SOCIEDADES ANÔNIMAS A presente matéria visa orientar às Sociedades Anônimas acerca das publicações legais de atas, convocações, anúncios

e demonstrações financeiras. Procuramos destacar aspectos práticos e de âmbito geral, tais como prazos a serem observados, obrigatoriedade das publicações e casos em que as mesmas são dispensadas, jornais para a veiculação dos atos societários, bem como os caracteres gráficos mínimos permitidos por lei. Vale ressaltar que a presente matéria trata das normas gerais da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações objeto da Lei n. 9.457, de 05 de maio de 1997, e da Lei n. 10.303, de 31 de outubro de 2001, aplicáveis às sociedades anônimas em geral. Cabe a cada S/A verificar as normas específicas aplicáveis ao seu caso em particular, sem prejuízo das normas gerais. Assim sendo, as Instituições Financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, deverão observar as normas específicas expedidas por esse órgão. Assim também deverão proceder as companhias abertas, observando as normas específicas emanadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Publicações Legais ordenadas pela Lei n. 6.404/76 às Sociedades Anônimas Edital de Convocação: A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por três vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. (art.124). 1a. Convocação: Na companhia fechada com 8 dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio e na companhia aberta com 15 dias de antecedência. 2a. Convocação: Não se realizando a Assembléia, deve ser publicado novo anúncio. Na companhia fechada com 5 dias de antecedência e na companhia aberta com 8 dias de antecedência. Cabe ressaltar, que não se admite anúncios prevendo desde logo a 2a. convocação. Deve ser publicado novo anúncio. Dispensa da publicação: A Assembléia que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação do edital (art. 124 § 4o.). Atentar para o dispositivo legal que se refere a "todos os acionistas", e não apenas aos que possuem "direito de voto". Aviso aos Acionistas: Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária, por anúncios publicados por três vezes, no mínimo, que se acham à disposição dos acionistas os documentos referidos no art. 133. Dispensa da publicação:

a) a assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação dos anúncios (art.133 § 4o).); ou b) a empresa que publicar o Balanço e demonstrações financeiras até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária (art.133 § 5o.) Balanço: O Balanço e demais Demonstrações Financeiras deverão ser publicados até 5 dias antes da Assembléia Geral Ordinária (art. 133 § 3o). A assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a inobservância do referido prazo, mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia (art. 133 § 4o). Atas: Todas as Atas de Assembléias Gerais de Acionistas deverão ser publicadas. Extrato de Ata - Tem-se observado a publicação de extrato de ata lavrada na forma sumária, ou seja, a publicação de um "resumo" do "resumo". Isto é inadmissível. Somente quando a ata é completa, plena, lavrada sob a forma tradicional, discorrendo sobre todos os fatos ocorridos, aí sim, é permitido extrair um extrato para a publicação, ou seja, um texto mais resumido, conciso, com o sumário dos fatos ocorridos e das deliberações tomadas. O legislador é claro quando diz no art. 130 § 1o. que a ata poderá ser lavrada na forma de sumário dos fatos ocorridos, e conter a transcrição apenas das deliberações tomadas. E, no mesmo art. 130 § 3o. diz que, se a ata não for lavrada na forma permitida pelo § 1o., poderá ser publicado apenas o seu extrato, com o sumário dos fatos ocorridos e a transcrição das deliberações tomadas. Portanto, apenas para a ata que não foi lavrada na forma de sumário, é facultada a publicação de um extrato. O Prof. Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 2o. vol., pgs. 757/758, 2003) discorrendo acerca de tal dispositivo legal afirma que "Não pode ser publicado extrato de ata sumária – Ainda que pareça despicienda a repetição do texto claro da lei a respeito, torna-se indispensável ressaltar que é absolutamente ilegal a publicação de extrato de ata submetida ao regime sumário". É importante frisar, que a faculdade dada pelo legislador para as sociedades anônimas publicarem um extrato de ata, refere-se única e exclusivamente às atas de Assembléias Gerais de Acionistas. Tal faculdade não se estende às atas de Reuniões do Conselho de Administração. Estas, quando contiverem deliberação destinada a produzir efeitos perante terceiros, deverão ser publicadas na íntegra. Artigo 294 A companhia fechada que tiver menos de 20 (vinte) acionistas, com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) poderá: - convocar assembléia geral por anúncio entregue a todos os acionistas,contra recibo, com a antecedência prevista no art. 124, ou seja, está dispensada de publicar o edital de convocação; e - deixar de publicar o Balanço e demais Demonstrações Financeiras de que trata o art. 133.

O disposto neste artigo não se aplica à companhia controladora de grupo de sociedades, ou a ela filiadas, ou seja, suas controladas e coligadas. Cabe lembrar que a dispensa de publicação a que se refere o art. 294, limita-se tão somente ao edital de convocação e ao balanço. Note-se que o referido artigo não menciona os avisos pondo à disposição dos acionistas os documentos a que se refere o art.133. Portanto, conforme entendimento de longa data da Procuradoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo esses avisos deverão ser publicados. Jornais de veiculação das publicações legais As publicações ordenadas pela Lei das S/A serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme o lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia (art. 289). Vale ressaltar que as publicações legais (convocações, anúncios, demonstrações financeiras e atas) das S/A cuja sede é, por exemplo, no Estado de São Paulo, deverão ser feitas: - no órgão oficial do Estado, ou seja, obrigatoriamente no Diário Oficial do Estado de São Paulo, não se admitindo Diário Oficial da União, e - em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia. Entende-se por "jornal" o que se publica, no mínimo, cinco dias na semana, a exemplo do próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo que tem cinco publicações semanais. E por "grande circulação" entende-se o jornal cuja distribuição é feita na localidade em que é editado de forma regular e de fácil acesso aos acionistas. Caracteres gráficos nas publicações legais A Lei n. 8.639 de 31/03/93 disciplinou o uso de caracteres nas publicações obrigatórias. O tipo de letra deve ser, no mínimo, de corpo seis, e o título deve ser do tipo doze ou maior. O não-cumprimento dessa determinação será objeto de exigência pela Junta Comercial, conforme disposto no art.57 do Decreto n. 1.800/96. Em São Paulo, de acordo com a Portaria Jucesp n. 73/98, somente serão aceitas as publicações legais em jornais de grande circulação que utilizarem corpo de letra no mínimo de corpo seis, com entrelinhamento mínimo de seis e meio. Não serão aceitas publicações com caracteres condensados. As publicações a serem feitas no Diário Oficial do Estado de São Paulo continuam obedecendo aos padrões vigentes naquele órgão, conforme Portaria 002 de 18 de fevereiro de 2.000 da Imprensa Oficial do Estado S/A, em seu artigo 2o. que reza o seguinte: I – o nome da empresa deverá constar de linha (s) única (s) de abertura, não recorrido, com corpo mínimo de 12, negrito; II – o CNPJ, título da matéria (ata, relatório da diretoria, etc.) e o restante do material será no corpo mínimo de sete, com entrelinhamento mínimo de 7/8 (sete sobre oito).

1.11. Livro Razão. Inclusive com a criação do Sistema Público de Escrituração Digital. 4. 3. Registro de Apuração de ICMS.1.10. estabeleceu-se a necessidade de aprimoramento do levantamento do exercício social e da demonstração contábil e financeira da sociedade.3.5.Do exercício social e das demonstrações contábeis Resumo: Estamos diante de uma nova etapa na área empresarial e contábil. Registro de Entradas. extravio ou inutilização de livros fiscais. Funções da escrituração – 9.1.2. c´´est-à-dire. 4. 4. Usuários do SPED. 4.2. 7. Registro de Duplicatas. Os Métodos e o Valor probante da escrituração. 4. Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis – 3.8.2.6. 4.4.3. Exibição dos livros empresariais. 11. 4. Requisitos intrínsecos e extrínsecos – 6. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais.1.3. Os Livros Fiscais. Os métodos ou formas da escrituração. Livros Facultativos – 5. Competência da Secretaria da Receita Federal. Outros Livros fiscais – 4.1. 28 de décembre de 2007 et du Décret 6. Fichas.638. la réelle situation de l´´entrepreneur. 3. Instrumentos de escrituração mercantil.638.3. periodicamente.Société anonyme Système Public de Comptabilité digitale.2. Valor probante da escrituração – 7. Registro de Controle da Produção e do Estoque. Conservação da escrituração – 10.1.2. 6. De même avec la création du Système Public de Comptabilité Digitale. Registro de Saídas. 4. 4. O livro de apuração do lucro real (LALUR). 3.Démonstrations Contábéis et financières .2. a Lei nº 11. Conseqüência da irregularidade na escrituração – 11.2. Livro-diário. 4. 4. Acesso às informações do SPED – 8. 7.2. la nécessité a établi d´´amélioration de l´´enquête de l ´´exercice social et de la démonstration comptable et financière de la société.2. A fim de expressar.2.4. Most clef: Comptabilité . Microfilmagem. Escrituração – Demonstrações Contábéis e financeiras –– Sociedade anônima .2. 4. Disposições Gerais . 7. Espécies de Livros Empresariais.Sistema Público de Escrituração digital Résumé: Nous sommes en avant d´´une nouvelle étape dans le secteur d´´entreprise et comptable. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência.1. Palavras-chave:. e bem como o seu desempenho. Livro de Movimentação de Combustível (LMC).022/2007 a apporté varie des changements dans le champ de la comptabilité et des démonstrations financières des sociétés anonymes et dans les sociétés de grand transport.3) Livro Balancetes Diários e Balanços – 4.2. la Loi n° 11. Registro de Inventário. Livros Digitais – 4. 4.4.Introdução – 2. et ainsi que sa performance. 4. Exibição administrativa dos Livros . Sistema Público de Escrituração Digital.2. 4. Afin d´´exprimer. de 28 dezembro de 2007 e o Decreto 6. a real situação do empresário. 3. 4.7.2.2.3 Os livros Sociais. 6. ou seja. 7. Os Livros Contábeis.1.022/2007 trouxeram varias mudanças no campo da escrituração e das demonstrações financeiras das sociedades anônimas e nas sociedades de grande porte.2.2. Função do SPED. Sumário: 1.1.9. Exibição judicial dos Livros empresariais. Perda.3. périodiquement.1. 4.1. Livros em papel.

Escrituração é o conjunto de lançamentos contábeis.16. Referencias Bibliográficas 1.3. 14.2. Filiais – 14. Assim. posteriormente compilados em livros e fichas.101/2005).3. por certo encontrará dificuldades em obter fomento creditício em instituições financeiras ou de preencher uma simples informação cadastral [05]. [04] Devemos expor que o empresário sem um sistema que demonstre o exercício social e as demonstrações contábeis é uma entidade sem memória. do CPC). 14. 14. 14. geralmente para fins contábeis. sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência ou de planejar seu crescimento. a expressão Escrituração é criticada por Eliseu Martins [02].empresariais – 12. mas ambos serão considerados em conjunto como uma unidade" (art. A Escrituração completa é composta pelos lançamentos contábeis e pelas demonstrações financeiras elaboradas no encerramento de cada exercício social [01]. Impossibilitada de elaborar demonstrativos contábeis por falta de lastro na escrituração. A demonstração dos fluxos de caixa. . Ativo. pois a expressão mais ajustada para o Capítulo IV do Livro sobre Direito de Empresas seria chamá-lo de Exercício Social e Demonstrações Contábeis. O balanço patrimonial. A demonstração do resultado do exercício. Demonstrações contábeis.5.1. Divulgações das demonstrações contábeis . uns são favoráveis ao interesse de uma parte e outros lhe são contrários. As conseqüências para a falta das demonstrações contábeis periódicas são as seguintes – 15.2. IV)Imprescindível no requerimento de recuperação judicial (Lei 11. Passivo. 14. A demonstração do valor adicionado no caso de companhia aberta. A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. 14. e a levantar anualmente balanço patrimonial e o resultado econômico. mecanizado ou eletrônica com.1. bem como não possibilita ao empresário avaliar o acerto das decisões administrativas e negociais tomadas.1. base na escrituração uniforme de seus livros em correspondência com a documentação respectiva. 380. Contudo. a lista mais comum de vantagens de uma entidade para manter escrituração contábil. Escrituração é o nome que a legislação escolheu para expressar o ato de se efetuarem os lançamentos em contas. são as seguintes: I)Oferece maior controle financeiro e econômico à entidade.Introdução No Direito empresarial. Obrigatoriedade e reponsabilidade do contabilista – 13. bem como os rumos a serem seguidos. sendo inclusive indivisível a escrituração "se os fatos que resultam dos lançamentos. Tanto as sociedades empresárias como os empresários individuais estão obrigados a seguir um sistema de contabilidade [03]. 14.Disposições Gerais .1.4. Assim. III)Contestação de reclamatórias trabalhistas quando as provas a serem apresentadas dependam de perícia contábil. II)Comprova em juízo fatos cujas provas dependam de perícia contábil. 14.

1.404.179 a 1.385. as disposições da Lei nº 6.000. X)Prova. a contabilidade deve ser considerada sempre uma ferramenta imprescindível à gestão de qualquer entidade. de 7 de dezembro de 1976.00 (trezentos milhões de reais). VII)Facilita acesso ás linhas de crédito. Considera-se de grande porte. Parágrafo único. que trata da elaboração das demonstrações financeiras. Portanto. e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Muito embora a regra que determina a publicação das demonstrações esteja inserida em um dos parágrafos do artigo 176 da Lei das S/A. de 15 de dezembro de 1976.638/07 é expresso no sentido de que as sociedades de grande porte devem observar as regras da Lei das S/A no que tange à elaboração e escrituração das demonstrações financeiras. e da Lei no 6. determina que: Art. até pela obviedade das vantagens acima listadas. XI)Para o administrador. sócios ou representantes implementarem a escrituração através de contabilista devidamente habilitado.00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300.000. cabendo ao administrador.000. em juízo. IX)Prova a sócios que se retiram da sociedade a verdadeira situação patrimonial. 3º Aplicam-se às sociedades de grande porte. sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários.V)Evita que sejam consideradas fraudulentas as próprias falências. para os fins exclusivos desta Lei. no exercício social anterior. [06] A Lei 11. supre exigência do Novo Código Civil Brasileiro quanto á prestação de contas (art. que Altera e revoga dispositivos da Lei no 6. ativo total superior a R$ 240. do Código Cível e em outros diplomas legais. VI)Base de apuração de lucro tributável e possibilidade de compensação de prejuízos fiscais acumulados. a situação patrimonial na hipótese de questões que possam existir entre herdeiros e sucessores de sócio falecido. não há que se falar que a publicação das demonstrações financeiras esteja inserida dentro do .. Inicialmente poder-se-ia indagar da não obrigatoriedade da publicação das demonstrações contábeis. A matéria sobre o Exercício Social e as Demonstrações Contábeis está disciplina nos artigos 1. ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações.195. pois o artigo 3º da Lei 11. para fins de apuração de haveres ou venda de participação. VIII)Distribuição de lucros como alternativa de diminuição de carga tributária.638. de 15 de dezembro de 1976. a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver. sujeitando os sócios ou titulares ás penalidades da Lei que rege a matéria.000. de 28 de dezembro de 2007.404.020).

Certamente oferecerá mais elementos para reflexão dentro da polêmica instaurada.processo de sua elaboração.. vale mencionar que. b) O sistema suíço é adotado pela Inglaterra. e c) O sistema germânico é adotado na Alemanha. por quaisquer meios. estas devem seguir os parâmetros exigidos pela legislação em vigor. governos e a sociedade em geral. o suíço e o germânico. que são duas atividades completamente distintas e inconfundíveis.". institucionais e estrangeiros. informar em caráter preliminar que embora não haja menção expressa à obrigatoriedade de publicação dessas demonstrações financeiras. a) O sistema francês é o adotado pelo Brasil. embora a nova lei não obrigue expressamente as sociedades de grande porte a publicar suas demonstrações financeiras. a denominação e as regras de escrituração [08]. anterior. . a publicação ou a divulgação de tais informações. o francês. A Lei impõe o número de livros obrigatórios. consumidores. credores. mas libera o método de escrituração. especialmente perante investidores potenciais. Sem deixar de acompanhar a intensa movimentação do mercado após a edição da Lei 11. fornecedores. orienta pelo atendimento às regras de transparência já editadas. A lei impõe certos livros como obrigatórios.Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis As legislações atuais instituem três sistemas de demonstrar o exercício social e contábeis. veio a Comissão de Valores Mobiliários [07]. inclusive eletrônicos (tais como websites).Instrumentos de escrituração mercantil O mecanismo de escrituração deve obedecer a um sistema de contabilidade o qual se refere a um conjunto de elementos interconectados harmonicamente. Não obstante as considerações acima apresentadas é imprescindível destacar que. mas deixa livre a espécie destes e o método de escritura. Por fim.. empregados. é extremamente positiva.638. caso as sociedades de grande porte optem pela publicação ou a divulgação voluntária de suas demonstrações financeiras. já o menciona expressamente. de modo a formar um todo organizado visando interpretar e registrar os fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. [09] O sistema de contabilidade deverá ser mecanizado ou digitalizado por meio eletrônico. uma vez que a transparência apresenta-se como uma das medidas que mais agregam valor à empresa no campo da governança corporativa. Reconhece apenas a inexistência de menção ao verbo "publicar" na lei nova sem contestar que a lei alvo da modificação. dando norma para a representação gráfica dos mesmos. 3. Não discrepa o ente regulador do entendimento esposado neste artigo. 2. Derivará da Consulta Pública aberta até o próximo dia 25 um ato normativo para regular os efeitos da novel legislação. onde a lei obriga o empresário a ter livros. em Consulta Pública lançada no dia 14 de janeiro de 2008.

manuscritos. em livro já autenticado pela Junta Comercial. de 25 de abril de 2006 pode elaborado em: I .A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº nº 102. não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro. Fichas O Código Civil permite que os livros em papel venham a ser substituídos por fichas ou formulários avulsos ou contínuos por aqueles que adotavam escrituração mecanizada ou eletrônica (artigo 1. quando for o caso (artigo 4º. da Instrução Normativa nº 102/2006). a qual deverá ser assinada pelos mesmos signatários do termo e homologada pelo autenticador do instrumento pela Junta Comercial. de acordo com as necessidades do empresário ou da sociedade empresária. de 25 de abril de 2006. II . A numeração das folhas ou páginas de cada livro observará ordem seqüencial única. Livros encadernados são os que se costuram com maior firmeza e segurança. desde que obedeçam as formalidades legais. Existindo erro ou omissão de algum dado obrigatório do termo de abertura e/ou encerramento.conjunto de fichas ou folhas contínuas (artigo 1. sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria. Livros em papel De acordo com De Plácido e Silva a expressão livro é o vocábulo usado para designar (…) toda coleção de cadernos. do Código Civil). 3. observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade. IV . As disposições desta Instrução Normativa aplicam-se às filiais. deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência.2. no País. da Instrução Normativa nº 102/2006). em relação a um mesmo período.conjunto de fichas avulsas (artigo 1. contendo a escrituração retificada (artigo 5º. Segundo o método de sua confecção. poderá ser feita ressalva na própria folha ou página.livros em microfichas geradas através de microfilmagem de saída direta do computador (COM). geralmente duras. [10] . de mesmo número ou não. e de maior resistência. parágrafos 2º e 3º. enfeixados em capas flexíveis e de pouca resistência. mediante termo de homologação por esse datado e assinado.180). impressos. incluído na seqüência da escrituração o balanço patrimonial e o de resultado econômico.livros em papel. III . protegidos exteriormente por duas capas. os livros são brocados ou encadernados. Segundo o artigo 2º da Instrução Normativa nº 102. 3. O livro não poderá ser dividido em volumes. sendo protegidos por capas. Livros brocardos são ligeiramente costurados ou grampeados.180. no livro em papel. iniciando se pelo numeral um.180.livros digitais. do Código Civil). com sede em país estrangeiro (artigo 1º). A retificação de lançamento feito com erro. ser escriturado mais de um livro.1. sucursais ou agências. V . do empresário ou sociedade autorizado a funcionar no País. podendo.

