SOCIEDADES ANÔNIMAS A presente matéria visa orientar às Sociedades Anônimas acerca das publicações legais de atas, convocações, anúncios

e demonstrações financeiras. Procuramos destacar aspectos práticos e de âmbito geral, tais como prazos a serem observados, obrigatoriedade das publicações e casos em que as mesmas são dispensadas, jornais para a veiculação dos atos societários, bem como os caracteres gráficos mínimos permitidos por lei. Vale ressaltar que a presente matéria trata das normas gerais da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações objeto da Lei n. 9.457, de 05 de maio de 1997, e da Lei n. 10.303, de 31 de outubro de 2001, aplicáveis às sociedades anônimas em geral. Cabe a cada S/A verificar as normas específicas aplicáveis ao seu caso em particular, sem prejuízo das normas gerais. Assim sendo, as Instituições Financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, deverão observar as normas específicas expedidas por esse órgão. Assim também deverão proceder as companhias abertas, observando as normas específicas emanadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Publicações Legais ordenadas pela Lei n. 6.404/76 às Sociedades Anônimas Edital de Convocação: A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por três vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. (art.124). 1a. Convocação: Na companhia fechada com 8 dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio e na companhia aberta com 15 dias de antecedência. 2a. Convocação: Não se realizando a Assembléia, deve ser publicado novo anúncio. Na companhia fechada com 5 dias de antecedência e na companhia aberta com 8 dias de antecedência. Cabe ressaltar, que não se admite anúncios prevendo desde logo a 2a. convocação. Deve ser publicado novo anúncio. Dispensa da publicação: A Assembléia que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação do edital (art. 124 § 4o.). Atentar para o dispositivo legal que se refere a "todos os acionistas", e não apenas aos que possuem "direito de voto". Aviso aos Acionistas: Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária, por anúncios publicados por três vezes, no mínimo, que se acham à disposição dos acionistas os documentos referidos no art. 133. Dispensa da publicação:

a) a assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação dos anúncios (art.133 § 4o).); ou b) a empresa que publicar o Balanço e demonstrações financeiras até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária (art.133 § 5o.) Balanço: O Balanço e demais Demonstrações Financeiras deverão ser publicados até 5 dias antes da Assembléia Geral Ordinária (art. 133 § 3o). A assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a inobservância do referido prazo, mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia (art. 133 § 4o). Atas: Todas as Atas de Assembléias Gerais de Acionistas deverão ser publicadas. Extrato de Ata - Tem-se observado a publicação de extrato de ata lavrada na forma sumária, ou seja, a publicação de um "resumo" do "resumo". Isto é inadmissível. Somente quando a ata é completa, plena, lavrada sob a forma tradicional, discorrendo sobre todos os fatos ocorridos, aí sim, é permitido extrair um extrato para a publicação, ou seja, um texto mais resumido, conciso, com o sumário dos fatos ocorridos e das deliberações tomadas. O legislador é claro quando diz no art. 130 § 1o. que a ata poderá ser lavrada na forma de sumário dos fatos ocorridos, e conter a transcrição apenas das deliberações tomadas. E, no mesmo art. 130 § 3o. diz que, se a ata não for lavrada na forma permitida pelo § 1o., poderá ser publicado apenas o seu extrato, com o sumário dos fatos ocorridos e a transcrição das deliberações tomadas. Portanto, apenas para a ata que não foi lavrada na forma de sumário, é facultada a publicação de um extrato. O Prof. Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 2o. vol., pgs. 757/758, 2003) discorrendo acerca de tal dispositivo legal afirma que "Não pode ser publicado extrato de ata sumária – Ainda que pareça despicienda a repetição do texto claro da lei a respeito, torna-se indispensável ressaltar que é absolutamente ilegal a publicação de extrato de ata submetida ao regime sumário". É importante frisar, que a faculdade dada pelo legislador para as sociedades anônimas publicarem um extrato de ata, refere-se única e exclusivamente às atas de Assembléias Gerais de Acionistas. Tal faculdade não se estende às atas de Reuniões do Conselho de Administração. Estas, quando contiverem deliberação destinada a produzir efeitos perante terceiros, deverão ser publicadas na íntegra. Artigo 294 A companhia fechada que tiver menos de 20 (vinte) acionistas, com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) poderá: - convocar assembléia geral por anúncio entregue a todos os acionistas,contra recibo, com a antecedência prevista no art. 124, ou seja, está dispensada de publicar o edital de convocação; e - deixar de publicar o Balanço e demais Demonstrações Financeiras de que trata o art. 133.

O disposto neste artigo não se aplica à companhia controladora de grupo de sociedades, ou a ela filiadas, ou seja, suas controladas e coligadas. Cabe lembrar que a dispensa de publicação a que se refere o art. 294, limita-se tão somente ao edital de convocação e ao balanço. Note-se que o referido artigo não menciona os avisos pondo à disposição dos acionistas os documentos a que se refere o art.133. Portanto, conforme entendimento de longa data da Procuradoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo esses avisos deverão ser publicados. Jornais de veiculação das publicações legais As publicações ordenadas pela Lei das S/A serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme o lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia (art. 289). Vale ressaltar que as publicações legais (convocações, anúncios, demonstrações financeiras e atas) das S/A cuja sede é, por exemplo, no Estado de São Paulo, deverão ser feitas: - no órgão oficial do Estado, ou seja, obrigatoriamente no Diário Oficial do Estado de São Paulo, não se admitindo Diário Oficial da União, e - em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia. Entende-se por "jornal" o que se publica, no mínimo, cinco dias na semana, a exemplo do próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo que tem cinco publicações semanais. E por "grande circulação" entende-se o jornal cuja distribuição é feita na localidade em que é editado de forma regular e de fácil acesso aos acionistas. Caracteres gráficos nas publicações legais A Lei n. 8.639 de 31/03/93 disciplinou o uso de caracteres nas publicações obrigatórias. O tipo de letra deve ser, no mínimo, de corpo seis, e o título deve ser do tipo doze ou maior. O não-cumprimento dessa determinação será objeto de exigência pela Junta Comercial, conforme disposto no art.57 do Decreto n. 1.800/96. Em São Paulo, de acordo com a Portaria Jucesp n. 73/98, somente serão aceitas as publicações legais em jornais de grande circulação que utilizarem corpo de letra no mínimo de corpo seis, com entrelinhamento mínimo de seis e meio. Não serão aceitas publicações com caracteres condensados. As publicações a serem feitas no Diário Oficial do Estado de São Paulo continuam obedecendo aos padrões vigentes naquele órgão, conforme Portaria 002 de 18 de fevereiro de 2.000 da Imprensa Oficial do Estado S/A, em seu artigo 2o. que reza o seguinte: I – o nome da empresa deverá constar de linha (s) única (s) de abertura, não recorrido, com corpo mínimo de 12, negrito; II – o CNPJ, título da matéria (ata, relatório da diretoria, etc.) e o restante do material será no corpo mínimo de sete, com entrelinhamento mínimo de 7/8 (sete sobre oito).

la Loi n° 11.2.2. 7.3. 4. Registro de Inventário.3. 4. 11. Exibição administrativa dos Livros .Société anonyme Système Public de Comptabilité digitale. Livros Digitais – 4. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência.3 Os livros Sociais.4. Acesso às informações do SPED – 8. 4. 7. Função do SPED. Livros em papel. 7.1. Funções da escrituração – 9. A fim de expressar. Livro Razão.2.3.2. 4. 3. 4. Microfilmagem. et ainsi que sa performance. De même avec la création du Système Public de Comptabilité Digitale.9.1. Sumário: 1. Conseqüência da irregularidade na escrituração – 11.4. estabeleceu-se a necessidade de aprimoramento do levantamento do exercício social e da demonstração contábil e financeira da sociedade. Perda.2. Livro de Movimentação de Combustível (LMC).1.2. 4. Fichas. Registro de Apuração de ICMS. e bem como o seu desempenho.6. Registro de Saídas. Usuários do SPED.638. Valor probante da escrituração – 7. Os Livros Fiscais.Démonstrations Contábéis et financières . 4.11. Espécies de Livros Empresariais.022/2007 trouxeram varias mudanças no campo da escrituração e das demonstrações financeiras das sociedades anônimas e nas sociedades de grande porte. Requisitos intrínsecos e extrínsecos – 6.2.1. périodiquement. 28 de décembre de 2007 et du Décret 6.Do exercício social e das demonstrações contábeis Resumo: Estamos diante de uma nova etapa na área empresarial e contábil.5. a real situação do empresário.638. Conservação da escrituração – 10. Escrituração – Demonstrações Contábéis e financeiras –– Sociedade anônima .2. Disposições Gerais . Inclusive com a criação do Sistema Público de Escrituração Digital. 4. c´´est-à-dire.Introdução – 2. Palavras-chave:. Registro de Controle da Produção e do Estoque. 3. Competência da Secretaria da Receita Federal. Instrumentos de escrituração mercantil. periodicamente. 3. 4. O livro de apuração do lucro real (LALUR).7.Sistema Público de Escrituração digital Résumé: Nous sommes en avant d´´une nouvelle étape dans le secteur d´´entreprise et comptable.1. 3.2. 4. Most clef: Comptabilité . 6. 4.2.2.8. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais. 4.1. ou seja. Os Métodos e o Valor probante da escrituração.10. Os Livros Contábeis. Outros Livros fiscais – 4. a Lei nº 11. Livro-diário.2.1. 4. Exibição judicial dos Livros empresariais. Exibição dos livros empresariais. Registro de Entradas.1. Afin d´´exprimer. 4.3.4.1. 4.3. 4. 7. la réelle situation de l´´entrepreneur. 4. 6.2. extravio ou inutilização de livros fiscais.2.2. Livros Facultativos – 5.1. Sistema Público de Escrituração Digital.2. la nécessité a établi d´´amélioration de l´´enquête de l ´´exercice social et de la démonstration comptable et financière de la société.3) Livro Balancetes Diários e Balanços – 4. Registro de Duplicatas.1. Os métodos ou formas da escrituração.022/2007 a apporté varie des changements dans le champ de la comptabilité et des démonstrations financières des sociétés anonymes et dans les sociétés de grand transport.2. de 28 dezembro de 2007 e o Decreto 6. Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis – 3.

14. Escrituração é o nome que a legislação escolheu para expressar o ato de se efetuarem os lançamentos em contas. 14. uns são favoráveis ao interesse de uma parte e outros lhe são contrários. 14. a expressão Escrituração é criticada por Eliseu Martins [02]. Escrituração é o conjunto de lançamentos contábeis.Disposições Gerais .1. base na escrituração uniforme de seus livros em correspondência com a documentação respectiva.1.2. 14. As conseqüências para a falta das demonstrações contábeis periódicas são as seguintes – 15.3.16. A demonstração do valor adicionado no caso de companhia aberta. 14. 14. sendo inclusive indivisível a escrituração "se os fatos que resultam dos lançamentos.1. Demonstrações contábeis. Tanto as sociedades empresárias como os empresários individuais estão obrigados a seguir um sistema de contabilidade [03]. Assim. bem como não possibilita ao empresário avaliar o acerto das decisões administrativas e negociais tomadas. Impossibilitada de elaborar demonstrativos contábeis por falta de lastro na escrituração. O balanço patrimonial. A demonstração do resultado do exercício. A Escrituração completa é composta pelos lançamentos contábeis e pelas demonstrações financeiras elaboradas no encerramento de cada exercício social [01]. pois a expressão mais ajustada para o Capítulo IV do Livro sobre Direito de Empresas seria chamá-lo de Exercício Social e Demonstrações Contábeis. a lista mais comum de vantagens de uma entidade para manter escrituração contábil. IV)Imprescindível no requerimento de recuperação judicial (Lei 11. Referencias Bibliográficas 1. bem como os rumos a serem seguidos. A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. por certo encontrará dificuldades em obter fomento creditício em instituições financeiras ou de preencher uma simples informação cadastral [05]. . [04] Devemos expor que o empresário sem um sistema que demonstre o exercício social e as demonstrações contábeis é uma entidade sem memória.5. e a levantar anualmente balanço patrimonial e o resultado econômico.2. 14. mecanizado ou eletrônica com.empresariais – 12. Assim.3. Filiais – 14. 380. Ativo.4. sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência ou de planejar seu crescimento. A demonstração dos fluxos de caixa. Contudo. Passivo. 14. posteriormente compilados em livros e fichas. geralmente para fins contábeis. Obrigatoriedade e reponsabilidade do contabilista – 13.Introdução No Direito empresarial. III)Contestação de reclamatórias trabalhistas quando as provas a serem apresentadas dependam de perícia contábil.1. do CPC).101/2005). II)Comprova em juízo fatos cujas provas dependam de perícia contábil. são as seguintes: I)Oferece maior controle financeiro e econômico à entidade. mas ambos serão considerados em conjunto como uma unidade" (art. Divulgações das demonstrações contábeis .

para os fins exclusivos desta Lei. determina que: Art. as disposições da Lei nº 6. ativo total superior a R$ 240.404.000. XI)Para o administrador.638.00 (trezentos milhões de reais). X)Prova. e da Lei no 6.638/07 é expresso no sentido de que as sociedades de grande porte devem observar as regras da Lei das S/A no que tange à elaboração e escrituração das demonstrações financeiras. e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. de 15 de dezembro de 1976. VI)Base de apuração de lucro tributável e possibilidade de compensação de prejuízos fiscais acumulados. sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários. para fins de apuração de haveres ou venda de participação. de 28 de dezembro de 2007. Muito embora a regra que determina a publicação das demonstrações esteja inserida em um dos parágrafos do artigo 176 da Lei das S/A. cabendo ao administrador. Portanto.195. VII)Facilita acesso ás linhas de crédito.020). Parágrafo único. sujeitando os sócios ou titulares ás penalidades da Lei que rege a matéria. não há que se falar que a publicação das demonstrações financeiras esteja inserida dentro do . de 7 de dezembro de 1976. Inicialmente poder-se-ia indagar da não obrigatoriedade da publicação das demonstrações contábeis. em juízo. do Código Cível e em outros diplomas legais. a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver. IX)Prova a sócios que se retiram da sociedade a verdadeira situação patrimonial.404.000. até pela obviedade das vantagens acima listadas. pois o artigo 3º da Lei 11. de 15 de dezembro de 1976.000. ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações. que trata da elaboração das demonstrações financeiras. Considera-se de grande porte.179 a 1.000. que Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.V)Evita que sejam consideradas fraudulentas as próprias falências. sócios ou representantes implementarem a escrituração através de contabilista devidamente habilitado.00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300. a situação patrimonial na hipótese de questões que possam existir entre herdeiros e sucessores de sócio falecido. a contabilidade deve ser considerada sempre uma ferramenta imprescindível à gestão de qualquer entidade. 1. 3º Aplicam-se às sociedades de grande porte. [06] A Lei 11. A matéria sobre o Exercício Social e as Demonstrações Contábeis está disciplina nos artigos 1. no exercício social anterior.385. supre exigência do Novo Código Civil Brasileiro quanto á prestação de contas (art. VIII)Distribuição de lucros como alternativa de diminuição de carga tributária..

". fornecedores. veio a Comissão de Valores Mobiliários [07]. especialmente perante investidores potenciais. [09] O sistema de contabilidade deverá ser mecanizado ou digitalizado por meio eletrônico. institucionais e estrangeiros. por quaisquer meios. Por fim. de modo a formar um todo organizado visando interpretar e registrar os fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. é extremamente positiva. embora a nova lei não obrigue expressamente as sociedades de grande porte a publicar suas demonstrações financeiras. o suíço e o germânico. Sem deixar de acompanhar a intensa movimentação do mercado após a edição da Lei 11. 2. Derivará da Consulta Pública aberta até o próximo dia 25 um ato normativo para regular os efeitos da novel legislação. credores. mas deixa livre a espécie destes e o método de escritura. uma vez que a transparência apresenta-se como uma das medidas que mais agregam valor à empresa no campo da governança corporativa. anterior. em Consulta Pública lançada no dia 14 de janeiro de 2008.Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis As legislações atuais instituem três sistemas de demonstrar o exercício social e contábeis. a denominação e as regras de escrituração [08]. consumidores. Certamente oferecerá mais elementos para reflexão dentro da polêmica instaurada. governos e a sociedade em geral. e c) O sistema germânico é adotado na Alemanha. a publicação ou a divulgação de tais informações. Não discrepa o ente regulador do entendimento esposado neste artigo.. vale mencionar que.Instrumentos de escrituração mercantil O mecanismo de escrituração deve obedecer a um sistema de contabilidade o qual se refere a um conjunto de elementos interconectados harmonicamente.. 3. Reconhece apenas a inexistência de menção ao verbo "publicar" na lei nova sem contestar que a lei alvo da modificação. .638. mas libera o método de escrituração. A Lei impõe o número de livros obrigatórios. já o menciona expressamente. A lei impõe certos livros como obrigatórios. o francês. onde a lei obriga o empresário a ter livros. caso as sociedades de grande porte optem pela publicação ou a divulgação voluntária de suas demonstrações financeiras. empregados. informar em caráter preliminar que embora não haja menção expressa à obrigatoriedade de publicação dessas demonstrações financeiras. estas devem seguir os parâmetros exigidos pela legislação em vigor. dando norma para a representação gráfica dos mesmos. a) O sistema francês é o adotado pelo Brasil. b) O sistema suíço é adotado pela Inglaterra. que são duas atividades completamente distintas e inconfundíveis. Não obstante as considerações acima apresentadas é imprescindível destacar que. orienta pelo atendimento às regras de transparência já editadas. inclusive eletrônicos (tais como websites).processo de sua elaboração.

iniciando se pelo numeral um. sucursais ou agências.livros em microfichas geradas através de microfilmagem de saída direta do computador (COM). geralmente duras. em livro já autenticado pela Junta Comercial. IV . Livros encadernados são os que se costuram com maior firmeza e segurança. sendo protegidos por capas. enfeixados em capas flexíveis e de pouca resistência.180). Fichas O Código Civil permite que os livros em papel venham a ser substituídos por fichas ou formulários avulsos ou contínuos por aqueles que adotavam escrituração mecanizada ou eletrônica (artigo 1. II . Livros em papel De acordo com De Plácido e Silva a expressão livro é o vocábulo usado para designar (…) toda coleção de cadernos. no livro em papel.conjunto de fichas avulsas (artigo 1. 3. de 25 de abril de 2006.A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº nº 102. contendo a escrituração retificada (artigo 5º. da Instrução Normativa nº 102/2006). em relação a um mesmo período. O livro não poderá ser dividido em volumes. podendo. do Código Civil). ser escriturado mais de um livro. deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência.180. a qual deverá ser assinada pelos mesmos signatários do termo e homologada pelo autenticador do instrumento pela Junta Comercial. incluído na seqüência da escrituração o balanço patrimonial e o de resultado econômico. do Código Civil).conjunto de fichas ou folhas contínuas (artigo 1. 3. não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro.livros em papel. Segundo o artigo 2º da Instrução Normativa nº 102. manuscritos. de mesmo número ou não. Livros brocardos são ligeiramente costurados ou grampeados. com sede em país estrangeiro (artigo 1º). Segundo o método de sua confecção.1. III . poderá ser feita ressalva na própria folha ou página. sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria. e de maior resistência. os livros são brocados ou encadernados.2. do empresário ou sociedade autorizado a funcionar no País. A retificação de lançamento feito com erro. As disposições desta Instrução Normativa aplicam-se às filiais. [10] . parágrafos 2º e 3º.180.livros digitais. mediante termo de homologação por esse datado e assinado. Existindo erro ou omissão de algum dado obrigatório do termo de abertura e/ou encerramento. no País. quando for o caso (artigo 4º. A numeração das folhas ou páginas de cada livro observará ordem seqüencial única. de acordo com as necessidades do empresário ou da sociedade empresária. impressos. de 25 de abril de 2006 pode elaborado em: I . protegidos exteriormente por duas capas. da Instrução Normativa nº 102/2006). desde que obedeçam as formalidades legais. V . observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade.

