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LIMITES À APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO E NO ESPAÇO

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LIMITES À APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO E NO ESPAÇO (BAPTISTA MACHADO – PAGS.

219 – 252)

APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO LA = Lei antiga; LV = início da vigência ou entrada em vigor SJ = situação jurídica LN = lei nova O problema As leis sucedem-se no tempo. Temos de ter em conta o princípio “a lei posterior derroga a lei anterior” (art.º 7.º). Para exemplos práticos, vide págs. 220 a 223

Graus de retroactividade O nosso n.º 1, art.º 12.º professa a retroactividade normal (há outros 2 graus), ou seja, que respeita os efeitos de direito já produzidos pela SJ sob a LA.

A retroactividade e a Constituição O princípio da não retroactividade não assume foros de princípio constitucional, a não ser num domínio específico: no domínio do Direito Penal. Significa isto que, fora deste domínio, o legislador ordinário não está constitucionalmente impedido de conferir
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retroactividade às leis que edita, salvo se através da retroactividade vier a violar direitos fundamentais constitucionalmente tutelados ou qualquer outro princípio ou garantia constitucional. Em matéria de lei penal incriminadora, de lei que venha instituir novas penas ou medidas de segurança, ou venha agravar as penas ou medidas de segurança anteriores, é constitucionalmente proibida a retroactividade (art.º 29.º, n.º1, 3 e 4 CRP) ---» mais, aplicam-se “retroactivamente as leis penais de conteúdo mais favorável ao arguido” (art.º 29.º, n.º4 CRP + art.º 6.º Código Penal). A expressão “que tenham natureza retroactiva”, do art.º 103/3 surgiu em 1989 – ora o livro do Baptista Machado é de 1982, daí ele não falar desta questão.

Soluções possíveis do problema. As disposições transitórias. “Direito Transitório”. Os problemas de sucessão de leis no tempo suscitados pela entrada em vigor de uma LN podem, pelo menos em parte, ser directamente resolvidos por esta mesma lei, mediante “disposições transitórias”.

Teoria da não retroactividade da lei e suas aplicações - O princípio da não retroactividade da lei e a sua expressão no nosso Código - o princípio da não retroactividade não tem força de princípio constitucional senão no domínio do direito penal [e direito fiscal – art.º 103/3 CRP], pelo que o legislador ordinário bem pode dar à leis que edita eficácia retroactiva; - o legislador pode resolver os problemas suscitados pela sucessão de leis mediante disposições transitórias;
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É no art.º 12.º, no art.º 13.º (leis interpretativas) e 297.º (alteração dos prazos) que se fixam os critérios aplicáveis em todos os ramos do direito (excepção feita do direito penal e com a já referida reserva da possibilidade de uma retroactividade in mitius noutros ramos do direito). Estipula o art.º 12, n.º1, que a lei só dispõe para futuro, quando lhe seja atribuída eficácia retroactiva pelo legislador; e que, mesmo nesta última hipótese, se presumem ressalvados os efeitos já produzidos pelos factos que a lei se destina a regular. O art.º12, n.º 2 distingue dois tipos de leis: - aquelas que dispõem sobre os requisitos de validade (1.ª parte) ---» só se aplicam a factos novos; - aquelas que dispõem sobre o conteúdo de certas situações (2.ª parte)---» aplicam-se a relações jurídicas.

Leis sobre prazos Art.º 297.º

Leis interpretativas Art.º 13.º

APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO Há situações jurídicas que, logo no momento da sua constituição, ou posteriormente (mudança de nacionalidade ou de domicílio, mudança de situação da coisa, da sede da pessoa colectiva, etc.), entram em contacto com mais de um ordenamento jurídico estadual – já através da nacionalidade ou do domicílio das partes, já pelo lugar da prática
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do facto constitutivo, já pelo lugar da situação do objecto da relação, etc. Surgem então os conflitos de leis no espaço. Estes são normalmente dirimidos mediante regras de conflitos, cuja função é determinar qual de entre as leis em contacto com a situação deve ser considerada competente para a reger. Tais regras estão contidas nos arts. 14.º a 65.º e constituem o principal objecto da disciplina de Direito Internacional Privado.

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