam, e Lina já vira Will com ele em muitos invernos, quando ele estava
tirando a neve da frente da casa ou levando cobertores para os cavalos. Ele devia
tê-lo deixado ali para Elizabeth usar caso decidisse ir atrás dele - Will era assim
mesmo. Mas Elizabeth não o tinha visto. Lina vestiu o casaco e colocou o bilhete
de volta no bolso. Ela pegou as pérolas que Elizabeth deixara cair no chão e foi
até a rua.
A noite estava quente e a Avenida Lexington ainda estava cheia de gente. A
população de Nova York passara o dia todo festejando o retorno de seu herói e
ainda estava celebrando, correndo pelas ruas com bandeiras, encostando-se um
nos outros com uma deliciosa exaustão. Ninguém olhou para Lina quando ela
passou depressa, enrolando-se no casaco de Will. Lina não estava com frio, mas
o casaco tinha o cheiro dele - feno e sabão - e, por isso, ela não o tirou.
Ela caminhou os vinte quarteirões até a estação de trem sem deixar que seus
pés a incomodassem. As delicadas Elizabeths do mundo não compreenderiam, é
claro - andar no meio da noite dessa maneira as deixaria amedrontadas, ou
cansadas, ou destruiria sua reputação. Mas, para Lina, aquilo era digno e bom.
Quando viu o enorme edifício, com sua imponente fachada clássica, seus torreões
e suas janelas ovais, ela começou a correr.
Lá dentro quase não havia ninguém. Algumas pessoas dormiam nos bancos
de madeira, cobertas por mantas leves. Lina não via um relógio há muito tempo
mas, aqui, parecia ser muito mais tarde do que nas ruas cheias de gente. Ela
atravessou rapidamente o pátio, ouvindo seus saltos baixos clicando no chão de
mármore, e chegou no guiché. O vendedor estava dormindo e Lina teve de bater
no vidro para acordá-lo. Quando o homem finalmente a escutou, ele tirou seu
gorro preto de cima dos olhos e se inclinou para frente. Lina sorriu, esperançosa.
Era um rapaz jovem, não muito mais velho do que ela. Talvez ele fosse solidário.
— Senhora? - disse o vendedor, ainda cheio de sono.
— Gostaria de saber... - começou Lina.
Mas ela não disse mais nada, pois lhe ocorreu que devia estar com uma
aparência estranha, parada ali sem nenhuma bagagem ou roupas próprias para
viajar.
— O senhor poderia me dizer - disse ela, tentando parecer confiante - se viu
um rapaz passar por aqui hoje à noite? Ele estava indo para oeste. Creio que para
a Califórnia.
— Um rapaz? - repetiu o vendedor devagar, sorrindo. - Como ele era?
— Mais ou menos da sua idade, acho - explicou Lina, sem entender por que
o vendedor parecia estar achando a situação engraçada. - Estava viajando
sozinho.
— Um rapaz viajando sozinho? E por que a senhorita quer saber para onde
ele foi a essa hora da noite?
— Não é da sua conta.

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Lina fechou melhor o casaco e tentou parecer o mais orgulhosa possível.
Ela queria fazer o que Elizabeth faria na mesma situação e por isso levantou o
queixo, virando a cabeça um pouco para o lado.
— Bem, você vai me ajudar ou vai ficar parado aí?
— Eu gostaria de ajudar a senhorita - disse o vendedor.
Os olhos dele brilharam para Lina. Ela não podia imaginar por quê, mas ele
parecia estar observando-a com certo interesse.
— Mas eu trabalho para Nova York, New Haven e Hartford Railroad. Se o
rapaz estava indo para a Califórnia, então ia de New York Central.
— Oh - disse Lina, desanimada.
Ela deve ter parecido um pouco confusa, pois o vendedor apontou para o
outro lado do enorme pátio.
— O guiché deles é no próximo pátio. E só pegar aquela porta ali.
Lina assentiu, agradecendo, e foi correndo na direção que ele havia
apontado.
— Se não encontrar esse moço, volte aqui para me visitar! - disse o
vendedor.
Lina olhou para trás e viu que ele estava piscando o olho para ela. Ela não
teve certeza, porque ninguém jamais flertara com ela, mas achou que o vendedor
estava fazendo exatamente isso. Parecia um bom sinal. Lina deu um sorriso e
voltou a cruzar o pátio com passos firmes.
No guiché da New York Central ela encontrou um homem mais velho que
estava completamente desperto e indiferente aos seus charmes. Ele tinha
costeletas, que não conseguiam esconder seu rosto largo e brilhante.
— Um rapaz alto, é isso? - respondeu o homem da New York Central.
— Isso. Alto, com olhos azuis claros e um rosto bonito. Ele não tinha muita
bagagem e estava viajando sozinho.
— Já vi muitos parecidos - disse o homem, pausando para arrumar alguns
papéis, para desespero de Lina. - Mas não tantos assim numa sexta à noite. Sei de
quem está falando. Ele pegou o trem das onze para Chicago. Se estiver mesmo
indo para a Califórnia, imagino que vá pegar outro trem de lá, para ir até
Oakland.
— Que horas são agora? - quis saber Lina, arrasada, entendendo que, pela
maneira como o homem estava falando, o trem das onze já partira há muito
tempo.
— São dez para as duas.
— Quando sai o próximo trem para Chicago? - perguntou ela, pressionando
seus dedos cheios de calos no balcão de mármore.
— Só pela manhã, minha jovem. O próximo trem para Chicago é às sete.
Lina pensou em como seria ter de voltar para a mansão da família Holland e
ver Elizabeth mais uma vez.
— Gostaria de uma passagem de ida para Chicago.
O vendedor lançou-lhe um olhar cético.
— Muito bem. Quanto dinheiro você tem?
Lina olhou para o chão. Ela sentiu os bolsos do casaco. Talvez Will tivesse
deixado o dinheiro da passagem ali para Elizabeth. Mas não havia nada, é claro.
Ele jamais teria deixado dinheiro para trás, sabendo que Elizabeth tinha de sobra.

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— Não tenho nenhum dinheiro - disse ela, pateticamente.
— Ora essa! - exclamou o vendedor. - Pois volte quando tiver.
Lina se afastou do guiché e atravessou de novo o pátio, que parecia uma
igreja com todos aqueles bancos. Havia inúmeros deles e ela considerou por
alguns segundos a possibilidade de dormir em um. Talvez ela fosse recolhida e
enviada para um abrigo para mulheres de má reputação. Seria um fim horrível
para uma noite horrível, mas ainda melhor do que ter de encontrar Elizabeth.
As locomotivas estavam adormecidas abaixo de um domo de vidro. Mais
para além, no leste da cidade, ficava um bairro pobre chamado Colina Holandesa,
onde os imigrantes irlandeses viviam. Se uma menina como ela entrasse ali,
podia nunca mais sair. Will, que era lindo e perfeito, arrumara uma maneira de
escapar dos Holland, mas Lina só podia ir até onde seus pés a levavam. Ela saiu
da estação depressa, sem olhar para ninguém.
Quando chegou na rua, Lina sentiu um choque ao ver tantas luzes e escutar
tantos sons. Ainda havia fogos de artifício no céu e, a cada explosão, a multidão
dava vivas. O universo era gigantesco e incandescente, mas Lina sentiu que ele
caçoava dela, fazendo-a lembrar que, embora ele fosse enorme e cintilante, seu
mundinho era pequeno, odioso e inescapável. Ela detestava seu emprego e
detestava a si mesma. Mas, acima de tudo, detestava Elizabeth. Fora ela quem
estragara tudo antes que Lina tivesse a chance de conquistar Will.
Esta noite ela estivera cansada e pobre demais para conseguir ir embora
mas, ao olhar para o céu da cidade, tão grande e cheio de vida, decidiu que tinha
de haver uma maneira.
























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i|Çàx x aÉäx i|Çàx x aÉäx i|Çàx x aÉäx i|Çàx x aÉäx

Existem senhoras antiquadas que acreditam que
as janelas de suas filhas devem permanecer
sempre fechadas, para impedir agentes
corruptores de entrar. Nós temos uma visão mais
moderna: o ar fresco, com moderação, é
saudável para as jovens, e em noites quentes
suas janelas podem ser deixadas abertas.

GUIA VAN KAMP DE ADMINISTRAÇÃO DA CASA PARA DAMAS DE ALTA SOCIEDADE,
EDIÇÃO DE 1899


s fogos de artifício ainda ecoavam nas fachadas de tijolo de
Nova York, mas Diana achou que os festejos finalmente
estavam se dirigindo para o centro da cidade. Ela olhou para
seu reflexo no espelho e viu as pupilas redondas e negras e os longos cílios de
uma menina cuja mente estava deliciosamente tomada por pensamentos errados.
Diana não teria se sentido mais amada nem se ele estivesse ali em seu quarto com
ela. O fato de Henry não ter comparecido à sua primeira aparição pública com
Elizabeth era tão bom quanto um olhar sensual numa sala cheia de gente ou uma
ousada carta de amor. E Diana já recebera os dois.
Ela empurrou o banquinho no qual estava sentada mais para perto do
espelho de corpo inteiro de moldura dourada, tirando da frente dos olhos alguns
cachos que teimavam em cair ali. Já passara mais de uma hora desde que Claire
lhe ajudara a tirar seu vestido, lavara seus pés e prendera seu cabelo. Mas Diana
não estava cansada. Estava se sentindo cheia de energia e um pouco boba.
Gostava de sua aparência com aquela longa camisola branca, que era folgada e
um pouco transparente na altura dos seios. Ela fez um biquinho para o espelho e
examinou a pele de seu pescoço.
— Não é nada estranho - sussurrou ela para seu reflexo - que você não
consiga parar de pensar em mim, Henry Schoonmaker.
— Concordo plenamente.
Diana quase caiu do banquinho, ficando de pé num pulo e instintivamente
cobrindo os seios com os braços. Ela ficou sem palavras de tanta vergonha.
Voltou-se na direção de sua janela, que dava para os jardins das casas do
quarteirão, e viu uma versão um pouco mal-ajambrada do homem em quem
pensara a noite toda.
— O que você está fazendo aqui? - sussurrou ela, dando um passo na
direção da janela, que ela deixara um pouco aberta para refrescar o quarto.
Henry estava do lado de fora, na estreita varanda de ferro batido, usando
calças azuis cujas bainhas haviam sido dobradas acima dos tornozelos e uma
b

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camisa social branca que estava amassada e um pouco suja. Havia alegria e mais
alguma coisa em seu olhar; Diana teve quase certeza de que era desejo. Seu
maxilar elegante estava virado para o lado e continha evidências de um sorriso
suprimido.
— Como foi que você chegou aqui? - perguntou Diana, achando que Henry
seria capaz de ficar olhando para ela para sempre sem nunca lhe responder.
— Entrei num beco que há na rua Dezenove, pulei a cerca da casa dos Van
Dorans e pulei a sua. Depois, escalei sua treliça - explicou Henry, fazendo uma
mesura. - E aqui estou eu.
Diana mordeu o lábio, sentindo vergonha da aparência de seu quarto pela
primeira vez na vida. A seda rosa clara que cobria a cabeceira de sua caminha
quadrada, as pilhas de livros na escrivaninha, o velho tapete de pele de urso que
cobria o chão em frente à lareira - tudo parecia antiquado e infantil ao mesmo
tempo.
— Não consegui tirar você da cabeça a noite toda - disse ela timidamente.
Henry estava espremido entre o vidro e a madeira da janela e o ferro da
varanda. Diana percebeu que ele estava moreno de sol.
— Gostaria de poder dizer o mesmo.
Ela abriu a boca para responder, mas então Henry piscou o olho para deixar
claro que não devia interpretar mal suas palavras.
— Passei pelo menos oito horas bêbado, de duas às dez. Mas, depois que
bebi um pouco de café preto, posso lhe garantir que não pensei em outra coisa.
— Jura?
Henry deu um enorme e sincero sorriso e ela corou de prazer.
— Juro, eu...
— Di? - disse uma voz abafada do outro lado da porta do quarto.
Henry se abaixou instintivamente. Diana primeiro pensou em sua mãe e
depois em Claire e seu coração disparou. Ela olhou para Henry, cheia de medo e
decepção. Queria muito tocá-lo. Queria arrancar um por um os botões de sua
camisa e arrastá-lo até o tapete. Henry olhou para a porta e depois para ela.
Estava tentando perguntar algo com os olhos.
— Di? - disse a voz mais uma vez. - Posso entrar? Eu...
Henry levantou as mãos, perguntando o que devia fazer e Diana balançou
os braços acima da cabeça ridiculamente.
— Saia daqui! - sussurrou ela.
Ele se voltou, ainda com um sorriso gentil nos lábios e se preparou para
obedecer. Diana ouviu a treliça fazendo um barulho assustador e depois um ruído
de madeira se partindo, mas não teve coragem de ir espiar. A porta de seu quarto
estava sendo aberta.
— Di?- disse Elizabeth timidamente, colocando a cabeça na abertura.
— Oh! - exclamou Diana ao ver a irmã, cujo vestido estava rasgado e
encharcado e cujos cabelos estavam emaranhados como se ela tivesse sido
atingida por uma tempestade.
— Só está vestindo isso? Vai apanhar um resfriado. É melhor fechar a
janela.
As duas se viraram para a janela ao ouvirem o barulho de alguém caindo,
um farfalhar e um grito abafado de dor.

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— O que será isso? - perguntou Elizabeth.
— Deve ser o pessoal da parada - disse Diana rapidamente, indo fechar a
janela antes que sua irmã o fizesse e tentando em vão enxergar Henry lá
embaixo. - Está tudo bem com você? Seu vestido...
Ela apontou para a imensa saia rosa de Elizabeth, que parecia ter acabado
de ser usada como pano de chão.
— Oh, eu... tropecei quando estava descendo a escada. Estava indo pegar
um copo d'água e meu vestido deve ter prendido em algum lugar...
— Você chorou? - interrompeu Diana, vendo que os olhos de Elizabeth
estavam vermelhos e inchados.
— Não. Quer dizer, um pouco - disse Elizabeth, parecendo um pouco
envergonhada. - É que...
Ela não completou a frase, mas continuou olhando para Diana de forma
desamparada. Diana encarou-a também, sem conseguir adivinhar o que Elizabeth
estava tentando dizer. Afinal, ela parecera perfeitamente satisfeita com o
abandono de Henry mais cedo. Era evidente que, agora, Elizabeth estava se
sentindo humilhada. E com isso, o medo de ser flagrada na companhia de Henry
desapareceu, assim como a irritação de Diana por ver aquele momento precioso
interrompido. Ela quase ficou preocupada com a irmã. Quase se arrependeu do
que desejava.
— É que... - repetiu Elizabeth.
Ela suspirou, como se não conseguisse encontrar palavras que explicassem
o que estava sentindo, deixando que seus ombros pendessem. Colocou as mãos
sobre o rosto, como se estivesse prestes a chorar de novo.
— Lembra-se daquele quadro do Vermeer que papai me deu?
Diana revirou os olhos.
— Ele deu aquele Vermeer para mim.
Ela se lembrava muito bem da história do quadro. Seu pai o comprara de
um vendedor de arte parisiense quando sua mãe estava grávida pela segunda vez,
e sempre pretendera pendurá-lo no quarto da filha mais nova. Mas então
Elizabeth deixara todos impressionados ao explicar de forma muito eloquente
como era a composição da pintura e o sr. Holland decidiu que ele ficaria no
quarto dela até que Diana fizesse 16 anos. Mas, quando ela completou 16, seu pai
já havia falecido e ninguém estava disposto a discutir a localização dos quadros
da casa.
— Mas você insistiu para que ele o colocasse em seu quarto - acrescentou
ela, com uma certa amargura.
— Oh - disse Elizabeth, com um tom que fez Diana ter certeza de que ela
não concordava com sua afirmação.
Diana deu de ombros. Ela não precisava ganhar discussões bobas como
aquela após o belo noivo de sua irmã ter escalado sua janela no meio da noite.
Elizabeth suspirou fundo.
— Acho que não importa mais. Mas eu só queria... Quer dizer, será que eu
poderia...
Elizabeth colocou as mãos sobre o rosto mais uma vez.
— Pode dormir aqui, se quiser.

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Diana foi até onde ela estava, abraçou-a e apertou-a contra si. Ela ajudou
sua irmã a tirar o vestido, tentando pensar nos poucos segundos maravilhosos em
que Henry estivera em sua janela. Sabia que devia estar contente por eles não
terem sido pegos, principalmente agora que estava vendo o quanto Elizabeth
ficara abalada.
Mas, mesmo após as duas terem se deitado para dormir lado a lado pela
primeira vez desde que eram crianças, Diana não pôde deixar de desejar um outro
encontro com o único homem solteiro de Nova York que lhe era proibido.







































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gÜ|Çàt gÜ|Çàt gÜ|Çàt gÜ|Çàt

Uma das muitas festas dadas ontem à noite para celebrar o retorno do
almirante Dewey ao país - o baile no Hotel Waldorf-Astoria - também
seria a primeira aparição pública do sr. Henry Schoonmaker e da srta.
Elizabeth Holland como um casal. A srta. Holland compareceu,
belíssima como sempre, mas o sr. Schoomaker não esteve presente na
ocasião, levando certos cínicos a se perguntarem se suas atenções já
se voltaram em outra direção.

NOTA DA COLUNA “GAMESOME GALLANT”, DO JORNAL NEW YORK IMPERIAL,
SÁBADO, 30 DE SETEMBRO DE 1899.


enry foi acordado com uma folha de jornal atingindo seu
rosto. Ele esticou as mãos e sentiu o torso: havia
adormecido fora de sua cama com a roupa em que passara
o dia. Sua boca estava seca. Seus braços estavam doloridos como se houvessem
sido arranhados por tigres ao longo da noite. Ele tocou seus antebraços e viu que
estavam cobertos de cortes. Todas essas foram sensações desagradáveis para
Henry, que estivera sonhando com a pele macia de Diana Holland.
— Acorde, Henry - disse seu pai, com o tom anasalado e irritado que usava
mesmo quando estava satisfeito, o que não parecia ser o caso. - Quer um pouco
de suco de laranja?
Henry abriu um olho e depois o outro, vendo a imagem desagradável de seu
pai entrar em foco.
— Você está com o suco aí? — perguntou ele fracamente.
— Não!
Henry estava completamente acordado agora e já se situara. O cômodo em
que estava deitado, sob a longa sombra de seu pai, era o mesmo em que se
deitara para descansar um pouco na noite passada, numa tentativa de se recuperar
da festa épica do barco. Era seu escritório, que ficava ao lado do quarto, um
aposento escuro e ótimo para curar uma dor de cabeça. Mas parecia que essa não
era mais a prioridade.
Henry olhou para seu pai, que estava observando-o com desprezo, e então
viu uma criada pálida logo atrás dele. Ela usava um vestido negro com punhos e
colarinho branco e segurava uma bandeja com um copo cheio de um líquido que
parecia mesmo ser suco de laranja. Henry abriu e fechou sua boca seca e voltou a
encarar o pai.
— Não dê o suco a ele, Hilda - disse o sr. Schoonmaker, caminhando
alguns passos para frente e unindo as mãos atrás das costas. - Henry, vejo que
você está num estado deplorável e é possível que não se lembre da noite passada
[

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com perfeita clareza. Mas eu andei fazendo algumas perguntas e estou aqui para
ajudá-lo a se lembrar. Hilda e eu estamos aqui para ajudá-lo a se lembrar.
A criada já trabalhava para a família há alguns anos e sempre guardara seus
segredos, mas agora estava se recusando a encarar Henry. Estava branca como
um lençol e com os olhos fixos na bandeja. Ele olhou com grande anseio para o
suco de laranja e depois de volta para o pai, cujo enorme corpo estava coberto
por um terno cinza metálico. Era o tipo de roupa que impressionava os
empregados da companhia ferroviária e as criadas da casa. Henry tentou deixar
claro que ele, ao menos, não estava abalado com isso.
— Ande, Hilda - disse o sr. Schoonmaker. - Conte a Henry o que você me
contou.
A menina hesitou o máximo que pôde, tempo suficiente para deixar a ela e
a Henry muito constrangidos, e então disse:
— Vi uma jovem saindo daqui bem tarde da noite. Ela estava com um
vestido vermelho de continhas e fez bastante barulho quando foi embora. O
vestido parecia novo e muito caro.
Henry deixou-se pender no sofá, desanimado, lembrando-se da dramática
aparição de Penelope. Ele encostou a testa no punho e ouviu seu pai mandar
Hilda deixar o escritório. Hilda assentiu respeitosamente e foi para o corredor,
levando consigo o copo de suco de laranja que poderia ter molhado um pouco
sua garganta.
— Não achei que seria bom Hilda ouvir a próxima parte, Henry - disse o sr.
Schoonmaker, cruzando os braços. - Lembra-se de como voltou para casa?
—Não, senhor.
— Uma carruagem de aluguel deixou você aqui. Estava cheio de
machucados no lado esquerdo do corpo e cortes que sugerem um encontro
desagradável com um espinheiro. Está começando a recordar?
Henry balançou a cabeça negativamente.
— Eu estava bêbado - disse ele, tentando soar envergonhado e firme ao
mesmo tempo.
Henry se lembrava muito bem de seu encontro com o espinheiro, é claro,
mas sabia que não queria explicar ao pai que entrara pela janela do quarto da
irmã caçula de sua noiva. Às vezes, refletiu ele, ter fama de estar constantemente
bêbado podia ser conveniente.
— Henry, eu não sou um idiota. Sei muito bem que você estava bêbado.
Agora, vai me contar a história toda ou devo relatá-la a você?
— Você parece estar ansioso para fazê-lo - disse Henry amargamente.
— Leia você mesmo.
O sr. Schoonmaker jogou o jornal que segurava na direção de Henry. Ele
farfalhou ao voar pelos ares e atingiu-o na testa. Ele apanhou-o, evitando olhar
para o pai, que estava andando furiosamente de um lado para o outro. O Imperial
fora dobrado na página da coluna de fofocas e uma das notas havia sido marcada
com tinta vermelha.
— Que desagradável - disse Henry, após ler a nota.
Apesar de seu tom de ironia, ele não estava brincando. Sua imagem de
playboy bêbado estava começando a aborrecê-lo. Mas sua principal preocupação

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no momento era arrumar algo para beber. Se pudesse jogar algum líquido em sua
boca seca, talvez conseguisse lidar melhor com aquela situação infeliz.
— Concordo com você - disse o sr. Schoonmaker, com tanto ou mais
sarcasmo do que o filho.
Henry observou seu pai diminuir o passo e ir até a janela que dava na
Quinta Avenida, ainda com as mãos às costas. Ele falou mais baixo, mas seu tom
continuava ameaçador.
— Gostaria de saber onde eu estava na noite passada, Henry?
Henry manteve seus olhos fixos no pai e não disse nada. Ele sabia que a
resposta àquela pergunta ia ser dada mais cedo ou mais tarde. Provavelmente,
mais cedo.
— Estava no Waldorf com o governador e o almirante Dewey. Sabia que
estão dizendo que ele talvez vá se candidatar à presidência? Foi uma
oportunidade política tremenda. Não que eu espere que isso signifique algo para
um vagabundo como você.
Henry se remexeu no sofá. Ele tentou desamassar a camisa com as mãos e
se parecer menos com um vagabundo. Seu pai lançou-lhe um olhar furioso.
— Eu e toda a cidade estávamos esperando ver você e sua bela noiva juntos
no Waldorf. Pode imaginar como ficaram desapontados quando você nem
apareceu? Todos estavam procurando uma fofoca para contar e você deu uma de
bandeja. Mais uma vez, provou ser um problema.
O sr. Schoonmaker balançou-se nos calcanhares com ar pesaroso e Henry,
ainda sedento e extremamente desconfortável, não conseguiu pensar em nada
para dizer que pudesse fazer com que seu pai não o visse como uma decepção.
Ele observou o sr. Schoonmaker controlando uma emoção qualquer antes de
continuar a falar em seu tom irritado.
— Vou lhe dizer o que vamos fazer, Henry. Sua brincadeira de ontem à
noite fez o noivado parecer arranjado. Muita gente já está pensando isso. Mas a
notícia do noivado arranjado não vai se espalhar se nós dermos uma novidade
mais interessante para a imprensa.
Henry, que sempre fora perseguido pelos jornais sem jamais ter desejado
isso, olhou para o pai em completa confusão. O sr. Schoonmaker veio andando
em sua direção. Henry observou aquele rosto vermelho, que fazia um contraste
desagradável com os cabelos negros, e perguntou-se se seu pai algum dia ficaria
feliz com ele.
— Uma novidade mais interessante? - repetiu ele mecanicamente.
— Ah, você está escutando. Que ótimo. Sim, uma novidade mais
interessante. Você vai se desculpar com as Holland amanhã. Vou mandar Isabelle
conversar com a sra. Holland hoje à noite, como uma espécie de embaixadora. É
uma idéia perfeita. E olhe que eu só precisei do tempo entre a hora de acordar e a
hora de tomar café para tê-la.
Henry estava tentando parecer interessado, mas estava ficando cada vez
mais nervoso e enjoado.
— Que idéia é essa?
William Schoonmaker olhou para o filho, muito animado e sorriu, fazendo
com que seu bigode negro parecesse mais largo.

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— Vamos antecipar o casamento. Os jornais vão chamá-lo de “O maior
casamento do século XIX”. As pessoas vão gostar.
— Está falando do meu casamento? Com... Elizabeth? - perguntou Henry,
que estava todo gelado e com a boca aberta. - Antecipar para quando?
O sr. Schoonmaker tirou seu relógio de ouro do bolso. Ele estava
obviamente muito satisfeito com o golpe que ia dar, confiante em seu
brilhantismo. E estava gostando de deixar Henry naquele estado.
— Se preferir ser deserdado, posso realizar seu desejo - disse o sr.
Schoonmaker, olhando significativamente para o filho. - Prefiro não fazer isso,
mas farei se você não me deixar alternativa.
— Não, senhor. Não prefiro ser deserdado - respondeu Henry, abaixando os
olhos como que para não ver a própria covardia. - Quer dizer, gostaria que não
fizesse isso.
— Então, Henry, meu garoto, se não tiver outros planos para o próximo
domingo, dia oito de outubro... essa será a data.
Henry viu a expressão de triunfo do pai e soube que seu tempo terminara.































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gÜ|Çàt x hÅ gÜ|Çàt x hÅ gÜ|Çàt x hÅ gÜ|Çàt x hÅ

Dizem que uma certa jovem parecia estar com o coração partido após
a indelicada ausência de seu noivo numa festa celebrando a chegada
do almirante Dewey.

NOTA DA COLUNA SOCIAL DO JORNAL NEW YORK NEWS OF THE WORLD
GAZETTE, DOMINGO, 1º DE OUTUBRO DE 1899.


ois dias de festejos e paradas haviam exaurido Nova York e,
no domingo, uma ressaca coletiva manteve seus cidadãos
quietos dentro de casa. Elizabeth sentiu o ar de calmaria
sem precisar olhar pela janela da sala de estar. Até as pessoas virtuosas que
apareciam para tomar chá e conversar um pouco com as Holland aos domingos
estavam com os olhos um pouco vidrados. Elizabeth não lera os jornais, mas, se
tivesse lido, provavelmente não teria tido coragem de negar que parecia estar
com o coração partido. O fato de que o mundo já conhecia sua desculpa oficial
era um alívio, embora não muito grande.
Mas, aparentemente, sua amiga de infância Agnes Jones ainda não se dera
conta de que ninguém queria mais conversar sobre a parada.
— E o show aéreo foi maravilhoso! - disse Agnes, com as mãos dobradas
sobre sua saia de lã xadrez. - Quem imaginaria que havia um especialista em
pipas nessa cidade, ou que eles conseguem fazer coisas tão incríveis com um
mero brinquedo?
Elizabeth deu um sorriso desanimado para ela e desejou que sua tia Edith,
que estava sentada ao lado da lareira lendo a Cité Chatter e fingindo desaprovar
as fofocas, entrasse na conversa. Os olhos de Agnes brilhavam com o que ela
própria estava dizendo e seu cabelo castanho estava preso num coque, com
alguns fios soltos por sobre as orelhas. O penteado acentuava o queixo dela, que
era grande demais. Elizabeth poderia ter tentado encontrar uma maneira gentil de
dizer isso a Agnes, mas estava se sentindo sem forças.
— E todos aqueles barquinhos cheios de luzes! Eu nunca tinha visto nada
igual.
Agnes fez uma pausa e abaixou os olhos, fingindo que estava considerando
a possibilidade de não dizer o que estava pensando.
— E... você ficou muito zangada com Henry por ele não aparecer na sexta-
feira?
— Oh... - disse Elizabeth lentamente.
Ela estava olhando para a janela mas, ao ouvir isso, voltou a encarar a
amiga. Não parava de olhar para a janela naquela tarde, esperando que uma visita
inesperada surgisse.
W

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— Não muito, obrigada por perguntar - respondeu ela.
— Não muito é melhor do que muito - disse Agnes entusiasticamente.
Elizabeth suspirou, tentando demonstrar que concordava, porém com
grande desânimo. Agnes não tinha tato nenhum. Elizabeth sempre fora gentil
com todos, mesmo que eles não fossem muito polidos. Era como um verdadeiro
cristão devia se comportar. Além disso, um amigo verdadeiro poderia estar
escondido em qualquer lugar. Penelope, por exemplo. Ela não tinha muito boas
maneiras quando Elizabeth a conhecera, mas provara ser uma amiga muito leal
ao aceitar ser sua madrinha de casamento, apesar de saber que ela se casaria com
um ex-namorado seu.
Agnes fez um ruído borbulhante ao beber seu chá, o que despertou
Elizabeth.
— Você vai ter de fazer algo muito espetacular para chamar atenção se for
se casar nesta temporada. Ouvi falar de mais três noivados só neste fim de
semana. Martin Westervelt pediu a mão de Jenny Thurlow...
Elizabeth tentou se manter alerta enquanto Agnes lhe contava quem ficara
noivo de quem. Não era à toa que Diana estava em seu quarto se escondendo das
visitas, lendo romances ridículos e falando sozinha. Há duas noites Elizabeth a
ouvira tendo uma conversa inteira no quarto, sendo que não havia mais ninguém
lá dentro. Ela precisava de um tutor, ou ia acabar se tornando uma selvagem. Isso
era um certo consolo para Elizabeth - ao menos sua inércia ia beneficiar a
família. Ao menos ela não teria de se preocupar com o fato de que Diana poderia
ficar igual a... Agnes.
Mas Elizabeth ainda estava arrasada e chocada com a partida de Will. Ela
parara quase completamente de comer.
— E Jenny está tão feliz, Lizzie, você iria chorar se visse como ela está
feliz...
Elizabeth assentiu, pensando que Agnes provavelmente estava certa,
embora saber dos noivados dos meninos e meninas da sua classe social não lhe
desse nenhum prazer. Aquelas novidades só a faziam pensar em Will, em como
ele era forte, em como estava sempre certo, enquanto Elizabeth se envolvia numa
névoa que ela própria criara, mentindo para todos e declarando que um rapaz que
mal conhecia era o amor da sua vida.
— Srta. Elizabeth?
Elizabeth olhou para a porta da sala, onde Claire estava parada, e se deu
conta de que a criada estava dizendo seu nome há vários segundos. Isso sempre
acontecia quando ela começava a pensar em Will - quando voltava ao presente,
via que todos em volta estavam observando-a, atônitos.
— Sim, Claire? - disse Elizabeth, endireitando a coluna e colocando as
mãos sobre os braços da cadeira onde estava, cuja pintura dourada estava
descascando.
— O sr. Schoonmaker deixou seu cartão.
— Oh! - exclamou Agnes, dando uma piscadela para Elizabeth. Então, eu
vou-me embora.
— Obrigada por vir me visitar - disse Elizabeth, dando um pequeno sorriso
para sua velha amiga.
Agnes inclinou-se para dar-lhe um beijo na bochecha e, ao levantar, disse:

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— Faça uma cara um pouco mais contente, pelo amor de Deus. Seu noivo
está aqui.
Elizabeth fez uma expressão de imensa tristeza - ela não pôde evitar - e
ficou aliviada ao ver Agnes indo embora.
— Pode deixar o sr. Schoonmaker entrar, Claire.
Ao ver a criada fazendo uma mesura respeitosa, Elizabeth se lembrou de
como Lina fora horrível com ela na sexta-feira.
— Claire, não pense que tem de fazer tudo sozinha - disse ela. - Sua irmã é
perfeitamente capaz de fazer chá e pegar os casacos das visitas.
Claire corou levemente e assentiu antes de sair da sala.
Elizabeth verificou os pequenos botões de sua blusa vinho e fechou bem as
pernas, que estavam envoltas por uma saia de linho cor de marfim. Ao olhar para
cima, ela viu Henry na porta. Ele estava usando um terno cinza-escuro e
observando-a gravemente, o que, para Elizabeth, era algo novo e perturbador.
Suas sobrancelhas estavam unidas e as linhas de seu rosto bonito estavam mais
marcadas, mostrando preocupação. Henry inclinou a cabeça e Elizabeth fez o
mesmo. Então, ele atravessou a sala, pegou a mão dela e beijou-a.
— Não quer se sentar?
— Obrigado.
Henry passou os olhos pelo cômodo antes de sentar-se numa cadeira
idêntica à de Elizabeth, que ficava ao lado da dela. Ela se perguntou se ele estava
considerando o couro verde-oliva das paredes antiquado, ou se achava que havia
objetos demais na sala, que tinha inúmeros quadros de moldura dourada
pendurados e camadas de tapetes persas no chão.
— Gostaria de um pouco de chá?
— Adoraria, obrigado.
Henry se comportava de maneira um pouco formal demais com ela, mas
Elizabeth tinha de admitir que também estava sendo fria. Ela se perguntou se
Henry não parava de olhar por cima do ombro por causa de tia Edith, que estava
sentada ao lado da larga cornija de mármore. Elizabeth poderia ter encontrado
um jeito de sussurrar para ele que tia Edith não estava prestando atenção na
conversa deles se achasse que Henry tinha algo de interessante a lhe dizer. Mas
não era o caso.
— Srta. Elizabeth, gostaria de lhe dizer que lamento muito pelo que
aconteceu na sexta-feira.
— Oh, não, não foi nada...
— Foi, sim.
Henry estava falando tudo mecanicamente, mas havia algo em seu rosto que
demonstrava remorso genuíno.
— Foi horrível de minha parte deixar de ir à festa e, mesmo que eu não
tenha magoado a senhorita, estou certo de que a constrangi.
— Um pouco - admitiu Elizabeth, olhando para as mãos.
— Mas não quero que pense que a idéia de me casar com a senhorita me
deixa nervoso - disse Henry lentamente, como se estivesse tendo dificuldades de
encontrar as palavras certas.
— Não deixa? - perguntou Elizabeth, erguendo as sobrancelhas sem querer.
— Não, de forma alguma. Na verdade, eu... ah, obrigado.

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Lina surgiu por cima do ombro de Henry e começou a servir uma xícara de
chá para ele. Ela estava muito serena e servil, mas só de vê-la Elizabeth voltou a
sentir a raiva que lhe dominara na sexta-feira.
— Sem creme, obrigado - disse Henry, pegando a xícara de porcelana azul
de borda dourada das mãos de Lina.
— Srta. Elizabeth?
— Sim, por favor, com açúcar e limão - disse Elizabeth friamente. - O que
o senhor estava dizendo?
— Eu estava dizendo que... bem...
Henry parou de falar, franziu o cenho e observou os muitos itens da sala de
estar mais uma vez. Elizabeth inclinou-se para frente, esperando que ele
continuasse. Finalmente, seus olhos voltaram a se focar nela e ele pareceu quase
surpreso de encontrá-la ali.
— Não gostaria que a senhorita... achasse que eu estou mudando de idéia.
E, bem, o fato é que estou muito ansioso para... me casar com a senhorita. E,
enfim, o que acha de anteciparmos o casamento?
— Antecipar? - repetiu Elizabeth, achando que não havia entendido direito.
A idéia de que ela ia se casar com Henry Schoonmaker era-lhe
incompreensível; pensar em fazê-lo ainda mais cedo estava além dos poderes de
sua imaginação. Mas, então, uma imagem surgiu em sua mente: sua mãe
dormindo tranqüilamente pela primeira vez em meses. Além disso, a única coisa
que lhe restava era dar prazer aos outros. Ela estava tentando articular uma
resposta quando foi distraída por Lina, que estava fazendo muitos ruídos para
servir o chá.
— Sim, para o próximo domingo. Creio que minha madrasta já discutiu isso
com sua mãe. A parte logística, quero dizer - explicou Henry, remexendo-se de
forma constrangida na cadeira antes de continuar. - A vantagem é que, assim,
todos ficariam surpresos e... cuidado!
Henry inclinou-se na direção de Elizabeth, mas foi em vão. Ela já estava
surpresa e confusa quando a água fervente lhe atingiu. Elizabeth soltou um grito
e afastou a saia encharcada das pernas para impedi-las de se queimar ainda mais.
Ela olhou para cima devagar, vendo primeiro a xícara que pendia do dedo de
Lina e depois o sorriso no rosto da criada.
— Oops! - disse Lina com ironia.
Sem pensar no que estava fazendo, Elizabeth arrancou a xícara do dedo de
Lina e protegeu-a com as duas mãos.
— Sua incompetência é insuportável - disse ela, com a voz cheia de um
ódio que não sabia direito de onde vinha. - Saia da minha casa.
— Foi um acidente - explicou Lina despreocupadamente.
Henry estava olhando para o chão e tia Edith, para Elizabeth, chocada com
sua reação violenta. Claire surgiu na porta, com os olhos arregalados de medo.
Mas, naquele momento, Elizabeth não se importou com a opinião de ninguém.
— Não foi, não. Você é desajeitada e mentirosa e não quero mais vê-la na
casa da minha família. Sinto muito, Claire, mas eu a quero fora daqui em uma
hora.
Lina ficou parada no meio da sala, olhando com fúria para Elizabeth.
— Foi um acidente - repetiu ela, sem convicção.

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— Muito obrigada pela explicação - disse Elizabeth, falando com mais
firmeza dessa vez e sentindo a mancha marrom do chá se espalhando pelo tecido
claro de sua saia, mas recusando-se a olhar para ela. - Está despedida mesmo
assim. Sr. Schoonmaker, lamento muito que tenha tido que testemunhar uma
cena tão desagradável. Por favor, finja que isso não aconteceu. Se o senhor me
der licença, eu vou para o meu quarto me acalmar um pouco.
Elizabeth apanhou a saia e atravessou rapidamente a sala de estar. Ela
estava sentindo as lágrimas lhe chegando aos olhos, mas controlou-se por mais
alguns segundos. O fato de que Lina a vira conversando com Henry, e ainda por
cima sobre o casamento, fazia-a sentir-se furiosa e envergonhada ao mesmo
tempo. Ela fungou e virou para trás, vendo Henry, Lina, Claire e Edith, todos
congelados de espanto.
— Muito obrigada por vir, Henry - disse ela da porta. - Mas creio que terei
de ficar deitada por algum tempo. Talvez a srta. Diana possa fazer sala para o
senhor durante o restante de sua visita?
O rosto de Henry, que estava visivelmente preocupado e constrangido,
desanuviou-se como que por encanto. Um leve rubor se espalhou por suas
bochechas.
— É claro. A senhorita deve descansar o quanto precisar.
Elizabeth dera mais um passo na direção do corredor quando se lembrou de
que não respondera à proposta de Henry. Ela continuava a não sentir nada por
ele, mas, já que o casamento era necessário, era melhor que fosse rápido, de
maneira a deixar a maioria dos envolvidos satisfeitos.
— Sr. Schoonmaker, considero excelente a idéia de fazer o casamento no
próximo domingo.
Sem esperar pela reação dele, Elizabeth seguiu na direção da escada
principal. Talvez agora ela pudesse acabar com aquela agonia e começar o longo
desespero que seria o resto de sua vida sem Will.



















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gÜ|Çàt x WÉ|á gÜ|Çàt x WÉ|á gÜ|Çàt x WÉ|á gÜ|Çàt x WÉ|á

A madrinha de um casamento deve estar sempre
investigando - buscando informações sobre a
amiga com o noivo, a família e até mesmo os
criados. A noiva, é claro, não quer estar sempre
exigindo tudo. Mas, se sua madrinha fizer as
perguntas certas para as pessoas certas, ela será
de grande serventia para a amiga, realizando
todos os seus desejos conforme eles forem
surgindo.

TRECHO DE AS LEIS DO CONVÍVIO NA ALTA SOCIEDADE, DE L.A.M. BRECKINRIDGE


á muito que o ressentimento e o ódio que lina sentia por
Elizabeth vinham crescendo, mas sua demissão da casa da
família Holland aconteceu muito rapidamente. Lá estava
Claire, olhando apavorada para ela e entregando-lhe a malinha que pertencera a
sua mãe e uma sacola de papel cheia de sanduíches que ela prepara em poucos
minutos. O rosto de sua irmã mostrava intensa preocupação, mas Lina mal estava
conseguindo pronunciar uma palavra. Ela acenou para Claire e saiu pela porta da
frente. Logo, estava se afastando daquele que fora praticamente o único lugar em
que morara na vida.
Lina mal podia sentir a calçada abaixo de seus pés. Ela fechou o casaco de
Will e continuou a andar, sem ter idéia de que direção deveria tomar.
Subitamente, não estava mais presa a nada. Foi então que ouviu o som de rodas e
de cascos de cavalos batendo no asfalto e uma voz que reconheceu.
— Com licença.
Lina estacou e virou-se lentamente para ver quem falara. Ela piscou os
olhos diversas vezes antes para se certificar de que fora Penelope Hayes, a amiga
de Elizabeth, que lhe abordara. Ela estava numa daquelas carruagens de dois
lugares com rodas enormes, observando Lina com bastante interesse.
— Está tudo bem?
— Não - disse Lina após alguns segundos.
Penelope estava usando uma saia longa, uma jaqueta apertada de mangas
largas e um pequeno chapéu, todos de pied-de-poule. Isso fez Lina se sentir ainda
mais envergonhada do vestido preto simples, das botas puídas e do enorme
casaco de homem que vestia.
— Foi um dia horrível, se você quer mesmo saber - continuou ela.
Penelope se inclinou para frente e apoiou o queixo numa das mãos cobertas
por luvas de camurça cinza, apontando seus olhos maquiados para Lina de cima
de sua bela carruagem.
[

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— Lamento muito ouvir isso - disse ela.
Lina sentiu que estava sendo avaliada como um animal numa jaula. Isso era
muito estranho, pois Penelope Hayes jamais lhe olhara antes.
— Obrigada, senhorita.
Lina passou a velha malinha de uma das mãos para a outra, tentando
lembrar direito a nota que especulava sobre um noivado entre Penelope e Henry.
O que aquela menina orgulhosa teria pensado quando Henry ficara noivo de
Elizabeth, e não dela? Seu coração estava batendo forte e ela levou alguns
segundos para formular a pergunta que queria fazer:
— É verdade que a senhorita estava de namoro com Henry Schoonmaker?
— Quem disse isso? - perguntou Penelope, irritada.
Ela pareceu um pouco chocada de ouvir uma criada falar daquela maneira
ousada - mas Lina não era mais uma criada.
— Acho que li em algum lugar.
Lina olhou rapidamente para a mansão das Holland, mas não havia sinal de
ninguém nas janelas.
— Desculpe se... - começou ela.
— Aonde você vai? - interrompeu Penelope.
Ela fez um gesto que pareceu indicar que tinha perdoado a impudência de
Lina.
— Não sei.
Lina suspirou fundo e tirou alguns fios de cabelo soltos que estavam lhe
caindo sobre os olhos. Ela decidiu que não havia motivos para esconder o
ocorrido.
— Acabei de ser demitida - explicou.
— Que horror! - disse Penelope.
Ela deixou a boca aberta, formando um “O” atônito. Lina achou que
Penelope estava se esforçando muito para parecer preocupada.
— O que você vai fazer?
Lina, que ainda estava se perguntando o que Penelope sentia pelo rapaz que
estava sentado na sala de estar da família Holland, deu de ombros.
—Não sei.
— Bem, por que não sobe aqui?
Penelope deu um enorme sorriso e indicou o cocheiro, que não dissera uma
palavra.
— Eu estava indo visitar as Holland. Você deve saber que sou a madrinha
de casamento de Elizabeth. Mas, se elas estão se comportando tão mal, então
podem esperar. Podemos levá-la para qualquer lugar que queira ir.
Lina fingiu hesitar por um segundo e então pegou a mão estendida do
cocheiro e permitiu que ele a puxasse para cima. Ela se sentou no assento de
couro branco ao lado de Penelope e ouviu-a mandar o cocheiro seguir em frente.
— Meu nome é Lina - disse ela.
Lina colocou a mala no piso e viu o Gramercy Park desaparecer atrás de si.
Ela já não se sentia mais como uma moradora daquele lugar.
— Eu me lembro - afirmou Penelope.
Lina teve quase certeza de que era mentira. Ela fora treinada para assentir e
se sentir grata por qualquer favor, mas agora havia sido forçada a abandonar sua

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velha vida. A pessoa que ia se tornar ainda estava tateando, incerta de como
deveria reagir.
— Por que você está sendo tão boa comigo?- perguntou ela.
Penelope deu um sorrisinho e olhou por cima do ombro para ver onde elas
estavam. A carruagem já deixara o adorável paralelogramo localizado entre a
Sexta Avenida e a Terceira, abaixo da rua Cinqüenta e nove e acima da Catorze,
onde viviam os membros da alta sociedade. Agora elas estavam no território dos
trabalhadores pobres, com suas hordas de filhos e rostos envelhecidos. A avenida
estava cheia de veículos e enegrecida pelas sombras dos trens que passavam no
elevado. Os gritos de vendedores e entregadores eram abafados de vez em
quando pelos sons dos vagões cheios de gente passando na estrada de ferro
acima. Então era para lá que elas estavam indo - para uma parte da cidade onde
Penelope não teria medo de ser vista com uma empregada que fora demitida
pelas Holland. Lina olhou em volta e sentiu uma certa repugnância. Ela queria
mostrar a Penelope que seu lugar não era ali.
— E o que foi que você fez para as Holland? - perguntou Penelope, virando
o rosto na direção de sua convidada.
As duas estavam muito próximas uma da outra e Lina reparou em como a
pele de Penelope era clara e imaculada. Era exatamente como ela havia
imaginado.
— Nada... - respondeu Lina, tentando escolher sabiamente as palavras. -
Houve um incidente com uma xícara de chá... e eu acho que elas sempre
quiseram que eu trabalhasse sem pensar em mais nada, como faz minha irmã
Claire. Não que ela não pense em nada... Mas é que eu nunca me imaginei sendo
uma criada pelo resto da minha vida.
Lina uniu as mãos, esfregando a pele seca de uma contra a outra.
— Só isso? - insistiu Penelope, aproximando-se ainda mais de Lina e
sorrindo.
— A verdade é que... acho que posso ter sido despedida por saber demais.
Agora era a vez de Lina sustentar o olhar de Penelope. Ela fez uma pausa,
para que suas palavras tivessem mais efeito. Lina se lembrava de ter ouvido
Penelope caçoar de Elizabeth por ser tão certinha em mais de uma ocasião e, por
isso, respirou fundo e decidiu continuar.
— Era humilhante ter de servir a ela...
Assim que a frase saiu de sua boca, Lina desejou não tê-la dito. Ela abaixou
os olhos, mas logo os ergueu novamente.
— Quero dizer, a elas. Estou feliz por ter saído de lá. De verdade.
— Sabe...
Penelope fez um biquinho. Ela também parecia estar pensando nas palavras
que deveria empregar. A carruagem deu uma guinada brusca para desviar de um
mendigo que estava no meio da rua e as duas meninas se seguraram, sem tirar os
olhos uma da outra.
— Eu creio... - enunciou Penelope cuidadosamente - que nós temos
antipatia pela mesma pessoa.
Lina sentiu uma onda de alívio. Ela não se enganara.
— Está me dizendo que nós detestamos o mesmo membro da família
Holland?

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A voz de Lina estava mais enérgica agora, mas ainda falhou quando ela
usou o verbo “detestar”. Seu corpo balançou com o movimento da carruagem.
— Sim - disse Penelope, mexendo levemente os cantos da boca. - É isso
mesmo que eu estou dizendo.
Lina se recostou no banco e voltou a examinar a aspereza de suas mãos. Ela
estava impressionada com a rapidez com que encontrara uma solução para seus
problemas, mas não queria se precipitar e estragar tudo.
— Acho que entendi - respondeu ela com cautela. - E acho que o que sei lhe
interessaria muito. Mas, como pode ver, estou completamente desamparada.
Preciso de um... gesto de confiança. Para saber que estarei fazendo a coisa cerra
em lhe contar.
— É claro.
Penelope pegou a mão bruta de Lina com suas mãos enluvadas. Lina já
tocara muitas coisas finas na mansão dos Holland, é claro, mas mesmo assim
ficou impressionada com a maciez daquela luva de camurça.
— Mas me diga mais ou menos do que se trata primeiro - pediu Penelope.
Lina já guardava aquele segredo há tanto tempo que não conseguiu se
controlar e disse a verdade de uma só vez.
— Elizabeth não é mais virgem.
Penelope estreitou os olhos, deu uma risadinha e balançou a cabeça.
— Tem certeza de que está falando de Elizabeth Holland?
— Eu tenho provas.
Lina colocou a mão no bolso do casaco e tirou o bilhete de Will de lá de
dentro. Ela entregou-o a Penelope, que examinou a marca d'água até ter certeza
de que o papei era mesmo o usado por Elizabeth e leu-o duas vezes.
— Quem é Will Keeler? - perguntou Penelope, atônita.
Lina foi sacudida de um lado para o outro quando a carruagem passou por
uma parte esburacada da rua.
— Ele é... ele era o cocheiro dos Holland.
Penelope mordeu o lábio e emitiu um som do fundo da garganta, que
indicou que estava achando graça na situação.
— Você deve estar brincando.
— Não estou - disse Lina, balançando a cabeça com vigor e pensando como
seria melhor para ela se tudo aquilo fosse mesmo uma piada. - Eu a vi entrando
no quarto dele tarde da noite e saindo só de manhã. Em muitas noites eu ia ajudá-
la a se preparar para ir para a cama e ela havia desaparecido.
— Desde quando?
Penelope ainda estava usando um tom cético, mas seus olhos começaram a
brilhar. Era óbvio que aquela novidade a deixara radiante.
— Não sei quando foi que começou, mas tenho certeza de que tem algum
tempo. E ainda estava acontecendo até muito recentemente. Tenho certeza de que
eles ainda estavam envolvidos na sexta passada, quando Will foi embora.
Penelope se recostou no couro confortável de sua carruagem.
— Lizzie ainda tem a capacidade de me impressionar - disse ela. - Ela deve
ter querido morrer. Em geral, é ela quem gosta de bancar a difícil.
Penelope abriu os lábios vermelhos num sorriso, revelando dentes brancos e
perfeitos.

