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Estruturas Sintáticas

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Estruturas Sintáticas

Noam Chomsky

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Em 2007, a publicação do já clássico Syntactic Structures, de Noam Chomsky completou 50 anos. Noam Chomsky foi considerado, em 2005, o intelectual de maior influência do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista britânica Prospect (Umberto Eco e Richard Dawkings ocuparam a segunda e terceira posição, respectivamente). Seus trabalhos estão entre os 10 mais citados na história da ciência (de acordo com uma pesquisa do Institute for Scientific Information, Chomsky está atrás apenas de Marx, Lenin, Shakespeare, Aristóteles, a Bíblia, Platão e Freud)1 e, entre 1980 e 1992, Chomsky foi o intelectual vivo mais citado em trabalhos acadêmicos, de acordo com o Arts and Humanities Citation Index. Por isso, esta obra de Chomsky dirige-se a um público-alvo abrangente, como acadêmicos de Letras, de Lingüística, de Ciências da Computação e Informática, de Psicologia e de Matemática. Espero que esta edição traduzida e comentada possa se tornar uma boa maneira de um leitor do século XXI passar a conhecer as idéias fundamentais de Noam Chomsky e seu programa gerativista no estudo da faculdade da linguagem, iniciado há mais de 50 anos.

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Cf. KESTERTON, Michael. Social studies. The Globe and Mail. 11 de fevereiro de 1993.

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Noam Chomsky e o Syntactic Structures – o autor e a obra Avram Noam Chomsky (nascido na Filadélfia, no dia 7 de dezembro de 1928) é atualmente professor de Lingüística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Ele foi o responsável por uma revolução teórica e metodológica na Lingüística, nos anos 1950. Além disso, sua influência se estende também a outros domínios, como as Ciências Sociais e Políticas, as Ciências Cognitivas, a Psicologia, a Informática e a Filosofia. Syntactic Structures (publicado pela primeira vez em 1957) é resultado de seus estudos durante seu doutoramento na Universidade da Pennsylvania, sob a orientação do eminente lingüista Zellig Harris. Sua tese de Doutorado, de 1955, The Logical Structure of Linguistic Theory, acabou sendo publicada vinte anos mais tarde. É nessas duas obras, Syntactic Structures e The Logical Structure of Linguistic Theory que Chomsky lança as bases do que se tornará o programa de investigação lingüística que mais influenciaria a Lingüística no século XX, o programa gerativista. Publicado em 1957, Syntactic Structures completou recentemente 50 anos. A obra ganhou apenas uma publicação em português, em 1980, pela Edições 70 de Lisboa.

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a uma conclusão inaceitável. baseado na comunicação e extremamente simples. de uma forma estrita. possivelmente. Noções obscuras e intuitivas não conduzem a conclusões absurdas nem tão pouco ao fornecimento de resultados novos e corretos. se chama “análise de constituintes imediatos”. a partir daí.Prefácio Este estudo trata da estrutura sintática. no próprio processo de descoberta. Veremos que tanto um determinado modelo teórico de linguagem. não servem. Especificamente. A construção de modelos precisos para a estrutura lingüística pode desempenhar um papel importante. aplicando-a depois. Acredito que alguns dos lingüistas que puseram em causa o valor de um desenvolvimento preciso e técnico da teoria lingüística não terão. uma determinada teoria. como no sentido estrito (em que se opõe à fonologia e à morfologia). torna-se freqüentemente possível detectar a causa exata dessa inadequação e. Os resultados aqui apresentados foram obtidos a partir de uma tentativa consciente de seguir sistematicamente esse caminho. abrangendo grande parte daquilo a que hoje. como um modelo mais poderoso. rigorosamente. formalizada. reconhecido as potencialidades produtivas de um método que consiste em formular. da estrutura lingüística. A procura de uma formulação rigorosa em Lingüística se inscreve dentro de uma motivação bastante mais séria do que uma simples preocupação com sutilezas lógicas ou com um desejo de depurar métodos fortemente enraizados de análise lingüística. pelos que falham em dois importantes aspectos. procurando determinar as suas limitações. chegar a uma compreensão mais profunda dos dados lingüísticos. De forma mais positiva. analisaremos três modelos da estrutura lingüística. já que a apresentação informal que adotamos poderia obscurecêlo. É importante salientar aqui este fato. Ele faz parte de uma tentativa de construção de uma teoria geral. tanto negativo como positivo. de forma adequada. através de uma formulação rigorosa mas inadequada. a material lingüístico sem que tentem se evitar certas conclusões inaceitáveis por meio de ajustes ad hoc ou de uma formulação inconsistente. automaticamente. Ao chegar. fornecer soluções para problemas que ultrapassam o âmbito daqueles para que foi explicitamente elaborada. uma teoria formalizada poderá. os objetivos da 4 . de maneira geral. tanto no sentido lato (em que se opõe à semântica). e de exploração dos fundamentos de tal teoria.

Israel Scheffer e Yehoshua Bar-Hillel leram versões anteriores deste texto e fizeram valiosas críticas e comentários na apresentação e no conteúdo. Este trabalho foi subsidiado em parte pelos Exército dos Estados Unidos (USA Army – Signal Corps). O trabalho sobre a teoria das transformações e a estrutura transformacional do inglês que. a formalização pode efetivamente desempenhar ambos papes. e que dá conta de tais relações de maneira natural. Talvez de forma menos evidente. O trabalho de Harris sobre a estrutura transformacional. e em parte pela National Science Foundation and the Eastman Kodak Corporation. mencionados anteriormente. Desenvolveremos um terceiro modelo. indo além daqueles fenômenos para os quais ela foi especificamente planejada. Muitas das idéias e sugestões dele estão incorporadas tanto no texto que segue. constituiu a base de grande parte da discussão que segue. beneficiei-me das longas e freqüentes discussões com Zellig S. o rumo desta pesquisa foi fortemente influenciado pelos trabalhos de Nelson Goodman e W. foi. para a estrutura lingüística. A investigação e aplicação desses modelos esclarece alguns fatos de estrutura lingüística e revela diversas lacunas na teoria lingüística. Eric Lenneberg. Durante todo o processo desta pesquisa. como a relação ativapassiva. Harris. Em resumo. embora sumariamente esboçado. está desenvolvido nos números 15. Quine. Air Research and Development Command) e pela Marinha (Navy – Office of Naval Research). que é mais poderoso do que o modelo de constituintes imediatos em certos pontos importantes. Quando formulamos a teoria das transformações de maneira cuidadosa e a aplicamos livremente ao inglês. o positivo e o negativo. desenvolvido entre 1951 e 1955. V. cuja perspectiva diverge parcialmente da minha. enquanto eu era um Junior Fellow da Society of Fellows na Universidade de Harvard. vemos que ela lança uma luz sobre uma grande variedade de fenômenos. Eu gostaria de expressar a minha gratidão a Society of Fellows por terem me dado a liberdade para levar a cabo esta pesquisa. a saber. 16 e 19 das Referências Bibliográficas. na sua quase totalidade. pela Força Aérea Americana (Air Force – Office of Scientific Research. a impossibilidade de dar conta de certas relações entre sentenças. Eu discuti muito deste material com Morris Halle e me beneficiei muito de seus comentários e sugestões. de forma que eu não tentarei assinalá-las com referências especiais. transformacional. 5 . como na investigação que o precedeu.descrição gramatical.

01 de agosto de 1956.NOAM CHOMSKY Massachusetts Institute of Technology Department of Modern Languages and Research Laboratory of Electronics Cambridge. 6 . Mass.

em particular. Uma função dessa teoria é fornecer um método geral de seleção de uma gramática para cada língua. [O21] Comentário: O livro de Chomsky teve uma boa e imediata repercussão no mundo acadêmico em grande parte por causa de uma resenha contundente de R. disponíveis para a construção de gramáticas. Para Lees. 377-8). “Review of Chomsky”. É possível determinar a adequação de uma teoria lingüística através do desenvolvimento rigoroso e preciso da forma da gramática correspondente ao conjunto de níveis abrangidos por essa teoria. Cf. sem referência específica às línguas particulares. em seguida.1. resultados explícitos que podem ser comparados com novos dados e outras intuições. que pode ser encarada como um mecanismo de produção das sentenças da língua em questão. dado um corpus de sentenças da língua. é antes uma explicação rigorosa de nossas intuições sobre a linguagem em termos de um sistema axiomático explícito. uma gramática satisfatória do inglês. publicada na revista Language ainda em 1957. e nós tentaremos mostrar que uma teoria lingüística deve conter pelo menos esses níveis de análise. considerando uma sucessão de níveis lingüísticos de complexidade crescente. nem outra filosofia especulativa sobre a natureza do Homem e da Linguagem. a morfologia ou o nível sintagmático é essencialmente um conjunto de mecanismos descritivos. constituindo um certo método para a representação de enunciados. que correspondem a modos de descrição gramatical cada vez mais poderosos. que sejam simples e reveladoras. O resultado final dessas investigações deverá ser uma teoria da estrutura lingüística em que os mecanismos descritivos utilizados em gramáticas particulares serão apresentados e estudados de maneira abstrata. tudo baseado plenamente em uma teoria explícita da estrutura interna das línguas”. se ela pretende fornecer. LEES. nós iremos sugerir que esta investigação puramente formal da estrutura da língua tem algumas implicações interessantes para os estudos semânticos2. R. Estudaremos diversas concepções diferentes de estrutura lingüística dessa maneira. INTRODUÇÃO A sintaxe é o estudo dos princípios e processos que presidem à construção de sentenças em línguas particulares. De maneira geral. Um nível lingüístico como a fonologia. o livro de Chomsky é “uma das primeiras tentativas sérias de um lingüista para construir. (p. para línguas naturais. com teoremas derivados desse sistema. uma teoria abrangente de linguagem que possa ser entendida no mesmo sentido em que uma teoria química ou biológica é comumente entendida em Química ou Biologia. 2 7 . dentro da tradição de desenvolvimento de teorias. os lingüistas deverão ter em consideração o problema da determinação das propriedades básicas fundamentais de gramáticas adequadas. a possibilidade de construção de gramáticas com essa forma. O estudo sintático de uma determinada língua tem como objetivo a construção de uma gramática. Finalmente. no capítulo 6. Lees. investigando. Não é uma mera reorganização de dados em um formato de catálogo bibliotecário. A noção central da teoria lingüística é a de “nível lingüístico”. Lagnguage 33 A motivação para a orientação particular desta pesquisa que reportamos aqui é discutida adiante.

1951). aceitáveis por um falante nativo. dada uma teoria lingüística. p. A INDEPENDÊNCIA DA GRAMÁTICA 2. quando ela estiver construída da forma mais simples. Da mesma forma. um mecanismo que gera todas as seqüências gramaticais de L e nenhuma das seqüências agramaticais. Uma forma de testar a adequação de uma gramática proposta para L consiste em determinar se as seqüências que ela gera são efetivamente gramaticais ou não. uma vez que cada língua natural possui um número finito de fonemas (ou de letras no seu alfabeto) e que cada sentença pode ser representada como uma seqüência finita desses fonemas (ou letras). Note que para atingir os objetivos da gramática. Nós. N.1 A partir de agora. Nós podemos seguir alguns passos para conseguir um critério de comportamento para a gramaticalidade. Note que. isto é. Goodman. O objetivo fundamental. contudo. não teremos dúvidas em deixar a decisão à própria gramática. todas elas de extensão finita e construídas a partir de um conjunto de elementos. então. Em muitos casos intermediários. entenderei por língua um conjunto (finito ou infinito) de sentenças. nesta discussão. para que tal teste possa funcionar. admitiremos. quer na sua forma oral. A gramática de L será. enfrentamos uma tarefa familiar: a de explicar alguns conceitos intuitivos – nesse caso. o conjunto de “sentenças” de qualquer sistema matemático formalizado pode ser considerado uma língua. embora o número de sentenças seja infinito. o conceito de “gramatical”.2.. The structure of appearance (Cambridge. para estabelecer significativamente os objetivos da gramática. 5-6. Isto é. quer na sua forma escrita são línguas nesse sentido. que determinadas seqüências de fonemas são claramente sentenças e que outras seqüências não o são. Um certo Cf. de maneira a incluir as sentenças claras e excluir as seqüências que são claramente não-sentenças. etc. Esta é uma característica familiar de explicação3. suponha que nós assumimos um conhecimento intuitivo a respeito das sentenças gramaticais do inglês e perguntemos que tipo de gramática poderá produzir essas sentenças gramaticais de uma maneira eficiente e reveladora. então. é suficiente que se tenha um conhecimento 3 8 . Todas as línguas naturais. na análise lingüística de uma língua L é o de distinguir as seqüências gramaticais que são sentenças de L das seqüências agramaticais que não são sentenças de L e estudar a estrutura das seqüências gramaticais. mais de forma mais geral. por exemplo. basta assumir um conhecimento parcial de sentenças e não-sentenças. o conceito de “gramatical em inglês” e. Nesta os propósitos desta discussão.

From a logical point of view [Cambridge. 9 . Cf. Quine. isso pode ser generalizado como uma condição bastante forte. mas eu gostaria de salientar que diversas respostas que imediatamente nos ocorrem podem não estar corretas.2 Baseados em que nós podemos separar as seqüências gramaticais das seqüências agramaticais? Eu não tentarei dar uma resposta completa para essa pergunta aqui (cf. se exigirmos que os casos claros sejam tratados de maneira eficaz. É.número de casos claros irá fornecer um critério de adequação para qualquer gramática particular. os capítulos 6 e 7). Claramente qualquer explicação da noção de “gramatical na língua L” (isto é. para todas as gramáticas. cada gramática relaciona-se com o corpus de sentenças da língua que descreve de uma forma previamente fixada. mas isso nos levaria muito longe. definirá “sentença gramatical” em termos de “sentenças observadas”. por uma determinada teoria lingüística. (W. Qualquer gramática de uma língua irá projetar o corpus finito e mais ou menos acidental de enunciados observados em um conjunto (presumivelmente infinito) de enunciados gramaticais. com base em “o que é mais a simplicidade das leis com que nós descrevemos e extrapolamos o que é”. p. qualquer caracterização de “gramatical em L” em termos de “enunciado observado em L”) pode ser pensado como oferecendo uma explicação para esse aspecto fundamental do comportamento lingüístico. isto é. em cada língua. um corpus) da língua. já que uma teoria lingüística irá estabelecer a relação entre o conjunto observado de sentenças e o conjunto das sentenças gramaticais. seção 6. Isto é. 2. já que não estamos interessados apenas em línguas particulares. Nesse sentido. 1953]. Contudo. parcial das sentenças (isto é. Para usar a formulação de Quine. já que várias gramáticas diferentes poderiam tratar de maneira eficaz os casos claros. uma teoria lingüística dará uma explicação geral para aquilo que “poderia” ser em uma língua. esse teste de adequação é fraco. certas propriedades das sentenças observadas e certas propriedades das gramáticas. Cf. Em primeiro lugar. Para uma língua isolada. uma gramática reflete o comportamento do falante. Há muito mais que pode ser dito sobre esse tópico crucial. V. em seu conjunto.1. além do mais. Temos assim um teste de adequação bastante forte para uma teoria lingüística que tenta fornecer uma explicação geral da noção de “sentença gramatical” em termos de “sentença observada” e para o conjunto de gramáticas construídas de acordo com essa teoria. pode produzir ou entender um indefinido número de novas sentenças. é óbvio que o conjunto de frases gramaticais não pode se identificar com um corpus qualquer de enunciados recolhido pelo lingüista em seu trabalho de campo. capítulo 6. por gramáticas que. baseado em uma experiência finita e acidental com a língua. 54). uma exigência razoável. sejam construídas pelo mesmo método. mas também na natureza geral da Linguagem. que.

Cf. embora sem sentido. com a de “alta ordem de aproximação estatística em inglês”. [O24] Comentário: Essa afirmação de Chomsky foi recentemente contestada por Fernando Pereira. é gramatical. (2) Furiously sleep ideas green colorless. As sentenças (1) e (2) são igualmente desprovidas de sentido. F.2.org. PEREIRA. a Wikipedia. Bruce E. enquanto (2) não é. a noção de “gramatical” não poderá se identificar com as noções de “dotado de sentido” ou de “significativo” em qualquer sentido semântico. como igualmente 'remotas' em inglês". Pereira afirma que a sentença (2) é 200. de maneira alguma. mas qualquer falante do inglês reconhecerá que só a primeira é gramatical. que existem razões estruturais profundas para distinguir (3) e (4) de (5) e (6). com o mesmo padrão de entonação dado a qualquer seqüência de palavras que não apresentem relação entre si. mas antes que nós consigamos encontrar uma explicação para tais fatos. (1). (1) Colorless green ideas sleep furiously. na verdade. Logo. Volume 2: Mathematics and computability of language. . The legacy of Zellig Harris . em seu artigo "Formal grammar and information theory: together again?". como igualmente “remotas” em inglês. a noção de “gramatical em inglês” não poderá ser identificada.. não há motivo semântico para que se prefira (3) a (5) ou (4) a (6). A primeira publicação que utilizou o asterisco para marcar sentenças agramaticais apareceu apenas três anos depois. em qualquer modelo estatístico voltado para a gramaticalidade. 2002. www. 2.wikipedia. Lees. mas apenas (3) e (4) são sentenças gramaticais do inglês. Nós iremos ver. publicada em 1960. Amsterdan / Philadelphia: John Benjamins. O falante tratará cada palavra de (2) como um sintagma isolado. Stephen B. mas não são marcadas pelo asterisco (*). com "The grammar of English nominalizations". (5) read you a book on modern music? (6) the child seems sleeping. de R. [O22] Comentário: A sentença (1) ficou tão famosa que até recebeu uma entrada na maior enciclopédia virtual da atualidade. no capítulo 7. Formal grammar and information theory: together again?. Tais exemplos sugerem que qualquer procura que seja baseada em semântica. Da mesma forma. Parece razoável aceitar que nem a sentença (1) nem a sentença (2) (e nenhuma parte dessas sentenças) tenha ocorrido em inglês. Logo. essas sentenças seriam excluídas com base nos mesmos motivos. nós teremos de levar a teoria de estrutura sintática um bocado além de seus limites conhecidos.000 vezes menos provável de ocorrer em um corpus do inglês do que a sentença (1). (2) Furiosamente dormem idéias verdes incolores. Essas sentenças podem ser traduzidas como (1) Incolores idéias verdes dormem furiosamente.language and information into the 21st century. Vendo essas sentenças. In: NEVIN. Cf. um falante do inglês irá ler (1) com uma entonação normal de sentença. Ainda assim. ele conseguirá se lembrar de (1) muito 10 [O23] Comentário: As sentenças (5) e (6) são agramaticais. De maneira semelhante. mas irá ler (2) com uma entonação falha em cada palavra. por uma definição de “gramaticalidade” será fútil.4 Em terceiro lugar.3 Em segundo lugar. elas não "seriam excluídas com base nos mesmos motivos. (3) have you a book on modern music? (4) the book seems interesting. JOHNSON. seguindo notação comum hoje.

iremos sugerir que essa distinção rígida pode ser modificada para favorecer uma noção de níveis de gramaticalidade. trocando a “probabilidade zero e todas as probabilidades extremamente baixas. Mas não há por que nos determos nesse ponto aqui. Ainda assim. enquanto (2) nunca seria. ele deve se contentar com uma versão esquematizada. mas elas estarão no mesmo nível remoto em inglês. as palavras “whale” (baleia) e “of” (de) podem ter a mesma freqüência (ou seja. ele pode nunca ter ouvido ou visto qualquer par de palavras dessas sentenças unidas em um discurso real. Acredito que devemos concluir que a gramática é autônoma e independente do significado e que os modelos Mais adiante. já que a base para essa diferença entre (1) e (2) é precisamente o que estamos interessados em determinar. etc. (1) e (2) estarão em diferentes níveis de gramaticalidade até mesmo se (1) ficar em um nível inferior de gramaticalidade do que. conseguirá decorá-la mais rapidamente. encontraremos tanto seqüências gramaticais como agramaticais dispersas ao longo da lista. a capacidade de produzir e reconhecer enunciados gramaticais não é baseada em noções de aproximação estatística e coisas do gênero. e não a outra. no contexto “I saw a fragile_” (Eu vi uma frágil_). O mesmo acontece com inúmeros pares semelhantes. Então. Se ordenarmos as seqüências de uma determinada extensão de acordo com o grau de sua aproximação estatística com o inglês. 4 11 . parece que não existe uma relação específica entre nível de proximidade e gramaticalidade. 10. Hockett. Não podemos. O costume de se considerar como sentenças gramaticais aquelas que “podem ocorrer” ou que são “possíveis” tem sido responsável por algumas confusões. irá resultar em uma sentença gramatical. já que a “realidade” da língua é complexa demais para ser completamente descrita. por impossível e todas as probabilidades altas de possível”5. apelar para o fato de que sentenças como (1) “poderiam” ser produzidas em um contexto suficientemente rebuscado. digamos. É natural entender “possível” como significando “altamente provável” e assumir que a rígida distinção do lingüista entre gramatical e agramatical4 é motivada por um sentimento de que. Vemos. 1955). evidentemente. A manual of phonology (Baltimore. Evidentemente. eles parecem não ter relevância direta ao problema de determinar ou caracterizar o conjunto de enunciados gramaticais. p. 5 Cf. zero) na experiência lingüística passada de um falante que irá imediatamente reconhecer que uma dessas substituições. Apesar do inegável interesse e importância dos estudos semânticos e estatísticos da linguagem. Para escolher um outro exemplo. (3) e (4). contudo que essa idéia é bastante incorreta e que uma análise estrutural não pode ser entendida como um resumo esquemático desenvolvido a partir de melhorias nas formas do quadro estatístico.mais facilmente do que (2).

que para qualquer n. “Structure formelle des textes et communication: deux études”. B.. considere as seqüências da forma “o homem que. Certamente. etc. pode ser um sintagma verbal de comprimento arbitrário. e o desenvolvimento de modelos probabilísticos para o uso da língua (distintos da estrutura sintática da língua) pode ser bem compensador. 1-27 (1954). Biometrika 42. baseadas na freqüência do tipo de sentença. Simon. onde nós argumentos que essa relação pode apenas ser estudada depois que a estrutura sintática tenha sido determinada em bases independentes. Repare. nós podemos encontrar uma seqüências cujas primeiras n palavras podem ocorrer como o começo de uma sentença gramatical S1 e cujas últimas n palavras possam ocorrer como o final de alguma sentença gramática S2. onde . estão aqui”. Cf. Repare também que nós podemos ter novas – e perfeitamente gramaticais – seqüências de classes de palavras. Poder-se-ia tentar desenvolver uma relação mais elaborada entre a estrutura estatística e a estrutura sintática do que a do modelo de aproximação pela simples ordem. 6 12 . “On a class of skew distribution functions”. Dada a gramática de uma língua. Word 10. Retornamos à questão da relação entre sintaxe e semântica nos capítulos 8 e 9. mas onde S1 deve ser distinta de S2. como no caso de (1) e (2). Diversas tentativas para explicar a relação gramatical x agramatical. H. 425-40 (1955). não conheço nenhum sugestão a esse respeito que não apresente falhas óbvias. A. pode-se estudar o uso da língua estatisticamente em diversas maneiras.. Por exemplo... em particular. Mandelbrot. por exemplo. que rejeitamos. para a relação entre estudos sintáticos e estudos probabilísticos da língua.probabilísticos não fornecem nenhum esclarecimento sobre alguns dos problemas básicos da estrutura sintática6. Acredito que isso também vale. irão encontrar numerosos fatos como esses. eu não me preocuparia em mostrar que qualquer relação desse tipo é impensável. na ordem de aproximação das seqüências das classes de palavras. em grande parte. uma seqüências de adjetivos maior do que qualquer uma jamais produzida no contexto “Eu vi uma casa __”..

Chamaremos qualquer língua que pode ser produzida por uma máquina desse tipo de língua de 13 . e estabelece separadamente a estrutura morfêmica das sentenças e a estrutura fonêmica dos morfemas. que traz estrutura “fonológica” e “morfológica”. assim. Podemos encarar cada sentença desse conjunto como sendo uma seqüência de fonemas de extensão finita. ao contrário da edição portuguesa. com exceção de um. reconhecidamente. uma determinada língua. é associado com algum texto importante de Chomsky: Estruturas sintáticas (ou mais propriamente The logical structure of linguistic theory) com a teoria inicial. Uma língua é um enorme sistema intrincado. passe sucessivamente por uma série de estados (produzindo uma palavra em cada transição) e termine no estado final. por causa do debate que se inicia sobre a natureza da estrutura profunda. na prática. teoria padrão. Logo. mas um de Jackendoff: Semantic interpretation in generative grammar (1972)”. uma vez que o Syntactic Structures deve muito. Aspects com a teoria padrão e Lectures on Government and Binding com seu modelo mais atual [a Teoria da Regência e Ligação à época do livro de Harris]. Vamos considerar agora diversas maneiras de descrever a estrutura morfêmica das sentenças. Uma condição que a gramática necessariamente deve ter é a de ser finita. Um conhecido modelo teórico de linguagem usado na comunicação sugere uma solução para essa dificuldade. Por esse motivo (entre outros). já que há um número infinito de tais seqüências. Portanto. Cabe aqui uma citação de Harris (1993: 171-2): “O desenvolvimento teórico de Chomsky normalmente é conhecido por ser pontuado por quatro modelos gramaticais principais (. Chamaremos de “sentença” a seqüência de palavras obtidas. em que se fala de "estrutura morfêmica" e "estrutura fonêmica" como "níveis de análise". inútil. 3. (ii) adotar esses termos é mais fiel à história da terminologia lingüística. a descrição lingüística procede em termos de um sistema de “níveis de representação”.). que tem como texto mais importante não um de Chomsky. Um desses estados é o estado inicial. outro é o estado final. por basicamente duas razões: (i) os termos "fonêmico" e "morfêmico" estão também disponíveis em português e parecem mais fiéis aos termos adotados por Chomsky. o conjunto de sentenças que podem ser produzidas dessa maneira. Pode-se ver facilmente que a descrição conjunta desses dois níveis será muito mais simples do que uma descrição direta da estrutura fonêmica das sentenças.3. Suponhamos que nós temos uma máquina que pode passar por um número finito de diferentes estados internos e que transita de um estado para outro pela emissão de um determinado símbolo (digamos.. como morfemas. Cada um desses modelos. a idéia de que a fonologia" é um "componente de regras" que gera "representações gramaticais" só ganha nitidez na segunda metade da década de 60 . à tradição estruturalista bloomfieldiana e harrisiana. UMA TEORIA LINGÜÍSTICA ELEMENTAR [O25] Comentário: Traduzi “phonemic structure” e “morphemic structure” por “estrutura fonêmica” e “estrutura morfêmica”. em The Sound Pattern of English. que tipo de teoria dá conta da estrutura desse conjunto de enunciados adequadamente).. Chomsky (1955) utiliza essa a mesma terminologia. A idéia de distinguir os "níveis de representação" dos "componentes de regras que os geram" só começa a ganhar ênfase a partir de Chomsky (1965). Grifos do autor. o lingüista cria elementos de “nível superior”. Eles geralmente levam os nomes de teoria transformacional inicial. Veremos que tipo de gramática é necessário para gerar todas as seqüências de morfemas (ou palavras) que constituem as sentenças gramaticais em inglês – e apenas elas. isto é. O Estruturas sintáticas é considerado o livro fundamental do primeiro modelo da gramática gerativa. e parece bem óbvio que qualquer tentativa de apresentar diretamente esse conjunto de seqüências gramaticais de fonemas levaria a uma gramática tão complexa que seria. [O26] Comentário: Aqui aparece pela primeira vez o verbo “gerar” (generate) na obra.1 Assumindo-se como dado o conjunto de sentenças gramaticais do inglês. Ao invés de apresentar a estrutura fonêmica das sentenças diretamente. teoria padrão estendia e teoria da regência e ligação. agora podemos perguntar que tipo de mecanismo pode produzir esse conjunto (em outras palavras. a gramática não pode ser simplesmente uma lista de todas as seqüências de morfemas (ou de palavras). uma palavra do inglês). O modelo diferente é a teoria padrão estendida. Admitamos que a máquina comece no estado inicial. Cada máquina desse tipo define. em 1968.

