SOCIEDADES ANÔNIMAS A presente matéria visa orientar às Sociedades Anônimas acerca das publicações legais de atas, convocações, anúncios

e demonstrações financeiras. Procuramos destacar aspectos práticos e de âmbito geral, tais como prazos a serem observados, obrigatoriedade das publicações e casos em que as mesmas são dispensadas, jornais para a veiculação dos atos societários, bem como os caracteres gráficos mínimos permitidos por lei. Vale ressaltar que a presente matéria trata das normas gerais da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações objeto da Lei n. 9.457, de 05 de maio de 1997, e da Lei n. 10.303, de 31 de outubro de 2001, aplicáveis às sociedades anônimas em geral. Cabe a cada S/A verificar as normas específicas aplicáveis ao seu caso em particular, sem prejuízo das normas gerais. Assim sendo, as Instituições Financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, deverão observar as normas específicas expedidas por esse órgão. Assim também deverão proceder as companhias abertas, observando as normas específicas emanadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Publicações Legais ordenadas pela Lei n. 6.404/76 às Sociedades Anônimas Edital de Convocação: A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por três vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. (art.124). 1a. Convocação: Na companhia fechada com 8 dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio e na companhia aberta com 15 dias de antecedência. 2a. Convocação: Não se realizando a Assembléia, deve ser publicado novo anúncio. Na companhia fechada com 5 dias de antecedência e na companhia aberta com 8 dias de antecedência. Cabe ressaltar, que não se admite anúncios prevendo desde logo a 2a. convocação. Deve ser publicado novo anúncio. Dispensa da publicação: A Assembléia que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação do edital (art. 124 § 4o.). Atentar para o dispositivo legal que se refere a "todos os acionistas", e não apenas aos que possuem "direito de voto". Aviso aos Acionistas: Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária, por anúncios publicados por três vezes, no mínimo, que se acham à disposição dos acionistas os documentos referidos no art. 133. Dispensa da publicação:

a) a assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação dos anúncios (art.133 § 4o).); ou b) a empresa que publicar o Balanço e demonstrações financeiras até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária (art.133 § 5o.) Balanço: O Balanço e demais Demonstrações Financeiras deverão ser publicados até 5 dias antes da Assembléia Geral Ordinária (art. 133 § 3o). A assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a inobservância do referido prazo, mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia (art. 133 § 4o). Atas: Todas as Atas de Assembléias Gerais de Acionistas deverão ser publicadas. Extrato de Ata - Tem-se observado a publicação de extrato de ata lavrada na forma sumária, ou seja, a publicação de um "resumo" do "resumo". Isto é inadmissível. Somente quando a ata é completa, plena, lavrada sob a forma tradicional, discorrendo sobre todos os fatos ocorridos, aí sim, é permitido extrair um extrato para a publicação, ou seja, um texto mais resumido, conciso, com o sumário dos fatos ocorridos e das deliberações tomadas. O legislador é claro quando diz no art. 130 § 1o. que a ata poderá ser lavrada na forma de sumário dos fatos ocorridos, e conter a transcrição apenas das deliberações tomadas. E, no mesmo art. 130 § 3o. diz que, se a ata não for lavrada na forma permitida pelo § 1o., poderá ser publicado apenas o seu extrato, com o sumário dos fatos ocorridos e a transcrição das deliberações tomadas. Portanto, apenas para a ata que não foi lavrada na forma de sumário, é facultada a publicação de um extrato. O Prof. Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 2o. vol., pgs. 757/758, 2003) discorrendo acerca de tal dispositivo legal afirma que "Não pode ser publicado extrato de ata sumária – Ainda que pareça despicienda a repetição do texto claro da lei a respeito, torna-se indispensável ressaltar que é absolutamente ilegal a publicação de extrato de ata submetida ao regime sumário". É importante frisar, que a faculdade dada pelo legislador para as sociedades anônimas publicarem um extrato de ata, refere-se única e exclusivamente às atas de Assembléias Gerais de Acionistas. Tal faculdade não se estende às atas de Reuniões do Conselho de Administração. Estas, quando contiverem deliberação destinada a produzir efeitos perante terceiros, deverão ser publicadas na íntegra. Artigo 294 A companhia fechada que tiver menos de 20 (vinte) acionistas, com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) poderá: - convocar assembléia geral por anúncio entregue a todos os acionistas,contra recibo, com a antecedência prevista no art. 124, ou seja, está dispensada de publicar o edital de convocação; e - deixar de publicar o Balanço e demais Demonstrações Financeiras de que trata o art. 133.

O disposto neste artigo não se aplica à companhia controladora de grupo de sociedades, ou a ela filiadas, ou seja, suas controladas e coligadas. Cabe lembrar que a dispensa de publicação a que se refere o art. 294, limita-se tão somente ao edital de convocação e ao balanço. Note-se que o referido artigo não menciona os avisos pondo à disposição dos acionistas os documentos a que se refere o art.133. Portanto, conforme entendimento de longa data da Procuradoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo esses avisos deverão ser publicados. Jornais de veiculação das publicações legais As publicações ordenadas pela Lei das S/A serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme o lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia (art. 289). Vale ressaltar que as publicações legais (convocações, anúncios, demonstrações financeiras e atas) das S/A cuja sede é, por exemplo, no Estado de São Paulo, deverão ser feitas: - no órgão oficial do Estado, ou seja, obrigatoriamente no Diário Oficial do Estado de São Paulo, não se admitindo Diário Oficial da União, e - em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia. Entende-se por "jornal" o que se publica, no mínimo, cinco dias na semana, a exemplo do próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo que tem cinco publicações semanais. E por "grande circulação" entende-se o jornal cuja distribuição é feita na localidade em que é editado de forma regular e de fácil acesso aos acionistas. Caracteres gráficos nas publicações legais A Lei n. 8.639 de 31/03/93 disciplinou o uso de caracteres nas publicações obrigatórias. O tipo de letra deve ser, no mínimo, de corpo seis, e o título deve ser do tipo doze ou maior. O não-cumprimento dessa determinação será objeto de exigência pela Junta Comercial, conforme disposto no art.57 do Decreto n. 1.800/96. Em São Paulo, de acordo com a Portaria Jucesp n. 73/98, somente serão aceitas as publicações legais em jornais de grande circulação que utilizarem corpo de letra no mínimo de corpo seis, com entrelinhamento mínimo de seis e meio. Não serão aceitas publicações com caracteres condensados. As publicações a serem feitas no Diário Oficial do Estado de São Paulo continuam obedecendo aos padrões vigentes naquele órgão, conforme Portaria 002 de 18 de fevereiro de 2.000 da Imprensa Oficial do Estado S/A, em seu artigo 2o. que reza o seguinte: I – o nome da empresa deverá constar de linha (s) única (s) de abertura, não recorrido, com corpo mínimo de 12, negrito; II – o CNPJ, título da matéria (ata, relatório da diretoria, etc.) e o restante do material será no corpo mínimo de sete, com entrelinhamento mínimo de 7/8 (sete sobre oito).

Livro Razão. Exibição administrativa dos Livros .3. 28 de décembre de 2007 et du Décret 6. 6.3 Os livros Sociais. Livro-diário.1. 4. Conservação da escrituração – 10.638. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais.2. Afin d´´exprimer.7. 4. Registro de Entradas. Livros Digitais – 4.Société anonyme Système Public de Comptabilité digitale.1. Outros Livros fiscais – 4. estabeleceu-se a necessidade de aprimoramento do levantamento do exercício social e da demonstração contábil e financeira da sociedade.2.Introdução – 2.022/2007 a apporté varie des changements dans le champ de la comptabilité et des démonstrations financières des sociétés anonymes et dans les sociétés de grand transport.1. la Loi n° 11.8. c´´est-à-dire.2. Os métodos ou formas da escrituração. 4. Os Métodos e o Valor probante da escrituração.3. la réelle situation de l´´entrepreneur. Microfilmagem. Exibição judicial dos Livros empresariais. Perda. De même avec la création du Système Public de Comptabilité Digitale.Do exercício social e das demonstrações contábeis Resumo: Estamos diante de uma nova etapa na área empresarial e contábil.3) Livro Balancetes Diários e Balanços – 4.2. Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis – 3. Conseqüência da irregularidade na escrituração – 11. Sumário: 1. 4. 6. Livros Facultativos – 5.2. Exibição dos livros empresariais.2. Most clef: Comptabilité .2. 4. ou seja. la nécessité a établi d´´amélioration de l´´enquête de l ´´exercice social et de la démonstration comptable et financière de la société. 3. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência. 7. 4. 4. Disposições Gerais . Espécies de Livros Empresariais.2.1. 7.2.4. Os Livros Contábeis. 4.4. Escrituração – Demonstrações Contábéis e financeiras –– Sociedade anônima .1. de 28 dezembro de 2007 e o Decreto 6. Usuários do SPED.2. 3.6. Livro de Movimentação de Combustível (LMC). 4. 3.2. 4.2.1.2. 3. e bem como o seu desempenho. periodicamente. et ainsi que sa performance. 4.1. périodiquement.2. extravio ou inutilização de livros fiscais. Requisitos intrínsecos e extrínsecos – 6.2.10. Registro de Saídas.1. a real situação do empresário. 4.2. Registro de Inventário. O livro de apuração do lucro real (LALUR).1. 4. Palavras-chave:. Sistema Público de Escrituração Digital. a Lei nº 11. 4. 4.2. Instrumentos de escrituração mercantil. Fichas.11.9.1.Démonstrations Contábéis et financières .3. Livros em papel. 11. 7. Registro de Apuração de ICMS. Os Livros Fiscais. A fim de expressar. Acesso às informações do SPED – 8.3. 7. Função do SPED. Funções da escrituração – 9. Competência da Secretaria da Receita Federal. 4.638.Sistema Público de Escrituração digital Résumé: Nous sommes en avant d´´une nouvelle étape dans le secteur d´´entreprise et comptable. Registro de Controle da Produção e do Estoque. Inclusive com a criação do Sistema Público de Escrituração Digital.022/2007 trouxeram varias mudanças no campo da escrituração e das demonstrações financeiras das sociedades anônimas e nas sociedades de grande porte.1. Registro de Duplicatas. Valor probante da escrituração – 7.5.3.4. 4.

Assim. Ativo. O balanço patrimonial. sendo inclusive indivisível a escrituração "se os fatos que resultam dos lançamentos.empresariais – 12. 380.3. 14. a expressão Escrituração é criticada por Eliseu Martins [02].1. 14.3. geralmente para fins contábeis. A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. Contudo. uns são favoráveis ao interesse de uma parte e outros lhe são contrários. Assim. 14. A demonstração do resultado do exercício. A Escrituração completa é composta pelos lançamentos contábeis e pelas demonstrações financeiras elaboradas no encerramento de cada exercício social [01]. Divulgações das demonstrações contábeis . III)Contestação de reclamatórias trabalhistas quando as provas a serem apresentadas dependam de perícia contábil. Escrituração é o nome que a legislação escolheu para expressar o ato de se efetuarem os lançamentos em contas. Obrigatoriedade e reponsabilidade do contabilista – 13.1. e a levantar anualmente balanço patrimonial e o resultado econômico. mecanizado ou eletrônica com. 14. Passivo. II)Comprova em juízo fatos cujas provas dependam de perícia contábil. [04] Devemos expor que o empresário sem um sistema que demonstre o exercício social e as demonstrações contábeis é uma entidade sem memória. sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência ou de planejar seu crescimento. A demonstração dos fluxos de caixa. a lista mais comum de vantagens de uma entidade para manter escrituração contábil. bem como não possibilita ao empresário avaliar o acerto das decisões administrativas e negociais tomadas. bem como os rumos a serem seguidos. 14. são as seguintes: I)Oferece maior controle financeiro e econômico à entidade.4. As conseqüências para a falta das demonstrações contábeis periódicas são as seguintes – 15. Impossibilitada de elaborar demonstrativos contábeis por falta de lastro na escrituração. por certo encontrará dificuldades em obter fomento creditício em instituições financeiras ou de preencher uma simples informação cadastral [05]. . 14.101/2005). pois a expressão mais ajustada para o Capítulo IV do Livro sobre Direito de Empresas seria chamá-lo de Exercício Social e Demonstrações Contábeis. A demonstração do valor adicionado no caso de companhia aberta.Disposições Gerais . Referencias Bibliográficas 1. Escrituração é o conjunto de lançamentos contábeis.2. do CPC). IV)Imprescindível no requerimento de recuperação judicial (Lei 11. Filiais – 14.2.16.5.1. posteriormente compilados em livros e fichas.Introdução No Direito empresarial.1. Demonstrações contábeis. Tanto as sociedades empresárias como os empresários individuais estão obrigados a seguir um sistema de contabilidade [03]. 14. mas ambos serão considerados em conjunto como uma unidade" (art. base na escrituração uniforme de seus livros em correspondência com a documentação respectiva. 14.

de 15 de dezembro de 1976. ativo total superior a R$ 240. Muito embora a regra que determina a publicação das demonstrações esteja inserida em um dos parágrafos do artigo 176 da Lei das S/A. para os fins exclusivos desta Lei. 3º Aplicam-se às sociedades de grande porte. Parágrafo único. não há que se falar que a publicação das demonstrações financeiras esteja inserida dentro do .00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300. VI)Base de apuração de lucro tributável e possibilidade de compensação de prejuízos fiscais acumulados. Portanto.385.179 a 1. A matéria sobre o Exercício Social e as Demonstrações Contábeis está disciplina nos artigos 1.195.000. pois o artigo 3º da Lei 11.V)Evita que sejam consideradas fraudulentas as próprias falências. até pela obviedade das vantagens acima listadas. sujeitando os sócios ou titulares ás penalidades da Lei que rege a matéria. determina que: Art. Inicialmente poder-se-ia indagar da não obrigatoriedade da publicação das demonstrações contábeis. e da Lei no 6. e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. no exercício social anterior. de 28 de dezembro de 2007. 1.020). as disposições da Lei nº 6. a contabilidade deve ser considerada sempre uma ferramenta imprescindível à gestão de qualquer entidade.. Considera-se de grande porte. ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações.404.638. para fins de apuração de haveres ou venda de participação. XI)Para o administrador. VII)Facilita acesso ás linhas de crédito. sócios ou representantes implementarem a escrituração através de contabilista devidamente habilitado.00 (trezentos milhões de reais). sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários. X)Prova. de 7 de dezembro de 1976. de 15 de dezembro de 1976. VIII)Distribuição de lucros como alternativa de diminuição de carga tributária. cabendo ao administrador.000.000. que Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404.000. a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver. IX)Prova a sócios que se retiram da sociedade a verdadeira situação patrimonial. [06] A Lei 11. em juízo. do Código Cível e em outros diplomas legais. supre exigência do Novo Código Civil Brasileiro quanto á prestação de contas (art.638/07 é expresso no sentido de que as sociedades de grande porte devem observar as regras da Lei das S/A no que tange à elaboração e escrituração das demonstrações financeiras. que trata da elaboração das demonstrações financeiras. a situação patrimonial na hipótese de questões que possam existir entre herdeiros e sucessores de sócio falecido.

em Consulta Pública lançada no dia 14 de janeiro de 2008.Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis As legislações atuais instituem três sistemas de demonstrar o exercício social e contábeis. informar em caráter preliminar que embora não haja menção expressa à obrigatoriedade de publicação dessas demonstrações financeiras. caso as sociedades de grande porte optem pela publicação ou a divulgação voluntária de suas demonstrações financeiras. a) O sistema francês é o adotado pelo Brasil. b) O sistema suíço é adotado pela Inglaterra. Sem deixar de acompanhar a intensa movimentação do mercado após a edição da Lei 11. Não discrepa o ente regulador do entendimento esposado neste artigo. [09] O sistema de contabilidade deverá ser mecanizado ou digitalizado por meio eletrônico. estas devem seguir os parâmetros exigidos pela legislação em vigor. e c) O sistema germânico é adotado na Alemanha..". Derivará da Consulta Pública aberta até o próximo dia 25 um ato normativo para regular os efeitos da novel legislação. empregados. credores. já o menciona expressamente. por quaisquer meios. Reconhece apenas a inexistência de menção ao verbo "publicar" na lei nova sem contestar que a lei alvo da modificação. onde a lei obriga o empresário a ter livros. . mas deixa livre a espécie destes e o método de escritura. especialmente perante investidores potenciais. veio a Comissão de Valores Mobiliários [07]. inclusive eletrônicos (tais como websites). consumidores. o suíço e o germânico. Por fim. que são duas atividades completamente distintas e inconfundíveis. Certamente oferecerá mais elementos para reflexão dentro da polêmica instaurada. a publicação ou a divulgação de tais informações.. dando norma para a representação gráfica dos mesmos. Não obstante as considerações acima apresentadas é imprescindível destacar que. embora a nova lei não obrigue expressamente as sociedades de grande porte a publicar suas demonstrações financeiras. o francês. 3. vale mencionar que. A Lei impõe o número de livros obrigatórios. é extremamente positiva. anterior. uma vez que a transparência apresenta-se como uma das medidas que mais agregam valor à empresa no campo da governança corporativa.processo de sua elaboração. de modo a formar um todo organizado visando interpretar e registrar os fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. a denominação e as regras de escrituração [08]. fornecedores.638. A lei impõe certos livros como obrigatórios. orienta pelo atendimento às regras de transparência já editadas. governos e a sociedade em geral.Instrumentos de escrituração mercantil O mecanismo de escrituração deve obedecer a um sistema de contabilidade o qual se refere a um conjunto de elementos interconectados harmonicamente. 2. institucionais e estrangeiros. mas libera o método de escrituração.

os livros são brocados ou encadernados. ser escriturado mais de um livro. sucursais ou agências. de mesmo número ou não.2. Segundo o método de sua confecção. iniciando se pelo numeral um. quando for o caso (artigo 4º.180. em livro já autenticado pela Junta Comercial. manuscritos. III .180). do Código Civil). A retificação de lançamento feito com erro. e de maior resistência. com sede em país estrangeiro (artigo 1º). observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade. a qual deverá ser assinada pelos mesmos signatários do termo e homologada pelo autenticador do instrumento pela Junta Comercial. sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria.livros em papel. no livro em papel.180.conjunto de fichas ou folhas contínuas (artigo 1. 3. podendo. As disposições desta Instrução Normativa aplicam-se às filiais. de 25 de abril de 2006. II . de acordo com as necessidades do empresário ou da sociedade empresária. O livro não poderá ser dividido em volumes. geralmente duras. parágrafos 2º e 3º. sendo protegidos por capas. de 25 de abril de 2006 pode elaborado em: I . IV . da Instrução Normativa nº 102/2006). impressos. poderá ser feita ressalva na própria folha ou página. enfeixados em capas flexíveis e de pouca resistência. Segundo o artigo 2º da Instrução Normativa nº 102. mediante termo de homologação por esse datado e assinado. incluído na seqüência da escrituração o balanço patrimonial e o de resultado econômico.livros digitais.conjunto de fichas avulsas (artigo 1. não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro. protegidos exteriormente por duas capas. em relação a um mesmo período. da Instrução Normativa nº 102/2006). A numeração das folhas ou páginas de cada livro observará ordem seqüencial única. Livros em papel De acordo com De Plácido e Silva a expressão livro é o vocábulo usado para designar (…) toda coleção de cadernos. deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência. [10] .livros em microfichas geradas através de microfilmagem de saída direta do computador (COM). do empresário ou sociedade autorizado a funcionar no País.1. desde que obedeçam as formalidades legais. contendo a escrituração retificada (artigo 5º. 3. do Código Civil). no País. Fichas O Código Civil permite que os livros em papel venham a ser substituídos por fichas ou formulários avulsos ou contínuos por aqueles que adotavam escrituração mecanizada ou eletrônica (artigo 1. Livros brocardos são ligeiramente costurados ou grampeados. V . Livros encadernados são os que se costuram com maior firmeza e segurança.A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº nº 102. Existindo erro ou omissão de algum dado obrigatório do termo de abertura e/ou encerramento.

