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Estudo Bíblico sobre a Doutrina da Justificação – Análise de


Romanos 3.21-28

Alejandro G. Frank

1. Introdução
Este estudo tem como propósito apresentar os ensinamentos bíblicos acerca da doutrina da
justificação por meio de um estudo expositivo da Palavra. Consideramos que este é um
tema básico na teologia cristã, um rudimento da fé, mas lamentavelmente um tema que em
muitas igrejas é pouco abordado. Isto pode ser devido a vários motivos, dentre eles:
considerar que o tema é muito complexo para ser explicado aos membros, falta de
conhecimento sobre os ensinamentos desta doutrina ou falta de interesse no assunto, entre
outros.

Já nos antecipando ao estudo, a doutrina da justificação responde a questões como as


seguintes: Por que Cristo teve que morrer por nossos pecados? Havia outra maneira de
Deus salvar à humanidade? Como Deus manifesta a sua justiça e misericórdia para com a
humanidade? O que significa que ele nos considera justos sendo nós pecadores? Vemos,
pois, que entender esta doutrina nos leva a uma compreensão maior do Evangelho do nosso
Senhor Jesus, pois nos permite entender o preço que ele pagou por nós. Assim sendo, esta
doutrina nos ajuda a crescer na nossa gratidão ao Senhor através do entendimento do que
Ele fez por nós.

Em segundo lugar, também nos ajuda a nos afirmar e perseverar na fé, já que nos leva a
entender que Ele é o justo e quem nos justifica, que isso não depende de nós, que é um
presente imerecido que Ele nos dá, não por obras, para que ninguém se glorie. Por tanto,
isto fortalece a nossa certeza da salvação, por meio do dom da fé e da justificação que Ele
fez em nós.

Por último, consideramos que entender a doutrina da justificação permite que o Evangelho
seja melhor exposto aos incrédulos e teríamos que nos preocupar por isto, visto que a
Palavra nos manda a estarmos preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão
da esperança que há em nós (1.Pe.3.15). Por estas razões anteriormente expostas,
esperamos que o estudo apresentado a seguir sirva de esclarecimento e ajuda para que os
leitores possam crescer no conhecimento do nosso Soberano Deus.
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2. Carta aos Romanos, base para a doutrina da justificação


A carta do apóstolo Paulo aos Romanos tem como eixo central a doutrina da justificação. Já
temos tratado em outro estudo o contexto no qual foi escrita esta carta [1] e não pretendemos
aqui nos deter sobre os aspectos gerais desta epístola. A discussão central deste tema é
desdobrada no capítulo 3 da epístola. Mas antes disso, no capítulo 1 e 2, Paulo se dedica a
demonstrar como toda a humanidade está sob o poder do pecado. Paulo destaca que nem
judeu nem gentio podem ser considerados justos diante de Deus, uns por pecarem contra a
lei e outros por pecarem contra a suas próprias consciências, mesmo que não tendo lei
(entenda-se lei como o Antigo Testamento dado ao povo de Israel). Todos pecaram por não
terem dado glória a Deus, todos foram transgressores da lei e a lei manifesta o que é pecado
e condena imparcialmente o pecado. Paulo conclui esta afirmação da seguinte maneira
(cap.3.9-12):
“Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado
que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem
um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram
inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.”

Assim, depois do apóstolo ter condenado a toda a humanidade, ele prossegue da seguinte
maneira (cap. 3.21-28):
21 Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;
22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem; porque
não há distinção,
23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,
24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,
25 a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua
justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;
26 tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o
justificador daquele que tem fé em Jesus.
27 Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei
da fé.
28 Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.

Observa-se que Paulo diz nos vs.25-26: “para ele mesmo [Deus] ser justo e o justificador
daquele que tem fé em Jesus”. No começo do verso 25 é claro que Paulo está falando de
Deus e ele está dizendo que Deus, por meio do sangue de Cristo, “manifestou a sua
justiça”, o que ele repete também no verso 26. Depois Paulo ainda acrescenta: e ele [Deus]
é quem justifica.

