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TABELA “ÓRGÃOS JULGADORES//AUTORIDADES”

COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO1


MAURÍCIO ZANOIDE DE MORAES (rev.set/10)
AUTORIDADES DO TIPO DE CRIME2 ÓRGÃO JULGADOR
EXECUTIVO

1. Presidente Comum3 e Eleitoral STF (art. 102, I, b e 86, CF)


Responsabilidade (Lei 1.079/50) Senado (arts. 52, I, 85 e 86, CF)
2. Vice-Presidente Comum STF (art. 102, I, b, CF)
Responsabilidade Senado (arts. 52, I CF)
3. Mins. de Estado4; Comandantes Comum e de Responsabilidade STF (art. 102, I, c, CF)
da Marinha, do Exército e da Responsabilidade conexo com Senado (art. 52, I, CF)
Aeronáutica e Chefes Missão os do Presidente da República
Diplomática de caráter permanente
4. Governador de Estado e do Comum/eleitoral STJ (art. 105, I, a, CF)
Distrito Federal Responsabilidade (art.78, 1.079/50) Ver Constituição Estadual5
5. Vice-Governador de Estado Comum e de Responsabilidade Ver Constituição Estadual6
6. Secretários de Estado Comum Ver Constituição Estadual7
Responsabilidade Ver Lei nº 7.106/83
Responsabilidade conexo com Gov. Ver Constituição Estadual8
7. Prefeito Comum TJ (art. 29, X, CF)9
Infrações político-administrativas Câmara (art. 4º, DL 201/67)

1
- As disposições legais definidoras de competência por prerrogativa de função (ratione personae) vêm previstas de modo
determinante e inicial na CF, porém, não são poucas as autoridades cujas definições de competência por prerrogativa estão nas
Constituições Estaduais e do Distrito Federal e em Leis Complementares e Ordinárias de cada Instituição (p.ex., Magistratura e
Ministério Público). Sobre a definição do que sejam crimes de responsabilidade para cada função pública e quais as funções
cujos integrantes podem ser sujeitos ativos dessa espécie de crime v. a Lei 1.079/50 que, a despeito de ser anterior à CF/88,
teve seu conteúdo mantido e atualizado por leis posteriores à CF atual o que determinam sua vigência por completo.
2
- Não há norma específica que determine a competência por crime eleitoral em caso de agente com prerrogativa de foro.
Portanto, há consolidadas posturas doutrinárias e jurisprudenciais que, na ausência de Lei Complementar que preencha a
exigência constitucional do caput do art. 121, estendem a prerrogativa de foro aos ocupantes do respectivo cargo.
3
- As expressões “Comum” e “de Responsabilidade” empregadas pelos dispositivos legais citados, servem para diferenciar os
crimes cujos contornos principais e bens jurídicos tutelados estão previstos na Lei 1.079/50 e os previstos no CP e demais
legislação. Assim o Presidente da República ao agredir seu motorista comete crime comum (art. 129, CP), porém, ao retardar
dolosamente a publicação de uma lei estará afetando a probidade da administração (art. 9º, 1), logo, cometendo crime de
responsabilidade, o que lhe gerará a perda do cargo e inabilitação para função pública, sem prejuízo de responder ao processo
por crime comum (art. 3º, Lei 1.079/50), p.ex., se para retardar a publicação receber dinheiro (corrupção passiva, art. 317, CP).
4
- Pelo par. único do art. 25, da Lei 10.683/2003, com a redação dada pela Lei 12.314/10, são equiparados a Ministros de
Estado, portanto, gozam da mesma prerrogativa de foro, “o Chefe da Casa Civil da Presidência da República, o Chefe do Gabinete de
Segurança Institucional da Presidência da República, o Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, o Chefe da Secretaria de
Relações Institucionais da Presidência da República, o Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o Chefe
da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
República, o Chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da
Presidência da República, o Chefe da Secretaria de Portos da Presidência da República, o Advogado Geral da União, o Ministro de Estado
Chefe da Controladoria Geral da União e o Presidente do Banco Central do Brasil”.
5
- Const. de S.P – art. 20, XXV (Assemb. Legislativa) e arts. 48 a 50 (regulamentam o processamento). Parte dos dispositivos
dos arts. 48 a 50 estão com a eficácia suspensa em virtude da ADIN 2220-2 (ainda não julgada em seu mérito até set/10).
6
- Art. 74, I, da Const. de SP para os crimes comum e art. 49, § 2º, para os crimes de responsabilidade (Tribunal de Justiça).
7
- Art. 74, I, da Const. SP (Tribunal de Justiça).
8
- Constituição do Estado de São Paulo – art. 20, XXV (Assembléia Legislativa) e arts. 48 a 50 (regulamentam o
processamento). Parte dos dispositivos dos arts. 48 a 50 estão com a eficácia suspensa em virtude da ADIN 2220-2.
9
- Súm. 702/STF – determina que a natureza do crime poderá deslocar a competência para o respectivo Tribunal de segundo
grau. Súm. 703/STF – “a extinção do mandato do prefeito não impede a instauração de processo pela prática dos crimes
previstos no art. 1º do Decreto-Lei 201/67”. Em SP há, no TJ, uma Câmara Especial para julgar crimes comuns de prefeitos.
MAURÍCIO ZANOIDE DE MORAES (rev.set/10)
AUTORIDADES do TIPO DE CRIME10 ÓRGÃO JULGADOR
JUDICIÁRIO, do
MIN. PÚBLICO e
da DEFENSORIA

