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“Histórias são luz.

A luz é preciosa num


mundo tão escuro”
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

Escritora do sul dos Estados


Unidos, nasceu na Filadélfia,
em 1964, mudando-se aos
cinco anos para a Florida,
onde cresceu, estudou e
descobriu o seu tino para a
literatura, escrevendo ainda
hoje obras como “A História
de Despereaux, A Libertação
do Tigre e Por Causa de
Winn-Dixie”, acumulando
outros importantes prêmios
literários.
O livro “A História de
Despereaux” – Editora
Martins Fontes, São Paulo,
2005, 255 páginas - que tem
título original “The Thale of
Despereaux”, publicado nos
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-Segundo
A História
nível de Despereaux -
● Terceiro nível
Kate DiCamillo
● Quarto nível

● Quinto nível
1. Enredo

Este livro conta a história de Despereaux, um camundongo


que nasceu num castelo, com orelhas muito grandes e os
olhos já abertos e que, ao contrário dos outros camundongos,
não gostava de correr, não tinha medo de humanos, e lia
livros ao invés de comê-los.
Um dia, seguindo o som da música tocada pelo rei Filipe,
depara-se com o monarca e com sua filha, a princesa Ervilha,
apaixona-se e dialoga com ela.  Furlough, irmão do pequeno
Despereaux, observa-o quando dialoga com a princesa e
relata para o pai, Lester Tilling, que convoca o Conselho dos
camundongos, para julgar, condenar e enviar o pequenino
camundongo para o calabouço, local onde, possivelmente, ele
seria devorado por ratos.
Já no calabouço ele conhece Gregório, o carcereiro, e conta-
lhe uma história, que acaba salvando-o dos ratos e levando-o
à cozinha do castelo. Chiaroscuro, um rato nascido bem antes
de Despereuax, encantado com a luz, declara que a bondade e
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A História
nível de Despereaux -
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● Quinto nível
1. Enredo

Roscuro sobe num candelabro durante um jantar no castelo e é visto


pela princesa Ervilha, que alarma a todos, ele, acidentalmente,
escorrega e cai no prato de sopa da rainha, fazendo com que ela
tenha um ataque cardíaco e morra. O rato, após o acidente, escapa de
volta para o calabouço e leva junto uma colher de sopa, jurando se
vingar da Princessa Ervilha. O rei Filipe, inconsolado, proíbe a sopa
em todo o reino e ordena que todos os ratos sejam banidos e
considerados foras-da-lei.
Muitos anos antes de Desperaux e Roscuro nascerem uma garota
chamada Migalha Sementeira perde a mãe, é vendida pelo seu pai,
em troca de alguns cigarros, uma galinha e uma toalha vermelha,
para um homem que ela passa a chamar de "tio". Por ser atrapalhada
e fazer tudo errado, recebia tapas nas orelhas, o que a leva aos
poucos a perder a audição e a deformar suas orelhas, deixando-as
com a aparência de uma couve-flor. O maior desejo dela era o de ser
uma princesa. No dia em que o rei proíbe a sopa, os guardas, chegam
à casa do tio de Mig para recolher os caldeirões e as colheres, porém
também a levam por estar em estado de escravidão, o que era
proibido no reino. Levada ao castelo a pobre menina começa a
trabalhar e, por ser atrapalhada, é logo designada para entregar no
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-Segundo
A História
nível de Despereaux -
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Kate DiCamillo
● Quarto nível

● Quinto nível
1. Enredo

O rato e a menina das orelhas de couve-flor seqüestram a princesa e a


levam para o calabouço. Na manhã seguinte sente-se a falta da
princesa e guardas são enviados para procurar a princesa no
calabouço, porém sem sucesso.
Despereaux, após tentar avisar o rei onde estava Ervilha, procura
Hovis, o mestre-da-linha, que o dá todo o carretel de linha vermelha e
uma agulha de costura para auxiliá-lo na sua busca pelo
calabouço. Quando lá chega, Despereaux encontra  Botticelli, que se
dispõe a levá-lo à princesa, porém, na verdade este é apenas mais um
ato para cultivar o sofrimento alheio. Paralelamente Migalha
Sementeira descobre que Roscuro a enganou e que nunca será uma
princesa,
Despereaux chega ao local onde estavam Mig, a princesa e Roscuro e
grita o nome da princesa. Migalha Sementeira, após a desilusão, corta
o rabo do rato com a faca. Despereaux ameaça matar Roscuro com a
agulha de costura encostada ao seu peito e é impedido pelas palavras
da princesa, então Roscuro arrepende-se.  A princesa  diz a Roscuro 
que se ele os conduzisse de volta para o castelo, seria bem tratado,
dando-lhe acesso ao castelo,  o que foi aceito pelo roedor.  Botticelli e
os outros ratos estão revoltados com a felicidade de tudo o que está
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

2. Personagens

Kate DiCamillo dá vida a personagens com características


interessantes, ora aparecem como vilões, ora como mocinhos,
ora como vítimas da sociedade em que vivem, ora tornando
esta mesma sociedade pior ou melhor. Mesmo um rei bondoso
e uma princesa sofrem e tem seus conflitos internos, a autora
mostra a personificação dos personagens não humanos,
porém distiguindo-os entre ratos e camundongos, luz e
trevas. Vejamos, caro leitor, os principais personagens e suas
características físicas e psicológicas.
- Despereaux Tilling - protagonista, camundongo, nascido
diferente de todos da sua espécie, pelas orelhas enormes,
pelo pequeno tamanho, pelas atitudes, pelo gosto apurado
pela leitura, pela música e pela luz. Comete uma transgressão
às leis do seu povo.
- Chiaroscuro – Roscuro como é assim chamado por estar
sempre entre o claro e o escuro, personagem que comete um
grave erro e acaba planejando uma vingança contra a
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

2. Personagens

- Botticelli Remorso - antagonista, rato mais velho do


calabouço, com uma índole perversa, que acredita que o
sentido da vida é o sofrimento, principalmente o alheio,
procura trazer Roscuro sempre para as trevas, incentivando-o
ao mal.
- Migalha Sementeira - chamada de Mig, menina atrapalhada e

desajeitada, com orelhas em forma de couve-flor, tem um


coração bom e um sonho de ser princesa, que a levam a
tornar-se presa fácil, servindo de aliada do rato Roscuro. Teve
um histórico de abandono e sofrimento na infância.
- Antoinette – mãe de Despereaux, personagem fixo na
história, era francesa e havia chegado ao castelo na bagagem
de um diplomata francês.
- Lester e Furlough Tilling – pai e um dos muitos irmãos de

Despereaux, responsáveis pelo julgamento, condenação e


exílio do pequeno camundongo.
- Gregório – velho carcereiro do calabouço do castelo, andava
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

3. Espaço

É visível o contraste entre a luz, representada pelo castelo


cintilante, onde vivem os personagens afetos a ela, e as
trevas, representadas pelo calabouço, espaço onde os ratos
atormentam os condenados que ali são levados. A autora
utiliza este espaço para criar um certo ar de ida e vinda, à luz
e às trevas, criando sensações e cenários que remetem o
leitor às significações sociais e psicológicas diversas, como
por exemplo a associação da imundície, da exclusão social, da
marginalidade à escuridão, o que pode denotar um certo ar de
discriminação, e complementando o exemplo, a luz é
associada à luxúria do castelo, à vida burguesa, aos prazeres
da leitura, da música e da boa alimentação, fora dela vivem os
excluídos que sonham alcançá-la e desfrutar dos seus
benefícios.
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

4. Tempo

A história passa-se em um intervalo de tempo longo, de modo


não linear, uma vez que o livro inicia-se com o nascimento de
Despereaux Tilling, fato ocorrido anos antes do nascimento de
Roscuro e Migalha Sementeira.
“Está história começa (...) com o nascimento de um
camundongo (...)” (p.11).
“(...) vamos recuar no tempo até o nascimento de um rato, de
nome Chiaroscuro (...) muitos anos antes de o camundongo
Despereaux nascer (...)” (p. 79).
Como se pode notar trata-se de um tempo não cronológico em
que os fatos não se dão numa ordem natural nem linear,
anacrônico. Primeiro, acontece o nascimento de Despereaux;
depois o nascimento de Roscuro e Migalha Sementeira,
evidenciando o trato que a autora dá ao elemento tempo.
Nesta obra, portanto o tempo é um elemento responsável
pela organização dos fatos no enredo deste brilhante livro de
Kate DiCamillo, que utiliza-se do recurso de ir – prolepse - e
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

5. Foco Narrativo

Quem nos conta, essencialmente em terceira pessoa, a


história do pequeno camundongo Despereaux Tilling, é um
narrador heterodiegético, uma vez que não integra e não
integrou, como personagem, o universo em questão, porém
com uma focalização omnisciente. Esta visão dá ao narrador o
poder de suprimir lapsos cronológicos longos ou curtos,
operando retrospectivas ou adiantando fatos, aliás uma
marca forte e bastante evidenciada na obra de Kate
DiCamillo. Para exemplificar podemos destacar a questão do
nascimento de Despereaux, Roscuro e Migalha Sementeira
que apesar de ter acontecido cronologicamente em respectiva
ordem inversa, é narrada em ordem cronologicamente direta,
o que mostra o quanto o narrador é poderoso no universo
desta obra, levando-nos a adiantar e retroceder nos lapsos
temporais. Ele é o senhor da narrativa, cabendo-nos apenas
ficar na expectativa do próximo passo dele, que nos dará os
elementos necessários para a compreensão da totalidade da
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

6. Clímax

Uma vez eivado de ódio e tomado por uma trama perversa,


Roscuro, o rato atormentado entre a luz e as trevas, com a
ajuda de Migalha Sementeira, a menina atrapalhada, de
orelhas em forma de couve-flor, a quem o roedor conseguiu
convencer de aliar-se, prendem no calabouço a princesa
Ervilha, que entre a luz e as trevas fica à espera da ajuda de
seu príncipe, em forma de camundongo, o pequeno
Despereaux Tilling.
A autora nos leva ao ponto culminante da história, deixando-
nos apreensivos quanto ao desfecho da situação vivida pela
indefesa princesa Ervilha e criada pelos personagens
Chiaroscuro e Migalha Sementeira que serão levados a um
desfecho que o leitor talvez não possa imaginar.
Sigam-me!!! Estamos chegando.
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

7. Desfecho

Retomemos a história:

Executada a trama criada pelo rato Roscuro, Ervilha presa no


calabouço, entre a luz e as trevas à espera da ajuda de seu
príncipe, em forma de camundongo, o pequeno Despereaux
Tilling, que adentra ao calabouço gritando pela princesa e vê
o terrível roedor à sua frente. Após travar uma batalha com
Roscuro, o corajoso camundongo ceifa o rabo do oponente e
finalmente tem a sua “espada”, digo agulha, encostada ao
coração daquele ser tão vil, a vida dele está nas mãos de
Despereaux, que mesmo sobre os gritos de mate-o, perdoa-o,
fazendo com que Roscuro deixe aflorar seu lado da luz,
desistindo do plano maléfico, retornando-os à luz e
comemorando com muita sopa os seus destinos.
E viveram felizes para sem...
Esperem, esperem...
- A História de Despereaux -
Kate DiCamillo

8. Conclusão

Caro leitor, esta obra traz certamente lições que serão


assimiladas por quem a desvendar, em cada livro, em cada
capítulo, em cada parágrafo ou em cada frase, Kate DiCamillo
com certeza estava preocupada em passar-nos valores
morais, éticos, mostrando que tanto na ficção quanto na vida
real há sempre caminhos a seguir, há a luz e há as trevas,
cabe a cada um de nós, independente do contexto social,
econômico , religioso em que estejamos inseridos, buscar um
farol para iluminar as nossas vidas, para afastar as trevas em
que vivemos. Assim aconteceu com Roscuro, assim aconteceu
com Mig, assim aconteceu com Ervilha, com o rei Filipe e com
os demais personagens criados por DiCamillo, mas
principalmente assim aconteceu com o Pequeno Despereaux
Tilling.
Créditos

Acadêmicos do 3º Período do Curso de Letras - Português

Almiro Rodrigues – Evelyn Constantina – Ingryd Martins


Juarez Dantas – Janete Modesto
Marlene dos Santos – Nathália de Jesus

Ilustrações:
http://www.allmoviephoto.com/photo/2008_the_tale_of_despere
aux_002.htm
http://www.candlewickportals.com/katedicamillo/Home/tabid/8
8/Default.aspx