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Programa de Formação de Professores

Ensino Experimental das Ciências

1ª Sessão Plenária – 2º Ano

TEMA: LUZ

25 de Outubro de 2007
Conteúdos
• Breve introdução
• Evolução histórica das ideias sobre luz e visão
• A luz no 1º Ciclo do Ensino Básico
• A luz: o que é? como se propaga?
• Fenómenos decorrentes da propagação da luz
• Aplicações práticas
• Luz e Visão: constituição do olho humano
• Defeitos de visão comuns e sua correcção
• Luz e Cor
Antes de começarmos…

• Exercício:
– Tente desenhar num pedaço de papel, um
esquema capaz de traduzir a forma como
consegue visualizar um objecto (por
exemplo, tente esquematizar como é
capaz de ver uma flor.)
Um pequeno olhar…
pela História!
• Atomistas: emanações (eidolas) desprendidas dos corpos e
que penetravam nos olhos

• Pitagóricos: algo emanado dos olhos - feixe rectílineo (quid)

• Na Idade Média:Ibn-al-Haitiam [Alhazen] (965-1039): Rejeição


dos raios visuais
– “A visão faz-se por raios vindos do objecto para o olho. De
todo o corpo iluminado parte luz em todas as direcções.
Quando o olho é colocado diante de um objecto assim
iluminado, a ele chegará luz sobre a sua superfície exterior.
Ora, já estabelecemos que a luz tem a propriedade de agir
sobre o olho. Devemos, portanto concluir que o olho pode
sentir o objecto visto por intermédio da luz que este lhe
envia”
Afinal..
como vemos um objecto?
O Sol emite luz em todas
as direcções. Alguma
dessa luz incide sobre o
objecto

O objecto
reflecte (total
ou
parcialmente)
a luz que nele
incidiu
Alguma dessa luz reflectida
pelo objecto é captada
pelos olhos do observador
Tendo em conta o caso anterior temos
que distinguir:

Corpos Luminosos
Corpos que têm a
capacidade de produzir
luz própria

Corpos Iluminados

Corpos que não têm a


capacidade de produzir
luz própria, pelo que
apenas reflectem a luz
que neles incide.
Meios Ópticos

Como se comportam os materiais perante a


exposição à luz?

Deixam-se atravessar Deixam-se Não se deixam


completamente pela atravessar atravessar pela
luz parcialmente pela luz
luz
Como se propaga a luz?
Em meios transparentes e
homogéneos a luz propaga-se em
linha recta.

SOL
Algumas actividades sobre
sombras…na Internet

• http://www.bbc.co.uk/schools/scienceclips/ages/7_8/light_shadows.shtml
• http://micro.magnet.fsu.edu/primer/java/scienceopticsu/shadows/
index.html
• http://micro.magnet.fsu.edu/primer/java/scienceopticsu/shadowbox/index.htm
Feixes Luminosos
Feixe – Conjunto de raios!

Divergente Convergente Paralelo


Reflexão da luz

É o fenómeno que ocorre quando


a luz, ao encontrar um obstáculo,
muda de direcção sem, todavia,
mudar de meio de propagação.
LEI DA REFLEXÃO

RI normal
RR

i r O RAIO INCIDENTE,
RAIO REFLECTIDO E A
NORMAL SÃO
COPLANARES

O Ângulo formado entre o raio incidente e a normal é igual ao


ângulo formado entre o raio reflectido e a mesma normal!
A reflexão da luz e os materiais

Material muito liso e Material rugoso


polido
(ex: folha de papel)
(ex: espelho)

Predomina a
reflexão regular Predomina a
(ou especular) reflexão
da luz difusa da luz
Reflexão da luz e
espelhos planos

http://www.physicsclassroom.com/mmedia/optics/ifpm.html
Formação de Imagens em
espelhos planos
Características das
Imagens:
•À mesma distância do
espelho que o objecto
•Do mesmo tamanho que
o objecto
•Direitas
•Simétricas
•Virtuais
ASSOCIAÇÃO DE ESPELHOS

360º
Número de N= −1
imagens α
Espelhos esféricos: côncavos

Distância focal

Centro de curvatura

Foco real
Espelhos esféricos: convexos
Imagens produzidas por espelhos esféricos:
traçando raios
Imagens de espelhos côncavos

http://www.olympusmicro.com/primer/java/mirrors/concavemirrors/index.html
Imagens de espelhos convexos

http://www.olympusmicro.com/primer/java/mirrors/convexmirrors/index.html
Refracção da Luz
É o fenómeno que ocorre quando a luz, ao mudar
de meio de propagação, sofre um desvio

