Estruturas Sintáticas

Noam Chomsky

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Em 2007, a publicação do já clássico Syntactic Structures, de Noam Chomsky completou 50 anos. Noam Chomsky foi considerado, em 2005, o intelectual de maior influência do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista britânica Prospect (Umberto Eco e Richard Dawkings ocuparam a segunda e terceira posição, respectivamente). Seus trabalhos estão entre os 10 mais citados na história da ciência (de acordo com uma pesquisa do Institute for Scientific Information, Chomsky está atrás apenas de Marx, Lenin, Shakespeare, Aristóteles, a Bíblia, Platão e Freud)1 e, entre 1980 e 1992, Chomsky foi o intelectual vivo mais citado em trabalhos acadêmicos, de acordo com o Arts and Humanities Citation Index. Por isso, esta obra de Chomsky dirige-se a um público-alvo abrangente, como acadêmicos de Letras, de Lingüística, de Ciências da Computação e Informática, de Psicologia e de Matemática. Espero que esta edição traduzida e comentada possa se tornar uma boa maneira de um leitor do século XXI passar a conhecer as idéias fundamentais de Noam Chomsky e seu programa gerativista no estudo da faculdade da linguagem, iniciado há mais de 50 anos.

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Cf. KESTERTON, Michael. Social studies. The Globe and Mail. 11 de fevereiro de 1993.

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Noam Chomsky e o Syntactic Structures – o autor e a obra Avram Noam Chomsky (nascido na Filadélfia, no dia 7 de dezembro de 1928) é atualmente professor de Lingüística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Ele foi o responsável por uma revolução teórica e metodológica na Lingüística, nos anos 1950. Além disso, sua influência se estende também a outros domínios, como as Ciências Sociais e Políticas, as Ciências Cognitivas, a Psicologia, a Informática e a Filosofia. Syntactic Structures (publicado pela primeira vez em 1957) é resultado de seus estudos durante seu doutoramento na Universidade da Pennsylvania, sob a orientação do eminente lingüista Zellig Harris. Sua tese de Doutorado, de 1955, The Logical Structure of Linguistic Theory, acabou sendo publicada vinte anos mais tarde. É nessas duas obras, Syntactic Structures e The Logical Structure of Linguistic Theory que Chomsky lança as bases do que se tornará o programa de investigação lingüística que mais influenciaria a Lingüística no século XX, o programa gerativista. Publicado em 1957, Syntactic Structures completou recentemente 50 anos. A obra ganhou apenas uma publicação em português, em 1980, pela Edições 70 de Lisboa.

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de forma adequada. Noções obscuras e intuitivas não conduzem a conclusões absurdas nem tão pouco ao fornecimento de resultados novos e corretos. abrangendo grande parte daquilo a que hoje. aplicando-a depois. pelos que falham em dois importantes aspectos. de uma forma estrita. procurando determinar as suas limitações. rigorosamente. a material lingüístico sem que tentem se evitar certas conclusões inaceitáveis por meio de ajustes ad hoc ou de uma formulação inconsistente. da estrutura lingüística. como um modelo mais poderoso. Acredito que alguns dos lingüistas que puseram em causa o valor de um desenvolvimento preciso e técnico da teoria lingüística não terão. Veremos que tanto um determinado modelo teórico de linguagem. É importante salientar aqui este fato. analisaremos três modelos da estrutura lingüística. Os resultados aqui apresentados foram obtidos a partir de uma tentativa consciente de seguir sistematicamente esse caminho. baseado na comunicação e extremamente simples. torna-se freqüentemente possível detectar a causa exata dessa inadequação e. de maneira geral. formalizada. Ele faz parte de uma tentativa de construção de uma teoria geral. A procura de uma formulação rigorosa em Lingüística se inscreve dentro de uma motivação bastante mais séria do que uma simples preocupação com sutilezas lógicas ou com um desejo de depurar métodos fortemente enraizados de análise lingüística. uma teoria formalizada poderá. uma determinada teoria. A construção de modelos precisos para a estrutura lingüística pode desempenhar um papel importante. reconhecido as potencialidades produtivas de um método que consiste em formular. tanto negativo como positivo. e de exploração dos fundamentos de tal teoria. chegar a uma compreensão mais profunda dos dados lingüísticos. se chama “análise de constituintes imediatos”. a partir daí.Prefácio Este estudo trata da estrutura sintática. Especificamente. tanto no sentido lato (em que se opõe à semântica). automaticamente. De forma mais positiva. no próprio processo de descoberta. os objetivos da 4 . Ao chegar. possivelmente. através de uma formulação rigorosa mas inadequada. a uma conclusão inaceitável. como no sentido estrito (em que se opõe à fonologia e à morfologia). já que a apresentação informal que adotamos poderia obscurecêlo. não servem. fornecer soluções para problemas que ultrapassam o âmbito daqueles para que foi explicitamente elaborada.

o rumo desta pesquisa foi fortemente influenciado pelos trabalhos de Nelson Goodman e W. Em resumo. Talvez de forma menos evidente. e em parte pela National Science Foundation and the Eastman Kodak Corporation. Eu discuti muito deste material com Morris Halle e me beneficiei muito de seus comentários e sugestões. indo além daqueles fenômenos para os quais ela foi especificamente planejada. a saber. enquanto eu era um Junior Fellow da Society of Fellows na Universidade de Harvard. Muitas das idéias e sugestões dele estão incorporadas tanto no texto que segue. o positivo e o negativo. 16 e 19 das Referências Bibliográficas. cuja perspectiva diverge parcialmente da minha. mencionados anteriormente. como na investigação que o precedeu. vemos que ela lança uma luz sobre uma grande variedade de fenômenos. Quando formulamos a teoria das transformações de maneira cuidadosa e a aplicamos livremente ao inglês. que é mais poderoso do que o modelo de constituintes imediatos em certos pontos importantes. Desenvolveremos um terceiro modelo. V. Durante todo o processo desta pesquisa. Eric Lenneberg.descrição gramatical. beneficiei-me das longas e freqüentes discussões com Zellig S. 5 . a formalização pode efetivamente desempenhar ambos papes. para a estrutura lingüística. está desenvolvido nos números 15. Quine. na sua quase totalidade. desenvolvido entre 1951 e 1955. foi. Israel Scheffer e Yehoshua Bar-Hillel leram versões anteriores deste texto e fizeram valiosas críticas e comentários na apresentação e no conteúdo. pela Força Aérea Americana (Air Force – Office of Scientific Research. Eu gostaria de expressar a minha gratidão a Society of Fellows por terem me dado a liberdade para levar a cabo esta pesquisa. Harris. constituiu a base de grande parte da discussão que segue. e que dá conta de tais relações de maneira natural. Air Research and Development Command) e pela Marinha (Navy – Office of Naval Research). transformacional. de forma que eu não tentarei assinalá-las com referências especiais. embora sumariamente esboçado. O trabalho sobre a teoria das transformações e a estrutura transformacional do inglês que. como a relação ativapassiva. Este trabalho foi subsidiado em parte pelos Exército dos Estados Unidos (USA Army – Signal Corps). A investigação e aplicação desses modelos esclarece alguns fatos de estrutura lingüística e revela diversas lacunas na teoria lingüística. O trabalho de Harris sobre a estrutura transformacional. a impossibilidade de dar conta de certas relações entre sentenças.

Mass. 6 .NOAM CHOMSKY Massachusetts Institute of Technology Department of Modern Languages and Research Laboratory of Electronics Cambridge. 01 de agosto de 1956.

em particular. Lagnguage 33 A motivação para a orientação particular desta pesquisa que reportamos aqui é discutida adiante. Um nível lingüístico como a fonologia. dentro da tradição de desenvolvimento de teorias. Cf. [O21] Comentário: O livro de Chomsky teve uma boa e imediata repercussão no mundo acadêmico em grande parte por causa de uma resenha contundente de R. “Review of Chomsky”. os lingüistas deverão ter em consideração o problema da determinação das propriedades básicas fundamentais de gramáticas adequadas. disponíveis para a construção de gramáticas. (p. nós iremos sugerir que esta investigação puramente formal da estrutura da língua tem algumas implicações interessantes para os estudos semânticos2. em seguida. Uma função dessa teoria é fornecer um método geral de seleção de uma gramática para cada língua. que sejam simples e reveladoras. dado um corpus de sentenças da língua. resultados explícitos que podem ser comparados com novos dados e outras intuições. investigando. nem outra filosofia especulativa sobre a natureza do Homem e da Linguagem. uma gramática satisfatória do inglês. para línguas naturais. O resultado final dessas investigações deverá ser uma teoria da estrutura lingüística em que os mecanismos descritivos utilizados em gramáticas particulares serão apresentados e estudados de maneira abstrata. que correspondem a modos de descrição gramatical cada vez mais poderosos. considerando uma sucessão de níveis lingüísticos de complexidade crescente. tudo baseado plenamente em uma teoria explícita da estrutura interna das línguas”. Lees. De maneira geral. uma teoria abrangente de linguagem que possa ser entendida no mesmo sentido em que uma teoria química ou biológica é comumente entendida em Química ou Biologia. constituindo um certo método para a representação de enunciados. É possível determinar a adequação de uma teoria lingüística através do desenvolvimento rigoroso e preciso da forma da gramática correspondente ao conjunto de níveis abrangidos por essa teoria. 2 7 . se ela pretende fornecer. LEES. A noção central da teoria lingüística é a de “nível lingüístico”. com teoremas derivados desse sistema. publicada na revista Language ainda em 1957. a possibilidade de construção de gramáticas com essa forma.1. Para Lees. Não é uma mera reorganização de dados em um formato de catálogo bibliotecário. 377-8). e nós tentaremos mostrar que uma teoria lingüística deve conter pelo menos esses níveis de análise. R. que pode ser encarada como um mecanismo de produção das sentenças da língua em questão. INTRODUÇÃO A sintaxe é o estudo dos princípios e processos que presidem à construção de sentenças em línguas particulares. a morfologia ou o nível sintagmático é essencialmente um conjunto de mecanismos descritivos. no capítulo 6. sem referência específica às línguas particulares. é antes uma explicação rigorosa de nossas intuições sobre a linguagem em termos de um sistema axiomático explícito. O estudo sintático de uma determinada língua tem como objetivo a construção de uma gramática. Finalmente. o livro de Chomsky é “uma das primeiras tentativas sérias de um lingüista para construir. Estudaremos diversas concepções diferentes de estrutura lingüística dessa maneira.

nesta discussão. N. então. etc. Nesta os propósitos desta discussão. contudo. de maneira a incluir as sentenças claras e excluir as seqüências que são claramente não-sentenças. enfrentamos uma tarefa familiar: a de explicar alguns conceitos intuitivos – nesse caso. Goodman. 1951). entenderei por língua um conjunto (finito ou infinito) de sentenças. Em muitos casos intermediários. Um certo Cf. aceitáveis por um falante nativo. quer na sua forma oral. basta assumir um conhecimento parcial de sentenças e não-sentenças. todas elas de extensão finita e construídas a partir de um conjunto de elementos. The structure of appearance (Cambridge. para estabelecer significativamente os objetivos da gramática. Note que. admitiremos. Nós. A gramática de L será. então. o conjunto de “sentenças” de qualquer sistema matemático formalizado pode ser considerado uma língua. isto é. p. é suficiente que se tenha um conhecimento 3 8 . Esta é uma característica familiar de explicação3. que determinadas seqüências de fonemas são claramente sentenças e que outras seqüências não o são. 5-6. suponha que nós assumimos um conhecimento intuitivo a respeito das sentenças gramaticais do inglês e perguntemos que tipo de gramática poderá produzir essas sentenças gramaticais de uma maneira eficiente e reveladora. para que tal teste possa funcionar. mais de forma mais geral. Uma forma de testar a adequação de uma gramática proposta para L consiste em determinar se as seqüências que ela gera são efetivamente gramaticais ou não. uma vez que cada língua natural possui um número finito de fonemas (ou de letras no seu alfabeto) e que cada sentença pode ser representada como uma seqüência finita desses fonemas (ou letras). não teremos dúvidas em deixar a decisão à própria gramática. Da mesma forma. por exemplo.2. o conceito de “gramatical”. quer na sua forma escrita são línguas nesse sentido. A INDEPENDÊNCIA DA GRAMÁTICA 2. O objetivo fundamental. dada uma teoria lingüística. Note que para atingir os objetivos da gramática.. Todas as línguas naturais. quando ela estiver construída da forma mais simples. embora o número de sentenças seja infinito. Isto é. Nós podemos seguir alguns passos para conseguir um critério de comportamento para a gramaticalidade. um mecanismo que gera todas as seqüências gramaticais de L e nenhuma das seqüências agramaticais.1 A partir de agora. o conceito de “gramatical em inglês” e. na análise lingüística de uma língua L é o de distinguir as seqüências gramaticais que são sentenças de L das seqüências agramaticais que não são sentenças de L e estudar a estrutura das seqüências gramaticais.

Em primeiro lugar. se exigirmos que os casos claros sejam tratados de maneira eficaz. capítulo 6. além do mais. Isto é. definirá “sentença gramatical” em termos de “sentenças observadas”. Cf. em seu conjunto. por gramáticas que. os capítulos 6 e 7). 54). Para uma língua isolada. isso pode ser generalizado como uma condição bastante forte. Qualquer gramática de uma língua irá projetar o corpus finito e mais ou menos acidental de enunciados observados em um conjunto (presumivelmente infinito) de enunciados gramaticais. cada gramática relaciona-se com o corpus de sentenças da língua que descreve de uma forma previamente fixada.número de casos claros irá fornecer um critério de adequação para qualquer gramática particular. para todas as gramáticas. mas eu gostaria de salientar que diversas respostas que imediatamente nos ocorrem podem não estar corretas. uma gramática reflete o comportamento do falante. esse teste de adequação é fraco. é óbvio que o conjunto de frases gramaticais não pode se identificar com um corpus qualquer de enunciados recolhido pelo lingüista em seu trabalho de campo. uma exigência razoável. p. Claramente qualquer explicação da noção de “gramatical na língua L” (isto é. seção 6. mas isso nos levaria muito longe. Cf. Quine. (W. mas também na natureza geral da Linguagem. parcial das sentenças (isto é. É. isto é. From a logical point of view [Cambridge. um corpus) da língua. V. já que várias gramáticas diferentes poderiam tratar de maneira eficaz os casos claros. 9 . Para usar a formulação de Quine. já que uma teoria lingüística irá estabelecer a relação entre o conjunto observado de sentenças e o conjunto das sentenças gramaticais. pode produzir ou entender um indefinido número de novas sentenças.1. já que não estamos interessados apenas em línguas particulares. baseado em uma experiência finita e acidental com a língua. em cada língua. que. uma teoria lingüística dará uma explicação geral para aquilo que “poderia” ser em uma língua. 1953]. com base em “o que é mais a simplicidade das leis com que nós descrevemos e extrapolamos o que é”. sejam construídas pelo mesmo método. Temos assim um teste de adequação bastante forte para uma teoria lingüística que tenta fornecer uma explicação geral da noção de “sentença gramatical” em termos de “sentença observada” e para o conjunto de gramáticas construídas de acordo com essa teoria.2 Baseados em que nós podemos separar as seqüências gramaticais das seqüências agramaticais? Eu não tentarei dar uma resposta completa para essa pergunta aqui (cf. Há muito mais que pode ser dito sobre esse tópico crucial. 2. Contudo. por uma determinada teoria lingüística. qualquer caracterização de “gramatical em L” em termos de “enunciado observado em L”) pode ser pensado como oferecendo uma explicação para esse aspecto fundamental do comportamento lingüístico. certas propriedades das sentenças observadas e certas propriedades das gramáticas. Nesse sentido.

Tais exemplos sugerem que qualquer procura que seja baseada em semântica. mas antes que nós consigamos encontrar uma explicação para tais fatos. ele conseguirá se lembrar de (1) muito 10 [O23] Comentário: As sentenças (5) e (6) são agramaticais. na verdade. Parece razoável aceitar que nem a sentença (1) nem a sentença (2) (e nenhuma parte dessas sentenças) tenha ocorrido em inglês. Bruce E. a Wikipedia. de R. elas não "seriam excluídas com base nos mesmos motivos. (3) have you a book on modern music? (4) the book seems interesting. Logo. Pereira afirma que a sentença (2) é 200. As sentenças (1) e (2) são igualmente desprovidas de sentido. a noção de “gramatical” não poderá se identificar com as noções de “dotado de sentido” ou de “significativo” em qualquer sentido semântico. publicada em 1960. F. com "The grammar of English nominalizations". PEREIRA. (1) Colorless green ideas sleep furiously. Stephen B. 2.. [O22] Comentário: A sentença (1) ficou tão famosa que até recebeu uma entrada na maior enciclopédia virtual da atualidade.wikipedia. a noção de “gramatical em inglês” não poderá ser identificada. Lees. (2) Furiosamente dormem idéias verdes incolores. . (2) Furiously sleep ideas green colorless. por uma definição de “gramaticalidade” será fútil. mas não são marcadas pelo asterisco (*). [O24] Comentário: Essa afirmação de Chomsky foi recentemente contestada por Fernando Pereira. em seu artigo "Formal grammar and information theory: together again?". Amsterdan / Philadelphia: John Benjamins. The legacy of Zellig Harris . O falante tratará cada palavra de (2) como um sintagma isolado. no capítulo 7. como igualmente 'remotas' em inglês". Essas sentenças podem ser traduzidas como (1) Incolores idéias verdes dormem furiosamente. (1). mas irá ler (2) com uma entonação falha em cada palavra. seguindo notação comum hoje. Vendo essas sentenças.4 Em terceiro lugar. em qualquer modelo estatístico voltado para a gramaticalidade.org. In: NEVIN. Formal grammar and information theory: together again?. JOHNSON.language and information into the 21st century. (5) read you a book on modern music? (6) the child seems sleeping. mas apenas (3) e (4) são sentenças gramaticais do inglês. Da mesma forma.000 vezes menos provável de ocorrer em um corpus do inglês do que a sentença (1). www.2. Nós iremos ver. De maneira semelhante.3 Em segundo lugar. enquanto (2) não é. com a de “alta ordem de aproximação estatística em inglês”. Volume 2: Mathematics and computability of language. é gramatical. Cf. de maneira alguma. Cf. que existem razões estruturais profundas para distinguir (3) e (4) de (5) e (6). A primeira publicação que utilizou o asterisco para marcar sentenças agramaticais apareceu apenas três anos depois. como igualmente “remotas” em inglês. embora sem sentido. com o mesmo padrão de entonação dado a qualquer seqüência de palavras que não apresentem relação entre si. nós teremos de levar a teoria de estrutura sintática um bocado além de seus limites conhecidos. mas qualquer falante do inglês reconhecerá que só a primeira é gramatical. Logo. 2002. Ainda assim. não há motivo semântico para que se prefira (3) a (5) ou (4) a (6). essas sentenças seriam excluídas com base nos mesmos motivos. um falante do inglês irá ler (1) com uma entonação normal de sentença.

e não a outra. O costume de se considerar como sentenças gramaticais aquelas que “podem ocorrer” ou que são “possíveis” tem sido responsável por algumas confusões. p. 10. a capacidade de produzir e reconhecer enunciados gramaticais não é baseada em noções de aproximação estatística e coisas do gênero. Apesar do inegável interesse e importância dos estudos semânticos e estatísticos da linguagem. parece que não existe uma relação específica entre nível de proximidade e gramaticalidade. Ainda assim. no contexto “I saw a fragile_” (Eu vi uma frágil_). 1955). A manual of phonology (Baltimore. as palavras “whale” (baleia) e “of” (de) podem ter a mesma freqüência (ou seja. ele deve se contentar com uma versão esquematizada. Evidentemente. já que a “realidade” da língua é complexa demais para ser completamente descrita. digamos. encontraremos tanto seqüências gramaticais como agramaticais dispersas ao longo da lista. Então. eles parecem não ter relevância direta ao problema de determinar ou caracterizar o conjunto de enunciados gramaticais. ele pode nunca ter ouvido ou visto qualquer par de palavras dessas sentenças unidas em um discurso real. Mas não há por que nos determos nesse ponto aqui. zero) na experiência lingüística passada de um falante que irá imediatamente reconhecer que uma dessas substituições. O mesmo acontece com inúmeros pares semelhantes. evidentemente. 5 Cf. 4 11 . contudo que essa idéia é bastante incorreta e que uma análise estrutural não pode ser entendida como um resumo esquemático desenvolvido a partir de melhorias nas formas do quadro estatístico. É natural entender “possível” como significando “altamente provável” e assumir que a rígida distinção do lingüista entre gramatical e agramatical4 é motivada por um sentimento de que. trocando a “probabilidade zero e todas as probabilidades extremamente baixas. conseguirá decorá-la mais rapidamente. iremos sugerir que essa distinção rígida pode ser modificada para favorecer uma noção de níveis de gramaticalidade. Acredito que devemos concluir que a gramática é autônoma e independente do significado e que os modelos Mais adiante. etc.mais facilmente do que (2). por impossível e todas as probabilidades altas de possível”5. Hockett. já que a base para essa diferença entre (1) e (2) é precisamente o que estamos interessados em determinar. mas elas estarão no mesmo nível remoto em inglês. (3) e (4). irá resultar em uma sentença gramatical. Para escolher um outro exemplo. Não podemos. Se ordenarmos as seqüências de uma determinada extensão de acordo com o grau de sua aproximação estatística com o inglês. Vemos. (1) e (2) estarão em diferentes níveis de gramaticalidade até mesmo se (1) ficar em um nível inferior de gramaticalidade do que. apelar para o fato de que sentenças como (1) “poderiam” ser produzidas em um contexto suficientemente rebuscado. enquanto (2) nunca seria.

por exemplo. “On a class of skew distribution functions”. na ordem de aproximação das seqüências das classes de palavras.. nós podemos encontrar uma seqüências cujas primeiras n palavras podem ocorrer como o começo de uma sentença gramatical S1 e cujas últimas n palavras possam ocorrer como o final de alguma sentença gramática S2. Acredito que isso também vale.. B. mas onde S1 deve ser distinta de S2. Biometrika 42.probabilísticos não fornecem nenhum esclarecimento sobre alguns dos problemas básicos da estrutura sintática6. H. Simon. uma seqüências de adjetivos maior do que qualquer uma jamais produzida no contexto “Eu vi uma casa __”. eu não me preocuparia em mostrar que qualquer relação desse tipo é impensável. Por exemplo. Cf. “Structure formelle des textes et communication: deux études”. Retornamos à questão da relação entre sintaxe e semântica nos capítulos 8 e 9. em grande parte. estão aqui”. onde . Poder-se-ia tentar desenvolver uma relação mais elaborada entre a estrutura estatística e a estrutura sintática do que a do modelo de aproximação pela simples ordem. Repare. considere as seqüências da forma “o homem que. Certamente. irão encontrar numerosos fatos como esses. Repare também que nós podemos ter novas – e perfeitamente gramaticais – seqüências de classes de palavras. pode-se estudar o uso da língua estatisticamente em diversas maneiras. Dada a gramática de uma língua. A. baseadas na freqüência do tipo de sentença. onde nós argumentos que essa relação pode apenas ser estudada depois que a estrutura sintática tenha sido determinada em bases independentes. não conheço nenhum sugestão a esse respeito que não apresente falhas óbvias. pode ser um sintagma verbal de comprimento arbitrário. 1-27 (1954). etc. Diversas tentativas para explicar a relação gramatical x agramatical.. que rejeitamos.. que para qualquer n. 425-40 (1955). Word 10. 6 12 .. e o desenvolvimento de modelos probabilísticos para o uso da língua (distintos da estrutura sintática da língua) pode ser bem compensador. em particular. para a relação entre estudos sintáticos e estudos probabilísticos da língua. Mandelbrot. como no caso de (1) e (2).

uma palavra do inglês). é associado com algum texto importante de Chomsky: Estruturas sintáticas (ou mais propriamente The logical structure of linguistic theory) com a teoria inicial. Chamaremos de “sentença” a seqüência de palavras obtidas. Um desses estados é o estado inicial. por basicamente duas razões: (i) os termos "fonêmico" e "morfêmico" estão também disponíveis em português e parecem mais fiéis aos termos adotados por Chomsky. Chamaremos qualquer língua que pode ser produzida por uma máquina desse tipo de língua de 13 . teoria padrão. Portanto. Ao invés de apresentar a estrutura fonêmica das sentenças diretamente. A idéia de distinguir os "níveis de representação" dos "componentes de regras que os geram" só começa a ganhar ênfase a partir de Chomsky (1965). o lingüista cria elementos de “nível superior”. a gramática não pode ser simplesmente uma lista de todas as seqüências de morfemas (ou de palavras). e estabelece separadamente a estrutura morfêmica das sentenças e a estrutura fonêmica dos morfemas. o conjunto de sentenças que podem ser produzidas dessa maneira. a descrição lingüística procede em termos de um sistema de “níveis de representação”.3. assim. já que há um número infinito de tais seqüências. Veremos que tipo de gramática é necessário para gerar todas as seqüências de morfemas (ou palavras) que constituem as sentenças gramaticais em inglês – e apenas elas. Cabe aqui uma citação de Harris (1993: 171-2): “O desenvolvimento teórico de Chomsky normalmente é conhecido por ser pontuado por quatro modelos gramaticais principais (. Grifos do autor.). como morfemas. ao contrário da edição portuguesa. agora podemos perguntar que tipo de mecanismo pode produzir esse conjunto (em outras palavras. reconhecidamente. inútil. que traz estrutura “fonológica” e “morfológica”. Por esse motivo (entre outros). passe sucessivamente por uma série de estados (produzindo uma palavra em cada transição) e termine no estado final.. isto é. em que se fala de "estrutura morfêmica" e "estrutura fonêmica" como "níveis de análise". que tipo de teoria dá conta da estrutura desse conjunto de enunciados adequadamente). Cada um desses modelos. O modelo diferente é a teoria padrão estendida. mas um de Jackendoff: Semantic interpretation in generative grammar (1972)”. outro é o estado final. Eles geralmente levam os nomes de teoria transformacional inicial. [O26] Comentário: Aqui aparece pela primeira vez o verbo “gerar” (generate) na obra. Admitamos que a máquina comece no estado inicial. Logo. Podemos encarar cada sentença desse conjunto como sendo uma seqüência de fonemas de extensão finita. Uma condição que a gramática necessariamente deve ter é a de ser finita. UMA TEORIA LINGÜÍSTICA ELEMENTAR [O25] Comentário: Traduzi “phonemic structure” e “morphemic structure” por “estrutura fonêmica” e “estrutura morfêmica”. na prática. que tem como texto mais importante não um de Chomsky. 3. Vamos considerar agora diversas maneiras de descrever a estrutura morfêmica das sentenças. Cada máquina desse tipo define. Suponhamos que nós temos uma máquina que pode passar por um número finito de diferentes estados internos e que transita de um estado para outro pela emissão de um determinado símbolo (digamos.. O Estruturas sintáticas é considerado o livro fundamental do primeiro modelo da gramática gerativa. por causa do debate que se inicia sobre a natureza da estrutura profunda. Um conhecido modelo teórico de linguagem usado na comunicação sugere uma solução para essa dificuldade. (ii) adotar esses termos é mais fiel à história da terminologia lingüística. com exceção de um. teoria padrão estendia e teoria da regência e ligação. e parece bem óbvio que qualquer tentativa de apresentar diretamente esse conjunto de seqüências gramaticais de fonemas levaria a uma gramática tão complexa que seria. Chomsky (1955) utiliza essa a mesma terminologia. Pode-se ver facilmente que a descrição conjunta desses dois níveis será muito mais simples do que uma descrição direta da estrutura fonêmica das sentenças. uma vez que o Syntactic Structures deve muito. em 1968. Aspects com a teoria padrão e Lectures on Government and Binding com seu modelo mais atual [a Teoria da Regência e Ligação à época do livro de Harris]. Uma língua é um enorme sistema intrincado. uma determinada língua.1 Assumindo-se como dado o conjunto de sentenças gramaticais do inglês. à tradição estruturalista bloomfieldiana e harrisiana. em The Sound Pattern of English. a idéia de que a fonologia" é um "componente de regras" que gera "representações gramaticais" só ganha nitidez na segunda metade da década de 60 .

. Weaver. 7 C. indiferentemente se esse caminho já tenha sido percorrido anteriormente para construir a sentença em questão.. P. a gramática que produz apenas as duas sentenças “the man comes” (o homem vem) e “the men come” (os homens vêm) pode ser representada pelo seguinte diagrama de estados: (7) VER GRÁFICO (7). medida pela probabilidade de se encontrar nos [O27] Comentário: Andrey Andreyevich Markov (14 de janeiro de 1856 – 20 de julho de 1922) foi um matemático russo bastante conhecido por sua teoria das “Cadeias de Markov”..estados finitos. 14 . Cada nó em tal diagrama corresponde. então. “the old men come” (os velhos homens vêm). e podemos chamar a própria máquina de gramática de estados finitos. um tipo de processo estocástico de tempo discreto. nós atribuímos uma probabilidade para cada transição de estado para estado. E. Assim. Podemos assim calcular a “incerteza” associada com cada estado e podemos definir o “conteúdo da informação” da língua como a incerteza média. Nós podemos permitir a transição de um estado a outro de diversas maneiras e podemos ter qualquer número de loopings fechados de qualquer extensão. Ao atingirmos determinado ponto no diagrama.. “the old old men come” (os velhos velhos homens vêm). . “the old old man comes” (o velho velho homem vem). Uma gramática de estados finitos pode ser representada graficamente na forma de um “diagrama de estados”7.. 15f. a um estado da máquina. Por exemplo. p. 22 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Nós podemos estender essa gramática para produzir um número infinito de sentenças. Shannon & W. The mathematical theory of communication (Urbana. a gramática finita da subparte do inglês contendo as sentenças vistas mais as sentenças “the old man comes” (o velho homem vem). adicionando um looping fechado. nós produzimos uma sentença seguindo um caminho do ponto inicial à esquerda até o ponto final à direita. nós podemos seguir pelo caminho que parta desse ponto.. 1949). 23 DA EDIÇÃO PORTUGUESA Dado um diagrama de estados. P. sempre seguindo o caminho das setas. podem ser representadas pelo seguinte diagrama de estados: (8) VER GRÁFICO (8). Para completar esse modelo teórico básico de comunicação para a linguagem. As máquinas que produzem línguas dessa maneira são conhecidas matematicamente como “processos de Markov de estados finitos”.

