Estruturas Sintáticas

Noam Chomsky

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Em 2007, a publicação do já clássico Syntactic Structures, de Noam Chomsky completou 50 anos. Noam Chomsky foi considerado, em 2005, o intelectual de maior influência do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista britânica Prospect (Umberto Eco e Richard Dawkings ocuparam a segunda e terceira posição, respectivamente). Seus trabalhos estão entre os 10 mais citados na história da ciência (de acordo com uma pesquisa do Institute for Scientific Information, Chomsky está atrás apenas de Marx, Lenin, Shakespeare, Aristóteles, a Bíblia, Platão e Freud)1 e, entre 1980 e 1992, Chomsky foi o intelectual vivo mais citado em trabalhos acadêmicos, de acordo com o Arts and Humanities Citation Index. Por isso, esta obra de Chomsky dirige-se a um público-alvo abrangente, como acadêmicos de Letras, de Lingüística, de Ciências da Computação e Informática, de Psicologia e de Matemática. Espero que esta edição traduzida e comentada possa se tornar uma boa maneira de um leitor do século XXI passar a conhecer as idéias fundamentais de Noam Chomsky e seu programa gerativista no estudo da faculdade da linguagem, iniciado há mais de 50 anos.

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Cf. KESTERTON, Michael. Social studies. The Globe and Mail. 11 de fevereiro de 1993.

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Noam Chomsky e o Syntactic Structures – o autor e a obra Avram Noam Chomsky (nascido na Filadélfia, no dia 7 de dezembro de 1928) é atualmente professor de Lingüística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Ele foi o responsável por uma revolução teórica e metodológica na Lingüística, nos anos 1950. Além disso, sua influência se estende também a outros domínios, como as Ciências Sociais e Políticas, as Ciências Cognitivas, a Psicologia, a Informática e a Filosofia. Syntactic Structures (publicado pela primeira vez em 1957) é resultado de seus estudos durante seu doutoramento na Universidade da Pennsylvania, sob a orientação do eminente lingüista Zellig Harris. Sua tese de Doutorado, de 1955, The Logical Structure of Linguistic Theory, acabou sendo publicada vinte anos mais tarde. É nessas duas obras, Syntactic Structures e The Logical Structure of Linguistic Theory que Chomsky lança as bases do que se tornará o programa de investigação lingüística que mais influenciaria a Lingüística no século XX, o programa gerativista. Publicado em 1957, Syntactic Structures completou recentemente 50 anos. A obra ganhou apenas uma publicação em português, em 1980, pela Edições 70 de Lisboa.

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A procura de uma formulação rigorosa em Lingüística se inscreve dentro de uma motivação bastante mais séria do que uma simples preocupação com sutilezas lógicas ou com um desejo de depurar métodos fortemente enraizados de análise lingüística. da estrutura lingüística. no próprio processo de descoberta. a material lingüístico sem que tentem se evitar certas conclusões inaceitáveis por meio de ajustes ad hoc ou de uma formulação inconsistente. a uma conclusão inaceitável. como no sentido estrito (em que se opõe à fonologia e à morfologia). uma determinada teoria. Veremos que tanto um determinado modelo teórico de linguagem. se chama “análise de constituintes imediatos”. Os resultados aqui apresentados foram obtidos a partir de uma tentativa consciente de seguir sistematicamente esse caminho. Ao chegar. abrangendo grande parte daquilo a que hoje. e de exploração dos fundamentos de tal teoria. de uma forma estrita. os objetivos da 4 . automaticamente. De forma mais positiva.Prefácio Este estudo trata da estrutura sintática. através de uma formulação rigorosa mas inadequada. Noções obscuras e intuitivas não conduzem a conclusões absurdas nem tão pouco ao fornecimento de resultados novos e corretos. Acredito que alguns dos lingüistas que puseram em causa o valor de um desenvolvimento preciso e técnico da teoria lingüística não terão. É importante salientar aqui este fato. analisaremos três modelos da estrutura lingüística. uma teoria formalizada poderá. pelos que falham em dois importantes aspectos. já que a apresentação informal que adotamos poderia obscurecêlo. baseado na comunicação e extremamente simples. rigorosamente. tanto negativo como positivo. torna-se freqüentemente possível detectar a causa exata dessa inadequação e. aplicando-a depois. procurando determinar as suas limitações. tanto no sentido lato (em que se opõe à semântica). Ele faz parte de uma tentativa de construção de uma teoria geral. chegar a uma compreensão mais profunda dos dados lingüísticos. a partir daí. reconhecido as potencialidades produtivas de um método que consiste em formular. não servem. fornecer soluções para problemas que ultrapassam o âmbito daqueles para que foi explicitamente elaborada. A construção de modelos precisos para a estrutura lingüística pode desempenhar um papel importante. Especificamente. como um modelo mais poderoso. de maneira geral. formalizada. de forma adequada. possivelmente.

Este trabalho foi subsidiado em parte pelos Exército dos Estados Unidos (USA Army – Signal Corps). indo além daqueles fenômenos para os quais ela foi especificamente planejada. transformacional. de forma que eu não tentarei assinalá-las com referências especiais. desenvolvido entre 1951 e 1955. mencionados anteriormente. embora sumariamente esboçado. constituiu a base de grande parte da discussão que segue. Quando formulamos a teoria das transformações de maneira cuidadosa e a aplicamos livremente ao inglês. pela Força Aérea Americana (Air Force – Office of Scientific Research. está desenvolvido nos números 15. na sua quase totalidade. vemos que ela lança uma luz sobre uma grande variedade de fenômenos. beneficiei-me das longas e freqüentes discussões com Zellig S. a formalização pode efetivamente desempenhar ambos papes. A investigação e aplicação desses modelos esclarece alguns fatos de estrutura lingüística e revela diversas lacunas na teoria lingüística. Israel Scheffer e Yehoshua Bar-Hillel leram versões anteriores deste texto e fizeram valiosas críticas e comentários na apresentação e no conteúdo. Durante todo o processo desta pesquisa. O trabalho sobre a teoria das transformações e a estrutura transformacional do inglês que. Muitas das idéias e sugestões dele estão incorporadas tanto no texto que segue. V.descrição gramatical. que é mais poderoso do que o modelo de constituintes imediatos em certos pontos importantes. 5 . enquanto eu era um Junior Fellow da Society of Fellows na Universidade de Harvard. o positivo e o negativo. como na investigação que o precedeu. a impossibilidade de dar conta de certas relações entre sentenças. Quine. 16 e 19 das Referências Bibliográficas. Em resumo. Harris. e em parte pela National Science Foundation and the Eastman Kodak Corporation. como a relação ativapassiva. Eu discuti muito deste material com Morris Halle e me beneficiei muito de seus comentários e sugestões. foi. Eu gostaria de expressar a minha gratidão a Society of Fellows por terem me dado a liberdade para levar a cabo esta pesquisa. cuja perspectiva diverge parcialmente da minha. para a estrutura lingüística. O trabalho de Harris sobre a estrutura transformacional. Eric Lenneberg. Talvez de forma menos evidente. o rumo desta pesquisa foi fortemente influenciado pelos trabalhos de Nelson Goodman e W. a saber. e que dá conta de tais relações de maneira natural. Air Research and Development Command) e pela Marinha (Navy – Office of Naval Research). Desenvolveremos um terceiro modelo.

6 . Mass.NOAM CHOMSKY Massachusetts Institute of Technology Department of Modern Languages and Research Laboratory of Electronics Cambridge. 01 de agosto de 1956.

[O21] Comentário: O livro de Chomsky teve uma boa e imediata repercussão no mundo acadêmico em grande parte por causa de uma resenha contundente de R. Cf. Lees. resultados explícitos que podem ser comparados com novos dados e outras intuições. a possibilidade de construção de gramáticas com essa forma. Finalmente. nem outra filosofia especulativa sobre a natureza do Homem e da Linguagem. LEES. constituindo um certo método para a representação de enunciados. os lingüistas deverão ter em consideração o problema da determinação das propriedades básicas fundamentais de gramáticas adequadas.1. INTRODUÇÃO A sintaxe é o estudo dos princípios e processos que presidem à construção de sentenças em línguas particulares. uma teoria abrangente de linguagem que possa ser entendida no mesmo sentido em que uma teoria química ou biológica é comumente entendida em Química ou Biologia. (p. Um nível lingüístico como a fonologia. De maneira geral. R. 2 7 . 377-8). disponíveis para a construção de gramáticas. Uma função dessa teoria é fornecer um método geral de seleção de uma gramática para cada língua. e nós tentaremos mostrar que uma teoria lingüística deve conter pelo menos esses níveis de análise. tudo baseado plenamente em uma teoria explícita da estrutura interna das línguas”. nós iremos sugerir que esta investigação puramente formal da estrutura da língua tem algumas implicações interessantes para os estudos semânticos2. publicada na revista Language ainda em 1957. considerando uma sucessão de níveis lingüísticos de complexidade crescente. investigando. Não é uma mera reorganização de dados em um formato de catálogo bibliotecário. com teoremas derivados desse sistema. se ela pretende fornecer. que correspondem a modos de descrição gramatical cada vez mais poderosos. O estudo sintático de uma determinada língua tem como objetivo a construção de uma gramática. O resultado final dessas investigações deverá ser uma teoria da estrutura lingüística em que os mecanismos descritivos utilizados em gramáticas particulares serão apresentados e estudados de maneira abstrata. para línguas naturais. É possível determinar a adequação de uma teoria lingüística através do desenvolvimento rigoroso e preciso da forma da gramática correspondente ao conjunto de níveis abrangidos por essa teoria. o livro de Chomsky é “uma das primeiras tentativas sérias de um lingüista para construir. Estudaremos diversas concepções diferentes de estrutura lingüística dessa maneira. a morfologia ou o nível sintagmático é essencialmente um conjunto de mecanismos descritivos. sem referência específica às línguas particulares. dado um corpus de sentenças da língua. uma gramática satisfatória do inglês. que pode ser encarada como um mecanismo de produção das sentenças da língua em questão. é antes uma explicação rigorosa de nossas intuições sobre a linguagem em termos de um sistema axiomático explícito. no capítulo 6. dentro da tradição de desenvolvimento de teorias. Lagnguage 33 A motivação para a orientação particular desta pesquisa que reportamos aqui é discutida adiante. que sejam simples e reveladoras. em seguida. Para Lees. em particular. A noção central da teoria lingüística é a de “nível lingüístico”. “Review of Chomsky”.

Note que para atingir os objetivos da gramática.2. Isto é. Nesta os propósitos desta discussão. quer na sua forma oral. quer na sua forma escrita são línguas nesse sentido. por exemplo. contudo. para estabelecer significativamente os objetivos da gramática. nesta discussão. uma vez que cada língua natural possui um número finito de fonemas (ou de letras no seu alfabeto) e que cada sentença pode ser representada como uma seqüência finita desses fonemas (ou letras). 5-6. basta assumir um conhecimento parcial de sentenças e não-sentenças.. que determinadas seqüências de fonemas são claramente sentenças e que outras seqüências não o são. um mecanismo que gera todas as seqüências gramaticais de L e nenhuma das seqüências agramaticais. Uma forma de testar a adequação de uma gramática proposta para L consiste em determinar se as seqüências que ela gera são efetivamente gramaticais ou não.1 A partir de agora. Esta é uma característica familiar de explicação3. Nós. o conjunto de “sentenças” de qualquer sistema matemático formalizado pode ser considerado uma língua. todas elas de extensão finita e construídas a partir de um conjunto de elementos. é suficiente que se tenha um conhecimento 3 8 . mais de forma mais geral. O objetivo fundamental. Todas as línguas naturais. admitiremos. suponha que nós assumimos um conhecimento intuitivo a respeito das sentenças gramaticais do inglês e perguntemos que tipo de gramática poderá produzir essas sentenças gramaticais de uma maneira eficiente e reveladora. p. o conceito de “gramatical”. A INDEPENDÊNCIA DA GRAMÁTICA 2. Em muitos casos intermediários. Note que. Nós podemos seguir alguns passos para conseguir um critério de comportamento para a gramaticalidade. 1951). Goodman. para que tal teste possa funcionar. The structure of appearance (Cambridge. então. não teremos dúvidas em deixar a decisão à própria gramática. Um certo Cf. aceitáveis por um falante nativo. o conceito de “gramatical em inglês” e. Da mesma forma. embora o número de sentenças seja infinito. dada uma teoria lingüística. na análise lingüística de uma língua L é o de distinguir as seqüências gramaticais que são sentenças de L das seqüências agramaticais que não são sentenças de L e estudar a estrutura das seqüências gramaticais. entenderei por língua um conjunto (finito ou infinito) de sentenças. N. de maneira a incluir as sentenças claras e excluir as seqüências que são claramente não-sentenças. enfrentamos uma tarefa familiar: a de explicar alguns conceitos intuitivos – nesse caso. então. A gramática de L será. quando ela estiver construída da forma mais simples. etc. isto é.

para todas as gramáticas. uma exigência razoável. com base em “o que é mais a simplicidade das leis com que nós descrevemos e extrapolamos o que é”. cada gramática relaciona-se com o corpus de sentenças da língua que descreve de uma forma previamente fixada. isso pode ser generalizado como uma condição bastante forte. pode produzir ou entender um indefinido número de novas sentenças. Há muito mais que pode ser dito sobre esse tópico crucial. Temos assim um teste de adequação bastante forte para uma teoria lingüística que tenta fornecer uma explicação geral da noção de “sentença gramatical” em termos de “sentença observada” e para o conjunto de gramáticas construídas de acordo com essa teoria. capítulo 6. por uma determinada teoria lingüística. Em primeiro lugar. em seu conjunto. From a logical point of view [Cambridge. 9 . parcial das sentenças (isto é. já que não estamos interessados apenas em línguas particulares. já que uma teoria lingüística irá estabelecer a relação entre o conjunto observado de sentenças e o conjunto das sentenças gramaticais. baseado em uma experiência finita e acidental com a língua. certas propriedades das sentenças observadas e certas propriedades das gramáticas. Isto é. se exigirmos que os casos claros sejam tratados de maneira eficaz. sejam construídas pelo mesmo método. Cf. que. qualquer caracterização de “gramatical em L” em termos de “enunciado observado em L”) pode ser pensado como oferecendo uma explicação para esse aspecto fundamental do comportamento lingüístico. definirá “sentença gramatical” em termos de “sentenças observadas”. isto é. uma gramática reflete o comportamento do falante. mas isso nos levaria muito longe. um corpus) da língua. 54). seção 6.2 Baseados em que nós podemos separar as seqüências gramaticais das seqüências agramaticais? Eu não tentarei dar uma resposta completa para essa pergunta aqui (cf. Nesse sentido. já que várias gramáticas diferentes poderiam tratar de maneira eficaz os casos claros. uma teoria lingüística dará uma explicação geral para aquilo que “poderia” ser em uma língua. além do mais. É.1. Para usar a formulação de Quine. em cada língua. Claramente qualquer explicação da noção de “gramatical na língua L” (isto é. Qualquer gramática de uma língua irá projetar o corpus finito e mais ou menos acidental de enunciados observados em um conjunto (presumivelmente infinito) de enunciados gramaticais. Cf. é óbvio que o conjunto de frases gramaticais não pode se identificar com um corpus qualquer de enunciados recolhido pelo lingüista em seu trabalho de campo. p. Contudo. V. (W. Quine. por gramáticas que.número de casos claros irá fornecer um critério de adequação para qualquer gramática particular. mas também na natureza geral da Linguagem. Para uma língua isolada. mas eu gostaria de salientar que diversas respostas que imediatamente nos ocorrem podem não estar corretas. 2. esse teste de adequação é fraco. 1953]. os capítulos 6 e 7).

essas sentenças seriam excluídas com base nos mesmos motivos. Tais exemplos sugerem que qualquer procura que seja baseada em semântica. a noção de “gramatical em inglês” não poderá ser identificada. um falante do inglês irá ler (1) com uma entonação normal de sentença. em qualquer modelo estatístico voltado para a gramaticalidade. mas qualquer falante do inglês reconhecerá que só a primeira é gramatical. A primeira publicação que utilizou o asterisco para marcar sentenças agramaticais apareceu apenas três anos depois. com "The grammar of English nominalizations". nós teremos de levar a teoria de estrutura sintática um bocado além de seus limites conhecidos. de maneira alguma. Formal grammar and information theory: together again?. Logo. como igualmente “remotas” em inglês. publicada em 1960. por uma definição de “gramaticalidade” será fútil.3 Em segundo lugar. Volume 2: Mathematics and computability of language. Pereira afirma que a sentença (2) é 200.2. Essas sentenças podem ser traduzidas como (1) Incolores idéias verdes dormem furiosamente. elas não "seriam excluídas com base nos mesmos motivos. 2. mas antes que nós consigamos encontrar uma explicação para tais fatos. ele conseguirá se lembrar de (1) muito 10 [O23] Comentário: As sentenças (5) e (6) são agramaticais. de R. JOHNSON. (3) have you a book on modern music? (4) the book seems interesting. Parece razoável aceitar que nem a sentença (1) nem a sentença (2) (e nenhuma parte dessas sentenças) tenha ocorrido em inglês. As sentenças (1) e (2) são igualmente desprovidas de sentido. (2) Furiosamente dormem idéias verdes incolores.4 Em terceiro lugar. embora sem sentido. enquanto (2) não é.000 vezes menos provável de ocorrer em um corpus do inglês do que a sentença (1). www.. [O22] Comentário: A sentença (1) ficou tão famosa que até recebeu uma entrada na maior enciclopédia virtual da atualidade. mas apenas (3) e (4) são sentenças gramaticais do inglês.language and information into the 21st century. O falante tratará cada palavra de (2) como um sintagma isolado. é gramatical. Amsterdan / Philadelphia: John Benjamins. Ainda assim. com a de “alta ordem de aproximação estatística em inglês”. no capítulo 7. em seu artigo "Formal grammar and information theory: together again?". seguindo notação comum hoje. 2002. Vendo essas sentenças. Cf. Bruce E. F. (5) read you a book on modern music? (6) the child seems sleeping. não há motivo semântico para que se prefira (3) a (5) ou (4) a (6). Stephen B. a Wikipedia. mas não são marcadas pelo asterisco (*). (2) Furiously sleep ideas green colorless. a noção de “gramatical” não poderá se identificar com as noções de “dotado de sentido” ou de “significativo” em qualquer sentido semântico. . [O24] Comentário: Essa afirmação de Chomsky foi recentemente contestada por Fernando Pereira. PEREIRA. The legacy of Zellig Harris . Nós iremos ver. com o mesmo padrão de entonação dado a qualquer seqüência de palavras que não apresentem relação entre si.wikipedia. Da mesma forma.org. In: NEVIN. (1) Colorless green ideas sleep furiously. De maneira semelhante. como igualmente 'remotas' em inglês". (1). Cf. que existem razões estruturais profundas para distinguir (3) e (4) de (5) e (6). na verdade. mas irá ler (2) com uma entonação falha em cada palavra. Lees. Logo.

Ainda assim. 5 Cf. etc. conseguirá decorá-la mais rapidamente. eles parecem não ter relevância direta ao problema de determinar ou caracterizar o conjunto de enunciados gramaticais. digamos. as palavras “whale” (baleia) e “of” (de) podem ter a mesma freqüência (ou seja. enquanto (2) nunca seria. 4 11 . apelar para o fato de que sentenças como (1) “poderiam” ser produzidas em um contexto suficientemente rebuscado. irá resultar em uma sentença gramatical. e não a outra. Vemos. p. parece que não existe uma relação específica entre nível de proximidade e gramaticalidade. 10. Então. Para escolher um outro exemplo. zero) na experiência lingüística passada de um falante que irá imediatamente reconhecer que uma dessas substituições. no contexto “I saw a fragile_” (Eu vi uma frágil_). (1) e (2) estarão em diferentes níveis de gramaticalidade até mesmo se (1) ficar em um nível inferior de gramaticalidade do que. Se ordenarmos as seqüências de uma determinada extensão de acordo com o grau de sua aproximação estatística com o inglês. encontraremos tanto seqüências gramaticais como agramaticais dispersas ao longo da lista.mais facilmente do que (2). já que a base para essa diferença entre (1) e (2) é precisamente o que estamos interessados em determinar. a capacidade de produzir e reconhecer enunciados gramaticais não é baseada em noções de aproximação estatística e coisas do gênero. mas elas estarão no mesmo nível remoto em inglês. (3) e (4). O mesmo acontece com inúmeros pares semelhantes. ele pode nunca ter ouvido ou visto qualquer par de palavras dessas sentenças unidas em um discurso real. É natural entender “possível” como significando “altamente provável” e assumir que a rígida distinção do lingüista entre gramatical e agramatical4 é motivada por um sentimento de que. evidentemente. contudo que essa idéia é bastante incorreta e que uma análise estrutural não pode ser entendida como um resumo esquemático desenvolvido a partir de melhorias nas formas do quadro estatístico. Hockett. Mas não há por que nos determos nesse ponto aqui. por impossível e todas as probabilidades altas de possível”5. Apesar do inegável interesse e importância dos estudos semânticos e estatísticos da linguagem. 1955). Evidentemente. iremos sugerir que essa distinção rígida pode ser modificada para favorecer uma noção de níveis de gramaticalidade. O costume de se considerar como sentenças gramaticais aquelas que “podem ocorrer” ou que são “possíveis” tem sido responsável por algumas confusões. A manual of phonology (Baltimore. Não podemos. ele deve se contentar com uma versão esquematizada. já que a “realidade” da língua é complexa demais para ser completamente descrita. Acredito que devemos concluir que a gramática é autônoma e independente do significado e que os modelos Mais adiante. trocando a “probabilidade zero e todas as probabilidades extremamente baixas.

que para qualquer n.probabilísticos não fornecem nenhum esclarecimento sobre alguns dos problemas básicos da estrutura sintática6. não conheço nenhum sugestão a esse respeito que não apresente falhas óbvias. em particular. Por exemplo. “On a class of skew distribution functions”. e o desenvolvimento de modelos probabilísticos para o uso da língua (distintos da estrutura sintática da língua) pode ser bem compensador. Biometrika 42. onde . para a relação entre estudos sintáticos e estudos probabilísticos da língua. A. eu não me preocuparia em mostrar que qualquer relação desse tipo é impensável. nós podemos encontrar uma seqüências cujas primeiras n palavras podem ocorrer como o começo de uma sentença gramatical S1 e cujas últimas n palavras possam ocorrer como o final de alguma sentença gramática S2. Retornamos à questão da relação entre sintaxe e semântica nos capítulos 8 e 9. irão encontrar numerosos fatos como esses. Simon. 6 12 . Cf. Poder-se-ia tentar desenvolver uma relação mais elaborada entre a estrutura estatística e a estrutura sintática do que a do modelo de aproximação pela simples ordem. Certamente. mas onde S1 deve ser distinta de S2. H. 425-40 (1955). estão aqui”. considere as seqüências da forma “o homem que. em grande parte... B.. 1-27 (1954). na ordem de aproximação das seqüências das classes de palavras. baseadas na freqüência do tipo de sentença. Word 10. Diversas tentativas para explicar a relação gramatical x agramatical.. Repare também que nós podemos ter novas – e perfeitamente gramaticais – seqüências de classes de palavras. uma seqüências de adjetivos maior do que qualquer uma jamais produzida no contexto “Eu vi uma casa __”. que rejeitamos. Acredito que isso também vale. como no caso de (1) e (2). Dada a gramática de uma língua. etc. pode ser um sintagma verbal de comprimento arbitrário. por exemplo.. “Structure formelle des textes et communication: deux études”. pode-se estudar o uso da língua estatisticamente em diversas maneiras. Repare. Mandelbrot. onde nós argumentos que essa relação pode apenas ser estudada depois que a estrutura sintática tenha sido determinada em bases independentes.

3. A idéia de distinguir os "níveis de representação" dos "componentes de regras que os geram" só começa a ganhar ênfase a partir de Chomsky (1965). outro é o estado final. Chamaremos qualquer língua que pode ser produzida por uma máquina desse tipo de língua de 13 . Chamaremos de “sentença” a seqüência de palavras obtidas. Eles geralmente levam os nomes de teoria transformacional inicial. na prática. reconhecidamente.1 Assumindo-se como dado o conjunto de sentenças gramaticais do inglês. Podemos encarar cada sentença desse conjunto como sendo uma seqüência de fonemas de extensão finita. Um desses estados é o estado inicial. à tradição estruturalista bloomfieldiana e harrisiana. [O26] Comentário: Aqui aparece pela primeira vez o verbo “gerar” (generate) na obra. o lingüista cria elementos de “nível superior”. O modelo diferente é a teoria padrão estendida. a descrição lingüística procede em termos de um sistema de “níveis de representação”. por causa do debate que se inicia sobre a natureza da estrutura profunda. Aspects com a teoria padrão e Lectures on Government and Binding com seu modelo mais atual [a Teoria da Regência e Ligação à época do livro de Harris]. por basicamente duas razões: (i) os termos "fonêmico" e "morfêmico" estão também disponíveis em português e parecem mais fiéis aos termos adotados por Chomsky. já que há um número infinito de tais seqüências. que tem como texto mais importante não um de Chomsky. UMA TEORIA LINGÜÍSTICA ELEMENTAR [O25] Comentário: Traduzi “phonemic structure” e “morphemic structure” por “estrutura fonêmica” e “estrutura morfêmica”. Uma condição que a gramática necessariamente deve ter é a de ser finita. a idéia de que a fonologia" é um "componente de regras" que gera "representações gramaticais" só ganha nitidez na segunda metade da década de 60 .. 3. (ii) adotar esses termos é mais fiel à história da terminologia lingüística. como morfemas. em 1968. em que se fala de "estrutura morfêmica" e "estrutura fonêmica" como "níveis de análise". é associado com algum texto importante de Chomsky: Estruturas sintáticas (ou mais propriamente The logical structure of linguistic theory) com a teoria inicial.). teoria padrão estendia e teoria da regência e ligação. Por esse motivo (entre outros). Suponhamos que nós temos uma máquina que pode passar por um número finito de diferentes estados internos e que transita de um estado para outro pela emissão de um determinado símbolo (digamos. mas um de Jackendoff: Semantic interpretation in generative grammar (1972)”. que tipo de teoria dá conta da estrutura desse conjunto de enunciados adequadamente). a gramática não pode ser simplesmente uma lista de todas as seqüências de morfemas (ou de palavras). Pode-se ver facilmente que a descrição conjunta desses dois níveis será muito mais simples do que uma descrição direta da estrutura fonêmica das sentenças. isto é. e estabelece separadamente a estrutura morfêmica das sentenças e a estrutura fonêmica dos morfemas. agora podemos perguntar que tipo de mecanismo pode produzir esse conjunto (em outras palavras.. Vamos considerar agora diversas maneiras de descrever a estrutura morfêmica das sentenças. Veremos que tipo de gramática é necessário para gerar todas as seqüências de morfemas (ou palavras) que constituem as sentenças gramaticais em inglês – e apenas elas. Uma língua é um enorme sistema intrincado. que traz estrutura “fonológica” e “morfológica”. uma vez que o Syntactic Structures deve muito. com exceção de um. ao contrário da edição portuguesa. Um conhecido modelo teórico de linguagem usado na comunicação sugere uma solução para essa dificuldade. uma palavra do inglês). Admitamos que a máquina comece no estado inicial. Cada um desses modelos. assim. passe sucessivamente por uma série de estados (produzindo uma palavra em cada transição) e termine no estado final. Logo. teoria padrão. Chomsky (1955) utiliza essa a mesma terminologia. Portanto. o conjunto de sentenças que podem ser produzidas dessa maneira. e parece bem óbvio que qualquer tentativa de apresentar diretamente esse conjunto de seqüências gramaticais de fonemas levaria a uma gramática tão complexa que seria. em The Sound Pattern of English. uma determinada língua. O Estruturas sintáticas é considerado o livro fundamental do primeiro modelo da gramática gerativa. Ao invés de apresentar a estrutura fonêmica das sentenças diretamente. Cabe aqui uma citação de Harris (1993: 171-2): “O desenvolvimento teórico de Chomsky normalmente é conhecido por ser pontuado por quatro modelos gramaticais principais (. Cada máquina desse tipo define. inútil. Grifos do autor.

