SOCIEDADES ANÔNIMAS A presente matéria visa orientar às Sociedades Anônimas acerca das publicações legais de atas, convocações, anúncios

e demonstrações financeiras. Procuramos destacar aspectos práticos e de âmbito geral, tais como prazos a serem observados, obrigatoriedade das publicações e casos em que as mesmas são dispensadas, jornais para a veiculação dos atos societários, bem como os caracteres gráficos mínimos permitidos por lei. Vale ressaltar que a presente matéria trata das normas gerais da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações objeto da Lei n. 9.457, de 05 de maio de 1997, e da Lei n. 10.303, de 31 de outubro de 2001, aplicáveis às sociedades anônimas em geral. Cabe a cada S/A verificar as normas específicas aplicáveis ao seu caso em particular, sem prejuízo das normas gerais. Assim sendo, as Instituições Financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, deverão observar as normas específicas expedidas por esse órgão. Assim também deverão proceder as companhias abertas, observando as normas específicas emanadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Publicações Legais ordenadas pela Lei n. 6.404/76 às Sociedades Anônimas Edital de Convocação: A convocação far-se-á mediante anúncio publicado por três vezes, no mínimo, contendo, além do local, data e hora da assembléia, a ordem do dia, e, no caso de reforma do estatuto, a indicação da matéria. (art.124). 1a. Convocação: Na companhia fechada com 8 dias de antecedência, no mínimo, contado o prazo da publicação do primeiro anúncio e na companhia aberta com 15 dias de antecedência. 2a. Convocação: Não se realizando a Assembléia, deve ser publicado novo anúncio. Na companhia fechada com 5 dias de antecedência e na companhia aberta com 8 dias de antecedência. Cabe ressaltar, que não se admite anúncios prevendo desde logo a 2a. convocação. Deve ser publicado novo anúncio. Dispensa da publicação: A Assembléia que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação do edital (art. 124 § 4o.). Atentar para o dispositivo legal que se refere a "todos os acionistas", e não apenas aos que possuem "direito de voto". Aviso aos Acionistas: Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária, por anúncios publicados por três vezes, no mínimo, que se acham à disposição dos acionistas os documentos referidos no art. 133. Dispensa da publicação:

a) a assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas está dispensada da publicação dos anúncios (art.133 § 4o).); ou b) a empresa que publicar o Balanço e demonstrações financeiras até 1 (um) mês antes da data marcada para a realização da assembléia geral ordinária (art.133 § 5o.) Balanço: O Balanço e demais Demonstrações Financeiras deverão ser publicados até 5 dias antes da Assembléia Geral Ordinária (art. 133 § 3o). A assembléia geral que reunir a totalidade dos acionistas poderá considerar sanada a inobservância do referido prazo, mas é obrigatória a publicação dos documentos antes da realização da assembléia (art. 133 § 4o). Atas: Todas as Atas de Assembléias Gerais de Acionistas deverão ser publicadas. Extrato de Ata - Tem-se observado a publicação de extrato de ata lavrada na forma sumária, ou seja, a publicação de um "resumo" do "resumo". Isto é inadmissível. Somente quando a ata é completa, plena, lavrada sob a forma tradicional, discorrendo sobre todos os fatos ocorridos, aí sim, é permitido extrair um extrato para a publicação, ou seja, um texto mais resumido, conciso, com o sumário dos fatos ocorridos e das deliberações tomadas. O legislador é claro quando diz no art. 130 § 1o. que a ata poderá ser lavrada na forma de sumário dos fatos ocorridos, e conter a transcrição apenas das deliberações tomadas. E, no mesmo art. 130 § 3o. diz que, se a ata não for lavrada na forma permitida pelo § 1o., poderá ser publicado apenas o seu extrato, com o sumário dos fatos ocorridos e a transcrição das deliberações tomadas. Portanto, apenas para a ata que não foi lavrada na forma de sumário, é facultada a publicação de um extrato. O Prof. Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 2o. vol., pgs. 757/758, 2003) discorrendo acerca de tal dispositivo legal afirma que "Não pode ser publicado extrato de ata sumária – Ainda que pareça despicienda a repetição do texto claro da lei a respeito, torna-se indispensável ressaltar que é absolutamente ilegal a publicação de extrato de ata submetida ao regime sumário". É importante frisar, que a faculdade dada pelo legislador para as sociedades anônimas publicarem um extrato de ata, refere-se única e exclusivamente às atas de Assembléias Gerais de Acionistas. Tal faculdade não se estende às atas de Reuniões do Conselho de Administração. Estas, quando contiverem deliberação destinada a produzir efeitos perante terceiros, deverão ser publicadas na íntegra. Artigo 294 A companhia fechada que tiver menos de 20 (vinte) acionistas, com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) poderá: - convocar assembléia geral por anúncio entregue a todos os acionistas,contra recibo, com a antecedência prevista no art. 124, ou seja, está dispensada de publicar o edital de convocação; e - deixar de publicar o Balanço e demais Demonstrações Financeiras de que trata o art. 133.

O disposto neste artigo não se aplica à companhia controladora de grupo de sociedades, ou a ela filiadas, ou seja, suas controladas e coligadas. Cabe lembrar que a dispensa de publicação a que se refere o art. 294, limita-se tão somente ao edital de convocação e ao balanço. Note-se que o referido artigo não menciona os avisos pondo à disposição dos acionistas os documentos a que se refere o art.133. Portanto, conforme entendimento de longa data da Procuradoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo esses avisos deverão ser publicados. Jornais de veiculação das publicações legais As publicações ordenadas pela Lei das S/A serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme o lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia (art. 289). Vale ressaltar que as publicações legais (convocações, anúncios, demonstrações financeiras e atas) das S/A cuja sede é, por exemplo, no Estado de São Paulo, deverão ser feitas: - no órgão oficial do Estado, ou seja, obrigatoriamente no Diário Oficial do Estado de São Paulo, não se admitindo Diário Oficial da União, e - em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia. Entende-se por "jornal" o que se publica, no mínimo, cinco dias na semana, a exemplo do próprio Diário Oficial do Estado de São Paulo que tem cinco publicações semanais. E por "grande circulação" entende-se o jornal cuja distribuição é feita na localidade em que é editado de forma regular e de fácil acesso aos acionistas. Caracteres gráficos nas publicações legais A Lei n. 8.639 de 31/03/93 disciplinou o uso de caracteres nas publicações obrigatórias. O tipo de letra deve ser, no mínimo, de corpo seis, e o título deve ser do tipo doze ou maior. O não-cumprimento dessa determinação será objeto de exigência pela Junta Comercial, conforme disposto no art.57 do Decreto n. 1.800/96. Em São Paulo, de acordo com a Portaria Jucesp n. 73/98, somente serão aceitas as publicações legais em jornais de grande circulação que utilizarem corpo de letra no mínimo de corpo seis, com entrelinhamento mínimo de seis e meio. Não serão aceitas publicações com caracteres condensados. As publicações a serem feitas no Diário Oficial do Estado de São Paulo continuam obedecendo aos padrões vigentes naquele órgão, conforme Portaria 002 de 18 de fevereiro de 2.000 da Imprensa Oficial do Estado S/A, em seu artigo 2o. que reza o seguinte: I – o nome da empresa deverá constar de linha (s) única (s) de abertura, não recorrido, com corpo mínimo de 12, negrito; II – o CNPJ, título da matéria (ata, relatório da diretoria, etc.) e o restante do material será no corpo mínimo de sete, com entrelinhamento mínimo de 7/8 (sete sobre oito).

3 Os livros Sociais. 11. 6. Os métodos ou formas da escrituração.2. 6. Palavras-chave:.3) Livro Balancetes Diários e Balanços – 4. Funções da escrituração – 9. 4.1. De même avec la création du Système Public de Comptabilité Digitale. 4. c´´est-à-dire.2. Registro de Saídas. 3. a real situação do empresário. e bem como o seu desempenho.11. 4.3. Microfilmagem.Sistema Público de Escrituração digital Résumé: Nous sommes en avant d´´une nouvelle étape dans le secteur d´´entreprise et comptable. 3.6. Registro de Controle da Produção e do Estoque. Conservação da escrituração – 10. Competência da Secretaria da Receita Federal. 4. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência.2. 4. Os Livros Fiscais. Acesso às informações do SPED – 8.1.1. Escrituração – Demonstrações Contábéis e financeiras –– Sociedade anônima .022/2007 a apporté varie des changements dans le champ de la comptabilité et des démonstrations financières des sociétés anonymes et dans les sociétés de grand transport. Livro-diário. Usuários do SPED.10. Registro de Inventário. A fim de expressar. ou seja. Perda. Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis – 3.Introdução – 2.1. 4. la Loi n° 11. 4. 4.638. la nécessité a établi d´´amélioration de l´´enquête de l ´´exercice social et de la démonstration comptable et financière de la société.3.4.7. Livro Razão. Valor probante da escrituração – 7. Disposições Gerais . Conseqüência da irregularidade na escrituração – 11.4.2. Livros em papel. a Lei nº 11.2.2. 7.5. 4. 4.9. Função do SPED.2. estabeleceu-se a necessidade de aprimoramento do levantamento do exercício social e da demonstração contábil e financeira da sociedade. périodiquement. extravio ou inutilização de livros fiscais. 7.Société anonyme Système Public de Comptabilité digitale. 28 de décembre de 2007 et du Décret 6. 4.3. Os Livros Contábeis. Sistema Público de Escrituração Digital. Most clef: Comptabilité .2.2. de 28 dezembro de 2007 e o Decreto 6. O livro de apuração do lucro real (LALUR). Requisitos intrínsecos e extrínsecos – 6.2. 7.2. periodicamente. la réelle situation de l´´entrepreneur.1. Registro de Entradas.1.1. Os Métodos e o Valor probante da escrituração.Démonstrations Contábéis et financières . Livro de Movimentação de Combustível (LMC). 4.4. Registro de Duplicatas.1. Fichas. Espécies de Livros Empresariais. 4.1.8. Livros Facultativos – 5.2.1. Registro de Apuração de ICMS. 4.638.3. Instrumentos de escrituração mercantil. 3. Inclusive com a criação do Sistema Público de Escrituração Digital. Outros Livros fiscais – 4. 4. 3. 7.2.2. Exibição dos livros empresariais. Exibição judicial dos Livros empresariais.2.1. 4.022/2007 trouxeram varias mudanças no campo da escrituração e das demonstrações financeiras das sociedades anônimas e nas sociedades de grande porte.Do exercício social e das demonstrações contábeis Resumo: Estamos diante de uma nova etapa na área empresarial e contábil. Livros Digitais – 4. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais.2. 4.3. Sumário: 1.2. et ainsi que sa performance. Afin d´´exprimer. Exibição administrativa dos Livros .

14. Referencias Bibliográficas 1. posteriormente compilados em livros e fichas. Passivo. 14. mas ambos serão considerados em conjunto como uma unidade" (art. A Escrituração completa é composta pelos lançamentos contábeis e pelas demonstrações financeiras elaboradas no encerramento de cada exercício social [01]. 14.1. Ativo. Obrigatoriedade e reponsabilidade do contabilista – 13. a lista mais comum de vantagens de uma entidade para manter escrituração contábil.1. Escrituração é o nome que a legislação escolheu para expressar o ato de se efetuarem os lançamentos em contas.empresariais – 12. IV)Imprescindível no requerimento de recuperação judicial (Lei 11. do CPC).1.4. . 14. Tanto as sociedades empresárias como os empresários individuais estão obrigados a seguir um sistema de contabilidade [03]. Contudo.5. A demonstração do resultado do exercício. uns são favoráveis ao interesse de uma parte e outros lhe são contrários. 14. geralmente para fins contábeis.Introdução No Direito empresarial. A demonstração dos fluxos de caixa. sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência ou de planejar seu crescimento. A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. A demonstração do valor adicionado no caso de companhia aberta. por certo encontrará dificuldades em obter fomento creditício em instituições financeiras ou de preencher uma simples informação cadastral [05]. bem como não possibilita ao empresário avaliar o acerto das decisões administrativas e negociais tomadas.Disposições Gerais .2. Divulgações das demonstrações contábeis .3. sendo inclusive indivisível a escrituração "se os fatos que resultam dos lançamentos. O balanço patrimonial. e a levantar anualmente balanço patrimonial e o resultado econômico.101/2005). As conseqüências para a falta das demonstrações contábeis periódicas são as seguintes – 15.16. Impossibilitada de elaborar demonstrativos contábeis por falta de lastro na escrituração. pois a expressão mais ajustada para o Capítulo IV do Livro sobre Direito de Empresas seria chamá-lo de Exercício Social e Demonstrações Contábeis. 14. III)Contestação de reclamatórias trabalhistas quando as provas a serem apresentadas dependam de perícia contábil.3. Escrituração é o conjunto de lançamentos contábeis. mecanizado ou eletrônica com. a expressão Escrituração é criticada por Eliseu Martins [02]. Filiais – 14.1. base na escrituração uniforme de seus livros em correspondência com a documentação respectiva. Assim. [04] Devemos expor que o empresário sem um sistema que demonstre o exercício social e as demonstrações contábeis é uma entidade sem memória. 14. são as seguintes: I)Oferece maior controle financeiro e econômico à entidade. 380.2. bem como os rumos a serem seguidos. Assim. Demonstrações contábeis. II)Comprova em juízo fatos cujas provas dependam de perícia contábil. 14.

que Altera e revoga dispositivos da Lei no 6. VIII)Distribuição de lucros como alternativa de diminuição de carga tributária. até pela obviedade das vantagens acima listadas. cabendo ao administrador. para os fins exclusivos desta Lei. não há que se falar que a publicação das demonstrações financeiras esteja inserida dentro do .179 a 1.020).000. a situação patrimonial na hipótese de questões que possam existir entre herdeiros e sucessores de sócio falecido.638/07 é expresso no sentido de que as sociedades de grande porte devem observar as regras da Lei das S/A no que tange à elaboração e escrituração das demonstrações financeiras. Parágrafo único.638.00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300..404. Considera-se de grande porte. para fins de apuração de haveres ou venda de participação.000. X)Prova. ativo total superior a R$ 240.000. IX)Prova a sócios que se retiram da sociedade a verdadeira situação patrimonial.000.385. VII)Facilita acesso ás linhas de crédito. no exercício social anterior. de 28 de dezembro de 2007. pois o artigo 3º da Lei 11. e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. de 15 de dezembro de 1976. [06] A Lei 11. do Código Cível e em outros diplomas legais. de 7 de dezembro de 1976. VI)Base de apuração de lucro tributável e possibilidade de compensação de prejuízos fiscais acumulados.404. as disposições da Lei nº 6.V)Evita que sejam consideradas fraudulentas as próprias falências. supre exigência do Novo Código Civil Brasileiro quanto á prestação de contas (art.00 (trezentos milhões de reais). 3º Aplicam-se às sociedades de grande porte. sócios ou representantes implementarem a escrituração através de contabilista devidamente habilitado. de 15 de dezembro de 1976. ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações. a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver. Inicialmente poder-se-ia indagar da não obrigatoriedade da publicação das demonstrações contábeis. em juízo. 1. sujeitando os sócios ou titulares ás penalidades da Lei que rege a matéria. que trata da elaboração das demonstrações financeiras. sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários. Portanto. determina que: Art. a contabilidade deve ser considerada sempre uma ferramenta imprescindível à gestão de qualquer entidade. A matéria sobre o Exercício Social e as Demonstrações Contábeis está disciplina nos artigos 1. e da Lei no 6.195. Muito embora a regra que determina a publicação das demonstrações esteja inserida em um dos parágrafos do artigo 176 da Lei das S/A. XI)Para o administrador.

mas libera o método de escrituração. já o menciona expressamente. o francês. b) O sistema suíço é adotado pela Inglaterra.638. e c) O sistema germânico é adotado na Alemanha. em Consulta Pública lançada no dia 14 de janeiro de 2008. Não discrepa o ente regulador do entendimento esposado neste artigo. informar em caráter preliminar que embora não haja menção expressa à obrigatoriedade de publicação dessas demonstrações financeiras. fornecedores. Não obstante as considerações acima apresentadas é imprescindível destacar que. A lei impõe certos livros como obrigatórios.Instrumentos de escrituração mercantil O mecanismo de escrituração deve obedecer a um sistema de contabilidade o qual se refere a um conjunto de elementos interconectados harmonicamente. [09] O sistema de contabilidade deverá ser mecanizado ou digitalizado por meio eletrônico. estas devem seguir os parâmetros exigidos pela legislação em vigor. inclusive eletrônicos (tais como websites). a publicação ou a divulgação de tais informações. empregados.processo de sua elaboração. vale mencionar que. a) O sistema francês é o adotado pelo Brasil. institucionais e estrangeiros. que são duas atividades completamente distintas e inconfundíveis..Sistemas legislativos do Exercício Social e das Demonstrações Contábeis As legislações atuais instituem três sistemas de demonstrar o exercício social e contábeis. onde a lei obriga o empresário a ter livros. de modo a formar um todo organizado visando interpretar e registrar os fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. por quaisquer meios.. . caso as sociedades de grande porte optem pela publicação ou a divulgação voluntária de suas demonstrações financeiras. é extremamente positiva. anterior. Reconhece apenas a inexistência de menção ao verbo "publicar" na lei nova sem contestar que a lei alvo da modificação. embora a nova lei não obrigue expressamente as sociedades de grande porte a publicar suas demonstrações financeiras. uma vez que a transparência apresenta-se como uma das medidas que mais agregam valor à empresa no campo da governança corporativa. Certamente oferecerá mais elementos para reflexão dentro da polêmica instaurada. veio a Comissão de Valores Mobiliários [07]. o suíço e o germânico.". credores. Derivará da Consulta Pública aberta até o próximo dia 25 um ato normativo para regular os efeitos da novel legislação. orienta pelo atendimento às regras de transparência já editadas. Por fim. governos e a sociedade em geral. a denominação e as regras de escrituração [08]. 2. consumidores. especialmente perante investidores potenciais. A Lei impõe o número de livros obrigatórios. mas deixa livre a espécie destes e o método de escritura. dando norma para a representação gráfica dos mesmos. 3. Sem deixar de acompanhar a intensa movimentação do mercado após a edição da Lei 11.

protegidos exteriormente por duas capas. enfeixados em capas flexíveis e de pouca resistência. As disposições desta Instrução Normativa aplicam-se às filiais.180. de 25 de abril de 2006. com sede em país estrangeiro (artigo 1º). manuscritos. II . observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade. de acordo com as necessidades do empresário ou da sociedade empresária. Existindo erro ou omissão de algum dado obrigatório do termo de abertura e/ou encerramento. Fichas O Código Civil permite que os livros em papel venham a ser substituídos por fichas ou formulários avulsos ou contínuos por aqueles que adotavam escrituração mecanizada ou eletrônica (artigo 1. sucursais ou agências. incluído na seqüência da escrituração o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Segundo o método de sua confecção. a qual deverá ser assinada pelos mesmos signatários do termo e homologada pelo autenticador do instrumento pela Junta Comercial.conjunto de fichas avulsas (artigo 1.180. desde que obedeçam as formalidades legais. 3. quando for o caso (artigo 4º. Livros encadernados são os que se costuram com maior firmeza e segurança. V . Segundo o artigo 2º da Instrução Normativa nº 102. Livros brocardos são ligeiramente costurados ou grampeados. IV . no livro em papel. O livro não poderá ser dividido em volumes. e de maior resistência.1. do empresário ou sociedade autorizado a funcionar no País. em livro já autenticado pela Junta Comercial.180). iniciando se pelo numeral um. A retificação de lançamento feito com erro. [10] .conjunto de fichas ou folhas contínuas (artigo 1.2. do Código Civil). ser escriturado mais de um livro. do Código Civil). em relação a um mesmo período. de mesmo número ou não. geralmente duras. 3.A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº nº 102. impressos. deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência. contendo a escrituração retificada (artigo 5º. mediante termo de homologação por esse datado e assinado. não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro. sendo protegidos por capas. Livros em papel De acordo com De Plácido e Silva a expressão livro é o vocábulo usado para designar (…) toda coleção de cadernos. no País.livros em papel. sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria. os livros são brocados ou encadernados. da Instrução Normativa nº 102/2006). de 25 de abril de 2006 pode elaborado em: I . podendo. parágrafos 2º e 3º. poderá ser feita ressalva na própria folha ou página. III . da Instrução Normativa nº 102/2006).livros digitais. A numeração das folhas ou páginas de cada livro observará ordem seqüencial única.livros em microfichas geradas através de microfilmagem de saída direta do computador (COM).

como instrumento de escrituração.404. anualmente. ainda. CD-ROMs e pen-drives. inserido em cada autenticação. pelo empresário individual ou pelo administrador da sociedade empresaria. Para produzirem efeitos legais. de acordo com as regras do IPC Brasil. com certificado digital [12]. parágrafo 1º. Pode ser vendido ou até mesmo disponibilizado para download em alguns portais de internet gratuitos.3. da Instrução Normativa nº 102/2006). 100 da Lei nº 6. Livros Digitais Segundo a Wikipédia [11] o livro digital ou E-book é um livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores. selo cronológico digital. No caso das companhias abertas.404. por meio de carimbo aposto em cada folha ou mediante termo próprio. (artigo 16. da Instrução Normativa nº 102/2006). poderão ser contínuas. . e obrigatoriamente autenticado em cartório. 100 da Lei nº 6.A adoção de fichas de escrituração não dispensa o uso de livro diário para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Também deverão ser autenticados. em blocos. com as indicações que os identifique para efeitos de controle. sendo vedado o destaque ou ruptura das mesmas ou avulsas.4. em forma de sanfona.398/69. regulamentada pelo Decreto nº 64. Microfilmagem É admissível a microfilmagem da escrituração.433/68. os traslados e as cópias deverão estar assinados pelo responsável da organização ou do estabelecimento detentor do filme negativo e pelo contador. as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. O sistema de microfilmagem. As Juntas Comerciais deverão inserir. pelas juntas comerciais. Serão transmitidos às juntas comerciais via Internet ou entregues em CD/DVD regravável ou em pen drives. da Instrução Normativa nº 102/2006). poderá ser utilizada pelas companhias e em relação aos livros sociais de que trata o art. selo cronológico digital. Os e-books são facilmente transportados em disquetes. com certificado digital de segurança mínima A#. PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. para o caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Os livros digitais deverão necessariamente ser assinados por contabilista. Um e-book por ser um método de armazenamento de pouco custo e de fácil acesso devido à propagação da internet nas escolas. com subdivisões numeradas mecânica ou tipograficamente por dobras. apenas para os livros dos incisos I a III do art. 3. de 15 de dezembro de 1976. de segurança mínima tipo A#. 3. as quais serão numeradas tipograficamente (artigo 8º. As microfichas. aplicar-se-ão. como instrumento de escrituração. As fichas que substituírem os livros. deverão atender os requisitos constantes do Anexo I da Instrução Normativa nº 102/2006. observada a disciplina da Lei 5. no conjunto de hash [13] dos livros digitais autenticados. ao qual deve ser atribuído o número subseqüente ao do livro diário escriturado em fichas (artigo 4º. Poderá ser utilizado como sistema se houver comunicação à Junta Comercial no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o termino de cada livro ou conjunto de fichas. de 15 de dezembro de 1976.

sociais e.1.1. Os livros Comuns são os livros obrigatórios cuja escrituração é imposta a todos os empresários. Segundo Fabio Ulhoa Coelho [15] os livros empresariais obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário a sua ausência traz conseqüências sancionadoras (inclusive no campo penal).Os Livros Contábeis Segundo os manuais de Contabilidade os livros contábeis são os livros Diários e os livros Razões. A escrituração deverá ser individualizada. [17] Faz-se necessário demonstra a diferença entre livro Razão e o livro diário. o livro Razão é escriturado em fichas. a escrituração e a manutenção do livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar.4.1. art. livros fiscais. O Livro Razão é de grande utilidade para contabilidade porque registra o movimento de todas as contas. que incorporou as Leis nº 8. 4. art. existe uma folha de razão para cada conta. tornouse obrigatória. para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. art.218. 14. 259. Em verdade. Livro-diário [19] . [14] Contudo. os lançamentos efetuados no Diário. de 1991. indistintamente.383. Assim. mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. Já os livros Especiais são aqueles cuja escrituração é imposta apenas a uma determinada categoria de exercentes de atividade empresarial.1. [16] Segundo informações obtidas no site da Receita Federal "a partir de 1º/01/1992. neste livro existe um controle individualizado para cada conta. Os livros facultativos são os que o empresário e a sociedade escritura com vistas a um melhor controle sobre seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção. livros sociais e por necessidades administrativas. ainda. obedecendo-se a ordem cronológica das operações (RIR/1999. 62)". 4.Espécies de Livros Empresariais Analisando as espécies de livros a partir dos manuais de contabilidade chegamos à conclusão que eles estão divididos em livros contábeis. onde todos os eventos passíveis de registros contábeis são efetuados. de 1991. sim. Na escrituração dos empresários e das sociedades encontramos vários livros que não são propriamente contábeis e. por conta ou sub-conta. pelo prisma jurídico podemos afirmar que os livros empresariais se dividem em duas categorias: a) obrigatórios que se subdividem em comuns e especiais. e nº 8. por necessidade administrativa. Na Contabilidade moderna. 4.2. e b) facultativos. Livro Razão [18] O livro Razão consiste no agrupamento de valores em contas de mesma natureza e de forma racional. fiscais.

