Estruturas Sintáticas

Noam Chomsky

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Em 2007, a publicação do já clássico Syntactic Structures, de Noam Chomsky completou 50 anos. Noam Chomsky foi considerado, em 2005, o intelectual de maior influência do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista britânica Prospect (Umberto Eco e Richard Dawkings ocuparam a segunda e terceira posição, respectivamente). Seus trabalhos estão entre os 10 mais citados na história da ciência (de acordo com uma pesquisa do Institute for Scientific Information, Chomsky está atrás apenas de Marx, Lenin, Shakespeare, Aristóteles, a Bíblia, Platão e Freud)1 e, entre 1980 e 1992, Chomsky foi o intelectual vivo mais citado em trabalhos acadêmicos, de acordo com o Arts and Humanities Citation Index. Por isso, esta obra de Chomsky dirige-se a um público-alvo abrangente, como acadêmicos de Letras, de Lingüística, de Ciências da Computação e Informática, de Psicologia e de Matemática. Espero que esta edição traduzida e comentada possa se tornar uma boa maneira de um leitor do século XXI passar a conhecer as idéias fundamentais de Noam Chomsky e seu programa gerativista no estudo da faculdade da linguagem, iniciado há mais de 50 anos.

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Cf. KESTERTON, Michael. Social studies. The Globe and Mail. 11 de fevereiro de 1993.

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Noam Chomsky e o Syntactic Structures – o autor e a obra Avram Noam Chomsky (nascido na Filadélfia, no dia 7 de dezembro de 1928) é atualmente professor de Lingüística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Ele foi o responsável por uma revolução teórica e metodológica na Lingüística, nos anos 1950. Além disso, sua influência se estende também a outros domínios, como as Ciências Sociais e Políticas, as Ciências Cognitivas, a Psicologia, a Informática e a Filosofia. Syntactic Structures (publicado pela primeira vez em 1957) é resultado de seus estudos durante seu doutoramento na Universidade da Pennsylvania, sob a orientação do eminente lingüista Zellig Harris. Sua tese de Doutorado, de 1955, The Logical Structure of Linguistic Theory, acabou sendo publicada vinte anos mais tarde. É nessas duas obras, Syntactic Structures e The Logical Structure of Linguistic Theory que Chomsky lança as bases do que se tornará o programa de investigação lingüística que mais influenciaria a Lingüística no século XX, o programa gerativista. Publicado em 1957, Syntactic Structures completou recentemente 50 anos. A obra ganhou apenas uma publicação em português, em 1980, pela Edições 70 de Lisboa.

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aplicando-a depois. como no sentido estrito (em que se opõe à fonologia e à morfologia). baseado na comunicação e extremamente simples. a uma conclusão inaceitável. reconhecido as potencialidades produtivas de um método que consiste em formular. formalizada. de forma adequada. uma determinada teoria. como um modelo mais poderoso. procurando determinar as suas limitações. a material lingüístico sem que tentem se evitar certas conclusões inaceitáveis por meio de ajustes ad hoc ou de uma formulação inconsistente.Prefácio Este estudo trata da estrutura sintática. Especificamente. e de exploração dos fundamentos de tal teoria. tanto no sentido lato (em que se opõe à semântica). os objetivos da 4 . Veremos que tanto um determinado modelo teórico de linguagem. De forma mais positiva. no próprio processo de descoberta. automaticamente. analisaremos três modelos da estrutura lingüística. da estrutura lingüística. a partir daí. Ao chegar. Os resultados aqui apresentados foram obtidos a partir de uma tentativa consciente de seguir sistematicamente esse caminho. uma teoria formalizada poderá. possivelmente. não servem. Ele faz parte de uma tentativa de construção de uma teoria geral. fornecer soluções para problemas que ultrapassam o âmbito daqueles para que foi explicitamente elaborada. de maneira geral. A construção de modelos precisos para a estrutura lingüística pode desempenhar um papel importante. já que a apresentação informal que adotamos poderia obscurecêlo. rigorosamente. através de uma formulação rigorosa mas inadequada. É importante salientar aqui este fato. abrangendo grande parte daquilo a que hoje. tanto negativo como positivo. pelos que falham em dois importantes aspectos. Acredito que alguns dos lingüistas que puseram em causa o valor de um desenvolvimento preciso e técnico da teoria lingüística não terão. torna-se freqüentemente possível detectar a causa exata dessa inadequação e. se chama “análise de constituintes imediatos”. A procura de uma formulação rigorosa em Lingüística se inscreve dentro de uma motivação bastante mais séria do que uma simples preocupação com sutilezas lógicas ou com um desejo de depurar métodos fortemente enraizados de análise lingüística. Noções obscuras e intuitivas não conduzem a conclusões absurdas nem tão pouco ao fornecimento de resultados novos e corretos. chegar a uma compreensão mais profunda dos dados lingüísticos. de uma forma estrita.

V. Durante todo o processo desta pesquisa. a formalização pode efetivamente desempenhar ambos papes. constituiu a base de grande parte da discussão que segue. Quando formulamos a teoria das transformações de maneira cuidadosa e a aplicamos livremente ao inglês. como a relação ativapassiva. 5 . foi. mencionados anteriormente. indo além daqueles fenômenos para os quais ela foi especificamente planejada. 16 e 19 das Referências Bibliográficas. para a estrutura lingüística. cuja perspectiva diverge parcialmente da minha. Desenvolveremos um terceiro modelo. A investigação e aplicação desses modelos esclarece alguns fatos de estrutura lingüística e revela diversas lacunas na teoria lingüística. embora sumariamente esboçado. Israel Scheffer e Yehoshua Bar-Hillel leram versões anteriores deste texto e fizeram valiosas críticas e comentários na apresentação e no conteúdo. vemos que ela lança uma luz sobre uma grande variedade de fenômenos. a saber. como na investigação que o precedeu. a impossibilidade de dar conta de certas relações entre sentenças. o rumo desta pesquisa foi fortemente influenciado pelos trabalhos de Nelson Goodman e W. Eu discuti muito deste material com Morris Halle e me beneficiei muito de seus comentários e sugestões. Air Research and Development Command) e pela Marinha (Navy – Office of Naval Research). que é mais poderoso do que o modelo de constituintes imediatos em certos pontos importantes.descrição gramatical. de forma que eu não tentarei assinalá-las com referências especiais. Em resumo. O trabalho sobre a teoria das transformações e a estrutura transformacional do inglês que. beneficiei-me das longas e freqüentes discussões com Zellig S. Talvez de forma menos evidente. na sua quase totalidade. desenvolvido entre 1951 e 1955. Eu gostaria de expressar a minha gratidão a Society of Fellows por terem me dado a liberdade para levar a cabo esta pesquisa. Eric Lenneberg. transformacional. enquanto eu era um Junior Fellow da Society of Fellows na Universidade de Harvard. e em parte pela National Science Foundation and the Eastman Kodak Corporation. Quine. e que dá conta de tais relações de maneira natural. O trabalho de Harris sobre a estrutura transformacional. está desenvolvido nos números 15. Muitas das idéias e sugestões dele estão incorporadas tanto no texto que segue. Harris. pela Força Aérea Americana (Air Force – Office of Scientific Research. Este trabalho foi subsidiado em parte pelos Exército dos Estados Unidos (USA Army – Signal Corps). o positivo e o negativo.

Mass.NOAM CHOMSKY Massachusetts Institute of Technology Department of Modern Languages and Research Laboratory of Electronics Cambridge. 6 . 01 de agosto de 1956.

publicada na revista Language ainda em 1957. Não é uma mera reorganização de dados em um formato de catálogo bibliotecário. que pode ser encarada como um mecanismo de produção das sentenças da língua em questão. Lagnguage 33 A motivação para a orientação particular desta pesquisa que reportamos aqui é discutida adiante. O resultado final dessas investigações deverá ser uma teoria da estrutura lingüística em que os mecanismos descritivos utilizados em gramáticas particulares serão apresentados e estudados de maneira abstrata. R. constituindo um certo método para a representação de enunciados. investigando. em seguida. Lees. Para Lees. uma teoria abrangente de linguagem que possa ser entendida no mesmo sentido em que uma teoria química ou biológica é comumente entendida em Química ou Biologia. o livro de Chomsky é “uma das primeiras tentativas sérias de um lingüista para construir. dentro da tradição de desenvolvimento de teorias. dado um corpus de sentenças da língua. É possível determinar a adequação de uma teoria lingüística através do desenvolvimento rigoroso e preciso da forma da gramática correspondente ao conjunto de níveis abrangidos por essa teoria. De maneira geral. Cf. para línguas naturais. a morfologia ou o nível sintagmático é essencialmente um conjunto de mecanismos descritivos. sem referência específica às línguas particulares. 2 7 .1. uma gramática satisfatória do inglês. considerando uma sucessão de níveis lingüísticos de complexidade crescente. no capítulo 6. nem outra filosofia especulativa sobre a natureza do Homem e da Linguagem. e nós tentaremos mostrar que uma teoria lingüística deve conter pelo menos esses níveis de análise. Uma função dessa teoria é fornecer um método geral de seleção de uma gramática para cada língua. em particular. LEES. os lingüistas deverão ter em consideração o problema da determinação das propriedades básicas fundamentais de gramáticas adequadas. com teoremas derivados desse sistema. 377-8). se ela pretende fornecer. que sejam simples e reveladoras. [O21] Comentário: O livro de Chomsky teve uma boa e imediata repercussão no mundo acadêmico em grande parte por causa de uma resenha contundente de R. tudo baseado plenamente em uma teoria explícita da estrutura interna das línguas”. disponíveis para a construção de gramáticas. a possibilidade de construção de gramáticas com essa forma. (p. Um nível lingüístico como a fonologia. A noção central da teoria lingüística é a de “nível lingüístico”. INTRODUÇÃO A sintaxe é o estudo dos princípios e processos que presidem à construção de sentenças em línguas particulares. O estudo sintático de uma determinada língua tem como objetivo a construção de uma gramática. “Review of Chomsky”. resultados explícitos que podem ser comparados com novos dados e outras intuições. Finalmente. é antes uma explicação rigorosa de nossas intuições sobre a linguagem em termos de um sistema axiomático explícito. que correspondem a modos de descrição gramatical cada vez mais poderosos. nós iremos sugerir que esta investigação puramente formal da estrutura da língua tem algumas implicações interessantes para os estudos semânticos2. Estudaremos diversas concepções diferentes de estrutura lingüística dessa maneira.

quer na sua forma escrita são línguas nesse sentido. então. Nós podemos seguir alguns passos para conseguir um critério de comportamento para a gramaticalidade. um mecanismo que gera todas as seqüências gramaticais de L e nenhuma das seqüências agramaticais. 5-6. de maneira a incluir as sentenças claras e excluir as seqüências que são claramente não-sentenças. Esta é uma característica familiar de explicação3. A gramática de L será. o conceito de “gramatical em inglês” e. 1951). Note que para atingir os objetivos da gramática.1 A partir de agora. então. enfrentamos uma tarefa familiar: a de explicar alguns conceitos intuitivos – nesse caso. que determinadas seqüências de fonemas são claramente sentenças e que outras seqüências não o são. entenderei por língua um conjunto (finito ou infinito) de sentenças. p. nesta discussão. uma vez que cada língua natural possui um número finito de fonemas (ou de letras no seu alfabeto) e que cada sentença pode ser representada como uma seqüência finita desses fonemas (ou letras).. Nesta os propósitos desta discussão. basta assumir um conhecimento parcial de sentenças e não-sentenças. isto é. Um certo Cf. Goodman. para que tal teste possa funcionar. quando ela estiver construída da forma mais simples.2. contudo. aceitáveis por um falante nativo. Todas as línguas naturais. O objetivo fundamental. Em muitos casos intermediários. quer na sua forma oral. Da mesma forma. por exemplo. é suficiente que se tenha um conhecimento 3 8 . N. Isto é. Note que. não teremos dúvidas em deixar a decisão à própria gramática. etc. dada uma teoria lingüística. embora o número de sentenças seja infinito. A INDEPENDÊNCIA DA GRAMÁTICA 2. todas elas de extensão finita e construídas a partir de um conjunto de elementos. o conjunto de “sentenças” de qualquer sistema matemático formalizado pode ser considerado uma língua. The structure of appearance (Cambridge. na análise lingüística de uma língua L é o de distinguir as seqüências gramaticais que são sentenças de L das seqüências agramaticais que não são sentenças de L e estudar a estrutura das seqüências gramaticais. Uma forma de testar a adequação de uma gramática proposta para L consiste em determinar se as seqüências que ela gera são efetivamente gramaticais ou não. suponha que nós assumimos um conhecimento intuitivo a respeito das sentenças gramaticais do inglês e perguntemos que tipo de gramática poderá produzir essas sentenças gramaticais de uma maneira eficiente e reveladora. o conceito de “gramatical”. para estabelecer significativamente os objetivos da gramática. Nós. admitiremos. mais de forma mais geral.

2 Baseados em que nós podemos separar as seqüências gramaticais das seqüências agramaticais? Eu não tentarei dar uma resposta completa para essa pergunta aqui (cf. se exigirmos que os casos claros sejam tratados de maneira eficaz. From a logical point of view [Cambridge. cada gramática relaciona-se com o corpus de sentenças da língua que descreve de uma forma previamente fixada. (W. em cada língua.número de casos claros irá fornecer um critério de adequação para qualquer gramática particular. É. Nesse sentido. mas eu gostaria de salientar que diversas respostas que imediatamente nos ocorrem podem não estar corretas. qualquer caracterização de “gramatical em L” em termos de “enunciado observado em L”) pode ser pensado como oferecendo uma explicação para esse aspecto fundamental do comportamento lingüístico.1. já que várias gramáticas diferentes poderiam tratar de maneira eficaz os casos claros. 2. os capítulos 6 e 7). mas isso nos levaria muito longe. Contudo. uma gramática reflete o comportamento do falante. Cf. isto é. por gramáticas que. em seu conjunto. Quine. definirá “sentença gramatical” em termos de “sentenças observadas”. já que uma teoria lingüística irá estabelecer a relação entre o conjunto observado de sentenças e o conjunto das sentenças gramaticais. Em primeiro lugar. Para usar a formulação de Quine. com base em “o que é mais a simplicidade das leis com que nós descrevemos e extrapolamos o que é”. por uma determinada teoria lingüística. seção 6. é óbvio que o conjunto de frases gramaticais não pode se identificar com um corpus qualquer de enunciados recolhido pelo lingüista em seu trabalho de campo. 54). que. uma teoria lingüística dará uma explicação geral para aquilo que “poderia” ser em uma língua. um corpus) da língua. Qualquer gramática de uma língua irá projetar o corpus finito e mais ou menos acidental de enunciados observados em um conjunto (presumivelmente infinito) de enunciados gramaticais. capítulo 6. Claramente qualquer explicação da noção de “gramatical na língua L” (isto é. uma exigência razoável. para todas as gramáticas. parcial das sentenças (isto é. Isto é. baseado em uma experiência finita e acidental com a língua. 1953]. Cf. esse teste de adequação é fraco. 9 . sejam construídas pelo mesmo método. Temos assim um teste de adequação bastante forte para uma teoria lingüística que tenta fornecer uma explicação geral da noção de “sentença gramatical” em termos de “sentença observada” e para o conjunto de gramáticas construídas de acordo com essa teoria. já que não estamos interessados apenas em línguas particulares. mas também na natureza geral da Linguagem. pode produzir ou entender um indefinido número de novas sentenças. Para uma língua isolada. certas propriedades das sentenças observadas e certas propriedades das gramáticas. p. além do mais. Há muito mais que pode ser dito sobre esse tópico crucial. V. isso pode ser generalizado como uma condição bastante forte.

2. não há motivo semântico para que se prefira (3) a (5) ou (4) a (6).. enquanto (2) não é. de maneira alguma. a noção de “gramatical” não poderá se identificar com as noções de “dotado de sentido” ou de “significativo” em qualquer sentido semântico. (3) have you a book on modern music? (4) the book seems interesting. JOHNSON. Vendo essas sentenças. mas irá ler (2) com uma entonação falha em cada palavra.000 vezes menos provável de ocorrer em um corpus do inglês do que a sentença (1). na verdade. seguindo notação comum hoje. por uma definição de “gramaticalidade” será fútil. é gramatical.wikipedia. Da mesma forma.language and information into the 21st century. embora sem sentido. mas apenas (3) e (4) são sentenças gramaticais do inglês. como igualmente 'remotas' em inglês". . mas não são marcadas pelo asterisco (*). 2002. com "The grammar of English nominalizations". De maneira semelhante. Formal grammar and information theory: together again?. essas sentenças seriam excluídas com base nos mesmos motivos. As sentenças (1) e (2) são igualmente desprovidas de sentido. Stephen B. Ainda assim. O falante tratará cada palavra de (2) como um sintagma isolado. a noção de “gramatical em inglês” não poderá ser identificada. Cf. 2. Nós iremos ver. elas não "seriam excluídas com base nos mesmos motivos. In: NEVIN. (5) read you a book on modern music? (6) the child seems sleeping. que existem razões estruturais profundas para distinguir (3) e (4) de (5) e (6). um falante do inglês irá ler (1) com uma entonação normal de sentença. www. no capítulo 7. ele conseguirá se lembrar de (1) muito 10 [O23] Comentário: As sentenças (5) e (6) são agramaticais. Logo. Parece razoável aceitar que nem a sentença (1) nem a sentença (2) (e nenhuma parte dessas sentenças) tenha ocorrido em inglês. Lees. Logo. com o mesmo padrão de entonação dado a qualquer seqüência de palavras que não apresentem relação entre si. Bruce E. (2) Furiosamente dormem idéias verdes incolores. F. publicada em 1960.4 Em terceiro lugar. mas qualquer falante do inglês reconhecerá que só a primeira é gramatical. Essas sentenças podem ser traduzidas como (1) Incolores idéias verdes dormem furiosamente. Amsterdan / Philadelphia: John Benjamins.3 Em segundo lugar. nós teremos de levar a teoria de estrutura sintática um bocado além de seus limites conhecidos.org. A primeira publicação que utilizou o asterisco para marcar sentenças agramaticais apareceu apenas três anos depois. PEREIRA. como igualmente “remotas” em inglês. com a de “alta ordem de aproximação estatística em inglês”. em seu artigo "Formal grammar and information theory: together again?". mas antes que nós consigamos encontrar uma explicação para tais fatos. (2) Furiously sleep ideas green colorless. (1). de R. The legacy of Zellig Harris . [O24] Comentário: Essa afirmação de Chomsky foi recentemente contestada por Fernando Pereira. Pereira afirma que a sentença (2) é 200. a Wikipedia. Tais exemplos sugerem que qualquer procura que seja baseada em semântica. Volume 2: Mathematics and computability of language. em qualquer modelo estatístico voltado para a gramaticalidade. [O22] Comentário: A sentença (1) ficou tão famosa que até recebeu uma entrada na maior enciclopédia virtual da atualidade. (1) Colorless green ideas sleep furiously. Cf.

Não podemos. Vemos. 1955). e não a outra. Mas não há por que nos determos nesse ponto aqui. no contexto “I saw a fragile_” (Eu vi uma frágil_). mas elas estarão no mesmo nível remoto em inglês. Hockett. É natural entender “possível” como significando “altamente provável” e assumir que a rígida distinção do lingüista entre gramatical e agramatical4 é motivada por um sentimento de que. p. Acredito que devemos concluir que a gramática é autônoma e independente do significado e que os modelos Mais adiante. irá resultar em uma sentença gramatical. parece que não existe uma relação específica entre nível de proximidade e gramaticalidade. Ainda assim. digamos. já que a “realidade” da língua é complexa demais para ser completamente descrita. apelar para o fato de que sentenças como (1) “poderiam” ser produzidas em um contexto suficientemente rebuscado. enquanto (2) nunca seria. as palavras “whale” (baleia) e “of” (de) podem ter a mesma freqüência (ou seja. Apesar do inegável interesse e importância dos estudos semânticos e estatísticos da linguagem. ele deve se contentar com uma versão esquematizada. contudo que essa idéia é bastante incorreta e que uma análise estrutural não pode ser entendida como um resumo esquemático desenvolvido a partir de melhorias nas formas do quadro estatístico. O mesmo acontece com inúmeros pares semelhantes. 5 Cf. trocando a “probabilidade zero e todas as probabilidades extremamente baixas. encontraremos tanto seqüências gramaticais como agramaticais dispersas ao longo da lista. O costume de se considerar como sentenças gramaticais aquelas que “podem ocorrer” ou que são “possíveis” tem sido responsável por algumas confusões. Então.mais facilmente do que (2). conseguirá decorá-la mais rapidamente. etc. 4 11 . a capacidade de produzir e reconhecer enunciados gramaticais não é baseada em noções de aproximação estatística e coisas do gênero. por impossível e todas as probabilidades altas de possível”5. iremos sugerir que essa distinção rígida pode ser modificada para favorecer uma noção de níveis de gramaticalidade. já que a base para essa diferença entre (1) e (2) é precisamente o que estamos interessados em determinar. Para escolher um outro exemplo. evidentemente. zero) na experiência lingüística passada de um falante que irá imediatamente reconhecer que uma dessas substituições. 10. A manual of phonology (Baltimore. Evidentemente. Se ordenarmos as seqüências de uma determinada extensão de acordo com o grau de sua aproximação estatística com o inglês. eles parecem não ter relevância direta ao problema de determinar ou caracterizar o conjunto de enunciados gramaticais. (1) e (2) estarão em diferentes níveis de gramaticalidade até mesmo se (1) ficar em um nível inferior de gramaticalidade do que. (3) e (4). ele pode nunca ter ouvido ou visto qualquer par de palavras dessas sentenças unidas em um discurso real.

irão encontrar numerosos fatos como esses. Retornamos à questão da relação entre sintaxe e semântica nos capítulos 8 e 9. “On a class of skew distribution functions”. não conheço nenhum sugestão a esse respeito que não apresente falhas óbvias. Poder-se-ia tentar desenvolver uma relação mais elaborada entre a estrutura estatística e a estrutura sintática do que a do modelo de aproximação pela simples ordem. pode ser um sintagma verbal de comprimento arbitrário. para a relação entre estudos sintáticos e estudos probabilísticos da língua.probabilísticos não fornecem nenhum esclarecimento sobre alguns dos problemas básicos da estrutura sintática6.. estão aqui”. onde nós argumentos que essa relação pode apenas ser estudada depois que a estrutura sintática tenha sido determinada em bases independentes. B. Cf.. baseadas na freqüência do tipo de sentença. Repare também que nós podemos ter novas – e perfeitamente gramaticais – seqüências de classes de palavras. nós podemos encontrar uma seqüências cujas primeiras n palavras podem ocorrer como o começo de uma sentença gramatical S1 e cujas últimas n palavras possam ocorrer como o final de alguma sentença gramática S2. 6 12 . etc. e o desenvolvimento de modelos probabilísticos para o uso da língua (distintos da estrutura sintática da língua) pode ser bem compensador. por exemplo. em grande parte.. em particular.. Repare. mas onde S1 deve ser distinta de S2. H. Certamente. pode-se estudar o uso da língua estatisticamente em diversas maneiras. onde . na ordem de aproximação das seqüências das classes de palavras. uma seqüências de adjetivos maior do que qualquer uma jamais produzida no contexto “Eu vi uma casa __”. Acredito que isso também vale. Diversas tentativas para explicar a relação gramatical x agramatical. que rejeitamos. Mandelbrot. Simon. eu não me preocuparia em mostrar que qualquer relação desse tipo é impensável. Dada a gramática de uma língua. Por exemplo. como no caso de (1) e (2). “Structure formelle des textes et communication: deux études”. Biometrika 42. que para qualquer n. Word 10. A. considere as seqüências da forma “o homem que. 1-27 (1954). 425-40 (1955)..

Ao invés de apresentar a estrutura fonêmica das sentenças diretamente. outro é o estado final. já que há um número infinito de tais seqüências. como morfemas. à tradição estruturalista bloomfieldiana e harrisiana. na prática. e parece bem óbvio que qualquer tentativa de apresentar diretamente esse conjunto de seqüências gramaticais de fonemas levaria a uma gramática tão complexa que seria. 3. Vamos considerar agora diversas maneiras de descrever a estrutura morfêmica das sentenças. o conjunto de sentenças que podem ser produzidas dessa maneira. a descrição lingüística procede em termos de um sistema de “níveis de representação”. passe sucessivamente por uma série de estados (produzindo uma palavra em cada transição) e termine no estado final. que tipo de teoria dá conta da estrutura desse conjunto de enunciados adequadamente). (ii) adotar esses termos é mais fiel à história da terminologia lingüística. em que se fala de "estrutura morfêmica" e "estrutura fonêmica" como "níveis de análise"..). inútil. Por esse motivo (entre outros). teoria padrão estendia e teoria da regência e ligação.1 Assumindo-se como dado o conjunto de sentenças gramaticais do inglês. Veremos que tipo de gramática é necessário para gerar todas as seqüências de morfemas (ou palavras) que constituem as sentenças gramaticais em inglês – e apenas elas. Admitamos que a máquina comece no estado inicial. Grifos do autor. Cada máquina desse tipo define. Eles geralmente levam os nomes de teoria transformacional inicial.3. a idéia de que a fonologia" é um "componente de regras" que gera "representações gramaticais" só ganha nitidez na segunda metade da década de 60 . assim. Chamaremos qualquer língua que pode ser produzida por uma máquina desse tipo de língua de 13 . Suponhamos que nós temos uma máquina que pode passar por um número finito de diferentes estados internos e que transita de um estado para outro pela emissão de um determinado símbolo (digamos. uma palavra do inglês). Cada um desses modelos. mas um de Jackendoff: Semantic interpretation in generative grammar (1972)”. Cabe aqui uma citação de Harris (1993: 171-2): “O desenvolvimento teórico de Chomsky normalmente é conhecido por ser pontuado por quatro modelos gramaticais principais (. ao contrário da edição portuguesa. é associado com algum texto importante de Chomsky: Estruturas sintáticas (ou mais propriamente The logical structure of linguistic theory) com a teoria inicial. Uma língua é um enorme sistema intrincado. reconhecidamente. Chamaremos de “sentença” a seqüência de palavras obtidas. uma vez que o Syntactic Structures deve muito. com exceção de um. que tem como texto mais importante não um de Chomsky. [O26] Comentário: Aqui aparece pela primeira vez o verbo “gerar” (generate) na obra. em 1968. Pode-se ver facilmente que a descrição conjunta desses dois níveis será muito mais simples do que uma descrição direta da estrutura fonêmica das sentenças. agora podemos perguntar que tipo de mecanismo pode produzir esse conjunto (em outras palavras. isto é. o lingüista cria elementos de “nível superior”. Podemos encarar cada sentença desse conjunto como sendo uma seqüência de fonemas de extensão finita. Um conhecido modelo teórico de linguagem usado na comunicação sugere uma solução para essa dificuldade. teoria padrão.. por causa do debate que se inicia sobre a natureza da estrutura profunda. uma determinada língua. que traz estrutura “fonológica” e “morfológica”. A idéia de distinguir os "níveis de representação" dos "componentes de regras que os geram" só começa a ganhar ênfase a partir de Chomsky (1965). Chomsky (1955) utiliza essa a mesma terminologia. Portanto. em The Sound Pattern of English. Uma condição que a gramática necessariamente deve ter é a de ser finita. O Estruturas sintáticas é considerado o livro fundamental do primeiro modelo da gramática gerativa. Logo. O modelo diferente é a teoria padrão estendida. a gramática não pode ser simplesmente uma lista de todas as seqüências de morfemas (ou de palavras). UMA TEORIA LINGÜÍSTICA ELEMENTAR [O25] Comentário: Traduzi “phonemic structure” e “morphemic structure” por “estrutura fonêmica” e “estrutura morfêmica”. e estabelece separadamente a estrutura morfêmica das sentenças e a estrutura fonêmica dos morfemas. por basicamente duas razões: (i) os termos "fonêmico" e "morfêmico" estão também disponíveis em português e parecem mais fiéis aos termos adotados por Chomsky. Um desses estados é o estado inicial. Aspects com a teoria padrão e Lectures on Government and Binding com seu modelo mais atual [a Teoria da Regência e Ligação à época do livro de Harris].

nós atribuímos uma probabilidade para cada transição de estado para estado. The mathematical theory of communication (Urbana. então. “the old old men come” (os velhos velhos homens vêm).. Weaver. adicionando um looping fechado. P. Nós podemos permitir a transição de um estado a outro de diversas maneiras e podemos ter qualquer número de loopings fechados de qualquer extensão. Uma gramática de estados finitos pode ser representada graficamente na forma de um “diagrama de estados”7. 15f. 7 C.. Shannon & W.estados finitos. .. um tipo de processo estocástico de tempo discreto. nós podemos seguir pelo caminho que parta desse ponto. a gramática que produz apenas as duas sentenças “the man comes” (o homem vem) e “the men come” (os homens vêm) pode ser representada pelo seguinte diagrama de estados: (7) VER GRÁFICO (7). medida pela probabilidade de se encontrar nos [O27] Comentário: Andrey Andreyevich Markov (14 de janeiro de 1856 – 20 de julho de 1922) foi um matemático russo bastante conhecido por sua teoria das “Cadeias de Markov”. 1949). 23 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Dado um diagrama de estados.. E. 14 . “the old old man comes” (o velho velho homem vem). p. a gramática finita da subparte do inglês contendo as sentenças vistas mais as sentenças “the old man comes” (o velho homem vem). 22 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Nós podemos estender essa gramática para produzir um número infinito de sentenças. P. nós produzimos uma sentença seguindo um caminho do ponto inicial à esquerda até o ponto final à direita. Cada nó em tal diagrama corresponde.. Para completar esse modelo teórico básico de comunicação para a linguagem.. podem ser representadas pelo seguinte diagrama de estados: (8) VER GRÁFICO (8). Assim. indiferentemente se esse caminho já tenha sido percorrido anteriormente para construir a sentença em questão. a um estado da máquina. Ao atingirmos determinado ponto no diagrama. As máquinas que produzem línguas dessa maneira são conhecidas matematicamente como “processos de Markov de estados finitos”. “the old men come” (os velhos homens vêm). e podemos chamar a própria máquina de gramática de estados finitos. sempre seguindo o caminho das setas. Por exemplo. Podemos assim calcular a “incerteza” associada com cada estado e podemos definir o “conteúdo da informação” da língua como a incerteza média.