regulamentada pelo Decreto nº 64.A adoção de fichas de escrituração não dispensa o uso de livro diário para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. 100 da Lei nº 6. com as indicações que os identifique para efeitos de controle. sendo vedado o destaque ou ruptura das mesmas ou avulsas. aplicar-se-ão. No caso das companhias abertas. ainda.404. com certificado digital [12]. de acordo com as regras do IPC Brasil. selo cronológico digital. os traslados e as cópias deverão estar assinados pelo responsável da organização ou do estabelecimento detentor do filme negativo e pelo contador. anualmente. As microfichas. por meio de carimbo aposto em cada folha ou mediante termo próprio.433/68. pelo empresário individual ou pelo administrador da sociedade empresaria. com certificado digital de segurança mínima A#. Poderá ser utilizado como sistema se houver comunicação à Junta Comercial no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o termino de cada livro ou conjunto de fichas. como instrumento de escrituração. de segurança mínima tipo A#. da Instrução Normativa nº 102/2006). em forma de sanfona. da Instrução Normativa nº 102/2006).4. poderão ser contínuas. no conjunto de hash [13] dos livros digitais autenticados. 100 da Lei nº 6. de 15 de dezembro de 1976. Um e-book por ser um método de armazenamento de pouco custo e de fácil acesso devido à propagação da internet nas escolas. da Instrução Normativa nº 102/2006). 3. observada a disciplina da Lei 5. selo cronológico digital. As fichas que substituírem os livros. As Juntas Comerciais deverão inserir. as quais serão numeradas tipograficamente (artigo 8º. parágrafo 1º. deverão atender os requisitos constantes do Anexo I da Instrução Normativa nº 102/2006. Pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em alguns portais de internet gratuitos.404. as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.3. poderá ser utilizada pelas companhias e em relação aos livros sociais de que trata o art. Serão transmitidos às juntas comerciais via Internet ou entregues em CD/DVD regravável ou em pen drives. com subdivisões numeradas mecânica ou tipograficamente por dobras. pelas juntas comerciais. de 15 de dezembro de 1976. em blocos. . PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso.398/69. 3. inserido em cada autenticação. Livros Digitais Segundo a Wikipédia [11] o livro digital ou E-book é um livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores. e obrigatoriamente autenticado em cartório. como instrumento de escrituração. Para produzirem efeitos legais. O sistema de microfilmagem. CD-ROMs e pen-drives. apenas para os livros dos incisos I a III do art. Os livros digitais deverão necessariamente ser assinados por contabilista. Também deverão ser autenticados. Os e-books são facilmente transportados em disquetes. ao qual deve ser atribuído o número subseqüente ao do livro diário escriturado em fichas (artigo 4º. (artigo 16. para o caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Microfilmagem É admissível a microfilmagem da escrituração.

ainda. por necessidade administrativa. Já os livros Especiais são aqueles cuja escrituração é imposta apenas a uma determinada categoria de exercentes de atividade empresarial. [17] Faz-se necessário demonstra a diferença entre livro Razão e o livro diário. 14.383. art. Os livros Comuns são os livros obrigatórios cuja escrituração é imposta a todos os empresários. Segundo Fabio Ulhoa Coelho [15] os livros empresariais obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário a sua ausência traz conseqüências sancionadoras (inclusive no campo penal).Espécies de Livros Empresariais Analisando as espécies de livros a partir dos manuais de contabilidade chegamos à conclusão que eles estão divididos em livros contábeis. art.2. indistintamente. Na escrituração dos empresários e das sociedades encontramos vários livros que não são propriamente contábeis e.1. que incorporou as Leis nº 8. por conta ou sub-conta. 4.1. de 1991. a escrituração e a manutenção do livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar. onde todos os eventos passíveis de registros contábeis são efetuados. livros fiscais. [14] Contudo. Assim. e b) facultativos.218. 4. mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. e nº 8. pelo prisma jurídico podemos afirmar que os livros empresariais se dividem em duas categorias: a) obrigatórios que se subdividem em comuns e especiais. A escrituração deverá ser individualizada. existe uma folha de razão para cada conta. O Livro Razão é de grande utilidade para contabilidade porque registra o movimento de todas as contas. 259. obedecendo-se a ordem cronológica das operações (RIR/1999.1.1. Em verdade. livros sociais e por necessidades administrativas.Os Livros Contábeis Segundo os manuais de Contabilidade os livros contábeis são os livros Diários e os livros Razões. [16] Segundo informações obtidas no site da Receita Federal "a partir de 1º/01/1992. de 1991. neste livro existe um controle individualizado para cada conta. 62)". Os livros facultativos são os que o empresário e a sociedade escritura com vistas a um melhor controle sobre seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção. fiscais. o livro Razão é escriturado em fichas. Na Contabilidade moderna.4. art. Livro-diário [19] . tornouse obrigatória. os lançamentos efetuados no Diário. sim. sociais e. 4. Livro Razão [18] O livro Razão consiste no agrupamento de valores em contas de mesma natureza e de forma racional. para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real.

que serve de índice ao Diário".Total da partida dobrada.Histórico. 4º .valor da operação e. a adoção desse sistema não exclui o empresário de obediência aos requisitos intrínsecos. desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados. em forma de sanfona. 6º .Total do crédito. em ordem cronológica e com observância de certas regras". 1. Quem empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário por fichas seguidamente numeradas. 5º .valor do débito. Desta forma.data. art. a base de toda contabilidade de um empresário ou de uma sociedade é o Livro Diário que representa o registro histórico de todos os acontecimentos de ordem empresarial. Para o livro-diário mecanizado são: 1º .184. previstos na lei fiscal e empresarial para o livrodiário. a ser submetidos à autenticação do órgão competente no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). 8º . são o Diário. O livro-diário tradicional pode ser substituído por fichas (contínuas. 3º . 2º .000.local e data. a legislação civil determina que apenas o livro Diário é obrigatório para todos os empresários e sociedades empresárias. Os Elementos Essenciais do Lançamento no Livro Diário manuscrito são: 1º . do Código Civil). 5º .nº do documento. Assim. Porém.179 c/c 970 do Código Civil e pelo Estatuto do Super Simples.00 (tinta e seis mil reais) estará dispensado de escrituração por força do art. Admite-se a escrituração resumida do Diário.Total do débito e.conta ou contas debitadas. propriamente. mês e ano. 2º . Segundo De Plácido e Silva [22] "os livros de escrituração. 3º .184.Histórico da operação. de uso obrigatório. relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento. Os livros ou fichas (Diário) deverão conter termos de abertura e de encerramento. art. Se o empresário individual possuir receita Bruta anual de R$36. 7º . Este livro registra os fatos contábeis em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia.valor do crédito. sendo que os registros deverão ser feitos diariamente. 1. soltas ou avulsas).conta ou contas creditadas. o Razão.Segundo Sérgio de Iudícius [20] o Livro Diário é um livro no qual são registradas todas as operações contabilizáveis de uma entidade. devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresaria (parágrafo 2º. ressalvado os sujeitos abrangidos pela Lei Complementar nº 123/06 que trata do Super Simples ou Simples Nacional. para registro individualizado. do Código Civil). 6º . 4º . e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação (parágrafo 1º. com totais não excedam o período de 30 dias. Entretanto.Código da conta. Já se enquadrar como a Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte terá apenas como livro obrigatório o livro-caixa. O livro diário deve ser encardenado com folhas numeradas seguidamente. não se . [21] Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 1. que se tenham verificado na atividade empresarial.

1. destinando-se para aqueles que delas necessitarem. ou seja. conferindo todos os registros efetuados pela empresa. no encerramento do exercício. entre eles: verificar a autenticação do livro no órgão competente. 4. Registro de Inventário Neste livro o empresário realiza o lançamento dos saldos das mercadorias e materiais não comercializados ou consumidos durante o exercício comercial. retificando-os ou ratificando-os conforme constatações. [23] 4. verificar se os registros das mercadorias de entrada foram todos realizados.2. É através deles que as informações são extraídas.pode concordar com a indagação de que o Diário é obrigatório para todos os empresários. O livro Balancetes Diários e Balanços serão escriturados de modo que registre (art. o saldo resultante com indicação dos credores e devedores.Os Livros Fiscais [26] Podemos classificar como livros fiscais os que se encarregam de armazenar todos os fatos relacionados com as atividades fiscais do empresário e da sociedade. pois. [24] De acordo com Mario Sergio Milani [25] a adoção de fichas não dispensa o livro para o lançamento patrimonial e do de resultado econômico.2. 1. O art. 1186 do Código Civil): I . estabelecendo que na coleta dos elementos para o inventário serão observados os critérios de avaliação a seguir determinados: .a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis. verificar cálculos. Um dos interessados nessas informações é o Estado. em ordem cronológica de dia. II . Este livro deve consignar.1.187 do Código Civil reformulou a função do livro Registro de Inventário. é através destas informações que ele exerce sua atividade de policiar parte do grandioso vulto econômico gerado pelas entidades econômicas. 4. É através dos livros fiscais que o fisco verifica todas as transações dos empresários e das sociedades. pelo respectivo saldo. observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. o saldo anterior. etc.o balanço patrimonial e o de resultado econômico. no intuito de acompanhar no dia-a-dia todas as transações realizadas pelas empresas. discriminando em relação a cada uma delas. Por isso que é o próprio instituidor dos livros. em forma de balancetes diários. mês e ano. esse livro serve para registrar o inventário de todos os itens pertencentes ao empresário ou sociedade na data do encerramento das demonstrações contábeis. a movimentação diária das contas. Alguns cuidados e observações devem ser tomados quando nos referimos a este livro.3) Livro Balancetes Diários e Balanços O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o Livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços. os débitos e os créditos do dia e.

II . Todas as mercadorias (gerando crédito fiscal ou não).2. previsão equivalente.o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com base na respectiva cotação da Bolsa de Valores. duplicidade de lançamentos de entradas. c) a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento adquirido pelo empresário ou sociedade.I ." 4. nem para as percentagens referentes a fundos de reserva. à taxa não superior a doze por cento ao ano. no período antecedente ao início das operações sociais.os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de realização. não se levando em conta os prescritos ou de difícil liquidação. salvo se houver. Registro de Saídas . devendo. III .os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição. Em uma coluna especifica. a diferença entre este e o preço de custo não será levada em conta para a distribuição de lucros.2. fixada no estatuto.3. deve se efetuar o registro do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações (ICMS). 4. Registro de Entradas Este livro registra todas as aquisições realizadas pelo empresário e sociedade. antes de qualquer outra verba do no exercício no livro diário. etc. ou fabricação. à sua amortização: (a) as despesas de instalação da sociedade. ou pelo preço corrente. nas pequenas empresas. os não cotados e as participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição. [27] Segundo Cesare Vivante [28] "não é necessário que o livro de inventários forme um livro próprio e autônomo. Entre os valores do ativo podem figurar. ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da empresa podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação. e quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição. As principais observações realizadas neste são as referentes aos cálculos dos impostos. se houve aproveitamento intempestivo do crédito fiscal. pela ação do tempo ou outros fatores. ele efetivamente figura por vezes. sempre que este seja inferior ao preço de custo. desde que se preceda. falta de registro de documento fiscal. aproveitamento de créditos fiscais sem o documento original (quando contém apenas a xérox). e principalmente as em regime de Substituição Tributária. bens destinados à alienação. até o limite correspondente a dez por cento do capital social. e os bens forem avaliados pelo preço corrente.os valores mobiliários. b) os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima. na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso. quanto aos últimos. matéria-prima. anualmente. criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor.2. IV . atender-se à desvalorização respectiva.

Este registro. são os originários da apuração entre os débitos e créditos fiscais. Pelos registros de créditos e débitos que realizamos nele. devem ser registrados pela autoridade fiscal a data. os livros examinados. querosene iluminante. por exemplo. bem como outras ocorrências de ordem fiscal. se o empresário e a sociedade gozam de regime especial concedido ou exigido pela repartição fazendária. Algumas observações devem ser feitas.2.2. Este livro é dividido por colunas para registro da data da operação da venda. etc. resultando no montante de impostos que o empresário e a sociedade vai recolher. verificando se este é devedor ou credor. dos estoques e de movimentação de compra e venda de gasolina. pois. com o objetivo de promover o controle de produção e do estoque. e se o empresário e a sociedade terá imposto a recolher ou saldo a transferir ao próximo período. tipos de infrações cometidas pelo contribuinte. quando ocorrência uma fiscalização na empresa. os resultados da última fiscalização. eventuais multas aplicadas o empresário e a sociedade. a alíquotas do ICMS e o valor do imposto. bem como seus saldos. a descrição dos produtos.2. Neste livro. pelo posto revendedor de combustíveis líquidos e gasosos. conferir os valores a serem recolhidos e as guias de recolhimento dos respectivos impostos. 4. os estoques de material de escritório. em contrapartida com os registros de entradas.8. as mesmas a serem realizadas nos livros de registros de entradas. como: a autenticação obrigatória pela autoridade competente. óleo diesel. ou seja. [29] 4. verificar se os transportes dos livros de registro de entrada e saída estão corretos. estabelecido pelo Regulamento do IPI. álcool etílico hidratado carburante. é nele que ficam registradas as informações correspondentes à última fiscalização. entre outros. mistura . a quantidade de mercadorias vendidas. são registrados os estoques de produtos para revenda. Logo.2. quais as contas que foram verificadas. Livro de Movimentação de Combustível (LMC) O LMC destina-se ao registro diário. com débito do ICMS realizados pelo empresário e sociedade. 4. Registro de Controle da Produção e do Estoque O livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque é obrigatório para as indústrias e estabelecimentos equiparados. 4.No registro de saídas temos os lançamentos oriundos das operações de vendas de mercadorias. os livros que foram verificados.6.5. material de limpeza e demais produtos existentes no estabelecimento.7. As observações aqui realizadas devem ser. Nele podem ser observadas informações como. praticamente. podemos apurar o saldo da conta corrente. Registro de Apuração de ICMS O livro de registro de apuração do ICMS é o livro encarregado da conta corrente do ICMS. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência Um dos livros mais importantes para a fiscalização ou auditagem de uma empresa. o livro é utilizado para os registros de auditorias fiscais realizadas na empresa.

com observância das normas da legislação comercial. da depreciação acelerada incentivada.2. Deve ser autenticado pela Junta Comercial. b) transcrever a demonstração do lucro real. devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários. [30] 4. O livro de apuração do lucro real (LALUR) [31] O livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) existe para assegurar a separação entre a escrituração comercial e a fiscal. participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido e que. do lucro inflacionário a realizar. desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo. exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar.metanol/etanol/gasolina e gás automotivo. provisões. a pessoa jurídica deverá: a) lançar os ajustes do lucro líquido do períodobase (apurado na escrituração comercial). Nesse livro.10. não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos-base futuros e não constem da escrituração comercial. 177 da Lei n° 6. necessários para a determinação do lucro real (base de cálculo do Imposto de Renda). cronologicamente. receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração .404/76). adições: a) custos. demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares. perdas.2. com o número de ordem. Registro de Duplicatas É o livro obrigatório. rendimentos. para todos os fins desta Lei. O Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. prorrogações e outras circunstâncias necessárias. anotações das reformas. d) O LALUR não precisa ser autenticado por qualquer órgão oficial. a saber: I. ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários. ajustado no LALUR pelas adições. c) manter os registros de controle dos prejuízos fiscais a compensar em períodosbase subseqüentes. o nome e domicílio do comprador. prevista no parágrafo 2° do art.9. encargos. na escrituração mercantil. No LALUR. data e valor das faturas originais e data de sua expedição. todas as duplicatas emitidas. serão escrituradas. despesas. b) resultados. segundo o artigo 19 da Lei de Duplicatas. para os empresários que adotem o regime de vendas ou prestações de serviços com extração de fatura e emissão de correspondente duplicata.404/76 (Lei 6. sem modificação da escrituração mercantil. 4. Este livro foi instituído pela Portaria 26/92 do Departamento Nacional de Combustíveis. da exaustão mineral com base na receita bruta.

-das entradas ou prestações de capital realizado. o registro de impressão de documentos fiscais. ou de sua aquisição pela companhia. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. -das mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. II.3.11 Outros Livros fiscais Além desses. -do resgate.Os livros Sociais A companhia deve ter. -do penhor. de acordo com a legislação do Imposto de renda.404/76 e também nas sociedades limitadas que tenham mais de 10 sócios e facultativo para as que tenham menos de 10 sócios. respeitados os limites e demais normas pertinentes. anotação ou averbação devendo conter os seguintes dados: -do nome do acionista e do número das suas ações. não sejam computados no lucro real. do Estadual. d)O livro de Atas das Assembléias Gerais é obrigatório nas sociedades anônimas como estipula o artigo 100. observando-se. no que couber. além dos livros obrigatórios contábeis e fiscais para qualquer empresário. livro de apuração do imposto sobre serviço.2. b)O livro de "transferência de Ações Nominativas". fideicomisso. 4. do Distrito Federal e do Município. pela sua natureza exclusivamente fiscal. que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. os seguintes revestidos das mesmas formalidades legais: a ) Livros de "registro de Ações nominativas" para inscrição. existem outros livros fiscais. não tenham sido computados na apuração do lucro líquido. e outros. da alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. reembolso e amortização das ações. c)O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas". 4. devam ser computados na determinação do lucro real. em . usufruto. o disposto nos números I e II deste artigo. se tiverem sido emitidas. Controle bancários. exclusões: a) resultados. rendimentos. o registro de empregados. em ambos. Entre eles destacamos: O livro de apuração do IPI. de uma em outra espécie ou classe. b) valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do Imposto de Renda e que. c) compensação de prejuízos fiscais de períodos-base anteriores. exigidos pelo fisco da União. para lançamento dos termos de transferência. receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido e que. IV da Lei 6.do lucro líquido e que. -das conversões de ações.

