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Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos

41047
Problemas Sociais Contemporâneos

Autor: SebentaUA, apontamentos pessoais E-mail: sebentaua@gmail.com Data: 2007/2008 Livro: Problemas Sociais Contemporâneos, edição UAB do ano de 2001, de Hermano do Carmo (coordenador) Caderno de Apoio: Nota: Apontamentos efectuados para o exame da disciplina no ano lectivo 2007/2008

O autor não pode de forma alguma ser responsabilizado por eventuais erros ou lacunas existentes. Este documento não pretende substituir o estudo dos manuais adoptados para a disciplina em questão.

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Problemas Sociais Contemporânea
1 – Estudar os problemas sociais
1.1- Dos problemas sociais aos problemas sociológicos O que são problemas sociais? Podemos apresentar desde já duas definições possíveis: • Segundo Rubington e Weinberg (1995), um problema social é “uma alegada situação incompatível com os valores de um significativo número de pessoas, que concordam ser necessário agir para a alterar”. • Para Spector e Kitsuse, um problema social é constituído pelo conjunto das acções que indivíduos ou grupos levam a cabo ao prosseguirem reivindicações relativamente a determinadas condições putativas. Para que um problema social possa ser considerado problema sociológico deve possuir as condições de regularidade, uniformidade, impessoalidade e repetição. A problematização sociológica dos problemas sociais implica mesmo a des-construção destes, o desmantelar do significado social de maneira a criar um significado de acordo com o discurso científico. Os investigadores sociais debruçam-se sobre uma realidade autoconstruida e encontram representações sociais que moldam a realidade e condicionam os próprios investigadores. 1.1.1 – A questão do positivismo vs relativismo A sociologia positivista – defende a procura de leis sociais (à semelhança das leis do mundo natural) a partir de um método imdutivo-quantitativo, e advoga uma separação absoluta entre a Ciência e a Moral, isto é, entre os factos e os valores. Para a ciência positivista é possível conhecer objectivamente a realidade social, uma vez que existem critérios universais do conhecimento e da verdade. Ao abordar os problemas sociais, a sociologia positivista estuda situações objectivas, que são definidas como problemas em razão de características que lhe são próprias. Daí a necessidade de se conhecerem as suas causas e de se chegar à elaboração das leis que regem o fenómeno. A posição relativista segundo a qual não existe nenhum critério universal para o conhecimento e para a verdade. Todos os critérios utilizados serão sempre internos ao sistema cogniscente e, como tal, serão relativos e não universais. Consequentemente, a definição do que seja um problema social será sempre relativa, será antes de mais um rótulo colocado a determinadas situações, e não uma característica inerente à situação em si mesma. O que importa estudar é a definição subjectiva dos problemas sociais, conhecer os processos pelos quais uma dada situação se torna problema social. 1.1.2 – A aplicabilidade da ciência e o desenvolvimento teórico Um problema pressupõe uma solução. Os problemas sociais, que têm um significado social, requerem uma solução social. Desde o início, os sociólogos tentam equacionar o que Rubington e Weinberg denominam de mandato duplo: • Por um lado, dar atenção aos problemas existentes na sociedade, numa perspectiva de correcção da realidade social, através dos conhecimentos empíricos adquiridos, • Por outro lado, desenvolver teórica e metodologicamente a sociologia enquanto ciência.
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Hester e Eglin, seguindo Matza consideram que o primeiro tipo de perspectiva pode ser denominado de sociologia correctiva, que parte dos seguintes pressupostos: • Equivalência de problema social a problema sociológico, • As questões sociológicas derivam das preocupações sociais, • O grande objectivo do estudo sociológico é a melhoria dos problemas sociais, • Preocupação central com as causas ou etiologia dos problemas, • Compromisso com os princípios positivistas da ciência.

Para estes autores, a sociologia correctiva falha nos seus propósitos precisamente porque não separa a aplicabilidade da ciência do seu corpus teórico-metodológico, e não reconhece os viezes que tal situação origina. Encara as pessoas como objectos e não como sujeitos constroem a realidade social. Sociologia de Intervenção – a sociologia de Intervenção não é uma especialidade ou ramo sociológico, mas sim um modo de ver o trabalho do cientista social que, em vez de isolar assepticamente o investigador do seu objecto de estudo, o desafia a ser “contaminado” por este, o leva a intervir activamente na realidade que estuda e a não separar os papeis de investigador e de cidadão. A investigação social deve ser utilizada para melhorar a sociedade, segundo princípios humanistas de solidariedade e de libertação. 1.2 – As perspectivas de estudo dos problemas sociais 1.2.1 – As perspectivas da Sociologia Positivista »»«« Patologia Social Os avanços e os sucessos de disciplinas já instaladas, como a biologia e a medicina, influenciaram profundamente os sociólogos a adoptarem a analogia do organismo ao seu objecto de estudo: a sociedade. Adoptaram igualmente um modelo médico de diagnóstico e de tratamento. Os problemas sociais são entendidos como doenças ou patologias sociais. O pensamento organicista, cujo autor mais consistente foi o britânico Herbert Spencer, defende que a sociedade e os seus elementos podem sofrer malformações, desajustamentos e doenças, à semelhança dos organismos vivos. Para a corrente da Patologia Social, um problema social é uma violação de expectativas morais (Rubington, Weinberg). A condição de saúde ou normalidade do organismo é definida por valorações do Bem e do mal. A patologia pode ser encontrada no indivíduo ou no mau funcionamento institucional. Os primeiros autores desta corrente, desde os meados do século XIX até cerca de I Guerra Mundial, enfatizaram sobretudo as mal formações dos indivíduos. Foi a perspectiva do Homem Delinquente da escola positiva italiana de criminologia, donde se destacaram Cesare Lombroso, Ferri e Garófalo. Para Cesare Lombroso, era claro que a explicação do comportamento criminal dos indivíduos estava em características fisiológicas particulares, como o tamanho dos maxilares, assimetria facial, orelhas grandes ou a existência de um número anormal de dedos. Esta corrente voltou a ganhar alguma importância na década de 1960, mas os novos patologistas sociais afastaram-se da procura de deficiência nos indivíduos e centraram-se antes nas deficiências na socialização. Segundo esta nova aproximação à patologia social, os problemas sociais seriam o resultado da incorporação de valores “errados” pelos indivíduos, fruto de uma “sociedade doente”. Neste sentido, a
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Znaniecki e William Ogburn: • Cooley teorizou a distinção entre grupos primários e secundários. enquanto que nos grupos secundários as relações sociais são mais impessoais e menos frequentes. Para Kavolis a definição de comportamento destrutivo seria possível em termos absolutos. Com a década de 1920. mas que. Cooley definiu a desorganização social como sendo a desintegração das tradições. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos solução para os problemas sociais passaria necessariamente pela educação moral da sociedade e pela incorporação de valores moralmente correctos. a sociedade não é um organismo mas sim um sistema composto por várias partes interdependentes. Ernest Burgess e Roderick McKenzie. Thomas e Znaniecki. Vytautas Kavolis propôs a conceptualização de patologia como sendo um comportamento destrutivo ou auto-destrutivo. por ser um conceito demasiado vago e subjectivo. • O sistema social pode acolher em si focos de desorganização ou a existência de comportamentos SebenteUA – apontamentos pessoais página 4 de 36 . Park afirmou que a organização social se baseia nas tradições e nos costumes e que tudo o que perturba os hábitos sociais. mais intensos e duradouros.a perspectiva da desorganização social ganha claramente terreno na sociologia norte-americana. pelo contrário. Efectivamente. igual em todas as sociedades humanas. Esta nova abordagem dos problemas sociais veio iniciar um período do pensamento sociológico mais voltado para o amadurecimento e para o desenvolvimento teórico e metodológico da sociologia enquanto ciência. isto é. gostaríamos de acrescentar os nomes de Robert Park. isto é. • Confundiu-se desorganização social com mudança socialização • è um conceito fortemente sujeito aos julgamentos de valor do investigador. sendo que nos grupos primários os indivíduos vivem relacionamentos face a face. tem potenciais efeitos desorganizadores. Aos teóricos acima mencionados. no seu estudo clássico sobre os imigrantes polacos. • Aplicou-se o conceito de desorganização social a situações que não são de desorganização. »»«« Desorganização Social A perspectiva da patologia social dominou o estudo dos problemas sociais até sensivelmente ao fim da I Guerra Mundial. a mudança social. Os quatro teóricos mais importantes da desorganização social foram Charles Cooley. de que é um exemplo típico o que se passa nos bairros de lata. no seguimento dos estudos que levaram a cabo sobre a organização espacial da cidade. • De forma semelhante. o fenómeno da urbanização é central para a perspectiva da desorganização social ao estar relacionado com o enfraquecimento das relações face a face e das tradições sociais. • O contributo de Ogburn centrou-se no conceito de desfasamento cultural (Cultural lag) que este autor propôs. Thomas. tal como o conceito de patologia. Para a perspectiva da desorganização social. os quais consideramos incontornáveis ao falarmos em desorganização social. As regras sociais deixam de funcionar. Passamos a apresentar as críticas apontadas por Marshal Clinard ao conceito de desorganização social: • O seu poder explicativo para a sociedade em geral é reduzido. conceptualizaram a desorganização social como a quebra de influência das regras sociais sobre os indivíduos. Os autores da perspectiva da desorganização social utilizam um conceito claramente “sociológico” e que apresenta um maior potencial de operacionalização do que o conceito de patologia social. traduzem outros tipos de organização.SebentaUA.

quer a da desorganização social. e da acessibilidade dos meios legitimados pela sociedade. • A evasão. Quer a corrente da patologia social. A perspectiva do conflito de valores. Para Durkheim. equacionaram os problemas sociais como condições objectivas. No seguimento da crítica anterior.SebentaUA. • O ritualismo. pesquisa empírica e aplicação prática.: roubar ou subornar). O comportamento desviado dependerá da assimilação das metas culturais e das normas institucionais. eminentemente empírica e descritiva. podendo pelo contrário ser indispensável para a manutenção da coesão social. quando se pretende instaurar novas estruturas de metas e de meios. Observou-se um clara tentativa de conciliar as duas grandes escolas que dominavam o pensamento académico da sociologia norte-americana: • A Escola de Harvard. O conceito de anomia em Merton é um tanto diferente: refere-se antes a um desfasamento entre metas culturais a atingir e os meios que a sociedade proporciona para o efeito. não podemos inferir que tal situação seja desastrosa para a sociedade. menosprezando a definição subjectiva que os indivíduos pudessem fazer da situação em causa. ao definir os problemas sociais em relação a valores ou interesses dos grupos sociais envolvidos. na qual tanto os meios como as metas são renunciados (ex. sem a qual a condição objectiva de base não seria só por si um problema social. na qual as metas são mantidas mas são utilizados novos meios para as alcançar (ex. pelo qual se renuncia às metas. o conceito de anomia significava uma ausência de normas. • Problemas remediáveis (ameliorative) • Problemas morais. um quebrar das regras.: alcoolismo) • A rebelião. a sociologia tinha já realizado um longo caminho no seu desenvolvimento teórico e metodológico. • A Escola de Chicago. »»«« Comportamento desviado Em meados do século XX. É aí que Edwin Sutherland desenvolve a teoria da associação diferencial. podem ser distinguidos três tipos de problemas que afectam as sociedades: • Problemas físicos. ao constatarmos a existência de diferentes formas de organização social. os problemas sociais evoluem segundo três fases: • Inicialmente processa-se a tomada de consciência do problema. • Segue-se uma fase de determinação política. Também a Universidade de Chicago influenciou a perspectiva do Comportamento Desviado. concepção que já Durkheim tinha avançado. mas se sobrevalorizam os meios. Havia cada vez maior disposição para a integração entre teoria. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos • desviados sem que tal comprometa o seu funcionamento. Os teóricos mais importantes desta corrente na sociologia norte-americana foram Richard Fuller e Richard Myers. Ainda segundo Fuller e Myers. SebenteUA – apontamentos pessoais página 5 de 36 . de ênfase teórica. o desfasamento entre meios e metas dá origem a quatro tipos de adaptação individual: • A inovação. »»«« Conflito de valores Um outro modo de ver os problemas sociais é considerá-los como reflexo de um conflito de valores na sociedade relativamente a uma dada situação. coloca em evidência a importância da definição subjectiva. Segundo Merton. Segundo estes autores. o número de sociólogos aumentava consideravelmente bem como o financiamento para pesquisas. Daqui resulta que o comportamento desviado é entendido como normal em relação a situações anormais. • Por fim a fase das reformas.