Quer dizer. é necessário definir as propriedades sintáticas do inglês de maneira mais precisa. da língua aqui. é importante se perguntar sobre as conseqüências de adotar esse ponto de vista no estudo sintático de algumas línguas. (9) afirma que não é possível estabelecer diretamente a estrutura morfêmica de sentenças por meio de algum mecanismo como um diagrama de estados. Para voltarmos à pergunta levantada no segundo parágrafo do capítulo 3. tendo em vista a seguinte observação geral sobre o inglês: (9) O inglês não é uma língua de estados finitos. Nós passaremos a descrever determinadas propriedades sintáticas do inglês que indicam que. produz a primeira palavra da sentença. Essa concepção da linguagem é extremamente poderosa e geral. Cada estado por que ele passa representa as restrições gramaticais que limitam a escolha da próxima palavra naquele ponto da enunciação8. e que a concepção de língua baseada no processo de Markov que esboçamos não pode ser aceita. isto é.estados associados. como o leitor facilmente pode verificar. Ao produzir uma sentença. Já que estamos estudando a estrutura gramatical. é desnecessário tentar mostrar isso com exemplos. (9)pode ser considerado como um teorema relativo ao inglês. podemos ver os falantes como sendo essencialmente uma máquina desse tipo. o falante começa no estado inicial. Dada a generalidade dessa concepção de língua e sua utilidade em disciplinas afins como a teoria da comunicação. 1955). Contudo. sob qualquer delimitação razoável do conjunto de sentenças do inglês. 8 15 . passando depois para um segundo estão que limita a escolha da segunda palavra. Para demonstrar (9). 02. como o inglês ou um sistema formalizado da matemática. é impossível. Esse é essencialmente o modelo de linguagem que Hockett desenvolve em A manual of phonology (Baltimore. Qualquer tentativa para construir uma gramática de estados finitos para o inglês enfrenta sérias dificuldades e complicações desde o início. 3. essa generalização não nos interessará. e não estatística. de construir um mecanismo do tipo que descrevemos há pouco (um diagrama como (7) ou (8)) que produza todas e apenas as sentenças gramaticais do inglês. etc. não apenas difícil.2 Uma língua define-se a partir de seu “alfabeto”. ao menos para os propósitos da gramática. o conjunto finito de símbolos com que se constroem as suas sentenças) e das suas sentenças gramaticais. Se pudermos adotá-la.

sentenças declarativas em inglês. em geral. aaabbb. mas estão encaixados em outras seqüências. e.. Sejam S1.. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X de as e bs seguida de uma seqüência idêntica de X – e apenas elas. todas as sentenças que consistem de n ocorrências de a seguidas por n ocorrências de b – e apenas elas. bbbb. Em (11i). nós não podemos ter “ou” no lugar de “então”. abba.. . S2. R. (iii) aa. línguas como (10). aabb.Antes de investigamos o inglês diretamente.. (iii) O homem que disse que S5 está chegando hoje... abbabb. Sept. E. Da mesma forma. bb. Em cada um desses casos.. nós não podemos ter “então” no lugar de “ou”. (ii) Ou S3.. abbbba. Repare... bbb. vol. Mas está claro que existem subpartes do inglês com a forma básica de (10i) e (10ii). . (ii) aa. em particular. baba. escapam à definição de língua de estados finitos. Então nós podemos ter sentenças como as seguintes: (11) (i) Se S1. S3. aaaa. aabbaa. há uma dependência entre as palavras de cada lado 9 Cf. por causa dos parênteses pareados ou restrições equivalentes. e. Nós podemos facilmente mostrar que cada uma dessas três línguas não é uma língua de estados finitos. em (11iii). em geral. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X seguida por uma “imagem em espelho” de X (isto é. baab. Transactions on Information Theory. aabaab. em (11ii). onde os as e os bs em questão não são consecutivos. X de maneira inversa) – e apenas elas.. vamos considerar diversas línguas cujos alfabetos contêm apenas as letras a e b e cujas sentenças são definidas como aparece em (10i-iii): (10) (i) ab. 1956. bb. que o conjunto de fórmulas bem formadas de qualquer sistema formalizado da matemática ou da lógica não irá constituir uma língua de estados finitos. meu artigo “Three models for the description of language”.. Proceedings of the symposium on information theory. e. abab. então S2. em geral. I. . aaaa. IT-2. ou S4. nós não podemos ter “estão” no lugar de “está”. em condições gerais9. 16 . . para um esclarecimento dessas condições e uma prova para (9).

. então S2. É difícil de conceber qualquer possível motivação para excluí-las do conjunto de sentenças gramaticais do inglês. então (11iii). se em (11i) tomarmos S1 como (11ii) e S3 como (11iii). então S1”.) não pertencem ao inglês. Mas entre palavras interdependentes. serão bem estranhas e incomuns (elas podem muitas vezes ter sua estranheza atenuada se trocarmos “se” por “sempre que”. S5 e essa sentença declarativa pode ser. nós podemos inserir uma sentença declarativa S1. parece bem claro que não há teoria de estrutura lingüística baseada exclusivamente nos modelos dos processos de Markov e similares que poderá explicar ou dar conta da habilidade de um falante do inglês para produzir e compreender sentenças novas e rejeitar outras novas seqüências que não pertençam à língua. Então. que. as condições em que elas podem ser verdadeiras.da vírgula (isto é. teremos a seguinte sentença: (12) Se. sem alterar a parte essencial de nossas observações). E S5 em (11iii) pode novamente ser uma das sentenças de (11). 17 . ou S4. etc. podemos encontrar vários tipos de modelos de estados não finitos dentro do inglês. “Ou S3. etc. nós podemos encontrar uma seqüência a + S1 + b. “o homem” – “está”). onde há uma dependência entre c e d. enquanto sentenças contradizem as dependências referidas em (11) (por exemplo. Está claro. em cada caso. assumindo que sentenças como (11) e (12) pertençam ao inglês. então selecionar como S2 uma seqüência dessa forma. em inglês. etc. “se for o caso de”. Mas elas são todas sentenças gramaticais. Repare que muitas das sentenças da forma de (12). onde há uma dependência entre a e b. Um conjunto de sentenças que é construído dessa forma (e nós vemos em (11) que existem diversas possibilidades disponíveis para tais construções – (11) não chega perto de exaustar as possibilidades) terá todas as propriedades a imagem de espelho de (10ii) que excluem (10ii) do conjunto de línguas de estados finitos. então. formadas por processos de construção de sentenças tão simples e elementares que até mesmo a gramática mais rudimentar do inglês poderia contê-las. Essa é uma indicação grosseira dos passos a seguir para uma demonstração rigorosa de (9). etc. “ou” – “ou”. “assumindo que”. Dessa forma. uma sentença daquelas em (11i-iii). Elas podem ser entendidas. “se” – “então”. de forma extremamente simples. de fato. e nós podemos selecionar como S1 uma outra seqüência contendo c + S2 + d. e poderíamos mesmo estabelecer. S3. Então.

Tais limitações arbitrárias são. etc. Se uma gramática desse tipo produz todas as sentenças do inglês. Se ela produzir apenas sentenças do inglês. Pelo menos um nível lingüístico não pode ter essa estrutura simples. que ela simplesmente não produzirá. por exemplo. a suposição de que línguas são infinitas é feira para simplificar a descrição dessas línguas. Se uma gramática não contiver mecanismos recursivos (loopings fecahdos. A concepção de gramática que acabou de ser rejeitada representa. para um valor fixo de n. A noção de “nível lingüístico de representação” apresentada no começo desta seção deve ser modificada e elaborada. contudo. como em (8). de certa forma. Acontece que existem processos de formação de sentenças com os quais as gramáticas de estados finitos não estão intrinsecamente aptas a lidar. a mínima teoria lingüística que merece uma consideração séria. uma limitação das sentenças do inglês a uma extensão de um milhão de palavras.. e uma lista é essencialmente uma gramática de estados finitos trivial. sentenças falsas. ela irá produzir igualmente muitas não-sentenças. despropositadas. Vimos que uma teoria tão linguisticamente limitada não é adequada. pode gerar um infinito número de sentenças. perguntas razoáveis. nós podemos ter certeza de que haverá um número infinito de sentenças verdadeiras. Se esses processos têm um limite. obviamente. ela irá produzir infinitamente muitas sentenças. não será o caso que cada sentença seja 18 .3 Nós poderíamos arbitrariamente decretar que processos de formação de sentenças em inglês como aqueles que discutimos não podem ser utilizados mais do que n vezes. Uma gramática de estados simples é o tipo mais simples de gramática que. Se ela tiver mecanismos recursivos de alguma forma. Em resumo. com uma quantidade finita de mecanismos. Em geral. Isso iria. tornar o inglês uma língua de estados finitos. somos forçados a procurar algum outro tipo mais poderoso de gramática e uma forma mais “abstrata” de teoria lingüística. tal como faria. em algum nível. Se esses processos não têm um limite finito.3. então a construção de uma gramática de estados finitos não estará literalmente fora de questão. Mas essa gramática será tão complexa que será de pouco ou nenhum interesse. Quer dizer. podemos provar a inaplicabilidade literal dessa teoria elementar. na gramática de estados finitos) ela será proibitivamente complexa. já que será possível listar as sentenças. a abordagem para a análise de gramaticalidade sugerida aqui em termos de um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita parece levar a um beco sem saída da mesma forma como as propostas rejeitadas no capítulo 2.

além de um conceito mais geral de “nível lingüístico”.. que parece inútil seguir essa abordagem mais adiante. Se uma língua pode ser descrita de uma maneira elementar. capítulo 8). Mas eles são talvez menos poderosos do que o tipo de mecanismo que seria necessário para uma geração direta da esquerda para a direita do inglês. construído de tal forma que possamos gerar todos os enunciados. As gramáticas que discutimos abaixo que não geram da esquerda para a direita também correspondem a processos menos elementares do que os processos de Markov de estados finitos. Há tantas dificuldades com a noção de nível lingüístico baseado em geração da esquerda para a direita. nós propusemos que os níveis fossem estabelecidos dessa maneira a fim de simplificar a descrição do conjunto das seqüências gramaticais de fonemas. No começo do capítulo 3. etc. mas para gerar línguas de estados não finitos como o inglês. a constituição de cada elemento do nível mais elevado em termos de elementos de segundo nível. . mas gerando ao menos um desses níveis da esquerda para a direita por um mecanismo com maior capacidade do que a de um processo de Markov de estados finitos. 10 Uma terceira alternativa seria a de manter a noção de um nível lingüístico como um simples método linear de representação. então essa descrição pode verdadeiramente ser simplificada com a construção de tais níveis mais elevados. gerada da esquerda para a direita por algum mecanismo simples. tanto em termos de complexidade de descrição como em falta de poder explicativo (cf. da esquerda para a direita em termos de um único nível (isto é. estabelecendo finalmente a constituição fonêmica de elementos do penúltimo nível10. 19 . Devemos desistir da esperança de encontrar um conjunto finito de níveis ordenados do superior ao inferior. meu artigo “Three models for the description of language” para uma discussão mais detalhada. nós precisamos métodos fundamentalmente diferentes.representada simplesmente como uma seqüência finita de elementos de algum tipo. se é uma língua de estados finitos). Cf. estabelecendo as seqüências permitidas de elementos do nível mais elevado.

De acordo com Menuzzi & Othero (2005: 39). Grifos dos autores. Esses programas são capazes de classificar morfossintaticamente as palavras e expressões de sentenças em uma dada língua e. Apêndice II. onde os números à direita de cada linha da derivação se referem à regra da “gramática” (13) usada para construir a linha a partir de uma linha precedente11. As convenções notacionais que utilizaremos ao longo da discussão da estrutura do inglês estão no capítulo 11. principalmente. (14) Sentença SN + SV T + N + SV T + N + Verbo + SN (i) (ii) (iii) As regras numeradas da gramática do inglês a que constantemente faremos referência nas páginas seguintes estão reunidas e organizadas adequadamente no capítulo 12. Y de (13) como a instrução (vi) Verbo Suponhamos que nós interpretamos cada regra X “reescreva X como Y”. da Lingüística Computacional e do Processamento de Linguagem Natural. “o termo vem da expressão latina pars orationes (partes do discurso) e tem suas raízes na tradição clássica.4. parsing diz respeito à interpretação automática (ou semi-automática) de sentenças de linguagem natural por meio de programas de computador conhecidos como parsers. a homem. já é um termo de uso consagrado em Lingüística hoje. baseando-se em um modelo formal de gramática”. pegou. a descrição lingüística no nível sintático é formulada em termos de análise em constituintes (parsing). etc. [. além de não ter uma tradução adequada para o português. bola.] No contexto da Lingüística Computacional. Descobriremos que a nova forma de gramática é essencialmente mais poderosa que o modelo de estados finitos rejeitado anteriormente e que o conceito de “nível lingüístico” associado a ela é diferente em aspectos fundamentais. o termo parsing foi adquirindo novo significado.. etc. chutou.. Apêndice I. considere o seguinte: (13) (i) Sentença (ii) SN (iii) SV (iv) T (v) N SN + VP [O28] Comentário: A palavra parsing. 11 20 . Com o avanço da Inteligência Artificial. de atribuir às sentenças a sua estrutura de constituintes. Veremos agora qual forma de gramática está pressuposta numa descrição desse tipo. T+N Verbo + SN o.1 Habitualmente. entretanto. Podemos chamar (14) de uma derivação da sentença “o homem chutou a bola”. Como um simples exemplo da nova forma de gramática associada à análise de constituintes. ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 4.

Logo. de acordo com a regra (ii) de (13). etc. a segunda linha de (14) é formada a partir da primeira linha pela reescrita de Sentença como SN + SV. já que ele não nos diz em que ordem as regras foram aplicadas em (14). Podemos representar a derivação (14) de uma maneira óbvia através do seguinte diagrama: (15) Sentença SN SV T N Verbo SN o homem chutou T N a bola O diagrama (15) traz menos informação do que a derivação (14). mas o contrário não é verdadeiro. a terceira linha é formada a partir da segunda linha pela reescrita de SN como T + N. A partir de (14). Uma seqüência de palavras dessa sentença é um constituinte do tipo Z se nós podemos reconstituir essa seqüência até um único ponto de origem em (15). de acordo com a regra (i) em (13). e esse ponto de origem for rotulado Z. “chutou a bola” pode ser reconstituído até o SV em (15). O diagrama (15) traz apenas o que é essencial em (14) para a determinação da estrutura sintagmática (análise de constituintes) da sentença derivada “o homem chutou a bola”. nós podemos construir unicamente (15). então “chutou a bola” é um SV na sentença derivada.o + N + Verbo + SN o + homem + Verbo + SN o + homem + chutou + SN o + homem + chutou + T + N o + homem + chutou + a + N o + homem +chutou + a + bola (iv) (v) (vi) (vii) (viii) (ix) Assim. já que é possível construir uma derivação reduzível a (15) com uma ordem diferente na aplicação das regras. Mas homem chutou não pode ser 21 .

se nossa gramática estiver correta. Word 10. Hockett. A identificação do afixo número-pessoal verbal e nominal é. Uma característica de (13) deve. Omitiremos qualquer menção a primeira e segunda pessoa nesta discussão. em 12 Cf. “boys”. Por exemplo. Wells. Devemos poder limitar a aplicação de uma regra a um determinado contexto. logo “homem chutou” não é um constituinte. ser preservada. contudo. se desejamos limitar a reescrita de X como Y ao contexto Z – W. 13 Então. essa sentença da língua deverá ser ambígua. da mesma forma. Cf. T pode ser reescrito a se o substantivo seguinte for singular. C. Da mesma forma. (13ii) poderia ser substituído por um conjunto de regras que incluísse as seguintes: SNsing SN SNpl SNsing T + N + ∅ (+ Sintagma Preposicional) SNpl T + N + S (+ Sintagma Preposicional) onde S é o morfema singular para verbos e plural para substantivos (“comes”. Uma generalização de (13) é se faz evidentemente necessária. na verdade. Assim. Nessas circunstâncias. nós podemos estabelecer a seguinte regra na gramática: (16) Z + X + W Z + Y + W. Em geral. no caso de verbos no singular e no plural. 210-33 (1954). Language 23. meninos). S. Linguistics Today. Verbo pode ser reescrito “chuta” se o substantivo precedente for homem. mas não se for homens. meu The logical structure of linguistic theory (mimeografado). ao invés de termos Verbo chuta como uma regra adicional de (13).13 Essa é uma generalização direta de (13). seção 8. “Three models for the description of language”. F.reconstituído a nenhum ponto de origem em (15).1 para alguns exemplos de homonímia construcional. “Immediate constituents”. em uma gramática mais completa. R. podemos ter (17) SNsing + Verbo SNsing + chuta Indicando que o Verbo é reescrito como chuta apenas no contexto SNsing– . 22 . como aparece em (17): apenas um elemento pode ser reescrito em cada regra. “Two models of grammatical description”. de validade duvidosa. 81-117 (1947) para uma discussão mais detalhada. mas não se ele for plural. Retornaremos à importante noção de homonímia construcional mais adiante. vem. Ocasionalmente. uma gramática pode nos permitir a construção de derivações não equivalentes para uma determinada sentença. dizemos que temos um caso de “homonímia construcional”12 e. (13ii) terá de ser reformulado para incluir SNsing e SNpl. Dizemos que duas derivações são equivalentes se elas se reduzem ao mesmo diagrama da forma (15). isto é.

Sentença Declarativa e Sentença Interrogativa como símbolos adicionais. como vimos 23 . mas a seqüência das cinco primeiras linhas de (14) não é. definimos a derivação como uma série finita de seqüências. Verbo. Dessa forma. começando com uma seqüência inicial de Σ e com cada seqüência na série que está sendo derivada da seqüência precedente. Algumas derivações são chamadas de derivações terminadas. F]. Nós podemos descrever agora de maneira mais geral a forma de gramática associada à teoria da estrutura lingüística baseada na análise de constituintes. Um conjunto de seqüências é chamado de uma língua terminal se for o conjunto de seqüências terminais para uma gramática [Σ. Embora X não precise ser um símbolo único. X deve ser um símbolo único como T. Se uma seqüência é a última linha de uma derivação terminada. no sentido de que a sua seqüência final não pode mais ser reescrita pela aplicação das regras F. para incluir. e não uma seqüência como T + N. Se essa condição não for respeitada não conseguiremos reconstruir a estrutura de sintagmática das sentenças derivadas a partir dos diagramas associados da forma (15) de maneira correta. o único membro do conjunto Σ das seqüências iniciais era o símbolo Sentença. e F era constituído pelas regras (i) – (vi). Na gramática (13). somente um símbolo de X pode ser reescrito para formar Y. por exemplo. F] podem não ter seqüências terminais. não contendo nenhuma sentença) e cada língua terminal é produzida por uma gramática da forma [Σ.(16). podemos reconstruir a estrutura sintagmática de cada sentença da língua (cada seqüência terminal da gramática) se considerarmos os diagramas associados da forma (15). como fizemos anteriormente. Assim. Dada uma língua terminal e sua gramática. F]. Dada a gramática [Σ. dizemos que ela é uma derivação terminal. cada uma dessas gramáticas define uma língua terminal (talvez a língua “vazia”. o+homem+chutou+a+bola é uma seqüência terminal da gramática (13). F]. aplicando uma das fórmulas de instrução de F. isto é. (14) é uma derivação. mas poderíamos querer estender Σ. mas nós iremos nos preocupar apenas nas gramáticas que tenham seqüências terminais. Assim. Assim. Cada gramática é definida por um conjunto finito Σ de seqüências iniciais e um conjunto finito F de “fórmulas de instrução” com a forma X Y sendo interpretadas como “reescreva X como Y”. que descrevem alguma língua. Algumas gramáticas da forma [Σ. e a série de seqüências de cinco termos constituída das cinco primeiras linhas de (14) também é uma derivação. (14) é uma derivação terminada.

. No entanto. em termos dos diagramas associados. F]. meu artigo “On certain formal properties of grammars”. Teorema: Toda língua de estado finito é uma língua terminal. 14 24 . mas existem línguas terminais que não são línguas de estado finito. nós estudamos línguas denominadas “línguas de estados finitos”. Agora estamos considerando línguas terminais que são geradas por sistemas da forma [Σ.15 No capítulo 3.. aaabbb. línguas da forma (10ii) podem ser produzidas por gramáticas [Σ. chamamos a atenção para o fato de que as línguas (10i) e (10ii) correspondem a subpartes do inglês e que. Podemos também definir nessas línguas as relações gramaticais de uma maneira formal. Assim. que eram geradas por processos de Markov de estados finitos. Pode-se ver facilmente que cada derivação terminada construída a partir de (18) acaba como uma seqüência da língua (10i) e que todas essas seqüências são produzidas dessa forma.. Como exemplos de línguas terminais que não são línguas de estados finitos. Esses dois tipos de línguas estão relacionadas da seguinte maneira. aabb. conseqüentemente. discutidas no capítulo 3. 4. pode ser produzida pela gramática [Σ. F]. De maneira semelhante.14 O que este teorema quer dizer é que a descrição em termos de estrutura sintagmática é essencialmente mais poderosa do que a descrição em termos da teoria elementar apresentada no capítulo 3. F] em (18): (18) Σ: Z F: Z Z ab aZb Essa gramática tem a seqüência inicial Z (como (13) tem a seqüência inicial Sentença) e ela tem duas regras.anteriormente. encontramos as línguas (10i) e (10ii). o modelo de Markov de Cf. (10iii) não pode ser produzida por uma gramática desse tipo. a língua (10i). a menos que as regras incorporem restrições contextuais.2 No capítulo 3. Information and Control 2. o meu artigo “Three models for the description of language” para provas deste e de outros teoremas relacionados sobre o poder relativo das gramáticas. 133-167 (1959). que consiste em todas e somente as seqüências ab. 15 Cf.

uma língua extremamente trivial. bem como por seqüências como SN+Verbo+SN. Não provamos a adequação do modelo de estrutura sintagmática. podemos ver que o modelo de estrutura sintagmática não falha em tais casos. por exemplo.estados finitos não é adequado para o inglês. ab é um Z. nós introduzimos um símbolo Z que não está contido nas sentenças dessa língua. ordenado do maior ao menor. Por exemplo. Os sintagma nominais são contidos pelos sintagmas verbais. Por exemplo. a estrutura sintagmática. T+N+SV e todas as outras linhas de (14). com uma representação para cada sentença em cada um desses subníveis. possui o caráter fundamentalmente diferente e não trivial que. cada sentença da língua é representada por um conjunto de seqüências e não por uma única seqüência. mas mostramos que grandes partes do inglês que literalmente não podem ser descritas em termos de modelo de processos de estados finitos pode ser descrita em termos de estrutura sintagmática. Observe também que. Dessa forma. Agora. É importante observar que ao descrever essa língua. essa seqüência particular contém três “sintagmas”. T+N+chutou+SN. cada um dos quais é um Z. no caso de (13) e (18) (como em qualquer sistema de estrutura sintagmática). que poderiam ocorrer em outras derivações equivalentes a (14) no sentido ali definido. não há qualquer maneira de ordenar os elementos SN e SV relativamente um ao outro. é exigido por algum nível lingüístico. a seqüência terminal “o homem chutou a bola” é representada pelas seqüências Sentença+SN+SV. Não podemos estabelecer uma hierarquia entre as várias representações de “o homem chutou a bola”. dos morfemas ou das palavras. no caso de (18). no caso de (13). não podemos subdividir o sistema da estrutura de constituintes em um conjunto finito de níveis.1 em termos de diagramas como (15). Isso é esse fato essencial sobre a estrutura sintagmática que dá a ela seu caráter “abstrato”. e os sintagmas verbais são contidos pelos sintagmas nominais em inglês. como vimos no último parágrafo do capítulo 3. portanto. obviamente. No nível da estrutura sintagmática. cada seqüência terminal tem muitas representações diferentes. Repare que. podemos dizer que na seqüência aaabbb de (10i). assumida como um nível lingüístico. como acontece no nível dos fonemas. Assim. A estrutura de constituintes deve ser considerada como um único nível. com um conjunto de representações para cada 16 Onde “é um” é a relação definida na seção 4. aabb é um Z e a própria aaabbb é um Z16. 25 . Essa é.

por exemplo. A fim de completar a gramática. nós possamos gerar todas as seqüências gramaticais ou morfemas de uma língua.. não precisamos mais que um único símbolo seja reescrito em cada regra. no caso das primeiras. Podemos agora estender as derivações de estrutura sintagmática aplicando (19). Em primeiro lugar..3 Suponha que. com uma gramática [Σ. como vimos. para que tenhamos um processo unificado para gerar séries de fonemas a partir da seqüência inicial Sentença.Csur/ + passado (vi) passado (vii) take etc.. Nessas regras morfofonêmicas. /d/ /teyk/ ou algo semelhante. Há uma correspondência um-para-um entre os conjuntos de representações adequadamente escolhidos e os diagramas da forma (15).Csur/ + /t/ (onde Csur é uma consoante surda) (ii) take + passado (iii) hit + passado (iv) /.D/ + passado (v) /. 4.. ou nós derivaremos formas como /teyk/ como sendo o passado do verbo take. (iii) deve preceder (v) ou (vii). nós devemos estabelecer a estrutura fonêmica desses morfemas de modo que a gramática produza as seqüências gramaticais de fonemas da língua. Em segundo lugar..D/ + /Id/ (onde D = /t/ ou /d/) /.os exigir que apenas um único símbolo seja reescrito. a distinção não é arbitrária. ou talvez fonemas. Na verdade. cada um dos quais é elementar no sentido 26 .. F]. as propriedades formais das regras X Y correspondentes à estrutura sintagmática são diferentes das regras morfofonêmicas. deve.. morfofonemas e morfemas). já que. os elementos que aparecem nas regras em (19) podem ser classificados em um conjunto finito de níveis (por exemplo. Mas essa operação (a que poderíamos chamar de morfofonêmica da língua) pode também ser obtida por um conjunto de regras da forma “reescreva X como Y”. Repare que ordem deve ser definida entre essas regras – por exemplo. fonemas e morfemas. para o inglês: (19) (i) walk /wçk/ /tuk/ /hit/ /..sentença da língua. Isso faz parecer que a separação entre o nível mais elevado de estrutura sintagmática e o nível mais baixo é arbitrária.

