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Conjuge - meeiro - herdeiro.

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A SITUAÇÃO DO CÔNJUGE/COMPANHEIRO NO CÓDIGO CIVIL MEEIRO OU HERDEIRO?

1. O antigo e o atual código civil quanto à sucessão do cônjuge supérstite: O Código Civil de 2002 trouxe modificações para o direito brasileiro, sendo uma das principais a matéria de direito sucessório, pois, entre as muitas mudanças, expandiu o direito sucessório do cônjuge supérstite. Regras que se aplicam para as sucessões abertas após a entrada em vigor da lei, ou seja, 11 de janeiro de 2003. No Código Civil de 1916, primeiramente, eram chamados à sucessão os descendentes, na sua falta os ascendentes e na seqüência o cônjuge sobrevivente. Logo, estava em terceiro lugar, pois apenas era chamado na falta de descendente e ascendente e desde que não estivesse separado ou divorciado com sentença de trânsito em julgado. A separação de fato não bastava para que o cônjuge fosse excluído da sucessão. Como o cônjuge não era herdeiro necessário podia ser afastado por completo da sucessão pela via testamentária, bastando que não figurasse no testamento. Assim, apenas nos casos de falta dos descentes e ascendentes era que o cônjuge era chamado, logo, na maioria das vezes, não fazia jus à herança, lhe restando apenas as prerrogativas do direito real de habitação na residência única da família e, se casado no regime da comunhão universal de bens, ou se casado sobre outro regime de bens que não a comunhão universal tinha direito de usufruto sobre a metade ou quarta parte da herança, conforme tinha filhos ou não com o autor da herança. O Novo Código incluiu, em seu artigo 1.845 (ver, também, artigo 1.829), o cônjuge dentre os herdeiros necessários (independente do regime de bens adotado), logo, juntamente com o demais, tem direito à legítima, ou seja, aos herdeiros necessários pertence de pleno direito a metade da herança; além disso, o cônjuge reserva algumas outras vantagens sobre os descendentes e ascendentes em certos casos. O Código Civil mantém o direito real de habitação (artigo 1.831), mas em melhores condições, pois o estende para qualquer tipo de regime de bens, e silenciou quanto a sua extinção ou não pelo novo casamento ou constituição da união estável. Desta forma, há o direito real de habitação sobre o único imóvel da família, independente do regime de bens e da manutenção do estado de viuvez. 2. A legitimidade do cônjuge para suceder O artigo 1830, do Código Civil, estabeleceu restrição para que haja a sucessão do cônjuge, pois não haverá a sucessão quando os mesmos estavam separados judicialmente, ou quando separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, de que esta convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente.

concorrendo com ascendentes. Sucessão do cônjuge quando não há descendente e ascendente O Cônjuge sobrevivente. A sucessão do cônjuge Para verificar a sucessão do cônjuge. sendo a outra parte dividida em linha para os ascendentes .837). deixa dois avós maternos. os bens pertencem ao sobrevivo. independente do regime de bens (artigo 1. excluída a meação. A meação. Não há porque se discutir a culpa. 3.Este é controvertido. 3. as quais afastam a culpa das questões relativas ao término da sociedade conjugal. A questão da culpa exige uma dilação probatória de alta indagação. Na comunhão de aquestos. inicialmente. Será a mesma regra se os ascendentes que existirem forem mais distantes. sendo deferida a transmissão causa mortis. a qual será dividida entre os herdeiros. pois não condiz com a doutrina e legislação modernas. O cônjuge ficará com 50% da herança. 3. embora. logo. em conseqüência. cada avô materno ficará com 12. Já se concorrer com outros acedentes de grau mais distante. o que não é possível no bojo do processo de inventário. o direito sucessório. serão divididos pela metade os bens adquiridos na constância do casamento. instituto de direito de família. caberá 1/3 da herança para cada um. inclusive o cônjuge (artigo 1.838). há o patrimônio do falecido. também desaparece a comunidade de esforços e interesses e. A divisão por linha só opera uma única vez. a fim de se atingir a inclusão ou exclusão de um destes como herdeiro. Na comunhão total (estava “parcial”) todo o patrimônio é divido ao meio entre os cônjuges. Além disto. também serão divididos na metade os bens adquiridos na constância do casamento.b. Já a sucessão. herdará qualquer que seja o regime de bens. Sucessão do cônjuge quando há somente ascendentes O Cônjuge. se falecendo.5% e caberá ao avô paterno 25% . refere-se à divisão dos bens comuns e depende do regime de bens adotado. se dá sobre os bens do falecido. pode prever-se que haverá divergência entre o cônjuge sobrevivente separado de fato e companheiro de união estável. que é a herança. ao cônjuge e ao ascendente caberá ½ da herança. Ou seja. Sendo o regime da comunhão parcial. Se concorrer apenas com o pai ou a mãe. pois independente desta houve o rompimento da sociedade conjugal. os institutos da meação e da sucessão. estejam em nome do falecido. há que se diferenciar. sendo que se concorrer com o pai e mãe do falecido. sempre caberá ao cônjuge ½ da herança. eventualmente. Assim. que não tem mais efetividade. um avô paterno e o cônjuge.a. na ausência de ascendentes e descentes herdará a totalidade da herança. Por exemplo.

