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Fundamentos Psicologicos Da Educacao

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Fundamentos Psicológicos da Educação

Prof. Dr. – Francisco J. Lima1

Apresentação

O conhecimento humano é resultado da produção de cada um e de todos na humanidade. Compreender os aspectos psicológicos que envolvem a pessoa humana é crucial para uma interação social esteada na cooperação, no respeito e na participação social de cada indivíduo, independentemente quaisquer características que venha ter. No presente texto, indicaremos, de maneira breve, um pouco do percurso que o homem faz para aprender, considerando os constructos da de

Psicologia da Educação como matéria a ser estudada por discentes, não necessariamente do curso de Psicologia. Assim, antes de ser um texto que esgota esta área do

conhecimento, é um texto que deixa possibilidades a serem construídas pela interação indispensável de professor/tutor/aluno, por intermédio do recurso educativo, que é o texto materializado no papel e na interação virtual. As várias questões, que deverão ser suscitadas a partir da leitura do presente material, serão (por intermédio de recursos tais como chats virtuais) debatidas, refletidas e ampliadas pelos agentes mediadores da disciplina. Exatamente, por este material ter sido produzido para uma educação a distância, é que construímos um texto que requer dos agentes de ensino e
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Professor adjunto do Centro de Educação, Universidade Federal de Pernambuco, tradutor e intérprete, psicólogo, coordenador do Centro de Estudos Inclusivos. E-mail: cei@ce.ufpe.br

aprendizagem uma interação, pois como veremos com os estudos de Vygotsky e Piaget, estarão na interação social e na atividade do indivíduo, a aquisição do conhecimento. Logo, não poderíamos construir um material de sustentação para esta disciplina, que na sua própria forma, não presumisse professor mediador. O ensino a distância não é a distância do aluno em relação ao professor, não é seu afastamento físico dos demais colegas e nem mesmo é a comodidade de cursar uma disciplina longe do espaço físico da universidade. A educação a distância é a oportunidade de levar a mais pessoas a educação, ampliar a essas pessoas o universo de relações sociais, mesmo quando um colega de curso está a quilômetros de distância ou mesmo na mesa ao lado. Contribuirmos, pois, com a educação a distância pelo ensino da Psicologia Educacional é propiciarmos com que a reflexão e a cooperação entre as pessoas se dêem, ainda que uma não esteja fisicamente ao lado da outra. A construção lógica do presente material fará, pois, pleno sentido, quando a participação do professor e dos demais colegas for materializada por intermédio desta via que hoje encurta distâncias, inclui pessoas, desenvolve o pensamento crítico, a cooperação e integra recurso tecnológico com a pessoa humana, sem tirar desta a prioridade. O texto que aqui é sucinto será significativamente ampliado pela provocação/estimulação do docente. Entretanto, na forma em que se encontra, permitirá ao aluno caminhar por si só e/ou com seus colegas na investigação de seu conteúdo, buscando aprofundamento dos conceitos apresentados, bibliografia complementar, relatos de aplicabilidade, ideias que discordam e ideias acordes a participação do

com o que aqui apresentamos. Esperamos que o presente material seja um ponto de partida, pois certamente, não construímos, nem tivemos a intenção de fazê-lo, um ponto de chegada. De fato, ao apresentar a Psicologia da Educação, visamos trazer dela contribuições para a prática cotidiana do docente.

Acreditamos que os alunos desta disciplina possam, a partir deste material, responder a uma necessidade social, presente em nosso país, qual seja, a de ter recebido uma educação de qualidade, crítica, ética, respeitosa e cidadã. O professor está pronto para aprender e espera que o aluno lhe mostre o quê, como e o ritmo de ensinar, conforme a necessidade de cada estudante. Ao ter se deparado com este texto, esperamos que o estudante possa extrair, das teorias psicológicas, as orientações que lhe sirvam ao melhor ensino de seus futuros alunos. Esperamos que tenha desenvolvido um

pensamento reflexivo a respeito da prática docente, por intermédio do despertar crítico, quanto aos modos tradicionais de ensino, sempre que desrespeitam o aluno, sua individualidade, potencialidade e necessidade de estudante e pessoa humana. Por fim, almejamos que o aluno possa ter tido a oportunidade de conhecer, não só pela leitura retilínea deste texto, mas pela reflexão sobre ele, um pouco dos elementos que envolvem o processo de ensino-aprendizagem e a prática docente, consciente de que esse processo não pode excluir o estudante como agente ativo, interativo e cognoscitivo. estudante a ajudarmos a construir o conhecimento. Assim, convidamos a cada

1- Introdução

Todo estudo de uma área implica no reconhecimento, entendimento e aplicação de conceitos específicos do campo estudado. As

terminologias/conceitos que esteiam o corpus científico/teórico de estudo, portanto, devem ser entendidos sob a perspectiva da área específica, muito embora possam ser utilizados, com nuances diversas, em áreas afins e, por vezes, antagônicas. A esse respeito Laface (1997) diz que:

Vocabulários terminológicos determinam-se como objetos históricos e institucionalizados. Apresentam-se sob a forma de um repertório de termos definidos em áreas diversas de conhecimento e descrevem um certo objeto de valor. Estruturam-se, cognitivamente, fora da língua, mas instrumentalizam-se dela e, com ela, dinamizam o sistema de representação do universo humano. Manifestam-se no discurso e, como parte dele, significam coisas. (Laface, 1997: 35)

A seu turno Barbosa apud Laface op.cit ensina que:
(...) o universo de discurso metalingüístico de uma ciência representação e síntese das suas descobertas e do saber construído -, quando bem elaborado e dotado da desejável precisão, conduz ao aprimoramento da atividade investigadora e da prática profissional correlata, em sua abrangência, de tal forma que esse discurso vem a ser enriquecido com novos ―fatos‖ e correspondentes unidades lingüísticas, reafirmandose o processo dialético de alimentação e realimentação entre ciência básica e ciência aplicada. (BARBOSA, In LAFACE, 1997:13)

Ao estudarmos, então, os Fundamentos Psicológicos da Educação, é importante construirmos as bases sobre as quais esta disciplina será erguida. Por fundamentos entenderemos tudo que for pertinente e/ou inerente aos princípios que regem, sustentam e orientam o campo de estudo da psicologia da educação. Por psicologia abarcaremos, no sentido mais amplo, a ciência que estuda o comportamento humano, a partir de processos subjetivos e interrelacionais. Como alertam diversos estudiosos, entre eles Bock, Furtado &

Teixeira (2002), a Psicologia possui diversos objetos de estudos, cada um dos quais entendidos em teorizações específicas. Assim,
se dermos a palavra a um psicólogo comportamentalista, ele dirá: ‗O objeto de estudo da Psicologia é o comportamento humano‘. Se a palavra for dada a um psicólogo psicanalista, ele dirá: ‗O objeto de estudo da Psicologia é o inconsciente‘. Outros dirão que é a consciência humana, e outros, a personalidade‖ (Bock, Furtado & Teixeira, 2002: 21).

Os autores citados entendem que a complexidade na definição do objeto de estudo da Psicologia dá-se também pelo fato de que o pesquisador se confunde com o objeto estudado. Significa dizer que é o homem o objeto de estudo da Psicologia e, neste caso, o pesquisador se inclui na mesma categoria ―homem‖, ou seja, ―estudar o homem é estudar sobre si mesmo‖ (Bock, Furtado & Teixeira, 2002: 20). É diferente, por exemplo, quando se pensa no objeto de estudo das ciências naturais, da biologia, da matemática, da química, da física. É o que diferencia, portanto, o campo de estudo das ciências humanas, no qual se inclui a Psicologia, a Educação. Já por educação estenderemos o conceito à amplitude de todo o processo que envolve a aquisição, transmissão e construção do conhecimento, não só nos espaços escolares, tipicamente conhecidos como espaços educacionais, mas também em todo e qualquer ambiente físico e social, inclusive internet, em que haja a interação humana com vistas, ou como resultado de ensino, à aprendizagem e transmissão/troca de conhecimento. Em consonância com o que ensinam Barros e Barros (1999), os fundamentos psicológicos da educação, portanto, consideram o indivíduo, desde zero ano, à vida adulta, na extensão da longevidade humana.
Educação, em sentido lato, é um processo contínuo e complexo que vai desde o nascimento até à morte, abrangendo todos os espaços. O homem é um ser educando e educável, sempre e em toda a parte. Porém, em sentido mais restrito, a educação pode limitar-se topográfica e cronologicamente. O primeiro espaço educativo é a família, logo seguido da escola. Ambas as instituições devem visar a educação global da criança, cabendo à escola uma incidência particular na área cognitiva ou instrucional. Por seu lado, o tempo educativo por excelência abrange a infância e a adolescência. A Psicologia da Educação limita-se essencialmente ao espaço e ao tempo escolar, sem contudo menosprezar outras instâncias educativas, designadamente a família, dada a sua importância decisiva, colaborando a escola com os pais na causa comum que é a promoção do educando, a todos os níveis, em ordem à sua perfeição e felicidade. Quanto ao tempo, investe particularmente na primavera da vida, quando o educando é mais moldável e susceptível de ser ajudado a desenvolver-se em todas as dimensões, mas na consciência de que a pessoa, em qualquer etapa ou estação da vida, deve progredir até à maturidade plena. A

Nas palavras dos autores (op. Ela tenta fazer com que o ensino revista um carácter mais científico. bem como a relação entre ambos. através da elaboração de . através de métodos científicos. com objectivos mais ou menos a curto ou a longo prazo. de fato necessário considerar que: (. mas a psicologia atuando em aspectos educacionais junto à educação. De qualquer modo. é conveniente definir os termos de que é composta esta designação Psicologia e Educação . porém de modo diverso à da psicologia da educação. para além do amadorismo e da simples boa vontade. promoção e avaliação do comportamento do educador e do educando em situação educativa. 1999:5) Segundo os autores. para que a aquisição e administração de conhecimentos se tornem mais científicas (Barros e Barros. muito embora a diferenciação terminológica não seja muito clara e encontre unanimidade entre os autores. a compreensão do que vem a ser psicologia da educação passa pelo entendimento das áreas que compõem esta ciência que. a propósito.. A Psicologia da Educação estuda as condições psicológicas que rodeiam o acto educativo ou as implicações (mais do que aplicações) da Psicologia do Desenvolvimento e de outros ramos da psicologia no processo instrucional e educativo.e ainda Pedagogia. os autores chamam a atenção para o fato de isso não ser o que mais importa.) Na realidade.. Podemos afirmar que o seu objecto é a análise. cit: 12): Para compreender e definir melhor a Psicologia da Educação. mas estas não esgotam nem se identificam totalmente com a Psicologia da Educação. Em suma. colaborando na escola. mais ou menos próximos (operacionais) ou finais. Muitos autores preferem a denominação de Psicologia Pedagógica ou de Psicopedagogia à de Psicologia da Educação.Psicologia Educacional tem como núcleo central o processo dinâmico ensino/aprendizagem ou os diversos sistemas instrucionais. específicos ou gerais. definem os autores que a psicologia da educação é ciência que organiza cientificamente os conhecimentos pertinentes à educação. a Psicologia da Educação deve ter em conta todos os componentes do complexo processo educativo e dos dois pólos ou agentes educativos (educador e educando). não constitui a ―psicologização‖ da educação. sendo. Outros chamam-lhe ainda Psicologia da Aprendizagem ou Psicologia Escolar.