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— Apaixonada por um menino pobre! Desculpe, não quis ofender.
— Não ofendeu.
Lina tossiu, cobrindo a boca com a mão. Ela se perguntou se era mesmo
verdade o que Penelope dissera sobre Elizabeth gostar de bancar a difícil, e se
fora assim que ela conquistara Will. Afinal, ele jamais teria sido capaz de se
casar com ela ou namorá-la oficialmente. Talvez fosse aquilo que o atraía.
— E não é só isso que eu sei sobre as Holland - disse Lina.
— É mesmo? O que mais você tem para me contar? - perguntou Penelope,
inclinando-se para frente com olhos brilhando de excitaçao.
Lina balançou a cabeça.
— Primeiro, preciso saber quanto a informação vale para você.
— Oh, posso lhe assegurar que você será muito bem recompensada. Vou
levá-la para um hotelzinho que conheço da rua Vinte e seis. É limpo, e você
poderá permanecer incógnita lá dentro. Vamos pedir um quarto para você passar
a noite. Virei encontrá-la amanhã. E por esse bilhete eu lhe darei...
Penelope fez uma pausa e se afastou um pouco, como se estivesse avaliando
Lina.
— Mil dólares - disse Lina, com a voz mais firme que conseguiu.
A soma parecia-lhe mágica. Era o preço de um solitário de diamante da
Tiffany, de inúmeros vestidos de gala, de carruagens. Era mais do que suficiente
para poder encontrar Will, e era o bastante para conquistá-lo com grande estilo.
Penelope ficou em silêncio conforme a carruagem atravessava a Avenida
aos trancos e barrancos. Essa era muito mais engarrafada e fedorenta do que a
Quinta, além de ser mais barulhenta por causa dos trens que passavam acima. Por
um segundo, Lina achou que pedira dinheiro demais e se deu conta de que
revelara o segredo sem nenhuma garantia de que ia receber por ele. Mas então
Penelope deu de ombros e sorriu.
— É bastante dinheiro - disse ela. - O que acha de quinhentos?
— Obrigada, senhorita. Muito obrigada.
Lina relaxou e sentiu um calor se espalhando por seu corpo. Mil dólares era
uma soma inimaginável, mas quinhentos também era impressionante. Ela teria a
chance de consertar tudo.
— Esse foi um encontro muito feliz para todos os envolvidos.
A nova amiga de Lina piscou um olho de forma lenta e significativa.
— Foi mesmo.
Algum instinto fez Lina arrancar o pedaço de papel em que Will escrevera
seu último bilhete para Elizabeth da mão de Penelope.
— De qualquer maneira, vou ficar com isso até amanhã. E talvez ainda
possa lhe dizer mais algumas coisas. Se combinarmos o preço antes.
Penelope não gostou de ver o bilhete longe de suas mãos, mas, apesar de
contrariada, ela assentiu.
— Então, vou vir lhe trazer o dinheiro pessoalmente. Preciso desse bilhete
amanhã.
Lina desejou saber por que ela precisava do bilhete tão rapidamente e o que
planejava fazer com ele, mas estava mais preocupada em como ia gastar todo
aquele dinheiro. A menina que ela costumava ser teria usado-o para ir atrás de
Will, mesmo sabendo que ele iria continuar apaixonado pela elusiva Elizabeth

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Holland. Mas aquela era a chance de Lina se reinventar e ela não ia repetir
nenhum erro. Ia se transformar em algo mais brilhante e sedutor que Elizabeth
Holland: numa mulher que chamaria a atenção de Will, e de quem ele jamais
conseguiria tirar os olhos.












































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gÜ|Çàt x gÜ£á gÜ|Çàt x gÜ£á gÜ|Çàt x gÜ£á gÜ|Çàt x gÜ£á

Muitos ficarão atônitos se um belo rapaz solteiro que todos na cidade
conhecem e adoram não desfizer seu noivado em breve, revelando
quem é seu novo amor.

NOTA DA COLUNA SOCIAL DO JORNAL NEW YORK NEWS OF THE WORLD
GAZETTE, DOMINGO, 1º DE OUTUBRO DE 1899


iana observou sua tia Edith começando a descer a escadaria
principal da mansão, com a cauda branca de seu vestido
arrastando-se atrás dela. Ela ajeitou seus cachos e praticou
respirar com a barriga encolhida e os ombros jogados para trás. Estava usando o
mesmo vestido listrado que usara na semana passada, quando Henry viera visitá-
las. Diana não se preocupara em colocar outra roupa porque havia planejado
passar o dia no quarto, lendo um romance de Améle Rives. Mas agora seria
impossível trocá-lo por outro, é claro. Ela não teria como explicar para a tia que
precisava botar um vestido mais bonito para receber o noivo da irmã.
Quando Diana entrou na sala de estar, Henry levantou-se depressa, com
certo constrangimento.
— Srta. Diana - disse ele, tentando esconder um sorriso.
Diana atravessou a sala, desejando que tia Edith desaparecesse por apenas
um minuto - o que ela não faria com aquele minuto! - e sentou-se ao lado de
Henry. Naquela posição, sua tia poderia ver o lado direito de seu rosto, embora
ela não conseguisse enxergá-la. Era naquela cadeira que Elizabeth estivera
sentada ainda há pouco; Diana se deu conta disso ao ver o braço molhado e
manchado de chá. Ela contraiu os lábios, mas eles estavam estremecendo,
ameaçando se abrir num largo sorriso. Então, ergueu os olhos lentamente e
encarou Henry. Ele parecia um pouco nervoso, pois sabia que os dois estavam
sendo observados. Diana pousou as mãos sobre o colo e disse, cheia de
compostura:
— O tempo tem estado muito agradável, sr. Schoonmaker, mas temo que vá
mudar em breve.
— A senhorita tem toda razão - respondeu Henry, também com um excesso
de boas maneiras. - Quando estava entrando aqui, senti uma brisa gelada que
considerei um péssimo presságio.
— Oh! - exclamou Diana, piscando o olho para ele.
Henry cruzou as pernas e mexeu num dos botões de seu colete. Ele estava
com um terno cinza-escuro que deixava seus cabelos e olhos ainda mais
fascinantes. Diana percebeu que Henry estava precisando de toda sua força de
vontade para não cair na gargalhada.
— E o senhor gostou das festividades de sexta-feira, sr. Schoonmaker?
W

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Diana viu o canto esquerdo da boca de Henry se mexer e torceu para que
aquela frase significasse para ele o mesmo que significava para ela.
— Ouvi dizer que o senhor estava bastante ocupado... no Elysian.
— Sim... - disse Henry lentamente. - Essa foi a noite mais divertida da
semana passada. Começou um pouco enfadonha, mas logo se mostrou
particularmente... reveladora.
Diana sentiu o rubor se espalhando sobre suas faces. Ela tentou
desesperadamente pensar numa boa resposta, mas só conseguiu lembrar-se de
Henry vendo-a seminua em seu quarto. Diana gaguejou por um minuto e então
disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça:
— E o que traz o senhor aqui hoje?
Henry ficou sério de repente e ela se arrependeu de sua estupidez. Depois
de ler todos aqueles romances, certamente deveria ter sido capaz de pensar num
comentário inteligente para fazer. Já estava quase bolando um quando ouviu sua
tia Edith dizer:
— Oh, foi um motivo muito bom. Conte a ela, sr. Schoonmaker.
Diana olhou para Henry, tirando um cacho de cabelo da testa.
— O que foi? - perguntou ela, usando um tom mais agudo e infantil do que
pretendera.
Henry observou-a por alguns segundos, trancando o maxilar.
—Talvez seja melhor a senhora contar - disse ele a Edith, com alegria
forçada.
Diana percebeu que havia um machucado em sua bochecha esquerda. Então
a queda da treliça fora feia.
— Não, sr. Schoonmaker. É melhor que o senhor conte.
Henry se remexeu na cadeira, constrangido. Ele passou os olhos por toda a
sala antes de voltar a fixá-los em Diana. Ela achou que a temperatura houvesse
subitamente caído. Estava olhando para Henry de forma tão intensa, esperando
que ele dissesse o que viera fazer ali, que achou que fosse ter uma dor de cabeça.
— Sua irmã e eu... nós decidimos... Elizabeth e eu... antecipar a data do
casamento.
— A data do casamento?
Diana baixou os olhos rapidamente. Uma data marcada significava que o
casamento de Elizabeth e Henry era mesmo real e ela se deu conta de que, até
aquele momento, não acreditara que ele fosse acontecer de verdade. Os dois
estavam apenas noivos, eles não se gostavam, e Diana imaginara que as coisas
iam ficar daquele jeito para sempre.
— Mas por quê? - perguntou ela, mal conseguindo proferir as palavras.
Henry deu uma espiada em tia Edith e então ficou olhando nos olhos de
Diana por um longo tempo, sem dizer nada. Ela compreendeu. A brincadeira
acabara e ela teria de parar com seus sonhos ridículos.
— É mesmo maravilhoso - disse Henry, como se já houvesse explicado
tudo e recebido o cumprimento de Diana.
Ele falou bem alto, ansioso para disfarçar o momento. Diana achou sua
reação um pouco exagerada. Mas ela sabia que jamais tinha sido capaz de
esconder o que sentia e podia imaginar a cara que estava fazendo.

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— Na verdade, eu preciso ir - disse Henry. - Há muito a resolver se o
casamento for ser mesmo daqui a uma semana. Preciso dizer a Isabelle que
Elizabeth concordou em realizar a cerimônia no próximo domingo. Ela cuidará
dos preparativos.
Henry já estava de pé, com um ar adoravelmente preocupado. Ele se
moveu, bloqueando a visão de tia Edith e se inclinou de repente, tocando o
pescoço de Diana com os lábios. Então, ele se endireitou mais uma vez e disse,
muito formalmente:
— Desejo-lhe uma boa tarde, srta. Diana.
O breve toque de sua boca na pele dela causara uma série de deliciosos
tremores que agora irradiavam por seu corpo. Diana ficou imóvel enquanto
Henry se despedia de tia Edith. Ele foi embora rapidamente e ela ficou sozinha
na sala onde todos os grandes momentos da família - alegres, tristes ou
desesperadores - deveriam ocorrer.
Diana se afundou na cadeira o olhou para o assento vazio onde Henry
estivera. Foi então que viu o livrinho de Walt Whitman que devia ter caído de
seu bolso durante a visita. Ela pegou-o depressa e começou a procurar seu poema
preferido, pois gostou da idéia de encontrá-lo no livro de Henry. Mas não chegou
a achá-lo, pois o marcador dele caiu no chão e lá, escrita na já familiar caligrafia
de Henry Schoonmaker, estava uma mensagem só para ela.

ixÇ{É ÖâxÜxÇwÉ ÅÉáàÜtÜ t äÉv£ Éá }tv|ÇàÉá wt ixÇ{É ÖâxÜxÇwÉ ÅÉáàÜtÜ t äÉv£ Éá }tv|ÇàÉá wt ixÇ{É ÖâxÜxÇwÉ ÅÉáàÜtÜ t äÉv£ Éá }tv|ÇàÉá wt ixÇ{É ÖâxÜxÇwÉ ÅÉáàÜtÜ t äÉv£ Éá }tv|ÇàÉá wt
xáàâyt wt Å|Ç{t ytÅ•Ä|tA cÉwx ä|Ü ä£ xáàâyt wt Å|Ç{t ytÅ•Ä|tA cÉwx ä|Ü ä£ xáàâyt wt Å|Ç{t ytÅ•Ä|tA cÉwx ä|Ü ä£ xáàâyt wt Å|Ç{t ytÅ•Ä|tA cÉwx ä|Ü ä£@ @@ @ÄÉá xÅ ÄÉá xÅ ÄÉá xÅ ÄÉá xÅ
uÜxäxR aûÉ àxÇ{É ÑÄtÇÉá Çt àx܆t uÜxäxR aûÉ àxÇ{É ÑÄtÇÉá Çt àx܆t uÜxäxR aûÉ àxÇ{É ÑÄtÇÉá Çt àx܆t uÜxäxR aûÉ àxÇ{É ÑÄtÇÉá Çt àx܆t@ @@ @yx|Üt õá yx|Üt õá yx|Üt õá yx|Üt õá
ÇÉäxA ÇÉäxA ÇÉäxA ÇÉäxA

Diana olhou para a tia Edith, para ver se ela estava prestando atenção, e
então observou a sala de estar de sua casa. As inúmeras antigüidades, heranças de
família e objetos de arte pareciam pequenos e pálidos na luz do fim de tarde. Mas
o forte pulsar de seu sangue, as batidas rápidas de seu coração e o local onde a
boca de Henry lhe tocara - eles todos rebrilhavam. Diana achou que estava
começando a entender por que, em todos aqueles romances que já lera, as
paixões mais inebriantes eram as proibidas.











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enelope colocou uma roupa vermelha, como sempre fazia
em dias importantes. Esse vestido em particular era
vermelho vivo e o bordado das mangas de seu bolero era do
mesmo tom. Ela encomendara o vestido de Paris para poder usá-lo no outono e
estava muito feliz com sua escolha. Graças a ele, Penelope se destacava no
departamento de tecidos da Lord & Taylor, em meio a pilhas de musselina, seda
e renda branca. Elizabeth estava usando um vestido azul-claro e por isso quase se
misturava com os panos à sua volta, a não ser pelo fato de que sua roupa era de
um algodão bordado simples.
— Não há nada, na verdade - disse Elizabeth, suspirando e franzindo seu
pequeno nariz para Penélope. - Gostaria que tivéssemos tempo de ir a Paris.
— Vamos encontrar alguma coisa perfeita.
Penelope viu Elizabeth se inclinando para examinar uma peça de renda de
Alençon e lançou-lhe seu olhar mais furioso quando viu que ninguém estava
observando-as. Era inacreditável que essa menina franzina e enjoada tivesse uma
paixão secreta, e ainda por cima por um menino que morava num estábulo.
Penelope ainda achava espantoso e um pouco fascinante que Elizabeth Holland, a
garota que nunca dizia uma palavra errada, também tivesse desejos. Se as
circunstâncias fossem outras, ela teria querido ouvir todos os detalhes sórdidos
da história. Mas era tarde demais para isso agora.
— Você só está nervosa - disse Penelope, esforçando-se mais para parecer
solidária. - Por isso está achando tudo feio.
c

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— Acho que você tem razão - disse Elizabeth distraidamente, passando os
dedos por sobre um corte de musselina de seda cor de marfim. - Vai ser o
casamento mais horroroso de todos os tempos.
— Psiu! Vai ficar tudo divino, mais lindo até do que você imagina. Mas,
Liz, como você está fazendo sem empregada numa semana tão insana como
essa?
Penelope se aproximou de Elizabeth e também tocou o tecido incrivelmente
bem trabalhado.
— Eu comentei isso com você? - perguntou Elizabeth.
Penelope temeu que, de tão ansiosa por parecer simpática, tivesse revelado
o jogo cedo demais. Mas Elizabeth estava obviamente com coisas demais na
cabeça para se preocupar com tais sutilezas.
— Poderia ter sido um desastre, mas a sra. Schoonmaker me emprestou
duas criadas por essa semana - explicou ela. - E a menina que estava comigo, a
Lina, era terrivelmente incompetente. Eu devia tê-la demitido há muito tempo.
Penelope se aproximou um pouco mais, deixando que seu ombro tocasse no
de Elizabeth. Lina provara ser muito esperta ao pedir uma soma tão espetacular
por sua informação. Mas Penelope teria gastado até o dobro por aquele segredo
escandaloso. Ela conseguira os quinhentos dólares facilmente, afirmando para o
pai que queria doar o dinheiro para uma organização que estava construindo um
orfanato. E então, para colocar Lina de volta em seu lugar, Penelope a deixara
hospedada num hotelzinho que ficava numa rua cheia de bordéis.
— Esse é muito bonito - disse ela.
— É mesmo. Sr. Carroll!
O costureiro estava andando freneticamente de um lado para o outro no
departamento de tecidos, pegando tudo que Elizabeth pudesse considerar
interessante. A ideia de preparar todas as roupas do casamento em uma semana o
deixara quase enlouquecido, e Penelope não sabia se era Elizabeth ou o sr.
Carroll quem estava mais nervoso. Ele veio correndo.
— Sim, senhorita? - disse ele, segurando com firmeza a fita métrica que
tinha em volta do pescoço e inclinando-se ansiosamente.
— O que acha deste aqui? - perguntou Elizabeth, passando a mão sobre
uma seda branca brilhante. - Talvez com aquela renda belga que o senhor me
mostrou mais cedo?
— Acho que ficaria des-lum-bran-te - replicou ele, fazendo um gesto
elaborado com as mãos pequenas.
— Pode separá-lo por enquanto? Vou olhar mais um pouco.
— É claro, senhorita.
O sr. Carroll pegou o corte e saiu, enquanto Elizabeth partia para a fileira
seguinte. Lá fora, uma nuvem saiu da frente do sol e um raio de luz entrou pelas
janelas em arco, atravessando o enorme cômodo que parecia ser o pátio de uma
fábrica, com o chão feito de tacos simples de madeira e pilhas e mais pilhas de
tecido enfileiradas. Penelope pigarreou.
— Liz, posso lhe fazer uma pergunta?
Elizabeth deu um sorriso gentil.
— É claro.
— Você está... nervosa?

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— Com que parte?
Penélope fez questão de olhar em torno e fazer um ar envergonhado.
— Você sabe... com a parte da noite de núpcias.
Elizabeth cobriu o rosto delicadamente com a mão, mas Penélope viu que
ela não estava corando. Ela quase sentia mais afeição por Elizabeth agora que
sabia que esta não era tão terrivelmente perfeita.
— Não muito - respondeu Elizabeth.
— Você não acha que pode doer?
— Não - disse Elizabeth, dando de ombros.
Ela então pareceu se dar conta de algo e acrescentou rapidamente:
— Não sei por que, mas não estou com medo dessa parte. Talvez seja
estranho...
— Não tão estranho - disse Penelope, encarando Elizabeth e deixando de
lado o personagem que assumira ao longo da tarde. - Nem um pouco estranho, na
verdade.
Elizabeth corou violentamente. Suas pupilas se dilataram e por um longo
momento as duas meninas não fizeram nada além de se observar com atenção,
piscando seus belos olhos.
— É que eu não estava pensando nessa parte - explicou Elizabeth, na
defensiva.
— Não. E por que deveria? - perguntou Penelope num sussurro gélido. -
Afinal, já andou pondo esta parte em prática com um de seus empregados, não
foi?
Elizabeth abriu a boca de espanto.
— Não sei do que você está falando - disse ela baixinho.
O sol se escondeu mais uma vez atrás de uma nuvem e todo o imenso
cômodo foi mergulhado na penumbra. Penelope revirou os olhos.
— Se quiser passar uma hora negando a verdade, tudo bem. Mas eu sei que
você já passou diversas noites com um cocheiro chamado William Keeler. E
tenho provas.
Penelope não conseguiu deixar de sorrir. Era divertido amedrontar
Elizabeth daquele jeito.
— Que provas? - perguntou Elizabeth, completamente pasma.
— Um bilhete que ele escreveu para você. Foi na noite em que deixou a
cidade. Que adorável - disse Penelope, fazendo um gesto indiferente. - Ele pede
que você vá também, mas você obviamente preferiu não atendê-lo.
— Will deixou um bilhete para mim? - disse Elizabeth, franzindo o cenho.
— Ah, sim. Perdoe-me. É Will, não é?
Elizabeth estava tremendo e seus olhos haviam se enchido de lágrimas. Ela
uniu as mãos.
— Penny, você não pode contar isso para ninguém.
— Jura? - disse Penélope, fazendo uma expressão falsa de amuo. - Por que
não mesmo?
— Você ainda está chateada por causa de Henry...
— Oh, é muito mais do que isso. Mas é verdade, minha querida amiga Liz.
Eu ainda estou chateada. Henry era meu. Nós formávamos um casal magnífico. E
então, uma perversidade do destino destruiu tudo. Não sei bem como foi que

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aconteceu. Mas agora sei que posso consertar o estrago. Vou arruinar sua
reputação, Liz - afirmou Penélope, dando um sorrisinho malicioso. - Mas foi
você que fez tudo, meu bem. Eu só vou espalhar a notícia.
O olhar de Elizabeth pousou sobre o chão de madeira um pouco gasta e ela
continuou com as mãos postas. A luz natural do cômodo fazia seu cabelo louro
cintilar, dando-lhe um ar angelical que não abrandou a fúria de Penelope. Ela
mordeu o lábio inferior com seus dentes brancos e ergueu a cabeça.
— Penny, ninguém gosta de um escândalo.
— Eu gosto.
— Eu sei - disse Elizabeth baixinho, enunciando cada palavra. - É por isso
que você é você... e eu sou eu. Mas ninguém vai gostar mais de você se fizer de
tudo para me arruinar. Vai acabar com sua imagem.
— Ninguém precisa saber que eu...
— E quando você surgir um segundo depois tentando se casar com meu
noivo? Não seja tola, Penny.
Elizabeth deu um passo para frente com firmeza e, por um segundo,
Penelope vislumbrou a mulher de sangue quente que se escondia por detrás de
uma máscara de perfeição.
— Penny? - disse Elizabeth.
Ela ainda soava confiante, embora aquilo que queria e a extensão de seu
desejo estivessem estampados em seu rosto.
— Posso ver o bilhete?
Penelope atirou a cabeça para trás e bufou impacientemente. Ela colocou a
mão no bolso do casaco, pegou o bilhete e sacudiu-o na frente de Elizabeth por
tempo suficiente para que ela reconhecesse seu papel de carta.
— Pode ficar com ele para sempre se fizer o que eu mandar.
Penélope virou-se, exibindo suas costas cobertas de vermelho para
Elizabeth, que deu um passinho tímido em sua direção.
— O que você quer que eu faça?
— Encontre-me na minha casa na quarta-feira de manhã, às dez horas.
Tentarei pensar numa maneira de impedir que você se case com Henry sem
arruinar sua reputação.
— Mas eu...
Penelope passou a mão por um corte de seda bordado com fios de prata e
ouro e então observou Elizabeth por cima do ombro, vendo que seus olhos
estavam arregalados de fúria e medo.
— Liz, você não tem escolha.
Uma fina camada de suor surgira na testa de Penelope e seu estômago se
embrulhou. Estava na hora de ir. Ela tirou sua saia escarlate de cima dos pés e
marchou para o elevador sem olhar para trás. Sabia que Elizabeth estaria na sua
casa no horário marcado, com a mesma expressão de desespero.
Ao chegar numa fileira repleta de tecidos beges e cor de marfim, Penélope
colocou a mão sobre uma escrivaninha e disse:
— Ah, Liz... - Ela se virou e encarou Elizabeth, lançando-lhe um olhar
assustador. - Acho que você vai ter de escolher seu vestido sem minha ajuda.


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gÜ|Çàt x V|ÇvÉ gÜ|Çàt x V|ÇvÉ gÜ|Çàt x V|ÇvÉ gÜ|Çàt x V|ÇvÉ

Um comentário sobre cores: tons de vermelho,
escarlate e cereja devem ser escolhidos com
muito cuidado, especialmente por jovens
mulheres que se preocupam com a impressão
que se terá delas.

TRECHO RETIRADO DA LADIES'STYLE MONTHLY, SETEMBRO DE 1899


a tarde de seu primeiro dia de liberdade, Lina ficou
agradavelmente espantada ao pensar em todas as coisas
maravilhosas que poderia fazer para passar o tempo. Ela
saiu do hotel onde estava hospedada na rua Vinte e seis e entrou na Sexta
Avenida, ansiosa por começar sua nova vida. Agora que possuía uma fortuna tão
extraordinária, não desejava mais evitar os olhares das pessoas de alta classe ou
agradar a ninguém com exceção de si mesma. E queria que tudo que fizesse fosse
grandioso.
Lina passara grande parte da manhã dando detalhes sobre o romance de
Elizabeth e Will para Penelope Hayes e tornando-o ainda mais escandaloso, para
assim satisfazer sua nova benfeitora. Mas não contara a ela que a família Holland
poderia estar pobre. Estava compreendendo melhor a maneira como Penelope e
outras meninas lidavam com segredos e, agora que descobrira o quão valiosa
podia ser aquela informação, decidira guardá-la por mais algum tempo.
Penelope dera a Lina algumas roupas e jóias velhas em troca do bilhete e da
história sobre Elizabeth e Will. Os vestidos já haviam saído um pouco de moda,
mas Lina não podia reclamar. A roupa preta de empregada ficara para trás. Ela
passou cerca de uma hora experimentando suas coisas novas e finalmente
escolheu um vestido vermelho de poá. Penelope tinha dito que aquele era um de
seus favoritos, mas que todos já a haviam visto usando-o na primavera passada.
Mas os sapatos que Penélope lhe dera eram pequenos demais e Lina foi forçada a
colocar suas velhas botas puídas.
Lina observou seu reflexo na vitrine de uma floricultura que ficava na
esquina da rua Vinte e seis com a Sexta Avenida e admirou a forma como sua
silhueta ficava no vestido vermelho. Ele havia sido especialmente desenhado
para outro corpo, mas mesmo assim ficara bem nela. Seu nariz arrebitado e cheio
de sardas e seus lábios grossos não seriam considerados belos pela alta
sociedade, é claro, mas Lina ergueu o queixo e teve certeza de que possuía
alguma beleza. Era uma grande vingança poder usar seu talento para fazer
penteados nela própria.
Lina tinha certeza de que, no futuro, quando Claire visse o nome de sua
irmã caçula das colunas sociais, acima do nome de Elizabeth Holland,
a

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consideraria o dia em que ela fora mandada embora uma ocasião feliz. Will
também veria seu nome no jornal, é claro. Lina ficou deliciada ao imaginar a
surpresa dele em ver como a velha Liney ficara rica e famosa. Ele viria procurá-
la, com os olhos brilhando de admiração, e lhe diria o quanto sentira sua falta.
Era assim que Elizabeth Holland conquistava corações: nunca correndo atrás,
sempre bancando a difícil. Fora isso que Penelope dissera.
Lina sorriu para sua imagem na vitrine, que parecia estar mudando a cada
segundo, e então decidiu ir para o lado leste da cidade, passando pelas lojas de
chocolate e pelos alfaiates com seus toldos listrados, aproximando-se cada vez
mais de sua velha vizinhança. Logo, ela estava na Quinta Avenida. Estava no
território de Elizabeth mais uma vez, a poucos quarteirões da mansão dos
Holland, mas sua vida de empregada parecia ter séculos. Ao atravessar o parque
na Madison Square, Lina viu o arco do triunfo que havia sido erguido em
homenagem ao almirante Dewey e sua colunata. Atrás dela, a coluna do Madison
Square Garden se erguia bem no alto - ela sabia que Will já estivera ali uma ou
duas vezes, para ver algum jogo. Foi então que Lina avistou, do outro lado da
rua, o Fifth Avenue Hotel, um dos locais onde as meninas Holland iam tomar chá
com sua tia. Ela lembrou que era isso que as senhoras de classe faziam quando
não havia nenhum outro compromisso - tomavam chá. Lina observou o edifício
de mármore branco de seis andares, com suas janelinhas quadradas, e considerou
aquilo um sinal. Ela desamassou seu vestido vermelho.
A Avenida estava cheia de carruagens, bondes e homens usando chapéus.
Lina ia apenas beber um chá, mas sentia-se como se estivesse sendo apresentada
formalmente à alta sociedade. Pela primeira vez na vida, iam servir a ela, e não o
contrário. Lina se perguntou se ia encontrar com Elizabeth, talvez fazendo um
intervalo entre uma compra e outra na Lord & Taylor que, afinal, ficava a meros
três quarteirões dali. Como Elizabeth ficaria chocada ao descobrir que ela não era
mais Lina Broud, a criada. Agora era Lina Broud - Carolina Broud - uma mulher
com quinhentos dólares na bolsa e um futuro maravilhoso peia frente.
Lina atravessou a Avenida, pegando a saia nas mãos para que ela não
arrastasse na sujeira. Ela passou pela multidão de carregadores que estava parada
na porta do hotel e entrou no lobby, passando os olhos pelos suntuosos tapetes e
sentindo o cheiro delicioso de café e flores frescas. Lina já estivera ali antes, mas
sempre fazendo alguma coisa para a família Holland. Certa vez, ela até
vislumbrara a redoma de vidro que havia no salão de chá, sob a qual eram
exibidos os bolos disponíveis no cardápio. Lina deu um passo na direção do salão
e viu um dos atendentes do hotel vindo falar com ela.
— Boa tarde, senhorita... - disse ele, mas então parou de falar subitamente.
O homem olhou para o vestido, para os pés e para o rosto de Lina e ela, que
há poucos segundos estava plenamente confiante, sentiu-se muito envergonhada.
— A senhorita está hospedada no hotel? - perguntou o atendente.
— Não - admitiu Lina com um pouco de tristeza. - Estou na West Side Inn,
que fica na rua Vinte e seis...
Ela não teve coragem de continuar, pois viu que o homem estava olhando
de novo para seus pés. Lina olhou para baixo; ainda estava segurando o vestido e,
com isso, suas botas velhas estavam completamente à mostra. O atendente fez

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um gesto para um outro homem, que estava usando um uniforme igual, e ele se
aproximou.
Lina olhou em torno e se deu conta de que as senhoras que atravessavam o
lobby estavam acompanhadas por outras mulheres ou por um de seus criados. Ela
se perguntou como podia ter achado que conseguiria passar por uma menina de
alta classe tão facilmente e em tão pouco tempo. O primeiro atendente estava
olhando para ela e sussurrando algo para o segundo, que olhava com nojo para
suas botas.
— Com licença - disse o segundo atendente. - Você veio encontrar alguém
aqui no hotel?
— Não - respondeu Lina, arrasada.
— Então vamos ter de lhe pedir para sair - disse o primeiro atendente com
um sorriso de desprezo inteiramente desnecessário, pois Lina já estava se
sentindo bastante humilhada.
Ela gostaria de ter desaparecido naquele segundo, só para poder se afastar
do olhar de escárnio dos dois atendentes. Lina aproximou-se da porta e correu
para a rua, ouvindo o vestido vermelho farfalhar em suas pernas. Ela decidiu
entrar na Broadway, no local onde esta cruzava a Quinta Avenida, formando um
triângulo. Continuar a descer aquela avenida só serviria para lembrá-la do quanto
fora tola. Lina estava andando tão depressa que mal via o que estava à sua volta e
por isso levou um susto ainda maior quando bateu com força no peito de um
homem.
— Perdão, senhorita.
Lina reconheceu imediatamente o homem em quem esbarrara, mas levou
alguns segundos para acreditar que ele estava falando com ela com tanta
educação. Era o vendedor da Lord & Taylor, aquele que Claire declarara ser
bonito. Aquele que era contratado especialmente para seduzir as jovens da alta
sociedade - algo que Lina não era.
— Sinto muito - disse ela, abaixando os olhos.
— Não, sou eu quem lamenta - afirmou o rapaz timidamente.
Ele estava usando uma camisa social bege clara e um colete de seda
marrom e seu paletó estava pendurado no braço. Lina achou-o ainda mais belo do
que da primeira vez em que o vira, o que tornava ainda pior o fato de que ela não
conseguia imaginar nada para dizer. Ela ficou olhando estupidamente para seus
olhos cor de mel.
— Provavelmente vai considerar grosseiro da minha parte dirigir-me à
senhorita desta maneira, mas creio conhecê-la de algum lugar. Talvez tenha tido
o prazer de atendê-la na loja de departamentos Lord & Taylor?
Lina sorriu instantaneamente. Pelo menos uma pessoa no mundo não a
considerava uma criada.
— Ou talvez tenha visto seu retrato no jornal?
O rapaz da Lord & Taylor estava sorrindo também. Ele tinha um nariz
longo e um vestígio de barba no queixo e era muito mais alto do que Lina.
— Talvez uma menção sua, relacionada a algum baile?
Lina deu de ombros evasivamente. Após ter sido expulsa do hotel, ela
sentiu que precisava tomar muito cuidado para não cometer erros. Mas não

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queria que aquele momento acabasse. Ser confundida com uma dama, e ainda
por cima por um rapaz tão bonito e gracioso, era bom demais.
— A senhorita não está sozinha, está? Seus pais ainda estão no hotel?
Lina olhou para o prédio de mármore e ficou feliz ao ver que nenhum dos
dois atendentes estava na porta.
— Oh... não. Estou hospedada aqui sozinha.
— A senhorita me parece tão familiar... - disse o rapaz de novo, virando o
rosto para poder observá-la melhor.
Lina não conseguiu se controlar e continuou sorrindo alegremente.
— Acho que é um mistério - disse ela.
— Bem, a senhorita se incomoda se eu tentar me lembrar um pouco mais?
Talvez possamos tomar um drinque juntos.
Lina corou sem querer.
— Ah, sei que não parece correto, mas a senhorita não será a primeira
garota chique que vai comigo para partes menos luxuosas da cidade. Prometo
devolvê-la sem um arranhão.
— Não é isso - disse Lina, sentindo-se desconfortável de novo e temendo
revelar sua identidade verdadeira. - É que eu já estou envolvida com alguém -
explicou ela, lembrando que toda aquela metamorfose, ou pelo menos a maior
parte dela, era especialmente para Will.
— Não tem importância - disse o rapaz, dando um sorriso malicioso. - É só
por uma tarde. E eu prometo não contar a ninguém.
Lina pensou em Will mais uma vez e desejou que ele estivesse ali
cortejando-a no lugar do vendedor. Mas também desejou que esse momento
maravilhoso durasse mais um pouco.

***

Quando os olhos de Lina se acostumaram com a penumbra, ela viu um chão
repleto de serragem e paredes cobertas por folhas de jornal. Garçonetes mais
novas do que ela iam de mesa em mesa carregando canecas de cerveja. Havia
uma mulher gorda num dos cantos cantando uma musica chamada Old Folks at
Home, que Lina já ouvira Claire assobiar. Embora ainda fosse de tarde, a cena
dentro do bar achar que a noite caíra de repente.
— Bem diferente da Quinta Avenida, não é? - comentou o rapaz da Lord &
Taylor.
Lina assentiu e então se deu conta de que cometera um erro: ela não comera
nada o dia todo e estava se sentindo um pouco tonta. Além disso, todo o dinheiro
que Penelope lhe dera estava guardado na bolsinha de seda que levava debaixo
do braço. E ali estava ela, num bar no Bowery, uma região famosa por seus
bares, casas de penhores, bordéis e pessoas perigosas.
— Como é mesmo seu nome? - perguntou ela.
— Tristan Wrigley.
Lina reparou que o cabelo claro do rapaz estava um pouco desgrenhado e
ele sorriu com uma expressão enérgica que ela não compreendeu inteiramente.
— E o seu? - perguntou Tristan.

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— Carolina Broud.
Lina gostou do som de seu nome completo e sorriu. Arrependeu-se de não
ter expandido o sobrenome também, afirmando se chamar “Carolina Broudhurst”
ou “Carolina Broudwell”.
Tristan fez um gesto para o barman e em poucos segundos duas enormes
canecas de cerveja preta surgiram diante deles e a espuma derramou sobre o
balcão.
— Perdoe-me se não paro de olhar para a senhorita. Mas é que tenho
certeza de que nos conhecemos antes, mas seu nome não me soa familiar...
— Não faz muito tempo que fui apresentada à sociedade.
Lina tomou um gole de cerveja e não soube dizer se gostara ou não. Ela
nunca tinha tomado aquilo, só bebera um pouco do uísque de Will algumas
vezes, e achou que parecia algo estragado. Mas Lina se lembrou de que uma das
empregadas da cozinha um dia lhe dissera que, se não havia comida, uma cerveja
e um cigarro eram quase tão bons quanto. Então, ela bebeu mais um pouco e
disse:
— Eu devo me parecer com muitas outras meninas.
— Nem um pouco.
Tristan deu aquele sorriso de novo. Era um sorriso diferente de todos os que
Lina já vira e ele a fazia sentir feliz, aquecida e também um pouco culpada.
— A senhorita é muito bonita, srta. Broud.
— Não vá tendo nenhuma ideia, sr. Wrigley - avisou ela. - Já disse que
estou envolvida com alguém. Ele está no oeste do país tentando fazer fortuna,
mas isso não significa que...
— Ah, já entendi - disse Tristan alegremente, piscando um olho e fazendo
uma expressão parecida com a de Will. - Seu namorado não tem dinheiro o
suficiente para deixar seus pais felizes e por isso está tentando ganhar uns
trocados para poder obter sua mão.
Lina ficou lisonjeada ao ouvir aquilo e desejou que fosse verdade. Ela corou
e Tristan pareceu compreender que devia mudar de assunto.
— Aposto que a senhorita nunca viu um lugar como esse - disse ele,
virando-se para trás e observando o cômodo longo, que tinha um telhado baixo
feito de estanho. - Está vendo aquele homem de cartola?
Lina seguiu o olhar dele e viu um homem de estatura mediana com um
nariz amassado e olhos pequenos. Ele estava sentado numa mesa, cercado de
mulheres que lhe pareceram estar quase tão bem vestidas quanto ela.
— Aquele feio? - perguntou ela.
Tristan riu.
— Aquele é Kid Jack Gallagher. Matou um homem a socos há dois dias.
Foi uma luta longa e o oponente dele nunca tinha sido derrotado por ninguém.
Bom, até então, é claro.
— Se ele é um assassino, porque aquelas moças bonitas estão lhe dando
tanta atenção? - perguntou Lina, observando as mulheres em volta de Kid Jack.
— Não são moças bonitas. São putas. E estão ali porque sabem que ele
ganhou muito dinheiro com a luta.
— Ah.

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Tristan ergueu sua caneca e jogou a cabeça para trás, bebendo todo seu
conteúdo. Ele olhou para Lina de forma um pouco selvagem.
— Quer tentar?
Lina sorriu. Sempre gostara de um desafio. Ela jogou a cabeça para trás e
tomou toda a cerveja de uma só vez. Quase se engasgou, mas conseguiu. Tristan
fez outro gesto para o barman.
— Tome mais uma - disse ele, mostrando as duas novas canecas que
haviam surgido.
— Se o senhor insiste - disse Lina, olhando para sua segunda cerveja.
Ela já estava bastante tonta, mas adorara o fato de que Tristan lhe
considerava uma mulher da sociedade que enveredara por um mau caminho.
Além do mais, não queria voltar para o hotel e ficar sozinha naquele quarto
coberto por um papel de parede velho e com vista para outro prédio.
As horas se passaram. Lina inventou diversas historinhas sobre si mesma
para contar a Tristan, sempre tomando cuidado para não dar muitos detalhes. Ele
ouviu tudo com grande interesse. Ela bebeu mais três cervejas e, quando se deu
conta, estava quase caindo do banquinho em que se sentara.
— Ei - disse Tristan gentilmente, ajudando-a a se endireitar. - Tome
cuidado.
— Obrigada.
Lina deu uma risadinha, colocou a mão sobre a boca e arrotou, dando um
sorriso bobo para o homem que estava sentado ao seu lado.
— Sabe, Christian - disse ela, apertando os olhos para ele e perguntando-se
se o nome que dissera estava correto. - Gosto de você. Não tanto quanto gosto de
Will. Jamais poderia amar outro homem além dele. Mas gostei de conversar com
você.
Tristan pegou a mão de Lina e beijou-a.
— Acho que finalmente lembrei quem você é. É amiga de Adelaide
Wetmore, e foi comprar broches na loja há duas semanas.
Lina riu e balançou a cabeça.
— Talvez uma das netas do comodoro Vanderbilt?
Lina ergueu as sobrancelhas ao ouvir essa sugestão, mas teve de balançar a
cabeça de novo.
— Então, talvez eu esteja reconhecendo-a porque a senhorita está envolvida
no casamento de Elizabeth Holland e Henry Schoonmaker?
Ao ouvir aquele nome, Lina parou de sorrir.
— É isso, não é? Você é uma das amigas de Elizabeth Holland?
— As Holland - disse ela, furiosa. - A família toda é horrível.
Principalmente Elizabeth.
— É mesmo? Ela sempre me pareceu muito educada.
Lina balançou a cabeça com nojo. Ela lembrou que, se Elizabeth não tivesse
enganado Will e roubado seu amor, ele estaria apaixonado por ela.
— Ela é assim em público. Mas quem a conhece sabe bem que ela é
insuportável.
Lina parou de falar, concluindo que já revelara demais. Então, ela se
recordou de que o homem com quem estava conversando cobrara contas de seus
ex-empregadores.

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— Além do mais, eu sou muito mais rica do que os Holland.
— É mesmo? - disse Tristan, colocando lentamente sua caneca sobre o
balcão. - as os Holland são uma família tão antiga.
— Mesmo assim - disse ela orgulhosamente, sabendo que estava sendo tola,
mas incapaz de parar. - Eu poderia comprar todas elas.
— Sério? E o que faria com elas se as possuísse?
— Eu as obrigaria a esfregar o chão da minha casa, a remendar minhas
meias e a comprar lírios de uma cor muito específica para mim - disse Lina,
adorando aquela fantasia.
— Parece trabalho demais para as Holland - disse Tristan com um olhar
maroto.
— Ah, você não as conhece. Família horrível. São umas princesinhas.
Principalmente Elizabeth - disse Lina, tomando um gole de cerveja - Gostaria
que ela morresse.
— Posso dar um jeito - afirmou Tristan, inclinando-se para frente. - Sei que
quem me vê com esse terno e esse jeito de falar pensa que não combino com
pessoas como Kid Jack Gallagher. Mas se você quiser fazer Elizabeth Holland
desaparecer...
Tristan ergueu uma de suas sobrancelhas louras. Lina deixou sua caneca
cair pesadamente sobre o balcão, desconcertada com essa mudança de assunto.
Então, ela olhou para Tristan - que estava sério agora, mas que estivera tão alegre
a tarde toda - e percebeu que ele devia estar brincando. Ela colocou a mão na
frente da boca e deu uma risadinha. Era terrível rir daquilo, mas havia uma certa
graça na ideia de Elizabeth sendo assassinada por um dos rapazes que
costumavam entregar seus vestidos. Além disso, era só uma fantasia.
— Ia ser bem feito - disse Lina após parar de rir.
— Vamos brindar a isso, Carolina - disse Tristan, batendo sua caneca na
dela.
Logo, o mundo todo pareceu estar embaçado; os rostos das pessoas em
torno ficaram distorcidos e a música ficou mais alta. O brinde com Tristan foi a
última coisa de que Lina se lembraria no dia seguinte.
















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VÉÅ tÅÉÜ? VÉÅ tÅÉÜ? VÉÅ tÅÉÜ? VÉÅ tÅÉÜ?
fxâ Ñt|A fxâ Ñt|A fxâ Ñt|A fxâ Ñt|A


lizabeth acordou cedo na terça-feira e não conseguiu
adormecer de novo, embora tenha ficado grata pelo pouco que
dormira. Ela passara a noite inquieta e rodeada por fantasmas.
Não teve energia para escolher uma roupa nova e por isso colocou o mesmo
vestido que usara no dia anterior, o vestido de algodão bordado com decote
quadrado e mangas três-quartos franzidas. Ainda faltava muito para a hora do
café da manhã quando ela terminou de ser vestir. Mas, de qualquer maneira,
Elizabeth não estava com fome, e por isso foi para a saleta que havia no terceiro
andar. Era ali que as mulheres da família Holland escreviam suas cartas e
guardavam sua correspondência.
A coisa mais importante que Elizabeth encontrou no cômodo foi uma pilha
de tecidos da Lord & Taylor que deviam ter sido entregues na tarde do dia
anterior. A saleta era mais simples que o resto da casa, com o chão feito de tacos
largos de madeira escura e uma cornija de metal sem adornos na lareira. O papel
de parede era marrom com folhas de veludo. Os metros e mais metros de
musselina de seda e renda belga cintilavam na escrivaninha do canto do
aposento. Lá havia também um bilhete do sr. Carroll, pedindo que ela lhe
dissesse se aprovava os tecidos e afirmando que seu assistente passaria ali de
tarde para apanhá-los e levá-los para sua loja na rua Vinte e oito. Mas Elizabeth
não estava com cabeça para aquilo. O que ela desenhava, mais que tudo, era
poder conversar com seu pai.
As cartas que Edward Holland enviara para sua filha mais velha ficavam
guardadas em diversas das pequenas gavetas de uma enorme armário de mogno.
Elizabeth recebera envelopes brancos com selos do Japão, da África do Sul e do
X

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Alaska, e mantinha todos organizados por data, amarrando as cartas de cada mês
com uma fita azul-clara. As cartas de seu pai estavam repletas de observações
sobre povos estrangeiros e ideias sobre o que era ter dignidade pessoal. Edward
Holland viajara muito. Ele dizia que o fazia por causa dos negócios, mas na
verdade quisera ver o mundo.
Elizabeth abriu uma das gavetas e tirou um punhado de cartas. Mesmo antes
de seu pai morrer, ela criara o hábito de vir até a saleta e escolher uma de suas
cartas a esmo, buscando conselhos ou sabedoria. Agora, precisava disso mais do
que nunca e, por isso, fechou os olhos e percorreu as margens abertas dos
envelopes brancos com a ponta de seu belo dedo. Quando escolheu um, Elizabeth
abriu os olhos e viu as letras longas e inclinadas desenhadas por seu pai. Ela
pegou o envelope e releu o bilhete, que devia ter vindo junto com um presente
qualquer.
— “Lembre-se sempre de ser verdadeira” - leu ela num sussurro. -
“Verdadeira e honesta como a menina que eu conheço tão bem.”
Elizabeth sentiu a vergonha se espanhando por seu corpo. Entãi era isso que
seu pai lhe diria se estivesse vivo. Ela fechou os olhos e pensou no quão mal as
palavras “verdadeira” e “honesta” lhe descreviam naquele momento. Mas talvez
ainda houvesse tempo para mudar isso.
Elizabeth se virou, atravessou o corredor e entrou no cômodo que servira de
escritório para seu pai, segurando o bilhete.
Agora, aquele aposento era usado por sua mão todas as manhãs, onde ela
examinava as contas cada vez mais numerosas da família e lia os jornais, como
se esperasse encontrar uma maneira de reaver sua fortuna. Elizabeth encostou o
rosto na porta e bateu.
Ninguém respondeu. Ela esperou alguns segundos e entrou, pisando leve.
Ali estava sua mãe, vestida de negro e sentada à grande mesa de carvalho com
tampi de couro vinho onde seu pai costumava escrever. Os cabelos da sra.
Holland, que estavam sempre muito bem presos e muitas vezes também cobertos
por um chapéu, caíam-lhe pelos ombros. Eles eram do mesmo tom de castanho
que os de Diana, mas tinham alguns fios brancos. A sra. Holland olhou para cima
e desejou bom dia para a filha.
— Mamãe, preciso falar com a senhora sobre esse casamento - disse
Elizabeth, entrando no aposento na ponta dos pés.
A sra. Holland assentiu, indicando que ela podia continuar a falar, mas não
tirou os olhos da carta que tinha nas mãos.
— Tenho pensando nas coisas que papai desejava para nós, na maneira
como ele vivia sua vida e como esperava que vivêssemos a nossa. Estava lendo
suas cartas esta manhã e encontrei uma na qual ele me pedia para ser sempre
verdadeira e honesta. Casar com Henry Schoonmaker me impediria de ser ambas
as coisas.
Elizabeth esperou que sua mãe dissesse alguma coisa, mas ela nem se
moveu.
— Acho que papai gostaria que eu me casasse por amor - disse ela, com a
voz trêmula. - E, embora eu fique muito lisonjeada com o interesse do sr.
Schoonmaker e saiba que ele é uma pessoa muito importante, sei que não o amo,
nem um pouco. E acho que nunca amarei.

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A sra. Holland se recostou na cadeira de carvalho e couro em que estava
sentada, mas mesmo assim não olhou para sua filha.
Ela comprimiu os lábios, mas não fez qualquer outro movimento. Embora a
sra. Holland nunca houvesse sido bonita e houvesse envelhecido muito desde a
morte do marido, Elizabeth podia discernir nela a menina que tanto
impressionara seu pai quando ainda se chamava Louisa Gansevoort. Cada gesto
seu demonstrava autoridade.
— Creio que devo ficar feliz com a deserção de nossos funcionários, já que
não posso mais pagá-los. Mas é doloroso, especialmente por ele ter sido o criado
pessoal de seu pai.
Elizabeth ficou tão pasma com essa alusão a Will que disse a primeira coisa
que lhe veio à cabeça.
— O que você está lendo, mamãe?
— É uma carta, minha filha.
— De quem?
— De Snowden Trapp Cairns, que foi o guia de seu pai quando ele viajou
para o Yukon, no Alaska.
— Oh - disse Elizabeth, lembrando vagamente daquele cavalheiro de
Boston, que tinha cabelos louros e boas maneiras, apesar de gostar de passar o
tempo escalando montanhas. - Ela é muito interessante?
A sra. Holland largou a carta e olhou para cima. Seu olhar estava tranquilo
e ela avaliou a filha de forma quase melancólica.
— Seria muito bom se você pudesse se casar por amor, minha filha. Talvez,
se seu pai não tivesse sido morto... - Ela fez uma pausa, franzindo os cantos da
boca. - Mas não agora.
— Morto?
Elizabeth sentiu uma dor física ao pronunciar aquela palavra. Toda sua
confiança desapareceu, dando lugar para essa nova mágoa.
— Mas o papai teve um ataque cardíaco quando estava dormindo!
A sra. Holland fez um gesto de desespero.
— Essa foi a única maneira possível de contar a história para vocês duas... e
para todo mundo. Seu pai era jovem demais para ter um ataque cardíaco. O sr.
Cairns me diz nessa carta que ele se envolveu numa transação suspeita de terrar
no Alaska pouco antes de sua morte. Essas pessoas não são educadas como os
Holland. Garimpeiros não vêm de famílias como a nossa. Em geral, eles são
criminosos. E seu pai se envolveu nessa história.
Elizabeth achou que ia passar mal e precisou direcionar toda sua energia
para não cair desmaiada.
— Não importa mais, querida Elizabeth. Temo que seu pai tenha feito
escolhar muito ruins na hora de investir sua herança. Ele teria gostado de vê-la se
casando por amor, mas não ficaria feliz em saber que sua família estava
arruinada. É isso que você quer? Que sua família fique arruinada?
Elizabeth balançou a cabeça devagar, aterrada. Ela estava sentindo as
lágrimas surgindo em seus olhos e há dias não fazia outra coisa além de chorar.
— Ótimo, porque só há uma coisa a fazer. A vontade de seu pai seria vê-la
colocando sua família antes de você mesma, Elizabeth. É o que pessoas como
nós sempre fizeram.