829). Sendo o regime da separação obrigatória ou regime da comunhão total de bens o cônjuge nada herdará (artigo 1. o . o cônjuge não herda. havendo bens particulares. A problemática esta quando se trata do regime da comunhão parcial de bens. pois se presume desnecessária a herança. 3. Certo é que existindo bens particulares o cônjuge é chamado à sucessão indistintamente pela nova lei. Veja-se. e havendo bens particulares. o cônjuge herdará concorrendo com os herdeiros no patrimônio do falecido e. ao sobrevivente restará apenas a meação. Assim. sendo um dos cônjuges maior de 60 anos ou quando dependa de consentimento judicial para casar. Seguindo entendimento mais coerente com o espírito do Novo Código. Sendo o regime da separação consensual de bens.c. há que se interpretar da seguinte forma: sendo o regime da comunhão parcial. se neste mesmo caso o “de cujus” possuía uma bicicleta anteriormente ao casamento. tendo em vista que. ou seja. sendo que através do exemplo que segue. poderia também recair sobre a meação do falecido (a que é objeto de herança dos descendentes). será facilmente visualizada a questão. frise-se. Em se tratando da separação obrigatória. um apartamento. sendo que o outro apartamento ficará de herança para o filho. um casal adquiriu. detém a metade de todo o patrimônio. um apartamento. caberia ao cônjuge sobrevivente a sua meação. dependendo do regime de bens. No caso da comunhão total de bens. não herda o cônjuge devido à imposição legal decorrente do artigo 1. Sucessão do cônjuge quando há descendentes Havendo descendentes o cônjuge poderá herdar. o cônjuge não herdará quando contrair o casamento com inobservância das causas suspensivas.641 do Código Civil. assim. ou seja. e de herança. Esta interpretação gera uma discrepância.da herança. Para alguns. na constância do casamento. Tendo apenas um filho. O legislador não disse que sua legítima recai apenas sobre os bens particulares. pois havendo igualdade em graus e diversidade em linhas a herança partir-se-á entre as duas linhas pelo meio. dois imóveis de igual valor. neste regime não há meação. na qualidade de meeiro. pelo simples fato de haver o bem particular bicicleta. ½ da bicicleta e ½ do outro apartamento. o cônjuge herdará sobre estes e também sobre os quais já era meeiro. Bastaria um singelo bem particular para que se ocorresse diferença tão grande. falecendo um cônjuge. tendo em vista que há entendimentos divergentes. Porém.

200/6= 200 (parte que caberia se não houvesse filhos comuns) . logo. ½ do apartamento. não haveria solução na lei. ao cônjuge sobrevivente será reservada a quarta parte da herança. No entanto. Como já possuía 50% do apartamento devido à meação. Por exemplo. a solução seria dividir-se a herança igualmente entre todos. Por exemplo. Para Luiz Felipe Brasil Santos. no mesmo exemplo acima. ao se casar. posto que se deve respeitar a quarta parte mínima do cônjuge.cônjuge é chamado a concorrer na herança apenas nos bens particulares. haja vista que deve ser assegurada a igualdade constitucional. O problema da questão é quando há descendentes comuns e descentes apenas do autor da herança. será reservado ¼ para o cônjuge.200. o falecido. ao cônjuge não será reservada parte alguma. conforme reza Silvo de Salvo Venosa. Deixa dois filhos e o cônjuge. ou seja. o que será dividido igualmente entre eles. ficará com 62. Aos filhos será destinado ½ do apartamento e 2/3 da fazenda. o que será divido igualmente entre os mesmos. sendo os descendentes apenas do autor da herança. a divisão ficará da seguinte forma: o cônjuge tem igualmente sua meação. sendo dividida a herança igualmente. Entretanto. 1 filho somente do autor da herança e o cônjuge. se tinham cinco filhos. havendo herdeiros comuns cumulativamente com filhos apenas do autor da herança. a cada um deste caberá 1/7 da herança. Quanto à herança. levando em conta que há de se respeitar a igualdade entre os descendentes e resguardar a cota mínima de ¼ ao cônjuge sobrevivente. Procede-se da seguinte forma: a) Total da herança dividida pelo número total de herdeiros: 1. Os bens serão divididos da seguinte maneira: o cônjuge tem meação sobre o apartamento. sendo que além da meação herdará 1/3 da fazenda (bem particular do falecido).00.5% deste. Assim. Para os filhos ficará ¾ da fazenda e 37. Por exemplo. se ao invés de 2 filhos. Supondo que a herança seja de R$ 1. Ou seja. havendo 6 filhos mais o cônjuge. Ocorre que sendo os descentes comuns. ou seja. digamos que haja o cônjuge supérstite e sejam 5 filhos. Para outros. a situação apresenta solução matemática. esses forem 5. sendo 2 filhos comuns. sendo que não pode haver distinção entre os filhos. já possuía uma fazenda. ao cônjuge caberá a quarta parte da herança e o restante será dividido entre os filhos. 50% do apartamento que foi adquirido na constância do casamento. que é a totalidade da fazenda e 50% do apartamento. sendo inviável estabelecer qualquer diferença de quinhões entre os descendentes. Casou-se pelo regime da comunhão parcial e durante esta adquiriu um apartamento. Por exemplo.5% do apartamento. nos bens em que não for meeiro. a herança seria divida em 4 partes iguais. sendo 4 filhos comuns e 1 exclusivo do falecido.5% do apartamento. ou seja. este ficará com ¼ da fazenda e 12.