(9) afirma que não é possível estabelecer diretamente a estrutura morfêmica de sentenças por meio de algum mecanismo como um diagrama de estados.2 Uma língua define-se a partir de seu “alfabeto”. etc. 8 15 . é impossível. tendo em vista a seguinte observação geral sobre o inglês: (9) O inglês não é uma língua de estados finitos. produz a primeira palavra da sentença. Ao produzir uma sentença. e não estatística. e que a concepção de língua baseada no processo de Markov que esboçamos não pode ser aceita. Dada a generalidade dessa concepção de língua e sua utilidade em disciplinas afins como a teoria da comunicação. Para demonstrar (9). sob qualquer delimitação razoável do conjunto de sentenças do inglês. como o leitor facilmente pode verificar. de construir um mecanismo do tipo que descrevemos há pouco (um diagrama como (7) ou (8)) que produza todas e apenas as sentenças gramaticais do inglês. 02. Se pudermos adotá-la. o conjunto finito de símbolos com que se constroem as suas sentenças) e das suas sentenças gramaticais. Esse é essencialmente o modelo de linguagem que Hockett desenvolve em A manual of phonology (Baltimore. Já que estamos estudando a estrutura gramatical. como o inglês ou um sistema formalizado da matemática. da língua aqui. essa generalização não nos interessará. Essa concepção da linguagem é extremamente poderosa e geral.estados associados. Contudo. é desnecessário tentar mostrar isso com exemplos. podemos ver os falantes como sendo essencialmente uma máquina desse tipo. o falante começa no estado inicial. Nós passaremos a descrever determinadas propriedades sintáticas do inglês que indicam que. passando depois para um segundo estão que limita a escolha da segunda palavra. 3. não apenas difícil. Cada estado por que ele passa representa as restrições gramaticais que limitam a escolha da próxima palavra naquele ponto da enunciação8. (9)pode ser considerado como um teorema relativo ao inglês. 1955). isto é. ao menos para os propósitos da gramática. Quer dizer. é importante se perguntar sobre as conseqüências de adotar esse ponto de vista no estudo sintático de algumas línguas. é necessário definir as propriedades sintáticas do inglês de maneira mais precisa. Para voltarmos à pergunta levantada no segundo parágrafo do capítulo 3. Qualquer tentativa para construir uma gramática de estados finitos para o inglês enfrenta sérias dificuldades e complicações desde o início.

línguas como (10). vol. em (11iii). Então nós podemos ter sentenças como as seguintes: (11) (i) Se S1. mas estão encaixados em outras seqüências. onde os as e os bs em questão não são consecutivos. há uma dependência entre as palavras de cada lado 9 Cf. ou S4. Da mesma forma. que o conjunto de fórmulas bem formadas de qualquer sistema formalizado da matemática ou da lógica não irá constituir uma língua de estados finitos. nós não podemos ter “ou” no lugar de “então”. todas as sentenças que consistem de n ocorrências de a seguidas por n ocorrências de b – e apenas elas. para um esclarecimento dessas condições e uma prova para (9). bb. bb. I. abba. Repare. aaaa. e. . . nós não podemos ter “então” no lugar de “ou”. Transactions on Information Theory. baab. 16 . bbb. S2. vamos considerar diversas línguas cujos alfabetos contêm apenas as letras a e b e cujas sentenças são definidas como aparece em (10i-iii): (10) (i) ab.. S3. aabb... todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X seguida por uma “imagem em espelho” de X (isto é... e. .. (iii) aa. abbbba. em geral.. Nós podemos facilmente mostrar que cada uma dessas três línguas não é uma língua de estados finitos. E. R. aabbaa. baba. (iii) O homem que disse que S5 está chegando hoje. e. em geral. sentenças declarativas em inglês.Antes de investigamos o inglês diretamente. aabaab. . aaabbb. Proceedings of the symposium on information theory. por causa dos parênteses pareados ou restrições equivalentes. nós não podemos ter “estão” no lugar de “está”. meu artigo “Three models for the description of language”. Em (11i). IT-2.. em geral. abab. X de maneira inversa) – e apenas elas. em particular. (ii) Ou S3. todas as sentenças que consistem de uma seqüência de X de as e bs seguida de uma seqüência idêntica de X – e apenas elas. abbabb. aaaa... Mas está claro que existem subpartes do inglês com a forma básica de (10i) e (10ii). 1956. Sejam S1. escapam à definição de língua de estados finitos. Sept. Em cada um desses casos. então S2. em condições gerais9. em (11ii). (ii) aa. bbbb...

Repare que muitas das sentenças da forma de (12). “ou” – “ou”. Um conjunto de sentenças que é construído dessa forma (e nós vemos em (11) que existem diversas possibilidades disponíveis para tais construções – (11) não chega perto de exaustar as possibilidades) terá todas as propriedades a imagem de espelho de (10ii) que excluem (10ii) do conjunto de línguas de estados finitos. então selecionar como S2 uma seqüência dessa forma. em inglês. parece bem claro que não há teoria de estrutura lingüística baseada exclusivamente nos modelos dos processos de Markov e similares que poderá explicar ou dar conta da habilidade de um falante do inglês para produzir e compreender sentenças novas e rejeitar outras novas seqüências que não pertençam à língua. etc. Essa é uma indicação grosseira dos passos a seguir para uma demonstração rigorosa de (9). Então. então S2. Mas elas são todas sentenças gramaticais. assumindo que sentenças como (11) e (12) pertençam ao inglês. “o homem” – “está”). Está claro. É difícil de conceber qualquer possível motivação para excluí-las do conjunto de sentenças gramaticais do inglês. nós podemos encontrar uma seqüência a + S1 + b. formadas por processos de construção de sentenças tão simples e elementares que até mesmo a gramática mais rudimentar do inglês poderia contê-las. de forma extremamente simples. Elas podem ser entendidas. nós podemos inserir uma sentença declarativa S1. então (11iii). Dessa forma. Então. etc. etc. sem alterar a parte essencial de nossas observações). S5 e essa sentença declarativa pode ser. de fato. “se” – “então”. 17 . então. em cada caso.da vírgula (isto é. S3. “se for o caso de”. teremos a seguinte sentença: (12) Se. uma sentença daquelas em (11i-iii). E S5 em (11iii) pode novamente ser uma das sentenças de (11). que. “Ou S3.. e nós podemos selecionar como S1 uma outra seqüência contendo c + S2 + d. serão bem estranhas e incomuns (elas podem muitas vezes ter sua estranheza atenuada se trocarmos “se” por “sempre que”. Mas entre palavras interdependentes. etc. e poderíamos mesmo estabelecer. ou S4. se em (11i) tomarmos S1 como (11ii) e S3 como (11iii). então S1”. enquanto sentenças contradizem as dependências referidas em (11) (por exemplo. podemos encontrar vários tipos de modelos de estados não finitos dentro do inglês. onde há uma dependência entre a e b. “assumindo que”.) não pertencem ao inglês. as condições em que elas podem ser verdadeiras. onde há uma dependência entre c e d.

de certa forma. Quer dizer.. Mas essa gramática será tão complexa que será de pouco ou nenhum interesse. a abordagem para a análise de gramaticalidade sugerida aqui em termos de um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita parece levar a um beco sem saída da mesma forma como as propostas rejeitadas no capítulo 2. Em resumo. e uma lista é essencialmente uma gramática de estados finitos trivial. Se ela tiver mecanismos recursivos de alguma forma. Uma gramática de estados simples é o tipo mais simples de gramática que. podemos provar a inaplicabilidade literal dessa teoria elementar. somos forçados a procurar algum outro tipo mais poderoso de gramática e uma forma mais “abstrata” de teoria lingüística. obviamente.3. contudo. para um valor fixo de n. por exemplo. Se uma gramática não contiver mecanismos recursivos (loopings fecahdos. Se esses processos não têm um limite finito. Isso iria. Se ela produzir apenas sentenças do inglês. Pelo menos um nível lingüístico não pode ter essa estrutura simples. sentenças falsas. ela irá produzir infinitamente muitas sentenças. Tais limitações arbitrárias são. a suposição de que línguas são infinitas é feira para simplificar a descrição dessas línguas. Vimos que uma teoria tão linguisticamente limitada não é adequada. não será o caso que cada sentença seja 18 . Se esses processos têm um limite.3 Nós poderíamos arbitrariamente decretar que processos de formação de sentenças em inglês como aqueles que discutimos não podem ser utilizados mais do que n vezes. então a construção de uma gramática de estados finitos não estará literalmente fora de questão. nós podemos ter certeza de que haverá um número infinito de sentenças verdadeiras. pode gerar um infinito número de sentenças. em algum nível. Se uma gramática desse tipo produz todas as sentenças do inglês. a mínima teoria lingüística que merece uma consideração séria. perguntas razoáveis. etc. na gramática de estados finitos) ela será proibitivamente complexa. já que será possível listar as sentenças. como em (8). ela irá produzir igualmente muitas não-sentenças. uma limitação das sentenças do inglês a uma extensão de um milhão de palavras. com uma quantidade finita de mecanismos. despropositadas. Em geral. tal como faria. A concepção de gramática que acabou de ser rejeitada representa. tornar o inglês uma língua de estados finitos. que ela simplesmente não produzirá. Acontece que existem processos de formação de sentenças com os quais as gramáticas de estados finitos não estão intrinsecamente aptas a lidar. A noção de “nível lingüístico de representação” apresentada no começo desta seção deve ser modificada e elaborada.

No começo do capítulo 3. então essa descrição pode verdadeiramente ser simplificada com a construção de tais níveis mais elevados. mas gerando ao menos um desses níveis da esquerda para a direita por um mecanismo com maior capacidade do que a de um processo de Markov de estados finitos. estabelecendo as seqüências permitidas de elementos do nível mais elevado. Devemos desistir da esperança de encontrar um conjunto finito de níveis ordenados do superior ao inferior. 19 . construído de tal forma que possamos gerar todos os enunciados. etc. capítulo 8). mas para gerar línguas de estados não finitos como o inglês. gerada da esquerda para a direita por algum mecanismo simples. Se uma língua pode ser descrita de uma maneira elementar. nós precisamos métodos fundamentalmente diferentes. meu artigo “Three models for the description of language” para uma discussão mais detalhada. . se é uma língua de estados finitos). nós propusemos que os níveis fossem estabelecidos dessa maneira a fim de simplificar a descrição do conjunto das seqüências gramaticais de fonemas.. a constituição de cada elemento do nível mais elevado em termos de elementos de segundo nível. Mas eles são talvez menos poderosos do que o tipo de mecanismo que seria necessário para uma geração direta da esquerda para a direita do inglês. da esquerda para a direita em termos de um único nível (isto é. 10 Uma terceira alternativa seria a de manter a noção de um nível lingüístico como um simples método linear de representação.representada simplesmente como uma seqüência finita de elementos de algum tipo. tanto em termos de complexidade de descrição como em falta de poder explicativo (cf. As gramáticas que discutimos abaixo que não geram da esquerda para a direita também correspondem a processos menos elementares do que os processos de Markov de estados finitos. que parece inútil seguir essa abordagem mais adiante. Cf. estabelecendo finalmente a constituição fonêmica de elementos do penúltimo nível10. Há tantas dificuldades com a noção de nível lingüístico baseado em geração da esquerda para a direita. além de um conceito mais geral de “nível lingüístico”.

As convenções notacionais que utilizaremos ao longo da discussão da estrutura do inglês estão no capítulo 11. Grifos dos autores. Apêndice II. etc. “o termo vem da expressão latina pars orationes (partes do discurso) e tem suas raízes na tradição clássica.4. chutou. o termo parsing foi adquirindo novo significado. entretanto. De acordo com Menuzzi & Othero (2005: 39). [. etc. principalmente. considere o seguinte: (13) (i) Sentença (ii) SN (iii) SV (iv) T (v) N SN + VP [O28] Comentário: A palavra parsing. baseando-se em um modelo formal de gramática”.. Com o avanço da Inteligência Artificial.1 Habitualmente. de atribuir às sentenças a sua estrutura de constituintes. Veremos agora qual forma de gramática está pressuposta numa descrição desse tipo.. 11 20 .] No contexto da Lingüística Computacional. da Lingüística Computacional e do Processamento de Linguagem Natural. Esses programas são capazes de classificar morfossintaticamente as palavras e expressões de sentenças em uma dada língua e. Como um simples exemplo da nova forma de gramática associada à análise de constituintes. a homem. já é um termo de uso consagrado em Lingüística hoje. ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 4. (14) Sentença SN + SV T + N + SV T + N + Verbo + SN (i) (ii) (iii) As regras numeradas da gramática do inglês a que constantemente faremos referência nas páginas seguintes estão reunidas e organizadas adequadamente no capítulo 12. Descobriremos que a nova forma de gramática é essencialmente mais poderosa que o modelo de estados finitos rejeitado anteriormente e que o conceito de “nível lingüístico” associado a ela é diferente em aspectos fundamentais. bola. onde os números à direita de cada linha da derivação se referem à regra da “gramática” (13) usada para construir a linha a partir de uma linha precedente11. pegou. além de não ter uma tradução adequada para o português. Y de (13) como a instrução (vi) Verbo Suponhamos que nós interpretamos cada regra X “reescreva X como Y”. a descrição lingüística no nível sintático é formulada em termos de análise em constituintes (parsing). Podemos chamar (14) de uma derivação da sentença “o homem chutou a bola”. T+N Verbo + SN o. Apêndice I. parsing diz respeito à interpretação automática (ou semi-automática) de sentenças de linguagem natural por meio de programas de computador conhecidos como parsers.

então “chutou a bola” é um SV na sentença derivada. A partir de (14). a terceira linha é formada a partir da segunda linha pela reescrita de SN como T + N. O diagrama (15) traz apenas o que é essencial em (14) para a determinação da estrutura sintagmática (análise de constituintes) da sentença derivada “o homem chutou a bola”.o + N + Verbo + SN o + homem + Verbo + SN o + homem + chutou + SN o + homem + chutou + T + N o + homem + chutou + a + N o + homem +chutou + a + bola (iv) (v) (vi) (vii) (viii) (ix) Assim. “chutou a bola” pode ser reconstituído até o SV em (15). Logo. nós podemos construir unicamente (15). Uma seqüência de palavras dessa sentença é um constituinte do tipo Z se nós podemos reconstituir essa seqüência até um único ponto de origem em (15). etc. de acordo com a regra (ii) de (13). a segunda linha de (14) é formada a partir da primeira linha pela reescrita de Sentença como SN + SV. mas o contrário não é verdadeiro. Mas homem chutou não pode ser 21 . já que é possível construir uma derivação reduzível a (15) com uma ordem diferente na aplicação das regras. Podemos representar a derivação (14) de uma maneira óbvia através do seguinte diagrama: (15) Sentença SN SV T N Verbo SN o homem chutou T N a bola O diagrama (15) traz menos informação do que a derivação (14). de acordo com a regra (i) em (13). e esse ponto de origem for rotulado Z. já que ele não nos diz em que ordem as regras foram aplicadas em (14).

Uma generalização de (13) é se faz evidentemente necessária. 81-117 (1947) para uma discussão mais detalhada. “Three models for the description of language”. S. Wells. 22 . Dizemos que duas derivações são equivalentes se elas se reduzem ao mesmo diagrama da forma (15). Retornaremos à importante noção de homonímia construcional mais adiante. 13 Então. ao invés de termos Verbo chuta como uma regra adicional de (13). contudo. em uma gramática mais completa. na verdade. isto é.1 para alguns exemplos de homonímia construcional. mas não se ele for plural. em 12 Cf. Language 23. Por exemplo. Verbo pode ser reescrito “chuta” se o substantivo precedente for homem. C. Linguistics Today. Omitiremos qualquer menção a primeira e segunda pessoa nesta discussão. podemos ter (17) SNsing + Verbo SNsing + chuta Indicando que o Verbo é reescrito como chuta apenas no contexto SNsing– . Uma característica de (13) deve.reconstituído a nenhum ponto de origem em (15). dizemos que temos um caso de “homonímia construcional”12 e. como aparece em (17): apenas um elemento pode ser reescrito em cada regra. de validade duvidosa. se desejamos limitar a reescrita de X como Y ao contexto Z – W. Devemos poder limitar a aplicação de uma regra a um determinado contexto. Word 10. “Two models of grammatical description”. mas não se for homens. vem. da mesma forma. ser preservada. T pode ser reescrito a se o substantivo seguinte for singular.13 Essa é uma generalização direta de (13). se nossa gramática estiver correta. “boys”. Cf. F. meu The logical structure of linguistic theory (mimeografado). Nessas circunstâncias. no caso de verbos no singular e no plural. “Immediate constituents”. Hockett. A identificação do afixo número-pessoal verbal e nominal é. meninos). logo “homem chutou” não é um constituinte. Assim. (13ii) poderia ser substituído por um conjunto de regras que incluísse as seguintes: SNsing SN SNpl SNsing T + N + ∅ (+ Sintagma Preposicional) SNpl T + N + S (+ Sintagma Preposicional) onde S é o morfema singular para verbos e plural para substantivos (“comes”. Em geral. R. uma gramática pode nos permitir a construção de derivações não equivalentes para uma determinada sentença. seção 8. (13ii) terá de ser reformulado para incluir SNsing e SNpl. nós podemos estabelecer a seguinte regra na gramática: (16) Z + X + W Z + Y + W. essa sentença da língua deverá ser ambígua. Da mesma forma. 210-33 (1954). Ocasionalmente.

Um conjunto de seqüências é chamado de uma língua terminal se for o conjunto de seqüências terminais para uma gramática [Σ. definimos a derivação como uma série finita de seqüências. no sentido de que a sua seqüência final não pode mais ser reescrita pela aplicação das regras F. o+homem+chutou+a+bola é uma seqüência terminal da gramática (13). Algumas derivações são chamadas de derivações terminadas. (14) é uma derivação. Dessa forma. cada uma dessas gramáticas define uma língua terminal (talvez a língua “vazia”. e não uma seqüência como T + N. F]. aplicando uma das fórmulas de instrução de F. F] podem não ter seqüências terminais. Algumas gramáticas da forma [Σ. Dada a gramática [Σ. que descrevem alguma língua. mas nós iremos nos preocupar apenas nas gramáticas que tenham seqüências terminais. como vimos 23 . Embora X não precise ser um símbolo único. F]. Assim. não contendo nenhuma sentença) e cada língua terminal é produzida por uma gramática da forma [Σ. começando com uma seqüência inicial de Σ e com cada seqüência na série que está sendo derivada da seqüência precedente.(16). Se essa condição não for respeitada não conseguiremos reconstruir a estrutura de sintagmática das sentenças derivadas a partir dos diagramas associados da forma (15) de maneira correta. e F era constituído pelas regras (i) – (vi). dizemos que ela é uma derivação terminal. Na gramática (13). isto é. Assim. o único membro do conjunto Σ das seqüências iniciais era o símbolo Sentença. como fizemos anteriormente. F]. Nós podemos descrever agora de maneira mais geral a forma de gramática associada à teoria da estrutura lingüística baseada na análise de constituintes. Se uma seqüência é a última linha de uma derivação terminada. mas poderíamos querer estender Σ. para incluir. X deve ser um símbolo único como T. Sentença Declarativa e Sentença Interrogativa como símbolos adicionais. podemos reconstruir a estrutura sintagmática de cada sentença da língua (cada seqüência terminal da gramática) se considerarmos os diagramas associados da forma (15). Dada uma língua terminal e sua gramática. por exemplo. Cada gramática é definida por um conjunto finito Σ de seqüências iniciais e um conjunto finito F de “fórmulas de instrução” com a forma X Y sendo interpretadas como “reescreva X como Y”. mas a seqüência das cinco primeiras linhas de (14) não é. Verbo. (14) é uma derivação terminada. Assim. somente um símbolo de X pode ser reescrito para formar Y. e a série de seqüências de cinco termos constituída das cinco primeiras linhas de (14) também é uma derivação.

meu artigo “On certain formal properties of grammars”. No entanto. 133-167 (1959). discutidas no capítulo 3. Information and Control 2. Podemos também definir nessas línguas as relações gramaticais de uma maneira formal. que consiste em todas e somente as seqüências ab. Agora estamos considerando línguas terminais que são geradas por sistemas da forma [Σ. o meu artigo “Three models for the description of language” para provas deste e de outros teoremas relacionados sobre o poder relativo das gramáticas. nós estudamos línguas denominadas “línguas de estados finitos”. encontramos as línguas (10i) e (10ii).15 No capítulo 3. Esses dois tipos de línguas estão relacionadas da seguinte maneira. pode ser produzida pela gramática [Σ. 15 Cf. F]. em termos dos diagramas associados. mas existem línguas terminais que não são línguas de estado finito. F] em (18): (18) Σ: Z F: Z Z ab aZb Essa gramática tem a seqüência inicial Z (como (13) tem a seqüência inicial Sentença) e ela tem duas regras.2 No capítulo 3. 14 24 . aabb. (10iii) não pode ser produzida por uma gramática desse tipo. o modelo de Markov de Cf. Assim. aaabbb. . que eram geradas por processos de Markov de estados finitos. conseqüentemente. a língua (10i).14 O que este teorema quer dizer é que a descrição em termos de estrutura sintagmática é essencialmente mais poderosa do que a descrição em termos da teoria elementar apresentada no capítulo 3. 4.anteriormente. Como exemplos de línguas terminais que não são línguas de estados finitos. Pode-se ver facilmente que cada derivação terminada construída a partir de (18) acaba como uma seqüência da língua (10i) e que todas essas seqüências são produzidas dessa forma.. línguas da forma (10ii) podem ser produzidas por gramáticas [Σ. F]. De maneira semelhante.. Teorema: Toda língua de estado finito é uma língua terminal. chamamos a atenção para o fato de que as línguas (10i) e (10ii) correspondem a subpartes do inglês e que. a menos que as regras incorporem restrições contextuais.

Isso é esse fato essencial sobre a estrutura sintagmática que dá a ela seu caráter “abstrato”. cada seqüência terminal tem muitas representações diferentes. cada um dos quais é um Z. podemos dizer que na seqüência aaabbb de (10i). no caso de (18). como vimos no último parágrafo do capítulo 3. Observe também que. essa seqüência particular contém três “sintagmas”. ordenado do maior ao menor.estados finitos não é adequado para o inglês. que poderiam ocorrer em outras derivações equivalentes a (14) no sentido ali definido. ab é um Z. No nível da estrutura sintagmática. dos morfemas ou das palavras.1 em termos de diagramas como (15). com uma representação para cada sentença em cada um desses subníveis. como acontece no nível dos fonemas. possui o caráter fundamentalmente diferente e não trivial que. Não podemos estabelecer uma hierarquia entre as várias representações de “o homem chutou a bola”. obviamente. mas mostramos que grandes partes do inglês que literalmente não podem ser descritas em termos de modelo de processos de estados finitos pode ser descrita em termos de estrutura sintagmática. a seqüência terminal “o homem chutou a bola” é representada pelas seqüências Sentença+SN+SV. Por exemplo. no caso de (13). no caso de (13) e (18) (como em qualquer sistema de estrutura sintagmática). cada sentença da língua é representada por um conjunto de seqüências e não por uma única seqüência. É importante observar que ao descrever essa língua. e os sintagmas verbais são contidos pelos sintagmas nominais em inglês. nós introduzimos um símbolo Z que não está contido nas sentenças dessa língua. Repare que. bem como por seqüências como SN+Verbo+SN. Não provamos a adequação do modelo de estrutura sintagmática. podemos ver que o modelo de estrutura sintagmática não falha em tais casos. Por exemplo. uma língua extremamente trivial. por exemplo. Assim. portanto. T+N+SV e todas as outras linhas de (14). Os sintagma nominais são contidos pelos sintagmas verbais. 25 . A estrutura de constituintes deve ser considerada como um único nível. Dessa forma. não podemos subdividir o sistema da estrutura de constituintes em um conjunto finito de níveis. é exigido por algum nível lingüístico. Essa é. assumida como um nível lingüístico. T+N+chutou+SN. com um conjunto de representações para cada 16 Onde “é um” é a relação definida na seção 4. Agora. a estrutura sintagmática. aabb é um Z e a própria aaabbb é um Z16. não há qualquer maneira de ordenar os elementos SN e SV relativamente um ao outro.

Isso faz parecer que a separação entre o nível mais elevado de estrutura sintagmática e o nível mais baixo é arbitrária. cada um dos quais é elementar no sentido 26 . Podemos agora estender as derivações de estrutura sintagmática aplicando (19). Na verdade. para que tenhamos um processo unificado para gerar séries de fonemas a partir da seqüência inicial Sentença. a distinção não é arbitrária. as propriedades formais das regras X Y correspondentes à estrutura sintagmática são diferentes das regras morfofonêmicas. ou nós derivaremos formas como /teyk/ como sendo o passado do verbo take. Há uma correspondência um-para-um entre os conjuntos de representações adequadamente escolhidos e os diagramas da forma (15). como vimos.sentença da língua.. A fim de completar a gramática. fonemas e morfemas.. deve. nós possamos gerar todas as seqüências gramaticais ou morfemas de uma língua. Em segundo lugar. (iii) deve preceder (v) ou (vii). 4. morfofonemas e morfemas).D/ + /Id/ (onde D = /t/ ou /d/) /. Repare que ordem deve ser definida entre essas regras – por exemplo. com uma gramática [Σ.Csur/ + passado (vi) passado (vii) take etc. no caso das primeiras.3 Suponha que. ou talvez fonemas.. não precisamos mais que um único símbolo seja reescrito em cada regra.Csur/ + /t/ (onde Csur é uma consoante surda) (ii) take + passado (iii) hit + passado (iv) /. já que. para o inglês: (19) (i) walk /wçk/ /tuk/ /hit/ /. Mas essa operação (a que poderíamos chamar de morfofonêmica da língua) pode também ser obtida por um conjunto de regras da forma “reescreva X como Y”... Nessas regras morfofonêmicas. nós devemos estabelecer a estrutura fonêmica desses morfemas de modo que a gramática produza as seqüências gramaticais de fonemas da língua.os exigir que apenas um único símbolo seja reescrito. /d/ /teyk/ ou algo semelhante. por exemplo.. F].. Em primeiro lugar. os elementos que aparecem nas regras em (19) podem ser classificados em um conjunto finito de níveis (por exemplo..D/ + passado (v) /.

pode-se ver facilmente que seria bem vantajoso ordenar as regras do conjunto F para que algumas das regras pudessem ser aplicadas somente depois que outras já tenham sido aplicadas. como “os homens perto do caminhão começa a trabalhar às oito”. Assim. As propriedades formais do sistema de estrutura sintagmática dão um bom estudo. e é fácil mostrar que uma elaboração mais aprofundada na forma da gramática é necessária e possível. Veremos mais adiante que existe uma razão ainda mais fundamental para marcar essa subdivisão entre as regras de nível superior da estrutura sintagmática e as regras de nível inferior que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. Mas os elementos que aparecem nas regras correspondentes à estrutura sintagmática não podem ser classificadas em níveis mais superiores e inferiores dessa mesma maneira. desejaríamos certamente que todas as regras da forma (17) se aplicassem antes de qualquer regra que nos permita reescrever SN como SN+Preposição+SN. como sua representação neste nível (exceto nos casos de homonímia). ou algo semelhante. 27 . caso contrário. Mas esse refinamento nos leva a problemas que não fazem parte do escopo deste estudo. a gramática poderá produzir não-sentenças. Por exemplo.de que uma única seqüência de elementos deste nível está associada com cada sentença. e cada uma dessas seqüências representa uma única sentença.

