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"Novidade" X "Rotina"

Por Luciano Salamacha

O que é melhor: ser “novideiro” ou apaixonado pela rotina?

Para algumas pessoas, a rotina pode ser considerada mortal. Ela é o principal
motivo para o insucesso profissional porque acaba com a motivação e ainda produz uma
sensação de estagnação na carreira. Mas, há também aqueles que adoram ter uma rotina
de trabalho bem definida, que chamo de "consistentes”, e que não conseguem conviver
com o imprevisto.

O interessante neste processo é que há dois comportamentos distintos nas


empresas. O da chefia, que acaba confundindo os funcionários por estar constantemente
comparando o “novideiro” com o “apaixonado pela rotina”, sempre enaltecendo uma
qualidade de um para destacar o defeito do outro com frases do seguinte tipo “Esse é o
seu problema. Enquanto os seus colegas inovam na empresa, você fica aí, preso à rotina
do trabalho” ou, então “Para que ficar inventando coisas absurdas na empresa. Você não
pode seguir a rotina do seu trabalho como uma pessoa normal?”.

Na verdade, quando um gestor age desta maneira, causa muita confusão no


ambiente de trabalho. É que os funcionários passam a não entender o que há de bom e
de ruim nos colegas. E, ainda, qual é o comportamento desejado pela alta gestão. Tanto
isso é verdade que em várias empresas, quando questionados, os funcionários
demonstram dúvida sobre qual o perfil mais valorizado pela alta gestão. Nestes casos, a
resposta padrão é “Depende da hora e do humor do chefe. Tanto pode ser inovador
quanto rotineiro”.

Essa dualidade de pensamento da chefia provoca o segundo comportamento


distinto na empresa que é o dos funcionários. Afinal, a falta de convicção sobre o que
realmente a alta gestão deseja faz com que as pessoas busquem um comportamento
padrão. Menos arriscado, porém padrão. Ou seja, um comportamento medíocre ainda
que continue sendo padrão. Pense nisso!

O que fazer quando nem o chefe sabe qual é o perfil que deseja: inovador ou rotineiro?

É comum que a chefia não se posicione claramente sobre que tipo de perfil
deseja na empresa. E o motivo é muito simples, pelo menos na teoria: é que todo chefe
deseja ter na equipe pessoas que saibam mesclar essas duas virtudes, ou seja, que
saibam cumprir fielmente as normas da empresa, mas que ao mesmo tempo,
demonstrem capacidade para inovar. Note que utilizei a expressão “na teoria” por conta
da dificuldade que é encontrar este equilíbrio.

Analise o seguinte exemplo: Gonçalo é um profissional que se orgulha de


cumprir rigorosamente todas as regras da empresa. De tanto ouvir o conceito que
“inovar é preciso”, o pobre Gonçalo ficou mais confuso do que confiante. E o que é
pior: na primeira tentativa de inovar no seu trabalho, acabou decidindo em não realizar
tarefas fundamentais para a alta gestão da empresa. Resultado: do seu lado, o Gonçalo
concluiu que a inovação no trabalho não passa de teoria e que há uma distancia enorme
entre o discurso da alta gestão e a prática. E, ainda, que nem a chefia sabe o que quer.
Já a alta gestão concluiu que criatividade, no caso do Gonçalo, não serve para
nada, ou melhor, serviu apenas para piorar o seu desempenho. É por isso que a dica de
hoje é para que os profissionais entendam que o processo de inovação no trabalho deve
responder a duas questões básicas: A primeira é “serve para que a inovação que você
está propondo?” e a segunda “viver sem ela complicará o trabalho na empresa?”. Note
que algumas inovações podem até ter uma boa finalidade, mas ainda assim, continuam
sendo dispensáveis para a empresa. Resumindo: uma das finalidades da inovação no
ambiente de trabalho é simplificar e não complicar ainda mais a situação.