de acordo com as regras do IPC Brasil. poderão ser contínuas.404. Pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em alguns portais de internet gratuitos. As microfichas. 3. parágrafo 1º. Os livros digitais deverão necessariamente ser assinados por contabilista. . apenas para os livros dos incisos I a III do art. Os e-books são facilmente transportados em disquetes. com certificado digital [12]. com certificado digital de segurança mínima A#. ao qual deve ser atribuído o número subseqüente ao do livro diário escriturado em fichas (artigo 4º. Livros Digitais Segundo a Wikipédia [11] o livro digital ou E-book é um livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores. poderá ser utilizada pelas companhias e em relação aos livros sociais de que trata o art. Também deverão ser autenticados. pelo empresário individual ou pelo administrador da sociedade empresaria. Poderá ser utilizado como sistema se houver comunicação à Junta Comercial no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o termino de cada livro ou conjunto de fichas. Um e-book por ser um método de armazenamento de pouco custo e de fácil acesso devido à propagação da internet nas escolas. selo cronológico digital. regulamentada pelo Decreto nº 64. Para produzirem efeitos legais.4.433/68. com subdivisões numeradas mecânica ou tipograficamente por dobras. deverão atender os requisitos constantes do Anexo I da Instrução Normativa nº 102/2006. (artigo 16. como instrumento de escrituração. como instrumento de escrituração. em blocos. as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.404. sendo vedado o destaque ou ruptura das mesmas ou avulsas. 100 da Lei nº 6. pelas juntas comerciais. e obrigatoriamente autenticado em cartório. CD-ROMs e pen-drives. anualmente. por meio de carimbo aposto em cada folha ou mediante termo próprio. em forma de sanfona. As fichas que substituírem os livros. de 15 de dezembro de 1976. da Instrução Normativa nº 102/2006). Serão transmitidos às juntas comerciais via Internet ou entregues em CD/DVD regravável ou em pen drives. PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. No caso das companhias abertas. observada a disciplina da Lei 5. no conjunto de hash [13] dos livros digitais autenticados. de 15 de dezembro de 1976. selo cronológico digital. O sistema de microfilmagem. aplicar-se-ão. com as indicações que os identifique para efeitos de controle.3. os traslados e as cópias deverão estar assinados pelo responsável da organização ou do estabelecimento detentor do filme negativo e pelo contador. para o caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. da Instrução Normativa nº 102/2006). as quais serão numeradas tipograficamente (artigo 8º. inserido em cada autenticação. Microfilmagem É admissível a microfilmagem da escrituração. da Instrução Normativa nº 102/2006).A adoção de fichas de escrituração não dispensa o uso de livro diário para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. de segurança mínima tipo A#. ainda. As Juntas Comerciais deverão inserir. 100 da Lei nº 6.398/69. 3.

4. pelo prisma jurídico podemos afirmar que os livros empresariais se dividem em duas categorias: a) obrigatórios que se subdividem em comuns e especiais. ainda.2. Assim. Em verdade. A escrituração deverá ser individualizada. art. tornouse obrigatória.Os Livros Contábeis Segundo os manuais de Contabilidade os livros contábeis são os livros Diários e os livros Razões. art. [14] Contudo. O Livro Razão é de grande utilidade para contabilidade porque registra o movimento de todas as contas. Os livros facultativos são os que o empresário e a sociedade escritura com vistas a um melhor controle sobre seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção. e b) facultativos. livros fiscais. de 1991. 4. obedecendo-se a ordem cronológica das operações (RIR/1999. mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação.383. Livro Razão [18] O livro Razão consiste no agrupamento de valores em contas de mesma natureza e de forma racional. sim. de 1991.Espécies de Livros Empresariais Analisando as espécies de livros a partir dos manuais de contabilidade chegamos à conclusão que eles estão divididos em livros contábeis. Segundo Fabio Ulhoa Coelho [15] os livros empresariais obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário a sua ausência traz conseqüências sancionadoras (inclusive no campo penal). art. neste livro existe um controle individualizado para cada conta. fiscais. por necessidade administrativa.218. Livro-diário [19] . onde todos os eventos passíveis de registros contábeis são efetuados.1. existe uma folha de razão para cada conta. sociais e. a escrituração e a manutenção do livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar. 14. Na escrituração dos empresários e das sociedades encontramos vários livros que não são propriamente contábeis e. por conta ou sub-conta.1.1. o livro Razão é escriturado em fichas. [16] Segundo informações obtidas no site da Receita Federal "a partir de 1º/01/1992. que incorporou as Leis nº 8. [17] Faz-se necessário demonstra a diferença entre livro Razão e o livro diário. Já os livros Especiais são aqueles cuja escrituração é imposta apenas a uma determinada categoria de exercentes de atividade empresarial.1. para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real.4. livros sociais e por necessidades administrativas. 4. 259. os lançamentos efetuados no Diário. Na Contabilidade moderna. e nº 8. Os livros Comuns são os livros obrigatórios cuja escrituração é imposta a todos os empresários. indistintamente. 62)".

para registro individualizado. 1. 3º . a ser submetidos à autenticação do órgão competente no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). 2º . 2º . e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação (parágrafo 1º. mês e ano.conta ou contas creditadas. Os livros ou fichas (Diário) deverão conter termos de abertura e de encerramento. Porém.Histórico da operação. com totais não excedam o período de 30 dias. 1. não se .184.valor do crédito. Os Elementos Essenciais do Lançamento no Livro Diário manuscrito são: 1º . [21] Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 8º . devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresaria (parágrafo 2º. desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados. soltas ou avulsas). art. 7º . Se o empresário individual possuir receita Bruta anual de R$36. 3º . do Código Civil).valor do débito.Código da conta. propriamente.data.local e data. Já se enquadrar como a Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte terá apenas como livro obrigatório o livro-caixa. a adoção desse sistema não exclui o empresário de obediência aos requisitos intrínsecos. que serve de índice ao Diário". Admite-se a escrituração resumida do Diário. em ordem cronológica e com observância de certas regras". previstos na lei fiscal e empresarial para o livrodiário. 1.179 c/c 970 do Código Civil e pelo Estatuto do Super Simples.Total da partida dobrada.000. Para o livro-diário mecanizado são: 1º . o Razão.Segundo Sérgio de Iudícius [20] o Livro Diário é um livro no qual são registradas todas as operações contabilizáveis de uma entidade. 5º . a base de toda contabilidade de um empresário ou de uma sociedade é o Livro Diário que representa o registro histórico de todos os acontecimentos de ordem empresarial. O livro diário deve ser encardenado com folhas numeradas seguidamente. Segundo De Plácido e Silva [22] "os livros de escrituração.00 (tinta e seis mil reais) estará dispensado de escrituração por força do art. são o Diário. que se tenham verificado na atividade empresarial.Histórico. Entretanto. 5º . em forma de sanfona. sendo que os registros deverão ser feitos diariamente. de uso obrigatório. Quem empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário por fichas seguidamente numeradas. Desta forma.Total do débito e.conta ou contas debitadas.184. 6º .nº do documento.Total do crédito. 4º .valor da operação e. Este livro registra os fatos contábeis em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia. ressalvado os sujeitos abrangidos pela Lei Complementar nº 123/06 que trata do Super Simples ou Simples Nacional. a legislação civil determina que apenas o livro Diário é obrigatório para todos os empresários e sociedades empresárias. art. Assim. 4º . 6º . do Código Civil). O livro-diário tradicional pode ser substituído por fichas (contínuas. relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento.

destinando-se para aqueles que delas necessitarem. [24] De acordo com Mario Sergio Milani [25] a adoção de fichas não dispensa o livro para o lançamento patrimonial e do de resultado econômico. em ordem cronológica de dia. no encerramento do exercício. no intuito de acompanhar no dia-a-dia todas as transações realizadas pelas empresas. mês e ano.1.a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis. É através dos livros fiscais que o fisco verifica todas as transações dos empresários e das sociedades. 1186 do Código Civil): I . pelo respectivo saldo. II .Os Livros Fiscais [26] Podemos classificar como livros fiscais os que se encarregam de armazenar todos os fatos relacionados com as atividades fiscais do empresário e da sociedade. retificando-os ou ratificando-os conforme constatações. esse livro serve para registrar o inventário de todos os itens pertencentes ao empresário ou sociedade na data do encerramento das demonstrações contábeis. Por isso que é o próprio instituidor dos livros. Um dos interessados nessas informações é o Estado. o saldo resultante com indicação dos credores e devedores. verificar cálculos. É através deles que as informações são extraídas. Registro de Inventário Neste livro o empresário realiza o lançamento dos saldos das mercadorias e materiais não comercializados ou consumidos durante o exercício comercial. estabelecendo que na coleta dos elementos para o inventário serão observados os critérios de avaliação a seguir determinados: .o balanço patrimonial e o de resultado econômico.2. a movimentação diária das contas. conferindo todos os registros efetuados pela empresa. discriminando em relação a cada uma delas. ou seja.3) Livro Balancetes Diários e Balanços O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o Livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços.187 do Código Civil reformulou a função do livro Registro de Inventário. 1. etc. O art. O livro Balancetes Diários e Balanços serão escriturados de modo que registre (art. observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. verificar se os registros das mercadorias de entrada foram todos realizados. [23] 4. o saldo anterior. Este livro deve consignar.2. entre eles: verificar a autenticação do livro no órgão competente. Alguns cuidados e observações devem ser tomados quando nos referimos a este livro. pois. os débitos e os créditos do dia e. 4. 4. é através destas informações que ele exerce sua atividade de policiar parte do grandioso vulto econômico gerado pelas entidades econômicas. em forma de balancetes diários.1.pode concordar com a indagação de que o Diário é obrigatório para todos os empresários.

quanto aos últimos. deve se efetuar o registro do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações (ICMS). ele efetivamente figura por vezes. sempre que este seja inferior ao preço de custo. nem para as percentagens referentes a fundos de reserva. e quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição. não se levando em conta os prescritos ou de difícil liquidação. Registro de Saídas . etc. aproveitamento de créditos fiscais sem o documento original (quando contém apenas a xérox). Todas as mercadorias (gerando crédito fiscal ou não). ou pelo preço corrente. no período antecedente ao início das operações sociais. Entre os valores do ativo podem figurar. pela ação do tempo ou outros fatores. fixada no estatuto. e principalmente as em regime de Substituição Tributária.o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com base na respectiva cotação da Bolsa de Valores.2.3.I . previsão equivalente. 4. anualmente.os valores mobiliários.2." 4. a diferença entre este e o preço de custo não será levada em conta para a distribuição de lucros. até o limite correspondente a dez por cento do capital social. III . à sua amortização: (a) as despesas de instalação da sociedade. As principais observações realizadas neste são as referentes aos cálculos dos impostos. desde que se preceda.os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição. ou fabricação. bens destinados à alienação. b) os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima.os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de realização. atender-se à desvalorização respectiva. ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da empresa podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação. matéria-prima. à taxa não superior a doze por cento ao ano. IV . II . Em uma coluna especifica. devendo. se houve aproveitamento intempestivo do crédito fiscal. criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor. na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso. falta de registro de documento fiscal. [27] Segundo Cesare Vivante [28] "não é necessário que o livro de inventários forme um livro próprio e autônomo. c) a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento adquirido pelo empresário ou sociedade.2. e os bens forem avaliados pelo preço corrente. Registro de Entradas Este livro registra todas as aquisições realizadas pelo empresário e sociedade. os não cotados e as participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição. nas pequenas empresas. salvo se houver. antes de qualquer outra verba do no exercício no livro diário. duplicidade de lançamentos de entradas.

em contrapartida com os registros de entradas. conferir os valores a serem recolhidos e as guias de recolhimento dos respectivos impostos. como: a autenticação obrigatória pela autoridade competente. Registro de Apuração de ICMS O livro de registro de apuração do ICMS é o livro encarregado da conta corrente do ICMS. mistura . Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência Um dos livros mais importantes para a fiscalização ou auditagem de uma empresa. quais as contas que foram verificadas.5. os estoques de material de escritório. 4. ou seja. estabelecido pelo Regulamento do IPI. entre outros. Algumas observações devem ser feitas. os livros que foram verificados. As observações aqui realizadas devem ser. a alíquotas do ICMS e o valor do imposto.No registro de saídas temos os lançamentos oriundos das operações de vendas de mercadorias.7. Registro de Controle da Produção e do Estoque O livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque é obrigatório para as indústrias e estabelecimentos equiparados. dos estoques e de movimentação de compra e venda de gasolina. pelo posto revendedor de combustíveis líquidos e gasosos. 4. Nele podem ser observadas informações como. bem como seus saldos.2. a quantidade de mercadorias vendidas. óleo diesel. são registrados os estoques de produtos para revenda. podemos apurar o saldo da conta corrente. a descrição dos produtos. os livros examinados. Pelos registros de créditos e débitos que realizamos nele. é nele que ficam registradas as informações correspondentes à última fiscalização. o livro é utilizado para os registros de auditorias fiscais realizadas na empresa. e se o empresário e a sociedade terá imposto a recolher ou saldo a transferir ao próximo período. verificando se este é devedor ou credor. praticamente. são os originários da apuração entre os débitos e créditos fiscais.6. com o objetivo de promover o controle de produção e do estoque. as mesmas a serem realizadas nos livros de registros de entradas.2. com débito do ICMS realizados pelo empresário e sociedade. eventuais multas aplicadas o empresário e a sociedade. [29] 4. devem ser registrados pela autoridade fiscal a data. se o empresário e a sociedade gozam de regime especial concedido ou exigido pela repartição fazendária. por exemplo. Neste livro. pois. 4. material de limpeza e demais produtos existentes no estabelecimento. os resultados da última fiscalização. Este registro. verificar se os transportes dos livros de registro de entrada e saída estão corretos. quando ocorrência uma fiscalização na empresa. Logo. etc. bem como outras ocorrências de ordem fiscal. querosene iluminante.2. resultando no montante de impostos que o empresário e a sociedade vai recolher.8.2. tipos de infrações cometidas pelo contribuinte. Livro de Movimentação de Combustível (LMC) O LMC destina-se ao registro diário. álcool etílico hidratado carburante. Este livro é dividido por colunas para registro da data da operação da venda.

b) transcrever a demonstração do lucro real. com o número de ordem. bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos-base futuros e não constem da escrituração comercial. sem modificação da escrituração mercantil. anotações das reformas. necessários para a determinação do lucro real (base de cálculo do Imposto de Renda). de acordo com a legislação do Imposto de Renda. O Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil. a saber: I. todas as duplicatas emitidas. devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários.metanol/etanol/gasolina e gás automotivo. prevista no parágrafo 2° do art. da depreciação acelerada incentivada. adições: a) custos. 177 da Lei n° 6. da exaustão mineral com base na receita bruta. para todos os fins desta Lei.404/76 (Lei 6. perdas.2. d) O LALUR não precisa ser autenticado por qualquer órgão oficial. No LALUR. com observância das normas da legislação comercial. a pessoa jurídica deverá: a) lançar os ajustes do lucro líquido do períodobase (apurado na escrituração comercial). o nome e domicílio do comprador. ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários. [30] 4. Este livro foi instituído pela Portaria 26/92 do Departamento Nacional de Combustíveis. receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração . despesas. prorrogações e outras circunstâncias necessárias. serão escrituradas. data e valor das faturas originais e data de sua expedição. Nesse livro.2. ajustado no LALUR pelas adições. segundo o artigo 19 da Lei de Duplicatas. 4. demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares.404/76). b) resultados. provisões. do lucro inflacionário a realizar. O livro de apuração do lucro real (LALUR) [31] O livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) existe para assegurar a separação entre a escrituração comercial e a fiscal. rendimentos. participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido e que. Deve ser autenticado pela Junta Comercial. desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo. não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. encargos. Registro de Duplicatas É o livro obrigatório. exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. cronologicamente.9.10. c) manter os registros de controle dos prejuízos fiscais a compensar em períodosbase subseqüentes. As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar. na escrituração mercantil. para os empresários que adotem o regime de vendas ou prestações de serviços com extração de fatura e emissão de correspondente duplicata.

no que couber. rendimentos. ou de sua aquisição pela companhia. os seguintes revestidos das mesmas formalidades legais: a ) Livros de "registro de Ações nominativas" para inscrição. não tenham sido computados na apuração do lucro líquido. fideicomisso. se tiverem sido emitidas.2.404/76 e também nas sociedades limitadas que tenham mais de 10 sócios e facultativo para as que tenham menos de 10 sócios. anotação ou averbação devendo conter os seguintes dados: -do nome do acionista e do número das suas ações. para lançamento dos termos de transferência. da alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. reembolso e amortização das ações.3. em ambos. b)O livro de "transferência de Ações Nominativas". não sejam computados no lucro real. de acordo com a legislação do Imposto de renda. exigidos pelo fisco da União. c) compensação de prejuízos fiscais de períodos-base anteriores. -das entradas ou prestações de capital realizado. existem outros livros fiscais. de uma em outra espécie ou classe.Os livros Sociais A companhia deve ter. Controle bancários. b) valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do Imposto de Renda e que. além dos livros obrigatórios contábeis e fiscais para qualquer empresário. pela sua natureza exclusivamente fiscal. Entre eles destacamos: O livro de apuração do IPI. o registro de impressão de documentos fiscais. observando-se. do Estadual. -do penhor. devam ser computados na determinação do lucro real. exclusões: a) resultados. o disposto nos números I e II deste artigo. o registro de empregados. do Distrito Federal e do Município. -do resgate. respeitados os limites e demais normas pertinentes. IV da Lei 6. receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido e que. c)O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas". -das mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. II. usufruto. -das conversões de ações. 4.do lucro líquido e que. que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. livro de apuração do imposto sobre serviço. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. em . d)O livro de Atas das Assembléias Gerais é obrigatório nas sociedades anônimas como estipula o artigo 100. e outros. 4.11 Outros Livros fiscais Além desses.