Assim que considerarmos qualquer sentença que vá além do tipo mais simples e. quando tentarmos definir algum tipo de ordem entre as regras que produzem essas sentenças. um modelo teórico comunicativo baseado em uma concepção de língua como um processo de Markov e. de certa forma. em particular. Exemplificar essa afirmação exigiria muito espaço e esforço. A prova mais contundente possível para se provar a inadequação de uma teoria lingüística é mostrar que ela não consegue ser aplicada a uma língua natural. A única maneira de testar a adequação de nosso aparato é tentar aplica-lo diretamente à descrição das sentenças do inglês. e eu posso apenas afirmar aqui que isso pode ser 28 .5.1 Nós estudamos dois modelos para a estrutura da língua. que alguns modos muito simples de descrição gramatical de sentenças não podem ser acomodados nas formas associadas da gramática e que certas propriedades formais fundamentais da língua não podem ser utilizadas para simplificar as gramáticas. iremos nos encontrar em meio a diversas dificuldades e complicações. No entanto. Podemos juntar um bom bocado de evidências desse tipo em favor da tese de que a forma de gramática descrita anteriormente e a concepção de teoria lingüística que subjaz a ela são fundamentalmente inadequadas. mas perfeitamente suficiente para demonstrar a inadequação de uma teoria seria mostrar que a teoria consegue ser aplicada apenas de maneira rudimentar. mas eu não sei se o inglês em si está ou não literalmente fora do alcance desse tipo de análise. e um modelo de estrutura sintagmática baseado em uma análise de constituintes imediatos. há línguas (em nosso sentido geral) que não podem ser descritas em termos de estrutura de constituintes. mostra que qualquer gramática que pode ser construída nos termos dessa teoria é extremamente complexa. Evidentemente. Vimos que o primeiro modelo é indubitavelmente inadequado para os propósitos de uma gramática e que o segundo é mais poderoso do que o primeiro e não apresenta as mesmas falhas. LIMITAÇÕES DA DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA SINTAGMÁTICA 5. Uma prova mais fraca. ou seja. ad hoc e “não intuitiva”. correspondente a uma teoria lingüística mínima. acredito que existam outros motivos para rejeitar a teoria da estrutura sintagmática como inadequada para a descrição lingüística.

mostrado de maneira bastante convincente. “o João adorou e o meu amigo amou o livro” (uma seqüência da forma SN + Verbo + e + Verbo – SN). ou se as incluiremos como gramaticais com a ressalva de que elas apresentam traços fonêmicos peculiares. e nossa conclusão de que a regra para conjunção deva fazer referência explícita à estrutura de constituintes mantém-se válida. etc. por exemplo. apagamento de consoantes finais em discurso corrido. Por exemplo. menos gramatical será a sentença resultante. parece óbvio que “o João adorou o livro e amou a peça” (uma seqüência com a forma SN – SV + e + SV) é uma sentença perfeitamente boa. Esta segunda sentença. Cf. não podemos formar (23) a partir de (22a-b). é necessário conectar constituintes simples. 5. quanto mais profundamente a conjunção violar a estrutura de constituintes. é irrelevante para nossa discussão decidir se excluiremos ou não sentenças como “o João adorou e o meu amigo amou o livro”. Em todo o caso. Tais sentenças que apresentam uma conjunção cruzando os limites dos constituintes são também. Tais traços marcam normalmente a leitura de seqüências não gramaticais. considerando-as agramaticais. estiverem em uma posição alta no diagrama (15)). se X e Y não são constituintes. em que a conjunção atravessa as fronteiras de constituintes. se as incluiremos como semi-gramaticais.1. das sentenças (20a-b).2 Um dos processos mais produtivos para a formação de novas sentenças é o processo de conjunção. Se tivermos duas sentenças Z + X + W e Z + Y + W e se X e Y são constituintes dessas sentenças. Há vários casos menos evidentes. minha tese The logical structure of linguistic theory para uma análise detalhada deste problema. A maneira mais razoável de descrever essa situação parece ser com uma descrição do seguinte tipo: para formar sentenças perfeitamente gramaticais usando conjunções. se nós conectarmos pares de constituintes que forem constituintes importantes (isto é. é muito menos natural do que sua alternativa “o João adorou o livro e meu amigo amou-o”. as sentenças resultantes serão semi-gramaticais. elas forma uma classe de enunciados distintos de “o João adorou o livro e amou a peça”. podemos formar a nova sentença (21). etc. Por exemplo. via de regra não podemos fazer isso18. desenvolvendo a noção de gradação de gramaticalidade. mas muitos questionariam a gramaticalidade de. marcadas por traços fonêmicos peculiares. F]. No entanto. Essa descrição requer que generalizemos a dicotomia gramatical\agramatical. acento contrastivo e entonação.17 Ao invés de seguir esse caminho árduo e ambicioso. (20) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – da peça – foi em Chicago (21) a cena – do filme e da peça – foi em Chicago. Por exemplo. irei sugerir um método independente de demonstrar a inadequação da análise de constituintes como um meio de descrever a estrutura das sentenças em inglês. entre o “amou” e o “o”). falha na redução de vogais. podemos formar uma nova sentença Z – X + e + Y – W. Na seção 8. No entanto. 18 17 29 . já que essa distinção terá de ser assinalada na gramática. (21) e (23) são casos extremos em que não há dúvidas sobre a possibilidade de uma conjunção. mas não há nenhuma alternativa preferida à primeira sentença. como pausas demasiadamente longas (em nosso exemplo.. em geral. eu irei me limitar a esboçar alguns poucos casos simples em que melhorias consideráveis são possíveis em gramáticas com a forma [Σ. onde a estrutura de constituintes é perfeitamente preservada.

se X e Y forem constituintes. respectivamente em S1 e S2. ainda que aproximadamente.) Ainda que mais especificação se faça necessária aqui. sem a regra. a possibilidade de conjunção oferece um dos melhores critérios para a determinação inicial da estrutura sintagmática. precisamos saber não apenas a forma real de S1 e S2. se S3 resultar da substituição de X por X + e + Y em S1 (isto é. Por exemplo.X + e + Y.. por causa de certas limitações fundamentais em tais gramáticas. S1 = . Da mesma forma. é mais fácil determinar a distribuição do “e” por meio de especificações feitas nessa regra do que fazendo diretamente. mas etiquetada de maneira diferente). F] de estrutura sintagmática... e S2 = .. S3 = . a gramática estará muito simplificada se ajustarmos os constituintes de tal forma que (26) possa permanecer dessa maneira.. A propriedade essencial da regra (26) é que. como 30 . Mas agora enfrentamos a seguinte dificuldade: não podemos incorporar a regra (26) nem nenhuma regra similar em uma gramática [Σ. então S3 é uma sentença. Ou seja.. mas constituintes de tipos diferentes (isto é.Y..(22) (a) o – navio desceu o – rio (b) o – rebocador subiu o – rio (23) o – navio desceu e o rebocador subiu o – rio.)..X. então não podemos formar uma nova sentença por conjunção... Podemos simplificar a descrição do processo de conjunção se tentarmos estabelecer constituintes de forma que a seguinte regra seja verdadeira: (26) Se S1 e S2 são sentenças gramaticais e S1 difere de S2 apenas pela presença de X em S1 onde Y surge em S2 (isto é. se no diagrama da forma (15) eles tiverem cada um uma única origem. para ser aplicada às sentenças S1 e S2 para formar a nova sentença S3.. não podemos formar (25) de (24a-b). (24) (a) a cena – do filme – foi em Chicago (b) a cena – que eu escrevi – foi em Chicago (25) A cena – do filme e que eu escrevi – foi em Chicago De fato. e X e Y forem constituintes do mesmo tipo..

Suponhamos que tenhamos a seguinte gramática de estrutura sintagmática: (27) Y pode se aplicar a ela.. “aplicando” a regra Xj Yj. Suponhamos que Yi seja a seqüência . a máquina conseguirá produzir a seqüência .. ela poderá produzir qualquer seqüência Yi tal que Sentença Yi é uma das regras de F em (27). pela última seqüência da derivação). Em seu estado inicial. que estão contidos nesta seqüência recém produzida.. a regra não irá se Σ: Sentença F: X1 : Xn Yn Y1 Aí podemos representar essa gramática como uma máquina com um número finito de estados internos. ela pode produzir apenas o elemento Sentença. mais especificamente. Yj . movendo-se novamente para um novo estado. que pode “olhar para trás” para seqüências anteriores na derivação. 31 . mas também sua “história de derivação”. Então. Então. a regra X aplicar.. caso contrário. F] se aplica ou falha em sua aplicação a uma determinada seqüência em função da substância efetiva dessa seqüência. Se a seqüência contém X como uma subseqüência.. o estado é determinado pelo subconjunto de elementos de Xi de F “lado esquerdo”. Mas a regra (26) requer uma máquina mais poderosa. incluindo um estado inicial e um estado final. Saber como essa seqüência assumiu gradualmente essa forma é irrelevante. é então a seqüência final. F] também pode ser entendida como um processo básico que gera sentenças não da “esquerda para a direita”. Podemos tratar o problema de maneira diferente. A máquina procederá dessa forma de estado a estado até que ela finalmente produza uma seqüência terminal.. a fim de determinar como produzir o próximo passo na derivação. Mas cada regra X Y da gramática [Σ.. no sentido referido no capítulo 4.também suas estruturas de constituintes – devemos saber não apenas o formato final dessas sentenças. A gramática [Σ.. Xj . mudando para um novo estado. O que é importante aqui é que o estado da máquina é completamente determinado por uma seqüência que tenha sido recém produzida (isto é. A máquina produz então derivações. mas de “cima para baixo”.

mas suficiente que consideramos anteriormente. 32 . pegará. “has” em “John has read the book”. can. Ela faz referência crucial a duas sentenças distintas. read. na seção 7. S1 e S2. F]. Veremos que o comportamento deles é bastante regular e de simples descrição quando observados de um ponto de vista que é bem diferente do que desenvolvemos anteriormente. (13vi)). ela fornece um dos melhores critérios para se determinar como estabelecer os constituintes. mas não “does” em “John does read books”19. existem muitas outras formas que esse elemento pode assumir. pega. ter+pegado. está+sendo+pego. por exemplo. ter+sido+pego. A tradução de ambas as frases.A regra (26) também é fundamentalmente nova em um sentido diferente. 5. mas em gramáticas do tipo [Σ. etc. mostramos apenas uma maneira de analisar o elemento Verbo. na verdade. must 19 Retornaremos ao auxiliar acentuado “do” mais adiante. porque não há uma boa correlação com a tradução em português. como chutou (cf. Aux + V hit. Veremos que existem muitas outras regras do mesmo tipo geral de (26) que desempenham o mesmo papel duplo. shall. Mas mesmo com a raiz verbal fixada (digamos. O fato de a regra (26) não poder ser incorporada à gramática de estrutura sintagmática indica que. may. walk. take. Considere primeiramente os auxiliares que aparecem não acentuados. embora ele parece ser bem complexo se tentarmos incorporar esses sintagmas diretamente em uma gramática [Σ. O estudo desse “verbos auxiliares” parece ser bastante crucial no desenvolvimento da gramática do inglês. etc. Essa regra leva a uma considerável simplificação da gramática. Também as regras em (28) apresentam os verbos e auxiliares originais.1. Podemos dar conta da ocorrência desses auxiliares em sentenças declarativas adicionado as seguintes regras à gramática (13): (28) (i) Verbo (ii) V (iii) Aux (iv) M [O29] Comentário: Decidi manter os exemplos originais do inglês aqui. F]. como em pegar). em português. não há como incorporar uma dupla referência como essa. não apresentariam verbos auxiliares.3 Na gramática (13). C(M) (have + en) (b+ing) (be+en) will. mesmo que essa forma de gramática não seja literalmente inaplicável ao inglês. por exemplo. considerada no sentido mais fraco. ela é certamente inadequada. a saber.

en. interpretaríamos # como o operador de concatenação no nível das palavras. Insira # no início e no final. 21 Se estivéssemos formulando a teoria da gramática mais cuidadosamente. (iii) Substitua + por # exceto no contexto v – Af. Em (29i). Seja v qualquer M ou V.(29) (i) C S no contexto SNsing- 20 ∅ no contexto SNplpassado (ii) Seja Af qualquer um dos afixos: passado. omitindo as etapas iniciais. Então: Af + v v + Af #. ∅. Como exemplo da aplicação dessas regras. ing. onde # é interpretado como fronteira de palavra21. observando as restrições contextuais estabelecidas. (30) de (13i-v) (28i) (28ii) (28iii) selecionamos en e be + ing. enquanto + seria o operador de concatenação no nível da estrutura sintagmática. 20 the+man+Verbo+the+book the+man+Aux+V+the+book the+man+Aux+read+the+book the+man+C+have+en+be+ing+read+the+book – os elementos C. qualquer não-afixo no sintagma Verbo). the+man+S+have+en+be+ing+read+the+book the+man+have+S # be+en # read+ing # the+book vezes # the # man # have+S # be+en # read+ing # the # book # (29iii) Assumimos aqui que (13ii) foi estendido da maneira como mencionamos na nota 12. A interpretação das notações em (28iii) é a seguinte: devemos escolher o elemento C e podemos escolher zero ou mais dos elementos entre parênteses de acordo com a ordem estabelecida. construímos uma derivação no estilo de (14). The logical structure of linguistic theory para uma formulação mais cuidadosa. Cf. ou have ou be (isto é. S. have + (29i) (29ii) – três 33 . ou de maneira semelhante. podemos desenvolver Cem qualquer dos três morfemas. (29) seria então parte da definição de uma mapeamento que transpõe determinados objetos no nível da estrutura sintagmática (basicamente os diagramas da forma (15)) para seqüências de palavras.

As regras morfofonêmicas (19). tivemos de nos reportar a uma etapa anterior na derivação para determinar a estrutura de constituintes de the+man. A regra (29ii) viola os requisitos de gramáticas [Σ. F] de forma ainda mais radical. Assim. em transcrição fonêmica. should devem ser adicionadas a (28iv) e o estabelecimento de certas “seqüências de tempo” irá se tornar mais complexo. (A alternativa que consiste em ordenar (29i) e a regra que desenvolve o SNsing em the+man de tal forma que (29i) preceda essa última não é possível. à história da derivação) e. originando o seguinte. por exemplo: (32) to prove that theorem proving that theorem was difficult 34 . assim como (26). Repare que essa regra e útil em outros pontos da gramática. Ou seja. Repare que. SNsing. might. que as regras morfofonêmicas devem incluir regras como as seguintes: will +S will + passado will. no sentido em que convertem sintagmas verbais em sintagmas nominais. de passagem. os morfemas to e ing desempenham um papel semelhante dentro do sintagma nominal. porém. Qualquer outro verbo auxiliar poderá ser gerado da mesma maneira. Repare. would. para aplicar (29i) em (30). por diversas razões. (29i). Então. etc. Ela também requer uma referência à estrutura de constituintes (isto é. could. Essas regras podem ser excluídas se reescrevermos (28iii) de maneira que C ou M. além disso. vai além do tipo markoviano elementar de gramáticas de estrutura sintagmática e não pode ser incorporada dentro da gramática [Σ. É irrelevante para nossa discussão decidir qual dessas alternativas de análise será adotada. Retornaremos depois à questão das restrições que devem ser colocadas nessas regras para que apenas as seqüências gramaticais sejam geradas. possa ser selecionado. as formas would. mas não ambos. não há como expressar a inversão requerida em termos de estrutura sintagmática. Diversas outras pequenas revisões são também possíveis. algumas das quais aparecem a seguir). F]. irão converter a última linha dessa derivação em: (31) the man has been reading the book. tivemos de contar com o fato de que the+man é um sintagma nominal singular. pelo menos no caso em que Af é ing. Agora.

o primeiro parágrafo da seção 3. Apontamos diversas vezes que algumas dificuldades sérias aparecem em qualquer tentativa sistemática nesse sentido.etc. diretamente. F]22. bastante simples. idem. as noções de estrutura sintagmática são bastante adequadas a uma pequena parte da língua e que o resto da língua pode ser derivado por uma aplicação repetida de um conjunto bastante simples de transformações às seqüências produzidas pela gramática sintagmática. Em outras palavras. C. tratamos esses elementos como contínuos e introduzimos da descontinuidade com a regra adicional (29ii). Ao que parece. Uma análise mais detalhada do SV mostra que esse paralelismo vai muito além disso. Studies in Linguistics 10. 22 35 . no sintagma verbal auxiliar. Mas as descontinuidades não podem ser lidadas em gramáticas [Σ. 210-33 (1954). Hockett. Se tentássemos alargar a gramática sintagmática de modo a que abrangesse. em (30) os elementos have . na verdade. Cf. Ao nos permitirmos a liberdade de (29ii). para duplicar o efeito de (28iii) e (29) sem ir além dos limites de um sistema [Σ. Linguistics Today. Word 10. Acredito que tal abordagem não seja recomendada e que ela pode levar apenas ao desenvolvimento de regras ad hoc e elaborações infrutíferas. Mais uma vez. como no caso da conjunção. será necessário providenciar uma formulação um pouco mais complexa. a saber. F]. Veremos adiante. extraindo a contribuição para esse complexo de diversos níveis lingüísticos. Em (28iii). F] de estrutura sintagmática.1). toda a língua. 242-56 (1953). pudemos estabelecer a constituição do sintagma auxiliar em (28iii) sem levar em consideração a interdependência de seus elementos. en e be . nós realmente temos elementos descontínuos – por exemplo. 27-39 (1952). ing. no Poderíamos tentar estender a noção de estrutura sintagmática. perderíamos a simplicidade da gramática sintagmática e do desenvolvimento transformacional. “A formal statement of morphemic analysis”. Essa abordagem perderia o ponto principal da construção de níveis (cf.. o da reconstrução da vasta complexidade da língua casual da maneira mais elegante e sistemática. e é sempre mais fácil descrever uma seqüência de elementos independentes do que uma seqüência de elementos que sejam mutuamente dependentes. Da mesma forma. Podemos explorar esse paralelismo acrescentando a seguinte regra à gramática (13): (33) SN ing SV to A regra (29ii) irá então converter ing + prove + that + theorem em proving # that + theorem. F. se poderia tentar remediar algumas das outras deficiências de gramáticas [Σ. O leitor pode concluir facilmente que. percebemos que simplificações significantes da gramática são possíveis se nos for permitido formular regras de mais complexas do que as que correspondem ao sistema de análise de constituintes imediatos.. Journal of Symbolic Logic 18. cada um simples em si mesmo. meu artigo “System of syntactic analysis”. através de uma formulação mais complexa da estrutura sintagmática. para dar conta das descontinuidades. “Two models of grammatical description”.

então devemos selecionar be + en (podemos ter “lunch is eaten by John” (o almoço é comido pelo João). toda essa rede de restrições falha completamente quando escolhemos be + en como parte do verbo auxiliar. tal como sugerimos anteriormente.5 para uma demonstração mais profunda sobre a necessidade da inversão na passiva. Contudo. que essa análise do elemento Verbo serve como base para uma análise abrangente e extremamente simples de diversos traços da sintaxe do inglês. ao elaborarmos (13) como uma gramática completa. Além do mais.). Eu acredito que uma noção funcional de gradação de gramaticalidade possa ser desenvolvida em termos puramente formais (cf. como em (30) (por exemplo. mesmo quando o V é transitivo – não podemos ter “lunch is eaten John” (o almoço é comido João)). was + eaten é permitido. mas isso vai além da nossa presente discussão. mas não was + occurred). mas na ordem oposta. be + en não pode ser selecionado se o verbo Vê seguido por um sintagma nominal. que fazem dele um caso único entre os elementos do sintagma auxiliar. e excluir as não sentenças23 “inversas” como “sincerety admires John” (a sinceridade admira o João). As sentenças passivas são formadas pela seleção do elemento be + en na regra (28iii). 5. via de regra. para permitir sentenças como as seguintes: “John admires sincerity” (o João admira a sinceridade). para cada sentença SN1 – V – SN2 podemos ter uma sentença correspondente SN2 – is + Ven – by + SN1. mesmo sendo claramente menos gramatical do que “John admires sincerety” (o João admira a sinceridade). se o V for intransitivo e seguido por um sintagma preposicional por + SN. Na verdade. etc. mas. mas não “John is eating by lunch”.4 Como um terceiro exemplo da inadequação das concepções da estrutura sintagmática. Ou seja. nesse caso valem as mesmas dependências selecionais. (o João está comendo pelo almoço). Se tentarmos incluir passivas diretamente na Aqui também poderíamos utilizar a noção de níveis de gramaticalidade. repare que.capítulo 7. Mas existem sérias restrições nesse elemento. “John frightens sincerety” (o João assusta a sinceridade). Em primeiro lugar. “sincerity admires John” (a sinceridade admira o João). com algumas exceções. Além disso. os outros elementos do sintagma auxiliar podem ocorrer livremente com os verbos. Finalmente. Veja a seção 7. não podemos ter SN + is + V + en + SN. 23 36 . “John drinks wine” (o João bebe vinho). é mais gramatical do que “of admires John” (de admira o João). be + en pode ser selecionado apenas se o V seguinte for transitivo (por exemplo. “John plays golf” (o João joga golfe). “sincerety frightens John” (a sinceridade assusta o João”). considere o caso da relação ativa-passiva. The logical structure of linguistic theory). “golf plays John” (o golfe joga o João) e “wine drinks John” (o vinho bebe o João). teremos de colocar diversas restrições à escolha do V em termos de sujeito e objeto. Assim.

Chamemos cada uma dessas regras de “transformação gramatical”. Como (29iii). então sincerety – C + be + en – admire – ny + John (que por (29) e (19) se torna “sincerety is admired by John” (a sinceridade é admirada pelo João)) também é uma sentença. Essa regra leva então a uma considerável simplificação da gramática. Podemos agora deixar de lado o elemento be + en de (28iii) e todas as restrições especiais relacionadas a ele. Essa duplicação nada elegante. F]. mas que não podem ser incorporadas em uma gramática [Σ. a menos que consigamos incorporar tais regras. então a seqüência correspondente da forma SN2 – Aux + be + en – V – by + SN também é uma sentence grammatical. que elas levam a uma concepção de estrutura lingüística completamente nova. Se examinarmos cuidadosamente as implicações dessas regras suplementares.5 Estudamos as regras (26). é preciso fazer referência à estrutura de constituintes da seqüência a que se aplica e efetua. algumas das quais discutiremos adiante. (29) e (34) que simplificaram a descrição do inglês. teremos de reformular todas essas restrições na ordem oposta para o caso em que be + en é escolhido como parte do verbo auxiliar. nessa seqüência. Mas (34) está além dos limites de gramáticas [Σ. uma inversão de uma maneira estruturalmente determinada. apenas ocorrer antes de V + by + SN (em que o V seja transitivo) e inverter a ordem dos sintagmas nominais vizinhos é. em cada caso. F]. se John – C – admire – sincerity é uma sentença. Por exemplo. uma conseqüência da regra (34).gramática (13). contudo. não ocorrer antes de V + SN. 5. veremos. podemos mostra de maneira bastante conclusiva que essas gramáticas serão tão complexas que elas não terão o menor interesse. Do estudo das limitações das gramáticas de estrutura sintagmática relativas ao inglês. Uma transformação gramatical T opera sobre uma determinada seqüência 37 . Existem muitas outras regras desse tipo. O fato de be + en exigir um verbo transitivo. bem como as restrições especiais envolvendo o elemento be + en podem ser evitadas apenas se nós excluirmos deliberadamente as passivas da gramática de estrutura sintagmática e as reintroduzirmos por uma regra como a seguinte: (34) Se S1 é uma sentença gramatical da forma SN1 – Aux – V – SN2.

“Cooccurrence and transformations in linguistic structure”. por exemplo. 25 Mas das três partes de (29i). Suponhamos que tenhamos uma gramática G com uma parte [Σ. Por exemplo. deve se aplicar antes de (29). talvez. F]. enquanto outras são opcionais. Z. ou não teremos relações selecionais corretas entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e o “agente” na passiva). F] e uma parte transformacional.ou SNpl. Ou seja. e (34) é uma transformação opcional. passado pode ocorrer depois de SNsing. o resultado será uma sentença. 24 38 . Mas (34). sobre um conjunto de regras) com uma determinada estrutura de constituintes e a converte em uma nova seqüência com uma nova estrutura de constituintes derivada. Por isso. em particular. que será obrigatória. como no caso de (26). para uma breve análise das transformações e The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para um desenvolvimento detalhado da álgebra transformacional e das gramáticas transformacionais. para uma abordagem diferente de análise transformacional. meu artigo “Three models for the description of language”. Para mostrar exatamente como essa operação funciona requer um estudo um pouco mais elaborado que iria além do escopo deste estudo. A transformação da passiva (34). podemos ordenar as alternativas e tornar cada uma opcional. pode ou não ser aplicada em algum caso específico. E ela deve preceder (29ii) para que a última regra se aplica de maneira correta ao novo elemento inserido be + en. para que o elemento verbal da sentença resultante tenha o mesmo número que o novo sujeito gramatical da sentença passiva. fica claro que precisamos definir uma ordem de aplicação nessas transformações. De qualquer forma. mas (34) deve se aplicar depois de uma análise do SNsing. Em primeiro lugar. e suponhamos Cf. (29) deve ser aplicada para todas as derivações.(Ao discutir a questão de (29i) poder ou não se encaixar em uma gramática [Σ. mas bastante natural. ou o resultado simplesmente não será uma sentença25. com as propriedade s que aparentemente são exigidas pela descrição gramatical24. mas nós podemos desenvolver uma determinada álgebra das transformações. um tanto complexa. Sempre que tivermos um elemento como C em (29i) que deve ser desenvolvido. de diversas formas alternativas. já podemos detectar algumas propriedades essenciais de uma gramática transformacional. apenas a terceira é obrigatória. porém. a transformação passiva. repare que certas transformações são obrigatórias. Language 33. Uma razão para isso é agora óbvia – (29i) deve se aplicar depois de (34). Desses poucos exemplos. 283-340 (1957). etc. Ela deve preceder (29i). com exceção da última. A distinção entre transformações obrigatórias e opcionais nos leva a estabelecer uma distinção fundamental entre as sentenças da língua. mencionamos que essa regra não poderia ser aplicada antes da regra que analisa SNsing como the + man. Cf. S. Harris. Em segundo lugar. (29) é uma transformação obrigatória.(ou.

Unindo essas duas séries. Correspondendo ao nível da estrutura sintagmática. nós construímos uma seqüência terminal que irá ser uma série de morfemas. às formas que subjazem as sentenças nucleares – isto é.que a parte transformacional tenha certas transformações obrigatórias e certas transformações opcionais. Essas transformações 39 . Então. ela tem uma série de regras transformacionais. Essas considerações nos conduzem a uma representação das gramáticas como se elas possuíssem uma organização natural tripartite.. Então. porém. F]) ou a sentenças já transformadas. A parte transformacional da gramática será estabelecida de tal maneira que as transformações possam se aplicar às sentenças nucleares (mais corretamente. F]. ela tem uma série de regras morfofonêmicas com a mesma forma básica. cada sentença da língua pertencerá ao núcleo da língua ou será derivada das seqüências que subjazem uma ou mais sentenças nucleares. correspondendo ao nível inferior. Então. aplicando cada transformação obrigatória e talvez algumas opcionais.Tj. por meio de uma série de uma ou mais transformações. às seqüências terminais da parte da gramática [Σ. definimos o núcleo da língua (em termos da gramática G) como o conjunto de sentenças que são produzidas quando aplicamos as transformações obrigatórias às seqüências terminais da gramática [Σ. Percorrendo as regras de F. uma gramática tem uma série de regras da forma X Y e. Assim. construímos uma derivação começando com Sentença. nós percorremos a seqüência de transformações T1 . a gramática será algo como (35): (35) Σ: Sentença: F: X1 : Xn T1 : Tj Z1 Zm W1 : Wm Morfofonêmica Estrutura transformacional Yn Y1 Estrutura sintagmática Para produzir uma sentença a partir de uma gramática como essa. não necessariamente na ordem correta.

Quando aplicamos somente transformações obrigatórias na geração de uma determinada sentença. Há uma definição natural bem geral de “nível lingüístico” que inclui todos esses casos26. de sentenças nucleares (mais precisamente. No nível transformacional. Investigações mais profundas podem mostrar que nas partes de estrutura sintagmática e morfofonêmica da gramática. como sendo uma seqüência de transformações pelas quais ele é derivado. que operam sobre um conjunto de sentenças. (29) e (34). Mas a estrutura sintagmática não pode ser dividida em subníveis: no nível da estrutura sintagmática. como nós veremos mais tarde. geralmente. The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis. e para permitir que transformações se reapliquem para que sentenças cada vez mais complexas possam ser produzidas. A parte morfofonêmica irá incluir regras como (19). nós mostramos que as regras de estrutura sintagmática levam a uma concepção de estrutura lingüística e “nível de representação” que são fundamentalmente diferentes dos que são fornecidos pelas regras morfofonêmicas. um enunciado é representado de maneira ainda mais abstrata. Então. um enunciado é representado por um conjunto de seqüências que não podem ser ordenados em níveis inferiores ou superiores. 26 Cf. Como resultado. (17) e (28). em última análise. chamamos a sentença resultante de sentença nuclear. representado por uma única seqüência de elementos. há boas razões para considerar cada uma dessas estruturas como sendo um nível lingüístico. Nos últimos parágrafos do capítulo 4. Em cada uma das regras inferiores correspondentes ao terço inferior da gramática. nós também podemos extrair um esqueleto das regras obrigatórias que devem ser aplicadas sempre que as atingirmos no processo de geração de uma sentença. A parte de estrutura sintagmática da gramática irá incluir regras como (13). convertendo essa seqüência de palavras em uma seqüência de fonemas. A parte transformacional irá incluir regras como (26). um enunciado é. 40 . eles dão origem a uma seqüência de palavras. Esse conjunto de seqüências representativas é equivalente a um diagrama da forma (15).podem reordenar as seqüências ou podem adicionar ou apagar morfemas. adequadamente formuladas em termos que deve ser desenvolvidos no sentido de uma teoria completa das transformações. percorremos as regras morfofonêmicas. Esse esboço do processo de geração de sentenças deve (e pode facilmente) ser generalizado para permitir um funcionamento adequado de regras como (26). e. de seqüências que subjazem as sentenças nucleares).

Seja G’ ser a gramática que contém G como sua parte de estrutura sintagmática. Tal gramática existe. diversos exemplos de simplificações resultantes da análise transformacional. convertendo-a em K + K. Um outro detalhe sobre gramáticas da forma (35) merece atenção. Cada gramática desse tipo é simplesmente uma descrição de um determinado conjunto de enunciados. É importante observar que a gramática fica significativamente simplificada quando adicionamos um nível transformacional. a saber. Essa formulação tem ocasionalmente levado à idéia de que existe uma certa assimetria na teoria gramatical no sentido de que a gramática está levando em consideração o ponto de vista do falante ao invés do ponto de vista do ouvinte. que ela está preocupada com o processo de produção de enunciados ao invés de se preocupar com o processo “inverso” de analisar e reconstruir a estrutura dos enunciados. Então. 27 41 . e ambas estão fora do escopo de gramáticas da forma (35). síntese e análise de enunciados. Em particular. essas duas tarefas que o falante e o ouvinte devem desempenhar são essencialmente a mesma. Na verdade. que estão além dos limites da descrição de estrutura sintagmática com regras livres de contexto. F] com a seqüência inicial Sentença e com o conjunto de todas as seqüências finitas de as e bs como seu output terminal. mais poderosa do que a descrição em termos de estrutura sintagmática. F]. Uma gramática não nos diz como sintetizar um enunciado específico. em essência. Uma investigação sintática em larga escala do inglês fornece diversos outros casos. Nós descrevemos essas gramáticas como mecanismos para gerar sentenças. F] são apenas aquelas que subjazem as sentenças nucleares. Na verdade. línguas como (10iii). não nos diz como analisar um enunciado particular. o output de G’ é (10iii). uma vez que agora é necessário fornecer a estrutura sintagmática diretamente apenas para as sentenças nucleares – as seqüências terminais da gramática [Σ. podem ser derivadas transformacionalmente27. e veremos novamente. Escolhemos as sentenças nucleares de tal forma que as seqüências terminais subjacentes ao núcleo são facilmente derivadas por meio de uma descrição [Σ. vemos que ela é. complementada pela transformação T que opera sobre qualquer seqüência K que é uma Sentença. assim como esta última é mais poderosa do que a descrição em termos de um processo de Markov de estados finitos que gera sentenças da esquerda para a direita. já que ele aparentemente suscitou alguma confusão. enquanto todas as outras sentenças podem ser derivadas dessas seqüências terminais através de transformações enunciáveis simplesmente.Quando a análise transformacional é corretamente formulada. gramáticas que têm a forma que estamos estudando aqui são bem neutras no que diz respeito à relação entre falante e ouvinte. Nós vimos. aqueles enunciados que Seja G uma gramática [Σ.

Talvez seja possível esclarecer melhor o assunto fazendo uma analogia com uma parte da teoria química que se preocupa com os compostos que são estruturalmente possíveis. assim como pode-se utilizar uma gramática na investigação de problemas especiais. estrutura transformacional. Com essa gramática. como análise e síntese de enunciados particulares. Isso serviria de base teórica para técnicas de análise qualitativa e síntese de compostos específicos. 42 .são gerados por ela. etc. Poderíamos dizer que essa teoria gera todos os enunciados gramaticalmente “possíveis”. podemos reconstruir as relações formais que existem entre esses enunciados em termos de noções de estrutura sintagmática.

iremos considerar diversas outras condições externas desse tipo. Prolegomena to a theory of language = Memoir 7. e. geradas pela gramática. Hjelmslev.6. Indiana University Publications Anthropology and Linguistics) Baltimore. Essas regras expressam relações estruturais entre as sentenças do corpus e o número infinito de sentenças. Cf. 43 . em que termos como “fonema” e “sintagma” sejam definidos independentemente de qualquer língua particular28. no capítulo 5. cada gramática terá de satisfazer algumas condições externas de adequação. Qualquer teoria científica se baseia em um número finito de observações. p. do inglês (conceitos hipotéticos). por exemplo. Antes de explorarmos essa possibilidade. 232-3). em física) os de “massa” e “elétron”. sintagmas. Linguistics Today. Ambos foram considerados inadequados.1. eu gostaria de esclarecer alguns pontos de vista que subjazem toda a proposta deste estudo. Cf. dois modelos de estrutura lingüística foram desenvolvidos: um modelo teórico simples de comunicação e uma versão formalizada de análise de constituintes imediatos. 1953). Nosso problema é desenvolver e clarificar os critérios para a seleção de uma gramática correta de cada língua. uma gramática do inglês se baseia em um corpus finito de enunciados (observações) e conterá regras gramaticais (leis) formuladas em termos dos fonemas. Uma gramática da língua L é essencialmente uma teoria de L. Da mesmo forma. exigimos que uma gramática de uma dada língua seja construída de acordo com uma teoria específica da estrutura lingüística. L. No capítulo 8. combinando a estrutura sintagmática e transformações gramaticais que podem remediar essas inadequações. Se excluirmos as condições externas ou a exigência de 28 Eu acredito que essas duas condições são semelhantes ao que Hjelmslev tinha em mente quando falou de duas características da teoria lingüística: a de ser apropriada e a de ser arbitrária. 8. as sentenças geradas terão de ser aceitáveis para um falante nativo. isto é. etc.. para além do corpus (previsões). Dois tipos de critérios foram mencionados em 2. nós impomos às gramáticas uma condição de generalidade. Word 10. Além disso. procurando relacionar os fenômenos observados e prever novos fenômenos através da construção de leis gerais em termos de conceitos hipotéticos como (por exemplo. SOBRE OS OBJETIVOS DA TEORIA LINGÜÍSTICA Nos capítulos 3 e 4. eu sugeri um modelo mais poderoso. também a discussão de Hockett sobre “metacritérios” para a lingüística (“Two models of grammatical description”. Nossa preocupação fundamental ao longo desta discussão sobre a estrutura lingüística é o problema da justificação das gramáticas. Evidentemente. a teoria correta dessa língua.

como observamos em 2. que não se preocupa com a questão de como essa gramática foi construída. Nesse caso. de fato. nesta perspectiva. Uma exigência ainda mais fraca seria a de que. A qualquer momento. neste contexto? É neste ponto que nossa abordagem diverge significativamente de outras teorias sobre a estrutura lingüística. nós podemos tentar formular de maneira tão precisa quanto possível tanto a teoria geral como o conjunto de gramáticas associadas que devem se adequar às condições empíricas e externas de adequação. A exigência mais forte que pode ser estabelecida sobre a relação entre uma teoria da estrutura lingüística e as gramáticas particulares é que a teoria deve fornecer um método prático e automático para a construção da gramática. poderia fornecer um procedimento de decisão das gramáticas. novos modelos para a estrutura lingüística. Essas teorias podem ser representadas graficamente da seguinte maneira: 44 . a teoria deve nos dizer qual é a melhor gramática da língua daquele corpus. Digamos que tal teoria nos forneça um procedimento de descoberta das gramáticas. Porém.1. dado um corpus e duas propostas de gramática. que sentido tem a expressão “relacionadas a ela [à teoria geral]”. cada uma compatível com um determinado corpus. Mas também não há qualquer circularidade nesta concepção. esses requisitos em conjunto nos dão um teste de adequação bastante forte para uma teoria geral da estrutura lingüística e ara o conjunto de gramáticas que ela fornece para as línguas particulares. Progresso e revisão podem vir da descoberta de novos fatos sobre línguas particulares ou de novas estipulações puramente teóricas sobre a organização dos dados lingüísticos –ou seja.generalidade. G1 e G2. dado um corpus de enunciados. Tal teoria. Repare que nem a teoria geral nem as gramáticas particulares recebem uma forma definitiva. Ainda não consideramos a seguinte pergunta crucial: qual é a relação entre a teoria geral e as gramáticas particulares relacionadas a ela? Em outras palavras. a melhor gramática da língua para aquele corpus. Uma exigência mais fraca seria a de que a teoria deve fornecer um método prático e automático para determinar se a gramática proposta para um determinado corpus é. não haverá possibilidade de escolher entre um vasto número de “gramáticas” totalmente diferentes. poderíamos dizer que a teoria fornece um procedimento de avaliação das gramáticas.

Ou seja. R. por isso. 1951). 27-39 (1952). Acredito que se nos limitarmos ao objetivo mais modesto de desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. que irão falhar em responder muitas questões importantes sobre a naturas da estrutura lingüística. de maneira arbitrária. Journal of Symbolic Logic 18. 29). N. Por exemplo. P. por isso. Language 31. ela representa uma teoria que fornece um procedimento de decisão de gramáticas. Studies in Linguistics 10. 3-46 (1948). C. 81-117 (1947). Bloch. (36iii) representa uma teoria que tem as gramáticas G1 e G2 e um corpus como input. Ou seja. Da maneira como eu interpreto. Z. 242-56 (1953). qualquer uma das possibilidades que são igualmente eficientes. elas tentam formular métodos de análise que um investigador possa realmente utilizar se tivesse tempo suficiente para construir uma gramática de uma língua diretamente dos dados brutos. Acho muito questionável que esse objetivo seja alcançado de alguma forma interessante e suspeito que qualquer tentativa de alcançá-lo irá levar a um labirinto de procedimentos analíticos cada vez mais elaborados e complexos. ao invés de apenas uma única gramática. Language 23. Harris. “A formal statement of morphemic analysis”. idem. e vários outros trabalhos. F. 29 A questão básica com a qual estamos lidando não irá se alterar se estivermos dispostos a aceitas um conjunto pequeno de gramáticas corretas. embora mais eficientes do que todas as outras”. Ainda que os procedimentos de descoberta sejam o objetivo explícito desses trabalhos. com isso. “From phoneme to morpheme”. uma teoria que fornece um procedimento de avaliação de gramáticas29. B. “Problems of morphemic analysis”. “Systems of syntactic analysis”. adotamos a posição mais fraca das três descritas antes. Wells. “Immediate constituents”. idem. Language 24. S. (p. a maioria das propostas para o desenvolvimento de uma teoria lingüística30 tenta satisfazer a exigência mais forte das três. 321-43 (1947).(36) VER GRÁFICO (36). podemos escolher a possibilidade mais eficiente. 30 Por exemplo. e apresenta um escolhido entre G1 e G2 como output. S. Chomsky. uma teoria que fornece um procedimento de descoberta. Hockett diz que seu objetivo em “A formal statement of morphemic analysis” é o desenvolvimento de “procedimentos formais com os quais se pode trabalhar a partir de um esboço para chegar a uma descrição completa do padrão de uma língua” (p. podemos freqüentemente ver que a teoria que está sendo de fato construída não fornece mais do que um procedimento de avaliação das gramáticas. ou. 56 DA EDIÇÃO PORTUGUESA A figura (36i) representa uma teoria concebida como uma máquina com um corpus como input e uma gramática como output. por isso. Hockett. 27). O ponto vista adotado aqui é que não é razoável exigir da teoria lingüística que ela forneça algo além de um procedimento prático de avaliação das gramáticas. 45 . se examinarmos bem. Methods in structural linguistics (Chicago. “A set of postulates for phonemic analysis”. mas o que ele realmente faz é descrever algumas das propriedades formais de uma análise morfológica e então propor um “critério através do qual a eficiência relativa de duas possíveis soluções mórficas possam ser determinadas. dependendo se a gramática for ou não a correta. 190-222 (1955). Language 23. (36ii) é um mecanismo com que tem uma gramática e um corpus como input e que responde “sim” ou “não” como output.

contudo. cada uma sendo compatível com os dados disponíveis. por exemplo. Repare. para que possamos realmente propor alguma gramática com essa forma para as línguas particulares. Completar as duas últimas tarefas irá nos permitir formular uma teoria geral da estrutura lingüística em que tais noções como “o fonema 46 . Essa qualificação um tanto vaga é fundamental para uma ciência empírica. que a mais fraca dessas exigências ainda é forte o suficiente para garantir que uma teoria que alcance essa exigência seja significativa. já que poderíamos ordenar todas as seqüências do número finito de símbolos que constituem as gramáticas e testar cada uma dessas seqüências para verificar se ela é uma gramática. Existem poucas áreas da ciência em que se poderia considerar seriamente a possibilidade de se desenvolver um método geral. que estivéssemos avaliando as gramáticas através de medições de alguma propriedade simples. com a certeza de que encontraremos a seqüência adequada mais curta dentro de um tempo finito. seria correto afirmar que temos um procedimento de avaliação prático de gramáticas. prático e automático para escolher entre diversas teorias. já que poderíamos contar o número de símbolos que cada gramática contém. devemos analisar e definir a noção de simplicidade que pretendemos utilizar para escolher entre uma gramática entre todas as gramáticas que têm a forma correta. qualificamos a caracterização do tipo de procedimento com o termo “prático”. Então. Suponha. Então. Segundo. é necessário estabelecer de maneira precisa (se possível.conseguiremos focalizar nossa atenção mais claramente aos problemas realmente importantes sobre a estrutura lingüística e conseguiremos chegar a respostas mais satisfatórias. Primeiro. ao escolher uma entre elas. Suponha que utilizemos o termo “simplicidade” para nos referir ao conjunto de propriedades formais das gramáticas que consideraremos. como a extensão. com testes operacionais e comportamentais) os critérios externos de adequação para as gramáticas. Em cada uma dessas concepções da teoria lingüística. Terceiro. E também seria literalmente correto afirmar que temos um procedimento de descoberta. devemos caracterizar a forma das gramáticas de uma maneira geral e explícita. Determinar se esse julgamento está correto pode ser feito apenas pelo efetivo desenvolvimento e comparação de teorias desses diversos tipos. há três tarefas principais no tipo de programa que escolhemos para a teoria lingüística. Mas esse não é o tipo de procedimento de descoberta que pretendido por quem está tentando satisfazer a exigência forte que discutimos anteriormente.

ela deve. Admitimos. O objeto de uma teoria não é completamente determinado a priori em uma investigação. Essa teoria geral está de acordo com a preocupação de clarificar a relação entre o conjunto de sentenças gramaticais e o conjunto de sentenças observadas. Ele é parcialmente determinado pela possibilidade de dar conta de alguns fenômenos de maneira organizada e sistemática. 31 47 . Continuaremos a revisar nossas noções de simplicidade e caracterização da forma das gramáticas até que as gramáticas selecionadas pela teoria consigam satisfazer as condições externas32. continuaremos a investigar a relativa complexidade de diversas maneiras de descrever a estrutura do inglês. que o conjunto de sentenças gramaticais do inglês fosse dado e que tínhamos uma noção de simplicidade. ela parte da hipótese de que. “a transformação em L” sejam definidas para uma língua L arbitrária em termos de propriedades físicas e distribucionais de seus enunciados e em termos das propriedades formais das gramáticas de L31. na verdade. podemos decidir que certos testes não se aplicam aos fenômenos gramaticais. Nas seções anteriores. nos permitir a escolha entre duas gramáticas propostas. A partir de tal teoria. referimos anteriormente que uma das noções que devem ser definidas em uma teoria lingüística geral é a de “uma sentença em L”. Repare que essa teoria pode não nos dizer como realmente construir a gramática de uma língua a partir de um corpus de maneira prática. Em particular. dessa forma. por hipótese. estivemos preocupados com a segunda dessas três tarefas. iremos nos preocupar com a A teoria lingüística irá então ser formulada em uma metalinguagem em relação à língua em que as gramáticas são escritas – uma metametalinguagem em relação a qualquer língua para que se constrói uma gramática. Ou seja. como “um enunciado observado em L”. No capítulo 7.em L”. Para formular esse objetivo em termos um pouco diferentes. as gramáticas que a teoria geral nos obriga a escolher) satisfazem as condições externas de adequação. “a simplicidade da gramática de L”. Nossa investigação da estrutura deste último conjunto é apenas preparatória. 32 Podemos também. “o sintagma em L”. podemos tentar construir gramáticas para línguas reais e podemos determinar se as gramáticas mais simples que encontramos (isto é. Por exemplo. Tentamos determinar que tipo de gramática irá gerar exatamente as sentenças gramaticais de uma maneira simples. podemos definir o conjunto de fonemas de L como um conjunto de elementos que têm certas propriedades físicas e distribucionais e que aparecem na gramática mais simples de L. revisar os critérios de adequação ao longo de nossa pesquisa. devemos saber muito mais sobre as propriedades formais de cada um desses conjuntos. etc. Mas ela deve nos dizer como avaliar tal gramática. Outros termos também serão definidos. antes que possamos caracterizar essa relação de maneira clara.

minha tese The logical structure of linguistic theory para uma discussão dos métodos de avaliação de gramáticas em termos de propriedades formais de simplicidade. o único critério fundamental na avaliação é a simplicidade de todo o sistema. No entanto. tentaremos mostrar que a análise transformacional mais simples de uma classe de sentenças freqüentemente conduz a análises mais simples de outras classes. Ao discutir os casos particulares. etc. 33 48 . por qualquer tipo de sugestões metodológicas parciais. já que simplificando uma parte da gramática. enquanto que o mesmo não acontece com gramáticas mais complexas. Essa validação pode ser somente uma tentativa. por confiança na experiência adquirida. até que consigamos dar conta de maneira rigorosa da noção de simplicidade que adotamos. podemos complicar as demais. Ou seja. esses resultados são apenas sugestivos. a maior parte das decisões sobre complexidade relativa que proporemos adiante ainda será válida33. Adiante. Acredito que poderíamos dar conta dessa questão. mas isso certamente iria além do escopo deste trabalho. como pode ter sido descoberta a análise do sintagma verbal apresentado em 5. por suposições. argumentaremos que existem evidências independentes a favor de nosso método de selecionar gramáticas. Repare que a simplicidade é uma medida sistemática.questão da possibilidade de se simplificar toda a gramática se considerarmos certas classes de sentenças como sendo sentenças nucleares ou se as considerarmos como sendo sentenças derivadas por transformações. Nosso ponto central aqui é que uma teoria lingüística não deve ser identificada com um manual de procedimentos úteis. tentaremos mostrar que as gramáticas mais simples satisfazem certas condições externas de adequação. que têm decisões diferentes sobre a atribuição de sentenças ao núcleo. Não há dúvidas de que é possível Cf. etc. nós podemos nunca considerar a questão de como se pode chegar à gramática cuja simplicidade está sendo determinada. No capítulo 8. ou podem levar a um conjunto pequeno de gramáticas que podem ser então avaliadas. Ainda assim. Chegaremos assim a certas decisões sobre a estrutura do inglês. Em resumo. Eles podem fornecer dicas valiosas ao lingüista prático. deverá ficar bem claro que. Não estamos negando a utilidade de processos de descoberta mesmo parcialmente adequados.3. com qualquer definição possível de “simplicidade da gramática”. Pode-se chegar à gramática por intuição. por exemplo. É quando sabemos que a simplificação de uma parte da gramática leva a simplificações correspondentes de outras partes que podemos sentir estamos realmente no caminho certo. nós podemos apenas indicar como uma ou outra decisão irá afetar a complexidade geral. Questões desse tipo não são relevantes para o programa de investigação desenvolvido acima. nem tampouco se deve esperar que ela forneça procedimentos mecânicos para a descoberta de gramáticas.

Nosso objetivo último é fornecer uma maneira não-intuitiva e objetiva de avaliar uma gramática e compará-la com outras gramáticas propostas. podemos definir os fonemas e os morfemas de uma língua como os fonemas e morfemas hipotéticos que. Nossa relação de compatibilidade pode ser parcialmente estabelecida em termos de consideração de simplicidade. Estamos. Foi salientado. De qualquer forma. e. Considere o problema da interdependência de níveis. em princípio. Em todo o caso. Porém. quando tornamos nossos objetivos mais modestos. mas é questionável que eles possam ser formulados de maneira rigorosa. as considerações morfológicas são tidas como relevantes para a análise fonêmica. tentando desenvolver um procedimento de avaliação de gramáticas. isso não nos diz como encontrar os fonemas e morfemas de maneira direta e automática. esse problema não se enquadra no escopo de nossas investigações no momento. Nesse caso. pouca 49 . Obviamente. e há poucas razões para se acredita que ela pode ser satisfeita de maneira significativa. corretamente. Podemos depois definir um par de um conjunto de fonemas e um conjunto de morfemas para uma determinada língua como sendo um par compatível de um conjunto hipotético de fonemas e um conjunto hipotético de morfemas. mais interessados na descrição da forma de gramáticas (ou seja. ou seja. por exemplo. certos problemas que têm sido objeto de intensa controvérsia metodológica simplesmente não aparecem. entre outras coisas. o fato de que se os morfemas são definidos em termos de fonemas. exaustiva e simples o suficiente para que sejam qualificados como procedimentos práticos e automáticos de descoberta. Isso resulta em uma maneira perfeitamente direta de definir níveis independentes sem qualquer circularidade. 6. nenhuma outra teoria fonêmica ou morfêmica satisfaz realmente essa forte exigência.dar conta de maneira organizada de diversos procedimentos úteis de análise. conduzem de maneira conjunta à gramática mais simples da língua. então. então a teoria lingüística pode ser anulada por um problema real de circularidade. pode-se ter chegado à gramática de uma língua.2 Uma vez que tenhamos declinado qualquer intenção de encontrar um procedimento prático de descoberta das gramáticas. da mesma forma. ao mesmo tempo. podemos definir um “conjunto hipotético de fonemas” e um “conjunto hipotético de morfemas” independentemente e podemos desenvolver uma relação de compatibilidade entre os conjuntos hipotéticos de fonemas e os conjuntos hipotéticos de morfemas. na natureza da estrutura lingüística) e na investigação das conseqüências empíricas na adoção de um determinado modelo da estrutura lingüística do que em demonstrar como.

1956). 230-7 (1954) que as propostas de Pike podem ser formalizadas sem a circularidade que muitos nelas detectam. M. assim como propusemos. N.2. 34 50 . Pike. pode ainda ser o caso de que a transcrição fonêmica forneça regras de “leitura” completas sem qualquer referência a outros níveis. Language 28. S. como nos casos da forma verbal de passado do inglês. Chomsky. Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore. se estivermos satisfeitos com um procedimento de avaliação de gramáticas.motivação permanece para qualquer objeção à mistura de níveis. Mesmo se considerações morfológicas sejam consideradas relevantes para determinar os fonemas de uma língua. Word 3. 1955). como tendo verdadeiramente conteúdo fonêmico em sentido quase literal. 1956). como /d/ em “framed” /freymd/ (modelou). idem. evitando artificialismos. isto é. 35 Hockett apresenta esta abordagem de níveis de maneira bem clara em A manual of phonology (1955). As regras morfofonêmicas (19ii) e (19v) convertem. K. 504-9 [1952]) podem ser satisfeitos sem dificuldade por uma formulação não-circular. Isso nos leva a problemas bem conhecidos. Assim. C.4. p. 210-33 (1954). Muitos problemas de análise morfêmica também recebem soluções bem simples se adotarmos o modelo geral que esboçamos há pouco. A única diferença entre os dois casos é que (19v) é uma regra muito mais geral do que (19ii)35. 1951) (por exemplo. através do uso de definições recursivas. e meu pressentimento sobre o sucesso dessa solução diz que ele deve ser pouco provável. em que é difícil. Além do mais. Jackobson. idem. ainda que interdependentes. Cf. poderemos construir níveis interdependentes somente com definições diretas. “The phonemic and grammatical aspects of language and their interrelation”. para uma discussão mais profunda sobre a interdependência dos níveis. Cf. associar qualquer parte dessa palabra com o morfema de passado que aparece como /t/ em “walked” /wçkt/ (caminhou). capítulos 9 e 12) para exemplos de procedimentos que conduzem a níveis interdependentes. M. “took” /tuk/ (pegou). “Two fundamental problems in phonemics”. etc. A manual of phonology = Memoir 11. Studies in Linguistics 7. 155-72 (1847). Word 8. ficamos naturalmente tentados a considerar os morfemas como classes de seqüências de fonemas. Appendix to 7. Halle. para discussão e exemplos. Halle. “On accent and juncture in English”. F. 15. Acredito que as objeções de Fowler aos procedimentos morfológicos de Harris (cf. O problema da interdependência dos níveis fonêmico e morfêmico não deve ser confundido com a questão sobre se a informação morfológica é exigida para a leitura de uma transcrição fonêmica. “took” será representado no nível morfológico como take+passado da mesma forma que “walked” será representado como walk+passado. F. Bar-Hillel sugeriu em “Logical syntax and semantics”. Word 10. relacionados na gramática por regras morfofonêmicas tais como (19). Proceedings of the Sixth International Congress of Linguistics 5-18 (Paris. respectivamente. F. Em “Two models of grammatical description”. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. 106-21 (1952). R. 33 (1949). Ao tentar desenvolver procedimentos de descoberta de gramáticas. Chomsky. e não há qualquer dificuldade em evitar a circularidade na definição de níveis interdependentes34. como vimos há pouco. 65-80. Hockett. 65-80. L. Ele não se aprofunda com detalhes. Lukoff. Lukoff. “More on grammatical prerequisites”. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. Language 30. Podemos evitar esse tipo de problema se entendermos a morfologia e a fonologia como sendo dois níveis diferentes. Z. 1948). essas seqüências de morfemas em /tuk/ e /wçkt/. Methods in structural linguistics (Chicago. Harris. Appendix to 8. “Grammatical prerequisites to phonemic analysis”. “On accent and juncture in English”. também N. Cf. Linguistics Today. Se desistirmos da idéia de que os níveis superiores são literalmente Cf.

para uma discussão da possibilidade de que as considerações nos níveis 51 . então não há muita razão para manter qualquer uma dessas posições duvidosas. já que o morfema passado aparece na representação morfêmica tanto de “took” como de “baked”. argumentando que “took e take são em parte semelhantes no formato fonêmico assim como o são baked e bake. esse fato não pode ser negligenciado” (p. então se torna muito mais natural considerar mesmo sistemas de representação tão abstratos como a estrutura transformacional (em que cada enunciado é representado pela seqüência de transformações de onde é derivada a partir de uma seqüência terminal da gramática de estrutura sintagmática) constituindo um nível lingüístico. Contudo. acho que é inquestionável que a oposição à mistura de níveis. às vezes se argumenta que trabalhos em teoria sintática são prematuros. Mas o inverso também não deixa de ser verdadeiro. mas apenas o desenvolvimento de tais níveis superiores. tenha sua origem na tentativa de desenvolver um procedimento de descoberta de gramáticas. como ey u no contexto t – k + passado na formulação morfofonêmica. Existem muitas outras perspectivas comumente aceitas que parecem perder muito de seu apelo se formularmos nossos objetivos da maneira recém sugerida. através de uma generalização que irá evidenciar o paralelismo entre “take” – “took”. Se renunciarmos a esse objetivo e se distinguirmos claramente entre um manual de procedimentos sugestivos e úteis e uma teoria da estrutura lingüística. de maneira mais geral. ou mesmo inútil. É bem verdade que os níveis superiores da descrição lingüística dependem de resultados obtidos nos níveis inferiores. E a semelhança no formato fonêmico pode ser salientada na formulação da regra morfofonêmica que converte take + passado em /tuk/. indica que essa tarefa fútil não precisa ser seguida nos níveis inferiores36. “forsake” – “forsook” (renunciar – renunciou) e. 1956). “stand – stood” (durar – durou). a similaridade no significado não é negligenciada em nossa formulação. Da mesma Hockett rejeitou uma solução muito parecida com a que apresentamos aqui. Isso irá nos permitir uma simplificação na gramática. Lukoff. F. assim como a idéia de que cada nível é literalmente construído a partir de elementos de níveis inferiores.construídos a partir dos elementos de nível inferior. Assim. M. sem dúvidas. Não somos obrigados a abandonar as esperanças em encontrar um procedimento de descoberta prático ao adotarmos a perspectiva de que os níveis são interdependentes. ou a concepção de níveis lingüísticos como sistemas abstratos de representação relacionados apenas por regras gerais. “shake” – “shook” (balançar – balançou). formular princípios de formação de sentenças em termos de fonemas ou morfemas. Halle. e também são semelhantes em significado da mesma maneira. 224) Porém. etc. como o da estrutura sintagmática. porque muitos dos problemas que aparecem sobre os níveis inferiores de fonêmica e morfologia não estão resolvidos. vimos antes que seria um absurdo. “On accent and juncture in English”. Por exemplo. 36 Cf. 65-80. N. Formularemos essa regra. Chomsky. For Roman Jackobson (‘sGravenhage. como acredito que devemos fazer.

são relevantes para a seleção de uma análise fonêmica. a estrutura sintagmática e as transformações.forma. acredito que a noção de que a teoria sintática deva esperar a solução de problemas da morfologia e da fonologia seja insustentável. freqüentemente é útil. Mas somente o desenvolvimento do nível ainda mais abstrato das transformações pode preparar o caminho para o desenvolvimento de uma técnica mais simples e adequada de análise de constituintes com limites mais modestos. dissemos que a descrição da estrutura da sentença por uma análise de constituintes não terá sucesso se for levada além de determinados limites. 52 . ou mesmo necessário. A gramática de uma língua é um sistema complexo com muitas e variadas interconexões entre suas partes. mas acredito que tenha sido alimentado por uma falsa analogia entre a ordem do desenvolvimento da teoria lingüística e a suposta ordem das operações na descoberta da estrutura gramatical. Para que se desenvolva uma parte da gramática de maneira completa. superiores. Mais uma vez. incluindo a morfologia. havendo ou não preocupação com o problema de procedimentos de descoberta. ter alguma visualização do caráter do sistema completo.

(iii) NP – C – have – .. 37 53 .. Para especificar de maneira explícita uma transformação. podemos retornar à investigação das conseqüências em se adotar a abordagem transformacional na descrição da sintaxe do inglês. cf. as referências citadas na nota 24. (ii) NP – C + M – ... essa transformação Tneg opera em seqüências que são analisadas em três segmentos em uma das seguintes maneiras: (37) (i) NP – C – V . (34)). ALGUMAS TRANSFORMAÇÕES EM INGLÊS 7. Assim. devemos descrever a análise das seqüências a que ela se aplica e a modificação estrutural que se efetua nessas seqüências37. a Tneg adiciona not (ou n’t) depois do segundo segmento da seqüência. se ele contiver somente um morfema.7.. adicionando a preposição by (por) antes do último sintagma nominal e adicionando be +en (ser + particípio passado) ao Aux (cf. onde os símbolos são como em (28) e (29) e é irrelevante o que as reticências representam. se esse sintagma contiver pelo menos dois morfemas.. ou depois do primeiro morfema. Assim.. Por exemplo.. Nosso objetivo é limitar o núcleo de tal forma que as seqüências terminais subjacentes às sentenças nucleares sejam derivadas por um sistema simples de estrutura sintagmática e possam fornecer a base a partir da qual todas as sentenças possam ser derivadas por transformações simples: transformações obrigatórias no caso do núcleo e transformações obrigatórias e opcionais no caso de sentenças não nucleares.1 Depois dessa divagação. a transformação passiva se aplica a seqüências da forma NP – Aux – V – NP e tem o efeito de intercambiar os dois sintagmas nominais. (iv) NP – C + be – . Para uma discussão mais detalhada da especificação das transformações em geral e de transformações específicas. Considere agora a introdução do not ou n’t no sintagma verbal auxiliar. Dada uma seqüência analisada em três segmentos em uma dessas formas. A maneira mais simples de descrever a negação é por meios de uma transformação que se aplica antes de (29ii) e introduz not ou n’t depois do segundo morfema do sintagma dado por (28iii).

aplicada à they – ∅ + have – en + come (um caso de (37iii)). havíamos especificado que a Tneg se aplicava antes de (29ii). (29iii) para introdução do #. derivamos “John doesn’t come” (o João não vem). a partir de (29ii). Suponha agora que selecionamos um caso de (37i). ela produzirá they – ∅ + be + n’t – ing + come (e finalmente “they aren’t coming” (eles não estão vindo)). A regra funciona de maneira adequada. As regras (37) e (40) nos permitem agora derivar todas as formas de sentenças gramaticais e apenas elas. Tal como foi exposto. a Tneg produzirá they – ∅ + can + n’t – come (e finalmente “they can’t come” (eles não podem vir)). isto é. quando selecionamos os últimos três casos de (37). uma seqüência terminal como (38) John – S – come.aplicada à seqüência terminal they – ∅ + can – come (um caso de (37ii)). o tratamento transformacional da negação é relativamente mais simples do que qualquer tratamento alternativo dentro do modelo de estrutura [O210] Comentário: Em inglês. o verbo do pode ser tanto um verbo principal (que pode significar “fazer”. 54 . Aplicando (4) e as regras morfológicas a (39). o que produz o efeito de reescrita de Af + v como v + Af #. Cf. ela produzirá they – ∅ + have + n’t – en + come (e finalmente “they haven’t come” (eles não vieram)). Contudo. Vamos então adicionar a seguinte regra transformacional obrigatória à gramática. vemos que (29ii) não se aplica de maneira alguma a (39). então. O que (40) diz é que do é introduzido como o “portador” de um afixo não afixado. que poderia dar a sentença nuclear “John comes” (o João vem). como em “John does his homework” (O João faz o tema de casa)). Aplicada à 38. aplicada à they – ∅ + be – ing + come (um caso de (37iv)). No entanto. já que (39) não contém agora qualquer seqüência Af + v. uma regra que se aplica depois de (29): (40) # Af # do + Af onde do é o mesmo elemento que o verbo principal em “John does his homework” (o João faz o tema de casa). a Tneg produz: (39) John – S + n’t – come. como pode ser o verbo auxiliar de sentenças negativas e interrogativas.

Considere a classe de perguntas “sim-ou-não”. iii) e (40) e depois as regras morfofonêmicas. Exigimos que a Tint se aplique depois de (29i) e antes de (29ii). “can they arrive” (eles podem chegar). de fato.sintagmática. (37) e (40)) fossem necessárias por razões independentes. e tem o efeito de intercambiar o primeiro e o segundo segmentos dessas seqüências. “did they arrive” (eles chegaram).arrive (ii) they – ∅ + can – arrive (iii) they – ∅ +have – en + arrive (iv) they – ∅ + be – ing + arrive que têm a forma de (37i-iv). derivamos (43) (i) do they arrive (ii) can they arrive (iii) have they arrived (iv) are they arriving 55 . a Tint produz as seqüências (42) (i) ∅ – they arrive (ii) ∅ + can – they – arrive (iii) ∅ + have – they – en + arrive (iv) ∅ + be – they – ing + arrive Aplicando agora as regras obrigatórias (29ii. tal como esses segmentos são definidos em (37). A vantagem do tratamento transformacional (sobre a inclusão de negativas no núcleo) seria bem mais clara se pudéssemos encontrar outros casos em que as mesmas formulações (isto é. tal como “have they arrived” (eles chegaram). E. Aplicada a (41) (i) they + ∅ . esses casos realmente existem. Podemos gerar todas (e apenas) essas sentenças através de uma transformação Tint que opera sobre seqüências com a análise (37).

em “John – slept – ∅” (o João – dormiu – ∅) na não-sentença “∅ . sem a intervenção da Tint. caso contrário não haverá nenhum afixo em (42i) para que o do utilize.was slept – by John” “was slept by John” (foi dormido pelo João). No caso de (42i). do + S /d´z/. b. A transformação passiva (34) converteria. do é introduzido pela regra (4) como o portador de um elemento não afixado ∅. Existem vários outros casos em que a análise transformacional fornece razões convincentes a favor ou contra a postulação da existência de morfemas zero. considere a hipótese de os verbos intransitivos serem analisados como verbos com objeto zero. nós consideramos S como sendo o morfema de terceira pessoa do singular e ∅ como o morfema afixado ao verbo para todas as outras formas do sujeito. Uma alternativa que não consideramos foi a de eliminar o morfema zero e afirmar simplesmente que nenhum afixo ocorre se o sujeito não estiver na terceira pessoa do singular. Assim. não se aplica ao português. (43i-iv) são as contrapartes interrogativas de (44i-iv). Repare também que a Tint deve se aplicar depois de (29i). Ao analisarmos o sintagma verbal auxiliar nas regras (28) e (29). e a regra (40) não iria. de qualquer maneira. O João chegou. Por isso. teríamos derivado as sentenças (44) (i) they arrive (ii) they can arrive (iii) they have arrived (iv) they are arriving Assim. se aplicar a (42i). d. O João está vindo? conta das formas do do como verbo principal. O João está vindo. essa análise dos 56 . tal como Chomsky expõe aqui. precisamos apenas modificar sua entoação. por exemplo. Percebemos agora que essa alternativa não é aceitável. Se C tiver sido desenvolvido em S ou passado pela regra (29i). O João chegou? c. Veja os exemplos: a. não precisamos modificar a estrutura sintática da sentença declarativa. ou o número não será corretamente atribuído nas interrogativas. e nós teríamos sentenças como “does he arrive” (ele chega?). “did he arrive” (ele chegou?). Para formarmos perguntas do tipo “simou-não”.em transcrição fonêmica. o verbo tem S se o substantivo sujeito tem ∅ (“the boy arrives” (o garoto chega)) e o verbo tem ∅ se o sujeito tem S (“the boys arrive” (os garotos chegam)). precisamos dessas regras para dar [O211] Comentário: A transformação interrogativa (Tint). Como exemplo negativo. Precisamos ter o morfema ∅. do + passado /did/. Repare que nenhuma regra morfofonêmica nova é necessária para dar conta do fato de que do + ∅ /duw/. a regra (40) teria inserido do como o portador desses elementos. dessa forma. Se tivéssemos aplicado as regras obrigatórias diretamente a (41).

intransitivos deve ser rejeitada. é o nosso “realmente”. que afirma as sentenças “John arrives” (o João chega). a análise transformacional revela o fato de que as negativas e as interrogativas têm basicamente a mesma “estrutura”. Ao tratarmos o sintagma verbal auxiliar. através de (40)) (ii) John can arrive (de John # S + can + A # arrive) (iii) John has arrived (de John # S + have + A # en + arrive) Assim. V.. Retornaremos ao problema mais geral do papel das transformações na determinação da estrutura de constituintes na seção 7. como em “John does come” (o João realmente vem).. (37)). e isso pode ser usado para simplificar a descrição da sintaxe do inglês. Suponhamos que criássemos um morfema A de acentuação contrastiva a que se aplicasse a seguinte regra morfofonêmica... etc. Em outras palavras. Então. em muitos casos. “John can arrive” (o João pode chegar). através de (40)) (ii) John can’t arrive (de John # S + can + n’t # arrive) (iii) John hasn’t arrived (de John # S + have + n’t # en + arrive) A TA produz as sentenças correspondentes (47) (i) John does arrive (de John # S + A # arrive... assim como a Tneg produz sentenças como (46) (i) John doesn’t arrive (de John # S + n’t # arrive. (45) . Já que tanto a subdivisão da sentença que ela impõe como a regra para a introdução de do eram exigidas independentemente para a negação. + A . O ponto fundamental sobre a transformação interrogativa Tint é que quase nada pode ser acrescentado à gramática com o intuito de descrevê-la.. é possível utilizar o elemento do de maneira enfática.. onde “ indica acentuação forte. Uma tradução que parece ser adequada. e que adiciona A a essas seqüências exatamente na mesma posição onde a Tneg adiciona not ou n’t. a TA é uma transformação de “afirmação”. Estabelecemos agora uma transformação TA que impõe a mesma análise estrutural de seqüências que a Tneg impõe (isto é. [O212] Comentário: Em inglês. não consideramos formas acentuadas do elemento do. precisamos apenas descrever a inversão efetuada pela Tint ao estender a gramática para dar conta das pergunta sim-ou-não. “John has arrived” (o 57 . “V .6..

João chegou). Considere a transformação Tso que converte pares de seqüências de (48) para as seqüências correspondentes de (49): (48) (i) John – S – arrive. mais ou menos no mesmo sentido em que he (ele) é um pronome). etc. como acontece com o inglês. parece claro que tanto a análise (37) das sentenças quanto a regra (40) são novamente fundamentais. iii). . primeiro trocando o terceiro segmento da sentença por so e depois intercambiando o primeiro e o terceiro segmentos. Essa é formalmente a solução mais simples e parece estar intuitivamente correta. derivamos finalmente (50) (i) John arrives and so do I (o João chega e eu também) (ii) John can arrive and so can I (o João pode chegar e eu também) (iiii) John has arrived and so have I (o João chegou e eu também) a Tso opera na segunda sentença de cada par em (48). Apesar de ainda não termos descrito esse processo de maneira suficiente. I – ∅ – have – en +arrive (49) (i) John – S – arrive – and – so – ∅ – I (ii) John – S + can – arrive – and – so – ∅ + can . (O elemento so é então um pro-VP. A transformação Tso se combina com a transformação da conjunção para dar (49). (40) e as regras morfofonêmicas. I – ∅ +can – arrive (iii) John – S + have + en + arrive. as interrogativas e as afirmativas enfáticas. Há um outro atributo notável do caráter fundamental dessa análise que merece atenção. uma vez que não temos nenhum verbo auxiliar na segunda oração. Considere as sentenças nucleares [O213] Comentário: Em português. não é preciso quase nada de novo na gramática para incorporar sentenças como (50). a saber (37). da mesma maneira que a Tneg as nega. 58 . que são formadas sobre o mesmo padrão subjacente transformacional que as negativas. a tradução é irrelevante. I – ∅ – arrive (ii) John – S +can – arrive. Ainda existem outros casos de transformações que são determinadas pela mesma a análise sintática fundamental das sentenças. Assim.I (iii) John – S + have – en + arrive – and – so – ∅ + have – I Aplicando as regras (29ii.

Ou seja. ambas as formas de (53) são gramaticais. A transformação Tneg se aplica a qualquer seqüência da forma (37). assim como ele é o único verbo transitivo que pode ser analisado ambiguamente nos termos de (37). a Tint irá produzir qualquer uma das formas de (54). 59 . Considere agora como as transformações Tneg. mas não “John readsn’t books”. (ii) Bill has a chance to live and so has John. temos “John doesn’t read book”. have é o único verbo transitivo que torna possível essa ambigüidade da negação. aplicada a (52i). (54) (i) does John have a chance to live? (ii) has John a chance to live? (55) (i) Bill has a chance to live and so does John. como aparece em (37). já que essas transformações também são baseadas na análise estrutural (37). adicionando not ou n’t entre o segundo e o terceiro segmentos. Além disso. Tint e Tso se aplicam a essas seqüências subjacentes.(51) (i) John has a chance to live (o João tem uma chance para viver) (ii) John is my friend (o João é meu amigo) As seqüências terminais subjacentes a (51) são (52) (i) John + C + have + a + chance + to + live (ii) John + C + be + my + friend onde have em (52i) e be em (52ii) são verbos principais. não auxiliares. (52i) produzirá (53i) ou (53ii): (53) (i) John – C – n’t – have + a + chance + to + live ( ( “John doesn’t have a chance to live”) “John hasn’t a chance to live”) (ii) John – C + have + n’t – a chance + to + live Mas na verdade. Porém. e a a Tso irá produzir qualquer uma das formas de (55). Da mesma forma.

e Tso. Mas acabamos de ver que são exatamente essas formas aparentemente excepcionais que resultam automaticamente da gramática mais simples construída para dar conta dos casos regulares. somente (37iv) se refere a (52ii). Se tentássemos descrever a sintaxe do inglês puramente em termos de estrutura sintagmática.Mas no caso de todos os outros verbos transitivos. verdade que. de todas as análises permitidas por (37). Apesar de ainda não o termos mostrado. na verdade. a transformação TA produz “John is here”. Repare que a ocorrência de have como um auxiliar em seqüências terminais como John + C + have + en + arrive (subjacente à sentença nuclear “John has arrived”) não está sujeita à mesma análise ambígua. respectivamente (passando por 29i). é de fato verdade que. não há qualquer motivo para incluir “be” na classe dos verbos. Isso resolve o problema mencionado anteriormente. “John readsn’t books. esse comportamento de “be” e “have” acaba se tornando. Assim como uma das formas do sintagma verbal é V + SN. no entanto. Percebemos. que o comportamento aparentemente irregular do verbo “have” é. não obstante. Não temos em inglês “reads John books?” ou “Bill reads books and so reads John”. sobre a gramaticalidade de (3) mas não de (5). aplicadas a (52ii). formas como (54ii) e (55ii) são impossíveis. etc. as transformações Tneg.) são impossíveis com verbos reais. uma conseqüência automática de nossas regras. na seção 2. Essa seqüência terminal é um 60 “John isn’t my friend”) “Bill is “is John my friend”) (iii) Bill – S + be – my + friend – and – so – S + be – John ( . Por isso. não aceitaremos nessa gramática be como sendo um V. como seria o caso com verbos reais. Por isso. uma das formas é be + Predicado. é. Da mesma forma. as formas análogas (por exemplo. Tint. Portanto. ainda que be não seja um auxiliar em (52ii). na gramática mais simples do inglês. isto é. irão produzir.3. Considere agora (52ii). as formas “be” e “have” surgiriam como exceções claras e distintas. na verdade. uma manifestação de uma regularidade subjacente mais profunda quando consideramos a estrutura do inglês a partir do ponto de vista da análise transformacional. (56) (i) John – S + be + n’t – my + friend ( (ii) S + be – John – my + friend ( my friend and so is John) Mais uma vez.

vimos que uma ampla variedade de fenômenos aparentemente distintos se organiza de uma maneira bem simples e natural quando adotamos o ponto de vista da análise transformacional e que. conseqüentemente. através do rastreamento de segmentos até os nós. O fato de (57ii) não ser uma análise possívelnão nos permite derivar não-sentenças. como “John doesn’t have arrived”. a gramática do inglês se torna muito mais simples e ordenada. mas não de (37i). Acho que essas considerações dão ampla justificativa para nosso argumento anterior de que as concepções da estrutura sintagmática são fundamentalmente inadequadas e que a teoria da estrutura lingüística deve ser elaborada seguindo as linhas sugeridas em nossa discussão sobre a análise transformacional. ainda que algumas outras ocorrências de have (por exemplo.. não pode ser rastreado até um nó que seja rotulado como V na derivação dessa seqüência. isto é. em (57). “does John have arrived”. etc. No entanto. ela pode ser analisada como em (57i). Ou seja.. em (52i)) sejam Vs.exemplo (37iii). (52i) é analisado de maneira ambígua uma vez que a ocorrência de have em (52i) pode ser rastreada até um nó V e. Nesta seção. da maneira descrita na seção 4.2 Podemos estender facilmente a análise das interrogativas que estudamos anteriormente de maneira que elas incluam os seguintes casos (58) (i) what did John eat (o que o João comeu?) (ii) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) 61 . já que essa ocorrência de have não é um V. mas não como em (57ii). Mas have. (37iii)) (ii) John – C – have + en + arrive (SN – C – V…. Esse é o requisito básico que qualquer concepção de estrutura lingüística (isto é. (57) (i) John – C + have – en + arrive (SN – C + have – . (37i)) Essa seqüência não é um exemplo de (37i). 7. qualquer modelo para a forma da gramática) deve satisfazer.. isto é. obviamente. A estrutura sintagmática de uma seqüência terminal é determinada a partir de sua derivação.1. pode ser rastreada até um have (que é ele mesmo) no diagrama que corresponde à derivação da seqüência (52i).

38 62 . A seqüência terminal subjacente a (58i) e (58ii) (assim como a (62) e (64)) é (61): (61) John – c – eat + an + apple (SN – C – V…). isto é. A maneira mais simples de incorporar essa classe de sentenças em nossa gramática é criando uma nova regra de transformação opcional Tw. wh + him /huwm/. (41) e (42)). wh + it /what/. o) ou it (pronome sujeito e objeto de terceira pessoa do singular. sendo condicionada pela Tint no sentido em que ela somente se aplica a produzidas por Tint. e podemos definir Tw2 como a transformação que converte qualquer seqüência Z em wh + Z. podemos limitar a aplicação de Tw a seqüências da forma X – SN – Y em que o SN seja he (ele). Essa dependência condicional entre as transformações é uma generalização da distinção entre as transformações obrigatórias e opcionais. Especificamos que a Tint deve se aplicar depois de (29i) e antes de (29ii). portanto. (ii) A Tw2 converte a seqüência resultante SN – X – Y em who – X – Y se o SN for animado ou em what – X – Y se o SN for inanimado38. em particular. [O214] Comentário: Who. é quem. Ela tem. a primeira ou a terceira posições podem estar vazias). ela inverte o primeiro e o segundo segmentos de (59). Mais simplesmente. onde wh é um morfema. em português. com a flexão neutra). a seqüência “vazia” – isto é. teremos regras como: wh + he /huw/. Agora estabelecemos a condição de que a transformação Tw possa se aplicar somente a seqüências a que a transformação Tint já tenha se aplicado.Esses casos não recebem respostas do estilo sim-ou-não. o mesmo efeito transformacional que a transformação Tint (cf. que opera em qualquer seqüência da forma (59) X – SN – Y onde X e Y representam qualquer seqüência (incluindo. que podemos construir facilmente na gramática e que se revelam essenciais. e what é o que ou qual. Na morfofonêmica do inglês. A Tw se aplica depois da Tint e antes de (29ii). A Tw opera em duas etapas: (60) (i) A Tw1 converte as seqüências da forma X – SN – Y na seqüência correspondente de forma SN – X – Y. him (pronome objeto masculino de terceira pessoa do singular.

Para aplicar a transformação Tw a uma seqüência. derivaremos (63) passado – John – eat + an + apple. escolhendo passado no desenvolvimento de C por (29i). Repare que. aplicamos a Tw a (63). então. por Tw2. e depois (66). teremos a interrogativa simples (64) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) No entanto.onde os traços indicam a análise imposta pela Tint. (61) é um caso de (37i). analisamos (63) como (67): (67) passado + John + eat – an + apple. (66) em (58ii). escolhendo o sintagma nominal John. neste caso. (65) John – passado – eat + an + apple (66) who – passado – eat + an + apple A regra (29ii) e as regras morfofonêmicas convertem. então. por meio de Tw1. Assim. derivaremos primeiro (65). Se aplicarmos agora (40) a (63). a Tw1 simplesmente desfaz o efeito da Tint. Onde C é entendido como sendo passado. como indicamos. Para formar (58ii). derivaremos (62) # John # eat + passado # an # apple # ( comeu uma maçã)) Se aplicarmos (29i) e a Tint a (61). escolhendo o sintagma nominal an+apple (uma+maçã). se aplicarmos a Tw a (63). Assim. que subjaz a sentença nuclear (62). para os propósitos dessa transformação. Ao formarmos (58ii). primeiro selecionamos um sintagma nominal e depois invertemos esse sintagma nominal com a seqüência que o precede. Suponhamos agora que aplicamos a Tw a (63). aplicamos primeiramente a Tint e depois a Tw à seqüência terminal (61). o que explica a ausência da inversão em (58ii). introduzindo do como o portador de passado. 63 “John ate an apple” (o João . Se aplicarmos apenas transformações obrigatórias a (61).

também irá dar conta de todas as perguntas-QU. no caso de (64). Repare que a Tw1. já que (69) não contém uma subseqüência da forma Af + V. tal como formulada em (59)-(60). o efeito converte uma entoação descendente para uma entoação ascendente. tal como definida em (60i). vemos que as quatro sentenças (70) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) (= (62)) (= (64)) 64 . a partir de Tw1. o efeito da Tint é. onde Y é. introduzindo do como um portador do morfema passado. A Tw. Não discutimos ainda o efeito das transformações na entoação. Por isso. “what has he been eating” (o que ele tem comido?). neste caso. finalmente derivamos (58i). Aplicando a Tw a (67). No entanto. Ela pode facilmente ser alargada para cobrir interrogativas como “what book did he read” (que livro ele leu?). por isso. ela inverte os primeiros dois segmentos da seqüência a que ela se aplica. vimos que a Tw1 se aplica somente depois da Tint. e entoações ascendentes. Aplicando as regras restantes. que associamos às sentenças nucleares. (68) an + apple – passado + John + eat (69) what – passado + John + eat (29ii) não se aplica agora a (69). assim como não se aplicava a (39) ou a (42i). efetua a mesma transformação que a Tint. Para resumir. ou seja.uma seqüência da forma (59). Por isso. Há diversos problemas se estendermos nossa discussão sobre os fenômenos entoacionais. e seu efeito transformacional é mesmo que o da Tint. que associamos às perguntas do tipo sim-ou-não. em parte. mas ela sugere que tal discussão pode ser frutífera. (40) se aplica a (69). converter a entoação de um desses tipos para o outro. Parece razoável aceitar essa explicação para o fato de que as interrogativas (58i-) normalmente têm a entoação descendente das declarativas. Então. como “what will he eat” (o que ele comerá?). e essa observação não passa de um esboço. etc. derivamos primeiro (68). Suponhamos que estabelecêssemos duas entoações básicas de sentenças: entoações descendentes. a Tw1 irá converter a entoação ascendente para uma entoação descendente. vazio. por Tw2. e depois (69).

3. que opera sobre qualquer seqüência da forma (71) T – N – is – Adj (isto é. Proceedings of the University of Texas Syposyum of 1958.2. Para uma análise mais detalhada e mais adequada do material nesta subseção. meu artigo “A transformational approach to syntax”. (70ii) é formada de (61) pela aplicação da transformação Tint. Faremos referência a essa análise brevemente na seção 8. Não abordaremos a estrutura desse interessante e ramificado conjunto de transformações de nominalização. ela converte “the boy is tall” (o garoto é alto) para “the tall boy” (o garoto alto). Uma das transformações de nominalização será a transformação Tadj. Elas devem. ing + SV não podem mais ser introduzidos dentro da gramática nuclear por regras como (33). The logical structure of linguistic theory e Transformational analysis para discussão detalhada. ser introduzidas através de uma “transformação de nominalização” que converte uma sentença da forma SN – SV em um sintagma nominal da forma to + SV ou ing + SV39. os sintagmas nominais do tipo to + SV. (32)-(33)). Mas as passivas foram excluídas do núcleo. exceto pela breve explicação de cunho transformacional que esboçaremos para o problema levantado na seção 2. artigo – substantivo – é – adjetivo) convertendo-a no sintagma nominal correspondente da forma T + Adj + N. então. Assim. que então irá substituir um SN a outra sentença. (70i) é uma sentença nuclear. Por isso. “being cheated” (sendo traído). 39 65 .3. Ela irá operar sobre um par de sentenças. Entre eles. como (26). respectivamente. já que elas são formadas a partir de (61). cf. teremos sintagmas como “to be cheated” (ser traído). “proving that theorem” (provando aquele teorema) – cf. Não é difícil demonstrar que essa transformação simplifica consideravelmente a Essa transformação de nominalização será dada como uma transformação generalizada. uma das quais é convertida de SN – SV para to + SV (ou ing + SV). ing + SV (“to prove that theorem” (para provar aquele teorema). mencionamos que existem certos sintagmas nominais da forma to + SV. pela aplicação das transformações Tint e Tw. uma vez que apenas as transformações obrigatórias participam de sua “história transformacional”. (70iii) e (70iv) são ainda mais remotas da sentença nuclear. que são derivados de passivas. Cf. etc. 7.3 Na seção 5.(iii) what did John eat (o que o João comeu?) (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã?) (= (58i)) (= (58ii)) são todas derivadas da seqüência terminal subjacente (61).

Quando formulamos essa transformação de maneira adequada. descobrimos que ela nos permite eliminar do núcleo todas as combinações adjetivo-substantivo. contudo. etc. onde be + ing é parte do verbo auxiliar (cf. reintroduzindo-as através da Tadj. no entanto. temos uma regra (72) Adj old. Um argumento independente para essa análise de “interesting” e “sleeping” vem do comportamento de “very” (muito). Palavras como “interesting” (interessante) deverão. Palavras como “dormindo”. (73) é gerado pela transformação (29ii) (que converte Af + v em v + Af #) a partir da seqüência terminal subjacente (74) the + child + C + be – ing – sleep. com diferentes escolhas para o verbo auxiliar..gramática e que sua direção deve ser essa e não a oposta.. alto. tall. etc. que pode ocorrer com certos adjetivos.) que lista todos os elementos que podem ocorrer nas sentenças nucleares da forma (71). “the child sleeps” (a criança dorme). (velho. não parte do Verbo. ainda que tenhamos sentenças como (73) the child is sleeping (a criança está dormindo) A razão para que isso aconteça é que até mesmo quando “sleeping” (dormindo) não é listado em (72).. figurar na lista (73). etc. “interesting” é um Adj.. não irão figurar nessa lista. “the book interests”(o livro interesseia). Paralelamente a (73). temos sentenças como “the child will sleep” (a criança irá dormir).. como podemos verificar pelo fato de não termos “the book will interest” (o livro vai interessantear). A maneira mais simples de dar conta de “very” é colocar a seguinte regra na gramática de estrutura sintagmática: 66 . (28iii)).. Em sentenças como (75) the book is interesting (o livroé interessante). mas não com outros. Na gramática sintagmática.

Embora não esteja formulada de maneira suficientemente acurada. ele aparecerá como um adjetivo modificando substantivos. que by + SN é um SP. devemos de incluir “interesting”. formando o sintagma nominal (78) the sleeping child (a criança dormindo) da mesma maneira como forma “the interesting book” (o livro interessante) a partir de (75). (77) pode ser elaborada como sendo uma condição do conjunto de condições impostas à estrutura de constituintes derivada. Não discutimos a maneira como as transformações impõem uma estrutura de constituintes. Uma das condições gerais impostas à estrutura de constituintes derivada será a seguinte: (77) Se X é um Z na gramática sintagmática. Mas isso significa que (73) pode ser analisada como uma seqüência da forma (71). é um V + ing). que. por (77). mas não “sleeping” na lista de adjetivos (72). “sleeping” também é um Adj na sentença transformada (73). até mesmo quando as passivas forem excluídas do núcleo. Logo. Logo. então Y também é um Z. de forma que a Tadj se aplique a ela. é um Adj. ainda que “sleeping” seja excluído de (72). como em “the food was eaten – by the man” (a refeição foi comida – pelo homem)) são sintagmas preposicionais (SP) na sentença passiva. como sabemos pela gramática de constituintes. afirmaremos que os by-phrases (os sintagmas introduzidos por by (por). Mas considere agora (73).(76) Adj very + Adj “very” pode aparecer em (75). e em geral com “interesting”. Vemos que (77) permite que isso aconteça. pela gramática nuclear. ainda que tenhamos sugerido que isso seja necessário. A palavra “sleeping” é formada por transformação (isto é. se desejarmos preservar a análise mais simples de “very”. já que sabemos. Assim. mas não pode aparecer em (73) ou com outras ocorrências de “sleeping”. (29ii)) e tem a mesma forma que “interesting” (isto é. especialmente de forma que as transformações possam ser compostas. 67 . e uma seqüência Y formada por uma transformação tem a mesma forma estrutural do que X. Particularmente.

Para utilizarmos a terminologia da 68 . “very” não irá aparecer em (74) ou (73). Por exemplo.Essa análise de adjetivos (que é tudo o de que precisamos para dar conta das sentenças que efetivamente ocorrem) não irá. que é aparentemente a gramática mais simples que pode ser construída para as sentenças que efetivamente ocorrem. então. Da mesma forma. que permanecem no núcleo. têm uma origem estrutural clara e são. etc. contudo. Quando desenvolvemos esse argumento com mais cuidado. (80) (i) the child seems sleeping (a criança parece dormindo) (ii) the very sleeping child (a criança dormindo muito interessante) (81) (i) the book seems interesting (o livro parece interessante) (ii) the very interesting book (o livro muito interessante) Vemos. haverá regras de estrutura sintagmática que analisarão o sintagma verbal em (79) Aux + seem + Adj tal como outras regras analisam o SV em Aux + V + SN. por outro. ao passo que irá gerar (81). já que são conseqüências da gramática transformacional mais simples. certos comportamentos lingüísticos que parecem ser imotivados e inexplicáveis em termos de estrutura sintagmática tornam-se simples e sistemáticos quando adotamos o ponto de vista transformacional. introduzir a palavra “sleeping” em todas as posições de adjetivos ocupadas por palavras como “interesting”. chegamos à conclusão de que a gramática transformacional mais simples irá excluir (80). Aux + be + Adj. e todas as ocorrências de “sleeping” como modificador são derivadas de suas ocorrências como verbo em (74). Mas “sleeping” nunca será introduzido no contexto “seems ___” (parece ___) por essa gramática. instâncias de uma regularidade de um nível superior. Já que “very” nunca modifica verbos. que as aparentes distinções arbitrárias que notamos na seção 2. etc.3 entre (3) (“have you a book on modern music?” (tu tens um livro sobre música moderna?)) e (4) (= (8i)). “sleeping” jamais será introduzida no contexto “very ___” (muito ___). por um lado. e (5) (= “read you a book on modern music?” (lês tu um livro sobre música moderna?)) e (6) (= (80i)). na verdade. Em outras palavras.

Podemos ter as sentenças de (82). como “bring in” (trazer).seção 2. se um falante deve projetar sua experiência lingüística finita através da utilização da estrutura sintagmática e das transformações da maneira mais simples possível. que modificam seu sentido original. ao mesmo tempo em que rejeitaria (5) e (6). então. Existe. estabelecemos uma transformação opcional Tfacsep. de phrasal verbs. então. um grande número de subcontruções produtivas de V que merecem nossa atenção. Para possibilitar (82ii). Os exemplos em (82) e (83) tratam justamente de um fenômeno que envolve os phrasal verbs. Os phrasal verbs são verbos com uma preposição ou advérbio. (82) (i) the police brought in the criminal (ii) the police brought the criminal in (iii) the police brought him in (83) the police brought in him Sabemos que elementos descontínuos não recebem um tratamento adequado no âmbito da gramática sintagmática. ele iria incluir (3) e (4) como gramatical. já que elas esclarecem alguns pontos básicos de maneira bastante precisa. mas não a de (83). indicando quais V1 são compatíveis com cada Prt. Da mesma forma. devemos indicar que essa transformação é obrigatória quando o SN objeto é um pronome (Pron). Ela converte. excluindo ao mesmo tempo (83). as raízes verbais da classe V. em inglês. na seção 5.4 Em (28). construções verbo + partícula (V + Prt). de maneira consistente com sua experiência. Por isso. Para incluir (82iii). distanciando-se). que opera em seqüências com a seguinte análise estrutural: (85) X – V1 –Prt – SN e tem o efeito de intercambiar o terceiro e o quarto segmentos da seqüência a que se aplica.2. Considere primeiramente as [u15] Comentário: Verbos com essa estrutura (verbo + partícula). podem estabelecer uma transformação 69 . a maneira mais natural de analisar esse tipo de construção é adicionar a seguinte possibilidade a (28ii): (84) V V1 + Prt além de um conjunto de regras suplementares. “drive away” (dirigir. (82i) em (82ii). 7. como “bring in” e “drive away” são chamados. contudo. analisamos o elemento Verbo em Aux + V e listamos.3.

Investigações mais profundas sobre o sintagma verbal mostram que há uma construção geral do tipo verbo + complemento (V + Comp) que se comporta de maneira bastante semelhante à construção verbo + partícula. como deveria. então ela formará as passivas (87) (i) the criminal was brought in by the police (ii) he was brought in by the police a partir de (82). que acabamos de discutir. mas que opere em seqüências com a seguinte análise estrutural: (86) X – V1 – Prt – Pron Sabemos que a transformação passiva opera em qualquer seqüência da forma SN – Verbo – SN. Se especificarmos que a transformação passiva se aplica antes de Tfacsep ou de Tobsep. Suponhamos que adicionemos a regra (91) à gramática sintagmática. Ou seja. Considere as seguintes sentenças: (88) (89) everyone in the lab considers John incompetent (todos no laboratório John is considered incompetent by everyone in the lab (o João é consideram o João incompetente) considerado incopetente por todos no laboratório) Se desejarmos derivar (89) a partir de (88) utilizando a transformação passiva.obrigatória Tobsep que tenha os mesmos efeitos estruturais de Tfacsep. paralela a (84). devemos analisar (88) na estrutura SN1 – Verbo – SN2. devemos aplicar a passiva não a (88). mas a seqüência terminal (90). que subjaz (88): (90) todos no laboratório – consideram incompetente – O João Agora podemos formar (88) a partir de (90) por uma transformação análoga a Tobsep. 70 . onde SN1 = todos + no + laboratório. e o SN2 = o João.

Em primeiro lugar. ainda que elas constituam um estudo interesante. poderíamos estender a transformação Tfacsep paa lidar com esse caso. embora seja muito importante estudar a questão da especificidade desse sistema. The logical structure of linguistic theory. que requer estudo muito mais detalhado da teoria transformacional do que o que podemos oferecer aqui.. mostramos que a gramática é muito mais complexa se ela contiver tanto ativas como passivas em seu núcleo do que se as passivas forem excluídas ou reintroduzidas por uma transformação que troque o sujeito e o objeto da ativa e substitua o verbo V por is + V + em + by. Existem também outras possibilidades para as passivas. Com objetos longos e complexos. por falta de espaço.4. Há muitos outros fatores além do comprimento envolvidos aí.. Em segundo lugar. perguntamos se as passivas Estudos mais aprofundados mostram que a maioria das formas verbo + complemento introduzidas pela regra (91) deveriam ser excluídas do núcleo e serem derivadas transformacionalmente a partir de “O João é incompetente”. esse é um assunto complicado. podemos ter. Porém. A primeira.). Transformational analysis e “A transformational approach to syntax”. Não é certo que essa transformação seja uma transformação obrigatória. Assim. É interessante estudar essas características do objeto gramatical que exigem ou excluem essa transformação. 40 71 .(91) V Va + Comp Estendemos agora a transformação Tobsep para permitir que ela se aplique a seqüências da forma (92). por exemplo.Va – Comp – SN Essa transformação Tobsep revista irá converter (90) em (88). Na seção 5. 7. de minha autoria. “they consider incompetent anyone who is unable to. Duas questões sobre especificidade emergem daí. há considerações muito claras e facilmente generalizáveis de simplicidade que determinam qual conjunto de sentenças pertences ao núcleo e que tipos de transformações são necessários para dar conta das sentenças não nucleares. em particular. etc. Então. e em muitos outros casos também. o tratamento de construções verbo + complemento e verbo + partícula são bastante similares. perguntamos se é necessário intercambiar os sintagmas nominais para se formar a passiva. Como um exemplo paradigmático. assim como a seqüências da forma (86). (92) X . Acredito que pode ser mostrado que em cada um dos casos considerados anteriormente. Cf. Existem muitas outras características dessas construções que nós abordamos aqui apenas muito brevemente. é uma construção extremamente bem desenvolvida em inglês40.. iremos rever brevemente o status da transformação passiva. como antes.5 Nós mal esboçamos uma justificativa para a forma particular de cada uma das transformações que discutimos.” (eles consideram incompetente qualquer um que não seja capaz de. ao invés de utilizar a Tobsep.. que não iremos considerar aqui.

em um sentido claro. considerando que não fomos abordar a questão de análise categorial em nossa discussão. é interessante mostrar que existe até mesmo um argumento mais forte contra (93). Contudo. a passiva de “O João ama a Maria” seria “O João é amado pela Maria”. e as ativas derivadas a partir delas por uma transformação “ativa”.4. (94) (i) o João admira a sinceridade – a sinceridade é admirada pelo João (ii) o João joga golfe – golfe é jogado pelo João (iii) a sinceridade assusta o João – o João é assustado pela sinceridade (95) (i) a sinceridade admira o João – o João é admirado pela sinceridade (ii) o golfe joga o João – o João é jogado pelo golfe (iii) o João assusta a sinceridade – a sinceridade é assustada pelo João No entanto. Considere primeiro a questão sobre a troca entre sujeito e objeto. são mais gramaticais do que “a sinceridade admira comeu”. etc. SN1 – Aux – V – SN2 é reescrita como SN1 – Aux – be + en – V – by + 72 . assinalamos que essa abordagem requer que uma noção de “gradação de gramaticalidade” seja desenvolvida para sustentar essa distinção. Eu acredito que essa abordagem está correta e que. argumentamos contra (93) e a favor da inversão. com base no fato de que temos sentenças como (94). mas não como (95). iii). e certamente uma teoria lingüística deve fornecer os meios para tal distinção. as sentenças de (94) são mais gramaticais do que as sentenças de (95).poderiam ter sido escolhidas como sendo nucleares. Na verdade. Na seção 5. que. iii) e (95i. por exemplo. por sua vez. Qualquer gramática que distinga substantivos abstratos de substantivos próprios seria sutil o suficiente para caracterizar a diferença entre (94i. qualquer gramática que possa distinguir singular de plural é poderosa o suficiente para nos permitir provar que a passiva exige a inversão de sintagmas nominais. Essa troca é necessária? Ou poderíamos descrever a transformação passiva como tendo o seguinte efeito: (93) SN2 Por exemplo.

Considere agora a questão sobre se as passivas poderiam ser consideradas sentenças nucleares. iremos derivar uma não-sentença. 73 . Fica claro que essa proposta nos leva a gramáticas muito mais complexas. juntamente com 41 A concordância entre “a fool” e “John” em (98) é claramente um argumento a favor de uma análise transformacional mais profunda das construções verbo + complemento + sintagma nominal. O que interessa é que encontramos um verbo – a saber. Vimos também que a transformação passiva se aplica diretamente a (98). a gramática sintagmática incluirá (28). (99) all the people in the lab are considered a fool by John (todas as pessoas no laboratório são consideradas um bobo pelo João) pela aplicação dessa transformação a (98). ela irá corretamente formar (97) a partir de (98) como passiva de (96). Além de (88) e (89). ao invés das ativas. Se a passiva permuta o sujeito e o objeto .4. eliminando be + en de (28iii). pegarmos (93) como a definição da passiva. que mencionamos anteriormente.Para ver isso. Se.4. no entanto. com o Verbo “consider a fool” sendo uma instância de (91). vimos que (96) é formado pela transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (98) all the people in the lab – consider a fool – John (SN – Verbo – SN). Mas se as passivas forem as sentenças nucleares. temos sentenças como estas: (96) all the people in the lab consider John a fool (todas as pessoas no laboratório consideram o João um bobo) (97) John is considered a fool by all the people in the lab (o João é considerado um bobo por todas as pessoas no laboratório) Em 7. Tais verbos provam de maneira bastante conclusiva que a passiva deve basear-se em uma inversão de sujeito e objeto. be + en terá de ser listado em (28iii). Tendo as ativas como sentenças nucleares. considere a construção verbo + complemento discutida na seção 7. “consider a fool” – que deve concordar em número tanto com seu sujeito como com seu objeto41.

“interesting” (interessante). Repare que se as passivas forem escolhidas como sendo as sentenças nucleares no lugar das ativas.3). Em outras palavras. Mas. onde “drunk” em (101) dá origem a en + drink. e somos forçados a considerar as ativas. que. a seção 7. e nós teremos de acrescentar regras especiais que indiquem que se o V é intransitivo.todas as outras formas do auxiliar. ele deve ter be + en (isto é. Ela iria converter. ele não pode ter o auxiliar be + en (isto é. etc. A transformação da ativa teria de se aplicar a seqüências da seguinte forma: (100) SN1 – Aux + be + en – V – by + SN2. enquanto que se o V for transitivo. existe também o adjetivo “drunk” (bêbado) que deve estar listado em (72) juntamente com “old” (velho). então. a sentença (102) John was drunk by midnight (o João estava bêbado pela meia-noite) também tem como base uma seqüência terminal subjacente que pode ser analisada de acordo com (100). nós enfrentaríamos certas dificuldades de um tipo bastante diferente. contendo uma parte sintagmática e uma parte transformacional. por exemplo (101) the wine was drunk by the guests (o vinho foi bebido pelos convidados) em “the guests drank the wine” (os convidados beberam o vinho). não podemos ter “is occurred” (é ocorrido)). no sistema mais simples de estrutura sintagmática para o inglês. em inglês. uma vez que temos “he is very drunk” (ele está muito bêbado). E a aplicação da transformação “ativa” a (102) não resulta em uma sentença gramatical. e não as passivas. etc. não resta dúvida no que diz respeito à complexidade relativa. E esse adjetivo também será originado a partir de en + drink. Parece. não podemos ter “lunch eats John” (o almoço come o João)). Comparando essas duas alternativas. Convertendo-as em SN2 – Aux – V – SN1. Quando tentamos efetivamente estabelecer a gramática mais simples para o inglês. (cf. como sendo as sentenças nucleares. “he seems drunk” (ele parece bêbado).. vemos que o 74 . não há qualquer maneira estrutural que mostre a diferença entre (101) e (102) se ambos forem considerados sentenças nucleares.

. etc. No início do capítulo 5. por exemplo. e enquanto algumas considerações bastante detalhadas da estrutura do inglês não mencionam as interrogativas. 218). pode haver a questão de qual das duas deveremos tomar como forma subjacente. obtemos uma descrição desnecessariamente complicada. nenhuma delas falha ao incluir declarativas simples. 75 . quando estabelecemos que a seqüência terminal John – C – have + en – be + ing – read subjaz a sentença nuclear “John has been reading” (O João têm lido). Bloomfield continua. assumindo que os gramáticos têm atuado a partir de uma intuição correta sobre a língua42. Ninguém começaria a estudar seriamente a estrutura de constituintes do inglês com sentenças como “whom have they nominated” (quem eles têm nomeado). ativas.. que costumam começar a gramática do inglês com o estudo de sentenças simples no estilo “ator – ação”. obtemos uma descrição relativamente simples” (Language [New York.. no sentido de que é muito mais fácil proceder à transformação em uma direção do que na outra. declarativas (provavelmente em número finito) e que todas as outras sentenças podem ser descritas mais simplesmente como sendo sentenças transformadas. antes que resolvamos deixar o assunto de transformações em inglês.6 Há mais um ponto que merece nossa atenção. este par de sentenças: 42 Ao determinar qual das duas formas relacionadas é mais central.. a estrutura da língua pode decidir essa questão por nós. reparamos que a regra para conjunção fornece um critério útil para a análise de constituintes. porque essa regra é bastante simplificada se os constituintes estiverem estabelecidos de uma determinada maneira. Agora estamos interpretando essa regra como uma transformação..núcleo consiste de sentenças simples. mostrando que “essa mesma consideração frequentemente nos leva a estabelecer uma forma subjacente artificial”.quando as formas são parcialmente semelhantes. estamos seguindo o raciocínio que foi apresentado por Bloomfield para a morfologia: “. ao adotarmos uma das alternativas. já que. p. Cada uma das transformações que eu investiguei é irreversível. ao passo que. já que. 7. por exemplo. Considere. Há diversos outros casos em que o comportamento de uma sentença submetida a transformações fornece evidências valiosas e até mesmo evidentes quanto à sua estrutura de constituintes. A análise transformacional fornece uma explicação razoavelmente simples para essa assimetria (que não tem outra justificativa formal). adotando a outra alternativa. assim como no caso da transformação passiva que discutimos há pouco. tentando analisá-la em duas partes. por exemplo. e com relações gramaticais simples como sujeito-predicado ou verbo-objeto. 1933]. Esse fato pode explicar a prática tradicional dos gramáticos. Nós também achamos que isso seja útil na análise transformacional.

mas eu não acredito que. por exemplo. já que temos a passiva (104i). As sentenças de (104) sem a expressão entre parênteses são formadas por uma segunda transformação “elíptica” que converte. dentro do nível sintagmático. (103ii) deve ser analisada como (106) John – found – the boy studying in the library. Mas considere o comportamento dessas sentenças quando submetidas à transformação passiva. “the boy was seen by John” (o garoto foi visto pelo João) em “the boy was seen” (o garoto foi visto). Temos as sentenças (104). por exemplo acrescentar “not running around in the streets” (e não correndo por aí nas ruas) a (103)). A análise mais simples em ambos os casos é SN – Verbo – SN – ing + SV. (103i) terá uma análise correspondente. mas não (105)43. é óbvio que essas sentenças tenha estrutura gramatical diferente (isso fica claro quando tentamos. com o sintagma nominal objeto “the boy studying in the library”. possamos encontrar uma justificativa para analisarmos essas sentenças em diferentes constituintes.(103) (i) John knew the boy studying in the library (o João conheceu o garoto estudando na biblioteca) (ii) John found the boy studying in the library (o João encontrou o garoto estudando na biblioteca) Intuitivamente. Por isso. (104) (i) the boy studying in the library was known (by John) (o garoto estudando na biblioteca era conhecido (pelo João)) (ii) the boy studying in the library was found (by John) (o garoto estudando na biblioteca foi encontrado (pelo João)) (iii) the boy was found studying in the library (by John) (o garoto foi encontrado estudando na biblioteca (pelo João)) (105) the boy was known studying in the library (by John) (o garoto foi\era conhecido estudando na biblioteca (pelo João)) A transformação passiva se aplica apenas a sentenças da forma SN – Verbo – SN. 43 76 . para derivar (104ii).

Acredito que seja justo dizer que um número significante de critérios básicos para determinar a estrutura de constituintes é. uma seqüência transformada de (107)que possui o Verbo complexo “found studying in the library”. ela é derivada por uma transformação Tobsep a partir da seqüência subjacente (107) John – found studying in the library – the boy. Fora considerações como essas. uma investigação do efeito das transformações sobre (108) mostra que ela não pode ser analisada como um caso de SN – Verbo – SN. em verdade. Moderna gramática brasileira. . O princípio geral é este: se temos uma transformação que simplifique a gramática e conduz de 77 [u16] Comentário: Essas explicações evidentemente não se aplicam à tradução da sentença em português. já que (105) não é uma sentença gramatical. no entanto. considere a sentença (108) John came home (o João volto para casa) Embora “John” e “home” (casa) sejam SNs. (103i) não é uma sentença transformada da seqüência “John – knew studying in the library – the boy” (a mesma forma que (107)). “John knew the boy studying in the library” (=(103i)). concluímos (103ii) é um caso da construção verbo + complemento. Pelo estudo das passivas gramaticais. uma vez que “para casa” não é analisada nem como objeto indireto nem como adjunto adverbial. A descrição resultante de (103) parece estar de acordo com nossa intuição. isto é. No entanto. como Luft (LUFT. P. “o João voltou para casa”.Mas (103ii) também tem a passiva (104iii). A transformação passiva irá converter (107) em (104iii). 1986. transformacional. ou como SN – Aux – V – SN – Comp. parece não haver razões fortes para negar a (108) a análise completamente intuitiva SN – Verbo – SN. Alguns gramáticos. Porto Alegre. No entanto. com o verbo “found” (encontrou) e o complemento “studying in the library” (estudando na biblioteca). ou “what did John come” (o que o João veio?) aplicando a transformação Tw. assim como converteu (90) em (89). apresenta apenas a primeira análise. estudada na seção 7. então. com “home” sendo o objeto de “came”. Não podemos ter “home was come by John” (a casa foi voltada pelo João) aplicando a transformação passiva. e “came” (voltou) seja um Verbo. talvez como SN – Verbo – Advérbio.) chamam esse tipo de complemento de “complemento (indireto) locativo” (p. determinamos que “John found the boy studying in the library” (=(103ii)) é analisável ambiguamente como SN – Verbo – SN. Como um outro exemplo do mesmo tipo.4. Devemos então analisar (108) de alguma outra forma (se não quisermos complicar desnecessariamente a descrição dessas transformações). Disso. 42). repare que esse mesmo tipo de sentença (108) é problemático para a análise gramatical tradicional em português. Rio de Janeiro: Globo. com o objeto “the boy studying in the library”. C.

nossa única preocupação foi a de diminuir a complexidade da gramática. uma transformação em que o conjunto de sentenças gramaticais é praticamente fechado). Nosso objetivo mais fraco de avaliação. é preferível o restabelecimento da estrutura de constituintes. Na seção 7. em outros casos. determinando como atribuir uma estrutura sintagmática a essas sentenças. então. Definimos transformações como as passivas em termos de análises específicas da estrutura sintagmática e então consideramos o comportamento de sentenças que sofreram essas transformações. não importa o quão extenso. O leitor deverá talvez ter notado uma certa circularidade ou até mesmo uma aparente inconsistência em nossa abordagem. então podemos tentar atribuir uma estrutura de constituintes a sentenças de tal maneira que essa transformação sempre nos conduzirá a sentenças gramaticais. o percurso esboçado no capítulo 6. Temos seguido. portanto. e tentamos mostrar que a análise proposta é claramente mais simples do que as alternativas que rejeitamos. Utilizando a estrutura de constituintes e as transformações. poderemos ver claramente que não há circularidade nem inconsistência. Na seção 7. e não de descoberta. Em cada um dos casos. 78 . e não estamos sequer pensando na questão de como se poderia realmente chegar a essa gramática de alguma maneira mecânica a partir de um corpus do inglês.6. Em alguns casos a gramática se torna mais simples se rejeitarmos certas transformações. estamos tentando construir uma gramática do inglês que poderá ser mais simples do que qualquer proposta alternativa. As correspondências intuitivas e as explicações de aparentes irregularidades parecem oferecer evidências importantes para a exatidão da abordagem que temos adotado. elimina qualquer risco de circularidade viciosa nos casos que discutimos. se seguirmos o argumento cautelosamente em cada caso. simplificando. Cf. a gramática ainda mais. utilizamos o fato de “John was drunk by midnight” (=102) não possuir uma “ativa correspondente como um argumento contra a criação de uma transformação passivapara-a-ativa. Contudo. o capítulo 8.5.sentença a sentença em um grande número de casos (isto é. utilizamos o fato de “John came home” (=(108)) não possuir uma passiva como um argumento contra a atribuição da estrutura SN – Verbo – SN a essa sentença.

Iremos agora proceder à formulação dos objetivos do lingüista em termos bem diferentes e independentes que. descobrimos que. Se nossa gramática fosse um sistema de apenas um nível. eram de algum modo pressupostas. Vimos que essa concepção nos leva naturalmente à descrição de línguas em termos de um conjunto de níveis de representação. como conseqüência direta da tentativa de estabelecer a morfologia da maneira mais simples possível. atribuímos ao lingüista a tarefa de produzir um certo tipo de mecanismo (chamado gramática) para a gerar todas as sentenças. de uma língua. O PODER EXPLICATIVO DA TEORIA LINGÜÍSTICA 8. Em geral. e somente essas. dizemos que temos um caso de construção de homonímia quando uma determinada seqüência de fonemas pode ser analisada de mais de uma maneira em algum nível. respectivamente. Mas quando desenvolvemos o nível da representação morfológica. por razões independentes. /eym/ e /neym/. Por exemplo. como “a name” (um nome) ou “an aim” (um objetivo). somos forçados a estabelecer os morfemas “a” (um/a). levarão a noções muito parecidas de estrutura lingüística. no entanto. a seqüência de fonemas /↔neym/ pode ser entendida de maneira ambígua.8. Assim.1 Até aqui. lidando apenas com fonemas. Isso sugere um critério de adequação para as gramáticas. Particularmente. “an” (um/a). /↔n/. associados com as formas fonêmicas /↔/. É razoável esperarmos que as gramáticas forneçam explicações para alguns desses fatos. poderíamos não ter qualquer explicação para esse fato. dos quais alguns são bastante abstratos e não triviais. Existem muitos fatos sobre a linguagem e sobre o comportamento lingüístico que precisam de explicações que vão além de explicações do tipo “esta ou aquela seqüência (que pode nunca ter sido produzida por alguém) é ou não é uma sentença”. para muitos falantes do inglês. Podemos testar a adequação de uma determinada gramática perguntando se cada caso de construção de homonímia é um caso real de ambigüidade e se cada caso de ambigüidade genuína é ou não um caso de 79 . conduz-nos ao estabelecimento da estrutura sintagmática e da estrutura transformacional como dois níveis distintos de representação de sentenças gramaticais. por hipótese. sentenças que. descobrimos que a seqüência de fonemas /↔neym/ é representada de maneira ambígua no nível morfológico. “aim” (objetivo) e “name” (nome).

são compreendidas da mesma maneira. Suponhamos que. poderemos questionar a adequação dessa concepção e a teoria lingüística que a subjaz. que. Já a segunda expressão apresenta ambigüidade apenas em inglês. assim como casos de dupla representação são “entendidas” de mais de uma maneira. Repare que considerações sobre a ambigüidade estrutural também podem justificar o [u17] Comentário: A tradução dessas expressões é “homens e mulheres velhas” e “eles são aviões” / “eles estão voando aviões”. De maneira mais geral.construção de homonímia44. por exemplo. as sentenças (109) (i) John played tennis (o João jogou tênis) (ii) my friend likes music (meu amigo gosta de música) são bastante diferentes. duas seqüências distintas de fonemas são analisadas de maneira similar o idêntica. Em português. Por exemplo. Lembre-se de que a análise de uma expressão no nível sintagmático não é fornecida apenas por apenas uma seqüência. não é explicada. em algum nível. 44 80 . 210-33 (954). e exemplos como esse justificam o estabelecimento de um nível sintagmático independente do que foi apresentado no capítulo 3. de fato. cf. nem todos os casos de ambigüidade serão analisados em termos sintáticos. Assim. Mas no nível sintagmático são ambas interpretadas como SN – Verbo – SN. de outra forma. Word 10. analisados de maneira ambígua no nível da estrutura sintagmática. respectivamente. a primeira expressão também é ambígua. tanto no nível fonológico como morfológico. Não iríamos esperar de uma gramática. mas por um Obviamente. Linguistics Today. que ela explicasse a ambigüidade referencial de “son” – “sun” (filho – sol). Temos um caso de construção de homonímia quando uma seqüência de fonemas tem uma representação ambígua. conseqüentemente é evidente que. Expressões como “old men and women” e “they are flying planes” são evidentemente ambíguos e são. estabelecimento de um nível de estrutura sintagmática. homens velhos e mulheres velhas / mulheres velhas e homens. em certo sentido. Imaginamos que essas seqüências devam ser de alguma forma “entendidas” de maneira semelhante. um argumento perfeitamente válido para o estabelecimento de um nível morfológico é que irá dar conta da ambigüidade de /↔neym/. Em “Two models of grammatical description”. mesmo que não o sejam em nenhum outro nível inferior. “light” (que pode significar “claro” ou “leve”). Esse fato não poderia ser explicado por a uma gramática que não ultrapassasse o nível das palavras ou morfemas. etc. Hockett utiliza noções de ambigüidade estrutural para demonstrar a independência de diversas noções lingüística de maneira bastante similar ao que sugerimos aqui. se uma determinada concepção da forma da gramática conduzir a uma gramática de uma determinada língua que falhe nesse teste.

aceitando nosso modelo. como veremos. Na verdade. O que estamos sugerindo é que a noção de “compreensão de uma sentença” seja explicada em parte nos termos da noção de “nível lingüístico”. a partir de “I – found studying in the library – the boy”. de um modo diferente do que vimos nos capítulos 5 e 7. Irei mostrar apenas alguns exemplos representativos. essa sentença era uma sentença transformada pelas transformação Tobsep. e segundo a outra interpretação. apresentamos o exemplo de uma sentença (“I found the boy studying in the library” = (103ii)) cuja ambigüidade de representação não podia ser demonstrada sem considerarmos alguns critérios transformacionais. Análises desses casos demonstram a necessidade de um nível ainda mais alto de análise transformacional. por aquilo que chamo de “indicador sintagmático” (“phrase marker”) em The logical structure of linguistic theory e “Three models for the description of language”. e não de construção de homonímia dentro da estrutura sintagmática. quando unimos uma gramática transformacional à gramática sintagmática. como ela é analisada em todos os níveis. primeiramente é necessário reconstruir sua análise em cada nível lingüístico. e podemos testar a adequação de um determinado conjunto de níveis lingüísticos abstratos conferindo se as gramáticas formuladas em termos desses níveis nos permitem fornecer uma análise satisfatória da noção de “compreensão” ou não. não está claro que existam quaisquer casos de construção de homonímia puros quando dentro do nível da estrutura sintagmática. Em geral. Vimos que. uma vez desenvolvida uma gramática transformacional. então. Conseguimos mostrar. essa sentença se mostra um exemplo de ambigüidade transformacional. não conseguimos compreender plenamente qualquer sentença a menos que saibamos. Para compreender uma sentença. através de casos de ambigüidade e semelhança de compreensão que não eram explicados em níveis inferiores.diagrama como (15) ou. por um determinado conjunto de seqüências representativas45.6. 45 81 . Mas parece que ainda há um grande número de casos não explicados. a estrutura transformacional. em uma das interpretações.2 Na seção 7. “Three models for the description of language” para discussão sobre a construção de homonímia de “they are flying planes” dentro do paradigma da gramática sintagmática. a inadequação de uma teoria de estrutura lingüística que não ultrapassava a estrutura sintagmática. provam a existência de níveis superiores. pelo menos. Os casos com alto nível de representação semelhante e com alto nível de representação dessemelhante (construção de homonímia) são simplesmente os casos extremos que. Cf. ela era analisada em SN – Verbo – SN com o objeto “the boy studying in Ou seja. incluindo os níveis superiores como a estrutura sintagmática e. de maneira equivalente. No entanto. mesmo depois que estabelecemos o nível da estrutura sintagmática e o aplicamos ao inglês. 8.

que requer um estudo detalhado da maneira com que as transformações determinam a estrutura de constituintes. a sentença é uma sentença transformada do par de seqüências terminais que subjaz as seguintes sentenças nucleares simples: (109) (i) I found the boy (eu encontrei o garoto) (ii) the boy is studying in the library (o garoto está estudando na biblioteca) Por isso. estabeleceremos uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN – C – V no sintagma É verdade que (111) pode ser representado de maneira ambígua considerando shoot (atirar) como um verbo transitivo ou intransitivo. mas o fato essencial aqui é que a relação gramatical em (111) é ambígua (isto é. Considere o sintagma (111). “hunters” pode ser sujeito ou objeto). As relações gramaticais podem ser definidas dentro da estrutura de constituintes em termos da forma de diagramas do tipo de (15). e exemplos mais simples de ambigüidade sem uma origem transformacional não são difíceis de encontrar. analogamente a (112ii). ou como sendo o objeto. não há uma boa maneira para explicar essa ambigüidade. com “hunters” (caçadores) como sendo o sujeito. Análises cuidadosas do inglês mostram que podemos simplificar a gramática se eliminarmos sintagmas como (111) e (112) do núcleo e os reintroduzirmos por transformações.the library”. analogamente a (112i). (111) the shooting of the hunters (os disparos dos caçadores) (112) (i) the growling of lions (o rugido dos leões) (ii) the raising of the flowers (o cultivo das flores) No nível da estrutura sintagmática.que pode ser entendido de maneira ambígua. Em termos transformacionais. contudo. em ambos os casos. de uma sentença cuja ambigüidade é o resultado de desenvolvimentos transformacionais alternativos a partir das mesmas seqüências nucleares. Se analisarmos os verbos em três classes. Para dar conta de sintagmas como (112i). Porém. Uma análise transformacional mais profunda teria mostrado que. todos esses sintagmas são representados como the – V + ing – of – SN46. transitivo. não haverá base que sustente a afirmação de que ou a relação sujeito-verbo ou a relação verbocomplemento deve aparecer em (111). existe uma explicação clara e automática. então essa mesma distinção (em si insuficiente) irá desaparecer. nesses termos. Esse é um exemplo bastante complexo. 46 82 . intransitivo e transitivo ou intransitivo. esse é um caso interessante. etc.

Já (113i) é formada a partir de. Um homônimo perfeito que segue (113) não é difícil de encontrar. por exemplo. Assim. que apaga o “agente” na voz passiva. através de uma dupla transformação. ela será representada de forma ambígua no nível transformacional. A sentença (113ii) é a passiva de “a real artist painted the picture” (um verdadeiro artista pintou o quadro). Por exemplo. Da mesma forma.correspondente da forma the – V + ing – of + SN. Suas histórias transformacionais. a primeira dessas transformações irá converter “lions growl” (os leões rugem) em “the growling of the lions” (o rugido dos leões). Logo (111) = “the shooting of the hunters” terá duas origens transformacionais distintas. A ambigüidade da relação gramatical em (111) é uma conseqüência do fato de que a relação de “shoot” e “hunters” difere nas duas sentenças nucleares subjacentes. Contudo. já que nem “they growl lions” (eles rugem os leões). Para dar conta de (112ii). (114) John was frightened by the new methods (o João estava assustado com os / pelos novos métodos) 83 . primeiro a passiva e depois a transformação elíptica (já mencionada anteriormente). Não temos essa ambigüidade em (112). iremos estabelecer uma transformação que converta qualquer sentença da forma SN1 – C – V – SN2 no SN correspondente da forma the – V + ing – of + SN2. nem “flowers raise” (flores cultivam) são sentenças nucleares gramaticais. tanto “the hunters shoot” (os caçadores atiram) como “they shoot the hunters” (eles atiram nos caçadores) são sentenças nucleares. e a segunda irá converter “John raises flowers” (o João cultiva flores) em “the raising of the flowers” (o cultivo de flores). como SN – was + Verbo + en – by + SN no nível de estrutura sintagmática. são muito diferentes. contudo. “John painted the picture by a new technique” (o João pintou o quadro por uma nova técnica). ainda que sejam representadas de forma idêntica. considere os seguintes pares: (113) (i) the picture was painted by a new technique (o quadro foi pintado por uma nova técnica) (ii) the picture was painted by a real artist (o quadro foi pintado por um artista de verdade) Essas sentenças são compreendidas de maneira bastante diferente. e essa transformação será projetada de tal forma que o resultado seja um SN.

por exemplo. as interrogativas podem ser intuitivamente subdivididas em dois tipos: perguntas sim-ou-não (115ii) e perguntasQU (115iii. Além disso. que apresenta uma entonação ascendente. a saber. o que explica a sua ambigüidade. No entanto. que invertem o sujeito e o auxiliar.pergunta sim-ounão . e qualquer falante do inglês irá compreender essas sentenças de acordo com esse padrão. como que novos métodos de assustar pessoas haviam sido usados para assustar o João (uma interpretação mais normal para a sentença em inglês se “being” aparecesse logo após de “was”). embora sejam bastante distintas na estrutura sintagmática e no nível inferior de representação. Ainda assim. qualquer gramática do inglês irá classificar essas sentenças da maneira indicada em (115).interrogativa (iii) what did John eat (o que o João comeu?) .pergunta-QU interrogativa (iv) who ate an apple (quem comeu uma maçã) . (115iii) e (115iv). iv).3 Podemos completar nossa discussão apresentando um exemplo do extremo oposto. com a ordem normal SN – Verbo – SN serão opostas a (115ii) e (115iii). (114) tem ambas as análises. então (115i). então (115i) e (115iv).pode significar tanto que João é um conservador – novos métodos o assustam. classificarmos as sentenças por sua entonação “normal”. uma teoria lingüística que falha em fornecer uma base para essa classificação deve ser considerada inadequada. 8. serão opostas a (115ii). com uma entonação normal de declarativas (descendente). Certamente. No nível transformacional. já discutidas na seção 7. Se classificarmos as sentenças com base na ordem das palavras. Considere as seguintes sentenças. é difícil encontrar uma base formal que não seja arbitrária nem ad hoc para essa classificação.declarativa (ii) did John eat an apple (o João comeu uma maçã?) . Se. de (113i) e de (113ii). 84 .pergunta-QU interrogativa Parece intuitivamente óbvio que (115) contém dois tipos de sentenças: declarativas (115i) e interrogativas (15ii-iv).2: (115) (i) John ate an apple (o João comeu uma maçã) . um caso de sentenças que são compreendidas da mesma maneira.

2.A representação de uma seqüência no nível transformacional é dada por uma seqüência terminal (ou mais de uma seqüência) que a origina e pela série de transformações de que é derivada. sua representação no nível transformacional. além das transformações Tint e Tw. Então. veremos que a classificação intuitivamente correta das sentenças é dada pelas representações transformacionais resultantes. A sentença (115i) é derivada de (116) apenas pela aplicação das transformações obrigatórias. Suponhamos que determinássemos os tipos de sentenças em geral em função de sua história transformacional. 85 . (15ii-iv) são todas interrogativas. a partir dessa seqüência subjacente. chegamos às seguintes conclusões sobre as sentenças em (115) (=(70)). já que elas são formadas pela transformação adicional Tw. Elas diferem uma da outra apenas na escolha do sintagma nominal a que Tw se aplica. ela é uma sentença nuclear. Já (115iii-iv) formariam uma subclasse especial das interrogativas. Assim. (115ii) é formada de (116) pela aplicação das transformações obrigatórias e da Tint. que é derivada na estrutura da gramática sintagmática. Logo. Nas seções 7. as grandes subdivisões de (115) seriam as sentenças nucleares (115i) e as sentenças que sofreram a transformação Tint. logo.1 e 7. ou seja. quando formularmos a gramática transformacional mais simples para (115). (115iiiv). Cada uma dessas sentenças se originou da seqüência terminal (116) John – C – eat + an + apple (=(61)). Já (15iii) e (115iv) são formadas pela aplicação das transformações obrigatórias.

Além do mais. Isso nos dá uma motivação independente para a descrição da língua em termos de estrutura transformacional e para o estabelecimento de uma representação transformacional como um nível lingüístico com o mesmo caráter fundamental dos outros níveis. ao problema de se explicar como as sentenças nucleares são compreendidas. essas sendo consideradas os “elementos de conteúdo” básicos a partir dos quais as sentenças mais comuns. entramos em um território perigoso. isso nos dá mais força para sugerirmos que o processo de “compreensão de uma sentença” pode ser explicado.9. A verdadeira questão que deveria ser feita é esta: “como é que os mecanismos sintáticos disponíveis em uma dada língua funcionam no uso real dessa língua?”. para compreendermos uma sentença. Não há nenhum domínio do estudo lingüístico que esteja mais sujeito a confusões e mais necessitado de uma formulação clara e cuidadosa do que aquele que trata dos pontos de ligação entre sintaxe e semântica. as seqüências terminais subjacentes a essas sentenças nucleares) e a estrutura sintagmática de cada um desses componentes básicos. mais complexas da vida real são formadas através do desenvolvimento transformacional. percebemos que o conhecimento da representação transformacional de uma sentença (que incorpora a estrutura sintagmática das seqüências nucleares a partir das quais a sentença se originou) é tudo o que é necessário para determinar a estrutura sintagmática derivada da sentença transformada. de certo modo. a partir das sentenças nucleares47. é necessário conhecer as sentenças nucleares das quais ela se originou (mais precisamente. SINTAXE E SEMÂNTICA 9. utilizando-se a noção de nível lingüístico. Particularmente. 47 86 .1 Agora. Ao propormos que a estrutura sintática pode fornecer um certo “insight” para problemas de significado e compreensão. No entanto. já encontramos casos de sentenças que podem ser compreendidas de mais de uma maneira e que são representadas de maneira ambígua no nível transformacional (mas não em outros níveis) e casos de sentenças que são compreendidas de maneira semelhante e têm uma representação semelhante apenas no nível transformacional. em parte. O problema geral de se analisar o processo de “compreensão” é então reduzido. o estudo das interfaces entre sintaxe e semântica tem sido dominado Quando a análise transformacional é formulada de maneira mais cuidadosa. assim como a história transformacional de seu desenvolvimento. ao invés de se preocupar com esse importante problema.

a teoria que esboçamos nos capítulos 3 a 7 foi completamente formal e não-semântica. duas expressões que têm em comum apenas sua vaguidade e sua indesejabilidade na teoria lingüística. No entanto.largamente por uma questão paralela mal formulada. 9. esse problema possa ser mais elucidado por uma discussão puramente negativa sobre a possibilidade de se encontrar uma base semântica para a teoria sintática. indicamos brevemente algumas maneiras em que o uso real dos mecanismos sintáticos disponíveis pode ser estudado. há pouca evidência de que a “intuição sobre o significado” seja útil na investigação da forma lingüística. As observações no capítulo 8 sobre possíveis implicações semânticas do estudo sintático não deve ser mal interpretadas como argumentos a favor da noção de que a gramática deva ser baseada no significado. A questão. da gramática). nesse caso. É inegável que a “intuição sobre a forma lingüística” é bastante útil ao investigador da forma lingüística (ou seja. No capítulo 8. A pergunta que realmente deveria ser feita é a seguinte: “como se pode construir uma gramática?”. Na verdade. com igual motivação: “como se pode construir uma gramática sem saber a cor do cabelo dos falantes da língua?”. em si mesma. ainda que o peso da prova recaia. A questão tem sido saber se a informação semântica é ou não é necessária para descobrir ou selecionar uma gramática. Contudo.1 Muitos esforços têm sido feitos na tentativa de responder à pergunta: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. Parece também claro que o maior objetivo da teoria gramatical seja substituir essa dependência obscura na intuição por alguma abordagem rigorosa e objetiva.2. por causa da larga aceitação de sugestões desse tipo. já que a implicação de que é obviamente possível construir uma gramática apelando para o significado é completamente não comprovada. Poder-se-ia se fazer a seguinte pergunta. e o desafio geralmente lançado por aqueles que optam pela afirmativa nessa disputa é o seguinte: “como se pode construir uma gramática sem apelar para o significado?”. pode ser que valha a pena investigar brevemente algumas delas. 87 . Acredito que a inadequação das sugestões sobre o uso do significado na análise gramatical não é aparente apenas por causa de sua vaguidade e por causa de uma tendência infeliz de se confundir “intuição sobre a forma lingüística” com “intuição sobre o significado”. Talvez. não está bem formulada. Não conheço nenhuma tentativa detalhada para desenvolver a teoria da estrutura gramatical em termos parcialmente semânticos ou qualquer proposta específica e rigorosa que utilize informações semânticas na construção ou na avaliação de gramáticas.

completamente no lingüista que afirma ter conseguido desenvolver alguma noção gramatical em termos semânticos. 9.22 Entre os argumentos mais comuns invocados a favor da dependência da gramática em relação ao significado, encontramos os seguintes: (117) (i) dois enunciados são fonemicamente distintos se e apenas se eles diferem no significado; (ii) os morfemas são os menores elementos que possuem significado; (iii) sentenças gramaticais são aquelas que têm um significado semântico; (iv) a relação gramatical sujeito-verbo (isto é, SN – SV como uma análise da Sentença) corresponde ao “sentido estrutural” geral ator-ação; (v) a relação gramatical verbo-sujeito (isto é, Verbo – SN como uma análise da Sentença) corresponde ao sentido estrutural ação-objetivo ou ação-objeto da ação; (vi) uma sentença ativa e sua correspondente passiva são sinônimas. 9.23 Muitos lingüistas manifestaram a opinião de que a distinção fonêmica deve ser definida em termos de significado diferencial (sinonímia, para usar um termo mais familiar), como proposto em (117i). No entanto, é evidente que (117i) não pode ser aceito, da maneira que está, como sendo uma definição de distinção fonêmica48. Se realmente quisermos responder à pergunta e não adiá-la, os enunciados em questão devem ser enunciados-ocorrência e não enunciados-tipo. the utterances in question must be tokens, not types. Mas existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente distintos e idênticos em significado (sinônimos) e existem enunciados-ocorrência que são fonemicamente idênticos e distintos em significado (homônimos). Logo, (117i) é falso em ambos os sentidos. Da esquerda para a direita, ele é falsificado por pares como “solteiro” e “homem não casado”, ou de maneira ainda mais séria, por sinônimos absolutos como /ekInámiks/ e /iykInámiks/ (“economics” (economia)), “ádult” e “adúlt” (adulto) e muitas outras que podem coexistir até mesmo dentro de um mesmo estilo de fala. Da direita para a esquerda, (117i) é falsificada por pares como “banco” (de praça) e
[u19] Comentário: Aqui, Chomsky enumera exemplos de palavras que apresentam mais de uma pronúncia, sem qualquer alteração no significado. Exemplos em português seriam “garage” e “garagem”, “bergamota” e “vergamota”. [u18] Comentário: Decidi traduzir “utterance tokens” por “enunciados-ocorrência” e “utterance types” por “enunciadostipo”.

Veja meu “Semantic considerations in grammar”, Monograph n. 8, p. 141-53 (1955), para uma investigação mais detalhada de (117i).

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“banco” (instituição financeira)49, “metal” (metal) e “medal” (medalha) (em alguns dialetos do inglês) e numerosos outros exemplos. Em outras palavras, se atribuímos dois enunciados-ocorrência ao mesmo enunciado-ocorrência com base em (117i), iremos conseqüentemente obter a classificação errada em um grande número de casos. Uma afirmação mais fraca que (117i) poderia ser melhorada como se segue. Suponhamos que temos um sistema fonético absoluto, pressuposto à análise de qualquer língua, e detalhado o suficiente para que quaisquer dois enunciados fonemicamente distintos em qualquer língua possam ser transcritos de maneira diferente. Pode ser o caso de que alguns enunciados-ocorrência diferentes podem ser transcritos de maneira idêntica nessa transcrição fonética Suponhamos que definimos a “ambigüidade de significado” de um enunciado-ocorrência como sendo um conjunto de significados de todos os enunciados-ocorrência transcritos de maneira idêntica a esse enunciadoocorrência. Poderíamos agora revisar (117i), substituindo “significado” por “significado ambíguo”. Isso poderia fornecer uma abordagem ao problema da homonímia, se tivéssemos um corpus imenso que nos garantisse a ocorrência de cada uma das formas foneticamente distintas de uma palavra com cada um dos sentidos possíveis dessa palavra. Pode ser possível elaborar essa abordagem ainda mais, para dar conta do problema dos sinônimos. De certa forma, poderíamos esperar determinar a distinção fonêmica através de uma trabalhosa investigação do significado de itens foneticamente transcritos em um vasto corpus. No entanto, a dificuldade em determinarmos de alguma maneira precisa e realista a quantidade de significados que podem ser partilhados por diversos itens, além da imensidade da tarefa, tornam as perspectivas de uma abordagem como essa bastante duvidosas. 9.2.4 Felizmente, não temos de prosseguir com um programa tão ambicioso e complexo para determinar a distinção fonêmica. Na prática, cada lingüista usa mecanismos semânticos muito mais simples e diretos. Suponhamos que um lingüista esteja interessado em determinar se “metal” e “medal” são foneticamente distintos em algum dialeto do inglês. Ele não vai investigar o significado dessas palavras, já que essa informação é claramente irrelevante para seus objetivos. Ele sabe que os significados
49 Repare que não podemos argumentar que “banco” em “o banco da praça” e “banco” em “o banco de minha conta corrente” seja duas ocorrências da mesma palavra, já que essa é precisamente a questão que investigamos aqui. Dizer que dois enunciados-ocorrência são ocorrências da mesma palavra é dizer que eles não são fonemicamente distintos, e presumivelmente é isso que o critério de sinonímia (117i) deveria nos determinar.

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são diferentes (ou ele simplesmente não está interessado na questão) e está interessado em determinar se essas palavras são ou não são fonemicamente distintas. Um lingüista de campo cuidadoso iria provavelmente utilizar o teste do par50 com dois informantes ou com um informante e com um gravador. Por exemplo, ele poderia fazer uma seqüência aleatória de cópias de enunciados-ocorrência que o interessasse e então determinar se o falante consegue ou não identificá-la de maneira consistente. Se houver uma identificação consistente, o lingüista pode aplicar um teste ainda mais restrito, pedindo ao falante para repetir cada palavra por diversas vezes, utilizando o teste do par mais de uma vez nas repetições. Se for mantida uma distinção consistente durante a repetição, ele irá dizer que as palavras “metal” e “medal” são foneticamente distintas. O teste do par, com suas variantes e versões mais elaboradas, fornece um critério claro e operacional para a distinção fonêmica em termos completamente não semânticos51. É comum considerarmos abordagens não semânticas de gramáticas como sendo alternativas de abordagens semânticas e criticá-las por serem complexas demais, mesmo que sejam, em princípio, possíveis e realizáveis. Vimos, porém, que, no caso da distinção fonêmica, pelo menos, exatamente o oposto é que é verdadeiro. Há uma abordagem bastante direta e operacional para a determinação da distinção fonêmica em termos de mecanismos não semânticos, como o teste dos pares. Pode ser possível, em
Cf. o meu texto “Semantic considerations of grammar”, Monograph n. 8, p. 141-54 (1955); M. Halle, “The strategy of phonemics”, Linguistics Today, Word 10. 197-209 (1954); Z. S. Harris, Methods in structural linguistics (Chicago, 1951), p. 32f; C. F. Hockett, A manual of phonology = Memoir 11, Indiana University Publications in Anthropology and Linguistics (Baltimore, 1955), p. 146. 51 Lounsburry argumenta em seu “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”, Language 32. 15894 (1956), p. 90, que o apelo à sinonímia é necessário para distinguir entre a variação livre e o contraste: “se um lingüista que não conheça inglês ouvir da minha boca a palavra cat (gato) primeiramente com uma oclusiva final aspirada e depois com uma oclusiva final pré-glotalizada não realizada, os dados fonéticos não irão dizer se essas formas contrastam ou não. Será apenas quando ele pergunta a mim, seu informante, se o significado da primeira forma é diferente do significado da segunda, e eu respondo que não, que ele conseguirá proceder com sua análise fonêmica”. Como um método geral, essa abordagem é insustentável. Suponhamos que o lingüista grave /ekInámiks/ e /iykInámiks/ e pergunte se têm diferentes significados. Ele irá descobrir que não têm significados diferentes e irá atribuir a eles a mesma análise fonêmica, de maneira equivocada, se levar a oposição literalmente. Por outro lado, há muitos falantes que não distinguem “metal” de “medal”, ainda que, se perguntados, podem ter bastante certeza que eles fazem essa distinção. As respostas de informantes como esses à pergunta direta de Lounsburry sobre o significado certamente iriam apenas obscurecer a questão. Podemos deixar a posição de Lounsburry mais aceitável se substituirmos a pergunta “eles têm o mesmo significado?” por “elas são a mesma palavra?”. Isso irá evitar as armadilhas da pergunta semântica essencialmente irrelevante, mas ainda não fica aceitável nessa forma, já que equivale a pedir ao informante que faça o trabalho do lingüista; substitui um teste operacional de comportamento (como o teste dos pares) por um julgamento do informante sobre seu comportamento. Os testes operacionais para as noções lingüísticas podem exigir que o informante responda, mas não que ele expresse sua opinião sobre seu comportamento, sobre seu julgamento sobre sinonímia, sobre distinção fonêmica, etc. As opiniões do informante podem estar baseadas em qualquer tipo de fatores irrelevantes. Essa é uma distinção importante que deve ser cuidadosamente observada para que as bases operacionais da gramática não sejam tornadas triviais.
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tentarmos manter a posição de que os significados atribuídos são sempre idênticos. que o significado de uma palavra é um componente fixo e imutável de cada ocorrência. desenvolver algum teste semântico equivalente ao teste dos pares e suas variantes. então a circularidade parece inevitável. trata-se de uma conseqüência de assumirmos que as abordagens semânticas são. podemos explicar a larga aceitação de uma formulação como (117i)? Acredito que existam duas explicações para isso. Teremos de determinar quando dois significados distintos são suficientemente semelhantes para serem considerados “o mesmo”. Se.teoria. que mesmo independentemente de nossas objeções anteriores. Pareceria. logo desfaz essa ilusão. então. 9.25 Existe ainda mais uma dificuldade de principio que deve ser mencionada na discussão de qualquer abordagem semântica à distinção fonêmica. 9. a classe de situações em que eles podem ser utilizados. no entanto. Uma abordagem semântica a alguma noção gramatical requer um desenvolvimento tão detalhado e 91 . dada a obscuridade inerente do assunto) na determinação da identidade de significado. Mas é difícil tornar de algum modo convincente uma concepção do significado como essa sem qualquer menção prévia ao enunciado-tipo.6 Como. dadas imediatamente e são simples demais para exigirem uma análise. Parece que o único meio de manter uma posição como essa seria conceber o significado de um enunciado-ocorrência como “a maneira em que os enunciados-ocorrência desse tipo são (ou podem ser) usados”. Qualquer tentativa para fornecer uma descrição cuidadosa. Se for o caso de eles serem meramente muito semelhantes.2. o tipo de resposta que eles normalmente evocam. qualquer abordagem de distinção fonêmica em termos semânticos ou é circular ou é baseada em uma distinção que é consideravelmente mais difícil de estabelecer do que a distinção que ela deveria esclarecer. então todas as dificuldades de determinar a distinção fonêmica terão o seu paralelo (ampliado. Em parte. Não perguntamos se os significados atribuídos a enunciados-ocorrência distintos (mas fonemicamente idênticos) são idênticos ou meramente muito semelhantes. além de envolver os lingüistas em uma tentativa vã de determinar a quantidade de significados que uma dada seqüência de fones poderia ter. ou alguma coisa do gênero. então. por outro lado. de certa forma. mas parece que qualquer procedimento desse tipo será muito complexo e exigirá uma análise exaustiva de um corpus imenso.

definimos o contraste entre formas de maneira operacional em termos de diferença no significado das respostas”52.2. 53 Não se pode fazer confusão com o fato de que. 191.3 que se fôssemos determinar o contraste por meio de “significado das respostas” de qualquer maneira direta. somos obrigados a elaborar uma construção tão complexa com tantas premissas intoleráveis que dificilmente poderá ser considerada uma proposta séria. se pode pedir ao sujeito para que identifique os enunciados-ocorrência pelo significado.5 que parecem existir dificuldades de princípios ainda mais profundas. no teste dos pares. e se tentarmos evitar as dificuldades que naturalmente aparecem. p. 158-64 (1956). Não podemos utilizar alguma formulação particular do teste dos pares como um argumento para a dependência de uma teoria gramatical no significado. 52 92 . por signos do zodíaco. Um segundo motivo por que formulações como (117) parecem ser aceitas é. parece ser o caso de que aqueles que propõem alguma variante de (117i) devem estar interpretando o “significado” de maneira tão abrangente que qualquer resposta à linguagem é chamada de “significado”. devemos considerá-la incorreta e rejeitá-la. se tirarmos a palavra “significado” dessa afirmação. etc. como vimos. da mesma forma. Pode-se muito bem desenvolver um teste operacional para a rima que mostraria que “bill” e “Pill” estão relacionados de uma forma que “bill” e “ball” não estão. Podemos encontrar comentários como este. essencialmente. da mesma maneira como não podemos utilizá-la como um argumento para afirmar que a lingüística está baseada na aritmética ou na astrologia. Acredito que qualquer um que deseje salvar a expressão “estudo do significado” como sendo um F. Parece estranho que aqueles que fizeram objeções a fundamentar a teoria lingüística em formulações como (117i) tenham sido acusados de desprezo em relação ao significado. uma abordagem semântica à distinção fonêmica enfrenta dificuldades consideráveis. Podemos pedir a ele. “A semantic analysis of the Pawnee kinship usage”. se interpretamos de forma literal a afirmação citada. não há garantias de que as interpretações das respostas estudadas no teste dos pares sejam semânticas53. Não haveria qualquer elemento semântico nesse teste. estaríamos nos equivocando em diversos pontos. No entanto.2. A identidade fonêmica é. Ao contrário. Porém. teremos uma referência perfeitamente aceitável a técnicas como o teste dos pares. a rima completa. Lounsburry. relativos ao método lingüístico: “em análise lingüística. E vimos em 9. Por isso. uma confusão entre os termos “significado” e “resposta do informante”. que identifique os enunciados-ocorrência por números escolhidos aleatoriamente. e não há mais motivos para postular alguma reação semântica não observada no caso de “bill” e “ball” do que no caso de “bill” e “pill”. Mas aceitar esse ponto de vista significa tirar do termo “significado” qualquer interesse relevante. Observamos na seção 9. na minha opinião.cuidadoso como qualquer outra abordagem não semântica. Além do mais. Language32.

da mesma forma como é impossível provar a irrelevância de qualquer outro conjunto de noções. Investigações detalhadas de propostas com orientação semântica iriam além do limite deste trabalho e seriam um tanto inúteis. p. formulações como (117i). a atribuição (117v) de qualquer significado estrutural ação-objetivo à relação verbo-objeto é invalidada por sentenças como “I will disregard his incompetence” (eu irei ignorar a incompetência dele) ou “I missed the train” (eu perdi o trem). podemos descrever circunstâncias em que uma sentença “quantificacional” como “everyone in the room knows at least two languages” (todos nesta sala falam ao menos duas línguas) possam ser verdadeiras. Ainda assim.em “gleam” (brilho).7 Evidentemente. 9. “glimmer” (luz). Z. e parece razoável assumirmos que uma noção independente do significado. Methods in structural linguistics (Chicago. pode atribuir significado de algum tipo para formas que não são morfemas. O “to” marca o infinitivo do verbo inglês. 54 [u20] Comentário: Tanto o “to” como o “do” do inglês não recebem tradução como elementos foneticamente expressos em português. para mais exemplos. além disso. As investigações de tais propostas. seção 7. se estabelecida de maneira clara. No capítulo 2. 1951). 93 . Language (New York. de acordo com a Cf.aspecto importante da pesquisa lingüística deva rejeitar essa identificação entre “significado” e “resposta à linguagem” e. argumentamos no sentido de rejeitar a “significação semântica” como sendo um critério geral para a gramaticalidade. e o “do” (naquele exemplo. O. 156. L. Morfemas como “to” em “I want to go” (eu quero ir) ou o postiço “do” em “did he come?” (ele veio?) (cf. Bloomfield. 1933).2. expresso como “did”) aparece marcando o tempo do passado simples em inglês. p. é impossível provar que noções semânticas não tenham utilidade na gramática. 177. Sentenças como “John received a letter” (o João recebeu uma carta) ou “the fighting stopped” (a briga terminou) mostram claramente a insustentabilidade da afirmação (117iv) de que a relação gramatical sujeito-verbo tem um “significado estrutural” de ator-ação” se o significado for levado a sério como um conceito independente da gramática. contudo. enquanto que sua correspondente passiva “at least two languages are known by everyone in the room” (ao menos duas línguas são faladas por todos nesta sala) seja falsa. Da mesma forma. 1922). Para contradizer (117vi). Harris. Jespersen. Assim. Language (New York. parecem levar invariavelmente à conclusão de que apenas uma base puramente formal pode fornecer fundamentos firmes e produtivos para a construção da teoria gramatical. de que os morfemas são definidos como os elementos mínimos significativos. podemos mencionar brevemente alguns dos contra-exemplos mais óbvios para sugestões como (117).1) dificilmente poderão ser considerados como portadores de significado. temos contra-exemplos para a sugestão de (117ii). S. tal como proposta em (117iii). como gl. “glow” (brilho)54. capítulo XX.

No capítulo 8. Essas correspondências devem ser estudadas dentro do panorama de uma teoria mais geral da linguagem. que importantes intuições e generalizações sobe a estrutura lingüísticas podem ser ignorados se pistas semânticas vagas forem seguidas perto demais. 9. qualquer tentativa de estudar o significado de maneira independente dessa especificação permanece fora de questão.55 Uma análise cuidadosa de cada proposta de fundamento no significado confirma isso e mostra. até mesmo depois de os elementos lingüísticos portadores de significado e suas relações serem especificadas. podemos e devemos investigar sua função semântica (como. entre as características formais e semânticas na linguagem. declarativa e interrogativa e outras relações transformacionais não teriam sido descobertas se a relação ativa-passiva tivesse sido investigada apenas em termos de noções como a sinonímia. alguns tipos de relações bem gerais entre esses dois domínios que merecem um estudo mais detalhado. A semelhança entre ativa e passiva. prévios à gramática.3 Esses contra-exemplos não deveriam. Jackobson. De maneira geral. vimos que a relação ativa-passiva é apenas uma instância de um aspecto muito geral e fundamental da estrutura formal lingüística. 94 . ainda que imperfeitas. que existem correspondências inegáveis. contudo. Travaux du Cercle Linguistique de Prague 6. contudo. O fato de que as correspondências são tão inexatas sugere que o significado será relativamente inútil para servir de base para a descrição gramatical. vimos que existem. mas não podemos. dado o instrumento língua e seus aparatos formais. O fato de que as correspondências entre as características formais e semânticas existem. de fato. 240-88 (1936)). negação. então. “Beitrag zur allgemeinen Kasuslehre”.interpretação normal dessas sentenças – por exemplo. se uma pessoa na sala sabe apenas francês e alemão. Uma vez determinada a estrutura sintática da língua. não pode ser ignorado. por exemplo. Em outras palavras. algumas são quase verdadeiras. Isso indica que nem mesmo a relação semântica mais fraca (equivalência factual) se mantém na distinção geral entre ativa e passiva. Por exemplo. aparentemente. Nenhuma das afirmações em (117) é inteiramente falsa. econtrar absolutos semânticos. e outra. podemos estudar a maneira com que a estrutura sintática é posta em 55 Uma outra razão para suspeitarmos que a gramática não pode ser efetivamente desenvolvida em termos semânticos foi tratado no caso particular da distinção fonêmica que vimos na seção 9. que irá incluir uma teoria da forma lingüística e uma teoria do uso da língua como subpartes. parece que o estudo do significado enfrenta tantas dificuldades que. nos cegar com relação ao fato de que existem correspondências significativas entre as estruturas e os elementos que não são descobertos por uma análise formal e gramatical e as funções semânticas específicas. que possam ser usados para determinar os objetos da gramática de alguma forma.5. em R. aparentemente.2. apenas espanhol e italiano. Parece claro.

tal como sugerimos brevemente no capítulo 8. A gramática de uma dada língua deve mostrar como essas estruturas abstratas são concretizadas no caso dessa língua. poderia se configurar em um passo razoável em direção a uma teoria de interconexões entre sintaxe e semântica. que é isolado e exibido pela gramática para conseguir sustentar uma descrição semântica. através da construção da teoria a partir de uma base parcialmente semântica. deveríamos apreciar o framework sintático da língua. a teoria que esboçamos apresentou algumas lacunas graves – por exemplo. Consideramos o problema da pesquisa sintática como sendo o de construir um mecanismo para a produção de um dado conjunto de sentenças gramaticais e o de estudar as propriedades das gramáticas que fazem isso de maneira efetiva. apresentamos o desenvolvimento de alguns conceitos lingüísticos fundamentais em termos puramente formais. e a noção de “simplicidade” que mencionamos explícita ou implicitamente não foi devidamente analisada. Noções semânticas como referência. Na verdade. o princípio que postula que o conjunto de sentenças gramaticais seja dado a priori é demasiado forte. tanto quanto eu saiba.uso no funcionamento real da língua. É importante reconhecermos que. apontamos no capítulo 8 que as correlações entre a forma e o uso da língua podem até mesmo fornecer certos critérios brutos de adequação para uma teoria lingüística e as gramáticas que ela oferece. Uma investigação da função semântica da estrutura de níveis. e valorizarmos uma teoria da estrutura formal que conduza a gramáticas que satisfazem esse requisito de maneira mais completa. não alteramos o caráter puramente formal da teoria da estrutura gramatical per se. Obviamente. Em outras palavras. significação e sinonímia não desempenharam qualquer papel em nossa discussão. nem essas lacunas nem quaisquer outras no desenvolvimento da teoria gramatical podem ser preenchidas ou esclarecidas. 95 . A estrutura sintagmática e a estrutura transformacional parecem fornecer os maiores mecanismos sintáticos disponíveis na língua para a organização e expressão do conteúdo. Ainda assim. ao passo que a teoria lingüística deve esclarecer essas bases para a gramática e os métodos de avaliação e escolha entre todas as gramáticas propostas. Podemos julgar as teorias formais em termos de suas habilidades para explicar e clarificar uma variedade de fatos sobre a maneira em que as sentenças são usadas e compreendidas. ao introduzirmos considerações como as do capítulo 8 na metateoria que lida com a gramática e com a semântica e seus pontos de conexão. Nos capítulos 3 a 7.

A motivação para essa exigência de formalidade para as gramáticas que nos auto-impusemos é bastante simples – parece não haver qualquer outra base que produza uma teoria da estrutura lingüística que seja rigorosa. n. assim como muito da nossa discussão pode ser entendido como uma sugestão de uma reformulação de partes da teoria do significado que lida como chamado “significado estrutural” em termos da teoria da estrutura gramatical completamente não semântica. que são mais bem analisadas como noções puramente formais pertencendo à teoria da gramática. senão necessário. a língua como um instrumento ou um utensílio. recorrer ao framework sintático ao qual pertence a palavra. Isso Goodman demonstrou – de maneira bastante convincente. sobre o processo de compreensão de sentenças. precisamos conhecer muito mais do que a análise dessa sentença em cada nível lingüístico. então. 9.. à noção de referência de expressões contendo essas palavras. acertar).Nos capítulos 3 a 7 estudamos. idem. O requisito de que essa teoria constitua uma disciplina completamente formal é perfeitamente compatível com a intenção de formulá-la de forma tal que tenha interconexões sugestivas e significativas com uma teoria semântica paralela. Precisamos também conhecer a referência e o significado56 dos morfemas ou palavras que a constituem. vol. o agende e o objeto da ação em termos de noções como “sujeito” e “objeto”. Analysis. 13. “hitting Bill was wrong” (bater no Bill foi errado). Na descrição do significado de uma palavra. como “Bill was hit by John” (o Bill foi acertado pelo John). vol. N. “On likeness of meaning”.57 Encontraremos naturalmente muitas palavras ou morfemas de uma única categoria gramatical descrita semanticamente em termos similares. se conseguimos mostrar com suficiente detalhe e generalidade que as sentenças transformadas são “compreendidas” em termos de sentenças nucleares subjacentes. na descrição do significado de “hit” (bater. sem dúvidas. 4 (1953). verbos descritos em termos de sujeito e objeto. A abordagem de Goodman resumese a uma reformulação de uma parte a teoria do significado nos termos bem mais claros da teoria da referência. por exemplo. pelo menos em parte. 57 Uma descrição como essa do significado de “hit” daria automaticamente conta do uso de “hit” em sentenças transformadas. Essas noções são as noções básicas para a semântica. Parte da dificuldade com a teoria do significado é que o “significado” tende a ser usado como um termo amplo que inclui todos os aspectos da língua que ainda não conhecemos muito bem. “On some differences about meaning”. n. por exemplo. podemos esperar que diversos aspectos dessa teoria sejam reivindicados por outras abordagens ao estudo da língua no curso de seu desenvolvimento. Na medida em que isso esteja certo. na minha opinião – que a noção de significado das palavras pode ser reduzido. naturalmente. descreveríamos. Aquilo que salientamos no capítulo 8 foi que podemos esperar que esse estudo formal da estrutura da língua como instrumento possa fornecer esclarecimentos sobre o uso efetivo da língua. 10. Goodman. como. Analysis. etc. 56 96 . eficaz e “reveladora”. Cf. torna-se muitas vezes útil. isto é. tentando descrever a sua estrutura sem qualquer referência explícita à maneira como esse instrumento é utilizado na prática. etc. 1 (1949).4 Para compreender uma sentença. não podemos esperar que a gramática ajude muito nesse ponto.

Essa propriedade. em que o espaço vazio poderia ser preenchido por “o” ou “algum”. não faz uma distinção clara entre os morfema gramaticais e os outros. O fato de nesses casos termos sido forçados a apresentar espaços vazios ao invés de palavras sem sentido é explicado pela produtividade ou “infinidade” das categorias Substantivo. em que o espaço poderia ser preenchido com uma desinência modo-temporal do verbo. Adjetivo. os espaços em branco são determinados também como uma variante do tempo passado. sabemos que as três palavras são nome. respectivamente. as preposições. ao contrário das categorias Artigo. é de validade bastante duvidosa. para que determinem a categoria gramatical de elementos sem sentido.. de fato. o morfema –ly é formador de advérbio (correspondente a –mente em português). limitamos a escolha dos elementos que podem preencher os espaços para formar uma sentença gramatical. [u22] Comentário: Em português. já que em sentenças como “the Pirots karul __ yesterday” (os Pirots karul __ ontem) ou “give him __ water” (dê-lhe __ água). correspondendo ao primeiro exemplo de Chomksy. porém. tal como se atribuem “significados lexicais” a palavras ou morfemas. Em geral. quando distribuímos uma seqüência de morfemas em uma seqüência de espaços em branco. que uma generalização a partir desse uso sistemático para atribuir “significados estruturais” a categorias gramaticais ou construções. etc. A afirmação de que os significados desses morfemas são fundamentalmente diferentes dos significados dos nomes. adjetivos e talvez de outras classes grandes encontra apoio geralmente no apelo ao fato de que esses morfemas podem ser distribuídos em uma seqüência de espaços vazios ou sílabas sem sentido de modo que o todo tenha aparência de uma sentença e. do que em termos de qualquer traço semântico presumível. o –am marca o verbo e o –mente. significa que os mecanismos sintáticos disponíveis na língua estão sendo usados de maneira bastante sistemática. 97 . [u21] Comentário: O morfema -ing em inglês marca o gerúndio (-ndo em português). Vimos. verbo e advérbio. etc. poderíamos pensar em uma seqüência como “Mapos cartunam guiraldamente”. e “dê-lhe __ dinheiro”. por causa do s. etc. e com o “the” (a). ?dê-lhe um dinheiro e *dê-lhe dois dinheiros). a liberdade de combinação e o tamanho da classe de substituição. Quaisquer que sejam as diferenças entre os morfemas no que diz respeito a essa propriedade. o advérbio. ly. “some”(alguma). Afixo Verbal. Verbo. (mas não “a” (uma). no entanto. Um outro uso comum mas duvidoso da noção de “significado estrutural” diz respeito ao significado dos chamados morfemas de “função gramatical”. em que o morfema plural –s marca o substantivo. [u23] Comentário: Em português. do ize e do ly. no primeiro caso. verbos. mas não por um numeral como “um” ou “dois” (cf. Por exemplo. correspondendo ao segundo exemplo. poderíamos ter “Os mapos cartun __ ontem”. na seqüência “Pirots karulize etalically”.não deveria ser surpreendente. no segundo. como ing. etc. elas são aparentemente melhor explicadas em termos de noções gramaticais como a produtividade.

Conseqüentemente. para a concepção dos elementos de níveis superiores como construídos. são necessários para a descrição da linguagem natural. enfatizamos os seguintes pontos: o máximo que podemos razoavelmente esperar da teoria lingüística é que ela forneça um procedimento de avaliação de gramáticas. a noção de gramaticalidade não pode ser identificada com a noção de dotado de significado (assim como ela também não apresenta nenhuma relação com a noção de ordem de aproximação estatística). sem sintagmas verbais ou nominais complexos). derivando. A teoria da estrutura lingüística não pode ser confundida com um manual de procedimentos úteis para a descoberta de gramáticas. Em particular. através de transformações. Uma gramática tem uma seqüência de regras a partir das quais podemos 98 . com análises em constituintes alternativos. a partir de elementos dos níveis inferiores ou para o sentimento de que o trabalho sintático é prematuro até que todos os problemas de fonêmica ou morfologia estejam solucionados. como um processo de Markov de estados finitos que produz sentenças da esquerda para a direita não é aceitável. consideramos as gramáticas como tendo uma estrutura tripartite. e a tentativa de desenvolver um manual assim irá provavelmente (assim como aconteceu no passado) contribuir para a formação da teoria lingüística de maneira substancial. declarativas. Podemos simplificar em muito a descrição do inglês e obter novos e importantes esclarecimentos sobre sua estrutura formal se limitarmos a descrição direta. todas as outras sentenças (mais propriamente. a um núcleo de sentenças básicas (simples.10. RESUMO Ao longo desta discussão. há pouca motivação para a objeção à mistura dos níveis. a partir das seqüências que subjazem a elas). tendo encontrado um conjunto de transformações que convertem sentenças gramaticais em sentenças gramaticais. No desenvolvimento deste estudo independente e formal. e que níveis lingüísticos bastante abstratos. independente da semântica. ainda que tal manual tenha certamente de se basear nos resultados da teoria lingüística. vemos que um modelo simples de língua. Se esse ponto de vista for adotado. a partir delas. podemos determinar a estrutura de constituintes de sentenças particulares através da investigação do seu comportamento sob o efeito dessas transformações. ativas. como a estrutura sintagmática e a estrutura transformacional. Inversamente. possivelmente repetidas. A gramática é melhor formulada como um estudo autônomo. literalmente. em termos da estrutura sintagmática.

reconstruir a estrutura sintagmática e uma seqüência de regras morfofonêmicas que convertem seqüências de morfemas em seqüências de fonemas. oposta a “significado lexical”. Como conseqüência imediata da tentativa de construir a gramática mais simples possível do inglês em termos de níveis abstratos desenvolvidos na teoria lingüística. Em outras palavras. e muitos pares de sentenças recebem representações semelhantes ou idênticas em algum nível. Conectando essas seqüências. de forma 99 . em um sentido não compartilhado pelas regras transformacionais. Ainda assim. evidentemente) reconstruir sua representação em cada nível. A descrição do significado pode se referir de maneira proveitosa a este quadro sintático subjacente. e é questionável afirmar que os mecanismos gramaticais disponíveis na língua sejam usados de maneira suficientemente consistente a ponto de ser possível atribuir a eles significado diretamente. Para uma transformação ser aplicada a uma seqüência. Também descobrimos que muitas sentenças recebem dupla representação em algum nível. parece que a noção de “compreender uma sentença” deve ser parcialmente analisada em termos gramaticais. contudo. as representações duplas (construções de homonímia) correspondem à ambigüidade da sentença representada e uma representação semelhante ou idêntica surge em casos de semelhança intuitiva entre enunciados. “seem” (parecer)) não passa de um caso regularidade em um nível superior. A noção de “significado estrutural”. em certo sentido. Em um número significativo de casos. um resultado do estudo formal da estrutura gramatical é que podemos esclarecer um quadro sintático que pode servir de apoio a uma análise semântica. “have” (ter). às quais as regras morfofonêmicas podem se aplicar. a partir dos quais essa sentença é construída. parece ser bastante suspeita. As regras de estrutura sintagmática e as regras morfofonêmicas são básicas. mas para aplicar as regras não transformacionais. é necessário (mas não suficiente. incluindo o nível transformacional onde as sentenças nucleares subjacentes de uma dada sentença podem ser pensadas. Para compreender uma sentença. é suficiente conhecer o formato da seqüência em que a regra irá ser aplicada. encontramos muitas correlações importantes. embora as considerações semânticas sistemáticas sejam aparentemente inúteis para a sua determinação. descobrimos que o comportamento aparentemente irregular de algumas palavras (por exemplo. “be” (ser/estar). devemos conhecer um pouco da história da derivação desta seqüência. como “os elementos básicos de conteúdo”. existe uma seqüência de regras transformacionais que convertem seqüências com estrutura sintagmática em novas seqüências. De maneira mais geral.

entre a estrutura sintática e o significado. Essas correlações poderiam formar parte do objeto de pesquisa de uma teoria mais geral da linguagem. preocupada com a sintaxe e a semântica e seus pontos de conexão. em outras palavras.bastante natural. ou . os mecanismos gramaticais são usados de maneira bem sistemática. 100 .

queremos dizer que ela se aplica. Ele tem um vocabulário finito de símbolos (no nível fonêmico. utilizamos itálico ou aspas para os símbolos do vocabulário e ara as seqüências representando os símbolos. Assim. Z. Fora do nível fonêmico. simbolizada por +. utilizamos o hífen para indicar a subdivisão de uma seqüência que é imposta por uma certa transformação. Às vezes. no nível fonêmico. Às vezes. (37iii)) invertendo os dois primeiros segmentos. Nenhum desses mecanismos notacionais tem qualquer relevância sistemática. e podemos formar a seqüência the + boy + S + come + past (que seria convertida pelas regras morfofonêmicas na seqüência de elementos / /) representando o enunciado “the boys came” (os garotos vieram). no nível morfêmico em inglês. Y. Utilizamos X. quando dizemos que a transformação de pergunta Tint se aplica de maneira particular a uma seqüência da forma (118) SN – have – en + V (cf. S.. APÊNDICE I – NOTAÇÕES E TERMINOLOGIA Neste apêndice. past. Um nível lingüístico é um método de representar os enunciados. utilizamos o hífen no lugar do sinal de adição (+) para simbolizar a concatenação. como no exemplo que acabamos de ver. suprimimos o símbolo de concatenação + e usamos as barras oblíquas habituais. Na discussão sobre as transformações. etc. W para representar variáveis nas seqüências. a (119) they – have – en + arrive 101 . boy. eles foram introduzidos apenas por motivos de clareza da exposição. come. por exemplo. temos os elementos vocabulares the. Assim.11. iremos apresentar um breve quadro das convenções notacionais e terminológicas novas ou menos familiares que utilizamos. utilizamos maior espaçamento com esse mesmo objetivo. Procedemos dessa forma para chamar uma atenção especial à subdivisão do enunciado que estamos estudando em um dado momento. chamamos este vocabulário de alfabeto da língua) que pode ser colocado em uma seqüência linear para formar seqüências de símbolos através de uma operação chamada concatenação.

“have they arrived?” (eles chegaram?). A lista seguinte mostra as páginas em que ocorreram os símbolos especiais não S ∅ passado Af # A wh Adj SP Prt Comp 102 . pela primeira vez: (122) SN SV T N SNsing SNpl [∑. onde X e Y são seqüências. Usamos os parênteses para indicar que um elemento pode ou não ocorrer e as chaves (ou uma listagem) para indicar uma escolha entre os elementos. a b. F] Aux V C M en b + c. finalmente. O resultado da transformação nesse caso será (120) have – they – en + arrive e. Então.já que they (eles) é um SN e arrive (chegar) é um V nessa seqüência. ambas as regras (121i) e (121ii) (121) (i) a (ii) a b (c) b+c b são abreviações para o par de alternativas: a mencionados acima. Uma regra da forma X Y deve ser interpretada como a instrução “reescreva X como Y”.

Sentença 2. SN 4. separamos aqui os exemplos de regras da gramática do inglês que desempenharam um papel importante ao longo de nossa discussão. Certas regras foram modificadas de seu formato original no texto devido a decisões subseqüentes ou para apresentar maior sistematicidade. ball. V 10. walk. Aux + V hit. shall. 22. can. 22. nota 12) (p. 22. may. M SN + VP (13i) (13iii) (p. Estrutura Sintagmática: ∑: # Sentença # F: 1. APÊNDICE II – EXEMPLOS DE REGRAS SINTAGMÁTICAS E TRANSFORMACIONAIS DO INGLÊS Para facilidade de referência. C(M) (have + en) (be+ing) will. take. etc. imaginando que esse esquema corresponda a um esboço de uma gramática da fora (35).Verbo Estrutura Transformacional: Uma transformação é definida pela análise estrutural das seqüências a que ela se aplica e pela mudança estrutural que ela provoca nessas seqüências. O número à esquerda fornece a ordenação apropriada das regras. SNsing 5. etc. N 9. SNpl 6. SV 3. nota 12) (13iv) (13v) (28i) (28ii) (28iii) (28iv) Verbo + SN SNsing SNpl T+N+∅ T+N+S the man. Aux 11. nota 12) (p. read.12. 103 . T 7. must 8. O número que aparece entre parênteses à direita de cada regra é o número que a regra aparece no texto.

SN – C + have __ .. TA – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf... Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 17.. Tneg – opcional: SN – C – V.. Análise estrutural: SN – C + M __ . Passiva – opcional: Análise estrutural: SN – Aux – V – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 (34) 13. SN – C + be __ .12.. (45) a (47)) Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 18. Tobsep – obrigatória: Análise estrutural: X – V1 – Prt . Tint – opcional: Análise estrutural: a mesma de 16 (cf.Pronome X – V2 – Comp – SN Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 14. Transformação de Número – obrigatória Análise estrutural: X – C – Y S no contexto SNsing __ Mudança estrutural: C ∅ em outros contextos Passado em qualquer contexto 16. Tfacsep – opcional: Análise estrutural: X – V1 – Prt – SN Mudança estrutural: a mesma de 13 15. (41) a (43)) 104 X1 – X2 – A – X3 X1 – X2+ n’t – X3 (37) (29i) (85) (86) (92) X1 – X2 – X4 – X3 X4 – X2+ be + en – X3 – by + X1 ...

Conjunção (26) de S 2: Z – X – W onde X é um elemento mínimo (por exemplo. v é qualquer M ou V.Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 X2 – X1 – X3 19. SN. wh + nome não indicado wh + X1 – X2 onde wh + nome animado what 20. etc. nota 38).) e Z e W são segmentos de seqüências terminais. Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4 – X5 – X6) 24. ou é have ou be) (29ii) X1 – X3 – X2 # – X4 Mudança estrutural: X1 – X2 – X3 – X4 21. Transformação do pulo do afixo – obrigatória Análise estrutural: X – Af – v – Y (onde Af é qualquer C ou é en ou é ing. SV. Tw – opcional e condicionada por Tint: Tw1: Análise estrutural: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: a mesma de 18 (60i) Tw1: Análise estrutural: SN – X (60ii) Mudança estrutural: X1 – X2 who (cf. Tso: (48) a (50) de S 2: a mesma de 16 105 X1 – X2 + and + X5 – X3 Análise estrutural: de S 1: Z – X – W Análise estrutural: de S 1: a mesma de 16 . Transformação de limite de palavra – obrigatória: Análise estrutural: X – Y (onde X ≠ v ou Y ≠ Af) Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – # X2 (29iii) 22. Transformação de introdução de do – obrigatória Análise estrutural: # – Af Mudança estrutural: X1 – X2 X1 – do + X2 Transformações generalizadas: 23.

X5 – X6 – X7) X5 – X1 + X4 + X2 – X7 X3 – to + X2 – X5 Estrutura morfofonêmica: Regras (19). 27. Não desenvolvemos a maquinaria suficiente para apresentar todas as regras de maneira apropriada e uniforme. essa ordem seria indicada em todas as três seções.Adj de S2: a mesma de 25 Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3 – X4. isto é. Temos então três conjuntos de regras. (45). em uma gramática formulada adequadamente. A ordem das regras é essencial e. etc. Veja as referências citadas na nota 24 para um desenvolvimento mais detalhado e para uma aplicação da análise transformacional. X3 – X4 – X5) 26. nota 35. X4 – X5 – X6) – X4 X1 – X2 – X3 – and – so – X5 A Tso é na verdade composta pela transformação de conjunção. terminando em uma seqüência de fonemas da língua analisada. o modelo préaspects: Regras Sintagmáticas ⇓ Marcadores sintagmáticos subjacentes ⇓ Transformações ⇓ Sentenças derivadas . 25. regras transformacionais (incluindo as transformações simples e as generalizadas) e regras morfofonêmicas. em um enunciado gramatical. 106 [u24] Comentário: Temos então o modelo de gramática proposto por Chomsky. algo sobre a dependência condicional entre as regras. O resultado da aplicação de todas essas regas é uma derivação estendida (como (13)-(30)(31)). com o ing no lugar do to na mudança estrutural. como em (35): regras de estrutura sintagmática. Essa formulação das regras transformacionais deve ser entendida apenas como sugestiva. Transformação de Nominalização Ting: Idêntica a 25. juntamente com uma distinção entre as regras obrigatórias e as opcionais e.Mudança estrutural: (X1 – X2 – X3. que ficou conhecido como modelo transformacional. Transformação de Nominalização TAdj: Análise estrutural: de S 1: Art – N – is . nota 38. pelo menos na parte transformacional. Transformação de Nominalização Tto: Análise estrutural: de S 1: SN – SV de S 2: X – SN – Y (X ou Y podem ser nulos) Mudança estrutural: (X1 – X2.

“On accent and juncture in English”. “Semantic considerations in grammar”. N. Fowler. E. Bloch. 1951). Chomsky. Language 24. University of Pennsylvania (1955). N. Bloomfield. 230-7 (1954). vol. Transformational analysis. vol. Analysis. B. M. For Roman Jackobson (‘s-Gravenhage. Language 30. Linguistics Today. 65-80. N. The structure of appearance (Cambridge. 197-209 (1954). 1933). S. Sept. L. Language (New York. Chomsky.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Y. R. Analysis.. 1951). “On likeness of meaning”. Proceedings of the symposium on information theory. n. Goodman. 1 (1949). Halle. N. 1956 N. n. F. Word 10. Transactions on Information Theory. Methods in structural linguistics (Chicago. N. “Logical syntax and semantics”. 141-53 (1955). N. vol. IT-2. Chomsky. M. 4 (1953). p. Lukoff. Goodman. Resenha de Z. Harris. I. 1956). Chomsky. 10. M. 8. 13. Journal of Symbolic Logic 18. 3-46 (1948). “On some differences about meaning”. … 107 . “Three models for the description of language”. “A set of postulates for phonemic analysis”. 242-56 (1953). Monograph n. Tese de Doutorado. Chomsky. Goodman. Bar-Hillel. The logical structure of linguistic theory (mimeografado). N. “The strategy of phonemics”. “Systems of syntactic analysis”. Halle. N. Chomsky.

resolvemos classificar cada sugestão de leitura em algumas categorias: 1. C. CHOMSKY. CHOMSKY. Oxford: Oxford University Press. destacamos alguns livros e manuais introdutórios ao programa gerativista. A. • • • CARNIE. outras são mais avançadas. Nesta seção. Principles and parameters – an introduction to syntactic theory. = leitura intermediária. • • CHOMSKY. London: Oxford University Press. Eles variam no grau de dificuldade de acordo com o número de estrelas que recebem ( = leitura acessível. 2000. destacamos alguns livros e manuais que podem ser uma boa sugestão de leitura para o leitor que está começando seus caminhos em pesquisa lingüística de cunho gerativo. Trabalhando com Fonética/Fonologia 1. Algumas obras são bastante introdutórias. = leitura avançada. • BORSLEY. CONHECENDO CHOMSKY E A GRAMÁTICA GERATIVA Nesta seção. R. N. Language and thought. Oxford: Blackwell. New York: Basic Books. 1999. 1997. Syntax: a generative introduction. P. Knowledge of language. The atoms of language – the mind’s hidden rules of grammar. N. M. N. London: Moyer Bell. 2001. CULICOVER. • 108 .Para o leitor moderno de Chomsky Há inúmeros livros. 1988. Language and problems of language – the Managua lectures. Syntactic theory: a unified approach. Por isso. Obras Fundamentais 3. o mesmo sistema vale para os livros das demais seções). BAKER. 1986. Conhecendo Chomsky e a Gramática Gerativa 2. 2002. artigos e manuais sobre Noam Chomsky ou sobre o programa gerativista. Nova York: Prager. Trabalhando com Semântica 4. Cambridge: MIT Press.

evolution. Lingüística aplicada ao português: sintaxe. Nova York: Academic Press. A gramática gerativa: introdução ao estudo da sintaxe portuguesa. The language lottery: toward a biology of grammars. 1975. J. RADFORD. J. NEWMEYER. SOUZA e SILVA. I.. grammar. MIT Press. JACKENDOFF. M. 1993. • • • • • • • • • • • • • • • • 109 . Foundations of language: brain. Cambridge: Cambridge University Press. São Paulo: Pioneira. et al. Cambridge: MIT Press. LEMLE. Belo Horizonte: Vigília. V. L. C. LIGHTFOOT. Lisboa: Caminho. A. E. MIOTO. Sintaxe gerativa do português. Cambridge. HARRIS. 2002. Princípios de gramática gerativa. Transformational syntax: a student’s guide to Chomsky’s extended standard theory. Oxford: Oxford University Press. São Paulo: Ática. 1982. 2004. da teoria-padrão à teoria da regência e ligação. C. Cambridge: Cambridge University Press. New York: Oxford University Press. 1977. 1995. A. Florianópolis: Insular. Introduction to government and binding theory. R. KOCH. 1980. 1976. Novo manual de sintaxe. Mass. 1992. URIAGEREKA. 1981. 1993. Teoria da gramática. São Paulo: Cultrix. J. F. L. P. NIQUE. Linguistic theory in America: the first quarter-century of transformational generative grammar. R. meaning. 1988. LOBATO. A. 1998. Iniciação metódica à gramática gerativa. A faculdade da linguagem. NIVETTE. RADFORD. Syntax: a minimalist introduction. A. Análise sintática: teoria geral e descrição do português. RADFORD. Rhyme and reason: an introduction to minimalist syntax. 1986. The linguistic wars. Cambridge: Cambridge University Press. 1984. Oxford: Blackwell. RAPOSO. Transformational Grammar: a first course. PERINI. Belo Horizonte: Vigília. M. São Paulo: Cortez. D. 1997.• HAEGEMAN. C.

1982. 1999. The logical structure of linguistic theory. P. Syntactic structures. 1968. • JACKENDOFF. PhD Thesis. 1955. 1957.. The Hague: Mouton. CHOMSKY. 1972. Cambridge: MIT Press. 1995. Aspects of the theory of syntax. • CINQUE. • • KAYNE. CHOMSKY. R. 1965. N. The English noun phrase in its sentential aspect. CHOMSKY.). Incorporation: a theory of grammatical functional changing. N.2. CHOMSKY. Dordrecht: Foris. G. • JACOBSON. STOWELL. M. The nature of syntactic representation. ABNEY. N. que ajudaram a construir os próprios fundamentos da teoria. CHOMSKY. Semantic interpretation in generative grammar. R. 1981. Massachusetts: MIT. N. • JACKENDOFF. Cambridge: MIT Press. M. The minimalist program. destacamos algumas obras que marcaram sua história no desenvolvimento do programa gerativista. (Eds. X’ syntax: a study of phrase structure. 1977. Dordrecht: D. Timothy Angus. N. Dordrecht: Foris. N. Connectedness and binary branching. 1968. S. Harvard University. Adverbs and functional heads. 1987. Reidel. Cambridge: MIT Press. Cambridge: MIT Press. PULLUM. • CHOMSKY. Cambridge: MIT Press. 1981. K. Nova York: Harper and Row. Ray. MS. N. • BAKER. OBRAS FUNDAMENTAIS Em “obras fundamentais”. Chicago: University of Chicago Press. 1988. Massachusetts: MIT. Origins of phrase structure. • • • • • • CHOMSKY. Nova York: Oxford University Press. Lectures on government and binding. Barriers. G.. P. PhD Thesis. São textos já clássicos na área. The sound pattern of English. • 110 . 1984. HALLE.

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