de 15 de dezembro de 1976. ao qual deve ser atribuído o número subseqüente ao do livro diário escriturado em fichas (artigo 4º. O sistema de microfilmagem. como instrumento de escrituração. CD-ROMs e pen-drives. como instrumento de escrituração. sendo vedado o destaque ou ruptura das mesmas ou avulsas. as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. 3. Também deverão ser autenticados. com as indicações que os identifique para efeitos de controle. da Instrução Normativa nº 102/2006). Livros Digitais Segundo a Wikipédia [11] o livro digital ou E-book é um livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores. em forma de sanfona. parágrafo 1º. de 15 de dezembro de 1976. 100 da Lei nº 6. No caso das companhias abertas.398/69. aplicar-se-ão. 100 da Lei nº 6. As fichas que substituírem os livros. Serão transmitidos às juntas comerciais via Internet ou entregues em CD/DVD regravável ou em pen drives. da Instrução Normativa nº 102/2006). de acordo com as regras do IPC Brasil. da Instrução Normativa nº 102/2006). por meio de carimbo aposto em cada folha ou mediante termo próprio. (artigo 16. e obrigatoriamente autenticado em cartório. para o caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. deverão atender os requisitos constantes do Anexo I da Instrução Normativa nº 102/2006. de segurança mínima tipo A#. PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. com subdivisões numeradas mecânica ou tipograficamente por dobras. anualmente. As Juntas Comerciais deverão inserir. Pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em alguns portais de internet gratuitos. poderão ser contínuas. 3. pelo empresário individual ou pelo administrador da sociedade empresaria. inserido em cada autenticação. regulamentada pelo Decreto nº 64.3.404.4. em blocos. Os livros digitais deverão necessariamente ser assinados por contabilista. Poderá ser utilizado como sistema se houver comunicação à Junta Comercial no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o termino de cada livro ou conjunto de fichas. As microfichas. . com certificado digital [12]. Para produzirem efeitos legais.433/68. os traslados e as cópias deverão estar assinados pelo responsável da organização ou do estabelecimento detentor do filme negativo e pelo contador. selo cronológico digital. Microfilmagem É admissível a microfilmagem da escrituração. ainda.A adoção de fichas de escrituração não dispensa o uso de livro diário para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. poderá ser utilizada pelas companhias e em relação aos livros sociais de que trata o art. no conjunto de hash [13] dos livros digitais autenticados. com certificado digital de segurança mínima A#. pelas juntas comerciais. as quais serão numeradas tipograficamente (artigo 8º. observada a disciplina da Lei 5.404. apenas para os livros dos incisos I a III do art. Os e-books são facilmente transportados em disquetes. Um e-book por ser um método de armazenamento de pouco custo e de fácil acesso devido à propagação da internet nas escolas. selo cronológico digital.

Livro Razão [18] O livro Razão consiste no agrupamento de valores em contas de mesma natureza e de forma racional. 4. que incorporou as Leis nº 8. tornouse obrigatória. ainda. os lançamentos efetuados no Diário. 14. Os livros facultativos são os que o empresário e a sociedade escritura com vistas a um melhor controle sobre seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção. e nº 8.383.Espécies de Livros Empresariais Analisando as espécies de livros a partir dos manuais de contabilidade chegamos à conclusão que eles estão divididos em livros contábeis. indistintamente.218.2. [14] Contudo. livros sociais e por necessidades administrativas. e b) facultativos.1. 259. [17] Faz-se necessário demonstra a diferença entre livro Razão e o livro diário.4. art. A escrituração deverá ser individualizada. 62)". a escrituração e a manutenção do livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar. O Livro Razão é de grande utilidade para contabilidade porque registra o movimento de todas as contas. por necessidade administrativa. neste livro existe um controle individualizado para cada conta.1. onde todos os eventos passíveis de registros contábeis são efetuados. [16] Segundo informações obtidas no site da Receita Federal "a partir de 1º/01/1992. o livro Razão é escriturado em fichas. Os livros Comuns são os livros obrigatórios cuja escrituração é imposta a todos os empresários. art. sim. obedecendo-se a ordem cronológica das operações (RIR/1999. Já os livros Especiais são aqueles cuja escrituração é imposta apenas a uma determinada categoria de exercentes de atividade empresarial.1.1. Em verdade. existe uma folha de razão para cada conta.Os Livros Contábeis Segundo os manuais de Contabilidade os livros contábeis são os livros Diários e os livros Razões. Assim. 4. art. mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. de 1991. Na escrituração dos empresários e das sociedades encontramos vários livros que não são propriamente contábeis e. por conta ou sub-conta. para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. fiscais. Na Contabilidade moderna. de 1991. sociais e. Segundo Fabio Ulhoa Coelho [15] os livros empresariais obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário a sua ausência traz conseqüências sancionadoras (inclusive no campo penal). livros fiscais. 4. pelo prisma jurídico podemos afirmar que os livros empresariais se dividem em duas categorias: a) obrigatórios que se subdividem em comuns e especiais. Livro-diário [19] .

com totais não excedam o período de 30 dias.Código da conta. Já se enquadrar como a Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte terá apenas como livro obrigatório o livro-caixa.000. O livro diário deve ser encardenado com folhas numeradas seguidamente. desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados. 3º .local e data. [21] Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 6º . 8º . a legislação civil determina que apenas o livro Diário é obrigatório para todos os empresários e sociedades empresárias. devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresaria (parágrafo 2º. Para o livro-diário mecanizado são: 1º .Total do crédito. Admite-se a escrituração resumida do Diário. Os Elementos Essenciais do Lançamento no Livro Diário manuscrito são: 1º .184. que se tenham verificado na atividade empresarial. soltas ou avulsas).Histórico.conta ou contas creditadas. de uso obrigatório. o Razão. em forma de sanfona. que serve de índice ao Diário". são o Diário.conta ou contas debitadas.valor da operação e.Total do débito e. em ordem cronológica e com observância de certas regras". Segundo De Plácido e Silva [22] "os livros de escrituração. sendo que os registros deverão ser feitos diariamente. 6º .data. propriamente. a ser submetidos à autenticação do órgão competente no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). 2º .valor do débito.00 (tinta e seis mil reais) estará dispensado de escrituração por força do art. a base de toda contabilidade de um empresário ou de uma sociedade é o Livro Diário que representa o registro histórico de todos os acontecimentos de ordem empresarial. a adoção desse sistema não exclui o empresário de obediência aos requisitos intrínsecos. Este livro registra os fatos contábeis em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia.184.Segundo Sérgio de Iudícius [20] o Livro Diário é um livro no qual são registradas todas as operações contabilizáveis de uma entidade. 5º . não se . 7º . 1. 5º . O livro-diário tradicional pode ser substituído por fichas (contínuas. 2º .Total da partida dobrada. 1. Desta forma. e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação (parágrafo 1º. Os livros ou fichas (Diário) deverão conter termos de abertura e de encerramento. 3º . Se o empresário individual possuir receita Bruta anual de R$36.valor do crédito. 4º . Porém. Entretanto.nº do documento. do Código Civil).Histórico da operação.179 c/c 970 do Código Civil e pelo Estatuto do Super Simples. 1. previstos na lei fiscal e empresarial para o livrodiário. art. Quem empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário por fichas seguidamente numeradas. relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento. mês e ano. para registro individualizado. Assim. art. do Código Civil). 4º . ressalvado os sujeitos abrangidos pela Lei Complementar nº 123/06 que trata do Super Simples ou Simples Nacional.

4. O livro Balancetes Diários e Balanços serão escriturados de modo que registre (art. em forma de balancetes diários. O art. Este livro deve consignar. estabelecendo que na coleta dos elementos para o inventário serão observados os critérios de avaliação a seguir determinados: . etc. É através deles que as informações são extraídas. pelo respectivo saldo.1.o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 1.pode concordar com a indagação de que o Diário é obrigatório para todos os empresários. conferindo todos os registros efetuados pela empresa. verificar cálculos.187 do Código Civil reformulou a função do livro Registro de Inventário. Alguns cuidados e observações devem ser tomados quando nos referimos a este livro.a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis.2. o saldo anterior. 1186 do Código Civil): I . [24] De acordo com Mario Sergio Milani [25] a adoção de fichas não dispensa o livro para o lançamento patrimonial e do de resultado econômico. observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele.3) Livro Balancetes Diários e Balanços O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o Livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços. [23] 4. II .2.Os Livros Fiscais [26] Podemos classificar como livros fiscais os que se encarregam de armazenar todos os fatos relacionados com as atividades fiscais do empresário e da sociedade. mês e ano.1. os débitos e os créditos do dia e. verificar se os registros das mercadorias de entrada foram todos realizados. ou seja. no encerramento do exercício. 4. a movimentação diária das contas. Por isso que é o próprio instituidor dos livros. retificando-os ou ratificando-os conforme constatações. esse livro serve para registrar o inventário de todos os itens pertencentes ao empresário ou sociedade na data do encerramento das demonstrações contábeis. É através dos livros fiscais que o fisco verifica todas as transações dos empresários e das sociedades. Registro de Inventário Neste livro o empresário realiza o lançamento dos saldos das mercadorias e materiais não comercializados ou consumidos durante o exercício comercial. entre eles: verificar a autenticação do livro no órgão competente. destinando-se para aqueles que delas necessitarem. em ordem cronológica de dia. pois. o saldo resultante com indicação dos credores e devedores. discriminando em relação a cada uma delas. no intuito de acompanhar no dia-a-dia todas as transações realizadas pelas empresas. é através destas informações que ele exerce sua atividade de policiar parte do grandioso vulto econômico gerado pelas entidades econômicas. Um dos interessados nessas informações é o Estado.

Em uma coluna especifica. ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da empresa podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação.2. anualmente.2. e quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição. sempre que este seja inferior ao preço de custo. antes de qualquer outra verba do no exercício no livro diário. e principalmente as em regime de Substituição Tributária. III . b) os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima. Registro de Saídas . matéria-prima. IV . fixada no estatuto. previsão equivalente. 4. pela ação do tempo ou outros fatores. deve se efetuar o registro do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações (ICMS). atender-se à desvalorização respectiva. nem para as percentagens referentes a fundos de reserva. não se levando em conta os prescritos ou de difícil liquidação. quanto aos últimos. falta de registro de documento fiscal. no período antecedente ao início das operações sociais. ou pelo preço corrente.os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de realização. à taxa não superior a doze por cento ao ano. os não cotados e as participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição. devendo. ele efetivamente figura por vezes.os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição. e os bens forem avaliados pelo preço corrente. até o limite correspondente a dez por cento do capital social. se houve aproveitamento intempestivo do crédito fiscal. etc. Registro de Entradas Este livro registra todas as aquisições realizadas pelo empresário e sociedade.3. nas pequenas empresas. a diferença entre este e o preço de custo não será levada em conta para a distribuição de lucros. duplicidade de lançamentos de entradas. criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor.2. c) a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento adquirido pelo empresário ou sociedade. Entre os valores do ativo podem figurar. à sua amortização: (a) as despesas de instalação da sociedade. As principais observações realizadas neste são as referentes aos cálculos dos impostos. aproveitamento de créditos fiscais sem o documento original (quando contém apenas a xérox)." 4. bens destinados à alienação. salvo se houver. ou fabricação. [27] Segundo Cesare Vivante [28] "não é necessário que o livro de inventários forme um livro próprio e autônomo. Todas as mercadorias (gerando crédito fiscal ou não). desde que se preceda.os valores mobiliários.I . II . na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso.o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com base na respectiva cotação da Bolsa de Valores.

é nele que ficam registradas as informações correspondentes à última fiscalização. pois. Registro de Controle da Produção e do Estoque O livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque é obrigatório para as indústrias e estabelecimentos equiparados. verificar se os transportes dos livros de registro de entrada e saída estão corretos.2. Neste livro. as mesmas a serem realizadas nos livros de registros de entradas. 4. a descrição dos produtos.No registro de saídas temos os lançamentos oriundos das operações de vendas de mercadorias. resultando no montante de impostos que o empresário e a sociedade vai recolher. Livro de Movimentação de Combustível (LMC) O LMC destina-se ao registro diário. [29] 4. mistura . verificando se este é devedor ou credor.6. óleo diesel. álcool etílico hidratado carburante. os estoques de material de escritório. 4. a quantidade de mercadorias vendidas.5. ou seja. Este registro. os resultados da última fiscalização. como: a autenticação obrigatória pela autoridade competente. quando ocorrência uma fiscalização na empresa. Pelos registros de créditos e débitos que realizamos nele.2. estabelecido pelo Regulamento do IPI. com o objetivo de promover o controle de produção e do estoque. conferir os valores a serem recolhidos e as guias de recolhimento dos respectivos impostos. etc. pelo posto revendedor de combustíveis líquidos e gasosos. quais as contas que foram verificadas. bem como seus saldos. Este livro é dividido por colunas para registro da data da operação da venda. podemos apurar o saldo da conta corrente.7. Nele podem ser observadas informações como. 4. devem ser registrados pela autoridade fiscal a data. são registrados os estoques de produtos para revenda. tipos de infrações cometidas pelo contribuinte. e se o empresário e a sociedade terá imposto a recolher ou saldo a transferir ao próximo período. entre outros. Logo. dos estoques e de movimentação de compra e venda de gasolina. em contrapartida com os registros de entradas. se o empresário e a sociedade gozam de regime especial concedido ou exigido pela repartição fazendária. os livros que foram verificados. com débito do ICMS realizados pelo empresário e sociedade. bem como outras ocorrências de ordem fiscal. eventuais multas aplicadas o empresário e a sociedade. são os originários da apuração entre os débitos e créditos fiscais. Registro de Apuração de ICMS O livro de registro de apuração do ICMS é o livro encarregado da conta corrente do ICMS. o livro é utilizado para os registros de auditorias fiscais realizadas na empresa. praticamente.2. os livros examinados. Algumas observações devem ser feitas. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência Um dos livros mais importantes para a fiscalização ou auditagem de uma empresa. As observações aqui realizadas devem ser. por exemplo.2. querosene iluminante. a alíquotas do ICMS e o valor do imposto. material de limpeza e demais produtos existentes no estabelecimento.8.

na escrituração mercantil. Este livro foi instituído pela Portaria 26/92 do Departamento Nacional de Combustíveis. prorrogações e outras circunstâncias necessárias.10. d) O LALUR não precisa ser autenticado por qualquer órgão oficial. segundo o artigo 19 da Lei de Duplicatas. prevista no parágrafo 2° do art. O livro de apuração do lucro real (LALUR) [31] O livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) existe para assegurar a separação entre a escrituração comercial e a fiscal. da depreciação acelerada incentivada. necessários para a determinação do lucro real (base de cálculo do Imposto de Renda). devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários. c) manter os registros de controle dos prejuízos fiscais a compensar em períodosbase subseqüentes. despesas. encargos. da exaustão mineral com base na receita bruta. com observância das normas da legislação comercial.2. para todos os fins desta Lei. para os empresários que adotem o regime de vendas ou prestações de serviços com extração de fatura e emissão de correspondente duplicata. rendimentos. anotações das reformas. O Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil.404/76 (Lei 6. exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. serão escrituradas. b) transcrever a demonstração do lucro real.metanol/etanol/gasolina e gás automotivo. 4.404/76). No LALUR.2. participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido e que. As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar.9. bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos-base futuros e não constem da escrituração comercial. b) resultados. [30] 4. do lucro inflacionário a realizar. ajustado no LALUR pelas adições. não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. data e valor das faturas originais e data de sua expedição. desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo. todas as duplicatas emitidas. Nesse livro. sem modificação da escrituração mercantil. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração . demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares. a pessoa jurídica deverá: a) lançar os ajustes do lucro líquido do períodobase (apurado na escrituração comercial). com o número de ordem. perdas. o nome e domicílio do comprador. Deve ser autenticado pela Junta Comercial. cronologicamente. adições: a) custos. 177 da Lei n° 6. ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários. provisões. a saber: I. Registro de Duplicatas É o livro obrigatório.

3. exigidos pelo fisco da União. c)O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas". receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido e que.404/76 e também nas sociedades limitadas que tenham mais de 10 sócios e facultativo para as que tenham menos de 10 sócios. o registro de empregados. da alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. 4. usufruto. 4. os seguintes revestidos das mesmas formalidades legais: a ) Livros de "registro de Ações nominativas" para inscrição. b)O livro de "transferência de Ações Nominativas". o disposto nos números I e II deste artigo. Controle bancários. no que couber. reembolso e amortização das ações. além dos livros obrigatórios contábeis e fiscais para qualquer empresário. ou de sua aquisição pela companhia.2. Entre eles destacamos: O livro de apuração do IPI.11 Outros Livros fiscais Além desses. se tiverem sido emitidas. -das conversões de ações. b) valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do Imposto de Renda e que. do Distrito Federal e do Município. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. observando-se. pela sua natureza exclusivamente fiscal.Os livros Sociais A companhia deve ter. livro de apuração do imposto sobre serviço. -das entradas ou prestações de capital realizado. anotação ou averbação devendo conter os seguintes dados: -do nome do acionista e do número das suas ações. -do resgate. e outros. II. respeitados os limites e demais normas pertinentes.do lucro líquido e que. rendimentos. d)O livro de Atas das Assembléias Gerais é obrigatório nas sociedades anônimas como estipula o artigo 100. para lançamento dos termos de transferência. -do penhor. devam ser computados na determinação do lucro real. IV da Lei 6. fideicomisso. exclusões: a) resultados. não tenham sido computados na apuração do lucro líquido. não sejam computados no lucro real. do Estadual. em ambos. que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. existem outros livros fiscais. -das mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. de acordo com a legislação do Imposto de renda. c) compensação de prejuízos fiscais de períodos-base anteriores. em . o registro de impressão de documentos fiscais. de uma em outra espécie ou classe.

bem como o resultado dos exames trimestrais dos livros e papeis da sociedade e o estado da caixa e da carteira.404/76. do Código Civil. Nas sociedades limitadas.067 a 1. com como o parecer sobre os negócios e as operações sociedade do exercício em que servirem.062 do Códigio Civil. não se faz por meio de previsão constante do próprio ato constitutivo. 1. em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento. e)O livro de Presença dos Acionistas este livro é obrigatório para as sociedades anônimas. Neste livro se lavra a posse dos membros efetivos e suplentes do Conselho fiscal. Por outro lado.3. VII. do Código Civil). A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observada as citadas formalidades O contribuinte deverá: 1º . 1. É evidente que se a perda ocorreu por má-fé ou mero descuido do empresário. tomando por base o balanço patrimonial e do resultado econômico. por força do artigo 161 da referida lei. da Lei 6. dentro de 48 (quarenta e oito) horas. c) declarar expressamente a possibilidade ou não de se refazer a escrituração em 45 dias. ao órgão competente de Registro do Comércio.404/76. b) informar o período a que se referir à escrituração do livro. d) informar a existência ou não de débito de imposto.075. documentos ou papéis de interesse da escrituração. extravio ou inutilização de livros fiscais Ocorrendo extravio. Este livro tem como finalidade registrar os trabalhos e deliberações da assembléia de acionistas ou sócios. o número de ordem e demais características do livro. do Decreto-Lei 486/69 [32] e art. 2º .069 do Código Civil. se deixou os livros se deteriorarem por conta de circunstância evitável. 4.1. qual o período e o valor (se existir). a contar da ocorrência da seguinte forma: a) mencionar a espécie. estando previsto no art. tem conselho fiscal. ou seja.066. fichas. 264.virtude da previsão do art.Comunicar por escrito à repartição fiscal de sua circunscrição em 15 dias. previsto nos artigos 1. e de Atas das Reuniões de Diretoria este livro é obrigatório para as sociedades anônimas como se refere os artigos 100 e 149 da Lei 6. g)O livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal previsto no art. deterioração ou destruição de livros.Efetuar a imediata publicação da ocorrência em jornal de circulação em todo o Estado. remetendo cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. é facultativo. 100. aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação. é obrigatório para as sociedades anônimas que. 1. Perda. do Regulamento do Imposto de Renda. é obrigatório para as sociedades cujos atos constitutivos prevejam um Conselho Fiscal (art. não poderá jamais se escusar sob o escudo do art. 10. [33] . f)Os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração se houver. devidamente apresentado à assembléia geral. a pessoa jurídica fará publicar. que prevê para a posse do administrador da sociedade limitada quando da sua designação se faz em ato separado. e) anexar as publicações no jornal e no Diário Oficial.

