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SOCIEDADES ANÔNIMAS doutrina

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SOCIEDADES ANÔNIMAS A presente matéria visa orientar às Sociedades Anônimas acerca das publicações legais de atas, convocações, anúncios

e demonstrações financeiras. Procuramos destacar aspectos práticos e de âmbito geral, tais como prazos a serem observados, obrigatoriedade das publicações e casos em que as mesmas são dispensadas, jornais para a veiculação dos atos societários, bem como os caracteres gráficos mínimos permitidos por lei. Vale ressaltar que a presente matéria trata das normas gerais da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações objeto da Lei n. 9.457, de 05 de maio de 1997, e da Lei n. 10.303, de 31 de outubro de 2001, aplicáveis às sociedades anônimas em geral. Cabe a cada S/A verificar as normas específicas aplicáveis ao seu caso em particular, sem prejuízo das normas gerais. Assim sendo, as Instituições Financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, deverão observar as normas específicas expedidas por esse órgão. Assim também deverão proceder as companhias abertas, observando as normas específicas emanadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Publicações Legais ordenadas pela Lei n. 6.404/76 às Sociedades Anônimas Edital de Convocação: A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por três vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. (art.124). 1a. Convocação: Na companhia fechada com 8 dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio e na companhia aberta com 15 dias de antecedência. 2a. Convocação: Não se realizando a Assembléia, deve ser publicado novo anúncio. Na companhia fechada com 5 dias de antecedência e na companhia aberta com 8 dias de antecedência. Cabe ressaltar, que não se admite anúncios prevendo desde logo a 2a. convocação. Deve ser publicado novo anúncio. Dispensa da publicação: A Assembléia que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação do edital (art. 124 § 4o.). Atentar para o dispositivo legal que se refere a "todos os acionistas", e não apenas aos que possuem "direito de voto". Aviso aos Acionistas: Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária, por anúncios publicados por três vezes, no mínimo, que se acham à disposição dos acionistas os documentos referidos no art. 133. Dispensa da publicação:

a) a assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação dos anúncios (art.133 § 4o).); ou b) a empresa que publicar o Balanço e demonstrações financeiras até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária (art.133 § 5o.) Balanço: O Balanço e demais Demonstrações Financeiras deverão ser publicados até 5 dias antes da Assembléia Geral Ordinária (art. 133 § 3o). A assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a inobservância do referido prazo, mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia (art. 133 § 4o). Atas: Todas as Atas de Assembléias Gerais de Acionistas deverão ser publicadas. Extrato de Ata - Tem-se observado a publicação de extrato de ata lavrada na forma sumária, ou seja, a publicação de um "resumo" do "resumo". Isto é inadmissível. Somente quando a ata é completa, plena, lavrada sob a forma tradicional, discorrendo sobre todos os fatos ocorridos, aí sim, é permitido extrair um extrato para a publicação, ou seja, um texto mais resumido, conciso, com o sumário dos fatos ocorridos e das deliberações tomadas. O legislador é claro quando diz no art. 130 § 1o. que a ata poderá ser lavrada na forma de sumário dos fatos ocorridos, e conter a transcrição apenas das deliberações tomadas. E, no mesmo art. 130 § 3o. diz que, se a ata não for lavrada na forma permitida pelo § 1o., poderá ser publicado apenas o seu extrato, com o sumário dos fatos ocorridos e a transcrição das deliberações tomadas. Portanto, apenas para a ata que não foi lavrada na forma de sumário, é facultada a publicação de um extrato. O Prof. Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 2o. vol., pgs. 757/758, 2003) discorrendo acerca de tal dispositivo legal afirma que "Não pode ser publicado extrato de ata sumária – Ainda que pareça despicienda a repetição do texto claro da lei a respeito, torna-se indispensável ressaltar que é absolutamente ilegal a publicação de extrato de ata submetida ao regime sumário". É importante frisar, que a faculdade dada pelo legislador para as sociedades anônimas publicarem um extrato de ata, refere-se única e exclusivamente às atas de Assembléias Gerais de Acionistas. Tal faculdade não se estende às atas de Reuniões do Conselho de Administração. Estas, quando contiverem deliberação destinada a produzir efeitos perante terceiros, deverão ser publicadas na íntegra. Artigo 294 A companhia fechada que tiver menos de 20 (vinte) acionistas, com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) poderá: - convocar assembléia geral por anúncio entregue a todos os acionistas,contra recibo, com a antecedência prevista no art. 124, ou seja, está dispensada de publicar o edital de convocação; e - deixar de publicar o Balanço e demais Demonstrações Financeiras de que trata o art. 133.

O disposto neste artigo não se aplica à companhia controladora de grupo de sociedades, ou a ela filiadas, ou seja, suas controladas e coligadas. Cabe lembrar que a dispensa de publicação a que se refere o art. 294, limita-se tão somente ao edital de convocação e ao balanço. Note-se que o referido artigo não menciona os avisos pondo à disposição dos acionistas os documentos a que se refere o art.133. Portanto, conforme entendimento de longa data da Procuradoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo esses avisos deverão ser publicados. Jornais de veiculação das publicações legais As publicações ordenadas pela Lei das S/A serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme o lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia (art. 289). Vale ressaltar que as publicações legais (convocações, anúncios, demonstrações financeiras e atas) das S/A cuja sede é, por exemplo, no Estado de São Paulo, deverão ser feitas: - no órgão oficial do Estado, ou seja, obrigatoriamente no Diário Oficial do Estado de São Paulo, não se admitindo Diário Oficial da União, e - em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia. Entende-se por "jornal" o que se publica, no mínimo, cinco dias na semana, a exemplo do próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo que tem cinco publicações semanais. E por "grande circulação" entende-se o jornal cuja distribuição é feita na localidade em que é editado de forma regular e de fácil acesso aos acionistas. Caracteres gráficos nas publicações legais A Lei n. 8.639 de 31/03/93 disciplinou o uso de caracteres nas publicações obrigatórias. O tipo de letra deve ser, no mínimo, de corpo seis, e o título deve ser do tipo doze ou maior. O não-cumprimento dessa determinação será objeto de exigência pela Junta Comercial, conforme disposto no art.57 do Decreto n. 1.800/96. Em São Paulo, de acordo com a Portaria Jucesp n. 73/98, somente serão aceitas as publicações legais em jornais de grande circulação que utilizarem corpo de letra no mínimo de corpo seis, com entrelinhamento mínimo de seis e meio. Não serão aceitas publicações com caracteres condensados. As publicações a serem feitas no Diário Oficial do Estado de São Paulo continuam obedecendo aos padrões vigentes naquele órgão, conforme Portaria 002 de 18 de fevereiro de 2.000 da Imprensa Oficial do Estado S/A, em seu artigo 2o. que reza o seguinte: I – o nome da empresa deverá constar de linha (s) única (s) de abertura, não recorrido, com corpo mínimo de 12, negrito; II – o CNPJ, título da matéria (ata, relatório da diretoria, etc.) e o restante do material será no corpo mínimo de sete, com entrelinhamento mínimo de 7/8 (sete sobre oito).

Função do SPED.1. 7. Conseqüência da irregularidade na escrituração – 11. 4. la Loi n° 11. Funções da escrituração – 9. 4. la nécessité a établi d´´amélioration de l´´enquête de l ´´exercice social et de la démonstration comptable et financière de la société.2.2.3.4. Registro de Apuração de ICMS. 3. Sistema Público de Escrituração Digital.022/2007 trouxeram varias mudanças no campo da escrituração e das demonstrações financeiras das sociedades anônimas e nas sociedades de grande porte. 28 de décembre de 2007 et du Décret 6. de 28 dezembro de 2007 e o Decreto 6. et ainsi que sa performance.1. Livro Razão.2. 4.1. Palavras-chave:. estabeleceu-se a necessidade de aprimoramento do levantamento do exercício social e da demonstração contábil e financeira da sociedade.2.Démonstrations Contábéis et financières . Registro de Saídas.1. a Lei nº 11. Livros Digitais – 4. Registro de Inventário. 7. extravio ou inutilização de livros fiscais. 4. Perda.2. 4. a real situação do empresário. 4.1.5. Disposições Gerais . Competência da Secretaria da Receita Federal. 4.2. O livro de apuração do lucro real (LALUR).3.Do exercício social e das demonstrações contábeis Resumo: Estamos diante de uma nova etapa na área empresarial e contábil. Most clef: Comptabilité .3. 4.2.3. Registro de Controle da Produção e do Estoque. Microfilmagem. Os métodos ou formas da escrituração. 4.4. 4. Livro de Movimentação de Combustível (LMC). Fichas. Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis – 3.2. periodicamente. 4.2. Livro-diário.1. Acesso às informações do SPED – 8. Os Livros Contábeis. 11. 6. Os Livros Fiscais.2. 7.1. périodiquement.2. Livros Facultativos – 5. Outros Livros fiscais – 4. 7.1. Exibição administrativa dos Livros .6. Instrumentos de escrituração mercantil.11.638. 4. la réelle situation de l´´entrepreneur.2.2. 3. e bem como o seu desempenho. Os Métodos e o Valor probante da escrituração.2. Conservação da escrituração – 10.3 Os livros Sociais. Escrituração – Demonstrações Contábéis e financeiras –– Sociedade anônima . De même avec la création du Système Public de Comptabilité Digitale.9.3. Inclusive com a criação do Sistema Público de Escrituração Digital. 6.4. 4. Usuários do SPED. 4. 4. Afin d´´exprimer.8. Livros em papel.1. A fim de expressar.2.7.2. Registro de Duplicatas.Sistema Público de Escrituração digital Résumé: Nous sommes en avant d´´une nouvelle étape dans le secteur d´´entreprise et comptable. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais.10. 3.1. 4.Introdução – 2. Valor probante da escrituração – 7. Exibição judicial dos Livros empresariais.2. Exibição dos livros empresariais.3) Livro Balancetes Diários e Balanços – 4. ou seja.Société anonyme Système Public de Comptabilité digitale. Sumário: 1.022/2007 a apporté varie des changements dans le champ de la comptabilité et des démonstrations financières des sociétés anonymes et dans les sociétés de grand transport. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência. 4. c´´est-à-dire. 3. Espécies de Livros Empresariais. Registro de Entradas.638. Requisitos intrínsecos e extrínsecos – 6.1.

14. A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. 14. mecanizado ou eletrônica com. A Escrituração completa é composta pelos lançamentos contábeis e pelas demonstrações financeiras elaboradas no encerramento de cada exercício social [01].4. . Obrigatoriedade e reponsabilidade do contabilista – 13.16. As conseqüências para a falta das demonstrações contábeis periódicas são as seguintes – 15. A demonstração do valor adicionado no caso de companhia aberta.1. e a levantar anualmente balanço patrimonial e o resultado econômico. 380.Disposições Gerais . Ativo. mas ambos serão considerados em conjunto como uma unidade" (art. Tanto as sociedades empresárias como os empresários individuais estão obrigados a seguir um sistema de contabilidade [03]. III)Contestação de reclamatórias trabalhistas quando as provas a serem apresentadas dependam de perícia contábil.2. Contudo.1. são as seguintes: I)Oferece maior controle financeiro e econômico à entidade. [04] Devemos expor que o empresário sem um sistema que demonstre o exercício social e as demonstrações contábeis é uma entidade sem memória.1.3. a lista mais comum de vantagens de uma entidade para manter escrituração contábil. Referencias Bibliográficas 1. IV)Imprescindível no requerimento de recuperação judicial (Lei 11.1. sendo inclusive indivisível a escrituração "se os fatos que resultam dos lançamentos. 14. bem como não possibilita ao empresário avaliar o acerto das decisões administrativas e negociais tomadas. uns são favoráveis ao interesse de uma parte e outros lhe são contrários. base na escrituração uniforme de seus livros em correspondência com a documentação respectiva. posteriormente compilados em livros e fichas.empresariais – 12. Impossibilitada de elaborar demonstrativos contábeis por falta de lastro na escrituração.2. O balanço patrimonial. Divulgações das demonstrações contábeis .Introdução No Direito empresarial. 14.3. do CPC). Escrituração é o conjunto de lançamentos contábeis. Demonstrações contábeis. por certo encontrará dificuldades em obter fomento creditício em instituições financeiras ou de preencher uma simples informação cadastral [05]. 14. pois a expressão mais ajustada para o Capítulo IV do Livro sobre Direito de Empresas seria chamá-lo de Exercício Social e Demonstrações Contábeis. A demonstração dos fluxos de caixa. sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência ou de planejar seu crescimento.5. II)Comprova em juízo fatos cujas provas dependam de perícia contábil. Passivo. a expressão Escrituração é criticada por Eliseu Martins [02]. Assim. 14. Assim. A demonstração do resultado do exercício. Escrituração é o nome que a legislação escolheu para expressar o ato de se efetuarem os lançamentos em contas. 14. Filiais – 14. bem como os rumos a serem seguidos.101/2005). 14. geralmente para fins contábeis.

as disposições da Lei nº 6. 3º Aplicam-se às sociedades de grande porte.404. para os fins exclusivos desta Lei.195. Muito embora a regra que determina a publicação das demonstrações esteja inserida em um dos parágrafos do artigo 176 da Lei das S/A. pois o artigo 3º da Lei 11. cabendo ao administrador. supre exigência do Novo Código Civil Brasileiro quanto á prestação de contas (art.385. e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. VI)Base de apuração de lucro tributável e possibilidade de compensação de prejuízos fiscais acumulados. X)Prova. 1. Inicialmente poder-se-ia indagar da não obrigatoriedade da publicação das demonstrações contábeis.638/07 é expresso no sentido de que as sociedades de grande porte devem observar as regras da Lei das S/A no que tange à elaboração e escrituração das demonstrações financeiras. em juízo. que Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.V)Evita que sejam consideradas fraudulentas as próprias falências. sujeitando os sócios ou titulares ás penalidades da Lei que rege a matéria. Parágrafo único. do Código Cível e em outros diplomas legais. determina que: Art. no exercício social anterior. ativo total superior a R$ 240.000. de 15 de dezembro de 1976. de 7 de dezembro de 1976. para fins de apuração de haveres ou venda de participação. a situação patrimonial na hipótese de questões que possam existir entre herdeiros e sucessores de sócio falecido.638. que trata da elaboração das demonstrações financeiras. sócios ou representantes implementarem a escrituração através de contabilista devidamente habilitado. não há que se falar que a publicação das demonstrações financeiras esteja inserida dentro do . de 28 de dezembro de 2007.000. a contabilidade deve ser considerada sempre uma ferramenta imprescindível à gestão de qualquer entidade.00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300. sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários. A matéria sobre o Exercício Social e as Demonstrações Contábeis está disciplina nos artigos 1. Portanto.404. VIII)Distribuição de lucros como alternativa de diminuição de carga tributária. IX)Prova a sócios que se retiram da sociedade a verdadeira situação patrimonial.020). a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver. até pela obviedade das vantagens acima listadas.179 a 1. de 15 de dezembro de 1976.000.00 (trezentos milhões de reais). e da Lei no 6. XI)Para o administrador.000. VII)Facilita acesso ás linhas de crédito. Considera-se de grande porte. [06] A Lei 11. ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações..

informar em caráter preliminar que embora não haja menção expressa à obrigatoriedade de publicação dessas demonstrações financeiras. é extremamente positiva. estas devem seguir os parâmetros exigidos pela legislação em vigor. Derivará da Consulta Pública aberta até o próximo dia 25 um ato normativo para regular os efeitos da novel legislação. veio a Comissão de Valores Mobiliários [07]. institucionais e estrangeiros. especialmente perante investidores potenciais. Sem deixar de acompanhar a intensa movimentação do mercado após a edição da Lei 11. a publicação ou a divulgação de tais informações. consumidores. a denominação e as regras de escrituração [08]. de modo a formar um todo organizado visando interpretar e registrar os fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. 2.638. mas deixa livre a espécie destes e o método de escritura. Por fim.". b) O sistema suíço é adotado pela Inglaterra. anterior.. 3. que são duas atividades completamente distintas e inconfundíveis. e c) O sistema germânico é adotado na Alemanha. dando norma para a representação gráfica dos mesmos. Não discrepa o ente regulador do entendimento esposado neste artigo. empregados. onde a lei obriga o empresário a ter livros.processo de sua elaboração. Certamente oferecerá mais elementos para reflexão dentro da polêmica instaurada..Instrumentos de escrituração mercantil O mecanismo de escrituração deve obedecer a um sistema de contabilidade o qual se refere a um conjunto de elementos interconectados harmonicamente. por quaisquer meios. a) O sistema francês é o adotado pelo Brasil. mas libera o método de escrituração.Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis As legislações atuais instituem três sistemas de demonstrar o exercício social e contábeis. governos e a sociedade em geral. Reconhece apenas a inexistência de menção ao verbo "publicar" na lei nova sem contestar que a lei alvo da modificação. o francês. vale mencionar que. já o menciona expressamente. Não obstante as considerações acima apresentadas é imprescindível destacar que. [09] O sistema de contabilidade deverá ser mecanizado ou digitalizado por meio eletrônico. caso as sociedades de grande porte optem pela publicação ou a divulgação voluntária de suas demonstrações financeiras. A Lei impõe o número de livros obrigatórios. o suíço e o germânico. inclusive eletrônicos (tais como websites). uma vez que a transparência apresenta-se como uma das medidas que mais agregam valor à empresa no campo da governança corporativa. A lei impõe certos livros como obrigatórios. fornecedores. . embora a nova lei não obrigue expressamente as sociedades de grande porte a publicar suas demonstrações financeiras. em Consulta Pública lançada no dia 14 de janeiro de 2008. orienta pelo atendimento às regras de transparência já editadas. credores.

