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Freud e a Educação

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Ficha de leitura com citações mais relevantes da obra "Freud e a Educação" de Maria Cristina Kupfer.
Ficha de leitura com citações mais relevantes da obra "Freud e a Educação" de Maria Cristina Kupfer.

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FACULDADES DE TAQUARA FACULDADE DE EDUCAÇÃO

FREUD E A EDUCAÇÃO

Aluna: Natalia Xavier de Mello Curso: Pedagogia (Horário Especial) Matrícula: 2070352 Disciplina: Psicologia da Educação I Professora: Maria de Fátima Reszka

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Taquara 2007 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 2 FICHA DE LEITURA ...................................................................................... 2.1 Dados da Obra ......................................................................................... 2.2 Extratos de Texto .................................................................................... 3 ANÁLISE CRÍTICA ........................................................................................ 03 03 03 03 20

principalmente. da Educação. 2 FICHA DE LEITURA 2.” (p.3 1 INTRODUÇÃO Este trabalho.1 Dados da Obra Título: Freud e a Educação – O Mestre do Impossível Autora: Maria Cristina Kupfer Série: Pensamento e Ação no Magistério Editora: Scipione Local: São Paulo Edição: 3ª Impressão: 7ª Ano: 2002 2. Depois. Nessa ficha encontram-se as passagens do texto que considerei mais significativas. 7) “Sua filha Anna dedicou-se à pesquisa das bases psicanalíticas para uma pedagogia. da autora Maria Cristina Kupfer.2 Extratos de Texto Apresentação  “Freud acalentava o sonho de que um dia a Psicanálise pudesse ser colocada a serviço da sociedade como um todo e. é dividido em duas partes. Supunha que a Psicanálise poderia ser transmitida aos professores enquanto saber teórico. uma ficha de leitura do livro “Freud e a Educação – O Mestre do Impossível”. uma breve análise crítica da obra. que foi requisitado pela professora Maria de Fátima Reszka para a disciplina de Psicologia da Educação I. Através de seus . Primeiro.

contudo. aos poucos.” (p. Depois de aportar.. Punha-se a examinar. 7) “A nós cabe a tarefa de compreender o trabalho de Freud enquanto mestre e dele extrair. 13) .” (p. em determinado texto. mas também na relação professor-aluno. se possível. apontar sobretudo os limites da ação educativa.” (p. uma declaração paralisante. na construção de um conceito psicanalítico. 8) “Aquilo que Freud denominou de transferência pode ser encontrado num contexto analítico. É a partir da análise dessa relação que se pode pensar no que faz um aluno aprender. O que o faz acreditar no professor.” (p. o que era proveniente de uma particularidade do funcionamento psíquico e o que era fruto direto das influências educativas recebidas pelo indivíduo. a sociedade e a Educação. era como se Freud parasse um instante para refletir sobre as conseqüências da conceituação recém-nascida sobre o seu modo de pensar a cultura.4 livros. alguma inspiração para a prática do dia-a-dia do professor.. construindo.pode-se dizer que Freud foi um mestre da educação porque abriu caminho para a reflexão sobre o que é ensinar e o que é aprender. Pode. essa afirmação sobre a impossibilidade da Educação pode não ser necessariamente um niilismo. nem uma constatação de que a Educação é inútil. 8) “. fazendo lembrar ao educador que seu instrumento de ação não é assim tão poderoso como supunha. naquele conceito.” (p. muitos professores entraram em contato com aquilo que passou a ser chamado de desenvolvimento afetivo das crianças. 8 – 9) Introdução  “Extraídas as devidas conseqüências. permitindo que um ensino seja eficaz.” (p. 12) “As idéias educacionais de Freud emergem em momentos precisos da articulação da teoria psicanalítica que ele estava.

seus pais esperavam que se tornasse um grande homem. provavelmente qualquer escola lhe teria sido de grande utilidade. uma vez que muitas de suas reflexões terão como base a sua experiência pessoal de aluno. pois Freud já tinha dentro de si aquilo que escola alguma pode ensinar: o desejo de saber. o que provocou a primeira briga séria entre seu pai e ele. com a introdução de idéias novas. dele eram.. Tal expectativa não deixou de ter conseqüências. Era um leitor infatigável – chegou a comprar mais livros do que podia pagar. sua autoconfiança. desde cedo. Ali passava a maior parte do tempo que ficava em casa. 18) “Por isso.” (p.” (p.5 “O começo é a história da vida de Freud. em alto grau. no entanto. ele próprio um mestre  “Freud parecia sentir-se ameaçado por seus discípulos.” (p. sobretudo no que diz respeito à educação a que ele próprio foi submetido. por assim dizer. A partir dela. aluno e mestre  “O fato é que. exigidas responsabilidades e o cumprimento tácito das amplas expectativas nele depositadas. Freud trabalhou e viveu durante os anos de sua formação escolar. 17) “Nesse cômodo.” (p. 28 – 29) Freud. por outro lado. mas que não podia liberar enquanto não admitisse para si mesmo que ser o próprio mestre não significava ocupar o lugar do pai junto à sua mãe. precisou lutar.” (p.. e não foram poucos aqueles com quem Freud rompeu por acreditar que estavam. 30) .” (p.). alterando ou desvirtuando a Psicanálise. fazendo muitas vezes as suas refeições lá mesmo. 22) Freud e seus mestres  “A idéia básica é a de que os professores herdam as inclinações carinhosas ou agressivas antes dirigidas aos pais. 23) “Reencontrou. 13) Uma vida magistral: Freud.” (p. Ao ser considerado como ser privilegiado. um desejo que já o habitava (. Freud desenvolveu. Por ela.