Mas esse refinamento nos leva a problemas que não fazem parte do escopo deste estudo. Veremos mais adiante que existe uma razão ainda mais fundamental para marcar essa subdivisão entre as regras de nível superior da estrutura sintagmática e as regras de nível inferior que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas.de que uma única seqüência de elementos deste nível está associada com cada sentença. e cada uma dessas seqüências representa uma única sentença. a gramática poderá produzir não-sentenças. como “os homens perto do caminhão começa a trabalhar às oito”. Mas os elementos que aparecem nas regras correspondentes à estrutura sintagmática não podem ser classificadas em níveis mais superiores e inferiores dessa mesma maneira. como sua representação neste nível (exceto nos casos de homonímia). caso contrário. desejaríamos certamente que todas as regras da forma (17) se aplicassem antes de qualquer regra que nos permita reescrever SN como SN+Preposição+SN. e é fácil mostrar que uma elaboração mais aprofundada na forma da gramática é necessária e possível. Por exemplo. ou algo semelhante. As propriedades formais do sistema de estrutura sintagmática dão um bom estudo. Assim. pode-se ver facilmente que seria bem vantajoso ordenar as regras do conjunto F para que algumas das regras pudessem ser aplicadas somente depois que outras já tenham sido aplicadas. 27 .

correspondente a uma teoria lingüística mínima. Assim que considerarmos qualquer sentença que vá além do tipo mais simples e. de certa forma. Uma prova mais fraca.1 Nós estudamos dois modelos para a estrutura da língua. e eu posso apenas afirmar aqui que isso pode ser 28 . mas eu não sei se o inglês em si está ou não literalmente fora do alcance desse tipo de análise. em particular. um modelo teórico comunicativo baseado em uma concepção de língua como um processo de Markov e. quando tentarmos definir algum tipo de ordem entre as regras que produzem essas sentenças. mostra que qualquer gramática que pode ser construída nos termos dessa teoria é extremamente complexa. acredito que existam outros motivos para rejeitar a teoria da estrutura sintagmática como inadequada para a descrição lingüística. A única maneira de testar a adequação de nosso aparato é tentar aplica-lo diretamente à descrição das sentenças do inglês. ou seja. Exemplificar essa afirmação exigiria muito espaço e esforço. A prova mais contundente possível para se provar a inadequação de uma teoria lingüística é mostrar que ela não consegue ser aplicada a uma língua natural. No entanto. Evidentemente. que alguns modos muito simples de descrição gramatical de sentenças não podem ser acomodados nas formas associadas da gramática e que certas propriedades formais fundamentais da língua não podem ser utilizadas para simplificar as gramáticas. iremos nos encontrar em meio a diversas dificuldades e complicações. há línguas (em nosso sentido geral) que não podem ser descritas em termos de estrutura de constituintes. LIMITAÇÕES DA DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 5. e um modelo de estrutura sintagmática baseado em uma análise de constituintes imediatos. Vimos que o primeiro modelo é indubitavelmente inadequado para os propósitos de uma gramática e que o segundo é mais poderoso do que o primeiro e não apresenta as mesmas falhas.5. Podemos juntar um bom bocado de evidências desse tipo em favor da tese de que a forma de gramática descrita anteriormente e a concepção de teoria lingüística que subjaz a ela são fundamentalmente inadequadas. mas perfeitamente suficiente para demonstrar a inadequação de uma teoria seria mostrar que a teoria consegue ser aplicada apenas de maneira rudimentar. ad hoc e “não intuitiva”.

Se tivermos duas sentenças Z + X + W e Z + Y + W e se X e Y são constituintes dessas sentenças. F]. entre o “amou” e o “o”). etc. parece óbvio que “o João adorou o livro e amou a peça” (uma seqüência com a forma SN – SV + e + SV) é uma sentença perfeitamente boa. Tais sentenças que apresentam uma conjunção cruzando os limites dos constituintes são também. podemos formar uma nova sentença Z – X + e + Y – W. menos gramatical será a sentença resultante.1. eu irei me limitar a esboçar alguns poucos casos simples em que melhorias consideráveis são possíveis em gramáticas com a forma [Σ. apagamento de consoantes finais em discurso corrido. Na seção 8. No entanto. onde a estrutura de constituintes é perfeitamente preservada. (20) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – da peça – foi em Chicago (21) a cena – do filme e da peça – foi em Chicago. se X e Y não são constituintes. em geral.2 Um dos processos mais produtivos para a formação de novas sentenças é o processo de conjunção. (21) e (23) são casos extremos em que não há dúvidas sobre a possibilidade de uma conjunção. Por exemplo. No entanto. quanto mais profundamente a conjunção violar a estrutura de constituintes. Esta segunda sentença. elas forma uma classe de enunciados distintos de “o João adorou o livro e amou a peça”. Há vários casos menos evidentes. podemos formar a nova sentença (21). “o João adorou e o meu amigo amou o livro” (uma seqüência da forma SN + Verbo + e + Verbo – SN). estiverem em uma posição alta no diagrama (15)). já que essa distinção terá de ser assinalada na gramática. por exemplo. é muito menos natural do que sua alternativa “o João adorou o livro e meu amigo amou-o”. é necessário conectar constituintes simples. ou se as incluiremos como gramaticais com a ressalva de que elas apresentam traços fonêmicos peculiares. Essa descrição requer que generalizemos a dicotomia gramatical\agramatical. A maneira mais razoável de descrever essa situação parece ser com uma descrição do seguinte tipo: para formar sentenças perfeitamente gramaticais usando conjunções. marcadas por traços fonêmicos peculiares. Por exemplo. etc. das sentenças (20a-b). em que a conjunção atravessa as fronteiras de constituintes. Tais traços marcam normalmente a leitura de seqüências não gramaticais. considerando-as agramaticais. acento contrastivo e entonação. é irrelevante para nossa discussão decidir se excluiremos ou não sentenças como “o João adorou e o meu amigo amou o livro”. como pausas demasiadamente longas (em nosso exemplo. se as incluiremos como semi-gramaticais. 18 17 29 .17 Ao invés de seguir esse caminho árduo e ambicioso. Em todo o caso. as sentenças resultantes serão semi-gramaticais. Cf. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma análise detalhada deste problema. mas muitos questionariam a gramaticalidade de. via de regra não podemos fazer isso18. 5. mas não há nenhuma alternativa preferida à primeira sentença. não podemos formar (23) a partir de (22a-b). falha na redução de vogais. se nós conectarmos pares de constituintes que forem constituintes importantes (isto é. e nossa conclusão de que a regra para conjunção deva fazer referência explícita à estrutura de constituintes mantém-se válida. Por exemplo. desenvolvendo a noção de gradação de gramaticalidade.mostrado de maneira bastante convincente. irei sugerir um método independente de demonstrar a inadequação da análise de constituintes como um meio de descrever a estrutura das sentenças em inglês..

..X.) Ainda que mais especificação se faça necessária aqui. Mas agora enfrentamos a seguinte dificuldade: não podemos incorporar a regra (26) nem nenhuma regra similar em uma gramática [Σ. a gramática estará muito simplificada se ajustarmos os constituintes de tal forma que (26) possa permanecer dessa maneira.. Podemos simplificar a descrição do processo de conjunção se tentarmos estabelecer constituintes de forma que a seguinte regra seja verdadeira: (26) Se S1 e S2 são sentenças gramaticais e S1 difere de S2 apenas pela presença de X em S1 onde Y surge em S2 (isto é. precisamos saber não apenas a forma real de S1 e S2. S3 = .. respectivamente em S1 e S2.. Da mesma forma. Ou seja. se S3 resultar da substituição de X por X + e + Y em S1 (isto é. (24) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – que eu escrevi – foi em Chicago (25) A cena – do filme e que eu escrevi – foi em Chicago De fato. sem a regra. e S2 = . é mais fácil determinar a distribuição do “e” por meio de especificações feitas nessa regra do que fazendo diretamente.).. ainda que aproximadamente. por causa de certas limitações fundamentais em tais gramáticas. a possibilidade de conjunção oferece um dos melhores critérios para a determinação inicial da estrutura sintagmática..(22) (a) o – navio desceu o – rio (b) o – rebocador subiu o – rio (23) o – navio desceu e o rebocador subiu o – rio. se X e Y forem constituintes. Por exemplo.. para ser aplicada às sentenças S1 e S2 para formar a nova sentença S3. F] de estrutura sintagmática.. mas etiquetada de maneira diferente). como 30 .X + e + Y. se no diagrama da forma (15) eles tiverem cada um uma única origem. mas constituintes de tipos diferentes (isto é. então não podemos formar uma nova sentença por conjunção.. e X e Y forem constituintes do mesmo tipo. A propriedade essencial da regra (26) é que.Y... S1 = . então S3 é uma sentença. não podemos formar (25) de (24a-b).

Podemos tratar o problema de maneira diferente. ela poderá produzir qualquer seqüência Yi tal que Sentença Yi é uma das regras de F em (27). Mas a regra (26) requer uma máquina mais poderosa. A máquina produz então derivações. que estão contidos nesta seqüência recém produzida. é então a seqüência final... caso contrário. a regra não irá se Σ: Sentença F: X1 : Xn Yn Y1 Aí podemos representar essa gramática como uma máquina com um número finito de estados internos. movendo-se novamente para um novo estado. Saber como essa seqüência assumiu gradualmente essa forma é irrelevante.. Se a seqüência contém X como uma subseqüência. a regra X aplicar. mais especificamente. O que é importante aqui é que o estado da máquina é completamente determinado por uma seqüência que tenha sido recém produzida (isto é. “aplicando” a regra Xj Yj. que pode “olhar para trás” para seqüências anteriores na derivação. incluindo um estado inicial e um estado final... Yj . Então. Suponhamos que tenhamos a seguinte gramática de estrutura sintagmática: (27) Y pode se aplicar a ela. mas de “cima para baixo”.também suas estruturas de constituintes – devemos saber não apenas o formato final dessas sentenças. o estado é determinado pelo subconjunto de elementos de Xi de F “lado esquerdo”. Mas cada regra X Y da gramática [Σ. Em seu estado inicial. A gramática [Σ.. 31 .. Suponhamos que Yi seja a seqüência . mas também sua “história de derivação”. A máquina procederá dessa forma de estado a estado até que ela finalmente produza uma seqüência terminal. mudando para um novo estado.. a máquina conseguirá produzir a seqüência . no sentido referido no capítulo 4. F] se aplica ou falha em sua aplicação a uma determinada seqüência em função da substância efetiva dessa seqüência. a fim de determinar como produzir o próximo passo na derivação. Então. Xj . F] também pode ser entendida como um processo básico que gera sentenças não da “esquerda para a direita”. ela pode produzir apenas o elemento Sentença. pela última seqüência da derivação).

por exemplo. 5. pegará. Mas mesmo com a raiz verbal fixada (digamos. mesmo que essa forma de gramática não seja literalmente inaplicável ao inglês.3 Na gramática (13). em português. por exemplo. mas em gramáticas do tipo [Σ. na verdade. não há como incorporar uma dupla referência como essa. considerada no sentido mais fraco. a saber. S1 e S2. may. can. mas suficiente que consideramos anteriormente. etc. F]. take. shall. O fato de a regra (26) não poder ser incorporada à gramática de estrutura sintagmática indica que. na seção 7. must 19 Retornaremos ao auxiliar acentuado “do” mais adiante. está+sendo+pego. “has” em “John has read the book”. ter+pegado. read.1. Aux + V hit. como chutou (cf. ela fornece um dos melhores critérios para se determinar como estabelecer os constituintes. A tradução de ambas as frases. walk. (13vi)). Podemos dar conta da ocorrência desses auxiliares em sentenças declarativas adicionado as seguintes regras à gramática (13): (28) (i) Verbo (ii) V (iii) Aux (iv) M [O29] Comentário: Decidi manter os exemplos originais do inglês aqui. C(M) (have + en) (b+ing) (be+en) will. mostramos apenas uma maneira de analisar o elemento Verbo. ter+sido+pego. O estudo desse “verbos auxiliares” parece ser bastante crucial no desenvolvimento da gramática do inglês. F]. Veremos que existem muitas outras regras do mesmo tipo geral de (26) que desempenham o mesmo papel duplo. pega. Também as regras em (28) apresentam os verbos e auxiliares originais. mas não “does” em “John does read books”19. não apresentariam verbos auxiliares. Essa regra leva a uma considerável simplificação da gramática.A regra (26) também é fundamentalmente nova em um sentido diferente. Ela faz referência crucial a duas sentenças distintas. embora ele parece ser bem complexo se tentarmos incorporar esses sintagmas diretamente em uma gramática [Σ. como em pegar). Considere primeiramente os auxiliares que aparecem não acentuados. Veremos que o comportamento deles é bastante regular e de simples descrição quando observados de um ponto de vista que é bem diferente do que desenvolvemos anteriormente. etc. porque não há uma boa correlação com a tradução em português. 32 . ela é certamente inadequada. existem muitas outras formas que esse elemento pode assumir.

Como exemplo da aplicação dessas regras. Seja v qualquer M ou V. Em (29i). ∅. the+man+S+have+en+be+ing+read+the+book the+man+have+S # be+en # read+ing # the+book vezes # the # man # have+S # be+en # read+ing # the # book # (29iii) Assumimos aqui que (13ii) foi estendido da maneira como mencionamos na nota 12. interpretaríamos # como o operador de concatenação no nível das palavras. (iii) Substitua + por # exceto no contexto v – Af. qualquer não-afixo no sintagma Verbo).(29) (i) C S no contexto SNsing- 20 ∅ no contexto SNplpassado (ii) Seja Af qualquer um dos afixos: passado. ou have ou be (isto é. 20 the+man+Verbo+the+book the+man+Aux+V+the+book the+man+Aux+read+the+book the+man+C+have+en+be+ing+read+the+book – os elementos C. construímos uma derivação no estilo de (14). podemos desenvolver Cem qualquer dos três morfemas. onde # é interpretado como fronteira de palavra21. ou de maneira semelhante. Cf. Então: Af + v v + Af #. 21 Se estivéssemos formulando a teoria da gramática mais cuidadosamente. A interpretação das notações em (28iii) é a seguinte: devemos escolher o elemento C e podemos escolher zero ou mais dos elementos entre parênteses de acordo com a ordem estabelecida. enquanto + seria o operador de concatenação no nível da estrutura sintagmática. have + (29i) (29ii) – três 33 . omitindo as etapas iniciais. en. ing. S. Insira # no início e no final. (29) seria então parte da definição de uma mapeamento que transpõe determinados objetos no nível da estrutura sintagmática (basicamente os diagramas da forma (15)) para seqüências de palavras. (30) de (13i-v) (28i) (28ii) (28iii) selecionamos en e be + ing. observando as restrições contextuais estabelecidas. The logical structure of linguistic theory para uma formulação mais cuidadosa.

As regras morfofonêmicas (19). Repare. de passagem. Então. as formas would. porém. no sentido em que convertem sintagmas verbais em sintagmas nominais. would. originando o seguinte. F] de forma ainda mais radical. assim como (26). não há como expressar a inversão requerida em termos de estrutura sintagmática. (29i). SNsing. etc. Qualquer outro verbo auxiliar poderá ser gerado da mesma maneira. Ou seja. might. Ela também requer uma referência à estrutura de constituintes (isto é. Agora. em transcrição fonêmica. Retornaremos depois à questão das restrições que devem ser colocadas nessas regras para que apenas as seqüências gramaticais sejam geradas. should devem ser adicionadas a (28iv) e o estabelecimento de certas “seqüências de tempo” irá se tornar mais complexo. Assim. à história da derivação) e. (A alternativa que consiste em ordenar (29i) e a regra que desenvolve o SNsing em the+man de tal forma que (29i) preceda essa última não é possível. Repare que essa regra e útil em outros pontos da gramática. algumas das quais aparecem a seguir). A regra (29ii) viola os requisitos de gramáticas [Σ. para aplicar (29i) em (30). Diversas outras pequenas revisões são também possíveis. por diversas razões. irão converter a última linha dessa derivação em: (31) the man has been reading the book. que as regras morfofonêmicas devem incluir regras como as seguintes: will +S will + passado will. Repare que. É irrelevante para nossa discussão decidir qual dessas alternativas de análise será adotada. por exemplo: (32) to prove that theorem proving that theorem was difficult 34 . pelo menos no caso em que Af é ing. tivemos de contar com o fato de que the+man é um sintagma nominal singular. could. mas não ambos. vai além do tipo markoviano elementar de gramáticas de estrutura sintagmática e não pode ser incorporada dentro da gramática [Σ. tivemos de nos reportar a uma etapa anterior na derivação para determinar a estrutura de constituintes de the+man. F]. possa ser selecionado. os morfemas to e ing desempenham um papel semelhante dentro do sintagma nominal. além disso. Essas regras podem ser excluídas se reescrevermos (28iii) de maneira que C ou M.

bastante simples. “A formal statement of morphemic analysis”. Mas as descontinuidades não podem ser lidadas em gramáticas [Σ. Podemos explorar esse paralelismo acrescentando a seguinte regra à gramática (13): (33) SN ing SV to A regra (29ii) irá então converter ing + prove + that + theorem em proving # that + theorem. no Poderíamos tentar estender a noção de estrutura sintagmática. Mais uma vez. Journal of Symbolic Logic 18. Acredito que tal abordagem não seja recomendada e que ela pode levar apenas ao desenvolvimento de regras ad hoc e elaborações infrutíferas. O leitor pode concluir facilmente que. “Two models of grammatical description”. en e be . idem. perderíamos a simplicidade da gramática sintagmática e do desenvolvimento transformacional. como no caso da conjunção. pudemos estabelecer a constituição do sintagma auxiliar em (28iii) sem levar em consideração a interdependência de seus elementos.etc. Linguistics Today. Ao que parece. será necessário providenciar uma formulação um pouco mais complexa. Se tentássemos alargar a gramática sintagmática de modo a que abrangesse. as noções de estrutura sintagmática são bastante adequadas a uma pequena parte da língua e que o resto da língua pode ser derivado por uma aplicação repetida de um conjunto bastante simples de transformações às seqüências produzidas pela gramática sintagmática. 27-39 (1952). Studies in Linguistics 10. se poderia tentar remediar algumas das outras deficiências de gramáticas [Σ. F]22. Uma análise mais detalhada do SV mostra que esse paralelismo vai muito além disso. tratamos esses elementos como contínuos e introduzimos da descontinuidade com a regra adicional (29ii).1). Veremos adiante. e é sempre mais fácil descrever uma seqüência de elementos independentes do que uma seqüência de elementos que sejam mutuamente dependentes. cada um simples em si mesmo.. nós realmente temos elementos descontínuos – por exemplo. toda a língua.. para duplicar o efeito de (28iii) e (29) sem ir além dos limites de um sistema [Σ. C. F] de estrutura sintagmática. percebemos que simplificações significantes da gramática são possíveis se nos for permitido formular regras de mais complexas do que as que correspondem ao sistema de análise de constituintes imediatos. ing. Da mesma forma. o primeiro parágrafo da seção 3. Cf. Em (28iii). para dar conta das descontinuidades. Em outras palavras. meu artigo “System of syntactic analysis”. através de uma formulação mais complexa da estrutura sintagmática. 242-56 (1953). Apontamos diversas vezes que algumas dificuldades sérias aparecem em qualquer tentativa sistemática nesse sentido. em (30) os elementos have . no sintagma verbal auxiliar. Ao nos permitirmos a liberdade de (29ii). F. extraindo a contribuição para esse complexo de diversos níveis lingüísticos. na verdade. a saber. Hockett. o da reconstrução da vasta complexidade da língua casual da maneira mais elegante e sistemática. Word 10. 22 35 . F]. Essa abordagem perderia o ponto principal da construção de níveis (cf. diretamente. 210-33 (1954).

Além do mais. para permitir sentenças como as seguintes: “John admires sincerity” (o João admira a sinceridade). mas isso vai além da nossa presente discussão. was + eaten é permitido. se o V for intransitivo e seguido por um sintagma preposicional por + SN. Além disso. “sincerety frightens John” (a sinceridade assusta o João”). Veja a seção 7. nesse caso valem as mesmas dependências selecionais. “John plays golf” (o João joga golfe). que fazem dele um caso único entre os elementos do sintagma auxiliar. Contudo. mas não “John is eating by lunch”. Ou seja. Assim. Se tentarmos incluir passivas diretamente na Aqui também poderíamos utilizar a noção de níveis de gramaticalidade. “John drinks wine” (o João bebe vinho). Eu acredito que uma noção funcional de gradação de gramaticalidade possa ser desenvolvida em termos puramente formais (cf. 23 36 . ao elaborarmos (13) como uma gramática completa. etc. que essa análise do elemento Verbo serve como base para uma análise abrangente e extremamente simples de diversos traços da sintaxe do inglês. Na verdade. com algumas exceções. é mais gramatical do que “of admires John” (de admira o João).4 Como um terceiro exemplo da inadequação das concepções da estrutura sintagmática. Em primeiro lugar. então devemos selecionar be + en (podemos ter “lunch is eaten by John” (o almoço é comido pelo João). The logical structure of linguistic theory). considere o caso da relação ativa-passiva. tal como sugerimos anteriormente.5 para uma demonstração mais profunda sobre a necessidade da inversão na passiva. toda essa rede de restrições falha completamente quando escolhemos be + en como parte do verbo auxiliar. As sentenças passivas são formadas pela seleção do elemento be + en na regra (28iii). mesmo quando o V é transitivo – não podemos ter “lunch is eaten John” (o almoço é comido João)). como em (30) (por exemplo. Finalmente. (o João está comendo pelo almoço). os outros elementos do sintagma auxiliar podem ocorrer livremente com os verbos. e excluir as não sentenças23 “inversas” como “sincerety admires John” (a sinceridade admira o João). não podemos ter SN + is + V + en + SN.). “golf plays John” (o golfe joga o João) e “wine drinks John” (o vinho bebe o João). “John frightens sincerety” (o João assusta a sinceridade).capítulo 7. para cada sentença SN1 – V – SN2 podemos ter uma sentença correspondente SN2 – is + Ven – by + SN1. mas não was + occurred). be + en pode ser selecionado apenas se o V seguinte for transitivo (por exemplo. repare que. be + en não pode ser selecionado se o verbo Vê seguido por um sintagma nominal. mas. mas na ordem oposta. Mas existem sérias restrições nesse elemento. teremos de colocar diversas restrições à escolha do V em termos de sujeito e objeto. 5. mesmo sendo claramente menos gramatical do que “John admires sincerety” (o João admira a sinceridade). via de regra. “sincerity admires John” (a sinceridade admira o João).

que elas levam a uma concepção de estrutura lingüística completamente nova. então sincerety – C + be + en – admire – ny + John (que por (29) e (19) se torna “sincerety is admired by John” (a sinceridade é admirada pelo João)) também é uma sentença. F]. F]. a menos que consigamos incorporar tais regras. bem como as restrições especiais envolvendo o elemento be + en podem ser evitadas apenas se nós excluirmos deliberadamente as passivas da gramática de estrutura sintagmática e as reintroduzirmos por uma regra como a seguinte: (34) Se S1 é uma sentença gramatical da forma SN1 – Aux – V – SN2. se John – C – admire – sincerity é uma sentença. podemos mostra de maneira bastante conclusiva que essas gramáticas serão tão complexas que elas não terão o menor interesse. apenas ocorrer antes de V + by + SN (em que o V seja transitivo) e inverter a ordem dos sintagmas nominais vizinhos é. não ocorrer antes de V + SN. nessa seqüência. uma conseqüência da regra (34). O fato de be + en exigir um verbo transitivo. 5. veremos. Por exemplo. Podemos agora deixar de lado o elemento be + en de (28iii) e todas as restrições especiais relacionadas a ele.5 Estudamos as regras (26). Do estudo das limitações das gramáticas de estrutura sintagmática relativas ao inglês. Existem muitas outras regras desse tipo. Essa duplicação nada elegante. Chamemos cada uma dessas regras de “transformação gramatical”. teremos de reformular todas essas restrições na ordem oposta para o caso em que be + en é escolhido como parte do verbo auxiliar. Uma transformação gramatical T opera sobre uma determinada seqüência 37 . em cada caso. então a seqüência correspondente da forma SN2 – Aux + be + en – V – by + SN também é uma sentence grammatical. Essa regra leva então a uma considerável simplificação da gramática. mas que não podem ser incorporadas em uma gramática [Σ.gramática (13). contudo. uma inversão de uma maneira estruturalmente determinada. algumas das quais discutiremos adiante. Mas (34) está além dos limites de gramáticas [Σ. Como (29iii). (29) e (34) que simplificaram a descrição do inglês. é preciso fazer referência à estrutura de constituintes da seqüência a que se aplica e efetua. Se examinarmos cuidadosamente as implicações dessas regras suplementares.

Ou seja. o resultado será uma sentença. 25 Mas das três partes de (29i). com as propriedade s que aparentemente são exigidas pela descrição gramatical24. “Cooccurrence and transformations in linguistic structure”. F] e uma parte transformacional. E ela deve preceder (29ii) para que a última regra se aplica de maneira correta ao novo elemento inserido be + en.(Ao discutir a questão de (29i) poder ou não se encaixar em uma gramática [Σ. Por exemplo. fica claro que precisamos definir uma ordem de aplicação nessas transformações. 283-340 (1957). por exemplo. a transformação passiva. A transformação da passiva (34). podemos ordenar as alternativas e tornar cada uma opcional. pode ou não ser aplicada em algum caso específico. A distinção entre transformações obrigatórias e opcionais nos leva a estabelecer uma distinção fundamental entre as sentenças da língua. com exceção da última. em particular. repare que certas transformações são obrigatórias. para uma breve análise das transformações e The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para um desenvolvimento detalhado da álgebra transformacional e das gramáticas transformacionais. Para mostrar exatamente como essa operação funciona requer um estudo um pouco mais elaborado que iria além do escopo deste estudo. mas bastante natural. Ela deve preceder (29i). apenas a terceira é obrigatória. Desses poucos exemplos. que será obrigatória. Language 33. Sempre que tivermos um elemento como C em (29i) que deve ser desenvolvido. 24 38 . para uma abordagem diferente de análise transformacional. como no caso de (26). Em primeiro lugar. (29) deve ser aplicada para todas as derivações. S. Z. Harris. mas (34) deve se aplicar depois de uma análise do SNsing. um tanto complexa.(ou. Mas (34). mencionamos que essa regra não poderia ser aplicada antes da regra que analisa SNsing como the + man. talvez. porém. Por isso. enquanto outras são opcionais. sobre um conjunto de regras) com uma determinada estrutura de constituintes e a converte em uma nova seqüência com uma nova estrutura de constituintes derivada. Suponhamos que tenhamos uma gramática G com uma parte [Σ. deve se aplicar antes de (29). F]. passado pode ocorrer depois de SNsing. para que o elemento verbal da sentença resultante tenha o mesmo número que o novo sujeito gramatical da sentença passiva. (29) é uma transformação obrigatória. De qualquer forma. Em segundo lugar. ou o resultado simplesmente não será uma sentença25. Uma razão para isso é agora óbvia – (29i) deve se aplicar depois de (34).ou SNpl. ou não teremos relações selecionais corretas entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e o “agente” na passiva). Cf. etc. mas nós podemos desenvolver uma determinada álgebra das transformações. já podemos detectar algumas propriedades essenciais de uma gramática transformacional. e (34) é uma transformação opcional. de diversas formas alternativas. e suponhamos Cf. meu artigo “Three models for the description of language”.

Unindo essas duas séries. a gramática será algo como (35): (35) Σ: Sentença: F: X1 : Xn T1 : Tj Z1 Zm W1 : Wm Morfofonêmica Estrutura transformacional Yn Y1 Estrutura sintagmática Para produzir uma sentença a partir de uma gramática como essa.Tj. F]. não necessariamente na ordem correta. construímos uma derivação começando com Sentença. às seqüências terminais da parte da gramática [Σ. F]) ou a sentenças já transformadas. Correspondendo ao nível da estrutura sintagmática. correspondendo ao nível inferior. aplicando cada transformação obrigatória e talvez algumas opcionais. nós construímos uma seqüência terminal que irá ser uma série de morfemas. porém. Então. às formas que subjazem as sentenças nucleares – isto é. Essas transformações 39 . ela tem uma série de regras morfofonêmicas com a mesma forma básica. por meio de uma série de uma ou mais transformações. Então.. A parte transformacional da gramática será estabelecida de tal maneira que as transformações possam se aplicar às sentenças nucleares (mais corretamente. Percorrendo as regras de F. Assim. Essas considerações nos conduzem a uma representação das gramáticas como se elas possuíssem uma organização natural tripartite. definimos o núcleo da língua (em termos da gramática G) como o conjunto de sentenças que são produzidas quando aplicamos as transformações obrigatórias às seqüências terminais da gramática [Σ.que a parte transformacional tenha certas transformações obrigatórias e certas transformações opcionais. ela tem uma série de regras transformacionais. cada sentença da língua pertencerá ao núcleo da língua ou será derivada das seqüências que subjazem uma ou mais sentenças nucleares. uma gramática tem uma série de regras da forma X Y e. nós percorremos a seqüência de transformações T1 . Então.

de sentenças nucleares (mais precisamente. eles dão origem a uma seqüência de palavras. como sendo uma seqüência de transformações pelas quais ele é derivado. adequadamente formuladas em termos que deve ser desenvolvidos no sentido de uma teoria completa das transformações. No nível transformacional. convertendo essa seqüência de palavras em uma seqüência de fonemas. um enunciado é representado de maneira ainda mais abstrata. (17) e (28). Em cada uma das regras inferiores correspondentes ao terço inferior da gramática. Então. Há uma definição natural bem geral de “nível lingüístico” que inclui todos esses casos26. nós mostramos que as regras de estrutura sintagmática levam a uma concepção de estrutura lingüística e “nível de representação” que são fundamentalmente diferentes dos que são fornecidos pelas regras morfofonêmicas. como nós veremos mais tarde. Esse esboço do processo de geração de sentenças deve (e pode facilmente) ser generalizado para permitir um funcionamento adequado de regras como (26). e para permitir que transformações se reapliquem para que sentenças cada vez mais complexas possam ser produzidas. A parte morfofonêmica irá incluir regras como (19). Mas a estrutura sintagmática não pode ser dividida em subníveis: no nível da estrutura sintagmática. nós também podemos extrair um esqueleto das regras obrigatórias que devem ser aplicadas sempre que as atingirmos no processo de geração de uma sentença. há boas razões para considerar cada uma dessas estruturas como sendo um nível lingüístico. A parte transformacional irá incluir regras como (26). 40 . um enunciado é representado por um conjunto de seqüências que não podem ser ordenados em níveis inferiores ou superiores. Esse conjunto de seqüências representativas é equivalente a um diagrama da forma (15). um enunciado é. geralmente. e. 26 Cf. em última análise. Nos últimos parágrafos do capítulo 4. que operam sobre um conjunto de sentenças. representado por uma única seqüência de elementos. Quando aplicamos somente transformações obrigatórias na geração de uma determinada sentença. chamamos a sentença resultante de sentença nuclear. de seqüências que subjazem as sentenças nucleares). Investigações mais profundas podem mostrar que nas partes de estrutura sintagmática e morfofonêmica da gramática. Como resultado. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis. (29) e (34). percorremos as regras morfofonêmicas. A parte de estrutura sintagmática da gramática irá incluir regras como (13).podem reordenar as seqüências ou podem adicionar ou apagar morfemas.