Segundo o método de sua confecção. da Instrução Normativa nº 102/2006). O livro não poderá ser dividido em volumes. sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria. geralmente duras. incluído na seqüência da escrituração o balanço patrimonial e o de resultado econômico. do Código Civil). 3. As disposições desta Instrução Normativa aplicam-se às filiais.livros em papel. enfeixados em capas flexíveis e de pouca resistência. em livro já autenticado pela Junta Comercial.1. poderá ser feita ressalva na própria folha ou página. de mesmo número ou não.conjunto de fichas ou folhas contínuas (artigo 1. sendo protegidos por capas. 3.A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº nº 102. de 25 de abril de 2006. do Código Civil).livros em microfichas geradas através de microfilmagem de saída direta do computador (COM). V . IV . da Instrução Normativa nº 102/2006). em relação a um mesmo período. Livros encadernados são os que se costuram com maior firmeza e segurança. de acordo com as necessidades do empresário ou da sociedade empresária. e de maior resistência. manuscritos. quando for o caso (artigo 4º. desde que obedeçam as formalidades legais. do empresário ou sociedade autorizado a funcionar no País. parágrafos 2º e 3º. Segundo o artigo 2º da Instrução Normativa nº 102. sucursais ou agências. observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade.180. contendo a escrituração retificada (artigo 5º.livros digitais. não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro. impressos. II .180). III . ser escriturado mais de um livro. mediante termo de homologação por esse datado e assinado.180. podendo. Livros brocardos são ligeiramente costurados ou grampeados. iniciando se pelo numeral um. os livros são brocados ou encadernados. a qual deverá ser assinada pelos mesmos signatários do termo e homologada pelo autenticador do instrumento pela Junta Comercial. com sede em país estrangeiro (artigo 1º). no livro em papel. Fichas O Código Civil permite que os livros em papel venham a ser substituídos por fichas ou formulários avulsos ou contínuos por aqueles que adotavam escrituração mecanizada ou eletrônica (artigo 1. de 25 de abril de 2006 pode elaborado em: I . protegidos exteriormente por duas capas.2. A numeração das folhas ou páginas de cada livro observará ordem seqüencial única. no País. A retificação de lançamento feito com erro. deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência. Existindo erro ou omissão de algum dado obrigatório do termo de abertura e/ou encerramento.conjunto de fichas avulsas (artigo 1. [10] . Livros em papel De acordo com De Plácido e Silva a expressão livro é o vocábulo usado para designar (…) toda coleção de cadernos.

parágrafo 1º.A adoção de fichas de escrituração não dispensa o uso de livro diário para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico.398/69. os traslados e as cópias deverão estar assinados pelo responsável da organização ou do estabelecimento detentor do filme negativo e pelo contador. Um e-book por ser um método de armazenamento de pouco custo e de fácil acesso devido à propagação da internet nas escolas.4. aplicar-se-ão. por meio de carimbo aposto em cada folha ou mediante termo próprio. Os livros digitais deverão necessariamente ser assinados por contabilista. No caso das companhias abertas. sendo vedado o destaque ou ruptura das mesmas ou avulsas. As microfichas. no conjunto de hash [13] dos livros digitais autenticados. da Instrução Normativa nº 102/2006). de 15 de dezembro de 1976.404. com certificado digital de segurança mínima A#. 100 da Lei nº 6. . Livros Digitais Segundo a Wikipédia [11] o livro digital ou E-book é um livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores. como instrumento de escrituração. da Instrução Normativa nº 102/2006). observada a disciplina da Lei 5. em blocos. apenas para os livros dos incisos I a III do art.404. 3. selo cronológico digital. O sistema de microfilmagem. As Juntas Comerciais deverão inserir. com as indicações que os identifique para efeitos de controle. Pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em alguns portais de internet gratuitos. Poderá ser utilizado como sistema se houver comunicação à Junta Comercial no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o termino de cada livro ou conjunto de fichas. ao qual deve ser atribuído o número subseqüente ao do livro diário escriturado em fichas (artigo 4º. com certificado digital [12]. Os e-books são facilmente transportados em disquetes. como instrumento de escrituração. selo cronológico digital. com subdivisões numeradas mecânica ou tipograficamente por dobras. Microfilmagem É admissível a microfilmagem da escrituração. de acordo com as regras do IPC Brasil. pelo empresário individual ou pelo administrador da sociedade empresaria. regulamentada pelo Decreto nº 64. as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. Serão transmitidos às juntas comerciais via Internet ou entregues em CD/DVD regravável ou em pen drives. 100 da Lei nº 6. para o caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. poderão ser contínuas. CD-ROMs e pen-drives. As fichas que substituírem os livros. poderá ser utilizada pelas companhias e em relação aos livros sociais de que trata o art. Para produzirem efeitos legais. anualmente. Também deverão ser autenticados. deverão atender os requisitos constantes do Anexo I da Instrução Normativa nº 102/2006. pelas juntas comerciais. PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. de 15 de dezembro de 1976. ainda.433/68. (artigo 16. da Instrução Normativa nº 102/2006). de segurança mínima tipo A#. 3.3. inserido em cada autenticação. em forma de sanfona. as quais serão numeradas tipograficamente (artigo 8º. e obrigatoriamente autenticado em cartório.

218. Livro-diário [19] . A escrituração deverá ser individualizada. [14] Contudo. os lançamentos efetuados no Diário. tornouse obrigatória. pelo prisma jurídico podemos afirmar que os livros empresariais se dividem em duas categorias: a) obrigatórios que se subdividem em comuns e especiais. Os livros Comuns são os livros obrigatórios cuja escrituração é imposta a todos os empresários. 4.1. indistintamente. sim. e nº 8. livros fiscais.4. e b) facultativos. de 1991. neste livro existe um controle individualizado para cada conta. a escrituração e a manutenção do livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar. ainda. onde todos os eventos passíveis de registros contábeis são efetuados. Segundo Fabio Ulhoa Coelho [15] os livros empresariais obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário a sua ausência traz conseqüências sancionadoras (inclusive no campo penal). fiscais. Em verdade. O Livro Razão é de grande utilidade para contabilidade porque registra o movimento de todas as contas.2. Assim. Na escrituração dos empresários e das sociedades encontramos vários livros que não são propriamente contábeis e. Livro Razão [18] O livro Razão consiste no agrupamento de valores em contas de mesma natureza e de forma racional. Os livros facultativos são os que o empresário e a sociedade escritura com vistas a um melhor controle sobre seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção.Espécies de Livros Empresariais Analisando as espécies de livros a partir dos manuais de contabilidade chegamos à conclusão que eles estão divididos em livros contábeis.1. por necessidade administrativa.383. livros sociais e por necessidades administrativas. Na Contabilidade moderna. o livro Razão é escriturado em fichas. para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. 4. por conta ou sub-conta. art. 4. [16] Segundo informações obtidas no site da Receita Federal "a partir de 1º/01/1992. de 1991. mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. Já os livros Especiais são aqueles cuja escrituração é imposta apenas a uma determinada categoria de exercentes de atividade empresarial. 259. [17] Faz-se necessário demonstra a diferença entre livro Razão e o livro diário. 62)".1.Os Livros Contábeis Segundo os manuais de Contabilidade os livros contábeis são os livros Diários e os livros Razões.1. obedecendo-se a ordem cronológica das operações (RIR/1999. existe uma folha de razão para cada conta. 14. que incorporou as Leis nº 8. art. art. sociais e.

propriamente. Os Elementos Essenciais do Lançamento no Livro Diário manuscrito são: 1º . art. [21] Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Entretanto.conta ou contas creditadas.184.Total do crédito.valor do débito. 5º . sendo que os registros deverão ser feitos diariamente.179 c/c 970 do Código Civil e pelo Estatuto do Super Simples. Já se enquadrar como a Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte terá apenas como livro obrigatório o livro-caixa.valor da operação e.Código da conta.conta ou contas debitadas.Total do débito e. a base de toda contabilidade de um empresário ou de uma sociedade é o Livro Diário que representa o registro histórico de todos os acontecimentos de ordem empresarial. Desta forma. a ser submetidos à autenticação do órgão competente no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). Para o livro-diário mecanizado são: 1º . 5º . com totais não excedam o período de 30 dias. relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento. Quem empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário por fichas seguidamente numeradas. a legislação civil determina que apenas o livro Diário é obrigatório para todos os empresários e sociedades empresárias. 7º .Total da partida dobrada. 2º . O livro-diário tradicional pode ser substituído por fichas (contínuas. 4º . 3º . que se tenham verificado na atividade empresarial. em ordem cronológica e com observância de certas regras". 4º .00 (tinta e seis mil reais) estará dispensado de escrituração por força do art.184.local e data. Assim.valor do crédito. 1. de uso obrigatório. soltas ou avulsas). Segundo De Plácido e Silva [22] "os livros de escrituração. Admite-se a escrituração resumida do Diário. desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados. devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresaria (parágrafo 2º. do Código Civil). art. a adoção desse sistema não exclui o empresário de obediência aos requisitos intrínsecos.000. 8º .Histórico.nº do documento. e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação (parágrafo 1º. mês e ano. Porém. O livro diário deve ser encardenado com folhas numeradas seguidamente. em forma de sanfona.Segundo Sérgio de Iudícius [20] o Livro Diário é um livro no qual são registradas todas as operações contabilizáveis de uma entidade. ressalvado os sujeitos abrangidos pela Lei Complementar nº 123/06 que trata do Super Simples ou Simples Nacional.data. o Razão. não se . 1. do Código Civil).Histórico da operação. previstos na lei fiscal e empresarial para o livrodiário. 6º . Este livro registra os fatos contábeis em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia. 2º . 3º . Se o empresário individual possuir receita Bruta anual de R$36. são o Diário. que serve de índice ao Diário". Os livros ou fichas (Diário) deverão conter termos de abertura e de encerramento. 1. 6º . para registro individualizado.

1.a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis. O art.3) Livro Balancetes Diários e Balanços O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o Livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços.1. 4. no encerramento do exercício. verificar se os registros das mercadorias de entrada foram todos realizados.187 do Código Civil reformulou a função do livro Registro de Inventário. em ordem cronológica de dia. no intuito de acompanhar no dia-a-dia todas as transações realizadas pelas empresas. Alguns cuidados e observações devem ser tomados quando nos referimos a este livro.o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Por isso que é o próprio instituidor dos livros. o saldo anterior. observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. estabelecendo que na coleta dos elementos para o inventário serão observados os critérios de avaliação a seguir determinados: . 1. 4.Os Livros Fiscais [26] Podemos classificar como livros fiscais os que se encarregam de armazenar todos os fatos relacionados com as atividades fiscais do empresário e da sociedade. o saldo resultante com indicação dos credores e devedores. destinando-se para aqueles que delas necessitarem. entre eles: verificar a autenticação do livro no órgão competente. esse livro serve para registrar o inventário de todos os itens pertencentes ao empresário ou sociedade na data do encerramento das demonstrações contábeis. Registro de Inventário Neste livro o empresário realiza o lançamento dos saldos das mercadorias e materiais não comercializados ou consumidos durante o exercício comercial. mês e ano. [23] 4. 1186 do Código Civil): I .pode concordar com a indagação de que o Diário é obrigatório para todos os empresários. etc. conferindo todos os registros efetuados pela empresa. verificar cálculos. discriminando em relação a cada uma delas. ou seja. em forma de balancetes diários. Um dos interessados nessas informações é o Estado. Este livro deve consignar. retificando-os ou ratificando-os conforme constatações. pois.2. II . É através deles que as informações são extraídas.2. é através destas informações que ele exerce sua atividade de policiar parte do grandioso vulto econômico gerado pelas entidades econômicas. pelo respectivo saldo. É através dos livros fiscais que o fisco verifica todas as transações dos empresários e das sociedades. os débitos e os créditos do dia e. O livro Balancetes Diários e Balanços serão escriturados de modo que registre (art. [24] De acordo com Mario Sergio Milani [25] a adoção de fichas não dispensa o livro para o lançamento patrimonial e do de resultado econômico. a movimentação diária das contas.

os não cotados e as participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição. antes de qualquer outra verba do no exercício no livro diário.os valores mobiliários. ou pelo preço corrente.3. previsão equivalente.2. 4. pela ação do tempo ou outros fatores. não se levando em conta os prescritos ou de difícil liquidação. falta de registro de documento fiscal. se houve aproveitamento intempestivo do crédito fiscal. Em uma coluna especifica. duplicidade de lançamentos de entradas. [27] Segundo Cesare Vivante [28] "não é necessário que o livro de inventários forme um livro próprio e autônomo.I .o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com base na respectiva cotação da Bolsa de Valores. no período antecedente ao início das operações sociais. bens destinados à alienação. matéria-prima. Registro de Entradas Este livro registra todas as aquisições realizadas pelo empresário e sociedade. etc. c) a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento adquirido pelo empresário ou sociedade. salvo se houver. quanto aos últimos. atender-se à desvalorização respectiva. III . IV . a diferença entre este e o preço de custo não será levada em conta para a distribuição de lucros. desde que se preceda. nem para as percentagens referentes a fundos de reserva. à sua amortização: (a) as despesas de instalação da sociedade. anualmente. devendo. Entre os valores do ativo podem figurar. e principalmente as em regime de Substituição Tributária. b) os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima. na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso. nas pequenas empresas. até o limite correspondente a dez por cento do capital social. sempre que este seja inferior ao preço de custo. deve se efetuar o registro do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações (ICMS). Registro de Saídas . à taxa não superior a doze por cento ao ano. e quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição. criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor. aproveitamento de créditos fiscais sem o documento original (quando contém apenas a xérox).os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição. ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da empresa podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação. e os bens forem avaliados pelo preço corrente. ele efetivamente figura por vezes. ou fabricação.os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de realização. Todas as mercadorias (gerando crédito fiscal ou não).2.2. II ." 4. fixada no estatuto. As principais observações realizadas neste são as referentes aos cálculos dos impostos.

os resultados da última fiscalização. como: a autenticação obrigatória pela autoridade competente. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência Um dos livros mais importantes para a fiscalização ou auditagem de uma empresa. pois.No registro de saídas temos os lançamentos oriundos das operações de vendas de mercadorias. as mesmas a serem realizadas nos livros de registros de entradas. a quantidade de mercadorias vendidas.2. Nele podem ser observadas informações como. pelo posto revendedor de combustíveis líquidos e gasosos. é nele que ficam registradas as informações correspondentes à última fiscalização.2. 4. Algumas observações devem ser feitas. resultando no montante de impostos que o empresário e a sociedade vai recolher. bem como seus saldos. Logo. praticamente. querosene iluminante. por exemplo.8.2. eventuais multas aplicadas o empresário e a sociedade. mistura . a alíquotas do ICMS e o valor do imposto. quando ocorrência uma fiscalização na empresa. a descrição dos produtos. em contrapartida com os registros de entradas. são registrados os estoques de produtos para revenda. material de limpeza e demais produtos existentes no estabelecimento. são os originários da apuração entre os débitos e créditos fiscais.6. tipos de infrações cometidas pelo contribuinte. [29] 4. com débito do ICMS realizados pelo empresário e sociedade. Livro de Movimentação de Combustível (LMC) O LMC destina-se ao registro diário. 4. álcool etílico hidratado carburante. com o objetivo de promover o controle de produção e do estoque. os livros que foram verificados. verificando se este é devedor ou credor.2. verificar se os transportes dos livros de registro de entrada e saída estão corretos. conferir os valores a serem recolhidos e as guias de recolhimento dos respectivos impostos. As observações aqui realizadas devem ser. Este registro. podemos apurar o saldo da conta corrente. os estoques de material de escritório. óleo diesel. dos estoques e de movimentação de compra e venda de gasolina. devem ser registrados pela autoridade fiscal a data. se o empresário e a sociedade gozam de regime especial concedido ou exigido pela repartição fazendária. Registro de Apuração de ICMS O livro de registro de apuração do ICMS é o livro encarregado da conta corrente do ICMS. o livro é utilizado para os registros de auditorias fiscais realizadas na empresa. entre outros. quais as contas que foram verificadas. ou seja.7. Este livro é dividido por colunas para registro da data da operação da venda. bem como outras ocorrências de ordem fiscal. Registro de Controle da Produção e do Estoque O livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque é obrigatório para as indústrias e estabelecimentos equiparados. os livros examinados. 4. Neste livro. Pelos registros de créditos e débitos que realizamos nele. etc. e se o empresário e a sociedade terá imposto a recolher ou saldo a transferir ao próximo período. estabelecido pelo Regulamento do IPI.5.

Nesse livro.2. da depreciação acelerada incentivada. do lucro inflacionário a realizar. adições: a) custos. todas as duplicatas emitidas. provisões. necessários para a determinação do lucro real (base de cálculo do Imposto de Renda). despesas. da exaustão mineral com base na receita bruta. ajustado no LALUR pelas adições.9. b) resultados. Este livro foi instituído pela Portaria 26/92 do Departamento Nacional de Combustíveis.2. sem modificação da escrituração mercantil. encargos. O livro de apuração do lucro real (LALUR) [31] O livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) existe para assegurar a separação entre a escrituração comercial e a fiscal. com o número de ordem. Registro de Duplicatas É o livro obrigatório. receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração . O Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil. rendimentos. prevista no parágrafo 2° do art. a saber: I. 177 da Lei n° 6. exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. a pessoa jurídica deverá: a) lançar os ajustes do lucro líquido do períodobase (apurado na escrituração comercial). devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários. para todos os fins desta Lei. 4. bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos-base futuros e não constem da escrituração comercial. perdas. data e valor das faturas originais e data de sua expedição. com observância das normas da legislação comercial. b) transcrever a demonstração do lucro real. serão escrituradas.10. No LALUR. participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido e que.404/76). não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. c) manter os registros de controle dos prejuízos fiscais a compensar em períodosbase subseqüentes. cronologicamente. prorrogações e outras circunstâncias necessárias. de acordo com a legislação do Imposto de Renda.metanol/etanol/gasolina e gás automotivo. ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários. d) O LALUR não precisa ser autenticado por qualquer órgão oficial. Deve ser autenticado pela Junta Comercial. demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares. anotações das reformas. o nome e domicílio do comprador. [30] 4. As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar. para os empresários que adotem o regime de vendas ou prestações de serviços com extração de fatura e emissão de correspondente duplicata.404/76 (Lei 6. segundo o artigo 19 da Lei de Duplicatas. na escrituração mercantil. desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo.

rendimentos. d)O livro de Atas das Assembléias Gerais é obrigatório nas sociedades anônimas como estipula o artigo 100. exigidos pelo fisco da União. o registro de empregados. ou de sua aquisição pela companhia.Os livros Sociais A companhia deve ter. reembolso e amortização das ações.2.404/76 e também nas sociedades limitadas que tenham mais de 10 sócios e facultativo para as que tenham menos de 10 sócios. livro de apuração do imposto sobre serviço. -das conversões de ações. no que couber. os seguintes revestidos das mesmas formalidades legais: a ) Livros de "registro de Ações nominativas" para inscrição. 4. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. do Distrito Federal e do Município. b)O livro de "transferência de Ações Nominativas". de uma em outra espécie ou classe. do Estadual. receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido e que. Controle bancários. da alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. para lançamento dos termos de transferência. fideicomisso. além dos livros obrigatórios contábeis e fiscais para qualquer empresário. exclusões: a) resultados. respeitados os limites e demais normas pertinentes. se tiverem sido emitidas. devam ser computados na determinação do lucro real. e outros. pela sua natureza exclusivamente fiscal. 4.do lucro líquido e que. existem outros livros fiscais. anotação ou averbação devendo conter os seguintes dados: -do nome do acionista e do número das suas ações. o registro de impressão de documentos fiscais. -das mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. b) valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do Imposto de Renda e que. Entre eles destacamos: O livro de apuração do IPI. c)O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas". -do penhor. c) compensação de prejuízos fiscais de períodos-base anteriores.3. não tenham sido computados na apuração do lucro líquido. II. em .11 Outros Livros fiscais Além desses. usufruto. não sejam computados no lucro real. observando-se. em ambos. de acordo com a legislação do Imposto de renda. -das entradas ou prestações de capital realizado. o disposto nos números I e II deste artigo. que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. IV da Lei 6. -do resgate.