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A sra. Holland ergueu o queixo e levantou levemente a voz para deixar
clara sua posição:
— Você precisa se casar com Henry, Elizabeth. Não vou mais considerá-la
minha filha se não o fizer.












































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TyxàâÉátÅxÇàx? TyxàâÉátÅxÇàx? TyxàâÉátÅxÇàx? TyxàâÉátÅxÇàx?
gÜ|áàtÇ jÜ|zÄxç gÜ|áàtÇ jÜ|zÄxç gÜ|áàtÇ jÜ|zÄxç gÜ|áàtÇ jÜ|zÄxç


uando Lia Acordou, ela estava coberta de suor frio. Sua cabeça
doía e havia um zumbido detestável em seus ouvidos. Estava
numa cama, porém uma que era bem mais larga que a de seu
quarto de hotel. O teto era de madeira sem qualquer pintura ou ornamento e só
havia uma janela no aposento, estreita e suja, que dava para uma rua do centro da
cidade. Lina tentou se lembrar de como viera parar ali, mas só se recordou de um
bar escuro cheio de figuras embaçadas e de suas risadas incontraláveis. Um
segundo depois ela se lembrou de Tristan, da cena em frente ao Fifth Avenue
Hotel e do fato de que saíra ontem com toda sua fortuna dentro da bolsa.
Lina colocou a mão no peito e saiu correndo da cama. Ela ainda estava
usando a anágua e o espartilho que Penelope lhe dera e encontrou o resto de sua
roupa empilhado na única cadeira que havia no quarto. Sua bolsa estava acima do
vestido, que fora muito bem dobrado, e todas as notas estavam lá dentro. Havia
um bilhete também.
Lina leu a primeira parte do bilhete sem entender direito - do que ele ia
cuidar, exatamente? Mas a parte dos sapatos estava bastante clara. As
vergonhosas botas de Linas haviam desaparecido e, no lugar delas, surgira um
par de sapatos de couro com saltos baixos, tão belos quanto qualquer objeto das
Holland. Por alguns segundos, Lina só consegiu se concentrar neles.
Ela colocou-os e deu alguns passos pelo quarto, vestindo apenas a anágua, o
espartilho e seus sapatos novos. Nada jamais lhe caíra tão bem. Lina imaginou
seu futuro como uma dama da sociedade, repleto de vestidos feitos sob medida e
sapatos elegantes. Ela se casaria com Will Keeler, que já teria feito uma fortuna
d

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no oeste do país. Por alguns segundos, ficou deliciada, mas um raciocínio lógico
surgiu em sua mente enevoada e todas as coisas boas que estava sentindo foram
substituidas por uma imensa vergonha.
Ela estava saltitando pelo quarto de um estranho, usando nada além da
roupa de baixo qua ganhara da ex-amiga de sua ex-patroa. Ontem, Lina tivera a
chance de se comportar como uma moça de família rica, mas, em vez disso, se
embebedara num lugar vulgar e agora estava ali, acordando num quarto estanho
sem se lembrar direito do que acontecera na noite anterior. Lina sentiu desprezo
por si mesma por ter se desviado tanto, e tão rapidamente, do caminho que
pretendia trilhar.
Ela vestiu-se depressa, pegou a bolsa e o bilhete e saiu dali o mais
rapidamente possível, descendo por uma escada estreita e se perguntando como
pudera se deixar enganar tão facilmente. Tristan a confundira com uma dama,
mas Lina acabara de perceber que estava muito longe de ser uma.

































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gÜ|Çàt x b|àÉ gÜ|Çàt x b|àÉ gÜ|Çàt x b|àÉ gÜ|Çàt x b|àÉ

Aparentemente, a srta. Elizabeth Holland perdoou seu noivo, o sr.
Henry Schoonmaker, por sua má conduta durante os festejos em
homenagem ao almirante Dewey, pos há rumores de que o casamento
foi antecipado para este domingo, oito de outubro. Devido ao tempo
escasso para os preparativos, dizem que os melhores floristas,
cozinheiros e costureiros da cidade estão trabalhando sem parar para
conseguir organizar o suntuoso evento. É muito provável que a união
das famílias Holland e Schoonmaker possa ser considerada como o
maior casamento do século XIX.

NOTA DA COLUNA “GAMESOME GALLANT”, DO JORNAL NEW YORK
IMPERIAL, TERÇA-FEIRA, 3 DE OUTUBRO DE 1899.


— O maior casamento do século XIX! - repetiu Penelope enojada.
Ela estava caminhando devagar pela sala de estar, reservada apenas para
seu uso pessoal, que ficava no segundo andar da mansão de sua família. A tarde
estava bonita e a cidade estava agitada. Penelope, que segurava seu cãozinho
perto do peito, beijou a cabeça dele.
— É uma certa hipérbole, você não acha? - perguntou ela.
— Definitivamente é um certo exagero - respondeu Isaac, que fumava um
pequeno cigarro fúcsia. - E você sabe que, em geral, eu gosto de exageros.
— Pelo amor de Deus - disse Penelope, revirando seus enormes olhos azuis.
- Meu nome, e não o de Liz, deveria estar no jornal ao lado do de Henry. Ela me
deixa furiosa.
Penelope bateu o pé no chão uma vez, voltou-se abruptamente e andou das
janelas que davam para o oeste até as janelas que davam para o sul. Isaac cruzou
suas pernas grossas e exalou um pouco de fumaça.
— Eu conheço o rapaz que escreve essa coluna. Ele se chama Davis
Bernard. É primo de segundo grau da minha mãe ou qualquer coisa assim. Talvez
nós pudéssemos...
— Mas não importa, porque eu não estou noiva de ninguém, estou?
Penelope, que usava um vestido preto, estava sentindo calor e coceira, além
de estar impaciente com tudo e todos. Teve vontade de arrancar o estofado
branco e dourado dos móveis da sala, mas ainda não perdera a cabeça a ponto de
destruir um bom brocado. Ela suspirou, voltou-se para Isaac e disse, mais
controlada:
— Desculpe. Não quis ser grosseira. É tudo tão difícil... Ela praticamente
me ameaçou, sabia?
— Mesmo? Como?

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— Ela disse que se eu contasse a todos o que ela fez, isso também acabaria
com a minha imagem - respondeu Penelope, voltando a quase gritar. - Com a
minha imagem! Como se fosse eu que estivesse dormindo com o cocheiro!
Isaac ergueu suas sobrancelhas claras e perfeitamente esculpidas.
— Ela tem razão - disse ele com cuidado. - Vai ser difícil para você reaver
Henry se estiver ligada à ruina de Elizabeth, ou parecer de beneficiar dela. A alta
sociedade não gosta dos orportunistas.
Isaac balançou o dedo de um lado para o outro. Penelope emitiu um som
gutural e arregalou os olhos;
— Eu não sou uma oportunista! - lamuriou-se ela.
Robber se remexeu, querendo pular para o chão, mas Penelope segurou-o
com firmeza. Ela andou até onde Isaac estava e desabou no sofá ao lado dele.
Alguns segundos de um silêncio constrangedor se passaram e então Penelope
continuou, com a maior tranquilidade possível.
— Eu não vou suportar se ela ficar com ele. Entendeu? Precisamos de um
plano, um plano perfeito, que acabe com esse noivado imediatamente.
— Nós vamos pensar em alguma coisa.
Isaac coçou a cabeça de Robber e deu tapinhas carinhosos nos dedos longos
de Penelope.
— Ela vai estar aqui amanhã de manhã. Como vamos conseguir pensar num
plano em menos de vinte e quatro horas?
— Penny, você sabe que eu sou muito vom nisso...
— Ela é tão perfeita em tudo! - interrompeu Penelope, levantando-se e
jogando Robber no colo de Isaac. - Todo mundo acha! E, enquanto isso, ela
estava... fazendo você sabe o que com os serviçais.
Penelope deu um sorrisinho quando algo lhe ocorreu.
— Ela provavelmente achava que estava fazendo a coisa correta para um
cristão, entregando-se para quem mais precisava - disse ela.
Isaac deu uma risadinha sadônica ao ouvir isso.
— E você acha que ela vai aparecer amanhã?
— É claro. Ela deve estar apavorada. Eu estaria.
Penelope riu sem alegria, cruzou os braços e continuou a andar de forma
agitada por sobre o chão de nogueira negra.
— Você devia ter visto a cara dela, Isaac. Parecia um fantasma, de tão
branca.
Isaacbateu a cinza do cigarro no cinzeiro, que era mantido a um metro do
chã por uma escultura de diversas ninfas banhada a ouro. Ele apoiou o queixo na
palma da mão, pensativo.
— Bem... já um bom começo.
Penelope trincou o maxilar e cerrou os punhos, balançando-os no ar com
frustração.
— É claro que é um bom começo. Seria melhor ainda se pudéssemos
mostrar para todo mundo a piranha que ela é. Assim, todos compreenderiam por
que ela não pode se casar com Henry e tudo voltaria para o lugar. Mas
aparentemente, isso seria ruim para a minha imagem.

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Penelope soltou um grito, atirou-se no chão e bateu nele com os punhos.
Isaac se levantou do sofá e pegou-a pelas axilas, obrigando-a a ficar de pé. Ele
abriu um enorme sorriso, fazendo suas bochechas gorduchas se moverem.
— Você precisa se acalmar. Nunca vai conseguir o que quer se não puder
controlar sua raiva.
— Eu sei!
Penelope respirou algumas vezes, tentando lembrar que já virara o jogo a
sei favor. Ela se apoiou em Isaac e os dois foram até as janelas que davam para a
Quinta Avenida. Lá embaixo, carruagens passavam devagar, carregando
passageiros que fingiam não estar observando os veículos ao lado e que às vezes,
quem sabe, também olhavam para cima para ver se conseguiam deslumbrar a
menina mais bela da cidade. Penelope virou de costas para a Avenida, mostrando
a curva dramática de sua coluna para os passantes. Ela detestava pensar que
qualquer um deles pudesse considerá-la uma pessoa fraca.
— E ainda por cima eles anteciparam esse casamento só para me
enfurecer...
— Bem, tenho certeza de que não foi só para lhe enfurecer.
Penelope olhou com ódio para Isaac.
— Não vou tolerar perder para Elizabeth! - berrou ela. - Não quero que
todos achem que uma idiota de uma dessas famílias velhas roubou meu
namorado!
— Calma, minha querida - disse Isaac, massageando os ombros da amiga e
usando um tom de voz bem doce. - Não podemos ficar dando voltas dessa
maneira. Precisamos pensar num plano até amanhã. Temos as cartas certas na
mão. Só precisamos saber como vamos jogar. E vamos saber.
Penelope pousou o rosto na lapela de Isaac e lembrou-se da cena na Lord &
Taylor, tentando descobrir qual era a fraqueza de sua rival. Mas tudo o que viu
foi o rosto de Elizabeth, com o queixo tremendo e os olhos repletos de tristeza.
Ela continuava enlouquecida de raiva e por isso levantou mais uma vez, foi até o
sofá onde Robber estava deitado e pegou-o. O cãozinho soltou alguns latidos,
mas Penelope se recusou a largá-lo.
— Precisamos encontrar um jeito, Isaac. Não vou aguentar perder. Prefiro
ver Elizabeth morta ao vê-la casada com meu Henry.














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TRECHO DO DIÁRIO DE DIANA HOLLAND, TERÇA-FEIRA, 3 DE OUTUBRO DE
1899.


ntão foi mesmo nove da noite que você quis dizer! -
exclamou Diana.
Henry havia aberto o portão lateral para ela e os dois
tinham atravessado um caminho de cascalho e entrado na estufa de teto de vidro.
Após fechar a porta, ele se virou e sorriu para Diana, fazendo-a esquecer
instantaneamente de tudo que planejara dizer.
— Tive medo de que você não entendesse - disse ele alegremente. - Mas
não muito medo.
Diana ainda estava segurando o marcador que encontrara dentro do livro de
Walt Whitman e que agora estava no bolso de sua capa. Ela o lera diversas vezes
no caminho, só para se certificar de que Henry Schoonmaker a convidara para
visitá-lo, e numa hora inapropriada para moças de família.
A estufa cheirava a terra e flores e continuava tão bela como naquela noite,
há uma semana e meia. Eles passaram por folhas gigantescas e mudas raras e,
quando chegaram do outro lado, Hanry abriu uma porta que dava num quartinho.
O teto ali também era de vidro, mas fosco e mais baixo, e havia uma cama
coberta por uma colcha feita à mão.
— Esse era o quarto do jardineiro - explicou Henry. - Mas ele começou a
namorar uma das costureiras de Isabelle, e agora eles estão casados e dormem
juntos na casa. Ele me deixa usá-lo de vez em quando.
Diana se perguntou o que ele queria dizer com “de vez em quando” e o que
queria dizer com “usar”. Mas ficou absorta pela beleza do quarto. O ar era fresco
por causa de todas as plantas e a iluminação vinha de lâmpadas amarelas simples.
Não havia velas, incenso ou champanhe, sempre presente nas cens de sedução
@X

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descritas nos folhetins. Eles pareciam estar distantes de tudo, num lugar remoto e
belo.
— É lindo aqui - disse ela.
— Para ser sincero, não achei que você viesse. Afinal, a única coisa boa que
tenho é minha estufa - disse Henry provocando-a e fazendo-a se lembrar de como
ele parecera diferente quando ela dissera essa frase. - Achei que ia querer vir,
mas...
— Mas achou que eu não ia conseguir? Sou bastante engenhosa, Henry.
Diana piscou para ele, que sorriu. Os dois estavam sorrindo sem parar. Ela
tirou o capuz de sua capa e esperou que Henry viesse pegá-la. Foi o que ele fez,
desabotoando-a de cima para baixo e deixando Diana apenas com seu vestido de
cambraia azul-marinho de bolinhas, que ela botara para não parecer que estava
indo a nenhum lugar especial se fosse pega.
— Que bom - disse Henry.
Ele olhou para Diana com admiração até que ela começou a ficar
vermelha. Então, Henry botou os dedos na gola do vestido, onde ficavam os
primeiros botõezinhos brancos.
— Eu não queria estar muito bem-vestida, caso alguém...
Henry interrompeu-a com um logo beijo na boca. Ele enlaçou-a e trouxe-a
mais para perto, apertando seu corpo contra o dela e deixando a palma da mão
em suas costas, o que causou uma sensação deliciosa em Diana. Foi um beijo
molhado, com um ritmo próprio, que não acabava nunca. D iana temeu que a
emoção fosse forte demais para seu coração inexperiente. Henry estava sorrindo
quando finalmente se afastou dela, mas seu sorriso agora era mais gentil.
Henry pegou o primeiro botão e virou-o entre os dedos. Diana deu um
suspiro fundo que fez seu peito subir e descer. Então, ele foi desabotoando um a
um, até chegar em seu torso. A parte de cima do vestido de Diana caiu sobre sua
cintura e ela ficou só com um chemise transparente lhe protegendo os seios.
Diana pressionou um lábio contra o outro, tentando respirar mais devagar. Henry
manteve os olhos fixos nela enquanto tirava seu vestido pela cabeça. O vestido
caiu ao chão e Diana ficou apenas com a roupa de baixo.
Ela jogou a cabeça para trás e seus olhos escuros brilharam.
— Então você me atraiu aqui para me arruinar? - disse, com a voz mais
rouca do que o normal.
Henry beijou o pescoço dela, no lado oposto ao que beijara no dia anterior e
então afastou os braços.
— Não, prometo que não vou fazer isso.
Diana tentou não demonstrar desapontamento. Henry deitou na cama e
dobrou os braços atrás da cabeça para fazer um travesseiro. Ele estava com uma
camisa amarelo-clara e pareceu mais esguio do que nunca deitado ali.
— Chamei-a aqui para que você pudesse me fazer todas as perguntas que
quis fazer quando nos conhecemos. Qualquer pergunta, e juro que vou responder
honestamente.
Henry piscou o olho para Diana, o que a deixou mais tranquila, e ela ficou
um pouco aliviada de não ter que fazer aquilo no que estava sempre pensando.
Pelo menos, não por enquanto.
— Qualquer pergunta? - quis saber ela, sentando ao lado dele na cama.

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— Qualquer uma.
Ele escolheu um cigarro da cigarreira dourada que deixara na mesa de
cabeceira e acendeu-o. Diana pegou o cigarro, deu uma tragada e devolveu-o. Ela
exalou, olhando para o teto, e então o encarou.
— Muito bem... se posso fazer qualquer pergunta... então me diga o que
você acha de mim.
Henry deu uma risada e tragou o cigarro, pensativo.
— Acho que você é a menina mais naturalmente adorável que já vi. Tem
uma expressão marota que você faz que me dá vontade de saber exatamente o
que está passando pela sua cabeça e ajudá-la a colocar qualquer travessura em
prática. Gosto do seu jeito engraçado de andar, e de como sempre parece grande
demais para qualquer aposento. Para ser breve, srta. Diana - ele pegou a mão dela
e beijou-a -, direi apenas que você tem mais vida do que qualquer outra pessoa
que conheço.
Diana mordeu o lábio e sentiu o sangue lhe subindo às faces.
— Gostei dessa brincadeira - sussurou ela.
— Eu poderia passar a noite toda lhe elogiando, mas você logo ficaria
cansada. Faça outra pergunta.
— Você já partiu mesmo inúmeros corações?
Diana percebeu que a alça de seu chemise caíra, deixando seu ombro nu,
mas ela não a colocou de volta no lugar.
— Já parti corações, mas não tantos como dizem por aí.
— Já se apaixonou?
— Já - disse Henry firmemente, com uma expressão um pouco triste. - Uma
vez.
— Quem era ela?
— Agora você precisa prometer que não vai contar a ninguém o que vou
lhe dizer.
Diana respirou fundo, excitada, e deitou-se de lado na cama, apoiando a
cabeça na palma da mão.
— Prometo.
— Ela pertencia à alta sociedade nova-iorquina, assim como você, e seu
nome de solteira era Paulette Riggs, mas quando a conheci ela já se chamava
Lady Deerfield.
— Paulette Riggs! Ela tem quase trinta anos! - exclamou Diana, sem
conseguir de controlar. - E é casada com um lorde!
— Eu sei - disse ele, soltando uma risada malancólica e encontrando
habilmente a coxa de Diana por debaixo do chemise. - Mas eu tinha dezoito anos
na época e ela era a coisa mais fascinante que já vira. Ela passou a temporada em
Newport, porque seu pai estava doente naquele ano, e Lorde Deerdield ai caçar
tantas vezes que a fez se sentir sozinha.
— Como foi que acabou?
— Mal - disse Henry, suspirando e apertando um pouco a coxa de Diana. -
Ela simplesmente se cansou de mim após algum tempo, mas eu continuei
escrevendo cartas e tentando marcar encontros que nem um idiota.
— Você tem saudades dela?

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Diana ficara um pouco assustada ao saber que essa mulher, que tinha a pele
muito branca, os lábios muito rubros e porte de princesa, já fora amante de
Henry. Mas ainda queria todos os detalhes da história, é claro.
— Não mais. Já passou tanto tempo. Ela tinha um jeito de me olhar com
uma carinha de amuada... que nem você, na verdade. Mas parei de sentir
saudades dela há muito tempo.
— E você só foi apaixonado por ela na vida?
Henry assentiu, alisando a coxa de Diana.
— E com quantas você já... amou?
Ela encarou-o, apesar de estar morrendo de vergonha de ter feito a
pergunta. Henry parecia estar achando um pouco de graça naquela falta de
palavras. Ele demorou um pouco para responder, e Diana não sabia se estava
fazendo contas ou repensando a promessa de responder a qualquer pergunta.
— Cinco - respondeu Henry, afinal.
— E todas eram casadas com lordes ingleses?
— Não! E nem eram todas moças de família, como você. Mas eu me diverti
com todas elas.
— E quem foi a última garota que se deitou com Henry Schoonmaker?
Henry se remexeu, tirando a mão da coxa dela e apoiando-se nos cotovelos.
Ele abriu a boca, mas então voltou a fechá-la.
— Você disse que eu podia perguntar qualquer coisa! - protestou ela,
querendo saber que nome o faria hesitar tanto.
Henry desviou os olhos e falou um nome que Diana conhecia muito bem:
— Penelope Hayes.
— Não! - disse ela, sem saber se brigava com ele ou dava uma risadinha. -
Ela deve ter ficado zangada com...
Diana parou de falar, percebendo que aindanão estava preparada para falar
em Elizabeth. Henry revirou os olhos e deu um suspiro exasperado, concordando.
— Não é à toa que ela anda tão esquisita - continuou Diana. - E você...
você... com ela!
Henry agarrou a coxa de Diana com mais força desta vez. Eles estavam
muito próximos e ela podia sentir os menores movimentos do corpo dele.
— Ela é o tipo de garota que... bem, ela é mais selvagem do que eu
imaginava.
— Ah.
Diana percebeu que a conversa estava ficando mais grave, mas mão se
importou. Ela queria saber como dizer a Henry que também gostava de falar
sério com ele.
— Muito bem! - disse ela. Acho que sei tudo sobre você agora.
— Mas eu não quero mais ser assim - disse Henru num tom contrito,
mexendo nos botões da camisa. - Quero tomar mais cuidado com os sentimentos
dos outros. Não gostaria que você pensasse que isso aqui é um jogo. Naquele dia,
você me disse que não é um brinquedinho qualquer. Não quero que pense que
estou só me divertindo com você.
— É por isso que vocême convidou para vir aqui? - perguntou Diana,
erguer mais o corpo e fixando seus olhos brilhantes nele. - Para esclarecer isso?

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— Foi. Bom, foi para isso e para... Quando eu me casar com sua irmã, não
vou mais poder...
Henry olhou para baixo e deslizou a mão pela pele de Diana até chegar na
sua cintura. Ela assentiu.
— Você precisa mesmo se casar com ela, não é?
— Preciso... Bem, é que...
— Eu entendo. E não quero saber por quê.
Diana vinha pensando nos motivos pelos quais Elizabeth ia se casa com
Henry e suspeitava que deveria haver uma força parecida impelindo-o a fazer
aquilo. Ela sentiu a tristeza lhe dominando, mas queria ser a primeira a dizer em
voz alta o que eles dois estavam pensando.
— Essa vai ser a única vez que vamos nos encontrar.
Henry encarou-a após alguns segundo e assentiu. Ele estendeu a mão e
colocou-a na parte de trás da cabeça de Diana, aproximando o rosto dela do seu.
Diana examinou intensamente a beleza morena dele, para poder se lembrar dela
para sempre. Lá fora, uma rajada de vento fez com que as árvores batessem
contra o telhado da estufa - uma tempestade devia estar chegando - mas nem
assim Henry desviou os olhos. Então, ele a beijou com uma sofreguidão que a
deixou com vontade de chorar.
— Se eu prometer não fazer nada para macular sua pureza e perfeição, você
concorda em passar a noite comigo?
Diana assentiu e sorriu, pronta para tudo. Henry sorriu também.
— Ótimo, pois há algumas perguntas que eu gostaria de fazer também.
E, com isso, Diana baixou o que restava de suas defesas e se deixou levar
pelos olhos safados e o charme insuperável de Henry Schoonmaker.






















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dâtÜxÇàt dâtÜxÇàt dâtÜxÇàt dâtÜxÇàt

A coisa mais importante para qualquer noiva,
mesmo uma que já possui toda a beleza que uma
boa linhagem e uma criação impecável podem
garantir, é o descanso. Ela deve sempre
descansar, ou acabará ficando nervosa. Se isso
acontecer, no dia de seu casamento ela terá a
aparência de uma menina que já conhece o
mundo um pouco bem demais.

TRECHO DE AS LEIS DO CONVÍVIO NA ALTA SOCIEDADE, DE L.A.M.
BRECKINRIDGE


aquela noite, Elizabeth sonhou que estava numa parte
distante do país com Will, onde havia colinas entre as
casas e ninguém tinha uma costureiro favorito em Paris.
Depois, ela sonhou que estava toda vestida de branco com uma ridícula coleira
de renda belga e que Panelope estava rindo maldosamente e jogando arroz
envenenado em sua direção. Mas, durante a maior parte do tempo, Elizabeth
ficou olhando para o teto e desejando não estar acordada tão constantemente. Ela
mal dormira na noite de segunda e parecia que também não ia conseguir
descansar naquela.
Elizabeth não tinha como fazer as horas insones passarem mais rápido, pois
não tinha muita coisa em que pensar, já que suas opções eram tão escassas e tão
pouco atraentes. Ela fora ensinada a sempre agradar os outros, com sua
aparência, seus atos e suas maneiras. Mas, agora, não podia fazer mais nada além
de ser egoísta. Se fizesse o que sua mãe lhe pedira, seria acusada de ser uma
libertina que traíra sua classe. E se fizesse o que Penelope, a mais falsa das
amigas, queria, perderia o único lar e o único meio de viver que já conhecera. E
se seguisse sua própria vontade... bem, já era tarde demais para isso.
Quando Elizabeth se cansou de olhar para o teto, ela se levantou e foi até o
closet, pegando seu quimono branco e cobrindo seu corpo fráqgil com ele.
Passara o dia todo no costureiro. Era preciso fazer o vestido de casamento, o
vestido que ela usaria na recepção e muitas pequenas coisas para seu enxoval.
Elizabeth ficara o dia inteiro de pé, ouvindo os outros falando dela como se não
estivesse ali.
E o pior é que ela havia ficado sozinha o tempo todo. Elizabeth imaginara
seu casamento muitas vezes quando era pequena, de diversas maneiras. Em
alguns momentos, pensava numa cerimônia simples, na qual ela carregaria yum
buquê de gérberas. Em outros, era um casamento suntuoso que saía em todos os
jornais e no qual usaria um vestido com uma enorme cauda decorada com
a

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pequeninas rosas de seda que se arrastava por todos os degraus da igreja. Mas
Elizabeth sempre achara que a parte de escolher o vestido seria divertida. Na
verdade, ela passara o dia servindo de manequim para um pequeno exército de
costureiras que tentavam desesperadamente fazer de tudo para agradá-la. No
final, estava se sentindo dolorida e isolada, e havia sido levada para casa pelo sr.
Faber em vez de Will que, antigamente, estaria esperando por ela com a
carruagem. É claro que Penelope não estivera presente. Mas Diana - Diana não
tinha motivo nenhum para não ter comparecido e ajuduado-a a determinar se
estava linda ou ridícula. Mas ela tampouco se interessara em ir, preferindo ficar
no quarto lendo e sofrendo com sei lá o quê.
Elizabeth andou para lá e para cá em seu quarto, ficando cada vez mais
chateada com a ausência da irmã. Afinal de contas, ela estava sacrificando sua
própria felicidade em nome da família. Estava renunciando a todos os seus
desejos para que as Holland não ficassem arruinadas. E Diana nem se
incomodara em largar seus livros por um dia.
Elizabeth abriu a porta do quarto com um gesto largo e machou pelo
corredor. Ela ergueu o punho para bater na porta de Diana, mas então se
controlou. Não era culpa dela que sua irmã mais velha houvesse se apaixonado
pelo homem errado e que continuasse a amá-lo, mesmo sabendo que jamais daria
certo. Não era culpa dela que a situação financeira da família estivesse tão ruim.
Elizabeth pousou a mão na porta, respirou fundo e deu algumas batidinhas gentis
e fraternais.
— Di?
Ela olhou para o final do corredor, onde ficava o quarto de sua mãe, e
torceu para que ela não viesse ver o que estaca acontecendo. Desde a manhã de
ontem, Elizabeth sentira que havia uma distância cada vez maior entre ela e sua
mãe. Não tinha mais nada a dizer para ela.
— Di? - chamou Elizabeth de novo.
Diana não respondeu e ela decidiu entrar. Após alguns segundos,
compreendeu que o quarto estava vazio. Diana não estava lá. Havia vestidos
espalhados pela cama e pelo chão e sapatos virados em todos os ângulos. A gata
Lillie Langtry olhou preguiçosamente para Elizabeth e cruzou as patinhas.
Elizabeth ficou nervosa e começou a procurar no closet e atrás das
poltronas. Ela olhou as janelas que davam para a varanda - elas estavam
fechadas, mas destrancadas. Estava prestes a ir lá para baixo e ver se Diana fora
pegar um livro ou um copo de leite quando notou uma caixa de chapéu que
estava exposta pela metade debaixo da cama. A tampa dourada estava torta e
Elizabeth viu que dentro da caixa havia um chapéu-coco marrom. Ele era igual a
todos os outros chapéus-cocos do mundo, mas ao vê-lo, ela se lembrou
instantaneamente de uma certa tarde há duas semanas, quando seu mundo
começara a se desintegrar.
Elizabeth manteve os olhos no chapéu, horrorizada, enquanto atravessava o
quarto. Lillie Langtry soltou um miadinho e caminhou ao lado dela, fazendo um
círculo em volta da caixa e deitando-se ali perto. Quando Elizabeth pegou o
chapéu, a primeira coisa que notou foram as iniciais bordadas na fita azul clara
que passava pela parte interna da aba: HWS.

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Ela desabou sobre a colcha de algodão e foi aí que viu os dois pedaços de
papel dentro da caixa, fazendo um contraste com o veludo negro que a forrava.
Elizabeth precisou se forçar a pegá-los e ler os dois bilhetes que Henry escrevera
para sua irmã. A assinatura dizia apenas HS, mas ela não duvidou que eram dele.
Não podia saber quando exatamente ela mandara para a Diana o bilhete pedindo-
lhe que guardasse o chapéu e o outro afirmando que não conseguia parar de
pensar nela. Mas suas intenções estavam claras e o fato de que Diana não estava
em seu quarto àquela hora da noite demonstravam quais eram as dela.
Os músculos do rosto de Elizabeth pareciam estar rígidos e gelados. Ela se
recostou na cama, abraçando os joelhos e rodopiando o chapéu com o dedo.
Lillie Langtry ficou de pé, espriguiçando-se, rodeu Elizabeth e então se deitou no
travesseiro ao lado dela. Elizabeth largou o chapéu e suspirou. Ela poderia ter
rido da situação, se fosse o tipo de menina que achava graça na perversidade,
mas essa horrível prova de que sua irmã havia sido corrompida não lhe parecia
nada divertida.
Elizabeth foi tomada de fúria ao se dar conta de mais uma coisa: pelo
menos metade da culpa por seus problemas com Penelope era de Henry. Ela não
sabia como exatamente tinha sido o envolvimento dos dois, mas decerto fora isso
que provocara a vingança de sua ex-amiga. E agora, ele estava em algum lugar da
cidade seduzindo a pobre e inocente Diana. E, depois de tudo isso, Henry ainda
esperava que Elizabeth se cassasse com ele num futuro nada distante.
Elizabeth se levantou da cama como se tivesse resolvido qualquer coisa,
mas na realidade não havia nada a fazer além de recolher as roupas espalhadas de
Diana. Sua raiva e seu desespero foram crescendo a cada segundo, conforme ela
guardava os inúmeros vestidos que sua irmã caçula pensara em usar naquele
encontro traiçoeiro.





















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dâtÜxÇàt x hÅ dâtÜxÇàt x hÅ dâtÜxÇàt x hÅ dâtÜxÇàt x hÅ

ctÜt t ÇÉ|ät wÉ Åxâ vÉÜt†ûÉA ctÜt t ÇÉ|ät wÉ Åxâ vÉÜt†ûÉA ctÜt t ÇÉ|ät wÉ Åxâ vÉÜt†ûÉA ctÜt t ÇÉ|ät wÉ Åxâ vÉÜt†ûÉA


que isso significa? - perguntou Diana, quase explodindo
de felicidade ao examinar a cruz de lápis-lazúli com a
frase gravada.
Ela passou o dedos sobre as letras, ansiando por encontrar uma maneira de
se tornar a noiva de verdade de Henry. Mas Diana já sabia que aquilo seria
impossível. Desde que eles haviam saído da estufa, casa segundo passado com
ele parecia-lhe uma dádiva preciosa. Os sons da cidade que despertava surgiam
do lado de fora da carruagem, mas Diana sentia como se eles estivessem na outra
margem do rio.
— Meu pai deu para minha mãe antes de eles se casarem. Nunca entendi o
significado. Acho que ele deu isso para a menina de dezessete anos com quem se
casou na esperança de que ela sempre tivesse essa idade - explicou Henry, dando
uma risadinha irônica. - Mas não é por isso que estou dando-a para você.
— Eu sei - garantiu Diana, escondendo a cruz no corpete.
— É a mais discreta que todos os presentes que ele deu a ela depois. Acho
que é por isso que gosto dela. Eu só tinha quatro anos quando minha mãe morreu,
mas acho que ela possuía aquele tipo de beleza natural que fica melhor com
menos ornamentos.
Diana registrou. Ela aprendera tanto sobre Henry na última noite que ele
agora era praticamente outra pessoa e tudo que dizia parecia ser um segredo só
deles dois. Ela se afastou do encosto da pequena carruagem de duas rodas em que
eles estavam, a única que Henry pudera pegar do galpão dos Schoonmaker sem
ninguém notar, e olhou para fora. Henry parara a carruagem no meio da
Broadway e eles estavam esperando pelo momento certo para Diana sair, se
misturar aos transeuntes e voltar para casa. Ela observou Henry com adoração e
tentou sorrir.
— Vai ser difícil vê-lo se casando com Liz, Henry...
Diana pretendera dizer algo mais profundo e bombástico, mas sua garganta
estava fechada e tão dolorida que ela soube que não conseguiria emitir mais
nenhum som.
Henry beijou-a abaixo do olho direito. Diana olhou para ele uma última vez
antes de baixar seu capuz e sair da carruagem. No instante em que seus pés
tocaram a rua, ela achou mais fácil se afastar e se unir às hordas de pessoas que
iam para o trabalho. À sua volta, homens usando chapéus-coco e ternos
vagabundos andavam depressa, sem tempo para se perguntar quem seria aquela
menina de capuz.
@b

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Em pouco tempo Diana encontrou o beco da rua Dezenove que dava no
jardim doa Van Dorans, colado ao seu. Ela se arriscara escalar a treliça na noite
anterior, o que fora quase tão perigoso quanto se aventurar sozinha pelas ruas de
Nova York à noite, mas hoje decidiu entrar pela portinha que dava no porão da
casa, onde as roupas da família eram lavadas. De lá, Diana subiu rapidamente a
escada dos fundos, até que se viu no segundo andar, muito próxima da porta de
seu quarto.
Não havia ninguém lá dentro, o que era algum alívio, mas o quarto estava
diferente de como ela o deixara. Todos os vestidos que tirara do closet para
selecionar o que usaria em sua noite com Henry haviam sido guardados, assim
como seus sapatos. E, em cima de sua cama, que também fora arrumada, estava o
chapéu de Henry, exatamente no centro. Diana, apavorada, foi até onde estava o
chapéu e o apanhou. Ela se sentiu congelada, imobilizada pelo horror e pela
tristeza ao imaginar quem entrara em seu quarto na noite passada.
































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dâtÜxÇàt x dâtÜxÇàt x dâtÜxÇàt x dâtÜxÇàt x WÉ|á WÉ|á WÉ|á WÉ|á

Tornou-se bastante aceitável chegar atrasado,
um novo fenômeno social que me desagrada
muito. Uma verdadeira dama sempre chega
exatamente na hora combinada.

TRECHO DO LIVRO COLETÂNEA DE COLUNAS SOBRE A CRIAÇÃO DE JOVENS
DE CARÁTER, DA SRA. HAMILTON W. BREEDFELT, EDIÇÃO DE 1899


ram 9:30 da manhã de quarta-feira e Elizabeth estava no meio
da confusão matinal da Broadway, paralisada pela
desesperança. Todo aquele caos - as carroças puxadas por
cavalos, os bondes, os cocheiros gritando, o som das rodas de carruagem contra o
pavimento, a multidão de pedestres - parou de existir em sua mente. A cena que
ela acabara de testemunhar não fora uma surpresa após as provas que havia
encntrado na noite anterior, mas a emoção que estava sentindo era espantosa.
A figura encapuzada se sua irmã mais nova desaparecera na rua Vinte e um.
Ver Diana numa esquina de Manhattan tão cedo confirmara todas as suspeitas de
Elizabeth. Mas ela permanecera estranhamente imóvel, observando a pessoa que
fora deixada para trás. Ele saíra de sua carruagem e estava de pé na calçada.
Elizabeth não podia ter certeza, pois estava sempre correndo após seus encontros,
mas achava que a maneira melancólica como Henry estava olhando para a rua
Vinte e um não era muito diferente da expressão que Will fazia todas as manhãs,
quando ela virava as costas para ele e entrava em casa.
Ela passara quase a noite inteira acordada, mas mesmo assim se levantara
sem ter a menor ideia de como ia subjugar Penelope, salvar Diana ou aceitar a
ideia de se casar com o detestável Henry Schoonmaker. Tentara se vestir com
alguma determinação, com o mesmo vestido de algodão listrado que usara no dia
em que ele pedira sua mão e, porque achava que o tempo estava prestes a virar,
com uma capa caramelo com o forro de flanela. Uma vez vestida, Elizabeth não
soubera mais o que fazer e por isso decidira caminhar até a casa de Penelope,
descendo toda a Quinta Avenida. Todos os empregados e habitantes da casa
estavam ocupados com alguma tarefa relacionada ao casamento e, nos poucos
segundo em que ninguém pedira sua opinião sobre nada, ela conseguira escapulir
sem ser notada.
Na noite passada, Elizabeth havia chagado à conclusão de que seu noivo era
a pessoa mais licenciosa que ela já conhecera. Mas agora, vendo-o em seu terno
preto simples com a expressão de quem acabara de perder aquilo que lhe era
mais caro no mundo, ela teve certeza de que Henry não estava tentando se
aproveitar de Diana. Ele realmente amava sua irmã. E, embora Elizabeth não
X

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soubesse explicar direito, estava cada vez mais convencida de que Diana o amava
também. Ela estivera errada. Sua raiva desaparecera em segundos.
Uma carroça alta levando diversos homens de terno parou entre Henry e
Elizabeth, pensando em como entrar no tráfego da larga Avenida. Após a carroça
passar, Elizabeth viu que Henry se virara e estava olhando para ela.
Ele abaixou a cabeça, mas manteve os olhos, cheios de remorso e
resignação, fixos nos dela. Elizabeth viu que Henry não era muito diferente dela -
ele tembém estava disposto a se casar com alguém por algum motivo que tinha
mais a ver com família, obrigações e classe social do que com amor, embora seu
coração desejasse outra coisa. Henry tocou a aba do chapéu, cumprimentando-a.
Elizabeth abaixou a cabeça lentamente em resposta, para mostrar a ela que o
compreendia, e então se virou e seguiu para o norte da cidade. Tinha um
encontro marcado e não podia se atrasar.
Tudo estava diferente agora, mas ainda era tão impossível quanto antes.
Elizabeth percebeu tristemente que tudo ficaria mais fácil se ela não existisse. Ela
não precisava mais andar quarenta quarteirões até a mansã dos Hayes para saber
o que devia fazer. Num segundo, se deu conta do ato devastador que precisaria
cometer.





























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dâtÜxÇàt x gÜ£á dâtÜxÇàt x gÜ£á dâtÜxÇàt x gÜ£á dâtÜxÇàt x gÜ£á

Vemos nossos pecados refletidos em todo lugar:
na palidez dos rostos de nossos entes queridos,
no arranhar dos galhos das árvores nas janelas,
nos estranhos movimentos dos objetos
cotidianos. Essa coisas podem ser mensagens de
Deus ou nossa mente nos pregando peças, mas
de qualquer modo não nos é permitido ignorá-
las.

TRECHO DO LIVRO COLETÊNEA DE SERMÕES, DO REVERENDO
NEEDLEHOUSE, EDIÇÃO DE 1896


iana estava imóvel em seu quarto há mais de uma hora,
perguntando-se o que deveria fazer com aquele chapéu,
quando um grito vindo do primeiro andar da casa tirou-a de
seu estado de choque. Seu coração ficou gelado de pavor. Quando ela saíra de
casa na noite anterior, parecera-lhe impossível que alguém fosse fragá-la. Afinal,
ninguém andava prestando muita atenção nela ultimanete e, além disso, todo o
episódio parecera ter ocorrido num mundo mágico, terminando de forma tão
abrupta como havia começado. Mas o ruído que viera lá de baixo fora um grito
de tristeza, raiva, confusão ou uma combinação dos três.
Diana olho para o chapéu. Estava tentando pensar em alguma história para
explicar aquela prova óbvia de sua culpa quando outro grito, mais parecido com
um gemido de triteza, lhe chegou aos ouvidos.
Diana atirou o chapéu de Henry embaixo da cama e foi até seu closet. Os
vestidos que ela tirara dali na noite anterior estavam todos lá dentro. Era tarde
demais para trocar de roupa e, por isso, ela decidiu ver no espelho como estava
sua aparência. Não havia nada de diferente nela mas, após ter passado a noite
com Henry, Diana estava se sentindo bem mais velha do que antes. Os lamentos
recomeçaram e ela não teve outra escolha além de descer dois degraus da escada
de cada vez e lidar com o inevitável círculo de acusações e confissões.
Diana entrou na sala de estar e se deparou com Penelo Hayes, cujos cabelos
escuros estavam estranhamente desgrenhados e cujo vestido vermelho se
espalhava por sobre o tapete persa preferido de Louisa Holland. Ela estava
encharcada e não dizia coisa com coisa, além de estar dando gritos aqui e ali.
— Graças a Deus você chegou - disse tia Edith, indo até Diana e abraçando-
a.
— Como pôde dormir até tarde num dia como hoje? - perguntou sua mãe,
aproximando-se também e empurrando a cabeça de Diana contra o peito. - Com
todas as tragédias que essa família já sofreu...
W

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— Do que você está falando? - sussurou ela, sem conseguir falar mais alto.
Diana olhou para Penelope por sobre todos os braços que a enlaçavam. Ela
ficara subtamente quieta.
— É quase insuportável - disse a sra. Holland.
— Certamente é insuportável - concordou a tia Edith.
Naquele momento, Claire entrou correndo na sala.
— Encontrei um policial na rua - disse ela, histérica. - Ele disse que vai até
a delegacia chamar seus superiores. Sra. Holland, a senhora precisa de seus sais?
— Sim, Claire, por favor. E traga água também.
As três mulheres da família Holland foram juntas para o sofá mais próximo
e se sentaram. Diana já compreendera que aquilo nada tinha a ver com seu
encontro com Henry. Algo muito pior devia ter acontecido. Ela olhou mais uma
vez para Penelope, cuja expressão indicava que ela fora testemunha de alguma
ocorrência muito grave.
— O que aconteceu? - perguntou Diana.
Sua coração estava batendo tão depressa que ela mal podia ouvir. Tanto sua
mãe quanto sua tia estavam pálidas e pareciam exauridas de tanto chorar. Ela
deram as mãos por sobre o colo de Diana.
— Sua irmã - disse tia Edith com a voz trêmula.
— Ela... ela nos deixou, Diana.
— Deixou? - repetiu Diana estupidamente. - Para onde ela foi?
Foisó então que Diana começou a reparar em alguns detalhes. O chapéu,
colocado com tanto zelo perfeccionista no centro da cama impecavelmente
arrumada. Fora uma mensagem de Elizabeth. A cada segundo que se passava, ela
se tornava mais horrivelmente clara. Diana se sentiu tonta e enojada consigo
mesma.
— Aconteceu esta manhã - disse Penelope, que de repente recobrara a voz.
Ela se aproximou pisando firme e se sentou numa pequena almofada de
seda na frente do sofá onde estavam Diana, sua mãe e sua tia. Todos os sons e
cores pareceram exagerados para Diana e ela viu e ouviu muito bem as pequenas
gotas de água que caíam do corpo de Penelope e atingiam o chão.
— Elizabeth veio me visitar de manhã. Nós havíamos planejado ir ao
costureiro juntas - explicou Penelope, falando devagar como se estivesse
pensando em cada palavra que dizia ou se esforçando para não chorar. - Ela
estava muito nervosa com o casamento. Acho que estava se dando conta de
quantas coisas teria que resolver até domindo. Achei que seria uma boa idéia das
um passeio de carruagem às margens do rio para acalmá-la. Queria que
tivéssemos privacidade e por isso tentei dirigir eu mesma. Só queria tranquilizá-
la. Afinal, tudo vai dar certo... ou ia dar certo. Foi isso o que eu disse a ela.
Penelope parou de falar e Diana virou-se de olhos arregalados para a mãe,
esperando que ela completasse a história. Mas, antes que a sra. Holland pudesse
dizer qualquer coisa, Penelope recomeçou:
— Havia um homem estranho perto do rio. Os cavalos se assustaram e... e...
eu não consegui controlá-los! Não pude... oh... oh,oh,oh!
— Ela caiu - disse a sra. Helland, mal podendo se conter. - No rio. E então
Penelope e a carruagem foram arrastadas por muitos quarteirões antes que ela

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conseguisse controlar os cavalos. Quando ela voltou, não havia sinal de Elizabeth
em lugar nenhum.
— É o meu faetonte novo. Ele é tão rápido e tão alto! - explicou Penelope e
Diana quase achou que ela estava se gabando. - Ainda não consegui compreender
o que aconteceu. E a água, quando tentei encontrá-la... Estava tão fria, tão
horrivelmente fria.
Diana estava completamente atônita, mas a cena que encontrara em seu
quarto lhe fez acreditar. Certamente havia sido Elizabeth que entrara lá e
guardara todas as suas roupas. E ela soubera de quem era aquele chapéu e, ao
somar isso com a ausência de Diana, compreendera o que aquilo significava.
— Mas como ela pode ter caído se Penelope continuou na carruagem? -
peguntou Diana.
Ela não queria fazer aquelas perguntas, mas era preciso. Uma culpa abjeta
estava tomando conta de Diana, que sentiu a cruz que Henry lhe dera lhe
perfurando a pele e fazendo-a lembrar-se do que fizera. Sua irmã estava morta e
era tudo culpa dela. Diana olhou para Penelope, que estava encarando-a com uma
expressão que parecia ser de puro choque.
— Quer dizer... - disse Diana numa voz que mal era audível. - Você não
acha que ela se jogou de propósito, acha?
A sra. Holland e a tia Edith se afastaram de Diana, e um profundo silêncio
tomou conta da sala. Diana pensou ter visto uma ponta de interesse nos olhos de
Penelope, mas ela desapareceu tão rapidamente como surgira e ela voltou a
mostrar apenas aflição em seu rosto.
— Estamos todos abalados - disse a tia Edith. - Ou você não diria uma coisa
dessas.
— Diana, esse é um momento horrível, e é compreensível que você não
saiba bem o que está dizendo. Não poderia saber, ou não teria dito uma frase
dessas.
A sra. Hollando estava tentando falar com tranquilidade mas, embora suas
faces não mostrassem qualquer expressão, havia algo em seus olhos que indicava
a dor imensa que ela sentia.
— Você deve ir para seu quarto - disse ela. - Deve descansar. Mas não diga
mais isso, pois talvez alguém possa acreditar.
Diana ficou grata por sua mãe querer que ela deixasse a sala. Ela atravessou
o corredor sem olhar para trás nenhuma vez. Seu peito parecia frágil de tanta
tristeza, como se pudesse pegar fogo ou se desfazer subitamente. Diana não
poderia suportar ficar perto de pessoas que a consideravam inocente. Talvez
Elizabeth houvesse amado Henry também, a seu modo. Talvez ela houvesse
ficado tão enlouquecida ao descobrir o segredo da irmã que decidira tirar a
própria vida. Elizabeth deve ter sentido que o mundo todo estava de cabeça para
baixo e talvez as águas do rio Hudson houvesse lhe parecido mais confortáveis fo
que um universo onde os Holland eram pobres, o casamento nada tinha a ver com
amor e onde seu futuro marido passava a noite com sua irmã caçula.
Diana entrou em seu quarto e apanhou o chapéu de Henry. Ela não pensara nas
consequências de seus atos da noite passada e agora elas seriam horrendas e
eternas. Diana jamais sentira culpa antes, mas agora estava dominada por ela.
Deitou-se na cama, colocou o chapéu sobre o rosto e deixou as lágrimas rolarem.

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dâtÜxÇàt x dâtàÜÉ dâtÜxÇàt x dâtàÜÉ dâtÜxÇàt x dâtàÜÉ dâtÜxÇàt x dâtàÜÉ

... E há também a princesa americana que nos deixou prematuramente,
tragada pelas águas do rio Hudson. O misterioso caso de Elizabeth
Holland está sendo chamado de acidente, mas há diversas razões para
acreditar que foi o oposto. Há muito que não foi explicado, incluindo
alguns relatos de que havia um homem - alto, esguio e bem-vestido -
na margem do rio.

TRECHO DA COLUNA POLICIAL DO NEW YORK IMPERIAL, QUINTA-FEIRA, 5
DE OUTUBRO DE 1899


a manhã de quinta-feira, Lina acordou e escolheu uma
saia e uma blusa clara para vestir. Essas peças não eram
tão chamativas quanto o vestido vermelho que ela
colocara há dois dias, mas Lina estava cansada de vermelho por enquanto. Além
do mais, o que estava vestindo era bonito o suficiente para impressionar sua irmã
sem deixá-la com ciúmes. Ao sair apressadamente da mansão dos Holland, ela
combinara com Claire de encontrá-la às onze da manhã de quinta - o único
momento em que sua irmã tinha alguma certeza de que seus serviços não seriam
necessários - em um dos bancos do parque da Union Square. Lina ainda estava se
sentindo um pouco envergonhada por ter se embebedado naquela noite e torceu
para que, quando encontrasse Will, ele não adivinhasse que ela se comportara
daquela maneira. Era um certo alívio não conseguir se lembrar direito do que
acontecera.
Lina arrumou o cabelo da maneira que estava acostumada, partindo no
meio e preso num coque, e então colocou um casaquinho justo. Ao ver o quanto
já estava tarde, ela pegou a bolsa e saiu correndo pelas escadas, passando
rapidamente pelo recepcionista do lobby, que estava adormecido.
Estava chovendo muito lá fora e ocorreu a Lina que talvez Claire não
pudesse ir ao encontro por causa do tempo. Mas ela não podia desistir. Sabia que
Claire faria de tudo para comparecer e não podia decepcioná-la. Além disso, Lina
estava secretamente torcendo para que Claire tivesse notícias de Will. Talvez ela
soubesse de algo que pudesse ajudar Lina a encontrá-lo. Como não tinha um
guarda-chuva, ela roubou a edição do Imperial que estava em cima do balcão da
recepção.
Lina desceu cuidadosamente o único degrau que levava do hotel para a rua,
onde ainda havia um toldo para protegê-la. O céu estava cinza-chumbo e no ar
havia o cheiro de toda a sujeira que estava saindo dos bueiros e tomando as
calçadas. Algumas pessoas passaram com guarda-chuvas pretos e as que não
haviam pensado em trazer um rapidamente ficavam encharcadas. Lina desdobrou
a

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o jornal, tentando ao menos proteger sua cabeça da água, e sentiu um calafrio na
espinha ao ler o nome de Elizabeth.
Ali estava ele, na página onze. Elizabeth Holland caíra no rio Hudson e
acreditáva-se que ela estava morta. Lina teria ficado meno atônita se a manchete
do jornal dissesse que o fim do mundo havia sido marcado para o final da tarde
daquele dia. Ela já sentira tantas coisas por Elizabeth - adoração, inveja, ciúmes,
fúria - que lhe parecia impossível que ela pudesse simplesmente morrer. Quando
Lina pensou nisso, uma vaga memória surgiu em sua mente, mas ela não
conseguiu se lembrar bem do que era. Estava se sentindo tonta.
Lina se forçou a seguir em frente, colocando o jornal sobre a cabeça para
formar uma espécie de tenda. Em poucos segundos, a água entrou em seus
sapatos. Ela começou a correr na direção leste, mas após alguns quarteirões o
jornal já estava completamente molhado e Lina precisou se proteger sob o toldo
de uma floricultura.
No final da rua, ela viu a enorme Quinta Avenida se expandindo. Ainda
estava longe de seu destino, mas estava bem perto do Fifth Avenue Hotel, onde
havia sido humilhada. A chuva caía aos borbotões sobre o pavimento e um
trovão ressoou lá longe. Lina olhou para cima e viu um homem cruzar a rua,
parcialmente escondido sob um gigantesco guarda-chuva preto. Ela subtamente
se lembrou dos adjetivos alto, esguio e bem-vestido, que lera no artigo sobre
Elizabeth, e sentiu-se muito nervosa. O homem do guarda-chuva aproximou-se
de Lina com passos largos. Ela quis sair dali, mas o jornal que tinha nas mãos
estava ensopado demais para servir para alguma coisa.
O homem estava tão perto de Lina que ela reconheceu a barba loura por
fazer e o nariz longo dele. Ela o conhecia. Era Tristan sem dúvida, o vendedor da
Lord & Taylor. Lina lembrou a noite que passara com ele no bar e tentou se
afastar.
— Lembra-se de mim? - perguntou ele.
Tristan colocou seu guarda-chuva acima da cabeça dela e as grossas gotas
de chuva bateram pesadamente contra ele. O rosto de Lina estava muito molhado
e ela teve que piscar para tirar a chuva de sus olhos verdes.
— Lembro - respondeu Lina, baixinho.
— Srta. Carolina, cuja beleza não me sai da cabeça. Vejo que já leu o
Imperial.
Lina afastou rapidamente o olhar. A tinta do jornal escorrera e lhe manchara
os dedos.
— Porque não vamos tomar café juntos, para que eu possa lhe contar o que
aconteceu?
Lina assentiu. Não sabia o que fazer. Estava confusa, gelada e
amedrontada. Pelo menos a chuva não estava mais lhe molhando. Tristan fez um
cumprimento com a cabeça e sorriu para ela, como que para tranquilizá-la. Mas
Lina, apavorada, não pôde deixar de se perguntar o que exatamente havia
combinado com ele naquela noite.