F] com a seqüência inicial Sentença e com o conjunto de todas as seqüências finitas de as e bs como seu output terminal. gramáticas que têm a forma que estamos estudando aqui são bem neutras no que diz respeito à relação entre falante e ouvinte. F] são apenas aquelas que subjazem as sentenças nucleares. Na verdade.Quando a análise transformacional é corretamente formulada. diversos exemplos de simplificações resultantes da análise transformacional. e veremos novamente. mais poderosa do que a descrição em termos de estrutura sintagmática. Em particular. podem ser derivadas transformacionalmente27. síntese e análise de enunciados. essas duas tarefas que o falante e o ouvinte devem desempenhar são essencialmente a mesma. a saber. É importante observar que a gramática fica significativamente simplificada quando adicionamos um nível transformacional. Uma gramática não nos diz como sintetizar um enunciado específico. convertendo-a em K + K. o output de G’ é (10iii). Cada gramática desse tipo é simplesmente uma descrição de um determinado conjunto de enunciados. Essa formulação tem ocasionalmente levado à idéia de que existe uma certa assimetria na teoria gramatical no sentido de que a gramática está levando em consideração o ponto de vista do falante ao invés do ponto de vista do ouvinte. aqueles enunciados que Seja G uma gramática [Σ. Seja G’ ser a gramática que contém G como sua parte de estrutura sintagmática. Então. vemos que ela é. complementada pela transformação T que opera sobre qualquer seqüência K que é uma Sentença. Nós vimos. Escolhemos as sentenças nucleares de tal forma que as seqüências terminais subjacentes ao núcleo são facilmente derivadas por meio de uma descrição [Σ. Tal gramática existe. línguas como (10iii). Um outro detalhe sobre gramáticas da forma (35) merece atenção. enquanto todas as outras sentenças podem ser derivadas dessas seqüências terminais através de transformações enunciáveis simplesmente. Nós descrevemos essas gramáticas como mecanismos para gerar sentenças. 27 41 . uma vez que agora é necessário fornecer a estrutura sintagmática diretamente apenas para as sentenças nucleares – as seqüências terminais da gramática [Σ. não nos diz como analisar um enunciado particular. e ambas estão fora do escopo de gramáticas da forma (35). que estão além dos limites da descrição de estrutura sintagmática com regras livres de contexto. assim como esta última é mais poderosa do que a descrição em termos de um processo de Markov de estados finitos que gera sentenças da esquerda para a direita. em essência. Na verdade. já que ele aparentemente suscitou alguma confusão. F]. Uma investigação sintática em larga escala do inglês fornece diversos outros casos. que ela está preocupada com o processo de produção de enunciados ao invés de se preocupar com o processo “inverso” de analisar e reconstruir a estrutura dos enunciados.

Talvez seja possível esclarecer melhor o assunto fazendo uma analogia com uma parte da teoria química que se preocupa com os compostos que são estruturalmente possíveis.são gerados por ela. podemos reconstruir as relações formais que existem entre esses enunciados em termos de noções de estrutura sintagmática. Com essa gramática. Isso serviria de base teórica para técnicas de análise qualitativa e síntese de compostos específicos. etc. estrutura transformacional. 42 . Poderíamos dizer que essa teoria gera todos os enunciados gramaticalmente “possíveis”. assim como pode-se utilizar uma gramática na investigação de problemas especiais. como análise e síntese de enunciados particulares.

Cf. Se excluirmos as condições externas ou a exigência de 28 Eu acredito que essas duas condições são semelhantes ao que Hjelmslev tinha em mente quando falou de duas características da teoria lingüística: a de ser apropriada e a de ser arbitrária. Qualquer teoria científica se baseia em um número finito de observações. Uma gramática da língua L é essencialmente uma teoria de L. Dois tipos de critérios foram mencionados em 2. Antes de explorarmos essa possibilidade. eu gostaria de esclarecer alguns pontos de vista que subjazem toda a proposta deste estudo. 43 . Nossa preocupação fundamental ao longo desta discussão sobre a estrutura lingüística é o problema da justificação das gramáticas. Evidentemente. cada gramática terá de satisfazer algumas condições externas de adequação. Indiana University Publications Anthropology and Linguistics) Baltimore. procurando relacionar os fenômenos observados e prever novos fenômenos através da construção de leis gerais em termos de conceitos hipotéticos como (por exemplo. 1953). combinando a estrutura sintagmática e transformações gramaticais que podem remediar essas inadequações. L. Word 10. isto é. Cf. Essas regras expressam relações estruturais entre as sentenças do corpus e o número infinito de sentenças. em física) os de “massa” e “elétron”. Nosso problema é desenvolver e clarificar os critérios para a seleção de uma gramática correta de cada língua. etc. No capítulo 8. exigimos que uma gramática de uma dada língua seja construída de acordo com uma teoria específica da estrutura lingüística. também a discussão de Hockett sobre “metacritérios” para a lingüística (“Two models of grammatical description”.6. sintagmas. por exemplo. Além disso. e. Hjelmslev. em que termos como “fonema” e “sintagma” sejam definidos independentemente de qualquer língua particular28. SOBRE OS OBJETIVOS DA TEORIA LINGÜÍSTICA Nos capítulos 3 e 4. as sentenças geradas terão de ser aceitáveis para um falante nativo. Linguistics Today. p.1. eu sugeri um modelo mais poderoso. uma gramática do inglês se baseia em um corpus finito de enunciados (observações) e conterá regras gramaticais (leis) formuladas em termos dos fonemas. no capítulo 5. geradas pela gramática. 8. Prolegomena to a theory of language = Memoir 7. nós impomos às gramáticas uma condição de generalidade. para além do corpus (previsões). dois modelos de estrutura lingüística foram desenvolvidos: um modelo teórico simples de comunicação e uma versão formalizada de análise de constituintes imediatos.. Ambos foram considerados inadequados. do inglês (conceitos hipotéticos). Da mesmo forma. iremos considerar diversas outras condições externas desse tipo. a teoria correta dessa língua. 232-3).

Uma exigência ainda mais fraca seria a de que.1. a teoria deve nos dizer qual é a melhor gramática da língua daquele corpus. dado um corpus e duas propostas de gramática. Digamos que tal teoria nos forneça um procedimento de descoberta das gramáticas. Mas também não há qualquer circularidade nesta concepção. cada uma compatível com um determinado corpus. a melhor gramática da língua para aquele corpus. não haverá possibilidade de escolher entre um vasto número de “gramáticas” totalmente diferentes. Ainda não consideramos a seguinte pergunta crucial: qual é a relação entre a teoria geral e as gramáticas particulares relacionadas a ela? Em outras palavras. neste contexto? É neste ponto que nossa abordagem diverge significativamente de outras teorias sobre a estrutura lingüística.generalidade. poderíamos dizer que a teoria fornece um procedimento de avaliação das gramáticas. A qualquer momento. dado um corpus de enunciados. G1 e G2. A exigência mais forte que pode ser estabelecida sobre a relação entre uma teoria da estrutura lingüística e as gramáticas particulares é que a teoria deve fornecer um método prático e automático para a construção da gramática. Essas teorias podem ser representadas graficamente da seguinte maneira: 44 . Uma exigência mais fraca seria a de que a teoria deve fornecer um método prático e automático para determinar se a gramática proposta para um determinado corpus é. esses requisitos em conjunto nos dão um teste de adequação bastante forte para uma teoria geral da estrutura lingüística e ara o conjunto de gramáticas que ela fornece para as línguas particulares. poderia fornecer um procedimento de decisão das gramáticas. Progresso e revisão podem vir da descoberta de novos fatos sobre línguas particulares ou de novas estipulações puramente teóricas sobre a organização dos dados lingüísticos –ou seja. Porém. nós podemos tentar formular de maneira tão precisa quanto possível tanto a teoria geral como o conjunto de gramáticas associadas que devem se adequar às condições empíricas e externas de adequação. de fato. Nesse caso. que não se preocupa com a questão de como essa gramática foi construída. Repare que nem a teoria geral nem as gramáticas particulares recebem uma forma definitiva. novos modelos para a estrutura lingüística. que sentido tem a expressão “relacionadas a ela [à teoria geral]”. como observamos em 2. nesta perspectiva. Tal teoria.

com isso. F. “A set of postulates for phonemic analysis”. 242-56 (1953). Por exemplo. 1951). ao invés de apenas uma única gramática. ou. idem. “Systems of syntactic analysis”. Hockett. que irão falhar em responder muitas questões importantes sobre a naturas da estrutura lingüística. 45 . Da maneira como eu interpreto. 81-117 (1947). a maioria das propostas para o desenvolvimento de uma teoria lingüística30 tenta satisfazer a exigência mais forte das três. Acredito que se nos limitarmos ao objetivo mais modesto de desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. N. de maneira arbitrária. O ponto vista adotado aqui é que não é razoável exigir da teoria lingüística que ela forneça algo além de um procedimento prático de avaliação das gramáticas. Language 31. “From phoneme to morpheme”. (p. qualquer uma das possibilidades que são igualmente eficientes. Acho muito questionável que esse objetivo seja alcançado de alguma forma interessante e suspeito que qualquer tentativa de alcançá-lo irá levar a um labirinto de procedimentos analíticos cada vez mais elaborados e complexos. “A formal statement of morphemic analysis”. adotamos a posição mais fraca das três descritas antes. B. (36iii) representa uma teoria que tem as gramáticas G1 e G2 e um corpus como input. 27-39 (1952). Bloch. podemos escolher a possibilidade mais eficiente. uma teoria que fornece um procedimento de avaliação de gramáticas29. R. mas o que ele realmente faz é descrever algumas das propriedades formais de uma análise morfológica e então propor um “critério através do qual a eficiência relativa de duas possíveis soluções mórficas possam ser determinadas. Language 23. “Immediate constituents”. Ou seja. ela representa uma teoria que fornece um procedimento de decisão de gramáticas. 30 Por exemplo. 29 A questão básica com a qual estamos lidando não irá se alterar se estivermos dispostos a aceitas um conjunto pequeno de gramáticas corretas. 29). Z. idem. Studies in Linguistics 10. 321-43 (1947). Methods in structural linguistics (Chicago. 56 DA EDIÇÃO PORTUGUESA A figura (36i) representa uma teoria concebida como uma máquina com um corpus como input e uma gramática como output. se examinarmos bem. 27). por isso. S. por isso. S. C.(36) VER GRÁFICO (36). Journal of Symbolic Logic 18. podemos freqüentemente ver que a teoria que está sendo de fato construída não fornece mais do que um procedimento de avaliação das gramáticas. 3-46 (1948). “Problems of morphemic analysis”. Ou seja. (36ii) é um mecanismo com que tem uma gramática e um corpus como input e que responde “sim” ou “não” como output. Language 24. elas tentam formular métodos de análise que um investigador possa realmente utilizar se tivesse tempo suficiente para construir uma gramática de uma língua diretamente dos dados brutos. dependendo se a gramática for ou não a correta. Hockett diz que seu objetivo em “A formal statement of morphemic analysis” é o desenvolvimento de “procedimentos formais com os quais se pode trabalhar a partir de um esboço para chegar a uma descrição completa do padrão de uma língua” (p. e vários outros trabalhos. Harris. uma teoria que fornece um procedimento de descoberta. 190-222 (1955). Wells. por isso. Ainda que os procedimentos de descoberta sejam o objetivo explícito desses trabalhos. Language 23. Chomsky. P. e apresenta um escolhido entre G1 e G2 como output. embora mais eficientes do que todas as outras”.

Então. Completar as duas últimas tarefas irá nos permitir formular uma teoria geral da estrutura lingüística em que tais noções como “o fonema 46 . seria correto afirmar que temos um procedimento de avaliação prático de gramáticas. E também seria literalmente correto afirmar que temos um procedimento de descoberta. Determinar se esse julgamento está correto pode ser feito apenas pelo efetivo desenvolvimento e comparação de teorias desses diversos tipos. como a extensão. Segundo. já que poderíamos ordenar todas as seqüências do número finito de símbolos que constituem as gramáticas e testar cada uma dessas seqüências para verificar se ela é uma gramática. cada uma sendo compatível com os dados disponíveis. para que possamos realmente propor alguma gramática com essa forma para as línguas particulares.conseguiremos focalizar nossa atenção mais claramente aos problemas realmente importantes sobre a estrutura lingüística e conseguiremos chegar a respostas mais satisfatórias. Existem poucas áreas da ciência em que se poderia considerar seriamente a possibilidade de se desenvolver um método geral. Suponha que utilizemos o termo “simplicidade” para nos referir ao conjunto de propriedades formais das gramáticas que consideraremos. ao escolher uma entre elas. já que poderíamos contar o número de símbolos que cada gramática contém. com testes operacionais e comportamentais) os critérios externos de adequação para as gramáticas. que estivéssemos avaliando as gramáticas através de medições de alguma propriedade simples. prático e automático para escolher entre diversas teorias. Em cada uma dessas concepções da teoria lingüística. Mas esse não é o tipo de procedimento de descoberta que pretendido por quem está tentando satisfazer a exigência forte que discutimos anteriormente. que a mais fraca dessas exigências ainda é forte o suficiente para garantir que uma teoria que alcance essa exigência seja significativa. Então. há três tarefas principais no tipo de programa que escolhemos para a teoria lingüística. qualificamos a caracterização do tipo de procedimento com o termo “prático”. contudo. Suponha. Terceiro. Primeiro. com a certeza de que encontraremos a seqüência adequada mais curta dentro de um tempo finito. Repare. Essa qualificação um tanto vaga é fundamental para uma ciência empírica. devemos caracterizar a forma das gramáticas de uma maneira geral e explícita. é necessário estabelecer de maneira precisa (se possível. por exemplo. devemos analisar e definir a noção de simplicidade que pretendemos utilizar para escolher entre uma gramática entre todas as gramáticas que têm a forma correta.

como “um enunciado observado em L”. por hipótese. Tentamos determinar que tipo de gramática irá gerar exatamente as sentenças gramaticais de uma maneira simples. etc. Por exemplo. O objeto de uma teoria não é completamente determinado a priori em uma investigação. devemos saber muito mais sobre as propriedades formais de cada um desses conjuntos. nos permitir a escolha entre duas gramáticas propostas. podemos decidir que certos testes não se aplicam aos fenômenos gramaticais. podemos definir o conjunto de fonemas de L como um conjunto de elementos que têm certas propriedades físicas e distribucionais e que aparecem na gramática mais simples de L. dessa forma. antes que possamos caracterizar essa relação de maneira clara. Nossa investigação da estrutura deste último conjunto é apenas preparatória. Ele é parcialmente determinado pela possibilidade de dar conta de alguns fenômenos de maneira organizada e sistemática. No capítulo 7. Ou seja. Continuaremos a revisar nossas noções de simplicidade e caracterização da forma das gramáticas até que as gramáticas selecionadas pela teoria consigam satisfazer as condições externas32. Outros termos também serão definidos. as gramáticas que a teoria geral nos obriga a escolher) satisfazem as condições externas de adequação. referimos anteriormente que uma das noções que devem ser definidas em uma teoria lingüística geral é a de “uma sentença em L”. Mas ela deve nos dizer como avaliar tal gramática. iremos nos preocupar com a A teoria lingüística irá então ser formulada em uma metalinguagem em relação à língua em que as gramáticas são escritas – uma metametalinguagem em relação a qualquer língua para que se constrói uma gramática. revisar os critérios de adequação ao longo de nossa pesquisa. Admitimos. Em particular. Repare que essa teoria pode não nos dizer como realmente construir a gramática de uma língua a partir de um corpus de maneira prática. 32 Podemos também. A partir de tal teoria. ela parte da hipótese de que. Essa teoria geral está de acordo com a preocupação de clarificar a relação entre o conjunto de sentenças gramaticais e o conjunto de sentenças observadas. “a transformação em L” sejam definidas para uma língua L arbitrária em termos de propriedades físicas e distribucionais de seus enunciados e em termos das propriedades formais das gramáticas de L31. estivemos preocupados com a segunda dessas três tarefas. 31 47 . Para formular esse objetivo em termos um pouco diferentes.em L”. na verdade. ela deve. “a simplicidade da gramática de L”. que o conjunto de sentenças gramaticais do inglês fosse dado e que tínhamos uma noção de simplicidade. Nas seções anteriores. continuaremos a investigar a relativa complexidade de diversas maneiras de descrever a estrutura do inglês. “o sintagma em L”. podemos tentar construir gramáticas para línguas reais e podemos determinar se as gramáticas mais simples que encontramos (isto é.

ou podem levar a um conjunto pequeno de gramáticas que podem ser então avaliadas. Chegaremos assim a certas decisões sobre a estrutura do inglês. tentaremos mostrar que as gramáticas mais simples satisfazem certas condições externas de adequação. Em resumo. Adiante. 33 48 . etc. que têm decisões diferentes sobre a atribuição de sentenças ao núcleo. como pode ter sido descoberta a análise do sintagma verbal apresentado em 5. esses resultados são apenas sugestivos. Essa validação pode ser somente uma tentativa. Ou seja. deverá ficar bem claro que. nem tampouco se deve esperar que ela forneça procedimentos mecânicos para a descoberta de gramáticas. com qualquer definição possível de “simplicidade da gramática”. enquanto que o mesmo não acontece com gramáticas mais complexas. Eles podem fornecer dicas valiosas ao lingüista prático. Ainda assim. nós podemos nunca considerar a questão de como se pode chegar à gramática cuja simplicidade está sendo determinada. argumentaremos que existem evidências independentes a favor de nosso método de selecionar gramáticas.3. mas isso certamente iria além do escopo deste trabalho. o único critério fundamental na avaliação é a simplicidade de todo o sistema. já que simplificando uma parte da gramática. tentaremos mostrar que a análise transformacional mais simples de uma classe de sentenças freqüentemente conduz a análises mais simples de outras classes. por suposições. nós podemos apenas indicar como uma ou outra decisão irá afetar a complexidade geral. por qualquer tipo de sugestões metodológicas parciais. No capítulo 8. Não estamos negando a utilidade de processos de descoberta mesmo parcialmente adequados. a maior parte das decisões sobre complexidade relativa que proporemos adiante ainda será válida33. Pode-se chegar à gramática por intuição. Não há dúvidas de que é possível Cf. Nosso ponto central aqui é que uma teoria lingüística não deve ser identificada com um manual de procedimentos úteis. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma discussão dos métodos de avaliação de gramáticas em termos de propriedades formais de simplicidade. Questões desse tipo não são relevantes para o programa de investigação desenvolvido acima.questão da possibilidade de se simplificar toda a gramática se considerarmos certas classes de sentenças como sendo sentenças nucleares ou se as considerarmos como sendo sentenças derivadas por transformações. Repare que a simplicidade é uma medida sistemática. por confiança na experiência adquirida. por exemplo. Acredito que poderíamos dar conta dessa questão. até que consigamos dar conta de maneira rigorosa da noção de simplicidade que adotamos. etc. podemos complicar as demais. Ao discutir os casos particulares. No entanto. É quando sabemos que a simplificação de uma parte da gramática leva a simplificações correspondentes de outras partes que podemos sentir estamos realmente no caminho certo.

podemos definir um “conjunto hipotético de fonemas” e um “conjunto hipotético de morfemas” independentemente e podemos desenvolver uma relação de compatibilidade entre os conjuntos hipotéticos de fonemas e os conjuntos hipotéticos de morfemas. então a teoria lingüística pode ser anulada por um problema real de circularidade. podemos definir os fonemas e os morfemas de uma língua como os fonemas e morfemas hipotéticos que. ou seja. mas é questionável que eles possam ser formulados de maneira rigorosa. quando tornamos nossos objetivos mais modestos. o fato de que se os morfemas são definidos em termos de fonemas. da mesma forma. Nosso objetivo último é fornecer uma maneira não-intuitiva e objetiva de avaliar uma gramática e compará-la com outras gramáticas propostas. em princípio. Obviamente. Isso resulta em uma maneira perfeitamente direta de definir níveis independentes sem qualquer circularidade. mais interessados na descrição da forma de gramáticas (ou seja. ao mesmo tempo. Em todo o caso. Podemos depois definir um par de um conjunto de fonemas e um conjunto de morfemas para uma determinada língua como sendo um par compatível de um conjunto hipotético de fonemas e um conjunto hipotético de morfemas. nenhuma outra teoria fonêmica ou morfêmica satisfaz realmente essa forte exigência. isso não nos diz como encontrar os fonemas e morfemas de maneira direta e automática. entre outras coisas. na natureza da estrutura lingüística) e na investigação das conseqüências empíricas na adoção de um determinado modelo da estrutura lingüística do que em demonstrar como. Estamos. então. por exemplo. Nesse caso. e. corretamente. conduzem de maneira conjunta à gramática mais simples da língua. De qualquer forma. Nossa relação de compatibilidade pode ser parcialmente estabelecida em termos de consideração de simplicidade. esse problema não se enquadra no escopo de nossas investigações no momento. pode-se ter chegado à gramática de uma língua. Considere o problema da interdependência de níveis. Porém. e há poucas razões para se acredita que ela pode ser satisfeita de maneira significativa. Foi salientado. exaustiva e simples o suficiente para que sejam qualificados como procedimentos práticos e automáticos de descoberta.dar conta de maneira organizada de diversos procedimentos úteis de análise. tentando desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. as considerações morfológicas são tidas como relevantes para a análise fonêmica. pouca 49 . certos problemas que têm sido objeto de intensa controvérsia metodológica simplesmente não aparecem.2 Uma vez que tenhamos declinado qualquer intenção de encontrar um procedimento prático de descoberta das gramáticas. 6.

Assim. Isso nos leva a problemas bem conhecidos. Chomsky. idem. R. Studies in Linguistics 7. 65-80. para uma discussão mais profunda sobre a interdependência dos níveis. 34 50 . p. pode ainda ser o caso de que a transcrição fonêmica forneça regras de “leitura” completas sem qualquer referência a outros níveis. F. Se desistirmos da idéia de que os níveis superiores são literalmente Cf. M. ainda que interdependentes. “Grammatical prerequisites to phonemic analysis”. A manual of phonology = Memoir 11. Proceedings of the Sixth International Congress of Linguistics 5-18 (Paris. Lukoff. Em “Two models of grammatical description”. K. Appendix to 7. “The phonemic and grammatical aspects of language and their interrelation”. 210-33 (1954). Cf. As regras morfofonêmicas (19ii) e (19v) convertem. Language 28. Chomsky. como nos casos da forma verbal de passado do inglês. em que é difícil. Muitos problemas de análise morfêmica também recebem soluções bem simples se adotarmos o modelo geral que esboçamos há pouco. Mesmo se considerações morfológicas sejam consideradas relevantes para determinar os fonemas de uma língua. O problema da interdependência dos níveis fonêmico e morfêmico não deve ser confundido com a questão sobre se a informação morfológica é exigida para a leitura de uma transcrição fonêmica. capítulos 9 e 12) para exemplos de procedimentos que conduzem a níveis interdependentes. 1948). Word 8. Bar-Hillel sugeriu em “Logical syntax and semantics”. como vimos há pouco. Linguistics Today. Halle. Cf. “Two fundamental problems in phonemics”. A única diferença entre os dois casos é que (19v) é uma regra muito mais geral do que (19ii)35. 1951) (por exemplo. se estivermos satisfeitos com um procedimento de avaliação de gramáticas. 15. e não há qualquer dificuldade em evitar a circularidade na definição de níveis interdependentes34. também N. “took” será representado no nível morfológico como take+passado da mesma forma que “walked” será representado como walk+passado. Cf. como /d/ em “framed” /freymd/ (modelou). idem.motivação permanece para qualquer objeção à mistura de níveis. Pike. Acredito que as objeções de Fowler aos procedimentos morfológicos de Harris (cf. 106-21 (1952). 35 Hockett apresenta esta abordagem de níveis de maneira bem clara em A manual of phonology (1955). 230-7 (1954) que as propostas de Pike podem ser formalizadas sem a circularidade que muitos nelas detectam. como tendo verdadeiramente conteúdo fonêmico em sentido quase literal. Jackobson. S. “On accent and juncture in English”. evitando artificialismos. poderemos construir níveis interdependentes somente com definições diretas. M. através do uso de definições recursivas. Appendix to 8. L. assim como propusemos. Word 10. Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore. 1956). para discussão e exemplos. essas seqüências de morfemas em /tuk/ e /wçkt/. 33 (1949). Harris. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. “On accent and juncture in English”. Além do mais. Hockett. relacionados na gramática por regras morfofonêmicas tais como (19). 1955). “took” /tuk/ (pegou). Z. respectivamente. N. ficamos naturalmente tentados a considerar os morfemas como classes de seqüências de fonemas. Podemos evitar esse tipo de problema se entendermos a morfologia e a fonologia como sendo dois níveis diferentes. isto é. 65-80.4. 1956). “More on grammatical prerequisites”. Word 3. associar qualquer parte dessa palabra com o morfema de passado que aparece como /t/ em “walked” /wçkt/ (caminhou). 155-72 (1847). 504-9 [1952]) podem ser satisfeitos sem dificuldade por uma formulação não-circular. e meu pressentimento sobre o sucesso dessa solução diz que ele deve ser pouco provável. etc. Halle. F. Methods in structural linguistics (Chicago. Ele não se aprofunda com detalhes.2. Ao tentar desenvolver procedimentos de descoberta de gramáticas. Language 30. C. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. Lukoff. F.

ou mesmo inútil. já que o morfema passado aparece na representação morfêmica tanto de “took” como de “baked”. For Roman Jackobson (‘sGravenhage. porque muitos dos problemas que aparecem sobre os níveis inferiores de fonêmica e morfologia não estão resolvidos. esse fato não pode ser negligenciado” (p. então não há muita razão para manter qualquer uma dessas posições duvidosas. 65-80. Lukoff. como ey u no contexto t – k + passado na formulação morfofonêmica. de maneira mais geral. tenha sua origem na tentativa de desenvolver um procedimento de descoberta de gramáticas.construídos a partir dos elementos de nível inferior. “On accent and juncture in English”. sem dúvidas. indica que essa tarefa fútil não precisa ser seguida nos níveis inferiores36. através de uma generalização que irá evidenciar o paralelismo entre “take” – “took”. às vezes se argumenta que trabalhos em teoria sintática são prematuros. etc. “forsake” – “forsook” (renunciar – renunciou) e. Por exemplo. “shake” – “shook” (balançar – balançou). ou a concepção de níveis lingüísticos como sistemas abstratos de representação relacionados apenas por regras gerais. N. assim como a idéia de que cada nível é literalmente construído a partir de elementos de níveis inferiores. E a semelhança no formato fonêmico pode ser salientada na formulação da regra morfofonêmica que converte take + passado em /tuk/. 224) Porém. vimos antes que seria um absurdo. como o da estrutura sintagmática. É bem verdade que os níveis superiores da descrição lingüística dependem de resultados obtidos nos níveis inferiores. Formularemos essa regra. “stand – stood” (durar – durou). Halle. argumentando que “took e take são em parte semelhantes no formato fonêmico assim como o são baked e bake. como acredito que devemos fazer. Se renunciarmos a esse objetivo e se distinguirmos claramente entre um manual de procedimentos sugestivos e úteis e uma teoria da estrutura lingüística. Mas o inverso também não deixa de ser verdadeiro. M. acho que é inquestionável que a oposição à mistura de níveis. e também são semelhantes em significado da mesma maneira. para uma discussão da possibilidade de que as considerações nos níveis 51 . Contudo. então se torna muito mais natural considerar mesmo sistemas de representação tão abstratos como a estrutura transformacional (em que cada enunciado é representado pela seqüência de transformações de onde é derivada a partir de uma seqüência terminal da gramática de estrutura sintagmática) constituindo um nível lingüístico. 36 Cf. formular princípios de formação de sentenças em termos de fonemas ou morfemas. Chomsky. Existem muitas outras perspectivas comumente aceitas que parecem perder muito de seu apelo se formularmos nossos objetivos da maneira recém sugerida. 1956). Não somos obrigados a abandonar as esperanças em encontrar um procedimento de descoberta prático ao adotarmos a perspectiva de que os níveis são interdependentes. mas apenas o desenvolvimento de tais níveis superiores. Isso irá nos permitir uma simplificação na gramática. Da mesma Hockett rejeitou uma solução muito parecida com a que apresentamos aqui. F. Assim. a similaridade no significado não é negligenciada em nossa formulação.

acredito que a noção de que a teoria sintática deva esperar a solução de problemas da morfologia e da fonologia seja insustentável. A gramática de uma língua é um sistema complexo com muitas e variadas interconexões entre suas partes. incluindo a morfologia. dissemos que a descrição da estrutura da sentença por uma análise de constituintes não terá sucesso se for levada além de determinados limites. ter alguma visualização do caráter do sistema completo.forma. superiores. são relevantes para a seleção de uma análise fonêmica. mas acredito que tenha sido alimentado por uma falsa analogia entre a ordem do desenvolvimento da teoria lingüística e a suposta ordem das operações na descoberta da estrutura gramatical. 52 . Para que se desenvolva uma parte da gramática de maneira completa. ou mesmo necessário. freqüentemente é útil. Mais uma vez. Mas somente o desenvolvimento do nível ainda mais abstrato das transformações pode preparar o caminho para o desenvolvimento de uma técnica mais simples e adequada de análise de constituintes com limites mais modestos. a estrutura sintagmática e as transformações. havendo ou não preocupação com o problema de procedimentos de descoberta.