• A velocidade da luz depende


da densidade do meio.
Quanto maior a densidade de
um meio, menor a velocidade
de propagação da luz nesse
meio.
• Assim, a refracção da luz Obs.: A refracção da luz
está relacionada, em última é normalmente
análise, pela mudança de acompanhada pela
velocidade de propagação da
luz aquando da mudança de reflexão!
meio de propagação
EXEMPLO???
Quando a luz passa de um
Raio
meio opticamente menos incidente
denso para um meio Normal
opticamente mais denso, o i
raio refractado aproxima-se I
da perpendicular à
R
superfície que separa os
dois meios r
Raio
refractado

Raio
incidente
Normal
Quando a luz passa de
i
um meio opticamente
I mais denso para um meio
R
opticamente menos
denso, o raio refractado
r Raio afasta-se da
refractado perpendicular à superfície
que separa os dois meios
Exemplo do quotidiano:
Aplicações do fenómeno de refracção da luz: Lentes
Uma lente é um meio óptico transparente limitado
por uma face plana e outra curva ou por duas faces
curvas.
Uma lente convergente,
convergente ou convexa,
convexa faz convergir um feixe de raios
luminosos paralelos ao seu eixo principal, num ponto F, chamado
foco.
foco Este é um foco real, pois os raios convergem para ele sendo
possível, portanto, visualizá-lo num alvo.
Uma lente divergente,
divergente ou côncava,
côncava faz divergir um
feixe de raios luminosos paralelos ao seu eixo principal,
, convergindo o prolongamento dos raios emergentes
para um ponto F’, também chamado foco.
foco Este é também
um foco principal, mas como não é possível obtê-lo num
alvo, é um foco virtual
Que tipo de imagens
formam estas lentes?
Lentes Convergentes (convexas)

Objecto colocado para lá do centro


de curvatura da lente

Imagem real, invertida e menor que


o objecto!
Aplicação prática: Máquinas fotográficas

Aplicação prática: Aparelhos de projecção (retroprojectores, etc.)


Objecto colocado entre o foco e o
centro de curvatura da lente
Imagem real, invertida e maior que
o objecto!
Lentes Convergentes (convexas) [cont.]

Objecto colocado entre o foco e a


lente
Imagem virtual (é visualizada na
lente), direita e maior que o objecto!

Aplicação prática: Microscópio óptico, lupa, etc.

Objecto colocado no foco da


lente
Não é formada qualquer
imagem!

http://www.olympusmicro.com/primer/java/lenses/converginglenses/index.html
Lentes Divergentes (côncavas)

Objecto em qualquer posição,


relativamente à lente

A imagem é sempre virtual,


direita e menor que o
objecto!
Aplicações práticas: associação com lentes convergentes ou
isoladamente, como auxiliares ópticos

http://www.olympusmicro.com/primer/java/lenses/diverginglenses/index.html
Como traçar raios que
atravessam lentes?
Que tem o olho humano a
ver com tudo isto?
Os nossos olhos comportam-se
como máquinas fotográficas...

Como é constituído o
olho humano?

Cristalino

Meio transparente que funciona


como lente convergente, situado
atrás da córnea e cujo papel é
idêntico ao da lente da
objectiva, numa máquina
Membrana que acompanha interiormente todo
o globo ocular. A zona posterior da retina é
percorrida pelo nervo óptico, e nela são
projectadas as imagens dos objectos que
vemos. Estas imagens são depois fixadas pelo
nervo óptico
Retina

Pupila

Abertura circular que se


encontra no centro da íris
e que tem como função o
controlo da entrada da luz
no olho (diafragma de
uma máquina fotográfica)
Os músculos ciliares estão ligados ao cristalino e permitem que
este modifique rapidamente a sua forma, consoante a distância a
que os objectos que fixamos se encontram de nós. Dado que o
cristalino funciona como uma lente cuja missão é a de projectar na
retina a imagem de um objecto, quando a sua forma se modifica há
alteração simultânea da distância focal correspondente. Dizemos
então que o cristalino se acomodou!
acomodou
Para que as imagens dos objectos por nós observados sejam
nítidos é necessário:
2. Que o cristalino consiga a acomodação necessária, em
qualquer situação, de modo a que a imagem seja
projectada na retina;
3. Que a forma do globo ocular seja normal, o que se traduz
por uma distância correcta da retina ao cristalino.

Se o cristalino não alterar a sua forma quando olhamos para objectos a


distâncias diferentes, a imagem será tanto mais desfocada quanto maior
a necessidade de acomodação, o que corresponde a uma maior
aproximação do objecto. Esta situação acontece nas pessoas idosas: os
músculos ciliares tornam-se rígidos e o seu poder de adaptação
diminui. Estas pessoas vêem bem ao longe e mal ao perto – sofrem
de presbitia ou vista cansada
Como corrigir o
problema?
Pessoa sem defeitos de visão:

Pessoa com presbitia:

Para superar esta falta de


convergência do cristalino, esta
pessoa deverá usar óculos com
lentes convergentes!
Correcção da presbitia