VI . III . devidamente registrados na repartição fiscal do seu domicílio. quando exigido ou solicitado. os livros e documentos fiscais até que ocorra a decadência dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. XIII . 119.exibir ou entregar ao Fisco. os livros e/ou documentos fiscais. observado o disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo. em relação às obrigações acessórias relativas à confecção e manuseio dos livros fiscais: Art. comunicação contendo dados do responsável pela sua escrita contábil. . o prazo se contará a partir do último lançamento nele consignado.comunicar à repartição fazendária as alterações contratuais e estatutárias. observado o disposto no art.manter em seu poder. 120 a 122. II . encerramento ou suspensão de atividade. quando obedecido o prazo legal de escrituração. transformação.2. o prazo ocorrerá a partir da data de sua emissão. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais De acordo com o Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS.remeter à repartição fiscal de seu domicílio. bem como as mudanças de domicílio fiscal. quando de início e todas as vezes em que houver substituição. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a ocorrência do fato.escriturar os livros e emitir documentos fiscais. VII . V .4. VIII . na forma estabelecida nos arts. observado o seguinte: a) em se tratando de livros. fusão. transferência de estabelecimento. IV .3. b) em se tratando de documento fiscal. 123. São obrigações do contribuinte: I . nas operações que com ele realizar. para imprimir ou mandar imprimir documento fiscal. XI .comunicar imediatamente à repartição fiscal de seu domicílio o extravio ou perecimento de livros e documentos fiscais.inscrever-se na repartição fiscal antes do início de suas atividades. sucessão motivada pela morte do titular.solicitar à repartição fiscal competente a autenticação de livros e documentos fiscais. assim como outros elementos auxiliares relacionados com sua condição de contribuinte. cisão.exibir a outro contribuinte a FIC. incorporação. antes de sua utilização. bem como o roubo ou inutilização do equipamento ECF. observadas as disposições constantes dos Capítulos próprios deste Regulamento.solicitar autorização da repartição fiscal competente. venda.

é harmônico. da estrutura do capital e das próprias relações entre os acionistas. Art.Livros facultativos Estes livros não são obrigatoriamente exigidos pelas leis comerciais. Há livros que. voluntariamente. não se entendem nem obrigatórios nem necessários. Nesta razão. 268. e instituídos. fiscais ou trabalhistas. segundo a natureza e o volume de seus negócios. O artigo 7º do Decreto-Lei 486/69 permite ao empresário ou a sociedade empresaria qualquer livro de escrituração que julgue conveniente adotar. pois auxiliam o empresário e a sociedade empresária a melhor exercer as suas atividades. pelos empresários. E desse modo.4. 1º Os livros fiscais terão suas folhas encadernadas. não sendo obrigatórios mostram-se necessários. 2º O "visto" será gratuito e aposto em seguida ao termo de abertura lavrado pelo contribuinte. 3º Para os efeitos do parágrafo anterior. a demandar do operador do direito a percuciente análise das características do empreendimento. que serão impressos e de folhas numeradas tipograficamente. juntamente com a apresentação do livro anterior a ser encerrado. desde que não se trate de início de atividade. os livros a serem encerrados serão exibidos à repartição competente do Fisco dentro de 05 (cinco) dias.404.cumprir todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária. são os que podem ser dispensados. [34] A gravação de assembléias e reuniões e o direito de fiscalização nas sociedades anônimas Não obstante a casuística própria das sociedades anônimas. só serão usados depois de visados pela repartição do domicílio fiscal do contribuinte. em ordem crescente. à autenticação pela junta Comercial. tanto para as companhias fechadas quanto para as abertas. de forma a impedir sua substituição. O artigo 1.XV . de 15/12/1976. é inegável que a Lei n° 6. dispôs sobre o direito de fiscalização dos acionistas de forma praticamente uniforme. . parágrafo 2º do Código Civil. afirmando que o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados.179. desde que observe as mesmas exigências listadas para o livro Diário. contados da data do último lançamento 4. Os livros fiscais. desde que atendam às exigências da escrituração obrigatória.

pondo em risco o próprio direito fundamental à propriedade (Constituição Federal. reproduz. inciso XXII). também serve de princípio geral norteador da atividade econômica (art. gera perplexidades dentro e fora do Brasil. o que. tem se revelado pouco adaptado ou pouco adaptável à realidade em vigor no seio das sociedades anônimas. já foram objeto de estudo pela doutrina. 1997. senão o reconhecimento formal da necessidade de criação de instrumentos. concluindo-se que a estrutura orgânica das companhias.404. a divisão de poderes do direito constitucional. são indisponíveis. representa. ambos tomados em sua concepção mais moderna. São Paulo. não se pode esquecer que o direito. o nítido liame entre o direito societário e o direito constitucional). com o consectário de sua indelegabilidade. representando a Lei n° 6. . por seu turno. por ser uma ciência social. 5o. tem sua concepção. previsto no inciso III do aludido dispositivo legal. se aplicada à generalidade de situações. com nítidos reflexos constitucionais e infraconstitucionais. não deixa dúvida nossa Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei n° 4. não obstante os notórios avanços empreendidos nos últimos anos. de 04/09/1942. inciso II). por sua natureza fundamental. o legislador estatuiu no art. que.303.404/76 a adoção do chamado "institucionalismo empresarial" entre nós. novamente. O direito de fiscalizar os negócios sociais. Aliás. Modesto Carvalhosa afirma que os direitos individuais dos acionistas. Em tal contexto. Isto porque. de forma indiscriminada. que. com a distinção dos órgãos deliberante. ainda que mínimos. refletem a concepção política do constitucionalismo (note-se. A razão de ser dessa e de todas as demais garantias legais constituídas em prol dos acionistas minoritários não é outra. o modelo jurídico-societário brasileiro. a regra da prevalência pura e simples da vontade da maioria acionária acarretaria evidentes abusos. contra as iniqüidades próprias do nosso arcabouço jurídico e da realidade política e econômica vigente no âmbito das sociedades anônimas. Por maior que seja o apego do operador do direito e da própria sociedade aos modelos alienígenas. 109 da Lei das S/A os chamados direitos essenciais dos acionistas. de 15 de dezembro de 1976. fixados nas legislações específicas das sociedades anônimas dos diversos países. ainda é perverso no tocante aos direitos dos acionistas minoritários. Saraiva. 5o). a mais significativa contrapartida ao princípio geral e inarredável de que o acionista deve submeter-se à vontade da maioria. como se sabe. por influências políticas diversas. particularmente aqueles introduzidos pela Lei n° 10. talvez. aliás. Não se pode negar que o sistema jurídico pátrio construído em torno das sociedades anônimas. não raro. com o predomínio da maioria em detrimento da minoria (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas: Lei n° 6.Em garantia da higidez e da própria coerência lógico-jurídica da existência e do funcionamento das sociedades anônimas.657. no direito privado. evolução e aplicação necessariamente jungida à realidade social vigente. de 31/10/2001. conforme. as convergências entre as sociedades anônimas e o Estado. volume 2). art. 170. art. executivo e fiscalizador.

. Porto Alegre. c/c arts. inciso XIV)." (Acionista Minoritário na Sociedade Anônima: Direito de Fiscalização: Uma Abordagem Não-Dogmática. (. é fundada no interesse público e na função social das sociedades anônimas (Lei n° 6. 116. e a garantia de que o acionista deve ser tratado..404. inciso XXIII. embora não estejam expressamente previstos no texto constitucional. o tratamento isonômico ao acionista minoritário. na ordem econômica. São inseparáveis os direitos individuais dos acionistas – minoritários em especial – dos direitos fundamentais previstos na Constituição. 5o. qualquer disposição legislativa que trate sobre sociedades privadas – não é dado o privilégio de estabelecer critérios de participação acionária ou de dispor sobre decisões intersócios em prejuízo dos princípios e regras constitucionais reservadas à proteção dos direitos pessoais. conclui-se que todos os sócios de uma sociedade por ações encontram-se em pé de igualdade em termos de direitos e obrigações.) Em virtude da proteção aos direitos individuais dos acionistas. fundado.. sendo as assembléias gerais a sede própria ao exercício desse direito essencial. o direito de informação (art.) Estabelecidas as regras que guarnecem o direito essencial do acionista de fiscalizar o andamento dos negócios sociais. como visto. bem como no próprio respeito ao exercício pleno dos direitos e garantias individuais previstos na Carta Magna. 5o. temos que qualquer alteração neste lineamento contraria disposições constitucionais. Carlos Alberto Benke. previstos na legislação societária. inciso III..Exsurge desse quadro de desigualdade existente entre acionistas controladores e minoritários a imperiosa necessidade de intervenção estatal para atenuação das diferenças. sendo este (direito essencial legalmente previsto) equiparado aos direitos individuais políticos. ainda. O direito de fiscalização vem a ser. o principal instrumento de defesa do acionista minoritário. entre eles o direito de igualdade (art. (. Esta é a gênese de um direito societário efetivamente protetivo dos interesses econômicos. no exercício da fiscalização. Tal intervenção. que tem por função precípua ensejar a formação da vontade social. 5o. 5o. Livraria do Advogado. 2003). e para que elas se desenvolvam validamente e objetivem os seus fins há de ser observado o denominado método assemblear. em tal contexto. art. da Constituição Federal). em bases constitucionais: "À lei das sociedades por ações – e de resto. de 15/12/1976. § 2o). seja esta modificação decorrente da manifestação legislação ou mesmo de atitudes dos acionistas detêm o controle/administração da sociedade. 5o. não podem ser dela excluídos. políticos e sociais dos investidores. e 170. sendo aqueles inspirados nestes. parágrafo único. na esfera judicial. quando decorrentes do regime e dos princípios adotados pela própria Constituição Federal (art. caput). que pode se dar no âmbito legislativo ou.. fortalecidos pela ampliação que se faz da aplicação dos direitos fundamentais constitucionais. em sendo necessário. com a dignidade reclamada na Constituição em dois dispositivos e. inciso XXII) e outros que. o direito de propriedade (art.

art. cit. não admitindo. figurando no elenco dos direitos e garantias fundamentais (Constituição Federal. sejam opostas às exceções de irregularidade e de nulidade pelos acionistas." (sic) (op. de imposição feita pelos acionistas controladores em detrimento dos minoritários. § 1o. abalando o pilar do princípio documental da assembléia: "O direito vigente também se filia ao princípio documental da assembléia. pois. 109. art. a terceiros. como se sabe. a ata instrumento de certeza jurídica. a deliberada e sistemática adoção de práticas cerceadoras das atividades dos Conselhos Fiscais e de Administração no desempenho das suas funções fiscalizadoras. por meio destes. 127) e na ata da reunião dos acionistas. ao colégio acionário e. A absoluta relevância das atas assembleares pode ser aferida à luz da lição de Modesto Carvalhosa: "A ata. baseado na lista de presença (art. da Lei das S/A. aliás. 187). portanto. A adoção de atas sumárias nas assembléias gerais. 130. que devem constar dos livros próprios (art. por exemplo. que acarreta verdadeira incerteza jurídica. ademais. bem como o exercício do contraditório em relação às matérias debatidas para a formação da vontade social. após publicada. esse documento da assembléia que. evidencia a gênese constitucional dos direitos dos acionistas. em particular o de fiscalização da gestão dos negócios sociais. Constitui. tem status constitucional. 100). os respectivos assentamentos em documentos ou folhas apartadas o soltas. muitas das vezes com o objetivo de escamotear a verdade e omitir as minúcias das questões postas em debate nos conclaves.) E é em razão da relevância das atas das assembléias que o mesmo autor é crítico ferrenho da adoção da forma sumária. 5o.Requisito essencial do método assemblear é que seja assegurado ao acionista a plena informação sobre os assuntos a serem deliberados. constitui uma dessas práticas contrárias à governança corporativa. o que. embora expressamente autorizada pelo art. na medida em que registra as deliberações e a vontade social. da Lei das S/A. O contraditório. de instrumento ao abuso de direito previsto na lei civil (Código Civil. inciso LV). novamente. O desvirtuamento de todos os princípios e regras legais e constitucionais aqui invocados pode revelar-se por vários meios. possibilita o controle da legalidade e legitimidade da sua instalação e das deliberações havidas. previsto no art. servindo. em regra. portanto. motivo suficiente em si mesmo para ensejar a anulação das deliberações assim viciadas. como documento necessário da sociedade anônima. não por acaso. Tal a importância atribuída pela lei à observância do direito essencial de fiscalização do acionista que o seu descumprimento é. as deliberações e a vontade majoritária. permitindo assim que seja ela oponível aos demais órgãos sociais e. Permite. Decorre ela. inciso III. por exemplo. . relacionado com os trabalhos da assembléia geral. entre elas. contra a instalação. presentes e ausentes.

A adoção.. expediente de perpetuação do grupo controlador. Assim. A lei mantém o regime de publicidade. (op. já que se submetem os trabalhos à censura prévia dos controladores (. eventualmente. É princípio fundamental dever a ata ser redigida de maneira que permita àqueles que dela não participaram do conclave e à Justiça apreciar os fatos que ocorreram na assembléia geral. à luz dos direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal e também em consonância com o direito essencial de fiscalização garantido pela Lei das S/A. ao instituir a ata sumária. durante a tramitação do projeto e agora. por um dos grandes comercialistas brasileiros." (op.. que decidirão em causa própria ou na dos administradores por ele eleitos. igualmente. não só adota a forma sintética como exacerba profundamente esse regime. da ata sumária. estão.E quanto ao regime de declarações da ata.. sem dúvida. cit. após a promulgação da lei. grifos nossos) E arremata.. na medida em que não podem os sócios. de preceito lesivo aos interesses dos acionistas minoritários. Quando a ata não for sumária – e somente nesta hipótese -. assim. a gravação magnética dos conclaves revela-se. lapidarmente: "Em uma lei que se arvorou em defensora das minorias. depende de decisão dos controladores. em cada assembléia. ao sonegarem o registro e a publicação das manifestações minoritárias. a própria derrogação daquelas. temos que a ata. 153] A lei vigente traz outra inovação. ainda que sinteticamente. na medida em que este passa a ter poderes legais de censura sobre as manifestações dos minoritários. a ata sumária representa. porém com essas restrições que impedem que a ata reflita. A ata sumária constitui. grifos nossos) Diante desse contexto. . poderá ser lavrada sem que dela conste o inteiro teor dos protestos e representações de acionistas. op. poderá a administração publicar apenas o seu extrato. aglutinar outros acionistas na defesa do interesse social. cit. [especificamente Waldirio Bulgarelli.). como um legítimo instrumento de defesa dos acionistas minoritários contra arbitrariedades. na realidade. p. por deliberação majoritária. contrariando aquele interesse. Trata-se. discordantes valer-se do regime da publicidade para manifestar seus pontos de vista e. os trabalhos da assembléia. Pergunta-se em que ponto a ata sumária supressora da manifestação dos acionistas minoritários pode atender ao interesse social. pois. A iniqüidade desse sistema de ata sumária foi reiteradamente apontada. Tal expediente atende apenas aos interesses dos controladores que. o qual sequer depende de autorização assemblear ou tutela jurisdicional específica para ser colocado em prática. cit. O princípio da informação torna-se relativo..

338-8-RJ. a gravação dos debates e das deliberações ocorridas no âmbito de qualquer órgão societário traz o benefício da certeza jurídica. Além disto. a escuta clandestina e o constrangimento físico ou moral na obtenção de confissões ou depoimentos testemunhais. Verifique-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ministro que a gravação telefônica autorizada ou feita por um dos interlocutores. é absolutamente legal e legítima. A gravação explícita de conversa. os Tribunais brasileiros têm-se orientado. a quebra de segredo profissional. assumindo. Tal não se verifica. em 11/03/98. em que o direito reconhecido vem a ser o de fiscalização dos negócios sociais pelo acionista. no julgamento do HC n. portanto. Entende-se que o direito à privacidade é sacrificado em prol da legítima defesa ou de outra excludente de antijuridicidade. é albergada por excludente de ilicitude quando há investida criminosa desta última. elemento fundamental à implementação do princípio documental inerente a tais atos coletivos.Isto porque dita gravação. O Excelso Pretório. situado fora do campo das provas ilícitas. a invasão domiciliar. na hipótese de gravação dos conclaves realizados no seio das sociedades anônimas. a subtração de documentos. gerando direito subjetivo passível de ampla proteção. sem o conhecimento da outra parte. entretanto. A gravação implícita ou explícita de assembléia geral ou de reunião do outros órgãos societários de natureza colegiada (conselho de administração e conselho fiscal) insere-se no âmbito das gravações privadas de conversas entre pessoas. podendo-se inserir nessa espécie a gravação de assembléias gerais de acionistas e reuniões de conselho de administração e de conselho fiscal. No tocante à interceptação telefônica. não merece análise no campo das provas ilícitas. Nessas hipóteses a gravação não configura o exercício regular de um direito reconhecido. manifestado no julgamento do HC 74. Dito voto tratou especificamente da situação em que um indivíduo realiza gravação telefônica sem o conhecimento do seu interlocutor. Naquele caso. pelo entendimento inaugurado no voto paradigmático do Ministro Nelson Jobim. por decorrer de direito subjetivo do acionista. Sr. entendeu o Exmo. assim se posicionou: . a violação do sigilo epistolar. praticados com o objetivo de produção de prova. modernamente. viés inteiramente diverso. ainda que realizada sem o conhecimento e consentimento dos demais presentes às assembléias gerais. com apoio na doutrina de Vicente Greco Filho. com o exclusivo intuito de documentar seu conteúdo (princípio da certeza jurídica). 75. não podendo se orientar pelos mesmos fundamentos de direito que norteiam a controvertida interceptação telefônica. teremos como exemplos de atos contrários ao direito. Reputando-se ilícita a prova obtida através da violação do ordenamento jurídico. previsto na Lei das S/A e cuja gênese está nos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal. entre outros.678-1.

dado que não há. não se confunde com a ilicitude.) a gravação unilateral feita por um dos interlocutores com o desconhecimento do outro. Assim. nenhuma lei que impeça a gravação feita por um dos interlocutores de uma conversa. nesse caso. 153 do Código Penal e art. conflito de valores dessa ordem. RT. portanto.) Em nosso entender. por exemplo. 5º da Constituição e sua licitude. sobretudo. . não é interceptação nem está disciplinada pela lei comentada e. pois. à excelente obra de Luiz Francisco Torquato Avolio (Provas Ilícitas. do mesmo modo que no sigilo de correspondência. aliás. Ocorrendo. é a divulgação da conversa sigilosa. futuramente. os quais estão liberados se há justa causa para a gravação. a gravação clandestina é de se reputar lícita. bem como a da prova dela decorrente. o sigilo existe em face dos terceiros e não entre eles."(. como estado de necessidade e a defesa de direito. admissíveis no processo. dependerá do confronto do direito à intimidade (se existente) com a justa causa para a gravação ou interceptação. A clandestinidade. que intercepta conversa de umas pessoas. Neste caso. o direito de defesa. São Paulo. A ‘justa causa’ é exatamente a chave para se perquirir a licitude da gravação clandestina. tornando ilícita a prova decorrente. os seus titulares – o remetente e o destinatário – são ambos. a vida. E. dentro das excludentes possíveis. independentemente do fato de a exceção à regra da inviolabilidade das comunicações haver sido regulamentada. a integridade física. O que a lei penal veda. sem justa causa.." (grifo nosso) Concluiu o autor que o sistema brasileiro é similar ao italiano. é de se afastar – frise-se – o direito à prova. Isso porque." O Ministro Carlos Velloso. que afirma: "Observa-se que a jurisprudência. o próprio direito à intimidade e. mas no ambiente). Qualquer pessoa tem o direito de gravar a sua própria conversa. também inexiste tipo penal que a incrimine. a liberdade. da gravação que se faz para documentar uma conversa entre duas pessoas. na ordem jurídica brasileira. ambas as situações (gravação clandestina ou ambiental e interceptação consentida por um dos interlocutores) são irregulamentáveis porque fora do âmbito do inciso XII do art. no julgamento da Ação Penal n° 307-3-DF. na sua fundamentação. que se insere entre as garantias fundamentais. o que as torna." O mesmo acórdão faz alusão expressa. assim se pronunciou: "Faço distinção entre gravação efetuada por terceiro. tanto no processo criminal como no civil.. inclusive para documentar o texto dessa conversa. ainda não assimilou bem o conceito de gravação clandestina. haja ou não conhecimento da parte de seu interlocutor. de modo geral. (. não tenho como ofendido preceito constitucional e nem tenho como ilícita a prova. Os interesses remanescentes devem ser suficientemente relevantes para ensejar o sacrifício da privacy. nos moldes da disciplina da exibição da correspondência pelo destinatário (art.. "onde a tutela do sigilo das comunicações não abrange a gravação clandestina de conversa própria.. chamada por alguns de gravação clandestina ou ambiental (não no sentido de meio ambiente. 233 do Código de Processo Penal). 1995).