” (p. se as idéias incompatíveis são quase sempre de natureza sexual. de qualquer modo. portanto. ter diante das práticas sexuais. 35) “Ora. quando estava com 82 anos de idade. interrogando-a sobre o seu papel na condenação da sexualidade. Mudou-se então para Londres. embora seu nome brilhasse como nenhum outro e sua fama já tivesse corrido o mundo.” (p.. mas se mantém registrada de algum modo no psiquismo ‘não-consciente’ e.” (p. em seguida. 35) “. A perseguição imposta aos judeus de Viena não o poupou. é a moral. pode ser registrada através do tratamento que Freud vinha criando. Bastaria recomendar uma redução da severidade imposta pelos educadores às crianças. à Educação. transmitida pela Educação.” (p. morrendo em conseqüência do câncer de boca. 36) “Na época em que Freud ligava. as coisas se complicam. que incute no indivíduo as noções de pecado e de vergonha que ele deve. está presente o fenômeno de divisão de consciência – diz-se que a idéia traumática é expulsa da consciência. propor que a educação não fizesse .” (p. tendo tais anos transcorrido sob o nazismo e os preparativos da Segunda Guerra Mundial. onde viveu seu último ano de vida. Por causa sobretudo da perseguição Freud foi obrigado a deixar Viena. então o que há de insuportável na sexualidade? A pergunta freudiana irá conduzi-lo. no ano de 1938. Mas. 32) Os primórdios da teoria psicanalítica  “A explicação primordial é a da defesa do eu contra uma idéia incompatível com ele. simplesmente.6  O final da história “De fato. por isso. 36) Sexualidade e Educação  “Ao que tudo indica. doença nervosa a moralidade – e. Restava. a partir do momento em que Freud entende o rigor como algo necessário ao bom funcionamento psíquico. e se são julgadas insuportáveis pelo eu. a educação – era simples propor uma profilaxia das neuroses por meio de um processo educativo.. os últimos anos de vida de Freud não foram fáceis. necessariamente.

. desprazerosa?” (p.é aí.” (p. que desempenha um papel de co-autora.” (p.7 uso abusivo de sua autoridade.por que razão a maioria de suas pacientes se referia a uma experiência de sedução atribuída a um adulto. Os pedaços se quebram obedecendo às linhas de força determinadas pela disposição singular. a estrutura característica do cristal inteiro. 38) “. nem por isso precisava ser excessiva. 39) As pulsões parciais  “‘Com o vaso de cristal quebrado’. estaria fixado na primitiva curiosidade infantil de contemplação de seu . que deverá ancorar-se a afirmação de Freud sobre a impossibilidade da Educação. O voyeur adulto. 38) “. no ponto preciso em que um paradoxo sobre a condição humana faz um nó. estrutural.” (p. uma observação acurada permite perceber. 40) “As perversões adultas resultariam da permanência de uma dessas perversões parciais infantis. de natureza sexual – afinal. se ‘recusado’ a cair sob o domínio da genitalidade. se eram fantasias. suas rupturas. obviamente. no formato especial de cada pedaço. das moléculas daquele vaso.” (p. Freud mostra. na verdade. Dessa primeira conceituação resultou seu modo de entender a participação da Educação nesse conflito. ao mesmo tempo. No entanto. 38) Sexualidade infantil e Educação  “O aspecto central dessa montagem era a teoria do conflito psíquico entre o eu e uma idéia incompatível com suas exigências. caso se estudem seus ‘desequilíbrios’. Porque. responsável pela emergência de tais fantasias. de certa forma. necessária.. então havia algo. por exemplo. alguma coisa. Mas a quantidade e a intensidade das referidas experiências fizeram-no desconfiar de que se tratava.” (p.. Ora. como diz Freud.. no entender de Freud. através dessa metáfora. de fantasia. Assim. que muito se pode saber sobre a estrutura psíquica. são relatos de experiência de sedução. na experiência infantil. que teria. 37) “Como entender que uma das fontes principais de prazer no ser humano possa ser. que teria ocorrido em algum momento da infância da paciente? A princípio podia-se pensar – e Freud pensou – que se tratava de experiências reais. se a correção educativa passou a ser.