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dâtÜxÇàt x V|ÇvÉ dâtÜxÇàt x V|ÇvÉ dâtÜxÇàt x V|ÇvÉ dâtÜxÇàt x V|ÇvÉ

A perda dramática de uma das mais importantes jovens damas da alta
sociedade é duplamente trágica devido ao fato de que Elizabeth
Holland ia se casar com o solteiro mais desejado de Nova York nesse
domingo. Todos os que amavam a srta. Holland estão se reunindo na
casa de seu noivo, Henry Schoonmaker, numa espécie de vegília. O pai
do infeliz rapaz, William Sackhouse Schoonmaker, triplicou o valor da
recompensa oferecida pelo prefeito Robert Anderson Van Wyck por
qualquer informação que leve ao corpo da srta. Holland. Muitos têm
comentado sobre a presença de Penelope Hayes nesses lugares, já que
ela foi a última pessoa que viu Elizabeth viva, além de já ter tido um
romance com o jovem Schoonmaker.

TRECHO RETIRADO DA REVISTA CITÉ CHATTER, SEXTA-FEIRA, 6 DE
OUTUBRO DE 1899


chocante, absolutamente chocante, que não haja qualquer
sinal dela - afirmou o pai de Henry com uma voz que
rossoou na sala de estar da família. - O prefeito deveria
estar envergonhado.
Henry estremeceu ao ouvir seu pai fazer uma ligação entre a morte de
Elizabeth e a corrupção e incompetência do prefeito de maneira tão indelicada.
Mas ele tinha a obrigação de ficar ali ao lado, assentindo como se concordasse.
Aquele era um momento trágico demais para Henry correr o risco de ser
considerado insensível, principalmente quando o interlocutor de seu pai era um
repórter do New York World. Além disso, todos os membros das famílias
Schoonmaker e Holland, além de alguns amigos, estavam reunidos em sua casa,
para chorar juntos e aguardar por qualquer notícia de Elizabeth. Assim, Henry
continuou parado ao lado de seu pai, parecendo mais franzino e pálido do que
nunca em comparação com ele.
O corpo está desaparecido e não surgiunem mesmo um pedaço da roupa
dela flutuando na água - continuou o sr. Schoonmaker. - Ela pode ter sido
resgatada por um rebocador e vendida como escrava branca. E eu culpo o
prefeito por isso. Ele é apenas um peão dos democratas, nunca está interessado
em realizar nada.
— E quanto ao senhor, sr. Schoonmaker? - perguntou o repórter, voltando-
se para Henry. - O que está achando dos trabalhos de resgate?
Não havia nada de apropriado que ele pudesse dizer e, por isso, Henry
meramente abaixou os olhos. Alguns segundos se passaram, até que seu pai
sucumbiu à tentação de continuar discursando. Nem mesmo a morte da noiva de
seu filho lhe fazia parar de pensar na cena política nova-iorquina.


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— Vai surgir um escândalo daqui a pouco - disse o sr. Schoonmaker. -
Espere só para ver. O prefeito está metido com a Consolidated Ice, e eles estão
comprando todas as fábricas concorrentes. Eles vão aumentar o preço do gelo,
talvez até dobrar, e o povo vai querer cortar a cabeça do prefeito. Mas, ah, sim...
Elizabeth. A recompensa que Van Wyck ofereceu pelo corpo é tão baixa que
chega a ser um insulto. E meu filho Henry... olhe só para ele. Mal pode falar de
tão arrasado.
Henry comprimiu os lábios de constragimento ao ver todos os olhares
pousando sobre ele. Decidiu sair dali, com medo de não conseguir disfarçar o
nojo que estava sentindo do pai. Foi até a mesa, onde um bufê variadíssimo fora
servido para os convidados, composto por pães doces, café, cidra e uma
quantidade quase obscena de frutas frescas. Os pratos de prata haviam sido
colocados na mesa, sobre uma toalha negra rústica. Henry estendeu a mão por
cima das uvas vermelhas e pegou o vidro de uísque, colocando um pouco mais
em seu copo. Há dois dias ele se sentia como se estivesse fora de seu corpo. À
sua volta, a máquina do luto já fora ligada. Todos já estavam usando suas roupas
mais negras e recatadas e fazendi suas expressões mais graves. Ninguém olhava
Henry nos olhos. Eles evitavam ficar muito próximos dele, assentindo
solidariamente em sua direção. Algumas das meninas solteiras mais ousadas, ou
talvez mais estúpidas, cobriam as bocas com as mãos e lançavam olhares
amorosos para Henry, mas ele estava triste demais para prestar atenção a
qualquer uma delas. Estava triste por causa de Elizabeth, mas também por causa
de Diana. Estava triste por causa de toda aquela confisão. Era impossível para
Henry parar de pensar no olhar que Elizabeth lhe lançara na esquina da
Broadway com a rua Vinte e um, na manhã de quarta-feira, antes que o mundo
virasse de cabeça para baixo. O rosto de Elizabeth estivera tão melancólico na
ocasião e ela o encarara com tanta sabedoria que Henry tinha certeza de que
havia descoberto tudo de ruim que ele fizera.
— Meus pêsames.
Henry viu o rosto macilento de Carey Lewis Longhorn, um homem que já
fora bonito e que era chamado pelos jornais de “o mais velho solteirão de Nova
York”. Ele tinha mais de setenta anos e era famoso por colecionar pinturas das
beldades da alta sociedade. Henry imaginou que o retrato de Elizabeth fizesse
parte da coleção.
— Obrigado, senhor.
— Você vai ficar bem, jovem Schoonmaker - disse o homem, desviando
seus olhos tristes de Henry e dando-lhes alguns tapinhas nas costas. - Eu sempre
fiquei.
Henry ficou parado perto da mesa do bufê, olhando para o outro lado da
sala, onde estavam os parentes de Elizabeth. Eles haviam ocupado diversas
cadeiras e dois sofás estampados que ficavam logo abaixo de uma imensa janela.
A família Holland parecia ter crescido. Henry sempre achara que eles eram
apenas quatro, mas havia cerca de vinte ali. Todos os primos, tias e tios haviam
saído de suas órbitas privadas para rodear à sra. Holland e a filha que lhe restara.
Diana estava usando um véu negro curto que cobria metade de seu rosto e
mantendo os olhos sempre baixos, jamais encarando Henry. Lá fora, a chuva caía
sobre a Quinta Avenida, assim como sobre o resto da cidade, mas Diana estava

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imóvel, aparentemente indiferente à tempestade que havia na rua e à tempestade
que ocorria à sua volta.
Nas últimas semanas Henry se tornara mais consciente do que nunca da
necessidade de se tornar um homem mais sério - e, nos últimos dois dias, eles
conseguira completar a transformação. A morte de uma menina de sua classe de
maneira tão ilógicajá seria motivo para parar e refletir. O fato de ser uma menina
com que ele estava tão ligado e que conhecia tão mal lhe causara um sentimento
de culpa e angústia quase impossível de suportar. Henry achava que, se tivesse
sido uma pessoa mais respeitável desde o início, nada disso teria acontecido.
Mas, ainda assim, estava precisando se controlar para não passar o tempo todo
olhando para Diana.
Era uma tortura saber que Diana estava em sua casa e ter de ficar tão longe
dela. Havia tanta gente entre eles. Ela estava muito graciosa em seu vestido negro
de mangas longas e justas, com os cachos escondidos sob o chapéu. Henry sabia
que ela devia estar arrasada de dor e que a noite que haviam passado juntos,
trocando carícias e segredos, devia ser uma terrível lembrança. Ele queria ir falar
com Diana e descobrir o que ela estava sentindo. Queria ouvi-la dizendo que não
culpava. Que não o odiava. Mas não havia maneira de retirá-la do meio daquela
multidão de parentes que estavam em torno dos Holland e, por isso, Henry
apenas suspirou e tomou mais um gole de uísque.
— Você parece estar precisando de um amigo.
Henry olhou para cima e viu Teddy Cutting. Ele observou Diana e viu que
ela estava recusando um prato de comida que uma de suas primas insistia em lhe
oferecer, e então voltou a encarar o amigo. Teddy estava usando um terno negro
com uma rosa branca na lapela, como muitos dos outros homens que estavam ali.
Ela se tornara o símbolo de Elizabeth. Henry não estava usando uma, mas só
porque largara seu paletó em algum lugar e não estava com vontade de procurá-
lo. Mas ninguém ia brigar com ele por estar apenas de camisa e colete, nem por
estar com o cabelo desgrenhado num dia como aquele.
— Preciso mesmo - admitiu Henry.
Ele permitiu que Teddy pegasse seu braço e o levasse para a saleta que
havia ao lado da sala de estar.
— Você parece muito abalado.
— E estou.
— Devíamos ir ajudar. Fazer alguma coisa. Os homens que estão dragando
o rio não podem estar trabalhando com a vontade que teríamos. Talvez
pudéssemos reunir os tripulantes do Elysian e ir lá ver o que pode ser feito.
— Talvez - disse Henry sem entusiasmo.
Eles entraram num aposento onde nenhum dos convidados chagara ainda e
Henry se deu conta de que era o salão de recepção com o papel de parede
vermelho vivo onde seu noivado com Elizabeth fora anunciado. Ele se lembrou
de como a ideia de se casar com Elizabeth Holland lhe parecera horrível e de
como a simples menção da palavra “casamento” fizera seu coração de enregelar.
Henry lembro que desejara que Elizabeth evaporasse, para que ele pudesse voltar
a ser livre, e teve horror de si mesmo.
— Mal estou conseguindo me mexer - ele disse a Teddy.

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— É tão horrível. Tão inacreditavelmente horrível - concordou Teddy,
piscando os olhos, que estavam vermelhos de tristeza e fadiga. - O mundo parece
ter mudado, você não acha? Lembra como falamos dela no dia da corrida? E
agora ela está morta.
Teddy balançou a cabeça, atônito. Henry se lembrou das coisas que dissera
naquela ocasião e não teve coragem de olhar para o amigo. Ele só podia
agradecer por Teddy não ter visto a expressão desconsolada de Elizabeth no dia
em que ela morrera.
— Agora você pode voltar a se esquivar do casamento e todas as outras
meninas podem voltar a tentar lhe fisgar... - Teddy tentou dar uma risada e olhou
para Henry q uando este não o acompanhou. - Desculpe-me. Não sei o que me
deu. Só estou... chocado.
Henry assentiu e colocou a mão sobre o ombro de Teddy, para assegurar-
lhe que compreendia.
— Estou bebendo esse troço sem para, mas não consigo ficar bêbado - disse
ele, baixinho. - Mas obrigado por conversar comigo. Qualquer coisa é melhor do
que ouvir meus próprios pensamentos.
Teddy assentiu.
— Mas nós precisamos fazer alguma coisa. Por que não participamos do
resgate? Vai ajudar você a parar de pensar.
— Tem razão.
Henry usou os dedos para arrumar o cabelo e então deu um sorriso triste
para Teddy.
— Gostaria de fazer isso. Mesmo. Mas é que a irmão de Elizabeth, a Di...
Quer dizer, a Diana. Estou preocupado com ela e não quero deixá-la sem...
— Sem o quê?
Teddy subtamente pareceu estar constrangido e a animação que havia em
seu rosto desaparecera.
— É que eu não consigo parar de pensar nela.
Henry se virou na direção da sala de estar onde estavam os convidados.
Havia diversos cômodos entre a sala e o aposento onde ele estava, mas Henry
conseguia ver as janelas do canto através das portas abertas. Ele não pôde
discernir Diana naquele momento, mas sabia que ela estava ali no meio.
— Fico pensando no que ela deve estar passando. Deve estar arrasada. E
fico pensado em como ela é linda e que, após algum tempo...
Henry parou de falar ao sentir que Teddy estava desconfortável. Após
algum tempo, ele estava prestes a dizer, talvez ele pudesse se casar com Diana.
Talvez todos eles pudessem voltar a ser felizes.
— Henry - disse Teddy, olhando por cima do ombro e de volta para o
amigo. - Você perdeu algo que jamais poderá ser substituído. Entendo que queira
tentar. Mas o que você sugeriu... nunca mais diga isso para ninguém. Não está
certo.
Teddy se virou e começou a caminhar de volta para sala. Henry viu que
fizera uma grande tolice e, desejando não ter revelado seu desejo por Diana,
seguiu-o rapidamente.
— Teddy, eu...

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— Não se preocupe, Henry - interrompeu seu amigo, fazendo um gesto que
indicava que ele deveria esquecer o assunto.
Alguns segundos mais tarde, eles ouviram um gemido cacofônico vindo da
sala de estar. Os dois seguiram adiante e viram, através dos muitos umbrais que
os separavam dos outros, uma menina de cabelos escuros ajoelhada no chão. Sua
saia negra formava uma espécie de cone em torno de suas pernas e em sua cabeça
havia um pequeno chapéu de veludo negro. Não havia nenhum véu cobrindo seu
rosto e assim era possível ver, mesmo à distância, que o choro histérico estava
vindo de Penelope Hayes.
— Vamos até o rio ver o que pode ser feito - disse Teddy, enojado.
Henry ficou furioso. Ele quis que Diana o olhasse por um segundo, para que
ele pudesse mostrar a ela que sabia o quão falsa era a dor de Penelope. Henry se
arriscou a olhar para onde os Halland estavam e, nesse mesmo segundo, Diana,
ainda espremida entre duas matronas vestidas de negro, levantou o véu e
encarou-o. Havia tristeza e resignação em seus olhos e Henry viu que ela também
reconhecia a falsidade de Penelope. Um homem passou por entre eles, indo na
direção de Penelope, e por um segundo a visão de Henry foi tapada. Quando o
homem saiu da frente, Diana baixara novamente o véu. Henry se perguntou se
alguma vez olharia nos olhos dela de novo.




























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dâtÜxÇàt x fx|á dâtÜxÇàt x fx|á dâtÜxÇàt x fx|á dâtÜxÇàt x fx|á

A alta sociedade está extremamente chocada para dizer qualquer
coisa. Seus membros estão tristes demais para serem vistos na Quinta
Avenida, ou para dar as festas que lhes fizeram tão famosos. E hoje
será o dia mais triste de nossa cidade em muito tempo, pois o funeral
da srta. Elizabeth Holland ocorrerá nesta manhã, na Igreja Episcopal
da Graça.

NOTA DA COLUNA “GAMESOME GALLANT”, DO JORNAL NEW YORK
IMPERIAL, DOMINGO, DE OUTUBRO DE 1899


iana Holland ficou imóvel enquanto Claire
cuidadosamente escovava, partia e trançava seus cabelos.
Era um penteado mais simples do que o que geralmente
usava, mas os cabelos estariam cobertos por um chapéu e, além disso, sua
aparência não lhe importava mais. O rosto de Diana ficara inchado e depois
descarnado em questão de dias. Pelo espelho, ela viu o rosto pálido de sua criada,
que parecia ter chorado quase tanto quanto ela.
— Vai ficar tudo bem - disse Diana, embora não acreditasse nisso.
— Oh, srta. Diana - disse Claire, enlaçando-a e apertando-a. - Probrezinha.
Diana deu um sorriso triste e deixou que Claire a abraçasse.
— É que é tão difícil de acreditar - disse ela.
— Eu sei. Eu sei. Mas hoje vocês vão deixá-la descansar em paz com Deus
e, aos poucos, você vai conseguir lidar com isso.
Diana passou os dedos na éle fina que ficava abaixo de seus olhos, tentando
dar-lhe mais viço. Ela estava há vários dias aprisionada pela dor e rodeada de
primos, tios e tias. Eles falava pouco, comiam pouco e passavam metade do
tempo em casa e a outra metade na casa dos Schoonmaker, que davam uma
recepção todos os dias, com a escassa esperança de que alguma informação sobre
Elizabeth ou sobre seu corpo ainda pudesse ser obtida. Diana não teria
conseguido parar de pensar em Elizabeth, mesmo que houvesse tentado.
Ela sabia que cometera um ato terrível. Descobrira isso no dia em que
Elizabeth morrera, mas desde então vinha sendo cada vez mais dominada pela
tristeza e pela culpa. Merecia mesmo ficar feia.
— Pronto - disse Claire.
Ela colocara um chapéu na cabeça de Diana e um véu preso a ele,
escondendo seus olhos inchados. Diana ficou de pé, permitindo que sua criada
verificasse os fechos de seu vestido. Era um dos vestidos de sarja preta que ela
usara durante o luto por seu pai, muito simples, sem qualquer adorno. A cintura
era marcada, deixando as curvas de Diana um pouco mais acentuadas.
— Gostaria que você pudesse vir conosco.
W

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— Eu sei - disse Claire, colocando o braço em volta dela e levando-a até a
porta. - Mas preciso preparar a comida do funeral e só Deus sabe quanta gente
vai vir. Todos os Holland, o pobre sr. Schoonmaker e sua família, seus primos do
lado Gansevoort, e...
Diana pousou a cabeça no ombro de Claire, que continuou a enumerar
tudo o que precisaria ser feito antes que o funeral acabasse enquanto elas desciam
a escada. Era um pouco reconfortante ouvi-la falando de coisas tão cotidianas.
Quando chegara, em frente à porta que dava na sala de estar, Diana sorriu, deu
um beijo na bochecha de Claire e entrou sozinha. Os móveis haviam sido
cobertos por panos negros e o ar estava repleto do perfume forte dos mais de cem
buquês que haviam sido enviados para a família da falecida. O tempo ruim
chegara para ficar e a luz que entrava pelas janelas era difusa e melancólica.
Diversos dos parentes de Diana olharam-na com solidariedade. Ela tentou
parecer grata, mas queria que a cerimônia acasse logo. A dor que estava sentindo
era privada, misturada ao ódio que sentia de si mesma.
— Oh, Di! Di!
Diana se virou e viu Penelope aproximando-se depressa. Ela era um choque
de beleza em seu vestido negro debruado de renda com a saia em camadas. Seus
olhos azuis estavam tão frescos quanto no final de um baile e seus cabelos foram
adornados com a maior quantidade de penas de avestruz que Diana já vira. Ela se
lembrou subitamente da palavra que Henry usara para descrever Penepole:
selvagem.
— Oh, Di, como você pode suportar o dia de hoje? - disse Penelope,
agarrando as mãos de Diana, que estavam cobertas por luvas pretas.
— E você? - perguntou Diana com frieza, afastando-se dela.
— Eu mal posso, é claro.
Os gestos de Penelope mostravam que ela nãp desistira de fazer teatro, mas
ela ao menos deixara de fingir que estava chorando.
— É claro.
Diana tentou não levantar a voz, mas o pesar fraudulento de Penelope lhe
dava nojo. Era óbvio que ela estava muito satisfeita com o ocorrido. Já estava se
arrumando toda, na esperança vã de conseguir chamar mais atenção agora que
sua rival se fora. Era um insulto que Penelope pudesse ser bem-vinda na casa dos
Holland.
— Todo mundo sabe o quanto você está arrasada, Penelope - disse Diana,
cheia de ódio. - Nós todos já vimos suas lágrimas. Por que não fica um pouco
quieta, para que possamos ter paz?
— Mas, Diana - replicou Penelope num tom baixo, mas intenso, que mais
ninguém poderia escutar -, garanto-lhe que não tenho idéia do que você está
falando.
— Você é uma mentirosa. E mente muito mal.
Diana ficou feliz por estar de véu. Ele abafou sua voz e disfarçou a emoção
que fez o sangue lhe subir às faces, mas não impediu que sua tia Edith, que
estava ali perto, ouvisse o que ela dissera.
Tia Edith murmurou algo para a prima com quem estivera conversando,
pedindo licença. Em poucos segundos a sra. Holland surgira ao lado de Diana.
Penelope ainda estava na frente dela, encarando-a com os olhos arregalados e um

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ar levemente zombeteiro. Mas a mãe de Diana pegou-a pelo braço, fez um gesto
de desculpa para Penelope e arrastou-a até o corredor. Após elas saírem, alguém
fechou a porta da sala.
Diana esperou uma bronca da mãe, mas em vez disso sentiu uma bofetada
no rosto. Ela estremeceu, mais de surpresa do que de dor.
— Por que você fez isso? - perguntou ela.
— Diana, por favor, comporte-se. Não vou suportar mais falta de educação.
Você é tudo o que tenho agora. Precisa aprender a preservar sua família.
A sra. Holland falou lentamente, como se estivesse exausta, e seus olhos
vermelhos tinham uma expressão de súplica. Num segundo, Diana compreendeu
que o mundo de sua mãe ruíra que ela mal estava conseguindo permanecer de
pé.
— Por favor, não me decepcione no dia em que vamos nos despedir de
Elizabeth.
Diana abaixou a cabeça, conformada.
— Obrigada. Agora entre na segunda sala de estar e, quando estiver se
sentindo melhor, volte e se junte a nós no cortejo. Parece-me que você está
agitada demais para ficar junto dos outros.
Diana tentou pensar em algo para dizer que pudesse tranquilizar sua mãe,
mas só conseguiu assentir antes de entrar no cômodo que ficava no lado oposto
do corredor. A sala mudara completamente. Não havia nada nas paredes e todos
os vasos pintados à mão, todas as estátuas e bugigangas tinham desaparecido. Os
quadros que ela examinara no dia em que conhecera Henry Schoonmaker, com
mares cor de turquesa e céus cor de carvão, não estavam mais lá. Não havia nem
mesmo um buquê meio murcho para decorar o aposento. Sua pobre mãe vendera
tudo. Diana sentou-se pesadamente em um dos sofás e se deu conta de que o que
estava prestes a acontecer com sua família não seria nada romântico.
Ela ouviu passos no corredor - os convidados estavam indo embora. Eles
deviam ter se esquecido dela, pois ninguém entrou na sala para lhe dizer que
estava na hora. Diana ouviu-os abrindo a porta e saindo para a rua, a caminho do
funeral. Penelope estava entre eles, fingindo estar arrasada. Ao pensar nisso, ela
cerrou os punhos, mas logo respirou fundo e tentou se acalmar. Diana não queria
ir à igreja de jeito nenhum, mas não podia se esconder do que fizera.
Or ar gelado lhe envolveu assim que ela saiu de casa. Ainda estava cedo
demais no ano para fazer tanto frio, mas até o parque parecia ter assumido um
doloroso ar de inverno. Diana observou aquele dia triste, tão nublado que parecia
tingir a paisagem de preto e branco, e sentiu-se mais sozinha do que nunca.
Havia uma confusão na calçada. Os parentes de Diana estavam tentando
subir em suas carruagens com alguma dignidade, mas não estava, conseguindo.
Ela viu que o sege de sua família já partira, conduzido pelo sr. Faber.
Foi então que Diana sentiu alguém lhe puxando a manga do vestido. Ela se
virou e viu que um menino surgira como que do nada. Ele era tão magro que
parecia não ter comido nada há vários dias e seu casaco estava todo remendado.
— Você é a srta. Diana Holland? - perguntou o menino, apertando os olhos
como se tentasse vê-la melhor.
Diana assentiu. Ela viu que as últimas carruagens estavam indo embora e se
perguntou se deveria correr até elas.

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— Tem certeza?
— Tenho! - respondeu Diana, indignada.
Ela viu algumas carruagens de aluguel no final da rua e ficou mais tranquila
ao saber que havia testemunhas ali perto.
— Não me olhe com essa cara - disse o menino gravemente. - Disseram
para mim que era muito importante não entregar para a pessoa errada.
— Entregar o quê para a pessoa errada?
O menino balançou a cabeça.
— Primeiro você precisa responder à pergunta.
— Que pergunta? - indagou Diana, atônita com esse diálogo absurdo e
imprudente.
— A pergunta sobre o Vermeer que seu pai deu para sua irmã Elizabeth...
Havia um instinto tão profundo em Diana que ela se esqueceu por um
segundo de sua tristeza e de sua culpa e exclamou subitamente:
— Ele deu aquele quadro para mim!
O menino pareceu avaliá-la e então sorriu.
— Foi isso que ela disse que você ia dizer.
Ele colocou a mão no bolso e tirou um envelope amarelo e quadrado, no
qual havia o nome de Diana escrito com uma caligrafia que ela conhecia muito
bem.
— Onde você arranjou isso? - perguntou ela num sussurro.
— Chicago. Ela pagou minha passagem para cá e me pediu para entregar
isso para você. Para a menina que ia dizer que o quadro era dela.
— Obrigada - disse Diana, rasgando o envelope e lendo freneticamente a
carta que ele continha.

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VÉÅ tÅÉÜ? VÉÅ tÅÉÜ? VÉÅ tÅÉÜ? VÉÅ tÅÉÜ?
XÄ|étuxà{A XÄ|étuxà{A XÄ|étuxà{A XÄ|étuxà{A


Quando Diana terminou de ler, sua dor de cabeça desaparecera e um calor
se espalhara em seu peito. Ela estivera errada. Elizabeth era a irmã romântica que
tinha uma paixão secreta. Fora ela que largara tudo para viver uma aventura.
Diana olhou para as árvores que balançavam ao sabor da brisa e sentiu que
nascera de novo. Ela não precisaria se afastar de Henry para sempre. Elizabeth
estava viva - Diana não levara a própria irmã a cometer um ato terrível. O mundo
ainda estava de braços abertos para ela. Diana olhou com gratidão para o menino,
que já estava caminhando na direç]ap da Broadway. Ela tentou se parecer com
uma menina a caminho de um funeral, mas não conseguia impedir um sorriso
radiante de surgir em seu rosto. Diana estendeu o braço, chamando uma
carruagem de aluguel.


Y|Å
A Série The Luxe é composta até o momento por 4 volumes (Luxe,
Romurs, Envy e Splendor). Apenas o primeiro volume foi publicado no
Brasil e até o momento a editora responsável pela publicação não
divulgou quando será a publicação do volume 2. Assim que Romurs for
publicado no Brasil, o mesmo será digitalizado pela comunidade
“Traduções e Digitalizações” assim como os demais volumes.
Caso a editora não publique a continuação de “Luxo”, iremos
traduzir o restante da série na comunidade “Traduções e
Digitalizações”.

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VÜ°w|àÉá
VÉÅâÇ|wtwx wÉ bÜ~âàM gÜtwâ†Æxá x W|z|àtÄ|ét†Æxá

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W|z|àtÄ|étwÉ ÑÉÜM
TÄ|Çx TÄ|Çx TÄÅx|wt ^xÄÄç `twxÅÉ|áxÄÄx _xà•v|t `tv{twÉ gttàt fA f|ÇÉÑáxM Na virada do século XX, as belas irmãs Elizabeth e Diana Holland
são as rainhas da vida social de Manhattan. Pelo menos, é o que parece. Quando as duas descobrem que sua posição na alta sociedade de Nova York não está nem um pouco segura, subitamente todos - incluindo Penelope Hayes, uma alpinista social traiçoeira, Henry Schoonmaker, o mais charmoso solteiro da cidade, e Lina Bround, uma criada invejosa - ameaçam o futuro dourado de Elizabeth e Diana. O destino da família Holland está nas mãos de Elizabeth, que precisará escolher se vai cumprir suas obrigações ou seguir seu coração. Mas quando sua carruagem tomba às margens do rio Hudson, a garota que vivia figurando nas colunas sociais da cidade é engolida pela corrente gélida. Toda Nova York está em prantos e alguns começam a se perguntar se a vida deslumbrante de Elizabeth se tornara um fardo pesado demais para ela, ou se havia alguém que desejava que a mais famosa jovem de Manhattan desaparecesse... Num mundo de luxo e ilusão, onde as aparências são o mais importante e não cumprir as regras pode levar ao ostracismo, cinco adolescentes levam vidas perigosamente escandalosas. Essa emocionante viagem à era da inocência não é nada inocente.

g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ

cöz|Çt ê D

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GAROTAS LINDAS COM ROUPAS PERFEITAS, DANÇANDO ATÉ DE MANHÃ. GAROTOS IRRESISTÍVEIS COM SORRISOS SAFADOS E MÁS INTENÇÕES. MENTIRAS, SEGREDOS E AMORES ESCANDALOSOS. ESTAMOS EM MANHATTAN E O ANO É 1899... Assim começa a série

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“Mistério, romance, ciúmes, traições, humor e uma incrível
pesquisa dos costumes da época. Quando comecei a ler Luxo, não consegui parar mais!”
Cecily Von Ziegesar, autora dos best-sellers da série GOSSIP GIRL.

Para Suzanne e Gordon

Essa era a maneira de agir da velha Nova York... as pessoas tinham mais medo de escândalos do que de doenças, valorizavam mais a decência do que a coragem e achavam que nada era pior do que “cenas”, com exceção do comportamento daqueles que as causavam. Trecho de A era da inocência, de Edith Wharton.

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http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=65618057

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Na manhã do dia 4 de outubro de 1899, Elizabeth Adora Holland, filha mais velha do Sr. Edward Halland (in memoriam) e de sua viúva, Louisa Gansevoort Holland, foi para o reino dos céus. O funeral será amanhã, domingo, dia 8, às dez da manhã, na Igreja Escopial da Graça, no número 800 da Broadway, Mahattan.
TIRADO DA PÁGINA DE OBITUÁRIOS DO JORNAL NEW YORK NEWS OF THE WORLD GAZETTE, SÁBADO, 7 DE OUTUBRO DE 1899.

m vida, Elizabeth Adora Holland fora conhecida não apenas por sua beleza, mas também por sua moral. Portanto, é justo acreditar que, após a morte, ela ocuparia um lugar elevado no paraíso, com uma vista especialmente deslumbrante. Se Elizabeth houvesse olhado para baixo de seu posto celestial, numa determinada manhã de outubro, e observado seu próprio funeral, teria ficado lisonjeada ao ver que todas as melhores famílias de Nova York haviam comparecido para se despedir dela. Estavam causando um engarrafamento na Broadway com sai carruagens negras, que seguiam gravemente até a esquina da rua Dez, leste, onde ficava a Igreja Episcopal da Graça; Embora não estivesse fazendo sol nem chovendo, seus empregados as protegiam com enormes guarda-chuvas pretos, escondendo seus rostos crispados de choque e dor do olhar intrometido do público. Elizabeth teria aprovado ao ver sua melancolia e também sua indiferença em relação ao povo curioso que se imprensava contra as barricadas da polícia. A multidão viera ali para dar vazão ao seu espanto com a morte de uma menina perfeita e dezoito anos de idade, cujas aparições em festas e eventos sociais sempre haviam sido relatadas nos jornais matinais para deixar seus dias mais alegres. Um frio súbito surgira em Nova York naquela manhã, tingindo o céu de um inexplicável cinza. Era como se Deus não pudesse mais imaginar a beleza agora que Elizabeth Holland se fora, murmurou o reverendo Needlehouse quando sua carruagem chegou à igreja. Os jovens que iam carregar o caixão de Elizabeth assentiram e foram para dentro da sombria igreja gótica ao lado do reverendo. Aqueles jovens eram do mesmo nível social que Elizabeth, e eram os mesmos rapazes com quem ela dançara em incontáveis bailes. Todos haviam sido enviados para escolar particulares como St. Paul’s e Exeter em algum momento e haviam retornado com idéias adultas e uma vontade enorme de flertar com as meninas. Aqui estavam eles agora, com seus sobretudos negros e fumo nas mangas, parecendo tristes pela primeira vez na vida. Primeiro surgiu Teddy Cutting, que era conhecido por ser tão alegre e que pedira Elizabeth em casamento duas vezes, sem ser levado a sério por ninguém. Ele estava elegante como sempre, mas Liz teria percebido os vestígios de barba

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cuja família tinha uma casa vizinha à dos Holland no Gramercy Park. que usava um vestido e um véu de sua cor preferido. que muitas vezes haviam competido para ver quem seria o próximo par na dança com Elizabeth. No entanto. mesmo para suas próprias filhas. e por isso a alta sociedade sempre perdoara suas excentricidades. esperando por Henry Schoonmaker. com os lábios comprimidos numa linha fina. Elizabeth notara algo de diferente em sua mãe. mas o caixão havia sido decorado com um enorme laço de cetim branco. apesar de ela já estar sendo procurado há dois dias e apesar da bela recompensa oferecida pelo prefeito Robert Anderson Van Wyck. As figuras elegantes de negro que se dirigiam para a igreja não puderam deixar de soltar uma exclamação de espanto ao ver Henry. e se dirigiram para a porta da igreja. ele fora também o filho mais velho de um filho mais velho dos Holland. e não apenas porque estavam acostumados a encontrá-lo com um brilho perverso nos olhos e um drinque na mão. e só se tornara distante e intratável quando seu marido falecera no último inverno. a pele de porcelana ou o sorriso sincero de Liz. e então Nicholas Livingston e Amos Vreewold. Edward Holland. Os cavalos atrelados à carruagem funerária eram negros e lustrosos. Eles ficaram imóveis. A próxima a surgir no cortejo foi a mãe de Elizabeth. Que pena. que cheirava a gardênias. Alguns soluços audíveis foram abafados por lenços bordados no segundo em que toda Nova York se deu conta de que jamais voltaria a ver a beleza. Ela uma vez deixara seu rosto próximo ao pescoço de Elizabeth. sempre fora uma mulher fria e amedrontadora. Não restara qualquer vestígio dela. que em maio herdara o controle acionário de uma enorme empresa de seguros. pois seu corpo não fora recuperado do rio Hudson. e lhe dissera que ela tinha um perfume melhor que o de todas as mademoiselles do Boulevard Saint-Germain. e sua estranheza só fizera crescer nos anos que antecederam sua morte. que uma morte tão prematura ocorresse com uma menina tão boa. nas semanas anteriores à sua morte. com o olhar preso ao chão. como se desejasse que o marido estivesse ali para apoiá-la. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê G . um sinal de profundo pesar. soprando pequenas nuvens fantasmagóricas nas orelhas um dos outros. pois Elizabeth morrera virgem. que apareceu por último. o funeral fora organizado muito rapidamente. Mas. Eles ergueram o caixão.br/Main#Community. Henry. Edward Holland fora um homem estranho. o preto. Logo surgiu o belo James Hazen Hyde. Agora.orkut. em Paris. pois Teddy era barbeado por seu criado toda manhã e jamais era visto em público sem estar com a pele perfeitamente lisa. Pareceu-lhes profundamente injusto que Henry precisasse carregar o caixão de Elizabeth no mesmo dia em que iria desposá-la. cujo nome de solteira era Louisa Gansevoort. Na verdade.http://www.aspx?cmm=65618057 loura em seu queixo. muito mais leve do que o normal. Depois de James veio Brody Parker Fish. algo que lhe causava pena.com. moveu-se na direção da carruagem funerária com os outros rapazes logo atrás de si. Louisa se inclinava levemente para a esquerda. sussurraram todos eles. A sra. uma família que prosperara na pequena ilha de Manhattan desde os dias em que ela se chamava Nova Amsterdã. embora todos estivessem chocados demais para pensar nisso.

embora não se falasse muito no assunto. Elizabeth decerto teria reconhecido a expressão de impaciência que Penolope estava fazendo agora .tão distante que seu parentesco não podia ser provado ou contestado . Mas Penelope não parecia tão arrasada quanto deveria. ele provavelmente teria considerado o comentário um elogio. que inundaram o corredor central com suas roupas negras. Isaac era um parente distante dos Buck .aspx?cmm=65618057 Ao lado da sra.orkut. A seguir. Não que suspeitassem dela. ela sempre tivera uma preferência secreta pelas soluções práticas e corretas. Ela agora voltara a usar seu sobrenome de solteira. usava penas negras no cabelo. que escolhia sempre o luxo. que em geral era considerada a verdadeira melhor amiga de Elizabeth. Exibia um cola de diamantes no pescoço e um acompanhante formidável: Isaac Phillips Buck. Isaac era um mero escrevo da moda e. se a estivesse observando. a bebedeiras e a devassidões. que era de ouro combinava com a corrente do relógio que ia do casaco até o bolso de sua calça. Liz jamais gostara dele. que todos foram educados demais para comentar. no funeral de seu pai. Holland estava Edith.mas era formidável em tamanho. até seu canino esquerdo.br/Main#Community. notou-se uma estranha ausência. enormes olhos com cílios muito longos e que. que tinha um perfil egípcio. ao contrário de Isaac. todos sabiam. e parecia tão devastada pela morte de Elizabeth como ficaria com a morte de uma filha. Todos já sabiam que ela fora a última pessoa a ver Elizabeth com vida. dizia Agnes sempre e. Se a Vanderbilt que estava ali perto houvesse dito em voz alta o que estava pensando que Isaac parecia mais preocupado com as aparências do que com o luto -. gozava da admiração de todos. Uma das Vanderbilt que estava parada ali perto reconheceu a expressão também. a caminho dos compartimentos especialmente reservados para eles. de fato. Elizabeth. embora parecesse bem-vestida para a multidão que tentava furar o bloqueio policial para ver melhor. A própria Elizabeth o usara apenas uma vez. que ela se casara muito jovem com um nobre espanhol dado a ataques de mau humor. embora Elizabeth se sentisse constrangida pela afirmação exagerada. Depois de Agnes veio Penelope Hayes. no momento. três palmos mais alto que Penelope e possuindo uma barriga robusta.http://www. E havia também o fato constrangedor de que Penelope estivera com Elizabeth quando seu corpo desaparecera nas águas geladas do Hudson.com. Elizabeth sabia muito bem que o pai de Agnes ficara arruinado financeiramente quando ela tinha apenas onze anos e subseqüentemente se atirara da ponte do Brooklyn. e então dera à amiga.ela detestava esperar. teria reconhecido o vestido preto que ela portava. Penelope e Isaac entraram na igreja e foram imitados por todos os restantes. e soltou um muxoxo de reprovação quase inaudível. Agnes gostava de dizer a todos que Elizabeth fora a única que continuara sua amiga naquela época negra de sua vida. Edith Holland fora uma das primeiras mulheres a continuar tento um papel proeminente na alta sociedade após seu divórcio. que o aumentara na cintura e diminuíra a bainha. jamais sonhara em corrigir a pobre menina. Penelope. é claro. Agnes não era uma menina alta e. tia de Elizabeth e irmã mais nova de seu falecido pai. e então surgiu Agnes Jones. que soluçava copiosamente. especialmente ao ar livre. E ela se tornara sua melhor amiga. Para ela. O reverendo permaneceu em g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê H . mas da confiança de poucos.

http://www. As senhoras educadas da alta sociedade de Nova York desejaram muito se virar e olhar mas o decoro. poderia compreender por que havia um pequeno sorriso no rosto de Diana quando ela se sentou no primeiro banco. irmã caçula da falecida.com. voltadas para frente. os Buck. Os que não conseguiram mais se controlar começaram a falar aos sussurros sobre a chocante ausência.se sentavam. atingindo as paredes de pedra com um estrondo.. . se esta de fato pudesse observar tudo do paraíso. — É com nossos corações pesados. encimadas por penteados elaborados. cuja expressão de espanto não estava tornando seu esforço mais fácil. e seis olhos fixo no reverendo Needlehouse.começou ele a discursar. os Harriman. com alguns cachos de cabelo surgindo por debaixo do chapéu e as bochechas coradas de tanto correr. Elas mantiveram suas cabeças.orkut. Atravessando o corredor central da igreja com passos rápidos estava Diana Holland. a sra. é claro. Finalmente. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê I . apesar de estarem sob a abóbada de uma igreja. Apenas Elizabeth. os Van Peyser.aspx?cmm=65618057 silêncio no púlpito enquanto as melhores famílias de Nova York .br/Main#Community. proibia tal gesto.. os McBrey e os Astor . Mas foi tudo que conseguiu dizer antes que as portas da igreja se abrissem de súbito.os Schermerhorn. Holland assentiu de forma abrupta para o reverendo.

mas nenhum festejo especial fora preparado. e não lhes pareceu apropriado fazer uma grande celebração. FANTASIAS SÃO OBRIGATÓRIAS.br/Main#Community.com. e que estavam ambas fantasiadas como cortesãs do reinado de Luís XIV. Elizabeth passara um ano tendo aulas com uma professora de etiqueta junto com Penelope Hayes. como ocorrera com Elizabeth há dois anos.aspx?cmm=65618057 hÅ A FAMÍLIA RICHMOND HAYES SOLICITA O PRAZER DE SUA COMPANHIA NUM BAILE EM HOMENAGEM AO ARQUITETO WEBSTER YOUNGHAM NA NOITE DE SÁBADO. Agnes Jones. Diana meramente começara a freqüentar os bailes acompanhada por sua tia Edith durante o verão que ambas haviam passado em Saratoga. 16 DE SETEMBRO ÀS 21 HORAS EM SUA NOVA RESIDÊNCIA. Ela devia ter desconfiado que seu comportamento estava sendo observado o que. embora houvesse saído do transatlântico naquela manhã. odos estão perguntando por você . sua velha amiga.orkut. é claro. Diana. NA QUINTA AVENIDA NÚMERO 670. Diana completara 16 anos durante a viagem de Elizabeth para Paris. havia desaparecido. a interpretar perfeitamente seus tons de voz. provavelmente um jovem de boa família. Não era à toa que ela andava malhumorada.disse Louisa Holland a Elizabeth sem levantar a voz. Diana não tivera um baile formal ao ser apresentada para a sociedade. entre outras coisas. mas a irmã caçula de Elizabeth. Afinal de contas. ainda que um pouco prejudicado geneticamente pelo inúmeros casamentos entres parentes próximos ocorridos ao longo dos séculos. Esse significava que ela deveria retornar agora ao salão de baile e dança com um parceiro qualquer que sua mãe escolhera. com quem dividira diversos tutores. Elizabeth deu um sorriso de desculpa para a meninas com quem estivera conversando . logo após ela fazer dezesseis. porém de forma autoritária. A família ainda estava de luto por causa do falecimento do pai das meninas. Elizabeth passara dezoito anos sendo treinada para ser motivo de orgulho para sua mãe e aprendera. Elizabeth sentiu-se irritada ao pensar na criancice de Diana. mas rapidamente controlou a emoção.Annemarie d’Alembert e Eva Barbey. era verdade. também estava sentada no sofá damasco com listras cor de marfim e cor de ouro. a quem ela conhecera na última primavera na França. e recebera lições de comportamento. @g g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê J . dança e línguas modernas. Elizabeth estava contando a elas como Paris lhe parecia distante agora. NA CIDADE DE NOVA YORK.http://www.

disse Elizabeth timidamente. você é a jovem mais disputada pelos rapazes essa noite . a senhora tem sorte por eu ser tão jovem. Holland. há nove meses.Mas você sabe o quanto eu ficaria satisfeita se um de seus parceiros lhe pedisse em casamento.br/Main#Community. as paredes cobertas por afrescos e inúmeros espelhos de moldura dourada. . Havia cerca de quatro criados para cada convidado.disse a senhora Holland. Elizabeth a achara mais ansiosa. não. Próximos às paredes ficavam vasos com enormes palmeiras formando um escudo que protegia as mulheres que estavam nos cantos do salão dos pares de dançarinos que deslizavam freneticamente pelo chão de mármore xadrez. porém tão luxuosos e exagerados quanto ele. e por ainda ter anos antes de precisar escolher qualquer um deles. o que pareceu ostentação até mesmo para Elizabeth. embora estivesse preocupada com o tom de voz de sua mãe. comprando vestidos na Rue de la Paix e tentando esquecer a perda que sofrera. tirando Elizabeth da pequena sala em que ela estivera envolta numa atmosfera silenciosa e feminina e lavando-a de volta para o salão de baile. Elizabeth tentou rir para disfarçar o desespero que aquele comentário causara nela. Elizabeth estava usando uma fantasia de pastora feira de brocado branco. Holland observaram rapidamente todo o salão de baile. que passara os últimos meses aprendendo a se comportar como uma dama na Cidade Luz. Ela sentiu um frio na espinha mas. Um menino que não seria admitido no salão de baile dos Richmond Hayes um dia lhe dissera que sua boca tinha o tamanho e o formato de uma ameixa.aspx?cmm=65618057 — Sei que lamenta deixar suas amigas . cercado por inúmeros outros cômodos menores.continuou a sra. que o passariam dormindo sob dosséis de seda. Todos eram conhecidos das duas. Edward Holland morrera no início do ano e sua mulher usaria luto formal por mais um ano pelo menos. Ela sempre fora uma mulher severa. o que era alarmante. Elizabeth tentou formar um sorriso com aquela boca. acordando apenas para aceitar um copo de água gelada e g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê K . desde que saíra do navio. — Talvez . antes que pudesse perguntar a sua mãe o que aquela frase significava.orkut. — Mas eu já dancei tantas vezes esta noite . . Era estonteante: tinha a abóbada do teto feita de vidro fosco. — Ah. Holland. dançando como se não houvesse amanhã. a parecia mais bela e alta do que nunca ao lado da mãe. Elizabeth. De fato. e ficava no centro da mansão da família Hayes. . — Bem. que ainda vestia seu luto de viúva. o dia seguinte provavelmente nem seria percebido por eles. feições delicadas e tez de alabastro. Elizabeth partira logo após o enterro de seu pai. Holland. mas. Aqueles eram seus iguais: quatrocentas pessoas pertencentes a apenas cerca de quarenta famílias.http://www.Os olhos da sra. Elizabeth tinha um rosto em forma de coração.com. chegaram ao salão de baile e estacaram junto ao local onde casais ricamente vestidos estavam valsando. que acenaram para eles.continuou a sra.retrucou a sra. — Mas aparentemente. e passara toda a primavera e o verão aprendendo a ser charmosa e elegante nos salões de Paris. — A única coisa que não temos é tempo.

Assim que a sra. se lembrará de mim após eu ter passado tanto tempo fora. Holland.Você não reclamaria tanto se seu pai estivesse aqui.Os jornais vão dizer que eu aprovo esse tipo de exibição de mau gosto. — Eu nem devia ter honrado esse baile com a minha presença . Holland respirou fundo enquanto duas meninas da família Wetmore. e ela se sentiu mais solidária à causa da mãe. Tornara-se um homem de poros enormes. Houve uma época em quae a sra. A maior vocação daquela sociedade era receber e ser recebida. Ele herdou toda a propriedade do pai no último verão. A menção do Sr. Havia diversas colunas como aquela no salão. era quase certo que haveria poucos fiéis presentes. . a família Hayes parecia ter se aproveitado de cada pequena oportunidade de exibir sua grandiosidade. Ela chamara alguém de vulgar. — Sinto muito . A sra. Elizabeth suspirou. Elizabeth teve um sobressalto. Holland fora obrigada a aceitá-las. . Holland fez com que seus olhos de enchessem de lágrimas. Holland. como você bem sabe informou a sra. que tinham um e três anos a mais do que Elizabeth. Era dia de igreja. apesar de seu marido ter aceitado um ou dois convites para caçar com Jackson Pelham Hayes.http://www.br/Main#Community. quando ele fora o tipo de menino que evitava o contato humano e preferia passar seus dias sendo cruel com animas de pequeno porte. — Pare . Holland para Elizabeth.comentou a sra. passaram por elas. mas também para impressionar os visitantes. que considerava novas-ricas. atividade pontuada ocasionalmente pelo investimento de suas vastas fortunas em negócios ainda mais lucrativos. Não imaginava ter demonstrado qualquer emoção. Elizabeth conhecia Percival desde criança. Holland. e Elizabeth teve certeza de que não estavam ali apenas para suportar o peso do teto. Ela pensou no único rapaz que conhecia que não ia estar no baile naquela noite. Coddington. mas. embora não tivesse estômago para ir em pessoa nas explorações. que tem tantos talentos. posicionando-a ao lado de uma gigantesca coluna de mármore rosa. e Elizabeth ficou um pouco orgulhosa ao ver como sua amiga estava deslumbrante.com. após uma noite tão cintilante e épica. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê L . Mas a opinião da sociedade mudara à sua revelia e a sra. mantendo a voz bem firme e lutando contra as lágrimas. Ao construir sua nova casa. que fungava com freqüência e colecionava artefatos antropológicos obsessivamente. . — É claro que ele se lembra de você. — O último rapaz que perguntou por você foi Percival Coddington.orkut. Especialmente quando a alternativa é dançar com meninas como essas. Ela usava um vestido cor de papoula cheio de pregas com um corpete baixo.disse a sra. Elizabeth estava tentando pensar em algo de bom para dizer sobre Percival Coddington e não o comentário seguinte de sua mãe. Elizabeth notou que sua amiga Penelope Hayes estava no mezanino.aspx?cmm=65618057 para expulsar os criados do quarto. é claro. Holland pronunciou essa palavra. mas não foi o suficiente para tornar a perspectiva de dança com Percival Coddington mais atraente. Holland nem sequer se dignaria a visitar as mulheres da família Hayes.Mas eu me pergunto se o Sr. Parecem ter se vestido para trabalhar no circo respondeu a sra.desculpou-se Elizabeth. e você bem sabe a dor de cabeça que isso vai me dar.

