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CIÊNCIA POLÍTICA

1- OBJETO DE ESTUDO
Ciência é o conhecimento certo do necessário por suas coisas, os princípios e as
causas (Aristóteles). É preciso um método para chegar ao objeto universalizante.
Política é a arte de governar o Estado e realizar o bem comum. É o conjunto de
processos, métodos, expedientes e modos para conseguir conquistar e exercer o poder
(Maquiavel). Rês publica = coisa publica. O poder não pertence ao governo é exercido
por este com anuência do povo. O poder emana do povo.
O Direito pode ser natural (emana da própria natureza, é invariável no tempo e no
espaço), positivo (é escrito, consubstanciado em leis, decretos e regulamentos, variando
no tempo e no espaço), público (cuida das coisas do Estado) e privado (cuida das inter-
relações de civis).
A ciência política tem como objeto de estudo o Estado abstrata e historicamente. O
seu objeto material de estudo é a população e o território e o objeto formal é o Poder
Político, a ordem e o Direito.
O Estado nada mais é do que o resultado de uma longa evolução no modo de
organização do poder. Além de ser a mais complexa das organizações criadas pelo
homem, ele é simultaneamente um fato social e um fenômeno normativo.
O Estado tem a função de elaborar as leis e aplicá-las em seu território, além de
exercer as atividades normativas ele exerce uma serie de outras funções de aspecto
sociológico.
2- HISTÓRIA DA CIÊNCIA POLÍTICA
Aristóteles é considerado o fundador da Ciência Política, pois foi ele quem primeiro
se preocupou com a concepção de Estado, elaborando uma classificação de todas as
formas de governo da época. Escreveu a grande obra denominada “A Política”.
Platão em sua obra “A República” faz a concepção de como o Estado deveria ser (o
Estado ideal) e não realmente como ele era no mundo real. Para Platão a política era a
primeira das ciências.
Na Idade Média o Estado se encontrava extremamente ligado com a Igreja,
chegando mesmo às vezes a se confundir com ela. São Tomas de Aquino e sua obra
“Suma Teológica” e Santo Agostinho e sua obra “A cidade de Deus” trataram da
delicada relação entre o poder espiritual (Igreja) e o poder social (Estado). Eles
procuraram justificar a existência do Estado a partir de considerações teológicas.
Na Idade Moderna temos como os principais pensadores Maquiavel com o seu livro
“O Príncipe” que alterou a relação entre poder espiritual e poder social, desvinculando
um do outro, pois ele colocou o Estado como senhor supremo do individuo, a idéia
central de seu livro fala a cerca das condições necessárias para a conquista do poder e
principalmente para sua permanência nele.
Montesquieu em sua obra “O Espírito das Leis” se ateve ao estudo das formas de
governo e não do Estado em si mesmo, concebendo a tríplice divisão dos poderes:
Executivo, Legislativo e Judiciário.
3- ORIGEM DA SOCIEDADE
Existem duas correntes filosóficas que procuram explicar a origem da sociedade:
A ORGANICISTA: liderada por Aristóteles, que é o precursor e tem como tese central
que o homem é um ser eminentemente social, ele não pode viver fora da sociedade, é um
“animal” político. Ele tem absoluta necessidade de agrupar-se, de unir-se aos seus
semelhantes, não só para lograr atender aos fins que busca e deseja, mas também para
satisfazer suas necessidades materiais e culturais.
A MECANICISTA: liderada por Hobbes, Locke e Rousseau, teoria mais moderna que
concebe como sendo possível a existência do Homem fora da sociedade. Primeiro existiu o
homem em “estado de natureza”, e depois na “sociedade”, pois não lhe era possível
continuar permanentemente no primeiro estado. O estado natural constituiria uma época de
completa anarquia e violência. Baseado nisso, os homens tinham necessidade de criar uma
sociedade, através do pacto ou do contrato social.
4- CONCEITO DE SOCIEDADE
No sentido lato sensu: consiste no mundo total dos seres humanos que não podem
existir independentemente uns dos outros, e que suas interações sociais produzem
elementos culturais.
No sentido stricto sensu: é uma coletividade de pessoas (indivíduos) reunidos e
organizados para alcançar um fim comum, é necessário organização, idéia de permanência
e objetivo comum.
