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CLAUDIA WASHINGTON

LÚCIO DE ARAÚJO

Lago Artificial de Itaipu


Criado com o represamento do Rio Paraná em 1982, com as águas se espalhando por terras brasileiras e
paraguaias. É um lago bastante ramificado, sua extensão vai de Foz do Iguaçu até Guaíra, com comprimento
de aproximadamente 170 km e uma superfície total de 1350 km2, sendo 780 km2 do lado brasileiro e 570
km2 do lado paraguaio.

TRÂNSITO À MARGEM DO LAGO

caderno de viagem
JEHASÁ YPÁ REMBE’Y RUPI
kuatiahai guataha
TRÁNSITO AL MARGEN DEL LAGO

cuaderno de viaje

1. a edição
Realização: Claudia Washington e Lúcio de Araújo
Projeto gráfico e desenvolvimento de website: Claudia Washington e Lúcio de Araújo
Tradução e revisão em guarani: Elígio Miranda Ortiz
Tradução e revisão em espanhol: Maria Rosa da Silva Miranda
Revisão em português: Sabrina Lopes e Maikon Kempinski

Os conteúdos e opiniões manifestadas pelos autores em cada texto são de inteira responsibilidade dos mesmos.

Toda produção gráfica, audiovisual e web de Trânsito à Margem do Lago foi realizada com softwares livres.

Página 102: Desenho de Sara Blanco.

Página 122: "Em guarani, língua e alma são sinônimos / Quando um povo perde sua língua, perde sua alma"

Páginas 163-170: Montagem a partir de representações gráficas de Wylky Doharâta, xamã da etnia Chamacoco.

Washington, Claudia.
Trânsito à margem do lago : caderno de
viagem = Jehasá ypá rembe'y rupi : kuatia
guataha = Tránsito al margen del lago : cuaderno
de viaje / Claudia Washington, Lúcio de Araújo. -
Curitiba, PR : Edição do autor, 2010. Dados internacionais de
catalogação na publicação
176 p. : il. ; 17 x 23 cm. Bibliotecária responsável:
Mara Rejane Vicente Teixeira
Texto também em espanhol e guarani

1. Arte – Brasil – Aspectos sociais. 2. Arte –


Paraguai – Aspectos sociais.
I. Título.

CDD ( 22ª ed.)


700
ÍNDICE

Caderno de Viagem
Kuatiahai Guataha
8-10
Cuaderno de Viaje
Claudia Washington e Lúcio de Araújo

Carroça
11
Lauro Spaniol

Trânsito à Margem do Lago


Jehasá Ypá Rembe’y Rupi 12-15
Tránsito al Margen del Lago
Claudia Washington e Lúcio de Araújo

Barranca do Rio Paraná


Lauro Spaniol
16
Mercadoria Marca Água, e quem paga?
Mavapiko opaga ypore mba'erepy 17-20
Mercadería Marca Agua, ¿y quién paga?
Elisa Rodrigues Dassoler

Homem Cordial
Felipe Prando
21-23
Permacultura e espaços bioconstruídos como forma e possibilidade estética em
propostas coletivas em arte para moradia e obtenção de energia
24-31
Permacultura ha pa’û maba’e porâ teko ikatúva jejapo tekove oñondive
jaguereko hâgua mbarete tekohape
Permacultura y espacios bioconstruidos como forma y posibilidad estética en
propuestas colectivas en arte para la vivienda y aquisición de energía
Janice Martins Sitya Appel Ilustração: Ana Helena Polak

Energia Alternativa "Limpadora" ­ gerador P2RCA


"Potîha" Mbojopyru Mbarete - Me’ê P2RCA 32-41
Energía Alternativa "Limpiadora" - generador P2RCA
Peetssa e Mauro Souza Introdução: Lúcio de Araújo

Cartografia avá­guarani
Aldeia Tekoha Ocoy
42
Border 43-44
Glerm Soares
A fronteira por um conhecedor ­ extratos da fala de Francisco Amarilla 45-52
Peteî oikuaa porâva teta rembe’y - mombe’upyre Francisco Amarilla
La frontera por un conocedor - extraído del relato de Francisco Amarilla
Lúcio de Araújo e Claudia Washington

O Choro das Cataratas


Aguirras
53
Cidade de Lego
Tavá Lego
54-56
Ciudad de Lego
Moacir Ferreira

A pantalha: noir do tempo 57-58


Jepejuha: noir aja
La pantalla: noir del tiempo
Didonet Thomaz

Diário de Viagem
Pe Kuatia Guataha
59-116
Diario de Viaje
Claudia Washington e Lúcio de Araújo

Ópera­sonho sem terra 117-118


Opera-kera yvy ýre
Opera-sueño sin tierra
Hélio Leites

Encontro com Anunciación 119


Jotopa Anunciación ndive
Encuentro con Anunciación
Claudia Washington e Lúcio de Araújo

Yvy ra`anga ñembojoguapyre 2003 ha 2006 pe ojeikuaa hâgua mba`éichapa


ojeipuru ñande jarekova yvy ari
120-123
La publicación del territorio comprado entre los años 2003 y el 2006
A publicação do território comprado entre os anos de 2003 e 2006
Sara Blanco

GuaraNike 124-125
Goto

O Futuro das Sementes


Ta’ýi Kuera Jehurâ
126-137
El Futuro de las Semillas
Coletivo Baobá Voador - Tati Wells e Ruiter Rodrigues
Hacia una cultura de concienciación ambiental 138-141
Peteî jeikua’aykavo jepuru porâve hâgua ñande rekoha
Para uma cultura de consientização ambiental
Amancio Chamorro

Mapa travessia Santa Helena/Puerto Indio 142


Gustavo Bianchet

Belo Monte vem aí?


Belo Monte ndapepe ou?
143-147
¿Belo Monte viene ahí?
Maria Rosa Miranda

Mapa de Puerto Indio 148


Pedro Aguillera

Titilante Corazón de América del Sur 149-153


Py’a otytýiva América del Surpe
Cintilante Coração da América do Sul
Eligio Ortíz

Amanty Kira e suas margens


Amanty Kira ha hembe'y
154-155
Amanty Kira y sus márgenes
Flavia Vivacqua

A horta vertical como uma plataforma de saberes compartilhados 156-162


Pe ka'avo ñemopu'â jaipuru kuaapy pyendarâ
La huerta vertical como una plataforma de saberes compartidos
José Luiz Kinceler

Extratos da fala de Guillermo Sequera 163-173


Ñemohû' ã pe ñemongueta Guillermo Sequera ndi
Claudia Washington e Lúcio de Araújo

Retrato 174
Aldeia Tekoha Añetete
Julinho Nhemboatevy
Caderno de Viagem

A presente publicação foi realizada de maneira colaborativa. Seu


processo de elaboração deu­se em três etapas: a primeira partiu do
convite a pessoas que, por seus fazeres e modos de estar, dialogam com
questões sobre as quais o projeto Trânsito à Margem do Lago se
debruça; a segunda etapa ocorreu ao longo da deriva realizada durante
os 30 dias do mês de janeiro de 2010, assumindo um caráter mais
processual (ao passo dos encontros e acontecimentos, novos conteúdos
eram agregados ao Caderno – fotocopiado e distribuído durante o
percurso, esse material foi um importante objeto para novas relações); a
terceira etapa aconteceu após o retorno a Curitiba, também agregou
contribuições de colaboradores e somou parte da documentação gerada
durante a deriva.
Com este Caderno, nosso desejo é ampliar o território de convívio entre
as línguas por meio da afirmação de uma cultura mestiça desde a origem,
já que a edição contempla os idiomas português, espanhol e guarani.
Sabemos que, apesar da proximidade geográfica, persiste algo como um
abismo comunicacional entre essas distintas matrizes culturais,
estigmatizadas pelas instâncias de poder e pelo controle social ao
longo dos séculos.
Outras vontades: coletivizar pensamentos sobre o lugar e seu cotidiano
e estabelecer organicamente um campo comunicativo entre as pessoas
ao redor do lago e pessoas de outros lugares por onde o Caderno vier a
circular.
Caderno de Viagem é parte do projeto Trânsito à Margem do Lago,
selecionado no Edital Interações Estéticas – Residências Artísticas em
Pontos de Cultura 2009. Edital fruto da parceria entre a Fundação
Nacional de Artes (FUNARTE) e a Secretaria de Cidadania Cultural/MinC.
São 800 exemplares a serem distribuídos gratuitamente. Seu conteúdo
também está publicado no site http://www.margemdolago.transitos.org/
Todo material produzido neste projeto está disponibilizado sob licença
Creative Commons ­ Atribuição­Uso Não­Comercial­Compartilhamento
pela mesma Licença 2.5 Brasil ­ http://creativecommons.org/licenses/by­
nc­sa/2.5/br/
Kuatiahai Guataha
Ko’âva kuatia ñohêmbyre jejapo kuri ñepytyvô rupive. Mengue katupe
jejapo, mbohapy árape: peteîha, oñepyrû ñehenói maymávape,
hembiapo potî ha heko katu rupi, ñemonguetarâ pe Jeguata Yrembeyre
ojaposéva; mokoîha, osê pe tembiapoeta rire jejapovaekue mbohapypa
ára pe jasyteî 2010 pe, jepytaso mbareteve umi (jotopa ha oikovaekue,
oiko ramovaekue oñemoapesâ avei pe tembiapope – oha’angahasa ha
oñemosarambi pe tapere uvo, ha’evo tembipuru omyatyva
mombe’upyrâ); pe mbohapyha, oiko Curitibape jevyrire, avei ombojoaju
ambue tembiapo ojapovaekue tapicha ha ombotuicha pe kuatia ha’i
jejapova pe guataha rupive.
Ko kuatiahai rupi, hi’âite oreve añembotuichave ñande jeiko ojoapytépe
pe ñe’êrupive jaikuaaka pe ñande reko jehe’a ñepyrumby guive, upevare
ko ha’ipyre oguereko umi ñe’ê portugués, español ha guaraní. Jaikua
ñaime ha aguî ojohegui, katu oî peteî apañuáî ñomongueta hâgua ko’â
teko jehe’a rupi, ohechaukava chake chembareteveko ha ojesarekova
opaite mba’e oikova ko arapype.
Ambue jejaposéva: ñemuapesâ, umi temiandú jeiko harupiguava, ko’e
ko’ere ohasáva umi tapicha pe yremby’yre oikova ikatu âgua
oñemongueta ambue tapichandive ha pe kuatia ha’i oguatata hárupi.
Kuatiahai guataha ha’e pe tembiapo aporâ Jehasa Yrembeyre,
jeiporavôpyre pe Edital Interacciones Estéticas – Residencias Artísticas
en Puntos de Cultura 2009.
Edital ningo ha’e ñepytyvô Fundación Nacional de Artes (FUNARTE) ha pe
Secretaria de Ciudadanía Cultural/MinC.
Oî 800 tembiapopyre ñemosarambitava reiete. Aveí oñemomarandúta
pe site http://www.margemdolago.transitos.org/
Entero tembiapo japopyre ko tembiapo aporâ oîta Creative Commons –
Atibución – Uso No-Comercial-Compartido por la misma licencia 2.5
Brasil po guype. http://creativecommons.org/licenses/by-nc-as/2.5/br/
Cuaderno de Viaje

La presente publicación fue realizada de manera colaborativa. Su proceso de


elaboración se dio en tres etapas: la primera, partió de la invitación a personas
que, por sus quehaceres y modos de vida, dialogan con cuestionamientos
sobre las cuales el proyecto Tránsito al Margen del Lago se propone; la
segunda etapa, ocurrió a lo largo del resultado realizado durante los treinta
días del mes de enero de 2010, asumiendo un carácter más procesual (al paso
de los encuentros y acontecimientos, nuevos contenidos eran agregados al
cuaderno – fotocopiado y distribuido durante el trayecto, ese material fue un
importante objeto para nuevas relaciones); la tercera etapa sucedió después
del retorno a Curitiba, también agregó contribuciones de algunos
colaboradores y sumó parte de la documentación generada durante el
recorrido.
Con este cuaderno, nuestro deseo es ampliar el territorio de convivencia entre
las lenguas por medio de la afirmación de una cultura mestiza desde el origen,
ya que la edición contempla los idiomas portugués, español y guaraní.
Sabemos que, a pesar de la proximidad geográfica, persiste algo como un
abismo comunicacional entre esas distintas matices culturales, estigmatizadas
por las instancias de poder y por el control social a lo largo de los siglos.
Otros deseos: colectivizar, los pensamientos sobre el lugar, su cotidiano y
establecer orgánicamente un campo comunicativo entre las personas
alrededor del lago, y de las personas de otros lugares por donde el cuaderno
va a circular.
Cuaderno de viajes es parte del proyecto Tránsito al Margen del Lago,
seleccionado en el Edital Interacciones Estéticas – Residencias Artísticas en
Puntos de Cultura 2009. Edital fruto de la cooperación entre la Fundación
Nacional de Artes (FUNARTE) y la Secretaria de Ciudadanía Cultural/MinC.
Son 800 ejemplares a ser distribuidos gratuitamente. Su contenido también
está publicado en el site http://www.margemdolago.transitos.org/
Todo material producido en este proyecto está disponible bajo licencia Creative
Commons – Atribución – Uso No-Comercial-Compartido por la misma licencia
2.5 Brasil – http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.5/br/
Foto: Carroça, 1978, Lauro Spaniol, Porto Mendes, Brasil.
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TRÂNSITO À MARGEM DO LAGO Durante 30 dias do mês de janeiro de 2010, transitamos pelas margens do
Lago Artificial de Itaipu. O impulso inicial para essa ação surgiu por
percebermos – apesar da proximidade geográfica e da política de
integração dos mercados – uma considerável lacuna entre as culturas
brasileira e paraguaia. Assumimos que pouco conhecíamos sobre esses
universos, e à medida que buscávamos informações compreendíamos que
muitas eram obscuras, superficiais ou deturpadas. Surgia para nós um
abismo chamado “fronteira” e, com ele, a vontade de adentrarmos nessa
realidade.

Na década de 1970, a construção da Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu


deflagrou um elevado crescimento populacional, decorrente do corpo de
trabalhadores que lá se estabeleceu. A criação da represa resultou na
expropriação de diversos grupos – como colonos, ribeirinhos e indígenas –
das margens do complexo de rios afetados, caracterizando o lugar por
intensos fluxos migratórios. Em meados da década de 80, modelos
tradicionais de cultivo foram perdendo espaço para a monocultura, devido
à mecanização e aos incentivos ao agronegócio. Como consequência, um
processo de desestruturação do modo de vida camponês culminou
novamente em êxodo.

Atualmente, nos dois lados da fronteira prevalece uma paisagem


homogeneizada, controlada sobretudo por multinacionais. Entretanto, se
no Paraguai o esvaziamento de vilarejos é uma constante, no Brasil a
política de desenvolvimento incentiva uma identidade regional balizada
pelo turismo.

Nesse ambiente, tomamos a atitude nômade como princípio deflagrador das


relações e situações criativas de contato. Nossa ação é, portanto, uma
prática efêmera ativada pelo encontro. A rota de viagem foi definida tanto
por experiências em cada lugar como por indicações de pessoas que
conhecemos pelo caminho, tendo como ponto de partida Foz do Iguaçu. O
transporte local serviu como meio para nossa inserção nos fluxos
cotidianos.
13

Estar de passagem foi nossa escolha por ser um modo de operar comum
àquele lugar, uma estratégia de tomada de espaço que desconsidera o
pertencimento enquanto fixação, uma vez que redefine o território a cada
momento e necessita do movimento para existir. Essa atitude frente ao
lugar é um caminho para a reflexão artística dos trânsitos e migrações
contemporâneos como modos de existência.

Trânsito à Margem do Lago foi ainda uma residência artística no Ponto de


Cultura Kuai Tema, que ocorreu por meio da comunicação diária via blog
(http://margemdolago.nosdarede.org.br). Esse modo de integração
midiática propiciou encontros de ordem conceitual e simbólica,
caracterizando nossa residência.

Na transitoriedade buscamos o elemento humano, a experiência


colaborativa e o alargamento da concepção de relação. Consideramos que
os encontros são causadores de transformações subjetivas nos agentes
envolvidos e que as proposições artísticas inclinadas às questões de
memória e códigos de poder ativam percepções sobre o lugar.

Compreendemos que o ato criativo reverbera através de várias


possibilidades extensivas, como imagem mental, arquivo e circulação. Por
fim, prezamos pela cumplicidade e horizontalidade nas relações.
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Mbohapy pa ára jave pe jasyteî 2010, roguata pe Yrembe’y Artificial Itaipure.
Pe ñepyrûrâ osê hâgua rohecharupi – ha’eteko hi’âguîva ha pe ñembojehe’a
pe ñemûha – peteî sasô oî pe mba’e porâ brasilgua ha paraguaygua ndive. Ro
reconoce ndo roikuaáiha umi mba’eta, ha rohekavévo marandu rontende heta
JEHASÁ YPÁ REMBE’Y RUPI
oîha pytumbype orehegui, roikuaa ijaperetemi terâ vai vaietente. Osê ore
rapepe peteî apañuáî herava “tetârembe’y” ha, hendive, roikese roikuamive
hagua âva mba’e.
Pe 1970 ramo, pe Usina Hidroeléctrica Binacional de Itaipu ogueru tuvicha
ñekarapu’â tavayguakuéra, pe mba’apohara kuera rupi. Upe Lago jejapo
ogueru ñemomba’e opa aty - ha’eva okaraygua yrembe’ygua ha ava kuera –
pe y mboipyri oîvape, avâ tenda rupi oguata heta ováva. Pe ary poapypa
ramo, ñemity ymaiteguava hecharâ opa ohovo pe ñeñoty mbovymi, pe
tembipuru pyahu rupi ha oîve tesareko pe ñemity ñehepyme’êrâre. Âva rupi,
jejuka pe chokokue rembiasa ha opa jeyma peicharamo jehope. Ko’anga,
ambue ladope teta rembe’yre jahecha opaichagua, okontrolava umi
multinacionalgua. Katu, Paraguay oñemonandíramo ko’ê ko’êre, Brasilpe
omoñekarapuâ pe imba’etee ohechaukavo turismope.
Pe tekoha, oiko avei orehegui pe ova ovava péa ipya’eve ñemonguetarâ ha
ñantende porâve hâgua maymavape. Ore rembiapo, aipóramo ha’e, pe jejapo
pya’e jotopaharupive. Pe tape apo jehorâ oñemohesakâ umi jehasapyre
mamo tenda ha avei tapicha osambyhyva pe roguataharupi roikuaávape,
roñepyrû Foz do Iguaçugui. Upe roike hâgua tapichakuera apytepe roipuru
mbayru guata. Jehasa ha’e jeporavo vaekue jejapohâgua ko tembiapo umi
tenda jehasapyre rupi, peicharamo noroñemo mba’e moái, peteî jey rire
otopajey pe tenda añete manterei ha tekotevê oiko hâgua hikuai. Ko âva ha’e
hina jajapovaerâ tape ñemonguetarâ porarâ umi guataha ha ñemyi ko
angarupi jeiko haramo.
Jeguata Yrembe’yre ha’e kuri peteî ñemoatâ porarâ pe Ponto de Cultura Kuai
Tema, oiko vaekue marandurâ rupive ko’ê ko’êre blog rupi
(http://margemdolago.nosdarede.org.br). Âva jehe’arâ tembipuru rupive ome’ê
ñandeve jotoparâ ha jaikuaa mive hâgua mba’eichapa, ãva renondepe oîha
gueteri ñemoatâ.
Pe sapy’aguante renondepe roheka pe yvypóra mba’e teete, pe hembiasa
ñepytyvô ha omomba’e guasúva hekorupive. Rontende pe jotopa ha’eha ñemo
ambuerâ peteîteîme oñeremangarava peguive ha umi jehechapypuku porá
rupi oguerahata mandu’ara ha ñemboguapyvo kuatiape umi hechapyre umi
tendajehasapyre. Rontende pe jejapo ha’everei ohechauka opaicha, ha’eva
ta’anga, ñeñongatuva ha osyryryva. Oguahê hû’âme, rohecharamo pe hypy’û
ha peteîchapaite pe jeiko oñondive.
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TRÁNSITO AL MARGEN DEL LAGO


Durante 30 días del mes de enero de 2010, transitamos por las márgenes del Lago Artificial de
Itaipú. El impulso inicial para esa acción surgió por percibir nosotros – a pesar de la cercanía
geográfica y de la política de integración de los mercados – una considerable ruptura entre las
culturas brasilera y paraguaya. Asumimos que poco conocíamos sobre esos universos, y a la
medida que buscábamos informaciones comprendíamos que muchas eran oscuras,
superficiales o distorsionadas. Surgía para nosotros un abismo llamado “frontera” y, con él, la
voluntad de adentrarnos en esa realidad.
En la década de 1970, la construcción de la Usina Hidroeléctrica Binacional de Itaipú ha
deflagrado un elevado crecimiento de la población, a consecuencia del cuerpo de trabajadores
que allí se ha establecido. La creación del Lago resultó en la expropiación de diversos grupos
– como campesinos, ribereños e indígenas – de las orillas del complejo de ríos afectados,
caracterizando el lugar por intensos flujos migratorios. A mediados de la década de 80,
modelos tradicionales de cultivo fueron perdiendo espacio para la monocultura, debido a la
mecanización y a los incentivos al agronegocio. Como consecuencia, un proceso de
destrucción de modo de vida campesina se ha culminado nuevamente en éxodo. Actualmente,
en los dos lados de la frontera sobresale un paisaje homogeneizado, controlado por
multinacionales. Sin embargo, si en Paraguay el vaciamiento de pueblos es una constante, en
Brasil la política de desarrollo incentiva una identidad regional abalizada por el turismo.
En ese ambiente, tomamos la actitud de nómada como principio deflagrador de las relaciones
y situaciones creativas de contacto. Nuestra acción es, por tanto, una practica efímera activada
por el encuentro. El itinerario de viaje fue definido tanto por experiencias en cada lugar como
por indicaciones de personas que hemos conocido por el camino, teniendo como punto de
partida Foz do Iguaçu. El transporte local sirvió como medio para nuestra inserción en lo
cotidiano de la gente. Estar de paso fue una elección por ser un modo de obrar común a aquel
lugar, una estrategia de espacio que desconsidera el pertenecer definitivo, una vez que
redefine el territorio a cada momento y necesita del movimiento para existir. Esa actitud frente
al lugar es un camino para la reflexión artística de los tránsitos y migraciones contemporáneos
como modos de existencias.
Tránsito al Margen del Lago ha sido todavía una resistencia artística en el Ponto de Cultura
Kuai Tema, que ha ocurrido por medio de la comunicación diaria vía blog
(http://margemdolago.nosdarede.org.br). Ese modo de integración informatizada ha
proporcionado encuentros de orden conceptual y simbólica, caracterizando nuestra resistencia.
En la transitoriedad buscamos el elemento humano, la experiencia colaborativa y el
alargamiento de la concepción de relación. Consideramos que los encuentros son causadores
de transformaciones subjetivas en los agentes involucrados y que las proposiciones artísticas
inclinadas a las cuestiones de memoria y código de poder activan percepciones sobre el lugar.
Comprendemos que el acto creativo refleja a través de varias posibilidades extensivas, como
imagen mental, archivo y circulación. Por fin, apreciamos por la complicidad y horizontalidad
en las relaciones.
Foto: Barranca do Rio Paraná, 1978, Lauro Spaniol, Porto Mendes, Brasil.
O dilema da privatização dos recursos
hídricos na atualidade é tema central em
Mercadoria Marca 17
diversas conferências no mundo todo,

Água
apesar de sabermos que o interesse
econômico e político sobre o controle dos
acessos aos recursos naturais aludem às
primeiras organizações da sociedade.
Desde o primeiro Fórum Mundial da
Água (1997), em Marrakesh, as
conferências da ONU defendem que a e quem paga?
água seja transformada em um bem
Porém, exemplos de experiências mal sucedidas
econômico; econômico no sentido de
nesse sentido nos mostram como é frágil o
aceitar a lógica do capitalismo neoliberal,
processo pelo qual estamos passando e nos
partindo da idéia de que “apenas a
indica que a luta, através de mobilizações
iniciativa privada teria tecnologia e
sociais, é imprescindível e possível de
capital necessário para gerenciar
realização. Tomemos como exemplo o caso da
adequadamente os recursos hídricos,
cidade de Cochabamba na Bolívia: no final dos
enquanto os governos seriam detentores
anos 90, o Banco Mundial exigiu que o
da propriedade e da infra­estrutura
governo privatizasse o sistema de
necessária, possibilitando a todos o acesso
abastecimento da cidade em troca do perdão de
à água”[1].
parte da dívida externa. Em 1999, após um
Além da ONU, a OMC, o Banco Mundial
leilão com apenas um concorrente, a empresa
e o FMI não fazem cerimônia na defesa
estadunidense Bechtel garantiu 40 anos de
da privatização da água. A União
concessão para sua subsidiaria Águas del
Européia, por exemplo, detentora das
Tunari. O aumento de mais de 50% das tarifas
maiores corporações mundiais nesse setor,
privou os mais pobres do acesso à água. O povo
pediu a vários países, entre os quais 50 dos
saiu às ruas, enfrentou a violenta repressão da
mais pobres do mundo, a liberação total
polícia e conseguiu a quebra do contrato e o
dos serviços de saneamento básico, o que
sistema de abastecimento voltou a ser público.
permitiria que empresas vencedoras das
Não podemos nos esquecer que o Brasil
licitações cobrassem pela água. Em troca,
também está inserido nessa realidade, visto que
a cúpula dos governos garantiria alguma
o interesse de empresas privadas pelos recursos

....
abertura para os produtos agrícolas do sul
naturais existentes no país é cada vez maior e
do mundo (GOMES, 2003).
deriva de pressões internas e externas,
colocando­se assim em contradição com os
interesses existenciais da maior parte da
população brasileira.
Por Elisa Rodrigues Dassoler

[1] GOMES, Marcel. A reinvenção do futuro: o Fórum de Porto Alegre e a sua mundialização. São Paulo: Boitempo
Editorial, 2005, p.22.
Mavapiko opaga Ypore mba’ erepy 19
Ko’anga opárupi ñomongetahárupi ñahendu upe problema ysyry
rehegua, avei jaikua’a oîha tuicha redito pe pira pire (kuarepotitî)
ñongatupyre ha ojokuáiva umi osambyhyva jarekova yvy apere
he’iva umi teko avaty ñepyrundy.
Upe peteîha “Foro Mundial” Yregua (1997) Marrakech pe
ñomongeta ONU odefende he’ívo y ha’e ha jepota rakate’ý,
takate’ý jahecháramo pe “capitalismo ha neoliberalismo”
ontendeháicha he’iva “umi iplatava amoñepyrû ramo orekota
apopyreko ha viru oraha hâgua tenonde pe tembiapo yregua ha
katu mburuvichakuéra ovichea hâgua mba’e reko tee ha tekotevê,
ikatu hâgua enterove oreko pe y potî ” [1].
Avei ONU, OMC, Banco Mundial ha FMI ndojapoi
ñemomba’eguazú ni ñemo’â pe y jeipe’arâ (ñehepyme’erâ) Unión
Europea, jahechauka ovichea pe tuichave aty oîva yvy apere pe’a
pe tembiapope, ojerure opa tetâme, umiva apytepe oî 50
imboriahuveva ko yvy apeári, ojeheja reite hâgua ichupekuéra
oipuru hâgua pe y potî, ha oganava empresa ojapovaerâ
ogueraha hâgua y ichupekuéra ha upe’í ohepy me’etava avei.
Ñemby’emkovía, umi sambyhyha mbarete oñatendetava
ikatuhâgua oî tembi’urâ chokokue ry’aíre yvy yvyári pe guarâ
(GOMES, 2003).
Upevare, jehechauka mba’éichapa ikangy pe’a pe tembiapo
jehasa vaima vaekue, ohechauka iñimportanteha ñañeha’â, ñañe
mby’aty, ha ikatuha ñamo hu’â upevare ndaikatu’i jaheja takykue.
Jarekomi, jechauka háramo, pe Cochabamba, tava Bolívia pe 1990
paha, upe Banco Mundial ojopy sambyhyharape oipe’a hâgua umi
tavagui pe y ñeme’e ha omyengoviavo ombogue kuenta okapegua
terâ ambu’e tetândiguava. Pe 1999, peteî rematerire oñepresenta

...
peteî ’ete empresa estadunidensegua “Bechtel” omba’apo hâgua
40 arajere. “Águas del Tunari”. Ohupi (50%) a la mitá upe precio
ha heta mboriahu opyta y ýre. Umi tavaygua osê tapere, rutape
oñorairôvo policiandi ha oconsegui amborrecula pe kuati’a
(contrato) ha upéicha ohasa jey pe y ñeme’ê tavapovype.
Ndaikatúi ñande resarái Brasil avei oîha pe’icha avei. Pe “empresa
privada” añemomba’epaseva oîvaguive ñane retâme, ha upéicha
ojopy hyepýpe ha okape. Ñemo’î péicha kuaaýra ñane interé
jarekava brasileroháicha.
20 Mercadería Marca Agua, y ¿quién paga?
El dilema de la privatización de los recursos hídricos en la actualidad es tema
central en diferentes conferencias en todo el mundo, además de saber que el
interés económico y político sobre el control del acceso a los recursos
naturales alude a las primeras organizaciones de la sociedad.
Desde el primer Foro Mundial del agua (1997), en Marrakech, las
conferencias de la ONU defienden que el agua sea transformada en un bien
económico; económico, en el sentido de aceptar la lógica del capitalismo
neoliberal, partiendo de la idea de que “apenas la iniciativa privada tendría
tecnología y capital necesario para gerenciar adecuadamente los recursos
hídricos, mientras los gobiernos serían detectores de la propiedad y de la
infraestructura necesaria, posibilitando a todos el acceso al agua”[1].
Además de la ONU, la OMC, el Banco Mundial y el FMI no hacen ceremonia
en la defensa de la privatización del agua.
La Unión Europea, por ejemplo, detentora de las mayores corporaciones
mundiales en ese sector, pidió a varios países, entre los cuales 50 de los
más pobres del mundo, la liberación total de los servicios de saneamiento
básico, lo que permitiría que empresas vencedoras de las licitaciones
cobraran por el agua. En cambio, la cúpula de los gobiernos garantiría alguna
apertura para los productos agrícolas del Sur del mundo (Gomes, 2003).
Sin embargo, ejemplos de experiencias poco exitosas en ese sentido nos
muestran como es frágil el proceso por el cual estamos pasando y nos indica
que la lucha, a través de movilizaciones sociales, es indispensable y posible
de realización. Tomemos como ejemplo el caso de la ciudad de
Cochabamba, en Bolivia: En los fines de los años 1990, el Banco Mundial
exigió que el gobierno privatizara el sistema de abastecimiento de la ciudad
en cambio del perdón de parte de la deuda externa. En 1999, después de
una subasta con solamente un concurrente, la empresa estadounidense
Bechtel garantizó 40 años de concesión para su subsidiaria Agua del Tunari.

...
El aumento de más de 50% en las tarifas privó a los más pobres al acceso
del agua. El pueblo salió a las calles, enfrentó la violenta represión de la
policía y consiguió la quiebra del contrato. El sistema de abastecimiento
volvió a ser público.
No podemos olvidarnos que Brasil también está inserido en esa realidad. El
interés de empresas privadas por los recursos naturales existentes en el país
es cada vez mayor, resultante de presiones internas y externas, poniéndose
así en contradicción con los intereses existenciales de la mayor parte de la
población brasileña.
. . . J a m e’ eta a ra py p e h o m e m c o rd i a l . H e ko h o rýva ,
i m b o h u p a s e re kova , i p o j e rava , h e ko m a ra n gat ú va
h a’ a n gava pyt a g u a ñ a n e m b o h u p a j ave ñ a n d e’ ýva
a ñ ete o j o g u ava b ra s i l e ro p e , o îg u ete r i h a h e ñ o i va
o h ovo ñ an eypyku e re kove j e i ko , j ah e c h avap e o karagu a
te rá ñ e m o ñ a re . Kat u ete j a p u t a ñ a i m o’ â ra m o
i m a ra n gat u h a h e i s eva “ te ko p o rá ” , te kove re ko . J e’ e
a ñ ete ñ a h e n d u va , te m i a n d u et a ñ a n e m ya n yh eva . Pe
te kove re ko j ato p a o p a m b a’ e j a p o ka py h a’ e i kat u
ñ e ñ a m i m o h e n d a te m b i a p o u ka py. [ ra íze s d o b ra s i l]
Pensar o espaço como morada não é somente
uma visão ampliada da ocupação de um lugar,
como também é forma de deslocamento sobre
possibilidades de excursões em um sistema. Essa
afirmação provém de um pensamento que surge
da percepção do espaço em que vivemos como
um sistema. Pensar a estética como percepção do
espaço em seu sentido mais amplo também faz
parte desse sistema.
O sistema solar segue um desenho em que a
forma de galáxia pode ser ainda mais ampliada
para a coexistência de outros sistemas, outras
galáxias e assim por diante. Em todos os casos, o
espaço se configura como certa ordenação de
energia, ou melhor, um sistema de relações de
energia entre as partes. No caso deste exemplo,
tendo o sistema solar como base de pensamento
sobre a configuração primeira de espaço, temos
o Sol como fonte ordinária de energia a todos os
demais que estão em sua órbita. O sistema é
generoso, dando conta dos planetas e de todo
tipo de vida e não vida que exista sobre esses
lugares. O calor promovido pelo Sol é absorvido
pelos organismos vivos, minerais, vegetais e até
por outros reinos, já que o calor se torna unidade
de cooperação entre os seres desde o início dos
tempos. Dando conotação específica ao Sol,
atribuindo-lhe o sentido de calor e a distribuição
desse sentido como cooperação entre os seres, é
que o calor se distribui e se constitui como
possibilidade de energia para várias aventuras
humanas. Além do Sol, podemos ainda incluir o
vento, as águas, o fogo, entre outros recursos
naturais, como fontes naturais de obtenção de
e n e r gi a .

Janice Martins Sitya Appel[1]


Permacultura
e como forma e possibilidade estética em
espaços propostas coletivas em arte para
24 bioconstruídos moradia e obtenção de energia
Das possibilidades de energia surgem diferentes
técnicas para sua obtenção e, com elas, as
tecnologias como olhar sobre essas possibilidades.
Falo, assim, de forma genérica, pois não importam
o tempo e a medida, mas sim o fato de que a busca
por técnicas e tecnologias para domínio de
diferentes formas de obtenção de energia vão
tomando megaformas, como no exemplo de
hidrelétricas, plataformas de petróleo e outro tipos
de usina. Todas essas formas totalizam grandes
sistemas, que visam obter a máxima energia a ser
distribuída para o maior número de beneficiados. O
sistema pareceria lógico e satisfatório, não fosse
ele roubar a autonomia de seus dependentes
usuários. Grandes sistemas distribuem sim um
benefício em larga escala, mas roubam a
autonomia daquilo que instrui a micropolítica e o
domínio do usuário sobre o sistema. No lugar de
grandes hidrelétricas, pode-se pensar nas
possibilidades de biogás para obtenção de energia
elétrica em menor escala, suficiente para
abastecer famílias e casas em menor número,
porém, com uma relação de autonomia dessas
famílias sobre o recurso.
Uma saída para a desproporção de escala entre
grandes e pequenos sistemas de obtenção de
energia é o incentivo de medidas baseadas na
permacultura para espaços bioconstruídos, pois a
arte e a arquitetura podem trazer consigo um
movimento de resistência que torna aplicável a
solução para este caso. Como definição popular e
de conceito comum, a permacultura é um método
holístico para planejar, atualizar e manter sistemas
em escala humana, como jardins, vilas, aldeias e
comunidades em ambientes sustentáveis,
socialmente justos e financeiramente viáveis.

25
A ênfase está na aplicação criativa de princípios básicos da
natureza, integrando plantas, animais, construções e
pessoas em um ambiente produtivo, com estética e
harmonia. Bioconstrução é o termo utilizado para se referir
às construções em que a preocupação ecológica está
presente desde a concepção até a ocupação. Já na
concepção, as bioconstruções se valem de materiais que não
agridam o ambiente de entorno, pelo contrário: se possível,
reciclam materiais locais, aproveitando resíduos e
minimizando o uso de matéria-prima do ambiente. Todo o
projeto foca o máximo aproveitamento dos recursos
disponíveis com o mínimo de impacto. O trato e
reaproveitamento de rejeitos, coleta de águas pluviais, uso
de fontes de energia renovável e não poluente,
aproveitamento máximo da iluminação natural, em
detrimento da artificial, exemplificam as preocupações
desses projetos. A ocupação também segue a proposta da
responsabilidade ambiental de seus ocupantes.
Muitas dessas propostas estão sendo apresentadas por
coletivos de artistas e de arquitetos para soluções em
energia. Um exemplo é o do coletivo dinamarquês Superflex,
um grupo de artistas que propôs uma estrutura chamada
Biogás para a produção de energia elétrica em uma
comunidade. Em 1996-97, criaram o Supergas, um novo
sistema de biogás. Devido à inovação de um sistema de
compensação de pressão e um novo método de construção e
de design, a tecnologia de biogás pode ser divulgada nos
mercados das áreas rurais e suburbanas em torno do
Equador. O coletivo Superflex também tem colaborado com
engenheiros dinamarqueses e africanos para a construção
de uma unidade simples de biogás portátil que pode
produzir gás suficiente para a cozinha e as necessidades de
iluminação de uma família africana. O sistema foi adaptado
para atender às demandas de eficiência e estilo de um
consumidor africano e destina-se a responder às
necessidades e recursos econômicos que se acredita existir

26
em economias de pequena escala. Outro exemplo é o do artista
Tiravanija, que fundou em 1998, junto a outros artistas, o projeto

em arte, vídeo documentário e multimídia desde 1994.


Fórum Social Mundial FSM 2005; Consultora da UNESCO/RS 2004; Educadora Social e Oficineira em Projetos Sociais, Culturais e Educativos
[1] Mestranda em Artes Visuais CEART/PPGAV/UDESC; bacharel em Artes Plásticas IA/DAV/UFRGS; Coordenadora de Artes Plásticas do
The Land, que reúne ações colaborativas e coletivas para moradia e
obtenção de energia natural para a comunidade. Nesse projeto,
Tiravanija foi o autor de moradas com estética sustentável, já que
as casas são pequenas estruturas sobre palafitas acima de
plantações de arroz.
A discussão sobre espaços bioconstruídos e a estética da
permacultura foi um dos pontos fortes de apresentação do Fórum
Social Mundial 2005. Nele, espaços bioconstruídos foram definidos
como estrutura tanto para os auditórios de conferência como para
espaços expositivos ao ar livre, dispostos ao longo da Orla do
Guaíba em Porto Alegre/RS. Os espaços bioconstruídos contavam
com cisternas para coleta de água, fossas ecológicas e captação de
energia solar em pequena escala através de estruturas feitas a
partir de garrafas pet e canos hidráulicos reutilizáveis.
Pensar espaços bioconstruídos e permacultura como forma e
possibilidade estética, em arte, energia e meio ambiente, amplia
nosso olhar para possibilidades de moradia e sobrevivência em
escala humana, com sentido não comercial e que valoriza a
autonomia sobre a existência de um sistema operativo de vida em
harmonia com a natureza. A arte é uma possibilidade que dá forma
àquele sentido, desde que operada por uma proposta coletiva e
colaborativa, intrínseca à vida e ao cotidiano, ampliando assim seus
limites de atuação e de comprometimento com outras áreas do
conhecimento humano, da expressão e criatividade. A estética da
permacultura e a discussão decorrente de projetos em arte coletiva
para espaços bioconstruídos ampliam nossa visão de
transdisciplinaridade entre diferentes áreas e retomam nosso
compromisso com a arte e a vida diante de questões que apontam
soluções para moradia e obtenção de energia, ainda em escala
humana.

27
PERMACULTURA HA PA'Û MAMA'E PORÂ TEKO oñe mbotuicha pajepeva ohovo, jaikua’a
IKATÚVA JEJAPO TEKOVE OÑONDIVE haicha hidroeléctrica (Ysyry), ita kyra, terâ
JAGUEREKO HÂGUA MBARETE TEKOHAPE 28 ambue’e usina. Kô ava mba’e ningo
omuapesa tesarekorâ ha jeguenoherâpe y
Jepy’amongueta tekohare ndaha’ei techa mbarete ñemosarambi hâgua ojupity hâgua
pyso año oîhape p a’ u , ha avei hetape. Pe mboechaucapy vaicha oî porá,
ogueroguatava ikatu m b o’ e ñ emy’ î rupi noiriramo po karé ha pe ñ em o p eteî
ko’âva mba’e ha’â jepy’amongueta osêva oikoteveva pe guarâ. Upe mbo’ereko
remiandugui ñande tekoha ha ñande ha’eteva añete ha moangapyhy ndaha’eirire
mba’eva ko’êre. J agu ero ñ an d uvo avei jajapo ñemonda sâ’ý umi oha’ârotava oipuruvarâ.
mba’e iporâva maymavare. Upe kuarahy Tuichava mbo’ereko omosarambi
ruguái oseguiva galaxiaicha ikatuhina mba’eveteýre ndojupitykái ha omonda umi
tuichapa jepe oîhame ambue mbo’e, terâ omyakava micropolitica kuéra. Oîhame
galaxia ha upéicha ohovo. Ha katu upe pa’û hidroelectrica tuichava ikatu jagueropensa
ojogua pe mbohysýi mbarete, ha peteî avei upe Biogás jareko hâgua mbarete
m b arete’ eta o ñ o n d i ve terâ ambuendive. tendyry mbovyramojepe, ikatu hina óga ha
Ja’ehaicha kurahy ruguái jamboguapy tuguáipe ome’ê pe’ape ka’apa renondepe.
jepy’ambogueta upe pa’û iñepyrumby, Peteî tape ndohupityiva tuichava terâ
jaguereko kuarahype mbarete katuinte michiva mbo’ereko ñeguenohê mbarete ha’e
guava, ha avei oîva pe hapepe. Upe mba’e jerovia upe p erm acu l tu ra rupi p a’ û
katupyry ome’e kuarahyray ha enterotekove b i o co n s tru i d o s arte ha arquitectura ikatu
ha tekoveýva oîva umirupi pe tata opoiva oguerú pe ñemýi ha ñemyatâ ikatuva
kuarahy oipyteva tekove, itapua, ka’avo, ha jeipuru peicha javeramo. Ñemyesakara
ambueteko. Pe ara haku ogueru avei permacultura ha’e peteî método jopara
temime’e ñadeve iñepyrumby guive. ha pe japlaneahãgua, ha jaactualiza yvypora
Kuarahy omosaramby ome’evo pe mbarete mbo’epyrâ ha’eva: yvotyty, tava’i, ogaaty terâ
maymava tekovepe heta ikatu j aj ap o atyguazú opárupi ikatu ñemongakua’a, avei
Kuarahy gui ouva mbarete ñandeve guara. moñoirurâ pirapirerâ ikatutava jahupity.
Avei pe yvytu, y, tata ha jatopava yvyári Upevarâ ñañangarekovaerâ heta mba’e
jaipuru hâgua pe mbareterâ heta oî jatopava yvy ap e ari ha’eva ka’avo,
jaguenohe hâgua mbarete, iporâ ñamoña mymba,yvypora, óga apo, iporâve hâguaicha
ko’âva técnica ha tecnología jahecha py ha py’aguapype. Ko’angarupi ñahendu
puku. Avei pe yvytu, y, tata ha jatopava quebranto ogueru pe fabrica, óga apo jareko
yvyári jaipuru hâgua pe mbareterâ heta oî hâgua iñepyrumbyguive jejapopeve upe
jaguenohe hâgua mbarete, iporâ ñamoña jerespeta pe ñande rekoha ha’eva karai
ko’âva técnica ha tecnología jahecha py ñe’eme: (Preocupación ecológica desde la
puku. Ha’e peicha enterorehe marave bioconstrucción). Upevarâ jeipuru va’erâ
ndoikoi anga terâ ojehekaguive upe ha’erâ ndo mby’aimo’aiva ko teko h a javeve.
tecnologia ñ egu en o h e h âgu a p e m b arete ha Ha katu, jaguerekomivante jaipuru vaerâ
jeipuru porâ. Oguahe peteî je’y pe mbarete umi tembyre ha jaipuru michive pe tekoha
ome’eva ñandeve. Entero umi tembiapo hendukarâ okape Guaíba rembeype Porto
oreko tendonde jeipuru hãgua ikatuva guive Alegre/RS. Ombyaty y pe yvykuape, yvykua
jeperjudikayre ñande tekoha. Upevare 29 ombyvevo ha oñongatu pe Kuarahy rakukué
jaipuru jey umi ñemombomavaykue, ñejunta m b ovym i pe limeta ha mbayru hidráulico
amangyre, jeipuru mbarete ikatuva guiguava jepurupyré. Jepy’a mongueta pe
ñemyengovia yey ha nombyaivai tekoha, bioconstruidos ha permacultura rehe
jeipuruporâ Kuarahy rendy ha jaheja ñamoppo rã arte rupi, mbarete ha tekoha
takykue upe ndaha’eiva, koape avei jahecha pukuveta ñane j ei ko katu porâveta
techaukaha osê tembiaporâ jejapovarâ. yvypora haicha, ha anitei comercio año
Peva enterovepe ñ an e m o h em b i ap o ho’ovo ombovaleva jaheño teko re h a j ei ko ku a’ ap e
enteroiterehe. Heta umi tembiapo ogueru ñande sy guazu yvyndive. Upe arte (i p o râ)
artista ha arquitecto ku éra osolucionahãgua ha’e o m e’ etava tem i an d u , en terove ru p i h a
mbareterâ. Jaguereko mbayruguatá ñ em e’ em b ai teram o ñane ñe’akua guive ha
dinamarquês Superflex, oñepyruva artista teko ko’ ê, ko’ êre, ambotuichave hâgua upe
aty ohenoiva Biogás ojapovo upe energia compromiso ambue porâkua’a yvypora
electrica peteî tava. háicha, o h ech au ka h a o j ap o ku a’ ái ch a. Iporâ
Pe 1996-97 ramo ojapo hikuái “Supergas” pe permacultura ha’e peteî jetopa
peteî mbo’e pyahu biogasguiguava. Upevarâ tembiapokapy ñamoporave hâgua pe ñande
m b o’ e pyah u ha’e novedá ohechauka jeiko, jahaíhuve hâgua ñanderekoha
ikatuha upe tecnologia pyahu b i o gás en tero m b a’ e j ai ku a’ aru p i ve. Ha’e
oñemosarambi oparupi ñemuha ñemegua compromiso pe problemaita renondepe avei
ha tava Ecuadorpe. Pe mbayru guata ogueru pe solución óga aporupi, ha
Superflex, avei umi ingeniero dinamarcagua jeguereko hâgua mbarete, yvypora háicha.
ha africanogua ndive ojapo peteî maquina
michiva oguenoheva gás ikatuva oipuru
cociname terâ ojehesape hâgua peteî
africano roga. Peva ohecharamo ha oadopta PERMACULTURA Y ESPACIOS BIOCONSTRUIDOS
oñatende porâ hâgua africano kuéra COMO FORMA E POSSIBILIDADE ESTÉTICA EN
remikotevê, upeicha avei ojapo pira pire PROPUESTAS COLECTIVAS EN ARTE PARA LA
omo py’a hãgua hêta. Avei artista Tiravanija VIVIENDA Y AQUISICIÓN DE ENERGIA
pe 1998 ramo ambue tapichandi ogueraha
tenonde “The Land” o m b o aty ñ em e’ eva Pensar el espacio como morada no es sólo una
co l ab o raci ó n p e, h a vi ru ó ga ap o râ h a visión amplia de la ocupación de un lugar, como
j egu ereko h âgu a m b arete tavayguakuérape también es una forma de traslado sobre
Tiravanija ha’e upe tembiapo apoha óga posibilidades de excursiones del espacio en
regua iporâ ipu’akatava. Ha ogaieta jejapova que vivimos como un sistema. Pensar la
sobradoári ha igype oñoty arró. Ojevaraja estética como percepción del espacio en un
pe Foro Social Mundial 2005 ramo tembiapo sentido más amplio también hace parte de ese
teko porâve ha pe permacultura je’eha. sistema. El sistema solar sigue un diseño, en el
Upero oñemopyenda ñemonguetarâ, cual, la forma de galaxia puede ser todavía más
ampliada para la coexistencia de otros máxima energía a ser distribuida para el mayor
sistemas, otras galaxias y así en adelante. En número de beneficiarios. El sistema parecería
todo caso, el espacio se conforma ciertamente
como ordenación de energía, o mejor, como un
30 lógico y satisfactorio, si no fuera por el robo de
la autonomía de sus dependientes usuarios.
autonomía
sistema de relaciones de energía entre las Grandes sistemas distribuyen sí un beneficio en
partes. En lo que se refiere a ese ejemplo, larga escala, pero roban la autonomía de aquél
teniendo el sistema solar como base de que instruye la micro política y el dominio del
pensamiento sobre la conformación primera de usuario sobre el sistema. En el lugar de
espacio, tenemos el Sol como fuente ordinaria grandes hidroeléctricas, se puede pensar en las
de energía a todos los demás que están en su posibilidades de biogás para la obtención de
órbita. El sistema es generoso, dando cuenta de energía eléctrica en menor escala, suficiente
los planetas y de todo tipo de vida y no vida que para proveer a familias y casas en menor
exista sobre esos lugares. El calor número, sin embargo, con una relación de
promocionado por el Sol es absorbido por los autonomía de esas familias sobre el recurso.
organismos vivos, minerales, vegetales y hasta Una salida para la desproporción de escala
por otros reinos, ya que el calor se convierte en entre grandes y pequeños sistemas de
unidad de cooperación entre los seres desde el obtención de energía es el incentivo de medidas
comienzo de los tiempos. Dando una basadas en la Permacultura para espacios
connotación específica al Sol, atribuyéndole el bioconstituidos, pues el arte y la arquitectura
sentido de calor y la distribución de ese sentido pueden traer consigo un movimiento de
como cooperación entre los seres, es que el resistencia que torna aplicable la solución para
calor se distribuye y se constituye como este caso. Como definición popular y de
posibilidad de energía para varias aventuras concepto corriente, la Permacultura es un
humanas. método holístico para planificar, actualizar y
Además del Sol, podemos aun incluir el viento, mantener sistemas en escala humana, como
las aguas, el fuego, entre otros recursos jardines, villas, aldeas y comunidades en
naturales, como fuentes naturales de obtención ambientes sustentables, socialmente justos y
de energía. De las posibilidades de energía financieramente viables. La énfasis está en la
surgen diferentes técnicas para su obtención y aplicación creativa de principios básicos de la
con las tecnologías como una mirada naturaleza, integrando plantas, animales,
retrospectiva sobre ellas. Afirmo eso de forma construcciones y personas en un ambiente
genérica, pues no importan el tiempo y la productivo, con estética y armonía.
medida, pero sí el hecho de que la búsqueda Bioconstrucción es el término utilizado para
por técnicas y tecnologías para el dominio de referirse a las construcciones en que la
diferentes formas tecnologías para el dominio preocupación ecológica está presente desde la
de diferentes formas de obtención de energías concepción hasta la ocupación. Ya en la
van tomando megaformas, como en el ejemplo concepción, las bioconstrucciones se valen de
de hidroeléctricas, plataformas de petróleo y materiales que no dañan el ambiente y su
otros tipos de usina. Todas esas formas alrededor, al contrario: si es posible, reciclan
totalizan grandes sistemas, que visan obtener la materiales locales, aprovechando residuos y
minimizando el uso de materia-prima del En ese proyecto, Tiravanija fue el autor de
ambiente. Todo el proyecto enfoca el máximo moradas con estética sustentable, ya que las
aprovechamiento de los recursos disponibles
con el mínimo de impacto. El trato y
31 casas son pequeñas estructuras sobre palafitos
encima de plantaciones de arroz. La discusión
reaprovechamiento de desechos, colecta de sobre espacios bioconstituidos y la estética de
aguas pluviales, uso de fuentes de energía la Permacultura fue uno de los temas fuertes de
renovable y no contaminante, aprovechamiento presentación del Foro Social Mundial 2005. En
máximo de la iluminación natural, en detrimento él, los espacios bioconstruidos fueron definidos
de la artificial, ejemplifican las preocupaciones como estructura tanto para los auditorios de
de esos proyectos. La ocupación también sigue conferencia como para espacios expositivos al
la propuesta de la responsabilidad ambiental de aire libre, dispuestos a la orilla del Guaíba en
sus ocupantes.Muchas de esas propuestas Porto Alegre/RS. Los espacios bioconstruidos
están siendo presentadas por artistas y contaban con cisternas para colecta de agua,
arquitectos para soluciones de la energía. Un pozos ecológicos y captación de energía solar
ejemplo es el del colectivo dinamarqués en pequeña escala a través de estructuras
Superflex, un grupo de artistas que propuso una hechas a partir de botellas pet y caños
estructura llamada Biogás para la producción de hidráulicos reutilizables. Pensar los espacios
energía eléctrica en una comunidad. En 1996- bioconstruidos y Permacultura como formas y
97, crearon el Supergas, un nuevo sistema de posibilidades de estética, en arte, energía y
biogás. Debido a la innovación de un sistema de medio ambiente, amplia nuestra mirada para
compensación de presión y un nuevo método posibilidades de vivienda y supervivencia en
de construcción y de design, la tecnología de escala humana, con sentido no comercial y que
biogás puede ser divulgada en los mercados de valore la autonomía sobre la existencia de un
las áreas campesinas y suburbanas alrededor sistema operativo de vida en armonía con la
de Ecuador. El colectivo Superflex también ha naturaleza. El arte es una posibilidad que da
colaborado con ingenieros dinamarqueses y forma aquél sentido, desde que operada por
africanos para la construcción de una unidad una propuesta colectiva y contributiva,
simple de biogás portátil que se puede producir intrínseca a la vida y al cotidiano, ampliando así
gas suficiente para la cocina y las necesidades sus límites de actuación y comprometimiento
de iluminación de una familia africana. El con otras áreas del conocimiento humano, de la
sistema fue adaptado para atender a las expresión y creatividad. La estética de la
demandas de eficiencia y estilo del consumidor Permacultura es la discusión a raíz de
africano y se destina a responder a las proyectos en arte colectivo para espacios
necesidades y recursos económicos que se bioconstruidos, aumentan nuestra visión de
acredita existir en economías de pequeña transdisciplinariedad entre diferentes áreas y
escala. Otro ejemplo es el del artista Tiravanija, retoman nuestro compromiso con el arte y la
que fundó en 1998, junto a otros artistas, el vida delante de cuestiones que indican
proyecto The Land, que reúne acciones soluciones para vivienda y obtención de
cooperativas y colectivas para vivienda y energía, aun en escala humana.
obtención de energía natural para la comunidad.
32 Algum tempo atrás recebemos uma mensagem via
uma lista de discussão cujo conteúdo havia a
indicação para um vídeo[1] sobre o processo
de criação de um gerador de energia
artesanal.
ALTERNATIVA
"LIMPADORA"
Intitulado Gerador P2RCA, foi elaborado com
imãs retirados de Hds estragados e bobinas de
fio de cobre, montados em um compensado
circular fixado sobre uma roda de bicicleta,
o armazenamento de energia se dava através de
baterias de no-break. Dias depois um segundo
ENERGIA

gerador
vídeo abordava o processo de instalação desse
mesmo gerador na reserva Canhambora,
localizada no Alto do Ribeira, interior do
P2RCA
Estado de São Paulo. Procuramos então nos
informar sobre esse processo, conhecer as
pessoas envolvidas e detalhes sobre a
montagem do gerador. Logo descobrimos que
dois dos responsáveis pela pesquisa eram
Peetssa e Mauro Souza, entramos em contato
com eles e obtivemos a seguinte resposta,
aqui compartilhada em um texto levemente
adaptado para esta publicação.