“the old men come” (os velhos homens vêm).. medida pela probabilidade de se encontrar nos [O27] Comentário: Andrey Andreyevich Markov (14 de janeiro de 1856 – 20 de julho de 1922) foi um matemático russo bastante conhecido por sua teoria das “Cadeias de Markov”. e podemos chamar a própria máquina de gramática de estados finitos.. a gramática finita da subparte do inglês contendo as sentenças vistas mais as sentenças “the old man comes” (o velho homem vem). P. Assim. 23 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Dado um diagrama de estados. As máquinas que produzem línguas dessa maneira são conhecidas matematicamente como “processos de Markov de estados finitos”. Por exemplo. “the old old men come” (os velhos velhos homens vêm). Shannon & W.. 1949). The mathematical theory of communication (Urbana. nós produzimos uma sentença seguindo um caminho do ponto inicial à esquerda até o ponto final à direita. Podemos assim calcular a “incerteza” associada com cada estado e podemos definir o “conteúdo da informação” da língua como a incerteza média. a um estado da máquina. p. Ao atingirmos determinado ponto no diagrama. nós atribuímos uma probabilidade para cada transição de estado para estado. “the old old man comes” (o velho velho homem vem). 22 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Nós podemos estender essa gramática para produzir um número infinito de sentenças. nós podemos seguir pelo caminho que parta desse ponto. E. Nós podemos permitir a transição de um estado a outro de diversas maneiras e podemos ter qualquer número de loopings fechados de qualquer extensão.. Uma gramática de estados finitos pode ser representada graficamente na forma de um “diagrama de estados”7.. podem ser representadas pelo seguinte diagrama de estados: (8) VER GRÁFICO (8). sempre seguindo o caminho das setas. Para completar esse modelo teórico básico de comunicação para a linguagem. P. um tipo de processo estocástico de tempo discreto. indiferentemente se esse caminho já tenha sido percorrido anteriormente para construir a sentença em questão. Weaver. .. 14 . 7 C. Cada nó em tal diagrama corresponde. 15f. a gramática que produz apenas as duas sentenças “the man comes” (o homem vem) e “the men come” (os homens vêm) pode ser representada pelo seguinte diagrama de estados: (7) VER GRÁFICO (7). adicionando um looping fechado. então.estados finitos.

como o leitor facilmente pode verificar. (9) afirma que não é possível estabelecer diretamente a estrutura morfêmica de sentenças por meio de algum mecanismo como um diagrama de estados. Já que estamos estudando a estrutura gramatical. tendo em vista a seguinte observação geral sobre o inglês: (9) O inglês não é uma língua de estados finitos. podemos ver os falantes como sendo essencialmente uma máquina desse tipo. Para demonstrar (9). é importante se perguntar sobre as conseqüências de adotar esse ponto de vista no estudo sintático de algumas línguas. de construir um mecanismo do tipo que descrevemos há pouco (um diagrama como (7) ou (8)) que produza todas e apenas as sentenças gramaticais do inglês. Essa concepção da linguagem é extremamente poderosa e geral. e que a concepção de língua baseada no processo de Markov que esboçamos não pode ser aceita. Nós passaremos a descrever determinadas propriedades sintáticas do inglês que indicam que. sob qualquer delimitação razoável do conjunto de sentenças do inglês. etc. 02. Quer dizer. o conjunto finito de símbolos com que se constroem as suas sentenças) e das suas sentenças gramaticais. isto é. (9)pode ser considerado como um teorema relativo ao inglês. Qualquer tentativa para construir uma gramática de estados finitos para o inglês enfrenta sérias dificuldades e complicações desde o início. 1955). da língua aqui. é desnecessário tentar mostrar isso com exemplos. Dada a generalidade dessa concepção de língua e sua utilidade em disciplinas afins como a teoria da comunicação. Para voltarmos à pergunta levantada no segundo parágrafo do capítulo 3. Cada estado por que ele passa representa as restrições gramaticais que limitam a escolha da próxima palavra naquele ponto da enunciação8. passando depois para um segundo estão que limita a escolha da segunda palavra.2 Uma língua define-se a partir de seu “alfabeto”. é necessário definir as propriedades sintáticas do inglês de maneira mais precisa. o falante começa no estado inicial. é impossível. essa generalização não nos interessará. ao menos para os propósitos da gramática. como o inglês ou um sistema formalizado da matemática. e não estatística. Se pudermos adotá-la. Esse é essencialmente o modelo de linguagem que Hockett desenvolve em A manual of phonology (Baltimore. produz a primeira palavra da sentença. não apenas difícil. 3. 8 15 .estados associados. Ao produzir uma sentença. Contudo.

Nós podemos facilmente mostrar que cada uma dessas três línguas não é uma língua de estados finitos. vamos considerar diversas línguas cujos alfabetos contêm apenas as letras a e b e cujas sentenças são definidas como aparece em (10i-iii): (10) (i) ab. em particular. em condições gerais9. . sentenças declarativas em inglês. por causa dos parênteses pareados ou restrições equivalentes. há uma dependência entre as palavras de cada lado 9 Cf. (iii) O homem que disse que S5 está chegando hoje. R. S3. abba. em (11iii). Sejam S1. e. bbb. .. escapam à definição de língua de estados finitos. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X de as e bs seguida de uma seqüência idêntica de X – e apenas elas. (iii) aa. (ii) aa. aaaa. bb. aaaa. e. em geral. 1956. Então nós podemos ter sentenças como as seguintes: (11) (i) Se S1. e.. bbbb. nós não podemos ter “ou” no lugar de “então”. onde os as e os bs em questão não são consecutivos. abbabb. aabb. Proceedings of the symposium on information theory. Em cada um desses casos. IT-2.Antes de investigamos o inglês diretamente. em geral. . aaabbb.. I. então S2. baba. todas as sentenças que consistem de n ocorrências de a seguidas por n ocorrências de b – e apenas elas. nós não podemos ter “então” no lugar de “ou”. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X seguida por uma “imagem em espelho” de X (isto é.. (ii) Ou S3.. .. S2. Em (11i). Mas está claro que existem subpartes do inglês com a forma básica de (10i) e (10ii). Repare. aabbaa. 16 ... bb. vol. ou S4. em geral. X de maneira inversa) – e apenas elas. baab. aabaab. para um esclarecimento dessas condições e uma prova para (9). abab.. meu artigo “Three models for the description of language”. Da mesma forma. E. abbbba. nós não podemos ter “estão” no lugar de “está”. línguas como (10). mas estão encaixados em outras seqüências.. em (11ii). Sept. Transactions on Information Theory.. que o conjunto de fórmulas bem formadas de qualquer sistema formalizado da matemática ou da lógica não irá constituir uma língua de estados finitos..

“se” – “então”. etc. teremos a seguinte sentença: (12) Se. nós podemos encontrar uma seqüência a + S1 + b. ou S4. então. onde há uma dependência entre c e d. “assumindo que”. Elas podem ser entendidas. então S2. Repare que muitas das sentenças da forma de (12). S3.) não pertencem ao inglês. etc. “o homem” – “está”). parece bem claro que não há teoria de estrutura lingüística baseada exclusivamente nos modelos dos processos de Markov e similares que poderá explicar ou dar conta da habilidade de um falante do inglês para produzir e compreender sentenças novas e rejeitar outras novas seqüências que não pertençam à língua. E S5 em (11iii) pode novamente ser uma das sentenças de (11). etc. as condições em que elas podem ser verdadeiras. formadas por processos de construção de sentenças tão simples e elementares que até mesmo a gramática mais rudimentar do inglês poderia contê-las. Então. então selecionar como S2 uma seqüência dessa forma. de fato. de forma extremamente simples.da vírgula (isto é. Mas elas são todas sentenças gramaticais. e poderíamos mesmo estabelecer. etc. que. Essa é uma indicação grosseira dos passos a seguir para uma demonstração rigorosa de (9). “Ou S3. e nós podemos selecionar como S1 uma outra seqüência contendo c + S2 + d. Então. Um conjunto de sentenças que é construído dessa forma (e nós vemos em (11) que existem diversas possibilidades disponíveis para tais construções – (11) não chega perto de exaustar as possibilidades) terá todas as propriedades a imagem de espelho de (10ii) que excluem (10ii) do conjunto de línguas de estados finitos. sem alterar a parte essencial de nossas observações). em inglês. serão bem estranhas e incomuns (elas podem muitas vezes ter sua estranheza atenuada se trocarmos “se” por “sempre que”. onde há uma dependência entre a e b. S5 e essa sentença declarativa pode ser. 17 . podemos encontrar vários tipos de modelos de estados não finitos dentro do inglês. Está claro. É difícil de conceber qualquer possível motivação para excluí-las do conjunto de sentenças gramaticais do inglês. nós podemos inserir uma sentença declarativa S1. Dessa forma. então (11iii). enquanto sentenças contradizem as dependências referidas em (11) (por exemplo. uma sentença daquelas em (11i-iii). assumindo que sentenças como (11) e (12) pertençam ao inglês. “ou” – “ou”. então S1”.. “se for o caso de”. Mas entre palavras interdependentes. se em (11i) tomarmos S1 como (11ii) e S3 como (11iii). em cada caso.

pode gerar um infinito número de sentenças. Isso iria. podemos provar a inaplicabilidade literal dessa teoria elementar. e uma lista é essencialmente uma gramática de estados finitos trivial. ela irá produzir infinitamente muitas sentenças. tornar o inglês uma língua de estados finitos. Em resumo. somos forçados a procurar algum outro tipo mais poderoso de gramática e uma forma mais “abstrata” de teoria lingüística. na gramática de estados finitos) ela será proibitivamente complexa. então a construção de uma gramática de estados finitos não estará literalmente fora de questão. A concepção de gramática que acabou de ser rejeitada representa. uma limitação das sentenças do inglês a uma extensão de um milhão de palavras. Em geral. Quer dizer. contudo. como em (8). a mínima teoria lingüística que merece uma consideração séria. para um valor fixo de n. etc.. obviamente. Vimos que uma teoria tão linguisticamente limitada não é adequada. em algum nível. a abordagem para a análise de gramaticalidade sugerida aqui em termos de um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita parece levar a um beco sem saída da mesma forma como as propostas rejeitadas no capítulo 2. de certa forma. despropositadas. tal como faria. Se uma gramática não contiver mecanismos recursivos (loopings fecahdos. Uma gramática de estados simples é o tipo mais simples de gramática que. ela irá produzir igualmente muitas não-sentenças. nós podemos ter certeza de que haverá um número infinito de sentenças verdadeiras. sentenças falsas. a suposição de que línguas são infinitas é feira para simplificar a descrição dessas línguas. Tais limitações arbitrárias são. por exemplo. Se esses processos têm um limite. com uma quantidade finita de mecanismos. Se ela produzir apenas sentenças do inglês. Se ela tiver mecanismos recursivos de alguma forma. Mas essa gramática será tão complexa que será de pouco ou nenhum interesse. perguntas razoáveis.3 Nós poderíamos arbitrariamente decretar que processos de formação de sentenças em inglês como aqueles que discutimos não podem ser utilizados mais do que n vezes. Se uma gramática desse tipo produz todas as sentenças do inglês. não será o caso que cada sentença seja 18 .3. já que será possível listar as sentenças. Acontece que existem processos de formação de sentenças com os quais as gramáticas de estados finitos não estão intrinsecamente aptas a lidar. Se esses processos não têm um limite finito. A noção de “nível lingüístico de representação” apresentada no começo desta seção deve ser modificada e elaborada. que ela simplesmente não produzirá. Pelo menos um nível lingüístico não pode ter essa estrutura simples.

que parece inútil seguir essa abordagem mais adiante.representada simplesmente como uma seqüência finita de elementos de algum tipo. gerada da esquerda para a direita por algum mecanismo simples. meu artigo “Three models for the description of language” para uma discussão mais detalhada. se é uma língua de estados finitos). construído de tal forma que possamos gerar todos os enunciados. 19 . estabelecendo as seqüências permitidas de elementos do nível mais elevado. estabelecendo finalmente a constituição fonêmica de elementos do penúltimo nível10. capítulo 8).. nós precisamos métodos fundamentalmente diferentes. então essa descrição pode verdadeiramente ser simplificada com a construção de tais níveis mais elevados. Se uma língua pode ser descrita de uma maneira elementar. etc. mas para gerar línguas de estados não finitos como o inglês. 10 Uma terceira alternativa seria a de manter a noção de um nível lingüístico como um simples método linear de representação. . Devemos desistir da esperança de encontrar um conjunto finito de níveis ordenados do superior ao inferior. tanto em termos de complexidade de descrição como em falta de poder explicativo (cf. Há tantas dificuldades com a noção de nível lingüístico baseado em geração da esquerda para a direita. a constituição de cada elemento do nível mais elevado em termos de elementos de segundo nível. As gramáticas que discutimos abaixo que não geram da esquerda para a direita também correspondem a processos menos elementares do que os processos de Markov de estados finitos. mas gerando ao menos um desses níveis da esquerda para a direita por um mecanismo com maior capacidade do que a de um processo de Markov de estados finitos. No começo do capítulo 3. além de um conceito mais geral de “nível lingüístico”. Cf. Mas eles são talvez menos poderosos do que o tipo de mecanismo que seria necessário para uma geração direta da esquerda para a direita do inglês. nós propusemos que os níveis fossem estabelecidos dessa maneira a fim de simplificar a descrição do conjunto das seqüências gramaticais de fonemas. da esquerda para a direita em termos de um único nível (isto é.

de atribuir às sentenças a sua estrutura de constituintes. da Lingüística Computacional e do Processamento de Linguagem Natural. T+N Verbo + SN o. Descobriremos que a nova forma de gramática é essencialmente mais poderosa que o modelo de estados finitos rejeitado anteriormente e que o conceito de “nível lingüístico” associado a ela é diferente em aspectos fundamentais. bola. pegou.] No contexto da Lingüística Computacional.4. baseando-se em um modelo formal de gramática”.. considere o seguinte: (13) (i) Sentença (ii) SN (iii) SV (iv) T (v) N SN + VP [O28] Comentário: A palavra parsing. Com o avanço da Inteligência Artificial. o termo parsing foi adquirindo novo significado. parsing diz respeito à interpretação automática (ou semi-automática) de sentenças de linguagem natural por meio de programas de computador conhecidos como parsers. Apêndice II. “o termo vem da expressão latina pars orationes (partes do discurso) e tem suas raízes na tradição clássica. chutou. Apêndice I. a homem. Veremos agora qual forma de gramática está pressuposta numa descrição desse tipo. 11 20 . Como um simples exemplo da nova forma de gramática associada à análise de constituintes. De acordo com Menuzzi & Othero (2005: 39). Y de (13) como a instrução (vi) Verbo Suponhamos que nós interpretamos cada regra X “reescreva X como Y”. etc. entretanto. já é um termo de uso consagrado em Lingüística hoje. [.1 Habitualmente. (14) Sentença SN + SV T + N + SV T + N + Verbo + SN (i) (ii) (iii) As regras numeradas da gramática do inglês a que constantemente faremos referência nas páginas seguintes estão reunidas e organizadas adequadamente no capítulo 12. Grifos dos autores. onde os números à direita de cada linha da derivação se referem à regra da “gramática” (13) usada para construir a linha a partir de uma linha precedente11. etc.. Esses programas são capazes de classificar morfossintaticamente as palavras e expressões de sentenças em uma dada língua e. a descrição lingüística no nível sintático é formulada em termos de análise em constituintes (parsing). ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 4. Podemos chamar (14) de uma derivação da sentença “o homem chutou a bola”. além de não ter uma tradução adequada para o português. principalmente. As convenções notacionais que utilizaremos ao longo da discussão da estrutura do inglês estão no capítulo 11.

Uma seqüência de palavras dessa sentença é um constituinte do tipo Z se nós podemos reconstituir essa seqüência até um único ponto de origem em (15). de acordo com a regra (i) em (13). a segunda linha de (14) é formada a partir da primeira linha pela reescrita de Sentença como SN + SV. já que é possível construir uma derivação reduzível a (15) com uma ordem diferente na aplicação das regras. e esse ponto de origem for rotulado Z.o + N + Verbo + SN o + homem + Verbo + SN o + homem + chutou + SN o + homem + chutou + T + N o + homem + chutou + a + N o + homem +chutou + a + bola (iv) (v) (vi) (vii) (viii) (ix) Assim. então “chutou a bola” é um SV na sentença derivada. nós podemos construir unicamente (15). a terceira linha é formada a partir da segunda linha pela reescrita de SN como T + N. Logo. Podemos representar a derivação (14) de uma maneira óbvia através do seguinte diagrama: (15) Sentença SN SV T N Verbo SN o homem chutou T N a bola O diagrama (15) traz menos informação do que a derivação (14). mas o contrário não é verdadeiro. de acordo com a regra (ii) de (13). O diagrama (15) traz apenas o que é essencial em (14) para a determinação da estrutura sintagmática (análise de constituintes) da sentença derivada “o homem chutou a bola”. Mas homem chutou não pode ser 21 . já que ele não nos diz em que ordem as regras foram aplicadas em (14). “chutou a bola” pode ser reconstituído até o SV em (15). etc. A partir de (14).

logo “homem chutou” não é um constituinte.1 para alguns exemplos de homonímia construcional. meninos). Dizemos que duas derivações são equivalentes se elas se reduzem ao mesmo diagrama da forma (15).reconstituído a nenhum ponto de origem em (15). “Three models for the description of language”. na verdade. isto é. Verbo pode ser reescrito “chuta” se o substantivo precedente for homem. Word 10. 13 Então. se nossa gramática estiver correta. 210-33 (1954). de validade duvidosa. “Two models of grammatical description”. Nessas circunstâncias. Language 23. “Immediate constituents”. da mesma forma. dizemos que temos um caso de “homonímia construcional”12 e. C. “boys”. Uma característica de (13) deve. ao invés de termos Verbo chuta como uma regra adicional de (13). S. Uma generalização de (13) é se faz evidentemente necessária. em uma gramática mais completa. Retornaremos à importante noção de homonímia construcional mais adiante. Em geral. R. 22 . Da mesma forma. T pode ser reescrito a se o substantivo seguinte for singular. contudo. meu The logical structure of linguistic theory (mimeografado). seção 8. (13ii) poderia ser substituído por um conjunto de regras que incluísse as seguintes: SNsing SN SNpl SNsing T + N + ∅ (+ Sintagma Preposicional) SNpl T + N + S (+ Sintagma Preposicional) onde S é o morfema singular para verbos e plural para substantivos (“comes”. mas não se ele for plural. Cf. essa sentença da língua deverá ser ambígua. Ocasionalmente. no caso de verbos no singular e no plural. Linguistics Today. Omitiremos qualquer menção a primeira e segunda pessoa nesta discussão. se desejamos limitar a reescrita de X como Y ao contexto Z – W. mas não se for homens. Assim. como aparece em (17): apenas um elemento pode ser reescrito em cada regra. uma gramática pode nos permitir a construção de derivações não equivalentes para uma determinada sentença. Hockett. em 12 Cf. Wells. A identificação do afixo número-pessoal verbal e nominal é. vem. (13ii) terá de ser reformulado para incluir SNsing e SNpl. ser preservada. Devemos poder limitar a aplicação de uma regra a um determinado contexto. podemos ter (17) SNsing + Verbo SNsing + chuta Indicando que o Verbo é reescrito como chuta apenas no contexto SNsing– . Por exemplo. 81-117 (1947) para uma discussão mais detalhada. F.13 Essa é uma generalização direta de (13). nós podemos estabelecer a seguinte regra na gramática: (16) Z + X + W Z + Y + W.

Dessa forma. definimos a derivação como uma série finita de seqüências. X deve ser um símbolo único como T. Se uma seqüência é a última linha de uma derivação terminada. o único membro do conjunto Σ das seqüências iniciais era o símbolo Sentença. cada uma dessas gramáticas define uma língua terminal (talvez a língua “vazia”. Cada gramática é definida por um conjunto finito Σ de seqüências iniciais e um conjunto finito F de “fórmulas de instrução” com a forma X Y sendo interpretadas como “reescreva X como Y”. como fizemos anteriormente. como vimos 23 . somente um símbolo de X pode ser reescrito para formar Y.(16). isto é. para incluir. Verbo. (14) é uma derivação. Um conjunto de seqüências é chamado de uma língua terminal se for o conjunto de seqüências terminais para uma gramática [Σ. aplicando uma das fórmulas de instrução de F. F] podem não ter seqüências terminais. e F era constituído pelas regras (i) – (vi). mas poderíamos querer estender Σ. Dada uma língua terminal e sua gramática. Assim. no sentido de que a sua seqüência final não pode mais ser reescrita pela aplicação das regras F. mas a seqüência das cinco primeiras linhas de (14) não é. F]. Se essa condição não for respeitada não conseguiremos reconstruir a estrutura de sintagmática das sentenças derivadas a partir dos diagramas associados da forma (15) de maneira correta. Dada a gramática [Σ. começando com uma seqüência inicial de Σ e com cada seqüência na série que está sendo derivada da seqüência precedente. F]. podemos reconstruir a estrutura sintagmática de cada sentença da língua (cada seqüência terminal da gramática) se considerarmos os diagramas associados da forma (15). (14) é uma derivação terminada. Na gramática (13). mas nós iremos nos preocupar apenas nas gramáticas que tenham seqüências terminais. que descrevem alguma língua. e a série de seqüências de cinco termos constituída das cinco primeiras linhas de (14) também é uma derivação. Assim. Nós podemos descrever agora de maneira mais geral a forma de gramática associada à teoria da estrutura lingüística baseada na análise de constituintes. o+homem+chutou+a+bola é uma seqüência terminal da gramática (13). Embora X não precise ser um símbolo único. Assim. Sentença Declarativa e Sentença Interrogativa como símbolos adicionais. F]. não contendo nenhuma sentença) e cada língua terminal é produzida por uma gramática da forma [Σ. dizemos que ela é uma derivação terminal. Algumas derivações são chamadas de derivações terminadas. Algumas gramáticas da forma [Σ. por exemplo. e não uma seqüência como T + N.

. Esses dois tipos de línguas estão relacionadas da seguinte maneira. o modelo de Markov de Cf. aabb. F]. Pode-se ver facilmente que cada derivação terminada construída a partir de (18) acaba como uma seqüência da língua (10i) e que todas essas seqüências são produzidas dessa forma. F].14 O que este teorema quer dizer é que a descrição em termos de estrutura sintagmática é essencialmente mais poderosa do que a descrição em termos da teoria elementar apresentada no capítulo 3. encontramos as línguas (10i) e (10ii). meu artigo “On certain formal properties of grammars”. línguas da forma (10ii) podem ser produzidas por gramáticas [Σ. a língua (10i). Information and Control 2.. aaabbb. De maneira semelhante. nós estudamos línguas denominadas “línguas de estados finitos”. o meu artigo “Three models for the description of language” para provas deste e de outros teoremas relacionados sobre o poder relativo das gramáticas. No entanto. pode ser produzida pela gramática [Σ. discutidas no capítulo 3. Como exemplos de línguas terminais que não são línguas de estados finitos. 133-167 (1959).15 No capítulo 3. a menos que as regras incorporem restrições contextuais. mas existem línguas terminais que não são línguas de estado finito. Assim. .2 No capítulo 3. conseqüentemente. que eram geradas por processos de Markov de estados finitos. Agora estamos considerando línguas terminais que são geradas por sistemas da forma [Σ.anteriormente. (10iii) não pode ser produzida por uma gramática desse tipo. Teorema: Toda língua de estado finito é uma língua terminal. Podemos também definir nessas línguas as relações gramaticais de uma maneira formal. chamamos a atenção para o fato de que as línguas (10i) e (10ii) correspondem a subpartes do inglês e que. que consiste em todas e somente as seqüências ab. 14 24 . 4. em termos dos diagramas associados. 15 Cf. F] em (18): (18) Σ: Z F: Z Z ab aZb Essa gramática tem a seqüência inicial Z (como (13) tem a seqüência inicial Sentença) e ela tem duas regras.

obviamente. Agora. 25 . Essa é. assumida como um nível lingüístico. Repare que. cada seqüência terminal tem muitas representações diferentes. no caso de (13). é exigido por algum nível lingüístico. nós introduzimos um símbolo Z que não está contido nas sentenças dessa língua. Observe também que. A estrutura de constituintes deve ser considerada como um único nível. T+N+SV e todas as outras linhas de (14). com uma representação para cada sentença em cada um desses subníveis. não há qualquer maneira de ordenar os elementos SN e SV relativamente um ao outro. aabb é um Z e a própria aaabbb é um Z16. podemos ver que o modelo de estrutura sintagmática não falha em tais casos. portanto. ordenado do maior ao menor. Não provamos a adequação do modelo de estrutura sintagmática. podemos dizer que na seqüência aaabbb de (10i). Por exemplo. no caso de (13) e (18) (como em qualquer sistema de estrutura sintagmática). É importante observar que ao descrever essa língua. e os sintagmas verbais são contidos pelos sintagmas nominais em inglês. Dessa forma. Assim. uma língua extremamente trivial. Por exemplo. T+N+chutou+SN. Isso é esse fato essencial sobre a estrutura sintagmática que dá a ela seu caráter “abstrato”. bem como por seqüências como SN+Verbo+SN. como acontece no nível dos fonemas. como vimos no último parágrafo do capítulo 3. mas mostramos que grandes partes do inglês que literalmente não podem ser descritas em termos de modelo de processos de estados finitos pode ser descrita em termos de estrutura sintagmática. Não podemos estabelecer uma hierarquia entre as várias representações de “o homem chutou a bola”. ab é um Z. com um conjunto de representações para cada 16 Onde “é um” é a relação definida na seção 4.estados finitos não é adequado para o inglês. por exemplo. possui o caráter fundamentalmente diferente e não trivial que. a seqüência terminal “o homem chutou a bola” é representada pelas seqüências Sentença+SN+SV. cada um dos quais é um Z.1 em termos de diagramas como (15). dos morfemas ou das palavras. Os sintagma nominais são contidos pelos sintagmas verbais. essa seqüência particular contém três “sintagmas”. a estrutura sintagmática. cada sentença da língua é representada por um conjunto de seqüências e não por uma única seqüência. que poderiam ocorrer em outras derivações equivalentes a (14) no sentido ali definido. No nível da estrutura sintagmática. não podemos subdividir o sistema da estrutura de constituintes em um conjunto finito de níveis. no caso de (18).

. para que tenhamos um processo unificado para gerar séries de fonemas a partir da seqüência inicial Sentença.Csur/ + /t/ (onde Csur é uma consoante surda) (ii) take + passado (iii) hit + passado (iv) /. para o inglês: (19) (i) walk /wçk/ /tuk/ /hit/ /. já que. no caso das primeiras. nós possamos gerar todas as seqüências gramaticais ou morfemas de uma língua. ou talvez fonemas. por exemplo. Podemos agora estender as derivações de estrutura sintagmática aplicando (19).D/ + /Id/ (onde D = /t/ ou /d/) /. ou nós derivaremos formas como /teyk/ como sendo o passado do verbo take. com uma gramática [Σ. F]. as propriedades formais das regras X Y correspondentes à estrutura sintagmática são diferentes das regras morfofonêmicas.. fonemas e morfemas. morfofonemas e morfemas). não precisamos mais que um único símbolo seja reescrito em cada regra. Há uma correspondência um-para-um entre os conjuntos de representações adequadamente escolhidos e os diagramas da forma (15). Isso faz parecer que a separação entre o nível mais elevado de estrutura sintagmática e o nível mais baixo é arbitrária. Na verdade.Csur/ + passado (vi) passado (vii) take etc. nós devemos estabelecer a estrutura fonêmica desses morfemas de modo que a gramática produza as seqüências gramaticais de fonemas da língua.3 Suponha que. os elementos que aparecem nas regras em (19) podem ser classificados em um conjunto finito de níveis (por exemplo.os exigir que apenas um único símbolo seja reescrito. A fim de completar a gramática.. deve.sentença da língua. como vimos. Mas essa operação (a que poderíamos chamar de morfofonêmica da língua) pode também ser obtida por um conjunto de regras da forma “reescreva X como Y”. Em segundo lugar. Repare que ordem deve ser definida entre essas regras – por exemplo. Nessas regras morfofonêmicas.. 4.D/ + passado (v) /.. (iii) deve preceder (v) ou (vii). cada um dos quais é elementar no sentido 26 .. Em primeiro lugar. /d/ /teyk/ ou algo semelhante... a distinção não é arbitrária.

Assim. ou algo semelhante. e é fácil mostrar que uma elaboração mais aprofundada na forma da gramática é necessária e possível. Mas os elementos que aparecem nas regras correspondentes à estrutura sintagmática não podem ser classificadas em níveis mais superiores e inferiores dessa mesma maneira. desejaríamos certamente que todas as regras da forma (17) se aplicassem antes de qualquer regra que nos permita reescrever SN como SN+Preposição+SN. As propriedades formais do sistema de estrutura sintagmática dão um bom estudo. Veremos mais adiante que existe uma razão ainda mais fundamental para marcar essa subdivisão entre as regras de nível superior da estrutura sintagmática e as regras de nível inferior que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. Por exemplo. como “os homens perto do caminhão começa a trabalhar às oito”. como sua representação neste nível (exceto nos casos de homonímia). a gramática poderá produzir não-sentenças. pode-se ver facilmente que seria bem vantajoso ordenar as regras do conjunto F para que algumas das regras pudessem ser aplicadas somente depois que outras já tenham sido aplicadas.de que uma única seqüência de elementos deste nível está associada com cada sentença. caso contrário. Mas esse refinamento nos leva a problemas que não fazem parte do escopo deste estudo. 27 . e cada uma dessas seqüências representa uma única sentença.

Exemplificar essa afirmação exigiria muito espaço e esforço. Assim que considerarmos qualquer sentença que vá além do tipo mais simples e. mas perfeitamente suficiente para demonstrar a inadequação de uma teoria seria mostrar que a teoria consegue ser aplicada apenas de maneira rudimentar. mostra que qualquer gramática que pode ser construída nos termos dessa teoria é extremamente complexa. de certa forma. Vimos que o primeiro modelo é indubitavelmente inadequado para os propósitos de uma gramática e que o segundo é mais poderoso do que o primeiro e não apresenta as mesmas falhas.1 Nós estudamos dois modelos para a estrutura da língua. mas eu não sei se o inglês em si está ou não literalmente fora do alcance desse tipo de análise. e eu posso apenas afirmar aqui que isso pode ser 28 . um modelo teórico comunicativo baseado em uma concepção de língua como um processo de Markov e. acredito que existam outros motivos para rejeitar a teoria da estrutura sintagmática como inadequada para a descrição lingüística. quando tentarmos definir algum tipo de ordem entre as regras que produzem essas sentenças. LIMITAÇÕES DA DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 5. há línguas (em nosso sentido geral) que não podem ser descritas em termos de estrutura de constituintes. iremos nos encontrar em meio a diversas dificuldades e complicações. Evidentemente. A única maneira de testar a adequação de nosso aparato é tentar aplica-lo diretamente à descrição das sentenças do inglês. correspondente a uma teoria lingüística mínima. ou seja. e um modelo de estrutura sintagmática baseado em uma análise de constituintes imediatos. que alguns modos muito simples de descrição gramatical de sentenças não podem ser acomodados nas formas associadas da gramática e que certas propriedades formais fundamentais da língua não podem ser utilizadas para simplificar as gramáticas. ad hoc e “não intuitiva”. No entanto.5. Podemos juntar um bom bocado de evidências desse tipo em favor da tese de que a forma de gramática descrita anteriormente e a concepção de teoria lingüística que subjaz a ela são fundamentalmente inadequadas. A prova mais contundente possível para se provar a inadequação de uma teoria lingüística é mostrar que ela não consegue ser aplicada a uma língua natural. Uma prova mais fraca. em particular.