37 53 . essa transformação Tneg opera em seqüências que são analisadas em três segmentos em uma das seguintes maneiras: (37) (i) NP – C – V . as referências citadas na nota 24..1 Depois dessa divagação. A maneira mais simples de descrever a negação é por meios de uma transformação que se aplica antes de (29ii) e introduz not ou n’t depois do segundo morfema do sintagma dado por (28iii). ALGUMAS TRANSFORMAÇÕES EM INGLÊS 7.. cf.. Assim.. ou depois do primeiro morfema. Dada uma seqüência analisada em três segmentos em uma dessas formas. podemos retornar à investigação das conseqüências em se adotar a abordagem transformacional na descrição da sintaxe do inglês. onde os símbolos são como em (28) e (29) e é irrelevante o que as reticências representam.. (34)). (iii) NP – C – have – .. Por exemplo. devemos descrever a análise das seqüências a que ela se aplica e a modificação estrutural que se efetua nessas seqüências37. a transformação passiva se aplica a seqüências da forma NP – Aux – V – NP e tem o efeito de intercambiar os dois sintagmas nominais... (iv) NP – C + be – . a Tneg adiciona not (ou n’t) depois do segundo segmento da seqüência. (ii) NP – C + M – . se esse sintagma contiver pelo menos dois morfemas. Para uma discussão mais detalhada da especificação das transformações em geral e de transformações específicas. se ele contiver somente um morfema. adicionando a preposição by (por) antes do último sintagma nominal e adicionando be +en (ser + particípio passado) ao Aux (cf. Considere agora a introdução do not ou n’t no sintagma verbal auxiliar. Para especificar de maneira explícita uma transformação. Assim. Nosso objetivo é limitar o núcleo de tal forma que as seqüências terminais subjacentes às sentenças nucleares sejam derivadas por um sistema simples de estrutura sintagmática e possam fornecer a base a partir da qual todas as sentenças possam ser derivadas por transformações simples: transformações obrigatórias no caso do núcleo e transformações obrigatórias e opcionais no caso de sentenças não nucleares.7.

uma seqüência terminal como (38) John – S – come.aplicada à seqüência terminal they – ∅ + can – come (um caso de (37ii)). então. A regra funciona de maneira adequada. como pode ser o verbo auxiliar de sentenças negativas e interrogativas. Tal como foi exposto. como em “John does his homework” (O João faz o tema de casa)). vemos que (29ii) não se aplica de maneira alguma a (39). (29iii) para introdução do #. a partir de (29ii). quando selecionamos os últimos três casos de (37). derivamos “John doesn’t come” (o João não vem). o tratamento transformacional da negação é relativamente mais simples do que qualquer tratamento alternativo dentro do modelo de estrutura [O210] Comentário: Em inglês. 54 . ela produzirá they – ∅ + have + n’t – en + come (e finalmente “they haven’t come” (eles não vieram)). o que produz o efeito de reescrita de Af + v como v + Af #. Vamos então adicionar a seguinte regra transformacional obrigatória à gramática. Aplicando (4) e as regras morfológicas a (39). O que (40) diz é que do é introduzido como o “portador” de um afixo não afixado. já que (39) não contém agora qualquer seqüência Af + v. aplicada à they – ∅ + be – ing + come (um caso de (37iv)). a Tneg produzirá they – ∅ + can + n’t – come (e finalmente “they can’t come” (eles não podem vir)). aplicada à they – ∅ + have – en + come (um caso de (37iii)). a Tneg produz: (39) John – S + n’t – come. que poderia dar a sentença nuclear “John comes” (o João vem). Aplicada à 38. As regras (37) e (40) nos permitem agora derivar todas as formas de sentenças gramaticais e apenas elas. ela produzirá they – ∅ + be + n’t – ing + come (e finalmente “they aren’t coming” (eles não estão vindo)). uma regra que se aplica depois de (29): (40) # Af # do + Af onde do é o mesmo elemento que o verbo principal em “John does his homework” (o João faz o tema de casa). o verbo do pode ser tanto um verbo principal (que pode significar “fazer”. Suponha agora que selecionamos um caso de (37i). Contudo. No entanto. havíamos especificado que a Tneg se aplicava antes de (29ii). Cf. isto é.

tal como esses segmentos são definidos em (37). derivamos (43) (i) do they arrive (ii) can they arrive (iii) have they arrived (iv) are they arriving 55 . (37) e (40)) fossem necessárias por razões independentes. de fato. iii) e (40) e depois as regras morfofonêmicas. a Tint produz as seqüências (42) (i) ∅ – they arrive (ii) ∅ + can – they – arrive (iii) ∅ + have – they – en + arrive (iv) ∅ + be – they – ing + arrive Aplicando agora as regras obrigatórias (29ii.sintagmática. Aplicada a (41) (i) they + ∅ .arrive (ii) they – ∅ + can – arrive (iii) they – ∅ +have – en + arrive (iv) they – ∅ + be – ing + arrive que têm a forma de (37i-iv). e tem o efeito de intercambiar o primeiro e o segundo segmentos dessas seqüências. Podemos gerar todas (e apenas) essas sentenças através de uma transformação Tint que opera sobre seqüências com a análise (37). E. “did they arrive” (eles chegaram). esses casos realmente existem. “can they arrive” (eles podem chegar). A vantagem do tratamento transformacional (sobre a inclusão de negativas no núcleo) seria bem mais clara se pudéssemos encontrar outros casos em que as mesmas formulações (isto é. Exigimos que a Tint se aplique depois de (29i) e antes de (29ii). tal como “have they arrived” (eles chegaram). Considere a classe de perguntas “sim-ou-não”.

A transformação passiva (34) converteria. O João está vindo. nós consideramos S como sendo o morfema de terceira pessoa do singular e ∅ como o morfema afixado ao verbo para todas as outras formas do sujeito. Se tivéssemos aplicado as regras obrigatórias diretamente a (41). tal como Chomsky expõe aqui. Ao analisarmos o sintagma verbal auxiliar nas regras (28) e (29). b. O João chegou. Uma alternativa que não consideramos foi a de eliminar o morfema zero e afirmar simplesmente que nenhum afixo ocorre se o sujeito não estiver na terceira pessoa do singular. essa análise dos 56 . dessa forma. (43i-iv) são as contrapartes interrogativas de (44i-iv). o verbo tem S se o substantivo sujeito tem ∅ (“the boy arrives” (o garoto chega)) e o verbo tem ∅ se o sujeito tem S (“the boys arrive” (os garotos chegam)).was slept – by John” “was slept by John” (foi dormido pelo João). sem a intervenção da Tint. e a regra (40) não iria. Como exemplo negativo. não se aplica ao português. precisamos dessas regras para dar [O211] Comentário: A transformação interrogativa (Tint). Existem vários outros casos em que a análise transformacional fornece razões convincentes a favor ou contra a postulação da existência de morfemas zero. do + S /d´z/. Para formarmos perguntas do tipo “simou-não”. Por isso. ou o número não será corretamente atribuído nas interrogativas. e nós teríamos sentenças como “does he arrive” (ele chega?). do + passado /did/. teríamos derivado as sentenças (44) (i) they arrive (ii) they can arrive (iii) they have arrived (iv) they are arriving Assim. não precisamos modificar a estrutura sintática da sentença declarativa. Assim. Percebemos agora que essa alternativa não é aceitável. Se C tiver sido desenvolvido em S ou passado pela regra (29i). Repare que nenhuma regra morfofonêmica nova é necessária para dar conta do fato de que do + ∅ /duw/. O João está vindo? conta das formas do do como verbo principal. considere a hipótese de os verbos intransitivos serem analisados como verbos com objeto zero. Precisamos ter o morfema ∅. Repare também que a Tint deve se aplicar depois de (29i). precisamos apenas modificar sua entoação. por exemplo. Veja os exemplos: a. do é introduzido pela regra (4) como o portador de um elemento não afixado ∅.em transcrição fonêmica. a regra (40) teria inserido do como o portador desses elementos. O João chegou? c. se aplicar a (42i). de qualquer maneira. d. em “John – slept – ∅” (o João – dormiu – ∅) na não-sentença “∅ . No caso de (42i). caso contrário não haverá nenhum afixo em (42i) para que o do utilize. “did he arrive” (ele chegou?).

como em “John does come” (o João realmente vem). V. “V . é o nosso “realmente”. onde “ indica acentuação forte. através de (40)) (ii) John can’t arrive (de John # S + can + n’t # arrive) (iii) John hasn’t arrived (de John # S + have + n’t # en + arrive) A TA produz as sentenças correspondentes (47) (i) John does arrive (de John # S + A # arrive.. precisamos apenas descrever a inversão efetuada pela Tint ao estender a gramática para dar conta das pergunta sim-ou-não. O ponto fundamental sobre a transformação interrogativa Tint é que quase nada pode ser acrescentado à gramática com o intuito de descrevê-la. através de (40)) (ii) John can arrive (de John # S + can + A # arrive) (iii) John has arrived (de John # S + have + A # en + arrive) Assim... em muitos casos. (45) . e que adiciona A a essas seqüências exatamente na mesma posição onde a Tneg adiciona not ou n’t. Estabelecemos agora uma transformação TA que impõe a mesma análise estrutural de seqüências que a Tneg impõe (isto é. a TA é uma transformação de “afirmação”. Então. Retornaremos ao problema mais geral do papel das transformações na determinação da estrutura de constituintes na seção 7. e isso pode ser usado para simplificar a descrição da sintaxe do inglês. Ao tratarmos o sintagma verbal auxiliar.. Já que tanto a subdivisão da sentença que ela impõe como a regra para a introdução de do eram exigidas independentemente para a negação. “John can arrive” (o João pode chegar).. a análise transformacional revela o fato de que as negativas e as interrogativas têm basicamente a mesma “estrutura”.6. “John has arrived” (o 57 . assim como a Tneg produz sentenças como (46) (i) John doesn’t arrive (de John # S + n’t # arrive. (37)).. [O212] Comentário: Em inglês. Em outras palavras.intransitivos deve ser rejeitada. Uma tradução que parece ser adequada.. + A . não consideramos formas acentuadas do elemento do. que afirma as sentenças “John arrives” (o João chega). Suponhamos que criássemos um morfema A de acentuação contrastiva a que se aplicasse a seguinte regra morfofonêmica.. etc.. é possível utilizar o elemento do de maneira enfática.

mais ou menos no mesmo sentido em que he (ele) é um pronome). Ainda existem outros casos de transformações que são determinadas pela mesma a análise sintática fundamental das sentenças. da mesma maneira que a Tneg as nega. as interrogativas e as afirmativas enfáticas. primeiro trocando o terceiro segmento da sentença por so e depois intercambiando o primeiro e o terceiro segmentos. que são formadas sobre o mesmo padrão subjacente transformacional que as negativas. Há um outro atributo notável do caráter fundamental dessa análise que merece atenção. Essa é formalmente a solução mais simples e parece estar intuitivamente correta. derivamos finalmente (50) (i) John arrives and so do I (o João chega e eu também) (ii) John can arrive and so can I (o João pode chegar e eu também) (iiii) John has arrived and so have I (o João chegou e eu também) a Tso opera na segunda sentença de cada par em (48). como acontece com o inglês. 58 . A transformação Tso se combina com a transformação da conjunção para dar (49). Assim. (O elemento so é então um pro-VP. etc.I (iii) John – S + have – en + arrive – and – so – ∅ + have – I Aplicando as regras (29ii. Apesar de ainda não termos descrito esse processo de maneira suficiente. iii). não é preciso quase nada de novo na gramática para incorporar sentenças como (50). Considere a transformação Tso que converte pares de seqüências de (48) para as seqüências correspondentes de (49): (48) (i) John – S – arrive. uma vez que não temos nenhum verbo auxiliar na segunda oração. Considere as sentenças nucleares [O213] Comentário: Em português. I – ∅ – arrive (ii) John – S +can – arrive. a tradução é irrelevante. I – ∅ – have – en +arrive (49) (i) John – S – arrive – and – so – ∅ – I (ii) John – S + can – arrive – and – so – ∅ + can . I – ∅ +can – arrive (iii) John – S + have + en + arrive. parece claro que tanto a análise (37) das sentenças quanto a regra (40) são novamente fundamentais. a saber (37). .João chegou). (40) e as regras morfofonêmicas.

assim como ele é o único verbo transitivo que pode ser analisado ambiguamente nos termos de (37). 59 . mas não “John readsn’t books”. Da mesma forma. a Tint irá produzir qualquer uma das formas de (54). adicionando not ou n’t entre o segundo e o terceiro segmentos. não auxiliares. (54) (i) does John have a chance to live? (ii) has John a chance to live? (55) (i) Bill has a chance to live and so does John. Porém. Tint e Tso se aplicam a essas seqüências subjacentes. Considere agora como as transformações Tneg.(51) (i) John has a chance to live (o João tem uma chance para viver) (ii) John is my friend (o João é meu amigo) As seqüências terminais subjacentes a (51) são (52) (i) John + C + have + a + chance + to + live (ii) John + C + be + my + friend onde have em (52i) e be em (52ii) são verbos principais. (52i) produzirá (53i) ou (53ii): (53) (i) John – C – n’t – have + a + chance + to + live ( ( “John doesn’t have a chance to live”) “John hasn’t a chance to live”) (ii) John – C + have + n’t – a chance + to + live Mas na verdade. e a a Tso irá produzir qualquer uma das formas de (55). já que essas transformações também são baseadas na análise estrutural (37). A transformação Tneg se aplica a qualquer seqüência da forma (37). Além disso. como aparece em (37). aplicada a (52i). have é o único verbo transitivo que torna possível essa ambigüidade da negação. temos “John doesn’t read book”. (ii) Bill has a chance to live and so has John. ambas as formas de (53) são gramaticais. Ou seja.

irão produzir. Tint. somente (37iv) se refere a (52ii). Considere agora (52ii). isto é. Portanto. “John readsn’t books. a transformação TA produz “John is here”. esse comportamento de “be” e “have” acaba se tornando. formas como (54ii) e (55ii) são impossíveis. na verdade. Por isso. não há qualquer motivo para incluir “be” na classe dos verbos. verdade que. é. aplicadas a (52ii). que o comportamento aparentemente irregular do verbo “have” é. e Tso. uma manifestação de uma regularidade subjacente mais profunda quando consideramos a estrutura do inglês a partir do ponto de vista da análise transformacional. sobre a gramaticalidade de (3) mas não de (5). as transformações Tneg. Não temos em inglês “reads John books?” ou “Bill reads books and so reads John”. as formas “be” e “have” surgiriam como exceções claras e distintas. Da mesma forma. Apesar de ainda não o termos mostrado. uma das formas é be + Predicado. as formas análogas (por exemplo.) são impossíveis com verbos reais.Mas no caso de todos os outros verbos transitivos. Se tentássemos descrever a sintaxe do inglês puramente em termos de estrutura sintagmática. uma conseqüência automática de nossas regras.3. Repare que a ocorrência de have como um auxiliar em seqüências terminais como John + C + have + en + arrive (subjacente à sentença nuclear “John has arrived”) não está sujeita à mesma análise ambígua. respectivamente (passando por 29i). Isso resolve o problema mencionado anteriormente. na gramática mais simples do inglês. ainda que be não seja um auxiliar em (52ii). etc. é de fato verdade que. Mas acabamos de ver que são exatamente essas formas aparentemente excepcionais que resultam automaticamente da gramática mais simples construída para dar conta dos casos regulares. Assim como uma das formas do sintagma verbal é V + SN. não obstante. Percebemos. na verdade. Essa seqüência terminal é um 60 “John isn’t my friend”) “Bill is “is John my friend”) (iii) Bill – S + be – my + friend – and – so – S + be – John ( . Por isso. na seção 2. no entanto. (56) (i) John – S + be + n’t – my + friend ( (ii) S + be – John – my + friend ( my friend and so is John) Mais uma vez. de todas as análises permitidas por (37). como seria o caso com verbos reais. não aceitaremos nessa gramática be como sendo um V.

Esse é o requisito básico que qualquer concepção de estrutura lingüística (isto é. 7. ainda que algumas outras ocorrências de have (por exemplo.1. em (57). qualquer modelo para a forma da gramática) deve satisfazer. Mas have. Ou seja. Nesta seção. (37i)) Essa seqüência não é um exemplo de (37i). pode ser rastreada até um have (que é ele mesmo) no diagrama que corresponde à derivação da seqüência (52i). vimos que uma ampla variedade de fenômenos aparentemente distintos se organiza de uma maneira bem simples e natural quando adotamos o ponto de vista da análise transformacional e que. Acho que essas considerações dão ampla justificativa para nosso argumento anterior de que as concepções da estrutura sintagmática são fundamentalmente inadequadas e que a teoria da estrutura lingüística deve ser elaborada seguindo as linhas sugeridas em nossa discussão sobre a análise transformacional. isto é. isto é. da maneira descrita na seção 4. (37iii)) (ii) John – C – have + en + arrive (SN – C – V….2 Podemos estender facilmente a análise das interrogativas que estudamos anteriormente de maneira que elas incluam os seguintes casos (58) (i) what did John eat (o que o João comeu?) (ii) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) 61 . A estrutura sintagmática de uma seqüência terminal é determinada a partir de sua derivação. através do rastreamento de segmentos até os nós. O fato de (57ii) não ser uma análise possívelnão nos permite derivar não-sentenças. não pode ser rastreado até um nó que seja rotulado como V na derivação dessa seqüência. já que essa ocorrência de have não é um V. (57) (i) John – C + have – en + arrive (SN – C + have – .. ela pode ser analisada como em (57i). No entanto. conseqüentemente. “does John have arrived”. mas não de (37i). como “John doesn’t have arrived”. etc. obviamente.. em (52i)) sejam Vs. a gramática do inglês se torna muito mais simples e ordenada.exemplo (37iii).. mas não como em (57ii). (52i) é analisado de maneira ambígua uma vez que a ocorrência de have em (52i) pode ser rastreada até um nó V e.

isto é. wh + it /what/. e podemos definir Tw2 como a transformação que converte qualquer seqüência Z em wh + Z. o mesmo efeito transformacional que a transformação Tint (cf.Esses casos não recebem respostas do estilo sim-ou-não. A seqüência terminal subjacente a (58i) e (58ii) (assim como a (62) e (64)) é (61): (61) John – c – eat + an + apple (SN – C – V…). com a flexão neutra). a seqüência “vazia” – isto é. (41) e (42)). portanto. 38 62 . Mais simplesmente. sendo condicionada pela Tint no sentido em que ela somente se aplica a produzidas por Tint. Na morfofonêmica do inglês. podemos limitar a aplicação de Tw a seqüências da forma X – SN – Y em que o SN seja he (ele). e what é o que ou qual. [O214] Comentário: Who. a primeira ou a terceira posições podem estar vazias). Essa dependência condicional entre as transformações é uma generalização da distinção entre as transformações obrigatórias e opcionais. que opera em qualquer seqüência da forma (59) X – SN – Y onde X e Y representam qualquer seqüência (incluindo. Ela tem. him (pronome objeto masculino de terceira pessoa do singular. em português. ela inverte o primeiro e o segundo segmentos de (59). A Tw se aplica depois da Tint e antes de (29ii). é quem. que podemos construir facilmente na gramática e que se revelam essenciais. Especificamos que a Tint deve se aplicar depois de (29i) e antes de (29ii). em particular. onde wh é um morfema. A Tw opera em duas etapas: (60) (i) A Tw1 converte as seqüências da forma X – SN – Y na seqüência correspondente de forma SN – X – Y. teremos regras como: wh + he /huw/. wh + him /huwm/. Agora estabelecemos a condição de que a transformação Tw possa se aplicar somente a seqüências a que a transformação Tint já tenha se aplicado. A maneira mais simples de incorporar essa classe de sentenças em nossa gramática é criando uma nova regra de transformação opcional Tw. o) ou it (pronome sujeito e objeto de terceira pessoa do singular. (ii) A Tw2 converte a seqüência resultante SN – X – Y em who – X – Y se o SN for animado ou em what – X – Y se o SN for inanimado38.

(61) é um caso de (37i). primeiro selecionamos um sintagma nominal e depois invertemos esse sintagma nominal com a seqüência que o precede. Onde C é entendido como sendo passado. derivaremos primeiro (65). introduzindo do como o portador de passado. então. por meio de Tw1. Para formar (58ii). como indicamos. aplicamos a Tw a (63). Se aplicarmos apenas transformações obrigatórias a (61). escolhendo o sintagma nominal John. derivaremos (62) # John # eat + passado # an # apple # ( comeu uma maçã)) Se aplicarmos (29i) e a Tint a (61). por Tw2. Assim. e depois (66). neste caso. Repare que. se aplicarmos a Tw a (63). escolhendo passado no desenvolvimento de C por (29i). Se aplicarmos agora (40) a (63). 63 “John ate an apple” (o João . a Tw1 simplesmente desfaz o efeito da Tint. que subjaz a sentença nuclear (62). (66) em (58ii). derivaremos (63) passado – John – eat + an + apple. Ao formarmos (58ii). analisamos (63) como (67): (67) passado + John + eat – an + apple. escolhendo o sintagma nominal an+apple (uma+maçã). o que explica a ausência da inversão em (58ii).onde os traços indicam a análise imposta pela Tint. Suponhamos agora que aplicamos a Tw a (63). para os propósitos dessa transformação. Para aplicar a transformação Tw a uma seqüência. Assim. teremos a interrogativa simples (64) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) No entanto. aplicamos primeiramente a Tint e depois a Tw à seqüência terminal (61). então. (65) John – passado – eat + an + apple (66) who – passado – eat + an + apple A regra (29ii) e as regras morfofonêmicas convertem.

Não discutimos ainda o efeito das transformações na entoação. Por isso. ou seja. Aplicando a Tw a (67). que associamos às sentenças nucleares. por isso. tal como formulada em (59)-(60). já que (69) não contém uma subseqüência da forma Af + V. tal como definida em (60i). (68) an + apple – passado + John + eat (69) what – passado + John + eat (29ii) não se aplica agora a (69). A Tw. mas ela sugere que tal discussão pode ser frutífera. a partir de Tw1. por Tw2. também irá dar conta de todas as perguntas-QU. a Tw1 irá converter a entoação ascendente para uma entoação descendente. derivamos primeiro (68). introduzindo do como um portador do morfema passado. Há diversos problemas se estendermos nossa discussão sobre os fenômenos entoacionais. Parece razoável aceitar essa explicação para o fato de que as interrogativas (58i-) normalmente têm a entoação descendente das declarativas. vazio. e entoações ascendentes. Então. No entanto. e depois (69). Por isso. Repare que a Tw1. que associamos às perguntas do tipo sim-ou-não. e essa observação não passa de um esboço. como “what will he eat” (o que ele comerá?). neste caso. ela inverte os primeiros dois segmentos da seqüência a que ela se aplica. vimos que a Tw1 se aplica somente depois da Tint. Ela pode facilmente ser alargada para cobrir interrogativas como “what book did he read” (que livro ele leu?). Para resumir. vemos que as quatro sentenças (70) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) (= (62)) (= (64)) 64 . Suponhamos que estabelecêssemos duas entoações básicas de sentenças: entoações descendentes. (40) se aplica a (69). o efeito da Tint é. assim como não se aplicava a (39) ou a (42i). e seu efeito transformacional é mesmo que o da Tint. em parte. etc.uma seqüência da forma (59). o efeito converte uma entoação descendente para uma entoação ascendente. converter a entoação de um desses tipos para o outro. “what has he been eating” (o que ele tem comido?). onde Y é. efetua a mesma transformação que a Tint. finalmente derivamos (58i). no caso de (64). Aplicando as regras restantes.

Mas as passivas foram excluídas do núcleo. mencionamos que existem certos sintagmas nominais da forma to + SV. Para uma análise mais detalhada e mais adequada do material nesta subseção. os sintagmas nominais do tipo to + SV. “proving that theorem” (provando aquele teorema) – cf. teremos sintagmas como “to be cheated” (ser traído). etc. que opera sobre qualquer seqüência da forma (71) T – N – is – Adj (isto é. 7. Não é difícil demonstrar que essa transformação simplifica consideravelmente a Essa transformação de nominalização será dada como uma transformação generalizada. Faremos referência a essa análise brevemente na seção 8. Por isso. uma das quais é convertida de SN – SV para to + SV (ou ing + SV).2.3.3 Na seção 5. então. ing + SV não podem mais ser introduzidos dentro da gramática nuclear por regras como (33). artigo – substantivo – é – adjetivo) convertendo-a no sintagma nominal correspondente da forma T + Adj + N. meu artigo “A transformational approach to syntax”. respectivamente. (70ii) é formada de (61) pela aplicação da transformação Tint. Ela irá operar sobre um par de sentenças.3. que então irá substituir um SN a outra sentença. cf. como (26). (70iii) e (70iv) são ainda mais remotas da sentença nuclear. pela aplicação das transformações Tint e Tw. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para discussão detalhada. Uma das transformações de nominalização será a transformação Tadj. que são derivados de passivas. (32)-(33)). já que elas são formadas a partir de (61). ser introduzidas através de uma “transformação de nominalização” que converte uma sentença da forma SN – SV em um sintagma nominal da forma to + SV ou ing + SV39. Não abordaremos a estrutura desse interessante e ramificado conjunto de transformações de nominalização. Entre eles.(iii) what did John eat (o que o João comeu?) (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) (= (58i)) (= (58ii)) são todas derivadas da seqüência terminal subjacente (61). ing + SV (“to prove that theorem” (para provar aquele teorema). Proceedings of the University of Texas Syposyum of 1958. Cf. “being cheated” (sendo traído). uma vez que apenas as transformações obrigatórias participam de sua “história transformacional”. (70i) é uma sentença nuclear. Assim. Elas devem. 39 65 . ela converte “the boy is tall” (o garoto é alto) para “the tall boy” (o garoto alto). exceto pela breve explicação de cunho transformacional que esboçaremos para o problema levantado na seção 2.

não parte do Verbo. alto. ainda que tenhamos sentenças como (73) the child is sleeping (a criança está dormindo) A razão para que isso aconteça é que até mesmo quando “sleeping” (dormindo) não é listado em (72). como podemos verificar pelo fato de não termos “the book will interest” (o livro vai interessantear). A maneira mais simples de dar conta de “very” é colocar a seguinte regra na gramática de estrutura sintagmática: 66 . contudo. com diferentes escolhas para o verbo auxiliar. Palavras como “interesting” (interessante) deverão. Quando formulamos essa transformação de maneira adequada. “the book interests”(o livro interesseia). “the child sleeps” (a criança dorme). onde be + ing é parte do verbo auxiliar (cf. Paralelamente a (73). temos sentenças como “the child will sleep” (a criança irá dormir). (28iii)). que pode ocorrer com certos adjetivos. etc. figurar na lista (73). Em sentenças como (75) the book is interesting (o livroé interessante). etc..gramática e que sua direção deve ser essa e não a oposta.. reintroduzindo-as através da Tadj.. Um argumento independente para essa análise de “interesting” e “sleeping” vem do comportamento de “very” (muito). não irão figurar nessa lista. temos uma regra (72) Adj old. descobrimos que ela nos permite eliminar do núcleo todas as combinações adjetivo-substantivo. Palavras como “dormindo”. “interesting” é um Adj. etc... mas não com outros. (velho. no entanto.) que lista todos os elementos que podem ocorrer nas sentenças nucleares da forma (71). Na gramática sintagmática. (73) é gerado pela transformação (29ii) (que converte Af + v em v + Af #) a partir da seqüência terminal subjacente (74) the + child + C + be – ing – sleep.. tall.