como acontecerá por ocasião do desenvolvimento da genitalidade. visa a objetos socialmente valorizados. Nesse último movimento. 40) “A cada um desses aspectos perversos. Somente depois que estiverem reunidas para conformar a genitalidade é que a criança buscará um objeto sexual sobre o qual dirigir seu impulso. Há. presentes na sexualidade infantil. que não buscará um outro corpo. é a antiga atividade de manipular fezes.” (p. um prazer a ela correspondente. proveniente da ausência de objeto e de seu caráter decomponível. 41 – 42) A sublimação  “Uma pulsão é dita sublimada quando deriva para um alvo não-sexual. no caso da defecação. 42) “Caso o desenvolvimento da criança seja bem-sucedido. no caso da sucção do polegar. Caso. poderá se transformar. parte irá compor a sexualidade genital (estará presente nas preliminares do ato sexual através do prazer anal) e parte será sublimada.” (p. no caso do prazer de sucção. da qual uma das características pode ser a . com o agravante de não poder obter prazer de nenhuma outra maneira que não essa. a repressão da pulsão poderá originar uma neurose obsessiva. no caso do olhar.” (p. 41) “Eis aí o ponto que interessa ao educador. mas apenas um objeto dessexualizado. escópica. Antes disso. anal. no máximo.8 companheiro. o desenvolvimento da criança não ocorra de maneira satisfatória. ao prazer que possa vir a ser extraído do órgão a que estiver vinculado – olho. Mas será uma pulsão dirigida ao próprio corpo. a argila. no caso da masturbação. ou apoio. boca.” (p. por exemplo. Por seu caráter maleável. o que vai ocorrer é um conjunto de movimentos: parte dessa pulsão será reprimida (a criança deixará de manipular fezes). contudo. a libido. cuja origem. Além disso. a pulsão sexual é passível de se dirigir a outros fins que não os propriamente sexuais: é passível de sublimação. Freud chama de pulsões parciais: pulsão oral.” (p. 40) “Disso se deduz que essas pulsões parciais não têm ainda um objeto preciso ao qual se dirigir. uma energia orientando a atividade. na atividade de esculpir em argila. no caso da defecação. no caso da contemplação. não existe mais objeto sexual. porém. genital próprio. cada pulsão poderá se ligar. Ou seja. ânus.

” (p. o justo equilíbrio entre o prazer individual – vale dizer. o prazer inerente à ação das pulsões sexuais – e as necessidades sociais – vale dizer. a sua canalização em direção aos valores ‘superiores’. Um exemplo disso é a importância do educador no processo de transformação da pulsão escópica – a pulsão ligada ao olhar – em curiosidade intelectual – ver o mundo..” (p.o educador é aquele que deve buscar. diz ele. Nesse caso.. diferente do da sublimação: foi transformada em seu contrário.. De posse dessa informação.” (p. E sem sublimação.9 obsessão por limpeza. ‘Sem perversão’.” (p. a repressão e a sublimação dessas pulsões. e dirigir de forma mais proveitosa a energia que move tais pulsões.. intelectualmente. Freud afirma que a pulsão anal seguiu um outro destino. 44) “. 46) “Por que. não há cultura. se já existe na experiência da criança algo de natureza sexual. pergunta ele. despertar de modo precoce uma sexualidade que só devia se apresentar na puberdade. não há por que negar a ela as informações através das quais poderá dominar... de produção socialmente útil. os educadores poderão reduzir a coerção.. responde ele. ‘não há sublimação’.. sendo que tal curiosidade desempenha um papel muito importante no desenvolvimento do desejo de saber. 44) “.as crianças devem receber educação sexual assim que demonstrarem algum interesse pela questão. 45 – 46) A educação sexual das crianças  “. a verdadeira história sobre a origem da criança? Teme-se. para seu educando.Freud escreve que os educadores precisam ser informados de que a tentativa de supressão das pulsões parciais não só é inútil como pode gerar efeitos como a neurose. ao bens culturais. talvez – e erradamente –. 47) . 43)  Sublimação e educação “Freud deixa de ser identificado como pedagogo tradicional a partir do momento em que (. é tão comum esconder. Essa resposta é uma decorrência natural do fato de entender que.” (p. conhecer idéias –.” (p.) propõe a sua utilização. com fábulas como a da cegonha. o que já é conhecido no plano da vivência.

então por que razão as pessoas corriqueiramente não se jogam em fogueiras para se aquecer? Naturalmente. isso é.” (p. à aparência insignificante com que surgem’. isso se deve à futilidade. contudo.. ficam as funções indispensáveis à conservação do indivíduo.10 “Não haveria. caso sua própria ‘posição inconsciente’ não os impeça. uma vez mais. Agora. razão para informar de modo sistemático. fiz Freud.) o prazer. porque ao princípio do prazer opõe-se o princípio da realidade. pois sabe que a essa ocorrência não é dada muita importância.” (p. Limita a atividade puramente pulsional. ficam aquelas que. ‘e. um homem pode revelar seus mais íntimos segredos. caso isso lhes seja possível. que não busca mais o alimento . 52) “O que Freud nos apresenta é a idéia de que não somos ‘senhores em nossa própria casa’. assim. ou pulsões do eu. 52) Pulsão de morte  “Se o fim é (. já que essa busca costuma ser cega. O princípio da realidade funciona como uma ligação do indivíduo com a realidade e seus perigos. e acrescenta mais uma ‘ferida narcísica’ àquelas anteriormente trazidas por Copérnico e por Darwin: a Terra não é o centro do sistema solar. não permite que o indivíduo se destrua. como é o caso da pulsão oral. que regula. o homem não é o centro da criação. Resta.” (p. pondera com ele sobre os melhores meios de obtenção do prazer. administra e dirige a busca do prazer. que conseguiram realizar com êxito a repressão de suas tendências inconscientes. pois se acabaria esbarrando. considerando as limitações que a realidade lhe impõe. como uma espécie de ‘ato pedagógico programado’. não reina soberana sobre a nossa vontade. um convite aos educadores para jamais esconder. a consciência não é o centro de nosso psiquismo. uma ética da verdade. 50) O inconsciente  “Através dos atos falhos. Do lado das pulsões sexuais. originadas nas pulsões do eu. O eu os deixa passar. delas se destacam. 54) “Do lado das pulsões de autoconservação. se aparecem com facilidade e freqüência especiais em indivíduos sãos.” (p. a verdade sobre a sexualidade. no inconsciente..