(20) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – da peça – foi em Chicago (21) a cena – do filme e da peça – foi em Chicago. já que essa distinção terá de ser assinalada na gramática. se nós conectarmos pares de constituintes que forem constituintes importantes (isto é. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma análise detalhada deste problema. via de regra não podemos fazer isso18. Por exemplo. onde a estrutura de constituintes é perfeitamente preservada. elas forma uma classe de enunciados distintos de “o João adorou o livro e amou a peça”. marcadas por traços fonêmicos peculiares. Tais traços marcam normalmente a leitura de seqüências não gramaticais. das sentenças (20a-b). é muito menos natural do que sua alternativa “o João adorou o livro e meu amigo amou-o”. mas não há nenhuma alternativa preferida à primeira sentença. Se tivermos duas sentenças Z + X + W e Z + Y + W e se X e Y são constituintes dessas sentenças. No entanto.mostrado de maneira bastante convincente. F]. Na seção 8. Cf. como pausas demasiadamente longas (em nosso exemplo. se X e Y não são constituintes. em que a conjunção atravessa as fronteiras de constituintes. Esta segunda sentença. e nossa conclusão de que a regra para conjunção deva fazer referência explícita à estrutura de constituintes mantém-se válida. Essa descrição requer que generalizemos a dicotomia gramatical\agramatical. em geral. mas muitos questionariam a gramaticalidade de. podemos formar a nova sentença (21). irei sugerir um método independente de demonstrar a inadequação da análise de constituintes como um meio de descrever a estrutura das sentenças em inglês. 18 17 29 . é necessário conectar constituintes simples. No entanto.. Por exemplo. Há vários casos menos evidentes. A maneira mais razoável de descrever essa situação parece ser com uma descrição do seguinte tipo: para formar sentenças perfeitamente gramaticais usando conjunções. quanto mais profundamente a conjunção violar a estrutura de constituintes. menos gramatical será a sentença resultante. se as incluiremos como semi-gramaticais. Em todo o caso. falha na redução de vogais. “o João adorou e o meu amigo amou o livro” (uma seqüência da forma SN + Verbo + e + Verbo – SN). entre o “amou” e o “o”). por exemplo. Por exemplo. eu irei me limitar a esboçar alguns poucos casos simples em que melhorias consideráveis são possíveis em gramáticas com a forma [Σ.17 Ao invés de seguir esse caminho árduo e ambicioso. acento contrastivo e entonação. podemos formar uma nova sentença Z – X + e + Y – W. apagamento de consoantes finais em discurso corrido. é irrelevante para nossa discussão decidir se excluiremos ou não sentenças como “o João adorou e o meu amigo amou o livro”. ou se as incluiremos como gramaticais com a ressalva de que elas apresentam traços fonêmicos peculiares. estiverem em uma posição alta no diagrama (15)). as sentenças resultantes serão semi-gramaticais.2 Um dos processos mais produtivos para a formação de novas sentenças é o processo de conjunção.1. Tais sentenças que apresentam uma conjunção cruzando os limites dos constituintes são também. considerando-as agramaticais. etc. parece óbvio que “o João adorou o livro e amou a peça” (uma seqüência com a forma SN – SV + e + SV) é uma sentença perfeitamente boa. (21) e (23) são casos extremos em que não há dúvidas sobre a possibilidade de uma conjunção. 5. etc. desenvolvendo a noção de gradação de gramaticalidade. não podemos formar (23) a partir de (22a-b).

é mais fácil determinar a distribuição do “e” por meio de especificações feitas nessa regra do que fazendo diretamente.Y. precisamos saber não apenas a forma real de S1 e S2.) Ainda que mais especificação se faça necessária aqui.. se no diagrama da forma (15) eles tiverem cada um uma única origem. Podemos simplificar a descrição do processo de conjunção se tentarmos estabelecer constituintes de forma que a seguinte regra seja verdadeira: (26) Se S1 e S2 são sentenças gramaticais e S1 difere de S2 apenas pela presença de X em S1 onde Y surge em S2 (isto é. Mas agora enfrentamos a seguinte dificuldade: não podemos incorporar a regra (26) nem nenhuma regra similar em uma gramática [Σ.. respectivamente em S1 e S2. S3 = . ainda que aproximadamente. A propriedade essencial da regra (26) é que.. se X e Y forem constituintes.). mas constituintes de tipos diferentes (isto é.X.X + e + Y. por causa de certas limitações fundamentais em tais gramáticas.. F] de estrutura sintagmática... a gramática estará muito simplificada se ajustarmos os constituintes de tal forma que (26) possa permanecer dessa maneira. Por exemplo. Da mesma forma.. então S3 é uma sentença. a possibilidade de conjunção oferece um dos melhores critérios para a determinação inicial da estrutura sintagmática... mas etiquetada de maneira diferente). Ou seja. e S2 = . e X e Y forem constituintes do mesmo tipo. como 30 . então não podemos formar uma nova sentença por conjunção.(22) (a) o – navio desceu o – rio (b) o – rebocador subiu o – rio (23) o – navio desceu e o rebocador subiu o – rio. se S3 resultar da substituição de X por X + e + Y em S1 (isto é. não podemos formar (25) de (24a-b). (24) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – que eu escrevi – foi em Chicago (25) A cena – do filme e que eu escrevi – foi em Chicago De fato.. S1 = . para ser aplicada às sentenças S1 e S2 para formar a nova sentença S3... sem a regra.

A máquina produz então derivações. incluindo um estado inicial e um estado final.. O que é importante aqui é que o estado da máquina é completamente determinado por uma seqüência que tenha sido recém produzida (isto é. a regra não irá se Σ: Sentença F: X1 : Xn Yn Y1 Aí podemos representar essa gramática como uma máquina com um número finito de estados internos. F] se aplica ou falha em sua aplicação a uma determinada seqüência em função da substância efetiva dessa seqüência. A gramática [Σ. Suponhamos que Yi seja a seqüência . “aplicando” a regra Xj Yj. mais especificamente. a regra X aplicar. Então. caso contrário. Mas cada regra X Y da gramática [Σ. no sentido referido no capítulo 4. A máquina procederá dessa forma de estado a estado até que ela finalmente produza uma seqüência terminal. mas de “cima para baixo”.. a máquina conseguirá produzir a seqüência . 31 . que pode “olhar para trás” para seqüências anteriores na derivação. mas também sua “história de derivação”. Em seu estado inicial. Xj .. Suponhamos que tenhamos a seguinte gramática de estrutura sintagmática: (27) Y pode se aplicar a ela. F] também pode ser entendida como um processo básico que gera sentenças não da “esquerda para a direita”. a fim de determinar como produzir o próximo passo na derivação. movendo-se novamente para um novo estado. Então.. pela última seqüência da derivação).também suas estruturas de constituintes – devemos saber não apenas o formato final dessas sentenças. é então a seqüência final. que estão contidos nesta seqüência recém produzida.. Podemos tratar o problema de maneira diferente. Mas a regra (26) requer uma máquina mais poderosa.. mudando para um novo estado.. Yj . Se a seqüência contém X como uma subseqüência. ela pode produzir apenas o elemento Sentença. Saber como essa seqüência assumiu gradualmente essa forma é irrelevante. ela poderá produzir qualquer seqüência Yi tal que Sentença Yi é uma das regras de F em (27).. o estado é determinado pelo subconjunto de elementos de Xi de F “lado esquerdo”.

3 Na gramática (13). existem muitas outras formas que esse elemento pode assumir. mas não “does” em “John does read books”19. embora ele parece ser bem complexo se tentarmos incorporar esses sintagmas diretamente em uma gramática [Σ. ela fornece um dos melhores critérios para se determinar como estabelecer os constituintes. etc. Também as regras em (28) apresentam os verbos e auxiliares originais. ter+pegado. por exemplo. read. C(M) (have + en) (b+ing) (be+en) will. como chutou (cf. pegará. Considere primeiramente os auxiliares que aparecem não acentuados. mesmo que essa forma de gramática não seja literalmente inaplicável ao inglês. Podemos dar conta da ocorrência desses auxiliares em sentenças declarativas adicionado as seguintes regras à gramática (13): (28) (i) Verbo (ii) V (iii) Aux (iv) M [O29] Comentário: Decidi manter os exemplos originais do inglês aqui. A tradução de ambas as frases. mas suficiente que consideramos anteriormente. O fato de a regra (26) não poder ser incorporada à gramática de estrutura sintagmática indica que. Veremos que existem muitas outras regras do mesmo tipo geral de (26) que desempenham o mesmo papel duplo. na verdade. a saber. porque não há uma boa correlação com a tradução em português. ter+sido+pego. (13vi)).1. Aux + V hit. Veremos que o comportamento deles é bastante regular e de simples descrição quando observados de um ponto de vista que é bem diferente do que desenvolvemos anteriormente. ela é certamente inadequada. na seção 7.A regra (26) também é fundamentalmente nova em um sentido diferente. shall. não há como incorporar uma dupla referência como essa. F]. may. 32 . S1 e S2. Essa regra leva a uma considerável simplificação da gramática. não apresentariam verbos auxiliares. walk. “has” em “John has read the book”. está+sendo+pego. Mas mesmo com a raiz verbal fixada (digamos. em português. mostramos apenas uma maneira de analisar o elemento Verbo. take. must 19 Retornaremos ao auxiliar acentuado “do” mais adiante. 5. can. como em pegar). por exemplo. O estudo desse “verbos auxiliares” parece ser bastante crucial no desenvolvimento da gramática do inglês. F]. pega. mas em gramáticas do tipo [Σ. etc. Ela faz referência crucial a duas sentenças distintas. considerada no sentido mais fraco.

have + (29i) (29ii) – três 33 . construímos uma derivação no estilo de (14). podemos desenvolver Cem qualquer dos três morfemas. ou de maneira semelhante. en. A interpretação das notações em (28iii) é a seguinte: devemos escolher o elemento C e podemos escolher zero ou mais dos elementos entre parênteses de acordo com a ordem estabelecida. onde # é interpretado como fronteira de palavra21. interpretaríamos # como o operador de concatenação no nível das palavras. Seja v qualquer M ou V. Como exemplo da aplicação dessas regras. the+man+S+have+en+be+ing+read+the+book the+man+have+S # be+en # read+ing # the+book vezes # the # man # have+S # be+en # read+ing # the # book # (29iii) Assumimos aqui que (13ii) foi estendido da maneira como mencionamos na nota 12. Insira # no início e no final. Cf. (30) de (13i-v) (28i) (28ii) (28iii) selecionamos en e be + ing. 21 Se estivéssemos formulando a teoria da gramática mais cuidadosamente. Então: Af + v v + Af #. observando as restrições contextuais estabelecidas.(29) (i) C S no contexto SNsing- 20 ∅ no contexto SNplpassado (ii) Seja Af qualquer um dos afixos: passado. 20 the+man+Verbo+the+book the+man+Aux+V+the+book the+man+Aux+read+the+book the+man+C+have+en+be+ing+read+the+book – os elementos C. qualquer não-afixo no sintagma Verbo). The logical structure of linguistic theory para uma formulação mais cuidadosa. ou have ou be (isto é. omitindo as etapas iniciais. ∅. ing. enquanto + seria o operador de concatenação no nível da estrutura sintagmática. S. Em (29i). (29) seria então parte da definição de uma mapeamento que transpõe determinados objetos no nível da estrutura sintagmática (basicamente os diagramas da forma (15)) para seqüências de palavras. (iii) Substitua + por # exceto no contexto v – Af.

F]. (A alternativa que consiste em ordenar (29i) e a regra que desenvolve o SNsing em the+man de tal forma que (29i) preceda essa última não é possível. além disso. os morfemas to e ing desempenham um papel semelhante dentro do sintagma nominal.As regras morfofonêmicas (19). SNsing. em transcrição fonêmica. Repare que. no sentido em que convertem sintagmas verbais em sintagmas nominais. não há como expressar a inversão requerida em termos de estrutura sintagmática. F] de forma ainda mais radical. vai além do tipo markoviano elementar de gramáticas de estrutura sintagmática e não pode ser incorporada dentro da gramática [Σ. A regra (29ii) viola os requisitos de gramáticas [Σ. might. assim como (26). Agora. tivemos de contar com o fato de que the+man é um sintagma nominal singular. pelo menos no caso em que Af é ing. porém. irão converter a última linha dessa derivação em: (31) the man has been reading the book. à história da derivação) e. para aplicar (29i) em (30). Ela também requer uma referência à estrutura de constituintes (isto é. algumas das quais aparecem a seguir). Retornaremos depois à questão das restrições que devem ser colocadas nessas regras para que apenas as seqüências gramaticais sejam geradas. mas não ambos. por diversas razões. would. originando o seguinte. Então. possa ser selecionado. tivemos de nos reportar a uma etapa anterior na derivação para determinar a estrutura de constituintes de the+man. por exemplo: (32) to prove that theorem proving that theorem was difficult 34 . could. Assim. Essas regras podem ser excluídas se reescrevermos (28iii) de maneira que C ou M. as formas would. Diversas outras pequenas revisões são também possíveis. Qualquer outro verbo auxiliar poderá ser gerado da mesma maneira. (29i). É irrelevante para nossa discussão decidir qual dessas alternativas de análise será adotada. Ou seja. etc. de passagem. que as regras morfofonêmicas devem incluir regras como as seguintes: will +S will + passado will. Repare que essa regra e útil em outros pontos da gramática. Repare. should devem ser adicionadas a (28iv) e o estabelecimento de certas “seqüências de tempo” irá se tornar mais complexo.

1). F] de estrutura sintagmática. Journal of Symbolic Logic 18. Mais uma vez. a saber. Essa abordagem perderia o ponto principal da construção de níveis (cf. nós realmente temos elementos descontínuos – por exemplo. se poderia tentar remediar algumas das outras deficiências de gramáticas [Σ. cada um simples em si mesmo. 27-39 (1952).. em (30) os elementos have . Em outras palavras. Da mesma forma. extraindo a contribuição para esse complexo de diversos níveis lingüísticos.. Ao nos permitirmos a liberdade de (29ii). e é sempre mais fácil descrever uma seqüência de elementos independentes do que uma seqüência de elementos que sejam mutuamente dependentes. o primeiro parágrafo da seção 3. 210-33 (1954). Ao que parece. como no caso da conjunção. Acredito que tal abordagem não seja recomendada e que ela pode levar apenas ao desenvolvimento de regras ad hoc e elaborações infrutíferas. bastante simples. en e be . toda a língua. O leitor pode concluir facilmente que. Hockett. para dar conta das descontinuidades. Em (28iii). C. através de uma formulação mais complexa da estrutura sintagmática. F]22. 22 35 . Studies in Linguistics 10. Se tentássemos alargar a gramática sintagmática de modo a que abrangesse. Cf. Linguistics Today. o da reconstrução da vasta complexidade da língua casual da maneira mais elegante e sistemática. Veremos adiante. Mas as descontinuidades não podem ser lidadas em gramáticas [Σ. perderíamos a simplicidade da gramática sintagmática e do desenvolvimento transformacional. no sintagma verbal auxiliar. pudemos estabelecer a constituição do sintagma auxiliar em (28iii) sem levar em consideração a interdependência de seus elementos. no Poderíamos tentar estender a noção de estrutura sintagmática. F. as noções de estrutura sintagmática são bastante adequadas a uma pequena parte da língua e que o resto da língua pode ser derivado por uma aplicação repetida de um conjunto bastante simples de transformações às seqüências produzidas pela gramática sintagmática. meu artigo “System of syntactic analysis”. 242-56 (1953). na verdade. percebemos que simplificações significantes da gramática são possíveis se nos for permitido formular regras de mais complexas do que as que correspondem ao sistema de análise de constituintes imediatos. idem. será necessário providenciar uma formulação um pouco mais complexa. para duplicar o efeito de (28iii) e (29) sem ir além dos limites de um sistema [Σ. tratamos esses elementos como contínuos e introduzimos da descontinuidade com a regra adicional (29ii). diretamente.etc. Apontamos diversas vezes que algumas dificuldades sérias aparecem em qualquer tentativa sistemática nesse sentido. ing. “A formal statement of morphemic analysis”. F]. “Two models of grammatical description”. Uma análise mais detalhada do SV mostra que esse paralelismo vai muito além disso. Podemos explorar esse paralelismo acrescentando a seguinte regra à gramática (13): (33) SN ing SV to A regra (29ii) irá então converter ing + prove + that + theorem em proving # that + theorem. Word 10.

toda essa rede de restrições falha completamente quando escolhemos be + en como parte do verbo auxiliar. com algumas exceções. (o João está comendo pelo almoço). As sentenças passivas são formadas pela seleção do elemento be + en na regra (28iii). was + eaten é permitido. Em primeiro lugar. mesmo sendo claramente menos gramatical do que “John admires sincerety” (o João admira a sinceridade). mas isso vai além da nossa presente discussão. “sincerity admires John” (a sinceridade admira o João). Assim. 5. não podemos ter SN + is + V + en + SN. Se tentarmos incluir passivas diretamente na Aqui também poderíamos utilizar a noção de níveis de gramaticalidade. etc. Contudo. nesse caso valem as mesmas dependências selecionais. ao elaborarmos (13) como uma gramática completa. como em (30) (por exemplo. 23 36 . teremos de colocar diversas restrições à escolha do V em termos de sujeito e objeto. The logical structure of linguistic theory). então devemos selecionar be + en (podemos ter “lunch is eaten by John” (o almoço é comido pelo João). que fazem dele um caso único entre os elementos do sintagma auxiliar. Mas existem sérias restrições nesse elemento. Eu acredito que uma noção funcional de gradação de gramaticalidade possa ser desenvolvida em termos puramente formais (cf. considere o caso da relação ativa-passiva. mas na ordem oposta. “John plays golf” (o João joga golfe). os outros elementos do sintagma auxiliar podem ocorrer livremente com os verbos. be + en pode ser selecionado apenas se o V seguinte for transitivo (por exemplo. Ou seja. Na verdade. Finalmente.). para cada sentença SN1 – V – SN2 podemos ter uma sentença correspondente SN2 – is + Ven – by + SN1. repare que. “John drinks wine” (o João bebe vinho).4 Como um terceiro exemplo da inadequação das concepções da estrutura sintagmática. tal como sugerimos anteriormente. mesmo quando o V é transitivo – não podemos ter “lunch is eaten John” (o almoço é comido João)). mas. se o V for intransitivo e seguido por um sintagma preposicional por + SN. be + en não pode ser selecionado se o verbo Vê seguido por um sintagma nominal. mas não “John is eating by lunch”. e excluir as não sentenças23 “inversas” como “sincerety admires John” (a sinceridade admira o João). é mais gramatical do que “of admires John” (de admira o João).5 para uma demonstração mais profunda sobre a necessidade da inversão na passiva. Além disso. Veja a seção 7. “sincerety frightens John” (a sinceridade assusta o João”). “golf plays John” (o golfe joga o João) e “wine drinks John” (o vinho bebe o João).capítulo 7. Além do mais. “John frightens sincerety” (o João assusta a sinceridade). que essa análise do elemento Verbo serve como base para uma análise abrangente e extremamente simples de diversos traços da sintaxe do inglês. mas não was + occurred). para permitir sentenças como as seguintes: “John admires sincerity” (o João admira a sinceridade). via de regra.

gramática (13). uma inversão de uma maneira estruturalmente determinada. então sincerety – C + be + en – admire – ny + John (que por (29) e (19) se torna “sincerety is admired by John” (a sinceridade é admirada pelo João)) também é uma sentença. que elas levam a uma concepção de estrutura lingüística completamente nova. F]. é preciso fazer referência à estrutura de constituintes da seqüência a que se aplica e efetua. 5. teremos de reformular todas essas restrições na ordem oposta para o caso em que be + en é escolhido como parte do verbo auxiliar. não ocorrer antes de V + SN. bem como as restrições especiais envolvendo o elemento be + en podem ser evitadas apenas se nós excluirmos deliberadamente as passivas da gramática de estrutura sintagmática e as reintroduzirmos por uma regra como a seguinte: (34) Se S1 é uma sentença gramatical da forma SN1 – Aux – V – SN2. apenas ocorrer antes de V + by + SN (em que o V seja transitivo) e inverter a ordem dos sintagmas nominais vizinhos é. (29) e (34) que simplificaram a descrição do inglês. Como (29iii). Por exemplo. Essa regra leva então a uma considerável simplificação da gramática. Existem muitas outras regras desse tipo. podemos mostra de maneira bastante conclusiva que essas gramáticas serão tão complexas que elas não terão o menor interesse. Do estudo das limitações das gramáticas de estrutura sintagmática relativas ao inglês. mas que não podem ser incorporadas em uma gramática [Σ. a menos que consigamos incorporar tais regras. uma conseqüência da regra (34). se John – C – admire – sincerity é uma sentença. nessa seqüência. Se examinarmos cuidadosamente as implicações dessas regras suplementares. em cada caso. então a seqüência correspondente da forma SN2 – Aux + be + en – V – by + SN também é uma sentence grammatical.5 Estudamos as regras (26). Essa duplicação nada elegante. Podemos agora deixar de lado o elemento be + en de (28iii) e todas as restrições especiais relacionadas a ele. Chamemos cada uma dessas regras de “transformação gramatical”. contudo. Uma transformação gramatical T opera sobre uma determinada seqüência 37 . F]. algumas das quais discutiremos adiante. O fato de be + en exigir um verbo transitivo. veremos. Mas (34) está além dos limites de gramáticas [Σ.

Ou seja. F] e uma parte transformacional. Mas (34). (29) é uma transformação obrigatória. sobre um conjunto de regras) com uma determinada estrutura de constituintes e a converte em uma nova seqüência com uma nova estrutura de constituintes derivada. ou o resultado simplesmente não será uma sentença25. deve se aplicar antes de (29).(ou. Desses poucos exemplos. com exceção da última. passado pode ocorrer depois de SNsing. em particular. etc. enquanto outras são opcionais. talvez. e (34) é uma transformação opcional.(Ao discutir a questão de (29i) poder ou não se encaixar em uma gramática [Σ. Por isso. podemos ordenar as alternativas e tornar cada uma opcional. Suponhamos que tenhamos uma gramática G com uma parte [Σ. com as propriedade s que aparentemente são exigidas pela descrição gramatical24. mas nós podemos desenvolver uma determinada álgebra das transformações. De qualquer forma. S. meu artigo “Three models for the description of language”. mas bastante natural. “Cooccurrence and transformations in linguistic structure”. Ela deve preceder (29i). que será obrigatória. pode ou não ser aplicada em algum caso específico. para uma breve análise das transformações e The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para um desenvolvimento detalhado da álgebra transformacional e das gramáticas transformacionais. F]. Para mostrar exatamente como essa operação funciona requer um estudo um pouco mais elaborado que iria além do escopo deste estudo. Language 33. 283-340 (1957). mencionamos que essa regra não poderia ser aplicada antes da regra que analisa SNsing como the + man. Harris. Sempre que tivermos um elemento como C em (29i) que deve ser desenvolvido. para uma abordagem diferente de análise transformacional. por exemplo. e suponhamos Cf. o resultado será uma sentença. já podemos detectar algumas propriedades essenciais de uma gramática transformacional. para que o elemento verbal da sentença resultante tenha o mesmo número que o novo sujeito gramatical da sentença passiva. Uma razão para isso é agora óbvia – (29i) deve se aplicar depois de (34). A transformação da passiva (34). Em segundo lugar. de diversas formas alternativas. porém. Z.ou SNpl. 24 38 . fica claro que precisamos definir uma ordem de aplicação nessas transformações. Cf. Por exemplo. ou não teremos relações selecionais corretas entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e o “agente” na passiva). E ela deve preceder (29ii) para que a última regra se aplica de maneira correta ao novo elemento inserido be + en. (29) deve ser aplicada para todas as derivações. apenas a terceira é obrigatória. a transformação passiva. como no caso de (26). 25 Mas das três partes de (29i). A distinção entre transformações obrigatórias e opcionais nos leva a estabelecer uma distinção fundamental entre as sentenças da língua. Em primeiro lugar. um tanto complexa. repare que certas transformações são obrigatórias. mas (34) deve se aplicar depois de uma análise do SNsing.

F]) ou a sentenças já transformadas. às formas que subjazem as sentenças nucleares – isto é. Então. porém. F]. definimos o núcleo da língua (em termos da gramática G) como o conjunto de sentenças que são produzidas quando aplicamos as transformações obrigatórias às seqüências terminais da gramática [Σ. nós percorremos a seqüência de transformações T1 . às seqüências terminais da parte da gramática [Σ. ela tem uma série de regras transformacionais. Assim. aplicando cada transformação obrigatória e talvez algumas opcionais. não necessariamente na ordem correta. uma gramática tem uma série de regras da forma X Y e. Então. Unindo essas duas séries. cada sentença da língua pertencerá ao núcleo da língua ou será derivada das seqüências que subjazem uma ou mais sentenças nucleares. A parte transformacional da gramática será estabelecida de tal maneira que as transformações possam se aplicar às sentenças nucleares (mais corretamente. construímos uma derivação começando com Sentença. Então. a gramática será algo como (35): (35) Σ: Sentença: F: X1 : Xn T1 : Tj Z1 Zm W1 : Wm Morfofonêmica Estrutura transformacional Yn Y1 Estrutura sintagmática Para produzir uma sentença a partir de uma gramática como essa.que a parte transformacional tenha certas transformações obrigatórias e certas transformações opcionais. ela tem uma série de regras morfofonêmicas com a mesma forma básica. por meio de uma série de uma ou mais transformações..Tj. Percorrendo as regras de F. Essas considerações nos conduzem a uma representação das gramáticas como se elas possuíssem uma organização natural tripartite. nós construímos uma seqüência terminal que irá ser uma série de morfemas. correspondendo ao nível inferior. Correspondendo ao nível da estrutura sintagmática. Essas transformações 39 .

(29) e (34). 40 . Mas a estrutura sintagmática não pode ser dividida em subníveis: no nível da estrutura sintagmática. Nos últimos parágrafos do capítulo 4. de seqüências que subjazem as sentenças nucleares). como sendo uma seqüência de transformações pelas quais ele é derivado. Esse conjunto de seqüências representativas é equivalente a um diagrama da forma (15). e. um enunciado é representado por um conjunto de seqüências que não podem ser ordenados em níveis inferiores ou superiores. representado por uma única seqüência de elementos. A parte de estrutura sintagmática da gramática irá incluir regras como (13). nós mostramos que as regras de estrutura sintagmática levam a uma concepção de estrutura lingüística e “nível de representação” que são fundamentalmente diferentes dos que são fornecidos pelas regras morfofonêmicas. Esse esboço do processo de geração de sentenças deve (e pode facilmente) ser generalizado para permitir um funcionamento adequado de regras como (26). The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis. (17) e (28). A parte morfofonêmica irá incluir regras como (19).podem reordenar as seqüências ou podem adicionar ou apagar morfemas. Há uma definição natural bem geral de “nível lingüístico” que inclui todos esses casos26. em última análise. um enunciado é representado de maneira ainda mais abstrata. 26 Cf. geralmente. há boas razões para considerar cada uma dessas estruturas como sendo um nível lingüístico. Em cada uma das regras inferiores correspondentes ao terço inferior da gramática. percorremos as regras morfofonêmicas. eles dão origem a uma seqüência de palavras. um enunciado é. que operam sobre um conjunto de sentenças. Quando aplicamos somente transformações obrigatórias na geração de uma determinada sentença. convertendo essa seqüência de palavras em uma seqüência de fonemas. Então. como nós veremos mais tarde. e para permitir que transformações se reapliquem para que sentenças cada vez mais complexas possam ser produzidas. adequadamente formuladas em termos que deve ser desenvolvidos no sentido de uma teoria completa das transformações. de sentenças nucleares (mais precisamente. A parte transformacional irá incluir regras como (26). chamamos a sentença resultante de sentença nuclear. Investigações mais profundas podem mostrar que nas partes de estrutura sintagmática e morfofonêmica da gramática. No nível transformacional. nós também podemos extrair um esqueleto das regras obrigatórias que devem ser aplicadas sempre que as atingirmos no processo de geração de uma sentença. Como resultado.

não nos diz como analisar um enunciado particular. a saber. mais poderosa do que a descrição em termos de estrutura sintagmática. que ela está preocupada com o processo de produção de enunciados ao invés de se preocupar com o processo “inverso” de analisar e reconstruir a estrutura dos enunciados. F]. Essa formulação tem ocasionalmente levado à idéia de que existe uma certa assimetria na teoria gramatical no sentido de que a gramática está levando em consideração o ponto de vista do falante ao invés do ponto de vista do ouvinte. diversos exemplos de simplificações resultantes da análise transformacional. aqueles enunciados que Seja G uma gramática [Σ. Tal gramática existe. Na verdade. síntese e análise de enunciados. já que ele aparentemente suscitou alguma confusão. Em particular. enquanto todas as outras sentenças podem ser derivadas dessas seqüências terminais através de transformações enunciáveis simplesmente. 27 41 . Uma gramática não nos diz como sintetizar um enunciado específico. e veremos novamente. É importante observar que a gramática fica significativamente simplificada quando adicionamos um nível transformacional. Um outro detalhe sobre gramáticas da forma (35) merece atenção. que estão além dos limites da descrição de estrutura sintagmática com regras livres de contexto. convertendo-a em K + K. Cada gramática desse tipo é simplesmente uma descrição de um determinado conjunto de enunciados. em essência. Então. e ambas estão fora do escopo de gramáticas da forma (35). Na verdade. Seja G’ ser a gramática que contém G como sua parte de estrutura sintagmática. complementada pela transformação T que opera sobre qualquer seqüência K que é uma Sentença. podem ser derivadas transformacionalmente27. Nós descrevemos essas gramáticas como mecanismos para gerar sentenças. F] são apenas aquelas que subjazem as sentenças nucleares.Quando a análise transformacional é corretamente formulada. Uma investigação sintática em larga escala do inglês fornece diversos outros casos. essas duas tarefas que o falante e o ouvinte devem desempenhar são essencialmente a mesma. F] com a seqüência inicial Sentença e com o conjunto de todas as seqüências finitas de as e bs como seu output terminal. gramáticas que têm a forma que estamos estudando aqui são bem neutras no que diz respeito à relação entre falante e ouvinte. vemos que ela é. uma vez que agora é necessário fornecer a estrutura sintagmática diretamente apenas para as sentenças nucleares – as seqüências terminais da gramática [Σ. línguas como (10iii). Nós vimos. assim como esta última é mais poderosa do que a descrição em termos de um processo de Markov de estados finitos que gera sentenças da esquerda para a direita. o output de G’ é (10iii). Escolhemos as sentenças nucleares de tal forma que as seqüências terminais subjacentes ao núcleo são facilmente derivadas por meio de uma descrição [Σ.