Ela estendeu seu pescoço longo e deu um sorrisinho sutil para Penelope. patriarca da velha família Schoonmaker. Fora treinada para ser uma dama.poderia. piscando o olho de maneira lenta e sensual de sempre.aspx?cmm=65618057 — Mas senhora sabe que teria sido um escândalo muito maior se não viéssemos. Em vez disso. .orkut. único traço físico que passara à filha. enquanto seus olhos perscrutavam o decote quadrado do corpete da jovem. sr. . . desejara sua amizade.com. que se chamava Henry e passara algum tempo estudando em g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DC . Elizabeth viu sua mãe falando com dois homens. embora desconhecesse as regras da alta sociedade.Ouviu-se a voz melodiosa da sra. de quem não havia mais como escapar. Penelope tinha o mesmo interesse. Ela olhou para trás para sorrir para a sra. O cabelo de Percival estava alisado para trás e ele respirava pela boca de forma audível. Holland. ter o prazer de vê-la satisfeita. que estava apenas começando a se importar com essas regras. — Muito obrigado . Então. enquanto Elizabeth cumprimentava sua melhor amiga. fazendo com que a atenção de Elizabeth se voltasse para o salão de baile.disse ela para a mãe -. da qual tanto desejava fazer parte. Penelope. olhando para baixo deixou que uma de suas pálpebras cobertas de sombra escura se baixasse. que a pegou com sua palma suarenta. Holland alguns segundos depois.Aqui está o senhor Coddington! Elizabeth forçou-se a sorrir e a escapar Percival Coddington. — Isso mesmo. Holland .concordou a sra. ela ergueu seu pequeno queixo. aqui está ela. ao menos. sr. nunca . Elizabeth sentiu o desânimo lhe tomando ao ver que ele usava uma fantasia de pastor. Penelope se tornara uma apta estrategista nas batalhas sociais. — Bem. Reconheceu primeiro a figura esguia de Stanley Brennan. Coddington. rindo da pobre menina que tivera a má sorte de ser tirada para dançar por Percival Coddington.afirmou Elizabeth.tudo parecia mais divertida quando se estava com a jovem senhorita Hayes. Holland. a senhora nunca lê jornais.br/Main#Community. Elizabeth viu que estava sendo examinada por ele e sentiu-se constrangida. Holland. Gostaria de estar lá em cima com ela. botas rústicas e suspensórios coloridos. que fora contador de seu pai. Ele fez uma espécie de mesura.exclamou a sra.http://www. Coddington. Elizabeth teve a certeza de que fora compreendida. levando-a por entre a multidão de dançarinos fantasiados. — Além do mais . que fizera uma segunda fortuna investindo em estradas de ferro. Elizabeth. Ela rapidamente descobrira que gostava da companhia de Penelope . — Srta. e depois o imponente William Sackhouse Schoonmaker. Eles estavam combinando. a senhorita me daria o prazer desta dança? — É claro. Logo. mas manteve-se bem ereta e com um sorriso no rosto. e Elizabeth não podia imaginar ninguém melhor para ter ao seu lado durante uma noite formal como aquela. Elizabeth ficou esperando o convite para dançar. — Olhe! . O único filho dele.rosnou Percival. Mesmo assim. Elizabeth ofereceu a mão a Percival. composta por culotes. período em que a primeira estivera mais do que nunca interessada no que teria de fazer para ser considerada uma jovem elegante. Elizabeth e Penelope haviam se tornado amigas durante a adolescência.

e contavam que todas as meninas estavam disputando-o.orkut. e logo para dançar com Percival Coddington. dando-se conta de que estivera pensando que nem mesmo a saleta onde estava com as amigas era um refúgio perfeito. e ela desembarcara há menos de vinte e quatro horas.começou Elizabeth. que dançava muito mal. embora o visse e ouvisse falar nele muitas vezes quando os dois eram mais jovens. Coddington. no entanto. fora forçada a voltar para o centro das atividades.disse Percival amargamente. então no que a senhorita está pensando? Percival franziu o cenho e pressionou a mão contra as costas de Elizabeth. Penelope parecia ainda mais competitiva do que o normal em relação a sua aparência e a seu vestido. cuja identidade revelaria para Elizabeth mais tarde. embora ela fosse uma g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DD . Já era um habito seu. As cartas que Elizabeth recebera de Agnes enquanto estivera em Paris faziam diversas menções ao nome dele.br/Main#Community.. — Asseguro-lhe que não. gostava de fazer travessuras e pregar peças nos outros.. Além de tudo isso. naquela tarde. Ele tinha uma irmã chamada Prudie que era um ou dois anos mais nova que Diana. Elizabeth tentou não tropeçar nos pés dele. sr. é claro. ela falara durante muito tempo sobre seu novo amor secreto. pois a trouxe de volta para o presente com um comentário bem direto: — Creio que a senhorita teria preferido continuar na saleta com suas amigas . Holland exigira que Elizabeth demitisse a criada que lhe servira em Paris e por isso ela precisara cuidar de seu cabelo e das suas roupas sozinha durante toda a viagem. pois não gostava de multidões. Prudie só usava preto e nunca era vista. quando menino. relatando inúmeras vezes como fora sua atribulada travessia transatlântica. Depois. Quando finalmente se sentara com algumas amigas para tomar uma taça de champanhe e conversar sobre como tudo estava deslumbrante. . Ela sabia que ele era o último homem do mundo indicado para guiá-la por um salão repleto de pessoas levemente embriagadas. largara a faculdade na primavera e desde então as moças da elite de Nova York não falavam em outra coisa. para ensinar-lhe os passos das novas danças e para lhe dizer que teria ficado furiosa se o navio houvesse atrasado mais e feito com que sua melhor amiga não estivesse presente em uma das noites mais importantes de sua vida. e Elizabeth acre ditava que era por causa desse namorado e pelo fato de aquele baile marcar a abertura da nova mansão de sua família. ali estava. Estou apenas um pouco cansada retorquiu ela. Ainda sentia-e um pouco tonta após tantos dias passados no mar e. Elizabeth ainda tinha uma impressão vaga de Henry Schoonmaker.http://www. já dançando. A sra. Penelope a visitara. Mas continuara sorrindo. — Hum. jantara e conversara com diversos tios e tias. assim que as duas conseguissem ficar a sós. Nas horas que antecederam o baile havia muitos criados zanzando para lá e para cá e não teria sido prudente dizer o nome do rapaz.aspx?cmm=65618057 Harvard. ficara um pouco aliada ao se afastar de Agnes. Na verdade. O parceiro de Elizabeth provavelmente percebeu que o pensamento dela estava longe. — Bem. Não era de todo mentira. Elizabeth também estava tensa por causa do estranho comportamento de sua mãe. Seu navio chegara três dias atrasado. Ela lembrava que ele.com. E ela já dançara quadrilha.

Elizabeth não pudera deixar de sentir pena ao vê-la. com todas aquelas horas de conversa insípida. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DE . elogios cuidadosamente aceitos e atenção minuciosa às aparências.http://www. o salão ficou silencioso e suas luzes se tornaram mais vívidas.aspx?cmm=65618057 amiga tão leal. para ter certeza de que ela não havia caído. pois o vestido com franja de couro que estava usando era apertado demais e lhe caía muito mal.com. Pensou em como fora a noite até ali. O que realmente fizera durante todo aquele tempo? E o que ele . instantaneamente desapareceu. Elizabeth se deu conta de que sua vida era uma armadilha. que fora apertado por sua criada Lina horas antes. Elizabeth abriu os olhos. Coddington . sr. Por isso. Já podia sentir o enorme peso de uma vida inteira de arrependimento por ter desistido dele. e soube que seria o suficiente para enterrá-la viva. perguntando-lhe se ela estava bem. Os sons alegres do salão retornaram num átimo. especialmente ao lado de suas novas amigas parisienses.fizera durante os meses que ela passara fora? Elizabeth se perguntou se ele deixara de amá-la. e que de fato acreditava ter esquecido .respondeu Elizabeth finalmente. Ela se concentrou novamente no rosto feio de Percival e tentou obrigar seus pés a se moverem no ritmo correto pelo salão. que cintilava lá em cima. que surgira de forma tão abrupta. De repente. Seu espartilho. — Estou bem.o rapaz que estava tentando desesperadamente esquecer.br/Main#Community. Lembrou-se do luxo da época que passara em Paris.orkut. Agnes lhe parecia um constrangedor vestígio da infância. obrigada por perguntar. Elizabeth fechou os olhos e sentiu a respiração quente de Percival Coddington em seu ouvido. o que lhe era desagradável.Não sei exatamente o que houve comigo. subitamente pareceu-lhe estar cortando sua respiração. que eram tão glamorosas. E então o pânico. . Ela olhou para a abóbada do teto.

orkut. principalmente considerando-se que era um cômodo cujos principais ocupantes seriam os casacos e chapéus dos convidados. Eles não dariam a mínima para o fato de que o closet fora decorado W g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DF . Além do mais. Youngham . pensou Diana.aspx?cmm=65618057 WÉ|á XÇvÉÇàÜx@ {ÉÜtA XÇvÉÇàÜx@Åx ÇÉ vÄÉáxà õ âÅt {ÉÜtA gÜtzt v|ztÜÜÉáA W[ iana Holland viu sua mãe subir a escada de mármore que havia do outro lado do salão. ai logo atrás. que decerto seria tão suntuosa quanto o resto da casa.Sou James Haverton. a sra. e depois o colocara na mão do assistente do arquiteto Webster Youngham. Holland olhou para trás. apesar de ser apenas um assistente. indo na direção de uma saleta no segundo andar. fizera uma mensura. com um ar adoravelmente confuso. que já vivera a vida. O contador e amigo da família delas. Stanley Brennan. apertara a mão dele e lhe entregara o bilhete. Olhou para trás uma vez antes de deixar o salão para certificar-se de que não estava sendo seguida e então entrou no closet. Diana piscara o olho para James e desaparecera em meio aos dançarinos. no banheiro das mulheres. encarou Diana e lançou-lhe um olhar severo. sr. Diana atravessara a multidão. Era enorme e muito ornamentado. Diana ficou furiosa por ter sido vista e por um breve momento considerou a possibilidade de permanecer no salão de baile e esperar pacientemente que um de seus primos lhe chamasse para dançar.br/Main#Community. ela se orgulhara tanto de sua esperteza quando escrevera o pequeno convite mais cedo. Youngham . — O senhor é de fato um artista. de braço dado com um velhote robusto que ela teve certeza de que conhecia.http://www.com. Logo antes de os três desaparecerem. . Diana não vira nenhum outro rapaz tão interessante quanto ele na hora que se passara desde que entregara o bilhete. — Mas eu não sou o sr. assistente dele.dissera ela. Por isso. — Mesmo assim. Ele tinha ombros largos e lindos olhos azul-acinzentados e.respondera ele. parecia ser também um homem viajado. ela apanhou a saia nas mãos e passou rapidamente por entre os vasos de palmeiras e a parede. Mas a paciência não fazia parte da sua natureza. que estivera parado na frente da arcada da entrada para explicar para os convidados as muitas referências arquitetônicas que haviam sido incorporadas à nova mansão da família Hayes. embora soubesse que o arquiteto já estava bêbado de vinho Madeira e no momento descansava numa das salas de jogos que havia no segundo andar.

com uma saia de listras brancas e vermelhas que lhe dava um ar boêmio e com um corpete simples de algodão que rasgara em alguns lugares sem que a sra. Trilby surge pela primeira vez nas páginas do livro fazendo uma pausa em seu trabalho de modelovivo e vestindo apenas uma combinação. Ela viera de fantasiada como a heroína de seu romance preferido: Trilby. com o chão coberto de mosaicos coloridos e antiguidades exibidas em nichos em forma de torreão. que era do mesmo tipo usado pelos tenentes do exército francês. o que fazia com que seus olhos parecessem enormes e sinceros. pequenas e bem distantes uma da outra. — Eu tenho cigarros . g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DG . cambaleando um pouco por causa de todo o champanhe que tomara escondida e. A boca de James estava muito próxima do ouvido dela.disse ela. virando a cabeça alegremente.br/Main#Community.http://www. Diana percebeu que havia um brilho maroto nos olhos dele e concluiu que devia ser o vislumbre de um espírito igual ao seu. Diana olhou em volta. — Olá. Diana gostou do som de seu riso. James fingiu seriedade ao dizer isso. tentando localizar seu casaco.disse ele.respondeu ele. quando o fez.orkut. quando o relógio que havia num dos cantos bateu uma vez. mas então caiu na gargalhada. Sua mãe mandara fazer outra roupa de pastora para que o vestido dela combinasse com o de Elizabeth. James tinha sobrancelhas curtas. — O que preciso fazer para convencê-lo? .. chinelos e o casaco de um soldado. — O que a senhorita está me pedindo para fazer é muito sério . A adrenalina tomou conta de seu corpo. Diana estava começando a se perguntar se um dos criados não levara seu casaco esfarrapado pensando que era dele. Todas as meninas da idade de Diana eram conformistas e suas fantasias pareciam com as roupas que usavam todos os dias. de George Du Maurier. . — Espero que tenha trazido cigarros . é claro. Ninguém entendera a fantasia. embora aquela fosse de longe a coisa mais excitante que lhe acontecera a noite toda. esforçando-se para não sorrir demais. .disse ela. Diana não obtivera permissão para usar uma combinação sem o vestido por cima. mas ter conseguido ir ao baile com aquela fantasia já fora um triunfo. assustando-a.aspx?cmm=65618057 em estilo mourisco. Ela deu alguns passos para trás. — Não achei que moças de família tivessem permissão para fumar.perguntou ela. Mas ali estava ela. Diana fez biquinho. — Então você não tem nenhum cigarro? James não respondeu e olhou-a de uma maneira que não a fez sentir como uma moça de família. Holland percebesse.com. surpresa.. tentando mostrar indiferença. Diana se virou devagar e encarou-o. — Ah.Mas não sei bem se devo lhe dar um. o que teria sido horrível e humilhante. sentiu o calor do peito de um homem e duas mãos em seus quadris. com a adição de um pouco mais de pó de arroz e de espartilhos mais apertados do que o comum. é você.

Por um segundo. Diana deu uma tragada e tentou não tossir. Assim como Elizabeth. . — Se você é um arquiteto.respondeu ele. sei que sou bonitinha . E. Diana gostava de acreditar que seus cachos castanhos lhe davam um certo ar de mistério.perguntou Diana. aproximando-se um pouco de James.na verdade. Até ela própria às vezes ficava surpresa com as coisas audaciosas que lhe saíam da boca. principalmente porque os detalhes em metal e azulturquesa do cômodo onde estava sugeriam um lugar distante e exótico.mas era difícil aprender a fazê-lo direito com sua mãe e os criados sempre a vigiá-la.disse ele. James exalou a fumaça. — Que ótimo! Porque venho tentando encontrar um artista a noite toda. — Acha mesmo? . — Muito mais que bonitinha. ela e Elizabeth tinham o mesmo queixo . numa tenda escondida em algum recanto da Tunísia ou de Marrakesh.se é que se podia chamar aquilo de vida .aspx?cmm=65618057 — Você é bonita .orkut.br/Main#Community. Ou. na Quinta Avenida. é claro.disse James e seu sotaque ríspido de americano fez com que Diana se lembrasse de que estava em Nova York e. embora tivesse uma aparência menos que a de sua irmã mais velha. soprando pequenas baforadas. James continuou a observá-la enquanto tirava uma cigarreira do bolso do paletó. — E porque você acredita que eu posso ser comparada com as senhoritas de classe? Diana falou as duas últimas palavras com nojo. Ela também se afundou na parede fofa de casacos. com toda a alta sociedade a poucos metros de distância.perguntou James. As meninas de classe eram escravas da etiquetam. — Para beijá-lo. ela possuía as feições pequeninas e a boca redonda das mulheres da família Holland. pensou estar. é claro. — Com que propósito? . tragando seu cigarro. Adorava fumar . — Não é comum para senhoritas de classe se encontrarem com homens mais velhos em lugares como esse.disse Diana. isso que dizer que é um artista? — As opiniões divergem . e o doce cheiro do tabaco os envolveu. — Oh. apoiando-se sobre os casacos e colocando um cigarro na boca. corando de falsa modéstia. perguntando-se o que James ia fazer agora. Seus olhos eram sempre descritos como sendo “cheios de vida”. Diana o odiava. Mas até que estava fingindo bem.com. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DH .http://www. e levavam a vida . Diana achou que estava a milhão de quilômetros dali.o queixo de sua mãe. ao menos. adorava a idéia de fumar . — Parece-me que você está sendo uma menininha muito levada . Ele acendeu um cigarro e entregou-o a ela. Diana e Elizabeth tinham muitas características físicas em comum. ainda por cima. dando um sorriso mais largo agora. Fumar parecia ser a coisa certa a fazer naquele momento.Alguns arquitetos gostam de pensar que fazemos o tipo de arte mais monumental e duradouro de todos. mas eles na verdade eram completamente indomáveis. mas eram bem diferentes.de manequins inanimados. Diana levantou uma sobrancelha. comprando um pó mágico de um feiticeiro. pensativo. Diana respirou fundo após dizer isso.

Eles haviam se aberto mais durante aquele malfadado beijo. Ela e Stanley deixaram o closet e caminharam para o salão de baile. estendendo a mão na direção dos rasgões do corpete de Diana. Ele só tinha 26 anos . Ele não parecia muito satisfeito com a aparição de Stanley. Diana sentiu James apertando-a com mais força por um momento.o posto de contador dos Holland lhe fora passado por seu pai -. mas. dando o braço a Stanley e voltando-se para James. — Obrigada. Diana estava finalmente aceitando que James Haverton. James sorriu e largou seu cigarro no chão de mármore preto e branco.br/Main#Community. — Não vou contar a sua mãe .http://www.chamou a voz de um homem. — Sua mãe me mandou ver onde a senhorita estava . Stanley . embora ele não devesse ter mais do que vinte anos. mas nada disse. Diana quase morreu de decepção. não há problema . não era o tipo de artista que estava procurando. sr. com mais mágoa do que choque. hesitante. Aquele não era o toque pelo qual estivera esperando a noite inteira.orkut. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DI .Gostaria de me acompanhar até o salão de baile? Stanley aproximou-se cuidadosamente.disse ela impacientemente. — Srta. Haverton. Eu jamais esquecerei. .sussurrou Stanley. e só um pouco melhor do que seu primeiro beijo. imaginando que a careta que surgira no rosto de James marcava o início de uma vida solitária e cheia de decepções. é melhor eu ir embora. Assim que seus lábios de tocaram. James era muito pior que Amos Vreewold. como estava sempre ansioso. Para me certificar de que não estava se metendo em nenhuma confusão.Muito obrigada por me explicar as referências islâmicas do closet. . só para se certificar de que seus instintos estavam corretos.disse ele. Ela o beijou também. devo lembrá-la de que esse tipo de comportamento pode ser sua ruína. Diana achou-o subitamente velho.disse ela.Mas sinto que. Ele veio rapidamente na direção dela.aspx?cmm=65618057 — Eu disse a você que estava procurando um artista . mas já havia sido beijada antes e sabia como era a sensação de um beijo bom. Diana soube que não havia qualquer mágica naquilo. a quem ela beijara diversas vezes durante o último verão que passara em Saratoga. — Pare.com. antes que eles se voltassem na direção da porta.disse ela. pisando nele para apagar a brasa e chutando-o para o lado. . Ela imediatamente reconheceu o rosto longo e cansado de Stanley Brennan. Era mesmo o destino dela destruir corações. quando a porta rangeu e passos soaram no vestíbulo. como era amigo de seu falecido pai. Diana? . pois James achava que beijar alguém era meramente amassar seu rosto contra o rosto alheio. Diana sentiu-se livre quase instantaneamente. tomada pela alegria de não precisar mais sentir o queixo áspero de James contra o seu.Por isso. parecia bem mais velho. se for pensar igual a todo mundo. . que ocorrera aos treze anos e fora desagradável a ponto de fazê-la esquecer-se completamente da identidade do garoto. Diana olhou para trás apenas uma vez. assistente de arquiteto. James tirou a mão da cintura de Diana e se afastou.

embora seus olhos brilhassem. Já era possível ouvir as vozes e a música vindas do salão e num segundo eles seriam envolvidos pelas luzes cintilantes do baile. Ela fez um biquinho falso com sua boca redonda.perguntou ela.aspx?cmm=65618057 — Não tenho medo . e não ia deixar que um beijinho desagradável lhe impedisse de seguir em frente. — Considero-a quase como se fosse minha irmã. Então. agarrando a mão de Stanley e levando-o de volta para o centro das atividades. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DJ .disse Diana alegremente. — Isso é verdade. . Diana riu. parando de andar como se quisesse mostrar que estava falando sério. Estava procurando por algo que não sabia explicar. Diana parou ao lado dele.orkut. — Mas será que seria tão ruim assim? .com. sedutores.disse Stanley. e é minha responsabilidade cuidar da senhorita.http://www. seria o fim de nós dois. Ao menos é isso que sua mãe pensa. Se ela descobrisse o que a senhorita estava fazendo e que eu sabia de tudo.br/Main#Community.

afinal. Penelope não se importaria. E. é claro. onde fora para dar as boasvindas a Elizabeth e para ralhar com ela por quase ter perdido a festa. que agora estava rodopiando por seu gigantesco salão com o horrível Percival Goddington.respondeu Isaac Phillips Buck. Bem. @h g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DK . como sempre. Era a noite do baile da família Richmond Hayes.http://www. Seu coração ficara apertado quando ela lera a descuidada missiva e Penelope tivera um acesso de raiva que fora muito injusto para com as criadas que estavam lhe vestindo para o baile.orkut. . Afinal. e por isso mesmo tornara-se a melhor amiga dela. . seria sua principal rival na sociedade. Há muitos anos ela percebera que Elizabeth Holland. não teve dúvidas de que ele viria. Penelope tinha certeza absoluta de que ele ia aparecer em breve. Ela colocou uma das mãos no quadril. com uma certa dose de veneno.acrescentou ele com desdém. Penelope deu de ombros.aspx?cmm=65618057 gÜ£á aûÉ áx| áx ÑÉwxÜx| |Ü õ áât yxáàt {É}x õ ÇÉ|àxA cxÜwÉx@Åx áx |ááÉ tvÉÇàxvxÜA cxÜwÉx@ [f ma pastorinha. Se Isaac fazia questão de elogiá-la. — Pelo menos ela não esqueceu suas humildes origens americanas depois de passar tanto tempo se pavoneando para os franceses . Não tinha medo de que o rapaz que escrevera o bilhete não se apaixonasse por ela . aquela seria a melhor ocasião para ele concluir que Penelope era o centro do universo e que manter o relacionamento deles em segredo seria um desperdício colossal. Tinha acabado de voltar da casa dos Holland.E pelo menos não veio vestida de marquês ou marquesa. embora com a outra Mao ainda estivesse amassando o bilhete que tanto a enfurecera. vestindo uma fantasia de dançarina espanhola cheia de babados vermelhos cujo corpete deixara sua cintura com apenas 45 centímetros. como todos os outros . ninguém seria capaz de resistir por muito tempo mas não queria que ele perdesse essa festa em particular. É a fantasia perfeita para Liz. depois de ver o quanto todos haviam ficado impressionados com a nova mansão de sua família e com sua maneira elegante de receber as pessoas.não havia outro lugar para ir. pronunciando as palavras. quase absoluta. Estava se sentindo bem melhor agora. a noite em que eles firmariam sua posição no mais alto círculo da sociedade novaiorquina . quando o mensageiro lhe entregara o bilhete.br/Main#Community. com ela própria.comentou Penelope Hayes. confiante. Mas agora que Penelope estava observando o salão de baile se sua mansão do mezanino. Penelope ficara arrasada mais cedo.com.

— Você fez um bom trabalho hoje. Ogden Hazmat Jr. Holland estava sempre se referindo aos Hayes como novos-ricos. mudara de nome e comprara uma casa na Washington Square de uns membros falidos da família Rhinelander. Penelope ficara sabendo que o sr. Os Hayes haviam chegado e.com. Eles viviam numa velha mansão não muito bonita em Gramercy Park. Penelope e Elizabeth haviam se tornado amigas quando tiveram aulas com o mesmo tutor francês. Isaac se empertigou e pousou as mãos sobre a barriga redonda. fazendo com que as dúzias de delicadas pulseiras de ouro que trazia nos braços tilintassem. pois ela nunca se preocupava demais com nada e pouco se importava com sua imagem de senhorita de classe. para provar isso. dando um largo sorriso de orgulho. deixando-a profundamente irritada. o clã dos Hayes se entrincheirara na alta sociedade. Ou o palazzo. O professor era um homenzinho adorável.br/Main#Community. Então. pois Penelope não era considerada uma senhorita de classe.orkut.disse Penelope. Era verdade que a fortuna da família começara a crescer quando o avô de Penelope. — Foi tudo para você . ao menos pelos membros das velhas famílias holandesas de Manhattan. onde estavam todas as novas mansões mais elegantes. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê DL .respondeu Isaac. deixando que o riso saísse apenas pelo nariz. os dois riram da maneira de sempre: com as bocas fechadas. Penelope não pôde deixar de pensar que o salão deles era muito maior e mais suntuoso que o dos Holland. Holland e jamais lhe perdoara por seu esnobismo). no inicio da adolescência. — Acho que ela só está tentando fugir do mau hálito do Percival. As mulheres muitas vezes desdenhavam da beleza de Penelope. com uma fachada marrom sem graça e cômodos dispostos em fileiras perfeitas. que mesmo assim estava ali se deleitando com os luxos da festa dos Hayes. (Anos mais tarde. E agora haviam deixado a Washington Square para trás para sempre e ido viver na única residência particular de Nova York que tinha três elevadores e uma piscina abaixo do nível da rua. O que era uma grande injustiça. capazes de demonstrar inocência ou desprezo em igual medida.. a diferença entre décolletage e décolleté.http://www.aspx?cmm=65618057 — Olha só como Elizabeth está de nariz empinado . Isaac . Holland fizera com que a filha tivesse aulas com ela para perturbar a sra. Mas as fofoqueiras estavam erradas: seus lábios não eram mais impressionantes que seus imensos olhos azuis. perguntando. Mas. Mas ela sabia muito bem que a sra. Penelope poderia ter se sentido mal por Liz e pelo fato de que ela ainda vivia numa parte medíocre da cidade enquanto a família Hayes se mudara para a Quinta Avenida. aparente sob sua fantasia de bobo da corte. O que era muito bom. Elizabeth gostava de fazê-lo corar. Para Penelope. por exemplo. E aquela parte da cidade nem estava mais na moda.elogiou ela. fora cômico ver o quanto Elizabeth se esforçava para provar que era bem-comportada. deixara de ser alfaiate e passara a vender cobertores de algodão para o exercito da União pelo preço da lã. dizendo que a única coisa bonita em seu rosto era a boca. desde que ele fora párea Nova York. como a mãe de Elizabeth. ali estava aquela mansão. como sempre dizia a mãe de Penelope.

ele diria que a roupa é feita de camurça.orkut.concordou Penelope. você sabe muito bem que Agnes não tem um costureiro. — Muito engraçado.continuou Isaac. Só para ver as jóias já teria valido a pena. Acho que ela esta fantasiada de cowgirl e. pois estava interessada em outra coisa: onde quer que Teddy fosse. ele precisava trabalhar para viver e se tornara um profissional indispensável para anfitriãs como a sra. ali está Teddy Cutting! . sempre havia uma certa pessoa ainda melhor logo atrás dele. — Seja bondosa. mas as festas que ele dava eram maravilhosas.http://www.disse Isaac.com. e ela não tem muitas coisinhas brilhantes. com ar entediado.exclamou Penelope. . — Você deve estar se referindo a Agnes. — Preciso confessar que todos estão muito bonitos hoje . amassando o bilhete que estava segurando e jogando-o dentro de sua taça vazia de champanhe. virando-se para o amigo com uma sobrancelha levantada. pois andava sofrendo de anglomania. Sabia como gritar com os cozinheiros para que eles deixassem a carne no ponto exato. Penelope permaneceu imóvel e ereta. — Tem razão . Sabia onde conseguir as flores mais frescas da cidade e onde encontrar belos rapazes que gostavam de dançar e sabiam agradar as senhoritas. Henry Schoonmaker se destacava mesmo entre as pessoas mais g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EC . Hayes.concluiu ela. Ela observou as mulheres com suas enormes saias engomadas e mangas bufantes rodeando Teddy. Foi neste momento que Henry Schoonmaker surgiu na entrada do salão de baile e todo o resto do mundo pareceu desaparecer.ele está vestido de nobre francês como todo mundo. Os gritos de Isaac não eram agradáveis. Teddy. . sorrindo. colocando uma das mãos no queixo.E Amos Vreewold de toureiro? Pelo amor de Deus . Teddy gostava de Elizabeth Holland. — Teddy está uma delícia .disse Penelope. interrompendo a crítica às fantasias. Não é todo homem que fica elegante de calça justa. — Não está mal. que tinha cabelo loiro. se você perguntasse a seu costureiro. que fez uma galante mesura e começou a beijar as mãos enluvadas que lhe eram oferecidas. Isaac .br/Main#Community.aspx?cmm=65618057 Ele falou com um sotaque britânico que adquirira há pouco tempo. cheias até a borda. Então colocou a taça na bandeja sem olhar para o empregado e pegou outras duas. era exatamente o tipo de rapaz com quem Penelope vinha flertando desde que fora apresentada para a sociedade. e esse era o verdadeiro motivo pelo qual Penelope sempre fazia questão de dançar com ele. — Veja. . Penelope disse isso com indiferença.Mas eu sempre me espanto em ver como pessoas tão feias conseguem se cobrir com tantas coisinhas brilhantes. Seria possível comprar a ilha de Manhattan com essas jóias. embora não fossem exatamente os meninos com quem elas deveriam pensar em se casar. Como o parentesco de Isaac não era completamente reconhecido pela família Buck. embora seu coração estivesse batendo forte e seu rosto formigasse de impaciência.Meu esforço não foi todo em vão. Ela estalou os dedos para um dos garçons que passavam por ali. olhos azuis brilhantes e uma fortuna feita no ramo da navegação que herdara do pai. há dois anos. . mas sua fantasia está entre as melhores.

Srta. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê ED . Penelope? Não tenho mais tempo de ler minha correspondência. Enfeites de prata cheios de filigranas se abriam em leques atrás de sua cabeça. pois era muito belo e muito imoral ao mesmo tempo. — Isaac . . mas ele se preocupava muito menos em se comportar bem. Foi o que a banda fez nesse momento. Henry manteve os olhos pregados nela enquanto a levava pro meio do salão. Mesmo para Penelope. esse é o homem com quem eu vou me casar.http://www. Ele tinha ombros largos de um general e as maças do rosto de um aristocrata. Ela não conseguiu impedir que os cantos de sua boca se erguessem num quase sorriso. e Henry abaixou a cabeça na direção de Penelope. radiante com sua declaração. voltando-se para encará-lo com um olhar muito intenso -. Um silêncio reverente se fez à sua volta. referindo-se a suas primas e amigas que rodeavam os rapazes. o que acorria em parte devido a seu gosto por esportes e em parte devido ao drinque que sempre segurava. — Creio que vou resgatar nosso amigo das garras delas . Isaac levantou a taça de champanhe e Penelope deu um sorriso. Por entre todos os vestidos de cetim branco e as perucas francesas. pois muitas vezes eles começavam a tocar uma valsa exatamente quando ele precisava terminar uma conversa. — Eu teria vergonha de ser uma daquelas meninas . — Quem deixou você entrar? .disse Penelope.Não está fantasiado.orkut. Então ela apanhou os metros e mais metros de crepe da China vermelho que cobriam suas pernas e começou a descer vagarosamente a escadaria de mármore. As mulheres de Nova York diziam que Henry sempre dava um dinheiro adiantado para os músicos da cidade. Henry virou-se para ela com um sorriso casual. Henry sempre parecia gozar de bom humor e de boa saúde.aspx?cmm=65618057 ricas e elegantes da cidade. Ela atravessou o grupo de meninas que criticara do mezanino e viu-se de frente para Henry Schoonmaker. Ela passou os dedos por seus cabelos negros. como se aquilo houvesse acabado de lhe ocorrer.com. se tinha toda a astúcia de Isaac Phillips Buck a seu serviço? Penelope voltou a descer a escada e em poucos segundos estava no salão. sem nem se incomodar em fingir que estava examinando seu fraque negro. que estavam partidos no meio e desciam até sua nuca. fazendo uma moldura para seu rosto oval. sua fantasia vermelha lhe dava ainda mais destaque que o normal. era evidente que não havia qualquer imperfeição em sua pele bronzeada. e sua boca em geral mostrava um sorrisinho zombeteiro. conforme os rostos da multidão se voltaram para observá-la.perguntou ela. mas um passarinho me contou que a senhorita ia dar um baile hoje à noite. que estava no extremo oposto do maior salão de baile privado de Nova York. O convite dizia claramente que essa é uma festa à fantasia.disse ela após ter descido alguns degraus. Ele foi para o lado de seu amigo Teddy e também começou a beijar o turbilhão de mãos estendidas à sua volta. fazendo Penelope revirar os olhos. Assim como Elizabeth Holland.completou. — Eu errei. até que eles começaram a dançar.br/Main#Community. Como ela podia falhar. Henry fazia parte de uma das mais antigas família da cidade. sem sorrir e colocando as mãos nos quadris.

Apenas pressionou a Mao contra sua saia.disse o sr.Assim.respondeu ele . — É claro.Passei o dia inteiro esperando por esse exato momento. Penelope sentiu que todos sabiam que havia um romance entre eles dois e que todas as meninas menos importantes estavam enxugando os olhos com seus lenços ao pensar que Henry Schoonmaker logo iria se casar. mas não respondeu. Logo. sem parecer estar se desculpando de fato. — Gosto de provocar você . mas sem muito sucesso.replicou Henry. Henry encarou-a. Naquele instante. mas algo nos olhos castanhos-escuros de Henry lhe dizia que ele estava contando uma meia-verdade. Schoonmaker firmemente. mas aquela cena não estava ajudando em nada. casais menos exuberantes começaram a valsar também. e ela inclinou um pouco a cabeça.http://www.perguntou ela. virando a cabeça um pouco para o lado conforme Henry a rodopiava pelo salão. Os outros dançarinos continuaram. Muita gente ainda estava olhando para a dançarina espanhola e para o elegante cavalheiro com quem ela dançava. Penelope sentiu todos os olhares sobre eles dois e por isso falou baixinho: — Por que você me mandou aquele bilhete? . Penélope se perguntou se Elizabeth estava vendo tudo. O instinto fez com que Penelope sorrisse. Mas sabia que não ia conseguir deixar de vir. É um assunto urgente e eu lamento muito. — Perdoe-me. sabia que ia ficar ainda mais feliz de me ver. mas Penelope viu-se horrivelmente paralisada no centro de tudo. hipnotizados pela leveza do casal que cruzava o salão. apesar de estar arrasada.aspx?cmm=65618057 Por alguns segundos todos em volta apenas observaram. ate que o mármore xadrez do chão quase desapareceu sob as amplas saias das damas e os pés negros e ágeis de seus parceiros. como se estivesse sendo tocada apenas para ela. vendo seu futuro marido desaparecer por entre aqueles g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EE . Penelope pesou essas palavras por um momento. com sua grande performance cortada ao meio por essa gigantesca e odiosa presença paterna. A musica lhe pareceu triunfal. mas conseguiu controlá-lo. divertido. não estava? — Por que você pensaria isso? . Srta. dançando com ele. impedindo-o de continuar. Penelope nada mais pôde fazer além de ficar parada no meio daquele salão de proporções épicas. — Você estava em outro lugar antes de vir para cá. Ela queria revelar seu namoro secreto para a amiga com o máximo de drama. Penelope podia ter passado o resto da vida ali. Mas a figura corpulenta do pai de Henry surgiu no salão. — Você mente muito bem.com. um pouco abaixo de onde ficava sua lombar e continuou a valsar com ela por entre a multidão. e ela não tinham capacidade de permanecer imóveis quando estavam tão incomodadas. Os outros pares estavam fingindo não perceber o que se desenrolava diante de seus olhos. — Vou precisar ir embora com Henry. Ela sentiu um de seus acessos de fúria chegando.br/Main#Community. Penelope . sem demonstrar qualquer preocupação. mas vamos ter que partir agora mesmo.orkut. . Mas Penelope sabia muito bem como fazer suas primas e amigas morrerem de ciúmes.

orkut. para ela.http://www.com.br/Main#Community. a festa acabara. embora todos ainda dançassem. Penelope soube que.aspx?cmm=65618057 outros seres ordinários. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EF . E.

Ela tinha vinte e cinco anos apenas cinco a mais do que Henry.br/Main#Community. DEIXO TODOS OS MEUS BENS. WLLLIAM SACKHOUSE SCHOONMAKER. Nós saímos de uma festa por causa disso? O pai de Henry encarou-o gravemente. Ele abriu seus lábios finos. — Tudo é uma festa para você . Henry empurrou o pedaço de papel para o outro lado da mesa de nogueira. Era um pouco estranho para Henry vê-la em sua casa.com. William Schoonmaker. olhos pequenos acostumados a intimidar quem encaravam e cabelos negros pintados.aspx?cmm=65618057 dâtàÜÉ ESSE DOCUMENTO ATESTA QUE EU. e seu bigode fazia duas curvas por sobre seu queixo rosado. e desejou que não lhe incomodassem mais com aquilo pelo resto da noite. revelou seus dentes brancos e perfeitos e deu uma gargalhada.disse Isabelle com sua vozinha aguda e infantil. INCLUINDO NEGÓCIOS. na direção de seu pai e de sua madrasta Isabelle. [ g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EG . seu pai sempre fora uma figura distante e formidável para ele. era um homem grandalhão. Isabelle sorriu como se pedisse desculpa e revirou os olhos discretamente. Isabelle provavelmente se casara com William Schoonmaker apenas pelo dinheiro. — Que coisa mais mórbida. Henry soube que a parte mais desagradável da personalidade de seu pai ia emergir agora: era a parte que ele reservava para quando estava em sua própria casa ou escritório. fazendo gestos obsequíosos em tentativas vãs de agradá-lo. tirando um cacho de cabelo louro que havia caído sobre seu rosto. sua pele era repleta de placas vermelhas.disse ele. Como tinha acessos de raiva freqüentes. — Você não devia ser tão severo com Henry . Ela ainda se parecia com a Isabelle De Ford que ele conhecera e com quem sempre podia contar para um flertezinho e algumas boas risadas. marchando pela casa com um exército de criados em volta.http://www. enry Schoonmaker fingiu examinar o pedaço de papel por mais alguns segundos e então fez o que sempre fazia quando achava algo sério ou enfadonho demais para tentar compreender.orkut. Mas também era possível discernir nele as feições belas e aristocráticas que passara para o filho. Os dois haviam dançado muitas vezes em festas antes de Isabelle se casar com o mais rico e poderoso dos Schoonmaker. mas Henry ainda sentia um orgulho secreto do pai por ele ter conseguido conquistá-la. IMÓVEIS E PROPRIEDADES PESSOAIS PARA ______________________. por isso. pai. Henry fora criado por uma governanta e. que no momento vestia um terno preto. de costeletas. CONFORME LISTADOS ABAIXO.

no fundo. na rua 44.disse abruptamente o pai de Henry. Henry bebericou o uísque e sentiu com prazer o calor e o formigamento em seus lábios. Schoonmaker rispidamente. parem de fazer essas caras de imbecis. mas também amedrontá-los. embora fossem cheias de detalhes. não era nada assustadora e sabia muito bem como se divertir com ela. Ele sabia que Penelope. nesse momento em particular. — Vocês dois. se casar com ela? g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EH . pegue um drinque para você. A sala estava tomada pela fumaça de charuto que sempre rodeava o sr. e sua jovem esposa soltou um bocejo. Henry pensou em Penelope.aspx?cmm=65618057 — Cale a boca — respondeu o sr.http://www. sentiu um prazer perverso por estar ligeiramente bêbado no meio da decoração sisuda do escritório de seu pai. — Todo mundo acha que ela é uma das mulheres mais bonitas de sua geração. aquele era um assunto um pouco mais agradável do que testamentos. Henry cheirou seu drinque e examinou seu reflexo no espelho de uma das paredes. de qualquer maneira.insistiu o sr. Atravessou o cômodo. O sr. — Sim . Mas William Schoonmaker tinha o ar distante de todos os homens muito poderosos e parte de Henry ansiava por receber a atenção e a aprovação dele. repletos de briíhantina. pensou Henry com certo espanto. pegou uma das garrafas de vidro lapidado que havia no aparador e colocou uísque num copo.br/Main#Community.com.. — Então quer. Schoonmaker se remexeu em sua poltrona. — E quanto a você? O que você pensa dela? . com seus olhos gigantescos e seu vestido vermelho dramático. Isabelle fez uma expressão triste e continuou a brincar com seu cabelo. Ele tinha a barba benfeita e o rosto fino de um homem que se dedicava a não fazer nada. Sua vida era tão repleta de alegria que aquela atmosfera séria lhe parecia inteiramente estranha.orkut. girando o corpo perfeito de Penelope pelo salão. Schoonmaker. fora para um daqueles bares no centro da cidade onde se podia ouvir boa música e dançar com meninas da classe trabalhadora. eles dois se evitavam tanto que as oportunidades para fazê-lo eram escassas.perguntou o sr. estavam partidos para a direita. Henry. Era em lugares como aquele que se faziam grandes negócios. já eram tão familiares para Henry que ele mal as via.. Henry escolheu fazer o que ele mandara simplesmente porque o que mais queria no mundo era um drinque. Schoonmaker. — Fale-me de Penelope . Aquela noite ele jantara no Delmonicos. cujo objetivo parecia ser não apenas seduzir a todos. e seus cabelos negros. Além disso. Embora não estivesse nem um pouco inclinado a discutir seus romances com o pai. — Está falando da Penelope? — perguntou Henry. Agora. Henry desejou estar de volta ao baile. — Gosto muito de sua companhia. Henry não gostava de obedecer a nenhuma ordem do pai e. As paredes e o teto eram de madeira trabalhada e. surpreso. Schoonmaker. sem mesmo se virar e olhar para ela. e finalmente se dirigira para a festa grandiosa de Penelope.

ficou de pé e rodeou a mesa. Ótimo. é verdade.E não sou o único.confirmou o sr. Acho que não. piscando os olhos repetidas vezes. seu vagabundo imprestável! . pai.disse Henry seriamente. postando sua imensa figura diante de Henry. Ele viu que Isabelle estava encarando-o e soube que agora ela não estava pensando como sua madrasta. quando Penelope estivera hospedada com a família num hotel na Quinta Avenida. sem qualquer vestígio de seu momentâneo bom humor. Schoonmaker. A famosa raiva dos Schoonmaker fora um traço que Henry tivera na infância. quando se comportava mal e quebrava seus brinquedos com a mesma fúria do pai. Já que não quer se casar com ela.orkut. A voz de Henry recobrara seu vigor. . — Não. — Então é mais inteligente do que eu imaginava. — Henry. Henry deu de ombros. Embora Henry mal a conhecesse na época. pai.com.Deixe para lá. Penelope não é uma mulher que você vê como sua futura esposa . Nem de mais ninguém. acha? — Não. .exclamou o sr. eu creio que a maneira imoral como você leva sua vida é ofensiva — disse o sr. — Obrigado. arrastando a poltrona pelo chão de madeira.br/Main#Community. — Portanto. Pois é graças ao meu dinheiro. senhor... — Ainda não conheci nenhuma mulher em quem poderia pensar com tanta seriedade. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EI . Os Hayes haviam deixado sua velha casa na Washington Square e a nova mansão ainda não estava pronta. Mas a vida é minha. que você leva a vida que leva.http://www. — Lamento muito. — Mas a maneira como vocês estavam dançando. não sua.aspx?cmm=65618057 Henry não pôde deixar de soltar uma risada. — É. senhor — respondeu Henry.começou o sr. — Você não acha que estou perguntando sobre seus casinhos por mera curiosidade. Henry acendeu um cigarro e balançou a cabeça. Penelope o convidara a subir na suíte que ocupava sozinha e o recebera usando apenas uma meia-calça e um chemise. ficando de pé mais uma vez e indo de novo para o outro lado da mesa. e ele estava se forçando a manter os olhos fixos no pai. mas que multipliquei com o fruto do meu trabalho. lembrando-se do mês de abril. William Schoonmaker sentou-se pesadamente na poltrona de couro macia que ficava ao lado da de Henry. esforçando-se para não rir. que eu herdei. O senhor muitas vezes já disse que eu não penso seriamente sobre nada. Schoonmaker. senhor . muito bem. mas como todas as outras jovens de Nova York. — E quem você acha que daria uma boa esposa? — Para mim? — perguntou Henry. desejando que sua voz não ficasse tão fraca em momentos como aquele. Ele bateu uma das mãos na outra. fixando seus olhos ferozes em Henry. Schoonmaker. . Schoonmaker antes de se interromper. — Isso não é verdade. que se perguntavam quando e com quem Henry Schoonmaker se casaria.

. Você nos cobre de ridículo. — Por que você está se preocupando com isso? . . mas só de dizer "pobre" tivera uma sensação desagradável no estômago.perguntou Henry.disse o sr. ou pelos deques dos navios luxuosos até o fim da vida. sofisticação e que vem de uma boa família.orkut. Alguém que será visto como um modelo de boa-educação.Henry balançou a cabeça vagarosamente. — O senhor quer que eu me case? Henry sentiu vontade de cair na gargalhada. Schoonmaker. — Cale a boca.aspx?cmm=65618057 — Está ameaçando me deixar pobre? Henry olhou para o testamento que estava sobre a mesa enquanto acendia um novo cigarro no que acabara de fumar. você vai considerar mais palatável do que uma conta zerada no banco . Gostaria de sugerir uma alternativa. Largou a faculdade e agora anda pela cidade fazendo. é claro. tentando fingir que estava pensando na proposta de seu pai.com. Henry. onde toda a alta sociedade de Nova York passava o verão. Algo que. achando que. A pobreza não combina com os Schoonmaker. e estava furioso. Durante seu primeiro semestre em Harvard. Henry se tornaria uma pessoa mais responsável. e até aquelas colunistas sociais bajuladoras sabiam disso. . — É claro que estou.disse ele. — O quê? . cada vez que você abre a boca. Você não parece compreender que cada gesto que faz é relatado nas colunas sociais. rodeando a mesa... — Não exatamente. Tentou imaginar uma menina com quem de fato quisesse desfilar pelos jardins da cidade de Newport. Ele sempre achara a palavra repulsiva.br/Main#Community. finalmente. e a idéia ainda o assombrava. Ela certamente é digna de entrar para a família. Mais tarde... Isabelle deu um sorriso desconfortável. Henry. — Por quê? .. ao conhecer alguém menos favorecido. Henry. Schoonmaker. creio. Ele era a pessoa menos indicada para casar que havia em Nova York. descobrira que fora seu pai quem havia escolhido seu colega de quarto. até encontrar uma menina digna de entrar para nossa família. E as pessoas com quem eu me importo lêem essas coisas idiotas e falam sobre o que leram. — Uma menina que tem classe. Henry gostara de Tim. Schoonmaker se aproximou de sua jovem esposa e colocou suas imensas mãos nos ombros dela. abaixando a cabeça e olhando nos olhos do filho. sentindo toda sua calma evaporar.rugiu o sr. — Você não está falando sério . que conhecia todos os melhores bares de Boston. mancha o nome da nossa família.Por quê? Porque tenho ambições. — Ah .Um casamento. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EJ . Henry cupara a mesma suíte que um bolsista chamado Timothy Marfield. mas não conseguiu. Tentou parecer indiferente ao dar uma baforada. ao contrário de você. Ele ficara de pé.exclamou Henry.Seria preciso procurar bastante. O pai de Timothy trabalhava doze horas por dia num banco de Boston para pagar a mensalidade do filho. Estou falando de. O sr. A imprensa a adora e vai gostar de ver vocês dois casados. . Mas aquela tinha sido a primeira vez que Henry se dera conta de que muita gente não fazia outra coisa além de trabalhar. — Eu já tenho uma garota em mente. Isabelle soltou um ruído de medo ao ver os dois homens se encarando daquela maneira.http://www.

— depois qualquer coisa pode acontecer! ..disse Isabelle. — Uma menina como Elizabeth Holland. jamais deixava de comparecer ao chá da tarde. Com uma menina de moral. . eu vou ser a primeira-dama! — Parabéns.aspx?cmm=65618057 — Isso não responde à minha pergunta. mandava cartõezínhos elegantes em todas as ocasiões. — Não precisa fazer o discurso para mim . Uma menina que vai fazê-lo parecer respeitável.. Chega dessa vergonha pública. — Por isso você não pode mais me constranger dessa maneira. Ela fundara uma companhia ferroviária e a transformara num negócio extremamente lucrativo. quando Elizabeth era muito jovem e ainda um pouco desajeitada. mas a última vez que conversara com ela fora antes de ir para Harvard. com seu temperamento explosivo e famoso amor pelo dinheiro. — Admiro um homem que decide servir à comunidade . é claro.br/Main#Community. Seguia todas as regras. senhor . . era verdade. batendo com o punho na mesa e fazendo ondas no uísque de Henry. Ele conhecia a mais velha das irmãs Holland.. de quem os eleitores vão gostar. Não com uma Penelope. já realizara muitas das suas ambições. Não quero mais ver os jornais chamando você de selvagem.interrompeu Henry. O sr.. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EK . Henry sabia que seu pai era amigo e rival do governador Theodore Rooseveit há muitos anos e assentiu com a cabeça.continuou Henry. — Ainda não entendi. — Exatamente . Schoonmaker. Um homem não é nada se não puder governar o mundo em que vive e deixá-lo melhor do que o encontrou.disse o sr. casara-se com duas beldades da sociedade e sobrevivera a uma delas. .orkut..Quem disse que a classe nobre não deve se envolver com política? É nossa obrigação..enunciou o sr. pai .disse Henry.http://www. — O quê? — perguntou Henry.com. furioso com sua falta de sorte. e ele me garantiu que. com aquele cabelo louro-acinzentado e sua boquinha redonda. Parecia-lhe que seu pai. Ela possuía uma beleza impecável. Henry viu seu pai apoiar o quadril na mesa e fingir que acabara de ter uma idéia.Qual cargo? Seu pai parecia estar levemente constrangido com a revelação e aquilo aliviou um pouco a tensão da sala. indicando que ele podia continuar.Qual cargo? — Primeiro o de prefeito e depois. revirando os olhos. .. incapaz de esconder sua incredulidade. Schoonmaker se interrompeu e deu de ombros. — Elizabeth Holland é comportada demais. sentando-se desanimado. usara os prédios residenciais cronstruídos nas terras herdadas da sua família da forma que quisera.. — Eu estive conversando com o governador.Se ele virar presidente. perdendo de vez a paciência.disse Henry. mas obviamente era um deles. Por isso é que você precisa se casar com uma menina de família.O que você quer? Isabelle colocou seus pequenos cotovelos em cima da mesa e disse animadamente: — William quer um cargo público! — O quê? . por exemplo. Uma menina. Schoonmaker com uma voz profunda e imponente .

aspx?cmm=65618057 Henry não disse nada. Como Henry se comportara muito mal e tirara notas péssimas quando estivera na faculdade. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê EL . Vou lhe deserdar de forma rápida e muito pública. .orkut. Todas aquelas aulas tinham lhe parecido uma bobagem quando estudara lá. Por um segundo.http://www. horrivelmente sóbrio. Seu pai não poderia ter sugerido uma pessoa pior para ser sua esposa. mas sabia que seu rosto estava distorcido por uma expressão que misturava fúria e espanto. cada alfinete que eu tenho vai ser passado para Isabelle. Infelizmente. pegando o testamento que estava sobre a mesa e sacudindo-o no ar. e seu olhar pousou sobre as garrafas do aparador.com. desejou poder voltar a Harvard. em lugares como Tuxedo Park ou Newport e tantos outros.Quero que se case e se torne um homem respeitável. Estou lhe dando uma oportunidade aqui. Schoonmaker. mas agora via que a faculdade poderia ter lhe dado meios de vencer sozinho e não precisar mais temer as ameaças do pai. sei muito bem no que está pensando. e quero que pare agora disse o sr. Pensar em usar roupas velhas. rodear-se de móveis marrons e ver seus dentes apodrecerem fez com que Henry se sentisse subitamente. Henry. Seria a mesma coisa que mandar o próprio filho para a prisão. já era tarde demais. Ele imaginou a vida cheia de luxo e silêncio que levaria e já a viu estendida à sua frente como os gramados sempre bem cuidados sobre os quais as matronas de alta classe davam festas narcolépticas. Vai ter de se livrar dessa Penelope. jamais poderia voltar para lá sem a ajuda do pai. — Henry. se você me contrariar.br/Main#Community. Ele olhou para as garrafas cheias de líquido âmbar e soube que a única rota para a independência que lhe restara era uma vida de tédio mortal ao lado de Elizabeth Holland. Mas.

corno ainda era chamada por Diana . sua irmã mais velha. se alguém lhe perguntasse.http://www. desde o primeiro segundo em que entrara em casa naquela manhã. Contudo. mas agia como se fosse mãe dela. no quarto onde. Desde que Elizabeth fora apresentada formalmente à sociedade. provavelmente diria que os cômodos da casa dos Holland eram muito modestos. trazendo-lhe água morna para que ela lave o rosto. Elizabeth.com. Ela não era como Claire. vestira a primogênita das Holland com camadas e mais camadas de seda. Claire tinha vinte e um anos. Lina estava. Elizabeth passara tantos meses fora que sua criada pessoal quase se esquecera de como era servir alguém. EDIÇÃO DE 1899 ina Broud tirou os cotovelos do parapeito da janela e colocouos sobre ele de novo. quando seus serviços não forem requisitados.br/Main#Community. _ g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FC . como sempre. uma banheira prateada que recebia água quente encanada e peônias em vasos de porcelana cujo perfume tomava conta da atmosfera. barbatanas de baleia e aço.não mais Lizzie. de certa forma era mesmo. ela passara a se considerar uma especialista em decoração de interiores e. uma enorme cama de mogno. decote canoa e cintura baixa e deselegante. Talvez seja necessário que a criada durma um pouco durante o dia. Elizabeth . Ela se virou para observar o luxo do quarto de Elizabeth: papel de parede azul-claro. quatro a mais do que Lina. pois ficava imensamente grata por qualquer bugiganga que os Holland lhe dessem. uma pessoa muito mais afável que se contentava em ler a última edição da revista de fofocas Cité Chatter no minúsculo quarto que elas duas dividiam no sótão da casa. segunda mulher mais importante da casa. GUIA VAN KAMP DE ADMINISTRAÇÃO DA CASA PARA DAMAS DE ALTA SOCIEDADE. Lina não conseguia se sentir assim. ou Liz. observando a escuridão tranqüila que rodeava o Gramercy Park.aspx?cmm=65618057 V|ÇvÉ A criada ideal para uma mulher de classe se levanta antes de sua senhora. E. e não vai se deitar até tê-la preparado para ir para a cama. mais cedo.orkut. como fora chamada por Lina durante a infância das duas. Mas Claire também tinha algo de infantil. Ela estava sentada há muitas horas naquela posição. Lina tensionou os ombros e deixou-os pender. Lina não estava ansiosa por sua volta. ela deixara claro para Lina exatamente o que era esperado dela. popelina. Ela agora era a Srta.mas a srta. como a mãe das duas estava morta há tempos. usando um vestido preto simples de linho. observando desenhos de vestidos lindos de Charles Worth que jamais usaria.