1
Frank, A.G. “Divisões e problemas entre irmãos - A vida segundo o Espírito e não segundo a carne: um estudo da carta
aos Romanos”. Publicado em http://base-biblica.blogspot.com/2010/03/o-seguinte-estudo-trata-sobre-as.html, no dia
27/03/2010.
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Quando lemos estes versos surgem questionamentos como os seguintes: Porque Deus
manifestou a sua justiça na morte de Cristo? Ou, para que manifestou sua justiça? E, por
que motivo também nos justificou? O que significa que Deus nos justifica? Todas estas
perguntas podem ser sintetizadas na seguinte questão: O que significa a doutrina da
justificação? A seguir esse texto será analisados por parte para entendermos o significado
do mesmo.

3. Análise de Romanos 3.21-28


Vejamos de novo o texto de Romanos 3 desdobrado por partes:
3.21 “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas”.

Aqui Paulo fala sobre a justiça que agora se manifestou, se deu a conhecer e que já tinha
sido antes anunciada. Mas, por acaso a morte de Cristo foi algo justo? Acaso Deus tinha
que mostrar que ele é justo? Essa é uma das questões que tentaremos responder neste texto.

3.22a “justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem”.

Essa justiça se manifesta por meio de Cristo para todos os que nEle crêem. Aqui está
dizendo que Deus mostra essa justiça nos crentes em Cristo.

3.22b-24: “porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo
justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”.

Vemos que Deus justifica por sua Graça. Ele torna justo a alguém de forma imerecida, não
por mérito próprio nem por escolha da pessoa.

E logo vem a parte central do nosso texto que analisaremos em mais detalhes:

3.25 “a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua
justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo
em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador
daquele que tem fé em Jesus”.

Em resumo, Paulo está dizendo as seguintes coisas:


• Deus, finalmente, depois de ter esperado pacientemente, agora Ele demonstrou que
é justo.
• Essa justiça dEle se mostrou pela morte de Cristo, através disso Deus mostrou ser
justo.
• Por meio dessa demonstração de justiça Deus agora nos salva imerecidamente e nos
justifica.

Para entendermos porque Deus decidiu mostrar a sua justiça devemos voltar até a criação
do mundo e à queda do homem no Éden. Começaremos a partir daí para chegar a responder
essa questão.
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Em primeiro lugar, todo o universo foi criado pelo Senhor para manifestar a sua glória, para
manifestar a glória de Cristo. Isto podemos ver em Colossenses. 1.15-18:
“Este [i.e. Cristo] é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram
criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam
soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de
todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o
primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que,
nele, residisse toda a plenitude.”

E em Romanos 1.20:
“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria
divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das
coisas que foram criadas.”

Deus tinha criado ao homem no Éden como culminação da sua glória, como própria
imagem de si mesmo, sua obra maior da criação. Porém, o homem foi desobediente a seu
próprio criador quebrando esse laço que os unia. Mas tudo isto era parte do plano de Deus,
pois a morte redentora de Cristo tinha sido planejada antes da fundação do mundo, como
diz em 1.Pedro 1.18-20:
18 sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do
vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram,
19 mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo,
20 conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por
amor de vós

Em outras versões fica um pouco mais claro o verso 20, nas quais ao invés de se traduzir
como “conhecido”, se traduz como preparado ou destinado desde antes da fundação do
mundo. A morte de Cristo não era um plano de emergência por se o homem caísse. Isto já
tinha sido preparado porque o homem cairia iminentemente. Isto era parte do plano
Soberano de Deus, porque Deus iria manifestar a sua “justiça”. Ele manifestaria que é justo
com seu plano de salvação e que nos justifica. Tudo isso seria realizado através da morte de
Cristo. A morte de Cristo tinha sido pensada em primeiro lugar, e logo a criação do
universo, pois através da mesma, o Senhor manifestaria todos os seus atributos, dentre eles
sua justiça, sua graça, sua misericórdia e o seu amor.

Com a queda do homem, o pecado entrou no mundo. Houve uma separação entre o homem
e Deus, pois Deus é santo e não coabita com o pecado. Como diz no Salmo 5 versos 4-5:
“Pois tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal. Os arrogantes não
permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniquidade.”