“sleeping” também é um Adj na sentença transformada (73). A palavra “sleeping” é formada por transformação (isto é. devemos de incluir “interesting”. afirmaremos que os by-phrases (os sintagmas introduzidos por by (por). de forma que a Tadj se aplique a ela. formando o sintagma nominal (78) the sleeping child (a criança dormindo) da mesma maneira como forma “the interesting book” (o livro interessante) a partir de (75). se desejarmos preservar a análise mais simples de “very”. especialmente de forma que as transformações possam ser compostas. (77) pode ser elaborada como sendo uma condição do conjunto de condições impostas à estrutura de constituintes derivada. ele aparecerá como um adjetivo modificando substantivos. por (77). é um V + ing). Não discutimos a maneira como as transformações impõem uma estrutura de constituintes. (29ii)) e tem a mesma forma que “interesting” (isto é. e uma seqüência Y formada por uma transformação tem a mesma forma estrutural do que X. ainda que “sleeping” seja excluído de (72). Logo. ainda que tenhamos sugerido que isso seja necessário. que by + SN é um SP. e em geral com “interesting”. até mesmo quando as passivas forem excluídas do núcleo. Uma das condições gerais impostas à estrutura de constituintes derivada será a seguinte: (77) Se X é um Z na gramática sintagmática. Embora não esteja formulada de maneira suficientemente acurada. Assim. Mas isso significa que (73) pode ser analisada como uma seqüência da forma (71). mas não “sleeping” na lista de adjetivos (72). Vemos que (77) permite que isso aconteça. então Y também é um Z. Mas considere agora (73). Particularmente.(76) Adj very + Adj “very” pode aparecer em (75). já que sabemos. pela gramática nuclear. como sabemos pela gramática de constituintes. como em “the food was eaten – by the man” (a refeição foi comida – pelo homem)) são sintagmas preposicionais (SP) na sentença passiva. é um Adj. mas não pode aparecer em (73) ou com outras ocorrências de “sleeping”. que. 67 . Logo.

Para utilizarmos a terminologia da 68 . etc. contudo. Quando desenvolvemos esse argumento com mais cuidado. chegamos à conclusão de que a gramática transformacional mais simples irá excluir (80). Já que “very” nunca modifica verbos. Por exemplo. instâncias de uma regularidade de um nível superior. Aux + be + Adj. que é aparentemente a gramática mais simples que pode ser construída para as sentenças que efetivamente ocorrem. certos comportamentos lingüísticos que parecem ser imotivados e inexplicáveis em termos de estrutura sintagmática tornam-se simples e sistemáticos quando adotamos o ponto de vista transformacional. que as aparentes distinções arbitrárias que notamos na seção 2. já que são conseqüências da gramática transformacional mais simples. “very” não irá aparecer em (74) ou (73). haverá regras de estrutura sintagmática que analisarão o sintagma verbal em (79) Aux + seem + Adj tal como outras regras analisam o SV em Aux + V + SN. então. e (5) (= “read you a book on modern music?” (lês tu um livro sobre música moderna?)) e (6) (= (80i)). e todas as ocorrências de “sleeping” como modificador são derivadas de suas ocorrências como verbo em (74). por um lado. por outro. Em outras palavras.3 entre (3) (“have you a book on modern music?” (tu tens um livro sobre música moderna?)) e (4) (= (8i)). têm uma origem estrutural clara e são. Mas “sleeping” nunca será introduzido no contexto “seems ___” (parece ___) por essa gramática. que permanecem no núcleo. introduzir a palavra “sleeping” em todas as posições de adjetivos ocupadas por palavras como “interesting”. na verdade.Essa análise de adjetivos (que é tudo o de que precisamos para dar conta das sentenças que efetivamente ocorrem) não irá. Da mesma forma. (80) (i) the child seems sleeping (a criança parece dormindo) (ii) the very sleeping child (a criança dormindo muito interessante) (81) (i) the book seems interesting (o livro parece interessante) (ii) the very interesting book (o livro muito interessante) Vemos. etc. ao passo que irá gerar (81). “sleeping” jamais será introduzida no contexto “very ___” (muito ___).

Existe. Podemos ter as sentenças de (82). mas não a de (83). excluindo ao mesmo tempo (83). estabelecemos uma transformação opcional Tfacsep. indicando quais V1 são compatíveis com cada Prt. Por isso. construções verbo + partícula (V + Prt). Da mesma forma. Os exemplos em (82) e (83) tratam justamente de um fenômeno que envolve os phrasal verbs. na seção 5.2. as raízes verbais da classe V. Para incluir (82iii). que modificam seu sentido original. de maneira consistente com sua experiência. Considere primeiramente as [u15] Comentário: Verbos com essa estrutura (verbo + partícula). a maneira mais natural de analisar esse tipo de construção é adicionar a seguinte possibilidade a (28ii): (84) V V1 + Prt além de um conjunto de regras suplementares. já que elas esclarecem alguns pontos básicos de maneira bastante precisa. se um falante deve projetar sua experiência lingüística finita através da utilização da estrutura sintagmática e das transformações da maneira mais simples possível. Ela converte. (82i) em (82ii). então. como “bring in” (trazer). como “bring in” e “drive away” são chamados. Para possibilitar (82ii). distanciando-se).seção 2. (82) (i) the police brought in the criminal (ii) the police brought the criminal in (iii) the police brought him in (83) the police brought in him Sabemos que elementos descontínuos não recebem um tratamento adequado no âmbito da gramática sintagmática. devemos indicar que essa transformação é obrigatória quando o SN objeto é um pronome (Pron). analisamos o elemento Verbo em Aux + V e listamos.4 Em (28). de phrasal verbs. 7. Os phrasal verbs são verbos com uma preposição ou advérbio. então. que opera em seqüências com a seguinte análise estrutural: (85) X – V1 –Prt – SN e tem o efeito de intercambiar o terceiro e o quarto segmentos da seqüência a que se aplica. podem estabelecer uma transformação 69 . contudo.3. ele iria incluir (3) e (4) como gramatical. um grande número de subcontruções produtivas de V que merecem nossa atenção. ao mesmo tempo em que rejeitaria (5) e (6). “drive away” (dirigir. em inglês.

paralela a (84). que acabamos de discutir. Suponhamos que adicionemos a regra (91) à gramática sintagmática. mas que opere em seqüências com a seguinte análise estrutural: (86) X – V1 – Prt – Pron Sabemos que a transformação passiva opera em qualquer seqüência da forma SN – Verbo – SN. Investigações mais profundas sobre o sintagma verbal mostram que há uma construção geral do tipo verbo + complemento (V + Comp) que se comporta de maneira bastante semelhante à construção verbo + partícula. que subjaz (88): (90) todos no laboratório – consideram incompetente – O João Agora podemos formar (88) a partir de (90) por uma transformação análoga a Tobsep. Considere as seguintes sentenças: (88) (89) everyone in the lab considers John incompetent (todos no laboratório John is considered incompetent by everyone in the lab (o João é consideram o João incompetente) considerado incopetente por todos no laboratório) Se desejarmos derivar (89) a partir de (88) utilizando a transformação passiva. Ou seja. devemos analisar (88) na estrutura SN1 – Verbo – SN2. devemos aplicar a passiva não a (88). então ela formará as passivas (87) (i) the criminal was brought in by the police (ii) he was brought in by the police a partir de (82). 70 . como deveria. e o SN2 = o João. mas a seqüência terminal (90). onde SN1 = todos + no + laboratório.obrigatória Tobsep que tenha os mesmos efeitos estruturais de Tfacsep. Se especificarmos que a transformação passiva se aplica antes de Tfacsep ou de Tobsep.

iremos rever brevemente o status da transformação passiva. podemos ter. que não iremos considerar aqui. que requer estudo muito mais detalhado da teoria transformacional do que o que podemos oferecer aqui. The logical structure of linguistic theory. Não é certo que essa transformação seja uma transformação obrigatória.5 Nós mal esboçamos uma justificativa para a forma particular de cada uma das transformações que discutimos. Então.. (92) X . Com objetos longos e complexos. Em primeiro lugar.. Existem muitas outras características dessas construções que nós abordamos aqui apenas muito brevemente.). assim como a seqüências da forma (86). há considerações muito claras e facilmente generalizáveis de simplicidade que determinam qual conjunto de sentenças pertences ao núcleo e que tipos de transformações são necessários para dar conta das sentenças não nucleares. ainda que elas constituam um estudo interesante.Va – Comp – SN Essa transformação Tobsep revista irá converter (90) em (88). poderíamos estender a transformação Tfacsep paa lidar com esse caso. é uma construção extremamente bem desenvolvida em inglês40. É interessante estudar essas características do objeto gramatical que exigem ou excluem essa transformação. por exemplo. por falta de espaço. Porém. 7. esse é um assunto complicado. Assim. A primeira. ao invés de utilizar a Tobsep..4. “they consider incompetent anyone who is unable to. Existem também outras possibilidades para as passivas. Cf. o tratamento de construções verbo + complemento e verbo + partícula são bastante similares.(91) V Va + Comp Estendemos agora a transformação Tobsep para permitir que ela se aplique a seqüências da forma (92). de minha autoria. Na seção 5. Em segundo lugar. Como um exemplo paradigmático. Há muitos outros fatores além do comprimento envolvidos aí. perguntamos se é necessário intercambiar os sintagmas nominais para se formar a passiva. etc. Transformational analysis e “A transformational approach to syntax”. mostramos que a gramática é muito mais complexa se ela contiver tanto ativas como passivas em seu núcleo do que se as passivas forem excluídas ou reintroduzidas por uma transformação que troque o sujeito e o objeto da ativa e substitua o verbo V por is + V + em + by. embora seja muito importante estudar a questão da especificidade desse sistema. como antes.. perguntamos se as passivas Estudos mais aprofundados mostram que a maioria das formas verbo + complemento introduzidas pela regra (91) deveriam ser excluídas do núcleo e serem derivadas transformacionalmente a partir de “O João é incompetente”. Acredito que pode ser mostrado que em cada um dos casos considerados anteriormente. Duas questões sobre especificidade emergem daí. 40 71 . e em muitos outros casos também.” (eles consideram incompetente qualquer um que não seja capaz de. em particular.

4. Na seção 5. com base no fato de que temos sentenças como (94). iii) e (95i. etc. qualquer gramática que possa distinguir singular de plural é poderosa o suficiente para nos permitir provar que a passiva exige a inversão de sintagmas nominais. Na verdade. Eu acredito que essa abordagem está correta e que. e certamente uma teoria lingüística deve fornecer os meios para tal distinção. são mais gramaticais do que “a sinceridade admira comeu”. SN1 – Aux – V – SN2 é reescrita como SN1 – Aux – be + en – V – by + 72 . a passiva de “O João ama a Maria” seria “O João é amado pela Maria”. Considere primeiro a questão sobre a troca entre sujeito e objeto. as sentenças de (94) são mais gramaticais do que as sentenças de (95). é interessante mostrar que existe até mesmo um argumento mais forte contra (93). (94) (i) o João admira a sinceridade – a sinceridade é admirada pelo João (ii) o João joga golfe – golfe é jogado pelo João (iii) a sinceridade assusta o João – o João é assustado pela sinceridade (95) (i) a sinceridade admira o João – o João é admirado pela sinceridade (ii) o golfe joga o João – o João é jogado pelo golfe (iii) o João assusta a sinceridade – a sinceridade é assustada pelo João No entanto. por exemplo. Qualquer gramática que distinga substantivos abstratos de substantivos próprios seria sutil o suficiente para caracterizar a diferença entre (94i. que. mas não como (95). em um sentido claro. assinalamos que essa abordagem requer que uma noção de “gradação de gramaticalidade” seja desenvolvida para sustentar essa distinção. Essa troca é necessária? Ou poderíamos descrever a transformação passiva como tendo o seguinte efeito: (93) SN2 Por exemplo. por sua vez.poderiam ter sido escolhidas como sendo nucleares. Contudo. e as ativas derivadas a partir delas por uma transformação “ativa”. considerando que não fomos abordar a questão de análise categorial em nossa discussão. iii). argumentamos contra (93) e a favor da inversão.

4. ela irá corretamente formar (97) a partir de (98) como passiva de (96). pegarmos (93) como a definição da passiva. Tais verbos provam de maneira bastante conclusiva que a passiva deve basear-se em uma inversão de sujeito e objeto. Considere agora a questão sobre se as passivas poderiam ser consideradas sentenças nucleares. (99) all the people in the lab are considered a fool by John (todas as pessoas no laboratório são consideradas um bobo pelo João) pela aplicação dessa transformação a (98). Além de (88) e (89). Se a passiva permuta o sujeito e o objeto . eliminando be + en de (28iii). O que interessa é que encontramos um verbo – a saber. vimos que (96) é formado pela transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (98) all the people in the lab – consider a fool – John (SN – Verbo – SN). Vimos também que a transformação passiva se aplica diretamente a (98). Mas se as passivas forem as sentenças nucleares. no entanto. com o Verbo “consider a fool” sendo uma instância de (91). “consider a fool” – que deve concordar em número tanto com seu sujeito como com seu objeto41. be + en terá de ser listado em (28iii). considere a construção verbo + complemento discutida na seção 7. ao invés das ativas. que mencionamos anteriormente. juntamente com 41 A concordância entre “a fool” e “John” em (98) é claramente um argumento a favor de uma análise transformacional mais profunda das construções verbo + complemento + sintagma nominal. Fica claro que essa proposta nos leva a gramáticas muito mais complexas. Se. a gramática sintagmática incluirá (28). 73 . iremos derivar uma não-sentença. Tendo as ativas como sentenças nucleares.4.Para ver isso. temos sentenças como estas: (96) all the people in the lab consider John a fool (todas as pessoas no laboratório consideram o João um bobo) (97) John is considered a fool by all the people in the lab (o João é considerado um bobo por todas as pessoas no laboratório) Em 7.

em inglês. então. uma vez que temos “he is very drunk” (ele está muito bêbado). etc. e somos forçados a considerar as ativas. Comparando essas duas alternativas. E a aplicação da transformação “ativa” a (102) não resulta em uma sentença gramatical. etc. vemos que o 74 . ele não pode ter o auxiliar be + en (isto é. a sentença (102) John was drunk by midnight (o João estava bêbado pela meia-noite) também tem como base uma seqüência terminal subjacente que pode ser analisada de acordo com (100). e nós teremos de acrescentar regras especiais que indiquem que se o V é intransitivo. não podemos ter “is occurred” (é ocorrido)). no sistema mais simples de estrutura sintagmática para o inglês. ele deve ter be + en (isto é. e não as passivas. Repare que se as passivas forem escolhidas como sendo as sentenças nucleares no lugar das ativas. não há qualquer maneira estrutural que mostre a diferença entre (101) e (102) se ambos forem considerados sentenças nucleares. enquanto que se o V for transitivo. Convertendo-as em SN2 – Aux – V – SN1. por exemplo (101) the wine was drunk by the guests (o vinho foi bebido pelos convidados) em “the guests drank the wine” (os convidados beberam o vinho). como sendo as sentenças nucleares. existe também o adjetivo “drunk” (bêbado) que deve estar listado em (72) juntamente com “old” (velho). Em outras palavras. nós enfrentaríamos certas dificuldades de um tipo bastante diferente. E esse adjetivo também será originado a partir de en + drink. (cf.todas as outras formas do auxiliar. que. a seção 7.3). não resta dúvida no que diz respeito à complexidade relativa. contendo uma parte sintagmática e uma parte transformacional. Mas. A transformação da ativa teria de se aplicar a seqüências da seguinte forma: (100) SN1 – Aux + be + en – V – by + SN2.. Quando tentamos efetivamente estabelecer a gramática mais simples para o inglês. Parece. onde “drunk” em (101) dá origem a en + drink. “he seems drunk” (ele parece bêbado). não podemos ter “lunch eats John” (o almoço come o João)). “interesting” (interessante). Ela iria converter.

Considere. e enquanto algumas considerações bastante detalhadas da estrutura do inglês não mencionam as interrogativas. 218). p. No início do capítulo 5. obtemos uma descrição relativamente simples” (Language [New York. reparamos que a regra para conjunção fornece um critério útil para a análise de constituintes. e com relações gramaticais simples como sujeito-predicado ou verbo-objeto. por exemplo. obtemos uma descrição desnecessariamente complicada. estamos seguindo o raciocínio que foi apresentado por Bloomfield para a morfologia: “. ao passo que... já que.. por exemplo.quando as formas são parcialmente semelhantes. porque essa regra é bastante simplificada se os constituintes estiverem estabelecidos de uma determinada maneira. ao adotarmos uma das alternativas. nenhuma delas falha ao incluir declarativas simples. Ninguém começaria a estudar seriamente a estrutura de constituintes do inglês com sentenças como “whom have they nominated” (quem eles têm nomeado). por exemplo. que costumam começar a gramática do inglês com o estudo de sentenças simples no estilo “ator – ação”. 1933]. Bloomfield continua. a estrutura da língua pode decidir essa questão por nós. Nós também achamos que isso seja útil na análise transformacional. antes que resolvamos deixar o assunto de transformações em inglês.6 Há mais um ponto que merece nossa atenção. Há diversos outros casos em que o comportamento de uma sentença submetida a transformações fornece evidências valiosas e até mesmo evidentes quanto à sua estrutura de constituintes.. declarativas (provavelmente em número finito) e que todas as outras sentenças podem ser descritas mais simplesmente como sendo sentenças transformadas. Cada uma das transformações que eu investiguei é irreversível. adotando a outra alternativa. etc. mostrando que “essa mesma consideração frequentemente nos leva a estabelecer uma forma subjacente artificial”. A análise transformacional fornece uma explicação razoavelmente simples para essa assimetria (que não tem outra justificativa formal). Agora estamos interpretando essa regra como uma transformação. pode haver a questão de qual das duas deveremos tomar como forma subjacente. no sentido de que é muito mais fácil proceder à transformação em uma direção do que na outra. 75 . este par de sentenças: 42 Ao determinar qual das duas formas relacionadas é mais central. 7.núcleo consiste de sentenças simples. tentando analisá-la em duas partes. assumindo que os gramáticos têm atuado a partir de uma intuição correta sobre a língua42. quando estabelecemos que a seqüência terminal John – C – have + en – be + ing – read subjaz a sentença nuclear “John has been reading” (O João têm lido).. já que. ativas. assim como no caso da transformação passiva que discutimos há pouco. Esse fato pode explicar a prática tradicional dos gramáticos.

(103i) terá uma análise correspondente. já que temos a passiva (104i). (104) (i) the boy studying in the library was known (by John) (o garoto estudando na biblioteca era conhecido (pelo João)) (ii) the boy studying in the library was found (by John) (o garoto estudando na biblioteca foi encontrado (pelo João)) (iii) the boy was found studying in the library (by John) (o garoto foi encontrado estudando na biblioteca (pelo João)) (105) the boy was known studying in the library (by John) (o garoto foi\era conhecido estudando na biblioteca (pelo João)) A transformação passiva se aplica apenas a sentenças da forma SN – Verbo – SN. 43 76 . Por isso. com o sintagma nominal objeto “the boy studying in the library”. por exemplo. possamos encontrar uma justificativa para analisarmos essas sentenças em diferentes constituintes. mas não (105)43. mas eu não acredito que. As sentenças de (104) sem a expressão entre parênteses são formadas por uma segunda transformação “elíptica” que converte. por exemplo acrescentar “not running around in the streets” (e não correndo por aí nas ruas) a (103)). “the boy was seen by John” (o garoto foi visto pelo João) em “the boy was seen” (o garoto foi visto). A análise mais simples em ambos os casos é SN – Verbo – SN – ing + SV. dentro do nível sintagmático.(103) (i) John knew the boy studying in the library (o João conheceu o garoto estudando na biblioteca) (ii) John found the boy studying in the library (o João encontrou o garoto estudando na biblioteca) Intuitivamente. para derivar (104ii). (103ii) deve ser analisada como (106) John – found – the boy studying in the library. é óbvio que essas sentenças tenha estrutura gramatical diferente (isso fica claro quando tentamos. Temos as sentenças (104). Mas considere o comportamento dessas sentenças quando submetidas à transformação passiva.

4. e “came” (voltou) seja um Verbo. ela é derivada por uma transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (107) John – found studying in the library – the boy. repare que esse mesmo tipo de sentença (108) é problemático para a análise gramatical tradicional em português. 1986. parece não haver razões fortes para negar a (108) a análise completamente intuitiva SN – Verbo – SN. Moderna gramática brasileira. com o objeto “the boy studying in the library”. no entanto. C. Pelo estudo das passivas gramaticais. já que (105) não é uma sentença gramatical. (103i) não é uma sentença transformada da seqüência “John – knew studying in the library – the boy” (a mesma forma que (107)). O princípio geral é este: se temos uma transformação que simplifique a gramática e conduz de 77 [u16] Comentário: Essas explicações evidentemente não se aplicam à tradução da sentença em português. como Luft (LUFT. determinamos que “John found the boy studying in the library” (=(103ii)) é analisável ambiguamente como SN – Verbo – SN. A transformação passiva irá converter (107) em (104iii). Como um outro exemplo do mesmo tipo. No entanto. ou como SN – Aux – V – SN – Comp. em verdade. transformacional. Não podemos ter “home was come by John” (a casa foi voltada pelo João) aplicando a transformação passiva. Acredito que seja justo dizer que um número significante de critérios básicos para determinar a estrutura de constituintes é. A descrição resultante de (103) parece estar de acordo com nossa intuição. concluímos (103ii) é um caso da construção verbo + complemento. “o João voltou para casa”. considere a sentença (108) John came home (o João volto para casa) Embora “John” e “home” (casa) sejam SNs. ou “what did John come” (o que o João veio?) aplicando a transformação Tw. Rio de Janeiro: Globo. Porto Alegre. isto é. assim como converteu (90) em (89). 42).) chamam esse tipo de complemento de “complemento (indireto) locativo” (p. Fora considerações como essas. com o verbo “found” (encontrou) e o complemento “studying in the library” (estudando na biblioteca). Devemos então analisar (108) de alguma outra forma (se não quisermos complicar desnecessariamente a descrição dessas transformações).Mas (103ii) também tem a passiva (104iii). No entanto. P. Disso. uma investigação do efeito das transformações sobre (108) mostra que ela não pode ser analisada como um caso de SN – Verbo – SN. com “home” sendo o objeto de “came”. estudada na seção 7. uma vez que “para casa” não é analisada nem como objeto indireto nem como adjunto adverbial. “John knew the boy studying in the library” (=(103i)). apresenta apenas a primeira análise. então. Alguns gramáticos. uma seqüência transformada de (107)que possui o Verbo complexo “found studying in the library”. . talvez como SN – Verbo – Advérbio.

não importa o quão extenso. em outros casos. então podemos tentar atribuir uma estrutura de constituintes a sentenças de tal maneira que essa transformação sempre nos conduzirá a sentenças gramaticais. Cf. Na seção 7. 78 . simplificando. portanto. Temos seguido. Definimos transformações como as passivas em termos de análises específicas da estrutura sintagmática e então consideramos o comportamento de sentenças que sofreram essas transformações. o capítulo 8. a gramática ainda mais.5. Na seção 7. O leitor deverá talvez ter notado uma certa circularidade ou até mesmo uma aparente inconsistência em nossa abordagem. poderemos ver claramente que não há circularidade nem inconsistência. utilizamos o fato de “John came home” (=(108)) não possuir uma passiva como um argumento contra a atribuição da estrutura SN – Verbo – SN a essa sentença. Em cada um dos casos. e não estamos sequer pensando na questão de como se poderia realmente chegar a essa gramática de alguma maneira mecânica a partir de um corpus do inglês. Contudo. Utilizando a estrutura de constituintes e as transformações. Em alguns casos a gramática se torna mais simples se rejeitarmos certas transformações. o percurso esboçado no capítulo 6.sentença a sentença em um grande número de casos (isto é.6. As correspondências intuitivas e as explicações de aparentes irregularidades parecem oferecer evidências importantes para a exatidão da abordagem que temos adotado. estamos tentando construir uma gramática do inglês que poderá ser mais simples do que qualquer proposta alternativa. Nosso objetivo mais fraco de avaliação. determinando como atribuir uma estrutura sintagmática a essas sentenças. e não de descoberta. utilizamos o fato de “John was drunk by midnight” (=102) não possuir uma “ativa correspondente como um argumento contra a criação de uma transformação passivapara-a-ativa. então. e tentamos mostrar que a análise proposta é claramente mais simples do que as alternativas que rejeitamos. uma transformação em que o conjunto de sentenças gramaticais é praticamente fechado). nossa única preocupação foi a de diminuir a complexidade da gramática. elimina qualquer risco de circularidade viciosa nos casos que discutimos. se seguirmos o argumento cautelosamente em cada caso. é preferível o restabelecimento da estrutura de constituintes.

/↔n/. como “a name” (um nome) ou “an aim” (um objetivo). somos forçados a estabelecer os morfemas “a” (um/a). Se nossa gramática fosse um sistema de apenas um nível. Vimos que essa concepção nos leva naturalmente à descrição de línguas em termos de um conjunto de níveis de representação. “aim” (objetivo) e “name” (nome).1 Até aqui. conduz-nos ao estabelecimento da estrutura sintagmática e da estrutura transformacional como dois níveis distintos de representação de sentenças gramaticais. É razoável esperarmos que as gramáticas forneçam explicações para alguns desses fatos. Em geral. descobrimos que a seqüência de fonemas /↔neym/ é representada de maneira ambígua no nível morfológico.8. associados com as formas fonêmicas /↔/. descobrimos que. no entanto. para muitos falantes do inglês. a seqüência de fonemas /↔neym/ pode ser entendida de maneira ambígua. como conseqüência direta da tentativa de estabelecer a morfologia da maneira mais simples possível. Existem muitos fatos sobre a linguagem e sobre o comportamento lingüístico que precisam de explicações que vão além de explicações do tipo “esta ou aquela seqüência (que pode nunca ter sido produzida por alguém) é ou não é uma sentença”. dizemos que temos um caso de construção de homonímia quando uma determinada seqüência de fonemas pode ser analisada de mais de uma maneira em algum nível. “an” (um/a). eram de algum modo pressupostas. lidando apenas com fonemas. Iremos agora proceder à formulação dos objetivos do lingüista em termos bem diferentes e independentes que. por razões independentes. O PODER EXPLICATIVO DA TEORIA LINGÜÍSTICA 8. de uma língua. respectivamente. dos quais alguns são bastante abstratos e não triviais. e somente essas. sentenças que. Por exemplo. poderíamos não ter qualquer explicação para esse fato. Podemos testar a adequação de uma determinada gramática perguntando se cada caso de construção de homonímia é um caso real de ambigüidade e se cada caso de ambigüidade genuína é ou não um caso de 79 . por hipótese. Mas quando desenvolvemos o nível da representação morfológica. /eym/ e /neym/. Particularmente. Assim. Isso sugere um critério de adequação para as gramáticas. atribuímos ao lingüista a tarefa de produzir um certo tipo de mecanismo (chamado gramática) para a gerar todas as sentenças. levarão a noções muito parecidas de estrutura lingüística.

são compreendidas da mesma maneira. Repare que considerações sobre a ambigüidade estrutural também podem justificar o [u17] Comentário: A tradução dessas expressões é “homens e mulheres velhas” e “eles são aviões” / “eles estão voando aviões”. analisados de maneira ambígua no nível da estrutura sintagmática. Em português. Hockett utiliza noções de ambigüidade estrutural para demonstrar a independência de diversas noções lingüística de maneira bastante similar ao que sugerimos aqui. Lembre-se de que a análise de uma expressão no nível sintagmático não é fornecida apenas por apenas uma seqüência. homens velhos e mulheres velhas / mulheres velhas e homens. cf. duas seqüências distintas de fonemas são analisadas de maneira similar o idêntica. de outra forma. mesmo que não o sejam em nenhum outro nível inferior. assim como casos de dupla representação são “entendidas” de mais de uma maneira. De maneira mais geral. um argumento perfeitamente válido para o estabelecimento de um nível morfológico é que irá dar conta da ambigüidade de /↔neym/. nem todos os casos de ambigüidade serão analisados em termos sintáticos. conseqüentemente é evidente que. mas por um Obviamente. Expressões como “old men and women” e “they are flying planes” são evidentemente ambíguos e são. de fato. que ela explicasse a ambigüidade referencial de “son” – “sun” (filho – sol). poderemos questionar a adequação dessa concepção e a teoria lingüística que a subjaz. “light” (que pode significar “claro” ou “leve”). Linguistics Today. se uma determinada concepção da forma da gramática conduzir a uma gramática de uma determinada língua que falhe nesse teste. etc. não é explicada. 44 80 . Em “Two models of grammatical description”. Suponhamos que. e exemplos como esse justificam o estabelecimento de um nível sintagmático independente do que foi apresentado no capítulo 3. respectivamente. Esse fato não poderia ser explicado por a uma gramática que não ultrapassasse o nível das palavras ou morfemas. Word 10. as sentenças (109) (i) John played tennis (o João jogou tênis) (ii) my friend likes music (meu amigo gosta de música) são bastante diferentes. estabelecimento de um nível de estrutura sintagmática. em algum nível. Mas no nível sintagmático são ambas interpretadas como SN – Verbo – SN. 210-33 (954). Por exemplo. Não iríamos esperar de uma gramática. em certo sentido. a primeira expressão também é ambígua. Assim. por exemplo. Imaginamos que essas seqüências devam ser de alguma forma “entendidas” de maneira semelhante.construção de homonímia44. Já a segunda expressão apresenta ambigüidade apenas em inglês. tanto no nível fonológico como morfológico. Temos um caso de construção de homonímia quando uma seqüência de fonemas tem uma representação ambígua. que.