5- ELEMENTOS FORMADORES (básicos)
Materiais (base física): o homem, as pessoas, os membros, o povo, a população, o
elemento vivo da sociedade.
Formais (o poder): a organização, o direito, a ordem, o comando, a normatividade, o
mais importante.
Finais (vários): o bem comum, a finalidade, os fins, os objetivos comuns, o interesse
publico, o coletivo.
6- CLASSIFICAÇÃO (TIPOS DE SOCIEDADE)
Família: a mais difundida e é considerada a célula mãe da sociedade, ela da a socialização
do homem pelo aprendizado dos seus valores e das suas regras fundamentais.
Religiosa: presente em todo o ser é na religião que o homem encontra seu aperfeiçoamento
e desenvolvimento espiritual.
Política: é a mais importante de todas, ela zela pelos interesses emergidos do conjunto das
diversas sociedades, buscando sempre o bem comum e disciplina o seu mútuo
relacionamento.
7- CARACTERÍSTICAS DAS SOCIEDADES POLÍTICAS (O ESTADO)
Mutabilidade de fins: os fins das sociedades políticas são evolutivos a medida em que
mudam de acordo com as circunstancias e necessidades de seus integrantes, sem, contudo
perderem a continuidade.
Normatividade: nada na sociedade pode ser feito sem o direito, tudo implica em uma
conduta a ser seguida. A constituição é a lei maior do Estado, ela é o conjunto de direitos e
deveres do cidadão e o Estado está organizado a partir dela. A constituição é o pacto entre
os homens, o acordo. O poder político se exerce em função da lei. A lei é a manifestação
da vontade geral para vincular as pessoas.
Supremacia: o poder político se caracteriza pelo fato de estar voltado para o atingimento
dos fins últimos de toda à sociedade, o que acaba fazendo com que ele procure uma
ascendência e uma supremacia sobre todos os demais poderes.
Envolvente: o Estado envolve toda a sociedade e tudo o que está inserido nela, tutelando
assim todos os direitos individuais e controlando ela em sua plenitude.
Autoridade com “força” e “poder”
Produto da razão humana: O Estado é fruto da inteligência humana, nasceu da necessidade
que as diversas sociedades existentes estavam de requerer uma organização mais ampla,
que disciplinasse o seu mútuo relacionamento, assim como passasse a zelar pelos interesses
emergidos do conjunto das diversas sociedade. A tais interesses se deu o nome de “bem-
comum”.
Observações: as sociedades circunstanciais, embora possuam suas peculiaridades próprias,
só existem se o Estado permitir. Vale observar que nem toda a sociedade é Estado, porque
este só se constitui quando aquela (sociedade) possui condições peculiares, isto é, quando o
agrupamento possuir maturidade que se forma com governo próprio frente a outros
agrupamentos. Porém todo o Estado é uma sociedade política.
O Estado existe para atender ao bem comum (saúde, lazer, emprego etc), o interesse
publico e ocupa três posições: sociológica (o poder emana do povo), jurídica (normas) e
política (promove o interesse publico). O poder político só pode ser exercido juridicamente
dentro da constituição.
8 – CONCEITO DE ESTADO
O Estado (a palavra é originada do latim “status” que quer dizer posição, ordem) é uma
sociedade política e juridicamente organizada para atender ao bem comum. Sua
organização é determinada por normas de Direito Positivo e hierarquizada na forma de
governo e governados e tem uma finalidade própria que é o bem comum (interesse
público).
9- ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO
Os elementos essenciais que determinam a existência do Estado são:
1º - Materiais: a população (o povo) e o território.
2º - Formais: a ordem jurídica – o poder político (o governo)
3º - Finais: o bem (interesse) público
O Estado é constituído por:
1º população: é o elemento vivo do Estado, que o dinamiza e movimenta. É composta pelos
habitantes em geral, assim considerados e submetidos à jurisdição. É um conceito
demográfico e numérico, pode se dizer de qualquer aglomerado de homens simples e
naturalmente sem esse elemento material, ou seja, substancia humana, não há que se falar,
ou melhor, cogitar da formação ou existência do Estado.