[33] .1. e) anexar as publicações no jornal e no Diário Oficial. remetendo cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. se deixou os livros se deteriorarem por conta de circunstância evitável. É evidente que se a perda ocorreu por má-fé ou mero descuido do empresário. qual o período e o valor (se existir). bem como o resultado dos exames trimestrais dos livros e papeis da sociedade e o estado da caixa e da carteira. aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação. 1.3. VII. do Código Civil. com como o parecer sobre os negócios e as operações sociedade do exercício em que servirem.Efetuar a imediata publicação da ocorrência em jornal de circulação em todo o Estado. previsto nos artigos 1. que prevê para a posse do administrador da sociedade limitada quando da sua designação se faz em ato separado. Este livro tem como finalidade registrar os trabalhos e deliberações da assembléia de acionistas ou sócios. 1. f)Os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração se houver.Comunicar por escrito à repartição fiscal de sua circunscrição em 15 dias. a pessoa jurídica fará publicar. 100.virtude da previsão do art.066. em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento. deterioração ou destruição de livros. c) declarar expressamente a possibilidade ou não de se refazer a escrituração em 45 dias. não poderá jamais se escusar sob o escudo do art. Por outro lado.067 a 1. 10. 1.062 do Códigio Civil. estando previsto no art. da Lei 6. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observada as citadas formalidades O contribuinte deverá: 1º . fichas. devidamente apresentado à assembléia geral. extravio ou inutilização de livros fiscais Ocorrendo extravio. do Regulamento do Imposto de Renda. 264. ao órgão competente de Registro do Comércio. tomando por base o balanço patrimonial e do resultado econômico.075. por força do artigo 161 da referida lei. g)O livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal previsto no art. Neste livro se lavra a posse dos membros efetivos e suplentes do Conselho fiscal.404/76. 2º . 4. tem conselho fiscal. do Decreto-Lei 486/69 [32] e art. ou seja. é obrigatório para as sociedades cujos atos constitutivos prevejam um Conselho Fiscal (art. e)O livro de Presença dos Acionistas este livro é obrigatório para as sociedades anônimas. a contar da ocorrência da seguinte forma: a) mencionar a espécie.404/76. d) informar a existência ou não de débito de imposto. é facultativo. do Código Civil). o número de ordem e demais características do livro. Perda.069 do Código Civil. b) informar o período a que se referir à escrituração do livro. é obrigatório para as sociedades anônimas que. Nas sociedades limitadas. e de Atas das Reuniões de Diretoria este livro é obrigatório para as sociedades anônimas como se refere os artigos 100 e 149 da Lei 6. não se faz por meio de previsão constante do próprio ato constitutivo. documentos ou papéis de interesse da escrituração. dentro de 48 (quarenta e oito) horas.

inscrever-se na repartição fiscal antes do início de suas atividades. quando exigido ou solicitado. os livros e documentos fiscais até que ocorra a decadência dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. IV . antes de sua utilização. V . bem como as mudanças de domicílio fiscal. São obrigações do contribuinte: I . nas operações que com ele realizar. na forma estabelecida nos arts. assim como outros elementos auxiliares relacionados com sua condição de contribuinte. em relação às obrigações acessórias relativas à confecção e manuseio dos livros fiscais: Art. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a ocorrência do fato. VIII .solicitar à repartição fiscal competente a autenticação de livros e documentos fiscais. observado o disposto no art. incorporação. quando de início e todas as vezes em que houver substituição. transformação. devidamente registrados na repartição fiscal do seu domicílio.comunicar imediatamente à repartição fiscal de seu domicílio o extravio ou perecimento de livros e documentos fiscais. observado o seguinte: a) em se tratando de livros. encerramento ou suspensão de atividade.manter em seu poder. 123. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais De acordo com o Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS. 119. transferência de estabelecimento.solicitar autorização da repartição fiscal competente. sucessão motivada pela morte do titular. o prazo se contará a partir do último lançamento nele consignado.comunicar à repartição fazendária as alterações contratuais e estatutárias. fusão. cisão.exibir a outro contribuinte a FIC. VII . . III . observado o disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo. 120 a 122.4. para imprimir ou mandar imprimir documento fiscal. b) em se tratando de documento fiscal. venda. observadas as disposições constantes dos Capítulos próprios deste Regulamento. II .remeter à repartição fiscal de seu domicílio.exibir ou entregar ao Fisco. o prazo ocorrerá a partir da data de sua emissão. comunicação contendo dados do responsável pela sua escrita contábil. os livros e/ou documentos fiscais.escriturar os livros e emitir documentos fiscais.2. bem como o roubo ou inutilização do equipamento ECF. VI . XIII . XI . quando obedecido o prazo legal de escrituração.3.

268. é inegável que a Lei n° 6.4. são os que podem ser dispensados. parágrafo 2º do Código Civil.XV . .Livros facultativos Estes livros não são obrigatoriamente exigidos pelas leis comerciais. Há livros que. afirmando que o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. [34] A gravação de assembléias e reuniões e o direito de fiscalização nas sociedades anônimas Não obstante a casuística própria das sociedades anônimas. os livros a serem encerrados serão exibidos à repartição competente do Fisco dentro de 05 (cinco) dias. Nesta razão. Os livros fiscais. segundo a natureza e o volume de seus negócios. fiscais ou trabalhistas. desde que atendam às exigências da escrituração obrigatória. só serão usados depois de visados pela repartição do domicílio fiscal do contribuinte. voluntariamente. em ordem crescente. e instituídos. tanto para as companhias fechadas quanto para as abertas. pelos empresários. da estrutura do capital e das próprias relações entre os acionistas. 1º Os livros fiscais terão suas folhas encadernadas. 2º O "visto" será gratuito e aposto em seguida ao termo de abertura lavrado pelo contribuinte. E desse modo.404.179. é harmônico.cumprir todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária. O artigo 7º do Decreto-Lei 486/69 permite ao empresário ou a sociedade empresaria qualquer livro de escrituração que julgue conveniente adotar. à autenticação pela junta Comercial. desde que observe as mesmas exigências listadas para o livro Diário. não se entendem nem obrigatórios nem necessários. Art. desde que não se trate de início de atividade. a demandar do operador do direito a percuciente análise das características do empreendimento. de 15/12/1976. contados da data do último lançamento 4. não sendo obrigatórios mostram-se necessários. de forma a impedir sua substituição. juntamente com a apresentação do livro anterior a ser encerrado. pois auxiliam o empresário e a sociedade empresária a melhor exercer as suas atividades. O artigo 1. 3º Para os efeitos do parágrafo anterior. que serão impressos e de folhas numeradas tipograficamente. dispôs sobre o direito de fiscalização dos acionistas de forma praticamente uniforme.

representando a Lei n° 6. se aplicada à generalidade de situações. O direito de fiscalizar os negócios sociais. particularmente aqueles introduzidos pela Lei n° 10. de 04/09/1942. a regra da prevalência pura e simples da vontade da maioria acionária acarretaria evidentes abusos. 170. 5o). senão o reconhecimento formal da necessidade de criação de instrumentos. representa. o que. de 31/10/2001. art. o nítido liame entre o direito societário e o direito constitucional). as convergências entre as sociedades anônimas e o Estado. refletem a concepção política do constitucionalismo (note-se. pondo em risco o próprio direito fundamental à propriedade (Constituição Federal. que. por seu turno.Em garantia da higidez e da própria coerência lógico-jurídica da existência e do funcionamento das sociedades anônimas.303. como se sabe. com a distinção dos órgãos deliberante. Por maior que seja o apego do operador do direito e da própria sociedade aos modelos alienígenas. Aliás. com o consectário de sua indelegabilidade. por sua natureza fundamental. 5o. concluindo-se que a estrutura orgânica das companhias. com nítidos reflexos constitucionais e infraconstitucionais. que. inciso II). de 15 de dezembro de 1976. Saraiva. ainda que mínimos. não raro. já foram objeto de estudo pela doutrina. não se pode esquecer que o direito. são indisponíveis. a divisão de poderes do direito constitucional. conforme. o modelo jurídico-societário brasileiro.404. a mais significativa contrapartida ao princípio geral e inarredável de que o acionista deve submeter-se à vontade da maioria. Não se pode negar que o sistema jurídico pátrio construído em torno das sociedades anônimas. .657. o legislador estatuiu no art. talvez. gera perplexidades dentro e fora do Brasil. inciso XXII). reproduz. aliás. São Paulo. 109 da Lei das S/A os chamados direitos essenciais dos acionistas. tem sua concepção. com o predomínio da maioria em detrimento da minoria (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas: Lei n° 6. volume 2).404/76 a adoção do chamado "institucionalismo empresarial" entre nós. também serve de princípio geral norteador da atividade econômica (art. por ser uma ciência social. não obstante os notórios avanços empreendidos nos últimos anos. de forma indiscriminada. ainda é perverso no tocante aos direitos dos acionistas minoritários. Modesto Carvalhosa afirma que os direitos individuais dos acionistas. evolução e aplicação necessariamente jungida à realidade social vigente. Isto porque. tem se revelado pouco adaptado ou pouco adaptável à realidade em vigor no seio das sociedades anônimas. fixados nas legislações específicas das sociedades anônimas dos diversos países. no direito privado. executivo e fiscalizador. art. ambos tomados em sua concepção mais moderna. por influências políticas diversas. A razão de ser dessa e de todas as demais garantias legais constituídas em prol dos acionistas minoritários não é outra. não deixa dúvida nossa Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei n° 4. 1997. previsto no inciso III do aludido dispositivo legal. Em tal contexto. contra as iniqüidades próprias do nosso arcabouço jurídico e da realidade política e econômica vigente no âmbito das sociedades anônimas. novamente.

São inseparáveis os direitos individuais dos acionistas – minoritários em especial – dos direitos fundamentais previstos na Constituição. Carlos Alberto Benke.. 5o. em bases constitucionais: "À lei das sociedades por ações – e de resto.) Em virtude da proteção aos direitos individuais dos acionistas. e para que elas se desenvolvam validamente e objetivem os seus fins há de ser observado o denominado método assemblear. em tal contexto. § 2o). Tal intervenção. é fundada no interesse público e na função social das sociedades anônimas (Lei n° 6. sendo este (direito essencial legalmente previsto) equiparado aos direitos individuais políticos. o principal instrumento de defesa do acionista minoritário. caput). não podem ser dela excluídos. temos que qualquer alteração neste lineamento contraria disposições constitucionais. fortalecidos pela ampliação que se faz da aplicação dos direitos fundamentais constitucionais. bem como no próprio respeito ao exercício pleno dos direitos e garantias individuais previstos na Carta Magna. sendo as assembléias gerais a sede própria ao exercício desse direito essencial. 5o.404. 5o. art. o direito de informação (art. em sendo necessário. embora não estejam expressamente previstos no texto constitucional. conclui-se que todos os sócios de uma sociedade por ações encontram-se em pé de igualdade em termos de direitos e obrigações.) Estabelecidas as regras que guarnecem o direito essencial do acionista de fiscalizar o andamento dos negócios sociais. políticos e sociais dos investidores. o tratamento isonômico ao acionista minoritário. que tem por função precípua ensejar a formação da vontade social. inciso XXIII. (. Livraria do Advogado. inciso XIV). da Constituição Federal). qualquer disposição legislativa que trate sobre sociedades privadas – não é dado o privilégio de estabelecer critérios de participação acionária ou de dispor sobre decisões intersócios em prejuízo dos princípios e regras constitucionais reservadas à proteção dos direitos pessoais. O direito de fiscalização vem a ser.. Porto Alegre. 5o. inciso XXII) e outros que. na ordem econômica. que pode se dar no âmbito legislativo ou. fundado. 116. entre eles o direito de igualdade (art. e a garantia de que o acionista deve ser tratado.Exsurge desse quadro de desigualdade existente entre acionistas controladores e minoritários a imperiosa necessidade de intervenção estatal para atenuação das diferenças. ainda. 2003). . na esfera judicial. c/c arts. no exercício da fiscalização. de 15/12/1976. 5o.. quando decorrentes do regime e dos princípios adotados pela própria Constituição Federal (art." (Acionista Minoritário na Sociedade Anônima: Direito de Fiscalização: Uma Abordagem Não-Dogmática. o direito de propriedade (art. seja esta modificação decorrente da manifestação legislação ou mesmo de atitudes dos acionistas detêm o controle/administração da sociedade. como visto. parágrafo único. previstos na legislação societária. sendo aqueles inspirados nestes. (. inciso III. com a dignidade reclamada na Constituição em dois dispositivos e.. e 170. Esta é a gênese de um direito societário efetivamente protetivo dos interesses econômicos.

após publicada. da Lei das S/A." (sic) (op. de imposição feita pelos acionistas controladores em detrimento dos minoritários.) E é em razão da relevância das atas das assembléias que o mesmo autor é crítico ferrenho da adoção da forma sumária. cit. previsto no art. evidencia a gênese constitucional dos direitos dos acionistas. novamente. portanto. muitas das vezes com o objetivo de escamotear a verdade e omitir as minúcias das questões postas em debate nos conclaves. embora expressamente autorizada pelo art. O desvirtuamento de todos os princípios e regras legais e constitucionais aqui invocados pode revelar-se por vários meios. as deliberações e a vontade majoritária. constitui uma dessas práticas contrárias à governança corporativa. 127) e na ata da reunião dos acionistas. O contraditório. por exemplo. inciso LV). ao colégio acionário e. sejam opostas às exceções de irregularidade e de nulidade pelos acionistas. a ata instrumento de certeza jurídica. aliás. pois. não por acaso. 130. Tal a importância atribuída pela lei à observância do direito essencial de fiscalização do acionista que o seu descumprimento é. bem como o exercício do contraditório em relação às matérias debatidas para a formação da vontade social. possibilita o controle da legalidade e legitimidade da sua instalação e das deliberações havidas. contra a instalação. relacionado com os trabalhos da assembléia geral. em regra. portanto.Requisito essencial do método assemblear é que seja assegurado ao acionista a plena informação sobre os assuntos a serem deliberados. como se sabe. art. por meio destes. esse documento da assembléia que. a terceiros. figurando no elenco dos direitos e garantias fundamentais (Constituição Federal. abalando o pilar do princípio documental da assembléia: "O direito vigente também se filia ao princípio documental da assembléia. 109. Constitui. 5o. como documento necessário da sociedade anônima. servindo. em particular o de fiscalização da gestão dos negócios sociais. na medida em que registra as deliberações e a vontade social. Decorre ela. . não admitindo. motivo suficiente em si mesmo para ensejar a anulação das deliberações assim viciadas. presentes e ausentes. 100). entre elas. permitindo assim que seja ela oponível aos demais órgãos sociais e. a deliberada e sistemática adoção de práticas cerceadoras das atividades dos Conselhos Fiscais e de Administração no desempenho das suas funções fiscalizadoras. art. de instrumento ao abuso de direito previsto na lei civil (Código Civil. A adoção de atas sumárias nas assembléias gerais. os respectivos assentamentos em documentos ou folhas apartadas o soltas. que acarreta verdadeira incerteza jurídica. que devem constar dos livros próprios (art. por exemplo. baseado na lista de presença (art. A absoluta relevância das atas assembleares pode ser aferida à luz da lição de Modesto Carvalhosa: "A ata. ademais. inciso III. 187). tem status constitucional. § 1o. Permite. da Lei das S/A. o que.

A adoção. ainda que sinteticamente. A lei mantém o regime de publicidade. a própria derrogação daquelas. cit.. os trabalhos da assembléia. O princípio da informação torna-se relativo. assim. na realidade. durante a tramitação do projeto e agora. pois. como um legítimo instrumento de defesa dos acionistas minoritários contra arbitrariedades. (op. cit. p. poderá ser lavrada sem que dela conste o inteiro teor dos protestos e representações de acionistas. É princípio fundamental dever a ata ser redigida de maneira que permita àqueles que dela não participaram do conclave e à Justiça apreciar os fatos que ocorreram na assembléia geral.. poderá a administração publicar apenas o seu extrato. A iniqüidade desse sistema de ata sumária foi reiteradamente apontada. Pergunta-se em que ponto a ata sumária supressora da manifestação dos acionistas minoritários pode atender ao interesse social. que decidirão em causa própria ou na dos administradores por ele eleitos. grifos nossos) E arremata. [especificamente Waldirio Bulgarelli. Quando a ata não for sumária – e somente nesta hipótese -. eventualmente.. cit. em cada assembléia. na medida em que este passa a ter poderes legais de censura sobre as manifestações dos minoritários. à luz dos direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal e também em consonância com o direito essencial de fiscalização garantido pela Lei das S/A. ao sonegarem o registro e a publicação das manifestações minoritárias. temos que a ata. lapidarmente: "Em uma lei que se arvorou em defensora das minorias. A ata sumária constitui. aglutinar outros acionistas na defesa do interesse social. 153] A lei vigente traz outra inovação. Trata-se. por deliberação majoritária. na medida em que não podem os sócios. da ata sumária. op. expediente de perpetuação do grupo controlador. após a promulgação da lei. a ata sumária representa. sem dúvida. já que se submetem os trabalhos à censura prévia dos controladores (.). de preceito lesivo aos interesses dos acionistas minoritários. discordantes valer-se do regime da publicidade para manifestar seus pontos de vista e. grifos nossos) Diante desse contexto. ao instituir a ata sumária. igualmente. não só adota a forma sintética como exacerba profundamente esse regime. porém com essas restrições que impedem que a ata reflita. por um dos grandes comercialistas brasileiros. a gravação magnética dos conclaves revela-se..." (op. estão. Tal expediente atende apenas aos interesses dos controladores que. . Assim. contrariando aquele interesse. depende de decisão dos controladores. o qual sequer depende de autorização assemblear ou tutela jurisdicional específica para ser colocado em prática.E quanto ao regime de declarações da ata.

Ministro que a gravação telefônica autorizada ou feita por um dos interlocutores. gerando direito subjetivo passível de ampla proteção. a gravação dos debates e das deliberações ocorridas no âmbito de qualquer órgão societário traz o benefício da certeza jurídica. sem o conhecimento da outra parte.Isto porque dita gravação. A gravação explícita de conversa. é albergada por excludente de ilicitude quando há investida criminosa desta última. teremos como exemplos de atos contrários ao direito. os Tribunais brasileiros têm-se orientado. não merece análise no campo das provas ilícitas. na hipótese de gravação dos conclaves realizados no seio das sociedades anônimas. no julgamento do HC n. entretanto. entendeu o Exmo. não podendo se orientar pelos mesmos fundamentos de direito que norteiam a controvertida interceptação telefônica. é absolutamente legal e legítima. viés inteiramente diverso. situado fora do campo das provas ilícitas. O Excelso Pretório. em 11/03/98. a subtração de documentos. portanto. 75. Além disto. por decorrer de direito subjetivo do acionista. ainda que realizada sem o conhecimento e consentimento dos demais presentes às assembléias gerais. Tal não se verifica. Dito voto tratou especificamente da situação em que um indivíduo realiza gravação telefônica sem o conhecimento do seu interlocutor. com apoio na doutrina de Vicente Greco Filho. a quebra de segredo profissional. Sr. Verifique-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal. manifestado no julgamento do HC 74.338-8-RJ. No tocante à interceptação telefônica. praticados com o objetivo de produção de prova. assim se posicionou: . previsto na Lei das S/A e cuja gênese está nos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal. entre outros. em que o direito reconhecido vem a ser o de fiscalização dos negócios sociais pelo acionista. pelo entendimento inaugurado no voto paradigmático do Ministro Nelson Jobim. A gravação implícita ou explícita de assembléia geral ou de reunião do outros órgãos societários de natureza colegiada (conselho de administração e conselho fiscal) insere-se no âmbito das gravações privadas de conversas entre pessoas. Entende-se que o direito à privacidade é sacrificado em prol da legítima defesa ou de outra excludente de antijuridicidade. a invasão domiciliar. Naquele caso. a violação do sigilo epistolar. Nessas hipóteses a gravação não configura o exercício regular de um direito reconhecido. modernamente. a escuta clandestina e o constrangimento físico ou moral na obtenção de confissões ou depoimentos testemunhais. podendo-se inserir nessa espécie a gravação de assembléias gerais de acionistas e reuniões de conselho de administração e de conselho fiscal. com o exclusivo intuito de documentar seu conteúdo (princípio da certeza jurídica).678-1. elemento fundamental à implementação do princípio documental inerente a tais atos coletivos. assumindo. Reputando-se ilícita a prova obtida através da violação do ordenamento jurídico.

que intercepta conversa de umas pessoas.. de modo geral. que afirma: "Observa-se que a jurisprudência. bem como a da prova dela decorrente. na ordem jurídica brasileira. RT. não se confunde com a ilicitude. portanto. também inexiste tipo penal que a incrimine. da gravação que se faz para documentar uma conversa entre duas pessoas. Assim. conflito de valores dessa ordem. o direito de defesa. a liberdade. 233 do Código de Processo Penal). inclusive para documentar o texto dessa conversa. assim se pronunciou: "Faço distinção entre gravação efetuada por terceiro. A clandestinidade. é a divulgação da conversa sigilosa.... Isso porque. 153 do Código Penal e art. tornando ilícita a prova decorrente. nos moldes da disciplina da exibição da correspondência pelo destinatário (art. à excelente obra de Luiz Francisco Torquato Avolio (Provas Ilícitas. Neste caso."(. chamada por alguns de gravação clandestina ou ambiental (não no sentido de meio ambiente. nesse caso. que se insere entre as garantias fundamentais. 1995). Ocorrendo. tanto no processo criminal como no civil. sem justa causa. ambas as situações (gravação clandestina ou ambiental e interceptação consentida por um dos interlocutores) são irregulamentáveis porque fora do âmbito do inciso XII do art. futuramente. E. a gravação clandestina é de se reputar lícita. o sigilo existe em face dos terceiros e não entre eles. nenhuma lei que impeça a gravação feita por um dos interlocutores de uma conversa. São Paulo. dependerá do confronto do direito à intimidade (se existente) com a justa causa para a gravação ou interceptação. . por exemplo." O mesmo acórdão faz alusão expressa. ainda não assimilou bem o conceito de gravação clandestina. (. a integridade física. aliás. como estado de necessidade e a defesa de direito. no julgamento da Ação Penal n° 307-3-DF. admissíveis no processo. o próprio direito à intimidade e. O que a lei penal veda.) Em nosso entender. Os interesses remanescentes devem ser suficientemente relevantes para ensejar o sacrifício da privacy. os seus titulares – o remetente e o destinatário – são ambos. a vida. 5º da Constituição e sua licitude. "onde a tutela do sigilo das comunicações não abrange a gravação clandestina de conversa própria. os quais estão liberados se há justa causa para a gravação. independentemente do fato de a exceção à regra da inviolabilidade das comunicações haver sido regulamentada. dentro das excludentes possíveis. do mesmo modo que no sigilo de correspondência. na sua fundamentação. Qualquer pessoa tem o direito de gravar a sua própria conversa." O Ministro Carlos Velloso. não tenho como ofendido preceito constitucional e nem tenho como ilícita a prova." (grifo nosso) Concluiu o autor que o sistema brasileiro é similar ao italiano. o que as torna. sobretudo. dado que não há. A ‘justa causa’ é exatamente a chave para se perquirir a licitude da gravação clandestina.) a gravação unilateral feita por um dos interlocutores com o desconhecimento do outro. mas no ambiente). não é interceptação nem está disciplinada pela lei comentada e. pois. haja ou não conhecimento da parte de seu interlocutor. é de se afastar – frise-se – o direito à prova.