Há algo no homem que anseia voltar ao estado inanimado de que a vida o arrancou. nada se movimenta. Nesse estado. contrariamente à ação do conflito. ambas estão interessadas na conservação. na verdade. em última análise. e combatem lado a lado. pois a vida surgiu do não-vivo. nem com a constante necessidade de renovação da espécie. ou levando um sujeito a gostar imensamente de falar. Pois. Caso contrário. a pulsão de morte.. Agora. é o conflito e o movimento dele resultante que fazem o indivíduo sair do lugar. O neurótico repete sem cansar atos que lhe causam sofrimento.. 56) “É tão grande a importância desse novo conceito que Freud é levado a reformular a dualidade pulsional em novas bases.” (p. ele afirma existir em todo ser vivo uma tendência para retornar ao estado inorgânico. a luta no interior do psiquismo não se dá mais entre as pulsões do eu e as pulsões sexuais. e que nem por isso são abandonados. de Eros. Seu inimigo é. por causa do uso sublimado da boca. seja da espécie.” (p. que movimenta o indivíduo. homogeneíza.11 como objeto. a matéria está inerte – como na morte. sem contudo ser aliada do princípio de realidade. já que. estaria fadado à permanência e à imutabilidade. seja do indivíduo. 54) “Para frente ou para trás.” (p.” (p.” (p. Essa força tem um caráter sobretudo mortal. podendo estar presente nas preliminares do ato sexual. tudo jaz em perfeita estabilidade. Freud entreviu a ação de uma força irreprimível. 56 – 57) .” (p. 55) “Nos fenômenos de repetição.. independente do princípio do prazer e até mesmo oposta a ele.. 54) O problema do desprazer  “Os feridos de guerra sonham repetidamente com situações desprazerosas por eles vividas. 56) “Nesse texto. Há algo no psiquismo que escapa ao princípio do prazer: a repetição. torna as coisas permanentes e imutáveis e barra o caminho ao desenvolvimento. interessada em reconduzir o indivíduo a um estado onde não existe nem a preocupação com a sobrevivência individual. Freud reúne ambas de um só lado: elas agem a serviço da vida. a ação da repetição fixa.

. não pode servir como princípio organizador de um sistema ou de uma metodologia educacional. com uma conclusão.” (p.” (p. decepcionante: a Psicanálise não serve como fundamento para uma pedagogia. Ai está o paradoxo. pelo discurso dirigido à consciência. Como então construir um edifício educacional sobre uma base paradoxal. Ao falar. (. 58 – 59) “No entanto. é ao mesmo tempo lugar de poder e submissão. de força e de fraqueza..12 “Não se poderia ter em mente que a repetição leva à morte. 62) A difusão das idéias freudianas  “Freud queria. de fato.” (p. (. entre outras coisas.) A segunda consistiu no esforço a que se dedicaram alguns analistas para transmitir a pais e professores a teoria psicanalítica.. Já que uma de suas descobertas mais importantes foi a idéia de que a sexualidade se constrói. 58) “A educação exerce seu poder através da palavra.. um político ou um educador estará também fadado a se perder. na verdade. 59) A aplicação da Psicanálise à Educação  “Foram pelo menos três as direções tomadas pelos teóricos interessados no casamento da Psicanálise com a Educação. 59) “A viagem ao país das formulações de Freud termina aqui. de Educação?” (p. A palavra com a qual esperava submeter. a ir na direção contrária àquela que seu eu havia determinado. como já foi dito. o que exortaria o educador a renovar e a privilegiar o conflito como fonte de vida – vale dizer. a revelar-se. a Pedagogia Psicanalítica. mais recente. incoerente?” (p. ao que tudo indica. A primeira foi a tentativa de criar uma nova disciplina.) A terceira direção. acaba.) trata-se. os indivíduos a se conduzirem em uma direção por ela própria determinada. a realidade do inconsciente ensina. que a palavra escapa ao falante. de controle e descontrole. por submetê-lo à realidade de seu próprio desejo inconsciente. Seus esforços concentram-se na tentativa de estimular. ensina a Psicanálise. que sua teoria constituísse. não sendo .. (. um modelo de construção dos processos através dos quais um indivíduo se torna um ser sexuado. sobretudo.. de uma tentativa mais difusa de transmitir a Psicanálise a todos os representantes da cultura interessados em ampliar sua visão de mundo. A palavra.

