SOCIEDADES ANÔNIMAS A presente matéria visa orientar às Sociedades Anônimas acerca das publicações legais de atas, convocações, anúncios

e demonstrações financeiras. Procuramos destacar aspectos práticos e de âmbito geral, tais como prazos a serem observados, obrigatoriedade das publicações e casos em que as mesmas são dispensadas, jornais para a veiculação dos atos societários, bem como os caracteres gráficos mínimos permitidos por lei. Vale ressaltar que a presente matéria trata das normas gerais da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações objeto da Lei n. 9.457, de 05 de maio de 1997, e da Lei n. 10.303, de 31 de outubro de 2001, aplicáveis às sociedades anônimas em geral. Cabe a cada S/A verificar as normas específicas aplicáveis ao seu caso em particular, sem prejuízo das normas gerais. Assim sendo, as Instituições Financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, deverão observar as normas específicas expedidas por esse órgão. Assim também deverão proceder as companhias abertas, observando as normas específicas emanadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Publicações Legais ordenadas pela Lei n. 6.404/76 às Sociedades Anônimas Edital de Convocação: A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por três vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. (art.124). 1a. Convocação: Na companhia fechada com 8 dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio e na companhia aberta com 15 dias de antecedência. 2a. Convocação: Não se realizando a Assembléia, deve ser publicado novo anúncio. Na companhia fechada com 5 dias de antecedência e na companhia aberta com 8 dias de antecedência. Cabe ressaltar, que não se admite anúncios prevendo desde logo a 2a. convocação. Deve ser publicado novo anúncio. Dispensa da publicação: A Assembléia que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação do edital (art. 124 § 4o.). Atentar para o dispositivo legal que se refere a "todos os acionistas", e não apenas aos que possuem "direito de voto". Aviso aos Acionistas: Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária, por anúncios publicados por três vezes, no mínimo, que se acham à disposição dos acionistas os documentos referidos no art. 133. Dispensa da publicação:

a) a assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação dos anúncios (art.133 § 4o).); ou b) a empresa que publicar o Balanço e demonstrações financeiras até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária (art.133 § 5o.) Balanço: O Balanço e demais Demonstrações Financeiras deverão ser publicados até 5 dias antes da Assembléia Geral Ordinária (art. 133 § 3o). A assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a inobservância do referido prazo, mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia (art. 133 § 4o). Atas: Todas as Atas de Assembléias Gerais de Acionistas deverão ser publicadas. Extrato de Ata - Tem-se observado a publicação de extrato de ata lavrada na forma sumária, ou seja, a publicação de um "resumo" do "resumo". Isto é inadmissível. Somente quando a ata é completa, plena, lavrada sob a forma tradicional, discorrendo sobre todos os fatos ocorridos, aí sim, é permitido extrair um extrato para a publicação, ou seja, um texto mais resumido, conciso, com o sumário dos fatos ocorridos e das deliberações tomadas. O legislador é claro quando diz no art. 130 § 1o. que a ata poderá ser lavrada na forma de sumário dos fatos ocorridos, e conter a transcrição apenas das deliberações tomadas. E, no mesmo art. 130 § 3o. diz que, se a ata não for lavrada na forma permitida pelo § 1o., poderá ser publicado apenas o seu extrato, com o sumário dos fatos ocorridos e a transcrição das deliberações tomadas. Portanto, apenas para a ata que não foi lavrada na forma de sumário, é facultada a publicação de um extrato. O Prof. Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 2o. vol., pgs. 757/758, 2003) discorrendo acerca de tal dispositivo legal afirma que "Não pode ser publicado extrato de ata sumária – Ainda que pareça despicienda a repetição do texto claro da lei a respeito, torna-se indispensável ressaltar que é absolutamente ilegal a publicação de extrato de ata submetida ao regime sumário". É importante frisar, que a faculdade dada pelo legislador para as sociedades anônimas publicarem um extrato de ata, refere-se única e exclusivamente às atas de Assembléias Gerais de Acionistas. Tal faculdade não se estende às atas de Reuniões do Conselho de Administração. Estas, quando contiverem deliberação destinada a produzir efeitos perante terceiros, deverão ser publicadas na íntegra. Artigo 294 A companhia fechada que tiver menos de 20 (vinte) acionistas, com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) poderá: - convocar assembléia geral por anúncio entregue a todos os acionistas,contra recibo, com a antecedência prevista no art. 124, ou seja, está dispensada de publicar o edital de convocação; e - deixar de publicar o Balanço e demais Demonstrações Financeiras de que trata o art. 133.

O disposto neste artigo não se aplica à companhia controladora de grupo de sociedades, ou a ela filiadas, ou seja, suas controladas e coligadas. Cabe lembrar que a dispensa de publicação a que se refere o art. 294, limita-se tão somente ao edital de convocação e ao balanço. Note-se que o referido artigo não menciona os avisos pondo à disposição dos acionistas os documentos a que se refere o art.133. Portanto, conforme entendimento de longa data da Procuradoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo esses avisos deverão ser publicados. Jornais de veiculação das publicações legais As publicações ordenadas pela Lei das S/A serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme o lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia (art. 289). Vale ressaltar que as publicações legais (convocações, anúncios, demonstrações financeiras e atas) das S/A cuja sede é, por exemplo, no Estado de São Paulo, deverão ser feitas: - no órgão oficial do Estado, ou seja, obrigatoriamente no Diário Oficial do Estado de São Paulo, não se admitindo Diário Oficial da União, e - em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia. Entende-se por "jornal" o que se publica, no mínimo, cinco dias na semana, a exemplo do próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo que tem cinco publicações semanais. E por "grande circulação" entende-se o jornal cuja distribuição é feita na localidade em que é editado de forma regular e de fácil acesso aos acionistas. Caracteres gráficos nas publicações legais A Lei n. 8.639 de 31/03/93 disciplinou o uso de caracteres nas publicações obrigatórias. O tipo de letra deve ser, no mínimo, de corpo seis, e o título deve ser do tipo doze ou maior. O não-cumprimento dessa determinação será objeto de exigência pela Junta Comercial, conforme disposto no art.57 do Decreto n. 1.800/96. Em São Paulo, de acordo com a Portaria Jucesp n. 73/98, somente serão aceitas as publicações legais em jornais de grande circulação que utilizarem corpo de letra no mínimo de corpo seis, com entrelinhamento mínimo de seis e meio. Não serão aceitas publicações com caracteres condensados. As publicações a serem feitas no Diário Oficial do Estado de São Paulo continuam obedecendo aos padrões vigentes naquele órgão, conforme Portaria 002 de 18 de fevereiro de 2.000 da Imprensa Oficial do Estado S/A, em seu artigo 2o. que reza o seguinte: I – o nome da empresa deverá constar de linha (s) única (s) de abertura, não recorrido, com corpo mínimo de 12, negrito; II – o CNPJ, título da matéria (ata, relatório da diretoria, etc.) e o restante do material será no corpo mínimo de sete, com entrelinhamento mínimo de 7/8 (sete sobre oito).

Competência da Secretaria da Receita Federal. Registro de Apuração de ICMS. 28 de décembre de 2007 et du Décret 6. 7. 4.1.1.1. Inclusive com a criação do Sistema Público de Escrituração Digital. 7.11. 4. Perda.1.Société anonyme Système Public de Comptabilité digitale. 3. Registro de Inventário. Fichas. 4. Exibição dos livros empresariais.2.2. 6. 7.2.2.2. Livro de Movimentação de Combustível (LMC).1. 3. Palavras-chave:. la réelle situation de l´´entrepreneur. 4. Escrituração – Demonstrações Contábéis e financeiras –– Sociedade anônima .4.1.7. Registro de Controle da Produção e do Estoque.3 Os livros Sociais. Livros em papel. Livro Razão. De même avec la création du Système Public de Comptabilité Digitale.1. Livros Digitais – 4.2.4.638. 4.2. Sistema Público de Escrituração Digital.2.3. la Loi n° 11. Disposições Gerais . Conservação da escrituração – 10.5. 11.10.2. de 28 dezembro de 2007 e o Decreto 6.1.3. Most clef: Comptabilité . 4.3) Livro Balancetes Diários e Balanços – 4. Função do SPED. ou seja. Requisitos intrínsecos e extrínsecos – 6. Exibição judicial dos Livros empresariais. Sumário: 1.Sistema Público de Escrituração digital Résumé: Nous sommes en avant d´´une nouvelle étape dans le secteur d´´entreprise et comptable. périodiquement. A fim de expressar. Registro de Duplicatas. 6.1. Os Métodos e o Valor probante da escrituração. estabeleceu-se a necessidade de aprimoramento do levantamento do exercício social e da demonstração contábil e financeira da sociedade. Os Livros Fiscais.2. Usuários do SPED. Registro de Saídas.2. 4.3. extravio ou inutilização de livros fiscais. Registro de Entradas. a real situação do empresário. Conseqüência da irregularidade na escrituração – 11. 3. 7. 4. Funções da escrituração – 9. 4. 4. 4.2. Os Livros Contábeis.2.4.1.022/2007 a apporté varie des changements dans le champ de la comptabilité et des démonstrations financières des sociétés anonymes et dans les sociétés de grand transport. Afin d´´exprimer.Démonstrations Contábéis et financières .2. 3. e bem como o seu desempenho. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais. Acesso às informações do SPED – 8.3. 4. Valor probante da escrituração – 7. Livros Facultativos – 5.6. Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis – 3. 4. la nécessité a établi d´´amélioration de l´´enquête de l ´´exercice social et de la démonstration comptable et financière de la société.022/2007 trouxeram varias mudanças no campo da escrituração e das demonstrações financeiras das sociedades anônimas e nas sociedades de grande porte. 4. Exibição administrativa dos Livros . Instrumentos de escrituração mercantil.Introdução – 2.638. 4.2. 4. O livro de apuração do lucro real (LALUR).Do exercício social e das demonstrações contábeis Resumo: Estamos diante de uma nova etapa na área empresarial e contábil. Os métodos ou formas da escrituração.1. et ainsi que sa performance.2. Livro-diário. a Lei nº 11. 4.3. Outros Livros fiscais – 4.8. periodicamente. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência. Espécies de Livros Empresariais. Microfilmagem.9. c´´est-à-dire.2.

uns são favoráveis ao interesse de uma parte e outros lhe são contrários. do CPC). bem como não possibilita ao empresário avaliar o acerto das decisões administrativas e negociais tomadas. Demonstrações contábeis.16. 14. geralmente para fins contábeis. a expressão Escrituração é criticada por Eliseu Martins [02]. 14. Escrituração é o conjunto de lançamentos contábeis. . mecanizado ou eletrônica com. A demonstração do resultado do exercício. Passivo. 14. As conseqüências para a falta das demonstrações contábeis periódicas são as seguintes – 15. mas ambos serão considerados em conjunto como uma unidade" (art.101/2005). Impossibilitada de elaborar demonstrativos contábeis por falta de lastro na escrituração. A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados.2. O balanço patrimonial. pois a expressão mais ajustada para o Capítulo IV do Livro sobre Direito de Empresas seria chamá-lo de Exercício Social e Demonstrações Contábeis. a lista mais comum de vantagens de uma entidade para manter escrituração contábil. são as seguintes: I)Oferece maior controle financeiro e econômico à entidade. bem como os rumos a serem seguidos. Referencias Bibliográficas 1. Escrituração é o nome que a legislação escolheu para expressar o ato de se efetuarem os lançamentos em contas. e a levantar anualmente balanço patrimonial e o resultado econômico.3.1. Obrigatoriedade e reponsabilidade do contabilista – 13. 14. 380. Filiais – 14.4.5.2.1. A demonstração do valor adicionado no caso de companhia aberta. II)Comprova em juízo fatos cujas provas dependam de perícia contábil. Assim.Disposições Gerais . [04] Devemos expor que o empresário sem um sistema que demonstre o exercício social e as demonstrações contábeis é uma entidade sem memória.Introdução No Direito empresarial. 14. III)Contestação de reclamatórias trabalhistas quando as provas a serem apresentadas dependam de perícia contábil.1. base na escrituração uniforme de seus livros em correspondência com a documentação respectiva. A demonstração dos fluxos de caixa. sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência ou de planejar seu crescimento. 14. 14. 14.empresariais – 12.1. posteriormente compilados em livros e fichas. por certo encontrará dificuldades em obter fomento creditício em instituições financeiras ou de preencher uma simples informação cadastral [05]. sendo inclusive indivisível a escrituração "se os fatos que resultam dos lançamentos. IV)Imprescindível no requerimento de recuperação judicial (Lei 11.3. Contudo. Tanto as sociedades empresárias como os empresários individuais estão obrigados a seguir um sistema de contabilidade [03]. Assim. A Escrituração completa é composta pelos lançamentos contábeis e pelas demonstrações financeiras elaboradas no encerramento de cada exercício social [01]. Ativo. Divulgações das demonstrações contábeis .

a situação patrimonial na hipótese de questões que possam existir entre herdeiros e sucessores de sócio falecido. Inicialmente poder-se-ia indagar da não obrigatoriedade da publicação das demonstrações contábeis.000. Muito embora a regra que determina a publicação das demonstrações esteja inserida em um dos parágrafos do artigo 176 da Lei das S/A. Portanto. que Altera e revoga dispositivos da Lei no 6. ativo total superior a R$ 240. a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver.00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300.000. 3º Aplicam-se às sociedades de grande porte. as disposições da Lei nº 6. sujeitando os sócios ou titulares ás penalidades da Lei que rege a matéria. para fins de apuração de haveres ou venda de participação. de 28 de dezembro de 2007.195. no exercício social anterior.000. não há que se falar que a publicação das demonstrações financeiras esteja inserida dentro do . VI)Base de apuração de lucro tributável e possibilidade de compensação de prejuízos fiscais acumulados. de 15 de dezembro de 1976. do Código Cível e em outros diplomas legais. X)Prova. de 15 de dezembro de 1976. XI)Para o administrador. Parágrafo único. [06] A Lei 11. sócios ou representantes implementarem a escrituração através de contabilista devidamente habilitado. VII)Facilita acesso ás linhas de crédito. IX)Prova a sócios que se retiram da sociedade a verdadeira situação patrimonial. supre exigência do Novo Código Civil Brasileiro quanto á prestação de contas (art. A matéria sobre o Exercício Social e as Demonstrações Contábeis está disciplina nos artigos 1. que trata da elaboração das demonstrações financeiras. para os fins exclusivos desta Lei. a contabilidade deve ser considerada sempre uma ferramenta imprescindível à gestão de qualquer entidade.404.V)Evita que sejam consideradas fraudulentas as próprias falências. e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações.020).179 a 1. e da Lei no 6.638.000. até pela obviedade das vantagens acima listadas. Considera-se de grande porte. pois o artigo 3º da Lei 11.404. sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários.638/07 é expresso no sentido de que as sociedades de grande porte devem observar as regras da Lei das S/A no que tange à elaboração e escrituração das demonstrações financeiras. VIII)Distribuição de lucros como alternativa de diminuição de carga tributária.. 1. de 7 de dezembro de 1976. cabendo ao administrador.00 (trezentos milhões de reais).385. determina que: Art. em juízo.

a denominação e as regras de escrituração [08]. credores. Não obstante as considerações acima apresentadas é imprescindível destacar que. . vale mencionar que. embora a nova lei não obrigue expressamente as sociedades de grande porte a publicar suas demonstrações financeiras.Instrumentos de escrituração mercantil O mecanismo de escrituração deve obedecer a um sistema de contabilidade o qual se refere a um conjunto de elementos interconectados harmonicamente. Sem deixar de acompanhar a intensa movimentação do mercado após a edição da Lei 11. Certamente oferecerá mais elementos para reflexão dentro da polêmica instaurada. 3. governos e a sociedade em geral.. Reconhece apenas a inexistência de menção ao verbo "publicar" na lei nova sem contestar que a lei alvo da modificação. o francês. dando norma para a representação gráfica dos mesmos. [09] O sistema de contabilidade deverá ser mecanizado ou digitalizado por meio eletrônico. já o menciona expressamente. a publicação ou a divulgação de tais informações. que são duas atividades completamente distintas e inconfundíveis. Por fim. anterior. b) O sistema suíço é adotado pela Inglaterra. é extremamente positiva. A lei impõe certos livros como obrigatórios. por quaisquer meios. inclusive eletrônicos (tais como websites). mas libera o método de escrituração. orienta pelo atendimento às regras de transparência já editadas. estas devem seguir os parâmetros exigidos pela legislação em vigor. a) O sistema francês é o adotado pelo Brasil. institucionais e estrangeiros. e c) O sistema germânico é adotado na Alemanha. consumidores. especialmente perante investidores potenciais.Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis As legislações atuais instituem três sistemas de demonstrar o exercício social e contábeis. Derivará da Consulta Pública aberta até o próximo dia 25 um ato normativo para regular os efeitos da novel legislação. informar em caráter preliminar que embora não haja menção expressa à obrigatoriedade de publicação dessas demonstrações financeiras. caso as sociedades de grande porte optem pela publicação ou a divulgação voluntária de suas demonstrações financeiras. mas deixa livre a espécie destes e o método de escritura.". fornecedores. o suíço e o germânico. Não discrepa o ente regulador do entendimento esposado neste artigo. A Lei impõe o número de livros obrigatórios. em Consulta Pública lançada no dia 14 de janeiro de 2008.processo de sua elaboração. uma vez que a transparência apresenta-se como uma das medidas que mais agregam valor à empresa no campo da governança corporativa.638. veio a Comissão de Valores Mobiliários [07]. onde a lei obriga o empresário a ter livros. de modo a formar um todo organizado visando interpretar e registrar os fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. 2. empregados..

quando for o caso (artigo 4º.livros digitais. Livros encadernados são os que se costuram com maior firmeza e segurança. O livro não poderá ser dividido em volumes. da Instrução Normativa nº 102/2006). V . Segundo o artigo 2º da Instrução Normativa nº 102. 3. a qual deverá ser assinada pelos mesmos signatários do termo e homologada pelo autenticador do instrumento pela Junta Comercial. os livros são brocados ou encadernados. do empresário ou sociedade autorizado a funcionar no País. de acordo com as necessidades do empresário ou da sociedade empresária.livros em microfichas geradas através de microfilmagem de saída direta do computador (COM). com sede em país estrangeiro (artigo 1º). não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro. Existindo erro ou omissão de algum dado obrigatório do termo de abertura e/ou encerramento. ser escriturado mais de um livro. parágrafos 2º e 3º. podendo. sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria. A retificação de lançamento feito com erro. mediante termo de homologação por esse datado e assinado. iniciando se pelo numeral um. no País. sendo protegidos por capas. impressos. em livro já autenticado pela Junta Comercial. do Código Civil). protegidos exteriormente por duas capas. de 25 de abril de 2006 pode elaborado em: I . geralmente duras.A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº nº 102.2.conjunto de fichas avulsas (artigo 1. de mesmo número ou não. contendo a escrituração retificada (artigo 5º. 3. observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade. III . de 25 de abril de 2006. em relação a um mesmo período. no livro em papel.1. A numeração das folhas ou páginas de cada livro observará ordem seqüencial única. enfeixados em capas flexíveis e de pouca resistência. do Código Civil).180. IV . Livros em papel De acordo com De Plácido e Silva a expressão livro é o vocábulo usado para designar (…) toda coleção de cadernos. II . Livros brocardos são ligeiramente costurados ou grampeados. poderá ser feita ressalva na própria folha ou página.180). incluído na seqüência da escrituração o balanço patrimonial e o de resultado econômico. [10] . As disposições desta Instrução Normativa aplicam-se às filiais.conjunto de fichas ou folhas contínuas (artigo 1. sucursais ou agências. desde que obedeçam as formalidades legais. deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência. e de maior resistência.livros em papel. Segundo o método de sua confecção. da Instrução Normativa nº 102/2006). Fichas O Código Civil permite que os livros em papel venham a ser substituídos por fichas ou formulários avulsos ou contínuos por aqueles que adotavam escrituração mecanizada ou eletrônica (artigo 1. manuscritos.180.

398/69. em blocos. de 15 de dezembro de 1976. deverão atender os requisitos constantes do Anexo I da Instrução Normativa nº 102/2006. As microfichas. como instrumento de escrituração.433/68. da Instrução Normativa nº 102/2006).404. as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. no conjunto de hash [13] dos livros digitais autenticados. aplicar-se-ão. regulamentada pelo Decreto nº 64. Serão transmitidos às juntas comerciais via Internet ou entregues em CD/DVD regravável ou em pen drives. Poderá ser utilizado como sistema se houver comunicação à Junta Comercial no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o termino de cada livro ou conjunto de fichas. com as indicações que os identifique para efeitos de controle. por meio de carimbo aposto em cada folha ou mediante termo próprio. selo cronológico digital. parágrafo 1º. Também deverão ser autenticados. para o caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. da Instrução Normativa nº 102/2006). de 15 de dezembro de 1976. com certificado digital de segurança mínima A#. sendo vedado o destaque ou ruptura das mesmas ou avulsas. Um e-book por ser um método de armazenamento de pouco custo e de fácil acesso devido à propagação da internet nas escolas. Pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em alguns portais de internet gratuitos. Livros Digitais Segundo a Wikipédia [11] o livro digital ou E-book é um livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores. selo cronológico digital.A adoção de fichas de escrituração não dispensa o uso de livro diário para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. como instrumento de escrituração. pelas juntas comerciais. . 100 da Lei nº 6. de acordo com as regras do IPC Brasil.3. inserido em cada autenticação. 3. em forma de sanfona. de segurança mínima tipo A#. Microfilmagem É admissível a microfilmagem da escrituração. da Instrução Normativa nº 102/2006). com subdivisões numeradas mecânica ou tipograficamente por dobras. Os livros digitais deverão necessariamente ser assinados por contabilista. poderá ser utilizada pelas companhias e em relação aos livros sociais de que trata o art.4. Para produzirem efeitos legais. observada a disciplina da Lei 5. pelo empresário individual ou pelo administrador da sociedade empresaria. anualmente. ao qual deve ser atribuído o número subseqüente ao do livro diário escriturado em fichas (artigo 4º.404. PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. e obrigatoriamente autenticado em cartório. com certificado digital [12]. As Juntas Comerciais deverão inserir. 3. No caso das companhias abertas. CD-ROMs e pen-drives. ainda. os traslados e as cópias deverão estar assinados pelo responsável da organização ou do estabelecimento detentor do filme negativo e pelo contador. O sistema de microfilmagem. as quais serão numeradas tipograficamente (artigo 8º. Os e-books são facilmente transportados em disquetes. As fichas que substituírem os livros. poderão ser contínuas. (artigo 16. apenas para os livros dos incisos I a III do art. 100 da Lei nº 6.

Livro Razão [18] O livro Razão consiste no agrupamento de valores em contas de mesma natureza e de forma racional. sociais e. os lançamentos efetuados no Diário. [16] Segundo informações obtidas no site da Receita Federal "a partir de 1º/01/1992.1. de 1991. o livro Razão é escriturado em fichas. Na escrituração dos empresários e das sociedades encontramos vários livros que não são propriamente contábeis e.1. e b) facultativos. tornouse obrigatória. Os livros Comuns são os livros obrigatórios cuja escrituração é imposta a todos os empresários. art. indistintamente.1.Os Livros Contábeis Segundo os manuais de Contabilidade os livros contábeis são os livros Diários e os livros Razões. onde todos os eventos passíveis de registros contábeis são efetuados. Na Contabilidade moderna. art. de 1991.1. Em verdade. [14] Contudo.2.218. obedecendo-se a ordem cronológica das operações (RIR/1999. por necessidade administrativa. livros sociais e por necessidades administrativas. Livro-diário [19] . livros fiscais. e nº 8. por conta ou sub-conta. 4. a escrituração e a manutenção do livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar. que incorporou as Leis nº 8.383. Os livros facultativos são os que o empresário e a sociedade escritura com vistas a um melhor controle sobre seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção. mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. 14. Assim.4.Espécies de Livros Empresariais Analisando as espécies de livros a partir dos manuais de contabilidade chegamos à conclusão que eles estão divididos em livros contábeis. 62)". O Livro Razão é de grande utilidade para contabilidade porque registra o movimento de todas as contas. art. pelo prisma jurídico podemos afirmar que os livros empresariais se dividem em duas categorias: a) obrigatórios que se subdividem em comuns e especiais. sim. existe uma folha de razão para cada conta. para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. 4. ainda. fiscais. A escrituração deverá ser individualizada. 259. neste livro existe um controle individualizado para cada conta. [17] Faz-se necessário demonstra a diferença entre livro Razão e o livro diário. Segundo Fabio Ulhoa Coelho [15] os livros empresariais obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário a sua ausência traz conseqüências sancionadoras (inclusive no campo penal). Já os livros Especiais são aqueles cuja escrituração é imposta apenas a uma determinada categoria de exercentes de atividade empresarial. 4.

data. 8º . mês e ano.Total da partida dobrada. 5º . 4º .Segundo Sérgio de Iudícius [20] o Livro Diário é um livro no qual são registradas todas as operações contabilizáveis de uma entidade. do Código Civil). 1. em ordem cronológica e com observância de certas regras".184.00 (tinta e seis mil reais) estará dispensado de escrituração por força do art. Se o empresário individual possuir receita Bruta anual de R$36. Os livros ou fichas (Diário) deverão conter termos de abertura e de encerramento. Desta forma. com totais não excedam o período de 30 dias.Total do débito e. art.000. de uso obrigatório. 3º .179 c/c 970 do Código Civil e pelo Estatuto do Super Simples. 1. a adoção desse sistema não exclui o empresário de obediência aos requisitos intrínsecos. 7º .valor da operação e. 3º . 2º . 2º . em forma de sanfona. para registro individualizado.valor do débito. não se . sendo que os registros deverão ser feitos diariamente. que se tenham verificado na atividade empresarial. Segundo De Plácido e Silva [22] "os livros de escrituração. a base de toda contabilidade de um empresário ou de uma sociedade é o Livro Diário que representa o registro histórico de todos os acontecimentos de ordem empresarial. Já se enquadrar como a Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte terá apenas como livro obrigatório o livro-caixa. são o Diário.local e data. O livro-diário tradicional pode ser substituído por fichas (contínuas. do Código Civil). 1. Assim. Admite-se a escrituração resumida do Diário. Entretanto. soltas ou avulsas). ressalvado os sujeitos abrangidos pela Lei Complementar nº 123/06 que trata do Super Simples ou Simples Nacional.conta ou contas debitadas. Este livro registra os fatos contábeis em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia. e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação (parágrafo 1º. O livro diário deve ser encardenado com folhas numeradas seguidamente. a legislação civil determina que apenas o livro Diário é obrigatório para todos os empresários e sociedades empresárias.conta ou contas creditadas.Histórico. previstos na lei fiscal e empresarial para o livrodiário. desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados. Para o livro-diário mecanizado são: 1º .nº do documento. 6º . Porém. devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresaria (parágrafo 2º.Código da conta. relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento. Os Elementos Essenciais do Lançamento no Livro Diário manuscrito são: 1º .184. Quem empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário por fichas seguidamente numeradas. a ser submetidos à autenticação do órgão competente no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). o Razão.Histórico da operação. 5º . [21] Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico.Total do crédito. art. 4º . 6º .valor do crédito. propriamente. que serve de índice ao Diário".

mês e ano. O art. II . os débitos e os créditos do dia e.o balanço patrimonial e o de resultado econômico. É através deles que as informações são extraídas. verificar se os registros das mercadorias de entrada foram todos realizados. [24] De acordo com Mario Sergio Milani [25] a adoção de fichas não dispensa o livro para o lançamento patrimonial e do de resultado econômico.pode concordar com a indagação de que o Diário é obrigatório para todos os empresários. observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. 1. O livro Balancetes Diários e Balanços serão escriturados de modo que registre (art. estabelecendo que na coleta dos elementos para o inventário serão observados os critérios de avaliação a seguir determinados: . Por isso que é o próprio instituidor dos livros. Este livro deve consignar. [23] 4. entre eles: verificar a autenticação do livro no órgão competente.a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis. o saldo anterior.Os Livros Fiscais [26] Podemos classificar como livros fiscais os que se encarregam de armazenar todos os fatos relacionados com as atividades fiscais do empresário e da sociedade.187 do Código Civil reformulou a função do livro Registro de Inventário.3) Livro Balancetes Diários e Balanços O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o Livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços. Registro de Inventário Neste livro o empresário realiza o lançamento dos saldos das mercadorias e materiais não comercializados ou consumidos durante o exercício comercial. em ordem cronológica de dia. esse livro serve para registrar o inventário de todos os itens pertencentes ao empresário ou sociedade na data do encerramento das demonstrações contábeis.2. é através destas informações que ele exerce sua atividade de policiar parte do grandioso vulto econômico gerado pelas entidades econômicas. discriminando em relação a cada uma delas. pois. ou seja. pelo respectivo saldo. 4. 4. 1186 do Código Civil): I . conferindo todos os registros efetuados pela empresa. destinando-se para aqueles que delas necessitarem.1. verificar cálculos. em forma de balancetes diários. retificando-os ou ratificando-os conforme constatações. Um dos interessados nessas informações é o Estado. É através dos livros fiscais que o fisco verifica todas as transações dos empresários e das sociedades. o saldo resultante com indicação dos credores e devedores. no intuito de acompanhar no dia-a-dia todas as transações realizadas pelas empresas. no encerramento do exercício.1.2. etc. a movimentação diária das contas. Alguns cuidados e observações devem ser tomados quando nos referimos a este livro.

[27] Segundo Cesare Vivante [28] "não é necessário que o livro de inventários forme um livro próprio e autônomo. III . na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso.os valores mobiliários.2. fixada no estatuto. Entre os valores do ativo podem figurar. Registro de Entradas Este livro registra todas as aquisições realizadas pelo empresário e sociedade. deve se efetuar o registro do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações (ICMS). falta de registro de documento fiscal.3. atender-se à desvalorização respectiva. matéria-prima. ou pelo preço corrente. IV . à sua amortização: (a) as despesas de instalação da sociedade. se houve aproveitamento intempestivo do crédito fiscal. aproveitamento de créditos fiscais sem o documento original (quando contém apenas a xérox). e principalmente as em regime de Substituição Tributária. criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor.I . As principais observações realizadas neste são as referentes aos cálculos dos impostos.2. devendo. ou fabricação. nas pequenas empresas. salvo se houver. quanto aos últimos. duplicidade de lançamentos de entradas. à taxa não superior a doze por cento ao ano. no período antecedente ao início das operações sociais. Todas as mercadorias (gerando crédito fiscal ou não). os não cotados e as participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição. b) os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima. 4. desde que se preceda. previsão equivalente. c) a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento adquirido pelo empresário ou sociedade.os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de realização.os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição. e quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição. não se levando em conta os prescritos ou de difícil liquidação. Registro de Saídas . até o limite correspondente a dez por cento do capital social. antes de qualquer outra verba do no exercício no livro diário. pela ação do tempo ou outros fatores. Em uma coluna especifica. anualmente. etc. bens destinados à alienação. sempre que este seja inferior ao preço de custo. ele efetivamente figura por vezes.2. ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da empresa podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação. e os bens forem avaliados pelo preço corrente." 4. II . nem para as percentagens referentes a fundos de reserva. a diferença entre este e o preço de custo não será levada em conta para a distribuição de lucros.o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com base na respectiva cotação da Bolsa de Valores.

Livro de Movimentação de Combustível (LMC) O LMC destina-se ao registro diário. Pelos registros de créditos e débitos que realizamos nele. e se o empresário e a sociedade terá imposto a recolher ou saldo a transferir ao próximo período. as mesmas a serem realizadas nos livros de registros de entradas. a quantidade de mercadorias vendidas. quando ocorrência uma fiscalização na empresa. com débito do ICMS realizados pelo empresário e sociedade. é nele que ficam registradas as informações correspondentes à última fiscalização. etc.No registro de saídas temos os lançamentos oriundos das operações de vendas de mercadorias. quais as contas que foram verificadas. podemos apurar o saldo da conta corrente.2. 4. 4. [29] 4.2. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência Um dos livros mais importantes para a fiscalização ou auditagem de uma empresa. os estoques de material de escritório. Neste livro. pelo posto revendedor de combustíveis líquidos e gasosos.6. Nele podem ser observadas informações como. com o objetivo de promover o controle de produção e do estoque. Este registro.5. os livros que foram verificados. praticamente.2. a alíquotas do ICMS e o valor do imposto. querosene iluminante. tipos de infrações cometidas pelo contribuinte. dos estoques e de movimentação de compra e venda de gasolina. Logo. Este livro é dividido por colunas para registro da data da operação da venda. Registro de Controle da Produção e do Estoque O livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque é obrigatório para as indústrias e estabelecimentos equiparados. se o empresário e a sociedade gozam de regime especial concedido ou exigido pela repartição fazendária. ou seja. como: a autenticação obrigatória pela autoridade competente. Algumas observações devem ser feitas. são os originários da apuração entre os débitos e créditos fiscais. álcool etílico hidratado carburante. Registro de Apuração de ICMS O livro de registro de apuração do ICMS é o livro encarregado da conta corrente do ICMS. os resultados da última fiscalização. pois. mistura . As observações aqui realizadas devem ser. 4. por exemplo. devem ser registrados pela autoridade fiscal a data.8.7. verificando se este é devedor ou credor. estabelecido pelo Regulamento do IPI. a descrição dos produtos. são registrados os estoques de produtos para revenda. eventuais multas aplicadas o empresário e a sociedade.2. em contrapartida com os registros de entradas. os livros examinados. conferir os valores a serem recolhidos e as guias de recolhimento dos respectivos impostos. o livro é utilizado para os registros de auditorias fiscais realizadas na empresa. material de limpeza e demais produtos existentes no estabelecimento. bem como outras ocorrências de ordem fiscal. verificar se os transportes dos livros de registro de entrada e saída estão corretos. entre outros. bem como seus saldos. resultando no montante de impostos que o empresário e a sociedade vai recolher. óleo diesel.

devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários. despesas. desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo. b) transcrever a demonstração do lucro real. 177 da Lei n° 6. ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários. cronologicamente. prorrogações e outras circunstâncias necessárias.404/76 (Lei 6. ajustado no LALUR pelas adições. para todos os fins desta Lei. receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração . encargos. a pessoa jurídica deverá: a) lançar os ajustes do lucro líquido do períodobase (apurado na escrituração comercial). Nesse livro. Deve ser autenticado pela Junta Comercial. perdas. c) manter os registros de controle dos prejuízos fiscais a compensar em períodosbase subseqüentes. rendimentos. necessários para a determinação do lucro real (base de cálculo do Imposto de Renda). Este livro foi instituído pela Portaria 26/92 do Departamento Nacional de Combustíveis. segundo o artigo 19 da Lei de Duplicatas. serão escrituradas. bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos-base futuros e não constem da escrituração comercial.metanol/etanol/gasolina e gás automotivo. provisões. para os empresários que adotem o regime de vendas ou prestações de serviços com extração de fatura e emissão de correspondente duplicata. prevista no parágrafo 2° do art. anotações das reformas.10. na escrituração mercantil. com observância das normas da legislação comercial. b) resultados. com o número de ordem. o nome e domicílio do comprador. participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido e que. sem modificação da escrituração mercantil. data e valor das faturas originais e data de sua expedição.9. exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. d) O LALUR não precisa ser autenticado por qualquer órgão oficial. não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar. adições: a) custos. todas as duplicatas emitidas. Registro de Duplicatas É o livro obrigatório. 4. No LALUR. O Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil. da depreciação acelerada incentivada.2. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. O livro de apuração do lucro real (LALUR) [31] O livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) existe para assegurar a separação entre a escrituração comercial e a fiscal. da exaustão mineral com base na receita bruta. demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares. a saber: I. do lucro inflacionário a realizar.404/76).2. [30] 4.

no que couber.11 Outros Livros fiscais Além desses. se tiverem sido emitidas.Os livros Sociais A companhia deve ter. fideicomisso. -das mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. e outros. reembolso e amortização das ações. ou de sua aquisição pela companhia. IV da Lei 6. rendimentos. de acordo com a legislação do Imposto de renda. em . de uma em outra espécie ou classe. em ambos. -das conversões de ações. pela sua natureza exclusivamente fiscal. respeitados os limites e demais normas pertinentes. do Estadual. -do penhor.3. exigidos pelo fisco da União. observando-se. b)O livro de "transferência de Ações Nominativas". usufruto. c)O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas". além dos livros obrigatórios contábeis e fiscais para qualquer empresário. d)O livro de Atas das Assembléias Gerais é obrigatório nas sociedades anônimas como estipula o artigo 100. não tenham sido computados na apuração do lucro líquido. existem outros livros fiscais. o disposto nos números I e II deste artigo. do Distrito Federal e do Município.do lucro líquido e que. -das entradas ou prestações de capital realizado. 4. o registro de empregados. c) compensação de prejuízos fiscais de períodos-base anteriores. da alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. exclusões: a) resultados. livro de apuração do imposto sobre serviço. b) valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do Imposto de Renda e que. não sejam computados no lucro real.404/76 e também nas sociedades limitadas que tenham mais de 10 sócios e facultativo para as que tenham menos de 10 sócios. que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. devam ser computados na determinação do lucro real. o registro de impressão de documentos fiscais. os seguintes revestidos das mesmas formalidades legais: a ) Livros de "registro de Ações nominativas" para inscrição. Controle bancários. -do resgate. 4. para lançamento dos termos de transferência. Entre eles destacamos: O livro de apuração do IPI. II. anotação ou averbação devendo conter os seguintes dados: -do nome do acionista e do número das suas ações. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido e que.2.

264. extravio ou inutilização de livros fiscais Ocorrendo extravio. é facultativo. d) informar a existência ou não de débito de imposto.075. [33] . é obrigatório para as sociedades anônimas que. bem como o resultado dos exames trimestrais dos livros e papeis da sociedade e o estado da caixa e da carteira. e de Atas das Reuniões de Diretoria este livro é obrigatório para as sociedades anônimas como se refere os artigos 100 e 149 da Lei 6. 10. tomando por base o balanço patrimonial e do resultado econômico. que prevê para a posse do administrador da sociedade limitada quando da sua designação se faz em ato separado.404/76.Efetuar a imediata publicação da ocorrência em jornal de circulação em todo o Estado. e)O livro de Presença dos Acionistas este livro é obrigatório para as sociedades anônimas. do Regulamento do Imposto de Renda. e) anexar as publicações no jornal e no Diário Oficial. b) informar o período a que se referir à escrituração do livro. É evidente que se a perda ocorreu por má-fé ou mero descuido do empresário. remetendo cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição.404/76. da Lei 6.066. c) declarar expressamente a possibilidade ou não de se refazer a escrituração em 45 dias. por força do artigo 161 da referida lei. é obrigatório para as sociedades cujos atos constitutivos prevejam um Conselho Fiscal (art. 1. documentos ou papéis de interesse da escrituração. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observada as citadas formalidades O contribuinte deverá: 1º . tem conselho fiscal. Perda. aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação.virtude da previsão do art. não poderá jamais se escusar sob o escudo do art. o número de ordem e demais características do livro. devidamente apresentado à assembléia geral. Neste livro se lavra a posse dos membros efetivos e suplentes do Conselho fiscal. ao órgão competente de Registro do Comércio. 2º . 100. qual o período e o valor (se existir).067 a 1.1. a pessoa jurídica fará publicar. do Código Civil. f)Os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração se houver. estando previsto no art. deterioração ou destruição de livros. g)O livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal previsto no art. 4. previsto nos artigos 1. com como o parecer sobre os negócios e as operações sociedade do exercício em que servirem. do Decreto-Lei 486/69 [32] e art. do Código Civil). Nas sociedades limitadas.3. a contar da ocorrência da seguinte forma: a) mencionar a espécie. não se faz por meio de previsão constante do próprio ato constitutivo. ou seja. em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento.062 do Códigio Civil. se deixou os livros se deteriorarem por conta de circunstância evitável. Por outro lado. dentro de 48 (quarenta e oito) horas. 1.069 do Código Civil.Comunicar por escrito à repartição fiscal de sua circunscrição em 15 dias. fichas. 1. Este livro tem como finalidade registrar os trabalhos e deliberações da assembléia de acionistas ou sócios. VII.

para imprimir ou mandar imprimir documento fiscal.comunicar imediatamente à repartição fiscal de seu domicílio o extravio ou perecimento de livros e documentos fiscais. antes de sua utilização.exibir a outro contribuinte a FIC. venda.4. em relação às obrigações acessórias relativas à confecção e manuseio dos livros fiscais: Art. b) em se tratando de documento fiscal. observado o disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a ocorrência do fato.2. os livros e documentos fiscais até que ocorra a decadência dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. bem como o roubo ou inutilização do equipamento ECF. transferência de estabelecimento.escriturar os livros e emitir documentos fiscais. observado o disposto no art.comunicar à repartição fazendária as alterações contratuais e estatutárias. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais De acordo com o Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS. incorporação. VIII . quando obedecido o prazo legal de escrituração. encerramento ou suspensão de atividade.3. VII . II . assim como outros elementos auxiliares relacionados com sua condição de contribuinte.solicitar à repartição fiscal competente a autenticação de livros e documentos fiscais. observado o seguinte: a) em se tratando de livros. na forma estabelecida nos arts. 120 a 122. XIII .inscrever-se na repartição fiscal antes do início de suas atividades. quando de início e todas as vezes em que houver substituição. nas operações que com ele realizar. devidamente registrados na repartição fiscal do seu domicílio. VI . bem como as mudanças de domicílio fiscal. fusão.manter em seu poder. IV . os livros e/ou documentos fiscais.solicitar autorização da repartição fiscal competente. comunicação contendo dados do responsável pela sua escrita contábil. V . 119. 123. observadas as disposições constantes dos Capítulos próprios deste Regulamento.remeter à repartição fiscal de seu domicílio. sucessão motivada pela morte do titular. . transformação. cisão. o prazo ocorrerá a partir da data de sua emissão. XI . o prazo se contará a partir do último lançamento nele consignado.exibir ou entregar ao Fisco. São obrigações do contribuinte: I . quando exigido ou solicitado. III .

desde que não se trate de início de atividade. Os livros fiscais. pelos empresários. a demandar do operador do direito a percuciente análise das características do empreendimento.404. [34] A gravação de assembléias e reuniões e o direito de fiscalização nas sociedades anônimas Não obstante a casuística própria das sociedades anônimas. pois auxiliam o empresário e a sociedade empresária a melhor exercer as suas atividades. que serão impressos e de folhas numeradas tipograficamente. tanto para as companhias fechadas quanto para as abertas. Há livros que. é inegável que a Lei n° 6. contados da data do último lançamento 4. é harmônico. e instituídos. só serão usados depois de visados pela repartição do domicílio fiscal do contribuinte.cumprir todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária.4. de 15/12/1976. voluntariamente.179. desde que observe as mesmas exigências listadas para o livro Diário. em ordem crescente. 268. afirmando que o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. não sendo obrigatórios mostram-se necessários. desde que atendam às exigências da escrituração obrigatória. juntamente com a apresentação do livro anterior a ser encerrado.Livros facultativos Estes livros não são obrigatoriamente exigidos pelas leis comerciais. dispôs sobre o direito de fiscalização dos acionistas de forma praticamente uniforme. E desse modo. à autenticação pela junta Comercial. fiscais ou trabalhistas. 3º Para os efeitos do parágrafo anterior. Nesta razão. 1º Os livros fiscais terão suas folhas encadernadas. são os que podem ser dispensados.XV . . de forma a impedir sua substituição. segundo a natureza e o volume de seus negócios. os livros a serem encerrados serão exibidos à repartição competente do Fisco dentro de 05 (cinco) dias. 2º O "visto" será gratuito e aposto em seguida ao termo de abertura lavrado pelo contribuinte. Art. da estrutura do capital e das próprias relações entre os acionistas. O artigo 7º do Decreto-Lei 486/69 permite ao empresário ou a sociedade empresaria qualquer livro de escrituração que julgue conveniente adotar. não se entendem nem obrigatórios nem necessários. parágrafo 2º do Código Civil. O artigo 1.

evolução e aplicação necessariamente jungida à realidade social vigente. não deixa dúvida nossa Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei n° 4. 5o. no direito privado. contra as iniqüidades próprias do nosso arcabouço jurídico e da realidade política e econômica vigente no âmbito das sociedades anônimas. a mais significativa contrapartida ao princípio geral e inarredável de que o acionista deve submeter-se à vontade da maioria.303. o nítido liame entre o direito societário e o direito constitucional). também serve de princípio geral norteador da atividade econômica (art. Aliás. de forma indiscriminada. art. as convergências entre as sociedades anônimas e o Estado. por influências políticas diversas. concluindo-se que a estrutura orgânica das companhias. por ser uma ciência social. não se pode esquecer que o direito. art. fixados nas legislações específicas das sociedades anônimas dos diversos países. inciso II). que. ambos tomados em sua concepção mais moderna. executivo e fiscalizador. por sua natureza fundamental. pondo em risco o próprio direito fundamental à propriedade (Constituição Federal. conforme. representa. refletem a concepção política do constitucionalismo (note-se. com a distinção dos órgãos deliberante. Modesto Carvalhosa afirma que os direitos individuais dos acionistas. a divisão de poderes do direito constitucional. o que. com o consectário de sua indelegabilidade. representando a Lei n° 6. 5o). se aplicada à generalidade de situações. talvez. ainda que mínimos. inciso XXII). 170. são indisponíveis. Não se pode negar que o sistema jurídico pátrio construído em torno das sociedades anônimas. aliás. o legislador estatuiu no art. previsto no inciso III do aludido dispositivo legal. que. como se sabe.404. Saraiva. particularmente aqueles introduzidos pela Lei n° 10. 109 da Lei das S/A os chamados direitos essenciais dos acionistas.657. o modelo jurídico-societário brasileiro. de 15 de dezembro de 1976. gera perplexidades dentro e fora do Brasil. . reproduz. A razão de ser dessa e de todas as demais garantias legais constituídas em prol dos acionistas minoritários não é outra. de 04/09/1942.Em garantia da higidez e da própria coerência lógico-jurídica da existência e do funcionamento das sociedades anônimas. tem sua concepção. com o predomínio da maioria em detrimento da minoria (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas: Lei n° 6. novamente. Por maior que seja o apego do operador do direito e da própria sociedade aos modelos alienígenas. já foram objeto de estudo pela doutrina. O direito de fiscalizar os negócios sociais. senão o reconhecimento formal da necessidade de criação de instrumentos. com nítidos reflexos constitucionais e infraconstitucionais. Isto porque. não raro. de 31/10/2001. volume 2).404/76 a adoção do chamado "institucionalismo empresarial" entre nós. a regra da prevalência pura e simples da vontade da maioria acionária acarretaria evidentes abusos. São Paulo. tem se revelado pouco adaptado ou pouco adaptável à realidade em vigor no seio das sociedades anônimas. ainda é perverso no tocante aos direitos dos acionistas minoritários. não obstante os notórios avanços empreendidos nos últimos anos. por seu turno. 1997. Em tal contexto.

e para que elas se desenvolvam validamente e objetivem os seus fins há de ser observado o denominado método assemblear. O direito de fiscalização vem a ser. sendo este (direito essencial legalmente previsto) equiparado aos direitos individuais políticos. 2003). da Constituição Federal). que tem por função precípua ensejar a formação da vontade social.. Livraria do Advogado. c/c arts. quando decorrentes do regime e dos princípios adotados pela própria Constituição Federal (art. o principal instrumento de defesa do acionista minoritário. 5o. sendo as assembléias gerais a sede própria ao exercício desse direito essencial. Porto Alegre. § 2o). não podem ser dela excluídos. seja esta modificação decorrente da manifestação legislação ou mesmo de atitudes dos acionistas detêm o controle/administração da sociedade. e a garantia de que o acionista deve ser tratado. temos que qualquer alteração neste lineamento contraria disposições constitucionais. .) Estabelecidas as regras que guarnecem o direito essencial do acionista de fiscalizar o andamento dos negócios sociais. entre eles o direito de igualdade (art. fortalecidos pela ampliação que se faz da aplicação dos direitos fundamentais constitucionais. (. em tal contexto. 5o. fundado. e 170. parágrafo único. 116. na ordem econômica. art. é fundada no interesse público e na função social das sociedades anônimas (Lei n° 6. que pode se dar no âmbito legislativo ou." (Acionista Minoritário na Sociedade Anônima: Direito de Fiscalização: Uma Abordagem Não-Dogmática. 5o. (. com a dignidade reclamada na Constituição em dois dispositivos e. bem como no próprio respeito ao exercício pleno dos direitos e garantias individuais previstos na Carta Magna. São inseparáveis os direitos individuais dos acionistas – minoritários em especial – dos direitos fundamentais previstos na Constituição.404. inciso XXII) e outros que. de 15/12/1976.) Em virtude da proteção aos direitos individuais dos acionistas. inciso III. qualquer disposição legislativa que trate sobre sociedades privadas – não é dado o privilégio de estabelecer critérios de participação acionária ou de dispor sobre decisões intersócios em prejuízo dos princípios e regras constitucionais reservadas à proteção dos direitos pessoais. o direito de informação (art. inciso XIV). na esfera judicial. Carlos Alberto Benke. ainda. embora não estejam expressamente previstos no texto constitucional. previstos na legislação societária. Tal intervenção. o tratamento isonômico ao acionista minoritário. Esta é a gênese de um direito societário efetivamente protetivo dos interesses econômicos. políticos e sociais dos investidores. em sendo necessário. sendo aqueles inspirados nestes. o direito de propriedade (art. caput).... 5o. no exercício da fiscalização. 5o. conclui-se que todos os sócios de uma sociedade por ações encontram-se em pé de igualdade em termos de direitos e obrigações. em bases constitucionais: "À lei das sociedades por ações – e de resto. inciso XXIII.Exsurge desse quadro de desigualdade existente entre acionistas controladores e minoritários a imperiosa necessidade de intervenção estatal para atenuação das diferenças. como visto.

109. de imposição feita pelos acionistas controladores em detrimento dos minoritários. art. não admitindo. relacionado com os trabalhos da assembléia geral. a deliberada e sistemática adoção de práticas cerceadoras das atividades dos Conselhos Fiscais e de Administração no desempenho das suas funções fiscalizadoras. portanto. como documento necessário da sociedade anônima. A absoluta relevância das atas assembleares pode ser aferida à luz da lição de Modesto Carvalhosa: "A ata. evidencia a gênese constitucional dos direitos dos acionistas. Tal a importância atribuída pela lei à observância do direito essencial de fiscalização do acionista que o seu descumprimento é. A adoção de atas sumárias nas assembléias gerais. não por acaso. ao colégio acionário e. portanto. por meio destes. possibilita o controle da legalidade e legitimidade da sua instalação e das deliberações havidas. os respectivos assentamentos em documentos ou folhas apartadas o soltas. muitas das vezes com o objetivo de escamotear a verdade e omitir as minúcias das questões postas em debate nos conclaves. sejam opostas às exceções de irregularidade e de nulidade pelos acionistas. baseado na lista de presença (art. a terceiros. bem como o exercício do contraditório em relação às matérias debatidas para a formação da vontade social. O desvirtuamento de todos os princípios e regras legais e constitucionais aqui invocados pode revelar-se por vários meios. embora expressamente autorizada pelo art. como se sabe. as deliberações e a vontade majoritária. o que. inciso III. 127) e na ata da reunião dos acionistas. presentes e ausentes.) E é em razão da relevância das atas das assembléias que o mesmo autor é crítico ferrenho da adoção da forma sumária. figurando no elenco dos direitos e garantias fundamentais (Constituição Federal. que acarreta verdadeira incerteza jurídica. contra a instalação. aliás. 130. em regra. . O contraditório. 5o. previsto no art. § 1o. 100). após publicada. a ata instrumento de certeza jurídica. Constitui. entre elas. constitui uma dessas práticas contrárias à governança corporativa. Decorre ela. da Lei das S/A. servindo. de instrumento ao abuso de direito previsto na lei civil (Código Civil. cit. pois. Permite. art. por exemplo. esse documento da assembléia que." (sic) (op. inciso LV). da Lei das S/A. abalando o pilar do princípio documental da assembléia: "O direito vigente também se filia ao princípio documental da assembléia. permitindo assim que seja ela oponível aos demais órgãos sociais e. 187). que devem constar dos livros próprios (art. tem status constitucional. em particular o de fiscalização da gestão dos negócios sociais. na medida em que registra as deliberações e a vontade social. ademais. novamente. por exemplo. motivo suficiente em si mesmo para ensejar a anulação das deliberações assim viciadas.Requisito essencial do método assemblear é que seja assegurado ao acionista a plena informação sobre os assuntos a serem deliberados.

). . lapidarmente: "Em uma lei que se arvorou em defensora das minorias. É princípio fundamental dever a ata ser redigida de maneira que permita àqueles que dela não participaram do conclave e à Justiça apreciar os fatos que ocorreram na assembléia geral. na realidade. já que se submetem os trabalhos à censura prévia dos controladores (. op. em cada assembléia. grifos nossos) E arremata. Assim. que decidirão em causa própria ou na dos administradores por ele eleitos.. da ata sumária.. à luz dos direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal e também em consonância com o direito essencial de fiscalização garantido pela Lei das S/A. p. a ata sumária representa. cit. (op. eventualmente.. depende de decisão dos controladores. na medida em que este passa a ter poderes legais de censura sobre as manifestações dos minoritários. A ata sumária constitui. 153] A lei vigente traz outra inovação. cit. Tal expediente atende apenas aos interesses dos controladores que. por deliberação majoritária. poderá a administração publicar apenas o seu extrato. igualmente. o qual sequer depende de autorização assemblear ou tutela jurisdicional específica para ser colocado em prática. grifos nossos) Diante desse contexto. estão. ainda que sinteticamente. discordantes valer-se do regime da publicidade para manifestar seus pontos de vista e. porém com essas restrições que impedem que a ata reflita. contrariando aquele interesse. de preceito lesivo aos interesses dos acionistas minoritários. pois.. Quando a ata não for sumária – e somente nesta hipótese -. cit. A lei mantém o regime de publicidade. não só adota a forma sintética como exacerba profundamente esse regime. na medida em que não podem os sócios. temos que a ata. por um dos grandes comercialistas brasileiros. sem dúvida. A adoção." (op. assim. a gravação magnética dos conclaves revela-se. durante a tramitação do projeto e agora. Trata-se. Pergunta-se em que ponto a ata sumária supressora da manifestação dos acionistas minoritários pode atender ao interesse social. ao sonegarem o registro e a publicação das manifestações minoritárias. os trabalhos da assembléia. como um legítimo instrumento de defesa dos acionistas minoritários contra arbitrariedades. após a promulgação da lei.. a própria derrogação daquelas. ao instituir a ata sumária. poderá ser lavrada sem que dela conste o inteiro teor dos protestos e representações de acionistas. aglutinar outros acionistas na defesa do interesse social. O princípio da informação torna-se relativo. expediente de perpetuação do grupo controlador. [especificamente Waldirio Bulgarelli.E quanto ao regime de declarações da ata. A iniqüidade desse sistema de ata sumária foi reiteradamente apontada.

678-1. não podendo se orientar pelos mesmos fundamentos de direito que norteiam a controvertida interceptação telefônica. modernamente. assim se posicionou: . a escuta clandestina e o constrangimento físico ou moral na obtenção de confissões ou depoimentos testemunhais. ainda que realizada sem o conhecimento e consentimento dos demais presentes às assembléias gerais. A gravação implícita ou explícita de assembléia geral ou de reunião do outros órgãos societários de natureza colegiada (conselho de administração e conselho fiscal) insere-se no âmbito das gravações privadas de conversas entre pessoas. situado fora do campo das provas ilícitas. portanto. com o exclusivo intuito de documentar seu conteúdo (princípio da certeza jurídica). Reputando-se ilícita a prova obtida através da violação do ordenamento jurídico. assumindo. a invasão domiciliar. previsto na Lei das S/A e cuja gênese está nos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal. podendo-se inserir nessa espécie a gravação de assembléias gerais de acionistas e reuniões de conselho de administração e de conselho fiscal. Nessas hipóteses a gravação não configura o exercício regular de um direito reconhecido. gerando direito subjetivo passível de ampla proteção.Isto porque dita gravação. praticados com o objetivo de produção de prova. Naquele caso. Entende-se que o direito à privacidade é sacrificado em prol da legítima defesa ou de outra excludente de antijuridicidade. entre outros. é absolutamente legal e legítima. pelo entendimento inaugurado no voto paradigmático do Ministro Nelson Jobim. viés inteiramente diverso. entendeu o Exmo. em 11/03/98. entretanto. é albergada por excludente de ilicitude quando há investida criminosa desta última. 75. não merece análise no campo das provas ilícitas. Sr. por decorrer de direito subjetivo do acionista. a violação do sigilo epistolar. manifestado no julgamento do HC 74. a subtração de documentos. Além disto. A gravação explícita de conversa. No tocante à interceptação telefônica. em que o direito reconhecido vem a ser o de fiscalização dos negócios sociais pelo acionista. teremos como exemplos de atos contrários ao direito. Dito voto tratou especificamente da situação em que um indivíduo realiza gravação telefônica sem o conhecimento do seu interlocutor.338-8-RJ. elemento fundamental à implementação do princípio documental inerente a tais atos coletivos. com apoio na doutrina de Vicente Greco Filho. a quebra de segredo profissional. na hipótese de gravação dos conclaves realizados no seio das sociedades anônimas. Tal não se verifica. no julgamento do HC n. sem o conhecimento da outra parte. Verifique-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal. O Excelso Pretório. os Tribunais brasileiros têm-se orientado. Ministro que a gravação telefônica autorizada ou feita por um dos interlocutores. a gravação dos debates e das deliberações ocorridas no âmbito de qualquer órgão societário traz o benefício da certeza jurídica.

tanto no processo criminal como no civil. chamada por alguns de gravação clandestina ou ambiental (não no sentido de meio ambiente.. também inexiste tipo penal que a incrimine. portanto. pois. nos moldes da disciplina da exibição da correspondência pelo destinatário (art." O mesmo acórdão faz alusão expressa. é a divulgação da conversa sigilosa. Os interesses remanescentes devem ser suficientemente relevantes para ensejar o sacrifício da privacy. dependerá do confronto do direito à intimidade (se existente) com a justa causa para a gravação ou interceptação. os seus titulares – o remetente e o destinatário – são ambos. futuramente. . 5º da Constituição e sua licitude. Qualquer pessoa tem o direito de gravar a sua própria conversa. RT.) a gravação unilateral feita por um dos interlocutores com o desconhecimento do outro. Ocorrendo."(. a vida.) Em nosso entender. sobretudo. admissíveis no processo. aliás. A ‘justa causa’ é exatamente a chave para se perquirir a licitude da gravação clandestina.. inclusive para documentar o texto dessa conversa. sem justa causa. de modo geral. dentro das excludentes possíveis. o direito de defesa. 153 do Código Penal e art. Assim. a integridade física. o próprio direito à intimidade e. bem como a da prova dela decorrente. Neste caso. da gravação que se faz para documentar uma conversa entre duas pessoas. por exemplo. assim se pronunciou: "Faço distinção entre gravação efetuada por terceiro. não é interceptação nem está disciplinada pela lei comentada e. nesse caso. 1995)." (grifo nosso) Concluiu o autor que o sistema brasileiro é similar ao italiano. mas no ambiente). a liberdade. na sua fundamentação. que intercepta conversa de umas pessoas. 233 do Código de Processo Penal). que afirma: "Observa-se que a jurisprudência.. dado que não há. do mesmo modo que no sigilo de correspondência. (. independentemente do fato de a exceção à regra da inviolabilidade das comunicações haver sido regulamentada. E. haja ou não conhecimento da parte de seu interlocutor. "onde a tutela do sigilo das comunicações não abrange a gravação clandestina de conversa própria. é de se afastar – frise-se – o direito à prova. a gravação clandestina é de se reputar lícita. não se confunde com a ilicitude. tornando ilícita a prova decorrente. O que a lei penal veda. Isso porque." O Ministro Carlos Velloso. no julgamento da Ação Penal n° 307-3-DF. São Paulo. o que as torna. na ordem jurídica brasileira. A clandestinidade. ainda não assimilou bem o conceito de gravação clandestina. não tenho como ofendido preceito constitucional e nem tenho como ilícita a prova. conflito de valores dessa ordem.. o sigilo existe em face dos terceiros e não entre eles. os quais estão liberados se há justa causa para a gravação. nenhuma lei que impeça a gravação feita por um dos interlocutores de uma conversa. que se insere entre as garantias fundamentais. como estado de necessidade e a defesa de direito. ambas as situações (gravação clandestina ou ambiental e interceptação consentida por um dos interlocutores) são irregulamentáveis porque fora do âmbito do inciso XII do art. à excelente obra de Luiz Francisco Torquato Avolio (Provas Ilícitas.

Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO Número do Processo: 2002. o que configurará. DESPACHO SANEADOR. Generalizar a proibição é que não me parece adequado. Embargos do Devedor. 740 do CPC. SIDNEY HARTUNG Julgado em 11/02/2003" "SEPARAÇÃO JUDICIAL. Agravo de Instrumento. Não se procede à impugnação ao valor da causa se não observado o rito determinado pelo art. não é ilícita a sua admissão pois não atinge princípio constitucional. sem que dê conhecimento ao seu interlocutor.012-RJ (91.15158 Data de Registro : 26/03/2003 Órgão Julgador: QUARTA CAMARA CIVEL DES. Citação do embargado. Se a prova se limita à reprodução de diálogos entre as partes." O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também já se pronunciou em linha com o entendimento majoritário: "EMBARGOS DO DEVEDOR. " No Superior Tribunal de Justiça encontra-se pensamento idêntico.) Nenhum homem de bem gravará uma conversa que tenha tido com outrem. incidental. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. como se pode ver no voto do Ministro Cláudio Santos proferido no Recurso Especial nº 9. sem justa causa. POSSIBILIDADE. 383 do CPC. de que a conversa está sendo gravada. e diante da norma contida no art. de fatos que digam com a privacidade das pessoas. Mas a questão fica no campo ético. RECURSO IMPROVIDO.. NÃO CONFIGURAÇÃO. seja com o uso de meios eletrônicos. observado o art. seja pessoalmente. quando muito. ILICITUDE DA PROVA. Prova. cujo grau de censurabilidade não chega a tornar ilícita a prova. DEFERIMENTO. Caberá ao juiz avaliar. 261 do CPC. Prova consistente em gravações magnéticas Possibilidade. Desnecessário que conste expressamente da inicial dos Embargos a citação da outra parte. AGRAVO DE INSTRUMENTO. quando alguém mantém determinada conversação.. Não se admitirá a divulgação.0004503-9): "Considero que. uma inconfidência. Decisão que se reforma. arrisca-se a ver a mesma divulgada. Precedentes.002. PRODUCAO DE PROVA. Não configura prova ilícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. Não há proibição legal. em regra. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO . dado o seu caráter.(.

12197 Data de Registro : 13/08/2002 Folhas: 140991/141002 Comarca de Origem: CAPITAL Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL Votação : Unânime DES. CARACTERIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. VISANDO DESCONSTITUIR NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA EM NOME DO VENDEDOR E QUE SE ENCONTRA EM SEU PODER . Restituição integral dos valores pagos.Número do Processo: 2001. a teor do artigo 383. Rescisão do contrato por inadimplemento. Devida a indenização fundada no dano moral.SÃO FERNANDO PATRIMONIAL LTDA. Gravação feita por quem participou da conversa gravada. MARIA AUGUSTA VAZ Julgado em 09/04/2002" "PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. PAULO SERGIO FABIÃO Julgado em 16/10/2001" COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. PROVA PERICIAL. DANO MORAL. (FJB) Partes: JORGE JOAQUIM DE ALMEIDA E S/M . PEDIDO DE RESCISÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA.002. RECURSO PROVIDO. a partir de cada reembolso. JUROS CONTRATUAIS. Entrega pela construtora de apartamento duplex. PROVA. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. Provimento do apelo. mediante instrumento particular de incorporação imobiliária. Ementário: 24/2002 . Litigância de má-fé caracterizada. CONFIGURACAO. 23 . Não se cuidando de interceptação de conversa telefônica ou de outro meio ilegal ou moralmente ilícito. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. INSTRUMENTO PARTICULAR. Civil. Código de Processo Civil.001. corrigidos monetariamente.14672 Data de Registro : 12/06/2002 Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL DES. de cobertura localizada na Barra da Tijuca. independendo a admissibilidade da referida prova do conhecimento de sua formação pela outra parte. mas simplesmente de reprodução de conversa mantida pelas partes e gravada por uma delas. PROCESSO CIVIL .AÇÃO ORDINÁRIA. Promessa de compra e venda de imóvel. LITIGANCIA DE MÁ-FÉ. ILICITUDE DA PROVA. ao invés de uma cobertura.N. há de ser esta gravação admitida como prova em juízo. RESTITUIÇÃO DAS MPORTÃNCIAS PAGAS. INDENIZACAO. ADMISSIBILIDADE.29/08/2002 Tipo da Ação: APELAÇÃO CÍVEL Número do Processo: 2001. NOTA PROMISSÓRIA. FITA MAGNÉTICA. incidindo os juros iguais do contrato.

RELATIVAS AO NEGÓCIO.. NO SENTIDO DE APURAR AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS DAS PARTES ENVOLVIDAS NA TRANSAÇÃO . Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. tendo a companhia e todos os seus acionistas. GAMALIEL Q. MARIA HENRIQUETA LOBO Julgado em 14/09/1999" Pode-se concluir. tal interesse não resta atingido pelo mero ato de gravação de uma reunião ou assembléia em que tais assuntos sejam tratados. DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. DESPROVIMENTO DO RECURSO.CORREÇÃO DA DECISÃO HOSTILIZADA JÁ QUE NÃO SE TRATA DE PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO.002. que subsistem no campo meramente hipotético e. Número do Processo: 2000.0632 Data de Registro : 26/10/1999 Órgão Julgador: DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL DES. a única restrição que se poderia fazer é a que abriga o interesse da companhia em preservar o sigilo de seus negócios. sempre. SEM INTERFERÊNCIA DE TERCEIROS.09608 Data de Registro : 04/01/2001 Órgão Julgador: DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CIVEL DES.PROVA PERICIAL DEFERIDA. MAS DE CONVERSAS A RESPEITO DO NEGÓCIO . No entanto. INOCORRÊNCIA DO COMPROMETIMENTO À PRIVACIDADE ASSEGURADA NO TEXTO CONSTITUCIONAL. ATO ENVOLVENDO APENAS AS PARTES. portanto. . NÃO É CONSIDERADA ILÍCITA PROVA RESULTANTE DE GRAVAÇÃO DE CONVERSA REALIZADA POR UM DOS INTERLOCUTORES REVELANDO-SE IRRELEVANTE A CIRCUNSTÂNCIA DE SER A GRAVAÇÃO FEITA FURTIVAMENTE. NA RECLUSÃO TÍPICA DE CONSULTÓRIO MÉDICO.RECURSO IMPROVIDO. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. Apenas o uso indevido dos dados gravados é que poderia caracterizar a quebra desse sigilo. LIMITANDO-SE O ENVOLVIMENTO AS PRÓPRIAS PARTES. PRODUÇÃO DE PROVA AUDITIVA CONSISTENTE NA REPRODUÇÃO DE FITA CASSETE.002. No campo do direito societário. LICITUDE E VALIDADE. a garantia da legal da reparação dos eventuais danos. DE SOUZA Julgado em 21/11/2000" "AGRAVO DE INSTRUMENTO. pela absoluta licitude e constitucionalidade da gravação de reunião por um dos interlocutores. são passíveis de composição pelo direito comum. Número do Processo: 1999. mormente quando dita gravação tem por escopo prevenir ou registrar eventuais abusos ou violações do direito. ainda que sem o consentimento dos demais. ainda assim.

decidem quais serão os rumos da companhia. por fim. Pedido. 1. Procedimento. 7. INTRODUÇÃO A assembléia da sociedade anônima é a reunião dos acionistas da companhia que tem por objetivo deliberar sobre o desenvolvimento das atividades empresárias. à instalação e à realização do conclave. convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto. é preciso tecer algumas observações. Prescrição. 5. Conclusão. 1. após o debate acerca das questões colocadas em análise. para que não seja impugnada e para que suas deliberações . Espécies de Assembléia. O artigo 121. da LSA. se algum acionista votar contrariamente aos interesses da companhia. instalação e realização. Modalidades de Vícios – Causa de Pedir. tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento”. portanto. por exemplo. 4. Legitimação ativa e passiva. A análise desses vícios e das questões que envolvem a ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) será. que o direito subjetivo à gravação de uma assembléia ou reunião por qualquer dos presentes consubstancia ato pessoal e individual de quem está executando a gravação. A validade da assembléia exige a observância de alguns aspectos formais e materiais estipulados na Lei nº 6. não se tratando de ato próprio do respectivo conclave. ou na hipótese de sua instalação ocorrer sem a presença do quorum legal mínimo. o objeto do presente artigo. ou. 3. tornando incabível sua limitação por deliberação majoritária dos presentes. Nesse encontro os acionistas tomam conhecimento dos assuntos ordinários e extraordinários relativos aos negócios sociais e. Como conseqüência da interpretação da referida norma. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Antes de adentrarmos no exame do ponto central do estudo. para melhor compreensão do assunto. como órgão social. 6. 1 A AÇÃO DE ANULAÇÃO DE DELIBERAÇÃO DE ASSEMBLÉIA NA SOCIEDADE ANÔNIMA Guilherme Carvalho Monteiro de Andrade* Sumário: Introdução. a deliberação tomada ou todo o conclave poderão ser invalidados judicialmente. Caso exista irregularidade na convocação da assembléia. prevê que “a assembléia geral.Não pode ser esquecido. ainda. percebe-se que a assembléia deve respeitar aspectos legais e estatutários. ou mesmo da companhia. 8. Considerações preliminares. no que diz respeito à convocação.404/76 (LSA). Formalidades para convocação. 2.

3 1 LSA. sendo a sua finalidade precípua (i) tomar as contas dos administradores. Modesto. ampl. da CARVALHOSA. que representa a vontade coletiva manifestada pela expressão individual dos titulares de ações. por qualquer outro”1.457. 2. somando suas vontades individuais. p. então.1977. 2. as ordinárias (AGO) e extraordinárias (AGE). 131.3 É a assembléia. Como ensina Aloysio Lopes Pontes. definida em lei. Advogado. De outro lado. talvez o órgão mais importante da administração da companhia. quanto à sua competência e funções. São Paulo: Saraiva. realizam os contratos mais importantes que afetam a sociedade ou aqueles outros que. nem ser substituído.404. Rio de Janeiro: Forense. deliberando sobre demonstrações financeiras apresentadas. citando Constans. composto pela exposição. a fim de alcançar a formação da vontade da sociedade (da coletividade de acionistas). por sua condição legal. que não pode faltar em nenhuma companhia. se for o caso. p. 3 PONTES. debate e votação de cada matéria colocada em pauta. v. Mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos. 2. 1998. As demais atribuições das assembléias gerais ordinárias estão enumeradas pelo art. 5. também se revela importante consignar que a assembléia geral é “um órgão necessário. a assembléia é o poder legislativo da sociedade. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. ‘que são as leis da sociedade..Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos.4 No que diz respeito à AGE. cada qual tratando de matéria própria. 122. da LSA. 2 * sejam consideradas válidas.05. 83. 1999. 510. prevê o art. vez que se trata de órgão de deliberação. de 06. que não tem poderes para representar a companhia (somente a diretoria poderá fazê-lo). (ii) decidir sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos e (iii) eleger administradores e membros do conselho fiscal. ESPÉCIES DE ASSEMBLÉIA Existem dois tipos de assembléia. v. Sociedades anônimas. reformam-nos. rev. A assembléia é o instrumento pelo qual os acionistas decidem sobre quaisquer negócios relativos à companhia. As assembléias gerais ordinárias devem ser realizadas nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social. A deliberação tomada em assembléia configura um processo complexo. de 15 de dezembro de 1976. Aloysio Lopes. que ela deverá tratar das matérias . 2 Obra citada na nota anterior. adaptada à lei nº 9. pois é ela é que faz os estatutos. cujo poder não deriva de nenhum outro órgão da sociedade. ed. não os podem realizar os administradores’. A assembléia é um órgão interno e soberano2.

eleger ou destituir. 2. o Legislador estabeleceu como competência indelegável da AGO algumas matérias consideradas essenciais à vida da companhia. a menos que a lei o autorize5. além do local. FORMALIDADES PARA CONVOCAÇÃO. no mínimo. IV . Parágrafo único. Compete privativamente à assembléia-geral: I . com a concordância do acionista controlador. delegar atribuição da AGO para outrem.tomar. a ordem do dia. Em outras palavras. Logo. Além disso. os administradores e fiscais da companhia. INSTALAÇÃO E REALIZAÇÃO Dispõe o art. citando ensinamento de outros autores. convocando-se imediatamente a assembléia-geral. a competência será residual da AGE. e IX . não pode o estatuto. ressalvado o disposto no inciso II do art. Em caso de urgência. VI . contendo.deliberar sobre transformação. Assim. V . 124. a qualquer tempo. fixando os prazos previstos para que se realize o chamamento aos acionistas. ressalvado o disposto no § 1º do art. VII . v. para que seja reputada válida. pelo menos. anualmente. 3.reformar o estatuto social. será fundamental para o exame das hipóteses em que a deliberação tomada em assembléia (ou todo o conclave) pode ser invalidada por algum acionista. conforme o interesse da convocação. e. fusão. se houver. 120).autorizar a emissão de partes beneficiárias. “Art. 142. Esta diferenciação. é preciso preencher o quorum mínimo de instalação da assembléia. que detenham. seja ele .autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. se decorridos mais de 60 (sessenta) dias. II . da LSA. a indicação da matéria” (art. sua dissolução e liquidação. “a convocação far-se-á mediante anúncio publicado6 por 3 (três) vezes. 123. significa dizer que. o chamamento poderá ser realizado por qualquer acionista.não atinentes à AGO. tampouco qualquer outro órgão da companhia. incorporação e cisão da companhia. Modesto Carvalhosa defende essa posição. a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores. ou por acionistas minoritários.suspender o exercício dos direitos do acionista (art. eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas. se a lei não definir a atribuição para a AGO. data e hora da assembléia. que compete ao conselho de administração ou aos administradores a convocação da assembléia geral. p. 4 4 Lado outro. Com esta distinção. no caso de reforma do estatuto. 59. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. a convocação deve ser realizada pelo órgão ou pessoa competente. 5% (cinco por cento) do capital social ou votante. as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas. 122. 5 A propósito. VIII . destarte. 519-520.deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social.autorizar a emissão de debêntures. No caso de o órgão ou de as pessoas encarregadas pela convocação não se desincumbirem dessa obrigação dentro do prazo estabelecido pela lei ou pelo estatuto. da LSA). III . para manifestar-se sobre a matéria”.

136. da LSA) e estatutária. 289. ainda. o desrespeito às disposições legais e estatutárias confere aos acionistas o direito de insurreição. Há casos em que toda a assembléia poderá ser invalidada. Como ensinam os referidos autores. bem assim que a assembléia seja competente para deliberar sobre a matéria constante da ordem do dia. por força de violação da lei ou do estatuto. para que o conclave seja reputado válido. que podem ter sido tomadas. c) vício de voto – um ou alguns dos votos que concorreram para a formação da deliberação (ou mesmo todos eles. 4. ou somente parte das . 134. b) vício das deliberações – nessa hipótese. 126. do art. 7 AZEVEDO. obviamente. os vícios dizem respeito às próprias deliberações assembleares. MODALIDADES DE VÍCIOS DAS ASSEMBLÉIAS – CAUSA DE PEDIR Para melhor compreensão da ação de anulação de assembléia. São Paulo: Malheiros Editores. 129 e 136. em alguns casos).A. 85. 228). podem ter sido viciados em razão de erro dolo. que a identificação precisa do tipo do vício será fundamental para que o acionista possa utilizar-se da correta ação de anulação de assembléia. todas ou algumas delas apenas. ou de violação do disposto nos §§1ºs. não convocada) ou instalada. é mister trazer à baila uma separação dos vícios feita por Erasmo Valladão Azevedo e Novaes França. ou no § 2º do art. Se alguma dessas formalidades não for observada. FRANÇA. a faculdade de pleitear judicialmente a anulação dessa assembléia irregular (ou da deliberação inválida). p. também é necessário que o quorum de deliberação respeite a disposição legal (arts. Ademais. definido pelos arts. da LSA. 115 e do art..7 6 Conforme regra constante do art. visando especialmente a proteção de seu interesse particular ou a defesa da companhia. Novaes. como já foi visto anteriormente. Erasmo Valladão. em primeiro lugar. atingirá todas as deliberações que nela forem tomadas. os vícios que podem acarretar a anulação de assembléia subdividem-se em três espécies: a) vício da própria assembléia – que pode ter sido irregularmente convocada (ou mesmo. da LSA). é preciso consignar. a menos que nela comparecerem todos os acionistas detentores de ações com direito a voto. Invalidade das deliberações de assembléia das S. pela sua didática e simplicidade. 127 a 129. a assembléia poderá ser anulada. Logo. Noutra banda. ou simulação (ou. fraude. 1999. em virtude da incapacidade dos votantes. com violação da lei ou do estatuto. da LSA) ou para questões que exijam número de presentes qualificado (art. a realização da assembléia deve respeitar um ritual próprio. hipótese em que o vício. da LSA. 5 Em relação à distinção transcrita acima.relativo às matérias comuns (art.

de 06. outra situação não prevista claramente na Lei de S/A diz respeito aos casos em que o vício verificado na assembléia é tão grave. identificando-se o vício que se pretende atacar. 1999. 106 e seguintes da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. 10 Ao ensejo. se restar presente o vício de voto oriundo de coação. somente do acionista que votou contrariamente à . 286. por sua vez. não se enquadrando. Belo Horizonte: Del Rey. A propósito. 5. a doutrina mais avisada defende a hipótese de ser possível anulação de assembléia. Em qualquer um desses casos. v. 3. quando esse voto concorrer para a formação da maioria no conclave8. a propósito. ou pela ação de anulação (total. em razão disso. a declaração de nulidade do ato inquinado. Daí porque será necessário que se analise o caso concreto com muito cuidado. o autor da referida ação declaratória deverá demonstrar o Nesse sentido. no regime de anulabilidade estabelecido pelo art. rev. inclusive. embora não conste da Lei de S/A expressamente. 2005. ed. p. Sociedade anônima. na medida em que os efeitos dessa mácula são extremamente graves e. em regra. então. para definir pela ação declaratória de nulidade do ato. 432. 2. fundamentando-se. adaptada à lei nº 9. 6 8 seu interesse de agir13. 9 Azevedo e França defendem essa posição. da obra Sociedades anônimas. v. verificar norma contida no art. dependendo da espécie de vício ocorrida. 410. 4. CORRÊA-LIMA. que infrinja direito de terceiros. LEGITIMAÇÃO ATIVA E PASSIVA No que diz respeito à legitimação ativa para a utilização da ação de declaração de nulidade de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). Confira-se pág. do Código Civil de 2002. a legitimação ativa ad causam será.. 5. colacionado escólio de abalizados autores. Rio de Janeiro: Forense. Osmar Brina.1977. da LSA9.A. p. ou. que atente contra a ordem pública ou contra os bons costumes. 12 Aloysio Lopes Pontes defende o contrário.913/89 dispõe sobre a ação civil pública de responsabilidade por danos causados aos investidores do mercado de valores mobiliários – conferir. citando Miranda Valverde. O pedido dessa ação será. ed. quando lhe couber intervir11.457. “qualquer interessado” ou o Ministério Público10. Nessas hipóteses. rev. Ademais.deliberações tomadas no conclave. ampl. sob pena de sua pretensão ser rejeitada pelo Judiciário. confira-se Modesto Carvalhosa. Fora isso. mesmo aqueles que votaram favoravelmente à deliberação inquinada pelo vício que se pretende combater12. poderá ser autor da demanda neste caso. 168. Na hipótese da ação de anulação da assembléia (ou de alguma deliberação). 11 A Lei nº 7. a mácula representa a nulidade do ato. em julgados que colaciona a seu trabalho. ou parcial) da assembléia realizada pela companhia.05. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. ainda. devem ser combatidos com rigor. estará legitimado a buscar a declaração de nulidade qualquer acionista. assim. Além dessas pessoas. 120. conferir págs. e atual..

Azevedo e França sustentam esse entendimento. como. Contudo. da LSA. assunto que se revela demasiadamente tormentoso e. de credores e de terceiros. 4. que o início desse prazo não poderá ser a data da publicação. 14 Obra de Azevedo e França. por exemplo. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. a ação para anular as deliberações tomadas em assembléia-geral ou especial.. em princípio. portanto. 121-125. com base na interpretação sistemática da Lei de S/A. entretanto. do acionista que ingressou na companhia depois de tomada a deliberação. 7 13 E assim defendem esses autores. será reservado para outro artigo. se o acionista que tiver votado favoravelmente ao ato que se pretende anular tiver agido impulsionado por algum vício de consentimento. Invalidade das deliberações de assembléia das S. importante registrar que a doutrina mais avisada15 já sedimentou o entendimento de que o termo a quo começa da publicação da deliberação.A. Logo. ou eivadas de erro. irregularmente convocada ou instalada. citando outros autores. fraude ou simulação. que também tratam de prescrição. 15 A propósito. estabelecem como marco inicial do prazo prescricional a data da publicação do ato. Haverá casos. inclusive. 421-422. nos quais o acionista que tiver cometido abuso no exercício do direito de voto poderá ser incluído no pólo passivo da demanda. contados da deliberação. Há discussão doutrinária14 sobre a legitimidade ativa de outras pessoas. 119 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. p. colacionado ensinamento de Orlando Gomes e Pontes de Miranda. quanto ao pólo passivo da ação de anulação e da ação de declaração nulidade. do usufrutuário em relação ao nu-proprietário da ação. em litisconsórcio com a companhia.. Noutro giro. na pág. dolo. na medida em que os arts. a questão da legitimidade ativa para a propositura da ação de anulação de deliberação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) deve ser analisada de acordo com essas observações. Haverá casos. Assim. . a doutrina é pacífica em admitir como parte legítima a companhia. Modesto Carvalhosa sustenta essa posição. Embora o marco inicial definido na lei seja a data da deliberação. p. v.A. 6. ele também estará legitimado a pedir a anulação da deliberação tomada ou de toda a assembléia.deliberação que se pretende anular ou àquele que se absteve de votar no conclave. se houver pedido de ressarcimento de danos formulados contra ele. 286. do administrador e do conselho fiscal da companhia. PRESCRIÇÃO Conforme previsão contida no art. 285 e 287. violadoras da lei ou do estatuto. a companhia será a parte legitimada para responder à ação de declaração de nulidade ou à ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). prescreve em 2 (dois) anos. todavia.

decorrente de erro. o postulante deverá demonstrar o prejuízo efetivo que a deliberação ou assembléia acarreta ou a possibilidade de dano futuro. que adota esse entendimento. no julgamento do Recurso Extraordinário nº 94. o pedido da demanda será a anulação total do conclave. se a mácula que se pretende anular tratar-se de vício da própria assembléia (causa de pedir). lembre-se). 127 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S.porque a companhia pode deixar de dar publicidade ao ato. Com efeito. não apenas parcial do conclave. Nessas circunstâncias. que pode ter origem na convocação. Modesto Carvalhosa. vigorando. não sendo possível o aproveitamento de qualquer ato ou decisão. em decisão relatada pelo Ministro Oscar Dias Correa. o prazo de prescrição previsto na Legislação Civil16. 7. para adequada definição do marco inicial e do prazo prescricional correto (civil ou especial). 16 . então. Mesmo que as deliberações tomadas tenham respeitado as disposições legais ou estatutárias..862-CE. assim. instalação ou realização irregular.1983. que esse vício de deliberação recaia sobre todas as questões analisadas e decididas. se a pessoa agravada pela deliberação não for acionista da sociedade. entretanto. ainda existe o vício de voto (causa de pedir). defende que em ambos os casos destacados anteriormente é possível pleitear a anulação das deliberações de assembléia. simulação. essa análise deverá ser feita no caso concreto. dolo. o pedido da ação restringir-se-á à específica decisão ou ao ato inquinado. é preciso utilizar a classificação citada no tópico quatro. caso em que o pedido poderá ser a anulação parcial. ou total. a data da deliberação (ou da prática do ato inquinado) como o termo a quo do prazo prescricional. não afetando as demais deliberações da assembléia. Ademais. ou coação (se essas máculas forem decisivas para a formação da maioria. se se tratar de vício de deliberação (causa de pedir). realizado em 04. na pág. hipótese em que o pedido será a anulação total. cita acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal. em respeito ao brocardo pas de nullité sans grief.12.A. prevalecendo. De outro lado. sendo imprescindível examinar-se o vício objeto do pedido. para melhor compreensão do tema. a condição do postulante e a sua relação com a companhia. se Azevedo e França. unânime. o referido vício acarretará a invalidação integral da assembléia. citando Miranda Valverde. Seja qual for a causa de pedir da ação de anulação. PEDIDO Em relação ao pedido da ação de anulação de assembléia. fraude. Também existirão situações em que o início do prazo prescricional não poderá ser a data da publicação da deliberação da assembléia. Pode ocorrer.

poderá o juiz. Logo é possível imaginar uma deliberação questionada. Haverá situações em que o pedido não se limitará à anulação de deliberação ou de toda a assembléia. em regra. 8. 2. a qual apenas parte da eficácia total gerada ocasiona efeitos prejudiciais ao direito da parte. Também é possível imaginar que a parcela eficacial gerada que 17 CARVALHOSA. para o deferimento da medida. a inclusão de quem tiver provocado o dano no pólo passivo da demanda. quando previu que “se o autor. 9 . quando presentes os respectivos pressupostos. v. neste caso. a restabelecer a ordem jurídica na sociedade anônima. Nesse caso. Comentários à lei de sociedades anônimas. 273. ou dos estatutos. A isso soma-se a exigência do justificado receito de ineficácia do provimento final que a produção de determinados efeitos da deliberação questionada pode gerar. para que o juiz se convença da verossimilhança de suas alegações (deve demonstrar que a demora na concessão do pedido pode acarretar sérios e irreversíveis prejuízos). ou para a sociedade. que venha a acarretar prejuízos a outro acionistas ou à companhia. Aloysio Lopes Pontes colaciona em sua obra18 julgado do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas que possui entendimento de ser dispensável a prova do prejuízo. a existência de prejuízos delas decorrentes para o autor. requerer providência de natureza cautelar. deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado”. Modesto. a alegação de contrariedade à lei ou ao estatuto/contrato social: verossimilhança. 19 A norma do parágrafo 7º. acionistas. do Código de Processo Civil. É tranquilamente possível a cumulação do pedido anulatório com pretensão de ressarcimento. Caberá. exclusivamente. Prejuízo pecuniário atual não existe. como já foi visto. em regra. em respeito ao disposto no art. no caso de dano potencial. do art. 425. Luiz Fernando C. Todavia. p. esvaziou o debate sobre a impropriedade da utilização de ação ordinária e sobre antecipação de tutela em ação declaratória. Confira-se: A ação anulatória das deliberações da assembléia geral ou especial pressupõe. a título de antecipação de tutela. 18 PONTES. Sociedades anônimas. CPC. 118.19 Quando as circunstâncias evidenciarem que os efeitos do provimento final deverão ser desde logo concedidos. poderá o autor da demanda pedir a antecipação dos efeitos da tutela buscada. turbada por uma deliberação violadora da lei. PROCEDIMENTO Sem aprofundar nas discussões travadas pelos processualistas. concedendo-lhe a antecipação de tutela pretendida. 273.17 No mesmo sentido.8 comprovado o interesse de agir (prejuízo atual ou futuro). o procedimento da ação de nulidade ou da ação de anulação será ordinário declaratório. Aloysio Lopes. mas tãosomente a possibilidade de se consolidar uma situação que poderá dificultar a vida da sociedade ou sacrificar o legítimo interesse de seus acionistas. casos haverá em que a ação visará. Pereira esclarece que não basta. se houver a prática de abuso por parte de algum acionista. o autor deverá trazer com a petição inicial prova inequívoca do defendido vício (deve comprovar que o ato ou a deliberação seja contrário à lei ou ao estatuto). p.

em qualquer uma das hipóteses.656-ES.21 Na hipótese de a concessão da antecipação de tutela acarretar perigo de irreversibilidade do provimento. 273. Entretanto. bem como o respeito à lei e ao estatuto. 273. O contraditório será apenas adiado. 138. 20 . ou. com a eventual suspensão. efeitos maiores do que poderia gerar a não-suspensão. Medidas urgentes de direito societário. PEREIRA. principalmente. 2. 3. J. não se revela prudente seu deferimento. CONCLUSÃO 1. 21 “Ao contraditório prévio. sob pena de o novel instituto da tutela antecipatória não cumprir a excelsa missão a que se destina”. do citado art. nos termos do parágrafo 2º. sempre que possível” (PEREIRA. sendo imperioso que se demonstre. Poderá ocorrer. 06. p. se forem preenchidos os requisitos do caput e do parágrafo 1º. de deliberação ou de voto) que podem invalidar as deliberações tomadas no conclave. Portanto. São Paulo: Revista dos Tribunais. Relatado pelo Ministro Adhemar Maciel. 2002. deve ser deferida a antecipação. Caso haja o desrespeito às regras legais ou estatutárias. Luiz Fernando C. 2ª Turma. pois a oitiva do réu pode tornar sem sentido o deferimento da medida posteriormente. Luiz Fernando C. É certo que não se defere a medida quando a suspensão gerar prejuízo maior do que a não-suspensão.10. esposou o entendimento de que “a exigência da irreversibilidade inserta no § 2º do art. o autor poderá valer-se da ação ordinária declaratória. Em razão dessa relevância.97. do referido art. preservar os interesses da companhia e de seus acionistas. foi estabelecida uma série de formalidades para a convocação. Medidas urgentes de direito societário. teremos a ocorrência de vícios (da própria assembléia. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo. recomenda-se que a antecipação seja deferida liminarmente e sem a audiência da parte contrária. 22 O Superior Tribunal de Justiça. ainda. visando. situações que envolvam a suspensão de ato ou de deliberação ainda não executados23. como também será possível a utilização da cautelar inominada preparatória. instalação e realização das assembléias. A assembléia é parte fundamental dentro da estrutura da sociedade anônima. 157).20 Em grade parte das vezes. para permitir a efetividade da tutela. vez que se trata do órgão deliberativo que resolve quais serão os rumos dos negócios sociais. Nestes casos. de conter. a referida regra não deve ser analisada literalmente. a necessidade de suspensão antecipada24 do ato havido como prejudicial.não produza efeitos prejudiciais produza. sob pena de não desvirtuar-se a verdadeira mens legis22. provocar a anulação de toda a assembléia. até mesmo. no julgamento do REsp nº 144. p.

Fábio Ulhoa. 6. 3. e atual. A legitimação ativa ad causam da referida ação de anulação. Osmar Brina. ou. 7. sendo recomendável pugnar pela antecipação dos efeitos da tutela final. Poderá ser pleiteada a anulação total ou parcialda assembléia. São Paulo: Saraiva. Modesto. O prazo prescricional da aludida ação anulatória é de 2 (dois) anos. rev. 1998. vez que o exame das questões envolvendo a legitimidade. será do acionista que tiver votado contrariamente ao ato que se pretende anular ou daqueles que tiverem se abstido de votar. é a hipótese concreta que irá definir o marco inicial do prazo prescricional. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA.A propósito. São Paulo: Saraiva. dependendo do tipo de vício que se pretenda atacar. esclarece que embora não haja eficácia a ser suspensa é recomendável que se afaste a dúvida que paira sobre o ato. Erasmo Valladão. Luiz Fernando C. Belo Horizonte: Del Rey. A identificação desses vícios será essencial para a adequada utilização da ação judicial. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. Confira-se pág.. Novaes. 10 23 4. COELHO. A utilização da cautelar preparatória também se revela possível. ed. rev. obra Medidas urgentes de direito societário. CARVALHOSA. Em razão de tudo isso. . Sociedade anônima. CORRÊA-LIMA. a declaração de nulidade do ato. 9. da obra Sociedades anônimas. e atual.404. REFERÊNCIAS Obras Literárias AZEVEDO. em regra. de 15 de dezembro de 1976. Pereira. pode-se dizer que a referida ação de anulação representa um valioso instrumento contra atos praticados nas assembléias de sociedades anônimas. 2. 6. Verificar p. que se caracterizem como abusivos à lei ou ao estatuto. 22. A legitimidade passiva será da companhia. Curso de direito comercial. em princípio. 8. criticando durante a posição da Corte Bandeirante. FRANÇA. Aloysio Lopes Pontes cita um julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que defende o entendimento de não ser possível a utilização de ação preventiva. São Paulo: Malheiros Editores. Porém. ed. O procedimento a ser adotado será o da ação ordinária. v. 24 No caso de suspensão de deliberação nula. 163-164. Invalidade das deliberações de assembléia das S. o prazo de prescrição e o pedido dependerá da espécie de mácula encontrada.A. ainda. contados da data da publicação do ato inquinado. 1999. 5. 2005. com pedido declaratório. 2000. quase sempre.

5ª ed. 8. SILVA. 2006. 1999. Caxias do Sul: Editora Plenum.gov. 2006. Octaviano Martins1 Paulo Roberto Colombo Arnoldi2 INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. representantes dos poderes da sociedade. de 06. rev. CD-Rom JURIS Plenum. 2. Alzira Malaquias da. Consulta de jurisprudência sobre o assunto.stj. Disponível em: <http://www. Consulta de jurisprudência sobre a matéria. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo.457. Ed. 3. v. SILVEIRA.05. Lei das sociedades anônimas.PEREIRA. ed. adaptada à Lei nº 9.0). delegado à Assembléia . Jurisprudência. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima3dá-se. Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt. v. 1999. 5. 1984. Marina Baird. São Paulo: Saraiva. (Dicionário eletrônico. ADMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. Obra coletiva de autoria da editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto. 87. Luiz Fernando C. impondo distribuição de poderes. Acesso em: 10 dez. a designação de órgãos sociais. ampl.tjmg. Vocabulário jurídico. Rio de Janeiro: Forense.gov. Disponível em: <http://www. FERREIRA. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS. 1.404/76) Eliane M.br>. ed.1977. ed. 11 Legislação BRASIL. Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. de forma democrática. Sociedades anônimas. doutrinariamente. 2006. a organização da sociedade. Aloysio Lopes. versão 3. 2002. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. FERREIRA. PONTES.br>. Sites consultados SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. Rio de Janeiro: Forense.. São Paulo: Revista dos Tribunais. De Plácido e. 1999. Medidas urgentes de direito societário. aos quais compete produzir a vontade social. atual. Aurélio Buarque de Holanda. Acesso em: 10 dez.

e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. São Paulo : Atlas. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). em que se constata uma .Geral. Curso de Direito Comercial. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando.4 CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . 4Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. No Brasil. advogado militante. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). doutor e livre-docente em Direito Comercial. Direito Empresarial e Direito Internacional em cursos de graduação e Pósgraduação. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. 1984.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. Rubens .Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e Integração – IPDCI. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF de Bragança Paulista (SP). Mestre pela UNESP e Doutora pela USP. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa6. sem descaracterizar os interesses da companhia. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. 3 Cf . 5A Lei 6. adstrito ao Conselho de Fiscalização.5 Professora de Direito Marítimo. poder executivo ou administrativo. concentrando-se o poder em um grupo de controle. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. Requião. 1 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. São Paulo : Saraiva. devido ao desinteresse dos acionistas.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. portanto. é mestre. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. constatam-se. 1988. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. 2 Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração.

e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. 7Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão 6 . Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. p. 142. Rio de Janeiro : Forense. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. 141..REQUIÃO e Rubens. Fran. 166. a lei brasileira.separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. Comentários à Lei das S. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória.9 A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. 138 da Lei 6. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. e facultativo nas demais sociedades anônimas. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas.7 I . dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. nos termos do art. é específica a lei no art. Nesse sentido. De acordo com o art. No que concerne às sociedades de capital autorizado.A. Procurou. § 1º da lege ferenda. nos aumentos de capital. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas8. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Cf. de acordo com a disposição estatutária. 1978. Nesse sentido. portanto. inciso I e 168). 165. § 4º. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. cit. de caráter deliberativo e fiscalizador. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas.404/76. ou exclusivamente à diretoria. conforme rege o art. 138. MARTINS. diversamente da subscrição comum (art. mas consistem em representantes da sociedade. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria.

permitindo-se. 655. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. 239).Para eleição de membros do Conselho de Administração não se . o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. ob. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. a Lei. cit. nesse caso. Poderá o estatuto. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. Neste sentido.404/76. Outorga de poderes A lei. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. O estatuto deverá prever. § 1º. BATALHA. criados por lei ou estatuto.Cumpre destacar que acordo com a lei. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. a eleição de um membro do Conselho podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. que o Conselho se integre com um representante da minoria. determinar limites. o prazo de gestão. ob. Wilson de Souza Campos.. dessa forma. no mínimo.272. 9Cf. que não poderá exceder 3 anos. caput da Lei 6. no seu artigo 139. com imensos poderes. que será no mínimo de três. face ao disposto no art. reveste-se de inconstitucionalidade. conforme art. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo12. 3. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. vinte por cento de capital com direito a voto. José Edwaldo Tavares Borba. ficando. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. instalação e funcionamento do Conselho. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. o modo de substituição. portanto. cit. art. Tratandose de órgão superior.da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. 8Faculta. de acordo com suas necessidades estruturais. 142. mas à luz da Constituição Federal de 1988. estabelecendo-se mínimo e máximo. 140. § 7º). eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. 163. 2 Conselho Fiscal (art. ob. 140 e 146). Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. e as normas sobre convocação.122. Fran. p. faculta-se aos acionistas que representem. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. inciso II)13. 141 . MARTINS. observado esse mínimo legal. inciso II). p. que deliberará por maioria de votos11.10 2. também. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. 4. cit. 173.

in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. cit. e nesse caso. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. RT 667.. Fran. 4. .requer voto qualificado. MARTINS. 129). tratando-se de decisão ad nutum. 272. 4.Processo de voto múltiplo Determina o art.2. Eleição e destituição de membros . 1978.404/76 regulamenta tal procedimento no art. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas.15 O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. 13MARTINS. 12 De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. Rubens. Trata-se. 141 da Lei 6. sobre a inaplicabilidade dos arts. Rio de Janeiro : Forense. isoladamente. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão14. ao contrário. citado por Fábio Ulhoa Coelho. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia 16. no mínimo. Roger de Carvalho. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. 14REQUIÃO. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou Consistindo em órgão de deliberação colegiada.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. 4. ob. Fran. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros.1. independe de disposição estatutária e. ou seja. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . p. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. cit. sendo necessário maioria simples (art.1. p. 303. um décimo do capital social com direito a voto. sendo vedado que um só conselheiro. 10 3 total de seus componentes. de regra de ordem pública. 164. ob. cit. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. . portanto. A lei 6. p. 141.140). 11Vide MANGE. iniciar-se-á novo período gestacional. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. cf. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração.2.

requererem a adoção de processo de voto múltiplo. Adotando o sistema de voto múltiplo. in Sociedade Anônima. ob. consistindo. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. p.12. 283. cit. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. Osmar Brina Corrêa. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. quando se tratar de sociedades abertas. MARTINS. Quando a eleição de membros19 tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. in Comentários. procedendo-se a nova eleição (art. cit. A mesa diretora informará previamente. 291 da LSA. Octaviano Martins. em vantagem para os acionistas não-controladores. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários... Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. o que significa que a regra é de ordem pública. p. e reconhecendo-se. aos acionistas o direito de cumular os votos num só candidato ou distribuí-los entre vários. p. MARTINS.. Wilson de Souza Campos. § 1º). baixada nos termos do art. 165. 699 : “o administrador eleito por grupo ou 15 16 . § 3º). Fran. 141. 141.91. 18Vide Instrução CVM n. do capital com direito a voto. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. o número de votos necessários18 para a eleição de cada membro do conselho (art. 291 da lei”. cit. Cf. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. observando-se o Cf. Além disso. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. 19BATALHA.. ob. ainda. de 11. in Direito de voto. à vista do "Livro de Presença". atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. no mínimo. Nos demais casos em que o cargo fique vago.. 17 Cf. Eliane M. ob. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração17. portanto. LIMA.independentemente de previsão estatutária... para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. 304. p. 27. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia.

ainda. Assegura-se compulsoriamente a eleição. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto20. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. 176). apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. como também de orientação das atividades da sociedade. Note-se. se existirem acionistas que representem 20%.classe. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. Nos casos em que exista Conselho de Administração. 5. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. deliberar. quando não existir Conselho de Administração21. conforme rege o art. Impõe. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. é competência do Conselho de Administração. Garante-se. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. a Lei 6. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. competindolhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. se houver. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. quando autorizado pelo estatuto. inclusive mediante voto múltiplo (art. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. do capital social. portanto. Em linhas gerais. convocar assembléia geral. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. em qualquer sociedade anônima. II. a Diretoria será o órgão destinado a . 142.404/76. 154). quando julgar necessário. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. 4 prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. no mínimo. mas órgão da sociedade. portanto. no § único do artigo ora em exame. fiscalizar a gestão dos diretores.

Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. ob. prazo de gestão. 1. p. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração.gerir os negócios sociais. o modo de sua substituição. incisos III e V.404/76. Fran. a direção da sociedade em todos os aspectos. 143. incisos I. amplos poderes23 para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. Comentários à Lei das S. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. 1960). inciso II e § único). II. mas como representantes da sociedade. compete aos diretores . sejam tomadas em reunião da diretoria (art. Rubens. 1978. no § 1º do art. a Lei 6. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. acionistas ou não. Buenos Aires. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. 165. sua vontade. III e IV). 24 2. Representação: 20 21 5 Cf. pela Assembléia Geral (art. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. de competência dos diretores. é imputada à sociedade. mas como um órgão da sociedade. em regra. 143. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. Cf. 143 e 146). REQUIÃO. enquadrando-os como órgãos da sociedade. 142. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. 142. e como tal. Ademais. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. MARTINS.404/76 não considera os diretores como mandatários. 22 Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (BrunetCañizares. 25 . São Paulo : Forense.a qualquer diretor .A. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. como ocorre com o art. A Lei 6. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. 144). possuindo. cit. ou se inexistente.

conforme determina o art. 1316. 24É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. . vol. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . 145 a 151 da Lei 6. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente.. predomina. inciso II : “Cessa o mandato : . para a prática de determinados atos. 139. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. ao lado do ato unilateral de nomeação. 1 . que devem ser explicitados no instrumento. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. 429.404/76.” Cf. impedimentos. 659. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. Requisitos e impedimentos Cf. por via do qual se lhe atribui. se extinguiria com a morte do mandante. em doutrina. Orlando. feita pela sociedade através de seus diretores. p.pela morte ou interdição de uma das partes. Não colide com o disposto no art. O mandato. nos limites de suas atribuições e poderes. denominado nomeação. Entretanto. ob..Se o mandato fosse particular. Os poderes dos diretores são indelegáveis. Anstellung. in Revista dos Tribunais. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. cit. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. Conquanto esse ato unilateral. BATALHA. o contrato de emprego. investidura. porquanto ela é simples condição de eficácia. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art.” 25 “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. com os respectivos poderes. nesses casos. 144 .NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. Código Civil art.ADMINISTRADORES . como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade.II .O mandato representa a outorga temporária de poderes. nem por isso se torna contratual. mas de um ato jurídico unilateral. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. 661. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. cit. ob. Wilson de Souza Campos. 22 23 6 Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. portanto. Não se extinguirá. p. p. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. GOMES. remuneração. Por outro lado. a qualidade de órgão da pessoa jurídica.

mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. peita ou suborno. um mecanismo de garantia de gestão. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. 147 § 1º). o acesso a cargos públicos (art. 3. 147 determina que. com vigência até a primeira assembléia geral que houver. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . dos quais se arquivará cópia na sede social . 146. mesmo que temporariamente. bem como o prazo de gestão auferido. 147 § 2º). peculato. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. O art.pelo titular ou por terceiro . 150 caput). 150 § 1º). no prazo de 30 dias após a nomeação. contra a economia popular. Ademais. de prevaricação. 148. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. sob pena dessa se tornar sem efeito. 4. 149). . § único). a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. 2. no art. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria.acionistas ou não26 (art. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. caput). exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. concussão. 146..

no art. tendo em conta suas responsabilidades. prevê.A Lei ora em estudo. 2. 153 a 160. competirá ao Conselho Fiscal. As normas desta Seção. Renúncia A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores28. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. 26 7 Rege a lei. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. tempo dedicado às funções. 153. ou a qualquer acionista. Dever de Diligência : a lei brasileira.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. 5. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. 150. 6. caput. a Lei 6. O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. I . competência. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. art. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. 146 § único. se estiver em funcionamento. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado.27 DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6.404/76.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. conforme dispõe o art. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios29. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. no seu art. 165) . conforme art. também. 151. 150 § 3º e 4º). somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. e em relação aos terceiros de boa-fé. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que . 152. 160. convocar a assembléia geral. no § 2º do art. conforme disposto no art.

Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. e seus membros. 154. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. em razão de seu cargo. Revista de Direito Mercantil. prevalecendo o limite menor (art. 27 8 § 3º). como administradores. Especificamente. 154.30 3. O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. para revender com lucro.observadas sempre as normas do art. conforme art. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. das vantagens comuns a todos.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta.exerça suas atribuições . em benefício próprio ou de outrem. ou de terceiros.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . do interesse da empresa”. visando à obtenção de vantagens. são parte dela. Revista dos Tribunais. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. bem ou . adquirir. sendo vedado ao administrador. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art.. Veda-se ao administrador. com ou sem prejuízo para a companhia. § único e 1º).para lograr os fins e no interesse da companhia. 154. § 2º:. 29 Cf. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. p. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. não apenas possível. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. mas em certos casos. 154. 310. ou podem gozar. praticar ato de liberdade à custa da companhia. 28Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. n. criados pelo Estatuto Social. serviços ou créditos.. cit. ob. 152 da Lei é.. em função dos lucros . os seus bens. BULGARELLI. a remuneração com parte fixa e outra variável. receber de terceiros .atribuídas por lei e pelo estatuto . para si ou para outrem. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. conforme estabelece o art. gozam. 152. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. correlatamente. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. conforme art. 155 : usar. § 1º). integram-se na administração da empresa.

31Ademais. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios34. também. ou que esta tencione adquirir. 155. bônus de subscrição. no momento da posse.deriva do dever de diligência. § 1º). ainda. 32Ainda que observado o disposto neste artigo. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. 154. sendo-lhe vedado. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . no § 3º. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. deverá declarar o número de ações. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas entendidos como tal os diretores. Conflito de Interesses(art. No caso de irregularidades. Responsabilidade Administrativa Cumpre ressaltar. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações.direito que sabe necessário à companhia. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. além de regulamentar. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. conforme segue : 1. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. a lei impõe ao administrador. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. valer-se das informações para obter.31 5. a natureza e extensão de seu interesse. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. tendo em vista suas responsabilidades sociais. o administrador somente pode contratar com a companhia 30 .32 5. civil e penal. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. de que seja titular (art. para si ou para outrem. anteriormente mencionado. 157) 33 II . Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. no § 2º do mesmo artigo. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. que a lei (art.

§ 1º). detalha os casos em que haverá solidariedade 36. A lei determina que o administrador. responde. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. Revista de Direito Mercantil. Revista dos Tribunais. 3. Independe de processo formal. quando proceder com culpa ou dolo. 34GUERREIRO. A responsabilidade civil consiste. 9 A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. pois dessa forma. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art.Crimes contra o Patrimônio . 33 Vide na íntegra o art. 35 No que concerne ao Conselho de Administração. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. porém. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. 156. no âmbito de Diretoria. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. 157 e seus parágrafos. São Paulo : Ed. civilmente. mas a lei. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. ano XX. § 2º). quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. 156. portanto.37.em condições razoáveis ou eqüitativas. em regra. nr 42.. infringe-se a finalidade do interesse social. nos termos do art. 1981. 2. 158.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. Código Penal . responderá civilmente pelos prejuízos que causar. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. por ser órgão colegiado. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. § 2º e seguintes. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. 158). José Alexandre Tavares. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato .

com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. 159. Competirá. salvo nos casos de conivência. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. em proveito próprio ou de terceiro. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. ao Conselho Fiscal .relevante em documentos destinados ao público. 159. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. § 3º). é individual. obter aprovação irregular de contas. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. 36 Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade.ou à Assembléia Geral.A. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. em assembléia geral extraordinária. Neste sentido Fran Martins. rege o § 1º do art. in Comentários à Lei das S. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedí-los.se em funcionamento . Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. no prazo de três meses (art.. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. em nível de Diretoria. . 2. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. caput. ob. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. 37Por força do art. 158 e 159. Vide na íntegra o art. Nesse sentido. mediante prévia deliberação da assembléia geral. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. exceto nas companhias abertas. Em regra. provocar falsa cotação de valores mobiliários da 35Ao violar a lei ou o estatuto.. competirá à companhia. a responsabilidade dos diretores. portanto. 10 sociedade. não sendo possível. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. mas perante terceiros prejudicados. age além dos poderes que lhe são outorgados. executar negociação com as próprias ações da sociedade. cit. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal.

poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. § 2º). acionistas ou não. 2. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros38.Crimes contra a ordem tributária.. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. 161).crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. Impedimentos e Remuneração . ob. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. CONSELHO FISCAL 1. inclusive.3. 39A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. § 1º).ainda que a matéria não conste da convocação40). As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. Composição e funcionamento O Conselho Fiscal39 pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas.492/86 . 4. conforme dispuser o Estatuto (art. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. possuindo para tanto amplas atribuições.137/90 . in Comentários à Lei das S. cit. 161. consiste. Quando seu funcionamento não for permanente. Lei 7. conforme observa Fran Martins. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. econômica e relações de consumo. 161. com atribuições definidas dentro da sociedade. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. Requisitos.A. Dessa forma. 161. que elegerá os membros. 38 11 3. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . com mandato anual (art. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. portanto. Lei 8. durante o período de liquidação da sociedade. 40Dispõe o art. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto.

A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. 162 § 1º). fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. planos de investimento ou orçamentos de capital. emitir opinião43 sobre o relatório anual da administração. diplomadas em curso de nível universitário. No que concerne à inegibilidade. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal .A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. .164. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. incorporação.para cada membro em exercício . cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. no § 7º do artigo ora enfocado.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. residentes no País. . no que tange à modificação do capital social. conforme disposição do art.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. e o cônjuge ou parente. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. por prazo mínimo de 3 (três) anos. acrescentando o § 2º do artigo em exame. a serem submetidas à assembléia geral. Rege ainda a lei.ou ao menos um deles . 147 41. distribuição de dividendos. fusão ou cisão. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. 162. caput). ou que tenham exercido. transformação. de administrador da companhia.42 Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. 4. até terceiro grau. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. 5. não computada a participação nos lucros.

. contra a economia popular. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. sem intervir em operação social em que Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. Rio de Janeiro: Forense. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. antes de se submeterem à Assembléia Geral. § 2º). BULGARELLI. Comentários à Lei das S. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. Waldirio. nos termos do § 1º do art. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. que em princípio. peculato.. Direito societário.165.6.) 41 12 tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo.A. 147 § 2º). desde que não comprovada conivência. mesmo que temporariamente. TJSP. Bauru: Jalovi. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. Para os cargos de administração de companhia aberta. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. Ana Maria de. Manual das sociedades anônimas. 42Cf. 43A verificação de documentos ou propostas da administração. 147 § 1º). 1984. BORBA. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. Cristina Maria. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. Nos demais casos. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. São Paulo: Atlas. Edson. 1982. José Edwaldo Tavares. 1995. BACCARIN. 165). BACCARIN SILVA. Empresas e inversiones en el Mercosur. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. a responsabilidade por omissão é solidária (art. Buenos Aires: Abeledo Perrot. 165 retromencionado. ob. § 1º). BATALHA. é de competência de auditores. Wilson de Souza Campos. 153 a 156). Comentários à lei das sociedades anônimas. ou com violação da lei ou do estatuto (art. pois exprimem uma vontade coletiva. concussão. 165. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. cit. RT 670/77. peita ou suborno. 1992. 1977. (Neste sentido Fran Martins. de prevaricação. o acesso a cargos públicos (art.

abr. 1988. PACHECO. GONÇALVES.404/76) Eliane Maria Octaviano Martins Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. 1983. MENDONÇA. Código comercial brasileiro e legislação complementar. v. Franca: UNESP. 1983. Rio de Janeiro: Forense. DÓRIA. HENTZ. 1995. advogado militante. Revista dos Tribunais. Osmar Brina Corrêa.404/76. São Paulo: Saraiva. O Direito de Voto na Lei 6. no prelo. Revista dos Tribunais. p. Rubens. MARTINS. GUERREIRO. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. 1979. São Paulo: Ed. Direito empresarial. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas.1. 1991. Questões de direito societário. Wille Duarte. Curso de direito comercial. DIAZ-CANABATE.2. Revista dos Tribunais.______. Órgãos da sociedade anônima. COSTA. Curso de direito comercial. Professora de Direito Marítimo e Direito Comercial da UNISANTA e de pós-graduação da UNILUS e UNIMONTE em Santos (SP) Paulo Roberto Colombo Arnoldi Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. n. Rio de Janeiro: Forense. MIRANDA JÚNIOR.1 e 2. Fábio Ulhoa. São Paulo: Saraiva. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. Joaquin. 1984. 1991. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. 1982. Octaviano. 1982. CRISTIANO. 1993. Álvaro Thomaz. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF . Fran. Darcy Arruda. Luiz Antônio Soares. COELHO. MARTINS. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. São Paulo: Ed. Dylson. José Alexandre Tavares. REQUIÃO. José da Silva. São Paulo: Saraiva. Eliane M. Romano. Rio de Janeiro: Forense. GARRIGUES. v. 1977. doutor e livre-docente em Direito Comercial. Curso de direito comercial. ______ ./jun. LIMA. 1981. São Paulo: Ed. São Paulo: Saraiva. Sociedades anônimas e valores mobiliários. Sociedade anônima: textos e casos. v. Rio de Janeiro: Forense. André Luiz Dumortout de. 1996. São Paulo. é mestre. Código comercial e legislação complementar anotados. Revista de Direito Mercantil. Rio de Janeiro: Forense.69-87. 1982. Coordenadora Regional de Redação da RDM. La sociedad anônima y sus problemas. 13 14 DMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6.42.

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias.de Bragança Paulista (SP). 138 da Lei 6. 141. adstrito ao Conselho de Fiscalização. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. conforme rege o art. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria.[3] ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. e facultativo nas demais sociedades anônimas. nos termos do art.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. 166. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima[1]dá-se. 138. diversamente da subscrição comum (art.[5] I . nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. a designação de órgãos sociais. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. em que se constata uma separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. impondo distribuição de poderes. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. No Brasil. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. § 1º da lege ferenda. § 4º. a lei brasileira.[7] . portanto. de forma democrática. INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização.404/76. constatam-se. No que concerne às sociedades de capital autorizado.. portanto. devido ao desinteresse dos acionistas. de acordo com a disposição estatutária. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. nos aumentos de capital. aos quais compete produzir a vontade social. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. poder executivo ou administrativo. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. Procurou. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. ou exclusivamente à diretoria. de caráter deliberativo e fiscalizador. De acordo com o art. Nesse sentido.[2] CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. a organização da sociedade. inciso I e 168). delegado à Assembléia Geral. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). concentrando-se o poder em um grupo de controle. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas[6]. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa[4]. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. representantes dos poderes da sociedade. doutrinariamente.

que deliberará por maioria de votos[9]. sendo necessário maioria simples (art. é específica a lei no art. iniciar-se-á novo período gestacional. Trata-se. ficando. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . também. observado esse mínimo legal. que será no mínimo de três. inciso II). tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros.404/76. aos acionistas o direito de cumular os votos num só . que o Conselho se integre com um representante da minoria. 3. dessa forma. Poderá o estatuto. e reconhecendo-se. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia [14]. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. Eleição e destituição de membros .permitindo-se. no mínimo. 4. conforme art. que não poderá exceder 3 anos. A lei 6. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão[12]. e as normas sobre convocação. art. o prazo de gestão. ao contrário. estabelecendo-se mínimo e máximo. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. determinar limites. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Conselho Fiscal (art. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo[10]. 141 da Lei 6. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou total de seus componentes. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. faculta-se aos acionistas que representem.. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. o modo de substituição.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se requer voto qualificado.122. com imensos poderes. independe de disposição estatutária e. 163.2. vinte por cento de capital com direito a voto. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. 142.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. instalação e funcionamento do Conselho.A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. ou seja. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. a eleição de um membro do Conselho . eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. 141 . que por esse serão eleitos ou destituídos (art.podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. Nesse sentido.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito.[8] 2. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. criados por lei ou estatuto. um décimo do capital social com direito a voto. O estatuto deverá prever. no mínimo. de regra de ordem pública.2. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. 142. portanto. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração.1.140). ainda.1. 140 e 146). 4. § 7º). 4.404/76 regulamenta tal procedimento no art. 129).[13] O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários.Processo de voto múltiplo Determina o art. 4. inciso II)[11]. Tratando-se de órgão superior. 141. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. mas consistem em representantes da sociedade. no seu artigo 139. 140. caput da Lei 6. Outorga de poderes A lei. independentemente de previsão estatutária. tratando-se de decisão ad nutum. e nesse caso. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. nesse caso.

gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. 142. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. em qualquer sociedade anônima. portanto. A mesa diretora informará previamente. Ademais. 5. no § único do artigo ora em exame. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração[15]. de competência dos diretores. III e IV). que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. o número de votos necessários[16] para a eleição de cada membro do conselho (art. no § 1º do art. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. se houver. prazo de gestão. à vista do "Livro de Presença". 143. observando-se o prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. § 1º). como também de orientação das atividades da sociedade. quando não existir Conselho de Administração[19]. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. a Diretoria será o órgão destinado a gerir os negócios sociais. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. é competência do Conselho de Administração. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. a Lei 6. 143 e 146). que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. competindo-lhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. 141. Garante-se. 143. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. no mínimo. Representação: . no mínimo. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. pela Assembléia Geral (art. ainda. fiscalizar a gestão dos diretores. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. acionistas ou não. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. Assegura-se compulsoriamente a eleição. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. Quando a eleição de membros[17] tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração.candidato ou distribuí-los entre vários. 142. a Lei 6. deliberar. quando autorizado pelo estatuto. do capital com direito a voto. como ocorre com o art. 141. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões.404/76. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. portanto. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. Nos demais casos em que o cargo fique vago. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. convocar assembléia geral. 176). do capital social. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. conforme rege o art. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. 1. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho.404/76. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. o modo de sua substituição. Além disso. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. § 3º). 154). ou se inexistente. se existirem acionistas que representem 20%. Nos casos em que exista Conselho de Administração. Impõe. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. Em linhas gerais. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. procedendo-se a nova eleição (art. incisos III e V. II. quando julgar necessário. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto[18]. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. II. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. Note-se. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. incisos I.

convocar a assembléia geral. mas como representantes da sociedade. competirá ao Conselho Fiscal. 148. impedimentos. 146. 144). 2. sob pena dessa se tornar sem efeito. 3. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. também. 4. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. bem como o prazo de gestão auferido. 1960). compete aos diretores . 1 . 146.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. mesmo que temporariamente.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto.404/76 não considera os diretores como mandatários. investidura. 147 § 2º). Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. o acesso a cargos públicos (art. 147 determina que. peculato. [22] 2. . enquadrando-os como órgãos da sociedade. concussão. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (Brunet-Cañizares. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. em regra. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. ou a qualquer acionista. um mecanismo de garantia de gestão. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. acionistas ou não[24] (art. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. com vigência até a primeira assembléia geral que houver. sua vontade. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. caput). podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . no art. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. contra a economia popular. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. prevê. 149).pelo titular ou por terceiro . 145 a 151 da Lei 6. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. possuindo. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art.A Lei 6. 150 caput). Ademais. se estiver em funcionamento. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. no prazo de 30 dias após a nomeação. [23] ADMINISTRADORES .NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos.404/76. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. no § 2º do art. inciso II e § único). Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. [20] Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. 142. dos quais se arquivará cópia na sede social . Buenos Aires.. a direção da sociedade em todos os aspectos. de prevaricação. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. amplos poderes[21] para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. mas como um órgão da sociedade.a qualquer diretor . § único). e como tal. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. 147 § 1º). é imputada à sociedade. O art. 150 § 1º). remuneração. peita ou suborno. A Lei ora em estudo. 150. Requisitos e impedimentos Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País.

a natureza e extensão de seu interesse. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. § 3º). que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. ou que esta tencione adquirir. 155 : usar. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art.[25] DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. deverá declarar o número de ações. 157) [31] II . com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores[26]. conforme art. serviços ou créditos. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. Conflito de Interesses(art.[28] 3. no art. As normas desta Seção. 155. Renúncia Rege a lei. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. 153 a 160. conforme estabelece o art. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. receber de terceiros . a Lei 6. Dever de Diligência : a lei brasileira. em benefício próprio ou de outrem. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. 160. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. conforme art. § 1º). 2. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. conforme disposto no art. praticar ato de liberdade à custa da companhia. 6. valer-se das informações para obter.para lograr os fins e no interesse da companhia. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. para si ou para outrem. I . § único e 1º).. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. bônus de subscrição. 154.[29] 5. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. competência. para si ou para outrem. 152. tempo dedicado às funções.atribuídas por lei e pelo estatuto . em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. sendo vedado ao administrador. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. adquirir. no momento da posse. 154. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. 165) . deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1.[30] 5. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. com ou sem prejuízo para a companhia. para revender com lucro. Veda-se ao administrador. sendo-lhe vedado.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta.O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. tendo em conta suas responsabilidades. 153. art. bem ou direito que sabe necessário à companhia. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. em razão de seu cargo.sem autorização estatutária ou da assembléia geral .. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. 154. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. 150 § 3º e 4º).RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES . § 2º:.404/76. também. caput. visando à obtenção de vantagens. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. 5. conforme dispõe o art. os seus bens. de que seja titular (art. 154. no seu art. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios[27]. 151. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que exerça suas atribuições . e em relação aos terceiros de boa-fé. ou de terceiros.

Independe de processo formal. 2. detalha os casos em que haverá solidariedade [34]..Crimes contra o Patrimônio . 4. § 2º e seguintes. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. portanto. Dessa forma. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. A responsabilidade civil consiste. Composição e funcionamento . representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. CONSELHO FISCAL 1.137/90 . 2.. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. No caso de irregularidades. 158). infringe-se a finalidade do interesse social. Lei 7. 158.A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas . obter aprovação irregular de contas. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. em proveito próprio ou de terceiro. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. anteriormente mencionado. portanto. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. quando proceder com culpa ou dolo. civil e penal. responde. executar negociação com as próprias ações da sociedade. [33] No que concerne ao Conselho de Administração. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. Código Penal . pois dessa forma. conforme segue : 1. por ser órgão colegiado. civilmente. provocar falsa cotação de valores mobiliários da sociedade. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros[36]. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. econômica e relações de consumo. possuindo para tanto amplas atribuições.492/86 . pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores.[35]. A lei determina que o administrador. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios[32]. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. porém. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. Lei 8. 3. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato relevante em documentos destinados ao público.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art.entendidos como tal os diretores. no âmbito de Diretoria. 3. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. consiste. em regra. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . mas a lei. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. nos termos do art. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. Responsabilidade Administrativa A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. 2.deriva do dever de diligência.Crimes contra a ordem tributária. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos.

a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. 165 retromencionado. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. de administrador da companhia. § 2º). incorporação.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. 162. no § 7º do artigo ora enfocado. Requisitos. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. Quando seu funcionamento não for permanente. inclusive. . 165). 161. nos termos do § 1º do art. 161). conforme disposição do art. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . ou que tenham exercido. por prazo mínimo de 3 (três) anos. a serem submetidas à assembléia geral. . emissão de debêntures ou bônus de subscrição. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. 153 a 156). eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. ou com violação da lei ou do estatuto (art. 4. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral.165. 162 § 1º).O Conselho Fiscal[37] pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas. 3. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. durante o período de liquidação da sociedade. residentes no País. § 2º). distribuição de dividendos. 165. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais.ou ao menos um deles . Nos demais casos. No que concerne à inegibilidade. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. desde que não comprovada conivência.ainda que a matéria não conste da convocação[38]). transformação. 6. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. sem intervir em operação social em que tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. a responsabilidade por omissão é solidária (art. § 1º). com mandato anual (art. no que tange à modificação do capital social. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. conforme dispuser o Estatuto (art. Rege ainda a lei. 5. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. diplomadas em curso de nível universitário. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . fusão ou cisão. planos de investimento ou orçamentos de capital. acrescentando o § 2º do artigo em exame. acionistas ou não. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto.[40] Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. não computada a participação nos lucros. 147 [39]. até terceiro grau.164. caput). pois exprimem uma vontade coletiva. emitir opinião[41] sobre o relatório anual da administração. e o cônjuge ou parente. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. § 1º).para cada membro em exercício .às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. 161. Impedimentos e Remuneração A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal.

1982. 1977.404/76. 1993. Rio de Janeiro: Forense. José da Silva. 1995. 1991. n. 1983. BATALHA. Código comercial e legislação complementar anotados. José Edwaldo Tavares. COELHO. DÓRIA. Álvaro Thomaz. São Paulo. 1982. p. GARRIGUES. São Paulo: Ed. 1983. Octaviano. Sociedade anônima: textos e casos. LIMA. 1996. ______ . Comentários à lei das sociedades anônimas. DADOS DO AUTOR PAULO ROBERTO COLOMBO ARNOLDI 1. Manual das sociedades anônimas. DIAZ-CANABATE. Rio de Janeiro: Forense. v. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Saraiva. Direito societário. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. 1981. Joaquin. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. Ana Maria de. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Direito empresarial. MIRANDA JÚNIOR. 1995. André Luiz Dumortout de. CRISTIANO. São Paulo: Saraiva. Revista dos Tribunais. v. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. O Direito de Voto na Lei 6. Empresas e inversiones en el Mercosur. BACCARIN. Eliane M. Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integraçào . MARTINS. São Paulo: Ed. Questões de direito societário. abr. Órgãos da sociedade anônima. Romano. REQUIÃO. São Paulo: Saraiva. Revista dos Tribunais. 1977./jun. Edson. José Alexandre Tavares. Revista dos Tribunais. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. MENDONÇA. 1984. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. Curso de direito comercial. Osmar Brina Corrêa. Dylson.1 e 2. Wille Duarte. Rio de Janeiro: Freitas Bastos.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. Rio de Janeiro: Forense. Mestre. Código comercial brasileiro e legislação complementar. 1984. São Paulo: Atlas. GONÇALVES. no prelo. 1982. São Paulo: Ed.69-87. Sociedades anônimas e valores mobiliários. Rio de Janeiro: Forense. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. Doutor e Livre Docente em Direito Comercial 2. São Paulo: Saraiva. Revista de Direito Mercantil. MARTINS. 1991. La sociedad anônima y sus problemas. PACHECO. Curso de direito comercial. v. Wilson de Souza Campos. Fran. ______. Fábio Ulhoa. Darcy Arruda. HENTZ. Franca: UNESP. 1988. BACCARIN SILVA.1. BORBA. Rio de Janeiro: Forense. Curso de direito comercial. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. Cristina Maria. Bauru: Jalovi. 1982. Luiz Antônio Soares. 1979. COSTA.42. Waldirio.2. GUERREIRO. 1992. Rubens. BULGARELLI.

tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. 1978. cit. MARTINS. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. . José Edwaldo Tavares Borba. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. cit. cit. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. 27. 1978. face ao disposto no art. cit. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. . Osmar Brina Corrêa. Membro da Fundacion Ectheverry para la Investigacion y Estudios Internacionales 7. [11]MARTINS..UNESP 8. Membro do Instituto de Direito Comercial Visconde de Cairú 5. [13]Cf. LIMA. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. cit. RT 667. MARTINS. em vantagem para os acionistas não-controladores. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. 1988. [8]Consistindo em órgão de deliberação colegiada. Fran. MARTINS. reveste-se de inconstitucionalidade. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. p. Fran. p.USF e UNAERP . 291 da lei”. Curso de Direito Comercial. ob. Rio de Janeiro : Forense. Professor de Direito Comercial na UNESP..272. São Paulo : Saraiva.3. [10] De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. São Paulo : Atlas.. Fran. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. Eliane M. 164. [9]Vide MANGE. Presidente do Centro de Estudos Latino Americanos da UNESP 4. ob. Comentários à Lei das S. de acordo com suas necessidades estruturais. cit. [4]Cf. § 1º. Universidade São Francisco . sobre a inaplicabilidade dos arts. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. 303. Rio de Janeiro : Forense. cf. MARTINS. 239). in Direito de voto. Rubens. portanto. mas à luz da Constituição Federal de 1988. in Sociedade Anônima. ob. [2]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas.. 655. o que significa que a regra é de ordem pública. p. [14] Cf. 173..404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração.REQUIÃO e Rubens. Wilson de Souza Campos. [3]A Lei 6. p. quando se tratar de sociedades abertas. Fran. 283. citado por Fábio Ulhoa Coelho. [5]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. consistindo. sendo vedado que um só conselheiro. BATALHA. Neste sentido. ob. [15] Cf. p. [6]Faculta. 1984.. ob. sem descaracterizar os interesses da companhia. p. Rubens . tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. ob. portanto. Adotando o sistema de voto múltiplo.Cumpre destacar que acordo com a lei. p. [7]Cf. 165. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. Requião. cit. a Lei. p. Membro do Instituto de Derecho Comercial de la Universidad Notarial Argentina 6. cit. cit. isoladamente. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. [12]REQUIÃO.A. Octaviano Martins. ob. MARTINS. Diretor do Departamento de Direito Privado da Universidade Estadual Paulista . Roger de Carvalho. Fran. -------------------------------------------------------------------------------[1] Cf . 272.

. 144 . não apenas possível. 1978. 310. [28]Cumpre ressaltar. 661. p. MARTINS. no § 3º. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. Revista de Direito Mercantil. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . ao lado do ato unilateral de nomeação. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. vol. 139. com os respectivos poderes. além de regulamentar. que devem ser explicitados no instrumento. Conquanto esse ato unilateral. 659. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. de 11. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada.observadas sempre as normas do art. mas órgão da sociedade. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. portanto. ainda. ob. 152.pela morte ou interdição de uma das partes. são parte dela. em função dos lucros . 152 da Lei . n. BATALHA.” [23] “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. mas em certos casos. [22]É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia.Se o mandato fosse particular. BULGARELLI. p. p. Por outro lado.91. [20]Cf. mas de um ato jurídico unilateral. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. GOMES. em doutrina. criados pelo Estatuto Social. [27] Cf. integram-se na administração da empresa.[16]Vide Instrução CVM n. [17]BATALHA. 1316. p. [25] O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. [26]Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. Comentários à Lei das S. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. conforme determina o art. inclusive mediante voto múltiplo (art. a remuneração com parte fixa e outra variável. Código Civil art. [18] Cf. que a lei (art.. prevalecendo o limite menor[25](art. no § 2º do mesmo artigo. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. [21]Os poderes dos diretores são indelegáveis. cit. do interesse da empresa”. ob. nem por isso se torna contratual. porquanto ela é simples condição de eficácia. o contrato de emprego. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. a lei impõe ao administrador.12. O mandato. Anstellung. ob. Não se extinguirá.O mandato representa a outorga temporária de poderes. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. Rubens. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. in Revista dos Tribunais. gozam. Entretanto. nesses casos. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. cit. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. se extinguiria com a morte do mandante. para a prática de determinados atos. 165. ob. 429. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. [24]A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. 291 da LSA. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. tendo em vista suas responsabilidades sociais.. predomina. conforme art.é. baixada nos termos do art. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. cit. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. 154. correlatamente. 304. § 1º). in Comentários.” Cf. cit. Revista dos Tribunais. ob. nos limites de suas atribuições e poderes. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. como administradores. [29]Ademais. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. REQUIÃO. p. 699 : “o administrador eleito por grupo ou classe. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. das vantagens comuns a todos..A.II . 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. Não colide com o disposto no art. e seus membros. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. Wilson de Souza Campos. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. cit. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”.. feita pela sociedade através de seus diretores. Fran. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. inciso II : “Cessa o mandato : . Orlando.. 146 § único. denominado nomeação. Wilson de Souza Campos. ou podem gozar. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. São Paulo : Forense. por via do qual se lhe atribui. p. Especificamente. [19]Cf. 165. p.

especificando a lei os casos de responsabilidade solidária.Classificação das sociedades anônimas. 158 e 159. mas perante terceiros prejudicados.se em funcionamento . in Comentários à Lei das S. não sendo possível.) ÓRGÃOS DE GESTÃO NAS SOCIEDADES POR AÇÕES Bruno Rodriguez Caldas Aluno do 2°ano noturno do Curso de Direito da UNESP(Franca-SP) Sumário: 1. in Comentários à Lei das S.ou à Assembléia Geral. em assembléia geral extraordinária. Competirá. [31] Vide na íntegra o art. Em regra. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedílos.5. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede.. (Neste sentido Fran Martins. [37]A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. 159. conforme observa Fran Martins. ano XX.6. exceto nas companhias abertas. § 1º). o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas.A função do conselho .[30]Ainda que observado o disposto neste artigo. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art.. [39]Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. 157 e seus parágrafos. 2. [32]GUERREIRO. § 2º). que elegerá os membros. José Alexandre Tavares. Revista de Direito Mercantil. mesmo que temporariamente. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. contra a economia popular. peculato. [38]Dispõe o art. rege o § 1º do art. Nesse sentido. Introdução. competirá à companhia. a responsabilidade dos diretores. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. [40]Cf. ob. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art.A. é individual. [33]Ao violar a lei ou o estatuto. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. § 3º). ob. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. 3. 147 § 2º). 161. Para os cargos de administração de companhia aberta. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. de prevaricação. é de competência de auditores. nr 42.. ob. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. São Paulo : Ed. no prazo de três meses (art. 147 § 1º). demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. TJSP. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio.Conceito de sociedade por ações. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade.A assembléia geral na sociedade por ações. peita ou suborno. Vide na íntegra o art. Revista dos Tribunais. em nível de Diretoria.A. antes de se submeterem à Assembléia Geral. caput. RT 670/77. que em princípio. com atribuições definidas dentro da sociedade. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. ao Conselho Fiscal . 156. [36] “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. cit. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. [41]A verificação de documentos ou propostas da administração.4. cit. o acesso a cargos públicos (art. Processo histórico.A. 1981. concussão. [34] Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. age além dos poderes que lhe são outorgados. 156. portanto. [35]Por força do art. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. 159. Comentários à Lei das S. cit. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. Neste sentido Fran Martins. salvo nos casos de conivência. mediante prévia deliberação da assembléia geral.

Para adentrar as questões estruturais. O conselho fiscal nas sociedade por ações. O regime de outorga foi adotado desde a chegada da família real até 1882. Mais tarde. que brevemente se espalhou por todo o mundo4. Elas eram responsáveis por financiar atividades coloniais. que foram exercidas inclusive no nordeste brasileiro. conselho de administração.A diretoria das sociedades anônimas. primeiramente será apresentada uma noção básica do regime societário. Tal crescimento.de administração. todavia. Dessa forma. a primeira sociedade anônima seria a Casa de São Jorge. A melhor forma de compreender tal matéria se dá pelo estudo de sua composição. O terceiro momento da linha evolutivo desse modelo de sociedade foi marcado pela revolução industrial. Alguns dizem que seu início remonta a Itália renascentista. dos órgãos responsáveis por formar esse importantíssimo regime societário. Assim. a Inglaterra inibiu o sistema de autorização e implantou o registro de empresa em órgão específico. Para esses pensadores. Esse estreito relacionamento das sociedades anônimas com o Estado era tão visível que estas dependiam de uma outorga do monarca para funcionar. mais especificamente em Gênova. tal modelo foi simplificado na Europa. sem dúvida. No Brasil. porém.7. Assim. Dessa forma. espécie de Banco que possuia seu capital dividido em ações2 . 1 Introdução O presente artigo visa apresentar em seu conteúdo uma breve exposição do funcionamento interno de uma sociedade por ações. para somente então adentrar as questões específicas ao tema. Modelo. diretoria e conselho fiscal) e o estudo atento da função pertinente a cada parte para a perfeita assimilação do funcionamento de uma empresa regida por esse que. mas as sociedades ainda dependiam de autorização governamental para funcionar. Para facilitar a sua proliferação e conseqüente desenvolvimento econômico. credita o título às Companhias de Comércio cuja origem é holandesa e datam de 1602. o trâmite não foi diferente. aumentou significativamente o número de sociedades anônimas. é necessário expor.Conclusão. quando se adotou o sistema . por sua vez. anteriormente.8. ou seja. É ponto pacífico na doutrina. suas especificidades e classificação.10. no entanto. a começar do processo de evolução histórico. esse. o que é uma sociedade anônima: seu conceito. que acarretou em um imenso crescimento econômico. A maioria dos estudiosos.Referências bibliográficas. são de suma importância para compreensão do assunto o desmembramento da sociedade em seus quatro principais órgãos (assembléia geral. resultou em aumento significativo de relações comerciais e de atração de capital para investir nas empresas industriais. dada a quantidade de capital envolvido. o fato de as primeiras sociedades por ações atenderem uma função de interesse público3.9. havia uma concessão de privilégios por parte do monarca a um grupo de pessoas que passariam a desenvolver determinada atividade econômica. é o mais complexo e importante regime societário. 2 Processo histórico A origem das sociedades por ações gera uma divergência doutrinária1.

4 FAZZIO JÚNIOR. 3 COELHO. 2003. Fábio Ulhoa.Manual de Direito Comercial. São Paulo: Atlas. Ricardo. Waldo. . 2000. foi a publicação da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A) que criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atribuiu caráter 1 NEGRÃO.São Paulo: Saraiva.de registro.Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa.3.v. Manual de Direito Comercial e de Empresa.ed.1 2 COELHO.Op. Outro marco significativo nesse ramo. em nosso país.2.ed.cit. V. 2007.10.São Paulo: Saraiva.Direito de Empresa.

por sua vez. Ainda neste tópico é importante esclarecer que a sociedade de economia mista é aquela mantida pelo Poder Público e que criada para explorar a atividade econômica de produção de bens ou prestação de serviços. e objetiva com o exercício da empresa o desenvolvimento de atividades lucrativas.dual ao nosso sistema. um regime próprio de . também. portanto. Por outro lado. Ela está presente no art. Op. a direção e a atuação6. Dentre esse segundo grupo de sociedades faz mister acrescentar que algumas. Suas principais características são: a divisão de seu capital em frações transmissíveis (ações). o valor correspondente às suas ações. A sociedade é considerada aberta quando admite negociação pública de valores mobiliários a fim de captar recursos7. ou seja. Ricardo. mas sim o capital investido. 4 Classificação das sociedades anônimas A classificação das sociedades anônimas difere de acordo com o critério adotado. Há. devido ao pequeno porte (patrimônio líquido inferior a um milhão de reais e com capital concentrado nas mãos de até vinte acionistas). Dessa forma. 3 Conceito de sociedade por ações Segundo Waldo Fazzio Júnior5 a sociedade por ações é uma pessoa jurídica de direito privado que possui. Observa-se. A responsabilidade limitada dos proprietários. o governo exige autorização governamental mediante registro na CVM (autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda) para essas empresas poderem atuar8. os proprietários podem negociar as suas ações no momento que desejar e com a pessoa que lhe for conveniente sem necessitar de autorização dos demais sócios. aos princípios da administração pública. garante que os sócios só se obriguem a pagar dívidas com valor igual ao do capital investido. possuirem responsabilidade limitada. A classificação mais importante é a primeira e por isso receberá maior destaque no presente artigo. não se sujeitam às negociações públicas de valores mobiliários na bolsa de valores ou balcão. referente à pessoa jurídica. Elas podem ser classificadas como: abertas ou fechadas de acordo com a emissão e distribuição de valores mobiliários em bolsa de valores ou mercado de balcão.cit. A divisão do capital social em ações revela que nesse tipo de empresa não importa a pessoa do sócio. Tal tipo de empresa atende a uma função social e se sujeita ao regime jurídico de empresa privada. apesar de obedecer. Dylson. uma total separação do patrimônio da sociedade. nosso direito admite o regime de regulamentação às companhias fechadas e o de autorização às abertas. e o fato de os seu proprietários. recebem tratamento especial por parte da lei10. Assim. Anônima. ou seja. Para garantir segurança ao mercado acionário e incentivar o investimento nessas companhias. caráter mercantil. as demais sociedades são consideradas fechadas. e em multinacionais. portanto.Op. nacionais ou estrangeiras se for observada a transnacionalidade de seu capital. Se não observados tais procedimentos ocorre crime que prevê pena de reclusão de 2 a 8 anos mais multa 9. do patrimônio do acionista. privada ou mista se for considerada a origem do capital. por força de lei.4° da Lei de Sociedade 5 6 NEGRÃO. Essas companhias são regidas por um estatuto e recebem uma denominação. os sócios.cit. DORIA.

11 12 COELHO. Esse órgão é o único capaz de: reformar o estatuto social. incorporação e cisão13. 9 DORIA. 10 FABRETTI. apenas determina que a procuração para representação tenha validade de um ano12. Ainda no que abrange a legitimidade de participação faz mister acrescentar que os proprietários sem direito a voto podem discutir. 7 8 COELHO. observar e discutir a prestação de contas dos administradores. Eles são: A assembléia geral. a competência da assembléia também deve ser exposta. quando donos de ações custodiadas em instituições financeiras ou ações escriturais. 5 A assembléia geral na sociedade por ações Para melhor atender seus fins administrativos e jurídicos as sociedades anônimas apresentam desdobramentos de sua pessoa jurídica. . Op. taxativamente. um administrador da companhia. 2004 A assembléia geral “é o órgão máximo da companhia e dela participam todos os acionistas com direito a voto. ou um advogado (que também pode freqüentar às reuniões como acompanhante do acionista. Fábio Ulhoa. Dylson. A limitação temporal. Seu caráter e exclusivamente deliberativo”11. o conselho de administração. A escolha deste.cit. proprietários de ação nominativa ou através de identidade e extrato de compra de ações. Direito de Empresa no novo código civil. Fábio Ulhoa. 13 DORIA. FAZZIO JÚNIOR. São Paulo: Atlas. Láudio Camargo. Waldo. e deliberar sobre operações de transformação. quatro possuem maior relevância e por isso são previstos em lei.cit. se manifestar sobre a composição da pauta de discussão. COELHO. ou seja. No caso das pessoas legitimadas não poderem comparecer. eleger ou destituir o conselho de administração (se existir). como auditores independentes. que apesar de não serem sujeitos de direito. devem se identificar através de identidade. membros do conselho fiscal e de administração podem participar das assembléias quando ela os convidar ou convocar. Além da legitimidade.Op. a qual pode abranger as mais minuciosas questões administrativas. Estes. sofre limitações do tipo temporal e do tipo subjetivo. prestando-lhe assessoria jurídica). A limitação subjetiva refere-se às qualidades do sujeito representante que pode ser. Apesar destes órgãos poderem ser livremente instituídos pelo estatuto social. Op. podem eleger um representante que defenda os seus interesses. os acionistas. ou melhor. por sua vez.Op.cit. a diretoria (quando não existir conselho de administração) e o conselho fiscal.Op. a diretoria e o conselho fiscal. Fábio Ulhoa. Tratamse dos órgãos sociais.Op. Assim. expressam o interesse da companhia sobre temas específicos.cit. por outro lado. outro sócio. suspender os direitos de acionistas. um representante de instituição financeira (só em caso de sociedades abertas).administração estatal que exerce controle governamental sobre a companhia. Outro fator a ser adicionado é que pessoas distintas dos acionistas. fusão. a assembléia geral é uma reunião privada cuja legitimidade de participação é exclusiva de seus membros. no entanto.cit. Dylson.cit.2 ed.

Devido a grande quantidade de funções da assembléia geral, a doutrina a classifica em quatro tipos14: assembléia geral constituinte, especial, ordinária(AGO) e extraordinária(AGE). O primeiro tipo ocorre quando a reunião visa à constituição da sociedade anônima. O segundo visa assegurar direitos de titulares de determinadas classes de ações, evitando modificações estatutárias que os prejudiquem. As duas últimas, no entanto, são as mais importantes e por isso merecem maior destaque. A AGO possui um caráter de obrigatoriedade e periodicidade15, já que deve se reunir uma vez ao ano, no período de quatro meses após findo o exercício social. Ela examina a prestação de contas dos administradores, delibera e voto o destino do lucro líquido alcançado, aprova correção da expressão monetária e, quando necessário, elege o conselho de administração e o conselho fiscal. Esse tipo de assembléia geral necessita da presença de um auditor independente e de um membro do conselho fiscal para atribuir seu parecer sobre as questões discutidas. Tal exigência, se não cumprida, adia a deliberação. Ademais, vale frisar que, salvo em companhias fechadas, os administradores, mesmo que acionistas (membros do conselho de administração), não votam sobre as decisões de sua administração, já que a aprovação de suas contas os isenta de responsabilidade fiscal e administrativa. Os resultados obtidos na AGO, por sua vez, devem ser promovidos pelos administradores em um prazo de 30 dias. Qualquer assunto estranho aos três primeiros tipos de classificação, como a reforma de estatuto, serão tratados pela AGE. Para reunião da assembléia geral, porém, ela deve ser convocada. A competência para a convocação é do conselho de administração, caso este não exista, a atividade será exercida pela diretoria. Em casos excepcionais, todavia, a convocação pode ser realizada pela própria assembléia fiscal, pelo conselho fiscal ou até pelos acionistas16. Esse ato de convocação é tido como formal e deve se dar por publicação de anúncio. Tal procedimento, se não observado, impossibilita a deliberação, salvo hipótese de todos acionistas se encontrarem presentes17.
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FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit. COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. 16 DORIA, Dylson.Op.cit. 17 NEGRÃO, Ricardo. Op.cit.

Convocada a assembléia geral, os trabalhos, ou seja, os debates e votações são presididos por uma mesa cuja composição é prevista no estatuto da companhia. De acordo com o assunto deliberado, vale ressaltar, há exigência de um quorum. Este se subdivide em quorum de instalação e de deliberação, O primeiro é requisito para a realização da reunião (pode ser reunião de 1/4, 1/2 ou 2/3 do capital social) e o segundo serve de condição para a validade das decisões alcançadas (pode ser de maioria absoluta ou até de unanimidade)18. Por fim, as deliberações são narradas, por escrito, em uma ata que deve ser assinada por todos os acionistas presentes e lavrada no livro de atas das assembléias gerais. Se não documentada dessa forma, a lei permite que as atas sejam lavradas sob forma de sumário dos fatos ocorridos, contendo apenas as deliberações levadas a termo.

6 A função do conselho de administração O conselho de administração é um órgão deliberativo com quantidade de membros de número ímpar e plural, ou seja, é composto por no mínimo três pessoas. Sua existência é obrigatória em companhias abertas, sociedades com capital autorizado ou de economia mista, sendo de presença facultativa nas demais sociedades por ações. Sua composição é oriunda de eleição pela assembléia geral e desse mesmo órgão recebe parcela da competência. O conselho de administração pode atuar em qualquer matéria de interesse da companhia com exceção àquelas de atividade privativa à assembléia geral. Contudo, sua função específica é: fixar orientação geral para negócios; eleger e destituir diretoria; suprir omissões do estatuto no que concerne sobre a divisão de competência entre os diretores; fiscalizar a diretoria; convocar a assembléia geral; se manifestar sobre o relatório anual de prestação de contas da diretoria; e escolher e destituir auditores independentes19. O processo de eleição, por sua vez, é legalmente definido como o de voto múltiplo. Esse modelo eleitoral atribui a cada ação uma quantidade de votos equivalentes ao número de cargos que compõe o conselho, quantidade esta prevista no estatuto social. Desse modo, objetiva-se atribuir representatividade a minoria
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit.

acionária. O acionista quando for votar pode concentrar esses votos em um só candidato ou distribuí-los de acordo com seus interesses. Os trabalhos eleitorais serão presididos pela mesa da assembléia geral, que deve, anteriormente a votação, informar aos acionistas a quantidade de votos necessários para garantir a eleição de um membro no conselho20. O período de gestão, também é regido pelo estatuto, mas pode ser interrompido pela assembléia geral. Este órgão tem o poder de destituir o conselho. Tal destituição não precisa ser motivada, já que o conselheiro exerce cargo de confiança, ou seja, encontra-se em seu cargo por autonomia da vontade e, portanto, por essa mesma vontade pode perder sua posição. Por fim, é importante falar da previsão de escolha de um dos membros para o posto presidente do conselho. Esse procedimento obedece à forma prevista no estatuto, sendo, normalmente, fruto de escolha democrática pelos próprios membros do conselho. O presidente é responsável por convocar e dirigir as reuniões bem como resgistrá-las em atas cujo conteúdo será lançado em livro próprio depois de assinada por todos os membros presentes. Nem todas as atas, porém, necessitam ser arquivadas. Tal procedimento torna-se obrigatório somente nos casos que acarretem efeitos a terceiros ou quando a ata relatar reuniões nas quais haja eleições para diretores ou renúncia de conselheiros21. 7 A diretoria das sociedades anônimas Láudio Camargo Fabretti define a diretoria como “órgão executivo das deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e de representação legal da companhia”22. Os diretores não precisam ser acionistas e são escolhidos pelo conselho de administração, na ausência deste o processo pode ser realizado pela assembléia geral. A destituição de cargo pode ser feita a qualquer momento pelos mesmos órgãos 23 que também são responsáveis pela atribuição de competência a cada diretor.
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FABRETTI, Láudio Camargo.Op.cit. 22 DORIA, Dylson.Op.cit. 23 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit

A quantidade de diretores, bem como o período de gestão é determinada pelo estatuto social, certo, porém, é que o mandato não pode ser superior a três anos (cabe reeleição) e que a companhia deve contar com pelo menos dois diretores. No máximo 1/3 da quantidade máxima de diretores, no entanto, pode ser composta por membros do conselho de administração. No que tange à responsabilidade, os diretores respondem solidariamente por responsabilidade civil caso não observem em seus atos o procedimento estabelecido pelas normas da companhia24. Por fim, há de se citar a existência de casos específicos nos quais os diretores têm a necessidade de se reunir para deliberar. Nestas situações, a decisão a ser tomada flui da maioria dos votos. Tais trabalhos são registrados em atas cujo conteúdo é lavrado em livro próprio. 8 O conselho fiscal nas sociedades por ações O conselho fiscal é responsável por fiscalizar os demais órgãos, principalmente no que concerne às prestações de contas, e à legalidade e regularidade dos atos de gestão25. Assim, sua atividade deve ser autônoma, ou seja, não pode ser hierarquicamente inferior ao conselho

é importante acrescentar que as companhias abertas devem contratar auditores independentes registrados no CVM para. Op. o conselho deve ter a sua disposição todo o arsenal de informações necessárias. Caso não haja na 24 25 DORIA. Waldo Fazzio Júnior acrescenta que “ sua atuação é instrumental. portanto de um órgão de discussão e votação que é utilizado como instrumento de manifestação da vontade dos proprietários para a realização das atividades. por isso. é um órgão facultativo. salvo aquelas . por sua vez.165 da mesma lei. Formado o conselho. conselho de administração. Waldo. também. todavia exige-se que sejam graduadas em ensino superior ou pelo menos contem com uma experiência mínima de três anos em cargo de administrador. Trata-se. exercer sua atividade. Assim. A quantidade de subdivisões. destacam se em relação aos demais e. Para bem realizar sua atividade. já que disponibiliza aos acionistas para exercícios de direito e de fiscalizar e votar”26. por sua vez. que recebe parcela da competência da assembléia geral. Quatro órgãos. visto que reúne os acionistas e decide.de administração nem à diretoria. Outro aspecto importantíssimo do conselho é a sua responsabilidade. ele passa a realizar seus trabalhos de forma colegiada.163 da LSA garante a necessidade de registrar as reuniões em atas e arquivar os pareceres. porém. também. necessariamente. realizar função de fiscalização. Dentre essas subdivisões. O mesmo artigo define.Op. ela é feita através da escolha de um número de três a cinco membros (mesmo número de suplentes) pela assembléia geral. todavia. porém o seu funcionamento é facultativo. a empresa deve contar com um conselho fiscal. para melhor exercer as suas funções é dividida em órgãos que realizam funções específicas. que o conselheiro que tiver se posicionado de forma contrária (verificação se dá por registro em ata) se exime do cumprimento da obrigação27. é obrigatória. As pessoas a serem escolhidas não precisam ser acionistas. pode-se requerer ao juiz da comarca uma autorização especial.cit 26 FAZZIO JÚNIOR. é livre e prevista em estatuto social. È importante ressaltar. Waldo. que em caso de omissão ele responderá de forma solidária. através de deliberações todo o futuro da sociedade empresária bem como elegem os membros que compõe os outro órgãos. O art. vencendo sempre a maioria. portanto. FAZZIO JÚNIOR. 9 Conclusão Após o breve estudo do tema pode-se perceber que a sociedade por ações. mas esse não precisa. são tratados pelo direito. por sua vez. Finalmente. O conselho de administração. a assembléia geral é tida como mais importante. Ele pode exercer atividades referentes a qualquer matéria da companhia.cit. Dylson.cit empresa pessoas com estas qualificações. A presença do órgão. No que tange a composição do conselho. Op. por sua vez define que o conselho fiscal será responsabilizado se for conivente com medidas ilícitas ou prejudiciais a sociedade. O art. Eles são: a assembléia geral. diretoria e conselho fiscal.

cit . Waldo. Op. Já a diretoria exerce cargo executivo e de representação da companhia e o 27 FAZZIO JÚNIOR.que são exclusivas à assembléia geral.

que para o bom andamento de uma sociedade anônima.1.ed. FAZZIO JÚNIOR. Percebe-se. FABRETTI.v. portanto. NEGRÃO. Waldo.1. 2000. . Manual de Direito Comercial.ed. 2 ed. Manual de Direito Comercial e de Empresa. 2003.10.2. Ricardo. 2004. São Paulo: Atlas. Curso de Direito Comercial. 2007. faz-se necessária uma divisão de tarefas que otimize os trabalhos e garanta bons resultados aos acionistas. que se caracteriza pelo seu grande porte e movimentação intensa de altos valores.3.Direito de Empresa. como não poderia deixar de ser realiza trabalhos de fiscalização das atividades exercidas pelos demais órgãos. V. 10 Referências bibliográficas COELHO. Curso de Direito Comercial.conselho fiscal.v. 2000. DORIA.São Paulo: Saraiva.ed.14. São Paulo: Atlas.São Paulo: Saraiva. Dylson. Assim. Fábio Ulhoa.São Paulo: Saraiva. Direito de Empresa no novo código civil. Láudio Camargo. a divisão de funções para os órgãos objetiva a maior segurança nos negócios e conseqüente maior lucratividade.