4. previsto nos artigos 1. remetendo cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. extravio ou inutilização de livros fiscais Ocorrendo extravio.067 a 1. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observada as citadas formalidades O contribuinte deverá: 1º . documentos ou papéis de interesse da escrituração. do Decreto-Lei 486/69 [32] e art. deterioração ou destruição de livros. VII. 2º . Nas sociedades limitadas. c) declarar expressamente a possibilidade ou não de se refazer a escrituração em 45 dias. Perda. g)O livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal previsto no art.075. 10. a pessoa jurídica fará publicar. da Lei 6.404/76. devidamente apresentado à assembléia geral. ou seja.069 do Código Civil. não poderá jamais se escusar sob o escudo do art. do Regulamento do Imposto de Renda. 1. do Código Civil). Este livro tem como finalidade registrar os trabalhos e deliberações da assembléia de acionistas ou sócios.3. 264. aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação. [33] . bem como o resultado dos exames trimestrais dos livros e papeis da sociedade e o estado da caixa e da carteira. Neste livro se lavra a posse dos membros efetivos e suplentes do Conselho fiscal. ao órgão competente de Registro do Comércio. fichas. b) informar o período a que se referir à escrituração do livro. e)O livro de Presença dos Acionistas este livro é obrigatório para as sociedades anônimas. estando previsto no art. Por outro lado.1. tem conselho fiscal. É evidente que se a perda ocorreu por má-fé ou mero descuido do empresário. tomando por base o balanço patrimonial e do resultado econômico. não se faz por meio de previsão constante do próprio ato constitutivo.404/76. é obrigatório para as sociedades cujos atos constitutivos prevejam um Conselho Fiscal (art.virtude da previsão do art. o número de ordem e demais características do livro. qual o período e o valor (se existir).062 do Códigio Civil. 1. se deixou os livros se deteriorarem por conta de circunstância evitável. do Código Civil.066. dentro de 48 (quarenta e oito) horas. em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento. 100. por força do artigo 161 da referida lei. 1. e de Atas das Reuniões de Diretoria este livro é obrigatório para as sociedades anônimas como se refere os artigos 100 e 149 da Lei 6. é obrigatório para as sociedades anônimas que. f)Os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração se houver. d) informar a existência ou não de débito de imposto. a contar da ocorrência da seguinte forma: a) mencionar a espécie. com como o parecer sobre os negócios e as operações sociedade do exercício em que servirem.Efetuar a imediata publicação da ocorrência em jornal de circulação em todo o Estado. que prevê para a posse do administrador da sociedade limitada quando da sua designação se faz em ato separado. é facultativo. e) anexar as publicações no jornal e no Diário Oficial.Comunicar por escrito à repartição fiscal de sua circunscrição em 15 dias.

bem como as mudanças de domicílio fiscal. em relação às obrigações acessórias relativas à confecção e manuseio dos livros fiscais: Art. venda.3. VII . cisão.remeter à repartição fiscal de seu domicílio. 123. nas operações que com ele realizar.escriturar os livros e emitir documentos fiscais. o prazo ocorrerá a partir da data de sua emissão.comunicar à repartição fazendária as alterações contratuais e estatutárias.4.exibir ou entregar ao Fisco. antes de sua utilização. observadas as disposições constantes dos Capítulos próprios deste Regulamento. transformação. quando exigido ou solicitado. . os livros e/ou documentos fiscais. quando obedecido o prazo legal de escrituração. quando de início e todas as vezes em que houver substituição. os livros e documentos fiscais até que ocorra a decadência dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. IV . Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais De acordo com o Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS. para imprimir ou mandar imprimir documento fiscal.inscrever-se na repartição fiscal antes do início de suas atividades.solicitar à repartição fiscal competente a autenticação de livros e documentos fiscais. II . V . sucessão motivada pela morte do titular. devidamente registrados na repartição fiscal do seu domicílio. bem como o roubo ou inutilização do equipamento ECF. VIII . transferência de estabelecimento. 120 a 122. São obrigações do contribuinte: I .2.exibir a outro contribuinte a FIC.comunicar imediatamente à repartição fiscal de seu domicílio o extravio ou perecimento de livros e documentos fiscais. III . XIII . no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a ocorrência do fato. incorporação. XI . na forma estabelecida nos arts. o prazo se contará a partir do último lançamento nele consignado. observado o disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo. 119. comunicação contendo dados do responsável pela sua escrita contábil. fusão. VI . observado o disposto no art. encerramento ou suspensão de atividade. assim como outros elementos auxiliares relacionados com sua condição de contribuinte.manter em seu poder. observado o seguinte: a) em se tratando de livros. b) em se tratando de documento fiscal.solicitar autorização da repartição fiscal competente.

O artigo 1. Nesta razão. pois auxiliam o empresário e a sociedade empresária a melhor exercer as suas atividades. dispôs sobre o direito de fiscalização dos acionistas de forma praticamente uniforme.4. 3º Para os efeitos do parágrafo anterior. de 15/12/1976. desde que observe as mesmas exigências listadas para o livro Diário. voluntariamente. à autenticação pela junta Comercial. não se entendem nem obrigatórios nem necessários. 268. parágrafo 2º do Código Civil. não sendo obrigatórios mostram-se necessários. de forma a impedir sua substituição. 2º O "visto" será gratuito e aposto em seguida ao termo de abertura lavrado pelo contribuinte. contados da data do último lançamento 4. 1º Os livros fiscais terão suas folhas encadernadas. da estrutura do capital e das próprias relações entre os acionistas. juntamente com a apresentação do livro anterior a ser encerrado.XV . em ordem crescente. desde que não se trate de início de atividade. desde que atendam às exigências da escrituração obrigatória. tanto para as companhias fechadas quanto para as abertas.404. são os que podem ser dispensados. a demandar do operador do direito a percuciente análise das características do empreendimento. fiscais ou trabalhistas. que serão impressos e de folhas numeradas tipograficamente. e instituídos. [34] A gravação de assembléias e reuniões e o direito de fiscalização nas sociedades anônimas Não obstante a casuística própria das sociedades anônimas. afirmando que o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. Há livros que.Livros facultativos Estes livros não são obrigatoriamente exigidos pelas leis comerciais. E desse modo. é harmônico. só serão usados depois de visados pela repartição do domicílio fiscal do contribuinte. segundo a natureza e o volume de seus negócios. . Art.cumprir todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária. os livros a serem encerrados serão exibidos à repartição competente do Fisco dentro de 05 (cinco) dias. Os livros fiscais. é inegável que a Lei n° 6.179. O artigo 7º do Decreto-Lei 486/69 permite ao empresário ou a sociedade empresaria qualquer livro de escrituração que julgue conveniente adotar. pelos empresários.

com nítidos reflexos constitucionais e infraconstitucionais. representando a Lei n° 6. também serve de princípio geral norteador da atividade econômica (art. de 15 de dezembro de 1976. fixados nas legislações específicas das sociedades anônimas dos diversos países. que. O direito de fiscalizar os negócios sociais. de 31/10/2001. art. Isto porque. evolução e aplicação necessariamente jungida à realidade social vigente. se aplicada à generalidade de situações. concluindo-se que a estrutura orgânica das companhias. o que. 5o). a regra da prevalência pura e simples da vontade da maioria acionária acarretaria evidentes abusos. por seu turno. novamente. ainda é perverso no tocante aos direitos dos acionistas minoritários. . Aliás. 5o. já foram objeto de estudo pela doutrina. as convergências entre as sociedades anônimas e o Estado. volume 2). Modesto Carvalhosa afirma que os direitos individuais dos acionistas. pondo em risco o próprio direito fundamental à propriedade (Constituição Federal. a mais significativa contrapartida ao princípio geral e inarredável de que o acionista deve submeter-se à vontade da maioria. Por maior que seja o apego do operador do direito e da própria sociedade aos modelos alienígenas. tem sua concepção. previsto no inciso III do aludido dispositivo legal. são indisponíveis. aliás.303. Em tal contexto. inciso II). ambos tomados em sua concepção mais moderna. a divisão de poderes do direito constitucional. com o consectário de sua indelegabilidade. senão o reconhecimento formal da necessidade de criação de instrumentos. como se sabe. o nítido liame entre o direito societário e o direito constitucional). não se pode esquecer que o direito. que. tem se revelado pouco adaptado ou pouco adaptável à realidade em vigor no seio das sociedades anônimas. por influências políticas diversas. gera perplexidades dentro e fora do Brasil. não deixa dúvida nossa Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei n° 4. não raro. conforme. reproduz. o modelo jurídico-societário brasileiro. o legislador estatuiu no art. com a distinção dos órgãos deliberante. 109 da Lei das S/A os chamados direitos essenciais dos acionistas. ainda que mínimos. art.404/76 a adoção do chamado "institucionalismo empresarial" entre nós. executivo e fiscalizador. com o predomínio da maioria em detrimento da minoria (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas: Lei n° 6. Saraiva. inciso XXII). por sua natureza fundamental. por ser uma ciência social. representa. São Paulo. no direito privado. não obstante os notórios avanços empreendidos nos últimos anos. particularmente aqueles introduzidos pela Lei n° 10. de forma indiscriminada. Não se pode negar que o sistema jurídico pátrio construído em torno das sociedades anônimas. de 04/09/1942. A razão de ser dessa e de todas as demais garantias legais constituídas em prol dos acionistas minoritários não é outra.657. refletem a concepção política do constitucionalismo (note-se. 1997. talvez.404.Em garantia da higidez e da própria coerência lógico-jurídica da existência e do funcionamento das sociedades anônimas. contra as iniqüidades próprias do nosso arcabouço jurídico e da realidade política e econômica vigente no âmbito das sociedades anônimas. 170.

inciso XXIII. que pode se dar no âmbito legislativo ou. na ordem econômica. quando decorrentes do regime e dos princípios adotados pela própria Constituição Federal (art. de 15/12/1976. 5o. na esfera judicial. como visto. em sendo necessário. ." (Acionista Minoritário na Sociedade Anônima: Direito de Fiscalização: Uma Abordagem Não-Dogmática.Exsurge desse quadro de desigualdade existente entre acionistas controladores e minoritários a imperiosa necessidade de intervenção estatal para atenuação das diferenças. 5o. caput). em bases constitucionais: "À lei das sociedades por ações – e de resto. c/c arts. não podem ser dela excluídos. qualquer disposição legislativa que trate sobre sociedades privadas – não é dado o privilégio de estabelecer critérios de participação acionária ou de dispor sobre decisões intersócios em prejuízo dos princípios e regras constitucionais reservadas à proteção dos direitos pessoais. inciso XIV). o tratamento isonômico ao acionista minoritário. inciso III. entre eles o direito de igualdade (art.. parágrafo único... temos que qualquer alteração neste lineamento contraria disposições constitucionais. sendo as assembléias gerais a sede própria ao exercício desse direito essencial. Carlos Alberto Benke. fortalecidos pela ampliação que se faz da aplicação dos direitos fundamentais constitucionais. art. § 2o). 5o. o direito de informação (art. 5o. que tem por função precípua ensejar a formação da vontade social. Porto Alegre. inciso XXII) e outros que. Livraria do Advogado. sendo este (direito essencial legalmente previsto) equiparado aos direitos individuais políticos. e a garantia de que o acionista deve ser tratado.404. previstos na legislação societária. 116. e 170. 5o. ainda. O direito de fiscalização vem a ser. da Constituição Federal). (. em tal contexto. no exercício da fiscalização. e para que elas se desenvolvam validamente e objetivem os seus fins há de ser observado o denominado método assemblear.) Estabelecidas as regras que guarnecem o direito essencial do acionista de fiscalizar o andamento dos negócios sociais. Tal intervenção. com a dignidade reclamada na Constituição em dois dispositivos e. embora não estejam expressamente previstos no texto constitucional. políticos e sociais dos investidores.) Em virtude da proteção aos direitos individuais dos acionistas. Esta é a gênese de um direito societário efetivamente protetivo dos interesses econômicos. São inseparáveis os direitos individuais dos acionistas – minoritários em especial – dos direitos fundamentais previstos na Constituição. fundado. 2003). (. bem como no próprio respeito ao exercício pleno dos direitos e garantias individuais previstos na Carta Magna. é fundada no interesse público e na função social das sociedades anônimas (Lei n° 6. sendo aqueles inspirados nestes. o direito de propriedade (art.. conclui-se que todos os sócios de uma sociedade por ações encontram-se em pé de igualdade em termos de direitos e obrigações. o principal instrumento de defesa do acionista minoritário. seja esta modificação decorrente da manifestação legislação ou mesmo de atitudes dos acionistas detêm o controle/administração da sociedade.

de instrumento ao abuso de direito previsto na lei civil (Código Civil. previsto no art. a ata instrumento de certeza jurídica. O desvirtuamento de todos os princípios e regras legais e constitucionais aqui invocados pode revelar-se por vários meios. que devem constar dos livros próprios (art. baseado na lista de presença (art. em regra. como se sabe. possibilita o controle da legalidade e legitimidade da sua instalação e das deliberações havidas. novamente. O contraditório. não por acaso. esse documento da assembléia que. como documento necessário da sociedade anônima. da Lei das S/A. 127) e na ata da reunião dos acionistas. entre elas. figurando no elenco dos direitos e garantias fundamentais (Constituição Federal. da Lei das S/A. sejam opostas às exceções de irregularidade e de nulidade pelos acionistas. § 1o. A absoluta relevância das atas assembleares pode ser aferida à luz da lição de Modesto Carvalhosa: "A ata. presentes e ausentes. motivo suficiente em si mesmo para ensejar a anulação das deliberações assim viciadas. permitindo assim que seja ela oponível aos demais órgãos sociais e. art. abalando o pilar do princípio documental da assembléia: "O direito vigente também se filia ao princípio documental da assembléia. na medida em que registra as deliberações e a vontade social. . 109. inciso III. aliás. que acarreta verdadeira incerteza jurídica. ademais. portanto. servindo. constitui uma dessas práticas contrárias à governança corporativa. Permite. por exemplo. 130. o que. por exemplo.) E é em razão da relevância das atas das assembléias que o mesmo autor é crítico ferrenho da adoção da forma sumária. Constitui. em particular o de fiscalização da gestão dos negócios sociais. Tal a importância atribuída pela lei à observância do direito essencial de fiscalização do acionista que o seu descumprimento é. portanto. embora expressamente autorizada pelo art. tem status constitucional. após publicada. A adoção de atas sumárias nas assembléias gerais. relacionado com os trabalhos da assembléia geral. a terceiros. cit. ao colégio acionário e. art.Requisito essencial do método assemblear é que seja assegurado ao acionista a plena informação sobre os assuntos a serem deliberados. a deliberada e sistemática adoção de práticas cerceadoras das atividades dos Conselhos Fiscais e de Administração no desempenho das suas funções fiscalizadoras. 187). por meio destes. de imposição feita pelos acionistas controladores em detrimento dos minoritários. as deliberações e a vontade majoritária. 5o. não admitindo. inciso LV). muitas das vezes com o objetivo de escamotear a verdade e omitir as minúcias das questões postas em debate nos conclaves. bem como o exercício do contraditório em relação às matérias debatidas para a formação da vontade social. 100)." (sic) (op. pois. Decorre ela. evidencia a gênese constitucional dos direitos dos acionistas. contra a instalação. os respectivos assentamentos em documentos ou folhas apartadas o soltas.

assim." (op.. da ata sumária. . durante a tramitação do projeto e agora. grifos nossos) Diante desse contexto. contrariando aquele interesse. cit. A adoção. que decidirão em causa própria ou na dos administradores por ele eleitos. discordantes valer-se do regime da publicidade para manifestar seus pontos de vista e. não só adota a forma sintética como exacerba profundamente esse regime. A ata sumária constitui. os trabalhos da assembléia.E quanto ao regime de declarações da ata. 153] A lei vigente traz outra inovação. cit.. eventualmente.. op. em cada assembléia. como um legítimo instrumento de defesa dos acionistas minoritários contra arbitrariedades. por deliberação majoritária. p. após a promulgação da lei. poderá ser lavrada sem que dela conste o inteiro teor dos protestos e representações de acionistas. porém com essas restrições que impedem que a ata reflita. por um dos grandes comercialistas brasileiros. temos que a ata. (op. a própria derrogação daquelas. A lei mantém o regime de publicidade. a ata sumária representa. [especificamente Waldirio Bulgarelli. sem dúvida. pois. na medida em que não podem os sócios.. a gravação magnética dos conclaves revela-se. Assim. à luz dos direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal e também em consonância com o direito essencial de fiscalização garantido pela Lei das S/A. Trata-se.. o qual sequer depende de autorização assemblear ou tutela jurisdicional específica para ser colocado em prática. na realidade. estão. igualmente. É princípio fundamental dever a ata ser redigida de maneira que permita àqueles que dela não participaram do conclave e à Justiça apreciar os fatos que ocorreram na assembléia geral. ao instituir a ata sumária. Pergunta-se em que ponto a ata sumária supressora da manifestação dos acionistas minoritários pode atender ao interesse social. ao sonegarem o registro e a publicação das manifestações minoritárias. poderá a administração publicar apenas o seu extrato. grifos nossos) E arremata. ainda que sinteticamente. já que se submetem os trabalhos à censura prévia dos controladores (. A iniqüidade desse sistema de ata sumária foi reiteradamente apontada. aglutinar outros acionistas na defesa do interesse social. Quando a ata não for sumária – e somente nesta hipótese -. na medida em que este passa a ter poderes legais de censura sobre as manifestações dos minoritários. cit. expediente de perpetuação do grupo controlador. O princípio da informação torna-se relativo.). lapidarmente: "Em uma lei que se arvorou em defensora das minorias. de preceito lesivo aos interesses dos acionistas minoritários. depende de decisão dos controladores. Tal expediente atende apenas aos interesses dos controladores que.

678-1. ainda que realizada sem o conhecimento e consentimento dos demais presentes às assembléias gerais. Sr. previsto na Lei das S/A e cuja gênese está nos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal. entre outros. portanto. elemento fundamental à implementação do princípio documental inerente a tais atos coletivos. Ministro que a gravação telefônica autorizada ou feita por um dos interlocutores. na hipótese de gravação dos conclaves realizados no seio das sociedades anônimas. por decorrer de direito subjetivo do acionista. Além disto. manifestado no julgamento do HC 74. Dito voto tratou especificamente da situação em que um indivíduo realiza gravação telefônica sem o conhecimento do seu interlocutor. entretanto. praticados com o objetivo de produção de prova. com apoio na doutrina de Vicente Greco Filho. O Excelso Pretório. não merece análise no campo das provas ilícitas. a quebra de segredo profissional. no julgamento do HC n. com o exclusivo intuito de documentar seu conteúdo (princípio da certeza jurídica). sem o conhecimento da outra parte. A gravação implícita ou explícita de assembléia geral ou de reunião do outros órgãos societários de natureza colegiada (conselho de administração e conselho fiscal) insere-se no âmbito das gravações privadas de conversas entre pessoas. Reputando-se ilícita a prova obtida através da violação do ordenamento jurídico. é albergada por excludente de ilicitude quando há investida criminosa desta última. os Tribunais brasileiros têm-se orientado. é absolutamente legal e legítima.Isto porque dita gravação. No tocante à interceptação telefônica. não podendo se orientar pelos mesmos fundamentos de direito que norteiam a controvertida interceptação telefônica. teremos como exemplos de atos contrários ao direito. pelo entendimento inaugurado no voto paradigmático do Ministro Nelson Jobim. Nessas hipóteses a gravação não configura o exercício regular de um direito reconhecido. Tal não se verifica. viés inteiramente diverso. a violação do sigilo epistolar. assim se posicionou: . a gravação dos debates e das deliberações ocorridas no âmbito de qualquer órgão societário traz o benefício da certeza jurídica. em que o direito reconhecido vem a ser o de fiscalização dos negócios sociais pelo acionista.338-8-RJ. situado fora do campo das provas ilícitas. Naquele caso. a escuta clandestina e o constrangimento físico ou moral na obtenção de confissões ou depoimentos testemunhais. 75. assumindo. a invasão domiciliar. modernamente. Verifique-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal. a subtração de documentos. Entende-se que o direito à privacidade é sacrificado em prol da legítima defesa ou de outra excludente de antijuridicidade. gerando direito subjetivo passível de ampla proteção. A gravação explícita de conversa. podendo-se inserir nessa espécie a gravação de assembléias gerais de acionistas e reuniões de conselho de administração e de conselho fiscal. entendeu o Exmo. em 11/03/98.

sem justa causa. Ocorrendo. futuramente. mas no ambiente). aliás. é a divulgação da conversa sigilosa. que intercepta conversa de umas pessoas. São Paulo.. à excelente obra de Luiz Francisco Torquato Avolio (Provas Ilícitas."(." O Ministro Carlos Velloso. nesse caso. (. da gravação que se faz para documentar uma conversa entre duas pessoas. assim se pronunciou: "Faço distinção entre gravação efetuada por terceiro. a integridade física. ambas as situações (gravação clandestina ou ambiental e interceptação consentida por um dos interlocutores) são irregulamentáveis porque fora do âmbito do inciso XII do art. . os quais estão liberados se há justa causa para a gravação. Assim. por exemplo. na sua fundamentação. ainda não assimilou bem o conceito de gravação clandestina. tanto no processo criminal como no civil. A clandestinidade. do mesmo modo que no sigilo de correspondência. o sigilo existe em face dos terceiros e não entre eles. o próprio direito à intimidade e. a vida. independentemente do fato de a exceção à regra da inviolabilidade das comunicações haver sido regulamentada. é de se afastar – frise-se – o direito à prova.. 5º da Constituição e sua licitude. não tenho como ofendido preceito constitucional e nem tenho como ilícita a prova. admissíveis no processo. a gravação clandestina é de se reputar lícita. O que a lei penal veda. 233 do Código de Processo Penal). dentro das excludentes possíveis. dado que não há. Isso porque. Neste caso. chamada por alguns de gravação clandestina ou ambiental (não no sentido de meio ambiente. haja ou não conhecimento da parte de seu interlocutor. não se confunde com a ilicitude. E. o que as torna.. 153 do Código Penal e art. dependerá do confronto do direito à intimidade (se existente) com a justa causa para a gravação ou interceptação. na ordem jurídica brasileira. que afirma: "Observa-se que a jurisprudência.) Em nosso entender. que se insere entre as garantias fundamentais. "onde a tutela do sigilo das comunicações não abrange a gravação clandestina de conversa própria. a liberdade. tornando ilícita a prova decorrente.) a gravação unilateral feita por um dos interlocutores com o desconhecimento do outro. de modo geral. nenhuma lei que impeça a gravação feita por um dos interlocutores de uma conversa. pois. os seus titulares – o remetente e o destinatário – são ambos. portanto. conflito de valores dessa ordem. nos moldes da disciplina da exibição da correspondência pelo destinatário (art. RT. Os interesses remanescentes devem ser suficientemente relevantes para ensejar o sacrifício da privacy. bem como a da prova dela decorrente.. o direito de defesa. inclusive para documentar o texto dessa conversa. como estado de necessidade e a defesa de direito. sobretudo. não é interceptação nem está disciplinada pela lei comentada e." O mesmo acórdão faz alusão expressa. A ‘justa causa’ é exatamente a chave para se perquirir a licitude da gravação clandestina. também inexiste tipo penal que a incrimine. no julgamento da Ação Penal n° 307-3-DF." (grifo nosso) Concluiu o autor que o sistema brasileiro é similar ao italiano. Qualquer pessoa tem o direito de gravar a sua própria conversa. 1995).