13 determinada pela Biologia – os homossexuais estão aí para comprová-lo –. submetendo-as à ‘vontade da personalidade moral’. Tais formas sutis eram. Para isso. então era natural que ele se interessasse em descrever essa construção. Note-se. talvez. de usar a Psicanálise para conduzir as forças inconscientes ao caminho do bem. pintadas de um . para poder reduzi-las e dominálas.” (p. que começavam a se desenvolver já em sua época. ao mesmo tempo que deve lembrar-se de que persegue um fim moral. como permitir que ele ‘fale livremente para poder ser interpretado’. destacam-se a teoria das pulsões e o complexo de Édipo. pessoas segundo modelos fornecidos pelo pai e pela mãe. ainda. por exemplo. que essas cópias de modelo – essas identificações – são meras imitações daquilo que fazem papai e mamãe. sendo este definido nos termos da religião que professava. O Édipo tem caráter constitutivo. Era também contrário às formas mais ‘sutis’ de subjugamento das crianças difíceis. Ou seja. uma pedagogia que poderia descobrir as ‘inibições prejudiciais ocasionadas pelas forças psíquicas inconscientes’. 66) Os casamentos da Psicanálise com a Educação  “A pedagogia psicanalítica era. 64)  A difusão do complexo de Édipo “Trata-se. tais como as dos castigos violentos. duas orientações são bastante claras: o educador deve funcionar como analista. tratava-se. mas em se desejar ao mesmo tempo ouvir a manifestação livre do inconsciente e produzir seu represamento moral. constitui.” (p. conforma.” (p. ou seja. para ele. de uma estrutura através da qual o ser humano define-se como ser sexuado. Entre eles. lançou mão de grandes conjuntos conceituais.” (p. para Pfister. 68) “Poder-se-ia dizer. o confinamento dos mais rebeldes em verdadeiras celas de prisão. No pensamento de Pfister. se essa ‘liberdade’ já tem uma direção prefixada. que Zulliger contribuiu de forma significativa para a transformação de certas práticas educativas correntes em seu tempo. 67) “Como propiciar ao aluno uma ‘liberdade associativa’. Sem dúvida Zulliger batalhou arduamente para acabar com os castigos pesados aplicados com muita freqüência nas escolas. ou por quem quer que venha a ocupar essa função. portanto. se o fim é a moralidade bem-comportada e definida de saída pelo educador-modelo? A questão não está em se desejar uma direção moral para a Educação.

Mas a insistência sobre temas psicanalíticos acabou por colocar ênfase nos distúrbios de comportamento. dizia Zulliger. crianças ‘normais’. No Brasil. Mostrou que de nada adiantava conversar com essas crianças em tom calmo e amistoso. dispensando os castigos corporais. e não de uma verdadeira educação da agressividade. E isso é feito através de testes psicológicos que guardam com a Psicanálise uma influência indireta e cada vez mais tênue!” (p. que era o de colocar a Psicanálise a serviço de todos. mobiliadas apenas com o indispensável.14 monótono azul. 70) “Ao que tudo indica. 71) “‘O sonho freudiano. Atualmente.” (p. nem os constrangimentos ‘sutis’ foram banidos da maioria das instituições brasileiras que tratam das crianças rebeldes ou infratoras!” (p. acabou por fazer da análise. denunciando o caráter enganoso e falsamente educativo dessas medidas.” (p. Zulliger criticou duramente tais práticas. 70) “A Intenção de Anna Freud era transmitir aos professores um conhecimento que os ajudasse a trabalhar com seus alunos. foi a idéia de seleção que predominou entre nós. um instrumento de dominação e de seleção’. a Psicanálise é convocada apenas para selecionar crianças para classes especiais. como se fazia em uma casa de correção tida como exemplar e por ele mencionada. Uma criança assim educada acabará por ceder. talvez ficasse bastante desanimado ao constatar que nem os castigos corporais. ou então em celas negras sem janelas e sem móveis. 71 – 72) . sem dúvida. ou seja. naquilo que passou a ser visto como doença. para estigmatizá-las e segregá-las do convívio com as demais. pelo viés institucional. apenas para retomar seus comportamentos agressivos assim que se veja livre daquilo que não passava de um constrangimento. quando as medidas extremas acabavam por ser os confinamentos. paradoxalmente. observa Manonni. a Psicanálise até hoje nunca se ‘casou’ verdadeiramente com a Educação. 69 – 70) “Se Zulliger vivesse hoje.” (p.