Decisão que se reforma. DESPACHO SANEADOR. sem justa causa. 261 do CPC.002. " No Superior Tribunal de Justiça encontra-se pensamento idêntico. Precedentes. Não há proibição legal. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO .012-RJ (91. cujo grau de censurabilidade não chega a tornar ilícita a prova..(. seja pessoalmente.. ILICITUDE DA PROVA. incidental. como se pode ver no voto do Ministro Cláudio Santos proferido no Recurso Especial nº 9. arrisca-se a ver a mesma divulgada. Prova. AGRAVO DE INSTRUMENTO. e diante da norma contida no art. observado o art. Não configura prova ilícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. Desnecessário que conste expressamente da inicial dos Embargos a citação da outra parte. não é ilícita a sua admissão pois não atinge princípio constitucional. Não se procede à impugnação ao valor da causa se não observado o rito determinado pelo art. 740 do CPC. uma inconfidência." O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também já se pronunciou em linha com o entendimento majoritário: "EMBARGOS DO DEVEDOR. Generalizar a proibição é que não me parece adequado. Agravo de Instrumento.0004503-9): "Considero que. de fatos que digam com a privacidade das pessoas. quando muito. Prova consistente em gravações magnéticas Possibilidade.) Nenhum homem de bem gravará uma conversa que tenha tido com outrem. Caberá ao juiz avaliar. de que a conversa está sendo gravada. 383 do CPC. quando alguém mantém determinada conversação. dado o seu caráter. Mas a questão fica no campo ético. RECURSO IMPROVIDO. Citação do embargado. Não se admitirá a divulgação. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. em regra. DEFERIMENTO. Se a prova se limita à reprodução de diálogos entre as partes.15158 Data de Registro : 26/03/2003 Órgão Julgador: QUARTA CAMARA CIVEL DES. seja com o uso de meios eletrônicos. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO Número do Processo: 2002. POSSIBILIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. o que configurará. PRODUCAO DE PROVA. sem que dê conhecimento ao seu interlocutor. SIDNEY HARTUNG Julgado em 11/02/2003" "SEPARAÇÃO JUDICIAL. Embargos do Devedor.

14672 Data de Registro : 12/06/2002 Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL DES. CARACTERIZAÇÃO. RECURSO PROVIDO. Promessa de compra e venda de imóvel. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. de cobertura localizada na Barra da Tijuca. LITIGANCIA DE MÁ-FÉ. Código de Processo Civil. Entrega pela construtora de apartamento duplex. INDENIZACAO. PROCESSO CIVIL . ILICITUDE DA PROVA. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. MARIA AUGUSTA VAZ Julgado em 09/04/2002" "PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. mas simplesmente de reprodução de conversa mantida pelas partes e gravada por uma delas. independendo a admissibilidade da referida prova do conhecimento de sua formação pela outra parte. PAULO SERGIO FABIÃO Julgado em 16/10/2001" COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. JUROS CONTRATUAIS.SÃO FERNANDO PATRIMONIAL LTDA. CONFIGURACAO. incidindo os juros iguais do contrato. Civil. FITA MAGNÉTICA.12197 Data de Registro : 13/08/2002 Folhas: 140991/141002 Comarca de Origem: CAPITAL Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL Votação : Unânime DES. Não se cuidando de interceptação de conversa telefônica ou de outro meio ilegal ou moralmente ilícito. Litigância de má-fé caracterizada. Devida a indenização fundada no dano moral. INSTRUMENTO PARTICULAR. a partir de cada reembolso. há de ser esta gravação admitida como prova em juízo. ADMISSIBILIDADE. NOTA PROMISSÓRIA. corrigidos monetariamente. RESTITUIÇÃO DAS MPORTÃNCIAS PAGAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. ao invés de uma cobertura.N.AÇÃO ORDINÁRIA. mediante instrumento particular de incorporação imobiliária. PEDIDO DE RESCISÃO.Número do Processo: 2001. PROVA.002. 23 . Provimento do apelo. VISANDO DESCONSTITUIR NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA EM NOME DO VENDEDOR E QUE SE ENCONTRA EM SEU PODER . Restituição integral dos valores pagos. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS.001. Rescisão do contrato por inadimplemento.29/08/2002 Tipo da Ação: APELAÇÃO CÍVEL Número do Processo: 2001. Ementário: 24/2002 . Gravação feita por quem participou da conversa gravada. DANO MORAL. PROVA PERICIAL. a teor do artigo 383. (FJB) Partes: JORGE JOAQUIM DE ALMEIDA E S/M .

Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. que subsistem no campo meramente hipotético e. tendo a companhia e todos os seus acionistas. NÃO É CONSIDERADA ILÍCITA PROVA RESULTANTE DE GRAVAÇÃO DE CONVERSA REALIZADA POR UM DOS INTERLOCUTORES REVELANDO-SE IRRELEVANTE A CIRCUNSTÂNCIA DE SER A GRAVAÇÃO FEITA FURTIVAMENTE. DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. ainda assim. a garantia da legal da reparação dos eventuais danos. No entanto. ATO ENVOLVENDO APENAS AS PARTES. Número do Processo: 2000. tal interesse não resta atingido pelo mero ato de gravação de uma reunião ou assembléia em que tais assuntos sejam tratados. MARIA HENRIQUETA LOBO Julgado em 14/09/1999" Pode-se concluir. MAS DE CONVERSAS A RESPEITO DO NEGÓCIO . No campo do direito societário. portanto.0632 Data de Registro : 26/10/1999 Órgão Julgador: DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL DES. PRODUÇÃO DE PROVA AUDITIVA CONSISTENTE NA REPRODUÇÃO DE FITA CASSETE.CORREÇÃO DA DECISÃO HOSTILIZADA JÁ QUE NÃO SE TRATA DE PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO. ainda que sem o consentimento dos demais. LICITUDE E VALIDADE. sempre.. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. LIMITANDO-SE O ENVOLVIMENTO AS PRÓPRIAS PARTES. Número do Processo: 1999. DESPROVIMENTO DO RECURSO. . são passíveis de composição pelo direito comum.PROVA PERICIAL DEFERIDA. NA RECLUSÃO TÍPICA DE CONSULTÓRIO MÉDICO. SEM INTERFERÊNCIA DE TERCEIROS. mormente quando dita gravação tem por escopo prevenir ou registrar eventuais abusos ou violações do direito. NO SENTIDO DE APURAR AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS DAS PARTES ENVOLVIDAS NA TRANSAÇÃO . INOCORRÊNCIA DO COMPROMETIMENTO À PRIVACIDADE ASSEGURADA NO TEXTO CONSTITUCIONAL. Apenas o uso indevido dos dados gravados é que poderia caracterizar a quebra desse sigilo. DE SOUZA Julgado em 21/11/2000" "AGRAVO DE INSTRUMENTO.RECURSO IMPROVIDO. GAMALIEL Q.002.09608 Data de Registro : 04/01/2001 Órgão Julgador: DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CIVEL DES.002. a única restrição que se poderia fazer é a que abriga o interesse da companhia em preservar o sigilo de seus negócios. RELATIVAS AO NEGÓCIO. pela absoluta licitude e constitucionalidade da gravação de reunião por um dos interlocutores.

tornando incabível sua limitação por deliberação majoritária dos presentes. A análise desses vícios e das questões que envolvem a ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) será. 1. 8. percebe-se que a assembléia deve respeitar aspectos legais e estatutários. Procedimento. Nesse encontro os acionistas tomam conhecimento dos assuntos ordinários e extraordinários relativos aos negócios sociais e.404/76 (LSA). no que diz respeito à convocação. não se tratando de ato próprio do respectivo conclave. O artigo 121. convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto. por exemplo. Considerações preliminares. 1 A AÇÃO DE ANULAÇÃO DE DELIBERAÇÃO DE ASSEMBLÉIA NA SOCIEDADE ANÔNIMA Guilherme Carvalho Monteiro de Andrade* Sumário: Introdução. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Antes de adentrarmos no exame do ponto central do estudo. para melhor compreensão do assunto. Conclusão. se algum acionista votar contrariamente aos interesses da companhia. 2. 6. ou mesmo da companhia. 4. é preciso tecer algumas observações. INTRODUÇÃO A assembléia da sociedade anônima é a reunião dos acionistas da companhia que tem por objetivo deliberar sobre o desenvolvimento das atividades empresárias. Pedido. 5. instalação e realização. o objeto do presente artigo. Formalidades para convocação. Como conseqüência da interpretação da referida norma. por fim. Caso exista irregularidade na convocação da assembléia. ou.Não pode ser esquecido. ainda. tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento”. à instalação e à realização do conclave. Prescrição. A validade da assembléia exige a observância de alguns aspectos formais e materiais estipulados na Lei nº 6. da LSA. Espécies de Assembléia. 3. após o debate acerca das questões colocadas em análise. portanto. Modalidades de Vícios – Causa de Pedir. prevê que “a assembléia geral. ou na hipótese de sua instalação ocorrer sem a presença do quorum legal mínimo. a deliberação tomada ou todo o conclave poderão ser invalidados judicialmente. 1. que o direito subjetivo à gravação de uma assembléia ou reunião por qualquer dos presentes consubstancia ato pessoal e individual de quem está executando a gravação. 7. Legitimação ativa e passiva. decidem quais serão os rumos da companhia. como órgão social. para que não seja impugnada e para que suas deliberações .

cada qual tratando de matéria própria. 2. se for o caso. composto pela exposição. a assembléia é o poder legislativo da sociedade. As assembléias gerais ordinárias devem ser realizadas nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social. 2 * sejam consideradas válidas. 122. ESPÉCIES DE ASSEMBLÉIA Existem dois tipos de assembléia. Modesto. Sociedades anônimas. que não tem poderes para representar a companhia (somente a diretoria poderá fazê-lo). ed. por qualquer outro”1. deliberando sobre demonstrações financeiras apresentadas. debate e votação de cada matéria colocada em pauta. não os podem realizar os administradores’.05. realizam os contratos mais importantes que afetam a sociedade ou aqueles outros que. 2. Aloysio Lopes. de 06. pois é ela é que faz os estatutos. 131. 1998.. ampl. v. Rio de Janeiro: Forense. nem ser substituído. São Paulo: Saraiva. definida em lei. De outro lado. somando suas vontades individuais. 510. que não pode faltar em nenhuma companhia. p. 5. p. também se revela importante consignar que a assembléia geral é “um órgão necessário. que representa a vontade coletiva manifestada pela expressão individual dos titulares de ações. rev. 83. citando Constans. as ordinárias (AGO) e extraordinárias (AGE). A assembléia é um órgão interno e soberano2.457. 2 Obra citada na nota anterior. por sua condição legal. Advogado.404. cujo poder não deriva de nenhum outro órgão da sociedade. de 15 de dezembro de 1976. v. ‘que são as leis da sociedade. 1999.Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos.1977. (ii) decidir sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos e (iii) eleger administradores e membros do conselho fiscal. sendo a sua finalidade precípua (i) tomar as contas dos administradores. A deliberação tomada em assembléia configura um processo complexo. 3 1 LSA. vez que se trata de órgão de deliberação. quanto à sua competência e funções. da LSA. A assembléia é o instrumento pelo qual os acionistas decidem sobre quaisquer negócios relativos à companhia. reformam-nos. 3 PONTES.3 É a assembléia. que ela deverá tratar das matérias . Mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos. adaptada à lei nº 9. 2. Como ensina Aloysio Lopes Pontes. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. As demais atribuições das assembléias gerais ordinárias estão enumeradas pelo art. prevê o art. talvez o órgão mais importante da administração da companhia. da CARVALHOSA. então.4 No que diz respeito à AGE. a fim de alcançar a formação da vontade da sociedade (da coletividade de acionistas).

não atinentes à AGO. Em caso de urgência. Assim. se decorridos mais de 60 (sessenta) dias. destarte. que detenham. o Legislador estabeleceu como competência indelegável da AGO algumas matérias consideradas essenciais à vida da companhia. Em outras palavras. e. no mínimo. convocando-se imediatamente a assembléia-geral. 3. para manifestar-se sobre a matéria”. VII . V . v.deliberar sobre transformação. II . IV . com a concordância do acionista controlador. 142. Além disso.eleger ou destituir. a ordem do dia. Esta diferenciação. significa dizer que. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. a indicação da matéria” (art. “Art. INSTALAÇÃO E REALIZAÇÃO Dispõe o art. além do local. seja ele . que compete ao conselho de administração ou aos administradores a convocação da assembléia geral. se a lei não definir a atribuição para a AGO. a qualquer tempo.deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social. não pode o estatuto. No caso de o órgão ou de as pessoas encarregadas pela convocação não se desincumbirem dessa obrigação dentro do prazo estabelecido pela lei ou pelo estatuto.autorizar a emissão de partes beneficiárias.autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. a menos que a lei o autorize5. 122. “a convocação far-se-á mediante anúncio publicado6 por 3 (três) vezes. se houver.tomar. citando ensinamento de outros autores. eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas. fixando os prazos previstos para que se realize o chamamento aos acionistas. fusão. 120). no caso de reforma do estatuto. o chamamento poderá ser realizado por qualquer acionista.autorizar a emissão de debêntures. conforme o interesse da convocação. Parágrafo único. e IX . as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas. será fundamental para o exame das hipóteses em que a deliberação tomada em assembléia (ou todo o conclave) pode ser invalidada por algum acionista. a competência será residual da AGE. data e hora da assembléia. é preciso preencher o quorum mínimo de instalação da assembléia. da LSA. anualmente. 2. 124. tampouco qualquer outro órgão da companhia. VIII . delegar atribuição da AGO para outrem. 4 4 Lado outro. VI . Compete privativamente à assembléia-geral: I . sua dissolução e liquidação. para que seja reputada válida. Logo. a convocação deve ser realizada pelo órgão ou pessoa competente. os administradores e fiscais da companhia. incorporação e cisão da companhia. p.reformar o estatuto social. 5% (cinco por cento) do capital social ou votante. 5 A propósito. ressalvado o disposto no inciso II do art. ressalvado o disposto no § 1º do art. a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores. 519-520. 59. III . 123. da LSA). contendo. Com esta distinção.suspender o exercício dos direitos do acionista (art. pelo menos. Modesto Carvalhosa defende essa posição. FORMALIDADES PARA CONVOCAÇÃO. ou por acionistas minoritários.

também é necessário que o quorum de deliberação respeite a disposição legal (arts. atingirá todas as deliberações que nela forem tomadas. ou de violação do disposto nos §§1ºs. da LSA). a realização da assembléia deve respeitar um ritual próprio. p. 134. Ademais. Logo. 7 AZEVEDO. como já foi visto anteriormente. da LSA. São Paulo: Malheiros Editores. Erasmo Valladão. MODALIDADES DE VÍCIOS DAS ASSEMBLÉIAS – CAUSA DE PEDIR Para melhor compreensão da ação de anulação de assembléia. Se alguma dessas formalidades não for observada. 115 e do art.7 6 Conforme regra constante do art. da LSA) ou para questões que exijam número de presentes qualificado (art. 85. é mister trazer à baila uma separação dos vícios feita por Erasmo Valladão Azevedo e Novaes França. 136.A. Noutra banda. em alguns casos). Como ensinam os referidos autores. que a identificação precisa do tipo do vício será fundamental para que o acionista possa utilizar-se da correta ação de anulação de assembléia. fraude. para que o conclave seja reputado válido. ainda. ou somente parte das . Há casos em que toda a assembléia poderá ser invalidada. os vícios dizem respeito às próprias deliberações assembleares. 127 a 129.relativo às matérias comuns (art. Invalidade das deliberações de assembléia das S.. 129 e 136. bem assim que a assembléia seja competente para deliberar sobre a matéria constante da ordem do dia. ou simulação (ou. podem ter sido viciados em razão de erro dolo. hipótese em que o vício. é preciso consignar. b) vício das deliberações – nessa hipótese. a menos que nela comparecerem todos os acionistas detentores de ações com direito a voto. por força de violação da lei ou do estatuto. em virtude da incapacidade dos votantes. do art. 228). 289. a faculdade de pleitear judicialmente a anulação dessa assembléia irregular (ou da deliberação inválida). os vícios que podem acarretar a anulação de assembléia subdividem-se em três espécies: a) vício da própria assembléia – que pode ter sido irregularmente convocada (ou mesmo. 4. 1999. 5 Em relação à distinção transcrita acima. em primeiro lugar. da LSA. visando especialmente a proteção de seu interesse particular ou a defesa da companhia. 126. todas ou algumas delas apenas. c) vício de voto – um ou alguns dos votos que concorreram para a formação da deliberação (ou mesmo todos eles. FRANÇA. Novaes. definido pelos arts. pela sua didática e simplicidade. o desrespeito às disposições legais e estatutárias confere aos acionistas o direito de insurreição. a assembléia poderá ser anulada. com violação da lei ou do estatuto. que podem ter sido tomadas. não convocada) ou instalada. obviamente. ou no § 2º do art. da LSA) e estatutária.

6 8 seu interesse de agir13. fundamentando-se. ou parcial) da assembléia realizada pela companhia. Sociedade anônima. a mácula representa a nulidade do ato. identificando-se o vício que se pretende atacar. CORRÊA-LIMA. v. ainda. na medida em que os efeitos dessa mácula são extremamente graves e. a propósito. 286. não se enquadrando. de 06. assim. Em qualquer um desses casos. e atual. que atente contra a ordem pública ou contra os bons costumes.457. confira-se Modesto Carvalhosa. devem ser combatidos com rigor. embora não conste da Lei de S/A expressamente. então. Confira-se pág.1977. conferir págs. em julgados que colaciona a seu trabalho. Daí porque será necessário que se analise o caso concreto com muito cuidado. dependendo da espécie de vício ocorrida. a legitimação ativa ad causam será. Nessas hipóteses. 410. inclusive. Fora isso. “qualquer interessado” ou o Ministério Público10. 4. a doutrina mais avisada defende a hipótese de ser possível anulação de assembléia. Além dessas pessoas. 120. 9 Azevedo e França defendem essa posição. ou. 432. p. ou pela ação de anulação (total.. no regime de anulabilidade estabelecido pelo art. colacionado escólio de abalizados autores. 10 Ao ensejo. rev. da obra Sociedades anônimas. da LSA9.A. estará legitimado a buscar a declaração de nulidade qualquer acionista. verificar norma contida no art. adaptada à lei nº 9. do Código Civil de 2002. ed. 5. ampl. 168. 3. 5. Belo Horizonte: Del Rey. ed.. Rio de Janeiro: Forense.913/89 dispõe sobre a ação civil pública de responsabilidade por danos causados aos investidores do mercado de valores mobiliários – conferir. poderá ser autor da demanda neste caso. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. quando esse voto concorrer para a formação da maioria no conclave8. Osmar Brina. em razão disso. quando lhe couber intervir11. v. sob pena de sua pretensão ser rejeitada pelo Judiciário.deliberações tomadas no conclave. por sua vez. o autor da referida ação declaratória deverá demonstrar o Nesse sentido. somente do acionista que votou contrariamente à . 1999. A propósito. O pedido dessa ação será. 12 Aloysio Lopes Pontes defende o contrário. 11 A Lei nº 7. rev. a declaração de nulidade do ato inquinado. outra situação não prevista claramente na Lei de S/A diz respeito aos casos em que o vício verificado na assembléia é tão grave. se restar presente o vício de voto oriundo de coação. p. citando Miranda Valverde. em regra. para definir pela ação declaratória de nulidade do ato. que infrinja direito de terceiros. LEGITIMAÇÃO ATIVA E PASSIVA No que diz respeito à legitimação ativa para a utilização da ação de declaração de nulidade de assembléia (ou de alguma de suas deliberações).05. Na hipótese da ação de anulação da assembléia (ou de alguma deliberação). 106 e seguintes da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. 2005. 2. mesmo aqueles que votaram favoravelmente à deliberação inquinada pelo vício que se pretende combater12. Ademais.

A. Azevedo e França sustentam esse entendimento. Embora o marco inicial definido na lei seja a data da deliberação. Invalidade das deliberações de assembléia das S. 6. p. estabelecem como marco inicial do prazo prescricional a data da publicação do ato. contados da deliberação. Haverá casos. Haverá casos. 121-125. a doutrina é pacífica em admitir como parte legítima a companhia. p. 285 e 287. assunto que se revela demasiadamente tormentoso e. do acionista que ingressou na companhia depois de tomada a deliberação. entretanto. colacionado ensinamento de Orlando Gomes e Pontes de Miranda.. na pág. que também tratam de prescrição. Logo. da LSA. a ação para anular as deliberações tomadas em assembléia-geral ou especial. v. quanto ao pólo passivo da ação de anulação e da ação de declaração nulidade. 4.. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. citando outros autores. portanto. . Noutro giro. inclusive. do administrador e do conselho fiscal da companhia. dolo. 15 A propósito. se o acionista que tiver votado favoravelmente ao ato que se pretende anular tiver agido impulsionado por algum vício de consentimento. nos quais o acionista que tiver cometido abuso no exercício do direito de voto poderá ser incluído no pólo passivo da demanda. que o início desse prazo não poderá ser a data da publicação. de credores e de terceiros. importante registrar que a doutrina mais avisada15 já sedimentou o entendimento de que o termo a quo começa da publicação da deliberação. a companhia será a parte legitimada para responder à ação de declaração de nulidade ou à ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). 119 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. 14 Obra de Azevedo e França. do usufrutuário em relação ao nu-proprietário da ação.A. PRESCRIÇÃO Conforme previsão contida no art. ele também estará legitimado a pedir a anulação da deliberação tomada ou de toda a assembléia. com base na interpretação sistemática da Lei de S/A. prescreve em 2 (dois) anos. se houver pedido de ressarcimento de danos formulados contra ele. todavia. como. violadoras da lei ou do estatuto. na medida em que os arts. em princípio. 7 13 E assim defendem esses autores.deliberação que se pretende anular ou àquele que se absteve de votar no conclave. em litisconsórcio com a companhia. ou eivadas de erro. Há discussão doutrinária14 sobre a legitimidade ativa de outras pessoas. será reservado para outro artigo. a questão da legitimidade ativa para a propositura da ação de anulação de deliberação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) deve ser analisada de acordo com essas observações. Contudo. Assim. irregularmente convocada ou instalada. por exemplo. 421-422. fraude ou simulação. Modesto Carvalhosa sustenta essa posição. 286.

não sendo possível o aproveitamento de qualquer ato ou decisão. cita acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal. é preciso utilizar a classificação citada no tópico quatro. o referido vício acarretará a invalidação integral da assembléia. que adota esse entendimento. se a mácula que se pretende anular tratar-se de vício da própria assembléia (causa de pedir). entretanto. vigorando. Nessas circunstâncias. ou total. que pode ter origem na convocação.1983.A. em respeito ao brocardo pas de nullité sans grief. se se tratar de vício de deliberação (causa de pedir). o pedido da ação restringir-se-á à específica decisão ou ao ato inquinado. para melhor compreensão do tema. hipótese em que o pedido será a anulação total. não apenas parcial do conclave. Com efeito. Pode ocorrer. no julgamento do Recurso Extraordinário nº 94. defende que em ambos os casos destacados anteriormente é possível pleitear a anulação das deliberações de assembléia. se a pessoa agravada pela deliberação não for acionista da sociedade.862-CE. se Azevedo e França. a data da deliberação (ou da prática do ato inquinado) como o termo a quo do prazo prescricional. dolo. realizado em 04. Mesmo que as deliberações tomadas tenham respeitado as disposições legais ou estatutárias.. unânime. Também existirão situações em que o início do prazo prescricional não poderá ser a data da publicação da deliberação da assembléia. Ademais. na pág. não afetando as demais deliberações da assembléia. citando Miranda Valverde. prevalecendo.12. decorrente de erro. Modesto Carvalhosa. fraude. para adequada definição do marco inicial e do prazo prescricional correto (civil ou especial). a condição do postulante e a sua relação com a companhia. em decisão relatada pelo Ministro Oscar Dias Correa. 127 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. simulação. o pedido da demanda será a anulação total do conclave. então. sendo imprescindível examinar-se o vício objeto do pedido. o postulante deverá demonstrar o prejuízo efetivo que a deliberação ou assembléia acarreta ou a possibilidade de dano futuro. instalação ou realização irregular. caso em que o pedido poderá ser a anulação parcial. 16 . que esse vício de deliberação recaia sobre todas as questões analisadas e decididas. 7.porque a companhia pode deixar de dar publicidade ao ato. assim. PEDIDO Em relação ao pedido da ação de anulação de assembléia. essa análise deverá ser feita no caso concreto. o prazo de prescrição previsto na Legislação Civil16. ou coação (se essas máculas forem decisivas para a formação da maioria. ainda existe o vício de voto (causa de pedir). De outro lado. Seja qual for a causa de pedir da ação de anulação. lembre-se).

273. 19 A norma do parágrafo 7º. p. Caberá.19 Quando as circunstâncias evidenciarem que os efeitos do provimento final deverão ser desde logo concedidos. PROCEDIMENTO Sem aprofundar nas discussões travadas pelos processualistas. Modesto. Todavia. do art. Também é possível imaginar que a parcela eficacial gerada que 17 CARVALHOSA. poderá o autor da demanda pedir a antecipação dos efeitos da tutela buscada. se houver a prática de abuso por parte de algum acionista. Luiz Fernando C. a alegação de contrariedade à lei ou ao estatuto/contrato social: verossimilhança. casos haverá em que a ação visará. para o deferimento da medida. Confira-se: A ação anulatória das deliberações da assembléia geral ou especial pressupõe. Aloysio Lopes Pontes colaciona em sua obra18 julgado do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas que possui entendimento de ser dispensável a prova do prejuízo. Aloysio Lopes. a inclusão de quem tiver provocado o dano no pólo passivo da demanda. A isso soma-se a exigência do justificado receito de ineficácia do provimento final que a produção de determinados efeitos da deliberação questionada pode gerar. requerer providência de natureza cautelar. 425. ou para a sociedade. Comentários à lei de sociedades anônimas. deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado”. Pereira esclarece que não basta. concedendo-lhe a antecipação de tutela pretendida. Logo é possível imaginar uma deliberação questionada. 273. a título de antecipação de tutela. que venha a acarretar prejuízos a outro acionistas ou à companhia. quando presentes os respectivos pressupostos.8 comprovado o interesse de agir (prejuízo atual ou futuro). 18 PONTES. a restabelecer a ordem jurídica na sociedade anônima. em respeito ao disposto no art. 9 . esvaziou o debate sobre a impropriedade da utilização de ação ordinária e sobre antecipação de tutela em ação declaratória. 2. o procedimento da ação de nulidade ou da ação de anulação será ordinário declaratório. 118. no caso de dano potencial. Haverá situações em que o pedido não se limitará à anulação de deliberação ou de toda a assembléia. Nesse caso. em regra. quando previu que “se o autor. como já foi visto.17 No mesmo sentido. acionistas. o autor deverá trazer com a petição inicial prova inequívoca do defendido vício (deve comprovar que o ato ou a deliberação seja contrário à lei ou ao estatuto). em regra. ou dos estatutos. a qual apenas parte da eficácia total gerada ocasiona efeitos prejudiciais ao direito da parte. Prejuízo pecuniário atual não existe. a existência de prejuízos delas decorrentes para o autor. poderá o juiz. Sociedades anônimas. CPC. p. 8. É tranquilamente possível a cumulação do pedido anulatório com pretensão de ressarcimento. mas tãosomente a possibilidade de se consolidar uma situação que poderá dificultar a vida da sociedade ou sacrificar o legítimo interesse de seus acionistas. para que o juiz se convença da verossimilhança de suas alegações (deve demonstrar que a demora na concessão do pedido pode acarretar sérios e irreversíveis prejuízos). neste caso. exclusivamente. v. do Código de Processo Civil. turbada por uma deliberação violadora da lei.

273. 22 O Superior Tribunal de Justiça. teremos a ocorrência de vícios (da própria assembléia. o autor poderá valer-se da ação ordinária declaratória. Entretanto. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo. principalmente. Relatado pelo Ministro Adhemar Maciel. sempre que possível” (PEREIRA. p. p. visando. Caso haja o desrespeito às regras legais ou estatutárias.não produza efeitos prejudiciais produza. com a eventual suspensão. J. sob pena de não desvirtuar-se a verdadeira mens legis22. 2ª Turma. efeitos maiores do que poderia gerar a não-suspensão. nos termos do parágrafo 2º. a referida regra não deve ser analisada literalmente. São Paulo: Revista dos Tribunais. 3.656-ES. do referido art. preservar os interesses da companhia e de seus acionistas. CONCLUSÃO 1. Luiz Fernando C.21 Na hipótese de a concessão da antecipação de tutela acarretar perigo de irreversibilidade do provimento. de deliberação ou de voto) que podem invalidar as deliberações tomadas no conclave. recomenda-se que a antecipação seja deferida liminarmente e sem a audiência da parte contrária. vez que se trata do órgão deliberativo que resolve quais serão os rumos dos negócios sociais. como também será possível a utilização da cautelar inominada preparatória. no julgamento do REsp nº 144. se forem preenchidos os requisitos do caput e do parágrafo 1º. não se revela prudente seu deferimento. 21 “Ao contraditório prévio. Nestes casos. do citado art. Poderá ocorrer. 273. ou. O contraditório será apenas adiado. situações que envolvam a suspensão de ato ou de deliberação ainda não executados23.97. É certo que não se defere a medida quando a suspensão gerar prejuízo maior do que a não-suspensão. até mesmo. de conter. provocar a anulação de toda a assembléia. 2.20 Em grade parte das vezes. para permitir a efetividade da tutela. Medidas urgentes de direito societário. Em razão dessa relevância. pois a oitiva do réu pode tornar sem sentido o deferimento da medida posteriormente. bem como o respeito à lei e ao estatuto. A assembléia é parte fundamental dentro da estrutura da sociedade anônima. esposou o entendimento de que “a exigência da irreversibilidade inserta no § 2º do art. deve ser deferida a antecipação. Medidas urgentes de direito societário. PEREIRA. 20 . sendo imperioso que se demonstre. Portanto. foi estabelecida uma série de formalidades para a convocação. instalação e realização das assembléias. a necessidade de suspensão antecipada24 do ato havido como prejudicial. 2002. Luiz Fernando C. 157). em qualquer uma das hipóteses. sob pena de o novel instituto da tutela antecipatória não cumprir a excelsa missão a que se destina”.10. ainda. 138. 06.

vez que o exame das questões envolvendo a legitimidade. ou. ed. obra Medidas urgentes de direito societário. 163-164. de 15 de dezembro de 1976. 1998. com pedido declaratório.. dependendo do tipo de vício que se pretenda atacar. CARVALHOSA. e atual. 2. Fábio Ulhoa. A legitimação ativa ad causam da referida ação de anulação. 6. A legitimidade passiva será da companhia. rev. COELHO. A identificação desses vícios será essencial para a adequada utilização da ação judicial. Invalidade das deliberações de assembléia das S. 24 No caso de suspensão de deliberação nula. 6.A. 2005. será do acionista que tiver votado contrariamente ao ato que se pretende anular ou daqueles que tiverem se abstido de votar. Osmar Brina. São Paulo: Malheiros Editores. que se caracterizem como abusivos à lei ou ao estatuto. Verificar p. FRANÇA. criticando durante a posição da Corte Bandeirante. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA. sendo recomendável pugnar pela antecipação dos efeitos da tutela final. Curso de direito comercial. REFERÊNCIAS Obras Literárias AZEVEDO. Erasmo Valladão. Belo Horizonte: Del Rey. v. 5. ainda. Poderá ser pleiteada a anulação total ou parcialda assembléia. . CORRÊA-LIMA. 1999. A utilização da cautelar preparatória também se revela possível. Porém. 22. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. Novaes. 9. em princípio. é a hipótese concreta que irá definir o marco inicial do prazo prescricional. em regra. Aloysio Lopes Pontes cita um julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que defende o entendimento de não ser possível a utilização de ação preventiva. da obra Sociedades anônimas. Pereira. São Paulo: Saraiva.A propósito. 8. pode-se dizer que a referida ação de anulação representa um valioso instrumento contra atos praticados nas assembléias de sociedades anônimas. Luiz Fernando C. O procedimento a ser adotado será o da ação ordinária. 7. esclarece que embora não haja eficácia a ser suspensa é recomendável que se afaste a dúvida que paira sobre o ato. quase sempre. 10 23 4. Confira-se pág. ed. contados da data da publicação do ato inquinado. Em razão de tudo isso. 3. O prazo prescricional da aludida ação anulatória é de 2 (dois) anos. e atual. São Paulo: Saraiva. Sociedade anônima. rev. 2000. a declaração de nulidade do ato. Modesto.404. o prazo de prescrição e o pedido dependerá da espécie de mácula encontrada.

404/76) Eliane M. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. São Paulo: Revista dos Tribunais. CD-Rom JURIS Plenum. Rio de Janeiro: Forense. Acesso em: 10 dez. (Dicionário eletrônico.gov. Alzira Malaquias da. atual. Aurélio Buarque de Holanda. v. 1984. Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt. Acesso em: 10 dez.br>. Disponível em: <http://www. ed.br>. PONTES.457. representantes dos poderes da sociedade. Medidas urgentes de direito societário. Octaviano Martins1 Paulo Roberto Colombo Arnoldi2 INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. Caxias do Sul: Editora Plenum. Jurisprudência. Obra coletiva de autoria da editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Vocabulário jurídico. rev.PEREIRA. 2. Marina Baird.. Lei das sociedades anônimas. ed. 5ª ed. 1. a designação de órgãos sociais.gov. 2006. FERREIRA. Disponível em: <http://www. 5. SILVEIRA. Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. a organização da sociedade. versão 3. adaptada à Lei nº 9. Aloysio Lopes. 1999. 11 Legislação BRASIL. Sociedades anônimas. FERREIRA. doutrinariamente. Sites consultados SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.05. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS. SILVA.tjmg. De Plácido e. 8. 2002. v.stj. Consulta de jurisprudência sobre o assunto. 2006. 3. Rio de Janeiro: Forense. ampl. 87. de forma democrática. delegado à Assembléia . Luiz Fernando C. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. de 06. Ed. 1999. São Paulo: Saraiva. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima3dá-se. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. ADMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. impondo distribuição de poderes. Consulta de jurisprudência sobre a matéria.1977. 2006. 1999. ed. aos quais compete produzir a vontade social.0).

Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. em que se constata uma . mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. 4Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas.Geral.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia.5 Professora de Direito Marítimo. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico.Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e Integração – IPDCI. constatam-se. concentrando-se o poder em um grupo de controle. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. 1984. 1988. adstrito ao Conselho de Fiscalização. No Brasil. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). sem descaracterizar os interesses da companhia. é mestre. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). Curso de Direito Comercial. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. 3 Cf . 1 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. Mestre pela UNESP e Doutora pela USP. São Paulo : Saraiva. Direito Empresarial e Direito Internacional em cursos de graduação e Pósgraduação. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF de Bragança Paulista (SP). Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. São Paulo : Atlas. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. 2 Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. 5A Lei 6. poder executivo ou administrativo. portanto. devido ao desinteresse dos acionistas.4 CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . doutor e livre-docente em Direito Comercial. advogado militante. Rubens . Requião. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa6.

404/76. nos termos do art. é específica a lei no art. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. De acordo com o art.. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas8.separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. diversamente da subscrição comum (art. MARTINS. Comentários à Lei das S.7 I . 141. de acordo com a disposição estatutária. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. portanto. Rio de Janeiro : Forense. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. 165. No que concerne às sociedades de capital autorizado. 166. de caráter deliberativo e fiscalizador. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. mas consistem em representantes da sociedade. nos aumentos de capital. Nesse sentido. cit. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão.A. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Cf. 138 da Lei 6. 142. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. § 4º. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. Procurou. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria. § 1º da lege ferenda. ou exclusivamente à diretoria. 1978. Nesse sentido. p. Fran. e facultativo nas demais sociedades anônimas.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. 138. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias.9 A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. conforme rege o art. a lei brasileira.REQUIÃO e Rubens. inciso I e 168). 7Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão 6 .

Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. o prazo de gestão. O estatuto deverá prever.permitindo-se. nesse caso. também. reveste-se de inconstitucionalidade. 9Cf. faculta-se aos acionistas que representem. ob. 140. que será no mínimo de três. 163. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art.122. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. p. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. 4. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração.10 2. 140 e 146). José Edwaldo Tavares Borba. Tratandose de órgão superior. ob. e as normas sobre convocação. com imensos poderes.404/76. ob. 173.da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. ficando. Neste sentido. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. 3. no seu artigo 139. portanto. § 7º). caput da Lei 6. determinar limites. a eleição de um membro do Conselho podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. cit. mas à luz da Constituição Federal de 1988. no mínimo. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. que deliberará por maioria de votos11. estabelecendo-se mínimo e máximo. BATALHA. a Lei. conforme art. face ao disposto no art. Poderá o estatuto. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo12. observado esse mínimo legal. inciso II).272. Fran. cit. que o Conselho se integre com um representante da minoria. 655. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. Wilson de Souza Campos. 8Faculta. 141 . impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. inciso II)13. o modo de substituição. cit.. 2 Conselho Fiscal (art. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. vinte por cento de capital com direito a voto. Outorga de poderes A lei.Cumpre destacar que acordo com a lei. p. criados por lei ou estatuto. 142. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. que não poderá exceder 3 anos. de acordo com suas necessidades estruturais. MARTINS. instalação e funcionamento do Conselho. art. § 1º. dessa forma. 239).Para eleição de membros do Conselho de Administração não se . Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas.

in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida.Processo de voto múltiplo Determina o art. 272.140). Rubens. 14REQUIÃO. isoladamente. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. um décimo do capital social com direito a voto. cit. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração.1. cf. 4. Eleição e destituição de membros . sendo necessário maioria simples (art..requer voto qualificado. Fran. ao contrário. ou seja. 10 3 total de seus componentes. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas.404/76 regulamenta tal procedimento no art. p. sendo vedado que um só conselheiro. Trata-se. 164. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. sobre a inaplicabilidade dos arts. ob. 4. Rio de Janeiro : Forense. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia 16. e nesse caso. 4. A lei 6. portanto. .1. p. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. . pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia.2. Roger de Carvalho. 13MARTINS. 12 De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. no mínimo. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão14. p. 1978. cit. 141. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. Fran.2. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . independe de disposição estatutária e.15 O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. RT 667. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou Consistindo em órgão de deliberação colegiada. cit. 141 da Lei 6. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. tratando-se de decisão ad nutum.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. de regra de ordem pública. MARTINS. citado por Fábio Ulhoa Coelho. 303. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. 11Vide MANGE. iniciar-se-á novo período gestacional. ob. 129).

e reconhecendo-se. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. p.. ob. MARTINS. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. in Direito de voto.12. p. de 11. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. ob. 18Vide Instrução CVM n.91. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. Osmar Brina Corrêa. § 3º). aos acionistas o direito de cumular os votos num só candidato ou distribuí-los entre vários. A mesa diretora informará previamente. 283. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. à vista do "Livro de Presença". Cf. cit.. Fran. 304.. quando se tratar de sociedades abertas. o número de votos necessários18 para a eleição de cada membro do conselho (art. 17 Cf.. Octaviano Martins. § 1º). consistindo.. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração17. 19BATALHA. 699 : “o administrador eleito por grupo ou 15 16 . cit. portanto. ob.independentemente de previsão estatutária. p. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. 141. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. 141. Nos demais casos em que o cargo fique vago. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. Quando a eleição de membros19 tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo.. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. observando-se o Cf. em vantagem para os acionistas não-controladores. LIMA. in Sociedade Anônima. baixada nos termos do art. 27. o que significa que a regra é de ordem pública. p. no mínimo. Eliane M. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. Adotando o sistema de voto múltiplo. 165.. ainda. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. Wilson de Souza Campos. cit. 291 da lei”. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. 291 da LSA. Além disso. MARTINS. procedendo-se a nova eleição (art. in Comentários. do capital com direito a voto.

eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. Impõe. do capital social. II. no § único do artigo ora em exame. portanto. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. quando não existir Conselho de Administração21. quando autorizado pelo estatuto. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. a Lei 6. a Diretoria será o órgão destinado a . portanto. deliberar. mas órgão da sociedade. Em linhas gerais. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. 142. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art.classe. ainda. se existirem acionistas que representem 20%. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. Garante-se. 4 prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. 154). examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. Nos casos em que exista Conselho de Administração. conforme rege o art. inclusive mediante voto múltiplo (art. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. quando julgar necessário. Note-se.404/76. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. competindolhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto20. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. 5. é competência do Conselho de Administração. convocar assembléia geral. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. fiscalizar a gestão dos diretores. 176). no mínimo. Assegura-se compulsoriamente a eleição. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. se houver. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. em qualquer sociedade anônima. como também de orientação das atividades da sociedade. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu.

que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. incisos III e V. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. e como tal. inciso II e § único). 25 . compete aos diretores .gerir os negócios sociais. mas como representantes da sociedade. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. 1. A Lei 6. 144). de competência dos diretores. mas como um órgão da sociedade. 22 Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. Ademais. 24 2. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (BrunetCañizares. II. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. enquadrando-os como órgãos da sociedade. possuindo. MARTINS. prazo de gestão. em regra. amplos poderes23 para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. Representação: 20 21 5 Cf. sua vontade. Fran.404/76. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. Comentários à Lei das S. 142. 142. 1978. o modo de sua substituição. p. cit. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares.404/76 não considera os diretores como mandatários. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. ob. ou se inexistente. pela Assembléia Geral (art. 1960). incisos I. é imputada à sociedade. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores.a qualquer diretor . a direção da sociedade em todos os aspectos. no § 1º do art.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. Cf. São Paulo : Forense. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. Buenos Aires. REQUIÃO.A. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. III e IV). desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. 165. 143. 143 e 146). Rubens. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. 143. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. como ocorre com o art. a Lei 6. acionistas ou não.

ob. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. ob. p. portanto. 659. vol. GOMES.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. Os poderes dos diretores são indelegáveis. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. Por outro lado. BATALHA. investidura. feita pela sociedade através de seus diretores.pela morte ou interdição de uma das partes. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. in Revista dos Tribunais. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. o contrato de emprego. cit. 429. Wilson de Souza Campos. 144 . devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . porquanto ela é simples condição de eficácia.Se o mandato fosse particular. 1 . inciso II : “Cessa o mandato : . nesses casos. p. Orlando. O mandato. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado.” 25 “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual.. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir.” Cf. nem por isso se torna contratual. Não colide com o disposto no art. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado.II . nos limites de suas atribuições e poderes. por via do qual se lhe atribui. cit. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. conforme determina o art. remuneração. Requisitos e impedimentos Cf. Código Civil art. que devem ser explicitados no instrumento.. . é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. p. Conquanto esse ato unilateral. Não se extinguirá. com os respectivos poderes. para a prática de determinados atos.404/76. em doutrina. 661. Anstellung. 145 a 151 da Lei 6. 1316. 22 23 6 Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. se extinguiria com a morte do mandante. denominado nomeação. predomina. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. impedimentos. 24É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. ao lado do ato unilateral de nomeação. 139.ADMINISTRADORES . Entretanto. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. mas de um ato jurídico unilateral.O mandato representa a outorga temporária de poderes. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade.

148. 150 caput). Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art.pelo titular ou por terceiro . 3. concussão. 147 § 1º).mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. dos quais se arquivará cópia na sede social . a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários.. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. 147 § 2º). quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. O art. de prevaricação. 150 § 1º). podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. § único). um mecanismo de garantia de gestão. bem como o prazo de gestão auferido. 2. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. peculato. 149). 146. o acesso a cargos públicos (art. 146.acionistas ou não26 (art. caput). a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. contra a economia popular. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. com vigência até a primeira assembléia geral que houver. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. no art. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. mesmo que temporariamente. Ademais. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. 147 determina que. no prazo de 30 dias após a nomeação. 4. . peita ou suborno. sob pena dessa se tornar sem efeito.

6. I . 146 § único.404/76. no seu art. 26 7 Rege a lei. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. no art. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. competirá ao Conselho Fiscal. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. 5. tendo em conta suas responsabilidades. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. e em relação aos terceiros de boa-fé. também. 165) . impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios29. 150. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores28. As normas desta Seção. 2. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. 152. se estiver em funcionamento. 151. conforme art. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. 153.A Lei ora em estudo. O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. conforme disposto no art. 160. tempo dedicado às funções. 150 § 3º e 4º). art. competência. prevê. a Lei 6. 153 a 160. convocar a assembléia geral.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. ou a qualquer acionista. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que . caput. conforme dispõe o art. no § 2º do art. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado.27 DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. Renúncia A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. Dever de Diligência : a lei brasileira.

exerça suas atribuições . em benefício próprio ou de outrem. bem ou . 154. ou de terceiros.. n. mas em certos casos.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta.30 3. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. Revista dos Tribunais. gozam. são parte dela. 154. 154.. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. visando à obtenção de vantagens. p. Revista de Direito Mercantil. e seus membros. 155 : usar. a remuneração com parte fixa e outra variável. para si ou para outrem. prevalecendo o limite menor (art. cit. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios.para lograr os fins e no interesse da companhia. criados pelo Estatuto Social.atribuídas por lei e pelo estatuto .observadas sempre as normas do art. como administradores. sendo vedado ao administrador. praticar ato de liberdade à custa da companhia. serviços ou créditos. 29 Cf. os seus bens. das vantagens comuns a todos. § 1º). BULGARELLI. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. ob. conforme estabelece o art. Veda-se ao administrador. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. com ou sem prejuízo para a companhia. integram-se na administração da empresa. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. 154. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . em função dos lucros . Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. em razão de seu cargo. 28Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. correlatamente. Especificamente. conforme art. não apenas possível. § 2º:. 27 8 § 3º). do interesse da empresa”. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. 152 da Lei é. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. ou podem gozar. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. adquirir. conforme art. 152. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. 310. para revender com lucro. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. § único e 1º). desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros.. receber de terceiros . as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo.

que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios34. Responsabilidade Administrativa Cumpre ressaltar. também. que a lei (art. § 1º). a natureza e extensão de seu interesse. 157) 33 II . salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. No caso de irregularidades. Conflito de Interesses(art. bônus de subscrição. além de regulamentar. o administrador somente pode contratar com a companhia 30 . 154. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. a lei impõe ao administrador. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. no § 3º. civil e penal. 32Ainda que observado o disposto neste artigo. sendo-lhe vedado. de que seja titular (art. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. no § 2º do mesmo artigo. conforme segue : 1. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas entendidos como tal os diretores. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. ou que esta tencione adquirir. 31Ademais. no momento da posse. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. deverá declarar o número de ações. 155. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. valer-se das informações para obter.deriva do dever de diligência. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. ainda. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. para si ou para outrem. tendo em vista suas responsabilidades sociais. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. anteriormente mencionado.31 5.32 5.direito que sabe necessário à companhia.

158. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. nos termos do art. § 2º). O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato . Revista de Direito Mercantil. 3. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores.em condições razoáveis ou eqüitativas.37. 156. civilmente. A lei determina que o administrador. responde. Código Penal . 158). § 2º e seguintes.Crimes contra o Patrimônio . José Alexandre Tavares. 9 A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. 157 e seus parágrafos. São Paulo : Ed. pois dessa forma. A responsabilidade civil consiste. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. 33 Vide na íntegra o art. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. Revista dos Tribunais. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. infringe-se a finalidade do interesse social. nr 42. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. 156. § 1º). quando proceder com culpa ou dolo. porém. em regra. 35 No que concerne ao Conselho de Administração. 34GUERREIRO. Independe de processo formal. por ser órgão colegiado. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. 1981. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. ano XX. mas a lei. 2. portanto. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. no âmbito de Diretoria.. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. detalha os casos em que haverá solidariedade 36. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes.

Vide na íntegra o art. é individual. 10 sociedade. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. 159.ou à Assembléia Geral. 159. 158 e 159. salvo nos casos de conivência. executar negociação com as próprias ações da sociedade. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores.relevante em documentos destinados ao público. cit. mas perante terceiros prejudicados. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. Competirá. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. Neste sentido Fran Martins. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. age além dos poderes que lhe são outorgados. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. no prazo de três meses (art. ao Conselho Fiscal . em nível de Diretoria.A. não sendo possível. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. exceto nas companhias abertas. caput.se em funcionamento . Em regra. . Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. § 3º).. 2. obter aprovação irregular de contas. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. Nesse sentido. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. a responsabilidade dos diretores. rege o § 1º do art. provocar falsa cotação de valores mobiliários da 35Ao violar a lei ou o estatuto.. portanto. ob. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. in Comentários à Lei das S. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. mediante prévia deliberação da assembléia geral. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedí-los. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. 37Por força do art. em assembléia geral extraordinária. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). em proveito próprio ou de terceiro. 36 Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. competirá à companhia. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade.

2. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. Dessa forma.3. econômica e relações de consumo. CONSELHO FISCAL 1. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. § 2º). com atribuições definidas dentro da sociedade. conforme observa Fran Martins. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros38. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art.. 161. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. que elegerá os membros.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. acionistas ou não. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. Composição e funcionamento O Conselho Fiscal39 pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas.ainda que a matéria não conste da convocação40). eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. com mandato anual (art. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. conforme dispuser o Estatuto (art. Impedimentos e Remuneração .492/86 . ob. 39A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. cit.Crimes contra a ordem tributária. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. Quando seu funcionamento não for permanente. 161.A. § 1º). 38 11 3. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . consiste. 161. Lei 8. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. 40Dispõe o art. portanto. possuindo para tanto amplas atribuições. Lei 7. 161).137/90 . in Comentários à Lei das S. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. durante o período de liquidação da sociedade. 4. inclusive. Requisitos.

fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. por prazo mínimo de 3 (três) anos. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. incorporação. transformação. de administrador da companhia. 4. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. 5. 147 41. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. no § 7º do artigo ora enfocado. não computada a participação nos lucros.164. a serem submetidas à assembléia geral. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. no que tange à modificação do capital social.para cada membro em exercício . 162.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor.ou ao menos um deles .A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior .42 Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. e o cônjuge ou parente. . residentes no País. Rege ainda a lei. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. diplomadas em curso de nível universitário. ou que tenham exercido. caput). No que concerne à inegibilidade. conforme disposição do art. distribuição de dividendos. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal .às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. acrescentando o § 2º do artigo em exame. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. fusão ou cisão. até terceiro grau. 162 § 1º).A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. . planos de investimento ou orçamentos de capital. emitir opinião43 sobre o relatório anual da administração. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia.

peita ou suborno. § 1º). BATALHA. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. a responsabilidade por omissão é solidária (art. sem intervir em operação social em que Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. Nos demais casos. Ana Maria de. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. RT 670/77. 1995. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. TJSP. Bauru: Jalovi. 165 retromencionado. Comentários à lei das sociedades anônimas. concussão. peculato.A. Cristina Maria. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. 1982. 147 § 1º). Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. 43A verificação de documentos ou propostas da administração.) 41 12 tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. 1984. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. Direito societário. 165). é de competência de auditores. 165. que em princípio. Comentários à Lei das S. § 2º). Rio de Janeiro: Freitas Bastos. de prevaricação. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Waldirio. 147 § 2º). Wilson de Souza Campos. (Neste sentido Fran Martins. 153 a 156). salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. nos termos do § 1º do art. 42Cf. 1977. o acesso a cargos públicos (art. BACCARIN. Edson. 1992.165. Empresas e inversiones en el Mercosur. BULGARELLI. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. contra a economia popular. cit. São Paulo: Atlas. ob. Para os cargos de administração de companhia aberta. . pois exprimem uma vontade coletiva. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa.6. mesmo que temporariamente. Manual das sociedades anônimas. antes de se submeterem à Assembléia Geral. José Edwaldo Tavares.. BORBA. BACCARIN SILVA. desde que não comprovada conivência. Rio de Janeiro: Forense. ou com violação da lei ou do estatuto (art. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS.

COSTA. Octaviano. GONÇALVES. Sociedades anônimas e valores mobiliários. n. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. São Paulo: Ed. Fran. 1982. Osmar Brina Corrêa. 1981. MENDONÇA. Eliane M. ______ .1 e 2. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. Rio de Janeiro: Forense. La sociedad anônima y sus problemas. doutor e livre-docente em Direito Comercial. Código comercial brasileiro e legislação complementar. Sociedade anônima: textos e casos. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. José Alexandre Tavares. 1996. é mestre. José da Silva./jun. Joaquin. Código comercial e legislação complementar anotados. São Paulo: Saraiva. 1995. Questões de direito societário. Professora de Direito Marítimo e Direito Comercial da UNISANTA e de pós-graduação da UNILUS e UNIMONTE em Santos (SP) Paulo Roberto Colombo Arnoldi Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. Rio de Janeiro: Forense. advogado militante.404/76. Rio de Janeiro: Forense. Romano. Franca: UNESP. MIRANDA JÚNIOR. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF . São Paulo: Ed. 1991. André Luiz Dumortout de. Curso de direito comercial. Álvaro Thomaz. Revista de Direito Mercantil. 1983. MARTINS. Darcy Arruda. COELHO. Rio de Janeiro: Forense.42. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. Coordenadora Regional de Redação da RDM. GARRIGUES. São Paulo: Saraiva. 1991. Revista dos Tribunais. São Paulo. 1982. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. v. no prelo. v.1. Revista dos Tribunais. DÓRIA. REQUIÃO. 1988.69-87. 1993.2.404/76) Eliane Maria Octaviano Martins Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. Rubens. v. Wille Duarte. 1984. 1983. abr. p. Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial: sociedades comerciais.______. DIAZ-CANABATE. São Paulo: Saraiva. HENTZ. MARTINS. Curso de direito comercial. 1982. São Paulo: Saraiva. PACHECO. Dylson. Direito empresarial. LIMA. CRISTIANO. Rio de Janeiro: Forense. Órgãos da sociedade anônima. GUERREIRO. 13 14 DMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. Luiz Antônio Soares. Curso de direito comercial. São Paulo: Ed. O Direito de Voto na Lei 6. 1977. Revista dos Tribunais. 1979.

Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. portanto. e facultativo nas demais sociedades anônimas. diversamente da subscrição comum (art.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia.. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho.[3] ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. portanto. 138 da Lei 6. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. inciso I e 168). Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. de caráter deliberativo e fiscalizador. Procurou. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). ou exclusivamente à diretoria. a organização da sociedade.[7] . § 1º da lege ferenda. em que se constata uma separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. delegado à Assembléia Geral.de Bragança Paulista (SP). a designação de órgãos sociais. de acordo com a disposição estatutária.[2] CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. § 4º. No Brasil. INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas[6]. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. nos termos do art. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. devido ao desinteresse dos acionistas. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. aos quais compete produzir a vontade social. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. concentrando-se o poder em um grupo de controle. nos aumentos de capital. 141. de forma democrática. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria.[5] I . No que concerne às sociedades de capital autorizado. a lei brasileira. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa[4]. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima[1]dá-se. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. impondo distribuição de poderes. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. poder executivo ou administrativo. doutrinariamente. representantes dos poderes da sociedade. 138. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. De acordo com o art. constatam-se. Nesse sentido. 166. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. conforme rege o art. adstrito ao Conselho de Fiscalização.404/76.

tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros.140). 4. Outorga de poderes A lei. A lei 6. um décimo do capital social com direito a voto. no seu artigo 139. observado esse mínimo legal. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia [14]. 141 da Lei 6. Nesse sentido. que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. 4. 129). inciso II)[11]. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. aos acionistas o direito de cumular os votos num só . Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. 140 e 146). tratando-se de decisão ad nutum. de regra de ordem pública. nesse caso. 142. e as normas sobre convocação. Tratando-se de órgão superior. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração.1. também. criados por lei ou estatuto. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. e reconhecendo-se. § 7º). no mínimo. faculta-se aos acionistas que representem. caput da Lei 6.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se requer voto qualificado.1. é específica a lei no art. que será no mínimo de três. dessa forma.2.. ao contrário. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho.404/76 regulamenta tal procedimento no art. independe de disposição estatutária e. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou total de seus componentes. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo[10]. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. com imensos poderes. art.permitindo-se. e nesse caso. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Conselho Fiscal (art. inciso II).[13] O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. 4. independentemente de previsão estatutária.podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. vinte por cento de capital com direito a voto. que o Conselho se integre com um representante da minoria. determinar limites. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. 3.404/76. o prazo de gestão. portanto. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. Poderá o estatuto. que deliberará por maioria de votos[9]. instalação e funcionamento do Conselho. ficando. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. 141.2. 163. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. iniciar-se-á novo período gestacional. que não poderá exceder 3 anos. sendo necessário maioria simples (art.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo.A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. 142.Processo de voto múltiplo Determina o art. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. o modo de substituição. 141 . estabelecendo-se mínimo e máximo. mas consistem em representantes da sociedade. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato.122. a eleição de um membro do Conselho . sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão[12].404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. ou seja. ainda. Trata-se. Eleição e destituição de membros . 4. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho.[8] 2. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. O estatuto deverá prever. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. 140. conforme art. no mínimo.

a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração[15]. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões.404/76. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. pela Assembléia Geral (art. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. Assegura-se compulsoriamente a eleição. 1. observando-se o prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. como também de orientação das atividades da sociedade. 154). Representação: . incisos I. Ademais. ou se inexistente. no § único do artigo ora em exame. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. no § 1º do art. 143 e 146). para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. ainda. III e IV). o número de votos necessários[16] para a eleição de cada membro do conselho (art. convocar assembléia geral. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. prazo de gestão. a Lei 6. portanto. procedendo-se a nova eleição (art. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. Em linhas gerais. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. 143. 142. fiscalizar a gestão dos diretores. à vista do "Livro de Presença". a Lei 6. Nos casos em que exista Conselho de Administração. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. deliberar. do capital social. II. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. Impõe. incisos III e V. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. Garante-se. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. competindo-lhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. 5. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. do capital com direito a voto. 141. acionistas ou não. portanto. quando autorizado pelo estatuto. é competência do Conselho de Administração. Quando a eleição de membros[17] tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. quando julgar necessário.candidato ou distribuí-los entre vários. no mínimo. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. 141. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. II. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição.404/76. Nos demais casos em que o cargo fique vago. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. Note-se. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. como ocorre com o art. 176). delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto[18]. § 3º). A mesa diretora informará previamente. o modo de sua substituição. no mínimo. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. se houver. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. § 1º). quando não existir Conselho de Administração[19]. Além disso. conforme rege o art. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. 143. se existirem acionistas que representem 20%. a Diretoria será o órgão destinado a gerir os negócios sociais. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. 142. em qualquer sociedade anônima. de competência dos diretores.

a direção da sociedade em todos os aspectos.. 147 § 1º). a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. investidura. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário.A Lei 6. 142. possuindo. 1 .404/76. 147 § 2º).pelo titular ou por terceiro . no art. se estiver em funcionamento. 150 caput). 144). . sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. 146. ou a qualquer acionista. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. 147 determina que. Requisitos e impedimentos Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. [20] Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art. também. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. sob pena dessa se tornar sem efeito. inciso II e § único). remuneração. no prazo de 30 dias após a nomeação. prevê. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. mesmo que temporariamente. competirá ao Conselho Fiscal. o acesso a cargos públicos (art. dos quais se arquivará cópia na sede social . compete aos diretores . Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. Ademais. será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. caput). 149). Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. contra a economia popular.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. e como tal. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. no § 2º do art. mas como um órgão da sociedade. peita ou suborno. 150 § 1º). a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. sua vontade. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. 2. convocar a assembléia geral. 146. 145 a 151 da Lei 6. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. um mecanismo de garantia de gestão. concussão. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. peculato. A Lei ora em estudo. exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. [22] 2. Buenos Aires. 150. enquadrando-os como órgãos da sociedade. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art.404/76 não considera os diretores como mandatários. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (Brunet-Cañizares. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. de prevaricação. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. 1960).a qualquer diretor . amplos poderes[21] para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. em regra. O art. 3. § único). mas como representantes da sociedade. bem como o prazo de gestão auferido. [23] ADMINISTRADORES . 148. com vigência até a primeira assembléia geral que houver.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. impedimentos. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . 4. é imputada à sociedade. acionistas ou não[24] (art. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria.

Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que exerça suas atribuições . 153 a 160. bem ou direito que sabe necessário à companhia. de que seja titular (art. Conflito de Interesses(art. sendo vedado ao administrador. bônus de subscrição. Dever de Diligência : a lei brasileira.atribuídas por lei e pelo estatuto . de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. competência. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. caput. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores[26]. valer-se das informações para obter. 153. 154. praticar ato de liberdade à custa da companhia. no momento da posse. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. em razão de seu cargo.[28] 3. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. tempo dedicado às funções. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. conforme disposto no art. conforme art.. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. As normas desta Seção. ou que esta tencione adquirir. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios[27]. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. I . bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. conforme dispõe o art. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. receber de terceiros . aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. com ou sem prejuízo para a companhia. 152. deverá declarar o número de ações.. 151. a Lei 6. para si ou para outrem.[25] DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. ou de terceiros. 154. os seus bens. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. conforme estabelece o art. 150 § 3º e 4º). 154. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. 5. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. e em relação aos terceiros de boa-fé.[29] 5. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado.O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. para si ou para outrem. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. § 2º:. 154. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. § 3º). 157) [31] II . serviços ou créditos. 6. § único e 1º). bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. § 1º). Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. sendo-lhe vedado. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. 155 : usar. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. conforme art. adquirir. Veda-se ao administrador. no seu art. visando à obtenção de vantagens. 165) . tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES . Renúncia Rege a lei. tendo em conta suas responsabilidades. no art.[30] 5. 155. 2. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar.para lograr os fins e no interesse da companhia. também. 160. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. art. para revender com lucro. em benefício próprio ou de outrem.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . a natureza e extensão de seu interesse.404/76.

os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados .fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. 2. civil e penal. conforme segue : 1. detalha os casos em que haverá solidariedade [34]. pois dessa forma. Responsabilidade Administrativa A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. Dessa forma. provocar falsa cotação de valores mobiliários da sociedade. mas a lei.deriva do dever de diligência. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral.A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas . cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato relevante em documentos destinados ao público. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. por ser órgão colegiado. consiste. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas.492/86 . com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. quando proceder com culpa ou dolo. 3. No caso de irregularidades. Lei 7. econômica e relações de consumo. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. em proveito próprio ou de terceiro. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. porém. 3. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. em regra. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo.Crimes contra a ordem tributária. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. responde. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. 2. obter aprovação irregular de contas. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros[36]. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão. Código Penal . no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios[32]. CONSELHO FISCAL 1. Lei 8. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. § 2º e seguintes. Independe de processo formal. 2. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. no âmbito de Diretoria. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. [33] No que concerne ao Conselho de Administração. possuindo para tanto amplas atribuições. infringe-se a finalidade do interesse social. 158. civilmente.. A lei determina que o administrador. anteriormente mencionado. responderá civilmente pelos prejuízos que causar. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico. 158). nos termos do art. Composição e funcionamento . Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores.137/90 . 4. portanto. executar negociação com as próprias ações da sociedade.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários..[35]. A responsabilidade civil consiste. portanto. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes.Crimes contra o Patrimônio .entendidos como tal os diretores.

162. planos de investimento ou orçamentos de capital. 165. 161). Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. residentes no País.[40] Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. 165 retromencionado. § 1º). transformação. distribuição de dividendos. . exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. Requisitos. 5. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. Impedimentos e Remuneração A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. ou com violação da lei ou do estatuto (art. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. 162 § 1º). pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . por prazo mínimo de 3 (três) anos. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. até terceiro grau. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. caput). a responsabilidade por omissão é solidária (art.para cada membro em exercício . § 1º). Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . acrescentando o § 2º do artigo em exame.165. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. nos termos do § 1º do art.164. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. 147 [39].opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. durante o período de liquidação da sociedade. e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. sem intervir em operação social em que tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. pois exprimem uma vontade coletiva. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. 161. Quando seu funcionamento não for permanente. diplomadas em curso de nível universitário. 161. § 2º). 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. acionistas ou não.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. emitir opinião[41] sobre o relatório anual da administração. fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. inclusive. e o cônjuge ou parente. § 2º). no que tange à modificação do capital social. não computada a participação nos lucros. Nos demais casos. No que concerne à inegibilidade. desde que não comprovada conivência. de administrador da companhia. A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . 4. 6.ou ao menos um deles . que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. 153 a 156). com mandato anual (art. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. conforme dispuser o Estatuto (art. Rege ainda a lei. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. 3. ou que tenham exercido. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. .ainda que a matéria não conste da convocação[38]). 165). fusão ou cisão. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. a serem submetidas à assembléia geral. no § 7º do artigo ora enfocado. incorporação.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. conforme disposição do art.O Conselho Fiscal[37] pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas.

Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro: Forense. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integraçào . Empresas e inversiones en el Mercosur. GARRIGUES. Rio de Janeiro: Forense. HENTZ. Órgãos da sociedade anônima. Darcy Arruda.1. 1984. 1995. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva.404/76. 1983. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. Revista dos Tribunais. n. Cristina Maria. 1982. 1991. Fran. BULGARELLI. Rio de Janeiro: Forense. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. Rubens. Eliane M. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. Franca: UNESP. Direito empresarial. Doutor e Livre Docente em Direito Comercial 2. 1982. Comentários à lei das sociedades anônimas. José da Silva. 1977. André Luiz Dumortout de. São Paulo: Ed. DÓRIA. Álvaro Thomaz. Ana Maria de. BORBA. 1988. Direito societário.42. COELHO. São Paulo. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Rio de Janeiro: Forense. Curso de direito comercial. v. Curso de direito comercial. MARTINS. Wilson de Souza Campos. no prelo. São Paulo: Saraiva. MARTINS. ______. Romano. 1983. LIMA. Revista dos Tribunais. Revista dos Tribunais. Sociedade anônima: textos e casos. Questões de direito societário. GONÇALVES. COSTA. O Direito de Voto na Lei 6. 1991. 1982. REQUIÃO. 1982. ______ . Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. José Alexandre Tavares. Sociedades anônimas e valores mobiliários. Osmar Brina Corrêa. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. José Edwaldo Tavares. São Paulo: Ed. 1995. abr. São Paulo: Saraiva. Código comercial brasileiro e legislação complementar. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. Bauru: Jalovi. 1979. Manual das sociedades anônimas. Edson. BACCARIN. CRISTIANO./jun. p. Código comercial e legislação complementar anotados. Octaviano. DIAZ-CANABATE. v. PACHECO. MIRANDA JÚNIOR. São Paulo: Atlas. BACCARIN SILVA. BATALHA. Fábio Ulhoa. Revista de Direito Mercantil. v. Luiz Antônio Soares. 1984. Curso de direito comercial.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS.2. Rio de Janeiro: Forense. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. 1993. DADOS DO AUTOR PAULO ROBERTO COLOMBO ARNOLDI 1.1 e 2. GUERREIRO.69-87. 1996. Waldirio. Mestre. São Paulo: Ed. Joaquin. 1981. La sociedad anônima y sus problemas. 1992. 1977. MENDONÇA. Dylson. Wille Duarte.

BATALHA. Membro do Instituto de Direito Comercial Visconde de Cairú 5. portanto. p. cit. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. 165. 291 da lei”. [8]Consistindo em órgão de deliberação colegiada. sobre a inaplicabilidade dos arts. a Lei. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. cit.REQUIÃO e Rubens. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. [7]Cf.. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. [13]Cf. 173. . Fran.. Rubens . Adotando o sistema de voto múltiplo. Octaviano Martins. de acordo com suas necessidades estruturais. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto.. 27. São Paulo : Atlas. ob. [4]Cf. [14] Cf. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. ob. mas à luz da Constituição Federal de 1988. ob. portanto. cf. 1984. [11]MARTINS. Rubens. Fran.A. Diretor do Departamento de Direito Privado da Universidade Estadual Paulista . Comentários à Lei das S. José Edwaldo Tavares Borba. MARTINS.272.. sem descaracterizar os interesses da companhia. ob. Roger de Carvalho. p. face ao disposto no art. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. Rio de Janeiro : Forense. Osmar Brina Corrêa. Rio de Janeiro : Forense. cit. RT 667. Neste sentido. Requião. Fran. ob. Eliane M. 283. cit. MARTINS. cit.Cumpre destacar que acordo com a lei. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. in Direito de voto. Membro do Instituto de Derecho Comercial de la Universidad Notarial Argentina 6. MARTINS. cit. 1978. 164. [5]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. citado por Fábio Ulhoa Coelho. 272. p. 239).UNESP 8. sendo vedado que um só conselheiro. [12]REQUIÃO. quando se tratar de sociedades abertas. -------------------------------------------------------------------------------[1] Cf . cit. [10] De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. Professor de Direito Comercial na UNESP. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. o que significa que a regra é de ordem pública. em vantagem para os acionistas não-controladores.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. ob. reveste-se de inconstitucionalidade.USF e UNAERP . p. p. 303. MARTINS.. 1978. § 1º. 1988. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. in Sociedade Anônima. MARTINS. p. [6]Faculta. p. Fran. cit. consistindo. LIMA. Curso de Direito Comercial. isoladamente. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração.3. Universidade São Francisco . [3]A Lei 6. Membro da Fundacion Ectheverry para la Investigacion y Estudios Internacionales 7. 655. Presidente do Centro de Estudos Latino Americanos da UNESP 4.. p. [2]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. ob. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. Fran. Wilson de Souza Campos. [15] Cf. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. São Paulo : Saraiva. cit. . [9]Vide MANGE.

predomina. se extinguiria com a morte do mandante. p.” Cf. criados pelo Estatuto Social. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. que devem ser explicitados no instrumento. mas de um ato jurídico unilateral. no § 3º. [18] Cf.91. em função dos lucros . nem por isso se torna contratual. gozam. Conquanto esse ato unilateral. Código Civil art. in Revista dos Tribunais. correlatamente. p. ainda. BATALHA. Não colide com o disposto no art. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. cit. das vantagens comuns a todos.” [23] “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. em doutrina. como administradores. p. ob. REQUIÃO. p. [20]Cf. 1316. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. ob. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade.pela morte ou interdição de uma das partes. além de regulamentar. para a prática de determinados atos. § 1º). 1978. [22]É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. cit. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. 304. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. baixada nos termos do art. p. ob. nos limites de suas atribuições e poderes. 659. p. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. cit. porquanto ela é simples condição de eficácia. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. Revista de Direito Mercantil.é. 146 § único. conforme determina o art. tendo em vista suas responsabilidades sociais. [17]BATALHA. Entretanto. 154. o contrato de emprego. in Comentários. a remuneração com parte fixa e outra variável. 144 . têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. de 11. [27] Cf. 152 da Lei . são parte dela.. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. mas em certos casos. São Paulo : Forense. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada.Se o mandato fosse particular. cit. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. [24]A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. Vide também Fábio Ulhoa Coelho.. GOMES. p. do interesse da empresa”. denominado nomeação.[16]Vide Instrução CVM n. inciso II : “Cessa o mandato : . 310. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. Wilson de Souza Campos. [26]Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. cit. prevalecendo o limite menor[25](art. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. ou podem gozar.observadas sempre as normas do art. [28]Cumpre ressaltar. Especificamente. que a lei (art. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. e seus membros. por via do qual se lhe atribui. Orlando. integram-se na administração da empresa. Comentários à Lei das S. com os respectivos poderes.. inclusive mediante voto múltiplo (art. a lei impõe ao administrador. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. [25] O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. 165. [29]Ademais. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. ob. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. nesses casos. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . Fran. Não se extinguirá. mas órgão da sociedade. não apenas possível. [21]Os poderes dos diretores são indelegáveis. 661. ao lado do ato unilateral de nomeação. 139.A. Revista dos Tribunais.12. 699 : “o administrador eleito por grupo ou classe. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. vol. BULGARELLI. Rubens. portanto. MARTINS. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. 291 da LSA. 165. Anstellung. no § 2º do mesmo artigo. O mandato.. Wilson de Souza Campos.O mandato representa a outorga temporária de poderes.II . n. ob. feita pela sociedade através de seus diretores. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. 429. conforme art. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. 152. Por outro lado. [19]Cf.. .

158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. 159. § 3º). especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. em assembléia geral extraordinária.4. 157 e seus parágrafos. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. 2. Neste sentido Fran Martins.Conceito de sociedade por ações. antes de se submeterem à Assembléia Geral.. mas perante terceiros prejudicados. salvo nos casos de conivência. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. TJSP. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. (Neste sentido Fran Martins. caput.A assembléia geral na sociedade por ações. 159. cit. [34] Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade.Classificação das sociedades anônimas. Em regra. Competirá. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou. o acesso a cargos públicos (art. ao Conselho Fiscal . mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). 158 e 159. Introdução. competirá à companhia.. § 2º). à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. José Alexandre Tavares. ano XX. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. é de competência de auditores. peita ou suborno. 147 § 2º). nr 42. ob. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. peculato. não sendo possível. age além dos poderes que lhe são outorgados.[30]Ainda que observado o disposto neste artigo. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil.A função do conselho . [31] Vide na íntegra o art. que elegerá os membros. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. in Comentários à Lei das S. que em princípio. [35]Por força do art. [38]Dispõe o art. mediante prévia deliberação da assembléia geral. ob. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. a responsabilidade dos diretores. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. portanto. 3. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art.) ÓRGÃOS DE GESTÃO NAS SOCIEDADES POR AÇÕES Bruno Rodriguez Caldas Aluno do 2°ano noturno do Curso de Direito da UNESP(Franca-SP) Sumário: 1. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. ob. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. 161. conforme observa Fran Martins.A. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. [37]A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. mesmo que temporariamente. cit. contra a economia popular. [39]Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. Para os cargos de administração de companhia aberta. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. no prazo de três meses (art. 156. com atribuições definidas dentro da sociedade. exceto nas companhias abertas.A. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. 1981.6.5. RT 670/77.. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedílos. é individual. [36] “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. § 1º).ou à Assembléia Geral. Revista de Direito Mercantil. Vide na íntegra o art. em nível de Diretoria.A. [32]GUERREIRO. in Comentários à Lei das S. cit. Comentários à Lei das S. rege o § 1º do art. Nesse sentido. Revista dos Tribunais. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. 147 § 1º). 156. São Paulo : Ed. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. concussão.se em funcionamento . [40]Cf. [41]A verificação de documentos ou propostas da administração. de prevaricação. [33]Ao violar a lei ou o estatuto. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. Processo histórico.

todavia. no entanto. o fato de as primeiras sociedades por ações atenderem uma função de interesse público3. a Inglaterra inibiu o sistema de autorização e implantou o registro de empresa em órgão específico.de administração. anteriormente. por sua vez. sem dúvida. dada a quantidade de capital envolvido.8. tal modelo foi simplificado na Europa. Modelo. Assim. é necessário expor. O regime de outorga foi adotado desde a chegada da família real até 1882.A diretoria das sociedades anônimas. é o mais complexo e importante regime societário. havia uma concessão de privilégios por parte do monarca a um grupo de pessoas que passariam a desenvolver determinada atividade econômica. conselho de administração. que brevemente se espalhou por todo o mundo4. Para esses pensadores. quando se adotou o sistema . primeiramente será apresentada uma noção básica do regime societário. Alguns dizem que seu início remonta a Itália renascentista. Dessa forma. O terceiro momento da linha evolutivo desse modelo de sociedade foi marcado pela revolução industrial. Mais tarde. Dessa forma. Assim. É ponto pacífico na doutrina. No Brasil. A maioria dos estudiosos. aumentou significativamente o número de sociedades anônimas.7. que foram exercidas inclusive no nordeste brasileiro. a primeira sociedade anônima seria a Casa de São Jorge. são de suma importância para compreensão do assunto o desmembramento da sociedade em seus quatro principais órgãos (assembléia geral. espécie de Banco que possuia seu capital dividido em ações2 . 2 Processo histórico A origem das sociedades por ações gera uma divergência doutrinária1. a começar do processo de evolução histórico.9. resultou em aumento significativo de relações comerciais e de atração de capital para investir nas empresas industriais. Esse estreito relacionamento das sociedades anônimas com o Estado era tão visível que estas dependiam de uma outorga do monarca para funcionar. porém. Elas eram responsáveis por financiar atividades coloniais. o que é uma sociedade anônima: seu conceito. Tal crescimento. para somente então adentrar as questões específicas ao tema. dos órgãos responsáveis por formar esse importantíssimo regime societário.Conclusão.Referências bibliográficas. o trâmite não foi diferente. mas as sociedades ainda dependiam de autorização governamental para funcionar. 1 Introdução O presente artigo visa apresentar em seu conteúdo uma breve exposição do funcionamento interno de uma sociedade por ações. Para facilitar a sua proliferação e conseqüente desenvolvimento econômico. que acarretou em um imenso crescimento econômico. diretoria e conselho fiscal) e o estudo atento da função pertinente a cada parte para a perfeita assimilação do funcionamento de uma empresa regida por esse que. credita o título às Companhias de Comércio cuja origem é holandesa e datam de 1602. suas especificidades e classificação. Para adentrar as questões estruturais. mais especificamente em Gênova. esse. A melhor forma de compreender tal matéria se dá pelo estudo de sua composição. ou seja. O conselho fiscal nas sociedade por ações.10.