A hipermetropia é um defeito de visão que também se corrige com


lentes convergentes.
convergentes As pessoas vêem bem os objectos distantes,
distantes
mas os objectos muito próximos são vistos de forma desfocada.
desfocada
Porém, a causa da hipermetropia é diferente da da presbitia! No olho
hipermétrope, o globo ocular é alongado segundo a vertical. Assim,
a retina situa-se a uma distância do cristalino inferior à que
corresponde à formação de uma imagem nítida.
Outro defeito de visão comum é a miopia:
miopia as pessoas não
conseguem ver nitidamente os objectos que se
encontram afastados. Também neste caso, é a forma do
globo ocular o factor responsável por uma má formação da
imagem dos objectos: no olho míope, a retina encontra-se
mais afastada do cristalino do que é normal, porque o
globo ocular é alongado segundo a horizontal.
horizontal A
imagem dos objectos forma-se antes da retina.
retina O que
fazer para corrigir o problema?
Precisamos de diminuir a convergência
do cristalino...vamos, então, usar lentes
divergentes!
divergentes

Outros defeitos
de visão:
Astigmatismo – uma curvatura irregular da córnea ou uma forma
irregular no cristalino produz uma imagem distorcida na retina. A sua
correcção é feita com uma lente cilíndrica cuja convergência é maior
numa direcção que noutra
Estrabismo – deve-se ao desigual funcionamento dos músculos
ciliares nos dois olhos. Este problema de visão é corrigido
através de cirurgia ou, quando identificado cedo, por exercícios
dos músculos ciliares.

Actividades na Internet:
http://micro.magnet.fsu.edu/primer/java/scienceopticsu/eyeball/index
Evolução científica da Óptica
• Óptica Geométrica
– teoria de raios
– Fermat (1601-1665) e Newton (1642-1727)
• Óptica Ondulatória
– teoria de ondas
– Huygens (1629-1695) e Young (1773-1829)
• Óptica Electromagnética
– equações de Maxwell + teoria da relatividade restrita
– Maxwell (1831-1879) e Einstein (1879-1955)
• Óptica Quântica ou QED (Quantum Electrodynamics)
– mecânica quântica relativista
– Feynman (1918-1988)
Óptica Geométrica

Óptica Electromagnética

Óptica Quântica
Óptica Electromagnética

• A formulação clássica (i.e.,


não quântica) da Óptica
deve-se a
James Clerk Maxwell
(1831-1879)
Óptica Electromagnética
• A formulação clássica
da Óptica ganha uma
interpretação mais
correcta com a teoria
da relatividade de
Albert Einstein
(1879-1955)
Óptica Quântica
• A formulação mais rigorosa da
Óptica deve-se à Electrodinâmica
Quântica fundada (entre outros) por
Richard P. Feynman
(1918-1988)
De volta ao início:
o que é, então a luz?
A luz é uma onda electromagnética transversal, que se
propaga, no vazio, à velocidade c=300000000 m/s
λ

λ
Espectro Electromagnético

O Espectro
O espectro da luz visível é apenas uma
pequena parte do espectro
electromagnético
Cor λ0 (nm) ν(THz )
Vermelho 780 – 622 384 – 482
Laranja 622 – 597 482 – 503
Amarelo 597 – 577 503 – 520
Verde 577 – 492 520 - 610
Azul 492 – 455 610 – 659
Violeta 455 – 390 659 -769
Luz e cor
A sobreposição de todas as radiações coloridas do espectro visível
origina a luz branca.
Cores Primárias  permitem, através delas, a
obtenção de todas as outras cores do espectro
visível da luz branca (Vermelho, Verde e Azul)
Cores Secundárias  resultam da sobreposição,
duas a duas, das cores primárias (Amarelo, Ciano
e Magenta)

Como podemos então obter as diversas “cores”?

Vermelho + Verde = AMARELO


Vermelho + Azul = MAGENTA
Azul + Verde = CIANO
Azul + Verde + Vermelho = BRANCO
As cores formadas pela combinação das básicas
chamam-se complementares ou secundárias

Uma cor é complementar de outra quando se


anulam reciprocamente, ou seja, quando as
juntamos, se neutralizam.

COR COMPLEMENTAR

Vermelho - Ciano (Azul + Verde)


Verde - Magenta (Azul + Vermelho)
Azul - Amarelo (Vermelho + Verde)
Não esquecer...!
PARA QUE UM OBJECTO SEJA VISÍVEL É NECESSÁRIO
QUE SOBRE ELE INCIDA LUZ (SEJA ELA MONOCROMÁTICA
OU POLICROMÁTICA)

Será a cor uma


característica dos objectos?
Se os objectos apresentam cores
diferentes quando sobre eles incide
luz branca é porque na sua
constituição existem substâncias com
a capacidade de absorver
diferencialmente as radiações
coloridas do espectro visível,
reflectindo as restantes,
complementares das absorvidas. É a
sobreposição dessas radiações
coloridas reflectidas que confere a
cor aos objectos.