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apostila saneamento

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Saneamento básico/ 2007

Técnico em Gestão Ambiental

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Saneamento
Professora Sueli Noriko Kariatsumari 2º. Gestão Ambiental / 2007

Saneamento básico/ 2007

Técnico em Gestão Ambiental

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SANEAMENTO
PEQUENO HISTÓRICO DO SANEAMENTO O ser humano não consegue viver longe da água que bebe e dos resíduos que produz. Essa parece ser uma preocupação que acompanha as civilizações desde as épocas mais remotas. Embora, com o passar dos tempos, a humanidade tenha aperfeiçoado muitas técnicas para coletar água e afastar os detritos, o problema permanece até os dias de hoje. Os povos primitivos utilizavam métodos simples para recolher as águas das chuvas, dos rios e dos lagos. Na sua fase nômade, em que mudava constantemente de lugar, o ser humano deixava restos de alimentos e desejos acumulando-se dentro da própria habitação. Posteriormente, quando começou a se fixar em uma mesma região, ele sentiu a necessidade de limpar a moralidade, jogando fora os resíduos resultantes de suas atividades, que giravam em torno da caça e da pesca. A quantidade de detritos produzidos era insuficiente para causar alterações ambientais. Isso se deve aos hábitos extremamente simples da população primitiva, que consumia apenas o essencial para a sobrevivência, além, é claro, da existência de poucas pessoas na época. A partir do momento em que a humanidade passou a desenvolver o desmatamento e a agricultura e as agriculturas tiveram início os processos de modificação dos recursos naturais como o solo e a água. Os locais mais propícios à plantação, criação e extração de minerais não eram mais abandonados, e as principais aldeias foram sem formadas. O lixo, os esgotos e outros detritos começaram a acumular-se, o que favoreceu a proliferação de ratos e insetos e a poluição dos rios. As doenças transmitidas por esses seres veículos começaram a atingir maior número de pessoas, originando as epidemias. Com o decorrer do tempo, as necessidades humanas e o crescimento da população passaram a exigir quantidade cada vez maior de água e facilidade de acesso às fontes existentes. Na tentativa de evitar a escassez, principalmente nas estações de engenharia para condução e armazenamento da água. Ao mesmo tempo, procuravam novas fontes de suprimento até mesmo no subsolo. O método empregado para o aproveitamento da água subterrânea foi a perfuração de poços, no inicio rasos, mas que foram aumentando progressivamente (os chineses chegaram a extrair água de até cerca de 450 metros de profundidade). Na América, os incas e mesmo as civilizações mais antigas já construíram numerosos sistemas de canalizações de águas para irrigação, principalmente nas terras áridas da costa do Peru. Os egípcios dominavam técnicas sofisticadas de irrigação do solo na agricultura e métodos de armazenamento de líquido, pois dependiam das enchentes dório Nilo. As construções destinadas ao transporte de água, chamadas de aquedutos, eram grandiosas, principalmente entre os romanos. Essas obras abasteciam dezenas de termas (ou banhos públicos), muito apreciadas pela população da época. Além disso, os aquedutos supriam os lagos e as fontes artificiais, utilizados como decoração e lazer nos palácios e nas moradias mais requintadas. Os romanos também se destacaram na construção de redes de esgoto e de canalizações para escoamento das águas de chuvas nas cidades. Por volta do ano 300 d.C., existiam em Roma mais de trezentos banhos públicos. Consumiam-se cerca de 3 milhões de litros de água por dia. As termas eram construções sofisticadas, com piscinas de água quente, morna ou fria, ao lado de salas para a prática de esportes e massagem. Os hábitos de higiene na Antiguidade As residências construídas na Antiguidade, inclusive as pertencentes à nobreza, não possuíam sanitários. Nas cidades e no campo eram comum as pessoas evacuarem diretamente no solo. A camada mais rica da população usava recipientes para fazer suas necessidades e em seguida descarregava o conteúdo em local próximo das moradias. Quando chovia, as fezes eram levadas pelas enxurradas até os rios, contaminando as águas e disseminando doenças. Naquela época, alguns povos já aravam o solo para o plantio da lavoura, sem adotar medidas que evitassem o transporte de terra pelas enxurradas, tornando as águas mais sujas de barro. Ainda hoje, persistem em muitos povos os hábitos de higiene da Antiguidade. Em algumas ilhas da Indonésia, as pessoas evacuavam diretamente nos canais que irrigam as plantações de arroz, disseminando doenças pela água. Para tornar a água limpa antes de ser utilizada nas atividades domésticas, certa povos, principalmente os egípcios e japoneses, filtravam o liquido em casos de porcelana.

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No Egito, costumava-se armazenar água em grandes potes de barro durante aproximadamente um ano, tempo suficiente para que a sujeira se depositasse no fundo do recipiente, resultando num liquido transparente e potável. Os métodos utilizados pelos egípcios para depuração de água foram descobertos por meio de inscrições e gravuras registradas em túmulos. A purificação da água também era feita pelos chineses e japoneses com base no processo da capilaridade. O liquido era passado de uma vasilha a outra por meio de tiras de tecido, que removiam a sujeira. Embora ainda não se imaginasse que muitas doenças eram transmitidas por micróbios, os processos de filtração e armazenamento removiam a maior parte dos parasitas. Assim, a pessoa que tomasse água suja ficaria mais vulnerável às doenças. Provavelmente foi a partir dessa associação que surgiu o falso conceito, ainda hoje aceito por pessoas desinformadas, de que águas transparentes e de bom aspecto nunca causam moléstias. Da idade média à sociedade industrial Durante a Idade Média, os hábitos de higiene dos camponeses e senhores feudais eram semelhantes àqueles praticados pelas civilizações passadas. A situação de higiene se agravou com o inicio do desenvolvimento industrial, em meados do século XVIII, quando as fábricas de tecidos levaram os artesãos em massa para os grandes centros urbanos. Na Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha, as condições de vida nas cidades eram assustadoras. As moradias ficavam superlotadas e sem as mínimas condições de higiene. Os detritos eram acumulados em recipientes e transferidos mensalmente para reservatórios públicos. As áreas industriais cresciam rapidamente e os serviços de saneamento básico, como suprimento de água e limpeza de ruas, não acompanhavam essa expansão. Em conseqüência, o período foi marcado pela volta de graves epidemias, sobretudo do cólera e da febre tifóide, transmitidos pela água contaminada, que fizeram milhares de vítimas. Diante desse quadro, os governos passaram a investir muitos recursos em pesquisa na área médica. Pasteur e outros cientistas descobriram que doenças infecciosas eram causadas por microrganismos patogênicos. A partir de então foi possível entender os processos de transmissão de doenças pela água e outros meios contaminados. Inicialmente a Inglaterra e em seguida outros países europeus realizaram uma grande reforma sanitária. Para remover as fezes e os detritos que ficavam acumulados nos edifícios, causando incômodos terríveis, foram instaladas as descargas liquidas, semelhantes às utilizadas atualmente, transportando os detritos para as canalizações de águas pluviais. Embora esse mecanismo solucionasse os problemas domésticos, os esgotos eram lançados em tamanha por toda a cidade. Ao mesmo tempo, a rápida proliferação de industrias que lançavam seus resíduos nas águas contribuiu para agravar o problema de poluição ambiental. Essa situação obrigou as populações a procurar soluções de sanemaneto para tratar os esgotos sanitários e abastecer os centros urbanos com água de boa qualidade. O desenvolvimento da ciência e da tecnologia permitiu que fontes contaminadas se tornassem potável após tratamento. Atualmente, existem métodos diversificados para que o esgoto e o lixo não afetem a saúde e o meio ambiente. Em toda a história da humanidade, porém, a deterioração dos recursos naturais nunca atingiu tamanha proporção como nos dias atuais. De acordo com dados publicados na Revista Brasileira de Sanemaneto e Meio Ambiente – BIO (Ano XI no. 18) em 2001, a água contaminada e a ausência de saneamento matavam 12 milhões de pessoas em todo o mundo, a maior parte delas vivendo em países em desenvolvimento. O Equador se destacava com um dos paises da América Latina com maior quantidade de doenças ocasionadas pela falta de água potável e contaminação de rios. Início e evolução do Saneamento no Brasil Os registros dos jesuítas vindo ao Brasil no século XVI exaltavam o ótimo estado de saúde dos indígenas. A chegada do colonizador europeu e dos africanos trazidos como escravos, no entanto, alterou a situação existente. Os estrangeiros foram responsáveis pela introdução de várias moléstias que rapidamente se espalham em epidemias que freqüentemente matavam os índios. Os colonizadores trouxeram também a preocupação com os serviços de saúde pública. As leis determinavam as medidas de higiene que deviam ser tomadas, como a limpeza de ruas e quintais. Fontes e chafarizes foram construídos em praças publicas e serviam à distribuição de água à população. Os escravos eram encarregados do transporte do liquido, enchendo recipientes e levando-os às residências.

mesmo as casas mais sofisticadas aqui no Brasil eram construídas sem sanitários. especialmente na periferia das cidades. sendo Manaus uma das primeiras cidades beneficiadas. Somente a partir de 1973 foi criado um plano nacional. As condições de saúde nos centros urbanos eram piores que as do campo e continuaram a se deteriorar. Saneamento do meio: . foi instalado somente no Rio de Janeiro e atendia à área da cidade onde estava instalada a aristocracia. em 1808. Como necessitavam de infra-estrutura. formados em grande parte por favelas. doença de ocorrência mais restrita ao Nordeste. o quadro de meio ambiente e de saúde pública no Brasil ainda apresenta sérios problemas. atacando focos do mosquito transmissor da doença. sem qualquer sistema de coleta de esgoto e de recolhimento de lixo. o país adotou também a Política Nacional de Meio Ambiente. em 1888. Era necessário encontrar novas soluções. embora muitas regiões ainda hoje não tenham sistema de canalização de água e esgotos. Os bairros dessas regiões. porém. foi necessário utilizar mananciais cada vez mais distantes das metrópoles. Chamado Planasa. houve importante avanço nos serviços de saneamento. ele vem transformando a natureza pra satisfazer necessidades básicas de alimentação e habitação. construindo principalmente estradas de ferro em troca de recursos naturais. Devido à gravidade da situação. o que impôs o desenvolvimento da tecnologia de saneamento básico no Brasil. o homem necessita tornar o meio em que vive próprio para sua subsistência. No século XX. O crescimento populacional acelerado. De acordo com levantamentos realizados no território nacional. habitável. maior consciência de que conservar a natureza é condição primordial para sua sobrevivência. O Brasil no século XX No final do século XIX. Medidas de alcance coletivo que garantam o equilíbrio da natureza e da própria sobrevivência do ser humano e de todos os recursos e elementos indispensáveis à vida humana é a maneira mais eficaz para que o homem continue existindo e viva em harmonia com sua principal aliada: a natureza. o Brasil era conhecido no exterior por ser um local onde proliferavam epidemias de febre amarela. a construção de infra-estrutura de saneamento básico para servir a população com água potável ou recolhimento de lixo e esgoto nunca acompanhou o ritmo de crescimento das áreas urbanas. que formavam às vezes verdadeiros parques industriais.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 4 Com a vinda da Família Real portuguesa ao Brasil. o incentivo ao desenvolvimento do país levou à construção de um grande número de fábricas. Escravos recolhiam potes e barricas cheios de fezes e levavam até os rios. Ao longa da história. o que exigiu obras muito caras para transportar a água às cidades. poluindo suas águas. levou ao desmatamento progressivo das áreas onde se encontravam os reservatórios de abastecimento. Atraídas pela oferta de emprego. As cidades eram viveiros de ratos. Mesmo assim. A esquistossomose. SANEAMENTO BÁSICO Sanear é “tornar são. Seguindo os costumes europeus da época. a cada 24 minutos em média. os ingleses vieram ao Brasil fazer investimentos. pernilongos e outros vetores de doenças. criando leis mais severas para evitar a deterioração dos recursos naturais. lançados diretamente nos córregos e represas. A partir de 1950. Foram criadas leis que fiscalizavam os portos e evitavam a entrada de navios com pessoas doentes. especialmente na cidade de São Paulo. Com alternativas. infestou nesse mesmo ao 40 milhões de pessoas. para incentivar as obras de saneamento básico e melhorar as condições de vida das populações. Para sobreviver. poucas pessoas se preocupavam com o meio ambiente. O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a implantar redes de coleta para escoamento das águas das chuvas. Em conseqüência. muitas pessoas saíram do interior para morar nas metrópoles. A manutenção de sua saúde e de seu bem-estar solicita-lhe. respirável. passaram a produzir grande quantidade de detritos. 1988. Em 1981. varíola e peste bubônica. agradável”. Atualmente o cólera e a dengue constituem uma realidade em alguns estados brasileiros. onde eram lavados para serem novamente utilizados. Nessa época. Entre 1830 e 1840 ressurgiram epidemias de cólera e tifo. Após o término da escravatura. cada vez mais. o médico Emílio ribas realizou uma campanha de combate à febre amarela em São Paulo. uma criança morria de diarréia. não havia mais pessoas que executassem os serviços de transporte de água e dejetos. Esse sistema. implantaram vários sistemas de distribuição de água.

• Resíduos líquidos industriais. • Sanear os meios de transporte.. terremotos. • Garantir saneamento nas situações de emergência: enchentes. para própria sobrevivência do ser humano e de todos os recursos e elementos indispensáveis à vida humana. 150 a 200 litros de água em alimentação e higiene (esses valores referem-se a cerca de 50% da população que tem acesso aos serviços de abastecimento de água). • Acondicionamento. Representa o controle de todos os fatores do meio ambiente humano que exercem ou podem exercer efeito nocivo sobre o bem-estar físico. • Controlar a qualidade dos alimentos. • Diariamente cada pessoa utiliza. • Esgotos sanitários. • Disposição de esgotos sanitários. • Águas pluviais. • Cuidar do saneamento e do planejamento territoriais. Águas Rios e Reservatórios Informações . tendo em vista os seguintes dados: • Cada pessoa produz. • Promover a drenagem e a disposição de águas residuais. mental e social do homem. em média. com detergentes e outros poluentes) o equivalente a seu consumo diário de água. Trata-se de serviços de fundamental importância para a comunidade.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 5 O saneamento do meio é uma das formas de contribuir para a manutenção do equilíbrio da natureza e. coleta. transporte. coleta. • Controlar a poluição sonora. transporte e destinação do lixo. Segundo a Organização Mundial da saúde (OMS). • Combater a poluição das águas. restaurantes. hospitais habitações. tratamento e/ ou destino do lixo e limpeza urbana. • Promover acondicionamento.. escolar. • Garantir o saneamento de locais de trabalho. Para tanto deve: • Garantir o abastecimento de água potável suficiente e adequada ao consumo. trazem prejuízo à saúde e reduzem a marcha de desenvolvimento da comunidade. O objetivo do saneamento básico é controlar os fatores que afetam o ambiente físico. etc. 1 kg de lixo doméstico por dia. proteger e recuperar a saúde por meio de medidas de alcance coletivo e recuperar a saúde por meio de medidas de alcance coletivo e de motivação da população”. em média. do ar e do solo. Saneamento básico O saneamento básico é a parte do saneamento do meio voltada especificamente para os serviços de: • Abastecimento de água. • Cada pessoa produz em termos de esgotos (dejetos. “é a ciência e a arte de promover. águas servidas. portanto. • Controlar vetores (roedores e artrópodes) causadores de zoonoses. clubes. devendo constituir a primeira ação da Saúde Pública. etc.

Dentre os parâmetros físico-químicos e microbiológicos que caracterizam a qualidade das águas. Nitrogênio total . nove compõem o Índice da qualidade das águas (IQA). a CETESB selecionou 35 com base na sua alta representatividade. São realizadas amostragens bimestrais. mas também das variações climáticas. Oxigênio dissolvido (OD) . são também levantados parâmetros específicos tais como: Teste de Ames (para avaliação de mutagenicidade). a qualidade melhora por duas causas: a capacidade de autodepuração dos próprios rios e a diluição dos contaminantes pelo recebimento de melhor qualidade de seus afluentes. portanto. Temperatura da água . o controle e a utilização racional das águas doces superficiais. potencial de formação de THMs. absorbância no UV. tratamento e recuperação de nossos mananciais. A crescente expansão demográfica e industrial observada nas últimas décadas trouxe como conseqüência o comprometimento das águas dos rios. entre outros. Demanda bioquímica de oxigênio (DQO) . carga difusa urbana e agrícola (poluentes advindos da drenagem destas áreas: fertilizantes. bem como a preservação da vida aquática. Seus múltiplos usos são indispensáveis a um largo espectro das atividades humanas. químicos e microbiológicos de qualidade da água em análise em laboratório. A boa gestão da água deve ser objeto de um plano que contemple os múltiplos usos desse recurso. pH da água . A medida que o rio avança. desenvolvendo e aperfeiçoando as técnicas de utilização. lagos e reservatórios. Carbono orgânico dissolvido. ao longo do ano. Giardia / Cryptosporidium. da maior prioridade. São eles: . fezes de animais e material em suspensão). a preservação. efluentes industriais (poluentes orgânicos e inorgânicos. onde se destacam. atinge apenas os níveis de qualidade aceitável ou boa. na qualidade das águas doces.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 6 A água é o elemento fundamental da vida. em função. Ressalta-se que nos pontos de amostragem da Rede de Monitoramento coincidentes com captações utilizadas para o abastecimento público. A falta de recursos financeiros nos países em desenvolvimento tem agravado esse problema. nutrientes e bactérias). Monitoramento da Qualidade das Águas São determinados 33 parâmetros físicos. Clostridium e Estreptococos fecais. Desses 33 parâmetros. como é o caso da água do mar e das águas subterrâneas. A poluição das águas é gerada por: efluentes domésticos (poluentes orgânicos biodegradáveis. Sólidos totais . Deve ser. Fósforo total . Turbidez Na sua interpretação devem ser levados em consideração fatores importantes: A qualidade das águas muda ao longo do ano. o abastecimento público e industrial. dependendo da atividade industrial). Esta recuperação . defensivos agrícolas. Parâmetros Químicos . em função de fatores meteorológicos e da eventual sazonalidade de lançamentos poluidores e das vazões. pela impossibilidade da aplicação de medidas corretivas para reverter a situação. e que são amostrados na Rede de Monitoramento. As disponibilidades de água doce na natureza são limitadas pelo alto custo da sua obtenção nas formas menos convencionais. não só das atividades humanas. a produção de energia elétrica e as atividades de lazer e recreação. É muito difícil a recuperação ser total. Coliformes fecais . a irrigação agrícola. entretanto. a fim de se observar as variações que ocorrem.

Lítio. Arsínio. gosto desagradável e ocorre morte generalizada de peixes. além de uréia. Em dosagens elevadas podem provocar sérios problemas sérios problemas. causando o fenômeno conhecido como eutrofização (boa nutrição) de lagos e represas. etc. Cádmio. Estanho. É difícil se restabelecer o equilíbrio se o processos poluidores não são controlados. os resíduos de plantas e animais carregados para as águas e também o LIXO e os ESGOTOS nela jogados. Sais minerais: São inúmeros os minerais possíveis de ocorrerem na água. São produtos nocivos os metais pesados. Hg. como peixes. através dos organismos indicadores de contaminação FECAL do grupo dos COLIFORMES. Participam das diversas transformações da matéria nos ciclos biogeoquímicos como o do N.. Se a quantidade de matéria orgânica é muito grande a poluição das águas é alta e uma série de processos vão ser alterados. Existem também minerais indesejáveis que podem ocorrer nas águas e sua concentração vai limitar o uso. Os principais componentes de matéria orgânica encontrados na água são proteínas. Os microorganismos desempenham diversas funções de fundamental importância para a qualidade das águas. O Nitrogênio e o Fósforo dependendo de quantidade são importantes porque são responsáveis pela alimentação de algas. Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO):É o parâmetro mais comumente utilizado para a medida do consumo de oxigênio na água. Principais Parâmetros Biológicos A quantidade de matéria orgânica presente nos corpos d'água depende de uma série de fatores incluindo todos os organismos que aí vivem. Por exemplo: Alumínio. Representa a quantidade de oxigênio do meio que é consumido pelos peixes e outros organismos aeróbicos e que gasta de oxidação de matéria orgânica presente na água. Outro aspecto de grande relevância em termos de qualidade biológica da água é a presença de agentes patogênicos e a transmissão de doenças. S. A detecção dos agentes patogênicos. protozoários e vírus. Vai haver maior consumo de oxigênio que ocasionará a diminuição de Oxigênio dissolvido provocando a mortalidade de peixes. principalmente bactérias. vegetais superiores e outros organismos aquáticos . Nesses casos a água tem mau cheiro. A escassez de OD pode levar ao desaparecimento dos peixes de um determinado corpo d'água. por exemplo. Alguns poços em zonas rurais acumulam nitratos provocando envenenamentos em quem consome suas águas. surfactantes e fenóis. Portanto.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 7 Oxigênio Dissolvido (OD):É um dos parâmetros mais importantes para exame da qualidade da água. pois revela a possibilidade de manutenção de vida dos organismos aeróbios. Pode também ocasionar mau cheiro. Bário. É medida a 20º C. gorduras. dado que esses organismos são extremamente sensíveis à diminuição do OD de seu meio. carboidratos. O consumo de água de poços deve ser feito após análise periódica de suas águas. a determinação da potencialidade de um corpo d'água ser portador de agentes causadores de doenças pode ser feita de forma indireta.. como proliferação excessiva de algas. Cobalto. em uma amostra de água é extremamente difícil. Haverá muito alimento à disposição e conseqüentemente proliferação dos seres vivos. Os coliformes estão presentes em grandes quantidades nas fezes do ser humano e dos animais de . aminoácidos. pesticidas e herbicidas. em razão de suas baixas concentrações. C e da água. Berílio. Cromo. óleos e graxas. P. Boro. Mercúrio. Cobre.

produzido por bactérias que se encontram em poços profundos e fontes de águas estagnadas por longos períodos. Parâmetros de Qualidade Alumínio Bário Cádmio Chumbo Cloreto Clorofila-a / Feofitina-a Cobre Coliformes Fecais Coloração da Água Condutividade Específica Cromo Total Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO 5. essa água pode manchar pias e sanitários. são causados pela presença de algas. a presença de cloro prejudica o sabor e o cheiro da água que vai ser utilizada para beber ou na culinária em geral. GOSTO DE FERRUGEM/GOSTO METÁLICO . A presença de coliformes na água não representa.A presença de ferro e cobre pode deixá-la amarronzada. Padrões e parâmetros de qualidade Para realizar o controle da poluição das águas de nossos rios e reservatórios. mas indica a possível presença de outros organismos causadores de problemas à saúde. por si só. Porém. que é estabelecida segundo seus usos preponderantes. mesmo que visualmente a coloração esteja normal.Este cheiro é causado pela presença de hidrogênio sulfídrico. A água que causa manchas pretas possui partículas de manganís. COR ESTRANHA .20) Demanda Química de Oxigênio (DQO) Fenóis Ferro Total Fósforo Total Manganês Mercúrio Microtox Níquel Nitrogênio Amoniacal Nitrogênio Kjeldahl Total Nitrogênio Nitrato Nitrogênio Nitrito Oxigênio Dissolvido (OD) Ortofosfato Solúvel pH Resíduo Não Filtrável Resíduo Total Surfactantes Temperatura da Água Temperatura do Ar Teste de Toxicidade Crônica Turbidez Zinco Controle de Qualidade da água . GOSTOS E CHEIROS ESTRANHOS . um perigo à saúde. como de bolor. GOSTO E CHEIRO DE CLORO . De modo geral. Esses padrões dependem da classificação das Águas Interiores.O excesso de ferro e de outros metais alteram o sabor e aparência da água. até a Classe 4. barro e areia. humus e outros detritos que naturalmente estão presentes nas fontes de água como rios e lagos.A turbidez é a presença de partículas de sujeira. CHEIRO DE OVO PODRE . O sabor da água pode apresentar-se metálico. de terra ou de peixe.Gostos e cheiros indesejáveis. a mais nobre. utilizam-se os padrões de qualidade. a menos nobre. nas águas para abastecimento o limite de Coliformes Fecais legalmente tolerável não deve ultrapassar 4. deixando-a com uma aparência túrbida e opaca. pois a coloração enferrujada só aparece depois de alguns minutos em contato com o ar.O cloro é usado pelas estações de tratamento para desinfetar a água.000 coliformes fecais em 100 ml de água em 80% das amostras colhidas em qualquer período do ano. Além do aspecto visual. PROBLEMAS MAIS COMUNS NA ÁGUA TURBIDEZ . variando da Classe Especial. Os principais indicadores de contaminação fecal são as concentrações de coliformes totais e coliformes fecais. que definem os limites de concentração a que cada substância presente na água deve obedecer. por legislação específica. que retiram o aspecto cristalino da água.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 8 sangue quente. expressa em número de organismos por 100 ml de água.

São analisados os teores de resíduos de pesticidas organofosforados. podemos utilizar as telas de malhas largas com aproximadamente 6 cm2 de área livre. algas. sílica. Tratamento convencional para obtenção de água potável 1.30 a 0. com menor espaçamento entre as barras. que compostos como 2-trans. registros e tubulações. sulfeto de hidrogênio.Gradeamento De maneira geral. é diária pois em função do tamanho da malha ocorre um acumulo muito grande de resíduo. também como responsáveis pela presença de odor e sabor em águas.0 a 2. algas e protozoários. bem como corpos flutuantes.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 9 O controle de qualidade físico-química da água é uma boa oportunidade para conhecer a química quantitativa. xileno. a saber. estes compostos estão associado a determinados microrganismos. gases dissolvidos e matéria mineral dissolvida. em geral.Grades médias. Na analise da qualidade da água são consideradas as etapas de tratamento da mesma. Em vez do uso de grades. limpeza destas telas. podemos classificá-las. As elas de malha fina em geral são feitas de arame. etilbenzeno. etc.Processos para retirada de sabor e odor Entre as principais causas de gostos e odores nos suprimentos públicos de água. surfactantes. . limpeza manual. os mais comumente identificados como sendo responsáveis pro problemas de odor e sabor são os compostos 2-metil-isoborneol e o geosmim. com malhas que variam de 0. apresentam espaçamento entre 1. O teor de alumínio e cloro residual é feito não só na água para consumo como também nas etapas de tratamento. 2. Tendo como finalidade a proteção de dispositivos de transporte da água contra obstrução. paralelas. apresentam de 4 a 10 cm de espaçamento. carbamatos. zinco entre outros. após clarificação e cloração respectivamente. despejos industriais. . os materiais que impurificam as águas podem ser assim classificados: a) Materiais que flutuam. . manganês. esgoto. d) Colóides: matéria orgânica. . de mesma espessura igualmente espaçadas. Grades são definidas como dispositivos foram dos de barras metálicas.Grades finas.80 cm2 de área limpa. As grades são classificadas de acordo com o modo de limpeza: I – Grades simples. de limpeza mecânica. Dentre os compostos orgânicos produzidos por microrganismos. torna-se necessário uma manutenção com a retirada dos resíduos. gramíneo ou mofo à água. galvanizadas. gás sulfidrico dissolvido provoca alteração no sabor e odor. Estas telas devem ser constituídas de arames resistentes a corrosão. turbinas. em geral. uma vez por semana. lodos. c) Materiais dissolvidos. tolueno. são formas solúveis que se não removidos formam óxidos amarronzados que alteram cor e sabor da água. Este tipo de grade é colocada no ponto de chagada da água. As níveis de nanograma já causam alterações organolépticas na água. automática ou não.5 cm. II – grades mecanizadas. monoclorobenzeno. Sendo assim.0 cm. por exemplo.Grades grosseiras. a qualidade da água captada para o tratamento e também a inocuidade do produto quanto à presença de substâncias prejudiciais à saúde. O espaçamento útil entre as barras é escolhido em função do tipo de material que se que deter e dos equipamentos a proteger. As análises feitas se baseiam em reações de neutralização. com inclinação de 45 a 90º. Águas com ferro e manganês. Destinam-se à remoção de sólidos grosseiros em suspensão. normalmente 2. inclinação de 30 a 40º com a horizontal.6-cis-nonadienal e 3-cis-hexenol. complexação e de oxiredução. especialmente as algas azuis. b) Materiais em suspensão: bactérias. que conferem um gosto de terra. Cita-se ainda.. Um tratamento de água sempre se inicia com a remoção dos materiais que flutuam ou então suspensos com o uso de grades e telas. precipitação. tais como bombas. resíduos industriais. Com a horizontal. citamos. são instaladas à montante de bombas de grades dimensões.

sendo recolhido em nível inferior. Técnico em Gestão Ambiental 10 a)Aeração As águas naturais normalmente apresentam gases dissolvidos. A aeração tem a finalidade proporcionar o contato do ar com água. Estamos habituados a utilizar águas com esses gases e notamos com facilidade a ausência de oxigênio. com hipoclorito de sódio é inviável para águas de abastecimento público. Nos aeradores de repuxo. .Saneamento básico/ 2007 Os principais métodos para a remoção de gostos e odores são: a) aeração b) pré-cloração c) uso do sulfato de cobre. mas ressalta-se que a redução dos microrganismos a níveis considerados seguros se obtém com o processo de desinfecção.Algas verde-azuladas (Cyanophyceae).Diatomeas (Bacillariophyceae). Pode ser aplicado também acompanhando substancias químicas do processo de tratamento. ou a água pode ser passada através de um leito de carvão ativado. a água passa pro um leito de carvão ativado para retirada do excesso de cloro. podem ser em plano inclinado. em função do elevado conteúdo de substâncias húmicas. os aeradores de gravidade ou de repuxo. . a água é lançada no ar. . em um ou mais pontos precedendo a filtração ou a sedimentação. Os aeradores de gravidade. as concentrações máximas aceitas para as algas verde-azuladas é 200µg/L e 60µg/L para outros grupos de algas.Algas douradas (Chrysophyceae) Processo de Clarificação Os sólidos em suspensão são removidos por sedimentação simples ou sedimentação por coagulação e filtração. escada. b) Pré-cloração A cloração da água bruta. Atualmente o controle está voltado para as algas verde-azuladas. Microrganismos também são removidos pelos métodos de eliminação de sólidos em suspensão. A aeração consegue reduzir a concentração de CO2 na água a níveis de 2 a 5 mg de CO2/L. Na Holanda.Sugere-se que este processo de desinfecção não seja utilizado pelas estações de tratamento de água. ferrosos. Este processo tem sido questionado pois os resultados experimentais de pesquisas permitem concluir que a desinfecção da água por meio da pré-cloração. citamos. onde a água desprende-se livremente para apresentar grande superfície de contato com o ar. como nitrogênio e oxigênio e o gás carbônico. reduzindo o teor de gás carbônico. ser indicada para redução da corrosividade. o material pode ser aplicado como pó seco diretamente na água. como hipoclorito de sódio. Os aeradores de ventilação forçada são constituídos de tanques fechados. faz-se o ar pela água. . a fim de que nesta seja efetivada a dissolução ou o desprendimento de gases ou a intoxicação de compostos. Em geral. onde as algas são consideradas um dos problemas sérios. onde a água é exposta ao ar atmosférico e. Como principais tipos de aeradores. hipoclorito de cálcio e cloro gás é bastante eficiente no processo de redução de sabor e odor da água. d) Sulfato de cobre Quando se demonstrou que algumas formas de algas são também responsáveis pelo odor e sabor das águas. dos derivados clorados de origem inorgânica. em função do poder oxidante. providos de bandejas horizontais perfurados. c) Carvão ativado na remoção dos gostos e odores da água pelo carvão ativado.Algas verdes (Chlorophyceae). numa água recentemente fervida e que não satisfaz nosso paladar. o sulfato de cobre passou a ser utilizado por sua ação algicida. o que leva a formação de trihalometanos em valores superiores pela legislação pertinente. após o uso de uma pré-cloração. sob pressão. cascata ou tabuleiros perfurados. pode também. predominando os constituintes do ar atmosférico. por exemplo. como o sulfato de alumínio. Existem quatro grupos principais de algas que são capazes de originar problemas nas águas: . nos aeradores de ar difuso e de ventilação forçada.

receber ou doar prótons. O problema envolvido. A carga negativa recebe o nome de potencial zeta. para aliviar as cargas sobre os processos subseqüentes. enquanto que os grupos carboxílico. mas é considerada como processo preliminar. como a água. até que a resistência do fluido se aproxime. ou seja. depende do pH da água. da força propulsora dessa mesma partícula. variando de décimos de segundo a cerca de 100 segundos. amino e fenólico. A sedimentação simples é empregada para separar partículas suspensas com tamanho acima de 10 microns. A justificativa da presença das cargas negativas é devida a: . . * Para clarificação das águas é necessário: . para aumentar de tamanho.Aglutinação das partículas. é o tempo que as partículas gastas para depositar. em lagos e represas. carboxílicos e amina. como a sílica como o grupo silanol (SiOH) pode se tornar positivo ou negativo. a partícula adquire velocidade constante. além do tamanho diminuto das partículas. neste processo. as substâncias coagulantes reagem com alcalinidade (natural e/ou adicionada) formando polímeros com carga superficial atraem carga negativa dos colóides em suspensão. . formando partículas maiores denominadas flocos.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 11 a) Sedimentação simples Num fluido em repouso e de baixa densidade. . Com o aumenta do pH diminui a concentração de prótons e o equilíbrio nas reações desloca-se para a direita. b) Sedimentação com uso de coagulantes Sedimentação simples não remove cor da água. a sílica torna-se mais negativa. desce verticalmente com movimento acelerado. em grandezas. • Formação do floco (Câmara de floculação): Fundamentalmente físico. como etapas do processo de sedimentação com coagulantes: • Mistura rápida (Câmara de mistura rápida): consiste nas reações do coagulante com a água e na formação de espécie hidrolisadas com carga positiva e depende da concentração do metal e pH final da mistura. As reações de formação dos complexos. que é a matéria mais finamente divida. Também um cátion divalente.Imperfeições na estrutura da partícula são responsáveis por parcela substancial da carga das argilas minerais. consiste no transporte das espécies hidrolisadas para que haja contanto com as impurezas presentes na água. liberam prótons. o que inviabiliza somente a sedimentação simples para retirada da turbidez de um manancial para sua utilização no abastecimento público. O processo é rápido. O pH é fator preponderante nas reações para formação da carga superficial da partícula sólida. como magnésio ou ferroso pode substituir um átomo no óxido de alumínio da estrutura octaédrica. vamos considerar a sílica como um óxido representativo. sendo necessário trabalhar em conjunto com as cargas das partículas para se obter um resultado da sedimentação. Quando isto ocorre. denominada velocidade de decantação. é mantida em suspensão porque possuem carga elétrica negativa. que se repelem. Plaquetas de sílica tetrédrica são cruzadas por plaquetas de alumina octaédrica de modo que. O processo de clarificação de água consiste na manutenção de condições físico-químicas tais que os sólidos suspensos na água são removidos por uma sedimentação. resultando caga negativa.Óxido insolúvel na superfície. Citam-se. Em pH superior a 2. A maior parte das partículas e moléculas de substancias húmicas. .Grupos superficiais podem reagir na água com outros solutos além de prótons. Como a capacidade de transporte da água é proporcional à sexta potencia da velocidade da água. geralmente apresentam-se com carga negativa em valores de pH acima de 5. temperatura. A velocidade de sedimentação é proporcional ao peso e tamanho da partícula. Ou seja. conclui-se que a velocidade de sedimentação das partículas é tanto maior quanto menor for a velocidade de escoamento da água. A sedimentação simples ocorre de maneira natural.Neutralização das cargas negativas da matéria em suspensão. que formam flocos mais densos que precipitam com uma maior velocidade. como pH.Grupos presentes na superfície sólida podem ao reagir com a água. uma partícula sob a ação da gravidade. tornando a superfície sólida mais negativa. quantidade de . que envolvem grupos superficiais da partícula e solutos adsorvíveis dependem do pH. depende de algumas características. que resulta em carga superficial negativa. se um átomo de silício é substituído por um alumínio durante a formação da plaqueta.Substâncias orgânicas podem conter grupos fenólicos fenólicos. .

para que ocorram choques entre as impurezas. quantidade do produto químico.8 xiste uma região conhecida como corona na qual o mecanismo de coagulação é devido à neutralização de carga pelo hidróxido de alumínio positivo.5 e 11. ótimo de coagulação.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 12 • impureza. a um valor próximo de 30 mg/L em valores de pH de 6 a 8 tende a ocorrer formação excessiva dos precipitados de hidróxido de alumínio. o que em geral. em águas naturais a presença do íons sulfato a níveis de 12 mg/L.3 a 0. é que concentrações relativamente altas de anions como fosfato.18H2O Sulfato ferroso FeSO4 . O aparelho para teste do jarro consta de misturar com seis pás. Sulfato ferroso hepta hidratado Denominado de caparrosa verde. Ressalta-se ainda que. normalmente utilizado para remover manganês.8. tem causado este fenômeno. cuja velocidade de rotação pode ser ajustada a velocidade deve variar a agitação de 0. é dispensável na forma de material granular marronavermelhada. A coagulação realizada nesse mecanismo é a recomendada quando se tem tratamento completo.7H2O Sulfato férrico Fe2(SO4)3 Caparrosa clorada Fe2(SO4)3 . sua solução é corrosiva colocando em risco o manipulador. caracteriza as águas superficiais utilizadas no abastecimento público. para não desintegrar o floco. com a coagulação. muito solúvel em água. a faixa de atuação está no pH 5 a 11. ascendente ou descendente. antes da filtração. Nesta etapa há necessidade de agitação relativamente lenta. floculação e decantação. temperatura e tempo de decantação. delimita-se a dosagem de sulfato de alumínio entre 2 e 30 mg/L e pH de coagulação de 5 a 6.4 m/s. as quantidades são iguais ou pouco superiores que as de sulfato de alumínio. Para dosagens de coagulantes compreendidos entre 3 e 30 mg/L. em pH baixo é efetivo na remoção de cor. se apresenta como cristais verdes solúveis na água. outro aspecto importante. Sulfato férrico Também chamado de Ferri-floc ou ferrisol. em valores de pH acima de 9.FeCl3 Cloreto férrico FeCl3.18H2O é o produto mais utilizado. está entre 8.6H2O Aluminato de sódio NaAl2O4 Fonte: AQUATEC Sulfato de alumínio octadeca hidratado Também chamado de alumen. com pH em torno de 6. pois o flocos obtidos são facilmente removidos nos decantadores. O produto é cristalino. Essa região é considerada ideal para a coagulação quando se tem a filtração direta. o colóide que se forma é o hidróxido férrico. onde se monitora a velocidade de agitação. Decantação ou sedimentação (decantador): a velocidade nesta etapa é ainda mais lenta para permitir a completa deposição dos floco no fundo do decantador. de forma que as partículas coloidais são aprisionados nos mesmos. A quantidade de coagulante a se utilizada é definida no dia a dia a ETA através do teste do jarro. silicatos e sulfato podem impedir a reversão de carga e a reestabilização. caracterizando o mecanismo da varredura. Al2(SO4)3 . para águas com concentrações relativamente baixas de partículas colidais. Em dosagens superiores. Caparrosa clorada . pH. maiores velocidade tendem a dividir os flocos e retardam a decantação. mas a solução do sulfato ferroso é mais agressiva e uma segunda desvantagem é ter sempre que utilizar cal para melhorar o processo de floculação. A faixa de pH. Principais agentes coagulantes Principais substâncias químicas utilizadas como agentes floculantes Coagulante Fórmula Sulfato de alumínio Al2(SO4)3 .

sendo a dosagem de cloreto férrico hexa-hidratado variando entre 27 e 270 mg/L. pois leva a formação de incrustações. que varia de 0. Segunda guerra Mundial. Não necessita de alta alcalinidade para formação do floco. Tanto os polímeros sintéticos como os naturais.5%. O efeito coagulante atinge uma faixa de pH que varia de 5 a 9. Os principais coadjuvantes são a sílica ativada e os polieletrólitos. O efeito necessita de alta alcalinidade para formação do floco. mas são incluídos nesta categoria em função da semelhança de suas aplicações. Principais agentes coadjuvantes de floculação É considerado todo produto que. são considerados auxiliares de floculação e filtração. Cloreto férrico hexa-hidratado Apresenta as mesmas características do sulfato férrico.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 13 É obtida pela injeção de gás cloro num tubo contendo uma solução de sulfato ferroso. logo. • Neutralizar 85% da alcalinidade da solução por meio de um ácido forte. aumenta o tamanho dos flocos. porque não há necessidade de álcali adicional. A coagulação é decorrente do mecanismo de varredura. o peso molecular e o grupo funcional do polímero.8 partes de caparrosa. representado em sua maioria pelo amido. A quantidade de sílica a ser utilizada corresponde a faixa de 7 a 11% da dosagem de sulfato de alumínio. Polímeros não-iônicos não são considerados polieletrólitos. de acordo com a carga da cadeia polimérica. não-iônico. após a passagem haverá a remoção das partículas em suspensão e até a carga bacteriana será reduzida. alguns componentes químicos são alterados e até numero de microrganismo é reduzido. Os polieletrólitos são divididos em duas subclasses fracos e fortes. Existe a possibilidade desta solução se gelificar após 2 horas. Aluminato de sódio Sob certas condições o seu uso é vantajoso. Processo de filtração A filtração consiste em fazer a água atravessar uma camada de material poroso. de alguma forma. utiliza-se de uma solução parcialmente neutralizada de silicato de sódio. em função das características das águas e sólidos suspensos são utilizados os aniônicos e nãoiônicos. o ponto de adição do produto será encontrado de forma experimental. a resistência e na redução da dosagem do coagulante primário. deve-se utilizar soluções mais diluídas. é muito usado no tratamento de águas para caldeiras. Sua ação é considerada superior a sílica além de apresentarem menor custo. não deve ser utilizada em águas de caldeira. aniônico. aumenta sensivelmente a performance do processo de coagulação. A técnica de preparo da solução de sílica ativada é: • Fazer solução de silicato de sódio em águas a 1.5 a 1% como SiO2. Sílica ativada Foi desenvolvida antes da 2ª. Os sintéticos são utilizados para aumentar a velocidade de sedimentação. se remove matéria em suspensão e coloidal.4. A forma comercial tem pureza de 88%. A sílica ativada tem elevada carga negativa. como H2SO4 até pH 8. São três tipos: catiônico. No Brasil. Sendo que. Já os naturais são utilizados para reduzir a ocorrência da transpasse dos flocos no filtro e aumentar a chamada taxa de filtração. • Agitar e diluir com água até concentração final. que são mais densos e resistentes. com o pH compreendido entre 6 a 9. que em função do diâmetro dos poros. na proporção de 1 parte de cloro para 7. Polieletrólitos São polímeros originários de proteínas e polissacarídeos de natureza sintética ou naturais. Através da experiência descobriu-se que após a passagem da água através da areia. Quando utilizada com sulfato ferros ou alumínio. • Deixar em repouso por uma hora. Em função da floculação é lavado em consideração a carga. quando usados em conjunto com os agentes coagulantes. .

Filtros de fluxo ascendente Os filtros de corrente ascendente.sedimentação e adsorção . devido a camada gelatinosa previamente depositada pelas partículas que foram removidas. contaminando a água com sílica. Quando usados em piscinas. dentro das quais a água se desloca de cima para baixo sob pressão.Saneamento básico/ 2007 O processo de filtração se baseia em quatro ações: . ou seja. Filtros de pressão São constituídos por unidades metálicas de forma cilíndrica. como o antracito. . pode reagir com o cascalho e a areia. basta que o coagulante seja adicionado na água bruta na entrada do filtro. Sendo considerado que é possível que partículas de qualquer tamanho sejam retidas em pontos próximos ou nos pontos de contato entre grãos de areia. Esta camada é denominada schmutzdecke. sendo. o que permite taxas de filtração ainda maiores. principalmente. levam as partículas em suspensão a aderirem às paredes dos espaços vazios. a filtração mecânica. mas especialmente no filtro lento de areia. os efeitos elétricos e as alterações biológicas. Os espaços vazios entre os grãos de areia. já incluído o valor do coagulante aplicado. geralmente dispensam tratamento prévio por coágulo-sedimentação. no caso da água quente. para clarificação de águas de baixa turbidez e de baixo conteúdo mineral. . a remoção das partículas em suspensão na água ou dos microrganismos aglomerados através da sua aderência aos grãos de areia e a ainda previamente presas. ocorrem de maneira mais significantes.filtração mecânica. o processo leva a uma economia de 15 a 30% de reagentes. possuir uma outra camada de um meio poroso mais grosso e menos denso. Quando muito. que é colocado sobre a areia. a substituição do processo coágulosedimentação completada pela filtração convencional. São usados quando a água aser filtrada é fornecida sob pressão e quando a água filtrada deve ser distribuída sem bombeamento adicional. hermeticamente fechadas. indica-se o limite de 150 mg/L de matéria em suspensão. Considera-se como maior mérito da filtração ascendente. a maior parte da ação filtrante. a água alcalina quente. porque a água quente. podem ser subdivida em duas câmaras. ou clarificadores de contato.dia Os filtros de gravidade de grande área. sendo que a maior parcela da ação filtrante ocorre na parte superior do filtro. nas quais as forças de gravidade terrestre. da atração gravitacional das partículas de matéria e a atração eletrostática entre partículas de cargas diferentes. Técnico em Gestão Ambiental 14 Filtração mecânica é considerada como responsável pela remoção de grandes partículas na superfície da areia. serão classificados em filtros simples e filtros duplos. A coagulação e floculação são realizadas no meio poroso. e assim. está compreendida entre 120 e 360 m3/m2. também conhecidos como filtros russos. sendo que a remoção de partículas nestes pontos é chamada de filtração intersticial.alterações biológicas. em menor nível. que significa pele suja. Há formação de micro-aglomerados de flocos que acabam por ficarem retidos na camada de areia. Filtros rápidos por gravidade O filtro rápido é formado de uma camada de areia. por toda a sua altura. Num filtro lento de areia. Podem ser empregados para filtrar água fria ou quente. Nos filtros de fluxo ascendente durante o processo da passagem da água ocorrem dois processos de modo simultâneo. que estão fracamente aderidas aos . Em um filtro rápido de areia. Tanto no filtro lento ou rápido.são utilizados principalmente na antiga URSS. para os filtros simples é inferior a 70m2 e para os filtros duplos superior a 40m2. em geral a área envolvida. permitindo que novas unidades são facilmente incorporadas. que atuam diminutas câmaras de sedimentação. existe uma camada gelatinosa.o coagulante é aplicado na entrada dos filtros. ocorre numa camada delgada de areia e de material depositado próximo ou na superfície do filtro. Não sendo necessário a formação dos flocos convencionais relativamente grandes e pesados para sedimentar posteriormente. Este tipo de filtro é preferido nas instalações industriais em função de ocuparem pouco espaços. Em média a taxa nominal de filtração dos filtros de uma camada. caso ocupem uma linha de fluxo próxima aos pontos de contato. a mesma ação filtrante ocorre em todo o leito de areia. e pode ainda. a sedimentação e adsorção. como a finalidade de obter economia. o meio filtrante deve ser o carvão. em função da água que é enviada para o filtro por recirculação é de baixa turbidez.efeitos elétricos.

o que transforma os filtros numa importante barreira sanitária para produção de água para abastecimento público. câmaras de recicagens para microbiologia e em plástico para embalagem de leite. como os cistos de Entamoeba histolitica. Em função da sua pouca estabilidade. No processo físico podemos utilizar o calor e a radiação ultra-violeta. Para isso usam-se lâmpadas que emitem radiação ultravioleta na faixa de comprimento de onda de 900 a 3800 A. sendo pouco estável. a redução da área física. Super-filtração ou dupla-filtração Este tipo de filtro realiza com eficiência a floculação. principalmente bactérias coliformes. que uni as vantagens dos clarificadores de contato e a segurança dos filtros rápidos convencionais. Ultra-violeta A luz ultra-violeta tem sido usada para a redução de microrganismo de áreas de processamento. odor e cor. se reconhece ainda a possibilidade de contaminação da parte superior do filtro pela própria água de lavagem. filtração. ocorra a fluidificação das camadas superiores permitindo que impurezas e flocos retidos no topo do leito filtrante passe para o efluente. Desinfecção A etapa anterior. Em função dos problemas ressaltados. menor de consumo de reagentes. Este tipo de filtro é projetado ara produzir taxas de filtração compreendidos entre 120 e 150 m3/m2. surgiu a idéia de um tipo de instalação para tratamento de água. reduzindo a área física da ETA. Processos de desinfecção utilizados em água de abastecimento público Existem basicamente dois processos de desinfecção o físico e o químico. Logicamente. indicadas para pequenas áreas e de mercúrio-quartzo recomendadas para instalações maiores e funcionamento sob pressão. alguns tipos de vírus e cercarias são resistentes à desinfecção por derivados clorados.dia. Outro fator que impede sua maior utilização é o custo. sendo a zona mais letal em torno de 2600 A. os superfiltros com dupla filtração. surge então. não e é suficiente para garantir a qualidade microbiológica de uma água. sendo questionada. b) é um poderoso oxidante com atuação rápida sobre a matéria orgânica. ressalta-se que. alguns organismo patogênicos. em função da perda de carga. é muito volátil e pouco solúvel em água. O processo utilizando ultra-violeta em alguns países já tem sido utilizado para produção de água em larga escala. o UV não forma trihalometanos. que atualmente está muito acima do cloro e do ozônio. pois atua somente à nível superficial. comercialmente. o consumo de reagentes. Sua utilização é recente. não apresenta odor peculiar. Encontram-se. pois é possível durante o processo de filtração. a sedimentação e a filtração da água. a desinfecção é de fundamental importância na garantia da qualidade sanitária de uma água. . Ozônio O Ozônio (O3). que apresenta como vantagens o custo de instalação de área física comparada com uma ETA tradicional. Ressalta-se ainda que. o que permiti futuras recontaminações da água. bem como. é eficiente no processo de remoção de microrganismo da água. efeito este provocado pelas forças hidrodinâmicas do escoamento pelo aumento da velocidade. Este aspecto reforça a tese de que os filtros ascendentes tem restrições ao uso. para produção de água para abastecimento publico o calor fica inviabilizado em função do consumo de energia necessário para aquecimento de uma grande quantidade de água. dois tipos de lâmpadas especiais: lâmpadas de argônio-mercúrio.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 15 grãos de areia. em função do exposto. laboratórios. aproximadamente 254 nanômetros. Não podem ser aplicados no tratamento de águas de qualquer recurso hídrico. uma forma alotrópica do oxigênio. mas mesmo assim. Como vantagens do ozônio são citadas: a) redução de problemas complexos de sabor. facilidade de operação. sua produção deve ocorrer no próprio local de utilização. sua eficiência decresce com o tempo de utilização da lâmpada e pela não manutenção de residual. O processo físico de desinfecção por exposição a radiação UV é capaz de inativar quase toso os microrganismos encontrados em água.

os compostos clorados são mais efetivos em valores d pH baixos quando a presença de ácido HClO é dominante. ação três vezes maior que a monocloramina. instalação e operação são altos. o sistema completo permite a purificação. A saída do gerador de ozônio é ligada diretamente ao difusor dentro do modulo de filtragem. citam-se: a) É um gás venenoso. c) Não apresenta ação sanificante posterior. d) Os custos operacionais. quando adiciona-se cloro são formados compostos que apresentam ação sanificante. determinação das formas de cloro combinado e livre e a cloração baseada em controles bacteriológicas. A maior ação bactericida e explicada pela baixa constante de hidrólise da monocloramina formando pouca quantidade de HClO. também. sólidos dissolvidos. aumentando a capacidade de efetuar seu trabalho. com o chamado refinamento da cloração.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 16 c) ação rápida sobre bactéria. O processo de cloração nas estações de tratamento de água (ETA) . b) Não existem técnicas analíticas suficientemente especificas ou sensíveis para o controle de seu residual de forma imediata e eficiente após aplicação. cloretos e fluoretos. uma bomba de ar comprimido e um módulo de filtro que fica suspenso dentro do reservatório e inclui um difusor de ozônio destinado a gerar milhões de bolhas saturadas de ozônio. Quando o ar comprimido é bombeado através da câmara UV. que não apresenta odor nem cor perceptível. sua utilização já era uma prática totalmente difundida. filtração e circulação contínua da água. hipocloritos de sódio. na sanificação de pisos. que é um produto da hidrólise da substância clorada. Estes compostos são resultante da reação da amônia com HClO. ou seja. denominados cloraminas. produzindo mais de 50 000 litros de água por dia. Se a amônia ou compostos amoniacais estão presentes na água. paredes e utensílios. a água exposta às pequenas bolhas de ozônio é filtrada. elas continuam a subir ao longo de 2m no reservatório. À medida que as bolhas sobem e saem da tubulação ascendente. quando foi recomendada o cloro como agente de sanificação de equipamentos. principalmente no Brasil. Segundo o fabricante o ozônio não remove nitratos. Dessa forma. hipoclorito de cálcio. continuando o processo da absorção de ozônio e provocando a circulação de grandes quantidades de água dentro do reservatório. o atrito das bolhas de ozônio arrastem através do filtro e da tubulação ascendente. Derivados clorados O uso de derivados clorados. d) a não existência de riscos à saúde humana em casos de doses excessivas e) não forma trihalometanos. A concentração máxima permissível desse gás na atmosfera é de 0. As indústrias de alimentos também rapidamente aderiram ao uso do cloro para melhorar a qualidade da água que utilizavam e. Dessa forma. em certos casos. A monocloramina e a dicloroamina têm função bactericida. tem contribuído para o controle das doenças de origem hídrica. sais de sódio.Logo. Estes se oxidam para bromatos e são considerados carcinogênicos e genotóxicos.1 mg/m3. Em 1939. A ação oxidante e sanificante do cloro é controlada pelo ácido hipocloroso. cloraminas orgânicas e dióxido de cloro. O dióxido de cloro é derivado clorado que não hidrolisa em solução aquosa. O uso do cloro contínuo só ocorreu a partir de 1902. como gás cloro. Dentro do gerador há uma lâmpada ultravioleta de alta intensidade que simula a produção de raios UV pelo sol. em torno de 10 a 15 vezes superiores ao do uso do cloro. onde se incluem energia elétrica. para gerar as bolhas saturadas de ozônio. Com empecilhos aos uso mais intenso. ao contrario da tricloroamina. A dicloramina apresenta. À medida que essas atravessam a tubulação ascendente do modulo de filtragem. o resultado é conversão parcial do oxigênio do ar em ozônio. sulfatos. Portanto. necessita de mão de obra especializada para sua manipulação. A OMS não recomenda o uso de ozônio em águas que contém brometos. na Bélgica. isto é. O sistema é proposto consiste de um gerador de ozônio. sendo que sua ação sanificante é associada somente à sua molécula.

bem como na sua maior estabilidade.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 17 Quando um derivado clorado é adicionado à água ocorre. É o processo utilizado em águas que contêm matéria orgânica na forma de fenóis. já que o derivado clorado será rapidamente consumido. principalmente na industria de alimentos. A principal causa é o desenvolvimento das algas verde-azuladas. que são denominadas de cloro residual combinado. Eficiência do tratamento convencional A qualidade final da água tratada depende das características do manancial que a fornece. As algas comprometem a água. tanto no aspecto organoléptico de sabor e odor.1 e 0. Na pós-cloração o derivado clorado é aplicado após o processo de filtração. que é constituído do ácido hipocloroso e do íon hipoclorito. simplesmente aplica-se o derivado clorado. tanto das técnicas de analise e monitoramento da água quanto dos estudos epidemiológicos. ou na pós-cloração. evitando a formação dos chamados clorofenóis. consomem o cloro residual livre. a reação de oxidação da matéria orgânica. adicionando cloro até que a demanda seja satisfeita. A evolução. por apresentar vantagens quando comparado aos demais compostos clorados. (HClO e ClO) A presença da cloramina inorgânica deve ser sempre evitadas em águas para abastecimento publico. logo após a captação da água do manancial. manuseio e de exigir capacidade técnica para sua utilização. que é considerado suficiente para garantia da qualidade microbiológica da água. com a finalidade somente de desinfecção. o cloro não apresentará efeito bactericida adequado. o derivado clorado reage com a amônia. tem-se a presença do chamado cloro livre. formando as cloraminas. Satisfeita a demanda. Há basicamente três métodos de aplicação de cloro: a cloração simples. dificilmente são removidos pelos tratamentos convencionais. O processo de desinfecção com a cloração ao “break-point” pode ser aplicado na pré-cloração. Estas toxinas podem ser classificados como: . Se o conceito da cloração simples for mal aplicado em águas poluídas. A escolha deste processo baseia-se no menor poder oxidante das cloraminas. conseguindo manter um residual na rede de distribuição. que a forma de cloração a ser utilizada para águas utilizadas no abastecimento publico é a cloração ao break-point. Na cloração simples não existe a preocupação de satisfazer a demanda. Já a cloração ao “break-point”ocorre sob condições controladas. neste casos o consumo de cloro é menor. que ao fim de determinado tempo de contato o residual esteja entre 0. hidrolisa compostos fenólicos. pois estes compostos são os responsáveis por sabor e odor característicos dos derivados clorados. Já foram identificadas mais de 13 variedade de toxinas. O ponto em que o cloro adicionado libera somente HClO e CLO. ou seja. em primeiro lugar. evidenciam essa limitação do atual sistema convencional de tratamento de água para abastecimento publico. Deve-se ressaltar ainda. reduzindo a demanda do cloro. O dióxido de cloro tem sido largamente pesquisado para a cloração da água. pois grande quantidade de matéria de matéria orgânica é retirada pelo processo de clarificação (sedimentação com agentes floculantes). Possui maior estabilidade em soluções aquosas. sempre procurando ter apenas o cloro residual livre. A amônia-cloração corresponde à adição de amônia e do derivado clorado simultaneamente. a amônia cloração e a cloração ao “break-point” ou “ponto de quebra”. O cloro continua a ser adicionado até que os compostos cloro-nitrogenados também seja oxidados. que recebe o nome de demanda do cloro. pois alguns compostos químicos tóxicos. Na pré-cloração a adição do derivado clorado faz-se antes de qualquer tratamento. é denominado ponto de quebra ou “break-point”. O seu uso é restrito e de apresentar boa ação de estocagem. pois além de originarem o cheiro irritante de cloro à água. que são responsáveis por odores e sabores.2 mg/L. reage com menor intensidade com a matéria orgânica. como aspecto químico da presença de toxinas.5 vezes maior oxidante do que o gás cloro e de apresentar boa ação esporicida. Após a formação das cloraminas. apesar de ser cerca de 2. evitando contaminações no interior das canalizações. diminuindo a possibilidade de sabores e odores. sejam de origem química ou biológicas. Segundo a OMS as toxinas liberadas pelas algas nos mananciais de abastecimento publico podem chegar a casa do consumidor. O cloro residual total é a soma das concentrações do cloro residual livre e do cloro residual combinado.

para melhor distribuir os usos. Considerando a necessidade de se criar instrumentos para avaliar a evolução da qualidade das águas. Os compostos mais utilizados no processo de fluoretação são: . e o que estabelece a RESOLUÇÃO CONAMA Nº 003. Considerando a necessidade de reformular a classificação existente. nodularia spumigena e Cylindrospermopsis raciborskii. em relação aos níveis estabelecidos no enquadramento. bem como o equilíbrio ecológico aquático. salobras e salinas essencial à defesa de seus níveis de qualidade. que afetam o sistema nervoso. do Decreto 88. b) Neurotoxinas. cloreto de vinila.CONAMA. . Como exemplo citamos. no uso das atribuições que lhe confere o art. Fluoretação Não é considerada tratamento e sim uma complementação do tratamento convencional. 7º.2-dicloroetano. causando manchas nos dentes. cuja toxina é alcalóide. São alcalóides. 1. de forma a facilitar a fixação e controle de metas visando atingir gradativamente os objetivos permanentes.U. bromatos. contemplar as águas salinas e salobras e melhor especificar os parâmetros e limites associados aos níveis de qualidade requeridos. inciso lX. hexaclorobenzeno. de 5 de junho de 1984. de 1º de junho de 1983.6-triclorofenol. . produzidos principalmente pelas algas Anabaena flos-aquae e Oscillatoria formosa. O ideal para ingestão de flúor é de 0. -ácido fluorsilicíco com um liquido altamente corrosivo. Alguns parâmetros físico-químicos e microbiológicos da Resolução 20 – CONAMA e portaria 36 Ministério da Saúde. Considerando que os custos do controle de poluição podem ser melhor adequados quando os níveis de qualidade exigidos. que é o excesso da concentração do íon fluoreto na água. de modo a assegurar seus usos preponderantes.56 mg/dia.fluorita ou fluoreto de cálcio na forma de pó. RESOLUÇÃO CONAMA Nº 20.2 mg/L.fluorsilicato de amônio que apresenta cristais brancos. de 30/07/86 O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE . são considerados ideais para se alcançar um máximo de proteção contra as caries. que é responsável pelo desfiguramento do esmalte. de 18 de junho de 1986 Publicado no D. estão de acordo com os usos que se pretende dar aos mesmos. Considerando ser a classificação das águas doces.3-dicloropropeno.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 18 a) Hepatoxinas.fluoreto de sódio sob a forma de pó e fluorsilicato de sódio.O. Os relatórios da OMS recomendam atenção para a presença de 14 compostos de características cancerígenas. para um determinado corpo d'água ou seus diferentes trechos. avaliados por parâmetros e indicadores específicos. As principais fontes dessas toxinas são a algas Microcystis aeruginosas. Ressalta-se que níveis que variam entre 1. . 2. sem prejuízo de posterior aperfeiçoamento . que são os tratamento convencional. arsêncio.0 a 1. e por espécies do gêneros Aphanizomenon e Cyindrospermum. mas nos níveis de qualidade que deveriam possuir para atender às necessidades da comunidade. Considerando que a saúde e o bem-estar humano. não devem ser afetados como conseqüência da deterioração da qualidade das águas. 1. Em geral de aminoácidos. Microcystis viridis. Outra preocupação da OMS se relaciona com os subprodutos da desinfecção com derivados clorado. Considerando que o enquadramento dos corpos d'água deve estar baseado não necessariamente no seu estado atual.351. sem risco de ocorrer a fluorose.4. causadoras de intoxicações agudas ou crônicas.

Classe 5 . doces. e) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas á alimentação humana. b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas. lll . b) à irrigação de culturas arbóreas. segundo seus usos preponderantes. cerealíferas e forrageiras. ÁGUAS SALINAS VI .Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 19 RESOLVE estabelecer a seguinte classificação das águas. d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao Solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película.águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico. após tratamento convencional.Classe Especial .São classificadas. natação e mergulho). salobras e salinas do Território Nacional: Art. e) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. V . as águas doces. c) à recreação de contato primário (esqui aquático.águas destinadas: . esqui aquático e mergulho). b) à proteção das comunidades aquáticas.águas destinadas: a) à navegação. ll . d) à irrigação de hortaliças e plantas frutíferas.Classe 2 . 1º . c) à dessedentação de animais. após tratamento convencional. b) à proteção das comunidades aquáticas. c) à recreação de contato primário (natação. lV .Classe 4 .águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico após tratamento simplificado. b) à harmonia paisagística.Classe 1 .águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico. salobras e salinas do Território Nacional : ÁGUAS DOCES 1 . c) aos usos menos exigentes.águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico sem prévia ou com simples desinfecção.Classe 3 . em nove classes.

salobras e salinas com base nos usos preponderantes (sistema de classes de qualidade). a) CLASSIFICAÇÃO: qualificação das águas doces.Para as águas de Classe Especial. IX . b) ENQUADRAMENTO: estabelecimento do nível de qualidade (classe) a ser alcançado e/ou mantido em um segmento de corpo d'água ao longo do tempo. VII .Saneamento básico/ 2007 a) à recreação de contato primário.Classe 6 . num determinado momento. Art. em termos dos usos possíveis com segurança adequada. 4º .5 %o.Para as águas de classe 1. c) à recreação de contato secundário. 3º . c) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. são estabelecidos os limites e/ou condições seguintes: COLIFORMES: para o uso de abastecimento sem prévia desinfecção os coliformes totais deverão estar ausentes em qualquer amostra. g) ÁGUAS SALINAS: águas com salinidade igual ou superior a 30 %o. b) à proteção das comunidades aquáticas. são estabelecidos os limites e/ou condições seguintes: . c) CONDIÇÃO: qualificação do nível de qualidade apresentado por um segmento de corpo d'água. e 30 %o. b) à harmonia paisagística. c) à recreação de contato secundário Art. 2º .Para efeito desta resolução são adotadas as seguintes definições. e) ÁGUAS DOCES: águas com salinidade igual ou inferior a 0.50 %o. Art.Classe 8 .Classe 7 . d) EFETIVAÇÃO DO ENQUADRAMENTO: conjunto de medidas necessárias para colocar e/ou manter a condição de um segmento de corpo d'água em correspondência com a sua classe.águas destinadas: a) à navegação comercial. f) ÁGUAS SALOBRAS: águas com salinidade igual ou inferior a 0. ÁGUAS SALOBRAS VIII . Técnico em Gestão Ambiental 20 c) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana.águas destinadas: a) à recreação de contato primário.águas destinadas: a) à navegação comercial. b) à proteção das comunidades aquáticas. b) à harmonia paisagística.

Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 21 a) materiais flutuantes.001 mg/l C6H5OH 0.0 mg/l Ba.01 mg/l 2.03 mg/l Pb 250 mg/l CI 0. g) DBO5 dias a 20°C até 3 mg/l O2.0 mg/l Sn 0.5 mg/l Cr 0.0.0003 mg/l 0. h) OD.3 mg/l Fe 1. não inferior a 6 mg/lO2.4 mg/l F 0.05 mg/l As 1. sem remoção de casca ou película.2 mg/l Co 0. ressaltando-se a necessidade de inspeções sanitárias periódicas.1 dicloroeteno : 1.001 mg/l Cd 0.2 dicloroetano: Estanho.01 mg/l CN 0. não devem ser poluídas por excrementos humanos.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.01 mg/l Cl 0.1 mg/l Be 0.00001 mg/l 0. As águas utilizadas para a irrigação de hortaliças ou plantas frutíferas que se desenvolvam rentes ao Solo e que são consumidas cruas.02 mg/l Cu 0. 0. em qualquer amostra.1 mg/l Mn . e) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes. 26 desta Resolução. f) coliformes: para o uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art.75 mg/l B 0. o índice limite será de 1.5 mg/l Li 0.0 a 9. não deverá ser excedido um limite de 200 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.05 mg/l Cr 0. Índice de Fenóis: Ferro solúvel: Fluoretos: Fosfato total: Lítio: Manganês: 0. 0. inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes. d) corantes artificiais: virtualmente ausentes. j) cor: nível de cor natural do corpo de água em mg Pt/l l) pH: 6. no caso de não haver na região meios disponíveis para o exame de coliformes fecais.01 mg/l 0. b) óleos e graxas: virtualmente ausentes. i) Turbidez até 40 unidades nefelométrica de turbidez (UNT).02 mg/l NH3.1 mg/l Al 0. c) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes.025 mg/l P 2. Para os demais usos. m) substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) : Alumínio: Amônia não ionizável: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Benzeno : Benzo-a-pireno: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cloretos: Cloro Residual: Cobalto: Cobre: Cromo Trivalente: Cromo Hexavalente: 1.

0 µg/l em Paration 4.005 µg/l 0. não deverá ser excedido uma limite de 1.001 µg/l 0.TP: 2.Saneamento básico/ 2007 Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Prata: Pentaclorofenol: Selênio: Sólidos dissolvidos totais: Substâncias tenso-ativas quereagem com o azul de metileno : Sulfatos: Sulfetos (como H2S não dissociado): Tetracloroeteno: Tricloroeteno: Tetracloreto de carbono: 2.01mg/l Ag 0.01 mg/l 0.056 µg/l 0.002 mg/l S 0.01mg/l Se 500 mg/l 0.04 µg/l 0.1 µg/l 0.01 mg/l 0.1 µg/l 0. 4.01 mg/l 0.02 mg/l U 0.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.003 mg/l 0. meios disponíveis para o exame de coliformes fecais.Para as águas de Classe 2.18 mg/l Zn 0.01 µg/l 0.5 .BHC) Metoxicloro: Dodecacloro + Nonacloro: Bifenilas Policloradas (PCB'S): Toxafeno: Demeton: Gution: Malation: Paration: Carbaril: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2.02 µg/l 10.03 mg/l 0.0 µg/l 10.04 µg/l 0.025 mg/l Ni 10 mg/l N 1.000 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.0002 mg/l Hg 0.03 µg/l 0.1 mg/l V 0. à exceção dos seguintes: a) não será permitida a presença de corantes artificiais que não sejam removíveis por processo de coagulação. no caso de não haver.002 µg/l 0.0 µg/l 2. 26 desta Resolução. c) Cor: até 75 mg Pt/l .01 µg/l 0. 5º .D: 2. Dieldrin: Endrin: Endossulfan: Epôxido de Heptacloro: Heptacloro: Lindano (gama.T: 0.01 mg/l 0. Para os demais usos.0 µg/l Técnico em Gestão Ambiental 22 Art. b) Coliformes: para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art. na região.005 µg/l 0. são estabelecidos os mesmos limites ou condições da Classe 1.001 µg/l 0.0 mg/l N 0. 6 triclorofenol: Urânio total: Vanádio: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT.5 mg/l LAS 250 mg/l SO4 0.4. sedimentação e filtração convencionais.01 µg/l 0.4.4 .02 µg/l 0.004 µg/l 0. o índice limite será de até 5.5 .

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d) Turbidez: até 100 UNT; e) DBO5 dias a 20°C até 5 mg/l O2; f) OD, em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/l O2.

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Art. 6º - Para as águas de Classe 3 são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes; b) óleos e graxas: virtualmente ausentes; c) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes; d) não será permitida a presença de corantes artificiais que não sejam removíveis por processo de coagula ção, sedimentação e filtração convencionais; e) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes; f) número de coliformes fecais até 4.000 por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, índice limite será de até 20.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; g) DBO5 dias a 20°C até 10 mg/l O2; h) OD, em qualquer amostra, não inferior a 4 mg/I O2 1) Turbidez: até 100 UNT; j) Cor: até 75 mg Pt/l; l) pH: 6,0 a 9,0 m) Substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) : Alumínio: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Benzeno: Benzo-a-pireno: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cloretos: Cobalto: Cobre: Cromo Trivalente: Cromo Hexavalente: 1,1 dicloroeteno: 1.2 dicloroetano: Estanho: Índice de Fenóis: Ferro solúvel: Fluoretos: 0,1 mg/l Al 0,05 mg/l As 1,0 mg/l Ba 0,1 mg/l Be 0,75 mg/l B 0,01 mg/l 0,00001 mg/l 0,01 mg/l Cd 0,2 mg/l CN 0,05 mg/l Pb 250 mg/l Cl 0,2 mg/l Co 0,5 mg/l Cu 0,5 mg/l Cr 0,05 mg/l Cr 0,0003 mg/l 0,01 mg/l 2,0 mg/l Sn 0,3 mg/l C6H5OH 5,0 mg/l Fe 1,4 mg/l F

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Fosfato total: Lítio: Manganês: Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Nitrogênio amoniacal: Prata: Pentaclorofenol: Selênio: Sólidos dissolvidos totais: Substâncias tenso-ativas que reagem com o azul de metileno: Sulfatos: Sulfatos (como H2S não dissociado): Tetracloroetano: Tricloroetano: Tetracloreto de Carbono: 2, 4, 6 triclorofenol: Urânio total: Vanádio: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Dieldrin: Endrin: Endossulfan: Epóxido de Heptacloro: Heptacloro: Lindano (gama-BHC): Metoxicloro: Dodecacloro + Nonacloro: Bifenilas Policloradas (PCB'S): Toxafeno: Demeton: Gution: Malation: Paration: Carbaril: Compostos organofosforados e carbamatos totais em Paration: 2,4 - D: 2,4,5 - TP: 2,4,5 - T: 0,025 mg/l P 2,5 mg/l Li 0,5 mg/l Mn 0,002 mg/l Hg 0,025 mg/l Ni 10 mg/l N 1,0 mg/l N 1,0 mg/l N 0,05 mg/l Ag 0,01 mg/l 0,01mg/l Se 500 mg/l 0,5 mg/l LAS 250 mg/l SO4 0,3 mg/l S 0,01 mg/l 0,03 mg/l 0,003 mg/l 0,01 mg/l 0,02 mg/l U 0,1 mg/l V 5,0 mg/l Zn 0,03 µg/l 0,3 µg/l 1,0 µg/l 0,03 µg/l 0,2 µg/l 150 µg/l 0,1 µg/l 0,1 µg/l 3,0 µg/l 30,0 µg/l 0,001 µg/l 0,001 µg/l 5,0 µg/l 14,0 µg/l 0,005 µg/l 100,0 µg/l 35,0 µg/l 70,0 µg/l 100,0 µg/l 20,0 µg/l 10,0 µg/l 2,0 µg/l

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Art. 7º - Para as águas de Classe 4, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes; b) odor e aspecto: não objetáveis; c) óleos e graxas: toleram-se iridicências;

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d) substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais de navegação: virtualmente ausentes; e) índice de fenóis até 1,0 mg/l C6H5OH ; f) OD superior a 2,0 mg/l O2, em qualquer amostra; g) pH: 6 a 9. ÁGUAS SALINAS Art. 8º - Para as águas de Classe 5, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) materiais flutuantes: virtualmente ausentes; b) óleos e graxas: virtualmente ausentes; c) substâncias que produzem odor e turbidez: virtualmente ausentes; d) corantes artificiais: virtualmente ausentes; e) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes; f) coliformes: para o uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art. 26 desta Resolução. Para o uso de criação natural e/ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana e que serão ingeridas cruas, não deverá ser excedida uma concentração média de 14 coliformes fecais por 100 mililitros, com não mais de 10% das amostras excedendo 43 coliformes fecais por 100 mililitros. Para os demais usos não deverá ser excedido um limite de 1,000 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, o índice limite será de até 5,000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; g) DBO5 dias a 20°C até 5 mg/l O2 ; h) OD, em qualquer amostra, não inferior a 6 mg/l O2 ; i) pH: 6,5 à 8,5, não devendo haver uma mudança do pH natural maior do que 0,2 unidade; j) substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) : Alumínio: Amônia não ionizável: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Cádmio: Chumbo: Cianetos: Cloro residual: Cobre: Cromo hexavalente: Estanho: Índice de fenóis: Ferro: Fluoretos: Manganês: 1,5 mg/l AI 0,4 mg/l NH3 0,05 mg/l As 1,0 mg/l Ba 1,5 mg/l Be 5,0 mg/l B 0,005 mg/l Cd 0,01 mg/l Pb 0,005 mg/l CN 0,01 mg/l Cl 0,05 mg/l Cu 0,05 mg/l Cr 2,0 mg/l Sn 0,001 mg/l C6H5OH 0,3 mg/l Fe 1,4 mg/l F 0,1 mg/l Mn

.001 µg/l 0. não devendo haver uma mudança do pH natural maior do que 0.1 µg/l 0.001 µg/l 0. virtualmente ausentes: b) óleos e graxas: toleram-se iridicências.0 µg/l 10..034 µg/l 0.17 mg/l Zn 0. i) pH: 6. em qualquer amostra.1 µg/l 0.004 µg/l 0. não inferior a 4 mg/l O2.0 µg/l Técnico em Gestão Ambiental 26 Art.5 mg/l .5.D: 2. 5 . o índice limite será de 20. e) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes.001 µg/l 0. c) substâncias que produzem odor e turbidez: virtualmente ausentes.004 µg/l 0.4 .005 µg/l 10.5 mg/l U 0.Para as águas de Classe 6.0 mg/l N 1.04 µg/l 0.03 µg/l 0.000 coliformes fecais por 100 ml em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.5.0 mg/ N 0.1 mg/l Tl 0.T 0.003 µg/l 0.1 mg/l Ni 10. 4. d) corantes artificiais: virtualmente ausentes.001 µg/l 0.003 µg/l 0.TP: 2.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.0001 mg/l Hg 0.LAS 0.01 mg/l Se 0.005 m/l Ag 0.002 mg/l S 0. g) DBO5 dias a 20°C até 10 mg/l O2 h) OD. 4. são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) materiais flutuantes.Saneamento básico/ 2007 Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Prata: Selênio: Substâncias tensoativas que reagem com o azul de metileno: Sulfetos com H2S: Tálio: Urânio Total: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Demeton: Dieldrin: Endossulfan: Endrin: Epóxido de Heptacloro: Heptacloro: Metoxicloro: Lindano (gama .0 µg/l 10. 5 .BHC): Dodecacloro + Nonadoro: Gution: Malation: Paration: Toxafeno: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2.2 unidades.01 µg/l 0. f) coliformes: não deverá ser excedido um limite de 4. 9º . a 8.004 µg/l 0.0 µg/l em Paration 10. no caso de não haver na região meio disponível para o exame de coliformes fecais.

b) OD. c) pH: 6.17 mg/l Zn 0.1 µg/l 0. são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) DBO5 dias a 20°C até 5 mg/l O2. Amônia: Arsênio: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cobre: Cromo hexavalente: Índice de fenóis: Fluoretos: Mercúrio: Níquel: Sulfetos como H2S: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Demeton: Dieldrin: Endrin: Endossulfan: Epóxido de heptacloro: Gution: Heptacloro: Lindano (gama . não deverá ser excedido uma concentração média de 14 coliformes fecais por 100 mililitros com não mais de 10% das amostras excedendo 43 coliformes fecais por 100 mililitros. colhidas em qualquer mês.1 mg/l Ni 0.Saneamento básico/ 2007 ÁGUAS SALOBRAS Técnico em Gestão Ambiental 27 Art.003 µg/l 0.05 mg/l Cr 0.4 mg/l NH3 0.001 µg/l 0. para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art. não inferior a 5 mg/l O2. BHC): Malation: Metoxicloro: Dodecacloro + Nonacloro: Paration: 0.03 µg/l 0. meios disponíveis para o exame de coliformes fecais. f) substâncias que produzem cor.004 µg/l 0.002 mg/l S 0. no caso de não haver na região.005 mg/l CN 0.0001 mg/l Hg 0. h) coliformes. Para o uso de criação natural e/ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana e que serão ingeridas cruas.004 µg/l 0.5 d) óleos e graxas: virtualmente ausentes: e) materiais flutuantes: virtualmente ausentes.005 mg/l Cd 0.001 µg/l 0.001 µg/l 0.003 µg/l 0. i) substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) .05 mg/l Cu 0.04 µg/l . odor e turbidez: virtualmente ausentes. em qualquer amostra.004 µg/l 0.001 mg/l C6H5OH 1. g) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes.5 a 8. 26 desta Resolução.01 mg/l Pb 0.01 µg/l 0.05 mg/l As 0.034 µg/l 0.4 mg/l F 0. 10 . colhidas em qualquer mês.000 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais.Para as águas de Classe 7.001 µg/l 0. o índice limite será de até 5. Para os demais usos não deverá ser excedido um limite de 1.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais.1 µg/l 0.

o índice será de 20. g) coliformes: não deverá ser excedido um limite de 4. previstos. e) substâncias que produzem cor. 4. f) substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais de navegação: virtualmente ausentes.005 µg/l 10.T: 2.TP: 0. odor e turbidez: virtualmente ausentes. 14 .Os padrões de qualidade das águas estabelecidos nesta Resolução constituem-se em limites individuais para cada substância. tendo em vista as condições locais.D: 2.0 µg/l 10.Para os efeitos desta Resolução. Art. = Q 7. meios disponíveis para o exame de coliformes recais. 16 .000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. desde que tais usos não prejudiquem a qualidade estabelecida para essas águas. na região. . Art.4 .Considerando as limitações de ordem técnica para a quantificação dos níveis dessas substâncias. nas condições críticas de vazão (Qcrit.Não há impedimento no aproveitamento de águas de melhor qualidade em usos menos exigentes. os sedimentos e/ou biota aquática deverão ser investigados quanto a presença eventual dessas substâncias. estabelecidos para as Classes 2 e 3. onde Q 7. Nos casos onde a metodologia analítica disponível for insuficiente para quantificar as concentrações dessas substâncias nas águas.10. cabendo aos órgãos de controle ambiental.Os limites de DBO. deverão ser investigadas sempre que houver suspeita de sua presença. 5 . Art. reprodução ou fisiologia da vida. § 1º . caso o estudo da capacidade de autodepuração do corpo receptor demonstre que os teores mínimos de OD. os laboratórios dos organismos competentes deverão estruturar-se para atenderem às condições propostas. Considerando eventuais ações sinergéticas entre as mesmas. 12 .0 µg/l 10.11 . são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) pH: 5 a 9 b) OD. é a média das mínimas de 7 (sete) dias consecutivos em 10 (dez) anos de recorrência de cada seção do corpo receptor). 5 . não serão desobedecidos em nenhum ponto do mesmo. c) óleos e graxas: toleram-se iridicências.0 µg/l Técnico em Gestão Ambiental 28 Art. Art.As substâncias potencialmente prejudiciais a que se refere esta Resolução. quando necessário. d) materiais flutuantes: virtualmente ausentes. quantificá-los para cada caso.Os órgãos de controle ambiental poderão acrescentar outros parâmetros ou tornar mais restritivos os estabelecidos nesta Resolução.10.Para as águas de Classe 8. consideram-se entes. estas ou outras não especificadas. em qualquer amostra. Art. não poderão conferir às águas características capazes de causarem efeitos letais ou alteração de comportamento. § 2º . poderão ser elevados.Saneamento básico/ 2007 Toxafeno: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2. Art.Não será permitido o lançamento de poluentes nos mananciais sub-superficiais.0 µg/l em Paration 10.000 coliformes fecais por 100 ml em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. 4. 17 . 15 . não inferior a 3. no caso de não haver. 13 .0 mg/l O2.

18 . sendo que a elevação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3°C. além de atenderem ao disposto no Art. aquelas enquadradas na legislação anterior permanecerão na mesma classe até o reenquadramento. nos corpos de água desde que obedeçam às seguintes condições: a) pH entre 5 a 9. as salinas Classe 5 e as salobras Classe 7. as águas doces serão consideradas Classe 2. c) materiais sedimentáveis: até 1 ml/litro em teste de 1 hora em cone Imhoff. domésticas e industriais. os materiais sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes. mesmo tratados. fertilizantes químicos e outros poluentes. . excetuados os parâmetros que excedam aos limites devido às condições naturais.Tendo em vista os usos fixados para as Classes. ouvidas outras entidades públicas ou privadas interessadas. Art. d) regime de lançamento com vazão máxima de até 1. g) os programas de acompanhamento da condição dos corpos de água seguirão normas e procedimentos a serem estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente . cuja velocidade de circulação seja praticamente nula.óleos minerais até 20 mg/l . desde que. e) os corpos de água já enquadrados na legislação anterior. porém. .óleos vegetais e gorduras animais até 50 mg/l. b) o enquadramento das águas federais na classificação será procedido pela SEMA. obedecendo ao seguinte: a) o corpo de água que. direta ou indiretamente.Nas águas das Classes 1 a 8 serão tolerados lançamentos de desejos. na data de enquadramento. serão objetos de reestudo a fim de a ela se adaptarem. 20 . f) ausência de materiais flutuantes. 21 . defensivos agrícolas. Art. c ) o enquadramento das águas estaduais será efetuado pelo órgão estadual competente. Caso sejam utilizadas para o abastecimento doméstico deverão ser submetidas a uma inspeção sanitária preliminar.). será objeto de providências com prazo determinado visando a sua recuperação. ouvidos o Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográfica.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 29 Art. não venham a fazer com que os limites estabelecidos para as respectivas classes sejam ultrapassados. os órgãos competentes enquadrarão as águas e estabelecerão programas de controle de poluição para a efetivação dos respectivos enquadramentos. Art.Nas águas de Classe Especial não serão tolerados lançamentos de águas residuárias. 19 . e) óleos e graxas: . b) temperatura : inferior a 40°C.CEEIBH e outras entidades públicas ou privadas interessadas.CONAMA.5 vezes a vazão média do período de atividade diária do agente poluidor. d) os órgão competentes definirão as condições especificas de qualidade dos corpos de água intermitentes. apresentar condição em desacordo com a sua classe (qualidade inferior à estabelecida.Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados. 21 desta Resolução. na data da publicação desta Resolução. lixo e outros resíduos sólidos. substâncias potencialmente tóxicas. Para o lançamento em lagos e lagoas. f) enquanto não forem feitos os enquadramentos.

5 mg/l C6H5OH Ferro solúvel: 15.0 mg/l Zn Compostos organofosforados e carbonatos 1.1 mg/l Ag Selênio: 0.0 mg/l Mn Mercúrio: 0. a critério do órgão competente.Os métodos de coleta e análise« das águas devem ser os especificados nas normas aprovadas pelo Instituto Nacional de Metrologia.0 mg/l Clorofórmio : 1. Normatização e Qualidade Industrial .Saneamento básico/ 2007 g) valores máximos admissíveis das seguintes substâncias: Técnico em Gestão Ambiental 30 Amônia: 5. o competente poderá autorizar lançamentos acima dos limites estabelecidos no Art. Art.0 mg/l em Paration totais: Sulfeto de carbono: 1.0 mg/l Dicloroeteno: 1.0 mg/l B Cádmio: 0. solventes.2 mg/l Cd Cianetos: 0. Parágrafo Único .0 mg/l Cu Cromo hexavelente: 0.0 mg/l Tetracloreto de Carbono: 1. 23 . h) tratamento especial.5 mg/l Pb Cobre: 1.0 mg/l Ni Prata: 0.Os efluentes não poderão conferir ao corpo receptor características em desacordo com o seu enquadramento nos termos desta Resolução.Não será permitida a diluição de efluentes industriais com aluas não poluídas. 24 .Na hipótese de fonte de poluição geradora de diferentes despejos ou emissões individualizadas. no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater APHA-AWWA-WPCF.5 mg/l As Bário: 5.0 mg/ Ba Boro: 5. última .5 mg/l Cr Cromo trivalente: 2. Art.0 mg/l F Manganês solúvel: 1. demonstrado por estudo de impacto ambiental realizado pela entidade responsável pela emissão.0 mg/l Cr Estanho: 4.0 mg/l Tricloroeteno: 1.2 mg/l CN Chumbo: 0. água de mar e água de refrigeração. fixando o tipo de tratamento e as condições para esse lançamento.0 mg/l Sn Índice de fenóis: 0. Parágrafo Único .01 mg/l Hg Níquel: 2. na ausência delas. Art.Resguardados os padrões de qualidade do corpo receptor.0 mg/l Compostos organoclorados não listados acima 0. 22 . os limites constantes desta regulamentação aplicar-se-ão a cada um deles ou ao conjunto após a mistura.0 mg/l S Sulfito: 1.05 mg/l Se Sulfetos: 1. tais como água.05 mg/l (pesticidas.INMETRO ou.0 mg/l Fe Fluoretos: 10. etc): outras substâncias em concentrações que poderiam ser prejudiciais: de acordo com limites a serem fixados pelo CONAMA.0 mg/l S03 Zinco: 5. 21. de abastecimento. se provierem de hospitais e outros estabelecimentos nos quais haja despejos infectados com microorganismos patogênicos.0 mg/l N Arsênio total: 0.

prorrogáveis até cinco (5) anos. capazes de oferecer riscos à saúde ou tornar desagradável a recreação. até que se cumpram as disposições desta Resolução. SATISFATÔRIA e IMPRÓPRIA. houver. 5. na água. presença de resíduos ou despejos. no máximo 1. 26 . Art. houver. 500 coliformes fecais por 100 mililitros ou 2. intermitente ou esporádico. para se enquadrarem nas exigências desta Resolução. Art. as citadas instalações de tratamento deverão ser mantidas em operação com a capacidade. da seguinte forma: a) EXCELENTE (3 estrelas) : Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das 5 semanas anteriores. mesmo que seja de forma diluída.500 coliformes totais por 100 mililitros. presença. recebimento regular. no máximo. sólidos ou líquidos.00 mililitros ou 1. possuírem instalações ou projetos de tratamento de seus despejos. MUITO BOA e SATISFATÓRIA poderão ser reunidas numa única categoria denominada PRÓPRIA. terão prazo de três (3) anos. graxas e outras substâncias. caso em que os avisos de interdição ou alerta deverão mencionar especificamente esse risco sanitário. BALNEABILIDADE Art. sinais de poluição por esgotos. 4. qualquer uma das seguintes circunstâncias: 1. no trecho considerado. 8. colhidas no mesmo local.As indústrias que. de esgotos por intermédio de valas. c) SATISFATÓRIAS (1 estrela): Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das 5 semanas anteriores.As águas doces. outros fatores que contra-indiquem.250 coliformes totais por 100 mililitros.000 coliformes totais por 100 mililitros. houver.000 coliformes recais por 100 mililitros ou 5. de incidência relativamente elevada ou anormal de enfermidades transmissíveis por via hídrica. pH menor que 5 ou maior que 8. b) MUITO BOAS (2 estrelas): Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das 5 semanas anteriores. o exercício da recreação de contato primário. ocorrência. aprovados por órgão integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente SISNAMA. colhidas no mesmo local. temporariamente ou permanentemente. inclusive óleos. 2. por terem ultrapassado os índices bacteriológicos nelas admitidos. a critério do Estadual Local. corpos d'água ou canalizações. que atendam à legislação anteriormente em vigor. inclusive galerias de águas pluviais. . 16ª edição. na data da publicação desta Resolução. 27 . 6. No entanto. 9. d) IMPRÓPRIAS: Quando ocorrer. de moluscos transmissores potenciais de esquistossomo. colhidas no mesmo local.5 . na região. presença. não enquadramento em nenhuma das categorias anteriores. 3. nas águas doces.No acompanhamento da condição das praias ou balneários as categorias EXCELENTE. 250 coliformes fecais por l. O índice de fenóis deverá ser determina do conforme o método 510 B do Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 12. salobras e salinas destinadas à balneabilidade (recreação de contato primário) serão enquadradas e terão sua condição avaliada nas categorias EXCELENTE. MUITO BOA. a critério das autoridades sanitárias. ressalvado o disposto no Art. de parasitas que afetem o homem ou a constatação da existência de seus hospedeiros intermediários infectados. no máximo.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 31 edição. 7. 25 . condições de funcionamento e demais características para as quais foram aprovadas. perceptíveis pelo olfato ou visão. de 1985.

de preferência. em qualquer dos seus níveis (Municipal. que causam ou possam causar poluição das águas. 34 . 40 . revogadas as disposições em contrário. . Art. ainda que os corpos de água prejudicados não sejam de seu domínio ou jurisdição. Art. contagens bacteriológicas mais elevadas. devem informar ao órgão de controle ambiental. de 31 de agosto de 1981. de 01 de junho de 1983. 31 . deverão exercer sua atividade orientadora. 35 .Os resultados dos exames poderão. sendo permitida a utilização de índices expressos em coliformes totais. inclusive a interdição de atividades industriais poluidoras. pela entidade responsável. omissões ou prejuízo sensíveis aos usos estabelecidos para as águas. constatar que a má qualidade das águas de recreação primária justifica a medida.O não cumprimento ao disposto nesta Resolução acarretará aos infratores as sanções previstas na Lei nº 6. Art. serão feitos para a identificação e contagem de coliformes fecais. sob pena das sanções cabíveis. cabendo-lhes a fiscalização para o cumprimento da legislação.Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. se referir a períodos menores que 5 semanas.938. a Secretaria Especial do Meio Ambiente poderá agir diretamente. com bandeiras vermelhas constando a palavra POLUÍDA em cor negra.Na inexistência de entidade estadual encarregada do controle ambiental ou se. 30 . 39 . bem como a aplicação das penalidades previstas. Art. à STI (MIC).As praias e outros balneários deverão ser interditados se o órgão de controle ambiental. ao IBGE (SEPLAN) e ao DNAEE (MME). o trecho afetado deverá ser sinalizado. 5 amostras durante o tempo mencionado.Aos órgãos de controle ambiental compete a aplicação desta Resolução. 28 .Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 32 Art. o volume e o tipo de seus efluentes. Art. desde que cada um desses períodos seja especificado e tenham sido colhidas e examinadas. Estadual ou Federal). 41 . 32 . Art. Art. Art. Art. através dos respectivos órgãos de controle ambiental. Territórios e o Distrito Federal. ficando o referido órgão obrigado a enviar cópia dessas informações ao IBAMA. 29 . Art.Se a deterioração da qualidade das praias ou balneários ficar caracterizada como decorrência da lavagem de vias públicas pelas águas da chuva. se a identificação e contagem forem difíceis ou impossíveis. apresentar falhas.Os Estados.À beira mar. nos dias de maior afluência do público às praias ou balneários. previstos nesta Resolução. preferencialmente. a coleta de amostra para a determinação do número de coliformes fecais ou totais deve ser.Os estaduais de controle ambiental manterão a Secretaria Especial do Meio Ambiente informada sobre os enquadramentos dos corpos de água que efetuarem.Sem prejuízo do disposto no artigo anterior.351. 33 . DISPOSIÇÕES GERAIS Art. no local. realizada nas condições de maré que apresentem. Art. sempre que houver uma afluência ou extravasamento de esgotos capaz de oferecer sério perigo em praias ou outros balneários. bem como das normas e padrões complementares que estabelecerem. Art. existindo. 38 . sempre que possível. os equipamentos e dispositivos antipoluidores existentes. em caráter supletivo. costumeiramente. essa circunstância deverá ser mencionada no Boletim de condição das praias e balneários.A coleta de amostras será feita. fiscalizadora e punitiva das atividades potencialmente poluidoras instaladas em seu território. bem como seus planos de ação de emergência. 37 . 36 . ou como conseqüência de outra causa qualquer. também.Os exames de colimetria. pelo menos.Os estabelecimentos industriais. e sua regulamentação pelo Decreto nº 88.

sendo assim reagente quimicamente com soluções ácidas. retiram muito gás carbônico.------H2O + CO32- Para quantificação dos íons OH. Em lagoas com grande população de algas. podem ser utilizados os seguintes indicadores: .3 < pH < 9. nos dias ensolarados. ao realizarem fotossíntese. chegando a 9 ou até mais. Esta capacidade depende de alguns compostos. que passa da cor azul para a cor salmão.8.2. As medidas de pH são de extrema utilidade. Geralmente um pH muito ácido ou muito alcalino está associado à presença de despejos industriais.4 = hidróxidos e carbonatos 8.1 a 4.4 = apenas bicarbonatos Não é possível a coexistência das três formas de alcalinidade numa mesma amostra. Na quantificação dos íons HCO3-. A alcalinidade representa a capacidade que um sistema aquoso tem de neutralizar (tamponar) ácidos a ele adicionados. utilizando-se para isso um peagâmetro digital. solubilizados em álcool etílico ou isopropílico. é o modo de expressar a concentração de íons de hidrogênio nessa solução.Metilorange. A alcalinidade é determinada através da titulação. os quais denotam vários graus de acidez ou alcalinidade.4 apresenta coloração amarela e abaixo de 4.3 assume a cor rosa. principalmente bicarbonatos. ou seja.3 a 9. sua faixa pH de atuação é de 8. carbonatos e hidróxidos. o pH pode subir muito. As vezes são ligeiramente alcalinas devido à presença de carbonatos e bicarbonatos.3 não apresenta coloração (incolor) enquanto acima de 8.+ OH. Naturalmente.6.Saneamento básico/ 2007 Deni Lineu Schwartz Presidente Técnico em Gestão Ambiental 33 pH e alcalinidade O termo pH (potencial hidrogeniônico) é usado universalmente para expressar o grau de acidez ou basicidade de uma solução.1 apresenta coloração vermelha e abaixo de 3. o pH reflete o tipo de solo por onde a água percorre. A importância do conhecimento das concentrações deste íon permite a definição de dosagens de agentes floculantes. cuja faixa de pH de atuação varia de 3. . o indicador mais utilizado é a fenolftaleína. .4 a 6. A determinação do pH é feita através do método eletrométrico.Indicador misto: constituído de vermelho de metila e de verde de bromocresol. fornece informações sobre as características corrosivas ou incrustantes da água analisada. o íon bicarbonato age como se fosse um acido fraco na presença de uma base forte: HCO3. Para determinação final da reação de neutralização iremos utilizar um indicador. A escala de pH é constituída de uma série de números variando de 0 a 14. em pH menor que 8. Isso porque as algas. acima de 4. pois fornecem inúmeras informações a respeito da qualidade da água. na análise de alcalinidade utilizaremos dois indicadores. que é a principal fonte natural de acidez da água.Vermelho de metila: faixa de pH de atuação varia de 4. nesses casos. As águas superficiais possuem um pH entre 4 e 9. . ocorrendo a reação de neutralização.4 assume a cor vermelha.4 < pH < 8. pH > 9. acima de 3. Todos os íon causadores da alcalinidade tem características básica. enquanto valores de 7 a 14 indicam aumento da basicidade. Valores abaixo de 7 e próximos de zero indicam aumento de acidez. com pontos de viragem em função das diversas formas de alcalinidade. em função da reação química do íon bicarbonato com o íon hidróxido.e CO32-.1 assume a cor laranja.4 = carbonatos e bicarbonatos 4.

para o sabor da água. significa a possibilidade da presença de hidróxido. ou hidróxido/carbonato simultaneamente na amostra de água. à presença de íons OH-(hidroxila).-------H2SO4 + 2CO32. Alcalinidades. sendo necessário levar em conta este aspecto nos cálculos estequiométricos. ph e Dureza afetam a toxicidade de várias substancias na água. exclusivamente. Se a amostra apresenta coloração amarela. íons carbonato (CO32-) e hidroxilas (OH-). podendo ser adicionada sob a forma de produtos cáusticos. agindo como um estabilizador do valor de pH. caso a amostra tome a coloração laranja ou avermelhada a alcalinidade ao metilorange é zero. Após o teste de alcalinidade a fenolftaleína.------H2SO4 + 2 HCO3. A alcalinidade à fenolftaleína será quantificada utilizando um ácido de concentração conhecida. iremos avaliar a alcalinidade ao metilorange com o mesmo ácido utilizado na quantificação da alcalinidade à fenolftaleína. A alcalinidade da água natural é. Os indicadores quando adicionamos à amostra apresentam colorações que indicam a presença ou não de um ou mais tipos de alcalinidade. A Alcalinidade não é normalmente encontrada em águas naturais. Ao se iniciar a adição de solução ácida. teremos: H2SO4 + 2 OH. Alcalinidade Total (Alcalinidade M) A alcalinidade da água é uma medida de sua capacidade em reagir com ácidos fortes para atingir determinado valor de pH. afirmamos que a alcalinidade à fenolftaleína é igual a zero.+ SO422 H2O + SO42. tipicamente. para inativação do residual de cloro. Sendo a ordem de basicidade: hidróxido. Não se deve confundir Alcalinidade com a medida de íons H+ ou OHlivres. Na água potável. É determinada por titulação com ácido forte em presença de alaranjado de metila.----- 2 H2O + SO422 HCO3. Alcalinidade Parcial (Alcalinidade P) É determinada por titulação com ácido forte em presença de fenolftaleína (v. também. Alcalinidade (Alcalinidade Hidróxida OH) Alcalinidade de hidróxidos ou causticidade é uma componente da alcalinidade total devida. alcalinidade total). carbonato e bicarbonato. Com relação ao comportamento do carbonato podemos afirmar que metade da sua concentração será titulada com a fenolftaleína e a outra metade da sua concentração será titulada com o metilorange. a alcalinidade contribui. Se após a adição de fenolftaleína a amostra se mantiver incolor. iremos testar a presença de alcalinidade ao metilorange (ou vermelho de metila). uma combinação de íons bicarbonato (HCO3-). mudando a cor de rosa para incolor.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 34 A presença de cloro residual influencia na coloração dos indicadores. irá ocorrer primeiro a reação com o íon mais básico e a seguir com os mais fracos.+ 2 CO2 Ressalta-se que a neutralização do carbonato não é completa passando primeiro a bicarbonato. ou de carbonato. Quando se utiliza o metilorange. Ao adicionarmos fenolftaleína à amostra. RESULTADOS OH- ALCALINIDADES CO32- HCO3- . torna-se necessário a utilização de uma solução de uma solução de tiossulfato de sódio. É geralmente composta por íons carbonato (CO32-) e bicarbonato (HCO3-). Estes são realizados através da determinação de pH. surgindo uma coloração rosa. que adicionado quantitativamente à amostra neutralizara a alcalinidade presente.

Em situações específicas convém conhecer-se as durezas devidas ao cálcio e ao magnésio. espuma de sabão. com ela. o que resultaria em um produto mais caro para o consumidor. Os íons são provenientes de depósitos subterrâneos. • gasta muito sabão para formar espuma e dificulta atividades de higiene. de zeólitos ou o de osmose inversa. A tecnologia de osmose inversa . Os principais processos de remoção de dureza da água são o da cal-solda. Essa água é imprópria para o abastecimento de equipamentos geradores de vapor. cloretos (Cl-) e sulfatos (SO42-). O termo água dura foi originado em razão da dificuldade de lavagem de roupas. pelo cálcio ou magnésio dos sais presentes na água dura. quando não há mananciais alternativos. pois o cálcio e magnésio possuem características naturais de se agregarem nas paredes das tubulações. que entra na sua composição. MgCO3) que agregam à composição da água uma quantidade excessiva de íons Ca2+ e Mg2+. • dá lugar a depósitos perigosos nas caldeiras e aquecedores. a água passa a ser classificada da seguinte maneira: água branda (com teores entre 0 e 40 mg/L). Esses íons reagem com sabões formando precipitados e evitam a formação de espuma. água dura (com teores entre 100 e 300 mg/L). reduzindo a sua dureza. água muito dura (com teores entre 300 e 500 mg/L) e água extremamente dura (com teores acima de 500 mg/L). causando sérios danos às caldeiras. com águas contendo elevada concentração de certos íons minerais. A água dura tem uma série de inconvenientes: • é desagradável ao paladar. Em altas temperaturas cristalizam-se formando incrustações. As caldeiras indústrias requerem o uso de água com baixa dureza. como o calcário (CaCO3) ou a dolomita (CaCO3. na forma de bicarbonatos (HCO3-). • mancha louças.Saneamento básico/ 2007 P=0 P<M/2 P=M/2 P>M/2 P=M Zero Zero Zero 2P – M M Zero 2P 2P=M 2(M . • deposita sais em equipamentos e vasilhames empregados no cozimento de alimentos ou no aquecimento de água. Este é o caso do processo cal-soda de abrandamento de água no qual tem-se necessidade de conhecer a fração da dureza de magnésio para estimar a demanda de cal. considerando-se sua tolerância pelo organismo humano e os custos finais de produção.P) Zero Técnico em Gestão Ambiental 35 M M . Os zeolitos têm a propriedade de trocar o sódio.2P Zero Zero Zero ÁGUA DURA E ABRANDAMENTO ÁGUA DURA. Na prática do tratamento a dureza é um parâmetro de utilização limitada a certos métodos baseados em reações de precipitação como é o caso do tratamento com cal. nitratos (NO3--). individualmente. pela maior ou a menor facilidade que se tem de obter. Domesticamente reconhece-se que uma água é mais dura ou menos dura. Dependendo da concentração deles. além da possibilidade de rompimento de tubos e explosões. água moderada (com teores entre 40 e 100 mg/L). Os processos de remoção de dureza da água são muito dispendiosos e muito freqüentemente os sistemas de abastecimento distribuem água com teores superiores aos convencionais de potabilidade. tais como: diminuição da eficiência na geração do vapor e aumento da temperatura de película do metal.

até que se encontre o equilíbrio. com diferentes concentrações. pois a água abrandada ainda possui dureza-cálcio em torno de 30 ppm de CaCO3. as membranas de película fina compostas. Estas membranas operam com baixa pressão e. enroladas em espiral. são colocadas em um mesmo recipiente separado por uma membrana semipermeável. _ Possibilita remover da água contaminantes tais como metais pesados e outros _ Tecnologia bem estabelecida. Abrandamento por Troca catiônica: Metodologia: . com reduzido consumo de energia. A coluna de solução mais concentrada estará acima da coluna da solução mais diluída e esta diferença se denomina de pressão osmótica. conseqüentemente. A osmose é um fenômeno natural físico-químico que ocorre quando duas soluções.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 36 teve origem na década de 60. _ Produção de lodo. O processo de osmose inversa consiste na aplicação mecânica de uma pressão superior à pressão osmótica do lado da solução mais concentrada. descobertas em 1978. para a produção de água de qualidade superior. A cal é utilizada para elevar o pH da água fornecendo a alcalinidade necessária. _ Necessidade de ajustes finais. Abrandamento por precipitação química. enquanto o carbonato de sódio pode fornecer a alcalinidade para a reação e também os íons carbonato necessários. Reações: Vantagens: _ Geralmente aplicado para águas com dureza elevada. onde ocorre naturalmente a passagem do solvente da solução mais diluída para a solução mais concentrada. disseminando-se seu uso na produção industrial a partir da década seguinte e popularizou-se a partir do início da década de 80 com a descoberta da segunda geração de membranas. Metodologia: O processo se dá por adição de cal (CaO) e carbonato de sódio (Na2CO3). ABRANDAMENTO O tratamento da água dura para a retirada de Ca2+ e Mg2+ é conhecido por abrandamento e pode ser realizado de duas maneiras: Precipitação química e troca iônica. Desvantagens: _ Utilização de produtos químicos.

O gás é produzido pela queima de um combustível como o carvão. Esta saturação recebe o nome de ciclo. 6. O gás sob pressão é forçado da câmara de combustão por meio de difusores imersos numa bacia de tratamento. o coque. Para remoção de Ca2+ a dureza resultante atinge valores menores que 1mg/L de CaCO3. ficando saturadas de Ca2+ e Mg2+ . 5. Após. Desvantagens: _ Requer um pré-tratamento da água. deve ser feita a regeneração da resina. As resinas possuem limites para a troca iônica. 4. A escolha entre os processos depende das características da água a ser tratada. Outros Processos de Abrandamento de água Abrandamento com cal e carbonato de sódio: O dióxido de carbono é um gás incolor usado para a recarbonatação . As reações seguem abaixo. Vantagens: _ Alta eficiência para remoção dos íons responsáveis pela dureza. que acontece com a adição de solução de Cloreto de Sódio (NaCl). As reações químicas no abrandamento por precipitação são: 1. óleo ou gás. 3. 8. _ Requer o tratamento do efluente da regeneração. _ Ocorre saturação da resina.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 37 Consiste em fazer a água atravessar uma resina catiônica que captura os íons Ca2+ e Mg2+. tais como o Na+. completado o ciclo. substituindo-os por íons que formarão compostos solúveis e não prejudiciais ao homem. exigindo a sua regeneração. _ Não há formação de lodo no processo. As reações seguem abaixo. Vale ressaltar que a Kurita detém a tecnologia e comercializa resinas catiônicas para o abrandamento de água. 7. 2. CO2 + Ca(OH)2 → CaCO3 + H2O Ca(HCO3)2 + Ca(OH)2 → 2CaCO3 + H2O Mg(HCO3)2 + Ca(OH)2 → CaCO3 + 2H2O + MgCO3 MgCO3 + Ca(OH)2 → CaCO3 + Mg(OH)2 Mg(HCO3)2 + 2Ca(OH)2→ 2CaCO3 + Mg(OH)2 + 2H2O MgSO4 + Ca(OH)2 → Mg(OH)2 + CaSO4 CaSO4 + Na2CO3 → CaCO3 + Na2SO4 2NaHCO3 + Ca(OH)2 → CaCO3 +Na2CO3 + 2H2O . no processo de estabilização da água abrandada com cal. _ As resinas podem ser regeneradas. das necessidades e da disponibilidade de recursos de cada empresa.

consiste em utiliza a soda caustica (NaOH) em lugar da barrilha(Na2CO3). formando um precipitado de CaCO3. A recarbonatação da água tratada com CO2. primeiramente. A cal é empregada conjuntamente com a barrilha. é removida a alcalinidade contida nas águas representadas por carbonatos e bicarbonatos de sódio.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 38 A cal adicionada à água reage. com água desmineralizada para remover o excesso de NaCl. produz estabilização da água (neutraliza o excesso de cal). CO2 + 2NaOH → Na2CO3 + H2O Ca(HCO3)2 + 2NaOH → CaCO3 + Na2CO3 + 2H2O Mg(HCO3)2 + 4NaOH → Mg(OH)2 + 2 Na2CO3 + 2H2O Abrandamento com cal a quente: É efetuado a temperaturas superiores à 100 ° C. devido a formação de CO2 e este ser altamente corrosivo Este processo reduz a totalidade dos sólidos dissolvidos na água de alimentação para as caldeiras. Após isto. a cal reage com o bicarbonato de cálcio presente(2). Os limites práticos de abrandamento para o sistema cal-soda (precipitação) são cerca de 30 a 40 mg/l de CaCO3 e de 10 ml/g de Mg(OH)2. Abrandamento e dealcalinização: Neste processo. Troca iônica: A troca iônica é uma reação química reversível através de substâncias polimericas insolúveis em água que tem uma alta capacidade de trocar íons dissolvidos na água. além da dureza. Uma vez efetuada a regeneração o leito de resinas é lavado em contra-corrente. A principal vantagem do abrandamento com cal é que os sólidos totais dissolvidos são drasticamente reduzidos. Pode-se extrair o óxido de ferro impregnado na resina pela passagem no leito de solução de HCl a 5-10 %. . Esta regeneração é efetuada com uma solução de NaCl a 10 %. é utilizado quando no processo existe necessidade de reposição de água para alimentação de caldeiras a vapor. A dureza não-carbonato (sulfatos de Ca ou Mg ou cloretos) requer a adição de carbonatos de sódio(barrilha) para a precipitação. Águas para caldeiras deverão ser isentas de bicarbonatos de sódio. aplica se a passagem da solução regenerante (NaCl). Este tipo de abrandamento reduz a dureza total a níveis de 5ppm de CaCO3. com o CO2 livre. Um equivalente de cal combina com um equivalente de CO2 ou Ca(OH)2. Em seguida. reduzindo a possível precipitação de carbonatos nas tubulações: Ca(OH)2 + CO2→ CaCO3 + H2O CaCO3 + CO2 + H2O → Ca(HCO3)2 Outra rota alternativa do processo cal/soda. Neste caso. O processo de abrandamento a quente sempre é provido de sistema de filtração com carvão para a remoção dos flocos arrastados.(1). Dois equivalentes de cal são necessários para remover um equivalente de bicarbonato de magnésio. a resina utilizada deverá ser uma catiônica de hidrogênio. O óxido de ferro proveniente das tubulações são grandes responsáveis por perda de capacidade de troca pelas resinas.

o cátion contido nela é o sódio(Na). Um exemplo clássico de resina trocadora de íons é a resina derivada do poliestireno: Nas posições meta o poliestireno. até 120 C em meio acido. e n(H). E perfeitamente adequada para abrandamento e desmineralização. tais como: remoção da dureza somente (abrandamento). aplicar um leito de resina catiônica (abrandamento). capacidade de troca. alem de remover a dureza representada pelos sais de Ca Mg. são compostas por uma matriz orgânica polimérica (R). A afinidade geral de íons pela resina é dada pela série de Hoffmeisteir ou Schoeller: H+ > Rb+> Ba++ > Sr++>Ca++> Mg++ > K+>Na+>Li+. possui alta capacidade de troca. com propriedades físicas e químicas adequadas(resistência à abrasão. resiste às mais diversas condições de pH. ou . Normalmente faz-se primeiramente um abrandamento com cal-soda para depois aplicar os leitos de resinas. Quando a água bruta contiver teor de dureza baixa (30-50 ppm de CaCO3) é conveniente fazer uma clarificação convencional e. possui hidrogênio que poderão ser substituídos por grupos derivados do ácido sulfonico. Quando se requer uma água com dureza zero ou próxima de zero existe a necessidade de um sistema de troca iônica. Desta forma. Esta resina. ou R-Na). Quando numa resina catiônica. depois.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 39 Dependendo do tipo de radical contido na resina. Na fabricação das resinas são adicionados via reação química de grupos ácidos ou básicos. Estes ions hidrogênio são capazes de reação de troca com outros cátions contidos na água. onde -H. principalmente quando a dureza da água de processo(clarificada) for menor do que 100 ppm. consiste do cátion inorgânico relevante na troca. Mn e Al. o número de hidrogênio (cátions) ionizáveis contidos na resina trocadora. até 95 °C.). Sendo. ela é denominada . assim podemos expressar de modo geral uma reação de troca iônica com resinas catiônicas contendo o cátion Hidrogênio. remove também os sais solúveis contendo Fe.Na. em meio alcalino e. etc. A capacidade da resina é brutalmente reduzida pela presença de cations monovalentes na água bruta. é mais utilizada no circuito de desmineralização ou desionisação de águas. A troca iônica é um processo pratico e flexível no tratamento de águas para caldeiras de alta pressão. elas poderão ser classificadas em resinas catiônicas e aniônicas. estirenos e derivados de vinil. A maioria são sólidos granulares. de caráter forte (ácido sulfônico) ou de caráter fraco (ácido carboxilico). a matriz orgânica polimérica. A facilidade ou dificuldade para a troca de cátions pela reação de troca iônica é dada pela série de Hoffmeister a seguir. Trocando-se o H pelo sódio. aldeídos. R. Resinas trocadoras de íons catiônicas: As resinas trocadoras de íons catiônicas (R-H. Resinas trocadoras de íons: As resinas trocadoras de íons utilizadas no tratamento de água são polímeros ou copolímeros orgânicos tais como fenóis. A troca iônica no tratamento da água pode ser utilizada em vários níveis. Em solução aquosa. A resina catiônica do grupo do Hidrogênio (R-H2). teremos uma resina catiônica sódica. pois pode ser comercializada na forma sódica e na forma hidrogenionica. remoção da dureza e alcalinidade e desmineralização. Este grupo sulfonico se comporta como uma resina trocadora de hidrogênio. pode-se obter resinas que trocam cátions e outras que trocam ânions. A resina de troca catiônica ao sódio.

pois as catiônicas são mais resistentes tanto química quanto mecanicamente(abrasão). não removem ácidos fracos como o ácido silícico e ácido carbônico. Numa desmineralização. primeiro faz passar a água pelo leito de resinas catiônicas. a água passa pelo leito das aniônicas que são mais fracas tanto química quanto mecanicamente. A medida do teor de sódio é um parâmetro importante para avaliar a capacidade do leito de resina catiônica (o sódio é monovalente. assim será a reação de troca: ⇔ 2R-H + Ca(HCO3)2 R2Ca + 2 H2O + 2CO2 As resinas de troca catiônicas R-Na. Na eliminação da dureza de águas com tratamento por resinas catiônicas e aniônicas.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 40 resina catiônica do grupo do sódio (R-Na). Resinas trocadoras de íons aniônicas: São resinas sintéticas do tipo fenol-formaldeido e do grupo poliestireno do qual foram tornadas aniônicas pela introdução na molécula polimérica de grupos amina básicos(aniônicos) Resinas fortemente básicas: reagem com ácidos de acordo com a reação: 1. sendo muito utilizada na remoção de dureza e desalcalininzação de águas. Assim se expressa a troca catiônica utilizando uma resina do grupo do sódio: Ex. a adição de um álcali regenera a resina: 2. A deionização também pode ser efetuada num único leito o qual seja composto de resinas catiônicas e aniônicas(leito misto). ao findar-se o ciclo da resina. para depois ir para o leito das aniônicas. Para efeito de simplicidade representa-se a resina com a fórmula R-OH. RNH3Cl + NaOH → RNH2 + NaCl +H2O. R-Na2 + CaSO4 ⇔ R-Ca + Na2SO4 Para uma resina catiônica do grupo do hidrogênio. pois estas são mais resistentes química e mecanicamente. pois são adequadas para remover ácidos fortes provenientes da coluna de resinas catiônicas durante esse processo. . RNH2 + HCl → RNH3Cl. O efluente das resinas catiônica possui pH baixo. o pH aumenta(diminui a acidez mineral livre). Por último. Pode ser efetuado fazendo-se passar a água através de leitos de resinas catiônicas do grupo do hidrogênio e leitos de resinas aniônicas. remove a dureza das águas mas conserva sua alcalinidade e as resinas R-H remove a dureza e cria uma certa acidez livre no seu efluente. Desmineralização de águas: É o processo de remoção praticamente total dos íons presentes numa água. primeiro deixa-se a água passar pelo leito das catiônicas. lembrar a serie de Hoffmeister). Estas resinas na presença de ácidos minerais fortes teriam o seguinte comportamento: R1NH3-OH + HCl → R1NH3Cl + H2O Estas resinas são muito utilizadas para desmineralizar águas que contenham determinadas concentrações de cloretos e sulfatos. Este processo também é denominado deionização.

A resina catiônica remove parte ou todos os cations da água(Ca. O processo de osmose reversa utiliza-se de altas pressões para conseguir reverter o processo espontâneo da osmose. O carvão também retira os peróxidos. A qualidade de uma água desmineralizada deverá ser feita pela medida do teor de sílica coloidal ou reativa. o potássio. o magnésio. Existe uma taxa de rejeição. A água de alimentação deverá ter baixo teor de sólidos. As membranas são do tipo de filmes finos e de triacetato de celulose(CTA). para manter esta vazão alta. Este parâmetro está relacionado com a presença de íons dissolvidos na água. sulfetos e cloro. permitindo uma taxa de captura de 84 %(rejeitando 16 %). Mg. alcalinidade de bicarbonatos e carbonatos. ácido nítrico e cloro que poderiam danificar as membranas. os íons diretamente responsáveis pelos valores da condutividade são. que são partículas carregadas eletricamente. O processo industrial de osmose reversa. o cálcio. antes do leito a água deverá passar por filtros de carvão ativado. Num leito de resinas também é importante evitar a presença de matéria orgânica e compostos clorados. Em águas continentais. cloretos.. Para isso. Unidade de osmose reversa.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 41 Águas ricas em bicarbonatos produzem muito CO2 livre. carbonatos. Quanto maior for a quantidade de íons dissolvidos. Para se fazer isto precisaremos de bombas mais potentes. sulfatos. As membranas de filmes finos. Fig.. Condutividade Elétrica A condutividade elétrica é a capacidade que a água possui de conduzir corrente elétrica. No processo espontâneo de osmose como acontece nas células dos organismos vivos(parede celular das plantas). sílica.). Pois a sílica é um dos ânions de maior dificuldade de ser trocado pela resina. tendo uma recuperação em torno de 92 %. Nem toda água alimentada sai no permeado.. Até seis membranas podem ser conectadas em série. Mn. utiliza-se de uma montagem especial no qual as membranas semipermeáveis ficam numa forma de espiral cilíndrica com o objetivo de aumentar a área disponível para a passagem dos íons. entre outros. . Isto ajuda a prevenção do entupimento da camada de membranas e também manter o sistema limpo. A água a ser desmineralizada é forçada através de grandes pressões a entrar de um lado do cilindro espiralado contendo a camada de membrana e a ser permeada(coletada no outro extremo do cilindro). Desmineralização por osmose reversa: A osmose reversa é um processo de desmineralização de águas através da utilização de membranas semipermeáveis.5. Poderemos recircular uma parte do rejeitem sistemas de passo múltiplo.5-6. estas substancias deterioram a capacidade das resinas principalmente das aniônicas.). o sódio. são mais sensíveis ao cloro do que as de CTA. a concentração de sais flui de uma região mais concentrada deste sal para outra região menos concentrada. Na. para prevenir o entupimento do cilindro contendo as membranas. por isso é importante a instalação de desgaseificadores para a remoção de gases. É um processo descontínuo com reações reversíveis.. Normalmente a primeira etapa da troca. cromatos. Fe. devendo ser previamente filtrada em filtro de carvão ativado para eliminar o material em suspensão e o cloro. As resinas aniônicas removem parte ou todos os ânions da água (CO2. O carvão adsorve moléculas orgânicas. A água de alimentação de um sistema de osmose reversa deverá ter o pH ajustado para 5. após passagem pelo leito de resinas catiônicas. maior será a condutividade elétrica da água. Existe basicamente dois tipos de resinas: resina catiônica e resina aniônica.

composto por substâncias inorgânicas e orgânicas. incluindo-se aí os organismos planctônicos (fito e zooplâncton). a presença destes denuncia a existência de poluição recente. a primeira determinada pelo teste de DBO. com poucas exceções. Essa demanda pode ser suficientemente grande. uma vez que essas substâncias são oxidadas rapidamente na água. além disso. é de importância fundamental no controle ecológico das algas. Demanda Biológica do Oxigênio (DBO) e Demanda Química do Oxigênio (DQO) A expressão Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). principalmente tratando-se de águas que recebem esgotos. podem conter quantidades variáveis de compostos mais complexos. em uma massa d’água. Os valores para o material em suspensão podem ser obtidos através da filtragem da água com a utilização de filtros especiais e posterior análise espectrofotométrica. quando mantida a uma dada temperatura por um espaço de tempo convencionado. quais os íons que estão presentes em determinada amostra de água. utilizada para exprimir o valor da poluição produzida por matéria orgânica oxidável biologicamente. Os compostos de fósforo são um dos mais importantes fatores limitantes à vida dos organismos aquáticos e a sua economia. etc. Uma das limitações entretanto é o fato de que o teste não diferencia matéria orgânica biodegradável e matéria orgânica não-biodegradável. Despejos orgânicos. mas pode contribuir para possíveis reconhecimentos de impactos ambientais que ocorram na bacia de drenagem ocasionados por lançamentos de resíduos industriais. especificamente. na oxidação biológica. ou menos oxidados. em geral. Material em Suspensão Como o próprio nome já diz. A determinação da condutividade pode ser feita através do método eletrométrico. amônia e nitritos. podem enriquecer as águas com esse elemento. dentre os quais os mais freqüentes são o H+ e o OH-. encontrado suspenso no corpo d’água. mineração. o material em suspensão é o material particulado não dissolvido. enquanto o teste de DBO requer no mínimo 5 dias (período de incubação). corresponde à quantidade de oxigênio que é consumida pelos microorganismos do esgoto ou águas poluídas. A condutividade elétrica da água pode variar de acordo com a temperatura e a concentração total de substâncias ionizadas dissolvidas. Compostos de Nitrogênio e Fósforo As águas naturais. O parâmetro condutividade elétrica não determina. tais como: compostos orgânicos quaternários. .Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 42 carbonetos. sulfatos e cloretos. graças principalmente à presença de bactérias nitrificantes. Em geral. para consumir todo o oxigênio dissolvido da água. impedindo a penetração da luz. A vantagem é o tempo de teste. esgotos. o que condiciona a morte de todos os organismos aeróbios de respiração subaquática. especialmente esgotos domésticos. bem como alguns tipos de despejos industriais. realizado em poucas horas. os valores de condutividade são devidos apenas às altas concentrações de poucos íons em solução. contém nitratos em solução e. Por essa razão. Em águas cujos valores de pH se localizam nas faixas extremas (pH>9 ou pH< 5). utilizando-se para isso um condutivímetro digital. constituem um importante índice da presença de despejos orgânicos recentes. podem ser oxidados pela ação de um agente oxidante forte em meio ácido. Sua principal influência é na diminuição na transparência da água. O teste de Demanda Química de Oxigênio (DQO) baseia-se no fato de que todos os compostos orgânicos.

Em profundidades maiores a temperatura da água é influenciada pelo grau geotérmico local ( em média 1ºC a cada 30 m). Para ser potável uma água não deve apresentar nenhuma cor de considerável intensidade. Da mesma forma a cor é influenciada por matérias sólidas em suspensão (turbidez). O odor e o sabor de uma água dependem dos sais e gases dissolvidos. sua temperatura não é influenciada pelas mudanças da temperatura atmosférica. é negra e. o que torna difícil sua separação. Especial cuidado deve ser tomado na anotação do pH em que foi realizada a medida. e em grandes volumes. Segundo a OMS o índice máximo permitido deve ser 20mg Pt/L. Em regiões vulcânicas ou de falhamentos profundos águas aquecidas podem aflorar na superfície dando origem às fontes termais. Exceções são os aqüíferos freáticos pouco profundos. Para águas relativamente límpidas a determinação pode ser feita sem a preocupação com a turbidez. Odor e sabor Odor e sabor são duas sensações que se manifestam conjuntamente. Em geral as águas subterrâneas são desprovidas de odor. é amarelada. Como o paladar humano tem sensibilidade distinta para os diversos sais. Neste caso a cor obtida é referida como sendo aparente. que devem ser eliminadas antes da medida. quando rica em ácidos húmicos. é arroxeada. Algumas fontes termais podem exalar cheiro de ovo podre devido ao seu conteúdo de H2S (gás sulfídrico). enquanto que várias centenas de miligramas de cloreto de sódio não é apercebida. Quando rica em manganês. Uma unidade de cor corresponde àquela produzida por 1mg/L de platina.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 43 Propriedades Físicas Temperatura: As águas subterrâneas têm uma amplitude térmica pequena. A medida da cor de uma água é feita pela comparação com soluções conhecidas de platina-cobalto ou com discos de vidro corados calibrados com a solução de platina-cobalto. a água é azulada. No aqüífero Botucatu (Guarani) são comuns temperaturas de 40 a 50ºC em sua partes mais profundas. isto é. Quando rica em ferro. Em geral as águas subterrâneas apresentam valores de cor inferiores a 5mg de platina. Da mesma maneira águas que percolam matérias orgânicas em decomposição (turfa por exemplo) podem apresentar H2S. pois sua intensidade aumenta com o pH. Cloreto de sódio (NaCl) Sulfato de Sódio ( Na2 SO4) Bicarbonato de Sódio (Na H CO3) Carbonato de Sódio (Na2 CO3) Cloreto de Cálcio (Ca Cl2) Sulfato de Cálcio (Ca SO4) Salgado Ligeiramente salgado Ligeiramente salgado a doce Amargo e salgado Fortemente amargo Ligeiramente amargo . na forma de íon cloroplatinado. Quando pura. Cor A cor de uma água é conseqüência de substâncias dissolvidas. poucos miligramas por litro de alguns sais ( ferro e cobre por exemplo) é detectável.

Desta forma o sódio e o potássio. As águas subterrâneas normalmente não apresentam problemas devido ao excesso de turbidez.9 % 0. Composição Média da Crosta Continental SiO2 TiO2 Al2O3 Fe2O3 FeO 61. Quanto maior o espalhamento maior será a turbidez. colóides.6 % 2. podem apresentar uma elevação de sua turbidez quando entram em contato com o oxigênio do ar. A turbidez é medida através do turbidímetro. silte) aumentando assim o conteúdo em sólidos em suspensão. As quantidades presentes refletem não somente os substratos rochosos percolados mas variam também em função do comportamento geoquímico dos compostos químicos envolvidos. Sólidos em Suspensão: Corresponde à carga sólida em suspensão e que pode ser separada por simples filtração ou mesmo decantação. picante É a medida da dificuldade de um feixe de luz atravessar uma certa quantidade de água. comparando-se o espalhamento de um feixe de luz ao passar pela amostra com o espalhamento de um feixe de igual intensidade ao passar por uma suspensão padrão. A turbidez é causada por matérias sólidas em suspensão (silte. o limite máximo de turbidez em água potável deve ser 5 UNT. As águas subterrâneas em geral não possuem sólidos em suspensão e quando um poço está produzindo água com significativo teor de sólidos em suspensão é geralmente como conseqüência de mal dimensionamento do filtro ou do pré-filtro ou completação insuficiente do aqüífero ao redor do filtro. Como há sensíveis variações nas composições químicas das rochas. etc. Em aqüíferos cársticos e fissurais as aberturas das fendas podem permitir a passagem das partículas mais finas (argila. dois elementos que ocorrem com concentrações muito próximas na crosta continental (vide tabela) participam em quantidades sensivelmente diferentes nas águas subterrâneas. Os valores são expressos em Unidade Nefelométrica de Turbidez (UNT). águas ricas em íons Fe. argila. contudo. É necessário. Principais Constituintes Iônicos: As águas subterrâneas tendem a ser mais ricas em sais dissolvidos do que as águas superficiais. Em alguns casos.9 % Bário (Ba) Estrôncio (Sr) Zircônio (Zr) Cobre (Cu) Escândio (Sc) 425mg/L 375mg/L 165mg/L 55mg/L 22mg/L . A cor da água interfere negativamente na medida da turbidez devido à sua propriedade de absorver luz .6 % 3. frisar que o comportamento geoquímico dos compostos e elementos é o fator preponderante na sua distribuição nas águas. matéria orgânica. é de se esperar uma certa relação entre sua composição da água e das rochas preponderantes na área.8 % 15. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).Saneamento básico/ 2007 Sulfato de Magnésio (Mg SO4) Cloreto de Magnésio (MgCl2) Gás Carbônico (CO2) Turbidez Técnico em Gestão Ambiental 44 Ligeiramente amargo em saturação Amargo e doce Adstringente.).

onde ocorre na forma de barita (BaSO4). lubrificantes. é de 1. Pela resolução 20 do CONAMA.0007 a 0. A quantidade de CO2 dissolvida depende da temperatura e da pressão.9 mg/L. entre outros. acessórios fotográficos. que são. fogos de artifício. vidros e defensivos agrícolas. normalmente veios. fatores que vão determinar a solubilidade do bicarbonato de cálcio. o limite permitido de Ba em águas de abastecimento. É um metal de elevado potencial tóxico. As principais fontes naturais são: Intemperismo e erosão de depósitos naturais. equipamentos eletrônicos. onde é empregado em lamas de perfuração. Sua ingestão provoca disfunção renal. doenças crônicas em idosos e câncer. calcita. arterosclerose.3 % Chumbo (Pb) Urânio (U) Mercúrio (Hg) Prata (Ag) Ouro (Au) Técnico em Gestão Ambiental 45 12.7 % 3.1 % 5.1 % 2. Entre as atividades humanas que introduzem bário no meio ambiente. que se acumula em organismos aquáticos. soldas. ou feldspatos ricos em Ba. Cálcio (Ca+) O teor de cálcio nas águas subterrâneas varia. geralmente inferiores a 0. dolomita. o teor máximo permitido é 0.08mg/L 0. Cádmio (Ca) Normalmente está presente nas águas naturais em pequenas concentrações. .07mg/L 0. baterias.0 mg/L. o que possibilita sua entrada na cadeia alimentar. por vasoconstrição e bloqueio do sistema nervoso.5mg/L 2.004mg/L O Bário é um elemento raro nas águas naturais. defensivos químicos. podemos citar: Perfuração de poços. O cálcio ocorre nas águas na forma de bicarbonato e sua solubilidade está em função da quantidade de gás carbônico dissolvido. Segundo a Resolução 20 do CONAMA. No caso das águas subterrâneas estas variações ora levam à solubilização do carbonato de cálcio.Saneamento básico/ 2007 MnO MgO CaO Na2O K2O P2O5 Bário (Ba) 0. pigmentos. corrosão de tubos galvanizados e refinarias de minérios. Sua ingestão provoca elevação da pressão sanguínea.7mg/L 0.001mg/L. hipertensão. de uma forma geral. A incrustação de um filtro de poço por Ca CO3 é uma das conseqüências deste processo. produção de pigmentos.O cálcio é o principal elemento responsável pela dureza de uma água. inibição no crescimento. As principais fontes de cálcio são os plagioclásios cálcicos. de 10 a 100mg/L. apatita. ora levam à sua precipitação. portanto. As principais fontes humanas de liberação de cádmio são: Combustíveis fósseis.9 % 0. O carbonato de cálcio é muito pouco solúvel em água pura. em teores de 0. podendo chegar ao homem.1 % 3. A reação resultante é a seguinte: Ca CO3 + CO2 + H2O → Ca (CO3)2 H2 Toda variação de temperatura e de pressão que levam à modificação do CO2 dissolvido na água refletirá sobre seu conteúdo em Ca. É um elemento muito tóxico acima deste teor.001 mg/L.

pigmentos. antes de construir a represa. fundição. irritação e corrosão da mucosa. plásticos. Segundo a Resolução 20 do CONAMA.05 mg/L. junto com o sódio. foi detectada intoxicação. bem menores que 0. Cobre (Cu) O cobre é um elemento que ocorre. algicidas. sabor metálico na boca. No sul do Estado de São Paulo e norte do Estado do Paraná. este teor tem substancialmente menor. no homem. tais como: encanamentos e soldas. irritabilidade. As áreas onde estão os rejeitos foram adquiridas pela empresa CBA. porque eles não conseguem eliminar o cobre do organismo. inflamação gastrointestinal. o chumbo provoca retardamento físico e mental. detectaram chumbo em níveis 60 vezes superiores ao comum. Alguns pesquisadores acreditam que uma intoxicação aguda por chumbo pode explicar muitas das dores que Beethoven sentia e do seu comportamento irritadiço e solitário. Cloretos (Cl-) O cloro está presente em teores inferiores a 100mg/L. irritação do sistema nervoso e depressão. Para os portadores da Doença de Wilson. metalurgia.5 mg/L.Saneamento básico/ 2007 Chumbo (Pb) Técnico em Gestão Ambiental 46 Apesar de não ser um elemento comum nas águas naturais. pois. Teores anômalos são indicadores de contaminação por água do mar. em larga escala. Em crianças. da população e dos animais aquáticos. devido sua pequena solubilidade. No Brasil. em baixas concentrações na água subterrânea. É um metal que tem efeito cumulativo no organismo. As atividades humanas responsáveis pela introdução de cobre na água são: corrosão de tubos de cobre e de latão por águas ácidas. No passado a taxa de intoxicação era muito elevada devido ao uso de canecas e vasilhames de chumbo. Nas águas superficiais são. esta é uma das principais fontes de poluição por este elemento. A ingestão de altas doses pode acarretar. devido ao fato de que é introduzido facilmente no meio ambiente a partir de uma série de processos e produtos humanos. fungicidas usados na preservação da madeira e indústria de mineração. normalmente. A poluição é proveniente de rejeitos da mineração de chumbo.020 mg/L e nas águas subterrâneas é inferior a 1µg/L. . A intoxicação aguda caracteriza-se pela sede intensa. Os portadores da Doença de Wilson podem ser seriamente afetados pela presença de cobre na água. o teor máximo de chumbo na água de abastecimento deve ser 0. Em adultos são comuns problemas nos rins e aumento da pressão arterial. que ali pretende construir uma barragem. vômitos e diarréias. a partir das zonas de recarga das águas subterrâneas. galvanoplastia e refino. provocando uma doença crônica chamada saturnismo. Em países em que o chumbo tetraetila é adicionado à gasolina. na região do Vale do Rio Ribeira. dor de cabeça. O problema de saúde pública na região já se configura como sério e poderá piorar se a CBA não tomar as medidas necessárias. que ali existiu até 1996. renais. que tem. o teor máximo permitido em águas de abastecimento público é 0. oriundo de antigos encanamentos de chumbo. Segundo a Resolução 20 do CONAMA. perda da concentração e diminuição da capacidade cognitiva. Análises realizadas em amostras de cabelo de Beethoven. e por aterros sanitários. problemas hepáticos. Forma compostos muito solúveis e tende a se enriquecer . ouro e prata. Os efeitos da intoxicação por chumbo são: tontura. perda de memória. o chumbo tem sido responsável por sérios problemas de intoxicação. um efeito cumulativo nestes pacientes. seu uso na gasolina foi substituído por álcool etílico. o grande compositor alemão. Recentemente a imprensa noticiou a presença de chumbo na água de abastecimento do bairro de Copacabana. tintas. hoje mais comum em trabalhadores que estão muito expostos à contaminação. em geral.

o que lhes confere uma aparência nada agradável. os padrões de potabilidade exigem que uma água de abastecimento público não ultrapasse os 0. turmalina. naturalmente ocorrente nos aqüíferos. Este uso está em declínio devido a restrições legais. A fluorose se caracteriza pelo escurecimento dos dentes e a perda de resistência dos dentes e ossos. causando fluorose dental e esquelética. e diminuindo o consumo de sabão. em pequenas quantidades. ao se oxidarem se precipitam sobre as louças sanitárias.3mg/L. fazendo-se necessário uma boa limpeza no processo de complexação do poço. não oxidáveis nem através de forte cloração. piroxênios. tanto em seres humanos como em animais. acima de certos teores. É produto do intemperismo de minerais no qual é elemento principal ou secundário: fluorita. O ferro no estado ferroso (Fe²+) forma compostos solúveis. É sabido que o flúor. assim como o manganês. que encapsulam as moléculas dos sais de Fe e Mn. mas ao entrarem em contato com o oxigênio do ar ficam amarelada. Estas atividades são responsáveis pela sua introdução no ciclo hidrológico pelo lançamento na atmosfera ou em corpos hídricos superficiais.3mg/L. é benéfico à saúde humana. promovendo o endurecimento da matriz mineral dos dentes e esqueleto e tem se mostrado como o agente químico mais eficiente na prevenção da cárie dentária. Em ambientes oxidantes o Fe²+ passa a Fe³+ dando origem ao hidróxido férrico. águas com alto conteúdo de Fe.Saneamento básico/ 2007 Observação: No capítulo "FAQ" há mais sobre Doença de Wilson. proliferem com mais facilidade. Diversamente de outros halogênios ele pode formar complexos estáveis com elementos como Al.0mg/L). A precipitação de ferro presente nas águas é a principal responsável pela perda da capacidade específica de poços profundos. fundições. Fe.1 a 2. principalmente hidróxidos. Em virtude de afinidades geoquímicas quase sempre é acompanhado pelo Manganês. que é insolúvel e se precipita. Outra forma de evitar os inconvenientes da precipitação de sais deste elemento químico é usar substâncias complexantes. azulejos. pois o CFC agride e destrói a camada de ozônio que circunda a Terra. daí sua adição nos sistemas de abastecimentos públicos de água ser uma prática muito difundida. biotita. Desta forma no ciclo geoquímico o flúor pode ser removido das águas pela coprecitação com óxidos secundários de Fe. formando compostos estáveis. pirita. Águas ferruginosas são aeradas antes da filtração para eliminar o ferro. Flúor (F-) O flúor é um elemento que ocorre naturalmente e em pequenas quantidades nas águas naturais (0. Este limite é estabelecido em função de problemas estéticos relacionados à presença do ferro na água e do sabor ruim que o ferro lhe confere. passa a ser prejudicial. Na forma de clorofluorcarbono (CFC) o flúor foi amplamente utilizado como propelente de aerossóis. ao saírem do poço são incolores. vidro. O uso de substâncias orgânicas emulsificantes e polifosfatos nos processos de perfuração e desenvolvimento dos poços criam condições para que as ferro-bactérias. Suas fontes são minerais escuros (máficos) portadores de Fe: magnetita. Apesar do organismo humano necessitar de até 19mg de ferro por dia. manchando-as. O ferro. apatita. fabricação do alumínio. flúor-apatita. podendo também ser complexado tanto com o Fe como com o Al na forma de fosfatos. Como produto da ação humana o flúor é originado de atividades industriais: siderurgia. Os . teflon. de alta mobilidade. Contudo. Estas incrustações são produtos da atividade das ferro-bactérias. tingindo fortemente a água. roupas. principalmente em crianças. evitando as indesejáveis incrustações. topázio e mica. de louças e esmaltados. à base de fosfato. B e Ca. e desta forma mantendo-as permanentemente em solução. e ainda adiciona mais produto químico (fosfatos) à mesma. Ferro (Fe-) Técnico em Gestão Ambiental 47 É um elemento persistentemente presente em quase todas as águas subterrâneas em teores abaixo de 0. anfibólios. O flúor liberado pelo intemperismo destes minerais passa para as soluções aquosas supergênicas na forma do íon fluoreto. entre outras. Estas substâncias complexantes são também usadas para evitar a precipitação de sais de Ca e Mg em águas duras. Desta forma. O inconveniente deste processo é que ele não elimina o ferro e o manganês presentes na água.

fundição e ligas. uma água não deve ter mais do que 10mg/L de NO3-. galvanoplastia. Com exceção de algumas ocorrências como sais evaporíticos. o teor máximo permitido em águas de abastecimento é 0. Níquel (Ni) O teor de níquel nas águas está ao redor de o. coração e sistema respiratório. Nos países tropicais. por isso seu teor nas águas subterrâneas é significativamente menor do que aquele.2mg/L. forma sais mais solúveis. anfibólios e piroxênios. 27 ° C=07mg/L).9mg/L.7 a 1. No sistema digestivo o nitrato é transformado em nitrosaminas. segundo as médias de temperaturas anuais (18 ° C=1. O magnésio. que são substâncias carcinógenas. Crianças com menos de três meses de idade possuem. Nitrato (NO3. Segundo a Organização Mundial da Saúde o teor de flúor estabelecido como ótimo na água potável varia entre 0. o nitrogênio e seus compostos não são encontrados nas rochas da crosta terrestre. nitrito. que se oxida em presença do ar. Nas águas subterrâneas os nitratos ocorrem em teores em geral abaixo de 5mg/L. nitrato e amônia. Segundo o padrão de potabilidade da OMS. acompanha este elemento. 19-26 ° C=0. Ocorre em teores abaixo de 0. A deficiência em oxigênio leva a danos . O nitrogênio é continuamente reciclado pelas plantas e animais. admite-se que se deva ser mais rigoroso no controle de flúor nas águas de abastecimento público. altas doses levam à intoxicação. Diferentemente do cálcio. do que os minerais fornecedores de cálcio. No ser humano. o mineral dolomita é um importante fornecedor de Mg. bactérias que reduzem o nitrato a nitrito. pois são rapidamente convertidos a nitrato pelas bactérias. em seu aparelho digestivo. Nas águas subterrâneas ocorre com teores entre 1 e 40mg/L.2mg/L. Os minerais mais comuns fornecedores de magnésio para as águas subterrâneas são: biotita. Manganês (Mn+) É um elemento que acompanha o ferro em virtude de seu comportamento geoquímico. Estes minerais são mais estáveis diante do intemperismo químico. Pode causar dermatites em pessoas sensíveis. As principais fontes antropomórficas de níquel são: queima de combustíveis fósseis. Segundo a Resolução 20 do CONAMA. Em região de rochas carbonáticas. Concentrações superiores a 11. a relação Mg/Ca é um elemento caracterizador da contaminação por água marinha. afetando nervos. onde a ingestão diária de água é maior. Na água do mar o magnésio ocorre em teores de cerca 1400 mg/L. contudo.1 mg/L.025 mg/L.2mg/L.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 48 teores máximos permitidos são estabelecidos em função da idade do consumidor e da quantidade de água ingerida diariamente. em linhas gerais. depois do cálcio. Em águas subterrâneas de regiões litorâneas. Nitritos e amônia são ausentes. impedindoas de transportarem oxigênio para as células do organismo. é o principal responsável pela dureza das águas.) O nitrogênio perfaz cerca de 80 por cento do ar que respiramos. quase sempre como óxido de manganês bivalente. Pequeno teor de nitrito e amônia é sinal de poluição orgânica recente. Este se liga muito fortemente a moléculas de hemoglobina. Como um componente essencial das proteínas ele é encontrado nas células de todos os organismos vivos. Magnésio (Mg²+) O magnésio é um elemento cujo comportamento geoquímico é muito parecido com o do cálcio e. bem acima do teor de cálcio (cerca de 480mg/L). Nitrogênio inorgânico pode existir no estado livre como gás. dando origem a precipitados negros.0 mg/L podem ser encontradas em áreas de mineração.

Seus principais minerais fonte (feldspatos plagioclásios) são pouco resistentes aos processos intempéricos. especialmente em climas quentes. Nas águas subterrâneas o teor de sódio varia entre 0. A quantidade de sódio presente na água é um elemento limitante de seu uso na agricultura. Em conseqüência. mas ocorre em pequena quantidade nas águas subterrâneas. Até mesmo os fatores como o tempo local podem ter impacto. Nas águas subterrâneas seu teor médio é inferior a 10mg/L. aqui o problema está mais associado a poços poluídos por esgotos domésticos do que ao uso intensivo de fertilizante. é mais barata e fácil de usar. cloro. não se tem idéia da extensão do problema. as companhias da água adicionam químicos à água de modo a torná-la segura para beber (e.g. mês a mês). pois é facilmente fixado pelas argilas e intensivamente consumido pelos vegetais. o valor máximo recomendável de sódio na água potável é 200mg/L Água Canalizada Muitas pessoas usam água da torneira no aquário. cloramina para matar as bactérias).. Note que estas duas substâncias são MUITO DIFERENTES! Assegure-se que sabe o que existe na água da sua torneira e trate-a de forma correta. mica moscovita e biotita. constatou que cerca de 75 000 crianças com menos de dez meses de idade estavam expostas ao consumo de água com mais de 10 mg/L de nitrato. Algumas zonas não têm água suficiente. Cloro . Seus principais minerais fontes são: feldspato potássico. Em aqüíferos litorâneos. Segundo a OMS. matando as bactérias redutoras de nitrato. Aos seis meses de idade a concentração de ácido hidroclórico aumenta no estômago.g. Como exemplo comum. altos níveis de bactérias são um problema maior no Verão do que no Inverno. Potássio (K+) O potássio é um elemento químico abundante na crosta terrestre. Environmental Protection Agency) no decorrer do ano de 1992. Conseqüentemente. Aparentemente. preocupações acerca da água em velhos tubos de chumbo provocou que se começasse a adicionar químicos que aumentam o pH à água (porque o chumbo dissolve-se menos em água alcalina).Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 49 neurológicos permanentes. a presença de sódio na água poderá estar relacionada à intrusão da água do mar.g. vendo-se assim obrigadas a comprar água a zonas vizinhas em tempo de escassez. dureza). Se essa água tiver propriedades químicas diferentes (e. No Brasil. dificuldade de respiração (falta de ar) e em casos mais sérios à morte por asfixia. a água da torneira tem de ser especialmente tratada antes de ser utilizada com segurança em aquários de peixes. Sódio (Na+) O sódio é um elemento químico quase sempre presente nas águas subterrâneas.. a química da água da torneira vai também variar. em todo território norte-americano. pouco resistentes aos intemperismo físico e químico. Mais recentemente. sendo mais freqüente valores entre 1 e 5mg/L. Infelizmente (para os aquariofilistas). sendo que há um enriquecimento gradativo deste metal a partir das zonas de recarga. Os sais formados nestes processos são muito solúveis. não é invulgar as companhias usarem mais cloro nos meses de Verão para manter as bactérias sob controlo. S. fortes chuvas podem ter como causa uma baixa na dureza do seu fornecimento de água à medida que os reservatórios locais se enchem. Em geral o cloro e a cloramina são os dois aditivos que causam maiores problemas. principalmente os químicos. Outro problema potencial tem a ver com as variações nas propriedades químicas do fornecimento de água ao longo do tempo (e.1 e 100mg/L. Pesquisa realizada pela USEPA ( U.

está a colocar o azoto novamente no aquário e é impossível reduzir os nitratos abaixo da concentração da torneira. do tipo tiossulfato de sódio.g. A cloramina coloca duas significativas dores de cabeça aos aquariofilistas. só neutralizam a parte de cloro.2-0. Assim a concentração exata na torneira depende da distância do abastecimento. embora os peixes não exibam APARENTEMENTE sinais de doença. A água num balde (ou aquário) com adequada circulação (e. O cloro em altas concentrações é fatal para os peixes. os únicos produtos neutralizadores de cloro. que depende de muitos outros fatores (incluindo a percentagem de água adicionada). tiossulfato de sódio é tudo o que precisa. que neutralizam ambos os compostos. Note que existem muitos produtos de "tratamento de água" publicitados como "torna a água da torneira segura". disponível em lojas de peixes nas mais variadas marcas. A amônia neutralizada ainda será convertida para nitritos e nitratos via filtro biológico.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 50 Nos EUA. Inevitavelmente. Dado que o cloro se decompõe com o tempo. Se a sua água contém apenas cloro (ao contrário da cloramina).003 ppm. O tiossulfato de sódio neutraliza o cloro instantaneamente. as concentrações da água da torneira são relativamente baixas (1 ou 2 ppm). todos os que neutralizam o cloro contém tiossulfato de sódio. Muitos outros tratamentos são muito mais caros a longo prazo. Primeiro. Concentrações tão baixas como 0. na associação com certas matérias orgânicas. Se a água de substituição contém amônia. Cloramina Um dos problemas ao usar cloro para tratar a agua é que este se decompõe muito rapidamente. Leia os rótulos cuidadosamente. das moléculas de cloramina. em baixas concentrações perturba os peixes danificando-lhes as guelras. a amônia e o cloro. O segundo problema está relacionado com as mudanças de água parciais. quanto cloro é inicialmente adicionado. isso não significa que o cloro não esteja a afetar os peixes. muitas companhias mudaram do cloro para a cloramina. o tempo que demora a fazê-lo pode ser superior à capacidade de resistência dos peixes. Embora o filtro biológico do aquário converta (eventualmente) a amônia em nitratos. podem requerer um colher de chá (ou mais) por cada 4 litros! O cloro é relativamente instável na água. O nível de perturbação depende do nível de cloro introduzido no aquário. Dado que os removedores de cloro são tão baratos a segurança que fornecem não deve ser desprezada. .2 ppm de cloro para serem mantidas sob controlo). Uma das principais razões para efetuar mudanças parciais de água regulares prende-se com a remoção de nitratos que se acumulam. quanto tempo demora a chegar do abastecimento a sua casa. Felizmente o cloro pode ser facilmente removido da água através do químico tiossulfato de sódio. deixando o problema maior: a mortal amônia.2ppm. a concentração de cloro que surge em sua casa é menor do que a que é colocada na origem. A cloramina é um composto que contém cloro e amônia. Felizmente. as orientações exigem que a água da rede em qualquer torneira contenha uma concentração mínima de cloro de 0. mais outras substâncias que podem ou não ser úteis. As conseqüências podem ser devastadoras para os peixes. filtro ou pedra difusora) ficará sem cloro ao fim de 24 horas ou menos. escapando-se para a atmosfera por si próprio. Muitas pessoas na net dizem que não fazem qualquer tratamento à água da torneira sempre que efetuam mudanças parciais de água. A cloramina pode ser neutralizada com segurança através de produtos como Amquel. reduzindo assim a concentração de bactérias (estas podem exigir mais do que 0. Para prevenir perturbações as concentrações máximas admissíveis são da ordem de 0. Tenha em atenção que. Conseqüentemente. uma família de cancerígenos. Outra preocupação com o uso de cloro é que podem surgir.3 ppm matarão a maioria dos peixes bastante depressa. você terá provavelmente uma concentração muito superior no aquário. trialometanos. é muito mais estável do que o cloro. O tratamento com um custo mais eficiente consiste numa gota por cada 4 litros de água.

após o que pode ser adicionada ao seu aquário com segurança. Em alternativa há empresas que efetuam análises detalhadas do seu conteúdo embora essas análises possam ser dispendiosas. a água canalizada pode conter outros elementos que o aquariofilista precisará de conhecer. Esse tipo de fossa nada mais é do que um tanque enterrado. Por fim (nos EUA) se quer mesmo detalhes. O seu uso é essencial para a melhoria das condições de higiene das populações rurais. Uma loja de peixes local (se pertence ao mesmo conselho) deve ser capaz de o informar. peça-lhe para lhe mandarem uma cópia do relatório periódico que fornecem à EPA. bem como a variação das características da água ao longo dos meses. Noutros locais. o pH aumentará. ferro. a amônia pode ser removida filtrando a água através de zeolite ou carvão ativado antes de a adicionar ao seu aquário. Consulte a secção algas desta FAQ para mais detalhes. fosfatos. Altos níveis de ferro (1ppm ou mais) também têm sido ligados à ameaça das algas. Uma estratégia de controle de algas pode exigir a remoção de fosfatos. por favor avise a equipa de manutenção desta FAQ. arranje um contentor de lixo (plástico) de tamanho apropriado. a água de poços está freqüentemente saturada com CO2. Note: é necessário juntar tiossulfato de sódio para neutralizar o cloro.) é efetuar testes. o que baixa o seu pH. Alternativamente. Mas é preciso que esses efluentes sejam infiltrados no solo para completar o processo . Por exemplo. Uma vantagem é que não tem de lidar com cloro ou cloramina. Por uma questão de segurança. etc. Em alternativa. Os peixes não devem estar sujeitos a tais flutuações temporárias do pH. telefone para o escritório da companhia de água. GH e KH da sua água. Por lei. Por exemplo. e então ligue um filtro biológico já estabelecido. Outras impurezas da água a que deve estar atento Além dos aditivos descritos acima (cloro e cloramina). verminoses e endemias (como a cólera.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 51 Outro método de neutralizar o cloramina é envelhecer a água à medida que se faz filtragem biológica. areje a água de poços convenientemente várias horas antes de a adicionar ao seu aquário. etc. diga-lhe que é um aquariofilista e que quer saber quais são os valores do pH. Se tiver experiências concretas (positivas ou negativas). retém a parte sólida e inicia o processo biológico de purificação da parte líquida (efluente). Elevada concentração de fosfatos tem sido ligada a problemas com algas. São fundamentais no combate à doenças. Por outro lado. Além disso a única forma de saber a sua composição (GH. o relatório está disponível para inspeção publica. Água do Poço Pode ser que tenha acesso à água de poço ou furo em vez de água da rede municipal. nitratos. elimine o cloro com tiossulfato de sódio. A água em alguns locais contém realmente nitratos. uma benfeitoria complementar às moradias . Contém uma lista detalhada e exata do que a sua água contém e em que concentrações (e.). o filtro biológico converte a amônia em nitrato. Peça para falar com o "químico da água". senão o cloro mata as bactérias do filtro biológico.g. encha-o de água. Nota: há notícias divergentes sobre o sucesso deste método). que recebe os esgotos (dejetos e águas servidas). a água de poços é freqüentemente muito mais dura do que a água disponível através de serviços locais. por exemplo). lagos ou mesmo na superfície do solo. Um dos problemas ao usar água de poços é que freqüentemente contém altas concentrações de gases dissolvidos (que podem ser perigosos para os peixes). Como saber quais os aditivos usados que a sua companhia de água local O mais simples é perguntar a quem sabe. FOSSAS SÉPTICAS As fossas sépticas. pois evitam o lançamento dos dejetos humanos diretamente em rios. Tal como no seu aquário. a água contém elevadas concentrações de fosfatos (1ppm ou mais). Uma vez o CO2 libertado. KH.

2cm por metro de tubulação. Técnico em Gestão Ambiental 52 As fossa sépticas não devem ficar muito perto das moradias (par evitar mau cheiro) nem muito longe (para evitar tubulações muito longas. . A tubulação que liga a caixa de inspeção (da rede de esgoto da moradia) a fossa séptica deve ter um caimento de 2%. para evitar curvas nas canalizações.Inteiriças. Ela é dimensionada em função de um consumo médio de 200 litros de água por pessoa. em geral sob o título "Concreto . Para funcionar bem. para evitar contaminações. 1) Fossas sépticas pré-moldadas As fossas sépticas pré-moldadas têm formato cilíndrico. o topo do buraco da fossa deverá ficar num nível inferior ao da saída da caixa de inspeção.Feitas no local. Sua capacidade. Também devem ficar num nível mais baixo do terreno e longe de poços ou de qualquer outra fonte de captação de água (no mínimo.000 litros. 2)Fossas sépticas feitas no local As fossas sépticas feitas no local têm formato retangular. para que a fossa funcione bem. o fundo do buraco deve ser compactado. nivelado e coberto com uma camada de 5cm de concreto magro. No mercado há dois tipos. no mínimo. devido ao caimento da tubulação). com encaixes macho e fêmea. As que não seguem essas normas não funcionam bem. O tamanho da fossa séptica depende do número de pessoas da moradia. nunca deve ser inferior a 1.Saneamento básico/ 2007 biológico de purificação e eliminar os riscos de contaminação. Para volumes maiores é recomendável que a altura não seja maior que o dobro do diâmetro. a 30m de distância).Pré-moldadas.Pré-moldados". sobre uma camada de concreto magro . sempre dê preferência àquelas fabricadas segundo as Normas Técnicas Brasileiras". A distância recomendada é 6m. no caso de um eventual vazamento. ou seja. A instalação de uma fossa séptica pré-moldada começa pela escavação do buraco onde ela vai ficar enterrada no terreno. a fossa pré-moldada é colocada no lugar. Nas fossas de anéis sobrepostos. constituídas de uma única peça. Finalmente. . Preste atenção neste detalhe. em seguida. independentemente de sua capacidade: . Nas fossas de anéis sobrepostos. Elas devem ser construídas do lado do banheiro. por dia. Para tanto. entretanto. As fossas sépticas pré-moldadas podem ser adquiridas diretamente dos seus fabricantes. é preciso fazer uma camada de concreto magro. principalmente quando a fossa for de anéis sobrepostos. para sobreposição. que são mais caras e exigem fossa mais profundas. Ao comprar fossas sépticas pré-moldadas.De anéis. elas devem ter as seguintes dimensões: . As fossa sépticas podem ser de dois tipos: . Eles também dão cotações sobre a sua montagem no local. é preciso fazer uma laje de 7cm de concreto armado do fundo do buraco. Os seus endereços constam das páginas amarelas das listas telefônicas.

em caso de necessidade.5 3890 até 24 3. é feita uma laje de concreto armado de 7cm de espessura. Durante a execução da alvenaria. que serve para fazer a manutenção periódica da tubulação. As placas prontas das chicanas são encaixadas nas ranhuras deixadas nas paredes da fossa. Essas placas têm 5cm de espessura e a sua armadura também é feita em forma de tela. uma vez que as fôrmas não têm fundo. dependendo do tamanho da fossa para facilitar sua execução e até a sua remoção. em caso de necessidade. revestida de papel. de entrada e de saída da fossa e deixadas ranhuras para encaixe das placas de separação das câmaras. LIGAÇÃO DA REDE DE ESGOTO À FOSSA A rede de esgoto da moradia deve passar inicialmente por uma caixa de inspeção. As paredes internas das câmara (chicanas) e a tampa da fossa são feitas com placas pré-moldadas de concreto. Para a separação das câmaras são necessárias cinco placas: duas de entrada e três de saída.3 0.Saneamento básico/ 2007 FÓSSAS SÉPTICAS RETANGULARES Dimensões internas Número de Capacidades pessoas (litros) Comprimento Largura Altura até 7 2 0. para evitar a aderência do concreto ao piso onde é feita a concretagem. facilitando o desentupimento.5 2480 até 14 2. Uma maneira fácil e econômica de construir esse tipo de fossa é usar blocos de concreto e placas pré-moldadas de concreto.5 4600 Técnico em Gestão Ambiental 53 A execução desse tipo de fossa também começa pela escavação do buraco. Essas placas têm 4cm de espessura e a armadura em forma de tela. nivelado e coberto com uma camada de 5cm de concreto magro.2 1. . As paredes internas da fossa devem ser revestidas com argamassas à base de cimento. já devem ser colocados os tubos de limpeza (esgotamento). As paredes feitas com blocos de concreto de 15cm ou de 20cm de largura.2 1. A concretagem das placas deve ser feita sobre uma superfície bem lisa.5 2160 até 10 2. onde a fossa vai ficar enterrada no terreno.7 1.5 2700 até 21 2.5 0.9 1. O fundo do buraco deve ser compactado.9 1.9 1. As da tampa são simplesmente apoiadas sobre as paredes da fossa.2 1. A tampa é subdividida em duas ou mais placas.

para um bom funcionamento de sistema . são necessários 12 m de tubo por pessoa. ao longo do seu comprimento. (limite da propriedade. cada linha de tubos não deve ter mais que 30m de comprimento. com profundidade de 0. Entretanto. 1) Valetas de infiltração Esse sistema consiste na escavação de uma ou mais valetas. nas quais são colocados tubos que permitem. O fundo e as paredes dessa caixa devem ser revestidos com uma argamassa à base de cimento. Deve ser construída a cerca de 2m de distância da casa.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 54 Essa caixa deve ter 60cm X 60cm e profundidade de 50cm. Em terrenos mais porosos (como arenosos). pode ser feito um número maior de ramificações. Em terrenos menos porosos (como os argilosos). Quando o terreno não permite a construção das valetas nas quantidades e nos comprimentos necessários.Valetas de infiltração. O fundo da valeta deve ter caimento de 2%. A caixa de inspeção é coberta com uma placa pré-moldada de concreto com 5cm de espessura. . escoar para dentro do solo os efluentes provenientes das fossa séptica. As paredes da caixa podem ser feitas com blocos de concreto de 10cm de largura. assentados numa valeta e bem unidos entre si. Os tubos devem ter 10cm de diâmetro e ser assentados sobre uma camada de 10cm de pedra britada ou cascalho. Os quatro primeiros tubos que saem da . de comprimentos menores.Sumidouros. A ligação da rede de esgoto da moradia à fossa séptica deve ser feita com tubos de 10cm de diâmetro. 8m de tubos por pessoa são suficientes.5m a 1m. DISTRIBUIÇÃO DOS EFLUENTES NO SOLO Há duas maneiras de distribuir os efluentes no solo: . colocadas no fundo das valetas de infiltração. ser bem nivelado e compactado. num buraco de 1m X 1m. O fundo desse buraco deve ser bem compactado e receber uma camada de concreto magro. É o caso da ocorrência de obstáculos (uma árvore ou rocha) ou da inexistência de espaço suficiente. A utilização de um ou outro vai depender do tipo do solo (mais poroso ou menos poroso) e dos recursos disponíveis para a sua execução. O comprimento total das linhas de tubos depende do tipo de solo e da quantidade de efluente a ser tratada. no sentido da caixa de inspeção para a fossa séptica.

A construção de um sumidouro começa pela escavação do buraco no local escolhido. Os blocos só podem se assentados com argamassa de cimento e areia nas juntas horizontais. Junto a esses espaços. É recomendável que o diâmetro dos sumidouros com paredes de blocos de concreto não seja inferior a 1. Em seguida as valetas são fechadas com uma camada de brita. Os sumidouros podem ser feitos com blocos de concreto ou com anéis pré-moldados de concreto. . Nos entroncamentos ou ramificações de tubos é recomendável o uso de caixas de distribuição. O diâmetro e a profundidade dos sumidouros depende das quantidades de efluentes e do tipo de solo. As juntas verticais não devem receber argamassa de assentamento. os tubos devem ser cobertos (apenas na parte de cima com um pedaço de lona plástica ou outro material impermeável. até meia altura e o restante co m o próprio solo. Se as paredes forem feitas com anéis pré-moldados de concreto.5m para facilitar o assentamento. Esses anéis podem ser adquiridos diretamente de fabricantes locais de pré-moldados de concreto ou de artefatos de cimento. para facilitar oi escoamento dos efluentes. para permitir o vazamento do efluente à medida que ele desce pelos tubos. eles devem ser apenas colocados uns sobre os outros. A profundidade do buraco deve ser 80cm maior que a altura final do sumidouro. para facilitar o escoamento dos efluentes por gravidade. sem nenhum rejuntamento.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 55 fossa devem ser unidos entre si. Mas não devem ter menos que 1m de diâmetro e mais que 3m de profundidade. para permitir o escoamento dos efluentes. Elas podem ser executadas no próprio local ou adquiridas diretamente dos fabricantes de pré-moldados ou artefatos de cimento da região. para evitar a entrada de terra na tubulação. A laje ou tampa dos sumidouros pode ser feita com uma ou mais placas de concreto.5cm . Entre os demais tubos deve ser deixado um espaço de 0. 2) Sumidouro O sumidouro é um poço sem laje de fundo que permite a penetração do efluente da fossa séptica no solo. a cerca de 3m da fossa séptica e num nível um pouco mais baixo.

Topografia dos possíveis locais de implantação e das bacias de drenagem e esgotamento sanitário. podendo remover parcela dos nutrientes como nitrogênio e fósforo. O tratamento terciário. São utilizados apenas mecanismos físicos (gradeamento e sedimentação por gravidade) como método de tratamento. Esta etapa tem a finalidade de proteger as unidades de tratamento subseqüentes e dispositivos de transporte como por exemplo bombas e tubulações. 1988) Nutrientes (% remoção nutrientes) Não remove Não remove Pode remover Até 99 Bactérias (% remoção) 10 – 20 25 –75 70 – 99 Até 99. geralmente constituído por reator biológico. Volumes diários a serem tratados e variações horárias e sazonais da vazão de esgotos. nem sempre presente. um ou outro processo de tratamento pode ser mais adequado. Matéria orgânica (% remoção de DBO) 5 – 10 25 –50 80 –95 40 . Disponibilidade de locais e/ou sistemas de reaproveitamento e/ou disposição adequados dos resíduos gerados pela ETE.99 Sólidos em suspensão (% remoção SS) 5 –20 40 –70 65 –95 80 – 99 Fonte: (CETESB. de poluentes específicos e a desinfecção dos esgotos tratados. Clima e variações de temperatura da região. tem como finalidade a remoção complementar da matéria orgânica. Disponibilidade e custos operacionais de consumo de energia elétrica. além de proteção dos corpos receptores quanto aos aspectos estéticos. O tratamento secundário. a escolha entre as diversas alternativas disponíveis é ampla e depende de diversos fatores. O tratamento primário além dos sólidos sedimentáveis remove também uma pequena parte da matéria orgânica. dentre eles. Quadro V – Estimativa da eficiência esperada nos diversos níveis de tratamento incorporados numa ETE. com os recursos financeiros disponíveis e com o grau de eficiência que se deseja obter. Disponibilidade e grau de instrução da equipe operacional responsável pelo sistema.999 Tipo de tratamento Preliminar Primário Secundário Terciário . O tratamento preliminar destina-se a remoção de sólidos grosseiros em suspensão ( materiais de maiores dimensões e o sólidos decantáveis como areia e gordura). Características do corpo receptor de esgotos tratados.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 56 TECNOLOGIAS PARA TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS No campo de tecnologias para o tratamento de esgotos sanitários. Os reatores biológicos empregados para essa etapa do tratamento reproduzem os fenômenos naturais da estabilização da matéria orgânica que ocorreriam no corpo receptor. dos nutrientes. A estimativa de eficiência esperada nos diversos níveis de tratamento incorporados numa ETE podem ser avaliadas no Quadro V. podem ser citados: • • • • • • • • Área disponível para implantação da ETE. geralmente constituído de unidade de tratamento físico-químico. De acordo com a área. O tratamento de esgotos pode ser dividido em níveis de acordo com o grau de remoção de poluentes ao qual se deseja atingir. remove grande parte da matéria orgânica. utilizando-se de mecanismos físicos como método de tratamento.

operação e manutenção e respectivos custos reduzidos.(SPERLING. Nela a estabilização de matéria orgânica ocorre por . Também durante a noite não há realização de fotossíntese. As reações são praticamente as mesmas com direções opostas: Fotossíntese: CO2 + H2O + Energia Solar ==> Matéria Orgânica + O2 Respiração: Matéria Orgânica + O2 ==> CO2 + H2O +Energia A medida que afasta-se da superfície da lagoa a concentração de oxigênio diminui devido a menor ocorrência da fotossíntese. Uma grande desvantagem é a necessidade de grandes áreas para a construção. estas lagoas devem ser implantadas em lugares de baixa nebulosidade e grande radiação solar. Dependendo da área disponível. Após a entrada do efluente na lagoa. onde pode ocorrer ausência ou presença de oxigênio é denominada zona facultativa. que pode demorar vários dias. Este é fornecido por trocas gasosas da superfície líquida com a atmosfera e pela fotossíntese realizada pelas algas presentes. enquanto que a respiração continua ocorrendo. podem ser empregados os seguintes tipos de sistemas de lagoas de estabilização: Lagoas facultativas Sistema de lagoas anaeróbias seguidas por lagoas facultativas (Sistema Australiano) Lagoas aeradas facultativas Sistema de lagoas aeradas de mistura completa seguida por lagoas de decantação Um outro tipo de lagoa empregada no tratamento de esgoto é a lagoa de maturação. topografia do terreno e grau de eficiência desejado. Na zona aeróbia há um equilíbrio entre o consumo e a produção de oxigênio e gás carbônico. Esta zona. a matéria orgânica em suspensão (DBO particulada) começa a sedimentar formando o lodo de fundo. Nesta zona há necessidade da presença de oxigênio. LAGOAS As lagoas de estabilização são consideradas como uma das técnicas mais simples de tratamento de esgotos. Já a matéria orgânica dissolvida (DBO solúvel) e a em suspensão de pequenas dimensões (DBO finamente particulada) permanecem dispersas na massa líquida. Para isso há necessidade de suficiente iluminação solar.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 57 Algumas das principais tecnologias utilizadas para tratamento de esgotos sanitários estão descritas nos itens apresentados a seguir. as algas produzem oxigênio e consomem gás carbônico na realização da fotossíntese. Durante este caminho. zona aeróbia e zona facultativa. Porém esta tem como objetivo a remoção de patogênicos ao contrário das demais citadas que são destinadas a remoção de matéria orgânica. O efluente entra por uma extremidade da lagoa e sai pela outra. fundamentais ao processo. Enquanto as bactérias produzem gás carbônico e consomem oxigênio através da respiração. além da sua satisfatória resistência a variações de carga. o esgoto sofre os processos que irão resultar em sua purificação. Estas sofrerão tratamento aeróbio nas zonas mais superficiais da lagoa (zona aeróbia). portanto. Estes podem ocorrer em três zonas da lagoa: zona anaeróbia. As principais vantagens de um sistema de lagoas são a facilidade de construção.1996) LAGOAS FACULTATIVAS O processo de tratamento por lagoas facultativas é muito simples e constitui-se unicamente por processos naturais. Este sofre tratamento anaeróbio na zona anaeróbia da lagoa.

é fornecido por aeradores mecânicos. Como a atividade fundamental do processo consiste no desenvolvimento das algas e estas da presença de luz. com volumes elevados. provenientes da liberação de gás sulfídrico. variando entre 4 a 5 metros. e como conseqüência. que podem sobreviver tanto na ausência quanto na presença de oxigênio.5 e 2. como já foi dito anteriormente.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 58 meio de bactérias facultativas.1996) LAGOAS AERADAS FACULTATIVAS A principal diferença entre este tipo de sistema e uma lagoa facultativa convencional é que o oxigênio. A profundidade tem a finalidade de impedir que o oxigênio produzido pela camada superficial seja transmitido às camadas inferiores. O sistema lagoa anaeróbia + lagoa facultativa representa uma economia de cerca de 1/3 da área ocupada por uma lagoa facultativa trabalhando como unidade única para tratar a mesma quantidade de esgoto. desta forma. Portanto ocorre sedimentação da matéria orgânica formando o lodo de fundo que será estabilizado anaerobiamete como em uma lagoa facultativa convencional. Desta forma. a eficiência desse tipo de sistema de tratamento depende da disponibilidade de grandes áreas para que a exposição à luz solar seja adequada. há uma redução significativa no volume necessário para esse tipo de sistema. Devido a presença da lagoa anaeróbia. também conhecido como sistema australiano. existe a necessidade de uma outra unidade de tratamento. além da necessidade de consumo de energia elétrica. (SPERLING. Como a superfície da lagoa é pequena comparada com sua profundidade. podendo a chegar a valores de 70 a 90 % de remoção de DBO. em geral de 15 a 20 dias. Como a DBO efluente é ainda elevada. As lagoas anaeróbias é normalmente profunda. A eficiência de remoção de DBO por uma lagoa anaeróbia é da ordem de 50% a 60%. Devido a introdução de equipamentos eletro-mecânicos a complexidade e manutenção operacional do sistema é aumentada. Por este motivo este sistema deve ser localizado em áreas afastadas. o requisito de área é menor. de forma a permitir a manutenção de grandes períodos de detenção. A lagoa aerada pode ser utilizada quando se deseja um sistema predominantemente aeróbio e a disponibilidade de área é insuficiente para a instalação de uma lagoa facultativa convencional. porém esta necessitará de uma área menor devido ao pré-tratamento do esgoto na lagoa anaeróbia. sendo suficiente um tempo de detenção hidráulica variando entre 5 a 10 dias. A lagoa aerada pode . maus odores. Com isto o consumo de oxigênio será superior ao reposto pelas camadas superficiais. o oxigênio produzido pelas algas e o proveniente da reaeração atmosférica são considerados desprezíveis. longe de bairros residenciais. Estes constituem-se de equipamentos providos de turbinas rotativas de eixo vertical que causam um grande turbilhonamento na água através de rotação em grande velocidade. SISTEMAS DE LAGOAS ANAERÓBIAS SEGUIDAS POR LAGOAS FACULTATIVAS (SISTEMA AUSTRALIANO) Este sistema de tratamento de esgoto constituído por lagoas anaeróbias seguidas por lagoas facultativas. as profundidades das lagoas restringem-se a valores variáveis entre 1. Tendo em vista a maior introdução de oxigênio na massa líquida do que é possível numa lagoa facultativa convencional. Para garantir as condições de anaerobiose é lançado uma grande quantidade de efluente por unidade de volume da lagoa. porém não é suficiente para a manutenção dos sólidos em suspensão e bactérias dispersos na massa líquida. O turbilhonamento da água facilita a penetração e dissolução do oxigênio.0 m. Neste caso esta unidade constitui-se de uma lagoa facultativa. As lagoas facultativas dependem da fotossíntese para a produção de oxigênio. podem ocorrer como conseqüência de problemas operacionais. ao invés de ser produzido por fotossíntese realizada pelas algas. No processo anaeróbio a decomposição da matéria orgânica gera subprodutos de alto poder energético (biogás) e. porém. a disponibilidade de energia para a reprodução e metabolismo das bactérias é menor que no processo aeróbio. O grau de energia introduzido na lagoa através dos aeradores é suficiente apenas para a obtenção de oxigênio.

Com isso há um aumento da concentração de bactérias em suspensão no tanque de aeração. Porém uma taxa equivalente ao crescimento das bactérias (lodo biológico excedente) deve der retirada. O acumulo de lodo nas lagoas de decantação é baixo e sua remoção geralmente é feita com intervalos de 1 a 5 anos. são as lagoas de decantação. o tanque de decantação e a recirculação de lodo são partes integrantes deste sistema. (SPERLING. onde ocorre a remoção da matéria orgânica e depois pelo decantador. Esta permite que o tempo de detenção hidráulico seja pequeno e conseqüentemente também o reator possua pequenas dimensões.1996) SISTEMAS DE LAGOAS AERADAS DE MISTURA COMPLETA SEGUIDAS POR LAGOAS DE DECANTAÇÃO O grau de energia introduzido é suficiente para garantir a oxigenação da lagoa e manter os sólidos em suspensão e a biomassa dispersos na massa líquida. Para que ocorra a sedimentação e estabilização destes sólidos é necessária a inclusão de unidade de tratamento complementar. A presença de biomassa no efluente final devido a dificuldade de sedimentar em um decantador secundário sobrecarregado e a dificuldade de transferência de oxigênio para todas as células no reator são exemplos destes. o efluente que sai de uma lagoa aerada de mistura completa.1996) Lodos Ativados O sistema de lodos ativados não exige grandes requisitos de áreas como por exemplo as lagoas. Este é formado por bactérias ainda ávidas por matéria orgânica que são enviadas novamente para o reator (através da recirculação de lodo). O efluente passa pelo reator. alguns problemas poderiam ocorrer. O sistema de lodos ativados possui algumas variantes e pode ser: . Os requisitos energéticos são maiores que os exigidos por outros sistemas compostos por lagoas. Este tempo de permanência da biomassa no sistema é chamado de Idade do Lodo.1996) LAGOAS DE MATURAÇÃO A função desta lagoa é a remoção de patogênicos. (SPERLING. pois se fosse permitido que as bactérias se reproduzissem continuamente. O tanque de aeração ou reator. A recirculação de sólidos também ocasiona com que os sólidos permaneçam mais tempo no sistema que a massa líquida. que neste caso. A alta eficiência deste sistema é em grande parte devido a recirculação de lodo. porém a remoção de coliformes é geralmente baixa devido ao pequeno tempo de detenção hidráulico e normalmente insuficiente para o lançamento no corpo receptor. esta é mais de 10 vezes maior que a de uma lagoa aerada de mistura completa sem recirculação. Além da matéria orgânica carbonácea o sistema de lodos ativados pode remover também nitrogênio e fósforo. No entanto há um alto grau de mecanização e um elevado consumo de energia elétrica. Devido a isto. para ser ter uma idéia. O tempo de detenção nas lagoas aeradas é da ordem de 2 a 4 dias e nas lagoas de decantação da ordem de 2 dias. de onde sai clarificado após a sedimentação dos sólidos (biomassa) que formam o lodo de fundo. Este sistema ocupa uma menor área que outros sistemas compostos por lagoas. Esta é uma alternativa mais barata à outros métodos como por exemplo a desinfecção por cloração. (SPERLING.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 59 também ser uma solução para lagoas facultativas que operam de forma saturada e não possuem área suficiente para sua expansão. possui uma grande quantidade de sólidos suspensos e não é adequado para ser lançado diretamente no corpo receptor.

há necessidade de uma etapa de estabilização do lodo. Quando esta película cresce demasiadamente. há um maior consumo de energia elétrica. O tempo de detenção hidráulico é bem baixo. não havendo necessidade de se ter um biodigestor. reação. Um sistema de lodos ativados fluxo intermitente possui ciclos bem definidos de operação.(SPERLING. 1997) SISTEMA DE LODOS ATIVADOS DE FLUXO INTERMITENTE (BATELADA) Neste sistema há apenas uma unidade e todas as etapas de tratamento do esgoto ocorrem dentro do reator. sedimentação. Como o lodo retirado ainda é jovem e possui grande quantidade de matéria orgânica em suas células. 1997) BIODISCOS Neste sistema um conjunto de discos. As bactérias formam uma película aderida ao disco que quando exposta ao ar é oxigenada. Assim. geralmente de plástico de baixo peso. Porém.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 60 SISTEMA DE LODOS ATIVADOS CONVENCIONAL O sistema de lodos ativados convencional é constituído por reator e decantadores primário e secundário. O diâmetro máximo dos discos é reduzido sendo necessário um grande número de discos para vazões maiores. porém continua recebendo a mesma carga de DBO. Pois um tanque que esta no ciclo de decantação não pode estar recebendo esgotos e para isso deve haver um outro tanque que esteja no ciclo de enchimento.(SPERLING. 1995) . SISTEMA DE LODOS ATIVADOS DE AERAÇÃO PROLONGADA (FLUXO CONTÍNUO) A diferença deste sistema para o sistema convencional é que a biomassa permanece mais tempo no reator (18 a 30 dias).(SPERLING. Este sistema possui decantador primário para que a matéria orgânica em suspensão sedimentável seja retirada ante do tanque de aeração gerando assim uma economia no consumo de energia. este é um sistema de maior eficiência de remoção de DBO dentre os que funcionam com lodos ativados. Como a estabilização do lodo ocorre de forma aeróbia no reator. Metade do disco é imerso no esgoto a ser tratado enquanto a outra metade fica exposta ao ar. ela se desgarra do disco e permanece em suspensão do meio líquido devido ao movimento destes contribuindo para um aumento da eficiência. Este sistema também não possui decantador primário para evitar a necessidade de uma unidade de estabilização do lodo resultante deste. da ordem de 6 a 8 horas e a idade do lodo em torno de 4 a 10 dias.(SPERLING. há a necessidade de ser ter mais de um tanque de aeração trabalhando em paralelo. Em sistemas que recebem esgotos de forma contínua. São estes: enchimento. o lodo já sairá estabilizado do tanque de aeração. esvaziamento e repouso. giram em torno de um eixo horizontal.1997). Estas passam a ser seqüências no tempo e não mais unidades distintas. Esta quando novamente em contato com o efluente contribui para a oxigenação deste. A biomassa permanece no tanque e não havendo necessidade de sistema de recirculação de lodo. como por exemplo as estações que recebem esgotos domésticos. Este sistema é limitado para o tratamento de pequenas vazões. Este sistema pode funcionar tanto como um de lodos ativados convencional como um de aeração prolongada. Para sobreviver as bactérias passam a consumir a matéria orgânica existente em suas células em seus metabolismos. Com isso o reator terá que possuir maiores dimensões e consequentemente existirá menor concentração de matéria orgânica por unidade de volume e menor disponibilidade de alimento.

A concentração de bactérias é bastante elevada formando uma manta de lodo. planejamento e manutenção adequados.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 61 A FOSSA SÉPTICA .RAFA OU UASB) No reator a biomassa cresce dispersa no meio formando pequenos grânulos. O efluente entra em baixo do reator e possui fluxo ascendente. e do efluente. Vivendo Com Utilização das Águas Pluviais . A fossa séptica possui pouca eficiência e geralmente é utilizada como processo complementar. normalmente de pedras. Esta possibilita a separação dos gases resultantes do processo anaeróbio ( gás carbônico e metano) da biomassa. No topo do reator há uma estrutura cônica ou piramidal. O efluente passa através da fossa e a matéria orgânica sedimentável forma um lodo de fundo que sofrerá digestão anaeróbia. Por ser um processo anaeróbio as dimensões do filtro são reduzidas e a unidade é fechada. A produção de lodo é baixa e este já sai estabilizado.FILTRO ANAERÓBIO Este sistema possui menores dimensões devido a sua condição anaeróbia. REATOR ANAERÓBIO DE MANTA DE LODO (REATORANAERÓBIO DE FLUXO ASCENDENTE . Este já sai estabilizado porém com muitos patogênicos. onde se forma uma película de bactérias. O filtro anaeróbio é constituído por um leito. porém há uma baixa produção de lodo e este já sai estabilizado. que sedimenta no cone sendo devolvida ao reator. É menos eficiente que os sistemas aeróbios. O efluente entra na parte inferior do filtro e atravessa o leito em um fluxo ascendente. ou seja. Os maus odores podem ser evitados com um projeto adequado. mas esta pode ser evitada por um projeto. A área deste sistema é bastante reduzida devido a alta concentração das bactérias. Por isso o leito é afogado.(SPERLING. Este motivo e também a alta concentração de matéria orgânica por unidade de volume fazem com que as bactérias envolvidas neste processo sejam anaeróbias.1995) Fazendo Cidades Mais Confortáveis. os vazios são preenchidos com o efluente. Por ser um processo anaeróbio há a possibilidade de geração de maus odores. (SPERLING. 1995).

Fundamentos Para Utilização das águas Pluviais Grandes cidades Continuam na Dependência de Grandes Reservatórios de Armazenamento Muitos japoneses entendem que a utilização das águas pluviais é importante nos países com escassez de chuva. ⇒ Desperdiçando 1500 mm de Águas Pluviais por Ano . Em Tóquio vivem 12 milhões de pessoas em uma área de 1778 km2. os membros pediram à Associação de Sumô. que seria mais efetiva. mas não entendem porque deveriam se preocupar com as chuvas intensas que precipitam todos os anos. A precipitação média anual no Japão é aproximadamente 1800mm. No Japão. ou seja. os membros do Grupo Pingos de Chuva compilaram as suas idéias e colocaram na publicação “Conceito Oásis da Cidade de Sumida”. e remeteram-nas às autoridades municipais como sugestões e recomendações. Estas são as combinações de freqüência com as quais os centros de baixa pressão atravessam o arquipélago Japonês. para utilizar as águas pluviais que precipitam sobre o telhado. 120 milhões de pessoas vivem numa área muito pequena. Em 1989. a utilização das águas pluviais.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 62 Em 1982. Porém. um Sistema de Utilização das Águas Pluviais foi introduzido na construção do Ryogoku Kokugikan. Esta média do vapor de água no ar significa uma alternância de 81 vezes por ano aproximadamente. quase duas vezes a média mundial.6% da média "per capita" no mundo. Na ocasião. por alguns membros do Grupo Pingos de Chuva. a quantidade média por vapor de água presente na atmosfera é aproximadamente 22 mm por ano. para benefício da comunidade local. quando da construção do Ginásio de Sumô goku Kokugikan foi decidida. mas também regional e comunitariamente. no escritório da Cidade de Sumida. porém não para fins potáveis. assim a demanda "per capita" anual de Tóquio é de aproximadamente 207 m\ representando apenas 0. A demanda "per capita" anual no Japão é aproximadamente 6000 m\ o que representa somente 20% da média "per capita" no mundo. renova-se a cada 4 ou 5 dias. Eles consideraram que a utilização das águas pluviais não só deveria ser promovida individualmente. Como resultado.

por meio de telhados gramados para retenção e. Por exemplo. utilizando apenas alguns ventiladores elétricos como complemento ao sistema. onde ocorrem freqüentes enchentes sob chuvas intensas. os condutores verticais são dotados de telas e grelhas evitando a entrada na canalização do reservatório de armazenamento. decidiu instalar um grande reservatório de armazenamento subterrâneo para utilização das águas pluviais. ele também deseja obter a água pluvial o mais limpa possível. em vez de Esta casa foi construída em 1987. os ambientes são refrigerados através da circulação das águas pluviais por tubulações instaladas nas lajes. Assim. Está localizada na bacia do Rio Shingashi. A temperatura ambiente diminui cerca de 3°C quando as águas pluviais escoam pelas tubulações. Exemplos de Utilização das Águas Pluviais (Visitando Locais com Sistemas de Utilização) A Casa de Kiyoshi Sato: Caixa de descarga acoplada ao vaso Sanitário . Resumindo. sem muitos critérios e considerações. também são utilizadas numa máquina de lavar roupas. Além disso. Diversas idéias quanto a utilização das águas pluviais em residências são demonstradas nesta casa. reservarmos essa água.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 63 As águas pluviais em Tóquio representam um recurso natural muito importante. pois nós queremos que chova muito nas áreas das bacias hidrográficas dos reservatórios de abastecimento em vez de chover sobre a cidade". um tributário do Rio Ara. etc. Porém. Sato disse que consegue viver confortavelmente mesmo sob o calor escaldante do verão japonês. Como as calhas com 70 mm de largura acumulam partículas finas de solo (poeiras) e outras sujeiras (folhas. que continuam sendo lançadas nas redes de águas pluviais. Estes são os nossos principais objetivos para incentivar a utilização das águas pluviais.). Ao mesmo tempo. muitas revistas e jornais têm se reportado a ela como a precursora das estruturas que empregam integralmente sistemas de utilização das águas pluviais. Desde então. a partir de agora. Para esse recurso potencial de água deveremos construir um grande número de “mini reservatório” (reservatórios de águas pluviais) nas áreas urbanas. As águas pluviais coletadas no telhado são armazenadas em um reservatório subterrâneo de 40 m3 de capacidade. nós continuamos lançando nas redes de águas pluviais. o que se deve ser feito. Quando o arquiteto Kiyoshi Sato projetou sua nova casa. sendo utilizadas principalmente para a descarga nos vasos sanitários e. é considerar a importância das águas pluviais. se necessitarmos mais água para o consumo. O resfriamento da casa também é feito pela água armazenada que é aspergida sobre o telhado. pensando que isso viria a ajudar no controle das enchentes. nós temos um pensamento egoísta: "É realmente muito problemático quando chove em Tóquio. se houver o suficiente. planejar uma adução de águas para o consumo em sistema independente do sistema de abastecimento público. pensamos que sempre poderemos construir grandes barragens novas.

que também funcionam como uma bacia de detenção.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 64 Teto e piso com tubulação de refrigeração Bomba ⇒ A casa do Professor Suzuki águas foram águas moradores. a fim de reter as águas pluviais. da entrada da casa. estrutura professor arquitetos águas. A água que transborda da mini fonte de pedras. Este é o melhor exemplo de como utilizar as pluviais em uma casa. para incorporar as pluviais na vida cotidiana dos seus e conviver em harmonia com as chuvas. umedecendo as pedras brancas do pequeno jardim. há um painel de policarbonato que serve de janela tipo clarabóia. ao lado do laguinho. no segundo andar. reconhecido como um dos principais especializados em paisagismo utilizando Em frente a sala de estar. formando uma diminuta cachoeira. forma uma combinação requintada. um pequeno lago artificial. Um banco feito de bambu preto. Na sacada do primeiro andar há um reservatório. escoa nas proximidades. ela infiltra lentamente no solo. passando pela escada. desaguando por um tubo de aço inoxidável em um lavatório de pedra embaixo da sacada. Então. O lago também serve como fonte de água emergencial. As águas pluviais escoam por uma tubulação de PVC colorida.onde às águas pluviais desenham figuras interessantes. As crianças da vizinhança lavam suas mãos com água e os pássaros se aproximam da mini fonte para bebê-la. temporariamente. . A foi projetada por Nobuhiro Suzuki. durante as chuvas intensas. Muitos equipamentos introduzidos nesta casa. produzindo pequenas ondas na superfície do laguinho. um da Universidade de Ciências de Tóquio. que jorra água. e fornece água para resfriar o telhado da casa. com uma mini fonte ao cantro.

a água escoará no canal para o reservatório. na Cidade de Sumida. A cascata . para uma emergência. sendo parte da água excedente (transbordamento). A idéia do “Tensuinson”. a chuva pode exceder a capacidade do reservatório. em tempos de chuva prolongada ou intensa. nas mais variadas formas e maneiras. você encontrará uma rua chamada "Eco-Roji" ("roji" significa rua em japonês) onde existem dispositivos chamados "Rojison". que significam "ruas ecológicas". Você também os encontrará na frente das casas. descarregada nas sarjetas e o restante infiltrado no solo. o objetivo era reaviver os canais perdidos. Este armazenamento serve como recurso hídrico para regar plantas e. O excesso de água pode transbordar de um reservatório para um canal por meio de uma cascata. na falta do abastecimento público. A capacidade de um reservatório de armazenamento de águas pluviais é calculada pela chuva média do local. porém. quando faltar água no reservatório. nascidas na publicação “Conceito Oásis de Sumida”. Então. No “Conceito Oásis de Sumida”. ⇒ Controlando a Quantidade de Águas Pluviais com Reservatório Todas as águas pluviais coletadas não podem ser armazenadas em reservatórios como “Tensuison”. pintados na cor púrpura e dotados com torneiras. foi implementada no distrito de Inchitera-kototoi.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 65 ⇒ A Velha Tina das Águas Pluviais Quando você caminhar nos arredores do distrito de IchiteraKototoi. O "Rojison" é um reservatório subterrâneo com capacidade de 10 m3 de águas pluviais dotado de uma bomba manual.

e teria logomarca do Período Edo 1867). o do banheiro público seria "Tensuison Sento". porém. localizado em Ishihara. mas também um centro para atividades ambientais às pessoas da região. . mas foram desaparecendo um a um.Saneamento básico/ 2007 é uma cachoeira projetada na forma de degraus. utiliza as Conceito pluviais banheiro descargas plantas e nome uma (1603 árvores dessa armazenamento elevado. De acordo com a proposta. que supriria utilizando o Infelizmente o “Tensuison Sento” (“Banheiro Público”) ficou só na idéia. projetado por Shigeru Ito. o protótipo foi construído pela iniciativa privada como “Eco-Sento”. Os banheiros públicos eram bem populares e serviam as comunidades nos centros urbanos.Banheiro Público Ecológico Porém. Técnico em Gestão Ambiental 66 ⇒ "Tensuison Sento" (Banheiro Público) Um banheiro público que águas pluviais foi proposto no Oásis de Sumida. "Mikokuyu" se tornou um "Centro-Ecológico" não só como um centro para comunicação. mais conhecido pelo nome de “Mikokuyu”. Uma lagoa de águas pluviais com pequenas ficariam no jardim e. na Cidade de Sumida. regar e. para beber combater incêndios. As águas pluviais seriam bombeadas de um reservatório de o reservatório subterrâneo para as necessidades no banheiro publico escoamento por gravidade. uma pequena torre com um reservatório elevado seriam construídos ao lado lagoa. nas emergências. ⇒“ECO-SENTO" . As águas coletadas no telhado do público seriam utilizadas para nos vasos sanitários.

De olho no setor canavieiro. As latas vazias podiam ser lavadas com as águas pluviais coletadas no "Rojison". sobre Energia. as águas pluviais coletadas no telhado do banheiro público eram utilizadas numa pequena lagoa e nos vasos sanitários. autoridades brasileiras e japonesas. propiciando a oportunidades de troca de experiências. e depositadas no centro de reciclagem até que os caminhões pudessem transportáIas ao destino final. Anexos: Projetos de energia limpa atraem investidores japoneses Os projetos de energia renovável da América Latina estão despertando a atenção de empresas japonesas. "O Brasil pode receber investimentos de aproximadamente US$ 20 milhões apenas com o potencial das pequenas e médias empresas de energia renovável. tratamento de resíduos sólidos e líquidos e novas tecnologias aliados ao intercâmbio da pesquisa e perspectivas de abrir novos canais de cooperação internacional de interesse estratégico entre instituições japonesas e brasileiras. Muito embora a mistura do álcool na gasolina seja uma medida ainda dependente de soluções político-econômicas. começa a analisar projetos cujos investimentos tenham como retorno dos créditos de carbono. os pesquisadores de ambos os países envolvidos. O Japão é um dos países que. da iniciativa privada e universidade. No plano interno de redução dos gases de efeito estufa. Marcelo Schunn Diniz Junqueira. na área de energia. além de estar implantando um plano de redução de gases de efeito nocivo à camada de ozônio. sustentabilidade. bem como. como o tratamento de efluentes. os importantes temas Energia. Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável visando a obtenção e discussão de informações atuais dos programas governamentais. uma oportunidade para fomentar a realização de novas iniciativas conjuntas para o desenvolvimento de projetos que possam ser benéficos para ambos os países. além de ampliar o conhecimento entre os dois países através de troca de experiências. para reciclagem de latas e vasilhames vazios. preocupado com o aquecimento global. onde se concentra a maior parte dos pequenos e médios empreendimentos de energia renovável. a possibilidade de fomentar a realização de novas atividades conjuntas que possam propiciar a integração e desenvolvimento. este Workshop abre possibilidades interessantes para empresas japonesas e brasileiras. já ratificou o protocolo de Kyoto e. biomassa. Com a finalidade de desenvolver tecnologias para satisfazer necessidades imediatas na área de energia.Existe um grande interesse destas instituições em atuar tanto na redução da emissão de gases de efeito estufa através da mistura de álcool na gasolina como em adquirir créditos de carbono gerados em projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo em países como o Brasil. especializada em soluções financeiras inovadoras voltadas a empreendedores de tecnologias limpas. reuso de resíduos sólidos. meio ambiente. a compra dos créditos de carbono já começou". debater no evento. sustentabilidade e meio-ambiente .Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 67 O conceito de utilização das águas pluviais foi aplicado quando “Mikokuyu” foi remodelado em 1991. Sustentabilidade e Meio- . explica Marcelo”. Através deste evento espera-se. Realização da terceira versão do Workshop Brasil-Japão: Implicações Regionais e Globais. Embora a água para as tinas de banho e para os chuveiros fosse água do abastecimento público e água mineral. foi construído um "centro de reciclagem". beneficiando o país. No Japão. Além disso. tanto do Brasil como do Japão. empresas japonesas do setor elétrico convidaram o representante brasileiro da Econergy. bem como de representantes de instituições de ensino e pesquisa do Brasil. o Japão já aderiu à mistura do álcool à gasolina. para iniciar as negociações dos investimentos no Brasil. universidades e centros de pesquisas estarem discutindo os temas propostos. combustíveis alternativos e qualidade do ar.

com vistas ao bem-estar de seus próprios colaboradores. (3) Corresponder a confiança depositada pelos nossos clientes através do comprometimento com a melhoria contínua. cumpre os seguintes propósitos: (1) Desenvolver. com a responsabilidade social atrelada às suas atividades-fim. realiza suas atividades baseada num Sistema de Gestão da Qualidade e Meio ambiente. A empresa . A troca de experiências e expectativas entre acadêmicos de instituições de ensino e pesquisa é. portanto. buscando atuar de modo a unir produtividade e benefícios para a população. buscando trazer à comunidade brasileiras algumas das soluções adotadas pelo Japão. aprimoramento do padrão de qualidade e com a prevenção de poluição. (6) Colaborar com a formação profissional e social dos funcionários através de instruções e treinamentos adequados. produzir. e a Responsabilidade Social Interna – RSI . Com a participação de todos os funcionários. contemplando ações internas e externas. Hoje. A NSK desenvolve. a NSK busca não só conscientizar seus colaboradores sobre a importância do voluntariado e do desenvolvimento comunitário. utilizando os recursos técnicos e conhecimentos especializados disponíveis. eficiente e eficaz. mas também valorizar os profissionais responsáveis pelo sucesso da empresa. Empresas Japonesas NSK Responsabilidade Social: A NSK Brasil Ltda. (2) Preservar e melhorar o meio ambiente através da integração com a comunidade local. voltadas para as comunidades em que se insere. beneficiando a sociedade como um todo. fornecer produtos e colaborar com o desenvolvimento da indústria e da sociedade através da fabricação de rolamentos de esferas que satisfaçam as necessidades dos nossos clientes. em sua filosofia. duas frentes de responsabilidade social: o projeto NSK Cidadã. não há como dissociar este tipo de comprometimento de instituições envolvidas com a melhoria da qualidade de vida de seu públicoalvo e da sociedade em geral. Estes temas são extremamente relevantes para a conjunta brasileira. praticando conceitos de parceria com órgãos governamentais e indústrias no aprimoramento das atividades de utilização racional dos recursos naturais. extremamente vantajosa no sentido de que podermos obter como resultado a superação de obstáculos. “responsabilidade social empresarial é uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social. ampliando e consolidando as relações existentes entre o Brasil e o Japão. Integrar-se com a comunidade. empresa multinacional situada em Suzano e uma das líderes de mercado no segmento de rolamentos. Por meio de iniciativas diversas.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 68 Ambiente. (5) Promover medidas de redução do consumo de energia e da geração de resíduos industriais. (4) Comprometer-se com o atendimento a legislação e normas aplicáveis e demais requisitos subscritos pela organização. Conforme o Instituto Ethos. o desenvolvimento de estratégias efetivas e o desenvolvimento sustentável. atualmente. Esse é o principal objetivo de qualquer empresa que trabalhe.

e na inclusão contínua dos princípios do desenvolvimento sustentável por meio de gestão ambiental. escavadeiras. Por meio da “1ª Caminhada em prol do meio ambiente”. governo. promovendo ações integradas com empresas. fornecedores. familiares e de toda a Comunidade de Suzano onde está localizada. tais como palestras e peças em 5 escolas da rede Estadual. Komatsu: “Trabalhando com o Futuro” Responsabilidade social é prioridade na Komatsu do Brasil: desde sua fundação em 1975. comunidade. respeito ao meio ambiente e contribuição para o desenvolvimento da comunidade em que atua. A partir de então. O reconhecimento da busca constante pela excelência em qualidade se reflete através da certificação ISO9001: 2000. Por meio do projeto. fabrica para o mercado latino americano. os colaboradores são acionados sempre que estiver em curso alguma ação voluntária do núcleo ao qual pertencem. a Komatsu criou o projeto chamado “Trabalhando com o Futuro”. conceitos sobre a preservação do meio. Para promover a conscientização ambiental e o desenvolvimento sócio-cultural de seus funcionários. Com 730 colaboradores diretos. Este projeto rendeu a Komatsu do Brasil o 1º Premio Mogi News de responsabilidade social empresarial do Alto Tietê. Educação. . consumidores. O projeto NSK Cidadã visa colaborar com o desenvolvimento comunitário. Durante essas ações. Eles são direcionados por um comitê específico. governo e meio ambiente) e conseguir incorporá-los ao planejamento de suas atividades. foram arrecadados 890 quilos alimentos e doados a uma entidade local. Além disso. não apenas dos acionistas ou proprietários”. Meio Ambiente. Além disso. alem de promover através de peça teatral aos alunos do ensino fundamental e médio. funcionários. pás carregadeiras e motoniveladoras. os quais exporta para o mundo todo. a empresa vem exercendo a cidadania corporativa através de 3 fundamentos: a valorização dos funcionários. organizações não-governamentais (ONGs) e os cidadãos. desde a mobilização até a prestação de serviços essenciais à população. No ano seguinte. aberta a toda a comunidade e contando com funcionários como voluntários. Iniciado em setembro de 2004 reuniu alunos na faixa de 14 anos de uma Escola da rede Estadual de Ensino em uma visita a fábrica. hoje a Komatsu do Brasil é a base de fabricação mundial dos tratores de esteira de médio porte.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 69 socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas. exposição cultural sobre as regiões brasileiras e a semana do meio ambiente para os funcionários da Komatsu do Brasil serão desenvolvidas. são executadas duas ações permanentes e cinco semanas de atividades internas que trazem resultados significativos para a comunidade. além da rede de revendedores e fornecedores. relacionamento familiar e autoestima. Comunidade. onde através de palestras e jogos introduziu o conceito de conscientização ambiental. prestadores de serviço. estendeu o ciclo de palestras sobre coleta seletiva aos seus funcionários e educadores da rede pública local. São esses os quatro Núcleos NSK de Ação Social – NNAS's – dos quais fazem parte vários colaboradores da empresa. Em 2006 novas atividades. a NSK também apóia a Fundação Abrinq. onde alunos das Escolas participantes tiveram a oportunidade de expor trabalhos sobre preservação do meio ambiente. novos voluntários podem aderir e cooperar. responsável por encaminhar os voluntários. incentivando e ampliando iniciativas de cunho social. a 2ª caminhada em prol do meio ambiente. buscando atender às demandas de todos. através da certificação ISO14001. A Caminhada teve encerramento em um parque local. Ao longo desses 31 anos. Amparo aos Necessitados. conforme a área de interesse de cada um.

Segundo. o mais famoso rio paulista poderia ser um manancial para milhões de habitantes. Nessas regras. um dos principais mananciais da capital carioca precisa da ajuda do rio Paraíba do Sul para diminuir sua poluição.5 milhão de habitantes.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 70 É dessa forma que a Komatsu do Brasil procura contribuir para o desenvolvimento do país e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. Infelizmente. um manancial precisa de cuidados especiais. Como retirar toda essa gente é inviável. garantidos nas chamadas leis estaduais de proteção a mananciais. a capital paulista "rouba" desse sistema cerca de 50% de sua capacidade de abastecimento. Como resultado. a população na região saltou de 330 mil habitantes nos anos 80 para 750 mil no ano 2000. O exemplo mais conhecido . São Paulo não é o único lugar do Brasil onde os mananciais estão em perigo.é o do rio Tietê. Isso inclui. com milhares de ocupações clandestinas que despejam esgoto no manancial sem nenhum tratamento. Hoje. comprometendo as fontes d' água próximas às metrópoles.e triste . coisa muito difícil de se conseguir em um país como o Brasil. RJ) Emporcalhado pelo esgoto. enquanto o rio das Velhas acabou contaminado por metais pesados despejados pelas usinas siderúrgicas construídas junto às suas margens. A represa de Vargem das Flores recebe esgoto das casas de seu entorno. A boa notícia é que o rio das Velhas já dá sinais de melhora depois de um processo de revitalização iniciado nos anos 90 BACIA DO RIO PIRACICABA (interior de São Paulo) A água desse rio e de seus principais afluentes fica poluída depois de passar na área de grandes cidades como Campinas e Limeira. o jeito é retirar água de lençóis subterrâneos. outras importantes reservas de água estão ficando comprometidas. a expansão das grandes cidades aconteceu de forma superbagunçada. a cidade começou a se expandir em direção à represa de Guarapiranga. "Hoje. O problema é que boa parte dessas reservas está comprometida. represas e lençóis freáticos. da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). a superexploração fez baixar o nível dos reservatórios. os racionamentos e rodízios de água já começam a se tornar comuns na região ÁGUAS SUBTERRÂNEAS (Recife. por exemplo. afirma o sociólogo Ricardo Araújo. Para cumprir sua função. a grande quantidade de esgoto não coletada se infiltra no solo e polui os lençóis. Em tese. Por aqui. que podem ser usadas para o abastecimento público. rios. antes dessa nojeira toda. Pior para as cidades populosas do interior: com rios sujos e com pouca água potável. PE) Como a capital pernambucana não tem rios permanentes capazes de fornecer água a seu 1. o ponto principal é evitar a poluição das águas. A partir da década de 70. o Paraíba do Sul engrossa o volume do Guandu seis vezes em . contamos um pouco mais sobre o drama da represa de Guarapiranga e mais quatro casos de desrespeito às fontes de água em outras metrópoles. A melhor saída é coletar o esgoto e tratá-lo para diminuir a poluição". lagos. Para piorar as coisas para os paulistanos. RESERVATÓRIOS EM RISCO Crescimento desordenado ameaça a qualidade da água nas maiores áreas urbanas do país REPRESA DE GUARAPIRANGA (São Paulo. No quadro ao lado. Mas. Mananciais Mananciais são todas as fontes de água. que corta a capital de São Paulo e boa parte do interior. deixando a água com muito sal e prejudicando o consumo RIO GUANDU (Rio de Janeiro. superficiais ou subterrâneas. o governo do estado promete investir na urbanização de favelas e aumentar a rede de esgoto no entorno do principal reservatório da cidade RIO DAS VELHAS E REPRESA VARGEM DAS FLORES (Belo Horizonte. não é viável remover as pessoas de lá. os custos com o tratamento de água aumentaram dez vezes nos últimos 15 anos. mas quase 100 anos de poluição acabaram transformando o rio em um enorme esgoto a céu aberto. MG) A capital mineira é abastecida por esses dois mananciais com problemas de poluição. a represa de Guarapiranga sofreu com a explosão demográfica: segundo a Sabesp. SP) Poluída pelo esgoto de loteamentos irregulares e favelas. Primeiro.

com uma manutenção da produtividade das áreas já cultivadas. estimulou e ainda estimula a expansão da fronteira agrícola sem a preocupação com o aumento ou. São importantes também como corredores ecológicos. particularmente das florestas. em muitos casos. olhos d´água e represas. as pastagens e as cidades. e muitas acabam pagando um preço alto por isto. a erosão dos solos e o assoreamento dos cursos d' água. A definição de modelos de recuperação de matas ciliares. além de desrespeitar a legislação. e que os produtores rurais e a população em geral seja conscientizada sobre a importância da conservação desta vegetação. representam obstáculos de acesso do gado ao curso d 'água etc. foi sendo fragmentada. o Sudeste e o Sul. como a extinção de várias espécies da fauna e da flora. salvo algumas reservas de florestas bem conservadas. ainda mais evidente nesta virada de século e de milênio. nas regiões com topografia acidentada. o processo de fragmentação florestal é intenso nas regiões economicamente mais desenvolvidas. Este processo de degradação das formações ciliares. representada pelos diferentes biomas. cada vez mais aprimorados. sendo transformadas apenas em áreas degradadas. a cobertura florestal nativa. As matas ciliares funcionam como filtros. lagos. na maioria dos casos.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 71 relação à vazão original. igarapés. Mas a sujeira não foi diluída o suficiente para o abastecimento direto da cidade do Rio e o Paraíba do Sul ficou com menos água para prover as cidades do sul do estado . que ficam às margens de rios. A noção de recursos naturais inesgotáveis. é fundamental a intensificação de ações na área da educação ambiental. em que a água vem sendo considerada o recurso natural mais importante para a humanidade. portanto. ou outros tipos de cobertura vegetal nativa. as matas ciliares não escaparam da destruição. dadas as dimensões continentais do País. cedendo espaço para as culturas agrícolas. visando conscientizar tanto as crianças quanto os adultos sobre os benefícios da conservação das áreas ciliares. resulta em vários problemas ambientais. O processo de ocupação do Brasil caracterizou-se pela falta de planejamento e conseqüente destruição dos recursos naturais. Este processo de eliminação das florestas resultou num conjunto de problemas ambientais. Em regiões com topografia acidentada. foram alvo de todo o tipo de degradação. O nome “mata ciliar” vem do fato de serem tão importantes para a proteção de rios e lagos como são os cílios para nossos olhos. Basta considerar que muitas cidades foram formadas às margens de rios. e de outras áreas degradadas que possibilitam. retendo defensivos agrícolas. ficando a vegetação arbórea nativa representada. em variado estado de degradação. pelo contrário. sem qualquer tipo de produção. para a agricultura e a pecuária e. são as áreas preferenciais para a abertura de estradas. eliminando-se todo tipo de vegetação ciliar. Matas ciliares O que são as matas ciliares e as reservas legais? São florestas. Assim. Apesar da reconhecida importância ecológica. e avança rapidamente para o Centro-Oeste e Norte. afetando diretamente a quantidade e a qualidade da água e conseqüentemente a fauna aquática e a população humana. as mudanças climáticas locais. para os pecuaristas. Além do processo de urbanização. Ao longo da história do País. principalmente. a restauração relativamente rápida da cobertura florestal e a . ou seja. exercem a proteção do solo contra os processos erosivos. É necessário que as autoridades responsáveis pela conservação ambiental adotem uma postura rígida no sentido de preservarem as florestas ciliares que ainda restam. facilitando o deslocamento da fauna e o fluxo gênico entre as populações de espécies animais e vegetais. Além das técnicas de recuperação propostas neste trabalho. as florestas ciliares continuam sendo eliminadas cedendo lugar para a especulação imobiliária. poluentes e sedimentos que seriam transportados para os cursos d'água. por florestas secundárias. que torna obrigatória a preservação das mesmas. pelo menos. ligando fragmentos florestais e. as matas ciliares sofrem pressão antrópica por uma série de fatores: são as áreas diretamente mais afetadas na construção de hidrelétricas. através de inundações constantes. para a implantação de culturas agrícolas e de pastagens. Neste panorama.

ou seja. além de. Situação Largura Mínima da Faixa Rios com menos de 10 m de largura 30 m em cada margem Rios com 10 a 50 m de largura 50 m em cada margem Rios com 50 a 200 m de largura 100 m em cada margem Rios com 200 a 600 m de largura 200 m em cada margem Rios com largura superior a 600 m 500 m em cada margem Nascentes Raio de 50 m Lagos ou reservatórios em áreas urbanas 30 m ao redor do espelho d'água Lagos ou reservatórios em zona rural. Uma floresta ciliar está sujeita a distúrbios naturais como queda de árvores. dificultando o processo de regeneração natural ou tornando-o extremamente lento.° 4. dependendo da intensidade de uso. capacidade de rebrota das espécies. deslizamentos de terra.. em muitos casos. Assim toda a vegetação natural (arbórea ou não) presente ao longo das margens dos rios e ao redor de nascentes e de reservatórios deve ser preservada. essenciais para a conservação da fauna. tendo iniciado com o desmatamento para transformação da área em campo de cultivo ou em pastagem. os empreendimentos turísticos mal planejados etc. na maioria das vezes. a extração de areia nos rios. pela prática da queima de restos vegetais e de pastagens. Pelo contrário. e que principalmente a vegetação ciliar seja poupada de qualquer forma de degradação. lagos. já que poderiam ser recuperadas. O novo Código Florestal (Lei n. o processo de degradação é antigo. que são cicatrizadas através da colonização por espécies pioneiras seguidas de espécies secundárias. fatores essenciais para a manutenção da resiliência como. raios etc. A tabela apresenta as dimensões das faixas de mata ciliar em relação à largura dos rios. 100 m ao redor do espelho d'água com área igual ou superior a 20 ha Represas de hidrelétricas 100 m ao redor do espelho d'água Um ecossistema torna-se degradado quando perde sua capacidade de recuperação natural após distúrbios. para expansão de áreas urbanas e para obtenção de madeira. comprometendo a sucessão secundária na área afetada. perde sua resilitência. maior intensidade do que os naturais. banco de plântulas e de sementes no solo. As principais causas de degradação das matas ciliares são o desmatamento para extensão da área cultivada nas propriedades rurais. a largura da faixa de mata ciliar a ser preservada está relacionada com a largura do curso d' água. As matas ciliares exercem importante papel na proteção dos cursos d' água contra o assoreamento e a contaminação com defensivos agrícolas. que resultam em clareiras.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 72 proteção dos recursos hídricos. portanto. a degradação pode ser agravada através da redução da fertilidade do solo pela exportação de nutrientes pelas culturas e. decretos e resoluções visando sua preservação. 50 m ao redor do espelho d'água com área menor que 20 ha Lagos ou reservatórios em zona rural. Em muitas áreas ciliares. aberturas no dossel. . etc. o ideal é que todo tipo de atividade antrópica seja bem planejada. se constituírem nos únicos remanescentes florestais das propriedades rurais sendo. ou. De acordo com o artigo 2° desta lei. Distúrbios provocados por atividades humanas têm. não implica que novas áreas possam ser degradadas. os incêndios. ou seja. dentre outros. chuva de sementes. Com o passar do tempo e. podem ser perdidos. Estas peculiaridades conferem às matas ciliares um grande aparato de leis. da compactação e da erosão do solo pelo pisoteio do gado e pelo trânsito de máquinas agrícolas. Dependendo da intensidade do distúrbio.777/65) desde 1965 inclui as matas ciliares na categoria de áreas de preservação permanente.

A quantificação da regeneração. É claro que a análise deve levar em consideração o tempo em que a floresta foi implantada. Através destes indicadores. tendem a promover uma recuperação mais rápida da biodiversidade e da funcionalidade do ecossistema. Não se pode cobrar uma elevada diversidade biológica em um projeto cujo objetivo tenha sido o de proteger o solo e o curso d'água dos efeitos negativos da erosão do solo de uma área extremamente degradada. 1 . A regeneração natural é analisada através de medições de diâmetro. Indicadores de Recuperação O sucesso de um projeto de recuperação de mata ciliar deve ser avaliado por meio de indicadores de recuperação. é função das metas e dos objetivos pretendidos com ela.Banco de Sementes: . as abelhas e os besouros. dispensando intervenções antrópicas. secundárias tardias e climáticas). Neste caso é necessário algum tipo de intervenção. Neste aspecto. Outros indicadores vegetativos podem ser medidos como: chuva de sementes. as análises da regeneração natural são essenciais para se avaliar o sucesso da recuperação. A avaliação da recuperação. presentes em pequenas parcelas amostrais. quando comparados com outros indicadores biológicos. bem como determinar o momento em que a floresta plantada passa a ser auto-sustentável. definida como aquela cuja área é tão pequena que a sensibilidade a chuvas de alta intensidade e às diferenças de uso do solo não seja suprimida pelas características da rede de drenagem. Viçosa . Em nível de solo nas áreas em processos de recuperação. as vespas. quando associada com a classificação sucessional das espécies (pioneiras. Vários estudos têm proposto um conjunto de indicadores de avaliação da recuperação e da sustentabilidade dos projetos de restauração e. de indivíduos. na regeneração natural. A menor unidade de estudo a ser adotada é a microbacia hidrográfica. por algum motivo não estão conseguindo se estabelecer.Regeneração Natural: O monitoramento da comunidade jovem. sugerindo que possam ser encontrados bioindicadores de cada uma destas etapas. Assim. compõe um indicador extremamente útil das condições de recuperação e de sustentabilidade da floresta ciliar. ao passo que outras só sobrevivem nestas condições.MG. é possível definir se o projeto necessita sofrer novas interferências ou até mesmo ser redirecionado. Uma estratificação vertical auxilia o entendimento da dinâmica da regeneração natural. Estes indicadores apresentam a vantagem de serem de quantificação relativamente fácil. Quando. lançadas na floresta. principalmente as formigas. e da altura das plântulas e plantas jovens. 2001. ou. possibilita a identificação do estágio seral e a evolução da mesma. visando acelerar o processo de sucessão e de restauração das funções da mata ciliar. 2 . já que muitas espécies não se adaptam a condições de solo encharcado. espécies típicas dos estágios iniciais da sucessão (pioneiras e secundárias iniciais) predominam em número de espécie e. percebe-se indicativo de que a sucessão está muito lenta na área e que as espécies tardias não estão conseguindo chegar até o local ou. a produção de serapilheira e silvigênese. manejo das florestas. Estas informações são extremamente importantes na seleção das espécies a serem plantadas. os cupins.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 73 O conhecimento dos aspectos hidrológicos da área é de suma importância na elaboração de um projeto de recuperação de mata ciliar. embora estejam chegando. através de indicadores. há uma sucessão de organismos da meso e macrofauna que estão presentes em cada etapa da recuperação destas áreas. Fonte resumida: Recuperação de matas ciliares. no nível do solo. envolvendo uma diversidade inicial maior de espécies. do ponto de vista estrutural estático e dinâmico. banco de sementes. ou. Os insetos têm sido considerados bons indicadores ecológicos da recuperação. Editora Aprenda Fácil. Em nível de microbacia hidrográfica é possível identificar a extensão das áreas que são inundadas periodicamente pelo regime de cheias dos rios e a duração do período de inundação. modelos de recuperação mais complexos. Sebastião Venâncio Martins. Estudos mais detalhados determinam categorias de tamanho para a análise da regeneração. secundárias iniciais.

especialmente as climáticas. rasos. casas. causando maior sombreamento no sub-bosque e favorecendo a regeneração das espécies tardias. devem ser tomadas medidas visando estimular sua chegada na área. pois possibilita a comparação com outros estudos realizados em áreas ciliares. a menos que ocorra um distúrbio. Este processo é particularmente importante na restauração da fertilidade do solo nas áreas em início de sucessão ecológica. O importante é determinar a riqueza de espécies do banco de sementes e a proporção entre espécies nativas e invasoras. afetando a substituição de espécies dominantes. assim. espera-se que o dossel torne-se cada vez mais fechado. em termos ecológicos apresenta uma grande influência na regeneração das espécies arbustivo-arbóreas. presentes na vegetação arbórea local. Numa área ciliar em processo de restauração. portanto. inibindo a regeneração de espécies não pioneiras. ao longo do ano. este aspecto não diminui a importância do banco de sementes como indicador de recuperação e de sustentabilidade. Em comunidades sucessionais. Após um determinado tempo. apresentam dispersão a longa distância e. e a regeneração natural de espécies não pioneiras poderá ser prejudicada. formadoras de bancos de plântulas. É importante destacar que o banco de sementes é formado. Em condições de boa cobertura vegetal e com bom sombreamento do solo. o dossel apresentará muitas falhas. Se a produção de serapilheira da área em avaliação está muito baixa em comparação com outras comunidades ciliares pode estar ocorrendo problemas. protegendo o solo da erosão. Contudo. o dossel normalmente encontra-se mais aberto. à medida em que as árvores cresçam e que suas copas se encontrem. o dossel é mais fechado. após um distúrbio. não estão. frente a um distúrbio natural. o de origem animal (restos animais e material fecal) depositado na superfície do solo de uma floresta. decompondo-se e suprindo o solo e as raízes com nutrientes e com matéria orgânica. A ausência ou a baixa densidade de sementes de espécies não pioneiras na chuva de sementes significa que estas espécies terão dificuldades de regeneração na área em recuperação. Em uma área ciliar em recuperação. Desta maneira. necessariamente. o acúmulo de serapilheira e o tempo de sua remoção podem produzir mudança radical na estrutura. 4 . afetando a sustentabilidade da floresta ciliar. normalmente. o material de origem vegetal (folhas. 3 . com bom sombreamento e boa cobertura do solo em reflorestamentos homogêneos. sem posterior replantio. Transferindo para a casa de vegetação e livre de contaminações externas. Um banco rico em sementes de espécies invasoras ou ruderais sugere que. recebendo entradas via vegetação e.5 cm. lançada na superfície do solo. em áreas em que ocorreu mortalidade elevada de mudas. Atua como um sistema de entrada e saída. permite estimar a produção anual por hectare. estas espécies poderão vir a colonizar a área. e que. ou seja a cobertura superior da floresta formada pelas copas das árvores. flores. principalmente. pois é possível se obter um dossel muito fechado. Como as espécies pioneiras são mais importantes na definição da estrutura da floresta. Através de uma moldura de 05 X 0.Produção de Serapilheira e Chuva de Sementes: A serapilheira compreende. com grandes espaços entre as copas das árvores. esta informação é muito importante.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 74 O banco de sementes compreende as sementes viáveis presentes na camada superficial do solo. podendo competir com as espécies nativas. principalmente. coleta-se toda a serapilheira e o solo. por espécies pioneiras que. em nível de ciclagem de nutrientes. esperase que estas espécies pioneiras presentes no banco não encontrem condições favoráveis à germinação e ao estabelecimento. o nível de abertura do dossel pode ser um bom indicador da recuperação de uma mata ciliar. numa profundidade de 0-5 cm. frutos e sementes) e. cabe ressaltar que este indicador deve ser combinado com outros principalmente com a regeneração natural. A quantificação da serapilheira. Nas florestas maduras. Em florestas secundárias jovens. as sementes germinadas são contadas e as plântulas identificadas. Porém.Abertura do Dossel: O dossel da floresta. apesar da . que retém a maior parte das sementes. uma vez que são as espécies pioneiras que irão desencadear o processo de colonização de uma área. por sua vez. são fornecidas condições de luz e de umidade necessárias para a germinação das sementes. Contudo. bem como a riqueza e a diversidade. em menor proporção. além de atuar como barreira física às gotas de chuva. como a abertura de clareiras. permitindo maior passagem de luz e.

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