Estruturas Sintáticas

Noam Chomsky

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Em 2007, a publicação do já clássico Syntactic Structures, de Noam Chomsky completou 50 anos. Noam Chomsky foi considerado, em 2005, o intelectual de maior influência do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista britânica Prospect (Umberto Eco e Richard Dawkings ocuparam a segunda e terceira posição, respectivamente). Seus trabalhos estão entre os 10 mais citados na história da ciência (de acordo com uma pesquisa do Institute for Scientific Information, Chomsky está atrás apenas de Marx, Lenin, Shakespeare, Aristóteles, a Bíblia, Platão e Freud)1 e, entre 1980 e 1992, Chomsky foi o intelectual vivo mais citado em trabalhos acadêmicos, de acordo com o Arts and Humanities Citation Index. Por isso, esta obra de Chomsky dirige-se a um público-alvo abrangente, como acadêmicos de Letras, de Lingüística, de Ciências da Computação e Informática, de Psicologia e de Matemática. Espero que esta edição traduzida e comentada possa se tornar uma boa maneira de um leitor do século XXI passar a conhecer as idéias fundamentais de Noam Chomsky e seu programa gerativista no estudo da faculdade da linguagem, iniciado há mais de 50 anos.

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Cf. KESTERTON, Michael. Social studies. The Globe and Mail. 11 de fevereiro de 1993.

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Noam Chomsky e o Syntactic Structures – o autor e a obra Avram Noam Chomsky (nascido na Filadélfia, no dia 7 de dezembro de 1928) é atualmente professor de Lingüística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Ele foi o responsável por uma revolução teórica e metodológica na Lingüística, nos anos 1950. Além disso, sua influência se estende também a outros domínios, como as Ciências Sociais e Políticas, as Ciências Cognitivas, a Psicologia, a Informática e a Filosofia. Syntactic Structures (publicado pela primeira vez em 1957) é resultado de seus estudos durante seu doutoramento na Universidade da Pennsylvania, sob a orientação do eminente lingüista Zellig Harris. Sua tese de Doutorado, de 1955, The Logical Structure of Linguistic Theory, acabou sendo publicada vinte anos mais tarde. É nessas duas obras, Syntactic Structures e The Logical Structure of Linguistic Theory que Chomsky lança as bases do que se tornará o programa de investigação lingüística que mais influenciaria a Lingüística no século XX, o programa gerativista. Publicado em 1957, Syntactic Structures completou recentemente 50 anos. A obra ganhou apenas uma publicação em português, em 1980, pela Edições 70 de Lisboa.

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a material lingüístico sem que tentem se evitar certas conclusões inaceitáveis por meio de ajustes ad hoc ou de uma formulação inconsistente. Especificamente. os objetivos da 4 . através de uma formulação rigorosa mas inadequada. reconhecido as potencialidades produtivas de um método que consiste em formular. rigorosamente. de uma forma estrita. De forma mais positiva. procurando determinar as suas limitações. É importante salientar aqui este fato. Ao chegar. Ele faz parte de uma tentativa de construção de uma teoria geral. torna-se freqüentemente possível detectar a causa exata dessa inadequação e. A procura de uma formulação rigorosa em Lingüística se inscreve dentro de uma motivação bastante mais séria do que uma simples preocupação com sutilezas lógicas ou com um desejo de depurar métodos fortemente enraizados de análise lingüística. chegar a uma compreensão mais profunda dos dados lingüísticos.Prefácio Este estudo trata da estrutura sintática. uma teoria formalizada poderá. de forma adequada. se chama “análise de constituintes imediatos”. Os resultados aqui apresentados foram obtidos a partir de uma tentativa consciente de seguir sistematicamente esse caminho. aplicando-a depois. a uma conclusão inaceitável. pelos que falham em dois importantes aspectos. tanto negativo como positivo. a partir daí. fornecer soluções para problemas que ultrapassam o âmbito daqueles para que foi explicitamente elaborada. baseado na comunicação e extremamente simples. e de exploração dos fundamentos de tal teoria. uma determinada teoria. Noções obscuras e intuitivas não conduzem a conclusões absurdas nem tão pouco ao fornecimento de resultados novos e corretos. como um modelo mais poderoso. não servem. como no sentido estrito (em que se opõe à fonologia e à morfologia). abrangendo grande parte daquilo a que hoje. já que a apresentação informal que adotamos poderia obscurecêlo. de maneira geral. no próprio processo de descoberta. analisaremos três modelos da estrutura lingüística. tanto no sentido lato (em que se opõe à semântica). da estrutura lingüística. automaticamente. Veremos que tanto um determinado modelo teórico de linguagem. Acredito que alguns dos lingüistas que puseram em causa o valor de um desenvolvimento preciso e técnico da teoria lingüística não terão. formalizada. A construção de modelos precisos para a estrutura lingüística pode desempenhar um papel importante. possivelmente.

O trabalho sobre a teoria das transformações e a estrutura transformacional do inglês que. indo além daqueles fenômenos para os quais ela foi especificamente planejada. que é mais poderoso do que o modelo de constituintes imediatos em certos pontos importantes. V. a saber. beneficiei-me das longas e freqüentes discussões com Zellig S. Em resumo. vemos que ela lança uma luz sobre uma grande variedade de fenômenos. Quine. Durante todo o processo desta pesquisa. desenvolvido entre 1951 e 1955. e que dá conta de tais relações de maneira natural. O trabalho de Harris sobre a estrutura transformacional. constituiu a base de grande parte da discussão que segue. enquanto eu era um Junior Fellow da Society of Fellows na Universidade de Harvard. Desenvolveremos um terceiro modelo. e em parte pela National Science Foundation and the Eastman Kodak Corporation. 5 . de forma que eu não tentarei assinalá-las com referências especiais. está desenvolvido nos números 15. na sua quase totalidade. para a estrutura lingüística. o positivo e o negativo. Eu discuti muito deste material com Morris Halle e me beneficiei muito de seus comentários e sugestões. Muitas das idéias e sugestões dele estão incorporadas tanto no texto que segue. a impossibilidade de dar conta de certas relações entre sentenças. a formalização pode efetivamente desempenhar ambos papes. transformacional. 16 e 19 das Referências Bibliográficas. Eu gostaria de expressar a minha gratidão a Society of Fellows por terem me dado a liberdade para levar a cabo esta pesquisa. o rumo desta pesquisa foi fortemente influenciado pelos trabalhos de Nelson Goodman e W. Eric Lenneberg. embora sumariamente esboçado. Talvez de forma menos evidente. foi. Quando formulamos a teoria das transformações de maneira cuidadosa e a aplicamos livremente ao inglês. como na investigação que o precedeu. Harris. pela Força Aérea Americana (Air Force – Office of Scientific Research. mencionados anteriormente. Este trabalho foi subsidiado em parte pelos Exército dos Estados Unidos (USA Army – Signal Corps). como a relação ativapassiva.descrição gramatical. cuja perspectiva diverge parcialmente da minha. Israel Scheffer e Yehoshua Bar-Hillel leram versões anteriores deste texto e fizeram valiosas críticas e comentários na apresentação e no conteúdo. Air Research and Development Command) e pela Marinha (Navy – Office of Naval Research). A investigação e aplicação desses modelos esclarece alguns fatos de estrutura lingüística e revela diversas lacunas na teoria lingüística.

Mass. 01 de agosto de 1956.NOAM CHOMSKY Massachusetts Institute of Technology Department of Modern Languages and Research Laboratory of Electronics Cambridge. 6 .

Lees. investigando. a possibilidade de construção de gramáticas com essa forma. considerando uma sucessão de níveis lingüísticos de complexidade crescente. nem outra filosofia especulativa sobre a natureza do Homem e da Linguagem. INTRODUÇÃO A sintaxe é o estudo dos princípios e processos que presidem à construção de sentenças em línguas particulares. O estudo sintático de uma determinada língua tem como objetivo a construção de uma gramática. disponíveis para a construção de gramáticas. Cf. O resultado final dessas investigações deverá ser uma teoria da estrutura lingüística em que os mecanismos descritivos utilizados em gramáticas particulares serão apresentados e estudados de maneira abstrata. tudo baseado plenamente em uma teoria explícita da estrutura interna das línguas”. que sejam simples e reveladoras. É possível determinar a adequação de uma teoria lingüística através do desenvolvimento rigoroso e preciso da forma da gramática correspondente ao conjunto de níveis abrangidos por essa teoria. para línguas naturais. com teoremas derivados desse sistema. R. uma gramática satisfatória do inglês. LEES. que correspondem a modos de descrição gramatical cada vez mais poderosos. que pode ser encarada como um mecanismo de produção das sentenças da língua em questão. uma teoria abrangente de linguagem que possa ser entendida no mesmo sentido em que uma teoria química ou biológica é comumente entendida em Química ou Biologia. Finalmente. A noção central da teoria lingüística é a de “nível lingüístico”. Uma função dessa teoria é fornecer um método geral de seleção de uma gramática para cada língua. Não é uma mera reorganização de dados em um formato de catálogo bibliotecário.1. sem referência específica às línguas particulares. os lingüistas deverão ter em consideração o problema da determinação das propriedades básicas fundamentais de gramáticas adequadas. se ela pretende fornecer. nós iremos sugerir que esta investigação puramente formal da estrutura da língua tem algumas implicações interessantes para os estudos semânticos2. De maneira geral. Lagnguage 33 A motivação para a orientação particular desta pesquisa que reportamos aqui é discutida adiante. é antes uma explicação rigorosa de nossas intuições sobre a linguagem em termos de um sistema axiomático explícito. e nós tentaremos mostrar que uma teoria lingüística deve conter pelo menos esses níveis de análise. 2 7 . publicada na revista Language ainda em 1957. constituindo um certo método para a representação de enunciados. [O21] Comentário: O livro de Chomsky teve uma boa e imediata repercussão no mundo acadêmico em grande parte por causa de uma resenha contundente de R. 377-8). Estudaremos diversas concepções diferentes de estrutura lingüística dessa maneira. o livro de Chomsky é “uma das primeiras tentativas sérias de um lingüista para construir. no capítulo 6. (p. “Review of Chomsky”. Um nível lingüístico como a fonologia. resultados explícitos que podem ser comparados com novos dados e outras intuições. em seguida. em particular. a morfologia ou o nível sintagmático é essencialmente um conjunto de mecanismos descritivos. dado um corpus de sentenças da língua. dentro da tradição de desenvolvimento de teorias. Para Lees.

quer na sua forma oral. Esta é uma característica familiar de explicação3. então.. quer na sua forma escrita são línguas nesse sentido. Nesta os propósitos desta discussão. A gramática de L será. Todas as línguas naturais. dada uma teoria lingüística. na análise lingüística de uma língua L é o de distinguir as seqüências gramaticais que são sentenças de L das seqüências agramaticais que não são sentenças de L e estudar a estrutura das seqüências gramaticais. suponha que nós assumimos um conhecimento intuitivo a respeito das sentenças gramaticais do inglês e perguntemos que tipo de gramática poderá produzir essas sentenças gramaticais de uma maneira eficiente e reveladora. para que tal teste possa funcionar. aceitáveis por um falante nativo. Nós podemos seguir alguns passos para conseguir um critério de comportamento para a gramaticalidade. p.1 A partir de agora. The structure of appearance (Cambridge. então. Um certo Cf. é suficiente que se tenha um conhecimento 3 8 . isto é. uma vez que cada língua natural possui um número finito de fonemas (ou de letras no seu alfabeto) e que cada sentença pode ser representada como uma seqüência finita desses fonemas (ou letras). Em muitos casos intermediários. 5-6. que determinadas seqüências de fonemas são claramente sentenças e que outras seqüências não o são. todas elas de extensão finita e construídas a partir de um conjunto de elementos. o conjunto de “sentenças” de qualquer sistema matemático formalizado pode ser considerado uma língua. mais de forma mais geral. contudo.2. A INDEPENDÊNCIA DA GRAMÁTICA 2. O objetivo fundamental. não teremos dúvidas em deixar a decisão à própria gramática. basta assumir um conhecimento parcial de sentenças e não-sentenças. para estabelecer significativamente os objetivos da gramática. Isto é. enfrentamos uma tarefa familiar: a de explicar alguns conceitos intuitivos – nesse caso. Goodman. Nós. 1951). embora o número de sentenças seja infinito. por exemplo. entenderei por língua um conjunto (finito ou infinito) de sentenças. o conceito de “gramatical”. de maneira a incluir as sentenças claras e excluir as seqüências que são claramente não-sentenças. Da mesma forma. o conceito de “gramatical em inglês” e. um mecanismo que gera todas as seqüências gramaticais de L e nenhuma das seqüências agramaticais. N. Note que. Note que para atingir os objetivos da gramática. nesta discussão. etc. admitiremos. quando ela estiver construída da forma mais simples. Uma forma de testar a adequação de uma gramática proposta para L consiste em determinar se as seqüências que ela gera são efetivamente gramaticais ou não.

sejam construídas pelo mesmo método. uma teoria lingüística dará uma explicação geral para aquilo que “poderia” ser em uma língua. Contudo. uma exigência razoável. já que várias gramáticas diferentes poderiam tratar de maneira eficaz os casos claros.1. Em primeiro lugar. esse teste de adequação é fraco. 9 . Cf. um corpus) da língua. definirá “sentença gramatical” em termos de “sentenças observadas”. já que não estamos interessados apenas em línguas particulares. por uma determinada teoria lingüística. os capítulos 6 e 7). Claramente qualquer explicação da noção de “gramatical na língua L” (isto é. uma gramática reflete o comportamento do falante. Isto é. Nesse sentido. cada gramática relaciona-se com o corpus de sentenças da língua que descreve de uma forma previamente fixada. mas eu gostaria de salientar que diversas respostas que imediatamente nos ocorrem podem não estar corretas. Há muito mais que pode ser dito sobre esse tópico crucial. se exigirmos que os casos claros sejam tratados de maneira eficaz. para todas as gramáticas. From a logical point of view [Cambridge. parcial das sentenças (isto é. (W. por gramáticas que. 1953]. seção 6. Temos assim um teste de adequação bastante forte para uma teoria lingüística que tenta fornecer uma explicação geral da noção de “sentença gramatical” em termos de “sentença observada” e para o conjunto de gramáticas construídas de acordo com essa teoria.2 Baseados em que nós podemos separar as seqüências gramaticais das seqüências agramaticais? Eu não tentarei dar uma resposta completa para essa pergunta aqui (cf. certas propriedades das sentenças observadas e certas propriedades das gramáticas. p. qualquer caracterização de “gramatical em L” em termos de “enunciado observado em L”) pode ser pensado como oferecendo uma explicação para esse aspecto fundamental do comportamento lingüístico. mas também na natureza geral da Linguagem. com base em “o que é mais a simplicidade das leis com que nós descrevemos e extrapolamos o que é”. que. baseado em uma experiência finita e acidental com a língua. isso pode ser generalizado como uma condição bastante forte. V. isto é. Para uma língua isolada. Cf. em seu conjunto. Para usar a formulação de Quine. É. já que uma teoria lingüística irá estabelecer a relação entre o conjunto observado de sentenças e o conjunto das sentenças gramaticais. é óbvio que o conjunto de frases gramaticais não pode se identificar com um corpus qualquer de enunciados recolhido pelo lingüista em seu trabalho de campo. 54). Qualquer gramática de uma língua irá projetar o corpus finito e mais ou menos acidental de enunciados observados em um conjunto (presumivelmente infinito) de enunciados gramaticais.número de casos claros irá fornecer um critério de adequação para qualquer gramática particular. capítulo 6. Quine. 2. mas isso nos levaria muito longe. pode produzir ou entender um indefinido número de novas sentenças. além do mais. em cada língua.

como igualmente 'remotas' em inglês". Da mesma forma. Stephen B. de R. de maneira alguma. O falante tratará cada palavra de (2) como um sintagma isolado.2. Volume 2: Mathematics and computability of language. é gramatical. elas não "seriam excluídas com base nos mesmos motivos. ele conseguirá se lembrar de (1) muito 10 [O23] Comentário: As sentenças (5) e (6) são agramaticais.org. Lees. Tais exemplos sugerem que qualquer procura que seja baseada em semântica. com a de “alta ordem de aproximação estatística em inglês”. De maneira semelhante. a noção de “gramatical” não poderá se identificar com as noções de “dotado de sentido” ou de “significativo” em qualquer sentido semântico. na verdade. não há motivo semântico para que se prefira (3) a (5) ou (4) a (6). Vendo essas sentenças. As sentenças (1) e (2) são igualmente desprovidas de sentido. mas apenas (3) e (4) são sentenças gramaticais do inglês. www. por uma definição de “gramaticalidade” será fútil. JOHNSON. Essas sentenças podem ser traduzidas como (1) Incolores idéias verdes dormem furiosamente. . nós teremos de levar a teoria de estrutura sintática um bocado além de seus limites conhecidos. Pereira afirma que a sentença (2) é 200. 2. em seu artigo "Formal grammar and information theory: together again?". a noção de “gramatical em inglês” não poderá ser identificada.wikipedia. A primeira publicação que utilizou o asterisco para marcar sentenças agramaticais apareceu apenas três anos depois. Cf.. a Wikipedia. essas sentenças seriam excluídas com base nos mesmos motivos. enquanto (2) não é. (2) Furiously sleep ideas green colorless. (3) have you a book on modern music? (4) the book seems interesting. embora sem sentido. (2) Furiosamente dormem idéias verdes incolores. mas qualquer falante do inglês reconhecerá que só a primeira é gramatical. 2002. PEREIRA.3 Em segundo lugar. Nós iremos ver. que existem razões estruturais profundas para distinguir (3) e (4) de (5) e (6). seguindo notação comum hoje. mas irá ler (2) com uma entonação falha em cada palavra. [O24] Comentário: Essa afirmação de Chomsky foi recentemente contestada por Fernando Pereira. Ainda assim. um falante do inglês irá ler (1) com uma entonação normal de sentença. Cf. com o mesmo padrão de entonação dado a qualquer seqüência de palavras que não apresentem relação entre si. In: NEVIN. Parece razoável aceitar que nem a sentença (1) nem a sentença (2) (e nenhuma parte dessas sentenças) tenha ocorrido em inglês. com "The grammar of English nominalizations". F. publicada em 1960. mas antes que nós consigamos encontrar uma explicação para tais fatos.000 vezes menos provável de ocorrer em um corpus do inglês do que a sentença (1). Bruce E. como igualmente “remotas” em inglês. no capítulo 7. The legacy of Zellig Harris . [O22] Comentário: A sentença (1) ficou tão famosa que até recebeu uma entrada na maior enciclopédia virtual da atualidade.4 Em terceiro lugar. Formal grammar and information theory: together again?. Logo.language and information into the 21st century. mas não são marcadas pelo asterisco (*). (1) Colorless green ideas sleep furiously. (1). em qualquer modelo estatístico voltado para a gramaticalidade. (5) read you a book on modern music? (6) the child seems sleeping. Amsterdan / Philadelphia: John Benjamins. Logo.

p. Acredito que devemos concluir que a gramática é autônoma e independente do significado e que os modelos Mais adiante. zero) na experiência lingüística passada de um falante que irá imediatamente reconhecer que uma dessas substituições. parece que não existe uma relação específica entre nível de proximidade e gramaticalidade. Não podemos. iremos sugerir que essa distinção rígida pode ser modificada para favorecer uma noção de níveis de gramaticalidade. 4 11 . eles parecem não ter relevância direta ao problema de determinar ou caracterizar o conjunto de enunciados gramaticais. Se ordenarmos as seqüências de uma determinada extensão de acordo com o grau de sua aproximação estatística com o inglês. e não a outra. contudo que essa idéia é bastante incorreta e que uma análise estrutural não pode ser entendida como um resumo esquemático desenvolvido a partir de melhorias nas formas do quadro estatístico. Evidentemente. O mesmo acontece com inúmeros pares semelhantes. irá resultar em uma sentença gramatical. 5 Cf. enquanto (2) nunca seria. (3) e (4). mas elas estarão no mesmo nível remoto em inglês. trocando a “probabilidade zero e todas as probabilidades extremamente baixas. Mas não há por que nos determos nesse ponto aqui. encontraremos tanto seqüências gramaticais como agramaticais dispersas ao longo da lista. 1955). Vemos. Para escolher um outro exemplo. O costume de se considerar como sentenças gramaticais aquelas que “podem ocorrer” ou que são “possíveis” tem sido responsável por algumas confusões. (1) e (2) estarão em diferentes níveis de gramaticalidade até mesmo se (1) ficar em um nível inferior de gramaticalidade do que. no contexto “I saw a fragile_” (Eu vi uma frágil_). Apesar do inegável interesse e importância dos estudos semânticos e estatísticos da linguagem. já que a “realidade” da língua é complexa demais para ser completamente descrita.mais facilmente do que (2). por impossível e todas as probabilidades altas de possível”5. É natural entender “possível” como significando “altamente provável” e assumir que a rígida distinção do lingüista entre gramatical e agramatical4 é motivada por um sentimento de que. conseguirá decorá-la mais rapidamente. as palavras “whale” (baleia) e “of” (de) podem ter a mesma freqüência (ou seja. etc. apelar para o fato de que sentenças como (1) “poderiam” ser produzidas em um contexto suficientemente rebuscado. já que a base para essa diferença entre (1) e (2) é precisamente o que estamos interessados em determinar. ele pode nunca ter ouvido ou visto qualquer par de palavras dessas sentenças unidas em um discurso real. A manual of phonology (Baltimore. evidentemente. ele deve se contentar com uma versão esquematizada. 10. digamos. Então. Ainda assim. Hockett. a capacidade de produzir e reconhecer enunciados gramaticais não é baseada em noções de aproximação estatística e coisas do gênero.

. etc. considere as seqüências da forma “o homem que. que para qualquer n. em particular. Por exemplo. uma seqüências de adjetivos maior do que qualquer uma jamais produzida no contexto “Eu vi uma casa __”. 1-27 (1954). 6 12 .. não conheço nenhum sugestão a esse respeito que não apresente falhas óbvias. B. A. mas onde S1 deve ser distinta de S2. Biometrika 42. que rejeitamos. eu não me preocuparia em mostrar que qualquer relação desse tipo é impensável. H. na ordem de aproximação das seqüências das classes de palavras. Diversas tentativas para explicar a relação gramatical x agramatical.. por exemplo. Certamente. e o desenvolvimento de modelos probabilísticos para o uso da língua (distintos da estrutura sintática da língua) pode ser bem compensador. como no caso de (1) e (2). em grande parte.. “On a class of skew distribution functions”. pode-se estudar o uso da língua estatisticamente em diversas maneiras. estão aqui”. Word 10. Mandelbrot. irão encontrar numerosos fatos como esses. 425-40 (1955). Acredito que isso também vale. onde . Cf. pode ser um sintagma verbal de comprimento arbitrário.. para a relação entre estudos sintáticos e estudos probabilísticos da língua. Simon. nós podemos encontrar uma seqüências cujas primeiras n palavras podem ocorrer como o começo de uma sentença gramatical S1 e cujas últimas n palavras possam ocorrer como o final de alguma sentença gramática S2. Retornamos à questão da relação entre sintaxe e semântica nos capítulos 8 e 9. onde nós argumentos que essa relação pode apenas ser estudada depois que a estrutura sintática tenha sido determinada em bases independentes. Poder-se-ia tentar desenvolver uma relação mais elaborada entre a estrutura estatística e a estrutura sintática do que a do modelo de aproximação pela simples ordem. baseadas na freqüência do tipo de sentença. Repare também que nós podemos ter novas – e perfeitamente gramaticais – seqüências de classes de palavras. Dada a gramática de uma língua.probabilísticos não fornecem nenhum esclarecimento sobre alguns dos problemas básicos da estrutura sintática6. “Structure formelle des textes et communication: deux études”. Repare.

Chomsky (1955) utiliza essa a mesma terminologia. passe sucessivamente por uma série de estados (produzindo uma palavra em cada transição) e termine no estado final. Logo. teoria padrão. Grifos do autor. O modelo diferente é a teoria padrão estendida. à tradição estruturalista bloomfieldiana e harrisiana. ao contrário da edição portuguesa. e estabelece separadamente a estrutura morfêmica das sentenças e a estrutura fonêmica dos morfemas. em que se fala de "estrutura morfêmica" e "estrutura fonêmica" como "níveis de análise". que tem como texto mais importante não um de Chomsky. Vamos considerar agora diversas maneiras de descrever a estrutura morfêmica das sentenças.1 Assumindo-se como dado o conjunto de sentenças gramaticais do inglês. Uma língua é um enorme sistema intrincado. Aspects com a teoria padrão e Lectures on Government and Binding com seu modelo mais atual [a Teoria da Regência e Ligação à época do livro de Harris]. Suponhamos que nós temos uma máquina que pode passar por um número finito de diferentes estados internos e que transita de um estado para outro pela emissão de um determinado símbolo (digamos. o lingüista cria elementos de “nível superior”. Veremos que tipo de gramática é necessário para gerar todas as seqüências de morfemas (ou palavras) que constituem as sentenças gramaticais em inglês – e apenas elas. [O26] Comentário: Aqui aparece pela primeira vez o verbo “gerar” (generate) na obra. já que há um número infinito de tais seqüências. a descrição lingüística procede em termos de um sistema de “níveis de representação”. que tipo de teoria dá conta da estrutura desse conjunto de enunciados adequadamente). uma determinada língua. assim. Uma condição que a gramática necessariamente deve ter é a de ser finita. Eles geralmente levam os nomes de teoria transformacional inicial. como morfemas. (ii) adotar esses termos é mais fiel à história da terminologia lingüística. reconhecidamente..3. agora podemos perguntar que tipo de mecanismo pode produzir esse conjunto (em outras palavras. outro é o estado final. O Estruturas sintáticas é considerado o livro fundamental do primeiro modelo da gramática gerativa. mas um de Jackendoff: Semantic interpretation in generative grammar (1972)”. Um desses estados é o estado inicial. UMA TEORIA LINGÜÍSTICA ELEMENTAR [O25] Comentário: Traduzi “phonemic structure” e “morphemic structure” por “estrutura fonêmica” e “estrutura morfêmica”. Um conhecido modelo teórico de linguagem usado na comunicação sugere uma solução para essa dificuldade. uma palavra do inglês). é associado com algum texto importante de Chomsky: Estruturas sintáticas (ou mais propriamente The logical structure of linguistic theory) com a teoria inicial. isto é. Portanto. Pode-se ver facilmente que a descrição conjunta desses dois níveis será muito mais simples do que uma descrição direta da estrutura fonêmica das sentenças. que traz estrutura “fonológica” e “morfológica”. A idéia de distinguir os "níveis de representação" dos "componentes de regras que os geram" só começa a ganhar ênfase a partir de Chomsky (1965). Podemos encarar cada sentença desse conjunto como sendo uma seqüência de fonemas de extensão finita. Ao invés de apresentar a estrutura fonêmica das sentenças diretamente. e parece bem óbvio que qualquer tentativa de apresentar diretamente esse conjunto de seqüências gramaticais de fonemas levaria a uma gramática tão complexa que seria. Por esse motivo (entre outros). na prática. o conjunto de sentenças que podem ser produzidas dessa maneira. por basicamente duas razões: (i) os termos "fonêmico" e "morfêmico" estão também disponíveis em português e parecem mais fiéis aos termos adotados por Chomsky. a gramática não pode ser simplesmente uma lista de todas as seqüências de morfemas (ou de palavras). Cabe aqui uma citação de Harris (1993: 171-2): “O desenvolvimento teórico de Chomsky normalmente é conhecido por ser pontuado por quatro modelos gramaticais principais (. Cada um desses modelos. Chamaremos qualquer língua que pode ser produzida por uma máquina desse tipo de língua de 13 . com exceção de um. a idéia de que a fonologia" é um "componente de regras" que gera "representações gramaticais" só ganha nitidez na segunda metade da década de 60 . 3. Cada máquina desse tipo define.. teoria padrão estendia e teoria da regência e ligação. por causa do debate que se inicia sobre a natureza da estrutura profunda. Admitamos que a máquina comece no estado inicial. em 1968.). Chamaremos de “sentença” a seqüência de palavras obtidas. uma vez que o Syntactic Structures deve muito. em The Sound Pattern of English. inútil.