Por outro lado, no texto de Romanos 3, analisado no inicio, Paulo afirma que: “todos
pecaram e carecem da glória de Deus”. Carecem da glória de Deus por terem pecado. Toda
a humanidade foi sujeita ao pecado e destituída da presença de Deus. Mas qual foi o nosso
pecado? Qual é o maior pecado do homem? Qual foi o pecado de Adão? A resposta
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podemos encontra-la num dos ensinamentos do nosso Senhor Jesus, descrito em Mateus
22.35-38:
35 E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou:
36 Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?
37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de
todo o teu entendimento.
38 Este é o grande e primeiro mandamento.

Qual é o maior mandamento? Glorificar a Deus, coloca-lo no primeiro lugar das nossas
vidas e amá-lo por sobre todas as coisas. O centro do homem deve ser Deus. Paulo explica
em Romanos 1.21-23 que a humanidade pecou por não ter glorificado a Deus:
“...porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças;
antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.
Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em
semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso,
Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para
desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e
servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!”

Como consequência de não glorificar a Deus, a humanidade, isto é todos nós, fomos
constituídos pecadores desde nosso nascimento. O apóstolo Paulo explica desenvolve essa
ideia melhor em todo o capítulo 2 de Romanos. Não há ninguém que se salve, ninguém que
mereça ser salvo. A conclusão do apóstolo a respeito da situação do homem é a seguinte
(Romanos 3.10-18):
“...como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a
Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.
A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus
lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar
sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor
de Deus diante de seus olhos.”

Paulo está falando isso de todos nós, não houve ninguém que buscasse Deus, foi Ele quem
nos buscou para nos salvar. Se hoje podemos gozar da salvação é somente pela graça e
misericórdia dEle. Graça porque nos deu a salvação que não merecemos e misericórdia
porque não nos deu aquilo que merecemos: a condenação eterna (Ef.2.1-9).

E aqui chegamos ao ponto crítico da nossa questão: como um Deus santo, separado de todo
pecado, e justo, que faz o certo e aplica correção, pode ao mesmo tempo ser também
misericordioso e perdoar à humanidade pecadora? Como pôde Ele nos salvar se na verdade,
sendo ele justo, teria que ter nos condenado perpetuamente? Se Deus simplesmente
perdoasse ao homem pecador, Ele deixaria de ser justo. Por outro lado, se ele nos
condenasse seria justo, mas deixaria de ser um Deus de misericórdia. Temos aqui um
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dilema, pois a Bíblia ensina que ambos são atributos de Deus, Ele é justo e misericordioso.
Como Deus responde a esse dilema?

Podemos ver em toda a história do Antigo Testamento que o Senhor teve comunhão com o
homem, mesmo que este fosse pecador. Por exemplo, Noé embriagou-se com vinho, mas
foi chamado de homem justo (Gn.9.18-29). Abrahão e Isaque mentiram para proteger suas
esposas (Gn.12.13; Gn.26.6-11), Jacó foi um impostor diante do seu pai. Porém Deus se faz
conhecer como o Deus de Abrahão, Isaque e Jacó. E Moisés ou Davi que cometeram
assassinatos? Assim poderíamos seguir com uma ampla lista como, por exemplo, Salomão,
Sansão, Pedro, entre outros. Mesmo que estes homens tenham caminhado com Deus,
mesmo que alguns deles não tenham cometido pecados graves, enquanto outros sim, suas
melhores obras não poderiam torna-los justos diante de Deus como para ter direito a
estarem em comunhão com Ele, como diz Paulo em Romanos 3.19-20:
“Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o
mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em
razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.”

Imagine então Satanás, o acusador dos nossos irmãos, acusando a cada um destes homens
diante de Deus, assim como ele fez com Jó (Jó cap.1). Imagine ele dizendo: tu dizes ser um
Deus justo? Porque não condenas esses pecadores como condenaste a mim? Um juiz justo
não deixa sem punição aos culpados diante da Lei, da tua Lei! Mas Deus deixou sim sem
culpa aqueles a quem Ele desde antes da fundação do mundo escolheu para serem adotados
filhos dEle. Como fez Deus isso? Paulo responde isto na continuação do texto, em
Romanos 3.25-26:
25 a quem Deus propôs [refere-se a Jesus Cristo], no seu sangue, como propiciação, mediante a fé,
para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados
anteriormente cometidos; 26 tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para
ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