Desnecessário que conste expressamente da inicial dos Embargos a citação da outra parte. não é ilícita a sua admissão pois não atinge princípio constitucional. Mas a questão fica no campo ético. sem justa causa. seja pessoalmente. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. de fatos que digam com a privacidade das pessoas. 740 do CPC. " No Superior Tribunal de Justiça encontra-se pensamento idêntico. Generalizar a proibição é que não me parece adequado. Não se procede à impugnação ao valor da causa se não observado o rito determinado pelo art. observado o art. DEFERIMENTO. Agravo de Instrumento. DESPACHO SANEADOR. e diante da norma contida no art. quando alguém mantém determinada conversação. Embargos do Devedor.. ILICITUDE DA PROVA.. em regra. SIDNEY HARTUNG Julgado em 11/02/2003" "SEPARAÇÃO JUDICIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. 261 do CPC. dado o seu caráter. uma inconfidência. Precedentes. RECURSO IMPROVIDO. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO Número do Processo: 2002.012-RJ (91. de que a conversa está sendo gravada." O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também já se pronunciou em linha com o entendimento majoritário: "EMBARGOS DO DEVEDOR. incidental.15158 Data de Registro : 26/03/2003 Órgão Julgador: QUARTA CAMARA CIVEL DES. AGRAVO DE INSTRUMENTO. sem que dê conhecimento ao seu interlocutor. 383 do CPC. Não há proibição legal. como se pode ver no voto do Ministro Cláudio Santos proferido no Recurso Especial nº 9.0004503-9): "Considero que. Não se admitirá a divulgação. Se a prova se limita à reprodução de diálogos entre as partes. Prova consistente em gravações magnéticas Possibilidade. Decisão que se reforma. o que configurará.) Nenhum homem de bem gravará uma conversa que tenha tido com outrem. quando muito. Caberá ao juiz avaliar. POSSIBILIDADE. PRODUCAO DE PROVA. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO .(. Prova. Não configura prova ilícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. seja com o uso de meios eletrônicos. cujo grau de censurabilidade não chega a tornar ilícita a prova.002. Citação do embargado. arrisca-se a ver a mesma divulgada.

corrigidos monetariamente. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. Civil.SÃO FERNANDO PATRIMONIAL LTDA. LITIGANCIA DE MÁ-FÉ. NOTA PROMISSÓRIA. Litigância de má-fé caracterizada. Devida a indenização fundada no dano moral. DANO MORAL. PROCESSO CIVIL .002. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. MARIA AUGUSTA VAZ Julgado em 09/04/2002" "PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ADMISSIBILIDADE. (FJB) Partes: JORGE JOAQUIM DE ALMEIDA E S/M .14672 Data de Registro : 12/06/2002 Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL DES.AÇÃO ORDINÁRIA.001. RESTITUIÇÃO DAS MPORTÃNCIAS PAGAS. a partir de cada reembolso.12197 Data de Registro : 13/08/2002 Folhas: 140991/141002 Comarca de Origem: CAPITAL Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL Votação : Unânime DES. CONFIGURACAO. Código de Processo Civil. mas simplesmente de reprodução de conversa mantida pelas partes e gravada por uma delas. Promessa de compra e venda de imóvel. mediante instrumento particular de incorporação imobiliária. Restituição integral dos valores pagos. independendo a admissibilidade da referida prova do conhecimento de sua formação pela outra parte.N. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. Provimento do apelo. PEDIDO DE RESCISÃO. PROVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. VISANDO DESCONSTITUIR NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA EM NOME DO VENDEDOR E QUE SE ENCONTRA EM SEU PODER . Gravação feita por quem participou da conversa gravada. PROVA PERICIAL. Entrega pela construtora de apartamento duplex. INSTRUMENTO PARTICULAR. RECURSO PROVIDO. Ementário: 24/2002 . Não se cuidando de interceptação de conversa telefônica ou de outro meio ilegal ou moralmente ilícito. FITA MAGNÉTICA. Rescisão do contrato por inadimplemento. JUROS CONTRATUAIS. INDENIZACAO. há de ser esta gravação admitida como prova em juízo. CARACTERIZAÇÃO. a teor do artigo 383.Número do Processo: 2001.29/08/2002 Tipo da Ação: APELAÇÃO CÍVEL Número do Processo: 2001. incidindo os juros iguais do contrato. ao invés de uma cobertura. 23 . ILICITUDE DA PROVA. de cobertura localizada na Barra da Tijuca. PAULO SERGIO FABIÃO Julgado em 16/10/2001" COMPRA E VENDA DE IMÓVEL.

a garantia da legal da reparação dos eventuais danos.CORREÇÃO DA DECISÃO HOSTILIZADA JÁ QUE NÃO SE TRATA DE PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO.. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO.002.09608 Data de Registro : 04/01/2001 Órgão Julgador: DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CIVEL DES. pela absoluta licitude e constitucionalidade da gravação de reunião por um dos interlocutores. DESPROVIMENTO DO RECURSO. MARIA HENRIQUETA LOBO Julgado em 14/09/1999" Pode-se concluir. Número do Processo: 1999. No entanto. que subsistem no campo meramente hipotético e. mormente quando dita gravação tem por escopo prevenir ou registrar eventuais abusos ou violações do direito.RECURSO IMPROVIDO. são passíveis de composição pelo direito comum. LIMITANDO-SE O ENVOLVIMENTO AS PRÓPRIAS PARTES. tal interesse não resta atingido pelo mero ato de gravação de uma reunião ou assembléia em que tais assuntos sejam tratados. ainda que sem o consentimento dos demais. NO SENTIDO DE APURAR AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS DAS PARTES ENVOLVIDAS NA TRANSAÇÃO . NA RECLUSÃO TÍPICA DE CONSULTÓRIO MÉDICO. . NÃO É CONSIDERADA ILÍCITA PROVA RESULTANTE DE GRAVAÇÃO DE CONVERSA REALIZADA POR UM DOS INTERLOCUTORES REVELANDO-SE IRRELEVANTE A CIRCUNSTÂNCIA DE SER A GRAVAÇÃO FEITA FURTIVAMENTE. sempre. Número do Processo: 2000. DE SOUZA Julgado em 21/11/2000" "AGRAVO DE INSTRUMENTO. LICITUDE E VALIDADE. No campo do direito societário.002. ATO ENVOLVENDO APENAS AS PARTES. a única restrição que se poderia fazer é a que abriga o interesse da companhia em preservar o sigilo de seus negócios. Apenas o uso indevido dos dados gravados é que poderia caracterizar a quebra desse sigilo. MAS DE CONVERSAS A RESPEITO DO NEGÓCIO . ainda assim.0632 Data de Registro : 26/10/1999 Órgão Julgador: DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL DES. tendo a companhia e todos os seus acionistas. INOCORRÊNCIA DO COMPROMETIMENTO À PRIVACIDADE ASSEGURADA NO TEXTO CONSTITUCIONAL. GAMALIEL Q. SEM INTERFERÊNCIA DE TERCEIROS. RELATIVAS AO NEGÓCIO. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. PRODUÇÃO DE PROVA AUDITIVA CONSISTENTE NA REPRODUÇÃO DE FITA CASSETE. portanto.PROVA PERICIAL DEFERIDA.

5. por fim. 8. 1. percebe-se que a assembléia deve respeitar aspectos legais e estatutários. ou mesmo da companhia. Formalidades para convocação. Nesse encontro os acionistas tomam conhecimento dos assuntos ordinários e extraordinários relativos aos negócios sociais e. da LSA. Modalidades de Vícios – Causa de Pedir. ainda. portanto. 1 A AÇÃO DE ANULAÇÃO DE DELIBERAÇÃO DE ASSEMBLÉIA NA SOCIEDADE ANÔNIMA Guilherme Carvalho Monteiro de Andrade* Sumário: Introdução. 2. por exemplo. é preciso tecer algumas observações. Caso exista irregularidade na convocação da assembléia. instalação e realização. prevê que “a assembléia geral. Procedimento. ou na hipótese de sua instalação ocorrer sem a presença do quorum legal mínimo. como órgão social. Como conseqüência da interpretação da referida norma.404/76 (LSA). para que não seja impugnada e para que suas deliberações . Pedido. Espécies de Assembléia. Conclusão. 1. Considerações preliminares. a deliberação tomada ou todo o conclave poderão ser invalidados judicialmente. 4.Não pode ser esquecido. tornando incabível sua limitação por deliberação majoritária dos presentes. convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto. no que diz respeito à convocação. não se tratando de ato próprio do respectivo conclave. se algum acionista votar contrariamente aos interesses da companhia. O artigo 121. tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento”. após o debate acerca das questões colocadas em análise. decidem quais serão os rumos da companhia. A validade da assembléia exige a observância de alguns aspectos formais e materiais estipulados na Lei nº 6. INTRODUÇÃO A assembléia da sociedade anônima é a reunião dos acionistas da companhia que tem por objetivo deliberar sobre o desenvolvimento das atividades empresárias. ou. que o direito subjetivo à gravação de uma assembléia ou reunião por qualquer dos presentes consubstancia ato pessoal e individual de quem está executando a gravação. para melhor compreensão do assunto. 6. à instalação e à realização do conclave. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Antes de adentrarmos no exame do ponto central do estudo. Prescrição. A análise desses vícios e das questões que envolvem a ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) será. o objeto do presente artigo. 7. Legitimação ativa e passiva. 3.

p. 1998. prevê o art.1977. ampl. debate e votação de cada matéria colocada em pauta. definida em lei.05.3 É a assembléia. v. p. citando Constans. a assembléia é o poder legislativo da sociedade. quanto à sua competência e funções. A assembléia é o instrumento pelo qual os acionistas decidem sobre quaisquer negócios relativos à companhia. as ordinárias (AGO) e extraordinárias (AGE). da LSA. ed..Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos. cada qual tratando de matéria própria. Rio de Janeiro: Forense. sendo a sua finalidade precípua (i) tomar as contas dos administradores. por qualquer outro”1. 2. somando suas vontades individuais. 1999. que não tem poderes para representar a companhia (somente a diretoria poderá fazê-lo). deliberando sobre demonstrações financeiras apresentadas. da CARVALHOSA. por sua condição legal. Como ensina Aloysio Lopes Pontes. São Paulo: Saraiva.4 No que diz respeito à AGE.457. rev. então. de 06. vez que se trata de órgão de deliberação. se for o caso. De outro lado. 2. pois é ela é que faz os estatutos. (ii) decidir sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos e (iii) eleger administradores e membros do conselho fiscal. reformam-nos. 122. As demais atribuições das assembléias gerais ordinárias estão enumeradas pelo art. que ela deverá tratar das matérias . 83. 3 1 LSA. também se revela importante consignar que a assembléia geral é “um órgão necessário. Mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos. 3 PONTES. Modesto.404. 2 * sejam consideradas válidas. As assembléias gerais ordinárias devem ser realizadas nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social. Advogado. 5. de 15 de dezembro de 1976. 510. Sociedades anônimas. A deliberação tomada em assembléia configura um processo complexo. a fim de alcançar a formação da vontade da sociedade (da coletividade de acionistas). v. adaptada à lei nº 9. que não pode faltar em nenhuma companhia. 2 Obra citada na nota anterior. ‘que são as leis da sociedade. 2. realizam os contratos mais importantes que afetam a sociedade ou aqueles outros que. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. ESPÉCIES DE ASSEMBLÉIA Existem dois tipos de assembléia. cujo poder não deriva de nenhum outro órgão da sociedade. Aloysio Lopes. talvez o órgão mais importante da administração da companhia. A assembléia é um órgão interno e soberano2. que representa a vontade coletiva manifestada pela expressão individual dos titulares de ações. 131. composto pela exposição. nem ser substituído. não os podem realizar os administradores’.

Esta diferenciação. a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores. convocando-se imediatamente a assembléia-geral. a ordem do dia. delegar atribuição da AGO para outrem. 2. 5% (cinco por cento) do capital social ou votante. ressalvado o disposto no § 1º do art. se decorridos mais de 60 (sessenta) dias. v.eleger ou destituir. o Legislador estabeleceu como competência indelegável da AGO algumas matérias consideradas essenciais à vida da companhia. tampouco qualquer outro órgão da companhia. as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas. ou por acionistas minoritários. 4 4 Lado outro. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas.autorizar a emissão de partes beneficiárias. p. 120). no caso de reforma do estatuto. 122.deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social.autorizar a emissão de debêntures. e IX . ressalvado o disposto no inciso II do art. VI . 59. não pode o estatuto. com a concordância do acionista controlador. III . no mínimo. FORMALIDADES PARA CONVOCAÇÃO. a competência será residual da AGE. 123.suspender o exercício dos direitos do acionista (art. Parágrafo único. que detenham.reformar o estatuto social. incorporação e cisão da companhia. Compete privativamente à assembléia-geral: I . o chamamento poderá ser realizado por qualquer acionista.deliberar sobre transformação. Em caso de urgência. significa dizer que. destarte. Em outras palavras. data e hora da assembléia. No caso de o órgão ou de as pessoas encarregadas pela convocação não se desincumbirem dessa obrigação dentro do prazo estabelecido pela lei ou pelo estatuto. 5 A propósito. se houver. será fundamental para o exame das hipóteses em que a deliberação tomada em assembléia (ou todo o conclave) pode ser invalidada por algum acionista. 3. seja ele . citando ensinamento de outros autores. “a convocação far-se-á mediante anúncio publicado6 por 3 (três) vezes. II . “Art. os administradores e fiscais da companhia. 142. contendo. INSTALAÇÃO E REALIZAÇÃO Dispõe o art. V . se a lei não definir a atribuição para a AGO. da LSA). da LSA. sua dissolução e liquidação. para manifestar-se sobre a matéria”. eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas. VII . pelo menos. 124. VIII . a qualquer tempo. 519-520. a indicação da matéria” (art. é preciso preencher o quorum mínimo de instalação da assembléia. Logo. a convocação deve ser realizada pelo órgão ou pessoa competente. Além disso. a menos que a lei o autorize5.tomar. anualmente. IV . Assim.autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata.não atinentes à AGO. Modesto Carvalhosa defende essa posição. Com esta distinção. que compete ao conselho de administração ou aos administradores a convocação da assembléia geral. conforme o interesse da convocação. fixando os prazos previstos para que se realize o chamamento aos acionistas. além do local. para que seja reputada válida. e. fusão.

Novaes. da LSA. todas ou algumas delas apenas. Como ensinam os referidos autores. obviamente. não convocada) ou instalada. FRANÇA. da LSA). p. 7 AZEVEDO. 4. São Paulo: Malheiros Editores. da LSA. que a identificação precisa do tipo do vício será fundamental para que o acionista possa utilizar-se da correta ação de anulação de assembléia. 5 Em relação à distinção transcrita acima. 289. ou somente parte das . bem assim que a assembléia seja competente para deliberar sobre a matéria constante da ordem do dia. c) vício de voto – um ou alguns dos votos que concorreram para a formação da deliberação (ou mesmo todos eles. Erasmo Valladão. pela sua didática e simplicidade. em virtude da incapacidade dos votantes. 127 a 129.7 6 Conforme regra constante do art.A. 228). Se alguma dessas formalidades não for observada. por força de violação da lei ou do estatuto. ou simulação (ou. os vícios dizem respeito às próprias deliberações assembleares. ou no § 2º do art. a menos que nela comparecerem todos os acionistas detentores de ações com direito a voto. também é necessário que o quorum de deliberação respeite a disposição legal (arts. que podem ter sido tomadas. da LSA) ou para questões que exijam número de presentes qualificado (art. é preciso consignar. 1999. com violação da lei ou do estatuto. MODALIDADES DE VÍCIOS DAS ASSEMBLÉIAS – CAUSA DE PEDIR Para melhor compreensão da ação de anulação de assembléia. 126. Noutra banda. para que o conclave seja reputado válido. ou de violação do disposto nos §§1ºs. Há casos em que toda a assembléia poderá ser invalidada. Invalidade das deliberações de assembléia das S. os vícios que podem acarretar a anulação de assembléia subdividem-se em três espécies: a) vício da própria assembléia – que pode ter sido irregularmente convocada (ou mesmo. 115 e do art. como já foi visto anteriormente. atingirá todas as deliberações que nela forem tomadas. a faculdade de pleitear judicialmente a anulação dessa assembléia irregular (ou da deliberação inválida). Ademais. a assembléia poderá ser anulada. Logo. 136. é mister trazer à baila uma separação dos vícios feita por Erasmo Valladão Azevedo e Novaes França. hipótese em que o vício. a realização da assembléia deve respeitar um ritual próprio. fraude.. em primeiro lugar. 134. em alguns casos). da LSA) e estatutária. ainda. b) vício das deliberações – nessa hipótese. 129 e 136. o desrespeito às disposições legais e estatutárias confere aos acionistas o direito de insurreição. do art. visando especialmente a proteção de seu interesse particular ou a defesa da companhia. 85. definido pelos arts. podem ter sido viciados em razão de erro dolo.relativo às matérias comuns (art.