2º território
3º governo (poder político): É o órgão diretor, o aparelho de mando e coação exercida pelo
Estado, sendo a autoridade que revela a soberania nacional. Governo é a organização
necessária para o exercício do poder, a força que conduz a coletividade para o cumprimento
das normas que cria, estabelece e exige, como condição de vida de um povo. Podemos
destacar três termos que se ligam ao governo: autoridade (é a força obrigatória de um ato
emanado de alguém investido no cargo e/ou na função correspondente), força (é o poder da
lei, isto é, o caráter da norma obrigatória para todos) e competência (é a soma dos poderes
que as leis outorgam às autoridades administrativas para que possam administrar e gerir os
negócios públicos).
Legitimidade: é o consentimento popular, para o governo exercer o poder político, isso
ocorre nos regimes democráticos, ocorre a posteriore (depois) – Legalidade: o poder com
maior autoridade e com força do Direito, é o poder em toda a sua plenitude, apto a dar
soluções para os grandes problemas sociais, ocorre a priori (antes)
Tipos de governo: Governo de fato (é implantado e mantido pela fraude e pela “força das
armas”, não é legal e nem legitimo, mas depois pode adquirir legitimidade) Governo de
direito (é instalado segundo as regras preestabelecidas pela C.F.) Governo legal
(desenvolve-se em conformidade com as normas vigentes do Direito Positivo) Governo
legitimo (com consentimento popular) Governo ilegítimo (sem consentimento popular)
Governo despótico ou tirânico (exerce o poder político pelo arbítrio, não leva em conta os
anseios dos seus governados)
A finalidade do Estado é a promoção do bem comum, quem se encarrega disso é o governo.
É ele quem comanda os governados, não existe sociedade igualitária, há uma relação de
mando e subordinação. Todo poder emana do povo e ele é transmitido para um governo que
precisa de três órgãos de poder: legislativo, executivo e judiciário que se relacionem e
sejam independentes e harmônicos. O poder judiciário é o guardião do Estado, cabe a ele
decidir os problemas entre o executivo e o legislativo. Governo é um conjunto de órgãos
que exerce o poder político. Os três termos essências para o governo do povo é o poder, a
autoridade (consentimento popular, conformidade da lei) e competência (conjunto de
atribuições para exercer a atividade administrativa).
10- REGIMES POLÍTICOS
Enquanto o regime político se assenta fundamentalmente no exercício do poder, o sistema
de governo se atém, de modo geral, ao mecanismo de funcionamento do governo.
Regime político é a forma que toma um grupo social, dada a distinção geral entre
governantes e governados. Podendo ser dividido em:
Democráticos: é a complexidade de atos na verificação do processo necessário à
manifestação da vontade popular, pode haver uma democracia liberal que é a transição para
a democracia social e uma democracia participativa. O governo democrático é eleito e
representativo e, portanto, sob o definitivo controle do eleitorado, bem como responsável
perante ele.
Autocráticos: è o governo pelo qual pode ser visto a autoridade suprema de um individuo,
ou um grupo de pessoas sem qualquer responsabilidade política com o povo sob seu
controle, sujeitando o cidadão a uma total obediência, e não permitindo qualquer
contestação. São eles: autoritário (supremacia de uma ou mais pessoas sem nenhuma
responsabilidade política perante o seu povo) totalitário (corresponde mais ao domínio da
ordem socioeconômica e moral da dinâmica do Estado) ditadura (governo de uma pessoa
ou de um grupo de pessoas que arrogam o poder e o monopolizam, exercendo-o sem
restrições) tirania (governo que não respeita os princípios constitucionais e portanto
também não respeita os direitos individuais) e despotismo (termo que designa a monarquia
ilimitada que se implementou na Europa no contexto da formação do Estado moderno)
11- RELAÇÕES EXISTENTES ENTRE O ESTADO E O DIREITO
O Estado é uma organização política destinada a manter pela aplicação do Direito as
condições universais de ordem social (é o Estado que aplica o Direito), e que mantém as
condições de ordem social, através do Direito.
Teorias:
Monística: defendida por Hans Kelsen cuja a tese é que o Estado e o Direito confundem-se
numa só realidade, só existe o Direito estatal (não admite qualquer regra jurídica fora do
Estado). O Estado é a única fonte do Direito (quem da vida ao Direito é o Estado através da
força coercitiva; e tem força obrigatória ou impõe obediência, que só ele dispõe). Por
ultimo, como só existe o Direito emanado do Estado, ambos se confundem em uma só
realidade.