74) “Diz ela (Millot): Nenhuma teoria pedagógica permite que se calculem os efeitos dos métodos postos em ação. mas um reconhecimento de impotência. e implicam. (p. inegavelmente (embora Freud quisesse negá-lo). 74 – 75) “Mas o que deseja o pedagogo com seus métodos senão o controle da criança? Diz ainda Millot: ‘O eu visa o domínio. pois o que se interpõe entre a medida pedagógica e os resultados que se obtém é o inconsciente do pedagogo e o de seu educando.” (p. nesse sentido. e assume a responsabilidade de ter influenciado muitas produções culturais de seu tempo. o surrealismo. definitivamente egóicas. Que não se veja nessa afirmação uma demonstração de prepotência ou de arrogância. e quando este lhe escapa (pelo fato de ser o inconsciente o seu verdadeiro mestre).” (p. Compromete-se com seu lugar de saber produzido no e pelo século XX.” (p. ele busca ainda ‘fingir’ que o conservou. a Psicanálise. As doutrinas pedagógicas são.15 “Para a grande maioria dos psicanalistas de hoje. eis como se poderia resumir o objetivo ‘egóico’ do eu – por excelência. por exemplo. Não há como evitar a castração. essencialmente. Manter a qualquer preço o controle da situação em suas mãos. Não há como evitar a passagem conflitiva pelo complexo de Édipo. entre as quais se situa. visando antes de tudo o controle da criança e de seu desenvolvimento. entendida como um corpo acumulado de conhecimentos sobre a constituição do psiquismo.’” (p. Dialoga com a Antropologia. 73) “A Psicanálise que Freud desenvolveu naquele período confirmou que os conflitos psíquicos são inevitáveis. 75) . 72) “Caso se queira tirar proveito da eficácia da psicanálise como instrumento de transformação do homem frente a sua própria existência – vale dizer frente a seu próprio desejo – será necessário deitá-lo num divã. a literatura e até com as ciências exatas. o desconhecimento da impossibilidade estrutural deste domínio’”. A descoberta freudiana ‘perturba a paz do mundo e o sono dos homens. aceita o debate com a cultura.

também pode ser um saber paralisante. como parecem entender os que. produzir efeitos de natureza diversa na postura do professor. como já foi dito.” (p. mas da passagem pelo complexo de Édipo. Nessa categoria incluem-se os cientistas. A angústia provém de uma nova compreensão de antigas perdas à luz desse novo sentimento de perda. Mas.16 “Conhecer a impossibilidade de controlar o inconsciente pode levar a uma posição ética de grande valor. antes de mais nada. a partir de um determinado momento. Abordar esse tema a partir de uma perspectiva freudiana é. gostava de pensar nos determinantes psíquicos que levam alguém a ser um ‘desejante de saber’. e pode vir a faltar aos homens. por sua própria posição frente ao conhecimento. as fezes. como no tempo de Anna Freud. e o Édipo é.” (p.” (p. então.’ poderia ser o ‘pensamento’ inconsciente de uma criança que está fazendo a descoberta da diferença sexual anatômica. ‘Aqui perdi.. e as crianças. 75) “Resta. pois nos coloca diante de nossos verdadeiros limites. depois de terem extraído das relações com o pai e a mãe as referências necessárias a essa . que. A essa angústia das perdas Freud chamou de angústia de castração. estudam o tema.” (p. 76) Uma teoria freudiana da aprendizagem  “No entanto. o que angustia não é a constatação de que algo falta às mulheres. e sei agora que também perdi o seio. assim. que devotam a vida à pergunta por quê. nos dias de hoje. o objetivo dessa transmissão não é. A transmissão da Psicanálise ao educador poderá. Por outro lado. aplicar esse conhecimento diretamente no trato com os alunos. o processo através do qual uma menina se ‘define’ como mulher e o menino como homem (ou vice-versa). pois o processo depende da razão que motiva a busca de conhecimento. 80) Pode-se dizer que a descoberta da diferença sexual anatômica da criança não depende de sua observação. e nos reduz à nossa impotência. transmitir a Psicanálise ao educador. buscar resposta para a seguinte pergunta: o que se busca quando se quer aprender algo? Só a partir dela pode-se refletir sobre o que é o processo de aprendizagem.. Freud. bombardeiam os pais com por quês. 79) “No entanto.

Para Freud. cortando-os em pedaços. pode correr o risco de ser classificada como sádica e agressiva. presente em todo ato de conhecimento: a dimensão da curiosidade ‘sádica’ propiciada pela pulsão de domínio. ‘tanto faz’. na verdade. A criança descobre diferenças que a angustiam. Um homem fica alucinado com o que vê nas asas de uma mosca. quando. responde ‘não’. O que se pretende destacar é que o modo de lidar com isso depende da compreensão que se tenha desses atos. as primeiras investigações são sempre sexuais e não podem deixar de sê-lo: o que está em jogo é a necessidade que tem a criança de definir. não está senão exercendo sua ‘pulsão de domínio’. porque têm pênis!). e saiu pela rua (literalmente) aplicando esse novo conhecimento: homens pensam diferente de mulheres (provavelmente.” (p. uma criança que passa seu tempo caçando bichinhos. esse menino extraiu informações sobre aquilo que supõe ser representativo das posições feminina e masculina. que afirma acreditar e Deus. seu lugar no mundo. disseca-a e a destrói. o ver e o sublimar. ao que ela. 80 – 81) “. Pergunta depois ao pai. replica a irmã.” (p. Tudo isso se associa com a idéia de curiosidade. Então o menino lhe diz: ‘Vai perguntar a um homem ou a uma mulher?. E é importante que o educador esteja ciente dessa dimensão. depois de algumas evasivas. 82) . ‘pensará’ ele. E ele: ‘Se perguntar a um homem.” (p. Encontra-se um bom exemplo no poema ‘A mosca azul’. andando na rua com a irmã. É essa angústia que a faz querer saber. antes de mais nada. Não se quer dizer com isso que se deva aplaudir toda tentativa infantil de sair por aí decepando bichos. Para saber o que há lá dentro... de Machado de Assis. ‘Ora’.17 definição. terá uma resposta. 80) “Um menino de mais ou menos 5 anos pergunta à mãe se Deus existe.o desejo de saber associa-se com o dominar. E se perguntar a uma mulher terá outra!’ Mais do que sobre a existência de Deus. 81) “Saber associa-se com dominar. Do mesmo modo. ela lhe diz que precisa perguntar as horas a um passante. Mais tarde.” (p.