. P. “the old old man comes” (o velho velho homem vem). 23 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Dado um diagrama de estados.. Cada nó em tal diagrama corresponde. 15f. podem ser representadas pelo seguinte diagrama de estados: (8) VER GRÁFICO (8). . E.estados finitos. então. nós atribuímos uma probabilidade para cada transição de estado para estado.. As máquinas que produzem línguas dessa maneira são conhecidas matematicamente como “processos de Markov de estados finitos”. um tipo de processo estocástico de tempo discreto. 14 . a um estado da máquina. Nós podemos permitir a transição de um estado a outro de diversas maneiras e podemos ter qualquer número de loopings fechados de qualquer extensão. 22 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Nós podemos estender essa gramática para produzir um número infinito de sentenças. e podemos chamar a própria máquina de gramática de estados finitos.. 1949). 7 C. Assim. The mathematical theory of communication (Urbana. nós produzimos uma sentença seguindo um caminho do ponto inicial à esquerda até o ponto final à direita. nós podemos seguir pelo caminho que parta desse ponto. medida pela probabilidade de se encontrar nos [O27] Comentário: Andrey Andreyevich Markov (14 de janeiro de 1856 – 20 de julho de 1922) foi um matemático russo bastante conhecido por sua teoria das “Cadeias de Markov”. Podemos assim calcular a “incerteza” associada com cada estado e podemos definir o “conteúdo da informação” da língua como a incerteza média. Para completar esse modelo teórico básico de comunicação para a linguagem. Ao atingirmos determinado ponto no diagrama.. sempre seguindo o caminho das setas. a gramática finita da subparte do inglês contendo as sentenças vistas mais as sentenças “the old man comes” (o velho homem vem). P. Shannon & W. Weaver. Por exemplo. Uma gramática de estados finitos pode ser representada graficamente na forma de um “diagrama de estados”7.. “the old men come” (os velhos homens vêm). indiferentemente se esse caminho já tenha sido percorrido anteriormente para construir a sentença em questão. adicionando um looping fechado. “the old old men come” (os velhos velhos homens vêm). p. a gramática que produz apenas as duas sentenças “the man comes” (o homem vem) e “the men come” (os homens vêm) pode ser representada pelo seguinte diagrama de estados: (7) VER GRÁFICO (7).

ao menos para os propósitos da gramática. Nós passaremos a descrever determinadas propriedades sintáticas do inglês que indicam que. como o inglês ou um sistema formalizado da matemática. de construir um mecanismo do tipo que descrevemos há pouco (um diagrama como (7) ou (8)) que produza todas e apenas as sentenças gramaticais do inglês.estados associados. Se pudermos adotá-la. Ao produzir uma sentença. Contudo. Qualquer tentativa para construir uma gramática de estados finitos para o inglês enfrenta sérias dificuldades e complicações desde o início. 3. produz a primeira palavra da sentença. é desnecessário tentar mostrar isso com exemplos. e não estatística. Essa concepção da linguagem é extremamente poderosa e geral. 8 15 . o conjunto finito de símbolos com que se constroem as suas sentenças) e das suas sentenças gramaticais. Para voltarmos à pergunta levantada no segundo parágrafo do capítulo 3. etc. é importante se perguntar sobre as conseqüências de adotar esse ponto de vista no estudo sintático de algumas línguas. essa generalização não nos interessará.2 Uma língua define-se a partir de seu “alfabeto”. da língua aqui. 1955). é necessário definir as propriedades sintáticas do inglês de maneira mais precisa. Para demonstrar (9). isto é. e que a concepção de língua baseada no processo de Markov que esboçamos não pode ser aceita. Já que estamos estudando a estrutura gramatical. Esse é essencialmente o modelo de linguagem que Hockett desenvolve em A manual of phonology (Baltimore. não apenas difícil. (9) afirma que não é possível estabelecer diretamente a estrutura morfêmica de sentenças por meio de algum mecanismo como um diagrama de estados. Cada estado por que ele passa representa as restrições gramaticais que limitam a escolha da próxima palavra naquele ponto da enunciação8. o falante começa no estado inicial. Dada a generalidade dessa concepção de língua e sua utilidade em disciplinas afins como a teoria da comunicação. Quer dizer. tendo em vista a seguinte observação geral sobre o inglês: (9) O inglês não é uma língua de estados finitos. sob qualquer delimitação razoável do conjunto de sentenças do inglês. como o leitor facilmente pode verificar. 02. (9)pode ser considerado como um teorema relativo ao inglês. é impossível. passando depois para um segundo estão que limita a escolha da segunda palavra. podemos ver os falantes como sendo essencialmente uma máquina desse tipo.

então S2. . S3.. abab. em (11iii). abbabb. que o conjunto de fórmulas bem formadas de qualquer sistema formalizado da matemática ou da lógica não irá constituir uma língua de estados finitos. em (11ii). baab. vol.. . todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X seguida por uma “imagem em espelho” de X (isto é. em geral. aabaab. aabb. em geral. Repare. por causa dos parênteses pareados ou restrições equivalentes. Transactions on Information Theory. meu artigo “Three models for the description of language”. aabbaa.. X de maneira inversa) – e apenas elas. Em (11i).. Nós podemos facilmente mostrar que cada uma dessas três línguas não é uma língua de estados finitos. abbbba. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X de as e bs seguida de uma seqüência idêntica de X – e apenas elas. escapam à definição de língua de estados finitos. abba. bb. em geral. onde os as e os bs em questão não são consecutivos. nós não podemos ter “ou” no lugar de “então”. em condições gerais9. para um esclarecimento dessas condições e uma prova para (9). IT-2. Proceedings of the symposium on information theory. vamos considerar diversas línguas cujos alfabetos contêm apenas as letras a e b e cujas sentenças são definidas como aparece em (10i-iii): (10) (i) ab. bb. línguas como (10). 16 . 1956. há uma dependência entre as palavras de cada lado 9 Cf. I. R. sentenças declarativas em inglês. em particular. E. mas estão encaixados em outras seqüências.. aaabbb. Mas está claro que existem subpartes do inglês com a forma básica de (10i) e (10ii). (iii) aa... e. baba. Sejam S1... .Antes de investigamos o inglês diretamente.. nós não podemos ter “estão” no lugar de “está”. aaaa. Sept. (ii) Ou S3. bbbb. todas as sentenças que consistem de n ocorrências de a seguidas por n ocorrências de b – e apenas elas. Então nós podemos ter sentenças como as seguintes: (11) (i) Se S1. . aaaa. Da mesma forma. Em cada um desses casos. e. (ii) aa. ou S4.. S2.. nós não podemos ter “então” no lugar de “ou”. bbb. (iii) O homem que disse que S5 está chegando hoje. e.

etc. “se” – “então”. “o homem” – “está”). as condições em que elas podem ser verdadeiras. de forma extremamente simples. sem alterar a parte essencial de nossas observações). etc.) não pertencem ao inglês. S5 e essa sentença declarativa pode ser. ou S4. então. em inglês. serão bem estranhas e incomuns (elas podem muitas vezes ter sua estranheza atenuada se trocarmos “se” por “sempre que”. onde há uma dependência entre c e d. etc. “assumindo que”. formadas por processos de construção de sentenças tão simples e elementares que até mesmo a gramática mais rudimentar do inglês poderia contê-las. Mas entre palavras interdependentes. Está claro. Então. Repare que muitas das sentenças da forma de (12). Dessa forma. então S2. se em (11i) tomarmos S1 como (11ii) e S3 como (11iii). enquanto sentenças contradizem as dependências referidas em (11) (por exemplo. uma sentença daquelas em (11i-iii). etc. onde há uma dependência entre a e b. de fato. então (11iii). S3. parece bem claro que não há teoria de estrutura lingüística baseada exclusivamente nos modelos dos processos de Markov e similares que poderá explicar ou dar conta da habilidade de um falante do inglês para produzir e compreender sentenças novas e rejeitar outras novas seqüências que não pertençam à língua. nós podemos encontrar uma seqüência a + S1 + b. “se for o caso de”. Mas elas são todas sentenças gramaticais. 17 . que. Elas podem ser entendidas. podemos encontrar vários tipos de modelos de estados não finitos dentro do inglês. Então. então selecionar como S2 uma seqüência dessa forma. nós podemos inserir uma sentença declarativa S1. e nós podemos selecionar como S1 uma outra seqüência contendo c + S2 + d. então S1”. É difícil de conceber qualquer possível motivação para excluí-las do conjunto de sentenças gramaticais do inglês. “Ou S3. teremos a seguinte sentença: (12) Se..da vírgula (isto é. e poderíamos mesmo estabelecer. assumindo que sentenças como (11) e (12) pertençam ao inglês. Um conjunto de sentenças que é construído dessa forma (e nós vemos em (11) que existem diversas possibilidades disponíveis para tais construções – (11) não chega perto de exaustar as possibilidades) terá todas as propriedades a imagem de espelho de (10ii) que excluem (10ii) do conjunto de línguas de estados finitos. Essa é uma indicação grosseira dos passos a seguir para uma demonstração rigorosa de (9). E S5 em (11iii) pode novamente ser uma das sentenças de (11). “ou” – “ou”. em cada caso.

na gramática de estados finitos) ela será proibitivamente complexa. como em (8). tal como faria. Quer dizer. Em resumo. nós podemos ter certeza de que haverá um número infinito de sentenças verdadeiras. Se ela produzir apenas sentenças do inglês. de certa forma. tornar o inglês uma língua de estados finitos.3. por exemplo. a abordagem para a análise de gramaticalidade sugerida aqui em termos de um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita parece levar a um beco sem saída da mesma forma como as propostas rejeitadas no capítulo 2. contudo. Em geral. perguntas razoáveis. a suposição de que línguas são infinitas é feira para simplificar a descrição dessas línguas. A noção de “nível lingüístico de representação” apresentada no começo desta seção deve ser modificada e elaborada. despropositadas. somos forçados a procurar algum outro tipo mais poderoso de gramática e uma forma mais “abstrata” de teoria lingüística. obviamente. Pelo menos um nível lingüístico não pode ter essa estrutura simples. Vimos que uma teoria tão linguisticamente limitada não é adequada. uma limitação das sentenças do inglês a uma extensão de um milhão de palavras. ela irá produzir infinitamente muitas sentenças. com uma quantidade finita de mecanismos. Mas essa gramática será tão complexa que será de pouco ou nenhum interesse. Tais limitações arbitrárias são. para um valor fixo de n. que ela simplesmente não produzirá. a mínima teoria lingüística que merece uma consideração séria. Se uma gramática desse tipo produz todas as sentenças do inglês. já que será possível listar as sentenças. A concepção de gramática que acabou de ser rejeitada representa. podemos provar a inaplicabilidade literal dessa teoria elementar. etc. pode gerar um infinito número de sentenças. Se esses processos não têm um limite finito.3 Nós poderíamos arbitrariamente decretar que processos de formação de sentenças em inglês como aqueles que discutimos não podem ser utilizados mais do que n vezes. Se ela tiver mecanismos recursivos de alguma forma. Uma gramática de estados simples é o tipo mais simples de gramática que. então a construção de uma gramática de estados finitos não estará literalmente fora de questão.. Se esses processos têm um limite. ela irá produzir igualmente muitas não-sentenças. Acontece que existem processos de formação de sentenças com os quais as gramáticas de estados finitos não estão intrinsecamente aptas a lidar. e uma lista é essencialmente uma gramática de estados finitos trivial. em algum nível. Isso iria. sentenças falsas. não será o caso que cada sentença seja 18 . Se uma gramática não contiver mecanismos recursivos (loopings fecahdos.

estabelecendo finalmente a constituição fonêmica de elementos do penúltimo nível10. 19 . etc. estabelecendo as seqüências permitidas de elementos do nível mais elevado. As gramáticas que discutimos abaixo que não geram da esquerda para a direita também correspondem a processos menos elementares do que os processos de Markov de estados finitos. Se uma língua pode ser descrita de uma maneira elementar. Cf. 10 Uma terceira alternativa seria a de manter a noção de um nível lingüístico como um simples método linear de representação. que parece inútil seguir essa abordagem mais adiante. gerada da esquerda para a direita por algum mecanismo simples. nós precisamos métodos fundamentalmente diferentes.. a constituição de cada elemento do nível mais elevado em termos de elementos de segundo nível. mas para gerar línguas de estados não finitos como o inglês. capítulo 8). Mas eles são talvez menos poderosos do que o tipo de mecanismo que seria necessário para uma geração direta da esquerda para a direita do inglês. se é uma língua de estados finitos). além de um conceito mais geral de “nível lingüístico”. tanto em termos de complexidade de descrição como em falta de poder explicativo (cf. meu artigo “Three models for the description of language” para uma discussão mais detalhada. da esquerda para a direita em termos de um único nível (isto é. construído de tal forma que possamos gerar todos os enunciados. então essa descrição pode verdadeiramente ser simplificada com a construção de tais níveis mais elevados. nós propusemos que os níveis fossem estabelecidos dessa maneira a fim de simplificar a descrição do conjunto das seqüências gramaticais de fonemas. mas gerando ao menos um desses níveis da esquerda para a direita por um mecanismo com maior capacidade do que a de um processo de Markov de estados finitos. No começo do capítulo 3.representada simplesmente como uma seqüência finita de elementos de algum tipo. . Há tantas dificuldades com a noção de nível lingüístico baseado em geração da esquerda para a direita. Devemos desistir da esperança de encontrar um conjunto finito de níveis ordenados do superior ao inferior.

da Lingüística Computacional e do Processamento de Linguagem Natural. bola. Esses programas são capazes de classificar morfossintaticamente as palavras e expressões de sentenças em uma dada língua e. já é um termo de uso consagrado em Lingüística hoje. chutou. [. onde os números à direita de cada linha da derivação se referem à regra da “gramática” (13) usada para construir a linha a partir de uma linha precedente11.1 Habitualmente. a descrição lingüística no nível sintático é formulada em termos de análise em constituintes (parsing). As convenções notacionais que utilizaremos ao longo da discussão da estrutura do inglês estão no capítulo 11. Descobriremos que a nova forma de gramática é essencialmente mais poderosa que o modelo de estados finitos rejeitado anteriormente e que o conceito de “nível lingüístico” associado a ela é diferente em aspectos fundamentais.4. De acordo com Menuzzi & Othero (2005: 39). considere o seguinte: (13) (i) Sentença (ii) SN (iii) SV (iv) T (v) N SN + VP [O28] Comentário: A palavra parsing.. Apêndice II. de atribuir às sentenças a sua estrutura de constituintes. T+N Verbo + SN o. principalmente. Apêndice I. Y de (13) como a instrução (vi) Verbo Suponhamos que nós interpretamos cada regra X “reescreva X como Y”. Grifos dos autores. parsing diz respeito à interpretação automática (ou semi-automática) de sentenças de linguagem natural por meio de programas de computador conhecidos como parsers. entretanto. “o termo vem da expressão latina pars orationes (partes do discurso) e tem suas raízes na tradição clássica. o termo parsing foi adquirindo novo significado. etc. Com o avanço da Inteligência Artificial. Podemos chamar (14) de uma derivação da sentença “o homem chutou a bola”.. 11 20 . a homem. (14) Sentença SN + SV T + N + SV T + N + Verbo + SN (i) (ii) (iii) As regras numeradas da gramática do inglês a que constantemente faremos referência nas páginas seguintes estão reunidas e organizadas adequadamente no capítulo 12.] No contexto da Lingüística Computacional. Como um simples exemplo da nova forma de gramática associada à análise de constituintes. além de não ter uma tradução adequada para o português. Veremos agora qual forma de gramática está pressuposta numa descrição desse tipo. pegou. etc. ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 4. baseando-se em um modelo formal de gramática”.

Podemos representar a derivação (14) de uma maneira óbvia através do seguinte diagrama: (15) Sentença SN SV T N Verbo SN o homem chutou T N a bola O diagrama (15) traz menos informação do que a derivação (14). a segunda linha de (14) é formada a partir da primeira linha pela reescrita de Sentença como SN + SV. a terceira linha é formada a partir da segunda linha pela reescrita de SN como T + N. já que ele não nos diz em que ordem as regras foram aplicadas em (14). Logo. de acordo com a regra (ii) de (13).o + N + Verbo + SN o + homem + Verbo + SN o + homem + chutou + SN o + homem + chutou + T + N o + homem + chutou + a + N o + homem +chutou + a + bola (iv) (v) (vi) (vii) (viii) (ix) Assim. “chutou a bola” pode ser reconstituído até o SV em (15). já que é possível construir uma derivação reduzível a (15) com uma ordem diferente na aplicação das regras. nós podemos construir unicamente (15). etc. de acordo com a regra (i) em (13). e esse ponto de origem for rotulado Z. A partir de (14). Uma seqüência de palavras dessa sentença é um constituinte do tipo Z se nós podemos reconstituir essa seqüência até um único ponto de origem em (15). Mas homem chutou não pode ser 21 . mas o contrário não é verdadeiro. O diagrama (15) traz apenas o que é essencial em (14) para a determinação da estrutura sintagmática (análise de constituintes) da sentença derivada “o homem chutou a bola”. então “chutou a bola” é um SV na sentença derivada.

dizemos que temos um caso de “homonímia construcional”12 e. nós podemos estabelecer a seguinte regra na gramática: (16) Z + X + W Z + Y + W. mas não se for homens. “boys”. ao invés de termos Verbo chuta como uma regra adicional de (13). Assim. Hockett. Uma característica de (13) deve. 210-33 (1954).13 Essa é uma generalização direta de (13). Verbo pode ser reescrito “chuta” se o substantivo precedente for homem. F. Uma generalização de (13) é se faz evidentemente necessária. seção 8. no caso de verbos no singular e no plural. Da mesma forma.1 para alguns exemplos de homonímia construcional. se desejamos limitar a reescrita de X como Y ao contexto Z – W. ser preservada. Wells. C. da mesma forma. 81-117 (1947) para uma discussão mais detalhada. isto é. como aparece em (17): apenas um elemento pode ser reescrito em cada regra. Cf. de validade duvidosa. essa sentença da língua deverá ser ambígua. meu The logical structure of linguistic theory (mimeografado). A identificação do afixo número-pessoal verbal e nominal é. vem. podemos ter (17) SNsing + Verbo SNsing + chuta Indicando que o Verbo é reescrito como chuta apenas no contexto SNsing– . Nessas circunstâncias. (13ii) terá de ser reformulado para incluir SNsing e SNpl. “Three models for the description of language”. Language 23. em uma gramática mais completa. Linguistics Today. R. em 12 Cf. Ocasionalmente. 13 Então. contudo. logo “homem chutou” não é um constituinte. na verdade. mas não se ele for plural. T pode ser reescrito a se o substantivo seguinte for singular. Por exemplo. Retornaremos à importante noção de homonímia construcional mais adiante. meninos). uma gramática pode nos permitir a construção de derivações não equivalentes para uma determinada sentença. S. Word 10. Dizemos que duas derivações são equivalentes se elas se reduzem ao mesmo diagrama da forma (15). se nossa gramática estiver correta. 22 . Em geral. “Two models of grammatical description”. Devemos poder limitar a aplicação de uma regra a um determinado contexto. Omitiremos qualquer menção a primeira e segunda pessoa nesta discussão. “Immediate constituents”. (13ii) poderia ser substituído por um conjunto de regras que incluísse as seguintes: SNsing SN SNpl SNsing T + N + ∅ (+ Sintagma Preposicional) SNpl T + N + S (+ Sintagma Preposicional) onde S é o morfema singular para verbos e plural para substantivos (“comes”.reconstituído a nenhum ponto de origem em (15).

para incluir. Algumas derivações são chamadas de derivações terminadas. Embora X não precise ser um símbolo único. Assim. F]. podemos reconstruir a estrutura sintagmática de cada sentença da língua (cada seqüência terminal da gramática) se considerarmos os diagramas associados da forma (15). que descrevem alguma língua. X deve ser um símbolo único como T. e F era constituído pelas regras (i) – (vi). o único membro do conjunto Σ das seqüências iniciais era o símbolo Sentença. no sentido de que a sua seqüência final não pode mais ser reescrita pela aplicação das regras F. F]. (14) é uma derivação. dizemos que ela é uma derivação terminal. Cada gramática é definida por um conjunto finito Σ de seqüências iniciais e um conjunto finito F de “fórmulas de instrução” com a forma X Y sendo interpretadas como “reescreva X como Y”. o+homem+chutou+a+bola é uma seqüência terminal da gramática (13). por exemplo. como fizemos anteriormente. isto é. cada uma dessas gramáticas define uma língua terminal (talvez a língua “vazia”. e a série de seqüências de cinco termos constituída das cinco primeiras linhas de (14) também é uma derivação. Verbo. (14) é uma derivação terminada. aplicando uma das fórmulas de instrução de F. Dada a gramática [Σ. Dessa forma. Sentença Declarativa e Sentença Interrogativa como símbolos adicionais. Na gramática (13). F]. Se essa condição não for respeitada não conseguiremos reconstruir a estrutura de sintagmática das sentenças derivadas a partir dos diagramas associados da forma (15) de maneira correta. não contendo nenhuma sentença) e cada língua terminal é produzida por uma gramática da forma [Σ. Algumas gramáticas da forma [Σ. definimos a derivação como uma série finita de seqüências. mas nós iremos nos preocupar apenas nas gramáticas que tenham seqüências terminais. mas poderíamos querer estender Σ. Dada uma língua terminal e sua gramática. Assim. como vimos 23 . somente um símbolo de X pode ser reescrito para formar Y. Um conjunto de seqüências é chamado de uma língua terminal se for o conjunto de seqüências terminais para uma gramática [Σ. Se uma seqüência é a última linha de uma derivação terminada. começando com uma seqüência inicial de Σ e com cada seqüência na série que está sendo derivada da seqüência precedente. mas a seqüência das cinco primeiras linhas de (14) não é.(16). Assim. e não uma seqüência como T + N. Nós podemos descrever agora de maneira mais geral a forma de gramática associada à teoria da estrutura lingüística baseada na análise de constituintes. F] podem não ter seqüências terminais.

(10iii) não pode ser produzida por uma gramática desse tipo. Teorema: Toda língua de estado finito é uma língua terminal. a menos que as regras incorporem restrições contextuais.2 No capítulo 3. F] em (18): (18) Σ: Z F: Z Z ab aZb Essa gramática tem a seqüência inicial Z (como (13) tem a seqüência inicial Sentença) e ela tem duas regras. Como exemplos de línguas terminais que não são línguas de estados finitos. aaabbb. em termos dos diagramas associados. De maneira semelhante. nós estudamos línguas denominadas “línguas de estados finitos”.anteriormente. encontramos as línguas (10i) e (10ii). línguas da forma (10ii) podem ser produzidas por gramáticas [Σ..14 O que este teorema quer dizer é que a descrição em termos de estrutura sintagmática é essencialmente mais poderosa do que a descrição em termos da teoria elementar apresentada no capítulo 3. Podemos também definir nessas línguas as relações gramaticais de uma maneira formal. Pode-se ver facilmente que cada derivação terminada construída a partir de (18) acaba como uma seqüência da língua (10i) e que todas essas seqüências são produzidas dessa forma. a língua (10i). que consiste em todas e somente as seqüências ab.15 No capítulo 3. 14 24 . F]. Esses dois tipos de línguas estão relacionadas da seguinte maneira. chamamos a atenção para o fato de que as línguas (10i) e (10ii) correspondem a subpartes do inglês e que. mas existem línguas terminais que não são línguas de estado finito.. 4. conseqüentemente. 133-167 (1959). Information and Control 2. o modelo de Markov de Cf. Agora estamos considerando línguas terminais que são geradas por sistemas da forma [Σ. F]. No entanto. que eram geradas por processos de Markov de estados finitos. discutidas no capítulo 3. Assim. pode ser produzida pela gramática [Σ. o meu artigo “Three models for the description of language” para provas deste e de outros teoremas relacionados sobre o poder relativo das gramáticas. 15 Cf. . aabb. meu artigo “On certain formal properties of grammars”.

1 em termos de diagramas como (15). cada sentença da língua é representada por um conjunto de seqüências e não por uma única seqüência. Por exemplo. mas mostramos que grandes partes do inglês que literalmente não podem ser descritas em termos de modelo de processos de estados finitos pode ser descrita em termos de estrutura sintagmática. cada um dos quais é um Z. cada seqüência terminal tem muitas representações diferentes. Dessa forma. com um conjunto de representações para cada 16 Onde “é um” é a relação definida na seção 4. T+N+SV e todas as outras linhas de (14). no caso de (18). ab é um Z. assumida como um nível lingüístico. uma língua extremamente trivial. obviamente. no caso de (13). ordenado do maior ao menor. Assim. No nível da estrutura sintagmática. podemos ver que o modelo de estrutura sintagmática não falha em tais casos. não há qualquer maneira de ordenar os elementos SN e SV relativamente um ao outro. Repare que. Agora. podemos dizer que na seqüência aaabbb de (10i). Por exemplo.estados finitos não é adequado para o inglês. como vimos no último parágrafo do capítulo 3. 25 . Não provamos a adequação do modelo de estrutura sintagmática. não podemos subdividir o sistema da estrutura de constituintes em um conjunto finito de níveis. aabb é um Z e a própria aaabbb é um Z16. com uma representação para cada sentença em cada um desses subníveis. é exigido por algum nível lingüístico. Observe também que. bem como por seqüências como SN+Verbo+SN. que poderiam ocorrer em outras derivações equivalentes a (14) no sentido ali definido. Isso é esse fato essencial sobre a estrutura sintagmática que dá a ela seu caráter “abstrato”. Não podemos estabelecer uma hierarquia entre as várias representações de “o homem chutou a bola”. no caso de (13) e (18) (como em qualquer sistema de estrutura sintagmática). nós introduzimos um símbolo Z que não está contido nas sentenças dessa língua. Os sintagma nominais são contidos pelos sintagmas verbais. como acontece no nível dos fonemas. a seqüência terminal “o homem chutou a bola” é representada pelas seqüências Sentença+SN+SV. portanto. e os sintagmas verbais são contidos pelos sintagmas nominais em inglês. possui o caráter fundamentalmente diferente e não trivial que. A estrutura de constituintes deve ser considerada como um único nível. T+N+chutou+SN. por exemplo. essa seqüência particular contém três “sintagmas”. a estrutura sintagmática. É importante observar que ao descrever essa língua. Essa é. dos morfemas ou das palavras.

. no caso das primeiras.D/ + /Id/ (onde D = /t/ ou /d/) /. não precisamos mais que um único símbolo seja reescrito em cada regra... já que.D/ + passado (v) /.Csur/ + /t/ (onde Csur é uma consoante surda) (ii) take + passado (iii) hit + passado (iv) /.os exigir que apenas um único símbolo seja reescrito.sentença da língua. com uma gramática [Σ. como vimos. deve. Podemos agora estender as derivações de estrutura sintagmática aplicando (19).. Em primeiro lugar. os elementos que aparecem nas regras em (19) podem ser classificados em um conjunto finito de níveis (por exemplo. Em segundo lugar. F]. ou talvez fonemas. morfofonemas e morfemas)..3 Suponha que. 4. Mas essa operação (a que poderíamos chamar de morfofonêmica da língua) pode também ser obtida por um conjunto de regras da forma “reescreva X como Y”. ou nós derivaremos formas como /teyk/ como sendo o passado do verbo take..Csur/ + passado (vi) passado (vii) take etc. A fim de completar a gramática. Na verdade. Repare que ordem deve ser definida entre essas regras – por exemplo. Nessas regras morfofonêmicas. fonemas e morfemas. cada um dos quais é elementar no sentido 26 . nós devemos estabelecer a estrutura fonêmica desses morfemas de modo que a gramática produza as seqüências gramaticais de fonemas da língua. para o inglês: (19) (i) walk /wçk/ /tuk/ /hit/ /. por exemplo. as propriedades formais das regras X Y correspondentes à estrutura sintagmática são diferentes das regras morfofonêmicas. Há uma correspondência um-para-um entre os conjuntos de representações adequadamente escolhidos e os diagramas da forma (15). a distinção não é arbitrária. nós possamos gerar todas as seqüências gramaticais ou morfemas de uma língua. (iii) deve preceder (v) ou (vii). /d/ /teyk/ ou algo semelhante. Isso faz parecer que a separação entre o nível mais elevado de estrutura sintagmática e o nível mais baixo é arbitrária.. para que tenhamos um processo unificado para gerar séries de fonemas a partir da seqüência inicial Sentença..

de que uma única seqüência de elementos deste nível está associada com cada sentença. Veremos mais adiante que existe uma razão ainda mais fundamental para marcar essa subdivisão entre as regras de nível superior da estrutura sintagmática e as regras de nível inferior que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. caso contrário. ou algo semelhante. a gramática poderá produzir não-sentenças. como sua representação neste nível (exceto nos casos de homonímia). pode-se ver facilmente que seria bem vantajoso ordenar as regras do conjunto F para que algumas das regras pudessem ser aplicadas somente depois que outras já tenham sido aplicadas. Por exemplo. Mas esse refinamento nos leva a problemas que não fazem parte do escopo deste estudo. como “os homens perto do caminhão começa a trabalhar às oito”. e é fácil mostrar que uma elaboração mais aprofundada na forma da gramática é necessária e possível. Mas os elementos que aparecem nas regras correspondentes à estrutura sintagmática não podem ser classificadas em níveis mais superiores e inferiores dessa mesma maneira. As propriedades formais do sistema de estrutura sintagmática dão um bom estudo. desejaríamos certamente que todas as regras da forma (17) se aplicassem antes de qualquer regra que nos permita reescrever SN como SN+Preposição+SN. 27 . Assim. e cada uma dessas seqüências representa uma única sentença.

Uma prova mais fraca. correspondente a uma teoria lingüística mínima. A única maneira de testar a adequação de nosso aparato é tentar aplica-lo diretamente à descrição das sentenças do inglês. quando tentarmos definir algum tipo de ordem entre as regras que produzem essas sentenças. e eu posso apenas afirmar aqui que isso pode ser 28 . Podemos juntar um bom bocado de evidências desse tipo em favor da tese de que a forma de gramática descrita anteriormente e a concepção de teoria lingüística que subjaz a ela são fundamentalmente inadequadas. acredito que existam outros motivos para rejeitar a teoria da estrutura sintagmática como inadequada para a descrição lingüística. em particular. mas perfeitamente suficiente para demonstrar a inadequação de uma teoria seria mostrar que a teoria consegue ser aplicada apenas de maneira rudimentar. mostra que qualquer gramática que pode ser construída nos termos dessa teoria é extremamente complexa. há línguas (em nosso sentido geral) que não podem ser descritas em termos de estrutura de constituintes. Vimos que o primeiro modelo é indubitavelmente inadequado para os propósitos de uma gramática e que o segundo é mais poderoso do que o primeiro e não apresenta as mesmas falhas. um modelo teórico comunicativo baseado em uma concepção de língua como um processo de Markov e. ad hoc e “não intuitiva”. A prova mais contundente possível para se provar a inadequação de uma teoria lingüística é mostrar que ela não consegue ser aplicada a uma língua natural. No entanto. e um modelo de estrutura sintagmática baseado em uma análise de constituintes imediatos.5. Assim que considerarmos qualquer sentença que vá além do tipo mais simples e.1 Nós estudamos dois modelos para a estrutura da língua. Exemplificar essa afirmação exigiria muito espaço e esforço. ou seja. que alguns modos muito simples de descrição gramatical de sentenças não podem ser acomodados nas formas associadas da gramática e que certas propriedades formais fundamentais da língua não podem ser utilizadas para simplificar as gramáticas. iremos nos encontrar em meio a diversas dificuldades e complicações. LIMITAÇÕES DA DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 5. mas eu não sei se o inglês em si está ou não literalmente fora do alcance desse tipo de análise. Evidentemente. de certa forma.