(Barros e Barros .desenhos de planificação do processo instrucional que o psicólogo da educação deve ser capaz de programar. por assim dizer. receptor (educando). mensagem (conteúdos). sem. levando a um funcionamento mais eficaz da dinâmica escolar. 2.Introdução ao estudo das relações entre Psicologia e Educação 2. o quê (conteúdos). matéria ou conteúdos. em constante interacção e ‘feedback‘. como (métodos). a Psicologia preocupou-se mais com o estudo da natureza . Em linguagem mediática ou telemática poderíamos falar de emissor (educador). pois.Possibilidades e limites da interação Segundo Larocca (1999:13).). A Psicologia da Educação tenta dar ao professor princípios e técnicas que lhe permitam compreender e intervir eficazmente no processo ensinoaprendizagem e capacidade para avaliar o produto. quando a autora relembra a conquista do estatuto científico da Psicologia no final do século XIX. Sprinthali e Sprinthall (1993. porquê (objectivos) e o que resulta (avaliação). 8) falam de quatro pontos da agenda do processo de ensino-aprendizagem a ter em conta pelo psicólogo educacional: características dos alunos. estratégias de ensino.1. a psicologia da educação tem amplitude de ação. ajudando os professores no tratamento científico do acto educativo para que ele seja mais rigoroso e eficaz e se processe através das etapas estabelecidas (cf. pp. independentemente do nível de estudo. contudo. p. canal (métodos. do professor regente de uma dada escola. estratégias). ―as raízes da difícil. porém necessária. 1985. Esquematicamente devem definir-se as diversas circunstâncias: quem educa e a quem (agente e ‘paciente‘). dever ingerir no ato educacional. Fortemente marcada pelas descobertas da Biologia e influenciada pelo ideário burguês. atitudes dos professores. do espaço educativo ou do sujeito que aprende. Mayor (Dir.1999:17-18) Pelo que podemos notar. 557-561). relação entre Psicologia e Educação podem ser encontradas na própria história da ciência psicológica‖. substituindo ou assumindo o papel do pedagogo.

é possível que um estudante ou professor venha precisar de um psicólogo para atendimento clínico. o seu pleno desenvolvimento‖ (Urt. quando se prioriza perspectivas a-históricas que excluem os indivíduos da relação com a sociedade. como é o caso do Escolanovismo e do Tecnicismo‖ (op cit. o contexto histórico permitiu perceber que a relação da Psicologia com a Educação. promovendo na escola ou nos estudantes. Para Urt (1989). Se. ―promover este ajustamento ao mesmo tempo em que os conflitos sociais e a origem das diferenças de classe permaneciam ocultos‖ (p. pela educação. A partir desta contribuição.14) . Segundo a autora. 14). 1999: 14). apud Larocca. assim. à Educação. com o auxílio da Psicologia. contudo se limita ao que lhe é inerente como ciência. A autora versa que a principal influência da Psicologia na Educação deu-se no Movimento da Escola Nova que. desde seu início. o setting clínico ou a clinicalização do sujeito aprendiz. ―a Psicologia passou a ser a base de sustentação das propostas que se geraram no meio educacional. deixando de lado. 1989. neste primeiro momento. Caberia. 1999:14). não pode ultrapassar as fronteiras da psicologia educacional. a psicologia da educação está em constante evolução. compreender que os limites de interação entre a Psicologia e a Educação estão no campo dos chamados psicologismos. p. assim. esse atendimento . as questões sociais que afetam o individual (LAROCCA. se baseou na tentativa de adequar o homem à vida em sociedade. ―surgido no seio do liberalismo burguês.individual do homem. assim. tomou-a como ciência fundamental da Pedagogia segundo o princípio de que os homens diferem entre si em potencialidades e aptidões e que é preciso favorecer. A atuação do psicólogo educacional. de outro. de um lado. Pode-se.

não deve ser do mister do psicólogo da educação. 4 Formação consciente das novas gerações segundo os ideais de cultura de cada povo. http://michaelis.uol. ao mesmo tempo. equivocadamente. psicólogo educacional. 5 Civilidade. o qual estará na escola como um profissional na escola. Tais áreas são. o professor. mas é profissional. ainda que com a colaboração profissional de um psicólogo formado e bem preparado para trabalhar com a escola. enquanto o primeiro é o psicólogo. cujo conhecimento colaborará com a relação professor/aluno/família na composição escolar. não um profissional da escola. nela sendo um profissional na educação.br/moderno/portugues) . ver nesse profissional a figura daquele que resolverá ―problemas‖ que são do ofício do professor resolver. portanto. não é a resposta para eventos psicológicos.2. um psicólogo da educação. ensino. se nutrem da educação. São várias as áreas de conhecimento que sustentam e. não pode ser entendida como uma ciência cujo o fim em si mesma dá conta de todas as vicissitudes do ensinar. distúrbios psíquicos ou mesmo psiquiátricos de operadores educacionais ou dos alunos destes. na interação desses membros da comunidade educacional.Papel da Psicologia na formação de professores A educação. disciplinamento. de fato. 2 Aperfeiçoamento das faculdades físicas intelectuais e morais do ser humano. sendo modificadas 2 sf . é importante e requer estreita atenção. termo que vem do latim educare ou educere2. certamente poderá colaborar ou pelo menos. 2. minimizar a necessidade desses sujeitos em procurar os serviços psicológicos de ordem clínica.1 Ato ou efeito de educar. adjetivadas pela educação. cuja atuação. Este último é claramente. 3 Processo pelo qual uma função se desenvolve e se aperfeiçoa pelo próprio exercício: Educação musical. profissional etc. do aprender e do fazer pedagógico. Em suma. visto que se pode. A delimitação da atuação do psicólogo educacional.com.(In Michaelis on line. não da educação. instrução.

como vimos. É assim que falamos que há uma filosofia na educação. a anos-luz de distância de seu telescópio. sua interação social. um amalgamo de psicologia e educação. seja da educação. a psicologia escolar. a psicologia interessa-se pelo comportamento humano. esta divisão é ampla demais e apenas coloca a . como a Antropologia. o processo cognitivo do homem. O mesmo não ocorre com a Psicologia. sistematizados e orientados para contribuir com a educação e vários dos processos a ela pertinentes. a exemplo da organização metodológica de ensino e aprendizagem. porque desde seu surgimento no século XIX. há uma história na educação. também.por ela e a ela modificando. mais do que defini-lo. a psicopedagogia são. De fato. exprime: No caso da Astronomia. a Economia. No entanto. é definida por ele. entendida pela filosofia da educação. seu desenvolvimento e demais relações afetivas. a qual exprime a história da educação e há. não mais sendo apenas psicologia e nem educação. pelas características humano-psicológicas (consciente ou inconsciente) desse sujeito que. Esse cientista não corre o mínimo risco de confundir-se com o fenômeno que está estudando. Certamente. a expressão do pensamento das pessoas. da astronomia e outras. será da psicologia que os princípios fundadores da psicologia da educação serão oriundos. a psicologia como ciência do ―SER HOMEM‖. estuda o homem. seja de outras ―psicologias‖. Ao discorrer sobre a natureza científica da psicologia BOCK et al (2002). e o astro observado. além de constructos relativos à linguagem humana. por exemplo. da interação professor-aluno. Logo. que. num observatório. o cientista-observador está. da avaliação. Logo. entre outras. psicologia da educação é uma ciência de objeto e método próprios e distintos. E isso será possível. diferentemente do que ocorre em áreas como a da biologia. em última instância. a psicologia da aprendizagem. por assim dizer. se confunde com a própria psicologia. a psicologia da educação em que se encerra uma psicologia educacional. os modos de aquisição do conhecimento etc. a Sociologia e todas as ciências humanas. dentre outros.

que ao tratarmos de psicologia estamos. tratando de psicologias. e neste caso o pesquisador está inserido na categoria a ser estudada. já que a ciência se caracteriza pela exatidão de sua construção teórica. Um outro motivo que contribui para dificultar uma clara definição de objeto da Psicologia é o fato de o cientista — o pesquisador — confundir-se com o objeto a ser pesquisado. ele deve distinguir-se do que estuda. cuja diversidade é expressa pelo número exato de seus membros. ele dirá: ―O objeto de estudo da Psicologia é o comportamento humano‖. dizemos que não há neutralidade em ciência. e o cientista acaba necessariamente se vinculando a uma destas crenças). de fato. não é única. alheio aos fatos que a ele se apresenta como resultado de sua investigação. embora aglutinando algumas das áreas em que se inserem os estudos da natureza humana. esta é uma área estritamente ligada à pessoa humana. Isso quer dizer que cada pesquisador deve evitar deixar-se levar por crenças pré-estabelecidas. a despeito de existir há muito tempo na Filosofia enquanto preocupação humana. (p.Psicologia entre as ciências humanas. porém um afastamento relativo do pesquisador do seu objeto de estudo. o objeto específico de estudo da Psicologia? Se dermos a palavra a um psicólogo comportamentalista. Logo. Esse fato é importante. . Se a palavra for dada a um psicólogo psicanalista. e. o objeto de estudo da Psicologia é o homem.) explica: A diversidade de objetos da Psicologia é explicada pelo fato de este campo do conhecimento ter-se constituído como área do conhecimento científico só muito recentemente (final do século 19). mesmo porque. Outros dirão que é a consciência humana. sem se deixar ficar. pois. ao mesmo tempo. Isso ocorre porque há diferentes concepções de homem entre os cientistas (na medida em que estudos filosóficos e teológicos e mesmo doutrinas políticas acabam definindo o homem à sua maneira. Qual é. a psicologia. então. de cada uma das pessoas que compõe a humanidade. 2002: 20-21) É percebido. No sentido mais amplo. ele dirá: ―O objeto de estudo da Psicologia é o inconsciente‖. ainda. que permitam determinar com maior precisão seu objeto de estudo. cit. e outros. Assim. quando uma ciência é muito nova. 20) Por isso. ela não teve tempo ainda de apresentar teorias acabadas e definitivas. historicamente construídas e de senso comum e colocar à prova aquilo que investiga e os achados que encontra. Portanto. Sob esse entendimento. (Bock et al. isto é. a concepção de homem que o pesquisador traz consigo ―contamina‖ inevitavelmente a sua pesquisa em Psicologia. a personalidade. BOCK et al (op.