1. o Razão.Total da partida dobrada. ressalvado os sujeitos abrangidos pela Lei Complementar nº 123/06 que trata do Super Simples ou Simples Nacional. do Código Civil).00 (tinta e seis mil reais) estará dispensado de escrituração por força do art. em forma de sanfona. previstos na lei fiscal e empresarial para o livrodiário. do Código Civil). propriamente. Para o livro-diário mecanizado são: 1º . Já se enquadrar como a Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte terá apenas como livro obrigatório o livro-caixa. 5º . Desta forma. Assim. [21] Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 4º . Quem empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário por fichas seguidamente numeradas.conta ou contas creditadas. não se . Se o empresário individual possuir receita Bruta anual de R$36. em ordem cronológica e com observância de certas regras". 3º .000. devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresaria (parágrafo 2º. a legislação civil determina que apenas o livro Diário é obrigatório para todos os empresários e sociedades empresárias. Este livro registra os fatos contábeis em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia. com totais não excedam o período de 30 dias. 3º . 2º . 5º .Histórico da operação.local e data. 8º . Os livros ou fichas (Diário) deverão conter termos de abertura e de encerramento. desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados.data.valor do débito. e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação (parágrafo 1º.184. que se tenham verificado na atividade empresarial. são o Diário. 6º .179 c/c 970 do Código Civil e pelo Estatuto do Super Simples. que serve de índice ao Diário". a adoção desse sistema não exclui o empresário de obediência aos requisitos intrínsecos. Entretanto. 1. sendo que os registros deverão ser feitos diariamente.184. art. art. 2º . a base de toda contabilidade de um empresário ou de uma sociedade é o Livro Diário que representa o registro histórico de todos os acontecimentos de ordem empresarial.Total do débito e.nº do documento.valor do crédito. Porém. Os Elementos Essenciais do Lançamento no Livro Diário manuscrito são: 1º . 6º . para registro individualizado. 7º . de uso obrigatório.Segundo Sérgio de Iudícius [20] o Livro Diário é um livro no qual são registradas todas as operações contabilizáveis de uma entidade.Total do crédito. 4º .Histórico. relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento. mês e ano.valor da operação e. Segundo De Plácido e Silva [22] "os livros de escrituração. O livro-diário tradicional pode ser substituído por fichas (contínuas.conta ou contas debitadas.Código da conta. Admite-se a escrituração resumida do Diário. soltas ou avulsas). 1. O livro diário deve ser encardenado com folhas numeradas seguidamente. a ser submetidos à autenticação do órgão competente no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial).

entre eles: verificar a autenticação do livro no órgão competente. verificar cálculos. Registro de Inventário Neste livro o empresário realiza o lançamento dos saldos das mercadorias e materiais não comercializados ou consumidos durante o exercício comercial. Por isso que é o próprio instituidor dos livros. O livro Balancetes Diários e Balanços serão escriturados de modo que registre (art.187 do Código Civil reformulou a função do livro Registro de Inventário. no encerramento do exercício. retificando-os ou ratificando-os conforme constatações. no intuito de acompanhar no dia-a-dia todas as transações realizadas pelas empresas.a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis. em ordem cronológica de dia.2. Este livro deve consignar. É através dos livros fiscais que o fisco verifica todas as transações dos empresários e das sociedades. esse livro serve para registrar o inventário de todos os itens pertencentes ao empresário ou sociedade na data do encerramento das demonstrações contábeis. conferindo todos os registros efetuados pela empresa. [23] 4. mês e ano. os débitos e os créditos do dia e. é através destas informações que ele exerce sua atividade de policiar parte do grandioso vulto econômico gerado pelas entidades econômicas.1.Os Livros Fiscais [26] Podemos classificar como livros fiscais os que se encarregam de armazenar todos os fatos relacionados com as atividades fiscais do empresário e da sociedade. pois.1. É através deles que as informações são extraídas. [24] De acordo com Mario Sergio Milani [25] a adoção de fichas não dispensa o livro para o lançamento patrimonial e do de resultado econômico. 4. destinando-se para aqueles que delas necessitarem. o saldo anterior. etc. estabelecendo que na coleta dos elementos para o inventário serão observados os critérios de avaliação a seguir determinados: . Alguns cuidados e observações devem ser tomados quando nos referimos a este livro. em forma de balancetes diários. o saldo resultante com indicação dos credores e devedores. verificar se os registros das mercadorias de entrada foram todos realizados. observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele.2.pode concordar com a indagação de que o Diário é obrigatório para todos os empresários. 4. O art. ou seja. II . a movimentação diária das contas.o balanço patrimonial e o de resultado econômico.3) Livro Balancetes Diários e Balanços O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o Livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços. Um dos interessados nessas informações é o Estado. 1186 do Código Civil): I . discriminando em relação a cada uma delas. pelo respectivo saldo. 1.

2. devendo. quanto aos últimos. Registro de Saídas . nem para as percentagens referentes a fundos de reserva. c) a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento adquirido pelo empresário ou sociedade. na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso. ou fabricação. ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da empresa podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação. b) os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima. matéria-prima. salvo se houver. no período antecedente ao início das operações sociais. II . pela ação do tempo ou outros fatores. duplicidade de lançamentos de entradas. previsão equivalente. não se levando em conta os prescritos ou de difícil liquidação. falta de registro de documento fiscal. os não cotados e as participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição.os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição." 4. ou pelo preço corrente. 4.3. Registro de Entradas Este livro registra todas as aquisições realizadas pelo empresário e sociedade.os valores mobiliários. etc. se houve aproveitamento intempestivo do crédito fiscal.I . nas pequenas empresas. fixada no estatuto.os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de realização.2. criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor. à taxa não superior a doze por cento ao ano. Em uma coluna especifica. atender-se à desvalorização respectiva. IV . à sua amortização: (a) as despesas de instalação da sociedade. III . e quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição. As principais observações realizadas neste são as referentes aos cálculos dos impostos. Entre os valores do ativo podem figurar. antes de qualquer outra verba do no exercício no livro diário. anualmente. aproveitamento de créditos fiscais sem o documento original (quando contém apenas a xérox). desde que se preceda. e principalmente as em regime de Substituição Tributária. deve se efetuar o registro do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações (ICMS). ele efetivamente figura por vezes. bens destinados à alienação. até o limite correspondente a dez por cento do capital social.2.o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com base na respectiva cotação da Bolsa de Valores. e os bens forem avaliados pelo preço corrente. sempre que este seja inferior ao preço de custo. Todas as mercadorias (gerando crédito fiscal ou não). a diferença entre este e o preço de custo não será levada em conta para a distribuição de lucros. [27] Segundo Cesare Vivante [28] "não é necessário que o livro de inventários forme um livro próprio e autônomo.

7. devem ser registrados pela autoridade fiscal a data. verificar se os transportes dos livros de registro de entrada e saída estão corretos. etc. são os originários da apuração entre os débitos e créditos fiscais. por exemplo.No registro de saídas temos os lançamentos oriundos das operações de vendas de mercadorias. bem como seus saldos. os resultados da última fiscalização. entre outros. verificando se este é devedor ou credor. mistura .2. pelo posto revendedor de combustíveis líquidos e gasosos. 4. álcool etílico hidratado carburante. estabelecido pelo Regulamento do IPI. com débito do ICMS realizados pelo empresário e sociedade. As observações aqui realizadas devem ser. com o objetivo de promover o controle de produção e do estoque. Logo. dos estoques e de movimentação de compra e venda de gasolina. Este registro. 4.2. como: a autenticação obrigatória pela autoridade competente. Pelos registros de créditos e débitos que realizamos nele. e se o empresário e a sociedade terá imposto a recolher ou saldo a transferir ao próximo período. Neste livro. Nele podem ser observadas informações como. resultando no montante de impostos que o empresário e a sociedade vai recolher. praticamente. óleo diesel. o livro é utilizado para os registros de auditorias fiscais realizadas na empresa. em contrapartida com os registros de entradas. a descrição dos produtos. os estoques de material de escritório. 4. material de limpeza e demais produtos existentes no estabelecimento.5. a quantidade de mercadorias vendidas.2. quais as contas que foram verificadas. quando ocorrência uma fiscalização na empresa. querosene iluminante.6. Registro de Apuração de ICMS O livro de registro de apuração do ICMS é o livro encarregado da conta corrente do ICMS. são registrados os estoques de produtos para revenda. Livro de Movimentação de Combustível (LMC) O LMC destina-se ao registro diário. se o empresário e a sociedade gozam de regime especial concedido ou exigido pela repartição fazendária. Registro de Controle da Produção e do Estoque O livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque é obrigatório para as indústrias e estabelecimentos equiparados.2. os livros examinados. ou seja. eventuais multas aplicadas o empresário e a sociedade. os livros que foram verificados. conferir os valores a serem recolhidos e as guias de recolhimento dos respectivos impostos. as mesmas a serem realizadas nos livros de registros de entradas. a alíquotas do ICMS e o valor do imposto. Algumas observações devem ser feitas. tipos de infrações cometidas pelo contribuinte. Este livro é dividido por colunas para registro da data da operação da venda. podemos apurar o saldo da conta corrente. é nele que ficam registradas as informações correspondentes à última fiscalização. bem como outras ocorrências de ordem fiscal.8. Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência Um dos livros mais importantes para a fiscalização ou auditagem de uma empresa. [29] 4. pois.

com o número de ordem.2. O Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil. ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários. encargos. a pessoa jurídica deverá: a) lançar os ajustes do lucro líquido do períodobase (apurado na escrituração comercial). prevista no parágrafo 2° do art. da depreciação acelerada incentivada. As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar. na escrituração mercantil. todas as duplicatas emitidas. O livro de apuração do lucro real (LALUR) [31] O livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) existe para assegurar a separação entre a escrituração comercial e a fiscal.10. rendimentos. receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração . necessários para a determinação do lucro real (base de cálculo do Imposto de Renda). demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares. não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. ajustado no LALUR pelas adições. 177 da Lei n° 6. sem modificação da escrituração mercantil. b) transcrever a demonstração do lucro real. c) manter os registros de controle dos prejuízos fiscais a compensar em períodosbase subseqüentes. devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários. prorrogações e outras circunstâncias necessárias.metanol/etanol/gasolina e gás automotivo. Este livro foi instituído pela Portaria 26/92 do Departamento Nacional de Combustíveis.9. para os empresários que adotem o regime de vendas ou prestações de serviços com extração de fatura e emissão de correspondente duplicata. a saber: I. o nome e domicílio do comprador.404/76 (Lei 6. da exaustão mineral com base na receita bruta. Deve ser autenticado pela Junta Comercial. com observância das normas da legislação comercial. adições: a) custos. provisões. b) resultados. perdas. para todos os fins desta Lei. cronologicamente. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos-base futuros e não constem da escrituração comercial.404/76). No LALUR. participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido e que. 4. [30] 4. anotações das reformas. Registro de Duplicatas É o livro obrigatório. do lucro inflacionário a realizar. segundo o artigo 19 da Lei de Duplicatas. Nesse livro.2. data e valor das faturas originais e data de sua expedição. despesas. serão escrituradas. d) O LALUR não precisa ser autenticado por qualquer órgão oficial. desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo. exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária.

fideicomisso. c) compensação de prejuízos fiscais de períodos-base anteriores. além dos livros obrigatórios contábeis e fiscais para qualquer empresário. d)O livro de Atas das Assembléias Gerais é obrigatório nas sociedades anônimas como estipula o artigo 100. do Estadual. c)O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas". que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. exclusões: a) resultados. o registro de impressão de documentos fiscais. o disposto nos números I e II deste artigo. em .do lucro líquido e que.11 Outros Livros fiscais Além desses. 4. de acordo com a legislação do Imposto de renda.404/76 e também nas sociedades limitadas que tenham mais de 10 sócios e facultativo para as que tenham menos de 10 sócios. exigidos pelo fisco da União. para lançamento dos termos de transferência. existem outros livros fiscais.3. pela sua natureza exclusivamente fiscal. -das conversões de ações. usufruto. reembolso e amortização das ações. no que couber. do Distrito Federal e do Município. b) valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do Imposto de Renda e que.Os livros Sociais A companhia deve ter. em ambos. b)O livro de "transferência de Ações Nominativas". -do resgate. -do penhor. livro de apuração do imposto sobre serviço. observando-se. rendimentos. e outros. ou de sua aquisição pela companhia. Controle bancários. -das mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. -das entradas ou prestações de capital realizado. de uma em outra espécie ou classe. se tiverem sido emitidas. não sejam computados no lucro real. não tenham sido computados na apuração do lucro líquido. respeitados os limites e demais normas pertinentes. o registro de empregados. da alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. os seguintes revestidos das mesmas formalidades legais: a ) Livros de "registro de Ações nominativas" para inscrição. anotação ou averbação devendo conter os seguintes dados: -do nome do acionista e do número das suas ações.2. devam ser computados na determinação do lucro real. 4. Entre eles destacamos: O livro de apuração do IPI. de acordo com a legislação do Imposto de Renda. IV da Lei 6. II. receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido e que.

10. [33] . do Decreto-Lei 486/69 [32] e art. extravio ou inutilização de livros fiscais Ocorrendo extravio.062 do Códigio Civil. não poderá jamais se escusar sob o escudo do art.Efetuar a imediata publicação da ocorrência em jornal de circulação em todo o Estado. 1. com como o parecer sobre os negócios e as operações sociedade do exercício em que servirem. d) informar a existência ou não de débito de imposto. não se faz por meio de previsão constante do próprio ato constitutivo. ao órgão competente de Registro do Comércio. ou seja. Por outro lado. tomando por base o balanço patrimonial e do resultado econômico.3. bem como o resultado dos exames trimestrais dos livros e papeis da sociedade e o estado da caixa e da carteira. do Regulamento do Imposto de Renda. 4. 1. b) informar o período a que se referir à escrituração do livro. devidamente apresentado à assembléia geral. da Lei 6. a contar da ocorrência da seguinte forma: a) mencionar a espécie. aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação. o número de ordem e demais características do livro. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observada as citadas formalidades O contribuinte deverá: 1º . é facultativo.067 a 1.069 do Código Civil. Este livro tem como finalidade registrar os trabalhos e deliberações da assembléia de acionistas ou sócios. dentro de 48 (quarenta e oito) horas. deterioração ou destruição de livros. É evidente que se a perda ocorreu por má-fé ou mero descuido do empresário. f)Os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração se houver. Perda. g)O livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal previsto no art. e de Atas das Reuniões de Diretoria este livro é obrigatório para as sociedades anônimas como se refere os artigos 100 e 149 da Lei 6.404/76. é obrigatório para as sociedades cujos atos constitutivos prevejam um Conselho Fiscal (art.404/76. Neste livro se lavra a posse dos membros efetivos e suplentes do Conselho fiscal. que prevê para a posse do administrador da sociedade limitada quando da sua designação se faz em ato separado. estando previsto no art. 100. por força do artigo 161 da referida lei. fichas. e) anexar as publicações no jornal e no Diário Oficial. 2º . é obrigatório para as sociedades anônimas que. Nas sociedades limitadas. 1.075. em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento. documentos ou papéis de interesse da escrituração. previsto nos artigos 1. tem conselho fiscal. do Código Civil).Comunicar por escrito à repartição fiscal de sua circunscrição em 15 dias. 264.virtude da previsão do art. a pessoa jurídica fará publicar. do Código Civil. VII.066. e)O livro de Presença dos Acionistas este livro é obrigatório para as sociedades anônimas.1. c) declarar expressamente a possibilidade ou não de se refazer a escrituração em 45 dias. se deixou os livros se deteriorarem por conta de circunstância evitável. qual o período e o valor (se existir). remetendo cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição.

escriturar os livros e emitir documentos fiscais. 120 a 122. .3. quando exigido ou solicitado. assim como outros elementos auxiliares relacionados com sua condição de contribuinte. 119. V . transformação. VIII . observadas as disposições constantes dos Capítulos próprios deste Regulamento. II . devidamente registrados na repartição fiscal do seu domicílio.exibir a outro contribuinte a FIC. IV . antes de sua utilização. sucessão motivada pela morte do titular. o prazo se contará a partir do último lançamento nele consignado. transferência de estabelecimento. incorporação. o prazo ocorrerá a partir da data de sua emissão. observado o seguinte: a) em se tratando de livros. XI . observado o disposto nos §§ 1º e 2º deste artigo. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a ocorrência do fato. XIII . VI . b) em se tratando de documento fiscal. 123. bem como o roubo ou inutilização do equipamento ECF. os livros e documentos fiscais até que ocorra a decadência dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. cisão. comunicação contendo dados do responsável pela sua escrita contábil.comunicar à repartição fazendária as alterações contratuais e estatutárias.inscrever-se na repartição fiscal antes do início de suas atividades. nas operações que com ele realizar. VII . em relação às obrigações acessórias relativas à confecção e manuseio dos livros fiscais: Art.comunicar imediatamente à repartição fiscal de seu domicílio o extravio ou perecimento de livros e documentos fiscais. Formalidades e obrigações acessórias inerentes aos Livros Fiscais De acordo com o Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS. fusão. São obrigações do contribuinte: I . quando obedecido o prazo legal de escrituração. os livros e/ou documentos fiscais.exibir ou entregar ao Fisco. III . bem como as mudanças de domicílio fiscal. para imprimir ou mandar imprimir documento fiscal.manter em seu poder.2.4. na forma estabelecida nos arts.remeter à repartição fiscal de seu domicílio. quando de início e todas as vezes em que houver substituição.solicitar autorização da repartição fiscal competente.solicitar à repartição fiscal competente a autenticação de livros e documentos fiscais. encerramento ou suspensão de atividade. observado o disposto no art. venda.

O artigo 7º do Decreto-Lei 486/69 permite ao empresário ou a sociedade empresaria qualquer livro de escrituração que julgue conveniente adotar. desde que observe as mesmas exigências listadas para o livro Diário.404. juntamente com a apresentação do livro anterior a ser encerrado. não se entendem nem obrigatórios nem necessários.Livros facultativos Estes livros não são obrigatoriamente exigidos pelas leis comerciais. Nesta razão. Art. são os que podem ser dispensados. [34] A gravação de assembléias e reuniões e o direito de fiscalização nas sociedades anônimas Não obstante a casuística própria das sociedades anônimas. 2º O "visto" será gratuito e aposto em seguida ao termo de abertura lavrado pelo contribuinte. 268. desde que atendam às exigências da escrituração obrigatória. tanto para as companhias fechadas quanto para as abertas. O artigo 1. de 15/12/1976. os livros a serem encerrados serão exibidos à repartição competente do Fisco dentro de 05 (cinco) dias. em ordem crescente. pelos empresários. 1º Os livros fiscais terão suas folhas encadernadas. afirmando que o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. não sendo obrigatórios mostram-se necessários. dispôs sobre o direito de fiscalização dos acionistas de forma praticamente uniforme. voluntariamente. pois auxiliam o empresário e a sociedade empresária a melhor exercer as suas atividades.XV . e instituídos. à autenticação pela junta Comercial. é inegável que a Lei n° 6. que serão impressos e de folhas numeradas tipograficamente. de forma a impedir sua substituição.179. Há livros que. E desse modo. desde que não se trate de início de atividade. segundo a natureza e o volume de seus negócios. parágrafo 2º do Código Civil. a demandar do operador do direito a percuciente análise das características do empreendimento. da estrutura do capital e das próprias relações entre os acionistas. fiscais ou trabalhistas. é harmônico.4. contados da data do último lançamento 4. . só serão usados depois de visados pela repartição do domicílio fiscal do contribuinte. Os livros fiscais. 3º Para os efeitos do parágrafo anterior.cumprir todas as exigências fiscais previstas na legislação tributária.