Por exemplo.mostrado de maneira bastante convincente. apagamento de consoantes finais em discurso corrido. estiverem em uma posição alta no diagrama (15)). Por exemplo.17 Ao invés de seguir esse caminho árduo e ambicioso. marcadas por traços fonêmicos peculiares. quanto mais profundamente a conjunção violar a estrutura de constituintes. considerando-as agramaticais. Tais traços marcam normalmente a leitura de seqüências não gramaticais. 5. em que a conjunção atravessa as fronteiras de constituintes. Por exemplo. mas não há nenhuma alternativa preferida à primeira sentença. das sentenças (20a-b). Na seção 8. A maneira mais razoável de descrever essa situação parece ser com uma descrição do seguinte tipo: para formar sentenças perfeitamente gramaticais usando conjunções. Esta segunda sentença. (21) e (23) são casos extremos em que não há dúvidas sobre a possibilidade de uma conjunção. não podemos formar (23) a partir de (22a-b). Essa descrição requer que generalizemos a dicotomia gramatical\agramatical. elas forma uma classe de enunciados distintos de “o João adorou o livro e amou a peça”. eu irei me limitar a esboçar alguns poucos casos simples em que melhorias consideráveis são possíveis em gramáticas com a forma [Σ.2 Um dos processos mais produtivos para a formação de novas sentenças é o processo de conjunção. “o João adorou e o meu amigo amou o livro” (uma seqüência da forma SN + Verbo + e + Verbo – SN). Há vários casos menos evidentes. (20) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – da peça – foi em Chicago (21) a cena – do filme e da peça – foi em Chicago. Tais sentenças que apresentam uma conjunção cruzando os limites dos constituintes são também. etc. se nós conectarmos pares de constituintes que forem constituintes importantes (isto é. já que essa distinção terá de ser assinalada na gramática. em geral. é muito menos natural do que sua alternativa “o João adorou o livro e meu amigo amou-o”. F]. No entanto. entre o “amou” e o “o”). falha na redução de vogais. Cf.1.. 18 17 29 . etc. Se tivermos duas sentenças Z + X + W e Z + Y + W e se X e Y são constituintes dessas sentenças. podemos formar a nova sentença (21). minha tese The logical structure of linguistic theory para uma análise detalhada deste problema. menos gramatical será a sentença resultante. via de regra não podemos fazer isso18. por exemplo. parece óbvio que “o João adorou o livro e amou a peça” (uma seqüência com a forma SN – SV + e + SV) é uma sentença perfeitamente boa. se X e Y não são constituintes. se as incluiremos como semi-gramaticais. como pausas demasiadamente longas (em nosso exemplo. desenvolvendo a noção de gradação de gramaticalidade. acento contrastivo e entonação. Em todo o caso. é necessário conectar constituintes simples. irei sugerir um método independente de demonstrar a inadequação da análise de constituintes como um meio de descrever a estrutura das sentenças em inglês. No entanto. onde a estrutura de constituintes é perfeitamente preservada. mas muitos questionariam a gramaticalidade de. é irrelevante para nossa discussão decidir se excluiremos ou não sentenças como “o João adorou e o meu amigo amou o livro”. as sentenças resultantes serão semi-gramaticais. e nossa conclusão de que a regra para conjunção deva fazer referência explícita à estrutura de constituintes mantém-se válida. ou se as incluiremos como gramaticais com a ressalva de que elas apresentam traços fonêmicos peculiares. podemos formar uma nova sentença Z – X + e + Y – W.

. A propriedade essencial da regra (26) é que.. como 30 ..(22) (a) o – navio desceu o – rio (b) o – rebocador subiu o – rio (23) o – navio desceu e o rebocador subiu o – rio. então não podemos formar uma nova sentença por conjunção. Por exemplo. se X e Y forem constituintes.X + e + Y. para ser aplicada às sentenças S1 e S2 para formar a nova sentença S3.. S3 = .. S1 = .X.... F] de estrutura sintagmática. sem a regra..) Ainda que mais especificação se faça necessária aqui..). Da mesma forma. mas etiquetada de maneira diferente). a possibilidade de conjunção oferece um dos melhores critérios para a determinação inicial da estrutura sintagmática. mas constituintes de tipos diferentes (isto é. precisamos saber não apenas a forma real de S1 e S2. ainda que aproximadamente. então S3 é uma sentença. por causa de certas limitações fundamentais em tais gramáticas. e X e Y forem constituintes do mesmo tipo.Y. se no diagrama da forma (15) eles tiverem cada um uma única origem. a gramática estará muito simplificada se ajustarmos os constituintes de tal forma que (26) possa permanecer dessa maneira. é mais fácil determinar a distribuição do “e” por meio de especificações feitas nessa regra do que fazendo diretamente. respectivamente em S1 e S2. Mas agora enfrentamos a seguinte dificuldade: não podemos incorporar a regra (26) nem nenhuma regra similar em uma gramática [Σ. (24) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – que eu escrevi – foi em Chicago (25) A cena – do filme e que eu escrevi – foi em Chicago De fato.. Ou seja. não podemos formar (25) de (24a-b).. se S3 resultar da substituição de X por X + e + Y em S1 (isto é. Podemos simplificar a descrição do processo de conjunção se tentarmos estabelecer constituintes de forma que a seguinte regra seja verdadeira: (26) Se S1 e S2 são sentenças gramaticais e S1 difere de S2 apenas pela presença de X em S1 onde Y surge em S2 (isto é. e S2 = .

Mas cada regra X Y da gramática [Σ.. Podemos tratar o problema de maneira diferente... Em seu estado inicial. a fim de determinar como produzir o próximo passo na derivação. mas de “cima para baixo”. Yj . mais especificamente. mas também sua “história de derivação”.. ela poderá produzir qualquer seqüência Yi tal que Sentença Yi é uma das regras de F em (27). Suponhamos que tenhamos a seguinte gramática de estrutura sintagmática: (27) Y pode se aplicar a ela. Suponhamos que Yi seja a seqüência . movendo-se novamente para um novo estado.. A máquina procederá dessa forma de estado a estado até que ela finalmente produza uma seqüência terminal. F] se aplica ou falha em sua aplicação a uma determinada seqüência em função da substância efetiva dessa seqüência. Então. incluindo um estado inicial e um estado final... F] também pode ser entendida como um processo básico que gera sentenças não da “esquerda para a direita”.. O que é importante aqui é que o estado da máquina é completamente determinado por uma seqüência que tenha sido recém produzida (isto é. a regra X aplicar. ela pode produzir apenas o elemento Sentença. Se a seqüência contém X como uma subseqüência. mudando para um novo estado.também suas estruturas de constituintes – devemos saber não apenas o formato final dessas sentenças. que estão contidos nesta seqüência recém produzida. a regra não irá se Σ: Sentença F: X1 : Xn Yn Y1 Aí podemos representar essa gramática como uma máquina com um número finito de estados internos. A gramática [Σ. “aplicando” a regra Xj Yj. é então a seqüência final. Saber como essa seqüência assumiu gradualmente essa forma é irrelevante. caso contrário. no sentido referido no capítulo 4. a máquina conseguirá produzir a seqüência . que pode “olhar para trás” para seqüências anteriores na derivação. 31 . Então. pela última seqüência da derivação). Mas a regra (26) requer uma máquina mais poderosa. o estado é determinado pelo subconjunto de elementos de Xi de F “lado esquerdo”. Xj . A máquina produz então derivações.

mas não “does” em “John does read books”19. não apresentariam verbos auxiliares. read. Podemos dar conta da ocorrência desses auxiliares em sentenças declarativas adicionado as seguintes regras à gramática (13): (28) (i) Verbo (ii) V (iii) Aux (iv) M [O29] Comentário: Decidi manter os exemplos originais do inglês aqui. 32 . mostramos apenas uma maneira de analisar o elemento Verbo. “has” em “John has read the book”. Veremos que o comportamento deles é bastante regular e de simples descrição quando observados de um ponto de vista que é bem diferente do que desenvolvemos anteriormente. Veremos que existem muitas outras regras do mesmo tipo geral de (26) que desempenham o mesmo papel duplo. (13vi)). por exemplo. Ela faz referência crucial a duas sentenças distintas. O fato de a regra (26) não poder ser incorporada à gramática de estrutura sintagmática indica que. must 19 Retornaremos ao auxiliar acentuado “do” mais adiante. está+sendo+pego. S1 e S2. may. F]. take. Essa regra leva a uma considerável simplificação da gramática. existem muitas outras formas que esse elemento pode assumir. ter+pegado. considerada no sentido mais fraco. ela é certamente inadequada. F]. shall. pegará. mesmo que essa forma de gramática não seja literalmente inaplicável ao inglês. na verdade.1. walk. Considere primeiramente os auxiliares que aparecem não acentuados. como chutou (cf. etc. Também as regras em (28) apresentam os verbos e auxiliares originais. 5. em português. mas suficiente que consideramos anteriormente. C(M) (have + en) (b+ing) (be+en) will. a saber. como em pegar). ela fornece um dos melhores critérios para se determinar como estabelecer os constituintes. não há como incorporar uma dupla referência como essa. etc. na seção 7. A tradução de ambas as frases. Aux + V hit. embora ele parece ser bem complexo se tentarmos incorporar esses sintagmas diretamente em uma gramática [Σ. ter+sido+pego.A regra (26) também é fundamentalmente nova em um sentido diferente. can. pega. O estudo desse “verbos auxiliares” parece ser bastante crucial no desenvolvimento da gramática do inglês.3 Na gramática (13). mas em gramáticas do tipo [Σ. por exemplo. Mas mesmo com a raiz verbal fixada (digamos. porque não há uma boa correlação com a tradução em português.

podemos desenvolver Cem qualquer dos três morfemas. en. The logical structure of linguistic theory para uma formulação mais cuidadosa. (iii) Substitua + por # exceto no contexto v – Af. the+man+S+have+en+be+ing+read+the+book the+man+have+S # be+en # read+ing # the+book vezes # the # man # have+S # be+en # read+ing # the # book # (29iii) Assumimos aqui que (13ii) foi estendido da maneira como mencionamos na nota 12. S. (30) de (13i-v) (28i) (28ii) (28iii) selecionamos en e be + ing. Então: Af + v v + Af #. observando as restrições contextuais estabelecidas. Insira # no início e no final. construímos uma derivação no estilo de (14). enquanto + seria o operador de concatenação no nível da estrutura sintagmática. have + (29i) (29ii) – três 33 . onde # é interpretado como fronteira de palavra21. A interpretação das notações em (28iii) é a seguinte: devemos escolher o elemento C e podemos escolher zero ou mais dos elementos entre parênteses de acordo com a ordem estabelecida. 21 Se estivéssemos formulando a teoria da gramática mais cuidadosamente. Cf. Em (29i).(29) (i) C S no contexto SNsing- 20 ∅ no contexto SNplpassado (ii) Seja Af qualquer um dos afixos: passado. Como exemplo da aplicação dessas regras. Seja v qualquer M ou V. (29) seria então parte da definição de uma mapeamento que transpõe determinados objetos no nível da estrutura sintagmática (basicamente os diagramas da forma (15)) para seqüências de palavras. ou have ou be (isto é. 20 the+man+Verbo+the+book the+man+Aux+V+the+book the+man+Aux+read+the+book the+man+C+have+en+be+ing+read+the+book – os elementos C. qualquer não-afixo no sintagma Verbo). ∅. ou de maneira semelhante. interpretaríamos # como o operador de concatenação no nível das palavras. omitindo as etapas iniciais. ing.

É irrelevante para nossa discussão decidir qual dessas alternativas de análise será adotada. originando o seguinte. should devem ser adicionadas a (28iv) e o estabelecimento de certas “seqüências de tempo” irá se tornar mais complexo. Qualquer outro verbo auxiliar poderá ser gerado da mesma maneira. (A alternativa que consiste em ordenar (29i) e a regra que desenvolve o SNsing em the+man de tal forma que (29i) preceda essa última não é possível. could. F]. possa ser selecionado. Diversas outras pequenas revisões são também possíveis. might. would. os morfemas to e ing desempenham um papel semelhante dentro do sintagma nominal. tivemos de nos reportar a uma etapa anterior na derivação para determinar a estrutura de constituintes de the+man. F] de forma ainda mais radical. Repare que. algumas das quais aparecem a seguir). A regra (29ii) viola os requisitos de gramáticas [Σ. assim como (26). que as regras morfofonêmicas devem incluir regras como as seguintes: will +S will + passado will. Ou seja. Então. Retornaremos depois à questão das restrições que devem ser colocadas nessas regras para que apenas as seqüências gramaticais sejam geradas. SNsing. por diversas razões. em transcrição fonêmica. Repare. as formas would. Ela também requer uma referência à estrutura de constituintes (isto é. (29i). vai além do tipo markoviano elementar de gramáticas de estrutura sintagmática e não pode ser incorporada dentro da gramática [Σ.As regras morfofonêmicas (19). à história da derivação) e. irão converter a última linha dessa derivação em: (31) the man has been reading the book. pelo menos no caso em que Af é ing. mas não ambos. por exemplo: (32) to prove that theorem proving that theorem was difficult 34 . Assim. tivemos de contar com o fato de que the+man é um sintagma nominal singular. não há como expressar a inversão requerida em termos de estrutura sintagmática. etc. de passagem. Repare que essa regra e útil em outros pontos da gramática. Essas regras podem ser excluídas se reescrevermos (28iii) de maneira que C ou M. Agora. além disso. no sentido em que convertem sintagmas verbais em sintagmas nominais. porém. para aplicar (29i) em (30).

Essa abordagem perderia o ponto principal da construção de níveis (cf. Ao nos permitirmos a liberdade de (29ii). meu artigo “System of syntactic analysis”. se poderia tentar remediar algumas das outras deficiências de gramáticas [Σ. o primeiro parágrafo da seção 3. Apontamos diversas vezes que algumas dificuldades sérias aparecem em qualquer tentativa sistemática nesse sentido. C. para dar conta das descontinuidades.etc. em (30) os elementos have . na verdade. Linguistics Today. e é sempre mais fácil descrever uma seqüência de elementos independentes do que uma seqüência de elementos que sejam mutuamente dependentes. 210-33 (1954). idem.. Cf. será necessário providenciar uma formulação um pouco mais complexa. 22 35 . pudemos estabelecer a constituição do sintagma auxiliar em (28iii) sem levar em consideração a interdependência de seus elementos. o da reconstrução da vasta complexidade da língua casual da maneira mais elegante e sistemática. Se tentássemos alargar a gramática sintagmática de modo a que abrangesse. no Poderíamos tentar estender a noção de estrutura sintagmática. Em (28iii). Em outras palavras. no sintagma verbal auxiliar. Ao que parece. F]22. F. en e be . toda a língua. Word 10. percebemos que simplificações significantes da gramática são possíveis se nos for permitido formular regras de mais complexas do que as que correspondem ao sistema de análise de constituintes imediatos. Da mesma forma. cada um simples em si mesmo. diretamente. “Two models of grammatical description”. Journal of Symbolic Logic 18. Mas as descontinuidades não podem ser lidadas em gramáticas [Σ. Acredito que tal abordagem não seja recomendada e que ela pode levar apenas ao desenvolvimento de regras ad hoc e elaborações infrutíferas. as noções de estrutura sintagmática são bastante adequadas a uma pequena parte da língua e que o resto da língua pode ser derivado por uma aplicação repetida de um conjunto bastante simples de transformações às seqüências produzidas pela gramática sintagmática.1). Podemos explorar esse paralelismo acrescentando a seguinte regra à gramática (13): (33) SN ing SV to A regra (29ii) irá então converter ing + prove + that + theorem em proving # that + theorem. perderíamos a simplicidade da gramática sintagmática e do desenvolvimento transformacional. 242-56 (1953). para duplicar o efeito de (28iii) e (29) sem ir além dos limites de um sistema [Σ. O leitor pode concluir facilmente que. extraindo a contribuição para esse complexo de diversos níveis lingüísticos. F]. como no caso da conjunção. 27-39 (1952). tratamos esses elementos como contínuos e introduzimos da descontinuidade com a regra adicional (29ii). Hockett. Mais uma vez. bastante simples.. Uma análise mais detalhada do SV mostra que esse paralelismo vai muito além disso. nós realmente temos elementos descontínuos – por exemplo. “A formal statement of morphemic analysis”. a saber. Studies in Linguistics 10. através de uma formulação mais complexa da estrutura sintagmática. ing. F] de estrutura sintagmática. Veremos adiante.

que essa análise do elemento Verbo serve como base para uma análise abrangente e extremamente simples de diversos traços da sintaxe do inglês. 23 36 .4 Como um terceiro exemplo da inadequação das concepções da estrutura sintagmática. para cada sentença SN1 – V – SN2 podemos ter uma sentença correspondente SN2 – is + Ven – by + SN1. Além do mais. “sincerety frightens John” (a sinceridade assusta o João”). repare que. com algumas exceções. toda essa rede de restrições falha completamente quando escolhemos be + en como parte do verbo auxiliar. que fazem dele um caso único entre os elementos do sintagma auxiliar. e excluir as não sentenças23 “inversas” como “sincerety admires John” (a sinceridade admira o João).capítulo 7. tal como sugerimos anteriormente. Além disso. mas na ordem oposta. é mais gramatical do que “of admires John” (de admira o João). “golf plays John” (o golfe joga o João) e “wine drinks John” (o vinho bebe o João). Na verdade. As sentenças passivas são formadas pela seleção do elemento be + en na regra (28iii). mas não “John is eating by lunch”. Veja a seção 7. was + eaten é permitido. 5. mesmo sendo claramente menos gramatical do que “John admires sincerety” (o João admira a sinceridade). mesmo quando o V é transitivo – não podemos ter “lunch is eaten John” (o almoço é comido João)). The logical structure of linguistic theory). se o V for intransitivo e seguido por um sintagma preposicional por + SN. Mas existem sérias restrições nesse elemento. be + en não pode ser selecionado se o verbo Vê seguido por um sintagma nominal. Em primeiro lugar. para permitir sentenças como as seguintes: “John admires sincerity” (o João admira a sinceridade). Eu acredito que uma noção funcional de gradação de gramaticalidade possa ser desenvolvida em termos puramente formais (cf. ao elaborarmos (13) como uma gramática completa. mas não was + occurred). “John plays golf” (o João joga golfe). teremos de colocar diversas restrições à escolha do V em termos de sujeito e objeto.5 para uma demonstração mais profunda sobre a necessidade da inversão na passiva. Assim. considere o caso da relação ativa-passiva. “John drinks wine” (o João bebe vinho). não podemos ter SN + is + V + en + SN. Ou seja. mas isso vai além da nossa presente discussão. etc. Se tentarmos incluir passivas diretamente na Aqui também poderíamos utilizar a noção de níveis de gramaticalidade. mas. Finalmente. “sincerity admires John” (a sinceridade admira o João). então devemos selecionar be + en (podemos ter “lunch is eaten by John” (o almoço é comido pelo João). be + en pode ser selecionado apenas se o V seguinte for transitivo (por exemplo. como em (30) (por exemplo. (o João está comendo pelo almoço). “John frightens sincerety” (o João assusta a sinceridade). os outros elementos do sintagma auxiliar podem ocorrer livremente com os verbos. nesse caso valem as mesmas dependências selecionais. via de regra.). Contudo.

teremos de reformular todas essas restrições na ordem oposta para o caso em que be + en é escolhido como parte do verbo auxiliar.5 Estudamos as regras (26). Do estudo das limitações das gramáticas de estrutura sintagmática relativas ao inglês. não ocorrer antes de V + SN. Por exemplo. Essa duplicação nada elegante. é preciso fazer referência à estrutura de constituintes da seqüência a que se aplica e efetua. apenas ocorrer antes de V + by + SN (em que o V seja transitivo) e inverter a ordem dos sintagmas nominais vizinhos é. Uma transformação gramatical T opera sobre uma determinada seqüência 37 . a menos que consigamos incorporar tais regras. Mas (34) está além dos limites de gramáticas [Σ. uma inversão de uma maneira estruturalmente determinada.gramática (13). Essa regra leva então a uma considerável simplificação da gramática. em cada caso. F]. se John – C – admire – sincerity é uma sentença. mas que não podem ser incorporadas em uma gramática [Σ. nessa seqüência. F]. O fato de be + en exigir um verbo transitivo. veremos. Chamemos cada uma dessas regras de “transformação gramatical”. bem como as restrições especiais envolvendo o elemento be + en podem ser evitadas apenas se nós excluirmos deliberadamente as passivas da gramática de estrutura sintagmática e as reintroduzirmos por uma regra como a seguinte: (34) Se S1 é uma sentença gramatical da forma SN1 – Aux – V – SN2. então sincerety – C + be + en – admire – ny + John (que por (29) e (19) se torna “sincerety is admired by John” (a sinceridade é admirada pelo João)) também é uma sentença. contudo. Existem muitas outras regras desse tipo. podemos mostra de maneira bastante conclusiva que essas gramáticas serão tão complexas que elas não terão o menor interesse. 5. algumas das quais discutiremos adiante. Como (29iii). (29) e (34) que simplificaram a descrição do inglês. então a seqüência correspondente da forma SN2 – Aux + be + en – V – by + SN também é uma sentence grammatical. Podemos agora deixar de lado o elemento be + en de (28iii) e todas as restrições especiais relacionadas a ele. Se examinarmos cuidadosamente as implicações dessas regras suplementares. que elas levam a uma concepção de estrutura lingüística completamente nova. uma conseqüência da regra (34).

Mas (34). meu artigo “Three models for the description of language”. fica claro que precisamos definir uma ordem de aplicação nessas transformações. mencionamos que essa regra não poderia ser aplicada antes da regra que analisa SNsing como the + man. “Cooccurrence and transformations in linguistic structure”. já podemos detectar algumas propriedades essenciais de uma gramática transformacional.(Ao discutir a questão de (29i) poder ou não se encaixar em uma gramática [Σ. talvez. para uma breve análise das transformações e The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para um desenvolvimento detalhado da álgebra transformacional e das gramáticas transformacionais. mas (34) deve se aplicar depois de uma análise do SNsing. 24 38 . (29) deve ser aplicada para todas as derivações. A transformação da passiva (34). um tanto complexa. etc. De qualquer forma. enquanto outras são opcionais. com exceção da última. como no caso de (26). em particular. Sempre que tivermos um elemento como C em (29i) que deve ser desenvolvido. 25 Mas das três partes de (29i). de diversas formas alternativas. para uma abordagem diferente de análise transformacional. Desses poucos exemplos. apenas a terceira é obrigatória. E ela deve preceder (29ii) para que a última regra se aplica de maneira correta ao novo elemento inserido be + en. Harris. Uma razão para isso é agora óbvia – (29i) deve se aplicar depois de (34). (29) é uma transformação obrigatória. F]. 283-340 (1957). e suponhamos Cf. ou o resultado simplesmente não será uma sentença25. pode ou não ser aplicada em algum caso específico. Por exemplo. que será obrigatória. o resultado será uma sentença. Em segundo lugar. deve se aplicar antes de (29). passado pode ocorrer depois de SNsing. mas bastante natural.(ou. Suponhamos que tenhamos uma gramática G com uma parte [Σ. podemos ordenar as alternativas e tornar cada uma opcional. sobre um conjunto de regras) com uma determinada estrutura de constituintes e a converte em uma nova seqüência com uma nova estrutura de constituintes derivada. Em primeiro lugar. Language 33. F] e uma parte transformacional. Por isso. Z. Ou seja. por exemplo. mas nós podemos desenvolver uma determinada álgebra das transformações. a transformação passiva. A distinção entre transformações obrigatórias e opcionais nos leva a estabelecer uma distinção fundamental entre as sentenças da língua.ou SNpl. para que o elemento verbal da sentença resultante tenha o mesmo número que o novo sujeito gramatical da sentença passiva. S. porém. Cf. Ela deve preceder (29i). e (34) é uma transformação opcional. Para mostrar exatamente como essa operação funciona requer um estudo um pouco mais elaborado que iria além do escopo deste estudo. repare que certas transformações são obrigatórias. ou não teremos relações selecionais corretas entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e o “agente” na passiva). com as propriedade s que aparentemente são exigidas pela descrição gramatical24.

uma gramática tem uma série de regras da forma X Y e. Percorrendo as regras de F. não necessariamente na ordem correta. construímos uma derivação começando com Sentença. por meio de uma série de uma ou mais transformações. porém. Então. Correspondendo ao nível da estrutura sintagmática. nós percorremos a seqüência de transformações T1 . ela tem uma série de regras morfofonêmicas com a mesma forma básica. Unindo essas duas séries. Então. às formas que subjazem as sentenças nucleares – isto é. ela tem uma série de regras transformacionais. Essas transformações 39 .. correspondendo ao nível inferior. aplicando cada transformação obrigatória e talvez algumas opcionais. Então. F]) ou a sentenças já transformadas. às seqüências terminais da parte da gramática [Σ.que a parte transformacional tenha certas transformações obrigatórias e certas transformações opcionais. A parte transformacional da gramática será estabelecida de tal maneira que as transformações possam se aplicar às sentenças nucleares (mais corretamente.Tj. a gramática será algo como (35): (35) Σ: Sentença: F: X1 : Xn T1 : Tj Z1 Zm W1 : Wm Morfofonêmica Estrutura transformacional Yn Y1 Estrutura sintagmática Para produzir uma sentença a partir de uma gramática como essa. definimos o núcleo da língua (em termos da gramática G) como o conjunto de sentenças que são produzidas quando aplicamos as transformações obrigatórias às seqüências terminais da gramática [Σ. cada sentença da língua pertencerá ao núcleo da língua ou será derivada das seqüências que subjazem uma ou mais sentenças nucleares. Essas considerações nos conduzem a uma representação das gramáticas como se elas possuíssem uma organização natural tripartite. Assim. nós construímos uma seqüência terminal que irá ser uma série de morfemas. F].