mas que foi construído histórica. consoante suas crenças. de hoje. pessoa humana como ele próprio. posição social e condição psicológica em que se encontra etc. de acordo com seus valores morais. do juiz.. religiosa e psicologicamente. ensina o que aprendeu dos conhecimentos construídos pela humanidade. historicamente construídos. o que não permite a neutralidade do pesquisador. no dia-a-dia da humanidade. não significa que todos estes não devam buscar/primar-se pela imparcialidade/isenção no seu fazer profissional. Rocha e Kastrup (2009) escrevem: . com toda a construção histórica pregressa de si e da humanidade. o professor afeta e é afetado pelo estudante. ou movimento. é aquilo que fizemos de nós. Destarte. foi afetado. Então. e dos que aplicam esse conhecimento. a Psicologia contribuirá para o entendimento de que cada um é historicamente construído. há um Nós social. não necessariamente do momento de seu nascimento. do professor ou do aluno. lugar geográfico. o professor. pertencente à humanidade. aprende. conforme o momento histórico. dos que transmitem o conhecimento advindo do acesso que tiveram aos estudos científicos. aquele que ensina. cultural. filtrado por sua história pregressa. fundado em seus ideais. dentro do que fomos ―permitidos a nos fazer‖. reeducando-se na construção de um conhecimento que o permitirá descobrir como ensinar. social. O que somos. tal qual ele. quanto de sua história como membro social. Posta de maneira mais plana. Na construção do Eu. do médico. mas do momento que começa a constituir-se como possibilidade na família). em suma. tanto por sua história pregressa (do momento de sua concepção. aquele que educa ensina e. pois.Desse emaranhado do ser pesquisador e do ser pesquisado surge a formação de quem pesquisa. de quem a investigação científica teve acesso. política. ao ensinar. E a respeito do afeto. Nesse processo. por essa transmissão alcançada. mas que. também. através do como o outro aprende.

o que se impõe a mim. à desmotivação para o aprender e mesmo para o ensinar. afecção. podendo mesmo haver uma falha no processo de ensino e/ou no da aprendizagem. O vocábulo exmovere origina os termos emoção. preocupada com o desenvolvimento humano. ao dedicar-se sobre os aspectos afetivos na interação professor/aluno. a emoção (e-moção) está estreitamente relacionada com o campo do movimento (motus). quebrado. e isso será melhor alcançado. A Psicologia da Educação. entretanto. a partir daí. Pode-se dizer. ―interferindo‖. o que implica dizer a participação da família na escola. Refere-se ao plano da facticidade. ou seja. na devolução ao professor. seja quando de sua recepção. sem que esse movimento contenha. repercutem. e. construindo o afetam-no. Enquanto o afeto está relacionado a um plano de constituição. afetando-os. o que poderá levar. com a interação entre as pessoas. Em termos mais gerais. me constitui. Em outras palavras. se na cadeia de eventos algo não funcionar. a psicologia. Nesse momento há uma transformação nos e pelos estudantes. aquilo que me faz. o professor interage com os alunos. o que me chega. se houver a participação efetiva da família no processo educacional da criança. pode contribuir para o estabelecimento e/ou reestabelecimento do vínculo afetivo na escola. com os processos . sendo definida por ela como um ―movimento im-pulsionado por outra coisa que eu mesmo e que me transporta para fora de mim. o vínculo entre professor e aluno estará. ou funcionar inadequadamente. e às vezes só será alcançado. ao ensinar. afetividade. Neste caso. afetados. Então. implicado nele. os alunos conhecimento. que aquilo que nos afeta produz algum tipo de movimento ou emoção e que essa emoção não se separa do afeto que a produziu. por conseguinte. mover. ficará prejudicada. a construção do conhecimento. Sendo. num círculo de desequilíbrio e acomodação construtor do conhecimento. colocar-se para fora de si. daquilo que o professor ministrou.A palavra latina affectio originou os vocábulos afeto. seja quando da oferta deste. pois. entre outros fatores. qualquer direção ou finalidade‖ (s/p).

no educação infantil. adultos e um campo de estudo não privilegiado ou pouco privilegiado. cognitivas. por exemplo). em todas as estações da vida humana. por meio da psicologia da educação. medicina entre outras. A esse respeito. transmissão e construção do conhecimento vem. contemplando as necessidades dos alunos de mais tenra idade (no ensino infantil.Desenvolvimento na infância. 3. desmistificando perspectivas que priorizam apenas o ensino infantil. na adolescência e na vida adulta A Psicologia da Educação se atentará primordialmente para questões cognitivas/de aprendizagem comportamentais/de interação social e do desenvolvimento. Tal compreensão pode evidenciar outras práticas em Psicologia Educacional que atendam diferentes atores. sociais e biológicas em todo ciclo da vida. ela pode contemplar diferentes necessidades dos alunos. entre outras ―psicologias‖ de seus campos de abrangência. na Universidade. sejam elas as vividas nos espaços escolares. na universidade. Dessa forma. da psicologia da aprendizagem. os educadores e educandos. sejam as decorrentes de interações sociais e de aprendizagem experimentadas nos mais diversos ambientes físicos ou virtuais. nas duas primeiras décadas do desenvolvimento humano. no bem decorrer do ofício que envolve professores e alunos. a Psicologia estará presente na escola em todos os momentos. da psicologia do desenvolvimento. antropologia. Mota (2005) diz: O desenvolvimento humano envolve o estudo de variáveis afetivas. Tradicionalmente o estudo do desenvolvimento humano focou o estudo da criança e do adolescente. sociologia. ainda . Logo. da psicologia cognitiva. no alfabetização de adultos. até os estudantes adultos acompanhando todo o desenvolvimento do indivíduo. pode-se afirmar que a Psicologia pode contribuir com todos os momentos da vida escolar. Neste sentido. portanto. educação. então.cognitivos da aquisição. da mais tenra idade à idade adulta. Desta forma faz interface com diversas áreas do conhecimento como: a biologia. crianças. auxiliar a educação e. jovens.

bem como no fazer pedagógico do professor. de 20 de dezembro de 1996). como temos destacado neste texto. até o momento em que a Lei deixa de ter efeito sobre os cidadãos: TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. Cole & Cole. 1998). e com o próprio conceito de infância como um período particular do desenvolvimento (Cairns. estendendo aos níveis mais superiores técnicos e científicos. a psicologia da educação tem papel preponderante na formação docente. 1984. 2005:105 – 111) Destas psicologias. o que significa a vida adulta em toda sua extensão educacional. cognitiva e outras. perguntando: a partir de que momento a psicologia da educação pode auxiliar na educação? Conforme reza a Lei de Diretrizes e Bases (LEI n. personalidade. na universidade. Logo. Só para citar algumas áreas temos: a psicologia social.394. O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: . 2004). os conhecimentos da psicologia do desenvolvimento. Mahoney. (Mota. educacional. visto que abrange. a psicologia da educação está com a educação desde o momento em que a criança é abrigada pela referida lei.hoje muitos dos manuais de psicologia do desenvolvimento abordam apenas esta etapa da vida dos indivíduos (Bee. que se inicia com a preocupação com os cuidados e com a educação das crianças.º 9. 4º. No entanto. dediquemo-nos a tratar de quando ela apóia os professores em seu ofício de ensinar. O interesse pelos anos iniciais de vida dos indivíduos tem origem na história do estudo científico do desenvolvimento humano. Cole & Cole. e hoje há um consenso de que a psicologia do desenvolvimento humano deve focar o desenvolvimento dos indivíduos ao longo de todo o ciclo vital. 1983. Agora que já vimos como a psicologia educacional pode contribuir com e na educação. Ao ampliar o escopo de estudo do desenvolvimento humano. cognitiva. por exemplo. a educação começa ao zero ano. este enfoque vem mudando nas últimas décadas. de uma maneira ou de outra. 2004. a psicologia do desenvolvimento acaba por fazer interface também com outras áreas da psicologia. para além da infância e adolescência.

VII .atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais.Aspectos biológicos do desenvolvimento Do ponto de vista da criança. segundo a capacidade de cada um. II . mas também sob os constructos do desenvolvimento biológico e afetivo da criança. época em que a criança passa pela aquisição da linguagem. Tal abrangência da educação implica em que se deva pensar essa área do conhecimento.progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. a primeira grande fase que podemos mencionar engloba do zero aos 36 meses.I . VI .ensino fundamental. como já mencionamos. obrigatório e gratuito. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. III .1.acesso aos níveis mais elevados do ensino. preferencialmente na rede regular de ensino. da pesquisa e da criação artística. na creche ou na escola infantil). aprende a andar e tem interações sociais que vão do amamentar-se (interação com a mãe) até os primeiros contatos escolares (interação com coleguinhas. V . adequado às condições do educando. IV . inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria. . do adolescente e do adulto.oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. cuidadores e professores. 3.oferta de ensino noturno regular. não só sob a égide da educação propriamente dita.atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade.