Por exemplo.. 15f. E. p.. um tipo de processo estocástico de tempo discreto. P.. Uma gramática de estados finitos pode ser representada graficamente na forma de um “diagrama de estados”7.estados finitos. 1949). Ao atingirmos determinado ponto no diagrama. nós podemos seguir pelo caminho que parta desse ponto. 22 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Nós podemos estender essa gramática para produzir um número infinito de sentenças. The mathematical theory of communication (Urbana.. adicionando um looping fechado. “the old old man comes” (o velho velho homem vem). 14 . 23 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Dado um diagrama de estados.. 7 C. P. Nós podemos permitir a transição de um estado a outro de diversas maneiras e podemos ter qualquer número de loopings fechados de qualquer extensão. “the old old men come” (os velhos velhos homens vêm). Cada nó em tal diagrama corresponde. “the old men come” (os velhos homens vêm). a gramática que produz apenas as duas sentenças “the man comes” (o homem vem) e “the men come” (os homens vêm) pode ser representada pelo seguinte diagrama de estados: (7) VER GRÁFICO (7). a gramática finita da subparte do inglês contendo as sentenças vistas mais as sentenças “the old man comes” (o velho homem vem). podem ser representadas pelo seguinte diagrama de estados: (8) VER GRÁFICO (8). medida pela probabilidade de se encontrar nos [O27] Comentário: Andrey Andreyevich Markov (14 de janeiro de 1856 – 20 de julho de 1922) foi um matemático russo bastante conhecido por sua teoria das “Cadeias de Markov”. sempre seguindo o caminho das setas. As máquinas que produzem línguas dessa maneira são conhecidas matematicamente como “processos de Markov de estados finitos”. Para completar esse modelo teórico básico de comunicação para a linguagem. nós atribuímos uma probabilidade para cada transição de estado para estado. então. nós produzimos uma sentença seguindo um caminho do ponto inicial à esquerda até o ponto final à direita. Assim. Weaver.. indiferentemente se esse caminho já tenha sido percorrido anteriormente para construir a sentença em questão. . Podemos assim calcular a “incerteza” associada com cada estado e podemos definir o “conteúdo da informação” da língua como a incerteza média. Shannon & W. a um estado da máquina. e podemos chamar a própria máquina de gramática de estados finitos.

1955). Esse é essencialmente o modelo de linguagem que Hockett desenvolve em A manual of phonology (Baltimore. 02. (9) afirma que não é possível estabelecer diretamente a estrutura morfêmica de sentenças por meio de algum mecanismo como um diagrama de estados. é necessário definir as propriedades sintáticas do inglês de maneira mais precisa. é desnecessário tentar mostrar isso com exemplos. isto é. ao menos para os propósitos da gramática. Já que estamos estudando a estrutura gramatical. 3. como o inglês ou um sistema formalizado da matemática. passando depois para um segundo estão que limita a escolha da segunda palavra. Ao produzir uma sentença. podemos ver os falantes como sendo essencialmente uma máquina desse tipo. 8 15 . de construir um mecanismo do tipo que descrevemos há pouco (um diagrama como (7) ou (8)) que produza todas e apenas as sentenças gramaticais do inglês. Cada estado por que ele passa representa as restrições gramaticais que limitam a escolha da próxima palavra naquele ponto da enunciação8. Quer dizer. tendo em vista a seguinte observação geral sobre o inglês: (9) O inglês não é uma língua de estados finitos. é impossível. o falante começa no estado inicial. e que a concepção de língua baseada no processo de Markov que esboçamos não pode ser aceita. o conjunto finito de símbolos com que se constroem as suas sentenças) e das suas sentenças gramaticais. Nós passaremos a descrever determinadas propriedades sintáticas do inglês que indicam que. Para demonstrar (9).estados associados. Se pudermos adotá-la. produz a primeira palavra da sentença. Qualquer tentativa para construir uma gramática de estados finitos para o inglês enfrenta sérias dificuldades e complicações desde o início. Dada a generalidade dessa concepção de língua e sua utilidade em disciplinas afins como a teoria da comunicação. sob qualquer delimitação razoável do conjunto de sentenças do inglês. essa generalização não nos interessará. Essa concepção da linguagem é extremamente poderosa e geral. Contudo. etc. e não estatística.2 Uma língua define-se a partir de seu “alfabeto”. não apenas difícil. como o leitor facilmente pode verificar. da língua aqui. Para voltarmos à pergunta levantada no segundo parágrafo do capítulo 3. (9)pode ser considerado como um teorema relativo ao inglês. é importante se perguntar sobre as conseqüências de adotar esse ponto de vista no estudo sintático de algumas línguas.

. R.. aaabbb. em (11ii). e. (ii) Ou S3. aabaab.. . baba. aabbaa. bb. e.. Proceedings of the symposium on information theory. Da mesma forma.. S2.. mas estão encaixados em outras seqüências.. nós não podemos ter “ou” no lugar de “então”. para um esclarecimento dessas condições e uma prova para (9). bbbb. E.. todas as sentenças que consistem de n ocorrências de a seguidas por n ocorrências de b – e apenas elas. Mas está claro que existem subpartes do inglês com a forma básica de (10i) e (10ii). todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X seguida por uma “imagem em espelho” de X (isto é. . meu artigo “Three models for the description of language”. Transactions on Information Theory. bbb. por causa dos parênteses pareados ou restrições equivalentes. Em cada um desses casos. ou S4.. (iii) O homem que disse que S5 está chegando hoje. Então nós podemos ter sentenças como as seguintes: (11) (i) Se S1.. Sept. que o conjunto de fórmulas bem formadas de qualquer sistema formalizado da matemática ou da lógica não irá constituir uma língua de estados finitos. aaaa. (iii) aa. abab. aabb. em geral. IT-2. I. vamos considerar diversas línguas cujos alfabetos contêm apenas as letras a e b e cujas sentenças são definidas como aparece em (10i-iii): (10) (i) ab. abbbba. há uma dependência entre as palavras de cada lado 9 Cf. em (11iii). . . línguas como (10). nós não podemos ter “estão” no lugar de “está”. aaaa. 16 . Sejam S1. em condições gerais9... escapam à definição de língua de estados finitos. sentenças declarativas em inglês.Antes de investigamos o inglês diretamente. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X de as e bs seguida de uma seqüência idêntica de X – e apenas elas. abbabb. em particular. em geral. então S2. Repare. baab. Em (11i). vol. onde os as e os bs em questão não são consecutivos. S3. Nós podemos facilmente mostrar que cada uma dessas três línguas não é uma língua de estados finitos. nós não podemos ter “então” no lugar de “ou”. X de maneira inversa) – e apenas elas. (ii) aa. bb. em geral. 1956. e. abba.

“o homem” – “está”). E S5 em (11iii) pode novamente ser uma das sentenças de (11). que. ou S4. enquanto sentenças contradizem as dependências referidas em (11) (por exemplo. Então. É difícil de conceber qualquer possível motivação para excluí-las do conjunto de sentenças gramaticais do inglês.da vírgula (isto é. “se for o caso de”. S5 e essa sentença declarativa pode ser. de fato. Está claro. serão bem estranhas e incomuns (elas podem muitas vezes ter sua estranheza atenuada se trocarmos “se” por “sempre que”. Um conjunto de sentenças que é construído dessa forma (e nós vemos em (11) que existem diversas possibilidades disponíveis para tais construções – (11) não chega perto de exaustar as possibilidades) terá todas as propriedades a imagem de espelho de (10ii) que excluem (10ii) do conjunto de línguas de estados finitos. sem alterar a parte essencial de nossas observações). então S1”. uma sentença daquelas em (11i-iii). Dessa forma. então. onde há uma dependência entre a e b. em inglês. Mas elas são todas sentenças gramaticais. assumindo que sentenças como (11) e (12) pertençam ao inglês. etc. então selecionar como S2 uma seqüência dessa forma. se em (11i) tomarmos S1 como (11ii) e S3 como (11iii). então (11iii). Então. S3. e nós podemos selecionar como S1 uma outra seqüência contendo c + S2 + d. “ou” – “ou”. Essa é uma indicação grosseira dos passos a seguir para uma demonstração rigorosa de (9). então S2. formadas por processos de construção de sentenças tão simples e elementares que até mesmo a gramática mais rudimentar do inglês poderia contê-las. onde há uma dependência entre c e d. nós podemos encontrar uma seqüência a + S1 + b. Mas entre palavras interdependentes. etc. etc. as condições em que elas podem ser verdadeiras. nós podemos inserir uma sentença declarativa S1. Elas podem ser entendidas. podemos encontrar vários tipos de modelos de estados não finitos dentro do inglês..) não pertencem ao inglês. “assumindo que”. etc. 17 . em cada caso. de forma extremamente simples. Repare que muitas das sentenças da forma de (12). teremos a seguinte sentença: (12) Se. “se” – “então”. parece bem claro que não há teoria de estrutura lingüística baseada exclusivamente nos modelos dos processos de Markov e similares que poderá explicar ou dar conta da habilidade de um falante do inglês para produzir e compreender sentenças novas e rejeitar outras novas seqüências que não pertençam à língua. e poderíamos mesmo estabelecer. “Ou S3.

podemos provar a inaplicabilidade literal dessa teoria elementar. já que será possível listar as sentenças. uma limitação das sentenças do inglês a uma extensão de um milhão de palavras. Se ela produzir apenas sentenças do inglês. de certa forma. Em geral. Se esses processos não têm um limite finito. nós podemos ter certeza de que haverá um número infinito de sentenças verdadeiras. Pelo menos um nível lingüístico não pode ter essa estrutura simples. Mas essa gramática será tão complexa que será de pouco ou nenhum interesse. então a construção de uma gramática de estados finitos não estará literalmente fora de questão. para um valor fixo de n. etc. pode gerar um infinito número de sentenças. não será o caso que cada sentença seja 18 . obviamente. na gramática de estados finitos) ela será proibitivamente complexa. perguntas razoáveis. Acontece que existem processos de formação de sentenças com os quais as gramáticas de estados finitos não estão intrinsecamente aptas a lidar. Tais limitações arbitrárias são. Se uma gramática não contiver mecanismos recursivos (loopings fecahdos. Se ela tiver mecanismos recursivos de alguma forma. Em resumo. ela irá produzir igualmente muitas não-sentenças.3 Nós poderíamos arbitrariamente decretar que processos de formação de sentenças em inglês como aqueles que discutimos não podem ser utilizados mais do que n vezes. a abordagem para a análise de gramaticalidade sugerida aqui em termos de um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita parece levar a um beco sem saída da mesma forma como as propostas rejeitadas no capítulo 2.3. Vimos que uma teoria tão linguisticamente limitada não é adequada. Isso iria. Uma gramática de estados simples é o tipo mais simples de gramática que. com uma quantidade finita de mecanismos. em algum nível. por exemplo. sentenças falsas.. A concepção de gramática que acabou de ser rejeitada representa. como em (8). A noção de “nível lingüístico de representação” apresentada no começo desta seção deve ser modificada e elaborada. Se esses processos têm um limite. a suposição de que línguas são infinitas é feira para simplificar a descrição dessas línguas. tal como faria. contudo. que ela simplesmente não produzirá. a mínima teoria lingüística que merece uma consideração séria. e uma lista é essencialmente uma gramática de estados finitos trivial. despropositadas. ela irá produzir infinitamente muitas sentenças. tornar o inglês uma língua de estados finitos. Se uma gramática desse tipo produz todas as sentenças do inglês. Quer dizer. somos forçados a procurar algum outro tipo mais poderoso de gramática e uma forma mais “abstrata” de teoria lingüística.

19 .. que parece inútil seguir essa abordagem mais adiante. etc. além de um conceito mais geral de “nível lingüístico”. da esquerda para a direita em termos de um único nível (isto é. se é uma língua de estados finitos). nós precisamos métodos fundamentalmente diferentes. mas para gerar línguas de estados não finitos como o inglês. construído de tal forma que possamos gerar todos os enunciados. Se uma língua pode ser descrita de uma maneira elementar. nós propusemos que os níveis fossem estabelecidos dessa maneira a fim de simplificar a descrição do conjunto das seqüências gramaticais de fonemas. gerada da esquerda para a direita por algum mecanismo simples.representada simplesmente como uma seqüência finita de elementos de algum tipo. Cf. meu artigo “Three models for the description of language” para uma discussão mais detalhada. mas gerando ao menos um desses níveis da esquerda para a direita por um mecanismo com maior capacidade do que a de um processo de Markov de estados finitos. Mas eles são talvez menos poderosos do que o tipo de mecanismo que seria necessário para uma geração direta da esquerda para a direita do inglês. estabelecendo as seqüências permitidas de elementos do nível mais elevado. As gramáticas que discutimos abaixo que não geram da esquerda para a direita também correspondem a processos menos elementares do que os processos de Markov de estados finitos. estabelecendo finalmente a constituição fonêmica de elementos do penúltimo nível10. 10 Uma terceira alternativa seria a de manter a noção de um nível lingüístico como um simples método linear de representação. Devemos desistir da esperança de encontrar um conjunto finito de níveis ordenados do superior ao inferior. tanto em termos de complexidade de descrição como em falta de poder explicativo (cf. Há tantas dificuldades com a noção de nível lingüístico baseado em geração da esquerda para a direita. capítulo 8). No começo do capítulo 3. . então essa descrição pode verdadeiramente ser simplificada com a construção de tais níveis mais elevados. a constituição de cada elemento do nível mais elevado em termos de elementos de segundo nível.

De acordo com Menuzzi & Othero (2005: 39). baseando-se em um modelo formal de gramática”.] No contexto da Lingüística Computacional. etc. Y de (13) como a instrução (vi) Verbo Suponhamos que nós interpretamos cada regra X “reescreva X como Y”. [. (14) Sentença SN + SV T + N + SV T + N + Verbo + SN (i) (ii) (iii) As regras numeradas da gramática do inglês a que constantemente faremos referência nas páginas seguintes estão reunidas e organizadas adequadamente no capítulo 12. Como um simples exemplo da nova forma de gramática associada à análise de constituintes.4. parsing diz respeito à interpretação automática (ou semi-automática) de sentenças de linguagem natural por meio de programas de computador conhecidos como parsers. de atribuir às sentenças a sua estrutura de constituintes. a homem. Esses programas são capazes de classificar morfossintaticamente as palavras e expressões de sentenças em uma dada língua e. já é um termo de uso consagrado em Lingüística hoje. T+N Verbo + SN o.. pegou. da Lingüística Computacional e do Processamento de Linguagem Natural. além de não ter uma tradução adequada para o português. Apêndice II. Descobriremos que a nova forma de gramática é essencialmente mais poderosa que o modelo de estados finitos rejeitado anteriormente e que o conceito de “nível lingüístico” associado a ela é diferente em aspectos fundamentais. ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 4. entretanto. Grifos dos autores. Veremos agora qual forma de gramática está pressuposta numa descrição desse tipo. Com o avanço da Inteligência Artificial. onde os números à direita de cada linha da derivação se referem à regra da “gramática” (13) usada para construir a linha a partir de uma linha precedente11. “o termo vem da expressão latina pars orationes (partes do discurso) e tem suas raízes na tradição clássica. bola. a descrição lingüística no nível sintático é formulada em termos de análise em constituintes (parsing). chutou. etc. Apêndice I. principalmente. 11 20 . As convenções notacionais que utilizaremos ao longo da discussão da estrutura do inglês estão no capítulo 11. o termo parsing foi adquirindo novo significado.1 Habitualmente.. considere o seguinte: (13) (i) Sentença (ii) SN (iii) SV (iv) T (v) N SN + VP [O28] Comentário: A palavra parsing. Podemos chamar (14) de uma derivação da sentença “o homem chutou a bola”.

Mas homem chutou não pode ser 21 . a terceira linha é formada a partir da segunda linha pela reescrita de SN como T + N. O diagrama (15) traz apenas o que é essencial em (14) para a determinação da estrutura sintagmática (análise de constituintes) da sentença derivada “o homem chutou a bola”. a segunda linha de (14) é formada a partir da primeira linha pela reescrita de Sentença como SN + SV. Uma seqüência de palavras dessa sentença é um constituinte do tipo Z se nós podemos reconstituir essa seqüência até um único ponto de origem em (15). A partir de (14). mas o contrário não é verdadeiro. de acordo com a regra (i) em (13). Podemos representar a derivação (14) de uma maneira óbvia através do seguinte diagrama: (15) Sentença SN SV T N Verbo SN o homem chutou T N a bola O diagrama (15) traz menos informação do que a derivação (14). Logo. de acordo com a regra (ii) de (13). etc. já que é possível construir uma derivação reduzível a (15) com uma ordem diferente na aplicação das regras. então “chutou a bola” é um SV na sentença derivada. e esse ponto de origem for rotulado Z.o + N + Verbo + SN o + homem + Verbo + SN o + homem + chutou + SN o + homem + chutou + T + N o + homem + chutou + a + N o + homem +chutou + a + bola (iv) (v) (vi) (vii) (viii) (ix) Assim. já que ele não nos diz em que ordem as regras foram aplicadas em (14). nós podemos construir unicamente (15). “chutou a bola” pode ser reconstituído até o SV em (15).

Assim. em uma gramática mais completa. (13ii) terá de ser reformulado para incluir SNsing e SNpl. 210-33 (1954).reconstituído a nenhum ponto de origem em (15).1 para alguns exemplos de homonímia construcional. Language 23. R. se desejamos limitar a reescrita de X como Y ao contexto Z – W. vem. Por exemplo. isto é. Dizemos que duas derivações são equivalentes se elas se reduzem ao mesmo diagrama da forma (15). de validade duvidosa. 13 Então. Nessas circunstâncias. A identificação do afixo número-pessoal verbal e nominal é. meu The logical structure of linguistic theory (mimeografado). “Three models for the description of language”. dizemos que temos um caso de “homonímia construcional”12 e. F. Uma característica de (13) deve. Da mesma forma. “Two models of grammatical description”. no caso de verbos no singular e no plural. Linguistics Today. 22 . Word 10. Verbo pode ser reescrito “chuta” se o substantivo precedente for homem. nós podemos estabelecer a seguinte regra na gramática: (16) Z + X + W Z + Y + W. 81-117 (1947) para uma discussão mais detalhada. se nossa gramática estiver correta. na verdade. podemos ter (17) SNsing + Verbo SNsing + chuta Indicando que o Verbo é reescrito como chuta apenas no contexto SNsing– . ser preservada. mas não se ele for plural. Ocasionalmente. meninos). mas não se for homens. Em geral. como aparece em (17): apenas um elemento pode ser reescrito em cada regra. Uma generalização de (13) é se faz evidentemente necessária. Retornaremos à importante noção de homonímia construcional mais adiante. contudo. “Immediate constituents”. Devemos poder limitar a aplicação de uma regra a um determinado contexto. seção 8. S. Wells. logo “homem chutou” não é um constituinte. ao invés de termos Verbo chuta como uma regra adicional de (13). (13ii) poderia ser substituído por um conjunto de regras que incluísse as seguintes: SNsing SN SNpl SNsing T + N + ∅ (+ Sintagma Preposicional) SNpl T + N + S (+ Sintagma Preposicional) onde S é o morfema singular para verbos e plural para substantivos (“comes”. “boys”. essa sentença da língua deverá ser ambígua. Hockett. C. da mesma forma. em 12 Cf.13 Essa é uma generalização direta de (13). uma gramática pode nos permitir a construção de derivações não equivalentes para uma determinada sentença. Cf. Omitiremos qualquer menção a primeira e segunda pessoa nesta discussão. T pode ser reescrito a se o substantivo seguinte for singular.

Embora X não precise ser um símbolo único. que descrevem alguma língua. começando com uma seqüência inicial de Σ e com cada seqüência na série que está sendo derivada da seqüência precedente. Se uma seqüência é a última linha de uma derivação terminada. Assim. mas nós iremos nos preocupar apenas nas gramáticas que tenham seqüências terminais. F] podem não ter seqüências terminais. Se essa condição não for respeitada não conseguiremos reconstruir a estrutura de sintagmática das sentenças derivadas a partir dos diagramas associados da forma (15) de maneira correta. e a série de seqüências de cinco termos constituída das cinco primeiras linhas de (14) também é uma derivação. Verbo. Cada gramática é definida por um conjunto finito Σ de seqüências iniciais e um conjunto finito F de “fórmulas de instrução” com a forma X Y sendo interpretadas como “reescreva X como Y”. e F era constituído pelas regras (i) – (vi). definimos a derivação como uma série finita de seqüências. F]. Na gramática (13). Algumas derivações são chamadas de derivações terminadas. dizemos que ela é uma derivação terminal. por exemplo. aplicando uma das fórmulas de instrução de F. como vimos 23 . no sentido de que a sua seqüência final não pode mais ser reescrita pela aplicação das regras F. Dada a gramática [Σ. podemos reconstruir a estrutura sintagmática de cada sentença da língua (cada seqüência terminal da gramática) se considerarmos os diagramas associados da forma (15). Dada uma língua terminal e sua gramática. (14) é uma derivação terminada. Algumas gramáticas da forma [Σ. mas poderíamos querer estender Σ. para incluir. F]. cada uma dessas gramáticas define uma língua terminal (talvez a língua “vazia”. e não uma seqüência como T + N. Assim.(16). Nós podemos descrever agora de maneira mais geral a forma de gramática associada à teoria da estrutura lingüística baseada na análise de constituintes. o+homem+chutou+a+bola é uma seqüência terminal da gramática (13). não contendo nenhuma sentença) e cada língua terminal é produzida por uma gramática da forma [Σ. Um conjunto de seqüências é chamado de uma língua terminal se for o conjunto de seqüências terminais para uma gramática [Σ. como fizemos anteriormente. X deve ser um símbolo único como T. F]. (14) é uma derivação. isto é. Dessa forma. somente um símbolo de X pode ser reescrito para formar Y. Assim. mas a seqüência das cinco primeiras linhas de (14) não é. o único membro do conjunto Σ das seqüências iniciais era o símbolo Sentença. Sentença Declarativa e Sentença Interrogativa como símbolos adicionais.

Como exemplos de línguas terminais que não são línguas de estados finitos. 15 Cf. F].14 O que este teorema quer dizer é que a descrição em termos de estrutura sintagmática é essencialmente mais poderosa do que a descrição em termos da teoria elementar apresentada no capítulo 3. Podemos também definir nessas línguas as relações gramaticais de uma maneira formal. mas existem línguas terminais que não são línguas de estado finito. 14 24 .. F] em (18): (18) Σ: Z F: Z Z ab aZb Essa gramática tem a seqüência inicial Z (como (13) tem a seqüência inicial Sentença) e ela tem duas regras. em termos dos diagramas associados. Pode-se ver facilmente que cada derivação terminada construída a partir de (18) acaba como uma seqüência da língua (10i) e que todas essas seqüências são produzidas dessa forma. chamamos a atenção para o fato de que as línguas (10i) e (10ii) correspondem a subpartes do inglês e que.anteriormente. o modelo de Markov de Cf. Information and Control 2. encontramos as línguas (10i) e (10ii). a menos que as regras incorporem restrições contextuais. aaabbb. Agora estamos considerando línguas terminais que são geradas por sistemas da forma [Σ. conseqüentemente. meu artigo “On certain formal properties of grammars”.. línguas da forma (10ii) podem ser produzidas por gramáticas [Σ.2 No capítulo 3. . Teorema: Toda língua de estado finito é uma língua terminal. 4. discutidas no capítulo 3. No entanto. que consiste em todas e somente as seqüências ab. F]. Assim. a língua (10i).15 No capítulo 3. nós estudamos línguas denominadas “línguas de estados finitos”. Esses dois tipos de línguas estão relacionadas da seguinte maneira. aabb. o meu artigo “Three models for the description of language” para provas deste e de outros teoremas relacionados sobre o poder relativo das gramáticas. pode ser produzida pela gramática [Σ. (10iii) não pode ser produzida por uma gramática desse tipo. que eram geradas por processos de Markov de estados finitos. 133-167 (1959). De maneira semelhante.

A estrutura de constituintes deve ser considerada como um único nível. Não podemos estabelecer uma hierarquia entre as várias representações de “o homem chutou a bola”. É importante observar que ao descrever essa língua. a estrutura sintagmática. Isso é esse fato essencial sobre a estrutura sintagmática que dá a ela seu caráter “abstrato”. aabb é um Z e a própria aaabbb é um Z16. que poderiam ocorrer em outras derivações equivalentes a (14) no sentido ali definido. com um conjunto de representações para cada 16 Onde “é um” é a relação definida na seção 4. não podemos subdividir o sistema da estrutura de constituintes em um conjunto finito de níveis. é exigido por algum nível lingüístico. essa seqüência particular contém três “sintagmas”. possui o caráter fundamentalmente diferente e não trivial que. assumida como um nível lingüístico. como vimos no último parágrafo do capítulo 3. não há qualquer maneira de ordenar os elementos SN e SV relativamente um ao outro. bem como por seqüências como SN+Verbo+SN. Por exemplo. ordenado do maior ao menor. a seqüência terminal “o homem chutou a bola” é representada pelas seqüências Sentença+SN+SV. uma língua extremamente trivial. cada um dos quais é um Z. cada seqüência terminal tem muitas representações diferentes. Os sintagma nominais são contidos pelos sintagmas verbais. No nível da estrutura sintagmática. e os sintagmas verbais são contidos pelos sintagmas nominais em inglês. Assim. no caso de (18). Agora. cada sentença da língua é representada por um conjunto de seqüências e não por uma única seqüência. mas mostramos que grandes partes do inglês que literalmente não podem ser descritas em termos de modelo de processos de estados finitos pode ser descrita em termos de estrutura sintagmática. dos morfemas ou das palavras. Por exemplo. no caso de (13). obviamente. com uma representação para cada sentença em cada um desses subníveis. Repare que. Observe também que. podemos dizer que na seqüência aaabbb de (10i). podemos ver que o modelo de estrutura sintagmática não falha em tais casos. por exemplo. Não provamos a adequação do modelo de estrutura sintagmática. T+N+SV e todas as outras linhas de (14). Dessa forma. 25 . no caso de (13) e (18) (como em qualquer sistema de estrutura sintagmática).estados finitos não é adequado para o inglês.1 em termos de diagramas como (15). nós introduzimos um símbolo Z que não está contido nas sentenças dessa língua. portanto. T+N+chutou+SN. como acontece no nível dos fonemas. ab é um Z. Essa é.

3 Suponha que. Há uma correspondência um-para-um entre os conjuntos de representações adequadamente escolhidos e os diagramas da forma (15). ou nós derivaremos formas como /teyk/ como sendo o passado do verbo take.sentença da língua. os elementos que aparecem nas regras em (19) podem ser classificados em um conjunto finito de níveis (por exemplo. por exemplo. Mas essa operação (a que poderíamos chamar de morfofonêmica da língua) pode também ser obtida por um conjunto de regras da forma “reescreva X como Y”. nós devemos estabelecer a estrutura fonêmica desses morfemas de modo que a gramática produza as seqüências gramaticais de fonemas da língua... no caso das primeiras. Podemos agora estender as derivações de estrutura sintagmática aplicando (19). para que tenhamos um processo unificado para gerar séries de fonemas a partir da seqüência inicial Sentença. a distinção não é arbitrária. como vimos. não precisamos mais que um único símbolo seja reescrito em cada regra. morfofonemas e morfemas).. (iii) deve preceder (v) ou (vii). cada um dos quais é elementar no sentido 26 . as propriedades formais das regras X Y correspondentes à estrutura sintagmática são diferentes das regras morfofonêmicas. deve. Em primeiro lugar..Csur/ + passado (vi) passado (vii) take etc. 4. nós possamos gerar todas as seqüências gramaticais ou morfemas de uma língua. /d/ /teyk/ ou algo semelhante.. Na verdade. fonemas e morfemas. A fim de completar a gramática.Csur/ + /t/ (onde Csur é uma consoante surda) (ii) take + passado (iii) hit + passado (iv) /.. Repare que ordem deve ser definida entre essas regras – por exemplo. ou talvez fonemas.D/ + passado (v) /.. Isso faz parecer que a separação entre o nível mais elevado de estrutura sintagmática e o nível mais baixo é arbitrária..os exigir que apenas um único símbolo seja reescrito. para o inglês: (19) (i) walk /wçk/ /tuk/ /hit/ /. com uma gramática [Σ. Nessas regras morfofonêmicas.D/ + /Id/ (onde D = /t/ ou /d/) /. Em segundo lugar. F]. já que.

27 . e é fácil mostrar que uma elaboração mais aprofundada na forma da gramática é necessária e possível. Assim. Mas esse refinamento nos leva a problemas que não fazem parte do escopo deste estudo. a gramática poderá produzir não-sentenças. desejaríamos certamente que todas as regras da forma (17) se aplicassem antes de qualquer regra que nos permita reescrever SN como SN+Preposição+SN. Mas os elementos que aparecem nas regras correspondentes à estrutura sintagmática não podem ser classificadas em níveis mais superiores e inferiores dessa mesma maneira. e cada uma dessas seqüências representa uma única sentença. como “os homens perto do caminhão começa a trabalhar às oito”. Veremos mais adiante que existe uma razão ainda mais fundamental para marcar essa subdivisão entre as regras de nível superior da estrutura sintagmática e as regras de nível inferior que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. como sua representação neste nível (exceto nos casos de homonímia). As propriedades formais do sistema de estrutura sintagmática dão um bom estudo. pode-se ver facilmente que seria bem vantajoso ordenar as regras do conjunto F para que algumas das regras pudessem ser aplicadas somente depois que outras já tenham sido aplicadas. Por exemplo. caso contrário.de que uma única seqüência de elementos deste nível está associada com cada sentença. ou algo semelhante.

mostra que qualquer gramática que pode ser construída nos termos dessa teoria é extremamente complexa. um modelo teórico comunicativo baseado em uma concepção de língua como um processo de Markov e. mas eu não sei se o inglês em si está ou não literalmente fora do alcance desse tipo de análise. ou seja. Vimos que o primeiro modelo é indubitavelmente inadequado para os propósitos de uma gramática e que o segundo é mais poderoso do que o primeiro e não apresenta as mesmas falhas. há línguas (em nosso sentido geral) que não podem ser descritas em termos de estrutura de constituintes. acredito que existam outros motivos para rejeitar a teoria da estrutura sintagmática como inadequada para a descrição lingüística. Uma prova mais fraca. No entanto. Evidentemente. correspondente a uma teoria lingüística mínima. A única maneira de testar a adequação de nosso aparato é tentar aplica-lo diretamente à descrição das sentenças do inglês.5. mas perfeitamente suficiente para demonstrar a inadequação de uma teoria seria mostrar que a teoria consegue ser aplicada apenas de maneira rudimentar. Exemplificar essa afirmação exigiria muito espaço e esforço. de certa forma. ad hoc e “não intuitiva”. e um modelo de estrutura sintagmática baseado em uma análise de constituintes imediatos. iremos nos encontrar em meio a diversas dificuldades e complicações.1 Nós estudamos dois modelos para a estrutura da língua. Assim que considerarmos qualquer sentença que vá além do tipo mais simples e. em particular. e eu posso apenas afirmar aqui que isso pode ser 28 . quando tentarmos definir algum tipo de ordem entre as regras que produzem essas sentenças. LIMITAÇÕES DA DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 5. A prova mais contundente possível para se provar a inadequação de uma teoria lingüística é mostrar que ela não consegue ser aplicada a uma língua natural. que alguns modos muito simples de descrição gramatical de sentenças não podem ser acomodados nas formas associadas da gramática e que certas propriedades formais fundamentais da língua não podem ser utilizadas para simplificar as gramáticas. Podemos juntar um bom bocado de evidências desse tipo em favor da tese de que a forma de gramática descrita anteriormente e a concepção de teoria lingüística que subjaz a ela são fundamentalmente inadequadas.

Por exemplo.mostrado de maneira bastante convincente. Esta segunda sentença. F]. (20) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – da peça – foi em Chicago (21) a cena – do filme e da peça – foi em Chicago. onde a estrutura de constituintes é perfeitamente preservada. em geral. podemos formar a nova sentença (21). A maneira mais razoável de descrever essa situação parece ser com uma descrição do seguinte tipo: para formar sentenças perfeitamente gramaticais usando conjunções. em que a conjunção atravessa as fronteiras de constituintes. etc. falha na redução de vogais. não podemos formar (23) a partir de (22a-b). Se tivermos duas sentenças Z + X + W e Z + Y + W e se X e Y são constituintes dessas sentenças. já que essa distinção terá de ser assinalada na gramática. Por exemplo. podemos formar uma nova sentença Z – X + e + Y – W. é necessário conectar constituintes simples. se nós conectarmos pares de constituintes que forem constituintes importantes (isto é. desenvolvendo a noção de gradação de gramaticalidade. etc. elas forma uma classe de enunciados distintos de “o João adorou o livro e amou a peça”.. Por exemplo. é irrelevante para nossa discussão decidir se excluiremos ou não sentenças como “o João adorou e o meu amigo amou o livro”.2 Um dos processos mais produtivos para a formação de novas sentenças é o processo de conjunção.1. apagamento de consoantes finais em discurso corrido. e nossa conclusão de que a regra para conjunção deva fazer referência explícita à estrutura de constituintes mantém-se válida. se as incluiremos como semi-gramaticais. (21) e (23) são casos extremos em que não há dúvidas sobre a possibilidade de uma conjunção. parece óbvio que “o João adorou o livro e amou a peça” (uma seqüência com a forma SN – SV + e + SV) é uma sentença perfeitamente boa. por exemplo. marcadas por traços fonêmicos peculiares. Cf. entre o “amou” e o “o”). é muito menos natural do que sua alternativa “o João adorou o livro e meu amigo amou-o”. Tais traços marcam normalmente a leitura de seqüências não gramaticais. as sentenças resultantes serão semi-gramaticais. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma análise detalhada deste problema. 18 17 29 . Na seção 8. irei sugerir um método independente de demonstrar a inadequação da análise de constituintes como um meio de descrever a estrutura das sentenças em inglês. estiverem em uma posição alta no diagrama (15)). mas muitos questionariam a gramaticalidade de. Em todo o caso. Essa descrição requer que generalizemos a dicotomia gramatical\agramatical.17 Ao invés de seguir esse caminho árduo e ambicioso. considerando-as agramaticais. se X e Y não são constituintes. ou se as incluiremos como gramaticais com a ressalva de que elas apresentam traços fonêmicos peculiares. eu irei me limitar a esboçar alguns poucos casos simples em que melhorias consideráveis são possíveis em gramáticas com a forma [Σ. menos gramatical será a sentença resultante. mas não há nenhuma alternativa preferida à primeira sentença. como pausas demasiadamente longas (em nosso exemplo. “o João adorou e o meu amigo amou o livro” (uma seqüência da forma SN + Verbo + e + Verbo – SN). No entanto. acento contrastivo e entonação. No entanto. Tais sentenças que apresentam uma conjunção cruzando os limites dos constituintes são também. das sentenças (20a-b). quanto mais profundamente a conjunção violar a estrutura de constituintes. Há vários casos menos evidentes. 5. via de regra não podemos fazer isso18.

se no diagrama da forma (15) eles tiverem cada um uma única origem.. Por exemplo. se S3 resultar da substituição de X por X + e + Y em S1 (isto é.. então não podemos formar uma nova sentença por conjunção.. S3 = . não podemos formar (25) de (24a-b).. e S2 = . a possibilidade de conjunção oferece um dos melhores critérios para a determinação inicial da estrutura sintagmática... mas etiquetada de maneira diferente).. e X e Y forem constituintes do mesmo tipo.. se X e Y forem constituintes. a gramática estará muito simplificada se ajustarmos os constituintes de tal forma que (26) possa permanecer dessa maneira.(22) (a) o – navio desceu o – rio (b) o – rebocador subiu o – rio (23) o – navio desceu e o rebocador subiu o – rio.) Ainda que mais especificação se faça necessária aqui.Y. Podemos simplificar a descrição do processo de conjunção se tentarmos estabelecer constituintes de forma que a seguinte regra seja verdadeira: (26) Se S1 e S2 são sentenças gramaticais e S1 difere de S2 apenas pela presença de X em S1 onde Y surge em S2 (isto é. F] de estrutura sintagmática.. precisamos saber não apenas a forma real de S1 e S2. para ser aplicada às sentenças S1 e S2 para formar a nova sentença S3.. Mas agora enfrentamos a seguinte dificuldade: não podemos incorporar a regra (26) nem nenhuma regra similar em uma gramática [Σ. mas constituintes de tipos diferentes (isto é.X. ainda que aproximadamente.). A propriedade essencial da regra (26) é que. Ou seja. (24) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – que eu escrevi – foi em Chicago (25) A cena – do filme e que eu escrevi – foi em Chicago De fato. é mais fácil determinar a distribuição do “e” por meio de especificações feitas nessa regra do que fazendo diretamente.. S1 = . Da mesma forma.X + e + Y. então S3 é uma sentença. por causa de certas limitações fundamentais em tais gramáticas.. sem a regra. respectivamente em S1 e S2. como 30 .

A máquina procederá dessa forma de estado a estado até que ela finalmente produza uma seqüência terminal. mas de “cima para baixo”. ela pode produzir apenas o elemento Sentença... Em seu estado inicial. que estão contidos nesta seqüência recém produzida. o estado é determinado pelo subconjunto de elementos de Xi de F “lado esquerdo”. Então.também suas estruturas de constituintes – devemos saber não apenas o formato final dessas sentenças. Suponhamos que tenhamos a seguinte gramática de estrutura sintagmática: (27) Y pode se aplicar a ela. A gramática [Σ. Suponhamos que Yi seja a seqüência .. Então... F] se aplica ou falha em sua aplicação a uma determinada seqüência em função da substância efetiva dessa seqüência. mais especificamente. Podemos tratar o problema de maneira diferente. no sentido referido no capítulo 4. mudando para um novo estado. 31 . F] também pode ser entendida como um processo básico que gera sentenças não da “esquerda para a direita”. A máquina produz então derivações. pela última seqüência da derivação).. Mas cada regra X Y da gramática [Σ. mas também sua “história de derivação”. que pode “olhar para trás” para seqüências anteriores na derivação. Yj . é então a seqüência final.. a regra X aplicar. O que é importante aqui é que o estado da máquina é completamente determinado por uma seqüência que tenha sido recém produzida (isto é. a fim de determinar como produzir o próximo passo na derivação. a máquina conseguirá produzir a seqüência . Mas a regra (26) requer uma máquina mais poderosa. ela poderá produzir qualquer seqüência Yi tal que Sentença Yi é uma das regras de F em (27).. Saber como essa seqüência assumiu gradualmente essa forma é irrelevante. a regra não irá se Σ: Sentença F: X1 : Xn Yn Y1 Aí podemos representar essa gramática como uma máquina com um número finito de estados internos. movendo-se novamente para um novo estado. “aplicando” a regra Xj Yj. Se a seqüência contém X como uma subseqüência. incluindo um estado inicial e um estado final. caso contrário. Xj .

take. can. Ela faz referência crucial a duas sentenças distintas. Aux + V hit. Mas mesmo com a raiz verbal fixada (digamos.A regra (26) também é fundamentalmente nova em um sentido diferente. por exemplo. O fato de a regra (26) não poder ser incorporada à gramática de estrutura sintagmática indica que. Considere primeiramente os auxiliares que aparecem não acentuados. ter+sido+pego. mas não “does” em “John does read books”19. porque não há uma boa correlação com a tradução em português. F]. ela é certamente inadequada. pega. Podemos dar conta da ocorrência desses auxiliares em sentenças declarativas adicionado as seguintes regras à gramática (13): (28) (i) Verbo (ii) V (iii) Aux (iv) M [O29] Comentário: Decidi manter os exemplos originais do inglês aqui. considerada no sentido mais fraco. existem muitas outras formas que esse elemento pode assumir. na seção 7. por exemplo. mesmo que essa forma de gramática não seja literalmente inaplicável ao inglês. must 19 Retornaremos ao auxiliar acentuado “do” mais adiante. em português. Também as regras em (28) apresentam os verbos e auxiliares originais. read. etc. mostramos apenas uma maneira de analisar o elemento Verbo. Veremos que existem muitas outras regras do mesmo tipo geral de (26) que desempenham o mesmo papel duplo. como chutou (cf. Essa regra leva a uma considerável simplificação da gramática. Veremos que o comportamento deles é bastante regular e de simples descrição quando observados de um ponto de vista que é bem diferente do que desenvolvemos anteriormente. S1 e S2. walk. mas em gramáticas do tipo [Σ.1. como em pegar). “has” em “John has read the book”. não há como incorporar uma dupla referência como essa. may.3 Na gramática (13). mas suficiente que consideramos anteriormente. pegará. F]. na verdade. O estudo desse “verbos auxiliares” parece ser bastante crucial no desenvolvimento da gramática do inglês. C(M) (have + en) (b+ing) (be+en) will. ela fornece um dos melhores critérios para se determinar como estabelecer os constituintes. 32 . não apresentariam verbos auxiliares. está+sendo+pego. (13vi)). ter+pegado. etc. shall. 5. a saber. A tradução de ambas as frases. embora ele parece ser bem complexo se tentarmos incorporar esses sintagmas diretamente em uma gramática [Σ.

omitindo as etapas iniciais. (iii) Substitua + por # exceto no contexto v – Af. onde # é interpretado como fronteira de palavra21. Então: Af + v v + Af #. the+man+S+have+en+be+ing+read+the+book the+man+have+S # be+en # read+ing # the+book vezes # the # man # have+S # be+en # read+ing # the # book # (29iii) Assumimos aqui que (13ii) foi estendido da maneira como mencionamos na nota 12. 20 the+man+Verbo+the+book the+man+Aux+V+the+book the+man+Aux+read+the+book the+man+C+have+en+be+ing+read+the+book – os elementos C. interpretaríamos # como o operador de concatenação no nível das palavras.(29) (i) C S no contexto SNsing- 20 ∅ no contexto SNplpassado (ii) Seja Af qualquer um dos afixos: passado. Cf. observando as restrições contextuais estabelecidas. ou de maneira semelhante. Em (29i). 21 Se estivéssemos formulando a teoria da gramática mais cuidadosamente. S. ou have ou be (isto é. (30) de (13i-v) (28i) (28ii) (28iii) selecionamos en e be + ing. Insira # no início e no final. ing. A interpretação das notações em (28iii) é a seguinte: devemos escolher o elemento C e podemos escolher zero ou mais dos elementos entre parênteses de acordo com a ordem estabelecida. (29) seria então parte da definição de uma mapeamento que transpõe determinados objetos no nível da estrutura sintagmática (basicamente os diagramas da forma (15)) para seqüências de palavras. construímos uma derivação no estilo de (14). Como exemplo da aplicação dessas regras. Seja v qualquer M ou V. ∅. qualquer não-afixo no sintagma Verbo). have + (29i) (29ii) – três 33 . enquanto + seria o operador de concatenação no nível da estrutura sintagmática. en. podemos desenvolver Cem qualquer dos três morfemas. The logical structure of linguistic theory para uma formulação mais cuidadosa.

tivemos de contar com o fato de que the+man é um sintagma nominal singular. além disso. Retornaremos depois à questão das restrições que devem ser colocadas nessas regras para que apenas as seqüências gramaticais sejam geradas. Qualquer outro verbo auxiliar poderá ser gerado da mesma maneira. por exemplo: (32) to prove that theorem proving that theorem was difficult 34 . originando o seguinte. might. Diversas outras pequenas revisões são também possíveis. porém. Agora.As regras morfofonêmicas (19). de passagem. F] de forma ainda mais radical. Essas regras podem ser excluídas se reescrevermos (28iii) de maneira que C ou M. could. tivemos de nos reportar a uma etapa anterior na derivação para determinar a estrutura de constituintes de the+man. possa ser selecionado. Ou seja. (A alternativa que consiste em ordenar (29i) e a regra que desenvolve o SNsing em the+man de tal forma que (29i) preceda essa última não é possível. irão converter a última linha dessa derivação em: (31) the man has been reading the book. Repare. para aplicar (29i) em (30). no sentido em que convertem sintagmas verbais em sintagmas nominais. should devem ser adicionadas a (28iv) e o estabelecimento de certas “seqüências de tempo” irá se tornar mais complexo. à história da derivação) e. Então. F]. Repare que essa regra e útil em outros pontos da gramática. mas não ambos. os morfemas to e ing desempenham um papel semelhante dentro do sintagma nominal. Assim. Repare que. vai além do tipo markoviano elementar de gramáticas de estrutura sintagmática e não pode ser incorporada dentro da gramática [Σ. would. não há como expressar a inversão requerida em termos de estrutura sintagmática. É irrelevante para nossa discussão decidir qual dessas alternativas de análise será adotada. por diversas razões. algumas das quais aparecem a seguir). A regra (29ii) viola os requisitos de gramáticas [Σ. em transcrição fonêmica. as formas would. Ela também requer uma referência à estrutura de constituintes (isto é. assim como (26). SNsing. etc. pelo menos no caso em que Af é ing. que as regras morfofonêmicas devem incluir regras como as seguintes: will +S will + passado will. (29i).

como no caso da conjunção. Studies in Linguistics 10. Uma análise mais detalhada do SV mostra que esse paralelismo vai muito além disso. no sintagma verbal auxiliar. Ao que parece. 210-33 (1954). e é sempre mais fácil descrever uma seqüência de elementos independentes do que uma seqüência de elementos que sejam mutuamente dependentes. tratamos esses elementos como contínuos e introduzimos da descontinuidade com a regra adicional (29ii). no Poderíamos tentar estender a noção de estrutura sintagmática. “Two models of grammatical description”. F]22. Ao nos permitirmos a liberdade de (29ii). Mais uma vez. a saber. meu artigo “System of syntactic analysis”. bastante simples. extraindo a contribuição para esse complexo de diversos níveis lingüísticos. toda a língua. o primeiro parágrafo da seção 3. Cf. nós realmente temos elementos descontínuos – por exemplo. Acredito que tal abordagem não seja recomendada e que ela pode levar apenas ao desenvolvimento de regras ad hoc e elaborações infrutíferas. Se tentássemos alargar a gramática sintagmática de modo a que abrangesse. pudemos estabelecer a constituição do sintagma auxiliar em (28iii) sem levar em consideração a interdependência de seus elementos. se poderia tentar remediar algumas das outras deficiências de gramáticas [Σ. Hockett. F]. na verdade.etc. F. ing. Linguistics Today. 242-56 (1953). Apontamos diversas vezes que algumas dificuldades sérias aparecem em qualquer tentativa sistemática nesse sentido. Essa abordagem perderia o ponto principal da construção de níveis (cf. Em outras palavras. as noções de estrutura sintagmática são bastante adequadas a uma pequena parte da língua e que o resto da língua pode ser derivado por uma aplicação repetida de um conjunto bastante simples de transformações às seqüências produzidas pela gramática sintagmática. Da mesma forma. F] de estrutura sintagmática. cada um simples em si mesmo. através de uma formulação mais complexa da estrutura sintagmática. perderíamos a simplicidade da gramática sintagmática e do desenvolvimento transformacional. O leitor pode concluir facilmente que. Word 10.. 22 35 . para duplicar o efeito de (28iii) e (29) sem ir além dos limites de um sistema [Σ. percebemos que simplificações significantes da gramática são possíveis se nos for permitido formular regras de mais complexas do que as que correspondem ao sistema de análise de constituintes imediatos. Podemos explorar esse paralelismo acrescentando a seguinte regra à gramática (13): (33) SN ing SV to A regra (29ii) irá então converter ing + prove + that + theorem em proving # that + theorem. em (30) os elementos have . o da reconstrução da vasta complexidade da língua casual da maneira mais elegante e sistemática. Journal of Symbolic Logic 18.. en e be . C. Veremos adiante. Mas as descontinuidades não podem ser lidadas em gramáticas [Σ. Em (28iii).1). para dar conta das descontinuidades. 27-39 (1952). diretamente. será necessário providenciar uma formulação um pouco mais complexa. idem. “A formal statement of morphemic analysis”.

(o João está comendo pelo almoço). considere o caso da relação ativa-passiva. Em primeiro lugar. para cada sentença SN1 – V – SN2 podemos ter uma sentença correspondente SN2 – is + Ven – by + SN1. nesse caso valem as mesmas dependências selecionais. para permitir sentenças como as seguintes: “John admires sincerity” (o João admira a sinceridade). Assim. Ou seja. Veja a seção 7. os outros elementos do sintagma auxiliar podem ocorrer livremente com os verbos. mas isso vai além da nossa presente discussão. e excluir as não sentenças23 “inversas” como “sincerety admires John” (a sinceridade admira o João). The logical structure of linguistic theory). Além disso. was + eaten é permitido.5 para uma demonstração mais profunda sobre a necessidade da inversão na passiva. Se tentarmos incluir passivas diretamente na Aqui também poderíamos utilizar a noção de níveis de gramaticalidade. com algumas exceções. como em (30) (por exemplo. mas na ordem oposta. que fazem dele um caso único entre os elementos do sintagma auxiliar. mas não “John is eating by lunch”. Eu acredito que uma noção funcional de gradação de gramaticalidade possa ser desenvolvida em termos puramente formais (cf. via de regra. teremos de colocar diversas restrições à escolha do V em termos de sujeito e objeto. tal como sugerimos anteriormente. que essa análise do elemento Verbo serve como base para uma análise abrangente e extremamente simples de diversos traços da sintaxe do inglês. 23 36 . ao elaborarmos (13) como uma gramática completa. repare que. Além do mais. “John plays golf” (o João joga golfe). mesmo sendo claramente menos gramatical do que “John admires sincerety” (o João admira a sinceridade). Mas existem sérias restrições nesse elemento.capítulo 7. não podemos ter SN + is + V + en + SN. As sentenças passivas são formadas pela seleção do elemento be + en na regra (28iii). mas não was + occurred).4 Como um terceiro exemplo da inadequação das concepções da estrutura sintagmática. Contudo. etc. “sincerity admires John” (a sinceridade admira o João). be + en não pode ser selecionado se o verbo Vê seguido por um sintagma nominal. então devemos selecionar be + en (podemos ter “lunch is eaten by John” (o almoço é comido pelo João). “sincerety frightens John” (a sinceridade assusta o João”). “John drinks wine” (o João bebe vinho). “John frightens sincerety” (o João assusta a sinceridade). mesmo quando o V é transitivo – não podemos ter “lunch is eaten John” (o almoço é comido João)). 5. se o V for intransitivo e seguido por um sintagma preposicional por + SN. mas. é mais gramatical do que “of admires John” (de admira o João). toda essa rede de restrições falha completamente quando escolhemos be + en como parte do verbo auxiliar. Na verdade. be + en pode ser selecionado apenas se o V seguinte for transitivo (por exemplo.). “golf plays John” (o golfe joga o João) e “wine drinks John” (o vinho bebe o João). Finalmente.

em cada caso. nessa seqüência. Mas (34) está além dos limites de gramáticas [Σ. algumas das quais discutiremos adiante. apenas ocorrer antes de V + by + SN (em que o V seja transitivo) e inverter a ordem dos sintagmas nominais vizinhos é. 5. veremos. então sincerety – C + be + en – admire – ny + John (que por (29) e (19) se torna “sincerety is admired by John” (a sinceridade é admirada pelo João)) também é uma sentença. Essa duplicação nada elegante. bem como as restrições especiais envolvendo o elemento be + en podem ser evitadas apenas se nós excluirmos deliberadamente as passivas da gramática de estrutura sintagmática e as reintroduzirmos por uma regra como a seguinte: (34) Se S1 é uma sentença gramatical da forma SN1 – Aux – V – SN2. então a seqüência correspondente da forma SN2 – Aux + be + en – V – by + SN também é uma sentence grammatical. que elas levam a uma concepção de estrutura lingüística completamente nova. Existem muitas outras regras desse tipo. podemos mostra de maneira bastante conclusiva que essas gramáticas serão tão complexas que elas não terão o menor interesse. Do estudo das limitações das gramáticas de estrutura sintagmática relativas ao inglês. é preciso fazer referência à estrutura de constituintes da seqüência a que se aplica e efetua. F]. Podemos agora deixar de lado o elemento be + en de (28iii) e todas as restrições especiais relacionadas a ele. mas que não podem ser incorporadas em uma gramática [Σ. Como (29iii). (29) e (34) que simplificaram a descrição do inglês. não ocorrer antes de V + SN. teremos de reformular todas essas restrições na ordem oposta para o caso em que be + en é escolhido como parte do verbo auxiliar. O fato de be + en exigir um verbo transitivo. a menos que consigamos incorporar tais regras. Por exemplo. se John – C – admire – sincerity é uma sentença.gramática (13). uma conseqüência da regra (34). uma inversão de uma maneira estruturalmente determinada. F]. Essa regra leva então a uma considerável simplificação da gramática. Se examinarmos cuidadosamente as implicações dessas regras suplementares. Uma transformação gramatical T opera sobre uma determinada seqüência 37 . Chamemos cada uma dessas regras de “transformação gramatical”.5 Estudamos as regras (26). contudo.

E ela deve preceder (29ii) para que a última regra se aplica de maneira correta ao novo elemento inserido be + en. Sempre que tivermos um elemento como C em (29i) que deve ser desenvolvido. “Cooccurrence and transformations in linguistic structure”.(ou. Em segundo lugar. com as propriedade s que aparentemente são exigidas pela descrição gramatical24. Harris. Por exemplo. Desses poucos exemplos. pode ou não ser aplicada em algum caso específico. mas nós podemos desenvolver uma determinada álgebra das transformações. Suponhamos que tenhamos uma gramática G com uma parte [Σ. podemos ordenar as alternativas e tornar cada uma opcional. para que o elemento verbal da sentença resultante tenha o mesmo número que o novo sujeito gramatical da sentença passiva. A distinção entre transformações obrigatórias e opcionais nos leva a estabelecer uma distinção fundamental entre as sentenças da língua. de diversas formas alternativas. e suponhamos Cf. A transformação da passiva (34). já podemos detectar algumas propriedades essenciais de uma gramática transformacional. ou não teremos relações selecionais corretas entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e o “agente” na passiva). por exemplo. mencionamos que essa regra não poderia ser aplicada antes da regra que analisa SNsing como the + man. Mas (34). Em primeiro lugar. fica claro que precisamos definir uma ordem de aplicação nessas transformações. meu artigo “Three models for the description of language”. De qualquer forma. a transformação passiva. em particular. apenas a terceira é obrigatória. para uma breve análise das transformações e The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para um desenvolvimento detalhado da álgebra transformacional e das gramáticas transformacionais.(Ao discutir a questão de (29i) poder ou não se encaixar em uma gramática [Σ. Language 33. Z. 283-340 (1957). mas (34) deve se aplicar depois de uma análise do SNsing. F] e uma parte transformacional. (29) é uma transformação obrigatória. enquanto outras são opcionais. porém. Uma razão para isso é agora óbvia – (29i) deve se aplicar depois de (34). Ela deve preceder (29i). para uma abordagem diferente de análise transformacional. Por isso. passado pode ocorrer depois de SNsing. (29) deve ser aplicada para todas as derivações. Cf. e (34) é uma transformação opcional.ou SNpl. como no caso de (26). 25 Mas das três partes de (29i). talvez. repare que certas transformações são obrigatórias. ou o resultado simplesmente não será uma sentença25. etc. um tanto complexa. mas bastante natural. F]. sobre um conjunto de regras) com uma determinada estrutura de constituintes e a converte em uma nova seqüência com uma nova estrutura de constituintes derivada. S. o resultado será uma sentença. Ou seja. com exceção da última. Para mostrar exatamente como essa operação funciona requer um estudo um pouco mais elaborado que iria além do escopo deste estudo. deve se aplicar antes de (29). 24 38 . que será obrigatória.

às formas que subjazem as sentenças nucleares – isto é. Então. aplicando cada transformação obrigatória e talvez algumas opcionais. porém. correspondendo ao nível inferior. Unindo essas duas séries. uma gramática tem uma série de regras da forma X Y e. F]) ou a sentenças já transformadas. nós percorremos a seqüência de transformações T1 .que a parte transformacional tenha certas transformações obrigatórias e certas transformações opcionais. construímos uma derivação começando com Sentença. às seqüências terminais da parte da gramática [Σ. A parte transformacional da gramática será estabelecida de tal maneira que as transformações possam se aplicar às sentenças nucleares (mais corretamente. por meio de uma série de uma ou mais transformações. ela tem uma série de regras morfofonêmicas com a mesma forma básica. não necessariamente na ordem correta. Então. Essas considerações nos conduzem a uma representação das gramáticas como se elas possuíssem uma organização natural tripartite. F].. Essas transformações 39 . definimos o núcleo da língua (em termos da gramática G) como o conjunto de sentenças que são produzidas quando aplicamos as transformações obrigatórias às seqüências terminais da gramática [Σ. Correspondendo ao nível da estrutura sintagmática. Então. a gramática será algo como (35): (35) Σ: Sentença: F: X1 : Xn T1 : Tj Z1 Zm W1 : Wm Morfofonêmica Estrutura transformacional Yn Y1 Estrutura sintagmática Para produzir uma sentença a partir de uma gramática como essa.Tj. nós construímos uma seqüência terminal que irá ser uma série de morfemas. cada sentença da língua pertencerá ao núcleo da língua ou será derivada das seqüências que subjazem uma ou mais sentenças nucleares. Assim. Percorrendo as regras de F. ela tem uma série de regras transformacionais.

convertendo essa seqüência de palavras em uma seqüência de fonemas. nós mostramos que as regras de estrutura sintagmática levam a uma concepção de estrutura lingüística e “nível de representação” que são fundamentalmente diferentes dos que são fornecidos pelas regras morfofonêmicas. Em cada uma das regras inferiores correspondentes ao terço inferior da gramática. Esse conjunto de seqüências representativas é equivalente a um diagrama da forma (15). A parte de estrutura sintagmática da gramática irá incluir regras como (13).podem reordenar as seqüências ou podem adicionar ou apagar morfemas. percorremos as regras morfofonêmicas. de seqüências que subjazem as sentenças nucleares). Então. Nos últimos parágrafos do capítulo 4. A parte transformacional irá incluir regras como (26). há boas razões para considerar cada uma dessas estruturas como sendo um nível lingüístico. como sendo uma seqüência de transformações pelas quais ele é derivado. de sentenças nucleares (mais precisamente. eles dão origem a uma seqüência de palavras. como nós veremos mais tarde. e para permitir que transformações se reapliquem para que sentenças cada vez mais complexas possam ser produzidas. 40 . (17) e (28). nós também podemos extrair um esqueleto das regras obrigatórias que devem ser aplicadas sempre que as atingirmos no processo de geração de uma sentença. um enunciado é representado por um conjunto de seqüências que não podem ser ordenados em níveis inferiores ou superiores. um enunciado é representado de maneira ainda mais abstrata. A parte morfofonêmica irá incluir regras como (19). representado por uma única seqüência de elementos. 26 Cf. geralmente. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis. e. Investigações mais profundas podem mostrar que nas partes de estrutura sintagmática e morfofonêmica da gramática. Esse esboço do processo de geração de sentenças deve (e pode facilmente) ser generalizado para permitir um funcionamento adequado de regras como (26). em última análise. que operam sobre um conjunto de sentenças. Há uma definição natural bem geral de “nível lingüístico” que inclui todos esses casos26. (29) e (34). um enunciado é. Mas a estrutura sintagmática não pode ser dividida em subníveis: no nível da estrutura sintagmática. Como resultado. Quando aplicamos somente transformações obrigatórias na geração de uma determinada sentença. chamamos a sentença resultante de sentença nuclear. adequadamente formuladas em termos que deve ser desenvolvidos no sentido de uma teoria completa das transformações. No nível transformacional.

o output de G’ é (10iii). Um outro detalhe sobre gramáticas da forma (35) merece atenção. Em particular. 27 41 . complementada pela transformação T que opera sobre qualquer seqüência K que é uma Sentença. a saber. podem ser derivadas transformacionalmente27. enquanto todas as outras sentenças podem ser derivadas dessas seqüências terminais através de transformações enunciáveis simplesmente. Então. que ela está preocupada com o processo de produção de enunciados ao invés de se preocupar com o processo “inverso” de analisar e reconstruir a estrutura dos enunciados.Quando a análise transformacional é corretamente formulada. Essa formulação tem ocasionalmente levado à idéia de que existe uma certa assimetria na teoria gramatical no sentido de que a gramática está levando em consideração o ponto de vista do falante ao invés do ponto de vista do ouvinte. vemos que ela é. Na verdade. F] são apenas aquelas que subjazem as sentenças nucleares. já que ele aparentemente suscitou alguma confusão. línguas como (10iii). F]. essas duas tarefas que o falante e o ouvinte devem desempenhar são essencialmente a mesma. Nós vimos. F] com a seqüência inicial Sentença e com o conjunto de todas as seqüências finitas de as e bs como seu output terminal. Uma investigação sintática em larga escala do inglês fornece diversos outros casos. É importante observar que a gramática fica significativamente simplificada quando adicionamos um nível transformacional. Tal gramática existe. convertendo-a em K + K. Seja G’ ser a gramática que contém G como sua parte de estrutura sintagmática. não nos diz como analisar um enunciado particular. uma vez que agora é necessário fornecer a estrutura sintagmática diretamente apenas para as sentenças nucleares – as seqüências terminais da gramática [Σ. mais poderosa do que a descrição em termos de estrutura sintagmática. Uma gramática não nos diz como sintetizar um enunciado específico. em essência. aqueles enunciados que Seja G uma gramática [Σ. e veremos novamente. e ambas estão fora do escopo de gramáticas da forma (35). assim como esta última é mais poderosa do que a descrição em termos de um processo de Markov de estados finitos que gera sentenças da esquerda para a direita. que estão além dos limites da descrição de estrutura sintagmática com regras livres de contexto. Nós descrevemos essas gramáticas como mecanismos para gerar sentenças. Cada gramática desse tipo é simplesmente uma descrição de um determinado conjunto de enunciados. Na verdade. síntese e análise de enunciados. gramáticas que têm a forma que estamos estudando aqui são bem neutras no que diz respeito à relação entre falante e ouvinte. Escolhemos as sentenças nucleares de tal forma que as seqüências terminais subjacentes ao núcleo são facilmente derivadas por meio de uma descrição [Σ. diversos exemplos de simplificações resultantes da análise transformacional.

Talvez seja possível esclarecer melhor o assunto fazendo uma analogia com uma parte da teoria química que se preocupa com os compostos que são estruturalmente possíveis. Poderíamos dizer que essa teoria gera todos os enunciados gramaticalmente “possíveis”. podemos reconstruir as relações formais que existem entre esses enunciados em termos de noções de estrutura sintagmática. como análise e síntese de enunciados particulares. estrutura transformacional. Isso serviria de base teórica para técnicas de análise qualitativa e síntese de compostos específicos. Com essa gramática. etc.são gerados por ela. 42 . assim como pode-se utilizar uma gramática na investigação de problemas especiais.

uma gramática do inglês se baseia em um corpus finito de enunciados (observações) e conterá regras gramaticais (leis) formuladas em termos dos fonemas. cada gramática terá de satisfazer algumas condições externas de adequação. eu sugeri um modelo mais poderoso. eu gostaria de esclarecer alguns pontos de vista que subjazem toda a proposta deste estudo. Hjelmslev. Cf. no capítulo 5. as sentenças geradas terão de ser aceitáveis para um falante nativo. Cf. Dois tipos de critérios foram mencionados em 2. 8. a teoria correta dessa língua.1. Essas regras expressam relações estruturais entre as sentenças do corpus e o número infinito de sentenças. Linguistics Today. dois modelos de estrutura lingüística foram desenvolvidos: um modelo teórico simples de comunicação e uma versão formalizada de análise de constituintes imediatos. SOBRE OS OBJETIVOS DA TEORIA LINGÜÍSTICA Nos capítulos 3 e 4. procurando relacionar os fenômenos observados e prever novos fenômenos através da construção de leis gerais em termos de conceitos hipotéticos como (por exemplo. Se excluirmos as condições externas ou a exigência de 28 Eu acredito que essas duas condições são semelhantes ao que Hjelmslev tinha em mente quando falou de duas características da teoria lingüística: a de ser apropriada e a de ser arbitrária. geradas pela gramática. por exemplo. Antes de explorarmos essa possibilidade. etc. combinando a estrutura sintagmática e transformações gramaticais que podem remediar essas inadequações. Nosso problema é desenvolver e clarificar os critérios para a seleção de uma gramática correta de cada língua. 43 . iremos considerar diversas outras condições externas desse tipo. para além do corpus (previsões). do inglês (conceitos hipotéticos). Indiana University Publications Anthropology and Linguistics) Baltimore. L. Prolegomena to a theory of language = Memoir 7. Ambos foram considerados inadequados.. sintagmas. Da mesmo forma. isto é. 1953). Qualquer teoria científica se baseia em um número finito de observações. No capítulo 8. e.6. Evidentemente. 232-3). p. em física) os de “massa” e “elétron”. Além disso. em que termos como “fonema” e “sintagma” sejam definidos independentemente de qualquer língua particular28. Uma gramática da língua L é essencialmente uma teoria de L. nós impomos às gramáticas uma condição de generalidade. exigimos que uma gramática de uma dada língua seja construída de acordo com uma teoria específica da estrutura lingüística. Nossa preocupação fundamental ao longo desta discussão sobre a estrutura lingüística é o problema da justificação das gramáticas. também a discussão de Hockett sobre “metacritérios” para a lingüística (“Two models of grammatical description”. Word 10.

que sentido tem a expressão “relacionadas a ela [à teoria geral]”. não haverá possibilidade de escolher entre um vasto número de “gramáticas” totalmente diferentes. Uma exigência mais fraca seria a de que a teoria deve fornecer um método prático e automático para determinar se a gramática proposta para um determinado corpus é. A qualquer momento. dado um corpus e duas propostas de gramática. neste contexto? É neste ponto que nossa abordagem diverge significativamente de outras teorias sobre a estrutura lingüística. nesta perspectiva. cada uma compatível com um determinado corpus. nós podemos tentar formular de maneira tão precisa quanto possível tanto a teoria geral como o conjunto de gramáticas associadas que devem se adequar às condições empíricas e externas de adequação. Essas teorias podem ser representadas graficamente da seguinte maneira: 44 . de fato. G1 e G2. como observamos em 2.generalidade. dado um corpus de enunciados. a teoria deve nos dizer qual é a melhor gramática da língua daquele corpus. Uma exigência ainda mais fraca seria a de que. A exigência mais forte que pode ser estabelecida sobre a relação entre uma teoria da estrutura lingüística e as gramáticas particulares é que a teoria deve fornecer um método prático e automático para a construção da gramática. novos modelos para a estrutura lingüística. Mas também não há qualquer circularidade nesta concepção. Porém. poderia fornecer um procedimento de decisão das gramáticas.1. esses requisitos em conjunto nos dão um teste de adequação bastante forte para uma teoria geral da estrutura lingüística e ara o conjunto de gramáticas que ela fornece para as línguas particulares. Digamos que tal teoria nos forneça um procedimento de descoberta das gramáticas. Repare que nem a teoria geral nem as gramáticas particulares recebem uma forma definitiva. que não se preocupa com a questão de como essa gramática foi construída. a melhor gramática da língua para aquele corpus. Ainda não consideramos a seguinte pergunta crucial: qual é a relação entre a teoria geral e as gramáticas particulares relacionadas a ela? Em outras palavras. Progresso e revisão podem vir da descoberta de novos fatos sobre línguas particulares ou de novas estipulações puramente teóricas sobre a organização dos dados lingüísticos –ou seja. Tal teoria. poderíamos dizer que a teoria fornece um procedimento de avaliação das gramáticas. Nesse caso.

Da maneira como eu interpreto. 242-56 (1953). N. podemos escolher a possibilidade mais eficiente. 190-222 (1955). 1951). 3-46 (1948). 27). “A formal statement of morphemic analysis”. que irão falhar em responder muitas questões importantes sobre a naturas da estrutura lingüística. S. “Systems of syntactic analysis”. Ainda que os procedimentos de descoberta sejam o objetivo explícito desses trabalhos. 56 DA EDIÇÃO PORTUGUESA A figura (36i) representa uma teoria concebida como uma máquina com um corpus como input e uma gramática como output. S. Z. 45 . (36iii) representa uma teoria que tem as gramáticas G1 e G2 e um corpus como input. Language 23. Language 23. ela representa uma teoria que fornece um procedimento de decisão de gramáticas. 29). (36ii) é um mecanismo com que tem uma gramática e um corpus como input e que responde “sim” ou “não” como output. por isso. podemos freqüentemente ver que a teoria que está sendo de fato construída não fornece mais do que um procedimento de avaliação das gramáticas. Acredito que se nos limitarmos ao objetivo mais modesto de desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. ao invés de apenas uma única gramática. Acho muito questionável que esse objetivo seja alcançado de alguma forma interessante e suspeito que qualquer tentativa de alcançá-lo irá levar a um labirinto de procedimentos analíticos cada vez mais elaborados e complexos. Wells. uma teoria que fornece um procedimento de descoberta. ou. com isso. “From phoneme to morpheme”. “Problems of morphemic analysis”. 29 A questão básica com a qual estamos lidando não irá se alterar se estivermos dispostos a aceitas um conjunto pequeno de gramáticas corretas. Chomsky. e vários outros trabalhos. uma teoria que fornece um procedimento de avaliação de gramáticas29. elas tentam formular métodos de análise que um investigador possa realmente utilizar se tivesse tempo suficiente para construir uma gramática de uma língua diretamente dos dados brutos. 27-39 (1952). C. Language 24. de maneira arbitrária.(36) VER GRÁFICO (36). “A set of postulates for phonemic analysis”. F. se examinarmos bem. e apresenta um escolhido entre G1 e G2 como output. 321-43 (1947). B. O ponto vista adotado aqui é que não é razoável exigir da teoria lingüística que ela forneça algo além de um procedimento prático de avaliação das gramáticas. dependendo se a gramática for ou não a correta. adotamos a posição mais fraca das três descritas antes. Por exemplo. qualquer uma das possibilidades que são igualmente eficientes. “Immediate constituents”. Language 31. por isso. Studies in Linguistics 10. 30 Por exemplo. R. Bloch. Methods in structural linguistics (Chicago. mas o que ele realmente faz é descrever algumas das propriedades formais de uma análise morfológica e então propor um “critério através do qual a eficiência relativa de duas possíveis soluções mórficas possam ser determinadas. idem. Journal of Symbolic Logic 18. 81-117 (1947). embora mais eficientes do que todas as outras”. idem. Harris. Ou seja. P. Ou seja. Hockett. (p. a maioria das propostas para o desenvolvimento de uma teoria lingüística30 tenta satisfazer a exigência mais forte das três. por isso. Hockett diz que seu objetivo em “A formal statement of morphemic analysis” é o desenvolvimento de “procedimentos formais com os quais se pode trabalhar a partir de um esboço para chegar a uma descrição completa do padrão de uma língua” (p.

que estivéssemos avaliando as gramáticas através de medições de alguma propriedade simples. é necessário estabelecer de maneira precisa (se possível. Então. devemos analisar e definir a noção de simplicidade que pretendemos utilizar para escolher entre uma gramática entre todas as gramáticas que têm a forma correta. como a extensão. prático e automático para escolher entre diversas teorias. E também seria literalmente correto afirmar que temos um procedimento de descoberta. Repare. com testes operacionais e comportamentais) os critérios externos de adequação para as gramáticas. Essa qualificação um tanto vaga é fundamental para uma ciência empírica. para que possamos realmente propor alguma gramática com essa forma para as línguas particulares. Suponha que utilizemos o termo “simplicidade” para nos referir ao conjunto de propriedades formais das gramáticas que consideraremos. cada uma sendo compatível com os dados disponíveis. Primeiro. devemos caracterizar a forma das gramáticas de uma maneira geral e explícita. já que poderíamos ordenar todas as seqüências do número finito de símbolos que constituem as gramáticas e testar cada uma dessas seqüências para verificar se ela é uma gramática. ao escolher uma entre elas. já que poderíamos contar o número de símbolos que cada gramática contém. que a mais fraca dessas exigências ainda é forte o suficiente para garantir que uma teoria que alcance essa exigência seja significativa. Existem poucas áreas da ciência em que se poderia considerar seriamente a possibilidade de se desenvolver um método geral.conseguiremos focalizar nossa atenção mais claramente aos problemas realmente importantes sobre a estrutura lingüística e conseguiremos chegar a respostas mais satisfatórias. Mas esse não é o tipo de procedimento de descoberta que pretendido por quem está tentando satisfazer a exigência forte que discutimos anteriormente. Suponha. há três tarefas principais no tipo de programa que escolhemos para a teoria lingüística. Segundo. por exemplo. Em cada uma dessas concepções da teoria lingüística. Completar as duas últimas tarefas irá nos permitir formular uma teoria geral da estrutura lingüística em que tais noções como “o fonema 46 . contudo. seria correto afirmar que temos um procedimento de avaliação prático de gramáticas. com a certeza de que encontraremos a seqüência adequada mais curta dentro de um tempo finito. Terceiro. Então. qualificamos a caracterização do tipo de procedimento com o termo “prático”. Determinar se esse julgamento está correto pode ser feito apenas pelo efetivo desenvolvimento e comparação de teorias desses diversos tipos.

em L”. Continuaremos a revisar nossas noções de simplicidade e caracterização da forma das gramáticas até que as gramáticas selecionadas pela teoria consigam satisfazer as condições externas32. antes que possamos caracterizar essa relação de maneira clara. podemos tentar construir gramáticas para línguas reais e podemos determinar se as gramáticas mais simples que encontramos (isto é. Por exemplo. O objeto de uma teoria não é completamente determinado a priori em uma investigação. Em particular. Outros termos também serão definidos. por hipótese. Essa teoria geral está de acordo com a preocupação de clarificar a relação entre o conjunto de sentenças gramaticais e o conjunto de sentenças observadas. dessa forma. na verdade. etc. “a simplicidade da gramática de L”. estivemos preocupados com a segunda dessas três tarefas. as gramáticas que a teoria geral nos obriga a escolher) satisfazem as condições externas de adequação. revisar os critérios de adequação ao longo de nossa pesquisa. Ele é parcialmente determinado pela possibilidade de dar conta de alguns fenômenos de maneira organizada e sistemática. como “um enunciado observado em L”. devemos saber muito mais sobre as propriedades formais de cada um desses conjuntos. ela parte da hipótese de que. Tentamos determinar que tipo de gramática irá gerar exatamente as sentenças gramaticais de uma maneira simples. “a transformação em L” sejam definidas para uma língua L arbitrária em termos de propriedades físicas e distribucionais de seus enunciados e em termos das propriedades formais das gramáticas de L31. Admitimos. Ou seja. Nas seções anteriores. que o conjunto de sentenças gramaticais do inglês fosse dado e que tínhamos uma noção de simplicidade. Para formular esse objetivo em termos um pouco diferentes. podemos definir o conjunto de fonemas de L como um conjunto de elementos que têm certas propriedades físicas e distribucionais e que aparecem na gramática mais simples de L. referimos anteriormente que uma das noções que devem ser definidas em uma teoria lingüística geral é a de “uma sentença em L”. Nossa investigação da estrutura deste último conjunto é apenas preparatória. continuaremos a investigar a relativa complexidade de diversas maneiras de descrever a estrutura do inglês. podemos decidir que certos testes não se aplicam aos fenômenos gramaticais. 31 47 . nos permitir a escolha entre duas gramáticas propostas. 32 Podemos também. iremos nos preocupar com a A teoria lingüística irá então ser formulada em uma metalinguagem em relação à língua em que as gramáticas são escritas – uma metametalinguagem em relação a qualquer língua para que se constrói uma gramática. Mas ela deve nos dizer como avaliar tal gramática. Repare que essa teoria pode não nos dizer como realmente construir a gramática de uma língua a partir de um corpus de maneira prática. ela deve. No capítulo 7. “o sintagma em L”. A partir de tal teoria.

Adiante. É quando sabemos que a simplificação de uma parte da gramática leva a simplificações correspondentes de outras partes que podemos sentir estamos realmente no caminho certo. Acredito que poderíamos dar conta dessa questão. tentaremos mostrar que a análise transformacional mais simples de uma classe de sentenças freqüentemente conduz a análises mais simples de outras classes. No entanto. tentaremos mostrar que as gramáticas mais simples satisfazem certas condições externas de adequação. que têm decisões diferentes sobre a atribuição de sentenças ao núcleo. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma discussão dos métodos de avaliação de gramáticas em termos de propriedades formais de simplicidade. Nosso ponto central aqui é que uma teoria lingüística não deve ser identificada com um manual de procedimentos úteis. Em resumo. como pode ter sido descoberta a análise do sintagma verbal apresentado em 5. por confiança na experiência adquirida. etc. ou podem levar a um conjunto pequeno de gramáticas que podem ser então avaliadas. podemos complicar as demais. Essa validação pode ser somente uma tentativa. argumentaremos que existem evidências independentes a favor de nosso método de selecionar gramáticas. por qualquer tipo de sugestões metodológicas parciais. esses resultados são apenas sugestivos. nem tampouco se deve esperar que ela forneça procedimentos mecânicos para a descoberta de gramáticas. por suposições. a maior parte das decisões sobre complexidade relativa que proporemos adiante ainda será válida33. etc. Não estamos negando a utilidade de processos de descoberta mesmo parcialmente adequados. por exemplo. Eles podem fornecer dicas valiosas ao lingüista prático. deverá ficar bem claro que. Pode-se chegar à gramática por intuição. enquanto que o mesmo não acontece com gramáticas mais complexas. Ainda assim. 33 48 . já que simplificando uma parte da gramática. No capítulo 8. mas isso certamente iria além do escopo deste trabalho. Ou seja.questão da possibilidade de se simplificar toda a gramática se considerarmos certas classes de sentenças como sendo sentenças nucleares ou se as considerarmos como sendo sentenças derivadas por transformações. nós podemos nunca considerar a questão de como se pode chegar à gramática cuja simplicidade está sendo determinada. Repare que a simplicidade é uma medida sistemática.3. nós podemos apenas indicar como uma ou outra decisão irá afetar a complexidade geral. até que consigamos dar conta de maneira rigorosa da noção de simplicidade que adotamos. Chegaremos assim a certas decisões sobre a estrutura do inglês. Ao discutir os casos particulares. Questões desse tipo não são relevantes para o programa de investigação desenvolvido acima. com qualquer definição possível de “simplicidade da gramática”. Não há dúvidas de que é possível Cf. o único critério fundamental na avaliação é a simplicidade de todo o sistema.

6. na natureza da estrutura lingüística) e na investigação das conseqüências empíricas na adoção de um determinado modelo da estrutura lingüística do que em demonstrar como. esse problema não se enquadra no escopo de nossas investigações no momento. certos problemas que têm sido objeto de intensa controvérsia metodológica simplesmente não aparecem. entre outras coisas. conduzem de maneira conjunta à gramática mais simples da língua. Estamos. podemos definir um “conjunto hipotético de fonemas” e um “conjunto hipotético de morfemas” independentemente e podemos desenvolver uma relação de compatibilidade entre os conjuntos hipotéticos de fonemas e os conjuntos hipotéticos de morfemas. então. e. Nossa relação de compatibilidade pode ser parcialmente estabelecida em termos de consideração de simplicidade. ao mesmo tempo. corretamente. De qualquer forma. e há poucas razões para se acredita que ela pode ser satisfeita de maneira significativa. então a teoria lingüística pode ser anulada por um problema real de circularidade.dar conta de maneira organizada de diversos procedimentos úteis de análise. exaustiva e simples o suficiente para que sejam qualificados como procedimentos práticos e automáticos de descoberta. tentando desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. quando tornamos nossos objetivos mais modestos. da mesma forma. o fato de que se os morfemas são definidos em termos de fonemas. podemos definir os fonemas e os morfemas de uma língua como os fonemas e morfemas hipotéticos que. Considere o problema da interdependência de níveis.2 Uma vez que tenhamos declinado qualquer intenção de encontrar um procedimento prático de descoberta das gramáticas. mas é questionável que eles possam ser formulados de maneira rigorosa. Obviamente. Nosso objetivo último é fornecer uma maneira não-intuitiva e objetiva de avaliar uma gramática e compará-la com outras gramáticas propostas. Porém. Podemos depois definir um par de um conjunto de fonemas e um conjunto de morfemas para uma determinada língua como sendo um par compatível de um conjunto hipotético de fonemas e um conjunto hipotético de morfemas. Em todo o caso. Isso resulta em uma maneira perfeitamente direta de definir níveis independentes sem qualquer circularidade. isso não nos diz como encontrar os fonemas e morfemas de maneira direta e automática. pode-se ter chegado à gramática de uma língua. pouca 49 . por exemplo. mais interessados na descrição da forma de gramáticas (ou seja. Foi salientado. em princípio. nenhuma outra teoria fonêmica ou morfêmica satisfaz realmente essa forte exigência. ou seja. Nesse caso. as considerações morfológicas são tidas como relevantes para a análise fonêmica.

e não há qualquer dificuldade em evitar a circularidade na definição de níveis interdependentes34. pode ainda ser o caso de que a transcrição fonêmica forneça regras de “leitura” completas sem qualquer referência a outros níveis. Jackobson. 1951) (por exemplo. “On accent and juncture in English”. “The phonemic and grammatical aspects of language and their interrelation”. Bar-Hillel sugeriu em “Logical syntax and semantics”. 230-7 (1954) que as propostas de Pike podem ser formalizadas sem a circularidade que muitos nelas detectam. Isso nos leva a problemas bem conhecidos. Appendix to 7. Word 8. Cf. idem. para discussão e exemplos. 34 50 . Linguistics Today. como /d/ em “framed” /freymd/ (modelou). 1956). M. F. como vimos há pouco. associar qualquer parte dessa palabra com o morfema de passado que aparece como /t/ em “walked” /wçkt/ (caminhou). A manual of phonology = Memoir 11. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. ficamos naturalmente tentados a considerar os morfemas como classes de seqüências de fonemas. Ao tentar desenvolver procedimentos de descoberta de gramáticas. S. Proceedings of the Sixth International Congress of Linguistics 5-18 (Paris. C. As regras morfofonêmicas (19ii) e (19v) convertem. 1955). “On accent and juncture in English”. e meu pressentimento sobre o sucesso dessa solução diz que ele deve ser pouco provável. em que é difícil. Mesmo se considerações morfológicas sejam consideradas relevantes para determinar os fonemas de uma língua. Lukoff. 1948). 504-9 [1952]) podem ser satisfeitos sem dificuldade por uma formulação não-circular. Halle. respectivamente. como tendo verdadeiramente conteúdo fonêmico em sentido quase literal. Language 28. Lukoff. “Grammatical prerequisites to phonemic analysis”. Harris. para uma discussão mais profunda sobre a interdependência dos níveis. “took” será representado no nível morfológico como take+passado da mesma forma que “walked” será representado como walk+passado. Se desistirmos da idéia de que os níveis superiores são literalmente Cf. Cf. Word 10. “Two fundamental problems in phonemics”. como nos casos da forma verbal de passado do inglês. 33 (1949). Appendix to 8. 106-21 (1952). Hockett. Em “Two models of grammatical description”. Muitos problemas de análise morfêmica também recebem soluções bem simples se adotarmos o modelo geral que esboçamos há pouco. L. Além do mais. Chomsky. 155-72 (1847). K. Word 3. N. Chomsky. “took” /tuk/ (pegou). “More on grammatical prerequisites”. F. 15. também N. Ele não se aprofunda com detalhes. ainda que interdependentes. capítulos 9 e 12) para exemplos de procedimentos que conduzem a níveis interdependentes. idem.motivação permanece para qualquer objeção à mistura de níveis. Methods in structural linguistics (Chicago. Acredito que as objeções de Fowler aos procedimentos morfológicos de Harris (cf. relacionados na gramática por regras morfofonêmicas tais como (19). R. 65-80. evitando artificialismos. se estivermos satisfeitos com um procedimento de avaliação de gramáticas. 210-33 (1954). etc. essas seqüências de morfemas em /tuk/ e /wçkt/.2. poderemos construir níveis interdependentes somente com definições diretas. 65-80. Language 30. isto é. Studies in Linguistics 7. 1956). O problema da interdependência dos níveis fonêmico e morfêmico não deve ser confundido com a questão sobre se a informação morfológica é exigida para a leitura de uma transcrição fonêmica. p. através do uso de definições recursivas. Cf. assim como propusemos. F. Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore. Z. Podemos evitar esse tipo de problema se entendermos a morfologia e a fonologia como sendo dois níveis diferentes. A única diferença entre os dois casos é que (19v) é uma regra muito mais geral do que (19ii)35. Halle.4. 35 Hockett apresenta esta abordagem de níveis de maneira bem clara em A manual of phonology (1955). M. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. Pike. Assim.

Por exemplo. Formularemos essa regra. para uma discussão da possibilidade de que as considerações nos níveis 51 . “stand – stood” (durar – durou). Mas o inverso também não deixa de ser verdadeiro. Se renunciarmos a esse objetivo e se distinguirmos claramente entre um manual de procedimentos sugestivos e úteis e uma teoria da estrutura lingüística. através de uma generalização que irá evidenciar o paralelismo entre “take” – “took”. como acredito que devemos fazer. e também são semelhantes em significado da mesma maneira. Lukoff. a similaridade no significado não é negligenciada em nossa formulação. argumentando que “took e take são em parte semelhantes no formato fonêmico assim como o são baked e bake. como o da estrutura sintagmática. 224) Porém. F. “shake” – “shook” (balançar – balançou). às vezes se argumenta que trabalhos em teoria sintática são prematuros. Contudo. então se torna muito mais natural considerar mesmo sistemas de representação tão abstratos como a estrutura transformacional (em que cada enunciado é representado pela seqüência de transformações de onde é derivada a partir de uma seqüência terminal da gramática de estrutura sintagmática) constituindo um nível lingüístico. então não há muita razão para manter qualquer uma dessas posições duvidosas. 36 Cf. É bem verdade que os níveis superiores da descrição lingüística dependem de resultados obtidos nos níveis inferiores. etc. Chomsky. 65-80. formular princípios de formação de sentenças em termos de fonemas ou morfemas. mas apenas o desenvolvimento de tais níveis superiores. “forsake” – “forsook” (renunciar – renunciou) e. Existem muitas outras perspectivas comumente aceitas que parecem perder muito de seu apelo se formularmos nossos objetivos da maneira recém sugerida. M. já que o morfema passado aparece na representação morfêmica tanto de “took” como de “baked”. 1956). Halle. Não somos obrigados a abandonar as esperanças em encontrar um procedimento de descoberta prático ao adotarmos a perspectiva de que os níveis são interdependentes. acho que é inquestionável que a oposição à mistura de níveis. ou a concepção de níveis lingüísticos como sistemas abstratos de representação relacionados apenas por regras gerais.construídos a partir dos elementos de nível inferior. N. E a semelhança no formato fonêmico pode ser salientada na formulação da regra morfofonêmica que converte take + passado em /tuk/. sem dúvidas. de maneira mais geral. indica que essa tarefa fútil não precisa ser seguida nos níveis inferiores36. esse fato não pode ser negligenciado” (p. Assim. Da mesma Hockett rejeitou uma solução muito parecida com a que apresentamos aqui. assim como a idéia de que cada nível é literalmente construído a partir de elementos de níveis inferiores. porque muitos dos problemas que aparecem sobre os níveis inferiores de fonêmica e morfologia não estão resolvidos. vimos antes que seria um absurdo. Isso irá nos permitir uma simplificação na gramática. ou mesmo inútil. For Roman Jackobson (‘sGravenhage. tenha sua origem na tentativa de desenvolver um procedimento de descoberta de gramáticas. como ey u no contexto t – k + passado na formulação morfofonêmica. “On accent and juncture in English”.

a estrutura sintagmática e as transformações. ter alguma visualização do caráter do sistema completo. Para que se desenvolva uma parte da gramática de maneira completa. superiores. Mas somente o desenvolvimento do nível ainda mais abstrato das transformações pode preparar o caminho para o desenvolvimento de uma técnica mais simples e adequada de análise de constituintes com limites mais modestos. 52 . acredito que a noção de que a teoria sintática deva esperar a solução de problemas da morfologia e da fonologia seja insustentável. mas acredito que tenha sido alimentado por uma falsa analogia entre a ordem do desenvolvimento da teoria lingüística e a suposta ordem das operações na descoberta da estrutura gramatical.forma. freqüentemente é útil. são relevantes para a seleção de uma análise fonêmica. havendo ou não preocupação com o problema de procedimentos de descoberta. A gramática de uma língua é um sistema complexo com muitas e variadas interconexões entre suas partes. incluindo a morfologia. dissemos que a descrição da estrutura da sentença por uma análise de constituintes não terá sucesso se for levada além de determinados limites. Mais uma vez. ou mesmo necessário.

A maneira mais simples de descrever a negação é por meios de uma transformação que se aplica antes de (29ii) e introduz not ou n’t depois do segundo morfema do sintagma dado por (28iii).. ALGUMAS TRANSFORMAÇÕES EM INGLÊS 7. cf. (34)).. devemos descrever a análise das seqüências a que ela se aplica e a modificação estrutural que se efetua nessas seqüências37. Dada uma seqüência analisada em três segmentos em uma dessas formas. Assim. se esse sintagma contiver pelo menos dois morfemas. a transformação passiva se aplica a seqüências da forma NP – Aux – V – NP e tem o efeito de intercambiar os dois sintagmas nominais.7. Para especificar de maneira explícita uma transformação. se ele contiver somente um morfema. adicionando a preposição by (por) antes do último sintagma nominal e adicionando be +en (ser + particípio passado) ao Aux (cf.. ou depois do primeiro morfema. as referências citadas na nota 24.. Para uma discussão mais detalhada da especificação das transformações em geral e de transformações específicas. (iv) NP – C + be – . Considere agora a introdução do not ou n’t no sintagma verbal auxiliar.1 Depois dessa divagação. 37 53 .. Nosso objetivo é limitar o núcleo de tal forma que as seqüências terminais subjacentes às sentenças nucleares sejam derivadas por um sistema simples de estrutura sintagmática e possam fornecer a base a partir da qual todas as sentenças possam ser derivadas por transformações simples: transformações obrigatórias no caso do núcleo e transformações obrigatórias e opcionais no caso de sentenças não nucleares. onde os símbolos são como em (28) e (29) e é irrelevante o que as reticências representam. Por exemplo.. essa transformação Tneg opera em seqüências que são analisadas em três segmentos em uma das seguintes maneiras: (37) (i) NP – C – V . (iii) NP – C – have – . a Tneg adiciona not (ou n’t) depois do segundo segmento da seqüência. (ii) NP – C + M – .. Assim.. podemos retornar à investigação das conseqüências em se adotar a abordagem transformacional na descrição da sintaxe do inglês.

a partir de (29ii). Cf. Tal como foi exposto. a Tneg produzirá they – ∅ + can + n’t – come (e finalmente “they can’t come” (eles não podem vir)). então. A regra funciona de maneira adequada. como em “John does his homework” (O João faz o tema de casa)). O que (40) diz é que do é introduzido como o “portador” de um afixo não afixado. 54 . Suponha agora que selecionamos um caso de (37i). Aplicando (4) e as regras morfológicas a (39). (29iii) para introdução do #. derivamos “John doesn’t come” (o João não vem). ela produzirá they – ∅ + have + n’t – en + come (e finalmente “they haven’t come” (eles não vieram)). isto é. o que produz o efeito de reescrita de Af + v como v + Af #. a Tneg produz: (39) John – S + n’t – come. como pode ser o verbo auxiliar de sentenças negativas e interrogativas.aplicada à seqüência terminal they – ∅ + can – come (um caso de (37ii)). uma seqüência terminal como (38) John – S – come. As regras (37) e (40) nos permitem agora derivar todas as formas de sentenças gramaticais e apenas elas. vemos que (29ii) não se aplica de maneira alguma a (39). Contudo. o verbo do pode ser tanto um verbo principal (que pode significar “fazer”. aplicada à they – ∅ + be – ing + come (um caso de (37iv)). No entanto. havíamos especificado que a Tneg se aplicava antes de (29ii). ela produzirá they – ∅ + be + n’t – ing + come (e finalmente “they aren’t coming” (eles não estão vindo)). já que (39) não contém agora qualquer seqüência Af + v. aplicada à they – ∅ + have – en + come (um caso de (37iii)). que poderia dar a sentença nuclear “John comes” (o João vem). uma regra que se aplica depois de (29): (40) # Af # do + Af onde do é o mesmo elemento que o verbo principal em “John does his homework” (o João faz o tema de casa). Vamos então adicionar a seguinte regra transformacional obrigatória à gramática. Aplicada à 38. o tratamento transformacional da negação é relativamente mais simples do que qualquer tratamento alternativo dentro do modelo de estrutura [O210] Comentário: Em inglês. quando selecionamos os últimos três casos de (37).

tal como “have they arrived” (eles chegaram). esses casos realmente existem. Aplicada a (41) (i) they + ∅ . tal como esses segmentos são definidos em (37). de fato. A vantagem do tratamento transformacional (sobre a inclusão de negativas no núcleo) seria bem mais clara se pudéssemos encontrar outros casos em que as mesmas formulações (isto é. e tem o efeito de intercambiar o primeiro e o segundo segmentos dessas seqüências. a Tint produz as seqüências (42) (i) ∅ – they arrive (ii) ∅ + can – they – arrive (iii) ∅ + have – they – en + arrive (iv) ∅ + be – they – ing + arrive Aplicando agora as regras obrigatórias (29ii. iii) e (40) e depois as regras morfofonêmicas.sintagmática. E. Podemos gerar todas (e apenas) essas sentenças através de uma transformação Tint que opera sobre seqüências com a análise (37). derivamos (43) (i) do they arrive (ii) can they arrive (iii) have they arrived (iv) are they arriving 55 . “did they arrive” (eles chegaram). (37) e (40)) fossem necessárias por razões independentes. Exigimos que a Tint se aplique depois de (29i) e antes de (29ii).arrive (ii) they – ∅ + can – arrive (iii) they – ∅ +have – en + arrive (iv) they – ∅ + be – ing + arrive que têm a forma de (37i-iv). “can they arrive” (eles podem chegar). Considere a classe de perguntas “sim-ou-não”.

was slept – by John” “was slept by John” (foi dormido pelo João). sem a intervenção da Tint. precisamos dessas regras para dar [O211] Comentário: A transformação interrogativa (Tint). Se tivéssemos aplicado as regras obrigatórias diretamente a (41). “did he arrive” (ele chegou?). (43i-iv) são as contrapartes interrogativas de (44i-iv). ou o número não será corretamente atribuído nas interrogativas. Assim. não precisamos modificar a estrutura sintática da sentença declarativa. essa análise dos 56 . de qualquer maneira. Por isso. do + passado /did/.em transcrição fonêmica. do é introduzido pela regra (4) como o portador de um elemento não afixado ∅. O João chegou? c. tal como Chomsky expõe aqui. se aplicar a (42i). Se C tiver sido desenvolvido em S ou passado pela regra (29i). por exemplo. não se aplica ao português. Para formarmos perguntas do tipo “simou-não”. b. Repare que nenhuma regra morfofonêmica nova é necessária para dar conta do fato de que do + ∅ /duw/. O João está vindo? conta das formas do do como verbo principal. A transformação passiva (34) converteria. Uma alternativa que não consideramos foi a de eliminar o morfema zero e afirmar simplesmente que nenhum afixo ocorre se o sujeito não estiver na terceira pessoa do singular. O João está vindo. e a regra (40) não iria. caso contrário não haverá nenhum afixo em (42i) para que o do utilize. a regra (40) teria inserido do como o portador desses elementos. O João chegou. Como exemplo negativo. Percebemos agora que essa alternativa não é aceitável. Veja os exemplos: a. Repare também que a Tint deve se aplicar depois de (29i). em “John – slept – ∅” (o João – dormiu – ∅) na não-sentença “∅ . dessa forma. Existem vários outros casos em que a análise transformacional fornece razões convincentes a favor ou contra a postulação da existência de morfemas zero. nós consideramos S como sendo o morfema de terceira pessoa do singular e ∅ como o morfema afixado ao verbo para todas as outras formas do sujeito. No caso de (42i). teríamos derivado as sentenças (44) (i) they arrive (ii) they can arrive (iii) they have arrived (iv) they are arriving Assim. Ao analisarmos o sintagma verbal auxiliar nas regras (28) e (29). do + S /d´z/. Precisamos ter o morfema ∅. e nós teríamos sentenças como “does he arrive” (ele chega?). precisamos apenas modificar sua entoação. considere a hipótese de os verbos intransitivos serem analisados como verbos com objeto zero. o verbo tem S se o substantivo sujeito tem ∅ (“the boy arrives” (o garoto chega)) e o verbo tem ∅ se o sujeito tem S (“the boys arrive” (os garotos chegam)). d.

+ A .. assim como a Tneg produz sentenças como (46) (i) John doesn’t arrive (de John # S + n’t # arrive. em muitos casos. e isso pode ser usado para simplificar a descrição da sintaxe do inglês. Retornaremos ao problema mais geral do papel das transformações na determinação da estrutura de constituintes na seção 7. O ponto fundamental sobre a transformação interrogativa Tint é que quase nada pode ser acrescentado à gramática com o intuito de descrevê-la.. e que adiciona A a essas seqüências exatamente na mesma posição onde a Tneg adiciona not ou n’t. Já que tanto a subdivisão da sentença que ela impõe como a regra para a introdução de do eram exigidas independentemente para a negação. como em “John does come” (o João realmente vem). Em outras palavras.. que afirma as sentenças “John arrives” (o João chega). Suponhamos que criássemos um morfema A de acentuação contrastiva a que se aplicasse a seguinte regra morfofonêmica. “V . é possível utilizar o elemento do de maneira enfática. a TA é uma transformação de “afirmação”... através de (40)) (ii) John can arrive (de John # S + can + A # arrive) (iii) John has arrived (de John # S + have + A # en + arrive) Assim.. precisamos apenas descrever a inversão efetuada pela Tint ao estender a gramática para dar conta das pergunta sim-ou-não. etc.. V. Estabelecemos agora uma transformação TA que impõe a mesma análise estrutural de seqüências que a Tneg impõe (isto é.6. através de (40)) (ii) John can’t arrive (de John # S + can + n’t # arrive) (iii) John hasn’t arrived (de John # S + have + n’t # en + arrive) A TA produz as sentenças correspondentes (47) (i) John does arrive (de John # S + A # arrive.intransitivos deve ser rejeitada.. (37)). Ao tratarmos o sintagma verbal auxiliar. “John has arrived” (o 57 .. a análise transformacional revela o fato de que as negativas e as interrogativas têm basicamente a mesma “estrutura”. onde “ indica acentuação forte. Uma tradução que parece ser adequada. é o nosso “realmente”. Então. não consideramos formas acentuadas do elemento do. “John can arrive” (o João pode chegar). (45) . [O212] Comentário: Em inglês.

como acontece com o inglês. Ainda existem outros casos de transformações que são determinadas pela mesma a análise sintática fundamental das sentenças.João chegou). iii). . não é preciso quase nada de novo na gramática para incorporar sentenças como (50). 58 . Assim. etc. I – ∅ +can – arrive (iii) John – S + have + en + arrive. I – ∅ – arrive (ii) John – S +can – arrive. da mesma maneira que a Tneg as nega. Considere a transformação Tso que converte pares de seqüências de (48) para as seqüências correspondentes de (49): (48) (i) John – S – arrive. a tradução é irrelevante. Essa é formalmente a solução mais simples e parece estar intuitivamente correta. Há um outro atributo notável do caráter fundamental dessa análise que merece atenção. primeiro trocando o terceiro segmento da sentença por so e depois intercambiando o primeiro e o terceiro segmentos. I – ∅ – have – en +arrive (49) (i) John – S – arrive – and – so – ∅ – I (ii) John – S + can – arrive – and – so – ∅ + can . as interrogativas e as afirmativas enfáticas. a saber (37). uma vez que não temos nenhum verbo auxiliar na segunda oração. parece claro que tanto a análise (37) das sentenças quanto a regra (40) são novamente fundamentais. mais ou menos no mesmo sentido em que he (ele) é um pronome). (O elemento so é então um pro-VP. que são formadas sobre o mesmo padrão subjacente transformacional que as negativas. Considere as sentenças nucleares [O213] Comentário: Em português. derivamos finalmente (50) (i) John arrives and so do I (o João chega e eu também) (ii) John can arrive and so can I (o João pode chegar e eu também) (iiii) John has arrived and so have I (o João chegou e eu também) a Tso opera na segunda sentença de cada par em (48). A transformação Tso se combina com a transformação da conjunção para dar (49).I (iii) John – S + have – en + arrive – and – so – ∅ + have – I Aplicando as regras (29ii. Apesar de ainda não termos descrito esse processo de maneira suficiente. (40) e as regras morfofonêmicas.

Além disso. A transformação Tneg se aplica a qualquer seqüência da forma (37). e a a Tso irá produzir qualquer uma das formas de (55). (ii) Bill has a chance to live and so has John. Porém. temos “John doesn’t read book”. (54) (i) does John have a chance to live? (ii) has John a chance to live? (55) (i) Bill has a chance to live and so does John. 59 .(51) (i) John has a chance to live (o João tem uma chance para viver) (ii) John is my friend (o João é meu amigo) As seqüências terminais subjacentes a (51) são (52) (i) John + C + have + a + chance + to + live (ii) John + C + be + my + friend onde have em (52i) e be em (52ii) são verbos principais. ambas as formas de (53) são gramaticais. mas não “John readsn’t books”. have é o único verbo transitivo que torna possível essa ambigüidade da negação. Tint e Tso se aplicam a essas seqüências subjacentes. Ou seja. (52i) produzirá (53i) ou (53ii): (53) (i) John – C – n’t – have + a + chance + to + live ( ( “John doesn’t have a chance to live”) “John hasn’t a chance to live”) (ii) John – C + have + n’t – a chance + to + live Mas na verdade. a Tint irá produzir qualquer uma das formas de (54). não auxiliares. Considere agora como as transformações Tneg. já que essas transformações também são baseadas na análise estrutural (37). como aparece em (37). aplicada a (52i). assim como ele é o único verbo transitivo que pode ser analisado ambiguamente nos termos de (37). adicionando not ou n’t entre o segundo e o terceiro segmentos. Da mesma forma.

somente (37iv) se refere a (52ii). as transformações Tneg. não aceitaremos nessa gramática be como sendo um V. não obstante. como seria o caso com verbos reais. uma conseqüência automática de nossas regras. a transformação TA produz “John is here”. verdade que.) são impossíveis com verbos reais. Repare que a ocorrência de have como um auxiliar em seqüências terminais como John + C + have + en + arrive (subjacente à sentença nuclear “John has arrived”) não está sujeita à mesma análise ambígua. na gramática mais simples do inglês. Mas acabamos de ver que são exatamente essas formas aparentemente excepcionais que resultam automaticamente da gramática mais simples construída para dar conta dos casos regulares. as formas “be” e “have” surgiriam como exceções claras e distintas. Isso resolve o problema mencionado anteriormente. Essa seqüência terminal é um 60 “John isn’t my friend”) “Bill is “is John my friend”) (iii) Bill – S + be – my + friend – and – so – S + be – John ( . formas como (54ii) e (55ii) são impossíveis. não há qualquer motivo para incluir “be” na classe dos verbos. (56) (i) John – S + be + n’t – my + friend ( (ii) S + be – John – my + friend ( my friend and so is John) Mais uma vez. e Tso. Percebemos. uma manifestação de uma regularidade subjacente mais profunda quando consideramos a estrutura do inglês a partir do ponto de vista da análise transformacional. no entanto. é de fato verdade que. Da mesma forma. Considere agora (52ii).Mas no caso de todos os outros verbos transitivos. Por isso. etc. as formas análogas (por exemplo. irão produzir. uma das formas é be + Predicado. respectivamente (passando por 29i). Se tentássemos descrever a sintaxe do inglês puramente em termos de estrutura sintagmática. Assim como uma das formas do sintagma verbal é V + SN. esse comportamento de “be” e “have” acaba se tornando. na seção 2. que o comportamento aparentemente irregular do verbo “have” é. Por isso. é. aplicadas a (52ii). ainda que be não seja um auxiliar em (52ii). Não temos em inglês “reads John books?” ou “Bill reads books and so reads John”. Portanto.3. na verdade. na verdade. sobre a gramaticalidade de (3) mas não de (5). de todas as análises permitidas por (37). isto é. Apesar de ainda não o termos mostrado. “John readsn’t books. Tint.

qualquer modelo para a forma da gramática) deve satisfazer. (37i)) Essa seqüência não é um exemplo de (37i). já que essa ocorrência de have não é um V.. mas não de (37i). mas não como em (57ii). conseqüentemente. O fato de (57ii) não ser uma análise possívelnão nos permite derivar não-sentenças. A estrutura sintagmática de uma seqüência terminal é determinada a partir de sua derivação. a gramática do inglês se torna muito mais simples e ordenada..exemplo (37iii). da maneira descrita na seção 4. (52i) é analisado de maneira ambígua uma vez que a ocorrência de have em (52i) pode ser rastreada até um nó V e.1. etc. pode ser rastreada até um have (que é ele mesmo) no diagrama que corresponde à derivação da seqüência (52i). Nesta seção.. No entanto. não pode ser rastreado até um nó que seja rotulado como V na derivação dessa seqüência. Acho que essas considerações dão ampla justificativa para nosso argumento anterior de que as concepções da estrutura sintagmática são fundamentalmente inadequadas e que a teoria da estrutura lingüística deve ser elaborada seguindo as linhas sugeridas em nossa discussão sobre a análise transformacional. (37iii)) (ii) John – C – have + en + arrive (SN – C – V…. como “John doesn’t have arrived”. através do rastreamento de segmentos até os nós. ainda que algumas outras ocorrências de have (por exemplo. obviamente. vimos que uma ampla variedade de fenômenos aparentemente distintos se organiza de uma maneira bem simples e natural quando adotamos o ponto de vista da análise transformacional e que. isto é. ela pode ser analisada como em (57i). Mas have. em (57). em (52i)) sejam Vs. “does John have arrived”. Esse é o requisito básico que qualquer concepção de estrutura lingüística (isto é.2 Podemos estender facilmente a análise das interrogativas que estudamos anteriormente de maneira que elas incluam os seguintes casos (58) (i) what did John eat (o que o João comeu?) (ii) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) 61 . isto é. (57) (i) John – C + have – en + arrive (SN – C + have – . 7. Ou seja.

Esses casos não recebem respostas do estilo sim-ou-não. 38 62 . e what é o que ou qual. Essa dependência condicional entre as transformações é uma generalização da distinção entre as transformações obrigatórias e opcionais. isto é. que opera em qualquer seqüência da forma (59) X – SN – Y onde X e Y representam qualquer seqüência (incluindo. que podemos construir facilmente na gramática e que se revelam essenciais. sendo condicionada pela Tint no sentido em que ela somente se aplica a produzidas por Tint. podemos limitar a aplicação de Tw a seqüências da forma X – SN – Y em que o SN seja he (ele). o mesmo efeito transformacional que a transformação Tint (cf. é quem. A seqüência terminal subjacente a (58i) e (58ii) (assim como a (62) e (64)) é (61): (61) John – c – eat + an + apple (SN – C – V…). onde wh é um morfema. ela inverte o primeiro e o segundo segmentos de (59). wh + it /what/. a primeira ou a terceira posições podem estar vazias). Agora estabelecemos a condição de que a transformação Tw possa se aplicar somente a seqüências a que a transformação Tint já tenha se aplicado. a seqüência “vazia” – isto é. wh + him /huwm/. em particular. o) ou it (pronome sujeito e objeto de terceira pessoa do singular. Mais simplesmente. A maneira mais simples de incorporar essa classe de sentenças em nossa gramática é criando uma nova regra de transformação opcional Tw. e podemos definir Tw2 como a transformação que converte qualquer seqüência Z em wh + Z. Ela tem. A Tw se aplica depois da Tint e antes de (29ii). Especificamos que a Tint deve se aplicar depois de (29i) e antes de (29ii). com a flexão neutra). A Tw opera em duas etapas: (60) (i) A Tw1 converte as seqüências da forma X – SN – Y na seqüência correspondente de forma SN – X – Y. Na morfofonêmica do inglês. (41) e (42)). him (pronome objeto masculino de terceira pessoa do singular. portanto. em português. (ii) A Tw2 converte a seqüência resultante SN – X – Y em who – X – Y se o SN for animado ou em what – X – Y se o SN for inanimado38. [O214] Comentário: Who. teremos regras como: wh + he /huw/.

Suponhamos agora que aplicamos a Tw a (63). aplicamos a Tw a (63). por meio de Tw1. 63 “John ate an apple” (o João . derivaremos primeiro (65). então. Se aplicarmos agora (40) a (63). escolhendo o sintagma nominal John. derivaremos (62) # John # eat + passado # an # apple # ( comeu uma maçã)) Se aplicarmos (29i) e a Tint a (61). (66) em (58ii). escolhendo o sintagma nominal an+apple (uma+maçã). primeiro selecionamos um sintagma nominal e depois invertemos esse sintagma nominal com a seqüência que o precede. que subjaz a sentença nuclear (62). Para aplicar a transformação Tw a uma seqüência. (65) John – passado – eat + an + apple (66) who – passado – eat + an + apple A regra (29ii) e as regras morfofonêmicas convertem. Se aplicarmos apenas transformações obrigatórias a (61). por Tw2. então. como indicamos. Onde C é entendido como sendo passado. Repare que. e depois (66). Assim. escolhendo passado no desenvolvimento de C por (29i). neste caso. Ao formarmos (58ii).onde os traços indicam a análise imposta pela Tint. (61) é um caso de (37i). Para formar (58ii). introduzindo do como o portador de passado. derivaremos (63) passado – John – eat + an + apple. para os propósitos dessa transformação. teremos a interrogativa simples (64) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) No entanto. analisamos (63) como (67): (67) passado + John + eat – an + apple. o que explica a ausência da inversão em (58ii). se aplicarmos a Tw a (63). aplicamos primeiramente a Tint e depois a Tw à seqüência terminal (61). Assim. a Tw1 simplesmente desfaz o efeito da Tint.

como “what will he eat” (o que ele comerá?). Repare que a Tw1. etc. ou seja. (40) se aplica a (69). por isso. introduzindo do como um portador do morfema passado. onde Y é. (68) an + apple – passado + John + eat (69) what – passado + John + eat (29ii) não se aplica agora a (69). o efeito converte uma entoação descendente para uma entoação ascendente. converter a entoação de um desses tipos para o outro. Aplicando as regras restantes. tal como formulada em (59)-(60). ela inverte os primeiros dois segmentos da seqüência a que ela se aplica. finalmente derivamos (58i). que associamos às perguntas do tipo sim-ou-não. vimos que a Tw1 se aplica somente depois da Tint. tal como definida em (60i). o efeito da Tint é. Então. Parece razoável aceitar essa explicação para o fato de que as interrogativas (58i-) normalmente têm a entoação descendente das declarativas. “what has he been eating” (o que ele tem comido?). também irá dar conta de todas as perguntas-QU. mas ela sugere que tal discussão pode ser frutífera. efetua a mesma transformação que a Tint. Para resumir. já que (69) não contém uma subseqüência da forma Af + V. em parte. e depois (69). Por isso. Ela pode facilmente ser alargada para cobrir interrogativas como “what book did he read” (que livro ele leu?). por Tw2. No entanto. neste caso. a Tw1 irá converter a entoação ascendente para uma entoação descendente. que associamos às sentenças nucleares.uma seqüência da forma (59). assim como não se aplicava a (39) ou a (42i). Suponhamos que estabelecêssemos duas entoações básicas de sentenças: entoações descendentes. Aplicando a Tw a (67). vemos que as quatro sentenças (70) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) (= (62)) (= (64)) 64 . e entoações ascendentes. no caso de (64). e seu efeito transformacional é mesmo que o da Tint. derivamos primeiro (68). Por isso. vazio. a partir de Tw1. A Tw. e essa observação não passa de um esboço. Não discutimos ainda o efeito das transformações na entoação. Há diversos problemas se estendermos nossa discussão sobre os fenômenos entoacionais.

(70ii) é formada de (61) pela aplicação da transformação Tint. artigo – substantivo – é – adjetivo) convertendo-a no sintagma nominal correspondente da forma T + Adj + N. Por isso. ing + SV não podem mais ser introduzidos dentro da gramática nuclear por regras como (33). Assim. Cf. 39 65 . (70iii) e (70iv) são ainda mais remotas da sentença nuclear. então. Entre eles. ser introduzidas através de uma “transformação de nominalização” que converte uma sentença da forma SN – SV em um sintagma nominal da forma to + SV ou ing + SV39. Para uma análise mais detalhada e mais adequada do material nesta subseção. respectivamente. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para discussão detalhada. ela converte “the boy is tall” (o garoto é alto) para “the tall boy” (o garoto alto).2. meu artigo “A transformational approach to syntax”. Faremos referência a essa análise brevemente na seção 8. “proving that theorem” (provando aquele teorema) – cf. 7. como (26). Não é difícil demonstrar que essa transformação simplifica consideravelmente a Essa transformação de nominalização será dada como uma transformação generalizada. uma das quais é convertida de SN – SV para to + SV (ou ing + SV). (32)-(33)). Elas devem. Uma das transformações de nominalização será a transformação Tadj. Mas as passivas foram excluídas do núcleo. Não abordaremos a estrutura desse interessante e ramificado conjunto de transformações de nominalização. (70i) é uma sentença nuclear.3. ing + SV (“to prove that theorem” (para provar aquele teorema). mencionamos que existem certos sintagmas nominais da forma to + SV. os sintagmas nominais do tipo to + SV. teremos sintagmas como “to be cheated” (ser traído). que são derivados de passivas. Proceedings of the University of Texas Syposyum of 1958. “being cheated” (sendo traído). Ela irá operar sobre um par de sentenças.3. que opera sobre qualquer seqüência da forma (71) T – N – is – Adj (isto é. exceto pela breve explicação de cunho transformacional que esboçaremos para o problema levantado na seção 2. etc. já que elas são formadas a partir de (61).(iii) what did John eat (o que o João comeu?) (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) (= (58i)) (= (58ii)) são todas derivadas da seqüência terminal subjacente (61). cf.3 Na seção 5. uma vez que apenas as transformações obrigatórias participam de sua “história transformacional”. que então irá substituir um SN a outra sentença. pela aplicação das transformações Tint e Tw.

(velho.. A maneira mais simples de dar conta de “very” é colocar a seguinte regra na gramática de estrutura sintagmática: 66 . que pode ocorrer com certos adjetivos. no entanto. como podemos verificar pelo fato de não termos “the book will interest” (o livro vai interessantear). figurar na lista (73). etc. (73) é gerado pela transformação (29ii) (que converte Af + v em v + Af #) a partir da seqüência terminal subjacente (74) the + child + C + be – ing – sleep. Um argumento independente para essa análise de “interesting” e “sleeping” vem do comportamento de “very” (muito). Palavras como “interesting” (interessante) deverão. etc.. “the child sleeps” (a criança dorme). onde be + ing é parte do verbo auxiliar (cf.. descobrimos que ela nos permite eliminar do núcleo todas as combinações adjetivo-substantivo. temos sentenças como “the child will sleep” (a criança irá dormir).. alto. tall. com diferentes escolhas para o verbo auxiliar. não irão figurar nessa lista. temos uma regra (72) Adj old. Na gramática sintagmática. “the book interests”(o livro interesseia). não parte do Verbo. reintroduzindo-as através da Tadj. Em sentenças como (75) the book is interesting (o livroé interessante). Palavras como “dormindo”.. mas não com outros.gramática e que sua direção deve ser essa e não a oposta. Quando formulamos essa transformação de maneira adequada. ainda que tenhamos sentenças como (73) the child is sleeping (a criança está dormindo) A razão para que isso aconteça é que até mesmo quando “sleeping” (dormindo) não é listado em (72). etc.) que lista todos os elementos que podem ocorrer nas sentenças nucleares da forma (71). (28iii)).. Paralelamente a (73). contudo. “interesting” é um Adj.

e em geral com “interesting”. ele aparecerá como um adjetivo modificando substantivos. e uma seqüência Y formada por uma transformação tem a mesma forma estrutural do que X.(76) Adj very + Adj “very” pode aparecer em (75). afirmaremos que os by-phrases (os sintagmas introduzidos por by (por). A palavra “sleeping” é formada por transformação (isto é. 67 . que. Logo. mas não “sleeping” na lista de adjetivos (72). já que sabemos. como em “the food was eaten – by the man” (a refeição foi comida – pelo homem)) são sintagmas preposicionais (SP) na sentença passiva. Particularmente. Assim. se desejarmos preservar a análise mais simples de “very”. então Y também é um Z. até mesmo quando as passivas forem excluídas do núcleo. (77) pode ser elaborada como sendo uma condição do conjunto de condições impostas à estrutura de constituintes derivada. devemos de incluir “interesting”. Mas isso significa que (73) pode ser analisada como uma seqüência da forma (71). “sleeping” também é um Adj na sentença transformada (73). ainda que tenhamos sugerido que isso seja necessário. Uma das condições gerais impostas à estrutura de constituintes derivada será a seguinte: (77) Se X é um Z na gramática sintagmática. é um V + ing). Logo. ainda que “sleeping” seja excluído de (72). (29ii)) e tem a mesma forma que “interesting” (isto é. Não discutimos a maneira como as transformações impõem uma estrutura de constituintes. mas não pode aparecer em (73) ou com outras ocorrências de “sleeping”. de forma que a Tadj se aplique a ela. Mas considere agora (73). é um Adj. Embora não esteja formulada de maneira suficientemente acurada. pela gramática nuclear. que by + SN é um SP. por (77). como sabemos pela gramática de constituintes. formando o sintagma nominal (78) the sleeping child (a criança dormindo) da mesma maneira como forma “the interesting book” (o livro interessante) a partir de (75). Vemos que (77) permite que isso aconteça. especialmente de forma que as transformações possam ser compostas.

haverá regras de estrutura sintagmática que analisarão o sintagma verbal em (79) Aux + seem + Adj tal como outras regras analisam o SV em Aux + V + SN. já que são conseqüências da gramática transformacional mais simples. que permanecem no núcleo. Quando desenvolvemos esse argumento com mais cuidado. etc. contudo. por um lado. por outro. têm uma origem estrutural clara e são. Mas “sleeping” nunca será introduzido no contexto “seems ___” (parece ___) por essa gramática. que é aparentemente a gramática mais simples que pode ser construída para as sentenças que efetivamente ocorrem. etc. Já que “very” nunca modifica verbos. “very” não irá aparecer em (74) ou (73). Aux + be + Adj. (80) (i) the child seems sleeping (a criança parece dormindo) (ii) the very sleeping child (a criança dormindo muito interessante) (81) (i) the book seems interesting (o livro parece interessante) (ii) the very interesting book (o livro muito interessante) Vemos. Em outras palavras.Essa análise de adjetivos (que é tudo o de que precisamos para dar conta das sentenças que efetivamente ocorrem) não irá. na verdade. introduzir a palavra “sleeping” em todas as posições de adjetivos ocupadas por palavras como “interesting”. Da mesma forma. chegamos à conclusão de que a gramática transformacional mais simples irá excluir (80).3 entre (3) (“have you a book on modern music?” (tu tens um livro sobre música moderna?)) e (4) (= (8i)). que as aparentes distinções arbitrárias que notamos na seção 2. Por exemplo. certos comportamentos lingüísticos que parecem ser imotivados e inexplicáveis em termos de estrutura sintagmática tornam-se simples e sistemáticos quando adotamos o ponto de vista transformacional. ao passo que irá gerar (81). e (5) (= “read you a book on modern music?” (lês tu um livro sobre música moderna?)) e (6) (= (80i)). Para utilizarmos a terminologia da 68 . e todas as ocorrências de “sleeping” como modificador são derivadas de suas ocorrências como verbo em (74). “sleeping” jamais será introduzida no contexto “very ___” (muito ___). então. instâncias de uma regularidade de um nível superior.

Os phrasal verbs são verbos com uma preposição ou advérbio. como “bring in” (trazer). Para incluir (82iii).seção 2. Para possibilitar (82ii). Da mesma forma. distanciando-se). excluindo ao mesmo tempo (83). um grande número de subcontruções produtivas de V que merecem nossa atenção. Existe. “drive away” (dirigir. que modificam seu sentido original. de phrasal verbs. Podemos ter as sentenças de (82). indicando quais V1 são compatíveis com cada Prt. 7. construções verbo + partícula (V + Prt).4 Em (28). contudo. (82i) em (82ii). Considere primeiramente as [u15] Comentário: Verbos com essa estrutura (verbo + partícula). (82) (i) the police brought in the criminal (ii) the police brought the criminal in (iii) the police brought him in (83) the police brought in him Sabemos que elementos descontínuos não recebem um tratamento adequado no âmbito da gramática sintagmática. na seção 5. se um falante deve projetar sua experiência lingüística finita através da utilização da estrutura sintagmática e das transformações da maneira mais simples possível.3. de maneira consistente com sua experiência. Por isso. mas não a de (83). Os exemplos em (82) e (83) tratam justamente de um fenômeno que envolve os phrasal verbs. já que elas esclarecem alguns pontos básicos de maneira bastante precisa. a maneira mais natural de analisar esse tipo de construção é adicionar a seguinte possibilidade a (28ii): (84) V V1 + Prt além de um conjunto de regras suplementares. então. em inglês. ele iria incluir (3) e (4) como gramatical. então. Ela converte.2. analisamos o elemento Verbo em Aux + V e listamos. que opera em seqüências com a seguinte análise estrutural: (85) X – V1 –Prt – SN e tem o efeito de intercambiar o terceiro e o quarto segmentos da seqüência a que se aplica. as raízes verbais da classe V. podem estabelecer uma transformação 69 . ao mesmo tempo em que rejeitaria (5) e (6). como “bring in” e “drive away” são chamados. estabelecemos uma transformação opcional Tfacsep. devemos indicar que essa transformação é obrigatória quando o SN objeto é um pronome (Pron).

mas que opere em seqüências com a seguinte análise estrutural: (86) X – V1 – Prt – Pron Sabemos que a transformação passiva opera em qualquer seqüência da forma SN – Verbo – SN.obrigatória Tobsep que tenha os mesmos efeitos estruturais de Tfacsep. que subjaz (88): (90) todos no laboratório – consideram incompetente – O João Agora podemos formar (88) a partir de (90) por uma transformação análoga a Tobsep. Ou seja. onde SN1 = todos + no + laboratório. devemos aplicar a passiva não a (88). Se especificarmos que a transformação passiva se aplica antes de Tfacsep ou de Tobsep. que acabamos de discutir. Suponhamos que adicionemos a regra (91) à gramática sintagmática. Considere as seguintes sentenças: (88) (89) everyone in the lab considers John incompetent (todos no laboratório John is considered incompetent by everyone in the lab (o João é consideram o João incompetente) considerado incopetente por todos no laboratório) Se desejarmos derivar (89) a partir de (88) utilizando a transformação passiva. 70 . então ela formará as passivas (87) (i) the criminal was brought in by the police (ii) he was brought in by the police a partir de (82). e o SN2 = o João. devemos analisar (88) na estrutura SN1 – Verbo – SN2. paralela a (84). como deveria. Investigações mais profundas sobre o sintagma verbal mostram que há uma construção geral do tipo verbo + complemento (V + Comp) que se comporta de maneira bastante semelhante à construção verbo + partícula. mas a seqüência terminal (90).

assim como a seqüências da forma (86).). como antes. que requer estudo muito mais detalhado da teoria transformacional do que o que podemos oferecer aqui. 40 71 .” (eles consideram incompetente qualquer um que não seja capaz de. Como um exemplo paradigmático. Cf. podemos ter. Em primeiro lugar. Transformational analysis e “A transformational approach to syntax”. de minha autoria.(91) V Va + Comp Estendemos agora a transformação Tobsep para permitir que ela se aplique a seqüências da forma (92). o tratamento de construções verbo + complemento e verbo + partícula são bastante similares. A primeira. Existem muitas outras características dessas construções que nós abordamos aqui apenas muito brevemente. Em segundo lugar. embora seja muito importante estudar a questão da especificidade desse sistema. iremos rever brevemente o status da transformação passiva. Não é certo que essa transformação seja uma transformação obrigatória. (92) X . Existem também outras possibilidades para as passivas. Acredito que pode ser mostrado que em cada um dos casos considerados anteriormente. mostramos que a gramática é muito mais complexa se ela contiver tanto ativas como passivas em seu núcleo do que se as passivas forem excluídas ou reintroduzidas por uma transformação que troque o sujeito e o objeto da ativa e substitua o verbo V por is + V + em + by. ao invés de utilizar a Tobsep. Assim. e em muitos outros casos também. “they consider incompetent anyone who is unable to.5 Nós mal esboçamos uma justificativa para a forma particular de cada uma das transformações que discutimos. por falta de espaço. esse é um assunto complicado.. etc. 7. Então. perguntamos se as passivas Estudos mais aprofundados mostram que a maioria das formas verbo + complemento introduzidas pela regra (91) deveriam ser excluídas do núcleo e serem derivadas transformacionalmente a partir de “O João é incompetente”.4. poderíamos estender a transformação Tfacsep paa lidar com esse caso. há considerações muito claras e facilmente generalizáveis de simplicidade que determinam qual conjunto de sentenças pertences ao núcleo e que tipos de transformações são necessários para dar conta das sentenças não nucleares. Na seção 5. ainda que elas constituam um estudo interesante. é uma construção extremamente bem desenvolvida em inglês40.. Há muitos outros fatores além do comprimento envolvidos aí. The logical structure of linguistic theory. É interessante estudar essas características do objeto gramatical que exigem ou excluem essa transformação. Duas questões sobre especificidade emergem daí. Com objetos longos e complexos.. perguntamos se é necessário intercambiar os sintagmas nominais para se formar a passiva.Va – Comp – SN Essa transformação Tobsep revista irá converter (90) em (88). por exemplo. que não iremos considerar aqui. Porém.. em particular.

argumentamos contra (93) e a favor da inversão. iii) e (95i. e certamente uma teoria lingüística deve fornecer os meios para tal distinção. que. com base no fato de que temos sentenças como (94). a passiva de “O João ama a Maria” seria “O João é amado pela Maria”. mas não como (95). iii). qualquer gramática que possa distinguir singular de plural é poderosa o suficiente para nos permitir provar que a passiva exige a inversão de sintagmas nominais. (94) (i) o João admira a sinceridade – a sinceridade é admirada pelo João (ii) o João joga golfe – golfe é jogado pelo João (iii) a sinceridade assusta o João – o João é assustado pela sinceridade (95) (i) a sinceridade admira o João – o João é admirado pela sinceridade (ii) o golfe joga o João – o João é jogado pelo golfe (iii) o João assusta a sinceridade – a sinceridade é assustada pelo João No entanto. é interessante mostrar que existe até mesmo um argumento mais forte contra (93). Considere primeiro a questão sobre a troca entre sujeito e objeto. Contudo. em um sentido claro. e as ativas derivadas a partir delas por uma transformação “ativa”. as sentenças de (94) são mais gramaticais do que as sentenças de (95). Essa troca é necessária? Ou poderíamos descrever a transformação passiva como tendo o seguinte efeito: (93) SN2 Por exemplo.poderiam ter sido escolhidas como sendo nucleares. assinalamos que essa abordagem requer que uma noção de “gradação de gramaticalidade” seja desenvolvida para sustentar essa distinção. considerando que não fomos abordar a questão de análise categorial em nossa discussão. Na verdade. Eu acredito que essa abordagem está correta e que.4. Na seção 5. por sua vez. etc. são mais gramaticais do que “a sinceridade admira comeu”. por exemplo. Qualquer gramática que distinga substantivos abstratos de substantivos próprios seria sutil o suficiente para caracterizar a diferença entre (94i. SN1 – Aux – V – SN2 é reescrita como SN1 – Aux – be + en – V – by + 72 .

pegarmos (93) como a definição da passiva. 73 . eliminando be + en de (28iii).Para ver isso. Além de (88) e (89). ela irá corretamente formar (97) a partir de (98) como passiva de (96). no entanto. com o Verbo “consider a fool” sendo uma instância de (91). Considere agora a questão sobre se as passivas poderiam ser consideradas sentenças nucleares. be + en terá de ser listado em (28iii). que mencionamos anteriormente. Tendo as ativas como sentenças nucleares. Fica claro que essa proposta nos leva a gramáticas muito mais complexas. temos sentenças como estas: (96) all the people in the lab consider John a fool (todas as pessoas no laboratório consideram o João um bobo) (97) John is considered a fool by all the people in the lab (o João é considerado um bobo por todas as pessoas no laboratório) Em 7. Mas se as passivas forem as sentenças nucleares. iremos derivar uma não-sentença.4. considere a construção verbo + complemento discutida na seção 7. Vimos também que a transformação passiva se aplica diretamente a (98). Se. Tais verbos provam de maneira bastante conclusiva que a passiva deve basear-se em uma inversão de sujeito e objeto. vimos que (96) é formado pela transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (98) all the people in the lab – consider a fool – John (SN – Verbo – SN).4. juntamente com 41 A concordância entre “a fool” e “John” em (98) é claramente um argumento a favor de uma análise transformacional mais profunda das construções verbo + complemento + sintagma nominal. ao invés das ativas. Se a passiva permuta o sujeito e o objeto . (99) all the people in the lab are considered a fool by John (todas as pessoas no laboratório são consideradas um bobo pelo João) pela aplicação dessa transformação a (98). “consider a fool” – que deve concordar em número tanto com seu sujeito como com seu objeto41. a gramática sintagmática incluirá (28). O que interessa é que encontramos um verbo – a saber.

A transformação da ativa teria de se aplicar a seqüências da seguinte forma: (100) SN1 – Aux + be + en – V – by + SN2. Comparando essas duas alternativas. etc. Quando tentamos efetivamente estabelecer a gramática mais simples para o inglês. ele não pode ter o auxiliar be + en (isto é. “he seems drunk” (ele parece bêbado). vemos que o 74 . e nós teremos de acrescentar regras especiais que indiquem que se o V é intransitivo. e somos forçados a considerar as ativas. e não as passivas. existe também o adjetivo “drunk” (bêbado) que deve estar listado em (72) juntamente com “old” (velho). no sistema mais simples de estrutura sintagmática para o inglês.3). Em outras palavras. que. enquanto que se o V for transitivo. a seção 7. etc. não há qualquer maneira estrutural que mostre a diferença entre (101) e (102) se ambos forem considerados sentenças nucleares. E esse adjetivo também será originado a partir de en + drink. “interesting” (interessante). não podemos ter “lunch eats John” (o almoço come o João)). em inglês. nós enfrentaríamos certas dificuldades de um tipo bastante diferente. então. por exemplo (101) the wine was drunk by the guests (o vinho foi bebido pelos convidados) em “the guests drank the wine” (os convidados beberam o vinho). (cf. não resta dúvida no que diz respeito à complexidade relativa. como sendo as sentenças nucleares. Parece. E a aplicação da transformação “ativa” a (102) não resulta em uma sentença gramatical. a sentença (102) John was drunk by midnight (o João estava bêbado pela meia-noite) também tem como base uma seqüência terminal subjacente que pode ser analisada de acordo com (100). ele deve ter be + en (isto é. uma vez que temos “he is very drunk” (ele está muito bêbado). contendo uma parte sintagmática e uma parte transformacional.. não podemos ter “is occurred” (é ocorrido)).todas as outras formas do auxiliar. Mas. Repare que se as passivas forem escolhidas como sendo as sentenças nucleares no lugar das ativas. Convertendo-as em SN2 – Aux – V – SN1. onde “drunk” em (101) dá origem a en + drink. Ela iria converter.

Bloomfield continua. antes que resolvamos deixar o assunto de transformações em inglês. No início do capítulo 5. Esse fato pode explicar a prática tradicional dos gramáticos. obtemos uma descrição desnecessariamente complicada. já que.. 7. reparamos que a regra para conjunção fornece um critério útil para a análise de constituintes. 218). Agora estamos interpretando essa regra como uma transformação. por exemplo. 75 .quando as formas são parcialmente semelhantes..núcleo consiste de sentenças simples. assim como no caso da transformação passiva que discutimos há pouco. a estrutura da língua pode decidir essa questão por nós. estamos seguindo o raciocínio que foi apresentado por Bloomfield para a morfologia: “. por exemplo. já que. 1933]. obtemos uma descrição relativamente simples” (Language [New York. por exemplo. Cada uma das transformações que eu investiguei é irreversível. Há diversos outros casos em que o comportamento de uma sentença submetida a transformações fornece evidências valiosas e até mesmo evidentes quanto à sua estrutura de constituintes. assumindo que os gramáticos têm atuado a partir de uma intuição correta sobre a língua42. ao adotarmos uma das alternativas. ao passo que. quando estabelecemos que a seqüência terminal John – C – have + en – be + ing – read subjaz a sentença nuclear “John has been reading” (O João têm lido). etc. e com relações gramaticais simples como sujeito-predicado ou verbo-objeto. Ninguém começaria a estudar seriamente a estrutura de constituintes do inglês com sentenças como “whom have they nominated” (quem eles têm nomeado).. p.. pode haver a questão de qual das duas deveremos tomar como forma subjacente. e enquanto algumas considerações bastante detalhadas da estrutura do inglês não mencionam as interrogativas. no sentido de que é muito mais fácil proceder à transformação em uma direção do que na outra. mostrando que “essa mesma consideração frequentemente nos leva a estabelecer uma forma subjacente artificial”. A análise transformacional fornece uma explicação razoavelmente simples para essa assimetria (que não tem outra justificativa formal). declarativas (provavelmente em número finito) e que todas as outras sentenças podem ser descritas mais simplesmente como sendo sentenças transformadas. Nós também achamos que isso seja útil na análise transformacional. que costumam começar a gramática do inglês com o estudo de sentenças simples no estilo “ator – ação”.. Considere.6 Há mais um ponto que merece nossa atenção. nenhuma delas falha ao incluir declarativas simples. este par de sentenças: 42 Ao determinar qual das duas formas relacionadas é mais central. adotando a outra alternativa. ativas. tentando analisá-la em duas partes. porque essa regra é bastante simplificada se os constituintes estiverem estabelecidos de uma determinada maneira.

43 76 . Temos as sentenças (104). para derivar (104ii). mas não (105)43. (104) (i) the boy studying in the library was known (by John) (o garoto estudando na biblioteca era conhecido (pelo João)) (ii) the boy studying in the library was found (by John) (o garoto estudando na biblioteca foi encontrado (pelo João)) (iii) the boy was found studying in the library (by John) (o garoto foi encontrado estudando na biblioteca (pelo João)) (105) the boy was known studying in the library (by John) (o garoto foi\era conhecido estudando na biblioteca (pelo João)) A transformação passiva se aplica apenas a sentenças da forma SN – Verbo – SN. possamos encontrar uma justificativa para analisarmos essas sentenças em diferentes constituintes. (103ii) deve ser analisada como (106) John – found – the boy studying in the library. mas eu não acredito que. Mas considere o comportamento dessas sentenças quando submetidas à transformação passiva. já que temos a passiva (104i). dentro do nível sintagmático. “the boy was seen by John” (o garoto foi visto pelo João) em “the boy was seen” (o garoto foi visto). A análise mais simples em ambos os casos é SN – Verbo – SN – ing + SV. é óbvio que essas sentenças tenha estrutura gramatical diferente (isso fica claro quando tentamos. com o sintagma nominal objeto “the boy studying in the library”. por exemplo acrescentar “not running around in the streets” (e não correndo por aí nas ruas) a (103)). por exemplo. (103i) terá uma análise correspondente. As sentenças de (104) sem a expressão entre parênteses são formadas por uma segunda transformação “elíptica” que converte.(103) (i) John knew the boy studying in the library (o João conheceu o garoto estudando na biblioteca) (ii) John found the boy studying in the library (o João encontrou o garoto estudando na biblioteca) Intuitivamente. Por isso.

com o verbo “found” (encontrou) e o complemento “studying in the library” (estudando na biblioteca). 42). ela é derivada por uma transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (107) John – found studying in the library – the boy. ou “what did John come” (o que o João veio?) aplicando a transformação Tw. Como um outro exemplo do mesmo tipo. Devemos então analisar (108) de alguma outra forma (se não quisermos complicar desnecessariamente a descrição dessas transformações). uma vez que “para casa” não é analisada nem como objeto indireto nem como adjunto adverbial.Mas (103ii) também tem a passiva (104iii). No entanto. A descrição resultante de (103) parece estar de acordo com nossa intuição. Pelo estudo das passivas gramaticais. no entanto. como Luft (LUFT. repare que esse mesmo tipo de sentença (108) é problemático para a análise gramatical tradicional em português. com “home” sendo o objeto de “came”. Não podemos ter “home was come by John” (a casa foi voltada pelo João) aplicando a transformação passiva. considere a sentença (108) John came home (o João volto para casa) Embora “John” e “home” (casa) sejam SNs. 1986. Fora considerações como essas. C. Porto Alegre. já que (105) não é uma sentença gramatical. concluímos (103ii) é um caso da construção verbo + complemento.4. Rio de Janeiro: Globo. “o João voltou para casa”. Acredito que seja justo dizer que um número significante de critérios básicos para determinar a estrutura de constituintes é. P. . Disso. estudada na seção 7. No entanto. (103i) não é uma sentença transformada da seqüência “John – knew studying in the library – the boy” (a mesma forma que (107)). determinamos que “John found the boy studying in the library” (=(103ii)) é analisável ambiguamente como SN – Verbo – SN. ou como SN – Aux – V – SN – Comp. Moderna gramática brasileira.) chamam esse tipo de complemento de “complemento (indireto) locativo” (p. Alguns gramáticos. transformacional. talvez como SN – Verbo – Advérbio. uma investigação do efeito das transformações sobre (108) mostra que ela não pode ser analisada como um caso de SN – Verbo – SN. em verdade. O princípio geral é este: se temos uma transformação que simplifique a gramática e conduz de 77 [u16] Comentário: Essas explicações evidentemente não se aplicam à tradução da sentença em português. isto é. parece não haver razões fortes para negar a (108) a análise completamente intuitiva SN – Verbo – SN. e “came” (voltou) seja um Verbo. então. “John knew the boy studying in the library” (=(103i)). assim como converteu (90) em (89). com o objeto “the boy studying in the library”. uma seqüência transformada de (107)que possui o Verbo complexo “found studying in the library”. A transformação passiva irá converter (107) em (104iii). apresenta apenas a primeira análise.

utilizamos o fato de “John was drunk by midnight” (=102) não possuir uma “ativa correspondente como um argumento contra a criação de uma transformação passivapara-a-ativa. As correspondências intuitivas e as explicações de aparentes irregularidades parecem oferecer evidências importantes para a exatidão da abordagem que temos adotado.sentença a sentença em um grande número de casos (isto é. Nosso objetivo mais fraco de avaliação. Utilizando a estrutura de constituintes e as transformações. Temos seguido. Definimos transformações como as passivas em termos de análises específicas da estrutura sintagmática e então consideramos o comportamento de sentenças que sofreram essas transformações. Contudo. simplificando. então. estamos tentando construir uma gramática do inglês que poderá ser mais simples do que qualquer proposta alternativa. Na seção 7. nossa única preocupação foi a de diminuir a complexidade da gramática. se seguirmos o argumento cautelosamente em cada caso. em outros casos. o capítulo 8. utilizamos o fato de “John came home” (=(108)) não possuir uma passiva como um argumento contra a atribuição da estrutura SN – Verbo – SN a essa sentença. a gramática ainda mais. Em cada um dos casos. Em alguns casos a gramática se torna mais simples se rejeitarmos certas transformações. e não de descoberta. O leitor deverá talvez ter notado uma certa circularidade ou até mesmo uma aparente inconsistência em nossa abordagem.6. e não estamos sequer pensando na questão de como se poderia realmente chegar a essa gramática de alguma maneira mecânica a partir de um corpus do inglês. Cf. Na seção 7. o percurso esboçado no capítulo 6. é preferível o restabelecimento da estrutura de constituintes. portanto. não importa o quão extenso. poderemos ver claramente que não há circularidade nem inconsistência. e tentamos mostrar que a análise proposta é claramente mais simples do que as alternativas que rejeitamos. 78 . uma transformação em que o conjunto de sentenças gramaticais é praticamente fechado).5. determinando como atribuir uma estrutura sintagmática a essas sentenças. elimina qualquer risco de circularidade viciosa nos casos que discutimos. então podemos tentar atribuir uma estrutura de constituintes a sentenças de tal maneira que essa transformação sempre nos conduzirá a sentenças gramaticais.

associados com as formas fonêmicas /↔/. levarão a noções muito parecidas de estrutura lingüística. Em geral. conduz-nos ao estabelecimento da estrutura sintagmática e da estrutura transformacional como dois níveis distintos de representação de sentenças gramaticais. Se nossa gramática fosse um sistema de apenas um nível.1 Até aqui. no entanto. Podemos testar a adequação de uma determinada gramática perguntando se cada caso de construção de homonímia é um caso real de ambigüidade e se cada caso de ambigüidade genuína é ou não um caso de 79 . para muitos falantes do inglês. descobrimos que. dos quais alguns são bastante abstratos e não triviais. “aim” (objetivo) e “name” (nome). descobrimos que a seqüência de fonemas /↔neym/ é representada de maneira ambígua no nível morfológico. Iremos agora proceder à formulação dos objetivos do lingüista em termos bem diferentes e independentes que. Assim. a seqüência de fonemas /↔neym/ pode ser entendida de maneira ambígua. Existem muitos fatos sobre a linguagem e sobre o comportamento lingüístico que precisam de explicações que vão além de explicações do tipo “esta ou aquela seqüência (que pode nunca ter sido produzida por alguém) é ou não é uma sentença”. somos forçados a estabelecer os morfemas “a” (um/a). e somente essas. de uma língua. Por exemplo. “an” (um/a). como “a name” (um nome) ou “an aim” (um objetivo). Particularmente. Mas quando desenvolvemos o nível da representação morfológica. atribuímos ao lingüista a tarefa de produzir um certo tipo de mecanismo (chamado gramática) para a gerar todas as sentenças. por razões independentes. dizemos que temos um caso de construção de homonímia quando uma determinada seqüência de fonemas pode ser analisada de mais de uma maneira em algum nível. O PODER EXPLICATIVO DA TEORIA LINGÜÍSTICA 8. como conseqüência direta da tentativa de estabelecer a morfologia da maneira mais simples possível. Vimos que essa concepção nos leva naturalmente à descrição de línguas em termos de um conjunto de níveis de representação.8. sentenças que. poderíamos não ter qualquer explicação para esse fato. eram de algum modo pressupostas. /↔n/. Isso sugere um critério de adequação para as gramáticas. respectivamente. por hipótese. É razoável esperarmos que as gramáticas forneçam explicações para alguns desses fatos. lidando apenas com fonemas. /eym/ e /neym/.

duas seqüências distintas de fonemas são analisadas de maneira similar o idêntica. assim como casos de dupla representação são “entendidas” de mais de uma maneira. Lembre-se de que a análise de uma expressão no nível sintagmático não é fornecida apenas por apenas uma seqüência. respectivamente. um argumento perfeitamente válido para o estabelecimento de um nível morfológico é que irá dar conta da ambigüidade de /↔neym/. Esse fato não poderia ser explicado por a uma gramática que não ultrapassasse o nível das palavras ou morfemas. Linguistics Today. De maneira mais geral. de fato. e exemplos como esse justificam o estabelecimento de um nível sintagmático independente do que foi apresentado no capítulo 3. poderemos questionar a adequação dessa concepção e a teoria lingüística que a subjaz. tanto no nível fonológico como morfológico. Em “Two models of grammatical description”. Expressões como “old men and women” e “they are flying planes” são evidentemente ambíguos e são. “light” (que pode significar “claro” ou “leve”). são compreendidas da mesma maneira. Já a segunda expressão apresenta ambigüidade apenas em inglês. estabelecimento de um nível de estrutura sintagmática. Repare que considerações sobre a ambigüidade estrutural também podem justificar o [u17] Comentário: A tradução dessas expressões é “homens e mulheres velhas” e “eles são aviões” / “eles estão voando aviões”.construção de homonímia44. que ela explicasse a ambigüidade referencial de “son” – “sun” (filho – sol). Não iríamos esperar de uma gramática. mesmo que não o sejam em nenhum outro nível inferior. Em português. analisados de maneira ambígua no nível da estrutura sintagmática. nem todos os casos de ambigüidade serão analisados em termos sintáticos. 210-33 (954). Temos um caso de construção de homonímia quando uma seqüência de fonemas tem uma representação ambígua. homens velhos e mulheres velhas / mulheres velhas e homens. não é explicada. Imaginamos que essas seqüências devam ser de alguma forma “entendidas” de maneira semelhante. a primeira expressão também é ambígua. Por exemplo. etc. mas por um Obviamente. Hockett utiliza noções de ambigüidade estrutural para demonstrar a independência de diversas noções lingüística de maneira bastante similar ao que sugerimos aqui. 44 80 . as sentenças (109) (i) John played tennis (o João jogou tênis) (ii) my friend likes music (meu amigo gosta de música) são bastante diferentes. Assim. Word 10. por exemplo. que. conseqüentemente é evidente que. de outra forma. em algum nível. em certo sentido. se uma determinada concepção da forma da gramática conduzir a uma gramática de uma determinada língua que falhe nesse teste. cf. Mas no nível sintagmático são ambas interpretadas como SN – Verbo – SN. Suponhamos que.

não está claro que existam quaisquer casos de construção de homonímia puros quando dentro do nível da estrutura sintagmática. incluindo os níveis superiores como a estrutura sintagmática e. quando unimos uma gramática transformacional à gramática sintagmática. não conseguimos compreender plenamente qualquer sentença a menos que saibamos.diagrama como (15) ou. através de casos de ambigüidade e semelhança de compreensão que não eram explicados em níveis inferiores. provam a existência de níveis superiores. e podemos testar a adequação de um determinado conjunto de níveis lingüísticos abstratos conferindo se as gramáticas formuladas em termos desses níveis nos permitem fornecer uma análise satisfatória da noção de “compreensão” ou não. Mas parece que ainda há um grande número de casos não explicados. por aquilo que chamo de “indicador sintagmático” (“phrase marker”) em The logical structure of linguistic theory e “Three models for the description of language”. a estrutura transformacional. O que estamos sugerindo é que a noção de “compreensão de uma sentença” seja explicada em parte nos termos da noção de “nível lingüístico”. então. essa sentença era uma sentença transformada pelas transformação Tobsep. “Three models for the description of language” para discussão sobre a construção de homonímia de “they are flying planes” dentro do paradigma da gramática sintagmática. essa sentença se mostra um exemplo de ambigüidade transformacional. aceitando nosso modelo. Os casos com alto nível de representação semelhante e com alto nível de representação dessemelhante (construção de homonímia) são simplesmente os casos extremos que. por um determinado conjunto de seqüências representativas45.6. Cf. Em geral. a inadequação de uma teoria de estrutura lingüística que não ultrapassava a estrutura sintagmática. e segundo a outra interpretação. Conseguimos mostrar. Irei mostrar apenas alguns exemplos representativos. de maneira equivalente. como veremos. apresentamos o exemplo de uma sentença (“I found the boy studying in the library” = (103ii)) cuja ambigüidade de representação não podia ser demonstrada sem considerarmos alguns critérios transformacionais. mesmo depois que estabelecemos o nível da estrutura sintagmática e o aplicamos ao inglês. de um modo diferente do que vimos nos capítulos 5 e 7. Para compreender uma sentença. Na verdade. como ela é analisada em todos os níveis. primeiramente é necessário reconstruir sua análise em cada nível lingüístico. Análises desses casos demonstram a necessidade de um nível ainda mais alto de análise transformacional.2 Na seção 7. uma vez desenvolvida uma gramática transformacional. em uma das interpretações. e não de construção de homonímia dentro da estrutura sintagmática. pelo menos. 8. 45 81 . a partir de “I – found studying in the library – the boy”. Vimos que. No entanto. ela era analisada em SN – Verbo – SN com o objeto “the boy studying in Ou seja.

ou como sendo o objeto. “hunters” pode ser sujeito ou objeto). existe uma explicação clara e automática. estabeleceremos uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN – C – V no sintagma É verdade que (111) pode ser representado de maneira ambígua considerando shoot (atirar) como um verbo transitivo ou intransitivo. em ambos os casos. mas o fato essencial aqui é que a relação gramatical em (111) é ambígua (isto é. Esse é um exemplo bastante complexo. de uma sentença cuja ambigüidade é o resultado de desenvolvimentos transformacionais alternativos a partir das mesmas seqüências nucleares. não haverá base que sustente a afirmação de que ou a relação sujeito-verbo ou a relação verbocomplemento deve aparecer em (111). As relações gramaticais podem ser definidas dentro da estrutura de constituintes em termos da forma de diagramas do tipo de (15). (111) the shooting of the hunters (os disparos dos caçadores) (112) (i) the growling of lions (o rugido dos leões) (ii) the raising of the flowers (o cultivo das flores) No nível da estrutura sintagmática. todos esses sintagmas são representados como the – V + ing – of – SN46.que pode ser entendido de maneira ambígua. transitivo. etc. Em termos transformacionais. a sentença é uma sentença transformada do par de seqüências terminais que subjaz as seguintes sentenças nucleares simples: (109) (i) I found the boy (eu encontrei o garoto) (ii) the boy is studying in the library (o garoto está estudando na biblioteca) Por isso.the library”. Para dar conta de sintagmas como (112i). intransitivo e transitivo ou intransitivo. Se analisarmos os verbos em três classes. Uma análise transformacional mais profunda teria mostrado que. contudo. analogamente a (112i). que requer um estudo detalhado da maneira com que as transformações determinam a estrutura de constituintes. não há uma boa maneira para explicar essa ambigüidade. Análises cuidadosas do inglês mostram que podemos simplificar a gramática se eliminarmos sintagmas como (111) e (112) do núcleo e os reintroduzirmos por transformações. Considere o sintagma (111). esse é um caso interessante. então essa mesma distinção (em si insuficiente) irá desaparecer. Porém. analogamente a (112ii). nesses termos. e exemplos mais simples de ambigüidade sem uma origem transformacional não são difíceis de encontrar. com “hunters” (caçadores) como sendo o sujeito. 46 82 .

correspondente da forma the – V + ing – of + SN. A ambigüidade da relação gramatical em (111) é uma conseqüência do fato de que a relação de “shoot” e “hunters” difere nas duas sentenças nucleares subjacentes. Por exemplo. ainda que sejam representadas de forma idêntica. através de uma dupla transformação. como SN – was + Verbo + en – by + SN no nível de estrutura sintagmática. Já (113i) é formada a partir de. iremos estabelecer uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN1 – C – V – SN2 no SN correspondente da forma the – V + ing – of + SN2. e a segunda irá converter “John raises flowers” (o João cultiva flores) em “the raising of the flowers” (o cultivo de flores). já que nem “they growl lions” (eles rugem os leões). por exemplo. (114) John was frightened by the new methods (o João estava assustado com os / pelos novos métodos) 83 . Para dar conta de (112ii). Um homônimo perfeito que segue (113) não é difícil de encontrar. são muito diferentes. “John painted the picture by a new technique” (o João pintou o quadro por uma nova técnica). contudo. Da mesma forma. considere os seguintes pares: (113) (i) the picture was painted by a new technique (o quadro foi pintado por uma nova técnica) (ii) the picture was painted by a real artist (o quadro foi pintado por um artista de verdade) Essas sentenças são compreendidas de maneira bastante diferente. a primeira dessas transformações irá converter “lions growl” (os leões rugem) em “the growling of the lions” (o rugido dos leões). Assim. e essa transformação será projetada de tal forma que o resultado seja um SN. que apaga o “agente” na voz passiva. A sentença (113ii) é a passiva de “a real artist painted the picture” (um verdadeiro artista pintou o quadro). Suas histórias transformacionais. Contudo. primeiro a passiva e depois a transformação elíptica (já mencionada anteriormente). Não temos essa ambigüidade em (112). tanto “the hunters shoot” (os caçadores atiram) como “they shoot the hunters” (eles atiram nos caçadores) são sentenças nucleares. Logo (111) = “the shooting of the hunters” terá duas origens transformacionais distintas. nem “flowers raise” (flores cultivam) são sentenças nucleares gramaticais. ela será representada de forma ambígua no nível transformacional.

(114) tem ambas as análises. Além disso.declarativa (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) . com uma entonação normal de declarativas (descendente). o que explica a sua ambigüidade. 8. Se classificarmos as sentenças com base na ordem das palavras. as interrogativas podem ser intuitivamente subdivididas em dois tipos: perguntas sim-ou-não (115ii) e perguntasQU (115iii. Se.pergunta sim-ounão .pergunta-QU interrogativa (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã) . de (113i) e de (113ii). que apresenta uma entonação ascendente. já discutidas na seção 7. a saber. que invertem o sujeito e o auxiliar. Certamente. No entanto. é difícil encontrar uma base formal que não seja arbitrária nem ad hoc para essa classificação. qualquer gramática do inglês irá classificar essas sentenças da maneira indicada em (115). 84 . então (115i) e (115iv). serão opostas a (115ii). (115iii) e (115iv). por exemplo. iv). uma teoria lingüística que falha em fornecer uma base para essa classificação deve ser considerada inadequada.2: (115) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) .pode significar tanto que João é um conservador – novos métodos o assustam. com a ordem normal SN – Verbo – SN serão opostas a (115ii) e (115iii). um caso de sentenças que são compreendidas da mesma maneira. No nível transformacional. então (115i). embora sejam bastante distintas na estrutura sintagmática e no nível inferior de representação.3 Podemos completar nossa discussão apresentando um exemplo do extremo oposto. como que novos métodos de assustar pessoas haviam sido usados para assustar o João (uma interpretação mais normal para a sentença em inglês se “being” aparecesse logo após de “was”). classificarmos as sentenças por sua entonação “normal”. Ainda assim. Considere as seguintes sentenças.interrogativa (iii) what did John eat (o que o João comeu?) .pergunta-QU interrogativa Parece intuitivamente óbvio que (115) contém dois tipos de sentenças: declarativas (115i) e interrogativas (15ii-iv). e qualquer falante do inglês irá compreender essas sentenças de acordo com esse padrão.

(15ii-iv) são todas interrogativas. Então.A representação de uma seqüência no nível transformacional é dada por uma seqüência terminal (ou mais de uma seqüência) que a origina e pela série de transformações de que é derivada. veremos que a classificação intuitivamente correta das sentenças é dada pelas representações transformacionais resultantes. logo. a partir dessa seqüência subjacente.2. já que elas são formadas pela transformação adicional Tw. (115iiiv). Nas seções 7. 85 . chegamos às seguintes conclusões sobre as sentenças em (115) (=(70)). Elas diferem uma da outra apenas na escolha do sintagma nominal a que Tw se aplica. quando formularmos a gramática transformacional mais simples para (115). além das transformações Tint e Tw. Logo. Suponhamos que determinássemos os tipos de sentenças em geral em função de sua história transformacional. Assim. Já (15iii) e (115iv) são formadas pela aplicação das transformações obrigatórias.1 e 7. que é derivada na estrutura da gramática sintagmática. ou seja. Já (115iii-iv) formariam uma subclasse especial das interrogativas. A sentença (115i) é derivada de (116) apenas pela aplicação das transformações obrigatórias. ela é uma sentença nuclear. Cada uma dessas sentenças se originou da seqüência terminal (116) John – C – eat + an + apple (=(61)). sua representação no nível transformacional. as grandes subdivisões de (115) seriam as sentenças nucleares (115i) e as sentenças que sofreram a transformação Tint. (115ii) é formada de (116) pela aplicação das transformações obrigatórias e da Tint.

No entanto. Ao propormos que a estrutura sintática pode fornecer um certo “insight” para problemas de significado e compreensão. ao problema de se explicar como as sentenças nucleares são compreendidas. essas sendo consideradas os “elementos de conteúdo” básicos a partir dos quais as sentenças mais comuns. as seqüências terminais subjacentes a essas sentenças nucleares) e a estrutura sintagmática de cada um desses componentes básicos. A verdadeira questão que deveria ser feita é esta: “como é que os mecanismos sintáticos disponíveis em uma dada língua funcionam no uso real dessa língua?”. de certo modo. já encontramos casos de sentenças que podem ser compreendidas de mais de uma maneira e que são representadas de maneira ambígua no nível transformacional (mas não em outros níveis) e casos de sentenças que são compreendidas de maneira semelhante e têm uma representação semelhante apenas no nível transformacional. 47 86 . ao invés de se preocupar com esse importante problema. SINTAXE E SEMÂNTICA 9. mais complexas da vida real são formadas através do desenvolvimento transformacional. isso nos dá mais força para sugerirmos que o processo de “compreensão de uma sentença” pode ser explicado. para compreendermos uma sentença. Não há nenhum domínio do estudo lingüístico que esteja mais sujeito a confusões e mais necessitado de uma formulação clara e cuidadosa do que aquele que trata dos pontos de ligação entre sintaxe e semântica. Particularmente. percebemos que o conhecimento da representação transformacional de uma sentença (que incorpora a estrutura sintagmática das seqüências nucleares a partir das quais a sentença se originou) é tudo o que é necessário para determinar a estrutura sintagmática derivada da sentença transformada. entramos em um território perigoso. em parte.9. o estudo das interfaces entre sintaxe e semântica tem sido dominado Quando a análise transformacional é formulada de maneira mais cuidadosa. Além do mais. Isso nos dá uma motivação independente para a descrição da língua em termos de estrutura transformacional e para o estabelecimento de uma representação transformacional como um nível lingüístico com o mesmo caráter fundamental dos outros níveis. assim como a história transformacional de seu desenvolvimento.1 Agora. utilizando-se a noção de nível lingüístico. a partir das sentenças nucleares47. é necessário conhecer as sentenças nucleares das quais ela se originou (mais precisamente. O problema geral de se analisar o processo de “compreensão” é então reduzido.

largamente por uma questão paralela mal formulada. nesse caso. já que a implicação de que é obviamente possível construir uma gramática apelando para o significado é completamente não comprovada. A pergunta que realmente deveria ser feita é a seguinte: “como se pode construir uma gramática?”. A questão. duas expressões que têm em comum apenas sua vaguidade e sua indesejabilidade na teoria lingüística. esse problema possa ser mais elucidado por uma discussão puramente negativa sobre a possibilidade de se encontrar uma base semântica para a teoria sintática. Contudo. indicamos brevemente algumas maneiras em que o uso real dos mecanismos sintáticos disponíveis pode ser estudado. No entanto. há pouca evidência de que a “intuição sobre o significado” seja útil na investigação da forma lingüística. No capítulo 8. Talvez.1 Muitos esforços têm sido feitos na tentativa de responder à pergunta: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. por causa da larga aceitação de sugestões desse tipo. da gramática). e o desafio geralmente lançado por aqueles que optam pela afirmativa nessa disputa é o seguinte: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. em si mesma. não está bem formulada. pode ser que valha a pena investigar brevemente algumas delas. com igual motivação: “como se pode construir uma gramática sem saber a cor do cabelo dos falantes da língua?”. As observações no capítulo 8 sobre possíveis implicações semânticas do estudo sintático não deve ser mal interpretadas como argumentos a favor da noção de que a gramática deva ser baseada no significado. a teoria que esboçamos nos capítulos 3 a 7 foi completamente formal e não-semântica.2. Poder-se-ia se fazer a seguinte pergunta. A questão tem sido saber se a informação semântica é ou não é necessária para descobrir ou selecionar uma gramática. 9. Acredito que a inadequação das sugestões sobre o uso do significado na análise gramatical não é aparente apenas por causa de sua vaguidade e por causa de uma tendência infeliz de se confundir “intuição sobre a forma lingüística” com “intuição sobre o significado”. 87 . Não conheço nenhuma tentativa detalhada para desenvolver a teoria da estrutura gramatical em termos parcialmente semânticos ou qualquer proposta específica e rigorosa que utilize informações semânticas na construção ou na avaliação de gramáticas. Parece também claro que o maior objetivo da teoria gramatical seja substituir essa dependência obscura na intuição por alguma abordagem rigorosa e objetiva. É inegável que a “intuição sobre a forma lingüística” é bastante útil ao investigador da forma lingüística (ou seja. Na verdade. ainda que o peso da prova recaia.

completamente no lingüista que afirma ter conseguido desenvolver alguma noção gramatical em termos semânticos. 9.22 Entre os argumentos mais comuns invocados a favor da dependência da gramática em relação ao significado, encontramos os seguintes: (117) (i) dois enunciados são fonemicamente distintos se e apenas se eles diferem no significado; (ii) os morfemas são os menores elementos que possuem significado; (iii) sentenças gramaticais são aquelas que têm um significado semântico; (iv) a relação gramatical sujeito-verbo (isto é, SN – SV como uma análise da Sentença) corresponde ao “sentido estrutural” geral ator-ação; (v) a relação gramatical verbo-sujeito (isto é, Verbo – SN como uma análise da Sentença) corresponde ao sentido estrutural ação-objetivo ou ação-objeto da ação; (vi) uma sentença ativa e sua correspondente passiva são sinônimas. 9.23 Muitos lingüistas manifestaram a opinião de que a distinção fonêmica deve ser definida em termos de significado diferencial (sinonímia, para usar um termo mais familiar), como proposto em (117i). No entanto, é evidente que (117i) não pode ser aceito, da maneira que está, como sendo uma definição de distinção fonêmica48. Se realmente quisermos responder à pergunta e não adiá-la, os enunciados em questão devem ser enunciados-ocorrência e não enunciados-tipo. the utterances in question must be tokens, not types. Mas existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente distintos e idênticos em significado (sinônimos) e existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente idênticos e distintos em significado (homônimos). Logo, (117i) é falso em ambos os sentidos. Da esquerda para a direita, ele é falsificado por pares como “solteiro” e “homem não casado”, ou de maneira ainda mais séria, por sinônimos absolutos como /ekInámiks/ e /iykInámiks/ (“economics” (economia)), “ádult” e “adúlt” (adulto) e muitas outras que podem coexistir até mesmo dentro de um mesmo estilo de fala. Da direita para a esquerda, (117i) é falsificada por pares como “banco” (de praça) e
[u19] Comentário: Aqui, Chomsky enumera exemplos de palavras que apresentam mais de uma pronúncia, sem qualquer alteração no significado. Exemplos em português seriam “garage” e “garagem”, “bergamota” e “vergamota”. [u18] Comentário: Decidi traduzir “utterance tokens” por “enunciados-ocorrência” e “utterance types” por “enunciadostipo”.

Veja meu “Semantic considerations in grammar”, Monograph n. 8, p. 141-53 (1955), para uma investigação mais detalhada de (117i).

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“banco” (instituição financeira)49, “metal” (metal) e “medal” (medalha) (em alguns dialetos do inglês) e numerosos outros exemplos. Em outras palavras, se atribuímos dois enunciados-ocorrência ao mesmo enunciado-ocorrência com base em (117i), iremos conseqüentemente obter a classificação errada em um grande número de casos. Uma afirmação mais fraca que (117i) poderia ser melhorada como se segue. Suponhamos que temos um sistema fonético absoluto, pressuposto à análise de qualquer língua, e detalhado o suficiente para que quaisquer dois enunciados fonemicamente distintos em qualquer língua possam ser transcritos de maneira diferente. Pode ser o caso de que alguns enunciados-ocorrência diferentes podem ser transcritos de maneira idêntica nessa transcrição fonética Suponhamos que definimos a “ambigüidade de significado” de um enunciado-ocorrência como sendo um conjunto de significados de todos os enunciados-ocorrência transcritos de maneira idêntica a esse enunciadoocorrência. Poderíamos agora revisar (117i), substituindo “significado” por “significado ambíguo”. Isso poderia fornecer uma abordagem ao problema da homonímia, se tivéssemos um corpus imenso que nos garantisse a ocorrência de cada uma das formas foneticamente distintas de uma palavra com cada um dos sentidos possíveis dessa palavra. Pode ser possível elaborar essa abordagem ainda mais, para dar conta do problema dos sinônimos. De certa forma, poderíamos esperar determinar a distinção fonêmica através de uma trabalhosa investigação do significado de itens foneticamente transcritos em um vasto corpus. No entanto, a dificuldade em determinarmos de alguma maneira precisa e realista a quantidade de significados que podem ser partilhados por diversos itens, além da imensidade da tarefa, tornam as perspectivas de uma abordagem como essa bastante duvidosas. 9.2.4 Felizmente, não temos de prosseguir com um programa tão ambicioso e complexo para determinar a distinção fonêmica. Na prática, cada lingüista usa mecanismos semânticos muito mais simples e diretos. Suponhamos que um lingüista esteja interessado em determinar se “metal” e “medal” são foneticamente distintos em algum dialeto do inglês. Ele não vai investigar o significado dessas palavras, já que essa informação é claramente irrelevante para seus objetivos. Ele sabe que os significados
49 Repare que não podemos argumentar que “banco” em “o banco da praça” e “banco” em “o banco de minha conta corrente” seja duas ocorrências da mesma palavra, já que essa é precisamente a questão que investigamos aqui. Dizer que dois enunciados-ocorrência são ocorrências da mesma palavra é dizer que eles não são fonemicamente distintos, e presumivelmente é isso que o critério de sinonímia (117i) deveria nos determinar.

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são diferentes (ou ele simplesmente não está interessado na questão) e está interessado em determinar se essas palavras são ou não são fonemicamente distintas. Um lingüista de campo cuidadoso iria provavelmente utilizar o teste do par50 com dois informantes ou com um informante e com um gravador. Por exemplo, ele poderia fazer uma seqüência aleatória de cópias de enunciados-ocorrência que o interessasse e então determinar se o falante consegue ou não identificá-la de maneira consistente. Se houver uma identificação consistente, o lingüista pode aplicar um teste ainda mais restrito, pedindo ao falante para repetir cada palavra por diversas vezes, utilizando o teste do par mais de uma vez nas repetições. Se for mantida uma distinção consistente durante a repetição, ele irá dizer que as palavras “metal” e “medal” são foneticamente distintas. O teste do par, com suas variantes e versões mais elaboradas, fornece um critério claro e operacional para a distinção fonêmica em termos completamente não semânticos51. É comum considerarmos abordagens não semânticas de gramáticas como sendo alternativas de abordagens semânticas e criticá-las por serem complexas demais, mesmo que sejam, em princípio, possíveis e realizáveis. Vimos, porém, que, no caso da distinção fonêmica, pelo menos, exatamente o oposto é que é verdadeiro. Há uma abordagem bastante direta e operacional para a determinação da distinção fonêmica em termos de mecanismos não semânticos, como o teste dos pares. Pode ser possível, em
Cf. o meu texto “Semantic considerations of grammar”, Monograph n. 8, p. 141-54 (1955); M. Halle, “The strategy of phonemics”, Linguistics Today, Word 10. 197-209 (1954); Z. S. Harris, Methods in structural linguistics (Chicago, 1951), p. 32f; C. F. Hockett, A manual of phonology = Memoir 11, Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore, 1955), p. 146. 51 Lounsburry argumenta em seu “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”, Language 32. 15894 (1956), p. 90, que o apelo à sinonímia é necessário para distinguir entre a variação livre e o contraste: “se um lingüista que não conheça inglês ouvir da minha boca a palavra cat (gato) primeiramente com uma oclusiva final aspirada e depois com uma oclusiva final pré-glotalizada não realizada, os dados fonéticos não irão dizer se essas formas contrastam ou não. Será apenas quando ele pergunta a mim, seu informante, se o significado da primeira forma é diferente do significado da segunda, e eu respondo que não, que ele conseguirá proceder com sua análise fonêmica”. Como um método geral, essa abordagem é insustentável. Suponhamos que o lingüista grave /ekInámiks/ e /iykInámiks/ e pergunte se têm diferentes significados. Ele irá descobrir que não têm significados diferentes e irá atribuir a eles a mesma análise fonêmica, de maneira equivocada, se levar a oposição literalmente. Por outro lado, há muitos falantes que não distinguem “metal” de “medal”, ainda que, se perguntados, podem ter bastante certeza que eles fazem essa distinção. As respostas de informantes como esses à pergunta direta de Lounsburry sobre o significado certamente iriam apenas obscurecer a questão. Podemos deixar a posição de Lounsburry mais aceitável se substituirmos a pergunta “eles têm o mesmo significado?” por “elas são a mesma palavra?”. Isso irá evitar as armadilhas da pergunta semântica essencialmente irrelevante, mas ainda não fica aceitável nessa forma, já que equivale a pedir ao informante que faça o trabalho do lingüista; substitui um teste operacional de comportamento (como o teste dos pares) por um julgamento do informante sobre seu comportamento. Os testes operacionais para as noções lingüísticas podem exigir que o informante responda, mas não que ele expresse sua opinião sobre seu comportamento, sobre seu julgamento sobre sinonímia, sobre distinção fonêmica, etc. As opiniões do informante podem estar baseadas em qualquer tipo de fatores irrelevantes. Essa é uma distinção importante que deve ser cuidadosamente observada para que as bases operacionais da gramática não sejam tornadas triviais.
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Parece que o único meio de manter uma posição como essa seria conceber o significado de um enunciado-ocorrência como “a maneira em que os enunciados-ocorrência desse tipo são (ou podem ser) usados”. 9. qualquer abordagem de distinção fonêmica em termos semânticos ou é circular ou é baseada em uma distinção que é consideravelmente mais difícil de estabelecer do que a distinção que ela deveria esclarecer. Não perguntamos se os significados atribuídos a enunciados-ocorrência distintos (mas fonemicamente idênticos) são idênticos ou meramente muito semelhantes. então. dada a obscuridade inerente do assunto) na determinação da identidade de significado. trata-se de uma conseqüência de assumirmos que as abordagens semânticas são. desenvolver algum teste semântico equivalente ao teste dos pares e suas variantes. então a circularidade parece inevitável. 9. mas parece que qualquer procedimento desse tipo será muito complexo e exigirá uma análise exaustiva de um corpus imenso. Teremos de determinar quando dois significados distintos são suficientemente semelhantes para serem considerados “o mesmo”. que mesmo independentemente de nossas objeções anteriores.teoria. o tipo de resposta que eles normalmente evocam. Mas é difícil tornar de algum modo convincente uma concepção do significado como essa sem qualquer menção prévia ao enunciado-tipo. Pareceria. logo desfaz essa ilusão. Se. Qualquer tentativa para fornecer uma descrição cuidadosa. que o significado de uma palavra é um componente fixo e imutável de cada ocorrência. dadas imediatamente e são simples demais para exigirem uma análise. de certa forma. tentarmos manter a posição de que os significados atribuídos são sempre idênticos. a classe de situações em que eles podem ser utilizados. além de envolver os lingüistas em uma tentativa vã de determinar a quantidade de significados que uma dada seqüência de fones poderia ter.25 Existe ainda mais uma dificuldade de principio que deve ser mencionada na discussão de qualquer abordagem semântica à distinção fonêmica.2. por outro lado. então todas as dificuldades de determinar a distinção fonêmica terão o seu paralelo (ampliado. ou alguma coisa do gênero.6 Como. no entanto. então. podemos explicar a larga aceitação de uma formulação como (117i)? Acredito que existam duas explicações para isso. Se for o caso de eles serem meramente muito semelhantes. Uma abordagem semântica a alguma noção gramatical requer um desenvolvimento tão detalhado e 91 . Em parte.

Não podemos utilizar alguma formulação particular do teste dos pares como um argumento para a dependência de uma teoria gramatical no significado. Por isso. somos obrigados a elaborar uma construção tão complexa com tantas premissas intoleráveis que dificilmente poderá ser considerada uma proposta séria.2. 53 Não se pode fazer confusão com o fato de que. etc. Um segundo motivo por que formulações como (117) parecem ser aceitas é. Lounsburry. se interpretamos de forma literal a afirmação citada. Além do mais. se pode pedir ao sujeito para que identifique os enunciados-ocorrência pelo significado. no teste dos pares. relativos ao método lingüístico: “em análise lingüística. da mesma maneira como não podemos utilizá-la como um argumento para afirmar que a lingüística está baseada na aritmética ou na astrologia. Ao contrário. No entanto. na minha opinião. Podemos encontrar comentários como este. devemos considerá-la incorreta e rejeitá-la. Pode-se muito bem desenvolver um teste operacional para a rima que mostraria que “bill” e “Pill” estão relacionados de uma forma que “bill” e “ball” não estão. uma confusão entre os termos “significado” e “resposta do informante”.5 que parecem existir dificuldades de princípios ainda mais profundas. Mas aceitar esse ponto de vista significa tirar do termo “significado” qualquer interesse relevante. e se tentarmos evitar as dificuldades que naturalmente aparecem. Não haveria qualquer elemento semântico nesse teste. que identifique os enunciados-ocorrência por números escolhidos aleatoriamente. se tirarmos a palavra “significado” dessa afirmação. e não há mais motivos para postular alguma reação semântica não observada no caso de “bill” e “ball” do que no caso de “bill” e “pill”. Language32. da mesma forma. a rima completa. definimos o contraste entre formas de maneira operacional em termos de diferença no significado das respostas”52. “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”. essencialmente. estaríamos nos equivocando em diversos pontos. 191. p.cuidadoso como qualquer outra abordagem não semântica. Observamos na seção 9. parece ser o caso de que aqueles que propõem alguma variante de (117i) devem estar interpretando o “significado” de maneira tão abrangente que qualquer resposta à linguagem é chamada de “significado”. como vimos.2. Parece estranho que aqueles que fizeram objeções a fundamentar a teoria lingüística em formulações como (117i) tenham sido acusados de desprezo em relação ao significado. Porém. 158-64 (1956). uma abordagem semântica à distinção fonêmica enfrenta dificuldades consideráveis. não há garantias de que as interpretações das respostas estudadas no teste dos pares sejam semânticas53. Acredito que qualquer um que deseje salvar a expressão “estudo do significado” como sendo um F. E vimos em 9.3 que se fôssemos determinar o contraste por meio de “significado das respostas” de qualquer maneira direta. A identidade fonêmica é. 52 92 . Podemos pedir a ele. teremos uma referência perfeitamente aceitável a técnicas como o teste dos pares. por signos do zodíaco.

Z. 93 . além disso. 1922). Sentenças como “John received a letter” (o João recebeu uma carta) ou “the fighting stopped” (a briga terminou) mostram claramente a insustentabilidade da afirmação (117iv) de que a relação gramatical sujeito-verbo tem um “significado estrutural” de ator-ação” se o significado for levado a sério como um conceito independente da gramática. como gl. e parece razoável assumirmos que uma noção independente do significado.7 Evidentemente. Jespersen. 1951). argumentamos no sentido de rejeitar a “significação semântica” como sendo um critério geral para a gramaticalidade. seção 7. parecem levar invariavelmente à conclusão de que apenas uma base puramente formal pode fornecer fundamentos firmes e produtivos para a construção da teoria gramatical. 9. da mesma forma como é impossível provar a irrelevância de qualquer outro conjunto de noções. L. Methods in structural linguistics (Chicago. enquanto que sua correspondente passiva “at least two languages are known by everyone in the room” (ao menos duas línguas são faladas por todos nesta sala) seja falsa. 156. Bloomfield.em “gleam” (brilho). S. formulações como (117i). Ainda assim. Harris. Investigações detalhadas de propostas com orientação semântica iriam além do limite deste trabalho e seriam um tanto inúteis. No capítulo 2.1) dificilmente poderão ser considerados como portadores de significado. tal como proposta em (117iii). 177. 1933). de que os morfemas são definidos como os elementos mínimos significativos. pode atribuir significado de algum tipo para formas que não são morfemas.2. Language (New York. “glimmer” (luz). para mais exemplos. podemos descrever circunstâncias em que uma sentença “quantificacional” como “everyone in the room knows at least two languages” (todos nesta sala falam ao menos duas línguas) possam ser verdadeiras. Language (New York. capítulo XX. Da mesma forma. “glow” (brilho)54. Assim. temos contra-exemplos para a sugestão de (117ii). O “to” marca o infinitivo do verbo inglês. Morfemas como “to” em “I want to go” (eu quero ir) ou o postiço “do” em “did he come?” (ele veio?) (cf. As investigações de tais propostas. contudo. 54 [u20] Comentário: Tanto o “to” como o “do” do inglês não recebem tradução como elementos foneticamente expressos em português. podemos mencionar brevemente alguns dos contra-exemplos mais óbvios para sugestões como (117). é impossível provar que noções semânticas não tenham utilidade na gramática. Para contradizer (117vi). p. p. expresso como “did”) aparece marcando o tempo do passado simples em inglês. a atribuição (117v) de qualquer significado estrutural ação-objetivo à relação verbo-objeto é invalidada por sentenças como “I will disregard his incompetence” (eu irei ignorar a incompetência dele) ou “I missed the train” (eu perdi o trem). de acordo com a Cf. O.aspecto importante da pesquisa lingüística deva rejeitar essa identificação entre “significado” e “resposta à linguagem” e. se estabelecida de maneira clara. e o “do” (naquele exemplo.

De maneira geral. qualquer tentativa de estudar o significado de maneira independente dessa especificação permanece fora de questão. prévios à gramática. mas não podemos. apenas espanhol e italiano. Essas correspondências devem ser estudadas dentro do panorama de uma teoria mais geral da linguagem. alguns tipos de relações bem gerais entre esses dois domínios que merecem um estudo mais detalhado.3 Esses contra-exemplos não deveriam. entre as características formais e semânticas na linguagem. algumas são quase verdadeiras. vimos que a relação ativa-passiva é apenas uma instância de um aspecto muito geral e fundamental da estrutura formal lingüística. vimos que existem. O fato de que as correspondências entre as características formais e semânticas existem. parece que o estudo do significado enfrenta tantas dificuldades que. Parece claro. Nenhuma das afirmações em (117) é inteiramente falsa. contudo. Travaux du Cercle Linguistique de Prague 6. ainda que imperfeitas. que irá incluir uma teoria da forma lingüística e uma teoria do uso da língua como subpartes. não pode ser ignorado. dado o instrumento língua e seus aparatos formais. podemos estudar a maneira com que a estrutura sintática é posta em 55 Uma outra razão para suspeitarmos que a gramática não pode ser efetivamente desenvolvida em termos semânticos foi tratado no caso particular da distinção fonêmica que vimos na seção 9. aparentemente.2. que possam ser usados para determinar os objetos da gramática de alguma forma. 9. nos cegar com relação ao fato de que existem correspondências significativas entre as estruturas e os elementos que não são descobertos por uma análise formal e gramatical e as funções semânticas específicas. que existem correspondências inegáveis. econtrar absolutos semânticos.55 Uma análise cuidadosa de cada proposta de fundamento no significado confirma isso e mostra. de fato. Jackobson. podemos e devemos investigar sua função semântica (como. Uma vez determinada a estrutura sintática da língua.interpretação normal dessas sentenças – por exemplo. declarativa e interrogativa e outras relações transformacionais não teriam sido descobertas se a relação ativa-passiva tivesse sido investigada apenas em termos de noções como a sinonímia. 94 . Por exemplo. aparentemente. negação. Isso indica que nem mesmo a relação semântica mais fraca (equivalência factual) se mantém na distinção geral entre ativa e passiva. A semelhança entre ativa e passiva. contudo. 240-88 (1936)). em R. então. O fato de que as correspondências são tão inexatas sugere que o significado será relativamente inútil para servir de base para a descrição gramatical. por exemplo. até mesmo depois de os elementos lingüísticos portadores de significado e suas relações serem especificadas. No capítulo 8. e outra. que importantes intuições e generalizações sobe a estrutura lingüísticas podem ser ignorados se pistas semânticas vagas forem seguidas perto demais.5. se uma pessoa na sala sabe apenas francês e alemão. Em outras palavras. “Beitrag zur allgemeinen Kasuslehre”.

Ainda assim. deveríamos apreciar o framework sintático da língua.uso no funcionamento real da língua. Consideramos o problema da pesquisa sintática como sendo o de construir um mecanismo para a produção de um dado conjunto de sentenças gramaticais e o de estudar as propriedades das gramáticas que fazem isso de maneira efetiva. Uma investigação da função semântica da estrutura de níveis. o princípio que postula que o conjunto de sentenças gramaticais seja dado a priori é demasiado forte. a teoria que esboçamos apresentou algumas lacunas graves – por exemplo. apresentamos o desenvolvimento de alguns conceitos lingüísticos fundamentais em termos puramente formais. ao introduzirmos considerações como as do capítulo 8 na metateoria que lida com a gramática e com a semântica e seus pontos de conexão. tanto quanto eu saiba. Podemos julgar as teorias formais em termos de suas habilidades para explicar e clarificar uma variedade de fatos sobre a maneira em que as sentenças são usadas e compreendidas. 95 . significação e sinonímia não desempenharam qualquer papel em nossa discussão. A gramática de uma dada língua deve mostrar como essas estruturas abstratas são concretizadas no caso dessa língua. Obviamente. Na verdade. tal como sugerimos brevemente no capítulo 8. ao passo que a teoria lingüística deve esclarecer essas bases para a gramática e os métodos de avaliação e escolha entre todas as gramáticas propostas. Nos capítulos 3 a 7. não alteramos o caráter puramente formal da teoria da estrutura gramatical per se. através da construção da teoria a partir de uma base parcialmente semântica. É importante reconhecermos que. e a noção de “simplicidade” que mencionamos explícita ou implicitamente não foi devidamente analisada. Noções semânticas como referência. que é isolado e exibido pela gramática para conseguir sustentar uma descrição semântica. nem essas lacunas nem quaisquer outras no desenvolvimento da teoria gramatical podem ser preenchidas ou esclarecidas. apontamos no capítulo 8 que as correlações entre a forma e o uso da língua podem até mesmo fornecer certos critérios brutos de adequação para uma teoria lingüística e as gramáticas que ela oferece. A estrutura sintagmática e a estrutura transformacional parecem fornecer os maiores mecanismos sintáticos disponíveis na língua para a organização e expressão do conteúdo. e valorizarmos uma teoria da estrutura formal que conduza a gramáticas que satisfazem esse requisito de maneira mais completa. Em outras palavras. poderia se configurar em um passo razoável em direção a uma teoria de interconexões entre sintaxe e semântica.

4 Para compreender uma sentença. Analysis. Na medida em que isso esteja certo. A motivação para essa exigência de formalidade para as gramáticas que nos auto-impusemos é bastante simples – parece não haver qualquer outra base que produza uma teoria da estrutura lingüística que seja rigorosa. por exemplo. assim como muito da nossa discussão pode ser entendido como uma sugestão de uma reformulação de partes da teoria do significado que lida como chamado “significado estrutural” em termos da teoria da estrutura gramatical completamente não semântica. Analysis.57 Encontraremos naturalmente muitas palavras ou morfemas de uma única categoria gramatical descrita semanticamente em termos similares. sem dúvidas. idem. Na descrição do significado de uma palavra. n. senão necessário. Parte da dificuldade com a teoria do significado é que o “significado” tende a ser usado como um termo amplo que inclui todos os aspectos da língua que ainda não conhecemos muito bem. etc. descreveríamos. Goodman. N. n. torna-se muitas vezes útil. pelo menos em parte. Cf. o agende e o objeto da ação em termos de noções como “sujeito” e “objeto”. Aquilo que salientamos no capítulo 8 foi que podemos esperar que esse estudo formal da estrutura da língua como instrumento possa fornecer esclarecimentos sobre o uso efetivo da língua. vol. acertar). vol.. “On likeness of meaning”.Nos capítulos 3 a 7 estudamos. recorrer ao framework sintático ao qual pertence a palavra. Essas noções são as noções básicas para a semântica. como “Bill was hit by John” (o Bill foi acertado pelo John). 4 (1953). como. tentando descrever a sua estrutura sem qualquer referência explícita à maneira como esse instrumento é utilizado na prática. se conseguimos mostrar com suficiente detalhe e generalidade que as sentenças transformadas são “compreendidas” em termos de sentenças nucleares subjacentes. por exemplo. 57 Uma descrição como essa do significado de “hit” daria automaticamente conta do uso de “hit” em sentenças transformadas. não podemos esperar que a gramática ajude muito nesse ponto. naturalmente. Isso Goodman demonstrou – de maneira bastante convincente. verbos descritos em termos de sujeito e objeto. eficaz e “reveladora”. isto é. 10. sobre o processo de compreensão de sentenças. “hitting Bill was wrong” (bater no Bill foi errado). etc. A abordagem de Goodman resumese a uma reformulação de uma parte a teoria do significado nos termos bem mais claros da teoria da referência. 13. então. podemos esperar que diversos aspectos dessa teoria sejam reivindicados por outras abordagens ao estudo da língua no curso de seu desenvolvimento. Precisamos também conhecer a referência e o significado56 dos morfemas ou palavras que a constituem. 1 (1949). 56 96 . na minha opinião – que a noção de significado das palavras pode ser reduzido. que são mais bem analisadas como noções puramente formais pertencendo à teoria da gramática. 9. à noção de referência de expressões contendo essas palavras. O requisito de que essa teoria constitua uma disciplina completamente formal é perfeitamente compatível com a intenção de formulá-la de forma tal que tenha interconexões sugestivas e significativas com uma teoria semântica paralela. precisamos conhecer muito mais do que a análise dessa sentença em cada nível lingüístico. a língua como um instrumento ou um utensílio. na descrição do significado de “hit” (bater. “On some differences about meaning”.

não faz uma distinção clara entre os morfema gramaticais e os outros. verbo e advérbio.não deveria ser surpreendente. a liberdade de combinação e o tamanho da classe de substituição. na seqüência “Pirots karulize etalically”. de fato. os espaços em branco são determinados também como uma variante do tempo passado. [u23] Comentário: Em português. Quaisquer que sejam as diferenças entre os morfemas no que diz respeito a essa propriedade. o morfema –ly é formador de advérbio (correspondente a –mente em português). ?dê-lhe um dinheiro e *dê-lhe dois dinheiros). tal como se atribuem “significados lexicais” a palavras ou morfemas. o –am marca o verbo e o –mente. que uma generalização a partir desse uso sistemático para atribuir “significados estruturais” a categorias gramaticais ou construções. o advérbio.. em que o morfema plural –s marca o substantivo. por causa do s. “some”(alguma). ly. no segundo. verbos. do que em termos de qualquer traço semântico presumível. etc. [u22] Comentário: Em português. respectivamente. porém. Em geral. Adjetivo. Um outro uso comum mas duvidoso da noção de “significado estrutural” diz respeito ao significado dos chamados morfemas de “função gramatical”. é de validade bastante duvidosa. correspondendo ao primeiro exemplo de Chomksy. no entanto. poderíamos ter “Os mapos cartun __ ontem”. em que o espaço vazio poderia ser preenchido por “o” ou “algum”. Essa propriedade. etc. A afirmação de que os significados desses morfemas são fundamentalmente diferentes dos significados dos nomes. O fato de nesses casos termos sido forçados a apresentar espaços vazios ao invés de palavras sem sentido é explicado pela produtividade ou “infinidade” das categorias Substantivo. como ing. poderíamos pensar em uma seqüência como “Mapos cartunam guiraldamente”. Vimos. no primeiro caso. para que determinem a categoria gramatical de elementos sem sentido. correspondendo ao segundo exemplo. (mas não “a” (uma). e com o “the” (a). adjetivos e talvez de outras classes grandes encontra apoio geralmente no apelo ao fato de que esses morfemas podem ser distribuídos em uma seqüência de espaços vazios ou sílabas sem sentido de modo que o todo tenha aparência de uma sentença e. quando distribuímos uma seqüência de morfemas em uma seqüência de espaços em branco. do ize e do ly. etc. as preposições. Verbo. significa que os mecanismos sintáticos disponíveis na língua estão sendo usados de maneira bastante sistemática. Afixo Verbal. limitamos a escolha dos elementos que podem preencher os espaços para formar uma sentença gramatical. já que em sentenças como “the Pirots karul __ yesterday” (os Pirots karul __ ontem) ou “give him __ water” (dê-lhe __ água). ao contrário das categorias Artigo. 97 . etc. em que o espaço poderia ser preenchido com uma desinência modo-temporal do verbo. mas não por um numeral como “um” ou “dois” (cf. elas são aparentemente melhor explicadas em termos de noções gramaticais como a produtividade. [u21] Comentário: O morfema -ing em inglês marca o gerúndio (-ndo em português). sabemos que as três palavras são nome. e “dê-lhe __ dinheiro”. Por exemplo.

Inversamente. ativas. literalmente. como a estrutura sintagmática e a estrutura transformacional. com análises em constituintes alternativos. possivelmente repetidas. vemos que um modelo simples de língua. Se esse ponto de vista for adotado. Podemos simplificar em muito a descrição do inglês e obter novos e importantes esclarecimentos sobre sua estrutura formal se limitarmos a descrição direta. RESUMO Ao longo desta discussão. tendo encontrado um conjunto de transformações que convertem sentenças gramaticais em sentenças gramaticais. são necessários para a descrição da linguagem natural. Conseqüentemente. enfatizamos os seguintes pontos: o máximo que podemos razoavelmente esperar da teoria lingüística é que ela forneça um procedimento de avaliação de gramáticas.10. A teoria da estrutura lingüística não pode ser confundida com um manual de procedimentos úteis para a descoberta de gramáticas. em termos da estrutura sintagmática. e que níveis lingüísticos bastante abstratos. A gramática é melhor formulada como um estudo autônomo. e a tentativa de desenvolver um manual assim irá provavelmente (assim como aconteceu no passado) contribuir para a formação da teoria lingüística de maneira substancial. sem sintagmas verbais ou nominais complexos). a partir de elementos dos níveis inferiores ou para o sentimento de que o trabalho sintático é prematuro até que todos os problemas de fonêmica ou morfologia estejam solucionados. há pouca motivação para a objeção à mistura dos níveis. No desenvolvimento deste estudo independente e formal. ainda que tal manual tenha certamente de se basear nos resultados da teoria lingüística. consideramos as gramáticas como tendo uma estrutura tripartite. independente da semântica. todas as outras sentenças (mais propriamente. Em particular. a partir das seqüências que subjazem a elas). a noção de gramaticalidade não pode ser identificada com a noção de dotado de significado (assim como ela também não apresenta nenhuma relação com a noção de ordem de aproximação estatística). a um núcleo de sentenças básicas (simples. como um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita não é aceitável. através de transformações. para a concepção dos elementos de níveis superiores como construídos. Uma gramática tem uma seqüência de regras a partir das quais podemos 98 . declarativas. a partir delas. derivando. podemos determinar a estrutura de constituintes de sentenças particulares através da investigação do seu comportamento sob o efeito dessas transformações.

as representações duplas (construções de homonímia) correspondem à ambigüidade da sentença representada e uma representação semelhante ou idêntica surge em casos de semelhança intuitiva entre enunciados. em certo sentido. oposta a “significado lexical”. embora as considerações semânticas sistemáticas sejam aparentemente inúteis para a sua determinação. As regras de estrutura sintagmática e as regras morfofonêmicas são básicas. existe uma seqüência de regras transformacionais que convertem seqüências com estrutura sintagmática em novas seqüências. parece ser bastante suspeita. “seem” (parecer)) não passa de um caso regularidade em um nível superior. incluindo o nível transformacional onde as sentenças nucleares subjacentes de uma dada sentença podem ser pensadas. Também descobrimos que muitas sentenças recebem dupla representação em algum nível. e muitos pares de sentenças recebem representações semelhantes ou idênticas em algum nível. e é questionável afirmar que os mecanismos gramaticais disponíveis na língua sejam usados de maneira suficientemente consistente a ponto de ser possível atribuir a eles significado diretamente. parece que a noção de “compreender uma sentença” deve ser parcialmente analisada em termos gramaticais. é necessário (mas não suficiente. devemos conhecer um pouco da história da derivação desta seqüência. Como conseqüência imediata da tentativa de construir a gramática mais simples possível do inglês em termos de níveis abstratos desenvolvidos na teoria lingüística. Para uma transformação ser aplicada a uma seqüência. Ainda assim. de forma 99 . um resultado do estudo formal da estrutura gramatical é que podemos esclarecer um quadro sintático que pode servir de apoio a uma análise semântica. Conectando essas seqüências. “have” (ter). Em outras palavras. Em um número significativo de casos. é suficiente conhecer o formato da seqüência em que a regra irá ser aplicada. descobrimos que o comportamento aparentemente irregular de algumas palavras (por exemplo. às quais as regras morfofonêmicas podem se aplicar. mas para aplicar as regras não transformacionais. evidentemente) reconstruir sua representação em cada nível. De maneira mais geral. em um sentido não compartilhado pelas regras transformacionais. contudo. A descrição do significado pode se referir de maneira proveitosa a este quadro sintático subjacente. “be” (ser/estar). a partir dos quais essa sentença é construída. A noção de “significado estrutural”. Para compreender uma sentença. como “os elementos básicos de conteúdo”.reconstruir a estrutura sintagmática e uma seqüência de regras morfofonêmicas que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. encontramos muitas correlações importantes.

bastante natural. 100 . ou . Essas correlações poderiam formar parte do objeto de pesquisa de uma teoria mais geral da linguagem. preocupada com a sintaxe e a semântica e seus pontos de conexão. entre a estrutura sintática e o significado. em outras palavras. os mecanismos gramaticais são usados de maneira bem sistemática.

e podemos formar a seqüência the + boy + S + come + past (que seria convertida pelas regras morfofonêmicas na seqüência de elementos / /) representando o enunciado “the boys came” (os garotos vieram). a (119) they – have – en + arrive 101 . no nível fonêmico. queremos dizer que ela se aplica. chamamos este vocabulário de alfabeto da língua) que pode ser colocado em uma seqüência linear para formar seqüências de símbolos através de uma operação chamada concatenação. come. Utilizamos X. utilizamos o hífen para indicar a subdivisão de uma seqüência que é imposta por uma certa transformação. Assim. como no exemplo que acabamos de ver. W para representar variáveis nas seqüências. quando dizemos que a transformação de pergunta Tint se aplica de maneira particular a uma seqüência da forma (118) SN – have – en + V (cf.11. Na discussão sobre as transformações. Às vezes. Fora do nível fonêmico. Procedemos dessa forma para chamar uma atenção especial à subdivisão do enunciado que estamos estudando em um dado momento.. S. por exemplo. past. boy. Ele tem um vocabulário finito de símbolos (no nível fonêmico. Um nível lingüístico é um método de representar os enunciados. utilizamos o hífen no lugar do sinal de adição (+) para simbolizar a concatenação. eles foram introduzidos apenas por motivos de clareza da exposição. utilizamos maior espaçamento com esse mesmo objetivo. temos os elementos vocabulares the. Y. no nível morfêmico em inglês. utilizamos itálico ou aspas para os símbolos do vocabulário e ara as seqüências representando os símbolos. iremos apresentar um breve quadro das convenções notacionais e terminológicas novas ou menos familiares que utilizamos. (37iii)) invertendo os dois primeiros segmentos. APÊNDICE I – NOTAÇÕES E TERMINOLOGIA Neste apêndice. Assim. Z. etc. Nenhum desses mecanismos notacionais tem qualquer relevância sistemática. Às vezes. simbolizada por +. suprimimos o símbolo de concatenação + e usamos as barras oblíquas habituais.

Uma regra da forma X Y deve ser interpretada como a instrução “reescreva X como Y”. pela primeira vez: (122) SN SV T N SNsing SNpl [∑. O resultado da transformação nesse caso será (120) have – they – en + arrive e. finalmente. A lista seguinte mostra as páginas em que ocorreram os símbolos especiais não S ∅ passado Af # A wh Adj SP Prt Comp 102 . a b. Então.já que they (eles) é um SN e arrive (chegar) é um V nessa seqüência. onde X e Y são seqüências. “have they arrived?” (eles chegaram?). Usamos os parênteses para indicar que um elemento pode ou não ocorrer e as chaves (ou uma listagem) para indicar uma escolha entre os elementos. ambas as regras (121i) e (121ii) (121) (i) a (ii) a b (c) b+c b são abreviações para o par de alternativas: a mencionados acima. F] Aux V C M en b + c.

walk. M SN + VP (13i) (13iii) (p. O número que aparece entre parênteses à direita de cada regra é o número que a regra aparece no texto. must 8. C(M) (have + en) (be+ing) will. O número à esquerda fornece a ordenação apropriada das regras.Verbo Estrutura Transformacional: Uma transformação é definida pela análise estrutural das seqüências a que ela se aplica e pela mudança estrutural que ela provoca nessas seqüências. N 9. Sentença 2. Estrutura Sintagmática: ∑: # Sentença # F: 1. ball. take. SV 3. separamos aqui os exemplos de regras da gramática do inglês que desempenharam um papel importante ao longo de nossa discussão. SNpl 6. T 7. nota 12) (p. SNsing 5. nota 12) (p. read. Aux 11. etc. 22. 22. may. APÊNDICE II – EXEMPLOS DE REGRAS SINTAGMÁTICAS E TRANSFORMACIONAIS DO INGLÊS Para facilidade de referência.12. Aux + V hit. nota 12) (13iv) (13v) (28i) (28ii) (28iii) (28iv) Verbo + SN SNsing SNpl T+N+∅ T+N+S the man. imaginando que esse esquema corresponda a um esboço de uma gramática da fora (35). shall. Certas regras foram modificadas de seu formato original no texto devido a decisões subseqüentes ou para apresentar maior sistematicidade. 103 . SN 4. can. 22. etc. V 10.

SN – C + have __ .. Tneg – opcional: SN – C – V. SN – C + be __ ....12. (41) a (43)) 104 X1 – X2 – A – X3 X1 – X2+ n’t – X3 (37) (29i) (85) (86) (92) X1 – X2 – X4 – X3 X4 – X2+ be + en – X3 – by + X1 . Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 17. Tobsep – obrigatória: Análise estrutural: X – V1 – Prt .. Tint – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf... Análise estrutural: SN – C + M __ .Pronome X – V2 – Comp – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 14. Transformação de Número – obrigatória Análise estrutural: X – C – Y S no contexto SNsing __ Mudança estrutural: C ∅ em outros contextos Passado em qualquer contexto 16.. TA – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf. (45) a (47)) Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 18. Passiva – opcional: Análise estrutural: SN – Aux – V – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 (34) 13. Tfacsep – opcional: Análise estrutural: X – V1 – Prt – SN Mudança estrutural: a mesma de 13 15.

Transformação do pulo do afixo – obrigatória Análise estrutural: X – Af – v – Y (onde Af é qualquer C ou é en ou é ing. Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4 – X5 – X6) 24. Transformação de limite de palavra – obrigatória: Análise estrutural: X – Y (onde X ≠ v ou Y ≠ Af) Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – # X2 (29iii) 22. v é qualquer M ou V. Tw – opcional e condicionada por Tint: Tw1: Análise estrutural: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: a mesma de 18 (60i) Tw1: Análise estrutural: SN – X (60ii) Mudança estrutural: X1 – X2 who (cf. etc. Transformação de introdução de do – obrigatória Análise estrutural: # – Af Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – do + X2 Transformações generalizadas: 23. nota 38). SN. Tso: (48) a (50) de S 2: a mesma de 16 105 X1 – X2 + and + X5 – X3 Análise estrutural: de S 1: Z – X – W Análise estrutural: de S 1: a mesma de 16 . ou é have ou be) (29ii) X1 – X3 – X2 # – X4 Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 21.) e Z e W são segmentos de seqüências terminais. wh + nome não indicado wh + X1 – X2 onde wh + nome animado what 20.Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 X2 – X1 – X3 19. SV. Conjunção (26) de S 2: Z – X – W onde X é um elemento mínimo (por exemplo.

em um enunciado gramatical. 106 [u24] Comentário: Temos então o modelo de gramática proposto por Chomsky. algo sobre a dependência condicional entre as regras. terminando em uma seqüência de fonemas da língua analisada.Adj de S2: a mesma de 25 Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4. com o ing no lugar do to na mudança estrutural. 27. Não desenvolvemos a maquinaria suficiente para apresentar todas as regras de maneira apropriada e uniforme. o modelo préaspects: Regras Sintagmáticas ⇓ Marcadores sintagmáticos subjacentes ⇓ Transformações ⇓ Sentenças derivadas . em uma gramática formulada adequadamente. como em (35): regras de estrutura sintagmática. Veja as referências citadas na nota 24 para um desenvolvimento mais detalhado e para uma aplicação da análise transformacional. Essa formulação das regras transformacionais deve ser entendida apenas como sugestiva. etc. essa ordem seria indicada em todas as três seções. nota 35. Temos então três conjuntos de regras. X5 – X6 – X7) X5 – X1 + X4 + X2 – X7 X3 – to + X2 – X5 Estrutura morfofonêmica: Regras (19). Transformação de Nominalização Tto: Análise estrutural: de S 1: SN – SV de S 2: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: (X1 – X2.Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3. O resultado da aplicação de todas essas regas é uma derivação estendida (como (13)-(30)(31)). que ficou conhecido como modelo transformacional. (45). X4 – X5 – X6) – X4 X1 – X2 – X3 – and – so – X5 A Tso é na verdade composta pela transformação de conjunção. isto é. 25. A ordem das regras é essencial e. nota 38. juntamente com uma distinção entre as regras obrigatórias e as opcionais e. Transformação de Nominalização TAdj: Análise estrutural: de S 1: Art – N – is . X3 – X4 – X5) 26. Transformação de Nominalização Ting: Idêntica a 25. regras transformacionais (incluindo as transformações simples e as generalizadas) e regras morfofonêmicas. pelo menos na parte transformacional.

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