Dualística: defendida por Leon Duguit que consideram serem o Estado e o Direito duas
realidades distintas, independentes e inconfundíveis. O Estado não é a única fonte do
Direito, não se confundem (o que provem do Estado é categoria especial do Direito),
podem existir outros tipos de direito (canônico, costumeiro). O Direito é uma criação social
e não estatal. O Direito é um fato social em continua transformação. A função do Estado é
positivar o Direito (traduzir em normas escritas os princípios que se afirmam na
consciência social).
Paralelística: defendida por Giorgio Del Vecchio, procura solucionar a antítese entre o
monismo e o paralelismo, adotando uma concepção racional da graduação da positividade
jurídica, tentando conciliar as duas correntes. Em resumo afirma que o Estado e o Direito
são duas realidades distintas, que se completam na sua interdependência.
12- FINS DO ESTADO (FINALIDADE)
O Estado é um meio para o homem realizar a sua felicidade social, é um sistema para
conseguir a paz e a prosperidade, é um instrumento a serviço do homem. A competência do
Estado, que consiste na atividade que diz respeito aos assuntos e as pessoas sobre as quais
ele exerce o seu poder político, é variável no tempo e no espaço ao passo que a sua
finalidade precípua que é o bem publico (o bem comum), é sempre a mesma.
Bem público é o complexo de condições indispensáveis para que todos os membros do
Estado, nos limites do possível, atinjam livremente e espontaneamente sua felicidade na
terra. Ao Estado cabe satisfazer a necessidade de segurança, protegendo os direitos dos
associados, e satisfazer a necessidade de progresso, auxiliando os cidadãos a se
aperfeiçoarem, Daí a sua dupla função de proteção (é a função de justiça de que é o
guardião) e assistência (é a função de utilidade publica, sua missão civilizadora).
Para conseguir atingir tal objetivo, o de assegurar a ordem e promover o progresso (o bem
comum), o Estado utiliza-se da sua competência, conforme vimos neste capitulo.
O Estado moderno é o Estado do bem estar social que se contrapõe ao Estado antigo que
era absolutista e não visava o bem do povo.
13- SOBERANIA
Compreensão: O poder deve ser exercido por quem tem competência (poder condicionado).
O poder constituinte é incondicionado, a soberania também é incondicionada. Só o Estado
pode punir, só ele tem o “ius pariendi” que é o direito de punir. O Estado possui a
característica fundamental que é a mutabilidade de fins. O Estado brasileiro tem a União
que é uma pessoa jurídica de Direito Publico que tem a soberania (não tem poder fora do
âmbito do Estado). Os estados, distrito federal e municípios só têm autonomia, mão tem
soberania para nada, já que a União possui o poder maior, que é a soberania.
Conceito: É o poder supremo do Estado, ou a qualidade máxima do poder político, que se
sobrepõe, ou está acima de qualquer outro poder, não admitindo limitações, exceto quando
dispostas voluntariamente por ele, em firmando tratados internacionais, ou dispondo regras
e princípios de ordem constitucional. É a autoridade superior que sintetiza, politicamente, e
segundo os preceitos de direito, a energia coativa do agregado nacional. A esse poder
supremo do Estado (governo) que é mais alto em relação aos indivíduos e independentes
em relação aos demais Estados, denomina-se soberania.
Titularidade: a titularidade do exercente é ser titular do poder, o povo consente em uma
figura governamental o poder.
Exercente: o povo é o titular da soberania e decide seus representantes eleitos (governo)
que exercem a soberania.
Características: a soberania é una (só tem um poder, portanto uma soberania) indivisível
(não pode ser dividida) inalienável (não pode ser transferida por vontade própria já que ele
há exerce e não é dele a soberania, é do povo) imprescritível (impossibilidade de se exaurir
por um determinado tempo, a soberania é para ser perpetua, o Estado não perece).
A soberania se limita ao poder interno e aos direitos humanos, deve tutelar a vida do
homem, a soberania não é ilimitada. Todas as formas de sociedade são organizadas
hierarquicamente e obedecem ao seu direito social próprio, que são normas distintas a
manter a coesão e assegurar o desenvolvimento do grupo.