Holland. Não gostava de lembrar daquela época. Não conseguia odiá-la. Cada gesto dela parecia calculado para mostrar a Lina que as duas não eram da mesma esfera. que não eram mais amigas.aspx?cmm=65618057 E talvez fossem mesmo. rindo dos retratos imponentes dos antepassados de Elizabeth. desesperada para ser incluída. Lina estava com quase onze anos quando isso acontecera. eles se esgueiravam pela casa. e tinha o corpo desajeitado e uma vontade enorme de detestar tudo o que via. e faziam caretas para elas. Ela sempre brigava com Will e com Elizabeth usando o mesmo tom de voz para ambos. Sua timidez a impedira de continuar amiga de Will sem a presença de Elizabeth. É claro que eles já eram tratados de forma diferente. Elizabeth sempre fora um modelo para Lina. Lina olhou para um quadro holandês de moldura dourada que mostrava uma adorável cena doméstica e pensou que Elizabeth não fazia idéia dos privilégios extraordinários que tinha. Elizabeth. Mas isso deixou de ser importante naquela noite. embora ela servisse Elizabeth o dia inteiro e a noite inteira e dividisse um quarto com sua irmã e com as outras jovens que trabalhavam na casa dos Holland. E tinha sido Elizabeth quem convencera Lina. certa noite. pagando o abrigo com trabalho apesar de ser tão pequeno. e chorava quando sonhava com incêndios. Eles roubavam o baralho do sr. pois os dois estavam o tempo todo fazendo alguma travessura. Ele fora morar na casa dos patrões de seu pai. Marie Broud. roubando açúcar da cozinha e botões de prata da sala de costura. um lampejo de esperança de que sua vida não fosse sempre tão sem graça. Talvez na época em que sua mãe morrera. Durante anos a existência de Lina fora silenciosa e solitária. Lina g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FD . se comparados com as ridículas mansões dos milionários que moravam na Quinta Avenida. Durante o dia. mas Elizabeth insistira. Bertrand. E que Elizabeth era como aquelas meninas sobre as quais Claire lia nas revistas de fofocas. Claire era tímida demais para participar das brincadeiras e Diana ainda era muito pequena. antes de o esnobismo de Elizabeth crescer e ela parar de ter tempo para seus velhos companheiros. Por isso. aquele que tinha desenhos de mulheres só de roupa de baixo. mesmo naquela época. Eram amigos de verdade naquela época. A noite. há dez anos. todos banidos das festas e jantares dos adultos.br/Main#Community.orkut. pois Will parou de ter aqueles pesadelos quando ficou amigo de Lina e de Elizabeth. subitamente fora absorta por suas aulas. Mas Lina sempre correra atrás de Will e de Elizabeth. por mais que suas roupas chiques e sua maneira pomposa de agir houvessem distanciado as duas. Mas Lina não odiava Elizabeth. levando as vidas de adultos e crianças. nas quais aprendia qual era o jeito correto de segurar uma xícara de chá e quando era o momento exato de retornar uma visita feita por uma amiga casada. que já era lindo naquela época. E fora assim que Lina se apaixonara por Will Keller. Will ficara órfão aos oito anos de idade quando o prédio em que morava fora consumido por um daqueles incêndios que aconteciam de vez em quando. Lina sentira medo.com. Mas ainda eram todos crianças. quando Elizabeth começara a ter aulas de boas maneiras com a sra. que era pouco menos de um ano mais velha do que ela.http://www. Lina não sabia bem quando tudo tinha mudado. que fora a babá de Elizabeth e Diana e os considerava todos iguais. de que elas precisavam descer até o galpão onde ficavam as carruagens para descobrir quem estava chorando no meio da noite. ficavam sob os cuidados da mãe de Lina.

Estava apaixonada por ele. Will já tirara os arreios dos cavalos. Faber.com. Então. que ficava nos fundos.. lá embaixo. Mas Lina queria contar a Will sobre o jeito de francesa que sua patroa adquirira durante a viagem. que Elizabeth mandara instalar no último outono para facilitar as entregas do mercado. em poucos segundos.orkut. com ombros largos e torso longo. Os pés de Lina tocaram o chão coberto de feno do estábulo. Mas o verão já quase terminara e Lina ainda não tinha encontrado uma maneira de dizer a Will que queria ir para o oeste também. Fora apenas naquele verão. e desceu dois degraus de cada vez. Contavam um para o outro como achavam que suas vidas seriam se pudessem fazer o que quisessem. Faber. Queria ir com ele. Diana e a sra. talvez encontrasse uma maneira de lhe contar o que sentia. Agora sabia que ele não era um rapaz perigoso e que passava quase todos os minutos em que não estava trabalhando lendo livros. sobre a teoria da democracia. e sentiu uma enorme onda de rebeldia lhe crescendo no peito. Lina ouviu Ehzabeth. Lina costumava se perguntar para onde Will ia quando desaparecia. enquanto ele ia ficando cada vez mais alto e mais bonito. Então. Só de imaginar a tarefa que já fizera milhares de vezes. apesar de gostar de contar vantagem..br/Main#Community. estava parecendo bastante cansada. Holland. sobre política e literatura e principalmente sobre o oeste do país e sobre como qualquer um que tivesse ambição e força de vontade conseguia vencer naquela região. ela atravessou a cozinha correndo e saiu pela porta da despensa. Elizabeth.http://www. Quando ela chegasse ao quarto. Os dois fumavam cigarros juntos no final da tarde e riam escondidos da sra. A caminho da cozinha. que se chamava sra. Holland subindo a escadaria principal. Suas mangas estavam g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FE . Ele estava suado de tanto trabalhar. quando Elizabeth viajara e Lina ficara gloriosamente livre de seus afazeres.Lina ouvira a governanta. Ela sabia que Elizabeth logo ia subir a escadaria principal da casa. Queria vê-lo rindo e saber que fora ela a causa de sua alegria. Lina ficou cheia de rancor.aspx?cmm=65618057 observara Will de longe. Livros sobre os excessos dos ricos. mas que não precisara fazer nos últimos meses. Will deu o braço para a sra. Elizabeth saiu primeiro e estendeu a mão para Diana que. As mulheres da família Holland atravessaram a noite tranqüila e pararam na frente da porta de sua casa. E talvez. e o algodão puído de sua camisa de gola azul grudava em sua pele. Chegou à escada dos empregados. falando de suas bebedeiras e das brigas em que se metia. atravessando o longo corredor acarpetado. e para o X que seus suspensórios formavam. que ela e Will haviam se reaproximado. e se perguntara por que seu coração era tão inquieto. Lina teria de ajudá-la a tirar a fantasia e só poderia ir se deitar quando o dia estivesse amanhecendo. Ele também tinha passado por épocas difíceis . Ela se perguntou se seria punida por abandonar seu posto na primeira noite após a chegada da srta. uma figura pequena vestida de negro que saltou rapidamente para o chão. Ela olhou para as costas dele. Ela levantou do parapeito da janela e saiu depressa do quarto de Elizabeth. Lina foi despertada de seus sonhos sobre Will quando o viu em pessoa. Lina ouviu Claire dando as boas-vindas a elas enquanto Will levava os cavalos para o estábulo. Uma das carruagens das Holland parou na frente da casa e Will pulou de seu assento para abrir a porta. que estavam enfileirados no chão para que ele pudesse limpá-los antes de guardá-los.

disse ele. Era como se a intimidade que surgira entre eles naquele verão houvesse desaparecido em um segundo. que a srta. Will olhou para Lina. e ficou ali. sem encará-la. Ela estendeu a mão na escuridão. dando um sorriso nervoso. Pegou suas duas mãos com gentileza e.Hoje não.http://www. .As damas da sociedade fazem isso durante o dia enquanto bebem chá mas. baixinho. — Você não deveria estar lá em cima. Seu cenho estava franzido e seus olhos estavam muito sérios e mais azuis do que nunca. que se viu na cozinha. Não podemos conversar hoje à noite. ele o fez. — Desculpe.chamou Lina. Elizabeth voltou. . procurando uma parede para se apoiar. Ele apenas balançou a cabeça. Suas feições estavam tensas e não havia qualquer carinho em seus olhos. aproximou-se dela. Ela cruzou os braços e esperou que Will a convidasse a entrar como sempre fazia.. Ela piscou os olhos. desejando que ele voltasse a encará-la. como nós somos o que somos.. Lina estremeceu de susto e o tempo pareceu passar mais devagar do que o normal. Mas então ele empurrou-a na direção da cozinha..disse Will baixinho. deixando seus cotovelos à mostra. está bem? Então. ajudando as senhoritas? Lina ficou parada ao lado da porta. Lina . até que Will estendeu a mão e acalmou o animal. Queria desesperadamente que ele dissesse algo para encorajá-la. sorrindo descontroladamente.. Você não devia.. coisa que nunca fazia.. por um momento. Lina achou que seu coração ia parar de bater. — Olá . — Will? . alguma piada que dissipasse o constrangimento que estava sentindo naquele momento. — Você está se arriscando muito. — Por que não podemos conversar como sempre? . Alguns segundos se passaram. — Hoje não. — Lina .perguntou ela num sussurro. Will estava agindo de modo tão estranho. Caiu sentada no chão. Will deu um passo à frente.disse Will.orkut. balançando a cabeça e batendo com a pata no chão. imóvel.br/Main#Community.perguntou ela. encarou Lina e então estacou.aspx?cmm=65618057 enroladas. como se quisesse dizer que ela não compreenderia o que estava pensando. — Por que não? . Mas ele desviou o olhar e falou num tom de voz bem diferente do que usara com ela ao longo do verão. fazendo-a subir os quatro degraus de madeira que davam na casa.com. Não. Liz. e os fios de cabelo que ficavam atrás de suas orelhas estavam molhados. saindo assim no meio da noite agora que a srta. interrompendo-a. só podemos conversar de madrugada. Em sua voz havia uma súplica que ela não conseguiu reprimir. ou houvesse existido apenas na imaginação dela. Lina ficou alarmada ao ouvi-lo dizendo seu nome. como se houvesse lembrado algo. Will olhou para o chão. que cheirava a cebolas e poeira. E então. Durante o verão ele sempre a chamara por seu apelido de infância: Liney. finalmente. pode. O cavalo que estava mais próximo dos dois se remexeu. Will fechou a porta na cara de Lina. durante g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FF . Will olhou para a porta que estava atrás de Lina e então voltou a fixar os olhos nela. soltou um suspiro e.

aspx?cmm=65618057 muito tempo. Ela era rápida e iridescente como um fantasma e não levantou a cabeça ao passar por Lina.br/Main#Community. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FG . passando do negro fechado para um roxo escuro. Lina ainda estava ali sentada quando a porta da escada dos empregados se abriu e uma menina envolta num quimono branco de seda atravessou a cozinha. Lá fora.orkut.http://www. o céu começou a clarear. A menina já abrira a porta do estábulo quando Lina se deu conta de que aquela era Elizabeth Holland.com. sentindo-se mais sozinha do que nunca.

Will. Elizabeth deteve-se. Ela manteve a cabeça abaixada ao subir os quatro degraus de madeira que davam no estábulo. O ar à sua volta estava pesado com o calor daquele final de verão e com as partículas de pó que subiam do feno. estavam grudentos por causa da umidade e do suor.acrescentou Will. Movia-se com a determinação trêmula de um desejo que vinha crescendo dentro dela desde o início da noite. Ela ouviu o som dos cavalos movendo-se gentilmente em suas baias e sentiu-se completamente acordada pela primeira vez naquela noite. ao contrário dos rapazes desejados pelas amigas de Elizabeth. sentindo o chão do estábulo com suas sapatilhas de cetim e tentando impedir que pedaços de feno incriminadores se agarrassem a seu quimono.afirmou Will. Seus olhos eram azuis e tristes e ele estava numa posição familiar . que ele tinha mania de colocar sem parar atrás das orelhas quando estava nervoso ou chateado. X g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FH .eram tudo que ela tentara esquecer durante sua temporada em Paris. mas usou o tom de quem fazia uma pergunta. atravessou a cozinha correndo e saiu pela porta dos fundos. Essas coisas . a noite fresca e silenciosa. que ficava perto do teto do estábulo. escolhendo as palavras com cuidado para mascarar o medo que sentia.orkut. Ao entrar. — Já tinha quase desistido de ver você . tinha o nariz torto por tê-lo quebrado numa briga. enrolada no quimono de seda branca que seu pai comprara numa viagem ao Japão e dera a ela em seu aniversário de dezesseis anos.a posição de quem espera.br/Main#Community.aspx?cmm=65618057 fx|á ctÜ|á? tzÉáàÉ wx DKLL tzÉÜt xâ b äxÜûÉ }ö Öâtáx tvtuÉâ x tzÉÜt xâ vÉÅÑÜxxÇwÉ ÅxÄ{ÉÜ Öât|á áûÉ Åxâá wxäxÜxáM É Öâx á|zÇ|y|vt áxÜ âÅt [ÉÄÄtÇw x É Öâx ° xáÑxÜtwÉ wx Å|ÅA aûÉ wxäÉ Åt|á áxÜ àûÉ |ÇwâÄzxÇàx x wxávâ|wtwt @ xÅuÉÜt ÇûÉ vÉÇá|zt Åx tÜÜxÑxÇwxÜ wx Çtwt wÉ Öâx }ö y|éA TRECHO DO DIÁRIO DE ELIZABETH HOLLAND lizabeth. com as pernas penduradas para baixo. e lábios grossos e expressivos. Seus cabelos.com.os sons dos animais. Elizabeth seguiu em frente. Ele estava sentado no compartimento onde dormia. o cheiro doce do feno . — Você veio .http://www.

. o que a fez se dar conta de que fora uma má amiga. Essa frase era como um mau agouro. e haviam bebido mais champanhe do que pretendiam. mas agora pareceu a Elizabeth que ela não poderia ter terminado em outro lugar. — Você passou tanto tempo fora . era que pensara em Will todos os dias e que quase não suportara ficar longe dele. A noite realmente fora longa. que se transformara na dama de alta classe que nascera para ser. as fantasias elaboradas pareciam ter acontecido num sonho absurdo que desaparecera com a chegada da manhã.. Havia determinação em cada gesto seu. Esquecera-se de perguntar a Penelope sobre seu caso secreto.aspx?cmm=65618057 Ao olhar para Will. no final das contas: uma menina apaixonada. quando na verdade estavam nervosas demais para comer direito.com. e percebeu o quão longa a noite havia sido. finalmente. ela tinha percebido que Will também tinha crescido e visto pelo porte dele que não era mais um menino que se metia em brigas bobas. .. — Por favor. Ela tivera tempo de conversar com Penelope e elas haviam passeado de mãos dadas e elogiado os vestidos uma da outra.Por favor. Elizabeth encarou-o e tentou tirar a voz de sua mãe da cabeça. Elizabeth sentiu-se radiante e esgotada ao mesmo tempo. como as largas avenidas de Paris faziam curvas e de repente se abriam em vistas panorâmicas impossíveis em Nova York. Fazia tempo que tentava parar de se sentir assim. com um pouco de desespero e sentindo seu peito doer ao vê-lo daquela forma. Era isso que ela era. Mas compensaria a falta de atenção implorando-lhe que revelasse quem era seu namorado numa outra ocasião..http://www.disse ela. Elizabeth queria contar a ele sobre todos os lugares exóticos que visitara. Era impressionante a rapidez com que Elizabeth se ajustava ao estábulo ao sair de seu enorme quarto no segundo andar. E agora ali estava ela. a rapidez com que as inúmeras regras que governavam sua vida tornavam-se inúteis e tolas. o bastante para satisfazer sua mãe. pois às vezes posso não. no entanto. — Desculpe. que não se importava mais com Will. Mas nem tudo isso impediu que Elizabeth se lembrasse das palavras que sua mãe dissera logo antes de ela ir dançar com Percival Coddington: “A única coisa que não temos é tempo”. quase pedindo de joelhos que ele a amasse de novo. Durante os meses que passara em Paris ela acreditara que conseguiria. comportando-se como uma menina apaixonada. Will. balançando a cabeça com tristeza.. mas apenas murmurou: — Não quero que você fique me aguardando. gaguejando de nervoso. cujas ruas eram todas em linha reta.orkut. mas você sabe que não pode sempre ficar me esperando respondeu Elizabeth. O baile inteiro.. Elizabeth dançara com muitos rapazes solteiros. Mas Elizabeth parou de falar quando viu que Will abaixara a cabeça. O que ela quis dizer.disse Will baixinho.br/Main#Community. Mas quando Elizabeth desembarcara do navio naquela manhã e o vira lhe esperando ao lado da carruagem.. Mas ambas consideravam champanhe irresistível. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FI . As duas haviam concordado que a terrina estava deliciosa.. e alguns deles eram menos ricos e mais charmosos que Percival Coddington. . os risos. Ela queria dizer muitas coisas.

enquanto seu sorriso ficava cada vez maior.era um cheiro que Elizabeth conhecia muito bem. Elizabeth não sabia de onde vinha aquela vontade de abraçar e confortar Will. Elizabeth estava arriscando tudo ao se esgueirar pela casa naquela hora e daquela maneira.. quem estava lhe tocando. para ela. Elizabeth fechou os olhos e não disse nada. batendo os cascos no feno e soltando um relincho.disse ela seriamente.. Ao chegar na escada ele se inclinou.Eu amo você. quem estava. — Henry Schoonmaker? Aquele canalha? Você deve estar brincando.aspx?cmm=65618057 —E hoje eu tive de ficar lá na rua. não precisou dizer mais nada. sem saber o que fazer.disse Will.http://www. era algo que sempre estivera presente..com. o sentimento era inescapável como o destino. mas. Will. Elizabeth foi até a escada que dava no compartimento e subiu dois degraus. Will olhou bem nos olhos de Elizabeth e. eu não podia deixar de ir ao baile. Às vezes. com isso. subindo mais um degrau da escada de madeira. esperando o baile acabar. Ela olhou para Will. e que adorava. ele chegava a ser rigoroso demais com o mundo. mas ela sabia como fazê-lo se acalmar. especialmente na primeira noite que passava em casa depois de todos aqueles meses. tomou Elizabeth nos braços e trouxe-a para cima. Um dos cavalos se remexeu. e viu que ele estava pronto para fazer as pazes. — Fiquei imaginando você lá dentro. Manteve os olhos fixos em Will. não conseguindo mais deixar de achar graça na situação.disse ele. — Você está rindo de mim. A superfície áspera da madeira arranhou suas mãos macias e perfeitas.disse ela suavemente. Elizabeth quase riu. Will baixou os olhos e colocou o cabelo atrás da orelha mais uma vez. Então Will passou as pernas para cima e ficou de pé. Ele cheirava a cavalos. — Estou tão feliz por você estar de volta . dançando com aqueles outros homens . Esses caras iguais ao Henry Schoonmaker que usam ternos de cem dólares e têm casas no campo maiores ainda do que as casas que têm na cidade. inundada de amor. Olhe para mim. dando um passo para frente. suor e sabão ordinário . fazendo o compartimento tremer com suas velhas botas de couro. Será que ele não podia se contentar com o tempo que eles tinham? — Estou aqui agora.orkut. .. Então ele levantou um pouco a cabeça e encarou Elizabeth. tão absurdamente bom. Estou aqui . sussurrando as palavras com a boca quase tocando o pescoço dela. Ela não sabia por que Will precisava reclamar de coisas que ela não tinha como mudar. Lizzie? — Eu nunca faria isso . Ela nem sabia quando a amizade da infância se transformara em amor. Elizabeth arregalou os olhos. mas seja lá o que fosse que a atraia em Will. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FJ .br/Main#Community. Era tão raro e tão maravilhoso ser tocada. apertando com força a beirada de madeira do compartimento. sem saber o que você estava fazendo lá dentro. Ela não sabia o quanto sentira falta disso até agora. mas ela mal percebeu. Elizabeth jamais conhecera alguém tão verdadeiro. — Will. Afinal. Ela soltou sua bela risada. de tão verdadeiras que eram aquelas palavras.

Ela fora até o estábulo porque a única coisa que desejava era ficar perto de Will por algumas horas. segurando seu rosto com suas mãos grandes e beijando-a repetidas vezes.disse ela.afirmou. — Acho que a senhorita me ama mesmo.perguntou ele. abaixo das vigas de madeira onde ele pendurava suas roupas para secar. — No que você está pensando? .sussurrou Will. porque ela estava pensando nas palavras de sua mãe mais uma vez e sabia que acordar com Will era o oposto do que devia estar fazendo. mas só conseguiu pensar nas palavras terríveis de sua mãe e nos olhares estranhos que ela lhe lançara a noite toda.disse Elizabeth. usando os cotovelos para se erguer. e de que cada segundo que ela passava lá a deixava mais nervosa. .sussurrou ele. Elizabeth .http://www. pousando-a sobre seu coração.com.Agora. — Pensei em você a festa toda . Elizabeth deu um enorme sorriso.Elegante ou animada? Elizabeth encostou a cabeça no peito dele e tentou se lembrar de como fora o baile. lembrando-lhe que ela não devia estar se sentindo tão confortável assim. — Você sabe por quê. — Odeio essa pergunta . Era sua segunda manhã em Nova York após a viagem. . srta. esquecer quem era e quais eram suas obrigações. logo chegaria em seu quarto com uma xícara de chocolate quente e um copo de água gelada e encontraria uma cama vazia. Lina. mas ela ainda não dormira em sua própria cama. falando no ouvido dela e fazendo-a se sentar nas tábuas de madeira do chão do compartimento. vendo a horta que havia nos fundos da casa. embora isso fosse proibido pela educação que recebera. Ela se sentou e olhou pela janelinha do estábulo. — Preciso ir .aspx?cmm=65618057 — E como foi a festa? . O toque fez com que Elizabeth se desse conta do quanto ele estava batendo depressa. Uma agitação percorreu o corpo de Elizabeth.orkut. Elizabeth abriu seu quimono de seda. Ela pensou antes de responder e finalmente disse: — Chata. Elizabeth forçou-se a dar um beijo rápido nos lábios macios de Will e a arrancar-se de seu abraço. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FK . que estranhamente desaparecera na noite anterior. Ele debruçou-se sobre ela. — Por quê? Will colocou a mão dentro do quimono dela. sem nenhuma convicção. será que podemos mudar de assunto e nunca mais conversar sobre bailes a fantasia? Will sorriu e gentilmente deitou-a no colchão de molas que havia num canto do compartimento.br/Main#Community. *** O sol já estava alto quando a luz da manha entrou por uma pequena janela. Elizabeth olhou para o rosto grande e lindo de Will e desejou poder esquecer o baile.

Ir para longe de Nova York. — Se minha mãe descobrisse que eu venho aqui. Elizabeth se virou.aspx?cmm=65618057 Ela ficou de pé. como um homem prestes a fazer um pedido de casamento.disse Will. poderíamos ir passear de cavalo. seria o fim. Elizabeth já o vira naquela posição antes. Olhou para os cavalos que se remexiam nas baias lá embaixo. preparando-se para tomar a escada dos empregados e ir até seu quarto.. era a idéia mais maravilhosa que ela podia conceber. e tentou assumir a aparência de quem achava que estava tomando a decisão certa.E quando levantássemos. perceberia o quanto tinha medo de perdê-lo. Poderia negligenciar todas as obrigações que uma menina comportada como ela possuía. e. ficando cada vez mais entusiasmado. ou para a Califórnia. Vê-la tão feia e emburrada logo no início do dia fez com que Elizabeth tomasse um susto.. Ela sentiu suas costas se cobrirem de suor e fechou mais o quimono g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê FL . Se olhasse para ele. fechando seu quimono. . Elizabeth. ou fazer o que quiséssemos. Poderíamos passar o dia todo na cama . Will era o único menino que conhecia que olhava para o futuro e tentava imaginar que poderia ser melhor do que o presente. Era a pessoa mais assustadora. usando apenas sua calça preta puída. enquanto as sardas espalhadas por seu nariz haviam se multiplicado.br/Main#Community. mas a cena que viu fez com que se calasse: ela viu Will. — Bom dia.. ninguém ia se importar com o que fizéssemos. com o peito forte nu. mas percebeu que Will pensara muito mais no assunto durante sua viagem. Não haveria mais nenhum malentendido para magoá-lo. Ela olhou para as mãos e desejou que seu senso de decoro não lhe obrigasse a fazer aquelas coisas. Elizabeth subiu a escadinha que dava na cozinha. — Volto quando puder. sua criada se tornara mais alta e magricela.orkut. Elizabeth já ouvira tudo aquilo antes. satisfeitas por saberem que podiam passar o dia todo sonhando com os vestidos que iam usar e os meninos com quem iam dançar nos próximos meses. Elizabeth afastou-se instintivamente dele. enquanto seu coração voltava a bater forte. está bem? Elizabeth se forçou a não olhar para o rosto de Will que. pois ela não precisaria mais se esgueirar pela casa para visitá-lo só quando sabia que seus outros habitantes estavam exaustos demais para notar. Will pegou a mão dela. onde eles poderiam agir como um menino e uma menina qualquer. linda e complicada que ela já conhecera. — Mas se a gente fosse para Montana.disse ele suavemente... srta. ela sabia. morrendo de vontade de se deixar levar por aquela fantasia. — Talvez você devesse pensar em levar uma nova vida .... Ela gostava quando ele falava daquele jeito. devia estar confuso e magoado.. Elizabeth virou-se e viu Lina sentada na mesa pesada da cozinha onde a cozinheira passava seus intervalos. usando seu indefectível vestido preto. apoiado apenas em um dos joelhos.com.http://www. Ela sabia o que aquilo significava. onde poderia fazer o que todas as outras meninas de alta classe estavam fazendo: dormindo para descansar do primeiro baile da temporada. Durante o tempo que Elizabeth passara em Paris. se qualquer pessoa descobrisse..

E água também.orkut. ela não devia estar na cozinha há muito tempo. Certamente estava começando a entrar em pânico e. Além do mais.br/Main#Community.com. Quero meu chocolate quente. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GC . se virou para começar a subir a escada e perguntou. ficou chocada com a tranqüilidade de sua voz: — Procurei você pela casa toda.http://www. por isso. Passei a noite toda sem ter água para beber. Então. conforme saía da cozinha: — Onde você estava na noite passada? Elizabeth tentou se convencer de que conseguira disfarçar. Lina era malhumorada demais para prestar atenção nas coisas que ela fazia.aspx?cmm=65618057 para disfarçar o rubor que começava a se espalhar por suas faces.

cintura bem marcada e saia em camadas e parecia mais magra do que nunca perto de Isaac. a jovem dona da casa foi vista dançando amorosamente com um certo rapaz que chamaremos de HS.Não me divertia tanto desde que Remington Astor foi pego beijando um dos ajudantes de cozinha. — Nem sei por que você traz essas porcarias para mim .. seu cãozinho da raça Boston terrier.. que suava devido ao calor daquele final de verão. SÁBADO. @b g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GD . Estava usando um vestido de seda negro com um decote quadrado. — Mas eles têm toda a eternidade pela frente . rindo e fazendo com que Penelope revirasse os olhos. e sorriu languidamente.http://www.continuou Penelope com um bocejo. — Sinceramente..disse Isaac Phillips Buck. Deus detesta sua nova mansão. mas não conseguiu evitar uma risadinha. Até falaram com um astrólogo para confirmar tudo. Ela passara o dia todo descansando e seu corpo ainda estava deliciosamente relaxado.orkut. Eles estavam tão obviamente satisfeitos com a companhia um do outro que a alta sociedade está afirmando que um noivado será anunciado em breve. Esse foi um bom escândalo..Bem. esses colunistas deviam empregar melhor seu tempo. embora isso não tenha ocorrido até o fechamento desta edição. Eles eram as duas únicas pessoas na imensa sala de estar da casa de Penelope. . pelo menos os jornais parecem concordar com você sobre um certo Henry.. Penelope tentou parecer mais indiferente do que divertida. Os jornalistas eram tão pretensiosos. Penelope passou seus dedos longos e cheios de anéis sobre a cabeça de Robber. querido. — Como é aquele velho ditado. que tinha um pé-direito de oito metros e muitos móveis franceses com estofados listrados de seda azul e branca. NOTA DA COLUNA SOCIAL DO JORNAL NEW YORK NEWS OF THE WORLD GAZETTE. morrer de inveja é a melhor maneira de elogiar alguém? Você devia aprender a encarar os jornais como eu.br/Main#Community. .disse Isaac. na noite de dezesseis de setembro. Estão prevendo que vocês dois vão estar noivos antes do fim da temporada. Deus aquilo. 17 DE SETEMBRO DE 1899 s jornais estavam simplesmente fantásticos .com. como se houvesse acabado de despertar. estendendo seu dedo mindinho ao pegar uma xícara de porcelana para tomar um gole de chá. Mas eles só falam de Deus isso..aspx?cmm=65618057 fxàx No baile da família Richmond Hayes. — Os jornais estavam ridículos. — Eu tento.

mas agora ele parecia um pouco. Buck . mas agora toda a cidade de Nova York ia ficar querendo saber se estavam juntos ou não. Lá fora. Penelope estava acostumada a um Henry sereno e despreocupado. pela primeira vez. apertando resignadamente a mão gorducha de Isaac. Alguns colunistas haviam reclamado dos ombros expostos das moças. embora com uma certa tristeza.. Ele sempre fizera muita questão de manter o namoro dos dois em segredo. sozinho. Penelope sentiu uma enorme onda de autoconfiança. toda essa tinta gasta por causa de uma festinha. — Adelaide Wetmore precisa mesmo levar um tapa na cara . — Mas nem precisavam do astrólogo. Para não falar da ajuda dos jornais em levar seu namoro adiante. ainda nem falamos das roupas de todo mundo. .disse Penelope. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GE . fora confirmado pela imprensa e pelas estrelas: Henry ia pertencer a ela. mas saber que os jornais estavam especulando sobre ela e Henry era maravilhoso. mas havia algo de diferente em sua expressão. Bernardine.disse Isaac. — Mesmo assim.http://www. mas a grande maioria se limitara a descrever de maneira longa e fiel o quanto o baile fora luxuoso. — Isaac.disse Penelope. É tudo tão bobo. a governanta dos Hayes. Henry estava usando o casaco negro que sempre vestia e seu rosto estava belo como sempre. Penny. Ele estava com uma cara de quem fora pego no flagra fazendo algo errado. Ela forçou-se a parar de sorrir. Penelope usou um tom firme. Patrick bateram três vezes. Penelope ficou maravilhada ao ver que ele chegara bem na hora. de verdade. Schoonmaker .disse Henry.aspx?cmm=65618057 Os olhos de Isaac ficaram esbugalhados de excitação quando ele revelou essa notícia bombástica. Da próxima vez. Souberam instantaneamente que os rumores eram verdadeiros. confuso. só tinham de perguntar para as Wetmore . Ele agradeceu a ela e ela então abriu a porta da frente. E Isaac tinha razão: não havia nada melhor do que ser invejada pelas multidões. parado.. Ela tentou não demonstrar que estava se sentindo embriagada de felicidade.Elas ficaram indignadas ao ver você dançando com ele ontem à noite. — Eu sei. mas controlou-se para não dar pulinhos de alegria. andando até a cadeira onde Isaac estava. Agora. você devia barrar os jornalistas. mas ainda temos a semana toda. ficando de pé.orkut. em vão. A única hora em que Isaac a irritava era quando ele agia como um menininho emburrado.br/Main#Community. você precisa ir embora . Mas Penelope não tinha nada do que reclamar.disse Isaac. os sinos da igreja de St. O que você está fazendo aqui? — Olá. Isaac. Penelope tentou decifrar a expressão estranha dele. revelando a visão maravilhosa que era Henry Schoonmaker. até Elizabeth teria de admitir que o único homem perfeito de Nova York era de Penelope. — Mas. estendo a mão para apertar a de Henry. — Olá. Já estava na hora. Pareciam que tinham levado um tapa na cara. Isaac deu um suspiro. Logo.com. estava parada na porta com o chapéu de Isaac nas mãos. na escada da frente. Ela estendeu o braço e ele pegou-o.

ela disse: — Acho que você estava tentando deixar um bilhete para mim e ir embora. mas cheio de luz. A mulher assentiu.continuou Henry. com um chão feito de mármore preto e branco e tetos espelhados. eu já estava indo embora . devagar. O vestíbulo dos Hayes não era como o das velhas casas.disse Penelope. mas gostava do fato de poder ver seu reflexo em praticamente todas as superfícies. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GF . Henry cobriu a boca com uma de suas mãos envolta em luvas de couro.disse Isaac. enquanto Bernardine desaparecia por uma porta disfarçada pela rica ornamentação da parede. Após alguns segundos ele respondeu friamente: — Você ainda nem leu o bilhete.com. Henry ia deixar um bilhete com a governanta. . Penelope . finalmente -. Penelope disse a si mesma. Penelope se sentia pequena como um grão de poeira naquela imensa mansão. virou a cabeça e deixou que ele observasse seu lindo perfil e sua minúscula cintura. e não era de maneira alguma um rapaz tímido.disse ele ao beijar a direita. Então. formando diversos queixos ao fazê-lo. Penelope respirou fundo para se tranqüilizar. — Temos o que o senhor desejar. Você sabe muito bem que domingo é o dia que passamos juntos.orkut.br/Main#Community. — Pode ir.disse ele. Queria que ele ficasse olhando-a e se perguntando se estava zangada ou não. sr. pegando o odioso envelope das mãos dele e lançando-lhe um olhar cheio de determinação. O coração de Penelope se contraiu de raiva. Quis deixar isso com a srta. e que ela insiste que esteja pronta para recebê-lo às cinco em ponto. Talvez fossem boas notícias. só isso? E quanto ao encontro dominical deles? Ele não podia dizer a ela o quanto ela estivera deslumbrante no baile por meio de um bilhete.http://www. Hayes me pediu para dizer à senhorita que o reverendo Needlehouse irá jantar aqui hoje à noite. ou um uísque. — Bernardine. — O senhor não gostaria de entrar e me explicar do que se trata? . Henry se remexeu e pegou seu relógio de bolso. Estava quase perdendo a calma. — A sra. voltando-se para dar um beijo em cada bochecha de Penelope. tossiu e acenou para Isaac. pois sabia muito bem o que Henry achava de seu corpo. Às vezes. Penelope revirou os olhos.Mas não muito . pode voltar para sua costura .disse Penelope para a governanta. ela conseguira fazê-lo entrar em sua casa. — Já que estou aqui . Havia diversos motivos para irritação: então Henry achava que ia escapulir daquela maneira? E sua mãe queria encurtar a tarde dela? O que mais ia acontecer? Quando a criada se foi. não custa nada tomar um chá gelado. Em vez disso. Ele foi com Penelope para o grande vestíbulo. sem se virar para encarar Henry. Penelope ainda não se virara para encará-lo. do tipo que preferia escrever algo do que dizê-lo em voz alta. Mas Henry nunca perdia tempo escrevendo cartas formais.Comporte-se . . ou o que quer que você esteja servindo.aspx?cmm=65618057 — Estou fazendo umas visitas aqui e ali. Ela ouviu-o respirando de leve e esperou. Schoonmaker.sussurrou Isaac no ouvido esquerdo dela. pegando um envelope selado do bolso do casaco. então como pode saber o que contém? Penelope não tentou adivinhar no que Henry estava pensando.

respondeu ela. soltando uma risada estridente e melancólica. prendendo a respiração enquanto esperava para ver aonde ele queria chegar. mas nem sinal dos cozinheiros ou dos outros empregados. — O que será que está escrito aqui? . fazendo um movimento de cabeça para seus sapatos antes de levantar a cabeça e dar a Penelope um de seus enormes sorrisos. . parece que você acertou . — Tudo bem. Henry ergueu as sobrancelhas e olhou para seus sapatos engraxados. Não posso ficar muito tempo .com.http://www. Penelope pegou o envelope e passou-o debaixo de seu nariz. — Creio que sim . Havia uma certa ironia em seu tom de voz. Escolheu uma mesa alta e estreita e sentouse sobre ela. — Numa casa tão enorme e tão nova. naturalmente há mais de uma cozinha. os mais fascinantes e os mais divertidos. eu escolho apenas o melhor para mim mesma.orkut. Ela assentiu. Por que no amor. A cozinha estava escura mas limpa. ignorando a pergunta dela. a melhor de todas as casas. Mas ande logo. Havia um fogo aceso na lareira do canto. — Por quê? Os olhos de Henry estavam fixos nos dela com uma expressão de gravidade. Penelope sorriu para ele e piscou o olho de forma lenta e sugestiva.indagou ele. com suas fileiras de panelas de ferro penduradas no teto.disse ele. Penelope se perguntou se ele estava prestes a lhe pedir em casamento. Por um breve momento. Penelope percebeu que havia uma camada de suor em seu rosto perfeito e moreno e que seus olhos castanhos estavam brilhando. Henry.aspx?cmm=65618057 — Mas eu acabei de mandar minha governanta para seus aposentos. Eu sou a melhor das meninas da minha classe social. Penelope olhou para o bilhete de Henry e depois para ele.br/Main#Community. recostando-se numa parede e deixando suas pernas dependuradas. os mais divertidos. ela se virou e avaliou as diversas superfícies que havia naquele enorme aposento. Então. não ter empregados na cozinha no meio do dia. — Os mais ricos. Henry franziu os lábios. Ela atravessou os corredores cintilantes de sua mansão com os saltos de seus sapatos batendo no mármore do chão. como se cheirá-lo pudesse ajudá-la a adivinhar qual era seu conteúdo. erguendo uma sobrancelha. assim como em todas as coisas. estou surpreso por uma casa tão enorme e tão elegante. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GG .respondeu Henry. não gosta? . como você mesma disse. e por isso terei de preparar seu drinque eu mesma. Somos os mais ricos. ouvindo os passos de Henry atrás de si.. onde o viu sendo destruído pelas chamas com um sorriso de satisfação. e você é o melhor dos homens. Por isso. mas Penelope jamais o vira tão sério.De qualquer maneira..perguntou ela. os mais fascinantes. — Por quê? .repetiu ela. Quero que todos nos olhem e morram de inveja ao ver que duas pessoas tão superiores às outras em tudo se encontraram. como eu estava dizendo. E eu disse aos empregados que eles não iam precisar desta hoje. Fingiu hesitar por um segundo antes de jogá-lo na lareira. — Você gosta de mim. Quando ele se aproximou.

perguntou ela. — Não. deixando a boca um pouco entreaberta. criando discretamente um decote mais profundo do que teria mostrado ao público. parece-me que não fiquei tempo o suficiente na companhia da senhorita .disse Penelope. apesar de ser uma das meninas mais ricas de Nova York. Penelope .disse ele.disse Henry. Se houve qualquer coisa de errado. deu um passo na direção de Penelope.br/Main#Community. sr. eu me diverti bastante. Penelope fez uma pausa quando Henry tocou a pequena depressão de sua garganta com os lábios e então prosseguiu para o outro lado de seu pescoço.com. enquanto Henry lhe beijava o pescoço. — Muito melhor.perguntou ela.Não fiquei. observando toda a cozinha com seus olhos castanhos e desabotoando o casaco. Penelope sorriu para Henry.perguntou Penelope.http://www. Na verdade. sr. Isaac me disse que a opinião geral no baile foi a de que nós dançamos tão bem juntos que deveríamos jurar fazê-lo pelo resto de nossas vidas. acho que nós dois dançamos divinamente juntos. — Na verdade. Penelope sorriu e puxou seu corpete para baixo. Schoonmaker. — Está melhor assim? . Tinha consciência de que naquele momento parecia uma mulher barata. e depois pegou um pequeno cigarro num bolso da saia.disse Henry.orkut. Ela sentiu todo o peso daquele gesto. precisarei acrescentar que não fui a única a ter essa opinião. — Agora que estou pensando nisso. como se houvesse acabado de ter uma idéia.Não posso imaginar como um baile poderia ser mais agradável. Schoonmaker? . — O senhor dançou divinamente na noite passada . Henry deu um sorriso com o canto direito da boca e Penelope soube que havia conseguido chamar sua atenção. . aumentando o decote a ponto de quase se exibir por inteiro. e sabia muito bem que ele gostava desse tipo de contradição. Henry fez uma pausa e então. como quem ainda não disse tudo. — Não? Henry afastou-se do pescoço dela e encarou-a. srta. Henry aproximou-se de sua anfitriã e colocou ambos os braços em volta da cintura dela. Ela já conhecia Henry há algum tempo. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GH . Lembro-me de que nossa conversa foi interrompida. Ela passou as mãos sobre o corpete de seu vestido para alisá-lo. . — E. espero que me diga agora.aspx?cmm=65618057 — Acho que você vai ter de me dizer em pessoa o que havia no seu bilhete .Especialmente o senhor. — O senhor se divertiu ontem à noite. — Nós certamente fizemos de tudo para agradar nossos convidados replicou Penelope. acendeu o cigarro e exalou a fumaça. que colocou sobre o bloco em cima do qual era cortada a madeira usada no fogo. .disse Penelope de forma provocante. como o senhor sabe que eu sou muito modesta. Ele não parou para responder. Penelope viu que havia uma vaga expressão de zombaria nos olhos dele. — De fato. — Não . — Na minha companhia? . o que a deixou radiante.

sem que ela se desse conta. antes de beijar de leve os lábios rosados e perfeitos dela. interrompeu a pergunta de Penelope com um beijo na boca. Não dizia nada. deu um meio sorriso e disse: — Diga-me. por isso.http://www. parecia ser o primeiro sinal de um amor que nascia. Schoonmaker.respondeu Henry. e ela então se entregou inteiramente ao prazer de ter Henry Schoonmaker só para si numa tarde de domingo. — Você vai descobrir em breve . sr.orkut. jamais fazia promessas que não podia cumprir. Henry colocara as mãos debaixo de sua saia. Penelope . O beijo encheu Penelope de confiança. se ela não estivesse enganada.br/Main#Community. Henry se afastou o suficiente para encará-la. como ele acabara de dizer.aspx?cmm=65618057 Penelope soltou uma exclamação de espanto sem querer pois. o que o senhor acha disso? Mas Henry. e cujas mãos agora estavam nas coxas dela. na parte posterior de seus joelhos. — Conte para mim. o que o bilhete dizia? — Nada. lânguida de prazer após o beijo -. Uma doce satisfação tomou conta do corpo de Penelope quando ela se perguntou se teria de esperar muito. Foi nesse momento que Penelope viu algo novo e profundo nos olhos dele. ela lançou um olhar penetrante a Henry. Mas Penelope não ia permitir que sua insinuação passasse em branco. O toque dele a fez sentir um arrepio nas pernas. iria descobrir em breve quando esse dia chegaria. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GI . colocando os lábios na orelha dela. Algo que.com. que se considerava um verdadeiro cavalheiro e.sussurrou ela.disse ele afinal. Ela estava impaciente para oficializar o noivado deles mas. — Henry .

Holland quando estavam chegando à sala de estar. brilhou como um diamante entre vulgares rubis. especialmente durante as enfadonhas visitas de domingo. pois tudo era feito de acordo com as regras e vigiado triplamente por sua mãe.http://www. Para onde quer que olhasse. filha do falecido Edward Holland.e cercada por tanto luxo que chegava a ser vergonhoso. ela assumira seu papel de jovem dama com extrema seriedade. sofás e cadeiras de diversos estilos. Diana não tinha certeza se as tardes de domingo algum dia haviam sido divertidas.orkut. enquanto Diana desenvolvera o hábito de ir se sentar no X g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GJ . eram ao menos suportáveis. Havia muitos lugares onde se sentar na sala de estar. naquela época. como explicara a sra. cheia de elegância e beleza sutil numa fantasia de pastora feita exclusivamente para ela por uma famosa costureira de Paris. que terminava apenas ao chegar ao teto de mogno. DO JORNAL NEW YORK IMPERIAL. De qualquer maneira. pela tia Edith e por todos os empregados da casa. Diana e Elizabeth haviam feito isso muitas vezes quando eram crianças. HoJland tinha de receber as visitas distribuindo comentários sarcásticos. E ali estavam as três. sentadas naquela prisão .com. 17 DE SETEMBRO DE 1899 lizabeth Holland adorava domingos. porque. raro ou sedoso que ela estava sempre se arriscando a quebrar ou manchar.aspx?cmm=65618057 b|àÉ Uma jovem em particular chamou mais atenção do que todas as outras: a senhorita Elizabeth Holland. e Diana ainda imaginava estar fazendoo. nas paredes. Ele sempre dissera que havia humor em tudo e compensara a maneira formal que a sra. NOTA DA COLUNA "GAMESOME GALLANT". A lareira de cornija de mármore era tão grande que dava para se esconder dentro dela.era isso que a sala de estar era para Diana. precisariam ter uma conversa muito séria. mas o cômodo não era confortável desde a morte do pai dela. DOMINGO. as paredes eram cobertas por um couro verde-oliva trabalhado. Acima dos lambris. Desde que Elizabeth fora formalmente apresentada à sociedade. embora "informal" fosse uma maneira completamente incorreta de descrevê-las. pinturas a óleo em molduras douradas de todos os tamanhos que mostravam. pelo menos quando ela era forçada a ficar ali parada por horas a fio. comportando-se como uma senhorita de classe . entre outras coisas. No chão havia inúmeros tapetes persas e.br/Main#Community. elas não tinham ido à igreja naquela manhã. e esse era um dos motivos que faziam Diana Holland ter horror àquele dia. Acreditamos que seu impacto na sociedade será profundo e benéfico. os rostos sombrios de seus antepassados. mas. Ela odiava domingos porque em geral eles começavam com uma ida à igreja e terminavam com o que era chamado de visitas informais. havia um objeto delicado.

útil para nós nesses tempos difíceis.. enquanto sua mãe e Elizabeth eram frias e práticas. que se chamavam Lillie Langtry e Desdêmona. Seus cabelos estavam presos num coque apertado abaixo de sua touca de viúva.quis saber Elizabeth. A sra.com. O casamento de tia Edith fora curto e difícil. Achou aquele teatro feito por sua mãe um pouco ridículo. — Como assim? . e seu sorriso vacilou um pouco. — O que você queria nos dizer. Todos falaram de sua beleza. Elizabeth pousou as mãos sobre seu colo da maneira mais correta e educada.. embora não pudesse negar que estava ficando curiosa.aspx?cmm=65618057 cantinho turco da sala. Diana sempre soubera que seu temperamento era parecido com o do pai..retrucou a tia Edith. —. Ele lançaria um de seus olhares para Elizabeth e ela se sentiria uma tola por se comportar com tanta arrogância durante as visitas de domingo. que estava sentada numa cadeira em frente à mesa de jogo com tampo de malaquita. com as sobrancelhas um pouco despenteadas e um ar de quem está constantemente se ofendendo com a estupidez humana. Holland fez uma pausa assustadora enquanto Claire desaparecia por uma das portas de correr da sala.http://www. Eles eram românticos. A sra. Diana pensou ter visto uma sombra de medo passar pelo rosto de sua irmã mais velha. onde dúzias de almofadas listradas estavam amontoadas no chão. — Em primeiro lugar. — Tudo acaba sendo repetido alguma hora . e era verdade que a extensão da depravação do duque Guillermo de Garza jamais ficara conhecida do grande público. Ela se sentou no mesmo lugar de sempre.br/Main#Community. mamãe? Tempos difíceis foram aqueles logo após a morte de papai. Diana desejou que ele ainda estivesse ali em pessoa para cuidar delas três. Elizabeth.perguntou Elizabeth. — O que foi. mamãe? . mas logo ela se recompôs. saísse da sala. abaixo do enorme quadro que mostrava o pai usando uma cartola e seu melhor terno preto. Ela ficou parada. que usara o tom de voz suave com que moças educadas demonstravam tristeza ao dizer essa última frase. mandando que Claire. Ela g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GK . — É absolutamente essencial que o que vou revelar para vocês agora não seja repetido a ninguém. Diana suspirou e desviou o olhar de sua irmã.. A sra. enroscada com os enormes gatos persas dos Holland. parecendo mais severa do que nunca em seu vestido preto de gola alta. que ainda não fora aceso. Holland ficou de pé e foi até a lareira.comentou Diana com atrevimento.orkut. Diana passara o verão inteiro em Saratoga com ela e Edith comentara diversas vezes que elas eram parecidas tanto na aparência quanto nos desejos. Ela estava ali agora. Holland se voltou para encará-las. Por que ela estava sendo tão grave? — Não segredos de famílias como a nossa . Tia Edith fez um gesto. que estava servindo chá. onde alguns pedaços de madeira esperavam pelo fogo. e isso será muito. quero dizer que fiquei muito satisfeita ao ver os magníficos comentários sobre vocês na imprensa. e seu olhar era penetrante mesmo quando lançado de um ponto do outro lado do cômodo. olhando para a lareira. Mas parecia a Diana que sua tia conseguira essa discrição vivendo mais de uma década num completo tédio.