18 ou 19 anos. quando uma criança levanta a saia da professora. desconhecimento pais. com igual cuidado. Em particular. ou alunos. principalmente. em toda a sua extensão. professores mesmo médicos equivocadamente. interpretarem/lidarem inadequadamente com comportamentos de seus filhos. a moral e a ética desse aluno estarão melhor solidificadas. não achando que tais fases são fatores determinísticos. por vezes vistos como comportamentos sexuais. agora consoante seu gênero. pois. conhecer as fases psico-afetivas porque passam seus alunos. será de responsabilidade do professor. biológico e cognitivo. e que os acompanham até o início da vida adulta. o professor deve estar alerta para as manifestações sócio-afetivas e comportamentais de seu aluno. como por exemplo.Podemos dizer que um segundo momento importante no desenvolvimento humano é aquele compreendido entre 3 e 6 anos. com o consequente . também aqui. para o que a Psicologia da Educação constitui importante fonte de conhecimento. por essa época. indesejados pelos professores. ao fato de os professores nem sempre terem informações científicas e corretas leva a respeito do desenvolvimento e até humano. E isso se deve. para momento de significativa transformação. que podem incluir manifestações de sexualidade entre as crianças. Considerando que a fase da adolescência também será vivenciada na escola. Esse a. a criança evolui. muitas vezes. seja sob o aspecto social. seja sob o aspecto psicológico. fase em que muitas das crianças estarão na escola ou prestes a nela entrarem. quando a identidade. Dos seis anos até por volta de 11 ou 12 anos. responsabilidade esta que não deve fugir aos professores universitários que recebem. Em última instância. contribuir. para além de ensinar conteúdos didáticos. adolescentes de 17. da tia ou mesmo da avó. mas tendo a certeza de que são componentes de significativa importância para a interação de ambos. ou delas em relação a adultos. Novamente. com a formação humano-crítica e cultural do estudante. as crianças manifestam comportamentos. será crucial para o docente conhecer as fases biológicas do desenvolvimento humano e. depois de tantos anos sob os ensinamentos de seus professores. em ambientes escolares.

numa teia social em que o afeto deve ser visto como sendo inerente ao indivíduo.) para compreender a complexidade do desenvolvimento humano é necessário adotar uma perspectiva sistêmica que seja capaz de integrar os múltiplos subsistemas do indivíduo.Desenvolvimento sócio-afetivo e construção da identidade do sujeito Como já delineamos anteriormente. a psicologia social. não são as disciplinas em si que ajudarão o professor no exercício de ensinar. cit. Para além de uma linha mestre do desenvolvimento biológico. o homem se constrói pela construção do outro. tais como. A esse respeito. 2005.2. . s/p) Entretanto. Dessen e Guedea (2005) dizem: (. a sociologia e a antropologia. com fases mais ou menos determinadas. da inteligência. a neuropsicologia. dentre os quais o da emoção.desenvolvimento no processo de aprendizagem pelo aluno e pelo desenvolvimento do processo de ensino pelo professor. na interação do outro com o eu de cada um. a fisiologia. serão os conteúdos por ela trazidos. de outro esse desenvolvimento influencia psicossocial e afetivamente o indivíduo. verifica-se que o desenvolvimento é bem mais complexo e tem como mola propulsora um conjunto de fatores. o olhar e a postura do docente. 3. (op.. Isto requer a contribuição de diferentes disciplinas. a biologia e a psicologia do desenvolvimento.. Como temos visto até aqui.. para com esses conteúdos. conforme veremos a seguir. o do afeto e de tudo mais que enriquece o homem em suas relações e inter-relações humanas. influenciando o desenvolvimento do estudante. se de um lado há os fatores biológicos e sociais. e a quantidade de afeto que dispuser para o ensinar. que farão a diferença para o aluno.

fortalecerá outros e. na interação humana. há questões cruciais que o homem tem de enfrentar no decorrer de sua vida. Consoante Barros e Barros (1999). na infância. enfim. sendo feliz e causando felicidade. Na adolescência. professores e de muitas outras pessoas. a criança teve uma longa série de identificações e.Cada um. ao estar em sociedade é afetado pela composição sóciohistórica de seu grupo social. cuja identidade pode estar prejudicada pelo grau de não sentimento de pertença à sociedade. se de um lado a escola é o segundo ambiente social do indivíduo. de estar junto de outro. se não tiver um objetivo na vida. integrada. no que se transformar e que ―cara‖ ter. Responder a essas questões tem sido um desafio para a psicologia. descobrir quem é e ser capaz. Somado a fatores biológicos como os que ocorrem na adolescência e. No entanto. ainda responsável pela construção e/ou reconstrução e reformulação desse grupo. se constrói possibilidades de estar com o outro. Durante todo o desenvolvimento. uma escola plural. Se não puder ―se encontrar‖. Logo. foi adquirindo algumas características dos pais. O que ser. a educação tem dado conta de oportunizar ao sujeito uma reflexão que possibilita perceber que. que oportuniza o contato com a diversidade humana. o indivíduo abandonará alguns aspectos de suas identificações anteriores. diremos que ele sofreu difusão de identidade‖ (op. deverá encontrarse. por vezes na inconsciência do indivíduo e que ditarão sua vida.. são perguntas feitas. tanto quanto para outras áreas da ciência. de responder à pergunta central. Ao conseguir definir sua identidade. o adolescente começa a considerar-se uma pessoa coerente. ajuda o estudante na elaboração de constructos que lhe permitirão viver em sociedade. sendo. finalmente. de outro. 1999:94) . assim. mais ainda. antes disso. única. Em outras palavras. cit. ela pode ser responsável pelo ―isolamento‖ (pela exclusão) desse mesmo indivíduo. com maior possibilidade de interação social.

fósseis e 3 A ilustração de Piaget. formulou. Quadro 1.Perspectivas psicológicas sobre os processos de ensino e aprendizagem e suas implicações para a educação 4. sustentou e defendeu uma teoria do conhecimento. na Suíça. respectivamente. do behaviorismo skinneriano. Desde criança. Esse autor.1 . teses e livros têm sido escritos. esteada na gênese de como o homem aprende. assim como todas as outras ilustrações deste texto. discutindo.Construtivismo Um dos mais influentes autores na educação moderna. refletindo ou repercutindo a teoria piagetiana. 4 . desde sua mais tenra idade à vida adulta. do construtivismo e sóciointeracionismo de Piaget e Vygotsky. principalmente advindas da psicanálise freudiana. mecânica. para a qual oferece conceituação. “um acervo de conteúdo livre da Wikimedia Foundation”. explicação e sustentação. em 09 de agosto. foram extraídas do Wikimedia Commons. é o suíço cuja teoria inspirou escolas a adotarem um método construtivista de ensino e que artigos. no Brasil. oriundo da biologia. dissertações. Jean Piaget3 (1896-1980).Nos tópicos a seguir veremos de que maneira os constructos da Psicologia da Educação refletem ou são refletidos na educação. . interessa-se por história natural. ao lado.Biografia de Piaget 1896 Jean Piaget nasce em Neuchâtel.

1907 Aos 11 anos. Tem aulas com Jung e trabalha como psiquiatra em uma clínica. 1915 1918 Licencia-se em Biologia. em grande parte. Lucienne(1927) e Laurent (1931). publica seu primeiro trabalho sobre a observação de um pardal albino.zoologia. com quem tem 3 filhos: no laboratório de Alfred Binet. Rousseau da Universidade de Genebra. 1947 Piaget publica seu primeiro livro de síntese da teoria. aos 84 anos. aos 22 anos de idade. J. o pensamento físico. 1923 Casa-se com Valentine Châtenay. 1980 Piaget falece em 16 de setembro. ―A psicologia da Inteligência‖. psicológico e sociológico. a clareza e a solidez dos argumentos . Conclui o doutorado em biologia. que. Trabalha infantil. Piaget vai para Zurich. em que explica o pensamento matemático. Piaget desenvolveu sua epistemologia genética. onde trabalha como psicólogo experimental. 1919 Piaget muda-se para a França. deixando aproximadamente 70 livros e mais de 700 artigos. um famoso psicólogo Jacqueline(1925). Muito embora a teoria genética de Piaget não seja um método de ensino (e não pode ser entendida como tal). 1950 Publica o livro ―Introdução e Epistemologia Genética‖. Após formar-se. Teria sido pela observação do desenvolvimento dos seus filhos. 1949 Recebe o título de doutor honoris causa da Universidade do Brasil (hoje UFRJ). 1921 Piaget retorna à Suíça e torna-se diretor de estudos do Instituto J. o biológico.

não é senão uma explicação de como adquirimos conhecimento. isto é. é que para Piaget uma criança não é uma taboa rasa ao chegar à escola. Assim. de uma origem genética do conhecimento. Sob a égide da teoria construtivista piagetiana. Como Piaget considera a existência de uma gênese. a criança ao construir conhecimento não erra. para Piaget. no não ignora a dedica interação maior social na construção às fases do bio- entanto. do aprimoramento de sua construção. porém se e quando estiver biologicamente preparado. uma formulação cognitiva do aprender. a epistemologia genética de Piaget. o ―erro‖ é uma manifestação do conhecimento que caberá ao professor identificar para. para explicar como ela aprende. De fato. contribuir com o estudante na aquisição do conhecimento. isto é. a muitos confundirem a psicologia genética como método ―construtivista de ensino‖.piagetianos de como a criança constrói ativamente o conhecimento. a robustez de sua teoria epistemológica. Entretanto. o ser cognoscente atua sobre o objeto cognoscitivo de acordo com fases mais ou menos estabelecidas do desenvolvimento biológico do indivíduo. Piaget conhecimento. por intermédio daquilo que tradicionalmente se entendia como erro. a partir daí. Com efeito. de alguma forma estimulados pelo professor. Em outras palavras. nem tão pouco se lhe pode impor conhecer aquilo que o professor deseja ensinar. ou seja. mas não unilateralmente ensinado por este. no processo de ensino/aprendizagem construtivista. mas demonstra. o indivíduo constrói o conhecimento na medida em que atua sobre esse conhecimento interage com ele. estruturamos este conhecimento em nossas mentes e o manifestamos em nossas ações. e ainda tem levado. importância desenvolvimentais da criança. Na epistemologia genética. levou. ele não concebe uma influência . a criança ao chegar á escola traz consigo conhecimentos a partir dos quais poderá construir outros.

 com aproximadamente 1 ano e meio a tem capacidade de representar um criança significado a partir de um significante. a partir de nossa interação ativa sobre o meio e os objetos cognoscitivos. significa que já ao nascer estamos estruturados bio-psiquicamente para construirmos conhecimento. Isso não quer dizer que o conhecimento é ingênito. . 7 a 11 anos Estágio operatório  agrupamento. atividade simbólica pré-conceitual. No estágio sensório-motor o campo da inteligência aplica-se a situações e ações concretas. essa capacidade vai-se especializando à medida que nos desenvolvemos em diferentes fases ou estágios do desenvolvimento. capacidade de classificação. reversibilidade. linguagem comunicativa e egocêntrica. 2 a 6 anos Estágio operatório pré     reprodução de imagens mentais.determinante das relações sociais sobre a construção do conhecimento. uso do pensamento intuitivo. A exemplo disso. pensamento incapaz de descentração.Estágios do Desenvolvimento Idade Estágios de Principais características  desenvolvimento 0 a 2 anos Estágio sensório-motor desenvolvimento inicial das coordenações e relações de ordem entre as ações. embora considere os efeitos do ambiente físico sobre o processo de aquisição do conhecimento. porém.  início de diferenciação entre os objetos e entre o próprio corpo e os objetos. Segundo a epistemologia genética de Jean Piaget. notemos o quadro a seguir: Quadro 2.

adquirimos todas essas capacidades as quais lançaremos mão. teremos ao dispor todas as ferramentas cognitivas necessárias e relevantes à aquisição de novos conhecimentos. tanto quanto adequadas ao entendimento do conhecimento outrora adquiridos e que na fase adulta poderão ser melhor elaborados. Assim. capacidade de pensar sobre hipóteses e idéias abstratas. 11/12 anos em diante Estágios operações formais das   transição para o modo adulto de pensar. permitindo com que possamos. não se possa observar um misto das características oscilando ora para aquelas da fase anterior. também Piaget reconhece que será por meio desta que o ser humano adquirirá e expressará conhecimento e interagirá socialmente. Na interação sujeito-objeto. conforme elas melhor se adequarem à natureza do que estivermos conhecendo. cada estágio tem características próprias mais ou menos determinadas cronologicamente. enquanto adultos. por meio da linguagem. De fato. algo terá particular importância na manifestação do conhecimento. Isso não exclui a possibilidade de que na passagem de uma fase etária para outra.  linguagem como suporte do pensamento conceitual. Durante todas essas fases do desenvolvimento. Muito embora será Vygotsky que se deterá com maior profundidade à linguagem. Esse algo será a linguagem. Conforme se pode observar do quadro acima. a criança manifestará. ao passarmos pelos diferentes estágios. ora com ênfase nas características pertinentes à atual fase. as construções que está formulando.concreto   linguagem socializada. atividades realizadas concretamente sem maior capacidade de abstração. .

portanto. autonomia.Processos cognitivos Processos cognitivos Organização Conceituação  constitui a habilidade de integrar as estruturas físicas e psicológicas em sistemas coerentes. Adaptação  Adaptação é o equilíbrio entre os processos de assimilação e acomodação. No quadro abaixo. da acomodação. organização.indiretamente. á medida que interagimos intelectualmente com novos objetos no meio físico e social (Wadsworth. Segundo a teoria piagetiana um esquema é um conjunto de processos dentro do sistema nervoso.  a organização. equilibração.  é a essência do funcionamento intelectual. Tais estruturas não são fixas. verifiquemos algumas características dos principais conceitos piagetianos: Quadro 3. logo só pode ser inferido e. junto com a adaptação. 1986). 1996 e Pulaski. pelo contrário estão em constante transformação. preconceito e esquema. constituem processos indissolúveis do pensamento humano. identificar os processos cognitivos dos quais ela se está valendo para conhecer. adaptação. Disso entendemos que um esquema não pode ser observado diretamente. em que a estrutura hereditária do organismo interage com o meio externo.  é um processo dinâmico e contínuo.  é uma das tendências básicas inerentes a todas as espécies. Esquema  estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os . são estruturas cognitivas hipotéticas. de modo a se reconstituir. Tais processos envolvem conceitos como o da assimilação. assim como a essência do funcionamento biológico.

psico-biológica e socialmente.   possibilita ampliação dos esquemas. a assimilação.indivíduos organizam o meio.  no adulto os esquemas são derivados dos esquemas sensório-motores da criança e. abre-se espaço para encaixar o estímulo no esquema.  a acomodação não é determinada pelo objeto. A assimilação explica o crescimento da inteligência (uma mudança quantitativa na vida mental). ou adquirida a partir das modificações do conteúdo da estrutura inata inicial. Na acomodação. os processos responsáveis por esses mudanças nas estruturas cognitivas são assimilação e acomodação.  não é um processo suficiente para. necessário para assegurar à criança uma .  é considerada como um mecanismo auto- regulador. garantir o desenvolvimento de novas estruturas cognitivas.  estruturas que se modificam á medida que nos desenvolvemos. daí. Assimilação  integração de novos elementos à estrutura já existente ou construída. como no caso dos reflexos no recém-nascido.  esse processo é contínuo durante toda a vida do ser humano .  uma vez ocorrida a acomodação. Equilibração  trata-se de um ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação. seja ela inata. porém pela atividade intelectual do indivíduo sobre o objeto cognoscitivo. Acomodação  é o aspecto da atividade cognitiva que envolve a modificação dos esquemas para corresponderem aos objetos da realidade. ocorrendo. temos que mudar nossos esquemas ou criar novos para acomodar os novos estímulos. sozinho.

na epistemologia genética. opinião formada.  A criança. ou seja.  Não relaciona entre si os diferentes aspectos ou dimensões de uma situação.  é um processo ativo pelo qual uma pessoa responde a distúrbios ocorridos em sua maneira comum de pensar. focaliza apenas uma única dimensão do estímulo. Preconceito  o preconceito em Piaget é uma construção cognitiva prévia a um dado conceito e que tem limites em relação a este. antes dos 7 anos. em equilíbrio. de satisfação.  A criança consegue perceber apenas um dos aspectos de um objeto ou acontecimento. o preconceito. significa ser capaz de considerar os fatores . centralizando em si própria. através de um sistema de compreensão. não pode ser classificado como: ―Julgamento. o organismo está constantemente buscando um estado de equilíbrio.interação eficiente dela com o meio-ambiente.  na equilibração. religiões‖. sendo incapaz de levar em conta mais de uma dimensão ao mesmo tempo.  o preconceito foi uma construção anterior a respeito sob nova atividade de um dado objeto. ódio irracional ou aversão a outras raças. a qual interacionista do sujeito precisará ser elaborada para que um novo conceito seja construído. intolerância. isto resulta em nova compreensão e satisfação. credos. Egocentrismo  Incapacidade de se colocar no ponto de vista de outra pessoa.  assim.  autonomia não é a mesma coisa que liberdade completa. Autonomia  a essência da autonomia é que nos tornamos capazes de tomar decisões sozinhos.

da estrutura cognitiva de e para a aquisição do conhecimento. nossa construção de mundo é uma construção mediada por fatores biológicos (desenvolvimentais). Contudo. e não esgotam as possibilidades individuais e da coletividade humana para a apreensão do meio social e físico. e sociais (influenciados pelas relações com o outro).relevantes para decidir qual deve ser o melhor caminho da ação. mas não isolado. de acordo com o desenvolvimento humano. Nem de longe este quadro esgota conceitualmente os termos apresentados. é importante notar que a construção do conhecimento envolve a própria construção de uma moral. físicos (influenciados pelo meio). Nessa linha. a psicologia genética de Jean Piaget também se dedica a oferecer subsídios para que entendamos a moral sob a égide de uma construção epistêmica do conhecimento. nossa interação com o objeto cognoscitivo é ativa e opera nesse objeto em função de como e quando se está numa interação social com o outro regulador. são constituídas e constituintes do tão intimamente ligada com as etapas do conhecimento. Essas etapas constituem. E é por não estarmos isolados numa sociedade que o conhecimento que construímos está mediado pelo outro e não exclusivamente por nossa atividade. o desenvolvimento da moral ocorre por etapas. O estudo do quadro acima nos permite um olhar relâmpago sobre a psicologia genética de Piaget a partir da compreensão de como Piaget compreendia os conceitos que explicitam sua epistemologia genética. individual e coletiva. Consoante Piaget. Logo. oferece um ponto de partida para a compreensão de uma teoria do conhecimento. desenvolvimento humano. Isto é. em que cada indivíduo está inserido. Por isso. Em função desses fatores. ―toda . para Piaget (1977).

o último estágio do desenvolvimento da moral. a moral em Piaget é um ato inteligente. que se funda no desenvolvimento da pessoa humana. As regras e deveres são vistos como externos. Na fase da autonomia. respeitá-lo e entendê-lo como co-regulador de uma sociedade em que o eu não está isolado de um nós e que. inteligência é uma condição necessária para a construção de uma moral. Piaget . do outro. impostos coercitivamente e não elaborados pela consciência interna no indivíduo. São três as fases do desenvolvimento moral na teoria piagetiana: anomia. visto que as relações entre moral e inteligência são processos de construção intelectual. Na anomia (crianças de até 5 anos). os deveres são cumpridos com consciência de sua necessidade e significação. Com efeito. e sim pelo sentido de hábito.moral consiste num sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras‖. a lei vem do exterior. a moral piagetiana não tem um começo e fim estanques. e que se esteia nas estruturas cognitivas. para uma sociedade desenvolver-se intelectual. cada um deverá contribuir para a construção coletiva. não é identificada a moral. 10 anos de idade). porém não suficiente para o desenvolvimento desta.Implicações na Educação* . na interação com o outro em sociedade. de dever. pois a criança ainda não está mobilizada pelas relações bem x mal. Na fase da heteronomia (crianças até 9. A moral é uma construção contínua. Embora dividida em fases. heteronomia e autonomia. Em outras palavras. inteligente e socialmente. capazes de. aprioristicamente definidos e hierarquicamente determinados em função do desenvolvimento biológico. perceber esse outro.

1986. • Abordagem construtivista. SP. Livros de Piaget. RJ. • Considerar os conhecimentos da criança e o seu nível de pensamento.  Psicologia A linguagem e o pensamento.Sócio-construtivismo . • Promoção da saúde intelectual dos estudantes. Record. • Avaliação contínua. *adaptado de Ana Almada. desenvolvimento do raciocínio na criança. 1977. Martins Fontes. RJ. 1969.2. • Facilitar em vez de direcionar a aprendizagem. 1973. 2006. recomendados para leitura:  Para O onde vai a educação? RJ. José Olympio. 4.Princípios da teoria de Piaget – Aprendizagem por descoberta – Prontidão para a aprendizagem – Diferenças individuais • Piaget acreditava que as crianças só aprendiam através da sua ação sobre o ambiente. 1990  Epistemologia A formação do símbolo na criança. Forense. 1973. SP. Genética. •Tornar a sala de aula num espaço de exploração e descoberta. Sahar. e Pedagogia. RJ. Martins Fontes.

e na própria condição de saúde e socialização do ser humano. são exemplos de investigadores da língua. psicólogos e muitos outros cientistas. psicólogos. época. o mais importante estudioso da .C. gramáticos.Ao longo do desenvolvimento humano. por seu caráter indispensável à comunicação humana. certamente. inconscientemente. quando se fizeram os primeiros estudos sobre a Língua Sânscrita. a força física era imprescindível à segurança do homem. desejamos omitir. Assim. na sua concretização. Ao longo de nossa história. Há várias formas de linguagem. dentre as quais a mais elaborada é. Num passado mais distante. A língua. antropólogos. linguistas. seja oral. É através da língua que manifestamos.. o cérebro humano foi talhado para pensar e produzir a linguagem. como Freud (1856-1939). pois. enquanto sua manifestação e produção. o homem vem aprimorando suas capacidades mentais sobre suas habilidades físicas. chamamos linguagem. seja de sinais (Libras. Na Psicologia da Educação. Ontogeneticamente. tem sido motivo de reflexão pelo homem. filósofos. à caça e ao desenvolvimento de ferramentas que permitissem a defesa. de diversas áreas. têm-se dedicado ao estudo da língua e sua influência na sociedade humana. como Saussure (1857-1913). por exemplo). a qual é entendida como uma via de expressão e registro do saber humano. religiosos. aquilo que pensamos conscientemente e mesmo aquilo que. Por essa a via de comunicação relacionava-se. intrinsecamente. sem dúvida. desde o Séc III A. e para a própria caça. A necessidade de transmitir ao outro o conhecimento colaborou com o próprio desenvolvimento daquilo que hoje chamamos pensamento. e do que. e linguistas. a língua.

não exclui. portanto. Na interação dessa criança com outra. De fato. pode manifestar um conhecimento X e ter o potencial Y. . manifestar o conhecimento Y. A mediação. de modo algum. não só ativa. a primeira não só poderá ampliar o conhecimento X. mesmo antes que ela passasse de um estágio biológico para outro posterior. facultou o desenvolvimento da primeira. mas. Para Vygotsky há uma zona de desenvolvimento em que se pode mediar o conhecimento pela interação com o outro que já tem construído tal conhecimento. quando já houver sido aprendido conhecimentos prévios e necessários. Isso significa que uma criança. Assim como Piaget. Esse processo resultará. compreendendo que o conhecimento manifesto não é a única expressão do conhecimento do indivíduo. Vygotsky criou seu próprio entendimento de como conhecemos e de como esse conhecimento é favorecido quando estamos em sociedade e a nós é disponibilizado um mediador. embora compreenda que há conhecimentos que podem ser desenvolvidos em dado momento da vida humana. mas significativamente interativa. o conhecimento potencial. por exemplo. a manifestação de um conhecimento é indicativa do conhecimento real. portanto. possibilitada pela interação da primeira criança com a segunda. A aprendizagem é. e principalmente.linguagem foi Lev Semynovitch Vygotsky (1896 – 1934). em novo conhecimento real X e novo conhecimento potencial Y. Essa interação será mediada pela linguagem sempre entendida como manifestação do pensamento. e outros que só poderão ser alcançados em momento posterior. Um grande ganho da teoria do conhecimento de Vygotsky é a ênfase dada ao papel da interação com o outro. A teoria do conhecimento proposta por Vygotsky não restringe o indivíduo a uma fase do desenvolvimento biológico.

comumente conhecida pela sigla ZDP.Biografia de Vygotsky 1896 Lev Semynovitch Vygotsky. e conseguem demonstrar o conhecimento quando a interação social. Vygotsky. A epistemologia de Vygotsky não é. dirige a seção de teatro do departamento de educação e ainda profere várias palestras a respeito de ciência. Essa teoria. 1918 Forma-se em Direito pela Universidade de Moscou. com quem tem duas filhas. De família judaica. 1917 a 1923 Funda uma editora. cria uma revista literária. uma metodologia em si. que Vygotsky descobriu que estas crianças aprendem muito mais com mediadores. em 5 de novembro. estrutura um laboratório de psicologia. certamente. Foi estudando e colocando seu conhecimento em prática. dentro da zona de desenvolvimento proximal. ver quadro abaixo).Sob a teoria interacionista de Vygotsky. na Bielo-Rússia. com crianças com deficiência. onde ele anteriormente só via uma manifestação de ―baixo conhecimento‖ ou de nenhum conhecimento. propicia ao educador descobrir conhecimento na criança. nasce na cidade de Orsha. . Quadro 4. sua mãe era educadora e seu pai trabalhava companhia de seguros. as condições para a aprendizagem e os recursos necessários para suprir a necessidade (ocasionada pela deficiência) são supridos. uma vez colocada em prática. deixou contribuições que apenas agora estamos melhor entendendo e que psicólogos e educadores têm aplicado. uma criança que ainda não aprendeu poderá fazê-lo dada as condições e mediação necessárias. num banco e numa 1924 Casa-se com Roza Smekhova. porém uma teoria do conhecimento. apesar de seus poucos anos de vida (viveu apenas 37 anos. literatura e psicologia.

1924 Aos 28 anos. após apresentação de trabalho no II Congresso de Psicologia em Leningrado. deixando cerca de 200 trabalhos sobre Psicologia e 100 sobre arte e literatura. 1930 Publica o livro Estudos sobre a história do comportamento. Como apontamos anteriormente. O consciente como problema da psicologia do comportamento. 1932 Publica : Lições de psicologia 1934 No ano em que publica Pensamento e Linguagem. morre de tuberculose. . este texto busca oferecer uma compreensão do que vem a ser a Psicologia Educacional como uma ferramenta na educação e não uma prática de uma Psicologia Clínica da educação. trabalhos. têm alcançado sucesso na educação de pessoas com deficiência intelectual (principalmente pessoas com Síndrome de Down). como o do Projeto Roma. abriram-se-lhe as portas do Instituto Moscovita de Psicologia. 1928 Publica: A pedologia de crianças em idade escolar. Publica: 1925 Os princípios da educação social das crianças surdas-mudas. Defende tese de Doutorado sobre Psicologia da Arte. é descoberto pela comunidade científica russa. Devido à competência e à firmeza do conhecimento que apresentou. em que o mediador é parte crucial e indispensável no processo de ensino de crianças jovens e adultos com essa deficiência. Destarte.

que está esteada na crença de um potencial humano e no entendimento de que o conhecer e o conhecimento não podem ser atrelados a fatores biológicos (de uma fase específica do desenvolvimento. não tomará o conhecimento ainda não manifesto como uma construção inatingível. o professor. o professor poderia. mental/intelectual e múltipla). Alguns dos principais conceitos vygotskianos são resumidos quadro abaixo. em que a parceria na construção do conhecimento superasse o individualismo na construção do conhecimento. linguísticos e étnicos. ou razão de deficiência sensorial. por meio de uma ação sócio-interativa. norteando o trabalho deles com subsídios que vão da postura para com seus alunos à metodologia de como os ensinar. de modo que cooperativamente este venha desenvolver seu potencial. o professor não presumirá uma incapacidade para o aprender. e sob forma tradicionalmente inesperada. culturais. A teoria do conhecimento de Vygotsky não é simples. É uma teoria profunda. buscará ele próprio.Conceitos básicos Processos cognitivos Características . pelo contrário. em diferente tempo. Por outro lado. ou por intermédio de um outro aluno que já alcançou o conhecimento. física. a teoria sócio-interacionista de Vygotsky é de rica contribuição pra educadores. ainda. o educador. propor atividades educativas. ele entenderá que. sob a égide da teoria vygotskiana. alcançando o conhecimento que aparentemente não seria construído pela atividade individual do estudante. o potencial para a aprendizagem aflorará mesmo que de maneira diversa. acabada e nem mesmo antiga ou ultrapassada. Colocando em prática a teoria sócio-interacionista de Vygotsky. interagir com o primeiro aluno. cujo conhecimento real se apresenta aquém do esperado. no Quadro 5.Assim. fatores sociais. Perante uma criança.

O ser cognoscente não tem acesso direto aos objetos cognoscitivos. operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe. pode aparecer na forma de objetos. o outro social. O acesso é mediado. sociedades diferentes produzem estruturas linguísticas diversas. mediação entre sujeito e objeto do conhecimento.Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante de processo de recriação conceitos e e reinterpretação significações. . É Fundamental para o desenvolvimento do e se torna .É interpessoal na interação social.O mediador.Sistema simbólico dos grupos humanos.Mediação . através de recortes do real. ou seja. . .Representa um salto qualitativo na evolução da espécie humana. .É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente e culturas transmitidas. não é apenas e tão somente o indivíduo. mundo cultural que rodeia o indivíduo. portanto. ambiente. Processo de internalização informações. Cultura . . Linguagem . intrapessoal. no potencial humano. formas de organização do real. organização.Fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade. na medida em que fornece conceitos. . o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real.Vygotsky defende a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações.A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para tornar-se uma atividade interna. .

é irrefutável que os preceitos de . da proposta epistemológica de Lev Vygotsky. Devido ao pouco acesso que se pôde ter aos seus escritos originais (em russo). de origem cultural. fenotípicas. No entanto. necessidade. Zona de Desenvolvimento Atividade ou conhecimento que a criança ainda não domina. Pode ter origem interna e/ou externa. Função mental . oposto ao curto tempo de vida de Vygotsky. interesse.É a zona cooperativa do conhecimento. sociais. de fato. .o pensamento tem origem na motivação.funcionamento psicológico humano. Zona Real de Desenvolvimento Tudo aquilo que a criança é capaz de realizar sozinha. desenvolve na interação interpessoal e se transforma intrapessoal. percepção e atenção. esperado porém que lhe é Potencial saber e/ou realizar. a exemplo de existência de deficiência. de origem racial ou étnica. Proximal Em relação geométrica. em um dado momento. sua contribuição pra a psicologia e para a educação é de dimensão ainda incalculável. Zona de Desenvolvimento . . afeto e emoção.processos de pensamento. culturais e outras.O mediador ajuda a criança a transformar o desenvolvimento potencial em desenvolvimento real. memória. independentemente de características genéticas.Distância entre o que a criança já pode realizar sozinha e aquilo que ela é capaz de desenvolver com o auxílio ou mediação de alguém. ou de qualquer outra forma. muito pouco ainda conhecemos e entendemos. em função da censura que ele próprio sofreu na Rússia e que seu trabalho sofreu no mundo ocidental (mormente por questões políticas do pósguerra). . manifestando conhecimento do aprendido. impulso. social ou linguística.

colega de sala de aula. os pais.  Transformação da sala de aula. O ensinamento de Vygotsky a respeito do potencial humano.  Monitorização e encorajamento da linguagem/discurso interior.  Jogo do faz de conta é o contexto ideal para promover o desenvolvimento cognitivo. como dissemos. . Sem sombra de dúvida. que entra em contato com a teoria psicológica sócio-interacionista de Vygotsky. criança. podemos dizer que um educador ou um psicólogo. não ser um método de ensino. *adaptado de Ana Almada. que é impossível pensar numa educação que não seja socialmente participativa. tudo e todos que pertençam ao mundo social do indivíduo cognoscente. no indivíduo cognoscente. apesar de. seja professor. Descoberta independente (Piaget).  instrução em contextos significativos. o que poderia ver antes. 2006. cooperativa e interativa com o ser aprendiz e seu mediador. o modo de transformar o conhecimento manifesto pela interação com o outro social é de tal forma relevante nos dias de hoje. jamais verá no estudante.  Promove aprendizagem cooperativa.  Descoberta assistida vs. amigo. adolescente ou adulto.sua ciência têm efeito direto na educação. IMPLICAÇÕES DE VYGOTSKY NA EDUCAÇÃO*  Participação ativa do sujeito e aceitação das diferenças individuais.  Acompanhamento e utilização da ZDP da criança.

e Santos Dumont. SP.Livros de Vygotsky recomendados para leitura     A Formação Social da Mente. a respeito de uma dada matéria por eles investigada. que pudesse voar. Por exemplo. não tinha conhecimento da teoria do conhecimento. Martins Fontes. 2003 4. área que ele próprio se dedicava a construir. SP. oriundos de locais diversos. muitas vezes acabam conclusões sem uma interação direta. 1999. Martins Fontes. SP. Porto Alegre. No entanto. Como vimos. os irmãos Wright nos Estados Unidos. à época da postulação da teoria piagetiana. mais pesada que o ar. Piaget e Vygotsky foram contemporâneos. Psicologia da Arte. Na educação. Martins Fontes. 2001 Pensamento e linguagem. mesmo diversas. por chegarem a ou semelhantes. embora apenas durante os 37 anos de vida de Vygotsky Vygotsky. tal ocorrência também não é incomum. que. é por em mera mesma distintos pensadores. .3. no Brasil. 1987 Psicologia Pedagógica.Behaviorismo Não coincidência época. ARTMED. investigaram a invenção de uma máquina.

acaba por contribuir significativamente para a área da aprendizagem. pensava o processo da aprendizagem não como uma teoria do conhecimento. de outro a teoria comportamental de Skinner nos remete a refletir a respeito de como o homem conhece o mundo e de como as informações por ele processadas interferem nas relações humanas. muitos estudiosos. senão por todas. ao ingressar no campo da Psicologia. na própria aquisição do conhecimento. são muitas vezes execrados. e a Piaget.Biografia de Skinner4 1904 Em 20 de março de 1904. Skinner. temos com clareza Paulo Freire (1921-1997) que de certa forma passou. nasce Burrhus Frederic Skinner. porém na vertente de sua transmissão e aquisição.De um modo também contemporâneo a Vygotsky. em seus grupos sociais de origem. se de um lado o construtivismo e o sócio-interacionismo são teorias do conhecimento. Como a história do conhecimento nos mostra. ignorado por outros. embora advindo da área das Letras. não são de pronto compreendidos (por vezes são mal interpretados). Quadro 5 . tendo reflexo no método de ensino.. em suas respectivas épocas. formara-se em Inglês (Vide quadro abaixo). para estudar Adaptado de Mendoza. Assim. Burrhus Frederic Skinner (19041990). Exemplo disso. 1928 4 manipulação. na Pensilvânia. na conhecimento. pela maioria dessas condições. ele certamente foi execrado por alguns. e frequentemente ignorados. Por conta de sua teoria. 2008 . EUA. na área da educação no Brasil. transmissão e manifestação do Entra para a Faculdade de Harvard. em seus países. etc. e mal compreendido por muitos.

Não obstante. 1938 Nasce sua primeira filha. o professor deve reconhecer no aluno as respostas que este dá aos estímulos educacionais que os materiais educativos fornecem e que os próprios professores oferecem. porém não necessariamente admitido.Psicologia. 1990 Morre aos 86 anos. Aceita o convite para ser professor em Harvard. como viria a ser percebido. Começa a trabalhar como professor na Universidade de Minnesota. Sob a égide do comportamentalismo. 1943 1948 Nasce sua segunda filha. sobretudo. com especial influência na educação a distância. tendo o professor de ser conhecedor do método que usa. Skinner reconhecia que o processo de ensino-aprendizagem necessita respeitar o ritmo individual do aluno. os princípios da teoria skinneriana teriam grande influência na educação. de como e com que se vai ensinar. não há lugar para uma docência que não prime pelo conhecimento do que vai ser ensinado e. para a transmissão do conhecimento. Deborah. Na teoria comportamental de Skinner. vítima de Leucemia. . como uma resposta às interpretações equivocadas sobre seu trabalho. Skinner escreve uma novela que trata sobre uma sociedade baseada no reforço positivo para controlar a conduta humana. publica o livro ―The Behavior of organsms‖. 1953 1968 1974 Escreve ―Science and Human Behavior‖ Escreve ―The Technology of Teaching‖ Publica ―About Behaviorism‖. 1931 1936 Recebe o título de Doutor Casa-se com Yvonne Blue. Julie.

agora positiva. isso se deu. Aulas que ofereçam audiovisual. enfim que sejam ricas em estímulos sensoriais. a partir do material a ele oferecido. A ênfase da teoria skinneriana residia em levar o estudante a aprender e a aplicar seu conhecimento no trabalho. Conforme a teoria skinneriana. . Se o aluno. são aulas previstas pela teoria comportamental de Skinner. o professor deve manipular o material de que dispõe. Valeu-se do processo de múltipla escolha para a avaliação e levou o professor a um status de técnico do ensino. inovadora e considerar o modo individual que cada aluno aprende. identificável. criou o que se veio chamar de máquina de ensinar. assim como no condicionamento para a manutenção ou remoção de uma dada resposta. ao contrário. que usem materiais interativos/dinâmicos. como o computador ainda não era popular e acessível como hoje. mensurável. conforme se espera que seja. Ao propiciar uma teoria esteada no estímulo e resposta. deve ser estimulante. Skinner. não demonstrar a aquisição do conhecimento esperado. o estudo do comportamento deve centrar-se naquilo que é percebido. Nesse sentido. isto é. Precursor daquilo que hoje conhecemos como educação a distância. o professor deve reforçar o aluno. incorretos. devido a Skinner ter vivido no período que englobou as duas grandes guerras. Isto porque. Certamente. naqueles que sejam condizentes com a aquisição do conhecimento. e a Guerra do Vietnã (esta tendo enorme impacto no povo americano). o que se pretende na teoria comportamental é transformar os comportamentos inadequados. o material didático.Assim sob a condição de uma resposta indicativa da aprendizagem. em grande parte. que propiciem experiências diretas com o objeto estudado. correta. recompensando-o pelo êxito alcançado. assim como a própria atuação docente precisa ser agradável. impróprios. estimulando o aluno a produzir nova resposta.

e muito. também conhecida como behaviorismo (do inglês behaviorism).Skinner contribuiu.Conceitos da Teoria de Skinner5 Princípios comportamentais Estímulo Resposta Conceitos • evento que afeta os sentidos do aprendiz. Skinner não negava esses componentes. os opositores de Skinner alegavam que ele desconsiderava a emoção e o afeto. . No entanto. assim como a interação social. apenas não se dedicava a investigá-los.são as respostas involuntárias (por exemplo reflexos). • Reação a um determinado estímulo • Tipos de Respostas: • Respondentes. Hoje. em particular depois que sua obra passou a ser melhor compreendida. Alguns dos principais conceitos da teoria comportamentalista de Skinner. mas este autor não tem mais o impacto que Piaget e Vygotsky ainda demonstram ter em nosso país. as quais não poderiam ser mensuradas. Quadro 6. para a educação. podem ser conhecidos no quadro abaixo. 2003. muito do que aplicamos na educação tem. • Operantes. de alguma forma.são repostas que damos. • a cada tipo de resposta está associado um Condicionamento 5 Adaptado de Rocha. no processo educacional. são controladas por um estímulo precedente. por acreditar que eram construções internas. e que operam em tudo o que fazemos e que tem um efeito sobre o ambiente ou outra pessoa. De fato. que ver com os princípios comportamentalistas de Skinner.

estudada na Psicologia da Educação. ao qual não está associado o reforço. pode contribuir favoravelmente com o ensinoaprendizagem. aumentam sua freqüência. a teoria skinneriana. porém não implica no aumento de freqüência. não pode ser a única a estear a prática docente. Esmaecimento (Fading) • quando dois estímulos diferentes são apresentados. .condicionamento. Generalização É responder de modo similar a estímulos diferentes. assim como as demais teorias. • Operante: ocasiona um aumento na frequência da resposta à qual o estímulo se seguiu. associado ao reforço. Pode ser: • positivo: quando os eventos ou objetos que vem após um comportamento. diferindo ao longo de duas dimensões. na qual a ocorrência de reforço é tornada contingente à ocorrência imediatamente anterior de uma resposta a ser aprendida. • existe um estímulo discriminativo (SD). Como buscamos mostrar. • negativo: fortalece a resposta que o remove e enfraquece a resposta que o produz. e um estímulo (SDelta). no entanto. Reforço • evento que resulta no aumento da resposta ao estímulo que a produziu. é o oposto da discriminação Discriminação É condicionar uma resposta na presença de um estímulo e extingui-la na presença de outro. Encadeamento • quando uma resposta pode produzir o estímulo para a resposta seguinte. que pode ser: • Respondente : elicia a resposta. Contingências de reforço • arranjo de uma situação para o aluno.