14- ORIGEM DO PODER
O poder resulta da própria natureza da sociedade e, portanto, da natureza humana, pois o
homem é um ser naturalmente social. Com o aparecimento do Estado vai surgir o poder
político, que, emanando da sociedade condicionante, supera os demais poderes sociais. As
outras formas de organização social tendem a interesses próprios, o Estado procura a
integração de todos os interesses na busca do bem comum. O poder pode ser condicionado
(quando se realiza sob limitações) e incondicionado (quando é o poder supremo da
sociedade, o mais alto, o que não sofre restrições, o que é a síntese de todos os poderes. No
caso do Estado moderno, o poder incondicionado é a soberania). O poder dominante (ius
imperi) é o poder de império que só se faz presente dentro do Estado. O poder não
dominante é aquele presente em sociedades não políticas. O poder legítimo é aquele que
está de acordo com a vontade do povo, em caso contrario é ilegítimo. Um governo é legal
quando tomou regularmente o poder. Um governo legítimo é aquele que, tendo tomado o
poder regularmente ou irregularmente, responde aos princípios aceitos nesse momento
como base da legitimidade.
15- 3º ELEMENTO CONSTITUTIVO DO ESTADO: GOVERNO (PODER
POLÍTICO)
É o órgão diretor, o aparelho de mando e coação exercida pelo Estado, sendo a autoridade
que revela a soberania nacional. Governo é a organização necessária para o exercício do
poder, a força que conduz a coletividade para o cumprimento das normas que cria,
estabelece e exige, como condição de vida de um povo. Podemos destacar três termos que
se ligam ao governo: autoridade (é a força obrigatória de um ato emanado de alguém
investido no cargo e/ou na função correspondente), força (é o poder da lei, isto é, o caráter
da norma obrigatória para todos) e competência (é a soma dos poderes que as leis outorgam
às autoridades administrativas para que possam administrar e gerir os negócios públicos).
Legitimidade: é o consentimento popular, para o governo exercer o poder político, isso
ocorre nos regimes democráticos, ocorre a posteriore (depois) – Legalidade: o poder com
maior autoridade e com força do Direito, é o poder em toda a sua plenitude, apto a dar
soluções para os grandes problemas sociais, ocorre a priori (antes)
Tipos de governo: Governo de fato (é implantado e mantido pela fraude e pela “força das
armas”, não é legal e nem legitimo, mas depois pode adquirir legitimidade) Governo de
direito (é instalado segundo as regras preestabelecidas pela C.F.) Governo legal
(desenvolve-se em conformidade com as normas vigentes do Direito Positivo) Governo
legitimo (com consentimento popular) Governo ilegítimo (sem consentimento popular)
Governo despótico ou tirânico (exerce o poder político pelo arbítrio, não leva em conta os
anseios dos seus governados)
A finalidade do Estado é a promoção do bem comum, quem se encarrega disso é o governo.
É ele quem comanda os governados, não existe sociedade igualitária, há uma relação de
mando e subordinação. Todo poder emana do povo e ele é transmitido para um governo que
precisa de três órgãos de poder: legislativo, executivo e judiciário que se relacionem e
sejam independentes e harmônicos. O poder judiciário é o guardião do Estado, cabe a ele
decidir os problemas entre o executivo e o legislativo. Governo é um conjunto de órgãos
que exerce o poder político. Os três termos essências para o governo do povo é o poder, a
autoridade (consentimento popular, conformidade da lei) e competência (conjunto de
atribuições para exercer a atividade administrativa).
16- PARTIDOS POLÍTICOS
Conceito: é uma associação de pessoas que, tendo a mesma concepção ideológica sobre a
forma ideal da sociedade e do Estado, se congrega para a conquista do poder político, a fim
de realizar um determinado programa de governo. O partido político é uma pessoa jurídica
de direito privado, já que as pessoas jurídicas de direito publico são criadas por lei e o
partido não tem a sua criação dada por uma lei e sim pela vontade se seus correligionários,
assim seu caráter de direito privado é adquirido quando seus estatutos são levados à registro
público no cartório eleitoral. Não podemos conceber um sistema democrático sem a
pluralidade de partidos políticos (pluripartidarismo), eles são peças necessárias do
travejamento político e jurídico do Estado democrático. Os partidos políticos desempenham
funções importantíssimas no campo da formação da opinião publica, na seleção de
candidatos, no papel de critica ao governo estabelecido ou na defesa de posições
governamentais, na formação de lideranças, assumindo, ao final, um papel de conduto de
comunicação entre governo e povo, nos dois sentidos de direção. Com estas múltiplas
funções os partidos assumem a feição de peças estruturais e institucionais do Estado.
Natureza jurídica: cabe ao estado moderno reconhecer os partidos políticos como
corporações políticos sociais necessárias e dar-lhes normas para que respondam
eficazmente a função que tendem a cumprir. A C.F brasileira, em seu art. 17 traça os
princípios constitucionais das organizações partidárias. Ela consagra definitivamente: o
sistema democrático, o pluripartidarismo, assegurando a liberdade de criação, fusão,
incorporação e extinção de partidos políticos. Os limites dessa liberdade situam-se no
resguardo da soberania nacional, do regime democrático, do pluripartidarismo e dos
direitos fundamentais da pessoa humana.
Sistema de controle dos partidos: quantitativo, qualitativo e financeiro.
Classificação (tomado por base a ordem econômico-social): os partidos políticos podem ser
classificados em centristas, esquerdistas, direitistas e conservadores.
Sistema de partidos: os partidos políticos são elementos essenciais das instituições políticas,
há uma correlação muito grande entre o sistema de partidos e o regime político. As
democracias liberais, via de regra, possuem sistemas pluralistas de partidos políticos,
enquanto os regimes autoritários seguem sistemas de partidos únicos. Bipartidarismo:
consagram dois partidos que, por vezes, tem forças mais ou menos aproximadas, que se
revezam no poder. Multipartidarismo: nesse sistema, não necessariamente, mas quase
sempre, o partido vitorioso nas eleições não detém a maioria do parlamento. Abre-se então
um complexo sistema de negociações tendentes a aglutinar dois ou mais partidos que
venham a possibilitar o exercício do governo.
17- O PENSAMENTO POLÍTICO MODERNO: O LIBERALISMO, A SUA
DECADÊNCIA E A ENCÍCLICA “RERUM NOVARUM”
Estado absolutista antigo: todo o poder está concentrado nas mãos do rei, assim não havia
liberdade, pois ele arbitrariamente fazia o que bem entendia, legislando inclusive em
beneficio próprio, em detrimento aos interesses da população. Estado liberal constitucional:
Toda a preocupação do Estado Liberal é a preservação da liberdade do homem, porém
como essa liberdade não pode ser ilimitada, pois isso significaria a anarquia, a lei é o meio
de conciliar a autonomia individual com a disciplina exigida pela sociedade. O poder é
tirado do monarca e transferido para a Nação, originando-se a soberania nacional. O Estado
liberal constitucional: é o que vai procurar atingir a liberdade (não ser obrigado a fazer
nada, a não ser pela lei, fazer tudo que não prejudique a outrem), no sentido de não-
constrangimento pessoal, com soberania nacional através de um sistema representativo,
submetido a um regime constitucional (limitação do poder do monarca absolutista) e a
igualdade jurídica sem a distinção de qualquer natureza. Ele se resume em dois aspectos
essenciais: a limitação jurídica do arbítrio do poder público (o Estado está limitado pela lei
e assim não fica sujeito aos arbítrios dos governantes) e a estabilidade jurídica das garantias
fundamentais (o homem é livre, pois se submete à vontade da lei, que é à vontade de cada
cidadão, como o poder é entregue a diversas pessoas não há o perigo de se estabelecer a
vontade de um só). A grande critica a esse Estado é que na pratica, ele estava muito longe
de atender a realidade de todos os anseios liberais democráticos, empolgados pelas novas
idéias liberalistas, perderam de vista a realidade social, os excessivos e imensos desajustes
sociais e econômicos, as classes mais baixas não eram livres, estavam materialmente
escravizadas, o Estado não se preocupava com o bem do povo, deixava de lado o aspecto
social. Enquanto tudo isso acontecia, o Estado assistia a tudo de braços cruzados, se
limitando a policiar a ordem jurídica, deixando assim que o mais forte esmague o mais
fraco. Vendo o absurdo que a sociedade se encontrava, o Estado se viu forçado a tomar
novos rumos e encarar o problema social, já que as multidões começaram a reagir contra o
Estado, levando-o a um dilema de reformar-se ou perecer, ele corria o risco de sumir, de
desaparecer, o que daria lugar a Estados totalitários (esse tipo de Estado oferece o lado
social ao povo, cuida do povo e do seu bem estar social, mas quer controlar a vida das
pessoas em todos os sentidos, tudo era dirigido pelo Estado, deixando de lado a liberdade e
a igualdade das pessoas, nada poderia ir em detrimento aos interesses estatais, como
ocorreu com a Alemanha nazista e a Itália fascista). Nesta gravíssima situação, para não
deixar o estado liberal perecer, surge uma manifestação formal, clara e positiva da Igreja
Católica Romana, através da Encíclica “Rerum Novarum”, editada pelo papa Leão XIII,
que tentava salvar o estado liberal, mostrando aquilo que o estado deveria fazer para
atender o bem estar do povo, assim ele refutou o materialismo da época, colocando e
pessoas humana em maior grau de importância, analisou as causas determinantes da ruína
do Estado Liberal e apontou com segurança os rumos pelos quais se salvaria o Estado
Democrático e propôs as medidas necessárias ao restabelecimento do equilíbrio social, tais
como: fixação de um salário mínimo, limitação da jornada de trabalho, regulamentação do
trabalho da mulher e do menor, amparo a gestação e a maternidade, a velhice , direito de
férias, indenização por acidentes, assistência a doenças e organização da previdência social.
Assim nasce o Estado liberal-social, que é o Estado atual, um Estado democrático de
direito. As conseqüências dessa encíclica é que as novas constituições democráticas
passaram a inserir em seus textos os novos direitos sociais, tais como: trabalho, saúde,
educação, previdência etc., além de dar elementos para a C.F. brasileira, da também
elementos para a base do direito do trabalho e previdenciário.
18- ORIGEM E JUSTIFICAÇÃO DO ESTADO
O jusnaturalismo, marca a desvinculação dos valores humanos dos dogmas religiosos,
afirma que o Direito não se funda nos mandamentos divinos, não é problema Teológico,
porém se fundamenta nas próprias exigências da natureza humana. Afirma a existência de
um Direito Natural anterior ou como pressuposto do Direito Positivo. Podemos dizer que o
jusnaturalismo moderno constitui um dos aspectos das filosofias que procuram explicar o
Direito como uma realidade que não se esgota na pura norma, na expressão formal do
direito, mas que possui essência metajurídica. A noção do Direito Natural, no mundo
moderno, parte de uma cisão com a fé que fundou a unidade do pensamento medieval. O
que marca o jusnaturalismo, que está ligado a doutrina do contrato social, o contratualismo,
é que ele defende um direito humano em contraposição a um direito dogmático ou divino.
Alem disso, é uma doutrina que supõe o homem num estado de natureza, anterior ao estado
social. O Contratualismo é a doutrina do contrato social, esboçada na antiguidade,
fortalecida na idade media, representa a mais importante justificação do Estado Moderno.
Ela (doutrina) não pode ser apreciada como um todo, pois cada autor postula o contrato
social sob um aspecto particular. Essa doutrina ensina que o Estado tem origem através de
um acordo (pacto) entre os homens, justificando-se o seu poder com base no mútuo
consentimento se seus integrantes. Foi a inteligência humana, em reciprocidade
concordante, que contratou, convencionou, pactuou a sociedade política num determinado
local e num certo instante sócio-historico. No caso de sua razão e com sua inteligência, os
homens cogitaram e chegaram a acertar, entre si, a convivência social sob a feição jurídica-
política. Hobbes (o homem é o lobo do homem e eles se juntam em busca de proteção),
Locke (se juntam para proteger-se, defender-se, garantir a sua propriedade, o desejo de paz
e pela atração natural entre sexos opostos) e Rousseau (a sociedade surge da vontade
humana e tem como intuito defender os bens e a pessoa de cada integrante) são os
fundamentais contratualistas no mundo moderno, se preocuparam com o surgimento do
Estado, mediante um contrato (pacto social). Todos partem da premissa de um estado de
natureza, porem cada autor o caracteriza de maneira diferente, anterior ao estado social.
19- O ESTADO NACIONAL E A COMUNIDADE INTERNACIONAL
O Estado Nacional mantém, em tempo de paz, com outros Estados, inúmeras relações que
se intensificam e se tornam complexas à proporção que a chamada civilização se
desenvolve, e que o intercambio comercial se acelera. Como decorrência desse
relacionamento entre Estados, o direito internacional examina os princípios aos quais ele
obedece, os órgãos que se incumbem desse relacionamento, em síntese, as formas jurídicas
que ele pode revestir. O direito internacional assinala aos Estados o dever maior de
respeitar mutuamente os Direitos fundamentais uns dos outros. Por outras palavras: da
mesma maneira que todo individuo deve respeitar a liberdade dos outros indivíduos, assim
também qualquer Estado, no pleno exercício de sua soberania, tem o dever de respeitar a
soberania dos outros Estados. Os direitos fundamentais dos Estados (direitos de
conservação, de autonomia e independência, de igualdade, direito ao respeito recíproco,
direito de exercer o comércio internacional) aparecem na doutrina como o remanescente de
um Estado de natureza ou de inteira liberdade que deve existir entre os grupos humanos
anteriormente à sua entrada na vida política. O Estado possui, portanto, uma dupla
personalidade: do ponto de vista interno, atuando nessa órbita, nos limites do seu território,
o Estado atua como titular de direitos e sujeito de obrigações, tendo o monopólio do poder
coercitivo, adquirindo assim a sua soberania, já que ele atua como o único sujeito capaz de
traçar as suas próprias competências, definindo-as e redefinindo-as a seu talante exclusivo,
só limitada pelo direito que ele mesmo cria, do ponto de vista externo tem condições de
adquirir posição de pessoa jurídica em face da ordem internacional, suas relações serão
travadas com outros entes com as mesmas características suas, também dotados de
soberania, deixa de existir assim a reconhecida supremacia de que goza na ordem interna,
em seu lugar aparece uma relação basicamente de coordenação, não se conferindo a um
Estado maiores competências jurídicas que à outro, todos tem os mesmos deveres e direitos
perante a ordem jurídica internacional, há uma igualdade de competências e direitos de
todos e ocorre uma impermeabilidade do seu território as medidas executórias de outras
nações. O afastar do exercício de soberania estranhas ao seu próprio território é a
manifestação empírica do principio da soberania. A independência dos Estados não é
conflitante com assunção de obrigações internacionais. Com efeito, hoje é muito grande a
rede de compromissos assumidos na cena internacional, nem por isso perderam os Estados
a sua liberdade, já que podem fazer ou desfazer tratados que lhes garantem o vinculo
jurídico com outros Estados e esses deveres externos não geram modificações no direito
interno, já que esses órgãos têm mais poder de aconselhamento do que de imposição. Com
a intensa participação dos Estados na chama Sociedade Internacional, principalmente
através das relações de comércio, desenvolveu-se um campo bem mais amplo no
relacionamento das Entidades Estatais: o da elaboração de tratados internacionais (acordos
de caráter contratual, entre Estados ou organizações de Estado, criadores de obrigações e
direitos legais entre as partes) e convenções internacionais.
Organizações internacionais: a era da globalização não poderia deixar de produzir
profundas alterações no relacionamento entre os Estados, fazendo com que os vínculos
tradicionais, expressos sobre a forma de tratados tornaram-se insuficientes para dar suporte
a essa constante integração entre os Estados, para isso são criadas as organizações
internacionais. Elas são nada mais do que reuniões de Estados capazes de exprimir uma
vontade jurídica própria, tendo a finalidade de atingir metas e integrar paises no campo da
economia, política, dos serviços, da defesa etc. Nenhuma organização internacional é
soberana, no sentido em que se aplica esse termo ao Estado. Elas possuem apenas
faculdades e competências, na medida exata em que as recebem por delegações dos Estados
instrumentalizados pelos tratados constitutivos. A mais abrangente das organizações
internacionais é a ONU, uma organização de caráter universal, que é uma pessoa jurídica de
direito internacional público, tendo sua existência, organização, objeto e condições de
funcionamento previstas no instrumento de constituição que é atualmente chamada carta
das nações unidas. A ONU não possui soberania ou supremacia, somente possui poder de
aconselhamento. A doutrina dominante reconhece a ONU como sendo uma espécie de
confederação de Estados. Todavia, cada membro (países) preserva a sua soberania,
podendo retirar-se da organização quando lhe convier. Ela é constituída por órgãos de
funcionamento: assembléia geral, conselho de segurança, conselho econômico e social,
conselho tutelar, conselho internacional de justiça e secretariado. Existem também
organizações de fins específicos como a OMC. Podemos citar ainda outras organizações
como o mercosul, nafta, alca, ue etc.