O pedido dessa ação será. 6 8 seu interesse de agir13. embora não conste da Lei de S/A expressamente. Fora isso. Além dessas pessoas. para definir pela ação declaratória de nulidade do ato. por sua vez. fundamentando-se. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. citando Miranda Valverde.05. 12 Aloysio Lopes Pontes defende o contrário. e atual.A. Confira-se pág. em julgados que colaciona a seu trabalho. de 06. 410. 120. Belo Horizonte: Del Rey. ampl. 9 Azevedo e França defendem essa posição.913/89 dispõe sobre a ação civil pública de responsabilidade por danos causados aos investidores do mercado de valores mobiliários – conferir. no regime de anulabilidade estabelecido pelo art. na medida em que os efeitos dessa mácula são extremamente graves e. outra situação não prevista claramente na Lei de S/A diz respeito aos casos em que o vício verificado na assembléia é tão grave. 5. inclusive. 3. que atente contra a ordem pública ou contra os bons costumes. dependendo da espécie de vício ocorrida.. CORRÊA-LIMA. adaptada à lei nº 9. em regra. confira-se Modesto Carvalhosa. Rio de Janeiro: Forense. Daí porque será necessário que se analise o caso concreto com muito cuidado. devem ser combatidos com rigor. Nessas hipóteses.1977. ou parcial) da assembléia realizada pela companhia. 286. a propósito.deliberações tomadas no conclave. 2. conferir págs. 5. 168. do Código Civil de 2002. rev. 4. a doutrina mais avisada defende a hipótese de ser possível anulação de assembléia. ou pela ação de anulação (total. mesmo aqueles que votaram favoravelmente à deliberação inquinada pelo vício que se pretende combater12. “qualquer interessado” ou o Ministério Público10. A propósito. se restar presente o vício de voto oriundo de coação. Sociedade anônima. ou. 2005. da LSA9. Na hipótese da ação de anulação da assembléia (ou de alguma deliberação).457. quando lhe couber intervir11. rev. sob pena de sua pretensão ser rejeitada pelo Judiciário. então. v. assim. 11 A Lei nº 7. 106 e seguintes da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. p. v. da obra Sociedades anônimas. ainda. quando esse voto concorrer para a formação da maioria no conclave8. a legitimação ativa ad causam será. p. 432. a mácula representa a nulidade do ato. estará legitimado a buscar a declaração de nulidade qualquer acionista. colacionado escólio de abalizados autores. 1999. Em qualquer um desses casos. Ademais. ed. ed. poderá ser autor da demanda neste caso. LEGITIMAÇÃO ATIVA E PASSIVA No que diz respeito à legitimação ativa para a utilização da ação de declaração de nulidade de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). somente do acionista que votou contrariamente à . o autor da referida ação declaratória deverá demonstrar o Nesse sentido. 10 Ao ensejo. identificando-se o vício que se pretende atacar. em razão disso. a declaração de nulidade do ato inquinado. não se enquadrando. Osmar Brina. que infrinja direito de terceiros.. verificar norma contida no art.

quanto ao pólo passivo da ação de anulação e da ação de declaração nulidade. Assim. p. . p. Embora o marco inicial definido na lei seja a data da deliberação. 6.A. Contudo. 119 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. na medida em que os arts. Logo. Haverá casos. será reservado para outro artigo. 421-422. v. se houver pedido de ressarcimento de danos formulados contra ele. contados da deliberação. 7 13 E assim defendem esses autores. se o acionista que tiver votado favoravelmente ao ato que se pretende anular tiver agido impulsionado por algum vício de consentimento. que também tratam de prescrição. do acionista que ingressou na companhia depois de tomada a deliberação. por exemplo. dolo.. inclusive. Noutro giro. em litisconsórcio com a companhia. citando outros autores. 15 A propósito. nos quais o acionista que tiver cometido abuso no exercício do direito de voto poderá ser incluído no pólo passivo da demanda. 286. fraude ou simulação. Modesto Carvalhosa sustenta essa posição. entretanto. 121-125. como. ou eivadas de erro. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas.A. Haverá casos. 285 e 287. irregularmente convocada ou instalada. na pág. que o início desse prazo não poderá ser a data da publicação. Há discussão doutrinária14 sobre a legitimidade ativa de outras pessoas. a questão da legitimidade ativa para a propositura da ação de anulação de deliberação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) deve ser analisada de acordo com essas observações. de credores e de terceiros. a companhia será a parte legitimada para responder à ação de declaração de nulidade ou à ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações).. portanto. a ação para anular as deliberações tomadas em assembléia-geral ou especial. do usufrutuário em relação ao nu-proprietário da ação. violadoras da lei ou do estatuto. Invalidade das deliberações de assembléia das S. assunto que se revela demasiadamente tormentoso e. ele também estará legitimado a pedir a anulação da deliberação tomada ou de toda a assembléia. com base na interpretação sistemática da Lei de S/A. do administrador e do conselho fiscal da companhia. Azevedo e França sustentam esse entendimento. da LSA. importante registrar que a doutrina mais avisada15 já sedimentou o entendimento de que o termo a quo começa da publicação da deliberação. 4. em princípio. prescreve em 2 (dois) anos. estabelecem como marco inicial do prazo prescricional a data da publicação do ato.deliberação que se pretende anular ou àquele que se absteve de votar no conclave. 14 Obra de Azevedo e França. PRESCRIÇÃO Conforme previsão contida no art. colacionado ensinamento de Orlando Gomes e Pontes de Miranda. todavia. a doutrina é pacífica em admitir como parte legítima a companhia.

Seja qual for a causa de pedir da ação de anulação. Mesmo que as deliberações tomadas tenham respeitado as disposições legais ou estatutárias. Ademais. a data da deliberação (ou da prática do ato inquinado) como o termo a quo do prazo prescricional. dolo. o pedido da demanda será a anulação total do conclave. se a mácula que se pretende anular tratar-se de vício da própria assembléia (causa de pedir). na pág. vigorando. caso em que o pedido poderá ser a anulação parcial.12.A. citando Miranda Valverde. De outro lado. cita acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal. para adequada definição do marco inicial e do prazo prescricional correto (civil ou especial). 7. 127 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. ou coação (se essas máculas forem decisivas para a formação da maioria. instalação ou realização irregular. ainda existe o vício de voto (causa de pedir). lembre-se). Também existirão situações em que o início do prazo prescricional não poderá ser a data da publicação da deliberação da assembléia. o postulante deverá demonstrar o prejuízo efetivo que a deliberação ou assembléia acarreta ou a possibilidade de dano futuro. que esse vício de deliberação recaia sobre todas as questões analisadas e decididas. não sendo possível o aproveitamento de qualquer ato ou decisão. em decisão relatada pelo Ministro Oscar Dias Correa. é preciso utilizar a classificação citada no tópico quatro. Modesto Carvalhosa. simulação. se a pessoa agravada pela deliberação não for acionista da sociedade. realizado em 04. decorrente de erro. a condição do postulante e a sua relação com a companhia. unânime. o prazo de prescrição previsto na Legislação Civil16. que adota esse entendimento.862-CE. sendo imprescindível examinar-se o vício objeto do pedido. se Azevedo e França. defende que em ambos os casos destacados anteriormente é possível pleitear a anulação das deliberações de assembléia. Com efeito. prevalecendo.. se se tratar de vício de deliberação (causa de pedir). Pode ocorrer.1983. para melhor compreensão do tema. em respeito ao brocardo pas de nullité sans grief. não apenas parcial do conclave. que pode ter origem na convocação. o referido vício acarretará a invalidação integral da assembléia. essa análise deverá ser feita no caso concreto. o pedido da ação restringir-se-á à específica decisão ou ao ato inquinado. 16 . assim. fraude. hipótese em que o pedido será a anulação total. ou total. então. no julgamento do Recurso Extraordinário nº 94. PEDIDO Em relação ao pedido da ação de anulação de assembléia. entretanto. não afetando as demais deliberações da assembléia.porque a companhia pode deixar de dar publicidade ao ato. Nessas circunstâncias.

Aloysio Lopes. 19 A norma do parágrafo 7º. quando presentes os respectivos pressupostos. a existência de prejuízos delas decorrentes para o autor. Logo é possível imaginar uma deliberação questionada. ou dos estatutos. 9 . casos haverá em que a ação visará. poderá o autor da demanda pedir a antecipação dos efeitos da tutela buscada. a qual apenas parte da eficácia total gerada ocasiona efeitos prejudiciais ao direito da parte. a inclusão de quem tiver provocado o dano no pólo passivo da demanda. como já foi visto. requerer providência de natureza cautelar. em regra. É tranquilamente possível a cumulação do pedido anulatório com pretensão de ressarcimento. quando previu que “se o autor. Haverá situações em que o pedido não se limitará à anulação de deliberação ou de toda a assembléia. Confira-se: A ação anulatória das deliberações da assembléia geral ou especial pressupõe. a alegação de contrariedade à lei ou ao estatuto/contrato social: verossimilhança. para o deferimento da medida. CPC. Sociedades anônimas. Caberá. p. em regra. Nesse caso. PROCEDIMENTO Sem aprofundar nas discussões travadas pelos processualistas. para que o juiz se convença da verossimilhança de suas alegações (deve demonstrar que a demora na concessão do pedido pode acarretar sérios e irreversíveis prejuízos). Comentários à lei de sociedades anônimas. neste caso. esvaziou o debate sobre a impropriedade da utilização de ação ordinária e sobre antecipação de tutela em ação declaratória. mas tãosomente a possibilidade de se consolidar uma situação que poderá dificultar a vida da sociedade ou sacrificar o legítimo interesse de seus acionistas. no caso de dano potencial. o autor deverá trazer com a petição inicial prova inequívoca do defendido vício (deve comprovar que o ato ou a deliberação seja contrário à lei ou ao estatuto). p. A isso soma-se a exigência do justificado receito de ineficácia do provimento final que a produção de determinados efeitos da deliberação questionada pode gerar. Também é possível imaginar que a parcela eficacial gerada que 17 CARVALHOSA. o procedimento da ação de nulidade ou da ação de anulação será ordinário declaratório. se houver a prática de abuso por parte de algum acionista. 273. que venha a acarretar prejuízos a outro acionistas ou à companhia.17 No mesmo sentido.19 Quando as circunstâncias evidenciarem que os efeitos do provimento final deverão ser desde logo concedidos. 2. ou para a sociedade. do Código de Processo Civil.8 comprovado o interesse de agir (prejuízo atual ou futuro). concedendo-lhe a antecipação de tutela pretendida. Aloysio Lopes Pontes colaciona em sua obra18 julgado do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas que possui entendimento de ser dispensável a prova do prejuízo. 118. 425. Modesto. deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado”. a título de antecipação de tutela. Pereira esclarece que não basta. 8. turbada por uma deliberação violadora da lei. 18 PONTES. exclusivamente. acionistas. poderá o juiz. do art. Luiz Fernando C. Todavia. Prejuízo pecuniário atual não existe. em respeito ao disposto no art. 273. a restabelecer a ordem jurídica na sociedade anônima. v.

a referida regra não deve ser analisada literalmente. 20 . São Paulo: Revista dos Tribunais. 21 “Ao contraditório prévio. foi estabelecida uma série de formalidades para a convocação. visando. 06.10. 273. Medidas urgentes de direito societário. 2ª Turma.656-ES. O contraditório será apenas adiado. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo. o autor poderá valer-se da ação ordinária declaratória.20 Em grade parte das vezes. Entretanto. Caso haja o desrespeito às regras legais ou estatutárias.97. Medidas urgentes de direito societário. não se revela prudente seu deferimento. ainda. Portanto. ou. sendo imperioso que se demonstre. provocar a anulação de toda a assembléia. com a eventual suspensão. esposou o entendimento de que “a exigência da irreversibilidade inserta no § 2º do art. a necessidade de suspensão antecipada24 do ato havido como prejudicial.21 Na hipótese de a concessão da antecipação de tutela acarretar perigo de irreversibilidade do provimento. se forem preenchidos os requisitos do caput e do parágrafo 1º. 3. p. A assembléia é parte fundamental dentro da estrutura da sociedade anônima. de conter. sempre que possível” (PEREIRA. para permitir a efetividade da tutela. 273.não produza efeitos prejudiciais produza. p. É certo que não se defere a medida quando a suspensão gerar prejuízo maior do que a não-suspensão. PEREIRA. Poderá ocorrer. Nestes casos. 157). J. preservar os interesses da companhia e de seus acionistas. situações que envolvam a suspensão de ato ou de deliberação ainda não executados23. efeitos maiores do que poderia gerar a não-suspensão. instalação e realização das assembléias. Em razão dessa relevância. sob pena de o novel instituto da tutela antecipatória não cumprir a excelsa missão a que se destina”. nos termos do parágrafo 2º. deve ser deferida a antecipação. do citado art. do referido art. 22 O Superior Tribunal de Justiça. 138. em qualquer uma das hipóteses. Luiz Fernando C. recomenda-se que a antecipação seja deferida liminarmente e sem a audiência da parte contrária. no julgamento do REsp nº 144. Relatado pelo Ministro Adhemar Maciel. Luiz Fernando C. vez que se trata do órgão deliberativo que resolve quais serão os rumos dos negócios sociais. pois a oitiva do réu pode tornar sem sentido o deferimento da medida posteriormente. até mesmo. CONCLUSÃO 1. 2002. teremos a ocorrência de vícios (da própria assembléia. bem como o respeito à lei e ao estatuto. 2. como também será possível a utilização da cautelar inominada preparatória. sob pena de não desvirtuar-se a verdadeira mens legis22. de deliberação ou de voto) que podem invalidar as deliberações tomadas no conclave. principalmente.

Porém. Luiz Fernando C. e atual. Confira-se pág. Modesto. 22. 5. Sociedade anônima. dependendo do tipo de vício que se pretenda atacar. esclarece que embora não haja eficácia a ser suspensa é recomendável que se afaste a dúvida que paira sobre o ato. rev. da obra Sociedades anônimas. O procedimento a ser adotado será o da ação ordinária. 2. A legitimidade passiva será da companhia. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. Poderá ser pleiteada a anulação total ou parcialda assembléia. e atual. Em razão de tudo isso. 163-164. Pereira. ed. 10 23 4. 1999. A legitimação ativa ad causam da referida ação de anulação. é a hipótese concreta que irá definir o marco inicial do prazo prescricional.A. FRANÇA. São Paulo: Saraiva. Verificar p. CORRÊA-LIMA. 2000. rev. 8. vez que o exame das questões envolvendo a legitimidade. Invalidade das deliberações de assembléia das S. 9.404. quase sempre.. 2005. CARVALHOSA. REFERÊNCIAS Obras Literárias AZEVEDO. COELHO. Novaes. com pedido declaratório. 3. Aloysio Lopes Pontes cita um julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que defende o entendimento de não ser possível a utilização de ação preventiva. Curso de direito comercial. 6. em princípio. ou. 6. em regra. ainda. A identificação desses vícios será essencial para a adequada utilização da ação judicial. A utilização da cautelar preparatória também se revela possível. a declaração de nulidade do ato. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA. criticando durante a posição da Corte Bandeirante. v. ed. São Paulo: Saraiva. de 15 de dezembro de 1976. 7. 24 No caso de suspensão de deliberação nula. Osmar Brina. o prazo de prescrição e o pedido dependerá da espécie de mácula encontrada.A propósito. São Paulo: Malheiros Editores. Erasmo Valladão. 1998. será do acionista que tiver votado contrariamente ao ato que se pretende anular ou daqueles que tiverem se abstido de votar. obra Medidas urgentes de direito societário. Fábio Ulhoa. contados da data da publicação do ato inquinado. O prazo prescricional da aludida ação anulatória é de 2 (dois) anos. sendo recomendável pugnar pela antecipação dos efeitos da tutela final. . que se caracterizem como abusivos à lei ou ao estatuto. pode-se dizer que a referida ação de anulação representa um valioso instrumento contra atos praticados nas assembléias de sociedades anônimas. Belo Horizonte: Del Rey.

distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. PONTES. De Plácido e.br>. FERREIRA. rev. Acesso em: 10 dez. 1999. 87. (Dicionário eletrônico. Alzira Malaquias da. Vocabulário jurídico. Medidas urgentes de direito societário. adaptada à Lei nº 9. de 06. Sociedades anônimas. a designação de órgãos sociais. Sites consultados SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Luiz Fernando C. Obra coletiva de autoria da editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto. 2006. v.br>. Consulta de jurisprudência sobre o assunto. aos quais compete produzir a vontade social. ampl. Caxias do Sul: Editora Plenum. SILVEIRA. doutrinariamente. 8. Disponível em: <http://www. Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa.0). Ed.457. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt.stj. Marina Baird. São Paulo: Saraiva. ed. delegado à Assembléia . ADMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. 1984. Jurisprudência. v. 2006.1977. 3.gov. a organização da sociedade. Consulta de jurisprudência sobre a matéria.tjmg. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1999. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima3dá-se. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS. representantes dos poderes da sociedade.gov.. 5. atual. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. Disponível em: <http://www. Aurélio Buarque de Holanda. 2. Aloysio Lopes. Lei das sociedades anônimas. versão 3. Rio de Janeiro: Forense. CD-Rom JURIS Plenum.PEREIRA. 2002. de forma democrática. 1999. Acesso em: 10 dez. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar.05. impondo distribuição de poderes. 11 Legislação BRASIL. 2006. SILVA. 5ª ed. Octaviano Martins1 Paulo Roberto Colombo Arnoldi2 INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. ed. 1. ed. FERREIRA.404/76) Eliane M. Rio de Janeiro: Forense.

concentrando-se o poder em um grupo de controle. São Paulo : Saraiva. Rubens . Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. Direito Empresarial e Direito Internacional em cursos de graduação e Pósgraduação. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). sem descaracterizar os interesses da companhia.Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e Integração – IPDCI.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração.5 Professora de Direito Marítimo. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. 5A Lei 6. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. constatam-se. 3 Cf . é mestre.4 CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . poder executivo ou administrativo. Requião. 1988. adstrito ao Conselho de Fiscalização. doutor e livre-docente em Direito Comercial. 4Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. No Brasil. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF de Bragança Paulista (SP). 1984. devido ao desinteresse dos acionistas. 2 Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa6. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. portanto. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. advogado militante. Curso de Direito Comercial. São Paulo : Atlas. em que se constata uma . o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). 1 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle.Geral. Mestre pela UNESP e Doutora pela USP. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia.

A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. nos termos do art. § 1º da lege ferenda. inciso I e 168). 142..REQUIÃO e Rubens. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. a lei brasileira. p. 138 da Lei 6. 166. portanto. Nesse sentido. MARTINS. No que concerne às sociedades de capital autorizado. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho.404/76. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas8.separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. conforme rege o art. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. Comentários à Lei das S. 138. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. e facultativo nas demais sociedades anônimas. ou exclusivamente à diretoria. § 4º.A. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Cf. cit. diversamente da subscrição comum (art. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. de acordo com a disposição estatutária. mas consistem em representantes da sociedade. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. de caráter deliberativo e fiscalizador. Fran. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. 1978. Rio de Janeiro : Forense.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1.7 I . permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. 7Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão 6 . nos aumentos de capital. 141. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. De acordo com o art. é específica a lei no art. 165. Procurou.9 A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. Nesse sentido.