84) “O ato de aprender sempre pressupõe uma relação com outra pessoa. sejam quais forem os conteúdos. essa cena primária imaginada.” (p. Até mesmo o autodidatismo (visto pela Psicanálise como um sintoma) supõe a figura imaginada de alguém que está transmitindo. ou cena de relação sexual entre os pais..” (p. que. então. não se focalizam os conteúdos. a transferência era percebida por aqueles pacientes.. da perspectiva psicanalítica. uma das três universais. Não há ensino sem professor. pode-se dizer que. Manonni. 83) “Pode-se dizer.) Por isso. É através dessa fantasia.” (p. mas. mas o campo que se estabelece entre o professor e seu aluno. 87) A transferência na relação professor-aluno  “Em momento algum. (. um elemento central estudado por Freud é a fantasia da cena primária. um bom instrumento da análise desse inconsciente. Melhor dizendo. a matéria de que se alimenta a inteligência em seu trabalho investigativo é sexual. para Freud. por isso mesmo. Aprender é aprender com alguém. Freud estava diante de uma manifestação do inconsciente. hoje.. a pulsão visual tem em relação a elas o mesmo estatuto..18 “Muito tem sido dito sobre as pulsões oral. O objeto dessa pulsão é.” (p. a mola propulsora do desenvolvimento intelectual é sexual. que estabelece as condições para aprender. embora menos comentada. Na constituição da sexualidade. através de um livro. aquele saber. que constitui. que o sujeito representa não somente sua origem mas também se imagina personagem. então.) Por isso. a que ensina. na medida em que se trata da sublimação de parte da pulsão sexual visual. (. 84) “Sim. que a transferência é uma manifestação do inconsciente. A inteligência emerge a partir de um apoio sobre ‘restos sexuais’. Ou.” (p. por exemplo. através da identificação com uma das personagens em cena. são restos da sexualidade. na qual essa relação sexual ‘é objeto de uma visão pela qual o sujeito imagina (põe em imagens) a sua origem’. 88) . a pergunta ‘O que é aprender?’ envolve a relação professor-aluno. a ênfase freudiana está concentrada sobretudo nas relações afetivas entre professores e alunos. É por isso que se pode dizer. anal e fálica. porém. mas palavras de O.

) O problema é que. o fato de haver professores que nada parecem ter de especial. Em decorrência dessa ‘posse’.” (p. tanto o analista como o professor tornam-se depositários de algo que pertence ao analisando ou ao aluno. mas que. 88) “Instalada a transferência. em razão dessa transferência de sentido operada pelo desejo. um professor pode tornar-se a figura a quem serão endereçados os interesses de seu aluno porque é objeto de uma transferência. E foi a partir desse ‘investimento’ que a palavra do professor ganhou poder.” (p. passando a ser escutada!” (p. bastaria dizer que cabe ao professor renunciar a um modelo determinado por ele próprio. 92) “Ocupar o lugar designado ao professor pela transferência: eis uma tarefa que não deixa de ser incômoda. Assim. no ginásio. suportar a importância daí emanada e conduzir seu aluno em direção à superação dessa importância.” (p.19 “Assim. com esse poder em mãos. Quantas vezes não ouvimos dizer que alguém optou por ser geógrafo porque teve. marcam o percurso intelectual de alguns alunos.. 93) O professor no lugar de transferência  “Se fosse o caso de seguir estritamente as idéias acima..” (p. E o que se transfere são as experiências vividas primitivamente com os pais. visto que ali seu sentido enquanto pessoa é ‘esvaziado’ para dar lugar a um outro que ele desconhece. tais figuras ficam inevitavelmente carregadas de uma importância especial. não é fácil usá-lo para libertar um ‘escravo’ que se escravizou por livre e espontânea ‘vontade’. ocorre também uma transferência de poder. aceitar o modelo que lhe confere o aluno. (. A idéia de transferência mostra que aquele professor em especial foi ‘investido’ pelo desejo daquele aluno. E é dessa importância que emana o poder que inegavelmente têm sobre o indivíduo. em parte. 93) . um professor que despertou seu gosto por essa matéria! Não era nenhum grande teórico no assunto. na realidade. 91) “Isso explica. tanto que só aquele aluno se interessou pela geografia.