.disse ela. — Mas agora eu e Diana voltamos. embora Diana pudesse ver que sua mãe estava muito perturbada e que sua irmã estava reagindo de maneira apropriada àquela notícia.com. e isso ainda significa alguma coisa. Elizabeth levou a mão à boca. Edward Holland não gostaria de vê-las afundadas numa melancolia comportada..disse a sra. animada. ele nos deixou com muitas dívidas e com uma exiguidade de.disse Diana. ou para a França. — Diana. A sra. Holland. Parece que. — Mas não somos ricas . indo se sentar numa cadeira com encosto em forma de leque e braços de ouropel. Holland com uma expressão de pavor.. não conseguiu se controlar e bateu uma palma de excitação. finalmente.. viver agora seria como flutuar no ar..Nem todas as conseqüências da morte do pai de vocês ficaram imediatamente óbvias. — Ah.. eu sei . Holland fez uma pausa e tocou de leve o centro de sua testa. Holland.. mas nenhum som saía. e estamos determinadas a nos divertir essa temporada . como se estivesse tentando não chorar.continuou Elizabeth. Ela sentiu que algo deliciosamente dramático estava prestes a ser anunciado e empertigou-se para poder ouvi-lo melhor. Diana finalmente parou de falar quando percebeu que a boca de sua irmã estava se movendo. e três pares de olhos horrorizados se voltaram em sua direção.aspx?cmm=65618057 sentia saudades do pai todos os dias. E. — Mas nós podemos ser qualquer coisa agora! Mendigos. meninas. — Esse é o problema .. A sra.. usando desta vez sua voz normal. não importava o que fizesse em seguida. por favor! . g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê GL . ou podemos ir a Cuba.. ou. com algo na voz que beirava a impaciência -. Diana agora prestava toda a atenção. Sentiu que estava na beira de um enorme precipício e que.. .disse a mãe delas. você cuidará da educação de sua irmã. — Nós estamos pobres! . como. — Eu própria mal compreendo ..http://www. embora Brennan tenha me explicado tantas vezes.orkut. . A sra. para que ninguém pudesse ver sua expressão.Mas eu vou me sentir orgulhosa da minha nova condição! Vai ser tão divertido! Vamos ser como as princesas maculadas de um livro de Balzac. alegre. Ela mal podia acreditar que algo tão romântico estivesse lhe acontecendo.Estamos preparadas para seguir em frente. Hoiland revirou os olhos para o teto e emitiu um som curioso. de dinheiro..concluiu ela. Teremos de manter o menor número possível de empregados e precisaremos demitir o tutor.. nem chapéus franceses. eu sei. que era mais alegre.Não mais. ladrões de trem. Holland olhou friamente para Diana e então se voltou para sua filha mais velha. Sentiu-se inteiramente livre. Parece que seguir em frente será muito mais difícil do que você pensa. As mãos de Elizabeth ainda estavam na mesma posição e ela manteve seu rosto abaixado.interrompeu a sra. mas ele jamais desejaria que sua família ficasse paralisada pela dor. Mas nós ainda pertencemos à família Holland.exclamou a sra. — Diana! . quando o pai de vocês faleceu. Elizabeth. — Sei que não vamos mais poder comprar jóias. continuou ela.. é claro. .br/Main#Community. O que ocorre.

agora que fora abençoada com o sagrado manto da pobreza.. que agora estava sentado no sofá furta-cor ao lado de Elizabeth.aspx?cmm=65618057 — Agora. antes de colocá-la de novo no colo. você precisa me contar se vai velejar esta semana! .disse Claire timidamente. como se elas ainda fossem tão ricas quanto seus visitantes. A sra. Então. você precisa me contar se vaí velejar esta semana . — Perdoe-me. mal tenho palavras para expressar minha satisfação com seu retorno. Elizabeth. você está vendo por que tudo. Sempre morrera de vontade de encontrar algo interessante para fazer da vida e. Holland . — A senhorita fica muito bem de marfim. . facilmente confundível com azul-claro por um olhar masculino. É claro que g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HC . — Oh. como se quisesse espantar o elogio dali. De você e do que conseguir até o final da temporada. Conseguiu não demonstrar quase nenhum sinal de que havia algo errado. — Srta. embora também fique de azulclaro . Holland. — Teddy. absolutamente tudo depende de você.repetiu ela. Diana achou que sua irmã parecia uma boneca sem vida. Diana olhou para Elizabeth e Teddy do canto onde estava sentada e se deu conta do absurdo que era aquele diálogo. apesar de estar encolhida no canto da sala.disse Elizabeth. Jamais vi algo mais adorável que a senhorita em sua fantasia de pastora no baile da família Richmond Hayes . A sra. Teddy. Holland foi interrompida por Claire. Holland respirou fundo. Eu estava esperando que. Diana não era o tipo de menina que usava pó ou ruge. Diana balançou a cabeça e soltou uma risada bem alta para deixar claro o que pensava. As regras de decoro que regiam a vida e a morte dos ricos não se aplicavam mais a ela. mas a mente de Diana já estava repleta de possibilidades.orkut.com. atirando as mãos para o alto num falso êxtase. Ela gostava que suas emoções fossem mostradas em sua própria pele e agora não conseguiu esconder o quanto achava toda aquela situação ridícula.disse Teddy Cutting. Elizabeth sorriu modestamente e levantou uma das mãozinhas para abanar o ar. mas o peso da conversa recente estava evidente em seu tom de voz. Ela estava se comportando da maneira correta e guiando a conversa de modo a fazê-la girar em torno da visita. O senhor Teddy Cutting deixou seu cartão e gostaria de saber se a senhora está em casa. Ela ficou imóvel com as mãos cruzadas à sua frente e os olhos fixos no chão. elas receberam a primeira visita de domingo com mais zelo do que o estritamente necessário.. A afobação tomou conta do cômodo. enquanto as mulheres da família Holland tentavam aparentar normalidade. que estava abrindo as pesadas portas de correr da sala de estar.br/Main#Community. forçou-se a dar um sorriso quase assustador e mandou que Claire deixasse o rapaz entrar.continuou Teddy. O resto da família estava teimosamente agindo como se nada houvesse mudado.http://www. talvez isso fosse possível. sra. Elizabeth estava usando um vestido de gola alta que na verdade era branco e azul-cobalto. As outras podiam fingir o quanto quisessem. na mesma posição.Chegou uma visita.

Teddy e Liz se voltaram para Diana como se houvessem acabado de se lembrar da existência dela. Aquela era uma das regras mais irritantes: eram os cavalheiros que visitavam as damas e por isso as damas tinham de ficar em casa. é que não podemos mais nos dar ao luxo de velejar por ser muito difícil para nós. mas sentia que sua vida só ia começar de verdade agora. Holland. — Ah. Henry é Henry.Falar sobre velejar já era um tédio antes.Diana não tem um outro compromisso? A sra.O que ela quis dizer. fazendo um educado esforço para deixar o momento embaraçoso para trás. — Mamãe? .Eu e Henry podemos ir sempre. Talvez esteja se sentindo mal e deva ir lá para cima. Holland por ter filhas tão adoráveis e servir um chá gelado tão refrescante e foise embora.perguntou a sra.disse Teddy. Ele então cumprimentou a sra. fazendo com que sua visita tivesse a duração socialmente aceitável de meia hora. sua tia e sua irmã assumiam expressões de pesar. Holland. pois não podemos nos dar a esse luxo. eu devo sim ir velejar esta semana . é claro. — Eu nunca fico doente. não podia controlar quem lhe visitava. que estava perdida em seus pensamentos.br/Main#Community. nem quando.disse Teddy. . Diana não lamentou vê-lo partir. Holland estreitou os olhos de fúria. O senhor Holland adorava o esporte e ele nos traz lembranças dolorosas. você está agindo de forma estranha desde que acordou.. ele sempre parecera um pouco sem graça para ela. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HD . Elizabeth abaixou a cabeça e a sra. Diana pensou ter visto Teddy se remexendo na cadeira de forma constrangida. Diana revirou os olhos ao ouvir a mais nova das mentiras. . virando a página do livro que segurava com certa violência. E agora não faz nenhum sentido.chamou Elízabeth com uma certa irritação. Teddy ficou na casa da família Holland por mais quinze minutos. . — Diana! Você não deve falar assim. pois todos estavam em choque. como todo mundo sabe . . Durante alguns segundos ninguém disse nada. que estivera jogando gin rummy com tia Edith. Ele riu e ninguém mais tocou naquele assunto. mas ninguém consegue . Mas o pai dela jamais se interessara por veleiros. — Diana! Como você pôde fazer isso?! A jovem. É por isso que todos querem sempre falar com ele. — Como está Henry? . E embora Teddy Cutting fosse bastante agradável. ou o que quer que Diana fosse agora.disse Diana.com.aspx?cmm=65618057 sabia que ainda não tinha compreendido inteiramente a revelação de sua mãe. Bem. voltando-se para Teddy.orkut. — Diana. Nosso convidado pode não compreender .disse ela.. Ela pegara novamente suas cartas e manteve os olhos fixos nelas enquanto falava.http://www. — É claro. Ela se recostou nas almofadas enquanto sua mãe. de pé com os punhos cerrados e o rosto distorcido de raiva. deixou suas cartas caírem sobre a mesa de tampo de malaquita. olhou para cima e viu sua mãe. Isso significava que uma senhorita de alta classe.

. Diana sentiu um aperto na garganta de raiva ao ver Elizabeth. Ela olhou para trás ao entrar no corredor e viu sua irmã silenciosa e imóvel como uma estátua. compreendeu o que sua mãe estava exigindo de Elizabeth. mas Diana sabia que suas intenções eram diferentes agora. Holland muitas vezes em tempos mais felizes. tão passiva e aparentemente feita de pedra... pela primeira vez. Leia a sua bíblia. — Se você quer me punir por contar a verdade. . — Você é uma menina atrevida e desprezível. mas. Não se casem por dinheiro. mas casem com alguém que tenha dinheiro.gritou a sra. Holland.http://www. Holland.E agora. Claire se adiantou para acompanhar Diana para fora da sala. graças a Deus eu posso depender de você.disse a sra. As sobrancelhas ruivas dela se juntaram no meio de sua testa e ela lançou um olhar a Diana. com Claire logo atrás. — Elizabeth.orkut. Holland a impediu de continuar a falar com um olhar mais severo do que qualquer palavra.br/Main#Community. Será que não entende o que pode acontecer? Hein? — Não adianta de nada fingir! . jogou seu livro no chão de mogno e saiu batendo o pé. não conseguiu encará-la.respondeu Diana acaloradamente.com. A salvação dessa família está sobre seus ombros. implorando-lhe que viesse. Sua tia colocou a mão sobre a boca. que estava parada na porta. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HE . tudo bem. dissera a sra. Diana não pôde acreditar na teimosia da mãe e sentiu-se enojada. . Ela dissera aquelas palavras despreocupadamente. Vá para o seu quarto imediatamente. Diana ouviu essas palavras ao chegar na porta da sala e. — Silêncio! Diana olhou em volta.aspx?cmm=65618057 — Como pôde expor sua família dessa maneira? . Lembre-se de que nasceu para obedecer a seu pai e sua mãe . Diana suspirou fundo. Era difícil acreditar que elas fossem irmãs. olhando para baixo e deixando rolar uma lágrima. Diana.Todo mundo vai descobrir quando você parar de pagar a costureira e a florista e quando as contas começarem a acumular. Dessa vez a sra.. apenas sua mãe. Claire. mas viu que ninguém estava do seu lado.

O mais irreal de tudo era a figura de Henry Schoonmaker se preparando para entrar na sala de estar dos Holland. Elizabeth subitamente percebeu que. Os olhos de Henry observaram toda a sala de estar e então pousaram sobre Elizabeth. A sra.http://www. em sua mãe e em Will. com quem Penelope dançara e cujo pai era dono de grande parte de Manhattan.aspx?cmm=65618057 aÉäx ctÜt t Å|Ç{t _|éé|x? Öâx vÉÇáxzâx áxÅÑÜx áxÜ âÅt ÅxÇ|Çt àûÉ uÉt? ÇÉ w|t xÅ Öâx xÄt áxÜö tÑÜxáxÇàtwt õ áÉv|xwtwxA X [? DKLJ lizabeth tentou parar de brincar com o bracelete de ouro branco entalhado que seu pai lhe dera há dois anos. sr. Holland . Nem ela mesma. Schoonmaker . sra. — Olá. na verdade.responderam a mãe e a tia de Elizabeth. que estava segurando seu chapéu de forma muito educada. não conhecia seu segredo. Seus segredos.com. por quem Agnes era apaixonada. mas isso era uma mera abstração. Ela não imaginara que alguém como Henry seguraria seu chapéu daquela maneira e talvez por esse motivo ficou olhando-o sem reação. — Olá. srta. — Olá.disse ele. Elizabeth . ela não falava com Henry havia anos. Estava inquieta e distraída. embora falassem tanto nele e embora suas famílias fossem ligadas pela história e pela classe social. Ela se deu conta de que ia precisar ser forte e começar a agir da forma habitual. até que ele começou a parecer constrangido.cumprimentou Henry. todo mundo dizia. Ele era um solteiro muito cobiçado. Holland deu um sorriso radiante. quando Claire pegou o objeto das mãos dele e anunciou que o colocaria no closet. e não conseguia parar de pensar em seu pai. Há muito Elizabeth não pensava em Henry como um ser humano de verdade e só o fez quando ele surgiu diante dela.br/Main#Community. Ela sentiu-se envergonhada apenas com aquele olhar e tentou dizer a si mesma que o famoso Henry Schoonmaker. fazendo um movimento com a cabeça na direção da mesa de jogo. pois eram mais de um: os Holland estavam pobres. Nada lhe parecia real.orkut. Eíizabeth acabara de ver que Henry era o tipo de homem que mandava bordar suas iniciais. ela estava apaixonada por um criado e ainda por cima X g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HF . Elizabeth conseguiu se levantar e sorrir primeiro para sua mãe e depois para Henry Schoonmaker. HWS. que ela reconheceu vagamente ao levantar os olhos e observar as portas de correr. em letras douradas na fita azul-clara que passava na parte interna da aba de seu chapéu.

Elizabeth ficou surpresa ao perceber o quão pouco aquilo lhe atraía. — Não gostaria de se sentar. — Quero dizer. se ela e sua família fossem mandadas para a prisão por não conseguir pagar suas dívidas.aspx?cmm=65618057 era uma menina egoísta. que seu pai escolhera pessoalmente após herdar a casa dos próprios pais. As curvas exuberantes dos candelabros antigos.ofereceu Edith com uma expressão divertida. Tudo tão suave. Era como a marca registrada de sua família. .sussurrou ela. do qual Eíizabeth subitamente. O Gramercy Park era um refúgio maravilhoso que ficava perto da barulhenta Broadway e era protegido há g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HG . que provavelmente arruinaria sua família mais do que ela já estava arruinada.br/Main#Community. Henry era de fato bonito e bem vestido.. A luz do sol entrou pelas compridas janelas da sala de estar e iluminou aquele cômodo luxuoso. e surpreendentemente. Elizabeth relaxou um pouco ao sentir o cheiro das folhas do parque e ver o azul brilhante do céu. Ela virou-se para ele com o coração batendo forte de constrangimento.. Elizabeth entendeu o que sua tia quis dizer e sentiu uma onda de vergonha ao perceber que Henry podia ouvi-la também.disse Henry. Uma brisa soprava do rio East e limpava o ar. A parede coberta de quadros. mas ele não parecia ter prestado atenção no comentário. mas obviamente não poderia explicar isso a Henry. perfeitamente antiquado e rico. — Será um prazer.respondeu Elizabeth.disse ela. — Esse vestido é muito bonito . Tudo o que conseguiu pensar foi que. que também eram de ouro e também tinham suas iniciais gravadas. Sua confusão era tal que ela estava esquecendo suas boas maneiras. Lá fora. O couro verde-oliva trabalhado acima dos lambris de mogno. se o senhor. Schoonmaker.com. encarando-o e então desviando rapidamente o olhar. Schoonmaker? . Henry parecia ser do tipo que achava a desgraça dos outros uma comédia. o dia parece estar lindo e eu confesso que ainda não saí de casa hoje. sr. Aqueles belos móveis arrumados de maneira tão perfeita para receber visitas. o que era tudo que ela deveria desejar num homem. Ela olhou para a mesa de cartas e notou que sua tia Edith estava fazendo um movimento de cabeça para sua mãe. Henry estava examinando suas abotoaduras. Mas Henry já ficara de pé e estendera o braço para ela tomar. sr. Henry sentou-se no mesmo lugar que seu amigo Teddy escolhera. sentiu-se orgulhosa. — Sr. o dia estava lindo e mais frio do que ela imaginara. — Que casalzinho mais taciturno . ele provavelmente riria. Gostaria de passear pelo parque? Elizabeth viu Claire corar com o canto dos olhos e lembrou-se de que deveria ter esperado por um convite. Elizabeth poderia ter refletido sobre o fato de que isso não demonstrava nada de positivo sobre o caráter dele. Ali estava o rapaz que todas as moças de Nova York desejavam e ela achava que deveria ter ficado maravilhada com sua visita. mas estava ocupada demais em olhar para sua tia e tentar adivinhar se ela iria dizer mais alguma coisa humilhante.orkut. Ela decidiu não se arriscar e ficou de pé. Schoonmaker .http://www. — Muito obrigada.

replicou Elizabeth. como ocorria com todos que ocupavam o cargo.aspx?cmm=65618057 muitas gerações pela família Holland e outras tão antigas e tão ricas quanto ela. Schoonmaker sempre dá jantares adoráveis comentou Elizabeth. Elizabeth esperou que ele dissesse mais alguma coisa e. Eles se moviam de forma lenta e indiferente pelo parque e foram para o lado oeste. de modo a quase não tocar no dele. — É mesmo? Que maravilha . quando isso não aconteceu. Carruagens circulavam o parque e os cascos dos cavalos batiam contra o pavimento. Mesmo assim Elizabeth continuou a caminhar ao lado de Henry. que fora construída por James Harper. Aquele era um canto do mundo que pertencia aos Holland. que eram mais dadas do que as americanas. e seu pai fora criado na casa de número 17. Gostaria de poder ir. voltando-se para Elizabeth: — Meu pai está organizando um jantar.Eles são sempre descritos de forma tão linda nos jornais. e dois postes de ferro. Henry e Elizabeth viraram-se na direção norte do parque e então Henry estacou. era insuportável pensar que aquilo poderia mudar em breve. falando uma ou duas coisas sobre a qualidade do sol e do ar naquele dia específico. Schoonmaker fosse poucos anos mais velha do que ela e tivesse apenas metade de seu talento para cuidados domésticos. mas ela estava. Se Henry viera visitá-la. Elizabeth olhou para o elegante ferro trabalhado dos portões do parque. mantendo as costas eretas e conversando sobre trivialidades com um rapaz de família que sem dúvida preferiria estar correndo atrás de moças européias. Henry soltou uma risadinha melancólica e bateu na cerca de ferro com o punho. passando pela casa número 4. Ele mais tarde se tornara prefeito de Nova York. mas ele não pareceu interessado. embora soubesse que a sra. sentiu uma certa raiva. incapaz de impedir qualquer coisa de acontecer. Elizabeth tentou se convencer de que aquela época não se fora para sempre. de que não se transformara numa era de exageros à qual ela não pertencia. para as casas imponentes que o rodeavam. E será que Henry não imaginava que havia coisas melhores para ela fazer do que caminhar em silêncio com um rapaz que claramente desejava estar em outro lugar? Ela se lembrou de uma vaga g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HH .http://www. Mas aquilo era mais egoísmo. — Sim. . e seu coração se comprimiu quando ela pensou em sua mãe na pobreza. Os avós de Elizabeth tinham comprado um dos lotes em torno do parque quando ainda não havia nenhuma construção no lado norte de Manhattan.orkut. mas creio que vocês precisam limitar o número de convidados.com.br/Main#Community. babás corriam atrás de crianças que ainda usavam os chapéus de couro e os laçarotes com os quais tinham ido à igreja. o conhecido editor de livros. O legado dos Holland seria destruído e ali estava ela. Ela percebeu que estava com o braço tenso. para a sombra das árvores. Ela contou mais uma vez como fora sua viagem de volta. Henry voltou a andar de braço dado com a jovem dama. — Disseram-me que a sra. tenho certeza de que a sra. porque estava tão horrivelmente calado? É claro que ele não tinha como saber que sua família estava passando por uma crise. haviam sido instalados na frente da sua casa para indicar isso. Schoonmaker fará de tudo para que seja mesmo uma maravilha. Dentro do parque. as chamadas "lâmpadas do prefeito". Elizabeth imaginou um futuro em que sua família viveria num lugar pequeno e sujo e em que as risadas de escárnio dos outros ressoariam em seus ouvidos.

Sua vida como sra. pois estava apaixonada pelo cocheiro. tão apaixonado e cheio de esperanças. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HI . imaginando as conseqüências de aceitar o pedido de Henry . Eles se casariam na igreja.aspx?cmm=65618057 impressão que tivera de Henry na infância. como se procurasse um rosto familiar que lhe confirmasse que tudo aquilo era muito estranho e muito maleducado. que a observava agora com seu rosto belo e frio. Elizabeth teria de jurar diante de Deus que amaria aquele homem até morrer. Elizabeth viu-se fazendo aquilo que era fácil e natural para ela: sendo graciosa. suntuosa. — Você quer dizer. — Creio que você sabe o motivo do jantar . Elizabeth fechou os olhos por um segundo. Todos que conhecia estavam escondidos em suas casas e ela teria de lidar com aquela situação sozinha.O louvável noivado da srta. bem-vestida e admirada por todos. como se não soubesse bem como pronunciá-la.se é que aquilo podia ser chamado de pedido. eles teriam filhos que seriam metade ela. Ocorreu-lhe que talvez Henry estivesse bêbado... Elizabeth tentou recuperar o fôlego. hesitando antes de dizer a palavra “esposa”. coradas como sempre.. — Mas é. Ela balançou a cabeça com petulância. perguntando-se por um segundo se algum dia seria capaz de falar novamente. não sei o motivo do jantar..orkut. com um enorme sorriso de orgulho. E.disse Elizabeth lenta e estupidamente . Nesse futuro.disse Henry.. Elizabeth sentiu que o chão sob seus pés estava se abrindo. Ela sentiu o enjôo e a tontura que acometem uma pessoa que olha para baixo quando está num lugar muito alto.br/Main#Community.disse ele. meu e seu? — Isso . Elizabeth Holland com o sr. Mas havia apenas crianças e babás brincando. embora aquilo fosse difícil de imaginar. Naquela manhã mesmo Elizabeth fantasiara sobre se casar com Will. Schoonmaker seria tão. Henry Schoonmaker.respondeu Henry. mas a imagem que lhe veio à cabeça foi a expressão de sua mãe quando contasse que não ia conseguir se casar com um dos rapazes mais ricos de Manhattan. a quem ela conhecia e amava. Elizabeth olhou em volta. Quão distinto ele era do indiferente Henry. creio que devo lhe dizer que me sentiria honrado se a senhorita concordasse em ser minha esposa . sem querer lembrou-se de Will ajoelhando. Ao tentar manter-se de pé. Ela tentou pensar na reação de Will. enunciando as palavras com desprezo e revirando os olhos para o céu . olhando Elizabeth com frieza. Ela visualizou o rosto de sua mãe.com. — Não. — Oh. um dia.. — O jantar . .Eu.disse Henry. quando ele estava sempre rindo e não parecia se importar com nada.. E as bochechas de Diana. Ela dormiria na mesma cama que Henry Schoonmaker e acordaria ao lado dele.. — Oh . não tinha idéia de que o motivo do jantar era esse. metade Henry. Will. naquela luz simples e brilhante da manhã.é para comemorar nosso noivado. Ela teve uma visão de como seria sua vida: um ambiente de hostilidade crescente. que há tempos mostrava preocupação e falta de sono. nosso noivado. Por isso. Ela ficou chocada com o que viu.http://www.

disse ele friamente quando pararam diante da porta.http://www. Por um segundo Elizabeth pensou ter visto Will passando na frente da casa e quase entrou em pânico.disse ela. Henry assentiu. Ela se lembrou de que afirmara que Henry Schoonmaker era um canalha na noite passada e sentiu vergonha de estar de braços dados com ele agora. Amanhã. o senhor acha que seria possível mantermos o noivado em segredo. sem saber o que estava dizendo até que as palavras lhe saíssem da boca .disse ela quando eles cruzaram a rua vinte -. . O esforço foi se tornando mais fácil a cada segundo.. pela primeira vez na vida. tomou o braço dela e levou-a de volta até sua casa. Estava preocupada demais em se perguntar se Will ainda a amaria quando se tornasse a sra.aspx?cmm=65618057 sua família estava usando roupas das quais ninguém jamais poderia rir. Schoonmaker. Não era felicidade. indicando que não se opunha à idéia e eles subiram a escada frontal da casa de Elizabeth. Ela olhou para baixo.Elizabeth gaguejou. mas não agora.Afinal. — Sr. Ainda não. mas era algo que lembrava alívio. — Isso é tão. Então. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HJ . Schoonmaker . pois Elizabeth estava sentindo inúmeras emoções. mas a gratidão parecia ser a mais forte de todas. Ela se forçou a dar um sorriso para Henry. Ela teria de contar para ele.. . sr. é claro. Elizabeth não conseguiu sorrir dessa vez. — Você pode me chamar de Henry . no momento em que o relacionamento deles dois dera um salto tão enorme. sentiu-se agradecida por não estar vendo o homem que amava. finalmente. nós estamos noivos.br/Main#Community. acreditando que aquela resposta significava que Elizabeth havia aceitado seu pedido. Schoonmaker. Foi aí que Elizabeth percebeu que o rapaz na frente da casa era apenas um dos cocheiros dos Parker Fish e. — Muito obrigada .tão gentil de sua parte. surpresa com o sentimento que surgira na base de seu estômago e agora se espalhava pelo seu peito. pelo menos até o jantar? Dessa forma ainda teríamos alguns dias de tranqüilidade. Henry.orkut. Ela tentou tocá-lo o menos possível e jurou que ia contar a Will em breve.com.

. Ele parecia exasperado. Diana saiu silenciosamente do closet e andou na direção do homem.. TRECHO DO LIVRO O AMOR E OUTRAS TOLICES DAS FAMÍLIAS RICAS DA VELHA NOVA YORK.http://www. que ficava no final do enorme vestíbulo. Quando estava a cerca de um metro dele ela deve ter feito um ruído qualquer. se o combinasse com os acessórios corretos. Não parecia haver nada acontecendo .br/Main#Community. Ela sentia que estava vendo tudo com novos olhos. Era grande demais para ela. seu marido. não tinha nada e. ou para abrir um bordel em São Francisco.aspx?cmm=65618057 Wxé Todos sabem que um homem. e também sua irmã. eu conheço você .orkut. após ser libertada daquela maneira. Parecia-lhe inconcebível que. DE MAEVE DE JONG casa estava em silêncio. Diana pegou-o e colocou-o na cabeça. a governanta ainda fosse desejar a companhia do velho sr.mas o que encontrou foi um chapéu que não conhecia.disse Diana. que era usado pelos empregados. ela imaginou que talvez a sra. Então. talvez. é claro. Faber. T g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HK . Olhou atrás da porta.nem mesmo na cozinha. se ela tiver uma. ela não venderia de jeito nenhum . Diana se esgueirou pelo corredor dos fundos. Diana demorou alguns segundos para lembrar-se daquele rosto e do nome do homem.com. Diana virou-se para se olhar no espelho e decidiu que ficaria com um ar boêmio usando aquele chapéu. Faber houvesse descoberto que a situação financeira das Holland era desastrosa. quando está cortejando uma jovem que pretende desposar. ela espiou o corredor do lado de fora e viu um homem de casaco negro que estava de costas. tentando encontrar algum sinal de vida. mas os cachos de seu cabelo faziam tanto volume que o chapéu ficou quase perfeito. Diana percorreu os cômodos pisando leve e cantarolando um ragtime. — Ah. portanto. embora ela conhecesse ambos muito bem. deve primeiro conquistar as mulheres mais próximas a ela .esse.para trabalhar no circo. seu maxilar era pronunciado e seus olhos castanhos pareciam já ter visto de tudo. procurando seu casaco militar francês . pois o homem se virou. Era uma menina pobre. não tinha nada a perder. e então entrou no closet dos casacos. De repente. reunido todos os criados e partido . As feições dele eram aristocráticas. onde o jantar deveria estar sendo preparado.suas amigas. Diana olhou para os casacos de pele e de veludo enfileirados ao longo das paredes do closet e se deu conta de que eles teriam de ser vendidos. sem ver ninguém.

Schoonmaker.perguntou ela. mas foi interrompido pelo som de passos dentro da sala de estar. Ela agarrou a mão dele e puxou-o para dentro da sala de estar que havia no lado leste da casa. e essa sala ficara um pouco desarrumada. em geral. que Henry estivesse ali para visitar Elizabeth. dirigia carros motorizados e nunca ficava muito tempo no mesmo lugar. Até a tia Edith contara fofocas sobre ele.br/Main#Community. olhando para a cabeça de Diana e depois encarandoa.disse Henry. — O que você está fazendo na minha casa. que mostravam um mar negro e cheio de ondas. Holland morrera. Diana ouvira falar muito do jovem Schoonmaker quando estava em Saratoga. Ali costumava ser o salão de baile. desde que o sr. ele piscou o olho para ela. Diana gostava de ter opiniões originais. pois era o cômodo onde a família mantinha os quadros e esculturas menos valiosos. — Gostou do meu chapéu? . e nem com a mesma garota. Eles pareceram a Diana uma boa metáfora do que ela estava sentindo. apesar do silêncio. Para Diana. Sua mãe a chamava de “segunda sala de estar”. Diana se lembrou de que. Diana estava prestes a ir embora dali quando olhou para Henry e decidiu que ainda não queria deixá-lo ir embora. Ela estava usando seu tom de voz mais esnobe e autoritário e perguntando a Claire como ela podia ter perdido o chapéu do sr.Chamar a polícia e mandar me prender porque eu coloquei seu chapéu? Henry abriu a boca. ele participava de corridas de carruagem. a família parara de dar festas e a sala recebera seu novo nome. se o mundo permitisse. Diana franziu o cenho ao ouvir essa resposta. . Ou g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê HL .aspx?cmm=65618057 Ela sorriu. — E o que você vai fazer? . Quando ela e Henry estavam do outro lado da porta de carvalho. — Você é Henry Schoonmaker. mas. embora não fosse provável. Talvez ele houvesse sido conquistado pela descrição da beleza dela que saíra no jornal.orkut. Diana reparou bem na maneira como as almofadas estavam puídas.com. — Gosto muito do chapéu. Henry Schoonmaker? sussurrou ela. — Sou . E ela não estava seguindo as regras. o que fez com que Diana se desse conta de que seu coração estava batendo bem depressa. Era possível. pronto para responder. mas preciso questionar o uso da palavra “meu” disse Henry sarcasticamente. ele levava a vida que ela levaria.perguntou ela. Diana soltou a mão dele com relutância. — Creio que não é da sua conta .disse o rapaz. onde os Holland recebiam seus visitantes. pois ficara surpresa ao se pegar pensando que aquele rapaz realmente tinha a aparência deliciosa. tocando a aba e observando a reação dele. ainda havia gente na casa toda. ouvindo conversas e vivendo de acordo com as regras. pois todas as outras meninas achavam o mesmo e. Ela olhou para os enormes quadros pendurados na parede. Era estranho. para poder descrevê-las corretamente quando escrevesse em seu diário naquela noite. Diana ouviu Elizabeth falando no corredor.http://www. Ao que parecia. Todos os objetos mais bonitos haviam sido colocados na sala de estar principal. Então. colocando uma das mãos na cintura e levantando o queixo orgulhosamente. Com isso.

aspx?cmm=65618057 talvez. .ela devia admitir .mais realista do que a primeira. eu nego tudo categoricamente . Diana observou as cabeças de cervo empalhadas penduradas na parede e os móveis antigos e pesadões. mas . mas estava excitada demais para se importar. ele houvesse visto a mais nova das irmãs Holland durante o verão. Por um segundo.afirmou Henry. Diana estava tão próxima dele que podia sentir seu cheiro. E o que dizem. Ela sentiu que estava corando.Aquele que não consegue ficar parado e vive partindo corações. O corpo de Henry estava tão próximo do de Diana que ela se sentiu como se eles já houvessem se tocado. Era uma idéia melancólica. mordendo o lábio inferior. — Fui.perguntou Henry.orkut. — Bem.disse ela.Exceto o fato de que eu realmente gosto de meninas bonitas. mas pareceu ainda mais cético do que antes. sim. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê IC . a cigarros e a perfume de mulher. tudo ficou imóvel. o que é mais ou menos verdade. corajosamente sustentando o olhar dele. então você é uma pessoa muito interessante.http://www. Havia um grande vaso de metal cheio de rosas que estavam murchando devido ao descuido. Diana pôde adivinhar que era mais velho do que ela. que talvez Henry estivesse ali com aquela cara séria porque os Holland deviam dinheiro aos Schoonmaker. Ele se inclinou para pegar o chapéu e Diana sentiu a respiração quente dele em sua orelha. Mas então ela se deu conta de outra coisa: Henry estava olhando-a com admiração. Quantos anos você tem? Não pode ter sido apresentada à sociedade há muito tempo. Diana se deu conta de que agora estava numa posição bastante vulnerável diante de uma pessoa tão rica quanto o herdeiro da fortuna dos Schoonmaker. teria sido maravilhoso. Foi quando Diana sentiu uma dor adorável no peito.com. não é? — Por que as meninas adoram tanto fofocar? . pensou Diana. ocorreu a Diana. — Aposto que não muito bem . Schoonmaker de fato desaparecera. e que já fizera coisas que ela jamais faria.respondeu Henry. — O famoso Henry Schoonmaker . No corredor. As cortinas estavam fechadas. Diana sorriu. Nunca nem deve ter sido beijada. Ela encarou Henry. Ele cheirava a brilhantina. levantando uma das sobrancelhas.interrompeu Diana como uma criancinha. com algumas pétalas amareladas já espalhadas pelo chão. trancar a porta e obrigá-lo a lhe contar tudo. sim! . dando de ombros. E. Havia tantas coisas que de que ele sabia e ela não. — Será que você já foi beijada de verdade? Henry abaixou sua sobrancelha. ou ao menos foi o que lhe pareceu. Ela voltou a encarar Henry Schoonmaker e teve certeza de que sua presença ali não era um sonho. e ele sussurrou: — Você acha que tudo o que dizem sobre mim é verdade? — Se for. Ela sentiu vontade de levá-lo até seu quarto. e sua curiosidade estivesse aumentando desde então.br/Main#Community. . principalmente porque não estava mentindo. Isso. Pela maneira como ele se portava.. o que por algum motivo lhe pareceu apropriado. Olhando novamente para as almofadas. Claire estava dizendo a Elizabeth que o chapéu do sr.. que estava com uma expressão divertida no rosto. enquanto esta lamentava a má qualidade do serviço da casa.

Era isso.” *** Foi só mais tarde.disse ele. Henry olhou intensamente nos olhos de Diana.orkut. resistindo à tentação de dar um enorme sorriso. embora ele estivesse falando com Claire e Elizabeth. na realidade estava contando uma piada só para ela. “Eu beijei Henry Schoonmaker”.respondeu Elizabeth.com. e Diana de fato se sentira tentada a abri-lo imediatamente. Então ele colocou o chapéu na cabeça e foi para o corredor sem dizer mais nada.br/Main#Community. Claire exigira saber o que ele continha ao entregá-lo. abraçou-a e pediu-lhe que a deixasse sozinha. tentando compreender seu sentido. beijando-a de verdade. mal conseguindo acreditar. Henry se afastou e piscou para ela com olhos vividos e sábios. Por isso. e se inclinou de novo. Ela respirou fundo. Ela ouviu Claire se afastando da porta de seu quarto e só então tirou a tampa ornada da caixa redonda que recebera. Diana pediu desculpas a Claire. estava um chapéu muito familiar e um bilhete que dizia: cÉwx y|vtÜ vÉÅ xÄxA Y|vÉâ àûÉ uxÅ xÅ äÉv£ Öâx ä£@ tzÉÜt ÇûÉ áâÑÉÜàÉ ä£@ÄÉ Çt Å|Ç{t vtux†tAAA táá|Å vÉÅÉ ÇûÉ áâÑÉÜàÉ ÑxÇátÜ ÇÉ vÉÇàxåàÉ ÇÉ vÉÇ{xv£@ ÖâtÄ áxÜx| ÉuÜ|ztwÉ t vÉÇ{xv£@Ät ÅxÄ{ÉÜA [f Diana leu o bilhete duzentas vezes.http://www. — Caras senhoritas. Diana ouviu o tom de zombaria na voz de Henry e soube que. após Diana ter conseguido entrar em seu quarto sem ser vista por ninguém. Ela ouviu o som da porta se abrindo e imaginou que Henry já devia estar na rua. uma sensação que ia até os dedos dos pés e os fazia dançar. no momento em que Henry retirou gentilmente o chapéu de cima dos cachos dela. Ela e sua criada conversavam muito sobre meninos e fantasiavam sobre viagens para lugares distantes e romances com príncipes europeus. “Eu beijei Henry Schoonmaker. Era o que ela queria ter. “O contexto no qual serei obrigado a conhecê-la melhor?” O que isso queria dizer? g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê ID . pensou Diana. O interior da caixa era de veludo cor de carvão e. que o misterioso pacote chegou.aspx?cmm=65618057 Então.Boa tarde. pensou Diana. . ele virou o rosto só um pouco e seus lábios pousaram de forma muito suave sobre os de Diana. — Boa tarde . O toque de sua boca causara uma corrente elétrica no corpo dela. Diana achou que sua irmã parecia estar um pouco ofendida. aparentemente eu me perdi ao sair do closet . lá dentro. Mas aquilo era real demais para ser compartilhado.

aspx?cmm=65618057 Depois.orkut.br/Main#Community.com. ela colocou o chapéu na cabeça e sentiu-se perigosamente apaixonada por alguém que mal conhecia.http://www. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê IE .

A interrupção do momento sagrado que passava com seu diário todos os dias foi para Diana apenas uma pequena afronta a ser computada junto com outras bem mais graves. Nos últimos dois anos. O toc-toc-toc soou mais uma vez e Diana escondeu seu diário.orkut. Os olhos dela estavam arregalados e sem expressão.http://www. pois aquilo que era importante para sua irmã quase sempre era irrelevante para ela. Diana sentiu necessidade de mantê-lo longe da vista de sua irmã. tirou o chapéu da cabeça e escondeu o bilhete dentro dele. — Quem é? .aspx?cmm=65618057 bÇéx ÑÜ|Åx|Üt T ÑÜ|Åx|Üt ÉÇwt wÉ tÅÉÜ ° vÉÅÉ É Ñ¨Ü wÉ áÉÄ? âÅt xåÑÄÉáûÉ wx vÉÜxáM àÉÇá ä|uÜtÇàxá wx ÄtÜtÇ}t? ÜÉát x Ä|ÄöáAAA TRECHO DO DIÁRIO DE DIANA HOLLAND. Diana deitou-se de novo na posição em que estivera antes de se interrompida. ela já estava pensando de novo em Henry. cujas páginas registravam o encontro secreto que estava inspirando todas aquelas cores. debaixo do travesseiro.perguntou Elizabeth gentilmente. agora se ressentiam. 17 DE SETEMBRO DE 1899 Diana só tirou o chapéu muitas horas mais tarde. Diana fora traída por Elizabeth inúmeras vezes. Sua irmã mais velha ficara cada vez mais bem-educada e distante e as duas. As duas não haviam conversado desde então. De qualquer maneira. — Tudo bem. onde estivera sentada escrevendo em seu diário. sobre a colcha de lã branca. Ela se sentou na outra ponta da cama de Diana. de barriga para baixo. era auspicioso que sua família houvesse escolhido aquele momento para se tornar pobre. que já haviam sido muito próximas.br/Main#Community. Há anos elas não conversavam sobre nada de importante. — É mesmo? Diana revirou os olhos. Para Diana. enfiando rapidamente os dois embaixo da cama.disse Elizabeth timidamente. olhando para seu travesseiro. pois há tempos Elizabeth era como uma estranha para ela. exatamente como quando Diana a vira mais cedo na sala de estar. perguntando-se se ele tivera muitas namoradas e como seria a sensação de encostar a cabeça em seu peito. O rosto de Elizabeth surgiu no vão da porta. Ela se levantou da cama.gritou ela. quando ouviu algumas leves batidas em sua porta. Talvez aquilo a g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê IF . Fora nele que ela apoiara seu precioso diário para poder escrever e embaixo dele que o escondera.com. sem tentar disfarçar a irritação em sua voz. — Tenho algo muito importante para lhe contar . — Posso entrar? . mas aquilo não era uma surpresa.

olhando para as mãos e mexendo em suas cutículas.. Diana poderia ter dito que o homem com quem Elizabeth estava planejando se casar era um patife e que ele beijara a irmã mais nova de sua noiva minutos depois de pedi-la em casamento. — Diana.br/Main#Community. — Henry Schoonmaker. Ela já lera muitos romances e já devia ter aprendido que os bandidos da história muitas vezes têm o rosto bonito. como quem tentava convencer a si própria também. era agora o noivo de sua irmã. Diana soltou uma exclamação de indignação e revirou os olhos mais uma vez. — Mas você nem gosta dele! . . Di.. era algo que pertencia só a ela. Além disso.. pois certamente ouvira mal.. Elizabeth olhou para baixo. escura e poeirenta fora arrancada de Diana. .orkut. ele o irritou mais do que nunca. naquele momento. Diana parara de escutar Elizabeth. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê IG . Era injustiça demais! Ela mal podia acreditar que sua aventura ia terminar daquela maneira. Mas então Elizabeth pegou sua mão. apoiando-se nos cotovelos e encarando Elizabeth. Diana sempre considerara aquele um gesto estúpido e. Ela instintivamente puxou sua mão de volta para o peito.exclamou Diana. — Talvez com o tempo. Nossa família vai ficar bem.respondeu Diana amargamente. Ele veio aqui esta tarde para me pedir em casamento e nós estamos noivos. — Porque você não ama Henry Schoonmaker . e Henry é o filho mais velho. aparentemente.. — Sei que é muito súbito. pediu você em casamento? A boca de Diana se abriu e seus olhos se arregalaram de espanto.. mas então achou que sua irmã mais velha tinha mencionado o nome de Henry. enquanto Diana absorvia aquela informação. — O quê? ... Diana fechou os olhos e disse: — Bem. Mas quase ninguém tem mais dinheiro do que eles. por que você está tão malcriada? Essa é uma boa notícia. fazendo-a brilhar com uma luz singular. misturando o homem em quem estava pensando com essa história boba de noivado. Ela a queria de volta. Henry é muito educado e. Ela ia pedir que Elizabeth repetisse o que dissera. E ele não ama você. meus parabéns.perguntou Diana. mas não o fez. acrescentou ela em pensamento. — Ele. o único filho — explicou Elizabeth. A deliciosa lembrança de Henry Schoonmaker provocando-a naquela sala deserta. Diana apertou os olhos e fez um esforço para não cair na gargalhada.disse Elizabeth.. Eu vou me casar.http://www. — Os Schoonmaker têm uma ótima reputação. Elizabeth sorriu sem qualquer alegria e uniu as mãos... Sua raiva estava aumentando e Diana estava preparada para atacar o homem que. Mas não ia contar a ninguém o que fizera.com. Cometera um erro clássico ao acreditar que aquele momento maravilhoso em que os lábios de Henry haviam tocado os seus marcara o surgimento do amor.aspx?cmm=65618057 tornasse diferente de todas as outras meninas aos olhos de Henry. então.Ele é muito bonito e é considerado o solteiro mais cobiçado da cidade.. aliás.

— Prometo. Tudo vai ser novo.chamou Eíizabeth. pensou Diana. Elizabeth cobriu o rosto com as mãos. abaixando os olhos. feito especialmente para a cerimônia. ela poderia voltar a escrever no seu diário.disse Elizabeth. mas também uma amante. passara a tarde na suntuosa sala de estar dos Holland e.Vai ser bom para mamãe. Diana deu de ombros. — Não se preocupe . resignada. — Tudo bem . não conte isso a ninguém por enquanto . Mas Elizabeth.http://www. ao descobrir que sua família estava mal financeiramente. Aquela não era uma notícia interessante o suficiente para querer passar adiante e.Seu caso secreto não será revelado.. mas dessa vez com raiva em vez de encantamento.respondeu Diana. — explicou Elizabeth. Mas gostaria muito que fosse uma das minhas damas de honra. Quando Elizabeth fosse embora. coisas imaculadas e feitas de marfim. Ela soltou um som gutural e olhou de novo para seu travesseiro. — Ótimo. . Diana achou patético que sua irmã ficasse emocionada a ponto de chorar de alegria devido ao surgimento de um noivo rico. ele usaria os meses que faltavam para o casamento para beijar todas as primas de Elizabeth e talvez algumas das criadas dos Holland. ficara noiva do primeiro homem rico que encontrara.com. Diana deu um sorriso sardônico. que.pediu Elizabeth. Diana olhou para a irmã e viu que ela erguera as sobrancelhas louras ao enumerar todos os objetos lindos que ia comprar para o casamento. de qualquer maneira. vestidos novos e tudo o mais. prometa. Era como se ela houvesse passado a tarde num esgoto e houvesse acabado de emergir. Nem o guloso do Henry Schoonmaker.orkut. que continuou a falar sem esperar que ela respondesse.Por favor.Eu e Penelope fizemos uma promessa quando tínhamos treze anos. Sua irmã emitiu um barulhinho de prazer e abraçou Diana.. bom para todos nós.aspx?cmm=65618057 Elizabeth parou de falar. . ela mordeu o lábio e Diana pensou ter visto uma lágrima brilhar em seus olhos. Diana se perguntou se Henry também não viera levar alguns dos móveis dos Holland. finalmente. de que seríamos as madrinhas uma da outra. entrara na casa delas aquela tarde com a intenção de arrumar não apenas uma esposa. — Diana. . como se não conseguisse pensar em nem mais uma coisa boa para dizer sobre seu noivo. . Diana concluiu que sua irmã era uma idiota por pensar em se casar com um homem obsceno como Henry Schoonmaker. na verdade. Espero que você entenda. principalmente porque não parecia achá-lo grande coisa. — Di? . Quão conveniente para ele. — Bem . Ela não podia deixar de apreciar a ironia de ser chamada para participar de um casamento que desprezava com todo o seu ser. desesperada para encontrar qualquer sinal de pureza. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê IH . É que eu não quero que essa confusão toda comece rápido demais. Assim. controlando-se e limpando as lágrimas. Flores. como pagamento por suas dívidas.br/Main#Community.respondeu Diana. que haja um casamento. ela não tinha ninguém para quem contá-la. Então. aparentemente.

mas ficou surpresa ao ver a expressão de choque de Elizabeth. Por que Elizabeth não conseguia suportar nem uma piadinha? g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê II .orkut.http://www.aspx?cmm=65618057 Diana quisera magoar um pouco a irmã ao dizer isso. Era só uma piada.com.br/Main#Community.