Em meados dos anos 50 Albert Cohen. apresenta em nove pontos este processo de génese do comportamento criminoso: Página 39. os indivíduos aprendem a ver-se como objectos sociais e comportam-se de acordo com essa percepção. 1. Se as reacções forem negativas. • Fortalecimento do comportamento desviado como reacção à estigmatização e às sanções. consideramos importante referir sumariamente as suas bases filosóficas assentes no interaccionismo simbólico. sendo que todo o comportamento que viola essas expectativas é um comportamento desviado. mas requerem uma interpretação activa por parte dos actores sociais envolvidos. processo que Goffman define como estigmatização. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Sutherland. a teoria de que o desvio primário e desvio secundário. Segundo Lemert. Nelas se defende. no inicio dos anos 50. violações das expectativas normativas da sociedade. de forma mais ou menos directa. Para a teoria de Labeling. A perspectiva do comportamento desviado entende que os problemas sociais reflectem.2 – As perspectivas da Sociologia Relativista Neste ponto iremos abordar três perspectivas que seguem uma visão relativista da ciência. de base interaccionista (o labeling e o constructivismo social) e estruturalista (a perspectiva crítica). as pessoas podem ser forçadas a aceitar uma “spoiled identily”. pensado segundo os valores da classe média. Lemert defendeu. Erving Goffman introduziu o conceito de identidade social. a sequência de interacção que leva ao desvio secundário pode ser esquematizado com a seguinte evolução: • Ocorrência do desvio primário. Mead. na sua teoria da oportunidade. sustentou que os jovens da classe trabalhadora enfrentavam uma situação de anomia no sistema escolar. • Continuação do desvio. SebenteUA – apontamentos pessoais página 6 de 36 . em oposição ao positivismo. concebeu a formação do Ego como o resultado das interacções sociais.2. na sua teoria da subcultura delinquente. Herbert Blumer desenvolveu a ideia de que os significados não são dados. para se referir às qualidades pessoais que permanecem constantes em diferentes situações. • Aceitação do estatuto de desviado por parte do individuo estigmatizado e consequentes ajustamentos com base no novo papel social. mais tarde em parceria com Donald Cressey. os nomes pioneiros da perspectiva propriamente dita são indiscutivelmente os de Edwin Lemert e Howard Becker. • O coeficiente de tolerância chega a um ponto critico. • Sanções sociais. Esta distinção de conceitos baseia-se numa outra distinção que Lemert estabeleceu entre comportamento desviado e papel social desviado. • Sanções sociais mais pesadas e maior rejeição social. que o conhecimento é socialmente construído. A reacção ao desvio primário está assim na origem do desvio secundário.SebentaUA. Outra teoria de síntese foi proposta por Richard Cloward e Lloyd Ohlin nos anos 60. • Recorrência do desvio primário. estes autores sustentam que não basta considerarmos a estrutura de oportunidades legítimas na génese do comportamento delinquente: é igualmente essencial ter em conta a estrutura de oportunidades ilegítimas. »»«« Labeling Teoria do Labeling ou teoria da rotulagem. Esta perspectiva é reforçada por Howard Becker ao introduzir o conceito de Labeling.

SebentaUA. sem exploração humana. relativamente aos actores sociais que a produzem. O tipo e a gravidade dos problemas sociais ficam particularmente dependentes das condições económicas conjunturais e da consciência de classe que os trabalhadores possam ter. veio a centrar-se na questão da influência do poder na definição dos comportamentos desviados e dos problemas sociais. portanto. »»«« Constructivismo Social Ao falarmos aqui em constructivismo social estamos a referir-nos a correntes teóricas cuja ideia central e geradora é a de que as pessoas criam activamente a sociedade. Para a perspectiva crítica. Os problemas sociais. Estes autores defendem que a sociedade é uma produção humana e o Homem é uma produção social. • Histórica – porque se deve relacionar o desvio com a evolução histórica dos modos de produção. tal como os comportamentos desviados. • É objectiva porque é exteriorizada. Walton e Young. Para que alguém seja rotulado de desviado é necessário percorrer uma série de fases sequenciais. uma postura de conflito na génese dos problemas sociais. todo este processo traduz uma certa equação do poder na sociedade: quem define as regras. Segundo Taylor. Os autores mais significativos desta abordagem foram os sociólogos britânicos Ian Taylor. quem aplica os rótulos. em última instância. • É uma realidade subjectiva porque é interiorizada através da socialização. A condição objectiva do problema social é. os problemas sociais advêm das relações sociais impostas pelo modo de produção. »»«« Perspectiva Crítica A perspectiva crítica.3 Os autores que introduziram formalmente esta perspectiva foram Peter Berger e Thomas Luckmann. Problemas como a violência conjugal. Para estes sociólogos. O que a perspectiva do Labeling constatou é que nem todos os que violam as normas são rotulados de desviados. A solução para os problemas sociais reside. na mudança (de preferência revolucionaria) do sistema social de classes para uma sociedade sem classes. isto é. e numa concepção alargada da contextualização social do desvio. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Becker defendeu que o comportamento desviado é aquele que a sociedade define como desviado. o desvio deve ser analisado de forma materialista e histórica: • Materialista – porque deve ser analisado o contexto material no qual surge o desvio. a que Becker apelidou de carreira desviante. a discriminação das mulheres ou a poluição ambiental são exemplos de situações que só se convertem em problemas sociais quando estabeleceu com sucesso um movimento de reivindicação que definia estas situações como problema. SebenteUA – apontamentos pessoais página 7 de 36 . e traduzem a necessidade de controle da classe capitalista e a necessidade de resistência e acomodação das classes exploradas. a sociedade é ao mesmo tempo uma realidade objectiva e subjectiva. sem injustiças e sem desigualdades. em última instância. portanto. Paul Walton e Jock Young. e é objectivada. os modos de produção da infra-estrutura económica determinam relações sociais distintas. Assume. O surgimento da corrente crítica e a sua influência no pensamento sociológico datam dos anos 70. também denominada de perspectiva radical. o que nos leva a considerar que. num processo de interacção dinâmico. são definidos pelas reacções sociais a uma alegada violação das normas ou expectativas sociais. quem é rotulado. posta de lado pela perspectiva constructivista. Segundo a tradição marxista. pois esta não é essencial para a existência de um problema. e podem ser ampliados por essas mesmas reacções. sendo constituída por objectos autónomos dos sujeitos sociais. É a definição subjectiva do problema social que se revela essencial para a existência do mesmo e como tal só esta deve ser investigada pelos sociólogos. A fundamentação desta corrente encontra-se no pensamento marxista. o trabalho infantil.

apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Um problema social só se constitui em razão de todo um processo de reivindicação e reacção social.SebentaUA. SebenteUA – apontamentos pessoais página 8 de 36 .

1.2. ainda que partilhe de uma ideia comum: o mercado é melhor regulador que o estado e. aos funcionários profissionais que pouco a pouco foram aumentando na Europa.2.1 – Os problemas sociais e a alteração do papel do estado 2. 2. De acordo com esta teoria. Humbold.1 – O estado protector A progressiva centralização do poder nas mãos do soberano que se registou concomitantemente com a desagregação da sociedade do Ocidente medieval.2 – As perspectivas liberais Duma forma simplificada pode dizer-se que a perspectiva liberal foi resultado de uma lenta sedimentação de natureza económica. como Adam Smith. Para discutir esta questão. os problemas socio-económicos devem ser atacados predominantemente pela sociedade civil. Rosanvallon (1984) parte da teoria das internalidades.1 – Génese O liberalismo deve ser compreendido no sentido mais global (como uma) doutrina baseada na denúncia de um papel demasiado activo do estado e na valorização das virtudes reguladoras do mercado. do liberalismo utópico como Paine e Godwin e do neoliberalismo como Robert Nozick ou John Rawls.2 – O Estado Providencia Com a revolução industrial e a emergência de problemas económicos e sociais que daí resultaram. Para realizar tal finalidade.2 – As teses E esta a tese defendida por grande parte dos principais autores do liberalismo positivista clássico. No que respeita aos problemas sociais económicos. o seu aparelho administrativo teve de assumir uma dimensão progressivamente maior. 2. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos 2 – Perspectivas político-doutrinárias sobre os problemas sociais 2. 2. mais recente. aos politico profissionais e semi-profissionais. deu origem a um modelo de Estado a que alguns autores chamaram Estado Protector. o príncipe recorreu a dois tipos de pessoas: • Por um lado. com uma organização cada vez mais complexa e uma pilotagem progressivamente mais profissionalizada. O Estado foi chamado a assumir funções de regulação e de orientação progressivamente maiores. Quadro da página 58. mas que traduz a resultante da tensão entre tal capacidade e a vontade de obedecer. Em todos estes autores encontramos uma forte critica à excessiva dimensão do estado. Para garantir a eficiência do estado Protector.SebentaUA. E o caso. Burke. da crítica à economia do mercado. a acção do estado tem. Quadro página 60. que pervertem as intenções de justiça e de promoção do Bem-Estar das suas politicas. com frequência. Partindo da ideia de que o poder não é uma simples capacidade de obrigar. por consequência. nos critérios definidores das suas funções e na definição do seu campo de actuação. • Por outro. da corrente neoliberal. efeitos imprevistos (internalidades). doutrinária e politica que ocorreu na Europa a partir do século XV. Jeremias Bentham. o pensamento liberal tem evoluído. Quadro da página 56. 2. que deve ser entendida como uma critica. Em suma – a posição liberal face aos problemas socio-económicos pode resumir-se em dois aspectos: • A maior parte dos problemas sociais e económicos resultam de uma excessiva intervenção do estado.1. variando no entanto. SebenteUA – apontamentos pessoais página 9 de 36 .

uma atitude de nacionalismo económico. deve-lhe competir um papel dominante no planeamento e organização da economia e da protecção social. na tentativa de analisar a sociedade coeva e de propor soluções para as disfunções sociais que então se viviam. 2. • Os efeitos imprevistos do funcionamento do mercado que condicionam fortemente a emergência e o agravamento dos problemas socio-económicos não são convenientemente equacionados. as funções económicas e sociais do estado procuram atingir dois objectivos: • Reforçar a frente de combate económica. os problemas económicos e sociais são resultantes. por parte dos decisores políticos.2.4 – As perspectivas conciliatórias Procurando conciliar as doutrinas liberal e marxista. 2. em plena revolução industrial. Quadro página 64. emergiu uma terceira tendência no século XIX que veio dar origem ao que se convencionou de Estado-Providencia.1 – Génese O pensamento marxista enquadra-se historicamente na Europa do século XIX.3 – As perspectivas marxistas 2. SebenteUA – apontamentos pessoais página 10 de 36 . poderemos entender as duas estratégias defendidas por esta corrente.3. neste sentido.2 – As teses O pensamento de Marx relativamente ao papel do estado não é idêntico ao longo da sua obra.3 – As limitações As críticas. às organizações desta classes cabe fazer pressão. em última análise. • Ajudar a tratar dos feridos da guerra económica. colocando as classes sociais umas contra as outras. • Passando pela afirmação de que o estado era uma expressão da alienação humana semelhante à religião • Ao direito e à moralidade.3 – As limitações Em traços gerais os críticos à perspectiva liberal apontam-lhe as seguintes limitações: • Os limites da acção do Estado são. insuficientemente operacionalizados. 2. • Até à afirmação de que poderia desempenhar. Suzanne de Brunhoff – a conjuntura é vista como um cenário de guerra económica o que implica. • Do ponto de vista político. provocou danos elevados na coesão social. 2. consoante detenha ou não o controlo do estado: • Quando o Estado não é controlado pela classe trabalhadora. • Quando o estado é controlado pela classe trabalhadora. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos • A resolução dos problemas sociais e económicos deveria ser deixada aos mecanismos (naturais) de auto-regulaçao do mercado. falta de eficácia e de eficiência. na perspectiva marxista.3. da situação de exploração de uma classe em beneficio de outra num cenário de permanente luta de classes. nela se encontrando: • Desde uma posição idealista. podemos agrupá-las em dois: • Do ponto de vista doutrinário.3. 2. algum papel positivo em favor das classes oprimidas. Se esta constatação acrescentarmos que.SebentaUA. apesar de todas as criticas. Neste contexto. em regra.