§ 1º. no seu artigo 139.122. a Lei. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo12. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. Fran. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. Outorga de poderes A lei. inciso II). ficando. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. com imensos poderes. Tratandose de órgão superior. reveste-se de inconstitucionalidade. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. p. também. art. 3. MARTINS.Cumpre destacar que acordo com a lei. 655. inciso II)13. vinte por cento de capital com direito a voto. criados por lei ou estatuto. 239). 173. nesse caso. dessa forma. 163. 142. cit. 2 Conselho Fiscal (art. que deliberará por maioria de votos11. observado esse mínimo legal. O estatuto deverá prever. mas à luz da Constituição Federal de 1988. e as normas sobre convocação. Poderá o estatuto. que será no mínimo de três. José Edwaldo Tavares Borba. o prazo de gestão. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. 9Cf. face ao disposto no art. ob. o modo de substituição. 140. 141 . a eleição de um membro do Conselho podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência.10 2. faculta-se aos acionistas que representem. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. Neste sentido. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. p.404/76. cit. ob. 140 e 146).. Wilson de Souza Campos.permitindo-se. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. que o Conselho se integre com um representante da minoria. determinar limites.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se . instalação e funcionamento do Conselho. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. § 7º). 4. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho.da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. ob.272. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. caput da Lei 6. conforme art. que não poderá exceder 3 anos. de acordo com suas necessidades estruturais. BATALHA. estabelecendo-se mínimo e máximo. cit. portanto. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. no mínimo. 8Faculta.

tratando-se de decisão ad nutum.1. sendo necessário maioria simples (art.2. cf. . 1978. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia 16. 164.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. RT 667. cit. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. 303. cit. 11Vide MANGE. p. 12 De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. 272. portanto.requer voto qualificado. iniciar-se-á novo período gestacional. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. citado por Fábio Ulhoa Coelho.Processo de voto múltiplo Determina o art. 141.140). e nesse caso. 141 da Lei 6. independe de disposição estatutária e. um décimo do capital social com direito a voto. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. .2. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. isoladamente. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. Rubens. p. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. de regra de ordem pública. ob. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. sobre a inaplicabilidade dos arts.1.. ao contrário.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. Rio de Janeiro : Forense. 4.15 O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. Roger de Carvalho. p. Trata-se. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão14. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. sendo vedado que um só conselheiro. 4. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. MARTINS. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. cit. A lei 6. 13MARTINS. 10 3 total de seus componentes. ou seja. no mínimo. Fran. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou Consistindo em órgão de deliberação colegiada. 14REQUIÃO.404/76 regulamenta tal procedimento no art. 129). o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. ob. 4. Eleição e destituição de membros . Fran.

p. MARTINS.. o número de votos necessários18 para a eleição de cada membro do conselho (art. baixada nos termos do art. do capital com direito a voto. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. portanto. LIMA.. Eliane M. 141. quando se tratar de sociedades abertas. Além disso. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art.. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração17. Cf. A mesa diretora informará previamente. no mínimo. ob.. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. § 1º). 27. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. 699 : “o administrador eleito por grupo ou 15 16 . Octaviano Martins. § 3º). em vantagem para os acionistas não-controladores. à vista do "Livro de Presença". requererem a adoção de processo de voto múltiplo. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. 283. p. 17 Cf.. 291 da lei”. p. cit. e reconhecendo-se. MARTINS. observando-se o Cf. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. Fran.12. in Direito de voto. ob. Wilson de Souza Campos. de 11. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. aos acionistas o direito de cumular os votos num só candidato ou distribuí-los entre vários. Osmar Brina Corrêa. consistindo. 304. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. ainda.independentemente de previsão estatutária. procedendo-se a nova eleição (art. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. 291 da LSA. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. Nos demais casos em que o cargo fique vago. ob.91. p. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. 18Vide Instrução CVM n. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. 19BATALHA. cit. in Sociedade Anônima. 141. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. 165. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. o que significa que a regra é de ordem pública. Adotando o sistema de voto múltiplo. in Comentários. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%.. Quando a eleição de membros19 tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. cit..

Impõe. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. II. se houver. Nos casos em que exista Conselho de Administração. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. do capital social. Assegura-se compulsoriamente a eleição. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. portanto. quando julgar necessário. portanto. 176). que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. quando autorizado pelo estatuto. fiscalizar a gestão dos diretores. quando não existir Conselho de Administração21. no § único do artigo ora em exame. a Lei 6. no mínimo. a Diretoria será o órgão destinado a . conforme rege o art. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre.404/76. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. mas órgão da sociedade. Garante-se. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. se existirem acionistas que representem 20%. Note-se. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto20. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. em qualquer sociedade anônima.classe. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. 5. convocar assembléia geral. Em linhas gerais. ainda. 154). 142. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. como também de orientação das atividades da sociedade. é competência do Conselho de Administração. competindolhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. inclusive mediante voto múltiplo (art. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. deliberar. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. 4 prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo.

cit. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. como ocorre com o art. incisos III e V. Comentários à Lei das S. inciso II e § único). 165. Ademais.404/76 não considera os diretores como mandatários. REQUIÃO. 143 e 146). 142. 24 2. III e IV). prazo de gestão. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. a Lei 6. MARTINS. é imputada à sociedade. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (BrunetCañizares. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. a direção da sociedade em todos os aspectos. II. possuindo. ob. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. enquadrando-os como órgãos da sociedade. ou se inexistente. mas como representantes da sociedade. incisos I. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. sua vontade. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. em regra. 143. 1978. 25 . 143. amplos poderes23 para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. 144). o modo de sua substituição. São Paulo : Forense. Rubens. Cf. 1. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. 22 Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. Buenos Aires. pela Assembléia Geral (art. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador.a qualquer diretor . sejam tomadas em reunião da diretoria (art. compete aos diretores . acionistas ou não. mas como um órgão da sociedade. de competência dos diretores. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores.404/76. 1960). p. e como tal. no § 1º do art.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário.A. A Lei 6. 142. Fran. Representação: 20 21 5 Cf.gerir os negócios sociais.

deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art.II .404/76. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. conforme determina o art. Conquanto esse ato unilateral. Wilson de Souza Campos. 429. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. o contrato de emprego. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos..” Cf. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. inciso II : “Cessa o mandato : . denominado nomeação. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. se extinguiria com a morte do mandante. O mandato. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. impedimentos. cit.O mandato representa a outorga temporária de poderes. vol. p. 661. mas de um ato jurídico unilateral. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado.Se o mandato fosse particular. 139. ob. Anstellung.pela morte ou interdição de uma das partes.ADMINISTRADORES . devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. nos limites de suas atribuições e poderes. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. feita pela sociedade através de seus diretores. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. BATALHA. Não se extinguirá. para a prática de determinados atos. 659. investidura. Não colide com o disposto no art. 145 a 151 da Lei 6. remuneração.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. 24É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. 1316. porquanto ela é simples condição de eficácia. GOMES. ao lado do ato unilateral de nomeação. cit. in Revista dos Tribunais. Código Civil art. 144 . por via do qual se lhe atribui. nesses casos. predomina. Requisitos e impedimentos Cf. 1 . Orlando. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. Os poderes dos diretores são indelegáveis. Entretanto. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. p. Por outro lado. . portanto. em doutrina. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . nem por isso se torna contratual. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha.” 25 “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. p. ob. 22 23 6 Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País.. com os respectivos poderes. que devem ser explicitados no instrumento.

mesmo que temporariamente. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. 148. 149). Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. contra a economia popular. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. no art. o acesso a cargos públicos (art. 150 caput). Ademais. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. 146. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. concussão. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. caput). quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. 150 § 1º). sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. no prazo de 30 dias após a nomeação..pelo titular ou por terceiro . 4. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . peculato. 147 determina que. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. . com vigência até a primeira assembléia geral que houver. de prevaricação.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. 2. bem como o prazo de gestão auferido. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. 147 § 2º). Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. 3. 146. § único). um mecanismo de garantia de gestão. sob pena dessa se tornar sem efeito. peita ou suborno.acionistas ou não26 (art. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. O art. dos quais se arquivará cópia na sede social . 147 § 1º).

165) . somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios29. 5. a Lei 6. 150 § 3º e 4º).404/76.A Lei ora em estudo. ou a qualquer acionista. 26 7 Rege a lei. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. tendo em conta suas responsabilidades. Renúncia A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão.27 DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. 153. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. conforme art.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. 160. 152. 150. caput. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. art. também. se estiver em funcionamento. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. 6. conforme dispõe o art. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores28. tempo dedicado às funções. no seu art. 2.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. 146 § único. I . bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. no § 2º do art. conforme disposto no art. e em relação aos terceiros de boa-fé. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. prevê. convocar a assembléia geral. 151. competência. Dever de Diligência : a lei brasileira. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que . Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. 153 a 160. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. no art. As normas desta Seção. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. competirá ao Conselho Fiscal.

27 8 § 3º). 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. ou podem gozar. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. 154. O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. visando à obtenção de vantagens. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. gozam. integram-se na administração da empresa. cit. com ou sem prejuízo para a companhia.30 3. 28Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos.. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. criados pelo Estatuto Social. bem ou . n. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. adquirir. § 1º). ou de terceiros. não apenas possível.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. BULGARELLI.exerça suas atribuições . omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. receber de terceiros . § único e 1º). 154. praticar ato de liberdade à custa da companhia. em função dos lucros . para si ou para outrem. § 2º:.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta.atribuídas por lei e pelo estatuto . usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. 154. em razão de seu cargo. prevalecendo o limite menor (art. do interesse da empresa”.. Revista dos Tribunais. mas em certos casos. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. 152. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art.. ob. Veda-se ao administrador. serviços ou créditos. 310. conforme art. como administradores. os seus bens. para revender com lucro. Especificamente. conforme estabelece o art. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. sendo vedado ao administrador.para lograr os fins e no interesse da companhia. conforme art.observadas sempre as normas do art. das vantagens comuns a todos. p. 155 : usar. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. em benefício próprio ou de outrem. correlatamente. e seus membros. Revista de Direito Mercantil. 152 da Lei é. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. 29 Cf. a remuneração com parte fixa e outra variável. são parte dela. 154.

direito que sabe necessário à companhia. no momento da posse. Conflito de Interesses(art. além de regulamentar. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia.deriva do dever de diligência. 155. valer-se das informações para obter. Responsabilidade Administrativa Cumpre ressaltar. deverá declarar o número de ações. de que seja titular (art. 154. a natureza e extensão de seu interesse. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. bônus de subscrição. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. no § 2º do mesmo artigo. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. 32Ainda que observado o disposto neste artigo. 157) 33 II .31 5. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios34. No caso de irregularidades. também. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. conforme segue : 1. anteriormente mencionado. ou que esta tencione adquirir. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. tendo em vista suas responsabilidades sociais. a lei impõe ao administrador. ainda. no § 3º. 31Ademais. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. civil e penal. que a lei (art. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. § 1º). sendo-lhe vedado.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas entendidos como tal os diretores.32 5. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. o administrador somente pode contratar com a companhia 30 . para si ou para outrem.

37. quando proceder com culpa ou dolo. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. 158). A responsabilidade civil consiste. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. 2. civilmente. pois dessa forma. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. 34GUERREIRO. nos termos do art. mas a lei.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato . Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. porém. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. 3.em condições razoáveis ou eqüitativas. nr 42. 33 Vide na íntegra o art. Independe de processo formal. A lei determina que o administrador. São Paulo : Ed. responde. 156. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes.Crimes contra o Patrimônio . O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. em regra. 158. José Alexandre Tavares. Código Penal . com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. 9 A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. Revista de Direito Mercantil. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. § 1º). dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. detalha os casos em que haverá solidariedade 36. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. infringe-se a finalidade do interesse social. por ser órgão colegiado. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. § 2º e seguintes. Revista dos Tribunais. § 2º). pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. 35 No que concerne ao Conselho de Administração. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. no âmbito de Diretoria.. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. portanto. ano XX. 157 e seus parágrafos. 156. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. 1981.

exceto nas companhias abertas. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. 158 e 159. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. portanto. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). rege o § 1º do art.A. 37Por força do art. a responsabilidade dos diretores. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. mediante prévia deliberação da assembléia geral.. cit. mas perante terceiros prejudicados. Nesse sentido. provocar falsa cotação de valores mobiliários da 35Ao violar a lei ou o estatuto. . à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. 159. é individual.relevante em documentos destinados ao público. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade.se em funcionamento . em nível de Diretoria. executar negociação com as próprias ações da sociedade. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. no prazo de três meses (art. 10 sociedade. 2. Competirá. caput. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. 36 Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. Vide na íntegra o art. Em regra. in Comentários à Lei das S. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. ao Conselho Fiscal . age além dos poderes que lhe são outorgados. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. Neste sentido Fran Martins.. em assembléia geral extraordinária. ob. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. obter aprovação irregular de contas. § 3º). Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. competirá à companhia. em proveito próprio ou de terceiro. 159. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. salvo nos casos de conivência.ou à Assembléia Geral. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedí-los. não sendo possível. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio.

de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. § 1º). que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . inclusive.. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo.ainda que a matéria não conste da convocação40). in Comentários à Lei das S. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. 161. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. 39A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. 38 11 3. “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. 40Dispõe o art.A.Crimes contra a ordem tributária. conforme observa Fran Martins. com atribuições definidas dentro da sociedade. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. durante o período de liquidação da sociedade. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros38. CONSELHO FISCAL 1. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. que elegerá os membros. portanto.137/90 . Dessa forma. Requisitos. Lei 7. possuindo para tanto amplas atribuições. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. Impedimentos e Remuneração . eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. § 2º). Quando seu funcionamento não for permanente. Composição e funcionamento O Conselho Fiscal39 pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas.492/86 . Lei 8. consiste. 161). com mandato anual (art. 161.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. econômica e relações de consumo. acionistas ou não. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas.3. 4. cit. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. conforme dispuser o Estatuto (art. ob. 161. 2.

fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. de administrador da companhia. fusão ou cisão. 5. . a serem submetidas à assembléia geral. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. Rege ainda a lei. não computada a participação nos lucros. 4. conforme disposição do art. acrescentando o § 2º do artigo em exame. e o cônjuge ou parente. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. . emitir opinião43 sobre o relatório anual da administração. planos de investimento ou orçamentos de capital. No que concerne à inegibilidade. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração.A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal.ou ao menos um deles .para cada membro em exercício . por prazo mínimo de 3 (três) anos. no § 7º do artigo ora enfocado. até terceiro grau. 147 41. ou que tenham exercido. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. transformação.164. 162. distribuição de dividendos. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. diplomadas em curso de nível universitário. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. no que tange à modificação do capital social. 162 § 1º). residentes no País.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal .42 Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. incorporação.A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . caput).

1982. desde que não comprovada conivência. 153 a 156). Para os cargos de administração de companhia aberta. . RT 670/77. contra a economia popular. peita ou suborno. Comentários à lei das sociedades anônimas. o acesso a cargos públicos (art. (Neste sentido Fran Martins. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. Comentários à Lei das S. de prevaricação. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. § 2º). Bauru: Jalovi. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. Waldirio. que em princípio. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. BACCARIN. concussão.165. Empresas e inversiones en el Mercosur. 165. 1977. nos termos do § 1º do art. Cristina Maria. 1995. 147 § 2º). TJSP. BULGARELLI.A. ou com violação da lei ou do estatuto (art. antes de se submeterem à Assembléia Geral. é de competência de auditores. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal.) 41 12 tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. 42Cf. a responsabilidade por omissão é solidária (art. BORBA. peculato. cit. Wilson de Souza Campos. Edson. 1992. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. ob.6. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. BATALHA. Nos demais casos. 147 § 1º). O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. BACCARIN SILVA. São Paulo: Atlas. Ana Maria de. José Edwaldo Tavares. 165 retromencionado. 1984.. Rio de Janeiro: Forense. 43A verificação de documentos ou propostas da administração. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. Direito societário. pois exprimem uma vontade coletiva. § 1º). salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. 165). Manual das sociedades anônimas. sem intervir em operação social em que Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. mesmo que temporariamente.

Rio de Janeiro: Forense.2. doutor e livre-docente em Direito Comercial. 1991. 1982. DIAZ-CANABATE. n. Rubens. Rio de Janeiro: Forense. La sociedad anônima y sus problemas. São Paulo: Ed. 1991. 1982. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. 1983. Revista de Direito Mercantil.1 e 2. 1995. José da Silva. Darcy Arruda. MIRANDA JÚNIOR. GARRIGUES. COELHO. Álvaro Thomaz. Joaquin. GONÇALVES. v. São Paulo: Ed. Rio de Janeiro: Forense. Curso de direito comercial. Fran. 1983. HENTZ. São Paulo: Saraiva. Professora de Direito Marítimo e Direito Comercial da UNISANTA e de pós-graduação da UNILUS e UNIMONTE em Santos (SP) Paulo Roberto Colombo Arnoldi Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. advogado militante. Luiz Antônio Soares. Órgãos da sociedade anônima. Wille Duarte. Dylson. 1981. 1993.69-87. Questões de direito societário. abr. Revista dos Tribunais. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. PACHECO./jun. São Paulo: Saraiva. Osmar Brina Corrêa. 1984. 1988. no prelo. v. v. Franca: UNESP. Revista dos Tribunais. CRISTIANO. Sociedade anônima: textos e casos. Direito empresarial. ______ . José Alexandre Tavares. São Paulo: Ed. Octaviano.42.1. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. Fábio Ulhoa. 1979. Código comercial brasileiro e legislação complementar. Sociedades anônimas e valores mobiliários. DÓRIA. Curso de direito comercial. O Direito de Voto na Lei 6. LIMA. COSTA. MARTINS. Rio de Janeiro: Forense. Código comercial e legislação complementar anotados. São Paulo: Saraiva. é mestre. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. Rio de Janeiro: Forense. 13 14 DMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. MENDONÇA. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF . São Paulo.404/76. São Paulo: Saraiva. 1996. Coordenadora Regional de Redação da RDM. Curso de direito comercial.404/76) Eliane Maria Octaviano Martins Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. Romano. Eliane M. GUERREIRO. Revista dos Tribunais. André Luiz Dumortout de. 1977. 1982.______. REQUIÃO. p. MARTINS.

como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). 166.[7] . diversamente da subscrição comum (art. de forma democrática.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. devido ao desinteresse dos acionistas.[5] I . UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. em que se constata uma separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. constatam-se. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria. inciso I e 168). 138 da Lei 6. representantes dos poderes da sociedade. 138. delegado à Assembléia Geral. portanto. concentrando-se o poder em um grupo de controle. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima[1]dá-se. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas[6]. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. De acordo com o art. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. impondo distribuição de poderes. 141. No Brasil.de Bragança Paulista (SP). doutrinariamente. aos quais compete produzir a vontade social. conforme rege o art. de acordo com a disposição estatutária. poder executivo ou administrativo. Procurou. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. § 1º da lege ferenda.. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. § 4º. ou exclusivamente à diretoria. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. nos aumentos de capital. e facultativo nas demais sociedades anônimas. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. a lei brasileira. nos termos do art. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. portanto. No que concerne às sociedades de capital autorizado. Nesse sentido.[3] ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial.404/76. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. a designação de órgãos sociais. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. adstrito ao Conselho de Fiscalização.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. a organização da sociedade. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. de caráter deliberativo e fiscalizador.[2] CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa[4].

163. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. aos acionistas o direito de cumular os votos num só . observado esse mínimo legal.[8] 2. no mínimo. O estatuto deverá prever. e as normas sobre convocação. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. faculta-se aos acionistas que representem. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia [14]. 4. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. e reconhecendo-se. Outorga de poderes A lei.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se requer voto qualificado. no seu artigo 139.1.122. inciso II)[11]. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. vinte por cento de capital com direito a voto. sendo necessário maioria simples (art. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão[12]. com imensos poderes. Tratando-se de órgão superior. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . determinar limites. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem.[13] O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. criados por lei ou estatuto. que não poderá exceder 3 anos. caput da Lei 6. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão.A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. de regra de ordem pública. um décimo do capital social com direito a voto. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. conforme art. Nesse sentido. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou total de seus componentes. iniciar-se-á novo período gestacional. que será no mínimo de três. § 7º).140). nesse caso. 142.permitindo-se. 129). 4. estabelecendo-se mínimo e máximo. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Conselho Fiscal (art. 4. art.Processo de voto múltiplo Determina o art. o prazo de gestão. 141. independentemente de previsão estatutária. Eleição e destituição de membros . 141 da Lei 6. que o Conselho se integre com um representante da minoria. mas consistem em representantes da sociedade. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. e nesse caso.2. 142. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. independe de disposição estatutária e. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração.404/76 regulamenta tal procedimento no art. dessa forma.podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. que deliberará por maioria de votos[9]. ficando. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art.1. ao contrário.. tratando-se de decisão ad nutum. 140 e 146). o modo de substituição. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. ou seja. no mínimo. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. 4. 3. portanto. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. ainda. também. A lei 6.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. a eleição de um membro do Conselho . proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. 140. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito.2. inciso II). eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo[10]. Poderá o estatuto. 141 . instalação e funcionamento do Conselho. Trata-se.404/76. é específica a lei no art.

pela Assembléia Geral (art. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. Representação: . como ocorre com o art. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. portanto. convocar assembléia geral. no mínimo. Nos casos em que exista Conselho de Administração. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. à vista do "Livro de Presença". o número de votos necessários[16] para a eleição de cada membro do conselho (art.candidato ou distribuí-los entre vários. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. ou se inexistente. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. Em linhas gerais. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. 141. como também de orientação das atividades da sociedade. a Lei 6. quando não existir Conselho de Administração[19]. 143 e 146). ainda. 176).404/76. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. quando autorizado pelo estatuto. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. o modo de sua substituição. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. portanto. 154). 5. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. incisos III e V. conforme rege o art. procedendo-se a nova eleição (art. observando-se o prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. Assegura-se compulsoriamente a eleição. no mínimo. Impõe. se houver. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. § 1º). 141. Além disso. em qualquer sociedade anônima. a Lei 6.404/76. fiscalizar a gestão dos diretores. deliberar. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. Ademais. competindo-lhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. quando julgar necessário. Note-se. de competência dos diretores. incisos I. II. 1. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. no § 1º do art. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. 143. do capital com direito a voto. se existirem acionistas que representem 20%. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. III e IV). pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto[18]. do capital social. Quando a eleição de membros[17] tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. II. 142. no § único do artigo ora em exame. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. é competência do Conselho de Administração. § 3º). mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. a Diretoria será o órgão destinado a gerir os negócios sociais. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. 143. Nos demais casos em que o cargo fique vago. prazo de gestão. acionistas ou não. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. 142. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração[15]. A mesa diretora informará previamente. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. Garante-se.

será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. peculato. dos quais se arquivará cópia na sede social . a direção da sociedade em todos os aspectos. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (Brunet-Cañizares. sua vontade. 146. bem como o prazo de gestão auferido. e como tal. 148. 150 caput).404/76 não considera os diretores como mandatários. 1 .pelo titular ou por terceiro . prevê. [23] ADMINISTRADORES . 142. peita ou suborno. se estiver em funcionamento. convocar a assembléia geral.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. 146. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. § único). Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. [20] Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. 3. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. possuindo. contra a economia popular. caput). 147 § 2º).404/76. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. o acesso a cargos públicos (art. também. no art. no prazo de 30 dias após a nomeação. 144). um mecanismo de garantia de gestão. O art. 147 determina que.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. de prevaricação. 2. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. 150. em regra. no § 2º do art. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. impedimentos.A Lei 6. inciso II e § único). 145 a 151 da Lei 6. compete aos diretores . Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. 4. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. 149). quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. mas como representantes da sociedade. concussão. 150 § 1º). é imputada à sociedade. remuneração. 1960).. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. com vigência até a primeira assembléia geral que houver. [22] 2. . 147 § 1º). que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. enquadrando-os como órgãos da sociedade.a qualquer diretor . amplos poderes[21] para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. A Lei ora em estudo. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. mesmo que temporariamente.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. mas como um órgão da sociedade. Requisitos e impedimentos Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. Buenos Aires. competirá ao Conselho Fiscal. sob pena dessa se tornar sem efeito. investidura. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . acionistas ou não[24] (art. ou a qualquer acionista. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. Ademais.

em benefício próprio ou de outrem. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. 153. a Lei 6. 6. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que exerça suas atribuições .. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. de que seja titular (art. para si ou para outrem. tendo em conta suas responsabilidades. bem ou direito que sabe necessário à companhia.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES . I . reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores.atribuídas por lei e pelo estatuto . caput. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. 155 : usar. competência. conforme estabelece o art. § 1º). 160.[28] 3. 151. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. os seus bens. visando à obtenção de vantagens. conforme art. e em relação aos terceiros de boa-fé. Renúncia Rege a lei. tempo dedicado às funções. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. 154. ou de terceiros. Veda-se ao administrador. no seu art. 154. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. conforme dispõe o art. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. As normas desta Seção. serviços ou créditos. conforme art.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. no art. 154. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar.. em razão de seu cargo. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. conforme disposto no art. deverá declarar o número de ações. 5. 157) [31] II . também. adquirir. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários.[25] DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. para revender com lucro. 154. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. valer-se das informações para obter. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral.[29] 5. praticar ato de liberdade à custa da companhia. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art.para lograr os fins e no interesse da companhia. com ou sem prejuízo para a companhia. § 2º:.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. 152. § 3º).O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. a natureza e extensão de seu interesse. ou que esta tencione adquirir.404/76. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. § único e 1º). 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia.[30] 5. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. Conflito de Interesses(art.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. para si ou para outrem. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios[27]. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores[26]. receber de terceiros . 155. 2. 153 a 160. sendo vedado ao administrador. Dever de Diligência : a lei brasileira. bônus de subscrição. sendo-lhe vedado. 165) . 150 § 3º e 4º). Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. no momento da posse. art.

2. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. 2.Crimes contra o Patrimônio .fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. obter aprovação irregular de contas.. 158). quando proceder com culpa ou dolo. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. portanto. consiste. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. portanto. possuindo para tanto amplas atribuições. [33] No que concerne ao Conselho de Administração. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato relevante em documentos destinados ao público. mas a lei. 2. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico.. provocar falsa cotação de valores mobiliários da sociedade. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. econômica e relações de consumo. § 2º e seguintes. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. A lei determina que o administrador. conforme segue : 1. em regra. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes. CONSELHO FISCAL 1.[35]. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. em proveito próprio ou de terceiro. Código Penal . inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios[32]. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade.137/90 . a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. A responsabilidade civil consiste. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. nos termos do art. Composição e funcionamento . porém. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros[36]. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores.492/86 . pois dessa forma. infringe-se a finalidade do interesse social. 158. responde. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. 3. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão.entendidos como tal os diretores. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. no âmbito de Diretoria. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. No caso de irregularidades. anteriormente mencionado. Independe de processo formal. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. Responsabilidade Administrativa A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. civilmente. Dessa forma. Lei 8. por ser órgão colegiado. executar negociação com as próprias ações da sociedade.A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas . mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. Lei 7. civil e penal. detalha os casos em que haverá solidariedade [34].Crimes contra a ordem tributária. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . 3.deriva do dever de diligência. 4.

até terceiro grau. sem intervir em operação social em que tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. Quando seu funcionamento não for permanente. 161. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. 162 § 1º). e o cônjuge ou parente. ou com violação da lei ou do estatuto (art. 165).às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. . 161. 6.O Conselho Fiscal[37] pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas. Impedimentos e Remuneração A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. 165. conforme dispuser o Estatuto (art. Rege ainda a lei. não computada a participação nos lucros. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. § 1º). 3. 153 a 156). desde que não comprovada conivência. emitir opinião[41] sobre o relatório anual da administração. a serem submetidas à assembléia geral.para cada membro em exercício . transformação. § 2º). O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. por prazo mínimo de 3 (três) anos. nos termos do § 1º do art. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. fusão ou cisão. A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . 4.[40] Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . 5. no que tange à modificação do capital social. incorporação. diplomadas em curso de nível universitário. residentes no País. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. conforme disposição do art. pois exprimem uma vontade coletiva. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. 165 retromencionado.ou ao menos um deles . planos de investimento ou orçamentos de capital.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração.165. distribuição de dividendos. caput). durante o período de liquidação da sociedade. com mandato anual (art. § 1º). 161). fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. 147 [39]. acionistas ou não. Nos demais casos. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. Requisitos. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. ou que tenham exercido. no § 7º do artigo ora enfocado. inclusive. de administrador da companhia. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. . cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. 162.164. a responsabilidade por omissão é solidária (art. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art.ainda que a matéria não conste da convocação[38]). são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. No que concerne à inegibilidade. acrescentando o § 2º do artigo em exame. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. § 2º).

Código comercial brasileiro e legislação complementar. Código comercial e legislação complementar anotados. HENTZ. LIMA. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. DADOS DO AUTOR PAULO ROBERTO COLOMBO ARNOLDI 1. Waldirio. Curso de direito comercial. MARTINS. Dylson. Revista dos Tribunais. ______. COELHO. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. Revista dos Tribunais. O Direito de Voto na Lei 6. 1996. 1993. Darcy Arruda. MARTINS. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Forense. COSTA. Edson. Octaviano. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. Álvaro Thomaz. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. REQUIÃO. MIRANDA JÚNIOR. 1991. 1984. 1995. 1984. Curso de direito comercial. 1977. Revista de Direito Mercantil. São Paulo: Ed. GONÇALVES. DÓRIA. 1981. Joaquin. GARRIGUES. 1982.69-87. José Alexandre Tavares. São Paulo: Saraiva. Osmar Brina Corrêa. Wille Duarte.42. Direito societário. 1988. André Luiz Dumortout de. Comentários à lei das sociedades anônimas. Direito empresarial. v. 1977.2. Romano. p. Wilson de Souza Campos. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. BULGARELLI. v. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. BORBA. Manual das sociedades anônimas. Rubens. 1982. Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integraçào . BACCARIN. Rio de Janeiro: Forense. PACHECO. José da Silva. 1982. Fábio Ulhoa.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. Buenos Aires: Abeledo Perrot. abr. no prelo.1 e 2. 1979. 1991. Rio de Janeiro: Forense. Mestre.404/76. Luiz Antônio Soares. v. DIAZ-CANABATE. Órgãos da sociedade anônima. Doutor e Livre Docente em Direito Comercial 2. São Paulo: Ed. Ana Maria de. Rio de Janeiro: Forense. GUERREIRO. Curso de direito comercial. Sociedades anônimas e valores mobiliários. La sociedad anônima y sus problemas. José Edwaldo Tavares. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. São Paulo: Saraiva.1. Bauru: Jalovi. BACCARIN SILVA. Franca: UNESP. Cristina Maria. MENDONÇA. BATALHA. Rio de Janeiro: Forense. n. 1992. CRISTIANO. 1995. São Paulo: Atlas. Empresas e inversiones en el Mercosur. São Paulo. Fran. Revista dos Tribunais. Sociedade anônima: textos e casos./jun. São Paulo: Saraiva. 1983. Rio de Janeiro: Forense. 1982. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. Questões de direito societário. São Paulo: Ed. Eliane M. 1983. ______ .

a Lei. MARTINS. in Direito de voto. [3]A Lei 6.. ob. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. mas à luz da Constituição Federal de 1988. 272. Presidente do Centro de Estudos Latino Americanos da UNESP 4. Membro do Instituto de Direito Comercial Visconde de Cairú 5. Neste sentido. cit. 164. cf. ob. MARTINS. 27.. Octaviano Martins. Rio de Janeiro : Forense. isoladamente. sobre a inaplicabilidade dos arts. p. ob.USF e UNAERP . cit. [9]Vide MANGE. p. Professor de Direito Comercial na UNESP. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. Fran. [15] Cf. reveste-se de inconstitucionalidade. 173. ob. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. . in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. Eliane M.. ob. p. Fran. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. 1978. p. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. cit. 1988.. § 1º. Roger de Carvalho. cit. sem descaracterizar os interesses da companhia.. portanto. Diretor do Departamento de Direito Privado da Universidade Estadual Paulista . [10] De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. José Edwaldo Tavares Borba. Membro da Fundacion Ectheverry para la Investigacion y Estudios Internacionales 7. citado por Fábio Ulhoa Coelho. Rubens. [5]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. Fran. [8]Consistindo em órgão de deliberação colegiada. [7]Cf. [13]Cf. [14] Cf. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. . de acordo com suas necessidades estruturais. Fran. cit. Rubens . Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. BATALHA. consistindo. ob. [2]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. p. [11]MARTINS.. Adotando o sistema de voto múltiplo. 1978. quando se tratar de sociedades abertas.Cumpre destacar que acordo com a lei. 303. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. 291 da lei”. in Sociedade Anônima. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. face ao disposto no art. p. portanto. p. 239). [12]REQUIÃO. -------------------------------------------------------------------------------[1] Cf . 1984. MARTINS.272. 655. São Paulo : Atlas. cit. Membro do Instituto de Derecho Comercial de la Universidad Notarial Argentina 6. o que significa que a regra é de ordem pública. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. [6]Faculta. cit.UNESP 8. Universidade São Francisco . sendo vedado que um só conselheiro.3.REQUIÃO e Rubens. cit. Curso de Direito Comercial. RT 667.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. cit.A. LIMA. 165. Rio de Janeiro : Forense. São Paulo : Saraiva. 283. p. Comentários à Lei das S. Osmar Brina Corrêa. Fran. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. em vantagem para os acionistas não-controladores. Wilson de Souza Campos. Requião. MARTINS. [4]Cf. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. ob. MARTINS.

que devem ser explicitados no instrumento. vol. nos limites de suas atribuições e poderes. . a lei impõe ao administrador. Por outro lado. ob. Código Civil art. [22]É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. portanto. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. não apenas possível. São Paulo : Forense. feita pela sociedade através de seus diretores.. 1978. p. ou podem gozar. [20]Cf. 152 da Lei . Orlando. em função dos lucros . inclusive mediante voto múltiplo (art.O mandato representa a outorga temporária de poderes. Rubens.II . Comentários à Lei das S. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. O mandato. ob. Revista dos Tribunais.é. p. de 11. 429.. 310. 152. ob. como administradores. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. baixada nos termos do art. p. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. nesses casos. 699 : “o administrador eleito por grupo ou classe. gozam. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. Especificamente. n. cit.. [21]Os poderes dos diretores são indelegáveis. e seus membros. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. nem por isso se torna contratual. BATALHA. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. a remuneração com parte fixa e outra variável. [27] Cf. REQUIÃO... em doutrina. p. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. integram-se na administração da empresa. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. 154. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. 165. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. Não colide com o disposto no art.Se o mandato fosse particular. se extinguiria com a morte do mandante. das vantagens comuns a todos. inciso II : “Cessa o mandato : . [24]A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão.[16]Vide Instrução CVM n. por via do qual se lhe atribui. prevalecendo o limite menor[25](art. Entretanto. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. Revista de Direito Mercantil. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. in Revista dos Tribunais. no § 3º.observadas sempre as normas do art. correlatamente. [29]Ademais. mas de um ato jurídico unilateral. do interesse da empresa”. 165. que a lei (art.” [23] “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. ob. ainda. Conquanto esse ato unilateral. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. tendo em vista suas responsabilidades sociais. Fran. conforme determina o art. p. 659. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. o contrato de emprego. 146 § único. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. in Comentários. mas órgão da sociedade. p. criados pelo Estatuto Social. BULGARELLI. 144 . Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. [28]Cumpre ressaltar. além de regulamentar. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. cit. Anstellung. [17]BATALHA. MARTINS. [19]Cf. 291 da LSA. [26]Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. p. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. denominado nomeação. mas em certos casos. ob. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. cit. com os respectivos poderes. para a prática de determinados atos. são parte dela. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. [18] Cf. 661. 304. ao lado do ato unilateral de nomeação. porquanto ela é simples condição de eficácia. [25] O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração.91. cit. Não se extinguirá.pela morte ou interdição de uma das partes. predomina. cit. GOMES. Wilson de Souza Campos. Wilson de Souza Campos. 139. § 1º). conforme art.A.” Cf.12. 1316. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. no § 2º do mesmo artigo.

a responsabilidade dos diretores. São Paulo : Ed. Para os cargos de administração de companhia aberta. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedílos. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. in Comentários à Lei das S.A. [41]A verificação de documentos ou propostas da administração. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. que elegerá os membros. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). 156. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. Revista de Direito Mercantil. cit. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. 159. ob. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. rege o § 1º do art. [31] Vide na íntegra o art.A. que em princípio.A. [37]A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. ao Conselho Fiscal . 158 e 159. antes de se submeterem à Assembléia Geral. mas perante terceiros prejudicados. [36] “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. Nesse sentido. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. 161. 147 § 1º). (Neste sentido Fran Martins. Revista dos Tribunais. mesmo que temporariamente. Competirá. portanto. 1981. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. exceto nas companhias abertas. 156. [40]Cf. concussão.[30]Ainda que observado o disposto neste artigo. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. § 3º).. ob. mediante prévia deliberação da assembléia geral. de prevaricação. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. cit. é individual. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. cit. Em regra.se em funcionamento .Conceito de sociedade por ações. em nível de Diretoria. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. peculato. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. RT 670/77. José Alexandre Tavares. Vide na íntegra o art. 2. Processo histórico.5. [35]Por força do art. [34] Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. § 1º). TJSP. salvo nos casos de conivência. conforme observa Fran Martins.A função do conselho . ano XX. caput.ou à Assembléia Geral. Neste sentido Fran Martins. o acesso a cargos públicos (art. peita ou suborno. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. contra a economia popular. é de competência de auditores. § 2º).Classificação das sociedades anônimas. [32]GUERREIRO.. [39]Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar..4. em assembléia geral extraordinária. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. 157 e seus parágrafos. não sendo possível. [38]Dispõe o art.A assembléia geral na sociedade por ações. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. in Comentários à Lei das S. 147 § 2º). ob. competirá à companhia. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. Comentários à Lei das S. age além dos poderes que lhe são outorgados. 3. Introdução. 159.6. no prazo de três meses (art. [33]Ao violar a lei ou o estatuto. nr 42. com atribuições definidas dentro da sociedade.) ÓRGÃOS DE GESTÃO NAS SOCIEDADES POR AÇÕES Bruno Rodriguez Caldas Aluno do 2°ano noturno do Curso de Direito da UNESP(Franca-SP) Sumário: 1. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art.