Skinner não fez isso. que aspectos biológicos do desenvolvimento podem influenciar na aquisição do conhecimento. é imprescindível notar que não basta propiciar estímulos. ainda. mormente esteada em bases genéticas. por exemplo. etc. No entanto. Isto é. e nem foi isso que propôs com sua teoria. pode colaborar com o professor. ao estimular a participação dos alunos nas aulas. fenotípicas. apontando para o fato de que ora recebe nomes diferentes. o professor. tanto quanto na atuação docente. em um setting clinico adequado. 4. culturais. Não obstante. certamente. área a abranger. Psicólogo educacional. oferecer reforços. em função de uma queixa específica. que tenha conhecimento da teoria comportamentalista. atender ao aluno ou mesmo ao próprio professor. aqui apontamos que a Psicologia da Educação. na escola. Mostramos.O Psicólogo da Educação.4. ou então. de maneira técnica. com o mesmo significado. contribuindo com este na escolha do uso do material didático. comportamentos impróprios. usar materiais agradáveis. ao ser apropriada pelo professor. linguísticas. dever ser como uma ferramenta auxiliar no processo de ensino. não devem. orientar o professor sobre como operar na remoção de praticados pelos estudantes em sala de aula. sociais. étnicas e/ou de deficiência. ou mesmo o psicólogo. porém nem é determinante.Outras perspectivas contemporâneas: retrilhando o caminho e apontando horizontes Até aqui. a ―‖psicologização‖ da educação foi aqui negada como uma prática indiscriminada na escola. se o professor desconsiderar o aluno. situamos a Psicologia da Educação dentro da área da Psicologia. pode e tem a competência de. ora recebe nomes semelhantes com nuances diferentes para o que quer dizer. . nem é determinado por eles. fazer da sala de aula uma clínica. Também.

. o papel do aluno e do professor na aquisição e transmissão do conhecimento toma diferentes enfoques.Com efeito. Todas essas percepções de como se transmite o conhecimento. Os aspectos desenvolvimentais foram considerados dentro das escolas estudadas. mas. ora é centrada no método de ensino. ao promover a avaliação do conhecimento manifestado pelo aluno. ritmo de aprendizagem. Vimos que. O professor. enfatizamos que a aquisição do conhecimento se dará pela interação social dos indivíduos com o meio. Destacamos que. na interação professor/aluno. acima de tudo. no modo que vê seu aluno. mais rápido ou mas lento. ora é centrada na interação sócio-cultural do aluno (sóciointeracionismo de Vygotsky). Piaget). ora é mediador do conhecimento sócio-desenvolvido com a interação do aluno (sócio-construtivismo de Vygotsky). Ora a aprendizagem é centrada na autonomia construtiva do aluno (epistemologia genética de J. e na maneira que o professor lida com as questões pedagógicas em sala de aula. por exemplo. percepção de erro. como é adquirido e como é manifestado. numa relação intrapessoal. ora é visto como detentor do conhecimento técnico das ferramentas de ensino (teoria comportamental de Skinner). etc. e ao fazê-lo ambos se transformam pelo movimento do afeto. tanto quanto delineados foram os aspectos afetivos. para que adquira o conhecimento e o manifeste quando esperado. sob diferentes teorias. se dará com a interação do indivíduo com outras pessoas. tomando-se em consideração o ritmo individual do estudante (teoria comportamental de Skinner). um modifica o outro. de respeito ao potencial individual e cooperação social. por sua vez é visto de um lado como facilitador do conhecimento a ser construído pela atividade do aluno (epistemologia genética de Piaget). influenciam/interferem na atuação docente. fazendo com que o professor aprenda com o aluno o modo com que este precisa ser ensinado.

o Psicólogo poderá orientar o professor a respeito dessa doença. diferenças sociais. baixa expectativa de futuro. até mesmo. e do professor. na ―carreira educacional‖. realmente. na verdade. advindas das diversas áreas da Psicologia. Ao atender a criança. quando querem estudar). dois sintomas clássicos do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. . uma teoria psicanalítica. não são apenas as doenças ou distúrbios que interferem no processo de ensino. Essa criança acabara por angariar. dificultam. seja de uma maneira direta. prejudicando. as crianças.Contudo. há todo um universo de possibilidades educacionais e de orientações. e até mesmo impedem o bom processo de ensinoaprendizagem. visto que ela é. e muito mais. por exemplo. Este pode deslocar. e isso será danoso para todos. acima de tudo. muito embora a Psicanálise não seja de fato uma teoria da Psicologia da Educação. em sala de aula. que podem contribuir na educação. em última instância. Da teoria Psicanalítica de Freud (1856-1939). limitam. a antipatia dos seus colegas (uma vez que pode atrapalhar estes. mas também demais estudantes e o próprio professor. ao ―responder-lhe de maneira desrespeitosa ou mal criada‖. mostrando-lhe que estes comportamentos são. econômicas. No dia-a-dia educacional. a um comportamento opositivo exacerbado. suas frustrações para um aluno ou uma dada classe. reverterá na aprendizagem do estudante. Nestas condições. alguns conceitos (ver quadro abaixo) podem ajudar-nos a entender esse processo. o Psicólogo com conhecimento em TDAH a ajudará compreender os sintomas que manifesta e lidar com as frustrações. seja por um atuação clínica que. distúrbios familiares. uma criança com TDAH pode manifestar comportamentos que vão da ―agitação extrema‖. advindas das respostas que recebe. Por exemplo. em função da doença (o TDAH) que manifesta.

é definida como uma energia sexual. quando alguém atribui a outro (pessoa.Alguns conceitos psicanalíticos6 Instintos. Deslocamento aceita. e de interação social (o computador e a internet. em que a pessoa substitui a finalidade inicial de uma pulsão por outra diferente e socialmente mais Identificação- é o processo psíquico em que o indivíduo assimila um aspecto. um característica de outro.com. com a utilização de métodos de ensino que contemplam a possibilidade da aprendizagem individual.vilabol. – refere-se aos conteúdos acessíveis à consciência. Com o advento das novas tecnologias educacionais. ainda que se esteja em ambientes diversos.br/mecanismosdedefesa.consciente seguinte pode estar. e se transforma. . Na consciência destaca-se o fenômeno da percepção. que incitam as pessoas à ação. é atemporal. e http://fundamentosfreud. total ou parcialmente. isto é. que possui as leis próprias de funcionamento.html. mas que no momento Consciente Libido – é um sistema psíquico que recebe as informações do mundo externo e interno. Pré.é uma energia voltada para a obtenção de prazer. ou em grupo.html . É aquilo que não está na consciência. por exemplo). apresentando-se. é o mecanismo psicológico de defesa. Inconsciente – exprime o conjunto dos conteúdos não presentes no campo atual da consciência. animal ou objeto) aquilo que se origina em si mesmo.são as forças propulsoras. Projeção- é um mecanismo de defesa em que se desloca aspectos da personalidade para o meio externo.net/Pages/Psy/Psy_01. neste momento. Trata-se de material recalcado e desconhecido. conforme o modelo desse outro.mouraocavalcante. com a transformação de valores 6 Adaptação de http://www.uol.

e . Isso tem provocado. uma única inteligência. Logo. e em muitas outras áreas também. porém. cujos olhos se voltam ao processo de ensino-aprendizagem. de um lado. de outro lado. e a um único professor. anteriormente. a um modelo de aluno. Assim. mas certamente contribuíram e tem esgotam a contribuído da atual significativamente para o desenvolvimento individual e coletivo sociedade. uma vez que hoje compreendemos. reservado. economicamente definidas. ampliam a possibilidade de acesso ao material didático. A via de apresentação da informação é outro fator a ser considerado na Psicologia da Educação. uma isonomia de acesso ao conhecimento. que hoje não se restringe a uma só sala de aula. que não há um único modo de aprender.sociais. envolvidos e envolventes. teorias ou estão sendo melhor estudadas pela Psicologia da Educação. acima de tudo. as teorias aqui apresentadas. 5. um único modo de manifestar o conhecimento. com a atual possibilidade de acesso imediato à informação. culturais e mesmo morais. na educação. por exemplo. nem de longe diversidade humana.Conclusão A Psicologia da Educação é uma das muitas faces da Psicologia. As acessibilidades comunicacionais que a internet propicia. apenas aos que o podiam comprar. e da nova sala de aula. tem causado um desconforto. à própria epistemologia. e aos aspectos sócio-cognitivos e comportamentais. e aceitamos cada vez mais. . a Psicologia da Educação vem estudar e contribuir para a compreensão do novo aluno. junto àqueles que associavam capacidade de aprender a classes sociais. do novo professor.

e o psicólogo.com/trab_professores/textos_apoio/psicologia/teoriaspiag etvygostsky. O Psicólogo da educação pode atuar na educação como um auxiliar/consultor do professor. de maneira respeitosa. De qualquer modo ele sempre estará capacitado para direcionar a um outro profissional. preparado para as oferecer. sempre sob a égide do aspecto humano e sua cognição. Contudo. e mesmo no atendimento às necessidades dos alunos. a criança que precise de uma atuação específica da Psicologia. o professor precisa estar aberto para receber as informações. São Paulo: Ática. condições de ensino- aprendizagem. quando aquele profissional tiver conhecimento que lhe permita atendimento. Teorias de Piaget e de Vygotsky. Psicologia da Educação não tem todas as respostas para o professor. e nem deverão professor e psicólogo achar que essa área da Psicologia lhes será a única via de resposta às suas necessidades. com qualidade. Psicologia e Construtivismo. encontrarão o verdadeiro significado que perpassa a ambas as áreas: a aprendizagem do aluno.htm. tal 6. digna e cidadã. nela utilizados. oriundas dessa área do conhecimento. 2006.Considera a relação professor-aluno. Juntos. . materiais e métodos. BARROS. Célia Silva Guimarães. de acordo com o modo que aprende .Referências Bibliográficas ALMADA. 1996. A. Disponível em http://www.notapositiva. seu comportamento e afeto. desprendido nessa relação. com respeito a seu ritmo e demais necessidades. o objetivo maior da Psicologia da Educação e da Educação.

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