1. Ministros do STF Comum STF (art. 102, I, b, CF)


Responsabilidade Senado (arts. 52, II, CF)
2. Membros de Trib. Superior Comum e Responsabilidade STF (art. 102, I, c, CF)
(STJ, TSE, STM, TST)
3. Procurador-Geral da Comum STF (art. 102, I, b, CF)
República Responsabilidade Senado (arts. 52, II, CF)
4. Membros do CNJ e Comum Ver cargo de origem11
membros do CNMP Responsabilidade Senado (art. 52, II, CF)
5. Advogado-Geral da Comum STF (art. 102, I, b, CF)
União12 de Responsabilidade Senado (art. 52, II, CF)
6. Membros do TRT e do TRE Comum e de Responsabilidade STJ (art. 105, I, a, CF)
7. Dess. dos TRFs e TJs Comum e de Responsabilidade STJ (art. 105, I, a, CF)
8. Juízes Federais13, incluídos Comum e de Responsabilidade TRF (art. 108, I, a, CF), exceto
da J. Trabalho e da J. Militar crimes eleitorais14
e, ainda, integrantes do MPF
9. Membros MPF se oficiam Comum e de Responsabilidade STJ (art. 105, I, a, CF)
perante Tribunais Superiores
10. Juízes estaduais e do DF Comum e de Responsabilidade TJ (art. 96, III, CF)
Crimes eleitorais TRE15
11. Procurador-Geral de Justiça Comum TJ (art. 96, III, CF)16
Responsabilidade Poder Legislativo Estadual/ DF
e Colégio de Procuradores17
Responsabilidade conexo com Governador Ver Constituição Estadual
12. Membros do MP Estadual Comum e de Responsabilidade TJ (art. 96, III, CF c/c art. 40,
IV, da Lei 8.625/93)
Crimes eleitorais TRE
13. Defensor Público Geral Comum e de Responsabilidade V. Constituição Estadual18

10
- Na ausência de norma específica que determine a competência por crime eleitoral em caso de agente com prerrogativa de
foro e na ausência de Lei Complementar que preencha a exigência constitucional do caput do art. 121, a doutrinária e
jurisprudência vêm se firmando que, em crime eleitoral, aplicam-se as regras da prerrogativa de foro do agente da infração.
11
- Como estes Conselhos são formados por integrantes de vários Tribunais e também por pessoas que não gozam de
prerrogativa de função, deverá ser verificado quem é o agente para se definir o órgão judiciário competente para o julgamento.
12
- v. nota 4 supra.
13
- Tanto para os magistrados quanto para os membros do MP, estadual ou federal, que não oficiem perante os Tribunais, há
uma regra única de que respondem perante os Tribunais aos quais estão ligados não importando o local da infração. Assim,
p.ex., se um juiz estadual paulista cometer um crime em Fernando de Noronha, deverá ser julgado pelo TJ/SP, prevalecendo
essa regra sobre a do lugar da infração. Essa regra de prevalecer o Tribunal ao qual estão ligados, prevalece inclusive em caso
de crime em detrimento de bens ou interesses da União.
14
- Pelo art. 22, alínea “d” da Lei 4.737/65 (cód. Eleitoral): “art.. 22. Compete ao Tribunal Superior: I - Processar e julgar
originariamente: ... d) os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos cometidos pelos seus próprios juízes e pelos
juízes dos Tribunais Regionais”. Compete aos TREs, nos termos do art. 29.: “I - processar e julgar originariamente: ... b) os
conflitos de jurisdição entre juízes eleitorais do respectivo Estado; ... d) os crimes eleitorais cometidos pelos juízes eleitorais;”.
15
- Pelo art. 29, I, d, da Lei 4.737/65 (v. nota anterior), tanto os juízes estaduais quanto os integrantes dos MPEs (v linha 12 da
tabela) que atuem perante a J. Eleitoral respondem por crimes eleitorais perante os respectivos TREs.
16
- Art. 74, I, da Constituição do Estado de São Paulo.
17
- Para essa determinação deve-se combinar o art. 128, § 4º da CF com o art. 9º da Lei 8.625/93 (LONMP), nos quais se
verifica que o PGJ somente poderá ser destituído do cargo por iniciativa do Colégio de Procuradores após autorização de 1/3
da Assembléia Legislativa Estadual ou do DF.
18
- Art. 74, I da Const. de S.P. (Tribunal de Justiça).
MAURÍCIO ZANOIDE DE MORAES (rev.set/10)
AUTORIDADES DO TIPO DE CRIME ÓRGÃO JULGADOR
LEGISLATIVO

1. Congressistas Comum STF (art. 102, I, b, CF)


Responsabilidade Casa respectiva (art. 55, §2º,CF)
2. Deputados Estaduais Comum19 Ver Constituição Estadual20
Responsabilidade Assembléia Legislativa
3. Vereadores Qualquer infração Não há prerrogativa de função
4. Membros do TCU Comum e de Responsabilidade STF (art. 102, I, c, CF)
5. Membros dos TCEs, TCDF e Comum e de Responsabilidade STJ (art. 105, I, a, CF)
TCMs

19
Súmula 721/STF “a competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função
estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual”.
20
Artigo 14, § 1º, da Constituição do Estado de São Paulo conforme a EC Estadual nº 21 (Tribunal de Justiça). Ver também
julgamento do STF- 2º T. HC n‫ ڎ‬69.465-9/RS – rel. Min. Paulo Brossard, DJU 23/03/2001, p. 85, no qual definiu-se que se o
bem jurídico for afeto à União a competência é do TRF, à semelhança da Súmula 702/STF já citada.