Os casos com alto nível de representação semelhante e com alto nível de representação dessemelhante (construção de homonímia) são simplesmente os casos extremos que. Cf. uma vez desenvolvida uma gramática transformacional. pelo menos. apresentamos o exemplo de uma sentença (“I found the boy studying in the library” = (103ii)) cuja ambigüidade de representação não podia ser demonstrada sem considerarmos alguns critérios transformacionais. “Three models for the description of language” para discussão sobre a construção de homonímia de “they are flying planes” dentro do paradigma da gramática sintagmática. como ela é analisada em todos os níveis. primeiramente é necessário reconstruir sua análise em cada nível lingüístico. em uma das interpretações. a estrutura transformacional. não está claro que existam quaisquer casos de construção de homonímia puros quando dentro do nível da estrutura sintagmática. Para compreender uma sentença. a partir de “I – found studying in the library – the boy”. através de casos de ambigüidade e semelhança de compreensão que não eram explicados em níveis inferiores. aceitando nosso modelo. Conseguimos mostrar. No entanto. de maneira equivalente. então. não conseguimos compreender plenamente qualquer sentença a menos que saibamos. Mas parece que ainda há um grande número de casos não explicados. mesmo depois que estabelecemos o nível da estrutura sintagmática e o aplicamos ao inglês.6. Em geral. e não de construção de homonímia dentro da estrutura sintagmática. ela era analisada em SN – Verbo – SN com o objeto “the boy studying in Ou seja. quando unimos uma gramática transformacional à gramática sintagmática. e segundo a outra interpretação. por aquilo que chamo de “indicador sintagmático” (“phrase marker”) em The logical structure of linguistic theory e “Three models for the description of language”. Irei mostrar apenas alguns exemplos representativos. incluindo os níveis superiores como a estrutura sintagmática e. de um modo diferente do que vimos nos capítulos 5 e 7. Na verdade. provam a existência de níveis superiores. 8.2 Na seção 7. como veremos. Vimos que. por um determinado conjunto de seqüências representativas45. a inadequação de uma teoria de estrutura lingüística que não ultrapassava a estrutura sintagmática. e podemos testar a adequação de um determinado conjunto de níveis lingüísticos abstratos conferindo se as gramáticas formuladas em termos desses níveis nos permitem fornecer uma análise satisfatória da noção de “compreensão” ou não. 45 81 . essa sentença era uma sentença transformada pelas transformação Tobsep. Análises desses casos demonstram a necessidade de um nível ainda mais alto de análise transformacional. essa sentença se mostra um exemplo de ambigüidade transformacional. O que estamos sugerindo é que a noção de “compreensão de uma sentença” seja explicada em parte nos termos da noção de “nível lingüístico”.diagrama como (15) ou.

46 82 . Esse é um exemplo bastante complexo. estabeleceremos uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN – C – V no sintagma É verdade que (111) pode ser representado de maneira ambígua considerando shoot (atirar) como um verbo transitivo ou intransitivo. não haverá base que sustente a afirmação de que ou a relação sujeito-verbo ou a relação verbocomplemento deve aparecer em (111). Porém. (111) the shooting of the hunters (os disparos dos caçadores) (112) (i) the growling of lions (o rugido dos leões) (ii) the raising of the flowers (o cultivo das flores) No nível da estrutura sintagmática. Análises cuidadosas do inglês mostram que podemos simplificar a gramática se eliminarmos sintagmas como (111) e (112) do núcleo e os reintroduzirmos por transformações.que pode ser entendido de maneira ambígua. ou como sendo o objeto. As relações gramaticais podem ser definidas dentro da estrutura de constituintes em termos da forma de diagramas do tipo de (15). então essa mesma distinção (em si insuficiente) irá desaparecer. não há uma boa maneira para explicar essa ambigüidade. Considere o sintagma (111). com “hunters” (caçadores) como sendo o sujeito.the library”. existe uma explicação clara e automática. analogamente a (112ii). e exemplos mais simples de ambigüidade sem uma origem transformacional não são difíceis de encontrar. mas o fato essencial aqui é que a relação gramatical em (111) é ambígua (isto é. a sentença é uma sentença transformada do par de seqüências terminais que subjaz as seguintes sentenças nucleares simples: (109) (i) I found the boy (eu encontrei o garoto) (ii) the boy is studying in the library (o garoto está estudando na biblioteca) Por isso. Uma análise transformacional mais profunda teria mostrado que. intransitivo e transitivo ou intransitivo. analogamente a (112i). “hunters” pode ser sujeito ou objeto). Se analisarmos os verbos em três classes. Para dar conta de sintagmas como (112i). todos esses sintagmas são representados como the – V + ing – of – SN46. contudo. de uma sentença cuja ambigüidade é o resultado de desenvolvimentos transformacionais alternativos a partir das mesmas seqüências nucleares. que requer um estudo detalhado da maneira com que as transformações determinam a estrutura de constituintes. nesses termos. em ambos os casos. transitivo. etc. esse é um caso interessante. Em termos transformacionais.

nem “flowers raise” (flores cultivam) são sentenças nucleares gramaticais. Por exemplo. Logo (111) = “the shooting of the hunters” terá duas origens transformacionais distintas. por exemplo. Já (113i) é formada a partir de. a primeira dessas transformações irá converter “lions growl” (os leões rugem) em “the growling of the lions” (o rugido dos leões). que apaga o “agente” na voz passiva. ainda que sejam representadas de forma idêntica. primeiro a passiva e depois a transformação elíptica (já mencionada anteriormente). já que nem “they growl lions” (eles rugem os leões). Um homônimo perfeito que segue (113) não é difícil de encontrar.correspondente da forma the – V + ing – of + SN. e essa transformação será projetada de tal forma que o resultado seja um SN. são muito diferentes. tanto “the hunters shoot” (os caçadores atiram) como “they shoot the hunters” (eles atiram nos caçadores) são sentenças nucleares. A sentença (113ii) é a passiva de “a real artist painted the picture” (um verdadeiro artista pintou o quadro). ela será representada de forma ambígua no nível transformacional. Da mesma forma. Assim. “John painted the picture by a new technique” (o João pintou o quadro por uma nova técnica). através de uma dupla transformação. e a segunda irá converter “John raises flowers” (o João cultiva flores) em “the raising of the flowers” (o cultivo de flores). (114) John was frightened by the new methods (o João estava assustado com os / pelos novos métodos) 83 . Suas histórias transformacionais. Contudo. contudo. Não temos essa ambigüidade em (112). como SN – was + Verbo + en – by + SN no nível de estrutura sintagmática. iremos estabelecer uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN1 – C – V – SN2 no SN correspondente da forma the – V + ing – of + SN2. Para dar conta de (112ii). considere os seguintes pares: (113) (i) the picture was painted by a new technique (o quadro foi pintado por uma nova técnica) (ii) the picture was painted by a real artist (o quadro foi pintado por um artista de verdade) Essas sentenças são compreendidas de maneira bastante diferente. A ambigüidade da relação gramatical em (111) é uma conseqüência do fato de que a relação de “shoot” e “hunters” difere nas duas sentenças nucleares subjacentes.

como que novos métodos de assustar pessoas haviam sido usados para assustar o João (uma interpretação mais normal para a sentença em inglês se “being” aparecesse logo após de “was”). qualquer gramática do inglês irá classificar essas sentenças da maneira indicada em (115). por exemplo. Certamente. (114) tem ambas as análises.3 Podemos completar nossa discussão apresentando um exemplo do extremo oposto. com a ordem normal SN – Verbo – SN serão opostas a (115ii) e (115iii). classificarmos as sentenças por sua entonação “normal”. é difícil encontrar uma base formal que não seja arbitrária nem ad hoc para essa classificação. (115iii) e (115iv). uma teoria lingüística que falha em fornecer uma base para essa classificação deve ser considerada inadequada. que apresenta uma entonação ascendente. Além disso. Se classificarmos as sentenças com base na ordem das palavras. então (115i) e (115iv).pergunta-QU interrogativa Parece intuitivamente óbvio que (115) contém dois tipos de sentenças: declarativas (115i) e interrogativas (15ii-iv).declarativa (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) . então (115i). que invertem o sujeito e o auxiliar. e qualquer falante do inglês irá compreender essas sentenças de acordo com esse padrão. embora sejam bastante distintas na estrutura sintagmática e no nível inferior de representação. 84 . já discutidas na seção 7. Se. 8. iv). No nível transformacional.2: (115) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) . a saber. de (113i) e de (113ii).interrogativa (iii) what did John eat (o que o João comeu?) .pode significar tanto que João é um conservador – novos métodos o assustam. o que explica a sua ambigüidade. com uma entonação normal de declarativas (descendente). serão opostas a (115ii).pergunta sim-ounão . as interrogativas podem ser intuitivamente subdivididas em dois tipos: perguntas sim-ou-não (115ii) e perguntasQU (115iii. Ainda assim. No entanto. Considere as seguintes sentenças. um caso de sentenças que são compreendidas da mesma maneira.pergunta-QU interrogativa (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã) .

chegamos às seguintes conclusões sobre as sentenças em (115) (=(70)). as grandes subdivisões de (115) seriam as sentenças nucleares (115i) e as sentenças que sofreram a transformação Tint. (115ii) é formada de (116) pela aplicação das transformações obrigatórias e da Tint. Então. Assim. (115iiiv). (15ii-iv) são todas interrogativas. 85 . quando formularmos a gramática transformacional mais simples para (115). A sentença (115i) é derivada de (116) apenas pela aplicação das transformações obrigatórias. Cada uma dessas sentenças se originou da seqüência terminal (116) John – C – eat + an + apple (=(61)). que é derivada na estrutura da gramática sintagmática. Já (15iii) e (115iv) são formadas pela aplicação das transformações obrigatórias. Logo. já que elas são formadas pela transformação adicional Tw. veremos que a classificação intuitivamente correta das sentenças é dada pelas representações transformacionais resultantes. além das transformações Tint e Tw.2.A representação de uma seqüência no nível transformacional é dada por uma seqüência terminal (ou mais de uma seqüência) que a origina e pela série de transformações de que é derivada.1 e 7. Elas diferem uma da outra apenas na escolha do sintagma nominal a que Tw se aplica. Suponhamos que determinássemos os tipos de sentenças em geral em função de sua história transformacional. ou seja. logo. a partir dessa seqüência subjacente. sua representação no nível transformacional. Nas seções 7. ela é uma sentença nuclear. Já (115iii-iv) formariam uma subclasse especial das interrogativas.

9. de certo modo. essas sendo consideradas os “elementos de conteúdo” básicos a partir dos quais as sentenças mais comuns. utilizando-se a noção de nível lingüístico. ao invés de se preocupar com esse importante problema. é necessário conhecer as sentenças nucleares das quais ela se originou (mais precisamente. No entanto. Isso nos dá uma motivação independente para a descrição da língua em termos de estrutura transformacional e para o estabelecimento de uma representação transformacional como um nível lingüístico com o mesmo caráter fundamental dos outros níveis. 47 86 . a partir das sentenças nucleares47. entramos em um território perigoso. as seqüências terminais subjacentes a essas sentenças nucleares) e a estrutura sintagmática de cada um desses componentes básicos. SINTAXE E SEMÂNTICA 9.1 Agora. percebemos que o conhecimento da representação transformacional de uma sentença (que incorpora a estrutura sintagmática das seqüências nucleares a partir das quais a sentença se originou) é tudo o que é necessário para determinar a estrutura sintagmática derivada da sentença transformada. Além do mais. A verdadeira questão que deveria ser feita é esta: “como é que os mecanismos sintáticos disponíveis em uma dada língua funcionam no uso real dessa língua?”. para compreendermos uma sentença. ao problema de se explicar como as sentenças nucleares são compreendidas. Não há nenhum domínio do estudo lingüístico que esteja mais sujeito a confusões e mais necessitado de uma formulação clara e cuidadosa do que aquele que trata dos pontos de ligação entre sintaxe e semântica. mais complexas da vida real são formadas através do desenvolvimento transformacional. assim como a história transformacional de seu desenvolvimento. o estudo das interfaces entre sintaxe e semântica tem sido dominado Quando a análise transformacional é formulada de maneira mais cuidadosa. em parte. já encontramos casos de sentenças que podem ser compreendidas de mais de uma maneira e que são representadas de maneira ambígua no nível transformacional (mas não em outros níveis) e casos de sentenças que são compreendidas de maneira semelhante e têm uma representação semelhante apenas no nível transformacional. Ao propormos que a estrutura sintática pode fornecer um certo “insight” para problemas de significado e compreensão. isso nos dá mais força para sugerirmos que o processo de “compreensão de uma sentença” pode ser explicado. Particularmente. O problema geral de se analisar o processo de “compreensão” é então reduzido.

9. É inegável que a “intuição sobre a forma lingüística” é bastante útil ao investigador da forma lingüística (ou seja. As observações no capítulo 8 sobre possíveis implicações semânticas do estudo sintático não deve ser mal interpretadas como argumentos a favor da noção de que a gramática deva ser baseada no significado. Acredito que a inadequação das sugestões sobre o uso do significado na análise gramatical não é aparente apenas por causa de sua vaguidade e por causa de uma tendência infeliz de se confundir “intuição sobre a forma lingüística” com “intuição sobre o significado”. indicamos brevemente algumas maneiras em que o uso real dos mecanismos sintáticos disponíveis pode ser estudado. com igual motivação: “como se pode construir uma gramática sem saber a cor do cabelo dos falantes da língua?”. Talvez. No entanto. Poder-se-ia se fazer a seguinte pergunta.2. A questão tem sido saber se a informação semântica é ou não é necessária para descobrir ou selecionar uma gramática. a teoria que esboçamos nos capítulos 3 a 7 foi completamente formal e não-semântica. não está bem formulada. em si mesma. pode ser que valha a pena investigar brevemente algumas delas. ainda que o peso da prova recaia. Contudo. e o desafio geralmente lançado por aqueles que optam pela afirmativa nessa disputa é o seguinte: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. da gramática).1 Muitos esforços têm sido feitos na tentativa de responder à pergunta: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. esse problema possa ser mais elucidado por uma discussão puramente negativa sobre a possibilidade de se encontrar uma base semântica para a teoria sintática. Não conheço nenhuma tentativa detalhada para desenvolver a teoria da estrutura gramatical em termos parcialmente semânticos ou qualquer proposta específica e rigorosa que utilize informações semânticas na construção ou na avaliação de gramáticas. No capítulo 8. há pouca evidência de que a “intuição sobre o significado” seja útil na investigação da forma lingüística. Parece também claro que o maior objetivo da teoria gramatical seja substituir essa dependência obscura na intuição por alguma abordagem rigorosa e objetiva. 87 . duas expressões que têm em comum apenas sua vaguidade e sua indesejabilidade na teoria lingüística. já que a implicação de que é obviamente possível construir uma gramática apelando para o significado é completamente não comprovada. A pergunta que realmente deveria ser feita é a seguinte: “como se pode construir uma gramática?”. Na verdade. nesse caso.largamente por uma questão paralela mal formulada. por causa da larga aceitação de sugestões desse tipo. A questão.

completamente no lingüista que afirma ter conseguido desenvolver alguma noção gramatical em termos semânticos. 9.22 Entre os argumentos mais comuns invocados a favor da dependência da gramática em relação ao significado, encontramos os seguintes: (117) (i) dois enunciados são fonemicamente distintos se e apenas se eles diferem no significado; (ii) os morfemas são os menores elementos que possuem significado; (iii) sentenças gramaticais são aquelas que têm um significado semântico; (iv) a relação gramatical sujeito-verbo (isto é, SN – SV como uma análise da Sentença) corresponde ao “sentido estrutural” geral ator-ação; (v) a relação gramatical verbo-sujeito (isto é, Verbo – SN como uma análise da Sentença) corresponde ao sentido estrutural ação-objetivo ou ação-objeto da ação; (vi) uma sentença ativa e sua correspondente passiva são sinônimas. 9.23 Muitos lingüistas manifestaram a opinião de que a distinção fonêmica deve ser definida em termos de significado diferencial (sinonímia, para usar um termo mais familiar), como proposto em (117i). No entanto, é evidente que (117i) não pode ser aceito, da maneira que está, como sendo uma definição de distinção fonêmica48. Se realmente quisermos responder à pergunta e não adiá-la, os enunciados em questão devem ser enunciados-ocorrência e não enunciados-tipo. the utterances in question must be tokens, not types. Mas existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente distintos e idênticos em significado (sinônimos) e existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente idênticos e distintos em significado (homônimos). Logo, (117i) é falso em ambos os sentidos. Da esquerda para a direita, ele é falsificado por pares como “solteiro” e “homem não casado”, ou de maneira ainda mais séria, por sinônimos absolutos como /ekInámiks/ e /iykInámiks/ (“economics” (economia)), “ádult” e “adúlt” (adulto) e muitas outras que podem coexistir até mesmo dentro de um mesmo estilo de fala. Da direita para a esquerda, (117i) é falsificada por pares como “banco” (de praça) e
[u19] Comentário: Aqui, Chomsky enumera exemplos de palavras que apresentam mais de uma pronúncia, sem qualquer alteração no significado. Exemplos em português seriam “garage” e “garagem”, “bergamota” e “vergamota”. [u18] Comentário: Decidi traduzir “utterance tokens” por “enunciados-ocorrência” e “utterance types” por “enunciadostipo”.

Veja meu “Semantic considerations in grammar”, Monograph n. 8, p. 141-53 (1955), para uma investigação mais detalhada de (117i).

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“banco” (instituição financeira)49, “metal” (metal) e “medal” (medalha) (em alguns dialetos do inglês) e numerosos outros exemplos. Em outras palavras, se atribuímos dois enunciados-ocorrência ao mesmo enunciado-ocorrência com base em (117i), iremos conseqüentemente obter a classificação errada em um grande número de casos. Uma afirmação mais fraca que (117i) poderia ser melhorada como se segue. Suponhamos que temos um sistema fonético absoluto, pressuposto à análise de qualquer língua, e detalhado o suficiente para que quaisquer dois enunciados fonemicamente distintos em qualquer língua possam ser transcritos de maneira diferente. Pode ser o caso de que alguns enunciados-ocorrência diferentes podem ser transcritos de maneira idêntica nessa transcrição fonética Suponhamos que definimos a “ambigüidade de significado” de um enunciado-ocorrência como sendo um conjunto de significados de todos os enunciados-ocorrência transcritos de maneira idêntica a esse enunciadoocorrência. Poderíamos agora revisar (117i), substituindo “significado” por “significado ambíguo”. Isso poderia fornecer uma abordagem ao problema da homonímia, se tivéssemos um corpus imenso que nos garantisse a ocorrência de cada uma das formas foneticamente distintas de uma palavra com cada um dos sentidos possíveis dessa palavra. Pode ser possível elaborar essa abordagem ainda mais, para dar conta do problema dos sinônimos. De certa forma, poderíamos esperar determinar a distinção fonêmica através de uma trabalhosa investigação do significado de itens foneticamente transcritos em um vasto corpus. No entanto, a dificuldade em determinarmos de alguma maneira precisa e realista a quantidade de significados que podem ser partilhados por diversos itens, além da imensidade da tarefa, tornam as perspectivas de uma abordagem como essa bastante duvidosas. 9.2.4 Felizmente, não temos de prosseguir com um programa tão ambicioso e complexo para determinar a distinção fonêmica. Na prática, cada lingüista usa mecanismos semânticos muito mais simples e diretos. Suponhamos que um lingüista esteja interessado em determinar se “metal” e “medal” são foneticamente distintos em algum dialeto do inglês. Ele não vai investigar o significado dessas palavras, já que essa informação é claramente irrelevante para seus objetivos. Ele sabe que os significados
49 Repare que não podemos argumentar que “banco” em “o banco da praça” e “banco” em “o banco de minha conta corrente” seja duas ocorrências da mesma palavra, já que essa é precisamente a questão que investigamos aqui. Dizer que dois enunciados-ocorrência são ocorrências da mesma palavra é dizer que eles não são fonemicamente distintos, e presumivelmente é isso que o critério de sinonímia (117i) deveria nos determinar.

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são diferentes (ou ele simplesmente não está interessado na questão) e está interessado em determinar se essas palavras são ou não são fonemicamente distintas. Um lingüista de campo cuidadoso iria provavelmente utilizar o teste do par50 com dois informantes ou com um informante e com um gravador. Por exemplo, ele poderia fazer uma seqüência aleatória de cópias de enunciados-ocorrência que o interessasse e então determinar se o falante consegue ou não identificá-la de maneira consistente. Se houver uma identificação consistente, o lingüista pode aplicar um teste ainda mais restrito, pedindo ao falante para repetir cada palavra por diversas vezes, utilizando o teste do par mais de uma vez nas repetições. Se for mantida uma distinção consistente durante a repetição, ele irá dizer que as palavras “metal” e “medal” são foneticamente distintas. O teste do par, com suas variantes e versões mais elaboradas, fornece um critério claro e operacional para a distinção fonêmica em termos completamente não semânticos51. É comum considerarmos abordagens não semânticas de gramáticas como sendo alternativas de abordagens semânticas e criticá-las por serem complexas demais, mesmo que sejam, em princípio, possíveis e realizáveis. Vimos, porém, que, no caso da distinção fonêmica, pelo menos, exatamente o oposto é que é verdadeiro. Há uma abordagem bastante direta e operacional para a determinação da distinção fonêmica em termos de mecanismos não semânticos, como o teste dos pares. Pode ser possível, em
Cf. o meu texto “Semantic considerations of grammar”, Monograph n. 8, p. 141-54 (1955); M. Halle, “The strategy of phonemics”, Linguistics Today, Word 10. 197-209 (1954); Z. S. Harris, Methods in structural linguistics (Chicago, 1951), p. 32f; C. F. Hockett, A manual of phonology = Memoir 11, Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore, 1955), p. 146. 51 Lounsburry argumenta em seu “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”, Language 32. 15894 (1956), p. 90, que o apelo à sinonímia é necessário para distinguir entre a variação livre e o contraste: “se um lingüista que não conheça inglês ouvir da minha boca a palavra cat (gato) primeiramente com uma oclusiva final aspirada e depois com uma oclusiva final pré-glotalizada não realizada, os dados fonéticos não irão dizer se essas formas contrastam ou não. Será apenas quando ele pergunta a mim, seu informante, se o significado da primeira forma é diferente do significado da segunda, e eu respondo que não, que ele conseguirá proceder com sua análise fonêmica”. Como um método geral, essa abordagem é insustentável. Suponhamos que o lingüista grave /ekInámiks/ e /iykInámiks/ e pergunte se têm diferentes significados. Ele irá descobrir que não têm significados diferentes e irá atribuir a eles a mesma análise fonêmica, de maneira equivocada, se levar a oposição literalmente. Por outro lado, há muitos falantes que não distinguem “metal” de “medal”, ainda que, se perguntados, podem ter bastante certeza que eles fazem essa distinção. As respostas de informantes como esses à pergunta direta de Lounsburry sobre o significado certamente iriam apenas obscurecer a questão. Podemos deixar a posição de Lounsburry mais aceitável se substituirmos a pergunta “eles têm o mesmo significado?” por “elas são a mesma palavra?”. Isso irá evitar as armadilhas da pergunta semântica essencialmente irrelevante, mas ainda não fica aceitável nessa forma, já que equivale a pedir ao informante que faça o trabalho do lingüista; substitui um teste operacional de comportamento (como o teste dos pares) por um julgamento do informante sobre seu comportamento. Os testes operacionais para as noções lingüísticas podem exigir que o informante responda, mas não que ele expresse sua opinião sobre seu comportamento, sobre seu julgamento sobre sinonímia, sobre distinção fonêmica, etc. As opiniões do informante podem estar baseadas em qualquer tipo de fatores irrelevantes. Essa é uma distinção importante que deve ser cuidadosamente observada para que as bases operacionais da gramática não sejam tornadas triviais.
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tentarmos manter a posição de que os significados atribuídos são sempre idênticos. que mesmo independentemente de nossas objeções anteriores. que o significado de uma palavra é um componente fixo e imutável de cada ocorrência. no entanto. então a circularidade parece inevitável. então. desenvolver algum teste semântico equivalente ao teste dos pares e suas variantes. além de envolver os lingüistas em uma tentativa vã de determinar a quantidade de significados que uma dada seqüência de fones poderia ter. mas parece que qualquer procedimento desse tipo será muito complexo e exigirá uma análise exaustiva de um corpus imenso. podemos explicar a larga aceitação de uma formulação como (117i)? Acredito que existam duas explicações para isso. Parece que o único meio de manter uma posição como essa seria conceber o significado de um enunciado-ocorrência como “a maneira em que os enunciados-ocorrência desse tipo são (ou podem ser) usados”. 9. dadas imediatamente e são simples demais para exigirem uma análise. logo desfaz essa ilusão. Qualquer tentativa para fornecer uma descrição cuidadosa.2. Pareceria. de certa forma. ou alguma coisa do gênero. dada a obscuridade inerente do assunto) na determinação da identidade de significado. o tipo de resposta que eles normalmente evocam.25 Existe ainda mais uma dificuldade de principio que deve ser mencionada na discussão de qualquer abordagem semântica à distinção fonêmica. Uma abordagem semântica a alguma noção gramatical requer um desenvolvimento tão detalhado e 91 . Se for o caso de eles serem meramente muito semelhantes.6 Como.teoria. trata-se de uma conseqüência de assumirmos que as abordagens semânticas são. a classe de situações em que eles podem ser utilizados. Teremos de determinar quando dois significados distintos são suficientemente semelhantes para serem considerados “o mesmo”. Mas é difícil tornar de algum modo convincente uma concepção do significado como essa sem qualquer menção prévia ao enunciado-tipo. Em parte. 9. Não perguntamos se os significados atribuídos a enunciados-ocorrência distintos (mas fonemicamente idênticos) são idênticos ou meramente muito semelhantes. Se. por outro lado. qualquer abordagem de distinção fonêmica em termos semânticos ou é circular ou é baseada em uma distinção que é consideravelmente mais difícil de estabelecer do que a distinção que ela deveria esclarecer. então todas as dificuldades de determinar a distinção fonêmica terão o seu paralelo (ampliado. então.

A identidade fonêmica é.2. no teste dos pares. da mesma maneira como não podemos utilizá-la como um argumento para afirmar que a lingüística está baseada na aritmética ou na astrologia. definimos o contraste entre formas de maneira operacional em termos de diferença no significado das respostas”52. e não há mais motivos para postular alguma reação semântica não observada no caso de “bill” e “ball” do que no caso de “bill” e “pill”. etc. Language32. uma abordagem semântica à distinção fonêmica enfrenta dificuldades consideráveis. No entanto. 53 Não se pode fazer confusão com o fato de que. parece ser o caso de que aqueles que propõem alguma variante de (117i) devem estar interpretando o “significado” de maneira tão abrangente que qualquer resposta à linguagem é chamada de “significado”. Parece estranho que aqueles que fizeram objeções a fundamentar a teoria lingüística em formulações como (117i) tenham sido acusados de desprezo em relação ao significado. Observamos na seção 9. se pode pedir ao sujeito para que identifique os enunciados-ocorrência pelo significado. uma confusão entre os termos “significado” e “resposta do informante”. Acredito que qualquer um que deseje salvar a expressão “estudo do significado” como sendo um F. na minha opinião. teremos uma referência perfeitamente aceitável a técnicas como o teste dos pares. p. Ao contrário. Por isso. que identifique os enunciados-ocorrência por números escolhidos aleatoriamente. 52 92 . estaríamos nos equivocando em diversos pontos.cuidadoso como qualquer outra abordagem não semântica. não há garantias de que as interpretações das respostas estudadas no teste dos pares sejam semânticas53. Porém. “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”. se tirarmos a palavra “significado” dessa afirmação. como vimos. 191. por signos do zodíaco.2. Podemos encontrar comentários como este. da mesma forma. Não haveria qualquer elemento semântico nesse teste.5 que parecem existir dificuldades de princípios ainda mais profundas.3 que se fôssemos determinar o contraste por meio de “significado das respostas” de qualquer maneira direta. relativos ao método lingüístico: “em análise lingüística. essencialmente. Além do mais. 158-64 (1956). Mas aceitar esse ponto de vista significa tirar do termo “significado” qualquer interesse relevante. a rima completa. Lounsburry. Não podemos utilizar alguma formulação particular do teste dos pares como um argumento para a dependência de uma teoria gramatical no significado. E vimos em 9. Podemos pedir a ele. devemos considerá-la incorreta e rejeitá-la. Pode-se muito bem desenvolver um teste operacional para a rima que mostraria que “bill” e “Pill” estão relacionados de uma forma que “bill” e “ball” não estão. Um segundo motivo por que formulações como (117) parecem ser aceitas é. se interpretamos de forma literal a afirmação citada. somos obrigados a elaborar uma construção tão complexa com tantas premissas intoleráveis que dificilmente poderá ser considerada uma proposta séria. e se tentarmos evitar as dificuldades que naturalmente aparecem.