revitalizou a economia e. a organização da protecção social em torno de um sistema de serviços universais ou quase universais para a satisfação das necessidades básicas e • O empenhamento em manter um nível nacional mínimo de condições de vida. por iniciativa dos governos de chanceler Bismarck.1 – Os fundamentos Os fundamentos da intervenção do estado relativamente aos problemas sociais e económicos podem encontrar-se na constatação de efeitos imprevistos (positivos ou negativos) do funcionamento do mercado a que Pigou. *** Leis do seguro-doença (1883). • O segundo Pilar: a teoria intervencionista de Keynes Foi dada pelo economista John Maynard Keynes que mostrou a forma como o capitalismo de mercado podia ser estabilizado através da gestão da procura e da adopção de um sistema de economia mista. assim. reduziu os problemas sociais e económicos. Ao faze-lo. de acordo com quatro princípios: *** O principio da universalidade. nas décadas de 1870 e1880. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos 2.SebentaUA. dos acidentes de trabalho (1884). por consequência.4. basearam-se numa vigorosa intervenção estatal através de investimento públicos que criaram muitos empregos. criando paradoxalmente uma fonte inesgotável de motivos de extensão do estadoregulador.3 – A situação actual Os ingredientes básicos que proporcionaram consistência politica a este modelo de estado intervencionista.4.5. de suporte para legitimar a intervenção do estado no próprio interior da lógica liberal. *** O principio da unicidade (de inputs do sistema). em 1920. em plena segunda guerra mundial (1942). • Por outro lado. que se lançam as bases recentes dos sistemas de segurança social. chamou externalidades. Os princípios defendidos por este autor.4. • O terceiro pilar: o relatório Beveridge E. *** O principio da uniformidade (de outputs do sistema). A teoria das externalidades servia. a diminuição das contribuições. com o Relatório Beveridge. foram três: • O pleno emprego como objectivo estratégico. *** Lei do seguro obrigatório (1881). 2. devido ao crescimento do desemprego provocado pela recessão económica. Com as duas crises de petróleo ocorridas nos anos 70. As leis estruturantes de tal sistema foram as seguintes: *** Lei da responsabilidade limitada dos industriais em caso de acidente de trabalho (1871).2 – Os pilares do estado Intervencionista A expressão Estado-Providencia surge na França do segundo império. e do seguro velhice-invalidez (1889). aplicados para combater a crise de 1929 pelo Presidente americano Franklim Roosevelt na política do New Deal. Num conjunto de leis que procuraram melhorar a protecção social dos trabalhadores através de mecanismos de seguro obrigatório. condicionou a redução da oferta de Estado. 2.5 – Em Portugal 2. 2. Em grandes linhas pode dizer-se que este modelo de Estado integrou três tipos de contribuições principais: • O primeiro pilar: o seguro obrigatório de Bismarck O primeiro passo para a construção do modelo de Estado intervencionista foi dado na Alemanha. aumentou a procura de Estado.1 – A perspectiva intervencionista na evolução constitucional SebenteUA – apontamentos pessoais página 11 de 36 . iniciou um período de recessão que teve dois efeitos conjugados: • Por um lado. numa altura em que os sistemas de protecção eram meramente mutualistas. *** O principio da centralização (organizacional). aumentaram o poder de compra das famílias o que provocou um crescimento da procura.

SebentaUA. Quadro página 73. a primeira experiência de planeamento. O segundo Plano de Fomento (1959-64) – foi então criado o Banco de Fomento Nacional. • A constituição de 1976 foi também intervencionista. No quarto Plano de Fomento (1973-79). SebenteUA – apontamentos pessoais página 12 de 36 . mas fortemente influenciada pela perspectiva marxista.2 – A perspectiva intervencionista na evolução do planeamento Outro indicador interessante.5. • A primeira constituição republicana. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Procura registar algumas características das constituições portuguesas desde 1822: • As constituições do período monárquico. O primeiro esforço de planeamento após revolução regista-se no Plano Económico e Social (1975). Quadro página 75. Com o Plano Intercalar (1965-67) O terceiro Plano de Fomento (1968-73). onde são explicitadas medidas de Planeamento Regional. Em Portugal. com a Lei 1914 de 24 de Maio. num quadro doutrinário corporativista. A Constituição de1976. O primeiro Plano de Fomento (1953-58). • A constituição de 1933 é intervencionista. revelador do modo como evoluiu o interesse político pelos problemas sociais e económicos é a sua presença no planeamento. no sentido que hoje lhe damos. parece ter surgido apenas em 1935. que ficou conhecida por lei da Reconstituição Económica. nomeadamente no que respeita ao controlo da actividade económica social e politica. 2. de1911 – assunção da educação como dever de estado.

aparecimento de cataratas e diminuição da capacidade do sistema imunitário. SebenteUA – apontamentos pessoais página 13 de 36 . flora e saúde humana. com prioridade no desenvolvimento de mecanismos de tecnologias limpas. tendo sido acordado um plano de acção finalizada no ano 2000 e do qual se destacam: *** Os mecanismos de financiamento para apoiar os países em desenvolvimento relativamente aos efeitos adversos das alterações climáticas. »»«« rarefacção da camada de ozono • Introdução Camada de ozono – esta camada funciona como filtro às radiações solares ultra-violetas B. »»«« Biodiversidades • Introdução Biodiversidade para designar a diversidade de habitats e espécies existentes nos diferentes ecossistemas. A biotecnologia e a engenharia genética podem contribuir para a criação de novos organismos transgénicos. deve ser guardada. entre outras medidas. *** O programa de trabalho dos Mecanismos de Quioto. nomeadamente através de medidas de adaptação. sendo responsáveis pelo desenvolvimento precoce do cancro de pele. • O protocolo de Montreal Em 1988.SebentaUA. • Diminuição da biodiversidade • Biodiversidade aplicada A diversidade genética dos seres vivos. acerca de 40 países assinaram o protocolo de Montreal que pretendeu assinalar a preocupação da comunidade internacional relativamente aos problemas do ozono e que visa. alcançar uma redução de 50% na utilização de CFCs 1999. constituindo-se bancos de genes para a utilização futura. onde vários países assinaram um protocolo no sentido da redução global. • O encontro em Buenos Aires – na IV Conferencia das Partes da Convenção – Quadro das Alterações Climáticas ocorrida em Buenos Aires em 1998. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos 3 – Grandes problemas ambientais »»«« Gestão de água • Disponibilidade de água • Qualidade de água »»«« Efeito de estufa e alterações climáticas • Introdução • Alterações climáticas • Protocolo de Quioto – o encontro mundial onde pela primeira vez se regulamentaram as emissões do gases com efeito de estufa foi a III Conferencia das Partes da Convenção – quadro das Alterações Climáticas ocorridas em Quioto em 1997. Este facto foi abordado na Conferencia de Rio em 1992. com capacidades até então inexistentes. *** As actividades implementadas conjuntamente. O protocolo de Quioto foi um pouco mais além e permitiu ainda a implementação de mecanismos de mercado denominado “mecanismos de Quito”. Estes mecanismos permitem o comércio de emissões entre países industrializados. mais alguns passos foram dados. que são prejudiciais à fauna. • Protecção da biodiversidade A preservação da biodiversidade tem um grande impacte social. *** O desenvolvimento e transferência de tecnologias para os países em desenvolvimento. a cooperação entre países industrializados e em desenvolvimento para implementação de mecanismos de tecnologias limpas. a implementação conjunta entre países industrializados.

O desenvolvimento sustentável envolve. Muitas soluções que se propõem são político-económicas. a integração das políticas socio-económicas e ambiente. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos »»«« Desertificação e desflorestação • Introdução E a este processo. define-se desenvolvimento sustentável como o desenvolvimento que satisfaz as necessidades das gerações actuais. natural ou artificial. • Floresta e biodiversidade Saelizaçao – processo regressivo em que os ecossistemas tendem para situações de pré-deserto. a Comissão Mundial para o Ambiente e o desenvolvimento (CMAD). dá-se o nome de desertificação. com o objectivo de preparar o mundo para os desafios do século XXI face aos actuais problemas de ambiente e desenvolvimento. como um órgão independente e integrado por 21 países Desenvolvimento sustentável – tal como enunciado no relatório Brundtland. • Estratégias para a implementação da Agenda 21 SebenteUA – apontamentos pessoais página 14 de 36 . contendo programas de acção detalhados e bem fundamentados numa variedade de matérias. »»«« Resíduos • Introdução Resíduo – qualquer substancia ou objecto de que o detentor se desfaz ou tem intenção ou obrigação de se desfazer. • Resíduos sólidos urbanos (RSU) • Resíduos industriais • Medidas futuras. sem com isso comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Ao processo regressivo em que os ecossistemas tendem para situações de deserto. mas o problema tem importância social e ética. • Medidas futuras Os impactes antropogénicos sobre a floresta são demasiado alarmantes para que não se tome qualquer atitude. Agenda 21. assim. »»«« Instrumentos de Politica de Ambiente • Enquadramento Em 1984 foi constituída pela assembleia-geral das Nações Unidas. que leva à redução da área coberta com um sistema florestal que se dá o nome de desflorestação. desde a gestão da água à pobreza.SebentaUA.

nos países menos desenvolvidos verificou-se uma acentuada melhoria das condições de vida.2. • De 1750 até 1950 Melhores condições sanitárias. • Valor da criança.1. referido à população média desse período. referido à população média desse período. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos 4 – Problemas demográficos 4. permitiram uma baixa da taxa da mortalidade e um aumento da esperança média de vida.3 Causas do envelhecimento demográfico O envelhecimento demográfico ou populacional deriva de uma de três principais razoes: • A primeira consiste no envelhecimento natural do topo. E. com um quantitativo populacional muito jovem.1 – Evolução da população mundial »»«« Evolução da população mundial • Até ao século XVIII – até ao século XVIII. • Planeamento familiar reduzido e baixo uso de contraceptivos. »»«« Consequências principais do acelerado crescimento demográfico Página 129. normalmente o ano.2. Taxa de natalidade – numero de dados vivos ocorridos durante um certo período de tempo. »»«« Causas principais do crescimento demográfico Podemos apontar como principais causas do crescimento da população.2 – Evolução da população por grupos etários nas grandes Regiões. • De 1950 até 1999 A partir da II Grande Guerra Mundial. • 1999 – O ano dos seis biliões A 12 de Outubro de 1999 o planeta atingiu 6 mil milhões de habitantes.2. • Mortalidade infantil elevada. na generalidade das sociedades mais desenvolvidas. que se verifica nos países menos desenvolvimento.2 – Envelhecimento demográfico ou populacional 4. Ainda que se tenham verificado alterações.1 – Envelhecimento da população Assiste-se hoje. 4. no sentido de baixar a natalidade. Quadro página 139. esta continua a ser elevada. na Europa a América do Norte. podendo apontar-se como causas: • Estatuto e papel da Mulher centrados na maternidade.SebentaUA. • Baixo nível educacional da mulher. ao aumento da percentagem relativa de indivíduos com 65 e mais anos de idade no conjunto da população total. • DE 1999 até 2050 Prevê-se que a população mundial continue a crescer nos próximos 50 anos. ou seja.1 – Explosão demográfica 4. ainda que a taxa da natalidade fosse alta a taxa da mortalidade era também muito alta. da baixa da taxa de mortalidade e SebenteUA – apontamentos pessoais página 15 de 36 . 4. normalmente o ano. Consequentemente um grande aumento populacional que incidiu. o crescimento da população foi lento. em consequência de tendências demográficas endógenas normais. O acréscimo do numero de indivíduos com 65 e mais anos resulta. pela primeira vez na historia da humanidade. no acesso a cuidados médicos e a água potável permitindo um decréscimo da mortalidade. sobretudo. ao fenómeno do envelhecimento demográfico ou populacional. Taxa de mortalidade – numero de óbitos ocorridos durante um certo período de tempo. a baixa da taxa da mortalidade e a persistência de uma elevada taxa da fecundidade. resultante do acréscimo da percentagem da população idosa. 4.