0004503-9): "Considero que. seja com o uso de meios eletrônicos." O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também já se pronunciou em linha com o entendimento majoritário: "EMBARGOS DO DEVEDOR. Não se procede à impugnação ao valor da causa se não observado o rito determinado pelo art. Não configura prova ilícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. o que configurará. observado o art. Agravo de Instrumento. não é ilícita a sua admissão pois não atinge princípio constitucional. seja pessoalmente. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Decisão que se reforma. de que a conversa está sendo gravada. Não se admitirá a divulgação. arrisca-se a ver a mesma divulgada.) Nenhum homem de bem gravará uma conversa que tenha tido com outrem. 261 do CPC. NÃO CONFIGURAÇÃO. quando alguém mantém determinada conversação. Prova consistente em gravações magnéticas Possibilidade.15158 Data de Registro : 26/03/2003 Órgão Julgador: QUARTA CAMARA CIVEL DES. Prova. cujo grau de censurabilidade não chega a tornar ilícita a prova.(. Generalizar a proibição é que não me parece adequado.. SIDNEY HARTUNG Julgado em 11/02/2003" "SEPARAÇÃO JUDICIAL. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO . Não há proibição legal. Se a prova se limita à reprodução de diálogos entre as partes. quando muito. uma inconfidência. 383 do CPC. sem justa causa. como se pode ver no voto do Ministro Cláudio Santos proferido no Recurso Especial nº 9. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. 740 do CPC. RECURSO IMPROVIDO. em regra. Citação do embargado. DESPACHO SANEADOR. " No Superior Tribunal de Justiça encontra-se pensamento idêntico. Embargos do Devedor. Mas a questão fica no campo ético.002. de fatos que digam com a privacidade das pessoas. PRODUCAO DE PROVA.. ILICITUDE DA PROVA. incidental. e diante da norma contida no art. Desnecessário que conste expressamente da inicial dos Embargos a citação da outra parte. Caberá ao juiz avaliar. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO Número do Processo: 2002. Precedentes. sem que dê conhecimento ao seu interlocutor.012-RJ (91. dado o seu caráter.

incidindo os juros iguais do contrato.SÃO FERNANDO PATRIMONIAL LTDA. JUROS CONTRATUAIS. LITIGANCIA DE MÁ-FÉ. CONFIGURACAO. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. Litigância de má-fé caracterizada. ao invés de uma cobertura. Devida a indenização fundada no dano moral.002. PROVA PERICIAL. ILICITUDE DA PROVA. Código de Processo Civil. DANO MORAL. PEDIDO DE RESCISÃO. Ementário: 24/2002 . mas simplesmente de reprodução de conversa mantida pelas partes e gravada por uma delas. mediante instrumento particular de incorporação imobiliária. 23 . corrigidos monetariamente. CARACTERIZAÇÃO. MARIA AUGUSTA VAZ Julgado em 09/04/2002" "PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. ADMISSIBILIDADE.12197 Data de Registro : 13/08/2002 Folhas: 140991/141002 Comarca de Origem: CAPITAL Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL Votação : Unânime DES. PROVA.Número do Processo: 2001. Não se cuidando de interceptação de conversa telefônica ou de outro meio ilegal ou moralmente ilícito. VISANDO DESCONSTITUIR NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA EM NOME DO VENDEDOR E QUE SE ENCONTRA EM SEU PODER .14672 Data de Registro : 12/06/2002 Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL DES. (FJB) Partes: JORGE JOAQUIM DE ALMEIDA E S/M . RECURSO PROVIDO. INSTRUMENTO PARTICULAR. há de ser esta gravação admitida como prova em juízo.AÇÃO ORDINÁRIA. Provimento do apelo. PROCESSO CIVIL . Restituição integral dos valores pagos. NOTA PROMISSÓRIA. PAULO SERGIO FABIÃO Julgado em 16/10/2001" COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. de cobertura localizada na Barra da Tijuca.29/08/2002 Tipo da Ação: APELAÇÃO CÍVEL Número do Processo: 2001. Civil. a partir de cada reembolso. CORREÇÃO MONETÁRIA. INDENIZACAO. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. Gravação feita por quem participou da conversa gravada. FITA MAGNÉTICA. Entrega pela construtora de apartamento duplex. RESTITUIÇÃO DAS MPORTÃNCIAS PAGAS. Rescisão do contrato por inadimplemento.N.001. Promessa de compra e venda de imóvel. independendo a admissibilidade da referida prova do conhecimento de sua formação pela outra parte. a teor do artigo 383.

LIMITANDO-SE O ENVOLVIMENTO AS PRÓPRIAS PARTES. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. ainda que sem o consentimento dos demais. . mormente quando dita gravação tem por escopo prevenir ou registrar eventuais abusos ou violações do direito. Apenas o uso indevido dos dados gravados é que poderia caracterizar a quebra desse sigilo. DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. ainda assim.CORREÇÃO DA DECISÃO HOSTILIZADA JÁ QUE NÃO SE TRATA DE PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO. ATO ENVOLVENDO APENAS AS PARTES. DESPROVIMENTO DO RECURSO. NA RECLUSÃO TÍPICA DE CONSULTÓRIO MÉDICO. NÃO É CONSIDERADA ILÍCITA PROVA RESULTANTE DE GRAVAÇÃO DE CONVERSA REALIZADA POR UM DOS INTERLOCUTORES REVELANDO-SE IRRELEVANTE A CIRCUNSTÂNCIA DE SER A GRAVAÇÃO FEITA FURTIVAMENTE.002. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. MARIA HENRIQUETA LOBO Julgado em 14/09/1999" Pode-se concluir.PROVA PERICIAL DEFERIDA.0632 Data de Registro : 26/10/1999 Órgão Julgador: DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL DES.RECURSO IMPROVIDO. a única restrição que se poderia fazer é a que abriga o interesse da companhia em preservar o sigilo de seus negócios. pela absoluta licitude e constitucionalidade da gravação de reunião por um dos interlocutores. a garantia da legal da reparação dos eventuais danos. LICITUDE E VALIDADE. são passíveis de composição pelo direito comum. sempre. Número do Processo: 1999. PRODUÇÃO DE PROVA AUDITIVA CONSISTENTE NA REPRODUÇÃO DE FITA CASSETE. SEM INTERFERÊNCIA DE TERCEIROS. GAMALIEL Q. DE SOUZA Julgado em 21/11/2000" "AGRAVO DE INSTRUMENTO. MAS DE CONVERSAS A RESPEITO DO NEGÓCIO . NO SENTIDO DE APURAR AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS DAS PARTES ENVOLVIDAS NA TRANSAÇÃO . tendo a companhia e todos os seus acionistas.002. portanto. INOCORRÊNCIA DO COMPROMETIMENTO À PRIVACIDADE ASSEGURADA NO TEXTO CONSTITUCIONAL.09608 Data de Registro : 04/01/2001 Órgão Julgador: DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CIVEL DES. RELATIVAS AO NEGÓCIO. No campo do direito societário. Número do Processo: 2000. que subsistem no campo meramente hipotético e.. tal interesse não resta atingido pelo mero ato de gravação de uma reunião ou assembléia em que tais assuntos sejam tratados. No entanto.

Caso exista irregularidade na convocação da assembléia. Legitimação ativa e passiva. INTRODUÇÃO A assembléia da sociedade anônima é a reunião dos acionistas da companhia que tem por objetivo deliberar sobre o desenvolvimento das atividades empresárias. Considerações preliminares.Não pode ser esquecido. no que diz respeito à convocação. tornando incabível sua limitação por deliberação majoritária dos presentes. Espécies de Assembléia. 3. 5. ainda. para melhor compreensão do assunto. prevê que “a assembléia geral. 6. por fim. Como conseqüência da interpretação da referida norma. 7. não se tratando de ato próprio do respectivo conclave. é preciso tecer algumas observações. ou na hipótese de sua instalação ocorrer sem a presença do quorum legal mínimo. Formalidades para convocação. à instalação e à realização do conclave. Modalidades de Vícios – Causa de Pedir. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Antes de adentrarmos no exame do ponto central do estudo. 1 A AÇÃO DE ANULAÇÃO DE DELIBERAÇÃO DE ASSEMBLÉIA NA SOCIEDADE ANÔNIMA Guilherme Carvalho Monteiro de Andrade* Sumário: Introdução. Procedimento. ou mesmo da companhia. decidem quais serão os rumos da companhia. ou. Prescrição. tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento”. Pedido. para que não seja impugnada e para que suas deliberações . Conclusão. a deliberação tomada ou todo o conclave poderão ser invalidados judicialmente. o objeto do presente artigo. da LSA. 8. 2. 1. 1. por exemplo. Nesse encontro os acionistas tomam conhecimento dos assuntos ordinários e extraordinários relativos aos negócios sociais e. portanto. instalação e realização. convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto. A análise desses vícios e das questões que envolvem a ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) será. após o debate acerca das questões colocadas em análise. O artigo 121. se algum acionista votar contrariamente aos interesses da companhia. que o direito subjetivo à gravação de uma assembléia ou reunião por qualquer dos presentes consubstancia ato pessoal e individual de quem está executando a gravação.404/76 (LSA). como órgão social. 4. percebe-se que a assembléia deve respeitar aspectos legais e estatutários. A validade da assembléia exige a observância de alguns aspectos formais e materiais estipulados na Lei nº 6.

quanto à sua competência e funções. As assembléias gerais ordinárias devem ser realizadas nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social. sendo a sua finalidade precípua (i) tomar as contas dos administradores. 3 1 LSA. 5. 2. debate e votação de cada matéria colocada em pauta. 1999. São Paulo: Saraiva. por qualquer outro”1. composto pela exposição. que ela deverá tratar das matérias .Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos. Rio de Janeiro: Forense. da LSA. ampl. de 15 de dezembro de 1976.404. 2 * sejam consideradas válidas. p. adaptada à lei nº 9. cada qual tratando de matéria própria. somando suas vontades individuais.. v.05. se for o caso. 122. citando Constans. v. Como ensina Aloysio Lopes Pontes. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6.3 É a assembléia. ESPÉCIES DE ASSEMBLÉIA Existem dois tipos de assembléia. que não pode faltar em nenhuma companhia.4 No que diz respeito à AGE. realizam os contratos mais importantes que afetam a sociedade ou aqueles outros que. definida em lei. Aloysio Lopes. também se revela importante consignar que a assembléia geral é “um órgão necessário.457. 510. por sua condição legal. A assembléia é o instrumento pelo qual os acionistas decidem sobre quaisquer negócios relativos à companhia. a assembléia é o poder legislativo da sociedade. deliberando sobre demonstrações financeiras apresentadas. então. 131. 2. de 06. não os podem realizar os administradores’. nem ser substituído. prevê o art. a fim de alcançar a formação da vontade da sociedade (da coletividade de acionistas). cujo poder não deriva de nenhum outro órgão da sociedade. rev. 83. De outro lado. 1998. as ordinárias (AGO) e extraordinárias (AGE). As demais atribuições das assembléias gerais ordinárias estão enumeradas pelo art. p. ed. da CARVALHOSA. vez que se trata de órgão de deliberação. Modesto. Mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos. A deliberação tomada em assembléia configura um processo complexo. que não tem poderes para representar a companhia (somente a diretoria poderá fazê-lo). (ii) decidir sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos e (iii) eleger administradores e membros do conselho fiscal.1977. 2. A assembléia é um órgão interno e soberano2. reformam-nos. 2 Obra citada na nota anterior. pois é ela é que faz os estatutos. 3 PONTES. que representa a vontade coletiva manifestada pela expressão individual dos titulares de ações. Advogado. ‘que são as leis da sociedade. Sociedades anônimas. talvez o órgão mais importante da administração da companhia.

reformar o estatuto social. que detenham. não pode o estatuto. Além disso.não atinentes à AGO.autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. da LSA. No caso de o órgão ou de as pessoas encarregadas pela convocação não se desincumbirem dessa obrigação dentro do prazo estabelecido pela lei ou pelo estatuto. v. eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas. destarte. sua dissolução e liquidação. além do local. a indicação da matéria” (art. fixando os prazos previstos para que se realize o chamamento aos acionistas. a menos que a lei o autorize5. contendo. II . Parágrafo único. Compete privativamente à assembléia-geral: I . ressalvado o disposto no § 1º do art. e.eleger ou destituir. V . delegar atribuição da AGO para outrem. Em caso de urgência. para que seja reputada válida. seja ele . ressalvado o disposto no inciso II do art. 142. convocando-se imediatamente a assembléia-geral. com a concordância do acionista controlador.tomar.suspender o exercício dos direitos do acionista (art. 3. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas.deliberar sobre transformação. e IX . “a convocação far-se-á mediante anúncio publicado6 por 3 (três) vezes.deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social. que compete ao conselho de administração ou aos administradores a convocação da assembléia geral. Em outras palavras. “Art. VII . o Legislador estabeleceu como competência indelegável da AGO algumas matérias consideradas essenciais à vida da companhia.autorizar a emissão de partes beneficiárias. VIII . VI . Assim. INSTALAÇÃO E REALIZAÇÃO Dispõe o art. Com esta distinção. as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas. significa dizer que. 5 A propósito. para manifestar-se sobre a matéria”. ou por acionistas minoritários. 122. no caso de reforma do estatuto. da LSA). 123. se houver. 120). os administradores e fiscais da companhia. tampouco qualquer outro órgão da companhia. 2. a convocação deve ser realizada pelo órgão ou pessoa competente. no mínimo. anualmente. 519-520. pelo menos. data e hora da assembléia. se a lei não definir a atribuição para a AGO. a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores. o chamamento poderá ser realizado por qualquer acionista. será fundamental para o exame das hipóteses em que a deliberação tomada em assembléia (ou todo o conclave) pode ser invalidada por algum acionista. incorporação e cisão da companhia. a competência será residual da AGE. Esta diferenciação.autorizar a emissão de debêntures. 59. 4 4 Lado outro. Modesto Carvalhosa defende essa posição. é preciso preencher o quorum mínimo de instalação da assembléia. p. IV . 5% (cinco por cento) do capital social ou votante. FORMALIDADES PARA CONVOCAÇÃO. conforme o interesse da convocação. III . se decorridos mais de 60 (sessenta) dias. a ordem do dia. a qualquer tempo. citando ensinamento de outros autores. fusão. Logo. 124.

também é necessário que o quorum de deliberação respeite a disposição legal (arts. da LSA. por força de violação da lei ou do estatuto. 289. bem assim que a assembléia seja competente para deliberar sobre a matéria constante da ordem do dia. o desrespeito às disposições legais e estatutárias confere aos acionistas o direito de insurreição. os vícios que podem acarretar a anulação de assembléia subdividem-se em três espécies: a) vício da própria assembléia – que pode ter sido irregularmente convocada (ou mesmo.A. 127 a 129. a realização da assembléia deve respeitar um ritual próprio. 126. os vícios dizem respeito às próprias deliberações assembleares. definido pelos arts. a assembléia poderá ser anulada. a faculdade de pleitear judicialmente a anulação dessa assembléia irregular (ou da deliberação inválida). visando especialmente a proteção de seu interesse particular ou a defesa da companhia. Logo. com violação da lei ou do estatuto. c) vício de voto – um ou alguns dos votos que concorreram para a formação da deliberação (ou mesmo todos eles. Noutra banda. da LSA). não convocada) ou instalada. ou de violação do disposto nos §§1ºs. FRANÇA. MODALIDADES DE VÍCIOS DAS ASSEMBLÉIAS – CAUSA DE PEDIR Para melhor compreensão da ação de anulação de assembléia. 5 Em relação à distinção transcrita acima. ainda. a menos que nela comparecerem todos os acionistas detentores de ações com direito a voto. Invalidade das deliberações de assembléia das S. que a identificação precisa do tipo do vício será fundamental para que o acionista possa utilizar-se da correta ação de anulação de assembléia. Novaes. como já foi visto anteriormente. da LSA. 85. todas ou algumas delas apenas. em alguns casos). p. 228). 115 e do art. 136. da LSA) ou para questões que exijam número de presentes qualificado (art. que podem ter sido tomadas. Há casos em que toda a assembléia poderá ser invalidada. ou simulação (ou. atingirá todas as deliberações que nela forem tomadas. para que o conclave seja reputado válido.7 6 Conforme regra constante do art. hipótese em que o vício. em primeiro lugar. do art.. da LSA) e estatutária. é preciso consignar. podem ter sido viciados em razão de erro dolo. é mister trazer à baila uma separação dos vícios feita por Erasmo Valladão Azevedo e Novaes França. 4. obviamente. b) vício das deliberações – nessa hipótese. 134. São Paulo: Malheiros Editores. ou somente parte das . 7 AZEVEDO. Ademais. 1999. Se alguma dessas formalidades não for observada. Como ensinam os referidos autores. 129 e 136. Erasmo Valladão. fraude. ou no § 2º do art.relativo às matérias comuns (art. em virtude da incapacidade dos votantes. pela sua didática e simplicidade.