Language (New York. Da mesma forma. As investigações de tais propostas. parecem levar invariavelmente à conclusão de que apenas uma base puramente formal pode fornecer fundamentos firmes e produtivos para a construção da teoria gramatical. Z. e parece razoável assumirmos que uma noção independente do significado. podemos descrever circunstâncias em que uma sentença “quantificacional” como “everyone in the room knows at least two languages” (todos nesta sala falam ao menos duas línguas) possam ser verdadeiras. Morfemas como “to” em “I want to go” (eu quero ir) ou o postiço “do” em “did he come?” (ele veio?) (cf. Investigações detalhadas de propostas com orientação semântica iriam além do limite deste trabalho e seriam um tanto inúteis. O “to” marca o infinitivo do verbo inglês. temos contra-exemplos para a sugestão de (117ii). No capítulo 2. L. como gl. Harris. 1951). pode atribuir significado de algum tipo para formas que não são morfemas. da mesma forma como é impossível provar a irrelevância de qualquer outro conjunto de noções. S.2. podemos mencionar brevemente alguns dos contra-exemplos mais óbvios para sugestões como (117). e o “do” (naquele exemplo. além disso. 1933). 93 . formulações como (117i). Para contradizer (117vi). p. Jespersen. argumentamos no sentido de rejeitar a “significação semântica” como sendo um critério geral para a gramaticalidade. Bloomfield. 9.em “gleam” (brilho). Methods in structural linguistics (Chicago. seção 7. para mais exemplos. 1922). 54 [u20] Comentário: Tanto o “to” como o “do” do inglês não recebem tradução como elementos foneticamente expressos em português.1) dificilmente poderão ser considerados como portadores de significado. contudo. Sentenças como “John received a letter” (o João recebeu uma carta) ou “the fighting stopped” (a briga terminou) mostram claramente a insustentabilidade da afirmação (117iv) de que a relação gramatical sujeito-verbo tem um “significado estrutural” de ator-ação” se o significado for levado a sério como um conceito independente da gramática. é impossível provar que noções semânticas não tenham utilidade na gramática.aspecto importante da pesquisa lingüística deva rejeitar essa identificação entre “significado” e “resposta à linguagem” e. 177. Assim. p. se estabelecida de maneira clara. de que os morfemas são definidos como os elementos mínimos significativos. capítulo XX. “glow” (brilho)54.7 Evidentemente. enquanto que sua correspondente passiva “at least two languages are known by everyone in the room” (ao menos duas línguas são faladas por todos nesta sala) seja falsa. tal como proposta em (117iii). expresso como “did”) aparece marcando o tempo do passado simples em inglês. de acordo com a Cf. “glimmer” (luz). a atribuição (117v) de qualquer significado estrutural ação-objetivo à relação verbo-objeto é invalidada por sentenças como “I will disregard his incompetence” (eu irei ignorar a incompetência dele) ou “I missed the train” (eu perdi o trem). Ainda assim. 156. Language (New York. O.

econtrar absolutos semânticos. apenas espanhol e italiano. vimos que existem. prévios à gramática.2. qualquer tentativa de estudar o significado de maneira independente dessa especificação permanece fora de questão.interpretação normal dessas sentenças – por exemplo. contudo. Essas correspondências devem ser estudadas dentro do panorama de uma teoria mais geral da linguagem.3 Esses contra-exemplos não deveriam. negação. dado o instrumento língua e seus aparatos formais. O fato de que as correspondências são tão inexatas sugere que o significado será relativamente inútil para servir de base para a descrição gramatical. contudo. parece que o estudo do significado enfrenta tantas dificuldades que.55 Uma análise cuidadosa de cada proposta de fundamento no significado confirma isso e mostra. que possam ser usados para determinar os objetos da gramática de alguma forma. ainda que imperfeitas. alguns tipos de relações bem gerais entre esses dois domínios que merecem um estudo mais detalhado. 94 . que existem correspondências inegáveis. em R. que importantes intuições e generalizações sobe a estrutura lingüísticas podem ser ignorados se pistas semânticas vagas forem seguidas perto demais. nos cegar com relação ao fato de que existem correspondências significativas entre as estruturas e os elementos que não são descobertos por uma análise formal e gramatical e as funções semânticas específicas. Nenhuma das afirmações em (117) é inteiramente falsa. Uma vez determinada a estrutura sintática da língua. De maneira geral. não pode ser ignorado. podemos e devemos investigar sua função semântica (como. mas não podemos. se uma pessoa na sala sabe apenas francês e alemão. Em outras palavras. aparentemente. então. aparentemente. e outra. algumas são quase verdadeiras. Isso indica que nem mesmo a relação semântica mais fraca (equivalência factual) se mantém na distinção geral entre ativa e passiva. “Beitrag zur allgemeinen Kasuslehre”. entre as características formais e semânticas na linguagem. até mesmo depois de os elementos lingüísticos portadores de significado e suas relações serem especificadas. O fato de que as correspondências entre as características formais e semânticas existem. A semelhança entre ativa e passiva. podemos estudar a maneira com que a estrutura sintática é posta em 55 Uma outra razão para suspeitarmos que a gramática não pode ser efetivamente desenvolvida em termos semânticos foi tratado no caso particular da distinção fonêmica que vimos na seção 9.5. declarativa e interrogativa e outras relações transformacionais não teriam sido descobertas se a relação ativa-passiva tivesse sido investigada apenas em termos de noções como a sinonímia. de fato. que irá incluir uma teoria da forma lingüística e uma teoria do uso da língua como subpartes. No capítulo 8. vimos que a relação ativa-passiva é apenas uma instância de um aspecto muito geral e fundamental da estrutura formal lingüística. Por exemplo. por exemplo. 9. Travaux du Cercle Linguistique de Prague 6. 240-88 (1936)). Jackobson. Parece claro.

Na verdade. Podemos julgar as teorias formais em termos de suas habilidades para explicar e clarificar uma variedade de fatos sobre a maneira em que as sentenças são usadas e compreendidas. e a noção de “simplicidade” que mencionamos explícita ou implicitamente não foi devidamente analisada. através da construção da teoria a partir de uma base parcialmente semântica. que é isolado e exibido pela gramática para conseguir sustentar uma descrição semântica. Consideramos o problema da pesquisa sintática como sendo o de construir um mecanismo para a produção de um dado conjunto de sentenças gramaticais e o de estudar as propriedades das gramáticas que fazem isso de maneira efetiva. tal como sugerimos brevemente no capítulo 8. A estrutura sintagmática e a estrutura transformacional parecem fornecer os maiores mecanismos sintáticos disponíveis na língua para a organização e expressão do conteúdo. apresentamos o desenvolvimento de alguns conceitos lingüísticos fundamentais em termos puramente formais. Obviamente. apontamos no capítulo 8 que as correlações entre a forma e o uso da língua podem até mesmo fornecer certos critérios brutos de adequação para uma teoria lingüística e as gramáticas que ela oferece. Noções semânticas como referência. significação e sinonímia não desempenharam qualquer papel em nossa discussão. Em outras palavras. tanto quanto eu saiba. Uma investigação da função semântica da estrutura de níveis. o princípio que postula que o conjunto de sentenças gramaticais seja dado a priori é demasiado forte. A gramática de uma dada língua deve mostrar como essas estruturas abstratas são concretizadas no caso dessa língua. deveríamos apreciar o framework sintático da língua.uso no funcionamento real da língua. Nos capítulos 3 a 7. poderia se configurar em um passo razoável em direção a uma teoria de interconexões entre sintaxe e semântica. ao passo que a teoria lingüística deve esclarecer essas bases para a gramática e os métodos de avaliação e escolha entre todas as gramáticas propostas. ao introduzirmos considerações como as do capítulo 8 na metateoria que lida com a gramática e com a semântica e seus pontos de conexão. É importante reconhecermos que. nem essas lacunas nem quaisquer outras no desenvolvimento da teoria gramatical podem ser preenchidas ou esclarecidas. e valorizarmos uma teoria da estrutura formal que conduza a gramáticas que satisfazem esse requisito de maneira mais completa. não alteramos o caráter puramente formal da teoria da estrutura gramatical per se. a teoria que esboçamos apresentou algumas lacunas graves – por exemplo. 95 . Ainda assim.

na descrição do significado de “hit” (bater. precisamos conhecer muito mais do que a análise dessa sentença em cada nível lingüístico. descreveríamos. 56 96 . torna-se muitas vezes útil. 57 Uma descrição como essa do significado de “hit” daria automaticamente conta do uso de “hit” em sentenças transformadas. senão necessário. por exemplo. isto é. A abordagem de Goodman resumese a uma reformulação de uma parte a teoria do significado nos termos bem mais claros da teoria da referência. então.Nos capítulos 3 a 7 estudamos. Na descrição do significado de uma palavra. assim como muito da nossa discussão pode ser entendido como uma sugestão de uma reformulação de partes da teoria do significado que lida como chamado “significado estrutural” em termos da teoria da estrutura gramatical completamente não semântica. Cf. acertar). Aquilo que salientamos no capítulo 8 foi que podemos esperar que esse estudo formal da estrutura da língua como instrumento possa fornecer esclarecimentos sobre o uso efetivo da língua. na minha opinião – que a noção de significado das palavras pode ser reduzido. vol. 9. n. sobre o processo de compreensão de sentenças. vol. “On likeness of meaning”. sem dúvidas. etc. Analysis. pelo menos em parte. idem. verbos descritos em termos de sujeito e objeto.4 Para compreender uma sentença. “On some differences about meaning”. Isso Goodman demonstrou – de maneira bastante convincente. A motivação para essa exigência de formalidade para as gramáticas que nos auto-impusemos é bastante simples – parece não haver qualquer outra base que produza uma teoria da estrutura lingüística que seja rigorosa. 1 (1949). eficaz e “reveladora”. a língua como um instrumento ou um utensílio. Goodman. como “Bill was hit by John” (o Bill foi acertado pelo John). 13. 4 (1953). naturalmente.57 Encontraremos naturalmente muitas palavras ou morfemas de uma única categoria gramatical descrita semanticamente em termos similares. O requisito de que essa teoria constitua uma disciplina completamente formal é perfeitamente compatível com a intenção de formulá-la de forma tal que tenha interconexões sugestivas e significativas com uma teoria semântica paralela. que são mais bem analisadas como noções puramente formais pertencendo à teoria da gramática. o agende e o objeto da ação em termos de noções como “sujeito” e “objeto”. N. recorrer ao framework sintático ao qual pertence a palavra. Essas noções são as noções básicas para a semântica. à noção de referência de expressões contendo essas palavras. podemos esperar que diversos aspectos dessa teoria sejam reivindicados por outras abordagens ao estudo da língua no curso de seu desenvolvimento. não podemos esperar que a gramática ajude muito nesse ponto. etc. 10. como. tentando descrever a sua estrutura sem qualquer referência explícita à maneira como esse instrumento é utilizado na prática. n. Analysis. Na medida em que isso esteja certo. Precisamos também conhecer a referência e o significado56 dos morfemas ou palavras que a constituem. se conseguimos mostrar com suficiente detalhe e generalidade que as sentenças transformadas são “compreendidas” em termos de sentenças nucleares subjacentes. “hitting Bill was wrong” (bater no Bill foi errado). por exemplo.. Parte da dificuldade com a teoria do significado é que o “significado” tende a ser usado como um termo amplo que inclui todos os aspectos da língua que ainda não conhecemos muito bem.

no entanto. a liberdade de combinação e o tamanho da classe de substituição. Vimos. Adjetivo. quando distribuímos uma seqüência de morfemas em uma seqüência de espaços em branco. do ize e do ly. sabemos que as três palavras são nome. ao contrário das categorias Artigo. etc. Essa propriedade. Por exemplo. [u23] Comentário: Em português. Em geral. que uma generalização a partir desse uso sistemático para atribuir “significados estruturais” a categorias gramaticais ou construções. no primeiro caso. em que o espaço poderia ser preenchido com uma desinência modo-temporal do verbo. etc. 97 . não faz uma distinção clara entre os morfema gramaticais e os outros. em que o morfema plural –s marca o substantivo. já que em sentenças como “the Pirots karul __ yesterday” (os Pirots karul __ ontem) ou “give him __ water” (dê-lhe __ água). Um outro uso comum mas duvidoso da noção de “significado estrutural” diz respeito ao significado dos chamados morfemas de “função gramatical”. mas não por um numeral como “um” ou “dois” (cf. como ing. por causa do s. do que em termos de qualquer traço semântico presumível. [u21] Comentário: O morfema -ing em inglês marca o gerúndio (-ndo em português). significa que os mecanismos sintáticos disponíveis na língua estão sendo usados de maneira bastante sistemática. correspondendo ao segundo exemplo. na seqüência “Pirots karulize etalically”. elas são aparentemente melhor explicadas em termos de noções gramaticais como a produtividade. para que determinem a categoria gramatical de elementos sem sentido. adjetivos e talvez de outras classes grandes encontra apoio geralmente no apelo ao fato de que esses morfemas podem ser distribuídos em uma seqüência de espaços vazios ou sílabas sem sentido de modo que o todo tenha aparência de uma sentença e. Verbo. verbos. o advérbio. é de validade bastante duvidosa. Quaisquer que sejam as diferenças entre os morfemas no que diz respeito a essa propriedade. A afirmação de que os significados desses morfemas são fundamentalmente diferentes dos significados dos nomes. e “dê-lhe __ dinheiro”. e com o “the” (a). ly. porém. em que o espaço vazio poderia ser preenchido por “o” ou “algum”. verbo e advérbio. Afixo Verbal. “some”(alguma). (mas não “a” (uma). no segundo. etc. O fato de nesses casos termos sido forçados a apresentar espaços vazios ao invés de palavras sem sentido é explicado pela produtividade ou “infinidade” das categorias Substantivo. poderíamos pensar em uma seqüência como “Mapos cartunam guiraldamente”. o –am marca o verbo e o –mente. etc.não deveria ser surpreendente. os espaços em branco são determinados também como uma variante do tempo passado.. de fato. ?dê-lhe um dinheiro e *dê-lhe dois dinheiros). o morfema –ly é formador de advérbio (correspondente a –mente em português). [u22] Comentário: Em português. poderíamos ter “Os mapos cartun __ ontem”. respectivamente. correspondendo ao primeiro exemplo de Chomksy. limitamos a escolha dos elementos que podem preencher os espaços para formar uma sentença gramatical. as preposições. tal como se atribuem “significados lexicais” a palavras ou morfemas.

a um núcleo de sentenças básicas (simples. A gramática é melhor formulada como um estudo autônomo. Uma gramática tem uma seqüência de regras a partir das quais podemos 98 . possivelmente repetidas. e a tentativa de desenvolver um manual assim irá provavelmente (assim como aconteceu no passado) contribuir para a formação da teoria lingüística de maneira substancial. todas as outras sentenças (mais propriamente. como a estrutura sintagmática e a estrutura transformacional. independente da semântica. a partir de elementos dos níveis inferiores ou para o sentimento de que o trabalho sintático é prematuro até que todos os problemas de fonêmica ou morfologia estejam solucionados. derivando. a partir das seqüências que subjazem a elas). tendo encontrado um conjunto de transformações que convertem sentenças gramaticais em sentenças gramaticais. Podemos simplificar em muito a descrição do inglês e obter novos e importantes esclarecimentos sobre sua estrutura formal se limitarmos a descrição direta. literalmente. como um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita não é aceitável. em termos da estrutura sintagmática. declarativas. consideramos as gramáticas como tendo uma estrutura tripartite. ativas. RESUMO Ao longo desta discussão. podemos determinar a estrutura de constituintes de sentenças particulares através da investigação do seu comportamento sob o efeito dessas transformações. A teoria da estrutura lingüística não pode ser confundida com um manual de procedimentos úteis para a descoberta de gramáticas. Se esse ponto de vista for adotado. a partir delas. ainda que tal manual tenha certamente de se basear nos resultados da teoria lingüística. e que níveis lingüísticos bastante abstratos. através de transformações. Inversamente. Conseqüentemente. Em particular. para a concepção dos elementos de níveis superiores como construídos. são necessários para a descrição da linguagem natural. com análises em constituintes alternativos. No desenvolvimento deste estudo independente e formal. vemos que um modelo simples de língua. a noção de gramaticalidade não pode ser identificada com a noção de dotado de significado (assim como ela também não apresenta nenhuma relação com a noção de ordem de aproximação estatística). há pouca motivação para a objeção à mistura dos níveis.10. enfatizamos os seguintes pontos: o máximo que podemos razoavelmente esperar da teoria lingüística é que ela forneça um procedimento de avaliação de gramáticas. sem sintagmas verbais ou nominais complexos).

reconstruir a estrutura sintagmática e uma seqüência de regras morfofonêmicas que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. parece que a noção de “compreender uma sentença” deve ser parcialmente analisada em termos gramaticais. Ainda assim. As regras de estrutura sintagmática e as regras morfofonêmicas são básicas. Para compreender uma sentença. em certo sentido. é necessário (mas não suficiente. De maneira mais geral. “seem” (parecer)) não passa de um caso regularidade em um nível superior. como “os elementos básicos de conteúdo”. Em um número significativo de casos. Conectando essas seqüências. em um sentido não compartilhado pelas regras transformacionais. “have” (ter). parece ser bastante suspeita. às quais as regras morfofonêmicas podem se aplicar. e é questionável afirmar que os mecanismos gramaticais disponíveis na língua sejam usados de maneira suficientemente consistente a ponto de ser possível atribuir a eles significado diretamente. descobrimos que o comportamento aparentemente irregular de algumas palavras (por exemplo. mas para aplicar as regras não transformacionais. Em outras palavras. um resultado do estudo formal da estrutura gramatical é que podemos esclarecer um quadro sintático que pode servir de apoio a uma análise semântica. e muitos pares de sentenças recebem representações semelhantes ou idênticas em algum nível. Como conseqüência imediata da tentativa de construir a gramática mais simples possível do inglês em termos de níveis abstratos desenvolvidos na teoria lingüística. A descrição do significado pode se referir de maneira proveitosa a este quadro sintático subjacente. é suficiente conhecer o formato da seqüência em que a regra irá ser aplicada. evidentemente) reconstruir sua representação em cada nível. a partir dos quais essa sentença é construída. incluindo o nível transformacional onde as sentenças nucleares subjacentes de uma dada sentença podem ser pensadas. A noção de “significado estrutural”. devemos conhecer um pouco da história da derivação desta seqüência. “be” (ser/estar). encontramos muitas correlações importantes. de forma 99 . as representações duplas (construções de homonímia) correspondem à ambigüidade da sentença representada e uma representação semelhante ou idêntica surge em casos de semelhança intuitiva entre enunciados. embora as considerações semânticas sistemáticas sejam aparentemente inúteis para a sua determinação. oposta a “significado lexical”. existe uma seqüência de regras transformacionais que convertem seqüências com estrutura sintagmática em novas seqüências. Também descobrimos que muitas sentenças recebem dupla representação em algum nível. Para uma transformação ser aplicada a uma seqüência. contudo.

em outras palavras. preocupada com a sintaxe e a semântica e seus pontos de conexão. ou . entre a estrutura sintática e o significado. os mecanismos gramaticais são usados de maneira bem sistemática.bastante natural. Essas correlações poderiam formar parte do objeto de pesquisa de uma teoria mais geral da linguagem. 100 .

Z. por exemplo. come.. utilizamos o hífen para indicar a subdivisão de uma seqüência que é imposta por uma certa transformação. iremos apresentar um breve quadro das convenções notacionais e terminológicas novas ou menos familiares que utilizamos. eles foram introduzidos apenas por motivos de clareza da exposição. utilizamos o hífen no lugar do sinal de adição (+) para simbolizar a concatenação. S. Assim. W para representar variáveis nas seqüências. past. Y. Nenhum desses mecanismos notacionais tem qualquer relevância sistemática. etc. Às vezes. temos os elementos vocabulares the. Um nível lingüístico é um método de representar os enunciados. utilizamos itálico ou aspas para os símbolos do vocabulário e ara as seqüências representando os símbolos. boy. quando dizemos que a transformação de pergunta Tint se aplica de maneira particular a uma seqüência da forma (118) SN – have – en + V (cf. APÊNDICE I – NOTAÇÕES E TERMINOLOGIA Neste apêndice. a (119) they – have – en + arrive 101 . no nível morfêmico em inglês. Utilizamos X. como no exemplo que acabamos de ver. Procedemos dessa forma para chamar uma atenção especial à subdivisão do enunciado que estamos estudando em um dado momento. simbolizada por +.11. queremos dizer que ela se aplica. e podemos formar a seqüência the + boy + S + come + past (que seria convertida pelas regras morfofonêmicas na seqüência de elementos / /) representando o enunciado “the boys came” (os garotos vieram). suprimimos o símbolo de concatenação + e usamos as barras oblíquas habituais. no nível fonêmico. Às vezes. Fora do nível fonêmico. utilizamos maior espaçamento com esse mesmo objetivo. chamamos este vocabulário de alfabeto da língua) que pode ser colocado em uma seqüência linear para formar seqüências de símbolos através de uma operação chamada concatenação. Na discussão sobre as transformações. (37iii)) invertendo os dois primeiros segmentos. Assim. Ele tem um vocabulário finito de símbolos (no nível fonêmico.

A lista seguinte mostra as páginas em que ocorreram os símbolos especiais não S ∅ passado Af # A wh Adj SP Prt Comp 102 . a b.já que they (eles) é um SN e arrive (chegar) é um V nessa seqüência. finalmente. Uma regra da forma X Y deve ser interpretada como a instrução “reescreva X como Y”. F] Aux V C M en b + c. ambas as regras (121i) e (121ii) (121) (i) a (ii) a b (c) b+c b são abreviações para o par de alternativas: a mencionados acima. O resultado da transformação nesse caso será (120) have – they – en + arrive e. “have they arrived?” (eles chegaram?). Usamos os parênteses para indicar que um elemento pode ou não ocorrer e as chaves (ou uma listagem) para indicar uma escolha entre os elementos. pela primeira vez: (122) SN SV T N SNsing SNpl [∑. Então. onde X e Y são seqüências.

C(M) (have + en) (be+ing) will. Aux + V hit. M SN + VP (13i) (13iii) (p. Sentença 2. O número à esquerda fornece a ordenação apropriada das regras. nota 12) (13iv) (13v) (28i) (28ii) (28iii) (28iv) Verbo + SN SNsing SNpl T+N+∅ T+N+S the man. SN 4. 22. etc. O número que aparece entre parênteses à direita de cada regra é o número que a regra aparece no texto. walk.Verbo Estrutura Transformacional: Uma transformação é definida pela análise estrutural das seqüências a que ela se aplica e pela mudança estrutural que ela provoca nessas seqüências. take. imaginando que esse esquema corresponda a um esboço de uma gramática da fora (35). SNsing 5. shall. 103 . N 9. can. Certas regras foram modificadas de seu formato original no texto devido a decisões subseqüentes ou para apresentar maior sistematicidade. Aux 11. APÊNDICE II – EXEMPLOS DE REGRAS SINTAGMÁTICAS E TRANSFORMACIONAIS DO INGLÊS Para facilidade de referência. ball. read. etc. Estrutura Sintagmática: ∑: # Sentença # F: 1. V 10. nota 12) (p. SV 3. must 8. SNpl 6.12. separamos aqui os exemplos de regras da gramática do inglês que desempenharam um papel importante ao longo de nossa discussão. 22. T 7. may. 22. nota 12) (p.

Passiva – opcional: Análise estrutural: SN – Aux – V – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 (34) 13. Tfacsep – opcional: Análise estrutural: X – V1 – Prt – SN Mudança estrutural: a mesma de 13 15. (41) a (43)) 104 X1 – X2 – A – X3 X1 – X2+ n’t – X3 (37) (29i) (85) (86) (92) X1 – X2 – X4 – X3 X4 – X2+ be + en – X3 – by + X1 ... Tneg – opcional: SN – C – V. Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 17... (45) a (47)) Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 18... SN – C + have __ . Transformação de Número – obrigatória Análise estrutural: X – C – Y S no contexto SNsing __ Mudança estrutural: C ∅ em outros contextos Passado em qualquer contexto 16. TA – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf. Tobsep – obrigatória: Análise estrutural: X – V1 – Prt ..12. Tint – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf.Pronome X – V2 – Comp – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 14. Análise estrutural: SN – C + M __ .. SN – C + be __ .

Conjunção (26) de S 2: Z – X – W onde X é um elemento mínimo (por exemplo. Tw – opcional e condicionada por Tint: Tw1: Análise estrutural: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: a mesma de 18 (60i) Tw1: Análise estrutural: SN – X (60ii) Mudança estrutural: X1 – X2 who (cf.) e Z e W são segmentos de seqüências terminais. SN. etc. ou é have ou be) (29ii) X1 – X3 – X2 # – X4 Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 21.Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 X2 – X1 – X3 19. Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4 – X5 – X6) 24. wh + nome não indicado wh + X1 – X2 onde wh + nome animado what 20. v é qualquer M ou V. nota 38). Transformação de introdução de do – obrigatória Análise estrutural: # – Af Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – do + X2 Transformações generalizadas: 23. SV. Tso: (48) a (50) de S 2: a mesma de 16 105 X1 – X2 + and + X5 – X3 Análise estrutural: de S 1: Z – X – W Análise estrutural: de S 1: a mesma de 16 . Transformação do pulo do afixo – obrigatória Análise estrutural: X – Af – v – Y (onde Af é qualquer C ou é en ou é ing. Transformação de limite de palavra – obrigatória: Análise estrutural: X – Y (onde X ≠ v ou Y ≠ Af) Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – # X2 (29iii) 22.

Transformação de Nominalização Tto: Análise estrutural: de S 1: SN – SV de S 2: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: (X1 – X2. X3 – X4 – X5) 26. algo sobre a dependência condicional entre as regras. juntamente com uma distinção entre as regras obrigatórias e as opcionais e. Temos então três conjuntos de regras. Transformação de Nominalização Ting: Idêntica a 25. A ordem das regras é essencial e. que ficou conhecido como modelo transformacional. Veja as referências citadas na nota 24 para um desenvolvimento mais detalhado e para uma aplicação da análise transformacional. nota 38. X4 – X5 – X6) – X4 X1 – X2 – X3 – and – so – X5 A Tso é na verdade composta pela transformação de conjunção. Transformação de Nominalização TAdj: Análise estrutural: de S 1: Art – N – is . em uma gramática formulada adequadamente. pelo menos na parte transformacional. em um enunciado gramatical. Essa formulação das regras transformacionais deve ser entendida apenas como sugestiva.Adj de S2: a mesma de 25 Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4. o modelo préaspects: Regras Sintagmáticas ⇓ Marcadores sintagmáticos subjacentes ⇓ Transformações ⇓ Sentenças derivadas . essa ordem seria indicada em todas as três seções. regras transformacionais (incluindo as transformações simples e as generalizadas) e regras morfofonêmicas. 25. como em (35): regras de estrutura sintagmática.Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3. isto é. 106 [u24] Comentário: Temos então o modelo de gramática proposto por Chomsky. nota 35. (45). etc. terminando em uma seqüência de fonemas da língua analisada. Não desenvolvemos a maquinaria suficiente para apresentar todas as regras de maneira apropriada e uniforme. O resultado da aplicação de todas essas regas é uma derivação estendida (como (13)-(30)(31)). X5 – X6 – X7) X5 – X1 + X4 + X2 – X7 X3 – to + X2 – X5 Estrutura morfofonêmica: Regras (19). com o ing no lugar do to na mudança estrutural. 27.

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A. • • • CARNIE. Nova York: Prager. CHOMSKY. = leitura avançada. CHOMSKY. Knowledge of language. N. 2000. Principles and parameters – an introduction to syntactic theory. Algumas obras são bastante introdutórias. destacamos alguns livros e manuais introdutórios ao programa gerativista. R. 1988. CULICOVER. 1986. London: Oxford University Press. Syntactic theory: a unified approach. C. Oxford: Oxford University Press. Language and thought. Eles variam no grau de dificuldade de acordo com o número de estrelas que recebem ( = leitura acessível. Por isso. New York: Basic Books. 2001. destacamos alguns livros e manuais que podem ser uma boa sugestão de leitura para o leitor que está começando seus caminhos em pesquisa lingüística de cunho gerativo. 2002. London: Moyer Bell. o mesmo sistema vale para os livros das demais seções). • BORSLEY. • • CHOMSKY. Oxford: Blackwell. 1999. Cambridge: MIT Press. N. Trabalhando com Semântica 4. Nesta seção. P. = leitura intermediária. Syntax: a generative introduction. N. outras são mais avançadas. Language and problems of language – the Managua lectures. • 108 . Obras Fundamentais 3. Conhecendo Chomsky e a Gramática Gerativa 2. BAKER.Para o leitor moderno de Chomsky Há inúmeros livros. 1997. CONHECENDO CHOMSKY E A GRAMÁTICA GERATIVA Nesta seção. M. Trabalhando com Fonética/Fonologia 1. The atoms of language – the mind’s hidden rules of grammar. artigos e manuais sobre Noam Chomsky ou sobre o programa gerativista. resolvemos classificar cada sugestão de leitura em algumas categorias: 1.

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