o aumento da população idosa acarreta maiores custos com a segurança social (com pensões e reformas).2. há a considerar o envelhecimento natural na base. 4.1 – Classificação das migrações As migrações podem ser classificadas em: • Migrações internas • Migrações internacionais »»«« Migrações Internas Por migrações internas.3. com a criação de infra-estruturas (lares. »» «« Consequências individuais do envelhecimento Quer a nível físico quer a nível individual e social os mais idosos têm maior tendência para se sentirem mais isolados e excluídos da sociedade. podendo. »»«« Consequências politicas Politicamente os mais idosos terão maior peso eleitoral. entre outras causas. no total da população. exemplos: *** Ordem económica. implicando por regra uma mudança de estatuto ou uma alteração no relacionamento com o meio envolvente. 90 e 100 anos. *** Sazonais. devido. a concentração de idosos em regiões particularmente atraentes. • O maior acréscimo da população com 60 e mais anos dar-se-á nos países menos desenvolvidos. • Causas das migrações internas. temporário ou permanente. com consequente aumento da esperança média de vida. 4. quer físico quer social.6 – Possíveis estratégias de intervenção Quadro página 143. com a consequente redução progressiva da camada mais jovem.2. alterar o funcionamento da sociedade e da economia.SebentaUA. às boas condições climáticas e existência de serviços especializados.3 – Migrações Migrações – entende-se o movimento de uma população. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos da mortalidade infantil. • Estima-se que aumente o numero de pessoas com 80. resultante da quebra da natalidade. • Redução do numero de activos por cada idoso. • Consequências físicas • Consequências económicas e sociais.5 – Tendências do envelhecimento populacional • A maioria da população com 60 e mais anos viverá em países mais desenvolvidos. refere-se ao envelhecimento artificial do topo. característica de sociedades urbanas e industriais. • Uma segunda razão.2. de forma indirecta.4 – Consequências do envelhecimento populacional ou demográfico »»«« Consequências Económicas e Sociais A nível económico. 4. • Por fim. que acrescenta à primeira. SebenteUA – apontamentos pessoais página 16 de 36 . território ou área restrita: • Classificação das migrações internas: *** Definitivas. entendem-se os movimentos definitivos ou sazonais das populações dentro de um país. • Feminizaçao da população envelhecida. 4. A migração envolve necessariamente uma transição social bem definida. centros de dia). com a saúde (hospitais e medicamentos). 4. de um local físico para outro.

• Consequências para o País de destino As consequências são fundamentalmente de três ordens. *** As qualificações dos migrantes. revoluções. *** Distancia percorrida – que poderá envolver grandes distancias. Sociais. e idoso. • Migrações internacionais. tensões sociais e pressão sobre os sistemas de prestações de serviços. por exemplo: *** Natureza das motivações – de deslocação. Alguns factores No estudo das migrações internacionais deve-se ter em conta diversos factores. *** As de ordem económica – as que se referem fundamentalmente. no passado. 2. Politicas – guerras. »»«« Migrações internacionais Por migrações internacionais entendem-se os movimentos populacionais que ocorrem entre países. escolas. Sociais – falta de infra-estruturas sociais. más condições de vida). perseguições étnicas ou religiosas) e as migrações económicas (desemprego. *** Ao nível familiar – o abandono de mulheres. *** Ordem demográfica – por exemplo: envelhecimento das suas populações.SebentaUA. *** A estrutura familiar dos grupos migrantes. económicas. Pessoal • Consequências da Migrações Internacionais As desigualdades económicas. ecológicas e demográficas. Considera-se emigrante o indivíduo que sai do seu pais para ir trabalhar para outro país. *** Duração do fluxo. ex: na construção civil ou na área da agricultura). etc. *** Proximidade cultural entre os migrantes e a população anfitriã • Causas das migrações internacionais Podemos distinguir como principais causas dos fluxos migratórios internacionais. perseguições. como. *** As de ordem não económica – que podem ser de vária natureza. revoluções. Demográficas – maior densidade populacional. SebenteUA – apontamentos pessoais página 17 de 36 . 3. enquanto os homens vão para as cidades. nomeadamente: 1. cada vez maiores. Familiar 6. em que se enquadram as migrações politicas (guerras. ou curtas distancias. *** Duração de permanência – que poderá ser definitiva (geralmente é o caso das migrações transoceânicas. as de Portugal para o Brasil) ou temporária (migrações sazonais. contratos por temporada. demográficas e socio-políticas: *** Ordem económica *** Ordem demográfica *** Ordem socio-política • Consequências para os países de origem *** Ordem económica – por exemplo: contribuição financeira dos seus emigrantes através do envio de remessas. a questões de natureza laboral. redução da população activa qualificada. • Consequências das migrações internas: A principal consequência das migrações internas é a crescente urbanização que trará problemas sérios a vários níveis: *** Ao nível demográfico – desertificação do interior e zonas rurais que contribui para o envelhecimento destas regiões e ao aumento da densidade populacional nas áreas urbanas dando origem a mega cidades. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos *** Ordem não económica: ecológicas. anuais ou plurianuais. crianças. bairros com precárias condições de vida. baixos salários. baixos salários. e as pressões politicas. 4. hospitais. *** Ao nível social – desemprego ou subemprego. levarão a que um número cada vez maior de indivíduos procure outros países. entre os países mais desenvolvidos e os países menos desenvolvidos. Religiosas/Culturais – 5.

• Da mortalidade. Da analise geral dos dados. Vejamos áreas de possível intervenção: • Área dos benefícios fiscais • Área das infra-estruturas sociais. oriundos de uma maior diversidade de áreas. • Área do apoio à maternidade • Área da legislação. *** Feminizaçao das Migrações – • Processo migratório internacional: o modelo das 4 fases: Quadro página 158. • Tendências das migrações internacionais para os próximos 20 anos: *** Globalização das migrações – tendência para que um maior numero de países seja afectado ao mesmo tempo por movimentos migratórios. • Área laboral. três tipos de politicas: • Politicas Natalistas – que visam o aumento da taxa da natalidade. podem como as anteriores.4. Temos assim. da vários tipos. »»«« Politicas anti-natalistas ou neomalthusianas As medidas adoptadas para a diminuição da natalidade. assiste-se a movimentos migratórios simultâneos. por exemplo. constata-se que . ou seja: • Da natalidade. 4. para o aumentar. • Politicas de Neutralidade – cujos resultados variarão de acordo com as circunstâncias de cada país. contacto com outras culturas e tradições que poderão levar à extinção de determinadas praticas tradicionais ou à adopção de praticas novas como. dado o seu do índice sintético de fecundidade. visam alterar a evolução da população. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos *** Ordem social – por exemplo: abandono de mulheres e crianças. *** Crescimento das Migrações – tendências para que o volume dos movimentos migratórios se torne cada vez maior. *** Indiferenciaçao das Migrações – inicialmente os movimentos migratórios eram de um só tipo. predominam as politicas anti-anatalistas. de maneira geral embora nas regiões mais desenvolvidas (com destaque para a Europoa9 se privilegiem as politicas para aumentar a fecundidade. Estas alterações do movimento da população podem ser feitas com base nas áreas do processo populacional. • Das migrações (internas ou internacionais).2 – Politicas demográficas. provocando o envelhecimento das populações. »»«« Politicas demográficas ou da população na área da natalidade As políticas na área da natalidade tem como principal objectivo alterar o volume dos nascimentos. ser directas ou indirectas: SebenteUA – apontamentos pessoais página 18 de 36 . Medidas natalistas e da família – Exemplos: As medidas adoptadas para o aumento da natalidade. • Politicas Anti-natalistas – que visam a diminuição da taxa da natalidade. que de forma directa ou indirecta.SebentaUA.1 – Evolução da população mundial 4. Hoje. por exemplo: maior recurso às técnicas de planeamento familiar. manter ou baixar. ou só de trabalhadores ou só de refugiados. a nível mundial. ser baixo não permitindo a renovação das gerações e ainda. O que são? Politicas demográficas – o conjunto de medidas tomadas pelas entidades governamentais.4.4 – Politicas demográficas ou politicas da população 4. podem ser directas ou podem ser indirectas (como são as politicas da família que incidem nas áreas dos abonos).

surgiu a preocupação de se discutirem as questões relacionadas com o crescimento demográfico. Politicas de imigração Face à baixa da taxa da natalidade e ao consequente envelhecimento populacional. por exemplo. As medidas poderão ser adoptadas. Quadro página 175. com base em: *** Factores profissionais – limitando a entrada de indivíduos estrangeiros consoante a qualificação que possuam. forma organizadas.4.SebentaUA. uma vez que quem imigra. A adopção destas medidas permite o aumento do seu efectivo populacional com o aumento da natalidade. 4. SebenteUA – apontamentos pessoais página 19 de 36 . a mortalidade e migrações e a tomada de medidas no sentido de melhor se solucionarem os vários problemas. acréscimo da população activa e rejuvenescimento demográfico. a conferência do cairo. • Conferencia Internacional do Cairo sobre a População e desenvolvimento (1994). • Politicas que podem influenciar as migrações. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Quadro página 173. *** Factores étnicos e raciais – adoptando medidas tendentes a beneficiar determinadas etnias em detrimento de outras. Quadro página 177. »»«« Politicas sem intervenção especifica na área da natalidade. • Conferencia Internacional do México sobre a População (1984). Neste âmbito. com base em controlos sanitários destinados a impedir a entrada de indivíduos portadores ou potenciais portadores de determinadas doenças. Em relação às outras duas conferências. introduziu uma nova ênfase no programa de acção mundial: a importância social atribuída às mulheres e aos direitos da saúde reprodutiva. maioritariamente são os jovens.3 – Conferencias mundiais sobre a população Com diferentes situações demográficas a nível mundial. três conferencias mundiais sobre a população: • Conferencia Mundial de Bucareste (1974). pela Organização das Nações Unidas até hoje. alguns países adoptam medidas populacionais. As três conferencias mundiais partem da premissa de que o crescimento da população é um potencial obstáculo ao desenvolvimento económico e que o bem estar das populações passa por uma estratégia de limitação do crescimento populacional. *** Factores sanitários – recusando a entrada de indivíduos com base no seu cadastro criminal ou ainda.

no caso de alguns países (Brasil e. às vezes. • a ocorrência desenfreada nos mercados internacionais. Deve-se notar. houve uma extraordinária expansão dos fluxos de capitais em todos os mercados que compõem o sistema financeiro internacional (títulos. no caso da globalização financeira emitidos por residentes está nas mãos de não-residentes e vice-versa. “Empresa de capital estrangeiro” (ECE) trata-se. No que se refere ao processo de globalização na esfera produtiva. investimento externo directo e relações contratuais. financiamentos. A partir de meados dos anos 80 houve um aumento extraordinário dos fluxos de investimento externo directo e das relações contratuais. assim como da actuação das empresas transnacionais. O investimento externo directo refere-se a todo o fluxo de capital estrangeiro destinado a uma empresa (residente) sobre a qual o estrangeiro (não-residente) exerce controlo sobre a tomada de decisão. serviços e capitais. basicamente. em alguns momentos. toda a América Latina) essas relações levam à consolidação ou ao agravamento de uma situação de vulnerabilidade externa. Esse processo manifesta-se quando.2 – Da internacionalização à globalização A globalização pode ser definida como a interacção de três processos distintos que têm ocorrido ao longo dos últimos vinte anos e afectam as dimensões financeiras. mais simplesmente. moedas e derivados). como empresa internacional.SebentaUA. a) O primeiro processo refere-se à expansão extraordinária dos fluxos internacionais de bens. A ECE é também referida. Esses processos são: • A expansão extraordinária dos fluxos internacionais de bens. Esse acesso pode ocorrer por meio do comércio internacional. Há uma rivalidade cada vez maior no sistema económico mundial. assim como a moldura analítica básica necessária para a compreensão das relações entre globalização. • a maior integração entre os sistemas económicos nacionais. desnacionalização e vulnerabilidade externa. noutros. empréstimos. O argumento central é que o processo de globalização económica provoca relações mais complexas e profundas de interdependência entre economias nacionais e. ainda. acções. como empresa estrangeira. b) O segundo processo característico da globalização é o acirramento/agitação da concorrência internacional. deve-se ressaltar que a internacionalização da produção ocorre sempre que residentes de um país têm acesso a bens e serviços com origem noutros países. da empresa-matriz (nãoresidente) e. multinacional. SebenteUA – apontamentos pessoais página 20 de 36 . da filial ou subsidiária (residente) no país. De facto. O investimento externo directo significa que um agente económico estrangeiro actua na economia nacional por meio de subsidiárias e filiais. c) O terceiro processo refere-se à crescente integração dos sistemas económicos nacionais.1 – Introdução Este capítulo apresenta os principais conceitos usados na análise dos determinantes da globalização. serviços e capitais. 5. produtiva. comercial e tecnológica das relações económicas internacionais. que grupos transnacionais também passaram a actuar mais directamente no sistema financeiro internacional por intermédio de instituições financeiras próprias. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos 5 – Globalização económica 5. transnacional ou. enquanto as relações contratuais permitem que agentes económicos nacionais produzam bens ou serviços que têm origem no resto do mundo.

as economias avançadas devem alcançar uma trajectória de crescente competitividade internacional. após o período de crise (estagnação e inflação) dos anos 70. 5. As economias capitalistas desenvolvidas defrontavam-se com quatro respostas básicas para sair da crise de acumulação: • A primeira é a conhecida “saída Keynesiana”. O resultado dessa ascensão foi uma onda de desregulamentação do sistema económico à escala global. Entretanto. b) O segundo conjunto de determinantes envolve os factores de ordem politica e institucionais vinculados à ascensão das ideias liberais ao longo dos anos 80. a) O primeiro conjunto de determinantes da globalização económica refere-se aos desenvolvimentos tecnológicos associados à revolução da informática e das telecomunicações. • A terceira saída centra-se na distribuição do produto e riqueza • A quarta e última saída encontra-se no mercado externo e procura transformar as exportações na “locomotiva” da economia nacional. c) O terceiro e último conjunto de determinantes da globalização refere-se a factores de ordem sistémica e estrutural. O resultado foi uma extraordinária redução dos custos operacionais e dos custos de transacção numa escala global. Na realidade. O ponto central reside aqui em ver a globalização económica como parte integrante de um movimento de acumulação à escala global. ricos em capital. “acirramento” da concorrência no sistema internacional e integração crescente entre os sistemas económicos nacionais. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos A especificidade da globalização económica no final do século XX consistiu na simultaneidade dos processos de crescimento extraordinário dos fluxos internacionais. por meio do qual se promove uma nova onda de inovações tecnológicas e organizacionais capaz de aumentar os gastos (consumo e investimento). O processo de globalização por meio da abertura e exploração dos mercados externos – tem permitido uma recuperação das taxas de lucro. com políticas fiscais expansionistas e défices públicos. tendo como marco de referência os governos Thatcher na Grã-Bretanha e Reagan nos Estados Unidos. liderada pelo sector produtor de bens. SebenteUA – apontamentos pessoais página 21 de 36 . isto é. No início dos anos 80. caracterizado pelas dificuldades de expansão da esfera produtiva das economias capitalistas sólidas/maduras. • A segunda resposta consiste na “saída Shumpeteriana” de indução do processo de destruição criadora. a questão central refere-se ao menor potencial de crescimento dos mercados domésticos dos países desenvolvidos. Deve-se notar ainda que o período que precedeu o processo recente de globalização foi marcado por uma redução extraordinária da taxa de crescimento da produtividade. Em serviços (non-tradeables). há um deslocamento de recurso da esfera produtiva para a esfera financeira e. recentemente. houve uma forte recuperação das taxas médias de crescimento da produtividade. nesse ponto. a situação das economias capitalistas “maduras” era particularmente difícil. não directamente envolvidos no processo de globalização) o que se observa é a manutenção da tendência da queda da produtividade ao longo das últimas quatro décadas. Como resultado. A expansão dos investimentos públicos é uma das principais formas de realizar essa saída da crise. • Sistémicos. portanto. trata-se do problema clássico de realização do capital.3 – Determinantes da globalização Os determinantes da globalização podem ser agrupados em três conjuntos de factores: • Tecnológicos • Institucionais. Nesse sentido.SebentaUA. um efeito de expansão dos mercados de capitais domésticos e internacional.

5. Na realidade. Nesse sentido. se alguma. até. isto é. O poder é entendido como “a probabilidade que um actor. tem-se em consideração o papel das ECE como agente de “mobilização de viés”. de modo que o governo tem pouca. até certo ponto e sob certas circunstâncias. decidir e vetar questões na tomada de decisões. estes podem ser vistos como “parâmetros” na análise do papel das ECE. ser colocadas SebenteUA – apontamentos pessoais página 22 de 36 . Entretanto. a saída preferencial usada pelas economias capitalistas desenvolvidas desde o início dos anos 80 tem sido aquela que procura maior acesso aos mercados internacionais de bens. ou mantidas encobertas.“existe quando o consentimento é baseado na privação física ou a ameaça de privação física” • Autoridade – refere-se a consentimento legitimado. sobre uma base de poder. ou eliminadas antes que ganhem acesso à arena relevante da tomada de decisão. • Influencia – é um termo residual. Assim. No que se refere às EC. O conceito de decisão refere-se a “uma escolha entre alternativos de acção”. Dado o conjunto apresentado dos conceito básicos o objectivo é examinar as principais fontes ou elementos da base de poder de ECE. apesar da resistência de outro actor social e independentemente da base sobre a qual essa probabilidade se apoia” (Weber). Há três diferentes formas de exercício de poder: • Coação . ou faltando todos esses procedimentos. referindo-se a um consentimento não-legitimado e não coercivo” Martin.4 – Capital estrangeiro e poder O estudo das relações internacionais exige a análise das fontes de poder dos agentes envolvidos no processo político uma vez que a conduta de cada agente apoia-se sobre uma base específica. tem-se verificado uma recuperação das taxas de crescimento da produtividade. Essas fontes são divididas em dois tipos: • As fontes externas são derivadas de elementos fora do controlo dos países receptores de IDE (investimento externo directo). serviço e capitais. A não-decisão é 2uma decisão que resulta na supressão ou impedimento de um desafio latente ou manifesto para os valores ou interesses do tomador de decisões”. a insuficiência da procura colectiva nos países desenvolvidos constitui-se no mais importante e determinante fenómeno da globalização económica deste final de século. dentro de uma relação social. probabilidade de mudar esses elementos. Essas empresas têm poder para iniciar. Portanto.SebentaUA. O objectivo é apontar as principais fontes de poder ou os elementos na base do poder das ECE. mutilados ou destruídos no estágio de implementação de decisão do processo político” (Gonçalves). não se deixa de lado os efeitos das ECE sobre a “tomada de não-decisão” (Gonçalves). dos tipos de bens e serviços fornecidos. estará em posição de realizar a sua própria vontade. sendo activamente promovida por governos e empresas transnacionais. principalmente no sector produtor de bens . isto é. • As fontes internas de poder podem. esse poder sobre a tomada da não-decisão parece ser significativo quando se considera a capacidade dessas empresas de influenciar ou moldar percepções e preferências por meio. no período recente marcado pelo processo de globalização.sector de tradeables. uma tomada de não-decisão é “uma maneira pela qual demandas por mudanças na alocação existente de benefícios e privilégios na comunidade podem ser sufocados antes mesmo que sejam anunciadas. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Assim. Essa estratégia surge como reacção à insuficiência de procura interna nos países capitalistas desenvolvidos. assim como pelo uso dos meios de comunicação de massa.

h) Dinâmica da inovação tecnológica SebenteUA – apontamentos pessoais página 23 de 36 .SebentaUA. nalguns casos. Além disso. e) Interdependência do mercado A natureza da concorrência – concorrência oligopolista ou monopolista – pode restringir a rivalidade por meio da moderação ou cooperação. de um país para outro. gerar poder económico e. a) Capacidade de mobilização de recursos As ECE têm uma capacidade extraordinária de deslocar recursos de uma subsidiária para outra. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos sob o controlo dos governos dos países receptores e. Uma parte substantiva das fontes internas mencionadas também as plica ao caso das empresas privadas nacionais. reciprocidade e. particularmente no que se refere ao volume de investimento externo directo à escala global.5 – Fontes externas de Poder As principais fontes externas de poder das ECE são: Página 204. No que se refere às fontes internas de poder das ECE pode-se mencionar: Página 202. Essas empresas possuem informações sobre a situação e perspectivas a respeito de produtos e mercados. consequentemente. 5. vistas como variáveis a serem usadas para reduzir o poder das ECE. como uma táctica para controlar mercados e também para criar solidariedade. f) Concentração segundo a origem Deve-se esperar maior probabilidade de acordos formais ou informais quando há um grau mais elevado de concentração do país de origem das ECE. b) Grau de integração O grau de integração do sistema matriz-subsidiárias permite às ECE uma maior flexibilidade no uso do mecanismo dos preços de transferência (sub e superfacturamente) por meio do comércio externo. que não estão disponíveis. Entretanto. é difícil definir um elemento da base de poder das ECE como externo ou interno. As ECE podem usar subsídios cruzados como uma táctica para controlar mercados. deve-se assinalar que. uma comunidade de interesses no plano internacional. Por meio dos preços de transferência as ECE podem realizar a sua própria vontade (transferência internacional de recursos) apesar da resistência do governo do país receptor. d) Estrutura do mercado internacional Mercados com um elevado grau de concentração à escala global tendem a aumentar o poder de comercialização menos claro das ECE. já que a própria existência de um elemento externo pode criar condições para o aparecimento de um elemento interno. consequentemente. esses elementos nem sempre são independentes uns dos outros. particularmente aos grandes grupos económicos nacionais. g) Importância relativa do país receptor O poder das ECE num determinado país está inversamente relacionado com a importância relativa do país receptor no cenário internacional. poder político. consequentemente. c) Assimetria da informação A posse de um activo específico à propriedade é uma das condições básicas que determinam a própria existência das ECE.