Deus foi paciente, passando por alto a condenação que esses homens de fé descritos no
antigo testamento da Bíblia deveriam ter recebido. Até que chegou o dia em que o Senhor
disse: “Chega! Agora estará paga a fiança. Agora eu mostro que sigo sendo justo, inclusive
quando perdoei a pessoas que não mereciam, pois meu Filho vai morrer no lugar de todos
eles. Este é o preço da fiança, este é o cordeiro que tira o pecado do mundo”. Com a morte
do Senhor Jesus, Deus mostrou que é justo, pois o pecado da humanidade recebe a
condenação, mas no próprio Filho de Deus ao invés de ser aplicada a condenação na
própria humanidade. Deus aplicou sua justiça sobre o pecado, mas agora não sobre nós,
mas sobre a fiança, que vale mais do que toda a humanidade junta. É um preço perfeito,
pois é o maior dos preços, o maior valor de fiança foi pago.
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Em Gálatas 3.13, Paulo explica que: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se
ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for
pendurado em madeiro)”. Ele se fez maldito por nós, Ele o fez por vontade própria e do
Pai, por amor dos eleitos. Dessa maneira, Deus pode perdoar nossos pecados e ao mesmo
tempo ser justo. Ele não é injusto por perdoar pecadores, pois o preço está pago. Essa é a
graça de Deus, algo que não merecemos. Isto é justificação: Deus mostra que Ele é justo e
ao mesmo tempo também nos considera justos por meio da morte de Cristo em nosso lugar.
Considerar-nos justos não significa que o sejamos. Significa que nos “tornamos” por meio
de Cristo, pela fé nEle e pelo arrependimento que produzem em nós o Espirito Santo. Isto é
justificação, isto é o que quer dizer com que Deus fez manifesta a sua justiça. Se Cristo não
tivesse morrido, Deus não teria sido justo perdoando a humanidade. É o único meio para
juntar em um único Deus tanto a justiça divina quanto a misericórdia divina. Isso não é
possível encontrar em nenhum outro falso deus como Alá, Buda, ou qualquer outro.
Nenhuma outra religião considera ao mesmo tempo a misericórdia e a justiça. Todas elas
pregam a misericórdia, mas ao mesmo tempo elas não conseguem declarar um padrão de
justiça divina, pois os homens falhos são perdoados sem nenhum motivo digno. Isso é
porque os falsos deuses não são santos e são rebaixados a se relacionar com pecadores,
enquanto o nosso Deus verdadeiro é exaltado na sua santidade, mesmo quando tem
comunhão com pecadores como nós, pois Ele sim pagou o preço para fazer isso.

Voltando àqueles homens de fé descritos no antigo testamento da Bíblia, podemos ver que
o grandioso daqueles homens é que eles tinham colocada a sua esperança na justificação de
Deus. Isso é o que descreve Hebreus capítulo 11. Todos esses homens caminhavam pela fé,
com os olhos fixados no galardão, no supremo chamamento. Eles esperavam as promessas
que também eram pra nós. Até que chegou esse grande dia de glória quando Cristo morreu
por nós, os que cremos nEle.

4. Aplicações Práticas da Doutrina da Justificação


Entender o significado da doutrina da justificação de Deus para com nós tem importantes
implicações práticas nas nossas vidas cristãs.

Em primeiro lugar, entender a justificação pela graça significa entender que a salvação de
Deus não depende de nós, não se atribuí a nós e não é por nós, mas é dEle e para Ele. Veja
o que diz em Ezequiel 36.22-32:
22 Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o SENHOR Deus: Não é por amor de vós que eu faço
isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes.
23 Vindicarei a santidade do meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes
no meio delas; as nações saberão que eu sou o SENHOR, diz o SENHOR Deus, quando eu vindicar a
minha santidade perante elas.
24 Tomar-vos-ei de entre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa
terra.
25 Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de
todos os vossos ídolos vos purificarei.
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26 Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e
vos darei coração de carne.
27 Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos
e os observeis.

E depois continua nos versos 31 e 32:

31 Então, vos lembrareis dos vossos maus caminhos e dos vossos feitos que não foram bons; tereis
nojo de vós mesmos por causa das vossas iniquidades e das vossas abominações.
32 Não é por amor de vós, fique bem entendido, que eu faço isto, diz o SENHOR Deus.
Envergonhai-vos e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel.

Deus nos justificou não porque sejamos justos, não porque mereçamos algo, mas porque
Ele nos concedeu a sua graça. Isso nos deveria levar a uma atitude de humildade diante de
Deus e diante dos homens. Esta visão bíblica é contrária a todas as afirmações que tanto se
escutam hoje nos meios cristãos como: aceitar a Jesus, seguir a Jesus, etc. É claro que
precisamos nos arrepender, mas precisamos entender que apenas nos compete clamar a
Deus dizendo: Senhor salva este pobre pecador! Tenha misericórdia de mim! Eu não o
mereço, mas por favor me salva! Isso nos faz mudar a atitude arrogante que alguns crentes
tem quando dizem que eles foram quem decidiram por Cristo. Eu sou salvo porque o
Senhor, em sua maravilhosa graça teve misericórdia de mim, me deu vida quando estava
morto em meus pecados. Foi ele e não eu.

A segunda implicação da doutrina da justificação é a alegria na certeza da salvação.


Entender a justificação nos leva a uma vida de alegria no cristianismo. Isto é algo que me
preocupa. Hoje em dia vejo cristãos com depressão, o que é um triste testemunho para o
mundo. Há muitos cristãos que não têm a certeza da sua salvação e a cada hora duvidam se
realmente são salvos. Há cristãos que se consagram e passam ao púlpito a entregar-se a
Cristo repetidas vezes na sua vida. E isto considero que se deva em parte ao fato deles não
terem entendido o significado da justificação, pois não entenderam que não foram suas
obras que lhes salvaram, mas a obra que fez Cristo. Como diz Paulo em Romanos 8.28-38:
28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito.
29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem
de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e
aos que justificou, a esses também glorificou.
31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos
dará graciosamente com ele todas as coisas?
33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.
34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à
direita de Deus e também intercede por nós.
35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou
nudez, ou perigo, ou espada?
36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como
ovelhas para o matadouro.
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37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.
38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados,
nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,
39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de
Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Meus irmãos, si temos uma vida cristã fraca, é porque não olhamos o suficiente para Cristo.
Ele tem que ser a nossa alegria, ele tem que ser a nossa esperança. Eu não posso, mas ele
pode. Eu sou fraco, mas ele é quem me fortalece. Eu caio, mas ele me segura, porque Ele
morreu por mim, porque Ele me salvou e porque Ele me justificou. Meus irmãos, as obras
em nossas vidas não nos levam à salvação. Elas são um resultado, pois “pelos seus frutos os
conhecereis (Mt.7.20)”. Se a esperança da minha salvação está nas minhas obras, ainda não
entendi o que significa a justificação em Cristo Jesus.

A última implicação que quero destacar sobre a doutrina da justificação é para aqueles que
ainda não se colocaram aos pés de Cristo em arrependimento dos seus pecados. A doutrina
da justificação traz esperança, pois não há pecado que Deus não possa perdoar e limpar,
dado que não depende de mim, mas da obra que Cristo fez por mim, da morte de Cristo na
cruz do calvário. Você não precisa ser justo para merecer a salvação, o que você precisa é
se arrepender e crer que Ele pode o perdoar, que Cristo já fez tudo por você e que você
precisa dele na sua vida. Venha a Cristo, não espere mais, venha! Hoje Jesus chama com
seu amor: venham a mim. Mas no dia do juízo, aos que não foram justificados o Senhor
dirá: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade (Mt.7.23)”. Fuja da ira vindoura,
fuja da condenação eterna. O Senhor é misericordioso. Venha a Ele e não deixe que o
tempo passe. Como gostaria que aqui também acontecesse o que ocorreu no dia de
pentecostes, como diz em Atos 2.37-39:

“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes coração e perguntaram a Pedro e aos demais
apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós
seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o
dom do Espirito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para tosos
que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.

E voltando, finalmente, ao final do nosso texto de estudo, em Romanos 3, Paulo termina


dizendo no verso 27:
“Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da
fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.”

Glória a Deus por seu plano perfeito de salvação e pela sua maravilhosa graça concedida
em Cristo Jesus, porque Ele é justo e nos justifica! Amém!

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