264. É evidente que se a perda ocorreu por má-fé ou mero descuido do empresário. g)O livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal previsto no art. Perda. 10. e)O livro de Presença dos Acionistas este livro é obrigatório para as sociedades anônimas. é facultativo. do Regulamento do Imposto de Renda. Este livro tem como finalidade registrar os trabalhos e deliberações da assembléia de acionistas ou sócios. é obrigatório para as sociedades cujos atos constitutivos prevejam um Conselho Fiscal (art. a pessoa jurídica fará publicar. 4. do Decreto-Lei 486/69 [32] e art. dentro de 48 (quarenta e oito) horas. qual o período e o valor (se existir). 2º . estando previsto no art. extravio ou inutilização de livros fiscais Ocorrendo extravio. aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação.1. em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento. por força do artigo 161 da referida lei.067 a 1. 1. previsto nos artigos 1.062 do Códigio Civil. documentos ou papéis de interesse da escrituração. o número de ordem e demais características do livro. remetendo cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. Por outro lado. tem conselho fiscal. 1. 1. VII. a contar da ocorrência da seguinte forma: a) mencionar a espécie.069 do Código Civil. [33] . não poderá jamais se escusar sob o escudo do art.404/76. com como o parecer sobre os negócios e as operações sociedade do exercício em que servirem. fichas.066.virtude da previsão do art. d) informar a existência ou não de débito de imposto.3. c) declarar expressamente a possibilidade ou não de se refazer a escrituração em 45 dias. Nas sociedades limitadas. se deixou os livros se deteriorarem por conta de circunstância evitável. bem como o resultado dos exames trimestrais dos livros e papeis da sociedade e o estado da caixa e da carteira. do Código Civil). ou seja. que prevê para a posse do administrador da sociedade limitada quando da sua designação se faz em ato separado.Efetuar a imediata publicação da ocorrência em jornal de circulação em todo o Estado.Comunicar por escrito à repartição fiscal de sua circunscrição em 15 dias. não se faz por meio de previsão constante do próprio ato constitutivo. tomando por base o balanço patrimonial e do resultado econômico. b) informar o período a que se referir à escrituração do livro. deterioração ou destruição de livros. f)Os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração se houver. do Código Civil. Neste livro se lavra a posse dos membros efetivos e suplentes do Conselho fiscal. e de Atas das Reuniões de Diretoria este livro é obrigatório para as sociedades anônimas como se refere os artigos 100 e 149 da Lei 6.404/76. ao órgão competente de Registro do Comércio. é obrigatório para as sociedades anônimas que. devidamente apresentado à assembléia geral. da Lei 6. 100. e) anexar as publicações no jornal e no Diário Oficial.075. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observada as citadas formalidades O contribuinte deverá: 1º .

XIII . 123. São obrigações do contribuinte: I .comunicar à repartição fazendária as alterações contratuais e estatutárias.comunicar imediatamente à repartição fiscal de seu domicílio o extravio ou perecimento de livros e documentos fiscais. cisão. incorporação. bem como as mudanças de domicílio fiscal. transferência de estabelecimento.3. em relação às obrigações acessórias relativas à confecção e manuseio dos livros fiscais: Art. o prazo ocorrerá a partir da data de sua emissão.4. observadas as disposições constantes dos Capítulos próprios deste Regulamento. assim como outros elementos auxiliares relacionados com sua condição de contribuinte. devidamente registrados na repartição fiscal do seu domicílio. quando exigido ou solicitado.inscrever-se na repartição fiscal antes do início de suas atividades.solicitar à repartição fiscal competente a autenticação de livros e documentos fiscais. bem como o roubo ou inutilização do equipamento ECF. venda. II . quando de início e todas as vezes em que houver substituição. fusão. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais De acordo com o Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS. b) em se tratando de documento fiscal. quando obedecido o prazo legal de escrituração. IV . antes de sua utilização. para imprimir ou mandar imprimir documento fiscal.escriturar os livros e emitir documentos fiscais. na forma estabelecida nos arts.exibir a outro contribuinte a FIC. os livros e documentos fiscais até que ocorra a decadência dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. XI . .2. VIII .manter em seu poder. 120 a 122. V . observado o disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo. observado o seguinte: a) em se tratando de livros. encerramento ou suspensão de atividade. observado o disposto no art. 119. III . no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a ocorrência do fato. VII .solicitar autorização da repartição fiscal competente. comunicação contendo dados do responsável pela sua escrita contábil. os livros e/ou documentos fiscais. sucessão motivada pela morte do titular. VI . o prazo se contará a partir do último lançamento nele consignado.exibir ou entregar ao Fisco. nas operações que com ele realizar.remeter à repartição fiscal de seu domicílio. transformação.

desde que observe as mesmas exigências listadas para o livro Diário. tanto para as companhias fechadas quanto para as abertas. O artigo 1.179. pois auxiliam o empresário e a sociedade empresária a melhor exercer as suas atividades. Art. 268. afirmando que o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. não se entendem nem obrigatórios nem necessários. a demandar do operador do direito a percuciente análise das características do empreendimento. é inegável que a Lei n° 6. desde que atendam às exigências da escrituração obrigatória. 1º Os livros fiscais terão suas folhas encadernadas.404. voluntariamente. em ordem crescente. segundo a natureza e o volume de seus negócios. de 15/12/1976. só serão usados depois de visados pela repartição do domicílio fiscal do contribuinte. e instituídos. à autenticação pela junta Comercial. da estrutura do capital e das próprias relações entre os acionistas. 3º Para os efeitos do parágrafo anterior. 2º O "visto" será gratuito e aposto em seguida ao termo de abertura lavrado pelo contribuinte. contados da data do último lançamento 4. não sendo obrigatórios mostram-se necessários. . dispôs sobre o direito de fiscalização dos acionistas de forma praticamente uniforme. E desse modo. Nesta razão. Há livros que.Livros facultativos Estes livros não são obrigatoriamente exigidos pelas leis comerciais.XV . os livros a serem encerrados serão exibidos à repartição competente do Fisco dentro de 05 (cinco) dias. que serão impressos e de folhas numeradas tipograficamente.cumprir todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária.4. é harmônico. [34] A gravação de assembléias e reuniões e o direito de fiscalização nas sociedades anônimas Não obstante a casuística própria das sociedades anônimas. desde que não se trate de início de atividade. juntamente com a apresentação do livro anterior a ser encerrado. Os livros fiscais. parágrafo 2º do Código Civil. de forma a impedir sua substituição. pelos empresários. são os que podem ser dispensados. O artigo 7º do Decreto-Lei 486/69 permite ao empresário ou a sociedade empresaria qualquer livro de escrituração que julgue conveniente adotar. fiscais ou trabalhistas.

não obstante os notórios avanços empreendidos nos últimos anos. fixados nas legislações específicas das sociedades anônimas dos diversos países. de forma indiscriminada.657.404.303. . particularmente aqueles introduzidos pela Lei n° 10. senão o reconhecimento formal da necessidade de criação de instrumentos. 109 da Lei das S/A os chamados direitos essenciais dos acionistas. conforme. com a distinção dos órgãos deliberante. São Paulo. são indisponíveis. Aliás. 5o. inciso XXII). não se pode esquecer que o direito.Em garantia da higidez e da própria coerência lógico-jurídica da existência e do funcionamento das sociedades anônimas. pondo em risco o próprio direito fundamental à propriedade (Constituição Federal. por seu turno. Isto porque. ambos tomados em sua concepção mais moderna. que. tem sua concepção. contra as iniqüidades próprias do nosso arcabouço jurídico e da realidade política e econômica vigente no âmbito das sociedades anônimas. o nítido liame entre o direito societário e o direito constitucional). de 15 de dezembro de 1976. gera perplexidades dentro e fora do Brasil. refletem a concepção política do constitucionalismo (note-se. A razão de ser dessa e de todas as demais garantias legais constituídas em prol dos acionistas minoritários não é outra. Não se pode negar que o sistema jurídico pátrio construído em torno das sociedades anônimas. no direito privado. Saraiva. representando a Lei n° 6. que. de 04/09/1942. com nítidos reflexos constitucionais e infraconstitucionais. com o consectário de sua indelegabilidade. com o predomínio da maioria em detrimento da minoria (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas: Lei n° 6. talvez. o que. de 31/10/2001. representa. não raro. art. a divisão de poderes do direito constitucional. como se sabe. 1997. previsto no inciso III do aludido dispositivo legal. ainda que mínimos. a mais significativa contrapartida ao princípio geral e inarredável de que o acionista deve submeter-se à vontade da maioria. também serve de princípio geral norteador da atividade econômica (art. ainda é perverso no tocante aos direitos dos acionistas minoritários. aliás. executivo e fiscalizador. concluindo-se que a estrutura orgânica das companhias. Modesto Carvalhosa afirma que os direitos individuais dos acionistas. o modelo jurídico-societário brasileiro. a regra da prevalência pura e simples da vontade da maioria acionária acarretaria evidentes abusos. volume 2). Por maior que seja o apego do operador do direito e da própria sociedade aos modelos alienígenas. por influências políticas diversas. as convergências entre as sociedades anônimas e o Estado. evolução e aplicação necessariamente jungida à realidade social vigente. Em tal contexto. tem se revelado pouco adaptado ou pouco adaptável à realidade em vigor no seio das sociedades anônimas. O direito de fiscalizar os negócios sociais. 170. inciso II). art. o legislador estatuiu no art. novamente. se aplicada à generalidade de situações. por ser uma ciência social. não deixa dúvida nossa Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei n° 4. por sua natureza fundamental. reproduz. já foram objeto de estudo pela doutrina.404/76 a adoção do chamado "institucionalismo empresarial" entre nós. 5o).

2003). fortalecidos pela ampliação que se faz da aplicação dos direitos fundamentais constitucionais. em sendo necessário. na esfera judicial. com a dignidade reclamada na Constituição em dois dispositivos e.. (. de 15/12/1976. como visto. em tal contexto. O direito de fiscalização vem a ser. embora não estejam expressamente previstos no texto constitucional. 5o. e 170. § 2o). sendo aqueles inspirados nestes. inciso XXIII. da Constituição Federal).. previstos na legislação societária. Carlos Alberto Benke. 5o. parágrafo único. ." (Acionista Minoritário na Sociedade Anônima: Direito de Fiscalização: Uma Abordagem Não-Dogmática.Exsurge desse quadro de desigualdade existente entre acionistas controladores e minoritários a imperiosa necessidade de intervenção estatal para atenuação das diferenças. fundado. Porto Alegre.404. na ordem econômica. São inseparáveis os direitos individuais dos acionistas – minoritários em especial – dos direitos fundamentais previstos na Constituição. inciso XXII) e outros que. sendo este (direito essencial legalmente previsto) equiparado aos direitos individuais políticos. quando decorrentes do regime e dos princípios adotados pela própria Constituição Federal (art. 116. o direito de informação (art. 5o. c/c arts.) Estabelecidas as regras que guarnecem o direito essencial do acionista de fiscalizar o andamento dos negócios sociais. políticos e sociais dos investidores. em bases constitucionais: "À lei das sociedades por ações – e de resto. sendo as assembléias gerais a sede própria ao exercício desse direito essencial. seja esta modificação decorrente da manifestação legislação ou mesmo de atitudes dos acionistas detêm o controle/administração da sociedade. (. temos que qualquer alteração neste lineamento contraria disposições constitucionais. 5o. art. Livraria do Advogado. qualquer disposição legislativa que trate sobre sociedades privadas – não é dado o privilégio de estabelecer critérios de participação acionária ou de dispor sobre decisões intersócios em prejuízo dos princípios e regras constitucionais reservadas à proteção dos direitos pessoais... no exercício da fiscalização. entre eles o direito de igualdade (art. e a garantia de que o acionista deve ser tratado. 5o. Esta é a gênese de um direito societário efetivamente protetivo dos interesses econômicos. ainda. caput). o principal instrumento de defesa do acionista minoritário. que pode se dar no âmbito legislativo ou. inciso XIV). é fundada no interesse público e na função social das sociedades anônimas (Lei n° 6. conclui-se que todos os sócios de uma sociedade por ações encontram-se em pé de igualdade em termos de direitos e obrigações. não podem ser dela excluídos. que tem por função precípua ensejar a formação da vontade social. e para que elas se desenvolvam validamente e objetivem os seus fins há de ser observado o denominado método assemblear. o tratamento isonômico ao acionista minoritário. Tal intervenção. inciso III.) Em virtude da proteção aos direitos individuais dos acionistas. bem como no próprio respeito ao exercício pleno dos direitos e garantias individuais previstos na Carta Magna. o direito de propriedade (art.

A absoluta relevância das atas assembleares pode ser aferida à luz da lição de Modesto Carvalhosa: "A ata. aliás. as deliberações e a vontade majoritária. pois. 109. bem como o exercício do contraditório em relação às matérias debatidas para a formação da vontade social. da Lei das S/A. 187). a ata instrumento de certeza jurídica. O desvirtuamento de todos os princípios e regras legais e constitucionais aqui invocados pode revelar-se por vários meios. esse documento da assembléia que. servindo. sejam opostas às exceções de irregularidade e de nulidade pelos acionistas. contra a instalação. presentes e ausentes. ao colégio acionário e. art. possibilita o controle da legalidade e legitimidade da sua instalação e das deliberações havidas. por exemplo. de instrumento ao abuso de direito previsto na lei civil (Código Civil. constitui uma dessas práticas contrárias à governança corporativa. por exemplo. figurando no elenco dos direitos e garantias fundamentais (Constituição Federal. evidencia a gênese constitucional dos direitos dos acionistas. inciso III. por meio destes. § 1o. entre elas. permitindo assim que seja ela oponível aos demais órgãos sociais e. cit. portanto. que devem constar dos livros próprios (art. Constitui. a terceiros. portanto. Permite. muitas das vezes com o objetivo de escamotear a verdade e omitir as minúcias das questões postas em debate nos conclaves. tem status constitucional. 127) e na ata da reunião dos acionistas. . da Lei das S/A. Tal a importância atribuída pela lei à observância do direito essencial de fiscalização do acionista que o seu descumprimento é. O contraditório. a deliberada e sistemática adoção de práticas cerceadoras das atividades dos Conselhos Fiscais e de Administração no desempenho das suas funções fiscalizadoras. em particular o de fiscalização da gestão dos negócios sociais. art.Requisito essencial do método assemblear é que seja assegurado ao acionista a plena informação sobre os assuntos a serem deliberados. inciso LV). como documento necessário da sociedade anônima. ademais." (sic) (op. de imposição feita pelos acionistas controladores em detrimento dos minoritários. relacionado com os trabalhos da assembléia geral. motivo suficiente em si mesmo para ensejar a anulação das deliberações assim viciadas. A adoção de atas sumárias nas assembléias gerais. novamente. após publicada. 5o. 130. em regra. 100). Decorre ela. o que. não por acaso. baseado na lista de presença (art. que acarreta verdadeira incerteza jurídica. como se sabe. previsto no art. os respectivos assentamentos em documentos ou folhas apartadas o soltas. não admitindo. na medida em que registra as deliberações e a vontade social. abalando o pilar do princípio documental da assembléia: "O direito vigente também se filia ao princípio documental da assembléia.) E é em razão da relevância das atas das assembléias que o mesmo autor é crítico ferrenho da adoção da forma sumária. embora expressamente autorizada pelo art.

o qual sequer depende de autorização assemblear ou tutela jurisdicional específica para ser colocado em prática. Pergunta-se em que ponto a ata sumária supressora da manifestação dos acionistas minoritários pode atender ao interesse social.E quanto ao regime de declarações da ata. a gravação magnética dos conclaves revela-se.). cit. A ata sumária constitui. A lei mantém o regime de publicidade. 153] A lei vigente traz outra inovação. aglutinar outros acionistas na defesa do interesse social. grifos nossos) E arremata. . como um legítimo instrumento de defesa dos acionistas minoritários contra arbitrariedades. não só adota a forma sintética como exacerba profundamente esse regime. cit. A adoção. (op. É princípio fundamental dever a ata ser redigida de maneira que permita àqueles que dela não participaram do conclave e à Justiça apreciar os fatos que ocorreram na assembléia geral.. depende de decisão dos controladores.. por um dos grandes comercialistas brasileiros. eventualmente.. ainda que sinteticamente. temos que a ata. p. poderá ser lavrada sem que dela conste o inteiro teor dos protestos e representações de acionistas. op. expediente de perpetuação do grupo controlador. que decidirão em causa própria ou na dos administradores por ele eleitos. Quando a ata não for sumária – e somente nesta hipótese -. [especificamente Waldirio Bulgarelli." (op. após a promulgação da lei. a própria derrogação daquelas.. à luz dos direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal e também em consonância com o direito essencial de fiscalização garantido pela Lei das S/A. a ata sumária representa. A iniqüidade desse sistema de ata sumária foi reiteradamente apontada. igualmente. O princípio da informação torna-se relativo. ao sonegarem o registro e a publicação das manifestações minoritárias. de preceito lesivo aos interesses dos acionistas minoritários. na medida em que este passa a ter poderes legais de censura sobre as manifestações dos minoritários. estão. ao instituir a ata sumária. da ata sumária. em cada assembléia. Assim. pois. Trata-se. cit. por deliberação majoritária. porém com essas restrições que impedem que a ata reflita. lapidarmente: "Em uma lei que se arvorou em defensora das minorias. os trabalhos da assembléia. discordantes valer-se do regime da publicidade para manifestar seus pontos de vista e. Tal expediente atende apenas aos interesses dos controladores que. na medida em que não podem os sócios. na realidade. sem dúvida. contrariando aquele interesse. durante a tramitação do projeto e agora. poderá a administração publicar apenas o seu extrato.. assim. já que se submetem os trabalhos à censura prévia dos controladores (. grifos nossos) Diante desse contexto.

praticados com o objetivo de produção de prova. Sr. gerando direito subjetivo passível de ampla proteção. em 11/03/98. situado fora do campo das provas ilícitas. Tal não se verifica. ainda que realizada sem o conhecimento e consentimento dos demais presentes às assembléias gerais.678-1. assumindo. a quebra de segredo profissional. com apoio na doutrina de Vicente Greco Filho. Verifique-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Dito voto tratou especificamente da situação em que um indivíduo realiza gravação telefônica sem o conhecimento do seu interlocutor. é albergada por excludente de ilicitude quando há investida criminosa desta última. a violação do sigilo epistolar.Isto porque dita gravação. com o exclusivo intuito de documentar seu conteúdo (princípio da certeza jurídica). Além disto. entre outros. não merece análise no campo das provas ilícitas. viés inteiramente diverso. a subtração de documentos. a invasão domiciliar. pelo entendimento inaugurado no voto paradigmático do Ministro Nelson Jobim. entretanto. modernamente. 75. na hipótese de gravação dos conclaves realizados no seio das sociedades anônimas. manifestado no julgamento do HC 74. não podendo se orientar pelos mesmos fundamentos de direito que norteiam a controvertida interceptação telefônica. Naquele caso. podendo-se inserir nessa espécie a gravação de assembléias gerais de acionistas e reuniões de conselho de administração e de conselho fiscal. portanto. no julgamento do HC n.338-8-RJ. por decorrer de direito subjetivo do acionista. em que o direito reconhecido vem a ser o de fiscalização dos negócios sociais pelo acionista. A gravação explícita de conversa. Reputando-se ilícita a prova obtida através da violação do ordenamento jurídico. No tocante à interceptação telefônica. os Tribunais brasileiros têm-se orientado. entendeu o Exmo. A gravação implícita ou explícita de assembléia geral ou de reunião do outros órgãos societários de natureza colegiada (conselho de administração e conselho fiscal) insere-se no âmbito das gravações privadas de conversas entre pessoas. elemento fundamental à implementação do princípio documental inerente a tais atos coletivos. sem o conhecimento da outra parte. é absolutamente legal e legítima. Nessas hipóteses a gravação não configura o exercício regular de um direito reconhecido. Ministro que a gravação telefônica autorizada ou feita por um dos interlocutores. a gravação dos debates e das deliberações ocorridas no âmbito de qualquer órgão societário traz o benefício da certeza jurídica. Entende-se que o direito à privacidade é sacrificado em prol da legítima defesa ou de outra excludente de antijuridicidade. assim se posicionou: . a escuta clandestina e o constrangimento físico ou moral na obtenção de confissões ou depoimentos testemunhais. previsto na Lei das S/A e cuja gênese está nos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal. O Excelso Pretório. teremos como exemplos de atos contrários ao direito.

RT.. São Paulo. o sigilo existe em face dos terceiros e não entre eles. o que as torna. tanto no processo criminal como no civil. assim se pronunciou: "Faço distinção entre gravação efetuada por terceiro. que se insere entre as garantias fundamentais. os quais estão liberados se há justa causa para a gravação. que afirma: "Observa-se que a jurisprudência. Qualquer pessoa tem o direito de gravar a sua própria conversa. A clandestinidade. mas no ambiente). Os interesses remanescentes devem ser suficientemente relevantes para ensejar o sacrifício da privacy. é de se afastar – frise-se – o direito à prova. no julgamento da Ação Penal n° 307-3-DF. a gravação clandestina é de se reputar lícita. sobretudo. como estado de necessidade e a defesa de direito. a integridade física.. Neste caso.) Em nosso entender. o direito de defesa. inclusive para documentar o texto dessa conversa. conflito de valores dessa ordem. Isso porque. por exemplo." O Ministro Carlos Velloso. A ‘justa causa’ é exatamente a chave para se perquirir a licitude da gravação clandestina. portanto. tornando ilícita a prova decorrente."(. a vida.. admissíveis no processo. nos moldes da disciplina da exibição da correspondência pelo destinatário (art. independentemente do fato de a exceção à regra da inviolabilidade das comunicações haver sido regulamentada. não se confunde com a ilicitude. que intercepta conversa de umas pessoas. haja ou não conhecimento da parte de seu interlocutor. dado que não há. do mesmo modo que no sigilo de correspondência. O que a lei penal veda." (grifo nosso) Concluiu o autor que o sistema brasileiro é similar ao italiano. 1995). o próprio direito à intimidade e. dependerá do confronto do direito à intimidade (se existente) com a justa causa para a gravação ou interceptação. . também inexiste tipo penal que a incrimine. Ocorrendo. dentro das excludentes possíveis. futuramente. na ordem jurídica brasileira. 153 do Código Penal e art. E. é a divulgação da conversa sigilosa. à excelente obra de Luiz Francisco Torquato Avolio (Provas Ilícitas.) a gravação unilateral feita por um dos interlocutores com o desconhecimento do outro. os seus titulares – o remetente e o destinatário – são ambos. bem como a da prova dela decorrente. não tenho como ofendido preceito constitucional e nem tenho como ilícita a prova.. não é interceptação nem está disciplinada pela lei comentada e. "onde a tutela do sigilo das comunicações não abrange a gravação clandestina de conversa própria. 5º da Constituição e sua licitude. Assim. de modo geral. nenhuma lei que impeça a gravação feita por um dos interlocutores de uma conversa. na sua fundamentação. (. ambas as situações (gravação clandestina ou ambiental e interceptação consentida por um dos interlocutores) são irregulamentáveis porque fora do âmbito do inciso XII do art. chamada por alguns de gravação clandestina ou ambiental (não no sentido de meio ambiente. da gravação que se faz para documentar uma conversa entre duas pessoas. pois. nesse caso. ainda não assimilou bem o conceito de gravação clandestina." O mesmo acórdão faz alusão expressa. 233 do Código de Processo Penal). a liberdade. sem justa causa. aliás.

Precedentes. DESPACHO SANEADOR. Não se admitirá a divulgação. Não configura prova ilícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. Prova. Desnecessário que conste expressamente da inicial dos Embargos a citação da outra parte. NÃO CONFIGURAÇÃO.002. 383 do CPC. Citação do embargado. ILICITUDE DA PROVA. DEFERIMENTO. 740 do CPC.15158 Data de Registro : 26/03/2003 Órgão Julgador: QUARTA CAMARA CIVEL DES. como se pode ver no voto do Ministro Cláudio Santos proferido no Recurso Especial nº 9.0004503-9): "Considero que.) Nenhum homem de bem gravará uma conversa que tenha tido com outrem." O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também já se pronunciou em linha com o entendimento majoritário: "EMBARGOS DO DEVEDOR. e diante da norma contida no art. quando alguém mantém determinada conversação. dado o seu caráter. SIDNEY HARTUNG Julgado em 11/02/2003" "SEPARAÇÃO JUDICIAL. RECURSO IMPROVIDO. " No Superior Tribunal de Justiça encontra-se pensamento idêntico. uma inconfidência. 261 do CPC. Mas a questão fica no campo ético. cujo grau de censurabilidade não chega a tornar ilícita a prova. Prova consistente em gravações magnéticas Possibilidade. PRODUCAO DE PROVA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. de que a conversa está sendo gravada. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS.. POSSIBILIDADE. Generalizar a proibição é que não me parece adequado. Se a prova se limita à reprodução de diálogos entre as partes. Decisão que se reforma.(. observado o art. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO Número do Processo: 2002.012-RJ (91. em regra. seja com o uso de meios eletrônicos. o que configurará. sem justa causa. arrisca-se a ver a mesma divulgada. Agravo de Instrumento. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO . Caberá ao juiz avaliar. seja pessoalmente. incidental. Não há proibição legal. de fatos que digam com a privacidade das pessoas. quando muito. sem que dê conhecimento ao seu interlocutor. Embargos do Devedor. não é ilícita a sua admissão pois não atinge princípio constitucional.. Não se procede à impugnação ao valor da causa se não observado o rito determinado pelo art.

INSTRUMENTO PARTICULAR. mediante instrumento particular de incorporação imobiliária. Promessa de compra e venda de imóvel. corrigidos monetariamente. mas simplesmente de reprodução de conversa mantida pelas partes e gravada por uma delas. MARIA AUGUSTA VAZ Julgado em 09/04/2002" "PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL.N. (FJB) Partes: JORGE JOAQUIM DE ALMEIDA E S/M . PROCESSO CIVIL . a partir de cada reembolso. de cobertura localizada na Barra da Tijuca. PEDIDO DE RESCISÃO.29/08/2002 Tipo da Ação: APELAÇÃO CÍVEL Número do Processo: 2001. RESTITUIÇÃO DAS MPORTÃNCIAS PAGAS. NOTA PROMISSÓRIA. incidindo os juros iguais do contrato.Número do Processo: 2001. a teor do artigo 383. ao invés de uma cobertura.SÃO FERNANDO PATRIMONIAL LTDA. CORREÇÃO MONETÁRIA.12197 Data de Registro : 13/08/2002 Folhas: 140991/141002 Comarca de Origem: CAPITAL Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL Votação : Unânime DES. Não se cuidando de interceptação de conversa telefônica ou de outro meio ilegal ou moralmente ilícito. INDENIZACAO. JUROS CONTRATUAIS. Rescisão do contrato por inadimplemento. Provimento do apelo. RECURSO PROVIDO. Devida a indenização fundada no dano moral. Gravação feita por quem participou da conversa gravada. Restituição integral dos valores pagos. Litigância de má-fé caracterizada.002. LITIGANCIA DE MÁ-FÉ.AÇÃO ORDINÁRIA. PAULO SERGIO FABIÃO Julgado em 16/10/2001" COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. CONFIGURACAO. DANO MORAL.001. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. Código de Processo Civil. 23 . VISANDO DESCONSTITUIR NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA EM NOME DO VENDEDOR E QUE SE ENCONTRA EM SEU PODER . PROVA PERICIAL. há de ser esta gravação admitida como prova em juízo.14672 Data de Registro : 12/06/2002 Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL DES. ILICITUDE DA PROVA. Civil. independendo a admissibilidade da referida prova do conhecimento de sua formação pela outra parte. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. ADMISSIBILIDADE. FITA MAGNÉTICA. Ementário: 24/2002 . Entrega pela construtora de apartamento duplex. PROVA. CARACTERIZAÇÃO.

MAS DE CONVERSAS A RESPEITO DO NEGÓCIO . INOCORRÊNCIA DO COMPROMETIMENTO À PRIVACIDADE ASSEGURADA NO TEXTO CONSTITUCIONAL. ATO ENVOLVENDO APENAS AS PARTES. . NA RECLUSÃO TÍPICA DE CONSULTÓRIO MÉDICO. DE SOUZA Julgado em 21/11/2000" "AGRAVO DE INSTRUMENTO.0632 Data de Registro : 26/10/1999 Órgão Julgador: DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL DES. portanto. tal interesse não resta atingido pelo mero ato de gravação de uma reunião ou assembléia em que tais assuntos sejam tratados. mormente quando dita gravação tem por escopo prevenir ou registrar eventuais abusos ou violações do direito. LIMITANDO-SE O ENVOLVIMENTO AS PRÓPRIAS PARTES.. LICITUDE E VALIDADE. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO.002. MARIA HENRIQUETA LOBO Julgado em 14/09/1999" Pode-se concluir. são passíveis de composição pelo direito comum. a única restrição que se poderia fazer é a que abriga o interesse da companhia em preservar o sigilo de seus negócios.PROVA PERICIAL DEFERIDA. sempre. Apenas o uso indevido dos dados gravados é que poderia caracterizar a quebra desse sigilo. GAMALIEL Q. No campo do direito societário. pela absoluta licitude e constitucionalidade da gravação de reunião por um dos interlocutores. DESPROVIMENTO DO RECURSO. SEM INTERFERÊNCIA DE TERCEIROS. PRODUÇÃO DE PROVA AUDITIVA CONSISTENTE NA REPRODUÇÃO DE FITA CASSETE. Número do Processo: 2000.CORREÇÃO DA DECISÃO HOSTILIZADA JÁ QUE NÃO SE TRATA DE PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. NO SENTIDO DE APURAR AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS DAS PARTES ENVOLVIDAS NA TRANSAÇÃO . No entanto. ainda que sem o consentimento dos demais. RELATIVAS AO NEGÓCIO. Número do Processo: 1999. ainda assim.RECURSO IMPROVIDO. NÃO É CONSIDERADA ILÍCITA PROVA RESULTANTE DE GRAVAÇÃO DE CONVERSA REALIZADA POR UM DOS INTERLOCUTORES REVELANDO-SE IRRELEVANTE A CIRCUNSTÂNCIA DE SER A GRAVAÇÃO FEITA FURTIVAMENTE.09608 Data de Registro : 04/01/2001 Órgão Julgador: DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CIVEL DES. DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. que subsistem no campo meramente hipotético e. a garantia da legal da reparação dos eventuais danos.002. tendo a companhia e todos os seus acionistas.

por exemplo. 3. 2. 8. por fim. INTRODUÇÃO A assembléia da sociedade anônima é a reunião dos acionistas da companhia que tem por objetivo deliberar sobre o desenvolvimento das atividades empresárias. instalação e realização. como órgão social. 5. portanto. prevê que “a assembléia geral. Espécies de Assembléia. se algum acionista votar contrariamente aos interesses da companhia. é preciso tecer algumas observações. 1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Antes de adentrarmos no exame do ponto central do estudo. após o debate acerca das questões colocadas em análise. ou mesmo da companhia. A validade da assembléia exige a observância de alguns aspectos formais e materiais estipulados na Lei nº 6. que o direito subjetivo à gravação de uma assembléia ou reunião por qualquer dos presentes consubstancia ato pessoal e individual de quem está executando a gravação. Considerações preliminares. para melhor compreensão do assunto. Prescrição. decidem quais serão os rumos da companhia. A análise desses vícios e das questões que envolvem a ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) será. para que não seja impugnada e para que suas deliberações . Formalidades para convocação. a deliberação tomada ou todo o conclave poderão ser invalidados judicialmente. Conclusão. Como conseqüência da interpretação da referida norma. no que diz respeito à convocação.Não pode ser esquecido. ou na hipótese de sua instalação ocorrer sem a presença do quorum legal mínimo. Pedido. tornando incabível sua limitação por deliberação majoritária dos presentes. percebe-se que a assembléia deve respeitar aspectos legais e estatutários. Procedimento. tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento”. 6. 7. ainda. 1 A AÇÃO DE ANULAÇÃO DE DELIBERAÇÃO DE ASSEMBLÉIA NA SOCIEDADE ANÔNIMA Guilherme Carvalho Monteiro de Andrade* Sumário: Introdução. convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto. 1. O artigo 121. Modalidades de Vícios – Causa de Pedir. não se tratando de ato próprio do respectivo conclave. Legitimação ativa e passiva. Nesse encontro os acionistas tomam conhecimento dos assuntos ordinários e extraordinários relativos aos negócios sociais e. à instalação e à realização do conclave. ou.404/76 (LSA). da LSA. 4. Caso exista irregularidade na convocação da assembléia. o objeto do presente artigo.

Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos. Aloysio Lopes. 2. pois é ela é que faz os estatutos.404. Rio de Janeiro: Forense. prevê o art. A deliberação tomada em assembléia configura um processo complexo. a fim de alcançar a formação da vontade da sociedade (da coletividade de acionistas). definida em lei. 3 1 LSA. (ii) decidir sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos e (iii) eleger administradores e membros do conselho fiscal. 1998. deliberando sobre demonstrações financeiras apresentadas. também se revela importante consignar que a assembléia geral é “um órgão necessário. 122. de 06. da CARVALHOSA. nem ser substituído.1977. As demais atribuições das assembléias gerais ordinárias estão enumeradas pelo art. A assembléia é um órgão interno e soberano2. sendo a sua finalidade precípua (i) tomar as contas dos administradores. por qualquer outro”1. que ela deverá tratar das matérias . v.05. por sua condição legal. que representa a vontade coletiva manifestada pela expressão individual dos titulares de ações. talvez o órgão mais importante da administração da companhia. 131. 510. 1999. somando suas vontades individuais.457. 2 Obra citada na nota anterior. se for o caso. adaptada à lei nº 9. cujo poder não deriva de nenhum outro órgão da sociedade. São Paulo: Saraiva. 2 * sejam consideradas válidas. 83. p. vez que se trata de órgão de deliberação. 5. que não tem poderes para representar a companhia (somente a diretoria poderá fazê-lo). v.3 É a assembléia. 3 PONTES. Sociedades anônimas. Mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos. reformam-nos. ampl. citando Constans. ed. Modesto. 2. cada qual tratando de matéria própria. que não pode faltar em nenhuma companhia. de 15 de dezembro de 1976. De outro lado.4 No que diz respeito à AGE. 2. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. quanto à sua competência e funções. As assembléias gerais ordinárias devem ser realizadas nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social. a assembléia é o poder legislativo da sociedade. realizam os contratos mais importantes que afetam a sociedade ou aqueles outros que. Como ensina Aloysio Lopes Pontes. Advogado. as ordinárias (AGO) e extraordinárias (AGE). debate e votação de cada matéria colocada em pauta. ESPÉCIES DE ASSEMBLÉIA Existem dois tipos de assembléia.. então. da LSA. ‘que são as leis da sociedade. não os podem realizar os administradores’. p. composto pela exposição. A assembléia é o instrumento pelo qual os acionistas decidem sobre quaisquer negócios relativos à companhia. rev.

data e hora da assembléia. Em caso de urgência. FORMALIDADES PARA CONVOCAÇÃO. que detenham. pelo menos. 120). Esta diferenciação. a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores. significa dizer que. não pode o estatuto. 122. ou por acionistas minoritários. incorporação e cisão da companhia. e IX . tampouco qualquer outro órgão da companhia. convocando-se imediatamente a assembléia-geral. 142. se houver. a menos que a lei o autorize5. Além disso.autorizar a emissão de debêntures. conforme o interesse da convocação. fusão. No caso de o órgão ou de as pessoas encarregadas pela convocação não se desincumbirem dessa obrigação dentro do prazo estabelecido pela lei ou pelo estatuto. a qualquer tempo. V . com a concordância do acionista controlador. o Legislador estabeleceu como competência indelegável da AGO algumas matérias consideradas essenciais à vida da companhia. para manifestar-se sobre a matéria”. “a convocação far-se-á mediante anúncio publicado6 por 3 (três) vezes. seja ele . VII . Compete privativamente à assembléia-geral: I . além do local. para que seja reputada válida. que compete ao conselho de administração ou aos administradores a convocação da assembléia geral. 519-520. 124. Em outras palavras.eleger ou destituir.autorizar a emissão de partes beneficiárias. Com esta distinção. sua dissolução e liquidação. da LSA). no caso de reforma do estatuto. a convocação deve ser realizada pelo órgão ou pessoa competente. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas. VI . as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas. 5% (cinco por cento) do capital social ou votante.suspender o exercício dos direitos do acionista (art. será fundamental para o exame das hipóteses em que a deliberação tomada em assembléia (ou todo o conclave) pode ser invalidada por algum acionista. INSTALAÇÃO E REALIZAÇÃO Dispõe o art. Logo. IV . no mínimo. Assim.não atinentes à AGO. Parágrafo único.autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. II . o chamamento poderá ser realizado por qualquer acionista. a competência será residual da AGE. “Art. os administradores e fiscais da companhia. a ordem do dia. é preciso preencher o quorum mínimo de instalação da assembléia.tomar. anualmente. p. se a lei não definir a atribuição para a AGO.deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social. 5 A propósito. se decorridos mais de 60 (sessenta) dias. 2. Modesto Carvalhosa defende essa posição.deliberar sobre transformação. 3. VIII . da LSA. destarte. 123. 59. citando ensinamento de outros autores.reformar o estatuto social. ressalvado o disposto no inciso II do art. 4 4 Lado outro. v. contendo. e. a indicação da matéria” (art. ressalvado o disposto no § 1º do art. III . fixando os prazos previstos para que se realize o chamamento aos acionistas. delegar atribuição da AGO para outrem.

a faculdade de pleitear judicialmente a anulação dessa assembléia irregular (ou da deliberação inválida). como já foi visto anteriormente. que a identificação precisa do tipo do vício será fundamental para que o acionista possa utilizar-se da correta ação de anulação de assembléia. bem assim que a assembléia seja competente para deliberar sobre a matéria constante da ordem do dia. FRANÇA. 134. os vícios dizem respeito às próprias deliberações assembleares. Noutra banda. Há casos em que toda a assembléia poderá ser invalidada. p. Ademais.. MODALIDADES DE VÍCIOS DAS ASSEMBLÉIAS – CAUSA DE PEDIR Para melhor compreensão da ação de anulação de assembléia. não convocada) ou instalada. fraude. a assembléia poderá ser anulada. 136. o desrespeito às disposições legais e estatutárias confere aos acionistas o direito de insurreição. Novaes. 126. Invalidade das deliberações de assembléia das S. obviamente. da LSA.7 6 Conforme regra constante do art. com violação da lei ou do estatuto. 85. é mister trazer à baila uma separação dos vícios feita por Erasmo Valladão Azevedo e Novaes França. 7 AZEVEDO. por força de violação da lei ou do estatuto. todas ou algumas delas apenas. Erasmo Valladão. 1999. hipótese em que o vício. 127 a 129. podem ter sido viciados em razão de erro dolo.A. os vícios que podem acarretar a anulação de assembléia subdividem-se em três espécies: a) vício da própria assembléia – que pode ter sido irregularmente convocada (ou mesmo. a menos que nela comparecerem todos os acionistas detentores de ações com direito a voto. do art. da LSA). b) vício das deliberações – nessa hipótese. para que o conclave seja reputado válido. 289. da LSA. Logo. é preciso consignar. pela sua didática e simplicidade. atingirá todas as deliberações que nela forem tomadas. também é necessário que o quorum de deliberação respeite a disposição legal (arts. ou de violação do disposto nos §§1ºs.relativo às matérias comuns (art. ainda. que podem ter sido tomadas. 129 e 136. Como ensinam os referidos autores. definido pelos arts. em virtude da incapacidade dos votantes. 4. ou somente parte das . a realização da assembléia deve respeitar um ritual próprio. 115 e do art. da LSA) ou para questões que exijam número de presentes qualificado (art. em primeiro lugar. 5 Em relação à distinção transcrita acima. 228). da LSA) e estatutária. c) vício de voto – um ou alguns dos votos que concorreram para a formação da deliberação (ou mesmo todos eles. em alguns casos). São Paulo: Malheiros Editores. ou no § 2º do art. ou simulação (ou. Se alguma dessas formalidades não for observada. visando especialmente a proteção de seu interesse particular ou a defesa da companhia.

ampl. A propósito. Além dessas pessoas. 1999. 286. poderá ser autor da demanda neste caso. e atual. em julgados que colaciona a seu trabalho. quando lhe couber intervir11. p. 12 Aloysio Lopes Pontes defende o contrário. sob pena de sua pretensão ser rejeitada pelo Judiciário. verificar norma contida no art. O pedido dessa ação será. 2005. somente do acionista que votou contrariamente à . 410. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. Ademais. identificando-se o vício que se pretende atacar.457. conferir págs. o autor da referida ação declaratória deverá demonstrar o Nesse sentido. se restar presente o vício de voto oriundo de coação. confira-se Modesto Carvalhosa. Confira-se pág.. embora não conste da Lei de S/A expressamente. rev. dependendo da espécie de vício ocorrida. por sua vez. 9 Azevedo e França defendem essa posição. citando Miranda Valverde. quando esse voto concorrer para a formação da maioria no conclave8. Rio de Janeiro: Forense. Daí porque será necessário que se analise o caso concreto com muito cuidado. colacionado escólio de abalizados autores. do Código Civil de 2002. adaptada à lei nº 9. 120. outra situação não prevista claramente na Lei de S/A diz respeito aos casos em que o vício verificado na assembléia é tão grave. que infrinja direito de terceiros. devem ser combatidos com rigor. Na hipótese da ação de anulação da assembléia (ou de alguma deliberação). CORRÊA-LIMA.deliberações tomadas no conclave. 5. mesmo aqueles que votaram favoravelmente à deliberação inquinada pelo vício que se pretende combater12. a mácula representa a nulidade do ato. que atente contra a ordem pública ou contra os bons costumes. assim. ou pela ação de anulação (total. ed. então. ainda.913/89 dispõe sobre a ação civil pública de responsabilidade por danos causados aos investidores do mercado de valores mobiliários – conferir. a doutrina mais avisada defende a hipótese de ser possível anulação de assembléia. v. fundamentando-se. para definir pela ação declaratória de nulidade do ato. 106 e seguintes da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. Fora isso. LEGITIMAÇÃO ATIVA E PASSIVA No que diz respeito à legitimação ativa para a utilização da ação de declaração de nulidade de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). em razão disso. 3. a propósito. 6 8 seu interesse de agir13. ou parcial) da assembléia realizada pela companhia. p. da LSA9. 168. rev.. Nessas hipóteses. no regime de anulabilidade estabelecido pelo art. 10 Ao ensejo. ed. 11 A Lei nº 7. 4.05. de 06. a legitimação ativa ad causam será. “qualquer interessado” ou o Ministério Público10. v. estará legitimado a buscar a declaração de nulidade qualquer acionista.A. inclusive. a declaração de nulidade do ato inquinado. não se enquadrando. Em qualquer um desses casos. 2. 5. da obra Sociedades anônimas. Belo Horizonte: Del Rey. Sociedade anônima. em regra.1977. na medida em que os efeitos dessa mácula são extremamente graves e. ou. Osmar Brina. 432.

que também tratam de prescrição. Contudo. 14 Obra de Azevedo e França. Há discussão doutrinária14 sobre a legitimidade ativa de outras pessoas. Logo. de credores e de terceiros.A. Embora o marco inicial definido na lei seja a data da deliberação.. fraude ou simulação. 121-125. portanto. 6. Noutro giro. se houver pedido de ressarcimento de danos formulados contra ele. Haverá casos. nos quais o acionista que tiver cometido abuso no exercício do direito de voto poderá ser incluído no pólo passivo da demanda. 119 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. por exemplo. ele também estará legitimado a pedir a anulação da deliberação tomada ou de toda a assembléia. do acionista que ingressou na companhia depois de tomada a deliberação. p. Invalidade das deliberações de assembléia das S. a doutrina é pacífica em admitir como parte legítima a companhia. Haverá casos.A. da LSA. v. colacionado ensinamento de Orlando Gomes e Pontes de Miranda. 15 A propósito. assunto que se revela demasiadamente tormentoso e. citando outros autores. contados da deliberação. como. 286. que o início desse prazo não poderá ser a data da publicação. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. todavia. a questão da legitimidade ativa para a propositura da ação de anulação de deliberação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) deve ser analisada de acordo com essas observações. a ação para anular as deliberações tomadas em assembléia-geral ou especial.deliberação que se pretende anular ou àquele que se absteve de votar no conclave. 7 13 E assim defendem esses autores. inclusive. Assim. se o acionista que tiver votado favoravelmente ao ato que se pretende anular tiver agido impulsionado por algum vício de consentimento. dolo. 4.. prescreve em 2 (dois) anos. com base na interpretação sistemática da Lei de S/A. PRESCRIÇÃO Conforme previsão contida no art. na pág. importante registrar que a doutrina mais avisada15 já sedimentou o entendimento de que o termo a quo começa da publicação da deliberação. . do administrador e do conselho fiscal da companhia. em princípio. será reservado para outro artigo. 421-422. violadoras da lei ou do estatuto. a companhia será a parte legitimada para responder à ação de declaração de nulidade ou à ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). entretanto. do usufrutuário em relação ao nu-proprietário da ação. estabelecem como marco inicial do prazo prescricional a data da publicação do ato. em litisconsórcio com a companhia. na medida em que os arts. 285 e 287. Azevedo e França sustentam esse entendimento. p. irregularmente convocada ou instalada. quanto ao pólo passivo da ação de anulação e da ação de declaração nulidade. Modesto Carvalhosa sustenta essa posição. ou eivadas de erro.

defende que em ambos os casos destacados anteriormente é possível pleitear a anulação das deliberações de assembléia. se a pessoa agravada pela deliberação não for acionista da sociedade. se se tratar de vício de deliberação (causa de pedir). a condição do postulante e a sua relação com a companhia. o referido vício acarretará a invalidação integral da assembléia. se Azevedo e França. no julgamento do Recurso Extraordinário nº 94. em decisão relatada pelo Ministro Oscar Dias Correa. ainda existe o vício de voto (causa de pedir).. para melhor compreensão do tema. vigorando. Seja qual for a causa de pedir da ação de anulação. sendo imprescindível examinar-se o vício objeto do pedido. fraude. assim. para adequada definição do marco inicial e do prazo prescricional correto (civil ou especial). 7. o pedido da ação restringir-se-á à específica decisão ou ao ato inquinado. De outro lado. citando Miranda Valverde.A. unânime. é preciso utilizar a classificação citada no tópico quatro. Também existirão situações em que o início do prazo prescricional não poderá ser a data da publicação da deliberação da assembléia. hipótese em que o pedido será a anulação total.1983. Ademais. prevalecendo. se a mácula que se pretende anular tratar-se de vício da própria assembléia (causa de pedir).porque a companhia pode deixar de dar publicidade ao ato. que esse vício de deliberação recaia sobre todas as questões analisadas e decididas. decorrente de erro. na pág. o pedido da demanda será a anulação total do conclave. essa análise deverá ser feita no caso concreto.862-CE. Mesmo que as deliberações tomadas tenham respeitado as disposições legais ou estatutárias. que pode ter origem na convocação. 127 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S.12. PEDIDO Em relação ao pedido da ação de anulação de assembléia. ou coação (se essas máculas forem decisivas para a formação da maioria. o postulante deverá demonstrar o prejuízo efetivo que a deliberação ou assembléia acarreta ou a possibilidade de dano futuro. cita acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal. então. dolo. não afetando as demais deliberações da assembléia. em respeito ao brocardo pas de nullité sans grief. simulação. instalação ou realização irregular. lembre-se). 16 . realizado em 04. Pode ocorrer. caso em que o pedido poderá ser a anulação parcial. não sendo possível o aproveitamento de qualquer ato ou decisão. entretanto. Nessas circunstâncias. a data da deliberação (ou da prática do ato inquinado) como o termo a quo do prazo prescricional. ou total. não apenas parcial do conclave. o prazo de prescrição previsto na Legislação Civil16. Com efeito. que adota esse entendimento. Modesto Carvalhosa.

para que o juiz se convença da verossimilhança de suas alegações (deve demonstrar que a demora na concessão do pedido pode acarretar sérios e irreversíveis prejuízos).17 No mesmo sentido. 19 A norma do parágrafo 7º. Todavia. 273. 18 PONTES. p. Caberá. Logo é possível imaginar uma deliberação questionada. 425. Confira-se: A ação anulatória das deliberações da assembléia geral ou especial pressupõe. exclusivamente. a título de antecipação de tutela. 273. no caso de dano potencial. A isso soma-se a exigência do justificado receito de ineficácia do provimento final que a produção de determinados efeitos da deliberação questionada pode gerar.8 comprovado o interesse de agir (prejuízo atual ou futuro). a inclusão de quem tiver provocado o dano no pólo passivo da demanda. Aloysio Lopes. quando presentes os respectivos pressupostos. em regra. acionistas. PROCEDIMENTO Sem aprofundar nas discussões travadas pelos processualistas. ou para a sociedade. concedendo-lhe a antecipação de tutela pretendida. 118. Sociedades anônimas. a existência de prejuízos delas decorrentes para o autor. Nesse caso. se houver a prática de abuso por parte de algum acionista. Também é possível imaginar que a parcela eficacial gerada que 17 CARVALHOSA. em regra. Haverá situações em que o pedido não se limitará à anulação de deliberação ou de toda a assembléia. o procedimento da ação de nulidade ou da ação de anulação será ordinário declaratório. Comentários à lei de sociedades anônimas. esvaziou o debate sobre a impropriedade da utilização de ação ordinária e sobre antecipação de tutela em ação declaratória. a restabelecer a ordem jurídica na sociedade anônima. Modesto. turbada por uma deliberação violadora da lei. casos haverá em que a ação visará. poderá o autor da demanda pedir a antecipação dos efeitos da tutela buscada. requerer providência de natureza cautelar. mas tãosomente a possibilidade de se consolidar uma situação que poderá dificultar a vida da sociedade ou sacrificar o legítimo interesse de seus acionistas. do Código de Processo Civil. p. quando previu que “se o autor. v. Pereira esclarece que não basta. a alegação de contrariedade à lei ou ao estatuto/contrato social: verossimilhança. 8. ou dos estatutos. neste caso. 9 . Luiz Fernando C. do art. poderá o juiz. em respeito ao disposto no art. o autor deverá trazer com a petição inicial prova inequívoca do defendido vício (deve comprovar que o ato ou a deliberação seja contrário à lei ou ao estatuto). a qual apenas parte da eficácia total gerada ocasiona efeitos prejudiciais ao direito da parte. 2. Aloysio Lopes Pontes colaciona em sua obra18 julgado do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas que possui entendimento de ser dispensável a prova do prejuízo. CPC. Prejuízo pecuniário atual não existe. como já foi visto. É tranquilamente possível a cumulação do pedido anulatório com pretensão de ressarcimento. deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado”. para o deferimento da medida.19 Quando as circunstâncias evidenciarem que os efeitos do provimento final deverão ser desde logo concedidos. que venha a acarretar prejuízos a outro acionistas ou à companhia.

138. sob pena de não desvirtuar-se a verdadeira mens legis22. deve ser deferida a antecipação. instalação e realização das assembléias. esposou o entendimento de que “a exigência da irreversibilidade inserta no § 2º do art. de deliberação ou de voto) que podem invalidar as deliberações tomadas no conclave. visando. vez que se trata do órgão deliberativo que resolve quais serão os rumos dos negócios sociais. p. p. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo. o autor poderá valer-se da ação ordinária declaratória.97. CONCLUSÃO 1. em qualquer uma das hipóteses. foi estabelecida uma série de formalidades para a convocação. 22 O Superior Tribunal de Justiça. a referida regra não deve ser analisada literalmente. efeitos maiores do que poderia gerar a não-suspensão. 20 . Em razão dessa relevância. situações que envolvam a suspensão de ato ou de deliberação ainda não executados23. Relatado pelo Ministro Adhemar Maciel. Luiz Fernando C. ainda. no julgamento do REsp nº 144. de conter. não se revela prudente seu deferimento. PEREIRA. 3. principalmente. Portanto.não produza efeitos prejudiciais produza. sendo imperioso que se demonstre. para permitir a efetividade da tutela. Entretanto. provocar a anulação de toda a assembléia. É certo que não se defere a medida quando a suspensão gerar prejuízo maior do que a não-suspensão. 157). bem como o respeito à lei e ao estatuto. 273. Nestes casos. 273. do referido art. sob pena de o novel instituto da tutela antecipatória não cumprir a excelsa missão a que se destina”. Medidas urgentes de direito societário. 2002. teremos a ocorrência de vícios (da própria assembléia. a necessidade de suspensão antecipada24 do ato havido como prejudicial.10. preservar os interesses da companhia e de seus acionistas. Poderá ocorrer. nos termos do parágrafo 2º. Luiz Fernando C. pois a oitiva do réu pode tornar sem sentido o deferimento da medida posteriormente. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2. A assembléia é parte fundamental dentro da estrutura da sociedade anônima. como também será possível a utilização da cautelar inominada preparatória. sempre que possível” (PEREIRA. 06. 2ª Turma. O contraditório será apenas adiado. Caso haja o desrespeito às regras legais ou estatutárias. recomenda-se que a antecipação seja deferida liminarmente e sem a audiência da parte contrária.20 Em grade parte das vezes.656-ES. se forem preenchidos os requisitos do caput e do parágrafo 1º. com a eventual suspensão. ou. 21 “Ao contraditório prévio.21 Na hipótese de a concessão da antecipação de tutela acarretar perigo de irreversibilidade do provimento. até mesmo. do citado art. J. Medidas urgentes de direito societário.

9. rev. a declaração de nulidade do ato. sendo recomendável pugnar pela antecipação dos efeitos da tutela final. REFERÊNCIAS Obras Literárias AZEVEDO. A legitimação ativa ad causam da referida ação de anulação. ed. ou. em princípio.A propósito. A identificação desses vícios será essencial para a adequada utilização da ação judicial. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. Invalidade das deliberações de assembléia das S.. Belo Horizonte: Del Rey. obra Medidas urgentes de direito societário. o prazo de prescrição e o pedido dependerá da espécie de mácula encontrada. Luiz Fernando C. 163-164. 2000. será do acionista que tiver votado contrariamente ao ato que se pretende anular ou daqueles que tiverem se abstido de votar. . e atual. 1998. 2005. Verificar p. O procedimento a ser adotado será o da ação ordinária. ainda. em regra. criticando durante a posição da Corte Bandeirante. 1999. da obra Sociedades anônimas. Em razão de tudo isso. CORRÊA-LIMA. Poderá ser pleiteada a anulação total ou parcialda assembléia. é a hipótese concreta que irá definir o marco inicial do prazo prescricional. Sociedade anônima. 10 23 4. v. 6. 7. São Paulo: Malheiros Editores. Pereira. Aloysio Lopes Pontes cita um julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que defende o entendimento de não ser possível a utilização de ação preventiva. COELHO. dependendo do tipo de vício que se pretenda atacar. 2. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. A utilização da cautelar preparatória também se revela possível.A. 6. A legitimidade passiva será da companhia. pode-se dizer que a referida ação de anulação representa um valioso instrumento contra atos praticados nas assembléias de sociedades anônimas. contados da data da publicação do ato inquinado. Fábio Ulhoa. vez que o exame das questões envolvendo a legitimidade. com pedido declaratório. 24 No caso de suspensão de deliberação nula. e atual. FRANÇA. Porém. de 15 de dezembro de 1976. rev. Confira-se pág. O prazo prescricional da aludida ação anulatória é de 2 (dois) anos. 3. 5. quase sempre. Novaes. esclarece que embora não haja eficácia a ser suspensa é recomendável que se afaste a dúvida que paira sobre o ato. Modesto. Erasmo Valladão.404. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA. Osmar Brina. que se caracterizem como abusivos à lei ou ao estatuto. Curso de direito comercial. 22. CARVALHOSA. ed. 8.

Caxias do Sul: Editora Plenum. SILVA. De Plácido e. ADMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. a designação de órgãos sociais.br>. Rio de Janeiro: Forense. atual. 1. doutrinariamente.0). SILVEIRA.05. 3. Octaviano Martins1 Paulo Roberto Colombo Arnoldi2 INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. rev.stj. Rio de Janeiro: Forense. 2006. representantes dos poderes da sociedade. Lei das sociedades anônimas. Sociedades anônimas. PONTES. Consulta de jurisprudência sobre a matéria.gov. Aurélio Buarque de Holanda.404/76) Eliane M.. impondo distribuição de poderes. Sites consultados SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Aloysio Lopes.PEREIRA. de forma democrática. ed.1977. Luiz Fernando C. 87. 5ª ed. a organização da sociedade. 11 Legislação BRASIL.gov.br>.tjmg. 5. Disponível em: <http://www. 2006. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. adaptada à Lei nº 9. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS. FERREIRA. Medidas urgentes de direito societário. Consulta de jurisprudência sobre o assunto.457. FERREIRA. Vocabulário jurídico. São Paulo: Saraiva. v. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. Marina Baird. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima3dá-se. ed. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. v. 8. Alzira Malaquias da. Obra coletiva de autoria da editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto. Jurisprudência. 1999. Acesso em: 10 dez. Ed. aos quais compete produzir a vontade social. 2002. delegado à Assembléia . 1999. CD-Rom JURIS Plenum. ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais. (Dicionário eletrônico. versão 3. Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt. 1999. 2. de 06. Disponível em: <http://www. Acesso em: 10 dez. 2006. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. ed. 1984. Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa.

É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. São Paulo : Atlas. São Paulo : Saraiva. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. doutor e livre-docente em Direito Comercial. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. No Brasil. Rubens . 4Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. Requião. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade.4 CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). é mestre. adstrito ao Conselho de Fiscalização.Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e Integração – IPDCI. Direito Empresarial e Direito Internacional em cursos de graduação e Pósgraduação. constatam-se.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. Mestre pela UNESP e Doutora pela USP. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. advogado militante. 1984. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. em que se constata uma . devido ao desinteresse dos acionistas. portanto. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). Curso de Direito Comercial.5 Professora de Direito Marítimo. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias.Geral. 1988. 1 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. 2 Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa6. sem descaracterizar os interesses da companhia. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF de Bragança Paulista (SP). concentrando-se o poder em um grupo de controle. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. poder executivo ou administrativo. 5A Lei 6. 3 Cf .

9 A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. portanto. § 4º. 142. de acordo com a disposição estatutária. 138 da Lei 6. 166. diversamente da subscrição comum (art. e facultativo nas demais sociedades anônimas. é específica a lei no art.404/76. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato.REQUIÃO e Rubens. MARTINS. 7Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão 6 . A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas8. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. a lei brasileira. Procurou. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. 165. p. Fran. nos aumentos de capital. conforme rege o art. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. nos termos do art.. de caráter deliberativo e fiscalizador.A. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. § 1º da lege ferenda. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria.7 I . 1978. ou exclusivamente à diretoria.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Cf. Nesse sentido. Comentários à Lei das S. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. 141. Rio de Janeiro : Forense. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. Nesse sentido. cit. 138. mas consistem em representantes da sociedade. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. inciso I e 168). No que concerne às sociedades de capital autorizado.separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. De acordo com o art.

determinar limites. 140 e 146). no seu artigo 139. com imensos poderes. 239). mas à luz da Constituição Federal de 1988. ob. art.. caput da Lei 6. que por esse serão eleitos ou destituídos (art.da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. 141 . cit. Outorga de poderes A lei. Fran. 173. José Edwaldo Tavares Borba. ob. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo12. ob. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. criados por lei ou estatuto. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. § 1º. 2 Conselho Fiscal (art.272.Cumpre destacar que acordo com a lei. reveste-se de inconstitucionalidade. de acordo com suas necessidades estruturais. Tratandose de órgão superior. que será no mínimo de três. dessa forma. estabelecendo-se mínimo e máximo. 4. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração.10 2.404/76. vinte por cento de capital com direito a voto. Wilson de Souza Campos. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. 140. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. p. inciso II)13. 3. nesse caso. Poderá o estatuto. portanto. O estatuto deverá prever. que não poderá exceder 3 anos. p. cit. 163. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. faculta-se aos acionistas que representem. BATALHA. 142. e as normas sobre convocação. inciso II). 9Cf. a Lei.permitindo-se. face ao disposto no art. também. cit. Neste sentido. ficando. 8Faculta.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se . a eleição de um membro do Conselho podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. o modo de substituição. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. § 7º). no mínimo. MARTINS. que deliberará por maioria de votos11. o prazo de gestão. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. que o Conselho se integre com um representante da minoria. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. conforme art. instalação e funcionamento do Conselho.122. 655. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. observado esse mínimo legal.

2. p. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia 16. RT 667. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. iniciar-se-á novo período gestacional. 141. no mínimo. Trata-se. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia.Processo de voto múltiplo Determina o art. 272. . de regra de ordem pública. 1978.2. cit. Rubens. 4. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão14. sendo necessário maioria simples (art. 129). Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. cit. MARTINS. 164. Roger de Carvalho. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. isoladamente. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. Fran. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho .404/76 regulamenta tal procedimento no art. um décimo do capital social com direito a voto. ou seja. Rio de Janeiro : Forense. 141 da Lei 6. sendo vedado que um só conselheiro. ob.140). p. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. 303. e nesse caso. citado por Fábio Ulhoa Coelho. 10 3 total de seus componentes. Fran. sobre a inaplicabilidade dos arts. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. portanto.. 11Vide MANGE.1. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. A lei 6. Eleição e destituição de membros . p. 4. tratando-se de decisão ad nutum. 12 De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. . proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração.15 O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou Consistindo em órgão de deliberação colegiada. 14REQUIÃO. ob. ao contrário.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. cf. independe de disposição estatutária e. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. 13MARTINS. 4. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. cit. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto.1.requer voto qualificado.

que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. LIMA. Nos demais casos em que o cargo fique vago. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. Fran. 18Vide Instrução CVM n. Octaviano Martins. MARTINS. 304. 17 Cf. in Direito de voto. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho.. no mínimo. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. consistindo.. 165. cit. Eliane M. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. 291 da LSA. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários.12. aos acionistas o direito de cumular os votos num só candidato ou distribuí-los entre vários. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração17. e reconhecendo-se. ob. in Comentários. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. 27. o número de votos necessários18 para a eleição de cada membro do conselho (art.. p. 291 da lei”. ob. ob. A mesa diretora informará previamente. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. de 11. o que significa que a regra é de ordem pública. observando-se o Cf. in Sociedade Anônima. Além disso. 141. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. ainda. Quando a eleição de membros19 tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. Cf. em vantagem para os acionistas não-controladores. à vista do "Livro de Presença". portanto.independentemente de previsão estatutária. quando se tratar de sociedades abertas. procedendo-se a nova eleição (art. Wilson de Souza Campos.. 283. cit. § 3º). 699 : “o administrador eleito por grupo ou 15 16 . Osmar Brina Corrêa. baixada nos termos do art. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. p. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. MARTINS. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. cit. § 1º). Adotando o sistema de voto múltiplo. p..91.. 141. p. do capital com direito a voto.. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. 19BATALHA.

autorizar a alienação de bens do ativo permanente. quando não existir Conselho de Administração21. portanto. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. se houver. como também de orientação das atividades da sociedade. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. Impõe. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. competindolhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. em qualquer sociedade anônima. se existirem acionistas que representem 20%. é competência do Conselho de Administração. 5. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. a Lei 6. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. Note-se. quando julgar necessário. 142. quando autorizado pelo estatuto. deliberar. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. mas órgão da sociedade. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto20. no § único do artigo ora em exame. portanto. ainda. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. Em linhas gerais. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. conforme rege o art. Nos casos em que exista Conselho de Administração. no mínimo. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. 4 prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. Assegura-se compulsoriamente a eleição. do capital social. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros.classe. a Diretoria será o órgão destinado a . inclusive mediante voto múltiplo (art. Garante-se.404/76. fiscalizar a gestão dos diretores. 176). manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. 154). convocar assembléia geral. II.

cit. mas como um órgão da sociedade. p. Fran. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. prazo de gestão. 1. 165. ou se inexistente. inciso II e § único). 143. ob. MARTINS. pela Assembléia Geral (art.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art.a qualquer diretor . 1978. II. 142. em regra. o modo de sua substituição. enquadrando-os como órgãos da sociedade. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. 22 Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. é imputada à sociedade.404/76. 24 2. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (BrunetCañizares. possuindo. e como tal. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. no § 1º do art. sua vontade. 1960). incisos I. São Paulo : Forense. 25 .404/76 não considera os diretores como mandatários. Comentários à Lei das S. Buenos Aires. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. 143. A Lei 6. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões.gerir os negócios sociais. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. incisos III e V. 143 e 146). amplos poderes23 para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. Rubens. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. a Lei 6. REQUIÃO. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. como ocorre com o art. Cf.A. Representação: 20 21 5 Cf. 142. mas como representantes da sociedade. compete aos diretores . de competência dos diretores. Ademais. acionistas ou não. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. a direção da sociedade em todos os aspectos. 144). III e IV).

pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. nem por isso se torna contratual.404/76. 1316.II . 429. Wilson de Souza Campos. 144 . 659. cit.O mandato representa a outorga temporária de poderes. mas de um ato jurídico unilateral. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. inciso II : “Cessa o mandato : . Não colide com o disposto no art. que devem ser explicitados no instrumento. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. . o contrato de emprego.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. portanto. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. Não se extinguirá. conforme determina o art. ao lado do ato unilateral de nomeação. Anstellung. GOMES. BATALHA. impedimentos. por via do qual se lhe atribui. predomina. nesses casos. cit. com os respectivos poderes. 145 a 151 da Lei 6. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. feita pela sociedade através de seus diretores. em doutrina.pela morte ou interdição de uma das partes.. 139. nos limites de suas atribuições e poderes. ob. 661. O mandato. porquanto ela é simples condição de eficácia. 24É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado.” Cf. Orlando. denominado nomeação. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. Código Civil art. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. in Revista dos Tribunais. p. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. Requisitos e impedimentos Cf. p. Conquanto esse ato unilateral. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. Os poderes dos diretores são indelegáveis. 1 . 22 23 6 Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade.ADMINISTRADORES .Se o mandato fosse particular. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores..” 25 “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. remuneração. Por outro lado. para a prática de determinados atos. ob. investidura. vol. se extinguiria com a morte do mandante. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. Entretanto. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . p.

situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. no art. caput). com vigência até a primeira assembléia geral que houver. contra a economia popular. 2. 146. bem como o prazo de gestão auferido. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. de prevaricação. § único). Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. . 150 § 1º). salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. 149). a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. Ademais. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. 148.pelo titular ou por terceiro .. sob pena dessa se tornar sem efeito. mesmo que temporariamente. O art. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. peculato. 3. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário.acionistas ou não26 (art. 147 § 1º). concussão. 147 § 2º). havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. 146. no prazo de 30 dias após a nomeação. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. 150 caput). 147 determina que. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. peita ou suborno. 4. um mecanismo de garantia de gestão. dos quais se arquivará cópia na sede social . o acesso a cargos públicos (art.

prevê. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. se estiver em funcionamento. tendo em conta suas responsabilidades. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. ou a qualquer acionista. 6.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. 151. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. 5. O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. conforme disposto no art. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante.27 DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. 152. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. no seu art.A Lei ora em estudo. caput. 160. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios29. 153. 26 7 Rege a lei. também.404/76. tempo dedicado às funções. art. As normas desta Seção. 2. conforme art. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que . competirá ao Conselho Fiscal. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. e em relação aos terceiros de boa-fé. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. Renúncia A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. convocar a assembléia geral. 150. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores28. I . no art. conforme dispõe o art. a Lei 6. 153 a 160. competência. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. Dever de Diligência : a lei brasileira. 146 § único. 150 § 3º e 4º). 165) . no § 2º do art.

como administradores. 27 8 § 3º). cit. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. ou de terceiros.atribuídas por lei e pelo estatuto .30 3. § 1º). conforme estabelece o art. conforme art. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. Revista de Direito Mercantil. 152 da Lei é. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros.exerça suas atribuições . serviços ou créditos.. em benefício próprio ou de outrem. Especificamente. 28Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. correlatamente. n. visando à obtenção de vantagens. os seus bens. prevalecendo o limite menor (art. 152. criados pelo Estatuto Social. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. sendo vedado ao administrador. não apenas possível. 154. são parte dela. receber de terceiros . 310. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral..para lograr os fins e no interesse da companhia. bem ou . têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. conforme art.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. para si ou para outrem. praticar ato de liberdade à custa da companhia. § 2º:. das vantagens comuns a todos. ou podem gozar.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. 154. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. com ou sem prejuízo para a companhia. para revender com lucro. § único e 1º). mas em certos casos. do interesse da empresa”. Revista dos Tribunais. integram-se na administração da empresa. 154. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios.. gozam. p. e seus membros. ob. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. Veda-se ao administrador. 154. a remuneração com parte fixa e outra variável.observadas sempre as normas do art. em razão de seu cargo. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. em função dos lucros . BULGARELLI. 155 : usar. 29 Cf. adquirir.

no § 3º. No caso de irregularidades. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. o administrador somente pode contratar com a companhia 30 . bônus de subscrição.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas entendidos como tal os diretores. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. 157) 33 II . contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. valer-se das informações para obter. Responsabilidade Administrativa Cumpre ressaltar. Conflito de Interesses(art. sendo-lhe vedado. a lei impõe ao administrador. no § 2º do mesmo artigo. § 1º). O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. ainda. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. que a lei (art. no momento da posse. anteriormente mencionado.31 5. também. de que seja titular (art. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações.deriva do dever de diligência. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários.32 5. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. 32Ainda que observado o disposto neste artigo. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios34. 155. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. deverá declarar o número de ações. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. a natureza e extensão de seu interesse. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. 31Ademais. ou que esta tencione adquirir. para si ou para outrem. civil e penal. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. tendo em vista suas responsabilidades sociais. conforme segue : 1. 154.direito que sabe necessário à companhia. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. além de regulamentar.

Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. porém. Independe de processo formal. por ser órgão colegiado. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas.37. infringe-se a finalidade do interesse social. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes. Revista de Direito Mercantil. 35 No que concerne ao Conselho de Administração. José Alexandre Tavares. Revista dos Tribunais. nr 42. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. portanto. § 1º). O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. Código Penal . cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato . mas a lei. pois dessa forma. 3.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. § 2º e seguintes. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. 156. quando proceder com culpa ou dolo..Crimes contra o Patrimônio . no âmbito de Diretoria. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. responde. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. 2. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. em regra. 34GUERREIRO. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. 9 A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. § 2º). mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. detalha os casos em que haverá solidariedade 36. nos termos do art. 157 e seus parágrafos.em condições razoáveis ou eqüitativas. A lei determina que o administrador. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. 33 Vide na íntegra o art. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. 158). civilmente. 1981. São Paulo : Ed. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. 158. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. A responsabilidade civil consiste. 156. ano XX.

findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. 10 sociedade. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. age além dos poderes que lhe são outorgados. 159. Vide na íntegra o art. § 3º). mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). a ação de responsabilidade civil contra o administrador. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedí-los. exceto nas companhias abertas. rege o § 1º do art. em assembléia geral extraordinária. 2. Neste sentido Fran Martins. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. in Comentários à Lei das S. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. Nesse sentido.relevante em documentos destinados ao público. é individual. 159. não sendo possível. Competirá. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. ob.. 36 Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil.ou à Assembléia Geral. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. mas perante terceiros prejudicados. executar negociação com as próprias ações da sociedade. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. provocar falsa cotação de valores mobiliários da 35Ao violar a lei ou o estatuto. mediante prévia deliberação da assembléia geral. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. a responsabilidade dos diretores. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária.A. em nível de Diretoria. 158 e 159. portanto. em proveito próprio ou de terceiro. obter aprovação irregular de contas. cit. no prazo de três meses (art.. Em regra. . caput. 37Por força do art. competirá à companhia.se em funcionamento . salvo nos casos de conivência. ao Conselho Fiscal .

inclusive. Quando seu funcionamento não for permanente. conforme observa Fran Martins. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. conforme dispuser o Estatuto (art. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros38. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. cit. 4. Impedimentos e Remuneração . § 1º). 161). § 2º). in Comentários à Lei das S. com atribuições definidas dentro da sociedade. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. possuindo para tanto amplas atribuições. que elegerá os membros. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. 161.ainda que a matéria não conste da convocação40).crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . Composição e funcionamento O Conselho Fiscal39 pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas.Crimes contra a ordem tributária.492/86 . ob. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto.137/90 . 39A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. acionistas ou não. Lei 7. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. 161. durante o período de liquidação da sociedade. Requisitos. 40Dispõe o art. econômica e relações de consumo. consiste. portanto. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária.. CONSELHO FISCAL 1. 161. Lei 8. 38 11 3.3. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. Dessa forma.A. com mandato anual (art. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. 2.

acrescentando o § 2º do artigo em exame. transformação. fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. no que tange à modificação do capital social.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. diplomadas em curso de nível universitário. conforme disposição do art. caput). e o cônjuge ou parente. 147 41. distribuição de dividendos. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . ou que tenham exercido. 162 § 1º). 162. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. 4. residentes no País. planos de investimento ou orçamentos de capital.para cada membro em exercício . no § 7º do artigo ora enfocado. Rege ainda a lei. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. No que concerne à inegibilidade.164. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. .42 Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. por prazo mínimo de 3 (três) anos. a serem submetidas à assembléia geral. emitir opinião43 sobre o relatório anual da administração. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. 5. incorporação. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art.ou ao menos um deles . fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. até terceiro grau.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. não computada a participação nos lucros.A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. de administrador da companhia.A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . fusão ou cisão. . cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal.

cit. de prevaricação. Edson. Bauru: Jalovi. 147 § 1º). Rio de Janeiro: Forense. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. BULGARELLI. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. mesmo que temporariamente. que em princípio. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. . peita ou suborno. peculato. é de competência de auditores. § 1º).165. Buenos Aires: Abeledo Perrot. 165). satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. Comentários à lei das sociedades anônimas. Nos demais casos. 153 a 156). Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. José Edwaldo Tavares. Cristina Maria. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. ou com violação da lei ou do estatuto (art. BACCARIN SILVA. concussão. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. 165. 147 § 2º). Para os cargos de administração de companhia aberta.) 41 12 tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. 1977. 42Cf. RT 670/77. antes de se submeterem à Assembléia Geral. Comentários à Lei das S. Manual das sociedades anônimas. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. 165 retromencionado. desde que não comprovada conivência. § 2º).. BATALHA. ob. TJSP. Direito societário. São Paulo: Atlas. 1984. 1992. BORBA. 1982. Ana Maria de. Empresas e inversiones en el Mercosur. 43A verificação de documentos ou propostas da administração.A. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. 1995. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. nos termos do § 1º do art. sem intervir em operação social em que Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. a responsabilidade por omissão é solidária (art. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. contra a economia popular. pois exprimem uma vontade coletiva. BACCARIN. o acesso a cargos públicos (art. (Neste sentido Fran Martins. Wilson de Souza Campos. Waldirio.6.

Órgãos da sociedade anônima. 1982. REQUIÃO. Código comercial brasileiro e legislação complementar. GUERREIRO. 1981.______.1 e 2. 1982. Código comercial e legislação complementar anotados. Osmar Brina Corrêa. Professora de Direito Marítimo e Direito Comercial da UNISANTA e de pós-graduação da UNILUS e UNIMONTE em Santos (SP) Paulo Roberto Colombo Arnoldi Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. MARTINS. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. 1995. LIMA. Curso de direito comercial. Romano. advogado militante. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. Dylson. MARTINS. v. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. Rio de Janeiro: Forense. Revista de Direito Mercantil. 1991. 1977. Rubens. n. São Paulo: Saraiva. p.69-87. v. Rio de Janeiro: Forense. 1991. 13 14 DMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. Revista dos Tribunais. PACHECO. Sociedades anônimas e valores mobiliários. MIRANDA JÚNIOR. GONÇALVES. Franca: UNESP. Rio de Janeiro: Forense. é mestre. 1982. São Paulo: Saraiva. La sociedad anônima y sus problemas.42. MENDONÇA. CRISTIANO. José da Silva.404/76) Eliane Maria Octaviano Martins Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. André Luiz Dumortout de. Eliane M. 1984. São Paulo: Ed. GARRIGUES. Luiz Antônio Soares. Sociedade anônima: textos e casos. Fran.1. Wille Duarte.404/76. 1988. Darcy Arruda. São Paulo: Ed. Fábio Ulhoa. HENTZ. 1983. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF . Octaviano. 1983. Curso de direito comercial. Rio de Janeiro: Forense. COELHO. Coordenadora Regional de Redação da RDM. DÓRIA. COSTA. Álvaro Thomaz. v. doutor e livre-docente em Direito Comercial. 1979. Curso de direito comercial./jun. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. Revista dos Tribunais. O Direito de Voto na Lei 6. 1993. José Alexandre Tavares. DIAZ-CANABATE. 1996. São Paulo: Ed. ______ . Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. São Paulo: Saraiva. Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro: Forense.2. abr. no prelo. Joaquin. Questões de direito societário. Direito empresarial. São Paulo: Saraiva. São Paulo.

No Brasil. conforme rege o art.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral.de Bragança Paulista (SP). a organização da sociedade. 141. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. nos aumentos de capital. e facultativo nas demais sociedades anônimas. § 1º da lege ferenda. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo.[2] CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . ou exclusivamente à diretoria. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. aos quais compete produzir a vontade social. devido ao desinteresse dos acionistas. constatam-se. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. 166. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. concentrando-se o poder em um grupo de controle. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. impondo distribuição de poderes. diversamente da subscrição comum (art. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. delegado à Assembléia Geral. Procurou. doutrinariamente. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP).[5] I . considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. a lei brasileira. § 4º. adstrito ao Conselho de Fiscalização. De acordo com o art. em que se constata uma separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. Nesse sentido. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais.[3] ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. de caráter deliberativo e fiscalizador. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. portanto. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. portanto. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. nos termos do art. a designação de órgãos sociais. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. No que concerne às sociedades de capital autorizado. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. 138. inciso I e 168).[7] .O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. 138 da Lei 6.404/76. representantes dos poderes da sociedade. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima[1]dá-se. de acordo com a disposição estatutária. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. de forma democrática. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas[6]. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa[4]. poder executivo ou administrativo..

inciso II)[11]. 4. também.permitindo-se. a eleição de um membro do Conselho .podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. 4. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. 140 e 146). observado esse mínimo legal. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. 142. 4. com imensos poderes. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito.[13] O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. instalação e funcionamento do Conselho. Nesse sentido. independe de disposição estatutária e. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. que o Conselho se integre com um representante da minoria. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. o prazo de gestão. conforme art. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. aos acionistas o direito de cumular os votos num só . vinte por cento de capital com direito a voto. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. 129). O estatuto deverá prever. ainda. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato.[8] 2. faculta-se aos acionistas que representem.1. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. Tratando-se de órgão superior.1. é específica a lei no art. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo[10].2. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão[12]. que deliberará por maioria de votos[9]. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. caput da Lei 6. criados por lei ou estatuto. sendo necessário maioria simples (art.140). tratando-se de decisão ad nutum. 4. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou total de seus componentes. ficando. 142. e as normas sobre convocação. de regra de ordem pública. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia [14]. independentemente de previsão estatutária..Processo de voto múltiplo Determina o art. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. no mínimo. dessa forma. 163. iniciar-se-á novo período gestacional. no seu artigo 139. que será no mínimo de três. no mínimo.A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. nesse caso. 3. 141. 141 da Lei 6. que não poderá exceder 3 anos. o modo de substituição. § 7º). determinar limites. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. 140.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo.122. ou seja. inciso II). art. estabelecendo-se mínimo e máximo. e nesse caso. A lei 6. ao contrário. um décimo do capital social com direito a voto. Trata-se. portanto. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. Outorga de poderes A lei. 141 .404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. e reconhecendo-se. mas consistem em representantes da sociedade. Eleição e destituição de membros .2.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se requer voto qualificado. Poderá o estatuto. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros.404/76 regulamenta tal procedimento no art. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Conselho Fiscal (art.404/76. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho .

Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. 141. II. pela Assembléia Geral (art. o número de votos necessários[16] para a eleição de cada membro do conselho (art. 143 e 146). 142. 1. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto[18]. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões.404/76. do capital social. 5. é competência do Conselho de Administração. procedendo-se a nova eleição (art. 142. portanto. convocar assembléia geral. incisos I. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. no § 1º do art. no mínimo. A mesa diretora informará previamente. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. no § único do artigo ora em exame. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. como ocorre com o art. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. § 1º). faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. quando não existir Conselho de Administração[19]. a Lei 6. § 3º). desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. incisos III e V. Nos casos em que exista Conselho de Administração. 176). ainda. o modo de sua substituição. ou se inexistente. de competência dos diretores. 154). preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. 143. deliberar.candidato ou distribuí-los entre vários. Ademais. quando autorizado pelo estatuto. a Lei 6. à vista do "Livro de Presença". eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. 143. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. competindo-lhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. 141. III e IV). no mínimo. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. Garante-se. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. Assegura-se compulsoriamente a eleição. portanto. se existirem acionistas que representem 20%. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. quando julgar necessário. a Diretoria será o órgão destinado a gerir os negócios sociais. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. Além disso. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. como também de orientação das atividades da sociedade. fiscalizar a gestão dos diretores. Nos demais casos em que o cargo fique vago. conforme rege o art.404/76. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. observando-se o prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. Note-se. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. acionistas ou não. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração[15]. se houver. em qualquer sociedade anônima. do capital com direito a voto. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. Quando a eleição de membros[17] tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. II. Representação: . Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. Em linhas gerais. prazo de gestão. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. Impõe.

nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. . a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. 145 a 151 da Lei 6. [23] ADMINISTRADORES . Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. impedimentos. amplos poderes[21] para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. 149). Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. 1960). a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. no prazo de 30 dias após a nomeação. peita ou suborno. e como tal. se estiver em funcionamento. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (Brunet-Cañizares. 4. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. Requisitos e impedimentos Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. enquadrando-os como órgãos da sociedade. 150. [20] Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. 3. sob pena dessa se tornar sem efeito. [22] 2. 146. acionistas ou não[24] (art. 150 § 1º). Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. possuindo. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. 147 determina que.404/76. no § 2º do art. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. prevê. a direção da sociedade em todos os aspectos. compete aos diretores . 147 § 1º).pelo titular ou por terceiro . 2. a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. também. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. contra a economia popular. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. mas como um órgão da sociedade. dos quais se arquivará cópia na sede social . 147 § 2º). 1 . mas como representantes da sociedade.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. O art. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. concussão. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art.a qualquer diretor . remuneração. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. 148. é imputada à sociedade. convocar a assembléia geral. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. inciso II e § único). um mecanismo de garantia de gestão. § único). 150 caput). Buenos Aires.404/76 não considera os diretores como mandatários. de prevaricação. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. mesmo que temporariamente. no art. investidura. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. 142. caput). com vigência até a primeira assembléia geral que houver. competirá ao Conselho Fiscal.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador.. 146. o acesso a cargos públicos (art. Ademais. em regra. A Lei ora em estudo. 144). ou a qualquer acionista. sua vontade.A Lei 6. peculato. bem como o prazo de gestão auferido. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo.

Dever de Diligência : a lei brasileira. bônus de subscrição. 165) . O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. a Lei 6. no seu art.atribuídas por lei e pelo estatuto . 153 a 160. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. 6. ou que esta tencione adquirir. 155. em benefício próprio ou de outrem. em razão de seu cargo. § 1º). bem ou direito que sabe necessário à companhia. Conflito de Interesses(art. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios[27].sem autorização estatutária ou da assembléia geral . caput. 5. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. 2. 154. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios.404/76. 152. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. 154. adquirir. no art. tendo em conta suas responsabilidades.[25] DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores[26]. conforme disposto no art. e em relação aos terceiros de boa-fé. ou de terceiros. praticar ato de liberdade à custa da companhia. As normas desta Seção. 155 : usar. 151. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. conforme dispõe o art. visando à obtenção de vantagens. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. serviços ou créditos. conforme art. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. 154.para lograr os fins e no interesse da companhia. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. I . deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. competência. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que exerça suas atribuições . omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. 153. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. conforme art. § 2º:.[29] 5. sendo-lhe vedado. receber de terceiros . Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. a natureza e extensão de seu interesse. 154.[28] 3. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. para si ou para outrem. valer-se das informações para obter. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art.O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. art. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. 150 § 3º e 4º).. Renúncia Rege a lei. Veda-se ao administrador. 157) [31] II .RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES . de que seja titular (art. também. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. § único e 1º).[30] 5. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. com ou sem prejuízo para a companhia. tempo dedicado às funções. conforme estabelece o art. para si ou para outrem. § 3º). no momento da posse. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. deverá declarar o número de ações.. os seus bens. 160. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. para revender com lucro. sendo vedado ao administrador. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas.

Responsabilidade Administrativa A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. responde. 3.entendidos como tal os diretores. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição.[35]. Código Penal . em proveito próprio ou de terceiro. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. § 2º e seguintes. no âmbito de Diretoria. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. mas a lei. pois dessa forma. Independe de processo formal. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. portanto.137/90 . nos termos do art. detalha os casos em que haverá solidariedade [34].crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários.Crimes contra a ordem tributária. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. Dessa forma.492/86 . 2. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. A lei determina que o administrador.. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios[32]. [33] No que concerne ao Conselho de Administração. 2. infringe-se a finalidade do interesse social.A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas . com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. Lei 8. obter aprovação irregular de contas. 158). portanto. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. No caso de irregularidades. por ser órgão colegiado. econômica e relações de consumo. quando proceder com culpa ou dolo. conforme segue : 1. Composição e funcionamento . cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato relevante em documentos destinados ao público. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros[36]. 158. CONSELHO FISCAL 1. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. 4. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. consiste. A responsabilidade civil consiste. em regra. civil e penal. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. possuindo para tanto amplas atribuições. civilmente. executar negociação com as próprias ações da sociedade. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. anteriormente mencionado. 2.. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. porém. Lei 7. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados .Crimes contra o Patrimônio . Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. provocar falsa cotação de valores mobiliários da sociedade. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. 3.deriva do dever de diligência.

a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. Quando seu funcionamento não for permanente. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . 161. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. 5. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. 165. transformação. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. conforme dispuser o Estatuto (art.ou ao menos um deles . § 1º). § 2º). e o cônjuge ou parente. Requisitos. a responsabilidade por omissão é solidária (art. 153 a 156). 3. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. por prazo mínimo de 3 (três) anos. ou com violação da lei ou do estatuto (art. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. Nos demais casos.ainda que a matéria não conste da convocação[38]). a serem submetidas à assembléia geral. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. diplomadas em curso de nível universitário. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. 6. conforme disposição do art. . emissão de debêntures ou bônus de subscrição. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. Rege ainda a lei. Impedimentos e Remuneração A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. não computada a participação nos lucros. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros.[40] Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art.para cada membro em exercício . que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. durante o período de liquidação da sociedade.O Conselho Fiscal[37] pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas. incorporação. ou que tenham exercido.164. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. desde que não comprovada conivência. acrescentando o § 2º do artigo em exame. de administrador da companhia. 147 [39]. . sem intervir em operação social em que tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. fusão ou cisão. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . 162. no que tange à modificação do capital social. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. caput). § 1º). 4. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. 162 § 1º). emitir opinião[41] sobre o relatório anual da administração. 161. 165 retromencionado. com mandato anual (art. 161). 165). inclusive. distribuição de dividendos. acionistas ou não. No que concerne à inegibilidade. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. nos termos do § 1º do art. § 2º).165. até terceiro grau. pois exprimem uma vontade coletiva. planos de investimento ou orçamentos de capital. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. residentes no País. no § 7º do artigo ora enfocado. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral.

Empresas e inversiones en el Mercosur. v. 1993. Direito empresarial. BACCARIN SILVA. 1983. Octaviano. Álvaro Thomaz. no prelo. ______. 1991.1 e 2. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. LIMA. 1995. Mestre. COELHO. 1981. Wille Duarte. Código comercial e legislação complementar anotados. Sociedade anônima: textos e casos. Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro: Forense.2. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. Curso de direito comercial. Curso de direito comercial. Rio de Janeiro: Forense. 1996. Waldirio. Comentários à lei das sociedades anônimas. Ana Maria de. Rio de Janeiro: Forense. 1992. Revista dos Tribunais. São Paulo: Saraiva. GUERREIRO. Bauru: Jalovi. v. 1982.42. Darcy Arruda. DÓRIA. São Paulo: Ed. DIAZ-CANABATE. José da Silva. Franca: UNESP. São Paulo: Atlas. REQUIÃO. Rio de Janeiro: Forense.404/76. São Paulo: Ed. Fábio Ulhoa. Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integraçào . BULGARELLI. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. Revista de Direito Mercantil. BORBA. Manual das sociedades anônimas. Wilson de Souza Campos. Dylson. MARTINS. 1982. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris.69-87.1. José Alexandre Tavares. Questões de direito societário. 1977. 1988. MENDONÇA. BATALHA. GARRIGUES. GONÇALVES. André Luiz Dumortout de. Edson. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Forense. Romano. ______ . Luiz Antônio Soares. Buenos Aires: Abeledo Perrot. São Paulo: Saraiva. Curso de direito comercial. MIRANDA JÚNIOR. Órgãos da sociedade anônima. CRISTIANO. O Direito de Voto na Lei 6. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. Rio de Janeiro: Freitas Bastos./jun. 1984. HENTZ. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. São Paulo: Saraiva. Eliane M. n. Cristina Maria. Osmar Brina Corrêa. BACCARIN. Revista dos Tribunais. Doutor e Livre Docente em Direito Comercial 2. MARTINS.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. São Paulo. Fran. 1977. 1982. 1979. abr. Rubens. 1982. 1983. Joaquin. Rio de Janeiro: Forense. Código comercial brasileiro e legislação complementar. 1991. 1995. Sociedades anônimas e valores mobiliários. DADOS DO AUTOR PAULO ROBERTO COLOMBO ARNOLDI 1. COSTA. Direito societário. São Paulo: Ed. PACHECO. p. v. José Edwaldo Tavares. La sociedad anônima y sus problemas. 1984.

ob. [9]Vide MANGE. [7]Cf. p. sobre a inaplicabilidade dos arts. 173. ob. [11]MARTINS. cit.. in Sociedade Anônima. cit. [2]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. . MARTINS. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. 1988. Adotando o sistema de voto múltiplo. Fran. cit. São Paulo : Saraiva. portanto. citado por Fábio Ulhoa Coelho. Wilson de Souza Campos. p. José Edwaldo Tavares Borba. ob. [12]REQUIÃO. Rio de Janeiro : Forense. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. MARTINS. [5]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. consistindo. [13]Cf. Eliane M. Rubens . [15] Cf. [14] Cf. p. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. Osmar Brina Corrêa. . isoladamente. 272. sendo vedado que um só conselheiro. LIMA. [4]Cf. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. portanto.. p. p. Curso de Direito Comercial. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. Professor de Direito Comercial na UNESP. Fran.A.. MARTINS. 291 da lei”. p. mas à luz da Constituição Federal de 1988.. cf. MARTINS. cit. p. BATALHA. Fran. Rio de Janeiro : Forense. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. ob. cit. cit. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral.USF e UNAERP . Fran. de acordo com suas necessidades estruturais. Requião. Roger de Carvalho. em vantagem para os acionistas não-controladores. 27. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. Fran.REQUIÃO e Rubens. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto.UNESP 8. in Direito de voto. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia.3.272. reveste-se de inconstitucionalidade. São Paulo : Atlas. Membro do Instituto de Direito Comercial Visconde de Cairú 5. -------------------------------------------------------------------------------[1] Cf . Presidente do Centro de Estudos Latino Americanos da UNESP 4. [3]A Lei 6. 239). quando se tratar de sociedades abertas. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. a Lei.. Membro do Instituto de Derecho Comercial de la Universidad Notarial Argentina 6. [10] De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. cit. 164. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. sem descaracterizar os interesses da companhia.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. 655. Rubens. ob. Diretor do Departamento de Direito Privado da Universidade Estadual Paulista . 1984. p. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários.. 1978.Cumpre destacar que acordo com a lei. Neste sentido. [8]Consistindo em órgão de deliberação colegiada. face ao disposto no art. Membro da Fundacion Ectheverry para la Investigacion y Estudios Internacionales 7. 165. RT 667. Universidade São Francisco . ob. 283. Octaviano Martins. 1978. 303. cit. MARTINS. Comentários à Lei das S. ob. [6]Faculta. o que significa que a regra é de ordem pública. cit. § 1º. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência.

integram-se na administração da empresa. Não colide com o disposto no art. para a prática de determinados atos. no § 2º do mesmo artigo. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. cit. prevalecendo o limite menor[25](art. ao lado do ato unilateral de nomeação. mas de um ato jurídico unilateral. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. 146 § único. com os respectivos poderes. 291 da LSA. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. BATALHA. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. MARTINS. tendo em vista suas responsabilidades sociais. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. p.” [23] “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. das vantagens comuns a todos. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. baixada nos termos do art. cit.pela morte ou interdição de uma das partes. 165. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . 699 : “o administrador eleito por grupo ou classe. Comentários à Lei das S. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. cit. correlatamente. ob. no § 3º. além de regulamentar. portanto. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. § 1º). 152 da Lei . [28]Cumpre ressaltar. . e seus membros. conforme determina o art. cit. 659. 165. feita pela sociedade através de seus diretores. O mandato. em função dos lucros . tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado.. Revista dos Tribunais.. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. nesses casos. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. [29]Ademais. cit. p. vol. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. Código Civil art. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu.12. inclusive mediante voto múltiplo (art. [24]A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. inciso II : “Cessa o mandato : . 144 . ou podem gozar. Revista de Direito Mercantil. n. in Revista dos Tribunais. Orlando. ob. São Paulo : Forense. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. nos limites de suas atribuições e poderes.” Cf. ob. se extinguiria com a morte do mandante. ob. 310. criados pelo Estatuto Social. não apenas possível. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. p. ainda. p. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos.Se o mandato fosse particular. [19]Cf. a lei impõe ao administrador. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. [26]Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. Entretanto. 152. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. ob. conforme art. Especificamente. [25] O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. p. de 11. [22]É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. do interesse da empresa”. a remuneração com parte fixa e outra variável. Fran. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator.. 139. que a lei (art.91. 154. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. p. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. como administradores. [20]Cf. mas órgão da sociedade. são parte dela. REQUIÃO.A. [17]BATALHA. Por outro lado. 1316. 1978. Não se extinguirá.observadas sempre as normas do art. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. Anstellung.[16]Vide Instrução CVM n. 661. denominado nomeação.é. mas em certos casos. Conquanto esse ato unilateral. gozam. Wilson de Souza Campos. porquanto ela é simples condição de eficácia.. [27] Cf. predomina. [18] Cf. em doutrina. por via do qual se lhe atribui. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. nem por isso se torna contratual. p. o contrato de emprego.. BULGARELLI. 429.O mandato representa a outorga temporária de poderes. in Comentários. Rubens. GOMES.II . Wilson de Souza Campos. que devem ser explicitados no instrumento. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. 304. [21]Os poderes dos diretores são indelegáveis.

dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração.A. que em princípio. 159. age além dos poderes que lhe são outorgados. antes de se submeterem à Assembléia Geral. rege o § 1º do art. [35]Por força do art. mas perante terceiros prejudicados. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. [38]Dispõe o art. nr 42. Para os cargos de administração de companhia aberta. 159. não sendo possível. [41]A verificação de documentos ou propostas da administração. Em regra. é de competência de auditores. contra a economia popular.4. in Comentários à Lei das S. portanto. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. é individual. Revista de Direito Mercantil. caput. in Comentários à Lei das S. [31] Vide na íntegra o art.A função do conselho . mediante prévia deliberação da assembléia geral.. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. salvo nos casos de conivência. 156.se em funcionamento .. Comentários à Lei das S. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. 158 e 159.[30]Ainda que observado o disposto neste artigo. 147 § 2º).A. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. São Paulo : Ed.5. (Neste sentido Fran Martins. peculato. 147 § 1º). mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. Nesse sentido. § 3º). cit. mesmo que temporariamente. [32]GUERREIRO.ou à Assembléia Geral. ob. a responsabilidade dos diretores. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. Competirá.A. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. cit. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedílos. [33]Ao violar a lei ou o estatuto. § 2º). exceto nas companhias abertas. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. [36] “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. José Alexandre Tavares. 156. de prevaricação.. 1981. [37]A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art.Conceito de sociedade por ações. Vide na íntegra o art. § 1º). RT 670/77. que elegerá os membros. no prazo de três meses (art. Introdução. concussão.6. [40]Cf.Classificação das sociedades anônimas. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. 2. com atribuições definidas dentro da sociedade.A assembléia geral na sociedade por ações. cit. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. [34] Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. competirá à companhia. em nível de Diretoria. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). [39]Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. peita ou suborno. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. o acesso a cargos públicos (art. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. 157 e seus parágrafos. ao Conselho Fiscal . ob. em assembléia geral extraordinária. 3. Neste sentido Fran Martins. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. conforme observa Fran Martins. ano XX.) ÓRGÃOS DE GESTÃO NAS SOCIEDADES POR AÇÕES Bruno Rodriguez Caldas Aluno do 2°ano noturno do Curso de Direito da UNESP(Franca-SP) Sumário: 1. Processo histórico. ob. Revista dos Tribunais. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. TJSP. 161.

o trâmite não foi diferente. Esse estreito relacionamento das sociedades anônimas com o Estado era tão visível que estas dependiam de uma outorga do monarca para funcionar. que acarretou em um imenso crescimento econômico. O regime de outorga foi adotado desde a chegada da família real até 1882.9. Assim. ou seja. O conselho fiscal nas sociedade por ações. é necessário expor. 1 Introdução O presente artigo visa apresentar em seu conteúdo uma breve exposição do funcionamento interno de uma sociedade por ações. Mais tarde. o que é uma sociedade anônima: seu conceito. mas as sociedades ainda dependiam de autorização governamental para funcionar. o fato de as primeiras sociedades por ações atenderem uma função de interesse público3.7. dada a quantidade de capital envolvido.A diretoria das sociedades anônimas. aumentou significativamente o número de sociedades anônimas. primeiramente será apresentada uma noção básica do regime societário. a Inglaterra inibiu o sistema de autorização e implantou o registro de empresa em órgão específico. havia uma concessão de privilégios por parte do monarca a um grupo de pessoas que passariam a desenvolver determinada atividade econômica. Para esses pensadores. Tal crescimento. tal modelo foi simplificado na Europa.8. a começar do processo de evolução histórico. Dessa forma. que foram exercidas inclusive no nordeste brasileiro. que brevemente se espalhou por todo o mundo4. mais especificamente em Gênova. espécie de Banco que possuia seu capital dividido em ações2 . Assim.Conclusão. diretoria e conselho fiscal) e o estudo atento da função pertinente a cada parte para a perfeita assimilação do funcionamento de uma empresa regida por esse que. No Brasil. resultou em aumento significativo de relações comerciais e de atração de capital para investir nas empresas industriais. Elas eram responsáveis por financiar atividades coloniais. Modelo. anteriormente. O terceiro momento da linha evolutivo desse modelo de sociedade foi marcado pela revolução industrial. credita o título às Companhias de Comércio cuja origem é holandesa e datam de 1602. quando se adotou o sistema . A maioria dos estudiosos. todavia. são de suma importância para compreensão do assunto o desmembramento da sociedade em seus quatro principais órgãos (assembléia geral. Para adentrar as questões estruturais. 2 Processo histórico A origem das sociedades por ações gera uma divergência doutrinária1. porém. A melhor forma de compreender tal matéria se dá pelo estudo de sua composição. a primeira sociedade anônima seria a Casa de São Jorge. no entanto. por sua vez. Alguns dizem que seu início remonta a Itália renascentista. para somente então adentrar as questões específicas ao tema.Referências bibliográficas. esse.10. é o mais complexo e importante regime societário.de administração. dos órgãos responsáveis por formar esse importantíssimo regime societário. É ponto pacífico na doutrina. sem dúvida. Para facilitar a sua proliferação e conseqüente desenvolvimento econômico. Dessa forma. conselho de administração. suas especificidades e classificação.

.1 2 COELHO. foi a publicação da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A) que criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atribuiu caráter 1 NEGRÃO.ed. em nosso país. Fábio Ulhoa.ed.Direito de Empresa. Manual de Direito Comercial e de Empresa.2.São Paulo: Saraiva. 3 COELHO. 2007.São Paulo: Saraiva.3.Curso de Direito Comercial.cit. 2003. Fábio Ulhoa. Waldo.Manual de Direito Comercial. V.v.Op. 2000.10.de registro. São Paulo: Atlas. Outro marco significativo nesse ramo. 4 FAZZIO JÚNIOR. Ricardo.

nosso direito admite o regime de regulamentação às companhias fechadas e o de autorização às abertas.Op. recebem tratamento especial por parte da lei10. devido ao pequeno porte (patrimônio líquido inferior a um milhão de reais e com capital concentrado nas mãos de até vinte acionistas). Suas principais características são: a divisão de seu capital em frações transmissíveis (ações). referente à pessoa jurídica. Ela está presente no art. e objetiva com o exercício da empresa o desenvolvimento de atividades lucrativas. os sócios. as demais sociedades são consideradas fechadas. 3 Conceito de sociedade por ações Segundo Waldo Fazzio Júnior5 a sociedade por ações é uma pessoa jurídica de direito privado que possui. Dessa forma. A responsabilidade limitada dos proprietários. o valor correspondente às suas ações. apesar de obedecer. ou seja. nacionais ou estrangeiras se for observada a transnacionalidade de seu capital. não se sujeitam às negociações públicas de valores mobiliários na bolsa de valores ou balcão. DORIA. Ricardo. Op. Anônima. aos princípios da administração pública. Há. Tal tipo de empresa atende a uma função social e se sujeita ao regime jurídico de empresa privada. Para garantir segurança ao mercado acionário e incentivar o investimento nessas companhias.cit. Elas podem ser classificadas como: abertas ou fechadas de acordo com a emissão e distribuição de valores mobiliários em bolsa de valores ou mercado de balcão. Dylson. A classificação mais importante é a primeira e por isso receberá maior destaque no presente artigo. Por outro lado. caráter mercantil. mas sim o capital investido. também. A divisão do capital social em ações revela que nesse tipo de empresa não importa a pessoa do sócio. o governo exige autorização governamental mediante registro na CVM (autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda) para essas empresas poderem atuar8. garante que os sócios só se obriguem a pagar dívidas com valor igual ao do capital investido. um regime próprio de . ou seja. e em multinacionais. a direção e a atuação6. do patrimônio do acionista. por sua vez. uma total separação do patrimônio da sociedade. privada ou mista se for considerada a origem do capital.4° da Lei de Sociedade 5 6 NEGRÃO. portanto. Ainda neste tópico é importante esclarecer que a sociedade de economia mista é aquela mantida pelo Poder Público e que criada para explorar a atividade econômica de produção de bens ou prestação de serviços. possuirem responsabilidade limitada. Assim. e o fato de os seu proprietários.dual ao nosso sistema. Observa-se. os proprietários podem negociar as suas ações no momento que desejar e com a pessoa que lhe for conveniente sem necessitar de autorização dos demais sócios. por força de lei. portanto. A sociedade é considerada aberta quando admite negociação pública de valores mobiliários a fim de captar recursos7. 4 Classificação das sociedades anônimas A classificação das sociedades anônimas difere de acordo com o critério adotado. Essas companhias são regidas por um estatuto e recebem uma denominação.cit. Se não observados tais procedimentos ocorre crime que prevê pena de reclusão de 2 a 8 anos mais multa 9. Dentre esse segundo grupo de sociedades faz mister acrescentar que algumas.

Op. A escolha deste. por sua vez. Fábio Ulhoa.cit.Op. um representante de instituição financeira (só em caso de sociedades abertas). 2004 A assembléia geral “é o órgão máximo da companhia e dela participam todos os acionistas com direito a voto.cit. 10 FABRETTI. A limitação subjetiva refere-se às qualidades do sujeito representante que pode ser.Op. Dylson. 5 A assembléia geral na sociedade por ações Para melhor atender seus fins administrativos e jurídicos as sociedades anônimas apresentam desdobramentos de sua pessoa jurídica. observar e discutir a prestação de contas dos administradores. Seu caráter e exclusivamente deliberativo”11. membros do conselho fiscal e de administração podem participar das assembléias quando ela os convidar ou convocar. fusão. 9 DORIA.Op.cit.administração estatal que exerce controle governamental sobre a companhia. quando donos de ações custodiadas em instituições financeiras ou ações escriturais. a qual pode abranger as mais minuciosas questões administrativas. devem se identificar através de identidade. quatro possuem maior relevância e por isso são previstos em lei. a diretoria e o conselho fiscal. como auditores independentes. Fábio Ulhoa. Op. Ainda no que abrange a legitimidade de participação faz mister acrescentar que os proprietários sem direito a voto podem discutir. a diretoria (quando não existir conselho de administração) e o conselho fiscal. ou melhor. Além da legitimidade. apenas determina que a procuração para representação tenha validade de um ano12. e deliberar sobre operações de transformação. suspender os direitos de acionistas. Apesar destes órgãos poderem ser livremente instituídos pelo estatuto social. Eles são: A assembléia geral. Láudio Camargo.2 ed. o conselho de administração. se manifestar sobre a composição da pauta de discussão. no entanto. Waldo. A limitação temporal.cit. 13 DORIA. ou seja. No caso das pessoas legitimadas não poderem comparecer. um administrador da companhia. Fábio Ulhoa. 11 12 COELHO. eleger ou destituir o conselho de administração (se existir).cit. os acionistas. Tratamse dos órgãos sociais. a competência da assembléia também deve ser exposta. . COELHO. Estes. por outro lado. proprietários de ação nominativa ou através de identidade e extrato de compra de ações. prestando-lhe assessoria jurídica). que apesar de não serem sujeitos de direito. 7 8 COELHO. taxativamente. Dylson. Direito de Empresa no novo código civil. Op. Esse órgão é o único capaz de: reformar o estatuto social. podem eleger um representante que defenda os seus interesses.cit. expressam o interesse da companhia sobre temas específicos. São Paulo: Atlas. a assembléia geral é uma reunião privada cuja legitimidade de participação é exclusiva de seus membros. FAZZIO JÚNIOR. sofre limitações do tipo temporal e do tipo subjetivo. incorporação e cisão13. outro sócio. ou um advogado (que também pode freqüentar às reuniões como acompanhante do acionista. Outro fator a ser adicionado é que pessoas distintas dos acionistas. Assim.

Devido a grande quantidade de funções da assembléia geral, a doutrina a classifica em quatro tipos14: assembléia geral constituinte, especial, ordinária(AGO) e extraordinária(AGE). O primeiro tipo ocorre quando a reunião visa à constituição da sociedade anônima. O segundo visa assegurar direitos de titulares de determinadas classes de ações, evitando modificações estatutárias que os prejudiquem. As duas últimas, no entanto, são as mais importantes e por isso merecem maior destaque. A AGO possui um caráter de obrigatoriedade e periodicidade15, já que deve se reunir uma vez ao ano, no período de quatro meses após findo o exercício social. Ela examina a prestação de contas dos administradores, delibera e voto o destino do lucro líquido alcançado, aprova correção da expressão monetária e, quando necessário, elege o conselho de administração e o conselho fiscal. Esse tipo de assembléia geral necessita da presença de um auditor independente e de um membro do conselho fiscal para atribuir seu parecer sobre as questões discutidas. Tal exigência, se não cumprida, adia a deliberação. Ademais, vale frisar que, salvo em companhias fechadas, os administradores, mesmo que acionistas (membros do conselho de administração), não votam sobre as decisões de sua administração, já que a aprovação de suas contas os isenta de responsabilidade fiscal e administrativa. Os resultados obtidos na AGO, por sua vez, devem ser promovidos pelos administradores em um prazo de 30 dias. Qualquer assunto estranho aos três primeiros tipos de classificação, como a reforma de estatuto, serão tratados pela AGE. Para reunião da assembléia geral, porém, ela deve ser convocada. A competência para a convocação é do conselho de administração, caso este não exista, a atividade será exercida pela diretoria. Em casos excepcionais, todavia, a convocação pode ser realizada pela própria assembléia fiscal, pelo conselho fiscal ou até pelos acionistas16. Esse ato de convocação é tido como formal e deve se dar por publicação de anúncio. Tal procedimento, se não observado, impossibilita a deliberação, salvo hipótese de todos acionistas se encontrarem presentes17.
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FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit. COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. 16 DORIA, Dylson.Op.cit. 17 NEGRÃO, Ricardo. Op.cit.

Convocada a assembléia geral, os trabalhos, ou seja, os debates e votações são presididos por uma mesa cuja composição é prevista no estatuto da companhia. De acordo com o assunto deliberado, vale ressaltar, há exigência de um quorum. Este se subdivide em quorum de instalação e de deliberação, O primeiro é requisito para a realização da reunião (pode ser reunião de 1/4, 1/2 ou 2/3 do capital social) e o segundo serve de condição para a validade das decisões alcançadas (pode ser de maioria absoluta ou até de unanimidade)18. Por fim, as deliberações são narradas, por escrito, em uma ata que deve ser assinada por todos os acionistas presentes e lavrada no livro de atas das assembléias gerais. Se não documentada dessa forma, a lei permite que as atas sejam lavradas sob forma de sumário dos fatos ocorridos, contendo apenas as deliberações levadas a termo.

6 A função do conselho de administração O conselho de administração é um órgão deliberativo com quantidade de membros de número ímpar e plural, ou seja, é composto por no mínimo três pessoas. Sua existência é obrigatória em companhias abertas, sociedades com capital autorizado ou de economia mista, sendo de presença facultativa nas demais sociedades por ações. Sua composição é oriunda de eleição pela assembléia geral e desse mesmo órgão recebe parcela da competência. O conselho de administração pode atuar em qualquer matéria de interesse da companhia com exceção àquelas de atividade privativa à assembléia geral. Contudo, sua função específica é: fixar orientação geral para negócios; eleger e destituir diretoria; suprir omissões do estatuto no que concerne sobre a divisão de competência entre os diretores; fiscalizar a diretoria; convocar a assembléia geral; se manifestar sobre o relatório anual de prestação de contas da diretoria; e escolher e destituir auditores independentes19. O processo de eleição, por sua vez, é legalmente definido como o de voto múltiplo. Esse modelo eleitoral atribui a cada ação uma quantidade de votos equivalentes ao número de cargos que compõe o conselho, quantidade esta prevista no estatuto social. Desse modo, objetiva-se atribuir representatividade a minoria
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit.

acionária. O acionista quando for votar pode concentrar esses votos em um só candidato ou distribuí-los de acordo com seus interesses. Os trabalhos eleitorais serão presididos pela mesa da assembléia geral, que deve, anteriormente a votação, informar aos acionistas a quantidade de votos necessários para garantir a eleição de um membro no conselho20. O período de gestão, também é regido pelo estatuto, mas pode ser interrompido pela assembléia geral. Este órgão tem o poder de destituir o conselho. Tal destituição não precisa ser motivada, já que o conselheiro exerce cargo de confiança, ou seja, encontra-se em seu cargo por autonomia da vontade e, portanto, por essa mesma vontade pode perder sua posição. Por fim, é importante falar da previsão de escolha de um dos membros para o posto presidente do conselho. Esse procedimento obedece à forma prevista no estatuto, sendo, normalmente, fruto de escolha democrática pelos próprios membros do conselho. O presidente é responsável por convocar e dirigir as reuniões bem como resgistrá-las em atas cujo conteúdo será lançado em livro próprio depois de assinada por todos os membros presentes. Nem todas as atas, porém, necessitam ser arquivadas. Tal procedimento torna-se obrigatório somente nos casos que acarretem efeitos a terceiros ou quando a ata relatar reuniões nas quais haja eleições para diretores ou renúncia de conselheiros21. 7 A diretoria das sociedades anônimas Láudio Camargo Fabretti define a diretoria como “órgão executivo das deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e de representação legal da companhia”22. Os diretores não precisam ser acionistas e são escolhidos pelo conselho de administração, na ausência deste o processo pode ser realizado pela assembléia geral. A destituição de cargo pode ser feita a qualquer momento pelos mesmos órgãos 23 que também são responsáveis pela atribuição de competência a cada diretor.
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FABRETTI, Láudio Camargo.Op.cit. 22 DORIA, Dylson.Op.cit. 23 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit

A quantidade de diretores, bem como o período de gestão é determinada pelo estatuto social, certo, porém, é que o mandato não pode ser superior a três anos (cabe reeleição) e que a companhia deve contar com pelo menos dois diretores. No máximo 1/3 da quantidade máxima de diretores, no entanto, pode ser composta por membros do conselho de administração. No que tange à responsabilidade, os diretores respondem solidariamente por responsabilidade civil caso não observem em seus atos o procedimento estabelecido pelas normas da companhia24. Por fim, há de se citar a existência de casos específicos nos quais os diretores têm a necessidade de se reunir para deliberar. Nestas situações, a decisão a ser tomada flui da maioria dos votos. Tais trabalhos são registrados em atas cujo conteúdo é lavrado em livro próprio. 8 O conselho fiscal nas sociedades por ações O conselho fiscal é responsável por fiscalizar os demais órgãos, principalmente no que concerne às prestações de contas, e à legalidade e regularidade dos atos de gestão25. Assim, sua atividade deve ser autônoma, ou seja, não pode ser hierarquicamente inferior ao conselho

Finalmente. que recebe parcela da competência da assembléia geral. por sua vez. O mesmo artigo define.de administração nem à diretoria.163 da LSA garante a necessidade de registrar as reuniões em atas e arquivar os pareceres. O art.Op. FAZZIO JÚNIOR. porém o seu funcionamento é facultativo. diretoria e conselho fiscal. o conselho deve ter a sua disposição todo o arsenal de informações necessárias. Op. também. conselho de administração. é livre e prevista em estatuto social. exercer sua atividade. pode-se requerer ao juiz da comarca uma autorização especial. salvo aquelas . Trata-se. é obrigatória. a empresa deve contar com um conselho fiscal. todavia.165 da mesma lei. todavia exige-se que sejam graduadas em ensino superior ou pelo menos contem com uma experiência mínima de três anos em cargo de administrador. portanto. As pessoas a serem escolhidas não precisam ser acionistas. Eles são: a assembléia geral. é um órgão facultativo.cit. são tratados pelo direito. Dentre essas subdivisões. para melhor exercer as suas funções é dividida em órgãos que realizam funções específicas. portanto de um órgão de discussão e votação que é utilizado como instrumento de manifestação da vontade dos proprietários para a realização das atividades. porém. por sua vez. ele passa a realizar seus trabalhos de forma colegiada. A presença do órgão. Waldo.cit 26 FAZZIO JÚNIOR. O conselho de administração. por sua vez define que o conselho fiscal será responsabilizado se for conivente com medidas ilícitas ou prejudiciais a sociedade. Ele pode exercer atividades referentes a qualquer matéria da companhia. O art. ela é feita através da escolha de um número de três a cinco membros (mesmo número de suplentes) pela assembléia geral. através de deliberações todo o futuro da sociedade empresária bem como elegem os membros que compõe os outro órgãos. visto que reúne os acionistas e decide. È importante ressaltar. destacam se em relação aos demais e. Formado o conselho. realizar função de fiscalização. mas esse não precisa. a assembléia geral é tida como mais importante. que em caso de omissão ele responderá de forma solidária. 9 Conclusão Após o breve estudo do tema pode-se perceber que a sociedade por ações. Waldo Fazzio Júnior acrescenta que “ sua atuação é instrumental. Para bem realizar sua atividade. Caso não haja na 24 25 DORIA. por sua vez. Quatro órgãos. Waldo. por isso. Assim. Dylson. Outro aspecto importantíssimo do conselho é a sua responsabilidade.cit empresa pessoas com estas qualificações. também. No que tange a composição do conselho. necessariamente. é importante acrescentar que as companhias abertas devem contratar auditores independentes registrados no CVM para. já que disponibiliza aos acionistas para exercícios de direito e de fiscalizar e votar”26. A quantidade de subdivisões. Op. que o conselheiro que tiver se posicionado de forma contrária (verificação se dá por registro em ata) se exime do cumprimento da obrigação27. vencendo sempre a maioria.

cit .que são exclusivas à assembléia geral. Op. Waldo. Já a diretoria exerce cargo executivo e de representação da companhia e o 27 FAZZIO JÚNIOR.

São Paulo: Atlas. 2 ed. 2003.v.São Paulo: Saraiva. 2004. faz-se necessária uma divisão de tarefas que otimize os trabalhos e garanta bons resultados aos acionistas.ed. Manual de Direito Comercial.ed. 2000.10. como não poderia deixar de ser realiza trabalhos de fiscalização das atividades exercidas pelos demais órgãos.1. Percebe-se. Curso de Direito Comercial. Curso de Direito Comercial. Assim.São Paulo: Saraiva. FABRETTI. Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa. DORIA. . Fábio Ulhoa. 10 Referências bibliográficas COELHO. NEGRÃO.ed.v.3. V. Láudio Camargo.2. que para o bom andamento de uma sociedade anônima. Waldo.Direito de Empresa. a divisão de funções para os órgãos objetiva a maior segurança nos negócios e conseqüente maior lucratividade. que se caracteriza pelo seu grande porte e movimentação intensa de altos valores.São Paulo: Saraiva. portanto.14. 2007. Dylson. FAZZIO JÚNIOR.1.conselho fiscal. 2000. Direito de Empresa no novo código civil. São Paulo: Atlas.