PEETSSA: O principio da Corrente Induzida Magneticamente é simples.


Todo imã tem as polaridades positivo e negativo (alguns preferem
dizer norte e sul), portanto quando posicionamos os imãs lado a lado
os opostos se atraem formando um circulo que contém a intermitência +
- , que são colocados em movimento cíclico. Exemplo: uma roda da
bicicleta com os imãs colados lado a lado radialmente. Em outro
disco, que se mantem estático, posicionamos as bobinas de fio de
cobre esmaltado que "captam" esta intermitência dos imãs gerando uma
corrente alternada + - . Aqui é fundamental marcar o começo e final
de cada bobina, pois se ocorrer alguma invertida, se anula todo resto
da fase. As bobinas tem que ser padronizadas, ou seja, devem conter a
mesma quantidade de voltas (espiras), enroladas na mesma direção,
caso contrário também se anula a fase, e dimensionadas conforme as
necessidades. Este dimensionamento é empírico, testes, testes e
testes, haja testes... A quantidade de voltas determina a tensão
(voltagem) e a bitola do fio determina a corrente (amperagem). No
caso do gerador P2RCA do vídeo utilizamos fio de cobre 0,8mm com 200
voltas cada.

MAURO SOUZA: Os diodos são esses de eletrônica, o importante é usar


para uma corrente alta, tipo 25 Ampéres e 24 a 30 Volts. Os ímas
podem ficar encostados uns aos outros, mas as distâncias entre os
ímãs e as bobinas devem ser as mesmas, cada fase (conjunto de
bobinas) tem que estar passando pelo mesmo tipo de campo magnético no
mesmo instante, ou isso vai interferir em como a corrente é induzida
no gerador e vai ocasionar perda de rendimento.
33

PEETSSA: Para a montagem é necessário seguir uma geometria especifica


que, no caso de um gerador de 7 fases, cada fase é um hexagono com uma
bobina em cada vértice, portanto 7 hexagonos com 6 bobinas cada. Uma
vez que você consegue este círculo que contem os 7 hexagonos é
necessário fixar os imãs de forma que as 6 bobinas do hexagono sejam
estimuladas no mesmo instante, pois no momento seguinte os imãs
estimularão a próxima fase ou hexagono. É uma matemática um tanto
estranha, mas para 42 bobinas (7X6) utilizamos 24 imãs. A quantidade
de imãs é relativamente proporcional à quantidade de energia gerada,
portanto dentro da circunferencia do disco de imãs couberam apenas 24.
Pode-se utilzar mais ou menos bobinas, o importante é que seja um
número divisivel por 6 para garantir que o disco de imãs contenha os
hexagonos. No vídeo citamos 48 imãs e 84 bobinas, pois fizemos dois
geradores em um único suporte, para melhor aproveitamento da energia
cinética. A energia gerada é AC (corrente alternada) e as baterias que
utilizei no banco de baterias são DC (corrente contínua). Para
resolver esta questão a corrente passa por uma "ponte de retificação",
ou seja, a onda senóide gerada pela AC (onda senóide é aquela que se
lê nos osciloscópios) é cortada em seus picos e vales formando assim
uma curva cortada onde o diferencial de polaridades fica mais próximo
e a corrente mais "reta". É basicamente uma linha tracejada. A ponte
de retificação é feita simplesmente com 4 diodos para cada duas fases.
Os diodos funcionam como válvulas, a corrente vai mas não volta e tem
que ser ligados dois com a "bundinha" pra baixo (terminal negativo) e
outros dois com a "cabeça" pra cima (terminal positivo). O que
determina o sentido é a linha que existe no diodo que diz pra que lado
a corrente correrá. Ligando um ao outro pelas outras duas pontas do
diodos que sobraram se obtem as entradas da AC.

Procure sempre super-estimar o gerador, pois após a retificação há


34

uma perda considerável de suporta muitos ciclos de carga e


aproximadamente 2/3, por exemplo, recarga, devem durar no máximo um
se você conseguiu 21vAC obterá ano, enquanto as estacionárias
apenas 7vDC. A velocidade de (sempre relativo à demanda e uso)
rotação do gerador é outra duram entre 2 a 4 anos. Pelo
equação incompreensível, pois menos o no-break que tenho em
quando você dobra a velocidade a casa está trabalhando a 5 anos.
corrente triplica. Esta
especificidade me pôs a Para carregar as baterias é
desenvolver um gerador com importante pensar na qualidade da
circunferencias menores para carga. Para uma bateria de 12v o
poder girar mais rápido sem ideal é chegar até ela 14,5v
estresse dos materiais. Imagine (conforme os alternadores de
uma roda de bicicleta girando a carros), com baixa amperagem. É
1200RPM, o sistema não deve chamada carga lenta que demora
suportar nem um ano. mais pra carregar, porém dura
mais. Após o banco de baterias,
Para armazenar energia utilizei no caso de utilização de
na Canhambora 6 baterias de no- equipamentos 110v, pode-se
break (12vDC/7Ah), chamadas utilizar um inversor
estacionárias, seladas de baixa 12vDC/110vAC. Caso não tenha
manutenção e recondicionadas, que equipamentos 110v podemos fazer a
custam R$25,00 cada. Uma bateria rede elétrica com 12v ou menos.
de carro custa R$120,00 e não Na Canhambora fizemos toda a
35
iluminação com sistema de LED, baterias de 7Ah.
pois consomem apenas 4,5v/800mA,
ou seja, em um banco com 6 8 x 7 = 56Ah
baterias de 7Ah temos 42Ah, o
sistema LED utilza no máximo 1A 56Ah X 12vDC = 672w
deixando 41A livres.
Nele utilizo um inversor 700w e
Para dimensionar o banco de pretendo consumir apenas 400w com
baterias é necessário saber geladeira, iluminação a LED,
previamente o consumo em watts do radio-comunicação 12v e baterias
estabelecimento. Por exemplo: 1 de rádio, laptop, pilhas
geladeira 120w + 1 TV 80w + 150w recarregáveis de lanternas.
de iluminação (10 lâmpadas
econômicas de 15w cada) = 350w. O gerador da Amazônia possui 120
imãs e 120 bobinas com 600 voltas
Para saber quantos watts você tem cada e bitola 0,4mm, consegue 30v
é só multiplicar a tensão(volts) em 1/2 fase a 400RPM.
pela corrente (amperes). Por
exemplo: 6 baterias de 7 Ah cada Lembre-se sempre que ligações
= 42Ah X 12vDC = 504w. Considere em série somam voltagem e em
sempre a perda de 25% da corrente paralelo somam amperagem. Assim
entre resistência, dissipação pode-se ligar as fases em série
térmica, etc... até atingir a voltagem desejada
para depois ligar as restantes
25% de 504 = 126, em paralelo para aumentar a
amperagem.
504 - 126 = 378w
É muita coisa mesmo para pensar,
portanto meu sistema comporta o mas todos nós sabemos que o
consumo descrito anteriormente. O sustentável dá mais trabalho, por
ideal é sempre dar uma folga para isso que o mundo prefere queimar
o sistema como 400 ou 500w. O petróleo ou inundar grandes áreas
banco de baterias para o gerador para hidrelétricas. Tudo pelo
montado na Amazônia está com 8 mais fácil.

Estou nesta pesquisa há apenas quatro meses, mas já aprendi bastante


fuçando e perguntando. Acredito plenamente que todo o conhecimento
adquirido tem que ser compartilhado e difundido. Infeliz é aquele que
quer tudo para si. Quando eu voltar da Amazônia editarei um vídeo
como o da Reserva Canhambora. A ideia é fazer videos- anuais de
construção de geradores com lixo tecnológico. Tenho chamado este
principio de ENERGIA ALTERNATIVA "LIMPADORA", pois vai além da
energia LIMPA por limpar o lixo tecnologico das grandes metrópoles.
Sinto que há realmente uma revolução em andamento. Lutando sempre até
outro começo, com as próprias mãos.

TODOS TEM PODER

13 de novembro de 2009 [1]


http://www.youtube.com/watch?v=l-z0lIgBNI4
http://www.youtube.com/watch?v=uWa5vC_KwSI
www.peetssa.com.br
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"POTÎHA" MBOJOPYRU MBARETE Me’ê P2RCA
Aremíma rorecibi peteî ñe’êmondo jediskuti tysyikue he’i hape tembioporâ vídeo[1] rupi
mba’éichapa jejapo pe ñe me’ê mbarete teko mba’apore. Marete ñeme`ê teko mba`apore
Ñeme’ê P2RCA ñepyrû ojejapo kuri imâ jeipe’apyre HDs inimbo kobre karretel vaikuegui
guare oñemoiva mbohovai joja mba’e apu’a ikolokapyre pe bicicleta rueda ári. Ñembyaty
pe mbarete rupive.mbareteryru no-break. Peteî ara rire mokoî vídeo ohechauka
mba’éichapa ñemo`î pe ñeme’ê Canhambora ñongatu oîva pe Alto Ribera pe, São Paulo
estado ry’epype. Ñañe ha’âta upémaromo ñañeinforma pe proceso jaikua’a hâgua mávapa
oî ha mba’éichapa ojejapo pe ñe me’ê. Upéi jaikua’a mokoî ostudiava ko’âva ha’eva Peetssa
ha Mauro Souza, roike ñomonguetape hendivi kuéra ha roguahê ko ñembohovai ko’ape
mbykymi rohaí jeikua’aukarâ:
PEETSSA: Iñepyrumby pe ysyry peteî ha ambuendive, upe imâ ha karretel
oñembotyryryva magneticamente ha y año. ha’e lo mismo mombyrykue. Fase ñavô
Entero imâ oreko tu’â añete, ikatu, ý (oî (entero umi carretel) ohasavarâ pe kampo
he’iva yvate, yvype), upevare ñamo ñugaitî magnético oñondive ha upe’a ointerferi pe
imâ ojoykere pe jovaigua ojoitira ojapovo ysyry ha ogueraha ome’ê ha orendi
peteî apu’a orekova pokâ pokâ + - , ñemo’î mbovyve.
ñemýi apu’a techaukaha: peteî imâ ñemoi PEETSSA: Jejapo hâgua tekotevê jasegui upe
bicicleta jere apu’a ojoykere radialmente. geometría. Ku ñeme’ê, pokôi fase, ha fase
Pe ambue ña’êpe apu’a ojerekova ñavô ha’e peteî hexágono karretel upe
ñongatupy ñemo’î pe karretelre kable hu’âme, upevare pokôi, oreko poteî karretel
ñemoapesy’i kobreguigua. Tapia imâgui, peteî ñavô. Econseguí ave pe apu’a orekova
ome’ê pe mokôi mbarete + - , ko’ape pokôi hexágono omboku’eva
iñimportante ha iñepyrumby ha ipaha ñavô sapy’amiroguarâ ha upei imâ kuéra
karretel, ha oikoramo tevirô sapy’a, ha omboku’eva ambu’e fase terâ hexágono.
ombogue entero pahague rembyre. Pe Ha’e peteî matemática iñextraño ha pe 42
karretel ñembojoja katu orekovarâ pe heta karretel kuéra (7x6) jaipuru 24 imâ kuéra.
ñembojere (espiral), ojelia ñemo’î goty’o Pe’a pe kantidad de imâ odepende pe
pevayrô ogue la ifase, ha jejapo tuichakue kantidad mbarete ñeme’ê hetâ según pe
tekoteve haicha. Ko tuichakue jave ha’e japo tuicha haicha, upevare korape imã ña’ê pe
pyré, ha’a, ha’a’ ha ha’a... . Pe papapy jere apu’a oñua haime 24. Ikatu oipuru + -
oikuaka pyatâ (voltaje) ha mbyterahasa karretel, iñimportante pe papapy poteî
inimbo oikuaka mbarete (ampere). Pe me’e ogaranti hâgua pe ña’ê pe apu’a imâ
ha’e P2RCA vídeo, jeipuru inimbo kobre guiguava oreko hexágono.
guigua 0,8mm ha 200 jere. Pe vídeo, ra’e 48 imâ ha 84 karretel, rojapo
MAURO SOUZA: Pe diodos niko ha’e ese de mokôi ñeme’erâ peteî soporterehe ikatu
eletronika. Iñimportante jeipuru pe hâgua ojepuru porãve pe mbarete ysyry
korriente yvate, tipo 25 amperios ha 24 a 30 guigua, energía cinética.
volts. Pe imâ kuéra ikatu opyta ojoykere Pe mbarete ñeme’ê ha’eva AC (corrente
37
alternada) ha pe bateria jaipuru kuri ha’eva Che arekova pe no-break ógape aipuruma
DC (corrente contínua). Ñandende porâve po ary rupi.
hâgua pe ysyry ohasa pe ysyrorasa mbojoja Ja myanyhê hâgua pe mbarete ryru,
osea pe olada senoide ome’eva pe AC (olada jagueropensá va’erâ mboypa ohupita. Peteî
senoide ha’e pe ojeleeva osciloscópios) ha mbareteryru 12v ikatu, ohupity 14,5v (pe
ñekyti hu’ame ha mbohopytape, peicha ombojopuruva mbayru guata) pe
oñeforma pe ha ikarê jatopa pe ojoavy pe + amperagem ikangyveva. Ñehenóiva ohupi
- polaridad opyta agui ha pe ysyry kare’ý. mbegue vere, upevare odurave pe’a.
Ha’e hu’â ha iguy pe. Añete pe ha’ipyre. Pe Upéi pe mbarete ryru kuéra jeipuru ramo
yvyrorasa mbojoja irundy diodos mokôi nembosako’i râ 110v , jeipuru varâ peteî
faserâ. Pe diodos ofunciona mbotyha ramo: jevyrendáicha, inversor, 12vDC/110vAC. No’iri
pe ysyry oho ha ndojereveima ha ñomboja ramo ñemosako’ihara 110v ikatu jajapo red
mokôi tuguái yvy’o (terminal negativo) ha eléctrica 12v terâ saive. Canhambora pe
mokôi yvate’o (terminal positivo). Pe rohesapepa kuri sistema LED rupi oipuruva
ñemopy’a peteî pe hai oiva pe diodope 4,5v/800mA, pea poteî mbareteryru rupi
ohechaukave mo’ogoty’o pa ohota pe ysyry. pokôi Ah, jereko 42Ah, pe sistema LED ikatu
ñemboja peteî ha mokôi hu’â pe diodore oipuru 1A, oheja 41A jepuru ýre.
opytava, peicha jejupity jeikeha AC. Ja prepara hâgua pe mbareteryru renda
Ñe ha’â katuinte ñemopu’â pe ñeme’erâ, tekotevê jaikua’a ra’ê mboypa watts oipuruta
myatyrô rire operde tuicha haimete 2/3. pe rupi.
Rekonseguiramo 21vAC, renoheta apena Jaikua’a hâgua, peteî moro’ysâha 120w + 1
7vDC. sambyry 80w + 150w jehesaperâ (10
Pe mbojere ñeme’ê ha’e otro kalculo jeikua’a mba’erendy iñekonómikova 15w) = 350w.
paýva, nde rembojere jo’aramo pe ysyry Reikua’a hâgua mboy watts pa rereko
ohasa mbohapy jevyjevy. remultiplikavarâ (volts) x (amperes).
Ko’â mba’e che reraha ajapovo peteî ñeme’ê Techaukarâ: poteî mbareteryru 7Ah ñarô =
apu’a michiveva, ikatu hâgua ojere pya’eve 42Ah x 12vDC = 504w. Jareko 25% ojesó
ikane’o ýre upe material. Jagueropensape mbarete ha mbarete atâ, mbogue aku, etc.
bicicleta mba’ejere ojereva 1200rpm, pe 25% de 504 = 126,
sistema ndo hupity mo’ái peteî ary. 504 – 126 = 378w
Ñe mboaty hâgua mbarete, aipuru kuri pe Upevare, che mbo’e oreko jeipuru jahai
Canhambora pe poteî mbarete ryru, tenondevevo ja’e mo’avakue. Hi’âvarâ ñemo
no- break (12vDC/7Ah), heropyva pa’û pe mbo’e pe 400 ha 500w. Pe
estacionárias, moha’angava jeipuru pokâ ha mbareteryru renda ñeme’ê jekolokava
myatyrô pya’eva, jehepy me’eva R$25,00 Amazôniape oreko mbareteryru ha’eva 7Ah.
peteî teî. Peteî mbarete ryru mbayru 8 x 7 = 56Ah
guataregua ñehepy me’e R$120,00 ha ndo 56Ah x 12 vDC = 672w
hupityi heta ohupi ha oityva odura vaerâ Pevarâ aipuru peteî inversor 700w ha aipuru
peteî ary, ha pe estacionárias (mba’éichapa haime 400w ñemoro’ýsa hare, ñemyesape
ojeipururamo) ojupityta mokôi ha irundy ary. LED gui, radiomyasâiha 12v ha mbareteryru
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radio, laptop, ha petesaperyru imba’eronte.
jekargajeyvaekue. Che ajevyvo pe Amazônia gui’o, ajapota
Pe ñeme’ê Amazônia oreko 120 imâ ha120 peteî vídeo, pe Reserva Canhambora icha. Pe
karretel de 600 jere ñavô ha 0,4mm jepy’amongueta jejapo hâgua vídeo, kuatia
mbytérupi ohasáva. Ha’e oguenohê 30v pe hai jejapo hâgua ñeme’ê yty tecnológico.
1/2 fase de 400rpm. Upévare ahenói ñepyrumby “POTÎHA”
Ñemomandu’avarâ tapia ñemo apesâ MBARETE ÑEMBOJOPYRU, ha katu mbarete
joaiteramo omboheta voltage avei omboheta nda ha’ei potî añonte terá yty tecnológico
pe amperage jovái. Peicha ikatu ñemoapesâ umi tava tuichavaicha.
pe fase joaite jarekopeve voltage ñaikotevevâ Añadu oî ha añete peteî jepyvu ha
ha upei ñamoapesâ hembyva ha ñamboheta ñembotuvicha.
amperage jovái.
Heta mba’e jajepy’amonguetavarâ Ñeha’â tapia ambue ñepyrupeve,
jaikuaahaicha jatopava yvy ari ñane ñenepokatu rupi.
mbohembiapo hetave, upevare enteroite
ohapyseva uvéi itakyra, terá omyenyhe y gui MAYMÁVA OREKO PUAKA.
tuicha yvy ysyry mbareterâ. Enterove ojapo
pe hasy’ýveva. Aime irundy jasyho ko 13 Jasypateî 2009
jepovyvyre, ha heta mba’ema aikuaa www.peetssa.com.br
ñeporandu ha jatypekaharupi. Arovia añete
pe jeikuaa jarekova ñame’evarâ ha [1]
http://www.youtube.com/watch?v=l-z0lIgBNI4
jaikuaakavarâ. Ipituva pe orekoseva http://www.youtube.com/watch?v=uWa5vC_KwSI

ENERGÍA ALTERNATIVA "LIMPIADORA" generador P2RCA


Desde hace algún tiempo, recibimos un mensaje a través de una lista de reflexiones en que el
contenido principal indicaba en un vídeo[1] sobre el proceso de creación de un generador de
energía artesanal.
Titulado Generador P2RCA fue construido con imanes sacados de HDs descompuestos y
carreteles de hilo de cobre, instalados en un terciado circular fijado sobre una rueda de bicicleta. El
almacenamiento de energía se daba a través de batería de No-break. Días después, un segundo
vídeo trataba del proceso de instalación de ese mismo generador en la reserva Canhambora,
ubicada en el Alto do Ribeira, interior del estado de São Paulo. Entonces, procuramos informarnos
sobre ese proceso, conocer las personas involucradas y los detalles sobre el montaje del
generador. Luego descubrimos que dos de los responsables por la investigación eran Peetssa y
Mauro Souza, nos contactamos con ellos y obtuvimos la siguiente respuesta, aquí compartida en
un texto sencillamente adaptado para esta publicación.
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PEETSSA: El principio de la Corriente Inducida pérdida del rendimiento.
Magnéticamente es sencillo. Todo imán tiene PEETSSA: Para el montaje, es necesario
las polaridades positiva y negativa (algunos seguir una geometría específica. En el caso de
prefieren decir norte y sur), sin embargo, un generador de siete fases, cada fase es un
cuando posicionamos los imanes lado a lado, hexágono con un carretel en cada vértice, sin
los opuestos se atraen, formando un círculo embargo siete hexágono con seis carreteles
que contiene la intermitencia + - , colocada en cada uno. Una vez que consigue el círculo que
movimiento cíclico. Ejemplo: una rueda de contiene los siete hexágonos, es necesario fijar
bicicleta con los imanes colocados lado a lado los imanes de forma que los seis carreteles del
radialmente. hexágono sean estimulados en el mismo
En otro disco, que se mantiene estático, instante, pues en el momento siguiente los
posicionamos los carreteles de hilo de cobre imanes estimularán la próxima fase o
esmaltado que “captan” esta intermitencia de hexágono. Es una matemática un tanto
los imanes, generando una corriente alternada extraña, pero, para 42 carreteles (7X6)
+ -. Aquí es fundamental marcar el comienzo y utilizamos 24 imanes. La cantidad de imanes
el final de cada carretel, pues si ocurriera es relativamente proporcional a la cantidad de
alguna invertida, anulase todo lo que resta de la energía generada, por lo tanto dentro de la
fase. Los carreteles tienen que ser circunferencia del disco de imán cupieron
estandarizados, o sea, deben tener la misma solamente 24. Se puede utilizar más o menos
cantidad de vueltas (espiras), enrolladas en la carreteles; lo importante es que sea un número
misma dirección – al contrario también se anula divisible por seis para garantizar que el disco
la fase – y dimensionadas conforme a las de imán contenga los hexágonos. En el vídeo,
necesidades. Esta dimensión es empírica, citamos 48 imanes y 48 carreteles, pues
testes, testes y testes, un sin fin de testes... La hicimos dos generadores en un único soporte,
cantidad de vueltas determina la tensión para mejor aprovechar la energía cinética.
(voltaje) y el diámetro del hilo determina la La energía generadora es AC (corriente
corriente (amperaje). En el caso del Generador alternativa) y las baterías que utilicé en el
P2RCA del vídeo, utilizamos hilo de cobre banco de datos de baterías son DC (corriente
0,8mm con 200 vueltas cada. continua). Para solucionar esa cuestión, la
MAURO SOUZA: Los diodos son esos de la corriente pasa por un “puente de rectificación”,
electrónica. Lo importante es utilizarlos para o sea, la onda sinusoide generada por la AC
una corriente alta, tipo 25 amperios y 24 a 30 (onda sinusoide es aquella que se lee en los
volts. Los imanes pueden quedarse pegados osciloscopios) es cortada en sus picos y
unos a otros, pero la distancia entre los imanes llanuras, formando así una curva cortada
y los carreteles deben ser las mismas. Cada donde el diferencial de pluralidades se queda
fase (conjunto de carreteles) tiene que estar más cercano a la corriente, más “recta”. Es
pasando por el mismo tipo de campo básicamente una línea rayada. El puente de
magnético en el mismo instante, o eso va a rectificación es hecho simplemente con cuatro
interferir en la forma como la corriente es diodos para cada dos fases. Los diodos
inducida en el generador y va a ocasionar funcionan como válvulas: la corriente se va,
40
pero no vuelve y tiene que ser conectados dos la hipótesis de utilización de equipamientos con
con la “colita” hacia abajo (terminal negativo) y 110v, se puede utilizar un inversor
los otros dos para arriba (terminal positivo). Lo 12vDC/110vAC. Caso no haya equipamientos
que determina el sentido, es la línea que existe 110v, podemos hacer la red eléctrica con 12v o
en el diodo, que dice para qué lado la corriente menos. En Canhambora, hicimos toda la
correrá. Conectando uno al otro por las dos iluminación con sistema de LED, pues
puntas del diodo que restaron, son obtenidas consume solamente 4,5v/800mA, o sea, en un
las entradas de la AC. banco de datos con seis baterías de 7Ah,
Procure siempre sobrestimar el generador, tenemos 42. Ah, y el sistema LED utiliza en el
pues enseguida a la rectificación hay una máximo 1A, dejando 41A libres.
pérdida considerable de aproximadamente 2/3. Para dimensionar el banco de datos de
Por ejemplo, si consiguió 21vAC, obtendrá baterías, es necesario saber previamente el
solamente 7vDC. consumo en watts del establecimiento. Por
La velocidad de rotación del generador es otra ejemplo: una heladera 120w + 1 TV 80w +
ecuación incomprensible, pues cuando usted 150w de iluminación (10 lámparas económicas
dobla la velocidad, la corriente triplica. Esta de 15w cada) = 350w.
especificidad me puso a desarrollar un Para saber cuántos watts usted tiene, es sólo
generador con circunferencias menores, para multiplicar la tensión (volts) por la corriente
poder girar más rápido sin estrés de los (amperios). Por ejemplo: seis baterías de 7Ah
materiales. Imagine una rueda de bicicleta cada una = 42Ah x 12vDC = 504w. Considere
girando a 1200rpm, el sistema no debe siempre la pérdida de 25% de la corriente entre
soportar ni un año. resistencia, disipación térmica etc. Por ejemplo:
Para almacenar energía, utilicé en Canhambora seis baterías de 7Ah cada una = 42Ah x 12vDC
seis baterías del no-break (12vDC/7Ah), = 504w. Considere siempre la pérdida de 25%
llamadas estacionarias, selladas de baja de la corriente entre resistencia, disipación
manutención y reacondicionadas, que cuestan térmica etc.
R$25,00 cada una. Una batería de coche 25% de 504 = 126
cuesta R$120,00 y no soporta muchos ciclos 504 – 126 = 378w
de carga y recarga, debe durar, máximo un Por lo tanto, mi sistema comporta el consumo
año, mientras las estacionarias (siempre descrito anteriormente. El ideal es siempre dar
relativamente a la demanda y uso) duran entre un alivio para el sistema, como 400 o 500w. El
dos y cuatro años. Ya el no-break que tengo en banco de datos de baterías para el generador
casa está trabajando desde hace cinco años. construido en Amazônia está con ocho baterías
Para cargar las baterías, es importante pensar de 7Ah.
en la calidad de la carga. Para una batería de 8 x 7 = 56Ah
12v, lo ideal es llegar hasta 14,5v (conforme los 56Ah x 12vDC = 672w
alternadores de coches), con bajo amperaje. Es Para eso utilizo un inversor 700w y pretendo
la llamada carga lenta, que lleva más tiempo consumir solamente 400w con heladera,
para cargar, sin embargo, dura más. iluminación a LED, radiocomunicación 12v y
Enseguida del banco de datos de baterías, en baterías de radio, laptop, pilas recargables de
41
linternas. quiere todo para uno mismo.
El generador de Amazônia posee 120 imanes y Cuando vuelva de Amazônia, publicaré un
120 carreteles con 600 vueltas cada uno y vídeo como el de la Reserva Canhambora. La
diámetro de 0,4mm. Él consigue 30v en 1/2 idea es hacer vídeos-manuales de construcción
fase a 400rpm. de generadores con la basura tecnológica.
Hay que acordarse siempre que conexiones en Suelo llamar este principio de ENERGÍA
serie suman voltaje y en paralelo suman ALTERNATIVA “LIMPIADORA”, pues va más
amperaje. Así, podemos conectar las fases en allá de la energía LIMPIA por limpiar la basura
serie hasta llegar al voltaje deseada, para tecnológica de las grandes metrópolis.
después conectar las restantes en paralelo Siento que hay realmente una revolución en
para aumentar el amperaje. desarrollo.
Es mucha cosa para pensar, pero todos
sabemos que, lo que es sustentable, Luchando siempre hasta otro comienzo, con
fundamental, resulta en mucho más trabajo, las propias manos.
más tiempo, por eso que el mundo prefiere
quemar petróleo o inundar grandes áreas para TODOS TENEMOS PODER
las hidroeléctricas. Todo eso por lo más fácil.
Estoy en esta investigación desde sólo cuatro 13 de noviembre de 2009
meses, pero ya aprendí mucho escudriñando y www.peetssa.com.br
preguntando. Creo plenamente que todo el
conocimiento adquirido tiene que ser [1]
http://www.youtube.com/watch?v=l-z0lIgBNI4
compartido y difundido. Infeliz es aquél que http://www.youtube.com/watch?v=uWa5vC_KwSI
Tekoha Ocoy
dragão da nota de 100 dinheiros chinês
peixe da nota de 100 reais
mapa de ponta cabeça
rosa dos ventos
espada da cidade de londres
solano lopez
colono do brasão do paraná
macacos de charge paraguaia sobre a guerra do paraguai
MDCCCXV = 1870
brasão da província de misiones
olho da nota de dólar pira veve guazu viru rogue sa chinape guava
brasão do brasil colonia de ponta cabeça pira pire rogue sa real
cruz de ponta cabeça = anzol yvyra’anga ru’a aça
escrito em árabe e hebreu = cruzando a fronteira / cruzamento de fronteira yvyture chaukaha
esguichando petróleo com sangue kyse puku tava londre pegua
metamorfosis solano lopez
... faltou o darwin chokokue paranaguá terakuâ porâ
ñorairoguazu upe paraguai regua ka’i pukará paraguaipe
MDCCCXV = 1870
terakuâ tetâ’i misiones
dragón del billete de 100 dinero chino dólar rogue resa
pez del billete de 100 reales chokokue brasil akâ ru’â terakuâ porâ
mapa al revés kuruzu akâ ru’â = pinda
rosa-de-los-vientos tembihai árabe ha hebreope = ohasa tetârembey/jehasa
espada de la ciudad de londres tetârembeyre
solano lopez ita kyra tororô tuguyre
campesino del blasón del paraná ñemoambue
monos del cursi paraguayo al respecto de la guerra del paraguay ... ndaipóri darwin
MDCCCXV = 1870
blasón de la provincia de misiones
ojo del billete de dólar
blasón del brasil colonia al revés
cruz al revés = anzuelo
escrito en árabe y hebreo = cruzando la frontera / cruzamiento de frontera
chorreando petróleo con sangre
metamorfosis
... faltó darwin
Voltemos a 1955, meu pai tinha uma que hoje não paga uma passagem até
terrinha no Paraguai perto de Villarrica, Asunción. Quando chegou aqui percebeu
quando surgiu um comentário sobre a que 10 hectares de terra custavam 70 mil
construção de uma ponte entre o Brasil e guaranis. O dinheiro de 60 não deu para
o Paraguai. Lá nasceria uma cidade, um pagar 10. Pagou 40 mil guaranis à vista e
grande centro comercial que hoje é financiou o resto em 10 anos, para ficar
Ciudad del Este; na época chamava‐se com 15 mil no bolso, isso em 1957. Meu
Puerto Flor de Lís, nome alterado na pai veio para construir a ponte. Eu
ditadura para Puerto Stroessner. Veio cheguei aqui com 5 anos, praticamente
então a ideia de morar em Alto Paraná. não havia cidade ainda, era terra de
Meu pai pensou: ninguém, fomos uma das primeiras
"Venderemos esses 60 hectares de terra e famílias a chegar nesse lugarejo. Não se
vamos lá para a fronteira". sabia onde terminava o Paraguai e
Vendeu 60 hectares por 55 mil guaranis, começava a Argentina ou o Brasil.

...
Extratos da fala de Francisco Amarilla no encontro
do dia 5 de janeiro de 2010 em Foz do Iguaçu.

a fronteira por um conhecedor


Essa mata imensa meu pai sempre pensou em preservar, conhecer, guardar suas
árvores, deixar que elas crescessem, por isso que virei ambientalista. Cresci conhecendo
os lugares, as comunidades indígenas, seus rios. Meu pai não era guia, era um
conhecedor. Através dele, aprendi a interpretar o que a mata ensina.

...
Em 1903, quando levantaram o marco das dividiria o Estado do Paraná da Argentina.
três fronteiras, o sargento José Maria de Desse fato nasceu a tríplice fronteira que
Brito fez o primeiro acordo internacional e conhecemos hoje. Até então se falava o
determinou um mapa de onde seria a guarani, a moeda ainda era o guarani. Era
fronteira. A região do Rio Paraná dividiria um lugar comandado pelos paraguaios,
o Brasil do Paraguai, e o Rio Iguaçu onde hasteava‐se a bandeira paraguaia.
45
Esses dias fui visitar os Aché; o cacique vestia muito ao seu cantinho, ainda mais um povo
uma camiseta dos Rolling Stones, um relógio de 5.200 anos, sentiram muito de ter que
suíço, meias Adidas e chinelos Havaianas, abandonar seus cemitérios. Até o
um show, cinco culturas num só homem, um alagamento, a comunidade Acaray era da
indígena.
... mesma tribo que havia em Foz do Iguaçu.
Viviam nas margens do Rio Paraná,
Chama‐se de índio uma pessoa porque atravessavam de canoa para visitar seus
nasceu no mato; a meu ver é uma palavra parentes. Quando a água começou a subir,
equivocada, pois são na realidade nativos. disseram a eles: “Vocês vão ter que sair, pois
Hoje nós podemos chamar de comunidade, a água vai chegar até aqui”.
em vez de aldeia indígena. Inclusive chamá‐ Foi como um despejo. Então levaram essas
los de "indiarada" é uma forma muito baixa pessoas para uma comunidade em Diamante
para eles, soa como gentalha, pessoas com d'Oeste chamada Tekoha Añetete, que,
quem não se deve se juntar. Os Guarani não entre aspas em negrito e vermelho, significa
são gente de contar histórias, são de “moradia de verdade”. Há parentes que são
responder perguntas, e há uma série de da mesma comunidade e que jamais se
perguntas que não adianta fazer a eles, visitaram. O lago dividiu o povo, gerou um
simplesmente porque não irão responder, problema, tornaram‐se os guarani‐
por exemplo: “Como se faz um parto ou um paraguaios e os guarani‐ brasileiros; isso não
enterro?”. Você tem que ver ou vivenciar se existe. Índio é índio, onde ele pisar é a terra
quiser saber.
... dele. Apesar de hoje em dia quase todos
falarem o espanhol ou o português, não
O que mais me marcou na época da adianta chamar um indígena de paraguaio
construção de Itaipu, além da vinda das ou brasileiro, porque eles respondem: “Eu
máquinas e turbinas, foi como as pessoas sou Guarani. Nós somos Guarani, os
foram sendo retiradas de seus lugares com o paraguaios e brasileiros vieram depois". Os
crescimento do lago. Esse acontecimento Guarani, por serem receptivos, sofreram
trouxe o progresso e Itaipu exerce uma muito nas mãos dos jesuítas, bandeirantes e
influência muito grande em toda essa região. colonizadores. Eram conhecedores da
Inclusive nas comunidades indígenas, onde região, de toda a América Latina. Sabiam
interfere. O povo indígena perdeu boa parte onde estavam o ouro, os metais, só não
de suas terras, a água invadiu suas áreas; sabiam exatamente o que eram. Sofreram e
essa pode ser considerada a parte mais triste sofrem muito até hoje. Antes eram nômades;
dessa história, pois os Guarani se apegam hoje, pelo fato de não haver mais território
46
para andar, são seminômades. Mesmo assim sobrevivência mesmo. Esses dias viajei para
se mudam constantemente, levantam uma o sul do Paraguai. Cheguei em uma
casa aqui e, três a quatro meses depois, a comunidade e o cacique estava muito doente
casa está ali ou lá na frente. Eles sentem e lembro de seu depoimento: "Como eu
necessidade de sair do mesmo ponto inicial. queria ir para o mato", então eu disse: "Mas
Como não há mais para onde irem, vão você está tão doente, por que quer ir para o
dando volta. Essa necessidade faz parte da mato?" e ele me respondeu: "Porque no mato
espiritualidade deles. tem a cura". E sabe a quantos quilômetros se
... encontrava a mata mais próxima? 35
Tudo isso aqui se chamava Nação Guarani. O quilômetros. Entrar na mata cura dor de
mais curioso – e não sei se os índios Guarani cabeça, cansaço, medo, enfim, a mata tem a
tinham conhecimento ou é coincidência – é cura deles, mas hoje não tem mais. Se
que o Aquífero Guarani está localizado oferecer 35 hectares de terra batida ou 100

...
exatamente embaixo do território guarani. metros quadrados de mato a um índio, sabe
qual deles ele vai escolher? O mato; tudo de
Os europeus ficaram sabendo que essa que eles precisam está no mato. Mas não
região era muito rica em prata e ouro, então está sobrando mais nada, se você sobrevoar
enviaram "espiões" para fazerem o Guaíra até Posadas ou Encarnación, não há
levantamento completo da região. Fizeram
uma pesquisa completa sobre a cultura
mais mata.
...
guarani. Souberam no que eles acreditavam, Hoje, em Foz do Iguaçu, há em torno de 38
seus deuses etc.; e em cima desse laudo favelas, numa cidade de aproximadamente
criaram a chamada Companhia de Jesus. Os 320 mil habitantes. Quase todas as favelas
jesuítas vieram para evangelizar, chegaram foram geradas com a construção de Itaipu,
com toque de flauta e ravé, foi um choque esse é o lado negativo do progresso. Muitas
cultural do dia pra noite. Mas como seria pessoas vieram pensando que aqui era o
difícil dominar os índios em plena selva, Eldorado, que iriam conseguir trabalho e
construíram as chamadas “reduções”, para ganhar muito dinheiro. Grande parte foi
onde levavam índios de toda parte e que,
literalmente, reduziam cinco a seis tribos em
parar nas favelas.
...
um só lugar.
... Aqui é uma babilônia, está tudo misturado,
aqui ninguém fala bem o espanhol, nem o
Antigamente, a maior alegria de um índio português ou o guarani, falam tudo
era uma boa caça, sair para o mato e trazer a misturado. É o charme da fronteira.
anta ou o porco‐do‐mato, suas carnes
prediletas. Hoje, se alguém perguntar para o
cacique qual sua maior alegria, ele vai
responder "estar vivo", trata‐se de

47
Peteîˆ oikuaa porâva
,
ˆ teta jaikuava ko anga. Uperamo oñeñe’ê
rembe y guaraní, pe viru ha’egueteri kuri guaraní.
Mombe’upyre Francisco Amarilla pe jotopa po Upe tenda oñangareko vaekue paraguayo
ára pe jasyteî 2010 Foz do Iguaçu pe. kuera, ojehupi pe ñane reta poyvi Paraguay.
...
Jajevy 1995 pe, Che ru oreko kuri peteî yvy
Paraguay pe aguîete Villarricagui, oñepyru Upe kaaguy tuvichava Che ru ogueropensa
ñehendú pe yvyro rasa apo Brasil ha oñangarekovo, oikuaa, oñongatu umi yvyra
Paraguay ndi. Upepe heñóita peteî tava, kuera, jeheja tokakuaa, upevare ko che
peteî ñemuha tuvichava haeva ko ânga hegui oiko tekoha ñangarekoha. Akakuaa
Ciudad del Este; uperamo guarê heravakue aikuapype umi tenda, tavaeta avakuera,
Puerto Flor de Lis, tera oñemyenkoviava pe ysyry. Che ru ndaha’ei sambyhyha, katu
poatâ ronguare Puerto Stroessner. Upepe ha’e oikuaa porâva. Ha’e rupi, aprende
ou pe ñemongueta jeiko hâgua Alto antende pe kaaguy ñane mbo’eva.
Paranáme. Che ru opensa: “Ñavende umi Ko’a ára rupi aha ambohupa umi Achepe;
poteî pa hectárea pe yvy ha jaha amo pe cacique omonde camiseta Rolling
yrembe’yvo”. Ohepyme’ê poteîpa hectárea Stones, peteî relo suizo, pyao Adida ha
popa posu guaraní, ko ãnga guarã ni zapatilla Havaiana, peteî yopara, po cultura
Paraguaîpe nde repagai pasaje pevare. peteî tapicha ava rehe.
Oguahêvove ape oñandu pa hectárea yvy ...
ovaleva pokôi pasu guaraní. Pe pira pire
pateî pa nome’êi jepaga hâgua pa. Opaga Ojehero ava peteî tapichape heñói haguere
kuri yrundy su guaraní papapyre ha kaaguype; che ahechavaí ojepuru vai pe’a
hepyme’ê hembyre pa ary, opyta hâgua pe ñe’ê, añetehape ha’e kuera ha’e ypygua.
papo su ivolsillope, upea pe 1957. Che ru ou Ko ânga ñande ikatu ñahenói tavaygua ha
ojapo hâgua pe yvyro rasa. Che aju ape po anive indio raity (tava ypygua) oî ohenóiva
ary, uperamo naipori gueteri tava, yvy ijara “indioeta” ivaietemi peicha ja’e
ynva, ore ha’e umi oguahe ypy vaekue ko ichupekuéra, hyapu ichupekuera mbya,
arupi. Ndojekuaaiva moopa opa Paraguay tapicha ikatuyva ñane aty hendie.Umi
ha oñepyrû Argentina terâ Brasil. guarani nguera ndaha’ei omombe’uva
... tekovekue, no mbohovaiva ñeporandúpe,
ha oî heta ñeporandú nderejapóivaerâ voi
Pe 1903, oñemopu’â pe mbohapy rembe’y, ichupekuera, nomohovai mo’ai: “Mba’eicha
sargento José Maria de Brito ojapo kuri jejapo membyrâ terâ ñeñoty?”. Nde
peteîha ñembopy’a peteî tetâpavêgua ha rehechavaerâ terâ rehasavaerâ
omoî pe mapape mamo guivepa pe reikuaaséramo.
rembe’y. Pe tenda Ysyry Paraná omboja’ota ...
Brasil Paraguay gui, ha pe Ysyry Iguaçu
omboja’ota pe Tava Paraná Argentina gui. Pe Itaipú jejapo ronguare che mandu’a,
Pe’âvagui heñói pe mbohapy rembe’y ouramo umi maquinaita ha pe turbina
48
nguera, jahecha umi tapicha ojeipe’a heko py’inte, omopu’â ko’ápe peteî óga ha,
hagui upe y oñemyenyhevo. Âva oikovaekue mbohapy terâ irundy jasyho rire, pe óga oî
ogueru ñekarapu’â ha Itaipú Pepe terâ amo tenonde. Hikuái oñandu
oñemombarete tuicha upérupi. Avei umi tekotevê osê pe oî ypy haguegui. Nda
tava ava oîhame, upepe omo ambueva. Pe iporiveimaramo mamopa ohovo, ojere pe
tava ava kuera ningo ojeipe’a ichugui kuera oikohare. Pe tekotevê ha’e heko ánga
tuvicha yvy, pe y omyanyhe oparupi, umiva porâva hikuái.
la itriste etereiva ojehasavaykue, umi ...
Guaraní nguera ohayhuimi hekoha, peteî
tava 5200 ary ma oî hague, hasy asy Entero âva mba’e ko ápe ojeherova Tava
ichupekuera oheja pe tyvyty. Pe ysyrysê, Guaraní. Igustomí ningo – ndaikuáai umi
tava Acaray ha’e pe tribu oîva avei Foz do ava Guaraní nguera pa oikuaa o terâ
Iguaçu pe. Oikovéva pe Ysyry Paraná okoincidi – ha pe yrape Guaraní oî ko
rembe’yre, ohasava kanoame ombohupavo tenda guaraní guype.
ipehengue kuerape. Upe y oñepyrû ojupi, ...
he’i hikuái: “Pe’ê peseta mante, pe y
oguaheta apeve”. Ha’ete peteî ñemosê. Umi europeo opyta oikuapente oîha árupi
Upevare ogueraha umi tapichape peteî tava heta kuarepotî ha itaju, upéi ombo’u
Diamante d’Oeste heropy Tekoha Añetete, “pyrague” omombe’u hâgua mba’epa oî
he’iseva “tekoha añetete”. Oî pehengue upepe. Ojapo hikuái peteî japyteka pe
ha’eva pe tava pegua avéi ha ndojohechaiva guaraní reko oikuaamive hâgua hikuái.
upe ára peve. Pe y omboja’o pe tava, Oikuaa mba’epa oguerovia hikuái,
ogueru peteî problema, ojevy guaraní- iñandejara, etc. Ha péa ári ojapo hikuái pe
paraguayo ha umi guaraní-brasilero; umiba compañía de Jesús. Umi jesuita ou
ndaipóri. Ava ha’e ava, opyruhame ha’e pe oevangelizavo, oguahê ombopu mimby ha
yvy imba’e. Ko angarupi haime entero oñe’ê rabel, peteî ñombotá porâ pyhare ko’eme.
karai ñe’ême terâ portugués, ndaikatui Hasyetemita osamyhy umi avape kaaguype,
ñehenói indígena pe paraguayo o brasilero, ojapo hikuái pe “avakuéra ñembyaty”,
he’í ha’ekuera: “Che ha’e Guaraní. Ore ha’e upepe ogueraha ava oparupiguá, otavy’o po
Guaraní, umi paraguayo ha brasilero ou tera poteî tribu peteî tendape.
uperire”. Umi Guaraní imba’e porá rupi, ...
ohasa asy umi jesuíta, bandeirante ha
colonizador poguype. Hikuái oikuaa porá Miami, vy’a tuvichavéva peteî avape ha’e
umírupi, América Latina tuvicha kuejave. ojucaramo vicho, osêvo pe kaaguype ha
Oikuaa mamópa oî itaju, kuarepotinguera, ogueru peteî guasu ha kuré kaaguy, âva
ndoikuaainte mba’epa âva ra’e. Ohasa asy ro’o ho’usemi. Ko anga, maymava
vaekue ha gueteri ko anga peve. Ymami oporandurámo caciquepe mba’epa pe
ndopyta arei mamove; ko anga guarâ nda ombovy’avéva chupe?, ha’e heita “aikove
iporivéima yvy oiko hâgua, opyta ha ndo gueteri”, añete hape jeikove. Umi árape aha
pytáipe oiko hikuái. Upeicha Omo ambu’e pe yvýgotyo Paraguaype. Aguahê peteî
49
tavape ha pe cacique asyete ha che la frontera por un
mandu’a pe ñe’êre: “Ahasetepa pe conocedor
kaaguype”, che ha’e chupe: “mba’eichaiko Extraído del relato de Francisco Amarilla en el
rehota nderasy ningo, maerâiko rehosê pe encuentro del día 5 de enero de 2010 em Foz
kaaguype? ha’e he’i cheve: “Pe kaaguype oî do Iguaçu.
pe pohâ”. Ha eikua pico mboy kilometro oî
pe kaaguy hi’âguivéva? mbohapy pa po Volvamos a 1995, mi padre tenía un terreno en
kilometro. Reike ramo kaaguype ohasa akâ Paraguay cerca de Villarrica, cuando surgió un
rasy, kane’ô, kyhyje, entero mba’e pe comentario sobre la construcción de un puente
kaaguy oreko pohâ, ko ánga ndorekoveima. entre el Brasil y el Paraguay. Allá nacería una
Ojekuâve’ê mbohapy pa po hectárea yvy ciudad, un gran centro comercial que hoy es
jeporupyre tera su metro cuadro kaaguy Ciudad del Este; en la época se llamaba
ava pe guara, Reikua pico mavapa Puerto Flor de Lis, nombre alterado en la
oiporavota pe ava? Pe kaaguy; entero umi dictadura para Puerto Stroessner. Viene
hemirekotevê oî kaaguype. Na entonces la idea de vivir en Alto Paraná. Mi
hembyveiteko mba’eve, nde revevéramo padre pensó: “Venderemos esas 60 hectáreas
pepo atâme Guaíra ári Posada terâ de tierra y vamos allá para la frontera”. Vendió
Encarnación ári, ndaipóriveima kaaguy. 60 hectáreas por 55 mil guaraníes, que hoy
... con eso no paga un pasaje hasta Asunción.
Cuando llegó aquí percibió que 10 hectáreas
Ko anga, Foz do Iguaçu, oî mbohapy pa de tierra costaban 70 mil guaraníes. El dinero
poapy tavai mboriahu, peteî tava oîhame de 60 no dio para pagar 10. Pagó 40 mil
320 su yvypóra. Haime entero umi guaraníes al contado y financió el resto en 10
mboriahu ou pe Itaipu jejapo rupi, âva años, para quedar con 15 mil en el bolsillo, eso
mba’e vaí ogueru pe ñekarapu’â. Heta en 1957. Mi papá vino para construir el puente.
tapicha oimo’â ape ra’e El Dorado, Yo llegué aquí con 5 años, prácticamente no
okonseguitaha komchavo ha oganata heta había ciudad todavía, era tierra de nadie,
pira piré. Heta ohova opyta umi tavai fuimos una de las primeras familias en llegar
mboriahupe. Ape ha’e pe apañuái, en ese lugar. No se sabía dónde terminaba
imbatarapaite ko ápe, ápe avave no ñe’ê Paraguay y comenzaba Argentina o Brasil.
porâi karai ñe’ê, ni portugue ha guaraní, ...
oñe’ê joparapaite. Péa ha’e porombohorýva
pe tetârembe’yre. En 1903, cuando levantaron el marco de las
tres fronteras, el sargento José María de Brito
hizo el primer acuerdo internacional y

... determinó un mapa desde dónde sería la


frontera. La región del Río Paraná dividiría
Brasil de Paraguay, y el Río Iguaçu dividiría el
Estado de Paraná de Argentina. De ese hecho
nació la triple frontera que conocemos hoy.
50
Hasta entonces se hablaba el guaraní, la El que más me marcó en la época de la
moneda todavía era el guaraní. Era un lugar construcción de Itaipú, a más de la venida de
comandado por los paraguayos, donde se las máquinas y turbinas, fue cómo las
izaba la bandera paraguaya. personas fueron siendo retiradas de sus
... lugares con el crecimiento del lago. Ese
acontecimiento trajo el progreso e Itaipú ejerce
Esa selva inmensa mi padre siempre ha una influencia muy grande en toda esa región.
pensado en preservar, conocer, guardar sus Inclusive en las comunidades indígenas, donde
árboles, dejar que ellos crezcan, por eso que interfiere. El pueblo indígena perdió buena
volví ambientalista. Crecí conociendo los parte de sus tierras, el agua invadió sus áreas;
lugares, las comunidades indígenas, sus ríos. esa puede ser considerada la parte más triste
Mi padre no era guía, era un conocedor. A de esa historia, pues los Guaraníes se apegan
través de él, aprendí a interpretar lo que la mucho a su terruño, todavía un pueblo de 5200
selva nos enseña. años, sintieron mucho de tener que abandonar
... sus cementerios. Hasta la inundación, la
comunidad Acaray era de la misma tribu que
En estos días me he ido a visitar a los Aché; el había en Foz do Iguaçu. Vivían en las
cacique vestía una camiseta de los Rolling márgenes del Río Paraná, cruzaban en canoas
Stones, un reloj suizo, medias Adidas y para visitar sus parientes. Cuando el agua
zapatillas Havaianas, un show, cinco culturas comenzó a subir, dijeron a ellos: “Ustedes van
en un solo hombre, un indígena. a tener que salir, pues el agua va a llegar hasta
... aquí”. Fue como un desalojo. Entonces
llevaron a esas personas para una comunidad
Se llama indio a una persona porque nació en en Diamante d’Oeste llamada Tekoha Añetete,
el campo; a mi modo de ver es una palabra que, entre comillas, en negritos y rojo, significa
equivocada, pues en la realidad son nativos. “vivienda de verdad”. Hay parientes que son de
Hoy nosotros podemos llamar de comunidad, la misma comunidad y que jamás se visitaron.
en ves de aldea indígena (comunidad indígena) El lago dividió el pueblo, generó un problema,
Inclusive lo llama de “indiarada” es una forma se volvieron guaraníes-paraguayos y los
muy baja para ellos, suena como chusmas, guaraníes-brasileros; eso no existe. Indio es
personas con quienes no se deben juntarse. indio, donde él pisa la tierra es de él. A pesar
Los Guaraníes no son gente de contar de hoy en día casi todos hablaren el español o
historias, son de responder preguntas, y hay el portugués, no adelanta llamar a un indígena
una serie de preguntas que no se debe hacer a de paraguayo o brasilero, porque ellos
ellos, simplemente porque no responderán, por responden: “Yo soy Guaraní. Nosotros somos
ejemplo: “¿Cómo se hace un parto o un Guaraní, los paraguayos y los brasileros
entierro?”. Tú tienes que ver o vivenciar si vinieron después”. Los Guaraníes, por ser
quieres saber. receptivos, sufrieron muchos en las manos de
... los jesuitas, bandeirantes y colonizadores.
Eran conocedores de la región, de toda
51
América Latina. Sabían dónde estaban el oro, anta o un jabalí, sus carnes predilectas. Hoy, si
los metales, sólo no sabían exactamente qué alguien pregunta para el cacique cuál es su
eran. Sufrieron y sufren mucho hasta hoy. mayor alegría, él va a responder “estar vivo”,
Antes eran nómadas; hoy por el hecho de no se trata de sobre vivencia misma. Esos días
tener más territorio para andar, son viajé para el sur de Paraguay. Llegué a una
seminómadas. Mismo así se cambian comunidad y el cacique estaba muy enfermo y
constantemente, levantan una casa aquí y, tres me recuerdo de su afirmación: “Cómo yo
a cuatro meses después, la casa está allí o allá quería ir para la selva”, entonces yo digo: “Pero
adelante. Ellos sienten necesidad de salir del tú estás tan enfermo, ¿para qué quieres ir a la
mismo punto inicial. Como no hay más para selva?” y él me respondió: “Porque en la selva
donde ir, van dando vuelta. Esa necesidad está el remedio”. Y sabe ¿a cuántos kilómetros
hace parte de la espiritualidad de ellos. se encontraba la selva más próxima? 35
... kilómetros. Entrar en la selva cura dolor de
cabeza, cansancio, miedo, en fin, la selva tiene
Todo eso aquí se llamaba Nación Guaraní. El remedio para ellos, pero hoy no tiene más. Se
más curioso – y no sé si los indios Guaraníes ofrece 35 hectáreas de tierra gastada o 100
tenían conocimiento o era coincidencia – es metros cuadrados de bosque a un indio, ¿sabe
que el acuífero Guaraní está localizado cuál de ellos él va a elegir? La selva; todo lo
exactamente debajo del territorio guaraní. que ellos necesitan está en la selva. Pero no
... está sobrando más nada, si tú sobrevuelas
Guaíra hasta Posadas o Encarnación, no hay
Los europeos se quedaron sabiendo que esa más selva.
región era muy rica en plata y oro, entonces ...
enviaron “espías” para hacer el levantamiento
completo de la región. Hicieron una Hoy, en Foz do Iguaçu, hay en torno de 38
investigación completa sobre la cultura guaraní. comunidades marginales, en una ciudad de
Supieron en lo que ellos creían, sus dioses, aproximadamente 320 mil habitantes. Casi
etc.; y encima de ese argumento crearon la todos los marginales fueron generadas con la
llamada Compañía de Jesús. Los jesuitas construcción de Itaipú, ese es el lado negativo
vienen para evangelizar, llegaron tocando del progreso. Muchas personas vienen
flauta y rabel, fue un choque cultural del día pensando que aquí era El Dorado, que irían a
para la noche. Más como sería difícil dominar a conseguir trabajo y ganar mucho dinero. Gran
los indios en plena selva, construyeron las parte fue a parar en los marginales. Aquí es
llamadas “reducciones”, para donde llevaban una babilonia, está todo mezclado, aquí nadie
indios de toda parte y que, literalmente, habla bien el español, ni el portugués o el
reducían cinco a seis tribus en un solo lugar. guaraní, hablan todo mezclado. Es el atractivo
... de la frontera.

Antiguamente, la mayor alegría de un indio era


una buena caza, salir para la selva y traer un
...
52
Quando criança, trazia em meu Depois cresci e vim morar em Foz. A
imaginário uma visão fantasiosa de imagem não mudou: uma cidadezinha
Foz do Iguaçu. De um lado, uma de Legos coloridos, porém com algumas
usina gigante, enorme mesmo! Do peças um pouco velhas e descuidadas.
CIDADE DE LEGO
outro lado, duas cachoeiras imensas Entre as peças correm pessoas criativas
– as Cataratas do Iguaçu e, no meio, e sonhadoras, que ora lutam contra o
uma cidadezinha de Lego, com uma calor de mais de quarenta graus, ora
estrada que a cortava no meio – BR- contra o frio de zero grau e muita
277, saída para o Paraguai. A umidade, mas seguem sempre
questão da tríplice fronteira me produzindo. Talvez o verão as deixe tão
intrigava. Eu não sabia direito o que inquietas e o inverno tão incomodadas
isso significava. que isso ativa um botãozinho para
saírem buscando ideias sobre como
melhorar o que as incomoda.

Um de meus primeiros trabalhos como

Moacir Ferreira
profissional das Artes Cênicas foi a A experiência foi ótima.
interpretação no espetáculo A Matita, uma Levamos arte para
aventura orgânica, produzido pela Linha comunidades e crianças que
Ecológica de Itaipu. O espetáculo tem jamais haviam visto um
54 concepção cênica da Fátima Ortiz e foi
escrito pela Fabra Morata. O espetáculo foi
espetáculo de teatro. Os
seres mágicos ali presentes
apresentado por três grupos para as narravam princípios de
escolas de 16 municípios. Eu fazia a Educação Ambiental e a
primeira das várias turnês pelas pequenas arte cumpria sua função: a
cidades, que juntas colaboram para a reflexão. Plim!
geração de 20% da energia demandada
pelo País, gerada pela usina de Itaipu.

O Parque Tecnológico de Itaipu


A Carta da Terra norteou as oficinas de certamente é um coletivo de importantes
Educação Ambiental realizadas em 2009. “Legos”, um espaço inovador onde
Discutindo a atualidade global, nos fez pequenas empresas se tornam
olhar para o nosso planeta e vê-lo como reconhecidas – como é o caso da
um Lar. Esse era um dos desafios que Educare. Os projetos são gestados por
cumpríamos. A imagem dos Legos agora pessoas comprometidas, que sonham
se ampliava. Somos todos parte desse com um mundo mais justo em todas as
jogo de peças coloridas, em que cada um esferas. Um delicioso delírio coletivo que,
tem uma importante função. A forte aos poucos, se transforma em realidade.
presença de estrangeiros, indígenas e “Quizás” um dia possa também participar
pessoas de todas as cores, raças e credos das necessárias transformações na
é notória. Esta região recebe e abraça produção cultural desta região, que cada
tantos estrangeiros, diariamente. E todos dia são mais prementes.
vivem em harmonia. A região é uma
babel.
Che mitâme, ou che akame pe kera yvoty Foz do Iguacu regua. Tuvicha,
iporo’ova! Avei mokôi ytororô guazu – mbytepe, oî táva-í ha tape omboja’ova
mbytérupi ohasa BR 277 ko táva-í osê Paraguay’o. Ku mbohapy tetâ rembeyre
che mo angatava. Ndai kuaiva añete hape mba’epa he’ise.
Che tuvicharire ajumi aiko Foz pe. Ahechavakue che kepe na iñambueve’i: peteî
taba-i mbatara, ha heta pehengue ituja umi jere reko vaigui. Umiva apytepe oî
teko katupyry ha ykerayvotyva, ojepytasôva kuarahy aku 40 mbovy ha oñemo’î
ro’y papa’ý mbovy ha he’ôeta ha moñemoña katuinte. Ikatu ara aku ndo
mombytái ha ro’y ndo hejái py’a tyaipe ichupekuéra, ha oguenohê ichupe kuéra
ohekavo ambue akâ reñoi omoporâve hâgua heko.
Che rembiapo ypykue ku mba’e porâ hechapyrâ
jehechaukavakue A Matita ha’eva tekorembiasare apopyre
Línea Ecológica de Itaipú. Ko hechaukapy oreko Fátima Ortiz
omoguahêva ñandeve ha ohai Fabra Morata. Ko hechaukapyre
omoguahe mbohapy aty mbo’ehaope ha popateî kuairóga. Che
ajapo upe peteî heta apytegui pe ñepyru umi táva-i,
oñondivepa oñopytyvô ohupity hâgua 20% pe y mbarete
oikotevevâ pe tetâ, ome’eva usina Itaipú.
Pe japopyre iporâva. Rogueraha mba’e porâ umi aty
no’oharupi ha umi mitâ ndohecháiva tembiapo teatrope
jehechaukapy. Upepe omombe’u ñepyru mbo’epy
tekoharegua ha pe mba’e porâ ogueru: jesarekorâ. ¡Plim!
Kuatia ñe’ê yvy regua ombopyenda mbo’epy tekoha
japopyre pe 2009. Ñemongetarâ ko’ânga enteroitepe
ñanemomaña ñane kuarahy ra’ýre ha ña ñandú ñane
róga ramo. Upeva ha’e peteî ñorairô reñói romboaje. Pe
ta’anga Legos ko’anga tuichave ohovo. Ko anga roimema
pe Lego ryepype ku ñemusaráipe guáicha akytâ
mbatara, oîhame peteî oreko hembiapo. Imbarete
pytagua ñe’ê, ava, ha teko opaichagua jahecha ha
'
TAVA LEGO jatopa. Ko’árupi oguahê ha oñañuva heta tetâ
ambueguape ko’ere. Ha opávave oiko peteî ñe’eme.
Perúpi ha’e peteî iñapajuâi.
Pe Parke Tecnológico Itaipu añete ha’e heta pehengue “Legos” oîha pa’u
ñemuha pyahu michiva ojeikua’ava ohovo – Educare umivaichagua. Umi
tembiaporâ omombarete teko oñerremangaba ndive, oipotava ko arapy ikatu
hape oî tekojoja opárupi. Ko’â jepota’eta michi, michime ñamoañetegua
“ikatu” peteî ára ikatu avei ñamo ambu’e jajapo iporâva ko árupi tekotevêteva
ko’ê ko’êre.
55
Cuando niño, traía en mi imaginación una visión fantasiosa de Foz de Iguaçu. Por un
lado, una usina gigante, ¡grandísima misma! Por otro lado, dos cascadas inmensas –
las cascadas del Iguacu y, en el medio, un pueblito de Lego con una ruta que cruza la
pequeña ciudad – BR 277, salida para Paraguay. La cuestión de la triple frontera me
intrigaba. Yo no sabía lo cierto, no tenía idea de lo que eso significaba.
Así que crecí y con más edad, vine a vivir en Foz. La imagen no ha cambiado: un
pueblitos de Legos coloridos, pero con algunas piezas envejecidas y mal cuidadas.
Entre las piezas corren personas creativas y soñadoras, que ora luchan contra el calor
de más de cuarenta grados, ora contra el frío de cero grado y mucha humedad, pero
siguen siempre produciendo. Tal vez el verano las dejen tan inquietas y el invierno tan
incómodas y los incómodos de la vida las hacen salir, buscando ideas sobre cómo
mejorar las incomodidades.
Uno de mis primeros trabajos como profesional de las artes escénicas
fue la interpretación en el espectáculo A Matita, una aventura orgánica,
producido por la Línea Ecológica de Itaipú. El espectáculo tiene una
concepción escénica de Fátima Ortiz y fue escrito por Fabra Morata. El
espectáculo fue presentado por tres grupos para las escuelas de
dieciséis municipios. Yo hacía el primer de los varios itinerarios por las
pequeñas ciudades, que juntas cooperan para la generación de 20% de
la energía demandada por el país, generada por la usina de Itaipú.
La experiencia ha sido excelente. Hemos llevado arte para las
comunidades y para los niños que jamás habían visto un espectáculo
de teatro. Los seres mágicos allí presentes narraban principios de
Educación Ambiental y el arte cumplía su función: La reflexión. ¡Plim!
La Carta de la Tierra ha fundamentado las oficinas de
Educación Ambiental realizadas en 2009. Los debates sobre la
CIUDAD DE LEGO

actualidad global, nos hizo mirar para nuestro planeta y sentirlo


como nuestro hogar. Eso era uno de los retos que cumplíamos.
La imagen de los Legos ahora creció. Somos todo parte de ese
juego de piezas coloridas, en que cada uno tiene una
importante función. La fuerte presencia de extranjeros,
indígenas y personas de todos los colores, etnias y credos es
notoria. Esta región recibe y abraza tantos extranjeros,
diariamente y todos viven en armonía. La región es una babel.
El Parque Tecnológico de Itaipú ciertamente es un colectivo de importantes “Legos”, un
espacio innovador donde pequeñas empresas se tornan reconocidas – como es el caso
de Educare. Los proyectos son gestionados por personas comprometidas, que sueñan
con un mundo más justo en todas las esferas. Un deseo colectivo que poco a poco, se
transforma en realidad. “Quizás” un día pueda también participar de las necesarias
transformaciones en la producción cultural de esta región, que urge a cada día.
56
A pantalha: noir do tempo
Jepejuha: noir aja
La pantalla: noir del tiempo
Diário de Viagem

59
Sobre o lago artificial de Itaipu percebemos padronizada das residências, com estrutura
a dimensão noturna do monumento. Após do telhado abaulada como galpões. Em sua
sobrevoarmos quase toda extensão do origem, uma mesma construção dividia‐se
Paraná sob lua cheia chegamos em Foz do em cruz, o que permitia abrigar até quatro
Iguaçu no início da madrugada. Já na casa famílias. Pouco a pouco estas construções
de Juca conversamos por horas a respeito se singularizam pelas ocupações e suas
de nossas intenções de deriva e histórias. Entramos em um bar, lá estavam
rememoramos o encontro de um ano atrás. Tekão, Juca, Gealmir, Aguirras e sua esposa,
Juca vive com Teresa, dois filhos e seus pais. todos moradores da vila desde a década de
Seu Zé, pai de Juca, descreve um recente 70. Passamos cerca de quatro horas
episódio de perseguição policial, seu desejo ouvindo suas histórias. A infância, o banho
é não estar ali, pois a cidade é perigosa e em água dourada, "Foz do Iguaçu não era
bandido não perdoa. A procura de um hotel nada", a construção de Itaipu, o caminhão
conhecemos Luis, um chileno que vive a pipa, o caminhão ‘pega‐corno’, a valeta de 5
doze anos no Brasil. Tem vontade de metros de profundidade que isolava a vila, a
trabalhar com conscientização ambiental e façanha da colheita de alface e o caminho
contra o tráfico de animais silvestres, quer para casa, as canções, mágicas e pinturas, a
instruir as pessoas que possuem animais na receita de sabão que a vila inteira faz e que
zona urbana, citou como exemplo os cavalos causa coceira, a colher gigante entalhada
sem ferradura que andam sobre o asfalto em Caqui Chocolate e a intoxicação nas
quente. De volta à casa de Juca iniciava‐se o plantações do Paraguai. Na volta passamos
filme "Em busca da Felicidade" pelas torres de alta tensão que partem da
acompanhado por rodadas de tomate, usina de Acaray localizada no Paraguai. Vila
queijo e salame argentinos. Entre outros C apesar de ter surgido devido a Itaipu é
papos a novidade: Teresa vai à China. No alimentada por energia paraguaia, dizem
fim do dia, já no hotel, a porta do guarda‐ seus moradores ser a energia mais cara do
roupas revelou uma antiga notação: Brasil. Integração para o desenvolvimento.
"Estivemos passando a pasqua de 98 em

Foz e hospedamos neste hotel. Passamos


vários dias se amando e se divertindo. A Encontramos Medina no restaurante por
Helena é a mulher que mais amo nesta acaso. Quando o conhecemos, a um ano
vida. Foz 12‐04‐98. Norberto" atrás, era um recém chegado em Foz do
Iguaçu, agora passou a morar em São

Paulo. Estava acompanhado de Kyara e


Fomos até a Vila C, criada na época da Sami. Kyara nos contou brevemente sobre
construção da usina de Itaipu para abrigar seu nome – Maykyara, sua origem vem de
os trabalhadores é um dos bairros mais muito antes desse lugar ser Brasil, Paraguai
distantes do centro de Foz do Iguaçu e o ou Argentina. Sami, mostrou seu celular
mais próximo da hidrelétrica. Ao adentrar o paraguaio multi‐funções com preço
bairro observamos a arquitetura inigualável aos cobrados no Brasil. Mais
60
tarde, foi a vez de conhecermos Moa, que da Bolívia, enquanto nós partiríamos para
relatou suas atividades com o teatro em Foz São Miguel do Iguaçu encontrar com seus
do Iguaçu e municípios Lindeiros. Já no final parentes. No ponto recebemos a notícia de
do dia conhecemos também Fernanda, nos que o ônibus havia quebrado em São
indicou pessoas que desenvolvem trabalhos Miguel. Mais de uma hora de atraso.
pela região com as quais poderíamos trocar Passadas dez da noite, chegamos em São
idéias. Um deles foi Amarilla, com quem Miguel, conhecemos Mônica, Carlos, Tião,
entramos em contato. Conhecedor da Fátima e Monique. A conversa avançou
região, nossa conversa foi longe. Em suas noite adentro acompanhada da janta.
histórias pitadas de antropologia,


indigenismo e fino humor. Seus familiares
foram pioneiros em Ciudad del Este. Fizera a Acordamos cedo em São Miguel, Fátima nos
pouco tempo atrás uma deriva pelo extremo levou até Sadi, pescador da região, antes
sul do Paraguai, um recôndito lugar onde disso foi agricultor e comerciante. Quando
conheceu uma senhora que não conhece chegamos estava rodeado por três cães e
abridor de latas. colhia tomates‐cereja, nos recebeu sorrindo.
Comentou suas façanhas com os peixes:

Armado, Pacu, Bagre, Traíra, Corvina, Peixe‐


No caminho à casa do Juca conhecemos Cachorro, Cará, Piabuçu, Surubi, Pintado,
Zulmira, que nos contou sobre seu antigo Tucunaré, Lambari, Tilápia, Palometa, Perna‐
trabalho junto com a irmã, vendedoras de de‐Moça, entre outros. Algumas espécies
roupas pelos mercados da região lindeira. tem reaparecido no lago. Em meio ao riso
Tempos atrás uma vida repleta de jurou sobre a veracidade de suas histórias,
deslocamentos, agora uma mercearia para apesar de pescador.
tocar. Apesar da violência gosta de onde Durante a tarde fomos com Tião, Fátima e
vive. Na mercearia um cartaz feito a mão Monique à aldeia avá‐guarani Tekoha Ocoy,
marca a hora do expediente, informe localizada no distrito de Santa Rosa do
destinado aos aposentados que têm por Ocoy. A estrada de acesso é curiosa, de um
hábito jogar baralho em uma mesa posta lado a reserva indígena, do outro campos de
na calçada. Certos dias a jogatina se soja, paisagem comum na região. Os
prolonga até a madrugada e "tudo tem colonos descendentes de alemães também
limite". preservam seus costumes, em Santa Rosa
Na casa de Juca, Dona Maria comenta sobre do Ocoy um dialeto alemão é a língua
a temperatura na marca dos 47 graus e corrente.
sobre suas dores. Seu Zé dá dicas de como No posto de saúde da aldeia fomos
acabar com as pragas da horta, detalha recebidos pelo cacique Daniel, segundo ele
cada planta do quintal, revelou ser um a cultura e a língua de um povo são suas
conhecedor de chás medicinais, gosta maiores riquezas e por isso devem ser
mesmo é de viver para a roça. Moa estava honradas. No entanto, hoje dão prioridade
por lá, a noite iria para um salgado deserto para o ensino da língua portuguesa. Para
62
ser cacique não há candidatura, a decisão é ao centro de Itaipulândia, no caminho nos
coletiva, se a pessoa cumprir seu papel deparamos com uma casa ornamentada
permanece por tempo indeterminado. Com com garrafas pet. Nela, um letreiro
o surgimento do lago, visitar parentes e menciona que por lá está proibida a caça,
amigos do outro lado da margem ficou quem assina é o empresário Geladinho.
difícil, os encontros agora são esporádicos. A Batemos palmas até que um homem
história dos avá‐guarani é sofrida e quando grande nos atendeu. Maximiliano nos falou
os visitamos a aldeia passava por um surto de amor, da beleza feminina, de música, da
de malária. Tião ainda nos levou a outros infância e do poder político. Entre suas
distritos da região, ora colônia de alemães, invenções estão: Brizola morto‐vivo, aviões
ora de italianos. da Tam, Teixerinha, a santa de sutiã e o
Pela manhã visitamos uma pista de skate pescador. Devido a dengue restam poucos
que Tião ajudou a construir. Soubemos que ornamentos, muitos foram retirados por
em São Miguel do Iguaçú não há mais ordem da prefeitura. Pegou seu violão de
nascimentos, pois a única maternidade da embalagem tipo bombona cinco litros e
cidade foi fechada. cantou algumas canções italianas.
Seguimos até Ipiranga, pela primeira vez Geladinho vive sozinho e a solidão fez com
estivemos numa praia da Costa Oeste, que fosse à rádio buscar uma nova
assim como o lago todo o ambiente é companheira, gorda ou magra, desde que
artificial. Voltamos pela estrada principal e parelha. Quem sabe um dia. Geladinho nos
conhecemos Clarindo e sua esposa Maria, levou até sua vizinha Zulmira, outra artista
ambos pescadores. Para ele a pesca não é da cidade. Seu desejo é deixar Itaipulândia,
um ramo de futuro, mas de sobrevivência. quer viver em Jaraguá do Sul. Mudança de
Nos explicou a diferença entre os termos: cidade e de ramo, do atelier de artes para
"Associação" e "Colônia" de pescadores. Em as terapias. Zulmira fala de amor, memória
uma colônia receber salário no período da celular, transposições dimensionais, vítimas,
piracema e aposentadoria são direitos agressores, pertencimento, exclusão e poder
garantidos, em uma associação isto não político.
acontece. Maria é analfabeta por escolha do Nos dirigimos ao mirante da cidade,
pai, até pouco tempo não reconhecia sequer construído em homenagem a Aparecidinha
as cédulas de dinheiro. Foi em uma D’oeste, vila submersa com o surgimento do
emergência que ela percebeu a necessidade lago. Monumentos como esse são comuns
de aprender a juntar as letras e as palavras. em toda região. Chico, o taxista, comentou
Hoje sabe assinar seu nome e é tesoureira sobre os tempos da desapropriação, em
da Colônia de Pescadores de São Miguel do plena época de ditadura seus pais
Iguaçu. Seu maior prazer é jogar a rede de protestaram na beira da estrada afim de
pesca. melhores indenizações.
Retornamos a cidade e a Casa da Memória

estava fechada devido ao horário.


Descemos a avenida principal com destino Aguardamos deitados na grama até que
64
Urbano chegasse com as chaves da antiga os alemães católicos poderiam entrar na
prefeitura. Na entrada o boneco equilibrista, Gleba dos Bispos, o que não deu muito
um brinquedo de madeira com sutil certo por já haver italianos e nortistas na
movimento. Nos fundos uma oficina com região. Ivo tem um restaurante onde
plantas medicinais e ornamentais bastante trabalha com mais dois filhos, Ademir e
incomuns. Urbano falou sobre restauro, Betão. Ademir lembra bem dos dias
acervo, em como aprender a fazer fazendo. anteriores ao alagamento, descreveu uma
Detalhou cada planta, inventa facas e vila deserta: "era como se ninguém
coleciona moedas. Tivemos uma tarde bem houvesse vivido por ali um dia.", presenciou
divertida. quando criança a água subindo e
No início da noite chegamos na casa de sepultando tudo. Betão é voluntário da
Rodison, autor de um livro sobre a cidade. rádio comunitária da cidade, se
Nos contou do alagamento, da estratégia de responsabiliza pelos boletins de esporte, nos
desarticulação coletiva através da política de levou até Gisela, pesquisadora da região.
distribuição de indenizações e do Ela escreveu um livro que trata da história
analfabetismo. de Missal, comentou sobre a presença
britânica na tarefa de extração da madeira

que ajudou na reconstrução da europa pós‐


Enquanto aguardávamos o ônibus para guerra. Falou também sobre a diminuição
Missal conversamos com Ella, matriarca da drástica da população nos anos de 1980 e
família Münch. Sua história começou na sobre a cultura germânica. Missal é um livro
fuga dos alemães da Rússia, deixando para de missas. Terminamos o dia em Santa
trás os pertences e até os bebês no berço. Helena. Lá andamos pela Linha Progresso
Quem conseguisse entrar no trem ou que fica próxima ao refúgio biológico,
enfrentar a neve numa travessia de trenó encontramos muitas árvores frutíferas,
por rios congelados escapava. Dos navios entre elas butiá e mexirica.
lotados que partiam da Europa muitas

pessoas ficaram pelo caminho, como


consequência a família de Ella possui Na prefeitura conhecemos Cladir, ela falou
parentes espalhados por várias partes do da mudança de clima devido ao surgimento
mundo, teve até gente que nasceu na do lago e da decepção de seu pai por ter
China. Ella nasceu no Brasil, cresceu abrindo perdido suas terras. Segundo ela, os
clareiras na mata intacta, por um tempo royalties beneficiam pouco a população. Em
viveu no Paraguai. Terminou dizendo "Vocês sua sala muitos mapas e alfinetes coloridos
não acreditam, bem interessante é a vida da para demarcar áreas de contaminação e
gente." casos de doenças animais.

Encontramos Natan na padaria, chegou


apressado, pois tinha muitas coisas a fazer
Em Missal encontramos Ivo, o Preto. devido a uma viagem marcada. Mesmo
Segundo ele, no início da cidade, somente assim conversamos por um bom tempo.
66
Segundo ele Santa Helena é carente de procedimentos sobre a travessia. Ao
registros históricos sobre as mudanças que retornar à cidade visitamos a biblioteca,
ocorreram nos últimos 30 anos. A memória, onde Mário nos mostrou muitos mapas, um
viva naqueles que ficaram na cidade depois deles repleto de retratos de presidentes
do lago, tende ao esquecimento devido a mortos e generais esquecidos.
falta de debate ou reflexão coletiva sobre


suas transformações, prevalece o relato
oficial dos fatos históricos. Hoje o lugar tem Partimos para Diamante D’oeste na
pouco mais de um terço da população que intenção de visitar a comunidade guarani
tinha no início dos anos 80, findou‐se Tekoha Añetete. Na busca por informação
qualquer tradição possível e os elos com o sobre uma parada de ônibus conhecemos
passado foram perdidos. Natan exemplifica: Cândida, uma senhora cheia de histórias
o nome da cidade é Santa Helena, mas seu tristes sobre terras, grilagens, mortes e
padroeiro é Santo Antônio, seu monumento solidão. Seu desejo era vender tudo e ir para
é um Cristo, suas calçadas são em petit‐ outro lugar, estava com problemas de saúde
pavê como na capital, importa modelos e necessitava de uma intervenção cirúrgica.
urbanísticos ingleses ou italianos e sua O conflito por causa de terras é marcante
comida típica é o costelão gaúcho. Uma das no Oeste do Paraná. Andamos pouco mais
diversões da cidade é o trenzinho, que apita de um quilômetro e chegamos a um posto
pra lá e pra cá. Natan comentou também na beira da estrada, lá conhecemos Djane e
sobre a desarticulação, as necessidades e Marcelo. Nos ajudaram com informações de
dependências, a simulação de grupos horários de ônibus e contatos de Diamante
organizados, o vale tudo pela perpetuação D’oeste. Marcelo pouco circula pela cidade, o
do poder, a rotação pelos partidos políticos, comércio o prende em seu local de trabalho.
a depressão, o ressentimento e a solidão, a Na parada de ônibus conhecemos José,
luta do negro e a Coluna Prestes. mineiro de 65 anos, atualmente agricultor,
Na casa de câmbio trocamos reais por mas disse que já havia feito de tudo,
guaranis e conhecemos Gustavo, que inclusive trabalhado como barrageiro em
desenhou em um pedaço de papel a Itaipu. Mora em Vila Bonita, veio para o sul
travessia de balsa de Santa Helena até "caçar miora". Sua recordação de Itaipu foi
Porto Índio e Sangafunda, portos do através de movimentos corporais, os
Paraguai. Seu pai vive por lá. necessários para que os barrageiros não se
Sandra nos recebeu no escritório de seu acidentassem no momento em que os
marido, ela trabalha no fomento ao turismo, caminhões despejavam concreto na
falou sobre pessoas, lugares e fatos construção. "Morreu muita gente naquele
históricos como a Coluna Prestes na Ponte lugar" afirmou José, sua feição transpareceu
Queimada. a recordação e complementou: "Ser
Tarde chuvosa, permanecemos debaixo de barrageiro é muito perigoso".
um toldo retratando situações molhadas. Em Diamante D’oeste enquanto
Andamos até o porto e nos informamos dos esperávamos uma carona até a aldeia
68
visitamos uma rádio comunitária. Lá rádio para conhecer Nésio, um ex‐bailarino
conhecemos Elisângela, uma jovem que organiza as atividades culturais da
locutora. Para ela seu momento mais triste cidade e trabalha como comunicador.
foi a despedida da rádio uma vez que Comentou sobre o episódio que ocorreu no
decidiu morar em outra cidade. De volta à Paraguai tempos atrás, quando um
prefeitura Leomar nos levou a aldeia Tekoha fazendeiro em seu avião despejou veneno
Añetete a doze quilômetros da cidade. nos campesinos que ocuparam algumas
Leomar trabalha na prefeitura e é estudante terras. No ponto de ônibus, batemos papo
de história, antes disso era caminhoneiro, com alguns motoristas, falou‐se da
profissão que possibilitou conhecer muitos importância de se ter educação e de
lugares. A paisagem montanhosa de episódios de gente que se deu mal por não
Diamante D’oeste difere muito dos fazer uso dela.
municípios e comunidades que visitamos


nos dias anteriores, Leomar conhecia cada
canto. Em Santa Helena minutos depois de
Ao chegarmos na aldeia, entramos na passarmos pelo procedimento padrão da
escola Kuaa mbo'e (Saber ensinar). Lá havia Polícia e Receita Federal estávamos em
uma grande roda com vários caciques e cima da balsa "Oro y Plata" a caminho de
alguns membros de instituições como Puerto Indio, a bordo mais alguns
Itaipu, Funasa e prefeitura. Como é de caminhoneiros em busca de milho e soja.
costume nas aldeias conversamos com o Durante a travessia um bosque de árvores
cacique afim de obter a permissão para mortas, fruto da inundação. Em Puerto
acompanhar a reunião, o que não foi Indio fomos recebidos por Steban, Carlos,
possível. O cacique Mário nos disse que se Francisco e Gustavo. Atenciosos, nos
tratava de uma reunião fechada aos informaram como transitar pela região.
organizadores do encontro, nos explicou que Depois de uns tantos tererês, Francisco,
existem certos grupos contrários a administrador do porto, nos convidou para
organização dos Guarani e por isso almoçar com seus amigos campesinos –
precisam se precaver. Disse também que Sara, Pedro, Victor e mais umas crianças.
poderíamos conhecer a aldeia e em outra Conhecemos um típico "almuerzo
oportunidade nos receberia com prazer. paraguayo": mandioca cozida sem sal,
Mário é irmão de Daniel, cacique de Tekoha ensopado de poroto e carne, como
Ocoy. Em uma das casas da comunidade sobremesa manga e melancia.
avistamos um grande desenho na parede Sara é estudante de engenharia ambiental
feito por Julinho Nhemboatevy, sua e gosta de cartografia, utiliza esse tipo de
inspiração foi um desenho animado no representação para visualizar e denunciar
estilo mangá que nos pareceu mais um problemas ambientais como a diminuição
auto‐retrato. de nascentes d’água, áreas florestais e o
De volta ao centro de Diamante D'oeste nos crescimento da monocultura no Paraguai.
despedimos de Leomar e retornamos a Pedro luta por se manter no campo, para ele
70
terra não é mercadoria, é contra o uso de pela estrada de terra é uma casa bastante
agrotóxicos e a monocultura, se vê ilhado limpa. Fomos até o mercadinho de seu
pela vastidão de soja transgênica ao redor irmão Américo, sua esposa era uma das
de onde vive. Victor estava quebrando o piso pioneiras do lugar. Ambos comentaram
do galpão a duras marteladas, preparava o sobre as dificuldades de viver no local, o
espaço para receber uma ordenhadora. analfabetismo, o passado: "General Días era
Havia estudado plantas medicinais, o que tudo mato".
ajuda em muito a comunidade, pois não há Em Mbacarayu conhecemos o fazendeiro
atendimento médico fácil na região. O local Mário e seus filhos Ademir e Walmor. Mário
pertence a associação de campesinos e lá é um "grande proprietário" de terras da
funciona uma rádio. Gustavo precisava região, açougueiro e também dono do
comprar gelo e buscar as chuteiras e o mercado. Contou sobre sua vinda do
uniforme do seu time. Na região há um interior do Paraná àquelas terras, da perda
campeonado onde participam nove equipes dos primeiros 70 hectares que comprou com
locais, no último ano o time de Gustavo foi sua família porque caiu em um golpe da
campeão, o "Shealsea" de Puerto Indio. Nos colonizadora. Comentou também do
levou de volta ao porto onde esperamos por trabalho que teve para criar os quatro filhos,
uma carona até General Días, lá teríamos do fim da agricultura de subsistência, do
onde dormir. João é um caminhoneiro que sonho da mecanização e da realização
atravessa frequentemente a fronteira em financeira – sempre gostou de números – ,
busca de grãos, nos levou até nosso destino. do isolamento em relação aos paraguaios e
Nas duas margens da estrada uma do êxodo – somente no último mês quatro
imensidão de soja, vez ou outra avistamos famílias haviam partido de Mbaracayu.
algum cilo, uma entediante paisagem. Aguardamos até o início da tarde para
Descemos em frente a lanchonete do visitar a Casa de Cultura, lá conhecemos
Lourival, nos fundos haviam quartos para Nidia, uma das poucas paraguaias do lugar.
hospedagem. Com a voz mansa e em Com seu temperamento calmo nos mostrou
português Lourival nos encaminhou ao alguns livros de estatística e de poesias em
último quarto vago. No final do dia demos guarani, coisa rara em meio a tantos livros
uma pequena volta pelas ruas de General em português. Nos falou sobre a morte de
Días, uma comunidade de sua mãe e de seu retorno à Mbaracayu para
aproximadamente 600 habitantes, quase ficar perto do pai.
todos brasileiros. Walmor e Mário nos deram uma carona até
San Alberto. No caminho perguntamos

sobre o uso de agrotóxicos nas plantações,


Lourival nos convidou para entrar em sua não são contra, pois os técnicos das
casa de chão encerado, cortinas nas portas, empresas químicas ensinam como os
bordados e crochês na lavanderia. Para utilizar corretamente. Para eles a
quem vive sob a poeira vermelha levantada contaminação da água pelo veneno é tudo
pelos caminhões que passam diariamente bobagem dita por gente que não entende
72
das coisas, "o que polui a água é o esgoto ser presos na ditadura por protestarem em
que vem de São Paulo". prol da emancipação político‐administrativa
Terminamos nosso dia em San Alberto, da cidade.


cidade Brasiguaia e Colorada. Ainda deu
tempo para deixarmos nossas roupas sujas
numa lavanderia algumas quadras do hotel. À tarde, fomos de táxi comunitário até Salto
 del Guairá, com quatro passageiros no
banco de trás, três na frente e um no porta‐
Em busca de um mapa da região, entramos malas. Em Salto del Guairá, no domingo, os
em uma escola. Lá conhecemos Amancio, mais jovens desfilam com suas motos pela
que nos falou da influência do Lago de avenida principal. Na rua do porto acontecia
Itaipu e de sua pesquisa sobre questões uma alegre festa paraguaia ao som de uma
culturais e ambientais na região de San banda tradicional – todo mundo dançou. De
Alberto. Em sua casa, tivemos um bom manhã, partimos em direção a Guaíra.
exemplo da mistura das culturas: a esposa Durante a travessia, passamos sobre as
Gracinda é brasileira; a filha Beatriz, Sete Quedas. Já em solo brasileiro, fomos
paraguaia. Embora falem muito bem os três até a Casa do Artesão, onde conhecemos
idiomas, Amancio e Gracinda conversam Margarida – segundo ela, os habitantes de
entre si em guarani; Beatriz prefere falar Guaíra sentem a perda das quedas do Rio
com o pai em castelhano; já entre elas a Paraná, provocada pela formação do Lago
comunicação é em português. No farto de Itaipu.
almoço, acompanhado de um bom vinho No dia seguinte, encontramo‐nos com Ana,
argentino, houve uma bela salada de que trouxe uma sacola cheia de
idiomas. Amancio nos levou até a próxima personagens lendários de Guaíra, pequenos
cidade. bonecos feitos com palha de milho. À

medida que os colocava sobre a mesa,


contava histórias dos trânsitos dos povos e
Lindo Mutirão ou Minga Porã, assim das cidades. Guaíra, por sua localização
podemos chamar o município cuja história é estratégica, sempre foi lugar de passagem;
a da resistência de um povo frente à radical encontra‐se aproximadamente na metade
mudança cultural que se estabeleceu desde do caminho Peabiru. Já a histórica Vila Rica,
a Revolução Verde. Asagrapa é uma construída pelos jesuítas, foi várias vezes
associação de agricultores campesinos que destruída por bandeirantes ou opositores.
luta por uma vida sustentável, voltada à Cidade nômade, passou por sete lugares
plantação orgânica com sementes nativas. diferentes até se fixar no Paraguai. Alguns
Anunciación, atual coordenadora das personagens são: Aleixo Garcia, o primeiro
mulheres, nos recebeu em sua casa e homem branco a passar por Guaíra, tempos
explicou como elas se organizam e depois devorado na região de Assunção; e o
participam das decisões. Sua família é uma “fofoqueiro” guarani, um informante –
das pioneiras em Minga Porã, chegaram a importante membro da aldeia que deixava
74
pelos caminhos pequenos objetos, símbolos Associação de Direitos Humanos no
compreendidos pelo seu povo. Das Paraguai, e comentou sobre as diferenças
submersas Sete Quedas, comentou sobre o de apoio por parte dos governos brasileiro e
som que elas proporcionavam: para os paraguaio, falou de aposentadoria –
Guarani, tratava‐se da voz de Tupã. Com o “envelhecer no Paraguai é difícil”. Veio ao
surgimento do Lago, seu deus se foi. À tarde Brasil para fazer um tratamento médico.
visitamos o “escritório” de Frei Pacífico, Após a chuva, despedimo‐nos.
artista e ambientalista da região que


durante quatorze anos reflorestou uma ilha.
Estudioso, possui uma vasta produção em Chegamos a Marechal Cândido Rondon no
entalhe, escultura e cerâmica baseada na início da tarde. No caminho à casa de Marly,
cultura guarani e no cristianismo. Com um caiu uma pancada de chuva. Em busca de
português truncado – viveu muitos anos na abrigo, entramos em um armazém de
Europa –, falou sobre espiritualidade e da queijos produzidos na região. Lá
simplicidade do gostar, explicou conhecemos os Vinciguera, nome de origem
minuciosamente a simbologia de seus italiana surgido durante a viagem de navio
trabalhos e nos ensinou como semear erva‐ ao Brasil. Escapar da guerra foi o modo de
mate. Suely, sua esposa, nos serviu suco do vencê‐la. Armínio e Ivani falaram sobre os
abacaxi cultivado em sua horta. Transitamos ciclos de exploração da região: laranja Pepu,
pelo vasto jardim, rico em espécies vegetais madeira, hortelã, erva‐mate e soja.
– Frei Pacífico e Suely vivem bem com elas. Comentaram também sobre o lendário
Pouco depois, fomos até dona Lucila, uma Allica, senhor temido na região – na época
paraguaia conhecida por suas histórias e do “mensu”, ele jogava seus cobradores Rio
por ofertar um lanche à comunidade após Paraná abaixo.
as três horas da tarde – pão caseiro recém‐ Marly mora em uma casa de madeira que
tirado do forno, chipas e cozido paraguaio. foi transportada de Porto Mendes antes do
Dona Lucila cuida da Capela Nuestra Señora alagamento. Naquele tempo, era comum o
de los Milagros de Caacupé, construída ao uso de caminhões adaptados para levar
lado de sua casa devido a um desejo de sua casas inteiras de um lugar a outro. Depois
mãe. Lucila nos contou sobre o sumiço da de criar suas duas filhas e após a morte do
santa, que – após doze anos – marido, Marly decidiu fazer faculdade; há
“milagrosamente” retornou ao altar da dois anos se formou em Letras, hoje leciona
capela. Ao final da história, mostrou‐nos em escolas públicas e dá aulas particulares
uma estatueta que cabe na palma da mão. de alemão em sua casa. Falou da vida
Na casa de Lucila também estavam comunitária da colônia à margem do Rio
Bonifácio e Maria, um casal de La Paloma. Paraná e do isolamento na cidade. Segundo
Bonifácio cantou algumas músicas Marly, para os colonos que trabalhavam na
tradicionais do Paraguai, todas lavoura a mudança foi radical e
acompanhadas por uma rica desestruturou famílias inteiras.
contextualização. Maria participa da Descendente de alemães e Guarani, Marly
76
nos mostrou muitas fotos de família e falar que os revolucionários ficaram nas
objetos antigos – seu desejo é transformar o terras de Allica, comeram seu gado e
lugar em um museu da família. No grande libertaram muitos colonos que viviam em
jardim, havia galinhas, um cachorro e dois regime de escravidão. Quando partiram,
louros – um deles vez ou outra falava. Na assinaram uma promissória deixando as
hora de nos despedirmos, Marly traduziu despesas a cargo do governo. Edson, filho
uma placa presa no portão: Neue de Benitez e geógrafo. Interessou‐se pelo
Aussichten – Novo Horizonte. A tarde foi assunto e trouxe à tona o conflito de terras
repleta de lembranças. entre quilombolas e fazendeiros em
Ainda conhecemos Sérgio. Disse ele que há Maracaju dos Gaúchos, região próxima dali.
trinta anos havia muitas rádios paraguaias Aconselhou‐nos a manter distância devido
e argentinas na fronteira, algumas delas à complexidade da situação. Para Edson,
com grande alcance. De um lado e de outro Porto Mendes se tornou um vilarejo de
do Rio Paraná, a cultura desses países era aposentados.
ouvida e no Brasil se passava a tomar gosto Tomando um café na padaria, conhecemos
pelas duas. Ciente desse fato, a ditadura Nega. Soubemos que entre os moradores de
brasileira incentivou a abertura de rádios Porto Mendes e Puerto Adela, no Paraguai,
como estratégia para estabelecer fronteiras há uma forte união, visitam‐se
culturais. constantemente e organizam festas juntos.
Ainda visitamos Lauro, o fotógrafo das

redondezas. Quando era amador,


No final da tarde chegamos a Porto fotografou a barranca do Rio Paraná. É
Mendes. Como em outros lugares, persiste o aficionado por sucuris. Mostrou‐nos
esvaziamento populacional causado pelo algumas fotos da década de 70, uma delas
alagamento resultante de Itaipu e pela da carroça inglesa dos Allica.
mecanização e uso de venenos na Já no fim do dia, entramos em um bar. Nas
agricultura. Ao visitarmos o museu local, prateleiras, imagens de cobras, pescarias e
deparamo‐nos com bichos empalhados e caças. Lá estava Júlio que nos falou sobre as
objetos antigos, dentre os quais uma transformações ao longo dos últimos anos
carroça com grandes rodas no estilo inglês – – segundo ele, os fazendeiros estragaram
tratava‐se de uma doação da família Allica. Porto Mendes.
Imediatamente recordamos aquilo que os

Vinciguera disseram um dia antes.


Fomos à casa de Benitez, um dos mais Partimos para Puerto Adela em uma barca
antigos moradores da região. Trabalhou no com cinco pessoas – em outros tempos
porto quando ainda se transportava erva‐ estaria lotada. À chegada, percebemos
mate vinda de Guaíra pela estrada de ferro algumas casas fechadas. Andamos cerca de
da Mate Laranjeira, empresa que – segundo quinhentos metros pelo único caminho e
Benitez – escravizava seus trabalhadores. nos deparamos com o Destacamento da
Sobre a Coluna Prestes, comentou que ouviu Marinha; lá buscamos informações sobre o
78
vilarejo. Carlos nos atendeu e logo chamou chamava Adela. A moça estava de
seu superior, o suboficial principal Alfonso, casamento marcado com um marinheiro
“Jefe del Destacamento Naval de Puerto que trabalhava na rota Porto
Adela”. Nenhum dos oficiais era morador da Mendes–Buenos Aires. Seu noivo partiu em
região. Em meio à conversa, chegou um última viagem antes do casamento. Nesse
senhor em uma moto: Agapito, nascido em meio tempo em que Adela aguardava a
Puerto Adela, é um dos responsáveis pela volta do noivo, “homens de Allica” souberam
organização comunitária. Disse que nos do casamento e a violaram. Adela, em
anos 70 a maioria dos imigrantes brasileiros desespero, cometeu suicídio em honra a seu
que habitavam Puerto Adela trabalhava noivo. Deixou uma carta, na qual dizia que
com agricultura de subsistência; em 80 e 90 desejava ser enterrada em solo paraguaio.
iniciou‐se o processo de mecanização, que Seu corpo foi então sepultado na barranca
não foi o fator responsável pela diminuição paraguaia do Rio Paraná, hoje submersa.
da população – foram as questões de Em outra história, Francisco mencionou que
aposentadoria e atendimento à saúde que na época da extração de erva‐mate, em
esvaziaram o lugar. Agapito estava de uma de suas caminhadas pelas trilhas de
passagem e nos indicou uma pessoa para Canindeyú, deparou‐se com um carregador
continuarmos a conversa, Francisco. de erva e que sua carga pesava por volta de
Alfonso e seu filho Marcos nos levaram até a cento e sessenta quilos (demonstrou como
casa de Francisco, onde fomos recebidos em o homem caminhava). Disse que o homem
uma sombreada área externa. Francisco se calçava grandes sandálias feitas de
colocou como um contador de histórias, pois borracha para que não afundasse no solo
por elas sempre se interessou. Sua devido ao peso que trazia nas costas.
curiosidade o levara até a casa da viúva de Ainda contou sobre o cemitério indígena,
Allica, para saber a verdade sobre as mortes onde encontrou muitos crânios sobre a
das quais acusavam o finado na época do terra; disse que os indígenas da região
“mensu”. Fingindo interesse em comprar enterravam seus parentes com a cabeça
ferramentas, chegou até o alçapão que dava para fora.
para as águas do Rio Paraná, lugar onde De volta ao Destacamento Naval, serviram‐
Allica encaminhava cobradores, inimigos ou nos um “almuerzo paraguaio” – arroz altuko
funcionários que não respeitavam suas e marinera de pollo – preparado pelo chef
ordens. Carlos. Um garoto chegou dirigindo uma
Perguntou se gostaríamos de saber por que moto, perguntamos sobre a escola da
aquele lugar se chama Puerto Adela. região, respondeu que há tempos ela
Obtendo de nós uma resposta positiva, fechara por falta de alunos.
iniciou uma nova história. Nas terras Na volta a Porto Mendes, Júlio nos levou até
brasileiras do mesmo Allica (seus domínios Iguiporã. Não demorou muito até tomarmos
iam do Brasil ao Paraguai), havia uma um ônibus para Pato Bragado.
escola que atendia os filhos dos 
trabalhadores, e uma das professoras se
80
Encontramos com Walter, pioneiro de Pato Kyria. Chico também estava por lá. Valdete
Bragado, para tomar um chimarrão. Contou tem uma casa de bailes chamada Mania
que largou o comércio para abrir estradas, a Open Show, onde também serve refeições
fim de que os primeiros colonos se para funcionários do silo ao lado. Já partiu
instalassem. Fica feliz por saber que muitas dali três vezes, mas sempre retornou. Agora
pessoas constroem suas vidas a partir pretende partir em definitivo; seu pai, que
daquilo que começou anos atrás. Para vive no Espírito Santo, está doente e precisa
Walter, o que falta hoje em dia é de cuidados. Dete contou que seu marido
criatividade, as pessoas se contentam com foi indenizado por Itaipu pela inundação de
empregos. A cidade precisa andar com suas suas terras, o pouco que restou estava logo
próprias pernas, sem a dependência do ali do outro lado da estrada. Depois de ter
dinheiro repassado por Itaipu. recebido a “bolada”, ele deu no pé e a deixou
Esperando o ônibus para Porto Britânia – com cinco filhos para criar.
porto remanescente da ocupação inglesa –, Lia luta por sua carreira de cantora, já foi
encontramos Dete e sua filha Lia, que comunicadora de rádio e hoje está numa
também iriam atravessar a fronteira. A fase transitória entre um grupo em Cuiabá
barca estava lotada porque no sábado e uma possibilidade em Curitiba. Néia
muitas pessoas vêm fazer compras no também já foi locutora, tem uma linda voz e
Brasil. Na chegada a Puerto Marangatu, Lia duas filhas, Djeni vive no Rio Grande do Sul
nos apresentou Luiz, que nos levou até a e Kayla vai estudar em Pato Bragado. Néia
venda de seu pai, Demétrio. Lá conhecemos comentou sobre a transformação do lugar
também Lídia, Berenice e Letícia. nos últimos anos, onde hoje está o silo
Demétrio trabalhou muito tempo havia uma série de casas “parecidas com as
carregando gente de um lado a outro da do velho oeste”. Chico é construtor – no
fronteira. Numa dessas travessias, seu barco vilarejo Primer de Marzo pudemos ver
afundou com quatorze pessoas, dentre as algumas casas fruto de seu trabalho.
quais quatro não sobreviveram. É um dos Néia e Chico nos levaram de moto até a
moradores mais antigos, chegou na década hospedagem da professora Arsênia, onde
de 50, quando tudo por lá ainda era mato. passaríamos a noite. Com Arsênia,
Na juventude trabalhou com tipografia e passamos a entender um pouco mais sobre
com isso aprendeu muito da escrita guarani. as mudanças na região, a violência, a falta
Almoçamos e ganhamos sementes de de oportunidades, a desarticulação coletiva,
poroto. Berenice se animou em fazer umas o fim das festas e o assoreamento dos rios.
fotos. As empanadas de Lídia pareciam Mostrou fotos de suas filhas e netos que
muito saborosas, teve gente que chegou a moram longe, dos bailes em seu salão e de
comer dezesseis de uma só vez. amigos que foram mortos. Ainda
Logo depois, Luiz nos deixou na casa de conhecemos Baiano, proprietário da
Dete, fomos tomar um tererê. Encontramos lanchonete. Disse que do Brasil só não
sete mulheres à sombra das árvores – conhecia o Maranhão. Para seu filho Edgar,
Valdete, Lia, Néia, Adriana, Kayla, Djenifer e Marangatu é um verdadeiro inferno.
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No dia seguinte, fomos até um salão de a aventura de Luiz quando foi a Porto Alegre
festas onde acontecia um programa ao vivo assistir ao Grêmio Porto Alegrense ser
promovido pela rádio em colaboração com rebaixado para a segunda divisão. Duas
os violeiros locais. Ao chegarmos, ouvimos a horas depois estávamos em Nueva
voz de Tatu anunciando mais uma música. Esperanza, completamente empoeirados e
Depois do encerramento do programa e de cansados. Por trinta mil guaranis, dormimos
um almoço no estilo gaúcho, a cantoria na primeira hospedagem que encontramos.
continuou com composições próprias de


Orlando e da dupla Nelson e Diamante. O
papo que circulava era de que Orlando havia De Nueva Esperanza partimos em um táxi
mudado seu comportamento nos últimos coletivo. Já em Hernandarias, conhecemos
tempos, suspeitaram que estivesse Miriam e sua família. Pessoa comunicativa,
apaixonado; logo concluíram que naquelas ela nos passou várias informações sobre a
paragens todo homem tem o coração cidade.
pequeno. Estávamos sem dinheiro e sem o “permiso”,
Entre outras conversas, ficou claro que por isso fomos a Foz do Iguaçu e, em
Marangatu é um lugar muito violento. Nos seguida, à migração em Ciudad del Este. No
últimos meses, sete pessoas próximas de percurso, pudemos ver pela primeira vez
nossos recém‐conhecidos foram mortas, parte das barragens de Itaipu e Acaray,
alguns chegaram a contar setenta mortes. muito próximas uma da outra. Devido ao
De lá partimos com Orlando para o Mania engarrafamento na Ponte da Amizade,
Open Show. Em pouco tempo chegaram os levamos cerca duas horas. O retorno a
outros violeiros e a festa se estendeu. Hernandarias foi com Francisco, taxista de
Saímos de lá no meio da tarde. Ciudad del Este. No caminho, mostrou‐nos
Pretendíamos chegar a Nueva Esperanza um acampamento em frente à Itaipu
ainda naquele dia, mas, por ser domingo, Binacional Paraguaia – há mais de um ano
seria difícil conseguir carona. Marangatu ex‐funcionários protestam contra suas
vive no isolamento, atualmente não há demissões.
ônibus na região. Hernandarias é a cidade paraguaia onde
Na lanchonete do Baiano, esperamos por Itaipu está instalada. Diferentemente do
duas horas. Quando nossas esperanças já que ocorre no Brasil, a visita às instalações
acabavam, Luiz apareceu para abastecer seu da usina é gratuita, o que nos incentivou a
carro bem em frente de onde estávamos e fazer o passeio pela hidrelétrica. Durante o
atendeu prontamente a nosso pedido, passeio, assistimos a um vídeo institucional,
desde que pagássemos a gasolina. Por uma na versão paraguaia, com o título “Itaipu
estrada de terra esburacada, passamos por Monumental”. Vários superlativos e recordes
fazendas de cinquenta mil hectares enfatizando a grandiosidade do projeto, o
pertencentes a um único dono e por avanço tecnológico, melhoria no nível de
reservas indígenas arrendadas para o vida, cuidado com a biodiversidade,
plantio de soja. Durante o percurso, ouvimos prodígios da engenharia e geração de
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energia. Ao final do vídeo, entramos em um da construção de Itaipu, momento no qual
ônibus que fez o percurso pela usina. se incentivou a construção de hotéis, uma
Paramos na margem direita e de lá vez que por ali haveria uma concentração
avistamos Ciudad del Este e Foz do Iguaçu de trabalhadores. Não foi bem assim. Pouco
lado a lado; entre elas o que restou do Rio depois da finalização da primeira etapa de
Paraná. Mesmo com algumas comportas do seu hotel, o presidente Stroessner ordenou
vertedouro abertas, o nível do Lago estava que a base para os trabalhadores fosse
alto devido às intensas chuvas em São transferida para a cidade que levava seu
Paulo. Aliás, há quem diga que o aumento nome. Durante horas conversamos na
das chuvas em São Paulo é causado pela penumbra, parte da iluminação não
evaporação do Lago de Itaipu. Algum tempo funcionava por conta da queda de energia,
para fotografar e partimos novamente, fato frequente na região. Em Hernandarias,
atravessamos o túnel que liga as duas além do problema de energia, poucas
margens e chegamos ao lado brasileiro da pessoas têm acesso à água potável e não
usina. O retorno foi por cima da barragem, há serviço de esgoto apropriado.
quando então pudemos observar o Pela manhã, a luz ainda não havia voltado.
gigantismo do Lago. Partimos para Asunción, uma das primeiras
Na saída de Itaipu, fomos até as barracas de cidades da América Latina, centro de poder
lona na beira da estrada onde algumas político e onde se concentram os museus e
pessoas protestavam. Soubemos que, por bibliotecas do Paraguai. De Hernandarias
questões políticas, cerca de duzentas até Asunción são trezentos e quarenta
pessoas foram dispensadas da função que quilômetros, percorridos em sete horas de
exerciam em Itaipu, principalmente viagem devido a muitas paradas.
trabalhadores de serviços de limpeza e

segurança. O acampamento já completara


um ano e até aquele momento nada havia Em Asunción ficamos na hospedagem de
sido negociado. Edgar foi demitido com Angélica, uma casa centenária e bem
vinte e oito anos de trabalho cuidada.
prestado.  Maria disse que viveu no Brasil e A presença de imigrantes brasileiros,
em outros países da América do Sul. No chineses e coreanos é grande na cidade. No
exterior, quando ouve falar do Paraguai, mês de janeiro, cerca de três mil estudantes
sente‐se envergonhada; quando retorna, brasileiros cursam mestrado e doutorado
sente revolta por perceber que a realidade em Asunción. Nas ruas, o guarani
de seu país não muda. predomina e as “jujeras”, mulheres que
À noite, Miriam nos contou sua história, vendem ervas preparadas para tererê, estão
imersa na promessa de progresso. Primeiro por todo lugar.
na Colônia Presidente Stroessner, onde foi Em busca de referências históricas,
morar com apenas nove anos, quando seu artísticas e culturais, fomos até as livrarias
pai entrou no ramo de hotelaria. Depois em da Plaza Uruguaya. Lá encontramos mapas,
Hernandarias, no período anterior ao início dicionários, métodos da língua e textos
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sobre cultura guarani. Em um antiquário, códigos da cultura opressora. Instigou‐nos a
conseguimos uma pequena cédula de um desenvolver projetos de integração entre
guarani, aquela com o soldado paraguaio. grupos de pesquisa brasileiros e paraguaios
No Museu de Belas Artes encontramos – uma necessidade da região e dos povos.
imagens de um Paraguai amortecido pela


crueldade da guerra. No mesmo edifício
funciona o acervo histórico de Asunción, Partimos de Asunción em direção à antiga e
onde é possível encontrar documentos nômade Villarrica, uma das primeiras vilas
originais desde 1534. Uma senhora nos da América espanhola. No fim de janeiro a
explicou os procedimentos para acessar tais cidade se prepara para o carnaval; na praça
documentos, todos disponíveis aos encontramos um grupo pintando tambores
pesquisadores. No El Cabildo, Centro para o desfile, preparativos para que “las
Cultural da República do Paraguai, visitamos comparsas” tomem as ruas. Passamos pelo
uma exposição com parte do acervo de mercado popular e observamos a
Moisés Bertoni, mapas da região do Rio movimentação dos feirantes já no término
Paraná, desenhos da fauna e flora, fotos, de mais um dia de trabalho. Queríamos
impressos e mais uma porção de coisas. atravessar a fronteira ainda durante o dia.
Bertoni viveu na região no início do século Os últimos momentos em Villarrica se
passado, sua documentação dá conta de deram por mais uma caminhada pela
quarenta e dois anos de cultura guarani e cidade, em que descansamos numa praça
geografia paraguaia. de grandes árvores e muitos pássaros. O
Conhecemos Zulma na recém‐criada percurso de Villarrica até Ciudad del Este foi
Secretaria Nacional de Cultura, que procura um tanto sofrido. Em um daqueles dias de
se consolidar como órgão encarregado das sol nos quais é possível fritar ovos no
políticas culturais do Paraguai. asfalto, viajamos em um ônibus lotado que
Encaminhou‐nos para a Direção de a cada minuto parava para embarcar e
Assuntos Comunitários, onde conhecemos desembarcar mais pessoas. Atravessamos a
Lea e tratamos de diversidade cultural e fronteira papeando com um taxista. Ele
ações na fronteira. À tarde fomos até a casa disse que um dos grandes problemas é a
de Guillermo. Ao entrar, conhecemos o falta de conhecimento sobre a cultura
cacique Bruno, um educado senhor indígena, o que gera conflitos étnicos. Em
Chamacoco. Ambos desenvolveram um geral, as pessoas da cidade não consideram
dicionário da língua de sua etnia. Guillermo o fato de que, há menos de duas gerações,
nos contou sobre seu trabalho voltado a os índios que hoje são pedintes nos
grupos nos quais a pobreza é uma terminais rodoviários e semáforos eram
constante; comentou também sobre sua coletores nas vastas matas paraguaias e
ligação com Antropologia e música. Ele que a tradição e os costumes são difíceis de
busca estimular os Chamacoco, Guarani e serem mudados em tão pouco tempo.
camponeses para que fortaleçam suas

próprias culturas e também conheçam os


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Pe Kuatia Guataha
Pe Itaipú Ypa joguaha ári, rohecha mba’apohara kuera. Ha’e peteî tavapy
pytumbyvo tuvicha pe tembiapore. Uperire mombyryvéva upe tavaryepype Foz do
roveve haimete Paraná tuvichakue jave jasy Iguaçu gui ha hi’âguivéva pe hidroeléctrica
rendype, roguahê Foz do Iguaçupe ko’ê gui. Jeikevo upe tavapype, jahecha pe
ñepyrûvo. Juca rógapema, roñomongueta arquitectura óga kuéra apo, umi techore
puku upe ore apopyrâre ore guerahava ha ogueraha ñai’û pyko’êmby karapâ umi
oremandu’a jotopa peteî ary takykue. Juca galponre. Iñepyrumby, opa óga apo jejapo
oiko Teresa ndive, mokoî tayra ha ituva. ñemboja’o curuzuicha, ikatu hâgua oiko
Karái Zé, Juca ru, omombe’u oikovaekue pype irundy ogaygua kuera. Mbegue
ramoite policia rembiasa, hi’â ichupe ndo mbeguepe, umi óga apo oñemopeteî
pytái upepe, katu “pe tava ipeligroso ha umi jeipuru rupi ha hekovekue. Roike peteî
malevo ndo hejareiri”. Rohekavo peteî karuhape. Upepe oî Tekão, Juca, Gealmir,
mombytahára roikuaami Luis pe, peteî Aguirras ha hembireko, maymava oikova
chileno oikova pakoî aryma Brasilpe. tava’i pe 70 ro’y guive. Rohasa haime irundy
Omba’apose jehesape’arâ tekohare ha aravo rohenduvo hekovekue. Imitâme,
oguerahava vicho kaaguy kuerare, jejahu pe y verape, “Foz do Iguaçu
ohesape’a hâgua umi tapichape orekova ndaha’eivakue mba’eve”, pe Itaipú jejapo,
vicho umi tava mboipyri – omombe’u umi umi mbayru guata (“caminhão-pipa”), pe
cavaju ndorekóiva erraje ha oikova afalto mbayry guata (“pega-corno”), pe zanjon
aku ári. Rojevyvo Juca rógape, oñepyrû oreko po ta’â ipypukukue omoha’eñova pe
peteî piremýi “Vy’a jeheka”, omoiru tomate tava’ipe, pe lechuga ñemono’ô ha pe
pehe’â, quesu ha fiambre kurepi. hogarape, pe ñevenena koga ra’ype
Ñemonguetape, mba’e pyahu: Teresa ohota Paraguaipe, umi purahéi, umi paje ha
Chinape. Pe ára opávo, roime mombytahára pintura kuera, havô apo ha pe tava’I
pe, pe ropero rokê ohechauka peteî tuvichakue ojapova ha omohemo’i mbaite
ñe’êjoapy ymaguare: ha pe kuipe tuvichava japopyre caqui-
“Rohasa kuri pe pascua 98 Fozpe ha ropyta chocolate. Rojevyrire, rohasa pe torre alta
ropytu’u ko mombytahárape. Rohasa heta tension ypyrúpi oñepyrûva Usina Acaray
ára johaihu ha vy’ape. Helena ha’e pe kuña gui, oîva Paraguaipe. Pe Tava’i C, oîva Itaipú
ahayhuva che rekovepe. Foz 12-04-98. rupive, ha’e oitira mbarete paraguáigui, - he’i
Norberto”. umi oikova upepe – ha’e pe mbarete
hepyvéva Brasilpe. Ñembojoaju ñekarapu’âra.
Roho Tava’i C peve, ojejapovaekue Usina
Itaipúpe ndive oiko hâgua pype umi Rotopa Medina pe karuhape sapy’ami. Peteî
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aryma roikuaa hague ichupe, oguahê ramo pohâ ñana, ovy’a ha’e “oikovo pe kokuepe”.
Foz do Iguaçupe; ko anga oiko São Paulope. Moa oî kuri avei upérupi, pe pyhare
Omoirû kuri ichupe Kyara ha Sami. Kyara ohotakuri peteî tave’ý jukyry Boliviape,
omombe’u oreve pe hera regua – Maykyara, upejave ore rohota São Miguel do Iguaçupe
ou ypyva ante oî Brasil, Paraguay terâ rojotopa hâgua iparientekuera ndive. Pe
Argentina. Sami ohechauka icelular pytahape, rorecibimi marandu mbayru
joguapyre Paraguaype ndahepy’i Brasilpe oñembyaiha São Miguelpe. Ropyta haime
ohepyme’ê haicha. Angâmieve, roikuami peteî aravo pepe. Ohasarire pa aravo
kuri Moape, omombe’u hembiapo teatro Foz pyhare, roguahê São Miguelpe; roikuami
do Iguaçupe ha pe kuairógape jerere. kuri Mônica, Carlos, Tião Fátima ha
Kaaruetevo roikua avei Fernandape; ha’e Moniquepe. Pe ñomongueta ñecena jave
ohechauka oreve tapicha omba’apova oho puku pyharepyte peve.
uperupi ha ikatuva roñomongueta hendive.
Peteîva ha’e Amarilla, hendive ja Ropu’â voimi São Miguelpe. Fátima
roñomonguetama katu. Oikuaa porâ oregueraha Sadi rendapeve, pira ra’âha
uperupi, ore ñomongueta pukuetemi kuri. uperúpi, omba’apo mboygue peare,
Hekovekue, ombojopara antropologia, ha’evaekue chokokue ha ñemuhara.
avareko ha hetia’etemi. Hogajarakuera Roguahêvo, oî kuri mbohapy jagua ijerere
oguahê ypy vaekue Ciudad del Este pe. Nda ha ombyaty tomates-cereza ore huguaitî
areiete oipyguara pe yvy Paraguay, peteî pukape.Omombe’u hembiasá umi pirandie:
tenda ñongatupype otopa peteî kuñakarai armado, paku, bagre, traira, corvina, pira-
ndoikuaaiva lata pe’aha. jagua, cara, piabucu, surubi, pintado,
tukunaré, lambari, tilapia, palometa, betara
Roho kuevo Juca rógape roikuami umiva. Hetaichagua jetopajey pe Ypa pe. Pe
Zulmirape, omombe’u oreve hembiapo yma puka apytepe, ojura heta hembiasarere,
guare heindy ndive: ao hepyme’êha umi pira ra’âha ramojepe. Kaaruvove, roho kuri
neuma upe jerere. Ymavemi heko henyhe Tião, Fátima ha Moniquepe ogaaty ava-
ñemyigui, ko ânga oñangareko peteî guaraní Tekoha Ocoy, oîva ditrito Santa
mercería. Añetehape oî ñorairô, ha ovy’a Rosa do Ocoy me. Pe tape ñaguahêha
oikohape. Imercería pe, peteî kuatia iñetrañova: peteîvo jahecha reserva
guazupe omoí mba’e aravôpa oñatende, indígena, ambuevo, sojaty – ñupyso jepigua
marandú umi tembiapógui opoí vaekue upérupi. Umi kolonokuera alemanva avei
ogustaitéva cupekuera ñenambi poka mesa hakatey imba’eteere; pe Santa Rosa do
ári pe tape ykepe. peteî jey, pe jehuga oho Ocoy me iñe’ê katu ha’e alemán. Pe
haime ko’êmbapeve ha “ijapyrapa”. Juca ñepohanoha ogaatype, ore recibi upe
rógape, Ña María omombe’u hakuha ha cacique Daniel. Ha’e he’i, pe kuaapy ha pe
omarka 47 mbovy ha hasyva chupe. Karai ñe’ê peteî tava orekova tuvichavéva
Zé omombe’u mba’eichapa ikatu ohundi mba’erepy upevare oñembotuvichavaerâ.
umi plaga oîva huertape, avei ambue koga Nahaniri, ko’anga rupi oñemotenonde pe
oîva iquintape, ohechauka avei oikuaa ha pe ñembo’e ñe’ê portugue. Oiko hâgua cacique
90
ndaipóri jeporavo, pe odecidiva enterovéva. ojeguakapava limetape. Upepe, peteî letrero
Upe tapicha ogueraha porá ramo hembiapo, he’ipype uperupi ndaikatuiha mymba api,
opyta arepeve. Pe oî rire Ypa, ñembohupa ohai Geladinho ha’e empresario.
pariente ha angairû ambue y rembe’y Rojepopete osêpeve peteî kuimba’e
hasýma jeho upérupi, ko ángarupi jejotopa tuvichava oñatende orerehe. Maximiliano
sapy’a py’ante. Pe tembiasakue Ava-guaraní oñe’ê mborayhure, kuña porâre, purahéi,
isufrido etemi, rovisitaramo nguare, pe mitâre ha politiko puaka. Umi iñapytu’û
ogaaty ohasa kuri mba’asy vai Malaria. Tião roky apytepe oî: Brizola mano-oikove,
avei oregueraha ambue ditritope upérupi, Kurusu veve TAM, Teixerinha, a santa de
colônia aleman kuerape, colônia italiano sutiã ha pe pira ra’âha. Pe dengue rupi,
kuerape avei. saima hemby jeguaka kuera, heta ojeipe’a
apouka kuairóga rupi. Ha’e upemaramo
Pe pyharevete roho rohecha pe pista skate ojagarra imbaraka japopyre mbayru tipo
Tião oipytyvô jejapo hâgua. Roikuami pe “bombona” po litro ha opurahéi peteî
São Miguel do Iguaçu ndojejapovéiha parto, purahéi italiana. Geladinho oiko ha’e ño ha
pe peteîmi orekovakue pe tava oñemboty. pe ta’eño ogueraha radiópe ohekavo
Rohovevo Ipiranga peve; peteî árami iñirurâ, ikyrava terâ ipoiva há’eguive irurâ.
roimekuri pe playa Costa Oeste – pe Nda jaikuaái peteî ára. Geladinho
Ypaicha avei, entero umi tekoha ha’e oregueraha ivecina peve Zulmira, ambue
joguaha. Rojevy pe tape iporâveva rupi ha temiporâ jará oîva tava pe. Hi’âite ichupe
roikuami Clarindo pe ha hembireko Maria, oheja pe Itaipulandia, oikose Jaraguá do
ambue pira ra’âha. Chupe pira ra’â ndaha’ei Sulpe. myengovia pe tava ha hembiapo, ao
tembiapo tape pukupe guarâ, jekarurâite. apo gui pohano hara. Zulmira oñe’ê
Omysakâ oreve mba’epa heise “ñomoirû” mborayhure, celular memoriare, transposición
ha “colonia” pira ra’âha. Peteî colonia pe, dimensionales, ohasaasýva, ojapiraêva,
oreko teko me’ê hekoviataha orekovo imba’etee, ñemosê ha politiko pu’aka.
tembiapo repy pe pira ndaikatui javeramo Rojapyhara pe ma’êhape oîva tavape,
oñeha’â ha ojejuvilava; pe ñomoirûme ojejapovaekue Aparecidinha d’Oeste rérape,
umiva ndoikoi. Maria ha’e omoñe’ê kuaa’ýva tava’i ojahogava oikorire pe Ypa. Âvaichagua
kuatia oiporavô rupi ichupe itúa, monumento heta oî perupi. Chico, taxi
ndaareitepeve ndohechakuaai pe viru. Peteî mboguataha, omombe’u upe ojepe’aramo
jey jejopype ha’e ohechakuaa tekotevêha guare pe yvy. Upe dictadura ronguare itúa
oha’i ha olee. Ko anga, ohai kuaama hera ha oprotesta tape ykepe jahechapa naiporâmievéi
ha’e tembirepykue ñongatuha Colonia de pa pe ñembyengovia. Rojevyje’y tava pe ha pe
Pescadores São Miguel do Iguaçupe. Oga Mandu’arâ oñemboty kuri pe aravo rupi.
Ogustaveva chupe ningo ha’e opoiramo pe Roha’âro ñenohape kapi’ipepe oupeve Urbano
pira ñuhâ. llavereheve pe kuairóga tuja régua. Pe jeikevo
peteî tayra gua’u, peteî apo yvyraguiguare
Roguejy pe tape py iporâveva rohovo Centro oku’e sýi. Huguape, peteî koty heny’he ka’avo
Itaipulandiape. Pe tapere rohecha peteî óga poha ha ipotyva iñetranomiva. Urbano oñe’ê
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mbopyahure, tembiapore, mba’eichapa jeikuaa peve, japytekaha upérupigua. Ha’e ohai
jejapo jejapohape, oñe’ê peteîteî umi ka’avore. peteî aranduka omombe’uva tembiasare
Ojapo kyse ha ombyaty viru. Rohasa peteî Misalpe; he’i ipype umi británico ñeime
kaaru kyreý. Pyhare ñepyrume roguahê oguenoheva yvyra omopu’a jey hâgua
Rodison rógape, ojapovaekue peteî aranduka Europa ñorairôrire. Oñe’ê avei ñemo mbovy
tava rehegua. Omombe’u oreve pe y tuivicha umi tavaguakuera pe popaapypa
henyheteramoguare, omoñe’ê kuaa’ýva ha arype germanica porá reko. Misal heise
etrategia ñemosarambi aty política ñeme’ê “aranduka ñembo’e guasu kuera”.
myengoviarupi. Roha’arô aja mbayru ohova Romohu’â upe ára Santa Helenape. Amo
Misalpe roñomongueta Ella ndive, sy guasu roiko Linha Progresso pe, opytava aguîete
pe Munich rogagua. Hembiasa oñepyrû refugio biológico gui. Rotopa heta yvyra
okañyramo guare umi aleman oîvaekue hi’ava, umiva apytepe oî mbocaja ha
Rusiape, oheja takykue umi imbaeta ha mandarina.
mitâmiguive tupape. Ikatuvaguive oike pe
trenpe tera ohasa asy ro’y ku’i peteî jehasa Kuairógape roikuami Cladirpe. Ha’e oñe’ê
y atã ári mbayru pysyrý’i rupive, opiâ. Umi iñambueha ara reko oî rupi pe Ypa ha itúa
tapicha ojeoiva Europa gui yga renyhe, heta tindy rupi ojepe’a rupi ichugui ijyvy. Ha’e
opyta pe tapere. Upeicharupi, Ella rogaygua hei, umi royalti ogueru pokâ ñekarapu’â
oguereko heta pariente iñasambiva opárupi tavaguape. Ikotype, heta yvy ra’anga ha
ko yvy apere, oî heñoivaekue Chinape. Ella alfile kuera omarcava tenda oñemongy’ava
oikove ypy Brasilpe, okakuaa ombohapevo ha avei mymba mba’asy kuerare. Rotopa
pe kaaguy, avei oiko mbykymi Paraguaipe. avei Natanpe mbujape apohape, oguahê
He’i opa kuetevo: “Pe’ê nda che gueroviai, apuroitepe, oreko heta tembiapo avei
tuicha mba’e ha’e pe tapicha rekove”. osêtagui. Roñomongueta avei hendive
sapy’ami. Ha’e he’i Santa Helena ha’e
Misalpe rotopa Ivo pe, Kamba. He’i ha’e, ndoguerekóiva ñongatupyre umi tembiasakue
iñepyrumby tavaipe umi aleman catolico jehasapyre mbohapypa ary. Manduarâ –
kuerante ikatu oike Gleba Avare guasu pe, opytava tavai pe Ypa rire – ha’ete opatava
âva ndojehechaporâi oîma rupi italiano ha ohovo noñeñamindu’ui rupi enterondive pe
nortista uperupigua. Ivo oguereko peteî omoanbueva ichupe, katu imbareteve umi
karuha omba’apoha mokoî tayra ndive, ñemombe’u ijapopyre tape pukupe. Ko
Ademir ha Betão. Ademir imandu’a porâ anga, pe tenda oguereko peteî tercio
umi ára yma ysyry guasure, omombe’u mbovyve pe tavagua oguereko ramoguare
peteî tavai haeño: “ha’eteva ku avave iñepyrumby pe popaapypa ary, opa pe yma
ndaiporiva oikova upérupi araka’eve”. aporeko opaichagua ikatuva umi
Ohecha imitáramonguare pe y ojupiva ha ñanembojoapyva ymaguare rehe opa
omokañymba. Betão ha’e ikyre’ýguinte ohovo. Natan ohechauka: pe tavai rera ha’e
omba’apova ñe’êpuhoe comunitária tavai Santa Helena, katu ipatrono ha’e San
pe, Pepe oñerreponsabilisa umi kuatia Antonio, pe ta’anga guasu ha’e peteî
marandu ñembosaráirâ. Oregueraha Gisela Nandejara, pe guataha ha’e petit-pavé
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oîhaicha centrope, ogueru joguaha inglês roikuaami Djane ha Marcelope. Ore
terâ italiano nguera mba’eva ha hembi’u resape’a marandu rupi upe mbayru aravo
añete ha’e costilla gaúcha. Peteîva jehasare ha roike hagua ñemonguetarâ
ñembosarái upepe guava ha’e trencito, Diamante d’Oeste pe. Marcelo sa’i oguata
ombopuva pito ápe ha amo. Natan pe tavaire, imba’apoha oñapytî ichupe.
omombe’u avei ñemosarambipaha, umi Mbayru pytahape roikuaami Josépe, minero
tekotevê, oñesaingova ha oñembyaty 65 ary oguereko, ko anga ha’e chokokue,
gua’uva, opyta hâgua katuinte pe ha’e he’i ojapomaha entero mba’e
mbareterâme, ñembojere partido politiko hekovepe, omba’apoma avei Itaipupe
kuérape, pyko’ê, py’atyai, ñemoha’eño, terraplen apópe. Oiko Vila Bonitape, aju
kamba ñeñorairô ha Coluna Prestes. Upe yvype “ahekavo porâve’râ”(“caçar miora”).
casa de cambiope, rocambia real guaranime José imandu’avo Itaipúre ojapo hetepe pe
ha roikuaami Gustavope, oha’i peteî kuatia oma’aporamo nguare terraplenado pe –
pehenguere pe tape rojapotava balsa pe tekotevê umiva ponotei oiko tembiasa asy
Santa Helena guive Puerto Índio ha Sanga umi mbayru omboguejy jave mezclape
Funda peve, yga rupa Paraguaipegua. Itúa construcción hape. “Omano heta tapicha
oiko upérupi. Sandra ore recibi imena upe tendape”, omombe’u José, upe hovare
mba’apohape. Ha’e omba’apo momarandu jahecha imandu’aramo ha he’i jey:
turismo upepe, oñe’ê tapicha kuérare, “Ipeligrosoetemi pe terraplenado apo”.
tenda ha tembiasare rehe – Coluna Prestes Diamante d’Oestepe, roha’arô jave roho
na Ponte Queimada. Oky upe kaaru, ropyta hâgua a dedo ogaatype, roguahe peteî
peteî tapýi guype roguenohe foto ore ñe’epuhoe comunitáriape. Upepe roikuaami
akymbaramo jepe. Roho yga rupa peve ha Elisangelape, peteî mitâ kunã pyahu
roikuaa mba’eichapa rohasata. Rojevyrire pe ñemonguetaha. Chupe guarâ, pe asyvéva
tavaipe rohomi kuatia renda rohecha, upepe kuri ha’e oheja upe ñe’êpuhoe ohota ramo
Mario ohechauka oreve heta yvy ra’anga, nguare ambue tavaipe. Rojevyvo
peteîva henyhete tendota ra’anga kuairógape, Leomar oregueraha ogaatype
omanómavaekue ha mburuvicha tesaraipyre. Tekoha Añetete, opyta pakoî pukukue pe
tavaigui. Leomar omba’apo kuairógape ha
Rosê Diamante d’Oeste gotyo rovisita hâgua ha’e temimbo’e tembiasare regua, upe
pe tavai guaraní Tekoha Añetete. Rohekavo mboygue ha’e kuri mbayru mboguataha,
pe mbayruguata pytaha, roikuaami tembiapo âvaichagua rupi oikuaa heta
Cândidape, peteî kuña karái henyheva tenda. Pe ñupyso yvytyeta Diamante
tembiasaregui imba’embyasýva yvyre, d’Oeste ndojoguaiete umi kuairóga ha tavai
ñemano ha ñemoha’eño. Hi’âite ichupe rombohupavaekue umi ára ohasavaekuepe.
ohepyme’êmba ha oho ambu’e tendape, Leomar oikuaapaite. Roguahêvo ogaatype,
hasy hina kuri ha oikotevê ñeinterna roike mbo’ehaope Kuaa mbo’e (Saber
cirúrgica râ. Pe ñorairô yvyre tuvicha Paraná ensinar). Amo oî peteî apu’a tuvichava heta
Oestepe. Rohove peteî michimie ha roguahê cacique kuera ndive ha pehengue saimi
peteî puestope centro rembe’ype, upepe tekove rape kuera, Itaipú, Funasa ha
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kuairóga umiva. Jepiveguáicha umi puerto, ore mo abuen tiempo jekarurâ
ogaatype, roñomongueta cacique ndive hiangeirû kuera chocokue ndive: Sara,
roguerokonsegui hâgua permiso roimemi Pedro, Victor ha mitâ nuera ndive.
hâgua pe atype, ha ndaikatui kuri. Cacique Roikuaami upe “karu paraguaiete” tapia:
Mario he’i oreve pe aty ha’eha ñembotype mandi’o mimói hê’êy, tykue’i kumanda ha
umi ombosakoi vaekue pe jotopa, so’o. Tembi’u áriguava, mango ha sandia.
omombe’u oîha aty kuera hovaigua ha Sara ha’e tembimbo’e ingenieria
ombosakoiva Guaraníva ha upevare oikotevê ambientalgua ha ogustaimichupe yvy
ñeñongatu. He’i avei ikatuha roikuaa pe ra’anga jehai, oipuru umi hechakapyyrâ
ogaaty ha ambu’e jotopape ore ruguaitîta oikuaa hâgua ha omombe’u hâgua tekoha
vy’a pavêre. Mario ha’e Daniel ryke’y, ombyaiva, umi omomichiva pe y heñoiha ha
cacique Tekoha Ocoy pegua. Peteî oga umi tenda yvyraty ha pe ñemopu’â monocultura
tavaietape, rohecha peteî ta’anga omy’iva ku Paraguaipe. Pedro honorario oî hâgua pe
mangaicha oreve guarâ ojoguaetemi ñume; chupe guarâ yvy ndaha’ei mba’e
ijapopyrepe. Rojevyvo Diamante d’Oeste repy, ha’e okontrea pe agrotoxico jepuru ha
centrope, rojohechapaha Leomar gui ha monocultura – opyta ha’eño pe soja
rojujey ñe’êpuhoepe roikuaami Nesiope, transgénica aty ombojereva ichupe pe
peteî ojerokymivaekue ombosakoiva oikohape. Victor ojoka hina kuri pe yvy
tembiapo porarâ umi tavaikuerape ha galpón aporâ omartilla atâ jave, osakoi
ombaapo mombe’uhara ramo. tenda oreko hâgua vaca amirâ . Ha’e
oñembokatupyry pe pohâ ka’aty
Omombe’u upe oikovaekue Paraguaipe guiguavare, oipytyvô heta hâgua tavaipe,
ymavemi, peteî hymbaetava – ipepoatâme – ndaipori rupi pohanohara uperupi. Pe
oity pohâ vai meme umi chokokue oîhame tenda ha’e ñemoirû chocokue ha upepe oî
yvy. Mbayru pytahape, roñomongueta peteî peteî puhoe. Gustavo oikotevê ojogua y atâ
mbayru mboguataha – oñe’ê iñimportanteha ha oheka ijequipo ñembosaráirâ. Uperupi oî
jareko kuaapy ha pe oikovaekue tapicha peteî ñemoañotenonde oparticipahape
kuerare oiko ndoipuruirupi âva. Santa porundy equipo upepe guava; pe ary paha
Helenape, rohasa rireminte pe Policia ha Gustavo equipo osê kuri campeón,
receita Federal rembiapopy, roime kuri pe “Chealsea” Puerto Indiope. Oregueraha jey
ypygua “Oro ha Plata”, tape Puerto Índio puertope, roha’aro jey a dedo rohovo
Paraguaipe, ha hyepype oî kuri ambue General Díazpe, amo roreko mo’opa roketa.
mbayru mboguataha ohekava avati ha soja. João, peteî mbayruguataha ohasava
Pe rohasavaekue jave, peteî ka’aguy pyhyinte pe tava rembe’yre ohekavo ta’ýi
yvyraeta pirupyre, y myanyhere. Puerto oregueraha ore destinopeve. Ambue lado
Índiope ore recibi Steban, Carlos, Francisco pe tape pukure, sojatyeta opárupi rohecha
ha Gustavo. Ikatupyryva, omombe’u oreve silo peteî teî – peteî ñupyso nembojojoí
mba’eichapa roiko vaerâ upérupi. Roipyte peve. Roguejy karuha renondepe Lourival
rire heta tereré – jey’urâ japopyre ka’agui y mba’eva, amo huguaitepe oî koty
roysâre - , Francisco, oadministrava upe jepytu’urâ. peteî ñe’ê kanguy portuguepe,
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Lourival oregueraha pe koty nandi itúa ykere. Walmor ha Mario oregueraha a
huguaitepeguava. Pe ara paha vove, rosê dedo San Alberto peve. Taperepe,
roguatami pe tape General Díaz rupi, peteî roporandu agrotóxico jepurure pe kogatyre,
tavai oîhame 600 tavayguakuéra, haimete ha he’i noiri ha en contra, umi técnico
brasilero meme. empresa química gua ombo’e ojeipuru
porâramo ndogueruiha mba’e veichagua
Lourival orecombida roike hâgua hogape kyhyjera. Chupe guarâ, pe y ñemongy’a
oreko piso encerado, cortina okere, jeborda poha vai pe ha’e japuparei he’iva tapicha
pyre ha croche guiguare ao jejohe’ihape. nontendeiva umiva mba’e, “pe omonguy’ava
Oikova yvytimbo pytâ vype omopu’âva umi pe y ha’e y jeporupyre ouva São Paulogui”.
mbayruguata ohasava ko’ê ko’êre pe tape Opa pe ára San Albertope, tavai brasiguaya
yvy ári, ha’e oga potî. Roho oga ñmuha peve ha pytâ. Hemby gueteri aravo rohejavo ore
ryke’y Americo mba’eva, hembireko ha’e ao ky’a pe aojoheihape opytava aguîete
peteî omoñepyrûva pe tenda. Ambue mombytaha.
imandu’a heta ohasavai vaekuerehe oikovo
upe tendare, pe ndojeleeire, yma: “General Pe yvy ra’anga jeheka upérupi, rotopa peteî
Díaz ka’aguy meme vaekue”. Mbaracayupe mbo’ehao. Upepe roikuaami Amânciope,
roikuaa Mariope mymbaetajara ha tayra omombe’u oreve pe Ypa Itaipú pu’aka há
Ademir ha walmor. Mario ha’e peteî iñamindu’u pe mba’e porâ tekohare upe
tuvichava yvyjara uperupigua, carnicero ha San Alberto jerere. Hógape, uperamo
avei mba’e neuma jara. Omombe’u ourô ohechauka opaichagua porâ reko:
nguare Paraná ruguagui ko’a yvype ha hembireko Gracinda ha’e brasilera; itajyra
ojepe’arô nguare 70 hectarea ipogui ojogua Beatriz, paraguaya. Oñe’ê porâ ramo jepe
vaekue hogagua ndive ha ho’a peteî mbohapyve ñe’ê, Amâncio ha Gracinda
colonizadora poguype. Oñe’ê avei oñomongueta guaraníme; Beatriz oñe’êseve
mba’apohare orekovaekue omopu’a hâgua karai ñe’ême itúa ndie; ha isy ndive
irundy tayra kuera, pe kokue okaru hâgua, oñomongueta portuguéspe. Upe karu
hi’âva ichupe oipuru tembipuru mbarete guasupe, omoirû parra rykue argentino,
oguenohêve hâgua viru – katuinte ogusta oîkuri ñe’ê mbojehe’a porâ. Amâncio
ichupe umi papapy - , pe ñemoha’eño umi oregueraha ambue tavape. Iporâva
paraguai gua ndive ha pe jeju – nda areiete tembiapo oñondivepa Minga Porâ, peicha
jasy paha irundy ogagua oho Mbaracayu ñahenoikuaa kuairógape hembiasapyre
gui. Rohâ’arô ñepyru ka’aru rovisita hâgua ha’eva ñemoatâ peteî tava ambue jerovia
Casa de Cultura. Amo roikuaa Nidiape, peteî renondepe omoîva Revolución Verde guive.
paraguaya mbovymi upe tenda guava. Asagrapa ha’e moirûhara chocokuepe
Itranquila etemi, ohechauka oreve aranduka oñeha’âva teko porâ potî, ñemity ta’ýi
papapyrâ mombe’uha ha ñe’ê iboty ñanemba’eteete. Anunciación, omyakava
guaraníme, âva ijakaso umi arandukaeta ko’anga kuñanguerape, ore recibi hógape ha
português apytepe. Omombe’u isy ñemano omombe’u mba’eichapa omoîporâ ha
ha ojevy jeyvo Mbaracayupe opyta hâgua oparticipa ojedecidivaerâre. Hogaygua ha’e
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peteîva Minga Porame, ohovaekue kaviraîme “mba’apoha”fraile Pacíficope, artista ha
pe dictadura ronguare ojerurevo sâso tekohañangarekoha uperupigua pairundy
jejokuái-ñangareko távape. Upe ka’aru roho ary oñoty jey kaaguy pa’û. Jatypekaha,
taxipe Salto del Guairápeve, irundy oguereko heta tembiapore tete ra’â,
hasahandive pe apyka tapykuépe, mbohapy moha’anga ha ña’ûaporape japopyre
tenondepe ha peteî karameguâme. Salto del guaraní porâ rekope ha cristianismo. peteî
Guairápe, arateîme, umi ipyahuvéva oiko português pa’â pa’â – oiko heta ára
motope pe tape mbytere. Umi tape Europape -, oñe’ê pyturekore ha heko
puertope oî vy’a añetegua Paraguaype sencillova, omombe’u mba’epa heise umi
banda puatype –maymaba roiméva upepe tembiapore ha ore mbo’e mba’eichapa
rojeroky heta. Pyharevete, rosê Guairá roñoty vaerâ ka’a Suely, hembireko,
gotyo. Rohasa Pokôi Je’a, rohasa aja orekombida piña rykuépe ñotypyre
uperamo. Yvy brasilpema, roho kuri Casa ikokuepe. Roguata tuivichava yvotytyre,
del Artesano peve, upepe roikuaa tenyhete kogatygui – fraile Pacífico ha Suely
Margaritape – ha’e he’i, tava Guairá oñandu oiko porâ hendivekuéra. Uperireminte, roho
tuicha pe jepe’a umi je’a Ysyry Paranágui, kuri ña Lucila rendape, peteî paraguaya
oikovaekue jejaporupi Ypa Itaipú. jeikuava hembiasakuere ha oikuave’êva
hi’upy tavaipe mbohapy aravo kaaruvove –
Ambue pyharevepe, rojotopa Ana ndive, mbujape osêramova tatakuagui, chipa ha
ogueru oreve heta tekovekue ra’anga peteî cocido aku paraguaiete. Ña Lucila oñatende
mbayru renyhete memby gua’u michimi Capilla Ñande Sy Tupasy Ca’acupé, japopyre
Guaírape ijapopyre avatí piregui. Omoî aja hóga ykere isy rembijerure rupi. Lucila
mesa ári umi tembiapore omombe’u omombe’u oreve okañyronguare tupasy –
tekovekue umi tape tavapegua ha tavaipe pakoî ary oreko ramonguare- “ techapyrâ”
guava. Guairá, oîrupive teta rembe’ype, yma ojevy jey ijaltar capillape. Opavo hembiasare,
guive tenda jehasaha, oî haimete tape ku’a ohechauka oreve peteî tetera’anga ikatuva
Peabiru gotyo. Villa Rica rembiasare, Jesuíta ereko nde popytepe. Lucila rógape oî avei
kuera rembiapore, heta jey ohundipyre Bonifácio ha Maria, oñondivéva La
bandeirante ha oñemoíva kuera. Tava Palomagua. Bonifácio opurahéi peteî
pytava, ohasa pokoî tenda opaichagua apytégui purahéi Paraguayete, enteroveva
opytapeve Paraguay. Peteîa tekove ha’e: omoirû poramiva há’ekuerahaichaite. Maria
Alejo García, peteî kuimba’e morotî oparticipa Asociación de los Derechos
ohasavaekue Guairárupi, uperire jejuka Humanos Paraguaype, omombe’u pe
Paraguay jerere; ha pe “jurumby’ýi”guaraní, iñambueva ñepytyvô Brasil jokuáiha ha
peteî momaranduhara – pehengue mbarete Paraguay ndive, oñe’ê tembiapógui opoiva –
ogaatype ohejava tapere mba’e michi, “tuja Paraguaype hasy”. Oho Brasilpe
hechakapy tava mba’ete. Upe Pokoî Je’a ñepohanorâ. Oky parire roje’oi.
kañymbyre, omombe’u pe hyapure:
guaraníguape, ha’eva Tupã ñe’ê. Ojejapovo Roguahê Marechal Cândido Rondon
Ypa, oho tupã. Ka’aruvo rovisita oñepyruvo ka’aru ñepyrumbyvo. Marly roga
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rapere, ho’ami peteî aguacero. Pono ohupity mbareteva. Ambue gotyo Y Paraná,
orerykue, roike peteî quesu hepyme’êha oñehendu umi mba’e porâ umi teta ha
jejapova upejerere. Upepe roikuaami Brasilpe tapichakuera ohecharamo ha
Vinciguera, tera Italiagui ouva osêva jejuro oñandu iporâha umiva. jeikuaarire âva
nguare yga Brasilgotyo. Ñekañy ñorairôgui japopyre, upe dictadura brasilpe
ha’e puaka. Arminio ha Ivani oñe’ê ara reko omombarete jereguereko ñe’êpuhoe
ñemityrâ ha jeipuru porâvehâgua upe jerere: ponotei oñehundipa umi mba’e porâ
naranja apepú, yvyra, menta, ka’a ha soja. orekova tetâ rembe’yre.
Omombe’u avei Allica rehegua, karaí kyhyjeha
uperupi – ymami “mensu”ramoguare, ha’e Opavo ka’aru roguahê Porto Mendespe.
opoi Y Paranáme ipytyvoharape. Marly oiko Ambue tendaicha, jahecha inandi pe tavapy
peteî oga yvyragui ijapopyre ogueruvaekue y oñuambarupi Itaipú apogui, jeipuru rupi
Porto Mendesgui oñapymi mboygue. Uperamo tembipuru ha pohâ vai ñemitýme.
guare, ojeipuru mbayru ikatuva ogueraha oga Rovisitavo museo upepegua, rohecha
ijapopyre peteî tendagui ambue tendape. mymba ikâ pyre ha mba’e yma guare,
Omongakuaarire mbokoî tajyra ha omano umiva apytépe peteî mba’ejere tuvicha jere
rire imena, Marly oñeha’â oike mbo’eha apu’are umi inglês mbaéicha – ha’eva
guasupe; mokoî ary jeyma omohû’a hague ime’embyre Allica rogaygua rupive. Pya’emi
Curso de Letras, ko’anga ombo’e mbo’ehao ore mandu’a Vinciguerape heivaekue oreve
terakuaápe ha ombo’e alemán hógape. peteî ára takykue.
Oñe’ê pe tekove atyre colonia Ypa rembe’y Roho Benites rógape, peteî ymaguivéma
Paranáme ha pe ñemoha’eño tavaipe. Marly oikova upérupi. Omba’apo kuri puertope
peguarâ, umi chokokue omba’apovaekue oñeregueraha ramo gueteri ka’a Guaíragui
yvyre teko ambue oñandumi hikuái ha trenpe, tren rape Ka’a Laranjeira, empresa
oipe’apa opaite ogaygua. Alemán – he’i Benitez – tembiguái ombohasa asýva
ñemoñarekuera ha guaraníva, Marly imba’apoharape. Coluna Prestespe
ohechaukaheta ta’anga ogayguakuera ha ojekuaava, omombe’u ohendu hague
umi mba’e ymaguare – hi’âite ichupe ñemongueta umi moingovaiha opytavekue
omyengovia pe tenda peteî museo Allica yvykuerape, ho’u hymba ha Omo sâso
hogayguape. Upe yvotyty tuvichava, oî heta heta chokokuepe oikomiva tembiguáiramo.
ryguasu, peteî jagua ha mokoî lorito – Ohoramonguare, ohai peteî kuatia oheja
peteîva jepiveramo oñe’êva. Rojevytavove, papakuaa sambyhyha poguype. Edson,
Marly ombohasa ambue ñe’ême umi kuatia Benitez Ray ha’e yvyhaiha. Oikuase avei âva
ha’i ojekuaava peteî pehenguepe mba’e ha omombe’u oreve pe jeiko vai yvy
oñasaingova portónpe: Neue Aussichten – reguava umi quilombolas ha hymba hetava
Ararapo Pyahu. Upe kaaru henyhete Maracaju de los Gáuchos, tenda aguî umi
marandugui. Roikuaa avei Sergiope. He’i jerepe. Ore resape’a ani hâgua roike umi
oreve, mbohapypa ary ojapo, oî hague heta ñeko’ôme. Edson peguarâ, Porto Mendes
ñe’êpuhoe Paraguay mba’eva ha Argentina ha’e peteî tavai tapicha tembiapógui opoí
guava teta rembe’ype, umiva apytepe oî vaekue. Ro’uhape café panaderíape, roikuaa
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kuri Negape. Roikuaa umi oikova Porto ogustaimi ichupe. Mba’e kuaaseve ogueraha
Mendes ha Puerto Adelagua, Paraguaipe, chupe Allica rógapeve, oikuaa hâgua
oîha joaju mbarete, oñombohupa katuinte añetegua pe ñemanore oñeseñalava
ha ojeroky oñondive. Avei rovista kuri omanovape umi “mensu” rônguare.
Laurope, ta’anga apoha oikova uperupi. Oñemohasa ojoguaseha tembipuru, oguahê
Oñepyrû ramo guare, oguenohê ta’anga upe tenda kañyhape oma’eva Y Paraná peve,
yvy’â Y Paraná. Ha’e ogustaimi chupe mbo’i. tenda Allica ombohasahape mono’ôha,
Ohechauka oreve ta’anga 70 peguare, peteîa haihu’ýva terâ omba’apova hendive
umi carreta inglesa Allica mba’e. Opavo pe ndogueroviaiva tembiapoukapy. Oporandu
ára, roike peteî karuhape. Upe estantepe, roikuasepa mba’erepa ojeherô Puerto
mbo’i ra’anga kuera, pira ha Adela. Ro’echupe añete roikuaase, oñepyrû
mymbajejukaha. Upepe oî kuri Julio oñe’êva tembiasare pyahu. Yvy Brasilpe Allica oiko
iñambueha mokoî arypahavove – he’i ha’e, hague( ohasa Brasilguive Paraguaypeve),
umi estaciero ombya’ipa Porto Mendes. oîvaekue peteî mbo’ehao oñatendeva umi
Rosê Puerto Adela gotyo ygape po mba’apohara raype, ha peteîa umi
tapichandive - ambue ára henyhevaekue. mbo’ehara heravaekue Adela. Upe Kuñataî
Roguahêvo, rotopa peteîa umi oga omendata kuri peteî marinerore
ñembotyhape. Roguata posu ha’âha peteîmi omba’apova Porto Mendes-Buenos Aires pe
tape oîva ha rohecha peteî Marina ohova. Pe imenarâ oho omenda mboygue.
Oñangarekoha; upepe roheka marandu tavai Adela oha’arô aja ou jeypeve imenarâ,
régua. Oñatende orerehe Carlos, ohenoi “Kuimba’e Allicagua” oikuaa omendataha ha
huvichape pya’emi, Alfonso ha’e sub oficial oipyhy. Adela, ojedesespera ha ojejuka
principal, “Akâguasu Destacamento Naval imenarâ rayhupape. Oheja peteî kuatia ha’i
de Puerto Adela pegua”. Avave umi oficial he’iva oñeñotyseha yvy Paraguaype. Hete
ndaha’ei upepegua. Roñe’êaja oguahê peteî oñeñoty kuri yvy’â paraguaya Y Paranáme,
karaí: Agapito, heñoi vaekue Puerto ko’anga guarâ ndaiporiveima. Ambue
Adelape, ha’e omyakâ pe aty upepe. He’i tembiasapyrepe, Francisco omombe’u pe
kuri 70pe heta umi brasilero ouvaekue ka’a ñereguenohê ambue ára, pe iguataha
oikova Puerto Adelape, omba’apo ñemityme tape Canindejure ohecha ka’a mbyatyha ha
okaru hagua; umi 80 ha 90 arype oñepyrû pe ka’a ryru 160 kilos oguereko (ohechauka
ñemba’apo tembipuru rupive pe yvy, mba’eichapa kuimba’e oguatakuri). He’i pe
ndaha’ei peva rupi ñemombovy pe kuimba’e oguereko pyrehegua gomagui
tavayguakuéra – pe tembiapógui opoí ijapopyre ponotei ojahoga ipohýi rupi icarga
va’ekue ha ndaikatuiva oñepohano uperupi. ilomore. Omombe’u avei cementerio ava
Agapito ohasa sapy’ami upepe ha mba’eva, upepe otopa kuri heta akâmgue
ohechauka oreve peteî tapicha ha’eva yvy ari; he’i avei umi ava uperupigua oñoty
Francisco roñomongueta hâgua. Alfonso ha tapichape iñakâ okape yvy ari. Rojevyvo
itayra Marcos oregueraha Francisco Destacamento Navalpe, ofrece oreve “jekaru
rógapeve, ore recibi peteî yvyraguype. paraguaiete” – arro al tuko ha marinera
Francisco omombe’u jehasapyre, katuinte ryguasu gui guare – ojapova Carlos. Oguahê
98
peteî mitâkuimba’e moto ari, roporandu guype – Valdete, Lia, Néia, Adriana, Kayla,
chupe mbo’ehao uperupiguare, ombohovai Djenifer ha Kyria. Chico oî avei upérupi.
oreve oñembotyha ymamima ndaiporigui Valdete oreko peteî oga jerokyha herava
temimbo’e. Rojevyvo Puerto Mendespe, Julio Mania Open Show, upepe avei omomgaru
oregueraha Iguiporâme, ndaiarei rojupi mba’apohara siloguape oîva ijypype. Osê
mbayrupe ha roho Pato Bragado. mbohapy jey, ha ou jey. Ko’anga ohoitese; itúa
oikova Espírito Santo, ha’e hasy ha oikotevê
Rotopa Walterpe, omoñepyrûva Pato ñeñatende hese. Dete omombe’u imena
Bragado, ro’u hâgua ka’ay. Omombe’u oreve omyemkovia ichupe Itaipú upe y ojagarrapa
ohejaha ñemuha, oipe’a hâgua tape, ikatu rupi ijyvykuera, ha hembymivaekue oîva pe
hagua umi colonoskuéra opyta. Opyta jerepe jeikekuevo. Orecibirire “pira pireita”,
vy’ape oikuaavo heta tapicha ojapovo ha’e okañy upegui ha oheja pó tayra
hekove ymaguivema ouvo. Walterpe, ko’anga okakuaavaera. Lia oñorairô osê hâgua
ofalta ijapopyrâ umi tapicha oñecontenta tenonde purahe’i haramo, ha’e kuri
hepyme’ê mba’aporente. Pe tava oikotevê maranduhara ñe’êpuhoe ha ko’anga oî
oiko oguata hetymare, ojekoynre Itaipú omoambuevo peteî aty Cuiabápe ha avei
pirapirere. Roha’arôjave mbayru ohova ikatu Curitibape. Néia avei ha’ema kuri
Porto Britâniape – puerto oîhame hembyva maranduhara, oreko peteî ñe’ê porâ ha
inglekuera -, rotopa Detepe ha imemby mokoî memby kuña, Djeni oiko Rio Grande
Liape, avei ohasatahina teta rembe’y. Pe yga do Sulpe ha Kayla ohota oñemoarandu Pato
henyhetekuri árapokoîme heta tapicha oho Bragadope. Néia omombe’u pe ñemo
oñemu Brasilpe. Oguahevo Puerto ambue upe tendare ndaareiete, ko’anga oî
Marangatupe, Lia ohechauka oreve Luizpe, upepe yvyguygua oî kuri heta oga kuera
oreguerahava itúa ñemuhame, Demetrio. “ha’eteva ku velho oeste”. Chico ha’e oga
Upepe roikuaami avei Lidiape, Berenice ha apoha – tavai Primero de Marzope
Leticiape. Demetrio omba’apo heta ary rohechakuri hembiapore peteîa umi oga.
ogueru ha ogueraha tapicha ambue gotyo Néia ha Chico oregueraha moto ari Arsênia
upe teta rembe’ype. Peteia umi jehasape, rogapeve ropytu’uha, rohasata upepe
ijyga ojahoga pairundy tapicharehe, umiva pyhare. Arsênia ndive, rontende porâve pe
apytepe irundy omanoite. Ha’e peteî umi ambue reko uperupigua, jeikovai, ndaipori
arevema oikova upe tavape, oguahê 50 ary ñekomchavo, aty ñemosarambi, opa umi
jeyma, uperamo ka’aguy memetekuri. jeroky ha umi y hypa. Ohechauka oreve
Ipuahuvepe omba’apovaekue haiharamo ha imemby kuña ra’anga ha hemiaryrô oikova
upeicharupi oikuaa porâ guaraní jeha’i. mombyry, mokoî jeroky ikoty guasupe ha
Rokaru ha ome’ê oreve kumanda ra’ýi. hiangairûnguera omanomavaekue. Avei
Berenice oguenohê ta’anga umiva. Lídia roikuaa kuri Baianope, karuha jará. He’i
ojapo pastel ha’eteva ku hetereitava, oî Brasilgui ndoikuaaiha Maranhão añoite.
tapicha ho’uva papoteî peteî tirope. Ita’yra Edgarpe, Marangatu há’e peteî mba’e
Uperire, Luiz ore reja Dete rógape, ro’u pochy reta. Ambue árape, roho koty
tereré upepe. Rotopa pokoî kuña yvyra guasupe jekoryha upepe oiko peteî vy’a
99
omotenondéva ñe’ê puhoe ñepytyvô Nueva Esperanzagui roho peteî mbayru
mbaraka mbopuha ndive upepegua. hetândive. Hernandariapema, roikuaami
Roguahêvo, rohendu Tatupe omombe’u jeyma Miriampe ha hogaygua. Tapicha
peteîha jepurahei. Oñembotyrire pe vy’a atyre oñemongueta kuaava, ha’e ombohasa oreve
ha peteî karu guasu gaúcho ojapokuaa haicha, heta marandu pe tavarehegua. Ropytami
oiko jey purahei japopyre Orlando joyvype viru ynre ha “ñemosâsoyme”, upevare roho
Nelson ha Diamante ndive. Ñemongueta Foz do Iguaçupe, pya’e rohasa Migración
osyryva uperô kuri ha’e Orlando iñambue Ciudad del Este pegua. Taperehe,
ko’anga rupi, oñeimo’â oñanduha mborayhu; rohechami peteîha Itaipú ha Acaray
upei omohû’â tenda upepe guava rupi terraplenado, aguî’ete oî ojohegui. Ponte da
kuimba’e oreko ikorasô ñongatupy michimi. Amizadepe henyhete ha opa’âmbajave
Ambue ñemonguetaharupi, opyta tesakame mbayrugui, ropyta haimete mokoî aravo.
Marangatú ha’eha tenda oîhame jeikovai. Upe Rojevyvo Hernandariaspe Francisco ndive,
jasyhopaha ramo, pokoî tapicha oguahê ramo taxista Ciudad del Este pegua. Taperema,
vaekue ojejuka, sapy’ante oguahê pokoîpa ohechauka oreve peteî aty Itaipú Binacional
peve jejuka. Upegui roho Orlando ndive Mania Paraguaya renondepe – oî peteî aryma
Open Showpe. Neinaminte oguahêma mba’apoharakuera oñemoatâ ñemosêrupi.
ambue mbaraka mbopuha ha ombopukuve Hernandaria ha’e tava Paraguaype oîhame
pe jeroky. Rosê kaaruma upegui. Roguahêse Itaipú. Iñambueva pe Brasilpe oikovagui,
kuri Nueva Esperanzape opa mboygue upe ñembohupa Usinape hepy me’êynre
ára, arateî rupi asy jetopa roho hâgua a jeikekuaa, upevare roike rohuatami
dedo. Marangatu oiko ñemoha’eño hame, hidroeléctrica ryepyre. Upe roguata aja,
ko’anga ndaipori upepe mbayru rohecha ta’anga ryryi institucionreguava,
oguerahavaerâ guataharakuerape. Baiano paraguayo kuera omombe’u haicha, “Itaipú
karuhape, roha’arô mokoî aravo. Opa jave Tuvichapajepeva”. Heta oñembotuvichaetereíva
orejerovia oguahê, Luiz omboi’u hagua ha ndaimbojojahaiva ombojo’a jo’a tuvicha
imbayru roimeha ypype ha oñatende ore ha pe tembiapore, avei jegueroguata
rehe, rohepyme’êta guive ichupe ijita tecnologiaeta, omoporâve tekoreko,
kyrare. Roho peteî tape yvyrei rupi tuvicha ñangareko tekoharehe, ingenieria
ha heta kua oguerekova, rohasa popasu rembiapoukapy ha ome’êva mbarete. Opavo
hectárea ñure ha peteînte ijara ha ome’êva pe ta’anga ryryi, roike peteî mbayrupe
avakuerape oñoty hâgua soja ipype. Pe oregueraha pe usina jerere rohechapaite
tapereaja, rohendu Luiz rembiasakue oho hâgua. Ropyta rembe’y akatúva gotyo
ramonguare Porto Alegrepe ohechavo upeguive rohecha Ciudad del Este ha Foz do
Grêmio Porto Alegrense ho’a ramonguare Iguaçu ojoykere; ijapytepe Y Paraná
segunda divisionpe. Mokoî aravorire rembyremi. Compuerta vertederope oî jave
roimema Nueva Esperanzape, ore yvy jepe’ape heta oî ipype y ha pe Ypa ojupi
timbopaite ha ore kane’oite. Mbohapypasu, okygui heta São Paulope avei otimbo upe
roke peteî pytu’uha rotopa ra’êvevape. Ypa Itaipúgui. Oî aravo roguenohê hâgua
ta’anga ha roje’oi jevy, rohasa cantarilla
100
guasu rupi ombojoajuva mokoî rembe’y ha opyta mbohapysa irundypa pukukue,
roguahê usina brasilgotyo guape. Rojevyvo oreguerahava poteî aravo guatahavo opyta
roju y jokoha, upero rohecha kuri tuvichaha rupi hetajey tapere.
upe Ypa. Rosê jave itaipúgui, roho tavaipe
lonagui ijapopyre jeikemivo oîva tapicha Paraguaype ropyta mombytahára
mbovymi oñemo atâkuri. Roikuaakuri Angélicape, peteî oga ymaguare ha
política rupive, haimete mokoîsa tapicha oñeñangareko pôrava. Oîme uperupi
oñemosê imba’apohagui ojapovaekue oguatava brasilero, chinês ha coreano heta
itaipúpe, mba’apohara mopotîha ha hikuái tavaipe. Jasyteîme, haime
ñangarekova tekore. Pe tapýi mbohapysu temimbo’e brasilero oñemo
ogueroguatama peteî ary ha upepeve naina arandúva Paraguaype maestrado ha
gueteri oñesoluciona. Edgar oñemosê doctoradorâ ojapova hina. Taperehe, ñe’ê
mokoîpapo’apy aryma omba’apovaekue. guarani ñahenduve ha umi “pohâ” repy
Maria he’i oikohague Brasilpe ha ambue me’êha tererérâ, oî hikuái oparupiete.
tavape America del surpe. Tetâ ambuepe, Rohekato tembiasakue, porâ rehegua ha
ohenduvove Paraguay re ñeñe’ê, otî; ou jevy porâ reko, roho kuatia ñemuha Plaza
rire, oñeñanduvai na iñambueigui hetâ. Uruguayape. Upepe rotopa yvy ra’anga, ñe’ê
Pyharepe, Miriam omombe’u ijehasapyre, apesâ ryru, ñe’ê ha kuatia guaraní reko
henyhete ñe’ême’êgui ñekarapu’ârâ. Ñepyrû porâ rehegua. Peteî ymaguare memete
colonia Presidente Stroessnergui, upepe jatopahape, rotopami peteî kuatia
oiko porundy arypeve, itúa oikerônguare michimiva guaranime, upeva peteî tetâ
omba’apo mombytaharamo. Uperire rembiguái Paraguay ra’y. Museo Bellas
Hernandariaspe, Itaipú jejapo ypy mboygue, Artespe rotopa ta’anga Paraguay rehegua
uperô oî kyre’y mombytaha jejaporâ, oîrire ohasavaekue ñorairô ronguare. Upe oga
uperupi heta mba’apohara oikotava upepe. guasupe avei oî Paraguay rehegua
Ndoikoi upeicha. Uperiremi oparire tembiasare, upepe ikatu jetopa kuatia
peiñepyrumby imombytaha apo, tetâ añetegua 1534 guive. Peteî kuña carai
rendota Stroessner je’i umi mba’apohara omombe’u oreve mba’eichapa ikatu
kuera renda ojereraha hâgua pe tava oraba roguahe umi kuatia roipuru hâgua, entero
hera. Aremi roñemongueta pytymbype, umiva ikatu oipuru umi ojatypekava jeikuaa
ndohesapei ho’arupi upe mbarete, âva ha ñemombe’ura. Cabildopema, Centro
pyhýinte oiko uperupi. Hernandariaspe, Cultural de la República del Paraguay,
ndaipori rupi upe mbarete, heta tapicha rohecha peteî ñemyasaî Moisés Bertoni
oreko y potî ha ndorekoi y jepurupyre rembiapore, yvy ra’anga upe Y Paraná
mo’opa ohykuavo hâgua. Pyhareve ramo, pe jerere, ta’anga mymbakuera ha yvyrakuera,
mbarete neina gueteri ou. Roho Paraguaype, ta’anga kuera, kuatia ha’ipyre ha heta
ha’eva peteî tavai iñepyrumby América mba’eve. Bertoni oiko kuri upérupi
Latinape, tava jejokuai katu oî Pepe ha avei iñepyrumbyvo pe sa ary ohasavaekuepe,
oreko museo ha biblioteca Paraguay kuatia kuera ohechauka irumdypa mokoî
rehegua. Hernandariasgui Paraguaypeve ary porâ guaraní rehegua ha yvy ra’anga
101
haipyre Paraguay reheguava. Villarricagui Ciudad del Estepeve hetami
Roikuaa Zulmape Secretaria Nacional de rohasa asy. Peteîa ára kuarahy hakuvejave
Culturape ojejapo ramoitevaekue, ikatuhape rembochyryry tupi’a itarykukue,
oñangarekova umi tembiguái apo porâ oregueroguata mbayru tenyhete opytava
Paraguay rehegua. Oremboguata Dirección peteî aravoi ohupi ha omboguejy hâgua
de Asuntos Comunitariospe, upepe roikuaa tapichakuéra. Rohasa tetâ rembe’ype
Leape ha roñe’ê porâ opaichagua rehe ha ñe’engatupe peteî taxista ndive. Ha’e he’i
tembiapo upe teta rembe’yre. Ka’aruetevo peteîa umi problema ha’e ndojeikuaagui
roho Guillermo rógape. Roikevo, roikuaami upe mba’e porâ ava orekova, ogueruva
cacique Brunope, peteî karai ijoheipyre ñorairô tavaygua ava ndive. Enteroite
Chamacoco. Ambue ojapo ñe’ê apesâ ryru mba’ere, umi tapicha oikova ciudadpe
iñe’ê teetepe itavai régua. Guillermo ndorekói en cuenta hembiapore, oî mboguy
omombe’u imba’apohare ojevyvo atype mokoî ñemoñarekuéra, ava teeteva ko anga
mboriahu upepe heta ndosoiva opa ára; guarâ omba’e jerureva mbayru pytu’uhape
omombe’u avei ojehe’aha Tapicharekoverehe terâ opytahape ha’ekuérami ombyatyva yva
ha mba’e puatyre. Ha’e oheka ñemokyre’ý hembi’urâ ome’êva ichupekuéra pe ka’aguy
umi Chamacocope, Guaraníme ha chokokue Paraguaype ha pe yma apo reko ha umi
kuerape omombarete hâgua imba’e porâita teko reko asy umiva oñemo ambue hâgua
teeva ha avei oikuaa hâgua ñembohasa pya’ete.
marandu porâ ojopyva ichupekuera. Ore
mokyre’ý rojapo hagua tembiapo
ñembojehe’ara aty rupive jatypeka rupive
brasilero ha paraguayo kuera ndive – peteî
temikotevê uperupi ha tavakuera ndive.

Roho Paraguay guive Villarrica gotyo


ymaiteguare ha ndopytaimivaekue, peteîa
umi tavai America karai ñe’êgua. Jasyteî
pahape pe tavai osakoi carnavalrâ; upe
okarusupe rotopa peteî aty opintava hina
gomba kuera jeguata rysýi, osakoiva
“ohechajatava ijeroky” pe tape tuvichakue
javeve. Rohasa mba’e ñemuha rupi ha
rohecha mba’eichapa omumu umi mba’e
hepyme’êha opa kuetevoma upe ára ore
mba’apoha. Rohasasemi kuri upe árape tetâ
rembe’yre. Opakuetevo ore aravo Villarricape
roguata jey tavaire, ropytu’umi peteî
okarusupe oîhame heta yvyramata ha
isombraguy porâ heta guyra kuera. Rohovo
102
Diario de Viaje
Sobre el Lago Artificial de Itaipú, percibimos la albergar a los trabajadores. Es uno de los
dimensión nocturna del monumento. Después barrios más distantes del Centro de Foz do
sobrevolamos casi toda la extensión del Paraná Iguaçu y el más próximo de la hidroeléctrica. Al
bajo luna llena, llegamos a Foz do Iguaçu al entrar en el barrio, observamos la arquitectura
inicio de la madrugada. Ya en la casa de Juca, estandarizada de las residencias, con las
conversamos por horas a respecto de nuestras estructuras de los tejados arqueados como la de
intenciones de deriva y rememoramos el galpones. En su origen, una misma
encuentro de un año atrás. Juca vive con construcción se dividía en cruz, lo que permitía
Teresa, dos hijos y sus padres. El señor Zé, abrigar hasta cuatro familias. Poco a poco, esas
padre de Juca, describe un reciente episodio de construcciones se singularizaron por las
persecución policial, su deseo era no estar allí, ocupaciones y sus historias. Entramos en un
pues “la ciudad es peligrosa y bandido no bar. Allá estaban Tekão, Juca Gealmir, Aguirras
perdona”. En procura de un hotel conocimos a y su esposa, todos moradores de la villa desde
Luís, un chileno que vive hace doce años en la década de 70. Pasamos cuatro horas
Brasil. Tiene voluntad de trabajar con la escuchando sus historias. La niñez, el baño en
concienciación ambiental y contra el tráfico de el agua dorada, “Foz do Iguaçu no era nada”, la
animales silvestres, quiere instruir a las construcción de Itaipú, camión cisterna, el
personas que poseen animales en la zona camión “agarra cuerno” (expresión jocosa de los
urbana – citó como ejemplo los caballos sin trabajadores en la construcción de la Usina de
herraduras que andan sobre el asfalto caliente. Itaipú), una zanja de cinco metros de
De vuelta a la casa de Juca, se inició la película profundidad que separaba la Villa, la hazaña de
“En busca de la felicidad”, acompañado de la recogida de lechuga y el camino para casa, la
rodajas de tomate, queso y salame argentinos. intoxicación en las plantaciones de Paraguay,
Entre otras conversaciones, la novedad: Teresa las canciones, las mágicas y las pinturas, la
viajará a China. Al final del día, ya en el hotel, la receta de jabón que la Villa entera hace y que
puerta del ropero reveló una antigua anotación: causa picazón y la cuchara gigante tallada en
“Estuvimos pasando la pascua de 98 en Foz y chocolate caqui. En la vuelta, pasamos por las
hospedamos en este hotel. Pasamos varios días torres de alta tensión que parten de la Usina de
amándose y divirtiéndose. Helena es la mujer Acaray, localizada en Paraguay. La Villa C, a
que más amo en esta vida. Foz 12-04-98. pesar de haber surgido debido a Itaipú, es
Norberto”. alimentada por energía paraguaya, que – dicen
sus moradores – es la energía más cara del
Fuimos hasta la Villa C, creada en la época de Brasil. Integración para el desarrollo.
la construcción de la Usina de Itaipú para

103
Encontramos a Medina en el restaurante por sus dolores. El señor Zé da recomendaciones
acaso. Cuando le conocimos, hace un año, era de cómo acabar con las plagas de la huerta,
un recién llegado a Foz do Iguaçu; ahora pasó a describe cada planta del quintal, revelándose un
vivir en São Paulo. Estaba acompañado de conocedor de té medicinales, le gusta mismo es
Kyara y Sami. Kyara nos contó brevemente “vivir para el campo”. Moa estaba por allá, a la
sobre su nombre – Maykyara, cuyo origen viene noche iría para un desierto salado de Bolivia, en
de mucho antes de ese lugar sea Brasil, cuanto nosotros partiríamos para São Miguel do
Paraguay o Argentina. Sami mostró su celular Iguaçu para encontrar con sus parientes. En la
paraguayo multifuncional con precio inigualable parada, recibimos la noticia de que el ómnibus
a los cobrados en el Brasil. Más tarde, fue la vez había sido descompuesto en São Miguel. Más
de conocer a Moa, que relata sus actividades de una hora de atraso. Pasada a las diez de la
con el teatro en Foz de Iguaçu y en los noche, llegamos a São Miguel; conocemos a
municipios linderos. Ya al final del día Mónica, Carlos, Tião, Fátima y Monique. La
conocimos también a Fernanda; ella nos indicó conversación avanzó hasta tarde de noche
personas que desarrollan trabajos por la región acompañada de la cena.
con las cuales podríamos cambiar ideas. Una de
ellas fue Amarilla, con quien entramos en Despertamos temprano en São Miguel. Fátima
contacto. Él es un conocedor de la región, nos llevó hasta Sadi, pescador de la región que,
nuestra conversa fue larga. En sus historias, antes de trabajar con eso, fue agricultor y
matizadas de antropología, indigenismo y fino comerciante. Cuando llegamos, estaba rodeado
humor. Sus familiares fueron pioneros en por tres perros y recogía tomate-cereza- nos
Ciudad del Este. Hiciera poco tiempo una deriva recibió sonriendo. Comentó sus hazañas con
por el extremo sur de Paraguay, un recóndito los peces: armado, pacú, bagre, traira, corvina,
lugar donde encontró una señora que no conoce pez-cachorro, cará, piabuzú, surubí, pintado,
abridor de latas. tucunaré, lambarí, tilapia, palometa, betara entre
otros. Algunas especies han reaparecido en el
En el camino a la casa de Juca conocimos a lago. En medio de la risa, juró sobre la variedad
Zulmira, que nos contó sobre su antiguo trabajo de sus historias, a pesar de ser pescador.
con la hermana: vendedoras de ropas por los Durante la tarde, fuimos con Tião, fátima y
mercados de la región lindera. Tiempos atrás Monique a la aldea ava-guaraní Tekoha Ocoy,
una vida repleta de dislocamientos, ahora una localizada en el distrito de Santa Rosa del Ocoy.
mercería para administrar. A pesar de la La entrada de acceso es curiosa: de un lado la
violencia, le gusta donde vive. En la mercería, reserva indígena, del otro, campos de soja –
un cartel hecho a mano marca la hora de paisaje común en la región. Los colonos
atención, información destinados a los jubilados descendientes de alemanes también preservan
que tienen por hábitos jugar naipes en una sus costumbres; En Santa Rosa del Ocoy un
mesa puesta en la vereda. Ciertos días, el juego dialecto alemán es la lengua corriente. En el
se prolonga hasta la madrugada y “todo tiene puesto de salud de la aldea, fuimos recibidos
límite”. En la casa de Juca, Doña María comenta por el cacique Daniel. Según él, la cultura y la
sobre la temperatura que marca los 47 grados y lengua de un pueblo son sus mayores riquezas
104
y por eso deben ser honradas. No en tanto, hoy con una casa adornada con botellas plásticas.
dan prioridad a la enseñanza de la lengua En ella, un letrero menciona que por allá está
portuguesa. Para ser cacique no hay prohibida la caza, quien firma es el empresario
candidatura, la decisión es colectiva. Si la Geladinho. Aplaudimos hasta que un hombre
persona cumple su papel, permanece por grande nos atendió. Maximiliano nos habló de
tiempo indeterminado. Con el surgimiento del amor, de la belleza femenina, de la música, de
Lago, visitar parientes y amigos del otro lado del la infancia y del poder político. Entre sus
margen quedó difícil, los encuentros ahora son invenciones están: Brizola muerto-vivo, aviones
esporádicos. La historia de los ava-guaraní es de la TAM, Teixeirinha, la santa de sostén y el
sufrida y, cuando les visitamos, la aldea pasaba pescador. Debido al dengue, quedan pocos
por una epidemia de malaria. Tião todavía nos adornos, muchos fueron retirados por orden de
llevó a otros distritos de la región, ora colonias la municipalidad. Él entonces agarra su guitarra
de alemanes, ora de italianos. hecha de envase tipo “bombona” cinco litros y
cantó algunas canciones italianas. Geladinho
Por la mañana visitamos una pista de skate que vive solo y la soledad hace con que fuera a la
Tião ayudó a construir. Supimos que en São radio a buscar una nueva compañera, gorda o
Miguel do Iguaçu no se realizan más partos, delgada, desde que sea compañera. Quién
pues la única maternidad de la ciudad fue sabe un día. Geladinho nos llevó hasta su
cerrada. Seguimos hasta Ipiranga; por la vecina Zulmira, otra artista de la ciudad. Su
primera vez estuvimos en una playa de la Costa deseo es dejar Itaipulandia, quiere vivir en
Oeste – así como el Lago, todo el ambiente es Jaraguá do Sul. Cambió de ciudad y de
artificial. Volvimos por la entrada principal y actividad, de costura de artes para las terapias.
conocimos a Clarindo y su esposa María, ambos Zulmira habla de amor, memoria celular,
pescadores. Para él la pesca no es un ramo de transposiciones dimensionales, víctimas,
futuro, más de supervivencia. Nos explicó la agresores, pertenecimiento, exclusión y poder
diferencia entre los términos “asociación” y político. Nos dirigimos al mirador de la ciudad,
“colonia” de pescadores. En una colonia, son construido en homenaje a la Aparecidinha
derechos garantizados de recibir salario en el d’Oeste, villa inundada con el surgimiento del
periodo de veda y jubilación; en una asociación Lago. Monumentos como ese son comunes en
eso no ocurre. Maria es analfabeta por decisión toda la región. Chico, el taxista, comentó sobre
del padre, hasta poco tiempo no reconocía ni los tiempos de la desapropiación. En plena
siquiera los billetes de dinero. Fue en una época de la dictadura sus padres protestaron en
emergencia que ella percibió la necesidad de la orilla de la entrada a fin de mejores
aprender a juntar las letras y las palabras. Hoy, indemnizaciones. Retornamos a la ciudad y la
sabe firmar su nombre y es tesorera de la Casa de la Memoria estaba cerrada debido al
Colonia de Pescadores de São Miguel do horario. Aguardamos acostados en el pastizal
Iguaçu. Su mayor placer es tirar la red de pesca. hasta que Urbano llegase con las llaves de la
antigua municipalidad. En la entrada un muñeco
Bajamos la avenida principal con destino al equilibrista, un juguete de madera con
centro de Itaipulandia. En el camino nos fijamos movimiento sutil. En el fondo, una pieza con
105
plantas medicinales y ornamentales bastante voluntario en la radio comunitaria de la ciudad,
extraño. Urbano habló sobre restauración, donde se responsabiliza por los boletines de
acervo, en cómo aprender a hacer haciendo, deporte. Nos llevó hasta Gisela, investigadora
detalló cada planta. Inventa cuchillos y de la región. Ella escribió un libro que trata de la
colecciona monedas. Tuvimos una tarde bien historia de Misal; comentó sobre la presencia
divertida. En el inicio de la noche llegamos a la británica en la tarea de la extracción de la
casa de Rodison, autor de un libro sobre la madera utilizada en la reconstrucción de Europa
ciudad. Nos contó de la inundación, del pos-guerra. Habló también sobre la disminución
analfabetismo y de la estrategia de drástica de la población en los años de la
desarticulación colectiva a través de la política década de 80 y sobre la cultura germánica.
de distribución de indemnizaciones. En cuanto Misal significa “libro de misas”. Terminamos el
aguardábamos el ómnibus para Misal día en Santa Helena. Allá andamos por la Línea
conversamos con Ella, matriarca de la familia Progreso, que queda próximo al refugio
Münch. Su historia comenzó en la fuga de los biológico. Encontramos muchos árboles
alemanes de Rusia, dejando para atrás las fructíferos, entre ellos coco y mandarina.
pertenencias y hasta los bebés en las cunas.
Quien consiguiese entrar en el tren o enfrentar En la municipalidad conocimos a Cladir. Ella
la nieve, en una travesía de trineo por ríos habló del cambio de clima debido al surgimiento
congelados, escapaba. De las personas que del Lago y de la decepción de su padre por
partían de Europa en barco repleto, muchos haber perdido sus tierras. Según ella, los
quedaron por el camino. Como consecuencia, la royalties benefician pocos a la población. En su
familia de Ella posee parientes esparcidos por sala, muchos mapas y alfiler coloridos para
varias partes del mundo, hubo hasta quienes marcar áreas de contaminación y casos de
nacieron en China. Ella nació en el Brasil, creció enfermedades en animales. Encontramos a
abriendo caminos en el campo virgen, por un Natán en la panadería, llegó apurado, pues
tiempo vivió en Paraguay. Terminó diciendo: tenía muchas cosas que hacer debido a un viaje
“Ustedes no creen, bien interesante es la vida marcado. Mismo así conversamos por un buen
de la gente”. tiempo. Según él, Santa Helena carece de
registros históricos sobre los cambios que
En Misal encontramos a Ivo, el Negro. Según él, ocurrieron en los últimos 30 años. La memoria –
en los comienzos de la ciudad, solamente los viva de aquellos que quedaron en la ciudad
alemanes católicos podían entrar en la Gleba de después del Lago – tiende al olvido debido a la
los Obispos, que no está bien porque ya hay falta de debate o reflexión colectiva sobre sus
italianos y nortistas en la región. Ivo tiene un transformaciones, prevaleciendo el relato oficial
restaurante donde trabaja con dos de sus hijos, de los hechos históricos. Actualmente, el lugar
Ademir y Betão. Ademir recuerda bien de los tiene poco más de un tercio de la población que
días anteriores a la inundación, describió una tenía al inicio de los años 80, se terminó
villa desierta: “era como si nadie hubiese vivido cualquier tradición posible y las relaciones con
por allí un día”. Presenció cuando criatura, el el pasado fueron perdidas. Natán ejemplifica: el
agua subiendo y sepultando todo. Betão es nombre de la ciudad es Santa Helena, más su
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patrono es San Antonio, su monumento es un Andamos poco más de un kilómetro y llegamos
Cristo, sus veredas son de petit-pavé como en la a un puesto en la orilla de la entrada, allá
capital, importa modelos urbanísticos ingleses o conocimos a Djane y Marcelo. Nos ayudaron
italianos y su comida típica es la costilla gaucha. con informaciones sobre horarios de ómnibus y
Unas de las diversiones locales es el trencito, contactos en Diamante d’Oeste. Marcelo poco
que silba para allá y para acá. Natán comentó circula por la ciudad, el comercio lo ata en su
también sobre la desarticulación, las lugar de trabajo. En la parada de ómnibus
necesidades, dependencias y la simulación de conocimos a José, minero de 65 años,
grupos organizados, el vale-todo por la actualmente agricultor, pero dice haber hecho
perpetuación del poder, la rotación de los ya de todo, inclusive trabajando como
partidos políticos, la depresión, el resentimiento, constructor de represa en Itaipú. Vive en Villa
la soledad, la lucha del negro y la Coluna Bonita, viene para el Sur “caçar miora”(buscar
Prestes. En la casa de cambio, cambiamos mejorías). En cuanto recordaba de Itaipú José
reales por guaraníes y conocimos a Gustavo, hace los mismos movimientos corporales de la
que dibujó en un pedazo de papel la travesía de época en que era constructor de represa –
la balsa de Santa Helena hasta Puerto Indio y aquellos necesarios para que no ocurriesen
Sanga Funda, puertos de Paraguay. Su papá accidentes en el momento en que los camiones
vive por allá. Sandra nos recibió en la oficina de despejaban concretos en la construcción. “Murió
su marido. Ella trabaja en el fomento al turismo, mucha gente en aquel lugar”, afirmó José su
habló sobre personas, lugares y hechos semblante transparentó la recordación y
históricos – como la Coluna Prestes en el complementó: “Ser constructor de represa es
Puente Quemada. Tarde lluviosa, muy peligroso”. En Diamante d’Oeste, en
permanecemos debajo de un toldo retratando cuanto esperábamos ir a dedo hasta la aldea,
situaciones mojadas. Andamos hasta el puerto y visitamos una radio comunitaria. Allí la
nos informamos, sobre los procedimientos para conocimos a Elisángela, una joven locutora.
la travesía. Al regresar a la ciudad visitamos la Para ella, su momento más triste fue la
biblioteca, donde Mario nos mostró muchos despedida de la radio una vez que decidió vivir
mapas, uno de ellos repletos de presidentes en otra ciudad. De retorno a la municipalidad,
muertos y generales olvidados. Leomar nos llevó a la aldea Tekoha Añetete, a
doce kilómetros de la ciudad. Leomar trabaja en
Partimos para Diamante d’Oeste con la la municipalidad y es estudiante de Historia,
intención de visitar la comunidad guaraní Tekoha antes de eso era camionero, profesión que le
Añetete. En busca de información sobre una posibilitó conocer muchos lugares. El paisaje
parada de ómnibus, conocimos a Cándida, una montañoso de Diamante d’Oeste difiere mucho
señora llena de historias tristes sobre tierras, de los dos municipios y comunidades que
usurpaciones, muertes y soledad. Su deseo era visitamos en los días anteriores. Leomar
vender todo e ir para otro lugar, estaba con conocía cada canto. Cuando llegamos a la
problemas de salud y necesitaba de una aldea, entramos a la escuela Kuaa mbo’e
intervención cirúrgica. El conflicto por causa de (Saber enseñar). Allá había una gran rueda con
tierras es notorio en el Oeste del Paraná. varios caciques y algunos miembros de
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instituciones, como Itaipú, Funasa y nos informaron sobre cómo transitar por la
municipalidad. Como de costumbre en las región. Después de unos tantos tereré – bebida
aldeas, conversamos con el cacique a fin de hecha con la yerba mate, agua fría mezclada
obtener permiso para acompañar la reunión, con hojas o raíces de plantas medicinales
que no fue posible. El cacique Mario nos dice refrescantes – Francisco, administrador del
que se trataba de una reunión cerrada a los puerto, nos invitó para almorzar con sus amigos
organizadores del encuentro, explicó que campesinos: Sara, Pedro, Victor y más unas
existen grupos contrarios a la organización de criaturas. Conocemos un típico“almuerzo
los Guaraní y por eso precisa ser precavido. paraguayo”: mandioca cocida sin sal, caldo de
Dice también que podríamos conocer la aldea y poroto y carne. Como postre, mango y sandia.
que en otra oportunidad nos recibiría con placer. Sara es estudiante de ingeniería ambiental y le
Mario es hermano de Daniel, cacique de Tekoha gusta la cartografía, utiliza ese tipo de
Ocoy. En una de las casas de la comunidad, representación para visualizar y denunciar
vimos un gran dibujo en la pared hecho por problemas ambientales, como la disminución de
Julinho Nhemboatevy, su inspiración viene de nacientes de agua y áreas forestales y el
un dibujo animado en el estilo mangá que nos crecimiento de la monocultura en Paraguay.
pareció más un autorretrato, pues es muy Pedro lucha para mantenerse en el campo; para
parecido con su autor. De vuelta al centro de él tierra no es mercadería, es contrario al uso de
Diamante d’Oeste, nos despedimos de Leomar agrotóxicos y la monocultura – se ve aislado por
y regresamos a la radio para conocer a Nésio, la vastedad de soja transgénica alrededor de
un exbailarín que organiza las actividades donde vive. Victor estaba rompiendo el piso del
culturales de la ciudad y trabaja como galpón a duras martilladas, preparaba el
comunicador. Comentó sobre el episodio que espacio para recibir una ordeñaría. Había
ocurrió en Paraguay tiempo atrás, cuando un estudiado plantas medicinales, lo que ayuda
ganadero – en su avión – pulverizó veneno en bastante a la comunidad, pues no hay
los campesinos que ocupaban algunas tierras. atendimiento fácil de médico en la región. El
En la parada de ómnibus, hablamos con local pertenece a la asociación de campesinos y
algunos choferes – se habló de la importancia allí funciona una radio. Gustavo necesitaba
de tener educación y de episodios de personas comprar hielo y buscar los botines y el uniforme
que actuaron mal por no hacer uso de ella. de su equipo. En la región hay un campeonato
en que participan nueve equipos locales; en el
En Santa Helena, minutos después de pasar por último año el equipo de Gustavo fue campeón,
el procedimiento de rutina de la Policía y de la el “Chealsea” de Puerto Indio. Nos llevó de
Receita Federal, estábamos sobre la balsa “Oro vuelta al puerto, donde esperamos ir a dedo
y Plata”, a camino de Puerto Indio en Paraguay, hasta General Díaz, allá tendríamos donde
y a bordo estaban más algunos camioneros en dormir. Juan, un camionero que cruza
busca de maíz y soja. Durante la travesía, un frecuentemente la frontera en busca de granos,
bosque de árboles muertos, fruto de la nos llevó hasta nuestro destino. En las dos
inundación. En Puerto Indio fuimos recibidos por márgenes de la entrada, una inmensidad de
Steban, Carlos, Francisco y Gustavo. Amables, sojales, a veces u otra vemos algún silo – un
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paisaje aburrido. Bajamos enfrente de un cosa rara en medio de tantos libros en
copetín de Lourival, en el fondo había cuartos portugués. Habló sobre la muerte de su madre y
para hospedajes. Con una voz suave y de su retorno a Mbaracayú para quedar cerca
hablando portugués, Lourival nos encaminó al de su padre. Walmor y Mario nos dieron una
último cuarto disponible. Al final del día, dimos gauchada hasta San Alberto. En el camino,
una pequeña vuelta por las calles de General preguntamos sobre el uso de agrotóxicos en las
Díaz, una comunidad de aproximadamente 600 plantaciones, a lo que respondió no estar en
habitantes, casi todos brasileros. contra, pues los técnicos de las empresas
químicas enseñan su correcta utilización. Para
Lourival nos invitó para entrar en su casa de ellos, la contaminación del agua por el veneno
piso encerado, cortinas en las puertas, es toda bobería dicha por la gente que no
bordados y crochés en la lavandería. Para quien entiende de las cosas, “lo que contamina el
vive bajo el polvo rojo levantado por los agua es la cloaca que viene de São Paulo”.
camiones que pasan diariamente por el camino Terminamos nuestro día en San Alberto, ciudad
de tierra, es una casa bastante limpia. Fuimos brasiguaya y colorada. Todavía dio tiempo de
hasta el mercadito de su hermano Américo, su dejar nuestras ropas sucias en una lavandería a
esposa era una de las pioneras del lugar. algunas cuadras del hotel.
Ambos comentaron sobre las dificultades de
vivir en el local, el analfabetismo, el pasado: En la búsqueda por un mapa de la región,
“General Díaz era todo monte”. En Mbaracayú entramos en una escuela. Allá conocimos
conocimos al ganadero Mario y sus hijos Ademir Amancio, que nos habló de la influencia del
y Walmor. Mario es un gran propietario de tierras Lago de Itaipú y de su investigación sobre
de la región, carnicero y también dueño del cuestiones culturales y ambientales en la región
mercado. Contó sobre su venida del interior de de San Alberto. En su casa, tuvimos un buen
Paraná para aquellas tierras y sobre la pérdida ejemplo de la diversidad de las culturas: la
de las primeras 70 hectáreas que compró con esposa Gracinda es brasileña; la hija Beatriz,
su familia porque cayó en un golpe de la paraguaya. Aunque hablen muy bien los tres
colonizadora. Comentó también del trabajo que idiomas, Amancio y Gracinda conversan entre si
tuvo para criar los cuatro hijos, del fin de la en guaraní; Beatriz prefiere hablar con su padre
agricultura de subsistencia, del sueño de la en castellano; ya entre ellas la comunicación es
mecanización y de la realización financiera – en portugués. En el abundante almuerzo,
siempre le gustó los números -, del aislamiento acompañado de un buen vino argentino, hubo
con relación a los paraguayos y del éxodo – una hermosa combinación de idiomas. Amancio
solamente en el último mes cuatro familias nos llevó hasta la próxima ciudad. Hermoso
habían partido de Mbaracayú. Esperamos hasta trabajo en equipo o Minga Porã, así podemos
el inicio de la tarde para visitar la Casa de llamar al municipio cuya historia es la de la
Cultura. Allá conocimos a Nidia, una de las resistencia de un pueblo delante del radical
pocas paraguayas del lugar. Con su cambio que se estableció desde la Revolución
temperamento calmado, nos mostró algunos Verde. Asagrapa es la asociación de
libros de estadística y de poesías en guaraní, agricultores campesinos que luchan por una
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vida sustentable, preferentemente a la Garcia, el primer hombre blanco que había
plantación orgánica con semillas nativas. pasado por Guaíra, tiempos después devorado
Anunciación, actual coordinadora de las en la región de Asunción; y el “chismoso”
mujeres, nos recibió en su casa y nos explicó guaraní, un informante – importante miembro de
cómo ellas se organizan y participan de las la aldea que dejaba por los caminos pequeños
decisiones. Su familia es una de las primeras en objetos, símbolos comprendidos por su pueblo.
Minga Porã, hasta fueron presos en la dictadura De las desaparecidas Sete Quedas, nos
por protestar a favor de la emancipación político- comentó sobre el sonido que ellas brindaban:
administrativa de la ciudad. A la tarde fuimos en para los guaraní, se trataba de la voz de Tupã.
taxi comunitario hasta Salto del Guairá, con Con el surgimiento del Lago, su dios se fue. A la
cuatro pasajeros en el asiento trasero, tres tarde visitamos la “oficina” de Fraile Pacífico,
adelante y uno en el porta-valijas. El domingo artista y ambientalista de la región que durante
en Salto del Guairá, los más jóvenes desfilaban catorce años reforestó una isla. Estudioso,
con sus motos por la avenida principal. En la posee una gran producción en talla, escultura y
calle del puerto había una alegre fiesta cerámica basada en la cultura guaraní y en el
paraguaya al sonido de una banda tradicional – cristianismo. Con un portugués cortado – vivió
todos los que estábamos, participamos y muchos años en Europa -, habló sobre
bailamos mucho. Por la mañana, salimos hacia espiritualidad y de la sencillez del gustar, explicó
Guaíra. Pasamos sobre las Sete Quedas, con detalle la simbología de sus trabajos y nos
mientras realizábamos la travesía. Ya en suelo enseñó cómo sembrar yerba-mate. Suely, su
brasileño, fuimos hasta la Casa del Artesano, esposa, nos sirvió jugo de piña cultivado en su
donde conocimos a Margarita – según ella, la huerta. Transitamos por el amplio jardín, lleno
población de Guaíra siente mucho la pérdida de en especie vegetal – Fraile Pacífico y Suely
las caídas del Río Paraná, provocada por la conviven bien con ellas. Poco después, fuimos
formación del Lago de Itaipú. junto a doña Lucila, una paraguaya conocida
por sus historias y por ofrecer una merienda a la
En la mañana siguiente, nos encontramos con comunidad después de las tres de la tarde –
Ana, que trajo un bolso lleno de personajes pan casero recién sacado del horno, chipas y
lengedarios de Guaíra, pequeños muñecos cocido paraguayo. Doña Lucila cuida de la
hechos con paja de maíz. Mientras ponía sobre capilla Nuestra Señora de los Milagros de
la mesa los objetos, nos contaba historias de los Caacupé, construida al lado de su casa según
tránsitos de los pueblos y de las ciudades. el deseo de su madre. Lucila nos contó sobre el
Guaíra, por su ubicación estratégica, siempre desaparecimiento de la santa, que – después
fue lugar de pasaje, se encuentra de doce años – “milagrosamente” ha vuelto al
aproximadamente en la mitad de camino hacia altar de la capilla. Al final de la historia, nos
Peabiru. Ya la histórica Villa Rica, construida por mostró una estatuita que cabe en la palma de la
los Jesuitas, fue varias veces destruida por los mano. En la casa de Lucila también estaban
bandeirantes u opositores. Ciudad nómada, Bonifácio y Maria, una pareja de La Paloma.
pasó por siete lugares diferentes hasta fijar en Bonifácio cantó algunas canciones tradicionales
Paraguay. Algunos personajes son: Aleixo de Paraguay, todas acompañadas por su
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excelente contexto. Maria participa de la lugar en un museo de la familia. En el gran
Asociación de los Derechos Humanos en jardín, había gallinas, un perro y dos cotorras –
Paraguay, y comentó sobre las diferencias de uno de ellos a veces hablaba. A la hora de
apoyo por parte de los gobiernos brasileño y despedirnos, Marly tradujo los escritos de una
paraguayo, habló de jubilación – “envejecer en placa colgada en el portón: Neue Aussichten –
Paraguay es difícil”. Vino a Brasil para Nuevo Horizonte. La tarde fue repleta de
tratamiento médico. Después de la lluvia nos recuerdos. Conocimos aún a Sérgio. Nos dijo
despedimos. que, hace unos treinta años, había muchas
radios paraguayas y argentinas en la frontera,
Llegamos a Marechal Cândido Rondon al algunas de ellas con muy gran alcance. De los
comienzo de la tarde. En el camino a la casa de dos lados del Río Paraná, la cultura de esos
Marly, justo cayó un aguacero. Para abrigarnos, países era escuchada y en Brasil la gente sentía
entramos en un almacén de quesos producidos gusto por esas riquezas trasmitidas.
en la región. Allí conocimos los Vinciguera, Conociendo estos hechos, la dictadura brasileña
nombre de origen italiana que surgió a lo largo incentivó la apertura de radios como estrategia
del viaje en navio hacia Brasil. Huir de la guerra para establecer fronteras culturales.
fue el modo de vencerla. Armínio e Ivani
hablaron sobre los ciclos de explotación y Al final de la tarde llegamos a Porto Mendes.
cultivos en la región: naranja apepú, madera, Como en otros lugares, persiste el vaciamiento
menta, yerba-mate y soja. Comentaron también de la población provocado por las inundaciones
sobre el leyendario Allica, señor temido en la resultantes de Itaipú, por la mecanización y por
región – en la época del “mensu”, él echaba sus el uso de venenos en la agricultura. Al visitar el
cobradores en el Río Paraná. Marly vive en una museo local, nos deparamos con bichos
casa de madera que ha sido trasladada de Porto disecados y objetos antiguos, entre ellos un
Mendes antes de la inundación. En aquel carro con grandes ruedas de estilo inglés – era
tiempo, era común el uso de camiones una donación de la familia Allica.
adaptados para llevar casas enteras de un lugar Inmediatamente recordamos lo que los
a otro. Después de crear sus dos hijas y con la Vinciguera nos habían dicho un día antes.
muerte de su esposo, Marly decidió ir a la Fuimos a la casa de Benitez, uno de los más
universidad; ya ha hecho dos años que se antiguos pobladores de la región. Trabajó en el
graduó en el curso de letras, hoy enseña en puerto cuando aún había el transporte de la
escuelas públicas e imparte clases de alemán yerba-mate de Guaíra era hecha en tren,
en su casa. Habló sobre la vida comunitaria de ferrocarril Mate Laranjeira, empresa que –
la colonia a la orilla del Río Paraná y del según Benitez – esclavizaba sus trabajadores.
aislamiento en la ciudad. Según Marly, para los Sobre la Columna Prestes, comentó que había
campesinos que trabajaban en la agricultura el escuchado hablar que los revolucionarios se
cambio fue radical y desmanteló familias quedaron en las tierras de Allica, comieron su
enteras. Descendientes de alemanes y guaraní, ganado y liberaron muchos campesinos que
Marly nos mostró muchas fotos de familias y vivían en régimen de esclavitud. Cuando
objetos antiguos – su deseo es transformar el partieron, firmaron un recibo dejando las
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cuentas para la responsabilidad del gobierno. Adela trabajaba con la agricultura de
Edson, el hijo de Benitez es geógrafo. Tuvo subsistencia; en 80 y 90 ha empezado el
curiosidad por el tema y nos dio a conocer los proceso de mecanización, que no fue el factor
conflictos de tierras entre quilombolas y responsable por la diminución de la población –
ganaderos en Maracaju de los Gaúchos, región fueron las cuestiones de jubilación y la falta de
muy cercana de este entorno. Nos aconsejó a atendimiento a la salud que vaciaron el lugar.
mantener alejados a causa de la complejidad de Agapito estaba de paso y nos indicó una
la situación. Para Edson, Porto Mendes se ha persona, Francisco, para que continuáramos la
convertido en una pequeña villa de personas conversación. Alfonso y su hijo Marcos nos
jubiladas. Tomamos un café en la panadería, llevaron hasta la casa de Francisco, donde
conocimos a Nega. Supimos que entre los fuimos recibidos en una área externa con
pobladores de Porto Mendes y Puerto Adela en mucha sombra. Francisco se colocó como un
Paraguay, hay una fuerte unión, a menudo se contador de historias, pues por ellas siempre se
visitan y juntos organizan fiestas. También ha interesado. Su curiosidad lo llevara hasta la
visitamos a Lauro, el fotógrafo de los casa de la viuda de Allica, para saber la verdad
alrededores. Cuando era iniciante, sacó fotos de sobre las muertes de las cuales les acusaban el
la barranca de Río Paraná. Es aficionado por fallecido en la época del “mensu”. Fingiendo
anacondas. Nos enseñó algunas fotos de la interese en comprar herramientas, llegó hasta el
década de 70, una de ellas del carro inglés de lugar secreto y estratégico que daba para las
los Allica. Al final del día, entramos en un bar. aguas del Río Paraná, lugar donde Allica
En las góndolas, imágenes de víbora, pescas y encaminaba cobradores, enemigos o
cazas. Allí estaba Júlio que nos habló sobre las funcionarios que no respetaban sus órdenes.
transformaciones a lo largo de los últimos años Preguntó si nos gustaría saber por qué aquel
– según él, los estancieros han destruido a lugar se llama Puerto Adela. La respuesta fue
Porto Mendes. Partimos para Puerto Adela en positiva, entonces, empezó una nueva historia.
una barca con cinco personas – en otros En las tierras brasileñas del señor Allica (sus
tiempos estaría llena. Al llegar, vimos algunas dominios iban de Brasil a Paraguay), había una
casas cerradas. Anduvimos aproximadamente escuela que atendía los hijos de los
quinientos metros por un único camino y nos trabajadores, y una de las profesoras se
deparamos con el Destacamento de la Marina; llamaba Adela. La joven estaba de boda
allí buscamos informaciones sobre la pequeña marcada con un marinero que trabajaba en el
villa. Carlos nos atendió y luego llamó a su itinerario Porto Mendes–Buenos Aires. Su novio
superior, el suboficial principal Alfonso, “Jefe del partió definitivamente en viaje antes de la boda.
Destacamento Naval de Puerto Adela”. Ninguno Mientras que Adela aguardaba la vuelta del
de los oficiales vivía en la región. Mientras novio, “hombres de Allica” supieron lo de la
conversábamos, llegó un señor en una moto: boda y la violaron. Adela, en desespero, se
Agapito, nacido en Puerto Adela, es uno de los suicidó en honor a su novio. Dejó una carta, en
responsables por la organización comunitaria. la cual decía que deseaba ser enterrada en
Nos dijo que en los años 70 la mayoría de los suelo paraguayo. Su cuerpo fue sepultado en la
inmigrantes brasileños que habitaban Puerto barranca paraguaya del Río Paraná, hoy
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desaparecida. llena porque los sábados muchas personas
En otra historia, Francisco mencionó que en la vienen de compras a Brasil. En la llegada a
época de la extracción de la yerba-mate, en una Puerto Marangatu, Lia nos presentó a Luiz, que
de sus andanzas por las sendas de Canindeyú, nos llevó hasta el comercio de su papá,
se deparó con un cargador de yerba y su carga Demetrio. Allí conocimos a Lidía Berenice y
pesaba alrededor de ciento sesenta kilos (nos Letícia. Demétrio trabajo mucho tiempo llevando
demostró cómo el hombre caminaba). Dijo que gente de un lado a otro de la frontera. En una de
el hombre llevaba grandes sandalias hechas de esas travesías, su barco hundió con catorce
goma para que no se hundiera en el suelo a personas, entre las cuales, cuatro murieron. Es
causa del peso que traía en las espaldas. uno de los moradores más antiguos, llegó en la
Todavía nos contó sobre el cementerio indígena, década de 50, cuando todo aún era floresta. En
donde encontró muchos cráneos sobre la tierra; la juventud trabajó con tipografía y con eso ha
dijo que los indígenas de la región enterraban aprendido mucho de la escrita guaraní.
sus parientes con la cabeza para fuera. De Almorzamos y ganamos semillas de poroto.
vuelta al Destacamento Naval, nos sirvieron un Berenice se animó y sacó unas fotos. Las
“almuerzo paraguayo” – arroz altuko y marinera empanadas de Lídia parecían muy exquisitas,
de pollo – preparado por chef Carlos. Un hubo gente que las comió seguidamente unas
muchacho llegó manejando una moto, le dieciséis. Al rato, Luiz nos dejó en la casa de
preguntamos sobre la escuela de la región, Dete, tomamos un tereré con ella y enseguida
respondió que hace tiempo está cerrada por encontramos a siete mujeres bajo la sombra de
falta de alumnos. Al volver a Porto Mendes, los árboles – Valdete, Lia, Adriana, Kayla,
Júlio nos llevó hasta Iguiporã. No tardó mucho y Djenifer y Kyria. Chico también estaba por allí.
entonces fuimos en ómnibus para Pato Valdete tiene una casa de bailes llamada Mania
Bragado. Open Show, donde sirve también la comida
para los funcionarios del silo que está al lado.
Encontramos a Walter, pionero de Pato Bragado Se marchó tres veces de ahí, pero siempre
y con él tomamos un mate. Nos contó que dejó vuelve. Ahora quiere ir en definitivo; su papá,
el comercio para abrir caminos, para que los Vive en Espírito Santo, está enfermo y necesita
primeros colonos se instalaran en la tierra. Se de cuidados. Dete nos contó que su marido fue
queda feliz al saber que muchas personas han indemnizado por Itaipú por las inundaciones de
construido sus vidas a partir de lo que hicieron sus tierras, lo poco que sobró estaba allí del otro
años antes. Para Walter, lo que falta hoy en día lado del camino. Después de haber recibido la
es la creatividad, las personas se contentan sólo “bolada” – cantidad de plata – él se marchó y la
con empleos. La ciudad necesita desarrollar, las dejó con sus cinco hijos para cuidar. Lia por su
personas deben caminar con sus propias carrera de cantora, ya fue comunicadora de
piernas, sin la dependencia del dinero repasado radio y hoy vive una fase de transición entre un
por Itaipú. Esperando el colectivo para Porto grupo en Cuiaba y una posibilidad en Curitiba.
Britânia – remanente puerto de la ocupación Néia también ya fue locutora, tiene una
inglesa -, encontramos a Dete y su hija Lia, que hermosa voz y dos hijas, Djeni vive en Rio
también iría a cruzar la frontera. La barca estaba Grande do Sul y Kayla va a estudiar en Pato
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Bragado. Néia comentó sobre los cambios en la media tarde y querríamos llegar a Nueva
región en los últimos años, donde hoy está el Esperanza aún en aquel día, pero porque era
silo habían muchas casa “parecidas con las del domingo, sería difícil conseguir a dedo.
viejo oeste”. Chico es constructor – en el villorrio Marangatu está aislado, actualmente no hay
Primero de Marzo, nosotros pudimos ver colectivo en la región. En el copetín de Baiano,
algunas casas fruto de su trabajo. Néia y Chico esperamos por dos horas. Cuando nuestras
nos llevaron en moto hacia la hospedería de la esperanzas ya estaban por acabar, apareció
profesora Arsênia, donde pasaríamos la noche. Luiz para abastecer su coche, ahí mismo donde
Con Arsênia, hemos pasado a entender un poco esperábamos y nos atendió prontamente desde
más sobre los cambios que hubo en la región, la que pagáramos el gasoil. Fuimos por un camino
violencia, la falta de oportunidades, la de tierra muy feo, pasamos por haciendas de
desarticulación colectiva, el fin de las fiestas y el cincuenta mil hectáreas pertenecientes a un
sedimento de los ríos. Mostró fotos de sus hijas único dueño y por reservas indígenas
y nietos que viven lejos, de los bailes en su arrendadas para el plantío de soja. Durante el
salón y de amigos que fueron muertos. También trayecto, escuchamos la aventura de Luiz
conocimos a Baiano, el propietario del copetín. cuando se fue a Porto Alegre a ver Gremio
Nos dijo que de Brasil sólo conocía Maranhão. Porto Alegrense ser rebajado para la segunda
Para su hijo Edgar, Marangatu es un verdadero división. Dos horas después estábamos en
infierno. En el día siguiente, fuimos al salón de Nueva Esperanza, completamente empolvados
fiesta donde había un programa al vivo y cansados. Por treinta mil guaranies, dormimos
promocionado por la radio en colaboración con en la primera hospedería que encontramos. De
los guitarristas y cantantes de la región. Al llegar Nueva Esperanza partimos en un taxi colectivo.
escuchamos la voz de Tatu anunciando más una Ya en Hernandarias habíamos conocido a
música. Después de terminar el programa y un Miriam y su familia. Persona comunicativa y nos
almuerzo a estilo gaúcho, las canciones informó mucho sobre la ciudad. Estábamos sin
continuaron con composiciones propias de plata y sin “permiso”, por eso fuimos a Foz do
Orlando y de la dupla Nelson y Diamante. La Iguaçu y, enseguida a la migración en Ciudad
broma que circulaba era que Orlando había del Este. En el trayecto pudimos ver por primera
cambiado su comportamiento en los últimos vez parte del terraplén de Itaipú y Acaray, muy
tiempos, sospechaban que estuviera cerca una de la otra. A causa del
apasionado; luego concluyeron que en aquellos embotellamiento en el Puente de la Amistad,
paradores todo hombre tiene el corazón gastamos cerca de dos horas. El retorno a
pequeño. En otras conversaciones, se quedó Hernandarias fue con Francisco, el taxista de
claro que Marangatu es un lugar muy violento. Ciudad del Este.
En los últimos meses, siete personas cercanas En el camino nos mostró un asentamiento
de nuestros recién conocidos fueron muertas, delante de la Usina de Itaipú Binacional
algunos hasta setenta muertes. De ahí Paraguaya – hace más de un año que los ex –
marchamos con Orlando para Mania Open funcionarios protestan contra sus dimisiones.
Show. En poco tiempo llegaron los demás
guitarristas y la fiesta continuó. Salimos a la Hernandarias es la ciudad paraguaya donde
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Itaipú está instalada. Diferentemente de lo que realidad de su país no ha cambiado.
ocurre en Brasil, la visita a las instalaciones de Por la noche, Miriam nos contó su historia,
la usina es gratuita, lo que nos incentivó a dar sumergida en la promesa de progreso. Primero
un paseo para conocer. Mientras conocíamos en la Colonia Presidente Stroessner, donde fue
vimos un vídeo institucional, versión paraguaya a vivir con sólo nueve años, cuando su papá
con el título “Itaipú Monumental”. Varios entró para los negocios de hotelería. Después
superlativos y record enfatizaban la en Hernandarias, en el período anterior al inicio
grandiosidad del proyecto, el avance de la construcción de Itaipú, momento este, que
tecnológico, mejorías de vida, cuidado con la ha incentivado la construcción de hoteles, una
biodiversidad, prodigios de la ingeniería y vez que por allí habría una concentración de
generación de energía. Terminado el vídeo, trabajadores. No hubo tanto éxito como se
entramos en un colectivo e hicimos un recorrido decía. Al terminar la primera etapa de su hotel,
por la usina. Paramos en la orilla a la derecha y el Presidente Stroessner ordenó que la base
desde ahí avistamos Ciudad del Este y Foz do para los trabajadores fuera transferida para la
Iguaçu lado a lado; entre ellas lo que sobró del ciudad que llevaría su nombre. Por muchas
Río Paraná. Mismo con algunas compuertas del horas conversamos en la penumbra, parte de la
vertedero abiertas, el nivel del Lago estaba alto luz no funcionaba por caída de la energía,
debido a intensas lluvias en São Paulo. Mejor hecho que sucede a menudo en la región. En
dicho, hay gente afirmando que el aumento de Hernandarias, además del problema de energía,
las lluvias en São Paulo es causado por la pocas personas tienen agua potable y servicios
evaporación del Lago de Itaipú. Tiempo para de saneamiento básico apropiado por SENASA.
fotografiar y partimos otra vez, cruzamos el túnel Por la mañana, la luz aún no había vuelto.
que conecta las dos márgenes y llegamos al Partimos hacia Asunción, una de las primeras
lado brasileño de la usina. El retorno fue sobre ciudades de América Latina, centro del poder
el terraplén, desde ahí sí, pudimos observar el político y donde se concentran los museos y
gigantesco del Lago. En la salida de Itaipú, bibliotecas de Paraguay. De Hernandarias hasta
fuimos hasta las chozas de plástico negro a la Asunción son trescientos cuarenta kilómetros,
orilla del camino donde algunas personas llevamos siete horas de viaje debido a muchas
protestaban. Supimos que, por cuestiones paradas.
políticas, cerca de doscientas personas han sido
despedidas de la función que ejercían en Itaipú, En Asunción nos quedamos en la hospedería de
principalmente trabajadores de servicios de Angélica, una casa centenaria y bien cuidada.
limpieza y seguridad. El asentamiento ya ha La presencia de inmigrantes brasileños, chinos
completado un año y hasta el momento nada y coreanos es grande en la ciudad. En el mes
había sido negociado. Edgar fue dimitido con de enero, están en Asunción aproximadamente
veintiocho años de trabajo prestado. María dijo tres mil brasileños cursando maestría y
que vivió en Brasil y en otros países de América doctorado. En las calles, el guaraní se destaca y
del Sur. En el exterior, cuando escucha hablar las “yuyera”, mujeres que venden hierbas
de Paraguay, se siente avergonzada; cuando preparadas para tereré, están por todo lado. En
retorna, se siente inconformada al ver que la búsqueda de referencias históricas, artísticas y
115
culturales, fuimos hasta las librerías de la Plaza campesinos para que fortalezcan sus propias
Uruguaya. Allí encontramos mapas, culturas y también conozcan los códigos de la
diccionarios, métodos de la lengua y textos cultura opresora. Nos planteó a desarrollar
sobre la cultura guaraní. En un anticuario, proyectos de integración entre grupos de
conseguimos una pequeña cédula de un investigadores brasileños y paraguayos – una
guaraní, aquella con el soldado paraguayo. En el necesidad de la región y de los pueblos.
Museo de Bellas Artes encontramos imágenes Partimos de Asunción hacia a la antigua y
de un Paraguay amortecido por la crueldad de la nómada Villarrica, una de las primeras villas de
guerra. En el mismo edificio funciona el acervo la América española. Estamos en fines de enero
histórico de Asunción, donde es posible y la ciudad se prepara para el carnaval; en las
encontrar documentos originales desde 1534. plazas encontramos un grupo pintando
Una señora nos explicó los procedimientos para tambores para el desfile, preparativos para que
tener acceso a tales documentos, todos “las comparsas” tomen las calles. Pasamos por
disponibles a los investigadores. En el Cabildo, el mercado popular y observamos el movimiento
Centro Cultural de la República del Paraguay, de los feriantes ya terminando más un día de
visitamos una exposición con parte del acervo trabajo. Queríamos cruzar la frontera aún
de Moisés Bertoni, mapas de la Región del Río durante el día. Los últimos momentos en
Paraná, diseños de la fauna y flora, fotos, Villarrica se dieron por un paseo más por la
impresos y más una cantidad de cosas. Bertoni ciudad, descansamos en una plaza con árboles
vivió en la región al inicio del siglo pasado, su enormes y muchos pájaros.
documentación comprende más o menos
cuarenta y dos años de cultura guaraní y El trayecto de Villarrica hasta Ciudad del Este
geografía paraguaya. Conocimos a Zulma en la fue muy sufrido. En uno de aquellos días de sol
Secretaría Nacional de Cultura que que se podría fritar huevos en el asfalto,
recientemente ha sido creada, se procura viajamos en un ómnibus llenísimo que en cada
consolidar como órgano encargado de las minuto paraba para llevar más pasajeros.
políticas culturales de Paraguay. Nos indicó y Cruzamos la frontera charlando con un taxista.
nos hizo pasar junto a la Dirección de Asuntos Nos dijo que uno de los grandes problemas es
Comunitarios, donde conocimos a Lea y la falta de conocimiento sobre la cultura
tratamos de diversidad cultural y acciones en la indígena, lo que genera conflictos étnicos. En
frontera. A la tarde fuimos a la casa de general, las personas de la ciudad no
Guillermo. Al entrar conocimos al cacique consideran el hecho de que, en menos de dos
Bruno, un señor muy educado del grupo generaciones, los indígenas que hoy son
Chamacoco. Han desarrollado juntos un mendigos en los terminales de autobuses,
diccionario de la lengua de su etnia. Guillermo semáforos eran colectores en las amplias
nos contó sobre su trabajo que es direccionado florestas paraguayas y que sus tradiciones,
a grupos en que la pobreza es permanente; costumbres son difíciles de cambiarlas en tan
comentó también sobre su relación con la poco tiempo.
Antropología y la música. Él busca trabajar,
incentivando a los Chamacoco, Guaraní y
116
Esta terra não tem dono
Então me mostre a escritura
Nada aqui é de ninguém
É a verdade mais pura

Quem semeia, planta e colhe


Passa fome nesse chão
Quem explora come tudo
É a lei dessa nação

Tanta terra devoluta


Espalhada no sertão
Na mão de poucos
"Filhos da puta"
Esperando plantação

Dia ainda vai chegar


que as porteiras vão se abrir
os cadeados arrebentar
e as nossas famílias tranquilas
da terra possam cuidar

Quem é contra o movimento


Já fechou essa questão
Dorme em seu apartamento
Em frente à televisão

Plantam soja, plantam soja,


soja, soja, soja, soja
Só pensando em exportação
Me desculpe meu irmão
Nosso povo quer arroz, feijão,
sapato, macarrão

Hélio Leites

Ópera-Sonho Sem Terra


OPERA - KERA YVY ÝRE ÓPERA-SUEÑO SIN TIERRA

Ko yvy ndorekói ijara Esta tierra no tiene dueño


Upevare ehechauka cheve pe kuatia Entonces muéstreme la escritura
Ko ápe ndaipori mba’eve avave mba’e Nada aquí es de nadie
Ha’e añetete guava Es la verdad más pura

Oñemityva, oñoty ha omano’o Quien siembra, planta y cosecha


Ohasa ñembyahýi ko yvy pe Pasa hambre en ese suelo
Pe poropuruvaiva ho’u pá Quien explota come todo
Ha’a teko me’ê tetâ me Es la ley de esa nación

Heta yvy ñeme’e jevy Tanta tierra desocupada


Isarambiva pe ñu tuichakue javeve Esparcida en el páramo
Mbovymi pope En la mano de pocos
Umi “puta memby” “Hijos de puta”
Oha’arôva ñemity Esperando la plantación

Oguâhe vaerâ ára gueteri Todavía el día va a llegar


Umi portón ojepe’avo Que los portones van a abrirse
Ñokêndaha ñemboja’avo Los candados romperán
Ha ñane rogaygua py’aguapype Y nuestras familias tranquilas
Ikatu oñangareko yvyre De la tierra podrán cuidar

Mavapa oí ñemýi mbohavái Quien es contra el movimiento


Ombotyma pea kaso Ya cerró esa cuestión
Oke ikotype Duerme en su departamento
Ta’anga ryry’i renondepe Delante de la televisión

Oñoty hikuái soja Plantan soja, plantan soja


Soja, soja, soja, soja Soja, soja, soja, soja
Omondo hagua tetâ ambuepe Sólo pensando en explotación
Che ñyrô Che rykey Me perdone mi hermano
Ñande tava oipota arro, kumanda, Nuestro pueblo quiere arroz, poroto
Zapatu, fideo Zapato, fideo

Hélio Leites
Encontro com Anunciación em 17 de janeiro de 2010 em Minga Porã
Jotopa Anunciación ndive ára 17 pe jasyteî 2010 pe Minga Porã me
Encuentro con Anunciación en el día 17 de enero de 2010 en Minga Porã
120
121
YVY RA`ANGA ÑEMBOJOGUAPYRE 2003 HA 2006 PE
OJEIKUAA HÂGUA MBA`ÉICHAPA OJEIPURU ÑANDE JAREKOVA YVY
ARI.

Pe ta`anga oñeguenohe va`ekue 2003 ha 2006 pe ikatu hâguáicha


peva rupive jahechakuaa jaipuru vaiha jarekova y, yvyra, yvy ha
yvytu avei.
Pe 2003 pe oîva’ekue hetagueteri yvyra ñande ka’aguype, heta y
no’ô, michiminte yvypora kuera oipuru, iñemitỹra, upe árape
oĩva’ekue vy’a umi tekovekuera apytepe, heta yva ka’aguy
natekoteveĩ va’ekue oñotỹ heta ho’uvaerã ome’emba va’ekuevoi
chupekuéra pe tekoha.
Ko’ãva ta’anga 2006 pe, ohechauka pe ka’aguy michimientema
opytaha oitypa umi oñemity tuvichava, ohepyme’êmba yvyra
oĩva’ekue upepe. Oñoty hâgua soja, trigo, avati ha opa mba’e, umi
ñemity umivape oipuru veneno ha’eva toxico yvyporape, upe ára
guive ñande yvy ape ári hakuve, oĩve ñecontamina, mitâ ouva yvy ári
ndoîmbai, ndohecháiva, upevare che angyrû oguahema ára
ñamopu’âvo ñane akâ ha jaheka solución ko’âva problema ambiental
kuera ohasava ñande yvy Paraguai, umi ñemongy’a, pe yvyture ouva
agueruva hendive heta mba’asyvai.
Pevarehe che angyrû kuera iporã jajepy’amongeta ha ñañoty je’y
yvyra ikatuva’erâ omopotî je’y ñandeve yvytu, ñañangareko yvy ha
yrehe avei ani japoipype yty.
Pea peente che angyrũnguera ahejata peême che ahaihague
ikatuhâguáicha pe moñe’ê ha pejepy'amongeta mba’e situación pepa
ñaime ha pe ára ha ára ivaivetaha ñande rekove.

SARA BLANCO

122
La publicación del territorio comprado A publicação do território comprado entre
entre los años 2003 y el 2006. os anos de 2003 e 2006.

¿Cómo se utilizan nuestros recursos Como se utilizam nossos recursos


naturales? naturais?
Registros fotográficos de los años 2003 y el Registros fotográficos dos anos de 2003 e
2006 mostran que estamos usando mal los 2006 mostram que estamos usando mal os
recursos naturales, tales como: el agua, los recursos tais como: a água, as árvores, a
árboles, la tierra y el aire. terra e também o ar.
En el año 2003 había muchas maderas en los Em 2003 havia muitas madeiras nos
bosques, muchos arroyos y pocas personas bosques, muitas fontes, e poucas pessoas
que utilizaban, para cultivar, había alegría que as utilizavam para cultivar, havia
entre la gente, muchas frutas silvestres, no alegria entre as pessoas, muitas frutas
hacia falta plantar para comer porque la silvestres, não fazia falta plantar para
naturaleza brindaba todo. comer porque a natureza brindava tudo.
Ahora la imagen del 2006, muestra que el Agora a imagem de 2006 mostra que nos
bosque sobra poco, fue deforestando por bosques sobra pouco, foi devastado por
quienes cultivan en grandes extensiones, aqueles que cultivam as grandes áreas,
pagando por los árboles que han habido en pagando pelas plantas que havia nestes
esos lugares. Para cultivar soja, trigo, maíz y lugares. Para cultivar soja, trigo, milho e
para todas estas plantaciones utilizaron para todas estas plantações utilizam
agrotóxicos, son venenos que afectan a seres agrotóxicos, veneno que contamina os
humanos, desde entonces, la tierra está seres humanos, desde então, a terra está
resentida y el calor aumenta por causa de la ressentida, o calor aumenta por causa da
contaminación, notamos en las criaturas que contaminação, crianças nascem com
nacen con deformaciones físicas (faltando deformações físicas (faltando alguns
algunos miembros del cuerpo), por eso, es membros do corpo). É hora de enfrentar
hora de enfrentar en serio la solución a este com seriedade os problemas ambientais e
problema ambiental en el suelo de Paraguay. buscar soluções a partir da própria
También la contaminación se da a través del realidade do Paraguai. A contaminação se
aire y trae consigo las enfermedades. dá através do ar e traz consigo
Por eso es bueno reflexionar, volver a infermidades.
reforestar para depurar nuevamente el aire, Por isso é bom refletir e voltar a
cuidar de la tierra y del agua evitando reflorestar para depurar novamente o ar,
contaminar con la basura. cuidar da terra e da água, evitando
Hasta aquí escribo, para dejarle un contaminar com o lixo.
cuestionamiento, si no hacemos algo a favor aqui escrevo para deixar­lhes um
del medio ambiente, empeorará la situación questionamento, se não fizermos algo a
de la propia existencia. favor do meio ambiente, estará
comprometida a própria existência.
123
“AVA ÑE’ÊME, ÑE’Ê HA ÁNGA HA’E ÑE’Ê OJUAVYVA UPE TAVA OMOKAÑYRAMO IÑE’Ê, OMOKAÑY HI ÁNGA
PE VÁICHA ÑANEMBOTAVY PE TOPYTA HA’E ÑONGATU KUAA UMI YMA APOREKO”
Até bem pouco tempo atrás, quase tudo
era natural, mesmo com as intensas Tanto por seu passado quanto por seus
modificações antropogênicas realizadas modelos contemporâneos, como a
por populações indígenas nas florestas poliversa frente contra-hegemônica
(o antropólogo Balée estima que cerca zapatista, o fortalecimento de lutas
de 12% da Floresta Amazônica seja camponesas, indígenas e urbanas,
fruto desse trabalho). Há pelo menos 8 processos de descolonialidade[2] e
mil anos, xs indígenas de Abya Yala[1] autonomia em países como Bolívia e
desenvolvem suas “florestas culturais”: México, ou pela política institucional
agriculturas e manejos que geraram em curso no Equador e na Venezuela,
milhares de espécies vegetais, assim refletimos sobre a etnicidade na
como práticas de cura e fazeres tentativa de entender como
manuais, conhecimentos sem caminhamos dos pajés aos cientistas de
“propriedade” enriquecidos através de jaleco branco, a física moderna
gerações, utilizados e desenvolvidos preparando o caminho para a essência
para o bem da comunidade inteira. do pensamento atual: determinismo
Assim consolidaram-se muitas (Heidegger). Não mais se vive o hoje, e
civilizações do continente, onde sim prepara-se o futuro.
predominava a interação de muitos “Dê-me as posições de todas as
domínios: espiritualidade, arte, comida, partículas do universo, e todas as
cultura - formando uma sólida forças que agem sobre elas, e preverei
cosmologia, que influenciou o futuro”(Laplace).
diretamente a manutenção de suas
técnicas tradicionais.

126
Procuramos através deste debate nossos saberes e fazeres. Vidas
confabular novas relações de poder, mutuamente excluídas, antecipadas nas
refundar processos afetivos e telas de TV nossas reações pessoais,
autopoiéticos (Maturana) que afirmem o criamos no hoje uma ideia de cultura e
viver bem. Como problematizar as política sem perceber como a
ações das megacorporações globalizadas consumimos em nossas refeições, como
e das instituições que deveriam ser nos expressamos tecnologicamente ou
multilaterais (lobbies, ONU, FAO), que ultrapassamos os limites estabelecidos
têm hoje a prerrogativa de determinar o por determinada tecnologia,
que vai ou não vai ser feito da reapropriando-a, desdobrando-nos na
natureza? Como recriar nossas relações criação de nossxs filhxs, definindo
com a natureza, nossas culturas? Enfim, assim como será o planeta que
que globalização queremos: a que vem habitaremos no futuro.
se impondo ou a que desde abajo vem Sob quais culturas vivemos?
buscando outros caminhos? Das sementes ao plástico,
Práticas como o GNU/Linux - a semente medicamentos, reprodução humana e
digital originária -, que não detém distribuição de alimentos, por nanofios e
patente e colabora para a difusão do pelo ar, convergindo conhecimentos
conhecimento. Ou o recente debate bioquímicos e a microeletrônica, nos
sobre propriedade intelectual com o tornamos bilhões de consumidorxs e
copyleft, bancos de sementes, práticas produtorxs, submetendo-nos a algumas
agroecológicas, permacultura, centenas de bilionárias empresas
isolamentos voluntários, boicotes, ações bélicas, farmacêuticas, petrolíferas e
de contestação à produção transgênica e alimentícias mais poderosas do que
reprodutiva por camponesxs, assim governos, populações e culturas locais:
como, no campo teórico, o como Monsanto - antiga fabricante de
ciberfeminismo instaurando o armas químicas, empresa que hoje
feminismo como crítica à cultura abocanha quase metade do setor de
tecnocrática. Esses são pequenos, sementes transgênicas, Du Pont - antiga
táticos, no entanto muito importantes fabricante de pólvora, uma das gigantes
passos para o novo desafio. da indústria química dos Estados
Com os recentes avanços da ciência Unidos, detentora de mais de 34 mil
sobre o nosso dia a dia através das patentes desde 1804[3], Bayer -
grandes indústrias do nano, procuramos sobrenome de um químico alemão que
entender a construção deste sistema- inspirou a empresa produtora da
mundo desde um âmbito cotidiano, aspirina, produz toda uma linha de
muito mais amplo e íntimo do que sementes para hortaliças transgênicas,
meramente o campo científico ou prestes a introduzir o arroz transgênico
antropológico. É, sobretudo, um debate no Brasil sob o lema “Almejar o sucesso:
cultural, que diz respeito aos Não desistir, especialmente se surgirem

127
resistências e reveses”[4]; ou ainda a Campesina) ou aquelxs que trocam
Nestlé - “Boa Comida, Boa Vida”, arquivos pela internet, que vendem CDs
parceira do programa Fome Zero, que nas ruas ou criam suas estações de
desmineraliza águas no Brasil e compra radioamadores, utilizando-se das
(junto à Coca-Cola) fontes de águas de técnicas disponíveis, as apropriando,
aquíferos como o Guarani[5] (a maior questionando e criativamente
cisterna natural de água doce do mundo, recombinando. Na biopirataria
localizado em nosso continente). A corporativa, paga-se somente uma
Nestlé foi escolhida a transnacional multa, normalmente muito mais
mais irresponsável do planeta nas modesta do que os lucros. E assim, o
questões sociais e ecológicas (pela mesmo jatinho que jogou o agente
conferência Olho Público em Davos, laranja durante a Guerra do Vietnã por
ligada ao Fórum Social Mundial)[6], ao nove anos, matando as colheitas de
lado de Dow Chemical, Shell, Syngenta e arroz e causando fome, começa a ser
Wal-Mart. usado repleto de fertilizantes, ajudando
Além de toda a pressão pela mudança a “salvar” o planeta da fome, sob o signo
de paradigma na produção de comida, da “revolução” verde, através das
produtorxs rurais vêm sofrendo todos décadas seguintes. São as biopolíticas
os tipos de violência, como calúnias, desenvolvidas desde os gabinetes das
perseguições, prisões e assassinatos, Nações Unidas e implementadas em
enfrentamentos com milícias, jagunços e escala planetária, recentemente
a mídia corporativa, além dos inúmeros renovadas pela aprovação do Codex
casos de biopirataria[7]. Mesmo o milho, Alimentarius[11]. Além do que ingerimos,
um dos alimentos considerados mais há ainda a contaminação de lençóis
sagrados pelas populações indígenas ao freáticos pela imensa quantidade de
centro e ao sul de nosso continente, resíduos tóxicos. Até mesmo os
altamente nutritivo, sofre ainda fitoterápicos acabam sendo manipulados
contaminações “descontroladas”, como a por empresas de distribuição,
que aconteceu no Brasil. Isso se soma à fabricantes de cápsulas. Muitos
pressão da aprovação dos transgênicos produtos orgânicos são trazidos por
no país[8]. Segundo o jornal Brasil de longuíssimas distâncias até as
Fato, a Embrapa confessa que existirá prateleiras dos supermercados,
em breve “uma contaminação persistindo a dependência das pessoas
generalizada”[9], sendo que a maior do modo passivo de consumo e nossa
parte da produção que alimenta as dissociação da natureza. Tornamos o
pessoas no mundo é feita pelx pequenx corpo das mulheres um campo de
produtorx[10]. No entanto, xs únicxs batalha à parte, consumindo cosméticos,
presxs são justamente essxs que têm cirurgias estéticas, contraceptivos,
suas plantações contaminadas, xs que cesáreas, esterilizações, próteses,
resistem em ações diretas (MST/Via abortos clandestinos e extração de

128
óvulos, somando-se isso aos tempo de abundância, com a troca de
antidepressivos e estimulantes sexuais arquivos digitais, compartilhamento de
consumidos por todxs. Uma vez bruxas banda e software livres. Sob uma visão
e operadoras de grandes mainframes, única, a técnica torna-se, nas sociedades
criando lógicas de computação sem modernas, o mecanismo das relações
computadores (Ada Lovelace). Nos dias das pessoas com seus territórios, seres
de hoje, mesmo em comunidades mais e tempo, dissociadas dos cósmicos
inclusivas como a do software livre, saberes, suas artesãs originárias e suas
representam apenas 1,5% das que potências.
controlam os códigos[12]. No entanto, esse rompimento de nossos
É a derradeira destruição de modos e métodos naturais, solidários e
conhecimentos e culturas tão sólidos colaborativos, adquiridos no campo da
que não necessitavam ser registrados experiência vivida e coletiva, se mostra
em papel ou patentes. Adotando slogans ainda mais difícil de resgatar. Já foram
como “o milagre da ciência” e “o testadas inúmeras possibilidades de
especialista global” para justificar as expansão colonial geográfica, bem como
apropriações indevidas de nossos ampliadas as limitações do espaço com
conhecimentos tradicionais, os piratas o virtual, quando a invasão é
não mais precisam de armas: vêm em apresentada desde uma nova fronteira -
magníficas cópias de folhas verdes. o espaço molecular. Seres humanos
Substituímos nosso leite materno por como matérias-primas, condicionamento
seus pós. de células nervosas e
Segundo Milton Santos, as modificações microprocessadores, uma rapidez
no campo técnico-científico e incrível de emanação inauguram a era
informacional teriam criado um da biotecnocracia, que intensifica ainda
momento da história em que um novo mais a produtividade através da
modelo de natureza artificializada se apropriação das sementes da vida e do
instala, mediada e altamente controle totalitário de todos os seres,
manipulável, e se reproduz por esferas aspectos determinantes no sentido do
distintas, construindo todo o nosso compartilhar das produções energéticas.
imaginário social, adotando modelos É agora a partir do átomo, do micro, do
únicos de tempo e espaço, unindo sobre recorte, que nasce a ideia da biopolítica.
moldes capitalistas ciência e produção. Nesta configuração de mundo, os
Esse modelo é legitimado por leis e princípios de territorialidade coletiva
políticas cada vez mais restritivas (em são abandonados, substituídos pela ideia
ações de confinamento, fome, de um grande mercado onde é possível
subordinação de corpos, fetiche da comprar e vender simplesmente tudo.
estética cirúrgica e da alta tecnologia,
proibição de troca de sementes ou Tati Wells e Ruiter Rodrigues
material cultural - dádivas comuns a {{ .. / Coletivo Baobá Voador ´;;~}
todas as pessoas, à própria vida),
proibindo liberdade e engenhosidade Agradecemos ao Prof. Carlos Walter Porto-
como cultura humana, mesmo em um Gonçalves pela gentil leitura e correções.
129
REFERÊNCIAS http://www.cpt.org.br/?system=news&action=rea
d&id=245&eid=127 /
1 Expressão com que o movimento indígena vem, http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/0
desde 2004, nomeando o continente chamado 5/254956.shtml Acesso em 26 Fev. 2010.
América. Consultar Porto-Gonçalves, C.W. 2009.
Abya Yala. In: SADER, E. e JINKINGS, I. 6 Segundo o site da ação Olho Público em Davos
(Coordenadores) 2009 Enciclopedia Contemporánea http://www.publiceye.ch/en Acesso em 26 Fev.
de América Latina y el Caribe. 2010.
Akal/Boitempo/Clacso, Madrid.
7 Segundo o site
2 Recente categoria analítica que fala dos esforços http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EM
de superação das problemáticas enfrentadas pela I80394-15223,00-HENRY+W... e a Wikipedia
América Latina desde a colonização. É um http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Wickham
conceito que está sendo formulado por muitos Acesso em 26 Fev. 2010.
teóricos, como Quijano, Mognolo, C. W. Porto-
Gonçalves, Arturo Escobar, e praticantes, como 8 Segundo estudo de pesquisadores da Fiocruz
Paulo Freire e Augusto Boal. Citamos aqui a http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-
pesquisadora Catherine Walsh (2008) que destaca 88392004000300011&script=sci_a... e clippings de
quatro formas de colonialidade: "A colonialidade matérias à época
do poder - se refere ao estabelecimento de um http://www.ecolnews.com.br/transgenicos/trans_
sistema de classificação social baseado em uma historia.htm
hierarquia racial e sexual; a colonialidade do saber Relatório do Greenpeace ilustra inúmeros outros
- trata do eurocentrismo como a perspectiva casos
única do conhecimento, o que descarta a http://www.greenpeace.org/raw/content/brasil/d
existência e viabilidade de outras racionalidades ocumentos/transgenicos/sum... Acesso em 26 Fev.
epistêmicas e outro conhecimento (...); a 2010.
colonialidade do ser - é o que se exerce por meio
da inferiorização, subalternização e a des- 9 Segundo o site do jornal Brasil de Fato
humanização, fetichização do ser humano (...); por http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/naci
fim, a colonialidade da mãe natureza - ocorre ao onal/a-ciencia-segundo-a-... Acesso em 26 Fev.
se dissociar razão, cultura, sociedade e natureza. 2010.
Cria o impossível, o humano como dissociado da
mãe natureza." In: A perspectiva eco-relacional e a 10 Segundo pesquisa do /ETC Group
educação intercultural no entrelaçar de afetos: a http://www.etcgroup.org/upload/publication/pdf_
descolonialidade do saber com foco na file/ETC_Who_Will_Feed_Us... Acesso em 26 Fev.
sustentabilidade ambiental, João Figueiredo 2010.
http://aric.edugraf.ufsc.br/rest/artigo/32/semFolha
DeRosto/pdf?chaveDeAc... / Acesso em 26 Fev. 11 O Codex Alimentarius é um Programa Conjunto
2010. da Organização das Nações Unidas para a
Agricultura e a Alimentação - FAO e da
3 Segundo o site da empresa Organização Mundial da Saúde - OMS. Trata-se de
http://www2.dupont.com/Plastics/en_US/News_E um fórum internacional de normalização sobre
vents/article20090716.html Acesso em 26 Fev. 2010. alimentos, criado em 1962
http://www.inmetro.gov.br/qualidade/comites/cc
4 Segundo o site da empresa ab.asp Acesso em 26 Fev. 2010.
http://www.bayercropscience.com.br/site/aempre
sa/visaomissaoevalores.fss Acesso em 26 Fev. 12 Ada Lovelace foi a primeira programadora
2010. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ada_Lovelace
Dados sobre a mulher nas comunidades de
5 Segundo os sites da Comissão Pastoral da Terra software livre http://flosspols.org Acesso em 26
e do Centro de Mídia Independente, entre outros Fev. 2010.
oñatendeva’erã ome’êvo solución(lobbies,
ONU, FAO), oguerekóva puaka ipopekuéra
Nda arei’ete kuri, enteromba’ete oîhaicha’ite mba’epa ojejapovaerã terâ nahaniri ko ñane
kuri, upei omoambue yvypora reño’i rekohagui? Mba’eiko jamoporã jeyta ñane
ojapovaekue umi ava ka’aguype (Balée jeiko ñanerekohandie ha porã rekondive?
okalkula 12% pe ka’aguy Amazona ha’e pe Upeicha, mba’eiko la ñamopeteîséva: ko
tembiapo’a). Aimete po’apy ary guive ava oñemoîva ñandeve piko terâ ouva yvygui ha
Abya Yala [1] nguera ombohetesorõ pe ohekava ambue tape?
“ka’aguy reko”: ñemity ha ñemboguatarupi Ojapova ouvo GNU/Linux - pe ta’ýi ypy
ome’ê heta ka’avo joguaha, pohano ha kuãpyryrýre -, ndo jokoiva kuatia atâ
japopy porupi, jekua’a “rekotee’ýre”, omosarambihãgua kuaapy. Terã
omomba’eheta ñemoñarupi, oipuruvo ha ñomongueta ramoite guare pe kuaapy
ombohetesorõ pe aty rupi. Peicha ijaty heta mba’eteevape copyleft, oîhape ta’ýikuéra,
teko arandu tyru, upepe omombarete pe agrorembiapope ekologiaguigua,
ñopytyvôeta poguype: Tekopytuva, porâ, Permacultura, ñemopeteî, boicot, jejapopyre
tembi’u, kuaapy – jeikua’a porâ mbyjakuera, ñemoata pe ta’ýire ñembyaiseva ha
oikuaukavo teko aporeko. chokokue omomembyva ohovo, peicha
Yma ha ko’angagua jehechauka, umi kuatiape, ciberfeminismo omombareteva
opaichagua renondepe umi zapatista oñe’ereityvo pe tecnocráticare. Umiva ha’e
mbarete renondepe, mbarete chokokue michimi, tembiapo, ha katu iñimportante
ñorairô, avanguera ha tava-i, pe kolonia jegueroguata tape pyahure ñekarapu’arã.
ñemboja’o [2] ha teko sâso ku tava Bolivia ha Nda’arei ciencia jegueroguatarupi ko’anga
México peguaicha, Política Institucional rupi industria umi tecnología michi ha katu
ko’anga Ecuador ha Venezuela peguaicha ipotenteva jeherova: micro-tecnologia,
jajepy’a mongueta pe avareko, ñantende ontendeuka jejapopy ko sistema-mundo
porâ ve hãgua mba’eichapa jaguata umi ko’e ko’ere, peicha ñantendeporãve ýro
payé umi científico ija’o morotîvandie, ku japyta kuatiape heihaichaitente ciencia ha
física py’ahu osakoiva tape ñañamindu’u yvyporarekore. Peva ha’e jepy’amomgueta
ko’anga guarã ha’eteva: peatantevoi jaikuamivare ha jajapovare. Tekove
(Heidegger). Ndojeikovei pe ko’anga, ha katu ndoikeiva, tenondera ta’anga ryryipe ñande
ojesakoi pe ko’erorã. “Eme’ê entero umi ku’i reko añete oñondive, peicha jajapo
oîhaicha pe yvagape, ha entero umi mbarete ko’angarupi kuapyra ha tembiapoka politika
oîva hiarikuera há oikua’ata pe koerã” rupi ñepensaýre upevare peichaite jamoko,
(Laplace). mba’eichapa ja’e tera jahasa la raya pe
Roñeha’ãko ñomonguetaruoi ñañome’ême tecnología guiguava, ñañemomba’evoikatu,
jaikua’apyahu mbarete, ñamyaty hâgua ñanentema voi la tayra tera tajyra
remiandu ha kerayvoty ñemoapesâ rupi japosehaicha jajapo hekovegui, ja
(Maturana) he’iva jeiko porâ rupi. decidimakatu mba’eichapa opytata
Mba’eichapa umi ambu’e tembiapo ñanderekoha tapepukuvo.
tuvichaiteva ha institución kuera Mba’eichagua Kua’a Poguypepa Jaiko?
131
Ta’ýi jehasa plastikope, pohaita, yvypora medio corporativo prensa guakuera, avei
apo ha tembi’u ñemosarambi, kable po’imi kañyhape jejapova umi piratería[7]. Avei
rupi ha yvyture, kuapy bioquimico ha avati, ha’eva tembi’u marangatu ava kuera
microelectrónica, jehupityma hetaiteréima rembi’u ñane tyrupe, hypy’ûva, ko’anga
oipuruva ha ojapova, ñane moinge umi guara avei oñekontamina mbama
empresa oporojukavandi, poha apopyre, “noñesambyhyveiva”, ku Brasilpe
itakyra ha tembi’u apo iporo’oveva umi oikohagueicha. Ava ñamoi umi ojopyva
omyakava tetâ, tavaygua ha kuapy tenda ojeguereko hagua transgenico tetâme [8].
rupigua: Monsanto – ymaguive ojapova Pe kuatia Brasil de Fato, EMBRAPA
pojoapy química, ko’âva empresa omombe’u oitaha ndaipukuveima “pe ñe
ko’ángarupi oñangareko pe ta’ýi envenena guazú” [9], upeicha tembi’urâ
transgénica, Du Pont – ymaguive ojapova tuichaveva osêva umi tembiapo chokokue
mombuha, ha’eva peteî tuichapajepéva ojapova michi michimime [10]. Ha katu,
tembiapo química Estado Unido pe, imba’e ha’ekuerata hina la ojeperjudikatava umi
tee mbohapy pa porundy su techaukaha oñemity’iveva, umi oñemyatãva tembiapoita
upe peteî su poapy sa irundy[3], Bayer – rupi (MST/Via Campesina) têra umi
peteî têra químico alemán ojapoypy vaekue omoambu’eva internet rupi, ohepyme’êva
pe tembiapo empresa aspirina gui oñepyrû, CDs tapere terã ojapova ñe’êpuho’e oipuru
ojapo enteroiteichagua ta’ýi koga técnica orekova henondepe, oñemo mba’e,
huertapegua transgénica, oîma oike omba’e porandu ha ojapo joparape. Pe
haguáicha arro transgenico Brasilpe heivo: Biopirateria corporativa, ojepaga peteî
“Jeheka akârapu’â: Ani eheja, osêjaveramo multa, michive katuete la opytatava
ñemo atâ terâ oguývo”[4]; Avei Nestlé – ivolsillope.
“Tembi’u porâ, teko porâ”, oipytyvôva opa Ha upeicha, uni opulverizava aviónrupive
haguâ ñembyahy’i, odesmineralizava y veneno opoiva ombya’i ha oporoyuka
Brasilpe ha ojogua (Coca Cola ndive) pe y Guerra Vietnan porundy Ary, ohundi arro
eta opupuva jaherova acuífero Guaraní[5] (y jekosecha ha ogueru ñembyahy’i, oñepyru
potî nde heva oîva ñane tyrupe mba’yru ojeipuru abono químico, ojerrecupera
oîva ñane rekohape). Pe Nestlé ojeiporavo hâgua kuarahy ra’y pe ñembyahy’igui,
kuri umi multinacional apytegui ndo japo “ñembojere”hovy, pa ary rire. Ha’e umi
poraîgui hembiapo ñanerekohare ha biopolitika ombohetesorova aty Naciones
tavayguandie (pe conferencia Ojo Público Unidas rembiapopy há omosarambiva ko
Davos pe, Foro Social Mundial ndive) [6], yvy Ari, nda arei’ete ombopyahu ha
Dow Chemical ykere, Shell, Syngenta ha omoporâva Codees Alimentarius [11]. Avei
Wall-Mart. jaipuruva, oî gueteri ñembonky’a umi y
Avei umi jejopyeta apytepe ñemo ambu’e yguyrape veneno yty agrotóxicorupi. Avei
hagua pe tembi’u apo rechauka, umi umi pohanguera oñembojehe’avo empresa
ñumegua kuéra rembiapo ohasa asy omosarambiva, ofrabricava cápsula
opaichagua ñorairô, japu, jeikovai, preso ha umívape avei ajagarra ko’â mba’e. Heta
jejuka, ñorairô militar ndive, jukaha ha umi producto reko rehegua ojereru mombyrygui
132
ñemoi hagua mba’e ñemuhame, oî ñeha’arô sasô. Peva peteînte, ojevy peva pe tecnica,
ambu’e teko oha’arô oñeme’ê ha jaje’ivo ko ñane socieda pyahu, ñane jeiko
tera ñañemo ambu’e ko ñanderekohagui. oñondive teko tekohare, teko ha ary,
Pe kuña regui jajapo peteî ñorairô renda, ojepoky’i pe kuapy yvagarape, umi porâ
jeipuru javeramo cosmético, cirugia apo ypy ha ipokatu.
estética, contraceptivo, cesárea, Ha katu, jejoka ñane jeiko ha rekoapo,
esterilizaciones, protesis, aborto kañyhame mba’e rechakua’a ha pojera, jagueruva
ha tupi’á jepe’a kuña ry’epygui, tekoapo ha jehasapyre oñondive, jahecha
antidepresivo ha mokyre’yra ojeipuruva gueteri hasy ha jajoko terâ jagueru je’y.
oparupi. Peteî kuña pajé ha maquina Ojeprobama heta posibilidad ñemosarambi
tuvichava rembiapo mainframes, ojapova colonia grográfica, avei ñembotuvichave pe
computadorpe guarâ ñegueropensa limitación pe pa’u pe virtual, oñepresentavo
computador y’etere (Ada Lovelace). Ko ku invasion ko rembe’y pyahugui – pa’u ku’i
angarupi, aty harupi software sâ’yre, oî 1,5% ra’y totemi. Tekove ojepuru material-prima
oñangarekova umi papapy [12]. ramo, ocondiciona célula nerviosa ha
Âva ha’e hina ombya’ivamomarandu ha porâ microprocesador, ipya’e ñaimo’ayre otororô
ata noikotevêiva jemo’i kuatiare terâ oñeingura pe biotecnocracia, pe’a
techaukahape. He’ivo peicha: “kua’a pokatu” omopya’eve pe jejapore oñemomba’e rupi
ha “katupyry apu’a renyhe” oñemomba’e pe ta’ýi tekovesa ha okontrolavo entero
umi ñane kuapy ñanemba’eteete, umi pirata tekove oîva yvyári, imbareteva avâ mba’e
noikotevê veima arma: ouma pira pire ñemboja’ovo tembiapore mbareterâ.
hovype. Jamo ambu’ema ñane sy kamby Ko’anga ñepyrû pe kyta ytotemigui,
timbore. michimi, pehengue onaceva pe
Milton Santos he’i haicha, ñemo ambu’e pe biopolitikagui. Ñantende haicha ko yvyári,
campo técnico-científico ha informacional umi teko ypy ha entero umi yvyñepyrumby
pe ojejapo sapy’ami tekovekue peteî avâ jehejapa, oñe moambu’e ñemuha
techauka pyahu teko gua’u oñemoi, guazúre ikatuhape jejogua ha ñe hepyme’e
mediada ha omyakaky’o, ikatu enterove enteroite mba’e.
omboheta, ojapo ñane jeiko rupi, omopeteî
hechakarâ ary ha arapy, omopyenda pe
kapitalista aranduka ha rembiapokarâ Tati Wells y Ruiter Rodrigues
joguaha rupi. Pea petechauka lei ha politika {{../Coletivo Baobá Voador ´;;~}
omohekoporâ ha amyatâ (oñongaturupi,
ñembyahy’i, omoingue tetepe, omopajereko Roagujeveme’ê Mbo’ehara Carlos Walter Porto-
pe estética cirúrgica ha tecnologia, oprohibi Gonçalves ikatupyryhare oleevo ha
ta’ýi ñemo ambu’e ha kuatia porâra – okorregihaguere.
ñeme’ê maymava tekovepe, hekove imba’e
teepe), oprohibi sasô ha ojapovo porâ
tekora, pe heta oîhame, ambu’e ñongatuha
kuâpore, oipurukavo banda ha software
133
Procuramos a través de este debate confabular
nuevas relaciones de poder, re-fundar procesos

Desde hace poco tiempo, casi todo era natural, afectivos y auto-poéticos (Maturana) que

misma con las intensas modificaciones afirman el vivir bien. ¿Cómo problematizar las

antropogénicas realizadas por las poblaciones acciones de las megacorporaciones

indígenas en las florestas (el antropólogo Balée globalizadas y de las instituciones que deberían

estima que cerca del 12% de la Floresta ser multilaterales(lobbies, ONU, FAO), que

Amazónica sea fruto de ese trabajo). tienen hoy la prerrogativa de determinar lo que

Aproximadamente desde ocho mil años, habían va o no va a ser hecho de la naturaleza?

indígenas de Abya Yala[1] desarrollan sus ¿Cómo recrear nuestras relaciones con la

“florestas culturas ”: agriculturas y manejos que naturaleza, nuestras culturas? En fin, ¿qué

generaron millares de especies vegetales, así globalización queremos: la que viene

como prácticas de cura y quehaceres imponiéndose o la que desde abajo viene

manuales, conocimientos sin “propiedad” buscando otros caminos?

enriquecidos a través de generaciones, Prácticas como la GNU/Linux – la semilla

utilizados y desarrollados para el bien de la digital originaria –, que no detiene patente y

comunidad entera. Así se consolidaron muchas colabora para la difusión del conocimiento. O el

civilizaciones del continente, donde reciente debate sobre propiedad intelectual con

predominaba la interacción de muchos el copyleft, bancos de semillas, prácticas

dominios: espiritualidad, arte, comida, cultura – agroecológicas, Permacultura, aislamiento

formando una sólida cosmología, que influenció voluntario, boicot, acciones de contestación a

directamente en la manutención de sus la producción transgénica y reproductiva por

técnicas tradicionales. campesinos X, así como en el campo teórico, el

Tanto por su pasado cuanto por sus modelos ciberfeminismo instaurando el feminismo como

contemporáneos, como la diversidad frente a la crítica a la cultura tecnocrática. Esos son

contra- hegemónica zapatista, el fortalecimiento pequeños, tácticos, sin embargo, muy

de luchas campesinas, indígenas y urbanas, importantes pasos para el nuevo desafío.

procesos de descolonización[2] y autonomía en Con los recientes avances de la ciencia sobre

países como Bolivia y México, o por política nuestro día a día a través de las grandes

institucional actual en Ecuador y Venezuela, industrias de micro-tecnologías, procuramos

reflexionamos sobre la etnicidad en la tentativa entender la construcción de este sistema-

de entender cómo caminamos de los payés a mundo desde un ámbito cotidiano, mucho más

los cientistas de chaleco blanco, la física amplio e íntimo que meramente el campo

moderna preparando el camino para la esencia científico o antropológico. Es, sobretodo, un

del pensamiento actual: el determinismo debate cultural, que dice al respecto a nuestros

(Heidegger). No se vive más el ahora, y sí se saberes y haceres. Vidas mutuamente

prepara el futuro. “Me des las posiciones de excluidas, anticipadas en las pantallas de TV

todas las partículas del universo, y todas las nuestras relaciones personales, creando hoy

fuerzas que actúan sobre ellas, y preveré el día una idea de cultura y política sin percibir
cómo la consumimos en nuestras comidas,
134
futuro”(Laplace).
cómo nos expresamos tecnológicamente o conferencia Ojo Público en Davos, conjunto al
ultrapasamos los límites establecidos por Foro Social Mundial) [6], al lado de Dow
determinada tecnología, reapropiándola, Chemical, Shell, Syngenta y Wal-Mart.
desdoblándonos en la creación de nuestros Además de toda la presión por el cambio de
hijos, definiendo así cómo será el planeta que paradigma en la producción de comida,
habitaremos en el futuro. productores rurales vienen sufriendo todos los
¿Bajo cuál cultura vivimos? tipos de violencia, como calumnias,
De las semillas al plástico, medicamentos, persecuciones, prisiones y asesinatos,
reproducción humana y distribución de enfrentamientos con milicias, matones y los
alimentos, por cables ínfimos y por el aire, medios corporativos de prensa, además de los
convergiendo conocimientos bioquímicos y la innúmeros casos de biopiratería[7]. Mismo el
microelectrónica, nos volvemos billones de maíz, uno de los alimentos considerados más
consumidores y productores, sometiéndonos a sagrados por las poblaciones indígenas al
algunas centenas de billones de empresas centro y al sur de nuestro continente, altamente
bélicas, farmacéuticas, petrolíferas y nutritivo, sufre todavía contaminaciones
alimenticias más poderosas que los gobiernos, “descontroladas”, como el que sucedió en el
poblaciones y culturas locales: como Monsanto Brasil. Eso se suma a la presión de la
– antigua fabricante de armas químicas, aprobación de los transgénicos en el país[8].
empresa que hoy se abocan casi la mitad del Según el periódico Brasil de Fato, la EMBRAPA
sector de semillas transgénicas, Du Pont – confiesa que existirá en breve “una
antigua fabricante de pólvora, una de las contaminación generalizada”[9], siendo que la
gigantes de la industria química en los Estados mayor parte de la producción que alimenta a
Unidos, dueña de más de 34 mil patentes las personas en el mundo es hecha por los
desde 1804[3], Bayer – apellido de un químico pequeños productores[10]. Sin embargo, los
alemán que inspiró a la empresa productora de únicos presos son justamente esos que tienen
aspirina, produce toda una línea de semillas sus plantaciones contaminadas, los que
para hortalizas transgénicas, listo para resisten en acciones directas (MST/Via
introducir el arroz transgénico en Brasil bajo Campesina) o aquellas que cambian archivos
lema: “Búsqueda del éxito: No desistir, por Internet, que venden CDs en las calles o
especialmente si aparezcan resistencias y crean sus estaciones de radioaficionados,
reveses”[4]; o todavía la Nestlé – “Buena utilizando las técnicas disponibles, como
Comida, Buena Vida”, auspiciante del apropiando, cuestionando y creativamente
programa Hambre Cero, que desmineraliza recombinando. En la biopiratería corporativa,
agua en Brasil y compra (junto a la Coca Cola) se paga solamente una multa, normalmente
fuentes de aguas del acuíferos como el mucho menos que la ganancia.
Guaraní[5] (la mayor cisterna natural de agua Y así, el mismo pulverizador rasante que tiró el
dulce del mundo, ubicado en nuestro agente naranja durante la Guerra de Vietnan
continente). La Nestlé fue elegida la por nueve años, matando las cosechas de
transnacional más irresponsable del planeta en arroz y causando hambre, comienza a ser
las cuestiones sociales y ecológicas (por la usado lleno de fertilizantes, ayudando a
135
“salvar” el planeta del hambre, bajo el signo de leche materna por sus polvos.
la “revolución” verde, a través de las décadas Según Milton Santos, las modificaciones en el
siguientes. Son las biopolíticas desarrolladas campo técnico-científico e informacional
desde los gabinetes de las Naciones Unidas e habrían creado un momento de la historia en
implementadas en escala planetaria, que un nuevo modelo de naturaleza
recientemente renovadas por la aprobación del artificializada se instala, mediada y altamente
Codees Alimentarius[11]. Además de lo que manipulable, y se reproduce por esferas
ingerimos, hay todavía una contaminación de distintas, construyendo todo a nuestro
las venas de aguas por la inmensa cantidad de imaginario social, adoptando modelos únicos
residuos tóxicos. Inclusive los fitoterápicos de tiempo y espacio, uniendo sobre moldes
acaban siendo manipulados por empresas de capitalistas ciencia y producción. Ese modelo
distribución, fabricantes de cápsulas. Muchos es legitimado por leyes y políticas cada vez
productos orgánicos son traídos por lejísimas más restrictivas (en acciones de confinamiento,
distancias hasta las góndolas de los hambre, subordinación de cuerpos, fetiche de
supermercados, persistiendo la dependencia la estética cirúrgica y de la alta tecnología,
de las personas de modo pasivo de consumo y prohibición de cambio de semillas o material
nuestra disociación de la naturaleza. cultural – dádivas comunes a todas las
Convertimos el cuerpo de las mujeres en un personas, a la propia vida), prohibiendo libertad
campo de batalla a parte, consumiendo e ingeniosidad como cultura humana, mismo
cosméticos, cirugías estéticas, contraceptivos, en un tiempo de abundancia, con el cambio de
cesáreas, esterilizaciones, prótesis, abortos archivos digitales, compartiendo de banda y
clandestinos y extracciones de óvulos, a eso se software libres. Bajo una visión única, la
suman los antidepresivos y estimulantes técnica se vuelve, en las sociedades
sexuales consumidos por todos. Una vez brujas modernas, el mecanismo de las relaciones de
y operadores de grandes máquinas de personas con sus territorios, seres y tiempo,
informática, creando lógicas de computación disociados de los conocimientos cósmicos, sus
sin computadores (Ada Lovelace). En los días artesanas originarias y sus potencias.
actuales, mismo en comunidades más Sin embargo, ese rompimiento de nuestros
inclusivas como el del software libre, modos y métodos naturales, solidarios y
representan apenas 1,5% de las que controlan colaborativos, adquiridos en el campo de la
los códigos[12]. experiencia vivida y colectiva, se muestra
Es la última destrucción de conocimientos y todavía más difícil de rescatar. Ya fueron
culturas tan sólidas que no necesitaban ser probadas innúmeros de posibilidades de
registrados en papel o patentes. Adoptando expansión colonial geográfica, bien como
slogans como “el milagro de la ciencia” y “el ampliadas las limitaciones del espacio con el
especialista global” para justificar las virtual, cuando la invasión es presentada desde
apropiaciones indebidas de nuestros una nueva frontera – el espacio molecular.
conocimientos tradicionales, los piratas no Seres humanos como materias-primas,
necesitan más de armas: vienen en magníficas condicionamiento de células nerviosas y
copias de hojas verdes. Sustituimos nuestra microprocesadores, una rapidez increíble de
136
emanación inauguran la era de la gran mercado donde es posible comprar y
biotecnocracia, que intensifica todavía más la vender simplemente todo.
productividad a través de la apropiación de las
semillas de la vida y del control totalitario de
todos los seres, aspectos determinantes en el Tati Wells y Ruiter Rodrigues
sentido de compartir de las producciones {{../Colectivo Baobá Volador ´;;~}
energéticas. Es ahora a partir del átomo, del
micro, del recorte, que nace la idea de la Agradecemos al Prof. Carlos Walter Porto-Gonçalves
biopolítica. En esta configuración de mundo, los por la gentileza en las lecturas y correcciones.
principios de territorialidad colectiva son
abandonados, substituidos por la idea de un

137
138
Hacia una cultura
de concienciación
ambiental Amancio Chamorro es educador en la ciudad de San Alberto en
Paraguay. Ha realizado una investigación que trata de educación
y medidas preventivas de contaminación ambiental. El texto a
seguir es parte de su investigación.

La mayoría de las veces pensamos que mismo, los envases tirados en


no tenemos la culpa del deterioro cualquier parte como algo muy natural
ambiental, que no tenemos nada que y sin peligro, el manoseo de los mismos
ver con lo que sucede en el mundo, con sin protección adecuada, sin respetar la
las calamidades, que yo soy solamente hora y de que lado sopla el viento.
una persona entre billones, y que, mis
acciones no tendrían incidencia con la Las reservas ecológicas son invadidas
alteración ambiental, la contaminación por cazadores brasileños, así como
y sin consecuencia. Pensamiento como pescadores que ni siquiera respectan el
éste inciden negativamente y no ayuda tiempo de veda y que aprovechan para
para nada en la recuperación del robar árboles cuya consecuencia es la
deterioro ambiental. deforestación.

Al hablar con las personas se nota que La basura tirada en cualquier parte que
conocen el tema, saben que están es uno de los factores de mayor
contaminando, pero les parece que no contaminación ambiental sustentable
es muy calamitoso y que por eso nadie que trae consigo los avances
se preocupa por nada, no tienen tecnológicos y el mejoramiento de
asistencia técnica, ni las personas otras culturas, sin embargo, con sus
encargadas de hacerlo, como las de prácticas higiénicas poco saludables
Itaipú no ayudan, no castigan a los que dejan huellas profundas en el
grandes delincuentes ecológicos, sino a medio ambiente.
los pequeños que inciden muy poco en
el efecto final. Es preocupante el uso En los planeamientos docentes, la
indiscriminado de los defensivos reforma Educativa insiste que debe ser
agrícolas, inclusive, esta región, es en forma transversal, debe abarcar
destino final de los agrotóxicos todas las materias, destacando que las
prohibidos en Brasil como el 4-2T que mismas se inscriben casi siempre con
es letal para la citricultura; y la gente, frases muy bellas, pero en la hora de
tanto quienes lo aplican y quienes llevarlas a la práctica, no pasan de
reciben ese aire contaminado por el meros deseos y embellecimiento de
139
una fina expresión para engalanar con aun más en lo que se refiere a la
palabras rebuscadas. Educación ambiental que parece ser la
única alternativa válida para que la
Estas prácticas debemos revertir, zona de influencia de la mayor
llevando a los educandos a un hidroeléctrica del mundo tenga una
aprendizaje significativo, hay que vida útil y los pobladores puedan
hacerles conocer, porque nadie puede aprovechar esta enorme riqueza con
querer lo que no conoce, a través de una vida LIBRE DE CONTAMINACIÓN.
una educación formal, organizada,
vivenciada para que se habitúen y así Lo que hace falta es la colaboración de
llegue a los padres y a las madres para los estamentos sociales, el
que reflexionen, se eduquen, se cumplimiento de la Constitución
conciencien y puedan sentir la Nacional. En la Sección II, sobre
necesidad de dejar algo para sus nietos ambiente, asegura en el Art.7 "Toda
y bisnietos, conservando lo poco que persona tiene derecho a habitar en un
sobra y restableciendo otros que faltan. ambiente sano y ecológicamente
La educación debe ser de prevención y equilibrado."
140
Peteî jeikua’aykavo
jepuru porâve hâgua
ñande rekoha Amancio Chamorro ha’e mbo’ehara tava San Alberto Paraguaype
ojapo ñe porandu teko mbo’e mba’éichapa jajokota pe ñomogy’a
ñande rekoha. ko ape mby kymí jeha’ipyre rembiapore.

Heta jey ñañamindu’u rire ja’ese hâgua ja hecha ambue tetâ rupi oñe
ndajejavy’ichene ko tekoha ñembya’ire, industrialisa avei tekoha opyta ky’a ndoje
ndajarekoiha mba’evete oikova ko yvy aprovechaporâiramo.
apere, mba’e vaieta, cheningo peteî yvy Pe mba’aporâ mbo’eharakuéra, oipota
poraminte heta renondepe, mba’e ajapova ñemyatyrô ñemboja’o rupi, ñemba’apo
ndo perjudikai avavepe no mbonguy’a hâgua maymava mbo’epy apytu’û rykue
mo’ái ni nogueru mo’ai mba’e ambu’e iporâveva rupi, jahaihu hâgua ñande
vaieta yvy ári. Peicha jagueropensáramo rekoha ha anitei opyta ñe’ê yvoty pente.
ipu’akase ha ñande mokanguyse ha nda Jajevy va’erâ ko jajapóva jajuvo,
jajapoi iporâva ñande rekoha ñamoí jevy jaguerahavo mbo’ehara kuérape pe arandu
hâgua. añete opyruvo pe tekoha oñandu hâgua
Ñañomonguetaramo perupi enteroveva ipire ha ñe’â rupi, jaikua’apype avave
ontende pe oikova ñembyaí ha ohovo pe ndohaí hui pe ndoí kua’aivape. Upeicharô
ñande rekoha haeteva ku iporâ jeytava añoite je le’e, ha jeiko ohova’erâ oñondive
peichante, ndojerekoi tesa pe’a, ni umi ýro ndoikoi. Jagueroguahê tu’a, ha sy
itaipugua ndo osistiri tecnicamente, ndo kuérape oñamindu’u hâgua, oñemoarandú
castigai umi ombyaiva ñande rekoha há ha oñanduhâgua mba’e pa oheja ohovo
katu opersegui umi omba’apoivevape remiaryrô ha membymembyrepe kuérape,
añetehape avei ombyaiva jahecha oñangareko poravê ko hembymiva ha
mba’éichapa ojeipuru agrotóxico ha’eva jeipuru porâve jarekova ñaina.
veneno ndojepuruiva Brasilpe 4-2T ojukava Tekombo’e ñandereko hare jahekombo’e
naranja ha gentepe pe hyrukue ojejapi vaerâ pea ha’e ogueru jeytava pe
oimehame, jepoko po nandire hidreeléctrica ohejava hapy kuerere, aveí
ipeligrosoimi, aveí ojepurujaveramo yvytu ogueruva mba’e porã ñandeve ha yvy ári
atândi nane pytu rehe ikatu avei ñande hi’â vaerâ enterove oipuru ko mba’e porã
juka. ome’eva ñandeve teko sasõ pe
Umi ka’aguy-y Brasilgua ou ojuka, ombyai ñemonguy’agui.
ndo respetai ovalepa terâ okakuamapa Entero ojapovaerâ iparte yvategua
jeipuruhâ guáicha terá omonda yvyra ha tembiguai kuera ha he’i háicha
oheja perô vera pe ñande yvy. “constitución Nacional” pe Sección II oñe’e
Pe yty ñemombo mamorei ningo hape teko harepe Art. 7 “Enteroveva oreko
ñemonguy’a ha ñanderekoha-uperave derecho oikovo pe tekoha potime.”
ogueru jeiporavorupi ojeaprovecha je’y
Para uma cultura de 141
conscientização Amancio Chamorro é educador na cidade de San Alberto no
ambiental Paraguai, realizou uma pesquisa que trata de educação e
medidas preventivas de contaminação ambiental. O texto a
seguir é parte de sua pesquisa.

Na maioria das vezes pensamos que não temos a O lixo jogado em qualquer parte é um dos
culpa da destruição ambiental, que não temos fatores de maior contaminação ambiental,
nada a ver com o que acontece no mundo, com provocando avanços tecnológicos e o
as calamidades; que eu sou apenas uma pessoa surgimento de outras culturas com as suas
entre bilhões e que minhas ações não refletiria práticas higiênicas poucas saudáveis que
tanto na alteração ambiental, na contaminação deixam marcas profundas no meio ambiente. Nos
e que não teriam tantas conseqüências. Este planejamentos educacionais, a Reforma
pensamento reflete negativamente e não ajuda Educativa insiste que a educação deve ser
para nada na recuperação da destruição transversal, deve abarcar todas as disciplinas,
ambiental. Quando falamos com as pessoas, porém as mesmas se destacam quase sempre
percebemos que elas conhecem muito sobre o com frases muito bonitas, ficando apenas na
tema, sabem que estão poluindo, porém não se teoria porque na prática não passam de meros
dão conta das grandes calamidades e por isso desejos e de bonitas expressões para tentar
não se preocupam, não têm assistência técnica. convencer com palavras rebuscadas. Estas
Os que são os maiores responsáveis, no caso de práticas devemos reverter, levando aos
Itaipu, eles não ajudam, não punem os grandes educandos uma aprendizagem significativa, é
delinqüentes ecológicos, e sim os pequenos, preciso que eles conheçam, porque ninguém
que refletem pouco no efeito final. É pode querer o que não conhece, através de uma
preocupante o uso indiscriminado dos educação formal, organizada e vivenciada para
defensivos agrícolas, inclusive a região de que se habituem e cheguem aos pais para que
fronteira é destino final dos agrotóxicos reflitam, se eduquem, se conscientizem e
proibidos no Brasil, como o 4­2T que é letal possam sentir a necessidade de deixar algo
para a citricultura e para as pessoas, tanto para seus netos e bisnetos, conservando o
para os que trabalham no manuseio do defensivo pouco que sobra e restabelecendo outros que
quanto para os que recebem o ar contaminado e faltam. A educação deve ser de prevenção e
também os recipientes, embalagens jogadas em ainda mais no que se refere à Educação
qualquer parte como algo muito natural e sem ambiental que parece ser a única alternativa
perigo. Trabalham com os defensivos sem válida para que a zona de influência da maior
nenhuma proteção adequada, sem respeitar a hidrelétrica do mundo tenha uma vida útil e as
hora e a direção dos ventos. Isto é, faltam pessoas possam aproveitar esta enorme riqueza
técnicas para “melhor utilizar” os defensivos com a vida LIVRE DE CONTAMINAÇÃO. O que faz
agrícolas. As reservas ecológicas são falta, é a colaboração dos estamentos sociais,
invadidas por caçadores brasileiros, assim como o cumprimento da Constituição Nacional, na
pescadores que não respeitam o tempo em que Seção II sobre meio ambiente, no artigo 7 afirma:
é proibida a pesca; aproveitando para cortar e “Toda pessoa tem direito a habitar num ambiente
roubar as árvores, provocando o desmatamento. saudável e ecologicamente equilibrado.”
143
BELO MONTE
VEM AÍ?
MARIA ROSA DA SILVA MIRANDA

A história da humanidade não consegue escapar dos grandes temas que


geram exploração, barbáries, desigualdades sociais, abusos aos direitos
humanos e hoje mais do que nunca a “banalização” do sentido da
existência. Existência de todos os seres vivos, cósmica, planetária,
etc.
O suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1784) em um de seus estudos sobre a
origem da desigualdade social, analisou o ser humano no estado natural
e também as formas de organização da sociedade civil. O primeiro
sentimento do ser humano, afirma: é o da existência; o primeiro
cuidado, o da conservação. Os produtos da terra lhe forneciam todos os
auxílios necessários, o ser humano vivia em equilíbrio com a natureza.
Com o processo de evolução e conhecimento o domínio de novas técnicas
despertou ou fez desse ser um egoísta. O ser humano tomado pela vontade
de poder e domínio, um certo momento diz: “Isto me pertence.”1, e aí
faltou quem lhes impedisse de cercar sua terra, e que pudesse gritar:
“guardai-vos de escutar esse impostor! Estais perdidos se vos esqueceis
de que os frutos a todos pertencem e de que a terra não é de ninguém”2.
Esse processo de desapropriação do ser humano da terra não é algo
recente. É preciso muita coragem e decisão para enfrentar e denunciar
todas as formas de exploração e domínio de nossas riquezas que estão
cada vez mais concentradas nas mãos de poucos.
Os povos da região da fronteira conheciam o projeto Itaipu e conheciam
também as conseqüências que iriam enfrentar. O grande dilema era: como
vamos impedir um projeto desse porte que beneficiará a dois ou mais
países? A utopia de muitos camponeses brasileiros e campesinos
paraguayos continua até hoje.
Nos anos 90 e 91, morei em São José das Palmeiras, região próxima a
Santa Helena, acompanhei os problemas de muitas famílias que choravam a
perda de pessoas queridas na construção da Usina Hidrelétrica de
Itaipu, eram muitas as histórias de exploração no trabalho,
trabalhadores que depois da construção não tinham as comodidades e o
bem estar prometidos com a energia elétrica. Muitas vezes me sentei com
pessoas felizes, saboreávamos os peixes do famoso Lago, famílias que se
sentiam orgulhosas, que tinham seus barcos de pesca e que monopolizavam
144
a venda de peixes na região. Sentava também com famílias empobrecidas e
angustiadas porque sabiam que suas terras estavam debaixo d’água e que
tudo ficou na recordação, promessas de indenização que muitas não
haviam sido cumpridas por completo. A utopia de dias melhores lhes dava
garantia de superar as dificuldades impostas pelo capital acumulativo
dos grandes dirigentes do projeto de energia e desenvolvimento.
A pequena cidade de Santa Helena se tornou destaque na época, prometia
muito turismo devido ao Lago que dava para a pesca e para os banhistas
na famosa praia artificial. Aí muitos perderam suas vidas, seja pelos
abusos ou falta de conhecimento dos perigos de profundidade do Lago. O
Lago de Itaipu impressionava, enormes pontes foram construídas, era
monumental mais não dava segurança e tranqüilidade para os povos da
região. Maiores problemas surgiram com o contrabando que já encontrava
mais saídas para circulação na região, o aquecimento climático aumentou
assustadoramente, o incentivo à monocultura e defensivos agrícolas era
uma ameaça para a saúde, principalmente dos trabalhadores. A energia
elétrica que era o sonho de todos não deu para as comodidades
desejadas, muitas das pessoas que deram seu suor trabalhando na usina
não tinham poder aquisitivo suficiente para comprar bens e não podiam
seguir utilizando essa energia. Era preciso pagar caro pelo uso da
mesma. Maldita contradição! Aqueles que têm o poder de decisão e
aqueles que são obrigados aos ajustes das condições precárias da vida.
Produzir energia, aumentar e acumular excedentes, desalojar grupos
inteiros de famílias indígenas e oferecer ambientes não compatíveis com
as suas tradições culturais.
Em nome de uma ideologia de desenvolvimento, de bem estar para todos, a
de garantir a competitividade nesse mundo globalizado quem assume as
conseqüências são aqueles que acreditam que um dia as coisas mudarão.
Perdem a vida, perdem seus entes queridos mas não perdem a esperança e
morrem acreditando.
Belo Monte vem aí. Quais serão os reais benefícios para a sociedade
brasileira e para outros povos? Pagar menos pela energia ou pagar
mais?, como anunciou esta semana o aumento da energia para os
consumidores, justamente agora que consumimos mais por ser inverno.
Até quando, vamos dar nosso suor e muitas vezes sangue, pagando para
que os detentores do excedente vivam seguros, tranqüilos e bem
alimentados?

1 ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade


entre os homens. São Paulo: Cultrix, 1965. p. 46-7

2 In: ROUSSEAU, Jean-Jacques.


145
¿BELO MONTE
NDAPEDE OU?
MARIA ROSA DA SILVA MIRANDA

Pe ñande reko rembiasakue ndaikatui ohasa rei ñemongueta guasurâgui momba’apo, teko ava,
teko joaguy, ñembohasa asy tapicha rekoverehe ha ko anga guarâ “noñemomba’ei” jeikove reko.
Teko umi enteroveichagua tekove, cósmica, kuarahy ra’y, etc.
Jean-Jacques Rousseau suizo (1712-1784) peteîa iñarandukape iñepyrumby pe teko joaguy rehegua,
joajuha teko yvy porâ añetegua ha avei tekove reko avaty tavaygua. Peteîha yvypora rembiandu,
he’i: ha’e tekove; peteîha ñangareko, ñongatupy. Hi’upy yvy ome’êva entero umi oikotevêva, pe
yvypora oikomivaekue jokupytype teko reko ndive. Pe iñambueva ohovo kuaapyrupive; ipuaka
técnica puahu omombay ha ogueraha ñemoha’eñome. Pe yvy porâ ojagarrava puaka
remiandurupi ha odomina, oguahê peteî sapy’ami he’ivo: “Âva che mba’e”1, ha upepe ofalta
ojokovaera omongoratajave ijyvy, ha ikatupe osapucai: “Ani pehendu pea ijapuva! Pe ñehundima
pe nderesarairamo yvy’a ha’e enterove mba’e ha pe yvy ndaha’ei avave mba’e”2.
Pea peproceso ñemo mba’e yvypora yvyre, ndaha’ei ramoguare. Tekotevê heta jerovia ha mbarete
ñembetirâ ha ñemombe’u opaichagua jepuru vai ha ñemomba’e umi mba’e repyetare oîva
mbovymi pope.
Pe tava upe teta rembe’yregua oikuaava pe tembiapo Itaipú rehegua avei oikuaa mba’epa ogueru
ha ohejata hapykuerepe.Tuvicha py’a tya’i, mba’eichapa rojokota âvaichagua tembiapo guasu, avei,
oguerutava ñekarapu’âra mokoî tetâme? Kera yvoty heta brasilero ha paraguayo kuerape ko’anga
peve.
Pe 90 ha 91 ramo, oiko kuri São José das Palmeiras, Santa Helena ypy’eterupi, amoirûva heta
ogaygua rembiasa asy hasêva hapichare omanorupi pe Usina Hidroelectrica de Itaipú jejapohape,
heta kuri tembiasakuera momba’apo rei, mba’apoharakuera opa rire pe jejapo ndoguerekoi
comodida oî hâgua hekopete he’i hagueicha oñepyruvo ojejapo pe mbarete tendyry. Heta jey
aguapy tapicha ovy’ava ndive, ro’umivo pira Ypa pe guare, ogaygua oñeñanduva py’aguasupe,
oguerekova yga pira ñuhâha ha omopeteî mbava pira ñehepyme’ê uperupi. Avei aguapymiva
ogaygua imboriahuva ndive ha ojepy’apyva oikuavo ijyvy oîha yguype há opytapaite
mandu’arântema, oñepromete kuri oñemyengoviataha heta gueteri ndohupityiva gueteri. Pe ko’ê
porâve rekavo omombarete orahavo tenonde umi ñepysanga ouva ipira pire etagui oîva mbovymi
pope omyakâva tembiapo tuvichava mbarete ha ñekarapu’âra.
Pe tavai Santa Helena osê tenonde uperamo, ome’ê heta tembiecharâ Ypa rupive, ome’ê pira
ñerenoherâ ha jejahurâ yrembe’yre. Upepe heta oñehundi tekove kuera, ndoikuaaiva ipypukuha
Ypa oipuruvai rupi. Ypa Itaipú jehecharamo, tuvichava yvyro rasa jejapopyre, tuvichapajepeva, ha
katu nome’eiva kyhyje’ý ha py’a guapy umi tava uperupi guape.
Tuvicha problema osê pe ñemu ñemi rupi otopava tape osyryryvo uperupi, hakuve ñande
rekohape, oîvema monocultura há umi ñangarekoha ñemity rehegua ha’eva kuri já’orâ
146
tesâipeguarâ, umi mba’apoharakuerape.Pe mbarete tendyry ha’eva kera maymabape ndogueru’i
pe oha’arô vaekue, heta umi mba’apohara ome’êvaekue imbyry’ai mba’apo rupi usinape
ndoguerekoiva heta viru ojogua hagua hemikotevê ikatu hagua omba’apove hoga guive oipuruvo
pe mbarete. Tekotevê kuri jehepyme’ê hepy jepuru rupi. Aña ojuaju kuaa’ýva! Umi oguerekova
mbarete omopeteîvo ha umi ojapovaera ñamytime asyme tekovepe. Ñeme’ê mbarete, jehupi ha
ñeñongatu hembyva, ñeguenohê umi ogaygua ava aty ha ñeme’ê tekoha ndaikatuihape oreko
ymaguare teko porâ nguera.
Jepy’amongueta ñekarapu’a rerape, mba’e porâ enterovevape, oaseguravo ñemoañotenonde
yvyapuape ha ho’ava katuinte umi oimo’ava peteî árape iñambuetaha. Ohudi hekove, ohundi
hembiahuhara, nohundiri jerovia ha omano jeroviapope.
Belo Monte ndapepe ou. Mba’enepa ome’ê añetetava pe avaty brasilpeguava ha ambue tavape?
Ñehepyme’ê saive mbareterehe terâ jehepyme’ê hetave?, omombe’u hagueicha pokôiratyme
ojupivetaha mbarete umi oipuruvakuerape, ko’anga ojeipuruveta jave ro’y rupi.
Araka’e pevepa, ñame’êta ñande ry’ái ha heta jey ñande ruguy, jahepy me’êvo umi ombyatyvape
hembyva oiko hagua kyhyje’ýme, py’a guapype ha tyguatame?

¿BELO MONTE
VIENE AHÍ?
MARIA ROSA DA SILVA MIRANDA

La historia de la humanidad no consigue escapar de los grandes temas que generan explotaciones,
barbaries, desigualdades sociales, abusos a los derechos humanos y hoy más que nunca la
“banalización” del sentido de la existencia. Existencia de todos los seres vivos, cósmica, planetaria, etc.
El suizo Jean-Jacques Rousseau (1712-1784) en uno de sus estudios sobre el origen de la desigualdad
social, analizó el ser humano en el estado natural y también las formas de organización de la sociedad
civil. El primer sentimiento del ser humano, afirma: es el de la existencia; el primer cuidado, el de la
conservación. Los productos de la tierra les proveían todos los auxilios necesarios, el ser humano vivía
en equilibrio con la naturaleza. Con el proceso de evolución y conocimiento; dominio de nuevas
técnicas ha despertado o ha hecho de ese ser un egoísta. El ser humano tomado por las ganas de
poder y dominio, en un cierto momento ha dicho: “Esto me pertenece.”1, ahí faltó quien les impidiera de
cercar su tierra, y que pudiera gritar: ¡“Os guardáis de escuchar a ese impostor! Estáis perdidos si os
olvidáis de que los frutos de la tierra a todos pertenecen y que la tierra no es de nadie”2. Ese proceso
de desapropiación del ser humano de la tierra, no es algo reciente. Es necesario mucha valentía y
decisión para enfrentar y denunciar todas las formas de explotación y dominio de nuestras riquezas que
147
están cada vez más concentradas en las manos de unos pocos.
El pueblo de la región de frontera conocían el proyecto Itaipú y conocían también las consecuencias
que irían a enfrentar. El gran dilema era, ¿cómo vamos a impedir un proyecto de esa dimensión, el
cual, traería beneficios a dos o más países? La utopía de muchos campesinos brasileños y paraguayos
sigue hasta hoy.
En los años 90 y 91, viví en São José das Palmeiras, región próxima a Santa Helena, acompañaba los
problemas de muchas familias que lloraban la pérdida de personas queridas en la construcción de la
Usina Hidroeléctrica de Itaipú, eran muchas las historias de explotación en el trabajo, los trabajadores
que después de la construcción no tenían las comodidades y el bienestar que prometían con la energía
eléctrica. Muchas veces me senté con personas felices, saboreábamos los pescados del famoso Lago,
familias que se sentían orgullosas, que tenían sus barcos de pesca y que monopolizaban la venta de
pescados en la región. Me sentaba también con familias empobrecidas y angustiadas porque sabían
que sus tierras estaban bajo el agua y que todo se quedara en el recuerdo, promesas de indemnización
que muchas no habían cumplido por completo todavía. La utopía de días mejores les garantizaba la
superación de las dificultades impuestas por el capital acumulado en manos de dirigentes de grandes
proyectos de energía y desarrollo.
La pequeña ciudad de Santa Helena se ha destacado en la época, prometía mucho turismo debido al
Lago que daba para la pesca y para los bañistas en la famosa playa artificial. Ahí muchos perdieron sus
vidas, sea por los abusos o por la falta de conocimiento de los peligros de profundidad del Lago. El
Lago de Itaipú impresionaba, enormes puentes fueron construidos, era monumental, pero no daba la
seguridad y tranquilidad para los pueblos de la región.
Mayores problemas surgieron con el contrabando en la región que ya encontraba más salidas para el
tránsito, el calentamiento climático ha aumentado asustadamente, el incentivo a la monocultura y a los
agrotóxicos utilizados en la agricultura era una amenaza para la salud, principalmente la de los
trabajadores. La energía eléctrica que era el sueño de todos no dio para las comodidades que
deseaban, muchas de las personas que dieron su sudor trabajando en la usina no tenían poder
adquisitivo suficiente para comprar bienes y que pudiera seguir trabajando desde sus casas utilizando
de esa energía. Era necesario pagar caro por el uso de la misma. ¡Maldita contradicción! Aquellos que
tienen el poder de decisión y aquellos que son obligados a los ajustes de las condiciones precarias de
la vida. Producir energía, aumentar y acumular excedentes, desalojar grupos enteros de familias
indígenas y ofrecer ambientes no compatibles con sus tradiciones culturales.
En nombre de una ideología de desarrollo, de bienestar para todos, la de garantizar la competitividad
en ese mundo globalizado, quien asume las consecuencias son los que creen que un día las cosas
cambiarán. Pierden la vida, pierden sus gentes queridas, pero no pierden la esperanza y mueren
creyendo.
Belo Monte viene ahí. ¿Cuáles serán los reales beneficios para la sociedad brasileña y para otros
pueblos? ¿Pagar menos por la energía o pagar más? como ha anunciado esta semana el aumento de
energía para los consumidores, justamente ahora que consumimos más porque es invierno.
¿Hasta cuándo, vamos a dar nuestro sudor y muchas veces la sangre, pagando para que los
detectores del excedente vivan seguros, tranquilos y bien alimentados?
149
Titilante Corazón de América del Sur
Eligio Miranda Ortíz

“De hijo bien nacido es ser agradecido” obra un refrán popular que traigo
a colación para compartir mi parecer sobre cuatro décadas, como testigo
de los acontecimientos en Paraguay y las relaciones con los países
vecinos.
Así como se guardan los tesoros más valiosos en un cofre de valor
incalculable, en un lugar especial, está ubicado esta nación dentro del
continente de América del sur.
La tragedia que ha ocasionado el capital inglés en explotar y preservar el
petróleo en territorio paraguayo, causó casi la fulminación de sus
habitantes (guerra de la triple alianza). En más, iban surgiendo líderes
como Alfredo Stroessner que se perpetuó en el poder (1954 – 1989),
heredero de un clan que propiciaban el amiguismo con personas
acaudaladas, que tenían fijos los ojos para invertir pingues dineros,
conseguir jugosas ganancias en tierra guaraní, que hasta hace poco era
practicada entre políticos y plenipotenciarios compatriotas o extranjeros.
La globalización, ayuda a sacudir del letargo a hombres y mujeres, en
explotar sus potencialidades para que éste país vaya saliendo del pozo
que sus verdugos han sepultado. Posee una tierra fértil para cultivar,
pero últimamente la falta de una buena política de la reforma agraria,
apaga el entusiasmo de la gran mayoría de los agricultores en tener
siempre los frutos para una buena alimentación en la mesa familiar.
Actualmente, hay una tendencia de mecanización de la agricultura
implantado por extranjeros brasileros, argentinos por encontrar una
situación adversa aprovechan en arrendar grandes extensiones de
tierras, luego se convertirán en sojales, arrozales, trigales y cría de
ganados para la exportación, etc. Los recursos favorecen bastante a los
aventureros empresarios que consiguen créditos blandos del estado, ya
sea de origen o mismo en Paraguay e invierten en estas actividades que
generan lucros incalculables, que por cierto no se dejan en el país los
beneficios sino son exportados para el exterior y dejan empobrecidas las
tierras, contaminando laguna, manantiales, arroyos, ríos y a la población
entera en algunos casos como en Ybycuí, Alto Paraná, Itapúa, etc.
He tenido la suerte de tener algunas referencias sobre los países
fundadores del Mercosur que en la cláusula figuran respetados artículos
para el funcionamiento de la dinámica del mercado, más en la práctica
es una burla; veamos el motivo: se ha tomado una campaña de
150
publicidad en debilitar un foco importante que mueve el turismo, el
comercio en la frontera con Brasil, me refiero a Ciudad del Este.
Actualmente se ha convertido en una gran tienda mezclado en la mayor
parte por inversionista extranjeros como árabes, chinos, brasileros,
japoneses, libaneses, algunos paraguayos, etc. Solamente tienen su
local de trabajo en territorio guaraní y todo los recaudados son
depositados en bancos del exterior, por tanto, la utilidad no genera
ventajas para dicho país, solamente son exteriorizadas por algunos
hechos tales como la improvisación de los vendedores en las calles, las
ventas de productos de contrabandos, estupefaciente, piratería, asalto,
mendigo, nativos indigentes que deambulan alrededor de la terminal,
manifestaciones de moto boy, enfrentamientos de la policía nacional y
de la receita federal, en fin la lista es larga y deprimente. Sin embargo,
en esa variedad de expresiones culturales, la población de la región al
margen del Paraná va combatiendo con el avance de otras culturas
emergentes, sin perder aún lo autóctono que es el alma expresada en el
idioma, estilo de la concepción de la realidad y el ritmo de acompañar
los avances científicos para mejorar la calidad de vida de todos sus
habitantes.
Para restablecer el espíritu de investigación, de trabajo y de generar
riquezas en la región es tarea de todos los hombres y mujeres que se
suman con su aporte para que todos tengan acceso a la producción y no
en el sometimiento, mucho menos ser eliminando por quien es más
fuerte, al contrario, el que es país desarrollado debería de ofrecer
mejores condiciones para elevar a un nivel más digno y no ofreciendo
siempre créditos que hipotecan hasta 100 generaciones. La asimetría es
vergonzosa, es dura pero persiste. Ojalá que el corazón siga siempre
bombeando sangre buena para funcionar armoniosamente los países
vecinos, ayudándose con políticas que benefician a todos y no sólo
desangrando una parte.
Finalmente, se percibe que hay proyectos de nuevos horizontes como la:
UNILA proporcionará que es posible la integración cultural, de
convivencia, ya que allí serán formados los selectos semilleros del
desarrollo de cada país de América del Sur.
151
Py’a otytýiva América del Surpe soja, arro, trigo ha mymba kuera ohepyme’ê
hâgua tetâ ambuepe, etc. Umi orekova ñane
Eligio Miranda Ortíz
retâ oipytyvô umi po’a ra’âhame empresario
kuera ojuhuva viru jeipuruka ivevúiva tava
“Memby heñoi porâ ramo ha’e ijaguyjeve rupive, taha’e hetâme terâ Paraguaype ha
me’ê kuaava” oje’e perúpi ha che agueru ojapo tembiapo oguenohê peve tepyme’ê
ko'anga ambohasavo peême che ahechahaicha heta, ndopytaiva ñane retâme jeipuru hâgua
irundypa ary, oikomivaekue Paraguaype ha mba’apo tapichakuera oîva ko’ape katu
ijeiko katu umi tetâ ijykerekuera oîva. oguerhapa okape ha omomboriahu pe yvy,
Ku ñongatupype jareko haicha karameguâme omongy’arupi y no’ô, yvu, ysyry, y ha
umi mba’e hepyva, peteî tenda poravopyrepe, tavayguakuérape umi Ybycui, Alto Paraná,
oî pe tetâ tyru ryepy América del Surpe. Itapúape guaicha, etc.
Pe tembiasyete ojapo vaekue inglés kuera viru Che po’ami kuri asêvo che tapy’igui upevare
omomba’apovo ha oñongatu pe ita kyra yvy aikuaa maymava umi tetâ oîva Mercosurpe
Paraguaype, ogueru haimete jejukapa iporâite he’iva pe kuatiape mba’eichapa
itavayguape(ñorairô mbohapy tetâ ndive). Ha ojejapota oku’emie hâgua ñehepyme’ê, amo
uperire, osêva sambyhyhara kuera Alfredo hapope jepukarâite; jahechami mba’erepa:
Stroessner icha hi’arapa’ýva pu’akape (1954 ojejapo peteî jenohê rupive umi mba’e iky’a
–1989), iñemuñare ha’e peteî atype terâ ivaivéva oîva tetâme omo kangy hâgua
omoñemuñava angyrûnguera tapichakuera jeju, ñeñemu pe tetâ rembe’y Brasil ndive,
imba’etava ndive, ojesarekova oipuka hagua añe’ê Ciudad del Este rehe. Ko’anga guarâ ha’e
viru mbovymi, okonsegui peve tembirepykue peteî mbatara oîhame heta omoîva viru
heta porâ yvy guaranime, nda areiete peve tepyme’ê râ tetâ ambuegua ha’eva árabe,
ojejapo gueteri tetâ rembijokuaikuera rupi ha chino, brasilero, japone, libane, mbovymi
umi ipuakapava tetâugua terâ tetâ ambuegua paraguayo, etc. Oguereko hikuai
kuera. imba’apoharamo tenda yvy guarani ha ojarava
Pe mba’e apu’apape, ñanepytyvô japayvo oñongatupa bancope okapegua, upevare, ñane
kuimba’e ha kuña nuera, jeipuruvo ñane retâme ndoguerui ñepytyvôrâ, ha katu
katupyry ko ñane retâ osê hâgua ykuá ohejapaite paraguaygua ári ha’ekuera ouva
pypukugui umi ijukare ohejavaekue yvykuape. ojapo hetâme nda ikatúiva, oheja hepyme’êha
Oguereko yvy iporâva ñemityrâ, ha oimehaicha rei tapere, jehepyme’ê ñemû
ipahápendoguerekoigui ku ñemboja’o porâ ñemire, droga, ñemonda para, ñemonda,
reforma agraria rupive, ombogue kyre’ý heta mba’e jerure, ava oikoteveva oguata
tapicha chokokuepe oguerekovo hi’u pyrâ ikatu opárupiete pe mbayru pytaha jerere, ñemo
hâgua okaru porâ ogaygua kuera. atâ motope omba’apova, ñoko’ôi policia
Ko’anga guarâ, oî peteî ñe mba’apose nacional ha receita federalgua, heta jareko pe
tembipuru rupive kokuepe ogueruva tetâ kuatia haipe ja’e pataramo ñanemokanguyse.
ambuegua brasilero, argentino kuera Ha katu, opaichagua jehechauka porâ reko, pe
otoparupi yvy hu’û oñemotenonde opagavo tavayguakuéra Paraná rembe’yregua honorario
terâ oarrenda yvy tuvichava, upei oñoty ipype umi pora ouva ambue tetâgui, oheja ynre
152
takykue ñane mba’e teeva ha’eva ñane anga Cintilante Coração da América do Sul
hechakapy ñane ñe’ême, jejapohaicha Eligio Miranda Ortíz
jehechahaicha umi oikova ha pu rysýirehe
jegueroguata umi ñemotenonde ciencia rupive
oñemoporave hâgua ñane rekove maymava “De um filho bem nascido é ser agradecido”,
yvypóra. refrão de uma obra popular que trago neste
Ñemojoapy je’y hâgua pe pytu jejatypeka, texto para partilhar meu parecer sobre
mba’apo ha jeheka mba’e repy umirupi ha’e quatro décadas, como testemunho dos
tembiapo entero kuimba’e ha kuña kuera acontecimentos no Paraguai e as relações
ombojoapyva pytyvôme ikatu hâgua oike com os países vizinhos. Assim, como se
entero jejapope ha aniteí tindype,ha katu guardam os tesouros mais valiosos em um
anitei oñe mbogue imbareteveva rupi, umiva cofre de valor incalculável, em um lugar
rovake, umi tetâ tuvichavéva ome’êvevamo’ã especial, está localizada esta nação
temikotevê porâve me’ê ohupive hâgua ou dentro do continente de América do Sul. A
porâve hâgua ichupe ha ani ome’ê katuinte tragédia que ocasionou o capital inglês em
ijeroviapy ohepyme’êva peteî sa ñemoñare explorar e preservar o petróleo em
kuerape. Upe ndojojaiva ñanemotî, hasy peva território paraguaio causou quase o
ha oîko. Hi’âite pe py’a katuinte oguenohê extermínio de seus habitantes (guerra da
tyguy porá ombongu’e mbopujoyvy umi tetâ tríplice aliança). E mais, foram surgindo
ambue ykere oîvame, ñepytývô rupive líderes como Alfredo Stroessner que se
mbarete ome’eva maymabape ha nda ha’eiva perpetuou no poder (1954 – 1989), herdeiro
ohuguy’o peteîmente. de um clã que propiciava o amiguismo com
Opakuetevo, ñañandu oîha tembiapo pyahu pessoas endinheiradas, que tinham os olhos
tesape’arâ ha’eva: UNILA (Universidad fixos para aplicações financeiras
Internacional Latino Americana), ome’etava gigantescas e conseguir latifúndios com as
ikatuha ñembyaty porânguera, teko reko rupi, terras dos guarani, há pouco tempo
upepe oñe mbokatu pirita jeporavopyre rupive praticado entre políticos e diplomáticos
omoheõi hâgua ñekarapu’â maymavave compatriotas ou estrangeiros. A
tétame América del Surpe oîva. globalização ajuda a sacudir da hibernação
homens e mulheres para explorar suas
potencialidades, para que este país vá
saindo do poço que os seus malfeitores o
têm sepultado. Possui uma terra fértil para
cultivar, porém ultimamente a falta de uma
boa política de reforma agrária apaga o
entusiasmo da grande maioria dos
agricultores em ter sempre os frutos para
uma boa alimentação na mesa familiar.
Atualmente, existe uma tendência de
mecanização da agricultura implantada por
153
estrangeiros brasileiros e argentinos. assaltos, mendigos, nativos indigentes que
Esses, por encontrarem uma situação perambulam nas proximidades do terminal
adversa aproveitam para arrendar grandes rodoviário, manifestações de motoboys,
extensões de terras e logo as transformam enfrentamentos da polícia nacional e da
em plantações de soja, arrozais, trigais e receita federal, enfim a lista é enorme e
invernadas de gado para a exportação, etc. deprimente. No entanto, nessa variedade de
Os recursos favorecem bastante os expressões culturais, a população da
aventureiros empresários que conseguem região à margem do Paraná vai combatendo
créditos fáceis do Estado, seja do país de com o avanço de outras culturas
origem ou mesmo do Paraguai e investem emergentes, sem perder ainda sua
nestas atividades que geram lucros originalidade que é a alma expressada no
incalculáveis, que com certeza não deixam idioma, estilo da concepção da realidade e
para o país os benefícios e sim os exportam o ritmo de acompanhar os progressos
para o exterior, deixando empobrecidas as científicos para melhorar a qualidade de
terras, contaminando os lagos, mananciais, vida de todos os seus habitantes. Para
arroios, rios e a população inteira, em restabelecer o espírito de investigação, de
alguns casos como em Ybycuí, Alto Paraná, trabalho e de gerar riquezas na região, é
Itapúa, etc. Tive a sorte de ter algumas tarefa de todos os homens e mulheres que
referências sobre os países fundadores do cooperam cada um com o que tem de melhor
Mercosul que na cláusula figura para que todos tenham acesso à produção e
respeitados artigos para o funcionamento não fiquem na dependência, muito menos ser
da dinâmica do mercado, mas na prática é eliminado por quem é mais forte, ao
uma gozação; vejamos o motivo: tem­se contrário, o país que é mais desenvolvido
usado uma campanha publicitária para deveria oferecer melhores condições para
debilitar um foco importante que move o elevar a um nível mais digno e não
turismo, o comércio na fronteira com o oferecendo sempre créditos que hipotecam
Brasil, me refiro à Ciudad del Este. até 100 gerações. A assimetria é
Atualmente, se transformou numa grande vergonhosa, é dura, porém persiste. Oxalá
loja em que os comerciantes e investidores, que o coração continue sempre bombeando
são na maioria estrangeiros, como árabes, o sangue bom para funcionar
chineses, brasileiros, japoneses, libaneses, harmoniosamente com os países vizinhos,
alguns paraguaios, etc. Somente têm seu ajudando­se com políticas que beneficiem a
local de trabalho no território guarani e todos e não somente sangrando uma parte.
tudo o que ganham são depositados em Finalmente, se percebe que existem
bancos no exterior, portanto, a utilidade projetos com novos horizontes como a:
não gera vantagens para o dito país, UNILA que proporcionará a integração
somente são exteriorizadas por alguns cultural, de convivência, já que nesse
fatos, tais como a improvisação dos espaço universitário serão formados os
vendedores nas ruas, as vendas de produtos semeadores do desenvolvimento de cada
de contrabandos, entorpecentes, piratarias, país em América do Sul.
154

Amanty Kira e suas margens

A Serra da Mantiqueira, uma sequência de montanhas geograficamente


equidistante das cidades mais populosas do Brasil (São Paulo – Belo
Horizonte – Rio de Janeiro), desde 1985 se tornou uma APA – Área
de Preservação Ambiental, que abrange 4. 350 km2 situados em 25
municípios de três Estados (SP – MG – RJ), onde quase sempre as
altitudes ultrapassam 1. 000 metros.
Amanty kira – como os povos ancestrais já a chamavam – é onde
nascem as águas, os rios que abastecem milhões de habitantes da
região mais desenvolvida do País, seja para uso doméstico, industrial e
agrícola, seja para geração de energia. Pode-se dizer que a
sobrevivência das megalópoles no entorno da Mantiqueira depende da
preservação de suas fontes e florestas, vestígios da Mata Atlântica
que outrora cobria enorme extensão do Brasil.
Flavia Vivacqua
155

Amanty Kira ha hembe'y


Pe yvyty Mantiqueira ha’e peteî yvytyeta yvymbo’e hape oî
aguî umi tavaieta opavave Brasilpe (São Paulo – Belo
Horizonte – Rio de Janeiro), upe 1985 oñembohasa APA –
Área de Preservación Ambiental orekova 4.350 Km² oîva 25
kuairógape mbohapy tétame (SP – MG – RJ), upepe háime
ohasa 1000 metro pe ijyvatekue.
Amanty Kira – heropyre umi tava ypyreicha – ha’e upepe
heñôi pe y, umi ysyry omboi’uva sua yvypórape pe yvy
tenda ñekarapuâveva oîva tavape, taha’e jeipururâ ogapype,
mba’apoharape terâ kokuepe, taha’e mbarete neñe’êrâ. Ikatu
ja’e pe jeiko umi tava tuichapajepeva oîva Mantiqueira jerere
oikotevê ñengareko pe yvu há yvyra kuera, pore Ka’aguy
Atlántico ymave oñuambava ko Brasil tuicha kue jave.

`
Amanty Kira y sus margenes
El Cerro de la Mantiqueira es una secuencia de montañas geográficamente
equidistante de las ciudades más pobladas de Brasil (São Paulo – Belo
Horizonte – Rio de Janeiro), desde 1985 se ha convertido en una APA – Área
de Preservación Ambiental que abarca 4.350 km² ubicados en 25 municipios
de tres Estados (SP – MG – RJ), donde casi siempre las altitudes sobrepasan
los 1000 metros.
Amanty Kira - era como los pueblos ancestrales, la llamaban – es adónde
nacen las aguas, los ríos que abastecen a millones de habitantes de la región
más desarrolladas del país, sea para uso doméstico, industrial y agrícola, sea
para la generación de energía. Se puede decir que la sobre vivencia de las
megalópolis enrededor de la Mantiqueira depende de la preservación de sus
fuentes y florestas, vestigios del Bosque Atlántico que otrora cubría enorme
extensión del Brasil.
A horta
vertical
como
uma

plataforma
de saberes
compartilhados

José Luiz Kinceler


Propositor de táticas criativas complexas
Professor de Artes Visuais do Centro de Artes da UDESC

Atualmente, provocar acontecimentos que produzam devires complexos na subjetividade


156 individual e coletiva é de urgência vital para formas de arte que não estejam dispostas a
se inserir neste panorama efêmero e líquido que em nossa presente condição não temos
mais nem como abarcar. Por outro, se reconhecemos que a arte sempre foi uma forma de
resistência, transgressão ou desconstrução, como fazer de nossa existência uma forma de
arte? Frente a essa constatação nos vem novamente aquela feita por Nietzsche no século
XIX: como a arte pode reinventar a vida e produzir sentido à existência? Recomenda-nos o
filósofo: como fenômeno estético a existência ainda nos é suportável, e por meio da arte nos
são dados olhos e mãos e, sobretudo, boa consciência, para poder fazer de nós mesmos um tal
fenômeno1. Em nossa modernidade em que tudo se transforma em mercadoria, até mesmo
as relações, é possível levar a existência apenas como fenômeno estético? Essa
inquietação fundou uma série de articulações pelas quais a proposta “Horta vertical como
uma plataforma de saberes compartilhados” vem adquirindo sua forma.
Inicialmente temos que reconhecer que, à medida que cada contexto cultural amplia a
visão de si mesmo, outras formas em arte fazem com que o ato criativo ative atos
contínuos de desconstrução daquilo que tem pretensão de se instalar na realidade como
verdade. Com este processo acelerado e contínuo de pasteurização do coletivo e
espetacularização da cultura 2, saberes construídos como experiência não encontram mais
tempo nem espaço para ser praticados, e vão a cada dia sendo minimizados. Em seu
lugar, assistimos à disseminação avassaladora pela mídia de uma forma de subjetividade
lixo/luxo homogeneizada que leva o imaginário do indivíduo a ser formatado segundo a
lógica da imagem sedutora.

Por outro lado, esta proposta tem a pretensão de gerar um espaço-tempo inserido na
realidade capaz de causar uma desestabilização no jogo representacional. Neste jogo, os
papéis do propositor, da proposta artística e do participante acontecem/se desenrolam
num contexto específico, a comunidade do Morro do Palácio em Niterói/RJ por um período
relativamente prolongado de atuação. Tem a pretensão de gerar descontinuidades locais
visando a alterar a realidade imediata. Nesse sentido, o propositor, agora mediador de
narrativas contextuais de reconhecimento mútuo, compartilha responsabilidades éticas,
científicas e estéticas com o outro. Por sua vez, a proposta artística, ao praticar a
realidade como uma ficção modélica de mundos possíveis, leva os participantes a gerarem
representatividade em relação a um contexto estratificado de conflitos. Passando a atuar
de forma complexa, esta forma emergente de arte viabiliza interações, reflexões, e
principalmente o ensaio de modos de vida mais dignos de serem vivenciados junto à
esfera dinâmica da vida. Reinaldo Laddaga, em seu livro “Estética da emergência”3, nos
indica que o presente das artes está marcado pela proliferação de um certo tipo de
projetos que visam, segundo este autor:

... iniciar o intensificar procesos abiertos de conversación (de improvisación) que


involucren a no artistas durante tiempos largos, en espacios definidos, donde la
producción estética se asocie al despliegue de organizaciones destinadas a modificar el
estado de cosas en tal o cual espacio, y que apunten a la constitución de “formas 157
artificiales de vida social”, modos experimentales de coexistencia. 4

Considerando com Laddaga que uma emergência é a ocasião de uma aprendizagem 5, este
processo é entendido como uma experiência de arte colaborativa que se molda conforme
as situações e desejos vão se apresentando. Devido à complexidade dos acontecimentos,
esta proposta se faz em tempo real. Isso significa compreender sua construção como um
“lugar praticado”6 que está se configurando enquanto uma plataforma de saberes
compartilhados. O processo criativo, portanto, está aberto a outras estratégias e táticas
criativas que provoquem acontecimentos, a uma produção de subjetividades que resistam
a formas de representação massificadas.

Reconhecendo que a arte de cunho colaborativo, aquela que para acontecer depende da
participação do outro, atravessa hoje um grau de transparência inclusiva dentro da própria
instituição arte, marcada por proposições que necessitam ser vivenciadas por períodos de
tempo mais abrangentes, nas quais o mais importante são as vivências e
descontinuidades que uma proposição pode gerar, esta proposta lança mão da noção de
dispositivo relacional. Tem como uma de suas linhas de força o ensino, a confecção,
instalação e manutenção de conjuntos de módulos de hortas verticais em ferrocimento e
pneus, a ser instaladas nas residências da comunidade do Morro do Palácio. Esse é o
referente inicial, o gatilho propulsor para que outros desejos aflorem. Por sua vez,
entender a horta vertical como um dispositivo significa estar aberto a diluir o que é tão
caro ao sistema da arte, o princípio da autoria. Portanto, as hortas verticais têm a
pretensão de ativar o processo criativo colaborativo. Está aberta inclusive a não acontecer,
pois irá afinal depender do desejo do outro de querer jogar junto.

A metodologia é eminentemente pautada no afeto. Está baseada no encontro e na troca


de saberes a partir da materialização do desejo individual que as hortas verticais
conseguirem projetar sobre o imaginário dos participantes. Nesse sentido, cada
participante está tendo a liberdade de materializar outros saberes em relação ao que a
plataforma de saberes compartilhados poderá projetar sobre sua subjetividade. Tampas de
caixa d’água, a criação de um bloco de bonecos para jovens da comunidade, a confecção
de ocarinas em cerâmica, de tambores em ferrocimento, estão tendo a potência de
provocar outras relações a acontecerem na comunidade.

Para tentar finalizar, cumpre ressaltar que a arte é um jogo que anula e reinventa suas
próprias regras. Hoje posturas dialógicas, transparentes e inclusivas exigem dos artistas a
aventura e o compromisso de usarem os referentes que pertencem inclusive a outros
campos representacionais. O propositor, ao atuar como um mediador, estabelece e cria
vínculos com outras formas de representação: estética, ciência e ética, ao serem
158 costuradas criativamente, geram um fenômeno artístico complexo capaz de potencializar
as difíceis relações da arte contemporânea para com a vida. Para tanto, o propositor
engajado neste novo jogo formal deve controlar desde dentro e incorporar novos
referentes para exercer plenamente sua criatividade. Nesta situação, supera limites
deterministas, passando a ter sua produção desvinculada de sistemas de representação
dados a priori.

Niterói, Comunidade do Morro do Palácio, março de 2010.

1 NIETZSCHE, F. A Gaia Ciência. Trad. Paulo César Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 132
2 Cf. DEBORD, G. A sociedade do espetáculo: comentários sobre a sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro:
Contraponto, 1997.
3 LADDAGA, R. Estética da emergência. Buenos Aires: Editora Hidalgo, 2006.
4 Idem, p. 22
5 Idem, p. 288
6 DE CERTEAU. A invenção do cotidiano. Tradução Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 1996.
159
moda hecharamomby.
Pe ka'avo
~
nemopu'a^ jaipuru Avei, âva marandú ome’ese tenda-ára oike
ñande rekohape ikatu ñane mohetyma ryry’i
kuaapy pyendara^ umi ñembosarái hechakapype.
Jose Luiz Kinceler – Tembiapo apoha umi heko Ko ñembosaráipe, tembiapo apohara ome’ê
hasyveva aporâ porâ ha ojapótava oiko peteî tavaipe
Mbo’ehara Mba’e Porâ Hechapyrâ pe Centro de Cerro del Palacio Niterói/RJ, peteî apopy
Artes UDESC pegua. arapukuete. Oreko ojapovo ambue tenda
ikatuhâgua ombopyahu pe jeiko.
Ko’anga jahecha ogueru tuvicha jehecharamo Upéicha rupi, tembiapo apoha, ko’anga pe
peteî terâ hetameguarâ, âva mba’e porâ ohendu ñemombe’ure jeikuaa hâgua,
hi’ava pya’e oî oike hâgua pe hechapyrâ omboja’o hese guava teko porâ, cientifica ha
sapy’ami ha pya’e nda ikatui jajoko. Ha katu, porâ reko ambuendive. Avei oime porâ
jahecharamo ramope mba’e porâ ha’e rehegua, apopy ohechauka peteî hechapyrâ
katuinte ñemo’atâ, jeikovái terâ ñembya’i. gua’u ikatuha ko yvy ari, ogueraha umi
Mba’éicha jajapota ña nde rekogui peteî teko ojapotavape ome’êvo porombuekoviáva
porâ? Pe’a pe ñeporandu renondepe ou ñane apañuái apytepe. Jehasavo jehechapypukuve
akâme pe Nietzche jepy’amongueta upe siglo ko âva ñepyrumby porâ regua
XIXpe: Mba’éicha ikatu pe porâ ojapo jey oñemoapesavo, oñeporanduvo ha
tekove ha jejapo me’ê teko reko? Ñane ojepratikavo ko teko potîme hechakapyrâ
momandu’a pe kuaarekaha: Pe iporâva reko teko marangatuharamo. Reinaldo Laddaga,
rupi pe tekove jaaguanta gueteri, pe porâ arandukape he’í: “Porâ opupuva” 3, ohechaka
rupi ome’ê ñandeve tesa ha po, py’a porâ ñandeve ko porâ oî oparupi tembiapo
jajapo hâgua ñandehegui âva mba’e1 . Ko ára apytepe terâ apopyrame, Ko oha’ivaekue
pyahu ñane rerahapava temiñemuñarámo, ningo he’í:
ñanerekope ikatupa ñantende teko ...ñepyrû mbarete apopy ambu’e(sapy’ante)
iporâháramo añonte? Âva ñeporandu ogueru oyavo artista yn ára pukukuejave, mamo
heta ñembojoaju pe “ka’avo ñemopu’â tekotevêhame, pe mba’e porâ jejaporâme
jaipuru kuaapy pyendarâ” ojereko gueteri ogueraha tuvicha ñemosarambi Omo ambuevo
angapeve. umi oîmavape taha’e jepe ape terâ amo ha
Ñepyrumby jahecharamovaerâ, pe kuaapy oapuntava pe ñepyrumby “tekove’eta jejapo
oguerutava pe’a pe teko peteî teîme, pe porâ gua’uramo” , hâva ha’e hina japopyre
apo osê hâgua katuinte ombya’i umi oipotava tekovendive4.
oî añeteguáramo. Ko’âva jejapo ha mante Ja’evo Laddaga ndive, pe peteî ytororô ha’e
ñemopotîeta ha jehechauka mba’e porâ 2 kuaapyrâ 5, jepe porâ apo enteroitendive
jejapo kuaapy ndo topai ára ni mamopa omoimba entero rembiandu ha’ete háicha.
jeapopyrâ, ha peicha ko’êre oñemomichi Katu avei jypy’û umi ohasamavaekue, âva
ohovo pe’a rangue, jahecha umi Medio jejapo mbaaporâ pya’e ha añetete. Upéva
omosarambí oity igustoitépe yty/kate he’ise ñentende pe apopy “tenda jejapore” 6
jehe’apava ogueraha maymavape ojapovo oñembohetéva ohovo ha oñemopyenda
160
kuaapy ñecompartipyre. Pe apo jejapo, katu, Opa hâgua, pe porâ ha’e peteî ñembosarai
oî ambue jetapa’ynetere pyenda ha teko ombogueva ha ojapojeyva ireglarâ. Oî
oguerúva oikovaera ha peteî opokapy mba’éichapa ñomongueta, hesakâva ha
ohechauka pe jejapopyré atype. omoingueva artista kuerape po’a ra’â ha
Ñareconoce pe porâ enterove ojaporámo, pe oñecomprometevo oipuru entero umi
pora apo oiko hãgua tekotevê ambue ikatuva ohechauka hembiaporupive. Pe
tapicha, ko’anga ohasa sakãrupi pe tembiapo apoha, ojapovo ñemombyteramo,
institución porã ryepype, oapuntalava pe omoî ha ojapo joaju ambue tembiapo
ñaimo’ava tekotevêha jehasa ára pukumieve jehechaukava: porâreko, kuaapy ha tekokatu,
ha iñimportante pe jehasa tekorupi ha oñembojoapyvo apopy, ome’ê heta
ñemosãso pe ñe’êra ikatuva osê, âva ñe’êra porârehegua ikatuva ojejapo mbeguepe umi
jepo’i pe jeikokua’ape ñantendemive hâgua. hasyveva ñemongueta pe porâ angaguava pe
Oreko peteî hai kuapy mbarete, ha’eva, tekove ndive. Upevarâ, pe tembiapo apoha
jejapo, ñemoi ha jevicheakatu entero umi oike avéi ko tembiapo pyahu iseriovape
ka’avo ñemopu’â ita, itaku’i ha mba’ejerepytu okontrola hâgua hyepyguive há omoingue
oñemo’îtava umi ógaharupi pe tava-i Morro hâgua ambue mba’e pyahu ojapovo iporâve
del Palacio. Pe’a ha’e iñepyrumby pe ñekua hâguáicha. Péicharamo, ohasapaite umi raja
mbopu ikatu hãgua ambue ojapo avei. ñemoîpyre, há ohasa pe hapopyre orekovo
Upeva’erã, ñantende porá pe ka’avo sasô entero umi sistema ohechaukava
ñemopu’ã pe ñemokyre’ynra he’iseva ñaime iñepyrumby guive, upevare ndorekoi
po jerape ñamosarambi hãgua pe mba’e ñapytimbype.
porá, ñepyrumbyguive.
Upevare, ikatu, umi ka’avo ñemopu’ã oreko Niterói, Comunidade do Morro do Palácio,
omongu’evo pe apopy enterovendi. Oî peteî Março 2010.
pa’â nadaikatu’i ojapo ha’eño, katu ojeko
ambu’e remiandure oñembosarai hâgua
oñondive.
Pe apopyrâ jahecha oku’eha temiandupente.
Ohechauka jotoparupive ha ñeme’ê kuaapy La huerta vertical
pe jejaporire temiandu año pe ka’avo como una plataforma
ñemopu’â ikatu hãgua omopyenda umi de saberes compartidos
ojapotavandive. Upéicharupi, ojapótava oreko José Luiz Kinceler – Proyectista de tácticas creativas

ipope hava mba’e ambu’e kuaapy oipuruvo complejas

omoporãve hãgua pe kuaapy pyenda Profesor de Artes Visuales del Centro de Artes de la

omosarambitava tembiapope peteîteî. Pe UDESC

yrenda ñemboty, jejapo heta ra’y gua’u umi


kariaype tavaiguava, pe ype ñai’ugui Actualmente, la provocación de hechos que
apopyre, umi tambor ita ha itaku’i gui produzcan retornos complejos en la subjetividad
apopyre âva oreko ipype ojapo hâgua ambue individual y colectiva, es de urgencia vital para
jetopa ikatuva ojejapo pe aty no’ôme. las formas de arte que no estén dispuestas a
161
inserirse en este panorama efímero y líquido que Por otro lado, esta propuesta tiene la pretensión
en nuestra actual condición no tenemos como de generar un espacio – tiempo inserido en la
abarcar. Sin embargo, si reconocemos que el realidad capaz de causar una desestabilización
arte siempre fue una forma de resistencia, en el juego representacional. En este juego, los
trasgresión o destrucción, ¿cómo hacer de papales del proyectista, de la propuesta artística
nuestra existencia una forma de arte?. Delante y del participante acontecen en un contexto
de este cuestionamiento nos viene en mente específico, la comunidad del Cerro del Palacio
aquél pensado por Nietzsche en el siglo XIX: en Niteroi/RJ, por un período relativamente
¿Cómo el arte puede reinventar la vida y prolongado de actuación.
producir sentido a la existencia? Nos recuerda el Tiene la pretensión de generar cambios locales
filósofo: como fenómeno estético la existencia con el objetivo de modificar la realidad
todavía nos es soportable, y por medio del arte inmediata.
nos han dado ojos y manos y, sobretodo, buena En ese sentido el proyectista, ahora mediador
conciencia, para poder hacer de nosotros de narrativas contextuales de reconocimiento
mismos un tal fenómeno1. En nuestra mutuo, comparte responsabilidades éticas,
modernidad en que todo se transforma en científicas y estéticas con el otro. Por su vez, la
mercancía, hasta mismo las relaciones ¿es propuesta artística, al practicar la realidad como
posible entender la existencia solamente como una ficción paradigmática de mundos posibles,
fenómeno estético? Esa inquietud ha fundado lleva los participantes a generar
serie de articulaciones por las cuales la representatividad con relación a un contexto
propuesta “Huerta vertical como plataforma de estratificado de conflictos. Pasando a actuar de
saberes compartidos” continua adquiriendo su forma compleja, esta forma emergente de arte
forma. es viable a interacciones, reflexiones y
Inicialmente tenemos que reconocer que, a principalmente a la práctica de modos de vida
medida que cada contexto cultural amplia la más dignos de ser vivenciados juntos a la esfera
visión de sí mismo, otras formas, en arte hacen dinámica de la vida. Reinaldo Laddaga, en su
con que el acto creativo active actos continuos libro “Estética de la emergencia”3, nos indica
de destrucción de aquello que tiene la que el presente de las artes está marcado por la
pretensión de instalarse en la realidad como proliferación de un determinado tipo de
verdad. Con este proceso acelerado y continuo proyectos que muestran, según este autor:
de pasteurización del colectivo y ... iniciar o intensificar procesos abiertos de
espectacularización de la cultura2, saberes conversión (de improvisación) que involucren a
construidos como experiencia no encuentra más no artistas durante tiempos largos, en espacios
tiempo ni espacio para ser practicado, y así a definidos, donde la producción estética se
cada día están siendo minimizados. En su lugar, asocie al despliegue de organizaciones
asistimos la diseminación avasalladora por los destinadas a modificar el estado de cosas en tal
Medios de Comunicación de Masa de una forma o cual espacio, y que apunten a la constitución
de subjetividad basura/lujo homogeneizada que de “formas artificiales de vida social”, modos
lleva al imaginario del individuo a ser formateado experimentales de coexistencia4.
según la lógica de la imagen seductora. Considerando con Laddaga que una
162
emergencia es la ocasión de un aprendizaje5, afecto. Está basada en el encuentro y en el
este proceso es entendido como una experiencia cambio de saberes a partir de la materialización
de arte colaborativa que se moldea conforme las del deseo individual que las huertas verticales
situaciones y deseos que se presentan. Debido a consigan proyectar sobre el imaginario de los
la complejidad de los acontecimientos, esta participantes. En ese sentido, cada participante
propuesta se hace en tiempo real. Eso significa está teniendo la libertad de materializar otros
comprender su construcción como un “lugar saberes con relación a que la plataforma de
practicado”6 que está configurándose mientras saberes compartidos podrá proyectar sobre su
una plataforma de saberes compartidos. El subjetividad. Tapas del depósito de agua, la
proceso creativo, sin embargo, está abierto a creación de un conjunto de muñecos para
otras estrategias y tácticas que provoquen jóvenes de la comunidad, la confección de
acontecimientos y una producción de ocarinas en cerámica, de tambores en hierro-
subjetividades que resistan a las formas de cemento, esto tiene el potencial de provocar
representación masificadas. otras relaciones que puedan suceder en la
Reconociendo que el arte de carácter comunidad.
colaborativo, aquel arte que para acontecer Para finalizar, urge resaltar que el arte es un
depende de la participación del otro, atraviesa juego que anula y reinventa sus propias reglas.
hoy un grado de transparencia inclusiva dentro Hay posturas dialógicas, transparentes e
de la propia institución arte, marcado por inclusivas exigen de los artistas la aventura y el
proposiciones que necesitan ser vivenciadas por compromiso de usar los referentes que
períodos de tiempo más amplios en las cuales lo pertenecen incluso a otros campos
más importante son las acciones vividas y representacionales. El proyectista, al actuar
descontinúas que una proposición puede como un mediador, establece y crea vínculos
generar, esta propuesta lanza mano de la noción con otras formas de representación: estética,
de dispositivo relacional. Tiene como una de sus ciencia y ética, al ser añadidas creativamente,
líneas de fuerza la enseñanza, la confección, la generan un fenómeno artístico complejo capaz
instalación y manutención de conjuntos de de potencializar las difíciles relaciones del arte
modelos de huertas verticales en hierro-cemento contemporáneo para con la vida. Para eso, el
y neumáticos a ser instaladas en las viviendas proyectista involucrado en este nuevo juego
de la comunidad del Morro del Palacio. Eso es el formal debe controlar desde dentro e incorporar
referencial primero, el gatillo propulsor para que nuevos referentes para ejercer plenamente su
otros deseos afloren. Por su vez, entender la creatividad. En esta situación, supera limites
huerta vertical como un dispositivo significa estar deterministas, pasando a tener su producción
abierto a diluir lo que es tan caro al sistema del desvinculada de los sistemas de representación
arte, el principio de la autoría. Sin embargo, las dados a priori.
huertas verticales tienen la pretensión de activar
el proceso creativo de colaboración. Está abierta Niterói, Comunidade do Morro do Palácio, Março
a no realizar, pues depende del deseo del otro 2010.
de querer jugar junto.
La metodología es eminentemente pautada en el
163

EXTRATOS DA FALA DE GUILLERMO SEQUERA


NO ENCONTRO DO DIA 29 DE JANEIRO DE
2010 EM ASUNCIÓN.

I paraguayos tiene del lado brasilero, hasta


Nosotros tenemos graves problemas en Alto indígenas, que brasileros del lado paraguayo.
Paraguay, Chaco. Es feroz la presencia de ...
todos los especuladores y capitalistas, creo Nosotros conocemos mas la identidad de
que ellos compran grandes extensiones de ustedes que ustedes de nosotros, por decirlo,
tierra en la mayoría con dinero sucio que así lo es.
viene de la especulación inmobiliaria y ...
financiera. En años anteriores compraban 100 Yo soy un gran promotor del portuñol, de la
mil, 200 mil hectáreas y luego volvían a literatura en portuñol, tengo una obra que se
revender incluso a muy pequeños pobres publico en Brasil en portuñol con un amigo
camponeses brasileros, entonces les poeta, Douglas Diegues, un librito y un cd que
condicionaban a plantar soja, es la se llama Kosmofonia mbya-guarani, sobre
servidumbre de la gleba, un sistema feudal música mbya-guarani. Yo trabajo con un
insoportable, además de que el sistema es grupo de portuñol y estoy convencido que el
totalmente destructivo. portuñol es una lengua fantástica, y además
... pode ayudar muchísimo en una recreación de
Es necesario hacer un censo. ¿Cuantos otras lenguas, el portuñol chupa al coreano, al
brasileros hay? Se sabe más cuantos japones, al afro-brasilero, afro-guaraní, es
164
una ensalada cultural lingüística. trabajar esto.
Bueno, hay un problema acá, nosotros somos …
pequenitos, chiquitos al lado de Brasil. Hay Desde 1993, estuve siguiendo el impacto
una presencia muy fuerte, la economía negativo de dos grandes mega proyectos, dos
brasilera es mucho mas fuerte que la grandes represas, muy importantes para la
paraguaya, esa asimetría, como se llama hoy, región Brasil, Argentina y Paraguay, que son
entre el pequeño y el grande, que no se trata Itaipú y Yasyretá, pero el impacto fue de tal
de David y Golias, pero si que tenemos que magnitud que estes dos proyectos, Yasyretá
trabajar juntos las relaciones respetuosas, las con Argentina y Itaipú binacional con Brasil,
relaciones de integración, las relaciones de expulsaram los indígenas a los basurales. En
enriquecimiento. Ustedes tienen desarrollado este momento se ustedes van al basural en
cosas que nosotros no pudimos desarrollar, Hernadarias, hay indígenas que se
pero nosotros tenemos desarrollado otros transformaran en basura, viven de la basura,
aspectos que ustedes no pudieron, por con la basura, para la basura y por la basura.
ejemplo la lengua guaraní. Yo conozco, yo viví en un basural con los
… indígenas un mes, insoportable, es diabólico,
Hace poco estuve en Florianópolis, le dije a los es Frankenstein.
profesores "yo voy hacer una conferencia en ...
la universidad si ustedes me llevan en una Este es el estudio que hice sobre Yasyretá:
comunidad guaraní cerca de Florianópolis". “Situación de los mbya-guaraní en el basural
Fue hablar con los indígenas, los guaraní. Pero, de Encarnación”, 1995.
¿como es posible que la universidad no tenga La institución me pidió a mi, me dice "hay
trabajado la literatura oral guaraní de problema de insatisfacción, queremos saber,
indígenas que están en Florianópolis, le pedimos a usted se puede...", entonces yo
seguramente a 15, 20 minutos de la ciudad? me fui al basural.
… …
Muchos nombres de ríos, de lugares, de En una comunidad mbya-guaraní con 25
montañas, de bosques, de la orografía de familias, ya no es el basural, yo invente una
ustedes, de la geografía de ustedes, metodología, repartí bolsas de basura. Yo pedí
humanamente hablando son de origen tupí- que todos los indígenas tirassen sus basuras,
guaraní. Sei una cosa, que hay una historia y una semana después íbamos con mascara a
común. revisar lo que había en la basura y
II anotábamos todo, cuanto pesaba la basura.
Entonces ¿como hacer?: ahí es donde entra la Después hicimos el calculo de cuanto
arte, la ciencia, la sociedad, todo o que tiene producían como alimento, íbamos en las
que ver con la biodiversidad, la defensa de la chacaras para ver cuanto se producía entre
biodiversidad. Por que el problema es que alimento y basura. Producían más basura que
vamos a destrucción de la especie humana, alimento, y en la basura el movimiento
vamos a la destrucción del planeta. Tenemos económico y alimentar.
que entender todo e ponernos de acuerdo, ...
¿A quien le venden la basura?
¿Cuando empezó a colectar basura?
¿Que consume? Carne, panificado.
¿Dónde lo tira? En la basura.
¿Qué hace aquí? Coleta basura, latas, cartón, vidrio, madera, alimentos;
La vivienda: en el basural. El teto de plástico, piso de tierra, paredes de
cartón;
Fuente de iluminación: la vela;
Energía: combustión, madera;
Agua potable: no hay (yo hizo analice da agua que tenían, me salio agua no
potable para consumo animal);
Enceres domésticos: no tiene cama, solo posee utensilios de cocina;
Yo soy muy censurado,
además ellos se equivocaran,
me pedieron a mi para hacer
esto, primero fue la
universidad, fue también el
Banco Mundial y el BID,
Washington. Así me lo
pedieron:
"No podemos poner en el
contrato 'parece que hay
indígenas en el basural'."
"¿Como no? Se equivocaran,
me eligieran a mi, pero le
planteo a ustedes, vamos a
hacer juntos el estudio y
vamos a ver lo que quieren,
a ver cuales son los
problemas que tienen".
"No, tiene que hacer así
unas 50 paginas."
...
Yo vengo del arte, músico de
formación, pero para mi
tiene que ser un
instrumento para pensar, un
instrumento para aquí y para
aquí (cabeza y corazón). No
aventurero, no improvisador.
Riguroso.
...
Éstos son nuestros
problemas comunes. Estos
indígenas inventaran el
Mercosur, no hay otra etnia
que esté posicionada en los
cuatro países, son estos los
mbya-guarani.
167
III electrificación de calidad, así hicimos con salud
Me pregunté lo siguiente: "¿Quién va a pagar también.
la cuenta? Quem vai pagar a conta por la …
destrucción? No hay Estado, no hay Banco que Siempre he estado viviendo con campesinos,
te va pagar. ¿Quien va pagar la indígenas y trabajando con ellos este
reforestación?" pensamiento estratégico sobre la base de la
Entonces lo que planteamos nosotros es: tradición cultural.
Investiguei mucho la economía, los sistemas ...
de valores, los sistemas simbólicos de Es necessario llevar ese sistema a nivel del
representación en comunidades indígenas y estado-nación, estado-comunidad. Que el
campesinas. Llegue a la conclusión siguiente, Estado entienda, nada más que esto, que tiene
primero que es muy importante los sistemas que dar, ofrecer, facilitar a campesinos y
de dos contra dos, dádivas. Es así: te doy un indígenas el protagonismo en la salvación y la
gran regalo a vos, yo no calculo, a mi me hace recuperación de la ecología. También que la
feliz, pero te da una responsabilidad moral comunidad entienda de que el Estado no es la
porque yo te di ese regalo en un ato ritual vereda de enfrente, tiene que ser él mismo,
frente a todos, y como yo soy pobre y no asumir como ciudadano, "el Estado soy yo
tengo nada, yo te doy lo que yo no tengo, también". Porque hoy los problema son
entonces tu te ve obligada a retribuir. muchos, la destrucción, la desaparición
… humana y del planeta, la ausencia de alimento,
Empezamos en 1988, trabajamos con el los egoísmos, el cambio climático, la tierra y
concepto guaraní de paraíso, el jardín guaraní. el agua como mercancía (acá el agua en
Cada cultura tiene sus jardines, su manera de botella es más caro que en Francia).
representación de la felicidad, de la utopía, del ...
sueño, de la vida, entonces empecé a estudiar Es grave la situación, es preocupante, hay
esto, encontré todos los elementos y les dije a erosión hídrica, hay contaminación grave y
los campesinos: "Esto es algo fabuloso, vamos a para estos problemas no han invertido ni
hacer funcionar al Estado, para que lo cumpla utilizados los fondos de Itaipú para la
con sus responsabilidades, nada mas que recuperación, para utilizar nuevas
pedirle la responsabilidad, y nosotros asumimos tecnologías. Recuperar el agua es lo mas caro,
también la nuestra, en un intercambio de por eso que no hay que contaminarla, porque
regalo". La primera experiencia hicimos en los costos son altísimos, solamente los países
benefício a 1500 familias campesinas guaraní, ricos se pueden dar el lujo de utilizar alta
en un programa Ecología Comunitaria, tecnología, incluso con sistemas moleculares,
reforestación comunitaria a cambio de es un costo que nosotros no podemos todavía.
168

IV dictaduras. Entonces la versión era la


Yo le pregunte a un mbya-guaraní: siguiente a nivel de lo povo:
¿"Qué es dinero para ustedes?" "Miren que va a venir el fin del mundo, dentro
"Esto no es nuestro, esto nosotros le de un año vendrá el fin del mundo, hay que
llamamos 'papel que huele feo'." salir de aquí, tienen que disparar, salir de
Carlos Marx había dicho que el dinero era un aquí, y sobretodo, vamos a tener un
fetiche, pero los mbya lo definieron en su maremoto como lo dice la Biblia, una
justo lugar. inundación y ya no hay arca de Noé para salvar
... los animales." Incluso contribuían mucho las
La energía es un facilitador también, yo no sectas, vinculadas a estos grandes intereses,
estaría en desacuerdo con esto, el problema la mayoria vinculada a la contra espionaje,
es la distribución de la riqueza, incluso dirigido por la embajada norte americana y la
energética, acá hay un grave problema CIA, los mormones por ejemplo. No estoy
ambiental. Este es un problema nuestro, pero atacando el culto religioso, y sí, su utilización
también es un problema entre dominante y para crear situación de confusión, de miedo,
dominado por un acuerdo entre dictaduras de inseguridad en una población altamente
militares, que el único sentido era robar a los frágil, altamente sensible, como la población
pueblos de Brasil, Argentina y Paraguay, un indígena y campesina. Iban a la comunidad,
proceso complicado. inventaban historietas para crear situaciones
… de pánico, de esto no se habla, esto yo sé
En la época de la dictadura de Stroessner no porque los indígenas me contaron. Ésa fue una
había ninguna publicación con respecto a la de las técnicas, y  hay otras en nivel
preparación de levar a remate la ecología de la comunicativo, de que la población no sepa
geografía ubicada en gran medida en el nada, que no se entere, eso ucorrió al colono
territorio paraguayo. Lo que llamaban lo Salto brasilero también, y el costo esta ahí,
del Guaira se tuve siempre en un top secret. sufrimiento, muertes, asesinato, desaparición
Claro, ahí estaban también la gran familia y sobretodo este aspecto de desarticulación
multimillonaria de Wall Street, vinculado al de las comunidades y sus miembros,
Banco Mundial, al BID para hacer préstamos desesperados, perdidos confundidos, que
leoninos a nuestro povo, a nuestro país, vía las salían del lugar y disparaban a cualquier
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parte. se ve, ustedes no van a ver acá militares
... norte americanos.
¿Porque estamos defendiendo Itaipú? ¿Cuales ...
son los problemas que puede tener Itaipú Eso es lo que yo les digo a los indígenas y a los
daqui hasta 200 años o 300 años? Ese es un campesinos, eso le trasmito:
trabajo que nosotros tenemos que hacer con "Ustedes tienen que plantear al revés, tienen
la comunidad, todos deben estar informados. que preguntar a las personas, ¿qué puedo
¿Cuales son los problemas que puede tener el hacer yo para que sean felices?"
acuífero? Yo aprendí esto con una entrevista que le
... hicieran a Gabo, Gabriel García Márquez. Un
Muchos gerentes administradores de cultivo periodista le preguntó:
de soja y ganadería son brasileros, son buenos "Usted qué quiere?"
técnicos, y reciben muy buenos salarios por "Una sola cosa, yo quiero que me quiera."
esta función, pero los dueños son  
multinacionales que están en Chicago, Wall Rohayhu.
Street, no son brasileros. No quiere decir que
el capital financiero especulador de São Paulo Yo creo que la ternura guaraní también puede
no contribuya también al desastre, bajo la jugar su juego.
complicidad de aquí de militares, de
banqueros corruptos, son socios, hasta ahora
se da esta situación.

Yo soy comunista desde los 20 años, pero nom
me concibo como un modelo para nadie,
mucho menos soy ortodoxo, te digo yo vengo
del arte, siempre va a ver una búsqueda
creativa, pero yo creo que estamos en otra
situación, pasamos del homo sapiens al homo
diabolicus, entonces tenemos que reflexionar
sobre esto.

Mira, el Paraguay no existe, aquí se inventó el
surrealismo, por encima de la realidad, por
debajo también, Paraguay no existe, es un hilo
negro, no se ve, no se siente, pero estira,
como un imám, es una región muy
interesante. Pero nosotros tenemos un grave
problema, es que estamos en el corazón de la
América del Sur y es hoy una plataforma de
dominación militar, la más grande base militar
de los Estados Unidos está en paraguay, y no
170
Ñemohû’â Guillermo Sequera
ñomongueta jotoparônguare pe ára 29 jasyteîme 2010 ramo Paraguaype
I ykere. Oî peteî ñeime mbarete pe
Ore roguereko kuri problema Alto Paraguay, mba’erepybrasilera paraguaygua
Chacope. Imbarete umi ocambiava pira pire ha renondepe,peã pe joaguy, je’e haicha ko’anga,
ombyatyva, cheve guarâ ojogua hikuai yvy heta michiva ha tuvichava ndive, ndaha’ei David ha
ha enteroveva viru ky’a ojuhuva imbyatypyre Goliat, roikuaa ñemba’apo vaeraha oñondive
yvy repykuere ha hepyme’ê. Ymave ary pe jeiko jepoyhu, joajupe ha mba’e repy
ojoguami peteî as terâ mokoî sa su hectarea ha myatype. Pe’ê, brasilero kuéra, pemo
upei ohepyme’êjey umi brasilero ñekarapu’âva heta mba’e ore ndaikatuiva
imboriahuvevape ojerure ichupekuera oñoty rojapo gueteri, katu romoñakarapu’â ha
hâgua soja, oñapytî jejokuaipe yvy akytâre, pe’a roguereko ore mba’eteeva ha’eva ore ñe’ê
ojepurumi yma avave ipuakaýva, avei upe apo guaraní.
ha’eva ñembya’irâ memete. ...
... Nda areiete, aime kuri Florianópolispe, ha’e
Tekotevê jejapo peteî papapy, ojeikuaa hâgua umi mbo’e hara kuerape: “Che añe’êta
mbo’y brasileropa oî, ko’anga peve mbo’ehao guasupe che reraharamo ambohupa
ndojejapoiva, ojeikuaava ha’e mbo’y tavai guaraní Florianópolis ypype oîvape”. Aime
paraguayopa oiko Brasilpe, ahaniri brasilero kuri ñemonguetape tavai guaraníme. Ha’e
oikova Paraguaype. ichupekuera, mba’eichapa ikatu pe Mbo’ehao
... guasu neina gueteri omba’apo pe ñe’êporâ
Ore roikuaa pôrave ore reko pende hegui ha mbo’ê ñemongueta ava guaraní oikova
pe’ê orehegui ha peichaite. Florianópolisypyrupi peteî 15 terâ 20 aravoi.
...
Che ha’e peteî oguerotaîva pe portuñol, II
ñe’êporâ mbo’ê portuñolpe, aguereko peteî Heta Y rera, tenda, yvyty, ka’aguy, ha yvy
tembiapo ojeha’ipyre Brasilpe portuñolpe peteî ra’anga pe ne mba’eva ha’e iñepyrumby tupí-
angyrû ñe’êpapara ndive, Douglas Diegues, guaraní, oîramo jepigua, ha’eva hasapyre
peteî kuatia-i ñe’ê ha peteî CD herava imba’etee porâva kuéra.
Kosmofonía mbya-guaraní, mba’epu regua Upeicharamo mba’e ikatu jajapo? Upepe ña
mbya-guaraní. ñandú porâ rembiapo, kuaapy ha maymava
Amba’apo peteî aty portuñolpe ha ajerovia abatí oñeha’âva oñongatu, ha odefende pe
portuñol ha’e ñe’ê porâ, ha avei ikatu ñane biodiversidad. Nda jajapoiramo mbaeve oikota
pytyvô tuvicha jamoherâkuâ hâgua ambu’e gueteri problema ñembyaipe upe yvypora ha
ñe’ê, portuñol oipyte coreano, japonés, afro- kuarahy ra’y.
brasilerope ha upeicha avei ambuepe, ha’e ...
opaichagua ñe’ê porâ reko. 1993 guive, agueroguata ombyaiva umi
Iporâ, agueropensa oîha peteî problema tembiapo tuvicha rupive, represa kakuaava,
orendive, ore paraguayo, ro ñemo miri Brasil iñimportanteva umirupi: Brasil, Argentina ha
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Paraguaype, ha’eva Itaipú ha Yasyretâ, ñembeti coninamegua tembipuru añonte;
tuvicha kuri oguenohemba umi ava kuérape ha ...
oiko ichugui kuéra yty, oikove yty rupive, yty Upeicharamo, oîramo tekove yvypora oikova
ndive, ytyrâ ha ytyre. ytype, avakuera, hasy âva, hasy eterei.
Che aikuaa, aiko peteî ytyapype umi ava ndive ...
peteî jasy, ha’eva ijohaietéva, ha’eva mba’e Che mokirise heta, aimo’a ha’ekuera ojejavy,
pochy Frankenstein. ojerure cheve ajapo hâgua âva. Peteîha ha’e
... kuri pe mbo’eha guasu, Banco Mundial há BID,
Peva ha’e kuaapy ajapovaekue Yasyretâ regua: Washington, upeicha ojerure cheve: “Ndaikatui
“Umi mbya-guaraní nguera reko yty apype ñamoî contratope, ñaimo’a oîha ava
Encarnacionpe”, 1995. ytyapype”.
Pe institución ojerure cheve aha hâgua ha he’i “mba’eicha ahaniri? ojejavy hikuái che poravo,
cheve: “oî problema jejoavy rupi, roikuaase, ha ha’e pe’eme, jajapota oñondive pe kuaapy
rojerure ndeve ikaturamo...”, ha aha kuri ha jahechata mba’epa oipotava hikuái,
ytyapype. jahechata mba’e problemapa oguereko hikuái”
... “Ahaniri, ehaita peicha, peteî 50 rogue”.
Peteî tavai mbya-guaraníme 25 ogayguape, ...
ndahaeveima ytyapy, uperamo, ajapo peteî Che aju porâ, pu aty ñembo’epyre, cheve guarâ
mba’apo apo, amosarambi bosa yty reguarâ. peteî tembipu, ha’evaerâ agueropensa hâgua,
Ajerure umi avape ombyaty hâgua ijyty ha peteî tembipu ape guarâ ha ko ape – akâ ha
rojapo haipe umiva, mboypa opesa pe yty ha py’a. Nda ha’eiva ñesê rei, peichante.
upei rokalkula mboypa ojapo tembi’urâ. Roho Hasyetemi.
avei umi kokue rupi roikuaa hâgua mboypa ...
ojapo yty ha hi’upy. Âva ha’e ñane problema katuinte. Âva ava
Ojapo hetave hikuai yty hi’upygui. Pe yty ojapo kuera ojapo Mercosurpe, ndaipori ambue
mba’erepyrâ ha hi’upyrâ. avareko oîva irundy tetâme ñemo atâme,
... ha’eva mbya-guaraní.
Mavapepa ohepy me’ê pe ytyre?
Araka’epa oñepyrû ombyaty pe yty? III
Mba’e ho’u? so’o, mbujape? Añeporandu kuri ãva: “Mavapa opagata umi
Mo’opa omombo? Ytype? cuenta? Mavapa opaga upe cuenta
Mba’e ojapo ape? ombyaty yty, lata, ñembyaipyre? Ndaipori tetâ sambyhyha,
cartón,vidrio, madera, hi’upy; ndaipori Banco opagatava ndeve. Mavapa
Pe tekoha: yty apype. Pe techo plasticogui, ipiso opagata umi ñeñoty jey?”.
yry reigui, pared cartongui; Upemaramo ro’e ore:
Tesaperâ: tataindype; Ajejapyteka heta ñongatupyre, umi hepyme’e
Mbarete: jehapy, madera; rehegua, umi hechaukaha tavaipe ava ha
Y potî: ndaipori. (che ajapo joajuhara ygui ha chokokue ndive. Ha aguahê ñemohû’âme,
oreko, y ky’a jei’urâ mymbape guarâ); peteîha iñimportante pe mokoî ñemoî mokoîre,
Tembipuru ogapype: ndoguerekoi tupa, oreko ñeme’ême kuéra. Ha peicha: Ame’ê peteî
172
tuvichava jopoi ndeve ha nda hechai, nda che chentese kuéra, iñambue kuarahy pytu, pe yvy
importai hepykue, añeñandu porâ peicha, ha y hepyme’ê raicha(ape y limetape hepyve
ome’ê tembiapo mbarete ame’ê rupi ndeve pe Francia peguagui).
jopoi mayma renondepe ohecha hâgua ...
enteroveva. Mba’eichapa che chemboriahu, Hasy ha py’a angata pe situ, oî y ojo’ova,
haimete ndaguerekoi mba’evete, upeicha avei, ñemongy’a vai ha âva problema ndo
ame’ê ndeve jopoi kuri, upeicha avei nde reime mbogueviri ndoipurui umi Itaipugui ouva viru
hâgua chendive reme’êvo. ojerecupera jey hâgua, jeipuru hâgua
... tecnología pyahu. Rekojevy pe y ha’e hepyveva,
Roñepyru 1988pe, romba’apo ñemo’â guaraníre upevare noñemongy’ai vaerâ, yro hepyeterei,
pe yvaga rehegua, yvotyty guaraní. Maymava umi tetâ iviru hetava ikatu ome’ê kate jeipuru
porâreko oguereko ijyvotyty, ohechauka haicha hâgua tecnología mbarete, avei umi mba’e ku’i
vy’a, ikatuhape, kerayvotyre, tekovere, upevare kuérare, ha’e peteî repy ñande ndaikatuiva
añepyru añemoarandu avaré, atopapaite gueteri.
entero temikotevê ha ha’e umi okaraygua
kuérape: “Âva iporâeterei, ja momba’apota IV
Tetâme, ojapo hagua hembiapo, Che aporandu peteî mbya-guaraníme:
ndajajeruremo’ai hembiapontengo, ha ñande “Mba’eiko pira pire peême guará?”
ñande rembiapo avei, ha’e peteî ñembojuasa “Peva ndaha’ei ore mba’e, pevape ore rohenoi
jopoi”. Peteîha jejapo kuri 1500 ogaygua ndive kuatia hy’âkua vaiva”.
okaraygua guaraníva, peteî tembiaporâ Ecologia Karl Marx he’ivami pe viru ha’e vaekue
Comunitariape, ñeñoty jey yvyraty tavaipe macumba, umi mbya kuéra ohenoi hendaitepe.
myemgovia haramo tendyry porâre, peicha ...
rojapo pe sitema de salure avei. Pe mbarete iñinportante, peteî teko asy’ý avei,
... che nda joavyiete ko âvandi, pe problema ha’e
Katuinte aime umi okaraygua ndive, avakuera ñemosarambi hepyme’êre, avei mbarete
ndive, aiko ha amba’apo hendivekuera, peva tendyryregua, ape oî peteî problema hasyva
ha’e tembiandu jeipuru vaerâ iñepyrumby tekohape. Peva ha’e ore problema, avei ha’e
guive teko ymaveguare porâ reko. problema omyacava ha oñemosambyhyva
... peteî ñe’ême milico reko atâ ndive, Pepe oî
Ha’e tekotevê peva pe tembiapo apo tetâ, tavai ñemonda umi tetâ Brasil, Argentina ha
guive. Pe Tetâ ontende, ha’eha, ome’ê vaerâ, Paraguay, peteî ñemoambue ipypuku etereiva.
kuave’ê, ohechakuaa umi okarayguape ha ...
avakuerape henda osolucionavo oreko jey peve Pe ára reko atâ Stroessner ndaipori vakue
tenda tekohape. Avei tavai ontende hâgua Tetâ mba’eveichagua marandu pe organización
ndaha’ei guataha tenondegua, ha’evaerâ rehegua oguerahava peteî ñemomba tekohare
añetete, tavayguaicha, “pe Tetâ ha’e che avei”. pe yvy ra’anga opytava tuvicha Paraguay yvype.
Ko árape umi problema hetagui,ñembyai, opata Ojeherova Salto del Guaira ojeguerekova
yvy porá ha kuarahy ra’y, ndaiporigui tembi’u, katuinte peteî top secret.
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Ha upevare, upepe oî avei ogaygua iviru oespeculava São Paulope no contribuiri
hetapajepeva Wall Street, ojoajuva Banco ñembyairâ avei, ñecomplica ape milico kuéra,
Mundial, BID ojapo hâgua jeipuruka leoninos banquero kuéra po karê, ha’eva irû oiko anga
ñande tavaipe, ñande tavape, umi teko atâ rupi. peve peicha.
Upevare je’e ha’eva ko’ava tavai rembiandu: ...
“Pehecha outaha ara paha, agui peteî ary Che ha’e comunista 20 ary guive, nda’ei che
outa ara paha, pesevaerâ ko agui, peho vaerâ jehe peteî ñema’êra che jehe avavepe, nda
pya’e, pesêmake, ha upei, jarekota y ryryi ha’ei ijeroviaporâva, ha’ema haicha, aju porâ
he’ihaicha Bibliape, peteî ñuamba ype ha hagui, katuinte oîta jeheka ijapopyrâ, cheve
ndaipori veima Noe yga ñeguenoherâ umi guarâ ñaime ambue tekope, jahasa homo
mymba kuéra”. Avei omoî heta umi secta sapiens gui homo diabolicuspe, upevare
kuéra, orekova interes tuvichava, enteroveva ñamindu’u vaerâ âvare.
oîva joajupe pyrague contrapé, omyacâva ...
embajada Norte Americana ha pe CIA, umi Emañami, pe Paraguay ndaipori, ape ojejapo
mórmones por ejemplo. Ndahai culto religioso gua’ugua, pe añetegua ári, ha iguyrupi avei,
ari ha katu, ijeipuru ogueruva apañuai, kyhyje, Paraguay ndaipori, ha’e peteî inimbo hû, ndo
umi tavaygua kuera ikangyva, imba’e ñanduva, jehechai, noñe ñandui, katu ojepyso, ku ita
umi tavaygua ava kuéra ha okaraygua. Ohomiva karuicha, ha’e peteî iñimportanteva uperupi.
tavaipe, oñe’êrei tembiasakuerehe oheja hagua Ore roguereko peteî problema hasyva, roime
kyhyjepe, avare noñeñe’ei, che aikuaa umi ava América del Sur py’ape ha ha’e ko’anga peteî
omombe’u cheve. Umiva ha’e técnica kuéra, ha milico renda, pe tuvicha veva pyenda milico
oî ambue tekohape ñemomarandu, tavaygua Estados Unidosgua oî Paraguaype, ndo
ndoikuaai vaerâ, peã oiko avei umi kolono jehechai, peê nda pehecha mo’aî ape milico
brasilero rehe, ha hepykue ndapepe oî, teko norte americanogua.
asy, jejukakuéra, ñeasesina, ñehundi ha ...
ñemosarambi umi tavai ha ipehenguepe, Âva mba’e ha’e umi avakuerape ha
ipy’aroputava, okañyva oñeconfundiva, ha okarayguape:
osêva pe tendagui ha oho mamorei. “Peê pejapo vaerâ oguývo, pe mba’e porandu
Mba’ere ñadefende Itaipú? Mba’e problema umi tapichape, mba’e ikatu ajapo pe nde rehe
ikatu Itaipú aguirire ogueru 200 tera 300 ikatu hâgua pe vy’a?”
arype? Peva ha’e tembiapo ñande jajapovaerâ Che aikuaa kuri peteî ñeporandupe ojejapo
tavai ndive, maymave jaikuaa vaerâ. Mba’e vaekue Gabope –Gabriel García Márquez. Peteî
problema ikatu oreko pe acuífero? kuatia haiha oporandu ichupe:
... “Nde mba’e reipota?”
Heta omyakâva ñangarekoha kuéra soja “Peteî mba’e añoite, che aipota pe che raihu”.
ñenotyha ha mymba rekoha ha’eva brasilero,
ha’eva ikatupyryva, oguenohê porâ hembiapo Rohayhu.
repyre, ha mba’e jara kuéra ha’e tetâ ambue
gua oîva Chicago, Wall Streetpe, ndaha’eiva Che ajerovia pe guaraní kunu’u avei ikatu oha’â
brasilero. Nde’iseiva viru ñongaturâ iñembosaraipe.
Tekoha Añetete
AGRADECIMENTOS ÑE’ÊJOAPY AGRADECIMIENTOS :::

JOAQUIM RODRIGUES (JUCA), TERESA E FILHOS, JOSÉ, MARIA, MOA, VERA, LUIS, TEKÃO,
JUCA, GEALMIR, AGUIRRAS E ESPOSA, MEDINA, KYARA, SAMI, FERNANDA, MATILDE,
FRANCISCO AMARILLA, ZULMIRA, MÔNICA, CARLOS, TIÃO, FÁTIMA, MONIQUE, SADI, MARIA
ROSA, DANIEL, MARCOS, LEILANE, JANE, CLARINDO, MARIA, SEDENEI, MAXIMILIANO
GELADINHO, ZULMIRA, CHICO, URBANO, RODISON SCARPATO, ELLA, IVO, ADEMIR, BETÃO,
GISELA LUNKES, NATAN, SIDINEI, GUSTAVO, SANDRA, MÁRIO, CÂNDIDA, DJANE, MARCELO,
JOSÉ, NELI, ELISÂNGELA, LEOMAR, MÁRIO, JULINHO NHEMBOATEVY, MÁRIO, NÉSIO, STEBAN,
CARLOS, FRANCISCO, GUSTAVO, SARA, PEDRO, VICTOR, JOÃO, LOURIVAL, AMÉRICO E ESPOSA,

MÁRIO, ADEMIR, WALMOR, NIDIA, AMANCIO, BEATRIZ, GRACINDA, ELISABETE, VICENTIN,


ANUNCIACIÓN, MIGUEL, ASAGRAPA, MARGARIDA, ANA MENEL, FREI PACÍFICO, SUELY,
RUBENS, DONA LUCILA, BONIFÁCIO, MARIA, ZILÁ, MARLY, ARMÍNIO, IVANI, SÉRGIO, HÉLCIO,
AIRA, BENITEZ, ÉDSON, LAURO, JÚLIO, CARLOS, GERARDO ALFONSO, MARCOS, FRANCISCO,
WALTER, VALDETE, LIA, NÉIA, ADRIANA, KAYLA, DJENIFER, KYRIA, CHICO, LUIZ, DEMÉTRIO,
LÍDIA, BERENICE, LETÍCIA, CARLOS, ARSÊNIA, BAIANO, EDGAR, TATU, ORLANDO, MIRIAM,
FRANCISCO, MARIA, ANDRESSA, BENITA, EDGAR, ANGÉLICA, ZULMA, MITO SEQUERA, BRUNO,
CLAUDINO WASHINGTON, TATI WELLS, SARA BLANCO, ELISA DASSOLER, JANICE MARTINS
SITYA APPEL, FELIPE PRANDO, GUSTAVO GUEDES, ÉRICO MASSOLI, MARCO AMARELO
KONOPACKI, RACHEL BRAGATTO, KUAI TEMA E SOYLOCOPORTI, MARCELO SOUZA, FABIANA
GOA, ALEXANDRE FREIRE, JOSÉ BALBINO, TININHA LLANOS, RICARDO RUIZ, GLERM SOARES,
SIMONE BITTENCOURT, DESCENTRO, GILBERTO MANEA, GHEYSA MARQUES E AMIGOS DO

QUILOMBO JOÃO SURÁ, ANA GONZALEZ, RITINHA KUROSKI, ELISABETE KUBASKI, ÉDSON BELO
CLEMENTE DE SOUZA, TÂNIA BLOOMFIELD, FLAVIA VIVACQUA, PAULO REIS, ORQUESTRA
ORGANISMO, ANA VASCONCELOS, ELÍGIO MIRANDA ORTIZ, MARIA ROSA DA SILVA MIRANDA,
SABRINA LOPES, MAIKON KEMPINSKI, GRÁFICA POPULAR E AOS DEMAIS QUE DE ALGUMA FORMA
COLABORARAM NA REALIZAÇÃO DESTA PUBLICAÇÃO.
Realização:

Apoio:

Esta iniciativa integra o Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura