SOCIEDADES ANÔNIMAS A presente matéria visa orientar às Sociedades Anônimas acerca das publicações legais de atas, convocações, anúncios

e demonstrações financeiras. Procuramos destacar aspectos práticos e de âmbito geral, tais como prazos a serem observados, obrigatoriedade das publicações e casos em que as mesmas são dispensadas, jornais para a veiculação dos atos societários, bem como os caracteres gráficos mínimos permitidos por lei. Vale ressaltar que a presente matéria trata das normas gerais da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações objeto da Lei n. 9.457, de 05 de maio de 1997, e da Lei n. 10.303, de 31 de outubro de 2001, aplicáveis às sociedades anônimas em geral. Cabe a cada S/A verificar as normas específicas aplicáveis ao seu caso em particular, sem prejuízo das normas gerais. Assim sendo, as Instituições Financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, deverão observar as normas específicas expedidas por esse órgão. Assim também deverão proceder as companhias abertas, observando as normas específicas emanadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Publicações Legais ordenadas pela Lei n. 6.404/76 às Sociedades Anônimas Edital de Convocação: A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por três vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. (art.124). 1a. Convocação: Na companhia fechada com 8 dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio e na companhia aberta com 15 dias de antecedência. 2a. Convocação: Não se realizando a Assembléia, deve ser publicado novo anúncio. Na companhia fechada com 5 dias de antecedência e na companhia aberta com 8 dias de antecedência. Cabe ressaltar, que não se admite anúncios prevendo desde logo a 2a. convocação. Deve ser publicado novo anúncio. Dispensa da publicação: A Assembléia que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação do edital (art. 124 § 4o.). Atentar para o dispositivo legal que se refere a "todos os acionistas", e não apenas aos que possuem "direito de voto". Aviso aos Acionistas: Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária, por anúncios publicados por três vezes, no mínimo, que se acham à disposição dos acionistas os documentos referidos no art. 133. Dispensa da publicação:

a) a assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação dos anúncios (art.133 § 4o).); ou b) a empresa que publicar o Balanço e demonstrações financeiras até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária (art.133 § 5o.) Balanço: O Balanço e demais Demonstrações Financeiras deverão ser publicados até 5 dias antes da Assembléia Geral Ordinária (art. 133 § 3o). A assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a inobservância do referido prazo, mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia (art. 133 § 4o). Atas: Todas as Atas de Assembléias Gerais de Acionistas deverão ser publicadas. Extrato de Ata - Tem-se observado a publicação de extrato de ata lavrada na forma sumária, ou seja, a publicação de um "resumo" do "resumo". Isto é inadmissível. Somente quando a ata é completa, plena, lavrada sob a forma tradicional, discorrendo sobre todos os fatos ocorridos, aí sim, é permitido extrair um extrato para a publicação, ou seja, um texto mais resumido, conciso, com o sumário dos fatos ocorridos e das deliberações tomadas. O legislador é claro quando diz no art. 130 § 1o. que a ata poderá ser lavrada na forma de sumário dos fatos ocorridos, e conter a transcrição apenas das deliberações tomadas. E, no mesmo art. 130 § 3o. diz que, se a ata não for lavrada na forma permitida pelo § 1o., poderá ser publicado apenas o seu extrato, com o sumário dos fatos ocorridos e a transcrição das deliberações tomadas. Portanto, apenas para a ata que não foi lavrada na forma de sumário, é facultada a publicação de um extrato. O Prof. Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 2o. vol., pgs. 757/758, 2003) discorrendo acerca de tal dispositivo legal afirma que "Não pode ser publicado extrato de ata sumária – Ainda que pareça despicienda a repetição do texto claro da lei a respeito, torna-se indispensável ressaltar que é absolutamente ilegal a publicação de extrato de ata submetida ao regime sumário". É importante frisar, que a faculdade dada pelo legislador para as sociedades anônimas publicarem um extrato de ata, refere-se única e exclusivamente às atas de Assembléias Gerais de Acionistas. Tal faculdade não se estende às atas de Reuniões do Conselho de Administração. Estas, quando contiverem deliberação destinada a produzir efeitos perante terceiros, deverão ser publicadas na íntegra. Artigo 294 A companhia fechada que tiver menos de 20 (vinte) acionistas, com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) poderá: - convocar assembléia geral por anúncio entregue a todos os acionistas,contra recibo, com a antecedência prevista no art. 124, ou seja, está dispensada de publicar o edital de convocação; e - deixar de publicar o Balanço e demais Demonstrações Financeiras de que trata o art. 133.

O disposto neste artigo não se aplica à companhia controladora de grupo de sociedades, ou a ela filiadas, ou seja, suas controladas e coligadas. Cabe lembrar que a dispensa de publicação a que se refere o art. 294, limita-se tão somente ao edital de convocação e ao balanço. Note-se que o referido artigo não menciona os avisos pondo à disposição dos acionistas os documentos a que se refere o art.133. Portanto, conforme entendimento de longa data da Procuradoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo esses avisos deverão ser publicados. Jornais de veiculação das publicações legais As publicações ordenadas pela Lei das S/A serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme o lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia (art. 289). Vale ressaltar que as publicações legais (convocações, anúncios, demonstrações financeiras e atas) das S/A cuja sede é, por exemplo, no Estado de São Paulo, deverão ser feitas: - no órgão oficial do Estado, ou seja, obrigatoriamente no Diário Oficial do Estado de São Paulo, não se admitindo Diário Oficial da União, e - em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia. Entende-se por "jornal" o que se publica, no mínimo, cinco dias na semana, a exemplo do próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo que tem cinco publicações semanais. E por "grande circulação" entende-se o jornal cuja distribuição é feita na localidade em que é editado de forma regular e de fácil acesso aos acionistas. Caracteres gráficos nas publicações legais A Lei n. 8.639 de 31/03/93 disciplinou o uso de caracteres nas publicações obrigatórias. O tipo de letra deve ser, no mínimo, de corpo seis, e o título deve ser do tipo doze ou maior. O não-cumprimento dessa determinação será objeto de exigência pela Junta Comercial, conforme disposto no art.57 do Decreto n. 1.800/96. Em São Paulo, de acordo com a Portaria Jucesp n. 73/98, somente serão aceitas as publicações legais em jornais de grande circulação que utilizarem corpo de letra no mínimo de corpo seis, com entrelinhamento mínimo de seis e meio. Não serão aceitas publicações com caracteres condensados. As publicações a serem feitas no Diário Oficial do Estado de São Paulo continuam obedecendo aos padrões vigentes naquele órgão, conforme Portaria 002 de 18 de fevereiro de 2.000 da Imprensa Oficial do Estado S/A, em seu artigo 2o. que reza o seguinte: I – o nome da empresa deverá constar de linha (s) única (s) de abertura, não recorrido, com corpo mínimo de 12, negrito; II – o CNPJ, título da matéria (ata, relatório da diretoria, etc.) e o restante do material será no corpo mínimo de sete, com entrelinhamento mínimo de 7/8 (sete sobre oito).

la Loi n° 11. Livros em papel. Registro de Controle da Produção e do Estoque. 28 de décembre de 2007 et du Décret 6. 4. Valor probante da escrituração – 7.2.Sistema Público de Escrituração digital Résumé: Nous sommes en avant d´´une nouvelle étape dans le secteur d´´entreprise et comptable.2. 6.4. e bem como o seu desempenho. 4.4. Fichas. Exibição administrativa dos Livros .Do exercício social e das demonstrações contábeis Resumo: Estamos diante de uma nova etapa na área empresarial e contábil.2.7. c´´est-à-dire. Livro de Movimentação de Combustível (LMC). 3.1.3. Registro de Entradas.5. 4. 3.2. Perda.2.2. Inclusive com a criação do Sistema Público de Escrituração Digital.3) Livro Balancetes Diários e Balanços – 4. Microfilmagem.8.2.638. Espécies de Livros Empresariais. Acesso às informações do SPED – 8. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais.1. Exibição judicial dos Livros empresariais.6.2. extravio ou inutilização de livros fiscais. Os métodos ou formas da escrituração. De même avec la création du Système Public de Comptabilité Digitale. Funções da escrituração – 9. estabeleceu-se a necessidade de aprimoramento do levantamento do exercício social e da demonstração contábil e financeira da sociedade.10. 4. de 28 dezembro de 2007 e o Decreto 6.2.022/2007 a apporté varie des changements dans le champ de la comptabilité et des démonstrations financières des sociétés anonymes et dans les sociétés de grand transport. Outros Livros fiscais – 4.Démonstrations Contábéis et financières .2.1. a real situação do empresário. Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis – 3. Registro de Duplicatas. Sistema Público de Escrituração Digital. la réelle situation de l´´entrepreneur. a Lei nº 11. Os Métodos e o Valor probante da escrituração. 4.9.022/2007 trouxeram varias mudanças no campo da escrituração e das demonstrações financeiras das sociedades anônimas e nas sociedades de grande porte.1. Requisitos intrínsecos e extrínsecos – 6. 11. Palavras-chave:. 4. 7.1. Conseqüência da irregularidade na escrituração – 11.Société anonyme Système Public de Comptabilité digitale. 6.2. 4. 3.3.3.2. 4. 7. Os Livros Fiscais. périodiquement.1. 4.2. Instrumentos de escrituração mercantil.3 Os livros Sociais. Livro Razão.638. 4. Livros Facultativos – 5.11. 7. 4. Competência da Secretaria da Receita Federal.3. Escrituração – Demonstrações Contábéis e financeiras –– Sociedade anônima . Conservação da escrituração – 10. Usuários do SPED. Exibição dos livros empresariais. 4. 4.2. Registro de Saídas. la nécessité a établi d´´amélioration de l´´enquête de l ´´exercice social et de la démonstration comptable et financière de la société. 4. Função do SPED.1. Os Livros Contábeis. 4. Livro-diário.2.3. ou seja. Livros Digitais – 4.1. 4.2.Introdução – 2.1. Afin d´´exprimer. 4. Registro de Apuração de ICMS. A fim de expressar. 3.1. 7. et ainsi que sa performance.1. Disposições Gerais . periodicamente.4. O livro de apuração do lucro real (LALUR). Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência. Sumário: 1.2. Most clef: Comptabilité . Registro de Inventário.

A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. por certo encontrará dificuldades em obter fomento creditício em instituições financeiras ou de preencher uma simples informação cadastral [05].101/2005). do CPC). Impossibilitada de elaborar demonstrativos contábeis por falta de lastro na escrituração. base na escrituração uniforme de seus livros em correspondência com a documentação respectiva. 14. são as seguintes: I)Oferece maior controle financeiro e econômico à entidade.3. 14. Assim. Tanto as sociedades empresárias como os empresários individuais estão obrigados a seguir um sistema de contabilidade [03]. pois a expressão mais ajustada para o Capítulo IV do Livro sobre Direito de Empresas seria chamá-lo de Exercício Social e Demonstrações Contábeis. mecanizado ou eletrônica com.1.Introdução No Direito empresarial. .4. Referencias Bibliográficas 1. geralmente para fins contábeis. Escrituração é o nome que a legislação escolheu para expressar o ato de se efetuarem os lançamentos em contas. 14. mas ambos serão considerados em conjunto como uma unidade" (art. sendo inclusive indivisível a escrituração "se os fatos que resultam dos lançamentos. bem como não possibilita ao empresário avaliar o acerto das decisões administrativas e negociais tomadas. uns são favoráveis ao interesse de uma parte e outros lhe são contrários. 14. a lista mais comum de vantagens de uma entidade para manter escrituração contábil. [04] Devemos expor que o empresário sem um sistema que demonstre o exercício social e as demonstrações contábeis é uma entidade sem memória. 14. Assim. Passivo. A demonstração do valor adicionado no caso de companhia aberta.5. bem como os rumos a serem seguidos.3. Divulgações das demonstrações contábeis . A demonstração do resultado do exercício. A Escrituração completa é composta pelos lançamentos contábeis e pelas demonstrações financeiras elaboradas no encerramento de cada exercício social [01]. 380.empresariais – 12. Escrituração é o conjunto de lançamentos contábeis. Contudo. posteriormente compilados em livros e fichas.1.1.1. IV)Imprescindível no requerimento de recuperação judicial (Lei 11. II)Comprova em juízo fatos cujas provas dependam de perícia contábil. As conseqüências para a falta das demonstrações contábeis periódicas são as seguintes – 15.2. Obrigatoriedade e reponsabilidade do contabilista – 13. 14. a expressão Escrituração é criticada por Eliseu Martins [02]. 14. 14. Filiais – 14. Ativo.Disposições Gerais . sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência ou de planejar seu crescimento. III)Contestação de reclamatórias trabalhistas quando as provas a serem apresentadas dependam de perícia contábil. A demonstração dos fluxos de caixa.16.2. e a levantar anualmente balanço patrimonial e o resultado econômico. O balanço patrimonial. Demonstrações contábeis.

Inicialmente poder-se-ia indagar da não obrigatoriedade da publicação das demonstrações contábeis. que trata da elaboração das demonstrações financeiras. pois o artigo 3º da Lei 11.00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300. Parágrafo único. IX)Prova a sócios que se retiram da sociedade a verdadeira situação patrimonial. XI)Para o administrador. A matéria sobre o Exercício Social e as Demonstrações Contábeis está disciplina nos artigos 1. a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver.638/07 é expresso no sentido de que as sociedades de grande porte devem observar as regras da Lei das S/A no que tange à elaboração e escrituração das demonstrações financeiras. a situação patrimonial na hipótese de questões que possam existir entre herdeiros e sucessores de sócio falecido. de 7 de dezembro de 1976. a contabilidade deve ser considerada sempre uma ferramenta imprescindível à gestão de qualquer entidade.404.000. de 28 de dezembro de 2007. Muito embora a regra que determina a publicação das demonstrações esteja inserida em um dos parágrafos do artigo 176 da Lei das S/A. VIII)Distribuição de lucros como alternativa de diminuição de carga tributária. em juízo. de 15 de dezembro de 1976. X)Prova. e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. que Altera e revoga dispositivos da Lei no 6. as disposições da Lei nº 6. do Código Cível e em outros diplomas legais.638. Portanto. até pela obviedade das vantagens acima listadas.000. 3º Aplicam-se às sociedades de grande porte.. [06] A Lei 11. de 15 de dezembro de 1976.020). ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações. não há que se falar que a publicação das demonstrações financeiras esteja inserida dentro do . 1. supre exigência do Novo Código Civil Brasileiro quanto á prestação de contas (art. Considera-se de grande porte. cabendo ao administrador. sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários.385.404. e da Lei no 6.195. ativo total superior a R$ 240. para fins de apuração de haveres ou venda de participação.V)Evita que sejam consideradas fraudulentas as próprias falências. sócios ou representantes implementarem a escrituração através de contabilista devidamente habilitado. no exercício social anterior. sujeitando os sócios ou titulares ás penalidades da Lei que rege a matéria.000. VI)Base de apuração de lucro tributável e possibilidade de compensação de prejuízos fiscais acumulados. VII)Facilita acesso ás linhas de crédito.000. para os fins exclusivos desta Lei.00 (trezentos milhões de reais).179 a 1. determina que: Art.

inclusive eletrônicos (tais como websites). a denominação e as regras de escrituração [08]. de modo a formar um todo organizado visando interpretar e registrar os fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. já o menciona expressamente. 3. a publicação ou a divulgação de tais informações. [09] O sistema de contabilidade deverá ser mecanizado ou digitalizado por meio eletrônico. é extremamente positiva. mas libera o método de escrituração. estas devem seguir os parâmetros exigidos pela legislação em vigor. especialmente perante investidores potenciais. Certamente oferecerá mais elementos para reflexão dentro da polêmica instaurada. em Consulta Pública lançada no dia 14 de janeiro de 2008. informar em caráter preliminar que embora não haja menção expressa à obrigatoriedade de publicação dessas demonstrações financeiras. Não obstante as considerações acima apresentadas é imprescindível destacar que. caso as sociedades de grande porte optem pela publicação ou a divulgação voluntária de suas demonstrações financeiras. fornecedores. credores. Por fim... Reconhece apenas a inexistência de menção ao verbo "publicar" na lei nova sem contestar que a lei alvo da modificação. governos e a sociedade em geral. consumidores. institucionais e estrangeiros. onde a lei obriga o empresário a ter livros. embora a nova lei não obrigue expressamente as sociedades de grande porte a publicar suas demonstrações financeiras. o francês. b) O sistema suíço é adotado pela Inglaterra. anterior. vale mencionar que. dando norma para a representação gráfica dos mesmos. veio a Comissão de Valores Mobiliários [07]. Não discrepa o ente regulador do entendimento esposado neste artigo.Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis As legislações atuais instituem três sistemas de demonstrar o exercício social e contábeis. . que são duas atividades completamente distintas e inconfundíveis. por quaisquer meios.". e c) O sistema germânico é adotado na Alemanha. orienta pelo atendimento às regras de transparência já editadas. empregados. 2. a) O sistema francês é o adotado pelo Brasil. mas deixa livre a espécie destes e o método de escritura. Sem deixar de acompanhar a intensa movimentação do mercado após a edição da Lei 11. A lei impõe certos livros como obrigatórios.processo de sua elaboração. o suíço e o germânico. A Lei impõe o número de livros obrigatórios. uma vez que a transparência apresenta-se como uma das medidas que mais agregam valor à empresa no campo da governança corporativa.638. Derivará da Consulta Pública aberta até o próximo dia 25 um ato normativo para regular os efeitos da novel legislação.Instrumentos de escrituração mercantil O mecanismo de escrituração deve obedecer a um sistema de contabilidade o qual se refere a um conjunto de elementos interconectados harmonicamente.

2. sendo protegidos por capas. não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro. O livro não poderá ser dividido em volumes.A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº nº 102.livros em papel. sucursais ou agências. parágrafos 2º e 3º. iniciando se pelo numeral um. Segundo o artigo 2º da Instrução Normativa nº 102.conjunto de fichas ou folhas contínuas (artigo 1. sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria. Segundo o método de sua confecção. os livros são brocados ou encadernados. Livros em papel De acordo com De Plácido e Silva a expressão livro é o vocábulo usado para designar (…) toda coleção de cadernos. no livro em papel. em livro já autenticado pela Junta Comercial.180). enfeixados em capas flexíveis e de pouca resistência. Fichas O Código Civil permite que os livros em papel venham a ser substituídos por fichas ou formulários avulsos ou contínuos por aqueles que adotavam escrituração mecanizada ou eletrônica (artigo 1. contendo a escrituração retificada (artigo 5º. deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência. de acordo com as necessidades do empresário ou da sociedade empresária.conjunto de fichas avulsas (artigo 1. A retificação de lançamento feito com erro. em relação a um mesmo período.livros em microfichas geradas através de microfilmagem de saída direta do computador (COM). de 25 de abril de 2006. incluído na seqüência da escrituração o balanço patrimonial e o de resultado econômico. ser escriturado mais de um livro. IV . no País. quando for o caso (artigo 4º. V . mediante termo de homologação por esse datado e assinado.180. da Instrução Normativa nº 102/2006). observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade. de 25 de abril de 2006 pode elaborado em: I .1. Existindo erro ou omissão de algum dado obrigatório do termo de abertura e/ou encerramento. As disposições desta Instrução Normativa aplicam-se às filiais. com sede em país estrangeiro (artigo 1º). manuscritos. podendo. do Código Civil). III . 3. desde que obedeçam as formalidades legais. impressos. II . da Instrução Normativa nº 102/2006). do Código Civil). geralmente duras. Livros encadernados são os que se costuram com maior firmeza e segurança. Livros brocardos são ligeiramente costurados ou grampeados. 3. protegidos exteriormente por duas capas. [10] . do empresário ou sociedade autorizado a funcionar no País.livros digitais. poderá ser feita ressalva na própria folha ou página.180. e de maior resistência. A numeração das folhas ou páginas de cada livro observará ordem seqüencial única. de mesmo número ou não. a qual deverá ser assinada pelos mesmos signatários do termo e homologada pelo autenticador do instrumento pela Junta Comercial.

de acordo com as regras do IPC Brasil. apenas para os livros dos incisos I a III do art. sendo vedado o destaque ou ruptura das mesmas ou avulsas. . com as indicações que os identifique para efeitos de controle. de 15 de dezembro de 1976. Poderá ser utilizado como sistema se houver comunicação à Junta Comercial no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o termino de cada livro ou conjunto de fichas. da Instrução Normativa nº 102/2006). selo cronológico digital. ao qual deve ser atribuído o número subseqüente ao do livro diário escriturado em fichas (artigo 4º. Um e-book por ser um método de armazenamento de pouco custo e de fácil acesso devido à propagação da internet nas escolas.4. 3. aplicar-se-ão. da Instrução Normativa nº 102/2006). pelo empresário individual ou pelo administrador da sociedade empresaria. e obrigatoriamente autenticado em cartório. 100 da Lei nº 6.433/68. poderá ser utilizada pelas companhias e em relação aos livros sociais de que trata o art. 100 da Lei nº 6. PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. com subdivisões numeradas mecânica ou tipograficamente por dobras. as quais serão numeradas tipograficamente (artigo 8º. com certificado digital de segurança mínima A#. As microfichas. Para produzirem efeitos legais. regulamentada pelo Decreto nº 64. Os livros digitais deverão necessariamente ser assinados por contabilista. por meio de carimbo aposto em cada folha ou mediante termo próprio. No caso das companhias abertas. em forma de sanfona. Livros Digitais Segundo a Wikipédia [11] o livro digital ou E-book é um livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores. O sistema de microfilmagem. (artigo 16. pelas juntas comerciais. As Juntas Comerciais deverão inserir. para o caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. inserido em cada autenticação. as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. de 15 de dezembro de 1976.A adoção de fichas de escrituração não dispensa o uso de livro diário para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. anualmente.404. observada a disciplina da Lei 5. Os e-books são facilmente transportados em disquetes. poderão ser contínuas. Serão transmitidos às juntas comerciais via Internet ou entregues em CD/DVD regravável ou em pen drives. Microfilmagem É admissível a microfilmagem da escrituração. de segurança mínima tipo A#. selo cronológico digital. parágrafo 1º. da Instrução Normativa nº 102/2006). CD-ROMs e pen-drives. 3. os traslados e as cópias deverão estar assinados pelo responsável da organização ou do estabelecimento detentor do filme negativo e pelo contador.404. como instrumento de escrituração.3. no conjunto de hash [13] dos livros digitais autenticados. ainda. deverão atender os requisitos constantes do Anexo I da Instrução Normativa nº 102/2006. As fichas que substituírem os livros. Também deverão ser autenticados. como instrumento de escrituração.398/69. com certificado digital [12]. Pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em alguns portais de internet gratuitos. em blocos.

[17] Faz-se necessário demonstra a diferença entre livro Razão e o livro diário. Já os livros Especiais são aqueles cuja escrituração é imposta apenas a uma determinada categoria de exercentes de atividade empresarial.383. de 1991. [16] Segundo informações obtidas no site da Receita Federal "a partir de 1º/01/1992. Segundo Fabio Ulhoa Coelho [15] os livros empresariais obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário a sua ausência traz conseqüências sancionadoras (inclusive no campo penal). fiscais.1. e nº 8. Em verdade. 259. a escrituração e a manutenção do livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar. existe uma folha de razão para cada conta.1. [14] Contudo. sim. Os livros Comuns são os livros obrigatórios cuja escrituração é imposta a todos os empresários. e b) facultativos. neste livro existe um controle individualizado para cada conta.Os Livros Contábeis Segundo os manuais de Contabilidade os livros contábeis são os livros Diários e os livros Razões. de 1991. o livro Razão é escriturado em fichas. art. obedecendo-se a ordem cronológica das operações (RIR/1999. livros fiscais. pelo prisma jurídico podemos afirmar que os livros empresariais se dividem em duas categorias: a) obrigatórios que se subdividem em comuns e especiais. Na escrituração dos empresários e das sociedades encontramos vários livros que não são propriamente contábeis e. art. para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. 4. tornouse obrigatória. onde todos os eventos passíveis de registros contábeis são efetuados. Livro Razão [18] O livro Razão consiste no agrupamento de valores em contas de mesma natureza e de forma racional.1. ainda. art.218. que incorporou as Leis nº 8.Espécies de Livros Empresariais Analisando as espécies de livros a partir dos manuais de contabilidade chegamos à conclusão que eles estão divididos em livros contábeis.4. O Livro Razão é de grande utilidade para contabilidade porque registra o movimento de todas as contas. 4. Na Contabilidade moderna. mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. A escrituração deverá ser individualizada. Livro-diário [19] . indistintamente. por necessidade administrativa. livros sociais e por necessidades administrativas. sociais e.2. os lançamentos efetuados no Diário. 4.1. 62)". por conta ou sub-conta. Assim. Os livros facultativos são os que o empresário e a sociedade escritura com vistas a um melhor controle sobre seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção. 14.

Segundo Sérgio de Iudícius [20] o Livro Diário é um livro no qual são registradas todas as operações contabilizáveis de uma entidade. 4º . relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento.Histórico. mês e ano. a adoção desse sistema não exclui o empresário de obediência aos requisitos intrínsecos. Este livro registra os fatos contábeis em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia.conta ou contas creditadas. [21] Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Admite-se a escrituração resumida do Diário. ressalvado os sujeitos abrangidos pela Lei Complementar nº 123/06 que trata do Super Simples ou Simples Nacional.Histórico da operação.179 c/c 970 do Código Civil e pelo Estatuto do Super Simples. soltas ou avulsas).nº do documento. 3º . Quem empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário por fichas seguidamente numeradas. 1. 6º . Os livros ou fichas (Diário) deverão conter termos de abertura e de encerramento. para registro individualizado. 4º . propriamente. o Razão.data. O livro-diário tradicional pode ser substituído por fichas (contínuas. que se tenham verificado na atividade empresarial. art. não se . do Código Civil). a ser submetidos à autenticação do órgão competente no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). previstos na lei fiscal e empresarial para o livrodiário.conta ou contas debitadas. 7º . Os Elementos Essenciais do Lançamento no Livro Diário manuscrito são: 1º . a base de toda contabilidade de um empresário ou de uma sociedade é o Livro Diário que representa o registro histórico de todos os acontecimentos de ordem empresarial. 2º . desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados. Já se enquadrar como a Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte terá apenas como livro obrigatório o livro-caixa. a legislação civil determina que apenas o livro Diário é obrigatório para todos os empresários e sociedades empresárias. em ordem cronológica e com observância de certas regras". 3º . Desta forma. do Código Civil). que serve de índice ao Diário".valor da operação e. 8º . Para o livro-diário mecanizado são: 1º . O livro diário deve ser encardenado com folhas numeradas seguidamente. 5º . Se o empresário individual possuir receita Bruta anual de R$36. Assim. são o Diário. art. 1. 2º .00 (tinta e seis mil reais) estará dispensado de escrituração por força do art.Total da partida dobrada.valor do débito.000. 6º .local e data.Total do débito e. com totais não excedam o período de 30 dias. Segundo De Plácido e Silva [22] "os livros de escrituração. devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresaria (parágrafo 2º. Porém. de uso obrigatório. 5º .valor do crédito.184. sendo que os registros deverão ser feitos diariamente. Entretanto.Total do crédito.184. 1.Código da conta. em forma de sanfona. e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação (parágrafo 1º.

2. pois.1. verificar se os registros das mercadorias de entrada foram todos realizados. retificando-os ou ratificando-os conforme constatações. mês e ano. no encerramento do exercício. É através deles que as informações são extraídas. [23] 4.Os Livros Fiscais [26] Podemos classificar como livros fiscais os que se encarregam de armazenar todos os fatos relacionados com as atividades fiscais do empresário e da sociedade. Registro de Inventário Neste livro o empresário realiza o lançamento dos saldos das mercadorias e materiais não comercializados ou consumidos durante o exercício comercial. 4. 1. o saldo anterior. 1186 do Código Civil): I . a movimentação diária das contas.3) Livro Balancetes Diários e Balanços O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o Livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços. O livro Balancetes Diários e Balanços serão escriturados de modo que registre (art.187 do Código Civil reformulou a função do livro Registro de Inventário.a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis. [24] De acordo com Mario Sergio Milani [25] a adoção de fichas não dispensa o livro para o lançamento patrimonial e do de resultado econômico. estabelecendo que na coleta dos elementos para o inventário serão observados os critérios de avaliação a seguir determinados: . Este livro deve consignar.o balanço patrimonial e o de resultado econômico.1. observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. 4. esse livro serve para registrar o inventário de todos os itens pertencentes ao empresário ou sociedade na data do encerramento das demonstrações contábeis. É através dos livros fiscais que o fisco verifica todas as transações dos empresários e das sociedades. O art. em ordem cronológica de dia. os débitos e os créditos do dia e. etc. verificar cálculos. entre eles: verificar a autenticação do livro no órgão competente. é através destas informações que ele exerce sua atividade de policiar parte do grandioso vulto econômico gerado pelas entidades econômicas. Alguns cuidados e observações devem ser tomados quando nos referimos a este livro. conferindo todos os registros efetuados pela empresa. pelo respectivo saldo. ou seja.2. II . em forma de balancetes diários. Por isso que é o próprio instituidor dos livros. discriminando em relação a cada uma delas. no intuito de acompanhar no dia-a-dia todas as transações realizadas pelas empresas. destinando-se para aqueles que delas necessitarem. Um dos interessados nessas informações é o Estado. o saldo resultante com indicação dos credores e devedores.pode concordar com a indagação de que o Diário é obrigatório para todos os empresários.

Registro de Saídas . e quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição. ou fabricação. Todas as mercadorias (gerando crédito fiscal ou não). ele efetivamente figura por vezes. matéria-prima. sempre que este seja inferior ao preço de custo. criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor. à taxa não superior a doze por cento ao ano. os não cotados e as participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição.3.os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição. ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da empresa podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação. nas pequenas empresas.2. desde que se preceda. Entre os valores do ativo podem figurar.2. b) os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima.os valores mobiliários. Em uma coluna especifica. aproveitamento de créditos fiscais sem o documento original (quando contém apenas a xérox). anualmente. ou pelo preço corrente. à sua amortização: (a) as despesas de instalação da sociedade." 4. deve se efetuar o registro do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações (ICMS). devendo. III . salvo se houver. falta de registro de documento fiscal. previsão equivalente. não se levando em conta os prescritos ou de difícil liquidação. IV . e os bens forem avaliados pelo preço corrente. na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso. se houve aproveitamento intempestivo do crédito fiscal. 4. nem para as percentagens referentes a fundos de reserva.I . c) a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento adquirido pelo empresário ou sociedade. As principais observações realizadas neste são as referentes aos cálculos dos impostos. duplicidade de lançamentos de entradas. até o limite correspondente a dez por cento do capital social. [27] Segundo Cesare Vivante [28] "não é necessário que o livro de inventários forme um livro próprio e autônomo.o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com base na respectiva cotação da Bolsa de Valores. quanto aos últimos. fixada no estatuto. atender-se à desvalorização respectiva. Registro de Entradas Este livro registra todas as aquisições realizadas pelo empresário e sociedade. antes de qualquer outra verba do no exercício no livro diário.os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de realização. e principalmente as em regime de Substituição Tributária.2. no período antecedente ao início das operações sociais. a diferença entre este e o preço de custo não será levada em conta para a distribuição de lucros. pela ação do tempo ou outros fatores. II . bens destinados à alienação. etc.

quando ocorrência uma fiscalização na empresa. a alíquotas do ICMS e o valor do imposto. ou seja. os estoques de material de escritório. Neste livro.7. 4. como: a autenticação obrigatória pela autoridade competente. álcool etílico hidratado carburante. óleo diesel. eventuais multas aplicadas o empresário e a sociedade. Este livro é dividido por colunas para registro da data da operação da venda.2. Logo. mistura . bem como seus saldos. conferir os valores a serem recolhidos e as guias de recolhimento dos respectivos impostos. Nele podem ser observadas informações como. pelo posto revendedor de combustíveis líquidos e gasosos. é nele que ficam registradas as informações correspondentes à última fiscalização. 4. material de limpeza e demais produtos existentes no estabelecimento.No registro de saídas temos os lançamentos oriundos das operações de vendas de mercadorias. são registrados os estoques de produtos para revenda. os resultados da última fiscalização.6. são os originários da apuração entre os débitos e créditos fiscais. os livros examinados. verificando se este é devedor ou credor. verificar se os transportes dos livros de registro de entrada e saída estão corretos. por exemplo.2. em contrapartida com os registros de entradas. Registro de Apuração de ICMS O livro de registro de apuração do ICMS é o livro encarregado da conta corrente do ICMS. entre outros. pois. bem como outras ocorrências de ordem fiscal. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência Um dos livros mais importantes para a fiscalização ou auditagem de uma empresa. podemos apurar o saldo da conta corrente. com o objetivo de promover o controle de produção e do estoque. quais as contas que foram verificadas. dos estoques e de movimentação de compra e venda de gasolina.2. Algumas observações devem ser feitas. Pelos registros de créditos e débitos que realizamos nele. os livros que foram verificados. devem ser registrados pela autoridade fiscal a data. praticamente. e se o empresário e a sociedade terá imposto a recolher ou saldo a transferir ao próximo período. Livro de Movimentação de Combustível (LMC) O LMC destina-se ao registro diário. As observações aqui realizadas devem ser. a descrição dos produtos. se o empresário e a sociedade gozam de regime especial concedido ou exigido pela repartição fazendária. a quantidade de mercadorias vendidas. estabelecido pelo Regulamento do IPI. querosene iluminante. as mesmas a serem realizadas nos livros de registros de entradas. tipos de infrações cometidas pelo contribuinte.5. etc. 4. o livro é utilizado para os registros de auditorias fiscais realizadas na empresa. Este registro. [29] 4. Registro de Controle da Produção e do Estoque O livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque é obrigatório para as indústrias e estabelecimentos equiparados. com débito do ICMS realizados pelo empresário e sociedade.2. resultando no montante de impostos que o empresário e a sociedade vai recolher.8.

Registro de Duplicatas É o livro obrigatório. a saber: I. despesas. As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar. Deve ser autenticado pela Junta Comercial. Este livro foi instituído pela Portaria 26/92 do Departamento Nacional de Combustíveis. bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos-base futuros e não constem da escrituração comercial.2. necessários para a determinação do lucro real (base de cálculo do Imposto de Renda). todas as duplicatas emitidas. da depreciação acelerada incentivada. b) resultados.2. na escrituração mercantil. rendimentos.9. segundo o artigo 19 da Lei de Duplicatas. exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária.metanol/etanol/gasolina e gás automotivo. Nesse livro. desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo.10. 177 da Lei n° 6. O livro de apuração do lucro real (LALUR) [31] O livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) existe para assegurar a separação entre a escrituração comercial e a fiscal. provisões. sem modificação da escrituração mercantil.404/76 (Lei 6. data e valor das faturas originais e data de sua expedição. ajustado no LALUR pelas adições. prevista no parágrafo 2° do art. com o número de ordem. devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários. serão escrituradas. participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido e que. 4. b) transcrever a demonstração do lucro real. encargos. perdas. o nome e domicílio do comprador. da exaustão mineral com base na receita bruta. do lucro inflacionário a realizar. demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares. para os empresários que adotem o regime de vendas ou prestações de serviços com extração de fatura e emissão de correspondente duplicata. anotações das reformas. cronologicamente. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração . d) O LALUR não precisa ser autenticado por qualquer órgão oficial. com observância das normas da legislação comercial. ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários. O Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil. para todos os fins desta Lei. a pessoa jurídica deverá: a) lançar os ajustes do lucro líquido do períodobase (apurado na escrituração comercial). não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. No LALUR. adições: a) custos.404/76). c) manter os registros de controle dos prejuízos fiscais a compensar em períodosbase subseqüentes. [30] 4. prorrogações e outras circunstâncias necessárias.

-das conversões de ações. o registro de empregados. c)O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas". IV da Lei 6.3.2. c) compensação de prejuízos fiscais de períodos-base anteriores.11 Outros Livros fiscais Além desses. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. rendimentos. pela sua natureza exclusivamente fiscal. 4. exigidos pelo fisco da União. em .Os livros Sociais A companhia deve ter. além dos livros obrigatórios contábeis e fiscais para qualquer empresário. não sejam computados no lucro real. não tenham sido computados na apuração do lucro líquido. os seguintes revestidos das mesmas formalidades legais: a ) Livros de "registro de Ações nominativas" para inscrição. do Estadual.do lucro líquido e que. para lançamento dos termos de transferência. fideicomisso. de uma em outra espécie ou classe. b) valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do Imposto de Renda e que. em ambos. 4. d)O livro de Atas das Assembléias Gerais é obrigatório nas sociedades anônimas como estipula o artigo 100. observando-se. devam ser computados na determinação do lucro real. livro de apuração do imposto sobre serviço. -do resgate. de acordo com a legislação do Imposto de renda. -das mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. o disposto nos números I e II deste artigo. Controle bancários. respeitados os limites e demais normas pertinentes. b)O livro de "transferência de Ações Nominativas". e outros. -das entradas ou prestações de capital realizado. do Distrito Federal e do Município. II. no que couber. exclusões: a) resultados. Entre eles destacamos: O livro de apuração do IPI. ou de sua aquisição pela companhia. se tiverem sido emitidas. -do penhor. que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. reembolso e amortização das ações. anotação ou averbação devendo conter os seguintes dados: -do nome do acionista e do número das suas ações. receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido e que.404/76 e também nas sociedades limitadas que tenham mais de 10 sócios e facultativo para as que tenham menos de 10 sócios. o registro de impressão de documentos fiscais. existem outros livros fiscais. da alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. usufruto.

264.404/76.1. 10. Neste livro se lavra a posse dos membros efetivos e suplentes do Conselho fiscal.062 do Códigio Civil.066. do Regulamento do Imposto de Renda. d) informar a existência ou não de débito de imposto. se deixou os livros se deteriorarem por conta de circunstância evitável. VII. É evidente que se a perda ocorreu por má-fé ou mero descuido do empresário.404/76. f)Os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração se houver. 100. tem conselho fiscal. remetendo cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. é obrigatório para as sociedades anônimas que. do Código Civil. a contar da ocorrência da seguinte forma: a) mencionar a espécie.virtude da previsão do art. dentro de 48 (quarenta e oito) horas. devidamente apresentado à assembléia geral. 4.3. Por outro lado. da Lei 6. 2º . do Código Civil).Efetuar a imediata publicação da ocorrência em jornal de circulação em todo o Estado. 1. não se faz por meio de previsão constante do próprio ato constitutivo. aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação. do Decreto-Lei 486/69 [32] e art. bem como o resultado dos exames trimestrais dos livros e papeis da sociedade e o estado da caixa e da carteira. estando previsto no art. previsto nos artigos 1. extravio ou inutilização de livros fiscais Ocorrendo extravio. tomando por base o balanço patrimonial e do resultado econômico. em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento. g)O livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal previsto no art. Perda. qual o período e o valor (se existir). com como o parecer sobre os negócios e as operações sociedade do exercício em que servirem. a pessoa jurídica fará publicar. Nas sociedades limitadas. é obrigatório para as sociedades cujos atos constitutivos prevejam um Conselho Fiscal (art. ao órgão competente de Registro do Comércio. e)O livro de Presença dos Acionistas este livro é obrigatório para as sociedades anônimas. c) declarar expressamente a possibilidade ou não de se refazer a escrituração em 45 dias. 1. 1.075. deterioração ou destruição de livros. e de Atas das Reuniões de Diretoria este livro é obrigatório para as sociedades anônimas como se refere os artigos 100 e 149 da Lei 6. não poderá jamais se escusar sob o escudo do art. [33] . ou seja. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observada as citadas formalidades O contribuinte deverá: 1º .067 a 1. é facultativo. e) anexar as publicações no jornal e no Diário Oficial. fichas. documentos ou papéis de interesse da escrituração. b) informar o período a que se referir à escrituração do livro. o número de ordem e demais características do livro. por força do artigo 161 da referida lei. que prevê para a posse do administrador da sociedade limitada quando da sua designação se faz em ato separado.069 do Código Civil. Este livro tem como finalidade registrar os trabalhos e deliberações da assembléia de acionistas ou sócios.Comunicar por escrito à repartição fiscal de sua circunscrição em 15 dias.

os livros e documentos fiscais até que ocorra a decadência dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. 120 a 122. fusão. antes de sua utilização. XIII .exibir a outro contribuinte a FIC. devidamente registrados na repartição fiscal do seu domicílio. incorporação.exibir ou entregar ao Fisco. transformação. o prazo ocorrerá a partir da data de sua emissão. 123.remeter à repartição fiscal de seu domicílio. observado o disposto no art. encerramento ou suspensão de atividade. quando exigido ou solicitado. comunicação contendo dados do responsável pela sua escrita contábil. IV . b) em se tratando de documento fiscal.3.escriturar os livros e emitir documentos fiscais. observadas as disposições constantes dos Capítulos próprios deste Regulamento.4. venda. II . sucessão motivada pela morte do titular. VI .2. quando obedecido o prazo legal de escrituração. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais De acordo com o Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS. . VIII .manter em seu poder.solicitar autorização da repartição fiscal competente. bem como as mudanças de domicílio fiscal. transferência de estabelecimento. na forma estabelecida nos arts. observado o disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo. observado o seguinte: a) em se tratando de livros. V . XI .solicitar à repartição fiscal competente a autenticação de livros e documentos fiscais. São obrigações do contribuinte: I .comunicar à repartição fazendária as alterações contratuais e estatutárias. bem como o roubo ou inutilização do equipamento ECF. quando de início e todas as vezes em que houver substituição. III .comunicar imediatamente à repartição fiscal de seu domicílio o extravio ou perecimento de livros e documentos fiscais. cisão. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a ocorrência do fato. os livros e/ou documentos fiscais. para imprimir ou mandar imprimir documento fiscal. 119. o prazo se contará a partir do último lançamento nele consignado. nas operações que com ele realizar. em relação às obrigações acessórias relativas à confecção e manuseio dos livros fiscais: Art. assim como outros elementos auxiliares relacionados com sua condição de contribuinte.inscrever-se na repartição fiscal antes do início de suas atividades. VII .

fiscais ou trabalhistas. 3º Para os efeitos do parágrafo anterior. tanto para as companhias fechadas quanto para as abertas.4.404.cumprir todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária.XV . não sendo obrigatórios mostram-se necessários. juntamente com a apresentação do livro anterior a ser encerrado. . é inegável que a Lei n° 6. segundo a natureza e o volume de seus negócios. Art. são os que podem ser dispensados. de 15/12/1976. Nesta razão. afirmando que o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. só serão usados depois de visados pela repartição do domicílio fiscal do contribuinte. dispôs sobre o direito de fiscalização dos acionistas de forma praticamente uniforme.179. a demandar do operador do direito a percuciente análise das características do empreendimento. 268. desde que não se trate de início de atividade. pois auxiliam o empresário e a sociedade empresária a melhor exercer as suas atividades. parágrafo 2º do Código Civil. da estrutura do capital e das próprias relações entre os acionistas. Os livros fiscais. não se entendem nem obrigatórios nem necessários. O artigo 7º do Decreto-Lei 486/69 permite ao empresário ou a sociedade empresaria qualquer livro de escrituração que julgue conveniente adotar. desde que observe as mesmas exigências listadas para o livro Diário. O artigo 1. é harmônico. desde que atendam às exigências da escrituração obrigatória.Livros facultativos Estes livros não são obrigatoriamente exigidos pelas leis comerciais. E desse modo. à autenticação pela junta Comercial. de forma a impedir sua substituição. 2º O "visto" será gratuito e aposto em seguida ao termo de abertura lavrado pelo contribuinte. contados da data do último lançamento 4. os livros a serem encerrados serão exibidos à repartição competente do Fisco dentro de 05 (cinco) dias. Há livros que. voluntariamente. que serão impressos e de folhas numeradas tipograficamente. 1º Os livros fiscais terão suas folhas encadernadas. [34] A gravação de assembléias e reuniões e o direito de fiscalização nas sociedades anônimas Não obstante a casuística própria das sociedades anônimas. pelos empresários. e instituídos. em ordem crescente.

ainda é perverso no tocante aos direitos dos acionistas minoritários. art. senão o reconhecimento formal da necessidade de criação de instrumentos. por ser uma ciência social. a regra da prevalência pura e simples da vontade da maioria acionária acarretaria evidentes abusos. evolução e aplicação necessariamente jungida à realidade social vigente. ambos tomados em sua concepção mais moderna. 170.657. tem se revelado pouco adaptado ou pouco adaptável à realidade em vigor no seio das sociedades anônimas.Em garantia da higidez e da própria coerência lógico-jurídica da existência e do funcionamento das sociedades anônimas.303. não deixa dúvida nossa Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei n° 4. art. com a distinção dos órgãos deliberante. Saraiva. refletem a concepção política do constitucionalismo (note-se. A razão de ser dessa e de todas as demais garantias legais constituídas em prol dos acionistas minoritários não é outra. inciso XXII). volume 2). tem sua concepção. 5o). aliás. . se aplicada à generalidade de situações. Modesto Carvalhosa afirma que os direitos individuais dos acionistas. que. representando a Lei n° 6. inciso II). de 15 de dezembro de 1976. o que. Por maior que seja o apego do operador do direito e da própria sociedade aos modelos alienígenas. 5o. previsto no inciso III do aludido dispositivo legal. contra as iniqüidades próprias do nosso arcabouço jurídico e da realidade política e econômica vigente no âmbito das sociedades anônimas. as convergências entre as sociedades anônimas e o Estado. com o consectário de sua indelegabilidade. com o predomínio da maioria em detrimento da minoria (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas: Lei n° 6. com nítidos reflexos constitucionais e infraconstitucionais. pondo em risco o próprio direito fundamental à propriedade (Constituição Federal. concluindo-se que a estrutura orgânica das companhias. o legislador estatuiu no art. são indisponíveis. não raro. por seu turno. de 31/10/2001.404. por sua natureza fundamental. representa. não obstante os notórios avanços empreendidos nos últimos anos. também serve de princípio geral norteador da atividade econômica (art. no direito privado. São Paulo. já foram objeto de estudo pela doutrina. a mais significativa contrapartida ao princípio geral e inarredável de que o acionista deve submeter-se à vontade da maioria. fixados nas legislações específicas das sociedades anônimas dos diversos países. 1997. ainda que mínimos. particularmente aqueles introduzidos pela Lei n° 10. Isto porque. de forma indiscriminada. talvez.404/76 a adoção do chamado "institucionalismo empresarial" entre nós. a divisão de poderes do direito constitucional. não se pode esquecer que o direito. por influências políticas diversas. o modelo jurídico-societário brasileiro. novamente. de 04/09/1942. 109 da Lei das S/A os chamados direitos essenciais dos acionistas. conforme. Em tal contexto. Não se pode negar que o sistema jurídico pátrio construído em torno das sociedades anônimas. O direito de fiscalizar os negócios sociais. reproduz. gera perplexidades dentro e fora do Brasil. executivo e fiscalizador. como se sabe. o nítido liame entre o direito societário e o direito constitucional). que. Aliás.

que tem por função precípua ensejar a formação da vontade social. O direito de fiscalização vem a ser. 5o..) Em virtude da proteção aos direitos individuais dos acionistas.) Estabelecidas as regras que guarnecem o direito essencial do acionista de fiscalizar o andamento dos negócios sociais.. Porto Alegre. Livraria do Advogado. políticos e sociais dos investidores. § 2o). fortalecidos pela ampliação que se faz da aplicação dos direitos fundamentais constitucionais. sendo as assembléias gerais a sede própria ao exercício desse direito essencial. previstos na legislação societária. Esta é a gênese de um direito societário efetivamente protetivo dos interesses econômicos. que pode se dar no âmbito legislativo ou. bem como no próprio respeito ao exercício pleno dos direitos e garantias individuais previstos na Carta Magna. seja esta modificação decorrente da manifestação legislação ou mesmo de atitudes dos acionistas detêm o controle/administração da sociedade. não podem ser dela excluídos. sendo aqueles inspirados nestes. inciso III. em tal contexto. sendo este (direito essencial legalmente previsto) equiparado aos direitos individuais políticos. o tratamento isonômico ao acionista minoritário. da Constituição Federal). e a garantia de que o acionista deve ser tratado. o direito de propriedade (art. c/c arts. Tal intervenção.Exsurge desse quadro de desigualdade existente entre acionistas controladores e minoritários a imperiosa necessidade de intervenção estatal para atenuação das diferenças. São inseparáveis os direitos individuais dos acionistas – minoritários em especial – dos direitos fundamentais previstos na Constituição. em bases constitucionais: "À lei das sociedades por ações – e de resto. quando decorrentes do regime e dos princípios adotados pela própria Constituição Federal (art.. temos que qualquer alteração neste lineamento contraria disposições constitucionais. é fundada no interesse público e na função social das sociedades anônimas (Lei n° 6. 5o. no exercício da fiscalização. 116. o principal instrumento de defesa do acionista minoritário. (. 5o. de 15/12/1976. parágrafo único. embora não estejam expressamente previstos no texto constitucional. 5o. entre eles o direito de igualdade (art." (Acionista Minoritário na Sociedade Anônima: Direito de Fiscalização: Uma Abordagem Não-Dogmática. inciso XIV). inciso XXIII. caput). inciso XXII) e outros que. conclui-se que todos os sócios de uma sociedade por ações encontram-se em pé de igualdade em termos de direitos e obrigações. (. Carlos Alberto Benke. qualquer disposição legislativa que trate sobre sociedades privadas – não é dado o privilégio de estabelecer critérios de participação acionária ou de dispor sobre decisões intersócios em prejuízo dos princípios e regras constitucionais reservadas à proteção dos direitos pessoais. ainda. com a dignidade reclamada na Constituição em dois dispositivos e.404.. 5o. e para que elas se desenvolvam validamente e objetivem os seus fins há de ser observado o denominado método assemblear. 2003). o direito de informação (art. . como visto. art. na esfera judicial. fundado. em sendo necessário. e 170. na ordem econômica.

que devem constar dos livros próprios (art. de imposição feita pelos acionistas controladores em detrimento dos minoritários. esse documento da assembléia que. sejam opostas às exceções de irregularidade e de nulidade pelos acionistas. Decorre ela. portanto. o que. por exemplo. como documento necessário da sociedade anônima. O desvirtuamento de todos os princípios e regras legais e constitucionais aqui invocados pode revelar-se por vários meios. que acarreta verdadeira incerteza jurídica. a ata instrumento de certeza jurídica. novamente. ao colégio acionário e. não admitindo. abalando o pilar do princípio documental da assembléia: "O direito vigente também se filia ao princípio documental da assembléia. A adoção de atas sumárias nas assembléias gerais. aliás.Requisito essencial do método assemblear é que seja assegurado ao acionista a plena informação sobre os assuntos a serem deliberados. embora expressamente autorizada pelo art. figurando no elenco dos direitos e garantias fundamentais (Constituição Federal. ademais. tem status constitucional." (sic) (op. motivo suficiente em si mesmo para ensejar a anulação das deliberações assim viciadas. relacionado com os trabalhos da assembléia geral. a deliberada e sistemática adoção de práticas cerceadoras das atividades dos Conselhos Fiscais e de Administração no desempenho das suas funções fiscalizadoras. os respectivos assentamentos em documentos ou folhas apartadas o soltas.) E é em razão da relevância das atas das assembléias que o mesmo autor é crítico ferrenho da adoção da forma sumária. Tal a importância atribuída pela lei à observância do direito essencial de fiscalização do acionista que o seu descumprimento é. 130. contra a instalação. art. cit. previsto no art. de instrumento ao abuso de direito previsto na lei civil (Código Civil. por meio destes. 187). muitas das vezes com o objetivo de escamotear a verdade e omitir as minúcias das questões postas em debate nos conclaves. 127) e na ata da reunião dos acionistas. pois. como se sabe. inciso LV). presentes e ausentes. 100). possibilita o controle da legalidade e legitimidade da sua instalação e das deliberações havidas. art. § 1o. após publicada. entre elas. A absoluta relevância das atas assembleares pode ser aferida à luz da lição de Modesto Carvalhosa: "A ata. em regra. portanto. não por acaso. as deliberações e a vontade majoritária. da Lei das S/A. permitindo assim que seja ela oponível aos demais órgãos sociais e. baseado na lista de presença (art. em particular o de fiscalização da gestão dos negócios sociais. evidencia a gênese constitucional dos direitos dos acionistas. por exemplo. da Lei das S/A. bem como o exercício do contraditório em relação às matérias debatidas para a formação da vontade social. a terceiros. Permite. O contraditório. . Constitui. inciso III. na medida em que registra as deliberações e a vontade social. 109. 5o. servindo. constitui uma dessas práticas contrárias à governança corporativa.

Tal expediente atende apenas aos interesses dos controladores que.. após a promulgação da lei. já que se submetem os trabalhos à censura prévia dos controladores (. contrariando aquele interesse. O princípio da informação torna-se relativo. poderá a administração publicar apenas o seu extrato. eventualmente. Assim. na medida em que este passa a ter poderes legais de censura sobre as manifestações dos minoritários. igualmente. A ata sumária constitui. 153] A lei vigente traz outra inovação. por um dos grandes comercialistas brasileiros. na medida em que não podem os sócios.. expediente de perpetuação do grupo controlador. A iniqüidade desse sistema de ata sumária foi reiteradamente apontada.. temos que a ata. [especificamente Waldirio Bulgarelli. que decidirão em causa própria ou na dos administradores por ele eleitos. lapidarmente: "Em uma lei que se arvorou em defensora das minorias. discordantes valer-se do regime da publicidade para manifestar seus pontos de vista e. na realidade." (op. cit. estão. grifos nossos) E arremata. A adoção. em cada assembléia. aglutinar outros acionistas na defesa do interesse social. É princípio fundamental dever a ata ser redigida de maneira que permita àqueles que dela não participaram do conclave e à Justiça apreciar os fatos que ocorreram na assembléia geral. os trabalhos da assembléia. assim. o qual sequer depende de autorização assemblear ou tutela jurisdicional específica para ser colocado em prática. a própria derrogação daquelas. .. à luz dos direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal e também em consonância com o direito essencial de fiscalização garantido pela Lei das S/A. poderá ser lavrada sem que dela conste o inteiro teor dos protestos e representações de acionistas.. de preceito lesivo aos interesses dos acionistas minoritários. como um legítimo instrumento de defesa dos acionistas minoritários contra arbitrariedades. ao instituir a ata sumária. durante a tramitação do projeto e agora. cit. a ata sumária representa. a gravação magnética dos conclaves revela-se. Quando a ata não for sumária – e somente nesta hipótese -. A lei mantém o regime de publicidade. (op. ao sonegarem o registro e a publicação das manifestações minoritárias. Trata-se.). pois. ainda que sinteticamente. da ata sumária. não só adota a forma sintética como exacerba profundamente esse regime. grifos nossos) Diante desse contexto. p. cit. op.E quanto ao regime de declarações da ata. Pergunta-se em que ponto a ata sumária supressora da manifestação dos acionistas minoritários pode atender ao interesse social. depende de decisão dos controladores. sem dúvida. porém com essas restrições que impedem que a ata reflita. por deliberação majoritária.

A gravação explícita de conversa. não merece análise no campo das provas ilícitas. a escuta clandestina e o constrangimento físico ou moral na obtenção de confissões ou depoimentos testemunhais. situado fora do campo das provas ilícitas. modernamente. na hipótese de gravação dos conclaves realizados no seio das sociedades anônimas. a violação do sigilo epistolar. os Tribunais brasileiros têm-se orientado. manifestado no julgamento do HC 74. assumindo. em 11/03/98. assim se posicionou: . por decorrer de direito subjetivo do acionista. não podendo se orientar pelos mesmos fundamentos de direito que norteiam a controvertida interceptação telefônica.Isto porque dita gravação. é absolutamente legal e legítima. Verifique-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal. no julgamento do HC n. previsto na Lei das S/A e cuja gênese está nos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal.678-1. gerando direito subjetivo passível de ampla proteção. Nessas hipóteses a gravação não configura o exercício regular de um direito reconhecido. em que o direito reconhecido vem a ser o de fiscalização dos negócios sociais pelo acionista. entendeu o Exmo. a invasão domiciliar.338-8-RJ. O Excelso Pretório. Ministro que a gravação telefônica autorizada ou feita por um dos interlocutores. Naquele caso. ainda que realizada sem o conhecimento e consentimento dos demais presentes às assembléias gerais. com o exclusivo intuito de documentar seu conteúdo (princípio da certeza jurídica). é albergada por excludente de ilicitude quando há investida criminosa desta última. Sr. Dito voto tratou especificamente da situação em que um indivíduo realiza gravação telefônica sem o conhecimento do seu interlocutor. viés inteiramente diverso. com apoio na doutrina de Vicente Greco Filho. Tal não se verifica. a quebra de segredo profissional. teremos como exemplos de atos contrários ao direito. Reputando-se ilícita a prova obtida através da violação do ordenamento jurídico. entre outros. A gravação implícita ou explícita de assembléia geral ou de reunião do outros órgãos societários de natureza colegiada (conselho de administração e conselho fiscal) insere-se no âmbito das gravações privadas de conversas entre pessoas. praticados com o objetivo de produção de prova. portanto. Além disto. a gravação dos debates e das deliberações ocorridas no âmbito de qualquer órgão societário traz o benefício da certeza jurídica. Entende-se que o direito à privacidade é sacrificado em prol da legítima defesa ou de outra excludente de antijuridicidade. sem o conhecimento da outra parte. pelo entendimento inaugurado no voto paradigmático do Ministro Nelson Jobim. elemento fundamental à implementação do princípio documental inerente a tais atos coletivos. podendo-se inserir nessa espécie a gravação de assembléias gerais de acionistas e reuniões de conselho de administração e de conselho fiscal. a subtração de documentos. entretanto. 75. No tocante à interceptação telefônica.

Os interesses remanescentes devem ser suficientemente relevantes para ensejar o sacrifício da privacy. a liberdade.. admissíveis no processo. haja ou não conhecimento da parte de seu interlocutor. pois. como estado de necessidade e a defesa de direito. o próprio direito à intimidade e. nos moldes da disciplina da exibição da correspondência pelo destinatário (art. tornando ilícita a prova decorrente. dependerá do confronto do direito à intimidade (se existente) com a justa causa para a gravação ou interceptação. nenhuma lei que impeça a gravação feita por um dos interlocutores de uma conversa. chamada por alguns de gravação clandestina ou ambiental (não no sentido de meio ambiente. futuramente. a integridade física. na sua fundamentação. E. dado que não há. de modo geral. a gravação clandestina é de se reputar lícita. não se confunde com a ilicitude. sobretudo. conflito de valores dessa ordem." O Ministro Carlos Velloso. . na ordem jurídica brasileira. bem como a da prova dela decorrente. não tenho como ofendido preceito constitucional e nem tenho como ilícita a prova. por exemplo. ambas as situações (gravação clandestina ou ambiental e interceptação consentida por um dos interlocutores) são irregulamentáveis porque fora do âmbito do inciso XII do art. do mesmo modo que no sigilo de correspondência.) Em nosso entender. mas no ambiente). o direito de defesa... dentro das excludentes possíveis." (grifo nosso) Concluiu o autor que o sistema brasileiro é similar ao italiano. inclusive para documentar o texto dessa conversa. que intercepta conversa de umas pessoas. é de se afastar – frise-se – o direito à prova. A ‘justa causa’ é exatamente a chave para se perquirir a licitude da gravação clandestina. a vida. à excelente obra de Luiz Francisco Torquato Avolio (Provas Ilícitas. no julgamento da Ação Penal n° 307-3-DF. (. ainda não assimilou bem o conceito de gravação clandestina. São Paulo. Isso porque. da gravação que se faz para documentar uma conversa entre duas pessoas. também inexiste tipo penal que a incrimine. os seus titulares – o remetente e o destinatário – são ambos. portanto. "onde a tutela do sigilo das comunicações não abrange a gravação clandestina de conversa própria. o que as torna. não é interceptação nem está disciplinada pela lei comentada e. Ocorrendo."(. nesse caso. Qualquer pessoa tem o direito de gravar a sua própria conversa. os quais estão liberados se há justa causa para a gravação. 1995). 5º da Constituição e sua licitude. o sigilo existe em face dos terceiros e não entre eles. Assim. tanto no processo criminal como no civil. 233 do Código de Processo Penal).) a gravação unilateral feita por um dos interlocutores com o desconhecimento do outro. RT. que se insere entre as garantias fundamentais. independentemente do fato de a exceção à regra da inviolabilidade das comunicações haver sido regulamentada. assim se pronunciou: "Faço distinção entre gravação efetuada por terceiro. sem justa causa. Neste caso. A clandestinidade. aliás. é a divulgação da conversa sigilosa. O que a lei penal veda.. que afirma: "Observa-se que a jurisprudência. 153 do Código Penal e art." O mesmo acórdão faz alusão expressa.

Não se procede à impugnação ao valor da causa se não observado o rito determinado pelo art. Não configura prova ilícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. Desnecessário que conste expressamente da inicial dos Embargos a citação da outra parte. SIDNEY HARTUNG Julgado em 11/02/2003" "SEPARAÇÃO JUDICIAL. DEFERIMENTO. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. como se pode ver no voto do Ministro Cláudio Santos proferido no Recurso Especial nº 9. cujo grau de censurabilidade não chega a tornar ilícita a prova. PRODUCAO DE PROVA. Generalizar a proibição é que não me parece adequado.0004503-9): "Considero que. não é ilícita a sua admissão pois não atinge princípio constitucional. NÃO CONFIGURAÇÃO. sem que dê conhecimento ao seu interlocutor. de fatos que digam com a privacidade das pessoas.. incidental. Citação do embargado.(. Prova consistente em gravações magnéticas Possibilidade. uma inconfidência. Mas a questão fica no campo ético. " No Superior Tribunal de Justiça encontra-se pensamento idêntico. Caberá ao juiz avaliar. observado o art. 740 do CPC. quando alguém mantém determinada conversação. quando muito. Prova. RECURSO IMPROVIDO. POSSIBILIDADE.) Nenhum homem de bem gravará uma conversa que tenha tido com outrem. Precedentes. 261 do CPC. ILICITUDE DA PROVA. seja com o uso de meios eletrônicos. arrisca-se a ver a mesma divulgada. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO Número do Processo: 2002.012-RJ (91. o que configurará. Embargos do Devedor. dado o seu caráter. Não há proibição legal.15158 Data de Registro : 26/03/2003 Órgão Julgador: QUARTA CAMARA CIVEL DES.. AGRAVO DE INSTRUMENTO. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO . seja pessoalmente. Agravo de Instrumento. DESPACHO SANEADOR. de que a conversa está sendo gravada. e diante da norma contida no art. 383 do CPC.002. sem justa causa. Decisão que se reforma. Se a prova se limita à reprodução de diálogos entre as partes. em regra. Não se admitirá a divulgação." O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também já se pronunciou em linha com o entendimento majoritário: "EMBARGOS DO DEVEDOR.

independendo a admissibilidade da referida prova do conhecimento de sua formação pela outra parte. ADMISSIBILIDADE. CONFIGURACAO.N. Litigância de má-fé caracterizada. CORREÇÃO MONETÁRIA. Ementário: 24/2002 . Gravação feita por quem participou da conversa gravada. Entrega pela construtora de apartamento duplex. de cobertura localizada na Barra da Tijuca. ILICITUDE DA PROVA. PROVA PERICIAL. Civil. há de ser esta gravação admitida como prova em juízo. INDENIZACAO. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. a teor do artigo 383. corrigidos monetariamente. RECURSO PROVIDO. mas simplesmente de reprodução de conversa mantida pelas partes e gravada por uma delas. mediante instrumento particular de incorporação imobiliária. Rescisão do contrato por inadimplemento.AÇÃO ORDINÁRIA. Código de Processo Civil. INSTRUMENTO PARTICULAR.001. Promessa de compra e venda de imóvel. ao invés de uma cobertura. MARIA AUGUSTA VAZ Julgado em 09/04/2002" "PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. PEDIDO DE RESCISÃO. JUROS CONTRATUAIS. (FJB) Partes: JORGE JOAQUIM DE ALMEIDA E S/M . PROCESSO CIVIL . Devida a indenização fundada no dano moral. PAULO SERGIO FABIÃO Julgado em 16/10/2001" COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. FITA MAGNÉTICA. CARACTERIZAÇÃO.002. 23 . INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. a partir de cada reembolso.12197 Data de Registro : 13/08/2002 Folhas: 140991/141002 Comarca de Origem: CAPITAL Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL Votação : Unânime DES.Número do Processo: 2001. DANO MORAL. LITIGANCIA DE MÁ-FÉ. RESTITUIÇÃO DAS MPORTÃNCIAS PAGAS. Não se cuidando de interceptação de conversa telefônica ou de outro meio ilegal ou moralmente ilícito. Restituição integral dos valores pagos. incidindo os juros iguais do contrato.14672 Data de Registro : 12/06/2002 Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL DES.29/08/2002 Tipo da Ação: APELAÇÃO CÍVEL Número do Processo: 2001. NOTA PROMISSÓRIA. Provimento do apelo. PROVA.SÃO FERNANDO PATRIMONIAL LTDA. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. VISANDO DESCONSTITUIR NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA EM NOME DO VENDEDOR E QUE SE ENCONTRA EM SEU PODER .

. NO SENTIDO DE APURAR AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS DAS PARTES ENVOLVIDAS NA TRANSAÇÃO . tal interesse não resta atingido pelo mero ato de gravação de uma reunião ou assembléia em que tais assuntos sejam tratados.09608 Data de Registro : 04/01/2001 Órgão Julgador: DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CIVEL DES. SEM INTERFERÊNCIA DE TERCEIROS. GAMALIEL Q. No entanto. LICITUDE E VALIDADE. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. Número do Processo: 2000.002. DE CONVERSAS TELEFÔNICAS.PROVA PERICIAL DEFERIDA. sempre. a única restrição que se poderia fazer é a que abriga o interesse da companhia em preservar o sigilo de seus negócios.002. pela absoluta licitude e constitucionalidade da gravação de reunião por um dos interlocutores. LIMITANDO-SE O ENVOLVIMENTO AS PRÓPRIAS PARTES.CORREÇÃO DA DECISÃO HOSTILIZADA JÁ QUE NÃO SE TRATA DE PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO. portanto. ainda assim. ainda que sem o consentimento dos demais.RECURSO IMPROVIDO. ATO ENVOLVENDO APENAS AS PARTES. tendo a companhia e todos os seus acionistas. RELATIVAS AO NEGÓCIO.0632 Data de Registro : 26/10/1999 Órgão Julgador: DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL DES. mormente quando dita gravação tem por escopo prevenir ou registrar eventuais abusos ou violações do direito. são passíveis de composição pelo direito comum. MAS DE CONVERSAS A RESPEITO DO NEGÓCIO . Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. DE SOUZA Julgado em 21/11/2000" "AGRAVO DE INSTRUMENTO. MARIA HENRIQUETA LOBO Julgado em 14/09/1999" Pode-se concluir. DESPROVIMENTO DO RECURSO. NA RECLUSÃO TÍPICA DE CONSULTÓRIO MÉDICO. Número do Processo: 1999. INOCORRÊNCIA DO COMPROMETIMENTO À PRIVACIDADE ASSEGURADA NO TEXTO CONSTITUCIONAL. . NÃO É CONSIDERADA ILÍCITA PROVA RESULTANTE DE GRAVAÇÃO DE CONVERSA REALIZADA POR UM DOS INTERLOCUTORES REVELANDO-SE IRRELEVANTE A CIRCUNSTÂNCIA DE SER A GRAVAÇÃO FEITA FURTIVAMENTE. a garantia da legal da reparação dos eventuais danos. que subsistem no campo meramente hipotético e. Apenas o uso indevido dos dados gravados é que poderia caracterizar a quebra desse sigilo. PRODUÇÃO DE PROVA AUDITIVA CONSISTENTE NA REPRODUÇÃO DE FITA CASSETE. No campo do direito societário.

1 A AÇÃO DE ANULAÇÃO DE DELIBERAÇÃO DE ASSEMBLÉIA NA SOCIEDADE ANÔNIMA Guilherme Carvalho Monteiro de Andrade* Sumário: Introdução. A análise desses vícios e das questões que envolvem a ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) será. após o debate acerca das questões colocadas em análise. Considerações preliminares. Caso exista irregularidade na convocação da assembléia. Pedido. convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto. para melhor compreensão do assunto. Espécies de Assembléia. Prescrição. 2. como órgão social. no que diz respeito à convocação. tornando incabível sua limitação por deliberação majoritária dos presentes. por exemplo. tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento”. decidem quais serão os rumos da companhia. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Antes de adentrarmos no exame do ponto central do estudo. Conclusão. O artigo 121. por fim. Como conseqüência da interpretação da referida norma. 5. Nesse encontro os acionistas tomam conhecimento dos assuntos ordinários e extraordinários relativos aos negócios sociais e. portanto. ou na hipótese de sua instalação ocorrer sem a presença do quorum legal mínimo. prevê que “a assembléia geral. ou mesmo da companhia. instalação e realização. Modalidades de Vícios – Causa de Pedir. Procedimento. 6. 1. 7. que o direito subjetivo à gravação de uma assembléia ou reunião por qualquer dos presentes consubstancia ato pessoal e individual de quem está executando a gravação. 4. 8. a deliberação tomada ou todo o conclave poderão ser invalidados judicialmente.404/76 (LSA). à instalação e à realização do conclave. para que não seja impugnada e para que suas deliberações . Legitimação ativa e passiva. da LSA. se algum acionista votar contrariamente aos interesses da companhia. INTRODUÇÃO A assembléia da sociedade anônima é a reunião dos acionistas da companhia que tem por objetivo deliberar sobre o desenvolvimento das atividades empresárias. percebe-se que a assembléia deve respeitar aspectos legais e estatutários. o objeto do presente artigo. não se tratando de ato próprio do respectivo conclave. Formalidades para convocação. A validade da assembléia exige a observância de alguns aspectos formais e materiais estipulados na Lei nº 6.Não pode ser esquecido. 1. ainda. é preciso tecer algumas observações. 3. ou.

a fim de alcançar a formação da vontade da sociedade (da coletividade de acionistas).. realizam os contratos mais importantes que afetam a sociedade ou aqueles outros que. 2. reformam-nos. 1999. adaptada à lei nº 9. ampl. nem ser substituído.4 No que diz respeito à AGE. A assembléia é um órgão interno e soberano2. cada qual tratando de matéria própria.05. se for o caso. Rio de Janeiro: Forense. de 06. composto pela exposição. 2. por qualquer outro”1. a assembléia é o poder legislativo da sociedade. As assembléias gerais ordinárias devem ser realizadas nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social. citando Constans. Mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos.1977. também se revela importante consignar que a assembléia geral é “um órgão necessário. ESPÉCIES DE ASSEMBLÉIA Existem dois tipos de assembléia. v. que não tem poderes para representar a companhia (somente a diretoria poderá fazê-lo). Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. 122. 2. 131. não os podem realizar os administradores’.Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos. vez que se trata de órgão de deliberação. definida em lei. sendo a sua finalidade precípua (i) tomar as contas dos administradores. Advogado. somando suas vontades individuais. da CARVALHOSA. deliberando sobre demonstrações financeiras apresentadas. cujo poder não deriva de nenhum outro órgão da sociedade. 83. 1998. então. p. 3 PONTES.457. rev. quanto à sua competência e funções. A assembléia é o instrumento pelo qual os acionistas decidem sobre quaisquer negócios relativos à companhia. Como ensina Aloysio Lopes Pontes. da LSA. que representa a vontade coletiva manifestada pela expressão individual dos titulares de ações. prevê o art. 5. 2 Obra citada na nota anterior. ‘que são as leis da sociedade. que não pode faltar em nenhuma companhia. ed. pois é ela é que faz os estatutos. De outro lado. talvez o órgão mais importante da administração da companhia. 2 * sejam consideradas válidas. Modesto.404. (ii) decidir sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos e (iii) eleger administradores e membros do conselho fiscal. p. debate e votação de cada matéria colocada em pauta. as ordinárias (AGO) e extraordinárias (AGE). 510. A deliberação tomada em assembléia configura um processo complexo. Sociedades anônimas. Aloysio Lopes. São Paulo: Saraiva. que ela deverá tratar das matérias .3 É a assembléia. v. As demais atribuições das assembléias gerais ordinárias estão enumeradas pelo art. 3 1 LSA. por sua condição legal. de 15 de dezembro de 1976.

4 4 Lado outro. significa dizer que. no mínimo. FORMALIDADES PARA CONVOCAÇÃO. destarte. da LSA. é preciso preencher o quorum mínimo de instalação da assembléia.autorizar a emissão de debêntures. data e hora da assembléia. 2. Em caso de urgência. 5% (cinco por cento) do capital social ou votante. 122. No caso de o órgão ou de as pessoas encarregadas pela convocação não se desincumbirem dessa obrigação dentro do prazo estabelecido pela lei ou pelo estatuto.eleger ou destituir. para manifestar-se sobre a matéria”. “a convocação far-se-á mediante anúncio publicado6 por 3 (três) vezes.não atinentes à AGO. para que seja reputada válida. e IX . com a concordância do acionista controlador. contendo. a indicação da matéria” (art.autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. a ordem do dia. Com esta distinção. sua dissolução e liquidação. eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas. Logo.autorizar a emissão de partes beneficiárias. fusão. a menos que a lei o autorize5. ressalvado o disposto no § 1º do art.reformar o estatuto social. 5 A propósito. Assim. não pode o estatuto. a convocação deve ser realizada pelo órgão ou pessoa competente. Esta diferenciação. seja ele . V . convocando-se imediatamente a assembléia-geral. além do local. anualmente. que compete ao conselho de administração ou aos administradores a convocação da assembléia geral. se houver. no caso de reforma do estatuto.suspender o exercício dos direitos do acionista (art.tomar. “Art. delegar atribuição da AGO para outrem. VI . ou por acionistas minoritários. INSTALAÇÃO E REALIZAÇÃO Dispõe o art. Compete privativamente à assembléia-geral: I . na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. incorporação e cisão da companhia. será fundamental para o exame das hipóteses em que a deliberação tomada em assembléia (ou todo o conclave) pode ser invalidada por algum acionista. pelo menos. 3. Em outras palavras. o chamamento poderá ser realizado por qualquer acionista. as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas. citando ensinamento de outros autores. se decorridos mais de 60 (sessenta) dias. 123. IV . Parágrafo único. ressalvado o disposto no inciso II do art.deliberar sobre transformação. 519-520. II . III . os administradores e fiscais da companhia. Modesto Carvalhosa defende essa posição. v. da LSA). 124. que detenham. a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores. se a lei não definir a atribuição para a AGO. VII . 59. a competência será residual da AGE. a qualquer tempo. e. p. conforme o interesse da convocação. 120). o Legislador estabeleceu como competência indelegável da AGO algumas matérias consideradas essenciais à vida da companhia. 142. fixando os prazos previstos para que se realize o chamamento aos acionistas. tampouco qualquer outro órgão da companhia. VIII .deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social. Além disso.

7 6 Conforme regra constante do art. 129 e 136. por força de violação da lei ou do estatuto. 5 Em relação à distinção transcrita acima. da LSA. 136. os vícios dizem respeito às próprias deliberações assembleares. pela sua didática e simplicidade. a realização da assembléia deve respeitar um ritual próprio. 134. 7 AZEVEDO. da LSA.relativo às matérias comuns (art. da LSA). ainda. 289. Há casos em que toda a assembléia poderá ser invalidada. obviamente. não convocada) ou instalada. 126. 127 a 129. a menos que nela comparecerem todos os acionistas detentores de ações com direito a voto. atingirá todas as deliberações que nela forem tomadas. p. em primeiro lugar. com violação da lei ou do estatuto. em virtude da incapacidade dos votantes. todas ou algumas delas apenas. é preciso consignar. 1999. do art. Como ensinam os referidos autores. da LSA) ou para questões que exijam número de presentes qualificado (art. Erasmo Valladão. hipótese em que o vício. Noutra banda. Novaes. ou no § 2º do art. 115 e do art. Se alguma dessas formalidades não for observada. Invalidade das deliberações de assembléia das S. é mister trazer à baila uma separação dos vícios feita por Erasmo Valladão Azevedo e Novaes França. para que o conclave seja reputado válido. definido pelos arts.A. podem ter sido viciados em razão de erro dolo. 4. da LSA) e estatutária. bem assim que a assembléia seja competente para deliberar sobre a matéria constante da ordem do dia.. FRANÇA. também é necessário que o quorum de deliberação respeite a disposição legal (arts. ou simulação (ou. como já foi visto anteriormente. ou de violação do disposto nos §§1ºs. que podem ter sido tomadas. São Paulo: Malheiros Editores. em alguns casos). fraude. 228). que a identificação precisa do tipo do vício será fundamental para que o acionista possa utilizar-se da correta ação de anulação de assembléia. ou somente parte das . b) vício das deliberações – nessa hipótese. Logo. Ademais. o desrespeito às disposições legais e estatutárias confere aos acionistas o direito de insurreição. visando especialmente a proteção de seu interesse particular ou a defesa da companhia. MODALIDADES DE VÍCIOS DAS ASSEMBLÉIAS – CAUSA DE PEDIR Para melhor compreensão da ação de anulação de assembléia. c) vício de voto – um ou alguns dos votos que concorreram para a formação da deliberação (ou mesmo todos eles. a faculdade de pleitear judicialmente a anulação dessa assembléia irregular (ou da deliberação inválida). a assembléia poderá ser anulada. 85. os vícios que podem acarretar a anulação de assembléia subdividem-se em três espécies: a) vício da própria assembléia – que pode ter sido irregularmente convocada (ou mesmo.

conferir págs. mesmo aqueles que votaram favoravelmente à deliberação inquinada pelo vício que se pretende combater12. sob pena de sua pretensão ser rejeitada pelo Judiciário. verificar norma contida no art.deliberações tomadas no conclave. 120. em regra. a declaração de nulidade do ato inquinado. quando lhe couber intervir11. que infrinja direito de terceiros.1977. a doutrina mais avisada defende a hipótese de ser possível anulação de assembléia. então. embora não conste da Lei de S/A expressamente. estará legitimado a buscar a declaração de nulidade qualquer acionista. 168. somente do acionista que votou contrariamente à . rev. ampl. ainda. 410. Além dessas pessoas. 10 Ao ensejo. por sua vez.05. 2. 9 Azevedo e França defendem essa posição. v. 11 A Lei nº 7. “qualquer interessado” ou o Ministério Público10. v. ou pela ação de anulação (total. 3. do Código Civil de 2002. 432. 286. p. 5. ed. identificando-se o vício que se pretende atacar. se restar presente o vício de voto oriundo de coação. poderá ser autor da demanda neste caso. a propósito. Daí porque será necessário que se analise o caso concreto com muito cuidado. citando Miranda Valverde. de 06. O pedido dessa ação será. 1999. quando esse voto concorrer para a formação da maioria no conclave8. ed. adaptada à lei nº 9. rev. da LSA9. Rio de Janeiro: Forense. A propósito. em razão disso. na medida em que os efeitos dessa mácula são extremamente graves e. LEGITIMAÇÃO ATIVA E PASSIVA No que diz respeito à legitimação ativa para a utilização da ação de declaração de nulidade de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). Nessas hipóteses.. Na hipótese da ação de anulação da assembléia (ou de alguma deliberação). a legitimação ativa ad causam será. 2005. Fora isso. ou. ou parcial) da assembléia realizada pela companhia. devem ser combatidos com rigor.A. outra situação não prevista claramente na Lei de S/A diz respeito aos casos em que o vício verificado na assembléia é tão grave. 106 e seguintes da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. para definir pela ação declaratória de nulidade do ato. 12 Aloysio Lopes Pontes defende o contrário. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas.. Sociedade anônima.913/89 dispõe sobre a ação civil pública de responsabilidade por danos causados aos investidores do mercado de valores mobiliários – conferir. confira-se Modesto Carvalhosa. não se enquadrando. 6 8 seu interesse de agir13. e atual. p. Ademais. inclusive. colacionado escólio de abalizados autores.457. Confira-se pág. 4. em julgados que colaciona a seu trabalho. no regime de anulabilidade estabelecido pelo art. que atente contra a ordem pública ou contra os bons costumes. Belo Horizonte: Del Rey. CORRÊA-LIMA. o autor da referida ação declaratória deverá demonstrar o Nesse sentido. a mácula representa a nulidade do ato. Em qualquer um desses casos. dependendo da espécie de vício ocorrida. da obra Sociedades anônimas. fundamentando-se. assim. Osmar Brina. 5.

na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. a questão da legitimidade ativa para a propositura da ação de anulação de deliberação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) deve ser analisada de acordo com essas observações. colacionado ensinamento de Orlando Gomes e Pontes de Miranda. será reservado para outro artigo. a doutrina é pacífica em admitir como parte legítima a companhia. Haverá casos. nos quais o acionista que tiver cometido abuso no exercício do direito de voto poderá ser incluído no pólo passivo da demanda. 286. com base na interpretação sistemática da Lei de S/A. 7 13 E assim defendem esses autores. por exemplo. Noutro giro. de credores e de terceiros.deliberação que se pretende anular ou àquele que se absteve de votar no conclave. citando outros autores. na medida em que os arts. 121-125. Haverá casos. do acionista que ingressou na companhia depois de tomada a deliberação. em litisconsórcio com a companhia. p. p. Azevedo e França sustentam esse entendimento. se houver pedido de ressarcimento de danos formulados contra ele. em princípio. entretanto. se o acionista que tiver votado favoravelmente ao ato que se pretende anular tiver agido impulsionado por algum vício de consentimento. que o início desse prazo não poderá ser a data da publicação. do usufrutuário em relação ao nu-proprietário da ação. Assim. contados da deliberação. Logo.. da LSA. estabelecem como marco inicial do prazo prescricional a data da publicação do ato. inclusive.A. Modesto Carvalhosa sustenta essa posição. Contudo. a companhia será a parte legitimada para responder à ação de declaração de nulidade ou à ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). que também tratam de prescrição. 4. ou eivadas de erro. dolo. Há discussão doutrinária14 sobre a legitimidade ativa de outras pessoas.A. v. . ele também estará legitimado a pedir a anulação da deliberação tomada ou de toda a assembléia. fraude ou simulação. 285 e 287. 6. portanto. 421-422. PRESCRIÇÃO Conforme previsão contida no art. irregularmente convocada ou instalada. do administrador e do conselho fiscal da companhia. 119 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. Embora o marco inicial definido na lei seja a data da deliberação. Invalidade das deliberações de assembléia das S. a ação para anular as deliberações tomadas em assembléia-geral ou especial. quanto ao pólo passivo da ação de anulação e da ação de declaração nulidade. importante registrar que a doutrina mais avisada15 já sedimentou o entendimento de que o termo a quo começa da publicação da deliberação. assunto que se revela demasiadamente tormentoso e. todavia. violadoras da lei ou do estatuto. 15 A propósito. na pág. prescreve em 2 (dois) anos. 14 Obra de Azevedo e França.. como.

se a pessoa agravada pela deliberação não for acionista da sociedade.A. prevalecendo. De outro lado. para adequada definição do marco inicial e do prazo prescricional correto (civil ou especial). se se tratar de vício de deliberação (causa de pedir). ainda existe o vício de voto (causa de pedir). realizado em 04. dolo. fraude. decorrente de erro. que pode ter origem na convocação. que esse vício de deliberação recaia sobre todas as questões analisadas e decididas. citando Miranda Valverde. Nessas circunstâncias. essa análise deverá ser feita no caso concreto. Com efeito. não apenas parcial do conclave.1983. lembre-se). o postulante deverá demonstrar o prejuízo efetivo que a deliberação ou assembléia acarreta ou a possibilidade de dano futuro. simulação. em decisão relatada pelo Ministro Oscar Dias Correa. não afetando as demais deliberações da assembléia. não sendo possível o aproveitamento de qualquer ato ou decisão. Mesmo que as deliberações tomadas tenham respeitado as disposições legais ou estatutárias. Seja qual for a causa de pedir da ação de anulação. é preciso utilizar a classificação citada no tópico quatro. entretanto. 16 . vigorando.862-CE. cita acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal. se Azevedo e França. então. assim. hipótese em que o pedido será a anulação total. 7. a data da deliberação (ou da prática do ato inquinado) como o termo a quo do prazo prescricional. no julgamento do Recurso Extraordinário nº 94. defende que em ambos os casos destacados anteriormente é possível pleitear a anulação das deliberações de assembléia. PEDIDO Em relação ao pedido da ação de anulação de assembléia. se a mácula que se pretende anular tratar-se de vício da própria assembléia (causa de pedir). que adota esse entendimento. na pág. em respeito ao brocardo pas de nullité sans grief. o pedido da demanda será a anulação total do conclave. o referido vício acarretará a invalidação integral da assembléia. ou total. Modesto Carvalhosa.. a condição do postulante e a sua relação com a companhia. o prazo de prescrição previsto na Legislação Civil16. sendo imprescindível examinar-se o vício objeto do pedido.12. o pedido da ação restringir-se-á à específica decisão ou ao ato inquinado. instalação ou realização irregular. 127 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. para melhor compreensão do tema. Pode ocorrer. ou coação (se essas máculas forem decisivas para a formação da maioria. Ademais. unânime. caso em que o pedido poderá ser a anulação parcial. Também existirão situações em que o início do prazo prescricional não poderá ser a data da publicação da deliberação da assembléia.porque a companhia pode deixar de dar publicidade ao ato.

que venha a acarretar prejuízos a outro acionistas ou à companhia. em regra. Haverá situações em que o pedido não se limitará à anulação de deliberação ou de toda a assembléia. a alegação de contrariedade à lei ou ao estatuto/contrato social: verossimilhança. 273.8 comprovado o interesse de agir (prejuízo atual ou futuro). 19 A norma do parágrafo 7º. em regra. a título de antecipação de tutela. Confira-se: A ação anulatória das deliberações da assembléia geral ou especial pressupõe. o autor deverá trazer com a petição inicial prova inequívoca do defendido vício (deve comprovar que o ato ou a deliberação seja contrário à lei ou ao estatuto). a restabelecer a ordem jurídica na sociedade anônima. para que o juiz se convença da verossimilhança de suas alegações (deve demonstrar que a demora na concessão do pedido pode acarretar sérios e irreversíveis prejuízos). ou dos estatutos. do art. do Código de Processo Civil. exclusivamente. a qual apenas parte da eficácia total gerada ocasiona efeitos prejudiciais ao direito da parte. Aloysio Lopes. v.17 No mesmo sentido. turbada por uma deliberação violadora da lei. a inclusão de quem tiver provocado o dano no pólo passivo da demanda. poderá o juiz. mas tãosomente a possibilidade de se consolidar uma situação que poderá dificultar a vida da sociedade ou sacrificar o legítimo interesse de seus acionistas. 2. Luiz Fernando C. quando presentes os respectivos pressupostos. para o deferimento da medida. Pereira esclarece que não basta. Também é possível imaginar que a parcela eficacial gerada que 17 CARVALHOSA. Comentários à lei de sociedades anônimas. quando previu que “se o autor. 8. A isso soma-se a exigência do justificado receito de ineficácia do provimento final que a produção de determinados efeitos da deliberação questionada pode gerar. deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado”. Aloysio Lopes Pontes colaciona em sua obra18 julgado do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas que possui entendimento de ser dispensável a prova do prejuízo. ou para a sociedade. 18 PONTES. p. Nesse caso. CPC. requerer providência de natureza cautelar. esvaziou o debate sobre a impropriedade da utilização de ação ordinária e sobre antecipação de tutela em ação declaratória. Logo é possível imaginar uma deliberação questionada. PROCEDIMENTO Sem aprofundar nas discussões travadas pelos processualistas. se houver a prática de abuso por parte de algum acionista. 425. 273.19 Quando as circunstâncias evidenciarem que os efeitos do provimento final deverão ser desde logo concedidos. poderá o autor da demanda pedir a antecipação dos efeitos da tutela buscada. neste caso. p. Caberá. casos haverá em que a ação visará. no caso de dano potencial. Todavia. concedendo-lhe a antecipação de tutela pretendida. É tranquilamente possível a cumulação do pedido anulatório com pretensão de ressarcimento. como já foi visto. em respeito ao disposto no art. acionistas. o procedimento da ação de nulidade ou da ação de anulação será ordinário declaratório. Sociedades anônimas. a existência de prejuízos delas decorrentes para o autor. 9 . 118. Modesto. Prejuízo pecuniário atual não existe.

Medidas urgentes de direito societário. 2002. a necessidade de suspensão antecipada24 do ato havido como prejudicial.10. a referida regra não deve ser analisada literalmente. situações que envolvam a suspensão de ato ou de deliberação ainda não executados23. foi estabelecida uma série de formalidades para a convocação. com a eventual suspensão. 3. ainda. provocar a anulação de toda a assembléia. efeitos maiores do que poderia gerar a não-suspensão. Medidas urgentes de direito societário. do referido art. Luiz Fernando C. A assembléia é parte fundamental dentro da estrutura da sociedade anônima. 157). 2. p. esposou o entendimento de que “a exigência da irreversibilidade inserta no § 2º do art. 20 . 138. não se revela prudente seu deferimento. Relatado pelo Ministro Adhemar Maciel. do citado art. no julgamento do REsp nº 144. São Paulo: Revista dos Tribunais. PEREIRA.não produza efeitos prejudiciais produza. O contraditório será apenas adiado.21 Na hipótese de a concessão da antecipação de tutela acarretar perigo de irreversibilidade do provimento. É certo que não se defere a medida quando a suspensão gerar prejuízo maior do que a não-suspensão. nos termos do parágrafo 2º. teremos a ocorrência de vícios (da própria assembléia. sempre que possível” (PEREIRA. 22 O Superior Tribunal de Justiça. Em razão dessa relevância. Poderá ocorrer. sendo imperioso que se demonstre. em qualquer uma das hipóteses. visando. Portanto. p. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo. sob pena de o novel instituto da tutela antecipatória não cumprir a excelsa missão a que se destina”. até mesmo. 21 “Ao contraditório prévio. deve ser deferida a antecipação. para permitir a efetividade da tutela. 2ª Turma. instalação e realização das assembléias. se forem preenchidos os requisitos do caput e do parágrafo 1º.656-ES. recomenda-se que a antecipação seja deferida liminarmente e sem a audiência da parte contrária. Caso haja o desrespeito às regras legais ou estatutárias. CONCLUSÃO 1. 06. de deliberação ou de voto) que podem invalidar as deliberações tomadas no conclave. ou. principalmente. o autor poderá valer-se da ação ordinária declaratória. bem como o respeito à lei e ao estatuto. Luiz Fernando C. pois a oitiva do réu pode tornar sem sentido o deferimento da medida posteriormente.97. vez que se trata do órgão deliberativo que resolve quais serão os rumos dos negócios sociais. sob pena de não desvirtuar-se a verdadeira mens legis22.20 Em grade parte das vezes. J. preservar os interesses da companhia e de seus acionistas. Nestes casos. de conter. 273. Entretanto. como também será possível a utilização da cautelar inominada preparatória. 273.

22. vez que o exame das questões envolvendo a legitimidade. da obra Sociedades anônimas. Osmar Brina.A. Porém. 24 No caso de suspensão de deliberação nula.A propósito. 10 23 4. 2000. Poderá ser pleiteada a anulação total ou parcialda assembléia. rev. COELHO. e atual. ou. dependendo do tipo de vício que se pretenda atacar. de 15 de dezembro de 1976. 6. que se caracterizem como abusivos à lei ou ao estatuto. . v. contados da data da publicação do ato inquinado. 8. ainda. ed. 5. 1998. FRANÇA. REFERÊNCIAS Obras Literárias AZEVEDO. Fábio Ulhoa. São Paulo: Malheiros Editores. Invalidade das deliberações de assembléia das S. 9. em princípio. 3. Modesto. obra Medidas urgentes de direito societário. Belo Horizonte: Del Rey. 163-164. e atual. O prazo prescricional da aludida ação anulatória é de 2 (dois) anos. Verificar p. A legitimidade passiva será da companhia. Confira-se pág. São Paulo: Saraiva. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. Aloysio Lopes Pontes cita um julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que defende o entendimento de não ser possível a utilização de ação preventiva. rev. 2005. CORRÊA-LIMA. Curso de direito comercial. em regra. O procedimento a ser adotado será o da ação ordinária. Luiz Fernando C. criticando durante a posição da Corte Bandeirante. com pedido declaratório. sendo recomendável pugnar pela antecipação dos efeitos da tutela final. esclarece que embora não haja eficácia a ser suspensa é recomendável que se afaste a dúvida que paira sobre o ato. CARVALHOSA. Novaes.404. 6. 1999. A identificação desses vícios será essencial para a adequada utilização da ação judicial. 7. 2. a declaração de nulidade do ato. pode-se dizer que a referida ação de anulação representa um valioso instrumento contra atos praticados nas assembléias de sociedades anônimas.. quase sempre. A utilização da cautelar preparatória também se revela possível. Erasmo Valladão. é a hipótese concreta que irá definir o marco inicial do prazo prescricional. A legitimação ativa ad causam da referida ação de anulação. Pereira. Em razão de tudo isso. ed. São Paulo: Saraiva. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA. Sociedade anônima. o prazo de prescrição e o pedido dependerá da espécie de mácula encontrada. será do acionista que tiver votado contrariamente ao ato que se pretende anular ou daqueles que tiverem se abstido de votar.

404/76) Eliane M. aos quais compete produzir a vontade social. a organização da sociedade. São Paulo: Revista dos Tribunais. Vocabulário jurídico. 1984. a designação de órgãos sociais. Octaviano Martins1 Paulo Roberto Colombo Arnoldi2 INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. ampl.br>. 2006.gov. FERREIRA. Disponível em: <http://www. Alzira Malaquias da. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima3dá-se. ed. delegado à Assembléia . 1999. Disponível em: <http://www. PONTES. (Dicionário eletrônico. 1999. Acesso em: 10 dez. Acesso em: 10 dez. Luiz Fernando C. 2. 1999. Aloysio Lopes. Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. rev. De Plácido e. 87. 8. ed.1977. Aurélio Buarque de Holanda. 11 Legislação BRASIL. FERREIRA. Rio de Janeiro: Forense. Consulta de jurisprudência sobre a matéria. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. versão 3. Consulta de jurisprudência sobre o assunto. 3. 2006.. atual. ed. 2006. Sociedades anônimas.tjmg. ADMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. Lei das sociedades anônimas. adaptada à Lei nº 9. doutrinariamente. SILVA.457. São Paulo: Saraiva.gov. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS.br>. impondo distribuição de poderes. 5ª ed.0). 1. Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt. v. Rio de Janeiro: Forense. Obra coletiva de autoria da editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto.PEREIRA. Medidas urgentes de direito societário. Jurisprudência. Ed. representantes dos poderes da sociedade.stj. v.05. Marina Baird. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. 2002. Sites consultados SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Caxias do Sul: Editora Plenum. de forma democrática. de 06. SILVEIRA. 5. CD-Rom JURIS Plenum.

Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e Integração – IPDCI. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade.Geral. Curso de Direito Comercial. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. em que se constata uma . poder executivo ou administrativo. São Paulo : Atlas. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF de Bragança Paulista (SP). 5A Lei 6. Rubens . considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. advogado militante.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. portanto. 4Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. 1984. sem descaracterizar os interesses da companhia. concentrando-se o poder em um grupo de controle. 2 Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. 3 Cf . Requião. 1 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria.5 Professora de Direito Marítimo. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa6. Direito Empresarial e Direito Internacional em cursos de graduação e Pósgraduação. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip).4 CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). São Paulo : Saraiva. doutor e livre-docente em Direito Comercial. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. é mestre. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. No Brasil. 1988. devido ao desinteresse dos acionistas. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. Mestre pela UNESP e Doutora pela USP. constatam-se. adstrito ao Conselho de Fiscalização. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina.

142. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. p. cit. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. de acordo com a disposição estatutária. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas8.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1.. ou exclusivamente à diretoria. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória.A. inciso I e 168). De acordo com o art.REQUIÃO e Rubens. 1978. e facultativo nas demais sociedades anônimas. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. 138 da Lei 6. Nesse sentido.404/76. 7Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão 6 . Fran. portanto. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. 165. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. Procurou. No que concerne às sociedades de capital autorizado. a lei brasileira. de caráter deliberativo e fiscalizador.9 A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. MARTINS. Rio de Janeiro : Forense. nos aumentos de capital. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Cf. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. conforme rege o art. diversamente da subscrição comum (art. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. é específica a lei no art. Comentários à Lei das S. 138. 141. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. § 1º da lege ferenda. 166. § 4º. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. Nesse sentido.7 I . mas consistem em representantes da sociedade.separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. nos termos do art.

da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. Fran.permitindo-se. que não poderá exceder 3 anos. cit. p. que o Conselho se integre com um representante da minoria. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. p. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. 142. no mínimo. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. vinte por cento de capital com direito a voto. dessa forma. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. conforme art. determinar limites. 9Cf. § 7º). a eleição de um membro do Conselho podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. cit. e as normas sobre convocação. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. MARTINS. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência.10 2. Tratandose de órgão superior. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. face ao disposto no art. § 1º. 141 . 4. faculta-se aos acionistas que representem. a Lei. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo12. que deliberará por maioria de votos11.Cumpre destacar que acordo com a lei. que será no mínimo de três. de acordo com suas necessidades estruturais. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. O estatuto deverá prever. 655. o prazo de gestão. nesse caso. caput da Lei 6. art. 3. 173. 163. José Edwaldo Tavares Borba. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. ficando. ob. 140 e 146). reveste-se de inconstitucionalidade. ob.404/76. inciso II). Poderá o estatuto. 8Faculta. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. inciso II)13. observado esse mínimo legal. mas à luz da Constituição Federal de 1988. Outorga de poderes A lei. instalação e funcionamento do Conselho.. 140. estabelecendo-se mínimo e máximo.272. 239). também. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. Neste sentido. criados por lei ou estatuto.122. com imensos poderes. no seu artigo 139. Wilson de Souza Campos. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. o modo de substituição. 2 Conselho Fiscal (art.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se . portanto. BATALHA. cit. ob.

proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. 164. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. 12 De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. Trata-se. 141. um décimo do capital social com direito a voto. Rubens. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. 141 da Lei 6.1. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. Fran. 11Vide MANGE. A lei 6. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. iniciar-se-á novo período gestacional.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. ob. . ob. RT 667. Rio de Janeiro : Forense.1. portanto. . Fran. cf. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. 4. 13MARTINS. p. Eleição e destituição de membros . 14REQUIÃO. tratando-se de decisão ad nutum. 1978. sendo necessário maioria simples (art. isoladamente.140). p.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo.Processo de voto múltiplo Determina o art. de regra de ordem pública. sendo vedado que um só conselheiro. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. 4. 272.2. cit. cit. ou seja. sobre a inaplicabilidade dos arts. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão14. p. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia 16. no mínimo. 4. independe de disposição estatutária e. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou Consistindo em órgão de deliberação colegiada. 10 3 total de seus componentes. ao contrário. 129).15 O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. MARTINS. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho ..2.requer voto qualificado. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. citado por Fábio Ulhoa Coelho.404/76 regulamenta tal procedimento no art. Roger de Carvalho. e nesse caso. 303. cit.

§ 1º). Além disso. A mesa diretora informará previamente. 18Vide Instrução CVM n. 291 da lei”. 304. procedendo-se a nova eleição (art. § 3º). LIMA. do capital com direito a voto. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. Eliane M. à vista do "Livro de Presença". de 11. portanto.. Cf. e reconhecendo-se. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. no mínimo. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração17. aos acionistas o direito de cumular os votos num só candidato ou distribuí-los entre vários. Osmar Brina Corrêa. consistindo. ainda. Quando a eleição de membros19 tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. Octaviano Martins. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. Wilson de Souza Campos.independentemente de previsão estatutária. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. p. cit. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. p. 165. p. quando se tratar de sociedades abertas. Adotando o sistema de voto múltiplo.. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art.. o número de votos necessários18 para a eleição de cada membro do conselho (art. MARTINS.. em vantagem para os acionistas não-controladores. o que significa que a regra é de ordem pública. 19BATALHA.. 141. Nos demais casos em que o cargo fique vago. 291 da LSA.91. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. MARTINS. in Direito de voto. 141. Fran. 699 : “o administrador eleito por grupo ou 15 16 . 27. cit. p. in Comentários. ob. 283.. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. baixada nos termos do art. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. ob. observando-se o Cf. ob. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. in Sociedade Anônima.. 17 Cf. cit.12.

mas órgão da sociedade. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. 176). II. convocar assembléia geral. inclusive mediante voto múltiplo (art. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. quando não existir Conselho de Administração21. deliberar. se houver. Assegura-se compulsoriamente a eleição. quando autorizado pelo estatuto. como também de orientação das atividades da sociedade. a Lei 6. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. é competência do Conselho de Administração. Nos casos em que exista Conselho de Administração. fiscalizar a gestão dos diretores. 142. portanto. conforme rege o art. a Diretoria será o órgão destinado a . quando julgar necessário. 4 prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. Note-se. do capital social. se existirem acionistas que representem 20%. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. no mínimo. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. 5. Em linhas gerais. 154). Garante-se.classe. portanto. ainda. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto20. competindolhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. Impõe. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. em qualquer sociedade anônima. no § único do artigo ora em exame. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos.404/76.

Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria.A.a qualquer diretor . A Lei 6. mas como representantes da sociedade. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. 25 . 143. Buenos Aires. ou se inexistente. 1960). 142. REQUIÃO. p. 22 Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. de competência dos diretores. Rubens. 165. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. II. Cf. ob. prazo de gestão. Comentários à Lei das S. MARTINS. incisos I. 1. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. a direção da sociedade em todos os aspectos. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. São Paulo : Forense. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. compete aos diretores . sejam tomadas em reunião da diretoria (art. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (BrunetCañizares. Ademais. 144). em regra. enquadrando-os como órgãos da sociedade. a Lei 6. no § 1º do art. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. e como tal. 143. inciso II e § único). que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. 143 e 146). como ocorre com o art. pela Assembléia Geral (art. é imputada à sociedade. mas como um órgão da sociedade. incisos III e V. acionistas ou não. o modo de sua substituição.404/76 não considera os diretores como mandatários. sua vontade. 142.gerir os negócios sociais. Fran. possuindo. Representação: 20 21 5 Cf. III e IV). cit. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. 1978. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. amplos poderes23 para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. 24 2.404/76.

16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. portanto. Não se extinguirá. ob. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores.pela morte ou interdição de uma das partes.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. BATALHA. que devem ser explicitados no instrumento. vol. GOMES.Se o mandato fosse particular.ADMINISTRADORES . 1 . em doutrina. 659. cit. 145 a 151 da Lei 6. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. Orlando. conforme determina o art. O mandato. Anstellung. predomina. p.II . pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir.” 25 “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. Código Civil art. remuneração. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. p.O mandato representa a outorga temporária de poderes. ao lado do ato unilateral de nomeação. 22 23 6 Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. mas de um ato jurídico unilateral. feita pela sociedade através de seus diretores. Por outro lado. inciso II : “Cessa o mandato : . mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. investidura. nos limites de suas atribuições e poderes. Conquanto esse ato unilateral. para a prática de determinados atos. o contrato de emprego. nem por isso se torna contratual. p. 24É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. cit. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. 139. com os respectivos poderes.. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. . pois a responsabilidade orgânica é ex lege. denominado nomeação. 429.” Cf. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. 1316. Os poderes dos diretores são indelegáveis. se extinguiria com a morte do mandante. porquanto ela é simples condição de eficácia. 144 . há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores.404/76. in Revista dos Tribunais. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade.. Requisitos e impedimentos Cf. Wilson de Souza Campos. 661. impedimentos. por via do qual se lhe atribui. ob. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. nesses casos. Entretanto. Não colide com o disposto no art.

Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria.pelo titular ou por terceiro . a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. 146. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. 147 § 1º). Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. 146. bem como o prazo de gestão auferido. peita ou suborno. um mecanismo de garantia de gestão. 4. contra a economia popular. 2. . no prazo de 30 dias após a nomeação. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. sob pena dessa se tornar sem efeito. 3. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. mesmo que temporariamente. no art.. 147 § 2º). o acesso a cargos públicos (art.acionistas ou não26 (art. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. dos quais se arquivará cópia na sede social .mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. 148. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. 149). § único). peculato. de prevaricação. Ademais. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. caput). O art. com vigência até a primeira assembléia geral que houver. 150 § 1º). podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . 150 caput). sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. concussão. 147 determina que. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos.

O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores28. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. conforme dispõe o art. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. se estiver em funcionamento. conforme art. caput. Renúncia A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art.404/76. art. 153. tempo dedicado às funções. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. 160. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. no § 2º do art. As normas desta Seção. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. ou a qualquer acionista. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios29. 153 a 160. 26 7 Rege a lei. 150 § 3º e 4º). Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que . ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. I . que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. competência. no art.27 DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. a Lei 6. e em relação aos terceiros de boa-fé. Dever de Diligência : a lei brasileira. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. convocar a assembléia geral. 152. tendo em conta suas responsabilidades.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. 6. competirá ao Conselho Fiscal. 5.A Lei ora em estudo. 165) . 150. prevê. 146 § único. 151. conforme disposto no art. também. no seu art. 2. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração.

50 apud Fábio Ulhoa Coelho. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. 154. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. Especificamente. ou podem gozar. p. mas em certos casos. conforme estabelece o art. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. correlatamente. 155 : usar.observadas sempre as normas do art.exerça suas atribuições . 152. n. 154. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. § 1º). gozam. bem ou . não apenas possível. § único e 1º). Revista de Direito Mercantil. Veda-se ao administrador. sendo vedado ao administrador. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. ob. com ou sem prejuízo para a companhia. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. em benefício próprio ou de outrem. a remuneração com parte fixa e outra variável. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. prevalecendo o limite menor (art. conforme art. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. das vantagens comuns a todos. em razão de seu cargo. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. 152 da Lei é. e seus membros. serviços ou créditos. 154. ou de terceiros. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. os seus bens. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. em função dos lucros .. 310. para si ou para outrem.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . § 2º:. como administradores.. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. visando à obtenção de vantagens. para revender com lucro. adquirir. são parte dela. cit.. do interesse da empresa”.30 3. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro.atribuídas por lei e pelo estatuto . criados pelo Estatuto Social. receber de terceiros . conforme art.para lograr os fins e no interesse da companhia. praticar ato de liberdade à custa da companhia. integram-se na administração da empresa. 154. 27 8 § 3º). Revista dos Tribunais. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. 29 Cf. BULGARELLI. 28Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta.

ou que esta tencione adquirir. § 1º). civil e penal. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. 31Ademais.deriva do dever de diligência. a lei impõe ao administrador. tendo em vista suas responsabilidades sociais. sendo-lhe vedado. 154. 157) 33 II . valer-se das informações para obter. conforme segue : 1. ainda. bônus de subscrição. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. além de regulamentar. 32Ainda que observado o disposto neste artigo. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas entendidos como tal os diretores. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo.direito que sabe necessário à companhia. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios34. no momento da posse. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. 155. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. no § 2º do mesmo artigo. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. deverá declarar o número de ações. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator.31 5. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. para si ou para outrem. também. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. de que seja titular (art. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. No caso de irregularidades. no § 3º. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. Conflito de Interesses(art. a natureza e extensão de seu interesse. que a lei (art. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º.32 5. anteriormente mencionado. Responsabilidade Administrativa Cumpre ressaltar. o administrador somente pode contratar com a companhia 30 .

cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato . infringe-se a finalidade do interesse social. § 2º). nos termos do art. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. 1981. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. § 2º e seguintes. A lei determina que o administrador. detalha os casos em que haverá solidariedade 36. 9 A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. 158. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. Revista de Direito Mercantil.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. A responsabilidade civil consiste. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. 2. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. 158). por ser órgão colegiado. em regra. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. § 1º). quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. 156.. nr 42. portanto.37. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes.Crimes contra o Patrimônio . 34GUERREIRO. Independe de processo formal. no âmbito de Diretoria. Código Penal . mas a lei. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. porém. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. São Paulo : Ed. Revista dos Tribunais. 156. 3. ano XX.em condições razoáveis ou eqüitativas. quando proceder com culpa ou dolo. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. José Alexandre Tavares. 33 Vide na íntegra o art. pois dessa forma. 35 No que concerne ao Conselho de Administração. civilmente. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. 157 e seus parágrafos. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. responde.

não sendo possível. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. 159. 37Por força do art. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. Neste sentido Fran Martins. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. obter aprovação irregular de contas. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. . caput. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. cit. é individual.relevante em documentos destinados ao público. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. executar negociação com as próprias ações da sociedade. provocar falsa cotação de valores mobiliários da 35Ao violar a lei ou o estatuto. em nível de Diretoria. exceto nas companhias abertas. 36 Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade.se em funcionamento .A. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. em proveito próprio ou de terceiro. Vide na íntegra o art. a responsabilidade dos diretores. no prazo de três meses (art. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio.. portanto.. ao Conselho Fiscal . findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. 159. 2. em assembléia geral extraordinária. competirá à companhia. age além dos poderes que lhe são outorgados. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedí-los. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. salvo nos casos de conivência.ou à Assembléia Geral. Competirá. § 3º). in Comentários à Lei das S. 10 sociedade. rege o § 1º do art. mediante prévia deliberação da assembléia geral. mas perante terceiros prejudicados. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. Nesse sentido. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. 158 e 159. ob. Em regra. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos.

CONSELHO FISCAL 1.492/86 . portanto. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. § 2º). 40Dispõe o art. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido.A. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. durante o período de liquidação da sociedade.Crimes contra a ordem tributária. econômica e relações de consumo. Lei 7. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. Requisitos. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. 161. Lei 8. 161). Quando seu funcionamento não for permanente. cit. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. acionistas ou não. 161. conforme dispuser o Estatuto (art. consiste. que elegerá os membros. com atribuições definidas dentro da sociedade. 2. ob. 4. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal.ainda que a matéria não conste da convocação40). Composição e funcionamento O Conselho Fiscal39 pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. conforme observa Fran Martins. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. Dessa forma. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. 39A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. 161.137/90 . in Comentários à Lei das S. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. inclusive. 38 11 3. possuindo para tanto amplas atribuições. com mandato anual (art. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. § 1º). em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros38. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária .. Impedimentos e Remuneração . eleitos pela Assembléia Geral Ordinária.3.

caput). ou que tenham exercido. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. 4. no § 7º do artigo ora enfocado. e o cônjuge ou parente. incorporação. não computada a participação nos lucros. a serem submetidas à assembléia geral.para cada membro em exercício . conforme disposição do art. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. distribuição de dividendos. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. 162 § 1º). de administrador da companhia. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. diplomadas em curso de nível universitário. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. fusão ou cisão. Rege ainda a lei.ou ao menos um deles . 162. No que concerne à inegibilidade. emissão de debêntures ou bônus de subscrição.42 Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art.A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. emitir opinião43 sobre o relatório anual da administração. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art.164. transformação. . fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. planos de investimento ou orçamentos de capital. no que tange à modificação do capital social. 5. acrescentando o § 2º do artigo em exame.A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . residentes no País. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. . Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . 147 41. até terceiro grau. por prazo mínimo de 3 (três) anos.

José Edwaldo Tavares. cit. Rio de Janeiro: Forense. Comentários à Lei das S. BATALHA. 1977. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. 42Cf. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. contra a economia popular. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. Manual das sociedades anônimas. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. § 2º). (Neste sentido Fran Martins. desde que não comprovada conivência. TJSP. 165). a responsabilidade por omissão é solidária (art. 1995. mesmo que temporariamente. 153 a 156). satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. que em princípio. BORBA. Edson. Bauru: Jalovi. Waldirio. é de competência de auditores. ou com violação da lei ou do estatuto (art. Comentários à lei das sociedades anônimas. Wilson de Souza Campos. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. BACCARIN SILVA. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. Nos demais casos. .6. 147 § 2º). BACCARIN.A. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. Empresas e inversiones en el Mercosur. Buenos Aires: Abeledo Perrot. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. Cristina Maria. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede.165. 1982. BULGARELLI. São Paulo: Atlas. 43A verificação de documentos ou propostas da administração. nos termos do § 1º do art. Ana Maria de. peculato. 165. 1992. Para os cargos de administração de companhia aberta. § 1º). 1984. concussão. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. RT 670/77. Direito societário. o acesso a cargos públicos (art. 147 § 1º). antes de se submeterem à Assembléia Geral. ob. 165 retromencionado. sem intervir em operação social em que Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar.) 41 12 tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. de prevaricação. peita ou suborno.. pois exprimem uma vontade coletiva.

13 14 DMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. Franca: UNESP. Revista dos Tribunais. Sociedades anônimas e valores mobiliários. La sociedad anônima y sus problemas. Osmar Brina Corrêa. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. GONÇALVES. n. Curso de direito comercial. REQUIÃO. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF . Rio de Janeiro: Forense. GUERREIRO. Luiz Antônio Soares. abr. v. Rubens. Octaviano./jun. Código comercial brasileiro e legislação complementar. 1982. COSTA. Fran. PACHECO. Curso de direito comercial: sociedades comerciais.2. São Paulo: Saraiva. Questões de direito societário. 1993. Rio de Janeiro: Forense. 1984.69-87. 1991. Rio de Janeiro: Forense. Sociedade anônima: textos e casos. São Paulo: Saraiva. 1982. Álvaro Thomaz. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. COELHO. 1991. 1996. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. José Alexandre Tavares. Professora de Direito Marítimo e Direito Comercial da UNISANTA e de pós-graduação da UNILUS e UNIMONTE em Santos (SP) Paulo Roberto Colombo Arnoldi Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. 1988. CRISTIANO. advogado militante. Curso de direito comercial. Rio de Janeiro: Forense. O Direito de Voto na Lei 6. 1981. Joaquin. Curso de direito comercial. v. Eliane M. Wille Duarte. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. Fábio Ulhoa.404/76. Darcy Arruda. LIMA. p. Romano. HENTZ. Coordenadora Regional de Redação da RDM. Revista dos Tribunais. 1983. José da Silva. São Paulo: Ed. Revista de Direito Mercantil. 1982. doutor e livre-docente em Direito Comercial.42. MENDONÇA. São Paulo: Ed. André Luiz Dumortout de. GARRIGUES. 1977. MIRANDA JÚNIOR. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. Dylson. 1995. Código comercial e legislação complementar anotados. Órgãos da sociedade anônima. Revista dos Tribunais.1.404/76) Eliane Maria Octaviano Martins Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. São Paulo. v.1 e 2.______. DÓRIA. no prelo. ______ . Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. MARTINS. DIAZ-CANABATE. Rio de Janeiro: Forense. 1983. Direito empresarial. é mestre. São Paulo: Ed. MARTINS. 1979.

distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo.[3] ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo.[7] . portanto. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). constatam-se. Procurou. e facultativo nas demais sociedades anônimas.. em que se constata uma separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. delegado à Assembléia Geral. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. a designação de órgãos sociais. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima[1]dá-se. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria. doutrinariamente. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. 138 da Lei 6. de acordo com a disposição estatutária. diversamente da subscrição comum (art. No Brasil. 166. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. a organização da sociedade. 138. a lei brasileira. de forma democrática. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas.[2] CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. poder executivo ou administrativo. devido ao desinteresse dos acionistas. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. § 1º da lege ferenda. representantes dos poderes da sociedade. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). Nesse sentido. concentrando-se o poder em um grupo de controle. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas.404/76. adstrito ao Conselho de Fiscalização. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa[4]. nos aumentos de capital. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. 141.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. inciso I e 168).de Bragança Paulista (SP). impondo distribuição de poderes. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas[6]. nos termos do art. aos quais compete produzir a vontade social. ou exclusivamente à diretoria. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. portanto. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. conforme rege o art. § 4º.[5] I . Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. No que concerne às sociedades de capital autorizado. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. De acordo com o art. de caráter deliberativo e fiscalizador. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial.

140. Outorga de poderes A lei.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se requer voto qualificado.permitindo-se.Processo de voto múltiplo Determina o art. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. nesse caso. 4. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. que deliberará por maioria de votos[9]. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. mas consistem em representantes da sociedade. ainda. o modo de substituição. ou seja.1. § 7º). estabelecendo-se mínimo e máximo. 141. art. que o Conselho se integre com um representante da minoria. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo[10].. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. inciso II). Eleição e destituição de membros . 141 da Lei 6. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. e nesse caso. 3. determinar limites.404/76. a eleição de um membro do Conselho . que será no mínimo de três. é específica a lei no art. ficando.1. também. com imensos poderes. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. dessa forma. de regra de ordem pública.A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. 140 e 146). Poderá o estatuto. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. portanto. 129). vinte por cento de capital com direito a voto. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. ao contrário. iniciar-se-á novo período gestacional. independe de disposição estatutária e. 4.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. 141 . A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo.140). proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. 4. observado esse mínimo legal. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Conselho Fiscal (art.[13] O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. criados por lei ou estatuto. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão[12]. no seu artigo 139. 4. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. sendo necessário maioria simples (art. 142. inciso II)[11].2. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. A lei 6. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. o prazo de gestão. tratando-se de decisão ad nutum. e as normas sobre convocação. caput da Lei 6. conforme art. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros.404/76 regulamenta tal procedimento no art. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou total de seus componentes. Tratando-se de órgão superior.122. faculta-se aos acionistas que representem. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. no mínimo. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. Nesse sentido.podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. O estatuto deverá prever. que não poderá exceder 3 anos. aos acionistas o direito de cumular os votos num só . Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. 142.[8] 2. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. instalação e funcionamento do Conselho. e reconhecendo-se.2. independentemente de previsão estatutária. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia [14]. 163. no mínimo. um décimo do capital social com direito a voto. Trata-se.

A mesa diretora informará previamente. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. III e IV). 141. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. 142. no § 1º do art. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. quando julgar necessário. 143. deliberar. 176). à vista do "Livro de Presença".404/76. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. Impõe. 5. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. como também de orientação das atividades da sociedade. ou se inexistente. quando autorizado pelo estatuto. Garante-se. § 3º). § 1º). no mínimo. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. em qualquer sociedade anônima. no mínimo. II. o número de votos necessários[16] para a eleição de cada membro do conselho (art. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. no § único do artigo ora em exame. a Diretoria será o órgão destinado a gerir os negócios sociais. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. do capital social. pela Assembléia Geral (art. Note-se.candidato ou distribuí-los entre vários. 1. 141. incisos I. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. prazo de gestão. Representação: . desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. observando-se o prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo.404/76. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. 143. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. II. a Lei 6. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto[18]. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. fiscalizar a gestão dos diretores. conforme rege o art. quando não existir Conselho de Administração[19]. como ocorre com o art. ainda. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. 143 e 146). incisos III e V. 142. de competência dos diretores. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. Ademais. Quando a eleição de membros[17] tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. convocar assembléia geral. competindo-lhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. do capital com direito a voto. Nos casos em que exista Conselho de Administração. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. o modo de sua substituição. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. Além disso. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração[15]. portanto. acionistas ou não. portanto. procedendo-se a nova eleição (art. é competência do Conselho de Administração. a Lei 6. Nos demais casos em que o cargo fique vago. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. Assegura-se compulsoriamente a eleição. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. Em linhas gerais. se existirem acionistas que representem 20%. se houver. 154).

a direção da sociedade em todos os aspectos.pelo titular ou por terceiro . Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. no prazo de 30 dias após a nomeação. se estiver em funcionamento. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. concussão. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. um mecanismo de garantia de gestão. mas como um órgão da sociedade. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. e como tal. [22] 2. 147 § 2º). caput). em regra. compete aos diretores . 149). 1 . amplos poderes[21] para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. peculato. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes.. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. é imputada à sociedade. 150 § 1º). competirá ao Conselho Fiscal. dos quais se arquivará cópia na sede social . bem como o prazo de gestão auferido. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art.404/76. O art. possuindo. com vigência até a primeira assembléia geral que houver.A Lei 6. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. § único). 148.404/76 não considera os diretores como mandatários.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. sua vontade. 142. inciso II e § único). peita ou suborno. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. Buenos Aires. mas como representantes da sociedade. Ademais. 146. contra a economia popular. impedimentos. investidura. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. 146. 145 a 151 da Lei 6. 144). no art. 4. A Lei ora em estudo. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . prevê. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. remuneração. 2. Requisitos e impedimentos Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. [20] Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (Brunet-Cañizares. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. mesmo que temporariamente. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. ou a qualquer acionista. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. também. [23] ADMINISTRADORES . devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. 3. convocar a assembléia geral. a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. sob pena dessa se tornar sem efeito. . de prevaricação. acionistas ou não[24] (art.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos.a qualquer diretor . 150. 147 determina que. 1960). no § 2º do art. enquadrando-os como órgãos da sociedade. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. o acesso a cargos públicos (art. 147 § 1º). 150 caput).

vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. a Lei 6. a natureza e extensão de seu interesse. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. 153. 154. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. receber de terceiros .atribuídas por lei e pelo estatuto . Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores[26]. conforme art.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. deverá declarar o número de ações. no momento da posse. 153 a 160. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. também. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. 155. As normas desta Seção.[29] 5. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. 2. visando à obtenção de vantagens. I . 160. Conflito de Interesses(art. no seu art. para revender com lucro. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art.[25] DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. conforme art. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. 157) [31] II . adquirir. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. ou de terceiros. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. serviços ou créditos. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. praticar ato de liberdade à custa da companhia. 152. conforme estabelece o art. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . para si ou para outrem. 151. art.[28] 3. no art. valer-se das informações para obter. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que exerça suas atribuições . tempo dedicado às funções.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES .[30] 5. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. os seus bens. 6. § 3º). conforme disposto no art. sendo vedado ao administrador. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. para si ou para outrem.O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. 5. § 2º:. de que seja titular (art. 150 § 3º e 4º). 154. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo... e em relação aos terceiros de boa-fé. bem ou direito que sabe necessário à companhia. 154. Renúncia Rege a lei. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. competência. em benefício próprio ou de outrem. 154. caput. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. em razão de seu cargo. conforme dispõe o art. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. 165) . tendo em conta suas responsabilidades. ou que esta tencione adquirir. sendo-lhe vedado. Dever de Diligência : a lei brasileira. Veda-se ao administrador. § 1º). impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios[27]. bônus de subscrição. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. com ou sem prejuízo para a companhia. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. 155 : usar.para lograr os fins e no interesse da companhia. § único e 1º).404/76.

fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. 2. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei.Crimes contra a ordem tributária. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. nos termos do art. 2.deriva do dever de diligência. Lei 7. 4. portanto. quando proceder com culpa ou dolo. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo.[35]. responde.A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas .. CONSELHO FISCAL 1. no âmbito de Diretoria.492/86 . porém. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. Dessa forma. 158). obter aprovação irregular de contas. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios[32]. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos.137/90 . A responsabilidade civil consiste. possuindo para tanto amplas atribuições.Crimes contra o Patrimônio . por ser órgão colegiado. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . § 2º e seguintes. civilmente. em regra. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. A lei determina que o administrador. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. em proveito próprio ou de terceiro. detalha os casos em que haverá solidariedade [34]. Lei 8. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes. pois dessa forma. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros[36]. mas a lei. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. civil e penal.entendidos como tal os diretores. 158. provocar falsa cotação de valores mobiliários da sociedade. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. 3. No caso de irregularidades.. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. executar negociação com as próprias ações da sociedade. infringe-se a finalidade do interesse social. 2. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. consiste. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. Independe de processo formal. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. 3. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato relevante em documentos destinados ao público. Composição e funcionamento . Código Penal . anteriormente mencionado. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. Responsabilidade Administrativa A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. [33] No que concerne ao Conselho de Administração. portanto. econômica e relações de consumo. conforme segue : 1.

planos de investimento ou orçamentos de capital. conforme dispuser o Estatuto (art. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . durante o período de liquidação da sociedade. até terceiro grau. ou que tenham exercido. A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . no que tange à modificação do capital social. .[40] Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. 165 retromencionado. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. ou com violação da lei ou do estatuto (art. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. 165. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. 162. por prazo mínimo de 3 (três) anos.165. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. caput). a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. diplomadas em curso de nível universitário. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. 153 a 156). Quando seu funcionamento não for permanente. § 2º).164. emitir opinião[41] sobre o relatório anual da administração. 4. e o cônjuge ou parente. 161. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. 3. conforme disposição do art. residentes no País. 165). a responsabilidade por omissão é solidária (art. 147 [39]. não computada a participação nos lucros. transformação. nos termos do § 1º do art. com mandato anual (art. 5. Rege ainda a lei. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. incorporação. § 2º). desde que não comprovada conivência. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. § 1º). O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle.para cada membro em exercício . inclusive. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . sem intervir em operação social em que tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. . Nos demais casos. 162 § 1º). pois exprimem uma vontade coletiva. no § 7º do artigo ora enfocado.ou ao menos um deles . 161). § 1º). satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. Requisitos.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. No que concerne à inegibilidade. acrescentando o § 2º do artigo em exame. Impedimentos e Remuneração A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. distribuição de dividendos. fusão ou cisão.ainda que a matéria não conste da convocação[38]). a serem submetidas à assembléia geral. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. 161. acionistas ou não. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas.O Conselho Fiscal[37] pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. de administrador da companhia. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. 6.

Questões de direito societário. COELHO. BULGARELLI. LIMA.1 e 2. Curso de direito comercial. 1995. no prelo. 1977. São Paulo: Ed. COSTA. Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integraçào . Ana Maria de. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Saraiva. Luiz Antônio Soares.404/76. Sociedade anônima: textos e casos. n. BORBA. Edson. BACCARIN SILVA. São Paulo: Saraiva. Sociedades anônimas e valores mobiliários. Empresas e inversiones en el Mercosur. abr. Direito societário. 1991. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. Órgãos da sociedade anônima. 1993. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. 1982. Comentários à lei das sociedades anônimas. Wille Duarte. Osmar Brina Corrêa. Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro: Forense. v. HENTZ. 1977. Cristina Maria. São Paulo: Saraiva. Fábio Ulhoa. José Alexandre Tavares. Romano. GARRIGUES. Doutor e Livre Docente em Direito Comercial 2. p. MENDONÇA.42. São Paulo: Ed. 1991. Revista dos Tribunais. Manual das sociedades anônimas. 1982. ______. PACHECO. Rubens. REQUIÃO. O Direito de Voto na Lei 6. Octaviano. Eliane M. MIRANDA JÚNIOR. Rio de Janeiro: Forense. Curso de direito comercial. José da Silva. DIAZ-CANABATE. Darcy Arruda. 1988. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. ______ . São Paulo: Ed. DADOS DO AUTOR PAULO ROBERTO COLOMBO ARNOLDI 1. Franca: UNESP. GUERREIRO. 1981. 1982. Revista dos Tribunais. Código comercial e legislação complementar anotados. 1983. 1979. CRISTIANO. GONÇALVES. 1983. Fran. MARTINS. Rio de Janeiro: Freitas Bastos./jun. v. 1984. José Edwaldo Tavares. v. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. Rio de Janeiro: Forense. Direito empresarial. Waldirio. 1995. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Código comercial brasileiro e legislação complementar. Revista dos Tribunais.69-87. Revista de Direito Mercantil. Curso de direito comercial.1. BACCARIN. Joaquin. Dylson. 1982. DÓRIA. Rio de Janeiro: Forense. Mestre. 1984. São Paulo. 1996. São Paulo: Saraiva. BATALHA. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. MARTINS. La sociedad anônima y sus problemas. São Paulo: Atlas. André Luiz Dumortout de. Wilson de Souza Campos. Bauru: Jalovi. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas.2. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. 1992. Álvaro Thomaz.

p. 1978. 283. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. cit. Rubens . Professor de Direito Comercial na UNESP.A. cit. cit. Osmar Brina Corrêa. 239). ob. sem descaracterizar os interesses da companhia. [6]Faculta..REQUIÃO e Rubens. Curso de Direito Comercial. p. 291 da lei”. em vantagem para os acionistas não-controladores. p.3. Adotando o sistema de voto múltiplo. Diretor do Departamento de Direito Privado da Universidade Estadual Paulista . sendo vedado que um só conselheiro. [12]REQUIÃO. 303. consistindo. Presidente do Centro de Estudos Latino Americanos da UNESP 4. Comentários à Lei das S.. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. Rio de Janeiro : Forense. Neste sentido. 655. ob. São Paulo : Saraiva. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral.UNESP 8. MARTINS. [3]A Lei 6. [13]Cf. MARTINS. p. LIMA. o que significa que a regra é de ordem pública. ob. . in Sociedade Anônima. p. 173. reveste-se de inconstitucionalidade. [14] Cf. cf.. cit. p. 272. MARTINS. [10] De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. [9]Vide MANGE.. de acordo com suas necessidades estruturais.. quando se tratar de sociedades abertas. Octaviano Martins. Fran. cit. [15] Cf.Cumpre destacar que acordo com a lei. ob. MARTINS. Membro do Instituto de Direito Comercial Visconde de Cairú 5. sobre a inaplicabilidade dos arts. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. . 164. Rio de Janeiro : Forense. 1984. pratique atos que requeiram manifestação dos demais.USF e UNAERP . [7]Cf. 1988. 165. [5]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. Fran.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. José Edwaldo Tavares Borba. face ao disposto no art. cit. p. portanto. São Paulo : Atlas. Membro do Instituto de Derecho Comercial de la Universidad Notarial Argentina 6. Membro da Fundacion Ectheverry para la Investigacion y Estudios Internacionales 7. Fran. cit. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. in Direito de voto. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. portanto. cit. ob. Roger de Carvalho. Wilson de Souza Campos. § 1º. [2]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. Eliane M.272. Universidade São Francisco . MARTINS. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. [4]Cf. Requião. ob. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. BATALHA. citado por Fábio Ulhoa Coelho. mas à luz da Constituição Federal de 1988. isoladamente. 27. RT 667. p. -------------------------------------------------------------------------------[1] Cf . [11]MARTINS. Fran. cit. a Lei. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. Fran. Rubens. 1978. [8]Consistindo em órgão de deliberação colegiada.. ob.

gozam. no § 3º. que devem ser explicitados no instrumento. não apenas possível.. Wilson de Souza Campos. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. 291 da LSA. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado.pela morte ou interdição de uma das partes. GOMES. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. 146 § único. BULGARELLI. Não colide com o disposto no art. pois a responsabilidade orgânica é ex lege.A.O mandato representa a outorga temporária de poderes. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . 304. tendo em vista suas responsabilidades sociais. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. MARTINS. [26]Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. p. cit. baixada nos termos do art. Especificamente. 661. 659. 699 : “o administrador eleito por grupo ou classe. 429. Revista de Direito Mercantil. correlatamente. . conforme determina o art. p. mas órgão da sociedade.II . integram-se na administração da empresa. [21]Os poderes dos diretores são indelegáveis. ob.é. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. Revista dos Tribunais. p.. no § 2º do mesmo artigo. ob. se extinguiria com a morte do mandante. das vantagens comuns a todos. inciso II : “Cessa o mandato : .91. 310. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. n. 154. por via do qual se lhe atribui. criados pelo Estatuto Social. predomina. [19]Cf. Anstellung. [25] O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. O mandato. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. nos limites de suas atribuições e poderes. in Comentários. cit. [18] Cf. REQUIÃO. Conquanto esse ato unilateral.” [23] “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. [17]BATALHA. denominado nomeação.Se o mandato fosse particular. são parte dela. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. São Paulo : Forense.” Cf. a remuneração com parte fixa e outra variável. [24]A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. BATALHA. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. como administradores. mas de um ato jurídico unilateral. ainda.. Rubens. porquanto ela é simples condição de eficácia.12. § 1º). prevalecendo o limite menor[25](art. 144 . ou podem gozar.. in Revista dos Tribunais. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. [22]É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. cit.observadas sempre as normas do art. Por outro lado. Fran. Wilson de Souza Campos. [28]Cumpre ressaltar. [27] Cf. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. Não se extinguirá. p. 152. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. 1978. 165. conforme art. para a prática de determinados atos. 165. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. portanto. 139. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. ob. nesses casos. Comentários à Lei das S. em doutrina. e seus membros. cit. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. feita pela sociedade através de seus diretores. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. ao lado do ato unilateral de nomeação. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. mas em certos casos. [20]Cf. além de regulamentar. ob. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. p.[16]Vide Instrução CVM n. [29]Ademais. cit. a lei impõe ao administrador. em função dos lucros . p. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. inclusive mediante voto múltiplo (art. 152 da Lei .. vol. ob. o contrato de emprego. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. p. Código Civil art. Entretanto. do interesse da empresa”. de 11. que a lei (art. Orlando. nem por isso se torna contratual. 1316. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. com os respectivos poderes. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir.

147 § 1º).. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. salvo nos casos de conivência.Conceito de sociedade por ações. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art.A. Neste sentido Fran Martins.ou à Assembléia Geral.[30]Ainda que observado o disposto neste artigo. no prazo de três meses (art. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. § 2º). que em princípio. em nível de Diretoria. caput. in Comentários à Lei das S. Para os cargos de administração de companhia aberta. cit. que elegerá os membros. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. 3. mediante prévia deliberação da assembléia geral. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. José Alexandre Tavares. não sendo possível. [39]Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. ao Conselho Fiscal . 1981.A. exceto nas companhias abertas. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. 158 e 159. RT 670/77. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. concussão. 156. ob. a responsabilidade dos diretores. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. conforme observa Fran Martins. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. é individual.se em funcionamento . 147 § 2º). nr 42. [36] “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo.4. de prevaricação. 159. Comentários à Lei das S. 157 e seus parágrafos. peita ou suborno. [31] Vide na íntegra o art. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. § 1º). Processo histórico. Nesse sentido.6. São Paulo : Ed.A função do conselho . cit. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. peculato. Revista de Direito Mercantil. [32]GUERREIRO. com atribuições definidas dentro da sociedade. Em regra. age além dos poderes que lhe são outorgados.) ÓRGÃOS DE GESTÃO NAS SOCIEDADES POR AÇÕES Bruno Rodriguez Caldas Aluno do 2°ano noturno do Curso de Direito da UNESP(Franca-SP) Sumário: 1. ano XX. Vide na íntegra o art.Classificação das sociedades anônimas. [40]Cf. competirá à companhia. Revista dos Tribunais. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). 159.5. portanto.A.A assembléia geral na sociedade por ações. mas perante terceiros prejudicados. in Comentários à Lei das S. [33]Ao violar a lei ou o estatuto. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedílos. (Neste sentido Fran Martins. [37]A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. 161. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. ob. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. o acesso a cargos públicos (art. antes de se submeterem à Assembléia Geral. Competirá. a ação de responsabilidade civil contra o administrador.. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal.. [38]Dispõe o art. é de competência de auditores. § 3º). ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. 2. TJSP. contra a economia popular. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. [34] Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. em assembléia geral extraordinária. [35]Por força do art. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. [41]A verificação de documentos ou propostas da administração. Introdução. rege o § 1º do art. cit. 156. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. mesmo que temporariamente. ob. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art.

o trâmite não foi diferente. 2 Processo histórico A origem das sociedades por ações gera uma divergência doutrinária1. quando se adotou o sistema . O conselho fiscal nas sociedade por ações. diretoria e conselho fiscal) e o estudo atento da função pertinente a cada parte para a perfeita assimilação do funcionamento de uma empresa regida por esse que. Esse estreito relacionamento das sociedades anônimas com o Estado era tão visível que estas dependiam de uma outorga do monarca para funcionar. O regime de outorga foi adotado desde a chegada da família real até 1882. por sua vez. Para adentrar as questões estruturais. Assim. que acarretou em um imenso crescimento econômico. Alguns dizem que seu início remonta a Itália renascentista.de administração. Modelo. esse. o que é uma sociedade anônima: seu conceito. a começar do processo de evolução histórico.8. a primeira sociedade anônima seria a Casa de São Jorge. O terceiro momento da linha evolutivo desse modelo de sociedade foi marcado pela revolução industrial. A melhor forma de compreender tal matéria se dá pelo estudo de sua composição. Dessa forma. Assim. havia uma concessão de privilégios por parte do monarca a um grupo de pessoas que passariam a desenvolver determinada atividade econômica. ou seja. que brevemente se espalhou por todo o mundo4. Dessa forma. conselho de administração. mas as sociedades ainda dependiam de autorização governamental para funcionar. Mais tarde.9. A maioria dos estudiosos. Para facilitar a sua proliferação e conseqüente desenvolvimento econômico. sem dúvida. no entanto. É ponto pacífico na doutrina. Elas eram responsáveis por financiar atividades coloniais. para somente então adentrar as questões específicas ao tema. aumentou significativamente o número de sociedades anônimas. a Inglaterra inibiu o sistema de autorização e implantou o registro de empresa em órgão específico. porém.Conclusão. todavia. anteriormente. credita o título às Companhias de Comércio cuja origem é holandesa e datam de 1602. dos órgãos responsáveis por formar esse importantíssimo regime societário. é o mais complexo e importante regime societário. resultou em aumento significativo de relações comerciais e de atração de capital para investir nas empresas industriais. primeiramente será apresentada uma noção básica do regime societário. No Brasil. mais especificamente em Gênova. tal modelo foi simplificado na Europa. o fato de as primeiras sociedades por ações atenderem uma função de interesse público3. espécie de Banco que possuia seu capital dividido em ações2 .A diretoria das sociedades anônimas. que foram exercidas inclusive no nordeste brasileiro.10. dada a quantidade de capital envolvido. suas especificidades e classificação. é necessário expor. são de suma importância para compreensão do assunto o desmembramento da sociedade em seus quatro principais órgãos (assembléia geral. Para esses pensadores. 1 Introdução O presente artigo visa apresentar em seu conteúdo uma breve exposição do funcionamento interno de uma sociedade por ações. Tal crescimento.Referências bibliográficas.7.

São Paulo: Saraiva.1 2 COELHO. 2007. .3. Ricardo. Fábio Ulhoa. em nosso país. 2003.São Paulo: Saraiva.Direito de Empresa. 2000. Manual de Direito Comercial e de Empresa. Fábio Ulhoa. Outro marco significativo nesse ramo. 3 COELHO.ed.10. foi a publicação da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A) que criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atribuiu caráter 1 NEGRÃO.v.Op.Curso de Direito Comercial.2.ed. Waldo.cit.Manual de Direito Comercial.de registro. V. 4 FAZZIO JÚNIOR. São Paulo: Atlas.

Ricardo. Ainda neste tópico é importante esclarecer que a sociedade de economia mista é aquela mantida pelo Poder Público e que criada para explorar a atividade econômica de produção de bens ou prestação de serviços. Para garantir segurança ao mercado acionário e incentivar o investimento nessas companhias. aos princípios da administração pública. DORIA. por sua vez. ou seja. nosso direito admite o regime de regulamentação às companhias fechadas e o de autorização às abertas. apesar de obedecer. Suas principais características são: a divisão de seu capital em frações transmissíveis (ações). as demais sociedades são consideradas fechadas. Há. devido ao pequeno porte (patrimônio líquido inferior a um milhão de reais e com capital concentrado nas mãos de até vinte acionistas). do patrimônio do acionista. e em multinacionais. A classificação mais importante é a primeira e por isso receberá maior destaque no presente artigo. Dylson. A divisão do capital social em ações revela que nesse tipo de empresa não importa a pessoa do sócio. Assim. A responsabilidade limitada dos proprietários. por força de lei. mas sim o capital investido.cit. possuirem responsabilidade limitada. recebem tratamento especial por parte da lei10. garante que os sócios só se obriguem a pagar dívidas com valor igual ao do capital investido. Dentre esse segundo grupo de sociedades faz mister acrescentar que algumas. não se sujeitam às negociações públicas de valores mobiliários na bolsa de valores ou balcão. os proprietários podem negociar as suas ações no momento que desejar e com a pessoa que lhe for conveniente sem necessitar de autorização dos demais sócios.cit. ou seja. A sociedade é considerada aberta quando admite negociação pública de valores mobiliários a fim de captar recursos7. Elas podem ser classificadas como: abertas ou fechadas de acordo com a emissão e distribuição de valores mobiliários em bolsa de valores ou mercado de balcão. Se não observados tais procedimentos ocorre crime que prevê pena de reclusão de 2 a 8 anos mais multa 9.Op. um regime próprio de . referente à pessoa jurídica. 4 Classificação das sociedades anônimas A classificação das sociedades anônimas difere de acordo com o critério adotado. 3 Conceito de sociedade por ações Segundo Waldo Fazzio Júnior5 a sociedade por ações é uma pessoa jurídica de direito privado que possui. Por outro lado. e o fato de os seu proprietários. Tal tipo de empresa atende a uma função social e se sujeita ao regime jurídico de empresa privada. o governo exige autorização governamental mediante registro na CVM (autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda) para essas empresas poderem atuar8. nacionais ou estrangeiras se for observada a transnacionalidade de seu capital. caráter mercantil. a direção e a atuação6.4° da Lei de Sociedade 5 6 NEGRÃO. Observa-se. portanto. Ela está presente no art. Dessa forma. Essas companhias são regidas por um estatuto e recebem uma denominação. privada ou mista se for considerada a origem do capital. o valor correspondente às suas ações.dual ao nosso sistema. e objetiva com o exercício da empresa o desenvolvimento de atividades lucrativas. portanto. os sócios. também. Anônima. Op. uma total separação do patrimônio da sociedade.

devem se identificar através de identidade. Estes. Dylson. quatro possuem maior relevância e por isso são previstos em lei. 11 12 COELHO. por outro lado. 10 FABRETTI. Op. incorporação e cisão13. proprietários de ação nominativa ou através de identidade e extrato de compra de ações. 9 DORIA. 7 8 COELHO. a assembléia geral é uma reunião privada cuja legitimidade de participação é exclusiva de seus membros.Op. 5 A assembléia geral na sociedade por ações Para melhor atender seus fins administrativos e jurídicos as sociedades anônimas apresentam desdobramentos de sua pessoa jurídica. a qual pode abranger as mais minuciosas questões administrativas. sofre limitações do tipo temporal e do tipo subjetivo. No caso das pessoas legitimadas não poderem comparecer. que apesar de não serem sujeitos de direito. taxativamente. Fábio Ulhoa. Além da legitimidade. Láudio Camargo. A escolha deste. como auditores independentes. ou melhor. ou um advogado (que também pode freqüentar às reuniões como acompanhante do acionista. no entanto. um administrador da companhia. Fábio Ulhoa. um representante de instituição financeira (só em caso de sociedades abertas). Tratamse dos órgãos sociais. se manifestar sobre a composição da pauta de discussão. ou seja. A limitação temporal. por sua vez. Dylson. apenas determina que a procuração para representação tenha validade de um ano12. Op.cit. Outro fator a ser adicionado é que pessoas distintas dos acionistas. Waldo.2 ed.cit. Seu caráter e exclusivamente deliberativo”11. FAZZIO JÚNIOR. São Paulo: Atlas.cit. Apesar destes órgãos poderem ser livremente instituídos pelo estatuto social. COELHO. outro sócio.administração estatal que exerce controle governamental sobre a companhia.cit. a diretoria e o conselho fiscal. Esse órgão é o único capaz de: reformar o estatuto social. a competência da assembléia também deve ser exposta. Ainda no que abrange a legitimidade de participação faz mister acrescentar que os proprietários sem direito a voto podem discutir.Op. podem eleger um representante que defenda os seus interesses. e deliberar sobre operações de transformação. observar e discutir a prestação de contas dos administradores. fusão.Op. a diretoria (quando não existir conselho de administração) e o conselho fiscal.cit. Fábio Ulhoa.cit. Eles são: A assembléia geral. eleger ou destituir o conselho de administração (se existir). prestando-lhe assessoria jurídica). Direito de Empresa no novo código civil.Op. 2004 A assembléia geral “é o órgão máximo da companhia e dela participam todos os acionistas com direito a voto. membros do conselho fiscal e de administração podem participar das assembléias quando ela os convidar ou convocar. quando donos de ações custodiadas em instituições financeiras ou ações escriturais. os acionistas. Assim. A limitação subjetiva refere-se às qualidades do sujeito representante que pode ser. . expressam o interesse da companhia sobre temas específicos. o conselho de administração. suspender os direitos de acionistas. 13 DORIA.

Devido a grande quantidade de funções da assembléia geral, a doutrina a classifica em quatro tipos14: assembléia geral constituinte, especial, ordinária(AGO) e extraordinária(AGE). O primeiro tipo ocorre quando a reunião visa à constituição da sociedade anônima. O segundo visa assegurar direitos de titulares de determinadas classes de ações, evitando modificações estatutárias que os prejudiquem. As duas últimas, no entanto, são as mais importantes e por isso merecem maior destaque. A AGO possui um caráter de obrigatoriedade e periodicidade15, já que deve se reunir uma vez ao ano, no período de quatro meses após findo o exercício social. Ela examina a prestação de contas dos administradores, delibera e voto o destino do lucro líquido alcançado, aprova correção da expressão monetária e, quando necessário, elege o conselho de administração e o conselho fiscal. Esse tipo de assembléia geral necessita da presença de um auditor independente e de um membro do conselho fiscal para atribuir seu parecer sobre as questões discutidas. Tal exigência, se não cumprida, adia a deliberação. Ademais, vale frisar que, salvo em companhias fechadas, os administradores, mesmo que acionistas (membros do conselho de administração), não votam sobre as decisões de sua administração, já que a aprovação de suas contas os isenta de responsabilidade fiscal e administrativa. Os resultados obtidos na AGO, por sua vez, devem ser promovidos pelos administradores em um prazo de 30 dias. Qualquer assunto estranho aos três primeiros tipos de classificação, como a reforma de estatuto, serão tratados pela AGE. Para reunião da assembléia geral, porém, ela deve ser convocada. A competência para a convocação é do conselho de administração, caso este não exista, a atividade será exercida pela diretoria. Em casos excepcionais, todavia, a convocação pode ser realizada pela própria assembléia fiscal, pelo conselho fiscal ou até pelos acionistas16. Esse ato de convocação é tido como formal e deve se dar por publicação de anúncio. Tal procedimento, se não observado, impossibilita a deliberação, salvo hipótese de todos acionistas se encontrarem presentes17.
14 15

FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit. COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. 16 DORIA, Dylson.Op.cit. 17 NEGRÃO, Ricardo. Op.cit.

Convocada a assembléia geral, os trabalhos, ou seja, os debates e votações são presididos por uma mesa cuja composição é prevista no estatuto da companhia. De acordo com o assunto deliberado, vale ressaltar, há exigência de um quorum. Este se subdivide em quorum de instalação e de deliberação, O primeiro é requisito para a realização da reunião (pode ser reunião de 1/4, 1/2 ou 2/3 do capital social) e o segundo serve de condição para a validade das decisões alcançadas (pode ser de maioria absoluta ou até de unanimidade)18. Por fim, as deliberações são narradas, por escrito, em uma ata que deve ser assinada por todos os acionistas presentes e lavrada no livro de atas das assembléias gerais. Se não documentada dessa forma, a lei permite que as atas sejam lavradas sob forma de sumário dos fatos ocorridos, contendo apenas as deliberações levadas a termo.

6 A função do conselho de administração O conselho de administração é um órgão deliberativo com quantidade de membros de número ímpar e plural, ou seja, é composto por no mínimo três pessoas. Sua existência é obrigatória em companhias abertas, sociedades com capital autorizado ou de economia mista, sendo de presença facultativa nas demais sociedades por ações. Sua composição é oriunda de eleição pela assembléia geral e desse mesmo órgão recebe parcela da competência. O conselho de administração pode atuar em qualquer matéria de interesse da companhia com exceção àquelas de atividade privativa à assembléia geral. Contudo, sua função específica é: fixar orientação geral para negócios; eleger e destituir diretoria; suprir omissões do estatuto no que concerne sobre a divisão de competência entre os diretores; fiscalizar a diretoria; convocar a assembléia geral; se manifestar sobre o relatório anual de prestação de contas da diretoria; e escolher e destituir auditores independentes19. O processo de eleição, por sua vez, é legalmente definido como o de voto múltiplo. Esse modelo eleitoral atribui a cada ação uma quantidade de votos equivalentes ao número de cargos que compõe o conselho, quantidade esta prevista no estatuto social. Desse modo, objetiva-se atribuir representatividade a minoria
18 19

COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit.

acionária. O acionista quando for votar pode concentrar esses votos em um só candidato ou distribuí-los de acordo com seus interesses. Os trabalhos eleitorais serão presididos pela mesa da assembléia geral, que deve, anteriormente a votação, informar aos acionistas a quantidade de votos necessários para garantir a eleição de um membro no conselho20. O período de gestão, também é regido pelo estatuto, mas pode ser interrompido pela assembléia geral. Este órgão tem o poder de destituir o conselho. Tal destituição não precisa ser motivada, já que o conselheiro exerce cargo de confiança, ou seja, encontra-se em seu cargo por autonomia da vontade e, portanto, por essa mesma vontade pode perder sua posição. Por fim, é importante falar da previsão de escolha de um dos membros para o posto presidente do conselho. Esse procedimento obedece à forma prevista no estatuto, sendo, normalmente, fruto de escolha democrática pelos próprios membros do conselho. O presidente é responsável por convocar e dirigir as reuniões bem como resgistrá-las em atas cujo conteúdo será lançado em livro próprio depois de assinada por todos os membros presentes. Nem todas as atas, porém, necessitam ser arquivadas. Tal procedimento torna-se obrigatório somente nos casos que acarretem efeitos a terceiros ou quando a ata relatar reuniões nas quais haja eleições para diretores ou renúncia de conselheiros21. 7 A diretoria das sociedades anônimas Láudio Camargo Fabretti define a diretoria como “órgão executivo das deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e de representação legal da companhia”22. Os diretores não precisam ser acionistas e são escolhidos pelo conselho de administração, na ausência deste o processo pode ser realizado pela assembléia geral. A destituição de cargo pode ser feita a qualquer momento pelos mesmos órgãos 23 que também são responsáveis pela atribuição de competência a cada diretor.
20 21

COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FABRETTI, Láudio Camargo.Op.cit. 22 DORIA, Dylson.Op.cit. 23 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit

A quantidade de diretores, bem como o período de gestão é determinada pelo estatuto social, certo, porém, é que o mandato não pode ser superior a três anos (cabe reeleição) e que a companhia deve contar com pelo menos dois diretores. No máximo 1/3 da quantidade máxima de diretores, no entanto, pode ser composta por membros do conselho de administração. No que tange à responsabilidade, os diretores respondem solidariamente por responsabilidade civil caso não observem em seus atos o procedimento estabelecido pelas normas da companhia24. Por fim, há de se citar a existência de casos específicos nos quais os diretores têm a necessidade de se reunir para deliberar. Nestas situações, a decisão a ser tomada flui da maioria dos votos. Tais trabalhos são registrados em atas cujo conteúdo é lavrado em livro próprio. 8 O conselho fiscal nas sociedades por ações O conselho fiscal é responsável por fiscalizar os demais órgãos, principalmente no que concerne às prestações de contas, e à legalidade e regularidade dos atos de gestão25. Assim, sua atividade deve ser autônoma, ou seja, não pode ser hierarquicamente inferior ao conselho

A presença do órgão. conselho de administração. exercer sua atividade. são tratados pelo direito. mas esse não precisa. Waldo.163 da LSA garante a necessidade de registrar as reuniões em atas e arquivar os pareceres. Outro aspecto importantíssimo do conselho é a sua responsabilidade. Eles são: a assembléia geral. vencendo sempre a maioria. O mesmo artigo define. Waldo Fazzio Júnior acrescenta que “ sua atuação é instrumental. também. visto que reúne os acionistas e decide. que recebe parcela da competência da assembléia geral. todavia exige-se que sejam graduadas em ensino superior ou pelo menos contem com uma experiência mínima de três anos em cargo de administrador. a assembléia geral é tida como mais importante. porém. Ele pode exercer atividades referentes a qualquer matéria da companhia. ele passa a realizar seus trabalhos de forma colegiada. que em caso de omissão ele responderá de forma solidária. porém o seu funcionamento é facultativo. destacam se em relação aos demais e. que o conselheiro que tiver se posicionado de forma contrária (verificação se dá por registro em ata) se exime do cumprimento da obrigação27. é um órgão facultativo. por sua vez. para melhor exercer as suas funções é dividida em órgãos que realizam funções específicas.Op.cit empresa pessoas com estas qualificações.cit 26 FAZZIO JÚNIOR.165 da mesma lei. é importante acrescentar que as companhias abertas devem contratar auditores independentes registrados no CVM para. A quantidade de subdivisões. a empresa deve contar com um conselho fiscal. O art. Formado o conselho. As pessoas a serem escolhidas não precisam ser acionistas. FAZZIO JÚNIOR. Quatro órgãos. por sua vez. por sua vez. por sua vez define que o conselho fiscal será responsabilizado se for conivente com medidas ilícitas ou prejudiciais a sociedade. O conselho de administração. Dentre essas subdivisões. realizar função de fiscalização. o conselho deve ter a sua disposição todo o arsenal de informações necessárias. Waldo. ela é feita através da escolha de um número de três a cinco membros (mesmo número de suplentes) pela assembléia geral. Op. é livre e prevista em estatuto social. já que disponibiliza aos acionistas para exercícios de direito e de fiscalizar e votar”26. portanto de um órgão de discussão e votação que é utilizado como instrumento de manifestação da vontade dos proprietários para a realização das atividades. Finalmente. È importante ressaltar. Op. No que tange a composição do conselho. Trata-se. todavia. portanto.cit. Assim. necessariamente. também. Caso não haja na 24 25 DORIA. diretoria e conselho fiscal. O art. Dylson.de administração nem à diretoria. é obrigatória. por isso. através de deliberações todo o futuro da sociedade empresária bem como elegem os membros que compõe os outro órgãos. Para bem realizar sua atividade. salvo aquelas . pode-se requerer ao juiz da comarca uma autorização especial. 9 Conclusão Após o breve estudo do tema pode-se perceber que a sociedade por ações.

Waldo. Já a diretoria exerce cargo executivo e de representação da companhia e o 27 FAZZIO JÚNIOR.cit . Op.que são exclusivas à assembléia geral.

10.1. São Paulo: Atlas. 2000. 2 ed.v.1.conselho fiscal.São Paulo: Saraiva.ed. Láudio Camargo.14. São Paulo: Atlas. portanto. DORIA. como não poderia deixar de ser realiza trabalhos de fiscalização das atividades exercidas pelos demais órgãos. NEGRÃO. Direito de Empresa no novo código civil. 2007. Manual de Direito Comercial e de Empresa.v. Manual de Direito Comercial. 2004.São Paulo: Saraiva. Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa. 2000. Curso de Direito Comercial. 10 Referências bibliográficas COELHO.2. 2003. que se caracteriza pelo seu grande porte e movimentação intensa de altos valores. a divisão de funções para os órgãos objetiva a maior segurança nos negócios e conseqüente maior lucratividade.ed. FABRETTI. faz-se necessária uma divisão de tarefas que otimize os trabalhos e garanta bons resultados aos acionistas. que para o bom andamento de uma sociedade anônima. V.ed.3. Assim.São Paulo: Saraiva. . FAZZIO JÚNIOR. Percebe-se. Dylson. Waldo. Ricardo.Direito de Empresa.

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