Op.Direito de Empresa. 4 FAZZIO JÚNIOR.10. foi a publicação da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A) que criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atribuiu caráter 1 NEGRÃO. 2007. 2003. V.ed.cit. São Paulo: Atlas.Curso de Direito Comercial.ed. . Ricardo. em nosso país. Outro marco significativo nesse ramo.2. 2000. 3 COELHO. Fábio Ulhoa. Fábio Ulhoa.Manual de Direito Comercial. Waldo.São Paulo: Saraiva.de registro.3.v. Manual de Direito Comercial e de Empresa.1 2 COELHO.São Paulo: Saraiva.

Ela está presente no art. devido ao pequeno porte (patrimônio líquido inferior a um milhão de reais e com capital concentrado nas mãos de até vinte acionistas). A classificação mais importante é a primeira e por isso receberá maior destaque no presente artigo. recebem tratamento especial por parte da lei10. A responsabilidade limitada dos proprietários. do patrimônio do acionista. Dylson. Anônima. os sócios. portanto. e objetiva com o exercício da empresa o desenvolvimento de atividades lucrativas. garante que os sócios só se obriguem a pagar dívidas com valor igual ao do capital investido. 3 Conceito de sociedade por ações Segundo Waldo Fazzio Júnior5 a sociedade por ações é uma pessoa jurídica de direito privado que possui. Por outro lado. as demais sociedades são consideradas fechadas. mas sim o capital investido. ou seja. nosso direito admite o regime de regulamentação às companhias fechadas e o de autorização às abertas. por sua vez. possuirem responsabilidade limitada.cit. Para garantir segurança ao mercado acionário e incentivar o investimento nessas companhias. Ricardo. apesar de obedecer. Dentre esse segundo grupo de sociedades faz mister acrescentar que algumas.Op. nacionais ou estrangeiras se for observada a transnacionalidade de seu capital. referente à pessoa jurídica. Há. e o fato de os seu proprietários. o valor correspondente às suas ações. portanto. ou seja. 4 Classificação das sociedades anônimas A classificação das sociedades anônimas difere de acordo com o critério adotado. e em multinacionais. Essas companhias são regidas por um estatuto e recebem uma denominação. a direção e a atuação6. caráter mercantil. não se sujeitam às negociações públicas de valores mobiliários na bolsa de valores ou balcão. Suas principais características são: a divisão de seu capital em frações transmissíveis (ações). o governo exige autorização governamental mediante registro na CVM (autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda) para essas empresas poderem atuar8. Op.4° da Lei de Sociedade 5 6 NEGRÃO. A sociedade é considerada aberta quando admite negociação pública de valores mobiliários a fim de captar recursos7. por força de lei. um regime próprio de . Elas podem ser classificadas como: abertas ou fechadas de acordo com a emissão e distribuição de valores mobiliários em bolsa de valores ou mercado de balcão. Se não observados tais procedimentos ocorre crime que prevê pena de reclusão de 2 a 8 anos mais multa 9. DORIA. também. A divisão do capital social em ações revela que nesse tipo de empresa não importa a pessoa do sócio.dual ao nosso sistema. Dessa forma. uma total separação do patrimônio da sociedade. privada ou mista se for considerada a origem do capital. os proprietários podem negociar as suas ações no momento que desejar e com a pessoa que lhe for conveniente sem necessitar de autorização dos demais sócios. Observa-se. Ainda neste tópico é importante esclarecer que a sociedade de economia mista é aquela mantida pelo Poder Público e que criada para explorar a atividade econômica de produção de bens ou prestação de serviços.cit. aos princípios da administração pública. Tal tipo de empresa atende a uma função social e se sujeita ao regime jurídico de empresa privada. Assim.

outro sócio. 2004 A assembléia geral “é o órgão máximo da companhia e dela participam todos os acionistas com direito a voto.cit. Ainda no que abrange a legitimidade de participação faz mister acrescentar que os proprietários sem direito a voto podem discutir. Estes. eleger ou destituir o conselho de administração (se existir). por outro lado. ou melhor. A limitação subjetiva refere-se às qualidades do sujeito representante que pode ser. ou um advogado (que também pode freqüentar às reuniões como acompanhante do acionista.Op.cit.cit. FAZZIO JÚNIOR. taxativamente. a diretoria (quando não existir conselho de administração) e o conselho fiscal. 11 12 COELHO. Além da legitimidade. COELHO.Op.administração estatal que exerce controle governamental sobre a companhia. Seu caráter e exclusivamente deliberativo”11. expressam o interesse da companhia sobre temas específicos. 13 DORIA. como auditores independentes. os acionistas. Dylson. a assembléia geral é uma reunião privada cuja legitimidade de participação é exclusiva de seus membros. um administrador da companhia.cit.2 ed. No caso das pessoas legitimadas não poderem comparecer. São Paulo: Atlas. A limitação temporal. devem se identificar através de identidade. e deliberar sobre operações de transformação. que apesar de não serem sujeitos de direito. Fábio Ulhoa. a diretoria e o conselho fiscal. se manifestar sobre a composição da pauta de discussão.cit. um representante de instituição financeira (só em caso de sociedades abertas). 7 8 COELHO. proprietários de ação nominativa ou através de identidade e extrato de compra de ações. no entanto. Op. quatro possuem maior relevância e por isso são previstos em lei. apenas determina que a procuração para representação tenha validade de um ano12. a competência da assembléia também deve ser exposta. podem eleger um representante que defenda os seus interesses. sofre limitações do tipo temporal e do tipo subjetivo. Op. 10 FABRETTI. Esse órgão é o único capaz de: reformar o estatuto social. 5 A assembléia geral na sociedade por ações Para melhor atender seus fins administrativos e jurídicos as sociedades anônimas apresentam desdobramentos de sua pessoa jurídica. incorporação e cisão13. prestando-lhe assessoria jurídica). Direito de Empresa no novo código civil. Tratamse dos órgãos sociais. 9 DORIA. Dylson. o conselho de administração. Fábio Ulhoa. observar e discutir a prestação de contas dos administradores. quando donos de ações custodiadas em instituições financeiras ou ações escriturais.Op.Op. ou seja. por sua vez. .cit. Assim. a qual pode abranger as mais minuciosas questões administrativas. Láudio Camargo. Outro fator a ser adicionado é que pessoas distintas dos acionistas. Eles são: A assembléia geral. Apesar destes órgãos poderem ser livremente instituídos pelo estatuto social. A escolha deste. Waldo. suspender os direitos de acionistas. fusão. membros do conselho fiscal e de administração podem participar das assembléias quando ela os convidar ou convocar. Fábio Ulhoa.

Devido a grande quantidade de funções da assembléia geral, a doutrina a classifica em quatro tipos14: assembléia geral constituinte, especial, ordinária(AGO) e extraordinária(AGE). O primeiro tipo ocorre quando a reunião visa à constituição da sociedade anônima. O segundo visa assegurar direitos de titulares de determinadas classes de ações, evitando modificações estatutárias que os prejudiquem. As duas últimas, no entanto, são as mais importantes e por isso merecem maior destaque. A AGO possui um caráter de obrigatoriedade e periodicidade15, já que deve se reunir uma vez ao ano, no período de quatro meses após findo o exercício social. Ela examina a prestação de contas dos administradores, delibera e voto o destino do lucro líquido alcançado, aprova correção da expressão monetária e, quando necessário, elege o conselho de administração e o conselho fiscal. Esse tipo de assembléia geral necessita da presença de um auditor independente e de um membro do conselho fiscal para atribuir seu parecer sobre as questões discutidas. Tal exigência, se não cumprida, adia a deliberação. Ademais, vale frisar que, salvo em companhias fechadas, os administradores, mesmo que acionistas (membros do conselho de administração), não votam sobre as decisões de sua administração, já que a aprovação de suas contas os isenta de responsabilidade fiscal e administrativa. Os resultados obtidos na AGO, por sua vez, devem ser promovidos pelos administradores em um prazo de 30 dias. Qualquer assunto estranho aos três primeiros tipos de classificação, como a reforma de estatuto, serão tratados pela AGE. Para reunião da assembléia geral, porém, ela deve ser convocada. A competência para a convocação é do conselho de administração, caso este não exista, a atividade será exercida pela diretoria. Em casos excepcionais, todavia, a convocação pode ser realizada pela própria assembléia fiscal, pelo conselho fiscal ou até pelos acionistas16. Esse ato de convocação é tido como formal e deve se dar por publicação de anúncio. Tal procedimento, se não observado, impossibilita a deliberação, salvo hipótese de todos acionistas se encontrarem presentes17.
14 15

FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit. COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. 16 DORIA, Dylson.Op.cit. 17 NEGRÃO, Ricardo. Op.cit.

Convocada a assembléia geral, os trabalhos, ou seja, os debates e votações são presididos por uma mesa cuja composição é prevista no estatuto da companhia. De acordo com o assunto deliberado, vale ressaltar, há exigência de um quorum. Este se subdivide em quorum de instalação e de deliberação, O primeiro é requisito para a realização da reunião (pode ser reunião de 1/4, 1/2 ou 2/3 do capital social) e o segundo serve de condição para a validade das decisões alcançadas (pode ser de maioria absoluta ou até de unanimidade)18. Por fim, as deliberações são narradas, por escrito, em uma ata que deve ser assinada por todos os acionistas presentes e lavrada no livro de atas das assembléias gerais. Se não documentada dessa forma, a lei permite que as atas sejam lavradas sob forma de sumário dos fatos ocorridos, contendo apenas as deliberações levadas a termo.

6 A função do conselho de administração O conselho de administração é um órgão deliberativo com quantidade de membros de número ímpar e plural, ou seja, é composto por no mínimo três pessoas. Sua existência é obrigatória em companhias abertas, sociedades com capital autorizado ou de economia mista, sendo de presença facultativa nas demais sociedades por ações. Sua composição é oriunda de eleição pela assembléia geral e desse mesmo órgão recebe parcela da competência. O conselho de administração pode atuar em qualquer matéria de interesse da companhia com exceção àquelas de atividade privativa à assembléia geral. Contudo, sua função específica é: fixar orientação geral para negócios; eleger e destituir diretoria; suprir omissões do estatuto no que concerne sobre a divisão de competência entre os diretores; fiscalizar a diretoria; convocar a assembléia geral; se manifestar sobre o relatório anual de prestação de contas da diretoria; e escolher e destituir auditores independentes19. O processo de eleição, por sua vez, é legalmente definido como o de voto múltiplo. Esse modelo eleitoral atribui a cada ação uma quantidade de votos equivalentes ao número de cargos que compõe o conselho, quantidade esta prevista no estatuto social. Desse modo, objetiva-se atribuir representatividade a minoria
18 19

COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit.

acionária. O acionista quando for votar pode concentrar esses votos em um só candidato ou distribuí-los de acordo com seus interesses. Os trabalhos eleitorais serão presididos pela mesa da assembléia geral, que deve, anteriormente a votação, informar aos acionistas a quantidade de votos necessários para garantir a eleição de um membro no conselho20. O período de gestão, também é regido pelo estatuto, mas pode ser interrompido pela assembléia geral. Este órgão tem o poder de destituir o conselho. Tal destituição não precisa ser motivada, já que o conselheiro exerce cargo de confiança, ou seja, encontra-se em seu cargo por autonomia da vontade e, portanto, por essa mesma vontade pode perder sua posição. Por fim, é importante falar da previsão de escolha de um dos membros para o posto presidente do conselho. Esse procedimento obedece à forma prevista no estatuto, sendo, normalmente, fruto de escolha democrática pelos próprios membros do conselho. O presidente é responsável por convocar e dirigir as reuniões bem como resgistrá-las em atas cujo conteúdo será lançado em livro próprio depois de assinada por todos os membros presentes. Nem todas as atas, porém, necessitam ser arquivadas. Tal procedimento torna-se obrigatório somente nos casos que acarretem efeitos a terceiros ou quando a ata relatar reuniões nas quais haja eleições para diretores ou renúncia de conselheiros21. 7 A diretoria das sociedades anônimas Láudio Camargo Fabretti define a diretoria como “órgão executivo das deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e de representação legal da companhia”22. Os diretores não precisam ser acionistas e são escolhidos pelo conselho de administração, na ausência deste o processo pode ser realizado pela assembléia geral. A destituição de cargo pode ser feita a qualquer momento pelos mesmos órgãos 23 que também são responsáveis pela atribuição de competência a cada diretor.
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FABRETTI, Láudio Camargo.Op.cit. 22 DORIA, Dylson.Op.cit. 23 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit

A quantidade de diretores, bem como o período de gestão é determinada pelo estatuto social, certo, porém, é que o mandato não pode ser superior a três anos (cabe reeleição) e que a companhia deve contar com pelo menos dois diretores. No máximo 1/3 da quantidade máxima de diretores, no entanto, pode ser composta por membros do conselho de administração. No que tange à responsabilidade, os diretores respondem solidariamente por responsabilidade civil caso não observem em seus atos o procedimento estabelecido pelas normas da companhia24. Por fim, há de se citar a existência de casos específicos nos quais os diretores têm a necessidade de se reunir para deliberar. Nestas situações, a decisão a ser tomada flui da maioria dos votos. Tais trabalhos são registrados em atas cujo conteúdo é lavrado em livro próprio. 8 O conselho fiscal nas sociedades por ações O conselho fiscal é responsável por fiscalizar os demais órgãos, principalmente no que concerne às prestações de contas, e à legalidade e regularidade dos atos de gestão25. Assim, sua atividade deve ser autônoma, ou seja, não pode ser hierarquicamente inferior ao conselho

que o conselheiro que tiver se posicionado de forma contrária (verificação se dá por registro em ata) se exime do cumprimento da obrigação27. é livre e prevista em estatuto social. portanto de um órgão de discussão e votação que é utilizado como instrumento de manifestação da vontade dos proprietários para a realização das atividades. Dentre essas subdivisões. visto que reúne os acionistas e decide. FAZZIO JÚNIOR. Op. são tratados pelo direito. Op. por sua vez. O art.163 da LSA garante a necessidade de registrar as reuniões em atas e arquivar os pareceres. para melhor exercer as suas funções é dividida em órgãos que realizam funções específicas. portanto. é importante acrescentar que as companhias abertas devem contratar auditores independentes registrados no CVM para. Eles são: a assembléia geral. conselho de administração. por sua vez. È importante ressaltar. porém o seu funcionamento é facultativo. O conselho de administração.cit. pode-se requerer ao juiz da comarca uma autorização especial. é um órgão facultativo. Outro aspecto importantíssimo do conselho é a sua responsabilidade. todavia exige-se que sejam graduadas em ensino superior ou pelo menos contem com uma experiência mínima de três anos em cargo de administrador. a empresa deve contar com um conselho fiscal. Waldo. A presença do órgão. a assembléia geral é tida como mais importante. Caso não haja na 24 25 DORIA. Para bem realizar sua atividade. todavia. o conselho deve ter a sua disposição todo o arsenal de informações necessárias. realizar função de fiscalização. ela é feita através da escolha de um número de três a cinco membros (mesmo número de suplentes) pela assembléia geral. Finalmente. já que disponibiliza aos acionistas para exercícios de direito e de fiscalizar e votar”26. Waldo. exercer sua atividade. Ele pode exercer atividades referentes a qualquer matéria da companhia. Trata-se. 9 Conclusão Após o breve estudo do tema pode-se perceber que a sociedade por ações. vencendo sempre a maioria. que recebe parcela da competência da assembléia geral. salvo aquelas . é obrigatória. Formado o conselho. A quantidade de subdivisões.165 da mesma lei. Dylson. também. O mesmo artigo define. No que tange a composição do conselho. mas esse não precisa.de administração nem à diretoria.Op. por isso. Waldo Fazzio Júnior acrescenta que “ sua atuação é instrumental.cit 26 FAZZIO JÚNIOR. que em caso de omissão ele responderá de forma solidária. destacam se em relação aos demais e.cit empresa pessoas com estas qualificações. diretoria e conselho fiscal. porém. Assim. através de deliberações todo o futuro da sociedade empresária bem como elegem os membros que compõe os outro órgãos. por sua vez. As pessoas a serem escolhidas não precisam ser acionistas. por sua vez define que o conselho fiscal será responsabilizado se for conivente com medidas ilícitas ou prejudiciais a sociedade. necessariamente. ele passa a realizar seus trabalhos de forma colegiada. Quatro órgãos. O art. também.

que são exclusivas à assembléia geral. Waldo.cit . Op. Já a diretoria exerce cargo executivo e de representação da companhia e o 27 FAZZIO JÚNIOR.

que se caracteriza pelo seu grande porte e movimentação intensa de altos valores.1.ed. NEGRÃO. Manual de Direito Comercial e de Empresa. 2007. Ricardo. 2000. .2. DORIA. FABRETTI. São Paulo: Atlas. Direito de Empresa no novo código civil. 2003. Curso de Direito Comercial.14. 2 ed. que para o bom andamento de uma sociedade anônima.v. 2004.São Paulo: Saraiva.v. a divisão de funções para os órgãos objetiva a maior segurança nos negócios e conseqüente maior lucratividade.Direito de Empresa. Curso de Direito Comercial.3.ed. Percebe-se. FAZZIO JÚNIOR. portanto. como não poderia deixar de ser realiza trabalhos de fiscalização das atividades exercidas pelos demais órgãos. V. Waldo. Fábio Ulhoa.1.10. Assim. Láudio Camargo.ed. São Paulo: Atlas.São Paulo: Saraiva. faz-se necessária uma divisão de tarefas que otimize os trabalhos e garanta bons resultados aos acionistas. Manual de Direito Comercial. Dylson.São Paulo: Saraiva. 2000. 10 Referências bibliográficas COELHO.conselho fiscal.

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