renunciar às suas próprias certezas. através de uma prova. Caso deslocasse um pouco seu foco de atenção. teria sido mais fiel às suas próprias idéias. estando ali. mas não tem controle sobre os efeitos que produz sobre seus alunos. invisível aos seus olhos.20 “O professor é também um sujeito marcado por seu próprio desejo inconsciente. Por isso. daquilo que está sendo assimilado. já que é nelas que se encontra seu desejo).” (p. é exatamente esse desejo que o impulsiona para a função de mestre. Pensar assim leva o professor a não dar tanta importância ao conteúdo daquilo que ensina. o jogo é todo muito complicado. contudo. e muito menos sobre os efeitos de nossas palavras sobre o nosso ouvinte. 96) “. pelo aluno. Mas não conhece as muitas repercussões inconscientes de sua presença e de seus ensinamentos. então estará contribuindo para uma relação de aprendizagem autêntica. ele precisa renunciar a esse desejo. 100) 3 ANÁLISE CRÍTICA “FREUD EXPLICA!” . Só o desejo do professor justifica que ele esteja ali. Aprende que pode organizar seu saber. Aliás..o educador inspirado por idéias psicanalíticas renuncia a uma atividade excessivamente programada. mas a passar a vê-los como a ponta de um iceberg muito mais profundo. Fica sabendo que pode ter uma noção..” (p. Freud. ao fazer aquela afirmação. tenha deixado de lado uma posição mais propriamente psicanalítica. A realidade do inconsciente nos ensina que não temos o controle total sobre o que dizemos. 94)  O encontro da psicanálise com a educação: Um desafio “Talvez por estar pensando como um mestre clássico. por exemplo. Mas. instituída. 97) “Se um professor souber aceitar essa ‘canibalização’ feita sobre ele e seu saber (sem.” (p. naquele instante.” (p. controlada com rigor obsessivo.

a autora nos guia através da história de vida de Freud. Vemos que ele sempre estudou muito e que teve vários mestres. explicar o grande mestre. Esse. seus costumes. que forçou Sigmund (judeu) a mudar-se para Londres. Não era fácil para a sociedade da época aceitar algumas das teorias de Freud. Acabava sempre se afastando desses por incompatibilidade de idéias. Num segundo momento. como um ser complicado. Freud percebeu que um casamento entre a psicanálise e a educação não seria possível. o outro era o nazismo. A obra é dividida em três partes principais. mas nem assim deixa de ser importante para os educadores aprenderem mais sobre as suas teorias do desenvolvimento da criança. Na última parte. coisa fácil para o grande analista. Afinal de contas. alguma vez a frase-título deste texto. Explicar tal comportamento é. ano em que nasceu Sigmund Freud. dentre esses até mesmo sua filha Anna Freud. depois de muito estudo. envolto em uma névoa de mistério e sexualidade. Pessoalmente. começando com sua infância. achei essa a parte mais interessante do texto. chavão é empregado nas situações em que não conseguimos achar uma explicação lógica para o comportamento de alguma pessoa. conseqüentemente. É justamente por isso que a obra “Freud e a Educação – O mestre do Impossível”. é por que certamente viveu antes de 1856. suas paixões. claramente. conseguia também compreender o comportamento de alguns alunos meus e também o meu próprio comportamento perante meus professores. tudo que possa vir a ter relação com crianças. podemos dizer que Freud pensava a psicanálise como uma ferramenta que poderia vir a auxiliar educadores num melhor entendimento de seus pupilos.21 Quem nunca disse. ajudá-los a crescerem livres de neuroses. São-nos revelados fatos sobre a sua família. ou ouviu. é de grande interesse aos pedagogos. o pai da psicanálise. A tentativa de criação de uma pedagogia analítica cai por terra. o próprio mestre é sempre tido. Num primeiro momento. Resumidamente. Porém. enquanto eu lia. Os últimos anos de sua vida foram bastante sofridos devido a dois cânceres: um era de boca. Entretanto. Ela consegue. num primeiro momento. Provavelmente seja por que ali. digamos. somos apresentados ao pensamento de Freud sobre aprendizagem. De certa forma isso faz com que o leitor possa ser o analista por alguns momentos. de forma simples. de Maria Cristina Kupfer. encanta o seu leitor. vemos o que aconteceu com os estudos de Freud após a sua morte. fazendo-nos entender um pouco mais sobre o homem por trás da barba. Com um . que também nos são sucintamente relatadas nesta primeira etapa do livro. Kupfer nos apresenta a outros estudiosos que tentaram seguir as idéias freudianas. e. e ao modo como elas se comportam e sentem.

quem acaba explicando é Kupfer! . No fim das contas.22 texto de fácil acesso e direto ao ponto. A leitura é tão leve que mesmo as teorias mais complexas acabam sendo facilmente compreendidas por. até mesmo. um leigo total no assunto. muitas das mais comuns dúvidas a respeito de Freud são esclarecidas na obra de Maria Cristina.

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