A parte morfofonêmica irá incluir regras como (19).podem reordenar as seqüências ou podem adicionar ou apagar morfemas. 40 . convertendo essa seqüência de palavras em uma seqüência de fonemas. percorremos as regras morfofonêmicas. chamamos a sentença resultante de sentença nuclear. representado por uma única seqüência de elementos. eles dão origem a uma seqüência de palavras. A parte transformacional irá incluir regras como (26). Nos últimos parágrafos do capítulo 4. em última análise. de sentenças nucleares (mais precisamente. (29) e (34). No nível transformacional. Esse conjunto de seqüências representativas é equivalente a um diagrama da forma (15). Investigações mais profundas podem mostrar que nas partes de estrutura sintagmática e morfofonêmica da gramática. de seqüências que subjazem as sentenças nucleares). há boas razões para considerar cada uma dessas estruturas como sendo um nível lingüístico. (17) e (28). Esse esboço do processo de geração de sentenças deve (e pode facilmente) ser generalizado para permitir um funcionamento adequado de regras como (26). como sendo uma seqüência de transformações pelas quais ele é derivado. e para permitir que transformações se reapliquem para que sentenças cada vez mais complexas possam ser produzidas. um enunciado é representado por um conjunto de seqüências que não podem ser ordenados em níveis inferiores ou superiores. um enunciado é representado de maneira ainda mais abstrata. Então. nós mostramos que as regras de estrutura sintagmática levam a uma concepção de estrutura lingüística e “nível de representação” que são fundamentalmente diferentes dos que são fornecidos pelas regras morfofonêmicas. como nós veremos mais tarde. Há uma definição natural bem geral de “nível lingüístico” que inclui todos esses casos26. Quando aplicamos somente transformações obrigatórias na geração de uma determinada sentença. um enunciado é. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis. A parte de estrutura sintagmática da gramática irá incluir regras como (13). Como resultado. adequadamente formuladas em termos que deve ser desenvolvidos no sentido de uma teoria completa das transformações. 26 Cf. e. que operam sobre um conjunto de sentenças. Em cada uma das regras inferiores correspondentes ao terço inferior da gramática. nós também podemos extrair um esqueleto das regras obrigatórias que devem ser aplicadas sempre que as atingirmos no processo de geração de uma sentença. Mas a estrutura sintagmática não pode ser dividida em subníveis: no nível da estrutura sintagmática. geralmente.

podem ser derivadas transformacionalmente27. Cada gramática desse tipo é simplesmente uma descrição de um determinado conjunto de enunciados. e veremos novamente. É importante observar que a gramática fica significativamente simplificada quando adicionamos um nível transformacional. línguas como (10iii). Então. uma vez que agora é necessário fornecer a estrutura sintagmática diretamente apenas para as sentenças nucleares – as seqüências terminais da gramática [Σ. Nós descrevemos essas gramáticas como mecanismos para gerar sentenças. convertendo-a em K + K. e ambas estão fora do escopo de gramáticas da forma (35). assim como esta última é mais poderosa do que a descrição em termos de um processo de Markov de estados finitos que gera sentenças da esquerda para a direita. diversos exemplos de simplificações resultantes da análise transformacional. Escolhemos as sentenças nucleares de tal forma que as seqüências terminais subjacentes ao núcleo são facilmente derivadas por meio de uma descrição [Σ. Essa formulação tem ocasionalmente levado à idéia de que existe uma certa assimetria na teoria gramatical no sentido de que a gramática está levando em consideração o ponto de vista do falante ao invés do ponto de vista do ouvinte. gramáticas que têm a forma que estamos estudando aqui são bem neutras no que diz respeito à relação entre falante e ouvinte. Uma investigação sintática em larga escala do inglês fornece diversos outros casos. Na verdade. F] são apenas aquelas que subjazem as sentenças nucleares. Nós vimos. vemos que ela é. aqueles enunciados que Seja G uma gramática [Σ. Tal gramática existe. síntese e análise de enunciados. Seja G’ ser a gramática que contém G como sua parte de estrutura sintagmática. Na verdade. Uma gramática não nos diz como sintetizar um enunciado específico. Um outro detalhe sobre gramáticas da forma (35) merece atenção.Quando a análise transformacional é corretamente formulada. F]. Em particular. a saber. mais poderosa do que a descrição em termos de estrutura sintagmática. F] com a seqüência inicial Sentença e com o conjunto de todas as seqüências finitas de as e bs como seu output terminal. enquanto todas as outras sentenças podem ser derivadas dessas seqüências terminais através de transformações enunciáveis simplesmente. em essência. não nos diz como analisar um enunciado particular. essas duas tarefas que o falante e o ouvinte devem desempenhar são essencialmente a mesma. já que ele aparentemente suscitou alguma confusão. que ela está preocupada com o processo de produção de enunciados ao invés de se preocupar com o processo “inverso” de analisar e reconstruir a estrutura dos enunciados. o output de G’ é (10iii). que estão além dos limites da descrição de estrutura sintagmática com regras livres de contexto. 27 41 . complementada pela transformação T que opera sobre qualquer seqüência K que é uma Sentença.

são gerados por ela. como análise e síntese de enunciados particulares. Com essa gramática. Talvez seja possível esclarecer melhor o assunto fazendo uma analogia com uma parte da teoria química que se preocupa com os compostos que são estruturalmente possíveis. podemos reconstruir as relações formais que existem entre esses enunciados em termos de noções de estrutura sintagmática. estrutura transformacional. 42 . Isso serviria de base teórica para técnicas de análise qualitativa e síntese de compostos específicos. assim como pode-se utilizar uma gramática na investigação de problemas especiais. etc. Poderíamos dizer que essa teoria gera todos os enunciados gramaticalmente “possíveis”.

no capítulo 5. procurando relacionar os fenômenos observados e prever novos fenômenos através da construção de leis gerais em termos de conceitos hipotéticos como (por exemplo. Cf. Nossa preocupação fundamental ao longo desta discussão sobre a estrutura lingüística é o problema da justificação das gramáticas. 8. também a discussão de Hockett sobre “metacritérios” para a lingüística (“Two models of grammatical description”. por exemplo. Linguistics Today. Se excluirmos as condições externas ou a exigência de 28 Eu acredito que essas duas condições são semelhantes ao que Hjelmslev tinha em mente quando falou de duas características da teoria lingüística: a de ser apropriada e a de ser arbitrária. Hjelmslev. e. eu sugeri um modelo mais poderoso.6. combinando a estrutura sintagmática e transformações gramaticais que podem remediar essas inadequações. SOBRE OS OBJETIVOS DA TEORIA LINGÜÍSTICA Nos capítulos 3 e 4. eu gostaria de esclarecer alguns pontos de vista que subjazem toda a proposta deste estudo. iremos considerar diversas outras condições externas desse tipo. nós impomos às gramáticas uma condição de generalidade. Antes de explorarmos essa possibilidade. cada gramática terá de satisfazer algumas condições externas de adequação. Cf. Essas regras expressam relações estruturais entre as sentenças do corpus e o número infinito de sentenças. do inglês (conceitos hipotéticos). isto é. Além disso. Qualquer teoria científica se baseia em um número finito de observações. as sentenças geradas terão de ser aceitáveis para um falante nativo..1. Nosso problema é desenvolver e clarificar os critérios para a seleção de uma gramática correta de cada língua. para além do corpus (previsões). L. geradas pela gramática. em que termos como “fonema” e “sintagma” sejam definidos independentemente de qualquer língua particular28. No capítulo 8. em física) os de “massa” e “elétron”. 1953). Dois tipos de critérios foram mencionados em 2. etc. Da mesmo forma. exigimos que uma gramática de uma dada língua seja construída de acordo com uma teoria específica da estrutura lingüística. 43 . Ambos foram considerados inadequados. Evidentemente. Word 10. uma gramática do inglês se baseia em um corpus finito de enunciados (observações) e conterá regras gramaticais (leis) formuladas em termos dos fonemas. sintagmas. a teoria correta dessa língua. 232-3). Indiana University Publications Anthropology and Linguistics) Baltimore. Uma gramática da língua L é essencialmente uma teoria de L. dois modelos de estrutura lingüística foram desenvolvidos: um modelo teórico simples de comunicação e uma versão formalizada de análise de constituintes imediatos. p. Prolegomena to a theory of language = Memoir 7.

como observamos em 2. Essas teorias podem ser representadas graficamente da seguinte maneira: 44 .1. Uma exigência ainda mais fraca seria a de que. a teoria deve nos dizer qual é a melhor gramática da língua daquele corpus. de fato. dado um corpus de enunciados. nesta perspectiva. Uma exigência mais fraca seria a de que a teoria deve fornecer um método prático e automático para determinar se a gramática proposta para um determinado corpus é. neste contexto? É neste ponto que nossa abordagem diverge significativamente de outras teorias sobre a estrutura lingüística. Ainda não consideramos a seguinte pergunta crucial: qual é a relação entre a teoria geral e as gramáticas particulares relacionadas a ela? Em outras palavras. cada uma compatível com um determinado corpus. não haverá possibilidade de escolher entre um vasto número de “gramáticas” totalmente diferentes. G1 e G2. poderíamos dizer que a teoria fornece um procedimento de avaliação das gramáticas. Mas também não há qualquer circularidade nesta concepção. nós podemos tentar formular de maneira tão precisa quanto possível tanto a teoria geral como o conjunto de gramáticas associadas que devem se adequar às condições empíricas e externas de adequação. Digamos que tal teoria nos forneça um procedimento de descoberta das gramáticas. esses requisitos em conjunto nos dão um teste de adequação bastante forte para uma teoria geral da estrutura lingüística e ara o conjunto de gramáticas que ela fornece para as línguas particulares. novos modelos para a estrutura lingüística. Porém. que sentido tem a expressão “relacionadas a ela [à teoria geral]”. poderia fornecer um procedimento de decisão das gramáticas. A qualquer momento.generalidade. dado um corpus e duas propostas de gramática. Nesse caso. que não se preocupa com a questão de como essa gramática foi construída. a melhor gramática da língua para aquele corpus. Tal teoria. Progresso e revisão podem vir da descoberta de novos fatos sobre línguas particulares ou de novas estipulações puramente teóricas sobre a organização dos dados lingüísticos –ou seja. A exigência mais forte que pode ser estabelecida sobre a relação entre uma teoria da estrutura lingüística e as gramáticas particulares é que a teoria deve fornecer um método prático e automático para a construção da gramática. Repare que nem a teoria geral nem as gramáticas particulares recebem uma forma definitiva.

ou. N. “Systems of syntactic analysis”. Hockett diz que seu objetivo em “A formal statement of morphemic analysis” é o desenvolvimento de “procedimentos formais com os quais se pode trabalhar a partir de um esboço para chegar a uma descrição completa do padrão de uma língua” (p. F. Methods in structural linguistics (Chicago. 27). 3-46 (1948). “Immediate constituents”. que irão falhar em responder muitas questões importantes sobre a naturas da estrutura lingüística. Z. 190-222 (1955). “A formal statement of morphemic analysis”. Wells. e apresenta um escolhido entre G1 e G2 como output. por isso. 29 A questão básica com a qual estamos lidando não irá se alterar se estivermos dispostos a aceitas um conjunto pequeno de gramáticas corretas.(36) VER GRÁFICO (36). P. 81-117 (1947). se examinarmos bem. Harris. adotamos a posição mais fraca das três descritas antes. “A set of postulates for phonemic analysis”. Acredito que se nos limitarmos ao objetivo mais modesto de desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. “From phoneme to morpheme”. 242-56 (1953). ela representa uma teoria que fornece um procedimento de decisão de gramáticas. a maioria das propostas para o desenvolvimento de uma teoria lingüística30 tenta satisfazer a exigência mais forte das três. (p. uma teoria que fornece um procedimento de descoberta. O ponto vista adotado aqui é que não é razoável exigir da teoria lingüística que ela forneça algo além de um procedimento prático de avaliação das gramáticas. ao invés de apenas uma única gramática. podemos escolher a possibilidade mais eficiente. Language 23. mas o que ele realmente faz é descrever algumas das propriedades formais de uma análise morfológica e então propor um “critério através do qual a eficiência relativa de duas possíveis soluções mórficas possam ser determinadas. Bloch. S. C. Chomsky. Por exemplo. Studies in Linguistics 10. (36ii) é um mecanismo com que tem uma gramática e um corpus como input e que responde “sim” ou “não” como output. Hockett. Da maneira como eu interpreto. e vários outros trabalhos. 45 . dependendo se a gramática for ou não a correta. idem. qualquer uma das possibilidades que são igualmente eficientes. Ainda que os procedimentos de descoberta sejam o objetivo explícito desses trabalhos. Journal of Symbolic Logic 18. por isso. 321-43 (1947). (36iii) representa uma teoria que tem as gramáticas G1 e G2 e um corpus como input. idem. uma teoria que fornece um procedimento de avaliação de gramáticas29. Language 31. Ou seja. S. B. Acho muito questionável que esse objetivo seja alcançado de alguma forma interessante e suspeito que qualquer tentativa de alcançá-lo irá levar a um labirinto de procedimentos analíticos cada vez mais elaborados e complexos. embora mais eficientes do que todas as outras”. Language 24. 27-39 (1952). elas tentam formular métodos de análise que um investigador possa realmente utilizar se tivesse tempo suficiente para construir uma gramática de uma língua diretamente dos dados brutos. R. “Problems of morphemic analysis”. de maneira arbitrária. 29). 56 DA EDIÇÃO PORTUGUESA A figura (36i) representa uma teoria concebida como uma máquina com um corpus como input e uma gramática como output. com isso. Ou seja. Language 23. por isso. 30 Por exemplo. 1951). podemos freqüentemente ver que a teoria que está sendo de fato construída não fornece mais do que um procedimento de avaliação das gramáticas.

já que poderíamos ordenar todas as seqüências do número finito de símbolos que constituem as gramáticas e testar cada uma dessas seqüências para verificar se ela é uma gramática. já que poderíamos contar o número de símbolos que cada gramática contém. que estivéssemos avaliando as gramáticas através de medições de alguma propriedade simples. como a extensão. Mas esse não é o tipo de procedimento de descoberta que pretendido por quem está tentando satisfazer a exigência forte que discutimos anteriormente. cada uma sendo compatível com os dados disponíveis. contudo. Então. Suponha. é necessário estabelecer de maneira precisa (se possível. Existem poucas áreas da ciência em que se poderia considerar seriamente a possibilidade de se desenvolver um método geral. prático e automático para escolher entre diversas teorias. Suponha que utilizemos o termo “simplicidade” para nos referir ao conjunto de propriedades formais das gramáticas que consideraremos. Primeiro.conseguiremos focalizar nossa atenção mais claramente aos problemas realmente importantes sobre a estrutura lingüística e conseguiremos chegar a respostas mais satisfatórias. Então. há três tarefas principais no tipo de programa que escolhemos para a teoria lingüística. Terceiro. Completar as duas últimas tarefas irá nos permitir formular uma teoria geral da estrutura lingüística em que tais noções como “o fonema 46 . Essa qualificação um tanto vaga é fundamental para uma ciência empírica. com a certeza de que encontraremos a seqüência adequada mais curta dentro de um tempo finito. com testes operacionais e comportamentais) os critérios externos de adequação para as gramáticas. seria correto afirmar que temos um procedimento de avaliação prático de gramáticas. Em cada uma dessas concepções da teoria lingüística. qualificamos a caracterização do tipo de procedimento com o termo “prático”. Determinar se esse julgamento está correto pode ser feito apenas pelo efetivo desenvolvimento e comparação de teorias desses diversos tipos. Repare. devemos caracterizar a forma das gramáticas de uma maneira geral e explícita. que a mais fraca dessas exigências ainda é forte o suficiente para garantir que uma teoria que alcance essa exigência seja significativa. Segundo. ao escolher uma entre elas. por exemplo. devemos analisar e definir a noção de simplicidade que pretendemos utilizar para escolher entre uma gramática entre todas as gramáticas que têm a forma correta. para que possamos realmente propor alguma gramática com essa forma para as línguas particulares. E também seria literalmente correto afirmar que temos um procedimento de descoberta.

Mas ela deve nos dizer como avaliar tal gramática. iremos nos preocupar com a A teoria lingüística irá então ser formulada em uma metalinguagem em relação à língua em que as gramáticas são escritas – uma metametalinguagem em relação a qualquer língua para que se constrói uma gramática. O objeto de uma teoria não é completamente determinado a priori em uma investigação. No capítulo 7. Ele é parcialmente determinado pela possibilidade de dar conta de alguns fenômenos de maneira organizada e sistemática. 31 47 . devemos saber muito mais sobre as propriedades formais de cada um desses conjuntos. Admitimos. Em particular. ela parte da hipótese de que. etc. Nas seções anteriores. A partir de tal teoria. podemos tentar construir gramáticas para línguas reais e podemos determinar se as gramáticas mais simples que encontramos (isto é. na verdade. Outros termos também serão definidos. por hipótese. “a simplicidade da gramática de L”. podemos definir o conjunto de fonemas de L como um conjunto de elementos que têm certas propriedades físicas e distribucionais e que aparecem na gramática mais simples de L. “o sintagma em L”. como “um enunciado observado em L”. que o conjunto de sentenças gramaticais do inglês fosse dado e que tínhamos uma noção de simplicidade. estivemos preocupados com a segunda dessas três tarefas. as gramáticas que a teoria geral nos obriga a escolher) satisfazem as condições externas de adequação. referimos anteriormente que uma das noções que devem ser definidas em uma teoria lingüística geral é a de “uma sentença em L”. “a transformação em L” sejam definidas para uma língua L arbitrária em termos de propriedades físicas e distribucionais de seus enunciados e em termos das propriedades formais das gramáticas de L31. Repare que essa teoria pode não nos dizer como realmente construir a gramática de uma língua a partir de um corpus de maneira prática. Por exemplo. Essa teoria geral está de acordo com a preocupação de clarificar a relação entre o conjunto de sentenças gramaticais e o conjunto de sentenças observadas. podemos decidir que certos testes não se aplicam aos fenômenos gramaticais. nos permitir a escolha entre duas gramáticas propostas. ela deve. Tentamos determinar que tipo de gramática irá gerar exatamente as sentenças gramaticais de uma maneira simples. dessa forma. antes que possamos caracterizar essa relação de maneira clara. revisar os critérios de adequação ao longo de nossa pesquisa. Para formular esse objetivo em termos um pouco diferentes. continuaremos a investigar a relativa complexidade de diversas maneiras de descrever a estrutura do inglês. Continuaremos a revisar nossas noções de simplicidade e caracterização da forma das gramáticas até que as gramáticas selecionadas pela teoria consigam satisfazer as condições externas32. 32 Podemos também. Ou seja. Nossa investigação da estrutura deste último conjunto é apenas preparatória.em L”.

33 48 . Nosso ponto central aqui é que uma teoria lingüística não deve ser identificada com um manual de procedimentos úteis. Eles podem fornecer dicas valiosas ao lingüista prático. Ainda assim. Chegaremos assim a certas decisões sobre a estrutura do inglês.3. No capítulo 8. Ao discutir os casos particulares. É quando sabemos que a simplificação de uma parte da gramática leva a simplificações correspondentes de outras partes que podemos sentir estamos realmente no caminho certo. No entanto. deverá ficar bem claro que. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma discussão dos métodos de avaliação de gramáticas em termos de propriedades formais de simplicidade. nós podemos nunca considerar a questão de como se pode chegar à gramática cuja simplicidade está sendo determinada. Questões desse tipo não são relevantes para o programa de investigação desenvolvido acima. o único critério fundamental na avaliação é a simplicidade de todo o sistema. por confiança na experiência adquirida. Em resumo. Pode-se chegar à gramática por intuição. por qualquer tipo de sugestões metodológicas parciais. por suposições. etc. Não há dúvidas de que é possível Cf. já que simplificando uma parte da gramática. Repare que a simplicidade é uma medida sistemática. Não estamos negando a utilidade de processos de descoberta mesmo parcialmente adequados. a maior parte das decisões sobre complexidade relativa que proporemos adiante ainda será válida33. Acredito que poderíamos dar conta dessa questão. mas isso certamente iria além do escopo deste trabalho. por exemplo. com qualquer definição possível de “simplicidade da gramática”. nem tampouco se deve esperar que ela forneça procedimentos mecânicos para a descoberta de gramáticas. enquanto que o mesmo não acontece com gramáticas mais complexas. Adiante. esses resultados são apenas sugestivos. argumentaremos que existem evidências independentes a favor de nosso método de selecionar gramáticas. Ou seja. etc. tentaremos mostrar que a análise transformacional mais simples de uma classe de sentenças freqüentemente conduz a análises mais simples de outras classes. até que consigamos dar conta de maneira rigorosa da noção de simplicidade que adotamos. ou podem levar a um conjunto pequeno de gramáticas que podem ser então avaliadas. podemos complicar as demais.questão da possibilidade de se simplificar toda a gramática se considerarmos certas classes de sentenças como sendo sentenças nucleares ou se as considerarmos como sendo sentenças derivadas por transformações. nós podemos apenas indicar como uma ou outra decisão irá afetar a complexidade geral. como pode ter sido descoberta a análise do sintagma verbal apresentado em 5. tentaremos mostrar que as gramáticas mais simples satisfazem certas condições externas de adequação. que têm decisões diferentes sobre a atribuição de sentenças ao núcleo. Essa validação pode ser somente uma tentativa.

quando tornamos nossos objetivos mais modestos. então. Em todo o caso. mas é questionável que eles possam ser formulados de maneira rigorosa. então a teoria lingüística pode ser anulada por um problema real de circularidade. Estamos. Obviamente.dar conta de maneira organizada de diversos procedimentos úteis de análise. Porém. e. podemos definir um “conjunto hipotético de fonemas” e um “conjunto hipotético de morfemas” independentemente e podemos desenvolver uma relação de compatibilidade entre os conjuntos hipotéticos de fonemas e os conjuntos hipotéticos de morfemas.2 Uma vez que tenhamos declinado qualquer intenção de encontrar um procedimento prático de descoberta das gramáticas. pode-se ter chegado à gramática de uma língua. conduzem de maneira conjunta à gramática mais simples da língua. Nossa relação de compatibilidade pode ser parcialmente estabelecida em termos de consideração de simplicidade. em princípio. Nosso objetivo último é fornecer uma maneira não-intuitiva e objetiva de avaliar uma gramática e compará-la com outras gramáticas propostas. o fato de que se os morfemas são definidos em termos de fonemas. podemos definir os fonemas e os morfemas de uma língua como os fonemas e morfemas hipotéticos que. por exemplo. Foi salientado. 6. ao mesmo tempo. na natureza da estrutura lingüística) e na investigação das conseqüências empíricas na adoção de um determinado modelo da estrutura lingüística do que em demonstrar como. entre outras coisas. tentando desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. esse problema não se enquadra no escopo de nossas investigações no momento. Considere o problema da interdependência de níveis. mais interessados na descrição da forma de gramáticas (ou seja. nenhuma outra teoria fonêmica ou morfêmica satisfaz realmente essa forte exigência. corretamente. da mesma forma. certos problemas que têm sido objeto de intensa controvérsia metodológica simplesmente não aparecem. ou seja. Nesse caso. De qualquer forma. Isso resulta em uma maneira perfeitamente direta de definir níveis independentes sem qualquer circularidade. as considerações morfológicas são tidas como relevantes para a análise fonêmica. e há poucas razões para se acredita que ela pode ser satisfeita de maneira significativa. pouca 49 . isso não nos diz como encontrar os fonemas e morfemas de maneira direta e automática. exaustiva e simples o suficiente para que sejam qualificados como procedimentos práticos e automáticos de descoberta. Podemos depois definir um par de um conjunto de fonemas e um conjunto de morfemas para uma determinada língua como sendo um par compatível de um conjunto hipotético de fonemas e um conjunto hipotético de morfemas.

Podemos evitar esse tipo de problema se entendermos a morfologia e a fonologia como sendo dois níveis diferentes. 1951) (por exemplo. S. associar qualquer parte dessa palabra com o morfema de passado que aparece como /t/ em “walked” /wçkt/ (caminhou). 1956). capítulos 9 e 12) para exemplos de procedimentos que conduzem a níveis interdependentes. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. Bar-Hillel sugeriu em “Logical syntax and semantics”. Harris. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. Proceedings of the Sixth International Congress of Linguistics 5-18 (Paris. K. “More on grammatical prerequisites”. F. Além do mais. p. O problema da interdependência dos níveis fonêmico e morfêmico não deve ser confundido com a questão sobre se a informação morfológica é exigida para a leitura de uma transcrição fonêmica. 106-21 (1952). Chomsky. 65-80. F. Word 3. poderemos construir níveis interdependentes somente com definições diretas. Lukoff. 210-33 (1954). 15. também N. como nos casos da forma verbal de passado do inglês.motivação permanece para qualquer objeção à mistura de níveis. 1956). Cf. “The phonemic and grammatical aspects of language and their interrelation”. R. essas seqüências de morfemas em /tuk/ e /wçkt/. Em “Two models of grammatical description”. 1955). Cf. relacionados na gramática por regras morfofonêmicas tais como (19). Assim. 1948). L. pode ainda ser o caso de que a transcrição fonêmica forneça regras de “leitura” completas sem qualquer referência a outros níveis. A manual of phonology = Memoir 11. através do uso de definições recursivas. “took” será representado no nível morfológico como take+passado da mesma forma que “walked” será representado como walk+passado. para discussão e exemplos. Muitos problemas de análise morfêmica também recebem soluções bem simples se adotarmos o modelo geral que esboçamos há pouco. Chomsky. N. e meu pressentimento sobre o sucesso dessa solução diz que ele deve ser pouco provável. respectivamente. evitando artificialismos. “took” /tuk/ (pegou). “Grammatical prerequisites to phonemic analysis”. etc. 34 50 . Cf. Language 30. Linguistics Today. Studies in Linguistics 7. 33 (1949). Halle. Acredito que as objeções de Fowler aos procedimentos morfológicos de Harris (cf. 35 Hockett apresenta esta abordagem de níveis de maneira bem clara em A manual of phonology (1955). idem. se estivermos satisfeitos com um procedimento de avaliação de gramáticas. Halle. para uma discussão mais profunda sobre a interdependência dos níveis. Mesmo se considerações morfológicas sejam consideradas relevantes para determinar os fonemas de uma língua. “On accent and juncture in English”.2. Pike. 65-80. idem. isto é. Appendix to 7. 230-7 (1954) que as propostas de Pike podem ser formalizadas sem a circularidade que muitos nelas detectam. Appendix to 8. Z. como vimos há pouco. “Two fundamental problems in phonemics”. Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore. M. F. 504-9 [1952]) podem ser satisfeitos sem dificuldade por uma formulação não-circular. como /d/ em “framed” /freymd/ (modelou). Ao tentar desenvolver procedimentos de descoberta de gramáticas. “On accent and juncture in English”. M. assim como propusemos. Se desistirmos da idéia de que os níveis superiores são literalmente Cf. Hockett. C. ainda que interdependentes. Lukoff. Jackobson. A única diferença entre os dois casos é que (19v) é uma regra muito mais geral do que (19ii)35. ficamos naturalmente tentados a considerar os morfemas como classes de seqüências de fonemas. em que é difícil.4. como tendo verdadeiramente conteúdo fonêmico em sentido quase literal. Isso nos leva a problemas bem conhecidos. Word 10. e não há qualquer dificuldade em evitar a circularidade na definição de níveis interdependentes34. Ele não se aprofunda com detalhes. 155-72 (1847). Language 28. As regras morfofonêmicas (19ii) e (19v) convertem. Methods in structural linguistics (Chicago. Word 8.

como acredito que devemos fazer. e também são semelhantes em significado da mesma maneira. F. então se torna muito mais natural considerar mesmo sistemas de representação tão abstratos como a estrutura transformacional (em que cada enunciado é representado pela seqüência de transformações de onde é derivada a partir de uma seqüência terminal da gramática de estrutura sintagmática) constituindo um nível lingüístico. vimos antes que seria um absurdo. Chomsky. esse fato não pode ser negligenciado” (p. sem dúvidas. “shake” – “shook” (balançar – balançou). “stand – stood” (durar – durou). assim como a idéia de que cada nível é literalmente construído a partir de elementos de níveis inferiores. Formularemos essa regra. “forsake” – “forsook” (renunciar – renunciou) e. 1956). Por exemplo. como o da estrutura sintagmática. Se renunciarmos a esse objetivo e se distinguirmos claramente entre um manual de procedimentos sugestivos e úteis e uma teoria da estrutura lingüística. como ey u no contexto t – k + passado na formulação morfofonêmica. N. formular princípios de formação de sentenças em termos de fonemas ou morfemas. então não há muita razão para manter qualquer uma dessas posições duvidosas. porque muitos dos problemas que aparecem sobre os níveis inferiores de fonêmica e morfologia não estão resolvidos. já que o morfema passado aparece na representação morfêmica tanto de “took” como de “baked”. 224) Porém. ou a concepção de níveis lingüísticos como sistemas abstratos de representação relacionados apenas por regras gerais. de maneira mais geral. Assim. etc. às vezes se argumenta que trabalhos em teoria sintática são prematuros. para uma discussão da possibilidade de que as considerações nos níveis 51 . 65-80. indica que essa tarefa fútil não precisa ser seguida nos níveis inferiores36. Da mesma Hockett rejeitou uma solução muito parecida com a que apresentamos aqui. a similaridade no significado não é negligenciada em nossa formulação. Mas o inverso também não deixa de ser verdadeiro. acho que é inquestionável que a oposição à mistura de níveis. É bem verdade que os níveis superiores da descrição lingüística dependem de resultados obtidos nos níveis inferiores. tenha sua origem na tentativa de desenvolver um procedimento de descoberta de gramáticas. Lukoff. M.construídos a partir dos elementos de nível inferior. For Roman Jackobson (‘sGravenhage. 36 Cf. Existem muitas outras perspectivas comumente aceitas que parecem perder muito de seu apelo se formularmos nossos objetivos da maneira recém sugerida. E a semelhança no formato fonêmico pode ser salientada na formulação da regra morfofonêmica que converte take + passado em /tuk/. Não somos obrigados a abandonar as esperanças em encontrar um procedimento de descoberta prático ao adotarmos a perspectiva de que os níveis são interdependentes. Halle. mas apenas o desenvolvimento de tais níveis superiores. ou mesmo inútil. argumentando que “took e take são em parte semelhantes no formato fonêmico assim como o são baked e bake. “On accent and juncture in English”. Contudo. Isso irá nos permitir uma simplificação na gramática. através de uma generalização que irá evidenciar o paralelismo entre “take” – “took”.

dissemos que a descrição da estrutura da sentença por uma análise de constituintes não terá sucesso se for levada além de determinados limites. havendo ou não preocupação com o problema de procedimentos de descoberta. A gramática de uma língua é um sistema complexo com muitas e variadas interconexões entre suas partes. 52 . mas acredito que tenha sido alimentado por uma falsa analogia entre a ordem do desenvolvimento da teoria lingüística e a suposta ordem das operações na descoberta da estrutura gramatical. ter alguma visualização do caráter do sistema completo. a estrutura sintagmática e as transformações. são relevantes para a seleção de uma análise fonêmica. acredito que a noção de que a teoria sintática deva esperar a solução de problemas da morfologia e da fonologia seja insustentável. superiores. Mas somente o desenvolvimento do nível ainda mais abstrato das transformações pode preparar o caminho para o desenvolvimento de uma técnica mais simples e adequada de análise de constituintes com limites mais modestos. Mais uma vez. incluindo a morfologia. freqüentemente é útil. ou mesmo necessário.forma. Para que se desenvolva uma parte da gramática de maneira completa.

ALGUMAS TRANSFORMAÇÕES EM INGLÊS 7. A maneira mais simples de descrever a negação é por meios de uma transformação que se aplica antes de (29ii) e introduz not ou n’t depois do segundo morfema do sintagma dado por (28iii). Por exemplo. onde os símbolos são como em (28) e (29) e é irrelevante o que as reticências representam.. se esse sintagma contiver pelo menos dois morfemas. podemos retornar à investigação das conseqüências em se adotar a abordagem transformacional na descrição da sintaxe do inglês. (iv) NP – C + be – . essa transformação Tneg opera em seqüências que são analisadas em três segmentos em uma das seguintes maneiras: (37) (i) NP – C – V .1 Depois dessa divagação. 37 53 . adicionando a preposição by (por) antes do último sintagma nominal e adicionando be +en (ser + particípio passado) ao Aux (cf. Para uma discussão mais detalhada da especificação das transformações em geral e de transformações específicas. (34)). Assim. (iii) NP – C – have – . devemos descrever a análise das seqüências a que ela se aplica e a modificação estrutural que se efetua nessas seqüências37. Dada uma seqüência analisada em três segmentos em uma dessas formas.. a Tneg adiciona not (ou n’t) depois do segundo segmento da seqüência. se ele contiver somente um morfema.. a transformação passiva se aplica a seqüências da forma NP – Aux – V – NP e tem o efeito de intercambiar os dois sintagmas nominais.. cf. (ii) NP – C + M – . Considere agora a introdução do not ou n’t no sintagma verbal auxiliar. Nosso objetivo é limitar o núcleo de tal forma que as seqüências terminais subjacentes às sentenças nucleares sejam derivadas por um sistema simples de estrutura sintagmática e possam fornecer a base a partir da qual todas as sentenças possam ser derivadas por transformações simples: transformações obrigatórias no caso do núcleo e transformações obrigatórias e opcionais no caso de sentenças não nucleares.. Para especificar de maneira explícita uma transformação. Assim.7.. as referências citadas na nota 24... ou depois do primeiro morfema.

como pode ser o verbo auxiliar de sentenças negativas e interrogativas. Contudo. quando selecionamos os últimos três casos de (37). uma regra que se aplica depois de (29): (40) # Af # do + Af onde do é o mesmo elemento que o verbo principal em “John does his homework” (o João faz o tema de casa). derivamos “John doesn’t come” (o João não vem). a Tneg produz: (39) John – S + n’t – come. como em “John does his homework” (O João faz o tema de casa)). já que (39) não contém agora qualquer seqüência Af + v. a partir de (29ii). a Tneg produzirá they – ∅ + can + n’t – come (e finalmente “they can’t come” (eles não podem vir)). Aplicando (4) e as regras morfológicas a (39). O que (40) diz é que do é introduzido como o “portador” de um afixo não afixado. vemos que (29ii) não se aplica de maneira alguma a (39).aplicada à seqüência terminal they – ∅ + can – come (um caso de (37ii)). aplicada à they – ∅ + be – ing + come (um caso de (37iv)). A regra funciona de maneira adequada. Tal como foi exposto. No entanto. que poderia dar a sentença nuclear “John comes” (o João vem). isto é. ela produzirá they – ∅ + be + n’t – ing + come (e finalmente “they aren’t coming” (eles não estão vindo)). o verbo do pode ser tanto um verbo principal (que pode significar “fazer”. havíamos especificado que a Tneg se aplicava antes de (29ii). Cf. o tratamento transformacional da negação é relativamente mais simples do que qualquer tratamento alternativo dentro do modelo de estrutura [O210] Comentário: Em inglês. Aplicada à 38. Vamos então adicionar a seguinte regra transformacional obrigatória à gramática. ela produzirá they – ∅ + have + n’t – en + come (e finalmente “they haven’t come” (eles não vieram)). aplicada à they – ∅ + have – en + come (um caso de (37iii)). então. 54 . As regras (37) e (40) nos permitem agora derivar todas as formas de sentenças gramaticais e apenas elas. (29iii) para introdução do #. Suponha agora que selecionamos um caso de (37i). o que produz o efeito de reescrita de Af + v como v + Af #. uma seqüência terminal como (38) John – S – come.

E. tal como “have they arrived” (eles chegaram). Exigimos que a Tint se aplique depois de (29i) e antes de (29ii). Podemos gerar todas (e apenas) essas sentenças através de uma transformação Tint que opera sobre seqüências com a análise (37).sintagmática. a Tint produz as seqüências (42) (i) ∅ – they arrive (ii) ∅ + can – they – arrive (iii) ∅ + have – they – en + arrive (iv) ∅ + be – they – ing + arrive Aplicando agora as regras obrigatórias (29ii. Considere a classe de perguntas “sim-ou-não”. e tem o efeito de intercambiar o primeiro e o segundo segmentos dessas seqüências. Aplicada a (41) (i) they + ∅ . tal como esses segmentos são definidos em (37). (37) e (40)) fossem necessárias por razões independentes. iii) e (40) e depois as regras morfofonêmicas. A vantagem do tratamento transformacional (sobre a inclusão de negativas no núcleo) seria bem mais clara se pudéssemos encontrar outros casos em que as mesmas formulações (isto é. derivamos (43) (i) do they arrive (ii) can they arrive (iii) have they arrived (iv) are they arriving 55 . de fato.arrive (ii) they – ∅ + can – arrive (iii) they – ∅ +have – en + arrive (iv) they – ∅ + be – ing + arrive que têm a forma de (37i-iv). esses casos realmente existem. “did they arrive” (eles chegaram). “can they arrive” (eles podem chegar).

Para formarmos perguntas do tipo “simou-não”. O João chegou? c. precisamos dessas regras para dar [O211] Comentário: A transformação interrogativa (Tint). de qualquer maneira. Veja os exemplos: a. Precisamos ter o morfema ∅. e a regra (40) não iria. precisamos apenas modificar sua entoação. o verbo tem S se o substantivo sujeito tem ∅ (“the boy arrives” (o garoto chega)) e o verbo tem ∅ se o sujeito tem S (“the boys arrive” (os garotos chegam)). Repare que nenhuma regra morfofonêmica nova é necessária para dar conta do fato de que do + ∅ /duw/. considere a hipótese de os verbos intransitivos serem analisados como verbos com objeto zero. do é introduzido pela regra (4) como o portador de um elemento não afixado ∅. tal como Chomsky expõe aqui. Se tivéssemos aplicado as regras obrigatórias diretamente a (41). O João está vindo? conta das formas do do como verbo principal.em transcrição fonêmica. ou o número não será corretamente atribuído nas interrogativas. Percebemos agora que essa alternativa não é aceitável. e nós teríamos sentenças como “does he arrive” (ele chega?). caso contrário não haverá nenhum afixo em (42i) para que o do utilize. Por isso. do + S /d´z/. a regra (40) teria inserido do como o portador desses elementos. d. No caso de (42i). dessa forma. essa análise dos 56 . Ao analisarmos o sintagma verbal auxiliar nas regras (28) e (29). (43i-iv) são as contrapartes interrogativas de (44i-iv). não precisamos modificar a estrutura sintática da sentença declarativa. Como exemplo negativo. A transformação passiva (34) converteria. por exemplo. Repare também que a Tint deve se aplicar depois de (29i). O João está vindo. Existem vários outros casos em que a análise transformacional fornece razões convincentes a favor ou contra a postulação da existência de morfemas zero. Uma alternativa que não consideramos foi a de eliminar o morfema zero e afirmar simplesmente que nenhum afixo ocorre se o sujeito não estiver na terceira pessoa do singular. “did he arrive” (ele chegou?). não se aplica ao português. se aplicar a (42i). Assim. nós consideramos S como sendo o morfema de terceira pessoa do singular e ∅ como o morfema afixado ao verbo para todas as outras formas do sujeito. O João chegou. em “John – slept – ∅” (o João – dormiu – ∅) na não-sentença “∅ . Se C tiver sido desenvolvido em S ou passado pela regra (29i). do + passado /did/.was slept – by John” “was slept by John” (foi dormido pelo João). sem a intervenção da Tint. b. teríamos derivado as sentenças (44) (i) they arrive (ii) they can arrive (iii) they have arrived (iv) they are arriving Assim.

.. Ao tratarmos o sintagma verbal auxiliar. Estabelecemos agora uma transformação TA que impõe a mesma análise estrutural de seqüências que a Tneg impõe (isto é. [O212] Comentário: Em inglês. Retornaremos ao problema mais geral do papel das transformações na determinação da estrutura de constituintes na seção 7.. é o nosso “realmente”.. etc.. V. Então. através de (40)) (ii) John can’t arrive (de John # S + can + n’t # arrive) (iii) John hasn’t arrived (de John # S + have + n’t # en + arrive) A TA produz as sentenças correspondentes (47) (i) John does arrive (de John # S + A # arrive.. “V . Uma tradução que parece ser adequada. “John has arrived” (o 57 . Já que tanto a subdivisão da sentença que ela impõe como a regra para a introdução de do eram exigidas independentemente para a negação. precisamos apenas descrever a inversão efetuada pela Tint ao estender a gramática para dar conta das pergunta sim-ou-não. O ponto fundamental sobre a transformação interrogativa Tint é que quase nada pode ser acrescentado à gramática com o intuito de descrevê-la.intransitivos deve ser rejeitada. + A . Suponhamos que criássemos um morfema A de acentuação contrastiva a que se aplicasse a seguinte regra morfofonêmica.. (45) .6. que afirma as sentenças “John arrives” (o João chega). a TA é uma transformação de “afirmação”. assim como a Tneg produz sentenças como (46) (i) John doesn’t arrive (de John # S + n’t # arrive. Em outras palavras. em muitos casos. “John can arrive” (o João pode chegar). onde “ indica acentuação forte. (37)).. como em “John does come” (o João realmente vem).. através de (40)) (ii) John can arrive (de John # S + can + A # arrive) (iii) John has arrived (de John # S + have + A # en + arrive) Assim. não consideramos formas acentuadas do elemento do. é possível utilizar o elemento do de maneira enfática. a análise transformacional revela o fato de que as negativas e as interrogativas têm basicamente a mesma “estrutura”. e isso pode ser usado para simplificar a descrição da sintaxe do inglês. e que adiciona A a essas seqüências exatamente na mesma posição onde a Tneg adiciona not ou n’t.

iii). Considere a transformação Tso que converte pares de seqüências de (48) para as seqüências correspondentes de (49): (48) (i) John – S – arrive. Há um outro atributo notável do caráter fundamental dessa análise que merece atenção. da mesma maneira que a Tneg as nega. mais ou menos no mesmo sentido em que he (ele) é um pronome). I – ∅ – have – en +arrive (49) (i) John – S – arrive – and – so – ∅ – I (ii) John – S + can – arrive – and – so – ∅ + can . a tradução é irrelevante. a saber (37). como acontece com o inglês. Essa é formalmente a solução mais simples e parece estar intuitivamente correta. I – ∅ – arrive (ii) John – S +can – arrive. I – ∅ +can – arrive (iii) John – S + have + en + arrive. A transformação Tso se combina com a transformação da conjunção para dar (49). Ainda existem outros casos de transformações que são determinadas pela mesma a análise sintática fundamental das sentenças. (O elemento so é então um pro-VP. (40) e as regras morfofonêmicas. . Assim. primeiro trocando o terceiro segmento da sentença por so e depois intercambiando o primeiro e o terceiro segmentos. uma vez que não temos nenhum verbo auxiliar na segunda oração. etc. derivamos finalmente (50) (i) John arrives and so do I (o João chega e eu também) (ii) John can arrive and so can I (o João pode chegar e eu também) (iiii) John has arrived and so have I (o João chegou e eu também) a Tso opera na segunda sentença de cada par em (48).João chegou).I (iii) John – S + have – en + arrive – and – so – ∅ + have – I Aplicando as regras (29ii. Considere as sentenças nucleares [O213] Comentário: Em português. Apesar de ainda não termos descrito esse processo de maneira suficiente. parece claro que tanto a análise (37) das sentenças quanto a regra (40) são novamente fundamentais. não é preciso quase nada de novo na gramática para incorporar sentenças como (50). que são formadas sobre o mesmo padrão subjacente transformacional que as negativas. 58 . as interrogativas e as afirmativas enfáticas.

aplicada a (52i). como aparece em (37). A transformação Tneg se aplica a qualquer seqüência da forma (37). Considere agora como as transformações Tneg. have é o único verbo transitivo que torna possível essa ambigüidade da negação. não auxiliares. Porém. Da mesma forma. Tint e Tso se aplicam a essas seqüências subjacentes. (52i) produzirá (53i) ou (53ii): (53) (i) John – C – n’t – have + a + chance + to + live ( ( “John doesn’t have a chance to live”) “John hasn’t a chance to live”) (ii) John – C + have + n’t – a chance + to + live Mas na verdade. Além disso. 59 . ambas as formas de (53) são gramaticais. Ou seja. assim como ele é o único verbo transitivo que pode ser analisado ambiguamente nos termos de (37). já que essas transformações também são baseadas na análise estrutural (37). mas não “John readsn’t books”. a Tint irá produzir qualquer uma das formas de (54). adicionando not ou n’t entre o segundo e o terceiro segmentos.(51) (i) John has a chance to live (o João tem uma chance para viver) (ii) John is my friend (o João é meu amigo) As seqüências terminais subjacentes a (51) são (52) (i) John + C + have + a + chance + to + live (ii) John + C + be + my + friend onde have em (52i) e be em (52ii) são verbos principais. temos “John doesn’t read book”. (54) (i) does John have a chance to live? (ii) has John a chance to live? (55) (i) Bill has a chance to live and so does John. (ii) Bill has a chance to live and so has John. e a a Tso irá produzir qualquer uma das formas de (55).

(56) (i) John – S + be + n’t – my + friend ( (ii) S + be – John – my + friend ( my friend and so is John) Mais uma vez. formas como (54ii) e (55ii) são impossíveis. Por isso.3. as transformações Tneg. uma conseqüência automática de nossas regras.Mas no caso de todos os outros verbos transitivos. Apesar de ainda não o termos mostrado. no entanto. uma manifestação de uma regularidade subjacente mais profunda quando consideramos a estrutura do inglês a partir do ponto de vista da análise transformacional. irão produzir. respectivamente (passando por 29i). Mas acabamos de ver que são exatamente essas formas aparentemente excepcionais que resultam automaticamente da gramática mais simples construída para dar conta dos casos regulares. não aceitaremos nessa gramática be como sendo um V. as formas “be” e “have” surgiriam como exceções claras e distintas. as formas análogas (por exemplo. Se tentássemos descrever a sintaxe do inglês puramente em termos de estrutura sintagmática. na gramática mais simples do inglês. é de fato verdade que. Tint. Percebemos. Por isso. Assim como uma das formas do sintagma verbal é V + SN. esse comportamento de “be” e “have” acaba se tornando. isto é. é. Essa seqüência terminal é um 60 “John isn’t my friend”) “Bill is “is John my friend”) (iii) Bill – S + be – my + friend – and – so – S + be – John ( . verdade que.) são impossíveis com verbos reais. não obstante. Não temos em inglês “reads John books?” ou “Bill reads books and so reads John”. ainda que be não seja um auxiliar em (52ii). na verdade. e Tso. uma das formas é be + Predicado. etc. Considere agora (52ii). não há qualquer motivo para incluir “be” na classe dos verbos. na verdade. a transformação TA produz “John is here”. somente (37iv) se refere a (52ii). Da mesma forma. que o comportamento aparentemente irregular do verbo “have” é. como seria o caso com verbos reais. aplicadas a (52ii). na seção 2. de todas as análises permitidas por (37). Repare que a ocorrência de have como um auxiliar em seqüências terminais como John + C + have + en + arrive (subjacente à sentença nuclear “John has arrived”) não está sujeita à mesma análise ambígua. Portanto. sobre a gramaticalidade de (3) mas não de (5). “John readsn’t books. Isso resolve o problema mencionado anteriormente.

etc. da maneira descrita na seção 4... ela pode ser analisada como em (57i). não pode ser rastreado até um nó que seja rotulado como V na derivação dessa seqüência. através do rastreamento de segmentos até os nós. já que essa ocorrência de have não é um V. mas não como em (57ii). Ou seja. isto é. em (52i)) sejam Vs. ainda que algumas outras ocorrências de have (por exemplo.. mas não de (37i).2 Podemos estender facilmente a análise das interrogativas que estudamos anteriormente de maneira que elas incluam os seguintes casos (58) (i) what did John eat (o que o João comeu?) (ii) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) 61 . (57) (i) John – C + have – en + arrive (SN – C + have – . isto é. qualquer modelo para a forma da gramática) deve satisfazer. A estrutura sintagmática de uma seqüência terminal é determinada a partir de sua derivação. (37iii)) (ii) John – C – have + en + arrive (SN – C – V…. “does John have arrived”. Acho que essas considerações dão ampla justificativa para nosso argumento anterior de que as concepções da estrutura sintagmática são fundamentalmente inadequadas e que a teoria da estrutura lingüística deve ser elaborada seguindo as linhas sugeridas em nossa discussão sobre a análise transformacional. em (57).exemplo (37iii). como “John doesn’t have arrived”. Esse é o requisito básico que qualquer concepção de estrutura lingüística (isto é. O fato de (57ii) não ser uma análise possívelnão nos permite derivar não-sentenças. Nesta seção. obviamente. pode ser rastreada até um have (que é ele mesmo) no diagrama que corresponde à derivação da seqüência (52i). No entanto.1. (52i) é analisado de maneira ambígua uma vez que a ocorrência de have em (52i) pode ser rastreada até um nó V e. conseqüentemente. 7. vimos que uma ampla variedade de fenômenos aparentemente distintos se organiza de uma maneira bem simples e natural quando adotamos o ponto de vista da análise transformacional e que. (37i)) Essa seqüência não é um exemplo de (37i). a gramática do inglês se torna muito mais simples e ordenada. Mas have.

A Tw opera em duas etapas: (60) (i) A Tw1 converte as seqüências da forma X – SN – Y na seqüência correspondente de forma SN – X – Y. Ela tem. sendo condicionada pela Tint no sentido em que ela somente se aplica a produzidas por Tint. que opera em qualquer seqüência da forma (59) X – SN – Y onde X e Y representam qualquer seqüência (incluindo. him (pronome objeto masculino de terceira pessoa do singular. portanto.Esses casos não recebem respostas do estilo sim-ou-não. em português. wh + it /what/. Na morfofonêmica do inglês. 38 62 . A Tw se aplica depois da Tint e antes de (29ii). Mais simplesmente. em particular. e podemos definir Tw2 como a transformação que converte qualquer seqüência Z em wh + Z. [O214] Comentário: Who. teremos regras como: wh + he /huw/. wh + him /huwm/. (41) e (42)). o) ou it (pronome sujeito e objeto de terceira pessoa do singular. a primeira ou a terceira posições podem estar vazias). podemos limitar a aplicação de Tw a seqüências da forma X – SN – Y em que o SN seja he (ele). ela inverte o primeiro e o segundo segmentos de (59). (ii) A Tw2 converte a seqüência resultante SN – X – Y em who – X – Y se o SN for animado ou em what – X – Y se o SN for inanimado38. Essa dependência condicional entre as transformações é uma generalização da distinção entre as transformações obrigatórias e opcionais. a seqüência “vazia” – isto é. Especificamos que a Tint deve se aplicar depois de (29i) e antes de (29ii). onde wh é um morfema. e what é o que ou qual. com a flexão neutra). A seqüência terminal subjacente a (58i) e (58ii) (assim como a (62) e (64)) é (61): (61) John – c – eat + an + apple (SN – C – V…). o mesmo efeito transformacional que a transformação Tint (cf. é quem. isto é. que podemos construir facilmente na gramática e que se revelam essenciais. Agora estabelecemos a condição de que a transformação Tw possa se aplicar somente a seqüências a que a transformação Tint já tenha se aplicado. A maneira mais simples de incorporar essa classe de sentenças em nossa gramática é criando uma nova regra de transformação opcional Tw.

introduzindo do como o portador de passado. Repare que. Para formar (58ii). 63 “John ate an apple” (o João . (65) John – passado – eat + an + apple (66) who – passado – eat + an + apple A regra (29ii) e as regras morfofonêmicas convertem. neste caso. a Tw1 simplesmente desfaz o efeito da Tint. teremos a interrogativa simples (64) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) No entanto. escolhendo o sintagma nominal John. por meio de Tw1. Onde C é entendido como sendo passado.onde os traços indicam a análise imposta pela Tint. Se aplicarmos apenas transformações obrigatórias a (61). o que explica a ausência da inversão em (58ii). escolhendo passado no desenvolvimento de C por (29i). então. (66) em (58ii). então. se aplicarmos a Tw a (63). (61) é um caso de (37i). como indicamos. aplicamos a Tw a (63). derivaremos primeiro (65). Se aplicarmos agora (40) a (63). primeiro selecionamos um sintagma nominal e depois invertemos esse sintagma nominal com a seqüência que o precede. analisamos (63) como (67): (67) passado + John + eat – an + apple. derivaremos (62) # John # eat + passado # an # apple # ( comeu uma maçã)) Se aplicarmos (29i) e a Tint a (61). Suponhamos agora que aplicamos a Tw a (63). Assim. para os propósitos dessa transformação. aplicamos primeiramente a Tint e depois a Tw à seqüência terminal (61). por Tw2. escolhendo o sintagma nominal an+apple (uma+maçã). derivaremos (63) passado – John – eat + an + apple. Assim. e depois (66). que subjaz a sentença nuclear (62). Para aplicar a transformação Tw a uma seqüência. Ao formarmos (58ii).

o efeito da Tint é.uma seqüência da forma (59). como “what will he eat” (o que ele comerá?). no caso de (64). neste caso. finalmente derivamos (58i). Parece razoável aceitar essa explicação para o fato de que as interrogativas (58i-) normalmente têm a entoação descendente das declarativas. o efeito converte uma entoação descendente para uma entoação ascendente. e entoações ascendentes. Aplicando a Tw a (67). Então. Ela pode facilmente ser alargada para cobrir interrogativas como “what book did he read” (que livro ele leu?). etc. “what has he been eating” (o que ele tem comido?). por Tw2. onde Y é. por isso. vimos que a Tw1 se aplica somente depois da Tint. que associamos às perguntas do tipo sim-ou-não. mas ela sugere que tal discussão pode ser frutífera. Não discutimos ainda o efeito das transformações na entoação. tal como formulada em (59)-(60). Há diversos problemas se estendermos nossa discussão sobre os fenômenos entoacionais. e depois (69). e seu efeito transformacional é mesmo que o da Tint. A Tw. assim como não se aplicava a (39) ou a (42i). já que (69) não contém uma subseqüência da forma Af + V. Suponhamos que estabelecêssemos duas entoações básicas de sentenças: entoações descendentes. Por isso. (40) se aplica a (69). derivamos primeiro (68). vemos que as quatro sentenças (70) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) (= (62)) (= (64)) 64 . que associamos às sentenças nucleares. efetua a mesma transformação que a Tint. Para resumir. ela inverte os primeiros dois segmentos da seqüência a que ela se aplica. a Tw1 irá converter a entoação ascendente para uma entoação descendente. e essa observação não passa de um esboço. tal como definida em (60i). introduzindo do como um portador do morfema passado. Aplicando as regras restantes. (68) an + apple – passado + John + eat (69) what – passado + John + eat (29ii) não se aplica agora a (69). No entanto. converter a entoação de um desses tipos para o outro. em parte. vazio. Por isso. também irá dar conta de todas as perguntas-QU. a partir de Tw1. Repare que a Tw1. ou seja.

pela aplicação das transformações Tint e Tw. Elas devem. teremos sintagmas como “to be cheated” (ser traído). os sintagmas nominais do tipo to + SV. “being cheated” (sendo traído). 39 65 . respectivamente. Não é difícil demonstrar que essa transformação simplifica consideravelmente a Essa transformação de nominalização será dada como uma transformação generalizada. ing + SV (“to prove that theorem” (para provar aquele teorema). ing + SV não podem mais ser introduzidos dentro da gramática nuclear por regras como (33). Mas as passivas foram excluídas do núcleo. exceto pela breve explicação de cunho transformacional que esboçaremos para o problema levantado na seção 2. “proving that theorem” (provando aquele teorema) – cf. Faremos referência a essa análise brevemente na seção 8. Uma das transformações de nominalização será a transformação Tadj. artigo – substantivo – é – adjetivo) convertendo-a no sintagma nominal correspondente da forma T + Adj + N. (70i) é uma sentença nuclear. 7. etc. cf.3.(iii) what did John eat (o que o João comeu?) (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) (= (58i)) (= (58ii)) são todas derivadas da seqüência terminal subjacente (61). Cf.3. (70ii) é formada de (61) pela aplicação da transformação Tint. (32)-(33)). Não abordaremos a estrutura desse interessante e ramificado conjunto de transformações de nominalização. que opera sobre qualquer seqüência da forma (71) T – N – is – Adj (isto é. já que elas são formadas a partir de (61). mencionamos que existem certos sintagmas nominais da forma to + SV.3 Na seção 5. como (26). Proceedings of the University of Texas Syposyum of 1958. Ela irá operar sobre um par de sentenças. ser introduzidas através de uma “transformação de nominalização” que converte uma sentença da forma SN – SV em um sintagma nominal da forma to + SV ou ing + SV39. (70iii) e (70iv) são ainda mais remotas da sentença nuclear. que então irá substituir um SN a outra sentença. uma vez que apenas as transformações obrigatórias participam de sua “história transformacional”. Para uma análise mais detalhada e mais adequada do material nesta subseção. então. Assim.2. que são derivados de passivas. meu artigo “A transformational approach to syntax”. Por isso. uma das quais é convertida de SN – SV para to + SV (ou ing + SV). ela converte “the boy is tall” (o garoto é alto) para “the tall boy” (o garoto alto). The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para discussão detalhada. Entre eles.

. temos uma regra (72) Adj old. ainda que tenhamos sentenças como (73) the child is sleeping (a criança está dormindo) A razão para que isso aconteça é que até mesmo quando “sleeping” (dormindo) não é listado em (72). não parte do Verbo. tall. figurar na lista (73). alto.. A maneira mais simples de dar conta de “very” é colocar a seguinte regra na gramática de estrutura sintagmática: 66 .. Quando formulamos essa transformação de maneira adequada. onde be + ing é parte do verbo auxiliar (cf. “the child sleeps” (a criança dorme).. Palavras como “interesting” (interessante) deverão. como podemos verificar pelo fato de não termos “the book will interest” (o livro vai interessantear). etc. no entanto. Na gramática sintagmática. reintroduzindo-as através da Tadj. não irão figurar nessa lista. etc. contudo. Em sentenças como (75) the book is interesting (o livroé interessante). (28iii)).. Um argumento independente para essa análise de “interesting” e “sleeping” vem do comportamento de “very” (muito). temos sentenças como “the child will sleep” (a criança irá dormir). “the book interests”(o livro interesseia). (73) é gerado pela transformação (29ii) (que converte Af + v em v + Af #) a partir da seqüência terminal subjacente (74) the + child + C + be – ing – sleep.. “interesting” é um Adj. (velho. Palavras como “dormindo”. Paralelamente a (73). com diferentes escolhas para o verbo auxiliar. que pode ocorrer com certos adjetivos. mas não com outros. descobrimos que ela nos permite eliminar do núcleo todas as combinações adjetivo-substantivo. etc.) que lista todos os elementos que podem ocorrer nas sentenças nucleares da forma (71).gramática e que sua direção deve ser essa e não a oposta.

formando o sintagma nominal (78) the sleeping child (a criança dormindo) da mesma maneira como forma “the interesting book” (o livro interessante) a partir de (75). Assim. é um Adj. que. como em “the food was eaten – by the man” (a refeição foi comida – pelo homem)) são sintagmas preposicionais (SP) na sentença passiva. ainda que “sleeping” seja excluído de (72). já que sabemos. (77) pode ser elaborada como sendo uma condição do conjunto de condições impostas à estrutura de constituintes derivada. “sleeping” também é um Adj na sentença transformada (73). como sabemos pela gramática de constituintes. Vemos que (77) permite que isso aconteça. então Y também é um Z. até mesmo quando as passivas forem excluídas do núcleo. e em geral com “interesting”. A palavra “sleeping” é formada por transformação (isto é. se desejarmos preservar a análise mais simples de “very”. 67 . especialmente de forma que as transformações possam ser compostas. Mas isso significa que (73) pode ser analisada como uma seqüência da forma (71). por (77). que by + SN é um SP. mas não pode aparecer em (73) ou com outras ocorrências de “sleeping”.(76) Adj very + Adj “very” pode aparecer em (75). mas não “sleeping” na lista de adjetivos (72). (29ii)) e tem a mesma forma que “interesting” (isto é. Embora não esteja formulada de maneira suficientemente acurada. Logo. devemos de incluir “interesting”. afirmaremos que os by-phrases (os sintagmas introduzidos por by (por). e uma seqüência Y formada por uma transformação tem a mesma forma estrutural do que X. Mas considere agora (73). ele aparecerá como um adjetivo modificando substantivos. de forma que a Tadj se aplique a ela. Não discutimos a maneira como as transformações impõem uma estrutura de constituintes. ainda que tenhamos sugerido que isso seja necessário. Uma das condições gerais impostas à estrutura de constituintes derivada será a seguinte: (77) Se X é um Z na gramática sintagmática. pela gramática nuclear. é um V + ing). Logo. Particularmente.

que as aparentes distinções arbitrárias que notamos na seção 2. por outro. “sleeping” jamais será introduzida no contexto “very ___” (muito ___). e todas as ocorrências de “sleeping” como modificador são derivadas de suas ocorrências como verbo em (74). certos comportamentos lingüísticos que parecem ser imotivados e inexplicáveis em termos de estrutura sintagmática tornam-se simples e sistemáticos quando adotamos o ponto de vista transformacional. já que são conseqüências da gramática transformacional mais simples. (80) (i) the child seems sleeping (a criança parece dormindo) (ii) the very sleeping child (a criança dormindo muito interessante) (81) (i) the book seems interesting (o livro parece interessante) (ii) the very interesting book (o livro muito interessante) Vemos. e (5) (= “read you a book on modern music?” (lês tu um livro sobre música moderna?)) e (6) (= (80i)). que é aparentemente a gramática mais simples que pode ser construída para as sentenças que efetivamente ocorrem. Por exemplo. Quando desenvolvemos esse argumento com mais cuidado. etc. por um lado. ao passo que irá gerar (81). então. na verdade. Em outras palavras. chegamos à conclusão de que a gramática transformacional mais simples irá excluir (80). têm uma origem estrutural clara e são. Já que “very” nunca modifica verbos. haverá regras de estrutura sintagmática que analisarão o sintagma verbal em (79) Aux + seem + Adj tal como outras regras analisam o SV em Aux + V + SN. Aux + be + Adj. contudo. que permanecem no núcleo. introduzir a palavra “sleeping” em todas as posições de adjetivos ocupadas por palavras como “interesting”.Essa análise de adjetivos (que é tudo o de que precisamos para dar conta das sentenças que efetivamente ocorrem) não irá. etc. Para utilizarmos a terminologia da 68 . “very” não irá aparecer em (74) ou (73).3 entre (3) (“have you a book on modern music?” (tu tens um livro sobre música moderna?)) e (4) (= (8i)). Mas “sleeping” nunca será introduzido no contexto “seems ___” (parece ___) por essa gramática. instâncias de uma regularidade de um nível superior. Da mesma forma.

podem estabelecer uma transformação 69 . construções verbo + partícula (V + Prt).4 Em (28). Existe. que opera em seqüências com a seguinte análise estrutural: (85) X – V1 –Prt – SN e tem o efeito de intercambiar o terceiro e o quarto segmentos da seqüência a que se aplica. Os phrasal verbs são verbos com uma preposição ou advérbio. Para possibilitar (82ii). de phrasal verbs. indicando quais V1 são compatíveis com cada Prt. Para incluir (82iii). na seção 5. que modificam seu sentido original. como “bring in” (trazer). ele iria incluir (3) e (4) como gramatical. excluindo ao mesmo tempo (83). Os exemplos em (82) e (83) tratam justamente de um fenômeno que envolve os phrasal verbs. de maneira consistente com sua experiência. a maneira mais natural de analisar esse tipo de construção é adicionar a seguinte possibilidade a (28ii): (84) V V1 + Prt além de um conjunto de regras suplementares. 7. (82) (i) the police brought in the criminal (ii) the police brought the criminal in (iii) the police brought him in (83) the police brought in him Sabemos que elementos descontínuos não recebem um tratamento adequado no âmbito da gramática sintagmática. Podemos ter as sentenças de (82). as raízes verbais da classe V. Por isso. já que elas esclarecem alguns pontos básicos de maneira bastante precisa. então. distanciando-se). como “bring in” e “drive away” são chamados. Ela converte.2. devemos indicar que essa transformação é obrigatória quando o SN objeto é um pronome (Pron). em inglês.seção 2. ao mesmo tempo em que rejeitaria (5) e (6). mas não a de (83). estabelecemos uma transformação opcional Tfacsep. “drive away” (dirigir. Considere primeiramente as [u15] Comentário: Verbos com essa estrutura (verbo + partícula). (82i) em (82ii). Da mesma forma.3. analisamos o elemento Verbo em Aux + V e listamos. se um falante deve projetar sua experiência lingüística finita através da utilização da estrutura sintagmática e das transformações da maneira mais simples possível. então. contudo. um grande número de subcontruções produtivas de V que merecem nossa atenção.

que subjaz (88): (90) todos no laboratório – consideram incompetente – O João Agora podemos formar (88) a partir de (90) por uma transformação análoga a Tobsep. que acabamos de discutir. devemos analisar (88) na estrutura SN1 – Verbo – SN2. devemos aplicar a passiva não a (88). onde SN1 = todos + no + laboratório. Investigações mais profundas sobre o sintagma verbal mostram que há uma construção geral do tipo verbo + complemento (V + Comp) que se comporta de maneira bastante semelhante à construção verbo + partícula. mas que opere em seqüências com a seguinte análise estrutural: (86) X – V1 – Prt – Pron Sabemos que a transformação passiva opera em qualquer seqüência da forma SN – Verbo – SN. paralela a (84). Se especificarmos que a transformação passiva se aplica antes de Tfacsep ou de Tobsep. e o SN2 = o João.obrigatória Tobsep que tenha os mesmos efeitos estruturais de Tfacsep. 70 . então ela formará as passivas (87) (i) the criminal was brought in by the police (ii) he was brought in by the police a partir de (82). mas a seqüência terminal (90). Suponhamos que adicionemos a regra (91) à gramática sintagmática. como deveria. Considere as seguintes sentenças: (88) (89) everyone in the lab considers John incompetent (todos no laboratório John is considered incompetent by everyone in the lab (o João é consideram o João incompetente) considerado incopetente por todos no laboratório) Se desejarmos derivar (89) a partir de (88) utilizando a transformação passiva. Ou seja.

de minha autoria. The logical structure of linguistic theory. podemos ter. esse é um assunto complicado. A primeira.. Com objetos longos e complexos. Há muitos outros fatores além do comprimento envolvidos aí. É interessante estudar essas características do objeto gramatical que exigem ou excluem essa transformação. que não iremos considerar aqui. Duas questões sobre especificidade emergem daí. Então. como antes. Existem muitas outras características dessas construções que nós abordamos aqui apenas muito brevemente. mostramos que a gramática é muito mais complexa se ela contiver tanto ativas como passivas em seu núcleo do que se as passivas forem excluídas ou reintroduzidas por uma transformação que troque o sujeito e o objeto da ativa e substitua o verbo V por is + V + em + by. o tratamento de construções verbo + complemento e verbo + partícula são bastante similares. por exemplo. embora seja muito importante estudar a questão da especificidade desse sistema.(91) V Va + Comp Estendemos agora a transformação Tobsep para permitir que ela se aplique a seqüências da forma (92). etc.). Não é certo que essa transformação seja uma transformação obrigatória. “they consider incompetent anyone who is unable to. Em primeiro lugar. Porém.. ainda que elas constituam um estudo interesante. e em muitos outros casos também. assim como a seqüências da forma (86). Como um exemplo paradigmático.. 40 71 . iremos rever brevemente o status da transformação passiva. Em segundo lugar. ao invés de utilizar a Tobsep. 7. Existem também outras possibilidades para as passivas. há considerações muito claras e facilmente generalizáveis de simplicidade que determinam qual conjunto de sentenças pertences ao núcleo e que tipos de transformações são necessários para dar conta das sentenças não nucleares. (92) X . Cf.. é uma construção extremamente bem desenvolvida em inglês40. em particular.Va – Comp – SN Essa transformação Tobsep revista irá converter (90) em (88). Assim. Na seção 5. que requer estudo muito mais detalhado da teoria transformacional do que o que podemos oferecer aqui. perguntamos se as passivas Estudos mais aprofundados mostram que a maioria das formas verbo + complemento introduzidas pela regra (91) deveriam ser excluídas do núcleo e serem derivadas transformacionalmente a partir de “O João é incompetente”. perguntamos se é necessário intercambiar os sintagmas nominais para se formar a passiva.5 Nós mal esboçamos uma justificativa para a forma particular de cada uma das transformações que discutimos. poderíamos estender a transformação Tfacsep paa lidar com esse caso.” (eles consideram incompetente qualquer um que não seja capaz de. Transformational analysis e “A transformational approach to syntax”. Acredito que pode ser mostrado que em cada um dos casos considerados anteriormente.4. por falta de espaço.

e certamente uma teoria lingüística deve fornecer os meios para tal distinção. Considere primeiro a questão sobre a troca entre sujeito e objeto. a passiva de “O João ama a Maria” seria “O João é amado pela Maria”. as sentenças de (94) são mais gramaticais do que as sentenças de (95). Na verdade. em um sentido claro. mas não como (95). que. Contudo.4. por exemplo. são mais gramaticais do que “a sinceridade admira comeu”. SN1 – Aux – V – SN2 é reescrita como SN1 – Aux – be + en – V – by + 72 . (94) (i) o João admira a sinceridade – a sinceridade é admirada pelo João (ii) o João joga golfe – golfe é jogado pelo João (iii) a sinceridade assusta o João – o João é assustado pela sinceridade (95) (i) a sinceridade admira o João – o João é admirado pela sinceridade (ii) o golfe joga o João – o João é jogado pelo golfe (iii) o João assusta a sinceridade – a sinceridade é assustada pelo João No entanto. por sua vez. iii) e (95i.poderiam ter sido escolhidas como sendo nucleares. qualquer gramática que possa distinguir singular de plural é poderosa o suficiente para nos permitir provar que a passiva exige a inversão de sintagmas nominais. Qualquer gramática que distinga substantivos abstratos de substantivos próprios seria sutil o suficiente para caracterizar a diferença entre (94i. argumentamos contra (93) e a favor da inversão. com base no fato de que temos sentenças como (94). iii). é interessante mostrar que existe até mesmo um argumento mais forte contra (93). e as ativas derivadas a partir delas por uma transformação “ativa”. considerando que não fomos abordar a questão de análise categorial em nossa discussão. Na seção 5. etc. assinalamos que essa abordagem requer que uma noção de “gradação de gramaticalidade” seja desenvolvida para sustentar essa distinção. Eu acredito que essa abordagem está correta e que. Essa troca é necessária? Ou poderíamos descrever a transformação passiva como tendo o seguinte efeito: (93) SN2 Por exemplo.

vimos que (96) é formado pela transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (98) all the people in the lab – consider a fool – John (SN – Verbo – SN). Se. O que interessa é que encontramos um verbo – a saber. no entanto. a gramática sintagmática incluirá (28). Fica claro que essa proposta nos leva a gramáticas muito mais complexas. iremos derivar uma não-sentença. Considere agora a questão sobre se as passivas poderiam ser consideradas sentenças nucleares. Tendo as ativas como sentenças nucleares. (99) all the people in the lab are considered a fool by John (todas as pessoas no laboratório são consideradas um bobo pelo João) pela aplicação dessa transformação a (98). 73 . Se a passiva permuta o sujeito e o objeto . considere a construção verbo + complemento discutida na seção 7. “consider a fool” – que deve concordar em número tanto com seu sujeito como com seu objeto41. ao invés das ativas. pegarmos (93) como a definição da passiva.Para ver isso. Tais verbos provam de maneira bastante conclusiva que a passiva deve basear-se em uma inversão de sujeito e objeto. Além de (88) e (89). ela irá corretamente formar (97) a partir de (98) como passiva de (96). Vimos também que a transformação passiva se aplica diretamente a (98). que mencionamos anteriormente.4. com o Verbo “consider a fool” sendo uma instância de (91). juntamente com 41 A concordância entre “a fool” e “John” em (98) é claramente um argumento a favor de uma análise transformacional mais profunda das construções verbo + complemento + sintagma nominal.4. temos sentenças como estas: (96) all the people in the lab consider John a fool (todas as pessoas no laboratório consideram o João um bobo) (97) John is considered a fool by all the people in the lab (o João é considerado um bobo por todas as pessoas no laboratório) Em 7. Mas se as passivas forem as sentenças nucleares. be + en terá de ser listado em (28iii). eliminando be + en de (28iii).

não há qualquer maneira estrutural que mostre a diferença entre (101) e (102) se ambos forem considerados sentenças nucleares. ele não pode ter o auxiliar be + en (isto é. não resta dúvida no que diz respeito à complexidade relativa.3).todas as outras formas do auxiliar. a seção 7. enquanto que se o V for transitivo. em inglês. que. contendo uma parte sintagmática e uma parte transformacional. e nós teremos de acrescentar regras especiais que indiquem que se o V é intransitivo. E esse adjetivo também será originado a partir de en + drink. existe também o adjetivo “drunk” (bêbado) que deve estar listado em (72) juntamente com “old” (velho). Convertendo-as em SN2 – Aux – V – SN1. “interesting” (interessante).. no sistema mais simples de estrutura sintagmática para o inglês. Mas. a sentença (102) John was drunk by midnight (o João estava bêbado pela meia-noite) também tem como base uma seqüência terminal subjacente que pode ser analisada de acordo com (100). onde “drunk” em (101) dá origem a en + drink. Ela iria converter. Repare que se as passivas forem escolhidas como sendo as sentenças nucleares no lugar das ativas. não podemos ter “is occurred” (é ocorrido)). e não as passivas. etc. nós enfrentaríamos certas dificuldades de um tipo bastante diferente. ele deve ter be + en (isto é. como sendo as sentenças nucleares. uma vez que temos “he is very drunk” (ele está muito bêbado). A transformação da ativa teria de se aplicar a seqüências da seguinte forma: (100) SN1 – Aux + be + en – V – by + SN2. (cf. E a aplicação da transformação “ativa” a (102) não resulta em uma sentença gramatical. “he seems drunk” (ele parece bêbado). por exemplo (101) the wine was drunk by the guests (o vinho foi bebido pelos convidados) em “the guests drank the wine” (os convidados beberam o vinho). Parece. não podemos ter “lunch eats John” (o almoço come o João)). Comparando essas duas alternativas. vemos que o 74 . Quando tentamos efetivamente estabelecer a gramática mais simples para o inglês. e somos forçados a considerar as ativas. então. Em outras palavras. etc.

quando as formas são parcialmente semelhantes. e com relações gramaticais simples como sujeito-predicado ou verbo-objeto. por exemplo. Há diversos outros casos em que o comportamento de uma sentença submetida a transformações fornece evidências valiosas e até mesmo evidentes quanto à sua estrutura de constituintes. assim como no caso da transformação passiva que discutimos há pouco. nenhuma delas falha ao incluir declarativas simples. quando estabelecemos que a seqüência terminal John – C – have + en – be + ing – read subjaz a sentença nuclear “John has been reading” (O João têm lido). p. Nós também achamos que isso seja útil na análise transformacional.. etc. e enquanto algumas considerações bastante detalhadas da estrutura do inglês não mencionam as interrogativas.. declarativas (provavelmente em número finito) e que todas as outras sentenças podem ser descritas mais simplesmente como sendo sentenças transformadas. obtemos uma descrição desnecessariamente complicada. Cada uma das transformações que eu investiguei é irreversível. assumindo que os gramáticos têm atuado a partir de uma intuição correta sobre a língua42. antes que resolvamos deixar o assunto de transformações em inglês. estamos seguindo o raciocínio que foi apresentado por Bloomfield para a morfologia: “. já que. Ninguém começaria a estudar seriamente a estrutura de constituintes do inglês com sentenças como “whom have they nominated” (quem eles têm nomeado)..6 Há mais um ponto que merece nossa atenção. porque essa regra é bastante simplificada se os constituintes estiverem estabelecidos de uma determinada maneira. Considere. por exemplo. 75 . Bloomfield continua. tentando analisá-la em duas partes. pode haver a questão de qual das duas deveremos tomar como forma subjacente. reparamos que a regra para conjunção fornece um critério útil para a análise de constituintes.. obtemos uma descrição relativamente simples” (Language [New York. ao passo que.núcleo consiste de sentenças simples. adotando a outra alternativa. por exemplo. mostrando que “essa mesma consideração frequentemente nos leva a estabelecer uma forma subjacente artificial”. No início do capítulo 5. já que. Esse fato pode explicar a prática tradicional dos gramáticos. que costumam começar a gramática do inglês com o estudo de sentenças simples no estilo “ator – ação”. ao adotarmos uma das alternativas. 1933]. 7. 218). Agora estamos interpretando essa regra como uma transformação. este par de sentenças: 42 Ao determinar qual das duas formas relacionadas é mais central. a estrutura da língua pode decidir essa questão por nós. no sentido de que é muito mais fácil proceder à transformação em uma direção do que na outra. ativas.. A análise transformacional fornece uma explicação razoavelmente simples para essa assimetria (que não tem outra justificativa formal).

para derivar (104ii). 43 76 . (103i) terá uma análise correspondente. “the boy was seen by John” (o garoto foi visto pelo João) em “the boy was seen” (o garoto foi visto). (104) (i) the boy studying in the library was known (by John) (o garoto estudando na biblioteca era conhecido (pelo João)) (ii) the boy studying in the library was found (by John) (o garoto estudando na biblioteca foi encontrado (pelo João)) (iii) the boy was found studying in the library (by John) (o garoto foi encontrado estudando na biblioteca (pelo João)) (105) the boy was known studying in the library (by John) (o garoto foi\era conhecido estudando na biblioteca (pelo João)) A transformação passiva se aplica apenas a sentenças da forma SN – Verbo – SN. possamos encontrar uma justificativa para analisarmos essas sentenças em diferentes constituintes. (103ii) deve ser analisada como (106) John – found – the boy studying in the library. Temos as sentenças (104). mas não (105)43. A análise mais simples em ambos os casos é SN – Verbo – SN – ing + SV. por exemplo. As sentenças de (104) sem a expressão entre parênteses são formadas por uma segunda transformação “elíptica” que converte. por exemplo acrescentar “not running around in the streets” (e não correndo por aí nas ruas) a (103)). dentro do nível sintagmático. mas eu não acredito que. Por isso. com o sintagma nominal objeto “the boy studying in the library”.(103) (i) John knew the boy studying in the library (o João conheceu o garoto estudando na biblioteca) (ii) John found the boy studying in the library (o João encontrou o garoto estudando na biblioteca) Intuitivamente. é óbvio que essas sentenças tenha estrutura gramatical diferente (isso fica claro quando tentamos. já que temos a passiva (104i). Mas considere o comportamento dessas sentenças quando submetidas à transformação passiva.

então. uma vez que “para casa” não é analisada nem como objeto indireto nem como adjunto adverbial. Moderna gramática brasileira. Porto Alegre. isto é. transformacional. Disso. uma seqüência transformada de (107)que possui o Verbo complexo “found studying in the library”. “o João voltou para casa”. “John knew the boy studying in the library” (=(103i)). como Luft (LUFT. A descrição resultante de (103) parece estar de acordo com nossa intuição. Como um outro exemplo do mesmo tipo. Rio de Janeiro: Globo. ou “what did John come” (o que o João veio?) aplicando a transformação Tw. C. Devemos então analisar (108) de alguma outra forma (se não quisermos complicar desnecessariamente a descrição dessas transformações). 42). A transformação passiva irá converter (107) em (104iii).Mas (103ii) também tem a passiva (104iii). estudada na seção 7. repare que esse mesmo tipo de sentença (108) é problemático para a análise gramatical tradicional em português.) chamam esse tipo de complemento de “complemento (indireto) locativo” (p. . P. 1986.4. com o objeto “the boy studying in the library”. com “home” sendo o objeto de “came”. em verdade. No entanto. (103i) não é uma sentença transformada da seqüência “John – knew studying in the library – the boy” (a mesma forma que (107)). ela é derivada por uma transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (107) John – found studying in the library – the boy. concluímos (103ii) é um caso da construção verbo + complemento. considere a sentença (108) John came home (o João volto para casa) Embora “John” e “home” (casa) sejam SNs. No entanto. com o verbo “found” (encontrou) e o complemento “studying in the library” (estudando na biblioteca). Alguns gramáticos. e “came” (voltou) seja um Verbo. O princípio geral é este: se temos uma transformação que simplifique a gramática e conduz de 77 [u16] Comentário: Essas explicações evidentemente não se aplicam à tradução da sentença em português. no entanto. parece não haver razões fortes para negar a (108) a análise completamente intuitiva SN – Verbo – SN. assim como converteu (90) em (89). ou como SN – Aux – V – SN – Comp. apresenta apenas a primeira análise. Não podemos ter “home was come by John” (a casa foi voltada pelo João) aplicando a transformação passiva. determinamos que “John found the boy studying in the library” (=(103ii)) é analisável ambiguamente como SN – Verbo – SN. uma investigação do efeito das transformações sobre (108) mostra que ela não pode ser analisada como um caso de SN – Verbo – SN. talvez como SN – Verbo – Advérbio. Acredito que seja justo dizer que um número significante de critérios básicos para determinar a estrutura de constituintes é. Pelo estudo das passivas gramaticais. já que (105) não é uma sentença gramatical. Fora considerações como essas.

então. 78 . Na seção 7. Definimos transformações como as passivas em termos de análises específicas da estrutura sintagmática e então consideramos o comportamento de sentenças que sofreram essas transformações. As correspondências intuitivas e as explicações de aparentes irregularidades parecem oferecer evidências importantes para a exatidão da abordagem que temos adotado. O leitor deverá talvez ter notado uma certa circularidade ou até mesmo uma aparente inconsistência em nossa abordagem. estamos tentando construir uma gramática do inglês que poderá ser mais simples do que qualquer proposta alternativa. Temos seguido. então podemos tentar atribuir uma estrutura de constituintes a sentenças de tal maneira que essa transformação sempre nos conduzirá a sentenças gramaticais.sentença a sentença em um grande número de casos (isto é. Cf. Em cada um dos casos. Na seção 7. e não de descoberta. Utilizando a estrutura de constituintes e as transformações.5. o percurso esboçado no capítulo 6. e tentamos mostrar que a análise proposta é claramente mais simples do que as alternativas que rejeitamos. portanto.6. o capítulo 8. uma transformação em que o conjunto de sentenças gramaticais é praticamente fechado). simplificando. Contudo. poderemos ver claramente que não há circularidade nem inconsistência. Nosso objetivo mais fraco de avaliação. se seguirmos o argumento cautelosamente em cada caso. nossa única preocupação foi a de diminuir a complexidade da gramática. utilizamos o fato de “John came home” (=(108)) não possuir uma passiva como um argumento contra a atribuição da estrutura SN – Verbo – SN a essa sentença. Em alguns casos a gramática se torna mais simples se rejeitarmos certas transformações. não importa o quão extenso. e não estamos sequer pensando na questão de como se poderia realmente chegar a essa gramática de alguma maneira mecânica a partir de um corpus do inglês. utilizamos o fato de “John was drunk by midnight” (=102) não possuir uma “ativa correspondente como um argumento contra a criação de uma transformação passivapara-a-ativa. em outros casos. a gramática ainda mais. elimina qualquer risco de circularidade viciosa nos casos que discutimos. é preferível o restabelecimento da estrutura de constituintes. determinando como atribuir uma estrutura sintagmática a essas sentenças.

É razoável esperarmos que as gramáticas forneçam explicações para alguns desses fatos. para muitos falantes do inglês. Mas quando desenvolvemos o nível da representação morfológica. Vimos que essa concepção nos leva naturalmente à descrição de línguas em termos de um conjunto de níveis de representação. /↔n/. como “a name” (um nome) ou “an aim” (um objetivo). como conseqüência direta da tentativa de estabelecer a morfologia da maneira mais simples possível. Por exemplo. dos quais alguns são bastante abstratos e não triviais. Se nossa gramática fosse um sistema de apenas um nível. descobrimos que a seqüência de fonemas /↔neym/ é representada de maneira ambígua no nível morfológico.8. “aim” (objetivo) e “name” (nome). poderíamos não ter qualquer explicação para esse fato. por razões independentes. conduz-nos ao estabelecimento da estrutura sintagmática e da estrutura transformacional como dois níveis distintos de representação de sentenças gramaticais. O PODER EXPLICATIVO DA TEORIA LINGÜÍSTICA 8. somos forçados a estabelecer os morfemas “a” (um/a). Assim. respectivamente. /eym/ e /neym/. de uma língua. a seqüência de fonemas /↔neym/ pode ser entendida de maneira ambígua. associados com as formas fonêmicas /↔/. Particularmente. atribuímos ao lingüista a tarefa de produzir um certo tipo de mecanismo (chamado gramática) para a gerar todas as sentenças. eram de algum modo pressupostas. Em geral. no entanto. Existem muitos fatos sobre a linguagem e sobre o comportamento lingüístico que precisam de explicações que vão além de explicações do tipo “esta ou aquela seqüência (que pode nunca ter sido produzida por alguém) é ou não é uma sentença”. sentenças que. “an” (um/a). por hipótese. Isso sugere um critério de adequação para as gramáticas. dizemos que temos um caso de construção de homonímia quando uma determinada seqüência de fonemas pode ser analisada de mais de uma maneira em algum nível. Iremos agora proceder à formulação dos objetivos do lingüista em termos bem diferentes e independentes que. levarão a noções muito parecidas de estrutura lingüística. e somente essas. descobrimos que.1 Até aqui. lidando apenas com fonemas. Podemos testar a adequação de uma determinada gramática perguntando se cada caso de construção de homonímia é um caso real de ambigüidade e se cada caso de ambigüidade genuína é ou não um caso de 79 .

em algum nível.construção de homonímia44. cf. Mas no nível sintagmático são ambas interpretadas como SN – Verbo – SN. De maneira mais geral. Expressões como “old men and women” e “they are flying planes” são evidentemente ambíguos e são. Hockett utiliza noções de ambigüidade estrutural para demonstrar a independência de diversas noções lingüística de maneira bastante similar ao que sugerimos aqui. em certo sentido. que. mas por um Obviamente. mesmo que não o sejam em nenhum outro nível inferior. Em “Two models of grammatical description”. homens velhos e mulheres velhas / mulheres velhas e homens. se uma determinada concepção da forma da gramática conduzir a uma gramática de uma determinada língua que falhe nesse teste. Word 10. Temos um caso de construção de homonímia quando uma seqüência de fonemas tem uma representação ambígua. Assim. estabelecimento de um nível de estrutura sintagmática. de outra forma. Já a segunda expressão apresenta ambigüidade apenas em inglês. Por exemplo. poderemos questionar a adequação dessa concepção e a teoria lingüística que a subjaz. duas seqüências distintas de fonemas são analisadas de maneira similar o idêntica. a primeira expressão também é ambígua. as sentenças (109) (i) John played tennis (o João jogou tênis) (ii) my friend likes music (meu amigo gosta de música) são bastante diferentes. Em português. um argumento perfeitamente válido para o estabelecimento de um nível morfológico é que irá dar conta da ambigüidade de /↔neym/. Linguistics Today. “light” (que pode significar “claro” ou “leve”). tanto no nível fonológico como morfológico. respectivamente. por exemplo. Lembre-se de que a análise de uma expressão no nível sintagmático não é fornecida apenas por apenas uma seqüência. e exemplos como esse justificam o estabelecimento de um nível sintagmático independente do que foi apresentado no capítulo 3. Repare que considerações sobre a ambigüidade estrutural também podem justificar o [u17] Comentário: A tradução dessas expressões é “homens e mulheres velhas” e “eles são aviões” / “eles estão voando aviões”. assim como casos de dupla representação são “entendidas” de mais de uma maneira. analisados de maneira ambígua no nível da estrutura sintagmática. Esse fato não poderia ser explicado por a uma gramática que não ultrapassasse o nível das palavras ou morfemas. Suponhamos que. de fato. que ela explicasse a ambigüidade referencial de “son” – “sun” (filho – sol). nem todos os casos de ambigüidade serão analisados em termos sintáticos. não é explicada. Não iríamos esperar de uma gramática. 44 80 . conseqüentemente é evidente que. etc. Imaginamos que essas seqüências devam ser de alguma forma “entendidas” de maneira semelhante. 210-33 (954). são compreendidas da mesma maneira.

2 Na seção 7. O que estamos sugerindo é que a noção de “compreensão de uma sentença” seja explicada em parte nos termos da noção de “nível lingüístico”. de um modo diferente do que vimos nos capítulos 5 e 7. essa sentença era uma sentença transformada pelas transformação Tobsep. a inadequação de uma teoria de estrutura lingüística que não ultrapassava a estrutura sintagmática. mesmo depois que estabelecemos o nível da estrutura sintagmática e o aplicamos ao inglês. uma vez desenvolvida uma gramática transformacional. Vimos que. Na verdade. apresentamos o exemplo de uma sentença (“I found the boy studying in the library” = (103ii)) cuja ambigüidade de representação não podia ser demonstrada sem considerarmos alguns critérios transformacionais. Para compreender uma sentença. essa sentença se mostra um exemplo de ambigüidade transformacional. por aquilo que chamo de “indicador sintagmático” (“phrase marker”) em The logical structure of linguistic theory e “Three models for the description of language”.diagrama como (15) ou. Conseguimos mostrar. pelo menos. como veremos. Em geral. e podemos testar a adequação de um determinado conjunto de níveis lingüísticos abstratos conferindo se as gramáticas formuladas em termos desses níveis nos permitem fornecer uma análise satisfatória da noção de “compreensão” ou não. por um determinado conjunto de seqüências representativas45. em uma das interpretações. Cf. primeiramente é necessário reconstruir sua análise em cada nível lingüístico. provam a existência de níveis superiores. ela era analisada em SN – Verbo – SN com o objeto “the boy studying in Ou seja. No entanto. a estrutura transformacional. 8. Os casos com alto nível de representação semelhante e com alto nível de representação dessemelhante (construção de homonímia) são simplesmente os casos extremos que. então. e não de construção de homonímia dentro da estrutura sintagmática. a partir de “I – found studying in the library – the boy”. Irei mostrar apenas alguns exemplos representativos. de maneira equivalente. aceitando nosso modelo. não está claro que existam quaisquer casos de construção de homonímia puros quando dentro do nível da estrutura sintagmática. e segundo a outra interpretação.6. não conseguimos compreender plenamente qualquer sentença a menos que saibamos. Análises desses casos demonstram a necessidade de um nível ainda mais alto de análise transformacional. através de casos de ambigüidade e semelhança de compreensão que não eram explicados em níveis inferiores. Mas parece que ainda há um grande número de casos não explicados. incluindo os níveis superiores como a estrutura sintagmática e. como ela é analisada em todos os níveis. 45 81 . “Three models for the description of language” para discussão sobre a construção de homonímia de “they are flying planes” dentro do paradigma da gramática sintagmática. quando unimos uma gramática transformacional à gramática sintagmática.

Esse é um exemplo bastante complexo. etc. analogamente a (112i). e exemplos mais simples de ambigüidade sem uma origem transformacional não são difíceis de encontrar. a sentença é uma sentença transformada do par de seqüências terminais que subjaz as seguintes sentenças nucleares simples: (109) (i) I found the boy (eu encontrei o garoto) (ii) the boy is studying in the library (o garoto está estudando na biblioteca) Por isso. 46 82 . “hunters” pode ser sujeito ou objeto).que pode ser entendido de maneira ambígua. Uma análise transformacional mais profunda teria mostrado que. que requer um estudo detalhado da maneira com que as transformações determinam a estrutura de constituintes.the library”. intransitivo e transitivo ou intransitivo. Se analisarmos os verbos em três classes. Análises cuidadosas do inglês mostram que podemos simplificar a gramática se eliminarmos sintagmas como (111) e (112) do núcleo e os reintroduzirmos por transformações. transitivo. em ambos os casos. Considere o sintagma (111). não haverá base que sustente a afirmação de que ou a relação sujeito-verbo ou a relação verbocomplemento deve aparecer em (111). estabeleceremos uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN – C – V no sintagma É verdade que (111) pode ser representado de maneira ambígua considerando shoot (atirar) como um verbo transitivo ou intransitivo. ou como sendo o objeto. todos esses sintagmas são representados como the – V + ing – of – SN46. (111) the shooting of the hunters (os disparos dos caçadores) (112) (i) the growling of lions (o rugido dos leões) (ii) the raising of the flowers (o cultivo das flores) No nível da estrutura sintagmática. não há uma boa maneira para explicar essa ambigüidade. Porém. de uma sentença cuja ambigüidade é o resultado de desenvolvimentos transformacionais alternativos a partir das mesmas seqüências nucleares. então essa mesma distinção (em si insuficiente) irá desaparecer. Para dar conta de sintagmas como (112i). contudo. existe uma explicação clara e automática. com “hunters” (caçadores) como sendo o sujeito. mas o fato essencial aqui é que a relação gramatical em (111) é ambígua (isto é. esse é um caso interessante. Em termos transformacionais. nesses termos. As relações gramaticais podem ser definidas dentro da estrutura de constituintes em termos da forma de diagramas do tipo de (15). analogamente a (112ii).

tanto “the hunters shoot” (os caçadores atiram) como “they shoot the hunters” (eles atiram nos caçadores) são sentenças nucleares.correspondente da forma the – V + ing – of + SN. “John painted the picture by a new technique” (o João pintou o quadro por uma nova técnica). ainda que sejam representadas de forma idêntica. contudo. por exemplo. e a segunda irá converter “John raises flowers” (o João cultiva flores) em “the raising of the flowers” (o cultivo de flores). Não temos essa ambigüidade em (112). a primeira dessas transformações irá converter “lions growl” (os leões rugem) em “the growling of the lions” (o rugido dos leões). A sentença (113ii) é a passiva de “a real artist painted the picture” (um verdadeiro artista pintou o quadro). A ambigüidade da relação gramatical em (111) é uma conseqüência do fato de que a relação de “shoot” e “hunters” difere nas duas sentenças nucleares subjacentes. ela será representada de forma ambígua no nível transformacional. Contudo. primeiro a passiva e depois a transformação elíptica (já mencionada anteriormente). (114) John was frightened by the new methods (o João estava assustado com os / pelos novos métodos) 83 . que apaga o “agente” na voz passiva. Já (113i) é formada a partir de. Por exemplo. Suas histórias transformacionais. Um homônimo perfeito que segue (113) não é difícil de encontrar. Assim. nem “flowers raise” (flores cultivam) são sentenças nucleares gramaticais. já que nem “they growl lions” (eles rugem os leões). Para dar conta de (112ii). como SN – was + Verbo + en – by + SN no nível de estrutura sintagmática. são muito diferentes. e essa transformação será projetada de tal forma que o resultado seja um SN. Logo (111) = “the shooting of the hunters” terá duas origens transformacionais distintas. Da mesma forma. através de uma dupla transformação. iremos estabelecer uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN1 – C – V – SN2 no SN correspondente da forma the – V + ing – of + SN2. considere os seguintes pares: (113) (i) the picture was painted by a new technique (o quadro foi pintado por uma nova técnica) (ii) the picture was painted by a real artist (o quadro foi pintado por um artista de verdade) Essas sentenças são compreendidas de maneira bastante diferente.

pode significar tanto que João é um conservador – novos métodos o assustam. já discutidas na seção 7. Certamente. e qualquer falante do inglês irá compreender essas sentenças de acordo com esse padrão. as interrogativas podem ser intuitivamente subdivididas em dois tipos: perguntas sim-ou-não (115ii) e perguntasQU (115iii.pergunta sim-ounão . a saber. (115iii) e (115iv). como que novos métodos de assustar pessoas haviam sido usados para assustar o João (uma interpretação mais normal para a sentença em inglês se “being” aparecesse logo após de “was”).pergunta-QU interrogativa Parece intuitivamente óbvio que (115) contém dois tipos de sentenças: declarativas (115i) e interrogativas (15ii-iv).pergunta-QU interrogativa (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã) . Considere as seguintes sentenças. é difícil encontrar uma base formal que não seja arbitrária nem ad hoc para essa classificação. Se classificarmos as sentenças com base na ordem das palavras. um caso de sentenças que são compreendidas da mesma maneira.declarativa (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) . Além disso. que apresenta uma entonação ascendente. iv). que invertem o sujeito e o auxiliar.2: (115) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) .interrogativa (iii) what did John eat (o que o João comeu?) . (114) tem ambas as análises.3 Podemos completar nossa discussão apresentando um exemplo do extremo oposto. uma teoria lingüística que falha em fornecer uma base para essa classificação deve ser considerada inadequada. de (113i) e de (113ii). 84 . No entanto. Se. por exemplo. Ainda assim. classificarmos as sentenças por sua entonação “normal”. o que explica a sua ambigüidade. serão opostas a (115ii). então (115i). com uma entonação normal de declarativas (descendente). então (115i) e (115iv). 8. No nível transformacional. com a ordem normal SN – Verbo – SN serão opostas a (115ii) e (115iii). embora sejam bastante distintas na estrutura sintagmática e no nível inferior de representação. qualquer gramática do inglês irá classificar essas sentenças da maneira indicada em (115).

além das transformações Tint e Tw. quando formularmos a gramática transformacional mais simples para (115). Assim. Suponhamos que determinássemos os tipos de sentenças em geral em função de sua história transformacional. sua representação no nível transformacional. Já (15iii) e (115iv) são formadas pela aplicação das transformações obrigatórias.A representação de uma seqüência no nível transformacional é dada por uma seqüência terminal (ou mais de uma seqüência) que a origina e pela série de transformações de que é derivada. (115iiiv). (15ii-iv) são todas interrogativas. Elas diferem uma da outra apenas na escolha do sintagma nominal a que Tw se aplica. veremos que a classificação intuitivamente correta das sentenças é dada pelas representações transformacionais resultantes. as grandes subdivisões de (115) seriam as sentenças nucleares (115i) e as sentenças que sofreram a transformação Tint. ou seja. já que elas são formadas pela transformação adicional Tw. Cada uma dessas sentenças se originou da seqüência terminal (116) John – C – eat + an + apple (=(61)). chegamos às seguintes conclusões sobre as sentenças em (115) (=(70)). ela é uma sentença nuclear. A sentença (115i) é derivada de (116) apenas pela aplicação das transformações obrigatórias. que é derivada na estrutura da gramática sintagmática. (115ii) é formada de (116) pela aplicação das transformações obrigatórias e da Tint. Logo.2. Nas seções 7. logo. Então. Já (115iii-iv) formariam uma subclasse especial das interrogativas.1 e 7. a partir dessa seqüência subjacente. 85 .

já encontramos casos de sentenças que podem ser compreendidas de mais de uma maneira e que são representadas de maneira ambígua no nível transformacional (mas não em outros níveis) e casos de sentenças que são compreendidas de maneira semelhante e têm uma representação semelhante apenas no nível transformacional. percebemos que o conhecimento da representação transformacional de uma sentença (que incorpora a estrutura sintagmática das seqüências nucleares a partir das quais a sentença se originou) é tudo o que é necessário para determinar a estrutura sintagmática derivada da sentença transformada. é necessário conhecer as sentenças nucleares das quais ela se originou (mais precisamente. ao problema de se explicar como as sentenças nucleares são compreendidas. a partir das sentenças nucleares47. SINTAXE E SEMÂNTICA 9. A verdadeira questão que deveria ser feita é esta: “como é que os mecanismos sintáticos disponíveis em uma dada língua funcionam no uso real dessa língua?”.9. entramos em um território perigoso.1 Agora. ao invés de se preocupar com esse importante problema. O problema geral de se analisar o processo de “compreensão” é então reduzido. assim como a história transformacional de seu desenvolvimento. Ao propormos que a estrutura sintática pode fornecer um certo “insight” para problemas de significado e compreensão. utilizando-se a noção de nível lingüístico. as seqüências terminais subjacentes a essas sentenças nucleares) e a estrutura sintagmática de cada um desses componentes básicos. Além do mais. 47 86 . Não há nenhum domínio do estudo lingüístico que esteja mais sujeito a confusões e mais necessitado de uma formulação clara e cuidadosa do que aquele que trata dos pontos de ligação entre sintaxe e semântica. mais complexas da vida real são formadas através do desenvolvimento transformacional. Particularmente. isso nos dá mais força para sugerirmos que o processo de “compreensão de uma sentença” pode ser explicado. o estudo das interfaces entre sintaxe e semântica tem sido dominado Quando a análise transformacional é formulada de maneira mais cuidadosa. Isso nos dá uma motivação independente para a descrição da língua em termos de estrutura transformacional e para o estabelecimento de uma representação transformacional como um nível lingüístico com o mesmo caráter fundamental dos outros níveis. de certo modo. em parte. No entanto. para compreendermos uma sentença. essas sendo consideradas os “elementos de conteúdo” básicos a partir dos quais as sentenças mais comuns.

esse problema possa ser mais elucidado por uma discussão puramente negativa sobre a possibilidade de se encontrar uma base semântica para a teoria sintática. em si mesma. No entanto. Contudo. a teoria que esboçamos nos capítulos 3 a 7 foi completamente formal e não-semântica. nesse caso. Talvez. Na verdade. da gramática). por causa da larga aceitação de sugestões desse tipo. e o desafio geralmente lançado por aqueles que optam pela afirmativa nessa disputa é o seguinte: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. 9. duas expressões que têm em comum apenas sua vaguidade e sua indesejabilidade na teoria lingüística. Não conheço nenhuma tentativa detalhada para desenvolver a teoria da estrutura gramatical em termos parcialmente semânticos ou qualquer proposta específica e rigorosa que utilize informações semânticas na construção ou na avaliação de gramáticas. É inegável que a “intuição sobre a forma lingüística” é bastante útil ao investigador da forma lingüística (ou seja. Acredito que a inadequação das sugestões sobre o uso do significado na análise gramatical não é aparente apenas por causa de sua vaguidade e por causa de uma tendência infeliz de se confundir “intuição sobre a forma lingüística” com “intuição sobre o significado”. No capítulo 8.2. Parece também claro que o maior objetivo da teoria gramatical seja substituir essa dependência obscura na intuição por alguma abordagem rigorosa e objetiva. com igual motivação: “como se pode construir uma gramática sem saber a cor do cabelo dos falantes da língua?”. A questão. As observações no capítulo 8 sobre possíveis implicações semânticas do estudo sintático não deve ser mal interpretadas como argumentos a favor da noção de que a gramática deva ser baseada no significado.largamente por uma questão paralela mal formulada. Poder-se-ia se fazer a seguinte pergunta. há pouca evidência de que a “intuição sobre o significado” seja útil na investigação da forma lingüística. indicamos brevemente algumas maneiras em que o uso real dos mecanismos sintáticos disponíveis pode ser estudado. A pergunta que realmente deveria ser feita é a seguinte: “como se pode construir uma gramática?”. pode ser que valha a pena investigar brevemente algumas delas. 87 .1 Muitos esforços têm sido feitos na tentativa de responder à pergunta: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. ainda que o peso da prova recaia. já que a implicação de que é obviamente possível construir uma gramática apelando para o significado é completamente não comprovada. A questão tem sido saber se a informação semântica é ou não é necessária para descobrir ou selecionar uma gramática. não está bem formulada.

completamente no lingüista que afirma ter conseguido desenvolver alguma noção gramatical em termos semânticos. 9.22 Entre os argumentos mais comuns invocados a favor da dependência da gramática em relação ao significado, encontramos os seguintes: (117) (i) dois enunciados são fonemicamente distintos se e apenas se eles diferem no significado; (ii) os morfemas são os menores elementos que possuem significado; (iii) sentenças gramaticais são aquelas que têm um significado semântico; (iv) a relação gramatical sujeito-verbo (isto é, SN – SV como uma análise da Sentença) corresponde ao “sentido estrutural” geral ator-ação; (v) a relação gramatical verbo-sujeito (isto é, Verbo – SN como uma análise da Sentença) corresponde ao sentido estrutural ação-objetivo ou ação-objeto da ação; (vi) uma sentença ativa e sua correspondente passiva são sinônimas. 9.23 Muitos lingüistas manifestaram a opinião de que a distinção fonêmica deve ser definida em termos de significado diferencial (sinonímia, para usar um termo mais familiar), como proposto em (117i). No entanto, é evidente que (117i) não pode ser aceito, da maneira que está, como sendo uma definição de distinção fonêmica48. Se realmente quisermos responder à pergunta e não adiá-la, os enunciados em questão devem ser enunciados-ocorrência e não enunciados-tipo. the utterances in question must be tokens, not types. Mas existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente distintos e idênticos em significado (sinônimos) e existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente idênticos e distintos em significado (homônimos). Logo, (117i) é falso em ambos os sentidos. Da esquerda para a direita, ele é falsificado por pares como “solteiro” e “homem não casado”, ou de maneira ainda mais séria, por sinônimos absolutos como /ekInámiks/ e /iykInámiks/ (“economics” (economia)), “ádult” e “adúlt” (adulto) e muitas outras que podem coexistir até mesmo dentro de um mesmo estilo de fala. Da direita para a esquerda, (117i) é falsificada por pares como “banco” (de praça) e
[u19] Comentário: Aqui, Chomsky enumera exemplos de palavras que apresentam mais de uma pronúncia, sem qualquer alteração no significado. Exemplos em português seriam “garage” e “garagem”, “bergamota” e “vergamota”. [u18] Comentário: Decidi traduzir “utterance tokens” por “enunciados-ocorrência” e “utterance types” por “enunciadostipo”.

Veja meu “Semantic considerations in grammar”, Monograph n. 8, p. 141-53 (1955), para uma investigação mais detalhada de (117i).

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“banco” (instituição financeira)49, “metal” (metal) e “medal” (medalha) (em alguns dialetos do inglês) e numerosos outros exemplos. Em outras palavras, se atribuímos dois enunciados-ocorrência ao mesmo enunciado-ocorrência com base em (117i), iremos conseqüentemente obter a classificação errada em um grande número de casos. Uma afirmação mais fraca que (117i) poderia ser melhorada como se segue. Suponhamos que temos um sistema fonético absoluto, pressuposto à análise de qualquer língua, e detalhado o suficiente para que quaisquer dois enunciados fonemicamente distintos em qualquer língua possam ser transcritos de maneira diferente. Pode ser o caso de que alguns enunciados-ocorrência diferentes podem ser transcritos de maneira idêntica nessa transcrição fonética Suponhamos que definimos a “ambigüidade de significado” de um enunciado-ocorrência como sendo um conjunto de significados de todos os enunciados-ocorrência transcritos de maneira idêntica a esse enunciadoocorrência. Poderíamos agora revisar (117i), substituindo “significado” por “significado ambíguo”. Isso poderia fornecer uma abordagem ao problema da homonímia, se tivéssemos um corpus imenso que nos garantisse a ocorrência de cada uma das formas foneticamente distintas de uma palavra com cada um dos sentidos possíveis dessa palavra. Pode ser possível elaborar essa abordagem ainda mais, para dar conta do problema dos sinônimos. De certa forma, poderíamos esperar determinar a distinção fonêmica através de uma trabalhosa investigação do significado de itens foneticamente transcritos em um vasto corpus. No entanto, a dificuldade em determinarmos de alguma maneira precisa e realista a quantidade de significados que podem ser partilhados por diversos itens, além da imensidade da tarefa, tornam as perspectivas de uma abordagem como essa bastante duvidosas. 9.2.4 Felizmente, não temos de prosseguir com um programa tão ambicioso e complexo para determinar a distinção fonêmica. Na prática, cada lingüista usa mecanismos semânticos muito mais simples e diretos. Suponhamos que um lingüista esteja interessado em determinar se “metal” e “medal” são foneticamente distintos em algum dialeto do inglês. Ele não vai investigar o significado dessas palavras, já que essa informação é claramente irrelevante para seus objetivos. Ele sabe que os significados
49 Repare que não podemos argumentar que “banco” em “o banco da praça” e “banco” em “o banco de minha conta corrente” seja duas ocorrências da mesma palavra, já que essa é precisamente a questão que investigamos aqui. Dizer que dois enunciados-ocorrência são ocorrências da mesma palavra é dizer que eles não são fonemicamente distintos, e presumivelmente é isso que o critério de sinonímia (117i) deveria nos determinar.

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são diferentes (ou ele simplesmente não está interessado na questão) e está interessado em determinar se essas palavras são ou não são fonemicamente distintas. Um lingüista de campo cuidadoso iria provavelmente utilizar o teste do par50 com dois informantes ou com um informante e com um gravador. Por exemplo, ele poderia fazer uma seqüência aleatória de cópias de enunciados-ocorrência que o interessasse e então determinar se o falante consegue ou não identificá-la de maneira consistente. Se houver uma identificação consistente, o lingüista pode aplicar um teste ainda mais restrito, pedindo ao falante para repetir cada palavra por diversas vezes, utilizando o teste do par mais de uma vez nas repetições. Se for mantida uma distinção consistente durante a repetição, ele irá dizer que as palavras “metal” e “medal” são foneticamente distintas. O teste do par, com suas variantes e versões mais elaboradas, fornece um critério claro e operacional para a distinção fonêmica em termos completamente não semânticos51. É comum considerarmos abordagens não semânticas de gramáticas como sendo alternativas de abordagens semânticas e criticá-las por serem complexas demais, mesmo que sejam, em princípio, possíveis e realizáveis. Vimos, porém, que, no caso da distinção fonêmica, pelo menos, exatamente o oposto é que é verdadeiro. Há uma abordagem bastante direta e operacional para a determinação da distinção fonêmica em termos de mecanismos não semânticos, como o teste dos pares. Pode ser possível, em
Cf. o meu texto “Semantic considerations of grammar”, Monograph n. 8, p. 141-54 (1955); M. Halle, “The strategy of phonemics”, Linguistics Today, Word 10. 197-209 (1954); Z. S. Harris, Methods in structural linguistics (Chicago, 1951), p. 32f; C. F. Hockett, A manual of phonology = Memoir 11, Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore, 1955), p. 146. 51 Lounsburry argumenta em seu “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”, Language 32. 15894 (1956), p. 90, que o apelo à sinonímia é necessário para distinguir entre a variação livre e o contraste: “se um lingüista que não conheça inglês ouvir da minha boca a palavra cat (gato) primeiramente com uma oclusiva final aspirada e depois com uma oclusiva final pré-glotalizada não realizada, os dados fonéticos não irão dizer se essas formas contrastam ou não. Será apenas quando ele pergunta a mim, seu informante, se o significado da primeira forma é diferente do significado da segunda, e eu respondo que não, que ele conseguirá proceder com sua análise fonêmica”. Como um método geral, essa abordagem é insustentável. Suponhamos que o lingüista grave /ekInámiks/ e /iykInámiks/ e pergunte se têm diferentes significados. Ele irá descobrir que não têm significados diferentes e irá atribuir a eles a mesma análise fonêmica, de maneira equivocada, se levar a oposição literalmente. Por outro lado, há muitos falantes que não distinguem “metal” de “medal”, ainda que, se perguntados, podem ter bastante certeza que eles fazem essa distinção. As respostas de informantes como esses à pergunta direta de Lounsburry sobre o significado certamente iriam apenas obscurecer a questão. Podemos deixar a posição de Lounsburry mais aceitável se substituirmos a pergunta “eles têm o mesmo significado?” por “elas são a mesma palavra?”. Isso irá evitar as armadilhas da pergunta semântica essencialmente irrelevante, mas ainda não fica aceitável nessa forma, já que equivale a pedir ao informante que faça o trabalho do lingüista; substitui um teste operacional de comportamento (como o teste dos pares) por um julgamento do informante sobre seu comportamento. Os testes operacionais para as noções lingüísticas podem exigir que o informante responda, mas não que ele expresse sua opinião sobre seu comportamento, sobre seu julgamento sobre sinonímia, sobre distinção fonêmica, etc. As opiniões do informante podem estar baseadas em qualquer tipo de fatores irrelevantes. Essa é uma distinção importante que deve ser cuidadosamente observada para que as bases operacionais da gramática não sejam tornadas triviais.
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logo desfaz essa ilusão. trata-se de uma conseqüência de assumirmos que as abordagens semânticas são. Qualquer tentativa para fornecer uma descrição cuidadosa. dada a obscuridade inerente do assunto) na determinação da identidade de significado. Não perguntamos se os significados atribuídos a enunciados-ocorrência distintos (mas fonemicamente idênticos) são idênticos ou meramente muito semelhantes. Uma abordagem semântica a alguma noção gramatical requer um desenvolvimento tão detalhado e 91 . qualquer abordagem de distinção fonêmica em termos semânticos ou é circular ou é baseada em uma distinção que é consideravelmente mais difícil de estabelecer do que a distinção que ela deveria esclarecer. que o significado de uma palavra é um componente fixo e imutável de cada ocorrência. podemos explicar a larga aceitação de uma formulação como (117i)? Acredito que existam duas explicações para isso. a classe de situações em que eles podem ser utilizados.25 Existe ainda mais uma dificuldade de principio que deve ser mencionada na discussão de qualquer abordagem semântica à distinção fonêmica. Pareceria. 9. desenvolver algum teste semântico equivalente ao teste dos pares e suas variantes. então a circularidade parece inevitável.teoria.6 Como. Se. de certa forma. dadas imediatamente e são simples demais para exigirem uma análise.2. mas parece que qualquer procedimento desse tipo será muito complexo e exigirá uma análise exaustiva de um corpus imenso. Em parte. Teremos de determinar quando dois significados distintos são suficientemente semelhantes para serem considerados “o mesmo”. tentarmos manter a posição de que os significados atribuídos são sempre idênticos. então. então. então todas as dificuldades de determinar a distinção fonêmica terão o seu paralelo (ampliado. Mas é difícil tornar de algum modo convincente uma concepção do significado como essa sem qualquer menção prévia ao enunciado-tipo. que mesmo independentemente de nossas objeções anteriores. além de envolver os lingüistas em uma tentativa vã de determinar a quantidade de significados que uma dada seqüência de fones poderia ter. o tipo de resposta que eles normalmente evocam. 9. ou alguma coisa do gênero. por outro lado. Se for o caso de eles serem meramente muito semelhantes. Parece que o único meio de manter uma posição como essa seria conceber o significado de um enunciado-ocorrência como “a maneira em que os enunciados-ocorrência desse tipo são (ou podem ser) usados”. no entanto.

Acredito que qualquer um que deseje salvar a expressão “estudo do significado” como sendo um F. Lounsburry. Pode-se muito bem desenvolver um teste operacional para a rima que mostraria que “bill” e “Pill” estão relacionados de uma forma que “bill” e “ball” não estão. uma abordagem semântica à distinção fonêmica enfrenta dificuldades consideráveis. parece ser o caso de que aqueles que propõem alguma variante de (117i) devem estar interpretando o “significado” de maneira tão abrangente que qualquer resposta à linguagem é chamada de “significado”. 52 92 . na minha opinião. essencialmente.cuidadoso como qualquer outra abordagem não semântica. Mas aceitar esse ponto de vista significa tirar do termo “significado” qualquer interesse relevante. no teste dos pares. que identifique os enunciados-ocorrência por números escolhidos aleatoriamente.2.2. se tirarmos a palavra “significado” dessa afirmação. Language32. “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”. 53 Não se pode fazer confusão com o fato de que. não há garantias de que as interpretações das respostas estudadas no teste dos pares sejam semânticas53. p. somos obrigados a elaborar uma construção tão complexa com tantas premissas intoleráveis que dificilmente poderá ser considerada uma proposta séria. se interpretamos de forma literal a afirmação citada. etc. E vimos em 9.3 que se fôssemos determinar o contraste por meio de “significado das respostas” de qualquer maneira direta. teremos uma referência perfeitamente aceitável a técnicas como o teste dos pares. No entanto. Observamos na seção 9. Por isso. Não podemos utilizar alguma formulação particular do teste dos pares como um argumento para a dependência de uma teoria gramatical no significado. relativos ao método lingüístico: “em análise lingüística. Além do mais. definimos o contraste entre formas de maneira operacional em termos de diferença no significado das respostas”52. A identidade fonêmica é.5 que parecem existir dificuldades de princípios ainda mais profundas. Não haveria qualquer elemento semântico nesse teste. Um segundo motivo por que formulações como (117) parecem ser aceitas é. Porém. a rima completa. Parece estranho que aqueles que fizeram objeções a fundamentar a teoria lingüística em formulações como (117i) tenham sido acusados de desprezo em relação ao significado. por signos do zodíaco. uma confusão entre os termos “significado” e “resposta do informante”. 158-64 (1956). 191. estaríamos nos equivocando em diversos pontos. e se tentarmos evitar as dificuldades que naturalmente aparecem. Podemos pedir a ele. como vimos. Ao contrário. Podemos encontrar comentários como este. da mesma forma. se pode pedir ao sujeito para que identifique os enunciados-ocorrência pelo significado. da mesma maneira como não podemos utilizá-la como um argumento para afirmar que a lingüística está baseada na aritmética ou na astrologia. devemos considerá-la incorreta e rejeitá-la. e não há mais motivos para postular alguma reação semântica não observada no caso de “bill” e “ball” do que no caso de “bill” e “pill”.

a atribuição (117v) de qualquer significado estrutural ação-objetivo à relação verbo-objeto é invalidada por sentenças como “I will disregard his incompetence” (eu irei ignorar a incompetência dele) ou “I missed the train” (eu perdi o trem). “glow” (brilho)54. é impossível provar que noções semânticas não tenham utilidade na gramática.aspecto importante da pesquisa lingüística deva rejeitar essa identificação entre “significado” e “resposta à linguagem” e. Sentenças como “John received a letter” (o João recebeu uma carta) ou “the fighting stopped” (a briga terminou) mostram claramente a insustentabilidade da afirmação (117iv) de que a relação gramatical sujeito-verbo tem um “significado estrutural” de ator-ação” se o significado for levado a sério como um conceito independente da gramática. Jespersen. temos contra-exemplos para a sugestão de (117ii). Da mesma forma. Ainda assim. contudo. 177. seção 7. e o “do” (naquele exemplo. podemos mencionar brevemente alguns dos contra-exemplos mais óbvios para sugestões como (117). 1951). No capítulo 2. 54 [u20] Comentário: Tanto o “to” como o “do” do inglês não recebem tradução como elementos foneticamente expressos em português. S. 1922). além disso. p. Harris. pode atribuir significado de algum tipo para formas que não são morfemas. de que os morfemas são definidos como os elementos mínimos significativos.1) dificilmente poderão ser considerados como portadores de significado. formulações como (117i). 9. Language (New York.7 Evidentemente. Assim. se estabelecida de maneira clara.2. expresso como “did”) aparece marcando o tempo do passado simples em inglês. como gl. Language (New York. 156.em “gleam” (brilho). Z. Bloomfield. enquanto que sua correspondente passiva “at least two languages are known by everyone in the room” (ao menos duas línguas são faladas por todos nesta sala) seja falsa. para mais exemplos. parecem levar invariavelmente à conclusão de que apenas uma base puramente formal pode fornecer fundamentos firmes e produtivos para a construção da teoria gramatical. e parece razoável assumirmos que uma noção independente do significado. Para contradizer (117vi). Morfemas como “to” em “I want to go” (eu quero ir) ou o postiço “do” em “did he come?” (ele veio?) (cf. capítulo XX. As investigações de tais propostas. L. p. de acordo com a Cf. podemos descrever circunstâncias em que uma sentença “quantificacional” como “everyone in the room knows at least two languages” (todos nesta sala falam ao menos duas línguas) possam ser verdadeiras. O “to” marca o infinitivo do verbo inglês. Methods in structural linguistics (Chicago. “glimmer” (luz). tal como proposta em (117iii). Investigações detalhadas de propostas com orientação semântica iriam além do limite deste trabalho e seriam um tanto inúteis. O. 93 . 1933). da mesma forma como é impossível provar a irrelevância de qualquer outro conjunto de noções. argumentamos no sentido de rejeitar a “significação semântica” como sendo um critério geral para a gramaticalidade.

que irá incluir uma teoria da forma lingüística e uma teoria do uso da língua como subpartes. Travaux du Cercle Linguistique de Prague 6. aparentemente. dado o instrumento língua e seus aparatos formais. negação. até mesmo depois de os elementos lingüísticos portadores de significado e suas relações serem especificadas. Isso indica que nem mesmo a relação semântica mais fraca (equivalência factual) se mantém na distinção geral entre ativa e passiva. Jackobson. que existem correspondências inegáveis. contudo. Nenhuma das afirmações em (117) é inteiramente falsa. 9. podemos estudar a maneira com que a estrutura sintática é posta em 55 Uma outra razão para suspeitarmos que a gramática não pode ser efetivamente desenvolvida em termos semânticos foi tratado no caso particular da distinção fonêmica que vimos na seção 9. se uma pessoa na sala sabe apenas francês e alemão. qualquer tentativa de estudar o significado de maneira independente dessa especificação permanece fora de questão. que importantes intuições e generalizações sobe a estrutura lingüísticas podem ser ignorados se pistas semânticas vagas forem seguidas perto demais. O fato de que as correspondências são tão inexatas sugere que o significado será relativamente inútil para servir de base para a descrição gramatical. 94 . algumas são quase verdadeiras. Em outras palavras. podemos e devemos investigar sua função semântica (como. declarativa e interrogativa e outras relações transformacionais não teriam sido descobertas se a relação ativa-passiva tivesse sido investigada apenas em termos de noções como a sinonímia. A semelhança entre ativa e passiva. que possam ser usados para determinar os objetos da gramática de alguma forma.55 Uma análise cuidadosa de cada proposta de fundamento no significado confirma isso e mostra. “Beitrag zur allgemeinen Kasuslehre”. de fato. nos cegar com relação ao fato de que existem correspondências significativas entre as estruturas e os elementos que não são descobertos por uma análise formal e gramatical e as funções semânticas específicas.interpretação normal dessas sentenças – por exemplo. então. O fato de que as correspondências entre as características formais e semânticas existem. aparentemente. vimos que a relação ativa-passiva é apenas uma instância de um aspecto muito geral e fundamental da estrutura formal lingüística. contudo. No capítulo 8. econtrar absolutos semânticos. 240-88 (1936)). apenas espanhol e italiano. alguns tipos de relações bem gerais entre esses dois domínios que merecem um estudo mais detalhado. ainda que imperfeitas. e outra. parece que o estudo do significado enfrenta tantas dificuldades que. mas não podemos. prévios à gramática. De maneira geral. Por exemplo.3 Esses contra-exemplos não deveriam. Essas correspondências devem ser estudadas dentro do panorama de uma teoria mais geral da linguagem. por exemplo. em R. Uma vez determinada a estrutura sintática da língua.5. Parece claro. vimos que existem.2. não pode ser ignorado. entre as características formais e semânticas na linguagem.

apontamos no capítulo 8 que as correlações entre a forma e o uso da língua podem até mesmo fornecer certos critérios brutos de adequação para uma teoria lingüística e as gramáticas que ela oferece. Noções semânticas como referência. não alteramos o caráter puramente formal da teoria da estrutura gramatical per se. 95 . o princípio que postula que o conjunto de sentenças gramaticais seja dado a priori é demasiado forte. poderia se configurar em um passo razoável em direção a uma teoria de interconexões entre sintaxe e semântica. Uma investigação da função semântica da estrutura de níveis. nem essas lacunas nem quaisquer outras no desenvolvimento da teoria gramatical podem ser preenchidas ou esclarecidas. ao passo que a teoria lingüística deve esclarecer essas bases para a gramática e os métodos de avaliação e escolha entre todas as gramáticas propostas. a teoria que esboçamos apresentou algumas lacunas graves – por exemplo. tal como sugerimos brevemente no capítulo 8. A gramática de uma dada língua deve mostrar como essas estruturas abstratas são concretizadas no caso dessa língua.uso no funcionamento real da língua. Ainda assim. Podemos julgar as teorias formais em termos de suas habilidades para explicar e clarificar uma variedade de fatos sobre a maneira em que as sentenças são usadas e compreendidas. deveríamos apreciar o framework sintático da língua. Na verdade. É importante reconhecermos que. tanto quanto eu saiba. através da construção da teoria a partir de uma base parcialmente semântica. Consideramos o problema da pesquisa sintática como sendo o de construir um mecanismo para a produção de um dado conjunto de sentenças gramaticais e o de estudar as propriedades das gramáticas que fazem isso de maneira efetiva. ao introduzirmos considerações como as do capítulo 8 na metateoria que lida com a gramática e com a semântica e seus pontos de conexão. Nos capítulos 3 a 7. A estrutura sintagmática e a estrutura transformacional parecem fornecer os maiores mecanismos sintáticos disponíveis na língua para a organização e expressão do conteúdo. Obviamente. apresentamos o desenvolvimento de alguns conceitos lingüísticos fundamentais em termos puramente formais. e a noção de “simplicidade” que mencionamos explícita ou implicitamente não foi devidamente analisada. e valorizarmos uma teoria da estrutura formal que conduza a gramáticas que satisfazem esse requisito de maneira mais completa. que é isolado e exibido pela gramática para conseguir sustentar uma descrição semântica. significação e sinonímia não desempenharam qualquer papel em nossa discussão. Em outras palavras.

Na descrição do significado de uma palavra. etc. o agende e o objeto da ação em termos de noções como “sujeito” e “objeto”. por exemplo. senão necessário. isto é. se conseguimos mostrar com suficiente detalhe e generalidade que as sentenças transformadas são “compreendidas” em termos de sentenças nucleares subjacentes. n. assim como muito da nossa discussão pode ser entendido como uma sugestão de uma reformulação de partes da teoria do significado que lida como chamado “significado estrutural” em termos da teoria da estrutura gramatical completamente não semântica. a língua como um instrumento ou um utensílio. eficaz e “reveladora”. descreveríamos. que são mais bem analisadas como noções puramente formais pertencendo à teoria da gramática. Analysis. Cf. torna-se muitas vezes útil. 4 (1953). n. na descrição do significado de “hit” (bater. como “Bill was hit by John” (o Bill foi acertado pelo John).4 Para compreender uma sentença. etc. Analysis. vol. O requisito de que essa teoria constitua uma disciplina completamente formal é perfeitamente compatível com a intenção de formulá-la de forma tal que tenha interconexões sugestivas e significativas com uma teoria semântica paralela.57 Encontraremos naturalmente muitas palavras ou morfemas de uma única categoria gramatical descrita semanticamente em termos similares. podemos esperar que diversos aspectos dessa teoria sejam reivindicados por outras abordagens ao estudo da língua no curso de seu desenvolvimento. “On likeness of meaning”. Na medida em que isso esteja certo. Isso Goodman demonstrou – de maneira bastante convincente. A abordagem de Goodman resumese a uma reformulação de uma parte a teoria do significado nos termos bem mais claros da teoria da referência. não podemos esperar que a gramática ajude muito nesse ponto. então. 57 Uma descrição como essa do significado de “hit” daria automaticamente conta do uso de “hit” em sentenças transformadas. recorrer ao framework sintático ao qual pertence a palavra. Precisamos também conhecer a referência e o significado56 dos morfemas ou palavras que a constituem. “hitting Bill was wrong” (bater no Bill foi errado).Nos capítulos 3 a 7 estudamos. Goodman. “On some differences about meaning”. à noção de referência de expressões contendo essas palavras. tentando descrever a sua estrutura sem qualquer referência explícita à maneira como esse instrumento é utilizado na prática. A motivação para essa exigência de formalidade para as gramáticas que nos auto-impusemos é bastante simples – parece não haver qualquer outra base que produza uma teoria da estrutura lingüística que seja rigorosa. por exemplo. precisamos conhecer muito mais do que a análise dessa sentença em cada nível lingüístico. N. 13. na minha opinião – que a noção de significado das palavras pode ser reduzido. 56 96 . sem dúvidas. acertar). Essas noções são as noções básicas para a semântica. naturalmente. 10. idem. como.. Parte da dificuldade com a teoria do significado é que o “significado” tende a ser usado como um termo amplo que inclui todos os aspectos da língua que ainda não conhecemos muito bem. verbos descritos em termos de sujeito e objeto. 9. Aquilo que salientamos no capítulo 8 foi que podemos esperar que esse estudo formal da estrutura da língua como instrumento possa fornecer esclarecimentos sobre o uso efetivo da língua. vol. pelo menos em parte. 1 (1949). sobre o processo de compreensão de sentenças.

os espaços em branco são determinados também como uma variante do tempo passado. Um outro uso comum mas duvidoso da noção de “significado estrutural” diz respeito ao significado dos chamados morfemas de “função gramatical”. que uma generalização a partir desse uso sistemático para atribuir “significados estruturais” a categorias gramaticais ou construções. quando distribuímos uma seqüência de morfemas em uma seqüência de espaços em branco. O fato de nesses casos termos sido forçados a apresentar espaços vazios ao invés de palavras sem sentido é explicado pela produtividade ou “infinidade” das categorias Substantivo. Afixo Verbal. porém. no segundo. ly. Por exemplo. correspondendo ao segundo exemplo. Verbo. em que o espaço vazio poderia ser preenchido por “o” ou “algum”. etc. [u23] Comentário: Em português. em que o morfema plural –s marca o substantivo. tal como se atribuem “significados lexicais” a palavras ou morfemas. [u21] Comentário: O morfema -ing em inglês marca o gerúndio (-ndo em português). poderíamos ter “Os mapos cartun __ ontem”. as preposições. Vimos. Essa propriedade. Adjetivo. elas são aparentemente melhor explicadas em termos de noções gramaticais como a produtividade. o advérbio. do ize e do ly. ?dê-lhe um dinheiro e *dê-lhe dois dinheiros). o –am marca o verbo e o –mente. “some”(alguma). verbos. ao contrário das categorias Artigo. 97 . correspondendo ao primeiro exemplo de Chomksy. A afirmação de que os significados desses morfemas são fundamentalmente diferentes dos significados dos nomes. (mas não “a” (uma). no entanto.. do que em termos de qualquer traço semântico presumível. etc. na seqüência “Pirots karulize etalically”. significa que os mecanismos sintáticos disponíveis na língua estão sendo usados de maneira bastante sistemática. e com o “the” (a). etc. não faz uma distinção clara entre os morfema gramaticais e os outros. Em geral. poderíamos pensar em uma seqüência como “Mapos cartunam guiraldamente”. é de validade bastante duvidosa. verbo e advérbio. limitamos a escolha dos elementos que podem preencher os espaços para formar uma sentença gramatical. respectivamente. para que determinem a categoria gramatical de elementos sem sentido. de fato. Quaisquer que sejam as diferenças entre os morfemas no que diz respeito a essa propriedade. já que em sentenças como “the Pirots karul __ yesterday” (os Pirots karul __ ontem) ou “give him __ water” (dê-lhe __ água). no primeiro caso. mas não por um numeral como “um” ou “dois” (cf. como ing. o morfema –ly é formador de advérbio (correspondente a –mente em português). a liberdade de combinação e o tamanho da classe de substituição. adjetivos e talvez de outras classes grandes encontra apoio geralmente no apelo ao fato de que esses morfemas podem ser distribuídos em uma seqüência de espaços vazios ou sílabas sem sentido de modo que o todo tenha aparência de uma sentença e. por causa do s. [u22] Comentário: Em português. e “dê-lhe __ dinheiro”. etc. sabemos que as três palavras são nome.não deveria ser surpreendente. em que o espaço poderia ser preenchido com uma desinência modo-temporal do verbo.

há pouca motivação para a objeção à mistura dos níveis. a partir delas. tendo encontrado um conjunto de transformações que convertem sentenças gramaticais em sentenças gramaticais. e que níveis lingüísticos bastante abstratos. Inversamente. Podemos simplificar em muito a descrição do inglês e obter novos e importantes esclarecimentos sobre sua estrutura formal se limitarmos a descrição direta. A gramática é melhor formulada como um estudo autônomo. todas as outras sentenças (mais propriamente. vemos que um modelo simples de língua. a partir de elementos dos níveis inferiores ou para o sentimento de que o trabalho sintático é prematuro até que todos os problemas de fonêmica ou morfologia estejam solucionados. RESUMO Ao longo desta discussão. Uma gramática tem uma seqüência de regras a partir das quais podemos 98 . podemos determinar a estrutura de constituintes de sentenças particulares através da investigação do seu comportamento sob o efeito dessas transformações. sem sintagmas verbais ou nominais complexos). a noção de gramaticalidade não pode ser identificada com a noção de dotado de significado (assim como ela também não apresenta nenhuma relação com a noção de ordem de aproximação estatística). através de transformações. enfatizamos os seguintes pontos: o máximo que podemos razoavelmente esperar da teoria lingüística é que ela forneça um procedimento de avaliação de gramáticas. possivelmente repetidas. independente da semântica. derivando. e a tentativa de desenvolver um manual assim irá provavelmente (assim como aconteceu no passado) contribuir para a formação da teoria lingüística de maneira substancial. em termos da estrutura sintagmática. para a concepção dos elementos de níveis superiores como construídos. como um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita não é aceitável. são necessários para a descrição da linguagem natural. com análises em constituintes alternativos. como a estrutura sintagmática e a estrutura transformacional. Em particular. Conseqüentemente. consideramos as gramáticas como tendo uma estrutura tripartite. ainda que tal manual tenha certamente de se basear nos resultados da teoria lingüística. a partir das seqüências que subjazem a elas).10. a um núcleo de sentenças básicas (simples. literalmente. No desenvolvimento deste estudo independente e formal. Se esse ponto de vista for adotado. A teoria da estrutura lingüística não pode ser confundida com um manual de procedimentos úteis para a descoberta de gramáticas. ativas. declarativas.

A descrição do significado pode se referir de maneira proveitosa a este quadro sintático subjacente. parece que a noção de “compreender uma sentença” deve ser parcialmente analisada em termos gramaticais. encontramos muitas correlações importantes. em certo sentido. parece ser bastante suspeita. Para compreender uma sentença. em um sentido não compartilhado pelas regras transformacionais. as representações duplas (construções de homonímia) correspondem à ambigüidade da sentença representada e uma representação semelhante ou idêntica surge em casos de semelhança intuitiva entre enunciados. a partir dos quais essa sentença é construída. As regras de estrutura sintagmática e as regras morfofonêmicas são básicas. é suficiente conhecer o formato da seqüência em que a regra irá ser aplicada. “have” (ter). “be” (ser/estar). devemos conhecer um pouco da história da derivação desta seqüência. oposta a “significado lexical”. é necessário (mas não suficiente. de forma 99 . Em outras palavras. mas para aplicar as regras não transformacionais. descobrimos que o comportamento aparentemente irregular de algumas palavras (por exemplo. Como conseqüência imediata da tentativa de construir a gramática mais simples possível do inglês em termos de níveis abstratos desenvolvidos na teoria lingüística. Ainda assim. Também descobrimos que muitas sentenças recebem dupla representação em algum nível. A noção de “significado estrutural”. e é questionável afirmar que os mecanismos gramaticais disponíveis na língua sejam usados de maneira suficientemente consistente a ponto de ser possível atribuir a eles significado diretamente. às quais as regras morfofonêmicas podem se aplicar. Conectando essas seqüências. De maneira mais geral. “seem” (parecer)) não passa de um caso regularidade em um nível superior. Em um número significativo de casos. incluindo o nível transformacional onde as sentenças nucleares subjacentes de uma dada sentença podem ser pensadas. Para uma transformação ser aplicada a uma seqüência.reconstruir a estrutura sintagmática e uma seqüência de regras morfofonêmicas que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. como “os elementos básicos de conteúdo”. existe uma seqüência de regras transformacionais que convertem seqüências com estrutura sintagmática em novas seqüências. um resultado do estudo formal da estrutura gramatical é que podemos esclarecer um quadro sintático que pode servir de apoio a uma análise semântica. evidentemente) reconstruir sua representação em cada nível. contudo. e muitos pares de sentenças recebem representações semelhantes ou idênticas em algum nível. embora as considerações semânticas sistemáticas sejam aparentemente inúteis para a sua determinação.

em outras palavras. ou . entre a estrutura sintática e o significado. preocupada com a sintaxe e a semântica e seus pontos de conexão. os mecanismos gramaticais são usados de maneira bem sistemática.bastante natural. 100 . Essas correlações poderiam formar parte do objeto de pesquisa de uma teoria mais geral da linguagem.

APÊNDICE I – NOTAÇÕES E TERMINOLOGIA Neste apêndice. Fora do nível fonêmico. temos os elementos vocabulares the. etc. (37iii)) invertendo os dois primeiros segmentos. a (119) they – have – en + arrive 101 . e podemos formar a seqüência the + boy + S + come + past (que seria convertida pelas regras morfofonêmicas na seqüência de elementos / /) representando o enunciado “the boys came” (os garotos vieram). Às vezes. como no exemplo que acabamos de ver.11. W para representar variáveis nas seqüências. come. Às vezes. iremos apresentar um breve quadro das convenções notacionais e terminológicas novas ou menos familiares que utilizamos. Y. Um nível lingüístico é um método de representar os enunciados. S. quando dizemos que a transformação de pergunta Tint se aplica de maneira particular a uma seqüência da forma (118) SN – have – en + V (cf. Nenhum desses mecanismos notacionais tem qualquer relevância sistemática. boy. eles foram introduzidos apenas por motivos de clareza da exposição. no nível fonêmico.. queremos dizer que ela se aplica. utilizamos o hífen no lugar do sinal de adição (+) para simbolizar a concatenação. utilizamos o hífen para indicar a subdivisão de uma seqüência que é imposta por uma certa transformação. por exemplo. utilizamos maior espaçamento com esse mesmo objetivo. Procedemos dessa forma para chamar uma atenção especial à subdivisão do enunciado que estamos estudando em um dado momento. chamamos este vocabulário de alfabeto da língua) que pode ser colocado em uma seqüência linear para formar seqüências de símbolos através de uma operação chamada concatenação. Ele tem um vocabulário finito de símbolos (no nível fonêmico. suprimimos o símbolo de concatenação + e usamos as barras oblíquas habituais. utilizamos itálico ou aspas para os símbolos do vocabulário e ara as seqüências representando os símbolos. Na discussão sobre as transformações. no nível morfêmico em inglês. Utilizamos X. Assim. Z. simbolizada por +. past. Assim.

F] Aux V C M en b + c. a b.já que they (eles) é um SN e arrive (chegar) é um V nessa seqüência. Uma regra da forma X Y deve ser interpretada como a instrução “reescreva X como Y”. A lista seguinte mostra as páginas em que ocorreram os símbolos especiais não S ∅ passado Af # A wh Adj SP Prt Comp 102 . finalmente. onde X e Y são seqüências. “have they arrived?” (eles chegaram?). Então. O resultado da transformação nesse caso será (120) have – they – en + arrive e. Usamos os parênteses para indicar que um elemento pode ou não ocorrer e as chaves (ou uma listagem) para indicar uma escolha entre os elementos. ambas as regras (121i) e (121ii) (121) (i) a (ii) a b (c) b+c b são abreviações para o par de alternativas: a mencionados acima. pela primeira vez: (122) SN SV T N SNsing SNpl [∑.

22. O número à esquerda fornece a ordenação apropriada das regras. nota 12) (13iv) (13v) (28i) (28ii) (28iii) (28iv) Verbo + SN SNsing SNpl T+N+∅ T+N+S the man. must 8. APÊNDICE II – EXEMPLOS DE REGRAS SINTAGMÁTICAS E TRANSFORMACIONAIS DO INGLÊS Para facilidade de referência. imaginando que esse esquema corresponda a um esboço de uma gramática da fora (35). Aux + V hit. shall. may. separamos aqui os exemplos de regras da gramática do inglês que desempenharam um papel importante ao longo de nossa discussão. SV 3. etc. SN 4. T 7. read. Estrutura Sintagmática: ∑: # Sentença # F: 1. Certas regras foram modificadas de seu formato original no texto devido a decisões subseqüentes ou para apresentar maior sistematicidade. ball. C(M) (have + en) (be+ing) will. nota 12) (p. 103 .12. N 9. nota 12) (p.Verbo Estrutura Transformacional: Uma transformação é definida pela análise estrutural das seqüências a que ela se aplica e pela mudança estrutural que ela provoca nessas seqüências. Aux 11. etc. M SN + VP (13i) (13iii) (p. can. V 10. SNpl 6. 22. walk. Sentença 2. SNsing 5. take. 22. O número que aparece entre parênteses à direita de cada regra é o número que a regra aparece no texto.

Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 17.. Transformação de Número – obrigatória Análise estrutural: X – C – Y S no contexto SNsing __ Mudança estrutural: C ∅ em outros contextos Passado em qualquer contexto 16.. TA – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf. Tobsep – obrigatória: Análise estrutural: X – V1 – Prt . (41) a (43)) 104 X1 – X2 – A – X3 X1 – X2+ n’t – X3 (37) (29i) (85) (86) (92) X1 – X2 – X4 – X3 X4 – X2+ be + en – X3 – by + X1 .12... Tneg – opcional: SN – C – V. SN – C + be __ . Passiva – opcional: Análise estrutural: SN – Aux – V – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 (34) 13.. SN – C + have __ . Tint – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf. (45) a (47)) Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 18....Pronome X – V2 – Comp – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 14. Tfacsep – opcional: Análise estrutural: X – V1 – Prt – SN Mudança estrutural: a mesma de 13 15. Análise estrutural: SN – C + M __ .

Transformação do pulo do afixo – obrigatória Análise estrutural: X – Af – v – Y (onde Af é qualquer C ou é en ou é ing. SV. SN. wh + nome não indicado wh + X1 – X2 onde wh + nome animado what 20. Tw – opcional e condicionada por Tint: Tw1: Análise estrutural: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: a mesma de 18 (60i) Tw1: Análise estrutural: SN – X (60ii) Mudança estrutural: X1 – X2 who (cf. Transformação de limite de palavra – obrigatória: Análise estrutural: X – Y (onde X ≠ v ou Y ≠ Af) Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – # X2 (29iii) 22. Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4 – X5 – X6) 24. nota 38). Conjunção (26) de S 2: Z – X – W onde X é um elemento mínimo (por exemplo.) e Z e W são segmentos de seqüências terminais. etc. Tso: (48) a (50) de S 2: a mesma de 16 105 X1 – X2 + and + X5 – X3 Análise estrutural: de S 1: Z – X – W Análise estrutural: de S 1: a mesma de 16 . Transformação de introdução de do – obrigatória Análise estrutural: # – Af Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – do + X2 Transformações generalizadas: 23.Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 X2 – X1 – X3 19. ou é have ou be) (29ii) X1 – X3 – X2 # – X4 Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 21. v é qualquer M ou V.

Transformação de Nominalização TAdj: Análise estrutural: de S 1: Art – N – is . (45). Veja as referências citadas na nota 24 para um desenvolvimento mais detalhado e para uma aplicação da análise transformacional. X4 – X5 – X6) – X4 X1 – X2 – X3 – and – so – X5 A Tso é na verdade composta pela transformação de conjunção. algo sobre a dependência condicional entre as regras. em um enunciado gramatical. Essa formulação das regras transformacionais deve ser entendida apenas como sugestiva. Transformação de Nominalização Ting: Idêntica a 25.Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3. Temos então três conjuntos de regras. isto é. nota 35. 106 [u24] Comentário: Temos então o modelo de gramática proposto por Chomsky. O resultado da aplicação de todas essas regas é uma derivação estendida (como (13)-(30)(31)). juntamente com uma distinção entre as regras obrigatórias e as opcionais e. 25. terminando em uma seqüência de fonemas da língua analisada. X5 – X6 – X7) X5 – X1 + X4 + X2 – X7 X3 – to + X2 – X5 Estrutura morfofonêmica: Regras (19). em uma gramática formulada adequadamente. etc. como em (35): regras de estrutura sintagmática. essa ordem seria indicada em todas as três seções. que ficou conhecido como modelo transformacional.Adj de S2: a mesma de 25 Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4. regras transformacionais (incluindo as transformações simples e as generalizadas) e regras morfofonêmicas. nota 38. com o ing no lugar do to na mudança estrutural. pelo menos na parte transformacional. Não desenvolvemos a maquinaria suficiente para apresentar todas as regras de maneira apropriada e uniforme. A ordem das regras é essencial e. o modelo préaspects: Regras Sintagmáticas ⇓ Marcadores sintagmáticos subjacentes ⇓ Transformações ⇓ Sentenças derivadas . 27. X3 – X4 – X5) 26. Transformação de Nominalização Tto: Análise estrutural: de S 1: SN – SV de S 2: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: (X1 – X2.

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2001. Trabalhando com Semântica 4. Algumas obras são bastante introdutórias. Language and thought. New York: Basic Books. 1999. Conhecendo Chomsky e a Gramática Gerativa 2. Nova York: Prager. • • • CARNIE. resolvemos classificar cada sugestão de leitura em algumas categorias: 1. CHOMSKY. Oxford: Blackwell. Nesta seção. 1997. 2002. Trabalhando com Fonética/Fonologia 1. Syntax: a generative introduction. • BORSLEY. destacamos alguns livros e manuais introdutórios ao programa gerativista. Language and problems of language – the Managua lectures. London: Moyer Bell. CHOMSKY. The atoms of language – the mind’s hidden rules of grammar. M. = leitura avançada. destacamos alguns livros e manuais que podem ser uma boa sugestão de leitura para o leitor que está começando seus caminhos em pesquisa lingüística de cunho gerativo. CONHECENDO CHOMSKY E A GRAMÁTICA GERATIVA Nesta seção. BAKER. C. N. N.Para o leitor moderno de Chomsky Há inúmeros livros. 1988. CULICOVER. P. Oxford: Oxford University Press. 2000. • 108 . artigos e manuais sobre Noam Chomsky ou sobre o programa gerativista. Knowledge of language. Eles variam no grau de dificuldade de acordo com o número de estrelas que recebem ( = leitura acessível. R. London: Oxford University Press. outras são mais avançadas. Obras Fundamentais 3. Por isso. 1986. A. = leitura intermediária. Cambridge: MIT Press. Syntactic theory: a unified approach. Principles and parameters – an introduction to syntactic theory. • • CHOMSKY. o mesmo sistema vale para os livros das demais seções). N.

NIVETTE. LOBATO. R. A faculdade da linguagem. R. 1980. Florianópolis: Insular. M. MIOTO. KOCH. I. Análise sintática: teoria geral e descrição do português. JACKENDOFF. LIGHTFOOT. São Paulo: Cortez. P. meaning. 1998. Novo manual de sintaxe. PERINI. LEMLE. 1993. 1976. HARRIS. grammar. Nova York: Academic Press. SOUZA e SILVA. Iniciação metódica à gramática gerativa. Foundations of language: brain. C. A. Sintaxe gerativa do português. Introduction to government and binding theory.. D. Cambridge: MIT Press. J. Lingüística aplicada ao português: sintaxe. J. A. Transformational Grammar: a first course. et al. The linguistic wars. Cambridge: Cambridge University Press. RAPOSO. evolution. A. da teoria-padrão à teoria da regência e ligação. The language lottery: toward a biology of grammars. F. 1995. Lisboa: Caminho. São Paulo: Cultrix. V. RADFORD. 1988. 2002. Teoria da gramática. 1975. 1997. A gramática gerativa: introdução ao estudo da sintaxe portuguesa. Oxford: Oxford University Press. Linguistic theory in America: the first quarter-century of transformational generative grammar. L. 1982. C. E. L. Syntax: a minimalist introduction. Belo Horizonte: Vigília. M. Transformational syntax: a student’s guide to Chomsky’s extended standard theory. 1977. São Paulo: Ática. 1984. 1981. Belo Horizonte: Vigília. C. A. 2004. Rhyme and reason: an introduction to minimalist syntax. MIT Press. RADFORD. Mass. NEWMEYER. Princípios de gramática gerativa. J. São Paulo: Pioneira. NIQUE.• HAEGEMAN. • • • • • • • • • • • • • • • • 109 . Cambridge: Cambridge University Press. 1993. 1992. URIAGEREKA. RADFORD. New York: Oxford University Press. Cambridge: Cambridge University Press. Cambridge. 1986. Oxford: Blackwell.

São textos já clássicos na área. PhD Thesis. Connectedness and binary branching. 1968. Chicago: University of Chicago Press.. K. • JACKENDOFF. Nova York: Oxford University Press. CHOMSKY. Syntactic structures. CHOMSKY. PhD Thesis. Timothy Angus. N. • CHOMSKY. X’ syntax: a study of phrase structure. 1965. N. 1984. The minimalist program. CHOMSKY. Dordrecht: Foris. The English noun phrase in its sentential aspect. Cambridge: MIT Press. 1981. • 110 .. Reidel. • BAKER. S. Dordrecht: Foris. CHOMSKY. 1988. The logical structure of linguistic theory. 1972. Cambridge: MIT Press. 1977. Origins of phrase structure. M. R. Massachusetts: MIT. N. ABNEY. Dordrecht: D. Nova York: Harper and Row. MS. • CINQUE. Semantic interpretation in generative grammar. Cambridge: MIT Press. Massachusetts: MIT. Adverbs and functional heads. 1981. PULLUM. HALLE. destacamos algumas obras que marcaram sua história no desenvolvimento do programa gerativista. • JACOBSON. que ajudaram a construir os próprios fundamentos da teoria. STOWELL.2. • • KAYNE. 1955. M. N. 1982. Lectures on government and binding. CHOMSKY. The Hague: Mouton. Cambridge: MIT Press. 1987. N. G. N. • • • • • • CHOMSKY. Ray.). 1957. P. 1995. 1999. The sound pattern of English. (Eds. Harvard University. The nature of syntactic representation. G. 1968. Barriers. Incorporation: a theory of grammatical functional changing. P. OBRAS FUNDAMENTAIS Em “obras fundamentais”. Cambridge: MIT Press. N. Aspects of the theory of syntax. R. • JACKENDOFF.

TRABALHANDO COM FONÉTICA/FONOLOGIA Esta seção é dedicada a trabalhos de Fonética e Fonologia influenciados pelo gerativismo. Semantics and Cognition. I. M. Oxford: Blackwell. Cambridge: MIT Press. CHOMSKY. KRATZER. • HEIM. N. Patterns in the mind . HALLE. 1998. M. 1992. Londres: Harvester-Wheatsheaf. Semântica.. 1972. • JACKENDOFF. • JACKENDOFF. Cambridge: MIT Press. R. • JACKENDOFF.. • JACKENDOFF. Londrina: Eduel. TRABALHANDO COM SEMÂNTICA Destacamos alguns trabalhos semânticos dentro do paradigma gerativista (ou que fazem alguma interface com o programa gerativo). R. 2003. 1994. 1968. R. • CHIERCHIA. A. Semantics in generative grammar. The sound pattern of English. • 111 . 1983.language and human nature. Phonology in generative grammar. Semantic interpretation in generative grammar. Cambridge: MIT Press. Nova York: Harper and Row. R.3. 1993. ?? • KENSTOWICZ. Cambridge MA & Oxford UK. 4. Blackwell. Gennaro. Languages of the mind.

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