o código apresenta retrocesso ao tratar do direito sucessório do companheiro. Desta forma. Além disso. Pertencia. Neste particular. 4. Através da Constituição Federal de 1988. passando a figurar na sucessão legitima. fazendo jus a perceber igualdade de tratamento do casamento.200. apenas em 1994 se reconheceram direitos sucessórios ao companheiro através da Lei nº 8. em que pese a existência de contrato que defina outro regime de bens aos companheiros que não o de comunhão parcial de bens.971/94.(1 x 200)= 1.000 c)resultado anterior / 4 (reserva de ¼) = parte do cônjuge 1. A lei recente fez com que o companheiro viesse a participar da herança. também.00 para o cônjuge sobrevivente e R$ 190 para cada um dos 5 filhos. Referida lei conferiu ao companheiro sobrevivente direito ao usufruto vidual nos bens do de cujus.790 do Código Civil. repetidas as mesmas frações. a fim de que não houvesse enriquecimento de uma das partes em relação à outra. 1. ocupando a terceira classe de ordem hereditária. assim como estava o cônjuge no código de 1916. pois contrário à ordem constitucional que repudia qualquer discriminação no âmbito da família. isso pela ausência de previsão pelo legislador.b) Total da herança menos o nº filhos exclusivos autor da herança x parte que caberia se todos os filhos fossem apenas do autor da herança: 1. nos moldes do que era conferido ao cônjuge. no entanto. o resultado da divisão da herança é R$ 250. vez que o cônjuge apenas herdará sobre os bens adquiridos na constância da União Estável. se preservou a igualdade entre os filhos e a quarta parte do cônjuge supérstite.000-250 = 950 / 5 = 190→ para cada filho Assim. A união estável podia gerar efeitos patrimoniais. mas não a titulo de herança e sim a de dissolução de condomínio. que estatui a possibilidade de realização de contrato escrito entre os companheiros. tal situação não tem reflexos no direito sucessório. ao companheiro a totalidade da herança inexistindo descendentes ou ascendentes sucessíveis. Breve esclarecimento sobre a situação do companheiro frente à igualdade constitucional da união estável e o casamento A existência da União Estável não transformava o companheiro ou companheira em herdeiros no sistema de 1916. No entanto.725 do Código Civil. quando concorria com descentes e ascendentes. Um ponto a ser enfrentado é a questão relativa ao artigo 1. d) Total da herança – parte que cabe ao cônjuge= parte da herança que será dividida por cabeça entre os filhos. não há espaço para interpretação diversa da de que existe meação em favor do companheiro sobrevivo no caso de . a união estável foi elevada a condição de entidade familiar.000/4 = 250→ parte que cabe ao cônjuge. apesar da má redação dada do artigo 1.

. o convivente apenas terá direito a 1/3 da herança. como refere Silvio de Salvo Venosa. “no sistema implantado pelo artigo 1. caso contrário estar-se-ia ferindo a intenção da lei. De outra parte.”.. (. Assim como na dissolução da sociedade de fato (união estável). o companheiro vivo faz jus à meação e também ao quinhão hereditário.790 do novel Código. com o vulgarmente denominado tio-avô ou com o primo irmão de se companheiro falecido. por exemplo. havendo laterais sucessíveis. ..morte do outro. por força do inciso III..) Isso quer dizer que concorrerá na herança.

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