Isso serviria de base teórica para técnicas de análise qualitativa e síntese de compostos específicos. 42 . assim como pode-se utilizar uma gramática na investigação de problemas especiais.são gerados por ela. como análise e síntese de enunciados particulares. Com essa gramática. etc. estrutura transformacional. podemos reconstruir as relações formais que existem entre esses enunciados em termos de noções de estrutura sintagmática. Talvez seja possível esclarecer melhor o assunto fazendo uma analogia com uma parte da teoria química que se preocupa com os compostos que são estruturalmente possíveis. Poderíamos dizer que essa teoria gera todos os enunciados gramaticalmente “possíveis”.

Além disso. L. e. 8. Uma gramática da língua L é essencialmente uma teoria de L. Word 10. Hjelmslev. Evidentemente. Qualquer teoria científica se baseia em um número finito de observações. uma gramática do inglês se baseia em um corpus finito de enunciados (observações) e conterá regras gramaticais (leis) formuladas em termos dos fonemas. Cf. 43 . Prolegomena to a theory of language = Memoir 7. 232-3). do inglês (conceitos hipotéticos). Dois tipos de critérios foram mencionados em 2. para além do corpus (previsões). dois modelos de estrutura lingüística foram desenvolvidos: um modelo teórico simples de comunicação e uma versão formalizada de análise de constituintes imediatos. Linguistics Today.. Antes de explorarmos essa possibilidade. também a discussão de Hockett sobre “metacritérios” para a lingüística (“Two models of grammatical description”. eu gostaria de esclarecer alguns pontos de vista que subjazem toda a proposta deste estudo. geradas pela gramática.1. Cf. iremos considerar diversas outras condições externas desse tipo. SOBRE OS OBJETIVOS DA TEORIA LINGÜÍSTICA Nos capítulos 3 e 4. as sentenças geradas terão de ser aceitáveis para um falante nativo. 1953). no capítulo 5. nós impomos às gramáticas uma condição de generalidade. Nossa preocupação fundamental ao longo desta discussão sobre a estrutura lingüística é o problema da justificação das gramáticas. etc. procurando relacionar os fenômenos observados e prever novos fenômenos através da construção de leis gerais em termos de conceitos hipotéticos como (por exemplo. Indiana University Publications Anthropology and Linguistics) Baltimore. Nosso problema é desenvolver e clarificar os critérios para a seleção de uma gramática correta de cada língua. exigimos que uma gramática de uma dada língua seja construída de acordo com uma teoria específica da estrutura lingüística. em física) os de “massa” e “elétron”. Se excluirmos as condições externas ou a exigência de 28 Eu acredito que essas duas condições são semelhantes ao que Hjelmslev tinha em mente quando falou de duas características da teoria lingüística: a de ser apropriada e a de ser arbitrária. Ambos foram considerados inadequados. combinando a estrutura sintagmática e transformações gramaticais que podem remediar essas inadequações. sintagmas. cada gramática terá de satisfazer algumas condições externas de adequação. a teoria correta dessa língua. Essas regras expressam relações estruturais entre as sentenças do corpus e o número infinito de sentenças. No capítulo 8. por exemplo. Da mesmo forma. p. eu sugeri um modelo mais poderoso. isto é.6. em que termos como “fonema” e “sintagma” sejam definidos independentemente de qualquer língua particular28.

dado um corpus e duas propostas de gramática. Tal teoria. Digamos que tal teoria nos forneça um procedimento de descoberta das gramáticas. Porém. Uma exigência ainda mais fraca seria a de que. poderíamos dizer que a teoria fornece um procedimento de avaliação das gramáticas. a melhor gramática da língua para aquele corpus. novos modelos para a estrutura lingüística. G1 e G2. dado um corpus de enunciados. Progresso e revisão podem vir da descoberta de novos fatos sobre línguas particulares ou de novas estipulações puramente teóricas sobre a organização dos dados lingüísticos –ou seja. nós podemos tentar formular de maneira tão precisa quanto possível tanto a teoria geral como o conjunto de gramáticas associadas que devem se adequar às condições empíricas e externas de adequação.1. cada uma compatível com um determinado corpus. como observamos em 2. de fato. Ainda não consideramos a seguinte pergunta crucial: qual é a relação entre a teoria geral e as gramáticas particulares relacionadas a ela? Em outras palavras. não haverá possibilidade de escolher entre um vasto número de “gramáticas” totalmente diferentes. Essas teorias podem ser representadas graficamente da seguinte maneira: 44 . neste contexto? É neste ponto que nossa abordagem diverge significativamente de outras teorias sobre a estrutura lingüística. esses requisitos em conjunto nos dão um teste de adequação bastante forte para uma teoria geral da estrutura lingüística e ara o conjunto de gramáticas que ela fornece para as línguas particulares. poderia fornecer um procedimento de decisão das gramáticas.generalidade. Nesse caso. Uma exigência mais fraca seria a de que a teoria deve fornecer um método prático e automático para determinar se a gramática proposta para um determinado corpus é. A exigência mais forte que pode ser estabelecida sobre a relação entre uma teoria da estrutura lingüística e as gramáticas particulares é que a teoria deve fornecer um método prático e automático para a construção da gramática. nesta perspectiva. Repare que nem a teoria geral nem as gramáticas particulares recebem uma forma definitiva. que sentido tem a expressão “relacionadas a ela [à teoria geral]”. a teoria deve nos dizer qual é a melhor gramática da língua daquele corpus. que não se preocupa com a questão de como essa gramática foi construída. A qualquer momento. Mas também não há qualquer circularidade nesta concepção.

Da maneira como eu interpreto. 190-222 (1955). (36iii) representa uma teoria que tem as gramáticas G1 e G2 e um corpus como input. 30 Por exemplo. Ainda que os procedimentos de descoberta sejam o objetivo explícito desses trabalhos. ou. “A formal statement of morphemic analysis”. Ou seja. 45 . “A set of postulates for phonemic analysis”. Ou seja. Hockett. uma teoria que fornece um procedimento de descoberta. ao invés de apenas uma única gramática. Acho muito questionável que esse objetivo seja alcançado de alguma forma interessante e suspeito que qualquer tentativa de alcançá-lo irá levar a um labirinto de procedimentos analíticos cada vez mais elaborados e complexos. Studies in Linguistics 10. Harris. por isso. que irão falhar em responder muitas questões importantes sobre a naturas da estrutura lingüística. por isso. e vários outros trabalhos. Bloch. Wells. “From phoneme to morpheme”. 56 DA EDIÇÃO PORTUGUESA A figura (36i) representa uma teoria concebida como uma máquina com um corpus como input e uma gramática como output. qualquer uma das possibilidades que são igualmente eficientes. B. idem. embora mais eficientes do que todas as outras”. Hockett diz que seu objetivo em “A formal statement of morphemic analysis” é o desenvolvimento de “procedimentos formais com os quais se pode trabalhar a partir de um esboço para chegar a uma descrição completa do padrão de uma língua” (p. e apresenta um escolhido entre G1 e G2 como output. 27). Chomsky. 29 A questão básica com a qual estamos lidando não irá se alterar se estivermos dispostos a aceitas um conjunto pequeno de gramáticas corretas. C. P. de maneira arbitrária. R. 3-46 (1948). Methods in structural linguistics (Chicago. F. adotamos a posição mais fraca das três descritas antes. “Problems of morphemic analysis”. dependendo se a gramática for ou não a correta. idem. “Systems of syntactic analysis”. 242-56 (1953). mas o que ele realmente faz é descrever algumas das propriedades formais de uma análise morfológica e então propor um “critério através do qual a eficiência relativa de duas possíveis soluções mórficas possam ser determinadas. podemos escolher a possibilidade mais eficiente. “Immediate constituents”. (36ii) é um mecanismo com que tem uma gramática e um corpus como input e que responde “sim” ou “não” como output. se examinarmos bem. 321-43 (1947). S. Language 24. a maioria das propostas para o desenvolvimento de uma teoria lingüística30 tenta satisfazer a exigência mais forte das três. por isso. O ponto vista adotado aqui é que não é razoável exigir da teoria lingüística que ela forneça algo além de um procedimento prático de avaliação das gramáticas. uma teoria que fornece um procedimento de avaliação de gramáticas29. com isso. S. Language 23. Journal of Symbolic Logic 18. podemos freqüentemente ver que a teoria que está sendo de fato construída não fornece mais do que um procedimento de avaliação das gramáticas. N. (p. Por exemplo. 81-117 (1947). Language 23. 1951). elas tentam formular métodos de análise que um investigador possa realmente utilizar se tivesse tempo suficiente para construir uma gramática de uma língua diretamente dos dados brutos. ela representa uma teoria que fornece um procedimento de decisão de gramáticas.(36) VER GRÁFICO (36). 29). Language 31. Acredito que se nos limitarmos ao objetivo mais modesto de desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. Z. 27-39 (1952).

que estivéssemos avaliando as gramáticas através de medições de alguma propriedade simples. Segundo. Terceiro. há três tarefas principais no tipo de programa que escolhemos para a teoria lingüística. prático e automático para escolher entre diversas teorias. Suponha. Existem poucas áreas da ciência em que se poderia considerar seriamente a possibilidade de se desenvolver um método geral. para que possamos realmente propor alguma gramática com essa forma para as línguas particulares. Primeiro. qualificamos a caracterização do tipo de procedimento com o termo “prático”. devemos analisar e definir a noção de simplicidade que pretendemos utilizar para escolher entre uma gramática entre todas as gramáticas que têm a forma correta. ao escolher uma entre elas. seria correto afirmar que temos um procedimento de avaliação prático de gramáticas. Determinar se esse julgamento está correto pode ser feito apenas pelo efetivo desenvolvimento e comparação de teorias desses diversos tipos. com a certeza de que encontraremos a seqüência adequada mais curta dentro de um tempo finito. por exemplo. já que poderíamos contar o número de símbolos que cada gramática contém. Suponha que utilizemos o termo “simplicidade” para nos referir ao conjunto de propriedades formais das gramáticas que consideraremos. com testes operacionais e comportamentais) os critérios externos de adequação para as gramáticas. como a extensão. Em cada uma dessas concepções da teoria lingüística. que a mais fraca dessas exigências ainda é forte o suficiente para garantir que uma teoria que alcance essa exigência seja significativa. Essa qualificação um tanto vaga é fundamental para uma ciência empírica. Mas esse não é o tipo de procedimento de descoberta que pretendido por quem está tentando satisfazer a exigência forte que discutimos anteriormente. E também seria literalmente correto afirmar que temos um procedimento de descoberta. Então. Então. já que poderíamos ordenar todas as seqüências do número finito de símbolos que constituem as gramáticas e testar cada uma dessas seqüências para verificar se ela é uma gramática.conseguiremos focalizar nossa atenção mais claramente aos problemas realmente importantes sobre a estrutura lingüística e conseguiremos chegar a respostas mais satisfatórias. contudo. cada uma sendo compatível com os dados disponíveis. Completar as duas últimas tarefas irá nos permitir formular uma teoria geral da estrutura lingüística em que tais noções como “o fonema 46 . Repare. é necessário estabelecer de maneira precisa (se possível. devemos caracterizar a forma das gramáticas de uma maneira geral e explícita.

as gramáticas que a teoria geral nos obriga a escolher) satisfazem as condições externas de adequação. “o sintagma em L”.em L”. podemos decidir que certos testes não se aplicam aos fenômenos gramaticais. Tentamos determinar que tipo de gramática irá gerar exatamente as sentenças gramaticais de uma maneira simples. ela parte da hipótese de que. Repare que essa teoria pode não nos dizer como realmente construir a gramática de uma língua a partir de um corpus de maneira prática. nos permitir a escolha entre duas gramáticas propostas. Continuaremos a revisar nossas noções de simplicidade e caracterização da forma das gramáticas até que as gramáticas selecionadas pela teoria consigam satisfazer as condições externas32. revisar os critérios de adequação ao longo de nossa pesquisa. podemos definir o conjunto de fonemas de L como um conjunto de elementos que têm certas propriedades físicas e distribucionais e que aparecem na gramática mais simples de L. como “um enunciado observado em L”. Essa teoria geral está de acordo com a preocupação de clarificar a relação entre o conjunto de sentenças gramaticais e o conjunto de sentenças observadas. podemos tentar construir gramáticas para línguas reais e podemos determinar se as gramáticas mais simples que encontramos (isto é. antes que possamos caracterizar essa relação de maneira clara. Nossa investigação da estrutura deste último conjunto é apenas preparatória. etc. ela deve. estivemos preocupados com a segunda dessas três tarefas. devemos saber muito mais sobre as propriedades formais de cada um desses conjuntos. Mas ela deve nos dizer como avaliar tal gramática. Nas seções anteriores. Admitimos. referimos anteriormente que uma das noções que devem ser definidas em uma teoria lingüística geral é a de “uma sentença em L”. por hipótese. “a simplicidade da gramática de L”. na verdade. Em particular. continuaremos a investigar a relativa complexidade de diversas maneiras de descrever a estrutura do inglês. Ele é parcialmente determinado pela possibilidade de dar conta de alguns fenômenos de maneira organizada e sistemática. Por exemplo. Ou seja. Para formular esse objetivo em termos um pouco diferentes. Outros termos também serão definidos. A partir de tal teoria. dessa forma. “a transformação em L” sejam definidas para uma língua L arbitrária em termos de propriedades físicas e distribucionais de seus enunciados e em termos das propriedades formais das gramáticas de L31. O objeto de uma teoria não é completamente determinado a priori em uma investigação. No capítulo 7. que o conjunto de sentenças gramaticais do inglês fosse dado e que tínhamos uma noção de simplicidade. 31 47 . iremos nos preocupar com a A teoria lingüística irá então ser formulada em uma metalinguagem em relação à língua em que as gramáticas são escritas – uma metametalinguagem em relação a qualquer língua para que se constrói uma gramática. 32 Podemos também.

Ou seja. No entanto. Acredito que poderíamos dar conta dessa questão. Ainda assim. No capítulo 8. nem tampouco se deve esperar que ela forneça procedimentos mecânicos para a descoberta de gramáticas. Adiante. enquanto que o mesmo não acontece com gramáticas mais complexas. Repare que a simplicidade é uma medida sistemática. já que simplificando uma parte da gramática. Ao discutir os casos particulares. tentaremos mostrar que as gramáticas mais simples satisfazem certas condições externas de adequação. nós podemos nunca considerar a questão de como se pode chegar à gramática cuja simplicidade está sendo determinada. Eles podem fornecer dicas valiosas ao lingüista prático. tentaremos mostrar que a análise transformacional mais simples de uma classe de sentenças freqüentemente conduz a análises mais simples de outras classes. até que consigamos dar conta de maneira rigorosa da noção de simplicidade que adotamos. Pode-se chegar à gramática por intuição. É quando sabemos que a simplificação de uma parte da gramática leva a simplificações correspondentes de outras partes que podemos sentir estamos realmente no caminho certo. Essa validação pode ser somente uma tentativa. Nosso ponto central aqui é que uma teoria lingüística não deve ser identificada com um manual de procedimentos úteis. Não estamos negando a utilidade de processos de descoberta mesmo parcialmente adequados.questão da possibilidade de se simplificar toda a gramática se considerarmos certas classes de sentenças como sendo sentenças nucleares ou se as considerarmos como sendo sentenças derivadas por transformações. por qualquer tipo de sugestões metodológicas parciais. por confiança na experiência adquirida. que têm decisões diferentes sobre a atribuição de sentenças ao núcleo. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma discussão dos métodos de avaliação de gramáticas em termos de propriedades formais de simplicidade. por exemplo. como pode ter sido descoberta a análise do sintagma verbal apresentado em 5. nós podemos apenas indicar como uma ou outra decisão irá afetar a complexidade geral. podemos complicar as demais. argumentaremos que existem evidências independentes a favor de nosso método de selecionar gramáticas. etc. deverá ficar bem claro que. por suposições. ou podem levar a um conjunto pequeno de gramáticas que podem ser então avaliadas. Em resumo.3. esses resultados são apenas sugestivos. a maior parte das decisões sobre complexidade relativa que proporemos adiante ainda será válida33. 33 48 . com qualquer definição possível de “simplicidade da gramática”. Não há dúvidas de que é possível Cf. Chegaremos assim a certas decisões sobre a estrutura do inglês. Questões desse tipo não são relevantes para o programa de investigação desenvolvido acima. etc. o único critério fundamental na avaliação é a simplicidade de todo o sistema. mas isso certamente iria além do escopo deste trabalho.

as considerações morfológicas são tidas como relevantes para a análise fonêmica. em princípio. Foi salientado. exaustiva e simples o suficiente para que sejam qualificados como procedimentos práticos e automáticos de descoberta. o fato de que se os morfemas são definidos em termos de fonemas. ao mesmo tempo. quando tornamos nossos objetivos mais modestos. pode-se ter chegado à gramática de uma língua. mais interessados na descrição da forma de gramáticas (ou seja. Podemos depois definir um par de um conjunto de fonemas e um conjunto de morfemas para uma determinada língua como sendo um par compatível de um conjunto hipotético de fonemas e um conjunto hipotético de morfemas. Estamos. esse problema não se enquadra no escopo de nossas investigações no momento. podemos definir um “conjunto hipotético de fonemas” e um “conjunto hipotético de morfemas” independentemente e podemos desenvolver uma relação de compatibilidade entre os conjuntos hipotéticos de fonemas e os conjuntos hipotéticos de morfemas. da mesma forma. ou seja. e. Em todo o caso. 6. mas é questionável que eles possam ser formulados de maneira rigorosa. Nesse caso. podemos definir os fonemas e os morfemas de uma língua como os fonemas e morfemas hipotéticos que. pouca 49 . corretamente. então. e há poucas razões para se acredita que ela pode ser satisfeita de maneira significativa. tentando desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. certos problemas que têm sido objeto de intensa controvérsia metodológica simplesmente não aparecem. nenhuma outra teoria fonêmica ou morfêmica satisfaz realmente essa forte exigência. entre outras coisas. isso não nos diz como encontrar os fonemas e morfemas de maneira direta e automática. Porém. Isso resulta em uma maneira perfeitamente direta de definir níveis independentes sem qualquer circularidade. conduzem de maneira conjunta à gramática mais simples da língua. Considere o problema da interdependência de níveis. então a teoria lingüística pode ser anulada por um problema real de circularidade. por exemplo. Nossa relação de compatibilidade pode ser parcialmente estabelecida em termos de consideração de simplicidade. De qualquer forma. Obviamente. na natureza da estrutura lingüística) e na investigação das conseqüências empíricas na adoção de um determinado modelo da estrutura lingüística do que em demonstrar como.2 Uma vez que tenhamos declinado qualquer intenção de encontrar um procedimento prático de descoberta das gramáticas.dar conta de maneira organizada de diversos procedimentos úteis de análise. Nosso objetivo último é fornecer uma maneira não-intuitiva e objetiva de avaliar uma gramática e compará-la com outras gramáticas propostas.

A única diferença entre os dois casos é que (19v) é uma regra muito mais geral do que (19ii)35. Word 10. 65-80. como /d/ em “framed” /freymd/ (modelou). 230-7 (1954) que as propostas de Pike podem ser formalizadas sem a circularidade que muitos nelas detectam. Language 30. idem. Mesmo se considerações morfológicas sejam consideradas relevantes para determinar os fonemas de uma língua. 504-9 [1952]) podem ser satisfeitos sem dificuldade por uma formulação não-circular. associar qualquer parte dessa palabra com o morfema de passado que aparece como /t/ em “walked” /wçkt/ (caminhou). Lukoff. Methods in structural linguistics (Chicago. para uma discussão mais profunda sobre a interdependência dos níveis. S. 210-33 (1954). For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. Harris. Word 3. “On accent and juncture in English”. Proceedings of the Sixth International Congress of Linguistics 5-18 (Paris.motivação permanece para qualquer objeção à mistura de níveis. Bar-Hillel sugeriu em “Logical syntax and semantics”. como vimos há pouco. Z. e não há qualquer dificuldade em evitar a circularidade na definição de níveis interdependentes34. Ao tentar desenvolver procedimentos de descoberta de gramáticas. 33 (1949). Assim. ficamos naturalmente tentados a considerar os morfemas como classes de seqüências de fonemas. “Two fundamental problems in phonemics”. A manual of phonology = Memoir 11. Linguistics Today. M. 1948). Ele não se aprofunda com detalhes. 15. capítulos 9 e 12) para exemplos de procedimentos que conduzem a níveis interdependentes. 1956). N. 34 50 . Isso nos leva a problemas bem conhecidos.2. assim como propusemos. relacionados na gramática por regras morfofonêmicas tais como (19). Podemos evitar esse tipo de problema se entendermos a morfologia e a fonologia como sendo dois níveis diferentes. Halle. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. “On accent and juncture in English”. 65-80. As regras morfofonêmicas (19ii) e (19v) convertem. Halle. Jackobson. 155-72 (1847). Acredito que as objeções de Fowler aos procedimentos morfológicos de Harris (cf. respectivamente. Lukoff. Appendix to 7. “More on grammatical prerequisites”. Appendix to 8. em que é difícil. isto é. Cf. 1955). M. “took” será representado no nível morfológico como take+passado da mesma forma que “walked” será representado como walk+passado. Language 28. C. Chomsky. O problema da interdependência dos níveis fonêmico e morfêmico não deve ser confundido com a questão sobre se a informação morfológica é exigida para a leitura de uma transcrição fonêmica. “took” /tuk/ (pegou). também N. Studies in Linguistics 7. “The phonemic and grammatical aspects of language and their interrelation”. 106-21 (1952). Hockett. como nos casos da forma verbal de passado do inglês. Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore. para discussão e exemplos. Chomsky. p. idem. etc. Cf. Além do mais. F. R. como tendo verdadeiramente conteúdo fonêmico em sentido quase literal. Se desistirmos da idéia de que os níveis superiores são literalmente Cf. F. Em “Two models of grammatical description”. K. pode ainda ser o caso de que a transcrição fonêmica forneça regras de “leitura” completas sem qualquer referência a outros níveis. poderemos construir níveis interdependentes somente com definições diretas.4. através do uso de definições recursivas. se estivermos satisfeitos com um procedimento de avaliação de gramáticas. “Grammatical prerequisites to phonemic analysis”. ainda que interdependentes. 1956). Word 8. Pike. 1951) (por exemplo. F. Muitos problemas de análise morfêmica também recebem soluções bem simples se adotarmos o modelo geral que esboçamos há pouco. Cf. 35 Hockett apresenta esta abordagem de níveis de maneira bem clara em A manual of phonology (1955). L. essas seqüências de morfemas em /tuk/ e /wçkt/. e meu pressentimento sobre o sucesso dessa solução diz que ele deve ser pouco provável. evitando artificialismos.

1956). 65-80. Chomsky. F. para uma discussão da possibilidade de que as considerações nos níveis 51 . de maneira mais geral. então se torna muito mais natural considerar mesmo sistemas de representação tão abstratos como a estrutura transformacional (em que cada enunciado é representado pela seqüência de transformações de onde é derivada a partir de uma seqüência terminal da gramática de estrutura sintagmática) constituindo um nível lingüístico. formular princípios de formação de sentenças em termos de fonemas ou morfemas. porque muitos dos problemas que aparecem sobre os níveis inferiores de fonêmica e morfologia não estão resolvidos. esse fato não pode ser negligenciado” (p. Por exemplo. etc. Não somos obrigados a abandonar as esperanças em encontrar um procedimento de descoberta prático ao adotarmos a perspectiva de que os níveis são interdependentes. como acredito que devemos fazer. Assim. já que o morfema passado aparece na representação morfêmica tanto de “took” como de “baked”. “shake” – “shook” (balançar – balançou). Halle. indica que essa tarefa fútil não precisa ser seguida nos níveis inferiores36. Contudo. “stand – stood” (durar – durou). vimos antes que seria um absurdo. Formularemos essa regra. tenha sua origem na tentativa de desenvolver um procedimento de descoberta de gramáticas. M. Lukoff. ou mesmo inútil. For Roman Jackobson (‘sGravenhage. ou a concepção de níveis lingüísticos como sistemas abstratos de representação relacionados apenas por regras gerais. acho que é inquestionável que a oposição à mistura de níveis. “On accent and juncture in English”. às vezes se argumenta que trabalhos em teoria sintática são prematuros. mas apenas o desenvolvimento de tais níveis superiores. 224) Porém. É bem verdade que os níveis superiores da descrição lingüística dependem de resultados obtidos nos níveis inferiores. “forsake” – “forsook” (renunciar – renunciou) e. Isso irá nos permitir uma simplificação na gramática. e também são semelhantes em significado da mesma maneira. Mas o inverso também não deixa de ser verdadeiro. então não há muita razão para manter qualquer uma dessas posições duvidosas.construídos a partir dos elementos de nível inferior. 36 Cf. a similaridade no significado não é negligenciada em nossa formulação. através de uma generalização que irá evidenciar o paralelismo entre “take” – “took”. assim como a idéia de que cada nível é literalmente construído a partir de elementos de níveis inferiores. N. Da mesma Hockett rejeitou uma solução muito parecida com a que apresentamos aqui. Existem muitas outras perspectivas comumente aceitas que parecem perder muito de seu apelo se formularmos nossos objetivos da maneira recém sugerida. como o da estrutura sintagmática. argumentando que “took e take são em parte semelhantes no formato fonêmico assim como o são baked e bake. E a semelhança no formato fonêmico pode ser salientada na formulação da regra morfofonêmica que converte take + passado em /tuk/. como ey u no contexto t – k + passado na formulação morfofonêmica. Se renunciarmos a esse objetivo e se distinguirmos claramente entre um manual de procedimentos sugestivos e úteis e uma teoria da estrutura lingüística. sem dúvidas.

ou mesmo necessário. dissemos que a descrição da estrutura da sentença por uma análise de constituintes não terá sucesso se for levada além de determinados limites. ter alguma visualização do caráter do sistema completo. Para que se desenvolva uma parte da gramática de maneira completa.forma. A gramática de uma língua é um sistema complexo com muitas e variadas interconexões entre suas partes. são relevantes para a seleção de uma análise fonêmica. havendo ou não preocupação com o problema de procedimentos de descoberta. freqüentemente é útil. Mas somente o desenvolvimento do nível ainda mais abstrato das transformações pode preparar o caminho para o desenvolvimento de uma técnica mais simples e adequada de análise de constituintes com limites mais modestos. acredito que a noção de que a teoria sintática deva esperar a solução de problemas da morfologia e da fonologia seja insustentável. incluindo a morfologia. Mais uma vez. mas acredito que tenha sido alimentado por uma falsa analogia entre a ordem do desenvolvimento da teoria lingüística e a suposta ordem das operações na descoberta da estrutura gramatical. superiores. a estrutura sintagmática e as transformações. 52 .

. ALGUMAS TRANSFORMAÇÕES EM INGLÊS 7. 37 53 . Dada uma seqüência analisada em três segmentos em uma dessas formas. Considere agora a introdução do not ou n’t no sintagma verbal auxiliar. as referências citadas na nota 24. Por exemplo. Para especificar de maneira explícita uma transformação. Assim. ou depois do primeiro morfema. (ii) NP – C + M – . se esse sintagma contiver pelo menos dois morfemas. podemos retornar à investigação das conseqüências em se adotar a abordagem transformacional na descrição da sintaxe do inglês. Para uma discussão mais detalhada da especificação das transformações em geral e de transformações específicas. a Tneg adiciona not (ou n’t) depois do segundo segmento da seqüência. essa transformação Tneg opera em seqüências que são analisadas em três segmentos em uma das seguintes maneiras: (37) (i) NP – C – V . onde os símbolos são como em (28) e (29) e é irrelevante o que as reticências representam... Assim. (34)). cf. (iii) NP – C – have – . se ele contiver somente um morfema. a transformação passiva se aplica a seqüências da forma NP – Aux – V – NP e tem o efeito de intercambiar os dois sintagmas nominais.. A maneira mais simples de descrever a negação é por meios de uma transformação que se aplica antes de (29ii) e introduz not ou n’t depois do segundo morfema do sintagma dado por (28iii).1 Depois dessa divagação. Nosso objetivo é limitar o núcleo de tal forma que as seqüências terminais subjacentes às sentenças nucleares sejam derivadas por um sistema simples de estrutura sintagmática e possam fornecer a base a partir da qual todas as sentenças possam ser derivadas por transformações simples: transformações obrigatórias no caso do núcleo e transformações obrigatórias e opcionais no caso de sentenças não nucleares. devemos descrever a análise das seqüências a que ela se aplica e a modificação estrutural que se efetua nessas seqüências37.... (iv) NP – C + be – .. adicionando a preposição by (por) antes do último sintagma nominal e adicionando be +en (ser + particípio passado) ao Aux (cf.7.

havíamos especificado que a Tneg se aplicava antes de (29ii). derivamos “John doesn’t come” (o João não vem). o verbo do pode ser tanto um verbo principal (que pode significar “fazer”. Tal como foi exposto. Cf. a Tneg produzirá they – ∅ + can + n’t – come (e finalmente “they can’t come” (eles não podem vir)). aplicada à they – ∅ + be – ing + come (um caso de (37iv)). que poderia dar a sentença nuclear “John comes” (o João vem). A regra funciona de maneira adequada. então.aplicada à seqüência terminal they – ∅ + can – come (um caso de (37ii)). já que (39) não contém agora qualquer seqüência Af + v. uma seqüência terminal como (38) John – S – come. As regras (37) e (40) nos permitem agora derivar todas as formas de sentenças gramaticais e apenas elas. 54 . No entanto. vemos que (29ii) não se aplica de maneira alguma a (39). a Tneg produz: (39) John – S + n’t – come. ela produzirá they – ∅ + be + n’t – ing + come (e finalmente “they aren’t coming” (eles não estão vindo)). aplicada à they – ∅ + have – en + come (um caso de (37iii)). o que produz o efeito de reescrita de Af + v como v + Af #. Suponha agora que selecionamos um caso de (37i). O que (40) diz é que do é introduzido como o “portador” de um afixo não afixado. como em “John does his homework” (O João faz o tema de casa)). como pode ser o verbo auxiliar de sentenças negativas e interrogativas. (29iii) para introdução do #. uma regra que se aplica depois de (29): (40) # Af # do + Af onde do é o mesmo elemento que o verbo principal em “John does his homework” (o João faz o tema de casa). Aplicada à 38. quando selecionamos os últimos três casos de (37). o tratamento transformacional da negação é relativamente mais simples do que qualquer tratamento alternativo dentro do modelo de estrutura [O210] Comentário: Em inglês. a partir de (29ii). Aplicando (4) e as regras morfológicas a (39). ela produzirá they – ∅ + have + n’t – en + come (e finalmente “they haven’t come” (eles não vieram)). isto é. Vamos então adicionar a seguinte regra transformacional obrigatória à gramática. Contudo.

Aplicada a (41) (i) they + ∅ . Podemos gerar todas (e apenas) essas sentenças através de uma transformação Tint que opera sobre seqüências com a análise (37). tal como “have they arrived” (eles chegaram). e tem o efeito de intercambiar o primeiro e o segundo segmentos dessas seqüências.sintagmática. esses casos realmente existem. de fato. iii) e (40) e depois as regras morfofonêmicas. E. derivamos (43) (i) do they arrive (ii) can they arrive (iii) have they arrived (iv) are they arriving 55 . tal como esses segmentos são definidos em (37).arrive (ii) they – ∅ + can – arrive (iii) they – ∅ +have – en + arrive (iv) they – ∅ + be – ing + arrive que têm a forma de (37i-iv). (37) e (40)) fossem necessárias por razões independentes. Exigimos que a Tint se aplique depois de (29i) e antes de (29ii). “did they arrive” (eles chegaram). Considere a classe de perguntas “sim-ou-não”. “can they arrive” (eles podem chegar). A vantagem do tratamento transformacional (sobre a inclusão de negativas no núcleo) seria bem mais clara se pudéssemos encontrar outros casos em que as mesmas formulações (isto é. a Tint produz as seqüências (42) (i) ∅ – they arrive (ii) ∅ + can – they – arrive (iii) ∅ + have – they – en + arrive (iv) ∅ + be – they – ing + arrive Aplicando agora as regras obrigatórias (29ii.

tal como Chomsky expõe aqui. Repare também que a Tint deve se aplicar depois de (29i). do + passado /did/.was slept – by John” “was slept by John” (foi dormido pelo João). Por isso. Ao analisarmos o sintagma verbal auxiliar nas regras (28) e (29). Repare que nenhuma regra morfofonêmica nova é necessária para dar conta do fato de que do + ∅ /duw/. precisamos dessas regras para dar [O211] Comentário: A transformação interrogativa (Tint). Assim. ou o número não será corretamente atribuído nas interrogativas. O João está vindo? conta das formas do do como verbo principal. de qualquer maneira. por exemplo. Uma alternativa que não consideramos foi a de eliminar o morfema zero e afirmar simplesmente que nenhum afixo ocorre se o sujeito não estiver na terceira pessoa do singular. se aplicar a (42i). em “John – slept – ∅” (o João – dormiu – ∅) na não-sentença “∅ . d. essa análise dos 56 . dessa forma. não precisamos modificar a estrutura sintática da sentença declarativa. a regra (40) teria inserido do como o portador desses elementos.em transcrição fonêmica. O João está vindo. Existem vários outros casos em que a análise transformacional fornece razões convincentes a favor ou contra a postulação da existência de morfemas zero. Veja os exemplos: a. sem a intervenção da Tint. do + S /d´z/. não se aplica ao português. e nós teríamos sentenças como “does he arrive” (ele chega?). A transformação passiva (34) converteria. Se C tiver sido desenvolvido em S ou passado pela regra (29i). e a regra (40) não iria. Precisamos ter o morfema ∅. nós consideramos S como sendo o morfema de terceira pessoa do singular e ∅ como o morfema afixado ao verbo para todas as outras formas do sujeito. Como exemplo negativo. caso contrário não haverá nenhum afixo em (42i) para que o do utilize. b. “did he arrive” (ele chegou?). precisamos apenas modificar sua entoação. Se tivéssemos aplicado as regras obrigatórias diretamente a (41). Percebemos agora que essa alternativa não é aceitável. considere a hipótese de os verbos intransitivos serem analisados como verbos com objeto zero. (43i-iv) são as contrapartes interrogativas de (44i-iv). O João chegou? c. Para formarmos perguntas do tipo “simou-não”. o verbo tem S se o substantivo sujeito tem ∅ (“the boy arrives” (o garoto chega)) e o verbo tem ∅ se o sujeito tem S (“the boys arrive” (os garotos chegam)). No caso de (42i). do é introduzido pela regra (4) como o portador de um elemento não afixado ∅. O João chegou. teríamos derivado as sentenças (44) (i) they arrive (ii) they can arrive (iii) they have arrived (iv) they are arriving Assim.

.. em muitos casos. que afirma as sentenças “John arrives” (o João chega). e isso pode ser usado para simplificar a descrição da sintaxe do inglês. e que adiciona A a essas seqüências exatamente na mesma posição onde a Tneg adiciona not ou n’t. “John can arrive” (o João pode chegar).. + A . Já que tanto a subdivisão da sentença que ela impõe como a regra para a introdução de do eram exigidas independentemente para a negação. a análise transformacional revela o fato de que as negativas e as interrogativas têm basicamente a mesma “estrutura”.. Então. a TA é uma transformação de “afirmação”. como em “John does come” (o João realmente vem). Retornaremos ao problema mais geral do papel das transformações na determinação da estrutura de constituintes na seção 7.intransitivos deve ser rejeitada. [O212] Comentário: Em inglês. Em outras palavras. assim como a Tneg produz sentenças como (46) (i) John doesn’t arrive (de John # S + n’t # arrive.. etc. “John has arrived” (o 57 . Uma tradução que parece ser adequada. (37)). é o nosso “realmente”..6. não consideramos formas acentuadas do elemento do. Estabelecemos agora uma transformação TA que impõe a mesma análise estrutural de seqüências que a Tneg impõe (isto é. Suponhamos que criássemos um morfema A de acentuação contrastiva a que se aplicasse a seguinte regra morfofonêmica. Ao tratarmos o sintagma verbal auxiliar. V.. onde “ indica acentuação forte. através de (40)) (ii) John can’t arrive (de John # S + can + n’t # arrive) (iii) John hasn’t arrived (de John # S + have + n’t # en + arrive) A TA produz as sentenças correspondentes (47) (i) John does arrive (de John # S + A # arrive.. é possível utilizar o elemento do de maneira enfática. através de (40)) (ii) John can arrive (de John # S + can + A # arrive) (iii) John has arrived (de John # S + have + A # en + arrive) Assim. precisamos apenas descrever a inversão efetuada pela Tint ao estender a gramática para dar conta das pergunta sim-ou-não. O ponto fundamental sobre a transformação interrogativa Tint é que quase nada pode ser acrescentado à gramática com o intuito de descrevê-la. (45) . “V ..

João chegou). mais ou menos no mesmo sentido em que he (ele) é um pronome). que são formadas sobre o mesmo padrão subjacente transformacional que as negativas. a saber (37). uma vez que não temos nenhum verbo auxiliar na segunda oração. iii). da mesma maneira que a Tneg as nega. (40) e as regras morfofonêmicas. Ainda existem outros casos de transformações que são determinadas pela mesma a análise sintática fundamental das sentenças. primeiro trocando o terceiro segmento da sentença por so e depois intercambiando o primeiro e o terceiro segmentos. A transformação Tso se combina com a transformação da conjunção para dar (49). Há um outro atributo notável do caráter fundamental dessa análise que merece atenção. Assim. 58 . Considere as sentenças nucleares [O213] Comentário: Em português. (O elemento so é então um pro-VP. Apesar de ainda não termos descrito esse processo de maneira suficiente. etc. derivamos finalmente (50) (i) John arrives and so do I (o João chega e eu também) (ii) John can arrive and so can I (o João pode chegar e eu também) (iiii) John has arrived and so have I (o João chegou e eu também) a Tso opera na segunda sentença de cada par em (48). Essa é formalmente a solução mais simples e parece estar intuitivamente correta.I (iii) John – S + have – en + arrive – and – so – ∅ + have – I Aplicando as regras (29ii. I – ∅ – arrive (ii) John – S +can – arrive. parece claro que tanto a análise (37) das sentenças quanto a regra (40) são novamente fundamentais. a tradução é irrelevante. . as interrogativas e as afirmativas enfáticas. I – ∅ – have – en +arrive (49) (i) John – S – arrive – and – so – ∅ – I (ii) John – S + can – arrive – and – so – ∅ + can . I – ∅ +can – arrive (iii) John – S + have + en + arrive. não é preciso quase nada de novo na gramática para incorporar sentenças como (50). Considere a transformação Tso que converte pares de seqüências de (48) para as seqüências correspondentes de (49): (48) (i) John – S – arrive. como acontece com o inglês.

temos “John doesn’t read book”. já que essas transformações também são baseadas na análise estrutural (37). (ii) Bill has a chance to live and so has John. assim como ele é o único verbo transitivo que pode ser analisado ambiguamente nos termos de (37). (54) (i) does John have a chance to live? (ii) has John a chance to live? (55) (i) Bill has a chance to live and so does John. mas não “John readsn’t books”. como aparece em (37). e a a Tso irá produzir qualquer uma das formas de (55). adicionando not ou n’t entre o segundo e o terceiro segmentos. aplicada a (52i). Tint e Tso se aplicam a essas seqüências subjacentes. Considere agora como as transformações Tneg. Ou seja. A transformação Tneg se aplica a qualquer seqüência da forma (37). não auxiliares. 59 . Da mesma forma. a Tint irá produzir qualquer uma das formas de (54). Além disso. ambas as formas de (53) são gramaticais. (52i) produzirá (53i) ou (53ii): (53) (i) John – C – n’t – have + a + chance + to + live ( ( “John doesn’t have a chance to live”) “John hasn’t a chance to live”) (ii) John – C + have + n’t – a chance + to + live Mas na verdade. Porém. have é o único verbo transitivo que torna possível essa ambigüidade da negação.(51) (i) John has a chance to live (o João tem uma chance para viver) (ii) John is my friend (o João é meu amigo) As seqüências terminais subjacentes a (51) são (52) (i) John + C + have + a + chance + to + live (ii) John + C + be + my + friend onde have em (52i) e be em (52ii) são verbos principais.

uma das formas é be + Predicado. “John readsn’t books. somente (37iv) se refere a (52ii). irão produzir. Isso resolve o problema mencionado anteriormente. sobre a gramaticalidade de (3) mas não de (5). Percebemos. uma manifestação de uma regularidade subjacente mais profunda quando consideramos a estrutura do inglês a partir do ponto de vista da análise transformacional. Tint. no entanto. na verdade.Mas no caso de todos os outros verbos transitivos. não aceitaremos nessa gramática be como sendo um V. esse comportamento de “be” e “have” acaba se tornando. que o comportamento aparentemente irregular do verbo “have” é. Repare que a ocorrência de have como um auxiliar em seqüências terminais como John + C + have + en + arrive (subjacente à sentença nuclear “John has arrived”) não está sujeita à mesma análise ambígua. etc. Se tentássemos descrever a sintaxe do inglês puramente em termos de estrutura sintagmática. Por isso.) são impossíveis com verbos reais. uma conseqüência automática de nossas regras. respectivamente (passando por 29i). na seção 2. é. isto é. (56) (i) John – S + be + n’t – my + friend ( (ii) S + be – John – my + friend ( my friend and so is John) Mais uma vez. de todas as análises permitidas por (37). e Tso.3. formas como (54ii) e (55ii) são impossíveis. Apesar de ainda não o termos mostrado. não obstante. é de fato verdade que. Não temos em inglês “reads John books?” ou “Bill reads books and so reads John”. Assim como uma das formas do sintagma verbal é V + SN. ainda que be não seja um auxiliar em (52ii). Considere agora (52ii). as transformações Tneg. verdade que. Portanto. Essa seqüência terminal é um 60 “John isn’t my friend”) “Bill is “is John my friend”) (iii) Bill – S + be – my + friend – and – so – S + be – John ( . aplicadas a (52ii). como seria o caso com verbos reais. as formas “be” e “have” surgiriam como exceções claras e distintas. não há qualquer motivo para incluir “be” na classe dos verbos. as formas análogas (por exemplo. Da mesma forma. na verdade. Por isso. a transformação TA produz “John is here”. na gramática mais simples do inglês. Mas acabamos de ver que são exatamente essas formas aparentemente excepcionais que resultam automaticamente da gramática mais simples construída para dar conta dos casos regulares.

(37i)) Essa seqüência não é um exemplo de (37i). (52i) é analisado de maneira ambígua uma vez que a ocorrência de have em (52i) pode ser rastreada até um nó V e. etc. O fato de (57ii) não ser uma análise possívelnão nos permite derivar não-sentenças. Mas have. (57) (i) John – C + have – en + arrive (SN – C + have – .2 Podemos estender facilmente a análise das interrogativas que estudamos anteriormente de maneira que elas incluam os seguintes casos (58) (i) what did John eat (o que o João comeu?) (ii) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) 61 . “does John have arrived”. em (57). como “John doesn’t have arrived”. A estrutura sintagmática de uma seqüência terminal é determinada a partir de sua derivação.. isto é. ela pode ser analisada como em (57i). Acho que essas considerações dão ampla justificativa para nosso argumento anterior de que as concepções da estrutura sintagmática são fundamentalmente inadequadas e que a teoria da estrutura lingüística deve ser elaborada seguindo as linhas sugeridas em nossa discussão sobre a análise transformacional. obviamente. a gramática do inglês se torna muito mais simples e ordenada.exemplo (37iii). mas não de (37i). No entanto. 7. mas não como em (57ii).. isto é.1. vimos que uma ampla variedade de fenômenos aparentemente distintos se organiza de uma maneira bem simples e natural quando adotamos o ponto de vista da análise transformacional e que. através do rastreamento de segmentos até os nós. da maneira descrita na seção 4. ainda que algumas outras ocorrências de have (por exemplo.. Nesta seção. não pode ser rastreado até um nó que seja rotulado como V na derivação dessa seqüência. Ou seja. pode ser rastreada até um have (que é ele mesmo) no diagrama que corresponde à derivação da seqüência (52i). Esse é o requisito básico que qualquer concepção de estrutura lingüística (isto é. conseqüentemente. já que essa ocorrência de have não é um V. qualquer modelo para a forma da gramática) deve satisfazer. em (52i)) sejam Vs. (37iii)) (ii) John – C – have + en + arrive (SN – C – V….

teremos regras como: wh + he /huw/. em português. [O214] Comentário: Who. Ela tem. a primeira ou a terceira posições podem estar vazias). o) ou it (pronome sujeito e objeto de terceira pessoa do singular.Esses casos não recebem respostas do estilo sim-ou-não. em particular. portanto. e podemos definir Tw2 como a transformação que converte qualquer seqüência Z em wh + Z. (41) e (42)). A seqüência terminal subjacente a (58i) e (58ii) (assim como a (62) e (64)) é (61): (61) John – c – eat + an + apple (SN – C – V…). ela inverte o primeiro e o segundo segmentos de (59). onde wh é um morfema. A maneira mais simples de incorporar essa classe de sentenças em nossa gramática é criando uma nova regra de transformação opcional Tw. 38 62 . o mesmo efeito transformacional que a transformação Tint (cf. A Tw se aplica depois da Tint e antes de (29ii). isto é. Mais simplesmente. A Tw opera em duas etapas: (60) (i) A Tw1 converte as seqüências da forma X – SN – Y na seqüência correspondente de forma SN – X – Y. Na morfofonêmica do inglês. him (pronome objeto masculino de terceira pessoa do singular. que podemos construir facilmente na gramática e que se revelam essenciais. Essa dependência condicional entre as transformações é uma generalização da distinção entre as transformações obrigatórias e opcionais. podemos limitar a aplicação de Tw a seqüências da forma X – SN – Y em que o SN seja he (ele). com a flexão neutra). a seqüência “vazia” – isto é. e what é o que ou qual. wh + it /what/. wh + him /huwm/. Agora estabelecemos a condição de que a transformação Tw possa se aplicar somente a seqüências a que a transformação Tint já tenha se aplicado. é quem. sendo condicionada pela Tint no sentido em que ela somente se aplica a produzidas por Tint. que opera em qualquer seqüência da forma (59) X – SN – Y onde X e Y representam qualquer seqüência (incluindo. Especificamos que a Tint deve se aplicar depois de (29i) e antes de (29ii). (ii) A Tw2 converte a seqüência resultante SN – X – Y em who – X – Y se o SN for animado ou em what – X – Y se o SN for inanimado38.

(65) John – passado – eat + an + apple (66) who – passado – eat + an + apple A regra (29ii) e as regras morfofonêmicas convertem. então. então. por Tw2. derivaremos (63) passado – John – eat + an + apple. Se aplicarmos agora (40) a (63). Para aplicar a transformação Tw a uma seqüência. (66) em (58ii). Assim. teremos a interrogativa simples (64) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) No entanto. Assim. se aplicarmos a Tw a (63). Ao formarmos (58ii).onde os traços indicam a análise imposta pela Tint. Repare que. derivaremos primeiro (65). introduzindo do como o portador de passado. escolhendo o sintagma nominal an+apple (uma+maçã). por meio de Tw1. analisamos (63) como (67): (67) passado + John + eat – an + apple. a Tw1 simplesmente desfaz o efeito da Tint. Para formar (58ii). derivaremos (62) # John # eat + passado # an # apple # ( comeu uma maçã)) Se aplicarmos (29i) e a Tint a (61). para os propósitos dessa transformação. Suponhamos agora que aplicamos a Tw a (63). o que explica a ausência da inversão em (58ii). primeiro selecionamos um sintagma nominal e depois invertemos esse sintagma nominal com a seqüência que o precede. escolhendo passado no desenvolvimento de C por (29i). que subjaz a sentença nuclear (62). 63 “John ate an apple” (o João . neste caso. como indicamos. escolhendo o sintagma nominal John. aplicamos primeiramente a Tint e depois a Tw à seqüência terminal (61). aplicamos a Tw a (63). Onde C é entendido como sendo passado. Se aplicarmos apenas transformações obrigatórias a (61). e depois (66). (61) é um caso de (37i).

Para resumir. efetua a mesma transformação que a Tint. No entanto. Aplicando a Tw a (67). Há diversos problemas se estendermos nossa discussão sobre os fenômenos entoacionais. (68) an + apple – passado + John + eat (69) what – passado + John + eat (29ii) não se aplica agora a (69). ou seja. onde Y é. por isso. derivamos primeiro (68). etc. em parte. que associamos às sentenças nucleares. Então. Suponhamos que estabelecêssemos duas entoações básicas de sentenças: entoações descendentes. ela inverte os primeiros dois segmentos da seqüência a que ela se aplica. Repare que a Tw1. Por isso. mas ela sugere que tal discussão pode ser frutífera. a partir de Tw1. e entoações ascendentes. tal como definida em (60i). (40) se aplica a (69). A Tw. Aplicando as regras restantes. introduzindo do como um portador do morfema passado. o efeito converte uma entoação descendente para uma entoação ascendente. Ela pode facilmente ser alargada para cobrir interrogativas como “what book did he read” (que livro ele leu?). a Tw1 irá converter a entoação ascendente para uma entoação descendente. que associamos às perguntas do tipo sim-ou-não. Parece razoável aceitar essa explicação para o fato de que as interrogativas (58i-) normalmente têm a entoação descendente das declarativas.uma seqüência da forma (59). como “what will he eat” (o que ele comerá?). Não discutimos ainda o efeito das transformações na entoação. finalmente derivamos (58i). vemos que as quatro sentenças (70) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) (= (62)) (= (64)) 64 . assim como não se aplicava a (39) ou a (42i). por Tw2. o efeito da Tint é. vazio. Por isso. neste caso. já que (69) não contém uma subseqüência da forma Af + V. tal como formulada em (59)-(60). “what has he been eating” (o que ele tem comido?). e essa observação não passa de um esboço. e depois (69). vimos que a Tw1 se aplica somente depois da Tint. também irá dar conta de todas as perguntas-QU. e seu efeito transformacional é mesmo que o da Tint. converter a entoação de um desses tipos para o outro. no caso de (64).

3 Na seção 5. já que elas são formadas a partir de (61). (32)-(33)). que são derivados de passivas. ing + SV (“to prove that theorem” (para provar aquele teorema). teremos sintagmas como “to be cheated” (ser traído). “being cheated” (sendo traído). 7. respectivamente. uma vez que apenas as transformações obrigatórias participam de sua “história transformacional”. Mas as passivas foram excluídas do núcleo. 39 65 . mencionamos que existem certos sintagmas nominais da forma to + SV. Não é difícil demonstrar que essa transformação simplifica consideravelmente a Essa transformação de nominalização será dada como uma transformação generalizada. ela converte “the boy is tall” (o garoto é alto) para “the tall boy” (o garoto alto). “proving that theorem” (provando aquele teorema) – cf. ing + SV não podem mais ser introduzidos dentro da gramática nuclear por regras como (33). Não abordaremos a estrutura desse interessante e ramificado conjunto de transformações de nominalização. meu artigo “A transformational approach to syntax”. então. Assim. que então irá substituir um SN a outra sentença. uma das quais é convertida de SN – SV para to + SV (ou ing + SV). Faremos referência a essa análise brevemente na seção 8.3. (70i) é uma sentença nuclear. Elas devem. ser introduzidas através de uma “transformação de nominalização” que converte uma sentença da forma SN – SV em um sintagma nominal da forma to + SV ou ing + SV39.2. Ela irá operar sobre um par de sentenças. Para uma análise mais detalhada e mais adequada do material nesta subseção. cf. Uma das transformações de nominalização será a transformação Tadj. como (26). exceto pela breve explicação de cunho transformacional que esboçaremos para o problema levantado na seção 2. Proceedings of the University of Texas Syposyum of 1958. pela aplicação das transformações Tint e Tw. artigo – substantivo – é – adjetivo) convertendo-a no sintagma nominal correspondente da forma T + Adj + N. que opera sobre qualquer seqüência da forma (71) T – N – is – Adj (isto é. os sintagmas nominais do tipo to + SV. Cf.3. (70iii) e (70iv) são ainda mais remotas da sentença nuclear.(iii) what did John eat (o que o João comeu?) (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) (= (58i)) (= (58ii)) são todas derivadas da seqüência terminal subjacente (61). etc. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para discussão detalhada. (70ii) é formada de (61) pela aplicação da transformação Tint. Por isso. Entre eles.

“the child sleeps” (a criança dorme). “the book interests”(o livro interesseia). figurar na lista (73). contudo.gramática e que sua direção deve ser essa e não a oposta. não parte do Verbo. temos uma regra (72) Adj old. no entanto. Um argumento independente para essa análise de “interesting” e “sleeping” vem do comportamento de “very” (muito). descobrimos que ela nos permite eliminar do núcleo todas as combinações adjetivo-substantivo.. Na gramática sintagmática. como podemos verificar pelo fato de não termos “the book will interest” (o livro vai interessantear). que pode ocorrer com certos adjetivos. “interesting” é um Adj. ainda que tenhamos sentenças como (73) the child is sleeping (a criança está dormindo) A razão para que isso aconteça é que até mesmo quando “sleeping” (dormindo) não é listado em (72). onde be + ing é parte do verbo auxiliar (cf. etc. alto. A maneira mais simples de dar conta de “very” é colocar a seguinte regra na gramática de estrutura sintagmática: 66 . (73) é gerado pela transformação (29ii) (que converte Af + v em v + Af #) a partir da seqüência terminal subjacente (74) the + child + C + be – ing – sleep. (28iii)).. não irão figurar nessa lista..) que lista todos os elementos que podem ocorrer nas sentenças nucleares da forma (71). mas não com outros. reintroduzindo-as através da Tadj. com diferentes escolhas para o verbo auxiliar.. Palavras como “interesting” (interessante) deverão. Paralelamente a (73). etc. Palavras como “dormindo”. etc.. (velho.. tall. Quando formulamos essa transformação de maneira adequada. temos sentenças como “the child will sleep” (a criança irá dormir). Em sentenças como (75) the book is interesting (o livroé interessante).

(76) Adj very + Adj “very” pode aparecer em (75). (77) pode ser elaborada como sendo uma condição do conjunto de condições impostas à estrutura de constituintes derivada. “sleeping” também é um Adj na sentença transformada (73). Particularmente. e em geral com “interesting”. Assim. é um V + ing). que by + SN é um SP. Mas isso significa que (73) pode ser analisada como uma seqüência da forma (71). 67 . Não discutimos a maneira como as transformações impõem uma estrutura de constituintes. Logo. formando o sintagma nominal (78) the sleeping child (a criança dormindo) da mesma maneira como forma “the interesting book” (o livro interessante) a partir de (75). ele aparecerá como um adjetivo modificando substantivos. de forma que a Tadj se aplique a ela. Uma das condições gerais impostas à estrutura de constituintes derivada será a seguinte: (77) Se X é um Z na gramática sintagmática. que. como em “the food was eaten – by the man” (a refeição foi comida – pelo homem)) são sintagmas preposicionais (SP) na sentença passiva. ainda que “sleeping” seja excluído de (72). ainda que tenhamos sugerido que isso seja necessário. se desejarmos preservar a análise mais simples de “very”. Vemos que (77) permite que isso aconteça. e uma seqüência Y formada por uma transformação tem a mesma forma estrutural do que X. então Y também é um Z. Logo. mas não pode aparecer em (73) ou com outras ocorrências de “sleeping”. mas não “sleeping” na lista de adjetivos (72). já que sabemos. como sabemos pela gramática de constituintes. é um Adj. Mas considere agora (73). afirmaremos que os by-phrases (os sintagmas introduzidos por by (por). por (77). A palavra “sleeping” é formada por transformação (isto é. especialmente de forma que as transformações possam ser compostas. Embora não esteja formulada de maneira suficientemente acurada. (29ii)) e tem a mesma forma que “interesting” (isto é. pela gramática nuclear. devemos de incluir “interesting”. até mesmo quando as passivas forem excluídas do núcleo.

Já que “very” nunca modifica verbos. têm uma origem estrutural clara e são. ao passo que irá gerar (81). Quando desenvolvemos esse argumento com mais cuidado. chegamos à conclusão de que a gramática transformacional mais simples irá excluir (80). contudo. Mas “sleeping” nunca será introduzido no contexto “seems ___” (parece ___) por essa gramática. que é aparentemente a gramática mais simples que pode ser construída para as sentenças que efetivamente ocorrem. que permanecem no núcleo. que as aparentes distinções arbitrárias que notamos na seção 2. Para utilizarmos a terminologia da 68 . por um lado. então. instâncias de uma regularidade de um nível superior. haverá regras de estrutura sintagmática que analisarão o sintagma verbal em (79) Aux + seem + Adj tal como outras regras analisam o SV em Aux + V + SN. certos comportamentos lingüísticos que parecem ser imotivados e inexplicáveis em termos de estrutura sintagmática tornam-se simples e sistemáticos quando adotamos o ponto de vista transformacional. etc. etc. “sleeping” jamais será introduzida no contexto “very ___” (muito ___). Em outras palavras. introduzir a palavra “sleeping” em todas as posições de adjetivos ocupadas por palavras como “interesting”. Aux + be + Adj.Essa análise de adjetivos (que é tudo o de que precisamos para dar conta das sentenças que efetivamente ocorrem) não irá. Por exemplo.3 entre (3) (“have you a book on modern music?” (tu tens um livro sobre música moderna?)) e (4) (= (8i)). Da mesma forma. “very” não irá aparecer em (74) ou (73). na verdade. já que são conseqüências da gramática transformacional mais simples. por outro. e todas as ocorrências de “sleeping” como modificador são derivadas de suas ocorrências como verbo em (74). (80) (i) the child seems sleeping (a criança parece dormindo) (ii) the very sleeping child (a criança dormindo muito interessante) (81) (i) the book seems interesting (o livro parece interessante) (ii) the very interesting book (o livro muito interessante) Vemos. e (5) (= “read you a book on modern music?” (lês tu um livro sobre música moderna?)) e (6) (= (80i)).

Para possibilitar (82ii). podem estabelecer uma transformação 69 . então. que opera em seqüências com a seguinte análise estrutural: (85) X – V1 –Prt – SN e tem o efeito de intercambiar o terceiro e o quarto segmentos da seqüência a que se aplica. (82i) em (82ii). Os exemplos em (82) e (83) tratam justamente de um fenômeno que envolve os phrasal verbs.seção 2. analisamos o elemento Verbo em Aux + V e listamos. construções verbo + partícula (V + Prt). na seção 5. como “bring in” e “drive away” são chamados. (82) (i) the police brought in the criminal (ii) the police brought the criminal in (iii) the police brought him in (83) the police brought in him Sabemos que elementos descontínuos não recebem um tratamento adequado no âmbito da gramática sintagmática.2. Podemos ter as sentenças de (82). devemos indicar que essa transformação é obrigatória quando o SN objeto é um pronome (Pron). já que elas esclarecem alguns pontos básicos de maneira bastante precisa. como “bring in” (trazer). Considere primeiramente as [u15] Comentário: Verbos com essa estrutura (verbo + partícula). de phrasal verbs. Existe. Para incluir (82iii). Os phrasal verbs são verbos com uma preposição ou advérbio. ele iria incluir (3) e (4) como gramatical. de maneira consistente com sua experiência. um grande número de subcontruções produtivas de V que merecem nossa atenção. em inglês. distanciando-se). a maneira mais natural de analisar esse tipo de construção é adicionar a seguinte possibilidade a (28ii): (84) V V1 + Prt além de um conjunto de regras suplementares. então. excluindo ao mesmo tempo (83). mas não a de (83).3.4 Em (28). indicando quais V1 são compatíveis com cada Prt. “drive away” (dirigir. Por isso. se um falante deve projetar sua experiência lingüística finita através da utilização da estrutura sintagmática e das transformações da maneira mais simples possível. 7. que modificam seu sentido original. Da mesma forma. as raízes verbais da classe V. estabelecemos uma transformação opcional Tfacsep. ao mesmo tempo em que rejeitaria (5) e (6). contudo. Ela converte.

70 .obrigatória Tobsep que tenha os mesmos efeitos estruturais de Tfacsep. devemos analisar (88) na estrutura SN1 – Verbo – SN2. devemos aplicar a passiva não a (88). Suponhamos que adicionemos a regra (91) à gramática sintagmática. mas que opere em seqüências com a seguinte análise estrutural: (86) X – V1 – Prt – Pron Sabemos que a transformação passiva opera em qualquer seqüência da forma SN – Verbo – SN. então ela formará as passivas (87) (i) the criminal was brought in by the police (ii) he was brought in by the police a partir de (82). onde SN1 = todos + no + laboratório. e o SN2 = o João. Considere as seguintes sentenças: (88) (89) everyone in the lab considers John incompetent (todos no laboratório John is considered incompetent by everyone in the lab (o João é consideram o João incompetente) considerado incopetente por todos no laboratório) Se desejarmos derivar (89) a partir de (88) utilizando a transformação passiva. que acabamos de discutir. mas a seqüência terminal (90). Se especificarmos que a transformação passiva se aplica antes de Tfacsep ou de Tobsep. como deveria. Ou seja. Investigações mais profundas sobre o sintagma verbal mostram que há uma construção geral do tipo verbo + complemento (V + Comp) que se comporta de maneira bastante semelhante à construção verbo + partícula. paralela a (84). que subjaz (88): (90) todos no laboratório – consideram incompetente – O João Agora podemos formar (88) a partir de (90) por uma transformação análoga a Tobsep.

).. mostramos que a gramática é muito mais complexa se ela contiver tanto ativas como passivas em seu núcleo do que se as passivas forem excluídas ou reintroduzidas por uma transformação que troque o sujeito e o objeto da ativa e substitua o verbo V por is + V + em + by. Com objetos longos e complexos. 7. Transformational analysis e “A transformational approach to syntax”. há considerações muito claras e facilmente generalizáveis de simplicidade que determinam qual conjunto de sentenças pertences ao núcleo e que tipos de transformações são necessários para dar conta das sentenças não nucleares. Em primeiro lugar. de minha autoria. Existem também outras possibilidades para as passivas. perguntamos se as passivas Estudos mais aprofundados mostram que a maioria das formas verbo + complemento introduzidas pela regra (91) deveriam ser excluídas do núcleo e serem derivadas transformacionalmente a partir de “O João é incompetente”.. o tratamento de construções verbo + complemento e verbo + partícula são bastante similares. “they consider incompetent anyone who is unable to. 40 71 . perguntamos se é necessário intercambiar os sintagmas nominais para se formar a passiva.5 Nós mal esboçamos uma justificativa para a forma particular de cada uma das transformações que discutimos. etc. Assim. Então. é uma construção extremamente bem desenvolvida em inglês40. Há muitos outros fatores além do comprimento envolvidos aí. É interessante estudar essas características do objeto gramatical que exigem ou excluem essa transformação. Não é certo que essa transformação seja uma transformação obrigatória. ainda que elas constituam um estudo interesante.Va – Comp – SN Essa transformação Tobsep revista irá converter (90) em (88). assim como a seqüências da forma (86). Porém. por exemplo. como antes. por falta de espaço. esse é um assunto complicado. The logical structure of linguistic theory. Como um exemplo paradigmático. que não iremos considerar aqui. e em muitos outros casos também. Cf. A primeira.4.(91) V Va + Comp Estendemos agora a transformação Tobsep para permitir que ela se aplique a seqüências da forma (92)... Duas questões sobre especificidade emergem daí. iremos rever brevemente o status da transformação passiva. Existem muitas outras características dessas construções que nós abordamos aqui apenas muito brevemente. embora seja muito importante estudar a questão da especificidade desse sistema. ao invés de utilizar a Tobsep. que requer estudo muito mais detalhado da teoria transformacional do que o que podemos oferecer aqui. Na seção 5. em particular.” (eles consideram incompetente qualquer um que não seja capaz de. podemos ter. Acredito que pode ser mostrado que em cada um dos casos considerados anteriormente. (92) X . Em segundo lugar. poderíamos estender a transformação Tfacsep paa lidar com esse caso.

e certamente uma teoria lingüística deve fornecer os meios para tal distinção. Qualquer gramática que distinga substantivos abstratos de substantivos próprios seria sutil o suficiente para caracterizar a diferença entre (94i. iii) e (95i. Eu acredito que essa abordagem está correta e que.4. que. por exemplo. (94) (i) o João admira a sinceridade – a sinceridade é admirada pelo João (ii) o João joga golfe – golfe é jogado pelo João (iii) a sinceridade assusta o João – o João é assustado pela sinceridade (95) (i) a sinceridade admira o João – o João é admirado pela sinceridade (ii) o golfe joga o João – o João é jogado pelo golfe (iii) o João assusta a sinceridade – a sinceridade é assustada pelo João No entanto. por sua vez. Contudo. qualquer gramática que possa distinguir singular de plural é poderosa o suficiente para nos permitir provar que a passiva exige a inversão de sintagmas nominais. argumentamos contra (93) e a favor da inversão. a passiva de “O João ama a Maria” seria “O João é amado pela Maria”.poderiam ter sido escolhidas como sendo nucleares. assinalamos que essa abordagem requer que uma noção de “gradação de gramaticalidade” seja desenvolvida para sustentar essa distinção. iii). Essa troca é necessária? Ou poderíamos descrever a transformação passiva como tendo o seguinte efeito: (93) SN2 Por exemplo. com base no fato de que temos sentenças como (94). considerando que não fomos abordar a questão de análise categorial em nossa discussão. as sentenças de (94) são mais gramaticais do que as sentenças de (95). Na seção 5. Considere primeiro a questão sobre a troca entre sujeito e objeto. SN1 – Aux – V – SN2 é reescrita como SN1 – Aux – be + en – V – by + 72 . etc. são mais gramaticais do que “a sinceridade admira comeu”. é interessante mostrar que existe até mesmo um argumento mais forte contra (93). e as ativas derivadas a partir delas por uma transformação “ativa”. Na verdade. mas não como (95). em um sentido claro.

Fica claro que essa proposta nos leva a gramáticas muito mais complexas. temos sentenças como estas: (96) all the people in the lab consider John a fool (todas as pessoas no laboratório consideram o João um bobo) (97) John is considered a fool by all the people in the lab (o João é considerado um bobo por todas as pessoas no laboratório) Em 7.4. (99) all the people in the lab are considered a fool by John (todas as pessoas no laboratório são consideradas um bobo pelo João) pela aplicação dessa transformação a (98). juntamente com 41 A concordância entre “a fool” e “John” em (98) é claramente um argumento a favor de uma análise transformacional mais profunda das construções verbo + complemento + sintagma nominal. iremos derivar uma não-sentença. 73 .4. Se. Se a passiva permuta o sujeito e o objeto . Considere agora a questão sobre se as passivas poderiam ser consideradas sentenças nucleares. a gramática sintagmática incluirá (28). Tendo as ativas como sentenças nucleares. que mencionamos anteriormente. vimos que (96) é formado pela transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (98) all the people in the lab – consider a fool – John (SN – Verbo – SN). Além de (88) e (89). be + en terá de ser listado em (28iii). eliminando be + en de (28iii).Para ver isso. Vimos também que a transformação passiva se aplica diretamente a (98). com o Verbo “consider a fool” sendo uma instância de (91). “consider a fool” – que deve concordar em número tanto com seu sujeito como com seu objeto41. pegarmos (93) como a definição da passiva. no entanto. ela irá corretamente formar (97) a partir de (98) como passiva de (96). Mas se as passivas forem as sentenças nucleares. ao invés das ativas. O que interessa é que encontramos um verbo – a saber. considere a construção verbo + complemento discutida na seção 7. Tais verbos provam de maneira bastante conclusiva que a passiva deve basear-se em uma inversão de sujeito e objeto.

existe também o adjetivo “drunk” (bêbado) que deve estar listado em (72) juntamente com “old” (velho). como sendo as sentenças nucleares. não podemos ter “is occurred” (é ocorrido)). E esse adjetivo também será originado a partir de en + drink. etc. a sentença (102) John was drunk by midnight (o João estava bêbado pela meia-noite) também tem como base uma seqüência terminal subjacente que pode ser analisada de acordo com (100). ele não pode ter o auxiliar be + en (isto é. Comparando essas duas alternativas. contendo uma parte sintagmática e uma parte transformacional. “interesting” (interessante). etc. uma vez que temos “he is very drunk” (ele está muito bêbado). Convertendo-as em SN2 – Aux – V – SN1. não resta dúvida no que diz respeito à complexidade relativa. não podemos ter “lunch eats John” (o almoço come o João)). enquanto que se o V for transitivo. “he seems drunk” (ele parece bêbado). E a aplicação da transformação “ativa” a (102) não resulta em uma sentença gramatical. por exemplo (101) the wine was drunk by the guests (o vinho foi bebido pelos convidados) em “the guests drank the wine” (os convidados beberam o vinho). então.. Quando tentamos efetivamente estabelecer a gramática mais simples para o inglês. A transformação da ativa teria de se aplicar a seqüências da seguinte forma: (100) SN1 – Aux + be + en – V – by + SN2. que. vemos que o 74 . onde “drunk” em (101) dá origem a en + drink. Parece. e nós teremos de acrescentar regras especiais que indiquem que se o V é intransitivo. a seção 7. em inglês. Repare que se as passivas forem escolhidas como sendo as sentenças nucleares no lugar das ativas. (cf. e somos forçados a considerar as ativas. Em outras palavras. Ela iria converter.todas as outras formas do auxiliar. Mas. nós enfrentaríamos certas dificuldades de um tipo bastante diferente. não há qualquer maneira estrutural que mostre a diferença entre (101) e (102) se ambos forem considerados sentenças nucleares. ele deve ter be + en (isto é.3). e não as passivas. no sistema mais simples de estrutura sintagmática para o inglês.

etc. Há diversos outros casos em que o comportamento de uma sentença submetida a transformações fornece evidências valiosas e até mesmo evidentes quanto à sua estrutura de constituintes. 1933]. mostrando que “essa mesma consideração frequentemente nos leva a estabelecer uma forma subjacente artificial”. adotando a outra alternativa. reparamos que a regra para conjunção fornece um critério útil para a análise de constituintes. já que. que costumam começar a gramática do inglês com o estudo de sentenças simples no estilo “ator – ação”. obtemos uma descrição desnecessariamente complicada. assumindo que os gramáticos têm atuado a partir de uma intuição correta sobre a língua42... nenhuma delas falha ao incluir declarativas simples. assim como no caso da transformação passiva que discutimos há pouco. porque essa regra é bastante simplificada se os constituintes estiverem estabelecidos de uma determinada maneira.quando as formas são parcialmente semelhantes. ao passo que. estamos seguindo o raciocínio que foi apresentado por Bloomfield para a morfologia: “. Considere. Nós também achamos que isso seja útil na análise transformacional. por exemplo. 75 . obtemos uma descrição relativamente simples” (Language [New York. Cada uma das transformações que eu investiguei é irreversível. ao adotarmos uma das alternativas. declarativas (provavelmente em número finito) e que todas as outras sentenças podem ser descritas mais simplesmente como sendo sentenças transformadas. tentando analisá-la em duas partes.6 Há mais um ponto que merece nossa atenção. este par de sentenças: 42 Ao determinar qual das duas formas relacionadas é mais central.núcleo consiste de sentenças simples. já que. 7. Agora estamos interpretando essa regra como uma transformação. por exemplo. 218).. A análise transformacional fornece uma explicação razoavelmente simples para essa assimetria (que não tem outra justificativa formal). pode haver a questão de qual das duas deveremos tomar como forma subjacente. No início do capítulo 5. por exemplo. antes que resolvamos deixar o assunto de transformações em inglês. ativas. p. e enquanto algumas considerações bastante detalhadas da estrutura do inglês não mencionam as interrogativas. Ninguém começaria a estudar seriamente a estrutura de constituintes do inglês com sentenças como “whom have they nominated” (quem eles têm nomeado). Esse fato pode explicar a prática tradicional dos gramáticos. Bloomfield continua. quando estabelecemos que a seqüência terminal John – C – have + en – be + ing – read subjaz a sentença nuclear “John has been reading” (O João têm lido).. a estrutura da língua pode decidir essa questão por nós.. e com relações gramaticais simples como sujeito-predicado ou verbo-objeto. no sentido de que é muito mais fácil proceder à transformação em uma direção do que na outra.

(104) (i) the boy studying in the library was known (by John) (o garoto estudando na biblioteca era conhecido (pelo João)) (ii) the boy studying in the library was found (by John) (o garoto estudando na biblioteca foi encontrado (pelo João)) (iii) the boy was found studying in the library (by John) (o garoto foi encontrado estudando na biblioteca (pelo João)) (105) the boy was known studying in the library (by John) (o garoto foi\era conhecido estudando na biblioteca (pelo João)) A transformação passiva se aplica apenas a sentenças da forma SN – Verbo – SN. (103ii) deve ser analisada como (106) John – found – the boy studying in the library. Por isso. possamos encontrar uma justificativa para analisarmos essas sentenças em diferentes constituintes. (103i) terá uma análise correspondente. por exemplo.(103) (i) John knew the boy studying in the library (o João conheceu o garoto estudando na biblioteca) (ii) John found the boy studying in the library (o João encontrou o garoto estudando na biblioteca) Intuitivamente. para derivar (104ii). mas eu não acredito que. 43 76 . mas não (105)43. As sentenças de (104) sem a expressão entre parênteses são formadas por uma segunda transformação “elíptica” que converte. por exemplo acrescentar “not running around in the streets” (e não correndo por aí nas ruas) a (103)). “the boy was seen by John” (o garoto foi visto pelo João) em “the boy was seen” (o garoto foi visto). Mas considere o comportamento dessas sentenças quando submetidas à transformação passiva. já que temos a passiva (104i). com o sintagma nominal objeto “the boy studying in the library”. é óbvio que essas sentenças tenha estrutura gramatical diferente (isso fica claro quando tentamos. A análise mais simples em ambos os casos é SN – Verbo – SN – ing + SV. dentro do nível sintagmático. Temos as sentenças (104).

Porto Alegre. como Luft (LUFT. 1986. assim como converteu (90) em (89). A transformação passiva irá converter (107) em (104iii). Alguns gramáticos. e “came” (voltou) seja um Verbo. em verdade. transformacional. No entanto. Acredito que seja justo dizer que um número significante de critérios básicos para determinar a estrutura de constituintes é. “John knew the boy studying in the library” (=(103i)). A descrição resultante de (103) parece estar de acordo com nossa intuição.) chamam esse tipo de complemento de “complemento (indireto) locativo” (p. determinamos que “John found the boy studying in the library” (=(103ii)) é analisável ambiguamente como SN – Verbo – SN. P. Rio de Janeiro: Globo.Mas (103ii) também tem a passiva (104iii). Fora considerações como essas. repare que esse mesmo tipo de sentença (108) é problemático para a análise gramatical tradicional em português. com o verbo “found” (encontrou) e o complemento “studying in the library” (estudando na biblioteca). com o objeto “the boy studying in the library”. No entanto. . ela é derivada por uma transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (107) John – found studying in the library – the boy. estudada na seção 7. ou “what did John come” (o que o João veio?) aplicando a transformação Tw. uma investigação do efeito das transformações sobre (108) mostra que ela não pode ser analisada como um caso de SN – Verbo – SN. (103i) não é uma sentença transformada da seqüência “John – knew studying in the library – the boy” (a mesma forma que (107)). Devemos então analisar (108) de alguma outra forma (se não quisermos complicar desnecessariamente a descrição dessas transformações). considere a sentença (108) John came home (o João volto para casa) Embora “John” e “home” (casa) sejam SNs. Pelo estudo das passivas gramaticais. uma vez que “para casa” não é analisada nem como objeto indireto nem como adjunto adverbial. Moderna gramática brasileira. 42). isto é. no entanto. “o João voltou para casa”. C. então. parece não haver razões fortes para negar a (108) a análise completamente intuitiva SN – Verbo – SN. apresenta apenas a primeira análise. O princípio geral é este: se temos uma transformação que simplifique a gramática e conduz de 77 [u16] Comentário: Essas explicações evidentemente não se aplicam à tradução da sentença em português. uma seqüência transformada de (107)que possui o Verbo complexo “found studying in the library”. com “home” sendo o objeto de “came”. já que (105) não é uma sentença gramatical. concluímos (103ii) é um caso da construção verbo + complemento.4. Como um outro exemplo do mesmo tipo. talvez como SN – Verbo – Advérbio. Não podemos ter “home was come by John” (a casa foi voltada pelo João) aplicando a transformação passiva. ou como SN – Aux – V – SN – Comp. Disso.

o percurso esboçado no capítulo 6. estamos tentando construir uma gramática do inglês que poderá ser mais simples do que qualquer proposta alternativa. e não de descoberta. o capítulo 8. é preferível o restabelecimento da estrutura de constituintes. Nosso objetivo mais fraco de avaliação. Em alguns casos a gramática se torna mais simples se rejeitarmos certas transformações. Contudo. As correspondências intuitivas e as explicações de aparentes irregularidades parecem oferecer evidências importantes para a exatidão da abordagem que temos adotado.sentença a sentença em um grande número de casos (isto é. utilizamos o fato de “John came home” (=(108)) não possuir uma passiva como um argumento contra a atribuição da estrutura SN – Verbo – SN a essa sentença. nossa única preocupação foi a de diminuir a complexidade da gramática. Em cada um dos casos. O leitor deverá talvez ter notado uma certa circularidade ou até mesmo uma aparente inconsistência em nossa abordagem. Definimos transformações como as passivas em termos de análises específicas da estrutura sintagmática e então consideramos o comportamento de sentenças que sofreram essas transformações. então. poderemos ver claramente que não há circularidade nem inconsistência. simplificando. uma transformação em que o conjunto de sentenças gramaticais é praticamente fechado). Temos seguido. Na seção 7. se seguirmos o argumento cautelosamente em cada caso.5. utilizamos o fato de “John was drunk by midnight” (=102) não possuir uma “ativa correspondente como um argumento contra a criação de uma transformação passivapara-a-ativa. elimina qualquer risco de circularidade viciosa nos casos que discutimos. determinando como atribuir uma estrutura sintagmática a essas sentenças. e não estamos sequer pensando na questão de como se poderia realmente chegar a essa gramática de alguma maneira mecânica a partir de um corpus do inglês. Cf.6. Na seção 7. 78 . em outros casos. portanto. então podemos tentar atribuir uma estrutura de constituintes a sentenças de tal maneira que essa transformação sempre nos conduzirá a sentenças gramaticais. não importa o quão extenso. e tentamos mostrar que a análise proposta é claramente mais simples do que as alternativas que rejeitamos. Utilizando a estrutura de constituintes e as transformações. a gramática ainda mais.

como “a name” (um nome) ou “an aim” (um objetivo). dizemos que temos um caso de construção de homonímia quando uma determinada seqüência de fonemas pode ser analisada de mais de uma maneira em algum nível. no entanto. descobrimos que. conduz-nos ao estabelecimento da estrutura sintagmática e da estrutura transformacional como dois níveis distintos de representação de sentenças gramaticais. Mas quando desenvolvemos o nível da representação morfológica. descobrimos que a seqüência de fonemas /↔neym/ é representada de maneira ambígua no nível morfológico. Iremos agora proceder à formulação dos objetivos do lingüista em termos bem diferentes e independentes que. como conseqüência direta da tentativa de estabelecer a morfologia da maneira mais simples possível. eram de algum modo pressupostas. É razoável esperarmos que as gramáticas forneçam explicações para alguns desses fatos. O PODER EXPLICATIVO DA TEORIA LINGÜÍSTICA 8. Existem muitos fatos sobre a linguagem e sobre o comportamento lingüístico que precisam de explicações que vão além de explicações do tipo “esta ou aquela seqüência (que pode nunca ter sido produzida por alguém) é ou não é uma sentença”. levarão a noções muito parecidas de estrutura lingüística.1 Até aqui. dos quais alguns são bastante abstratos e não triviais. poderíamos não ter qualquer explicação para esse fato. /↔n/. respectivamente. para muitos falantes do inglês. associados com as formas fonêmicas /↔/. por razões independentes. Podemos testar a adequação de uma determinada gramática perguntando se cada caso de construção de homonímia é um caso real de ambigüidade e se cada caso de ambigüidade genuína é ou não um caso de 79 . /eym/ e /neym/. Vimos que essa concepção nos leva naturalmente à descrição de línguas em termos de um conjunto de níveis de representação. “an” (um/a). Assim. a seqüência de fonemas /↔neym/ pode ser entendida de maneira ambígua. Em geral.8. sentenças que. de uma língua. lidando apenas com fonemas. por hipótese. Por exemplo. Isso sugere um critério de adequação para as gramáticas. “aim” (objetivo) e “name” (nome). e somente essas. atribuímos ao lingüista a tarefa de produzir um certo tipo de mecanismo (chamado gramática) para a gerar todas as sentenças. Se nossa gramática fosse um sistema de apenas um nível. somos forçados a estabelecer os morfemas “a” (um/a). Particularmente.

um argumento perfeitamente válido para o estabelecimento de um nível morfológico é que irá dar conta da ambigüidade de /↔neym/. a primeira expressão também é ambígua. estabelecimento de um nível de estrutura sintagmática. tanto no nível fonológico como morfológico. de fato. Por exemplo. poderemos questionar a adequação dessa concepção e a teoria lingüística que a subjaz. homens velhos e mulheres velhas / mulheres velhas e homens. respectivamente. não é explicada. 44 80 . Assim. Não iríamos esperar de uma gramática. Esse fato não poderia ser explicado por a uma gramática que não ultrapassasse o nível das palavras ou morfemas.construção de homonímia44. em certo sentido. Linguistics Today. Suponhamos que. etc. Temos um caso de construção de homonímia quando uma seqüência de fonemas tem uma representação ambígua. de outra forma. 210-33 (954). Mas no nível sintagmático são ambas interpretadas como SN – Verbo – SN. Expressões como “old men and women” e “they are flying planes” são evidentemente ambíguos e são. analisados de maneira ambígua no nível da estrutura sintagmática. Word 10. em algum nível. mesmo que não o sejam em nenhum outro nível inferior. “light” (que pode significar “claro” ou “leve”). Já a segunda expressão apresenta ambigüidade apenas em inglês. cf. conseqüentemente é evidente que. e exemplos como esse justificam o estabelecimento de um nível sintagmático independente do que foi apresentado no capítulo 3. se uma determinada concepção da forma da gramática conduzir a uma gramática de uma determinada língua que falhe nesse teste. Hockett utiliza noções de ambigüidade estrutural para demonstrar a independência de diversas noções lingüística de maneira bastante similar ao que sugerimos aqui. assim como casos de dupla representação são “entendidas” de mais de uma maneira. Lembre-se de que a análise de uma expressão no nível sintagmático não é fornecida apenas por apenas uma seqüência. Imaginamos que essas seqüências devam ser de alguma forma “entendidas” de maneira semelhante. as sentenças (109) (i) John played tennis (o João jogou tênis) (ii) my friend likes music (meu amigo gosta de música) são bastante diferentes. que. nem todos os casos de ambigüidade serão analisados em termos sintáticos. Repare que considerações sobre a ambigüidade estrutural também podem justificar o [u17] Comentário: A tradução dessas expressões é “homens e mulheres velhas” e “eles são aviões” / “eles estão voando aviões”. que ela explicasse a ambigüidade referencial de “son” – “sun” (filho – sol). por exemplo. são compreendidas da mesma maneira. Em português. De maneira mais geral. mas por um Obviamente. Em “Two models of grammatical description”. duas seqüências distintas de fonemas são analisadas de maneira similar o idêntica.

Cf. ela era analisada em SN – Verbo – SN com o objeto “the boy studying in Ou seja. não está claro que existam quaisquer casos de construção de homonímia puros quando dentro do nível da estrutura sintagmática. pelo menos. provam a existência de níveis superiores. Mas parece que ainda há um grande número de casos não explicados. Os casos com alto nível de representação semelhante e com alto nível de representação dessemelhante (construção de homonímia) são simplesmente os casos extremos que. 8.diagrama como (15) ou. essa sentença se mostra um exemplo de ambigüidade transformacional. primeiramente é necessário reconstruir sua análise em cada nível lingüístico. e segundo a outra interpretação. por um determinado conjunto de seqüências representativas45.2 Na seção 7. então. Na verdade. a partir de “I – found studying in the library – the boy”. mesmo depois que estabelecemos o nível da estrutura sintagmática e o aplicamos ao inglês. Análises desses casos demonstram a necessidade de um nível ainda mais alto de análise transformacional. a inadequação de uma teoria de estrutura lingüística que não ultrapassava a estrutura sintagmática. de maneira equivalente. 45 81 . Para compreender uma sentença. não conseguimos compreender plenamente qualquer sentença a menos que saibamos. e podemos testar a adequação de um determinado conjunto de níveis lingüísticos abstratos conferindo se as gramáticas formuladas em termos desses níveis nos permitem fornecer uma análise satisfatória da noção de “compreensão” ou não. “Three models for the description of language” para discussão sobre a construção de homonímia de “they are flying planes” dentro do paradigma da gramática sintagmática. quando unimos uma gramática transformacional à gramática sintagmática. como ela é analisada em todos os níveis. por aquilo que chamo de “indicador sintagmático” (“phrase marker”) em The logical structure of linguistic theory e “Three models for the description of language”. a estrutura transformacional. essa sentença era uma sentença transformada pelas transformação Tobsep. apresentamos o exemplo de uma sentença (“I found the boy studying in the library” = (103ii)) cuja ambigüidade de representação não podia ser demonstrada sem considerarmos alguns critérios transformacionais. através de casos de ambigüidade e semelhança de compreensão que não eram explicados em níveis inferiores. como veremos. No entanto. e não de construção de homonímia dentro da estrutura sintagmática. em uma das interpretações. aceitando nosso modelo. Irei mostrar apenas alguns exemplos representativos. incluindo os níveis superiores como a estrutura sintagmática e.6. Em geral. Conseguimos mostrar. O que estamos sugerindo é que a noção de “compreensão de uma sentença” seja explicada em parte nos termos da noção de “nível lingüístico”. uma vez desenvolvida uma gramática transformacional. de um modo diferente do que vimos nos capítulos 5 e 7. Vimos que.

não há uma boa maneira para explicar essa ambigüidade. em ambos os casos. transitivo. nesses termos. As relações gramaticais podem ser definidas dentro da estrutura de constituintes em termos da forma de diagramas do tipo de (15). que requer um estudo detalhado da maneira com que as transformações determinam a estrutura de constituintes. a sentença é uma sentença transformada do par de seqüências terminais que subjaz as seguintes sentenças nucleares simples: (109) (i) I found the boy (eu encontrei o garoto) (ii) the boy is studying in the library (o garoto está estudando na biblioteca) Por isso. todos esses sintagmas são representados como the – V + ing – of – SN46. com “hunters” (caçadores) como sendo o sujeito. Uma análise transformacional mais profunda teria mostrado que. Esse é um exemplo bastante complexo. ou como sendo o objeto. e exemplos mais simples de ambigüidade sem uma origem transformacional não são difíceis de encontrar. (111) the shooting of the hunters (os disparos dos caçadores) (112) (i) the growling of lions (o rugido dos leões) (ii) the raising of the flowers (o cultivo das flores) No nível da estrutura sintagmática. Se analisarmos os verbos em três classes. Considere o sintagma (111). etc. estabeleceremos uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN – C – V no sintagma É verdade que (111) pode ser representado de maneira ambígua considerando shoot (atirar) como um verbo transitivo ou intransitivo. então essa mesma distinção (em si insuficiente) irá desaparecer.the library”. Porém. Para dar conta de sintagmas como (112i). contudo. mas o fato essencial aqui é que a relação gramatical em (111) é ambígua (isto é. analogamente a (112ii). esse é um caso interessante.que pode ser entendido de maneira ambígua. intransitivo e transitivo ou intransitivo. Em termos transformacionais. de uma sentença cuja ambigüidade é o resultado de desenvolvimentos transformacionais alternativos a partir das mesmas seqüências nucleares. existe uma explicação clara e automática. analogamente a (112i). Análises cuidadosas do inglês mostram que podemos simplificar a gramática se eliminarmos sintagmas como (111) e (112) do núcleo e os reintroduzirmos por transformações. “hunters” pode ser sujeito ou objeto). não haverá base que sustente a afirmação de que ou a relação sujeito-verbo ou a relação verbocomplemento deve aparecer em (111). 46 82 .

como SN – was + Verbo + en – by + SN no nível de estrutura sintagmática. Um homônimo perfeito que segue (113) não é difícil de encontrar. que apaga o “agente” na voz passiva. Assim. Não temos essa ambigüidade em (112). Suas histórias transformacionais. Contudo. tanto “the hunters shoot” (os caçadores atiram) como “they shoot the hunters” (eles atiram nos caçadores) são sentenças nucleares. ainda que sejam representadas de forma idêntica. são muito diferentes. iremos estabelecer uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN1 – C – V – SN2 no SN correspondente da forma the – V + ing – of + SN2. considere os seguintes pares: (113) (i) the picture was painted by a new technique (o quadro foi pintado por uma nova técnica) (ii) the picture was painted by a real artist (o quadro foi pintado por um artista de verdade) Essas sentenças são compreendidas de maneira bastante diferente. por exemplo. Por exemplo. Já (113i) é formada a partir de. contudo. “John painted the picture by a new technique” (o João pintou o quadro por uma nova técnica). Logo (111) = “the shooting of the hunters” terá duas origens transformacionais distintas. ela será representada de forma ambígua no nível transformacional.correspondente da forma the – V + ing – of + SN. já que nem “they growl lions” (eles rugem os leões). através de uma dupla transformação. (114) John was frightened by the new methods (o João estava assustado com os / pelos novos métodos) 83 . A ambigüidade da relação gramatical em (111) é uma conseqüência do fato de que a relação de “shoot” e “hunters” difere nas duas sentenças nucleares subjacentes. a primeira dessas transformações irá converter “lions growl” (os leões rugem) em “the growling of the lions” (o rugido dos leões). nem “flowers raise” (flores cultivam) são sentenças nucleares gramaticais. Da mesma forma. primeiro a passiva e depois a transformação elíptica (já mencionada anteriormente). Para dar conta de (112ii). e essa transformação será projetada de tal forma que o resultado seja um SN. A sentença (113ii) é a passiva de “a real artist painted the picture” (um verdadeiro artista pintou o quadro). e a segunda irá converter “John raises flowers” (o João cultiva flores) em “the raising of the flowers” (o cultivo de flores).

pergunta sim-ounão . que invertem o sujeito e o auxiliar. classificarmos as sentenças por sua entonação “normal”.interrogativa (iii) what did John eat (o que o João comeu?) . é difícil encontrar uma base formal que não seja arbitrária nem ad hoc para essa classificação.declarativa (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) . iv). já discutidas na seção 7. embora sejam bastante distintas na estrutura sintagmática e no nível inferior de representação. o que explica a sua ambigüidade. (114) tem ambas as análises. as interrogativas podem ser intuitivamente subdivididas em dois tipos: perguntas sim-ou-não (115ii) e perguntasQU (115iii. serão opostas a (115ii). 84 . 8. Se. então (115i). então (115i) e (115iv). com uma entonação normal de declarativas (descendente). Certamente. Ainda assim. de (113i) e de (113ii).3 Podemos completar nossa discussão apresentando um exemplo do extremo oposto. com a ordem normal SN – Verbo – SN serão opostas a (115ii) e (115iii). e qualquer falante do inglês irá compreender essas sentenças de acordo com esse padrão. No entanto.pode significar tanto que João é um conservador – novos métodos o assustam. Se classificarmos as sentenças com base na ordem das palavras. (115iii) e (115iv). por exemplo. que apresenta uma entonação ascendente.pergunta-QU interrogativa (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã) . como que novos métodos de assustar pessoas haviam sido usados para assustar o João (uma interpretação mais normal para a sentença em inglês se “being” aparecesse logo após de “was”). uma teoria lingüística que falha em fornecer uma base para essa classificação deve ser considerada inadequada.pergunta-QU interrogativa Parece intuitivamente óbvio que (115) contém dois tipos de sentenças: declarativas (115i) e interrogativas (15ii-iv). a saber. Além disso.2: (115) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) . No nível transformacional. Considere as seguintes sentenças. um caso de sentenças que são compreendidas da mesma maneira. qualquer gramática do inglês irá classificar essas sentenças da maneira indicada em (115).

Nas seções 7. sua representação no nível transformacional. Elas diferem uma da outra apenas na escolha do sintagma nominal a que Tw se aplica. Cada uma dessas sentenças se originou da seqüência terminal (116) John – C – eat + an + apple (=(61)). quando formularmos a gramática transformacional mais simples para (115).A representação de uma seqüência no nível transformacional é dada por uma seqüência terminal (ou mais de uma seqüência) que a origina e pela série de transformações de que é derivada. Então. veremos que a classificação intuitivamente correta das sentenças é dada pelas representações transformacionais resultantes. logo. 85 . as grandes subdivisões de (115) seriam as sentenças nucleares (115i) e as sentenças que sofreram a transformação Tint. que é derivada na estrutura da gramática sintagmática. Assim. (115ii) é formada de (116) pela aplicação das transformações obrigatórias e da Tint. Logo. A sentença (115i) é derivada de (116) apenas pela aplicação das transformações obrigatórias. ou seja.2. (15ii-iv) são todas interrogativas. a partir dessa seqüência subjacente. já que elas são formadas pela transformação adicional Tw. além das transformações Tint e Tw. Já (115iii-iv) formariam uma subclasse especial das interrogativas. ela é uma sentença nuclear. chegamos às seguintes conclusões sobre as sentenças em (115) (=(70)).1 e 7. (115iiiv). Suponhamos que determinássemos os tipos de sentenças em geral em função de sua história transformacional. Já (15iii) e (115iv) são formadas pela aplicação das transformações obrigatórias.

em parte. já encontramos casos de sentenças que podem ser compreendidas de mais de uma maneira e que são representadas de maneira ambígua no nível transformacional (mas não em outros níveis) e casos de sentenças que são compreendidas de maneira semelhante e têm uma representação semelhante apenas no nível transformacional. SINTAXE E SEMÂNTICA 9. para compreendermos uma sentença. assim como a história transformacional de seu desenvolvimento. entramos em um território perigoso. de certo modo. Isso nos dá uma motivação independente para a descrição da língua em termos de estrutura transformacional e para o estabelecimento de uma representação transformacional como um nível lingüístico com o mesmo caráter fundamental dos outros níveis. ao problema de se explicar como as sentenças nucleares são compreendidas. isso nos dá mais força para sugerirmos que o processo de “compreensão de uma sentença” pode ser explicado. Ao propormos que a estrutura sintática pode fornecer um certo “insight” para problemas de significado e compreensão. mais complexas da vida real são formadas através do desenvolvimento transformacional. essas sendo consideradas os “elementos de conteúdo” básicos a partir dos quais as sentenças mais comuns. Além do mais. A verdadeira questão que deveria ser feita é esta: “como é que os mecanismos sintáticos disponíveis em uma dada língua funcionam no uso real dessa língua?”. Particularmente. utilizando-se a noção de nível lingüístico. 47 86 . a partir das sentenças nucleares47.9. O problema geral de se analisar o processo de “compreensão” é então reduzido.1 Agora. No entanto. Não há nenhum domínio do estudo lingüístico que esteja mais sujeito a confusões e mais necessitado de uma formulação clara e cuidadosa do que aquele que trata dos pontos de ligação entre sintaxe e semântica. ao invés de se preocupar com esse importante problema. percebemos que o conhecimento da representação transformacional de uma sentença (que incorpora a estrutura sintagmática das seqüências nucleares a partir das quais a sentença se originou) é tudo o que é necessário para determinar a estrutura sintagmática derivada da sentença transformada. é necessário conhecer as sentenças nucleares das quais ela se originou (mais precisamente. o estudo das interfaces entre sintaxe e semântica tem sido dominado Quando a análise transformacional é formulada de maneira mais cuidadosa. as seqüências terminais subjacentes a essas sentenças nucleares) e a estrutura sintagmática de cada um desses componentes básicos.

já que a implicação de que é obviamente possível construir uma gramática apelando para o significado é completamente não comprovada. Não conheço nenhuma tentativa detalhada para desenvolver a teoria da estrutura gramatical em termos parcialmente semânticos ou qualquer proposta específica e rigorosa que utilize informações semânticas na construção ou na avaliação de gramáticas. A questão. e o desafio geralmente lançado por aqueles que optam pela afirmativa nessa disputa é o seguinte: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. Parece também claro que o maior objetivo da teoria gramatical seja substituir essa dependência obscura na intuição por alguma abordagem rigorosa e objetiva. Poder-se-ia se fazer a seguinte pergunta. em si mesma. indicamos brevemente algumas maneiras em que o uso real dos mecanismos sintáticos disponíveis pode ser estudado. Contudo. há pouca evidência de que a “intuição sobre o significado” seja útil na investigação da forma lingüística. por causa da larga aceitação de sugestões desse tipo. Talvez. 9. Na verdade. com igual motivação: “como se pode construir uma gramática sem saber a cor do cabelo dos falantes da língua?”. não está bem formulada. da gramática). nesse caso. É inegável que a “intuição sobre a forma lingüística” é bastante útil ao investigador da forma lingüística (ou seja. ainda que o peso da prova recaia. pode ser que valha a pena investigar brevemente algumas delas. a teoria que esboçamos nos capítulos 3 a 7 foi completamente formal e não-semântica.1 Muitos esforços têm sido feitos na tentativa de responder à pergunta: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. No capítulo 8. duas expressões que têm em comum apenas sua vaguidade e sua indesejabilidade na teoria lingüística. As observações no capítulo 8 sobre possíveis implicações semânticas do estudo sintático não deve ser mal interpretadas como argumentos a favor da noção de que a gramática deva ser baseada no significado. esse problema possa ser mais elucidado por uma discussão puramente negativa sobre a possibilidade de se encontrar uma base semântica para a teoria sintática. Acredito que a inadequação das sugestões sobre o uso do significado na análise gramatical não é aparente apenas por causa de sua vaguidade e por causa de uma tendência infeliz de se confundir “intuição sobre a forma lingüística” com “intuição sobre o significado”.2. A questão tem sido saber se a informação semântica é ou não é necessária para descobrir ou selecionar uma gramática. A pergunta que realmente deveria ser feita é a seguinte: “como se pode construir uma gramática?”. 87 . No entanto.largamente por uma questão paralela mal formulada.

completamente no lingüista que afirma ter conseguido desenvolver alguma noção gramatical em termos semânticos. 9.22 Entre os argumentos mais comuns invocados a favor da dependência da gramática em relação ao significado, encontramos os seguintes: (117) (i) dois enunciados são fonemicamente distintos se e apenas se eles diferem no significado; (ii) os morfemas são os menores elementos que possuem significado; (iii) sentenças gramaticais são aquelas que têm um significado semântico; (iv) a relação gramatical sujeito-verbo (isto é, SN – SV como uma análise da Sentença) corresponde ao “sentido estrutural” geral ator-ação; (v) a relação gramatical verbo-sujeito (isto é, Verbo – SN como uma análise da Sentença) corresponde ao sentido estrutural ação-objetivo ou ação-objeto da ação; (vi) uma sentença ativa e sua correspondente passiva são sinônimas. 9.23 Muitos lingüistas manifestaram a opinião de que a distinção fonêmica deve ser definida em termos de significado diferencial (sinonímia, para usar um termo mais familiar), como proposto em (117i). No entanto, é evidente que (117i) não pode ser aceito, da maneira que está, como sendo uma definição de distinção fonêmica48. Se realmente quisermos responder à pergunta e não adiá-la, os enunciados em questão devem ser enunciados-ocorrência e não enunciados-tipo. the utterances in question must be tokens, not types. Mas existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente distintos e idênticos em significado (sinônimos) e existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente idênticos e distintos em significado (homônimos). Logo, (117i) é falso em ambos os sentidos. Da esquerda para a direita, ele é falsificado por pares como “solteiro” e “homem não casado”, ou de maneira ainda mais séria, por sinônimos absolutos como /ekInámiks/ e /iykInámiks/ (“economics” (economia)), “ádult” e “adúlt” (adulto) e muitas outras que podem coexistir até mesmo dentro de um mesmo estilo de fala. Da direita para a esquerda, (117i) é falsificada por pares como “banco” (de praça) e
[u19] Comentário: Aqui, Chomsky enumera exemplos de palavras que apresentam mais de uma pronúncia, sem qualquer alteração no significado. Exemplos em português seriam “garage” e “garagem”, “bergamota” e “vergamota”. [u18] Comentário: Decidi traduzir “utterance tokens” por “enunciados-ocorrência” e “utterance types” por “enunciadostipo”.

Veja meu “Semantic considerations in grammar”, Monograph n. 8, p. 141-53 (1955), para uma investigação mais detalhada de (117i).

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“banco” (instituição financeira)49, “metal” (metal) e “medal” (medalha) (em alguns dialetos do inglês) e numerosos outros exemplos. Em outras palavras, se atribuímos dois enunciados-ocorrência ao mesmo enunciado-ocorrência com base em (117i), iremos conseqüentemente obter a classificação errada em um grande número de casos. Uma afirmação mais fraca que (117i) poderia ser melhorada como se segue. Suponhamos que temos um sistema fonético absoluto, pressuposto à análise de qualquer língua, e detalhado o suficiente para que quaisquer dois enunciados fonemicamente distintos em qualquer língua possam ser transcritos de maneira diferente. Pode ser o caso de que alguns enunciados-ocorrência diferentes podem ser transcritos de maneira idêntica nessa transcrição fonética Suponhamos que definimos a “ambigüidade de significado” de um enunciado-ocorrência como sendo um conjunto de significados de todos os enunciados-ocorrência transcritos de maneira idêntica a esse enunciadoocorrência. Poderíamos agora revisar (117i), substituindo “significado” por “significado ambíguo”. Isso poderia fornecer uma abordagem ao problema da homonímia, se tivéssemos um corpus imenso que nos garantisse a ocorrência de cada uma das formas foneticamente distintas de uma palavra com cada um dos sentidos possíveis dessa palavra. Pode ser possível elaborar essa abordagem ainda mais, para dar conta do problema dos sinônimos. De certa forma, poderíamos esperar determinar a distinção fonêmica através de uma trabalhosa investigação do significado de itens foneticamente transcritos em um vasto corpus. No entanto, a dificuldade em determinarmos de alguma maneira precisa e realista a quantidade de significados que podem ser partilhados por diversos itens, além da imensidade da tarefa, tornam as perspectivas de uma abordagem como essa bastante duvidosas. 9.2.4 Felizmente, não temos de prosseguir com um programa tão ambicioso e complexo para determinar a distinção fonêmica. Na prática, cada lingüista usa mecanismos semânticos muito mais simples e diretos. Suponhamos que um lingüista esteja interessado em determinar se “metal” e “medal” são foneticamente distintos em algum dialeto do inglês. Ele não vai investigar o significado dessas palavras, já que essa informação é claramente irrelevante para seus objetivos. Ele sabe que os significados
49 Repare que não podemos argumentar que “banco” em “o banco da praça” e “banco” em “o banco de minha conta corrente” seja duas ocorrências da mesma palavra, já que essa é precisamente a questão que investigamos aqui. Dizer que dois enunciados-ocorrência são ocorrências da mesma palavra é dizer que eles não são fonemicamente distintos, e presumivelmente é isso que o critério de sinonímia (117i) deveria nos determinar.

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são diferentes (ou ele simplesmente não está interessado na questão) e está interessado em determinar se essas palavras são ou não são fonemicamente distintas. Um lingüista de campo cuidadoso iria provavelmente utilizar o teste do par50 com dois informantes ou com um informante e com um gravador. Por exemplo, ele poderia fazer uma seqüência aleatória de cópias de enunciados-ocorrência que o interessasse e então determinar se o falante consegue ou não identificá-la de maneira consistente. Se houver uma identificação consistente, o lingüista pode aplicar um teste ainda mais restrito, pedindo ao falante para repetir cada palavra por diversas vezes, utilizando o teste do par mais de uma vez nas repetições. Se for mantida uma distinção consistente durante a repetição, ele irá dizer que as palavras “metal” e “medal” são foneticamente distintas. O teste do par, com suas variantes e versões mais elaboradas, fornece um critério claro e operacional para a distinção fonêmica em termos completamente não semânticos51. É comum considerarmos abordagens não semânticas de gramáticas como sendo alternativas de abordagens semânticas e criticá-las por serem complexas demais, mesmo que sejam, em princípio, possíveis e realizáveis. Vimos, porém, que, no caso da distinção fonêmica, pelo menos, exatamente o oposto é que é verdadeiro. Há uma abordagem bastante direta e operacional para a determinação da distinção fonêmica em termos de mecanismos não semânticos, como o teste dos pares. Pode ser possível, em
Cf. o meu texto “Semantic considerations of grammar”, Monograph n. 8, p. 141-54 (1955); M. Halle, “The strategy of phonemics”, Linguistics Today, Word 10. 197-209 (1954); Z. S. Harris, Methods in structural linguistics (Chicago, 1951), p. 32f; C. F. Hockett, A manual of phonology = Memoir 11, Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore, 1955), p. 146. 51 Lounsburry argumenta em seu “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”, Language 32. 15894 (1956), p. 90, que o apelo à sinonímia é necessário para distinguir entre a variação livre e o contraste: “se um lingüista que não conheça inglês ouvir da minha boca a palavra cat (gato) primeiramente com uma oclusiva final aspirada e depois com uma oclusiva final pré-glotalizada não realizada, os dados fonéticos não irão dizer se essas formas contrastam ou não. Será apenas quando ele pergunta a mim, seu informante, se o significado da primeira forma é diferente do significado da segunda, e eu respondo que não, que ele conseguirá proceder com sua análise fonêmica”. Como um método geral, essa abordagem é insustentável. Suponhamos que o lingüista grave /ekInámiks/ e /iykInámiks/ e pergunte se têm diferentes significados. Ele irá descobrir que não têm significados diferentes e irá atribuir a eles a mesma análise fonêmica, de maneira equivocada, se levar a oposição literalmente. Por outro lado, há muitos falantes que não distinguem “metal” de “medal”, ainda que, se perguntados, podem ter bastante certeza que eles fazem essa distinção. As respostas de informantes como esses à pergunta direta de Lounsburry sobre o significado certamente iriam apenas obscurecer a questão. Podemos deixar a posição de Lounsburry mais aceitável se substituirmos a pergunta “eles têm o mesmo significado?” por “elas são a mesma palavra?”. Isso irá evitar as armadilhas da pergunta semântica essencialmente irrelevante, mas ainda não fica aceitável nessa forma, já que equivale a pedir ao informante que faça o trabalho do lingüista; substitui um teste operacional de comportamento (como o teste dos pares) por um julgamento do informante sobre seu comportamento. Os testes operacionais para as noções lingüísticas podem exigir que o informante responda, mas não que ele expresse sua opinião sobre seu comportamento, sobre seu julgamento sobre sinonímia, sobre distinção fonêmica, etc. As opiniões do informante podem estar baseadas em qualquer tipo de fatores irrelevantes. Essa é uma distinção importante que deve ser cuidadosamente observada para que as bases operacionais da gramática não sejam tornadas triviais.
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tentarmos manter a posição de que os significados atribuídos são sempre idênticos. que mesmo independentemente de nossas objeções anteriores. o tipo de resposta que eles normalmente evocam.2. qualquer abordagem de distinção fonêmica em termos semânticos ou é circular ou é baseada em uma distinção que é consideravelmente mais difícil de estabelecer do que a distinção que ela deveria esclarecer. que o significado de uma palavra é um componente fixo e imutável de cada ocorrência. Em parte.25 Existe ainda mais uma dificuldade de principio que deve ser mencionada na discussão de qualquer abordagem semântica à distinção fonêmica. 9. Parece que o único meio de manter uma posição como essa seria conceber o significado de um enunciado-ocorrência como “a maneira em que os enunciados-ocorrência desse tipo são (ou podem ser) usados”. Qualquer tentativa para fornecer uma descrição cuidadosa. dadas imediatamente e são simples demais para exigirem uma análise. desenvolver algum teste semântico equivalente ao teste dos pares e suas variantes. além de envolver os lingüistas em uma tentativa vã de determinar a quantidade de significados que uma dada seqüência de fones poderia ter. Uma abordagem semântica a alguma noção gramatical requer um desenvolvimento tão detalhado e 91 . Se for o caso de eles serem meramente muito semelhantes. então. por outro lado.6 Como. então. Mas é difícil tornar de algum modo convincente uma concepção do significado como essa sem qualquer menção prévia ao enunciado-tipo. então a circularidade parece inevitável. de certa forma. Pareceria. a classe de situações em que eles podem ser utilizados. Teremos de determinar quando dois significados distintos são suficientemente semelhantes para serem considerados “o mesmo”. ou alguma coisa do gênero.teoria. podemos explicar a larga aceitação de uma formulação como (117i)? Acredito que existam duas explicações para isso. logo desfaz essa ilusão. mas parece que qualquer procedimento desse tipo será muito complexo e exigirá uma análise exaustiva de um corpus imenso. Se. no entanto. então todas as dificuldades de determinar a distinção fonêmica terão o seu paralelo (ampliado. trata-se de uma conseqüência de assumirmos que as abordagens semânticas são. Não perguntamos se os significados atribuídos a enunciados-ocorrência distintos (mas fonemicamente idênticos) são idênticos ou meramente muito semelhantes. 9. dada a obscuridade inerente do assunto) na determinação da identidade de significado.

da mesma forma. somos obrigados a elaborar uma construção tão complexa com tantas premissas intoleráveis que dificilmente poderá ser considerada uma proposta séria. Por isso.5 que parecem existir dificuldades de princípios ainda mais profundas. e não há mais motivos para postular alguma reação semântica não observada no caso de “bill” e “ball” do que no caso de “bill” e “pill”. 191.2. “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”. como vimos. parece ser o caso de que aqueles que propõem alguma variante de (117i) devem estar interpretando o “significado” de maneira tão abrangente que qualquer resposta à linguagem é chamada de “significado”. Não podemos utilizar alguma formulação particular do teste dos pares como um argumento para a dependência de uma teoria gramatical no significado. relativos ao método lingüístico: “em análise lingüística. Lounsburry. não há garantias de que as interpretações das respostas estudadas no teste dos pares sejam semânticas53. da mesma maneira como não podemos utilizá-la como um argumento para afirmar que a lingüística está baseada na aritmética ou na astrologia. 53 Não se pode fazer confusão com o fato de que. Não haveria qualquer elemento semântico nesse teste. Ao contrário. Observamos na seção 9. 52 92 . e se tentarmos evitar as dificuldades que naturalmente aparecem. E vimos em 9.3 que se fôssemos determinar o contraste por meio de “significado das respostas” de qualquer maneira direta. A identidade fonêmica é. na minha opinião. se pode pedir ao sujeito para que identifique os enunciados-ocorrência pelo significado. que identifique os enunciados-ocorrência por números escolhidos aleatoriamente. definimos o contraste entre formas de maneira operacional em termos de diferença no significado das respostas”52. teremos uma referência perfeitamente aceitável a técnicas como o teste dos pares. Mas aceitar esse ponto de vista significa tirar do termo “significado” qualquer interesse relevante. Além do mais. a rima completa. no teste dos pares.2. p. essencialmente. Acredito que qualquer um que deseje salvar a expressão “estudo do significado” como sendo um F. uma abordagem semântica à distinção fonêmica enfrenta dificuldades consideráveis. por signos do zodíaco. 158-64 (1956). uma confusão entre os termos “significado” e “resposta do informante”. devemos considerá-la incorreta e rejeitá-la. estaríamos nos equivocando em diversos pontos. Pode-se muito bem desenvolver um teste operacional para a rima que mostraria que “bill” e “Pill” estão relacionados de uma forma que “bill” e “ball” não estão. Porém. Language32. Um segundo motivo por que formulações como (117) parecem ser aceitas é. se tirarmos a palavra “significado” dessa afirmação.cuidadoso como qualquer outra abordagem não semântica. se interpretamos de forma literal a afirmação citada. Podemos pedir a ele. etc. No entanto. Podemos encontrar comentários como este. Parece estranho que aqueles que fizeram objeções a fundamentar a teoria lingüística em formulações como (117i) tenham sido acusados de desprezo em relação ao significado.

54 [u20] Comentário: Tanto o “to” como o “do” do inglês não recebem tradução como elementos foneticamente expressos em português. Jespersen.7 Evidentemente. p. de acordo com a Cf. expresso como “did”) aparece marcando o tempo do passado simples em inglês. 1951). se estabelecida de maneira clara. enquanto que sua correspondente passiva “at least two languages are known by everyone in the room” (ao menos duas línguas são faladas por todos nesta sala) seja falsa. e o “do” (naquele exemplo. Da mesma forma. Language (New York. para mais exemplos. temos contra-exemplos para a sugestão de (117ii). Language (New York. como gl. O “to” marca o infinitivo do verbo inglês. 1922). “glow” (brilho)54.1) dificilmente poderão ser considerados como portadores de significado. e parece razoável assumirmos que uma noção independente do significado. Harris. p. podemos descrever circunstâncias em que uma sentença “quantificacional” como “everyone in the room knows at least two languages” (todos nesta sala falam ao menos duas línguas) possam ser verdadeiras. da mesma forma como é impossível provar a irrelevância de qualquer outro conjunto de noções. 93 . Ainda assim. seção 7. contudo. é impossível provar que noções semânticas não tenham utilidade na gramática. tal como proposta em (117iii). S. de que os morfemas são definidos como os elementos mínimos significativos. As investigações de tais propostas. capítulo XX. a atribuição (117v) de qualquer significado estrutural ação-objetivo à relação verbo-objeto é invalidada por sentenças como “I will disregard his incompetence” (eu irei ignorar a incompetência dele) ou “I missed the train” (eu perdi o trem). 177. Z. Morfemas como “to” em “I want to go” (eu quero ir) ou o postiço “do” em “did he come?” (ele veio?) (cf. Sentenças como “John received a letter” (o João recebeu uma carta) ou “the fighting stopped” (a briga terminou) mostram claramente a insustentabilidade da afirmação (117iv) de que a relação gramatical sujeito-verbo tem um “significado estrutural” de ator-ação” se o significado for levado a sério como um conceito independente da gramática.2. podemos mencionar brevemente alguns dos contra-exemplos mais óbvios para sugestões como (117).aspecto importante da pesquisa lingüística deva rejeitar essa identificação entre “significado” e “resposta à linguagem” e. formulações como (117i). além disso. Bloomfield. argumentamos no sentido de rejeitar a “significação semântica” como sendo um critério geral para a gramaticalidade. 156. 1933). pode atribuir significado de algum tipo para formas que não são morfemas. “glimmer” (luz).em “gleam” (brilho). Investigações detalhadas de propostas com orientação semântica iriam além do limite deste trabalho e seriam um tanto inúteis. O. parecem levar invariavelmente à conclusão de que apenas uma base puramente formal pode fornecer fundamentos firmes e produtivos para a construção da teoria gramatical. Assim. L. 9. Para contradizer (117vi). Methods in structural linguistics (Chicago. No capítulo 2.

Travaux du Cercle Linguistique de Prague 6.3 Esses contra-exemplos não deveriam. “Beitrag zur allgemeinen Kasuslehre”. O fato de que as correspondências entre as características formais e semânticas existem. aparentemente. e outra. O fato de que as correspondências são tão inexatas sugere que o significado será relativamente inútil para servir de base para a descrição gramatical. Em outras palavras. vimos que a relação ativa-passiva é apenas uma instância de um aspecto muito geral e fundamental da estrutura formal lingüística. apenas espanhol e italiano. contudo. Essas correspondências devem ser estudadas dentro do panorama de uma teoria mais geral da linguagem. alguns tipos de relações bem gerais entre esses dois domínios que merecem um estudo mais detalhado. prévios à gramática. mas não podemos. até mesmo depois de os elementos lingüísticos portadores de significado e suas relações serem especificadas. nos cegar com relação ao fato de que existem correspondências significativas entre as estruturas e os elementos que não são descobertos por uma análise formal e gramatical e as funções semânticas específicas. não pode ser ignorado. algumas são quase verdadeiras. 94 . No capítulo 8. parece que o estudo do significado enfrenta tantas dificuldades que. vimos que existem. De maneira geral. que importantes intuições e generalizações sobe a estrutura lingüísticas podem ser ignorados se pistas semânticas vagas forem seguidas perto demais. Por exemplo. por exemplo. que possam ser usados para determinar os objetos da gramática de alguma forma.55 Uma análise cuidadosa de cada proposta de fundamento no significado confirma isso e mostra. de fato. econtrar absolutos semânticos. declarativa e interrogativa e outras relações transformacionais não teriam sido descobertas se a relação ativa-passiva tivesse sido investigada apenas em termos de noções como a sinonímia. dado o instrumento língua e seus aparatos formais. entre as características formais e semânticas na linguagem. então. Uma vez determinada a estrutura sintática da língua. qualquer tentativa de estudar o significado de maneira independente dessa especificação permanece fora de questão. se uma pessoa na sala sabe apenas francês e alemão. A semelhança entre ativa e passiva. 240-88 (1936)). contudo.2. Nenhuma das afirmações em (117) é inteiramente falsa. ainda que imperfeitas. podemos estudar a maneira com que a estrutura sintática é posta em 55 Uma outra razão para suspeitarmos que a gramática não pode ser efetivamente desenvolvida em termos semânticos foi tratado no caso particular da distinção fonêmica que vimos na seção 9. que existem correspondências inegáveis. Parece claro.interpretação normal dessas sentenças – por exemplo. podemos e devemos investigar sua função semântica (como. Isso indica que nem mesmo a relação semântica mais fraca (equivalência factual) se mantém na distinção geral entre ativa e passiva. 9. que irá incluir uma teoria da forma lingüística e uma teoria do uso da língua como subpartes. negação. Jackobson.5. aparentemente. em R.

Podemos julgar as teorias formais em termos de suas habilidades para explicar e clarificar uma variedade de fatos sobre a maneira em que as sentenças são usadas e compreendidas. nem essas lacunas nem quaisquer outras no desenvolvimento da teoria gramatical podem ser preenchidas ou esclarecidas. ao introduzirmos considerações como as do capítulo 8 na metateoria que lida com a gramática e com a semântica e seus pontos de conexão. tanto quanto eu saiba. É importante reconhecermos que. o princípio que postula que o conjunto de sentenças gramaticais seja dado a priori é demasiado forte. Noções semânticas como referência. deveríamos apreciar o framework sintático da língua. poderia se configurar em um passo razoável em direção a uma teoria de interconexões entre sintaxe e semântica. Na verdade. que é isolado e exibido pela gramática para conseguir sustentar uma descrição semântica.uso no funcionamento real da língua. Obviamente. e valorizarmos uma teoria da estrutura formal que conduza a gramáticas que satisfazem esse requisito de maneira mais completa. A gramática de uma dada língua deve mostrar como essas estruturas abstratas são concretizadas no caso dessa língua. significação e sinonímia não desempenharam qualquer papel em nossa discussão. a teoria que esboçamos apresentou algumas lacunas graves – por exemplo. Uma investigação da função semântica da estrutura de níveis. ao passo que a teoria lingüística deve esclarecer essas bases para a gramática e os métodos de avaliação e escolha entre todas as gramáticas propostas. Ainda assim. Consideramos o problema da pesquisa sintática como sendo o de construir um mecanismo para a produção de um dado conjunto de sentenças gramaticais e o de estudar as propriedades das gramáticas que fazem isso de maneira efetiva. apresentamos o desenvolvimento de alguns conceitos lingüísticos fundamentais em termos puramente formais. através da construção da teoria a partir de uma base parcialmente semântica. A estrutura sintagmática e a estrutura transformacional parecem fornecer os maiores mecanismos sintáticos disponíveis na língua para a organização e expressão do conteúdo. Em outras palavras. 95 . Nos capítulos 3 a 7. tal como sugerimos brevemente no capítulo 8. apontamos no capítulo 8 que as correlações entre a forma e o uso da língua podem até mesmo fornecer certos critérios brutos de adequação para uma teoria lingüística e as gramáticas que ela oferece. não alteramos o caráter puramente formal da teoria da estrutura gramatical per se. e a noção de “simplicidade” que mencionamos explícita ou implicitamente não foi devidamente analisada.

A abordagem de Goodman resumese a uma reformulação de uma parte a teoria do significado nos termos bem mais claros da teoria da referência.57 Encontraremos naturalmente muitas palavras ou morfemas de uma única categoria gramatical descrita semanticamente em termos similares. como. podemos esperar que diversos aspectos dessa teoria sejam reivindicados por outras abordagens ao estudo da língua no curso de seu desenvolvimento. 9. A motivação para essa exigência de formalidade para as gramáticas que nos auto-impusemos é bastante simples – parece não haver qualquer outra base que produza uma teoria da estrutura lingüística que seja rigorosa. 56 96 . Analysis. sobre o processo de compreensão de sentenças. o agende e o objeto da ação em termos de noções como “sujeito” e “objeto”. Cf. por exemplo. eficaz e “reveladora”. pelo menos em parte. 13. na minha opinião – que a noção de significado das palavras pode ser reduzido. Aquilo que salientamos no capítulo 8 foi que podemos esperar que esse estudo formal da estrutura da língua como instrumento possa fornecer esclarecimentos sobre o uso efetivo da língua. verbos descritos em termos de sujeito e objeto. recorrer ao framework sintático ao qual pertence a palavra. n. Na descrição do significado de uma palavra. por exemplo. 1 (1949). 57 Uma descrição como essa do significado de “hit” daria automaticamente conta do uso de “hit” em sentenças transformadas. etc. descreveríamos. a língua como um instrumento ou um utensílio. vol. n. sem dúvidas. à noção de referência de expressões contendo essas palavras. idem. Essas noções são as noções básicas para a semântica. tentando descrever a sua estrutura sem qualquer referência explícita à maneira como esse instrumento é utilizado na prática. que são mais bem analisadas como noções puramente formais pertencendo à teoria da gramática. Isso Goodman demonstrou – de maneira bastante convincente. N. isto é. “hitting Bill was wrong” (bater no Bill foi errado). etc. torna-se muitas vezes útil. senão necessário. como “Bill was hit by John” (o Bill foi acertado pelo John). acertar). 4 (1953). Parte da dificuldade com a teoria do significado é que o “significado” tende a ser usado como um termo amplo que inclui todos os aspectos da língua que ainda não conhecemos muito bem. na descrição do significado de “hit” (bater. Na medida em que isso esteja certo. Goodman.. vol. “On likeness of meaning”.4 Para compreender uma sentença. se conseguimos mostrar com suficiente detalhe e generalidade que as sentenças transformadas são “compreendidas” em termos de sentenças nucleares subjacentes. Precisamos também conhecer a referência e o significado56 dos morfemas ou palavras que a constituem. naturalmente. assim como muito da nossa discussão pode ser entendido como uma sugestão de uma reformulação de partes da teoria do significado que lida como chamado “significado estrutural” em termos da teoria da estrutura gramatical completamente não semântica. precisamos conhecer muito mais do que a análise dessa sentença em cada nível lingüístico. Analysis. O requisito de que essa teoria constitua uma disciplina completamente formal é perfeitamente compatível com a intenção de formulá-la de forma tal que tenha interconexões sugestivas e significativas com uma teoria semântica paralela. “On some differences about meaning”. então. não podemos esperar que a gramática ajude muito nesse ponto.Nos capítulos 3 a 7 estudamos. 10.

como ing. elas são aparentemente melhor explicadas em termos de noções gramaticais como a produtividade. Vimos.não deveria ser surpreendente. na seqüência “Pirots karulize etalically”. de fato. ?dê-lhe um dinheiro e *dê-lhe dois dinheiros). tal como se atribuem “significados lexicais” a palavras ou morfemas. poderíamos ter “Os mapos cartun __ ontem”. correspondendo ao segundo exemplo. ao contrário das categorias Artigo. Afixo Verbal. o advérbio. porém. adjetivos e talvez de outras classes grandes encontra apoio geralmente no apelo ao fato de que esses morfemas podem ser distribuídos em uma seqüência de espaços vazios ou sílabas sem sentido de modo que o todo tenha aparência de uma sentença e. Um outro uso comum mas duvidoso da noção de “significado estrutural” diz respeito ao significado dos chamados morfemas de “função gramatical”. respectivamente. Por exemplo. o morfema –ly é formador de advérbio (correspondente a –mente em português). mas não por um numeral como “um” ou “dois” (cf. verbos. [u22] Comentário: Em português. etc. no primeiro caso. não faz uma distinção clara entre os morfema gramaticais e os outros. A afirmação de que os significados desses morfemas são fundamentalmente diferentes dos significados dos nomes. limitamos a escolha dos elementos que podem preencher os espaços para formar uma sentença gramatical. os espaços em branco são determinados também como uma variante do tempo passado. etc. e “dê-lhe __ dinheiro”. verbo e advérbio. o –am marca o verbo e o –mente. Essa propriedade. 97 . correspondendo ao primeiro exemplo de Chomksy. em que o espaço vazio poderia ser preenchido por “o” ou “algum”.. já que em sentenças como “the Pirots karul __ yesterday” (os Pirots karul __ ontem) ou “give him __ water” (dê-lhe __ água). Verbo. (mas não “a” (uma). etc. em que o morfema plural –s marca o substantivo. as preposições. ly. [u23] Comentário: Em português. “some”(alguma). O fato de nesses casos termos sido forçados a apresentar espaços vazios ao invés de palavras sem sentido é explicado pela produtividade ou “infinidade” das categorias Substantivo. quando distribuímos uma seqüência de morfemas em uma seqüência de espaços em branco. Em geral. significa que os mecanismos sintáticos disponíveis na língua estão sendo usados de maneira bastante sistemática. a liberdade de combinação e o tamanho da classe de substituição. Quaisquer que sejam as diferenças entre os morfemas no que diz respeito a essa propriedade. poderíamos pensar em uma seqüência como “Mapos cartunam guiraldamente”. no segundo. [u21] Comentário: O morfema -ing em inglês marca o gerúndio (-ndo em português). Adjetivo. em que o espaço poderia ser preenchido com uma desinência modo-temporal do verbo. que uma generalização a partir desse uso sistemático para atribuir “significados estruturais” a categorias gramaticais ou construções. por causa do s. sabemos que as três palavras são nome. e com o “the” (a). do ize e do ly. do que em termos de qualquer traço semântico presumível. para que determinem a categoria gramatical de elementos sem sentido. no entanto. etc. é de validade bastante duvidosa.

em termos da estrutura sintagmática. com análises em constituintes alternativos. ativas. a um núcleo de sentenças básicas (simples. como um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita não é aceitável. Inversamente. e que níveis lingüísticos bastante abstratos. possivelmente repetidas. consideramos as gramáticas como tendo uma estrutura tripartite. Podemos simplificar em muito a descrição do inglês e obter novos e importantes esclarecimentos sobre sua estrutura formal se limitarmos a descrição direta. como a estrutura sintagmática e a estrutura transformacional. declarativas. Em particular. A teoria da estrutura lingüística não pode ser confundida com um manual de procedimentos úteis para a descoberta de gramáticas. tendo encontrado um conjunto de transformações que convertem sentenças gramaticais em sentenças gramaticais. Conseqüentemente. No desenvolvimento deste estudo independente e formal. a partir das seqüências que subjazem a elas). vemos que um modelo simples de língua. há pouca motivação para a objeção à mistura dos níveis. Se esse ponto de vista for adotado. literalmente.10. podemos determinar a estrutura de constituintes de sentenças particulares através da investigação do seu comportamento sob o efeito dessas transformações. ainda que tal manual tenha certamente de se basear nos resultados da teoria lingüística. independente da semântica. derivando. enfatizamos os seguintes pontos: o máximo que podemos razoavelmente esperar da teoria lingüística é que ela forneça um procedimento de avaliação de gramáticas. todas as outras sentenças (mais propriamente. Uma gramática tem uma seqüência de regras a partir das quais podemos 98 . sem sintagmas verbais ou nominais complexos). a partir delas. através de transformações. para a concepção dos elementos de níveis superiores como construídos. A gramática é melhor formulada como um estudo autônomo. a partir de elementos dos níveis inferiores ou para o sentimento de que o trabalho sintático é prematuro até que todos os problemas de fonêmica ou morfologia estejam solucionados. RESUMO Ao longo desta discussão. a noção de gramaticalidade não pode ser identificada com a noção de dotado de significado (assim como ela também não apresenta nenhuma relação com a noção de ordem de aproximação estatística). são necessários para a descrição da linguagem natural. e a tentativa de desenvolver um manual assim irá provavelmente (assim como aconteceu no passado) contribuir para a formação da teoria lingüística de maneira substancial.

evidentemente) reconstruir sua representação em cada nível. Conectando essas seqüências. parece que a noção de “compreender uma sentença” deve ser parcialmente analisada em termos gramaticais. e muitos pares de sentenças recebem representações semelhantes ou idênticas em algum nível. mas para aplicar as regras não transformacionais. existe uma seqüência de regras transformacionais que convertem seqüências com estrutura sintagmática em novas seqüências. “have” (ter). e é questionável afirmar que os mecanismos gramaticais disponíveis na língua sejam usados de maneira suficientemente consistente a ponto de ser possível atribuir a eles significado diretamente. Também descobrimos que muitas sentenças recebem dupla representação em algum nível. é necessário (mas não suficiente. parece ser bastante suspeita. às quais as regras morfofonêmicas podem se aplicar. Ainda assim. A noção de “significado estrutural”. “seem” (parecer)) não passa de um caso regularidade em um nível superior. em certo sentido. incluindo o nível transformacional onde as sentenças nucleares subjacentes de uma dada sentença podem ser pensadas. é suficiente conhecer o formato da seqüência em que a regra irá ser aplicada. Em outras palavras. Como conseqüência imediata da tentativa de construir a gramática mais simples possível do inglês em termos de níveis abstratos desenvolvidos na teoria lingüística. A descrição do significado pode se referir de maneira proveitosa a este quadro sintático subjacente. Para uma transformação ser aplicada a uma seqüência. as representações duplas (construções de homonímia) correspondem à ambigüidade da sentença representada e uma representação semelhante ou idêntica surge em casos de semelhança intuitiva entre enunciados. devemos conhecer um pouco da história da derivação desta seqüência. De maneira mais geral. um resultado do estudo formal da estrutura gramatical é que podemos esclarecer um quadro sintático que pode servir de apoio a uma análise semântica. oposta a “significado lexical”. contudo. a partir dos quais essa sentença é construída. descobrimos que o comportamento aparentemente irregular de algumas palavras (por exemplo. “be” (ser/estar). encontramos muitas correlações importantes. As regras de estrutura sintagmática e as regras morfofonêmicas são básicas. Para compreender uma sentença. em um sentido não compartilhado pelas regras transformacionais. como “os elementos básicos de conteúdo”.reconstruir a estrutura sintagmática e uma seqüência de regras morfofonêmicas que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. Em um número significativo de casos. de forma 99 . embora as considerações semânticas sistemáticas sejam aparentemente inúteis para a sua determinação.

preocupada com a sintaxe e a semântica e seus pontos de conexão. ou . entre a estrutura sintática e o significado. Essas correlações poderiam formar parte do objeto de pesquisa de uma teoria mais geral da linguagem.bastante natural. em outras palavras. 100 . os mecanismos gramaticais são usados de maneira bem sistemática.

S. iremos apresentar um breve quadro das convenções notacionais e terminológicas novas ou menos familiares que utilizamos. come. boy. quando dizemos que a transformação de pergunta Tint se aplica de maneira particular a uma seqüência da forma (118) SN – have – en + V (cf. Às vezes. eles foram introduzidos apenas por motivos de clareza da exposição. Um nível lingüístico é um método de representar os enunciados. past. Assim. utilizamos maior espaçamento com esse mesmo objetivo. Utilizamos X. por exemplo.. Ele tem um vocabulário finito de símbolos (no nível fonêmico. utilizamos itálico ou aspas para os símbolos do vocabulário e ara as seqüências representando os símbolos. queremos dizer que ela se aplica. Z. a (119) they – have – en + arrive 101 . temos os elementos vocabulares the. Procedemos dessa forma para chamar uma atenção especial à subdivisão do enunciado que estamos estudando em um dado momento. no nível fonêmico. Fora do nível fonêmico. chamamos este vocabulário de alfabeto da língua) que pode ser colocado em uma seqüência linear para formar seqüências de símbolos através de uma operação chamada concatenação. Nenhum desses mecanismos notacionais tem qualquer relevância sistemática. (37iii)) invertendo os dois primeiros segmentos. e podemos formar a seqüência the + boy + S + come + past (que seria convertida pelas regras morfofonêmicas na seqüência de elementos / /) representando o enunciado “the boys came” (os garotos vieram). Y. APÊNDICE I – NOTAÇÕES E TERMINOLOGIA Neste apêndice. simbolizada por +. como no exemplo que acabamos de ver. no nível morfêmico em inglês. Assim.11. W para representar variáveis nas seqüências. utilizamos o hífen para indicar a subdivisão de uma seqüência que é imposta por uma certa transformação. suprimimos o símbolo de concatenação + e usamos as barras oblíquas habituais. utilizamos o hífen no lugar do sinal de adição (+) para simbolizar a concatenação. Às vezes. Na discussão sobre as transformações. etc.

“have they arrived?” (eles chegaram?). Uma regra da forma X Y deve ser interpretada como a instrução “reescreva X como Y”. Usamos os parênteses para indicar que um elemento pode ou não ocorrer e as chaves (ou uma listagem) para indicar uma escolha entre os elementos.já que they (eles) é um SN e arrive (chegar) é um V nessa seqüência. onde X e Y são seqüências. pela primeira vez: (122) SN SV T N SNsing SNpl [∑. F] Aux V C M en b + c. ambas as regras (121i) e (121ii) (121) (i) a (ii) a b (c) b+c b são abreviações para o par de alternativas: a mencionados acima. O resultado da transformação nesse caso será (120) have – they – en + arrive e. Então. A lista seguinte mostra as páginas em que ocorreram os símbolos especiais não S ∅ passado Af # A wh Adj SP Prt Comp 102 . a b. finalmente.

nota 12) (p. SNsing 5. Aux 11. nota 12) (p. N 9. SN 4. M SN + VP (13i) (13iii) (p. take. O número à esquerda fornece a ordenação apropriada das regras. V 10. shall. nota 12) (13iv) (13v) (28i) (28ii) (28iii) (28iv) Verbo + SN SNsing SNpl T+N+∅ T+N+S the man. SV 3. 22. imaginando que esse esquema corresponda a um esboço de uma gramática da fora (35).12. T 7. C(M) (have + en) (be+ing) will. Aux + V hit. O número que aparece entre parênteses à direita de cada regra é o número que a regra aparece no texto. ball. may. Estrutura Sintagmática: ∑: # Sentença # F: 1. SNpl 6. walk. Certas regras foram modificadas de seu formato original no texto devido a decisões subseqüentes ou para apresentar maior sistematicidade. 22. 103 . must 8. 22. Sentença 2. can. etc. read.Verbo Estrutura Transformacional: Uma transformação é definida pela análise estrutural das seqüências a que ela se aplica e pela mudança estrutural que ela provoca nessas seqüências. APÊNDICE II – EXEMPLOS DE REGRAS SINTAGMÁTICAS E TRANSFORMACIONAIS DO INGLÊS Para facilidade de referência. etc. separamos aqui os exemplos de regras da gramática do inglês que desempenharam um papel importante ao longo de nossa discussão.

Pronome X – V2 – Comp – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 14. Transformação de Número – obrigatória Análise estrutural: X – C – Y S no contexto SNsing __ Mudança estrutural: C ∅ em outros contextos Passado em qualquer contexto 16.. Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 17.12.. (45) a (47)) Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 18. TA – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf. SN – C + have __ . (41) a (43)) 104 X1 – X2 – A – X3 X1 – X2+ n’t – X3 (37) (29i) (85) (86) (92) X1 – X2 – X4 – X3 X4 – X2+ be + en – X3 – by + X1 ... Análise estrutural: SN – C + M __ . Passiva – opcional: Análise estrutural: SN – Aux – V – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 (34) 13. Tneg – opcional: SN – C – V. Tobsep – obrigatória: Análise estrutural: X – V1 – Prt . SN – C + be __ .. Tint – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf... Tfacsep – opcional: Análise estrutural: X – V1 – Prt – SN Mudança estrutural: a mesma de 13 15..

SV. Tw – opcional e condicionada por Tint: Tw1: Análise estrutural: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: a mesma de 18 (60i) Tw1: Análise estrutural: SN – X (60ii) Mudança estrutural: X1 – X2 who (cf. Transformação do pulo do afixo – obrigatória Análise estrutural: X – Af – v – Y (onde Af é qualquer C ou é en ou é ing.Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 X2 – X1 – X3 19. nota 38). Transformação de introdução de do – obrigatória Análise estrutural: # – Af Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – do + X2 Transformações generalizadas: 23. Tso: (48) a (50) de S 2: a mesma de 16 105 X1 – X2 + and + X5 – X3 Análise estrutural: de S 1: Z – X – W Análise estrutural: de S 1: a mesma de 16 . v é qualquer M ou V. Conjunção (26) de S 2: Z – X – W onde X é um elemento mínimo (por exemplo. etc. Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4 – X5 – X6) 24. wh + nome não indicado wh + X1 – X2 onde wh + nome animado what 20. SN. Transformação de limite de palavra – obrigatória: Análise estrutural: X – Y (onde X ≠ v ou Y ≠ Af) Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – # X2 (29iii) 22.) e Z e W são segmentos de seqüências terminais. ou é have ou be) (29ii) X1 – X3 – X2 # – X4 Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 21.

27. com o ing no lugar do to na mudança estrutural.Adj de S2: a mesma de 25 Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4. pelo menos na parte transformacional. Essa formulação das regras transformacionais deve ser entendida apenas como sugestiva. juntamente com uma distinção entre as regras obrigatórias e as opcionais e. isto é. Transformação de Nominalização TAdj: Análise estrutural: de S 1: Art – N – is . em um enunciado gramatical. como em (35): regras de estrutura sintagmática. Transformação de Nominalização Ting: Idêntica a 25. o modelo préaspects: Regras Sintagmáticas ⇓ Marcadores sintagmáticos subjacentes ⇓ Transformações ⇓ Sentenças derivadas . Veja as referências citadas na nota 24 para um desenvolvimento mais detalhado e para uma aplicação da análise transformacional. 106 [u24] Comentário: Temos então o modelo de gramática proposto por Chomsky. essa ordem seria indicada em todas as três seções. nota 38. Transformação de Nominalização Tto: Análise estrutural: de S 1: SN – SV de S 2: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: (X1 – X2. X4 – X5 – X6) – X4 X1 – X2 – X3 – and – so – X5 A Tso é na verdade composta pela transformação de conjunção. Temos então três conjuntos de regras. que ficou conhecido como modelo transformacional. (45). X3 – X4 – X5) 26. Não desenvolvemos a maquinaria suficiente para apresentar todas as regras de maneira apropriada e uniforme. X5 – X6 – X7) X5 – X1 + X4 + X2 – X7 X3 – to + X2 – X5 Estrutura morfofonêmica: Regras (19). O resultado da aplicação de todas essas regas é uma derivação estendida (como (13)-(30)(31)). etc. regras transformacionais (incluindo as transformações simples e as generalizadas) e regras morfofonêmicas.Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3. A ordem das regras é essencial e. 25. terminando em uma seqüência de fonemas da língua analisada. algo sobre a dependência condicional entre as regras. nota 35. em uma gramática formulada adequadamente.

Monograph n. Chomsky. Tese de Doutorado. S. 4 (1953). … 107 . N. vol. Proceedings of the symposium on information theory. 1951). 1951). n. Language (New York. Goodman. The logical structure of linguistic theory (mimeografado). F. “Semantic considerations in grammar”. Analysis. R. Language 30. 197-209 (1954). Chomsky. Journal of Symbolic Logic 18. Word 10. “Systems of syntactic analysis”. Goodman. Chomsky. 13. “Three models for the description of language”. Linguistics Today. vol. n. “On accent and juncture in English”. “On likeness of meaning”. 1956). Bar-Hillel. Goodman. Harris. 1 (1949). Halle. The structure of appearance (Cambridge. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. E. N. Chomsky. N. University of Pennsylvania (1955). Transformational analysis. Bloch. M. 65-80. N. 141-53 (1955). Chomsky. “Logical syntax and semantics”. I. N. Lukoff. Halle. M. Fowler. Chomsky. Analysis. “On some differences about meaning”.. Sept. L. N. Bloomfield. 3-46 (1948). IT-2. M. Transactions on Information Theory. Methods in structural linguistics (Chicago. 1933). Language 24. N. 10. N. B. “A set of postulates for phonemic analysis”. 1956 N. p. 230-7 (1954). Resenha de Z. 242-56 (1953).REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Y. 8. “The strategy of phonemics”. vol.

1997. Cambridge: MIT Press. R. Language and thought. M. Eles variam no grau de dificuldade de acordo com o número de estrelas que recebem ( = leitura acessível.Para o leitor moderno de Chomsky Há inúmeros livros. 1988. CONHECENDO CHOMSKY E A GRAMÁTICA GERATIVA Nesta seção. 1999. Conhecendo Chomsky e a Gramática Gerativa 2. Principles and parameters – an introduction to syntactic theory. Language and problems of language – the Managua lectures. N. 2001. Obras Fundamentais 3. • • • CARNIE. Knowledge of language. destacamos alguns livros e manuais introdutórios ao programa gerativista. artigos e manuais sobre Noam Chomsky ou sobre o programa gerativista. Syntax: a generative introduction. New York: Basic Books. outras são mais avançadas. • BORSLEY. London: Moyer Bell. = leitura avançada. resolvemos classificar cada sugestão de leitura em algumas categorias: 1. London: Oxford University Press. CHOMSKY. • 108 . The atoms of language – the mind’s hidden rules of grammar. 2000. N. Nova York: Prager. = leitura intermediária. • • CHOMSKY. Oxford: Oxford University Press. Oxford: Blackwell. Nesta seção. P. Trabalhando com Semântica 4. BAKER. Algumas obras são bastante introdutórias. A. o mesmo sistema vale para os livros das demais seções). CULICOVER. 1986. Syntactic theory: a unified approach. destacamos alguns livros e manuais que podem ser uma boa sugestão de leitura para o leitor que está começando seus caminhos em pesquisa lingüística de cunho gerativo. N. C. Trabalhando com Fonética/Fonologia 1. CHOMSKY. Por isso. 2002.

A. Transformational syntax: a student’s guide to Chomsky’s extended standard theory. Linguistic theory in America: the first quarter-century of transformational generative grammar. Introduction to government and binding theory. A faculdade da linguagem. M. grammar. Oxford: Blackwell. 1975. 1977. MIOTO. Cambridge: Cambridge University Press. Análise sintática: teoria geral e descrição do português. PERINI. Cambridge: MIT Press. evolution. NEWMEYER. 1997. MIT Press. A gramática gerativa: introdução ao estudo da sintaxe portuguesa. HARRIS. 1992. meaning. KOCH. D. São Paulo: Cultrix. Princípios de gramática gerativa. 1982. URIAGEREKA. New York: Oxford University Press. 1984. 1993. RADFORD. SOUZA e SILVA. 1995. C. Oxford: Oxford University Press. RADFORD. I. C. The linguistic wars. 1976. Transformational Grammar: a first course. J. Sintaxe gerativa do português. Iniciação metódica à gramática gerativa. LIGHTFOOT. L. R. Syntax: a minimalist introduction. Cambridge: Cambridge University Press. NIVETTE. 1980. Novo manual de sintaxe. Lisboa: Caminho.. Mass. RAPOSO. Florianópolis: Insular. Foundations of language: brain. A. P. Rhyme and reason: an introduction to minimalist syntax. NIQUE. São Paulo: Ática. Lingüística aplicada ao português: sintaxe. R. A. V. • • • • • • • • • • • • • • • • 109 . M. 2002. E. Cambridge. 1993. L. Teoria da gramática. RADFORD. 1998. A. C. Nova York: Academic Press. J. J. Belo Horizonte: Vigília. JACKENDOFF. da teoria-padrão à teoria da regência e ligação. F. 1988. São Paulo: Cortez. 2004. The language lottery: toward a biology of grammars. LEMLE. 1986. Cambridge: Cambridge University Press.• HAEGEMAN. LOBATO. São Paulo: Pioneira. Belo Horizonte: Vigília. 1981. et al.

São textos já clássicos na área. 1955. N. STOWELL.). PhD Thesis. 1995. 1968. The minimalist program. 1965. OBRAS FUNDAMENTAIS Em “obras fundamentais”. 1977. N. The logical structure of linguistic theory. Ray. CHOMSKY. N. P. R. • CHOMSKY. Dordrecht: Foris. G. The sound pattern of English. MS. 1984. CHOMSKY. 1987. N. Syntactic structures. Cambridge: MIT Press. The Hague: Mouton. Dordrecht: Foris. Nova York: Oxford University Press. PhD Thesis. 1999. Harvard University. Origins of phrase structure. 1957. destacamos algumas obras que marcaram sua história no desenvolvimento do programa gerativista. The English noun phrase in its sentential aspect. 1981. Incorporation: a theory of grammatical functional changing. M. 1981. Aspects of the theory of syntax. N. Cambridge: MIT Press. R. • BAKER. Connectedness and binary branching. X’ syntax: a study of phrase structure. Massachusetts: MIT. P. PULLUM. (Eds. Nova York: Harper and Row. Cambridge: MIT Press. • CINQUE. G. 1972. N. Chicago: University of Chicago Press. CHOMSKY. CHOMSKY. M. • • • • • • CHOMSKY. Adverbs and functional heads. K. 1982. 1968. ABNEY. Timothy Angus. • 110 .. • JACKENDOFF. Reidel. Dordrecht: D. • JACKENDOFF. Cambridge: MIT Press. que ajudaram a construir os próprios fundamentos da teoria.. Semantic interpretation in generative grammar. 1988. HALLE. S. Barriers. Lectures on government and binding. CHOMSKY.2. Cambridge: MIT Press. The nature of syntactic representation. • • KAYNE. N. Massachusetts: MIT. • JACOBSON.

. • JACKENDOFF. KRATZER. 1994. Londrina: Eduel. Semantics and Cognition. Nova York: Harper and Row. Blackwell. TRABALHANDO COM SEMÂNTICA Destacamos alguns trabalhos semânticos dentro do paradigma gerativista (ou que fazem alguma interface com o programa gerativo). 1972. 2003. R. N. Semantics in generative grammar. TRABALHANDO COM FONÉTICA/FONOLOGIA Esta seção é dedicada a trabalhos de Fonética e Fonologia influenciados pelo gerativismo. 1983. • HEIM.. 1992. • CHIERCHIA. Patterns in the mind . • 111 . Semântica. • JACKENDOFF. Gennaro. Cambridge: MIT Press. R. M. • JACKENDOFF. 4. Phonology in generative grammar. The sound pattern of English. A. R. Languages of the mind. HALLE. Cambridge: MIT Press. ?? • KENSTOWICZ. Cambridge MA & Oxford UK. 1998.language and human nature.3. R. 1993. M. 1968. Cambridge: MIT Press. I. Semantic interpretation in generative grammar. CHOMSKY. Londres: Harvester-Wheatsheaf. Oxford: Blackwell. • JACKENDOFF.

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