se restar presente o vício de voto oriundo de coação. quando lhe couber intervir11. 10 Ao ensejo. dependendo da espécie de vício ocorrida. Osmar Brina. Belo Horizonte: Del Rey.913/89 dispõe sobre a ação civil pública de responsabilidade por danos causados aos investidores do mercado de valores mobiliários – conferir. Na hipótese da ação de anulação da assembléia (ou de alguma deliberação). Daí porque será necessário que se analise o caso concreto com muito cuidado. de 06. Confira-se pág. rev.1977. 5. v. ainda. a doutrina mais avisada defende a hipótese de ser possível anulação de assembléia. inclusive. 120. Em qualquer um desses casos. 12 Aloysio Lopes Pontes defende o contrário. sob pena de sua pretensão ser rejeitada pelo Judiciário. 168. LEGITIMAÇÃO ATIVA E PASSIVA No que diz respeito à legitimação ativa para a utilização da ação de declaração de nulidade de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). 2005. 5. colacionado escólio de abalizados autores. a declaração de nulidade do ato inquinado. em regra. 3. A propósito. p. mesmo aqueles que votaram favoravelmente à deliberação inquinada pelo vício que se pretende combater12. “qualquer interessado” ou o Ministério Público10. citando Miranda Valverde.05. ou pela ação de anulação (total. ampl. confira-se Modesto Carvalhosa. 2. 432. 286. devem ser combatidos com rigor. verificar norma contida no art. o autor da referida ação declaratória deverá demonstrar o Nesse sentido. O pedido dessa ação será. CORRÊA-LIMA. identificando-se o vício que se pretende atacar. em julgados que colaciona a seu trabalho. da LSA9. a propósito. então.457. em razão disso. quando esse voto concorrer para a formação da maioria no conclave8. 1999. estará legitimado a buscar a declaração de nulidade qualquer acionista. outra situação não prevista claramente na Lei de S/A diz respeito aos casos em que o vício verificado na assembléia é tão grave. na medida em que os efeitos dessa mácula são extremamente graves e. Fora isso. Nessas hipóteses. v. fundamentando-se. que atente contra a ordem pública ou contra os bons costumes. ou parcial) da assembléia realizada pela companhia. por sua vez. p. 4. 106 e seguintes da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. que infrinja direito de terceiros. Rio de Janeiro: Forense. 6 8 seu interesse de agir13. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. somente do acionista que votou contrariamente à . a mácula representa a nulidade do ato. adaptada à lei nº 9. 9 Azevedo e França defendem essa posição. no regime de anulabilidade estabelecido pelo art. poderá ser autor da demanda neste caso.. 11 A Lei nº 7. embora não conste da Lei de S/A expressamente. Sociedade anônima. da obra Sociedades anônimas.deliberações tomadas no conclave. para definir pela ação declaratória de nulidade do ato.. não se enquadrando. ed. Além dessas pessoas. do Código Civil de 2002.A. a legitimação ativa ad causam será. 410. ed. rev. conferir págs. e atual. Ademais. assim. ou.

que o início desse prazo não poderá ser a data da publicação. do acionista que ingressou na companhia depois de tomada a deliberação. a companhia será a parte legitimada para responder à ação de declaração de nulidade ou à ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). Haverá casos. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. irregularmente convocada ou instalada. 7 13 E assim defendem esses autores. em litisconsórcio com a companhia. citando outros autores. dolo. violadoras da lei ou do estatuto. com base na interpretação sistemática da Lei de S/A. Logo. 14 Obra de Azevedo e França. PRESCRIÇÃO Conforme previsão contida no art. se o acionista que tiver votado favoravelmente ao ato que se pretende anular tiver agido impulsionado por algum vício de consentimento. 285 e 287. ou eivadas de erro. na medida em que os arts. 4. assunto que se revela demasiadamente tormentoso e.deliberação que se pretende anular ou àquele que se absteve de votar no conclave. v. nos quais o acionista que tiver cometido abuso no exercício do direito de voto poderá ser incluído no pólo passivo da demanda. será reservado para outro artigo. do usufrutuário em relação ao nu-proprietário da ação. 15 A propósito. Contudo.. se houver pedido de ressarcimento de danos formulados contra ele. . 421-422. 6. Noutro giro. Azevedo e França sustentam esse entendimento. na pág. inclusive. a questão da legitimidade ativa para a propositura da ação de anulação de deliberação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) deve ser analisada de acordo com essas observações. da LSA. Assim. por exemplo.. 286. Haverá casos. 119 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. 121-125. p. contados da deliberação. como. ele também estará legitimado a pedir a anulação da deliberação tomada ou de toda a assembléia. importante registrar que a doutrina mais avisada15 já sedimentou o entendimento de que o termo a quo começa da publicação da deliberação. p. todavia. fraude ou simulação. a ação para anular as deliberações tomadas em assembléia-geral ou especial.A.A. prescreve em 2 (dois) anos. em princípio. a doutrina é pacífica em admitir como parte legítima a companhia. portanto. estabelecem como marco inicial do prazo prescricional a data da publicação do ato. colacionado ensinamento de Orlando Gomes e Pontes de Miranda. Invalidade das deliberações de assembléia das S. Há discussão doutrinária14 sobre a legitimidade ativa de outras pessoas. quanto ao pólo passivo da ação de anulação e da ação de declaração nulidade. entretanto. de credores e de terceiros. Embora o marco inicial definido na lei seja a data da deliberação. que também tratam de prescrição. do administrador e do conselho fiscal da companhia. Modesto Carvalhosa sustenta essa posição.

vigorando. cita acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal. instalação ou realização irregular. decorrente de erro. Ademais. se a pessoa agravada pela deliberação não for acionista da sociedade. se se tratar de vício de deliberação (causa de pedir). não afetando as demais deliberações da assembléia.12. o pedido da demanda será a anulação total do conclave. se a mácula que se pretende anular tratar-se de vício da própria assembléia (causa de pedir).862-CE. fraude. Pode ocorrer. caso em que o pedido poderá ser a anulação parcial. Seja qual for a causa de pedir da ação de anulação. Também existirão situações em que o início do prazo prescricional não poderá ser a data da publicação da deliberação da assembléia. que esse vício de deliberação recaia sobre todas as questões analisadas e decididas. citando Miranda Valverde. entretanto. então. o pedido da ação restringir-se-á à específica decisão ou ao ato inquinado. a data da deliberação (ou da prática do ato inquinado) como o termo a quo do prazo prescricional. prevalecendo. no julgamento do Recurso Extraordinário nº 94. defende que em ambos os casos destacados anteriormente é possível pleitear a anulação das deliberações de assembléia.A. unânime. sendo imprescindível examinar-se o vício objeto do pedido. na pág. dolo. 7. em decisão relatada pelo Ministro Oscar Dias Correa. Modesto Carvalhosa.1983. lembre-se). que adota esse entendimento. assim. ou coação (se essas máculas forem decisivas para a formação da maioria. simulação. é preciso utilizar a classificação citada no tópico quatro. o postulante deverá demonstrar o prejuízo efetivo que a deliberação ou assembléia acarreta ou a possibilidade de dano futuro. Nessas circunstâncias. que pode ter origem na convocação. hipótese em que o pedido será a anulação total. ou total. não sendo possível o aproveitamento de qualquer ato ou decisão. para melhor compreensão do tema.porque a companhia pode deixar de dar publicidade ao ato. 16 . para adequada definição do marco inicial e do prazo prescricional correto (civil ou especial). ainda existe o vício de voto (causa de pedir). essa análise deverá ser feita no caso concreto. 127 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. a condição do postulante e a sua relação com a companhia. se Azevedo e França. PEDIDO Em relação ao pedido da ação de anulação de assembléia. o prazo de prescrição previsto na Legislação Civil16. De outro lado. Com efeito. realizado em 04. em respeito ao brocardo pas de nullité sans grief. Mesmo que as deliberações tomadas tenham respeitado as disposições legais ou estatutárias. o referido vício acarretará a invalidação integral da assembléia.. não apenas parcial do conclave.

neste caso. Caberá. que venha a acarretar prejuízos a outro acionistas ou à companhia. para que o juiz se convença da verossimilhança de suas alegações (deve demonstrar que a demora na concessão do pedido pode acarretar sérios e irreversíveis prejuízos). o autor deverá trazer com a petição inicial prova inequívoca do defendido vício (deve comprovar que o ato ou a deliberação seja contrário à lei ou ao estatuto). ou dos estatutos. Todavia. quando previu que “se o autor. ou para a sociedade. Haverá situações em que o pedido não se limitará à anulação de deliberação ou de toda a assembléia. CPC. É tranquilamente possível a cumulação do pedido anulatório com pretensão de ressarcimento. mas tãosomente a possibilidade de se consolidar uma situação que poderá dificultar a vida da sociedade ou sacrificar o legítimo interesse de seus acionistas. a existência de prejuízos delas decorrentes para o autor. a restabelecer a ordem jurídica na sociedade anônima. Luiz Fernando C. exclusivamente. turbada por uma deliberação violadora da lei. Aloysio Lopes Pontes colaciona em sua obra18 julgado do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas que possui entendimento de ser dispensável a prova do prejuízo. concedendo-lhe a antecipação de tutela pretendida. poderá o juiz. Confira-se: A ação anulatória das deliberações da assembléia geral ou especial pressupõe. requerer providência de natureza cautelar. 19 A norma do parágrafo 7º. a inclusão de quem tiver provocado o dano no pólo passivo da demanda. Sociedades anônimas.8 comprovado o interesse de agir (prejuízo atual ou futuro). 273. 425. 18 PONTES. Prejuízo pecuniário atual não existe. poderá o autor da demanda pedir a antecipação dos efeitos da tutela buscada. casos haverá em que a ação visará. PROCEDIMENTO Sem aprofundar nas discussões travadas pelos processualistas. a título de antecipação de tutela. v. quando presentes os respectivos pressupostos. Pereira esclarece que não basta. 9 . como já foi visto. esvaziou o debate sobre a impropriedade da utilização de ação ordinária e sobre antecipação de tutela em ação declaratória. Comentários à lei de sociedades anônimas. acionistas. p. Nesse caso. em regra.19 Quando as circunstâncias evidenciarem que os efeitos do provimento final deverão ser desde logo concedidos. a qual apenas parte da eficácia total gerada ocasiona efeitos prejudiciais ao direito da parte. Logo é possível imaginar uma deliberação questionada. 2. 118. para o deferimento da medida. se houver a prática de abuso por parte de algum acionista. Aloysio Lopes. a alegação de contrariedade à lei ou ao estatuto/contrato social: verossimilhança. 8. p. em respeito ao disposto no art. A isso soma-se a exigência do justificado receito de ineficácia do provimento final que a produção de determinados efeitos da deliberação questionada pode gerar. em regra. do Código de Processo Civil. no caso de dano potencial. o procedimento da ação de nulidade ou da ação de anulação será ordinário declaratório. do art. 273. Também é possível imaginar que a parcela eficacial gerada que 17 CARVALHOSA. Modesto.17 No mesmo sentido. deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado”.

a referida regra não deve ser analisada literalmente. até mesmo. São Paulo: Revista dos Tribunais. 06. nos termos do parágrafo 2º. 138. recomenda-se que a antecipação seja deferida liminarmente e sem a audiência da parte contrária. sob pena de o novel instituto da tutela antecipatória não cumprir a excelsa missão a que se destina”. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo. do citado art. situações que envolvam a suspensão de ato ou de deliberação ainda não executados23. provocar a anulação de toda a assembléia. sendo imperioso que se demonstre. p. Nestes casos. principalmente. Luiz Fernando C. 2002. Relatado pelo Ministro Adhemar Maciel. efeitos maiores do que poderia gerar a não-suspensão. 2. CONCLUSÃO 1. o autor poderá valer-se da ação ordinária declaratória. ainda. se forem preenchidos os requisitos do caput e do parágrafo 1º. PEREIRA. com a eventual suspensão. visando. do referido art. pois a oitiva do réu pode tornar sem sentido o deferimento da medida posteriormente.10. Medidas urgentes de direito societário. Poderá ocorrer.não produza efeitos prejudiciais produza. 2ª Turma. bem como o respeito à lei e ao estatuto. vez que se trata do órgão deliberativo que resolve quais serão os rumos dos negócios sociais. 22 O Superior Tribunal de Justiça. 273. p. O contraditório será apenas adiado. É certo que não se defere a medida quando a suspensão gerar prejuízo maior do que a não-suspensão. como também será possível a utilização da cautelar inominada preparatória. no julgamento do REsp nº 144. Portanto. 157). de conter.21 Na hipótese de a concessão da antecipação de tutela acarretar perigo de irreversibilidade do provimento. a necessidade de suspensão antecipada24 do ato havido como prejudicial. 273. Caso haja o desrespeito às regras legais ou estatutárias. sempre que possível” (PEREIRA. 3.656-ES. Luiz Fernando C. 21 “Ao contraditório prévio. foi estabelecida uma série de formalidades para a convocação. A assembléia é parte fundamental dentro da estrutura da sociedade anônima. de deliberação ou de voto) que podem invalidar as deliberações tomadas no conclave. sob pena de não desvirtuar-se a verdadeira mens legis22. 20 . instalação e realização das assembléias. não se revela prudente seu deferimento. em qualquer uma das hipóteses. preservar os interesses da companhia e de seus acionistas. Em razão dessa relevância. ou. esposou o entendimento de que “a exigência da irreversibilidade inserta no § 2º do art. Entretanto. Medidas urgentes de direito societário. teremos a ocorrência de vícios (da própria assembléia. deve ser deferida a antecipação. J. para permitir a efetividade da tutela.97.20 Em grade parte das vezes.

contados da data da publicação do ato inquinado. 6. dependendo do tipo de vício que se pretenda atacar. São Paulo: Saraiva. criticando durante a posição da Corte Bandeirante. FRANÇA. sendo recomendável pugnar pela antecipação dos efeitos da tutela final. Invalidade das deliberações de assembléia das S. a declaração de nulidade do ato. A legitimação ativa ad causam da referida ação de anulação. Novaes. . é a hipótese concreta que irá definir o marco inicial do prazo prescricional. 8. 2. 163-164. 2000. Erasmo Valladão. 6. ou. Porém. Em razão de tudo isso. 22. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA. Luiz Fernando C. COELHO. e atual. que se caracterizem como abusivos à lei ou ao estatuto. 3. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. de 15 de dezembro de 1976. O procedimento a ser adotado será o da ação ordinária. 2005. vez que o exame das questões envolvendo a legitimidade. e atual. Pereira. rev. ed.A propósito. Aloysio Lopes Pontes cita um julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que defende o entendimento de não ser possível a utilização de ação preventiva. obra Medidas urgentes de direito societário. o prazo de prescrição e o pedido dependerá da espécie de mácula encontrada. 5. Verificar p. A identificação desses vícios será essencial para a adequada utilização da ação judicial. v. 10 23 4. CARVALHOSA. CORRÊA-LIMA. ed.. São Paulo: Malheiros Editores. Sociedade anônima. em regra. Belo Horizonte: Del Rey. 24 No caso de suspensão de deliberação nula. Fábio Ulhoa. esclarece que embora não haja eficácia a ser suspensa é recomendável que se afaste a dúvida que paira sobre o ato. Modesto. pode-se dizer que a referida ação de anulação representa um valioso instrumento contra atos praticados nas assembléias de sociedades anônimas. com pedido declaratório. São Paulo: Saraiva. 1998.404. da obra Sociedades anônimas. em princípio. REFERÊNCIAS Obras Literárias AZEVEDO. A legitimidade passiva será da companhia. ainda. será do acionista que tiver votado contrariamente ao ato que se pretende anular ou daqueles que tiverem se abstido de votar. 1999. 9. Curso de direito comercial. O prazo prescricional da aludida ação anulatória é de 2 (dois) anos. Poderá ser pleiteada a anulação total ou parcialda assembléia. Confira-se pág. A utilização da cautelar preparatória também se revela possível. quase sempre. Osmar Brina. 7.A. rev.

Octaviano Martins1 Paulo Roberto Colombo Arnoldi2 INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. Ed. Vocabulário jurídico. Lei das sociedades anônimas. SILVA. 3. 2002. PONTES. aos quais compete produzir a vontade social. Sites consultados SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.br>. versão 3. 2006. 2. Disponível em: <http://www. 1984. 5.1977. impondo distribuição de poderes. a organização da sociedade. doutrinariamente. (Dicionário eletrônico.br>.gov. Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt. Aurélio Buarque de Holanda. ed. 1999. Rio de Janeiro: Forense. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS. FERREIRA. ADMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. v.tjmg. 11 Legislação BRASIL. Marina Baird. a designação de órgãos sociais. de 06. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. Rio de Janeiro: Forense.404/76) Eliane M. Acesso em: 10 dez. Caxias do Sul: Editora Plenum. De Plácido e. Medidas urgentes de direito societário. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Revista dos Tribunais.PEREIRA. adaptada à Lei nº 9. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Jurisprudência. Alzira Malaquias da. Luiz Fernando C. 1999.05.stj. Acesso em: 10 dez. Sociedades anônimas. Consulta de jurisprudência sobre o assunto.457. delegado à Assembléia . Obra coletiva de autoria da editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto. FERREIRA. Aloysio Lopes. SILVEIRA. 87. atual. 2006. 5ª ed. Consulta de jurisprudência sobre a matéria. ed. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima3dá-se. Disponível em: <http://www.gov.0). ampl. CD-Rom JURIS Plenum. representantes dos poderes da sociedade. v. Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. rev. 1. 8. de forma democrática. 2006. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo.. 1999. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. ed.

sem descaracterizar os interesses da companhia. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP).404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração.5 Professora de Direito Marítimo.Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e Integração – IPDCI. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. 3 Cf . 1988. São Paulo : Atlas. Direito Empresarial e Direito Internacional em cursos de graduação e Pósgraduação. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. 4Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas.4 CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . portanto. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. adstrito ao Conselho de Fiscalização. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. São Paulo : Saraiva. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. Mestre pela UNESP e Doutora pela USP. Rubens . Curso de Direito Comercial. devido ao desinteresse dos acionistas. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração.Geral. Requião. concentrando-se o poder em um grupo de controle. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). 1984. advogado militante. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. em que se constata uma . No Brasil. poder executivo ou administrativo. 5A Lei 6. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. 1 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. constatam-se.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF de Bragança Paulista (SP). que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa6. doutor e livre-docente em Direito Comercial. é mestre. 2 Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI.

§ 4º. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. Comentários à Lei das S. De acordo com o art.REQUIÃO e Rubens.7 I . p. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. § 1º da lege ferenda. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. nos aumentos de capital. 142. nos termos do art. portanto.. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. MARTINS. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas8. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. de caráter deliberativo e fiscalizador. Nesse sentido. é específica a lei no art. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho.404/76. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Cf. No que concerne às sociedades de capital autorizado.A. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. conforme rege o art. 1978. diversamente da subscrição comum (art.separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. 138 da Lei 6. inciso I e 168). 141. e facultativo nas demais sociedades anônimas. 166. 7Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão 6 . facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. cit. 165. Procurou.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. de acordo com a disposição estatutária. a lei brasileira. mas consistem em representantes da sociedade. Rio de Janeiro : Forense. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas.9 A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. Fran. 138. Nesse sentido. ou exclusivamente à diretoria. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos.

Poderá o estatuto. Neste sentido. 142. ob. 2 Conselho Fiscal (art. Fran. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. faculta-se aos acionistas que representem. e as normas sobre convocação. caput da Lei 6. Wilson de Souza Campos. 141 . 655. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. que o Conselho se integre com um representante da minoria. criados por lei ou estatuto. a eleição de um membro do Conselho podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. a Lei. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. o prazo de gestão. cit. no seu artigo 139. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. dessa forma. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo12. nesse caso. 8Faculta. p. mas à luz da Constituição Federal de 1988. que deliberará por maioria de votos11.272. que não poderá exceder 3 anos. Outorga de poderes A lei.da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf.. inciso II)13. 140. com imensos poderes. conforme art. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração.Cumpre destacar que acordo com a lei. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. art.10 2. vinte por cento de capital com direito a voto. ob. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. 173. 4. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se .122.permitindo-se. instalação e funcionamento do Conselho. reveste-se de inconstitucionalidade. § 7º). observado esse mínimo legal. também. p. cit. Tratandose de órgão superior. portanto. determinar limites. 163. 3. estabelecendo-se mínimo e máximo. O estatuto deverá prever. ob. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. 239). de acordo com suas necessidades estruturais.404/76. no mínimo. ficando. BATALHA. MARTINS. § 1º. 140 e 146). 9Cf. inciso II). tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. cit. José Edwaldo Tavares Borba. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. face ao disposto no art. o modo de substituição. que será no mínimo de três.

A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou Consistindo em órgão de deliberação colegiada. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. . 13MARTINS.1. 272. tratando-se de decisão ad nutum. cf. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia 16. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. p. 1978. Fran. 303. 14REQUIÃO. 4.1. sendo necessário maioria simples (art. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. 12 De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. um décimo do capital social com direito a voto. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. 164. independe de disposição estatutária e. 11Vide MANGE. Roger de Carvalho.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo.404/76 regulamenta tal procedimento no art. citado por Fábio Ulhoa Coelho.15 O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. 141 da Lei 6. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto.2. e nesse caso.. cit. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. p. sendo vedado que um só conselheiro. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. Rio de Janeiro : Forense.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. ob.requer voto qualificado. . 4. cit. 10 3 total de seus componentes. p. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão14. sobre a inaplicabilidade dos arts. de regra de ordem pública. Trata-se. Fran. A lei 6. 129). RT 667. MARTINS. ou seja. portanto. cit. 141. Eleição e destituição de membros . iniciar-se-á novo período gestacional. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . isoladamente.Processo de voto múltiplo Determina o art. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. 4.2.140). in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. ao contrário. ob. Rubens. no mínimo.

§ 3º). 141. Octaviano Martins. Adotando o sistema de voto múltiplo. e reconhecendo-se. no mínimo. 291 da LSA.. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta.91.. 19BATALHA. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. Cf. in Direito de voto. 141. Osmar Brina Corrêa. ainda. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. cit.independentemente de previsão estatutária.. Eliane M. cit. procedendo-se a nova eleição (art. 165. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. Quando a eleição de membros19 tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração17. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. Além disso. 291 da lei”. p. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho... 17 Cf. Nos demais casos em que o cargo fique vago. Wilson de Souza Campos.. ob. in Comentários. 27. ob. baixada nos termos do art. do capital com direito a voto. LIMA. p. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco.. Fran. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. portanto. observando-se o Cf. p. de 11. em vantagem para os acionistas não-controladores. o número de votos necessários18 para a eleição de cada membro do conselho (art. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. consistindo. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. quando se tratar de sociedades abertas. aos acionistas o direito de cumular os votos num só candidato ou distribuí-los entre vários. in Sociedade Anônima.12. cit. MARTINS. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. ob. o que significa que a regra é de ordem pública. 283. 304. § 1º). A mesa diretora informará previamente. à vista do "Livro de Presença". a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. 699 : “o administrador eleito por grupo ou 15 16 . 18Vide Instrução CVM n. MARTINS. p.

delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. no § único do artigo ora em exame. 142. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. portanto. Note-se. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. competindolhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. inclusive mediante voto múltiplo (art. Assegura-se compulsoriamente a eleição. como também de orientação das atividades da sociedade. Impõe. a Diretoria será o órgão destinado a . II. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. 4 prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. quando julgar necessário. no mínimo.404/76. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. fiscalizar a gestão dos diretores. mas órgão da sociedade. quando não existir Conselho de Administração21. Em linhas gerais. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. portanto. 154). Garante-se. do capital social. 5. é competência do Conselho de Administração. Nos casos em que exista Conselho de Administração. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. quando autorizado pelo estatuto. a Lei 6.classe. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. ainda. se houver. deliberar. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. se existirem acionistas que representem 20%. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. em qualquer sociedade anônima. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto20. 176). que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. convocar assembléia geral. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. conforme rege o art.

mas como representantes da sociedade. sejam tomadas em reunião da diretoria (art.A. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. Rubens. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. em regra. p. 143. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. é imputada à sociedade. Comentários à Lei das S. ou se inexistente. sua vontade. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. a direção da sociedade em todos os aspectos. 142. prazo de gestão. 1978. Representação: 20 21 5 Cf. mas como um órgão da sociedade. REQUIÃO. incisos I. compete aos diretores .a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. ob. 165. o modo de sua substituição. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores.404/76. MARTINS. possuindo. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. no § 1º do art. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. e como tal. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. Ademais. a Lei 6. Fran. 143. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. 142. Buenos Aires. enquadrando-os como órgãos da sociedade. II. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. cit. São Paulo : Forense. amplos poderes23 para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. inciso II e § único).404/76 não considera os diretores como mandatários. 24 2. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. A Lei 6.a qualquer diretor . gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. de competência dos diretores. incisos III e V. pela Assembléia Geral (art. acionistas ou não. III e IV). 1. 1960). 22 Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. 144). 143 e 146). Cf.gerir os negócios sociais. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (BrunetCañizares. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. 25 . como ocorre com o art.

Requisitos e impedimentos Cf. 659. 1316. 22 23 6 Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. se extinguiria com a morte do mandante. ao lado do ato unilateral de nomeação.” Cf. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. denominado nomeação. Orlando. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art.Se o mandato fosse particular. com os respectivos poderes. p. p. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. que devem ser explicitados no instrumento. 1 . pois a responsabilidade orgânica é ex lege. nos limites de suas atribuições e poderes. inciso II : “Cessa o mandato : . mas de um ato jurídico unilateral. nem por isso se torna contratual. o contrato de emprego. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. impedimentos.ADMINISTRADORES . Código Civil art. investidura. Por outro lado. feita pela sociedade através de seus diretores.404/76. ob. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. Não se extinguirá. em doutrina.pela morte ou interdição de uma das partes. portanto. porquanto ela é simples condição de eficácia. conforme determina o art. p. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. in Revista dos Tribunais. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. 429. O mandato. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. cit. 145 a 151 da Lei 6. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir.O mandato representa a outorga temporária de poderes. cit... remuneração. ob. 661. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato.” 25 “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual.II . Não colide com o disposto no art. vol. nesses casos. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. GOMES. BATALHA. .NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. Conquanto esse ato unilateral. 144 . Entretanto. Os poderes dos diretores são indelegáveis. 24É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. por via do qual se lhe atribui. predomina. para a prática de determinados atos. Anstellung. Wilson de Souza Campos. 139. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração.

.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. peita ou suborno. mesmo que temporariamente. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. no art. peculato. sob pena dessa se tornar sem efeito. 146. 146. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto.pelo titular ou por terceiro . . no prazo de 30 dias após a nomeação. contra a economia popular. dos quais se arquivará cópia na sede social . 147 § 1º). Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. 149). Ademais. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos.acionistas ou não26 (art. 150 caput). a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. com vigência até a primeira assembléia geral que houver. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. um mecanismo de garantia de gestão. caput). 2. 147 determina que. concussão. o acesso a cargos públicos (art. O art. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. 150 § 1º). Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. 3. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. § único). bem como o prazo de gestão auferido. 148. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. de prevaricação. 147 § 2º). quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. 4.

Dever de Diligência : a lei brasileira. 153. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. convocar a assembléia geral.404/76. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores28. 150. competirá ao Conselho Fiscal. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. 150 § 3º e 4º).DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. a Lei 6. I . impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios29. conforme disposto no art. prevê.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. no § 2º do art.27 DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. 152. tempo dedicado às funções. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. também. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. 153 a 160.A Lei ora em estudo. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. 146 § único. conforme art. 160. e em relação aos terceiros de boa-fé. se estiver em funcionamento. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que . caput. conforme dispõe o art. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. 6. art. ou a qualquer acionista. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. tendo em conta suas responsabilidades. no seu art. Renúncia A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. 151. no art. 26 7 Rege a lei. As normas desta Seção. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. 165) . competência. 5. 2.

atribuídas por lei e pelo estatuto . Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. integram-se na administração da empresa. Veda-se ao administrador. 154.. 154. 152 da Lei é. os seus bens. e seus membros. 154. receber de terceiros . as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. ou podem gozar. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. 152. mas em certos casos. conforme art. § 2º:. criados pelo Estatuto Social. prevalecendo o limite menor (art. praticar ato de liberdade à custa da companhia. como administradores. 27 8 § 3º).qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. com ou sem prejuízo para a companhia. ob.observadas sempre as normas do art. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. em benefício próprio ou de outrem. em função dos lucros . usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. gozam. cit. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. 154. serviços ou créditos. O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. adquirir. visando à obtenção de vantagens. 310.. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. a remuneração com parte fixa e outra variável. não apenas possível.. são parte dela. BULGARELLI. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. das vantagens comuns a todos. Revista dos Tribunais. conforme art. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. bem ou . poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. em razão de seu cargo. correlatamente. § 1º). do interesse da empresa”.para lograr os fins e no interesse da companhia. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. sendo vedado ao administrador. Revista de Direito Mercantil.30 3.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . n.exerça suas atribuições . Especificamente. p. 28Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. para si ou para outrem. § único e 1º). conforme estabelece o art. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. para revender com lucro. ou de terceiros. 155 : usar. 29 Cf. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou.

31Ademais. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. conforme segue : 1. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . civil e penal.deriva do dever de diligência. anteriormente mencionado. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. a lei impõe ao administrador. deverá declarar o número de ações. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas entendidos como tal os diretores. 154. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. No caso de irregularidades. além de regulamentar.direito que sabe necessário à companhia. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios34. ainda. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. no § 3º.32 5. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. 157) 33 II . de que seja titular (art. também. valer-se das informações para obter. tendo em vista suas responsabilidades sociais. Conflito de Interesses(art. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. no momento da posse. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. § 1º). no § 2º do mesmo artigo. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia.31 5. bônus de subscrição. que a lei (art. Responsabilidade Administrativa Cumpre ressaltar. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. ou que esta tencione adquirir. 155. o administrador somente pode contratar com a companhia 30 . para si ou para outrem. sendo-lhe vedado. 32Ainda que observado o disposto neste artigo. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. a natureza e extensão de seu interesse.

156. portanto. nr 42. § 2º e seguintes. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. A lei determina que o administrador.Crimes contra o Patrimônio . 2. em regra. 35 No que concerne ao Conselho de Administração. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. ano XX. § 2º). no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. detalha os casos em que haverá solidariedade 36. por ser órgão colegiado. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. 158. Código Penal . 1981. nos termos do art.em condições razoáveis ou eqüitativas. mas a lei. 9 A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. no âmbito de Diretoria. pois dessa forma. 34GUERREIRO. 157 e seus parágrafos. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes.37. José Alexandre Tavares. quando proceder com culpa ou dolo. responde. Revista de Direito Mercantil. A responsabilidade civil consiste. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. 158). dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. porém. Independe de processo formal. 156. Revista dos Tribunais. infringe-se a finalidade do interesse social. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato .. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. 3. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. 33 Vide na íntegra o art. § 1º). Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. civilmente. São Paulo : Ed.

158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. age além dos poderes que lhe são outorgados. mas perante terceiros prejudicados.ou à Assembléia Geral. 10 sociedade. a ação de responsabilidade civil contra o administrador.. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. 2. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. exceto nas companhias abertas.A. no prazo de três meses (art. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. Neste sentido Fran Martins. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. ao Conselho Fiscal . relatórios ou qualquer informação aos acionistas. 36 Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. Em regra. mediante prévia deliberação da assembléia geral. rege o § 1º do art.. Competirá. é individual. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído.relevante em documentos destinados ao público. em nível de Diretoria. em assembléia geral extraordinária. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. 159. provocar falsa cotação de valores mobiliários da 35Ao violar a lei ou o estatuto. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. ob. . Nesse sentido. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar.se em funcionamento . A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedí-los. a responsabilidade dos diretores. cit. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. 159. § 3º). especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. portanto. 158 e 159. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. salvo nos casos de conivência. obter aprovação irregular de contas. não sendo possível. caput. in Comentários à Lei das S. competirá à companhia. 37Por força do art. Vide na íntegra o art. executar negociação com as próprias ações da sociedade. em proveito próprio ou de terceiro.

“Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. Quando seu funcionamento não for permanente. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. acionistas ou não. conforme dispuser o Estatuto (art. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . consiste. Dessa forma.492/86 .A. § 2º). com atribuições definidas dentro da sociedade. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros38.3. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. inclusive. ob. conforme observa Fran Martins.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. 161. econômica e relações de consumo. § 1º). 39A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. durante o período de liquidação da sociedade. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. que elegerá os membros. 161). 161. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. 38 11 3. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. in Comentários à Lei das S. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. CONSELHO FISCAL 1. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. 161. possuindo para tanto amplas atribuições. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária.Crimes contra a ordem tributária.ainda que a matéria não conste da convocação40). 2. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. Composição e funcionamento O Conselho Fiscal39 pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas. com mandato anual (art. 4.. Impedimentos e Remuneração .137/90 . Lei 7. portanto. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. Requisitos. 40Dispõe o art. Lei 8. cit.

cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. não computada a participação nos lucros.A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior .164. . até terceiro grau.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. transformação. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. No que concerne à inegibilidade. no § 7º do artigo ora enfocado. de administrador da companhia. por prazo mínimo de 3 (três) anos. 162. emitir opinião43 sobre o relatório anual da administração.para cada membro em exercício . fusão ou cisão.42 Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. . e o cônjuge ou parente. a serem submetidas à assembléia geral. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. acrescentando o § 2º do artigo em exame.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. 147 41. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. caput).às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. planos de investimento ou orçamentos de capital. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . no que tange à modificação do capital social. 4.A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. ou que tenham exercido. diplomadas em curso de nível universitário. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. distribuição de dividendos. 162 § 1º). incorporação. Rege ainda a lei. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. 5. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. conforme disposição do art. residentes no País. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art.ou ao menos um deles .

sem intervir em operação social em que Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. Empresas e inversiones en el Mercosur. BORBA. ou com violação da lei ou do estatuto (art. 43A verificação de documentos ou propostas da administração. São Paulo: Atlas. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. antes de se submeterem à Assembléia Geral. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. Comentários à lei das sociedades anônimas. § 1º). 1984. BATALHA. 165. José Edwaldo Tavares. Manual das sociedades anônimas. ob. cit. Nos demais casos. Waldirio. Rio de Janeiro: Forense. de prevaricação.) 41 12 tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. 147 § 1º). Wilson de Souza Campos. peita ou suborno. RT 670/77.A. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Para os cargos de administração de companhia aberta. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. (Neste sentido Fran Martins. Bauru: Jalovi. que em princípio. Ana Maria de. a responsabilidade por omissão é solidária (art. 1982. 1977. 165 retromencionado. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. desde que não comprovada conivência. . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. 165). Buenos Aires: Abeledo Perrot. 1995. Edson. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. 147 § 2º). 1992. TJSP. BULGARELLI. 153 a 156).6. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. BACCARIN. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art.165. o acesso a cargos públicos (art. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. peculato. § 2º). concussão. 42Cf. Cristina Maria. Direito societário.. BACCARIN SILVA. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. Comentários à Lei das S. mesmo que temporariamente. nos termos do § 1º do art. contra a economia popular. pois exprimem uma vontade coletiva. é de competência de auditores.

1991. DIAZ-CANABATE. n. Osmar Brina Corrêa.1 e 2. 1996. Fábio Ulhoa. José da Silva. Rubens.42. Curso de direito comercial. Franca: UNESP. Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro: Forense. Octaviano. São Paulo: Saraiva. Coordenadora Regional de Redação da RDM. O Direito de Voto na Lei 6. Professora de Direito Marítimo e Direito Comercial da UNISANTA e de pós-graduação da UNILUS e UNIMONTE em Santos (SP) Paulo Roberto Colombo Arnoldi Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. 1995. v. 1982. Direito empresarial. LIMA. Código comercial brasileiro e legislação complementar. Revista de Direito Mercantil. 1977./jun. v. 1988. 1993. São Paulo: Saraiva. 1983. Órgãos da sociedade anônima. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. MARTINS. p. no prelo. PACHECO. São Paulo: Saraiva. Código comercial e legislação complementar anotados. 1979. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES. Rio de Janeiro: Forense. Fran. José Alexandre Tavares. abr. 1982. Rio de Janeiro: Forense. 1983. GARRIGUES. André Luiz Dumortout de. COELHO. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor.404/76. MENDONÇA. é mestre. São Paulo: Saraiva. advogado militante. La sociedad anônima y sus problemas. 1982. MARTINS. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF . 1984. v. CRISTIANO. ______ . São Paulo: Ed. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. Revista dos Tribunais. Revista dos Tribunais. COSTA. São Paulo: Ed. Curso de direito comercial. 1981. doutor e livre-docente em Direito Comercial. São Paulo. MIRANDA JÚNIOR. GUERREIRO. Questões de direito societário. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. São Paulo: Ed. Wille Duarte. HENTZ. Luiz Antônio Soares. 1991. Eliane M. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. Joaquin. Dylson.69-87. Romano.2. Curso de direito comercial.1. Álvaro Thomaz.404/76) Eliane Maria Octaviano Martins Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. Darcy Arruda. Sociedade anônima: textos e casos. DÓRIA.______. REQUIÃO. Sociedades anônimas e valores mobiliários. 13 14 DMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6.

141. Procurou. em que se constata uma separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade.[7] . portanto. de acordo com a disposição estatutária. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. impondo distribuição de poderes. inciso I e 168). conforme rege o art. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa[4]. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. portanto. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. delegado à Assembléia Geral.[5] I . doutrinariamente. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. § 4º.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. 166. representantes dos poderes da sociedade. a lei brasileira. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. nos termos do art. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. de caráter deliberativo e fiscalizador. a organização da sociedade. constatam-se. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias.. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. e facultativo nas demais sociedades anônimas. concentrando-se o poder em um grupo de controle. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. adstrito ao Conselho de Fiscalização.[2] CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . de forma democrática. 138. Nesse sentido.404/76. De acordo com o art. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. No que concerne às sociedades de capital autorizado. poder executivo ou administrativo. devido ao desinteresse dos acionistas. a designação de órgãos sociais. 138 da Lei 6.de Bragança Paulista (SP). Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. § 1º da lege ferenda. ou exclusivamente à diretoria. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. nos aumentos de capital. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. aos quais compete produzir a vontade social. diversamente da subscrição comum (art.[3] ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima[1]dá-se. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas[6]. No Brasil. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria.

iniciar-se-á novo período gestacional. 4. ainda. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão.A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. estabelecendo-se mínimo e máximo. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. um décimo do capital social com direito a voto. aos acionistas o direito de cumular os votos num só .permitindo-se. com imensos poderes.[13] O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. conforme art. 140 e 146). não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia [14]. 4. que será no mínimo de três.140). no mínimo.[8] 2. 4. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Conselho Fiscal (art. independentemente de previsão estatutária. 163. 140. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. determinar limites. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. tratando-se de decisão ad nutum.2. § 7º). no mínimo. ficando. observado esse mínimo legal. ao contrário. 141. Nesse sentido. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. 129). o modo de substituição. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. Poderá o estatuto. é específica a lei no art. 141 . instalação e funcionamento do Conselho. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. art. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. 141 da Lei 6. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . de regra de ordem pública. que não poderá exceder 3 anos. portanto. 3. criados por lei ou estatuto.1. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo[10]. que deliberará por maioria de votos[9]. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. 142. a eleição de um membro do Conselho .122. também. inciso II)..exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. e reconhecendo-se. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. vinte por cento de capital com direito a voto. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão[12]. inciso II)[11]. faculta-se aos acionistas que representem.Processo de voto múltiplo Determina o art. e nesse caso. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art.podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo.404/76.404/76 regulamenta tal procedimento no art.1. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. Trata-se. O estatuto deverá prever. Tratando-se de órgão superior. sendo necessário maioria simples (art. caput da Lei 6. independe de disposição estatutária e. 4. 142. dessa forma.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se requer voto qualificado. A lei 6. Eleição e destituição de membros .2. no seu artigo 139. mas consistem em representantes da sociedade. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. Outorga de poderes A lei. ou seja. e as normas sobre convocação. nesse caso. que o Conselho se integre com um representante da minoria. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou total de seus componentes. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. o prazo de gestão. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos.

142. quando autorizado pelo estatuto. III e IV). delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. § 3º). o modo de sua substituição. se houver. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. prazo de gestão. Assegura-se compulsoriamente a eleição. a Lei 6. como ocorre com o art. 154). procedendo-se a nova eleição (art. II. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. é competência do Conselho de Administração. 142. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. do capital com direito a voto. ou se inexistente. observando-se o prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. Garante-se. se existirem acionistas que representem 20%. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. à vista do "Livro de Presença". pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto[18]. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. como também de orientação das atividades da sociedade. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. fiscalizar a gestão dos diretores. 143 e 146). permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. convocar assembléia geral. 1. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. conforme rege o art. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. Além disso. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art.404/76. Em linhas gerais. ainda. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. portanto. 141. § 1º). que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. 176). eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. do capital social. acionistas ou não. A mesa diretora informará previamente. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho.404/76. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. Quando a eleição de membros[17] tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. de competência dos diretores. no mínimo. no § único do artigo ora em exame. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. Representação: . incisos III e V. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. Impõe. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. competindo-lhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. em qualquer sociedade anônima. Ademais. Note-se. pela Assembléia Geral (art. quando não existir Conselho de Administração[19]. 5. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. Nos casos em que exista Conselho de Administração. quando julgar necessário. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. portanto. 143. a Diretoria será o órgão destinado a gerir os negócios sociais. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração[15]. no mínimo. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. incisos I.candidato ou distribuí-los entre vários. II. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. 143. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. 141. o número de votos necessários[16] para a eleição de cada membro do conselho (art. no § 1º do art. deliberar. Nos demais casos em que o cargo fique vago. a Lei 6.

NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. impedimentos. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. no art. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. O art.404/76. caput). enquadrando-os como órgãos da sociedade.404/76 não considera os diretores como mandatários. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. se estiver em funcionamento. amplos poderes[21] para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. [20] Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. possuindo. mas como um órgão da sociedade. mas como representantes da sociedade. . Buenos Aires. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. no prazo de 30 dias após a nomeação. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. [22] 2. 147 determina que. 144). contra a economia popular. 150. peita ou suborno. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. 147 § 2º). compete aos diretores . de prevaricação. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário.a qualquer diretor .. Ademais. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. concussão. e como tal. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. em regra. bem como o prazo de gestão auferido. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. 2. 149).A Lei 6. 4. a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. 1960). 148. § único). mesmo que temporariamente. inciso II e § único). com vigência até a primeira assembléia geral que houver. [23] ADMINISTRADORES . também.pelo titular ou por terceiro . A Lei ora em estudo. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (Brunet-Cañizares. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. 150 caput). é imputada à sociedade. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. um mecanismo de garantia de gestão. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . 150 § 1º). dos quais se arquivará cópia na sede social . Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. no § 2º do art. 147 § 1º). Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. 3. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. a direção da sociedade em todos os aspectos. sua vontade. competirá ao Conselho Fiscal. o acesso a cargos públicos (art. acionistas ou não[24] (art. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. ou a qualquer acionista. Requisitos e impedimentos Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. prevê. 1 . remuneração. 145 a 151 da Lei 6. convocar a assembléia geral. peculato.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. 146. sob pena dessa se tornar sem efeito. 146. 142. investidura.

155 : usar. 151. 154. no art. As normas desta Seção. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios[27]. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art.atribuídas por lei e pelo estatuto . sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. art. 152. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas.para lograr os fins e no interesse da companhia. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. conforme art. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores[26]. caput.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . conforme disposto no art. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. 157) [31] II . 6. tempo dedicado às funções. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. visando à obtenção de vantagens. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. e em relação aos terceiros de boa-fé. os seus bens. praticar ato de liberdade à custa da companhia. § único e 1º). 154.[25] DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6.[28] 3. sendo-lhe vedado. 153. conforme art. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. com ou sem prejuízo para a companhia. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. no momento da posse. também.[30] 5. competência. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. I . que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. 154. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. para si ou para outrem. 165) . serviços ou créditos. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. Dever de Diligência : a lei brasileira. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. Renúncia Rege a lei. bônus de subscrição. Conflito de Interesses(art. ou que esta tencione adquirir. em benefício próprio ou de outrem. para si ou para outrem. Veda-se ao administrador.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES . para revender com lucro. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado.. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. § 1º). a natureza e extensão de seu interesse. sendo vedado ao administrador. a Lei 6. § 2º:. conforme estabelece o art. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. § 3º). receber de terceiros . 153 a 160. 154.[29] 5. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. conforme dispõe o art. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. 5. 155. adquirir. 150 § 3º e 4º). Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que exerça suas atribuições . deverá declarar o número de ações.O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. bem ou direito que sabe necessário à companhia. de que seja titular (art. ou de terceiros. no seu art. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. tendo em conta suas responsabilidades.404/76. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. 160. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. em razão de seu cargo. 2. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado.. valer-se das informações para obter.

fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados .. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. no âmbito de Diretoria. pois dessa forma. em regra. 3. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. por ser órgão colegiado. A lei determina que o administrador. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. Dessa forma. responde. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores.. 2. portanto. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. porém. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. econômica e relações de consumo.137/90 .Crimes contra o Patrimônio . nos termos do art. portanto. 4.entendidos como tal os diretores. executar negociação com as próprias ações da sociedade. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. em proveito próprio ou de terceiro. quando proceder com culpa ou dolo. detalha os casos em que haverá solidariedade [34]. possuindo para tanto amplas atribuições. 158). dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral.Crimes contra a ordem tributária. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. provocar falsa cotação de valores mobiliários da sociedade. Independe de processo formal. consiste.A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas . 2. 158. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros[36].492/86 . anteriormente mencionado. No caso de irregularidades. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei.deriva do dever de diligência. obter aprovação irregular de contas. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato relevante em documentos destinados ao público. conforme segue : 1. Código Penal . § 2º e seguintes. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. CONSELHO FISCAL 1. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. civil e penal. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. A responsabilidade civil consiste. Lei 8. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. 2. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. relatórios ou qualquer informação aos acionistas.[35]. Lei 7. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. infringe-se a finalidade do interesse social. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios[32]. civilmente. mas a lei. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. 3. Responsabilidade Administrativa A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. [33] No que concerne ao Conselho de Administração. Composição e funcionamento .

153 a 156). sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. Nos demais casos. 161. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. sem intervir em operação social em que tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. durante o período de liquidação da sociedade.164. § 1º). fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. § 2º). emissão de debêntures ou bônus de subscrição.ainda que a matéria não conste da convocação[38]).para cada membro em exercício . § 2º). 147 [39]. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. caput). cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. acrescentando o § 2º do artigo em exame. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. incorporação. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . 165. diplomadas em curso de nível universitário. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. emitir opinião[41] sobre o relatório anual da administração. . pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . acionistas ou não. por prazo mínimo de 3 (três) anos.ou ao menos um deles . 3. § 1º). . a serem submetidas à assembléia geral.165. 6. no que tange à modificação do capital social. residentes no País. ou que tenham exercido. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa.O Conselho Fiscal[37] pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas. com mandato anual (art. inclusive. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. não computada a participação nos lucros. Impedimentos e Remuneração A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. Rege ainda a lei. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. desde que não comprovada conivência. transformação. pois exprimem uma vontade coletiva. conforme dispuser o Estatuto (art. planos de investimento ou orçamentos de capital. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . 162 § 1º). de administrador da companhia. Requisitos. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. a responsabilidade por omissão é solidária (art. 165 retromencionado. conforme disposição do art. nos termos do § 1º do art. e o cônjuge ou parente. 162. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. no § 7º do artigo ora enfocado. 165). O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. No que concerne à inegibilidade. até terceiro grau. 5. 4. Quando seu funcionamento não for permanente. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. 161). distribuição de dividendos.[40] Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. 161. ou com violação da lei ou do estatuto (art. fusão ou cisão.

GARRIGUES. Direito societário. COSTA. BACCARIN SILVA. Rio de Janeiro: Forense. MIRANDA JÚNIOR. São Paulo: Saraiva. ______ . HENTZ.1 e 2. v. Waldirio.1. abr. v. Manual das sociedades anônimas. Revista dos Tribunais. Luiz Antônio Soares. São Paulo: Ed. Rio de Janeiro: Forense. Fábio Ulhoa. BATALHA. BULGARELLI.404/76. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. CRISTIANO. Órgãos da sociedade anônima. 1996. 1984. São Paulo. Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integraçào . Curso de direito comercial. Ana Maria de. Edson. André Luiz Dumortout de. Osmar Brina Corrêa. v. Franca: UNESP. O Direito de Voto na Lei 6. Octaviano. BACCARIN. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. La sociedad anônima y sus problemas. 1992. Wille Duarte. Revista de Direito Mercantil. 1988. Sociedades anônimas e valores mobiliários. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES. 1993. Rubens. Empresas e inversiones en el Mercosur. 1984. n. Joaquin. DÓRIA. MENDONÇA. 1979. 1977. 1982.2. MARTINS. Direito empresarial. Sociedade anônima: textos e casos.69-87. 1983. São Paulo: Ed. José Edwaldo Tavares. 1983. Comentários à lei das sociedades anônimas. Cristina Maria. Dylson. Código comercial brasileiro e legislação complementar. São Paulo: Saraiva. Doutor e Livre Docente em Direito Comercial 2.42. 1982. Fran. BORBA. José da Silva. São Paulo: Atlas. DADOS DO AUTOR PAULO ROBERTO COLOMBO ARNOLDI 1. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Forense. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Rio de Janeiro: Forense. Darcy Arruda. São Paulo: Ed. 1991. 1995. 1981. Wilson de Souza Campos./jun. no prelo. Romano. Curso de direito comercial. 1977. Código comercial e legislação complementar anotados. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. Revista dos Tribunais. Revista dos Tribunais. São Paulo: Saraiva. REQUIÃO. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. COELHO. DIAZ-CANABATE. José Alexandre Tavares. 1995. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. Questões de direito societário. MARTINS. Rio de Janeiro: Forense. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. LIMA. 1982. GUERREIRO. Bauru: Jalovi. 1982. 1991. Álvaro Thomaz. Mestre. ______. PACHECO. Eliane M. p. Curso de direito comercial.

283. Rubens . Requião. em vantagem para os acionistas não-controladores. Osmar Brina Corrêa.272. Professor de Direito Comercial na UNESP. Fran. [14] Cf. [15] Cf. citado por Fábio Ulhoa Coelho. ob. 27.. Eliane M. Fran. cit. [5]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. ob.3.USF e UNAERP . pratique atos que requeiram manifestação dos demais. BATALHA. cit. 303. o que significa que a regra é de ordem pública. Membro da Fundacion Ectheverry para la Investigacion y Estudios Internacionales 7. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. sendo vedado que um só conselheiro. Fran. [2]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. 239). Fran. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. p. reveste-se de inconstitucionalidade. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência.. José Edwaldo Tavares Borba. portanto. São Paulo : Saraiva. ob. [9]Vide MANGE. MARTINS. Octaviano Martins. Roger de Carvalho. de acordo com suas necessidades estruturais. in Sociedade Anônima. MARTINS. consistindo. ob. Adotando o sistema de voto múltiplo. p. Curso de Direito Comercial.UNESP 8. cit. cit. ob. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. p. cit. Membro do Instituto de Direito Comercial Visconde de Cairú 5. sem descaracterizar os interesses da companhia. 291 da lei”. p. p. [10] De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. [12]REQUIÃO. [7]Cf. cit.A. [4]Cf. a Lei. MARTINS. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. 1978. 1984. São Paulo : Atlas.. 1978. quando se tratar de sociedades abertas. Fran. MARTINS. . que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. § 1º. . portanto. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. Universidade São Francisco . Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. Comentários à Lei das S. cit. LIMA. cit. 165. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. p. MARTINS. p. [6]Faculta. Rio de Janeiro : Forense. Membro do Instituto de Derecho Comercial de la Universidad Notarial Argentina 6. ob. [13]Cf. [11]MARTINS. in Direito de voto. RT 667. face ao disposto no art.Cumpre destacar que acordo com a lei. 655. 173. cit... sobre a inaplicabilidade dos arts. ob. Neste sentido. cf. Diretor do Departamento de Direito Privado da Universidade Estadual Paulista . 272.REQUIÃO e Rubens. Rubens. [8]Consistindo em órgão de deliberação colegiada. p. 164. Rio de Janeiro : Forense. Wilson de Souza Campos. [3]A Lei 6.. mas à luz da Constituição Federal de 1988. Presidente do Centro de Estudos Latino Americanos da UNESP 4. isoladamente. 1988. -------------------------------------------------------------------------------[1] Cf .

feita pela sociedade através de seus diretores.II . inciso II : “Cessa o mandato : .pela morte ou interdição de uma das partes. [18] Cf. 144 . 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. n.[16]Vide Instrução CVM n. conforme art. Wilson de Souza Campos. denominado nomeação. cit. Anstellung. 1316. Não colide com o disposto no art. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. 152. não apenas possível.observadas sempre as normas do art. BULGARELLI. se extinguiria com a morte do mandante. Wilson de Souza Campos. Por outro lado. de 11. ob. [20]Cf. nos limites de suas atribuições e poderes. [19]Cf. Revista dos Tribunais. 152 da Lei . Revista de Direito Mercantil. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. Fran. Entretanto. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. p. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. portanto. in Revista dos Tribunais. Comentários à Lei das S. correlatamente. [27] Cf. 154. 291 da LSA. integram-se na administração da empresa. p.. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. nem por isso se torna contratual. [28]Cumpre ressaltar. 139. ainda. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. ob.” Cf. como administradores. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. [26]Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. ob. ao lado do ato unilateral de nomeação.12. 310. [25] O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. Orlando. conforme determina o art. o contrato de emprego. 661. p.O mandato representa a outorga temporária de poderes. p. GOMES.. porquanto ela é simples condição de eficácia. [24]A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão.. [29]Ademais. MARTINS. p. § 1º). mas de um ato jurídico unilateral. no § 2º do mesmo artigo. ou podem gozar. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. no § 3º. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. 304. cit. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. das vantagens comuns a todos. ob. 165. prevalecendo o limite menor[25](art. p. cit. criados pelo Estatuto Social. baixada nos termos do art. Não se extinguirá. mas em certos casos. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. a lei impõe ao administrador. . a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. predomina. [17]BATALHA. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. 699 : “o administrador eleito por grupo ou classe. Conquanto esse ato unilateral. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. p. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. [21]Os poderes dos diretores são indelegáveis. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. para a prática de determinados atos. nesses casos. em doutrina. inclusive mediante voto múltiplo (art. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. Rubens.é. 1978. por via do qual se lhe atribui. 429. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha.91.A. vol. tendo em vista suas responsabilidades sociais. a remuneração com parte fixa e outra variável. são parte dela. in Comentários. BATALHA.Se o mandato fosse particular. além de regulamentar. cit. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . [22]É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. Código Civil art. gozam. São Paulo : Forense. Especificamente. do interesse da empresa”.. que devem ser explicitados no instrumento.. 659. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. que a lei (art. 146 § único. REQUIÃO.” [23] “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. O mandato. mas órgão da sociedade. com os respectivos poderes. ob. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. e seus membros. cit. em função dos lucros . 165.

é individual. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedílos. cit. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. [33]Ao violar a lei ou o estatuto.) ÓRGÃOS DE GESTÃO NAS SOCIEDADES POR AÇÕES Bruno Rodriguez Caldas Aluno do 2°ano noturno do Curso de Direito da UNESP(Franca-SP) Sumário: 1. competirá à companhia.ou à Assembléia Geral.Conceito de sociedade por ações.5. Para os cargos de administração de companhia aberta. ob. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil.4. 156. cit.. § 3º). 161. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art..A. Processo histórico. [39]Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. salvo nos casos de conivência. em nível de Diretoria. Comentários à Lei das S. exceto nas companhias abertas. (Neste sentido Fran Martins.A assembléia geral na sociedade por ações. Revista dos Tribunais.A. 2. com atribuições definidas dentro da sociedade. 159. mediante prévia deliberação da assembléia geral. age além dos poderes que lhe são outorgados. que elegerá os membros.A função do conselho . mesmo que temporariamente. § 2º). o acesso a cargos públicos (art. concussão. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. [31] Vide na íntegra o art. [38]Dispõe o art. 157 e seus parágrafos. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. Neste sentido Fran Martins. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. é de competência de auditores.A. nr 42. mas perante terceiros prejudicados. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. de prevaricação. 3. Em regra. 147 § 2º). a responsabilidade dos diretores. [40]Cf. ob. Vide na íntegra o art. contra a economia popular. 147 § 1º). poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. in Comentários à Lei das S. peculato. ao Conselho Fiscal . TJSP. [36] “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. Competirá. cit. ob. rege o § 1º do art. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. § 1º).6. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. RT 670/77. no prazo de três meses (art. caput. 156.Classificação das sociedades anônimas. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). peita ou suborno. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. [32]GUERREIRO. São Paulo : Ed. 159. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. José Alexandre Tavares. que em princípio. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. [41]A verificação de documentos ou propostas da administração. Introdução.[30]Ainda que observado o disposto neste artigo. 158 e 159. [37]A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. em assembléia geral extraordinária. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. ano XX. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. [35]Por força do art. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art.. portanto. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. antes de se submeterem à Assembléia Geral. não sendo possível. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. [34] Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. conforme observa Fran Martins. 1981. Nesse sentido. in Comentários à Lei das S.se em funcionamento . Revista de Direito Mercantil.

9. Para adentrar as questões estruturais.A diretoria das sociedades anônimas. Para facilitar a sua proliferação e conseqüente desenvolvimento econômico. Dessa forma. sem dúvida. credita o título às Companhias de Comércio cuja origem é holandesa e datam de 1602. resultou em aumento significativo de relações comerciais e de atração de capital para investir nas empresas industriais. que acarretou em um imenso crescimento econômico. Elas eram responsáveis por financiar atividades coloniais.de administração. A melhor forma de compreender tal matéria se dá pelo estudo de sua composição. diretoria e conselho fiscal) e o estudo atento da função pertinente a cada parte para a perfeita assimilação do funcionamento de uma empresa regida por esse que. são de suma importância para compreensão do assunto o desmembramento da sociedade em seus quatro principais órgãos (assembléia geral.7. O regime de outorga foi adotado desde a chegada da família real até 1882. Para esses pensadores. quando se adotou o sistema . o fato de as primeiras sociedades por ações atenderem uma função de interesse público3. conselho de administração. a primeira sociedade anônima seria a Casa de São Jorge. É ponto pacífico na doutrina. a Inglaterra inibiu o sistema de autorização e implantou o registro de empresa em órgão específico. esse. a começar do processo de evolução histórico. no entanto. mais especificamente em Gênova. ou seja. mas as sociedades ainda dependiam de autorização governamental para funcionar. Modelo. Alguns dizem que seu início remonta a Itália renascentista. o trâmite não foi diferente. 1 Introdução O presente artigo visa apresentar em seu conteúdo uma breve exposição do funcionamento interno de uma sociedade por ações. é o mais complexo e importante regime societário. por sua vez. havia uma concessão de privilégios por parte do monarca a um grupo de pessoas que passariam a desenvolver determinada atividade econômica. que brevemente se espalhou por todo o mundo4. o que é uma sociedade anônima: seu conceito.8. suas especificidades e classificação.10.Referências bibliográficas. primeiramente será apresentada uma noção básica do regime societário. A maioria dos estudiosos. todavia. aumentou significativamente o número de sociedades anônimas. Mais tarde. para somente então adentrar as questões específicas ao tema. 2 Processo histórico A origem das sociedades por ações gera uma divergência doutrinária1. O conselho fiscal nas sociedade por ações. que foram exercidas inclusive no nordeste brasileiro.Conclusão. Tal crescimento. Assim. dada a quantidade de capital envolvido. O terceiro momento da linha evolutivo desse modelo de sociedade foi marcado pela revolução industrial. espécie de Banco que possuia seu capital dividido em ações2 . Dessa forma. porém. No Brasil. é necessário expor. anteriormente. tal modelo foi simplificado na Europa. Esse estreito relacionamento das sociedades anônimas com o Estado era tão visível que estas dependiam de uma outorga do monarca para funcionar. dos órgãos responsáveis por formar esse importantíssimo regime societário. Assim.

V.ed. 2007. Manual de Direito Comercial e de Empresa. 2003. 3 COELHO. Fábio Ulhoa.Curso de Direito Comercial. em nosso país.cit. Waldo. foi a publicação da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A) que criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atribuiu caráter 1 NEGRÃO.de registro. Fábio Ulhoa. 2000. .1 2 COELHO.2. Ricardo.Manual de Direito Comercial.10.Op.São Paulo: Saraiva.v. São Paulo: Atlas. 4 FAZZIO JÚNIOR. Outro marco significativo nesse ramo.São Paulo: Saraiva.ed.Direito de Empresa.3.

aos princípios da administração pública. portanto. os proprietários podem negociar as suas ações no momento que desejar e com a pessoa que lhe for conveniente sem necessitar de autorização dos demais sócios. Dentre esse segundo grupo de sociedades faz mister acrescentar que algumas. os sócios. privada ou mista se for considerada a origem do capital. também. garante que os sócios só se obriguem a pagar dívidas com valor igual ao do capital investido. 4 Classificação das sociedades anônimas A classificação das sociedades anônimas difere de acordo com o critério adotado. Elas podem ser classificadas como: abertas ou fechadas de acordo com a emissão e distribuição de valores mobiliários em bolsa de valores ou mercado de balcão. ou seja.cit. não se sujeitam às negociações públicas de valores mobiliários na bolsa de valores ou balcão. Tal tipo de empresa atende a uma função social e se sujeita ao regime jurídico de empresa privada. a direção e a atuação6. Essas companhias são regidas por um estatuto e recebem uma denominação. devido ao pequeno porte (patrimônio líquido inferior a um milhão de reais e com capital concentrado nas mãos de até vinte acionistas). nacionais ou estrangeiras se for observada a transnacionalidade de seu capital. recebem tratamento especial por parte da lei10. uma total separação do patrimônio da sociedade. referente à pessoa jurídica. Há. e em multinacionais.cit. o valor correspondente às suas ações. Para garantir segurança ao mercado acionário e incentivar o investimento nessas companhias. um regime próprio de . Por outro lado. possuirem responsabilidade limitada.Op. portanto. caráter mercantil. o governo exige autorização governamental mediante registro na CVM (autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda) para essas empresas poderem atuar8. nosso direito admite o regime de regulamentação às companhias fechadas e o de autorização às abertas. do patrimônio do acionista. e objetiva com o exercício da empresa o desenvolvimento de atividades lucrativas. e o fato de os seu proprietários. A sociedade é considerada aberta quando admite negociação pública de valores mobiliários a fim de captar recursos7. as demais sociedades são consideradas fechadas. Op. Dylson. A classificação mais importante é a primeira e por isso receberá maior destaque no presente artigo. Assim. Observa-se.4° da Lei de Sociedade 5 6 NEGRÃO. Ricardo. Se não observados tais procedimentos ocorre crime que prevê pena de reclusão de 2 a 8 anos mais multa 9. A responsabilidade limitada dos proprietários. 3 Conceito de sociedade por ações Segundo Waldo Fazzio Júnior5 a sociedade por ações é uma pessoa jurídica de direito privado que possui.dual ao nosso sistema. Dessa forma. Ainda neste tópico é importante esclarecer que a sociedade de economia mista é aquela mantida pelo Poder Público e que criada para explorar a atividade econômica de produção de bens ou prestação de serviços. Anônima. DORIA. Ela está presente no art. por sua vez. A divisão do capital social em ações revela que nesse tipo de empresa não importa a pessoa do sócio. Suas principais características são: a divisão de seu capital em frações transmissíveis (ações). por força de lei. mas sim o capital investido. apesar de obedecer. ou seja.

cit. A escolha deste. 13 DORIA. a assembléia geral é uma reunião privada cuja legitimidade de participação é exclusiva de seus membros. Seu caráter e exclusivamente deliberativo”11.Op. expressam o interesse da companhia sobre temas específicos. eleger ou destituir o conselho de administração (se existir). ou seja.cit. suspender os direitos de acionistas. quando donos de ações custodiadas em instituições financeiras ou ações escriturais. Outro fator a ser adicionado é que pessoas distintas dos acionistas. Op. no entanto. incorporação e cisão13. 10 FABRETTI. devem se identificar através de identidade.administração estatal que exerce controle governamental sobre a companhia. Fábio Ulhoa. sofre limitações do tipo temporal e do tipo subjetivo. quatro possuem maior relevância e por isso são previstos em lei. Dylson. a competência da assembléia também deve ser exposta. por outro lado.Op. Waldo. Apesar destes órgãos poderem ser livremente instituídos pelo estatuto social. ou um advogado (que também pode freqüentar às reuniões como acompanhante do acionista.cit. podem eleger um representante que defenda os seus interesses.Op. observar e discutir a prestação de contas dos administradores. FAZZIO JÚNIOR. Fábio Ulhoa. a diretoria e o conselho fiscal. ou melhor. São Paulo: Atlas. COELHO. que apesar de não serem sujeitos de direito. um representante de instituição financeira (só em caso de sociedades abertas). prestando-lhe assessoria jurídica). a diretoria (quando não existir conselho de administração) e o conselho fiscal. Ainda no que abrange a legitimidade de participação faz mister acrescentar que os proprietários sem direito a voto podem discutir. a qual pode abranger as mais minuciosas questões administrativas. No caso das pessoas legitimadas não poderem comparecer. 2004 A assembléia geral “é o órgão máximo da companhia e dela participam todos os acionistas com direito a voto. Op. Assim.cit. como auditores independentes. 5 A assembléia geral na sociedade por ações Para melhor atender seus fins administrativos e jurídicos as sociedades anônimas apresentam desdobramentos de sua pessoa jurídica. por sua vez. Esse órgão é o único capaz de: reformar o estatuto social. apenas determina que a procuração para representação tenha validade de um ano12. Fábio Ulhoa. 9 DORIA. Além da legitimidade. 7 8 COELHO. Dylson. e deliberar sobre operações de transformação. A limitação subjetiva refere-se às qualidades do sujeito representante que pode ser. proprietários de ação nominativa ou através de identidade e extrato de compra de ações. um administrador da companhia. 11 12 COELHO.cit. taxativamente. membros do conselho fiscal e de administração podem participar das assembléias quando ela os convidar ou convocar. Tratamse dos órgãos sociais. Estes. Direito de Empresa no novo código civil. Láudio Camargo. . se manifestar sobre a composição da pauta de discussão.Op.cit. Eles são: A assembléia geral. os acionistas. A limitação temporal.2 ed. fusão. outro sócio. o conselho de administração.

Devido a grande quantidade de funções da assembléia geral, a doutrina a classifica em quatro tipos14: assembléia geral constituinte, especial, ordinária(AGO) e extraordinária(AGE). O primeiro tipo ocorre quando a reunião visa à constituição da sociedade anônima. O segundo visa assegurar direitos de titulares de determinadas classes de ações, evitando modificações estatutárias que os prejudiquem. As duas últimas, no entanto, são as mais importantes e por isso merecem maior destaque. A AGO possui um caráter de obrigatoriedade e periodicidade15, já que deve se reunir uma vez ao ano, no período de quatro meses após findo o exercício social. Ela examina a prestação de contas dos administradores, delibera e voto o destino do lucro líquido alcançado, aprova correção da expressão monetária e, quando necessário, elege o conselho de administração e o conselho fiscal. Esse tipo de assembléia geral necessita da presença de um auditor independente e de um membro do conselho fiscal para atribuir seu parecer sobre as questões discutidas. Tal exigência, se não cumprida, adia a deliberação. Ademais, vale frisar que, salvo em companhias fechadas, os administradores, mesmo que acionistas (membros do conselho de administração), não votam sobre as decisões de sua administração, já que a aprovação de suas contas os isenta de responsabilidade fiscal e administrativa. Os resultados obtidos na AGO, por sua vez, devem ser promovidos pelos administradores em um prazo de 30 dias. Qualquer assunto estranho aos três primeiros tipos de classificação, como a reforma de estatuto, serão tratados pela AGE. Para reunião da assembléia geral, porém, ela deve ser convocada. A competência para a convocação é do conselho de administração, caso este não exista, a atividade será exercida pela diretoria. Em casos excepcionais, todavia, a convocação pode ser realizada pela própria assembléia fiscal, pelo conselho fiscal ou até pelos acionistas16. Esse ato de convocação é tido como formal e deve se dar por publicação de anúncio. Tal procedimento, se não observado, impossibilita a deliberação, salvo hipótese de todos acionistas se encontrarem presentes17.
14 15

FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit. COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. 16 DORIA, Dylson.Op.cit. 17 NEGRÃO, Ricardo. Op.cit.

Convocada a assembléia geral, os trabalhos, ou seja, os debates e votações são presididos por uma mesa cuja composição é prevista no estatuto da companhia. De acordo com o assunto deliberado, vale ressaltar, há exigência de um quorum. Este se subdivide em quorum de instalação e de deliberação, O primeiro é requisito para a realização da reunião (pode ser reunião de 1/4, 1/2 ou 2/3 do capital social) e o segundo serve de condição para a validade das decisões alcançadas (pode ser de maioria absoluta ou até de unanimidade)18. Por fim, as deliberações são narradas, por escrito, em uma ata que deve ser assinada por todos os acionistas presentes e lavrada no livro de atas das assembléias gerais. Se não documentada dessa forma, a lei permite que as atas sejam lavradas sob forma de sumário dos fatos ocorridos, contendo apenas as deliberações levadas a termo.

6 A função do conselho de administração O conselho de administração é um órgão deliberativo com quantidade de membros de número ímpar e plural, ou seja, é composto por no mínimo três pessoas. Sua existência é obrigatória em companhias abertas, sociedades com capital autorizado ou de economia mista, sendo de presença facultativa nas demais sociedades por ações. Sua composição é oriunda de eleição pela assembléia geral e desse mesmo órgão recebe parcela da competência. O conselho de administração pode atuar em qualquer matéria de interesse da companhia com exceção àquelas de atividade privativa à assembléia geral. Contudo, sua função específica é: fixar orientação geral para negócios; eleger e destituir diretoria; suprir omissões do estatuto no que concerne sobre a divisão de competência entre os diretores; fiscalizar a diretoria; convocar a assembléia geral; se manifestar sobre o relatório anual de prestação de contas da diretoria; e escolher e destituir auditores independentes19. O processo de eleição, por sua vez, é legalmente definido como o de voto múltiplo. Esse modelo eleitoral atribui a cada ação uma quantidade de votos equivalentes ao número de cargos que compõe o conselho, quantidade esta prevista no estatuto social. Desse modo, objetiva-se atribuir representatividade a minoria
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit.

acionária. O acionista quando for votar pode concentrar esses votos em um só candidato ou distribuí-los de acordo com seus interesses. Os trabalhos eleitorais serão presididos pela mesa da assembléia geral, que deve, anteriormente a votação, informar aos acionistas a quantidade de votos necessários para garantir a eleição de um membro no conselho20. O período de gestão, também é regido pelo estatuto, mas pode ser interrompido pela assembléia geral. Este órgão tem o poder de destituir o conselho. Tal destituição não precisa ser motivada, já que o conselheiro exerce cargo de confiança, ou seja, encontra-se em seu cargo por autonomia da vontade e, portanto, por essa mesma vontade pode perder sua posição. Por fim, é importante falar da previsão de escolha de um dos membros para o posto presidente do conselho. Esse procedimento obedece à forma prevista no estatuto, sendo, normalmente, fruto de escolha democrática pelos próprios membros do conselho. O presidente é responsável por convocar e dirigir as reuniões bem como resgistrá-las em atas cujo conteúdo será lançado em livro próprio depois de assinada por todos os membros presentes. Nem todas as atas, porém, necessitam ser arquivadas. Tal procedimento torna-se obrigatório somente nos casos que acarretem efeitos a terceiros ou quando a ata relatar reuniões nas quais haja eleições para diretores ou renúncia de conselheiros21. 7 A diretoria das sociedades anônimas Láudio Camargo Fabretti define a diretoria como “órgão executivo das deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e de representação legal da companhia”22. Os diretores não precisam ser acionistas e são escolhidos pelo conselho de administração, na ausência deste o processo pode ser realizado pela assembléia geral. A destituição de cargo pode ser feita a qualquer momento pelos mesmos órgãos 23 que também são responsáveis pela atribuição de competência a cada diretor.
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FABRETTI, Láudio Camargo.Op.cit. 22 DORIA, Dylson.Op.cit. 23 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit

A quantidade de diretores, bem como o período de gestão é determinada pelo estatuto social, certo, porém, é que o mandato não pode ser superior a três anos (cabe reeleição) e que a companhia deve contar com pelo menos dois diretores. No máximo 1/3 da quantidade máxima de diretores, no entanto, pode ser composta por membros do conselho de administração. No que tange à responsabilidade, os diretores respondem solidariamente por responsabilidade civil caso não observem em seus atos o procedimento estabelecido pelas normas da companhia24. Por fim, há de se citar a existência de casos específicos nos quais os diretores têm a necessidade de se reunir para deliberar. Nestas situações, a decisão a ser tomada flui da maioria dos votos. Tais trabalhos são registrados em atas cujo conteúdo é lavrado em livro próprio. 8 O conselho fiscal nas sociedades por ações O conselho fiscal é responsável por fiscalizar os demais órgãos, principalmente no que concerne às prestações de contas, e à legalidade e regularidade dos atos de gestão25. Assim, sua atividade deve ser autônoma, ou seja, não pode ser hierarquicamente inferior ao conselho

a assembléia geral é tida como mais importante. Assim. que recebe parcela da competência da assembléia geral. é um órgão facultativo.cit empresa pessoas com estas qualificações. portanto. Dylson. também. Para bem realizar sua atividade. conselho de administração. todavia exige-se que sejam graduadas em ensino superior ou pelo menos contem com uma experiência mínima de três anos em cargo de administrador. Waldo. necessariamente. também. já que disponibiliza aos acionistas para exercícios de direito e de fiscalizar e votar”26. todavia. é obrigatória. portanto de um órgão de discussão e votação que é utilizado como instrumento de manifestação da vontade dos proprietários para a realização das atividades. FAZZIO JÚNIOR. diretoria e conselho fiscal. O conselho de administração. ela é feita através da escolha de um número de três a cinco membros (mesmo número de suplentes) pela assembléia geral. é importante acrescentar que as companhias abertas devem contratar auditores independentes registrados no CVM para. Dentre essas subdivisões. destacam se em relação aos demais e. realizar função de fiscalização. por sua vez. a empresa deve contar com um conselho fiscal. são tratados pelo direito.Op. por sua vez. Outro aspecto importantíssimo do conselho é a sua responsabilidade. ele passa a realizar seus trabalhos de forma colegiada. 9 Conclusão Após o breve estudo do tema pode-se perceber que a sociedade por ações. por sua vez. pode-se requerer ao juiz da comarca uma autorização especial. para melhor exercer as suas funções é dividida em órgãos que realizam funções específicas. O art. Op. Ele pode exercer atividades referentes a qualquer matéria da companhia. por sua vez define que o conselho fiscal será responsabilizado se for conivente com medidas ilícitas ou prejudiciais a sociedade. Quatro órgãos. Waldo Fazzio Júnior acrescenta que “ sua atuação é instrumental. exercer sua atividade.de administração nem à diretoria. Trata-se. que o conselheiro que tiver se posicionado de forma contrária (verificação se dá por registro em ata) se exime do cumprimento da obrigação27. Formado o conselho. Finalmente. por isso.163 da LSA garante a necessidade de registrar as reuniões em atas e arquivar os pareceres. È importante ressaltar. Waldo.165 da mesma lei. O art. A presença do órgão. Eles são: a assembléia geral. porém. Caso não haja na 24 25 DORIA. que em caso de omissão ele responderá de forma solidária. visto que reúne os acionistas e decide. vencendo sempre a maioria. O mesmo artigo define.cit. salvo aquelas .cit 26 FAZZIO JÚNIOR. o conselho deve ter a sua disposição todo o arsenal de informações necessárias. Op. é livre e prevista em estatuto social. As pessoas a serem escolhidas não precisam ser acionistas. porém o seu funcionamento é facultativo. No que tange a composição do conselho. A quantidade de subdivisões. através de deliberações todo o futuro da sociedade empresária bem como elegem os membros que compõe os outro órgãos. mas esse não precisa.

Op. Waldo.que são exclusivas à assembléia geral. Já a diretoria exerce cargo executivo e de representação da companhia e o 27 FAZZIO JÚNIOR.cit .

3. portanto. Manual de Direito Comercial e de Empresa. a divisão de funções para os órgãos objetiva a maior segurança nos negócios e conseqüente maior lucratividade. 10 Referências bibliográficas COELHO.ed. Waldo. 2 ed.10.2. Láudio Camargo. Curso de Direito Comercial. FABRETTI. NEGRÃO. Dylson.Direito de Empresa. . 2000. 2004. Percebe-se. como não poderia deixar de ser realiza trabalhos de fiscalização das atividades exercidas pelos demais órgãos.São Paulo: Saraiva.ed. Manual de Direito Comercial. Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa. DORIA. Direito de Empresa no novo código civil.v.1. São Paulo: Atlas.conselho fiscal.ed. 2007. que se caracteriza pelo seu grande porte e movimentação intensa de altos valores. faz-se necessária uma divisão de tarefas que otimize os trabalhos e garanta bons resultados aos acionistas. 2003. Assim.São Paulo: Saraiva. que para o bom andamento de uma sociedade anônima. FAZZIO JÚNIOR. V.v. Ricardo.1. 2000. São Paulo: Atlas.São Paulo: Saraiva.14.

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