Modesto Carvalhosa afirma que os direitos individuais dos acionistas. de forma indiscriminada. refletem a concepção política do constitucionalismo (note-se. 109 da Lei das S/A os chamados direitos essenciais dos acionistas. não deixa dúvida nossa Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei n° 4. o modelo jurídico-societário brasileiro. se aplicada à generalidade de situações. contra as iniqüidades próprias do nosso arcabouço jurídico e da realidade política e econômica vigente no âmbito das sociedades anônimas. reproduz. particularmente aqueles introduzidos pela Lei n° 10. gera perplexidades dentro e fora do Brasil. que. novamente. a divisão de poderes do direito constitucional. Não se pode negar que o sistema jurídico pátrio construído em torno das sociedades anônimas. Em tal contexto. A razão de ser dessa e de todas as demais garantias legais constituídas em prol dos acionistas minoritários não é outra. não obstante os notórios avanços empreendidos nos últimos anos. executivo e fiscalizador. fixados nas legislações específicas das sociedades anônimas dos diversos países. art. pondo em risco o próprio direito fundamental à propriedade (Constituição Federal. ambos tomados em sua concepção mais moderna. por influências políticas diversas. com a distinção dos órgãos deliberante. inciso XXII).404/76 a adoção do chamado "institucionalismo empresarial" entre nós. que. o nítido liame entre o direito societário e o direito constitucional). já foram objeto de estudo pela doutrina. 1997. o legislador estatuiu no art. representa. por sua natureza fundamental. art. São Paulo. representando a Lei n° 6. não se pode esquecer que o direito. no direito privado. senão o reconhecimento formal da necessidade de criação de instrumentos.404. conforme. por ser uma ciência social. evolução e aplicação necessariamente jungida à realidade social vigente. de 31/10/2001. como se sabe. aliás. com o consectário de sua indelegabilidade. inciso II). são indisponíveis. Por maior que seja o apego do operador do direito e da própria sociedade aos modelos alienígenas. tem sua concepção. não raro. O direito de fiscalizar os negócios sociais. o que. com o predomínio da maioria em detrimento da minoria (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas: Lei n° 6. talvez. ainda que mínimos. a mais significativa contrapartida ao princípio geral e inarredável de que o acionista deve submeter-se à vontade da maioria. 5o. . Isto porque.303. concluindo-se que a estrutura orgânica das companhias. 5o). previsto no inciso III do aludido dispositivo legal. com nítidos reflexos constitucionais e infraconstitucionais. de 15 de dezembro de 1976. ainda é perverso no tocante aos direitos dos acionistas minoritários. Saraiva. volume 2). a regra da prevalência pura e simples da vontade da maioria acionária acarretaria evidentes abusos. 170. por seu turno. as convergências entre as sociedades anônimas e o Estado. Aliás. tem se revelado pouco adaptado ou pouco adaptável à realidade em vigor no seio das sociedades anônimas. de 04/09/1942.657. também serve de princípio geral norteador da atividade econômica (art.Em garantia da higidez e da própria coerência lógico-jurídica da existência e do funcionamento das sociedades anônimas.

previstos na legislação societária.. o direito de informação (art. 116. 5o. Esta é a gênese de um direito societário efetivamente protetivo dos interesses econômicos." (Acionista Minoritário na Sociedade Anônima: Direito de Fiscalização: Uma Abordagem Não-Dogmática. bem como no próprio respeito ao exercício pleno dos direitos e garantias individuais previstos na Carta Magna. com a dignidade reclamada na Constituição em dois dispositivos e. São inseparáveis os direitos individuais dos acionistas – minoritários em especial – dos direitos fundamentais previstos na Constituição. Carlos Alberto Benke. (. o direito de propriedade (art. Tal intervenção. seja esta modificação decorrente da manifestação legislação ou mesmo de atitudes dos acionistas detêm o controle/administração da sociedade. embora não estejam expressamente previstos no texto constitucional. Porto Alegre. entre eles o direito de igualdade (art. temos que qualquer alteração neste lineamento contraria disposições constitucionais. em bases constitucionais: "À lei das sociedades por ações – e de resto.) Em virtude da proteção aos direitos individuais dos acionistas. ainda. e 170. sendo as assembléias gerais a sede própria ao exercício desse direito essencial. 5o. Livraria do Advogado. c/c arts. políticos e sociais dos investidores.404. sendo este (direito essencial legalmente previsto) equiparado aos direitos individuais políticos. inciso XXII) e outros que. o principal instrumento de defesa do acionista minoritário. conclui-se que todos os sócios de uma sociedade por ações encontram-se em pé de igualdade em termos de direitos e obrigações. sendo aqueles inspirados nestes. da Constituição Federal). em tal contexto. no exercício da fiscalização. 5o. caput). que pode se dar no âmbito legislativo ou. qualquer disposição legislativa que trate sobre sociedades privadas – não é dado o privilégio de estabelecer critérios de participação acionária ou de dispor sobre decisões intersócios em prejuízo dos princípios e regras constitucionais reservadas à proteção dos direitos pessoais. O direito de fiscalização vem a ser.. 5o.. como visto. 5o. parágrafo único. que tem por função precípua ensejar a formação da vontade social. . na ordem econômica. (. quando decorrentes do regime e dos princípios adotados pela própria Constituição Federal (art. o tratamento isonômico ao acionista minoritário. inciso III. e para que elas se desenvolvam validamente e objetivem os seus fins há de ser observado o denominado método assemblear. e a garantia de que o acionista deve ser tratado.Exsurge desse quadro de desigualdade existente entre acionistas controladores e minoritários a imperiosa necessidade de intervenção estatal para atenuação das diferenças. de 15/12/1976.) Estabelecidas as regras que guarnecem o direito essencial do acionista de fiscalizar o andamento dos negócios sociais. fundado. não podem ser dela excluídos. § 2o). inciso XXIII. art. em sendo necessário. é fundada no interesse público e na função social das sociedades anônimas (Lei n° 6. inciso XIV). na esfera judicial. fortalecidos pela ampliação que se faz da aplicação dos direitos fundamentais constitucionais.. 2003).

por exemplo. em regra. por exemplo. os respectivos assentamentos em documentos ou folhas apartadas o soltas. por meio destes. permitindo assim que seja ela oponível aos demais órgãos sociais e. possibilita o controle da legalidade e legitimidade da sua instalação e das deliberações havidas. Decorre ela.) E é em razão da relevância das atas das assembléias que o mesmo autor é crítico ferrenho da adoção da forma sumária. ao colégio acionário e. que acarreta verdadeira incerteza jurídica. inciso LV). da Lei das S/A. não admitindo. de instrumento ao abuso de direito previsto na lei civil (Código Civil. § 1o. que devem constar dos livros próprios (art. a deliberada e sistemática adoção de práticas cerceadoras das atividades dos Conselhos Fiscais e de Administração no desempenho das suas funções fiscalizadoras. as deliberações e a vontade majoritária. pois." (sic) (op. Tal a importância atribuída pela lei à observância do direito essencial de fiscalização do acionista que o seu descumprimento é. O contraditório. esse documento da assembléia que. muitas das vezes com o objetivo de escamotear a verdade e omitir as minúcias das questões postas em debate nos conclaves. aliás. como documento necessário da sociedade anônima. não por acaso. A absoluta relevância das atas assembleares pode ser aferida à luz da lição de Modesto Carvalhosa: "A ata. bem como o exercício do contraditório em relação às matérias debatidas para a formação da vontade social. 100). portanto. após publicada. Permite. a ata instrumento de certeza jurídica.Requisito essencial do método assemblear é que seja assegurado ao acionista a plena informação sobre os assuntos a serem deliberados. sejam opostas às exceções de irregularidade e de nulidade pelos acionistas. 127) e na ata da reunião dos acionistas. art. relacionado com os trabalhos da assembléia geral. 5o. tem status constitucional. Constitui. novamente. presentes e ausentes. portanto. embora expressamente autorizada pelo art. motivo suficiente em si mesmo para ensejar a anulação das deliberações assim viciadas. 109. art. como se sabe. em particular o de fiscalização da gestão dos negócios sociais. inciso III. a terceiros. ademais. evidencia a gênese constitucional dos direitos dos acionistas. entre elas. . cit. servindo. O desvirtuamento de todos os princípios e regras legais e constitucionais aqui invocados pode revelar-se por vários meios. constitui uma dessas práticas contrárias à governança corporativa. 187). previsto no art. A adoção de atas sumárias nas assembléias gerais. figurando no elenco dos direitos e garantias fundamentais (Constituição Federal. da Lei das S/A. o que. de imposição feita pelos acionistas controladores em detrimento dos minoritários. 130. baseado na lista de presença (art. abalando o pilar do princípio documental da assembléia: "O direito vigente também se filia ao princípio documental da assembléia. na medida em que registra as deliberações e a vontade social. contra a instalação.

A adoção. eventualmente.E quanto ao regime de declarações da ata. (op. Assim. da ata sumária. poderá ser lavrada sem que dela conste o inteiro teor dos protestos e representações de acionistas. grifos nossos) E arremata. aglutinar outros acionistas na defesa do interesse social. discordantes valer-se do regime da publicidade para manifestar seus pontos de vista e. depende de decisão dos controladores. temos que a ata. já que se submetem os trabalhos à censura prévia dos controladores (. [especificamente Waldirio Bulgarelli. Quando a ata não for sumária – e somente nesta hipótese -. a própria derrogação daquelas. É princípio fundamental dever a ata ser redigida de maneira que permita àqueles que dela não participaram do conclave e à Justiça apreciar os fatos que ocorreram na assembléia geral. após a promulgação da lei. A iniqüidade desse sistema de ata sumária foi reiteradamente apontada.. estão. assim. em cada assembléia." (op. O princípio da informação torna-se relativo. ao instituir a ata sumária. porém com essas restrições que impedem que a ata reflita. que decidirão em causa própria ou na dos administradores por ele eleitos. A ata sumária constitui. expediente de perpetuação do grupo controlador.. por um dos grandes comercialistas brasileiros. poderá a administração publicar apenas o seu extrato. cit. na medida em que este passa a ter poderes legais de censura sobre as manifestações dos minoritários. sem dúvida. cit. os trabalhos da assembléia. na realidade. contrariando aquele interesse.). Trata-se.. Tal expediente atende apenas aos interesses dos controladores que. por deliberação majoritária. A lei mantém o regime de publicidade. lapidarmente: "Em uma lei que se arvorou em defensora das minorias. à luz dos direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal e também em consonância com o direito essencial de fiscalização garantido pela Lei das S/A. não só adota a forma sintética como exacerba profundamente esse regime. durante a tramitação do projeto e agora.. igualmente. a gravação magnética dos conclaves revela-se. p. o qual sequer depende de autorização assemblear ou tutela jurisdicional específica para ser colocado em prática. grifos nossos) Diante desse contexto. de preceito lesivo aos interesses dos acionistas minoritários. . op. pois. ainda que sinteticamente. ao sonegarem o registro e a publicação das manifestações minoritárias.. a ata sumária representa. cit. como um legítimo instrumento de defesa dos acionistas minoritários contra arbitrariedades. na medida em que não podem os sócios. Pergunta-se em que ponto a ata sumária supressora da manifestação dos acionistas minoritários pode atender ao interesse social. 153] A lei vigente traz outra inovação.

em 11/03/98. a quebra de segredo profissional. entendeu o Exmo. no julgamento do HC n. Nessas hipóteses a gravação não configura o exercício regular de um direito reconhecido. entre outros. a escuta clandestina e o constrangimento físico ou moral na obtenção de confissões ou depoimentos testemunhais.678-1. Naquele caso. Entende-se que o direito à privacidade é sacrificado em prol da legítima defesa ou de outra excludente de antijuridicidade. portanto. a subtração de documentos. assumindo. Reputando-se ilícita a prova obtida através da violação do ordenamento jurídico. é albergada por excludente de ilicitude quando há investida criminosa desta última. com o exclusivo intuito de documentar seu conteúdo (princípio da certeza jurídica). a gravação dos debates e das deliberações ocorridas no âmbito de qualquer órgão societário traz o benefício da certeza jurídica. a violação do sigilo epistolar. Tal não se verifica. praticados com o objetivo de produção de prova. na hipótese de gravação dos conclaves realizados no seio das sociedades anônimas. O Excelso Pretório. No tocante à interceptação telefônica. entretanto. Verifique-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal. previsto na Lei das S/A e cuja gênese está nos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal. assim se posicionou: . a invasão domiciliar. é absolutamente legal e legítima. podendo-se inserir nessa espécie a gravação de assembléias gerais de acionistas e reuniões de conselho de administração e de conselho fiscal. Além disto. com apoio na doutrina de Vicente Greco Filho. gerando direito subjetivo passível de ampla proteção. A gravação implícita ou explícita de assembléia geral ou de reunião do outros órgãos societários de natureza colegiada (conselho de administração e conselho fiscal) insere-se no âmbito das gravações privadas de conversas entre pessoas. modernamente. em que o direito reconhecido vem a ser o de fiscalização dos negócios sociais pelo acionista. os Tribunais brasileiros têm-se orientado.338-8-RJ. sem o conhecimento da outra parte. ainda que realizada sem o conhecimento e consentimento dos demais presentes às assembléias gerais. por decorrer de direito subjetivo do acionista. pelo entendimento inaugurado no voto paradigmático do Ministro Nelson Jobim. não podendo se orientar pelos mesmos fundamentos de direito que norteiam a controvertida interceptação telefônica. não merece análise no campo das provas ilícitas. viés inteiramente diverso. Ministro que a gravação telefônica autorizada ou feita por um dos interlocutores. teremos como exemplos de atos contrários ao direito. situado fora do campo das provas ilícitas.Isto porque dita gravação. Sr. 75. Dito voto tratou especificamente da situação em que um indivíduo realiza gravação telefônica sem o conhecimento do seu interlocutor. elemento fundamental à implementação do princípio documental inerente a tais atos coletivos. manifestado no julgamento do HC 74. A gravação explícita de conversa.

bem como a da prova dela decorrente. assim se pronunciou: "Faço distinção entre gravação efetuada por terceiro. de modo geral. nesse caso. por exemplo. haja ou não conhecimento da parte de seu interlocutor. sobretudo. é de se afastar – frise-se – o direito à prova. não se confunde com a ilicitude.. Neste caso. Ocorrendo. 233 do Código de Processo Penal). futuramente. pois. Os interesses remanescentes devem ser suficientemente relevantes para ensejar o sacrifício da privacy. tornando ilícita a prova decorrente. que afirma: "Observa-se que a jurisprudência. a liberdade. Isso porque. não tenho como ofendido preceito constitucional e nem tenho como ilícita a prova. admissíveis no processo. dado que não há. não é interceptação nem está disciplinada pela lei comentada e. nos moldes da disciplina da exibição da correspondência pelo destinatário (art. sem justa causa. 153 do Código Penal e art. na sua fundamentação.. . Assim. inclusive para documentar o texto dessa conversa. à excelente obra de Luiz Francisco Torquato Avolio (Provas Ilícitas. os seus titulares – o remetente e o destinatário – são ambos. da gravação que se faz para documentar uma conversa entre duas pessoas.) Em nosso entender. tanto no processo criminal como no civil. 1995). no julgamento da Ação Penal n° 307-3-DF.) a gravação unilateral feita por um dos interlocutores com o desconhecimento do outro. é a divulgação da conversa sigilosa. mas no ambiente). a gravação clandestina é de se reputar lícita. o sigilo existe em face dos terceiros e não entre eles. como estado de necessidade e a defesa de direito. chamada por alguns de gravação clandestina ou ambiental (não no sentido de meio ambiente. ambas as situações (gravação clandestina ou ambiental e interceptação consentida por um dos interlocutores) são irregulamentáveis porque fora do âmbito do inciso XII do art. RT. o que as torna. A clandestinidade. o próprio direito à intimidade e. (. conflito de valores dessa ordem. nenhuma lei que impeça a gravação feita por um dos interlocutores de uma conversa. do mesmo modo que no sigilo de correspondência. na ordem jurídica brasileira. portanto. E. A ‘justa causa’ é exatamente a chave para se perquirir a licitude da gravação clandestina. que se insere entre as garantias fundamentais. os quais estão liberados se há justa causa para a gravação.." (grifo nosso) Concluiu o autor que o sistema brasileiro é similar ao italiano. o direito de defesa. Qualquer pessoa tem o direito de gravar a sua própria conversa.." O Ministro Carlos Velloso. que intercepta conversa de umas pessoas. São Paulo. dentro das excludentes possíveis."(. 5º da Constituição e sua licitude. ainda não assimilou bem o conceito de gravação clandestina. a integridade física. também inexiste tipo penal que a incrimine." O mesmo acórdão faz alusão expressa. aliás. independentemente do fato de a exceção à regra da inviolabilidade das comunicações haver sido regulamentada. "onde a tutela do sigilo das comunicações não abrange a gravação clandestina de conversa própria. a vida. dependerá do confronto do direito à intimidade (se existente) com a justa causa para a gravação ou interceptação. O que a lei penal veda.

Embargos do Devedor. Desnecessário que conste expressamente da inicial dos Embargos a citação da outra parte.) Nenhum homem de bem gravará uma conversa que tenha tido com outrem. Não se procede à impugnação ao valor da causa se não observado o rito determinado pelo art. " No Superior Tribunal de Justiça encontra-se pensamento idêntico. não é ilícita a sua admissão pois não atinge princípio constitucional. Prova consistente em gravações magnéticas Possibilidade.. Não configura prova ilícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. de que a conversa está sendo gravada. cujo grau de censurabilidade não chega a tornar ilícita a prova.002. Não há proibição legal. incidental. Agravo de Instrumento. o que configurará. POSSIBILIDADE. Decisão que se reforma. DEFERIMENTO. ILICITUDE DA PROVA. Precedentes. seja com o uso de meios eletrônicos. sem que dê conhecimento ao seu interlocutor. como se pode ver no voto do Ministro Cláudio Santos proferido no Recurso Especial nº 9.15158 Data de Registro : 26/03/2003 Órgão Julgador: QUARTA CAMARA CIVEL DES.012-RJ (91. dado o seu caráter. seja pessoalmente. 261 do CPC. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO Número do Processo: 2002. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO . quando muito." O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também já se pronunciou em linha com o entendimento majoritário: "EMBARGOS DO DEVEDOR. e diante da norma contida no art.(. AGRAVO DE INSTRUMENTO. Caberá ao juiz avaliar. Se a prova se limita à reprodução de diálogos entre as partes. arrisca-se a ver a mesma divulgada.. Mas a questão fica no campo ético. Não se admitirá a divulgação. PRODUCAO DE PROVA. SIDNEY HARTUNG Julgado em 11/02/2003" "SEPARAÇÃO JUDICIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. Citação do embargado. uma inconfidência. 740 do CPC.0004503-9): "Considero que. quando alguém mantém determinada conversação. em regra. Prova. DESPACHO SANEADOR. de fatos que digam com a privacidade das pessoas. 383 do CPC. Generalizar a proibição é que não me parece adequado. sem justa causa. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. observado o art. RECURSO IMPROVIDO.

incidindo os juros iguais do contrato. NOTA PROMISSÓRIA. Código de Processo Civil. a teor do artigo 383. há de ser esta gravação admitida como prova em juízo.29/08/2002 Tipo da Ação: APELAÇÃO CÍVEL Número do Processo: 2001.12197 Data de Registro : 13/08/2002 Folhas: 140991/141002 Comarca de Origem: CAPITAL Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL Votação : Unânime DES.AÇÃO ORDINÁRIA. ADMISSIBILIDADE.002. ILICITUDE DA PROVA. ao invés de uma cobertura. LITIGANCIA DE MÁ-FÉ. corrigidos monetariamente. DANO MORAL. FITA MAGNÉTICA. PROVA PERICIAL. 23 . Promessa de compra e venda de imóvel. PROCESSO CIVIL . Gravação feita por quem participou da conversa gravada. JUROS CONTRATUAIS. Provimento do apelo.SÃO FERNANDO PATRIMONIAL LTDA. CORREÇÃO MONETÁRIA.Número do Processo: 2001. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. PROVA.001. Civil. GRAVAÇÃO DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. Entrega pela construtora de apartamento duplex. de cobertura localizada na Barra da Tijuca. (FJB) Partes: JORGE JOAQUIM DE ALMEIDA E S/M . Rescisão do contrato por inadimplemento. Não se cuidando de interceptação de conversa telefônica ou de outro meio ilegal ou moralmente ilícito. PEDIDO DE RESCISÃO. RESTITUIÇÃO DAS MPORTÃNCIAS PAGAS. VISANDO DESCONSTITUIR NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA EM NOME DO VENDEDOR E QUE SE ENCONTRA EM SEU PODER . CONFIGURACAO. mediante instrumento particular de incorporação imobiliária. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL.14672 Data de Registro : 12/06/2002 Órgão Julgador: PRIMEIRA CÂMARA CIVEL DES. INSTRUMENTO PARTICULAR. independendo a admissibilidade da referida prova do conhecimento de sua formação pela outra parte. CARACTERIZAÇÃO. Devida a indenização fundada no dano moral. PAULO SERGIO FABIÃO Julgado em 16/10/2001" COMPRA E VENDA DE IMÓVEL.N. MARIA AUGUSTA VAZ Julgado em 09/04/2002" "PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. Ementário: 24/2002 . RECURSO PROVIDO. INDENIZACAO. Restituição integral dos valores pagos. a partir de cada reembolso. Litigância de má-fé caracterizada. mas simplesmente de reprodução de conversa mantida pelas partes e gravada por uma delas.

No campo do direito societário. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. Tipo da Ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. . DESPROVIMENTO DO RECURSO. que subsistem no campo meramente hipotético e. portanto. INOCORRÊNCIA DO COMPROMETIMENTO À PRIVACIDADE ASSEGURADA NO TEXTO CONSTITUCIONAL. sempre.002. NO SENTIDO DE APURAR AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS DAS PARTES ENVOLVIDAS NA TRANSAÇÃO .CORREÇÃO DA DECISÃO HOSTILIZADA JÁ QUE NÃO SE TRATA DE PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO. Apenas o uso indevido dos dados gravados é que poderia caracterizar a quebra desse sigilo. NA RECLUSÃO TÍPICA DE CONSULTÓRIO MÉDICO. GAMALIEL Q..002. MARIA HENRIQUETA LOBO Julgado em 14/09/1999" Pode-se concluir. a garantia da legal da reparação dos eventuais danos.0632 Data de Registro : 26/10/1999 Órgão Julgador: DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL DES. tal interesse não resta atingido pelo mero ato de gravação de uma reunião ou assembléia em que tais assuntos sejam tratados. LIMITANDO-SE O ENVOLVIMENTO AS PRÓPRIAS PARTES. NÃO É CONSIDERADA ILÍCITA PROVA RESULTANTE DE GRAVAÇÃO DE CONVERSA REALIZADA POR UM DOS INTERLOCUTORES REVELANDO-SE IRRELEVANTE A CIRCUNSTÂNCIA DE SER A GRAVAÇÃO FEITA FURTIVAMENTE. Número do Processo: 2000.09608 Data de Registro : 04/01/2001 Órgão Julgador: DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CIVEL DES. DE SOUZA Julgado em 21/11/2000" "AGRAVO DE INSTRUMENTO. mormente quando dita gravação tem por escopo prevenir ou registrar eventuais abusos ou violações do direito. pela absoluta licitude e constitucionalidade da gravação de reunião por um dos interlocutores. Número do Processo: 1999. SEM INTERFERÊNCIA DE TERCEIROS.RECURSO IMPROVIDO.PROVA PERICIAL DEFERIDA. a única restrição que se poderia fazer é a que abriga o interesse da companhia em preservar o sigilo de seus negócios. DE CONVERSAS TELEFÔNICAS. MAS DE CONVERSAS A RESPEITO DO NEGÓCIO . ainda assim. RELATIVAS AO NEGÓCIO. LICITUDE E VALIDADE. PRODUÇÃO DE PROVA AUDITIVA CONSISTENTE NA REPRODUÇÃO DE FITA CASSETE. No entanto. ATO ENVOLVENDO APENAS AS PARTES. ainda que sem o consentimento dos demais. são passíveis de composição pelo direito comum. tendo a companhia e todos os seus acionistas.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Antes de adentrarmos no exame do ponto central do estudo. Prescrição. o objeto do presente artigo. Pedido.404/76 (LSA). percebe-se que a assembléia deve respeitar aspectos legais e estatutários. se algum acionista votar contrariamente aos interesses da companhia. 5. Procedimento. 7. A validade da assembléia exige a observância de alguns aspectos formais e materiais estipulados na Lei nº 6. 4. após o debate acerca das questões colocadas em análise. para melhor compreensão do assunto. 3. Conclusão. 1. Legitimação ativa e passiva. que o direito subjetivo à gravação de uma assembléia ou reunião por qualquer dos presentes consubstancia ato pessoal e individual de quem está executando a gravação. 6. ou mesmo da companhia. convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto. tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento”. por fim. Considerações preliminares. é preciso tecer algumas observações. não se tratando de ato próprio do respectivo conclave.Não pode ser esquecido. Formalidades para convocação. Nesse encontro os acionistas tomam conhecimento dos assuntos ordinários e extraordinários relativos aos negócios sociais e. 2. INTRODUÇÃO A assembléia da sociedade anônima é a reunião dos acionistas da companhia que tem por objetivo deliberar sobre o desenvolvimento das atividades empresárias. da LSA. decidem quais serão os rumos da companhia. Como conseqüência da interpretação da referida norma. no que diz respeito à convocação. 1. prevê que “a assembléia geral. ainda. a deliberação tomada ou todo o conclave poderão ser invalidados judicialmente. como órgão social. O artigo 121. ou na hipótese de sua instalação ocorrer sem a presença do quorum legal mínimo. Espécies de Assembléia. tornando incabível sua limitação por deliberação majoritária dos presentes. ou. Modalidades de Vícios – Causa de Pedir. para que não seja impugnada e para que suas deliberações . 8. portanto. A análise desses vícios e das questões que envolvem a ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) será. instalação e realização. por exemplo. 1 A AÇÃO DE ANULAÇÃO DE DELIBERAÇÃO DE ASSEMBLÉIA NA SOCIEDADE ANÔNIMA Guilherme Carvalho Monteiro de Andrade* Sumário: Introdução. à instalação e à realização do conclave. Caso exista irregularidade na convocação da assembléia.

cada qual tratando de matéria própria. de 15 de dezembro de 1976.. A assembléia é o instrumento pelo qual os acionistas decidem sobre quaisquer negócios relativos à companhia. somando suas vontades individuais. quanto à sua competência e funções. 122. por sua condição legal. talvez o órgão mais importante da administração da companhia. São Paulo: Saraiva.4 No que diz respeito à AGE.457. ESPÉCIES DE ASSEMBLÉIA Existem dois tipos de assembléia. Mestrando em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos. 2. 2 * sejam consideradas válidas. 131. que ela deverá tratar das matérias . ampl. as ordinárias (AGO) e extraordinárias (AGE). 2 Obra citada na nota anterior. que não tem poderes para representar a companhia (somente a diretoria poderá fazê-lo). Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. A deliberação tomada em assembléia configura um processo complexo. a assembléia é o poder legislativo da sociedade. debate e votação de cada matéria colocada em pauta. A assembléia é um órgão interno e soberano2. pois é ela é que faz os estatutos. p. nem ser substituído. ed. definida em lei. 2. então. ‘que são as leis da sociedade.3 É a assembléia. As assembléias gerais ordinárias devem ser realizadas nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social. não os podem realizar os administradores’. de 06. 83. v. 1999. adaptada à lei nº 9. v. por qualquer outro”1. deliberando sobre demonstrações financeiras apresentadas. 510. De outro lado.05. Como ensina Aloysio Lopes Pontes. a fim de alcançar a formação da vontade da sociedade (da coletividade de acionistas). 2. 1998.1977. 3 PONTES. p. 3 1 LSA. sendo a sua finalidade precípua (i) tomar as contas dos administradores. Rio de Janeiro: Forense. composto pela exposição. também se revela importante consignar que a assembléia geral é “um órgão necessário. (ii) decidir sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos e (iii) eleger administradores e membros do conselho fiscal. se for o caso. realizam os contratos mais importantes que afetam a sociedade ou aqueles outros que. citando Constans. reformam-nos. 5. Aloysio Lopes. prevê o art. que representa a vontade coletiva manifestada pela expressão individual dos titulares de ações. Sociedades anônimas. que não pode faltar em nenhuma companhia. rev. vez que se trata de órgão de deliberação. As demais atribuições das assembléias gerais ordinárias estão enumeradas pelo art.404. Modesto. Advogado. cujo poder não deriva de nenhum outro órgão da sociedade. da LSA. da CARVALHOSA.Graduado em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos.

fusão. as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas. Em caso de urgência. VIII . e. a ordem do dia. destarte. 59. II . 122.não atinentes à AGO. Modesto Carvalhosa defende essa posição. da LSA). no caso de reforma do estatuto. contendo. os administradores e fiscais da companhia. citando ensinamento de outros autores. ressalvado o disposto no inciso II do art. e IX . na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. 2. significa dizer que. com a concordância do acionista controlador. incorporação e cisão da companhia. a competência será residual da AGE. fixando os prazos previstos para que se realize o chamamento aos acionistas.autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. eleger e destituir liquidantes e julgar-lhes as contas.deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social. sua dissolução e liquidação. data e hora da assembléia. 124.reformar o estatuto social. Esta diferenciação. Além disso. Com esta distinção. a indicação da matéria” (art. se decorridos mais de 60 (sessenta) dias. convocando-se imediatamente a assembléia-geral. Parágrafo único.tomar. se a lei não definir a atribuição para a AGO. INSTALAÇÃO E REALIZAÇÃO Dispõe o art. não pode o estatuto. VI . o chamamento poderá ser realizado por qualquer acionista. V . no mínimo. a menos que a lei o autorize5. será fundamental para o exame das hipóteses em que a deliberação tomada em assembléia (ou todo o conclave) pode ser invalidada por algum acionista. 519-520. p. 5 A propósito. VII .suspender o exercício dos direitos do acionista (art. para que seja reputada válida.autorizar a emissão de partes beneficiárias. para manifestar-se sobre a matéria”. 4 4 Lado outro. No caso de o órgão ou de as pessoas encarregadas pela convocação não se desincumbirem dessa obrigação dentro do prazo estabelecido pela lei ou pelo estatuto. a convocação deve ser realizada pelo órgão ou pessoa competente. seja ele . pelo menos. 5% (cinco por cento) do capital social ou votante. que detenham. FORMALIDADES PARA CONVOCAÇÃO. IV . Logo. 142.autorizar a emissão de debêntures. “Art. o Legislador estabeleceu como competência indelegável da AGO algumas matérias consideradas essenciais à vida da companhia. a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores. Em outras palavras. ressalvado o disposto no § 1º do art. “a convocação far-se-á mediante anúncio publicado6 por 3 (três) vezes. ou por acionistas minoritários.eleger ou destituir. tampouco qualquer outro órgão da companhia. III . delegar atribuição da AGO para outrem. da LSA. 120). se houver. é preciso preencher o quorum mínimo de instalação da assembléia. a qualquer tempo. Assim. anualmente. além do local. 123. Compete privativamente à assembléia-geral: I . 3.deliberar sobre transformação. v. que compete ao conselho de administração ou aos administradores a convocação da assembléia geral. conforme o interesse da convocação.

pela sua didática e simplicidade. 228). a menos que nela comparecerem todos os acionistas detentores de ações com direito a voto. Há casos em que toda a assembléia poderá ser invalidada. p. Logo. como já foi visto anteriormente. a assembléia poderá ser anulada. hipótese em que o vício.relativo às matérias comuns (art. atingirá todas as deliberações que nela forem tomadas. Invalidade das deliberações de assembléia das S. 127 a 129. Noutra banda. da LSA. do art.A. ou simulação (ou. 115 e do art. não convocada) ou instalada. ou no § 2º do art. b) vício das deliberações – nessa hipótese. fraude. São Paulo: Malheiros Editores. Novaes. ou de violação do disposto nos §§1ºs. da LSA). definido pelos arts. 136. da LSA) ou para questões que exijam número de presentes qualificado (art. é mister trazer à baila uma separação dos vícios feita por Erasmo Valladão Azevedo e Novaes França. 5 Em relação à distinção transcrita acima. 85. c) vício de voto – um ou alguns dos votos que concorreram para a formação da deliberação (ou mesmo todos eles. Se alguma dessas formalidades não for observada. Erasmo Valladão. em primeiro lugar. ainda. com violação da lei ou do estatuto. FRANÇA. 129 e 136. da LSA) e estatutária. a faculdade de pleitear judicialmente a anulação dessa assembléia irregular (ou da deliberação inválida). obviamente. 289. que a identificação precisa do tipo do vício será fundamental para que o acionista possa utilizar-se da correta ação de anulação de assembléia. é preciso consignar. também é necessário que o quorum de deliberação respeite a disposição legal (arts. todas ou algumas delas apenas. MODALIDADES DE VÍCIOS DAS ASSEMBLÉIAS – CAUSA DE PEDIR Para melhor compreensão da ação de anulação de assembléia. bem assim que a assembléia seja competente para deliberar sobre a matéria constante da ordem do dia. os vícios dizem respeito às próprias deliberações assembleares. Ademais. podem ter sido viciados em razão de erro dolo. 4. o desrespeito às disposições legais e estatutárias confere aos acionistas o direito de insurreição. da LSA. para que o conclave seja reputado válido. Como ensinam os referidos autores.. a realização da assembléia deve respeitar um ritual próprio. ou somente parte das .7 6 Conforme regra constante do art. os vícios que podem acarretar a anulação de assembléia subdividem-se em três espécies: a) vício da própria assembléia – que pode ter sido irregularmente convocada (ou mesmo. que podem ter sido tomadas. em virtude da incapacidade dos votantes. 1999. 126. 134. visando especialmente a proteção de seu interesse particular ou a defesa da companhia. em alguns casos). 7 AZEVEDO. por força de violação da lei ou do estatuto.

v. da LSA9. então. CORRÊA-LIMA. 168. 2005. adaptada à lei nº 9. que infrinja direito de terceiros. conferir págs. confira-se Modesto Carvalhosa. colacionado escólio de abalizados autores. Além dessas pessoas. dependendo da espécie de vício ocorrida. mesmo aqueles que votaram favoravelmente à deliberação inquinada pelo vício que se pretende combater12. sob pena de sua pretensão ser rejeitada pelo Judiciário. no regime de anulabilidade estabelecido pelo art. somente do acionista que votou contrariamente à . Rio de Janeiro: Forense. Belo Horizonte: Del Rey. ou pela ação de anulação (total. Confira-se pág. de 06. 2. Na hipótese da ação de anulação da assembléia (ou de alguma deliberação). o autor da referida ação declaratória deverá demonstrar o Nesse sentido. 120.deliberações tomadas no conclave. Em qualquer um desses casos. 1999. a doutrina mais avisada defende a hipótese de ser possível anulação de assembléia.913/89 dispõe sobre a ação civil pública de responsabilidade por danos causados aos investidores do mercado de valores mobiliários – conferir. ed. a propósito. quando esse voto concorrer para a formação da maioria no conclave8. ou parcial) da assembléia realizada pela companhia. “qualquer interessado” ou o Ministério Público10. não se enquadrando. verificar norma contida no art. inclusive. a legitimação ativa ad causam será.. a mácula representa a nulidade do ato. 5. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. citando Miranda Valverde. Osmar Brina. outra situação não prevista claramente na Lei de S/A diz respeito aos casos em que o vício verificado na assembléia é tão grave. devem ser combatidos com rigor. em julgados que colaciona a seu trabalho. rev. A propósito. poderá ser autor da demanda neste caso. p.1977. 11 A Lei nº 7. ed. rev. 9 Azevedo e França defendem essa posição. 6 8 seu interesse de agir13. na medida em que os efeitos dessa mácula são extremamente graves e. embora não conste da Lei de S/A expressamente. fundamentando-se. 10 Ao ensejo. por sua vez. quando lhe couber intervir11. 12 Aloysio Lopes Pontes defende o contrário. em razão disso. LEGITIMAÇÃO ATIVA E PASSIVA No que diz respeito à legitimação ativa para a utilização da ação de declaração de nulidade de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). a declaração de nulidade do ato inquinado. 286. se restar presente o vício de voto oriundo de coação. Daí porque será necessário que se analise o caso concreto com muito cuidado. e atual. ou. estará legitimado a buscar a declaração de nulidade qualquer acionista. Sociedade anônima. 410. 4. Nessas hipóteses. que atente contra a ordem pública ou contra os bons costumes.05.A. ampl. O pedido dessa ação será. em regra. 432. 106 e seguintes da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S.. Fora isso. ainda. 5. v. assim. do Código Civil de 2002.457. Ademais. p. para definir pela ação declaratória de nulidade do ato. identificando-se o vício que se pretende atacar. da obra Sociedades anônimas. 3.

prescreve em 2 (dois) anos.A. a questão da legitimidade ativa para a propositura da ação de anulação de deliberação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações) deve ser analisada de acordo com essas observações. portanto. na pág. da LSA. Modesto Carvalhosa sustenta essa posição. 121-125. Embora o marco inicial definido na lei seja a data da deliberação. p. Haverá casos. 15 A propósito. Haverá casos. do acionista que ingressou na companhia depois de tomada a deliberação. em litisconsórcio com a companhia. a ação para anular as deliberações tomadas em assembléia-geral ou especial. do usufrutuário em relação ao nu-proprietário da ação. inclusive. 4. Noutro giro. todavia. estabelecem como marco inicial do prazo prescricional a data da publicação do ato. a doutrina é pacífica em admitir como parte legítima a companhia. a companhia será a parte legitimada para responder à ação de declaração de nulidade ou à ação de anulação de assembléia (ou de alguma de suas deliberações). Há discussão doutrinária14 sobre a legitimidade ativa de outras pessoas. Logo. nos quais o acionista que tiver cometido abuso no exercício do direito de voto poderá ser incluído no pólo passivo da demanda. com base na interpretação sistemática da Lei de S/A. ou eivadas de erro. 119 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. na medida em que os arts. Contudo. fraude ou simulação. ele também estará legitimado a pedir a anulação da deliberação tomada ou de toda a assembléia. 421-422.deliberação que se pretende anular ou àquele que se absteve de votar no conclave.. . Assim. contados da deliberação. de credores e de terceiros. em princípio. dolo. v. PRESCRIÇÃO Conforme previsão contida no art.A. citando outros autores. importante registrar que a doutrina mais avisada15 já sedimentou o entendimento de que o termo a quo começa da publicação da deliberação. se houver pedido de ressarcimento de danos formulados contra ele. entretanto. Invalidade das deliberações de assembléia das S. na obra Comentários à lei de sociedades anônimas. quanto ao pólo passivo da ação de anulação e da ação de declaração nulidade. Azevedo e França sustentam esse entendimento. colacionado ensinamento de Orlando Gomes e Pontes de Miranda. violadoras da lei ou do estatuto. será reservado para outro artigo. que também tratam de prescrição. p. 285 e 287. 14 Obra de Azevedo e França. assunto que se revela demasiadamente tormentoso e. 7 13 E assim defendem esses autores. se o acionista que tiver votado favoravelmente ao ato que se pretende anular tiver agido impulsionado por algum vício de consentimento. 286. do administrador e do conselho fiscal da companhia. que o início desse prazo não poderá ser a data da publicação.. irregularmente convocada ou instalada. como. por exemplo. 6.

no julgamento do Recurso Extraordinário nº 94. instalação ou realização irregular. fraude. Seja qual for a causa de pedir da ação de anulação. assim. para adequada definição do marco inicial e do prazo prescricional correto (civil ou especial). Mesmo que as deliberações tomadas tenham respeitado as disposições legais ou estatutárias. sendo imprescindível examinar-se o vício objeto do pedido. vigorando. não apenas parcial do conclave. hipótese em que o pedido será a anulação total. em decisão relatada pelo Ministro Oscar Dias Correa. é preciso utilizar a classificação citada no tópico quatro. Modesto Carvalhosa. Também existirão situações em que o início do prazo prescricional não poderá ser a data da publicação da deliberação da assembléia. essa análise deverá ser feita no caso concreto. se a pessoa agravada pela deliberação não for acionista da sociedade. o pedido da demanda será a anulação total do conclave. unânime. não sendo possível o aproveitamento de qualquer ato ou decisão. não afetando as demais deliberações da assembléia. lembre-se). o pedido da ação restringir-se-á à específica decisão ou ao ato inquinado. que esse vício de deliberação recaia sobre todas as questões analisadas e decididas. Ademais. 7. o prazo de prescrição previsto na Legislação Civil16. para melhor compreensão do tema. simulação. decorrente de erro. o referido vício acarretará a invalidação integral da assembléia. ou total. Nessas circunstâncias. PEDIDO Em relação ao pedido da ação de anulação de assembléia. se a mácula que se pretende anular tratar-se de vício da própria assembléia (causa de pedir).. que pode ter origem na convocação.porque a companhia pode deixar de dar publicidade ao ato. em respeito ao brocardo pas de nullité sans grief. na pág. citando Miranda Valverde. cita acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal. ou coação (se essas máculas forem decisivas para a formação da maioria.A. ainda existe o vício de voto (causa de pedir). 127 da obra Invalidade das deliberações de assembléia das S. então. De outro lado. entretanto. se se tratar de vício de deliberação (causa de pedir). defende que em ambos os casos destacados anteriormente é possível pleitear a anulação das deliberações de assembléia. o postulante deverá demonstrar o prejuízo efetivo que a deliberação ou assembléia acarreta ou a possibilidade de dano futuro. prevalecendo.1983. dolo. que adota esse entendimento.12. caso em que o pedido poderá ser a anulação parcial. realizado em 04. Com efeito.862-CE. Pode ocorrer. 16 . a condição do postulante e a sua relação com a companhia. se Azevedo e França. a data da deliberação (ou da prática do ato inquinado) como o termo a quo do prazo prescricional.

para o deferimento da medida. requerer providência de natureza cautelar. no caso de dano potencial. A isso soma-se a exigência do justificado receito de ineficácia do provimento final que a produção de determinados efeitos da deliberação questionada pode gerar. esvaziou o debate sobre a impropriedade da utilização de ação ordinária e sobre antecipação de tutela em ação declaratória. CPC. o autor deverá trazer com a petição inicial prova inequívoca do defendido vício (deve comprovar que o ato ou a deliberação seja contrário à lei ou ao estatuto). a existência de prejuízos delas decorrentes para o autor. a alegação de contrariedade à lei ou ao estatuto/contrato social: verossimilhança. v. a qual apenas parte da eficácia total gerada ocasiona efeitos prejudiciais ao direito da parte. a restabelecer a ordem jurídica na sociedade anônima. Nesse caso. PROCEDIMENTO Sem aprofundar nas discussões travadas pelos processualistas. quando previu que “se o autor. É tranquilamente possível a cumulação do pedido anulatório com pretensão de ressarcimento. 273. 273. Prejuízo pecuniário atual não existe. 2. a inclusão de quem tiver provocado o dano no pólo passivo da demanda. para que o juiz se convença da verossimilhança de suas alegações (deve demonstrar que a demora na concessão do pedido pode acarretar sérios e irreversíveis prejuízos).17 No mesmo sentido. em regra. Comentários à lei de sociedades anônimas. Também é possível imaginar que a parcela eficacial gerada que 17 CARVALHOSA. turbada por uma deliberação violadora da lei. p. quando presentes os respectivos pressupostos. se houver a prática de abuso por parte de algum acionista. do Código de Processo Civil. Todavia. poderá o juiz.19 Quando as circunstâncias evidenciarem que os efeitos do provimento final deverão ser desde logo concedidos. Caberá. como já foi visto. ou dos estatutos. Luiz Fernando C. que venha a acarretar prejuízos a outro acionistas ou à companhia. Haverá situações em que o pedido não se limitará à anulação de deliberação ou de toda a assembléia. 118. casos haverá em que a ação visará. ou para a sociedade. Logo é possível imaginar uma deliberação questionada. mas tãosomente a possibilidade de se consolidar uma situação que poderá dificultar a vida da sociedade ou sacrificar o legítimo interesse de seus acionistas. em respeito ao disposto no art. Aloysio Lopes Pontes colaciona em sua obra18 julgado do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas que possui entendimento de ser dispensável a prova do prejuízo. a título de antecipação de tutela.8 comprovado o interesse de agir (prejuízo atual ou futuro). Modesto. p. 19 A norma do parágrafo 7º. Pereira esclarece que não basta. o procedimento da ação de nulidade ou da ação de anulação será ordinário declaratório. neste caso. 18 PONTES. 9 . 425. exclusivamente. deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado”. poderá o autor da demanda pedir a antecipação dos efeitos da tutela buscada. 8. em regra. do art. acionistas. Sociedades anônimas. concedendo-lhe a antecipação de tutela pretendida. Confira-se: A ação anulatória das deliberações da assembléia geral ou especial pressupõe. Aloysio Lopes.

pois a oitiva do réu pode tornar sem sentido o deferimento da medida posteriormente. preservar os interesses da companhia e de seus acionistas. para permitir a efetividade da tutela. bem como o respeito à lei e ao estatuto. situações que envolvam a suspensão de ato ou de deliberação ainda não executados23. 3. sob pena de o novel instituto da tutela antecipatória não cumprir a excelsa missão a que se destina”. 2. 20 . 157).10. efeitos maiores do que poderia gerar a não-suspensão.20 Em grade parte das vezes. 21 “Ao contraditório prévio. Relatado pelo Ministro Adhemar Maciel. no julgamento do REsp nº 144. Portanto. Poderá ocorrer.97. Caso haja o desrespeito às regras legais ou estatutárias. ainda. vez que se trata do órgão deliberativo que resolve quais serão os rumos dos negócios sociais. 22 O Superior Tribunal de Justiça. de conter. esposou o entendimento de que “a exigência da irreversibilidade inserta no § 2º do art.656-ES. 273. se forem preenchidos os requisitos do caput e do parágrafo 1º. p. 2002. como também será possível a utilização da cautelar inominada preparatória. o autor poderá valer-se da ação ordinária declaratória. A assembléia é parte fundamental dentro da estrutura da sociedade anônima. sob pena de não desvirtuar-se a verdadeira mens legis22. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo. até mesmo. principalmente. p. do citado art. 06. 273. CONCLUSÃO 1. J. PEREIRA. a referida regra não deve ser analisada literalmente. nos termos do parágrafo 2º. O contraditório será apenas adiado. ou. não se revela prudente seu deferimento. deve ser deferida a antecipação. em qualquer uma das hipóteses. do referido art. 138. instalação e realização das assembléias. teremos a ocorrência de vícios (da própria assembléia. Luiz Fernando C. provocar a anulação de toda a assembléia. Luiz Fernando C. sendo imperioso que se demonstre.21 Na hipótese de a concessão da antecipação de tutela acarretar perigo de irreversibilidade do provimento. São Paulo: Revista dos Tribunais. recomenda-se que a antecipação seja deferida liminarmente e sem a audiência da parte contrária.não produza efeitos prejudiciais produza. 2ª Turma. a necessidade de suspensão antecipada24 do ato havido como prejudicial. Medidas urgentes de direito societário. de deliberação ou de voto) que podem invalidar as deliberações tomadas no conclave. É certo que não se defere a medida quando a suspensão gerar prejuízo maior do que a não-suspensão. sempre que possível” (PEREIRA. com a eventual suspensão. visando. Nestes casos. Em razão dessa relevância. foi estabelecida uma série de formalidades para a convocação. Entretanto. Medidas urgentes de direito societário.

. Verificar p. rev. que se caracterizem como abusivos à lei ou ao estatuto. e atual. 10 23 4. 2. Pereira. criticando durante a posição da Corte Bandeirante. vez que o exame das questões envolvendo a legitimidade. Novaes. 1999. em princípio. 2005. ainda. 8. A utilização da cautelar preparatória também se revela possível. 5. Aloysio Lopes Pontes cita um julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que defende o entendimento de não ser possível a utilização de ação preventiva. Belo Horizonte: Del Rey. Confira-se pág. 1998. O procedimento a ser adotado será o da ação ordinária. obra Medidas urgentes de direito societário. São Paulo: Malheiros Editores. é a hipótese concreta que irá definir o marco inicial do prazo prescricional. o prazo de prescrição e o pedido dependerá da espécie de mácula encontrada. Luiz Fernando C. Poderá ser pleiteada a anulação total ou parcialda assembléia. v. Erasmo Valladão. . rev.A. FRANÇA. ed. São Paulo: Saraiva. dependendo do tipo de vício que se pretenda atacar. Modesto. de 15 de dezembro de 1976. 22. 6. Comentários à lei de sociedades anônimas: lei 6. a declaração de nulidade do ato. A legitimação ativa ad causam da referida ação de anulação. CORRÊA-LIMA. Em razão de tudo isso. Invalidade das deliberações de assembléia das S. Porém. CARVALHOSA. O prazo prescricional da aludida ação anulatória é de 2 (dois) anos. contados da data da publicação do ato inquinado. 9. Sociedade anônima. esclarece que embora não haja eficácia a ser suspensa é recomendável que se afaste a dúvida que paira sobre o ato. 24 No caso de suspensão de deliberação nula. A legitimidade passiva será da companhia. e atual. quase sempre. COELHO. em regra. A identificação desses vícios será essencial para a adequada utilização da ação judicial. sendo recomendável pugnar pela antecipação dos efeitos da tutela final. 7. 6. pode-se dizer que a referida ação de anulação representa um valioso instrumento contra atos praticados nas assembléias de sociedades anônimas. 2000. Curso de direito comercial. 163-164. da obra Sociedades anônimas. Osmar Brina. 3. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA. REFERÊNCIAS Obras Literárias AZEVEDO.A propósito. ou. Fábio Ulhoa. será do acionista que tiver votado contrariamente ao ato que se pretende anular ou daqueles que tiverem se abstido de votar. São Paulo: Saraiva. com pedido declaratório.404. ed.

PEREIRA. 1999. Medidas urgentes de direito societário. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima3dá-se. 11 Legislação BRASIL. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS. de 06. atual. v. Lei das sociedades anônimas. FERREIRA. representantes dos poderes da sociedade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2006. Acesso em: 10 dez.404/76) Eliane M. De Plácido e. 87. impondo distribuição de poderes. ADMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. Jurisprudência. aos quais compete produzir a vontade social.457. 5. 5ª ed. Caxias do Sul: Editora Plenum. 1. Aloysio Lopes. v. ed. ed.tjmg.0). PONTES. Vocabulário jurídico. delegado à Assembléia . 2. Rio de Janeiro: Forense. Consulta de jurisprudência sobre a matéria. Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. versão 3. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. adaptada à Lei nº 9. Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt. Ed. Obra coletiva de autoria da editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto. Alzira Malaquias da. Rio de Janeiro: Forense. Acesso em: 10 dez.gov..br>.05. 2002. Sociedades anônimas.br>. 2006. Disponível em: <http://www. ampl. 2006. a organização da sociedade. Disponível em: <http://www. São Paulo: Saraiva. CD-Rom JURIS Plenum. Marina Baird. 1999. doutrinariamente. (Dicionário eletrônico. FERREIRA. Sites consultados SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SILVEIRA. Luiz Fernando C. de forma democrática. a designação de órgãos sociais. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. ed.stj. Octaviano Martins1 Paulo Roberto Colombo Arnoldi2 INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. São Paulo: Revista dos Tribunais. rev. 3. 1984. Aurélio Buarque de Holanda. SILVA.1977.gov. Consulta de jurisprudência sobre o assunto. 1999. 8.

discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF de Bragança Paulista (SP). 3 Cf .4 CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS . É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina. em que se constata uma . concentrando-se o poder em um grupo de controle. como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). São Paulo : Atlas. sem descaracterizar os interesses da companhia.O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. Curso de Direito Comercial.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. Requião. Mestre pela UNESP e Doutora pela USP. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. constatam-se. 5A Lei 6. 1984. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias. São Paulo : Saraiva. Rubens .Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e Integração – IPDCI. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP). No Brasil. 1988.5 Professora de Direito Marítimo. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral.Geral. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. portanto. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa6. doutor e livre-docente em Direito Comercial. poder executivo ou administrativo. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. 4Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. 2 Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. adstrito ao Conselho de Fiscalização. é mestre. advogado militante. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. 1 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. devido ao desinteresse dos acionistas. Direito Empresarial e Direito Internacional em cursos de graduação e Pósgraduação.

que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. de acordo com a disposição estatutária. 142.. inciso I e 168). ou exclusivamente à diretoria. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. No que concerne às sociedades de capital autorizado. § 4º. a lei brasileira.A. De acordo com o art. 141. 165. 138 da Lei 6. MARTINS. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato. 138. 7Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão 6 . Rio de Janeiro : Forense. 1978. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Cf.9 A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. Nesse sentido. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória.7 I . mas consistem em representantes da sociedade. cit.404/76. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo.REQUIÃO e Rubens. Procurou. nos termos do art. conforme rege o art.separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas8. de caráter deliberativo e fiscalizador. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. Comentários à Lei das S. é específica a lei no art. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. Nesse sentido. portanto. e facultativo nas demais sociedades anônimas. 166. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas. p. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. diversamente da subscrição comum (art. § 1º da lege ferenda. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. nos aumentos de capital. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. Fran.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1.

faculta-se aos acionistas que representem. 163. p. Fran. cit. José Edwaldo Tavares Borba. que deliberará por maioria de votos11. 142. impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. mas à luz da Constituição Federal de 1988. portanto. 239). que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo12.404/76. criados por lei ou estatuto. e as normas sobre convocação. a Lei.. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. também. § 1º. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância. inciso II). que o Conselho se integre com um representante da minoria. 8Faculta. 140. Outorga de poderes A lei. o prazo de gestão. reveste-se de inconstitucionalidade. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. p. 173. no seu artigo 139. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. Neste sentido.122. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. 4. Tratandose de órgão superior.10 2. 3. face ao disposto no art. com imensos poderes. Poderá o estatuto. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. BATALHA. observado esse mínimo legal. inciso II)13. vinte por cento de capital com direito a voto. cit. 2 Conselho Fiscal (art.permitindo-se. art. de acordo com suas necessidades estruturais. conforme art. caput da Lei 6. 140 e 146).Para eleição de membros do Conselho de Administração não se . Wilson de Souza Campos. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão.da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf.272. instalação e funcionamento do Conselho. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. estabelecendo-se mínimo e máximo. que será no mínimo de três. nesse caso. no mínimo. ficando. determinar limites. 141 . § 7º). a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho.Cumpre destacar que acordo com a lei. a eleição de um membro do Conselho podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. ob. dessa forma. cit. 655. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art. MARTINS. ob. o modo de substituição. que não poderá exceder 3 anos. 9Cf. ob. O estatuto deverá prever.

e nesse caso. ob. . iniciar-se-á novo período gestacional. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. cit. ob. . A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou Consistindo em órgão de deliberação colegiada. um décimo do capital social com direito a voto. Roger de Carvalho. 4. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. A lei 6. 303.requer voto qualificado. tratando-se de decisão ad nutum. pratique atos que requeiram manifestação dos demais. cit. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. 4. 129). tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral.2. Trata-se. de regra de ordem pública. portanto. Fran.15 O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários.140). p. 4. 141 da Lei 6.404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. Eleição e destituição de membros . cf. no mínimo. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão14. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia 16. Rio de Janeiro : Forense.Processo de voto múltiplo Determina o art.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. Rubens. 141.1. 14REQUIÃO. p. sendo vedado que um só conselheiro. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia.1. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. sendo necessário maioria simples (art. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. 272. Fran.404/76 regulamenta tal procedimento no art. RT 667. citado por Fábio Ulhoa Coelho. ou seja. ao contrário. isoladamente. 11Vide MANGE. MARTINS. 164. 13MARTINS. sobre a inaplicabilidade dos arts. 12 De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração. cit. 10 3 total de seus componentes. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros..2. 1978. p. independe de disposição estatutária e.

§ 1º). atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. do capital com direito a voto. 141. de 11. quando se tratar de sociedades abertas. procedendo-se a nova eleição (art. ob. portanto. Além disso. Eliane M. in Sociedade Anônima.. cit. Nos demais casos em que o cargo fique vago.12.. MARTINS. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto. consistindo. Osmar Brina Corrêa. 17 Cf.. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco.. Octaviano Martins. § 3º). 27. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração17. ob. 291 da LSA. Adotando o sistema de voto múltiplo. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. no mínimo.independentemente de previsão estatutária. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. requererem a adoção de processo de voto múltiplo. Fran. Wilson de Souza Campos. 304. baixada nos termos do art. Quando a eleição de membros19 tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. cit. 141. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. o número de votos necessários18 para a eleição de cada membro do conselho (art. 699 : “o administrador eleito por grupo ou 15 16 . o que significa que a regra é de ordem pública. 283. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. Cf. a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. cit. MARTINS. e reconhecendo-se. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. p. ob. p. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta.91.. 291 da lei”. in Direito de voto. in Comentários. à vista do "Livro de Presença". p. A mesa diretora informará previamente. 18Vide Instrução CVM n. observando-se o Cf. 19BATALHA. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho.. ainda.. p. aos acionistas o direito de cumular os votos num só candidato ou distribuí-los entre vários. em vantagem para os acionistas não-controladores. 165. LIMA.

autorizar a alienação de bens do ativo permanente. competindolhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. deliberar. como também de orientação das atividades da sociedade. mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. II. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. Assegura-se compulsoriamente a eleição. conforme rege o art. 5. em qualquer sociedade anônima. se houver. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. do capital social. Note-se. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo.classe. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. 154). a Lei 6. é competência do Conselho de Administração. Impõe. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. se existirem acionistas que representem 20%. pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto20. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. mas órgão da sociedade. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. 142. fiscalizar a gestão dos diretores. Em linhas gerais. que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. 176). que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. portanto. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. 4 prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. no § único do artigo ora em exame. ainda. a Diretoria será o órgão destinado a . portanto. quando não existir Conselho de Administração21. convocar assembléia geral. Nos casos em que exista Conselho de Administração.404/76. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. no mínimo. quando julgar necessário. quando autorizado pelo estatuto. inclusive mediante voto múltiplo (art. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. Garante-se. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições.

Representação: 20 21 5 Cf. incisos III e V. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (BrunetCañizares. p. cit. 143 e 146). Cf. sua vontade. 1978. a Lei 6. e como tal. A Lei 6.404/76. 22 Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art.a qualquer diretor . Ademais. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. compete aos diretores . 1960). nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. 24 2. 1. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. possuindo. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões.gerir os negócios sociais. 25 . 142. 165. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. no § 1º do art. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. II. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. é imputada à sociedade. 142. mas como um órgão da sociedade. III e IV). Rubens. São Paulo : Forense. REQUIÃO. acionistas ou não. mas como representantes da sociedade. amplos poderes23 para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. Buenos Aires. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. prazo de gestão. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. ou se inexistente. o modo de sua substituição. em regra. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. 144). MARTINS.A.404/76 não considera os diretores como mandatários. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. inciso II e § único). Comentários à Lei das S. de competência dos diretores. Fran. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. a direção da sociedade em todos os aspectos. 143. incisos I. pela Assembléia Geral (art. 143. ob. como ocorre com o art. enquadrando-os como órgãos da sociedade.

a qualidade de órgão da pessoa jurídica.404/76. nesses casos.. para a prática de determinados atos. em doutrina. Entretanto. ob.pela morte ou interdição de uma das partes. BATALHA. O mandato. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . cit. 139. p. por via do qual se lhe atribui. remuneração. 659. inciso II : “Cessa o mandato : .” Cf. que devem ser explicitados no instrumento. Por outro lado. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir. 429. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos. Orlando.. cit. predomina. Não colide com o disposto no art. Os poderes dos diretores são indelegáveis. p. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. com os respectivos poderes. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. Não se extinguirá. investidura.O mandato representa a outorga temporária de poderes. 22 23 6 Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. 1316. se extinguiria com a morte do mandante.NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. porquanto ela é simples condição de eficácia. Wilson de Souza Campos.ADMINISTRADORES . impedimentos. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. Anstellung. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. 661. ob. portanto. vol. Requisitos e impedimentos Cf. 1 . .Se o mandato fosse particular. 24É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. 145 a 151 da Lei 6. p. in Revista dos Tribunais. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. nos limites de suas atribuições e poderes. feita pela sociedade através de seus diretores. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. denominado nomeação. nem por isso se torna contratual. Conquanto esse ato unilateral. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. Código Civil art. GOMES.” 25 “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. conforme determina o art. mas de um ato jurídico unilateral.II . 144 . o contrato de emprego. ao lado do ato unilateral de nomeação.

149). sob pena dessa se tornar sem efeito. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. § único). caput). 147 § 2º). 146.acionistas ou não26 (art. podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. 4. bem como o prazo de gestão auferido. 150 § 1º). no prazo de 30 dias após a nomeação. contra a economia popular. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. mesmo que temporariamente. 3. peita ou suborno. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração.pelo titular ou por terceiro . exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. no art. O art.. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. peculato. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. 146. concussão. . será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. o acesso a cargos públicos (art. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. 147 determina que. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. 150 caput). Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. 148. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração. dos quais se arquivará cópia na sede social . Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. Ademais. de prevaricação. 2. 147 § 1º). um mecanismo de garantia de gestão. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. com vigência até a primeira assembléia geral que houver.

somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. 2. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que . 153 a 160. conforme disposto no art. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. As normas desta Seção.A Lei ora em estudo. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. convocar a assembléia geral. 6. 152. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. 153. competirá ao Conselho Fiscal.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. 5. 165) . art.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra. 150 § 3º e 4º). impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios29. tempo dedicado às funções. prevê. conforme dispõe o art. 160.404/76. ou a qualquer acionista. caput. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. e em relação aos terceiros de boa-fé. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. Renúncia A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. I . Dever de Diligência : a lei brasileira. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído. reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. 146 § único.27 DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. se estiver em funcionamento. a Lei 6. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores28. 150. 26 7 Rege a lei. no seu art. no art. conforme art. no § 2º do art. tendo em conta suas responsabilidades. competência. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores. 151. também.

30 3.exerça suas atribuições . O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. são parte dela. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. 29 Cf.atribuídas por lei e pelo estatuto . gozam. 154. com ou sem prejuízo para a companhia.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . conforme estabelece o art. Revista dos Tribunais. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. em benefício próprio ou de outrem. BULGARELLI. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral.. p. não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. cit. 27 8 § 3º). em razão de seu cargo. correlatamente. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. criados pelo Estatuto Social. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. Revista de Direito Mercantil.. § 1º). os seus bens. como administradores. Veda-se ao administrador. conforme art. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse. prevalecendo o limite menor (art. receber de terceiros . em função dos lucros . 154.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. adquirir. n. serviços ou créditos. 154. § único e 1º).. sendo vedado ao administrador. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. 155 : usar. para si ou para outrem. ou podem gozar. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. 152 da Lei é. e seus membros. para revender com lucro.para lograr os fins e no interesse da companhia. praticar ato de liberdade à custa da companhia. 310. mas em certos casos. ou de terceiros. 28Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. conforme art. do interesse da empresa”. bem ou . das vantagens comuns a todos.observadas sempre as normas do art. não apenas possível. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. visando à obtenção de vantagens. ob. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. § 2º:. Especificamente. a remuneração com parte fixa e outra variável. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. 154. 152. integram-se na administração da empresa.

ainda.deriva do dever de diligência. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. de que seja titular (art. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. ou que esta tencione adquirir. no § 3º. Responsabilidade Administrativa Cumpre ressaltar. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. no § 2º do mesmo artigo. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . no momento da posse. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. 31Ademais. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas entendidos como tal os diretores. 32Ainda que observado o disposto neste artigo. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios34. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. 154. contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º.direito que sabe necessário à companhia. tendo em vista suas responsabilidades sociais. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. deverá declarar o número de ações. sendo-lhe vedado. 155. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança. conforme segue : 1. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. o administrador somente pode contratar com a companhia 30 . também. Conflito de Interesses(art. além de regulamentar. § 1º). valer-se das informações para obter. No caso de irregularidades. anteriormente mencionado.32 5. para si ou para outrem. que a lei (art. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. civil e penal. a lei impõe ao administrador.31 5. a natureza e extensão de seu interesse. 157) 33 II . salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. bônus de subscrição.

2. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. em regra. Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. § 2º). responderá civilmente pelos prejuízos que causar. 156. 158). quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art.37. 34GUERREIRO. 158.. no âmbito de Diretoria. Independe de processo formal. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. ano XX. São Paulo : Ed. § 2º e seguintes. 3. 35 No que concerne ao Conselho de Administração.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. porém. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão.Crimes contra o Patrimônio . quando proceder com culpa ou dolo. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato . José Alexandre Tavares. Revista de Direito Mercantil. civilmente. responde. A lei determina que o administrador. § 1º). Código Penal . infringe-se a finalidade do interesse social. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. por ser órgão colegiado. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores. portanto. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. Revista dos Tribunais. 1981. nr 42. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. 9 A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. A responsabilidade civil consiste. nos termos do art. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. 157 e seus parágrafos. mas a lei. no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. detalha os casos em que haverá solidariedade 36. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. pois dessa forma.em condições razoáveis ou eqüitativas. 156. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. 33 Vide na íntegra o art.

caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. Neste sentido Fran Martins. mediante prévia deliberação da assembléia geral. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. não sendo possível. in Comentários à Lei das S. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou.se em funcionamento . age além dos poderes que lhe são outorgados. Em regra. 159. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados.relevante em documentos destinados ao público.. competirá à companhia. pelos prejuízos causados ao seu patrimônio. em proveito próprio ou de terceiro. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedí-los. em nível de Diretoria. rege o § 1º do art. a responsabilidade dos diretores. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. 10 sociedade. caput. § 3º). é individual. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. a ação de responsabilidade civil contra o administrador.A. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. 158 e 159. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. 159. portanto. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. Competirá. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. executar negociação com as próprias ações da sociedade.ou à Assembléia Geral. 2. cit. Nesse sentido. 36 Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. em assembléia geral extraordinária. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. obter aprovação irregular de contas. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral. . com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos. 37Por força do art. ao Conselho Fiscal . mas perante terceiros prejudicados. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio. no prazo de três meses (art. exceto nas companhias abertas. Vide na íntegra o art. salvo nos casos de conivência. ob.. provocar falsa cotação de valores mobiliários da 35Ao violar a lei ou o estatuto.

161). econômica e relações de consumo. Composição e funcionamento O Conselho Fiscal39 pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas.Crimes contra a ordem tributária.3. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo. possuindo para tanto amplas atribuições. 4. conforme dispuser o Estatuto (art. que elegerá os membros. com atribuições definidas dentro da sociedade. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico.137/90 . ob. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. inclusive. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. Quando seu funcionamento não for permanente. in Comentários à Lei das S.ainda que a matéria não conste da convocação40). Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. com mandato anual (art. “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo. Impedimentos e Remuneração .A. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. § 1º). 38 11 3. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros38. 40Dispõe o art. cit. 161. 161. Lei 8. conforme observa Fran Martins.. acionistas ou não. Requisitos. CONSELHO FISCAL 1. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto.492/86 . durante o período de liquidação da sociedade. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. portanto. 161. pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. Dessa forma. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. 39A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. 2. Lei 7. consiste. § 2º). e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art.crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido.

no § 7º do artigo ora enfocado. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art.opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração. ou que tenham exercido.42 Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais.A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal.para cada membro em exercício . Rege ainda a lei. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários.A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . acrescentando o § 2º do artigo em exame. caput). até terceiro grau. distribuição de dividendos. 5. . por prazo mínimo de 3 (três) anos.164. . a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. no que tange à modificação do capital social. não computada a participação nos lucros. e o cônjuge ou parente. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art.ou ao menos um deles . de administrador da companhia. emitir opinião43 sobre o relatório anual da administração. fusão ou cisão. residentes no País. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal . são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. 162 § 1º). conforme disposição do art. fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. diplomadas em curso de nível universitário. mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. No que concerne à inegibilidade. 4. a serem submetidas à assembléia geral. planos de investimento ou orçamentos de capital. 162.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor. incorporação. 147 41. transformação. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle.

desde que não comprovada conivência. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. de prevaricação. o acesso a cargos públicos (art. Para os cargos de administração de companhia aberta. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. ou com violação da lei ou do estatuto (art. BACCARIN SILVA. 42Cf. Ana Maria de. Comentários à Lei das S. Direito societário. 43A verificação de documentos ou propostas da administração. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. São Paulo: Atlas. Cristina Maria. peita ou suborno. pois exprimem uma vontade coletiva. BULGARELLI. Bauru: Jalovi. contra a economia popular. RT 670/77. BATALHA.) 41 12 tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. Manual das sociedades anônimas. 165 retromencionado.165.6.. concussão. Edson. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado. antes de se submeterem à Assembléia Geral. José Edwaldo Tavares. mesmo que temporariamente. BACCARIN. Comentários à lei das sociedades anônimas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. 147 § 2º). Waldirio. 165. 165). 147 § 1º). a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. nos termos do § 1º do art. 153 a 156). Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. TJSP. sem intervir em operação social em que Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. Wilson de Souza Campos. § 1º). § 2º). cit. (Neste sentido Fran Martins. a responsabilidade por omissão é solidária (art. Rio de Janeiro: Forense. 1995. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. 1984. 1982. Nos demais casos. Empresas e inversiones en el Mercosur. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. ob. que em princípio. peculato. BORBA. 1992. é de competência de auditores. . demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil.A. 1977.

13 14 DMINISTRAÇÃO E DIRETORIA DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS (LEI 6. 1979. O Direito de Voto na Lei 6. Código comercial brasileiro e legislação complementar. Rubens. é mestre. São Paulo: Saraiva. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas. DIAZ-CANABATE. discplina que leciona junto às Universidades São Francisco – USF . 1988. 1982. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor.42. La sociedad anônima y sus problemas. 1991. Rio de Janeiro: Forense. Sociedade anônima: textos e casos.______. v. André Luiz Dumortout de. REQUIÃO. advogado militante. GARRIGUES. Octaviano. Rio de Janeiro: Forense. Fran. Álvaro Thomaz. Questões de direito societário. Fábio Ulhoa. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. José Alexandre Tavares. COELHO. v. Professora de Direito Marítimo e Direito Comercial da UNISANTA e de pós-graduação da UNILUS e UNIMONTE em Santos (SP) Paulo Roberto Colombo Arnoldi Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. Sociedades anônimas e valores mobiliários. São Paulo: Saraiva. no prelo. São Paulo: Ed. Franca: UNESP.69-87. GUERREIRO. MENDONÇA. doutor e livre-docente em Direito Comercial. São Paulo: Saraiva. 1984. Rio de Janeiro: Forense.404/76) Eliane Maria Octaviano Martins Vice-Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integração – IPDCI. 1982. Curso de direito comercial. abr. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. Coordenadora Regional de Redação da RDM. Dylson. José da Silva. MIRANDA JÚNIOR. HENTZ. Revista de Direito Mercantil. COSTA. 1983.1. Revista dos Tribunais. n. São Paulo: Saraiva. 1993./jun. MARTINS. GONÇALVES. São Paulo. p. Eliane M. CRISTIANO. 1995. LIMA. Curso de direito comercial.404/76. 1996. Darcy Arruda.2. DÓRIA. Código comercial e legislação complementar anotados. Romano. Revista dos Tribunais. Direito empresarial. Wille Duarte. v. Osmar Brina Corrêa. São Paulo: Ed. 1981.1 e 2. Rio de Janeiro: Forense. PACHECO. 1977. Curso de direito comercial. Rio de Janeiro: Forense. Luiz Antônio Soares. Órgãos da sociedade anônima. 1983. MARTINS. Revista dos Tribunais. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. São Paulo: Ed. 1991. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. ______ . 1982. Joaquin.

nas quais a existência dos dois órgãos é obrigatória. No Brasil. De acordo com o art. Considerações Gerais É órgão de deliberação colegiada. 141.[5] I . No que concerne às sociedades de capital autorizado. delegando caráter ilusório de democracia às deliberações assembleares. dotar as sociedades anônimas de órgãos capazes de atender às necessidades de grandes companhias. o fenômeno do enfraquecimento da Assembléia Geral e o aviltamento dos órgãos de administração. aos quais compete produzir a vontade social. 138. mas o que se constata na realidade é que a estrutura democrática da sociedade vem se dissipando. diversamente da subscrição comum (art. Tal sistema visa a necessidade de um melhor ordenamento na administração das companhias.[3] ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A Lei 6404/76 permite que as sociedades anônimas possuam dois órgãos administrativos : o Conselho de Administração e a Diretoria. 138 da Lei 6. e tais interesses se revestem de maior garantia com a existência de um Conselho. a obrigatoriedade da existência do Conselho de Administração se fundamenta no fato de que tais sociedades. § 1º da lege ferenda. a lei brasileira. portanto. devido ao desinteresse dos acionistas. a organização da sociedade. bipartido pela Diretoria e Conselho de Administração e o poder fiscalizador e de controle. Inspira-se nosso sistema no moderno sistema germânico. Adota o direito positivo brasileiro a teoria organicista para explicar a natureza desses núcleos de poderes sociais e disciplinar. concentrando-se o poder em um grupo de controle.[2] CONDUÇÃO DOS NEGÓCIOS SOCIAIS .O ENFRAQUECIMENTO DA ASSEMBLÉIA GERAL A lei manteve a Assembléia Geral como órgão soberano da companhia. É autor de diversas obras no Brasil e co-autor de diversas obras na Argentina.. inciso I e 168). Têm se acentuado o declínio da importância da assembléia geral. constatam-se. nos aumentos de capital. § 4º. adstrito ao Conselho de Fiscalização. portanto. facultando-se que a administração se subdivida em Conselho de Administração e Diretoria. INTRODUÇÃO O funcionamento da sociedade anônima requer organização. doutrinariamente. emitirão ações que poderão ser subscritas de modo especial. nos termos do art. A esses centros de poderes da administração da sociedade anônima[1]dá-se. ou exclusivamente à diretoria. A Lei impõe caráter obrigatório à existência do Conselho de Administração somente para as sociedades de capital autorizado e as abertas[6]. de acordo com a disposição estatutária. e assim deveria constituir o poder supremo da sociedade. que aponta a melhor estruturação da empresa como vantagem dessa bipartição administrativa[4]. a designação de órgãos sociais. permitiu também a lei a eleição de um representante dos acionistas minoritários pelo processo de voto múltiplo. delegado à Assembléia Geral. a administração da companhia competirá ao conselho de administração e à diretoria.CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 1. de forma democrática. conforme rege o art.[7] . salvo para as sociedades de capital autorizado e as abertas. Procurou. considerada como o órgão supremo da sociedade e o fortalecimento da Administração. O problema da administração social nas sociedades anônimas é de caráter complexo. de caráter deliberativo e fiscalizador. A obrigatoriedade da existência de Conselho de Administração nas companhias abertas existe em função de que tais companhias efetuam negociação de ações no mercado de capitais. 166. poder executivo ou administrativo. representantes dos poderes da sociedade. Nesse sentido. em que se constata uma separação entre o controle e o poder de gestão da sociedade. impondo distribuição de poderes. distribuindo poderes em três categorias : poder deliberador e legislativo. e facultativo nas demais sociedades anônimas. Tencionou o legislador brasileiro zelar quanto à garantia dos interesses de terceiros que investem na sociedade tornando-se acionistas.de Bragança Paulista (SP). como órgão efetivamente condutor dos negócios sociais (Doutrina do Fuherprinzip). cabendo ao estatuto dispor a respeito da criação desse órgão.404/76. sendo a representação da companhia privativa dos acionistas. UNAERP de Ribeirão Preto (SP) e UNESP de Franca (SP).

141 da Lei 6. tendo em vista que se for fixado um número inferior a cinco membros. Eleição e destituição Os conselheiros devem ser acionistas. inciso II). caput da Lei 6.404/76 regulamenta tal procedimento no art. repetindo a regra desse artigo no que concerne ao Conselho Fiscal (art. ou seja. proporcionalmente ao número dos que serão eleitos para o Conselho de Administração. O estatuto deverá prever. mas consistem em representantes da sociedade. A lei 6. instalação e funcionamento do Conselho. Nesse sentido. nesse caso. eleitos pela Assembléia Geral e por ela destituíveis a qualquer tempo (art.podendo utilizar-se do processo de voto múltiplo. também. A faculdade de destituição delegada à assembléia geral abrange a destituição parcial ou total de seus componentes. eleitos pela assembléia geral e por ela destituídos. de regra de ordem pública.[8] 2.[13] O exercício do voto múltiplo consiste em instrumento essencial à representação dos acionistas minoritários. que por esse serão eleitos ou destituídos (art. ao contrário.permitindo-se. estabelecendo-se mínimo e máximo. portanto. Não há obrigatoriedade de destituição de todo o Conselho . 140 e 146).404/76 que na eleição dos conselheiros é facultado aos acionistas que representem. que será no mínimo de três. requererem a adoção de processo de voto múltiplo.exceto nos casos em que a eleição tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. iniciar-se-á novo período gestacional. o Conselho de Administração prosseguirá no período de tempo para o qual foi eleito. 4. A fixação de número de membros pelo estatuto é de suma importância.140). independe de disposição estatutária e. 4.Para eleição de membros do Conselho de Administração não se requer voto qualificado. Poderá o estatuto.404/76. e reconhecendo-se. com imensos poderes.1. observado esse mínimo legal. sendo necessário maioria simples (art. a eleição de um membro do Conselho . que estabelece os poderes que cabem a tais órgãos. que o Conselho se integre com um representante da minoria. Outorga de poderes A lei. o que não ocorre com os diretores quando existe na companhia o Conselho de Administração. ficando. um décimo do capital social com direito a voto. 142. que por ela agem sem se imbuir da figura do mandato.2. 141 . 4. conforme art. que não poderá exceder 3 anos. no seu artigo 139. não se admite proibição do exercício do voto múltiplo pelo estatuto. facultando a lei a adoção do processo de voto múltiplo[10]. pois é possível ocorrer que somente um ou alguns dos membros decaia da confiança da assembléia. criados por lei ou estatuto.A autonomia dos diversos órgãos de administração centra-se no fato de não serem os dirigentes sociais mandatários dos sócios. 4. 142. e nesse caso. 163.1. ainda. Trata-se. Eleição e destituição de conselheiros pela Assembléia Geral A assembléia geral tem poder para eleger e discricionariamente para destituir os administradores (art. Composição O estatuto determinará o número de membros do Conselho de Administração. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia [14]. no mínimo. Voto Múltiplo O voto múltiplo consiste em sistema de votação que concentra em uma ação tantas possibilidades de votar em um ou mais membros. 129). que deliberará por maioria de votos[9]. § 7º). impõe a lei que os conselheiros sejam acionistas (art. a assembléia geral com o poder deliberador de determinar qual o número exato que conterá o Conselho. tratando-se de decisão ad nutum. atribuindo-se a cada ação tantos votos quantos sejam os membros do conselho. e as normas sobre convocação. o prazo de gestão. inciso II)[11]. veda que as atribuições e poderes conferidos aos órgãos de administração sejam outorgados a outro órgão.2. Tratando-se de órgão superior. sem qualquer obrigatoriedade de declarar os motivos de sua decisão[12]. aos acionistas o direito de cumular os votos num só . 140.122. 141. é específica a lei no art.Processo de voto múltiplo Determina o art. Eleição e destituição de membros . art. no mínimo. o modo de substituição. Nos casos de destituição total dos membros do Conselho de Administração.. vinte por cento de capital com direito a voto. Não faz a lei qualquer menção quanto a número máximo de membros. faculta-se aos acionistas que representem. independentemente de previsão estatutária. dessa forma. 3. determinar limites.

no § único do artigo ora em exame. deliberar. 154). que as atas de reuniões do Conselho de Administração que contiverem deliberação que produzam efeitos perante terceiros deverão ser arquivadas no Registro de Comércio e publicadas. além de lhe ser facultado estabelecer que determinadas decisões. DIRETORIA A Diretoria existirá sempre. delegando ao estatuto os poderes para regular as atribuições dos diretores (art. apenas o direito da minoria de requerer a adoção do voto múltiplo. pela Assembléia Geral (art. à vista do "Livro de Presença". mas sem força eleitoral suficiente para garantir a eleição de seu representante no conselho. que a lei assegura a representação da minoria no conselho de administração com um décimo de acionistas com voto. incisos I. conforme rege o art. 142: fixar a orientação geral dos negócios sociais. como também de orientação das atividades da sociedade. no mínimo. manifestar-se a respeito do relatório da administração e contas da diretoria. II. ou se inexistente. permite que até um terço dos membros do Conselho de Administração sejam eleitos para o cargo de diretores. para que haja tempo para a maioria se compor em torno de seus candidatos. faculta-se a eleição de um dos membros de conselho aos acionistas que representem 20%. Além disso. do capital com direito a voto. incisos III e V. convocar assembléia geral. Impõe. observando-se o prazo legal estabelecido pelo § 1º do mesmo artigo. II. o que de certa forma assegura a eleição de um representante dos minoritários para o Conselho de Administração[15]. gerindo os negócios sociais e orientando a política empresarial. Assegura-se compulsoriamente a eleição. § 3º).candidato ou distribuí-los entre vários. preceitua a lei no § 4º do artigo sub enfoque. quando não existir Conselho de Administração[19]. se houver. se não houver suplente a primeira assembléia geral procederá a nova eleição de todo o Conselho. no mínimo. Competência do Conselho de Administração Determina a lei a competência privativa do Conselho de Administração no art. Deverá o estatuto estabelecer o número de diretores ou limites mínimos e máximos permitidos. sobre emissão de ações ou de bônus de subscrição. caso o estatuto não disponha em contrário e a escolha e destituição de auditores independentes. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores. desde que tais poderes não conflitem com os da própria Diretoria. a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros. Garante-se. A mesa diretora informará previamente.404/76. a Lei 6. competindo-lhe praticar todos os atos não apenas de gestão dos negócios sociais. a Diretoria será o órgão destinado a gerir os negócios sociais. eleger e destituir diretores da companhia e determinar-lhes as atribuições. § 1º). 142. ainda. acionistas ou não. 141. o modo de sua substituição. do capital social. de competência dos diretores. 143 e 146). pois poderá acontecer que a minoria disponha de um décimo de acionistas com voto[18]. que se o número de membros do conselho de administração for inferior a cinco. o número de votos necessários[16] para a eleição de cada membro do conselho (art. Em linhas gerais. portanto. 5. Essa faculdade deverá ser exercida pelos acionistas até quarenta e oito horas antes da assembléia geral. no § 1º do art. III e IV). a destituição de qualquer membro do Conselho de Administração pela Assembléia Geral importará destituição dos demais membros. Quando a sociedade não possua um Conselho de Administração. em qualquer sociedade anônima. Ademais. 143.404/76. que não poderá ser superior a 3 (três) anos (sendo permitida por lei a reeleição) e as atribuições e poderes de cada diretor. Nos demais casos em que o cargo fique vago. eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração. 141. sejam tomadas em reunião da diretoria (art. examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração e sobre quaisquer outros atos. se existirem acionistas que representem 20%. é competência do Conselho de Administração. Nos casos em que exista Conselho de Administração. prazo de gestão. salvo quando a própria lei dá privatividade aos diretores para prática de determinados atos (art. quando autorizado pelo estatuto. 142. a Lei 6. fiscalizar a gestão dos diretores. Quando a eleição de membros[17] tiver sido realizada pelo processo de voto múltiplo. Cumpre ressaltar que os poderes do Conselho de Administração serão exercidos pela Diretoria. 143. autorizar a alienação de bens do ativo permanente. portanto. Representação: . 176). a Diretoria incorpora nas suas atribuições as funções próprias do Conselho de Administração. como ocorre com o art. quando julgar necessário. 1. Note-se. procedendo-se a nova eleição (art.

o acesso a cargos públicos (art. no art. Substituição e término da gestão Salvo disposição estatutária em contrário. 146. [22] 2. solução para a hipótese de vacância de todos os cargos da diretoria. mas como representantes da sociedade. Prevalece atualmente o entendimento de que é uma relação sobre a base da representação orgânica (Brunet-Cañizares. . será de competência da diretoria a convocação da Assembléia Geral (art. enquadrando-os como órgãos da sociedade. que só será levantada após aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que deixe o cargo. salvo justificação aceita pelo órgão da administração pertinente (art. 1960). 145 a 151 da Lei 6. 142.404/76 não considera os diretores como mandatários.404/76. § único). inciso II e § único). [20] Não havendo disposição em contrário no estatuto ou deliberação do Conselho de Administração (art.. bem como o prazo de gestão auferido. Para os cargos de administração de companhia aberta são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. dos quais se arquivará cópia na sede social . Buenos Aires. investidura. 149). convocar a assembléia geral. situação em que a assembléia geral será convocada para proceder a nova eleição (art. sendo obrigatório seu arquivo no Registro de Comércio e publicação (art. concussão. 146. 147 § 1º). a ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que efetivar eleição de administradores deverá conter a qualificação dos membros eleitos. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. Enquadra-se o diretor de sociedade anônima não como um mandatário. 147 § 2º). 1 . peita ou suborno. está superada a teoria que enquadra esse vínculo como uma relação jurídica informal pelo contrato de mandato. caput). 148. Nas companhias que não possuam Conselho de Administração. remuneração. Ademais. [23] ADMINISTRADORES . exceto nos casos em que ocorra vacância da maioria dos cargos. com vigência até a primeira assembléia geral que houver. havendo vacância de cargo de conselheiro ocorrerá nomeação de substituto pelos conselheiros remanescentes. O art. 3. compete aos diretores . sob pena dessa se tornar sem efeito.pelo titular ou por terceiro . podendo o estatuto estabelecer que o exercício do cargo de administrador deva ser assegurado . mas como um órgão da sociedade. também. amplos poderes[21] para praticar atos compatíveis com o objeto social e interesses da empresa. a direção da sociedade em todos os aspectos. deveres e responsabilidades dos administradores são comuns ao Conselho de Administração e a Diretoria e se encontram previstas nos art. no § 2º do art. A Lei ora em estudo. sua vontade. um mecanismo de garantia de gestão. prevê. é imputada à sociedade.mediante penhor de ações da companhia ou outra garantia. 4. impedimentos.a representação da companhia e a prática de atos necessários para seu regular funcionamento (art. acionistas ou não[24] (art. possuindo. se estiver em funcionamento.A Lei 6. no prazo de 30 dias após a nomeação. 144). de prevaricação. Natureza jurídica da figura do administrador Quanto à natureza jurídica da figura do administrador. 2. Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. Requisitos e impedimentos Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais residentes no País. 147 determina que. a assembléia geral somente poderá proceder a eleição de membros que tenham apresentado comprovantes necessários. ou a qualquer acionista. nos termos da lei e do estatuto ou das decisões assembleares. em regra. Ocorrendo vacância de todos os cargos do Conselho de Administração. Investidura Conselheiros e diretores serão investidos em seus cargos mediante assinatura de termo de posse no livro de atas do Conselho de Administração ou da Diretoria. peculato. contra a economia popular. quando a lei exigir determinados requisitos para a investidura no cargo de administração.a qualquer diretor .NORMAS COMUNS As normas relativas a requisitos. mesmo que temporariamente. devendo o acionista majoritário praticar os atos urgentes da administração da companhia até a realização da Assembléia Geral. e como tal. Garantia da Gestão A lei faculta ao estatuto. competirá ao Conselho Fiscal. 150. devendo os membros do Conselho de Administração ser acionistas e os diretores. 150 caput). 150 § 1º).

os seus bens. em ata de reunião do Conselho de Administração ou da diretoria. Dever de Informar (disclosure): o administrador de companhia aberta. 154. bem ou direito que sabe necessário à companhia. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações.[30] 5. em razão de seu cargo. 152. 153 a 160. a Lei 6. impõe ao administrador o dever de administrar a Sociedade Anônima com cuidado e competência e necessária diligência que todo homem ativo e de caráter íntegro e honesto empregar na administração de seus próprios negócios[27].para lograr os fins e no interesse da companhia. 155 : usar. de que seja titular (art.qualquer vantagem pessoal direta ou indireta. caput. deixar de aproveitar as oportunidades de negócio de interesse da companhia. competência. em benefício próprio ou de outrem. para si ou para outrem. Remuneração Compete à assembléia geral fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores.atribuídas por lei e pelo estatuto . I .404/76. que poderão ser promovidos pelo próprio renunciante. conforme estabelece o art. sendo vedado ao administrador. valer-se das informações para obter. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder: exige-se dever ético-social do administrador que exerça suas atribuições . Renúncia Rege a lei. com funções técnicas ou destinadas a aconselhar os administradores[26]. 156) : veda a lei qualquer intervenção do administrador em operação social em que tenha interesses conflitantes com os da companhia. § 2º:. sendo-lhe vedado. 154. 160. usar em proveito próprio de sociedade em que tenha interesse.404/76 elenca os seguintes deveres básicos dos administradores: 1.O conselheiro ou diretor eleito para preencher o cargo completará o prazo de gestão do substituído.DEVERES DOS ADMINISTRADORES Em regra.sem autorização estatutária ou da assembléia geral . reputação profissional e valor dos seus serviços no mercado. sendo que importâncias porventura recebidas com infração a esse disposto pertencerão à companhia (art. 155. Dever de Lealdade: exprime a fidelidade à sociedade. tempo dedicado às funções. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia sem prévia autorização da assembléia geral. 151. ou de terceiros. receber de terceiros . tendo em conta suas responsabilidades. Tal regra vigora também para o administrador eleito por grupo ou classe de acionistas. mantendo reserva (dever de sigilo) sobre os negócios. que a renúncia revestir-se-á de eficácia perante à companhia desde o momento da entrega de comunicação escrita pelo renunciante. somente após arquivamento no Registro de Comércio e publicação. visando à obtenção de vantagens. 154. O administrador da companhia aberta deverá manter sigilo sobre informações que não tenham sido divulgadas para conhecimento do mercado. 157) [31] II . art. conforme art. omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. Dever de Diligência : a lei brasileira. no art. vantagens mediante venda ou compra de valores mobiliários (art. conforme art. 154. bônus de subscrição. no seu art. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. 6.[28] 3. 5. 150 § 3º e 4º). e em relação aos terceiros de boa-fé.[29] 5. conforme disposto no art. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. no momento da posse. 2. ou que esta tencione adquirir. também. para si ou para outrem. obtidas em razão do cargo e que possam influir de modo ponderável na cotação dos valores mobiliários. As normas desta Seção.. aplicar-se-ão aos de quaisquer órgãos criados pelo estatuto. bem como aos membros do Conselho Fiscal (art. deverá declarar o número de ações. § 1º). conforme dispõe o art. com ou sem prejuízo para a companhia. serviços ou créditos.. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. 165) . § único e 1º). cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. a natureza e extensão de seu interesse.RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES . não podendo faltar a esses deveres mesmo que para defesa do interesse dos que o elegeram (art. 153. para revender com lucro. sendo que o prazo de gestão do Conselho de Administração ou da diretoria estender-se-á até a investidura dos novos administradores eleitos (art. § 3º). Conflito de Interesses(art.[25] DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS ADMINISTRADORES Os deveres e responsabilidades dos administradores se encontram disciplinados na Seção IV do Capítulo XII da Lei 6. Veda-se ao administrador. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. praticar ato de liberdade à custa da companhia. adquirir.

Independe de processo formal. que basicamente tipifica crimes de responsabilidade de administradores caracterizados pela prática de atos irregulares ou decorrentes de abuso de poder econômico.492/86 . A responsabilidade civil consiste. executar negociação com as próprias ações da sociedade. a responsabilidade será apurada nos âmbitos administrativo. nos termos do art. cujos principais são : prestar informação falsa ou omissão fraudulenta de fato relevante em documentos destinados ao público. de controle e fiscalização das atividades financeiras da sociedade e da atuação dos administradores. distribuir lucros com base em balanço falso ou em desacordo com os resultados. relatórios ou qualquer informação aos acionistas. na obrigação do administrador indenizar a sociedade por perdas e danos. mediante conluio com acionistas e tomar empréstimo à sociedade ou usar. dos bens ou haveres sociais sem autorização prévia da Assembléia Geral.. pois se faculta à sociedade poder rebaixar ou destituir qualquer de seus administradores.137/90 . porém. Dessa forma. pelos prejuízos que causar quando proceder dentro de suas atribuições ou poderes. No caso de irregularidades. em um órgão defensor dos direitos dos acionistas e de terceiros[36].crimes contra o sistema financeiro nacional : tipifica atos dos administradores de instituições financeiras no que concerne à divulgação de informações falsas nos lançamento de títulos e valores mobiliários. mas a lei. quando proceder com culpa ou dolo ou com violação da lei ou do estatuto (art. responde. em proveito próprio ou de terceiro. que não se enquadrem nos casos permitidos em lei. responderá civilmente pelos prejuízos que causar.Crimes contra o Patrimônio . Lei 8. em regra. inerente a todos que possuem a incumbência de gestão de patrimônios alheios[32]. enquadra-se responsabilidade solidária entre os administradores. consiste. A lei determina que o administrador. 4. com finalidade de sonegar lucros e dividendos ou desviar fundos.[35]. Considerações Gerais O Conselho Fiscal é um órgão autônomo.A responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas .Crimes contra a ordem tributária. quando proceder com culpa ou dolo. mesmo que praticando atos dentro das suas atribuições ou poderes. obter aprovação irregular de contas. possuindo para tanto amplas atribuições. pois dessa forma. infringe-se a finalidade do interesse social. 2. detalha os casos em que haverá solidariedade [34].deriva do dever de diligência. civil e penal. os membros do Conselho Fiscal e membros de demais órgãos técnicos e consultivos porventura criados . provocar falsa cotação de valores mobiliários da sociedade. Composição e funcionamento . 158. § 2º e seguintes. dada a diversidade de atuação dos dois órgãos do poder administrativo da sociedade. civilmente.. no âmbito de Diretoria. Responsabilidade Administrativa A responsabilidade administrativa abrange a má-gestão. CONSELHO FISCAL 1. Código Penal . no âmbito penal citam-se os seguintes enquadramentos legais : 1. 2. portanto.fraudes e abusos na fundação ou Administração de Sociedades por Ações : O art. 177 dispõe sobre alguns crimes típicos de administradores de sociedades anônimas. anteriormente mencionado. 2. 3. Lei de Economia Popular: enquadra como crime a fraude de escrituração. conforme segue : 1. econômica e relações de consumo. Responsabilidade Civil O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão.entendidos como tal os diretores. 3. 158). Lei 7. portanto. representando vantagens particulares para o administrador ou para terceiros. que poderá acarretar o rebaixamento do administrador ou a sua destituição. Responsabilidade Penal No que concerne à responsabilidade dos administradores. com culpa ou dolo e com violação da lei ou do estatuto. por ser órgão colegiado. [33] No que concerne ao Conselho de Administração.

mas vem a atingir a própria fiscalização da gestão administrativa. por prazo mínimo de 3 (três) anos. Competência O Conselho Fiscal é órgão de controle. a condição de inelegíveis aos membros de órgãos de administração e empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. no que tange à modificação do capital social.para cada membro em exercício . não computada a participação nos lucros. conforme disposição do art. 162 § 1º). incorporação. durante o período de liquidação da sociedade. Quando seu funcionamento não for permanente. emitir opinião[41] sobre o relatório anual da administração. § 1º). a responsabilidade por prática de atos ilícitos é pessoal. desde que não comprovada conivência. são válidas para os membros do Conselho Fiscal as mesmas regras constantes do art. e o cônjuge ou parente. distribuição de dividendos. que rege que somente poderão ser eleitas para o Conselho Fiscal as pessoas naturais. ou com violação da lei ou do estatuto (art. Rege ainda a lei. caput). pode ser formulado pedido de instalação em qualquer Assembléia Geral (Ordinária ou Extraordinária . sem intervir em operação social em que tenham interesses conflitantes com os da companhia e respondem pelos danos resultantes de omissão no cumprimento de seus deveres e de atos praticados com culpa ou dolo. cabendo ao juiz dispensar a companhia de tais exigências caso não existam na localidade pessoas habilitadas em número suficiente para o exercício da função (art. que as atribuições e poderes conferidos ao Conselho Fiscal não podem ser outorgados a outro órgão da companhia. 161. 165. salvo se com eles for conveniente ou se concorrer para a prática do ato (art. . com mandato anual (art. sendo também nessa fase de instalação permanente ou a pedido. . Deveres e Responsabilidades Os membros do Conselho Fiscal possuem os mesmos deveres dos administradores (art. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. até terceiro grau.ou ao menos um deles . fiscalização e também de informação cuja atividade não se esgota na mera revisão de contas. a responsabilidade por omissão é solidária (art. planos de investimento ou orçamentos de capital. ou que tenham exercido. 6. Nos demais casos. no § 7º do artigo ora enfocado. Impedimentos e Remuneração A lei brasileira impõe alguns requisitos para eleição como membro do Conselho Fiscal. 147 [39]. Requisitos. 4. Será composto de no mínimo três e no máximo cinco membros. transformação. emissão de debêntures ou bônus de subscrição. 165). e cada período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia geral após a sua instalação (art. O membro do Conselho Fiscal não é responsável pelos atos ilícitos de outros membros. acrescentando o § 2º do artigo em exame. diplomadas em curso de nível universitário. nos termos do § 1º do art. fusão ou cisão. acionistas ou não. 165 retromencionado. exercendo suas atribuições no sentido de atingir-se fins da companhia. 161). a serem submetidas à assembléia geral. a pedido de acionistas que representem no mínimo um décimo das ações com direito a voto ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto. § 2º).opinar sobre as propostas dos órgãos da Administração.O Conselho Fiscal[37] pode ser de funcionamento permanente ou somente quando solicitada instalação pelos acionistas.a um décimo da remuneração que em média for atribuída a cada diretor.165.às reuniões da assembléia geral para responder a pedidos de informações formulados pelos acionistas (art. conforme dispuser o Estatuto (art. No que concerne à inegibilidade. 5. As atribuições conferidas por lei ao Conselho Fiscal serão exercidas. inclusive. cargo de administrador de empresa ou de conselheiro fiscal. 163 : a fiscalização dos atos dos administradores e a verificação dos seus deveres legais e estatutários. A remuneração será fixada pela Assembléia Geral que eleger os membros e não poderá ser inferior . § 2º). pois exprimem uma vontade coletiva. 161. Sendo o Conselho Fiscal um órgão colegiado.164.ainda que a matéria não conste da convocação[38]). § 1º). residentes no País. 153 a 156).[40] Compete ao Conselho Fiscal dentre outras atribuições constantes do art. 162. fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral. de administrador da companhia. 3. eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. Pareceres e Representações É obrigatório o comparecimento dos membros do Conselho Fiscal .

Curso de direito comercial. REQUIÃO. Manual das sociedades anônimas. Órgãos da sociedade anônima. Waldirio. v. n./jun. O Direito de Voto na Lei 6. 1995. MIRANDA JÚNIOR. Edição em lingua portuguesa por Sérgio Antônio Fabris Editor. Álvaro Thomaz. Revista de Direito Mercantil. 1982. Cristina Maria.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUINIS. 1984. São Paulo. Rio de Janeiro: Forense. 1983.404/76. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Eliane M. Fábio Ulhoa. HENTZ. Empresas e inversiones en el Mercosur. Código comercial e legislação complementar anotados. Sociedades anônimas e valores mobiliários. 1982. Joaquin. São Paulo: Saraiva. Mestre. Rio de Janeiro: Forense.42. Wilson de Souza Campos. CRISTIANO. 1988. Franca: UNESP. Revista dos Tribunais. Wille Duarte. Octaviano. ______ . BORBA. LIMA. Código comercial brasileiro e legislação complementar. 1981. 1982. abr. Dylson. COELHO. 1992. São Paulo: Ed. Dicionário de sociedades comerciais e mercado de capitais. 1982. BACCARIN. Ana Maria de. GONÇALVES. 1993. 1995. v. 1977. São Paulo: Saraiva. Edson. Rio de Janeiro: Forense. Curso de direito comercial: sociedades comerciais. 1991. p. 1977. BULGARELLI. ______.2. José Edwaldo Tavares. BATALHA. Doutor e Livre Docente em Direito Comercial 2. Porto Alegre Sérgio Antônio Fabris. Rubens. MARTINS. 1979. Curso de direito comercial. Curso de direito comercial. Rio de Janeiro: Forense. Luiz Antônio Soares. COSTA. Responsabilidade dos administradores de sociedades anônimas. Curso teórico-prático de direito comercial terrestre. 1991. Revista dos Tribunais. DADOS DO AUTOR PAULO ROBERTO COLOMBO ARNOLDI 1. José da Silva. São Paulo: Atlas. Presidente do Instituto Paulista de Direito Comercial e da Integraçào . Revista dos Tribunais. DIAZ-CANABATE. São Paulo: Saraiva.69-87.1. La sociedad anônima y sus problemas. MARTINS. GUERREIRO. Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro: Forense. 1996. Fran. GARRIGUES. Bauru: Jalovi. Romano. 1983. André Luiz Dumortout de. v. no prelo. Osmar Brina Corrêa. Questões de direito societário.1 e 2. Sociedade anônima: textos e casos. 1984. DÓRIA. PACHECO. Direito empresarial. BACCARIN SILVA. São Paulo: Ed. São Paulo: Ed. MENDONÇA. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Darcy Arruda. José Alexandre Tavares. Direito societário. São Paulo: Saraiva. Comentários à lei das sociedades anônimas. Contratos e obrigações comerciais: cmentários à lei das soiedades aônimas.

Presidente do Centro de Estudos Latino Americanos da UNESP 4. ob. Neste sentido. [6]Faculta. que a sociedade disponha estatutariamente sobre sua existência. ob. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas. . Eliane M.. in Membros do Conselho de Administração de Sociedade Anônima Falida. cf. Universidade São Francisco . . José Edwaldo Tavares Borba. cit. p. -------------------------------------------------------------------------------[1] Cf . de acordo com suas necessidades estruturais. MARTINS. [8]Consistindo em órgão de deliberação colegiada. portanto. MARTINS. LIMA. [7]Cf. [5]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica Cf. [3]A Lei 6. a Lei. Membro do Instituto de Derecho Comercial de la Universidad Notarial Argentina 6. in Sociedade Anônima. Membro da Fundacion Ectheverry para la Investigacion y Estudios Internacionales 7. face ao disposto no art.USF e UNAERP . p. mas à luz da Constituição Federal de 1988. cit. ob. 655.A. ob. 272. Osmar Brina Corrêa. o Conselho de Administração seria de caráter obrigatório para as sociedades de economia mista (art. cit. p. possibilita a lei a participação das minorias votantes nos conselhos de administração. poderá reduzir a percentagem necessária de ações votantes para que o processo de votação pelo voto múltiplo seja utilizado na eleição dos conselheiros consoante estatui o art.404/76 procurou introduzir mecanismos que impeçam a tendência discricionária e autocrática da administração. cit. [11]MARTINS. o que significa que a regra é de ordem pública.REQUIÃO e Rubens. quando se tratar de sociedades abertas. in Direito de voto. Fran. Requião. reveste-se de inconstitucionalidade. suas decisões devem ser proferidas conjuntamente pelos conselheiros. Rubens. Fran. Roger de Carvalho. não podendo ser derrogada pelo estatuto nem pela assembléia. p. p. Rio de Janeiro : Forense. 173. [10] De acordo com o § 1º deste mesmo artigo. consistindo. Fran. Wilson de Souza Campos. Adotando o sistema de voto múltiplo. MARTINS. portanto. [9]Vide MANGE.. cit. cit. ob. MARTINS. em vantagem para os acionistas não-controladores. RT 667. cit. 27. Fran. cit. 165. Comentários à Lei das S. § 1º. [14] Cf. 1988.. 1978. 34 e 37 da Lei de Falências aos membros do Conselho de Administração. p. 1984. 239). 303.. p.Cumpre destacar que acordo com a lei. [2]Nos dizeres de Waldírio Bulgarelli : “A concepção organicista concebe um sistema que regula a expressão da vontade nas sociedades e a atividade exercida por seus órgãos como a expressão da própria atividade da pessoa jurídica in Manual das Sociedades Anônimas. 283. Octaviano Martins.3. cit. Ainda mais : a Comissão de Valores Mobiliários. 1978. [13]Cf. pratique atos que requeiram manifestação dos demais.UNESP 8. tentando estabelecer um equilíbrio de poderes da maioria e da minoria. São Paulo : Atlas. São Paulo : Saraiva. Curso de Direito Comercial. p. 164. sem descaracterizar os interesses da companhia. sendo vedado que um só conselheiro.. Diretor do Departamento de Direito Privado da Universidade Estadual Paulista . Professor de Direito Comercial na UNESP. [12]REQUIÃO. [4]Cf. tal faculdade deverá ser exercida até 48 horas antes da assembléia geral. Membro do Instituto de Direito Comercial Visconde de Cairú 5. Rubens ..272. MARTINS. citado por Fábio Ulhoa Coelho. sobre a inaplicabilidade dos arts. [15] Cf. Fran. Rio de Janeiro : Forense. isoladamente. ob. ob. 291 da lei”. BATALHA. que assinala : “Essa permissão vigora esteja ou não contemplada no estatuto.

[26]Para Lamy Filho: “os órgãos técnicos e consultivos. ou podem gozar. gozam. 141) não é instrumento do grupo ou da classe que o elegeu. integram-se na administração da empresa. 50 apud Fábio Ulhoa Coelho. a respeito do percentual mínimo de participação acionária necessário para que se requeira o processo de voto múltiplo para eleição de membros do Conselho de Administração de companhia aberta. vol.é. [17]BATALHA. p.91.” [23] “Desta aquisição doutrinária no campo da análise da pessoa jurídica segue-se que a responsabilidade do administrador não é contratual. [29]Ademais. tenha a eficácia condicionada à aceitação do nomeado. e seus membros. a qualidade de órgão da pessoa jurídica. Desta qualificação técnica resulta que o ato de nomeação pode ser revogado sem que o nomeado tenha direito a agir contra a sociedade como se ela fora responsável por inexecução contratual. p. [22]É lícito aos diretores constituir mandatários da companhia. Entretanto. do interesse da empresa”. ser arquivada no Registro de Comércio e publicada. p. 154. 1316. pois a responsabilidade orgânica é ex lege. inclusive mediante voto múltiplo (art. 1978.. como instrumento de regulação das relações internas entre o administrador e a sociedade. 146 § único. há apenas a incumbência da prática de certos atos que deveriam ser realizados pelos diretores. tendo em vista suas responsabilidades sociais.O mandato representa a outorga temporária de poderes. O mandato. cit. Fran. MARTINS. poderá atribuir participação no lucro da companhia aos administradores. Código Civil art. se extinguiria com a morte do mandante. porquanto ela é simples condição de eficácia. BATALHA. que a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. Rubens. ob. 304. cit.. p. prevalecendo o limite menor[25](art. denominado nomeação. Especificamente.. 310. ob. 659. que a lei (art. o dever de zelar para que a violação do sigilo não ocorra através de subordinados ou terceiros de sua confiança.observadas sempre as normas do art. n. conforme art. § 1º). REQUIÃO. . contratada com infração ao disposto nos § 1º e 2º. a tese de que a condição de administrador decorre não de um contrato com a sociedade. das vantagens comuns a todos. mas em certos casos. 152.[16]Vide Instrução CVM n. [18] Cf. portanto. feita pela sociedade através de seus diretores. baixada nos termos do art. inciso II : “Cessa o mandato : . 165. § 4º) faculta ao Conselho de Administração ou à diretoria autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade onde se insira a empresa. 699 : “o administrador eleito por grupo ou classe. desde que o total não ultrapasse a remuneração anual dos mesmos nem um décimo dos lucros. ob. Por outro lado. 139. 152 da Lei . [24]A ata da assembléia geral ou da reunião do Conselho de Administração que eleger administradores deverá conter a qualificação de cada um dos eleitos e o prazo de gestão. Não se extinguirá. conforme determina o art. com a morteou saída da companhia do diretor que o autorizou . 291 da LSA. sendo que o mandato judicial poderá ser por prazo indeterminado. Conquanto esse ato unilateral. em função dos lucros . Revista dos Tribunais. 661. Waldírio in Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias. Wilson de Souza Campos. é outorgado pela sociedade e não pelo diretor individualmente. Comentários à Lei das S. mas que por motivos justificáveis são conferidos a estranhos.pela morte ou interdição de uma das partes. [25] O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro. além de regulamentar.II . [28]Cumpre ressaltar. ob.. o contrato de emprego. pode se aceitar a orientação do direito alemão de se admitir.12. 165. 16 apud Wilson de Souza Campos Batalha. [20]Cf. correlatamente. Orlando. nem por isso se torna contratual. nos limites de suas atribuições e poderes. mas de um ato jurídico unilateral. nesses casos. no § 2º do mesmo artigo. p. com os respectivos poderes.” Cf.Se o mandato fosse particular. ob. pois não haverá uma transferência de poderes próprios de um órgão de administração. mas órgão da sociedade.A. 144 . em doutrina. como administradores. devendo exercer suas atribuições no interesse da sociedade”. não apenas possível. [19]Cf. cit. p. por via do qual se lhe atribui. Não colide com o disposto no art. cit. Vide também Fábio Ulhoa Coelho. criados pelo Estatuto Social. in Comentários. terá direito à indenização por perdas e danos contra o infrator. para a prática de determinados atos. de 11. ao lado do ato unilateral de nomeação. a remuneração com parte fixa e outra variável. GOMES. [27] Cf. 429.. salvo se já tivesse conhecimento da informação no momento da contratação. têm todos os deveres e responsabilidades que a lei atribui aos investidos nos órgãos administrativos. cit. devendo constar no instrumento de mandato os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato. in Revista dos Tribunais. predomina. que devem ser explicitados no instrumento. Wilson de Souza Campos. são parte dela. Revista de Direito Mercantil. ainda. no § 3º. p. BULGARELLI. Anstellung. [21]Os poderes dos diretores são indelegáveis. São Paulo : Forense. a lei impõe ao administrador.

o acesso a cargos públicos (art. não sendo possível. Nesse sentido. mediante prévia deliberação da assembléia geral. antes de se submeterem à Assembléia Geral. [33]Ao violar a lei ou o estatuto. ainda que a matéria não conste do anúncio de convocação. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido (art. peita ou suborno. in Comentários à Lei das S. mesmo que temporariamente. § 3º). 156. a fé pública ou contra a propriedade ou ainda pena criminal que vede. a ação de responsabilidade civil contra o administrador. 147 § 1º). in Comentários à Lei das S. peculato. ao Conselho Fiscal . pelos prejuízos causados ao seu patrimônio.) ÓRGÃOS DE GESTÃO NAS SOCIEDADES POR AÇÕES Bruno Rodriguez Caldas Aluno do 2°ano noturno do Curso de Direito da UNESP(Franca-SP) Sumário: 1. em nível de Diretoria.ou à Assembléia Geral. [36] “Sendo o Conselho Fiscal um órgão autônomo.A assembléia geral na sociedade por ações. competirá à companhia. em assembléia geral extraordinária.[30]Ainda que observado o disposto neste artigo. 159. conforme observa Fran Martins. RT 670/77. neglicência em descobrí-los ou se tiver conhecimento de tais ilícitos e deixar de agir para impedílos. Eximir-se-á de responsabilidade o administrador dissidente que faça constar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou..Conceito de sociedade por ações. (Neste sentido Fran Martins. Para os cargos de administração de companhia aberta. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. 157 e seus parágrafos.A. Vide na íntegra o art. mesmo que o Estatuto determine que tais deveres não caibam a todos os administradores. 161. José Alexandre Tavares. idênticas às que prevalecerem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros (art. § 1º). cit. a responsabilidade dos diretores. no prazo de três meses (art. salvo nos casos de conivência. 2.A função do conselho .4. 158 que o administrador não é responsável pelos atos ilícitos de outros administradores. O negócio contratado com infração a esse disposto no parágrafo é anulável. é individual. de prevaricação. Em regra. findo o qual qualquer acionista estará legitimado a fazê-lo em nome próprio.A. exceto nas companhias abertas. [32]GUERREIRO. § 2º). [40]Cf.. Revista de Direito Mercantil. mas no interesse da sociedade (substituição processual derivada). Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas. é de competência de auditores. Neste sentido Fran Martins. [34] Cumpre ressaltar que os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados pelo descumprimento de deveres impostos por lei que assegurem o funcionamento normal da sociedade. são ainda inelegíveis as pessoas declaradas inabilitadas por ato da Comissão de Valores Mobiliários (art. cit. ob. § 3º que o pedido de funcionamento do Conselho Fiscal. [39]Situam-se na condição de inelegíveis as pessoas impedidas por lei especial ou as condenadas por crime falimentar. Competirá. especificando a lei os casos de responsabilidade solidária. [41]A verificação de documentos ou propostas da administração.5. se prevista na ordem do dia ou for conseqüência direta de assunto nela incluído. 159. cit. [35]Por força do art. ob. demonstra o caráter de órgão fiscalizador da Administração e não de mero exame contábil. Processo histórico. com atribuições definidas dentro da sociedade. ob. ano XX. que elegerá os membros. rege o § 1º do art. 156. nr 42. [37]A função de membro do Conselho Fiscal é indelegável. tais atribuições e poderes que a lei lhe confere não poderão ser outorgadas a outro órgão da companhia. 147 § 2º).. caracterizando responsabilidade pessoal não apenas perante a sociedade. A responsabilidade civil não afasta a responsabilidade penal. 3. mas perante terceiros prejudicados. Revista dos Tribunais. Comentários à Lei das S. Introdução.Classificação das sociedades anônimas. concussão. à assembléia geral ordinária ou extraordinária deliberar sobre a propositura da ação de responsabilidade civil. 158 e 159. dê ciência imediata e por escrito ao órgão da Administração. contra a economia popular. TJSP.A. Complementa o § 1º que a deliberação poderá ser tomada em assembléia geral ordinária e. age além dos poderes que lhe são outorgados. que em princípio. poderá ser formulado em qualquer assembléia geral. [31] Vide na íntegra o art. do mesmo modo que acontece com atribuições e poderes do Conselho de Administração e Diretoria”. 1981. [38]Dispõe o art. portanto.se em funcionamento . São Paulo : Ed.6. caput.

10. É ponto pacífico na doutrina.8. tal modelo foi simplificado na Europa. No Brasil. dos órgãos responsáveis por formar esse importantíssimo regime societário. Elas eram responsáveis por financiar atividades coloniais.A diretoria das sociedades anônimas. o trâmite não foi diferente. credita o título às Companhias de Comércio cuja origem é holandesa e datam de 1602. primeiramente será apresentada uma noção básica do regime societário. havia uma concessão de privilégios por parte do monarca a um grupo de pessoas que passariam a desenvolver determinada atividade econômica. porém. diretoria e conselho fiscal) e o estudo atento da função pertinente a cada parte para a perfeita assimilação do funcionamento de uma empresa regida por esse que. Tal crescimento. anteriormente. a Inglaterra inibiu o sistema de autorização e implantou o registro de empresa em órgão específico. Mais tarde. mas as sociedades ainda dependiam de autorização governamental para funcionar. no entanto. Esse estreito relacionamento das sociedades anônimas com o Estado era tão visível que estas dependiam de uma outorga do monarca para funcionar. o que é uma sociedade anônima: seu conceito. Para esses pensadores. que brevemente se espalhou por todo o mundo4. é necessário expor. O conselho fiscal nas sociedade por ações. O regime de outorga foi adotado desde a chegada da família real até 1882. Dessa forma. é o mais complexo e importante regime societário. aumentou significativamente o número de sociedades anônimas. ou seja. quando se adotou o sistema . suas especificidades e classificação.Conclusão. conselho de administração. 2 Processo histórico A origem das sociedades por ações gera uma divergência doutrinária1. Assim.de administração. Modelo. para somente então adentrar as questões específicas ao tema. o fato de as primeiras sociedades por ações atenderem uma função de interesse público3. A maioria dos estudiosos. Para facilitar a sua proliferação e conseqüente desenvolvimento econômico. resultou em aumento significativo de relações comerciais e de atração de capital para investir nas empresas industriais. por sua vez. Alguns dizem que seu início remonta a Itália renascentista. que foram exercidas inclusive no nordeste brasileiro.9. são de suma importância para compreensão do assunto o desmembramento da sociedade em seus quatro principais órgãos (assembléia geral. Para adentrar as questões estruturais. mais especificamente em Gênova. Assim.Referências bibliográficas. que acarretou em um imenso crescimento econômico. dada a quantidade de capital envolvido. O terceiro momento da linha evolutivo desse modelo de sociedade foi marcado pela revolução industrial.7. Dessa forma. esse. 1 Introdução O presente artigo visa apresentar em seu conteúdo uma breve exposição do funcionamento interno de uma sociedade por ações. A melhor forma de compreender tal matéria se dá pelo estudo de sua composição. todavia. espécie de Banco que possuia seu capital dividido em ações2 . sem dúvida. a começar do processo de evolução histórico. a primeira sociedade anônima seria a Casa de São Jorge.

Fábio Ulhoa. 3 COELHO.Manual de Direito Comercial. V.ed.cit.Direito de Empresa. 4 FAZZIO JÚNIOR. Ricardo. São Paulo: Atlas. 2000.1 2 COELHO. Outro marco significativo nesse ramo.10.v.Curso de Direito Comercial. Waldo.de registro.3. .ed.2. foi a publicação da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A) que criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e atribuiu caráter 1 NEGRÃO. 2007. Fábio Ulhoa.São Paulo: Saraiva.São Paulo: Saraiva.Op. 2003. em nosso país. Manual de Direito Comercial e de Empresa.

um regime próprio de . do patrimônio do acionista. uma total separação do patrimônio da sociedade. devido ao pequeno porte (patrimônio líquido inferior a um milhão de reais e com capital concentrado nas mãos de até vinte acionistas). Essas companhias são regidas por um estatuto e recebem uma denominação. Op. Por outro lado.4° da Lei de Sociedade 5 6 NEGRÃO. o valor correspondente às suas ações. portanto. Dentre esse segundo grupo de sociedades faz mister acrescentar que algumas. A responsabilidade limitada dos proprietários. recebem tratamento especial por parte da lei10. Suas principais características são: a divisão de seu capital em frações transmissíveis (ações).dual ao nosso sistema. Para garantir segurança ao mercado acionário e incentivar o investimento nessas companhias. privada ou mista se for considerada a origem do capital. e objetiva com o exercício da empresa o desenvolvimento de atividades lucrativas. mas sim o capital investido. Dessa forma. Ainda neste tópico é importante esclarecer que a sociedade de economia mista é aquela mantida pelo Poder Público e que criada para explorar a atividade econômica de produção de bens ou prestação de serviços. por sua vez. não se sujeitam às negociações públicas de valores mobiliários na bolsa de valores ou balcão. 3 Conceito de sociedade por ações Segundo Waldo Fazzio Júnior5 a sociedade por ações é uma pessoa jurídica de direito privado que possui. portanto. ou seja. A divisão do capital social em ações revela que nesse tipo de empresa não importa a pessoa do sócio. Observa-se. o governo exige autorização governamental mediante registro na CVM (autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda) para essas empresas poderem atuar8. nosso direito admite o regime de regulamentação às companhias fechadas e o de autorização às abertas. também. caráter mercantil.cit. por força de lei. nacionais ou estrangeiras se for observada a transnacionalidade de seu capital. e o fato de os seu proprietários. Ricardo. Assim. possuirem responsabilidade limitada. Tal tipo de empresa atende a uma função social e se sujeita ao regime jurídico de empresa privada. Há. aos princípios da administração pública.cit. os proprietários podem negociar as suas ações no momento que desejar e com a pessoa que lhe for conveniente sem necessitar de autorização dos demais sócios. apesar de obedecer. a direção e a atuação6. Anônima. Elas podem ser classificadas como: abertas ou fechadas de acordo com a emissão e distribuição de valores mobiliários em bolsa de valores ou mercado de balcão. A classificação mais importante é a primeira e por isso receberá maior destaque no presente artigo. A sociedade é considerada aberta quando admite negociação pública de valores mobiliários a fim de captar recursos7. Dylson. as demais sociedades são consideradas fechadas. os sócios.Op. e em multinacionais. Ela está presente no art. 4 Classificação das sociedades anônimas A classificação das sociedades anônimas difere de acordo com o critério adotado. Se não observados tais procedimentos ocorre crime que prevê pena de reclusão de 2 a 8 anos mais multa 9. ou seja. garante que os sócios só se obriguem a pagar dívidas com valor igual ao do capital investido. referente à pessoa jurídica. DORIA.

Apesar destes órgãos poderem ser livremente instituídos pelo estatuto social. Waldo. proprietários de ação nominativa ou através de identidade e extrato de compra de ações. Dylson. que apesar de não serem sujeitos de direito.administração estatal que exerce controle governamental sobre a companhia. Estes. São Paulo: Atlas. o conselho de administração.cit.cit. 2004 A assembléia geral “é o órgão máximo da companhia e dela participam todos os acionistas com direito a voto. no entanto. 9 DORIA. A escolha deste. podem eleger um representante que defenda os seus interesses. como auditores independentes. por sua vez. Op. se manifestar sobre a composição da pauta de discussão. expressam o interesse da companhia sobre temas específicos. a diretoria (quando não existir conselho de administração) e o conselho fiscal. ou um advogado (que também pode freqüentar às reuniões como acompanhante do acionista. Fábio Ulhoa. COELHO. a assembléia geral é uma reunião privada cuja legitimidade de participação é exclusiva de seus membros. quando donos de ações custodiadas em instituições financeiras ou ações escriturais.Op. eleger ou destituir o conselho de administração (se existir). Além da legitimidade.cit. fusão. prestando-lhe assessoria jurídica). observar e discutir a prestação de contas dos administradores. FAZZIO JÚNIOR. Fábio Ulhoa. Seu caráter e exclusivamente deliberativo”11.cit. 7 8 COELHO.2 ed. Tratamse dos órgãos sociais. Outro fator a ser adicionado é que pessoas distintas dos acionistas. um representante de instituição financeira (só em caso de sociedades abertas). 13 DORIA. Dylson. a qual pode abranger as mais minuciosas questões administrativas. Op. sofre limitações do tipo temporal e do tipo subjetivo. um administrador da companhia. Esse órgão é o único capaz de: reformar o estatuto social. 11 12 COELHO. quatro possuem maior relevância e por isso são previstos em lei. a competência da assembléia também deve ser exposta. outro sócio. 10 FABRETTI. No caso das pessoas legitimadas não poderem comparecer. 5 A assembléia geral na sociedade por ações Para melhor atender seus fins administrativos e jurídicos as sociedades anônimas apresentam desdobramentos de sua pessoa jurídica. A limitação temporal. a diretoria e o conselho fiscal. Assim. taxativamente. suspender os direitos de acionistas. . membros do conselho fiscal e de administração podem participar das assembléias quando ela os convidar ou convocar. os acionistas.Op.Op. Fábio Ulhoa. e deliberar sobre operações de transformação. ou seja. Láudio Camargo.cit.cit. por outro lado. devem se identificar através de identidade. Eles são: A assembléia geral. apenas determina que a procuração para representação tenha validade de um ano12.Op. incorporação e cisão13. A limitação subjetiva refere-se às qualidades do sujeito representante que pode ser. ou melhor. Ainda no que abrange a legitimidade de participação faz mister acrescentar que os proprietários sem direito a voto podem discutir. Direito de Empresa no novo código civil.

Devido a grande quantidade de funções da assembléia geral, a doutrina a classifica em quatro tipos14: assembléia geral constituinte, especial, ordinária(AGO) e extraordinária(AGE). O primeiro tipo ocorre quando a reunião visa à constituição da sociedade anônima. O segundo visa assegurar direitos de titulares de determinadas classes de ações, evitando modificações estatutárias que os prejudiquem. As duas últimas, no entanto, são as mais importantes e por isso merecem maior destaque. A AGO possui um caráter de obrigatoriedade e periodicidade15, já que deve se reunir uma vez ao ano, no período de quatro meses após findo o exercício social. Ela examina a prestação de contas dos administradores, delibera e voto o destino do lucro líquido alcançado, aprova correção da expressão monetária e, quando necessário, elege o conselho de administração e o conselho fiscal. Esse tipo de assembléia geral necessita da presença de um auditor independente e de um membro do conselho fiscal para atribuir seu parecer sobre as questões discutidas. Tal exigência, se não cumprida, adia a deliberação. Ademais, vale frisar que, salvo em companhias fechadas, os administradores, mesmo que acionistas (membros do conselho de administração), não votam sobre as decisões de sua administração, já que a aprovação de suas contas os isenta de responsabilidade fiscal e administrativa. Os resultados obtidos na AGO, por sua vez, devem ser promovidos pelos administradores em um prazo de 30 dias. Qualquer assunto estranho aos três primeiros tipos de classificação, como a reforma de estatuto, serão tratados pela AGE. Para reunião da assembléia geral, porém, ela deve ser convocada. A competência para a convocação é do conselho de administração, caso este não exista, a atividade será exercida pela diretoria. Em casos excepcionais, todavia, a convocação pode ser realizada pela própria assembléia fiscal, pelo conselho fiscal ou até pelos acionistas16. Esse ato de convocação é tido como formal e deve se dar por publicação de anúncio. Tal procedimento, se não observado, impossibilita a deliberação, salvo hipótese de todos acionistas se encontrarem presentes17.
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FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit. COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. 16 DORIA, Dylson.Op.cit. 17 NEGRÃO, Ricardo. Op.cit.

Convocada a assembléia geral, os trabalhos, ou seja, os debates e votações são presididos por uma mesa cuja composição é prevista no estatuto da companhia. De acordo com o assunto deliberado, vale ressaltar, há exigência de um quorum. Este se subdivide em quorum de instalação e de deliberação, O primeiro é requisito para a realização da reunião (pode ser reunião de 1/4, 1/2 ou 2/3 do capital social) e o segundo serve de condição para a validade das decisões alcançadas (pode ser de maioria absoluta ou até de unanimidade)18. Por fim, as deliberações são narradas, por escrito, em uma ata que deve ser assinada por todos os acionistas presentes e lavrada no livro de atas das assembléias gerais. Se não documentada dessa forma, a lei permite que as atas sejam lavradas sob forma de sumário dos fatos ocorridos, contendo apenas as deliberações levadas a termo.

6 A função do conselho de administração O conselho de administração é um órgão deliberativo com quantidade de membros de número ímpar e plural, ou seja, é composto por no mínimo três pessoas. Sua existência é obrigatória em companhias abertas, sociedades com capital autorizado ou de economia mista, sendo de presença facultativa nas demais sociedades por ações. Sua composição é oriunda de eleição pela assembléia geral e desse mesmo órgão recebe parcela da competência. O conselho de administração pode atuar em qualquer matéria de interesse da companhia com exceção àquelas de atividade privativa à assembléia geral. Contudo, sua função específica é: fixar orientação geral para negócios; eleger e destituir diretoria; suprir omissões do estatuto no que concerne sobre a divisão de competência entre os diretores; fiscalizar a diretoria; convocar a assembléia geral; se manifestar sobre o relatório anual de prestação de contas da diretoria; e escolher e destituir auditores independentes19. O processo de eleição, por sua vez, é legalmente definido como o de voto múltiplo. Esse modelo eleitoral atribui a cada ação uma quantidade de votos equivalentes ao número de cargos que compõe o conselho, quantidade esta prevista no estatuto social. Desse modo, objetiva-se atribuir representatividade a minoria
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit.

acionária. O acionista quando for votar pode concentrar esses votos em um só candidato ou distribuí-los de acordo com seus interesses. Os trabalhos eleitorais serão presididos pela mesa da assembléia geral, que deve, anteriormente a votação, informar aos acionistas a quantidade de votos necessários para garantir a eleição de um membro no conselho20. O período de gestão, também é regido pelo estatuto, mas pode ser interrompido pela assembléia geral. Este órgão tem o poder de destituir o conselho. Tal destituição não precisa ser motivada, já que o conselheiro exerce cargo de confiança, ou seja, encontra-se em seu cargo por autonomia da vontade e, portanto, por essa mesma vontade pode perder sua posição. Por fim, é importante falar da previsão de escolha de um dos membros para o posto presidente do conselho. Esse procedimento obedece à forma prevista no estatuto, sendo, normalmente, fruto de escolha democrática pelos próprios membros do conselho. O presidente é responsável por convocar e dirigir as reuniões bem como resgistrá-las em atas cujo conteúdo será lançado em livro próprio depois de assinada por todos os membros presentes. Nem todas as atas, porém, necessitam ser arquivadas. Tal procedimento torna-se obrigatório somente nos casos que acarretem efeitos a terceiros ou quando a ata relatar reuniões nas quais haja eleições para diretores ou renúncia de conselheiros21. 7 A diretoria das sociedades anônimas Láudio Camargo Fabretti define a diretoria como “órgão executivo das deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e de representação legal da companhia”22. Os diretores não precisam ser acionistas e são escolhidos pelo conselho de administração, na ausência deste o processo pode ser realizado pela assembléia geral. A destituição de cargo pode ser feita a qualquer momento pelos mesmos órgãos 23 que também são responsáveis pela atribuição de competência a cada diretor.
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COELHO, Fábio Ulhoa.Op.cit. FABRETTI, Láudio Camargo.Op.cit. 22 DORIA, Dylson.Op.cit. 23 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Op.cit

A quantidade de diretores, bem como o período de gestão é determinada pelo estatuto social, certo, porém, é que o mandato não pode ser superior a três anos (cabe reeleição) e que a companhia deve contar com pelo menos dois diretores. No máximo 1/3 da quantidade máxima de diretores, no entanto, pode ser composta por membros do conselho de administração. No que tange à responsabilidade, os diretores respondem solidariamente por responsabilidade civil caso não observem em seus atos o procedimento estabelecido pelas normas da companhia24. Por fim, há de se citar a existência de casos específicos nos quais os diretores têm a necessidade de se reunir para deliberar. Nestas situações, a decisão a ser tomada flui da maioria dos votos. Tais trabalhos são registrados em atas cujo conteúdo é lavrado em livro próprio. 8 O conselho fiscal nas sociedades por ações O conselho fiscal é responsável por fiscalizar os demais órgãos, principalmente no que concerne às prestações de contas, e à legalidade e regularidade dos atos de gestão25. Assim, sua atividade deve ser autônoma, ou seja, não pode ser hierarquicamente inferior ao conselho

Waldo.Op. Dentre essas subdivisões. O conselho de administração. Finalmente. que recebe parcela da competência da assembléia geral. é obrigatória. Para bem realizar sua atividade. por sua vez define que o conselho fiscal será responsabilizado se for conivente com medidas ilícitas ou prejudiciais a sociedade. que o conselheiro que tiver se posicionado de forma contrária (verificação se dá por registro em ata) se exime do cumprimento da obrigação27. porém. FAZZIO JÚNIOR. ele passa a realizar seus trabalhos de forma colegiada. Op. O art. por sua vez.cit 26 FAZZIO JÚNIOR. por sua vez. salvo aquelas . todavia. por sua vez. O mesmo artigo define.165 da mesma lei. já que disponibiliza aos acionistas para exercícios de direito e de fiscalizar e votar”26. visto que reúne os acionistas e decide. destacam se em relação aos demais e. portanto. são tratados pelo direito. mas esse não precisa. Assim. realizar função de fiscalização. No que tange a composição do conselho. diretoria e conselho fiscal. também. conselho de administração. todavia exige-se que sejam graduadas em ensino superior ou pelo menos contem com uma experiência mínima de três anos em cargo de administrador. O art. vencendo sempre a maioria. exercer sua atividade. para melhor exercer as suas funções é dividida em órgãos que realizam funções específicas. As pessoas a serem escolhidas não precisam ser acionistas. o conselho deve ter a sua disposição todo o arsenal de informações necessárias. Waldo. porém o seu funcionamento é facultativo. Outro aspecto importantíssimo do conselho é a sua responsabilidade. Quatro órgãos. a empresa deve contar com um conselho fiscal. Op. pode-se requerer ao juiz da comarca uma autorização especial. é importante acrescentar que as companhias abertas devem contratar auditores independentes registrados no CVM para. Caso não haja na 24 25 DORIA.de administração nem à diretoria. Ele pode exercer atividades referentes a qualquer matéria da companhia. 9 Conclusão Após o breve estudo do tema pode-se perceber que a sociedade por ações. portanto de um órgão de discussão e votação que é utilizado como instrumento de manifestação da vontade dos proprietários para a realização das atividades. também. é livre e prevista em estatuto social. é um órgão facultativo.cit. A presença do órgão. Eles são: a assembléia geral. Waldo Fazzio Júnior acrescenta que “ sua atuação é instrumental. Dylson. necessariamente. que em caso de omissão ele responderá de forma solidária. ela é feita através da escolha de um número de três a cinco membros (mesmo número de suplentes) pela assembléia geral.cit empresa pessoas com estas qualificações. A quantidade de subdivisões. a assembléia geral é tida como mais importante. por isso. através de deliberações todo o futuro da sociedade empresária bem como elegem os membros que compõe os outro órgãos. È importante ressaltar. Formado o conselho.163 da LSA garante a necessidade de registrar as reuniões em atas e arquivar os pareceres. Trata-se.

que são exclusivas à assembléia geral. Op. Waldo.cit . Já a diretoria exerce cargo executivo e de representação da companhia e o 27 FAZZIO JÚNIOR.

2. que se caracteriza pelo seu grande porte e movimentação intensa de altos valores. V.ed. 10 Referências bibliográficas COELHO. São Paulo: Atlas. NEGRÃO.14. 2000.10.3. Direito de Empresa no novo código civil. a divisão de funções para os órgãos objetiva a maior segurança nos negócios e conseqüente maior lucratividade. Manual de Direito Comercial. Waldo. Assim.São Paulo: Saraiva.Direito de Empresa. Láudio Camargo. FAZZIO JÚNIOR. faz-se necessária uma divisão de tarefas que otimize os trabalhos e garanta bons resultados aos acionistas.São Paulo: Saraiva.v. Percebe-se.1. FABRETTI.1. São Paulo: Atlas. 2 ed. Curso de Direito Comercial.ed. 2007. 2003.ed. DORIA. Dylson. portanto. que para o bom andamento de uma sociedade anônima.conselho fiscal. Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa. Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa. . 2004.São Paulo: Saraiva. como não poderia deixar de ser realiza trabalhos de fiscalização das atividades exercidas pelos demais órgãos.v. 2000.

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