DOMINGO. que bom que está aqui. apenas levantando o queixo alguns centímetros. Hayes estava jogando todo o seu charme para o jovem Schoonmaker e seu pai no baile de sua família ontem à noite e isso só pode significar uma coisa: um noivado à vista. lançando um olhar de repreensão para Lina. Elizabeth estava sentada de frente para o espelho da penteadeira de mogno que havia em seu quarto. que era coberto por um tapete luxuoso. .http://www. alguém bateu na porta. — Sim? . ela se afastou e disse: g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê IJ . Claire. Ela retornara há apenas dois dias e Lina já voltara a ser tratada como apenas uma criada. — Ah. Alguns segundos se passaram e. deixando os olhos fixos em seu reflexo no espelho oval. Peoelope Hayes não for pedida em casamento por Henry Schoonmaker em breve.disse ela. Claire se inclinou com ar cansado para deixar o cesto de roupa no chão e então atravessou o cômodo de Elizabeth. olhando primeiro para Lina e depois pata Elizabeth. Pode trançar meu cabelo. olhando para seu reflexo sem jamais deixar que seus olhos encontrassem os de sua amiga de infância.logo iria até o estábulo para fazer coisas proibidas com um homem que era “um deles”. NOTA DA COLUNA SOCIAL DO JORNAL NEW YORKNEWS OF THE WORLD GAZETTE. Ao terminar. — Você ainda não terminou? — perguntou Claire. Elizabeth continuou imóvel. ela não será a única a ficar surpresa. A porta se abriu e Lina viu sua irmã entrando. tão bela e desamparada .orkut.Pode trançá-lo agora.br/Main#Community. antes que ela soubesse como reagir. ereta e impassível.disse Elizabeth. Lina olhou para o reflexo de Elizabeth no espelho e ficou furiosa. Lina afastou as mãos do cabelo de Elizabeth e saiu dali. tão celebrada por sua pureza.. Um de nós. dando passagem para sua irmã.a menina perfeita. Dizem que a srta. — Já está bom .. 17 DE SETEMBRO DE 1899 A casa da família Holland parecia estranhamente melancólica.aspx?cmm=65618057 WÉéx Se a srta. Ainda era difícil acreditar que Elizabeth . enquanto passava o pente de prata pelos fios louros de Elizabeth e lamentava o fato de que a menina cujos cabelos ela penteava era sua rival no amor. Havia um cesto cheio de roupa limpa apoiado em seu quadril. pensou Lina. impaciente. Ela estava usando um vestido preto como o seu e seus cabelos vermelhos estavam presos num coque. mas Lina não estava dando muita importância para isso. Lina detestava Elizabeth por fazê-la se sentir daquela maneira e ficou observando com raiva enquanto Claire separava seus cabelos e o arrumava numa trança perfeita com dedos rápidos e ágeis. por favor? — pediu Elizabeth.com.

quando Elizabeth começara a se transformar na perfeccionista que era agora. uma luz fraca iluminou o cômodo. depois que o sol se punha ele parecia não acabar nunca . Os quartos das duas irmãs Holland ficavam na ala oeste da casa. Ela assentiu. Lina foi até a cômoda simples. Elizabeth .respondeu Elizabeth.orkut. O quarto de Diana dava para o sul e o de Elizabeth para o norte. — Boa noite .com. Lina quis arrancar sua mão dali e mandar que Claire não fosse condescendente com ela. Após alguns segundos.disse Lina. Ela atravessou o corredor que. mas era covarde demais para dizer qualquer coisa. .disse Claire. por isso. virando o rosto para o lado para examinar seu perfil. Lina só se tornara sua criada pessoal quando ela fizera 16 anos.respondeu Elizabeth. Claire arregalou os olhos para ela ameaçadoramente. mas fora observar a metamorfose de sua amiga de infância em uma menina da alta sociedade enquanto ela continuava a ser a velha Lina de sempre que a magoara.br/Main#Community. o que as permitiria subir e descer pela escada dos empregados sem jamais serem notadas se quisessem Lina acabara de perceber. Ela prendeu vários fios soltos com eles e se olhou no espelho.quilômetros e mais quilômetros de negror. Lina ouviu os passos de Claire no chão sem tapete e os sons da irmã procurando por uma vela. — Boa noite. assim como o resto da casa.disse Claire. Ao ver que Lina não ia dizer nada. apanhou-o com cuidado. .Diga alguma coisa. Não fique muda como sempre. Elas ainda usavam velas para iluminar o cômodo e. com vista para a rua. — Boa noite. — É claro . passando pelo terceiro andar e chegando ao quarto. no segundo andar. Claire e Lina subiram a escada de madeira estreita. senhorita — murmurou Lina com má vontade. acendendo mais duas velas e indo se deitar na cama de metal que elas duas dividiam. O sótão que as irmãs Broud dividiam com as outras jovens mulheres que serviam os Holland estava envolto numa escuridão impenetrável.aspx?cmm=65618057 — Mais alguma coisa? — Não .Mas deixe sua irmã praticar um pouco com seus cabelos. Elizabeth . bem distantes do quarto principal. era decorado com quadros escuros mostrando uma Manhattan composta apenas por fazendas e montanhas e seus primeiros colonizadores. Ela parece ter esquecido algumas coisas durante a minha ausência. Ela não sabia como explicar a Claire que sentia que o mundo todo era injusto e que sua vida precisava mudar drasticamente. levando a irmã dali. Claire fechou a porta e largou a mão de Lina. onde Lina colocara o vestido que Elizabeth estivera usando. Ela sabia que Claire ia lhe dar uma bronca e desejou estar bem longe dali. colocou-o no cesto e então pegou a mão da irmã.disse Claire. Lina. e pegou alguns grampos enferrujados que haviam sido dados a elas pelas irmãs Holland. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê IK .http://www. Ela se lembrou dos momentos dolorosos do início de sua adolescência. O teto da escada era tão baixo que elas precisavam tomar cuidado com suas cabeças. simplesmente. — Desculpe por não ter ajudado você a lavar a roupa hoje . foi até a cama de mogno. srta. em cima da qual Claire colocara as velas. Lina não disse nada. — Queria muito que você não desagradasse à srta.

Ela tinha pés enormes. — Vá se sentar . fazendo um gesto para o lado com a cabeça. sentia-se como o último dos seres humanos.br/Main#Community. mas sua irmã mais velha há muito sabia reconhecer seus humores e estava acostumada a fazer suas tarefas quando ela não trabalhava direito. — Você sabe muito bem que não há muitos empregos disponíveis para meninas como nós. disse Lina a si mesma. Mas aquela era uma época de revoluções. Fazia com que ela se lembrasse dos gestos orgulhosos de Elizabeth e de sua voz de boazinha. Você passou o dia todo de pé.disse ela.disse Lina. — É que eu não estou mais acostumada a servir a srta.http://www.. Fortunas eram feitas da noite para o dia. Lina olhou para seu reflexo no espelho. finalmente. encostando a cabela na cabeceira e cruzando as pernas.aspx?cmm=65618057 Claire suspirou. Cada vez que Elizabeth dizia alguma coisa. Claire riu e foi para o outro lado da cama.. . g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê IL . Elizabeth. por tudo isso. Lina sentia um embrulho no estômago. Lina se dava conta de que não tinha nenhuma chance contra ela. .. Deixe que eu dobro isso aqui um pouco. — Não é disso que estou falando. Você vai me dizer por que anda tão chateada? Lina não contara a Claire o que vira na noite anterior. Claire virou seu rosto cansado e cheio de sardas claras para Lina com um olhar interrogativo. Ela ficou observando Lina durante alguns segundos com um olhar que era quase cético. Lina percebeu que sua irmã continuava trabalhando. tentando se explicar.bom.disse Claire quando Lina pegou uma camisa toda trabalhada. — Se nós perdermos esse emprego. um cabelo sem graça e nenhuma roupa ou acessório bonitos e. aí nenhuma outra família de Nova York vai nos contratar. Mas o que era a culpa comparada com a mistura borbulhante de humilhação e desejos não correspondidos que ela vinha sentindo desde a noite anterior? — É um bom emprego. Isso sempre causava em Lina uma vaga e incômoda sensação de culpa. olhando para o cesto que colocara ao lado da cama. pois estava dobrando as fronhas nas quais as Holland pousavam suas belas cabeças. mas se você. — Era muito mais fácil dar conta de tudo quando ela estava fora acrescentou ela. balançando a cabeça com decepção e fazendo seu coque cor de cobre se mexer de um lado para o outro. com uma boa família .. Lina sempre acreditara que havia uma menina bonita por trás de sua camada externa de feiúra.com. Todo dia saía algo no jornal sobre isso. Claire balançou a cabeça com mais vigor dessa vez. foi para o lado de sua irmã e pegou impacientemente a fronha que ela estava dobrando.começou Claire .Não sei por que você está sempre arrumando confusão. por isso. É claro que nem tudo pode continuar a ser como era. Só de dizer aquele nome. Elizabeth .. Liney. Lina não quis responder e.disse Claire quando Lina não respondeu.. — Cuidado com os bordados . Você costumava ser tão amiga da srta. e a diligência e a inventividade transformavam a aparência de uma garota.orkut.

que contavam o que as damas novaiorquinas que estavam em férias andavam fazendo. Ele é o jovem que veio esta tarde.com. "Você sempre reconhece os ricos pela pele". Lina ainda não conseguira ter nenhuma idéia quando sua irmã exclamou: — Henry Schoonmaker! Esse é o rapaz que veio visitar a srta. Elizabeth hoje. mas na verdade não podia esquecer de seu infortúnio. Lina sorriu para a irmã. costumava dizer sua mãe. Elizabeth. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê JC .br/Main#Community. Lina. Claire deu de ombros e continuou a ler as últimas notícias sobre os habitantes mais fascinantes de Nova York. com sua pele translúcida. Ou em qualquer noite. — Mas então ..disse Claire com curiosidade -.orkut. que era ler sobre as vidas dos ricos. que não tinha nenhuma mancha ou sarda. Ai. se ela fosse uma dama como a srta.Ele é tão bonito que chega a ser injustiça. Ela pensou no rosto de porcelana de Elizabeth. Will jamais teria expulsado-a do estábulo naquela noite.Lina levantou a cabeça e tentou parecer um pouco interessada naquele tal de Henry Schoonmaker. E Penelope Hayes vai se casar com ele! Lina ficou atônita ao ver como Claire conseguia ficar feliz por uma menina que era sempre grosseira com elas.http://www. mas achou melhor não dizer nada. Ela continuou a dobrar as roupas de baixo das Holland e a ouvir o som reconfortante da voz de Claire. suas mãos cheias de jóias e seu jeito frio. aquela Penelope Hayes. com os olhos cheios de espanto ao ver o quão próximas elas duas estavam de tanta felicidade. está de namoro com Henry Schoonmaker. Lina continuou a dobrar enquanto Claire lia as colunas sociais com uma voz exageradamente pomposa. mas agora sorriu para a irmã.. passando a mão por sobre o bordado delicado.aspx?cmm=65618057 — Pode deixar! .comentou Claire. seus belos vestidos. Ela assentiu como se estivesse ouvindo com atenção. dobrando uma anágua de algodão que pertencia a Diana. . — Talvez.Será que dá para você relaxar um pouco? Que tal ler suas colunas de fofocas para mim? Lina sempre implicava com Claire por causa do passatempo preferido dela. e sentiu-se mais uma vez excluída de tudo que havia de maravilhoso no mundo. Elizabeth nesta tarde? — De repente ele queria saber como deveria fazer o pedido — sugeriu Lina. por que ele veio ver a srta. Claire foi entusiasmada pegar a edição dobrada do News of the World Gazette e começou a ler as notícias de Newport. Lina não pôde deixar de pensar que. . assegurandolhe que não reclamaria ou diria que aquela era uma maneira idiota de se divertir. Tudo o que conseguia fazer era tentar pensar numa maneira de mostrar a Will que ele não tinha que se misturar com a metida da Elizabeth Holland. você viu? . Hayes ou como a srta.retrucou Lina. Lina se lembrou de Penelope Hayes. — O quê? . Elizabeth. — Está dizendo aqui que a amiga da srta. que estava absorta demais nas fofocas que lia para notar qualquer coisa.

A idéia de magoá-lo era tão terrível que Elizabeth mal podia pensar nela. embora estivesse se dirigindo para o estábulo. Ela foi até a escada de madeira e tentou não se esquecer do motivo de estar ali. Elizabeth olhou bem para o rosto dele. Ao chegar. Elizabeth desceu os degraus da escada dos empregados um a um.com. Ela subiu devagar a escada que dava no compartimento onde Will dormia e parou para admirá-lo à luz bruxuleante de sua vela. encostando-se no seu corpo. Will estava dormindo profundamente e seu peito subia e descia com a respiração. ainda tomando cuidado para não fazer o chão de madeira ranger.aspx?cmm=65618057 gÜxéx fxÅÑÜx tvÜxw|àx| Öâx ° |ÅÑÉÜàtÇàx átuxÜ tÑÜxv|tÜ Éá ÑxÖâxÇÉá ÅÉÅxÇàÉáA aÉ y|ÇtÄ wtá vÉÇàtá? áûÉ t ØÇ|vt vÉ|át Öâx ÜxtÄÅxÇàx ÇÉá ÑxÜàxÇvxA XáÑxÜÉ àxÜ xÇá|ÇtwÉ |ááÉ t Å|Ç{tá y|Ä{tá? xÅuÉÜt áx}t w|y•v|Ä átuxÜ? ÑÉ|á xÄtá t|Çwt xáàûÉ àx|ÅÉátÅxÇàx yÉÜÅtÇwÉ áâtá ÑÜ™ÑÜ|tá ÑxÜáÉÇtÄ|wtwxáA TRECHO DO DIÁRIO DE EDWARD HOLLAND. Elizabeth atravessou o compartimento. que escondiam seus olhos enormes e lindos. Ela segurava uma vela num castiçal de metal para poder ver melhor. Naquela manha.http://www. Elizabeth esperou alguns segundos para que seus olhos se ajustassem à atmosfera do estábulo. o dia em que se prometera que ia contar tudo a Will. Colocou a vela em cima do engradado de leite que havia do lado do colchão de Will e parou para olhar os ombros fortes e as pálpebras dele. que estava iluminado porque a janela de Will ficava bem lá no alto e deixava entrar um pouco da luz das estrelas. Já era o dia seguinte. Elizabeth quase deu um grito de susto. pois estava enrascado como um bebê sem nada para protegê-lo. Will se remexeu e puxou-a mais para perto de si. Era uma cena feita de tons de marrom. mas um sorriso lhe surgiu no rosto e ela acabou dando uma risada g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê JD .br/Main#Community. bege e negro. Will devia ter chutado para longe sua colcha vermelha enquanto dormia. Ela se deitou ao lado dele. temendo jamais voltar a vê-lo de forma tão íntima. tomando cuidado para não fazê-los ranger. DEZEMBRO DE 1898.orkut. sua mãe ordenara que ela tomasse mais cuidado do que nunca com as aparências e ela tentou obedecer. Já passara das duas da madrugada e todos os recantos da casa dos Holland estavam imersos na escuridão.

Elizabeth riu mais e mais. Elizabeth sentiu a garganta apertada e desejou que aquele momento durasse para sempre. tomando coragem. O mundo lá fora desapareceu e Elizabeth mergulhou naquilo que estava bem à sua frente. e Will era a última pessoa no mundo para quem desejava mentir. Isso só faria com que Will ficasse ainda mais arrasado quando soubesse. Ela quis beijá-lo.sussurrou ele. até que Will a calou com um beijo. abriu-a de novo e respirou fundo.orkut. sempre. amanhã ela contaria. — Não conseguia dormir . finalmente. Ela tentou se levantar. como se tentando decifrá-la.disse ele. — Você é quem mesmo? Mas Elizabeth só conseguiu ficar séria por um segundo após fazer a pergunta e logo deu uma sonora gargalhada. A mão de Will buscou sua nuca e ele acariciou-lhe os cabelos. — Vai ficar tudo bem .Você não vai me provocar de novo. mas Will segurou seus pulsos e a impediu. Aquilo era maravilhoso. Ela tentou lembrar que seu caso com Will era impossível. Amanhã. Certamente não haveria problema em esperar só mais um dia para dar aquela notícia terrível. — Acho que vai ficar tudo bem . rindo.disse ela. — Sorte minha .br/Main#Community. Mas.com.disse ele. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê JE . Tudo o que queria era só mais uma noite antes que eles ficassem furiosos um com o outro ou arrasados com aquela situação.aspx?cmm=65618057 baixinha.repetiu ela. mas não quis tirar os olhos dele. . Will beijou-a mais uma vez..explicou Eíizabeth.http://www. mas não precisa se preocupar. Não vou mais lhe incomodar com meus ciúmes.disse Will. — Henry Schoonmaker? . vai? Eu o vi saindo daqui esta tarde. — Não acredito que você já veio me ver de novo . — Henry. Elizabeth confirmou o que soubera por mais da metade de sua vida: ela podia confiar em Will. pegando-a pela cintura e rolando-a no colchão de forma a ficar com seu corpo em cima do dela. . Elizabeth deu uma espécie de sorriso e perguntou-se se Will ia perceber o quanto ela estava triste. deixando-a pousada bem acima de seu quadril. os pulmões da jovem se encheram de ar e seu coração foi tomado pela felicidade. Ele estava sorrindo quando se afastou e seus olhos estavam cheios de luz. Will riu também. Os olhos de Will se moveram de um lado para o outro. Ela se afastou gentilmente dele e lançou-lhe um olhar sério. pensou ela.. mas Elizabeth estava se sentindo uma mentirosa. Amanha. Seria cruel esperar mais. num tom de voz que quase a convenceu. Elizabeth fechou a boca. — Você deve ter sentido muita saudade de mim .sussurrou ele após um longo silêncio. repetiu ela para si mesma. Pela primeira vez naquele dia. Ele abriu um enorme sorriso. Will moveu sua mão pelas costas dela. — O que foi? . sem deixar de olhar para ele.ele perguntou. Ele estava olhando para Elizabeth de uma maneira que a fazia se sentir lânguida como se houvesse passado a tarde no sol. ao olhar para o azul puro dos olhos dele.

http://www. Tentou não pensar em suas responsabilidades. Ou em como seria impossível contar a verdade a Will.br/Main#Community. Ela tentou se concentrar apenas na maneira como Will estava beijando a parte de seu pescoço que ficava logo abaixo de seu queixo.orkut.com. para poder se lembrar para sempre de como as coisas costumavam ser.aspx?cmm=65618057 Will começou a tirar a camisola de Elizabeth e ela tentou não pensar na situação precária de sua família e em como eles estavam vulneráveis. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê JF .

mas Isaac não resistia a esses pequenos floreios.aspx?cmm=65618057 VtàÉÜéx Um jovem de sobrenome Schoonmaker que é muito querido das meninas casadouras da cidade foi visto ontem à tarde na joalheria Tiffany. Isaac voltou-se para ela e pegou sua mão. A criadinha estava quase desmaiando de felicidade por ter recebido um agradecimento tão gentil.. descendo apressadamente os degraus de mármore branco de sua casa. — O que você estava olhando? . Isacc deu uma pequena fungada e começou a descer a escada frontal da casa de sua socialite preferida de braços dados com ela. que era de cetim cor de marfim rebordado de veludo negro. com seus olhos pequenos e ansiosos e seu cabelo mal arrumado. — Obrigado . o que fazia Penelope temer pela inviolabilidade de sua correspondência. Ela olhou para trás e percebeu que cometera um erro. 22 DE SETEMBRO DE 1899 enelope Hayes sorriu friamente para a criada que estava esperando no vestíbulo de sua casa para ajudá-la a botar sua estola de marta preta.http://www.As pessoas interessantes. assim como seu vestido. Ela tentou expressae esse sentimento na forma irritada como removeu o cartão cor de creme da bandeja de prata que a menina lhe estendeu.quis saber Penelope. NOTA DA REVISTA CITÊ CHATTER. e concluiu que ela devia ser uma das criadas contratadas recentemente. onde sempre gostava de estar com a melhor aparência possível..disse Penelope. Penelope se inclinou para dar-lhe um beijo em cada bochecha. formando um desenho art nouveau .br/Main#Community. SEXTA-FEIRA. com a fumaça do cigarro suspensa no ar sobre sua cartola. Virou-se e viu que Isaac estava esperando de frente para a Avenida.com. A noite estava quente e um c g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê JG . Tenho fontes no departamento de anéis de noivado que me disseram que ele saiu da loja com um solitário de diamante extraordinariamente grande e belo. Penelope tentou esquecer sua irritação .disse a criada com exagerada formalidade.orkut. Penelope nunca vira aquela menina antes. Penelope e Isaac eram amigos tão íntimos que ele não precisaria mais deixar seu cartão com a criada antes de entrar. — O senhor Isaac Philips Buck chegou para acompanhar a senhorita .não fazia bem para a pele ficar irritada e ela estava indo a um jantar na casa de Henry. A peça era nova. . valendo mais de mil dólares. A casa era tão grande que o número de empregados tivera que ser muito aumentado.moderníssimo.

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pouco enevoada e as melhores carruagens da cidade passavam pela Quinta Avenida vagarodamente, como se desejassem ser observadas. — Mas nenhuma delas está tão bem vestida quanto você - concluiu ele. O cocheiro dos Hayes estava esperando numa das quatro carruagens de madeira negra polida pertencentes a família que estavam abertas. Isaac ajudou Penelope a subir, entrando também e acenando com a cabeça para o homem. Uma menina mais preocupada com o decoro jamais teria ido de carruagem aberta para um jantar formal, mas, naquele momento, Penelope estava absolutamente deliciada consigo e não admitiria críticas. Ela se ajeitou no banco de veludo vermelho e tirou sua estola, deixando-a cair à suas costas. Queria sentir o ar da noite, embora os mais moralistas sem dúvida fossem criticá-Ia por expor seu ombros nus daquela forma. Os cavalos começaram a andar devagar para o lado sul da cidade e Isaac entregou a Penelope um recorte de jornal que tirara do bolso do casaco. — Achei que você pudesse achar isso interessante - disse ele num tom casual, mas sem impedir que seus lábios úmidos se abrissem num sorriso de satisfação. Os olhos dela percorreram rapidamente a nota, arregalando-se ao ler as palavras “joalheria”, “diamante” e “mil dólares”. Penelope piscou os cílios muito maquiados e deu de ombros modestamente, embora a modéstia jamais houvesse sido uma característica admirada ou cultivada por ela. Virou o rosto para o lado leste, para que as carruagens que estavam passando na direção contrária a vissem em seu melhor ângulo, e aproveitou o curto passeio pela larga Avenida. Henry dissera que ela descobriria em breve quando eles iam ficar noivos e de fato usara a expressão de forma correta, embora esse não fosse um hábito seu. Até mesmo uma menina impaciente como Penelope podia considerar que o evento não demorara para acontecer. A mansão dos Schoonmaker surgiu no horizonte. Ela tomava meio quarteirão na esquina da Quinta Avenida com a rua trinta e oito e, embora fosse mais nova do que Henry, já estava começando a ter a aparência datada, com seu telhado com mansardas e escadaria íngreme. Ela e Henry ganhariam uma nova mansão, é claro. Talvez papai construa uma para nós de presente de casamento, pensou Penelope. A carruagem parou na frente da casa e Isaac saltou para a rua de forma quase delicada para um homem do seu tamanho, estendendo a mão para ajudar Penelope a descer. Ela viu carruagens de diversos outros convidados paradas por ali e, dentro de cada uma delas, um cocheiro, a maioria fumando. Eles tinham uma longa espera pela frente. O cocheiro dos Holland estava ali também, encostado na carruagem da família lendo um jornal. Ele tinha ombros largos e brutos e Penelope não conseguiu lembrar seu nome. Elizabeth um dia mencionara que eles haviam sido amigos quando crianças e Penelope não pôde deixar de sorrir da maneira estranha como as coisas eram feitas na área do Gramercy Park, com todas aquelas velhas tradições e aquela mania de dar atenção demais para os criados. As damas e os cavalheiros subiam a escada de calcário da mansão dos Schoonmaker em pares, indo na direção da porta iluminada sem prestar a menor atenção aos cocheiros. — Acho que vou demorar, Thom - disse Penelope.

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Ela nem olhou para seu empregado. Estava ocupada demais alisando suas luvas brancas, que iam até a metade de seus braços, para tirar qualquer dobra que houvesse restado. Mas sua aparência já estava perfeita e ela sabia disso muito bem. — Estarei aqui quando a senhorita sair - respondeu o cocheiro. Penelope deu o braço a Isaac enquanto eles subiam a escada. Um dos mordomos dos Schoonmaker pegou sua estola e levou-os até a fila de convidados que entravam. Isabelle Schoonmaker estava recebendo cada casal que entrava e suas bochechas já estavam coradas devido ao esforço de cumprimentar tanta gente. Ela ava um vestido azul-turquesa de Charles Worth que se abria em leque na cauda e lhe apertava muito a cintura, fazendo-a se inclinar para a frente como uma sereia de proa de navio. — Ah, Penelope! - exclamou Isabelle, dando-lhe dois beijinhos. - Lamento tanto que seus pais e seu irmão não tenham podido vir. — Isabelle, querida - cumprimentou Penelope, beijando-a também. Os pais dela estavam jantando com os Astor, um convite impossível de recusar, e Grayson, seu irmão mais velho, estava em Londres cuidando de alguns negócios de família. — Não se preocupe comigo. Fico muito bem só com Isaac - garantiu Penelope. — Eu sei. Isabelle apertou de leve a mão dela e, nesse momento, Richard Amory e sua esposa, que estavam casados há três anos e haviam ficado ainda mais enfadonhos juntos do que costumavam ser quando eram solteiros, chegaram. — Vamos ter de deixar para nos divertir mais tarde - sussurrou Isabelle para Penelope. Um dos criados dos Schoonmaker, que trazia o brasão da família em seu libré de veludo, surgiu e guiou-os pelos corredores até um salão de recepção com papel de parede vermelho vivo, onde inúmeros garçons circulavam levando taças de champanhe nas bandejas. — Vou ver se está tudo bem na cozinha. Vá fazer o que voce faz melhor disse Isaac, dando uma piscadela rápida para Penelope. Ela parou ao chegar na porta da sala para que sua entrada causasse uma impressão ainda maior, deixando que os metros de cauda de seu belíssimo vestido negro e marfim se espalhassem pelo chão de carvalho. Como sempre, Penelope sentiu uma onda muda de aprovação e inveja das pessoas à sua volta, mas tentou se mostrar indiferente. Ela não estava interessada em ver ninguém além de Henry, mas, em vez de sentir a mão grande e quente dele em sua cintura, Penelope sentiu um aperto fraco e gelado em seu braço. Ela se virou e viu Elizabeth, que estava usando um vestido de cor pálida mais uma vez e parecendo mais insípida do que nunca. — Penelope - sussurrou Elizabeth, dando seu sorriso recatado. A franja loura dela formava mechas perfeitas em sua testa e no pescoço ela usava apenas uma cruz de ouro simples. — Passei a semana toda querendo lhe fazer uma visita - explicou Elizabeth. - Sinto muito por não termos conversado direito no seu baile, mas tenho estado muito ocupada e...

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— Não se preocupe comigo - disse Penelope pela segunda vez naquela noite, pegando o braço de Elizabeth. Elizabeth pousou a mão sobre a de Penelope e deu-lhe um sorriso afetuoso. Elas atravessaram devagar o cômodo cheio de estátuas fantasmagóricas e enormes samambaias cujas folhas tocavam o chão, permitindo que os outros as admirassem. Conforme se moviam, Penelope observou as sancas do teto e a madeira trabalhada dos lambris com olhos de futura proprietária. — Tenho tido tanta coisa para fazer também que mal percebi. Mas estou realmente feliz de vê-la agora - disse Penelope, olhando para Elizabeth e erguendo uma de suas sobrancelhas pintadas. - Tenho notícias. — Sobre seu namorado - adivinhou Elizabeth animadamente, arregalando os olhos. - Passei a semana toda pensando em você e seu namorado. — Sempre pensando nos outros - disse Penelope, com um pouco mais de cinismo do que pretendia. - Mas antes que eu lhe conte tudo, precisamos brindar a ocasião. Penelope percebeu que Elizabeth teve um sobressalto ao ouvir isso, mas prosseguiu: — Parece que você ficou anos e anos fora. Minha novidade e sua volta certamente merecem um brinde - continuou ela. sentindo-se generosa o suficiente para incluir o retorno da amiga em sua celebração. — Tem razão. Elizabeth fez um gesto sutil para um dos criados dos Schoonmaker e logo as duas estavam segurando taças de boca larga e bordas douradas cheias de champanhe. Elas fizeram o brinde e beberam. Penelope sentiu o líquido borbulhante esquentando-lhe o corpo e uma enorme satisfação, pois sabia que em poucos segundos ia deixar Elizabeth bastante impressionada. A mais velha das irmãs Holland podia ser certinha demais às vezes, mas Penelope sabia que ela também era divertida. E, é claro, seu gosto para amizades era impecável. — Bem - disse Penelope, enlaçando a cintura pequenina de Elizabeth com o braço. Mas antes que pudesse começar a contar sua história, ela notou um homem bonito usando uma roupa esporte branca que não parecia nem um pouco com nenhum rapaz que jamais conhecera. Ele tinha olhos em formato de amêndoa e a pele da cor de café com creme. — Quem é esse? - perguntou Penelope a Elizabeth. — Ah! - exclamou Elizabeth, excitada, inclinando-se para poder cochichar ao ouvido da amiga. - Esse é o príncipe Ranjitsinhji, da Índia. Disseram-me que ele é o capitão de um time de críquete e que está aqui para jogar com os rapazes do Clube Union. — Ele é um príncipe de verdade? — Ninguém sabe com certeza - sussurrou Isabelle Schoonmaker com sua vozinha infantil ao surgir inesperadamente ao lado de Penelope. - O pai dele governava Nawanagar e dizem que ele foi um pouco extravagante no que diz respeito ao matrimônio... Penelope e Elizabeth colocaram as mãos enluvadas sobre a boca e riram, enquanto Isabelle piscava alegremente para elas. Penelope estava prestes a fazer mais perguntas sobre o príncipe quando notou a figura curiosa que era Diana Holland, usando um vestido cor de pêssego debruado de renda belga com mangas

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tufadas. Ela claramente fora obrigada a vestir aquilo, pela mãe ou pela irmã. Diana estava parada num canto, sozinha. Tinha o ar ressentido e parecia ter escapado de um hospício. Penelope se aproximou do ouvido de Elizabeth e disse: — O que sua irmã está fazendo? Elizabeth estremeceu, mas resolveu ignorar o comentário. — Isabelle - disse ela, nervosa -, está tudo tão lindo! Que seleção maravilhosa de convidados. Mas espero que não estejamos ocupando demais seu tempo e fazendo-a ser uma anfitriã descuida. Penelope assentiu gravemente como se aquilo fosse a pior coisa do mundo para ela. — Não, de jeito nenhum... Mas preciso mesmo me comportar melhor e conversar com os outros. Já volto - disse Isabelle, já percorrendo o salão com os olhos. - Obrigada, meus amores, por serem tão compreensivas. Isabelle foi falar com o príncipe indiano e imediatamente soltou uma risadinha estridente. Penelope se virou para Elizabeth e ergueu uma sobrancelha. — E então? Sua irmã está com alguma espécie de problema nervoso? — Não, não, não. Você conhece Diana. Ela gosta de parecer excêntrica. Mas o mais importante... Dessa vez foi Elizabeth quem levou Penelope a atravessar o salão cheio de convidados e ir com ela até a galeria de quadros adjacente, onde havia apenas duas pessoas: um homem e uma mulher mais velhos, completamente absortos por um retrato de Mamie Stuyvesant Fish em seu camarote de teatro. Elizabeth se virou para que elas pudessem se afastar do casal. — Pare de se esquivar e me conte logo a novidade. Esperei semana toda para saber quem é esse namorado misterioso! — Bem, ele é muito alto e muito bonito. — É claro. — É sócio de todos os clubes e vai a todas as festas. — Sim? Elizabeth sorriu para ela e lançou-lhe um olhar inquisidor. As meninas pararam de andar pela galeria e observaram a arcada que a separava do salão de recepção, onde os cerca de trinta convidados estavam se comportando como se houvessem bebido um pouco demais antes do jantar. — Ele vem me observando há algum tempo - disse Penelope, tentando não demonstrar orgulho, em vão. - E na nossa festinha. da semana passada nós dançamos juntos e esta manhã havia uma nota sobre ele num dos jornais. Ah, Elizabeth! Ele foi visto comprando um anel! Uma risada foi ouvida no salão e Penelope viu Henry do outro lado com um drinque dourado na mão e um sorriso sardônico nos lábios. Ele vestia um fraque e nenhum fio de seu cabelo estava fora do lugar. Estava contando uma piada para um grupo de rapazes que eram todos bonitos e ricos, mas não tanto quanto ele. — Sim? - insistiu Elizabeth, excitada. Sem tirar os olhos dele, Penelope anunciou, deliciada: — Henry Schoonmaker. Elizabeth deixou seu braço pender e Penelope se perguntou se ela estaria literalmente morrendo de inveja. Ótimo. Aquele era o objetivo. No salão, alguém bateu uma faca contra um copo de cristal, chamando a atenção dos convidados

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Isabelle. meu filho. tenho uma notícia que gostaria muito de compartilhar com vocês. Decidi me unir aos homens que doaram seus nomes.aspx?cmm=65618057 para um brinde. eu preciso. Penelope olhou para Henry. que estava quase gargalhando de alegria. Através da arcada.com. . Ela percebeu que Elizabeth estava muito tensa e ficou um pouco surpresa ao vê-la tão incapaz de esconder melhor seu lado competitivo. — Fui informado de que o jantar está pronto para ser servido . — Penelope. Era inevitável que fosse acontecer mais cedo ou mais tarde.. Ele me disse: “Papai. olhou para Elizabeth. Henry. Penelope viu que era o pai de Henry quem o fizera. . meu único filho. há tempos eu me dedico a transformar essa cidade num lugar melhor.sussurrou Elizabeth. — Como vocês todos sabem.Mas. Após tantos meses de encontros secretos. Mas o rosto de sua amiga estava imóvel e seus olhos estavam fixos naquele fanfarrão que seria seu futuro sogro. obrigado . — Psiu! Pode deixar que eu conto tudo mais tarde . mas ver seus desejos se realizarem de maneira tão pública era extraordinário.interrompeu Penelope. que está rapidamente se tornando um homem capaz de me substituir há pouco me deu a notícia pela qual todo pai espera. De fato fora rápido . g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê JL . mas ele não a encarou e continuou a olhar fixamente para seu drinque. Mas ela não se importava. — Obrigado. embora um pouco presunçoso da parte do rapaz. transformando essa cidade no mais importante centro desta nação. Penelope decidiu que seria melhor fingir estar escutando atentamente também. . porém não menos jubilosa.. bebendo champanhe e tentando não demonstrar tédio diante daquele discurso. o que era incrível e grandioso. Ela parecia pequena ao lado dele. Decidi me candidatar à prefeitura de Nova York. Penelope deu um bocejo. Mas não estou mais satisfeito com aquilo que posso fazer dentro da esfera privada.http://www. seu tempo e suas vidas inteiras ao povo. com suas saias enormes e vestidos debruados de arminho. Henry confessara seu amor por ela ao pai.. atravessou a pequena multidão de convidados e se postou ao lado do marido. esperando que ela confirmasse que esta e fato não era uma novidade que merecia tanto entusiasmo.Teremos que esperar mais um ano. pegando o braço da amiga mais uma vez e levando-a mais para perto do salão. Penelope observou as convidadas dos Schoonmaker. especialmente agora.disse William Schoonmaker. um paraíso terrestre para as mais importantes figuras de nossa época.disse William Schoonmaker com sua voz potente. de natureza mais pessoal. Penelope deu um enorme sorriso de orgulho e apertou o braço de Elizabeth com mais força. mas eu contarei com o apoie de vocês em 1900. que seu peito estava estufado a ponto de quase arrebentar.quase rápido demais. Todos os convidados deram vivas. antes de entrarmos. Adorava essa autoconfiança espontânea que Henry tinha.br/Main#Community..” O peito de Penelope se encheu de alegria. Ela acabara de fixar os olhos no umbral dourado sob o qual se encontrava quando o pai de Henry começou a falar de algo muito interessante.orkut. Venho fazendo isso com trabalho duro e um espírito empreendedor. Os convidados soltaram um murmúrio e se aproximaram um pouco daquele grande homem. — E tenho outra novidade. estou apaixonado.

aspx?cmm=65618057 — Ele disse. Ele abriu-a e a visão daquele diamante gigantesco brilhando fez o corpo de Penelope ser tomado pela revolta. Ela vomitou no jarro de prata. Seu mundo caíra e ela estava ficando furiosa com uma rapidez impressionante. Os convidados soltaram exclamações de prazer. Elizabeth Holland em casamento. Penelope se deu conta de que o homem lhe parecia familiar porque ele já a atendera inúmeras vezes em suas idas à Tiffany. um jarro de prata e as folhas suaves de uma samambaia. Ela observou com curiosidade mórbida quando o homem tirou a caixinha de veludo do bolso. e ela aceitou”. Penelope ouviu uma comoção e discerniu a voz de Isabelle Schoonmaker. Ela sentiu-se como se houvesse levado uma patada de cavalo na cabeça e tudo em sua mente se embaralhou. E ali estava ele agora. Penelope largou o braço de Elizabeth como se o toque dela pudesse envenená-la e viu sua amiga entrar no salão para receber o cumprimentos de todos. Penelope espiou o salão por detrás do enorme escudo que era a barriga de Isaac e percebeu que não poderia nem lançar um olhar furioso para sua exmelhor amiga.http://www. Ela entrou na galeria e tentou se agarrar em alguma coisa. Não era um grande consolo. mas Penelope não estava conseguindo nem respirar e muito menos dizer qualquer coisa. Sentiu madeira. quero que o senhor seja o primeiro a saber que eu pedi a srta. Todos olharam para onde ela e Elizabeth estavam. “papai. levando a encomenda preciosa para sua dona. O sorriso de Penelope desapareceu de seu rosto e seus lábios vermelhos e carnudos se abriram de espanto. Suas estranhas estavam se revirando e Penelope não pôde mais se controlar.com. mas pelo menos a maioria dos outros convidados estava no salão e não viu nada. Em poucos segundos Isaac estava ali ao lado de Penelope. pois sua vista estava escura. Sua boca estava seca. antes que todos começassem a reparar. Derrubou a planta. Mas eles certamente tinham ouvido. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê KC . Ela se virou para frente de novo no momento em que um homem de bigodinho e com um jeito oficioso que Penelope achou conhecer de algum lugar se aproximou após um segundo.br/Main#Community.orkut. Elizabeth se voltou e lançou um olhar de desculpa para Penelope. sussurrando que ia tirá-la dali antes que o estrago fosse maior. Ela estava dizendo a Elizabeth que Henry estava pronto para levá-la até o salão de jantar e que ela devia ir agora mesmo. A anfitriã já estava tirando-a às pressas do salão onde todos os planos de Penelope haviam caído por terra.

e cuja mao esquerda agora exibia o maior diamante disponível na Tiffany. estava a sra. linda e radiante porém horrivelmente virginal. especialmente se forem ao teatro e. um homem de sobrenome Brennan. Do outro lado da mesa de tampo de ônix. que às vezes ficavam b g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê KD .orkut. e por isso só usava vestidos de musselina negra e se recusava a conversar com os outros. Ele agarrou a cauda do fraque de um garçom que passava e pediu mais um drinque. À sua direita estava Isabelle.com. Ele estava na cabeceira da mesa. A luz de seus olhos. BRECKINRIDGE único consolo de Henry era que as regras de etiqueta eram muito claras ao declarar que noivos jamais deviam sentar lado a lado e. Henry observou a pedra. DE LA. TRECHO DE AS LEIS DO CONVÍVIO NA ALTA SOCIEDADE. fazendo afirmações grandiloquentes com uma voz tão poderosa que podia ser ouvida por metade dos comensais.aspx?cmm=65618057 dâ|Çéx Os noivos sempre encontrarão uma maneira de flertar. como sua irmã fazia. durante jantares formais. O sr. Duas cadeiras mais à esquerda estava Diana Holland. Ele soube disso porque Elizabeth tossiu delicadamente. eles passarão todo o evento rindo e brincando juntos e isso não deve ser suportado. fazendo com que o vestido que fora obrigada a usar e a sala de jantar à sua volta se tornassem ridículos e sufocantes. onde estava Elizabeth Holland.br/Main#Community. Aquela joia não tinha nada a ver com ele. Ela não ficava parada na cadeira como deveria. Ao lado deste .e imediatamente à frente de Henry . Schoonmaker não se dera conta de que Henry só estava se comportando relativamente bem por estar completamente bêbado. Se isso ocorrer.estava Elizabeth. do outro bdo dela. Henry fora colocado entre ela e sua irmã mais nova. Prudie. que se considerava uma intelectual. Mas seu pai parecia estar contente. Não devem ser vistos passeando sozinhos pela cidade. que lhe parecia fascinante justamente por ser inatingível. não devem se sentar um ao lado do outro. mas é muito importante para o bem-estar da sociedade que eles não sejam encoraja-dos a fazê-lo em público. por isso. tão grande que chegava a oprimir o dedo dela. Diana gesticulava largamente e ria alto. Holland e. logo à esquerda do sr. remexendo com o garfo a salada que havia em seu prato.M.http://www. distraído pelos inúmeros bajuladores que o rodeavam. até saber que estava sendo impertinente. Ele olhou uma ou duas vezes para o outro lado da mesa. Schoonmaker. ele não foi forçado a conversar com sua futura esposa durante o jantar de seis pratos que havia sido organizado para celebrar a ocasião.

ela já está sendo muito usada. jamais conseguiria tocá-la novamente.perguntou ela ao jogador de críquete de Punjab. Mas . pela lógica. Diana . No meu casamento. — Dizem que é escandaloso demais para ser reeditado. levantando o copo também.ela era uma prima de Elizabeth ou qualquer coisa assim.aspx?cmm=65618057 repletos de raiva e. Você não a merece. O suposto príncipe balançou a cabeça sem tirar os olhos de Diana. . Parte de Henry desejava que Elizabeth simplesmente evaporasse ou.respondeu Diana com o mesmo brilho nos olhos que Henry vira no domingo passado. e não era feia. rindo. inclinando-se na direção dela com uma intimidade que fez Henry querer dar-lhe uma bofetada. — Estou muito impressionado com o fato de a senhorita ler tantos livros disse o príncipe.orkut. . tentou voltar sua atenção para as uvas vermelhas e insuportavelmente lustrosas que ocupavam o centro da mesa.chamou Isabelle -. — Srta. Ele se lembrou de Diana usando sua cartola e sorriu. de alegria.Cor de malva é lindo. — Bem.Ao meu amigo mais sortudo..com. Virou-se para a direita. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê KE .respondeu Diana. creio que não sou convencional em nada .Beba seu uísque e melhore essa cara. mas é absolutamente genial. ou sei lá onde.http://www. Teddy desviou o olhar da menina que estava sentada do outro lado . irritada. Elizabeth já discutiram as cores que vão usar no casamento? Tenho visto muitos vestidos de madrinha cor de malva.continuou ela mais timidamente.respondeu ele.disse Henry um pouco mais alto.disse Elizabeth. Conseguira beijá-Ia poucos minutos depois de ficar noivo de sua irmã mas. ficado noivo de sua melhor amiga e se sentido atraído pela irmã mais nova desta. Henry revirou os olhos e voltou a se concentrar no drinque. ele decidira que a única coisa sensata a fazer era beber. — Eu detesto cor de malva . debruçou-se sobre Prudie e falou com seu amigo Teddy. Ele achava que tinha razão em se sentir como se estivesse sufocando. Após ter testemunhado a inevitável humilhação de Penelope. O buquê de crisântemos atrás dela pareceu a Henry enfadonho demais para lhe servir de pano de fundo. . pareceu-me que nenhuma das mulheres gostava de ler. melhor ainda. fazia com que as bandejas de ouro sobre a mesa parecessem ser feitas de lata.. que estava sentado a seu lado. não . — Tim-tim . Ele estava tentando com todo seu afinco não pensar em como as pessoas que no momento se encontravam em partes menos elegantes da cidade deviam estar se divertindo. — Nada. Graças a Deus você está aqui para me ajudar a passar por isso. Henry tentou chamar sua atenção.disse Teddy.br/Main#Community. . que ele evaporasse.Quando eu morei na Inglaterra. levantando o copo: — Tim-tim. Por isso. deixe para lá . como se houvesse acabado de notar um pedaço de comida preso ao queixo de alguém . — O senhor já leu O despertar? . — Ah. mas Diana estava se mostrando uma mestra em olhar para todas as direções exceto a dele. como para sublinhar sua desaprovação. e alguns cachos castanhos rolaram por sobre seu pescoço. Henry olhou para frente e viu com alegria que um copo cheio de uísque surgira ali como num passe de mágica. você e a srta. — O que você quer dizer com isso? . outras vezes.

não são? É por isso que minha família nunca precisa comprar flores no florista .. Henry não desviou seus olhos por alguns segundos.http://www. Henry pegou seu drinque e levantou da mesa. Isabelle e Elizabeth estavam falando dos méritos de azul-piscina e cor de lavanda. Mas quando vir sete de suas melhores amigas nesse tom divino. Holland estava olhando alegremente para a aliança de noivado da filha e Prudie estava murmurando alguma coisa para sua taça de vinho. Você quer seu chapéu de volta? — Não.. até que Diana soltou uma leve exclamação. O olhar de Diana passou pelo teto e pelos pratos à sua frente. sem permitir que sua cadeira fizesse qualquer ruído.. — Posso tirar seu prato. Henry observou Diana enquanto ela inspirou profundamente três vezes e se inclinou para enterrar seu nariz numa hortênsia.. Uma menina num vestido cor de pêssego estava se afastando dele. . e ela virou a cabeça. — Claro.. senhor? Henry olhou para cima. Ela se levantou da mesa e saiu rapidamente da sala de jantar. sem pensar no que estava fazendo.disse ele. A sra. Ela virou uma esquina e desapareceu. Henry viu que seu pai ainda estava ocupado com uma discussão sobre o preço do aço.aspx?cmm=65618057 — Ah. Sei muito bem que elas não têm cheiro. querida. Henry ergueu os olhos e encarou Diana. derramando um pouco de seu drinque.br/Main#Community. Ao redor da mesa havia muito movimento . g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê KF . o cheiro de terra do ar. com sua pilha de cachos precariamente penteados. Diana virou o rosto. vendo o prato dourado com metade do salmão com creme desaparecer. Diana virou outra esquina no enorme corredor e Henry seguiu-a. é seu. a menina por quem ele estava ficando cada vez mais interessado parou.orkut. mas Henty não conseguiu resistir e foi atrás no que esperava ser uma boa velocidade.mas Henry não desviou o olhar. Ele fica muito melhor em você do que. assustado. ele se viu diante de uma pequena escada. a profusão de plantas. revelando um ombro nu. e encontrou um do garçons. olhando de novo para a flor e dando de ombros. Ele foi para o corredor e seguiu na direção dos passos distantes que ouviu. Subitamente. assim como ele. Os olhos dela estavam bastante maquiados e eram escuros e muito vívidos.Mas hortênsias não têm cheiro. Ele viu que Diana achava toda aquela conversa de casamento insuportável. mas Henry conseguiu vencê-la e ela finalmente encarou-o. os jovens riam e os velhos pediam mais sopa de tartaruga . Eles estavam na estufa. — Lindas. Uma de suas enormes mangas bufantes havia escorregado.os criados passavam de um lado para o outro nas sombras. Tudo o que quis foi que ela compreendesse que os dois tinham pelo menos aquilo em comum. encostado na porta e tomando um gole de seu uísque.. e subitamente não se importou mais com as festas que estavam acontecendo sem sua presença. claro . A cinco metros de Henry.com. que desceu aos tropeços. tentando não derramar nem uma gota de uísque. — Ah. como se alguém houvess dito algo grosseiro.afirmou Henry.disse ela. eu concordo com você. mas não o corpo. para cima absorvendo a imponência silenciosa daquele lugar: o teto de vidro em abóbada. é você . Um violoncelista tocava uma melodia delicada.

Que gracinha. Preciso ir embora agora. Diana empurrou-o e Henry. acenando educadamente para Elizabeth e sua mãe.br/Main#Community. mas o alívio logo se tranformou em decepção. Diana tropeçou na perna de Henry e tombou para frente. que não estava acostumado a ver mulheres tentando evitá-lo. Antes que ele conseguisse decidir se queria ir atrás de Diana. Sua saia volumosa ondulou ao seu redor.perguntou Henry. g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê KG . como Diana declarara.uma maneira de andar que Henry jamais vira em outra moça de família de Nova York. Após esperar alguns segundos. para não dar margens a rumores.disse ela.interrompeu Diana. . onde a sobremesa já estava sendo servida. aquelas mesmas velhas piadas . que não tinha realmente a intenção de prendê-la ali. — A senhorita gostaria de ser a futura proprietária dessa estufa. — Você só tem uma coisa boa.disse Diana. que só se comporta do jeito que todo mundo espera. divertido. ela desapareceu. ele voltou para a sala de jantar. ele sentiu o calor de seu corpo e algumas das batidas rápidas de seu coração. nem nunca vou sentir. Ela conseguiu se agarrar na parede antes de cair e voltou-se para ele. sorrindo e usando o tom de provocação que lhe era habitual. bloqueou-lhe a passagem. .era horrivelmente entediante. Diana se dirigiu para a porta e Henry. — Tudo bem. — Eu nunca senti ciúmes de minha irmã. com raiva. Henry tomou um gole de uísque. . — Ah. .aspx?cmm=65618057 — Você já disse isso . Diana cerrou os punhos. — Por que a senhorita está com raiva de mim? .http://www.Não sou um brinquedinho qualquer.. faça-me o favor. quase masculinos .orkut. ignorando a última pergunta. mas a emoção só conseguiu deixá-la ainda mais bonita. quando ela passou ao seu lado. um ser desprezível..quis saber Henry.Não queria que eu a seguisse? Então por que saiu correndo daquele jeito? — Saí correndo porque não aguentava mais você me olhando tanto! Os olhos castanhos de Diana se encheram de fúria. sr. mais calma. furiosa.aqueles rostos maquiados entupindo-se de comida. Sinto desprezo por tudo que ela deseja e pelo que consideram ser suas qualidades.perguntou Henry. Mas antes que pudesse completar a frase ou mesmo passar pela porta.com. sem conseguir deixar de rir. Di? . suspirou e riu um pouco de si mesmo por ter se colocado em outra situação ridícula. e não conseguia deixar de pensar que era mesmo. Ela largou a hortênsia e olhou em torno. — Sinto nojo só de escutar isso. Schoonmaker .A sua estufa. A cena que viu . . Henry voltou a se sentar. E sinto desprezo pelo senhor também! Ela atravessou o corredor com passos fortes. aquelas risadas estridentes. Henry sentiu-se aliviado por ninguém ter notado sua ausência. no lugar de sua irmã Elizabeth? . srta. Mas. Ela ficou com raiva mais uma vez ao ver que ele não ia permitir-lhe seguir. Havia apenas um par de olhos brilhantes na mesa e eles estavam evitando os dele mais uma vez. afastou-se sem protestar. Hen.

. também . que estava sentada no batente da janela do quarto de Edith Holland.disse ela. o estilo de sua classe para a união. — Você anda me ajudando tanto nos últimos dias . William S.com. — Sei que é difícil para você . pensava em como seus braços e sua cabeça doíam e em como eram estúpidas suas tarefas braçais.Quero que saiba que eu fico muito agradecida. foi anunciado o noivado do seu filho Henry e da bela Elizabeth Holland. Embora muitos da alta sociedade tenham ficado surpresos com a notícia. 24 DE SETEMBRO DE 1899. podia sentir raiva e não tristeza.disse Claire em sua voz gentil e maternal. Lina encostou a cabeça no ombro da irmã. Assim. mas não queria falar isso para Claire. vamos acabar tendo a vida que merecemos.disse Claire suavemente. se nos comportarmos bem. . como se não fosse nada demais.. DOMINGO. virou-se e olhou inocentemente para a irmã.orkut. que ficava no terceiro andar. Na verdade. — E vamos encontrar um amor. eu a considero ótima: os dois são membros de boa família e certamente trarão a elegância. Schoonmaker na última sexta-feira. que você está fazendo? Lina. Holland e ela queria vê-lo voltar. algo que Lina jamais quisera fazer. Desde o inverno ela não trabalhava tanto quanto naquela semana.br/Main#Community. Claire veio para a janela e enlaçou a cintura de Lina. @b g{x _âåx DM _âåÉ @ TÇÇt ZÉwuxÜáxÇ ZÉwuxÜáxÇ cöz|Çt ê KH . olhando para a irmã.http://www. Isso só a magoaria.E está uma manhã tão bonita que eu acho que me distrai olhando pela janela.disse Lina. Lina escolhera trocar os lençóis naquela hora porque sabia que Will havia saído para fazer algo para sra.Assim como a srta. A data do casamento logo será definida. Liz.. na esperança que isso ainda fosse acontecer. . É muito mais inquieta do que eu. que recebeu do rapaz um anel de valor superior a mil dólares. NOTA DA COLUNA “GAMESOME GALLANT” DO JORNAL NEW YORK IMPERIAL. Ela achava aquilo uma ilusão. mas só fizera isso porque quando estava ocupada não precisava pensar no fato de que Will era apaixonado por Elizabeth. Mas espero que esteja começando a entender que. Em vez disso. estava só trocando os lençóis.aspx?cmm=65618057 Wxéxááx|á Num jantar íntimo oferecido pelo Sr. — O quê? . Lina deu de ombros. — Ah. A idéia de conseguir vislumbrar Will era tão maravilhosa que Lina não se afastou da janela nem após ver Claire.

— Da srta. elas vão ficar destruídas..sussurrou ela. .aspx?cmm=65618057 Ela sentiu uma nova pontada de dor no coração. e olhou para o chão. — Eu. mas a menina . Schoonmaker na