Estruturas Sintáticas

Noam Chomsky

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Em 2007, a publicação do já clássico Syntactic Structures, de Noam Chomsky completou 50 anos. Noam Chomsky foi considerado, em 2005, o intelectual de maior influência do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista britânica Prospect (Umberto Eco e Richard Dawkings ocuparam a segunda e terceira posição, respectivamente). Seus trabalhos estão entre os 10 mais citados na história da ciência (de acordo com uma pesquisa do Institute for Scientific Information, Chomsky está atrás apenas de Marx, Lenin, Shakespeare, Aristóteles, a Bíblia, Platão e Freud)1 e, entre 1980 e 1992, Chomsky foi o intelectual vivo mais citado em trabalhos acadêmicos, de acordo com o Arts and Humanities Citation Index. Por isso, esta obra de Chomsky dirige-se a um público-alvo abrangente, como acadêmicos de Letras, de Lingüística, de Ciências da Computação e Informática, de Psicologia e de Matemática. Espero que esta edição traduzida e comentada possa se tornar uma boa maneira de um leitor do século XXI passar a conhecer as idéias fundamentais de Noam Chomsky e seu programa gerativista no estudo da faculdade da linguagem, iniciado há mais de 50 anos.

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Cf. KESTERTON, Michael. Social studies. The Globe and Mail. 11 de fevereiro de 1993.

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Noam Chomsky e o Syntactic Structures – o autor e a obra Avram Noam Chomsky (nascido na Filadélfia, no dia 7 de dezembro de 1928) é atualmente professor de Lingüística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Ele foi o responsável por uma revolução teórica e metodológica na Lingüística, nos anos 1950. Além disso, sua influência se estende também a outros domínios, como as Ciências Sociais e Políticas, as Ciências Cognitivas, a Psicologia, a Informática e a Filosofia. Syntactic Structures (publicado pela primeira vez em 1957) é resultado de seus estudos durante seu doutoramento na Universidade da Pennsylvania, sob a orientação do eminente lingüista Zellig Harris. Sua tese de Doutorado, de 1955, The Logical Structure of Linguistic Theory, acabou sendo publicada vinte anos mais tarde. É nessas duas obras, Syntactic Structures e The Logical Structure of Linguistic Theory que Chomsky lança as bases do que se tornará o programa de investigação lingüística que mais influenciaria a Lingüística no século XX, o programa gerativista. Publicado em 1957, Syntactic Structures completou recentemente 50 anos. A obra ganhou apenas uma publicação em português, em 1980, pela Edições 70 de Lisboa.

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formalizada. Os resultados aqui apresentados foram obtidos a partir de uma tentativa consciente de seguir sistematicamente esse caminho. A procura de uma formulação rigorosa em Lingüística se inscreve dentro de uma motivação bastante mais séria do que uma simples preocupação com sutilezas lógicas ou com um desejo de depurar métodos fortemente enraizados de análise lingüística. a uma conclusão inaceitável. abrangendo grande parte daquilo a que hoje. e de exploração dos fundamentos de tal teoria. a material lingüístico sem que tentem se evitar certas conclusões inaceitáveis por meio de ajustes ad hoc ou de uma formulação inconsistente. tanto no sentido lato (em que se opõe à semântica). automaticamente. rigorosamente. se chama “análise de constituintes imediatos”. Acredito que alguns dos lingüistas que puseram em causa o valor de um desenvolvimento preciso e técnico da teoria lingüística não terão. possivelmente. no próprio processo de descoberta. Especificamente. torna-se freqüentemente possível detectar a causa exata dessa inadequação e. a partir daí. não servem. pelos que falham em dois importantes aspectos. chegar a uma compreensão mais profunda dos dados lingüísticos. A construção de modelos precisos para a estrutura lingüística pode desempenhar um papel importante. baseado na comunicação e extremamente simples. aplicando-a depois. Noções obscuras e intuitivas não conduzem a conclusões absurdas nem tão pouco ao fornecimento de resultados novos e corretos. É importante salientar aqui este fato. os objetivos da 4 . fornecer soluções para problemas que ultrapassam o âmbito daqueles para que foi explicitamente elaborada.Prefácio Este estudo trata da estrutura sintática. analisaremos três modelos da estrutura lingüística. já que a apresentação informal que adotamos poderia obscurecêlo. De forma mais positiva. Ele faz parte de uma tentativa de construção de uma teoria geral. de forma adequada. uma determinada teoria. uma teoria formalizada poderá. reconhecido as potencialidades produtivas de um método que consiste em formular. de uma forma estrita. através de uma formulação rigorosa mas inadequada. da estrutura lingüística. procurando determinar as suas limitações. tanto negativo como positivo. como no sentido estrito (em que se opõe à fonologia e à morfologia). Veremos que tanto um determinado modelo teórico de linguagem. Ao chegar. como um modelo mais poderoso. de maneira geral.

V. Desenvolveremos um terceiro modelo. para a estrutura lingüística. Durante todo o processo desta pesquisa. que é mais poderoso do que o modelo de constituintes imediatos em certos pontos importantes. transformacional. Muitas das idéias e sugestões dele estão incorporadas tanto no texto que segue. enquanto eu era um Junior Fellow da Society of Fellows na Universidade de Harvard. a formalização pode efetivamente desempenhar ambos papes. a saber. como na investigação que o precedeu. Quine. foi. desenvolvido entre 1951 e 1955. na sua quase totalidade. beneficiei-me das longas e freqüentes discussões com Zellig S. pela Força Aérea Americana (Air Force – Office of Scientific Research. Eric Lenneberg. o rumo desta pesquisa foi fortemente influenciado pelos trabalhos de Nelson Goodman e W. mencionados anteriormente. cuja perspectiva diverge parcialmente da minha. está desenvolvido nos números 15. vemos que ela lança uma luz sobre uma grande variedade de fenômenos. de forma que eu não tentarei assinalá-las com referências especiais. a impossibilidade de dar conta de certas relações entre sentenças. Quando formulamos a teoria das transformações de maneira cuidadosa e a aplicamos livremente ao inglês. constituiu a base de grande parte da discussão que segue. como a relação ativapassiva.descrição gramatical. 5 . Eu gostaria de expressar a minha gratidão a Society of Fellows por terem me dado a liberdade para levar a cabo esta pesquisa. o positivo e o negativo. Eu discuti muito deste material com Morris Halle e me beneficiei muito de seus comentários e sugestões. Este trabalho foi subsidiado em parte pelos Exército dos Estados Unidos (USA Army – Signal Corps). A investigação e aplicação desses modelos esclarece alguns fatos de estrutura lingüística e revela diversas lacunas na teoria lingüística. e em parte pela National Science Foundation and the Eastman Kodak Corporation. e que dá conta de tais relações de maneira natural. Talvez de forma menos evidente. Em resumo. indo além daqueles fenômenos para os quais ela foi especificamente planejada. Harris. O trabalho sobre a teoria das transformações e a estrutura transformacional do inglês que. Air Research and Development Command) e pela Marinha (Navy – Office of Naval Research). Israel Scheffer e Yehoshua Bar-Hillel leram versões anteriores deste texto e fizeram valiosas críticas e comentários na apresentação e no conteúdo. embora sumariamente esboçado. O trabalho de Harris sobre a estrutura transformacional. 16 e 19 das Referências Bibliográficas.

01 de agosto de 1956. Mass.NOAM CHOMSKY Massachusetts Institute of Technology Department of Modern Languages and Research Laboratory of Electronics Cambridge. 6 .

Um nível lingüístico como a fonologia. É possível determinar a adequação de uma teoria lingüística através do desenvolvimento rigoroso e preciso da forma da gramática correspondente ao conjunto de níveis abrangidos por essa teoria. o livro de Chomsky é “uma das primeiras tentativas sérias de um lingüista para construir. O resultado final dessas investigações deverá ser uma teoria da estrutura lingüística em que os mecanismos descritivos utilizados em gramáticas particulares serão apresentados e estudados de maneira abstrata. Cf. que correspondem a modos de descrição gramatical cada vez mais poderosos. se ela pretende fornecer. e nós tentaremos mostrar que uma teoria lingüística deve conter pelo menos esses níveis de análise. com teoremas derivados desse sistema. nem outra filosofia especulativa sobre a natureza do Homem e da Linguagem. De maneira geral. uma teoria abrangente de linguagem que possa ser entendida no mesmo sentido em que uma teoria química ou biológica é comumente entendida em Química ou Biologia. é antes uma explicação rigorosa de nossas intuições sobre a linguagem em termos de um sistema axiomático explícito. considerando uma sucessão de níveis lingüísticos de complexidade crescente. 377-8). dado um corpus de sentenças da língua. Estudaremos diversas concepções diferentes de estrutura lingüística dessa maneira. resultados explícitos que podem ser comparados com novos dados e outras intuições. para línguas naturais. que pode ser encarada como um mecanismo de produção das sentenças da língua em questão. em particular. sem referência específica às línguas particulares. A noção central da teoria lingüística é a de “nível lingüístico”. R. tudo baseado plenamente em uma teoria explícita da estrutura interna das línguas”. O estudo sintático de uma determinada língua tem como objetivo a construção de uma gramática. 2 7 . (p. constituindo um certo método para a representação de enunciados. investigando. que sejam simples e reveladoras. publicada na revista Language ainda em 1957. LEES. Não é uma mera reorganização de dados em um formato de catálogo bibliotecário. INTRODUÇÃO A sintaxe é o estudo dos princípios e processos que presidem à construção de sentenças em línguas particulares. “Review of Chomsky”. nós iremos sugerir que esta investigação puramente formal da estrutura da língua tem algumas implicações interessantes para os estudos semânticos2. Para Lees. a morfologia ou o nível sintagmático é essencialmente um conjunto de mecanismos descritivos. uma gramática satisfatória do inglês. os lingüistas deverão ter em consideração o problema da determinação das propriedades básicas fundamentais de gramáticas adequadas.1. em seguida. dentro da tradição de desenvolvimento de teorias. Lees. Uma função dessa teoria é fornecer um método geral de seleção de uma gramática para cada língua. Finalmente. no capítulo 6. [O21] Comentário: O livro de Chomsky teve uma boa e imediata repercussão no mundo acadêmico em grande parte por causa de uma resenha contundente de R. a possibilidade de construção de gramáticas com essa forma. Lagnguage 33 A motivação para a orientação particular desta pesquisa que reportamos aqui é discutida adiante. disponíveis para a construção de gramáticas.

Nós. dada uma teoria lingüística. enfrentamos uma tarefa familiar: a de explicar alguns conceitos intuitivos – nesse caso. na análise lingüística de uma língua L é o de distinguir as seqüências gramaticais que são sentenças de L das seqüências agramaticais que não são sentenças de L e estudar a estrutura das seqüências gramaticais. uma vez que cada língua natural possui um número finito de fonemas (ou de letras no seu alfabeto) e que cada sentença pode ser representada como uma seqüência finita desses fonemas (ou letras). o conceito de “gramatical”.1 A partir de agora. de maneira a incluir as sentenças claras e excluir as seqüências que são claramente não-sentenças. A gramática de L será. O objetivo fundamental. Isto é. para estabelecer significativamente os objetivos da gramática. o conjunto de “sentenças” de qualquer sistema matemático formalizado pode ser considerado uma língua. basta assumir um conhecimento parcial de sentenças e não-sentenças. 1951). não teremos dúvidas em deixar a decisão à própria gramática. Uma forma de testar a adequação de uma gramática proposta para L consiste em determinar se as seqüências que ela gera são efetivamente gramaticais ou não. é suficiente que se tenha um conhecimento 3 8 . então. etc. Goodman. Da mesma forma. contudo. um mecanismo que gera todas as seqüências gramaticais de L e nenhuma das seqüências agramaticais. aceitáveis por um falante nativo. Nesta os propósitos desta discussão. The structure of appearance (Cambridge. admitiremos.2. A INDEPENDÊNCIA DA GRAMÁTICA 2. quer na sua forma escrita são línguas nesse sentido. mais de forma mais geral.. Em muitos casos intermediários. p. Nós podemos seguir alguns passos para conseguir um critério de comportamento para a gramaticalidade. Todas as línguas naturais. embora o número de sentenças seja infinito. entenderei por língua um conjunto (finito ou infinito) de sentenças. isto é. Um certo Cf. por exemplo. nesta discussão. que determinadas seqüências de fonemas são claramente sentenças e que outras seqüências não o são. suponha que nós assumimos um conhecimento intuitivo a respeito das sentenças gramaticais do inglês e perguntemos que tipo de gramática poderá produzir essas sentenças gramaticais de uma maneira eficiente e reveladora. o conceito de “gramatical em inglês” e. quando ela estiver construída da forma mais simples. Note que. 5-6. quer na sua forma oral. para que tal teste possa funcionar. Esta é uma característica familiar de explicação3. Note que para atingir os objetivos da gramática. então. todas elas de extensão finita e construídas a partir de um conjunto de elementos. N.

Temos assim um teste de adequação bastante forte para uma teoria lingüística que tenta fornecer uma explicação geral da noção de “sentença gramatical” em termos de “sentença observada” e para o conjunto de gramáticas construídas de acordo com essa teoria. os capítulos 6 e 7). mas isso nos levaria muito longe. definirá “sentença gramatical” em termos de “sentenças observadas”. por uma determinada teoria lingüística. mas também na natureza geral da Linguagem. cada gramática relaciona-se com o corpus de sentenças da língua que descreve de uma forma previamente fixada. já que uma teoria lingüística irá estabelecer a relação entre o conjunto observado de sentenças e o conjunto das sentenças gramaticais. Nesse sentido. isso pode ser generalizado como uma condição bastante forte. em cada língua.1. por gramáticas que. baseado em uma experiência finita e acidental com a língua. além do mais. já que várias gramáticas diferentes poderiam tratar de maneira eficaz os casos claros. um corpus) da língua. é óbvio que o conjunto de frases gramaticais não pode se identificar com um corpus qualquer de enunciados recolhido pelo lingüista em seu trabalho de campo. Claramente qualquer explicação da noção de “gramatical na língua L” (isto é. Cf. From a logical point of view [Cambridge. pode produzir ou entender um indefinido número de novas sentenças. se exigirmos que os casos claros sejam tratados de maneira eficaz. 54). parcial das sentenças (isto é. V. uma exigência razoável. Contudo. qualquer caracterização de “gramatical em L” em termos de “enunciado observado em L”) pode ser pensado como oferecendo uma explicação para esse aspecto fundamental do comportamento lingüístico. capítulo 6. Há muito mais que pode ser dito sobre esse tópico crucial. certas propriedades das sentenças observadas e certas propriedades das gramáticas. que. Em primeiro lugar. 2.número de casos claros irá fornecer um critério de adequação para qualquer gramática particular. Quine. esse teste de adequação é fraco. (W. É. Qualquer gramática de uma língua irá projetar o corpus finito e mais ou menos acidental de enunciados observados em um conjunto (presumivelmente infinito) de enunciados gramaticais. isto é. seção 6. 9 . sejam construídas pelo mesmo método. uma gramática reflete o comportamento do falante. já que não estamos interessados apenas em línguas particulares. mas eu gostaria de salientar que diversas respostas que imediatamente nos ocorrem podem não estar corretas. Para uma língua isolada. Para usar a formulação de Quine. 1953]. em seu conjunto. com base em “o que é mais a simplicidade das leis com que nós descrevemos e extrapolamos o que é”. p. Isto é. Cf. para todas as gramáticas. uma teoria lingüística dará uma explicação geral para aquilo que “poderia” ser em uma língua.2 Baseados em que nós podemos separar as seqüências gramaticais das seqüências agramaticais? Eu não tentarei dar uma resposta completa para essa pergunta aqui (cf.

Nós iremos ver. é gramatical. mas não são marcadas pelo asterisco (*). essas sentenças seriam excluídas com base nos mesmos motivos. Da mesma forma. PEREIRA.org. com o mesmo padrão de entonação dado a qualquer seqüência de palavras que não apresentem relação entre si. F. (5) read you a book on modern music? (6) the child seems sleeping. (2) Furiosamente dormem idéias verdes incolores. embora sem sentido. www. com a de “alta ordem de aproximação estatística em inglês”. (1). Cf. a noção de “gramatical em inglês” não poderá ser identificada. por uma definição de “gramaticalidade” será fútil. como igualmente “remotas” em inglês. em seu artigo "Formal grammar and information theory: together again?". nós teremos de levar a teoria de estrutura sintática um bocado além de seus limites conhecidos. Logo. mas qualquer falante do inglês reconhecerá que só a primeira é gramatical. . enquanto (2) não é. que existem razões estruturais profundas para distinguir (3) e (4) de (5) e (6). em qualquer modelo estatístico voltado para a gramaticalidade. elas não "seriam excluídas com base nos mesmos motivos. Tais exemplos sugerem que qualquer procura que seja baseada em semântica. Vendo essas sentenças. A primeira publicação que utilizou o asterisco para marcar sentenças agramaticais apareceu apenas três anos depois.wikipedia. no capítulo 7. Logo. na verdade. (2) Furiously sleep ideas green colorless. de maneira alguma.000 vezes menos provável de ocorrer em um corpus do inglês do que a sentença (1).2. um falante do inglês irá ler (1) com uma entonação normal de sentença. Lees. Essas sentenças podem ser traduzidas como (1) Incolores idéias verdes dormem furiosamente. De maneira semelhante. 2002. (1) Colorless green ideas sleep furiously. publicada em 1960. a Wikipedia. Parece razoável aceitar que nem a sentença (1) nem a sentença (2) (e nenhuma parte dessas sentenças) tenha ocorrido em inglês. Stephen B. Amsterdan / Philadelphia: John Benjamins. não há motivo semântico para que se prefira (3) a (5) ou (4) a (6). Ainda assim. a noção de “gramatical” não poderá se identificar com as noções de “dotado de sentido” ou de “significativo” em qualquer sentido semântico. mas apenas (3) e (4) são sentenças gramaticais do inglês. ele conseguirá se lembrar de (1) muito 10 [O23] Comentário: As sentenças (5) e (6) são agramaticais. seguindo notação comum hoje. mas irá ler (2) com uma entonação falha em cada palavra. JOHNSON. (3) have you a book on modern music? (4) the book seems interesting. [O24] Comentário: Essa afirmação de Chomsky foi recentemente contestada por Fernando Pereira.. como igualmente 'remotas' em inglês". In: NEVIN. The legacy of Zellig Harris .4 Em terceiro lugar. Bruce E. [O22] Comentário: A sentença (1) ficou tão famosa que até recebeu uma entrada na maior enciclopédia virtual da atualidade. 2. Formal grammar and information theory: together again?. Pereira afirma que a sentença (2) é 200. Cf. de R.3 Em segundo lugar. Volume 2: Mathematics and computability of language. As sentenças (1) e (2) são igualmente desprovidas de sentido. com "The grammar of English nominalizations". O falante tratará cada palavra de (2) como um sintagma isolado.language and information into the 21st century. mas antes que nós consigamos encontrar uma explicação para tais fatos.

Se ordenarmos as seqüências de uma determinada extensão de acordo com o grau de sua aproximação estatística com o inglês. A manual of phonology (Baltimore. Acredito que devemos concluir que a gramática é autônoma e independente do significado e que os modelos Mais adiante. 4 11 . Para escolher um outro exemplo.mais facilmente do que (2). conseguirá decorá-la mais rapidamente. as palavras “whale” (baleia) e “of” (de) podem ter a mesma freqüência (ou seja. Apesar do inegável interesse e importância dos estudos semânticos e estatísticos da linguagem. (1) e (2) estarão em diferentes níveis de gramaticalidade até mesmo se (1) ficar em um nível inferior de gramaticalidade do que. evidentemente. irá resultar em uma sentença gramatical. etc. p. e não a outra. É natural entender “possível” como significando “altamente provável” e assumir que a rígida distinção do lingüista entre gramatical e agramatical4 é motivada por um sentimento de que. a capacidade de produzir e reconhecer enunciados gramaticais não é baseada em noções de aproximação estatística e coisas do gênero. Não podemos. 1955). ele pode nunca ter ouvido ou visto qualquer par de palavras dessas sentenças unidas em um discurso real. Evidentemente. 10. iremos sugerir que essa distinção rígida pode ser modificada para favorecer uma noção de níveis de gramaticalidade. encontraremos tanto seqüências gramaticais como agramaticais dispersas ao longo da lista. Então. Ainda assim. digamos. já que a base para essa diferença entre (1) e (2) é precisamente o que estamos interessados em determinar. parece que não existe uma relação específica entre nível de proximidade e gramaticalidade. 5 Cf. enquanto (2) nunca seria. mas elas estarão no mesmo nível remoto em inglês. no contexto “I saw a fragile_” (Eu vi uma frágil_). já que a “realidade” da língua é complexa demais para ser completamente descrita. ele deve se contentar com uma versão esquematizada. Hockett. O costume de se considerar como sentenças gramaticais aquelas que “podem ocorrer” ou que são “possíveis” tem sido responsável por algumas confusões. trocando a “probabilidade zero e todas as probabilidades extremamente baixas. por impossível e todas as probabilidades altas de possível”5. O mesmo acontece com inúmeros pares semelhantes. (3) e (4). Vemos. apelar para o fato de que sentenças como (1) “poderiam” ser produzidas em um contexto suficientemente rebuscado. zero) na experiência lingüística passada de um falante que irá imediatamente reconhecer que uma dessas substituições. Mas não há por que nos determos nesse ponto aqui. contudo que essa idéia é bastante incorreta e que uma análise estrutural não pode ser entendida como um resumo esquemático desenvolvido a partir de melhorias nas formas do quadro estatístico. eles parecem não ter relevância direta ao problema de determinar ou caracterizar o conjunto de enunciados gramaticais.

por exemplo. Acredito que isso também vale.. como no caso de (1) e (2). Por exemplo. que para qualquer n. e o desenvolvimento de modelos probabilísticos para o uso da língua (distintos da estrutura sintática da língua) pode ser bem compensador. Retornamos à questão da relação entre sintaxe e semântica nos capítulos 8 e 9. irão encontrar numerosos fatos como esses. para a relação entre estudos sintáticos e estudos probabilísticos da língua.. na ordem de aproximação das seqüências das classes de palavras. Poder-se-ia tentar desenvolver uma relação mais elaborada entre a estrutura estatística e a estrutura sintática do que a do modelo de aproximação pela simples ordem. onde .. H. Simon. que rejeitamos. B. etc.probabilísticos não fornecem nenhum esclarecimento sobre alguns dos problemas básicos da estrutura sintática6. eu não me preocuparia em mostrar que qualquer relação desse tipo é impensável. 6 12 . 1-27 (1954). em particular. nós podemos encontrar uma seqüências cujas primeiras n palavras podem ocorrer como o começo de uma sentença gramatical S1 e cujas últimas n palavras possam ocorrer como o final de alguma sentença gramática S2. 425-40 (1955). onde nós argumentos que essa relação pode apenas ser estudada depois que a estrutura sintática tenha sido determinada em bases independentes. mas onde S1 deve ser distinta de S2. Word 10. Repare. em grande parte. Mandelbrot. estão aqui”. Dada a gramática de uma língua. Biometrika 42. Certamente. pode ser um sintagma verbal de comprimento arbitrário. baseadas na freqüência do tipo de sentença. “Structure formelle des textes et communication: deux études”. A. Diversas tentativas para explicar a relação gramatical x agramatical. não conheço nenhum sugestão a esse respeito que não apresente falhas óbvias. uma seqüências de adjetivos maior do que qualquer uma jamais produzida no contexto “Eu vi uma casa __”. pode-se estudar o uso da língua estatisticamente em diversas maneiras... Repare também que nós podemos ter novas – e perfeitamente gramaticais – seqüências de classes de palavras. “On a class of skew distribution functions”. considere as seqüências da forma “o homem que. Cf.

e parece bem óbvio que qualquer tentativa de apresentar diretamente esse conjunto de seqüências gramaticais de fonemas levaria a uma gramática tão complexa que seria. uma determinada língua. a descrição lingüística procede em termos de um sistema de “níveis de representação”. em The Sound Pattern of English. Cabe aqui uma citação de Harris (1993: 171-2): “O desenvolvimento teórico de Chomsky normalmente é conhecido por ser pontuado por quatro modelos gramaticais principais (. já que há um número infinito de tais seqüências. passe sucessivamente por uma série de estados (produzindo uma palavra em cada transição) e termine no estado final. Admitamos que a máquina comece no estado inicial. na prática. em 1968. Portanto. que tipo de teoria dá conta da estrutura desse conjunto de enunciados adequadamente). Grifos do autor. Chomsky (1955) utiliza essa a mesma terminologia. é associado com algum texto importante de Chomsky: Estruturas sintáticas (ou mais propriamente The logical structure of linguistic theory) com a teoria inicial. 3. a gramática não pode ser simplesmente uma lista de todas as seqüências de morfemas (ou de palavras). Cada um desses modelos. à tradição estruturalista bloomfieldiana e harrisiana. Cada máquina desse tipo define. Logo. que tem como texto mais importante não um de Chomsky.). Veremos que tipo de gramática é necessário para gerar todas as seqüências de morfemas (ou palavras) que constituem as sentenças gramaticais em inglês – e apenas elas. Suponhamos que nós temos uma máquina que pode passar por um número finito de diferentes estados internos e que transita de um estado para outro pela emissão de um determinado símbolo (digamos. teoria padrão estendia e teoria da regência e ligação. Um conhecido modelo teórico de linguagem usado na comunicação sugere uma solução para essa dificuldade. Um desses estados é o estado inicial. outro é o estado final. com exceção de um. a idéia de que a fonologia" é um "componente de regras" que gera "representações gramaticais" só ganha nitidez na segunda metade da década de 60 . assim. Uma língua é um enorme sistema intrincado. Pode-se ver facilmente que a descrição conjunta desses dois níveis será muito mais simples do que uma descrição direta da estrutura fonêmica das sentenças. uma palavra do inglês). por causa do debate que se inicia sobre a natureza da estrutura profunda. O modelo diferente é a teoria padrão estendida. (ii) adotar esses termos é mais fiel à história da terminologia lingüística. Ao invés de apresentar a estrutura fonêmica das sentenças diretamente. reconhecidamente. mas um de Jackendoff: Semantic interpretation in generative grammar (1972)”. o lingüista cria elementos de “nível superior”. inútil. Vamos considerar agora diversas maneiras de descrever a estrutura morfêmica das sentenças.. que traz estrutura “fonológica” e “morfológica”. A idéia de distinguir os "níveis de representação" dos "componentes de regras que os geram" só começa a ganhar ênfase a partir de Chomsky (1965). teoria padrão. uma vez que o Syntactic Structures deve muito. agora podemos perguntar que tipo de mecanismo pode produzir esse conjunto (em outras palavras. O Estruturas sintáticas é considerado o livro fundamental do primeiro modelo da gramática gerativa. Podemos encarar cada sentença desse conjunto como sendo uma seqüência de fonemas de extensão finita. Chamaremos qualquer língua que pode ser produzida por uma máquina desse tipo de língua de 13 . e estabelece separadamente a estrutura morfêmica das sentenças e a estrutura fonêmica dos morfemas. Por esse motivo (entre outros). em que se fala de "estrutura morfêmica" e "estrutura fonêmica" como "níveis de análise". por basicamente duas razões: (i) os termos "fonêmico" e "morfêmico" estão também disponíveis em português e parecem mais fiéis aos termos adotados por Chomsky. ao contrário da edição portuguesa. UMA TEORIA LINGÜÍSTICA ELEMENTAR [O25] Comentário: Traduzi “phonemic structure” e “morphemic structure” por “estrutura fonêmica” e “estrutura morfêmica”.. Eles geralmente levam os nomes de teoria transformacional inicial.3. Aspects com a teoria padrão e Lectures on Government and Binding com seu modelo mais atual [a Teoria da Regência e Ligação à época do livro de Harris]. [O26] Comentário: Aqui aparece pela primeira vez o verbo “gerar” (generate) na obra. como morfemas. Chamaremos de “sentença” a seqüência de palavras obtidas. Uma condição que a gramática necessariamente deve ter é a de ser finita. o conjunto de sentenças que podem ser produzidas dessa maneira.1 Assumindo-se como dado o conjunto de sentenças gramaticais do inglês. isto é.

“the old old man comes” (o velho velho homem vem). 7 C. Podemos assim calcular a “incerteza” associada com cada estado e podemos definir o “conteúdo da informação” da língua como a incerteza média. Uma gramática de estados finitos pode ser representada graficamente na forma de um “diagrama de estados”7. “the old old men come” (os velhos velhos homens vêm). Nós podemos permitir a transição de um estado a outro de diversas maneiras e podemos ter qualquer número de loopings fechados de qualquer extensão. indiferentemente se esse caminho já tenha sido percorrido anteriormente para construir a sentença em questão. Ao atingirmos determinado ponto no diagrama. sempre seguindo o caminho das setas. 14 . a gramática finita da subparte do inglês contendo as sentenças vistas mais as sentenças “the old man comes” (o velho homem vem). Assim.. . Por exemplo. Para completar esse modelo teórico básico de comunicação para a linguagem.. um tipo de processo estocástico de tempo discreto. Shannon & W. The mathematical theory of communication (Urbana. então. medida pela probabilidade de se encontrar nos [O27] Comentário: Andrey Andreyevich Markov (14 de janeiro de 1856 – 20 de julho de 1922) foi um matemático russo bastante conhecido por sua teoria das “Cadeias de Markov”. nós atribuímos uma probabilidade para cada transição de estado para estado. E. adicionando um looping fechado. Weaver. a um estado da máquina. P. e podemos chamar a própria máquina de gramática de estados finitos. 22 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Nós podemos estender essa gramática para produzir um número infinito de sentenças. “the old men come” (os velhos homens vêm). nós podemos seguir pelo caminho que parta desse ponto.. podem ser representadas pelo seguinte diagrama de estados: (8) VER GRÁFICO (8).. P. 15f. a gramática que produz apenas as duas sentenças “the man comes” (o homem vem) e “the men come” (os homens vêm) pode ser representada pelo seguinte diagrama de estados: (7) VER GRÁFICO (7).. p. 23 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Dado um diagrama de estados. 1949). As máquinas que produzem línguas dessa maneira são conhecidas matematicamente como “processos de Markov de estados finitos”.. nós produzimos uma sentença seguindo um caminho do ponto inicial à esquerda até o ponto final à direita.estados finitos. Cada nó em tal diagrama corresponde.

é necessário definir as propriedades sintáticas do inglês de maneira mais precisa. como o leitor facilmente pode verificar. é impossível. 8 15 . Ao produzir uma sentença. passando depois para um segundo estão que limita a escolha da segunda palavra. e não estatística. 1955). sob qualquer delimitação razoável do conjunto de sentenças do inglês. (9) afirma que não é possível estabelecer diretamente a estrutura morfêmica de sentenças por meio de algum mecanismo como um diagrama de estados. Essa concepção da linguagem é extremamente poderosa e geral. Quer dizer. 3. e que a concepção de língua baseada no processo de Markov que esboçamos não pode ser aceita. isto é. Qualquer tentativa para construir uma gramática de estados finitos para o inglês enfrenta sérias dificuldades e complicações desde o início. Nós passaremos a descrever determinadas propriedades sintáticas do inglês que indicam que. o falante começa no estado inicial. da língua aqui. Dada a generalidade dessa concepção de língua e sua utilidade em disciplinas afins como a teoria da comunicação. Contudo. ao menos para os propósitos da gramática.2 Uma língua define-se a partir de seu “alfabeto”. é importante se perguntar sobre as conseqüências de adotar esse ponto de vista no estudo sintático de algumas línguas. Cada estado por que ele passa representa as restrições gramaticais que limitam a escolha da próxima palavra naquele ponto da enunciação8. como o inglês ou um sistema formalizado da matemática. essa generalização não nos interessará. Se pudermos adotá-la. podemos ver os falantes como sendo essencialmente uma máquina desse tipo. etc. produz a primeira palavra da sentença. tendo em vista a seguinte observação geral sobre o inglês: (9) O inglês não é uma língua de estados finitos. não apenas difícil. o conjunto finito de símbolos com que se constroem as suas sentenças) e das suas sentenças gramaticais. Para demonstrar (9). Para voltarmos à pergunta levantada no segundo parágrafo do capítulo 3.estados associados. Já que estamos estudando a estrutura gramatical. (9)pode ser considerado como um teorema relativo ao inglês. 02. é desnecessário tentar mostrar isso com exemplos. Esse é essencialmente o modelo de linguagem que Hockett desenvolve em A manual of phonology (Baltimore. de construir um mecanismo do tipo que descrevemos há pouco (um diagrama como (7) ou (8)) que produza todas e apenas as sentenças gramaticais do inglês.

Antes de investigamos o inglês diretamente. 1956. em condições gerais9. abbbba. aaabbb.. Mas está claro que existem subpartes do inglês com a forma básica de (10i) e (10ii). em (11ii). aabb. para um esclarecimento dessas condições e uma prova para (9).. Sejam S1. (iii) O homem que disse que S5 está chegando hoje. abba. Sept. todas as sentenças que consistem de n ocorrências de a seguidas por n ocorrências de b – e apenas elas.. escapam à definição de língua de estados finitos. aabaab. S2. Transactions on Information Theory. línguas como (10). que o conjunto de fórmulas bem formadas de qualquer sistema formalizado da matemática ou da lógica não irá constituir uma língua de estados finitos. então S2. bb.. nós não podemos ter “então” no lugar de “ou”. Então nós podemos ter sentenças como as seguintes: (11) (i) Se S1. X de maneira inversa) – e apenas elas. aaaa. em particular. e. há uma dependência entre as palavras de cada lado 9 Cf. baab. Em (11i). bbbb. .. S3. IT-2. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X seguida por uma “imagem em espelho” de X (isto é. baba. em (11iii). onde os as e os bs em questão não são consecutivos. aabbaa. bb. em geral. nós não podemos ter “estão” no lugar de “está”. E. Repare. e.... abbabb. em geral. e. nós não podemos ter “ou” no lugar de “então”. . vol. aaaa. meu artigo “Three models for the description of language”.. . bbb. (iii) aa. vamos considerar diversas línguas cujos alfabetos contêm apenas as letras a e b e cujas sentenças são definidas como aparece em (10i-iii): (10) (i) ab. mas estão encaixados em outras seqüências. em geral. por causa dos parênteses pareados ou restrições equivalentes. . Nós podemos facilmente mostrar que cada uma dessas três línguas não é uma língua de estados finitos. 16 . Da mesma forma. ou S4. (ii) aa. I.. Proceedings of the symposium on information theory... sentenças declarativas em inglês. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X de as e bs seguida de uma seqüência idêntica de X – e apenas elas. R. abab. Em cada um desses casos. (ii) Ou S3.

nós podemos inserir uma sentença declarativa S1. Então. enquanto sentenças contradizem as dependências referidas em (11) (por exemplo. Um conjunto de sentenças que é construído dessa forma (e nós vemos em (11) que existem diversas possibilidades disponíveis para tais construções – (11) não chega perto de exaustar as possibilidades) terá todas as propriedades a imagem de espelho de (10ii) que excluem (10ii) do conjunto de línguas de estados finitos. Mas entre palavras interdependentes. então S2.da vírgula (isto é. então selecionar como S2 uma seqüência dessa forma. “assumindo que”. S3. e nós podemos selecionar como S1 uma outra seqüência contendo c + S2 + d. então (11iii). etc. etc. serão bem estranhas e incomuns (elas podem muitas vezes ter sua estranheza atenuada se trocarmos “se” por “sempre que”. em inglês. parece bem claro que não há teoria de estrutura lingüística baseada exclusivamente nos modelos dos processos de Markov e similares que poderá explicar ou dar conta da habilidade de um falante do inglês para produzir e compreender sentenças novas e rejeitar outras novas seqüências que não pertençam à língua. “ou” – “ou”. Então. assumindo que sentenças como (11) e (12) pertençam ao inglês. “se for o caso de”. etc. “Ou S3. uma sentença daquelas em (11i-iii). “se” – “então”. ou S4. formadas por processos de construção de sentenças tão simples e elementares que até mesmo a gramática mais rudimentar do inglês poderia contê-las. Dessa forma. teremos a seguinte sentença: (12) Se. de forma extremamente simples. É difícil de conceber qualquer possível motivação para excluí-las do conjunto de sentenças gramaticais do inglês. Mas elas são todas sentenças gramaticais. de fato. Repare que muitas das sentenças da forma de (12). em cada caso. se em (11i) tomarmos S1 como (11ii) e S3 como (11iii). sem alterar a parte essencial de nossas observações). e poderíamos mesmo estabelecer. onde há uma dependência entre c e d. etc. então S1”. E S5 em (11iii) pode novamente ser uma das sentenças de (11). as condições em que elas podem ser verdadeiras. nós podemos encontrar uma seqüência a + S1 + b. onde há uma dependência entre a e b. S5 e essa sentença declarativa pode ser. Está claro. Elas podem ser entendidas. 17 .. Essa é uma indicação grosseira dos passos a seguir para uma demonstração rigorosa de (9). podemos encontrar vários tipos de modelos de estados não finitos dentro do inglês.) não pertencem ao inglês. “o homem” – “está”). então. que.

somos forçados a procurar algum outro tipo mais poderoso de gramática e uma forma mais “abstrata” de teoria lingüística. que ela simplesmente não produzirá. com uma quantidade finita de mecanismos. perguntas razoáveis. Se esses processos têm um limite. já que será possível listar as sentenças. na gramática de estados finitos) ela será proibitivamente complexa. Em resumo. A noção de “nível lingüístico de representação” apresentada no começo desta seção deve ser modificada e elaborada. Se ela tiver mecanismos recursivos de alguma forma. nós podemos ter certeza de que haverá um número infinito de sentenças verdadeiras. obviamente. em algum nível. A concepção de gramática que acabou de ser rejeitada representa. Tais limitações arbitrárias são. Se uma gramática não contiver mecanismos recursivos (loopings fecahdos. Acontece que existem processos de formação de sentenças com os quais as gramáticas de estados finitos não estão intrinsecamente aptas a lidar. uma limitação das sentenças do inglês a uma extensão de um milhão de palavras. não será o caso que cada sentença seja 18 .3. Se uma gramática desse tipo produz todas as sentenças do inglês. podemos provar a inaplicabilidade literal dessa teoria elementar. pode gerar um infinito número de sentenças. tal como faria. contudo. a abordagem para a análise de gramaticalidade sugerida aqui em termos de um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita parece levar a um beco sem saída da mesma forma como as propostas rejeitadas no capítulo 2. a mínima teoria lingüística que merece uma consideração séria. ela irá produzir infinitamente muitas sentenças. ela irá produzir igualmente muitas não-sentenças. despropositadas.3 Nós poderíamos arbitrariamente decretar que processos de formação de sentenças em inglês como aqueles que discutimos não podem ser utilizados mais do que n vezes.. para um valor fixo de n. Se ela produzir apenas sentenças do inglês. Mas essa gramática será tão complexa que será de pouco ou nenhum interesse. de certa forma. então a construção de uma gramática de estados finitos não estará literalmente fora de questão. Vimos que uma teoria tão linguisticamente limitada não é adequada. tornar o inglês uma língua de estados finitos. Isso iria. Em geral. Quer dizer. Se esses processos não têm um limite finito. a suposição de que línguas são infinitas é feira para simplificar a descrição dessas línguas. etc. sentenças falsas. Pelo menos um nível lingüístico não pode ter essa estrutura simples. como em (8). Uma gramática de estados simples é o tipo mais simples de gramática que. e uma lista é essencialmente uma gramática de estados finitos trivial. por exemplo.

etc. tanto em termos de complexidade de descrição como em falta de poder explicativo (cf. então essa descrição pode verdadeiramente ser simplificada com a construção de tais níveis mais elevados. As gramáticas que discutimos abaixo que não geram da esquerda para a direita também correspondem a processos menos elementares do que os processos de Markov de estados finitos. Cf. mas para gerar línguas de estados não finitos como o inglês. mas gerando ao menos um desses níveis da esquerda para a direita por um mecanismo com maior capacidade do que a de um processo de Markov de estados finitos. nós precisamos métodos fundamentalmente diferentes. capítulo 8).representada simplesmente como uma seqüência finita de elementos de algum tipo. nós propusemos que os níveis fossem estabelecidos dessa maneira a fim de simplificar a descrição do conjunto das seqüências gramaticais de fonemas. Se uma língua pode ser descrita de uma maneira elementar. gerada da esquerda para a direita por algum mecanismo simples. 19 . 10 Uma terceira alternativa seria a de manter a noção de um nível lingüístico como um simples método linear de representação. Devemos desistir da esperança de encontrar um conjunto finito de níveis ordenados do superior ao inferior. Há tantas dificuldades com a noção de nível lingüístico baseado em geração da esquerda para a direita. a constituição de cada elemento do nível mais elevado em termos de elementos de segundo nível. construído de tal forma que possamos gerar todos os enunciados. meu artigo “Three models for the description of language” para uma discussão mais detalhada. Mas eles são talvez menos poderosos do que o tipo de mecanismo que seria necessário para uma geração direta da esquerda para a direita do inglês.. estabelecendo finalmente a constituição fonêmica de elementos do penúltimo nível10. se é uma língua de estados finitos). . além de um conceito mais geral de “nível lingüístico”. No começo do capítulo 3. da esquerda para a direita em termos de um único nível (isto é. que parece inútil seguir essa abordagem mais adiante. estabelecendo as seqüências permitidas de elementos do nível mais elevado.

Y de (13) como a instrução (vi) Verbo Suponhamos que nós interpretamos cada regra X “reescreva X como Y”. Apêndice I. Grifos dos autores. já é um termo de uso consagrado em Lingüística hoje. onde os números à direita de cada linha da derivação se referem à regra da “gramática” (13) usada para construir a linha a partir de uma linha precedente11. baseando-se em um modelo formal de gramática”. pegou. parsing diz respeito à interpretação automática (ou semi-automática) de sentenças de linguagem natural por meio de programas de computador conhecidos como parsers. Apêndice II.1 Habitualmente. ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 4. da Lingüística Computacional e do Processamento de Linguagem Natural. Descobriremos que a nova forma de gramática é essencialmente mais poderosa que o modelo de estados finitos rejeitado anteriormente e que o conceito de “nível lingüístico” associado a ela é diferente em aspectos fundamentais. Com o avanço da Inteligência Artificial. o termo parsing foi adquirindo novo significado. além de não ter uma tradução adequada para o português. entretanto. considere o seguinte: (13) (i) Sentença (ii) SN (iii) SV (iv) T (v) N SN + VP [O28] Comentário: A palavra parsing. As convenções notacionais que utilizaremos ao longo da discussão da estrutura do inglês estão no capítulo 11. principalmente. de atribuir às sentenças a sua estrutura de constituintes. (14) Sentença SN + SV T + N + SV T + N + Verbo + SN (i) (ii) (iii) As regras numeradas da gramática do inglês a que constantemente faremos referência nas páginas seguintes estão reunidas e organizadas adequadamente no capítulo 12. chutou. Esses programas são capazes de classificar morfossintaticamente as palavras e expressões de sentenças em uma dada língua e. etc. etc. bola. a homem. Podemos chamar (14) de uma derivação da sentença “o homem chutou a bola”. [. T+N Verbo + SN o.. “o termo vem da expressão latina pars orationes (partes do discurso) e tem suas raízes na tradição clássica. De acordo com Menuzzi & Othero (2005: 39). Como um simples exemplo da nova forma de gramática associada à análise de constituintes..] No contexto da Lingüística Computacional.4. 11 20 . Veremos agora qual forma de gramática está pressuposta numa descrição desse tipo. a descrição lingüística no nível sintático é formulada em termos de análise em constituintes (parsing).

mas o contrário não é verdadeiro. já que é possível construir uma derivação reduzível a (15) com uma ordem diferente na aplicação das regras. Mas homem chutou não pode ser 21 . etc. já que ele não nos diz em que ordem as regras foram aplicadas em (14). Podemos representar a derivação (14) de uma maneira óbvia através do seguinte diagrama: (15) Sentença SN SV T N Verbo SN o homem chutou T N a bola O diagrama (15) traz menos informação do que a derivação (14). a terceira linha é formada a partir da segunda linha pela reescrita de SN como T + N. O diagrama (15) traz apenas o que é essencial em (14) para a determinação da estrutura sintagmática (análise de constituintes) da sentença derivada “o homem chutou a bola”. então “chutou a bola” é um SV na sentença derivada. “chutou a bola” pode ser reconstituído até o SV em (15). Logo. a segunda linha de (14) é formada a partir da primeira linha pela reescrita de Sentença como SN + SV. de acordo com a regra (ii) de (13). nós podemos construir unicamente (15). A partir de (14). de acordo com a regra (i) em (13). Uma seqüência de palavras dessa sentença é um constituinte do tipo Z se nós podemos reconstituir essa seqüência até um único ponto de origem em (15). e esse ponto de origem for rotulado Z.o + N + Verbo + SN o + homem + Verbo + SN o + homem + chutou + SN o + homem + chutou + T + N o + homem + chutou + a + N o + homem +chutou + a + bola (iv) (v) (vi) (vii) (viii) (ix) Assim.

se desejamos limitar a reescrita de X como Y ao contexto Z – W. logo “homem chutou” não é um constituinte. podemos ter (17) SNsing + Verbo SNsing + chuta Indicando que o Verbo é reescrito como chuta apenas no contexto SNsing– . Wells. Omitiremos qualquer menção a primeira e segunda pessoa nesta discussão. R. contudo. Por exemplo. Language 23. “boys”. uma gramática pode nos permitir a construção de derivações não equivalentes para uma determinada sentença. ser preservada. Assim. em uma gramática mais completa. (13ii) poderia ser substituído por um conjunto de regras que incluísse as seguintes: SNsing SN SNpl SNsing T + N + ∅ (+ Sintagma Preposicional) SNpl T + N + S (+ Sintagma Preposicional) onde S é o morfema singular para verbos e plural para substantivos (“comes”. no caso de verbos no singular e no plural. “Immediate constituents”. de validade duvidosa. da mesma forma. A identificação do afixo número-pessoal verbal e nominal é. em 12 Cf. Ocasionalmente. T pode ser reescrito a se o substantivo seguinte for singular. Uma característica de (13) deve. na verdade. “Three models for the description of language”. Em geral. (13ii) terá de ser reformulado para incluir SNsing e SNpl. C. essa sentença da língua deverá ser ambígua. Cf. vem. Uma generalização de (13) é se faz evidentemente necessária. nós podemos estabelecer a seguinte regra na gramática: (16) Z + X + W Z + Y + W. Dizemos que duas derivações são equivalentes se elas se reduzem ao mesmo diagrama da forma (15). meu The logical structure of linguistic theory (mimeografado). 210-33 (1954). ao invés de termos Verbo chuta como uma regra adicional de (13). mas não se for homens. Retornaremos à importante noção de homonímia construcional mais adiante.1 para alguns exemplos de homonímia construcional.13 Essa é uma generalização direta de (13). meninos).reconstituído a nenhum ponto de origem em (15). Hockett. Nessas circunstâncias. Da mesma forma. Devemos poder limitar a aplicação de uma regra a um determinado contexto. F. seção 8. 81-117 (1947) para uma discussão mais detalhada. 13 Então. se nossa gramática estiver correta. “Two models of grammatical description”. Word 10. Verbo pode ser reescrito “chuta” se o substantivo precedente for homem. S. mas não se ele for plural. como aparece em (17): apenas um elemento pode ser reescrito em cada regra. Linguistics Today. 22 . isto é. dizemos que temos um caso de “homonímia construcional”12 e.

podemos reconstruir a estrutura sintagmática de cada sentença da língua (cada seqüência terminal da gramática) se considerarmos os diagramas associados da forma (15). como fizemos anteriormente. que descrevem alguma língua. para incluir. Um conjunto de seqüências é chamado de uma língua terminal se for o conjunto de seqüências terminais para uma gramática [Σ. e F era constituído pelas regras (i) – (vi). o único membro do conjunto Σ das seqüências iniciais era o símbolo Sentença. no sentido de que a sua seqüência final não pode mais ser reescrita pela aplicação das regras F. (14) é uma derivação. mas a seqüência das cinco primeiras linhas de (14) não é. Assim. F]. como vimos 23 . Nós podemos descrever agora de maneira mais geral a forma de gramática associada à teoria da estrutura lingüística baseada na análise de constituintes. (14) é uma derivação terminada.(16). F]. dizemos que ela é uma derivação terminal. o+homem+chutou+a+bola é uma seqüência terminal da gramática (13). Embora X não precise ser um símbolo único. Assim. cada uma dessas gramáticas define uma língua terminal (talvez a língua “vazia”. mas poderíamos querer estender Σ. Sentença Declarativa e Sentença Interrogativa como símbolos adicionais. isto é. Dada uma língua terminal e sua gramática. e a série de seqüências de cinco termos constituída das cinco primeiras linhas de (14) também é uma derivação. começando com uma seqüência inicial de Σ e com cada seqüência na série que está sendo derivada da seqüência precedente. não contendo nenhuma sentença) e cada língua terminal é produzida por uma gramática da forma [Σ. definimos a derivação como uma série finita de seqüências. mas nós iremos nos preocupar apenas nas gramáticas que tenham seqüências terminais. Se uma seqüência é a última linha de uma derivação terminada. Algumas derivações são chamadas de derivações terminadas. Cada gramática é definida por um conjunto finito Σ de seqüências iniciais e um conjunto finito F de “fórmulas de instrução” com a forma X Y sendo interpretadas como “reescreva X como Y”. Dada a gramática [Σ. F] podem não ter seqüências terminais. Se essa condição não for respeitada não conseguiremos reconstruir a estrutura de sintagmática das sentenças derivadas a partir dos diagramas associados da forma (15) de maneira correta. Verbo. Algumas gramáticas da forma [Σ. Assim. aplicando uma das fórmulas de instrução de F. Dessa forma. e não uma seqüência como T + N. X deve ser um símbolo único como T. Na gramática (13). somente um símbolo de X pode ser reescrito para formar Y. F]. por exemplo.

Podemos também definir nessas línguas as relações gramaticais de uma maneira formal. Pode-se ver facilmente que cada derivação terminada construída a partir de (18) acaba como uma seqüência da língua (10i) e que todas essas seqüências são produzidas dessa forma. aaabbb. Esses dois tipos de línguas estão relacionadas da seguinte maneira. discutidas no capítulo 3. chamamos a atenção para o fato de que as línguas (10i) e (10ii) correspondem a subpartes do inglês e que. Agora estamos considerando línguas terminais que são geradas por sistemas da forma [Σ. 133-167 (1959). o meu artigo “Three models for the description of language” para provas deste e de outros teoremas relacionados sobre o poder relativo das gramáticas. línguas da forma (10ii) podem ser produzidas por gramáticas [Σ. a língua (10i). Teorema: Toda língua de estado finito é uma língua terminal.2 No capítulo 3.15 No capítulo 3. De maneira semelhante. conseqüentemente. meu artigo “On certain formal properties of grammars”. . pode ser produzida pela gramática [Σ. encontramos as línguas (10i) e (10ii). No entanto. que eram geradas por processos de Markov de estados finitos. Information and Control 2.. em termos dos diagramas associados.. 14 24 . F].14 O que este teorema quer dizer é que a descrição em termos de estrutura sintagmática é essencialmente mais poderosa do que a descrição em termos da teoria elementar apresentada no capítulo 3. 15 Cf. 4. nós estudamos línguas denominadas “línguas de estados finitos”.anteriormente. F]. aabb. o modelo de Markov de Cf. mas existem línguas terminais que não são línguas de estado finito. Assim. a menos que as regras incorporem restrições contextuais. que consiste em todas e somente as seqüências ab. F] em (18): (18) Σ: Z F: Z Z ab aZb Essa gramática tem a seqüência inicial Z (como (13) tem a seqüência inicial Sentença) e ela tem duas regras. (10iii) não pode ser produzida por uma gramática desse tipo. Como exemplos de línguas terminais que não são línguas de estados finitos.

T+N+chutou+SN. Repare que. no caso de (18). e os sintagmas verbais são contidos pelos sintagmas nominais em inglês. não há qualquer maneira de ordenar os elementos SN e SV relativamente um ao outro. Agora. Não provamos a adequação do modelo de estrutura sintagmática. uma língua extremamente trivial. aabb é um Z e a própria aaabbb é um Z16. cada um dos quais é um Z. ab é um Z. no caso de (13) e (18) (como em qualquer sistema de estrutura sintagmática). A estrutura de constituintes deve ser considerada como um único nível. assumida como um nível lingüístico. com uma representação para cada sentença em cada um desses subníveis. bem como por seqüências como SN+Verbo+SN. por exemplo. a seqüência terminal “o homem chutou a bola” é representada pelas seqüências Sentença+SN+SV. dos morfemas ou das palavras. com um conjunto de representações para cada 16 Onde “é um” é a relação definida na seção 4. ordenado do maior ao menor. como acontece no nível dos fonemas.1 em termos de diagramas como (15). é exigido por algum nível lingüístico. No nível da estrutura sintagmática. Não podemos estabelecer uma hierarquia entre as várias representações de “o homem chutou a bola”. nós introduzimos um símbolo Z que não está contido nas sentenças dessa língua. obviamente.estados finitos não é adequado para o inglês. que poderiam ocorrer em outras derivações equivalentes a (14) no sentido ali definido. cada seqüência terminal tem muitas representações diferentes. possui o caráter fundamentalmente diferente e não trivial que. Essa é. Por exemplo. a estrutura sintagmática. como vimos no último parágrafo do capítulo 3. mas mostramos que grandes partes do inglês que literalmente não podem ser descritas em termos de modelo de processos de estados finitos pode ser descrita em termos de estrutura sintagmática. no caso de (13). Observe também que. T+N+SV e todas as outras linhas de (14). podemos dizer que na seqüência aaabbb de (10i). Dessa forma. cada sentença da língua é representada por um conjunto de seqüências e não por uma única seqüência. É importante observar que ao descrever essa língua. Por exemplo. essa seqüência particular contém três “sintagmas”. Os sintagma nominais são contidos pelos sintagmas verbais. portanto. não podemos subdividir o sistema da estrutura de constituintes em um conjunto finito de níveis. podemos ver que o modelo de estrutura sintagmática não falha em tais casos. 25 . Assim. Isso é esse fato essencial sobre a estrutura sintagmática que dá a ela seu caráter “abstrato”.

A fim de completar a gramática.. Nessas regras morfofonêmicas.Csur/ + /t/ (onde Csur é uma consoante surda) (ii) take + passado (iii) hit + passado (iv) /. Há uma correspondência um-para-um entre os conjuntos de representações adequadamente escolhidos e os diagramas da forma (15). para que tenhamos um processo unificado para gerar séries de fonemas a partir da seqüência inicial Sentença. morfofonemas e morfemas). no caso das primeiras. Isso faz parecer que a separação entre o nível mais elevado de estrutura sintagmática e o nível mais baixo é arbitrária.sentença da língua. por exemplo. Podemos agora estender as derivações de estrutura sintagmática aplicando (19).. nós devemos estabelecer a estrutura fonêmica desses morfemas de modo que a gramática produza as seqüências gramaticais de fonemas da língua... F].D/ + /Id/ (onde D = /t/ ou /d/) /.3 Suponha que. não precisamos mais que um único símbolo seja reescrito em cada regra. como vimos. Mas essa operação (a que poderíamos chamar de morfofonêmica da língua) pode também ser obtida por um conjunto de regras da forma “reescreva X como Y”. 4.Csur/ + passado (vi) passado (vii) take etc. deve. Na verdade.. fonemas e morfemas. Repare que ordem deve ser definida entre essas regras – por exemplo. os elementos que aparecem nas regras em (19) podem ser classificados em um conjunto finito de níveis (por exemplo. (iii) deve preceder (v) ou (vii). para o inglês: (19) (i) walk /wçk/ /tuk/ /hit/ /. as propriedades formais das regras X Y correspondentes à estrutura sintagmática são diferentes das regras morfofonêmicas. nós possamos gerar todas as seqüências gramaticais ou morfemas de uma língua. já que. /d/ /teyk/ ou algo semelhante. a distinção não é arbitrária. cada um dos quais é elementar no sentido 26 .os exigir que apenas um único símbolo seja reescrito... Em segundo lugar.D/ + passado (v) /.. com uma gramática [Σ. ou nós derivaremos formas como /teyk/ como sendo o passado do verbo take. Em primeiro lugar. ou talvez fonemas.

Por exemplo.de que uma única seqüência de elementos deste nível está associada com cada sentença. e é fácil mostrar que uma elaboração mais aprofundada na forma da gramática é necessária e possível. Mas os elementos que aparecem nas regras correspondentes à estrutura sintagmática não podem ser classificadas em níveis mais superiores e inferiores dessa mesma maneira. As propriedades formais do sistema de estrutura sintagmática dão um bom estudo. Assim. a gramática poderá produzir não-sentenças. pode-se ver facilmente que seria bem vantajoso ordenar as regras do conjunto F para que algumas das regras pudessem ser aplicadas somente depois que outras já tenham sido aplicadas. e cada uma dessas seqüências representa uma única sentença. desejaríamos certamente que todas as regras da forma (17) se aplicassem antes de qualquer regra que nos permita reescrever SN como SN+Preposição+SN. caso contrário. ou algo semelhante. Veremos mais adiante que existe uma razão ainda mais fundamental para marcar essa subdivisão entre as regras de nível superior da estrutura sintagmática e as regras de nível inferior que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. Mas esse refinamento nos leva a problemas que não fazem parte do escopo deste estudo. como “os homens perto do caminhão começa a trabalhar às oito”. 27 . como sua representação neste nível (exceto nos casos de homonímia).

mostra que qualquer gramática que pode ser construída nos termos dessa teoria é extremamente complexa. Evidentemente. Uma prova mais fraca. em particular. um modelo teórico comunicativo baseado em uma concepção de língua como um processo de Markov e. quando tentarmos definir algum tipo de ordem entre as regras que produzem essas sentenças. Vimos que o primeiro modelo é indubitavelmente inadequado para os propósitos de uma gramática e que o segundo é mais poderoso do que o primeiro e não apresenta as mesmas falhas. ad hoc e “não intuitiva”. correspondente a uma teoria lingüística mínima. LIMITAÇÕES DA DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 5. e um modelo de estrutura sintagmática baseado em uma análise de constituintes imediatos. Assim que considerarmos qualquer sentença que vá além do tipo mais simples e. Podemos juntar um bom bocado de evidências desse tipo em favor da tese de que a forma de gramática descrita anteriormente e a concepção de teoria lingüística que subjaz a ela são fundamentalmente inadequadas. No entanto. iremos nos encontrar em meio a diversas dificuldades e complicações. ou seja. A única maneira de testar a adequação de nosso aparato é tentar aplica-lo diretamente à descrição das sentenças do inglês.5.1 Nós estudamos dois modelos para a estrutura da língua. acredito que existam outros motivos para rejeitar a teoria da estrutura sintagmática como inadequada para a descrição lingüística. mas eu não sei se o inglês em si está ou não literalmente fora do alcance desse tipo de análise. há línguas (em nosso sentido geral) que não podem ser descritas em termos de estrutura de constituintes. que alguns modos muito simples de descrição gramatical de sentenças não podem ser acomodados nas formas associadas da gramática e que certas propriedades formais fundamentais da língua não podem ser utilizadas para simplificar as gramáticas. A prova mais contundente possível para se provar a inadequação de uma teoria lingüística é mostrar que ela não consegue ser aplicada a uma língua natural. Exemplificar essa afirmação exigiria muito espaço e esforço. de certa forma. mas perfeitamente suficiente para demonstrar a inadequação de uma teoria seria mostrar que a teoria consegue ser aplicada apenas de maneira rudimentar. e eu posso apenas afirmar aqui que isso pode ser 28 .

as sentenças resultantes serão semi-gramaticais. podemos formar uma nova sentença Z – X + e + Y – W. se nós conectarmos pares de constituintes que forem constituintes importantes (isto é. Se tivermos duas sentenças Z + X + W e Z + Y + W e se X e Y são constituintes dessas sentenças. etc. das sentenças (20a-b). elas forma uma classe de enunciados distintos de “o João adorou o livro e amou a peça”. Tais traços marcam normalmente a leitura de seqüências não gramaticais. 5. Essa descrição requer que generalizemos a dicotomia gramatical\agramatical. é irrelevante para nossa discussão decidir se excluiremos ou não sentenças como “o João adorou e o meu amigo amou o livro”. No entanto. Na seção 8. parece óbvio que “o João adorou o livro e amou a peça” (uma seqüência com a forma SN – SV + e + SV) é uma sentença perfeitamente boa. apagamento de consoantes finais em discurso corrido. não podemos formar (23) a partir de (22a-b). já que essa distinção terá de ser assinalada na gramática. Tais sentenças que apresentam uma conjunção cruzando os limites dos constituintes são também. marcadas por traços fonêmicos peculiares. Esta segunda sentença. menos gramatical será a sentença resultante.. se X e Y não são constituintes. e nossa conclusão de que a regra para conjunção deva fazer referência explícita à estrutura de constituintes mantém-se válida. A maneira mais razoável de descrever essa situação parece ser com uma descrição do seguinte tipo: para formar sentenças perfeitamente gramaticais usando conjunções. desenvolvendo a noção de gradação de gramaticalidade.1. via de regra não podemos fazer isso18. é necessário conectar constituintes simples. mas não há nenhuma alternativa preferida à primeira sentença. Cf. considerando-as agramaticais. podemos formar a nova sentença (21). Em todo o caso. entre o “amou” e o “o”). em geral. se as incluiremos como semi-gramaticais. mas muitos questionariam a gramaticalidade de. Por exemplo. quanto mais profundamente a conjunção violar a estrutura de constituintes. Por exemplo. estiverem em uma posição alta no diagrama (15)). falha na redução de vogais. é muito menos natural do que sua alternativa “o João adorou o livro e meu amigo amou-o”.mostrado de maneira bastante convincente. onde a estrutura de constituintes é perfeitamente preservada. acento contrastivo e entonação.17 Ao invés de seguir esse caminho árduo e ambicioso. como pausas demasiadamente longas (em nosso exemplo. irei sugerir um método independente de demonstrar a inadequação da análise de constituintes como um meio de descrever a estrutura das sentenças em inglês. Por exemplo. No entanto. etc. (21) e (23) são casos extremos em que não há dúvidas sobre a possibilidade de uma conjunção. em que a conjunção atravessa as fronteiras de constituintes. Há vários casos menos evidentes. 18 17 29 . (20) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – da peça – foi em Chicago (21) a cena – do filme e da peça – foi em Chicago. F]. ou se as incluiremos como gramaticais com a ressalva de que elas apresentam traços fonêmicos peculiares. eu irei me limitar a esboçar alguns poucos casos simples em que melhorias consideráveis são possíveis em gramáticas com a forma [Σ.2 Um dos processos mais produtivos para a formação de novas sentenças é o processo de conjunção. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma análise detalhada deste problema. “o João adorou e o meu amigo amou o livro” (uma seqüência da forma SN + Verbo + e + Verbo – SN). por exemplo.

X + e + Y. e S2 = . S1 = .. mas etiquetada de maneira diferente). respectivamente em S1 e S2.. como 30 . sem a regra. se X e Y forem constituintes. Por exemplo.).. Da mesma forma. então não podemos formar uma nova sentença por conjunção. não podemos formar (25) de (24a-b). se no diagrama da forma (15) eles tiverem cada um uma única origem. precisamos saber não apenas a forma real de S1 e S2...) Ainda que mais especificação se faça necessária aqui. então S3 é uma sentença. a gramática estará muito simplificada se ajustarmos os constituintes de tal forma que (26) possa permanecer dessa maneira. Ou seja... Podemos simplificar a descrição do processo de conjunção se tentarmos estabelecer constituintes de forma que a seguinte regra seja verdadeira: (26) Se S1 e S2 são sentenças gramaticais e S1 difere de S2 apenas pela presença de X em S1 onde Y surge em S2 (isto é. para ser aplicada às sentenças S1 e S2 para formar a nova sentença S3.. se S3 resultar da substituição de X por X + e + Y em S1 (isto é. F] de estrutura sintagmática. é mais fácil determinar a distribuição do “e” por meio de especificações feitas nessa regra do que fazendo diretamente.Y. (24) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – que eu escrevi – foi em Chicago (25) A cena – do filme e que eu escrevi – foi em Chicago De fato.X. ainda que aproximadamente. mas constituintes de tipos diferentes (isto é.. Mas agora enfrentamos a seguinte dificuldade: não podemos incorporar a regra (26) nem nenhuma regra similar em uma gramática [Σ.. a possibilidade de conjunção oferece um dos melhores critérios para a determinação inicial da estrutura sintagmática.(22) (a) o – navio desceu o – rio (b) o – rebocador subiu o – rio (23) o – navio desceu e o rebocador subiu o – rio. e X e Y forem constituintes do mesmo tipo.. S3 = .. A propriedade essencial da regra (26) é que. por causa de certas limitações fundamentais em tais gramáticas.

. incluindo um estado inicial e um estado final.também suas estruturas de constituintes – devemos saber não apenas o formato final dessas sentenças. movendo-se novamente para um novo estado.. Em seu estado inicial. Suponhamos que tenhamos a seguinte gramática de estrutura sintagmática: (27) Y pode se aplicar a ela. a fim de determinar como produzir o próximo passo na derivação. o estado é determinado pelo subconjunto de elementos de Xi de F “lado esquerdo”. ela pode produzir apenas o elemento Sentença. Xj .. mas de “cima para baixo”. Yj . mais especificamente. A máquina procederá dessa forma de estado a estado até que ela finalmente produza uma seqüência terminal. Então. que pode “olhar para trás” para seqüências anteriores na derivação. F] se aplica ou falha em sua aplicação a uma determinada seqüência em função da substância efetiva dessa seqüência.. no sentido referido no capítulo 4. “aplicando” a regra Xj Yj. A gramática [Σ.. Podemos tratar o problema de maneira diferente. caso contrário. F] também pode ser entendida como um processo básico que gera sentenças não da “esquerda para a direita”. mas também sua “história de derivação”. Mas cada regra X Y da gramática [Σ. Se a seqüência contém X como uma subseqüência. a regra não irá se Σ: Sentença F: X1 : Xn Yn Y1 Aí podemos representar essa gramática como uma máquina com um número finito de estados internos.. a regra X aplicar. Suponhamos que Yi seja a seqüência . O que é importante aqui é que o estado da máquina é completamente determinado por uma seqüência que tenha sido recém produzida (isto é.. pela última seqüência da derivação). Então. A máquina produz então derivações. Mas a regra (26) requer uma máquina mais poderosa.. ela poderá produzir qualquer seqüência Yi tal que Sentença Yi é uma das regras de F em (27). que estão contidos nesta seqüência recém produzida. é então a seqüência final. 31 . mudando para um novo estado. a máquina conseguirá produzir a seqüência . Saber como essa seqüência assumiu gradualmente essa forma é irrelevante.

por exemplo. a saber. existem muitas outras formas que esse elemento pode assumir. porque não há uma boa correlação com a tradução em português. Veremos que existem muitas outras regras do mesmo tipo geral de (26) que desempenham o mesmo papel duplo. ela é certamente inadequada. “has” em “John has read the book”. Aux + V hit.1. take. ter+pegado. read. 32 . (13vi)). F].3 Na gramática (13). ter+sido+pego. O estudo desse “verbos auxiliares” parece ser bastante crucial no desenvolvimento da gramática do inglês. embora ele parece ser bem complexo se tentarmos incorporar esses sintagmas diretamente em uma gramática [Σ. como chutou (cf. Podemos dar conta da ocorrência desses auxiliares em sentenças declarativas adicionado as seguintes regras à gramática (13): (28) (i) Verbo (ii) V (iii) Aux (iv) M [O29] Comentário: Decidi manter os exemplos originais do inglês aqui. 5. mostramos apenas uma maneira de analisar o elemento Verbo. Mas mesmo com a raiz verbal fixada (digamos. can. must 19 Retornaremos ao auxiliar acentuado “do” mais adiante.A regra (26) também é fundamentalmente nova em um sentido diferente. Veremos que o comportamento deles é bastante regular e de simples descrição quando observados de um ponto de vista que é bem diferente do que desenvolvemos anteriormente. A tradução de ambas as frases. S1 e S2. O fato de a regra (26) não poder ser incorporada à gramática de estrutura sintagmática indica que. como em pegar). não há como incorporar uma dupla referência como essa. etc. pega. mas suficiente que consideramos anteriormente. walk. por exemplo. shall. considerada no sentido mais fraco. está+sendo+pego. na verdade. Considere primeiramente os auxiliares que aparecem não acentuados. C(M) (have + en) (b+ing) (be+en) will. Também as regras em (28) apresentam os verbos e auxiliares originais. etc. mas em gramáticas do tipo [Σ. may. ela fornece um dos melhores critérios para se determinar como estabelecer os constituintes. Ela faz referência crucial a duas sentenças distintas. não apresentariam verbos auxiliares. em português. Essa regra leva a uma considerável simplificação da gramática. na seção 7. mas não “does” em “John does read books”19. pegará. mesmo que essa forma de gramática não seja literalmente inaplicável ao inglês. F].

have + (29i) (29ii) – três 33 . S. the+man+S+have+en+be+ing+read+the+book the+man+have+S # be+en # read+ing # the+book vezes # the # man # have+S # be+en # read+ing # the # book # (29iii) Assumimos aqui que (13ii) foi estendido da maneira como mencionamos na nota 12. en. podemos desenvolver Cem qualquer dos três morfemas. Então: Af + v v + Af #. A interpretação das notações em (28iii) é a seguinte: devemos escolher o elemento C e podemos escolher zero ou mais dos elementos entre parênteses de acordo com a ordem estabelecida. (29) seria então parte da definição de uma mapeamento que transpõe determinados objetos no nível da estrutura sintagmática (basicamente os diagramas da forma (15)) para seqüências de palavras. Cf. ou have ou be (isto é. observando as restrições contextuais estabelecidas. Como exemplo da aplicação dessas regras. enquanto + seria o operador de concatenação no nível da estrutura sintagmática. 21 Se estivéssemos formulando a teoria da gramática mais cuidadosamente. ing. ∅.(29) (i) C S no contexto SNsing- 20 ∅ no contexto SNplpassado (ii) Seja Af qualquer um dos afixos: passado. interpretaríamos # como o operador de concatenação no nível das palavras. onde # é interpretado como fronteira de palavra21. (30) de (13i-v) (28i) (28ii) (28iii) selecionamos en e be + ing. omitindo as etapas iniciais. 20 the+man+Verbo+the+book the+man+Aux+V+the+book the+man+Aux+read+the+book the+man+C+have+en+be+ing+read+the+book – os elementos C. Seja v qualquer M ou V. qualquer não-afixo no sintagma Verbo). construímos uma derivação no estilo de (14). ou de maneira semelhante. The logical structure of linguistic theory para uma formulação mais cuidadosa. (iii) Substitua + por # exceto no contexto v – Af. Em (29i). Insira # no início e no final.

para aplicar (29i) em (30). em transcrição fonêmica. Ela também requer uma referência à estrutura de constituintes (isto é. porém. assim como (26). should devem ser adicionadas a (28iv) e o estabelecimento de certas “seqüências de tempo” irá se tornar mais complexo. as formas would. Repare que. F].As regras morfofonêmicas (19). por exemplo: (32) to prove that theorem proving that theorem was difficult 34 . A regra (29ii) viola os requisitos de gramáticas [Σ. Retornaremos depois à questão das restrições que devem ser colocadas nessas regras para que apenas as seqüências gramaticais sejam geradas. (29i). à história da derivação) e. irão converter a última linha dessa derivação em: (31) the man has been reading the book. no sentido em que convertem sintagmas verbais em sintagmas nominais. (A alternativa que consiste em ordenar (29i) e a regra que desenvolve o SNsing em the+man de tal forma que (29i) preceda essa última não é possível. could. Repare que essa regra e útil em outros pontos da gramática. Ou seja. Diversas outras pequenas revisões são também possíveis. algumas das quais aparecem a seguir). por diversas razões. Repare. Assim. vai além do tipo markoviano elementar de gramáticas de estrutura sintagmática e não pode ser incorporada dentro da gramática [Σ. Qualquer outro verbo auxiliar poderá ser gerado da mesma maneira. possa ser selecionado. Agora. Essas regras podem ser excluídas se reescrevermos (28iii) de maneira que C ou M. SNsing. os morfemas to e ing desempenham um papel semelhante dentro do sintagma nominal. F] de forma ainda mais radical. tivemos de nos reportar a uma etapa anterior na derivação para determinar a estrutura de constituintes de the+man. would. de passagem. pelo menos no caso em que Af é ing. tivemos de contar com o fato de que the+man é um sintagma nominal singular. Então. might. originando o seguinte. É irrelevante para nossa discussão decidir qual dessas alternativas de análise será adotada. que as regras morfofonêmicas devem incluir regras como as seguintes: will +S will + passado will. não há como expressar a inversão requerida em termos de estrutura sintagmática. mas não ambos. etc. além disso.

meu artigo “System of syntactic analysis”. “Two models of grammatical description”. Word 10. o da reconstrução da vasta complexidade da língua casual da maneira mais elegante e sistemática. Ao nos permitirmos a liberdade de (29ii). en e be . F. no sintagma verbal auxiliar. se poderia tentar remediar algumas das outras deficiências de gramáticas [Σ. Linguistics Today. na verdade. através de uma formulação mais complexa da estrutura sintagmática. ing. a saber. tratamos esses elementos como contínuos e introduzimos da descontinuidade com a regra adicional (29ii). Journal of Symbolic Logic 18. F] de estrutura sintagmática. 27-39 (1952). Podemos explorar esse paralelismo acrescentando a seguinte regra à gramática (13): (33) SN ing SV to A regra (29ii) irá então converter ing + prove + that + theorem em proving # that + theorem. extraindo a contribuição para esse complexo de diversos níveis lingüísticos. Mas as descontinuidades não podem ser lidadas em gramáticas [Σ. Uma análise mais detalhada do SV mostra que esse paralelismo vai muito além disso. Essa abordagem perderia o ponto principal da construção de níveis (cf. em (30) os elementos have . 242-56 (1953). o primeiro parágrafo da seção 3. 210-33 (1954). pudemos estabelecer a constituição do sintagma auxiliar em (28iii) sem levar em consideração a interdependência de seus elementos. será necessário providenciar uma formulação um pouco mais complexa. Studies in Linguistics 10. bastante simples. diretamente. 22 35 . no Poderíamos tentar estender a noção de estrutura sintagmática. Em (28iii). Se tentássemos alargar a gramática sintagmática de modo a que abrangesse.. Acredito que tal abordagem não seja recomendada e que ela pode levar apenas ao desenvolvimento de regras ad hoc e elaborações infrutíferas. C. Em outras palavras.1). perderíamos a simplicidade da gramática sintagmática e do desenvolvimento transformacional. O leitor pode concluir facilmente que. para dar conta das descontinuidades. Da mesma forma. Veremos adiante. para duplicar o efeito de (28iii) e (29) sem ir além dos limites de um sistema [Σ. percebemos que simplificações significantes da gramática são possíveis se nos for permitido formular regras de mais complexas do que as que correspondem ao sistema de análise de constituintes imediatos.etc.. Hockett. toda a língua. “A formal statement of morphemic analysis”. F]. F]22. Mais uma vez. Apontamos diversas vezes que algumas dificuldades sérias aparecem em qualquer tentativa sistemática nesse sentido. Cf. idem. as noções de estrutura sintagmática são bastante adequadas a uma pequena parte da língua e que o resto da língua pode ser derivado por uma aplicação repetida de um conjunto bastante simples de transformações às seqüências produzidas pela gramática sintagmática. Ao que parece. cada um simples em si mesmo. como no caso da conjunção. e é sempre mais fácil descrever uma seqüência de elementos independentes do que uma seqüência de elementos que sejam mutuamente dependentes. nós realmente temos elementos descontínuos – por exemplo.

mas não “John is eating by lunch”. 5. be + en pode ser selecionado apenas se o V seguinte for transitivo (por exemplo. considere o caso da relação ativa-passiva. mas. Contudo. “John drinks wine” (o João bebe vinho). os outros elementos do sintagma auxiliar podem ocorrer livremente com os verbos. Em primeiro lugar. se o V for intransitivo e seguido por um sintagma preposicional por + SN.). “sincerity admires John” (a sinceridade admira o João). e excluir as não sentenças23 “inversas” como “sincerety admires John” (a sinceridade admira o João). Ou seja. mas isso vai além da nossa presente discussão. é mais gramatical do que “of admires John” (de admira o João). não podemos ter SN + is + V + en + SN. mas na ordem oposta. be + en não pode ser selecionado se o verbo Vê seguido por um sintagma nominal. para permitir sentenças como as seguintes: “John admires sincerity” (o João admira a sinceridade). Veja a seção 7. “sincerety frightens John” (a sinceridade assusta o João”). tal como sugerimos anteriormente. via de regra. mesmo sendo claramente menos gramatical do que “John admires sincerety” (o João admira a sinceridade). Eu acredito que uma noção funcional de gradação de gramaticalidade possa ser desenvolvida em termos puramente formais (cf. “John frightens sincerety” (o João assusta a sinceridade).5 para uma demonstração mais profunda sobre a necessidade da inversão na passiva. repare que. mesmo quando o V é transitivo – não podemos ter “lunch is eaten John” (o almoço é comido João)). como em (30) (por exemplo. teremos de colocar diversas restrições à escolha do V em termos de sujeito e objeto. 23 36 . Na verdade. toda essa rede de restrições falha completamente quando escolhemos be + en como parte do verbo auxiliar. ao elaborarmos (13) como uma gramática completa. Finalmente. para cada sentença SN1 – V – SN2 podemos ter uma sentença correspondente SN2 – is + Ven – by + SN1. nesse caso valem as mesmas dependências selecionais. etc. que fazem dele um caso único entre os elementos do sintagma auxiliar. (o João está comendo pelo almoço). Se tentarmos incluir passivas diretamente na Aqui também poderíamos utilizar a noção de níveis de gramaticalidade. Além do mais. Mas existem sérias restrições nesse elemento. was + eaten é permitido. com algumas exceções. “golf plays John” (o golfe joga o João) e “wine drinks John” (o vinho bebe o João).capítulo 7. mas não was + occurred). que essa análise do elemento Verbo serve como base para uma análise abrangente e extremamente simples de diversos traços da sintaxe do inglês. The logical structure of linguistic theory). Assim. As sentenças passivas são formadas pela seleção do elemento be + en na regra (28iii). Além disso. “John plays golf” (o João joga golfe).4 Como um terceiro exemplo da inadequação das concepções da estrutura sintagmática. então devemos selecionar be + en (podemos ter “lunch is eaten by John” (o almoço é comido pelo João).

Por exemplo. algumas das quais discutiremos adiante. teremos de reformular todas essas restrições na ordem oposta para o caso em que be + en é escolhido como parte do verbo auxiliar. então a seqüência correspondente da forma SN2 – Aux + be + en – V – by + SN também é uma sentence grammatical.gramática (13). nessa seqüência. a menos que consigamos incorporar tais regras. contudo. Chamemos cada uma dessas regras de “transformação gramatical”. é preciso fazer referência à estrutura de constituintes da seqüência a que se aplica e efetua. Uma transformação gramatical T opera sobre uma determinada seqüência 37 . apenas ocorrer antes de V + by + SN (em que o V seja transitivo) e inverter a ordem dos sintagmas nominais vizinhos é. não ocorrer antes de V + SN. podemos mostra de maneira bastante conclusiva que essas gramáticas serão tão complexas que elas não terão o menor interesse. uma inversão de uma maneira estruturalmente determinada. Se examinarmos cuidadosamente as implicações dessas regras suplementares. que elas levam a uma concepção de estrutura lingüística completamente nova. então sincerety – C + be + en – admire – ny + John (que por (29) e (19) se torna “sincerety is admired by John” (a sinceridade é admirada pelo João)) também é uma sentença. uma conseqüência da regra (34). F]. em cada caso. (29) e (34) que simplificaram a descrição do inglês. Podemos agora deixar de lado o elemento be + en de (28iii) e todas as restrições especiais relacionadas a ele. veremos. mas que não podem ser incorporadas em uma gramática [Σ. Essa duplicação nada elegante. O fato de be + en exigir um verbo transitivo. Existem muitas outras regras desse tipo. 5. Mas (34) está além dos limites de gramáticas [Σ. Essa regra leva então a uma considerável simplificação da gramática. F]. se John – C – admire – sincerity é uma sentença. bem como as restrições especiais envolvendo o elemento be + en podem ser evitadas apenas se nós excluirmos deliberadamente as passivas da gramática de estrutura sintagmática e as reintroduzirmos por uma regra como a seguinte: (34) Se S1 é uma sentença gramatical da forma SN1 – Aux – V – SN2. Como (29iii).5 Estudamos as regras (26). Do estudo das limitações das gramáticas de estrutura sintagmática relativas ao inglês.

E ela deve preceder (29ii) para que a última regra se aplica de maneira correta ao novo elemento inserido be + en. (29) é uma transformação obrigatória. por exemplo. Cf. com exceção da última. ou o resultado simplesmente não será uma sentença25. Em primeiro lugar. Mas (34). mas nós podemos desenvolver uma determinada álgebra das transformações. mas (34) deve se aplicar depois de uma análise do SNsing. (29) deve ser aplicada para todas as derivações. A distinção entre transformações obrigatórias e opcionais nos leva a estabelecer uma distinção fundamental entre as sentenças da língua. Em segundo lugar. Para mostrar exatamente como essa operação funciona requer um estudo um pouco mais elaborado que iria além do escopo deste estudo. 24 38 . mas bastante natural. Z. Ela deve preceder (29i). “Cooccurrence and transformations in linguistic structure”.ou SNpl. para que o elemento verbal da sentença resultante tenha o mesmo número que o novo sujeito gramatical da sentença passiva. já podemos detectar algumas propriedades essenciais de uma gramática transformacional. etc. Suponhamos que tenhamos uma gramática G com uma parte [Σ. que será obrigatória. Por exemplo. Sempre que tivermos um elemento como C em (29i) que deve ser desenvolvido. S. 25 Mas das três partes de (29i). De qualquer forma. Language 33. porém. Ou seja. de diversas formas alternativas.(ou. deve se aplicar antes de (29). F]. Por isso. Harris. um tanto complexa. meu artigo “Three models for the description of language”. como no caso de (26). a transformação passiva. com as propriedade s que aparentemente são exigidas pela descrição gramatical24. sobre um conjunto de regras) com uma determinada estrutura de constituintes e a converte em uma nova seqüência com uma nova estrutura de constituintes derivada. Desses poucos exemplos. passado pode ocorrer depois de SNsing. e suponhamos Cf. para uma breve análise das transformações e The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para um desenvolvimento detalhado da álgebra transformacional e das gramáticas transformacionais. podemos ordenar as alternativas e tornar cada uma opcional. talvez. apenas a terceira é obrigatória. para uma abordagem diferente de análise transformacional. Uma razão para isso é agora óbvia – (29i) deve se aplicar depois de (34). e (34) é uma transformação opcional. repare que certas transformações são obrigatórias. pode ou não ser aplicada em algum caso específico.(Ao discutir a questão de (29i) poder ou não se encaixar em uma gramática [Σ. 283-340 (1957). A transformação da passiva (34). em particular. ou não teremos relações selecionais corretas entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e o “agente” na passiva). enquanto outras são opcionais. F] e uma parte transformacional. mencionamos que essa regra não poderia ser aplicada antes da regra que analisa SNsing como the + man. o resultado será uma sentença. fica claro que precisamos definir uma ordem de aplicação nessas transformações.

Correspondendo ao nível da estrutura sintagmática. ela tem uma série de regras morfofonêmicas com a mesma forma básica. Assim. porém. uma gramática tem uma série de regras da forma X Y e.que a parte transformacional tenha certas transformações obrigatórias e certas transformações opcionais. Essas transformações 39 . A parte transformacional da gramática será estabelecida de tal maneira que as transformações possam se aplicar às sentenças nucleares (mais corretamente. não necessariamente na ordem correta. F]) ou a sentenças já transformadas. nós construímos uma seqüência terminal que irá ser uma série de morfemas. nós percorremos a seqüência de transformações T1 . às seqüências terminais da parte da gramática [Σ. Percorrendo as regras de F. F]. definimos o núcleo da língua (em termos da gramática G) como o conjunto de sentenças que são produzidas quando aplicamos as transformações obrigatórias às seqüências terminais da gramática [Σ. correspondendo ao nível inferior. cada sentença da língua pertencerá ao núcleo da língua ou será derivada das seqüências que subjazem uma ou mais sentenças nucleares. às formas que subjazem as sentenças nucleares – isto é. a gramática será algo como (35): (35) Σ: Sentença: F: X1 : Xn T1 : Tj Z1 Zm W1 : Wm Morfofonêmica Estrutura transformacional Yn Y1 Estrutura sintagmática Para produzir uma sentença a partir de uma gramática como essa. Então. aplicando cada transformação obrigatória e talvez algumas opcionais. Essas considerações nos conduzem a uma representação das gramáticas como se elas possuíssem uma organização natural tripartite. construímos uma derivação começando com Sentença. por meio de uma série de uma ou mais transformações.Tj.. Então. ela tem uma série de regras transformacionais. Unindo essas duas séries. Então.

Nos últimos parágrafos do capítulo 4. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis. Há uma definição natural bem geral de “nível lingüístico” que inclui todos esses casos26. e para permitir que transformações se reapliquem para que sentenças cada vez mais complexas possam ser produzidas. chamamos a sentença resultante de sentença nuclear. Como resultado. A parte transformacional irá incluir regras como (26). eles dão origem a uma seqüência de palavras. geralmente. 40 . um enunciado é representado de maneira ainda mais abstrata. há boas razões para considerar cada uma dessas estruturas como sendo um nível lingüístico. (29) e (34). A parte de estrutura sintagmática da gramática irá incluir regras como (13). convertendo essa seqüência de palavras em uma seqüência de fonemas. No nível transformacional. 26 Cf. Esse conjunto de seqüências representativas é equivalente a um diagrama da forma (15). Quando aplicamos somente transformações obrigatórias na geração de uma determinada sentença. nós mostramos que as regras de estrutura sintagmática levam a uma concepção de estrutura lingüística e “nível de representação” que são fundamentalmente diferentes dos que são fornecidos pelas regras morfofonêmicas. e.podem reordenar as seqüências ou podem adicionar ou apagar morfemas. um enunciado é. percorremos as regras morfofonêmicas. como nós veremos mais tarde. de sentenças nucleares (mais precisamente. Mas a estrutura sintagmática não pode ser dividida em subníveis: no nível da estrutura sintagmática. Em cada uma das regras inferiores correspondentes ao terço inferior da gramática. (17) e (28). em última análise. nós também podemos extrair um esqueleto das regras obrigatórias que devem ser aplicadas sempre que as atingirmos no processo de geração de uma sentença. que operam sobre um conjunto de sentenças. de seqüências que subjazem as sentenças nucleares). Esse esboço do processo de geração de sentenças deve (e pode facilmente) ser generalizado para permitir um funcionamento adequado de regras como (26). A parte morfofonêmica irá incluir regras como (19). Investigações mais profundas podem mostrar que nas partes de estrutura sintagmática e morfofonêmica da gramática. representado por uma única seqüência de elementos. Então. adequadamente formuladas em termos que deve ser desenvolvidos no sentido de uma teoria completa das transformações. um enunciado é representado por um conjunto de seqüências que não podem ser ordenados em níveis inferiores ou superiores. como sendo uma seqüência de transformações pelas quais ele é derivado.

que estão além dos limites da descrição de estrutura sintagmática com regras livres de contexto. diversos exemplos de simplificações resultantes da análise transformacional. Seja G’ ser a gramática que contém G como sua parte de estrutura sintagmática. Nós vimos. que ela está preocupada com o processo de produção de enunciados ao invés de se preocupar com o processo “inverso” de analisar e reconstruir a estrutura dos enunciados. F] com a seqüência inicial Sentença e com o conjunto de todas as seqüências finitas de as e bs como seu output terminal. Escolhemos as sentenças nucleares de tal forma que as seqüências terminais subjacentes ao núcleo são facilmente derivadas por meio de uma descrição [Σ. em essência. Essa formulação tem ocasionalmente levado à idéia de que existe uma certa assimetria na teoria gramatical no sentido de que a gramática está levando em consideração o ponto de vista do falante ao invés do ponto de vista do ouvinte. aqueles enunciados que Seja G uma gramática [Σ. a saber. É importante observar que a gramática fica significativamente simplificada quando adicionamos um nível transformacional. Na verdade. assim como esta última é mais poderosa do que a descrição em termos de um processo de Markov de estados finitos que gera sentenças da esquerda para a direita. o output de G’ é (10iii). essas duas tarefas que o falante e o ouvinte devem desempenhar são essencialmente a mesma. uma vez que agora é necessário fornecer a estrutura sintagmática diretamente apenas para as sentenças nucleares – as seqüências terminais da gramática [Σ. Em particular. 27 41 .Quando a análise transformacional é corretamente formulada. e ambas estão fora do escopo de gramáticas da forma (35). mais poderosa do que a descrição em termos de estrutura sintagmática. Na verdade. vemos que ela é. Um outro detalhe sobre gramáticas da forma (35) merece atenção. Tal gramática existe. e veremos novamente. Nós descrevemos essas gramáticas como mecanismos para gerar sentenças. línguas como (10iii). F]. Uma investigação sintática em larga escala do inglês fornece diversos outros casos. não nos diz como analisar um enunciado particular. complementada pela transformação T que opera sobre qualquer seqüência K que é uma Sentença. podem ser derivadas transformacionalmente27. enquanto todas as outras sentenças podem ser derivadas dessas seqüências terminais através de transformações enunciáveis simplesmente. Cada gramática desse tipo é simplesmente uma descrição de um determinado conjunto de enunciados. Então. síntese e análise de enunciados. F] são apenas aquelas que subjazem as sentenças nucleares. gramáticas que têm a forma que estamos estudando aqui são bem neutras no que diz respeito à relação entre falante e ouvinte. Uma gramática não nos diz como sintetizar um enunciado específico. já que ele aparentemente suscitou alguma confusão. convertendo-a em K + K.

Poderíamos dizer que essa teoria gera todos os enunciados gramaticalmente “possíveis”. Isso serviria de base teórica para técnicas de análise qualitativa e síntese de compostos específicos. etc. estrutura transformacional. Talvez seja possível esclarecer melhor o assunto fazendo uma analogia com uma parte da teoria química que se preocupa com os compostos que são estruturalmente possíveis. podemos reconstruir as relações formais que existem entre esses enunciados em termos de noções de estrutura sintagmática. 42 . como análise e síntese de enunciados particulares. assim como pode-se utilizar uma gramática na investigação de problemas especiais. Com essa gramática.são gerados por ela.

eu sugeri um modelo mais poderoso. Se excluirmos as condições externas ou a exigência de 28 Eu acredito que essas duas condições são semelhantes ao que Hjelmslev tinha em mente quando falou de duas características da teoria lingüística: a de ser apropriada e a de ser arbitrária. Nossa preocupação fundamental ao longo desta discussão sobre a estrutura lingüística é o problema da justificação das gramáticas. geradas pela gramática. dois modelos de estrutura lingüística foram desenvolvidos: um modelo teórico simples de comunicação e uma versão formalizada de análise de constituintes imediatos. Da mesmo forma. Indiana University Publications Anthropology and Linguistics) Baltimore. sintagmas. Cf. Cf. Dois tipos de critérios foram mencionados em 2. combinando a estrutura sintagmática e transformações gramaticais que podem remediar essas inadequações. L. por exemplo. Word 10.6. Nosso problema é desenvolver e clarificar os critérios para a seleção de uma gramática correta de cada língua. Linguistics Today. as sentenças geradas terão de ser aceitáveis para um falante nativo. Além disso. 8. para além do corpus (previsões). No capítulo 8.. em que termos como “fonema” e “sintagma” sejam definidos independentemente de qualquer língua particular28. 1953). etc. Qualquer teoria científica se baseia em um número finito de observações. Ambos foram considerados inadequados. 232-3). Uma gramática da língua L é essencialmente uma teoria de L. eu gostaria de esclarecer alguns pontos de vista que subjazem toda a proposta deste estudo. Hjelmslev. e. nós impomos às gramáticas uma condição de generalidade. isto é. iremos considerar diversas outras condições externas desse tipo. procurando relacionar os fenômenos observados e prever novos fenômenos através da construção de leis gerais em termos de conceitos hipotéticos como (por exemplo. uma gramática do inglês se baseia em um corpus finito de enunciados (observações) e conterá regras gramaticais (leis) formuladas em termos dos fonemas. cada gramática terá de satisfazer algumas condições externas de adequação. 43 . a teoria correta dessa língua. Prolegomena to a theory of language = Memoir 7. p. Antes de explorarmos essa possibilidade. SOBRE OS OBJETIVOS DA TEORIA LINGÜÍSTICA Nos capítulos 3 e 4.1. também a discussão de Hockett sobre “metacritérios” para a lingüística (“Two models of grammatical description”. do inglês (conceitos hipotéticos). Evidentemente. no capítulo 5. em física) os de “massa” e “elétron”. exigimos que uma gramática de uma dada língua seja construída de acordo com uma teoria específica da estrutura lingüística. Essas regras expressam relações estruturais entre as sentenças do corpus e o número infinito de sentenças.

Essas teorias podem ser representadas graficamente da seguinte maneira: 44 . como observamos em 2. dado um corpus e duas propostas de gramática. de fato. Nesse caso. nós podemos tentar formular de maneira tão precisa quanto possível tanto a teoria geral como o conjunto de gramáticas associadas que devem se adequar às condições empíricas e externas de adequação. Digamos que tal teoria nos forneça um procedimento de descoberta das gramáticas. Repare que nem a teoria geral nem as gramáticas particulares recebem uma forma definitiva. a melhor gramática da língua para aquele corpus. A qualquer momento. Porém. que não se preocupa com a questão de como essa gramática foi construída. que sentido tem a expressão “relacionadas a ela [à teoria geral]”. esses requisitos em conjunto nos dão um teste de adequação bastante forte para uma teoria geral da estrutura lingüística e ara o conjunto de gramáticas que ela fornece para as línguas particulares. poderíamos dizer que a teoria fornece um procedimento de avaliação das gramáticas. Ainda não consideramos a seguinte pergunta crucial: qual é a relação entre a teoria geral e as gramáticas particulares relacionadas a ela? Em outras palavras.1. cada uma compatível com um determinado corpus. dado um corpus de enunciados. Progresso e revisão podem vir da descoberta de novos fatos sobre línguas particulares ou de novas estipulações puramente teóricas sobre a organização dos dados lingüísticos –ou seja. A exigência mais forte que pode ser estabelecida sobre a relação entre uma teoria da estrutura lingüística e as gramáticas particulares é que a teoria deve fornecer um método prático e automático para a construção da gramática. Mas também não há qualquer circularidade nesta concepção. nesta perspectiva. Uma exigência mais fraca seria a de que a teoria deve fornecer um método prático e automático para determinar se a gramática proposta para um determinado corpus é. Uma exigência ainda mais fraca seria a de que.generalidade. novos modelos para a estrutura lingüística. neste contexto? É neste ponto que nossa abordagem diverge significativamente de outras teorias sobre a estrutura lingüística. poderia fornecer um procedimento de decisão das gramáticas. a teoria deve nos dizer qual é a melhor gramática da língua daquele corpus. G1 e G2. não haverá possibilidade de escolher entre um vasto número de “gramáticas” totalmente diferentes. Tal teoria.

com isso. C. “Problems of morphemic analysis”. “Systems of syntactic analysis”. 30 Por exemplo. e vários outros trabalhos. Acho muito questionável que esse objetivo seja alcançado de alguma forma interessante e suspeito que qualquer tentativa de alcançá-lo irá levar a um labirinto de procedimentos analíticos cada vez mais elaborados e complexos. 27-39 (1952). Language 23. F. Por exemplo. 321-43 (1947). uma teoria que fornece um procedimento de avaliação de gramáticas29. elas tentam formular métodos de análise que um investigador possa realmente utilizar se tivesse tempo suficiente para construir uma gramática de uma língua diretamente dos dados brutos. adotamos a posição mais fraca das três descritas antes. e apresenta um escolhido entre G1 e G2 como output. Bloch. ao invés de apenas uma única gramática. por isso. Hockett. por isso. R. qualquer uma das possibilidades que são igualmente eficientes. Language 31. B. que irão falhar em responder muitas questões importantes sobre a naturas da estrutura lingüística. Language 23. Ou seja. P.(36) VER GRÁFICO (36). 29). 56 DA EDIÇÃO PORTUGUESA A figura (36i) representa uma teoria concebida como uma máquina com um corpus como input e uma gramática como output. se examinarmos bem. podemos freqüentemente ver que a teoria que está sendo de fato construída não fornece mais do que um procedimento de avaliação das gramáticas. uma teoria que fornece um procedimento de descoberta. 1951). 3-46 (1948). Ou seja. Hockett diz que seu objetivo em “A formal statement of morphemic analysis” é o desenvolvimento de “procedimentos formais com os quais se pode trabalhar a partir de um esboço para chegar a uma descrição completa do padrão de uma língua” (p. (36ii) é um mecanismo com que tem uma gramática e um corpus como input e que responde “sim” ou “não” como output. por isso. Z. 81-117 (1947). Studies in Linguistics 10. Harris. idem. Chomsky. dependendo se a gramática for ou não a correta. ou. Acredito que se nos limitarmos ao objetivo mais modesto de desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. (36iii) representa uma teoria que tem as gramáticas G1 e G2 e um corpus como input. Wells. “From phoneme to morpheme”. 27). 190-222 (1955). S. “A formal statement of morphemic analysis”. 45 . 242-56 (1953). Ainda que os procedimentos de descoberta sejam o objetivo explícito desses trabalhos. 29 A questão básica com a qual estamos lidando não irá se alterar se estivermos dispostos a aceitas um conjunto pequeno de gramáticas corretas. “A set of postulates for phonemic analysis”. (p. de maneira arbitrária. a maioria das propostas para o desenvolvimento de uma teoria lingüística30 tenta satisfazer a exigência mais forte das três. embora mais eficientes do que todas as outras”. “Immediate constituents”. mas o que ele realmente faz é descrever algumas das propriedades formais de uma análise morfológica e então propor um “critério através do qual a eficiência relativa de duas possíveis soluções mórficas possam ser determinadas. Da maneira como eu interpreto. Language 24. Methods in structural linguistics (Chicago. O ponto vista adotado aqui é que não é razoável exigir da teoria lingüística que ela forneça algo além de um procedimento prático de avaliação das gramáticas. ela representa uma teoria que fornece um procedimento de decisão de gramáticas. Journal of Symbolic Logic 18. podemos escolher a possibilidade mais eficiente. S. idem. N.

Repare. com testes operacionais e comportamentais) os critérios externos de adequação para as gramáticas. Mas esse não é o tipo de procedimento de descoberta que pretendido por quem está tentando satisfazer a exigência forte que discutimos anteriormente. com a certeza de que encontraremos a seqüência adequada mais curta dentro de um tempo finito. Existem poucas áreas da ciência em que se poderia considerar seriamente a possibilidade de se desenvolver um método geral. Então. que a mais fraca dessas exigências ainda é forte o suficiente para garantir que uma teoria que alcance essa exigência seja significativa. Terceiro. já que poderíamos ordenar todas as seqüências do número finito de símbolos que constituem as gramáticas e testar cada uma dessas seqüências para verificar se ela é uma gramática. ao escolher uma entre elas. já que poderíamos contar o número de símbolos que cada gramática contém. cada uma sendo compatível com os dados disponíveis. seria correto afirmar que temos um procedimento de avaliação prático de gramáticas. Determinar se esse julgamento está correto pode ser feito apenas pelo efetivo desenvolvimento e comparação de teorias desses diversos tipos. contudo. Essa qualificação um tanto vaga é fundamental para uma ciência empírica. qualificamos a caracterização do tipo de procedimento com o termo “prático”. como a extensão. E também seria literalmente correto afirmar que temos um procedimento de descoberta. por exemplo. Segundo. Primeiro. para que possamos realmente propor alguma gramática com essa forma para as línguas particulares. Em cada uma dessas concepções da teoria lingüística. há três tarefas principais no tipo de programa que escolhemos para a teoria lingüística. que estivéssemos avaliando as gramáticas através de medições de alguma propriedade simples. prático e automático para escolher entre diversas teorias. Suponha que utilizemos o termo “simplicidade” para nos referir ao conjunto de propriedades formais das gramáticas que consideraremos. Suponha.conseguiremos focalizar nossa atenção mais claramente aos problemas realmente importantes sobre a estrutura lingüística e conseguiremos chegar a respostas mais satisfatórias. Então. é necessário estabelecer de maneira precisa (se possível. devemos analisar e definir a noção de simplicidade que pretendemos utilizar para escolher entre uma gramática entre todas as gramáticas que têm a forma correta. Completar as duas últimas tarefas irá nos permitir formular uma teoria geral da estrutura lingüística em que tais noções como “o fonema 46 . devemos caracterizar a forma das gramáticas de uma maneira geral e explícita.

referimos anteriormente que uma das noções que devem ser definidas em uma teoria lingüística geral é a de “uma sentença em L”. nos permitir a escolha entre duas gramáticas propostas. podemos tentar construir gramáticas para línguas reais e podemos determinar se as gramáticas mais simples que encontramos (isto é. Outros termos também serão definidos. podemos definir o conjunto de fonemas de L como um conjunto de elementos que têm certas propriedades físicas e distribucionais e que aparecem na gramática mais simples de L. podemos decidir que certos testes não se aplicam aos fenômenos gramaticais. O objeto de uma teoria não é completamente determinado a priori em uma investigação. como “um enunciado observado em L”. etc. Em particular. Essa teoria geral está de acordo com a preocupação de clarificar a relação entre o conjunto de sentenças gramaticais e o conjunto de sentenças observadas. que o conjunto de sentenças gramaticais do inglês fosse dado e que tínhamos uma noção de simplicidade. revisar os critérios de adequação ao longo de nossa pesquisa. Nas seções anteriores. Ou seja. “o sintagma em L”.em L”. Tentamos determinar que tipo de gramática irá gerar exatamente as sentenças gramaticais de uma maneira simples. Mas ela deve nos dizer como avaliar tal gramática. “a simplicidade da gramática de L”. dessa forma. continuaremos a investigar a relativa complexidade de diversas maneiras de descrever a estrutura do inglês. Para formular esse objetivo em termos um pouco diferentes. Repare que essa teoria pode não nos dizer como realmente construir a gramática de uma língua a partir de um corpus de maneira prática. Por exemplo. por hipótese. as gramáticas que a teoria geral nos obriga a escolher) satisfazem as condições externas de adequação. Nossa investigação da estrutura deste último conjunto é apenas preparatória. iremos nos preocupar com a A teoria lingüística irá então ser formulada em uma metalinguagem em relação à língua em que as gramáticas são escritas – uma metametalinguagem em relação a qualquer língua para que se constrói uma gramática. Continuaremos a revisar nossas noções de simplicidade e caracterização da forma das gramáticas até que as gramáticas selecionadas pela teoria consigam satisfazer as condições externas32. ela deve. Ele é parcialmente determinado pela possibilidade de dar conta de alguns fenômenos de maneira organizada e sistemática. Admitimos. 31 47 . antes que possamos caracterizar essa relação de maneira clara. “a transformação em L” sejam definidas para uma língua L arbitrária em termos de propriedades físicas e distribucionais de seus enunciados e em termos das propriedades formais das gramáticas de L31. A partir de tal teoria. na verdade. estivemos preocupados com a segunda dessas três tarefas. 32 Podemos também. devemos saber muito mais sobre as propriedades formais de cada um desses conjuntos. No capítulo 7. ela parte da hipótese de que.

esses resultados são apenas sugestivos. Repare que a simplicidade é uma medida sistemática. Não há dúvidas de que é possível Cf. enquanto que o mesmo não acontece com gramáticas mais complexas. É quando sabemos que a simplificação de uma parte da gramática leva a simplificações correspondentes de outras partes que podemos sentir estamos realmente no caminho certo. Não estamos negando a utilidade de processos de descoberta mesmo parcialmente adequados. Pode-se chegar à gramática por intuição. etc. podemos complicar as demais. até que consigamos dar conta de maneira rigorosa da noção de simplicidade que adotamos. mas isso certamente iria além do escopo deste trabalho. Nosso ponto central aqui é que uma teoria lingüística não deve ser identificada com um manual de procedimentos úteis. Essa validação pode ser somente uma tentativa. Ainda assim. No capítulo 8. No entanto. o único critério fundamental na avaliação é a simplicidade de todo o sistema. já que simplificando uma parte da gramática. a maior parte das decisões sobre complexidade relativa que proporemos adiante ainda será válida33. nós podemos nunca considerar a questão de como se pode chegar à gramática cuja simplicidade está sendo determinada. Acredito que poderíamos dar conta dessa questão. ou podem levar a um conjunto pequeno de gramáticas que podem ser então avaliadas. Chegaremos assim a certas decisões sobre a estrutura do inglês.questão da possibilidade de se simplificar toda a gramática se considerarmos certas classes de sentenças como sendo sentenças nucleares ou se as considerarmos como sendo sentenças derivadas por transformações. Ao discutir os casos particulares. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma discussão dos métodos de avaliação de gramáticas em termos de propriedades formais de simplicidade. Eles podem fornecer dicas valiosas ao lingüista prático. por exemplo. nem tampouco se deve esperar que ela forneça procedimentos mecânicos para a descoberta de gramáticas. com qualquer definição possível de “simplicidade da gramática”. Questões desse tipo não são relevantes para o programa de investigação desenvolvido acima. por qualquer tipo de sugestões metodológicas parciais. que têm decisões diferentes sobre a atribuição de sentenças ao núcleo.3. por suposições. tentaremos mostrar que as gramáticas mais simples satisfazem certas condições externas de adequação. Ou seja. Adiante. como pode ter sido descoberta a análise do sintagma verbal apresentado em 5. tentaremos mostrar que a análise transformacional mais simples de uma classe de sentenças freqüentemente conduz a análises mais simples de outras classes. etc. nós podemos apenas indicar como uma ou outra decisão irá afetar a complexidade geral. deverá ficar bem claro que. Em resumo. 33 48 . argumentaremos que existem evidências independentes a favor de nosso método de selecionar gramáticas. por confiança na experiência adquirida.

2 Uma vez que tenhamos declinado qualquer intenção de encontrar um procedimento prático de descoberta das gramáticas. Porém. Isso resulta em uma maneira perfeitamente direta de definir níveis independentes sem qualquer circularidade. Obviamente. certos problemas que têm sido objeto de intensa controvérsia metodológica simplesmente não aparecem. e. corretamente. conduzem de maneira conjunta à gramática mais simples da língua. mas é questionável que eles possam ser formulados de maneira rigorosa. então. na natureza da estrutura lingüística) e na investigação das conseqüências empíricas na adoção de um determinado modelo da estrutura lingüística do que em demonstrar como. esse problema não se enquadra no escopo de nossas investigações no momento.dar conta de maneira organizada de diversos procedimentos úteis de análise. Nosso objetivo último é fornecer uma maneira não-intuitiva e objetiva de avaliar uma gramática e compará-la com outras gramáticas propostas. ao mesmo tempo. Podemos depois definir um par de um conjunto de fonemas e um conjunto de morfemas para uma determinada língua como sendo um par compatível de um conjunto hipotético de fonemas e um conjunto hipotético de morfemas. em princípio. podemos definir os fonemas e os morfemas de uma língua como os fonemas e morfemas hipotéticos que. e há poucas razões para se acredita que ela pode ser satisfeita de maneira significativa. pouca 49 . pode-se ter chegado à gramática de uma língua. De qualquer forma. mais interessados na descrição da forma de gramáticas (ou seja. da mesma forma. Estamos. exaustiva e simples o suficiente para que sejam qualificados como procedimentos práticos e automáticos de descoberta. nenhuma outra teoria fonêmica ou morfêmica satisfaz realmente essa forte exigência. ou seja. Nesse caso. então a teoria lingüística pode ser anulada por um problema real de circularidade. Em todo o caso. Foi salientado. por exemplo. o fato de que se os morfemas são definidos em termos de fonemas. tentando desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. entre outras coisas. podemos definir um “conjunto hipotético de fonemas” e um “conjunto hipotético de morfemas” independentemente e podemos desenvolver uma relação de compatibilidade entre os conjuntos hipotéticos de fonemas e os conjuntos hipotéticos de morfemas. isso não nos diz como encontrar os fonemas e morfemas de maneira direta e automática. 6. Considere o problema da interdependência de níveis. as considerações morfológicas são tidas como relevantes para a análise fonêmica. Nossa relação de compatibilidade pode ser parcialmente estabelecida em termos de consideração de simplicidade. quando tornamos nossos objetivos mais modestos.

Appendix to 7. Ele não se aprofunda com detalhes. “More on grammatical prerequisites”. F. Jackobson. “On accent and juncture in English”. ainda que interdependentes. Chomsky. A única diferença entre os dois casos é que (19v) é uma regra muito mais geral do que (19ii)35. capítulos 9 e 12) para exemplos de procedimentos que conduzem a níveis interdependentes. Harris. relacionados na gramática por regras morfofonêmicas tais como (19). F. N. Mesmo se considerações morfológicas sejam consideradas relevantes para determinar os fonemas de uma língua. como vimos há pouco. K. através do uso de definições recursivas. 34 50 . como tendo verdadeiramente conteúdo fonêmico em sentido quase literal.2. R. Linguistics Today. Hockett. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. 33 (1949). “took” /tuk/ (pegou). Word 10. 65-80. associar qualquer parte dessa palabra com o morfema de passado que aparece como /t/ em “walked” /wçkt/ (caminhou). como nos casos da forma verbal de passado do inglês. etc. Cf. 1956).4. 106-21 (1952). Pike. Bar-Hillel sugeriu em “Logical syntax and semantics”. Ao tentar desenvolver procedimentos de descoberta de gramáticas. Word 3. Appendix to 8. pode ainda ser o caso de que a transcrição fonêmica forneça regras de “leitura” completas sem qualquer referência a outros níveis. ficamos naturalmente tentados a considerar os morfemas como classes de seqüências de fonemas. 65-80. “The phonemic and grammatical aspects of language and their interrelation”. 504-9 [1952]) podem ser satisfeitos sem dificuldade por uma formulação não-circular. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. M. essas seqüências de morfemas em /tuk/ e /wçkt/. M. e não há qualquer dificuldade em evitar a circularidade na definição de níveis interdependentes34. isto é. 15. Language 28. como /d/ em “framed” /freymd/ (modelou). evitando artificialismos. O problema da interdependência dos níveis fonêmico e morfêmico não deve ser confundido com a questão sobre se a informação morfológica é exigida para a leitura de uma transcrição fonêmica. S. Assim. também N. Studies in Linguistics 7. para uma discussão mais profunda sobre a interdependência dos níveis. C. “took” será representado no nível morfológico como take+passado da mesma forma que “walked” será representado como walk+passado. Muitos problemas de análise morfêmica também recebem soluções bem simples se adotarmos o modelo geral que esboçamos há pouco. 1956). Halle. e meu pressentimento sobre o sucesso dessa solução diz que ele deve ser pouco provável. Lukoff. 210-33 (1954). assim como propusemos. Além do mais. 230-7 (1954) que as propostas de Pike podem ser formalizadas sem a circularidade que muitos nelas detectam. poderemos construir níveis interdependentes somente com definições diretas. Se desistirmos da idéia de que os níveis superiores são literalmente Cf. 35 Hockett apresenta esta abordagem de níveis de maneira bem clara em A manual of phonology (1955). idem. se estivermos satisfeitos com um procedimento de avaliação de gramáticas. Em “Two models of grammatical description”. F. Cf. Lukoff. A manual of phonology = Memoir 11. Proceedings of the Sixth International Congress of Linguistics 5-18 (Paris. Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore. “Grammatical prerequisites to phonemic analysis”. em que é difícil. Language 30. “Two fundamental problems in phonemics”. Halle. L. Isso nos leva a problemas bem conhecidos. 155-72 (1847). p. idem. 1948). 1955). Word 8. Methods in structural linguistics (Chicago. Podemos evitar esse tipo de problema se entendermos a morfologia e a fonologia como sendo dois níveis diferentes. Cf. “On accent and juncture in English”. Acredito que as objeções de Fowler aos procedimentos morfológicos de Harris (cf. 1951) (por exemplo. respectivamente. Chomsky.motivação permanece para qualquer objeção à mistura de níveis. Z. para discussão e exemplos. As regras morfofonêmicas (19ii) e (19v) convertem.

Halle. Por exemplo. Lukoff. 224) Porém. de maneira mais geral. argumentando que “took e take são em parte semelhantes no formato fonêmico assim como o são baked e bake. acho que é inquestionável que a oposição à mistura de níveis. For Roman Jackobson (‘sGravenhage. às vezes se argumenta que trabalhos em teoria sintática são prematuros. Se renunciarmos a esse objetivo e se distinguirmos claramente entre um manual de procedimentos sugestivos e úteis e uma teoria da estrutura lingüística. Formularemos essa regra. indica que essa tarefa fútil não precisa ser seguida nos níveis inferiores36. esse fato não pode ser negligenciado” (p. Da mesma Hockett rejeitou uma solução muito parecida com a que apresentamos aqui. 1956). 65-80. Isso irá nos permitir uma simplificação na gramática. “forsake” – “forsook” (renunciar – renunciou) e. vimos antes que seria um absurdo. “On accent and juncture in English”. tenha sua origem na tentativa de desenvolver um procedimento de descoberta de gramáticas. para uma discussão da possibilidade de que as considerações nos níveis 51 . E a semelhança no formato fonêmico pode ser salientada na formulação da regra morfofonêmica que converte take + passado em /tuk/. como o da estrutura sintagmática. Assim. Não somos obrigados a abandonar as esperanças em encontrar um procedimento de descoberta prático ao adotarmos a perspectiva de que os níveis são interdependentes. ou a concepção de níveis lingüísticos como sistemas abstratos de representação relacionados apenas por regras gerais. Existem muitas outras perspectivas comumente aceitas que parecem perder muito de seu apelo se formularmos nossos objetivos da maneira recém sugerida. porque muitos dos problemas que aparecem sobre os níveis inferiores de fonêmica e morfologia não estão resolvidos.construídos a partir dos elementos de nível inferior. Mas o inverso também não deixa de ser verdadeiro. “stand – stood” (durar – durou). Chomsky. sem dúvidas. a similaridade no significado não é negligenciada em nossa formulação. através de uma generalização que irá evidenciar o paralelismo entre “take” – “took”. mas apenas o desenvolvimento de tais níveis superiores. ou mesmo inútil. formular princípios de formação de sentenças em termos de fonemas ou morfemas. assim como a idéia de que cada nível é literalmente construído a partir de elementos de níveis inferiores. como ey u no contexto t – k + passado na formulação morfofonêmica. então se torna muito mais natural considerar mesmo sistemas de representação tão abstratos como a estrutura transformacional (em que cada enunciado é representado pela seqüência de transformações de onde é derivada a partir de uma seqüência terminal da gramática de estrutura sintagmática) constituindo um nível lingüístico. Contudo. e também são semelhantes em significado da mesma maneira. 36 Cf. “shake” – “shook” (balançar – balançou). F. como acredito que devemos fazer. etc. já que o morfema passado aparece na representação morfêmica tanto de “took” como de “baked”. É bem verdade que os níveis superiores da descrição lingüística dependem de resultados obtidos nos níveis inferiores. M. N. então não há muita razão para manter qualquer uma dessas posições duvidosas.

ter alguma visualização do caráter do sistema completo. a estrutura sintagmática e as transformações.forma. são relevantes para a seleção de uma análise fonêmica. Mas somente o desenvolvimento do nível ainda mais abstrato das transformações pode preparar o caminho para o desenvolvimento de uma técnica mais simples e adequada de análise de constituintes com limites mais modestos. incluindo a morfologia. ou mesmo necessário. dissemos que a descrição da estrutura da sentença por uma análise de constituintes não terá sucesso se for levada além de determinados limites. A gramática de uma língua é um sistema complexo com muitas e variadas interconexões entre suas partes. freqüentemente é útil. mas acredito que tenha sido alimentado por uma falsa analogia entre a ordem do desenvolvimento da teoria lingüística e a suposta ordem das operações na descoberta da estrutura gramatical. Para que se desenvolva uma parte da gramática de maneira completa. superiores. Mais uma vez. acredito que a noção de que a teoria sintática deva esperar a solução de problemas da morfologia e da fonologia seja insustentável. 52 . havendo ou não preocupação com o problema de procedimentos de descoberta.

Assim. devemos descrever a análise das seqüências a que ela se aplica e a modificação estrutural que se efetua nessas seqüências37. Para especificar de maneira explícita uma transformação. 37 53 . essa transformação Tneg opera em seqüências que são analisadas em três segmentos em uma das seguintes maneiras: (37) (i) NP – C – V . (iii) NP – C – have – . Nosso objetivo é limitar o núcleo de tal forma que as seqüências terminais subjacentes às sentenças nucleares sejam derivadas por um sistema simples de estrutura sintagmática e possam fornecer a base a partir da qual todas as sentenças possam ser derivadas por transformações simples: transformações obrigatórias no caso do núcleo e transformações obrigatórias e opcionais no caso de sentenças não nucleares. a transformação passiva se aplica a seqüências da forma NP – Aux – V – NP e tem o efeito de intercambiar os dois sintagmas nominais. se ele contiver somente um morfema. A maneira mais simples de descrever a negação é por meios de uma transformação que se aplica antes de (29ii) e introduz not ou n’t depois do segundo morfema do sintagma dado por (28iii). (34)). Dada uma seqüência analisada em três segmentos em uma dessas formas. Assim.. cf. Por exemplo. Considere agora a introdução do not ou n’t no sintagma verbal auxiliar.. podemos retornar à investigação das conseqüências em se adotar a abordagem transformacional na descrição da sintaxe do inglês. (iv) NP – C + be – . a Tneg adiciona not (ou n’t) depois do segundo segmento da seqüência. onde os símbolos são como em (28) e (29) e é irrelevante o que as reticências representam.. adicionando a preposição by (por) antes do último sintagma nominal e adicionando be +en (ser + particípio passado) ao Aux (cf. ou depois do primeiro morfema...... se esse sintagma contiver pelo menos dois morfemas.7. ALGUMAS TRANSFORMAÇÕES EM INGLÊS 7. (ii) NP – C + M – .1 Depois dessa divagação. as referências citadas na nota 24. Para uma discussão mais detalhada da especificação das transformações em geral e de transformações específicas.

aplicada à they – ∅ + have – en + come (um caso de (37iii)). Suponha agora que selecionamos um caso de (37i). quando selecionamos os últimos três casos de (37). Contudo. então. uma regra que se aplica depois de (29): (40) # Af # do + Af onde do é o mesmo elemento que o verbo principal em “John does his homework” (o João faz o tema de casa). que poderia dar a sentença nuclear “John comes” (o João vem). Aplicada à 38. como em “John does his homework” (O João faz o tema de casa)). ela produzirá they – ∅ + have + n’t – en + come (e finalmente “they haven’t come” (eles não vieram)). a Tneg produzirá they – ∅ + can + n’t – come (e finalmente “they can’t come” (eles não podem vir)). a partir de (29ii). uma seqüência terminal como (38) John – S – come. A regra funciona de maneira adequada. ela produzirá they – ∅ + be + n’t – ing + come (e finalmente “they aren’t coming” (eles não estão vindo)). O que (40) diz é que do é introduzido como o “portador” de um afixo não afixado. o verbo do pode ser tanto um verbo principal (que pode significar “fazer”. Cf. No entanto. a Tneg produz: (39) John – S + n’t – come. As regras (37) e (40) nos permitem agora derivar todas as formas de sentenças gramaticais e apenas elas. aplicada à they – ∅ + be – ing + come (um caso de (37iv)). já que (39) não contém agora qualquer seqüência Af + v.aplicada à seqüência terminal they – ∅ + can – come (um caso de (37ii)). Vamos então adicionar a seguinte regra transformacional obrigatória à gramática. (29iii) para introdução do #. havíamos especificado que a Tneg se aplicava antes de (29ii). o tratamento transformacional da negação é relativamente mais simples do que qualquer tratamento alternativo dentro do modelo de estrutura [O210] Comentário: Em inglês. o que produz o efeito de reescrita de Af + v como v + Af #. Aplicando (4) e as regras morfológicas a (39). 54 . isto é. como pode ser o verbo auxiliar de sentenças negativas e interrogativas. vemos que (29ii) não se aplica de maneira alguma a (39). derivamos “John doesn’t come” (o João não vem). Tal como foi exposto.

E. (37) e (40)) fossem necessárias por razões independentes. e tem o efeito de intercambiar o primeiro e o segundo segmentos dessas seqüências. esses casos realmente existem. tal como “have they arrived” (eles chegaram).sintagmática. tal como esses segmentos são definidos em (37).arrive (ii) they – ∅ + can – arrive (iii) they – ∅ +have – en + arrive (iv) they – ∅ + be – ing + arrive que têm a forma de (37i-iv). “can they arrive” (eles podem chegar). de fato. “did they arrive” (eles chegaram). A vantagem do tratamento transformacional (sobre a inclusão de negativas no núcleo) seria bem mais clara se pudéssemos encontrar outros casos em que as mesmas formulações (isto é. Podemos gerar todas (e apenas) essas sentenças através de uma transformação Tint que opera sobre seqüências com a análise (37). derivamos (43) (i) do they arrive (ii) can they arrive (iii) have they arrived (iv) are they arriving 55 . Exigimos que a Tint se aplique depois de (29i) e antes de (29ii). Considere a classe de perguntas “sim-ou-não”. a Tint produz as seqüências (42) (i) ∅ – they arrive (ii) ∅ + can – they – arrive (iii) ∅ + have – they – en + arrive (iv) ∅ + be – they – ing + arrive Aplicando agora as regras obrigatórias (29ii. Aplicada a (41) (i) they + ∅ . iii) e (40) e depois as regras morfofonêmicas.

tal como Chomsky expõe aqui. precisamos apenas modificar sua entoação. de qualquer maneira. não precisamos modificar a estrutura sintática da sentença declarativa. O João está vindo? conta das formas do do como verbo principal. Ao analisarmos o sintagma verbal auxiliar nas regras (28) e (29). (43i-iv) são as contrapartes interrogativas de (44i-iv). nós consideramos S como sendo o morfema de terceira pessoa do singular e ∅ como o morfema afixado ao verbo para todas as outras formas do sujeito. precisamos dessas regras para dar [O211] Comentário: A transformação interrogativa (Tint). Precisamos ter o morfema ∅. não se aplica ao português. dessa forma. do + passado /did/. caso contrário não haverá nenhum afixo em (42i) para que o do utilize. A transformação passiva (34) converteria. Como exemplo negativo. Existem vários outros casos em que a análise transformacional fornece razões convincentes a favor ou contra a postulação da existência de morfemas zero. o verbo tem S se o substantivo sujeito tem ∅ (“the boy arrives” (o garoto chega)) e o verbo tem ∅ se o sujeito tem S (“the boys arrive” (os garotos chegam)). Uma alternativa que não consideramos foi a de eliminar o morfema zero e afirmar simplesmente que nenhum afixo ocorre se o sujeito não estiver na terceira pessoa do singular. ou o número não será corretamente atribuído nas interrogativas. considere a hipótese de os verbos intransitivos serem analisados como verbos com objeto zero. em “John – slept – ∅” (o João – dormiu – ∅) na não-sentença “∅ . d. a regra (40) teria inserido do como o portador desses elementos. por exemplo.em transcrição fonêmica. Percebemos agora que essa alternativa não é aceitável. Repare que nenhuma regra morfofonêmica nova é necessária para dar conta do fato de que do + ∅ /duw/. Se tivéssemos aplicado as regras obrigatórias diretamente a (41). essa análise dos 56 . O João está vindo. e nós teríamos sentenças como “does he arrive” (ele chega?). b. Veja os exemplos: a. do é introduzido pela regra (4) como o portador de um elemento não afixado ∅. Por isso. Assim. Repare também que a Tint deve se aplicar depois de (29i). “did he arrive” (ele chegou?). Para formarmos perguntas do tipo “simou-não”. se aplicar a (42i). No caso de (42i).was slept – by John” “was slept by John” (foi dormido pelo João). O João chegou? c. sem a intervenção da Tint. teríamos derivado as sentenças (44) (i) they arrive (ii) they can arrive (iii) they have arrived (iv) they are arriving Assim. e a regra (40) não iria. Se C tiver sido desenvolvido em S ou passado pela regra (29i). O João chegou. do + S /d´z/.

assim como a Tneg produz sentenças como (46) (i) John doesn’t arrive (de John # S + n’t # arrive. Retornaremos ao problema mais geral do papel das transformações na determinação da estrutura de constituintes na seção 7.. em muitos casos.intransitivos deve ser rejeitada. através de (40)) (ii) John can arrive (de John # S + can + A # arrive) (iii) John has arrived (de John # S + have + A # en + arrive) Assim. “John can arrive” (o João pode chegar). Ao tratarmos o sintagma verbal auxiliar. a TA é uma transformação de “afirmação”. é o nosso “realmente”. Uma tradução que parece ser adequada. etc.. [O212] Comentário: Em inglês. V. + A .. através de (40)) (ii) John can’t arrive (de John # S + can + n’t # arrive) (iii) John hasn’t arrived (de John # S + have + n’t # en + arrive) A TA produz as sentenças correspondentes (47) (i) John does arrive (de John # S + A # arrive. não consideramos formas acentuadas do elemento do. como em “John does come” (o João realmente vem). e isso pode ser usado para simplificar a descrição da sintaxe do inglês. “John has arrived” (o 57 .. é possível utilizar o elemento do de maneira enfática. (45) . onde “ indica acentuação forte. que afirma as sentenças “John arrives” (o João chega)... Já que tanto a subdivisão da sentença que ela impõe como a regra para a introdução de do eram exigidas independentemente para a negação.. Em outras palavras. a análise transformacional revela o fato de que as negativas e as interrogativas têm basicamente a mesma “estrutura”. e que adiciona A a essas seqüências exatamente na mesma posição onde a Tneg adiciona not ou n’t.. O ponto fundamental sobre a transformação interrogativa Tint é que quase nada pode ser acrescentado à gramática com o intuito de descrevê-la. precisamos apenas descrever a inversão efetuada pela Tint ao estender a gramática para dar conta das pergunta sim-ou-não. Então.. Estabelecemos agora uma transformação TA que impõe a mesma análise estrutural de seqüências que a Tneg impõe (isto é.6. “V . (37)). Suponhamos que criássemos um morfema A de acentuação contrastiva a que se aplicasse a seguinte regra morfofonêmica.

a tradução é irrelevante. etc. as interrogativas e as afirmativas enfáticas.I (iii) John – S + have – en + arrive – and – so – ∅ + have – I Aplicando as regras (29ii. I – ∅ – have – en +arrive (49) (i) John – S – arrive – and – so – ∅ – I (ii) John – S + can – arrive – and – so – ∅ + can . que são formadas sobre o mesmo padrão subjacente transformacional que as negativas. Assim. primeiro trocando o terceiro segmento da sentença por so e depois intercambiando o primeiro e o terceiro segmentos. Apesar de ainda não termos descrito esse processo de maneira suficiente. como acontece com o inglês. I – ∅ – arrive (ii) John – S +can – arrive. derivamos finalmente (50) (i) John arrives and so do I (o João chega e eu também) (ii) John can arrive and so can I (o João pode chegar e eu também) (iiii) John has arrived and so have I (o João chegou e eu também) a Tso opera na segunda sentença de cada par em (48). Considere as sentenças nucleares [O213] Comentário: Em português. Considere a transformação Tso que converte pares de seqüências de (48) para as seqüências correspondentes de (49): (48) (i) John – S – arrive. uma vez que não temos nenhum verbo auxiliar na segunda oração. não é preciso quase nada de novo na gramática para incorporar sentenças como (50). mais ou menos no mesmo sentido em que he (ele) é um pronome).João chegou). (O elemento so é então um pro-VP. parece claro que tanto a análise (37) das sentenças quanto a regra (40) são novamente fundamentais. Essa é formalmente a solução mais simples e parece estar intuitivamente correta. . 58 . I – ∅ +can – arrive (iii) John – S + have + en + arrive. (40) e as regras morfofonêmicas. Ainda existem outros casos de transformações que são determinadas pela mesma a análise sintática fundamental das sentenças. da mesma maneira que a Tneg as nega. a saber (37). A transformação Tso se combina com a transformação da conjunção para dar (49). iii). Há um outro atributo notável do caráter fundamental dessa análise que merece atenção.

mas não “John readsn’t books”.(51) (i) John has a chance to live (o João tem uma chance para viver) (ii) John is my friend (o João é meu amigo) As seqüências terminais subjacentes a (51) são (52) (i) John + C + have + a + chance + to + live (ii) John + C + be + my + friend onde have em (52i) e be em (52ii) são verbos principais. Considere agora como as transformações Tneg. Ou seja. Porém. (52i) produzirá (53i) ou (53ii): (53) (i) John – C – n’t – have + a + chance + to + live ( ( “John doesn’t have a chance to live”) “John hasn’t a chance to live”) (ii) John – C + have + n’t – a chance + to + live Mas na verdade. como aparece em (37). (54) (i) does John have a chance to live? (ii) has John a chance to live? (55) (i) Bill has a chance to live and so does John. A transformação Tneg se aplica a qualquer seqüência da forma (37). ambas as formas de (53) são gramaticais. Da mesma forma. (ii) Bill has a chance to live and so has John. Além disso. aplicada a (52i). 59 . assim como ele é o único verbo transitivo que pode ser analisado ambiguamente nos termos de (37). Tint e Tso se aplicam a essas seqüências subjacentes. have é o único verbo transitivo que torna possível essa ambigüidade da negação. a Tint irá produzir qualquer uma das formas de (54). já que essas transformações também são baseadas na análise estrutural (37). não auxiliares. temos “John doesn’t read book”. e a a Tso irá produzir qualquer uma das formas de (55). adicionando not ou n’t entre o segundo e o terceiro segmentos.

na gramática mais simples do inglês. Portanto. “John readsn’t books.Mas no caso de todos os outros verbos transitivos. ainda que be não seja um auxiliar em (52ii). não há qualquer motivo para incluir “be” na classe dos verbos. e Tso. verdade que. Não temos em inglês “reads John books?” ou “Bill reads books and so reads John”. Percebemos. uma conseqüência automática de nossas regras.3. Por isso. somente (37iv) se refere a (52ii). Assim como uma das formas do sintagma verbal é V + SN. uma manifestação de uma regularidade subjacente mais profunda quando consideramos a estrutura do inglês a partir do ponto de vista da análise transformacional. etc. Mas acabamos de ver que são exatamente essas formas aparentemente excepcionais que resultam automaticamente da gramática mais simples construída para dar conta dos casos regulares. na verdade. Da mesma forma. Tint. Isso resolve o problema mencionado anteriormente. de todas as análises permitidas por (37). isto é. respectivamente (passando por 29i). sobre a gramaticalidade de (3) mas não de (5). esse comportamento de “be” e “have” acaba se tornando. a transformação TA produz “John is here”. como seria o caso com verbos reais. é de fato verdade que.) são impossíveis com verbos reais. Considere agora (52ii). no entanto. não aceitaremos nessa gramática be como sendo um V. Repare que a ocorrência de have como um auxiliar em seqüências terminais como John + C + have + en + arrive (subjacente à sentença nuclear “John has arrived”) não está sujeita à mesma análise ambígua. as transformações Tneg. as formas “be” e “have” surgiriam como exceções claras e distintas. Essa seqüência terminal é um 60 “John isn’t my friend”) “Bill is “is John my friend”) (iii) Bill – S + be – my + friend – and – so – S + be – John ( . irão produzir. Apesar de ainda não o termos mostrado. Se tentássemos descrever a sintaxe do inglês puramente em termos de estrutura sintagmática. na verdade. uma das formas é be + Predicado. formas como (54ii) e (55ii) são impossíveis. que o comportamento aparentemente irregular do verbo “have” é. Por isso. (56) (i) John – S + be + n’t – my + friend ( (ii) S + be – John – my + friend ( my friend and so is John) Mais uma vez. aplicadas a (52ii). é. na seção 2. as formas análogas (por exemplo. não obstante.

como “John doesn’t have arrived”. A estrutura sintagmática de uma seqüência terminal é determinada a partir de sua derivação. em (52i)) sejam Vs. (57) (i) John – C + have – en + arrive (SN – C + have – . No entanto. qualquer modelo para a forma da gramática) deve satisfazer. em (57). vimos que uma ampla variedade de fenômenos aparentemente distintos se organiza de uma maneira bem simples e natural quando adotamos o ponto de vista da análise transformacional e que. (37i)) Essa seqüência não é um exemplo de (37i).. Acho que essas considerações dão ampla justificativa para nosso argumento anterior de que as concepções da estrutura sintagmática são fundamentalmente inadequadas e que a teoria da estrutura lingüística deve ser elaborada seguindo as linhas sugeridas em nossa discussão sobre a análise transformacional.2 Podemos estender facilmente a análise das interrogativas que estudamos anteriormente de maneira que elas incluam os seguintes casos (58) (i) what did John eat (o que o João comeu?) (ii) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) 61 . etc. ela pode ser analisada como em (57i). da maneira descrita na seção 4.. já que essa ocorrência de have não é um V. mas não de (37i). Esse é o requisito básico que qualquer concepção de estrutura lingüística (isto é.. Nesta seção. conseqüentemente.exemplo (37iii). obviamente. Mas have. 7. não pode ser rastreado até um nó que seja rotulado como V na derivação dessa seqüência. (37iii)) (ii) John – C – have + en + arrive (SN – C – V…. O fato de (57ii) não ser uma análise possívelnão nos permite derivar não-sentenças. pode ser rastreada até um have (que é ele mesmo) no diagrama que corresponde à derivação da seqüência (52i). isto é. (52i) é analisado de maneira ambígua uma vez que a ocorrência de have em (52i) pode ser rastreada até um nó V e. isto é. a gramática do inglês se torna muito mais simples e ordenada. Ou seja. mas não como em (57ii). através do rastreamento de segmentos até os nós.1. ainda que algumas outras ocorrências de have (por exemplo. “does John have arrived”.

onde wh é um morfema. A Tw se aplica depois da Tint e antes de (29ii). wh + it /what/. A maneira mais simples de incorporar essa classe de sentenças em nossa gramática é criando uma nova regra de transformação opcional Tw. [O214] Comentário: Who. a primeira ou a terceira posições podem estar vazias). que podemos construir facilmente na gramática e que se revelam essenciais. que opera em qualquer seqüência da forma (59) X – SN – Y onde X e Y representam qualquer seqüência (incluindo. ela inverte o primeiro e o segundo segmentos de (59). e podemos definir Tw2 como a transformação que converte qualquer seqüência Z em wh + Z. A seqüência terminal subjacente a (58i) e (58ii) (assim como a (62) e (64)) é (61): (61) John – c – eat + an + apple (SN – C – V…). com a flexão neutra). o) ou it (pronome sujeito e objeto de terceira pessoa do singular. 38 62 . Essa dependência condicional entre as transformações é uma generalização da distinção entre as transformações obrigatórias e opcionais. him (pronome objeto masculino de terceira pessoa do singular.Esses casos não recebem respostas do estilo sim-ou-não. o mesmo efeito transformacional que a transformação Tint (cf. podemos limitar a aplicação de Tw a seqüências da forma X – SN – Y em que o SN seja he (ele). (41) e (42)). sendo condicionada pela Tint no sentido em que ela somente se aplica a produzidas por Tint. (ii) A Tw2 converte a seqüência resultante SN – X – Y em who – X – Y se o SN for animado ou em what – X – Y se o SN for inanimado38. Ela tem. e what é o que ou qual. portanto. teremos regras como: wh + he /huw/. Na morfofonêmica do inglês. Especificamos que a Tint deve se aplicar depois de (29i) e antes de (29ii). a seqüência “vazia” – isto é. A Tw opera em duas etapas: (60) (i) A Tw1 converte as seqüências da forma X – SN – Y na seqüência correspondente de forma SN – X – Y. em português. wh + him /huwm/. isto é. Mais simplesmente. em particular. Agora estabelecemos a condição de que a transformação Tw possa se aplicar somente a seqüências a que a transformação Tint já tenha se aplicado. é quem.

derivaremos primeiro (65). então. Para aplicar a transformação Tw a uma seqüência. introduzindo do como o portador de passado.onde os traços indicam a análise imposta pela Tint. primeiro selecionamos um sintagma nominal e depois invertemos esse sintagma nominal com a seqüência que o precede. se aplicarmos a Tw a (63). (65) John – passado – eat + an + apple (66) who – passado – eat + an + apple A regra (29ii) e as regras morfofonêmicas convertem. Suponhamos agora que aplicamos a Tw a (63). (61) é um caso de (37i). como indicamos. Se aplicarmos apenas transformações obrigatórias a (61). então. neste caso. Repare que. a Tw1 simplesmente desfaz o efeito da Tint. o que explica a ausência da inversão em (58ii). Assim. Ao formarmos (58ii). escolhendo passado no desenvolvimento de C por (29i). que subjaz a sentença nuclear (62). Assim. e depois (66). teremos a interrogativa simples (64) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) No entanto. Se aplicarmos agora (40) a (63). derivaremos (62) # John # eat + passado # an # apple # ( comeu uma maçã)) Se aplicarmos (29i) e a Tint a (61). 63 “John ate an apple” (o João . escolhendo o sintagma nominal John. por Tw2. por meio de Tw1. derivaremos (63) passado – John – eat + an + apple. analisamos (63) como (67): (67) passado + John + eat – an + apple. aplicamos primeiramente a Tint e depois a Tw à seqüência terminal (61). para os propósitos dessa transformação. (66) em (58ii). Para formar (58ii). Onde C é entendido como sendo passado. escolhendo o sintagma nominal an+apple (uma+maçã). aplicamos a Tw a (63).

neste caso. Há diversos problemas se estendermos nossa discussão sobre os fenômenos entoacionais. vimos que a Tw1 se aplica somente depois da Tint. Não discutimos ainda o efeito das transformações na entoação. já que (69) não contém uma subseqüência da forma Af + V. (40) se aplica a (69). tal como definida em (60i). introduzindo do como um portador do morfema passado. ela inverte os primeiros dois segmentos da seqüência a que ela se aplica. Por isso. Parece razoável aceitar essa explicação para o fato de que as interrogativas (58i-) normalmente têm a entoação descendente das declarativas. que associamos às sentenças nucleares. etc. A Tw. e depois (69). Então. mas ela sugere que tal discussão pode ser frutífera. por isso. e essa observação não passa de um esboço. Aplicando as regras restantes. e entoações ascendentes. Aplicando a Tw a (67). no caso de (64). Suponhamos que estabelecêssemos duas entoações básicas de sentenças: entoações descendentes. vazio. converter a entoação de um desses tipos para o outro. em parte. a Tw1 irá converter a entoação ascendente para uma entoação descendente. (68) an + apple – passado + John + eat (69) what – passado + John + eat (29ii) não se aplica agora a (69). também irá dar conta de todas as perguntas-QU. onde Y é. Para resumir. por Tw2. No entanto. a partir de Tw1. ou seja. e seu efeito transformacional é mesmo que o da Tint. derivamos primeiro (68). tal como formulada em (59)-(60). o efeito da Tint é. vemos que as quatro sentenças (70) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) (= (62)) (= (64)) 64 . Por isso. o efeito converte uma entoação descendente para uma entoação ascendente. assim como não se aplicava a (39) ou a (42i). Ela pode facilmente ser alargada para cobrir interrogativas como “what book did he read” (que livro ele leu?). que associamos às perguntas do tipo sim-ou-não. Repare que a Tw1. “what has he been eating” (o que ele tem comido?).uma seqüência da forma (59). finalmente derivamos (58i). efetua a mesma transformação que a Tint. como “what will he eat” (o que ele comerá?).

que então irá substituir um SN a outra sentença.(iii) what did John eat (o que o João comeu?) (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) (= (58i)) (= (58ii)) são todas derivadas da seqüência terminal subjacente (61). cf. “proving that theorem” (provando aquele teorema) – cf. Faremos referência a essa análise brevemente na seção 8. uma das quais é convertida de SN – SV para to + SV (ou ing + SV). Ela irá operar sobre um par de sentenças. (70i) é uma sentença nuclear. Mas as passivas foram excluídas do núcleo. Assim. pela aplicação das transformações Tint e Tw. Não abordaremos a estrutura desse interessante e ramificado conjunto de transformações de nominalização. então. Uma das transformações de nominalização será a transformação Tadj. artigo – substantivo – é – adjetivo) convertendo-a no sintagma nominal correspondente da forma T + Adj + N. 7. como (26). teremos sintagmas como “to be cheated” (ser traído). (70iii) e (70iv) são ainda mais remotas da sentença nuclear. uma vez que apenas as transformações obrigatórias participam de sua “história transformacional”. mencionamos que existem certos sintagmas nominais da forma to + SV. ing + SV (“to prove that theorem” (para provar aquele teorema). que são derivados de passivas. Entre eles. (70ii) é formada de (61) pela aplicação da transformação Tint.2. meu artigo “A transformational approach to syntax”. etc.3 Na seção 5.3. ser introduzidas através de uma “transformação de nominalização” que converte uma sentença da forma SN – SV em um sintagma nominal da forma to + SV ou ing + SV39.3. Para uma análise mais detalhada e mais adequada do material nesta subseção. Elas devem. Cf. (32)-(33)). já que elas são formadas a partir de (61). os sintagmas nominais do tipo to + SV. Por isso. respectivamente. exceto pela breve explicação de cunho transformacional que esboçaremos para o problema levantado na seção 2. que opera sobre qualquer seqüência da forma (71) T – N – is – Adj (isto é. Não é difícil demonstrar que essa transformação simplifica consideravelmente a Essa transformação de nominalização será dada como uma transformação generalizada. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para discussão detalhada. ing + SV não podem mais ser introduzidos dentro da gramática nuclear por regras como (33). “being cheated” (sendo traído). Proceedings of the University of Texas Syposyum of 1958. ela converte “the boy is tall” (o garoto é alto) para “the tall boy” (o garoto alto). 39 65 .

Quando formulamos essa transformação de maneira adequada. com diferentes escolhas para o verbo auxiliar. no entanto... tall. mas não com outros. descobrimos que ela nos permite eliminar do núcleo todas as combinações adjetivo-substantivo. que pode ocorrer com certos adjetivos. A maneira mais simples de dar conta de “very” é colocar a seguinte regra na gramática de estrutura sintagmática: 66 . Paralelamente a (73). Palavras como “dormindo”. etc. onde be + ing é parte do verbo auxiliar (cf. temos sentenças como “the child will sleep” (a criança irá dormir). (73) é gerado pela transformação (29ii) (que converte Af + v em v + Af #) a partir da seqüência terminal subjacente (74) the + child + C + be – ing – sleep.. Na gramática sintagmática. Em sentenças como (75) the book is interesting (o livroé interessante). como podemos verificar pelo fato de não termos “the book will interest” (o livro vai interessantear). “interesting” é um Adj. reintroduzindo-as através da Tadj.gramática e que sua direção deve ser essa e não a oposta. Um argumento independente para essa análise de “interesting” e “sleeping” vem do comportamento de “very” (muito). (velho.. (28iii)). contudo. Palavras como “interesting” (interessante) deverão. etc. “the book interests”(o livro interesseia). ainda que tenhamos sentenças como (73) the child is sleeping (a criança está dormindo) A razão para que isso aconteça é que até mesmo quando “sleeping” (dormindo) não é listado em (72). não irão figurar nessa lista. figurar na lista (73). alto. etc. temos uma regra (72) Adj old... “the child sleeps” (a criança dorme).) que lista todos os elementos que podem ocorrer nas sentenças nucleares da forma (71). não parte do Verbo.

já que sabemos. então Y também é um Z. mas não “sleeping” na lista de adjetivos (72). Logo. e em geral com “interesting”. Logo. Mas isso significa que (73) pode ser analisada como uma seqüência da forma (71). é um Adj. Uma das condições gerais impostas à estrutura de constituintes derivada será a seguinte: (77) Se X é um Z na gramática sintagmática. até mesmo quando as passivas forem excluídas do núcleo. Mas considere agora (73). Assim. afirmaremos que os by-phrases (os sintagmas introduzidos por by (por). mas não pode aparecer em (73) ou com outras ocorrências de “sleeping”. Vemos que (77) permite que isso aconteça. ainda que tenhamos sugerido que isso seja necessário. “sleeping” também é um Adj na sentença transformada (73). 67 . de forma que a Tadj se aplique a ela. formando o sintagma nominal (78) the sleeping child (a criança dormindo) da mesma maneira como forma “the interesting book” (o livro interessante) a partir de (75). que. especialmente de forma que as transformações possam ser compostas. Não discutimos a maneira como as transformações impõem uma estrutura de constituintes. por (77). se desejarmos preservar a análise mais simples de “very”. é um V + ing). (29ii)) e tem a mesma forma que “interesting” (isto é. ele aparecerá como um adjetivo modificando substantivos.(76) Adj very + Adj “very” pode aparecer em (75). Embora não esteja formulada de maneira suficientemente acurada. como em “the food was eaten – by the man” (a refeição foi comida – pelo homem)) são sintagmas preposicionais (SP) na sentença passiva. ainda que “sleeping” seja excluído de (72). que by + SN é um SP. (77) pode ser elaborada como sendo uma condição do conjunto de condições impostas à estrutura de constituintes derivada. e uma seqüência Y formada por uma transformação tem a mesma forma estrutural do que X. como sabemos pela gramática de constituintes. A palavra “sleeping” é formada por transformação (isto é. devemos de incluir “interesting”. Particularmente. pela gramática nuclear.

3 entre (3) (“have you a book on modern music?” (tu tens um livro sobre música moderna?)) e (4) (= (8i)). Por exemplo. certos comportamentos lingüísticos que parecem ser imotivados e inexplicáveis em termos de estrutura sintagmática tornam-se simples e sistemáticos quando adotamos o ponto de vista transformacional. por um lado. e (5) (= “read you a book on modern music?” (lês tu um livro sobre música moderna?)) e (6) (= (80i)).Essa análise de adjetivos (que é tudo o de que precisamos para dar conta das sentenças que efetivamente ocorrem) não irá. Aux + be + Adj. que é aparentemente a gramática mais simples que pode ser construída para as sentenças que efetivamente ocorrem. contudo. já que são conseqüências da gramática transformacional mais simples. haverá regras de estrutura sintagmática que analisarão o sintagma verbal em (79) Aux + seem + Adj tal como outras regras analisam o SV em Aux + V + SN. que as aparentes distinções arbitrárias que notamos na seção 2. por outro. Já que “very” nunca modifica verbos. “very” não irá aparecer em (74) ou (73). Para utilizarmos a terminologia da 68 . (80) (i) the child seems sleeping (a criança parece dormindo) (ii) the very sleeping child (a criança dormindo muito interessante) (81) (i) the book seems interesting (o livro parece interessante) (ii) the very interesting book (o livro muito interessante) Vemos. etc. Da mesma forma. Em outras palavras. etc. na verdade. então. Mas “sleeping” nunca será introduzido no contexto “seems ___” (parece ___) por essa gramática. ao passo que irá gerar (81). e todas as ocorrências de “sleeping” como modificador são derivadas de suas ocorrências como verbo em (74). que permanecem no núcleo. Quando desenvolvemos esse argumento com mais cuidado. “sleeping” jamais será introduzida no contexto “very ___” (muito ___). chegamos à conclusão de que a gramática transformacional mais simples irá excluir (80). introduzir a palavra “sleeping” em todas as posições de adjetivos ocupadas por palavras como “interesting”. têm uma origem estrutural clara e são. instâncias de uma regularidade de um nível superior.

4 Em (28). Ela converte. construções verbo + partícula (V + Prt). as raízes verbais da classe V. ele iria incluir (3) e (4) como gramatical. ao mesmo tempo em que rejeitaria (5) e (6). que opera em seqüências com a seguinte análise estrutural: (85) X – V1 –Prt – SN e tem o efeito de intercambiar o terceiro e o quarto segmentos da seqüência a que se aplica. como “bring in” e “drive away” são chamados. Os phrasal verbs são verbos com uma preposição ou advérbio. (82) (i) the police brought in the criminal (ii) the police brought the criminal in (iii) the police brought him in (83) the police brought in him Sabemos que elementos descontínuos não recebem um tratamento adequado no âmbito da gramática sintagmática. 7. Existe. Os exemplos em (82) e (83) tratam justamente de um fenômeno que envolve os phrasal verbs. contudo. de maneira consistente com sua experiência. devemos indicar que essa transformação é obrigatória quando o SN objeto é um pronome (Pron). analisamos o elemento Verbo em Aux + V e listamos.seção 2. Podemos ter as sentenças de (82). podem estabelecer uma transformação 69 . na seção 5. indicando quais V1 são compatíveis com cada Prt. distanciando-se). Por isso.3. “drive away” (dirigir. um grande número de subcontruções produtivas de V que merecem nossa atenção. como “bring in” (trazer). se um falante deve projetar sua experiência lingüística finita através da utilização da estrutura sintagmática e das transformações da maneira mais simples possível. a maneira mais natural de analisar esse tipo de construção é adicionar a seguinte possibilidade a (28ii): (84) V V1 + Prt além de um conjunto de regras suplementares. estabelecemos uma transformação opcional Tfacsep. então. (82i) em (82ii). Da mesma forma. Para incluir (82iii). então. já que elas esclarecem alguns pontos básicos de maneira bastante precisa. excluindo ao mesmo tempo (83). Para possibilitar (82ii). Considere primeiramente as [u15] Comentário: Verbos com essa estrutura (verbo + partícula). em inglês. mas não a de (83).2. que modificam seu sentido original. de phrasal verbs.

Se especificarmos que a transformação passiva se aplica antes de Tfacsep ou de Tobsep. que subjaz (88): (90) todos no laboratório – consideram incompetente – O João Agora podemos formar (88) a partir de (90) por uma transformação análoga a Tobsep. mas a seqüência terminal (90). paralela a (84). devemos analisar (88) na estrutura SN1 – Verbo – SN2. então ela formará as passivas (87) (i) the criminal was brought in by the police (ii) he was brought in by the police a partir de (82). 70 . onde SN1 = todos + no + laboratório. Ou seja. mas que opere em seqüências com a seguinte análise estrutural: (86) X – V1 – Prt – Pron Sabemos que a transformação passiva opera em qualquer seqüência da forma SN – Verbo – SN. como deveria. e o SN2 = o João.obrigatória Tobsep que tenha os mesmos efeitos estruturais de Tfacsep. que acabamos de discutir. Investigações mais profundas sobre o sintagma verbal mostram que há uma construção geral do tipo verbo + complemento (V + Comp) que se comporta de maneira bastante semelhante à construção verbo + partícula. devemos aplicar a passiva não a (88). Suponhamos que adicionemos a regra (91) à gramática sintagmática. Considere as seguintes sentenças: (88) (89) everyone in the lab considers John incompetent (todos no laboratório John is considered incompetent by everyone in the lab (o João é consideram o João incompetente) considerado incopetente por todos no laboratório) Se desejarmos derivar (89) a partir de (88) utilizando a transformação passiva.

A primeira. Assim.). que não iremos considerar aqui. Não é certo que essa transformação seja uma transformação obrigatória. Na seção 5. Cf. Transformational analysis e “A transformational approach to syntax”.5 Nós mal esboçamos uma justificativa para a forma particular de cada uma das transformações que discutimos. assim como a seqüências da forma (86).. iremos rever brevemente o status da transformação passiva. The logical structure of linguistic theory. 7.(91) V Va + Comp Estendemos agora a transformação Tobsep para permitir que ela se aplique a seqüências da forma (92). esse é um assunto complicado. por exemplo. embora seja muito importante estudar a questão da especificidade desse sistema. podemos ter. perguntamos se as passivas Estudos mais aprofundados mostram que a maioria das formas verbo + complemento introduzidas pela regra (91) deveriam ser excluídas do núcleo e serem derivadas transformacionalmente a partir de “O João é incompetente”. 40 71 .Va – Comp – SN Essa transformação Tobsep revista irá converter (90) em (88). Então. em particular. que requer estudo muito mais detalhado da teoria transformacional do que o que podemos oferecer aqui. “they consider incompetent anyone who is unable to. há considerações muito claras e facilmente generalizáveis de simplicidade que determinam qual conjunto de sentenças pertences ao núcleo e que tipos de transformações são necessários para dar conta das sentenças não nucleares.. perguntamos se é necessário intercambiar os sintagmas nominais para se formar a passiva. Existem também outras possibilidades para as passivas. Como um exemplo paradigmático. Em segundo lugar. mostramos que a gramática é muito mais complexa se ela contiver tanto ativas como passivas em seu núcleo do que se as passivas forem excluídas ou reintroduzidas por uma transformação que troque o sujeito e o objeto da ativa e substitua o verbo V por is + V + em + by. por falta de espaço. Em primeiro lugar. e em muitos outros casos também. ao invés de utilizar a Tobsep.” (eles consideram incompetente qualquer um que não seja capaz de. Duas questões sobre especificidade emergem daí. como antes. ainda que elas constituam um estudo interesante. poderíamos estender a transformação Tfacsep paa lidar com esse caso. Acredito que pode ser mostrado que em cada um dos casos considerados anteriormente. Porém. É interessante estudar essas características do objeto gramatical que exigem ou excluem essa transformação. (92) X . etc..4.. Com objetos longos e complexos. de minha autoria. é uma construção extremamente bem desenvolvida em inglês40. Existem muitas outras características dessas construções que nós abordamos aqui apenas muito brevemente. o tratamento de construções verbo + complemento e verbo + partícula são bastante similares. Há muitos outros fatores além do comprimento envolvidos aí.

considerando que não fomos abordar a questão de análise categorial em nossa discussão. SN1 – Aux – V – SN2 é reescrita como SN1 – Aux – be + en – V – by + 72 . e as ativas derivadas a partir delas por uma transformação “ativa”. são mais gramaticais do que “a sinceridade admira comeu”.poderiam ter sido escolhidas como sendo nucleares. (94) (i) o João admira a sinceridade – a sinceridade é admirada pelo João (ii) o João joga golfe – golfe é jogado pelo João (iii) a sinceridade assusta o João – o João é assustado pela sinceridade (95) (i) a sinceridade admira o João – o João é admirado pela sinceridade (ii) o golfe joga o João – o João é jogado pelo golfe (iii) o João assusta a sinceridade – a sinceridade é assustada pelo João No entanto. Eu acredito que essa abordagem está correta e que. as sentenças de (94) são mais gramaticais do que as sentenças de (95). Qualquer gramática que distinga substantivos abstratos de substantivos próprios seria sutil o suficiente para caracterizar a diferença entre (94i.4. por exemplo. iii) e (95i. e certamente uma teoria lingüística deve fornecer os meios para tal distinção. que. por sua vez. qualquer gramática que possa distinguir singular de plural é poderosa o suficiente para nos permitir provar que a passiva exige a inversão de sintagmas nominais. iii). Essa troca é necessária? Ou poderíamos descrever a transformação passiva como tendo o seguinte efeito: (93) SN2 Por exemplo. Na seção 5. argumentamos contra (93) e a favor da inversão. mas não como (95). Na verdade. Contudo. em um sentido claro. a passiva de “O João ama a Maria” seria “O João é amado pela Maria”. etc. assinalamos que essa abordagem requer que uma noção de “gradação de gramaticalidade” seja desenvolvida para sustentar essa distinção. Considere primeiro a questão sobre a troca entre sujeito e objeto. com base no fato de que temos sentenças como (94). é interessante mostrar que existe até mesmo um argumento mais forte contra (93).

a gramática sintagmática incluirá (28). Tais verbos provam de maneira bastante conclusiva que a passiva deve basear-se em uma inversão de sujeito e objeto. Se a passiva permuta o sujeito e o objeto . no entanto. temos sentenças como estas: (96) all the people in the lab consider John a fool (todas as pessoas no laboratório consideram o João um bobo) (97) John is considered a fool by all the people in the lab (o João é considerado um bobo por todas as pessoas no laboratório) Em 7. Mas se as passivas forem as sentenças nucleares. com o Verbo “consider a fool” sendo uma instância de (91). pegarmos (93) como a definição da passiva. vimos que (96) é formado pela transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (98) all the people in the lab – consider a fool – John (SN – Verbo – SN).4.Para ver isso. iremos derivar uma não-sentença.4. 73 . que mencionamos anteriormente. juntamente com 41 A concordância entre “a fool” e “John” em (98) é claramente um argumento a favor de uma análise transformacional mais profunda das construções verbo + complemento + sintagma nominal. Fica claro que essa proposta nos leva a gramáticas muito mais complexas. ela irá corretamente formar (97) a partir de (98) como passiva de (96). Considere agora a questão sobre se as passivas poderiam ser consideradas sentenças nucleares. ao invés das ativas. (99) all the people in the lab are considered a fool by John (todas as pessoas no laboratório são consideradas um bobo pelo João) pela aplicação dessa transformação a (98). Além de (88) e (89). Se. be + en terá de ser listado em (28iii). Tendo as ativas como sentenças nucleares. Vimos também que a transformação passiva se aplica diretamente a (98). eliminando be + en de (28iii). considere a construção verbo + complemento discutida na seção 7. O que interessa é que encontramos um verbo – a saber. “consider a fool” – que deve concordar em número tanto com seu sujeito como com seu objeto41.

E esse adjetivo também será originado a partir de en + drink. vemos que o 74 . a sentença (102) John was drunk by midnight (o João estava bêbado pela meia-noite) também tem como base uma seqüência terminal subjacente que pode ser analisada de acordo com (100). em inglês. como sendo as sentenças nucleares. “he seems drunk” (ele parece bêbado). que. Comparando essas duas alternativas. (cf. e somos forçados a considerar as ativas. a seção 7. etc. Quando tentamos efetivamente estabelecer a gramática mais simples para o inglês. no sistema mais simples de estrutura sintagmática para o inglês. existe também o adjetivo “drunk” (bêbado) que deve estar listado em (72) juntamente com “old” (velho). “interesting” (interessante). ele não pode ter o auxiliar be + en (isto é. ele deve ter be + en (isto é.. Parece. enquanto que se o V for transitivo. Repare que se as passivas forem escolhidas como sendo as sentenças nucleares no lugar das ativas. contendo uma parte sintagmática e uma parte transformacional. uma vez que temos “he is very drunk” (ele está muito bêbado). e nós teremos de acrescentar regras especiais que indiquem que se o V é intransitivo. Convertendo-as em SN2 – Aux – V – SN1. Ela iria converter. por exemplo (101) the wine was drunk by the guests (o vinho foi bebido pelos convidados) em “the guests drank the wine” (os convidados beberam o vinho). A transformação da ativa teria de se aplicar a seqüências da seguinte forma: (100) SN1 – Aux + be + en – V – by + SN2. etc. não resta dúvida no que diz respeito à complexidade relativa. não há qualquer maneira estrutural que mostre a diferença entre (101) e (102) se ambos forem considerados sentenças nucleares. então. não podemos ter “is occurred” (é ocorrido)). E a aplicação da transformação “ativa” a (102) não resulta em uma sentença gramatical. Mas. nós enfrentaríamos certas dificuldades de um tipo bastante diferente. Em outras palavras.3). não podemos ter “lunch eats John” (o almoço come o João)).todas as outras formas do auxiliar. e não as passivas. onde “drunk” em (101) dá origem a en + drink.

Agora estamos interpretando essa regra como uma transformação. Considere. e enquanto algumas considerações bastante detalhadas da estrutura do inglês não mencionam as interrogativas. este par de sentenças: 42 Ao determinar qual das duas formas relacionadas é mais central. adotando a outra alternativa. 1933]. Ninguém começaria a estudar seriamente a estrutura de constituintes do inglês com sentenças como “whom have they nominated” (quem eles têm nomeado). assim como no caso da transformação passiva que discutimos há pouco. já que. porque essa regra é bastante simplificada se os constituintes estiverem estabelecidos de uma determinada maneira. p.. No início do capítulo 5. Nós também achamos que isso seja útil na análise transformacional.. já que. etc. estamos seguindo o raciocínio que foi apresentado por Bloomfield para a morfologia: “. a estrutura da língua pode decidir essa questão por nós. obtemos uma descrição desnecessariamente complicada. reparamos que a regra para conjunção fornece um critério útil para a análise de constituintes. A análise transformacional fornece uma explicação razoavelmente simples para essa assimetria (que não tem outra justificativa formal).quando as formas são parcialmente semelhantes. Bloomfield continua. Cada uma das transformações que eu investiguei é irreversível. por exemplo. ativas. nenhuma delas falha ao incluir declarativas simples. obtemos uma descrição relativamente simples” (Language [New York. 75 . e com relações gramaticais simples como sujeito-predicado ou verbo-objeto. assumindo que os gramáticos têm atuado a partir de uma intuição correta sobre a língua42.6 Há mais um ponto que merece nossa atenção. por exemplo. que costumam começar a gramática do inglês com o estudo de sentenças simples no estilo “ator – ação”.núcleo consiste de sentenças simples. no sentido de que é muito mais fácil proceder à transformação em uma direção do que na outra.. por exemplo. declarativas (provavelmente em número finito) e que todas as outras sentenças podem ser descritas mais simplesmente como sendo sentenças transformadas. ao adotarmos uma das alternativas. tentando analisá-la em duas partes. Esse fato pode explicar a prática tradicional dos gramáticos. antes que resolvamos deixar o assunto de transformações em inglês. ao passo que. quando estabelecemos que a seqüência terminal John – C – have + en – be + ing – read subjaz a sentença nuclear “John has been reading” (O João têm lido). Há diversos outros casos em que o comportamento de uma sentença submetida a transformações fornece evidências valiosas e até mesmo evidentes quanto à sua estrutura de constituintes. pode haver a questão de qual das duas deveremos tomar como forma subjacente. mostrando que “essa mesma consideração frequentemente nos leva a estabelecer uma forma subjacente artificial”. 218)... 7.

mas não (105)43. com o sintagma nominal objeto “the boy studying in the library”. (103ii) deve ser analisada como (106) John – found – the boy studying in the library. Temos as sentenças (104). é óbvio que essas sentenças tenha estrutura gramatical diferente (isso fica claro quando tentamos. por exemplo. para derivar (104ii). Por isso. 43 76 .(103) (i) John knew the boy studying in the library (o João conheceu o garoto estudando na biblioteca) (ii) John found the boy studying in the library (o João encontrou o garoto estudando na biblioteca) Intuitivamente. A análise mais simples em ambos os casos é SN – Verbo – SN – ing + SV. dentro do nível sintagmático. (104) (i) the boy studying in the library was known (by John) (o garoto estudando na biblioteca era conhecido (pelo João)) (ii) the boy studying in the library was found (by John) (o garoto estudando na biblioteca foi encontrado (pelo João)) (iii) the boy was found studying in the library (by John) (o garoto foi encontrado estudando na biblioteca (pelo João)) (105) the boy was known studying in the library (by John) (o garoto foi\era conhecido estudando na biblioteca (pelo João)) A transformação passiva se aplica apenas a sentenças da forma SN – Verbo – SN. (103i) terá uma análise correspondente. possamos encontrar uma justificativa para analisarmos essas sentenças em diferentes constituintes. Mas considere o comportamento dessas sentenças quando submetidas à transformação passiva. mas eu não acredito que. As sentenças de (104) sem a expressão entre parênteses são formadas por uma segunda transformação “elíptica” que converte. “the boy was seen by John” (o garoto foi visto pelo João) em “the boy was seen” (o garoto foi visto). por exemplo acrescentar “not running around in the streets” (e não correndo por aí nas ruas) a (103)). já que temos a passiva (104i).

4. Devemos então analisar (108) de alguma outra forma (se não quisermos complicar desnecessariamente a descrição dessas transformações). em verdade. com o objeto “the boy studying in the library”. como Luft (LUFT. Como um outro exemplo do mesmo tipo. parece não haver razões fortes para negar a (108) a análise completamente intuitiva SN – Verbo – SN. Rio de Janeiro: Globo. apresenta apenas a primeira análise. ou “what did John come” (o que o João veio?) aplicando a transformação Tw. C. No entanto. 42). no entanto. ela é derivada por uma transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (107) John – found studying in the library – the boy. uma vez que “para casa” não é analisada nem como objeto indireto nem como adjunto adverbial. A descrição resultante de (103) parece estar de acordo com nossa intuição. Moderna gramática brasileira. estudada na seção 7. Fora considerações como essas. A transformação passiva irá converter (107) em (104iii). Porto Alegre. concluímos (103ii) é um caso da construção verbo + complemento. com “home” sendo o objeto de “came”. então. Pelo estudo das passivas gramaticais. ou como SN – Aux – V – SN – Comp. com o verbo “found” (encontrou) e o complemento “studying in the library” (estudando na biblioteca). “o João voltou para casa”. Disso. Não podemos ter “home was come by John” (a casa foi voltada pelo João) aplicando a transformação passiva. No entanto. Alguns gramáticos. considere a sentença (108) John came home (o João volto para casa) Embora “John” e “home” (casa) sejam SNs. já que (105) não é uma sentença gramatical. O princípio geral é este: se temos uma transformação que simplifique a gramática e conduz de 77 [u16] Comentário: Essas explicações evidentemente não se aplicam à tradução da sentença em português. assim como converteu (90) em (89). transformacional. uma investigação do efeito das transformações sobre (108) mostra que ela não pode ser analisada como um caso de SN – Verbo – SN. Acredito que seja justo dizer que um número significante de critérios básicos para determinar a estrutura de constituintes é. determinamos que “John found the boy studying in the library” (=(103ii)) é analisável ambiguamente como SN – Verbo – SN. (103i) não é uma sentença transformada da seqüência “John – knew studying in the library – the boy” (a mesma forma que (107)). “John knew the boy studying in the library” (=(103i)). repare que esse mesmo tipo de sentença (108) é problemático para a análise gramatical tradicional em português. P. e “came” (voltou) seja um Verbo. uma seqüência transformada de (107)que possui o Verbo complexo “found studying in the library”. isto é. .) chamam esse tipo de complemento de “complemento (indireto) locativo” (p. 1986.Mas (103ii) também tem a passiva (104iii). talvez como SN – Verbo – Advérbio.

Temos seguido. As correspondências intuitivas e as explicações de aparentes irregularidades parecem oferecer evidências importantes para a exatidão da abordagem que temos adotado. e não de descoberta. Cf. se seguirmos o argumento cautelosamente em cada caso. e tentamos mostrar que a análise proposta é claramente mais simples do que as alternativas que rejeitamos. e não estamos sequer pensando na questão de como se poderia realmente chegar a essa gramática de alguma maneira mecânica a partir de um corpus do inglês. utilizamos o fato de “John was drunk by midnight” (=102) não possuir uma “ativa correspondente como um argumento contra a criação de uma transformação passivapara-a-ativa. o percurso esboçado no capítulo 6. então podemos tentar atribuir uma estrutura de constituintes a sentenças de tal maneira que essa transformação sempre nos conduzirá a sentenças gramaticais. determinando como atribuir uma estrutura sintagmática a essas sentenças. Na seção 7. Na seção 7.6. simplificando. então. em outros casos. Em cada um dos casos. estamos tentando construir uma gramática do inglês que poderá ser mais simples do que qualquer proposta alternativa. Utilizando a estrutura de constituintes e as transformações. não importa o quão extenso. portanto. poderemos ver claramente que não há circularidade nem inconsistência.sentença a sentença em um grande número de casos (isto é. Definimos transformações como as passivas em termos de análises específicas da estrutura sintagmática e então consideramos o comportamento de sentenças que sofreram essas transformações. Em alguns casos a gramática se torna mais simples se rejeitarmos certas transformações. é preferível o restabelecimento da estrutura de constituintes. elimina qualquer risco de circularidade viciosa nos casos que discutimos. uma transformação em que o conjunto de sentenças gramaticais é praticamente fechado). a gramática ainda mais. o capítulo 8. O leitor deverá talvez ter notado uma certa circularidade ou até mesmo uma aparente inconsistência em nossa abordagem. nossa única preocupação foi a de diminuir a complexidade da gramática. 78 . Nosso objetivo mais fraco de avaliação.5. Contudo. utilizamos o fato de “John came home” (=(108)) não possuir uma passiva como um argumento contra a atribuição da estrutura SN – Verbo – SN a essa sentença.

/↔n/. sentenças que. por hipótese. descobrimos que. Isso sugere um critério de adequação para as gramáticas. no entanto. por razões independentes. Se nossa gramática fosse um sistema de apenas um nível. e somente essas. levarão a noções muito parecidas de estrutura lingüística. a seqüência de fonemas /↔neym/ pode ser entendida de maneira ambígua. “aim” (objetivo) e “name” (nome). dos quais alguns são bastante abstratos e não triviais. atribuímos ao lingüista a tarefa de produzir um certo tipo de mecanismo (chamado gramática) para a gerar todas as sentenças.1 Até aqui. associados com as formas fonêmicas /↔/. como “a name” (um nome) ou “an aim” (um objetivo). Por exemplo. de uma língua. como conseqüência direta da tentativa de estabelecer a morfologia da maneira mais simples possível. Existem muitos fatos sobre a linguagem e sobre o comportamento lingüístico que precisam de explicações que vão além de explicações do tipo “esta ou aquela seqüência (que pode nunca ter sido produzida por alguém) é ou não é uma sentença”. Vimos que essa concepção nos leva naturalmente à descrição de línguas em termos de um conjunto de níveis de representação. Mas quando desenvolvemos o nível da representação morfológica. eram de algum modo pressupostas. respectivamente. Podemos testar a adequação de uma determinada gramática perguntando se cada caso de construção de homonímia é um caso real de ambigüidade e se cada caso de ambigüidade genuína é ou não um caso de 79 . É razoável esperarmos que as gramáticas forneçam explicações para alguns desses fatos. Em geral. dizemos que temos um caso de construção de homonímia quando uma determinada seqüência de fonemas pode ser analisada de mais de uma maneira em algum nível. para muitos falantes do inglês. “an” (um/a). Iremos agora proceder à formulação dos objetivos do lingüista em termos bem diferentes e independentes que.8. somos forçados a estabelecer os morfemas “a” (um/a). /eym/ e /neym/. descobrimos que a seqüência de fonemas /↔neym/ é representada de maneira ambígua no nível morfológico. Assim. lidando apenas com fonemas. O PODER EXPLICATIVO DA TEORIA LINGÜÍSTICA 8. Particularmente. conduz-nos ao estabelecimento da estrutura sintagmática e da estrutura transformacional como dois níveis distintos de representação de sentenças gramaticais. poderíamos não ter qualquer explicação para esse fato.

estabelecimento de um nível de estrutura sintagmática. Já a segunda expressão apresenta ambigüidade apenas em inglês. cf. se uma determinada concepção da forma da gramática conduzir a uma gramática de uma determinada língua que falhe nesse teste. Temos um caso de construção de homonímia quando uma seqüência de fonemas tem uma representação ambígua. Imaginamos que essas seqüências devam ser de alguma forma “entendidas” de maneira semelhante. Suponhamos que. 44 80 . por exemplo. respectivamente. Word 10. De maneira mais geral. Assim. assim como casos de dupla representação são “entendidas” de mais de uma maneira. etc. em certo sentido. mas por um Obviamente. Em “Two models of grammatical description”. as sentenças (109) (i) John played tennis (o João jogou tênis) (ii) my friend likes music (meu amigo gosta de música) são bastante diferentes. tanto no nível fonológico como morfológico. analisados de maneira ambígua no nível da estrutura sintagmática. não é explicada. Repare que considerações sobre a ambigüidade estrutural também podem justificar o [u17] Comentário: A tradução dessas expressões é “homens e mulheres velhas” e “eles são aviões” / “eles estão voando aviões”. Mas no nível sintagmático são ambas interpretadas como SN – Verbo – SN. Hockett utiliza noções de ambigüidade estrutural para demonstrar a independência de diversas noções lingüística de maneira bastante similar ao que sugerimos aqui. “light” (que pode significar “claro” ou “leve”). são compreendidas da mesma maneira. e exemplos como esse justificam o estabelecimento de um nível sintagmático independente do que foi apresentado no capítulo 3. a primeira expressão também é ambígua. Expressões como “old men and women” e “they are flying planes” são evidentemente ambíguos e são. de outra forma. duas seqüências distintas de fonemas são analisadas de maneira similar o idêntica. poderemos questionar a adequação dessa concepção e a teoria lingüística que a subjaz.construção de homonímia44. Linguistics Today. Esse fato não poderia ser explicado por a uma gramática que não ultrapassasse o nível das palavras ou morfemas. em algum nível. conseqüentemente é evidente que. 210-33 (954). mesmo que não o sejam em nenhum outro nível inferior. que. Em português. de fato. nem todos os casos de ambigüidade serão analisados em termos sintáticos. Por exemplo. um argumento perfeitamente válido para o estabelecimento de um nível morfológico é que irá dar conta da ambigüidade de /↔neym/. Lembre-se de que a análise de uma expressão no nível sintagmático não é fornecida apenas por apenas uma seqüência. Não iríamos esperar de uma gramática. homens velhos e mulheres velhas / mulheres velhas e homens. que ela explicasse a ambigüidade referencial de “son” – “sun” (filho – sol).

O que estamos sugerindo é que a noção de “compreensão de uma sentença” seja explicada em parte nos termos da noção de “nível lingüístico”. pelo menos. 45 81 . Irei mostrar apenas alguns exemplos representativos.diagrama como (15) ou. como ela é analisada em todos os níveis. aceitando nosso modelo. não conseguimos compreender plenamente qualquer sentença a menos que saibamos. Mas parece que ainda há um grande número de casos não explicados. provam a existência de níveis superiores. Para compreender uma sentença. e segundo a outra interpretação. Em geral. apresentamos o exemplo de uma sentença (“I found the boy studying in the library” = (103ii)) cuja ambigüidade de representação não podia ser demonstrada sem considerarmos alguns critérios transformacionais. essa sentença se mostra um exemplo de ambigüidade transformacional. quando unimos uma gramática transformacional à gramática sintagmática. por um determinado conjunto de seqüências representativas45. através de casos de ambigüidade e semelhança de compreensão que não eram explicados em níveis inferiores. Análises desses casos demonstram a necessidade de um nível ainda mais alto de análise transformacional. essa sentença era uma sentença transformada pelas transformação Tobsep. Conseguimos mostrar. e não de construção de homonímia dentro da estrutura sintagmática. a inadequação de uma teoria de estrutura lingüística que não ultrapassava a estrutura sintagmática. em uma das interpretações.6. Na verdade.2 Na seção 7. 8. Vimos que. uma vez desenvolvida uma gramática transformacional. ela era analisada em SN – Verbo – SN com o objeto “the boy studying in Ou seja. primeiramente é necessário reconstruir sua análise em cada nível lingüístico. por aquilo que chamo de “indicador sintagmático” (“phrase marker”) em The logical structure of linguistic theory e “Three models for the description of language”. Cf. de maneira equivalente. e podemos testar a adequação de um determinado conjunto de níveis lingüísticos abstratos conferindo se as gramáticas formuladas em termos desses níveis nos permitem fornecer uma análise satisfatória da noção de “compreensão” ou não. como veremos. não está claro que existam quaisquer casos de construção de homonímia puros quando dentro do nível da estrutura sintagmática. então. No entanto. de um modo diferente do que vimos nos capítulos 5 e 7. a estrutura transformacional. incluindo os níveis superiores como a estrutura sintagmática e. a partir de “I – found studying in the library – the boy”. Os casos com alto nível de representação semelhante e com alto nível de representação dessemelhante (construção de homonímia) são simplesmente os casos extremos que. “Three models for the description of language” para discussão sobre a construção de homonímia de “they are flying planes” dentro do paradigma da gramática sintagmática. mesmo depois que estabelecemos o nível da estrutura sintagmática e o aplicamos ao inglês.

analogamente a (112ii). e exemplos mais simples de ambigüidade sem uma origem transformacional não são difíceis de encontrar.the library”. não há uma boa maneira para explicar essa ambigüidade. 46 82 . “hunters” pode ser sujeito ou objeto). intransitivo e transitivo ou intransitivo. não haverá base que sustente a afirmação de que ou a relação sujeito-verbo ou a relação verbocomplemento deve aparecer em (111). que requer um estudo detalhado da maneira com que as transformações determinam a estrutura de constituintes. transitivo. Porém. com “hunters” (caçadores) como sendo o sujeito. existe uma explicação clara e automática. Em termos transformacionais. esse é um caso interessante. então essa mesma distinção (em si insuficiente) irá desaparecer. em ambos os casos. estabeleceremos uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN – C – V no sintagma É verdade que (111) pode ser representado de maneira ambígua considerando shoot (atirar) como um verbo transitivo ou intransitivo. a sentença é uma sentença transformada do par de seqüências terminais que subjaz as seguintes sentenças nucleares simples: (109) (i) I found the boy (eu encontrei o garoto) (ii) the boy is studying in the library (o garoto está estudando na biblioteca) Por isso. Se analisarmos os verbos em três classes. mas o fato essencial aqui é que a relação gramatical em (111) é ambígua (isto é. Para dar conta de sintagmas como (112i). de uma sentença cuja ambigüidade é o resultado de desenvolvimentos transformacionais alternativos a partir das mesmas seqüências nucleares. etc. nesses termos. As relações gramaticais podem ser definidas dentro da estrutura de constituintes em termos da forma de diagramas do tipo de (15). ou como sendo o objeto. todos esses sintagmas são representados como the – V + ing – of – SN46. Esse é um exemplo bastante complexo. (111) the shooting of the hunters (os disparos dos caçadores) (112) (i) the growling of lions (o rugido dos leões) (ii) the raising of the flowers (o cultivo das flores) No nível da estrutura sintagmática. Análises cuidadosas do inglês mostram que podemos simplificar a gramática se eliminarmos sintagmas como (111) e (112) do núcleo e os reintroduzirmos por transformações. contudo. Uma análise transformacional mais profunda teria mostrado que.que pode ser entendido de maneira ambígua. analogamente a (112i). Considere o sintagma (111).

Não temos essa ambigüidade em (112). e a segunda irá converter “John raises flowers” (o João cultiva flores) em “the raising of the flowers” (o cultivo de flores). a primeira dessas transformações irá converter “lions growl” (os leões rugem) em “the growling of the lions” (o rugido dos leões). através de uma dupla transformação. já que nem “they growl lions” (eles rugem os leões). A sentença (113ii) é a passiva de “a real artist painted the picture” (um verdadeiro artista pintou o quadro). contudo. por exemplo. Por exemplo. Da mesma forma. nem “flowers raise” (flores cultivam) são sentenças nucleares gramaticais. Logo (111) = “the shooting of the hunters” terá duas origens transformacionais distintas. “John painted the picture by a new technique” (o João pintou o quadro por uma nova técnica). tanto “the hunters shoot” (os caçadores atiram) como “they shoot the hunters” (eles atiram nos caçadores) são sentenças nucleares. ainda que sejam representadas de forma idêntica. e essa transformação será projetada de tal forma que o resultado seja um SN. Suas histórias transformacionais. são muito diferentes. A ambigüidade da relação gramatical em (111) é uma conseqüência do fato de que a relação de “shoot” e “hunters” difere nas duas sentenças nucleares subjacentes. Já (113i) é formada a partir de. primeiro a passiva e depois a transformação elíptica (já mencionada anteriormente). Um homônimo perfeito que segue (113) não é difícil de encontrar. que apaga o “agente” na voz passiva. ela será representada de forma ambígua no nível transformacional. iremos estabelecer uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN1 – C – V – SN2 no SN correspondente da forma the – V + ing – of + SN2. (114) John was frightened by the new methods (o João estava assustado com os / pelos novos métodos) 83 . Para dar conta de (112ii). considere os seguintes pares: (113) (i) the picture was painted by a new technique (o quadro foi pintado por uma nova técnica) (ii) the picture was painted by a real artist (o quadro foi pintado por um artista de verdade) Essas sentenças são compreendidas de maneira bastante diferente. Assim. como SN – was + Verbo + en – by + SN no nível de estrutura sintagmática. Contudo.correspondente da forma the – V + ing – of + SN.

já discutidas na seção 7.pergunta-QU interrogativa Parece intuitivamente óbvio que (115) contém dois tipos de sentenças: declarativas (115i) e interrogativas (15ii-iv). No nível transformacional. é difícil encontrar uma base formal que não seja arbitrária nem ad hoc para essa classificação. então (115i) e (115iv). embora sejam bastante distintas na estrutura sintagmática e no nível inferior de representação. como que novos métodos de assustar pessoas haviam sido usados para assustar o João (uma interpretação mais normal para a sentença em inglês se “being” aparecesse logo após de “was”). Ainda assim. que invertem o sujeito e o auxiliar. então (115i).pode significar tanto que João é um conservador – novos métodos o assustam. as interrogativas podem ser intuitivamente subdivididas em dois tipos: perguntas sim-ou-não (115ii) e perguntasQU (115iii.pergunta-QU interrogativa (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã) .pergunta sim-ounão . Se. classificarmos as sentenças por sua entonação “normal”. qualquer gramática do inglês irá classificar essas sentenças da maneira indicada em (115). No entanto.declarativa (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) . Considere as seguintes sentenças. e qualquer falante do inglês irá compreender essas sentenças de acordo com esse padrão. 84 .3 Podemos completar nossa discussão apresentando um exemplo do extremo oposto. com a ordem normal SN – Verbo – SN serão opostas a (115ii) e (115iii). Se classificarmos as sentenças com base na ordem das palavras. de (113i) e de (113ii). o que explica a sua ambigüidade. (115iii) e (115iv). com uma entonação normal de declarativas (descendente).2: (115) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) . por exemplo.interrogativa (iii) what did John eat (o que o João comeu?) . um caso de sentenças que são compreendidas da mesma maneira. serão opostas a (115ii). (114) tem ambas as análises. 8. uma teoria lingüística que falha em fornecer uma base para essa classificação deve ser considerada inadequada. Certamente. Além disso. iv). a saber. que apresenta uma entonação ascendente.

Nas seções 7.1 e 7. já que elas são formadas pela transformação adicional Tw. a partir dessa seqüência subjacente. as grandes subdivisões de (115) seriam as sentenças nucleares (115i) e as sentenças que sofreram a transformação Tint. (115iiiv). Então. Logo. 85 .A representação de uma seqüência no nível transformacional é dada por uma seqüência terminal (ou mais de uma seqüência) que a origina e pela série de transformações de que é derivada. ou seja. sua representação no nível transformacional. Elas diferem uma da outra apenas na escolha do sintagma nominal a que Tw se aplica. quando formularmos a gramática transformacional mais simples para (115). logo. chegamos às seguintes conclusões sobre as sentenças em (115) (=(70)). Cada uma dessas sentenças se originou da seqüência terminal (116) John – C – eat + an + apple (=(61)). Suponhamos que determinássemos os tipos de sentenças em geral em função de sua história transformacional.2. Já (15iii) e (115iv) são formadas pela aplicação das transformações obrigatórias. ela é uma sentença nuclear. (15ii-iv) são todas interrogativas. Assim. A sentença (115i) é derivada de (116) apenas pela aplicação das transformações obrigatórias. que é derivada na estrutura da gramática sintagmática. veremos que a classificação intuitivamente correta das sentenças é dada pelas representações transformacionais resultantes. (115ii) é formada de (116) pela aplicação das transformações obrigatórias e da Tint. além das transformações Tint e Tw. Já (115iii-iv) formariam uma subclasse especial das interrogativas.

as seqüências terminais subjacentes a essas sentenças nucleares) e a estrutura sintagmática de cada um desses componentes básicos. Particularmente.9. o estudo das interfaces entre sintaxe e semântica tem sido dominado Quando a análise transformacional é formulada de maneira mais cuidadosa. No entanto. para compreendermos uma sentença. Além do mais. A verdadeira questão que deveria ser feita é esta: “como é que os mecanismos sintáticos disponíveis em uma dada língua funcionam no uso real dessa língua?”. já encontramos casos de sentenças que podem ser compreendidas de mais de uma maneira e que são representadas de maneira ambígua no nível transformacional (mas não em outros níveis) e casos de sentenças que são compreendidas de maneira semelhante e têm uma representação semelhante apenas no nível transformacional. utilizando-se a noção de nível lingüístico. essas sendo consideradas os “elementos de conteúdo” básicos a partir dos quais as sentenças mais comuns. a partir das sentenças nucleares47. Ao propormos que a estrutura sintática pode fornecer um certo “insight” para problemas de significado e compreensão. ao problema de se explicar como as sentenças nucleares são compreendidas. O problema geral de se analisar o processo de “compreensão” é então reduzido. mais complexas da vida real são formadas através do desenvolvimento transformacional. Isso nos dá uma motivação independente para a descrição da língua em termos de estrutura transformacional e para o estabelecimento de uma representação transformacional como um nível lingüístico com o mesmo caráter fundamental dos outros níveis. SINTAXE E SEMÂNTICA 9. é necessário conhecer as sentenças nucleares das quais ela se originou (mais precisamente. em parte. ao invés de se preocupar com esse importante problema. entramos em um território perigoso. isso nos dá mais força para sugerirmos que o processo de “compreensão de uma sentença” pode ser explicado.1 Agora. 47 86 . percebemos que o conhecimento da representação transformacional de uma sentença (que incorpora a estrutura sintagmática das seqüências nucleares a partir das quais a sentença se originou) é tudo o que é necessário para determinar a estrutura sintagmática derivada da sentença transformada. assim como a história transformacional de seu desenvolvimento. Não há nenhum domínio do estudo lingüístico que esteja mais sujeito a confusões e mais necessitado de uma formulação clara e cuidadosa do que aquele que trata dos pontos de ligação entre sintaxe e semântica. de certo modo.

Contudo. No entanto. As observações no capítulo 8 sobre possíveis implicações semânticas do estudo sintático não deve ser mal interpretadas como argumentos a favor da noção de que a gramática deva ser baseada no significado. A questão. com igual motivação: “como se pode construir uma gramática sem saber a cor do cabelo dos falantes da língua?”. É inegável que a “intuição sobre a forma lingüística” é bastante útil ao investigador da forma lingüística (ou seja. da gramática). A pergunta que realmente deveria ser feita é a seguinte: “como se pode construir uma gramática?”. No capítulo 8.1 Muitos esforços têm sido feitos na tentativa de responder à pergunta: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. em si mesma. 9. nesse caso. há pouca evidência de que a “intuição sobre o significado” seja útil na investigação da forma lingüística. A questão tem sido saber se a informação semântica é ou não é necessária para descobrir ou selecionar uma gramática. Acredito que a inadequação das sugestões sobre o uso do significado na análise gramatical não é aparente apenas por causa de sua vaguidade e por causa de uma tendência infeliz de se confundir “intuição sobre a forma lingüística” com “intuição sobre o significado”. ainda que o peso da prova recaia. esse problema possa ser mais elucidado por uma discussão puramente negativa sobre a possibilidade de se encontrar uma base semântica para a teoria sintática.2. não está bem formulada. pode ser que valha a pena investigar brevemente algumas delas. e o desafio geralmente lançado por aqueles que optam pela afirmativa nessa disputa é o seguinte: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. já que a implicação de que é obviamente possível construir uma gramática apelando para o significado é completamente não comprovada.largamente por uma questão paralela mal formulada. Poder-se-ia se fazer a seguinte pergunta. duas expressões que têm em comum apenas sua vaguidade e sua indesejabilidade na teoria lingüística. 87 . Na verdade. Não conheço nenhuma tentativa detalhada para desenvolver a teoria da estrutura gramatical em termos parcialmente semânticos ou qualquer proposta específica e rigorosa que utilize informações semânticas na construção ou na avaliação de gramáticas. Parece também claro que o maior objetivo da teoria gramatical seja substituir essa dependência obscura na intuição por alguma abordagem rigorosa e objetiva. por causa da larga aceitação de sugestões desse tipo. Talvez. a teoria que esboçamos nos capítulos 3 a 7 foi completamente formal e não-semântica. indicamos brevemente algumas maneiras em que o uso real dos mecanismos sintáticos disponíveis pode ser estudado.

completamente no lingüista que afirma ter conseguido desenvolver alguma noção gramatical em termos semânticos. 9.22 Entre os argumentos mais comuns invocados a favor da dependência da gramática em relação ao significado, encontramos os seguintes: (117) (i) dois enunciados são fonemicamente distintos se e apenas se eles diferem no significado; (ii) os morfemas são os menores elementos que possuem significado; (iii) sentenças gramaticais são aquelas que têm um significado semântico; (iv) a relação gramatical sujeito-verbo (isto é, SN – SV como uma análise da Sentença) corresponde ao “sentido estrutural” geral ator-ação; (v) a relação gramatical verbo-sujeito (isto é, Verbo – SN como uma análise da Sentença) corresponde ao sentido estrutural ação-objetivo ou ação-objeto da ação; (vi) uma sentença ativa e sua correspondente passiva são sinônimas. 9.23 Muitos lingüistas manifestaram a opinião de que a distinção fonêmica deve ser definida em termos de significado diferencial (sinonímia, para usar um termo mais familiar), como proposto em (117i). No entanto, é evidente que (117i) não pode ser aceito, da maneira que está, como sendo uma definição de distinção fonêmica48. Se realmente quisermos responder à pergunta e não adiá-la, os enunciados em questão devem ser enunciados-ocorrência e não enunciados-tipo. the utterances in question must be tokens, not types. Mas existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente distintos e idênticos em significado (sinônimos) e existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente idênticos e distintos em significado (homônimos). Logo, (117i) é falso em ambos os sentidos. Da esquerda para a direita, ele é falsificado por pares como “solteiro” e “homem não casado”, ou de maneira ainda mais séria, por sinônimos absolutos como /ekInámiks/ e /iykInámiks/ (“economics” (economia)), “ádult” e “adúlt” (adulto) e muitas outras que podem coexistir até mesmo dentro de um mesmo estilo de fala. Da direita para a esquerda, (117i) é falsificada por pares como “banco” (de praça) e
[u19] Comentário: Aqui, Chomsky enumera exemplos de palavras que apresentam mais de uma pronúncia, sem qualquer alteração no significado. Exemplos em português seriam “garage” e “garagem”, “bergamota” e “vergamota”. [u18] Comentário: Decidi traduzir “utterance tokens” por “enunciados-ocorrência” e “utterance types” por “enunciadostipo”.

Veja meu “Semantic considerations in grammar”, Monograph n. 8, p. 141-53 (1955), para uma investigação mais detalhada de (117i).

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“banco” (instituição financeira)49, “metal” (metal) e “medal” (medalha) (em alguns dialetos do inglês) e numerosos outros exemplos. Em outras palavras, se atribuímos dois enunciados-ocorrência ao mesmo enunciado-ocorrência com base em (117i), iremos conseqüentemente obter a classificação errada em um grande número de casos. Uma afirmação mais fraca que (117i) poderia ser melhorada como se segue. Suponhamos que temos um sistema fonético absoluto, pressuposto à análise de qualquer língua, e detalhado o suficiente para que quaisquer dois enunciados fonemicamente distintos em qualquer língua possam ser transcritos de maneira diferente. Pode ser o caso de que alguns enunciados-ocorrência diferentes podem ser transcritos de maneira idêntica nessa transcrição fonética Suponhamos que definimos a “ambigüidade de significado” de um enunciado-ocorrência como sendo um conjunto de significados de todos os enunciados-ocorrência transcritos de maneira idêntica a esse enunciadoocorrência. Poderíamos agora revisar (117i), substituindo “significado” por “significado ambíguo”. Isso poderia fornecer uma abordagem ao problema da homonímia, se tivéssemos um corpus imenso que nos garantisse a ocorrência de cada uma das formas foneticamente distintas de uma palavra com cada um dos sentidos possíveis dessa palavra. Pode ser possível elaborar essa abordagem ainda mais, para dar conta do problema dos sinônimos. De certa forma, poderíamos esperar determinar a distinção fonêmica através de uma trabalhosa investigação do significado de itens foneticamente transcritos em um vasto corpus. No entanto, a dificuldade em determinarmos de alguma maneira precisa e realista a quantidade de significados que podem ser partilhados por diversos itens, além da imensidade da tarefa, tornam as perspectivas de uma abordagem como essa bastante duvidosas. 9.2.4 Felizmente, não temos de prosseguir com um programa tão ambicioso e complexo para determinar a distinção fonêmica. Na prática, cada lingüista usa mecanismos semânticos muito mais simples e diretos. Suponhamos que um lingüista esteja interessado em determinar se “metal” e “medal” são foneticamente distintos em algum dialeto do inglês. Ele não vai investigar o significado dessas palavras, já que essa informação é claramente irrelevante para seus objetivos. Ele sabe que os significados
49 Repare que não podemos argumentar que “banco” em “o banco da praça” e “banco” em “o banco de minha conta corrente” seja duas ocorrências da mesma palavra, já que essa é precisamente a questão que investigamos aqui. Dizer que dois enunciados-ocorrência são ocorrências da mesma palavra é dizer que eles não são fonemicamente distintos, e presumivelmente é isso que o critério de sinonímia (117i) deveria nos determinar.

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são diferentes (ou ele simplesmente não está interessado na questão) e está interessado em determinar se essas palavras são ou não são fonemicamente distintas. Um lingüista de campo cuidadoso iria provavelmente utilizar o teste do par50 com dois informantes ou com um informante e com um gravador. Por exemplo, ele poderia fazer uma seqüência aleatória de cópias de enunciados-ocorrência que o interessasse e então determinar se o falante consegue ou não identificá-la de maneira consistente. Se houver uma identificação consistente, o lingüista pode aplicar um teste ainda mais restrito, pedindo ao falante para repetir cada palavra por diversas vezes, utilizando o teste do par mais de uma vez nas repetições. Se for mantida uma distinção consistente durante a repetição, ele irá dizer que as palavras “metal” e “medal” são foneticamente distintas. O teste do par, com suas variantes e versões mais elaboradas, fornece um critério claro e operacional para a distinção fonêmica em termos completamente não semânticos51. É comum considerarmos abordagens não semânticas de gramáticas como sendo alternativas de abordagens semânticas e criticá-las por serem complexas demais, mesmo que sejam, em princípio, possíveis e realizáveis. Vimos, porém, que, no caso da distinção fonêmica, pelo menos, exatamente o oposto é que é verdadeiro. Há uma abordagem bastante direta e operacional para a determinação da distinção fonêmica em termos de mecanismos não semânticos, como o teste dos pares. Pode ser possível, em
Cf. o meu texto “Semantic considerations of grammar”, Monograph n. 8, p. 141-54 (1955); M. Halle, “The strategy of phonemics”, Linguistics Today, Word 10. 197-209 (1954); Z. S. Harris, Methods in structural linguistics (Chicago, 1951), p. 32f; C. F. Hockett, A manual of phonology = Memoir 11, Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore, 1955), p. 146. 51 Lounsburry argumenta em seu “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”, Language 32. 15894 (1956), p. 90, que o apelo à sinonímia é necessário para distinguir entre a variação livre e o contraste: “se um lingüista que não conheça inglês ouvir da minha boca a palavra cat (gato) primeiramente com uma oclusiva final aspirada e depois com uma oclusiva final pré-glotalizada não realizada, os dados fonéticos não irão dizer se essas formas contrastam ou não. Será apenas quando ele pergunta a mim, seu informante, se o significado da primeira forma é diferente do significado da segunda, e eu respondo que não, que ele conseguirá proceder com sua análise fonêmica”. Como um método geral, essa abordagem é insustentável. Suponhamos que o lingüista grave /ekInámiks/ e /iykInámiks/ e pergunte se têm diferentes significados. Ele irá descobrir que não têm significados diferentes e irá atribuir a eles a mesma análise fonêmica, de maneira equivocada, se levar a oposição literalmente. Por outro lado, há muitos falantes que não distinguem “metal” de “medal”, ainda que, se perguntados, podem ter bastante certeza que eles fazem essa distinção. As respostas de informantes como esses à pergunta direta de Lounsburry sobre o significado certamente iriam apenas obscurecer a questão. Podemos deixar a posição de Lounsburry mais aceitável se substituirmos a pergunta “eles têm o mesmo significado?” por “elas são a mesma palavra?”. Isso irá evitar as armadilhas da pergunta semântica essencialmente irrelevante, mas ainda não fica aceitável nessa forma, já que equivale a pedir ao informante que faça o trabalho do lingüista; substitui um teste operacional de comportamento (como o teste dos pares) por um julgamento do informante sobre seu comportamento. Os testes operacionais para as noções lingüísticas podem exigir que o informante responda, mas não que ele expresse sua opinião sobre seu comportamento, sobre seu julgamento sobre sinonímia, sobre distinção fonêmica, etc. As opiniões do informante podem estar baseadas em qualquer tipo de fatores irrelevantes. Essa é uma distinção importante que deve ser cuidadosamente observada para que as bases operacionais da gramática não sejam tornadas triviais.
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Pareceria. Uma abordagem semântica a alguma noção gramatical requer um desenvolvimento tão detalhado e 91 . Qualquer tentativa para fornecer uma descrição cuidadosa. 9. a classe de situações em que eles podem ser utilizados. Se. tentarmos manter a posição de que os significados atribuídos são sempre idênticos. que o significado de uma palavra é um componente fixo e imutável de cada ocorrência. então todas as dificuldades de determinar a distinção fonêmica terão o seu paralelo (ampliado. 9. Mas é difícil tornar de algum modo convincente uma concepção do significado como essa sem qualquer menção prévia ao enunciado-tipo. qualquer abordagem de distinção fonêmica em termos semânticos ou é circular ou é baseada em uma distinção que é consideravelmente mais difícil de estabelecer do que a distinção que ela deveria esclarecer. desenvolver algum teste semântico equivalente ao teste dos pares e suas variantes. o tipo de resposta que eles normalmente evocam. ou alguma coisa do gênero. no entanto. Parece que o único meio de manter uma posição como essa seria conceber o significado de um enunciado-ocorrência como “a maneira em que os enunciados-ocorrência desse tipo são (ou podem ser) usados”. então. podemos explicar a larga aceitação de uma formulação como (117i)? Acredito que existam duas explicações para isso. Em parte. Não perguntamos se os significados atribuídos a enunciados-ocorrência distintos (mas fonemicamente idênticos) são idênticos ou meramente muito semelhantes. Teremos de determinar quando dois significados distintos são suficientemente semelhantes para serem considerados “o mesmo”.6 Como. de certa forma. dadas imediatamente e são simples demais para exigirem uma análise. por outro lado. trata-se de uma conseqüência de assumirmos que as abordagens semânticas são. que mesmo independentemente de nossas objeções anteriores.2. Se for o caso de eles serem meramente muito semelhantes. mas parece que qualquer procedimento desse tipo será muito complexo e exigirá uma análise exaustiva de um corpus imenso. então.teoria.25 Existe ainda mais uma dificuldade de principio que deve ser mencionada na discussão de qualquer abordagem semântica à distinção fonêmica. então a circularidade parece inevitável. logo desfaz essa ilusão. além de envolver os lingüistas em uma tentativa vã de determinar a quantidade de significados que uma dada seqüência de fones poderia ter. dada a obscuridade inerente do assunto) na determinação da identidade de significado.

3 que se fôssemos determinar o contraste por meio de “significado das respostas” de qualquer maneira direta. Porém. teremos uma referência perfeitamente aceitável a técnicas como o teste dos pares. Podemos pedir a ele. e não há mais motivos para postular alguma reação semântica não observada no caso de “bill” e “ball” do que no caso de “bill” e “pill”. Não haveria qualquer elemento semântico nesse teste. Não podemos utilizar alguma formulação particular do teste dos pares como um argumento para a dependência de uma teoria gramatical no significado. Mas aceitar esse ponto de vista significa tirar do termo “significado” qualquer interesse relevante. Language32. definimos o contraste entre formas de maneira operacional em termos de diferença no significado das respostas”52. por signos do zodíaco. somos obrigados a elaborar uma construção tão complexa com tantas premissas intoleráveis que dificilmente poderá ser considerada uma proposta séria. que identifique os enunciados-ocorrência por números escolhidos aleatoriamente. como vimos. parece ser o caso de que aqueles que propõem alguma variante de (117i) devem estar interpretando o “significado” de maneira tão abrangente que qualquer resposta à linguagem é chamada de “significado”. Acredito que qualquer um que deseje salvar a expressão “estudo do significado” como sendo um F. se interpretamos de forma literal a afirmação citada. 191. uma confusão entre os termos “significado” e “resposta do informante”. Pode-se muito bem desenvolver um teste operacional para a rima que mostraria que “bill” e “Pill” estão relacionados de uma forma que “bill” e “ball” não estão. não há garantias de que as interpretações das respostas estudadas no teste dos pares sejam semânticas53. essencialmente. etc. a rima completa. e se tentarmos evitar as dificuldades que naturalmente aparecem.2. estaríamos nos equivocando em diversos pontos. Ao contrário. uma abordagem semântica à distinção fonêmica enfrenta dificuldades consideráveis. devemos considerá-la incorreta e rejeitá-la. p. no teste dos pares.cuidadoso como qualquer outra abordagem não semântica. No entanto. 53 Não se pode fazer confusão com o fato de que. 158-64 (1956). na minha opinião. Por isso.5 que parecem existir dificuldades de princípios ainda mais profundas. Além do mais. Um segundo motivo por que formulações como (117) parecem ser aceitas é. E vimos em 9. Parece estranho que aqueles que fizeram objeções a fundamentar a teoria lingüística em formulações como (117i) tenham sido acusados de desprezo em relação ao significado. se pode pedir ao sujeito para que identifique os enunciados-ocorrência pelo significado. Lounsburry. A identidade fonêmica é. se tirarmos a palavra “significado” dessa afirmação. relativos ao método lingüístico: “em análise lingüística. Observamos na seção 9.2. da mesma forma. “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”. Podemos encontrar comentários como este. da mesma maneira como não podemos utilizá-la como um argumento para afirmar que a lingüística está baseada na aritmética ou na astrologia. 52 92 .

tal como proposta em (117iii). No capítulo 2. se estabelecida de maneira clara. podemos descrever circunstâncias em que uma sentença “quantificacional” como “everyone in the room knows at least two languages” (todos nesta sala falam ao menos duas línguas) possam ser verdadeiras. é impossível provar que noções semânticas não tenham utilidade na gramática. 1922). parecem levar invariavelmente à conclusão de que apenas uma base puramente formal pode fornecer fundamentos firmes e produtivos para a construção da teoria gramatical. p.aspecto importante da pesquisa lingüística deva rejeitar essa identificação entre “significado” e “resposta à linguagem” e. 1933). formulações como (117i). seção 7. para mais exemplos. 9. Harris. As investigações de tais propostas. 93 .1) dificilmente poderão ser considerados como portadores de significado. Methods in structural linguistics (Chicago.em “gleam” (brilho). “glow” (brilho)54. Para contradizer (117vi). além disso. Jespersen. Morfemas como “to” em “I want to go” (eu quero ir) ou o postiço “do” em “did he come?” (ele veio?) (cf. “glimmer” (luz).7 Evidentemente. Bloomfield. a atribuição (117v) de qualquer significado estrutural ação-objetivo à relação verbo-objeto é invalidada por sentenças como “I will disregard his incompetence” (eu irei ignorar a incompetência dele) ou “I missed the train” (eu perdi o trem).2. 156. e parece razoável assumirmos que uma noção independente do significado. Ainda assim. podemos mencionar brevemente alguns dos contra-exemplos mais óbvios para sugestões como (117). Language (New York. de que os morfemas são definidos como os elementos mínimos significativos. L. Language (New York. 54 [u20] Comentário: Tanto o “to” como o “do” do inglês não recebem tradução como elementos foneticamente expressos em português. temos contra-exemplos para a sugestão de (117ii). O. de acordo com a Cf. capítulo XX. S. Da mesma forma. como gl. Assim. Z. contudo. 1951). p. pode atribuir significado de algum tipo para formas que não são morfemas. enquanto que sua correspondente passiva “at least two languages are known by everyone in the room” (ao menos duas línguas são faladas por todos nesta sala) seja falsa. argumentamos no sentido de rejeitar a “significação semântica” como sendo um critério geral para a gramaticalidade. Sentenças como “John received a letter” (o João recebeu uma carta) ou “the fighting stopped” (a briga terminou) mostram claramente a insustentabilidade da afirmação (117iv) de que a relação gramatical sujeito-verbo tem um “significado estrutural” de ator-ação” se o significado for levado a sério como um conceito independente da gramática. da mesma forma como é impossível provar a irrelevância de qualquer outro conjunto de noções. expresso como “did”) aparece marcando o tempo do passado simples em inglês. 177. O “to” marca o infinitivo do verbo inglês. Investigações detalhadas de propostas com orientação semântica iriam além do limite deste trabalho e seriam um tanto inúteis. e o “do” (naquele exemplo.

Parece claro. se uma pessoa na sala sabe apenas francês e alemão. aparentemente. econtrar absolutos semânticos. De maneira geral. contudo.55 Uma análise cuidadosa de cada proposta de fundamento no significado confirma isso e mostra. Uma vez determinada a estrutura sintática da língua. No capítulo 8. negação. por exemplo. Jackobson. qualquer tentativa de estudar o significado de maneira independente dessa especificação permanece fora de questão. podemos estudar a maneira com que a estrutura sintática é posta em 55 Uma outra razão para suspeitarmos que a gramática não pode ser efetivamente desenvolvida em termos semânticos foi tratado no caso particular da distinção fonêmica que vimos na seção 9. vimos que existem. vimos que a relação ativa-passiva é apenas uma instância de um aspecto muito geral e fundamental da estrutura formal lingüística. prévios à gramática. podemos e devemos investigar sua função semântica (como. que possam ser usados para determinar os objetos da gramática de alguma forma. O fato de que as correspondências são tão inexatas sugere que o significado será relativamente inútil para servir de base para a descrição gramatical. ainda que imperfeitas. dado o instrumento língua e seus aparatos formais. 94 . aparentemente. alguns tipos de relações bem gerais entre esses dois domínios que merecem um estudo mais detalhado. declarativa e interrogativa e outras relações transformacionais não teriam sido descobertas se a relação ativa-passiva tivesse sido investigada apenas em termos de noções como a sinonímia. 9.3 Esses contra-exemplos não deveriam. até mesmo depois de os elementos lingüísticos portadores de significado e suas relações serem especificadas. nos cegar com relação ao fato de que existem correspondências significativas entre as estruturas e os elementos que não são descobertos por uma análise formal e gramatical e as funções semânticas específicas. e outra. em R. Isso indica que nem mesmo a relação semântica mais fraca (equivalência factual) se mantém na distinção geral entre ativa e passiva. então. O fato de que as correspondências entre as características formais e semânticas existem. Por exemplo. Essas correspondências devem ser estudadas dentro do panorama de uma teoria mais geral da linguagem. Em outras palavras. Travaux du Cercle Linguistique de Prague 6. 240-88 (1936)). que importantes intuições e generalizações sobe a estrutura lingüísticas podem ser ignorados se pistas semânticas vagas forem seguidas perto demais.5. algumas são quase verdadeiras. A semelhança entre ativa e passiva. de fato. parece que o estudo do significado enfrenta tantas dificuldades que. apenas espanhol e italiano. mas não podemos.interpretação normal dessas sentenças – por exemplo. Nenhuma das afirmações em (117) é inteiramente falsa.2. que existem correspondências inegáveis. entre as características formais e semânticas na linguagem. contudo. que irá incluir uma teoria da forma lingüística e uma teoria do uso da língua como subpartes. não pode ser ignorado. “Beitrag zur allgemeinen Kasuslehre”.

ao passo que a teoria lingüística deve esclarecer essas bases para a gramática e os métodos de avaliação e escolha entre todas as gramáticas propostas. a teoria que esboçamos apresentou algumas lacunas graves – por exemplo. e a noção de “simplicidade” que mencionamos explícita ou implicitamente não foi devidamente analisada. Consideramos o problema da pesquisa sintática como sendo o de construir um mecanismo para a produção de um dado conjunto de sentenças gramaticais e o de estudar as propriedades das gramáticas que fazem isso de maneira efetiva. através da construção da teoria a partir de uma base parcialmente semântica.uso no funcionamento real da língua. tanto quanto eu saiba. tal como sugerimos brevemente no capítulo 8. Em outras palavras. 95 . É importante reconhecermos que. que é isolado e exibido pela gramática para conseguir sustentar uma descrição semântica. Na verdade. não alteramos o caráter puramente formal da teoria da estrutura gramatical per se. A estrutura sintagmática e a estrutura transformacional parecem fornecer os maiores mecanismos sintáticos disponíveis na língua para a organização e expressão do conteúdo. Noções semânticas como referência. Podemos julgar as teorias formais em termos de suas habilidades para explicar e clarificar uma variedade de fatos sobre a maneira em que as sentenças são usadas e compreendidas. ao introduzirmos considerações como as do capítulo 8 na metateoria que lida com a gramática e com a semântica e seus pontos de conexão. e valorizarmos uma teoria da estrutura formal que conduza a gramáticas que satisfazem esse requisito de maneira mais completa. A gramática de uma dada língua deve mostrar como essas estruturas abstratas são concretizadas no caso dessa língua. Ainda assim. o princípio que postula que o conjunto de sentenças gramaticais seja dado a priori é demasiado forte. Uma investigação da função semântica da estrutura de níveis. deveríamos apreciar o framework sintático da língua. Obviamente. apresentamos o desenvolvimento de alguns conceitos lingüísticos fundamentais em termos puramente formais. poderia se configurar em um passo razoável em direção a uma teoria de interconexões entre sintaxe e semântica. Nos capítulos 3 a 7. significação e sinonímia não desempenharam qualquer papel em nossa discussão. apontamos no capítulo 8 que as correlações entre a forma e o uso da língua podem até mesmo fornecer certos critérios brutos de adequação para uma teoria lingüística e as gramáticas que ela oferece. nem essas lacunas nem quaisquer outras no desenvolvimento da teoria gramatical podem ser preenchidas ou esclarecidas.

Na medida em que isso esteja certo. A motivação para essa exigência de formalidade para as gramáticas que nos auto-impusemos é bastante simples – parece não haver qualquer outra base que produza uma teoria da estrutura lingüística que seja rigorosa. vol. na descrição do significado de “hit” (bater. eficaz e “reveladora”. Aquilo que salientamos no capítulo 8 foi que podemos esperar que esse estudo formal da estrutura da língua como instrumento possa fornecer esclarecimentos sobre o uso efetivo da língua. 13. 1 (1949). etc. sobre o processo de compreensão de sentenças. senão necessário. isto é. “On likeness of meaning”. como “Bill was hit by John” (o Bill foi acertado pelo John). Goodman. etc.4 Para compreender uma sentença.57 Encontraremos naturalmente muitas palavras ou morfemas de uma única categoria gramatical descrita semanticamente em termos similares. como. n. Analysis. idem. vol. acertar). que são mais bem analisadas como noções puramente formais pertencendo à teoria da gramática. “On some differences about meaning”. tentando descrever a sua estrutura sem qualquer referência explícita à maneira como esse instrumento é utilizado na prática. 56 96 . o agende e o objeto da ação em termos de noções como “sujeito” e “objeto”. A abordagem de Goodman resumese a uma reformulação de uma parte a teoria do significado nos termos bem mais claros da teoria da referência. Precisamos também conhecer a referência e o significado56 dos morfemas ou palavras que a constituem. na minha opinião – que a noção de significado das palavras pode ser reduzido. Essas noções são as noções básicas para a semântica. a língua como um instrumento ou um utensílio. “hitting Bill was wrong” (bater no Bill foi errado).. O requisito de que essa teoria constitua uma disciplina completamente formal é perfeitamente compatível com a intenção de formulá-la de forma tal que tenha interconexões sugestivas e significativas com uma teoria semântica paralela. sem dúvidas. recorrer ao framework sintático ao qual pertence a palavra. verbos descritos em termos de sujeito e objeto. podemos esperar que diversos aspectos dessa teoria sejam reivindicados por outras abordagens ao estudo da língua no curso de seu desenvolvimento. pelo menos em parte. Na descrição do significado de uma palavra. por exemplo. 9. n. por exemplo. Parte da dificuldade com a teoria do significado é que o “significado” tende a ser usado como um termo amplo que inclui todos os aspectos da língua que ainda não conhecemos muito bem. precisamos conhecer muito mais do que a análise dessa sentença em cada nível lingüístico. naturalmente. Analysis. torna-se muitas vezes útil. N. 10.Nos capítulos 3 a 7 estudamos. Cf. à noção de referência de expressões contendo essas palavras. Isso Goodman demonstrou – de maneira bastante convincente. não podemos esperar que a gramática ajude muito nesse ponto. descreveríamos. assim como muito da nossa discussão pode ser entendido como uma sugestão de uma reformulação de partes da teoria do significado que lida como chamado “significado estrutural” em termos da teoria da estrutura gramatical completamente não semântica. se conseguimos mostrar com suficiente detalhe e generalidade que as sentenças transformadas são “compreendidas” em termos de sentenças nucleares subjacentes. então. 57 Uma descrição como essa do significado de “hit” daria automaticamente conta do uso de “hit” em sentenças transformadas. 4 (1953).

Um outro uso comum mas duvidoso da noção de “significado estrutural” diz respeito ao significado dos chamados morfemas de “função gramatical”. Verbo. limitamos a escolha dos elementos que podem preencher os espaços para formar uma sentença gramatical. ?dê-lhe um dinheiro e *dê-lhe dois dinheiros). no segundo. [u21] Comentário: O morfema -ing em inglês marca o gerúndio (-ndo em português). O fato de nesses casos termos sido forçados a apresentar espaços vazios ao invés de palavras sem sentido é explicado pela produtividade ou “infinidade” das categorias Substantivo. Afixo Verbal. adjetivos e talvez de outras classes grandes encontra apoio geralmente no apelo ao fato de que esses morfemas podem ser distribuídos em uma seqüência de espaços vazios ou sílabas sem sentido de modo que o todo tenha aparência de uma sentença e. etc. “some”(alguma).. tal como se atribuem “significados lexicais” a palavras ou morfemas. o morfema –ly é formador de advérbio (correspondente a –mente em português). Quaisquer que sejam as diferenças entre os morfemas no que diz respeito a essa propriedade. etc. é de validade bastante duvidosa. e “dê-lhe __ dinheiro”. do que em termos de qualquer traço semântico presumível. Vimos. verbo e advérbio. ao contrário das categorias Artigo. elas são aparentemente melhor explicadas em termos de noções gramaticais como a produtividade. porém. etc. quando distribuímos uma seqüência de morfemas em uma seqüência de espaços em branco. por causa do s. como ing. Por exemplo. Adjetivo. Essa propriedade. as preposições. e com o “the” (a). não faz uma distinção clara entre os morfema gramaticais e os outros. mas não por um numeral como “um” ou “dois” (cf. a liberdade de combinação e o tamanho da classe de substituição. no entanto. em que o morfema plural –s marca o substantivo. do ize e do ly. já que em sentenças como “the Pirots karul __ yesterday” (os Pirots karul __ ontem) ou “give him __ water” (dê-lhe __ água). correspondendo ao primeiro exemplo de Chomksy. no primeiro caso. Em geral. em que o espaço vazio poderia ser preenchido por “o” ou “algum”. [u22] Comentário: Em português.não deveria ser surpreendente. de fato. os espaços em branco são determinados também como uma variante do tempo passado. poderíamos ter “Os mapos cartun __ ontem”. A afirmação de que os significados desses morfemas são fundamentalmente diferentes dos significados dos nomes. o advérbio. etc. ly. respectivamente. significa que os mecanismos sintáticos disponíveis na língua estão sendo usados de maneira bastante sistemática. o –am marca o verbo e o –mente. para que determinem a categoria gramatical de elementos sem sentido. poderíamos pensar em uma seqüência como “Mapos cartunam guiraldamente”. sabemos que as três palavras são nome. (mas não “a” (uma). que uma generalização a partir desse uso sistemático para atribuir “significados estruturais” a categorias gramaticais ou construções. 97 . em que o espaço poderia ser preenchido com uma desinência modo-temporal do verbo. na seqüência “Pirots karulize etalically”. correspondendo ao segundo exemplo. [u23] Comentário: Em português. verbos.

e a tentativa de desenvolver um manual assim irá provavelmente (assim como aconteceu no passado) contribuir para a formação da teoria lingüística de maneira substancial. Se esse ponto de vista for adotado. podemos determinar a estrutura de constituintes de sentenças particulares através da investigação do seu comportamento sob o efeito dessas transformações. consideramos as gramáticas como tendo uma estrutura tripartite. todas as outras sentenças (mais propriamente. Uma gramática tem uma seqüência de regras a partir das quais podemos 98 . a partir delas. sem sintagmas verbais ou nominais complexos). a um núcleo de sentenças básicas (simples. vemos que um modelo simples de língua. há pouca motivação para a objeção à mistura dos níveis. a partir de elementos dos níveis inferiores ou para o sentimento de que o trabalho sintático é prematuro até que todos os problemas de fonêmica ou morfologia estejam solucionados. através de transformações. como a estrutura sintagmática e a estrutura transformacional. RESUMO Ao longo desta discussão. A gramática é melhor formulada como um estudo autônomo. com análises em constituintes alternativos. No desenvolvimento deste estudo independente e formal. são necessários para a descrição da linguagem natural. literalmente. Conseqüentemente. derivando. declarativas. a partir das seqüências que subjazem a elas). e que níveis lingüísticos bastante abstratos. Inversamente. para a concepção dos elementos de níveis superiores como construídos. a noção de gramaticalidade não pode ser identificada com a noção de dotado de significado (assim como ela também não apresenta nenhuma relação com a noção de ordem de aproximação estatística). ainda que tal manual tenha certamente de se basear nos resultados da teoria lingüística. enfatizamos os seguintes pontos: o máximo que podemos razoavelmente esperar da teoria lingüística é que ela forneça um procedimento de avaliação de gramáticas. ativas. Em particular.10. A teoria da estrutura lingüística não pode ser confundida com um manual de procedimentos úteis para a descoberta de gramáticas. tendo encontrado um conjunto de transformações que convertem sentenças gramaticais em sentenças gramaticais. em termos da estrutura sintagmática. Podemos simplificar em muito a descrição do inglês e obter novos e importantes esclarecimentos sobre sua estrutura formal se limitarmos a descrição direta. como um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita não é aceitável. possivelmente repetidas. independente da semântica.

é necessário (mas não suficiente. embora as considerações semânticas sistemáticas sejam aparentemente inúteis para a sua determinação. descobrimos que o comportamento aparentemente irregular de algumas palavras (por exemplo. existe uma seqüência de regras transformacionais que convertem seqüências com estrutura sintagmática em novas seqüências. “have” (ter). Para uma transformação ser aplicada a uma seqüência. de forma 99 . Em outras palavras. parece que a noção de “compreender uma sentença” deve ser parcialmente analisada em termos gramaticais. em certo sentido. às quais as regras morfofonêmicas podem se aplicar. encontramos muitas correlações importantes. incluindo o nível transformacional onde as sentenças nucleares subjacentes de uma dada sentença podem ser pensadas. um resultado do estudo formal da estrutura gramatical é que podemos esclarecer um quadro sintático que pode servir de apoio a uma análise semântica. a partir dos quais essa sentença é construída. “seem” (parecer)) não passa de um caso regularidade em um nível superior. contudo. como “os elementos básicos de conteúdo”. e é questionável afirmar que os mecanismos gramaticais disponíveis na língua sejam usados de maneira suficientemente consistente a ponto de ser possível atribuir a eles significado diretamente. Como conseqüência imediata da tentativa de construir a gramática mais simples possível do inglês em termos de níveis abstratos desenvolvidos na teoria lingüística. Para compreender uma sentença. evidentemente) reconstruir sua representação em cada nível. Em um número significativo de casos. em um sentido não compartilhado pelas regras transformacionais. e muitos pares de sentenças recebem representações semelhantes ou idênticas em algum nível. mas para aplicar as regras não transformacionais. As regras de estrutura sintagmática e as regras morfofonêmicas são básicas. as representações duplas (construções de homonímia) correspondem à ambigüidade da sentença representada e uma representação semelhante ou idêntica surge em casos de semelhança intuitiva entre enunciados. A noção de “significado estrutural”. Também descobrimos que muitas sentenças recebem dupla representação em algum nível. De maneira mais geral. “be” (ser/estar). oposta a “significado lexical”. devemos conhecer um pouco da história da derivação desta seqüência. parece ser bastante suspeita. A descrição do significado pode se referir de maneira proveitosa a este quadro sintático subjacente. Ainda assim.reconstruir a estrutura sintagmática e uma seqüência de regras morfofonêmicas que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. é suficiente conhecer o formato da seqüência em que a regra irá ser aplicada. Conectando essas seqüências.

100 . ou .bastante natural. preocupada com a sintaxe e a semântica e seus pontos de conexão. entre a estrutura sintática e o significado. os mecanismos gramaticais são usados de maneira bem sistemática. em outras palavras. Essas correlações poderiam formar parte do objeto de pesquisa de uma teoria mais geral da linguagem.

Ele tem um vocabulário finito de símbolos (no nível fonêmico. simbolizada por +. no nível fonêmico. S. Às vezes. Assim. Fora do nível fonêmico. come. temos os elementos vocabulares the. utilizamos maior espaçamento com esse mesmo objetivo. Um nível lingüístico é um método de representar os enunciados. (37iii)) invertendo os dois primeiros segmentos.. utilizamos itálico ou aspas para os símbolos do vocabulário e ara as seqüências representando os símbolos. como no exemplo que acabamos de ver. utilizamos o hífen para indicar a subdivisão de uma seqüência que é imposta por uma certa transformação. suprimimos o símbolo de concatenação + e usamos as barras oblíquas habituais. etc. e podemos formar a seqüência the + boy + S + come + past (que seria convertida pelas regras morfofonêmicas na seqüência de elementos / /) representando o enunciado “the boys came” (os garotos vieram). W para representar variáveis nas seqüências.11. Nenhum desses mecanismos notacionais tem qualquer relevância sistemática. Na discussão sobre as transformações. por exemplo. Y. iremos apresentar um breve quadro das convenções notacionais e terminológicas novas ou menos familiares que utilizamos. past. a (119) they – have – en + arrive 101 . Z. chamamos este vocabulário de alfabeto da língua) que pode ser colocado em uma seqüência linear para formar seqüências de símbolos através de uma operação chamada concatenação. Procedemos dessa forma para chamar uma atenção especial à subdivisão do enunciado que estamos estudando em um dado momento. Assim. no nível morfêmico em inglês. boy. Às vezes. eles foram introduzidos apenas por motivos de clareza da exposição. Utilizamos X. queremos dizer que ela se aplica. utilizamos o hífen no lugar do sinal de adição (+) para simbolizar a concatenação. APÊNDICE I – NOTAÇÕES E TERMINOLOGIA Neste apêndice. quando dizemos que a transformação de pergunta Tint se aplica de maneira particular a uma seqüência da forma (118) SN – have – en + V (cf.

finalmente.já que they (eles) é um SN e arrive (chegar) é um V nessa seqüência. Uma regra da forma X Y deve ser interpretada como a instrução “reescreva X como Y”. pela primeira vez: (122) SN SV T N SNsing SNpl [∑. A lista seguinte mostra as páginas em que ocorreram os símbolos especiais não S ∅ passado Af # A wh Adj SP Prt Comp 102 . a b. Então. “have they arrived?” (eles chegaram?). onde X e Y são seqüências. O resultado da transformação nesse caso será (120) have – they – en + arrive e. F] Aux V C M en b + c. Usamos os parênteses para indicar que um elemento pode ou não ocorrer e as chaves (ou uma listagem) para indicar uma escolha entre os elementos. ambas as regras (121i) e (121ii) (121) (i) a (ii) a b (c) b+c b são abreviações para o par de alternativas: a mencionados acima.

read. 103 . SNsing 5. 22. take. walk. SV 3. must 8.Verbo Estrutura Transformacional: Uma transformação é definida pela análise estrutural das seqüências a que ela se aplica e pela mudança estrutural que ela provoca nessas seqüências. nota 12) (p.12. ball. M SN + VP (13i) (13iii) (p. nota 12) (13iv) (13v) (28i) (28ii) (28iii) (28iv) Verbo + SN SNsing SNpl T+N+∅ T+N+S the man. nota 12) (p. V 10. separamos aqui os exemplos de regras da gramática do inglês que desempenharam um papel importante ao longo de nossa discussão. Aux 11. O número à esquerda fornece a ordenação apropriada das regras. T 7. 22. shall. C(M) (have + en) (be+ing) will. 22. Aux + V hit. Estrutura Sintagmática: ∑: # Sentença # F: 1. APÊNDICE II – EXEMPLOS DE REGRAS SINTAGMÁTICAS E TRANSFORMACIONAIS DO INGLÊS Para facilidade de referência. SN 4. may. O número que aparece entre parênteses à direita de cada regra é o número que a regra aparece no texto. etc. N 9. Certas regras foram modificadas de seu formato original no texto devido a decisões subseqüentes ou para apresentar maior sistematicidade. etc. Sentença 2. can. imaginando que esse esquema corresponda a um esboço de uma gramática da fora (35). SNpl 6.

Tfacsep – opcional: Análise estrutural: X – V1 – Prt – SN Mudança estrutural: a mesma de 13 15. SN – C + have __ ... Passiva – opcional: Análise estrutural: SN – Aux – V – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 (34) 13.. (41) a (43)) 104 X1 – X2 – A – X3 X1 – X2+ n’t – X3 (37) (29i) (85) (86) (92) X1 – X2 – X4 – X3 X4 – X2+ be + en – X3 – by + X1 .... (45) a (47)) Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 18. TA – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf. SN – C + be __ .. Tint – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf.12. Análise estrutural: SN – C + M __ . Transformação de Número – obrigatória Análise estrutural: X – C – Y S no contexto SNsing __ Mudança estrutural: C ∅ em outros contextos Passado em qualquer contexto 16.Pronome X – V2 – Comp – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 14. Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 17. Tobsep – obrigatória: Análise estrutural: X – V1 – Prt .. Tneg – opcional: SN – C – V.

Transformação do pulo do afixo – obrigatória Análise estrutural: X – Af – v – Y (onde Af é qualquer C ou é en ou é ing.) e Z e W são segmentos de seqüências terminais. SN.Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 X2 – X1 – X3 19. ou é have ou be) (29ii) X1 – X3 – X2 # – X4 Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 21. SV. Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4 – X5 – X6) 24. nota 38). v é qualquer M ou V. etc. Transformação de introdução de do – obrigatória Análise estrutural: # – Af Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – do + X2 Transformações generalizadas: 23. wh + nome não indicado wh + X1 – X2 onde wh + nome animado what 20. Tso: (48) a (50) de S 2: a mesma de 16 105 X1 – X2 + and + X5 – X3 Análise estrutural: de S 1: Z – X – W Análise estrutural: de S 1: a mesma de 16 . Tw – opcional e condicionada por Tint: Tw1: Análise estrutural: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: a mesma de 18 (60i) Tw1: Análise estrutural: SN – X (60ii) Mudança estrutural: X1 – X2 who (cf. Transformação de limite de palavra – obrigatória: Análise estrutural: X – Y (onde X ≠ v ou Y ≠ Af) Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – # X2 (29iii) 22. Conjunção (26) de S 2: Z – X – W onde X é um elemento mínimo (por exemplo.

X5 – X6 – X7) X5 – X1 + X4 + X2 – X7 X3 – to + X2 – X5 Estrutura morfofonêmica: Regras (19). que ficou conhecido como modelo transformacional. Veja as referências citadas na nota 24 para um desenvolvimento mais detalhado e para uma aplicação da análise transformacional. isto é. X4 – X5 – X6) – X4 X1 – X2 – X3 – and – so – X5 A Tso é na verdade composta pela transformação de conjunção. essa ordem seria indicada em todas as três seções. 25. pelo menos na parte transformacional. como em (35): regras de estrutura sintagmática. terminando em uma seqüência de fonemas da língua analisada. em uma gramática formulada adequadamente. regras transformacionais (incluindo as transformações simples e as generalizadas) e regras morfofonêmicas. A ordem das regras é essencial e. Transformação de Nominalização Ting: Idêntica a 25. Transformação de Nominalização TAdj: Análise estrutural: de S 1: Art – N – is . algo sobre a dependência condicional entre as regras. 27. etc. Temos então três conjuntos de regras.Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3. Transformação de Nominalização Tto: Análise estrutural: de S 1: SN – SV de S 2: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: (X1 – X2. O resultado da aplicação de todas essas regas é uma derivação estendida (como (13)-(30)(31)). Não desenvolvemos a maquinaria suficiente para apresentar todas as regras de maneira apropriada e uniforme. (45). juntamente com uma distinção entre as regras obrigatórias e as opcionais e. nota 38.Adj de S2: a mesma de 25 Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4. o modelo préaspects: Regras Sintagmáticas ⇓ Marcadores sintagmáticos subjacentes ⇓ Transformações ⇓ Sentenças derivadas . com o ing no lugar do to na mudança estrutural. Essa formulação das regras transformacionais deve ser entendida apenas como sugestiva. X3 – X4 – X5) 26. nota 35. em um enunciado gramatical. 106 [u24] Comentário: Temos então o modelo de gramática proposto por Chomsky.

M. Proceedings of the symposium on information theory. M. Tese de Doutorado. N. Language (New York. 1 (1949). Bloch. 65-80. S. vol. Language 24.. IT-2. N. 8. “A set of postulates for phonemic analysis”. 1933). Language 30. “Semantic considerations in grammar”. “The strategy of phonemics”. N. vol. 242-56 (1953). Linguistics Today. n. p. 197-209 (1954).REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Y. Harris. 13. Fowler. “Three models for the description of language”. … 107 . B. 3-46 (1948). 1956 N. Chomsky. 1956). N. N. vol. I. The logical structure of linguistic theory (mimeografado). Analysis. 230-7 (1954). N. R. Transformational analysis. Chomsky. Chomsky. Chomsky. Goodman. University of Pennsylvania (1955). 1951). “Logical syntax and semantics”. Bar-Hillel. Resenha de Z. Monograph n. “On likeness of meaning”. “On accent and juncture in English”. Halle. Methods in structural linguistics (Chicago. “On some differences about meaning”. “Systems of syntactic analysis”. Chomsky. n. Goodman. Word 10. Analysis. N. M. 1951). F. Transactions on Information Theory. The structure of appearance (Cambridge. 4 (1953). Journal of Symbolic Logic 18. 10. Chomsky. N. E. 141-53 (1955). For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. Bloomfield. Lukoff. Sept. Goodman. L. Halle.

2000. • 108 . Conhecendo Chomsky e a Gramática Gerativa 2. A.Para o leitor moderno de Chomsky Há inúmeros livros. 1986. Eles variam no grau de dificuldade de acordo com o número de estrelas que recebem ( = leitura acessível. Nesta seção. BAKER. R. 1988. Knowledge of language. 1997. Algumas obras são bastante introdutórias. Oxford: Blackwell. Por isso. The atoms of language – the mind’s hidden rules of grammar. • BORSLEY. Obras Fundamentais 3. Nova York: Prager. N. Oxford: Oxford University Press. M. • • • CARNIE. destacamos alguns livros e manuais introdutórios ao programa gerativista. o mesmo sistema vale para os livros das demais seções). Syntactic theory: a unified approach. Principles and parameters – an introduction to syntactic theory. C. CULICOVER. Trabalhando com Semântica 4. artigos e manuais sobre Noam Chomsky ou sobre o programa gerativista. = leitura intermediária. P. CONHECENDO CHOMSKY E A GRAMÁTICA GERATIVA Nesta seção. New York: Basic Books. destacamos alguns livros e manuais que podem ser uma boa sugestão de leitura para o leitor que está começando seus caminhos em pesquisa lingüística de cunho gerativo. Syntax: a generative introduction. Language and problems of language – the Managua lectures. CHOMSKY. N. CHOMSKY. Language and thought. = leitura avançada. resolvemos classificar cada sugestão de leitura em algumas categorias: 1. 2001. Cambridge: MIT Press. London: Moyer Bell. London: Oxford University Press. N. Trabalhando com Fonética/Fonologia 1. 2002. outras são mais avançadas. • • CHOMSKY. 1999.

Linguistic theory in America: the first quarter-century of transformational generative grammar. PERINI. KOCH. Transformational Grammar: a first course. R. 1993. Cambridge: MIT Press. meaning. A gramática gerativa: introdução ao estudo da sintaxe portuguesa. São Paulo: Cultrix. Cambridge: Cambridge University Press. 1984. 1982. Introduction to government and binding theory. Cambridge: Cambridge University Press. E. A. Syntax: a minimalist introduction. Sintaxe gerativa do português. 1997. 1988. LOBATO. LIGHTFOOT. MIT Press. Foundations of language: brain. Novo manual de sintaxe. grammar. M. HARRIS. 1986. Transformational syntax: a student’s guide to Chomsky’s extended standard theory. 1976. 1975. RADFORD. D. Lisboa: Caminho. Cambridge. J. I. 1981. Teoria da gramática. RAPOSO. NIVETTE. 1995. J. Princípios de gramática gerativa. A. Nova York: Academic Press. F. Oxford: Oxford University Press. Lingüística aplicada ao português: sintaxe. 2004. L. RADFORD. et al. São Paulo: Cortez. NEWMEYER. Rhyme and reason: an introduction to minimalist syntax. SOUZA e SILVA. C. C. Florianópolis: Insular. Belo Horizonte: Vigília. M. C. Mass. RADFORD. evolution. A faculdade da linguagem. Iniciação metódica à gramática gerativa. The linguistic wars. São Paulo: Pioneira. • • • • • • • • • • • • • • • • 109 . Análise sintática: teoria geral e descrição do português. L.• HAEGEMAN. J. Belo Horizonte: Vigília. JACKENDOFF. R. LEMLE. URIAGEREKA. 1977. The language lottery: toward a biology of grammars. 1992. A. 1993. Cambridge: Cambridge University Press. Oxford: Blackwell. São Paulo: Ática. 1980. P. New York: Oxford University Press. da teoria-padrão à teoria da regência e ligação. MIOTO. 1998.. A. 2002. NIQUE. V.

Origins of phrase structure. Reidel. Adverbs and functional heads. Barriers.2. • • • • • • CHOMSKY. 1995. (Eds. Dordrecht: D. N. The logical structure of linguistic theory. • CHOMSKY.). Cambridge: MIT Press. M. Cambridge: MIT Press. 1981. P. N. G. The Hague: Mouton. Lectures on government and binding. CHOMSKY. The minimalist program. destacamos algumas obras que marcaram sua história no desenvolvimento do programa gerativista. CHOMSKY. K. 1968. 1968. CHOMSKY. S. Harvard University. • JACOBSON. 1988. 1955. Connectedness and binary branching. • JACKENDOFF. 1965. N. 1981. 1982. X’ syntax: a study of phrase structure. PhD Thesis. • JACKENDOFF. Dordrecht: Foris. Semantic interpretation in generative grammar. • • KAYNE. N. M. PULLUM. Aspects of the theory of syntax. MS. Ray. R. PhD Thesis. 1987. 1957. CHOMSKY. The nature of syntactic representation. The sound pattern of English. Cambridge: MIT Press. Cambridge: MIT Press. The English noun phrase in its sentential aspect. OBRAS FUNDAMENTAIS Em “obras fundamentais”. 1977. Cambridge: MIT Press. G. Massachusetts: MIT. • CINQUE. 1972. N. Timothy Angus.. que ajudaram a construir os próprios fundamentos da teoria. R. P.. 1999. Chicago: University of Chicago Press. 1984. Nova York: Harper and Row. • 110 . HALLE. • BAKER. STOWELL. Nova York: Oxford University Press. Massachusetts: MIT. CHOMSKY. Dordrecht: Foris. ABNEY. N. Incorporation: a theory of grammatical functional changing. N. São textos já clássicos na área. Syntactic structures.

• 111 . HALLE. M. Languages of the mind. 1993. R. Nova York: Harper and Row. • JACKENDOFF. Gennaro. • JACKENDOFF. Semântica. Cambridge: MIT Press. Cambridge: MIT Press. Cambridge MA & Oxford UK. M. R.3. 1972. ?? • KENSTOWICZ. • JACKENDOFF. The sound pattern of English. Blackwell. Semantic interpretation in generative grammar. Cambridge: MIT Press. R. Semantics in generative grammar. 1968. TRABALHANDO COM FONÉTICA/FONOLOGIA Esta seção é dedicada a trabalhos de Fonética e Fonologia influenciados pelo gerativismo. 1983. CHOMSKY.. Semantics and Cognition. Phonology in generative grammar. 4. Oxford: Blackwell. 1994. R. • CHIERCHIA. KRATZER..language and human nature. Patterns in the mind . I. Londrina: Eduel. • JACKENDOFF. Londres: Harvester-Wheatsheaf. 1998. TRABALHANDO COM SEMÂNTICA Destacamos alguns trabalhos semânticos dentro do paradigma gerativista (ou que fazem alguma interface com o programa gerativo). • HEIM. 2003. A. 1992. N.

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