1 – Do nacional ao global As lutas de gerações a respeito do necessário e do desejável mostram outro modo de estabelecer as identidades e construir a nossa diferença. essas empresas podem apelar de forma directa ou indirecta para elementos externos de natureza institucional. a fim de obter algumas vantagens nos países receptores. cuja direcção tem origem a partir de um ponto desconhecido. l) Elementos institucionais Num processo de resolução de situações de conflito entre as ECE e os países receptores.6 – Os consumidores e a globalização Os próximos parágrafos são uma tentativa de descrever/entender a forma como as mudanças na maneira de consumir alteraram as possibilidades e as formas de exercer a cidadania numa época de globalização. Assim quanto mais rapidamente se processar a inovação tecnológica num sector especifico. uma colagem de traços que qualquer cidadão de qualquer país. Mas a maioria das mensagens e dos bens que consumíamos era gerada na própria sociedade. embora ainda nos interpelem como cidadãos é mais fácil e coerente sentirmo-nos convocados como consumidores. Vamo-nos afastando da época em que as identidades se definiam por essências a-historicas: actualmente configuram-se no consumo. uma articulação flexível de partes.SebentaUA. 5. A cultura é um processo de montagem multinacional. dependem daquilo que se possui. por outro lado. competindo entre empresas transnacionais. bens e serviços gerados por um sistema com muitos centros. maior tende a ser o poder de intervenção económica das ECE num país isoladamente. Num tempo em que as campanhas eleitorais se mudam dos comícios para a televisão. i) Concentração do desenvolvimento tecnológico O poder de intervenção de proprietários de tecnologia é uma fonte evidente de pressão. Os objectivos perdem a relação de fidelidade com os territórios de origem. que podem ampliar a sua bae de poder. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos As ECE caracterizam-se por certo dinamismo tecnológico. SebenteUA – apontamentos pessoais página 24 de 36 . no qual é mais importante a velocidade com que se percorre o mundo do que as posições geográficas a partir das quais se está agir. O que diferencia a internacionalização da globalização é que no tempo da internacionalização das culturas nacionais era possível não se estar satisfeito com o que se possuía e ir procurá-lo noutro lugar. j) O Governo do país de origem As ECE tendem a influenciar a politica externa dos governos dos seus países de origem. e havia alfândegas estritas. leis que protegiam o que se produzia em cada país. restringir o grau de manobra de governos na direcção da regulamentação dessas empresas. de modo que os interesses sindicais e nacionais quase não podem ser exercidos. 5. Agora o que se produz em todo o mundo está aqui e é difícil saber o que é próprio. religião e ideologia pode ler e utilizar. A internacionalização foi uma abertura das fronteiras geográficas de cada sociedade para incorporar bens materiais e simbólicos das outras. das polémicas doutrinárias para o confronto de imagens e da persuasão ideológica para as pesquisas de Marketing. ou daquilo que se pode chegar a possuir. O objectivo central da AMI é definir um conjunto de direitos para as ECE e. A globalização supõe uma interacção funcional de actividades económicas e culturais dispersas.6. A maneira neoliberal de fazer a globalização consiste em reduzir empregos para reduzir custos.

7 – O novo cenário sociocultural perante a globalização As mudanças socioculturais que estão a ocorrer em todos estes campos podem ser sintetizadas em cinco: Página 212 e213. fragilizou completamente a ideia que o modo neoliberal de nos globalizarmos seja o único possível. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos 5. os últimos acontecimentos mundiais.2 – A cidadania numa época de consumo Quando admitimos a globalização como uma tendência irreversível. nomeadamente a reunião do OMC.6. 5.SebentaUA. • Segundo. existem muitas duvidas fundamentadas que o global se apresente como substituto do local. SebenteUA – apontamentos pessoais página 25 de 36 . também é necessário ter em atenção que partilhamos algumas suspeitas quanto ao modelo: • Primeiro.

Resultante da força conjugada do aumento da esperança média de vida das populações e da redução drástica do ciclo de vida do Conhecimento. não se circunscrevem à educação inicial – que integra o ensino básico (pré-escolar e escolar). Entre os diversos sinais que traduzem esse desajustamento. esta ultima em contexto académico (pós-graduação) ou mais direccionada para a investigação e desenvolvimento de unidades produtivas (formação avançada). • Um outro conjunto de necessidades de aprendizagem que podemos englobar sob a designação de educação cívica e comunitária. secundário. O processo de complexificação do conceito de educação que se acabou de esboçar resulta de três macrotendências da sociedade contemporânea.” O fundador da primeira cátedra de Educação e Sociologia da Sobornne. profissional e superior – mas abrangem a chamada formação continua. a consciência progressivamente maior de que a educação institucionalizada não cobre todas as necessidades educativas. que aceitou. as necessidades de educação formal.1 – A nova equação educativa Durkheim definia educação como uma “acção exercida pelas gerações adultas sobre as que ainda se não encontram amadurecidas para a vida social. Em termos genéricos podem distinguir-se duas vertentes principais do processo educativo. mas também aprenderem a geri-la em seu proveito. para as assimetrias sociais e para a alteração dos sistemas de poder. Como atrás se referiu. 7. escrevia para a sociedade do seu tempo. significativamente intitulado Uma Nação em Risco. seja a sociedade politica. Ela tem por objectivo suscitar e desenvolver na criança um certo número de condições físicas. refere-se que a “presente geração de finalistas do liceu é a primeira na historia da América a concluir o curso com menos conhecimentos do que os seus pais” • As estimativas do numero de analfabetos funcionais no Estado Unidos variava entre 18 a 64 SebenteUA – apontamentos pessoais página 26 de 36 . em múltiplas facetas de formação profissional (actualização. sem polémica. à mediada em que se vai tomando consciência da degradablidade do saber e do seu ciclo de vida cada vez mais curto. vejamos alguns indicadores: • No relatório da Comissão Nacional (EUA) a Qualidade do Ensino (1983).2 – Efeitos da mudança na educação O sistema educativo contemporâneo encontra-se sob o fogo cruzado de variados críticos. tem vindo a desenhar um quadro de necessidades educativas. extensão e reconversão) e de formação continua superior. intelectuais e morais que dela reclamam. hoje. seja o meio especial a que ela se destina particularmente. pelas mais antigas. Em contrapartida regista-se o alargamento da formação continua. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos 7 – A educação como problema social 7. a formação inicial perdeu peso relativo. não só adaptarem-se à mudança acelerada da sociedade contemporânea. técnicas e atitudes. para o exercício de papeis sociais. que podemos agrupar em dois conjuntos que se interpenetram: • Em primeiro lugar uma educação que permita às gerações vivas. a que se fará referencia nos pontos seguintes: as tendências para a aceleração da mudança. susceptíveis de virem alicerçar a aprendizagem ao longo do resto da vida. no seu conjunto.1. que o consideram completamente desajustado à actual situação de mudança. consoante a aprendizagem de papéis esteja codificada e institucionalizada ou não: a educação formal e a educação não formal.SebentaUA. a ideia de que a educação se traduzia num processo unilinear de preparação das novas gerações. Por seu turno. reciclagem. circunscrevendo-se à aprendizagem básica de conhecimentos.

• Utilizar de maneira ética e critica os media (telemática. 7. • Orientar e controlar a sua vida de for autónoma. novo nome da fraternidade. 7. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos • • milhões. acelerando o metabolismo social. a necessidade de o educar para a solidariedade. • A adaptar-se rapidamente a novos lugares e ambientes sabendo deles tirar partido.4 – A educação e a alteração dos sistemas de Poder SebenteUA – apontamentos pessoais página 27 de 36 . traduzida na manutenção ou. obrigando os titulares a uma familiarização mínima com estas ferramentas da sociedade da informação. do meio ambiente e dos recursos que dispõe. • Utilizar da melhor forma as novas tecnologias como instrumentos e não como fins em si. torna imperiosa a aprendizagem da adaptação aos novos ritmos de vida. ensiná-las a: • Tirar partido. a necessidade de educar as gerações contemporâneas para o desenvolvimento. self-media e multimedia). de forma sustentada. • A ser um consumidor crítico e não um mero objecto das estratégias de venda do sistema massificador da sociedade de consumo. torna-se importante aprender a: • Adaptar-se a novos instrumentos e a novos processos de trabalho para que deles possa extrair um desempenho qualificado. Neste sentido. emerge um conjunto de necessidades educativas e de formação para a população (e não só para as suas camadas mais jovens como tradicionalmente tem sido considerado) que poderíamos englobar na expressão educação para o desenvolvimento e para a solidariedade. com particular urgência. escola e empresa). correndo-se sérios riscos de estar a criar uma geração de analfabetos informáticos. distribuição e consumo de bens escassos no quadro de uma efectiva cidadania económica. Aprender a adaptar-se à mudança A compressão do Tempo. • Produzir. • Aprender novas formas de se relacionar com o tempo e com as culturas vigentes em presença. Esta expressão. no agravamento das desigualdades da qualidade de vida das populações. distribuir e consumir bens e serviços. contrapondo à dominante cultura do individualismo uma cultura da solidariedade. o valor central da revolução francesa mais esquecido durante a época industrial. através da racionalização de processos de decisão cada vez mais rápidos. As taxas de absentismo e de abandono no ensino secundário aumentaram dramaticamente a partir dos anos setenta. • Evitar mortes desnecessários e prolongar a vida com qualidade. Isto implica. Aprender a gerir a mudança Neste sentido põe-se. o sistema educativo não conseguiu responder ao mesmo ritmo. Para agudizar. à invasão dos postos de trabalho pelos computadores. aprender a dominar o medo ao desconhecido e a assumir o estatuto de imigrante no tempo.1. a necessidade de aprender a: • Tirar partido dos recursos e sistema energéticos.SebentaUA. Por outro lado. integra duas vertentes indissociáveis: Por um lado.3 – A educação e as assimetrias sociais Desta segunda característica do mundo contemporâneo. à escala mundial. certos aspectos. • Lidar com a diversidade de modelos de organização social (família. • Pôr a render as potencialidades humanas de produção. tendo em vista a melhoria da qualidade de vida. ou seja.1. Podemos tipificar essas novas necessidades educativas em dois grupos que mutuamente se interligam: necessidades relacionadas com a adaptação ao processo de mudança e necessidades ligadas à gestão dos conteúdos dessa mudança.

tanto pela amplitude das necessidades e dos recursos envolvidos como pelos efeitos globais do seu funcionamento.5 – Três níveis de análise O contexto que se acaba de descrever configura a questão da educação. uma vez que a organização dos recursos tem efeitos imediatos na eficácia e nas eficiência do processo educativo. afirmando. • Numa aproximação micro-sociologica interessa equacioná-la como um problema psico-social. Quanto aos aprendentes. como um problema social complexo. estabelecidas entre os diversos protagonistas envolvidos no processo. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Uma terceira tendência que se observa na sociedade contemporânea é para uma substancial alteração dos sistemas de poder devido. no seu já clássico Aprender a Ser (1977). com efeitos imediatos na sua coesão interna e na sua locomoção em direcção a objectivos globais como o Desenvolvimento e a Democracia. entre os quais se encontram os aprendentes (alunos e formandos).2.2 – A educação como problema económico e politico A breve análise que se segue. a questão da educação deve ser concebida como um problema económico e politico. devido a diversos factores: • Crescente consciência da importância que tem a melhoria do nível de educação de um povo para o seu desenvolvimento económico e social. 7. em três macrotendências politicas: a participação crescente dos cidadãos. SebenteUA – apontamentos pessoais página 28 de 36 . já partilhava da mesma opinião. • Numa óptica meso-sociologica é indispensável entendê-la como um problema organizacional. dado o processo educativo resultar fundamentalmente de relações inter-pessoais. • Em segundo lugar. a duas circunstâncias: • Em primeiro lugar.SebentaUA.1 – Os factores de produção Os principais factores de produção em presença são os recursos humanos. Tais alterações traduzem-se. observa-se que nos últimos anos o seu número e diversidade aumentaram significativamente. 7. • Aumento da população infantil e juvenil. 7. o avanço das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs) e o desenvolvimento da sociedade de informação fizeram com que a principal fonte de poder deixasse de ser a riqueza e passasse a ser o conhecimento. Para fazer face à pressão da procura educativa muitos sistemas educativos têm-se confrontado com um duplo problema político: os recursos são escassos e frequentemente são desviados para fins militares. os recursos materiais. nos países menos desenvolvidos. criando um enorme contingente adicional de aprendentes. Outros tantos níveis de complexidade: • Numa perspectiva macro-sociologica. Isto porque como já referia Khôi em 1970. Edgar Faure. entre outras. em qualquer sociedade. como expressão politica do duplo processo de planatarização e de localização registado na segunda metade do século XX.1. em termos absolutos. o fim do socialismo de economia centralizada e a privatização do Estado Providência. observou-se um aumento dos protagonistas políticos e uma diversificação das suas relações. • Aumento das necessidades de formação contínua da população adulta. será feita a partir da perspectiva do ensino como indústria. os ensinantes (professores e formadores) e os outros protagonistas do processo educativo. em termos mundiais. de acordo com uma tendência para complexidade crescente.

2 – Os produtos Diferente situação em que os diversos sistemas de ensino se encontram relativamente aos recursos disponíveis e às exigências a que têm de fazer face.SebentaUA. SebenteUA – apontamentos pessoais página 29 de 36 . que. • Os recursos materiais. • O fosso de qualidade entre os sistema de ensino dos países em desenvolvimento e dos países industriais é ainda muito alto. naturalmente afecta os seus produtos. de cientistas e técnicos por mil habitantes. que a taxa de alfabetização está claramente relacionada com o estádio de desenvolvimento. são os países mais carecidos que apresentam índices piores. pode no entanto ser revelada por alguns indicadores como o número médio de anos de escolaridade da população adulta e o número de diplomados. em função disso. Registou nos últimos decénios uma melhoria global da alfabetização mas a um ritmo demasiado lento para as necessidades que o fosso entre países ricos e pobres. Em síntese. materiais de ensino. • O segmento feminino ainda é particularmente discriminado no acesso ao conhecimento. poderemos concluir que a indústria do ensino está claramente falha de recursos materiais e que tal carência é mais grave nos países que apresentam baixos índices de desenvolvimento humano. • As assimetrias observadas reflectem-se nos produtos dos sistemas educativos. juntarmos as carências de outros recursos materiais. sendo difícil de medir. indispensáveis para fazer face ao acréscimo de necessidades. podemos afirmar que a educação também se pode encarar como um problema organizacional uma vez que independentemente da justeza das politicas aprovadas. 7. Ligado a este problema está o da carência de ensinantes e o do seu custo crescente. Estes dois conceitos são extremamente importantes mas muitas vezes confundidos: • A eficácia – do processo educativo tem a ver com a convergência entre objectivos (resultados) previstos e alcançados. 7. simultaneamente os mais carecidos de investimentos em educação. está a reduzir-se. A qualidade das qualificações. humanos e ambientais. como pela diversidade das exigências feitas. abastecimento de água. neste domínio. a esta assimetria. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Parece portanto que o investimento em educação tem sido globalmente assimétrico. quer no que respeita à sua qualidade quer no que concerne à quantidade. regista-se uma crise global. que. resultante de uma insuficiente oferta de ensino perante uma crescente pressão da procura: • As necessidades do mercado aumentaram vertiginosamente tanto pelo aumento numérico dos aprendentes. sendo muitas vezes desviados para outros fins. finalmente. Se. a sua execução depende do modo como os recursos são geridos no terreno. electricidade e outros bens e serviços. A partir dos dados apresentados. podem extrair-se três conclusões: • A qualidade das qualificações produzidas pelos sistemas de ensino contemporâneo é ainda insuficiente. • A falta de recursos é mais grave nos países menos desenvolvidos. tornando o processo educativo mais ou menos eficiente.3 – A educação como problema organizacional Reduzindo a escala do nosso olhar.2. e são agravadas directamente pela condição feminina e pelo nível de desenvolvimento. em detrimento dos países mais pobres. são claramente insuficientes. que se traduzem na qualidade das qualificações produzidas pelo sistema e no numero de pessoas qualificadas nos vários níveis de ensino. o segmento feminino se encontra claramente em piores condições e que estas são agravadas com o estádio de desenvolvimento. observando os sistemas de ensino contemporâneos como industriais. equipamentos. como instalações.

Pelo que se acaba de referir. os recursos disponíveis na escola e na comunidade envolvente. 7. 7. a gestão da organização deve procurar coordenar diversas áreas chave. SebenteUA – apontamentos pessoais página 30 de 36 . • Na relação da escola com a comunidade envolvente é indispensável o mesmo tipo de cuidados. para que a organização escola funcione com eficácia e eficiência é exigido que os seus decisores tenham uma formação específica para o desempenho como gestores educativos. tanto na definição dos papéis que cabem aos protagonistas como na manutenção de uma rede de comunicações adequada. 7.SebentaUA. audiovisual e informático. Em qualquer acto educativo formal estão presentes três subsistemas que o condicionam: um aprendente. apontamentos pessoais • Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos A eficiência – relaciona os objectivos alcanças com os recursos afectados ara os atingir. no quadro da política educativa. entre outros aspectos: • Materiais educativos de qualidade em suporte escrito. 7. canais e suportes) é condição indispensável para que o relacionamento se processe com qualidade e com rapidez. que agregue as contribuições dos vários protagonistas (estudantes. é indispensável garantir um desempenho adequado da organização em duas principais vertentes: • Na relação da escola com a estrutura de tutela é fundamental identificar os papéis específicos que cabem às várias agências em presença.3. Definidos os papeis.2 – Gestão da dinâmica interna A dinâmica interna da organização escola deve ser posta ao serviço de um projecto educativo comum. a criação de regras de comunicação (padrões.4. e pessoal docente e não docente). • Rede comunicacional. um estudante e um sistema de comunicação educacional. São variáveis endógenas do ensinante. Para que tal aconteça. 7.3. Isto implica. organizar e controlar – mas também treinar a sua inteligência emocional de modo a poderem desempenhar as funções de liderança organizacional – motivação. e a inteligência emocional. • Estrutura informal.3 – Condicionadores da comunicação educacional Ainda que motivados é necessário que o sistema de comunicação educacional seja adequado. de natureza micro-sociológica. a coerência curricular. dado o processo educativo ocorrer sobretudo numa moldura de relações interpessoais.1 – Gestão da dinâmica externa Quanto às relações da escola com o exterior.4. • Cultura. a competência científica e pedagógica adquirida através da formação inicial e contínua.2 – Condicionadores do ensinante Os factores que condicionam o desempenho do ensinante podem agrupar-se também em variáveis exógenas e endógenas. das quais podemos salientar as seguintes: • Circuitos. podemos equacionar a educação como um problema psico-social. • Estrutura formal. comunicação e desenvolvimento dos recursos humanos em presença. Tal formação deve ser não só dotá-los das competências técnicas necessárias ao desempenho da função de gestão – saber planear. São variáveis exógenas. de modo a propiciar um efectivo espaço de manobra à organização escola.4 – A educação como problema psicossocial Procedendo a uma terceira aproximação.

5. têm vindo a defender-se a implementação de uma gama muito diversificada de politicas de intervenção.3 – À escala “micro” A uma escala psicossocial. a formação contínua tem vindo a assumir-se simultaneamente como um direito e um dever. SebenteUA – apontamentos pessoais página 31 de 36 . bibliotecas. 7. • No que respeita aos ensinantes. 7.1 – À escala “macro” À escala macro-soial. os sistemas educativos devem procurar responder à sobrecarga da procura com uma politica que privilegie a qualificação e a diversificação da oferta.5 – Algumas politicas relevantes Quadro página 265.2 – À escala “meso” A uma escala organizacional. 7. Estratégias activas para melhorar a comunicação educacional. 7. as politicas educativas têm vindo a direccionar-se frequentemente em três diferentes sentidos: • Na clarificação dos papeis e das regras de comunicação entre a escola e os organismos de tutela.6 – Em síntese Página 268. 7. • Na qualificação da gestão interna da escola. onde estudantes e professores possam trabalhar e conviver em regime de cooperação educativa.5. • No estabelecimento de parcerias entre a organização escola e a comunidade e os organismos de tutela. de empowerment para vencer as dificuldades quotidianas do processo complexo que é ensinar e aprender em circunstâncias por vezes muito difíceis. Página 266.5. têm vindo a multiplicar-se programas compensatórios. ginásios e salas para actividades expressivas bem como espaços polivalentes. da qual seleccionamos apenas algumas pela sua relevância: • Relativamente aos aprendentes. apontamentos pessoais • Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos • Espaços específicos como laboratórios.SebentaUA. • Finalmente têm vindo a desenhar-se politicas que visam dotar ambos os principais protagonistas do processo educativo.

A classificação das populações em “raças” foi substituída pela definição de grupos étnicos ou culturais. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos 8 – Problemas de origem ideológica Introdução Nesta unidade iremos apresentar as questões do racismo. • O racismo institucional A segunda metade do século XX viu também nascer ma nova interpretação do racismo que não apela a uma componente ideológica: rata-se da construção do conceito de “racismo institucional”. de Spencer (1862) • O eugenismo. O racialismo designa. o racismo combina dois princípios de exclusão: a desigualdade e a diferença. • O apelo a medidas de protecção. Esta viragem é a característica central do conceito de “novo racismo”.1 – O determinismo biológico A Europa do século XIX assistia ao estabelecer de laços estreitos entre a ciência e as doutrinas teóricas. Esta diferenciação entre “raças superiores” e “raças inferiores” e a legitimação da supremacia das primeiras face a estas designa-se por racialismo. O pensamento social era. a vertente ideológica do racismo.SebentaUA. substituindo-se a ênfase na “raça” pela ênfase na cultura. que consiste na identificação desse grupo com base em características físicas naturais. dominado pelo determinismo biológico. Nem sempre a discriminação de outrem é uma expressão de racismo.1. do sexismo e dos atentados aos Direitos Humanos como problemas resultantes de diferendos ideológicos. Mas é apenas nos finais da década de 20 que nasce o conceito de racismo.2 – A evolução do racismo no século XX A passagem para o século XX é feita com a herança do determinismo biológico. 8. de Francis Galton (1883) 8. a ideia de “racismo institucional” assenta no pressuposto de que a sociedade está estruturada de maneira a manter a exclusão de um grupo especifico (naquele caso os negros Afro-Americanos) e a evitar a sua progressão na sociedade. Por outro lado. mas tão só se incorporar estas três componentes. dos fundamentalismos. construído por oposição ao “velho” racismo biológico.1. 8. portanto. devido precisamente ao desenvolvimento de várias “teorias da raça”. da xenofobia. discriminação ou segregação. 1995): • A “naturalização” de um grupo. • A percepção do “outro” como ameaça. SebenteUA – apontamentos pessoais página 32 de 36 . • A emergência do “novo racismo” No entanto. que alertava para a degenerescência das “raças” como resultado da mistura entre si. o discurso sobre as diferenças persistiu. então. estas alicerçadas nas interpretações que as ciências avançavam sobre Humanidades.1. em que se destacam três teorias fundamentais para a legitimação científica do racismo: • A obra de Gobineau.3 – As facetas da desigualdade e da diferença O racismo encerra em si três componentes (Wieviorka. 8. “Essai sur l'inégalité des races humaines” (1852). nos anos 60. definido como uma ideologia que defende a superioridade de determinadas “raças” e legitima a sua supremacia em relação às “raças” identificadas como “inferiores”. Originalmente defendido pelo movimento “Black Power” nos EUA.1 – Racismo A grande parte da história que se têm debruçado sobre o racismo identifica o século XIX como o período de impulso deste fenómeno. • O darwinismo social.