1 Introdução O presente artigo visa apresentar em seu conteúdo uma breve exposição do funcionamento interno de uma sociedade por ações. a começar do processo de evolução histórico. dos órgãos responsáveis por formar esse importantíssimo regime societário. ou seja. Para adentrar as questões estruturais. Assim. havia uma concessão de privilégios por parte do monarca a um grupo de pessoas que passariam a desenvolver determinada atividade econômica. Para esses pensadores. suas especificidades e classificação. resultou em aumento significativo de relações comerciais e de atração de capital para investir nas empresas industriais.7. Modelo. por sua vez. é o mais complexo e importante regime societário. aumentou significativamente o número de sociedades anônimas. Para facilitar a sua proliferação e conseqüente desenvolvimento econômico. é necessário expor. anteriormente. a primeira sociedade anônima seria a Casa de São Jorge. espécie de Banco que possuia seu capital dividido em ações2 . mais especificamente em Gênova.8. 2 Processo histórico A origem das sociedades por ações gera uma divergência doutrinária1. que acarretou em um imenso crescimento econômico. No Brasil. primeiramente será apresentada uma noção básica do regime societário. para somente então adentrar as questões específicas ao tema.A diretoria das sociedades anônimas. Alguns dizem que seu início remonta a Itália renascentista. tal modelo foi simplificado na Europa. Tal crescimento. credita o título às Companhias de Comércio cuja origem é holandesa e datam de 1602. Dessa forma. O regime de outorga foi adotado desde a chegada da família real até 1882. que foram exercidas inclusive no nordeste brasileiro. que brevemente se espalhou por todo o mundo4. dada a quantidade de capital envolvido. Esse estreito relacionamento das sociedades anônimas com o Estado era tão visível que estas dependiam de uma outorga do monarca para funcionar. O terceiro momento da linha evolutivo desse modelo de sociedade foi marcado pela revolução industrial. A melhor forma de compreender tal matéria se dá pelo estudo de sua composição. quando se adotou o sistema . O conselho fiscal nas sociedade por ações. sem dúvida. diretoria e conselho fiscal) e o estudo atento da função pertinente a cada parte para a perfeita assimilação do funcionamento de uma empresa regida por esse que. o fato de as primeiras sociedades por ações atenderem uma função de interesse público3. a Inglaterra inibiu o sistema de autorização e implantou o registro de empresa em órgão específico. o que é uma sociedade anônima: seu conceito.Referências bibliográficas.10. Assim. no entanto. conselho de administração. são de suma importância para compreensão do assunto o desmembramento da sociedade em seus quatro principais órgãos (assembléia geral.9. Dessa forma. esse.Conclusão. Mais tarde. A maioria dos estudiosos. o trâmite não foi diferente.de administração. mas as sociedades ainda dependiam de autorização governamental para funcionar. porém. todavia. Elas eram responsáveis por financiar atividades coloniais. É ponto pacífico na doutrina.

Waldo. em nosso país. 2003.São Paulo: Saraiva.São Paulo: Saraiva.Op.Curso de Direito Comercial. foi a publicação da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A) que criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atribuiu caráter 1 NEGRÃO.v. Manual de Direito Comercial e de Empresa.cit. Fábio Ulhoa. . Outro marco significativo nesse ramo. 2000. 4 FAZZIO JÚNIOR. Fábio Ulhoa.2. Ricardo.1 2 COELHO.de registro.ed.3. 3 COELHO. V. 2007.Manual de Direito Comercial. São Paulo: Atlas.Direito de Empresa.10.ed.

por força de lei. por sua vez. A divisão do capital social em ações revela que nesse tipo de empresa não importa a pessoa do sócio.cit.Op. e objetiva com o exercício da empresa o desenvolvimento de atividades lucrativas. apesar de obedecer.4° da Lei de Sociedade 5 6 NEGRÃO. DORIA. Ricardo. Dentre esse segundo grupo de sociedades faz mister acrescentar que algumas. uma total separação do patrimônio da sociedade. A sociedade é considerada aberta quando admite negociação pública de valores mobiliários a fim de captar recursos7. Ainda neste tópico é importante esclarecer que a sociedade de economia mista é aquela mantida pelo Poder Público e que criada para explorar a atividade econômica de produção de bens ou prestação de serviços. Dylson. ou seja. Suas principais características são: a divisão de seu capital em frações transmissíveis (ações). 3 Conceito de sociedade por ações Segundo Waldo Fazzio Júnior5 a sociedade por ações é uma pessoa jurídica de direito privado que possui. 4 Classificação das sociedades anônimas A classificação das sociedades anônimas difere de acordo com o critério adotado. Por outro lado. não se sujeitam às negociações públicas de valores mobiliários na bolsa de valores ou balcão. caráter mercantil. A classificação mais importante é a primeira e por isso receberá maior destaque no presente artigo. o governo exige autorização governamental mediante registro na CVM (autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda) para essas empresas poderem atuar8. mas sim o capital investido. privada ou mista se for considerada a origem do capital. Dessa forma. as demais sociedades são consideradas fechadas.dual ao nosso sistema. possuirem responsabilidade limitada. recebem tratamento especial por parte da lei10. Essas companhias são regidas por um estatuto e recebem uma denominação. aos princípios da administração pública. portanto. devido ao pequeno porte (patrimônio líquido inferior a um milhão de reais e com capital concentrado nas mãos de até vinte acionistas). nacionais ou estrangeiras se for observada a transnacionalidade de seu capital. Se não observados tais procedimentos ocorre crime que prevê pena de reclusão de 2 a 8 anos mais multa 9. do patrimônio do acionista. Observa-se. Op. Ela está presente no art. Há. Tal tipo de empresa atende a uma função social e se sujeita ao regime jurídico de empresa privada.cit. o valor correspondente às suas ações. e em multinacionais. A responsabilidade limitada dos proprietários. garante que os sócios só se obriguem a pagar dívidas com valor igual ao do capital investido. a direção e a atuação6. um regime próprio de . os sócios. ou seja. os proprietários podem negociar as suas ações no momento que desejar e com a pessoa que lhe for conveniente sem necessitar de autorização dos demais sócios. Assim. referente à pessoa jurídica. e o fato de os seu proprietários. portanto. também. Para garantir segurança ao mercado acionário e incentivar o investimento nessas companhias. nosso direito admite o regime de regulamentação às companhias fechadas e o de autorização às abertas. Elas podem ser classificadas como: abertas ou fechadas de acordo com a emissão e distribuição de valores mobiliários em bolsa de valores ou mercado de balcão. Anônima.

FAZZIO JÚNIOR. Fábio Ulhoa. quando donos de ações custodiadas em instituições financeiras ou ações escriturais. membros do conselho fiscal e de administração podem participar das assembléias quando ela os convidar ou convocar. podem eleger um representante que defenda os seus interesses.administração estatal que exerce controle governamental sobre a companhia.cit. Assim.2 ed. a competência da assembléia também deve ser exposta.cit. ou melhor. 11 12 COELHO. A limitação subjetiva refere-se às qualidades do sujeito representante que pode ser. os acionistas. Fábio Ulhoa. A limitação temporal. a diretoria e o conselho fiscal. Láudio Camargo. taxativamente. a assembléia geral é uma reunião privada cuja legitimidade de participação é exclusiva de seus membros. ou seja. expressam o interesse da companhia sobre temas específicos. São Paulo: Atlas. o conselho de administração. No caso das pessoas legitimadas não poderem comparecer. Waldo.Op. 7 8 COELHO. apenas determina que a procuração para representação tenha validade de um ano12. no entanto. Dylson.Op. observar e discutir a prestação de contas dos administradores. Direito de Empresa no novo código civil.cit. 5 A assembléia geral na sociedade por ações Para melhor atender seus fins administrativos e jurídicos as sociedades anônimas apresentam desdobramentos de sua pessoa jurídica. Seu caráter e exclusivamente deliberativo”11. 13 DORIA. por outro lado. suspender os direitos de acionistas. quatro possuem maior relevância e por isso são previstos em lei. Estes. proprietários de ação nominativa ou através de identidade e extrato de compra de ações. Op. Tratamse dos órgãos sociais. prestando-lhe assessoria jurídica). 9 DORIA. a qual pode abranger as mais minuciosas questões administrativas. sofre limitações do tipo temporal e do tipo subjetivo. Apesar destes órgãos poderem ser livremente instituídos pelo estatuto social. como auditores independentes. um administrador da companhia.cit. Eles são: A assembléia geral. Dylson. a diretoria (quando não existir conselho de administração) e o conselho fiscal. fusão. Esse órgão é o único capaz de: reformar o estatuto social. COELHO. Outro fator a ser adicionado é que pessoas distintas dos acionistas. outro sócio. Além da legitimidade.Op. um representante de instituição financeira (só em caso de sociedades abertas). que apesar de não serem sujeitos de direito.Op. 2004 A assembléia geral “é o órgão máximo da companhia e dela participam todos os acionistas com direito a voto. Fábio Ulhoa. por sua vez. 10 FABRETTI. devem se identificar através de identidade. ou um advogado (que também pode freqüentar às reuniões como acompanhante do acionista. Ainda no que abrange a legitimidade de participação faz mister acrescentar que os proprietários sem direito a voto podem discutir. Op. A escolha deste.cit. incorporação e cisão13. eleger ou destituir o conselho de administração (se existir). . e deliberar sobre operações de transformação. se manifestar sobre a composição da pauta de discussão.cit.

Devido a grande quantidade de funções da assembléia geral, a doutrina a classifica em quatro tipos14: assembléia geral constituinte, especial, ordinária(AGO) e extraordinária(AGE). O primeiro tipo ocorre quando a reunião visa à constituição da sociedade anônima. O segundo visa assegurar direitos de titulares de determinadas classes de ações, evitando modificações estatutárias que os prejudiquem. As duas últimas, no entanto, são as mais importantes e por isso merecem maior destaque. A AGO possui um caráter de obrigatoriedade e periodicidade15, já que deve se reunir uma vez ao ano, no período de quatro meses após findo o exercício social. Ela examina a prestação de contas dos administradores, delibera e voto o destino do lucro líquido alcançado, aprova correção da expressão monetária e, quando necessário, elege o conselho de administração e o conselho fiscal. Esse tipo de assembléia geral necessita da presença de um auditor independente e de um membro do conselho fiscal para atribuir seu parecer sobre as questões discutidas. Tal exigência, se não cumprida, adia a deliberação. Ademais, vale frisar que, salvo em companhias fechadas, os administradores, mesmo que acionistas (membros do conselho de administração), não votam sobre as decisões de sua administração, já que a aprovação de suas contas os isenta de responsabilidade fiscal e administrativa. Os resultados obtidos na AGO, por sua vez, devem ser promovidos pelos administradores em um prazo de 30 dias. Qualquer assunto estranho aos três primeiros tipos de classificação, como a reforma de estatuto, serão tratados pela AGE. Para reunião da assembléia geral, porém, ela deve ser convocada. A competência para a convocação é do conselho de administração, caso este não exista, a atividade será exercida pela diretoria. Em casos excepcionais, todavia, a convocação pode ser realizada pela própria assembléia fiscal, pelo conselho fiscal ou até pelos acionistas16. Esse ato de convocação é tido como formal e deve se dar por publicação de anúncio. Tal procedimento, se não observado, impossibilita a deliberação, salvo hipótese de todos acionistas se encontrarem presentes17.
14 15

FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit. COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. 16 DORIA, Dylson.Op.cit. 17 NEGRÃO, Ricardo. Op.cit.

Convocada a assembléia geral, os trabalhos, ou seja, os debates e votações são presididos por uma mesa cuja composição é prevista no estatuto da companhia. De acordo com o assunto deliberado, vale ressaltar, há exigência de um quorum. Este se subdivide em quorum de instalação e de deliberação, O primeiro é requisito para a realização da reunião (pode ser reunião de 1/4, 1/2 ou 2/3 do capital social) e o segundo serve de condição para a validade das decisões alcançadas (pode ser de maioria absoluta ou até de unanimidade)18. Por fim, as deliberações são narradas, por escrito, em uma ata que deve ser assinada por todos os acionistas presentes e lavrada no livro de atas das assembléias gerais. Se não documentada dessa forma, a lei permite que as atas sejam lavradas sob forma de sumário dos fatos ocorridos, contendo apenas as deliberações levadas a termo.

6 A função do conselho de administração O conselho de administração é um órgão deliberativo com quantidade de membros de número ímpar e plural, ou seja, é composto por no mínimo três pessoas. Sua existência é obrigatória em companhias abertas, sociedades com capital autorizado ou de economia mista, sendo de presença facultativa nas demais sociedades por ações. Sua composição é oriunda de eleição pela assembléia geral e desse mesmo órgão recebe parcela da competência. O conselho de administração pode atuar em qualquer matéria de interesse da companhia com exceção àquelas de atividade privativa à assembléia geral. Contudo, sua função específica é: fixar orientação geral para negócios; eleger e destituir diretoria; suprir omissões do estatuto no que concerne sobre a divisão de competência entre os diretores; fiscalizar a diretoria; convocar a assembléia geral; se manifestar sobre o relatório anual de prestação de contas da diretoria; e escolher e destituir auditores independentes19. O processo de eleição, por sua vez, é legalmente definido como o de voto múltiplo. Esse modelo eleitoral atribui a cada ação uma quantidade de votos equivalentes ao número de cargos que compõe o conselho, quantidade esta prevista no estatuto social. Desse modo, objetiva-se atribuir representatividade a minoria
18 19

COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit.

acionária. O acionista quando for votar pode concentrar esses votos em um só candidato ou distribuí-los de acordo com seus interesses. Os trabalhos eleitorais serão presididos pela mesa da assembléia geral, que deve, anteriormente a votação, informar aos acionistas a quantidade de votos necessários para garantir a eleição de um membro no conselho20. O período de gestão, também é regido pelo estatuto, mas pode ser interrompido pela assembléia geral. Este órgão tem o poder de destituir o conselho. Tal destituição não precisa ser motivada, já que o conselheiro exerce cargo de confiança, ou seja, encontra-se em seu cargo por autonomia da vontade e, portanto, por essa mesma vontade pode perder sua posição. Por fim, é importante falar da previsão de escolha de um dos membros para o posto presidente do conselho. Esse procedimento obedece à forma prevista no estatuto, sendo, normalmente, fruto de escolha democrática pelos próprios membros do conselho. O presidente é responsável por convocar e dirigir as reuniões bem como resgistrá-las em atas cujo conteúdo será lançado em livro próprio depois de assinada por todos os membros presentes. Nem todas as atas, porém, necessitam ser arquivadas. Tal procedimento torna-se obrigatório somente nos casos que acarretem efeitos a terceiros ou quando a ata relatar reuniões nas quais haja eleições para diretores ou renúncia de conselheiros21. 7 A diretoria das sociedades anônimas Láudio Camargo Fabretti define a diretoria como “órgão executivo das deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e de representação legal da companhia”22. Os diretores não precisam ser acionistas e são escolhidos pelo conselho de administração, na ausência deste o processo pode ser realizado pela assembléia geral. A destituição de cargo pode ser feita a qualquer momento pelos mesmos órgãos 23 que também são responsáveis pela atribuição de competência a cada diretor.
20 21

COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FABRETTI, Láudio Camargo.Op.cit. 22 DORIA, Dylson.Op.cit. 23 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit

A quantidade de diretores, bem como o período de gestão é determinada pelo estatuto social, certo, porém, é que o mandato não pode ser superior a três anos (cabe reeleição) e que a companhia deve contar com pelo menos dois diretores. No máximo 1/3 da quantidade máxima de diretores, no entanto, pode ser composta por membros do conselho de administração. No que tange à responsabilidade, os diretores respondem solidariamente por responsabilidade civil caso não observem em seus atos o procedimento estabelecido pelas normas da companhia24. Por fim, há de se citar a existência de casos específicos nos quais os diretores têm a necessidade de se reunir para deliberar. Nestas situações, a decisão a ser tomada flui da maioria dos votos. Tais trabalhos são registrados em atas cujo conteúdo é lavrado em livro próprio. 8 O conselho fiscal nas sociedades por ações O conselho fiscal é responsável por fiscalizar os demais órgãos, principalmente no que concerne às prestações de contas, e à legalidade e regularidade dos atos de gestão25. Assim, sua atividade deve ser autônoma, ou seja, não pode ser hierarquicamente inferior ao conselho

Assim.de administração nem à diretoria. também. porém o seu funcionamento é facultativo. Waldo. Op. FAZZIO JÚNIOR.cit 26 FAZZIO JÚNIOR. portanto. pode-se requerer ao juiz da comarca uma autorização especial. visto que reúne os acionistas e decide. Caso não haja na 24 25 DORIA. é importante acrescentar que as companhias abertas devem contratar auditores independentes registrados no CVM para. Dentre essas subdivisões. Formado o conselho. Trata-se. também. todavia. para melhor exercer as suas funções é dividida em órgãos que realizam funções específicas. As pessoas a serem escolhidas não precisam ser acionistas. por isso. necessariamente. que recebe parcela da competência da assembléia geral. Ele pode exercer atividades referentes a qualquer matéria da companhia. Waldo. por sua vez. todavia exige-se que sejam graduadas em ensino superior ou pelo menos contem com uma experiência mínima de três anos em cargo de administrador. Outro aspecto importantíssimo do conselho é a sua responsabilidade. é obrigatória. A quantidade de subdivisões. Op. através de deliberações todo o futuro da sociedade empresária bem como elegem os membros que compõe os outro órgãos. O art. por sua vez. O art. No que tange a composição do conselho. é livre e prevista em estatuto social. ele passa a realizar seus trabalhos de forma colegiada. destacam se em relação aos demais e. vencendo sempre a maioria.163 da LSA garante a necessidade de registrar as reuniões em atas e arquivar os pareceres. por sua vez define que o conselho fiscal será responsabilizado se for conivente com medidas ilícitas ou prejudiciais a sociedade.165 da mesma lei. porém. portanto de um órgão de discussão e votação que é utilizado como instrumento de manifestação da vontade dos proprietários para a realização das atividades. por sua vez. já que disponibiliza aos acionistas para exercícios de direito e de fiscalizar e votar”26. Quatro órgãos. Finalmente. conselho de administração. a empresa deve contar com um conselho fiscal. 9 Conclusão Após o breve estudo do tema pode-se perceber que a sociedade por ações.Op.cit empresa pessoas com estas qualificações. diretoria e conselho fiscal. que o conselheiro que tiver se posicionado de forma contrária (verificação se dá por registro em ata) se exime do cumprimento da obrigação27. Dylson. exercer sua atividade. Para bem realizar sua atividade. ela é feita através da escolha de um número de três a cinco membros (mesmo número de suplentes) pela assembléia geral. o conselho deve ter a sua disposição todo o arsenal de informações necessárias.cit. mas esse não precisa. são tratados pelo direito. Waldo Fazzio Júnior acrescenta que “ sua atuação é instrumental. salvo aquelas . Eles são: a assembléia geral. que em caso de omissão ele responderá de forma solidária. O conselho de administração. O mesmo artigo define. A presença do órgão. realizar função de fiscalização. é um órgão facultativo. a assembléia geral é tida como mais importante. È importante ressaltar.

Waldo. Já a diretoria exerce cargo executivo e de representação da companhia e o 27 FAZZIO JÚNIOR. Op.que são exclusivas à assembléia geral.cit .

Láudio Camargo. Manual de Direito Comercial. Percebe-se. que para o bom andamento de uma sociedade anônima. DORIA. que se caracteriza pelo seu grande porte e movimentação intensa de altos valores. V. NEGRÃO. Curso de Direito Comercial. 10 Referências bibliográficas COELHO.1.v. Dylson.Direito de Empresa.ed. São Paulo: Atlas. 2004. faz-se necessária uma divisão de tarefas que otimize os trabalhos e garanta bons resultados aos acionistas.São Paulo: Saraiva. FAZZIO JÚNIOR. FABRETTI. Direito de Empresa no novo código civil.São Paulo: Saraiva. 2003.v.conselho fiscal. Assim. a divisão de funções para os órgãos objetiva a maior segurança nos negócios e conseqüente maior lucratividade. 2000. 2000.São Paulo: Saraiva. Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial.3.ed.14.2. 2 ed. Manual de Direito Comercial e de Empresa. .1. portanto. como não poderia deixar de ser realiza trabalhos de fiscalização das atividades exercidas pelos demais órgãos. 2007. Waldo. Ricardo. São Paulo: Atlas.ed.10.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful