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Paper Violência Escolar

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Publicado porIzaias Jacinto
Uma reflexão sobre o bullying
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Published by: Izaias Jacinto on Nov 13, 2010
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A VIOLÊNCIA NO CONTEXTO ESCOLAR

Acadêmico: Izaias José Jacinto Professor-Tutor: Isabel Regina Depiné Poffo Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Curso de Ciências Biológicas (BID2891) – Prática do Módulo III 10/09/10 RESUMO As mudanças na sociedade em geral tem trazido grandes transtornos a nossos jovens e crianças. O consumismo, a insegurança financeira, a ditadura da beleza, a falta de oportunidades, etc.; tem levado ao aumento da insegurança em geral. A violência na escola vem como reflexo dessa sociedade deturpada e hostil. A escola deve ser um referencial no combate a essa realidade, se abrindo ao dialogo e procurando meios práticos e rápidos para diminuir o crescimento da intolerância e dos abusos físicos e psicológicos. Professores, pais, governo e sociedade em geral devem dar as mãos e assumirem uma postura firme, não aceitando praticas hostis que tanto faz mal a indivíduos em formação como são nossos jovens e crianças. Palavras-chave: Violência. Escola. Bullying. 1 INTRODUÇÃO É em meio a uma sociedade problemática que vivemos que nos deparamos com questões intrigantes como a violência entrando em nossas escolas. Refugio de paz, fonte de conhecimento, lugar aprazível e de se fazer amigos: não se parece nada com a descrição de uma escola moderna. Mas se é nesse paraíso que queremos trabalhar como professores ou estudar como alunos, cabe a nós a responsabilidade de melhorarmos o ambiente escolar, a sociedade em geral e moldar nosso caráter se preciso para alcançarmos esse objetivo. A violência na escola não é algo moderno ou atual. Desde que se reuniram pessoas pela primeira vez no mundo houve problemas de convivência e socialização. Partindo então da definição de violência, seus efeitos e de como a sociedade pode e deve se envolver para eliminar este mal de seu meio, veremos como ela se mostra nas escolas e como devemos enfrenta-la como futuros professores, alunos, pais e cidadãos em geral.

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O tema não é de simples resolução, pois é muito abrangente e polemico. A sua compreensão envolve muitos outros temas relacionados à sociedade: violência domestica, drogas, maus-tratos, situação socioeconômica, e muitos outros fatores a qual estão expostos os envolvidos em violência nas nossas escolas.

2 CONCEITUANDO VIOLÊNCIA Apresentar um conceito único de violência é difícil, isso porque ela é algo dinâmico e sofre mudanças frequentes. Ela se adapta a sociedade e se transforma com ela. Há dependência do momento histórico que se esta passando, do lugar, da cultura dos envolvidos e do ponto de vista de quem observa. Não há, entre os especialistas sobre o tema, um consenso acerca do que deve ser entendido como um ato de violência. Para muitos especialistas a insegurança, a impotência, o medo de que quaisquer tipos de violência nos atinjam, faz parte do cotidiano de todos nós. Segundo Castro a violência classifica qualquer agressão física contra seres humanos, cometida com a intenção de lhes causar dano, dor ou sofrimento (Castro, 2002, p. 8). Mas outros autores são mais amplos no conceito, como Michaud que diz que há violência quando em uma situação de interação, um ou vários atores agem de maneira direta ou indireta, maciça ou esparsa, causando danos a uma ou mais pessoas em graus variáveis, seja em sua integridade física, em suas posses ou em suas participações simbólicas e culturais (Michaud, 1989, 10 e 11). Atualmente tem-se empregado um termo de origem inglesa para se referir a essa violência nas escolas e na sociedade: o bullying. 2.1 O BULLYING Palavra de origem inglesa adotada em muitos países para definir o desejo consciente e deliberado de maltratar uma pessoa e coloca-la sob tensão (Tatum e Herbert, 1999). O bully é então o valentão, tirano, brigão que violenta, ou grupo de valentões que violentam de forma deliberada e repetitiva a (as) vitima (as). O bullying compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação ao evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro (os), causando dor e angustia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder, tornando possível a intimidação da vitima (Lopes Neto e Saavedra, 2003). Para facilitar o estudo e a discussão sobre a violência no contexto escolar a partir de agora usaremos o termo bullying para designar toda e qualquer forma de violência nesse contexto.

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O bullying não é um ato exclusivo de aluno para aluno. Ele pode ocorrer com as mais diversas pessoas que fazem parte do convívio escolar: professores-alunos, professores-professores, funcionários-alunos; por fim, pode ocorrer com todos. 3 TIPOS DE BULLYING A violência pode tomar diferentes aparências e formas. Pode ir desde xingamentos ao ato físico propriamente dito. É necessário entendermos que sempre haverá mudanças quanto o que é violência, dependendo do contexto histórico-social em que se vive a agressão. 3.1 VIOLÊNCIAS DIRETAS É o bullying onde há agressão física. É mais comum entre os meninos, mas não é exclusividade do sexo masculino. Algumas 'brincadeiras' de mau gosto envolvendo violência são comuns e muitas vezes passam despercebidas nas escolas. Empurrões, tapas, 'pedala - Robinho', corredores de espancamento entre outras atitudes violentas são encaradas como forma de se afirmar perante a turma, de mostrar coragem e força, ou simplesmente uma forma de humilhar mais ainda aquele aluno marcado como vitima, perseguido e alvo certo para toda zoação. 3.2 VIOLÊNCIAS INDIRETAS É mais comum entre as meninas, mas ocorre de forma generalizada em toda escola, não respeitando sexo, idade, classe ou grupo a que se pertença. Às vezes de maneira sutil e quase invisível, como um fantasma as espreitas assustando nossos jovens e todos que fazem parte da vida escolar. São xingamentos, exclusões, ofensas, boatos que maculam a moralidade e a integridade psicológica de qualquer que seja a vitima. Essas repetidas situações embaraçosas, por alcunhas ofensivas, ameaças, discriminação, humilhações verbais trazem muitos problemas para os envolvidos, tanto agressores como vitimas e expectadores. 3.2.1 O cyber-bullying Com o avanço da tecnologia, da globalização da comunicação, tem surgido mais uma forma de violência indireta: o cyber-bullying. Que nada mais é do que o uso de meios de comunicação

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modernos como forma de 'armas virtuais'. São torpedos com ameaças, postagens de ofensas em blogs, redes sociais como Orkut, facebook, MSN e muitas outras que surgem a cada dia. São criadas páginas inteiras na internet ridicularizando um aluno ou grupo de alunos, espalhando boatos ofensivos, intrigas, ameaças e humilhações. 4 OS ENVOLVIDOS São muitas as faces da violência, mas quem esta envolvido no bullying pertence certamente a três principais grupos: os autores, as vitimas e os expectadores. Não é fácil saber a que grupo pertence certo aluno ou grupo de alunos. Ora o individuo é vitima de bullying, ora autor de atos hostis, quer por represália, vingança ou vontade própria; mas é certo que a maioria das pessoas já foi expectadoras de bullying. 4.1 OS BULLIES Os autores de bullying, chamados de bullies; são geralmente envolvidos em situações familiares que favorecem o desenvolvimento da violência Falta de afeto dos pais e familiares, o uso de comportamentos agressivos físicos ou verbais por parte de quem deveria educar para impor superioridade ou ainda a falta de limites e regras claras de comportamento, que estabelecidas desde cedo com amor e carinho, favorecem a construção de um caráter reto e coerente com a realidade. São indivíduos que se valem de força física ou psicoemocional para se imporem e aterrorizar a vida dos mais fracos e indefesos. Arrogantes, prepotentes e hostis sempre metidos em confusões e desentendimentos. Querem ser populares, e para isso passam por cima de todas as regras e de todos. Utilizam-se de métodos de maus tratos como alcunhas pejorativas, menosprezo, zoação e até agressão física. Os bullies apresentam grandes habilidades como lideres, e são muito persuasivos, o que os levam a submeterem outros a seu domínio. Se não acompanhados desde cedo, pela família, escola e sociedade, na busca de uma solução, tendem a levar esses problemas para a fase adulta. O bully tende a se tornar um adulto violento, arrogante, desrespeitoso de leis e regras simples para o bom convívio em sociedade. 4.2 AS VÍTIMAS As vitimas de ataques de bullying são geralmente os que apresentam pouca sociabilidade, tímidos, inseguros e com pouca aptidão para se defenderem. Tendem a ter aspecto físico ou mesmo psicológico frágil, ou ainda alguma característica que os diferencia dos demais. São mais sensíveis,

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passivos, submissos ou ainda de baixa auto-estima. É claro que um indivíduo que apresente essas características não obrigatoriamente sera vitima de bullying. As consequências são desastrosas, vão desde a perda da auto-estima, redução do desempenho escolar até doenças graves como o estresse. Se levarmos em conta que o estresse é a causa de 80% das doenças da atualidade pela redução da resistência imunológica e sintomas psicossomáticos, é alarmante as consequências do bullying para a vitima: dores, febre, taquicardia, tensão, excesso de sono ou insonia, pesadelos, gastrite, ulcera, bulimia, anorexia e problemas gerais de saúde. E há ainda as consequências psicológicas trazidas pelo medo e insegurança vividos por longos períodos da vida: irritabilidade, baixa concentração, angustia, tristeza, apatia, impotência, fobias, desejos de vingança e suicídio. 4.3 OS EXPECTADORES São os que assistem e convivem com a violência, e sofrem as suas consequências sem serem autores ou vitimas diretas. Em geral não falam sobre o assunto com medo de serem as próximas vitimas. Assistem tudo, mas não intervêm por medo, ou para se defenderem ou ainda por terem desejo de eles mesmos serem agressores. Alguns não admitem o bullying, mais por meio de represaria fingem participar apoiando o ato e rindo das vitimas, e usa esse comportamento como forma de defesa. As consequências são as mesmas das vitimas, pois qualquer ser humano fica traumatizado pelo resto da vida tendo que viver por anos seguidos em meio à violência, medo, hostilidade, submissão, chacota e ridicularizarão. 5 A SOLUÇÃO Encontrar uma solução para a violência é algo fantasioso e ideológico. Alguns acham que a violência faz parte do ser humano, uma herança de um passado onde a luta pela sobrevivência dependia de uma luta literal diária. Mas como seres racionais que somos, temos que nos aprimorarmos e aprendermos uns com os outros, dominando nossos extintos mais primitivos e liberando nossas energias e explosões de fúrias em atos construtivos e socialmente aceitáveis. Partindo do núcleo familiar, onde houve planejamento; na educação dos filhos impondo limites e responsabilidades, nunca dando mal exemplo ou sendo hipócritas, com amor, perseverança e dedicação. Nunca apoiando ou rindo de praticas hostis contra animais ou pessoas, por mais inocentes e irrelevantes que pareçam. Preparando a criança para rejeitar a crueldade e valorizar a amizade, abolir a violência e dedicar-se ao amor e compreensão dos outros, dedicando tempo e paciência para demonstrar exemplos bons e mostrar as consequências dos atos ruins.

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Uma criança que parte de um lar estruturado, com noções de respeito, regras e valores chegara à escola pronta para aprender, respeitando os demais colegas, as diferenças de cada um e mais facilmente se socializara. Ira ter facilidade de respeitar autoridades, como professores e diretores, não por medo, mas sim por respeito e civilidade. Evitara intrigas e situações que a ponham em perigo ou a seus colegas, saberá diferenciar uma brincadeira sadia de uma ofensa ridicularizante e dificilmente se sujeitara a agressões físicas tanto da sua parte como de outros. A escola deve agir com interesse no assunto, dedicando profissionais qualificados para trabalhar nas variadas formas de violência. O professor que tem mais contato com os alunos deve sempre estar alerta para identificar qualquer aparência do bullying, não aceitando que brincadeiras se prolonguem muito para evitar a mudança do foco, de brincadeira para ofensas, ridicularização e agressões verbais ou físicas. Se houver a identificação por parte do professor de bullying ocorrendo na escola e ele não se achar qualificado para trabalhar o assunto, devera informar com a direção, e esta por vez buscar ajuda de profissionais qualificados para encontrarem a solução. Seja chamando psicólogos para darem palestras, ou levando determinado aluno para receber ajuda, seja como vitima para superar os traumas ou como autor para aprender a lidar com sua agressividade. A sociedade em geral deve se unir a família e a escola no combate ao bullying. Seja o governo contratando profissionais, sejam as entidades civis organizadas apoiando o jovem e a criança, dando oportunidades de lazer, esporte e cultura; ou ainda as igrejas, templos e instituições em geral. Sabendo que a maioria das religiões prega o amor, o respeito e o bem viver comum, não é ridículo pedir para os pais, avos e familiares apoiarem os jovens e crianças desde cedo a terem uma crença, a terem um referencial de bondade como é Jesus. Num país cristão, como o Brasil, podemos dar exemplos de referencias de bondade que um jovem pode ter em frequentar uma igreja: 'Ensina ao menino o caminho que deve seguir, e assim, mesmo quando for velho não se afastará dele. ' (Provérbios, cap. 22 e ver. 6) 'O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor'. (Romanos 13:10) 'Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor'. (1 João 4:8) 'Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança'. (Gálatas 5:22) 'É mais difícil ganhar de novo a amizade de um amigo ofendido do que conquistar uma fortaleza; as discussões estragam as amizades. ' (Provérbios18:19) Por fim o jovem tem que encontrar na sociedade a estabilidade e a segurança publica necessária para se focar na educação e por fim no mercado de trabalho sem se preocupar com a violência, crimes, drogas e a impunidade que trazem uma sensação quase de pânico a sociedade atual. 6 CONCLUSÃO

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Refletindo sobre o tema exposto pudemos notar que a violência já é algo do cotidiano de todos, inclusive e infelizmente de nossos jovens e crianças. O bullying escolar deve ser discutido, debatido e posto em pratos limpos para alunos, professores, pais e sociedade. Se a sua origem foi uma sociedade violenta, não podemos permitir que ela se generalize em nossas escolas; e nossos jovens, voltem para essa sociedade mais violentos ainda. Mas sim, com a ajuda de todos, devemos estar atentos, vigilantes e prontos para combate-la em todo momento. Nos casos do bullying já instaurado e presente, devemos trata-lo como uma doença, uma epidemia que deve ser controlada, erradicada e prevenida a todo instante, sempre prevenindo uma nova aparição desse mal. Sempre lembrando que jovens e crianças são pessoas em formação, o que eles serão para a sociedade do futuro depende de tudo o que eles vivem no presente. Se quisermos um futuro promissor, esplendido e garantido, a bagagem que essas crianças tem que levar é a da amizade, lealdade, companheirismo, respeito, amor, compaixão; e então sera formada uma geração que só lutara contra a violência e que jamais deixara a injustiça impune, que não se calara diante da hostilidade; mais sera uma geração que bradara pela paz. Que a paz reine primeiramente em nossos corações e se propague como uma onda em nossos lares, escolas, praças, ruas, igrejas, estádios de futebol... Então viveremos um futuro brilhante, onde textos como esse tratarão tão somente de meros aspectos históricos.

REFERÊNCIAS FANTE, Cléo; PEDRA, José Augusto. Bullying escolar: perguntas & respostas. Porto Alegre: Artmed, 2008. CALHAU, Lélio Braga. Bullying: o que você precisa saber. RJ, Impetus, 2009 UNESCO. Violência nas escolas, 2006 VERÓNICA, Acosta; CARLA DANIELA, Jiménez. La Violencia FERRARI, Márcio; COSTA, Cynthia. Violência na escola. Revista ESCOLA 03/2009 BÍBLIA SAGRADA

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