Nas interpretações fundamentalistas.. Como afirma Wieviorka. transformando parte dela em desigualdade e outra parte em exclusão. reforça o receio da perda das especificidades e faz nascer o racismo ou outras manifestações de rejeição e discriminação dos outros. ao contrario da unidade ideológica a que assistimos nos séculos anteriores. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos A relação entre as dimensões da diferença e da desigualdade não é consensual entre os autores que se dedicam à análise do racismo. Em termos etimológicos. Em contrapartida. 8. a percepção da diferença cultural só produz racismo se a cultura ou culturas minoritárias forem entendidas como ameaçadoras pela cultura dominante. deu espaço ao surgimento de partidos de extrema-direita em França. Também o medo da descaracterização da cultura e identidade nacionais. 8.. o discurso da diferença surge assim mesclado por argumentos de cariz biológico.1. Assim. como o Front National. No entanto. Por outro lado. identificado como dissemelhante do “eu” ou do “nós”. É por este motivo que Todoov define o racismo como uma doença de passagem para a Modernidade. quer essa diferença seja baseada em traços físicos. Nas sociedades contemporâneas. afirmando que esta não aceita facilmente a diferença. na pertença nacional ou em outros aspectos. a riqueza pela pobreza(.. na medida em que traduz toda a rejeição de outrem. ou resulte tão só da subjectividade implícita à atribuição de uma identidade diferente a esse “outro”. é a conjugação destas duas caracteristicas – rejeição daquele que identificamos como diferente e medo face a ele – que fazem associar frequentemente o fenómeno da xenofobia à questão dos fundamentalismos. e ao surto de violência racista em Portugal no início dos anos 90 do século XX. defende-se que esses princípios religiosos deverão alicerçar a organização social de toda uma sociedade. dando origem a uma pluralidade de manifestações de racismo. económico ou político. resultado em dois tipos de racismo: a desigualdade está relacionada com a naturalização do “outro” (sobretudo o “outro” enquanto colonizado ou sujeito à dominação por parte de outrem) e com a sua inferiorização.4 – O racismo como uma doença da Modernidade Numa contradição notória da Modernidade. Também Wieviorka agarra esta ideia do racismo enquanto doença social da Modernidade. o esbater das diferenças pelo contacto entre culturas. pois ambos os conceitos se referem a uma diferenciação entre grupos que resulta na exclusão de uns face a outros. afirmando que se o tema da desigualdade está fortemente ligado à dominação colonial. para que o racismo se manifeste é necessário que «(.) haja o sentimento de que o superior está ameaçado pelo inferior. o racismo só existe se a consciência da inferioridade dos povos colonizados for acompanhada pelo medo de invasão ou de perda de identidade do colonizador. cultural. aliado ao aumento do desemprego. a xenofobia diz respeito a um leque muito mais abrangente de diferenciações. Ora. 8.. ao invés de reforçar uma consciência universal e tender à globalização cultural. O fundamentalismo reporta-se à crença e à defesa de um conjunto de princípios religiosos (ou fundamentos). xenofobia significa medo do estrangeiro.2. que são entendidos como verdades fundamentais. Wieviorka define o racismo pela complementaridade entre estas duas dimensões. a qualidade pela quantidade.2 – Xenofobia e fundamentalismos A xenofobia e o racismo estão interrelacionados.)». Taguieff (1988) defende que estes duas dimensões estão separas.SebentaUA. a diferença está ligada à ideia de preservação da especificidade de cada cultura.1 – A origem dos fundamentalismos modernos SebenteUA – apontamentos pessoais página 33 de 36 . na cultura.

2 – A família como fonte de desigualdades Outros autores argumentam que a interpretação da desigualdade entre os sexos dada pela diferenciação biológica é muito incompleta. O pensamento feminista contemporâneo define. fundamentalismos e nacionalismos A análise dos temas da xenofobia e do fundamentalismos deve. sendo a religião e a pertença étnica espaços privilegiados para tal. pois faz com que os grupos se organizem com base numa identidade comum (excluindo portanto os estrangeiros. assentes na lei paternal e sendo a família a sua celula-base. sendo esse medo o motor de muitos sentimentos xenófolos contra as comunidades imigrantes muçulmanas aí instaladas. que procedem à re-interpretação dos textos sagrados com o objectivo de mudar a ordem social existente. uma quota parte de exclusão xenófoba e.3. enquanto que à masculinidade se associa a racionalidade. facto que determina a sua maior extensão e a intensidade com que é definido.2. assim de um carácter multifacetado.3 – Sexismo O sexismo define-se por preconceitos. por outro lado. assim. à construção de novos projectos de sociedade. aqueles a quem o “nós” atribuí uma identidade diferente) para zelarem pelos seus interesses. por um lado. muitas das vezes. sexismo como uma relação social em que os homens detêm a autoridade sobre as mulheres. aliás.SebentaUA. utilizado mais frequentemente quando nos reportamos às desigualdades sofridas pelas mulheres. 8. uma vez que a identificação a uma nação integra. estereótipos e discriminações baseadas no sexo da pessoa. a lógica e a dominação. onde as manifestações de racismo e xenofobia. À procura de novos espaços de solidariedade onde os indivíduos se sentissem protegidos. onde o motor politico se confunde com o religioso. A Europa Ocidental de finais do século XX vê precisamente no fundamentalismo islâmico a grande ameaça do futuro. Vemos assim surgir movimentos fundamentalistas nas três religiões monoteístas. os outros.3 – A interligação entre xenofobia. 8. 8. tanto no Cristianismo como no Judaísmo e no Islamismo. porém. 8. argumentando que a origem da discriminação da mulher reside na organização das sociedades patriarcais. ou fortemente intrincados nas próprias mudanças de ordem económica e social que atravessam as sociedades de todo o mundo.3. a intuição e a submissão. através do desenvolvimento de movimentos religiosos. O termo sexismo é. a discriminação das mulheres reside fundamentalmente nas diferenças físicas e de personalidade que distinguem opõem a feminilidade da masculinidade. a intolerância étnica e os fundamentalismos religiosos se apresentam conjugados com nacionalismos politico. Os conflitos que têm vindo a eclodir no fim dado século XX revestem-se. No entanto. no mundo islâmico existe uma mais forte base social de apoio do fundamentalismo religioso do que no mundo judeu ou cristão. 8. fundamentalismos e conflitos étnicos Para alguns autores. também ter em conta a sua estreita ligação com o nacionalismo. fortemente marcados pelo retorno ao religioso. SebenteUA – apontamentos pessoais página 34 de 36 . apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos A emergência dos fundamentalismos modernos remonta a meados da década de 70 do século XX. o enfraquecimento de poder dos Estados e a sua incapacidade em assegurar segurança e bem-estar para todos os grupos é uma condição directa para a emergência de conflitos de cariz étnicos.2.2 – A interligação entre xenofobia.1 – A questão da “natureza feminina” Para alguns autores. estando associadas à primeira traços como a emotividade. onde se incluem tanto os movimentos tele-evangelistas nos Estados Unidos da América como os movimentos islâmicos no irão ou na Argélia. a identificação nacionalista levada ao extremo pode resultar em manifestações de fundamentalismo. e.

SebentaUA. o carácter relacional e assimétrico entre os dois sexos. a lei concede ao homem. O trabalho a tempo parcial. rapazes e raparigas continuam a ser orientados para carreiras específicas.3. a expansão do trabalho domiciliário. A imagem da mulher dona-de-casa voltou a pesar nas elações sociais. cientifico. facto que a obriga a interromper a sua actividade produtiva. 8. concretamente entre 1945 e1975. enquanto pai e marido. Enquanto que o conceito de sexo apenas ilustra as diferenças físicas entre homens e mulheres.3. apesar do acesso maciço das raparigas à escola.5 – As analises feministas e o conceito de género Daqui resulta a construção do conceito de género. dada a urgência de restabelecer as taxas de natalidade e de assegurar o emprego aos homens então desmobilizados. 8. apesar de se assistir à entrada maciça das mulheres no mundo da educação e do trabalho. o conceito de género analisa as razoes históricas. à semelhança do novo racismo. onde argumentos naturalistas e culturalistas se interpenetram para justificar a manutenção de uma ordem social alicerçada no poder masculino – ao nível económico. sem concorrência. apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos Neste tipo de sociedade. têm surgido nas últimas décadas novas formas de trabalho que têm vindo a acentuar as desigualdades entre os sexos. as desigualdades entre os sexos vão persistir. dois exemplos extremos da discriminação das mulheres. o pós-guerra rapidamente exigiu o retorno das mulheres ao lar e à função da maternidade. jurídico. que não existiam anteriormente. e a politica sexual nacional-socialista da Alemanha de Hitler. rejeitando o determinismo biológico e destacando. na esfera da produção económica.3 – As desigualdades na esfera do trabalho O facto da revolução industrial ter permitido criar postos de trabalho femininos. comandado por Mussolini. económicas e sociais que num determinado momento e num determinado espaço moldam as relações entre as pessoas. O sexismo contemporâneo. 8. neste século. No entanto. A analise das relações de género insiste no carácter fundamentalmente social e não sexual das diferenças entre homens e mulheres. a uma democratização das elações socais. culturais. o trabalho temporário e os contratos a prazo são o resultado da mais recente re-estruturação económica. A 1ª Guerra Mundial permitiu a emancipação das mulheres uma vez que a mobilização dos homens exigia a sua participação. No campo do trabalho. retirando a exclusividade da mulher ao espaço do lar.4 – Atentados aos Direitos Humanos SebenteUA – apontamentos pessoais página 35 de 36 . em simultâneo. que se assiste a uma cada vez maior democratização do mercado de trabalho. veio colocar a questão da compatibilidade ou incompatibilidade da feminilidade com o trabalho assalariado.4 – O novo rosto das desigualdades no século XX O século XX herda os pressupostos da Economia Politica do século anterior e. • No campo da educação. afectando mais duramente as mulheres e os jovens. • Os efeitos da democratização É com a recuperação económica verificada após a 2ª Guerra Mundial. 8. politico. Uma vez que socialmente a função dominante da mulher é a maternidade. o direito à propriedade privada. do acesso à educação (não só para as mulheres como também para as classes sociais mais pobres) e. os postos de trabalho que ela viria a ocupar não são especializados e a eles correspondem menores salários. fundamentada por sistemas politico-ideologicas: a politica natalista do regime fascista italiano.3. consequentemente. sendo o exercício do poder sobre a mulher e os filhos visto como uma extensão do direito à propriedade. revela-se com um rosto multifacetado. reproduzindo a divisão sexual do trabalho. Dois exemplos de sistemas politico-ideologicos sexistas Encontramos. Por fim.

apontamentos pessoais Disciplina /41047 – Problemas Sociais Contemporâneos A Declaração Universal dos Direitos Humanos (assinada a 10 de Dezembro de 1948) nasce no rescaldo da 2ª Guerra Mundial. a qual corresponde à fase da «internacionalização». caracterizada pela fase da «proclamação jurídica». marcam a “primeira geração” dos Direitos Humanos. que pretendia garantir no plano formal a dignidade dos cidadãos perante um Estado de direito e donde resultou a instituição dos direitos civis e políticos. constituída em Maio de 1945.2 – A evolução dos Direitos Humanos A Declaração de Independência dos Unidos da América (1776) e a declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) saída da Revolução Francesa.1 – A ONU e a nova ordem mundial A Declaração Universal surge como um primeiro passo tomado pela Organização das Nações Unidas (ONU). tais como os direitos económicos. no artigo 28º.4.3 – O desrespeito pelos Direitos Humanos O próprio texto da Declaração refere.SebentaUA. nacionais e internacionais. que tratámos anteriormente. sociais e culturais. são manifestações actuais da incapacidade dos Estados subscritores assegurarem o cumprimento dos princípios que aprovaram. Ora. a Declaração torna claro que este objectivo só é alcançado mediante o respeito dos direitos humanos. Os fenómenos de racismo. o não desenvolvimento de medidas concretas no plano nacional em muitos dos países não tem permitido consolidar os direitos humanos na legislação nacional e facilmente conduz à sua violação. A Declaração Universal de 1948 nasce na “terceira geração” dos direitos humanos. fundamentalismos e sexismo. Enquanto a ONU tem como principio fundador a busca e a manutenção da paz mundial. A “segunda geração» nasce meados do século XIX. 8. 8. simbolizando a vontade dos Estados com assento nas Nações Unidas de introduzirem um novo quadro legal que regulasse as relações internacionais. xenofobia.4.4. 8. caracterizada pelo reconhecimento de que as liberdades não estavam garantidas apenas pela sua inclusão na lei e de que era necessário instituir novos direitos. na construção dessa nova ordem mundial. constituindo a fase da «socialização». que os estados subscritores deverão assegurar o cumprimento e o reconhecimento efectivo desses direitos mediante “medidas progressivas”. SebenteUA – apontamentos pessoais página 36 de 36 .

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