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Dissertacao

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UNIFAE CENTRO UNIVERSITÁRIO MESTRADO EM ORGANIZAÇÕES E DESENVOLVIMENTO

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

INDÚSTRIAS QUÍMICAS E O MEIO AMBIENTE ESTUDO DAS PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS QUE ATUAM EM INDÚSTRIAS QUÍMICAS INSTALADAS EM UM MUNICÍPIO PARANAENSE

ANGELO GUIMARÃES SIMÃO

CURITIBA 2008

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ANGELO GUIMARÃES SIMÃO

INDÚSTRIAS QUÍMICAS E O MEIO AMBIENTE ESTUDO DAS PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS QUE ATUAM EM INDÚSTRIAS QUÍMICAS INSTALADAS EM UM MUNICÍPIO PARANAENSE

Dissertação apresentada ao Curso de Pós–Graduação Stricto Sensu em Organizações e Desenvolvimento, UNIFAE – Centro Universitário, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Organizações e Desenvolvimento.

Orientador (a): Prof. Dr. José Edmilson de Souza-Lima

Curitiba, 10 de junho de 2008.

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Este trabalho é dedicado a minha esposa Carla, pelo carinho constante e por ter compartilhado comigo todos os momentos desta caminhada de construção do nosso futuro comum baseado na educação, e que agora novamente recomeça com o início do seu programa de mestrado.

A minha mãe Alcemira, ao meu pai Altevir e a todos os meus demais familiares pelo carinho, pela compreensão e pela administração dos momentos de ausência exigidos pelo mestrado.

Também dedico este trabalho em mesmo nível de importância, a todas as pessoas que ao longo da história da humanidade tiveram a coragem de abandonar as suas causas particulares para se dedicar a causas coletivas. É graças à atitude destas pessoas que podemos manter sempre acesa a esperança de uma sociedade mais justa e consequentemente de um mundo melhor.

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AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus. Apesar de não buscá-lo na Igreja, tenho a convicção de que ele sempre está comigo e de que sempre está presente nos momentos em que eu mais preciso dele. Aos profissionais das indústrias químicas que aceitaram participar desta pesquisa, os quais, mesmo sem ter total consciência, deram importantes contribuições para a construção de um mundo melhor. Ao meu amigo e orientador José Edmilson, pela humildade acadêmica, pelo exemplo da seriedade do seu trabalho, pela dedicação e pela disponibilidade demonstrada ao compartilhar os seus conhecimentos com o seu grupo de orientandos que aceitou o desafio de trilhar o caminho da complexidade. A família do Prof. José Edmilson por compreender a importância do seu trabalho, o qual exigiu a disponibilidade de seu tempo nos diversos sábados em que as reuniões de orientação foram realizadas. Aos amigos de longa data, Janaína e Carlos pelo incentivo do ingresso na vida acadêmica e pelos vários momentos que nela compartilhamos. Aos colegas da turma de mestrado de 2007, em especial aos colegas Dora, Júlio, Paulo Socher e Bernadete, colegas de orientação e com quem compartilhei a bela experiência de construção coletiva de um grupo de pesquisa. Aos amigos do observatório das indústrias, que em vários momentos, mesmo sem perceber, deram muitas contribuições para a realização desta dissertação. Em especial a minha amiga Erika, pelas várias trocas de idéias sobre a elaboração de uma pesquisa qualitativa.

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“O mundo está na nossa mente, a qual está no nosso mundo”.

“Nosso cérebro-mente ‘produz’ o mundo que produziu o cérebro-mente”

“Nós produzimos a sociedade que nos produz”

Edgar Morin

em especial indústrias químicas de um município paranaense. tendem a ser responsabilizadas por parte das condições favoráveis que possibilitaram o surgimento da crise ambiental discutida na contemporaneidade. O método de abordagem empregado foi a pesquisa de campo e o modo de coleta de dados se deu por meio da realização de entrevistas semi-estruturadas. Em razão da velocidade das novas tecnologias empregadas. caracterizar a forma como estes profissionais percebem o meio ambiente e como percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. Como objetivo geral. como forma de conhecer como estas estabelecem as suas relações com o meio ambiente. fatores que associados determinaram à ampliação da exploração dos recursos naturais e a deterioração do meio ambiente. produtora. Para a realização deste estudo de percepção o tipo de pesquisa escolhido foi o exploratório. Palavras-chave: Meio ambiente. e sociedade. A análise dos dados e o delineamento da pesquisa foram realizados com base no método de análise de conteúdo. são apresentadas as percepções que os profissionais que atuam nas indústrias químicas têm sobre as relações de suas organizações com o meio ambiente. Percepção. consumidora. apresentar o perfil dos profissionais entrevistados em termos de formação e experiência de atuação no ramo industrial químico. .7 RESUMO A revolução industrial ocorrida a partir do século XVII inaugurou uma nova fase na relação existente entre sociedade e meio ambiente. a sociedade passou a contar com novas formas de produção que a possibilitaram desenvolver novos padrões de consumo. Indústrias químicas. indústria de transformação. de natureza qualitativa. Juntas. Neste estudo buscam-se respostas para o seguinte questionamento: como os profissionais que atuam em indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de sua organização com o meio ambiente? Como objetivos específicos este estudo busca apresentar o perfil ambiental das indústrias químicas analisadas. este estudo procura estabelecer um diálogo com a parte mais criticada desta relação: a indústria de transformação. Como conclusão.

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ABSTRACT

The industrial revolution occurred from the seventeenth century inaugurated a new phase in the existing relationship between society and environment. Because of the speed of the new technologies employed, the society become to rely on new forms of production that provided the development of new consumption patterns; considering these factors associated, they led to the extension of the natural resources exploitation and environment deterioration. Together, processing industry (producer) and society (consumer) tend to be responsible for the favorable conditions that allowed the appearance of environmental crisis discussed at present. As a general goal, this study tries to establish a dialogue with the most criticized part of this relationship: the processing industry, particularly the chemical industries of a community from Paraná, as a way of being aware of how they establish their relationship with the environment. In this study answers have been pursued regarding the following question: how the professionals that work at chemical industries which are located in a community from Paraná notice the relationship of their organization with the environment? Taking into account the specific goals, this study aims to present: the environmental profile of

chemical industries analyzed; the profile of professionals interviewed regarding education/training and experience of working in chemical industry; and, characterizing the way these professionals notice the environment and how they realize the relationship between their organization and the environment. For the realization of this perception study the type of research chosen was the exploratory, from qualitative nature. The method of approach employed was the field research and the method of collecting data was carried out through semi-structured interviews. Data analysis and survey management were conducted based on the analysis of content method. In conclusion, the perception of the professionals who work at chemical industries, about the relationship between their organizations and the environment is presented.

Keywords: Environment. Chemical industries. Perception.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Foto do Planeta Terra – Missão Apollo 8 ..................................................... 68 Figura 2 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da África .................................. 77 Figura 3 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da Ásia .................................... 77 Figura 4 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da América Latina e do Caribe 78 Figura 5 – Projeção do Aumento de Temperatura na Terra .......................................... 80 Figura 6 – Temperatura, Nível do Mar e Cobertura de Neve no Hemisfério Norte........ 81 Figura 7 – Evolução do Índice Planeta Vivo .................................................................. 82 Figura 8 – Evolução do Índice Pegada Ecológica ......................................................... 83 Figura 9 – Impacto Humano nos Ambientes Marinhos.................................................. 85 Figura 10 – Luzes da Terra ........................................................................................... 86 Figura 11 – Perspectivas Humanas em Relação ao Futuro .......................................... 93 Figura 12 – Processo Básico de Obtenção de Garrafas PET a partir da Nafta........... 153 Figura 13 – Empregos na Indústria Química Européia e Norte-Americana................. 164 Figura 14 – Volume de Vendas Mundial (2006) .......................................................... 165 Figura 15 – Crescimento Internacional da Produção Química (1996 – 2006) ............. 166 Figura 16 – Taxa de Crescimento de Vendas em Países e Regiões Selecionadas.... 167 Figura 17 – Participação nas Vendas Mundiais (1996 e 2006) ................................... 168 Figura 18 – Relação das 30 (Trinta) Maiores Companhias Químicas (2006).............. 169 Gráfico 1 – Faturamento Líquido Indústria Química Brasileira por Segmentos (2006) 172 Gráfico 2 – Faturamento Líquido da Indústria Produtos Químicos Industriais (2006) . 173 Gráfico 3 – Participação da Indústria Química no PIB Total Brasileiro (2000 a 2006) 174 Gráfico 4 – Participação da Indústria Química no PIB Industrial (2005)...................... 175 Gráfico 5 – Estimativa de Faturamento Líquido da Indústria por Segmentos (2007) .. 176 Gráfico 6 – Evolução da Produção Produtos Químicos Uso Industrial (1990 a 2006) 176 Gráfico 7 – Importações/Exportações Brasileiras em US$ Bilhões (2000 a 2006)...... 178 Gráfico 8 – Total de Indústrias Químicas por Setor (2005) ......................................... 180 Gráfico 9 – Total de Empregados na Indústria Química por Setor (2005)................... 183 Figura 19 – Mapa da Presença do Programa Atuação Responsável no Mundo ......... 206 Figura 20 – Classificação dos Dados .......................................................................... 226

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Legenda dos Mapas de Exploração das Florestas..................................... 76 Quadro 2 – Crescimento da População Mundial (1970 a 2000).................................... 79 Quadro 3 – Projeção da População Mundial (2010 a 2050).......................................... 84 Quadro 4 – Caracterização da Primeira e da Segunda Modernidade ......................... 103 Quadro 5 – Perspectivas da Sociedade de Risco ....................................................... 107 Quadro 6 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química Mundial ............................. 125 Quadro 7 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química no Brasil............................ 134 Quadro 8 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1920 e 1939 ................... 136 Quadro 9 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1940 e 1945 ................... 138 Quadro 10 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1946 e 1959 ................. 139 Quadro 11 – Pólo Petroquímico de São Paulo............................................................ 142 Quadro 12 – Pólo Petroquímico do Nordeste.............................................................. 143 Quadro 13 – Pólo Petroquímico do Sul ....................................................................... 144 Quadro 14 – Indústria Químicas por Tipo de Indústria................................................ 145 Quadro 15 – Fatos Ocorridos com a Indústria Química na Década de 1990 .............. 147 Quadro 16 – Classificação das Indústrias Químicas ................................................... 152 Quadro 17 – Capacidade de Produção dos Pólos Petroquímicos Brasileiros ............. 154 Quadro 18 – Classificações Adotadas pela Indústria Química Mundial ...................... 154 Quadro 19 – Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) ................... 158 Quadro 20 – Faturamento da Indústria Química Mundial (em US$ bilhões) ............... 162 Quadro 21 – Número de Empregados na Indústria Química (2000 a 2006).................163 Quadro 22 – Classificação ABIQUIM para Análises Estatísticas ................................ 171 Quadro 23 – Faturamento Indústria Brasileira em US$ Bilhões (2000 a 2006)........... 173 Quadro 24 – Total de Indústrias Químicas – Brasil, Região Sul e Paraná (2005)....... 180 Quadro 25 – Total de Indústrias Químicas por Região (2005) .................................... 181 Quadro 26 – Participação por Estados – Região Sul .................................................. 181 Quadro 27 – Número de Indústrias Químicas por Unidade da Federação (2005) ...... 182 Quadro 28 – Total de Pessoal Ocupado – Brasil, Região Sul e Paraná (2005) .......... 183 Quadro 29 – Pesquisas sobre os Efeitos Nocivos de Produtos Químicos .................. 186

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Quadro 30 – Acidentes Ocorridos com Indústrias Químicas/Produtos Químicos........ 188 Quadro 31 – Tratados, Acordos e Convenções para a Proteção do Meio Ambiente. . 196 Quadro 32 – Pesquisas de Opinião Pública sobre a Imagem da Indústria Química: .. 200 Quadro 33 – Dados sobre o Programa Atuação Responsável.................................... 202 Quadro 34 – Linhas de Pensamento sobre Percepção – Empirista X Intelectualista.. 208 Quadro 35 – Fontes de Dados X Indústrias Químicas Instaladas no Município.......... 233 Quadro 36 – Indústrias Químicas X Fontes de Dados ................................................ 236 Quadro 37 – Justificativas para a Não Inclusão das Indústrias na Pesquisa .............. 237 Quadro 38 – Total de Contatos Realizados ................................................................ 238 Quadro 39 – Justificativas das Empresas que não Aceitaram Participar da Pesquisa 239 Quadro 40 – Etapas Propostas para a Realização da Pesquisa................................. 241 Quadro 41 – Perfil Profissional dos Entrevistados ...................................................... 243 Quadro 42 – Atividades Desenvolvidas pelas Indústrias Químicas............................. 244 Quadro 43 – Tempo de Existência da Indústria X Tempo de Atuação no Município... 245 Quadro 44 – Declaração de Missão e Valores, SGA e Certificações Ambientais ....... 246 Quadro 45 – Indústrias Químicas X Matriz Energética................................................ 247 Quadro 46 – Gastos/Investimentos Realizados na Área Ambiental (Últimos 3 Anos). 248 Quadro 47 – Motivos para Gastos/Investimentos Ambientais ..................................... 253 Quadro 48 – Dificuldades Encontradas para Gastos ou Investimentos Ambientais.... 254 Quadro 49 – Indústria Química X Descrição dos Resíduos X Destino........................ 256 Quadro 50 – Ações Previstas na Área Ambiental para o Horizonte de 2015 .............. 259 Quadro 51 – Significados dos Entrevistados para Meio Ambiente.............................. 261 Quadro 52 – Relações das Organizações com o Meio Ambiente ............................... 277 Quadro 53 – Acidentes Ambientais ............................................................................. 270

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SUMÁRIO 1. 1.1. 1.2. 1.3. 1.3.1. 1.3.2. 1.4. 2. 2.1. 2.1.1. 2.1.2. 2.1.3. 2.1.4. 2.2. 2.2.1. 2.2.2. 2.2.3. 2.2.4. 2.2.5. 2.2.6. 2.2.7. 2.3. 2.3.1. 2.3.2. 2.3.3. 2.3.4. 2.3.5. 2.4. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 14 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA.............................................................. 14 ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA ............................................................ 22 OBJETIVOS ................................................................................................. 24 Objetivo Geral............................................................................................... 24 Objetivos Específicos ................................................................................... 24 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO..................................................................... 24 FUNDAMENTOS TEÓRICOS ...................................................................... 30 FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DO ESTUDO ............................... 30 Considerações Iniciais.................................................................................. 30 O Sucesso da Matriz Linear e suas Limitações............................................ 32 Noções de Refutabilidade e de Paradigma .................................................. 37 A Escolha pela Matriz da Complexidade ...................................................... 42 MEIO AMBIENTE......................................................................................... 51 A Busca por uma Definição Multidisplinar para Natureza e Meio Ambiente. 51 Reflexões sobre a Relação Ser Humano e Natureza ................................... 61 O Meio Ambiente e a Sociedade Contemporânea ....................................... 70 O Reconhecimento da Complexidade Ambiental ......................................... 86 A Proposta e o Discurso da Sustentabilidade .............................................. 91 A Iminência da Consolidação da Sociedade de Risco ............................... 102 As Organizações e a Sociedade de Risco ................................................. 116 INDÚSTRIAS QUÍMICAS........................................................................... 121 As Origens da Indústria Química no Mundo ............................................... 121 As Origens da Indústria Química no Brasil ................................................. 134 A Forma de Organização da Indústria Química ......................................... 150 A Indústria Química na Contemporaneidade.............................................. 159 Indústrias Químicas, Sociedade e Meio Ambiente ..................................... 184 PERCEPÇÃO............................................................................................. 207

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3. 3.1. 3.1.1. 3.1.2. 3.1.3. 3.1.4. 3.1.5. 3.1.6.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................... 214 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ......................................................... 214 Tipo de Estudo....................................................................................... 215 Natureza ................................................................................................ 216 Método de Abordagem .......................................................................... 220 Coleta dos Dados .................................................................................. 220 Análise dos Dados e Delineamento da Pesquisa .................................. 222 Universo e Amostra ............................................................................... 231

4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO ESTUDO.......................................... 240 4.1. 4.2. 4.3. 4.4. Perfil do Profissional................................................................................... 242 Perfil Ambiental da Indústria Química ........................................................ 244 Profissional e Meio Ambiente ..................................................................... 260 Indústria Química e Meio Ambiente............................................................ 268

CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 281 REFERÊNCIAS........................................................................................................... 290 ANEXOS ..................................................................................................................... 296

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1. INTRODUÇÃO 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

A natureza levou de 4,5 a 5 bilhões de anos para constituir um Planeta repleto de exuberância e de diversidade de formas de vidas. Os encontros e desencontros destes diferentes tipos de vida ao longo da história do planeta Terra resultaram na formação de uma grande rede viva na qual todos os organismos, desde os mais simples até os mais complexos, aprenderam a desenvolver suas relações de interdependência1. Do constante aprimoramento destas relações, surgiram as condições propícias para a perpetuação e sustentação da vida. Desde os tempos mais remotos, desde o surgimento do primeiro sinal de vida no planeta Terra, os primeiros organismos vivos passaram a desenvolver contínuos processos de autopoiese2 com o ambiente onde se encontravam inseridos, como forma de sustentar o milagre da recriação da vida. Por meio do estabelecimento de uma definição quanto ao seu limite físico, estes diferentes tipos de organismos passaram a se organizar como indivíduos ou sistemas fechados, estabelecendo uma complexa relação de equilíbrio entre os ambientes interno e externo, fato reconhecido posteriormente pela ciência no conceito clássico definido por Claude Bernard, denominado homeostase3. Ao estabelecer esta distinção entre ambiente interno e externo, os organismos vivos passaram a realizar freqüentes trocas com o meio onde se encontravam inseridos, como forma de sustentar a vida por meio de processos metabólicos. De acordo com Margulis citada por Capra (2005, p. 26), “o metabolismo, a química

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Para Rodrigues (1977) a interdependência envolve comportamento recíproco e de interação individual, caracterizados por situações de cooperação e de competição.

2 Segundo Capra (2005) a dinâmica da “autopoiese”, também conhecida como “autogeração” ou “autocriação” foi identificada como uma das características fundamentais da vida pelos biólogos Humberto Maturana e Francisco Varela. O conceito de “autopoiese” associa duas características que definem a vida celular: o limite físico e a rede metabólica. De acordo com o autor, a teoria da autopoiese considera que “o sistema vivo se liga estruturalmente ao seu ambiente, ou seja, liga-se ao ambiente através de interações recorrentes” (CAPRA, 2005, p. 51).

Para Branco (2005) é conceito segundo o qual, o meio interno, possuindo características químicas e físicas notavelmente constantes e estando em contato direto ou indireto com o meio externo, variável e inconstante, deve possuir mecanismos de regulação responsáveis por sua estabilidade.

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incessante da autoconservação, é uma característica essencial da vida [...]. Através do metabolismo perene, através de fluxos químicos e energéticos, a vida continuamente produz, repara e perpetua a si mesma”. Ao longo do estabelecimento do complexo modo de funcionamento desta grande rede viva, apenas um entre uma infinidade de seres vivos se destacou em termos de capacidades intelectuais capazes de promover profundas modificações no meio ocupado: o ser humano. Desde os tempos mais remotos e visando garantir a sua própria existência em um ambiente hostil, o ser humano sempre buscou estabelecer uma relação de domínio sobre a natureza com base em sua capacidade criativa e inovativa. Esta capacidade, que o levou a grandes feitos e descobertas, também lhe possibilitou a criação de uma ciência orientada para o estabelecimento do controle sobre as demais formas de vida, submetendo estas aos seus interesses por meio de diferentes formas de domínio. Desta forma, o ser humano gradativamente se colocou em uma condição de maior importância sobre os demais seres vivos, situação considerada por diversos pesquisadores como um dos elementos-chave responsáveis pelo surgimento do desequilíbrio no funcionamento da grande rede viva. Com as especializações e fragmentações do saber, promovidos ao longo da história da ciência, o ser humano estabeleceu um pensamento simplificador, baseado em processos de redução e de separação, responsável pelo distanciamento observado entre as ciências naturais das ciências humanas, entre objeto e observador, entre o ser humano e a natureza. Baseado neste pensamento simplificador, que limita a produção de uma ciência de característica holística, o ser humano acabou por estabelecer a principal matriz de pensamento responsável pela formação dos arquétipos mentais predominantes em sua sociedade. Neste processo de formação, no qual a ciência passou a ser gradualmente comandada pelos interesses econômicos e estatais, a maior parte da sociedade também passou a ser privada do seu direito de pensar, delegando ou submetendo o seu destino às comunidades econômicas que controlam as produções científicas voltadas para interesses de caráter exploratório. Paralelamente a este processo, boa

passando a negar algumas de suas vontades próprias para assumir algumas verdades que não foram desenvolvidas em seu próprio interior. Talvez este processo “evolucionário” justifique o afastamento do ser humano em relação à natureza e o seu interesse em dominá-la. limitou os indivíduos e a sociedade em relação a sua capacidade de entendimento sobre outros fatores que determinam a sua existência. A formação fragmentada do conhecimento. isolando-os de outras possibilidades para o desenvolvimento dos seus conhecimentos e para uma melhor compreensão do ambiente ocupado. excluindo-se do processo de participação ativa da criação do seu modo de vida. para a destruição e contaminação de inúmeros habitats4 naturais e para a poluição dos solos. 4 . Neste longo processo de formação do arquétipo mental linear. proposta pela matriz de pensamento linear. 93) “hábitat corresponde a uma parte do ambiente que é normalmente ocupada por uma espécie em particular”. o ser humano passou a limitar a sua capacidade de produção de um conhecimento holístico e a sua sensibilidade em relação ao meio ocupado.16 parte da sociedade também passou a aceitar como verdadeiro somente aquilo que é produzido pelos poderes vigentes e pela ciência. passando a exercer atividades que lhe são determinadas pelos padrões vigentes na sociedade. também o impeçam de enxergar e avaliar as suas relações com o meio ambiente onde vive. As exigências estabelecidas pelas necessidades de atendimento às demandas geradas por esta matriz de pensamento exigiram dos sujeitos à especialização em áreas específicas do saber. Nesta condição. De acordo com Branco (2005. que demonstrou sua capacidade de predominância diante de outras alternativas de produção do conhecimento. o ser humano teve a sua condição de indivíduo anulada. Talvez estas condições impostas pela forma de pensamento dominante que o impedem de exercer a sua completa liberdade e determinar o seu destino. p. e sim determinadas pelo ambiente externo no qual se encontra inserido. o ser humano já contribuiu diretamente para a extinção de um número incontável de espécies animais e vegetais. Nos 5 milhões de anos que demarcam a sua existência no planeta Terra por meio do surgimento do seu primeiro ancestral.

foi somente no início da década de 1960 que parte da sociedade voltou a sua atenção para os impactos produzidos pela humanidade no ambiente ocupado. 46): Na Europa e nas Américas. mencionadas por Santos. de muitas espécies de mamíferos. Após sucessivas rodadas de discussões ao longo destes últimos 45 anos. De acordo com Stuart e Simmons citados por Shedrake (1993.59% as densas florestas que cobriam a quase totalidade da área do Estado (INSTITUTO AMBIENTAL DO PARANÁ (IAP). p. como os Xetá. em um período constante de tempo”. as evidências apontadas pela comunidade científica sobre os seus efeitos do aquecimento global no curto e médio prazo estão recebendo uma maior atenção por parte das sociedades mundiais em De acordo com Meadows (1978. pouco mais de um século de franca expansão e ocupação comandados pelos interesses dominantes foi necessário para reduzir de 98. devido à sua caça excessiva ou à destruição de seu meio ambiente. é possível que os seres humanos tenham sido os responsáveis pela extinção. pouco mais de 500 anos de ocupação foram necessários para a promoção de profundas modificações no ambiente natural. E. No caso específico do Paraná. 2007).17 da água e do ar. dos (2007) em sua reflexão sobre a origem e evolução histórica dos conceitos ambientais. 5 . ao longo do desenvolvimento de suas atividades. E o que se deve esperar para o futuro em termos da provável ampliação da utilização dos recursos naturais para o suprimento das demandas de consumo de uma população mundial que cresce de forma exponencial5? Apesar da aventura humana no planeta Terra ter iniciado há aproximadamente 5 milhões de anos de um total de 5 bilhões de anos que a natureza levou para constituir a sua complexa rede viva integrada. a exemplo da quase extinção da floresta atlântica e do sempre presente desmatamento da floresta amazônica. há cerca de dez mil anos. No Brasil. tais como o tatu gigante na América do Sul. novamente em 2007. S. 23) “uma quantidade apresenta crescimento exponencial quando cresce numa porcentagem constante do total. última etnia nativa do estado do Paraná a estabelecer contato com os colonizadores (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA.32% para 7. p. os mamutes na Europa setentrional e o hipopótamo pigmeu no Chipre. 2007) e para extinguir as últimas culturas de povos milenares que aqui habitavam.

O reconhecimento pela comunidade científica sobre o agravamento da crise entre “meio ambiente e sociedade” sugere a humanidade a necessidade de reflexões sobre suas ações e sobre a forma como compreende e desenvolve a sua relação com o ambiente natural. 6 . Busca-se justamente pensar a crise Para Egri e Pinfield (1999). não se busca aqui determinar responsáveis por este ou aquele tipo de atividade causadora de danos ao meio ambiente. Com base nesta necessidade. em especial após o início da revolução industrial. também se demonstrou capaz de chamar a atenção de diferentes atores sociais para o estado crítico da saúde ambiental planetária e para as possíveis conseqüências dela decorrentes nos campos social e econômico em escala global. Esta confirmação contribuiu para a ampliação da percepção da sociedade global. Diferentemente da abordagem radical presente em relevantes trabalhos acadêmicos na área ambiental. Os resultados dos estudos científicos produzidos e divulgados pelos cientistas que integram o Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) confirmam que o fenômeno do incremento da temperatura global deixou de ser apenas uma suposição científica para apresentar-se como uma eminente condição de risco para a manutenção da vida no planeta Terra. quanto à gravidade dos impactos ambientais gerados pelas diferentes organizações sociais ao longo de sua história. Sugere ainda reflexões mais profundas. a qual determina a forma de ser e agir das sociedades contemporâneas e serve de abrigo para os elementos geradores da grande maioria das crises. ainda que em escala reduzida. o paradigma social dominante representa a visão tradicional de mundo da sociedade industrializada contra a qual se voltam as perspectivas ambientalistas. Esta importante confirmação científica. que contribuiu para consolidar o fenômeno “aquecimento global” como uma séria evidência da crise sócio-econômicaambiental em curso. este estudo se apresenta para a sociedade como uma proposta para a promoção de reflexões e reavaliações sobre a forma como cada indivíduo ou organização estabelece a sua relação com o ambiente natural. capazes de questionar as características de funcionamento de sua racionalidade predominante.18 relação à necessidade de uma urgente reflexão global para a realização de mudanças do paradigma social dominante6.

Nas sociedades centrais são desenvolvidas as principais ações de produção que contribuem para o agravamento dos efeitos do aquecimento global e para a contaminação do meio ambiente. Como agentes responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social nos . A urgência do estabelecimento de uma nova reflexão coletiva nas diferentes esferas das sociedades locais para a institucionalização de uma nova racionalidade apresenta-se de forma evidente. cedendo espaço para o desenvolvimento das atividades econômicas orientadas para o atendimento das crescentes demandas de consumo oriundas das sociedades centrais. Esta urgência do estabelecimento de uma reflexão coletiva e global se dá tanto no seio das sociedades periféricas como das sociedades centrais em função do processo de retro-alimentação estabelecido. em especial do setor químico. as organizações industriais. Tais exigências. Presentes tanto no seio das sociedades centrais como das sociedades periféricas e voltadas para a promoção e atendimento das demandas crescentes de consumo das sociedades humanas. oriundas de legislações mais abrangentes e do aprimoramento do comportamento de uma sociedade que se faz cada vez mais crítica. Na periferia. o ambiente natural sofre freqüentes pressões. uma vez que ações isoladas se revelam não suficientes para reverter ou pelo menos minimizar o quadro de catástrofes ambientais anunciadas. deparam-se com uma crescente ampliação dos níveis de exigências em termos da sua participação no processo de manutenção do meio ambiente. determinam a estas organizações o exercício de um real papel de responsabilidade junto à sociedade.19 ambiental em curso como resultado de um conjunto maior de ações oriundas do tipo de racionalidade hegemônica adotada por diferentes tipos de atores que determinam os comportamentos da sociedade global. Nas sociedades centrais encontram-se as maiores concentrações populacionais e nelas são desenvolvidos padrões de consumo inconseqüentes que contribuem significativamente para o comprometimento do futuro da vida e do meio ambiente. Nas sociedades periféricas são desenvolvidas as atividades de produção extensiva orientadas para o atendimento das demandas dos grandes centros urbanos.

que trata da fundamentação epistemológica do estudo.20 ambientes onde estão inseridas. estas indústrias demonstraram que são capazes de interferir positivamente no comportamento de seus clientes. podem ser percebidas nas organizações industriais que assumiram o discurso da importância do respeito ao meio ambiente. por meio da institucionalização de práticas que visem à promoção de um desenvolvimento local e global alinhado com propostas sustentáveis alicerçadas no respeito ao meio ambiente. podem contribuir para a construção de um novo tipo de racionalidade mais compatível com as necessidades de preservação do meio ambiente e voltada para a concretização do sonho de construção de uma sociedade fundamentada em princípios sustentáveis. funcionários e também nas diferentes esferas do poder público. o desenvolvimento de produtos biodegradáveis ou a utilização de embalagens recicláveis. fornecedores.1. Algumas destas práticas. O objetivo deste trabalho é identificar como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente. Além das limitações da matriz de pensamento linear. Por meio de suas ações. Por meio de ações como o marketing ecológico. buscou-se apresentar algumas das insuficiências da matriz de pensamento linear para o desenvolvimento de um estudo de percepção de característica multidisciplinar. estas organizações. são apresentados alguns dos motivos que levaram a escolha da matriz da complexidade para o . envolvendo as variáveis meio ambiente e indústrias químicas. No capítulo 2. Para o atingimento do objetivo proposto foram concebidos cinco capítulos para a fundamentação teórica. bem intencionadas ou não em relação aos seus verdadeiros interesses com relação às causas ambientais. Com base nesta reflexão. que afetam positivamente a sociedade e que determinam à formação de uma nova consciência coletiva. as indústrias químicas podem contribuir significativamente para o desenvolvimento de práticas de produção mais limpas orientadas para um maior respeito ao meio ambiente e para a formação de uma nova consciência coletiva em termos de produção e consumo. foram analisadas algumas das principais características da matriz de pensamento linear e suas influências sobre a forma de ser e agir da sociedade contemporânea.

Por este motivo. bem como a sua forma de organização e atuação. A concepção da elaboração deste estudo parte de interesses particulares do pesquisador avivados ao longo de sua participação no programa de mestrado em Organizações e Desenvolvimento e do seu reconhecimento quanto à necessidade do desenvolvimento de novos estudos que versem sobre as relações das organizações industriais e o meio ambiente e que sejam capazes de caracterizar as empresas apenas como uma parte integrante de um conjunto maior de elementos que constituem o próprio meio ambiente.21 desenvolvimento do presente estudo. as quais visam possibilitar uma rápida leitura por parte daqueles leitores que já conhecem a realidade do setor. onde normalmente o tema meio ambiente é tratado apenas como uma variável subordinada aos interesses e ao controle das organizações. Em razão do pesquisador não possuir vínculos profissionais com o setor químico.3 é reservado para a caracterização da indústria química no mundo e no Brasil. os quais foram incorporados no presente estudo na forma de tabelas. se deu pelo interesse . A proposta de organização deste estudo possui características peculiares que o diferem das propostas de estudos desenvolvidas à luz da matriz do pensamento linear. no capítulo 2. Neste capítulo são também apresentadas algumas considerações sobre a relação ser humano e natureza. Desta forma.2 busca-se promover algumas reflexões sobre meio ambiente e sociedade na contemporaneidade. bem como de alguns números que retratam de forma quantitativa a realidade do setor químico na atualidade. se fez necessário resgatar alguns fatos históricos da indústria química. O capítulo 2. além de aspectos relacionados ao reconhecimento da complexidade ambiental e a iminência da consolidação do conceito de sociedade de risco proposto por Beck (2006). durante o desenvolvimento deste estudo optou-se primeiramente por caracterizar aspectos relevantes sobre meio ambiente e sociedade para somente depois caracterizar as indústrias químicas e a relação que estas estabelecem com o meio ambiente. A opção pela manutenção e apresentação dos fatos históricos que tratam sobre o surgimento e a forma de organização da indústria química. na busca da construção de uma compreensão multidisciplinar para natureza e meio ambiente.

uma vez que a regra geral determina que as unidades da indústria manufatureira estão envolvidas com a transformação de insumos e materiais em um produto novo. versão 2. a fronteira entre a indústria de transformação e outras atividades nem sempre é clara. química e biológica de materiais.22 do pesquisador em disponibilizar algumas informações sobre as indústrias químicas para os profissionais que participaram da pesquisa.0. a indústria de transformação compreende as atividades que envolvem a transformação física.2. De acordo com Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). as indústrias de transformação movimentam a economia quando adquirem matérias-primas para a fabricação de seus produtos. elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007). substâncias e componentes com a finalidade de se obterem produtos novos. Segundo o próprio instituto. Neste capítulo também são apresentados alguns conceitos específicos sobre percepção ambiental e a sua importância para o desenvolvimento de estudos que envolvam a variável meio ambiente. que busca revelar quais são as percepções de profissionais que atuam na indústria química de um município paranaense em relação ao meio ambiente e como as organizações onde trabalham consideram a questão ambiental no desenvolvimento de suas atividades produtivas. os quais receberão uma cópia do trabalho em meio digital com sinal de retribuição pela sua participação.4 apresenta alguns conceitos relacionados à percepção. geram empregos e renda para as populações das comunidades do seu entorno ou quando contribuem com tributos para as três esferas do poder público. Por fim. Como a definição do que seja um produto novo nem sempre é objetiva. ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA As indústrias de transformação7 desempenham um papel histórico na sociedade em termos de promoção do desenvolvimento econômico e social das regiões onde se encontram inseridas e também em relação aos impactos ambientais decorrentes de suas atividades. O capítulo 2. 7 . este fato gera dificuldades na determinação dos limites do que é considerado uma atividade da indústria de transformação (atualmente o CNAE possui 24 divisões de atividades econômicas). 1. os quais serviram de referência para o desenvolvimento do presente estudo. o capítulo 3 trata dos procedimentos metodológicos adotados para o desenvolvimento da pesquisa e o capítulo 4 apresenta os resultados obtidos para este estudo de percepção. contratam serviços de terceiros. Por meio do desenvolvimento de suas atividades.

além de sérios impactos de ordem social e econômica.23 A importância que as indústrias de transformação representam em termos de desenvolvimento econômico para as diferentes regiões onde são implantadas pode ser constatada pelas recentes concessões fiscais oferecidas pelas esferas dos poderes estaduais e municipais para a atração de novos empreendimentos industriais. passaram a exercer uma maior influência sobre o meio ambiente das regiões onde foram implantadas. Em especial no setor de fabricação de produtos químicos. fato que resultou em sérios problemas sociais. a substituição de insumos e matérias-primas não renováveis por renováveis. em conjunto com as indústrias que estavam anteriormente instaladas. situação retratada por Santos. S. Este estudo busca identificar como as indústrias de transformação do setor de fabricação de produtos químicos instaladas em um município paranaense estabelecem as suas relações com o meio ambiente. a ausência destas medidas pode representar danos irreparáveis ao meio ambiente. dos (2007). a corrida pelo desenvolvimento industrial desencadeada na década de 1990 e baseada na concessão de benefícios fiscais. quer seja por questões relacionadas à ampliação da utilização de recursos naturais ou por questões relacionadas à ampliação da produção de resíduos industriais. como a otimização de processos industriais. E. Estes impactos produzidos junto ao meio ambiente se agravam quando há a ausência de medidas que visem mitigar os efeitos produzidos pelo processo de ocupação e aumento da utilização dos recursos naturais. de ocupação espacial e de pressão quanto à utilização de recursos naturais. as novas indústrias. por meio da obtenção de respostas ao seguinte questionamento: . tratamento e destino de resíduos. Algumas cidades. S. além de plantas industriais receberam também um considerável incremento populacional. No Paraná. Junto com o desenvolvimento econômico. a exemplo da Região Metropolitana de Curitiba. quando analisa os impactos ambientais causados pela implantação do setor automotivo no Paraná. fato último retratado por Santos. assim como em outros estados. E. dos (2007). foi diretamente responsável pela implantação de novas indústrias que hoje contribuem significativamente para a dinamização da economia do Estado. entre outros.

1.4. o qual buscava revelar os impactos da utilização de tecnologias de informação por produtores rurais cooperados.3. • Apresentar o perfil dos profissionais entrevistados em termos de formação e experiência de atuação no ramo industrial químico. a proposta inicial de pesquisa gradativamente se demonstrou insuficiente em relação às expectativas deste pesquisador em realizar uma pesquisa científica de natureza multidisciplinar alinhada com interesses mais amplos da sociedade. acerca da real relevância da realização do projeto de dissertação original. . Com um enfoque determinista e simplificador. JUSTIFICATIVA DO ESTUDO O interesse em realizar um estudo envolvendo as variáveis “Meio Ambiente” e “Indústrias Químicas” surgiu em meio a crescentes inquietações avivadas ao longo do mestrado.1.3. Objetivos Específicos • Apresentar o perfil ambiental das indústrias químicas analisadas. • Apresentar como os profissionais percebem as relações de sua organização com o meio ambiente.2. Objetivo Geral Identificar como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente. 1.3. OBJETIVOS 1. • Caracterizar como os profissionais percebem o meio ambiente.24 Como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de suas organizações com o meio ambiente? 1.

quando em companhia do seu pai efetuou os primeiros reconhecimentos do ambiente natural e recebeu as primeiras noções sobre a beleza e a importância da preservação da natureza. estas questões sociais e ambientais. Lembranças de infância. foi reavivado. um antigo interesse pela área ambiental. foram 8 De acordo com Serva (1996. Com a realização das disciplinas do programa de mestrado multidisciplinar. a qual acabou determinando. Este abandono se deu em razão da predominância de sua preocupação com a dimensão econômica. orientada para o alcance de metas técnicas ou de finalidades ligadas a interesses econômicos ou de poder social. Lembranças das muitas pescarias realizadas na infância nos Rios Tibagi. que outrora estiveram mais próximas e que gradativamente foram ignoradas. em parte. da época em que os recursos financeiros eram mais limitados. especificamente em uma área orientada para atendimento das necessidades de mercado: a informática. p. esquecido em meio à predominância da até então desconhecida ação racional instrumental8 e que contribuiu para a subtração de anos de reflexão deste pesquisador sobre temas complexos. A decisão de mudança do tema de estudo veio pelo reconhecimento e pelo interesse deste pesquisador em desenvolver um estudo envolvendo questões sociais e ambientais. pela sua escolha de graduação acadêmica na área de exatas. Neste processo de busca. As evidências do distanciamento das questões sociais e ambientais estão representadas no estilo de vida adotado por este pesquisador. Guaraúna e Iapó antes da acentuação dos efeitos da poluição e da degradação do meio ambiente. que os apelos para consumo eram mais moderados e que a convivência com as pessoas era mais valorizada. . através da maximização de recursos disponíveis”.25 A insatisfação crescente com a proposta de pesquisa original acabou por despertar reflexões sobre a necessidade de encontrar um tema de especial relevância para o contexto da sociedade contemporânea. que estavam até então adormecidas. As lembranças de um padrão de vida simples caracterizado pelo convívio social e por uma melhor utilização dos recursos naturais estão registradas na memória deste pesquisador. o qual obedece à maioria dos padrões de estilo de vida adotados pela sociedade contemporânea. 342) a ação racional instrumental corresponde a “ação baseada no cálculo.

a racionalidade pode ser definida como funcional ou instrumental quando é definida pelo cálculo de consequências. e a ordenar sua vida pessoal e social de acordo com ela. com o Prof. política. Cleverson Vitório Andreoli. Em sua disciplina. os Professores Janaína Maria Bueno e Carlos Roberto Para Castor (2007) a razão é a força ativa do psiquismo humano que habilita o indivíduo a distinguir o bem do mal. o Prof. com o Prof. que também considerasse em mesmo nível de importância as dimensões social. o Prof. Cleverson Vitório Andreoli apresentou em sua disciplina evidências sobre a situação crítica do planeta Terra e sobre o futuro da humanidade. Dr. o Prof. serviram para revelar a ausência de sensibilidade e um certo distanciamento por parte dos mestrandos em relação às questões ambientais. enquanto que a racionalidade substantiva se preocupa com as qualidades éticas dos fins e não leva em consideração conseqüências adversas. o Prof. As contribuições destas duas disciplinas se complementaram com as discussões em torno das definições sobre as racionalidades instrumental e substantiva9 das organizações. ambiental. Em sua disciplina. Belmiro Valverde Jobim Castor forneceu aos mestrandos relevantes informações para o entendimento das influências das diferentes racionalidades no funcionamento das organizações sociais e sobre o comportamento dos indivíduos que nelas trabalham. as quais. Dr. Christian Luiz da Silva sensibilizou os mestrandos sobre a necessidade de se pensar um novo tipo de desenvolvimento além daquele unicamente baseado na dimensão econômica. cultural e espacial diretamente impactadas pelas preocupações unicamente centradas na dimensão econômica. Dr. Christian Luiz da Silva e Meio Ambiente. um novo tipo de desenvolvimento. Com uma abordagem fundamentada.26 novamente despertadas pelas disciplinas Desenvolvimento Sustentável. Dr. o conhecimento genuíno do falso. 9 . Dr. Outras importantes revelações sobre o processo de formação das matrizes de produção do conhecimento foram inicialmente obtidas junto aos amigos de longa data e também pesquisadores. Para o autor. desenvolvidas pelo Prof. fatos que associados contribuíram significativamente para a decisão de elaboração deste estudo envolvendo organizações e meio ambiente. incluindo este pesquisador – fato que revela uma forte evidência sobre as insuficiências oriundas da formação educacional de caráter unidisciplinar. Dr. além de provocar prolongados debates. Alberto Guerreiro Ramos e apresentadas com fidelidade por um dos seus discípulos. Belmiro Valverde Jobim Castor na disciplina denominada Delimitação de Sistemas Sociais.

que em muitas rodadas de conversa no Lucca Café. Julio César de Oliveira Sampaio de Andrade e Paulo Roberto Socher. José Edmilson Souza-Lima em termos de seleção dos referenciais teóricos e da condução das atividades do grupo de pesquisa formado pelos alunos Angelo Guimarães Simão. o pós-positivismo. Dr. Nestes encontros. o construtivismo e a teoria crítica foram gradativamente reveladas. Dr. especialmente preparada e ministrada pelo Prof. que o entendimento sobre o real sentido de se produzir ciência com consciência foi consolidado e estabelecido por estes alunos que aceitaram o desafio de produzir suas dissertações à luz da teoria da complexidade e alinhadas com desafios emergentes enfrentados pela sociedade contemporânea. A experiência vivenciada por este pesquisador e por seus colegas ao longo do mestrado e a sua decisão de troca do tema escolhido para o desenvolvimento de sua dissertação pode ser traduzida nas palavras de Severino (2002). em consonância com o momento histórico vivido pela . José Edmilson Souza-Lima. Maria Bernadete Wolochen. Para o autor. José Edmilson Souza-Lima ofereceu em sua disciplina os estímulos necessários para que os futuros mestres em Organizações e Desenvolvimento articulassem seus trabalhos de pesquisa em torno de temas sociais. Dr. compartilharam gratuitamente os seus conhecimentos sobre epistemologia adquiridos ao longo de suas carreiras acadêmicas.27 Domingues. foi proporcionado aos mestrandos à oportunidade de conhecer as várias formas de produção do conhecimento na sociedade contemporânea. Com a disciplina Epistemologia e Pesquisa Multidisciplinar. Maria Auxiliadora Villar Castanheira. as primeiras noções sobre as matrizes de produção do conhecimento científico envolvendo o positivismo. em especial na atual experiência vivida por eles no Programa de Doutorado em Administração da Fundação Getúlio Vargas – São Paulo. Foi por meio desta disciplina e do conhecimento demonstrado pelo Prof. como forma de ampliar a sua compreensão para os diversos níveis de complexidade do mundo em que estão inseridos e sobre o qual atuam. políticos e ambientais. cabe ao pós-graduando em geral desenvolver um trabalho de reflexão e pesquisa baseado em um projeto político-existencial. Baseado em sua formação e experiência como professor e pesquisador. econômicos. o Prof. do qual ambos são integrantes.

bem como desenvolver pesquisas que versem sobre temas relacionados com o ambiente e o desenvolvimento.] não. em vista do seu crescimento constante. Para Cintra citado por Severino (2002. 113): A temática deve ser realmente uma problemática vivenciada pelo pesquisador.. este trabalho está vinculado à linha de pesquisa "Sustentabilidade e Desenvolvimento Local". A escolha do tema de estudo foi motivada pela existência de estudos ou abordagens que apontam as indústrias de transformação. como vilãs do meio ambiente. O autor ainda considera que as várias formas de trabalhos científicos têm em comum a necessária procedência de um trabalho de pesquisa e de reflexão que seja pessoal. em vista de sua relação com o universo que o envolve. num nível puramente sentimental. na qual se busca analisar a participação das organizações no desenvolvimento e o seu papel como agente no processo de desenvolvimento local. assim como outros estudos que afirmam ou apontam evidências contrárias. em qualquer nível. Para Severino (2002. situação gerada em função da superespecialização das disciplinas e do interesse de grande parte das instituições de ensino superior. Esta situação pode ser . em especial as indústrias químicas. p. p. em especial as instituições privadas.28 sociedade concreta. mas no nível da avaliação da relevância e da significação dos problemas abordados para o próprio pesquisador. Desta forma.. criativo e rigoroso. Cabe a presente pesquisa fazer incursões nesse campo de disputas para verificar possíveis insuficiências das abordagens anteriores e tentar ir adiante a termos explicativos das relações entre indústrias químicas e meio ambiente. Outro fator que motivou a realização deste estudo foi a constatação do distanciamento ocorrido entre a formação universitária e as reflexões sobre os problemas sócio-ambientais. exige do pesquisador um envolvimento tal que seu objetivo de investigação passa a fazer parte de sua vida”. Um projeto que revele a sensibilidade do pós-graduando às condições que sua sociedade vive e às exigências de sua transformação. pela adoção de estratégias educacionais centradas unicamente no atendimento das necessidades de mercado. autônomo. obviamente. ela lhe diz respeito [. 113). necessita ser pessoal no sentido em que “qualquer pesquisa.

. Para a autora “.. as paixões e as intuições. gerar dados e massa crítica para o meio acadêmico para o desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas às questões das organizações e o meio ambiente. distanciando-o”. De acordo com Gonçalves e Carvalho citados por Morales (2007. 151). Em seu trabalho de pesquisa. o que implica não considerar o ser humano e suas interfaces nesse processo. a universidade. p. 2007. 151). Neste sentido Morales (2007). que considera que “. inviabilizou o contato com os problemas sócioambientais. p.. distanciando-se do saber totalizado” (MORALES. considera que o ensino superior dá ênfase à formação de profissionais que sejam produtivos para o mercado. fato que contribui para que o conhecimento torne-se cada vez mais disciplinar. . 151) “se fez imperativo dominar o instinto. Busca-se também por meio deste estudo. em especial estudos sobre as organizações que atuam no Estado do Paraná.29 constatada em algumas citações presentes no estudo realizado por Morales (2007. No meio profissional poderá contribuir para a promoção de reflexões e para o desenvolvimento de ações voltadas para a preservação do meio ambiente a partir de iniciativas geradas pelos diferentes tipos de profissionais no interior das organizações. acompanhando a lógica das novas práticas de desenvolvimento por meio da técnica e da ciência. p. Talvez este fato justifique a ausência de sensibilidade demonstrada por diferentes tipos de profissionais em relação a sua preocupação com o meio ambiente e consequentemente a carência de estudos organizacionais que tratem de questões ambientais. a autora cita Schön.. por meio da aplicação de teoria e técnicas apropriadas derivadas do conhecimento sistemático. o pensamento moderno está impregnado de caráter utilitarista e pragmático”. para quem a racionalidade técnica. Esta constatação revela uma grave falha em termos de formação das diversas especializações profissionais para o devido tratamento das questões ambientais nas organizações contemporâneas. ao criar um ensino de resultados. contribui para a formação de profissionais que saibam solucionar problemas instrumentais. principalmente nos cursos de graduação.

1. que aborda a discussão da relação polarizada existente entre meio ambiente e organizações industriais. surgiram diversas evidências que revelaram as insuficiências da adoção da abordagem linear para o tratamento de um tema com características complexas. se fez necessário primeiramente estabelecer e compreender os fundamentos epistemológicos que influenciam os processos de formação dos arquétipos mentais que determinam o modo de ser. Aos poucos esta experiência tornou-se um sentimento maior. FUNDAMENTOS TEÓRICOS 2.30 2. pensar e agir da comunidade científica e.1. alinhando-se ao sentimento da “crise de meia idade” definido por Jung e citado por Vasconcelos (2002. Ao longo do processo de iniciação e aprendizado para o desenvolvimento de pesquisas científicas multidisciplinares. 10 . no sentido de torná-las mais abertas e aptas para a discussão de temas multidisciplinares10. Considerações Iniciais Este capítulo visa apresentar as razões e os fundamentos epistemológicos que nortearam a concepção e a realização deste estudo. Compreender melhor a essência dos fundamentos epistemológicos partindo de uma formação cultural e acadêmica influenciada pela corrente positivista representou um desafio pessoal em termos de aprimoramento das estruturas de pensamento e de percepção deste pesquisador.1. 19). se fez necessário conhecer e questionar em vários momentos a natureza de seu pensamento mecanicista e determinista. FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DO ESTUDO 2. originando assim uma forte necessidade para o reconhecimento e aprofundamento do seu processo de Vasconcelos (2002) define que as práticas multidisciplinares correspondem a gama de campos de saber que propomos simultaneamente. p. Ao longo da investigação e da elaboração da revisão bibliográfica. Por se tratar de um tema complexo e de natureza crítica. por conseqüência. mas sem fazer aparecer as relações existentes entre eles. das sociedades contemporâneas. no sentido de possibilitar a adoção de novas estruturas cognitivas compatíveis para a realização desta pesquisa. evidências estas que foram identificadas de forma gradual e devidamente consideradas para o desenvolvimento do presente estudo.

e individuação. para um maior entendimento das possíveis origens e razões da atual crise ambiental. divididas entre uma realidade mecanicista impessoal e "objetiva" e o mundo "subjetivo" da experiência pessoal. é a experiência real. de natureza inclusiva e orientada para a promoção do diálogo entre as ciências naturais e sociais. ou seja. Abordar o tema meio ambiente e indústrias químicas à luz da matriz da linearidade.31 individuação11 em relação às questões sócio-ambientais. apresentada na disciplina de Epistemologia e Pesquisa Multidisciplinar. Com base no estudo do contexto do surgimento da ciência moderna. somente a partir das teorias das ciências naturais ou somente a partir das teorias das ciências humanas e sociais. p. Conhecer um pouco mais sobre a natureza e o funcionamento das matrizes epistemológicas da linearidade e da complexidade contribuiu significativamente para a formação de um entendimento mais profundo do comportamento de risco das sociedades contemporâneas. E é toda a nossa experiência. p. 168) comenta: Naturalmente. precisamos encontrar um meio de estender uma ponte entre esses dois domínios. e não apenas os aspectos artificialmente limitados da experiência correspondentes a um experimento ou a uma observação científicos. propostas encontradas na matriz epistemológica da complexidade. Como forma de reforçar esta reflexão. e não as limitadas abstrações da ciência. processo de diferenciação e maturação psicológica de cada indivíduo ou pessoa”. não seria suficiente para desenvolver 11 Vasconcelos (2002. incluindo nossa herança cultural. Sheldrake (1993. Se não nos cabe viver vidas duplas. que nos liga ao mundo em que vivemos. que tem mais importância para a conduta de nossas vidas. processo histórico e cultural em desenvolvimento nas elites das sociedades ocidentais de capitalismo central. . para uma melhor compreensão da delicada relação existente entre organizações industriais e meio ambiente. e para a realização de questionamentos sobre a necessidade de uma produção científica pluralista alinhada com reais interesses da sociedade. Foi possível também perceber de que forma a matriz da linearidade limita a produção de um conhecimento científico holístico. 18) considera “fundamental diferenciar individualização. compreensão esta exigida para a realização de estudos mais abrangentes. foi possível contrapor a noção simplificadora da linearidade com a noção emergente da complexidade.

12 . o sucesso da matriz do pensamento linear. Termo utilizado por Souza-Lima (2007) para fazer referência aos pesquisadores que estão localizados na fronteira entre um paradigma vigente e um paradigma emergente. realizados sob as influências religiosas repressoras da inquisição. fez com que ela mantivesse sua condição hegemônica por mais de três séculos. O Sucesso da Matriz Linear e suas Limitações Apesar das limitações para o desenvolvimento de um pensamento científico mais amplo. Descartes contribuiu significativamente para a inauguração de um novo campo epistemológico baseado na racionalidade e na busca de explicações lógicas para os fenômenos observados. 2. A considerar o período de produção de seus estudos. influenciando diretamente as formas de organização social de grande parte da humanidade.1. Promover este diálogo entre diferentes atores das ciências natural e humana passou a ser considerado então um dos desafios identificados como necessário para o desenvolvimento do presente estudo. em razão de suas características limitantes para o desenvolvimento do conhecimento científico. como o excessivo culto à razão e à verdade manifesta ou da disjunção sujeito-objeto e o estabelecimento da relação causa-efeito. dando origem a uma ciência de natureza antropocêntrica em substituição ao dogma teocêntrico vigente na época.32 um estudo mais abrangente e que possibilitasse o conhecimento das percepções de profissionais da indústria química de um município paranaense sobre a relação de suas organizações com o meio ambiente. Embora questionada pelos denominados “pesquisadores de fronteira”12. o campo epistemológico proposto por Descartes ainda é o que mantém o maior número de representantes responsáveis por desempenhar o papel de perpetuação da lógica cartesiana na produção acadêmica e científica. passou a ser adotada como a matriz epistemológica que determina a forma de produção de conhecimentos científicos ao longo da história e na contemporaneidade.2. originada ou derivada dos trabalhos de René Descartes na primeira metade do século XVII e retratada em sua obra clássica “O Discurso do Método”. a qual reproduz reflexos no contexto da vida social. Em razão deste sucesso.

inclusive os corpos humanos. a idéia permanece a mesma. Para Sheldrake (1993. em princípio plenamente explicáveis nos termos da física e da química comuns. A mente. de certa forma. ergo sum“ ou “Penso. Sua ambição intelectual era ilimitada. que se converteu num autômato mecânico. como tudo o que nele se continha. essencialmente. Desde o tempo de Descartes. deixando-se apenas a alma racional. criticam . “apenas a mente consciente e racional do homem era diferente. Segundo o campo epistemológico mecanicista. era a matriz universal. 59): O universo de Descartes era um vasto sistema matemático de matéria em movimento. a região favorecida deslocara-se um par de polegadas em direção ao córtex cerebral. e continuam a temer. alojada numa pequena região do cérebro. ele aplicava em tudo essa sua nova maneira mecânica de pensar. Contrariando as idéias originalmente defendidas pelo pensamento linear. interage com a maquinaria do cérebro. p. Para Sheldrake (2001). a mente consciente. ele assentou os alicerces da visão de mundo mecanicista tanto na física como na biologia. Na filosofia de Descartes. a teoria mecanicista da vida proposta por Descartes. essencialmente. segundo a qual todos os animais e plantas são. p. 2001. conceito que proporcionou o surgimento da doutrina do dualismo. até mesmo às plantas. foi proposta pela primeira vez como parte da filosofia mecanicista da natureza: o cosmo era uma máquina. que a aceitação da realidade de algo ‘misterioso’ ou ‘místico’ na esfera da vida implique o abandono das certezas laboriosamente adquiridas pela ciência”. sendo espiritual em sua essência” (SHELDRAKE.33 Talvez alguma justificativa para a razão desta perpetuação possa ser encontrada nas palavras de Sheldrake (2001. ao assinalar que os mecanicistas “sempre temeram. Sob uma forma sutil. 20). embora a maneira como as duas estão relacionadas continue sendo um mistério impenetrável. de acordo com necessidades matemáticas. O esteio da filosofia de Descartes pode ser resumido por sua famosa frase em latim: “Cogito. logo existo”. defensores da teoria da complexidade. mas. desprovida de alma. A alma também foi retirada do corpo humano. ela rodopiava em vórtices. Descartes pensava que a terra e outros planetas eram levados a girar em torno do sol devido a tal redemoinho. Tudo no mundo material funcionava de maneira inteiramente mecânica. A matéria preenchia todo o espaço. também denominada de não-linear e que será adotada para o desenvolvimento deste estudo. aos animais e ao homem. as almas foram eliminadas da totalidade do mundo natural. máquinas complexas. p. Embora os detalhes do seu sistema fossem logo substituídos pelo universo newtoniano. a glândula pineal. 19). toda a natureza era inanimada. onde a matéria atômica se movimentava no vazio. e morta em vez de viva.

que separa o sujeito pensante do objeto (natureza/corpo) contribuiu para uma disjunção paradigmática: o mundo dos objetos submetidos à observação. das emoções e da corporalidade. Da mesma forma. experimentação e manipulação. entre outras coisas.34 abertamente o conceito de dualismo proposto por Descartes. esta dissociação entre sujeito (ego cogitans) e objeto (res extensa) e para Capra (2005) a divisão entre a mente. psíquicos. e o mundo dos sujeitos racionais que pensam sobre a sua existência. e a matéria. Para outros autores como Vasconcelos (2002). 62) “a doutrina de Descartes. do seu ambiente e do seu observador. Para Morin (1998). Morin (1998) complementa a sua reflexão mencionando que o estabelecimento deste pensamento isolou diversos campos das ciências como a Física. propostas por Descartes. redução porque passou a unificar tudo aquilo que é múltiplo e de disjunção porque passou a isolar os objetos uns dos outros. Ehrenfeld e Merchant citados por Egri e Pinfield (1999) este dualismo entre mente e matéria foi fundamental para a defesa pelos filósofos do século XVII. p. Biologia e Antropossociologia. determinaram o surgimento de um pensamento linear fundamentado em um paradigma simplificador. possibilitando que a primazia antropocêntrica e otimista da racionalidade humana sobre a natureza/corpo contribuísse. Para Thomaz citado por Sheldrake (1993. contribuiu também significativamente para a inauguração de um novo período de . quanto na abordagem mecanicista das ciências naturais. a “coisa extensa” (res extensa). Para o autor. segundo a qual plantas e animais não passavam de máquinas. favoreceu sua meta explícita de fazer dos homens ‘senhores e possuidores da natureza’”. este racionalismo dualista cartesiano. nessa bifurcação. tornando-as ciências totalmente isoladas e distintas. assunto que será foco deste estudo. com características de redução e de disjunção. Segundo Morin (1998). os saberes e o universo. Para autores como Daly e Cobb. para o vertiginoso processo de destruição ambiental dos séculos XIX e XX. a “coisa pensante” (res cogitans). em especial Descartes. impedindo o estabelecimento de comunicações entre elas. as características híbridas e complexas dos fenômenos foram severamente reduzidas. do domínio sobre a natureza como essencial para o progresso científico e social. bem como para uma dificuldade estrutural na abordagem dos fenômenos subjetivos. que foram reduzidos no dualismo cartesiano tanto na abordagem idealista da consciência.

.. a crença na objetividade da ciência é artigo de fé para muitas pessoas no mundo moderno. Os manuais estão cheios de fatos supostamente inquestionáveis e dados quantitativos. tornou-se geralmente reconhecido que o indeterminismo é inerente . Aliás. tornou-se claro que. economistas e por todos os que aspiram à objetividade científica. os aspectos quantitativos do mundo podem. no nível microscópico. 66): [.. Tudo leva a crer que a ciência seja superiormente objetiva. ou quase isso. os processos físicos eram essencialmente indeterminados. modelo cobiçado por biólogos. 97) estas insuficiências foram inicialmente percebidas no meio científico quando: [. Ela é imprescindível para a visão de mundo dos materialistas. que impedem a comunicação entre saberes fragmentados e que impossibilitam a adoção de uma abordagem capaz de promover reflexões multidisciplinares envolvendo questões sócio-econômicas-ambientais no meio científico-acadêmico. presumia-se que essa aleatoriedade tinha pouca relevância para o mundo do dia-a-dia. Evidências como a valorização excessiva dos métodos quantitativos e a superespecialização das disciplinas. sociólogos. Para Sheldrake (1993. estabeleceu-o como o modelo do desprendimento científico.] o prestígio que esse método adquiriu. segundo o autor “tais modelos deixam de lado a maior parte da nossa experiência viva. Sheldrake (1993.. O mesmo acontece à maioria dos estudantes de ciência. p..35 certezas e para a crença na objetividade da produção científica. racionalistas. ser abstraídos e modelados matematicamente”.] em 1927. eles constituem uma via parcial de conhecimento”. à medida que a teoria quântica se desenvolvia. 66) busca justificar seus argumentos mencionando que “os sucessos práticos da ciência mecanicista dão testemunho da eficiência desse método. graças à física. 133) revela a sua apreensão em relação aos reflexos do processo de uma produção científica baseada na lógica linear: [. Durante várias décadas mais. Mas durante os últimos vinte anos.. porém. a sabedoria tradicional e as artes. p. Sheldrake (2001. p.] muitos leigos ficam perplexos ante o poder e a aparente certeza do conhecimento científico. previsíveis tão-somente em termos de probabilidades. p. apontam para as insuficiências da forma de produção científica tradicional quanto a sua capacidade de assumir de forma exclusiva o enfrentamento das situações de risco enfrentadas pela sociedade contemporânea. de fato. Para Sheldrake (1993. humanistas seculares e todos que advogam o primado da ciência sobre a religião.

veja Gleik (1988)). Novas abordagens matemáticas são necessárias. 13 .36 em sistemas em todos os níveis de complexidade: em "processos dissipativos" afastados do equilíbrio termodinâmico. onde pequenas flutuações podem ser amplificadas para produzir grandes efeitos (como na formação de células de convecção num fluido aquecido) (Prigogine e Stengers (1984)). mas se desenvolvem em padrões complexos e não repetitivos. tais como o quebrar das ondas. os sistemas de modelos não se assentam num equilíbrio simples. Esses tipos de processos não podem ser efetivamente modelados em termos da física determinista ao velho estilo. em fenômenos meteorológicos. as características deste pensamento serviram de alicerces ideológicos das Revoluções Científica e Industrial das sociedades contemporâneas e para autores como Beck (2006). conceito que será abordado ao longo deste estudo. foi também responsável pela formação do pensamento mecanicista e determinista que impera desde as sociedades medievais até as sociedades industriais contemporâneas e que influencia no comportamento das organizações sociais nelas inseridas. Dentre os vários pesquisadores que inauguraram novas linhas epistemológicas para propor outras formas para o desenvolvimento do conhecimento científico. Apesar de suas limitações. justificando o surgimento da maior parte das crises sociais e ambientais planetárias até então percebidas. Entre as características que definem esta sociedade. aparecem nos principais comportamentos sociais de risco que determinam o rito de passagem de uma “sociedade industrial” para o que o autor denomina de “sociedade de risco13”. em dinâmica da população e em ecologia. Em modelos matemáticos de processos caóticos. responsável pelo surgimento da ciência. em organismos vivos. Para Egri e Pinfield (1999). em processos "catastróficos". esta matriz passou a ser gradativamente criticada por pesquisadores que perceberam as suas limitações e que tiveram a coragem de propor novas alternativas a esta forma hegemônica de produção do conhecimento científico. o fluxo turbulento de líquidos e as transições de fase (como na ebulição ou no congelamento). tornados possíveis graças aos computadores. encontram-se Karl Beck (2006) define sociedade de risco como a sociedade que substituirá a denominada sociedade industrial. a estrutura de pensamento linear. e no comportamento da economia. está a sua incapacidade de gerenciar a relação entre utilização de novas tecnologias e manutenção dos recursos naturais. em cérebros. das quais a mais importante é a "teoria do caos" (para uma boa introdução não-técnica à teoria do caos. Em razão da existência de fortes evidências anteriormente apresentadas que implicam nas insuficiências da matriz linear para o atendimento das necessidades de produção do conhecimento científico e consequentemente para a reprodução da vida em sociedade.

14 . b) coletivismo: consiste em atribuir ao coletivo um essência independente dos indivíduos que o compõem.3. o coletivismo. o positivismo constitui a base de quase todas as espécies de fanatismo e autoritarismo. Popper (2003) revela que as suas inquietações em relação às teorias positivistas se devem ao fato de sempre se adequarem. representantes da matriz linear. Noções de Refutabilidade e de Paradigma Popper é considerado um dos fundadores da linha epistemológica do racionalismo crítico. como o fato de ter encorajado os homens a pensarem por si próprios e de tornar possível a ciência moderna. e que exige uma autoridade que pronuncie e estabeleça o que deve constituir esta verdade manifesta. que tem uma necessidade constante não só de interpretação e afirmação como também de reinterpretação e reafirmação.37 Popper e Thomas Kuhn. um dos propositores da matriz da complexidade. d) positivismo ético: atitude que consiste em tentar reduzir normas à fatos. ao questionar sobre até que ponto uma teoria deve ser classificada como científica e se existe algum critério que determine o seu caráter científico. c) relativismo: caracteriza-se pela negação da existência de verdade objetiva e/ou pela afirmação da arbitrariedade da escolha entre duas asserções ou teorias. Popper (2003) denuncia aspectos negativos ao apontar que ao mesmo tempo. 2. de serem sempre confirmadas. Apesar de reconhecer aspectos positivos do positivismo. são na realidade a sua maior fraqueza. estas afirmações que constituem aos olhos daqueles que as admiram o seu ponto mais forte. e.1. quando materializa a idéia de hipóteses e refutações. e Edgar Morin. Baseado em suas reflexões e contrariando a idéia de verdade manifesta Popper (2003) estabelece as seguintes definições para as diferentes perspectivas consideradas inimigas da sociedade aberta: a) historicismo: atribuição à história um sentido pré-determinado e não passível de alterações pelos indivíduos. Em sua obra “Conjecturas e Refutações”. No seu entendimento. Popper dá uma significativa contribuição à comunidade científica e consequentemente para uma profunda reflexão quanto a real importância da elaboração deste estudo. a partir da qual passam a ser abertamente criticadas e consideradas inimigas da sociedade aberta as perspectivas fundamentadas no positivismo como o historicismo. o relativismo e o positivismo ético14.

] partindo da crítica ao positivismo lógico em direção a um evolucionismo racionalista em ciência. etc. o autor defende a necessidade e a importância da teoria crítica.. Popper (2003) considera que este fenômeno é um indício de uma crença forte. que mantém o sujeito agarrado às suas primeiras impressões. do comportamento dogmático15. p. Segundo Vasconcelos (2002.38 defendida originalmente por Descartes e mantida pelos seus seguidores. inclusive onde elas não existem. . Popper (2003) parece acreditar que a propensão para procurar padrões de regularidade e para impor leis à Natureza conduz ao fenômeno psicológico do pensamento dogmático ou. com diferentes graus de corroboração. 51): [. a possibilidade da refutação de uma teoria constitui um passo a frente. que uma vez estando pronta para modificar os seus princípios. soluções. apresentando assim um sinal de uma crença mais fraca. Para Popper (2003). e não confirmação. permitindo assim que o aprendizado possa surgir a partir de erros. O conhecimento é construído a partir de hipóteses permanentemente colocadas a teste e refutação. a importância da característica de “refutabilidade” para o progresso da ciência: as verdades provisórias devem estar abertas à refutação. como verdades e soluções provisórias. Apesar de considerar o dogmatismo até certo ponto necessário. Popper afirma que toda observação indutiva é impregnada de teoria e/ou sustentada em instrumentos construídos a partir de teorias. testes de conseqüências dedutivas. em termos gerais. como no discurso verificacionista neopositivista. Daí. refutação de conjecturas.. tentativas. que aproxima o pesquisador da verdade. 15 . possibilita o desenvolvimento de novos conhecimentos com base no questionamento dos conhecimentos anteriores. O autor ainda ressalta a importância da atitude crítica. que admita a dúvida e exija ser testada. acreditando que a compreensão da possibilidade de falhas e erros cometidos em uma investigação proporciona a imersão em uma série de críticas e autocríticas capazes de desenvolver ainda mais o conhecimento. Popper (2003) define o comportamento dogmático com sendo aquele onde se espera encontrar regularidades em todo o lado. Contrapondo-se a este fenômeno. Popper (2003) propõe a idéia de que seria possível aprender com os próprios erros. a atitude da promoção da livre discussão das teorias com a finalidade de identificar os seus pontos fracos e promover o seu aperfeiçoamento. à busca e acumulação de evidências empíricas através da eliminação de erros.

que acreditavam que o conhecimento era construído ou justificado por fundamentos seguros. Além disso. 220) informa que o termo paradigma pode ser utilizado em dois sentidos diferentes: .. visando corrigir e compensar mutuamente os limites de cada uma das metodologias específicas. apesar de considerar científica apenas as teorias derivadas da matriz linear. ou seja. 13) define ‘paradigmas’ como “as realizações científicas universalmente reconhecidas que. Assim. Popper contribuiu indiretamente para a proposta da construção de um ambiente científico baseado na dialógica. mas apenas que as investigações estão livres de erros grosseiros. não se garante a certeza dos resultados. p.] a partir da crítica às pretensões fundacionistas. Popper pode ser considerado como um precursor chave do chamado movimento pós-positivista. sejam eles racionalistas ou empiricistas. 51): [. a crítica mútua exercida pelos cientistas. enfatiza-se o “multiplismo crítico”. diferente daquele unicamente caracterizado pela imposição de idéias. Nessa perspectiva. Desta forma.. a idéia de objetividade constitui muito mais um “ideal regulatório”. mas que não podem nunca ser totalmente apreendidas. Para Vasconcelos (2002. Em sua obra.39 Ao defender a idéia de que o conhecimento científico não se assenta no método indutivo e sim que a ciência deve se basear em hipóteses e refutações. Popper (1963/1982) propõe que o caminho seja a eliminação do erro grosseiro e das tendenciosidades do pesquisador através da “tradição crítica”. durante algum tempo. sólidos e inquestionáveis. na medida em que o pesquisador pode apenas se aproximar dela.. a aplicação de estratégias de triangulação que fazem uso de várias fontes e tipos de dados. Dessa forma. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes da ciência”. Outra contribuição significativa para o desenvolvimento da ciência e que também propiciou o aperfeiçoamento da estrutura cognitiva necessária para o desenvolvimento deste estudo refere-se à noção de paradigma idealizada por Thomas Kuhn em seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”. Kuhn (2005. p. p. Popper contribuiu significativamente com a comunidade científica ao demonstrar que a transformação e o aprimoramento do conhecimento científico dependem da oportunidade para o estabelecimento de novas hipóteses e da possibilidade de sua refutação. dada à precariedade dos instrumentos sensoriais e cognitivos humanos. no qual o princípio da objetividade é reapropriado de forma não fundacionista: assume-se a existência de uma realidade externa regida por leis naturais ou históricas. pela abertura da metodologia e dos resultados à análise e questionamento pela comunidade científica. como o suporte da tradição crítica (exigências de clareza no relato da investigação e consistência com a tradição na área) e a comunidade crítica (julgamento dos pares). ou seja. Kuhn (2005.

sendo essas realizações reconhecidas durante algum tempo por alguma comunidade científica.] e de outro..] a ciência não avança de forma linear. a crítica à especialização e à tecnoburocracia induziram a aspirações por práticas inter e transdisciplinares. valores. a crítica à perspectiva popperiana e pós-positivista é desenvolvida inicialmente por autores como Kuhn. o autor o define como aquilo que é compartilhado por membros de uma comunidade. Nessa mesma conjuntura.. Em função destas características. a noção de paradigma passou a ser aceita no meio acadêmico e amplamente aplicada pela comunidade científica pelo fato de permitir aos cientistas testar as suas hipóteses em relação aos paradigmas vigentes. como verdadeiros sistemas de crenças e referências quase sempre incompatíveis uns com os outros.. Para Vasconcelos (2002. quando os fatos concretos não conseguem mais se encaixar dentro de paradigmas vigentes. apesar de suas posições . Ele define a ciência normal como a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas. denota um tipo de elemento dessa constelação: as soluções concretas de quebra-cabeças que. Kuhn introduziu a idéia de que: [. 33). são as realizações científicas universalmente conhecidas.40 [. partilhadas pelos membros de uma comunidade determinada [. mas por meio de rupturas ou paradigmas... indica toda a constelação de crenças.. que. Para Kuhn (2005). que. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade praticante de uma ciência. dentro dos quais as verdades científicas teriam formas limitadas e relativas de validade. Somente quando o paradigma não consegue mais resolver os problemas pesquisados e provoca anomalias. Em especial no caso das comunidades científicas. como forma de testar a sua validade. o autor preocupa-se em diferenciar o conceito de ciência normal da definição de paradigma. Quanto ao paradigma. durante algum tempo. empregadas como modelos ou exemplos. Para Vasconcelos (2002). podem substituir regras explícitas como base para a solução dos restantes quebracabeças da ciência normal. evolutiva e cumulativa. p. acontecem as anomalias que vão forçar a emergência de novos paradigmas. técnicas. etc. Em sua obra.. capazes de fazer dialogar e produzir trocas entre os diversos campos de saber.] de um lado. surgem então crises que vão dar origem há um novo paradigma.

os problemas e soluções são colocados dentro de um paradigma adotado. caminham em uma direção mais relativista.] nos períodos de “ciência normal”. É sempre possível fazer alterações nas hipóteses e teorias particulares sem alterar a teoria mais geral. . também denominada como teoria não-linear por autores como Fritjof Capra. Em função de suas características peculiares. Ao que parece. sugerem profundas reflexões quanto à necessidade da refutação de padrões tradicionais de produção do modo de vida das sociedades contemporâneas e a necessidade do estabelecimento ou adoção de um novo conceito capaz de repensar a forma de produção científica e industrial. e chave para a construção de estratégias epistemológicas adequadas para práticas interdisciplinares explicitamente críticas. o surgimento da crise ambiental em larga escala já anunciada e os reflexos negativos percebidos pela sociedade. conhecimentos aceitos são abandonados e há mudanças radicais na prática científica. Para Vasconcelos (2002). este estudo será desenvolvido à luz da teoria da complexidade proposta por Edgar Morin. Entretanto. 52): [.. A noção de refutabilidade apresentada por Popper e de paradigma definida por Kuhn são aplicadas no contexto deste estudo sobre meio ambiente e indústrias químicas.41 diferenciadas. baseadas em ações orientadas para a promoção do diálogo e para a inclusão do outro. em paralelo com as transformações nas visões de mundo na sociedade como um todo. torna-se difícil afirmar quando uma teoria global deve ser considerada refutada e substituída por outra. sem o apelo a um relativismo radical. e os resultados discrepantes não ameaçam a teoria ou paradigma pela modificação de uma hipótese anterior. nas revoluções e crises das teorias científicas de grande amplitude. apontando para a questão de que nas refutações. p. novos fenômenos são descobertos. pluralistas. o que está sendo testado é um conjunto complexo de teorias e hipóteses auxiliares. Assim. a noção de “paradigma da complexidade” proposta por Edgar Morin torna-se crucial para o campo das teorias humanas e sociais. Para Vasconcelos (2002. em especial pelas organizações industriais que já esboçam preocupações com questões sociais e ambientais.. numa tentativa de apontar algumas insuficiências do paradigma vigente e de contribuir para a construção de uma nova forma de se produzir ciência e sociedade.

houve a necessidade de alinhar os objetivos deste estudo de forma a propiciar o diálogo entre duas áreas distintas da ciência. no caso o meio ambiente submetido ao interesse e controle por parte das organizações. em termos de fundamentação teórica. a ouvir e a estabelecer um diálogo entre representantes de campos científicos distintos. de que as organizações industriais são as únicas responsáveis pela destruição do Planeta. ao elaborar um estudo partindo unicamente do ponto de vista de atores que defendem a preservação do meio ambiente de forma mais extremada e intocável. de forma a ampliar a discussão sobre o tema a fim de que . poderia representar como resultado o desenvolvimento de um estudo parcial de característica unilateral. ou seja. respectivamente. Ao elaborar um estudo unicamente a partir do ponto de vista das organizações. à luz do pensamento linear. das ciências humanas e naturais. como se fossem domínios absolutamente incomunicáveis ou como se um fosse submetido ao controle do outro. o resultado do estudo poderia gerar um entendimento de características reducionistas da mesma forma como o tema é muitas vezes percebido pela maior parte da sociedade. ou seja. Na abordagem linear. buscando promover um estudo multidisciplinar orientado para a promoção da aproximação entre ser humano e natureza.42 2. a abordagem do meio ambiente poderia ser reduzida a uma variável controlada pelos interesses das organizações. Tratar o objeto de estudo proposto da forma tradicional. entre organizações e meio ambiente. as questões relacionadas ao meio ambiente e organizações normalmente são tratadas de forma isolada.4. sem promover o diálogo entre os dois campos científicos distintos envolvidos ou sem considerar a relação polarizada existente entre os diferentes tipos de atores relacionados ao tema. Por outro lado.1. ou seja. Em razão destas insuficiências e da dinâmica envolvida na delicada relação existente entre as variáveis escolhidas. apontou para as insuficiências da matriz linear em relação à concepção de uma pesquisa envolvendo um estudo de percepções. originadas de campos científicos distintos e determinados. Este estudo se propõe. A Escolha pela Matriz da Complexidade A elaboração do projeto de estudo com característica multidisciplinar envolvendo as variáveis “meio ambiente” e “organizações”.

seja de células no organismo” (MORIN. Vasconcelos (2002) define que as práticas transdisciplinares correspondem aos campos de interação de médio e longo prazo que pactuam uma coordenação de todos os campos de saberes individuais e interdisciplinares de um campo mais amplo. A opção pela experimentação da matriz da complexidade como alternativa epistemológica para o desenvolvimento deste estudo surgiu a partir dos primeiros contatos com as formulações de Edgar Morin. que não sacrifica o todo à parte e estabelece uma relação entre as ciências humanas e naturais.43 possam ser encontrados os elementos necessários para o desenvolvimento da proposta do estudo de percepção. O autor considera que a complexidade. num certo sentido. Morin define como princípio da complexidade aquele que estabelece a comunicação entre o objeto e o ambiente. 17 16 . é um fenômeno quantitativo. sobre a base de uma axiomática geral compartilhada. que “combina um número muito grande de unidades da ordem de bilhões. criando um mecanismo para que a ciência possa refletir sobre ela mesma. a extrema quantidade de interações e de interferências entre um número muito grande de unidades”. porém que a complexidade não compreende apenas quantidades de unidade e interações que desafiam as possibilidades de cálculo: compreende também incertezas. p. o modo tradicional é o modo de produção de conhecimento que há mais de três séculos não faz mais do que provar suas virtudes de verificação e de descoberta em relação a outros modos de conhecimento. Em sua obra. indeterminações. 35). Morin alerta. apresentadas em seu livro “Ciência com Consciência”. mesmo o mais simples”. Morin (1998) propõe à comunidade científica uma nova forma de se fazer ciência com consciência e de produção do conhecimento científico como alternativa ao modo tradicional17 de produção científica. fenômenos aleatórios. Para Morin (1998). O autor complementa sua definição informando que há uma tendência à estabilização e criação de campo de saber com autonomia teórica e operativa própria. seja de moléculas numa célula. Como forma de defender a teoria da complexidade e conseqüentemente a idéia da necessidade da promoção da transdisciplinaridade16. Ela está presente em qualquer “sistema auto-organizador (vivo). 35). Para Morin (2006. reformando o seu modo de pensar. 2006. p. sempre tem relação com o acaso. a complexidade “à primeira vista.

ações. Em relação ao desenvolvimento deste estudo. desordem. “o princípio dialógico nos permite manter a dualidade no seio da unidade. reduzirse à idéia de complexidade. p. Morin propõe o entendimento de três princípios: o dialógico. que constituem nosso mundo fenomênico” (MORIN. o da recursão organizacional e o hologramático.. Sua primeira definição não pode fornecer nenhuma elucidação: é complexo o que não pode se resumir numa palavra-chave. Para o autor. Em seus próprios termos. p. este princípio será considerado na tentativa de aproximação das variáveis-chave “meio ambiente” e “indústrias químicas”. a complexidade não se limita a apresentar soluções simplistas ou simplificadoras. uma vez que as relações existentes entre estas duas variáveis se apresentam em diferentes momentos como complementares e antagônicas: complementares no sentido que os diferentes tipos de organizações dependem do meio ambiente para o desenvolvimento de suas operações e antagônicas por que muitas vezes as organizações são julgadas pelo desenvolvimento de atividades consideradas prejudiciais ao meio ambiente. para ele. segundo os quais a ordem e a desordem projetam-se como dois adversários que se enfrentam na tentativa de um suprimir o outro. retroações. 2006. interações. p. uma pesada carga semântica. “a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos. Ela suporta.] a palavra complexidade não tem por trás de si uma nobre herança filosófica. determinações. 13).. 74). Como forma de possibilitar uma melhor compreensão para a proposta da complexidade. ao contrário. O trecho revela que. referir-se a uma lei da complexidade. científica ou epistemológica. p. Para Morin (2006. pois que traz em seu seio confusão. as suas considerações sobre ordem e desordem podem ser concebidas em termos dialógicos. mas ao mesmo tempo e em certos casos. o que não pode ser reduzido a uma lei nem a uma idéia simples. 5 e 6) algumas interpretações equivocadas quanto a sua proposta para a complexidade se devem ao entendimento estabelecido para o conceito da “palavra” complexidade: [. Ele associa dois termos ao mesmo tempo complementares e antagônicos”. Em outros termos. o complexo não pode se resumir à palavra complexidade. acasos. Para Morin (2006. colaborarem e produzirem organização e complexidade. 87): .44 Para Morin (2006. mas a redefinir novos problemas de pesquisa. incerteza.

auto-organizador e autoprodutor. Com relação ao princípio da recursão organizacional. de outro a sociedade. pode-se considerar que as diferentes atividades desenvolvidas pelas organizações no Planeta Terra geram em maior ou menor grau de intensidade influências sobre o ambiente global e este. no sentido de compreender e caracterizar as relações recursivas existentes entre “meio ambiente” e “indústrias químicas”. quer sejam elas elementos do mundo sociológico ou biológico. do outro seus problemas de relações humanas. Para o autor a idéia paradoxal contida no princípio hologramático imobiliza o espírito linear da mesma forma . p.45 Não temos de um lado o indivíduo. que está ligada. ou seja. que considerava não ser possível conceber o todo sem as partes e da mesma forma as partes sem o todo. de um lado a empresa com seu diagrama. 74 e 75) considera que a “própria idéia hologramática está ligada a idéia recursiva. de relações públicas. no qual a menor parte contém a quase totalidade da informação do objeto representado. uma vez produzida. do outro os indivíduos. retroage sobre os indivíduos e os produz”. em parte. mas a sociedade. Seguindo a idéia original de Pascal. uma vez que tudo o que é produzido volta-se sobre o que o produz num ciclo autoconstrutivo. Morin (2006. de estrutura/superestrutura. seu programa de produção. de um lado a espécie. 74 e 75). p. 74) considera que “um processo recursivo é um processo onde os produtos e os efeitos são ao mesmo tempo causas e produtores do que os produz”. gera influências negativas sobre as diferentes partes que constituem o ambiente global. Os dois processos são inseparáveis e interdependentes. p. Para o autor esta idéia recursiva é uma idéia em ruptura com a idéia linear de causa/efeito. Este princípio será explicitado ao longo do desenvolvimento deste estudo. mas o todo está na parte”. de pessoal. seus estudos de mercado. Para Morin (2006. p. 74) “a sociedade é produzida pelas interações entre indivíduos. Morin (2006. de produto/produtor. a complexidade envolve ainda o princípio hologramático. “o princípio hologramático está presente no mundo biológico e no mundo sociológico”. quando em desequilíbrio. p. 74 e 75) ao desenvolver o princípio hologramático para a complexidade considera que “não apenas a parte está no todo. Morin (2006. à idéia dialógica”. Para Morin (2006. Seguindo esta lógica. Para Morin (2006). “os indivíduos produzem a sociedade que produz os indivíduos”.

pelo qual a análise ou intervenção em um fenômeno depende sempre da perspectiva do observador. principalmente acerca dos níveis diferenciados de sua organização ou do sistema de interação entre eles ou entre níveis epistemológicos diversos. o mitológico). os fenômenos complexos são marcados pelos processos de emergência. p. Por isso. às vezes dentro de um mesmo campo disciplinar. pelos quais propriedades novas/diferentes surgem a partir da interação das partes ou dos diferentes níveis de realidade e organização. as partes e o todo. p. determinismo). o conhecimento acerca dos fenômenos complexos implica incertezas. sabe-se muito bem que o adquirido no conhecimento das partes volta-se sobre o todo. o afetivo. indeterminismo) e ordem (auto-organização. p. Refletindo sobre os modos de produção científica. o sociológico. as partes entre si. em processo de interação contínua. Vasconcelos (2002) reforça algumas características dos fenômenos complexos: os fenômenos complexos são passíveis de desordem (caos. interativo e inter-retroativo entre o objeto do conhecimento e seu contexto. que diz respeito à recorrência de um efeito sobre as condições geradoras. acaso. A complexidade segundo Morin citado por Vasconcelos (2002. descontinuidades e desconhecimento parcial. o político.46 que na lógica recursiva. exigindo a passagem de níveis epistemológicos diferentes. mas que mantém os dois termos como antagônicos e complementares ao mesmo tempo. Vasconcelos (2002. 62) considera que Morin contrapõe o “paradigma da simplicidade” com o que denominou de "paradigma da complexidade".62) compreende: [.. há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico. aleatoriedade. . os fenômenos complexos são marcados pela retroação ou recursão organizacional. 74 e 75) “pode-se enriquecer o conhecimento das partes pelo todo e o do todo pelas partes. os fenômenos complexos são marcados pelos princípios da interação com o observador ou da implicação. Para Morin (2006.. a complexidade é a união entre a unidade e a multiplicidade. o psicológico. marcando a necessidade de diferentes epistemologias e paradigmas para a abordagem destas descontinuidades. Como divulgador das formulações de Morin. e há um tecido interdependente.] o que foi tecido junto: de fato. num mesmo movimento produtor de conhecimentos”.

na direção da responsabilidade e satisfação sociais”. que se refere ao entendimento. p. 340). que se refere à auto-realização. definida no nível hierarquicamente superior. estabeleceu um pensamento simplificador demarcado pela separação do ambiente e seu observador e pela redução ou unificação daquilo que é diverso ou múltiplo. introduzindo a noção de finalidade maior que redefine os elementos internos dos campos originais. prejudicando ou minimizando desta forma o desenvolvimento de uma sociedade orientada para a ação racional substantiva18. Morin (1998) menciona que o desenvolvimento científico disciplinar das ciências não traz unicamente as vantagens da divisão do trabalho. Ao reforçar a sua crença na dominação e controle da natureza. 19 18 . desde que a ciência assumiu uma posição central e hegemônica. O autor considera que este mesmo desenvolvimento científico promoveu um desligamento entre a ciência da natureza. responsável pela exclusão do espírito e da cultura responsáveis pela sua produção. a qual adotou a noção de que somos incapazes de pensar apesar de sermos seres humanos dotados de espírito e consciência enquanto Para Serva (1996. na dimensão grupal. daquilo que ele chama de ciências do homem. homem e sociedade se perdessem em processos interdisciplinares19 ampliando os riscos dos saberes científicos serem acumulados apenas em banco de dados e de estarem sujeitos ao controle exercido pelos poderes econômicos e políticos. mas traz também os inconvenientes da superespecialização envolvendo o enclausuramento ou fragmentação do saber. o ser humano desenvolveu uma ciência que originou as condições necessárias para o estabelecimento de uma sociedade dominante alicerçada em uma racionalidade instrumental. Para Morin (1998). fez com que conceitos de indivíduo. Morin (1998) acredita que este mesmo pensamento que gerou o distanciamento das ciências da natureza das ciências do homem. compreendida como concretização de potencialidades e satisfação.47 As grandes crises sócio-econômicas-ambientais podem em parte ser explicadas pela ausência do entendimento das relações ocultas existentes entre os elementos que constituem as partes e o todo e em razão do distanciamento ocorrido entre o ser humano e o ambiente natural. a ação racional substantiva é a “ação orientada para duas dimensões: na dimensão individual. Vasconcelos (2002) define que as práticas interdisciplinares correspondem às práticas de interação participativa que inclui a construção e pactuação de uma axiomática comum a um grupo de campos de saber conexos. Como forma de contrapor as vantagens e desvantagens do desenvolvimento científico na atualidade.

Como forma de reforçar esta situação paradoxal. que não têm tempo nem meios conceituais para tanto.48 seres vivos biologicamente constituídos. e que o progresso ampliado dos poderes da ciência convivem com a . em que o desenvolvimento do conhecimento instaura a resignação à ignorância e o da ciência significa o crescimento da inconsciência”. deixando esse cuidado aos cientistas. Como relatado anteriormente. Tal situação é explicada por Morin (1998. 17) quando menciona que se trata de uma “situação paradoxal. integrado na investigação individual de conhecimento e sabedoria. p. a vida e a sociedade. refletido e discutido por seres humanos. em termos de reflexão. sem poder ser reconstituídos pelas tentativas interdisciplinares. de outras áreas do saber além daquelas que correspondem à sua área original de formação. que o progresso dos aspectos benéficos da ciência convive com os aspectos nocivos e mortíferos. ou seja. Para Morin (1998). no qual o próprio especialista torna-se ignorante de tudo aquilo que não concerne a sua disciplina e o não-especializado renuncia prematuramente a toda a possibilidade de refletir sobre o mundo. se destinando cada vez mais a apenas ser acumulado em banco de dados para depois ser manipulado. Morin (1998) apresenta a sua concepção de uma ciência que necessita ser realizada com consciência mencionando que o progresso inédito dos conhecimentos científicos convive com o progresso múltiplo da ignorância. de indivíduo e de sociedade que perpassam várias disciplinas. o saber deixa de ser pensado. Morin (1998) complementa sua reflexão em torno dos efeitos nocivos da fragmentação considerando que o seu resultado leva ao anonimato. este pesquisador descobriu o quanto estava distante. durante a sua participação no programa de mestrado e em meio ao desenvolvimento desta investigação epistemológica. meditado. Uma das citações do livro que teve um especial significado para a tomada de decisão quanto à escolha da teoria da complexidade para o desenvolvimento deste estudo é quando Morin (1998) alerta para a necessidade da não eliminação da hipótese de um neo-obscurantismo generalizado. são de fato triturados ou dilacerados entre elas. o fenômeno da especialização das ciências antropossociais que envolvem os conceitos molares de homem. produzido pelo mesmo movimento das especializações.

estas dificuldades se devem ao fato de que cada vez mais as disciplinas se fecham e não se comunicam com as outras. há todo um mundo de paixões. mas também um desenvolvimento transdisciplinar.] a dimensão econômica contém as outras dimensões e não se pode compreender nenhuma realidade de modo unidimensional [. fato que exige o alcance de uma condição de transdisciplinaridade.. o que impede de se conceber a sua unidade..] a consciência da multidimensionalidade nos conduz à idéia de que toda visão unidimensional.] atrás do dinheiro. “a visão não complexa das ciências humanas. o pensamento de Morin contribuiu significativamente para a mudança da percepção deste pesquisador em relação à necessidade de se realizar uma produção científica com consciência. Segundo o autor: Acredita-se que estas categorias criadas pelas universidades sejam realidades.. mas esquece-se que no econômico. Em uma sociedade em que cada vez mais trabalhos acadêmicos são escritos para um número cada vez menor de leitores. A dificuldade da busca de soluções ambientais compatíveis com as expectativas dos diferentes atores da sociedade reflete as mesmas dificuldades encontradas na produção do conhecimento científico. se faz necessário repensar o sentido e o destino da produção do conhecimento científico. Dessa forma.] é preciso que .49 impotência ampliada dos cientistas a respeito desses mesmos poderes. de nosso espíritocérebro de homo sapiens.. das ciências sociais. Os fenômenos são cada vez mais fragmentados. uma realidade demográfica de outro. isto é. Para Morin (1998). p. etc”. 68 e 69). há as necessidades e os desejos humanos [. Para Morin (2006. por exemplo. considera que há uma realidade econômica de um lado. possibilidades e limites de nosso entendimento. Em um contexto em que muitas vezes os membros da academia são avaliados por métricas quantitativas e não pela qualidade de suas produções.. há a psicologia humana [. pois considera que a ciência nunca teria sido ciência se não tivesse sido transdisciplinar. toda visão especializada. por que todo conhecimento depende das condições. de forma a efetivamente torná-lo mais útil para o atendimento das reais necessidades da sociedade.. há de se pensar na qualidade e na relevância daquilo que é produzido.. uma realidade psicológica do outro. O autor defende a idéia que precisamos ir do físico ao social e também ao antropológico. parcelada é pobre [. Morin (1998) chama a atenção para o fato de que o desenvolvimento da ciência ocidental desde o século XVII não foi apenas disciplinar..

Morin expõe a sua preocupação em relação às influências que a ciência. a abordagem mecanicista da vida mostrou-se eficaz: na agricultura. na biotecnologia e na medicina moderna prestam tributo à sua utilidade prática. tais como a domesticação da energia nuclear e os princípios da engenharia genética. porém demonstra que apesar da ciência possuir todos estes atributos positivos. 2001. 2006. uma sociedade é produzida pelas interações entre indivíduos e essas interações produzem um todo organizador que retroage sobre os indivíduos para co-produzi-los enquanto indivíduos humanos.50 ela seja ligada a outras dimensões. Sheldrake (2001) reconhece que de muitas maneiras. p.] no âmbito da compreensão fundamental. enriquecedora ao permitir a satisfação das necessidades sociais. o papel fisiológico dos hormônios. exercem sobre a produção da vida em sociedade. (SHELDRAKE. Para o autor: [. o DNA. a natureza do material genético. muito se aprendeu sobre a base molecular dos organismos vivos. Em sua proposta da complexidade. determinou progressos técnicos inéditos. 19) Tal como destacou Sheldrake. O desafio da complexidade não nos faz renunciar para sempre o mito da elucidação total do universo. cada vez mais apresenta problemas graves que se referem ao conhecimento que produz. as atividades químicas e elétricas do sistema nervoso. à ação que determina e à sociedade que transforma. o que eles não seriam se não dispusessem da instrução. mas nos encoraja . Para Morin (1998). Corroborando as formulações de Morin. Morin (1998) não nega as suas contribuições. Morin (1998) reconhece que a ciência é elucidativa no sentido de resolver enigmas. na agroindústria. Com esta afirmação.. e consequentemente a sua forma de produção. da linguagem e da cultura. 69).. na engenharia genética. daí a crença de que se pode identificar a complexidade com a completude (MORIN. mencionando que o conhecimento científico da forma como foi desenvolvido até então. considerando-a conquistadora e triunfante. p. apesar de apontar diversas limitações da matriz hegemônica positivista para a produção do conhecimento. Faz-se importante esclarecer que a adoção da teoria da complexidade para o desenvolvimento deste estudo não implica em deixar de reconhecer a importância e as contribuições do pensamento linear e das especializações para o desenvolvimento da ciência e da sociedade.

e em um estado mais elevado pela busca pela transdisciplinaridade. Vasconcelos (2002) considera que de acordo com a perspectiva do paradigma da complexidade. enquanto indivíduos ou como grupos particulares de pesquisa. MEIO AMBIENTE 2..2.. dependerá cada vez mais da experiência sócio-histórica. 2. que determinou a forma de produção científica e que produz influências diretas sobre a forma de ser e agir das sociedades contemporâneas foi também responsável por promover o fenômeno da superespecialização e fragmentação das ciências. e de forma mais direta nas ciências humanas e sociais. a perda de sua capacidade em compreender. Foi com base na proposta da complexidade de Morin e sob seus conceitos que foram construídas as bases epistemológicas que nortearam a realização deste estudo. assumirem o seu processo de singularidade e individuação. . em um maior grau de amplitude. Na busca deste diálogo com o universo se faz necessário avançar da condição unidisciplinar para a busca da multidisciplinaridade. a produção de conhecimento. A Busca por uma Definição Multidisplinar para Natureza e Meio Ambiente A matriz do pensamento linear. 76). inclusive para diferentes comunidades detentoras de culturas milenares de relacionamento com o meio natural. é ter metapontos de vista sobre nossa sociedade”. p. determinou para a maior parte da humanidade. condição que “[.2. Para o autor o desenvolvimento da criatividade e da inovação nessa esfera se sustentará fundamentalmente na capacidade dos pesquisadores.1. criando o distanciamento percebido entre as ciências do homem e as ciências da natureza.51 a prosseguir na aventura do conhecimento que é o diálogo com o universo. “a única coisa possível do ponto de vista da complexidade e que já se revela muito importante. Este distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza.] só é possível se o observador-conceptor se integrar na observação e na concepção”. Para Morin (2006. pessoal e da subjetividade dos pesquisadores. o ambiente do qual são apenas uma parte integrante.

ou em possuir uma segunda casa em ambiente rural. 21): Á semelhança das mães humanas. nutriz. p. A palavra latina natura significa. O mundo vivo é celebrado em poemas. (SHELDRAKE. Milhões de pessoas que vivem na cidade sonham em dirigirse para o campo. cantos e canções. e refletido em obras de arte. imediatamente se estabelecem alguns questionamentos: [. ou tal com contemplavam então as pessoas que viviam no campo)? A solidão das montanhas antes de existir uma guia intitulada passeios nas montanhas solitárias? A natureza das ciências naturais? Ou a que se vende nos folhetos turísticos do supermercado? A visão realista do homem de negócios. natura em latim. de animais que falam e de transformações mágicas. não-oficial.. die Natur em alemão. fértil.. desordenada. em nosso mundo particular. com as regiões selvagens e intactas. 22): As próprias palavras que designam a natureza nas línguas européias são femininas – por exemplo. e. Mas também é selvagem. 32) quando alguém utiliza a palavra “natureza”. la nature em francês. p. acima de tudo. 15) Para Beck (2006. benevolente e generosa. p. . 16) acredita que “o nosso relacionamento privado com a natureza pressupõe que esta seja viva e. caótica. 1993. De acordo com Sheldrake (1993. Segundo o autor: Durante a infância. p. p. explorada até o esgotamento pela indústria? Ou a vida rural dos anos cinqüenta (tal como se contempla hoje retrospectivamente. muitas pessoas sentem uma ligação emocional com determinados lugares. É bela. da mesma forma que são inspiradas pela beleza da natureza ou vivenciam um sentimento místico de unidade com o mundo natural. Para o autor. segundo a qual as intervenções industriais sobre a natureza sempre podem reparar-se plenamente? Ou a visão das pessoas sensíveis. as crianças frequentemente são criadas numa atmosfera animista de contos de fadas. a natureza é mais fortemente identificada com a região rural em oposição à cidade. comovidas pela natureza.52 Para Sheldrake (1993). ou sentem uma empatia com animais ou com plantas. frequentemente associados com sua infância. a natureza sempre evocou emoções ambivalentes. destrutiva.] que modelo cultural de natureza é aquele que se dá por suposto? A natureza dominada. ou mudar-se para lá. opressiva e lida com a morte. que consideram que inclusive as intervenções em pequena escala podem causar danos irreparáveis? Sheldrake (1993. literalmente. usualmente feminina”. pelo menos de modo implícito. phusis em grego. Para Sheldrake (1993.

. desde aquelas que já desapareceram até aquelas que de alguma forma ainda resistem às pressões exercidas pela sociedade contemporânea sobre suas culturas e seus domínios. o Chefe Seatle retrata com fidelidade o processo de apropriação da natureza percebido na sociedade contemporânea. como um todo”.. ou natural. nossas palavras física e físico. dando um exemplo da sabedoria da cultura indígena. um aspecto da Grande Mãe. têm suas origens no processo de dar à luz. Sheldrake (1993. 1993. Em suas palavras. p. Esta visão da natureza como mãe é retratada por diferentes culturas milenares ao redor do mundo. assim como natureza e natural.] numa escala mais ampla. Para o autor: Este significado. 22).53 “nascimento”. para Sheldrake (1993. de criar e de proteger (mothering). e o ventre para o qual toda a vida retorna” (SHELDRAKE. p. por sua vez. Em seu discurso. A palavra grega phusis vem da raiz phu cujo significado básico também estava associado a nascimento (Partridge (1958)). Poucas definições elaboradas pela ciência tradicional se revelam capazes de retratar em profundidade e sensibilidade o sentido de natureza simbólica presente na sabedoria indígena. Por essa razão. como ocorre na expressão natureza humana”. 22) a “natureza passa a significar o mundo físico. a natureza é o poder criativo e regulador que opera no mundo físico. 1993. p.22). Desse modo. Quando a natureza é personificada “[.. como aquela expressada pelo Chefe Indígena Duwamish (Chefe Seattle) no discurso que fez ao Presidente Franklin Pierce em 1854. está ligado à idéia da natureza como um impulso ou poder inato [. em resposta a proposta de compra de suas terras pelo governo americano (ver Anexo 1). a fonte e o sustentáculo de toda a vida. dizimada de forma assustadora por poderes hegemônicos ao longo dos últimos séculos em diversos locais no mundo. . a causa imediata de todos os seus fenômenos (SHELDRAKE. p. 22) considera que “um dos significados fundamentais de ‘natureza’ é uma disposição ou caráter congênito. o chefe indígena contrapõe a visão utilitarista do homem branco em relação ao domínio da natureza com o significado que esta representa para o homem vermelho.] ela é a Mãe Natureza..

ela “dá vida a todas as coisas. pensar em sua oferta. 24). p. Para o autor. as palavras correspondentes são materia e mater todo o ethos do materialismo está permeado de metáforas maternas” (SHELDRAKE. nesse caso. o homem branco virá com armas e tomará nossa terra”. como forma de retornar ao seu ventre terrestre. porém. e quando menciona que muitas pessoas que habitam modernas cidades industriais. o chefe indígena revela a força e a forma com a qual a sociedade contemporânea se apossou da natureza. Em sua reflexão. viva e maternal?” (SHELDRAKE. pois sabemos que se não o fizermos. p. apenas negamos o princípio mãe por estarmos dele inconscientes. Sheldrake (1993) apresenta evidências sobre este sentimento maior pela terra quando comenta que em muitas partes do mundo. 24). sustenta-as e as recebe de novo em seu ventre”. De acordo com Sheldrake (1993. Quando menciona “vamos. uma vez que “a própria palavra matéria deriva da mesma raiz de mãe – em latim. amplamente divulgada por movimentos ambientalistas. p.54 A declaração do Chefe Seattle. quais são as alternativas para a idéia da natureza como orgânica. e entre o feminino e o masculino em geral. Sheldrake (1993) considera que essas associações femininas desempenham um importante papel em nosso pensamento uma vez que revelam que a concepção de natureza está entrelaçada com idéias sobre as relações entre mulheres e homens. Segundo Sheldrake (1993) uma delas é a que considera que a natureza consiste apenas em matéria inanimada em movimento. entre deusas e deuses. Para Sheldrake (1993) esta idéia da natureza como um sistema inanimado e .25). as crianças recém-nascidas eram colocadas no chão e depois levantadas para representar seu nascimento do ventre da terra. 1993. Para o poeta grego Ésquilo citado por Sheldrake (1993. sugere inúmeras reflexões sobre a relação ser humano-natureza e os comportamentos desenvolvidos pela sociedade da qual a grande maioria de nós faz parte. o autor questiona: “se preferirmos rejeitar essas associações sexuais tradicionais. 1993. desejam ser enterradas em sua terra natal. 25) na cultura indígena a terra é “sagrada tanto como a fonte de vida quanto como o receptáculo dos mortos”. p.

Muitos acreditam que os recursos naturais existem apenas para serem desdobrados e que seu único valor é aquele que as forças de mercado ou os planejadores oficiais neles imprimem. enquanto o mundo natural inanimado permanece onde está. Sheldrake (1993. proporciona a confortadora sensação de que estamos no controle e a impressão gratificante da confirmação da crença de que o ser humano superou os modos de pensar primitivos e animistas. Para o autor. pelo menos durante as horas de trabalho. da qual se pode tirar proveito para o desenvolvimento econômico”. tecnocratas. a abordagem de diferentes tipos de atores que se fundamentam no pensamento mecanicista.55 mecânico. Mas certamente a metáfora “máquina” é mais antropocêntrica do que a orgânica. como um estilo poético ou como um arquétipo mítico confinado à mente humana. de maneiras humanas de pensar. baseia-se. 15) “no mundo oficial – o mundo do trabalho. Além disso. por outro lado. Para muitos desses e outros atores sociais. a concepção de Deus como o planejador e o criador da máquina do mundo o moldou à imagem do homem tecnológico. bolas de bilhar e máquinas a vapor no século XIX. dos negócios e da política – a natureza é concebida como a fonte inanimada dos recursos naturais. 24) a concepção da natureza como máquina põe em jogo outro conjunto de metáforas: Muitos mecanicistas supõem que esse modo de pensar não tem equivalente em termos de objetividade. Nos séculos XVII e XVIII. e tecnologias informáticas e de computação nos dias de hoje. Para Sheldrake (1993 p. enquanto que. a exemplo de cientistas. nada do que é natural possui uma vida. Para Sheldrake (1993. e relativamente recente. sobre o mundo inanimado que nos rodeia. A fabricação de máquinas é uma atividade exclusivamente humana. ao tentar ver todos os aspectos da natureza como semelhantes a máquinas. projetamos tecnologias correntes sobre o mundo que nos cerca. p. 21) considera que: A Mãe Natureza é menos amedrontadora se puder ser descartada como superstição. para que o exploremos. nada além de uma projeção. na suposição de que a natureza é inanimada e neutra. economistas ou proprietários rurais que enxergam suas terras apenas para fins lucrativos. uma finalidade ou um valor próprio. p. Projeções de mecanismos de relojoaria e projeções hidráulicas estavam em voga no século XVII. As únicas máquinas que conhecemos são feitas pelo homem. vêem a idéia de natureza viva como antropocêntrica. oriunda do pensamento mecanicista. .

demonstrando nova evidência de que o que era antes sentido passou a ser coisificado. orientado pela teoria da complexidade. em razão do tema ser objeto de estudo em diferentes áreas da ciência.. Para Hegel citado por Gray (2005. p. caracterizado pelo diálogo e pelo debate.56 Ao que parece. o desejo pelo estabelecimento do completo domínio do ser humano sobre a natureza é reforçado a cada dia pela lógica de funcionamento da matriz de pensamento linear. o que é terra virgem e o que é humano nos seres humanos necessitam ser recordadas. redeclaradas. Um estudo envolvendo a variável “meio ambiente” representa um tema complexo. adquira como principais características.. . ”[. estudiosos consideram que a noção geral do termo “meio ambiente” não configura um conceito que possa ou que deva ser estabelecido de modo rígido e definitivo. Ao distanciar-se da natureza. acabou por estabelecer as suas relações de domínio sobre o ambiente ocupado. orientadas para a exploração crescente dos recursos naturais sobre o falso pretexto da satisfação de suas necessidades de sobrevivência. Em função destas características peculiares. Esta característica faz com que um estudo sobre o meio ambiente. um espaço inclusivo. Desta forma a construção do conceito meio ambiente vem sendo discutida. em termos da amplitude da proposta e do crescente envolvimento de diferentes tipos de atores oriundos das mais áreas e matrizes de formação acadêmica. Por esta razão. inicialmente nas ciências naturais e mais recentemente das ciências humanas. limitando a sua visão a uma condição simplificadora e reducionista marcada pela substituição do simbólico pelo material. sendo definida de formas variadas por especialistas das mais diferentes áreas. 15) ao que tudo indica. A definição semântica da variável de pesquisa “meio ambiente” envolve aspectos relacionados à multi e interdisciplinariedade. de forma simultânea.] a humanidade só se contentará quando estiver vivendo num mundo construído por si mesma”. a humanidade. o que seria então o meio ambiente? Para Beck (2006) esta e outras perguntas. o termo “natureza” cedeu espaço ao termo “meio ambiente”. Face ao sucesso do processo de formação do arquétipo mental linear. como o que é natureza.

Para Barbieri (2006) o que envolve os seres vivos e as coisas ou o que está ao seu redor é o planeta Terra com todos os seus elementos. de modo que a expressão meio ambiente encerra uma redundância”. a partir do momento em que o meio ambiente deixou de ser percebido. “a palavra ambiente vem do latim e o prefixo ambi dá a idéia de ‘ao redor de algo’ ou de ‘ambos os lados’” e “o verbo latino ambio. p. p. tanto os naturais quanto os alterados e construídos pelos seres humanos. o ambiente físico e biológico originais e o que foi alterado. Esta dificuldade em relação à obtenção de uma definição revela o distanciamento ocorrido entre as diferentes áreas do conhecimento e as suas dificuldades de estabelecer conceitos que sejam abrangentes e capazes de se aproximar de seu sentido e seu significado.2) define que o “meio ambiente é tudo o que envolve ou cerca os seres vivos”. a partir do momento em que o próprio sujeito que estabelece suas definições não considera a sua própria participação ou quando assume uma visão antropocêntrica. Desta forma o autor considera que o meio ambiente compreende o ambiente natural e o artificial. vivido e sentido. Para o autor. Barbieri (2006. A própria necessidade da busca de definições para o termo “meio ambiente” revela indícios do distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. isto é. e que em Portugal e na Itália utiliza-se apenas a palavra ambiente. para ser apenas coisificado. cercar e rodear”. p.2) reforça a sua definição para meio ambiente mencionando que “. destruído e construído pelos humanos com as . ambas originadas do francês antigo environer que significa circunscrevem. as palavras meio e ambiente trazem per se a idéia de entorno e envoltório. Como representante das ciências humanas. em especial da Administração. ambire significa ‘andar em volta ou em torno de alguma coisa’”. Nestas tentativas de definições é possível perceber a distância entre sujeito e objeto. De acordo com Barbieri (2006. Barbieri (2006.57 reconsideradas e rediscutidas em um contexto transnacional.2) em outros idiomas como no idioma francês e no inglês “utilizam-se as palavras environnement e environment.. O autor menciona que essa expressão é consagrada no Brasil e nos países de língua hispânica (medio ambiente). embora ninguém tenha as respostas. respectivamente..

58 áreas urbanas. a exemplo as matas virgens e outras regiões auto-sustentadas.3). nutrientes minerais.. uma característica importante dos ambientes naturais e até mesmo dos domesticados”. b) O ambiente domesticado.2): A vida ocorre apenas na biosfera. o aquático ou hidrosfera. não limpam o ar e reciclam muito pouco as águas que utilizam. A parte . c) O ambiente natural. Odum e Sarmiento citados por Barbieri (2006) tentam distinguir três tipos de ambientes: a) O fabricado ou desenvolvido pelos humanos. como precipitação. etc. que envolve os outros dois ambientes. e o atmosférico. Para Barbieri (2006. esses ambientes não possuem capacidade de regeneração. e que não dependem de nenhum fluxo de energia controlado diretamente pelos humanos. pelos parques industriais e corredores de transportes como rodovias.. se caracterizam por serem parasitas dos ambientes naturais e domesticados... mas a própria condição para a existência de vida na Terra. p. ventos. acionadas apenas pela luz solar e outras forças da natureza. ferrovias e portos. lagos artificiais. açudes. fluxo de água. industriais e rurais. Segundo Barbieri (2006. “. ar e água. Para o autor esses elementos condicionam a existência dos seres vivos.. que envolve áreas agrícolas. Os autores consideram que os elementos que constituem o primeiro tipo de ambiente como tecnoecossistemas urbano-industriais. provendo alimentos e outras formas de energia. florestas plantadas. Para Odum e Sarmiento citados por Barbieri (2006) o ambiente de suporte à vida é aquela parte da Terra que satisfaz as necessidades fisiológicas vitais. Seguindo a lógica da classificação oriunda do pensamento linear. como ocorre nos dois outros ambientes. podendo-se dizer. etc.. p. que o meio ambiente não é apenas o espaço onde os seres vivos existem ou podem existir.. constituído pelas cidades. uma estreita faixa do Planeta constituída pela interação de três ambientes físicos: o ambiente terrestre ou litosfera. uma vez que não produzem os alimentos que a sua população necessita.. portanto.

. Art. os ecólogos parecem evitar o emprego da palavra ‘meio’ para indicar o ‘meio externo’.. significados imprecisos.”. terrestre. a exemplo da definição do artigo 207 da Constituição do Estado do Paraná: Art. p. garantindo-se a proteção dos ecossistemas e o uso racional dos recursos ambientais (PARANÁ. De acordo com Branco (2005. a da atmosfera é a camada rente à crosta terrestre denominada de troposfera e que alcança cerca de 11 km de altitude nos pólos e 16 km no equador.. etc. que trata sobre a questão da proteção dos recursos naturais e que mais tarde influenciou outras interpretações e definições elaboradas pela sociedade brasileira. aos Municípios e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações presente e futuras... representante das ciências naturais.. Segundo o autor. Evidências desta consagração podem ser percebidas no artigo 225 da Constituição Federal. envolve a biosfera e estendese muito além dos limites em que a vida é possível.. como adjetivo (o ar ambiente.59 terrestre da biosfera é apenas a camada sólida superficial da litosfera. . o meio ambiente) ou como substantivo (o ambiente marinho. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 2001). em especial da Biologia. 90) “os autores e dicionaristas franceses estabelecem entre os vocábulos milieu e environnement distinção idêntica a que fazemos entre ‘meio’ e ‘ambiente’. p. principalmente ao que se refere a um emprego técnico consensual. Para o autor talvez este fato tenha contribuído para a consagração da expressão “meio ambiente” no sentido ecológico atribuído pelas autoridades brasileiras. do animal ou vegetal”. 207. biológico.)”. preferindo empregá-la quando se referem ao meio interno. “. Para Branco (2005). bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. impondo-se ao Estado.90). 225 Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida. De acordo com Branco (2005. “ambiente” e “meio ambiente” possuem de um modo geral. O meio ambiente. como condição de existência da vida. o termo “ambiente” é indiferentemente empregado “. quando estas iniciaram a política de proteção ambiental nacional.. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL. 1988). palavras como “meio”.

p. 91). mas não abrange o conceito sistêmico que considera os próprios organismos como parte de ambiente. 159 e 160) considera que: O ambiente está integrado por processos. resultado da articulação sinérgica da produtividade ecológica. 2005. Para pesquisadores de fronteira o termo meio ambiente também é considerado restrito. “Seria como dizer ‘lugar ambiente’. p. 92). da inovação tecnológica e da organização cultural. perda da diversidade biológica e cultural. Em sua concepção não linear sobre ambiente Leff (2000. 91): A palavra ‘meio’.. p. não teria essa especificidade: “o ambiente é mutável e dinâmico em função da própria atividade vital que nele se desenvolve” (BRANCO. a distribuição desigual dos custos ecológicos do crescimento e a deterioração da qualidade de vida. Ao mesmo tempo o ambiente emerge como um novo potencial produtivo. 93). Já o termo “ambiente”. p. Para o autor esta expressão se refere ao “meio circundante”. mais que de entorno [. tem uma conotação de substância. então a expressão é simplesmente redundante. fazendo com que a expressão “meio ambiente” adquira um caráter mais restritivo. referindo-se a “lugar no espaço”.. uma planta. dominados e excluídos pela racionalidade econômica dominante: a natureza superexplorada e a degradação socioambiental. e aos quais os organismos vivos devem estar adaptados para sobreviver e perpetuar-se. segundo o autor.60 Para Branco (2005. a palavra ‘meio’ é definida do ponto de vista biológico como: Conjunto de fatores que agem de maneira permanente ou durável sobre um animal. De acordo com o Grand dictionnaire encyclopédique Larousse citado por Branco (2005. em vez de empregar simplesmente o substantivo ‘ambiente’” (BRANCO. tal como geralmente é empregada em biologia. isoladamente. tanto de ordem física como social. O ambiente não é o meio que circunda as espécies e . p. 2005.] quando falamos em um ser que vive num ‘meio aquático’ parece que estamos nos referindo mais precisamente ao estado líquido em que ele reside. motivo pelo qual ele é substituído pelo termo ambiente. uma biocenose. Para Branco (2005) o termo “meio” possui uma conotação bioquímica e físicoquímica. do que ao conjunto de seres e circunstâncias que convivem e interagem com ele nesse meio. a pobreza associada à destruição do patrimônio de recursos dos povos e a dissolução de suas identidades étnicas. Branco (2005) considera que se a intenção dos autores da expressão era usar “meio” no sentido mais geral.

Neste sentido. o significado de natureza viva tal como é entendido pelas culturas primitivas. que ele “[. bem como pelas leis termodinâmicas de degradação de matéria e energia no processo produtivo.] não só era vivo como também inteligente.61 as populações biológicas.2. um animal imenso com uma alma e uma mente . Acreditavam que pelo fato deste mundo possuir movimentos regulares e ordenados. como forma de facilitar a interpretação dos profissionais de indústrias químicas com relação à proposta de pesquisa. bem como novos potenciais produtivos.. os filósofos gregos já haviam desenvolvido uma sofisticada concepção da natureza como um organismo vivo. Sheldrake (1993) considera que desde a época de nossos mais remotos antepassados até o século XVII. Reflexões sobre a Relação Ser Humano e Natureza Com o processo de franca expansão da sociedade. apenas como aquela que provê as matérias-primas necessárias para a subsistência do ser humano. passando a ser identificada por muitos. de forma reducionista. Esta decisão foi tomada em razão da consagração obtida pela expressão nos meios acadêmicos e empresariais e por estar presente no senso comum da sociedade como definição para um ambiente mais abrangente.2. na qual. o ambiente do sistema econômico está constituído pelas condições ecológicas da produtividade e regeneração dos recursos naturais. De acordo com Collingwood citado por Sheldrake (1993). admitia-se como certo o fato de que o mundo da natureza era vivo. apesar dos debates a respeito dos detalhes. valores e saberes. cedeu espaço ao conceito de natureza dominada. os grandes filósofos acreditavam que o mundo da natureza fosse vivo devido ao seu movimento incessante. relativa a uma racionalidade social. da recomendação de pesquisadores para a adoção do termo “ambiente” e do reconhecimento que a melhor expressão para retratar o ambiente natural é “ambiente” ou “natureza”. é uma categoria sociológica (e não biológica). Apesar do reconhecimento da condição restritiva apontada por Branco (2005) em relação à utilização do termo “meio ambiente”. o animismo ocupava posição central. Segundo o autor. configurada por comportamentos. optou-se conscientemente pela aplicação da expressão “meio ambiente” como denominação da variável utilizada para o desenvolvimento deste estudo. 2..

por sustentar que a terra estava viva. Segundo Sheldrake (1993) na medida em que a idéia de que a natureza . e deixou de ser considerada viva. e que outros planetas também podiam estar. p. A natureza deixou de ser reconhecida como mãe. negou-se à natureza os tradicionais atributos da vida. 53 e 54). vírus –. Já Vladimir Ivanovitch Vernadsky viu o funcionamento da biosfera como uma força geológica que cria um desequilíbrio dinâmico. apesar disso. promove a diversidade da vida. Huxley a percebeu da mesma forma em 1877. Segundo Sheldrake (1993) a essência do pensamento grego foi herdada por nossos antepassados medievais. Para o autor: Esse processo foi levado às últimas conseqüências no século XVII. Giordano Bruno foi queimado na fogueira. criada por Deus e mecanicamente obediente às suas leis eternas. porém. Em 1785 o geólogo James Hutton viu a Terra como um sistema auto-regulador e T. muitas vezes em guerra entre si. que. mais de quatrocentos anos atrás. Ainda segundo Tickell. Segundo o autor.H. doutrina central da ciência ortodoxa baseada na teoria mecanicista da natureza. Para os gregos “cada planta ou animal participava psiquicamente do processo de vida da alma do mundo. nos três últimos séculos observou-se que um número cada vez maior de pessoas cultas passou a pensar a natureza como isenta de vida. 1993. No prefácio do recente livro de James Lovelock. Leonardo da Vinci viu o corpo humano como o microcosmo da Terra. e a Terra como o macrocosmo do corpo humano. Tornou-se a máquina do mundo. p. parasitas.62 racional própria”. a capacidade para o movimento espontâneo e a auto-organização. e materialmente na organização do corpo do mundo”. por sua vez. e juntos constituindo mais do que as células do nosso corpo. Ela perdeu a sua autonomia”. Crispin Tickell revela fatos curiosos sobre as relações entre humanidade. quando a natureza tornou-se nada mais que matéria inanimada em movimento. intelectualmente na atividade da mente do mundo. porém ele não sabia que o corpo humano é um macrocosmo dos elementos minúsculos de vida – bactérias. e Deus. ciência e meio ambiente. 87) “na revolução científica do século XVII. (COLLINGWOOD CITADO POR SHELDRAKE. Para Sheldrake (1993. denominado “A Vingança de Gaia”. o engenheiro todo-poderoso.

fato que contribuiu. criativa. Desta forma. a natureza. toda a vida emerge dela. Sheldrake (1993) considera que a teoria mecanicista da natureza conquistou seu prestígio graças aos sucessos da ciência e da tecnologia. com o subseqüente crescimento do ateísmo. então por que continuar acreditando que tudo é mecânico e inanimado? Sheldrake (1993) considera que o que justifica a poderosa razão para o apego à visão mecanicista reside no fato de ela ser mais cômoda. torna-se cada vez mais difícil justificar a negação da vida da natureza. 82) efetua o seguinte questionamento: [. 1993. Sheldrake (1993. Para o autor. ao longo de mais de trezentos anos. se os próprios organismos são mais semelhantes a organismos do que a máquinas. sozinha. Com base em suas reflexões... marcado pelo sucesso da construção e pela consolidação da matriz de pensamento linear. Deus foi automaticamente se tornando cada vez mais supérfluo.] a natureza (ou matéria) é a fonte de todas as coisas. oriundo de diferentes culturas milenares. por novos conceitos onde a natureza passou a ser entendida de forma mecânica apenas como matéria disponível para o atendimento das necessidades criadas pelos seres humanos. por volta do final do século XVIII.. passou a ser considerada como a fonte de todas as coisas. Ainda segundo o autor. a natureza está voltando à vida novamente no âmbito da teoria científica. se a natureza é orgânica. 31). gerando a crença do materialismo moderno.. do qual se origina a crença da possibilidade do desenvolvimento e do crescimento contínuo. dela ainda constituir a . na medida em que a própria ciência se desenvolve e que a visão de mundo mecanicista está se tornando progressivamente ultrapassada. p. segundo o qual se acredita que “[. À medida que esse processo vai ganhando impulso.] se o cosmos assemelha-se mais a um organismo em desenvolvimento do que a uma máquina deixando de funcionar. a própria ciência baseada na matriz de pensamento linear e os poderes que a controlam passaram a promover a substituição do significado de natureza viva. para o seu desaparecimento da visão científica do mundo. e para ela toda a vida retorna” (SHELDRAKE. p. Ao final deste período. a ampliação dos efeitos indesejados percebidos no meio ambiente rapidamente contribuíram para revelar as insuficiências de um modelo de sociedade alicerçado na matriz de pensamento linear. espontânea.63 funcionava de forma mecânica.

a cientista e escritora expôs pela primeira vez para a opinião pública os efeitos nocivos do uso indiscriminado de pesticidas e agrotóxicos sintéticos no ambiente natural. p. Para o autor: Experiências pessoais intuitivas de natureza não podem mais ser mantidas no comportamento selado da vida privada. podem. Maneiras de pensar míticas. as velhas certezas políticas e econômicas estão se desfazendo e se dissipando. 83).64 ortodoxia da civilização industrial. a mais forte das razões para se negar a vida da natureza esteja no fato de que admiti-la é algo que leva a conseqüências esmagadoras. 1993. os impactos percebidos no meio ambiente apresentaram evidências sobre as insuficiências da matriz de pensamento linear e sobre as atividades danosas promovidas pela sociedade global. a visão da natureza como algo a ser conquistado está perdendo o seu encanto. tanto literal como metaforicamente (SHELDRAKE. Dúvidas a respeito da abordagem mecanicista da agricultura e da medicina estão aumentando. Porém o autor alerta para o fato que ela pode não continuar sendo a mais cômoda por muito tempo: Decisões públicas estão reflorescendo. 83). Sheldrake (1993) chega a considerar que talvez. Muitos dos componentes envolvidos na relação ser humano e natureza. A partir da década de 1960. passaram a ser redescobertos e comprovados de . animistas e religiosas não podem mais ser mantidas em xeque. e o clima está mudando. em 1962. Nada menos que uma revolução está se aproximando (SHELDRAKE. na verdade. conter revelações da própria natureza viva. uma pequena parte da ciência passou a se dedicar em restabelecer a sua compreensão sobre os efeitos complexos da atividade humana sobre o ambiente natural e sobre ela mesma. alertando as sociedades globais para os riscos da contaminação química. pois. p. Neste período. que em 2007 comemorou 45 anos e que é considerada por Colborn. Nesta mesma década. que já eram de conhecimento de culturas milenares. 1993. o livro “Primavera Silenciosa”. Dumanoski e Myers (2002) como a obra que incentivou o início do movimento ambientalista durante o pós-guerra. e descartadas como meramente subjetivas. assim como de fato parecem contê-las no momento em que são vivenciadas. Em sua obra. os efeitos negativos produzidos pelas indústrias e pela ciência dominada pelos interesses econômicos passaram a ser percebidos com mais intensidade pela sociedade depois que Rachel Carson publicou.

na pior. condenaram-na imediatamente nos termos mais desdenhosos. p.03 por cento de dióxido de carbono. e era este sistema terrestre imenso que desenvolvia a autoregulação. o reconhecimento pela ciência de que o planeta Terra é vivo. 2006. Em vez disso. já que a unidade de seleção era o organismo. p. Segundo o autor. Porém. bem como 78 por cento de nitrogênio e 21 por cento de oxigênio. De acordo com Lovelock (2006. Sheldrake (1993. por meio da apresentação de sua hipótese denominada “Teoria de Gaia” 20 . 34). na década de 1960. mais de mil delegados assinaram uma declaração que teve como sua primeira afirmação importante: “O sistema Terra se comporta como um sistema único e auto-regulador composto de componentes físicos. 20 . foi em 1972 que James Lovelock apresentou para a comunidade científica as suas idéias sobre um Planeta vivo. 35). a idéia de auto-regulação global do clima e da química foi impopular entre os cientistas da Terra e os cientistas da vida. 157) menciona que o proponente da hipótese de Gaia é a de que a Terra é um organismo vivo auto-regulador. essa composição poderia ter surgido somente graças às atividades dos organismos vivos e somente poderia ser mantida graças à sua contínua atividade. durante a realização de uma conferência em Amsterdã. em que estavam representadas quatro grandes organizações voltadas para a mudança global. veio somente mais tarde em 2001. Nesta conferência. Segundo Lovelock (2006. biológicos e humanos” (LOVELOCK. De acordo com Tickell. como ocorre nas atmosferas de Marte e de Vênus. foi ao retornar à discussão com os Darwinistas que em 1981 ele percebeu que.] Gaia era o sistema inteiro – a união de organismos e meio ambiente material –.65 forma científica por diferentes pesquisadores ao redor do globo.. segundo o próprio Lovelock (2006). idéia que pareceu inaceitável para muitos adeptos do pensamento convencional. Durante o desenvolvimento de suas pesquisas. ela contém apenas 0. químicos. Para o pesquisador. argumentando que um biosfera auto-reguladora jamais poderia ter se desenvolvido. Lovelock começou a formular suas idéias quando pensava a respeito da maneira de detectar vida em Marte. p. 33): Desde o seu início. eles a consideraram desnecessária como explicação dos fatos da vida e da Terra. Alguns biólogos logo desafiaram a hipótese. “[. nossa atmosfera deveria apresentar cerca de 99 por cento de dióxido de carbono. não a vida ou a biosfera sozinha”. não a biosfera.. Os únicos cientistas a receberem bem a idéia foram uns poucos metereologistas e climatologistas. Lovelock compreendeu que se os gases que constituem a atmosfera da terra estivessem em equilíbrio químico. Na melhor das hipóteses. p.

razão pela qual ela é tão controversa”.. se limitando à visão dos séculos XIX e XX da Terra ensinada na escola e na Universidade. Para o autor ”o seu apelo. p.. depende da maneira pela qual ela volta a nos conectar com padrões de pensamento pré-mecanicistas e pré-humanistas”. fazem parte de uma só história da Terra. indubitavelmente. de um planeta constituído de rocha inerte e morta. a Teoria de Gaia. Lovelock (2006) menciona que muitos dos seus membros ainda agem como se o planeta fosse uma enorme propriedade pública possuída e compartilhada. levou décadas até ser. p. Sheldrake (1993. aceita. p. amplamente difundido. Para Lovelock (2006. e a evolução do mundo material das rochas. somos apenas uma outra espécie. 160 e 161) acredita que “a hipótese Gaia é. 44). Nosso futuro depende muito mais de um relacionamento correto com Gaia do que com o drama infindável dos interesses humanos (LOVELOCK CITADO POR SHELDRAKE. 19). de acordo com a geologia dos livros didáticos”. esse tipo de omissão permite que os cientistas se declarem partidários da Teoria de Gaia ao mesmo tempo em que continuam a elaborar suas pesquisas de forma isolada como antes. estas duas evoluções que eram tratadas de forma distintas. as divisões territoriais e dúvidas persistentes impedem que os cientistas que assinaram a declaração enunciem a meta da Terra auto-reguladora. 161). De acordo com Lovelock (2006. 1993. não somos nem os proprietários nem os administradores deste planeta. Para o autor na proposta da teoria de Gaia. em que a vida e seu ambiente físico evoluem como uma entidade única. O autor considera que apesar da Declaração de Amsterdã ter representado um passo importante rumo à adoção da teoria de Gaia como modelo de trabalho para a Terra.] a evolução dos organismos ocorre de acordo com a visão de Darwin.66 Apesar do reconhecimento da comunidade científica. porque teve de . com vida abundante a bordo. Lovelock (2006) apresenta novas evidências sobre a força da matriz do pensamento linear. assim “como todas as teorias novas. p. Para Lovelock (2006). um dos passos mais importantes em direção a um novo animismo. Para Sheldrake (1993) não se pode disfarçar o fato de que a hipótese de Gaia envolve uma mudança radical de pontos de vista centrados no humanismo: Em Gaia. muitos ainda acreditam que “[. ar e oceano. ainda que parcialmente.

p. que a descoberta de que a regulação estava falhando e de que sistema da Terra rapidamente se aproxima do estado crítico em que a vida corre perigo tenha vindo tarde demais.. Além do reconhecimento das formas e cores. represente uma das experiências mais significativas e compartilhadas por uma boa parcela da humanidade. Talvez a imagem da Terra vista do espaço pelos astronautas. embora arraigada em velhos padrões de pensamento mítico. Esta visão contribuiu de forma significativa para a materialização do planeta “vivo”. Uma destas visões da Terra obtidas por astronautas a partir do espaço e que contribuiu para reavivar e reforçar o significado da Terra como um planeta vivo foi obtida em 24 de dezembro de 1968. 131) “[. muito diferente da visão tradicional e limitada até então aprendida nos bancos escolares. segundo Lovelock (2006.. Para o autor é sabido agora que a Terra de fato se regula. 153). “ao longo de toda a história. Para Sheldrake (1993. Para Lovelock (2006. esta imagem contribuiu para revelar o sentimento que os astronautas tiveram quando consideraram a terra como o seu lar: . O autor considera que a compreensão contemporânea emergente da Terra como viva. é fortemente influenciada por duas percepções caracteristicamente modernas: a visão obtida da Terra a partir do espaço.67 aguardar por dados para confirmá-la ou negá-la”. e a compreensão de que nossas atividades econômicas estão mudando o clima global. Neste momento.] vimos algo bem diferente de nossa expectativa de uma mera bola de rocha de tamanho planetário existindo dentro de uma camada fina de ar e água”. porém lamenta que devido ao tempo decorrido para a coleta de dados. tal como foi observada pelos astronautas e pelos cosmonautas. p. 131) “a Terra nunca havia sido vista como um todo até que os astronautas a observassem para nós de fora”. p. praticamente toda a humanidade (e a maior parte dela ainda hoje) aceita como verdadeiro o fato de que a Terra é viva”. pelos astronautas que integravam o missão Apollo 8.

Nas noites de sexta-feira.68 Figura 1 – Foto do Planeta Terra – Missão Apollo 8 Fonte: Lunar and Planetary Institute (2008) Sheldrake (1993. Há algo a ser encontrado “na natureza”. p.] contrastamos hoje a paz dos primeiros tempos com os conflitos que vivenciamos. Para milhões de habitantes das cidades modernas. de que muitos de nós sentem necessidade.. a vida se torna mais tolerável ante a perspectiva de saírem a campo. nas sociedades “primitivas” reconhecemos um modo de vida harmonioso que perdemos – e que até mesmo essas sociedades estão perdendo rapidamente sob a influência da nossa civilização. p..] somos os herdeiros de uma cultura e de um modo de vida que enfatiza a nossa .] poucas pessoas querem retornar à natureza por muito tempo”. uma vez que todos ”[. 70) acredita que “retornar à natureza é uma imagem que evoca a sensação de voltar para casa. as estradas que saem das grandes cidades do mundo ocidental ficam intransitáveis. porém “[. ou de lá permanecerem durante todo o período de férias.. Sheldrake (1993. 27 e 28) faz considerações interessantes que retratam o sentimento de natureza tal como ele é muitas vezes percebido pela sociedade contemporânea: [. ou de se religar a fonte da vida”. em fins de semana.... de se retirarem para ambientes rurais.

Todos os antigos medos ainda estão nos bastidores para nos assombrar: o colapso da civilização. maior será a necessidade de retornar. à prevenção contra a extinção da vida em geral. . há de se imaginar as dificuldades encontradas para o restabelecimento da ligação entre ser humano e natureza. animais e microorganismos. Para Sheldrake (1993. Os animais dependem da fotossíntese das plantas para ter atendidas as suas necessidades energéticas. bem como do nitrogênio fixado pelas bactérias em suas raízes. regulam toda a biosfera e mantém as condições propícias à preservação da vida. p. da constante ameaça do caos. quando considera que “o ser vivo não é mais um ser independente e de comportamento livre: ele é. a fome extrema. objetivamente.] “ele é parte integrante do ambiente” que “não é mais um meio circundante”. dessa forma.69 separação”. Várias teorias e atitudes habituais reforçam e estendem esse distanciamento primário. Neste contexto em que o sujeito tenta se reaproximar do que foi por muito tempo considerado como apenas um objeto de estudo e não como algo essencial para a perpetuação da sua própria vida e das gerações futuras. 70): Somos os senhores da criação. p. das forças que fazem surgir nossos medos mais básicos. 23): Não existe nenhum organismo individual que viva em isolamento. Talvez uma das formas de estabelecer este retorno passe pela compreensão da importância do ambiente natural para a manutenção da vida. antes. “a natureza tem vários significados e inspira diferentes tentativas de retorno”. o barbarismo. Para Branco (2005. Branco (2005. p. e em particular. uma peça de uma máquina complicada. e todos juntos. especialmente os hábitos de desprendimento científico. a pestilência.. p. “o meio ambiente diz respeito. que não existe se não estiver associado às demais peças” [. 104) reforça a visão mecanicista do mundo ao mesmo tempo de que apresenta evidências da existência do princípio hologramático proposto pela teoria da complexidade. Para o autor o ambiente adquire uma nova dimensão onde não é mais possível dissociar os organismos das circunstâncias que o cercam. E. quanto maior for o senso de separação da natureza. p 70). Para Capra (2005. Para Sheldrake (1993. os conquistadores da natureza. Nossos sistemas políticos e econômicos ajudam a nos separar dos poderes destrutivos da natureza e da natureza humana.9). da vida humana”.. vegetais. Em suas considerações. as plantas dependem do dióxido de carbono produzido pelos animais.

70 Logo. mas sim o enorme aumento do poder humano”. políticos. ou seja.] desde que o fogo foi subjugado pela primeira vez. o domínio do homem sobre a natureza. De acordo com o autor. os seres humanos passaram a estabelecer e a ampliar o seu poder de controle sobre o ambiente ocupado. De acordo com o autor. O Meio Ambiente e a Sociedade Contemporânea Com o passar dos séculos e graças às suas capacidades de organização. Para Sheldrake (1993) as diferentes culturas apenas se diferem quanto à intensidade de seu impulso de domínio e quanto ao sentido de afinidade que as mantêm em equilíbrio com o mundo natural. a exemplo de inúmeras iniciativas já desenvolvidas. criação e inovação. “as justificativas filosóficas. desde que as primeiras ferramentas foram fabricadas. e desde que as primeiras cidades foram construídas . p. 46 e 47) Para Sheldrake (1993. Por se tratarem de questões complexas.. contribui apenas para antecipar a crise sócio-econômica-ambiental já anunciada.. as questões ambientais exigem uma abordagem a partir da racionalidade e do comportamento da sociedade quanto à forma como o conjunto de indivíduos que a compõe estabelece as suas relações com o ambiente natural do qual é apenas uma parte integrante. teológicas e mitológicas para o poder humano sobre o . uma posição diferenciada frente as diferentes formas de vida que integradas. Com o processo de crescimento de ampliação de suas populações. pode-se concluir que refletir sobre as questões que envolvem a relação natureza e ser humano de forma unilateral. desde que os metais começaram a ser usados. 47) “o que o mundo moderno tem de único não é o fato do poder humano em si mesmo. 2. sociais. culturais e espaciais. 1993.3. constituem o ambiente natural. em graus diversos. nem o sentido de que a humanidade é alguma coisa sem paralelo. os seres humanos passaram a assumir de forma gradual. p.envolveu. na história humana. pensar o meio ambiente sem incluir o ser humano ou sem envolver aspectos econômicos. desde que os primeiros animais foram domesticados e as primeiras plantas cultivadas. em sua totalidade: [. (SHELDRAKE.2.

inviabilizou a comunicação entre as diferentes disciplinas. os fenômenos relacionados ao ambiente natural passaram a ser estudados pelos representantes das ciências naturais enquanto que.. o monstro das profundezas.. . 1993. os fenômenos sociais passaram a ser estudados pelas ciências humanas. Este padrão para a produção científica gerou reflexos diretos na formação do arquétipo mental e consequentemente nos comportamentos apresentados pela sociedade contemporânea.71 mundo natural não constituem uma característica exclusiva da civilização moderna” [. p. foi também responsável por negar oportunidades aos representantes das ciências humanas quanto a uma melhor compreensão das relações existentes entre sociedade e natureza. Da mesma forma. sendo. portanto consideradas como “[. Com o estabelecimento das especializações científicas. O arquétipo do herói conquistando a natureza selvagem aparece no mito babilônico de Marduk triunfando sobre Tiamat. Segundo o autor: Até mesmo o imaginário heróico da conquista da natureza pelo homem. Este processo de disjunção. Pela lógica da disjunção aplicada pela ciência para a produção de novos conhecimentos. p. Ao mesmo tempo em que a tornou detentora de inúmeros e importantes conhecimentos. limitando as pesquisas e a compreensão dos fenômenos observados às fronteiras préestabelecidas para o desenvolvimento do conhecimento científico.] concepções antropocêntricas da relação entre homem e natureza” (SHELDRAKE. e no São Jorge sobre o dragão. situação que nos dias atuais é responsável pelos reflexos percebidos na forma de produção científica. no de Apolo sobre Píton.] “elas são encontradas por toda parte”. tem precedentes antigos. limitou os representantes das ciências naturais em termos da promoção de reflexões mais amplas sobre as relações existentes entre natureza e sociedade. no deus Egípcio Hórus vencendo o hipopótamo: no triunfo de Perseu sobre a Górgona.. tão importante moderna ideologia do progresso.. 47). 47) Nos séculos que marcaram o surgimento da ciência das especializações. as relações entre sociedade e meio ambiente passaram a ser tratadas de forma dissociada pelo poderes controladores da produção científica. (SHELDRAKE. o que era único foi separado. que por um lado é considerado importante para o aprofundamento de conhecimentos científicos específicos. 1993.

Este exemplo demonstra com clareza a noção de disjunção presente em políticas públicas fundamentadas na racionalidade instrumental. Trata-se de uma evidência da predominância do pensamento linear na esfera pública. Situações como o exemplo da capital ecológica. nos remetem a refletir sobre as formas superficiais com as quais a sociedade contemporânea tenta restabelecer suas relações com o meio ambiente. como mencionado anteriormente por Morin (2006. amplamente divulgada pelo mundo afora como modelo de preservação ambiental. se faz necessário. com algo que estava próximo e que com o tempo se tornou distante. uma vez que priorizou ações relacionadas ao marketing ecológico em detrimento de ações voltadas para a promoção do desenvolvimento do ser humano. podem ser comprovadas quando da decisão política da criação de um novo imaginário “Curitiba. Em seu estudo o autor demonstra que as diversas ações adotadas para a construção e o estabelecimento do imaginário esconderam outras realidades decorrentes do processo de crescimento urbano acelerado como o aumento da violência. Para compreender as situações geradas pela nossa sociedade no contexto atual e futuro. 76). Logo se faz necessário estabelecer um olhar diferente. situação que demarca com clareza o momento em que a proposta original passou a receber críticas em relação ao nível de atenção dispensada para as questões sociais.. p. assumir uma posição pró-ativa e crítica na .. o qual “[.] ter metapontos de vista sobre nossa sociedade”. Capital Ecológica” descrito por Souza-Lima (2006)... assunto tratado por Socher (2008). “[. Um exemplo que comprova a disjunção ocorrida entre ser humano e natureza e que se apresenta como uma tentativa artificial de promover a reaproximação das massas com o ambiente natural envolve a construção do imaginário “Curitiba. em seu trabalho que trata sobre políticas públicas voltadas para o cidadão como ator principal da esfera pública. Tais insuficiências do imaginário original. Capital Social”.] só é possível se o observador-conceptor se integrar na observação e na concepção”.72 impedindo que o conjunto da sociedade adquiri-se uma maior compreensão sobre os fenômenos observados. o crescimento das favelas e a ampliação da poluição. apontadas pelo autor.

Trata-se de um exercício de enxergar e construir uma realidade diferente.73 busca do estabelecimento de um profundo envolvimento com a sociedade da qual fazemos parte e da qual emanam os inúmeros efeitos indesejáveis oriundos de nossas próprias ações e comportamentos. o mundo vivo é concebido à imagem de uma economia capitalista e as características individualistas. . são então projetadas sobre os genes. Várias são as tentativas entre os pesquisadores de fronteira para tentar definir este momento de transição. passa a ser mais responsável pelas ações e comportamentos que desempenha na sociedade. boa parte dos indivíduos que integram nossa sociedade é desprovida do tempo e das condições necessárias para repensar o seu papel junto à sociedade que integram. responsáveis por manter os seres humanos presos aos padrões estabelecidos pela vida em sociedade. Para compreender um pouco melhor a sociedade na qual estamos inseridos se faz necessário estabelecer algumas reflexões sobre diferentes períodos. Para o autor. ao assumir novas posições em termos de produção e de consumo. Trata-se de um exercício que exige reflexão e desapego em relação às regras vigentes na sociedade que impõe o modo de vida coletivo contemporâneo. e consequentemente. como forma de representar o momento e as circunstâncias geradoras das mudanças responsáveis pela ampliação das crises sócio-ambientais percebidas na contemporaneidade. ela também forneceu armas para um poder inimaginável. e de ter oferecido melhores recursos para combater doenças. sobre a forma como a sociedade a qual pertencem estabelece suas relações com o ambiente natural. aceitas como verdadeiras pelas teorias econômicas da livre empresa. Para Sheldrake (1993) apesar da abordagem mecanicista ter propiciado progressos tecnológicos e industriais. egoístas e competitivas do homem. na qual cada indivíduo. Estes limites determinados pela lógica do pensamento mecanicista. as economias modernas são construídas sobre alicerces mecanicistas. segundo o autor. e todas as pessoas são influenciadas por eles. Neste contexto. os impedem de planejar e refletir sobre suas ações e sobre a sociedade que desejam. Infelizmente. onde mudanças ou rupturas se revelam cada vez mais capazes de definir ou inaugurar o surgimento de novo período para a sociedade.

Gray (2005. como livres”. 171) estabelece uma comparação interessante entre o modo de vida das sociedades primitivas com as sociedades agrícolas: . a passagem da caça-coleta para a agricultura é vista com freqüência. como uma mudança comparável à revolução industrial dos tempos modernos. o autor considera que aos olhos daqueles para quem a riqueza significa ter objetos em abundância. p.74 Desde os tempos mais remotos. 170): Só depois de extinguir os moas e devastar a população de focas da Nova Zelândia os primeiros colonos polinésios passaram a usar métodos mais intensivos de produção de alimentos. pela mesma razão. Segundo alguns pesquisadores. a vida destes indivíduos se assemelha a pobreza. Esta constatação pode ser percebida no exemplo de Gray (2005. Ao exterminar os animais dos quais dependiam. p. Ciochon. esses caçadores-coletores condenaram à extinção seu próprio modo de vida. Como exemplo. O autor considera que quando este fato é visto dessa maneira. p. as primeiras mudanças provocadas por diversos tipos de sociedades no ambiente ocupado teriam provocado o seu rito de passagem da sociedade primitiva para a sociedade agrícola. é porque ambas aumentaram os poderes dos humanos sem ampliar sua liberdade. e provocado mudanças definitivas nos habitats e nas populações de espécies como o orangotango e o panda. Para Gray (2005). logo não têm que trabalhar para acumular mais. talvez seja melhor pensá-los. Olsen e James citados por Sheldrake (1993) mencionam que no sudeste da Ásia o Homo erectus pode ter caçado certas espécies de primatas até a extinção. De acordo com Sheldrake (1993) embora pareça que as sociedades paleolíticas de caçadores-coletores tenham vivido em maior harmonia com a natureza do que as sociedades agrícola e industrial. Por este motivo. Para Sahlins citado por Gray (2005. elas também forjaram mudanças importantes em seu meio ambiente. 171) isto se deve ao fato de que “estamos inclinados a pensar os caçadores-coletores como pobres por que não possuem nada. as diferentes sociedades promoveram alterações no ambiente ocupado. O autor justifica as suas considerações ao mencionar que os caçadores-coletores normalmente têm o suficiente para suas necessidades.

A agricultura e a busca de novas terras vão juntas. p. A agricultura multiplica o número de humanos. foi tanto um efeito quanto uma causa do crescimento da população humana. compele os agricultores a expandir a terra que trabalham. e ao longo do tempo. e outras 735 milhões de pessoas. com seu compromisso com terras específicas e grande número de filhos. em sua maioria indígenas que habitam as áreas remotas das florestas. Para Gray (2005) as populações de caçadores-coletores que passaram para o cultivo das terras aumentaram mais em relação a populações que mantiveram os hábitos tradicionais de subsistência. o seu controle sobre a natureza para possibilitar o aumento da produção e de consumo de produtos. que compõe a população rural que habita as áreas de florestas. Sua sobrevivência depende de conhecer o meio local em seus mínimos detalhes. (GRAY. que são forçados a constantemente se mudar. Evidências destas constatações podem ser verificadas em um recente estudo elaborado por Chomitz (2007).. colonizar novas terras (. a humanidade passou a desenvolver e ampliar de forma crescente. Com base neste domínio orientado por interesses de natureza econômica. "são os agricultores. nestas regiões se concentram a maior parte da população pobre do planeta. que trata sobre a pressão sofrida pelas florestas tropicais e bosques de savana ao redor do mundo.. .75 Caçadores-coletores têm alta mobilidade. não a caça. Assim. criou-se as condições necessárias para que a população mundial crescesse de forma exponencial. Como escreve Hugh Brody. 172 e 173) A partir do estabelecimento das sociedades agrícola e industrial. Segundo o autor. onde quer que tenha ocorrido. 2005.) Como um sistema. a qual é composta por aproximadamente 70 milhões de pessoas. O autor acredita que: A passagem para a agricultura não teve uma razão única. Mas sua vida não requer mudanças contínuas para novo território. fato que garantiu a expansão das suas atividades e consequentemente determinou a ampliação da exploração dos recursos naturais e os impactos observados sobre o ambiente ocupado. A agricultura tornou-se indispensável por causa da população maior possibilitada por ela. reassentar. é a agricultura. savanas e arredores. que gera o 'nomadismo'. em diferentes épocas e em diferentes locais do mundo. Mas.

onde a propriedade de terras é geralmente melhor definida. demonstra os reflexos das pressões exercidas pelo conjunto da sociedade sobre a natureza.76 Face aos diferentes tipos de pressões sofridos por estas áreas. esta expansão é justificada tanto pela pobreza quanto pela riqueza. onde as pressões para desmatamento e degradação são altas ou crescentes. pastos e plantações nas áreas de florestas naturais nos próximos 30 ou 50 anos. as taxas de desmatamento são altas. poucos habitantes (predominantemente indígenas) e onde há certa pressão sobre os recursos madeireiros. Representa as terras denominadas de áreas além da fronteira agrícola – onde existem muitas florestas. necessita dos produtos produzidos nas margens das florestas. em especial sobre os biomas das florestas tropicais e savanas. as cores aplicadas nestas imagens possuem os seguintes significados: Quadro 1 – Legenda dos Mapas de Exploração das Florestas Cor Significado Representa as terras de mosaico de floresta e agricultura. Nelas a gestão florestal natural geralmente não pode competir (da perspectiva do proprietário da terra) com a agricultura ou silvicultura de plantação. Representa as áreas denominadas de fronteiriças e contestadas. uma vez que uma enorme população rural depende da agricultura de baixa produtividade para subsistência. situação que segundo o autor. as densidades populacionais mais altas. e a biodiversidade única é ameaçada. A seqüência de imagens apresentada a seguir. Ainda segundo o autor. deve ser mantida ou ampliada com a manutenção da previsão de expansão de terras cultiváveis. De acordo com Chomitz (2007). uma crescente população urbana cada vez mais rica. enquanto que. Para o autor. uma vez que a população pobre necessita de lenha e a população rica necessita de madeira. e o controle é geralmente instável e em conflito. as florestas também sofrem pressões de madeireiros. Chomitz (2007) afirma que as florestas tropicais encolhem 5% a cada década. Embora a floresta seja esparsa. Marrom Amarela Verde Fonte: Adaptado de Chomitz (2007) . e os mercados mais próximos.

77 Figura 2 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da África Fonte: Chomitz (2007) Figura 3 – Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da Ásia Fonte: Chomitz (2007) .

extrapolando os seus limites de auto-recuperação. as sociedades agrícola. . Para Colborn.78 Figura 4 . do aumento das populações mundiais e da ampliação do consumo.Mapa de Domínios das Florestas Tropicais da América Latina e do Caribe Fonte: Chomitz (2007) Com o advento da criação de novas tecnologias pelo ser humano. urbana e industrial contribuem de forma crescente para ampliação do quadro de degradação do ambiente natural.

em função da . past and future publicado em 1972. Lovelock (2006) menciona que o aquecimento global foi ligeiramente discutido por vários autores em meados do século XX. o tema só se tornou público por volta de 1988.000 4. observou-se a ampliação da exploração dos recursos naturais em escala mundial para o atendimento das novas demandas de consumo.000 6.294.79 Dumanoski e Myers (2002) o século XX é considerado um divisor de águas na relação entre o ser humano e a Terra. transformaram a escala do impacto de localizado e regional para global. percebe-se que as discussões ocorridas em torno das questões sócio-ambientais ao longo das últimas décadas foram acompanhadas de uma explosão demográfica mundial. aliados ao número pessoas que vivem sobre o planeta. e que mesmo o grande climatologista Hubert Lamb. Com este significativo incremento populacional.000 5. a população mundial quase dobrou. De acordo com o autor.879.123. Quadro 2 – Crescimento da População Mundial (1970 a 2000) Ano 1970 1980 1990 2000 População 3. De acordo com dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) e apresentados no quadro 2. onde os poderes combinados da ciência e da tecnologia.470. período em que as crises sócio-ambientais se intensificaram e passaram a ser discutidas em maior profundidade.124. autor do livro Climate: Present.698. fato que contribuiu para o agravamento da crise sócio-ambiental já percebida e agora consolidada pelo fenômeno do aquecimento global.676.000 Fonte: Adaptado de Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) De 1970 a 2000.451. dedicou apenas uma única página ao efeito estufa em uma obra de seiscentas páginas. fato que contribuiu significativamente para o agravamento dos impactos ambientais até então registrados.

Global warming. A título de ilustração. conforme demonstrado na figura 5: Figura 5 – Projeção do Aumento de Temperatura na Terra Fonte: Lovelock (2006. onde a linha pontilhada superior representa um cenário que julgavam ser quase de ficção científica. de tão extremo. os cientistas fizeram o possível para prever o clima futuro e apresentar os seus palpites na forma de linhas pontilhadas em um gráfico. Apesar dos conhecimentos limitados então disponíveis. retratadas no livro de Stephen Schneider. 56) . Lovelock (2006) acrescentou uma cruz como forma de destacar a situação atual mencionando ao lado a expressão “onde estamos agora”. e que ilustram as idéias dos cientistas do clima em uma conferência realizada em 1987.80 maior parte dos cientistas da atmosfera estar absorvida pela intrigante ciência da redução do ozônio estratosférico. Com relação ao aquecimento global. Lovelock (2006) apresenta um fato revelador ao rememorar as previsões de clima realizadas no final da década de 1980. de 1989. p.

Com base nos dados históricos sobre a mudança do clima no hemisfério norte. além das evidências do aumento da temperatura.81 Dados do Intergovernmental Panel on Climate Change (2007). conforme demonstrado na figura 6: Figura 6 – Temperatura. uma previsão para aumento do nível do mar e para a redução da cobertura de neve na região. Nível do Mar e Cobertura de Neve no Hemisfério Norte Fonte: Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) . os cientistas apresentaram. confirmaram a manutenção da projeção de aumento da temperatura no globo terrestre. Por meio dos dados coletados. a ciência tradicional finalmente confirmou o que já estava sendo percebido e anunciado nas últimas décadas por ambientalistas e especialistas do ambiente natural: a projeção de manutenção do incremento das temperaturas para os próximos anos.

com base em tendências apresentadas desde 1970 até 2003. no mesmo período em que as primeiras discussões mundiais ocorreram e que houve também um sensível incremento de população mundial. O índice “Planeta Vivo”21 retrata a saúde de diferentes ecossistemas.600 populações com mais de 1. as evidências dos impactos ambientais gerados pelo expressivo crescimento populacional e pela ampliação da utilização dos recursos naturais também podem ser observadas nos números apontados pelos índices “Planeta Vivo” e “Pegada Ecológica”. É calculado como a média de três índices distintos que medem as tendências em populações de 695 espécies terrestres. 21 .300 espécies vertebradas de todo o mundo. Figura 7 – Evolução do Índice Planeta Vivo Fonte: World Wildlife Fund (WWF) (2007) De acordo com o World Wildlife Fund (WWF) (2007). de água doce e marinha). Percebe-se na figura 7 que. o Índice Planeta Vivo é um indicador do estado da biodiversidade do mundo. Com base em índices específicos obtidos pelo controle das populações de espécies selvagens (terrestres. caracterizando assim mais uma evidência da deterioração dos ecossistemas naturais sem precedentes na história da humanidade. o índice Planeta Vivo registrou um decréscimo de 30%. no âmbito de mais de 3.82 Além dos dados fornecidos pelos cientistas que integram o Intergovernmental Panel on Climate Change (2007). medindo as tendências no âmbito da diversidade biológica do planeta Terra. 344 espécies de água doce e 274 espécies marinhas. ambos elaborados pelo World Wildlife Fund (WWF) (2007). um único índice é gerado visando representar o nível de saúde destes diferentes ecossistemas.

a humanidade excedeu a capacidade natural do planeta Terra de repor os recursos naturais necessários para a sobrevivência dos seres vivos e de incorporar os resíduos gerados (ver figura 8). Em seu registro histórico. percebe-se que na transição ocorrida entre os anos 1980 e 1990. . a população 22 De acordo com o World Wildlife Fund (WWF) (2007) o índice “Pegada Ecológica” mede a quantidade de terra biologicamente produtiva e a área de água necessárias para produzir os recursos que um indivíduo. demonstradas no quadro 3. uma população ou uma atividade consome e para absorver o resíduo que geram. aponta para a incapacidade do planeta Terra em atender a demanda gerada pelo aumento da população em relação a sua capacidade de renovação dos recursos naturais e absorção dos resíduos gerados pelas atividades desenvolvidas pelas diferentes sociedades humanas. fornecendo tecnologia dominante e gestão de recursos. Figura 8 – Evolução do Índice Pegada Ecológica Fonte: World Wildlife Fund (WWF) (2007) Projeções realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) (2007). Dentro deste período. denominado “Pegada Ecológica”22. apontam para a repetição do fenômeno do crescimento populacional ao longo das próximas quatro décadas.83 O outro índice. Este índice considera a relação existente entre a população mundial e as áreas biologicamente produtivas utilizadas para o atendimento das necessidades humanas.

tende a reforçar algumas abordagens que acentuam a crença de que a humanidade está sendo conduzida para uma sucessão de crises mundiais das mais variadas naturezas: catástrofes naturais.823. associada aos conceitos de crescimento vigentes nas sociedades agrícola e industrial alicerçados unicamente em um sistema econômico centrado em processos exploratórios. elaborado pelo National Center for Ecological Analisys and Synthesis (2008) da Universidade da Califórnia. fato que certamente contribuirá para o agravamento da crise sócio-ambiental e para a escassez dos recursos naturais. trata sobre o impacto das atividades humanas nos ambientes marinhos.090.287.000 Fonte: Adaptado de Organização das Nações Unidas (ONU) (2007) Esta estimativa em relação ao provável crescimento desenfreado das populações mundiais representa um grande risco para muitas gerações periféricas do presente que já não dispõem de recursos mínimos para a sua sobrevivência e também inclui as gerações futuras daquelas que hoje usufruem dos recursos naturais sem consciência.84 mundial provavelmente triplicará o seu contingente em relação aos números observados no início da década de 1970.906.191.317. Outro estudo recente que demonstra os sérios impactos gerados pela sociedade global no ambiente natural.000 8.667. destruição dos recursos naturais com perda definitiva da biodiversidade. ampliação das disputas territoriais para o domínio e controle dos recursos naturais. Este estudo revela o estado crítico em que se encontram os oceanos em função do incremento das atividades humanas: . entre outros.000 9. Quadro 3 – Projeção da População Mundial (2010 a 2050) Ano 2010 2020 2030 2040 2050 População 6. ampliação da fome.000 8. da miséria e da violência.546.558.707. Percebe-se que a progressão exponencial do crescimento populacional.000 7.

como as hidroelétricas. no presente permitem acompanhar o processo de franca expansão das atividades humanas.85 Figura 9 – Impacto Humano nos Ambientes Marinhos Fonte: National Center for Ecological Analisys and Synthesis (2008) Os mesmos recursos tecnológicos que no passado possibilitaram aos astronautas revelarem a humanidade o seu sentimento pelo planeta Terra. . Em razão deste sucesso. as usinas termoelétricas e as usinas atômicas. além da necessidade de criação crescente de alternativas energéticas capazes de atender as novas demandas. fato que representou a necessidade da ampliação das atividades industriais e consequentemente. a partir de diversas fotos de satélite agrupadas. diferentes ambientes naturais deram lugar a ambientes artificiais construídos pela sociedade moderna. determinou o aumento do consumo de recursos não-renováveis. a exemplo do petróleo. Na imagem elaborada pelo Defense Meteorological Satellite Program (2007). Por meio desta imagem é possível perceber o sucesso da expansão da população humana e do processo de ocupação no planeta Terra. é possível perceber os pontos onde se concentram a maior parte das populações mundiais e as principais atividades econômicas desenvolvidas no planeta.

a sociedade global estará inaugurando um novo período em sua relação com o meio ambiente. um período caracterizado pela ampliação dos riscos. 2. de acordo com os dados confirmados pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (2007) e recentemente reforçados pelos dados do Goddard Institute for Spaces Studies (2008). Pelas diversas evidências apontadas ao longo deste estudo.2. que revelam que o ano de 2007 foi o segundo mais quente do século.4. O Reconhecimento da Complexidade Ambiental Apesar das importantes evidências apresentadas neste estudo e do reconhecimento de instituições científicas sobre os efeitos nocivos resultantes das . se mantida a atual forma de relação das diferentes sociedades mundiais com o ambiente natural. tudo indica que.86 Figura 10 – Luzes da Terra Fonte: Defense Meteorological Satellite Program (2007) Tais atividades contribuíram significativamente para a alteração das características originais do Planeta e para a alteração do clima em diferentes regiões do mundo. desenvolvida com mais ênfase nas últimas cinco décadas. perdendo apenas para o ano de 1998.

é um questionamento do pensamento e do entendimento.87 atividades humanas desenvolvidas ao longo de vários séculos. mais que uma crise ecológica. da ciência e da razão tecnológica com as quais a natureza foi dominada e o mundo moderno foi economizado. Para Leff (2003. p. 19) considera que: A problemática ambiental. Para o autor esta crise se apresenta a nós como um limite no real que re-significa e re-orienta o curso da história: limite do crescimento econômico e populacional. Leff (2003. 19) “as mudanças catastróficas na natureza ocorreram nas diversas fases de evolução geológica e ecológica do planeta”. de forma que estas ações resultem em profundas transformações dos comportamentos da sociedade que integram. como formas de domínio e controle sobre o mundo. sem questionar a possibilidade de deter a escala e desconstruir a economia para internalizar as condições de sustentabilidade . Para o autor representa também a crise do pensamento ocidental: da “determinação metafísica” que. os motivos geradores desta realidade ainda estão distantes de serem compreendidos pela maior parte dos indivíduos que integram a sociedade contemporânea em função dos limites impostos pela sua racionalidade dominante. filosófica. Para aproximar os diferentes indivíduos da crise ambiental anunciada. Para o autor. Para Leff (2006) não basta postular a estabilização da economia e da população em algum momento no próximo século. p. científica e tecnológica do mundo. abriu a via da racionalidade científica e instrumental que produziu a modernidade como uma ordem coisificada e fragmentada. da ontologia e da epistemologia com as quais a civilização ocidental compreendeu o ser. onde o risco ecológico questiona o conhecimento do mundo. ao pensar o ser como um ente. ética. o que difere estas mudanças da crise ecológica atual é que pela primeira vez não se trata de uma mudança natural. e sim de uma transformação da natureza induzida pelas concepções metafísica. os entes e as coisas. a crise ambiental representa uma crise do nosso tempo. limite dos desequilíbrios ecológicos e das capacidades de sustentação da vida. se faz necessário um número infindável de ações que permitam que estes possam refletir sobre as insuficiências de sua racionalidade. limite da pobreza e da desigualdade social. Para Leff (2003).

. Leff (2006) acredita que dentro da perspectiva atual. de imaginar. Mas não há sinais perceptíveis em parte alguma – depois de mais de trinta anos de ter-se apresentado os limites entrópicos do crescimento. Para o autor. entre o fatalismo da morte entrópica e a esperança da vontade divina. Segundo o autor. que se expande e globaliza. mas de mudança de estrutura e construção de uma nova racionalidade. é impossível manter um crescimento econômico sustentado. p. sem que o processo leve a seu colapso. Leff (2006) afirma que a economia não mostrou ser uma disciplina capaz de delimitar seu campo de conhecimento. fato que não oferece saídas à crise do sistema.88 ecológica.. Ao defender sua proposta a construção de uma racionalidade ambiental23. de abrir-se à alteridade e à alternativa.] uma razão totalitária. A ecologização da economia não é um problema de adequação de ritmos e escalas. a inércia cumulativa da economia global alcançou uma escala que ultrapassa os limites de sustentabilidade do planeta. de sentir. uma deseconomia global e generalizada. como também a idéia de manter a economia em um estado estacionário. de significar e de dar valor às coisas do mundo. O autor acredita que: O problema não está em definir as regras que devem normatizar o processo econômico. (LEFF. mais de vinte anos de políticas neoliberais e mais de 15 anos de uma busca de soluções através do paradigma emergente da economia ecológica – de que a racionalidade econômica contenha os mecanismos para poder desacelerar-se e alcançar um estado estacionário (em equilíbrio com a natureza). 231). de acolher outras racionalidades. de formas diferentes de pensar. que o autor denomina de racionalidade ambiental. a economia trata-se de: [. e com isso ao da própria natureza. Leff (2006) considera que o destino do desenvolvimento sustentável estaria lançado numa encruzilhada. Desta forma. 23 . uma vez que a racionalidade econômica – à diferença das sementes terminator – não tem inscritos em seu “código genético” os mecanismos de sua própria desativação. mas sim nas vias de transição para uma economia em estado estacionário. 2006. que impõe um processo de racionalização que vai ocupando todas as esferas da vida social e da ordem Leff (2006) apresenta a necessidade de construção de uma nova racionalidade. capaz de orientar a construção da sustentabilidade a partir de um encontro de racionalidades. onde as externalidades do sistema geraram um estado de escassez absoluta. A desconstrução da racionalidade econômica seria tão quimérica como tentar transformar um avião supersônico em pleno vôo em um helicóptero capaz de aterrisar neste mundo antes de estatelar-se contra o tempo.

capaz de operar conforme os princípios da sustentabilidade. é necessário formular uma nova economia que funcione sobre a base dos potenciais ecológicos do planeta. p. de um ajuste de contas entre paradigmas teóricos. então uma razão guiada pelo instinto de sobrevivência e pela erotização da vida deve levar a humanidade a procurar novas vias civilizatórias. em sua negatividade. p. assim como sua desaceleração e reconversão para uma economia ecologicamente sustentável. por sua própria “natureza”. Leff (2003. 16). entendida como a crise de civilização. se a capacidade da ciência e da tecnologia para reverter a entropia e para desmaterializar a economia é ilusória e incerta. a descobrir e reavivar o ser da complexidade que ficou no “esquecimento” com a cisão entre o ser e o ente (Platão). 2006. p. a transpor a esfera de produção para capitalizar a natureza e a cultura. a ver os “erros” da história que se arraigaram em certezas sobre o mundo com falsos fundamentos. antes de ficar enredada na complacência generalizada dentro do fanatismo totalitário da ordem econômica estabelecida. não poderia encontrar uma solução pela via da racionalidade teórica e instrumental que constrói e destrói o mundo”. na alienação e na incerteza do mundo economizado. p. Leff (2006. e das formas culturais de significação da natureza. na crença de que isso representa um estágio mais alto do desenvolvimento da civilização e que expressa a vontade dos deuses. arrastado por um processo incontrolável e insustentável de produção (LEFF. A economia tende. remete a suas origens.16) “a crise ambiental. da ciência e tecnologia. o autor julga necessário construir outra racionalidade produtiva. Para o autor: Apreender a complexidade ambiental implica um processo de desconstrução e reconstrução do pensamento. objetivando-o. Para Leff (2006) uma vez que o crescimento econômico não é sustentável e que a racionalidade econômica não contém os mecanismos para sua desativação. mas uma visão situada a partir da . implica sobretudo um processo histórico no qual as estratégias de poder no saber levaram a institucionalizar e legitimar a racionalidade econômica (LEFF. 232) considera que: Se os recursos da natureza são limitados. p. homogeneizando-o. 2003. 16 e 17) considera que: A hermenêutica ambiental não é uma exegese de textos em busca dos precursores do saber ambiental. se a segunda lei da termodinâmica é inescapável. 231). Esta racionalidade dominante descobre a complexidade em seus limites. se a seta do tempo é inelutável e se manifesta na desestruturação dos ecossistemas e na degradação do ambiente. não é um problema metodológico. do saber. A incorporação pela economia das condições ecológicas de sustentabilidade.89 ecológica. Para Leff (2003. do poder. para apreender o mundo coisificando-o. do sujeito e do objeto (Descartes). à compreensão de suas causas. Além do propósito de incorporar os custos ecológicos dentro de uma racionalidade que os rechaça e exclui.

Mas também questiona as formas em que os valores permeiam o conhecimento do mundo. do poder no saber e a vontade de poder.90 complexidade ambiental – entendida como expressão da crise de civilização –. se projeta um futuro aberto. Para Leff (2003. abriu . que é um querer saber” (LEFF.. 22): A complexidade ambiental abre uma nova reflexão sobre a natureza do ser. ao submeter a natureza às leis de suas certezas e seu controle. com base na diferenciação dos sentidos do discurso ambientalista”. do saber e do conhecer.] reconstrução social se funda em um novo saber. p. p. 2003. a partir da pergunta pelas origens dessa racionalidade em crise” e “pelo conhecimento do mundo que tem sustentado a construção de um mundo insustentável”. o saber ambiental retoma a questão do ser no tempo e o conhecer na história.. possibilitando “[. Para o autor. com uma certeza e uma autoconsciência de seu lugar no mundo.. p. Para Leff (2003) o ato de aprender a aprender a complexidade ambiental exige uma reapropriação do mundo desde o ser e no ser. Para Leff (2003. 19). 17). na qual a “[. Nessa empresa por compreender. 2003. tentou colmar sua incompletude com a idéia absoluta. A hermenêutica abre os sentidos bloqueados pelo hermetismo da razão. entre a racionalidade formal e a racionalidade substantiva. Para Leff (2003. por dominar e controlar. desestruturando a natureza e acelerando o desequilibro ecológico. e da qual se projeta o pensamento (da complexidade) para a reconstrução do mundo. p. “neste sentido. Para o autor a crise ambiental problematiza o pensamento metafísico e a racionalidade científica. 17) “na crítica radical das causas da crise ambiental nas formas de conhecimento do mundo. p. abrindo um espaço para o encontro entre o racional e o moral. 24 e 25): Na epopéia do ser humano por salvar sua falta em ser através do conhecimento. um reaprender mais profundo e radical que a aprendizagem das “ciências ambientais” que buscam internalizar a complexidade ambiental dentro de uma racionalidade em crise. com uma razão ordenadora. coisificou o mundo.] novas vias de transformação do conhecimento através do diálogo e da hibridação de saberes” (LEFF. sobre o diálogo dos saberes e a inserção da subjetividade dos valores e dos interesses na tomada de decisões e nas estratégias de apropriação da natureza.. por ordenar. de onde se desentranham as origens e as causas dessa crise. sobre a hibridação do conhecimento na interdisciplinaridade e na transdisciplinaridade.

de forma que possa representar o surgimento de uma realidade social baseada em um novo tipo de racionalidade de fato compatível com os interesses de manutenção da vida e de sustentação das gerações presentes e das futuras.91 as comportas do caos e da incerteza. 40 e 41) considera que: A crise ecológica tem sido acompanhada pela emergência do pensamento da complexidade. mas ao que tudo indica.5. Leff (2003. algumas transformações em termos de criação de novos instrumentos e aprimoramento das pesquisas científicas foram obtidas. A Proposta e o Discurso da Sustentabilidade Desde o alerta de Carson. ao invés de neutralizar o surgimento de novas evidências em torno do agravamento da crise sócio-ambiental em curso. daí a necessidade de entender suas raízes no pensamento para aprender a aprender a complexidade ambiental que oriente a reconstrução do mundo atual. as quase cinco décadas que demarcaram o fim do século XX e o início do século XXI serviram de palco para discussões mundiais em torno das questões sociais e ambientais. a teoria de sistemas. os paradigmas interdisciplinares e a transdisciplinaridade do conhecimento surgem como antídotos para a divisão do conhecimento gerado pela ciência moderna. p. Ao que parece. Sem a superação da forma racional de pensar dominante que prioriza a dimensão econômica em detrimento de outras dimensões. . a complexidade da crise ambiental em curso exige uma urgente superação dos paradigmas dominantes baseados na matriz do pensamento linear para a reconstrução da realidade coletiva. 2. Ao longo deste período. serviram apenas para demonstrar que os resultados desejados não foram plenamente ou suficientemente efetivados. Pelas razões explicitadas. a teoria do caos e as estruturas dissipativas. parece pouco provável que os objetivos pretendidos pelos discursos que pregam o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade possam ser de fato atingidos. Essa é a crise do nosso tempo.2. O fracionamento do corpo das ciências enfrenta a complexidade do mundo propondo a necessidade de construir um pensamento holístico reintegrador das partes fragmentadas do conhecimento para a retotalização de um mundo globalizado.

educadores. sem compreender que o todo é maior do que suas partes. a distribuição desigual de renda. recursos naturais. industriais e funcionários públicos de nível nacional e internacional. as afastam da possibilidade de refletir sobre o seu futuro e da sociedade em um contexto mais amplo. os quais. produção industrial e poluição. sobre o complexo de problemas que afligiam os povos de todas as nações. os quais envolviam a população. na busca de estabelecer uma melhor relação de equilíbrio em termos econômico. No relatório. político e espacial. produção agrícola. sob o título Limites do Crescimento (também conhecido como relatório de Meadows. social. a desigualdade social. Um dos fatores que faz do relatório do Meadows relevante para o contexto da crise sócio-ambiental em curso são algumas evidências por ele retratadas sobre o comportamento dos indivíduos.92 Os diversos e diferentes estudos realizados ao longo deste período geraram profundas reflexões no meio científico quanto aos limites da racionalidade econômica e os seus reflexos indesejados na forma de ser e agir das sociedades contemporâneas. pela insistência dos seres humanos em examinar elementos isolados na problemática. Há mais de três décadas. O relatório considerava que o fracasso ocorria. não conseguia compreender as origens. a situação caótica da fome e da pobreza de grandes contingentes populacionais. em homenagem a um de seus autores). Meadows (1972) já indicava que o dilema da humanidade residia no fato de que. são . a significação e as correlações de seus vários componentes. apesar do homem ser capaz de perceber a problemática. Meadows (1972) já apontava diferentes tipos de pressões e de problemas que as pessoas enfrentavam. humanistas. Apontaram também para os limites finitos dos recursos naturais. além da necessidade do estabelecimento de um novo conceito de desenvolvimento. que a mudança em um dos elementos significa a mudança nos demais. Um dos estudos mais relevantes desenvolvidos neste período e que ainda se mantém atual em termos de proposta para reflexões sobre a crise sócio-ambiental contemporânea foi publicado pelo Clube de Roma em 1972. em grande parte. Neste relatório foram retratadas as análises de um grupo multidisciplinar formado por cientistas. ao mesmo tempo em que exigem delas a sua atenção e sua ação. economistas. ambiental.

Tais situações foram ilustradas no relatório por meio da figura 11: Figura 11 – Perspectivas Humanas em Relação ao Futuro Fonte: Meadows (1972. dependendo do espaço geográfico que ele abrange e até onde se prolonga no tempo. como o fato das pessoas gastarem a maior parte do seu tempo tentando garantir para si e sua família o alimento do amanhã. p. onde todo o interesse humano pode situar-se em algum ponto. condição que as . a maioria das preocupações das pessoas estaria concentrada no ângulo inferior esquerdo do gráfico. Desta forma. de acordo com a representação gráfica. as preocupações da humanidade estão assentadas nas dimensões de espaço e tempo. 14) Nesta figura.93 apontadas algumas evidências destes comportamentos. de estarem interessadas no poder pessoal ou da nação onde vivem ou pela necessidade de preocuparem-se com uma guerra mundial no curso de sua vida.

p. Para Meadows (1972. Outros olham mais à frente. garantia de produção de alimentos a longo prazo. em períodos curtos de tempo. Apenas muito poucas pessoas têm uma perspectiva global que se projeta em um futuro distante. redução nos níveis de consumo de energia. a que originou a expressão desenvolvimento sustentável. Ao longo das últimas cinco décadas. . contribuíram para o surgimento de novos debates em nível global. melhor adequação da relação cidade-campo e em especial. mais conhecido como Relatório de Brundtland. p. diversas plenárias mundiais foram estabelecidas na busca de novas alternativas para o crescimento e para o desenvolvimento. desenvolvimento de pesquisas no campo de fontes energéticas renováveis. adequação da produção industrial com base em tecnologias ecologicamente adaptadas. No Relatório Brundtland. embora essa noção já tivesse se insinuado a partir dos textos da Estratégia Mundial de Conservação. Durante a realização do estudo foram propostas diversas medidas para a busca do desenvolvimento em condições de equilíbrio: controle do crescimento populacional. As questões levantadas pelo relatório de Meadows. Segundo o autor. foram efetuadas diversas reflexões no contexto social. as estratégias do desenvolvimento foram deslocadas pelo discurso do desenvolvimento sustentável”. valorizando a relação de interdependência entre estes elementos.94 impediria de se preocuparem com situações relacionadas ao seu próprio futuro e ao futuro das próximas gerações envolvendo esferas maiores da sociedade. foi no relatório denominado Nosso Futuro Comum. 16): A maioria da população mundial preocupa-se com questões que afetam somente a família ou os amigos. de 1980. dentre elas.136 e 137) “nos anos 1980. De acordo com Leff (2006. a satisfação das necessidades básicas das populações mais carentes. preservação dos recursos naturais. publicado em 1987 e que em 2007 comemorou 20 anos. controle da urbanização desenfreada. ou têm visão mais ampla – uma cidade ou nação. que se formulou a definição do desenvolvimento sustentável como “processo que permite satisfazer as necessidades da população atual sem comprometer a capacidade de atender às gerações futuras”. econômico e ecológico em escala global.

16). Leff (2006) acredita que o discurso do desenvolvimento sustentável procura estabelecer um terreno comum para uma política de consenso capaz de integrar os . como uma condição para a sobrevivência humana e para um desenvolvimento durável. deslocando a relação entre o real e o simbólico. a intenção da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento era a de avaliar os avanços dos processos de degradação ambiental e a eficácia das políticas ambientais. Para Leff (2006. p. Representa o esforço constante em equilibrar e integrar os três pilares do bem-estar social. negando a natureza e a cultura. Provavelmente parte da explicação deste fenômeno resida na explicação de Lovelock (2006. quando menciona o significado da expressão “desenvolvimento sustentável” criada por Gisbert Glaser. do reconhecimento da função que a natureza cumpre como suporte. As evidências do agravamento das crises sócio-ambientais demonstram que as recomendações para o atingimento do estado de desenvolvimento sustentável não obtiveram êxito. prosperidade econômica e proteção ambiental em benefício das gerações atual e futura. 134). consultor sênior do International Council for Science: O desenvolvimento sustentável é um alvo móvel. Para Leff (2006. problematiza as formas de conhecimento. p. os valores sociais e as próprias bases da produção. assim. condição e potencial do processo de produção”. Segundo o autor.95 De acordo com Leff (2006). A sustentabilidade ecológica aparece assim como um critério normativo para a reconstrução da ordem econômica. foi a partir deste momento que a noção de desenvolvimento sustentável converteu-se no referente discursivo e no “saber de fundo” que organiza os sentidos divergentes em torno da construção das sociedades sustentáveis. de forma a criar uma visão compartilhada por todas as nações do mundo sobre as condições para alcançar a sustentabilidade ecológica e a sobrevivência do gênero humano. A crise ambiental veio questionar os fundamentos ideológicos e teóricos que impulsionaram e legitimaram o crescimento econômico. abrindo uma nova visão do processo civilizatório da humanidade. “a noção de sustentabilidade emerge.133 e 134): O princípio da sustentabilidade emerge no discurso teórico e político da globalização econômico-ecológica como a expressão de uma lei-limite da natureza diante da autonomização da lei estrutural do valor. p.

A crise ambiental não é mais um efeito da acumulação de capital. a partir dos anos 1980 o discurso neoliberal anunciou a desaparição da contradição entre ambiente e crescimento [. Se a crise ambiental é produto da negação das bases naturais nas quais se sustenta o processo econômico.. as leis clarividentes do mercado se encarregariam de ajustar os desequilíbrios ecológicos e as diferenças sociais. traduzível como sustentabilidade. Desta forma. No entanto.. p. diluição de contaminadores. mas não oferece uma justificação rigorosa sobre a capacidade do sistema econômico para incorporar as condições ecológicas e sociais (sustentabilidade. 2006. justiça. o segundo. sendo empregadas pelos políticos para mostrar sua preocupação com o meio ambiente e suas credenciais verdes”. dispersão de dejetos – do processo econômico. implica a perdurabilidade no tempo do progresso econômico. consideram que “as expressões ‘desenvolvimento sustentável’ e ‘energia renovável’ entraram no jargão da política. 137). equidade. Para o autor: A ambivalência do discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável se expressa já na polissemia do termo sustainability. Leff (2006. Martínez Alier e Escobar citados por Leff (2006. Uma vez estabelecido o anterior – afirma o discurso do desenvolvimento sustentado -. implica na incorporação das condições ecológicas – renovabilidade da natureza.] na perspectiva neoliberal. 138): . que integra dois significados: o primeiro. democracia) deste processo através da capitalização da natureza (LEFF. 139) considera que: Se nos anos 1970 a crise ambiental tornou necessário que se colocasse um freio antes que o colapso ecológico fosse alcançado.96 diferentes interesses dos países. para Leff (2006). Para Redclift. mas resultado do fato de não haver outorgado direitos de propriedade (privada) e atribuído valores (de mercado) aos bens comuns. a equidade e a sustentabilidade. 82). p. povos e classes sociais que plasmam o campo conflitivo da apropriação da natureza. Com relação à apropriação indevida do termo. atribuindo valores econômicos e direitos de propriedade aos recursos e serviços ambientais. o discurso do desenvolvimento sustentado chegou a afirmar o propósito de tornar sustentável o crescimento econômico através de mecanismos do mercado. Desta forma. p. desaparecem as causas econômicas dos problemas ecológicos. alguns pesquisadores como Lovelock (2006. que se traduz como desenvolvimento sustentado. o discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável foi vulgarizado até se tornar parte do discurso oficial e da linguagem comum. então a sustentabilidade ecológica aparece como condição da sustentabilidade temporal do processo econômico.

ao mesmo tempo. . a se tornar indecifráveis.97 As contradições não apenas se fazem manifestas pela falta de rigor do discurso. p. procura-se internalizar os custos ambientais do progresso atribuindo valores econômicos à natureza. p..140) “a ideologia do desenvolvimento sustentado libera o mercado. Assim. reestruturando as condições da produção mediante uma gestão economicamente racional do ambiente. p. que ocorre sem considerar sua autodefinição. 139 e 140) Para Daly citado por Leff (2006.] As próprias causas tendem a desaparecer. Nossa sociedade está fundada na proliferação. uma mania de crescimento”. Para Leff (2006). Enquanto existir uma disfunção do sistema. humano e cultural. para serem assimilados pelo processo de reprodução e expansão da ordem econômica. em um crescimento que continua apesar de não poder medir-se diante de nenhum objetivo claro. quando surgem os dissensos em torno do discurso do desenvolvimento sustentado/sustentável e os diferentes sentidos que este conceito adota em relação aos interesses contrapostos pela apropriação da natureza. mas também em sua colocação em prática. Para Leff (2006. 139) “o discurso do desenvolvimento sustentado promove o crescimento econômico negando as condições ecológicas e termodinâmicas que estabelecem os limites e possibilidades de uma economia sustentável”. “o discurso da sustentabilidade aparece assim como um simulacro que nega os limites do crescimento para afirmar a corrida desenfreada em direção à morte entrópica do planeta”. o discurso de Baudrillard se reflete e encontra seu referente no discurso do desenvolvimento sustentado e em manifestações da crise ambiental quando afirma que: Estamos governados não tanto pelo crescimento. mas por crescimentos. Para o autor: A natureza está sendo incorporada ao capital mediante uma dupla operação: de um lado. instrumentaliza-se uma operação simbólica. p. onde “o discurso da sustentabilidade opera como uma estratégia fatal. os processos ecológicos e simbólicos são reconvertidos em capital natural. onde a acumulação de efeitos vai de mãos dadas com a desaparição das causas. 140). Para Leff (2006. 2006.. 1974) que recodifica o homem. um delírio da razão econômica. uma inércia cega que se precipita em direção á catástrofe”. a cultura e a natureza como formas aparentes de uma mesma evidência: o capital. desencadeando um processo incontrolado e desregulado de produção. por uma sorte de saturação [. “um cálculo de significação” (Baudrillard. (LEFF. Uma sociedade excrescente cujo desenvolvimento é incontrolável. O resultado é um congestionamento sistêmico bruto e um mau funcionamento causado por uma hipertelia: por um excesso de imperativos funcionais. gerando a intensificação de processos que operam no vazio.

um vôo e um aperto na razão”. 140). que seriam meios eficazes para garantir o equilíbrio ecológico e a justiça ambiental (LEFF.. Tudo é redutível a um valor de mercado e representável pelos códigos do capital.] internalizar as condições ecológicas da produção. O capital clona as identidades para assimilá-las a uma lógica. p.98 um desvio de leis conhecidas que governam sua operação.. mas um salto mortal.143) “as políticas de desenvolvimento sustentado procuram conciliar os lados opostos contrários da dialética do desenvolvimento: o meio ambiente e o crescimento econômico”. A força de trabalho. p. 142). quando o sistema se precipita sobre seus pressupostos básicos. sempre existirá a perspectiva de transcender o problema. desabordando seus próprios fins. Dessa maneira. a uma estratégia de poder para a apropriação da natureza como meio de produção e de reprodução da racionalidade econômica. Segundo o autor. convertendo-a em capital natural. Leff (2006) acredita que a racionalidade econômica resiste à sua desconstrução por meio da sustentação do discurso do desenvolvimento sustentado. erguendo assim “[. 2006. Para Leff (2006. 2006. p. 143) considera que o discurso do desenvolvimento sustentado não significaria “apenas mais uma volta na porca da racionalidade econômica. 143).. Para o autor o seu objetivo final não seria: [. p. não estamos contemplando mais uma crise e sim uma catástrofe [. p. e sim postular o crescimento econômico como um processo “sustentável”. Leff (2006. os valores culturais. . O que chamamos de crise é de fato a antecipação de sua inércia absoluta (BAUDRILLARD CITADO POR LEFF. as potencialidades do homem e sua capacidade inventiva se transmutam em capital humano.] uma cortina de fumaça que mascara as causas da crise ecológica”... fragmentando e recodificando a natureza como elementos do sistema: do capital globalizado e da ecologia generalizada” (LEFF. a uma razão.. de maneira que não é possível encontrar-se nenhum remédio. neste discurso a tecnologia desempenharia o papel de reverter os efeitos da degradação entrópica nos processos de produção. as estratégias de sedução e de simulação do discurso do desenvolvimento sustentado constituem o mecanismo extra-econômico por excelência da pós-modernidade para manter o domínio sobre o homem e a natureza. 2006. sustentado nos mecanismos do livre mercado e na tecnologia. Em sua reflexão. Neste contexto “o ambiente é reapropriado pela economia. distribuição e consumo de mercadorias. Mas. Para o autor: O discurso do desenvolvimento sustentado colonizou a natureza.].

Esse processo econômico não apenas exsuda externalidades que seu próprio metabolismo econômico não pode absorver.145 e 146) considera que: No processo de objetivação do mundo. além disso. razão que sustenta a impossibilidade de pensar e agir conforme as condições da natureza. Leff (2006. sem relação entre o valor de troca e a utilidade do valor de uso. A geopolítica da biodiversidade e da mudança climática não apenas prolonga e intensifica os processos anteriores de . a economia se desprendeu da condição de materialidade da natureza e da necessidade humana. Para Leff (2006. invadindo todos os domínios do ser e os mundos de vida das gentes. se encrava no mundo destruindo o ser nas coisas – a natureza.99 Leff (2006. a cultura. p. p. A hipereconomização do mundo induz a homogeneização dos padrões de produção e consumo. a fase atual do capital ecologizado e da capitalização da natureza aparece como um novo estágio no qual o capital seria capaz de exorcizar seus demônios e resolver contradições que o têm acompanhado desde sua acumulação originária até a globalização econômica atual. e atenta contra um projeto de sustentabilidade global fundado na diversidade ecológica e cultural do planeta. teve início um processo de cinco séculos de economização do mundo.147): No discurso do desenvolvimento sustentado. através de sua crença fundamentalista e totalitária. Com a invenção da ciência econômica e a institucionalização da economia como regras de convivência universal. por efeito de sua extrema vontade de globalizar o mundo devorando todas as coisas e traduzindo-as aos códigos da racionalidade econômica. o processo de globalização – os crescentes intercâmbios comerciais. Tal processo de expansão da racionalidade econômica chegou a seu ponto de saturação e a seu limite. conservando os pilares da racionalidade do lucro e o poder de apropriação da natureza fundado na propriedade privada do conhecimento científico-tecnológico. a generalização dos intercâmbios comerciais se converteu em uma lei universal. As estratégias fatais da globalização econômica conduzem a uma nova geopolítica da biodiversidade. da mudança climática e do desenvolvimento sustentado. mas. inclusive. a aceleração das migrações e das mestiçagens culturais – foi mobilizado e sobredeterminado pelo domínio da racionalidade econômica sobre os demais processos de globalização. No entanto. Nesse sentido. que descarrega sobre a natureza os desejos do processo de “criação destrutiva” do capital. as telecomunicações eletrônicas com a interconexão imediata de pessoas e fluxos financeiros que parecem eliminar a dimensão espacial e temporal da vida. A economia do desenvolvimento sustentado funciona dentro de um jogo de poder que outorga legitimidade à ficção do mercado.145) acredita que assim: As estratégias do capital para reapropriar-se da natureza vão degradando o ambiente em um mundo sem referentes nem sentidos. o capital dá prosseguimento a uma inércia expansionista. da vida e da cultura. a planetarização do aquecimento da atmosfera e. o homem – para reconvertê-las a sua forma unitária e universal. p. tendo chegado ao seu limite e diante da impossibilidade de estabilizar-se como organismo vivo. o valor de troca desvinculou-se de sua conexão com o real.

Porém. que estabelece limites físicos e termodinâmicos do crescimento econômico. de impostos ou de um mercado de licenças transacionáveis para a redução das emissões de gases que causam o aquecimento global do planeta. Leff (2006. levando ao seu limite a lógica econômica.160) acredita que: A sustentabilidade emerge como uma fratura da razão modernizadora. é negada pela teoria e pelas políticas de desenvolvimento sustentado. Leff (2006) menciona que economistas ecológicos como René Passet. de um princípio de precaução baseado no cálculo de risco e na incerteza e em limites impostos através de um debate científico-político afastado do mercado. Mas a teoria crítica da economia baseada nas leis da natureza. (LEFF. onde o debate científico se desloca para os conflitos ambientais. O tema sustentabilidade se inscreve nas lutas sociais pela apropriação da natureza. este não logrou livrar-se das razões de força maior do mercado. p. da erosão genética e do aquecimento global.148) considera que a “racionalidade econômica carece de flexibilidade e maleabilidade para ajustar-se às condições de sustentabilidade ecológica do planeta” e que apesar do debate político ter sido enriquecido pelos aportes da ciência a respeito dos riscos ecológicos do desflorestamento. De acordo com o autor. 148) Leff (2006. Herman Daly. mas também altera as formas de intervenção e apropriação da natureza. abriu as comportas ao campo emergente da ecologia política. que leva a construir uma racionalidade produtiva fundada no potencial ecológico da biosfera e nos sentidos civilizatórios da diversidade cultural. p. bem como sua capacidade para internalizar os custos ambientais através de um sistema de normas legais. estes economistas sugerem assim que: A economia deve contrair-se aos limites de uma expansão que assegure a reprodução das condições ecológicas de uma produção sustentável e de regeneração do capital natural. José Neredo e Joan Martínez Alier já perceberam as limitações que o mercado tem para regulamentar efetivamente os equilíbrios ecológicos. orientando a reflexão teórica e a ação política para o propósito de desconstruir a lógica econômica e construir uma racionalidade ambiental.100 apropriação destrutiva dos recursos naturais. Para o autor: A lei da entropia. enquanto sua inércia de crescimento desborda os limites da sustentabilidade do planeta. antes de ter fundado a positividade de um novo paradigma econômico (de uma economia ecológica). p. A racionalidade . 2006.

172 e 173): A crise ambiental irrompeu em um mundo no qual a economia ficou desprovida de lei e de valor. É um retorno à ordem simbólica para ressignificar o mundo. Para Leff (2006. às ficções e às especulações do discurso do desenvolvimento sustentado: as de uma ordem simbólica autônoma desprendida de sua conexão com o real. é uma estratégia conceitual que orienta uma práxis de emancipação do mundo hiperobjetivado e do logocentrismo no conhecimento. quando a hiper-realidade gerada pelas estratégias fatais do código parecem burlar o pensamento e o discurso do desenvolvimento sustentável seduz o interesse prático ao procurar o equilíbrio guiado por um mercado sem valores. Para Leff (2006. montando um dispositivo ideológico e uma estratégia de poder para capitalizar a natureza. De acordo com o autor. 225 e 226) a tomada de consciência a respeito dos limites do crescimento. Exatamente nesse ponto. (LEFF. quando os conceitos perdem sua referência no real. de que o desenvolvimento das forças produtivas abriria as portas para uma sociedade de pós-escassez e à liberação do homem do reino da necessidade. quando o simbólico parece emancipar-se do fático e a ecologia fracassa em sua tentativa de enraizar o mundo na ordem da vida. quando são vencidas a lei e a norma fundadas na natureza e na ética. e a convicção. a teoria e as políticas econômicas procuram iludir o limite e acelerar o processo de crescimento.101 ambiental não é a atualização da razão pura na complexidade ambiental. de onde surge o . nesse vazio ontológico e nesse reino da dissimulação. que surge da visibilidade da degradação ambiental desponta como uma crítica ao paradigma normal da economia. quando as estratégias do código econômico triunfam sobre a lei do valor. p. em que o mundo se converte em um hiper-realidade onde o simbólico parece perder sua referencialidade e sua conexão com o real. no qual a natureza se desnaturaliza e se coisifica. p. quando o construtivismo e a hermenêutica conduzem o pensamento à conformidade e ao jogo de sentidos. mais além de qualquer determinismo ontológico. reforça que o paradigma econômico tem sido incapaz de assimilar a crítica apresentada pela lei da entropia e da racionalidade econômica. quando o projeto da racionalidade científica entra em colapso e o mundo parece flutuar na incerteza e na relatividade dos signos. diante das propostas de colocar um freio no crescimento e da transição a uma economia de estado estacionário. emerge a entropia como lei-limite da racionalidade econômica. 225) Desta forma Leff (2006). Para o autor: Na beira do precipício. tanto no campo capitalista como no socialista. em que a dialética procura ancorar-se nas leis da natureza. p. soou o alarme ecológico anunciando uma catástrofe tão inesperada como impensável na auto-complacência do progresso científicoecológico. 2006. A natureza se impõe às falácias.

ambiental. a sociedade contemporânea está submetida a uma mudança radical. no qual está impresso que as indústrias químicas representam riscos para o conjunto do meio ambiente. falham por não considerar a adoção de alternativas compatíveis com o estabelecimento de um desenvolvimento de fato sustentável. Na busca de respostas para os objetivos definidos na proposta de realização desta pesquisa. Muitas dessas organizações sociais. e mais especificamente. A Iminência da Consolidação da Sociedade de Risco No “epicentro” da crise sócio-ambiental já anunciada. a grande maioria das organizações sociais ainda atua exclusivamente com foco nos resultados econômicos.102 discurso neoliberal e a geopolítica do desenvolvimento sustentável. notadamente vitais para a sobrevivência humana. sobre a qual . Por força da racionalidade predominante na sociedade.6. o desafio proposto para a sociedade contemporânea para o real atingimento do estado de desenvolvimento sustentável somente será possível se contemplar urgentes reflexões e mundanças nas características da matriz de pensamento que determina as ações emanadas de sua racionalidade dominante. se encontram diferentes tipos de organizações sociais. Beck (2006) considera que em todo mundo. reafirmando o livre mercado como mecanismo mais clarividente e eficaz para ajustar os desequilíbrios ecológicos e as desigualdades sociais. que em sua grande maioria e no conjunto. as indústrias químicas se encontram inseridas. se fez necessário primeiro compreender a realidade das racionalidades e das dimensões econômica. Ao que tudo indica. fato que originou os debates sociológicos ocorridos na década de 1990 que tentam captar e conceituar esta reconfiguração. ao assumirem as premissas máximas de uma racionalidade centrada em aspectos econômicos orientados pela ação racional instrumental. política e espacial na qual a sociedade. Em função do senso comum vigente na sociedade. social. contribuem para a perpetuação e o agravamento das evidências apresentadas. negando ou ignorando questões de caráter social e ambiental. 2.2. optou-se para o desenvolvimento do presente estudo pela adoção da abordagem elaborada por pelo sociólogo alemão Ulrich Beck em seu livro denominado “A Sociedade de Risco Global”.

24 . complexidades e incertezas. o subemprego e os riscos globais (como a crise ecológica e o colapso dos mercados financeiros globais). as quais o autor caracteriza da seguinte forma: Quadro 4 – Caracterização da Primeira e da Segunda Modernidade Corresponde a uma modernidade baseada nas sociedades de Estados-Nação. Harvey. Beck (2006) cita algumas das abordagens e autores que tentam delimitar este período de transição: pós-modernidade (Bauman. era global (Albrow) ou modernidade reflexiva (Beck.103 alguns autores colocam grande ênfase na abertura do projeto humano em meio a novas contingências. na qual as pautas coletivas de vida. um novo tipo de ordem global. Lash). momento em que assumem de forma ativa os destinos de sua sociedade. Primeira Modernidade Segunda Modernidade ou Modernidade Reflexiva Fonte: Adaptado de Beck (2006) No período que o autor busca caracterizar como segunda modernidade. simples. controle. a revolução dos gêneros. progresso. a consciência de classe) da cultura da sociedade industrial (cujos estilos de vidas e idéias de segurança também foram fundamentais para as democracias ocidentais e para as sociedades econômicas até bem entrado o século XX) conduzem a todo o trabalho de definição que desde então se espera ou impõem aos próprios indivíduos. a individualização . fatos que a tornam diferente de fases anteriores do desenvolvimento social. um novo tipo de economia. Giddens. linear e industrial. Lyotard. Beck (2006. p. baseada no estado nacional. pleno emprego e exploração da natureza se encontram cercadas por cinco processos inter24 relacionados: a globalização. os quais o autor considera como conseqüências imprevistas da vitória da primeira modernização. Por essa razão o autor considera que em termos sociológicos e Para Beck (2006) o processo de individualização surge quando os indivíduos passam a assumir um sentimento maior de subjetividade. no qual a sociedade deve responder simultaneamente a todos os desafios gerados na primeira modernidade. dissolução e desencantamento das fontes de significado e específicas de grupos (com o a crença no progresso. A partir do campo de estudos da sociologia. Segundo o autor. um novo tipo de sociedade e um novo tipo de vida pessoal”. modernidade tardia (Giddens). este processo surge da exaustão. Em sua abordagem Beck (2006) considera que a sociedade contemporânea vive um momento de transição em algum ponto entre a primeira modernidade e uma segunda modernidade ou modernidade reflexiva. onde as relações e redes sociais e as comunidades se entendem essencialmente em um sentido territorial. Período que se configura como um autêntico desafio teórico e político. 2 e 3) acredita que “está construindo-se um novo tipo de capitalismo. Haraway).

e sim global. enfermidades. Para Beck (2006. deuses. Em direção de sua expansão.104 políticos se faz necessário uma mudança de paradigma. Beck (2006. o regime do risco trata-se de uma função de ordem nova. Para Beck (2006. no caso de riscos pouco prováveis. As ameaças incalculáveis da sociedade pré-industrial (peste. sendo que a racionalidade na qual se baseia se deriva da racionalidade que está no núcleo desta sociedade: a racionalidade econômica. mas sim de uma “segunda modernidade”. p. guerras. catástrofes naturais. Com a lógica do comportamento econômico contradizem as regras de segurança formuladas pelos técnicos e indústrias de perigo. Desta forma. que por sua vez produz riscos). Isto caracteriza as situações e os conflitos nova sociedade clássica industrial e burguesa. ao afirmar que. cálculo dos riscos de exportação e conseqüências da guerra. pressupõem decisões. os riscos econômicos são potencialmente infinitos. Em sua proposta de caracterização de um novo momento demarcado pela iminência da consolidação de uma sociedade de risco global. ingressos fiscais. Beck (2006) considera que a sociedade industrial se inclina além do limite da segurabilidade. fome. este não só é válido para a aplicabilidade das capacidades de produção. morte. p. transformando-se involuntariamente em uma sociedade de risco através de seus próprios perigos sistematicamente produzidos. as diversas conseqüências não desejadas da modernização radicalizada”. embora seja possível que os riscos técnicos tendam a zero. e por estar diretamente relacionado com o processo administrativo e técnico de decisão. uma vez que não é nacional. Surgem da transformação da incerteza e dos perigos em decisões (e exigem a tomada de decisões. mas também magia. O autor justifica sua afirmação mencionando que apesar de toda a sociedade ter experimentado perigos. mas de graves conseqüências. 118 e 119): Os riscos sempre dependem de decisões: ou seja. p. Beck (2006) considera o risco25 como sendo o seu elemento principal. 25 . demônios) se transformam em riscos calculáveis no curso do desenvolvimento do controle racional instrumental que o processo de modernização promove em todas as esferas da vida. inseguridade social e pobreza. 121): São as companhias seguradoras privadas as que estabelecem ou indicam a barreira fronteiriça da sociedade de risco. a qual segundo ele não se trata de “pós-modernidade”. 5) entende como risco “o enfoque moderno da previsão e controle das conseqüências futuras da ação humana. um novo marco de referência. mas também para as vicissitudes das vidas individuais: acidentes.

200 milhões carecem de água potável segura. chamando a atenção para o fato de que a globalização do risco não significa uma igualdade global do risco. Como exemplos que evidenciam a existência do risco. 1.105 Desta forma. que afirmam que mais de 2. um número parecido carece de habitações e serviços sanitários e educativos adequados. Para Beck (2006. local. O autor acredita que a partir do momento que a sociedade passou a desenvolver atividades que deixaram de ser cobertas por seguros.5). a autonomia individual e a insegurança no mercado de trabalho e em relação de gênero. a condição da iminência do risco foi institucionalizada. que na contemporaneidade se faz global. contra os efeitos indesejados ocasionados pelo fenômeno do aquecimento global ou graves conseqüências que possam ser causadas por diversos tipos de tecnologias futuras. O autor cita dados da Organização das Nações Unidas (ONU). O autor revela . substituindo muitas vezes as referências e as desigualdades associadas à classe.500 milhões sofrem de desnutrição. a exemplo das novas tecnologias que envolvem a engenharia genética. A título de exemplo. O autor acredita que de forma simultânea. Para o autor a sociedade de risco global abre o discurso público e a ciência social aos desafios da crise ecológica. Beck (2006. construção discursiva do risco e materialidade das ameaças”. segundo Beck (2006). não pela falta de comida ou pela seca. ciências sociais e ciências naturais. raça ou gênero”. mais de 1. por um lado. p. p. por outro lado. influencia as mudanças científicas e tecnológicas. Em seu estudo o autor apresenta algumas conseqüências da sociedade de risco. a nova preeminência do risco vincula.400 milhões de pessoas vivem sem saneamento. a sociedade de risco se caracteriza por ter invalidado as decisões que eram tomadas com base em normas fixas de calculabilidade associadas a meios e fins ou causas e efeitos. 6) acredita que “os riscos se converteram em uma das principais forças de mobilização política. “o conceito de risco e sociedade de risco combina o que estava excluído mutuamente há tempos: sociedade e natureza. Beck (2006) cita a ausência de seguros para a cobertura de desastres nucleares. Beck (2006) menciona a primeira lei dos riscos ambientais a qual considera que a contaminação segue a pessoa pobre. mas pela crescente marginalização e exclusão dos pobres. e pessoal ao mesmo tempo.

são as características centrais de nossa era. raça e direitos humanos no mundo. 26 . a sociedade de risco significa sociedade de risco global. energia. De acordo com os dados da entidade. o qual. água. Para Beck (2006). O autor considera que o conceito da teoria da sociedade de risco global pode ser respondida sob a luz de duas perspectivas: Beck (2006) acredita que apesar da geração do “primeiro eu” ser muito criticada. estabilidade nacional. os vinte por cento mais ricos da população destes países consomem aproximadamente seis vezes mais comida. O autor considera que a época atual é mais moral que a dos anos 50 e 60. imagens da racionalidade e do controle linear. transporte. da mesma forma que em 1986 se podiam ilustrar os aspectos de risco tecnológico e ecológico global mediante o acidente nuclear ocorrido em Chernobil. Beck (2006) menciona que na atualidade se podem ilustrar os componentes constitutivos dos riscos do mercado global mediante a experiência da crise asiática. envolvendo questões de gênero. segundo a ONU. tecnoeconômico. neste sentido. a exemplo da OMC e do Nafta. individualista e mais moral do que supomos26. o consumo está praticamente fora de controle nos países mais ricos. onde a ética da auto-realização e sucesso individual são a corrente mais poderosa da sociedade ocidental moderna. mencionando que graças a acordos cruciais para o livre comércio. que os filhos da liberdade têm sentimentos mais apaixonados e morais sobre uma ampla gama de questões. petróleo e minerais em relação ao que consumiam os seus pais. foi sextuplicado em menos de vinte e cinco anos. se pensada até suas últimas conseqüências.106 ainda dados curiosos sobre os hábitos de consumo de determinados segmentos abastados da sociedade global. O autor acredita que escolher. criadores de sua identidade. Nela seus desafios são os perigos produzidos pela civilização que não podem delimitar-se socialmente nem em termos de espaço. são evitadas e anuladas. que o seu individualismo é mais moral e político em um sentido novo. Com base em seus estudos. decidir e configurar indivíduos que aspiram a ser autores de sua vida. nem em termos de tempo. Para o autor. as condições e princípios básicos da primeira modernidade como o antagonismo de classe. Beck (2006) considera que vivemos em uma era de risco que é global. desde o trato ao meio ambiente aos animais.

tem começado a transformar a paisagem temática em torno dos problemas do planeta. O vigor do realismo também pode observar-se em seu claro manuscrito histórico. e finalmente – se a objetividade suposta dá bastante impulso para a ação – atores e instituições transnacionais. legislações. fóruns mundiais de vida e ação pública. e é preciso destacar. de maneira que a globalidade de questões ambientais seja decisiva para as percepções e exigências de ações sociais. Na perspectiva construtivista os diferentes atores necessitam ter êxito em suas atuações e afirmar-se continuamente contra poderosas contra-coalizações. Na primeira. eram as questões de classe ou sociais as que tinham uma importância primordial. Porém seria excessivamente simples supor que a ecologia superou a questão de classe. são as questões ecológicas. em conjunto. Na perspectiva construtivista. e na década atual. ministérios de meio ambiente. Esta perspectiva se apóia em descobertas científicas e nos debates da destruição em curso (da camada de ozônio. do solo. as conseqüências e perigos da produção industrial desenvolvida agora são globais. do mercado de trabalho e econômicas se sobrepõem e é muito possível que se agravem mutuamente. especialmente desde a cúpula da terra do Rio. por exemplo). que esboçam dentro do espaço público as questões de uma agenda global. Isto requer a institucionalização do movimento ecologista e a construção de atores transnacionais que tentem abordar a gestão global dos problemas mundiais (WWF. acordos nacionais e internacionais. Esta perspectiva se expressa em coisas tais como o desastre de Chernobil. para contraste. Uma perspectiva social-construtivista em uma sociedade de risco global não se funda em uma globalidade cientificamente comprovada dos problemas. a globalidade é baseada unicamente na auto-autoridade ostensiva dos perigos objetivos. Os perigos globais correspondem. da água. • • • • • Construtivista ou Social-Construtivista • • • • Fonte: Adaptado de Beck (2006) . Pelo lado realista. Greenpeace. das plantas e dos alimentos não conhece fronteiras. que as crises ecológicas. na segunda. É baseada na auto-evidência emprestada dos perigos realistas e a partir de atores. Na perspectiva realista.107 Quadro 5 – Perspectivas da Sociedade de Risco • • • • Realista ou Essencialista Nesta perspectiva. estratégias e recursos considerados decisivos em sua fabricação. é bastante evidente. ambas geram – a sombra de efeitos colaterais latentes – o romance dinâmico de conflito de uma sociedade de risco global. a modelos globais de percepção. entre outros). ciência. segundo o qual o desenvolvimento da indústria ou da sociedade industrial atravessou duas etapas distintas. indústrias. O construtivismo mantém o princípio de abertura em relação à discussão da problemática ecológica. Nela o desenvolvimento de forças produtivas está entrelaçado com o desenvolvimento de forças destrutivas e. Segundo Beck (2006) até os anos 70 e 80 não se forjaram ou fizeram poderosas estas coalizões. quando uma nuvem atômica aterrizou em toda a Europa e obrigou as pessoas a adotar mudanças importantes inclusive em sua vida privada cotidiana. falar da sociedade de risco global reflete a socialização global obrigatória devido aos perigos produzidos pela civilização. O novo estado do mundo é a base da crescente importância das instituições transnacionais. de forma realista. os atores transnacionais já tem que ter conseguido que se aceite a sua política discursiva. instituições. Mas também se manifesta no conhecimento que tem qualquer leitor de jornais ou telespectador maduro das sociedades industriais de que o envenenamento do ar. mas em coalizações de discurso transnacionais (Hajer citado por Beck (2006)). O realismo concebe a problemática ecológica como fechada.

isso não deve ser considerado como um forte motivo para que sejam minimizadas as suas diferenças. são os perigos (os cenários de desastre total) da sociedade de risco global os que constituem o centro principal de atenção. enquanto que para o outro. apesar de existirem pontos convergentes em relação às duas perspectivas. Beck (2006) acha particularmente notável o fato de o realismo enfatizar questões relacionadas ao risco global enquanto que o construtivismo enfatiza as questões relacionadas à sociedade. organizações ambientais... os contextos em que atuam os atores.).108 Com relação à perspectiva realista que fundamenta a sociedade de risco global. fragmentada. Para Beck (2006) a potência definidora do realismo descansa sobre a exclusão de questões que dizem mais em favor da superioridade interpretativa dos enfoques construtivistas. carente de reconhecimento social. Para Beck (2006) por mais contraditórios que possam ser os enfoques essencialista-realista e construtivista em seus métodos e suposições básicos. induzida pelos meios de comunicação de massas. Beck (2006) alerta para o fato de que. Para um. Conforme sustenta Wynne citado por Beck (2006). etc. o conhecimento público do risco muitas vezes não é conhecimento especializado mas sim profano. Segundo o autor a diferença reside no fato de que para um. são as oportunidades. institutos de investigação. construídos e mediatizados culturalmente.. imprensa diária. Beck (2006) chama a atenção para o fato de que basta uma visão superficial para mostrar como elas são fracas na realidade. O autor menciona que as imagens e símbolos ecológicos não possuem uma certeza intrínseca: são percebidos. os perigos globais devem dar lugar antes de mais nada a instituições e tratados internacionais. com todas as suas contradições e conflitos (movimentos sociais. De acordo com Beck (2006) muitos acreditam que assumir a objetividade dos perigos globais é potencializar a construção de instituições transnacionais . Para o outro. ambos estão de acordo em seus diagnósticos sobre a sociedade de risco global. ao falar sobre os perigos ambientais já se supõem coalizões supranacionais de discurso comprometidas em uma ação com êxito. os quais o autor considera como sendo anti-realistas. formam parte do tecido social do conhecimento. televisão. O autor considera que um ponto de vista realista irrefletido esquece ou suprime o fato de que o realismo é consciência coletiva sedimentada.

sugerindo uma única pergunta: como podemos administrar a natureza depois do seu fim? Para o autor esta pergunta que diferentes abordagens tratam de iluminar de formas diversas. individualização e globalização. segundo se denomina em uma nova frase mágica. cujo ponto de vista frequentemente se considera suspeito de ingenuidade. efeitos colaterais. de natureza. ecologia e meio ambiente. Na concepção de Beck (2006) a natureza e a destruição da natureza são produzidas institucionalmente e definidas. Beck (2006) propõe um novo marco conceitual. neste contexto. O autor sugere que este marco se inicie além do dualismo existente entre sociedade e natureza e de conceitos chave aparentemente evidentes. O autor atribui à existência dos riscos ao fato de que normas e instituições desenvolvidas dentro da sociedade industrial podem falhar: o cálculo de riscos. dentro da natureza interiorizada industrialmente. é desenvolvida pela teoria da sociedade de risco global em direção do construtivismo institucional. nos conflitos de leigos e especialistas. a teoria da sociedade de risco global traduz a pergunta pela destruição da natureza com outra pergunta: Como aborda a sociedade moderna as incertezas fabricadas autogeradas? Beck (2006) chama a atenção sobre a essência desta fórmula. Beck (2006) reforça o fato .109 (centralizadas). implica ou inclusive produz um considerável impulso de poder para levar a cabo uma política de “desenvolvimento sustentável”. o conceito de prevenção de acidentes e desastres. Para Beck (2006) a sociedade de risco global compartilha o adeus ao dualismo sociedade-natureza. Beck (2006) acredita que os temas e perspectivas centrais da sociedade de risco se relacionam com a incerteza fabricada dentro de nossa civilização: risco. na qual residem os riscos. Como forma apresentar evidências sobre a sua existência. as medidas profiláticas. que dependem de decisões e que em princípio podem controlar-se. e perigos. mas sim como um mundo interior da sociedade. o principio de segurança. perigo. em que a análise sócio ecológica dos problemas ecológicos não seja tratada como problemas de meio ambiente ou o mundo que nos rodeia. que escaparam ou neutralizaram as exigências de controle da sociedade industrial. Em sua proposta para a sociedade de risco. Logo. asseguramento.

os próprios critérios que a modernidade industrial utiliza para cobrir os perigos que ela mesma gera podem converter-se em normas para a crítica. Acredita que não é a desobediência das normas mas sim as próprias normas que regulamentam a morte das espécies. cita casos como a energia atômica. que contestam o juízo de técnicos e autoridades importantes sobre o caráter inofensivo de produtos ou tecnologias que produzem. da administração. para o autor. Visto de outra forma. as ameaças resultantes nos transformam em membros de uma sociedade de risco global. O realismo econômico predominante nas companhias de seguro lhes impede ter alguma relação com um suposto risco zero. controle e produção oriundas do direito. Para o autor as antigas rotinas de decisão. Para Beck (2006) a ausência de seguro revela que as companhias de seguro são dotadas de especialistas tecnológicos. Segundo Beck (2006) no sistema do industrialismo desenvolvido do perigo nada pode se fazer em nível nacional para garantir a saúde e a segurança dos cidadãos. a engenharia genética (incluindo a pesquisa) e setores de alto risco da produção química. a gestão industrial e a investigação negociam critérios para determinar o que pode ser considerado racional e . Para Beck (2006) na medida em que as decisões ligadas à dinâmica científica. Beck (2006) apresenta evidências sobre a existência do princípio de recursividade ou auto-geração citado por Morin. Desta forma. da indústria e da política são as responsáveis pela destruição material da natureza e pela sua normalização simbólica. Para Beck (2006) na medida em que a administração do estado. Como exemplos. processos que se complementam e se acentuam mutuamente. rios ou lagos. a política. a sociedade de risco global avança fazendo equilíbrios além dos limites de segurança.110 de que indústrias e tecnologias consideradas controversas correspondem àquelas que não possuem um seguro privado ou que não conseguem um acesso a ele. Ao mencionar que o conceito de irresponsabilidade organizada indica a existência de um movimento circular entre a normalização simbólica e as permanentes ameaças e destruições materiais. da ciência. nele os perigos aumentam devido ao fato de serem anônimos. técnico-econômica seguem organizando-se em um nível de estado nação e a empresa individual.

no qual a atividade econômica só passou a ser possível com o marco da legislação trabalhista. já não é garantido – mas bem ameaçado – pelas antigas rotinas da simples modernização. entre outros. na sociedade de risco global. as normativas de segurança. os mesmos nem sempre representarão segurança.111 seguro. revelam a insegurança fabricada em áreas centrais da ação e da gestão baseadas na racionalidade econômica. passam a ser vistos como tendências capazes de erosionar o sistema de forma a deslegitimar as bases de sua racionalidade. no sentido de que as grandes inversões pressupõem um consenso a longo prazo. fogem do controle das empresas que aplicam remédios domésticos. o buraco da camada de ozônio aumenta e as alergias se estendem massivamente. Segundo o autor houve um tempo em que a indústria podia lançar projetos sem submetê-los a controles e regulações especiais. Beck (2006) considera esta como sendo uma mudança decisiva em termos da compreensão da sociedade de risco global. acordos de tarifa. pela idéia-chave de que os problemas ambientais se originam de uma profunda crise da primeira fase da modernidade industrial. Tal consenso. ou seja. Em termos de uma sociedade de risco global. porém. onde mesmo que todas as instâncias e regulamentações desempenhem o seu papel e que todos os acordos válidos sejam respeitados. O . Beck (2006) também considera que a situação da economia sofre uma mudança radical. ocasiões que segundo o autor. segundo Beck (2006) propõe a substituição do discurso tradicional sobre a destruição da natureza. no qual os efeitos colaterais invisíveis da produção industrial se transformam em conflitos ecológicos globais. o qual foi seguido por um período de regulação estatal. os projetos industriais se convertem em uma empresa política. Para Beck (2006) o fato de que as normas sejam respeitadas não impede que a opinião pública efetue suas críticas sobre as organizações que considere poluidoras do meio ambiente. Desta forma para Beck (2006). pois os mercados de bens e serviços são baseados em princípios instáveis. Para o autor isto ocorre na medida em que os efeitos colaterais negativos de uma ação aparentemente calculada e que pode ser responsabilizada. A teoria da sociedade de risco global.

Para o autor. Para Beck (2006) a junção de diversos fatores confirma o diagnóstico de surgimento de uma sociedade de risco global. não podem ser definidas compensações financeiras aos danos causados e não faz sentido assegurar-se contra os piores efeitos possíveis da espiral de ameaças globais. Para o autor. convertendo-se em globais e duradouros. as guerras e as conseqüências da modernização incompleta. Para Beck (2006) em termos de política social. os problemas de eliminação de resíduo. onde a atividade das corporações mundiais e dos governos . A ordem legal já não garante a paz social porque generaliza e legitima as ameaças da vida e também da política. legitimados pelas ciências naturais e apresentados como inofensivos pela política.112 que poderia negociar-se e implementar-se a porta fechada. os métodos de produção ou o design dos produtos) fica agora potencialmente exposto a crítica pública. são exteriorizados para a economia. Para o autor o princípio de culpa está perdendo a sua eficácia. se faz necessário considerar a interação entre a destruição ecológica. a crise ecológica implica numa violação sistemática de direitos básicos. Beck (2006) acredita que diferentes ameaças globais como conflitos ambientais. individualizados pelo sistema legal. ao mesmo tempo em que a indústria aumenta a produtividade. Neste contexto surge um fenômeno que Beck (2006) denomina de subpolitização da sociedade mundial. Em sua concepção para a sociedade de risco global. pobreza e armas de destruição em massa podem muito bem complementar-se e acentuar-se mutuamente. cujos efeitos gerados na sociedade a longo prazo não devem ser subestimados. os perigos produzidos na indústria. mediante a força das limitações práticas (por exemplo. uma vez que em muitas ocasiões. corre o risco de perder sua legitimidade. situações que corroem o poder e a credibilidade das instituições e que só é evidenciado quando o sistema apresenta algum sinal de crise. onde novos perigos estão eliminando as fundações convencionais do cálculo de segurança e os danos perdem seus limites espaço-temporal. ou seja. O autor considera que as denominadas ameaças globais conduziram a um mundo no qual foi corroída a base da lógica estabelecida do risco e no qual prevalecem perigos de difícil gestão em lugar de riscos quantificáveis.

mas também tendências opostas que desvelam este encobrimento. ao contrário do que ocorre como os riscos industriais. gerados a partir do processo de tomada de decisões. não importa quão grande e devastador fossem. diferindo-se dos desastres naturais préindustriais por sua origem no processo de tomada de decisão. Isto distingue a nossa época não somente da primeira fase da revolução industrial. que se refere às múltiplas pessoas ou grupos que são afetados e afligidos pelos riscos que os outros adotam (e que podem evitar). desde meados do século XX as instituições sociais da sociedade industrial tem enfrentado a possibilidade. Dito de outro modo. Para Beck (2006) os riscos presumem decisões e considerações de utilidade industrial.113 nacionais está se submetendo a pressão da esfera pública mundial. não existe unicamente um processo autônomo de encobrimento dos perigos. Neste novo contexto de sociedade global. a sociedade de risco global se faz autocrítica. as organizações estatais e os políticos são responsáveis pelos riscos industriais. as empresas. quer dizer. o poder dos novos movimentos sociais não só se baseia neles mesmos. a participação individual-coletiva nas redes de ação global é surpreendente e decisiva. os quais não se encontram nas mãos de indivíduos e sim de organizações e grupos políticos inteiros27. mas também na qualidade e o alcance das contradições nas quais incorrem as indústrias que produzem e administram os perigos na sociedade de risco. mas 27 Luhmann citado por Beck (2006) apresenta a diferença entre risco. p. Para Beck (2006). mesmo embora sejam muito menos acusadas e sempre dependam do valor civil dos indivíduos e da vigilância dos movimentos sociais. Beck (2006. 106) chega a considerar que: O adversário mais influente da indústria da ameaça é própria indústria da ameaça. Para Beck (2006) as pessoas. Segundo o autor. eram considerados golpes do destino que se descarregavam sobre a humanidade desde fora e que eram atribuídas a um outro: deuses. historicamente sem precedentes. à medida que se difunde a consciência do perigo. Estas contradições se fazem públicas e escandalosas através de atividades provocadoras dos movimentos sociais. e perigo. demônios ou natureza. . Expressando-se de outro modo. Por tanto. tecnoeconômica. o resultado de uma decisão. da destruição de todo vida no planeta por meio das decisões que se tomam. De acordo com Beck (2006) os perigos pré-industriais. os cidadãos estão descobrindo que o ato de comprar trata-se de um voto direto que sempre podem utilizar de forma política.

situação que põe em questão a própria lógica de funcionamento da sociedade industrial. Para o autor. p. Beck (2006) considera que a transição da modernidade industrial para a modernidade do risco se produz de forma não intencional. seguindo a pauta das conseqüências não desejadas. não percebida. como o consenso sobre o progresso. químicos e genéticos é baseado no colapso da administração. as diferentes situações percebidas na sociedade de risco se criam em razão das verdades autoevidentes da sociedade industrial. compulsivamente. no colapso da racionalidade tecnocientífica e legal e das garantias de segurança políticas institucionais que estes perigos conspiram para todos. não importa o quão diversas e contraditórias tivessem podido ser em seus detalhes. Para Beck (2006.] as instituições da sociedade industrial produzem e legitimam perigos que não podem controlar”.114 também de todas as demais culturas e formas sociais. 113 e 114) neste contexto “surge uma situação completamente distinta quando os perigos da sociedade industrial dominam os debates públicos. emprego.. político e privado”. Estes conflitos se desatam em torno da pergunta de como se . Logo Beck (2006) defende a idéia de que a sociedade de risco não é uma opção que possa se escolher ou rejeitar no curso do debate político. Para Beck (2006. nucleares. Surge por meio do funcionamento automático de processos autônomos de modernização que são cegos e surdos às conseqüências e perigos.. p. a abstração das conseqüências e os perigos ecológicos que dominam o pensamento e a conduta dos seres humanos e instituições. 115 e 116): Na sociedade de risco. onde “[. Para Beck (2006) o principal potencial sócio-histórico e político dos perigos ecológicos. Pode mostrar-se que os primeiros são os conflitos da exigência da responsabilidade. segurança social) que constituem o conflito fundamental da sociedade industrial e conduzem às tentativas de solucionar-lo em instituições adequadas. os conflitos sobre a distribuição dos males que produz se sobrepõem aos conflitos sobre a distribuição dos bens sociais (renda. no curso de uma dinâmica da modernização que se fez autônoma. Este potencial reside no desmascaramento da anarquia concretamente existente que se desenvolveu a partir da negação da produção e administração sociais dos megaperigos.

entre outros. a sociedade se faz reflexiva (no sentido estrito da palavra). as sociedades modernas se deparam com os princípios e limites do seu próprio modelo na medida em que não se transformam. a pesca e as empresas que dependem do turismo costeiro). ou seja. ameaças ao meio ambiente. uma sociedade autocrítica: Os especialistas em seguros contradizem os engenheiros especialistas em segurança.115 podem distribuir. não é um dos denominados “problemas ambientais”. um problema do mundo que nos rodeia. Os políticos encontram a oposição das iniciativas cidadãs. movimentos sociais das mais diversas tendências e composições. p. Estas podem desafiar. a das organizações de consumidores. ou seja. engenharia genética. . as mulheres. os jovens. Para Beck (2006. Para Beck (2006) na sociedade de risco. inspecionar. as indústrias responsáveis pelos danos (por exemplo. a esfera pública. Desta forma. De acordo com Beck (2006). as subculturas. a indústria química responsável pela contaminação marinha) devem inclusive esperar encontrar a resistência de outras indústrias afetadas (neste caso. 128) ao longo da história mundial surgiram e desapareceram muitos candidatos a sujeito da crítica social: a classe trabalhadora. o reconhecimento da incalculabilidade dos perigos produzidos pelo desenvolvimento tecnoindustrial impõem a auto-reflexão sobre os fundamentos do contexto social e uma revisão das convenções e princípios predominantes de racionalidade. a inteligência crítica. Os grupos de auto-ajuda criticam as burocracias. se converte em um tema e em um problema para si mesma. na auto-concepção da sociedade de risco. e sim uma crise institucional da própria sociedade industrial. Os especialistas são relativizados ou destronados por não especialistas. não refletem sobre as conseqüências e mantém uma política industrial do “mais do mesmo”. os primeiros consideram que se trata de um risco não assegurável. O autor considera que a transformação das conseqüências não desejadas da produção industrial em fonte de problemas ecológicos globais não é em absoluto. Em última instância. Enquanto os últimos declaram risco nulo. a escalada de armamentos e o crescente empobrecimento da humanidade que vive fora da sociedade industrial ocidental. controlar e legitimar as conseqüências dos riscos que acompanham a produção de mercadorias: tecnologia nuclear e química em grande escala. a gestão industrial. evitar. Segundo o autor. segundo Beck (2006) a sociedade de risco tende a ser ao mesmo tempo. inclusive corrigir as primeiras.

. 128). neste contexto. a matriz de pensamento linear e mecanicista surgida no cerne da ciência gerou influências diretas sobre a maior parte das organizações sociais. os quais deixou para traz quando começou a operar além dos limites asseguráveis.. a autocrítica significa que dentro e entre os sistemas e instituições (e não somente nas margens e nas áreas de sobreposição dos mundos da vida privados) surgem linhas de conflito que podem organizar-se e são susceptíveis de coalizões. onde “a sociedade de risco nega os princípios de sua racionalidade”. p 140). para Egri e Pinfield (1999) as características deste pensamento serviram de alicerces ideológicos das revoluções científica e industrial das sociedades contemporâneas. em especial as organizações industriais. 2006. sejam otimistas ou pessimistas em relação ao progresso. As Organizações e a Sociedade de Risco Com seria inevitável de ocorrer. Como citado anteriormente. Para Beck (2006). as organizações industriais . Como forma de garantir a expansão e o aumento dos resultados de suas operações. autônoma. p 139) “[. Ao assumir as premissas definidas da racionalidade econômica. “a sociedade de risco só se inicia quando o debate sobre a reparação e reforma da sociedade industrial se define com clareza” (BECK. Para Beck (2006. na sociedade de risco: Os centros de tomada de decisão e as leis objetivas do progresso científicotecnológico estão se convertendo em questões políticas. fascinaram a sociedade e a sua ciência durante cem anos? Para Beck (2006. antes de tudo. modelos que.2.7.] a sociedade de risco começa onde os princípios de cálculo da sociedade industrial submergem e anulam a continuidade da modernização automática e tempestuosamente triunfante”. 2. as diferentes organizações industriais contribuíram para fortalecer os princípios da racionalidade instrumental em detrimento de outras alternativas. Isto sugere uma pergunta: coincide a crescente consciência da sociedade de risco com a invalidação dos modelos lineares da tecnocracia. p. Para o autor.116 Para o autor o que difere a sociedade de risco de outras sociedades é o fato da base da crítica ser.

trabalhadores. encontraria cada vez menos respaldo na sociedade. os representantes empresariais desenvolveram o argumento de que custos adicionais para as empresas para o controle da poluição comprometeriam a lucratividade. poupando o verdadeiro causador de arcar com qualquer ônus para reverter o problema. apesar de muitos defensores da forma atual de progresso econômico acreditarem que as tragédias ou os problemas mencionados são fatalidades ou acidentes de percurso do processo necessário para o desenvolvimento indústria. gerando prejuízos às partes interessadas. Segundo Demajorovic (2003). 33) “até meados da década de 1980. Nesse contexto. como forma de estabelecer defesas em relação aos problemas de degradação ambiental. Demajorovic (2003) menciona que no mesmo período. De acordo com Demajorovic (2003). transferi-los para a sociedade. a competitividade e a oferta de empregos. a exposição pela mídia de tragédias ambientais provocadas por grandes empresas contribuiu para colocar o setor industrial como alvo prioritário dos protestos de grupos ambientalistas. De acordo com o autor. 34). p. predominou no discurso empresarial uma resistência a qualquer iniciativa de minimizar os impactos socioambientais decorrentes da atividade produtiva”. Paralelo a estas questões. aprimorava a regulação ambiental. convertendo os danos e as ameaças ao meio ambiente em custo direto para os negócios (DEMAJOROVIC. passou a ser a de externalizar os custos ambientais. como forma de garantir a rentabilidade de suas atividades. Para Demajorovic (2003. p. ou seja. Segundo o autor: Ao mesmo tempo que a mobilização em torno da questão ambiental multiplicava os debates sobre essa temática em diversos países.117 gradativamente aprenderam a desenvolver mecanismos de proteção. cada vez menos o trinômio produtividade-progresso-riqueza se vê capaz de . acionistas e consumidores. o setor público. ou seja. a estratégia do discurso empresarial que enaltecia o papel exclusivo das empresas como fomentadoras da riqueza. segundo Demajorovic (2003) a estratégia adotada pelas empresas. segundo o jargão econômico. a partir de meados da década de 1980. por meio de suas agências ambientais. 2003.

a principal responsável por gerar as ameaças que lhe dão origem. O autor considera que com um maior número de empresas competindo no mercado globalizado os riscos se ampliam. 35). 35).118 convencer a opinião pública.. Demajorovic (2003) menciona que o processo de industrialização é indissociável do processo de produção de riscos. uma vez que é especialmente a indústria. Demajorovic (2003) afirma que a sociedade de risco não consegue se libertar da sociedade industrial. Como exemplos. o que “agrava o problema é a percepção de que os riscos gerados hoje não se limitam à população atual. o autor cita o avanço tecnológico que ameaça os trabalhadores com o desemprego. o autor considera que “as catástrofes e os danos ao meio ambiente não são surpresas ou acontecimentos inesperados”. p. uma vez que as gerações futuras também serão afetadas e talvez de forma ainda mais dramática” (DEMAJOROVIC. De acordo com Douglas e Wildavsky citados por Demajorovic (2003). a sociedade industrial aprendeu a controlar e a conviver de forma menos traumática com boa parte desses riscos. acima de tudo. uma vez que uma das principais conseqüências do desenvolvimento científico industrial é a exposição da humanidade a riscos e inúmeras formas de contaminação nunca observados anteriormente. unida à ciência. são “[.] conseqüências inerentes da modernidade.. 2003. a incapacidade do conhecimento construído no século XX de controlar os efeitos gerados pelo desenvolvimento industrial” (DEMAJOROVIC. Para Demajorovic (2003) está cada vez mais evidente que o agravamento dos problemas ambientais está diretamente ligado a escolhas com respeito à forma de aplicar o conhecimento técnico-científico no processo produtivo. o aumento de riscos de acidentes em função do grande número de veículos circulando nos centros urbanos ou ao risco da ampliação da degradação ambiental em função da concentração de empresas em determinadas regiões. uma vez que o processo de decisão torna-se mais complexo para os gerentes em suas organizações. Para o autor. que mostram. Logo. nunca nenhuma civilização anterior à contemporânea se . que ameaçam os habitantes do planeta e o meio ambiente. Para Demajorovic (2003) em razão do desenvolvimento de seu instrumental de controle. 2003. Fundamentado em Beck. p.

a população e o meio ambiente. as mudanças tecnológicas. optando por incorporar o seguro ambiental em seus serviços tradicionais. 28 . com o objetivo de produzir uma infinidade de medidas compensatórias para uma população à mercê de um mundo cada vez mais incerto. Demajorovic (2003) menciona que diversas empresas já são obrigadas pela regulação ambiental a apresentar estudos de risco. Diversas seguradoras. os atuais riscos químicos. preocupadas com os bilhões de dólares destinados ao pagamento das indenizações em virtude do aumento das reclamações por problemas ambientais. detectar a possibilidade de retornos monetários para o investimento realizado. A ampliação das exigências exercida sobre as organizações pelas novas regulamentações e pela sociedade confirmam a existência dos riscos. Assim como Beck. ecológicos e de engenharia genética apresentam três características fundamentais: não podem ser limitados no tempo e espaço. Demajorovic (2003) considera que nada é mais representativo do que o posicionamento assumido pelas empresas de seguro em relação ao risco. dificultam a identificação do nexo causal entre o problema gerado e a sua origem e muitas vezes não podem ser compensados. muitas delas acabaram por incorporar o cálculo de risco28 em seu processo de tomada de decisão. as várias seguradoras que vislumbraram grandes oportunidades de negócios na década de 1980 em função do aumento das regulamentações ambientais.119 demonstrou tão preocupada em desenvolver técnicas de cálculo de risco. destinados a reduzir a possibilidade de ocorrência de acidentes industriais que afetem seus funcionários. Para o autor. as flutuações da taxa de inflação. ao desenvolver este instrumental para o enfrentamento das incertezas. Para Demajorovic (2003) diferentemente dos riscos da fase inicial de industrialização. nucleares. Além disso. De acordo com Beck citado por Demajorovic (2003) é impossível calcular os riscos gerados para os indivíduos que ainda não nasceram e que serão afetados pelo desastre de Chernobyl. ou seja. entre outros. rapidamente perceberam que a multiplicação dos acidentes revelava que a administração dos novos negócios não era tão simples. Segundo o autor. considerando a volatilidade dos mercados financeiros. as quais ameaçavam a própria solvência do De acordo com Shrivastava citado por Demajorovic (2003) este tipo de cálculo procura avaliar exclusivamente os riscos financeiros.

logo elevaram significativamente o valor dos prêmios. no ano da edição do seu livro. Na realidade. 45 e 46): Por mais que esses cientistas ou empresários se apeguem à dificuldade de calcular com exatidão os danos socioambientais produzidos por atividades industriais. planejamento da produção. tornando mais difícil que essa estratégia seja usada perante a opinião pública. Para o autor: Questões como escolha do processo produtivo. o processo social de reconhecimento de risco que está em curso. ao acelerar o processo de conscientização. mas se materializa também nas pressões políticas. p. p. no aumento dos custos de operação. 2003.120 setor. choca-se com a moral ecológica”. extrapolam os muros das plantas industriais. exigindo que decisões tomadas nas altas De acordo com Demajorovic (2003) em 1995 o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou a Declaração de Compromisso Ambiental para a Indústria de Seguros. “com efeito. (DEMAJOROVIC. contudo. ao mesmo tempo em que diminuíram a cobertura de seguros29. Essa constatação. p. Para Demajorovic (2003. Novos grupos e atores sociais entram em cena. tratadas anteriormente como assuntos de soberania exclusiva dos gerentes e administradores de unidades industriais. em um maior rigor das normas de comando e controle. fundamentado em sua contribuição para o crescimento do emprego e do nível de renda. das demandas de compensação por danos socioambientais. De acordo com o autor. desenvolvimento tecnológico e disposição dos resíduos. Tal expectativa enfraquece o argumento de dificuldade de cálculo. Para Demajorovic (2003. representa apenas uma das variáveis importantes que afetam as organizações. alteram a distribuição do poder no âmbito da tomada de decisão nas empresas”. 46) Demajorovic (2003. forja o desenvolvimento de uma moral ecológica. os riscos da modernização. p. mais de 70 seguradoras de 25 países assinaram o acordo para incorporar a variável ambiental em suas operações. criando uma variedade de novos desafios no ambiente em que atuam as indústrias. 46) “o consenso criado em torno dos benefícios proporcionados pelas empresas. 29 . levando representantes das corporações ao banco dos réus. Para o autor: Esta não apenas questiona os aspectos econômicos e tecnológicos das ações empresariais. na maior inferência no processo de tomada de decisão dentro das organizações e no reconhecimento. ainda que baseado muito mais em estimativas do que em sua real calculabilidade. 47) considera que. por parte do Poder Judiciário. cresce a expectativa de que parcela significativa dos impactos previstos se concretizará no futuro caso o processo de degradação não comece a ser remediado no presente.

Wongtschowski (2002. desde o primitivo homem das cavernas ao homem atual. 8). considera que: Em seu sentido mais amplo. onde foram descobertas as primeiras reações químicas. . Com o aprimoramento de suas capacidades intelectuais e inovativas. até os períodos mais recentes. o ser humano passou a construir e a ampliar o seu conhecimento sobre a química. O fogo. bem como melhor regulamentadas e fiscalizadas pelo Estado. Por essa razão.3. INDÚSTRIAS QUÍMICAS 2. desde os períodos mais remotos. a fiação. a obtenção dos primeiros remédios extraídos de plantas. em razão dos riscos que representam para a sociedade e para o meio ambiente. uma das primeiras reações químicas que o homem aprendeu a dominar. As Origens da Indústria Química no Mundo O surgimento da indústria química mundial se confunde com diferentes períodos históricos vividos pela humanidade. p. as atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas passam a ser mais bem observadas pela mídia e pelas comunidades onde se encontram inseridas. Em função do novo contexto delineado pelo surgimento da sociedade de risco global e de seu histórico que será apresentado no próximo capítulo. a química está presente em todas as facetas da vida do homem. o curtimento de couros. 2. por meio do estabelecimento de um diálogo direto com os diferentes atores que atuam no universo definido para o desenvolvimento desta pesquisa. tal como é conhecida atualmente. a metalurgia do bronze e do ferro. a produção de lixívia para a limpeza pessoal e de utensílios. o tratamento e tingimento dos primeiros tecidos. que coincidem com o surgimento da sociedade industrial. são todas atividades precursoras da indústria química.3. a elaboração de alimentos fermentados (panificação e bebidas alcoólicas).1. este estudo busca revelar qual é a percepção que os profissionais que atuam em indústrias químicas têm da relação de sua organização com o meio ambiente.121 cúpulas administrativas sejam revistas e que processos de produção sejam modificados.

e consequentemente. gerando assim um ciclo recursivo onde recursos crescentes passaram a ser aplicados na produção de pesquisas científicas orientadas para o desenvolvimento e o atendimento de novas demandas. uma das mais importantes corporações do setor químico. subvencionada. As diferentes pesquisas desenvolvidas no interior desta ciência. gradativamente revelaram a sua capacidade de estabelecer controles sobre o meio natural. Para Morin (1998) a atividade científica que era sociologicamente periférica.122 conhecimento este que contribuiu significativamente para o surgimento de uma ciência capaz de proporcionar inúmeras descobertas a favor e contra a humanidade. para o fortalecimento das . tornou-se uma poderosa instituição no centro da sociedade. com o advento da globalização. esta capacidade de controle desenvolvida pela ciência passou a ser gradativamente controlada pelos interesses estatais e industriais. momento em que este tipo de indústria passou a ser considerada por diferentes nações como estratégica para a instalação e desenvolvimento de outras indústrias. dos quais se originaram nomes proeminentes da teoria química. A título de exemplo desta estreita relação. Desta forma é possível perceber que a expansão e o crescimento da indústria química em termos de escala de produção e presença mundial são estabelecidos no período compreendido pelo surgimento e estabelecimento da sociedade industrial. o autor cita o caso do professor de química Herbert Henry Dow. A estreita relação entre ciência e indústria pode ser percebida em Demajorovic (2003). Com o advento da sociedade industrial. capazes de assegurar seu poder hegemônico e de gerar novos recursos para financiar suas próprias estruturas. O Estado e a indústria passaram a financiar a ciência com o interesse estratégico de criar novos produtos. fundador da Dow Química. inicialmente originadas pelo interesse dos seres humanos em estabelecer novas descobertas acerca do ambiente ocupado. confirmando o princípio de recursão organizacional definido por Morin (2006). alimentada e controlada pelos poderes econômicos e estatais. quando menciona que os diversos produtos fabricados pela incipiente indústria química nos séculos XIX e XX tiveram origem em pesquisas desenvolvidas por membros de grupos científicos.

fertilizantes. 65) considera que: A indústria química constitui um dos setores mais dinâmicos e vitais de qualquer economia industrializada. Esta constatação pode ser confirmada em Demajorovic (2003). “a indústria química transformou profundamente as relações dos seres humanos com o mundo natural. Demajorovic (2003. muitas nações emergentes procuraram fomentá-la com o triplo intuito de criar um parque industrial gerador de empregos. p. plásticos e borrachas) e indireta (insumos para as indústrias têxtil. Seguindo as premissas da racionalidade econômica e justificando o interesse demonstrado pelos Estados-Nação em relação ao desenvolvimento da indústria química. Para Wongtschowski (2002) a indústria química tal como é compreendida na atualidade surge somente a partir do século XIX. 25): Dado o papel representado pela indústria química. oriunda do êxito da realização de duas tarefas: a de descobrir novos produtos e materiais por meio de ensaios em laboratório (química) e a de extrapolar estes ensaios para produções em escala industrial (engenharia química). melhorando seus saldos comerciais. pois gera produtos finais amplamente demandados por consumidores e uma infinidade de insumos intermediários utilizados por outras indústrias em seus processos de produção. Para alguns autores como Jonhson citado por Demajorovic (2003. entre outras). p. 65). de “agente catalizador” do desenvolvimento industrial. Demajorovic (2003) acredita que o fato de vivermos em uma era química se deve a uma característica marcante do desenvolvimento da pesquisa de novas substâncias químicas desde sua primeira fase de florescimento no século XIX: a sua capacidade de .123 economias dos Estados-Nação e para a manutenção do equilíbrio da balança comercial. quando menciona a presença dos produtos químicos no cotidiano das pessoas. para exportá-los sob esta forma e livrarem-se das importações de produtos que passam a ser fabricados em seu país. Para Wongtschowski (1999. transformar localmente matérias-primas em produtos de maior valor agregado. eletrônica. automobilística. de forma direta (produtos farmacêuticos. Reforçando a primeira constatação de Wongtschowski (2002). criando um novo tipo de dependência: a dos indivíduos por produtos químicos sintéticos”. tintas.

direcionadas para o desenvolvimento de novas matérias-primas. teria acontecido por ocasião de pesquisas anteriores. 66) considera que: [. estabeleceriam as bases para a formação e expansão da indústria química. concomitantes e posteriores ao período da Revolução Industrial. Indústria química norte-americana: desenvolvida por engenheiros químicos a partir da química derivada do petróleo. De forma sintética. Clow citado por Demajorovic (2003. Para Demajorovic (2003. ii) Com base no estudo de Wongtschowski (2002). p. em unidades de grande porte. as quais também são retratadas nesta retrospectiva histórica. p. 8 e 9) menciona que a moderna indústria química mundial teve o seu desenvolvimento baseado em duas fontes distintas: i) Indústria química alemã. predominando a partir da segunda metade do século XX. principal vetor da mudança social e econômica do século XX. a partir da segunda metade do século XIX. Cabe ressaltar as influências geradas pelas duas grandes guerras no processo de industrialização mundial. ou a “revolução química”. racionalidade esta que se tornou um poder hegemônico no processo de formação do arquétipo mental adotado para o desenvolvimento da sociedade industrial.. A verdadeira ruptura.] uma análise mais ampla das mudanças observadas no período. revela que a famosa Revolução Industrial iniciada na Inglaterra não resultou de fato em uma revolução e sim uma mudança evolutiva.124 inovar continuamente. Nesta retrospectiva histórica é possível identificar diversos elementos que apontam para a existência de um estreito vínculo de sua trajetória com as bases que constituem a matriz de pensamento linear caracterizada pela presença predominante da ação racional instrumental. p. não restrita às tecnologias mecânicas. que. a qual apresenta as bases de formação e expansão da indústria química mencionadas por Demajorovic (2003). desenvolvida por químicos a partir da química derivada do carvão. que permitiu um notável crescimento à indústria química”. 66) “é justamente a capacidade de inovar mais rapidamente do que os demais setores. em unidades de pequeno e médio portes. predominando por quase um século. . em geral de produção contínua. oferecendo sempre novos produtos e modificando processos. em geral descontínuas. é apresentada no quadro 6 uma retrospectiva histórica.. o Wongtschowski (2002.

Síntese direta da amônia. Em 1914. a empresa americana Standard Oil Company foi criada por John D. emprego de cientistas e de investimentos em P&D) alicerçadas em seu sistema de educação. A Standard Oil Company detinha 80% da capacidade de refino e 90% dos oleodutos norte-americanos. onde existiam grandes jazidas de sal-gema. Fundação da empresa americana Dow Chemical pelo professor de química do curso secundário Herbert Henry Dow. a Union Carbide. Surgem as primeiras indústrias alemãs destinadas para a produção de corantes: Hoescht (1863). A fábrica foi instalada em Midland – Michigan. denominado de PVC. produtos farmacêuticos e borracha sintética. pesquisador da Universidade de Karlsruhe e Prêmio Nobel em 1918. Em 1917. pesquisador da Basf e Prêmio Nobel em 1931. considerada por especialistas como uma das maiores conquistas da química e da engenharia química. Rockfeller.) 1870 a 1880 • • • 1890 1897 • • 1900 • • 1912 • • 1913 • • 1914 a 1918 • • • 1910 .. Bayer (1863). A liderança assumida pela Alemanha possibilita a passagem da química de síntese de corantes para a química farmacêutica. A Hoescht desenvolve o “Salvarsan”. primeiro anti-sifílico efetivo sintetizado pelo homem. Indústrias inglesas e francesas dominam a produção mundial de corantes. A Inglaterra que ocupava um papel secundário no cenário mundial vive um período de expansão. A Alemanha ensaiava seus primeiros passos a caminho da industrialização.. aditivos para a indústria de borracha e até polímeros. Em 1870. Basf (1865) e Agfa (1867). ao reconhecer a Engenharia Química como uma disciplina separada da Química. até o fim da Segunda Guerra Mundial). A indústria química mundial sofre uma série de mudanças importantes. junta-se com a PrestContinua (. a Alemanha sobrepuja as indústrias de corantes inglesas e francesas. empresa americana fundada no final do século XIX para a produção de carbeto de cálcio. A Alemanha transformou a sua indústria de corantes em indústria de produtos bélicos. Com base em vantagens competitivas (racionalização de seus processos produtivos. sendo dividida em 1911 em várias companhias por decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos. A Bayer desenvolve a Aspirina. Período da Primeira Guerra Mundial. assumindo a liderança mundial no campo de corantes e logo depois no campo da indústria química em geral (liderança que perdurará por 30 anos.125 Quadro 6 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química Mundial Período • • Meados do Século XIX • • • Fatos Relevantes A Inglaterra era a sede da maior indústria química do mundo. Processo desenvolvido por Fritz Haber. O Massachusetts Institute of Technology (MIT) contribui de forma decisiva para o desenvolvimento da indústria química mundial. produtos químicos para fotografia. os Estados Unidos já eram a segunda potência mundial na fabricação de produtos químicos. de onde era extraído o bromo dos brometos existentes no sal-gema. O químico alemão Fritz Klatte desenvolve o primeiro termoplástico a partir de cloreto de vinila. e Carl Bosch. A maior parte dos negócios da Standard Oil Company passou a então Standard Oil of New Jersey (atual Exxon).

fenol. são reunidas na Alemanha as sete maiores indústrias químicas. A Dow Chemical passou a produzir. As primeiras fibras artificiais partiam da celulose. Neste ano a produção mundial de fibras artificiais passou para 60 mil toneladas. planta para a produção de cloridina a partir do eteno e planta de etilenoglicol a partir de cloridrina. entre elas a Bayer. empresa americana fundada em 1802 pelo Francês Eleuthère Isidore DuPont. inaugura a primeira unidade industrial de poliestireno para fabricar o produto Continua (. em parceria com a empresa Ethyl Corporation produz o brometo de etila. conhecido como acetato de celulose. O Departamento de Engenharia Química do MIT substitui o processamento em batelada pelo processamento contínuo. a Union Carbide inaugura a primeira planta industrial para a produção de eteno a partir de etano de gás natural. Em 1919 a produção de fibras artificiais era de aproximadamente 11 mil toneladas.126 • • • • 1919 . a Basf e a Hoechst para formar a sociedade Interessengemeinschaft Farbenindustrie Aktiengesellschaft (IG Farben). (originalmente uma filial de uma empresa alemã) e a National Carbon Company para constituir a United Carbide and Carbon Company. A partir da década de 1920. cria a tinta de secagem rápida para atender a indústria automotiva da época. problema que foi resolvido por meio do desenvolvimento de novos processos por empresas como a Union Carbide e BF Goodrich.) . parte também da celulose. utilizado para a produção do chumbo-tetraetila. a DuPont. A adoção do processamento contínuo em instalações de petróleo e de petroquímicos criou uma vantagem competitiva para os Estados Unidos em relação à Alemanha nesse campo. cloreto de vinilideno (polímero conhecido como “Saran”) e etilcelulose. A participação da indústria química mundial. Outro tipo de fibra artificial. Em 1920. O maior problema encontrado no PVC produzido era a sua extrema rigidez. a Union Carbide cria a Carbide and Carbon Chemicals Corp. Em 1924 a Dow Chemical. visando dar à mesma uma característica semelhante ao fio da seda. foi tão notável quanto o desenvolvimento do campo dos polímeros. Em 1921 a Union Carbide inaugurou a primeira unidade de craqueamento de gases naturais no mundo para a produção de eteno. extração. I. a Linde Air Products Co. A produção mundial de fibras artificiais sofreu um grande impulso nas décadas de 1920 e 1930 e começou a perder impulso na década de 1950. além de desenvolver outros avanços nas áreas de troca térmica. Em 1925. cloro e soda cáustica. Período entre as duas grandes guerras..1939 • • • • O-Lite. introduzindo radicais acetato na molécula. discípulo de Lavoisier. para produzir e comercializar os produtos derivados do eteno. antidetonante descoberto pela Ethyl. baseada em grandes investimentos em P&D voltados para a pesquisa aplicada. além do bromo. em função dos trabalhos do quimico russo I. primeiramente nas artificiais (a base de celulose) e posteriormente nas totalmente sintéticas. por iniciativa de Carl Bosch. Em 1923. marcou o desenvolvimento da indústria química mundial. Ostromislenski.. também cloreto de cálcio. os cientistas começaram a desenvolver polímeros a partir do cloreto de vinila para a produção de PVC. mas modifica a molécula da mesma. com a introdução das fibras sintéticas. Neste mesmo ano. Nos Estados Unidos. destilação e fluidodinâmica. a empresa norte-americana Naugatuck Chemical Company. responsável pelo desenvolvimento de novos processos e produtos químicos. no desenvolvimento das fibras têxteis.

Esta junção de empresas visava fazer frente à empresa alemã IG Farben. a partir do qual foi construída uma unidade piloto em Baton Rouge e cedido o pesquisador Paul Baumann. embora praticamente não houvesse mercado nos Estados Unidos. Neste mesmo ano a Shell cria nos Estados Unidos a primeira unidade e diversas plantas industriais. Várias tentativas de extrudar a resina na forma de fibras. A Dow Chemical inicia a produção de magnésio. O interesse dos americanos era dominar a técnica de hidrogenação a altas pressões. formada no ano anterior na Alemanha. que embora não fosse o substituto ideal da borracha natural. para aplicá-la na refinação de petróleos pesados que começavam a tornar-se mais freqüentes em suas refinarias. Nobel Industries. Em 1928 a Union Carbide inaugura as unidades de dietilenoglicol.127 • • • • • “Victron”. a partir do eteno. podia ser empregado em certos usos específicos. foram infrutíferas. desenvolvendo diversos processos e/ou produtos: butanol secundário. em parte porque sua grande concorrente. Em 1929. isooctano (processo ácido Continua (. utilizado para a produção de dentaduras. Mond & Company. decidiu atuar no campo da química ligada aos derivados de petróleo. A Union Carbide cria a primeira unidade de álcool etílico sintético. efetuadas pela Agfa em Wolfen na década de 1930. a IG Farben construiu várias fábricas de poliestireno na década de 30. sendo também construída nos Estados Unidos pela DOW a primeira fábrica baseada neste processo. Em 1930 a DuPont cria a primeira borracha sintética com características aceitáveis. que foi o responsável pelas experiências nesta unidade durante 5 anos. Alemanha e Japão. de origem britânica holandesa. a Standard Oil of New Jersey estava fazendo o mesmo e em parte porque a IG Farben e a sua síntese de hidrocarbonetos a partir do carvão poderia por em perigo sua penetração no mercado de combustíveis. As resinas acrílicas foram patenteadas pela IG Farben.. Logo em seguida inaugura uma planta de estireno.) . resultado da junção das quatro maiores indústrias químicas inglesas da época: Brunner. a produção mundial de fibras artificiais passou para aproximadamente 200 mil toneladas. França. A Shell. chegando a desenvolver o processo de produção de ácido acético a partir do acitileno. em função do grande interesse que o país tinha em desenvolver a química da borracha sintética a partir deste produto. Em 1926 é fundada a companhia inglesa Imperial Chemical Industries (ICI). sendo toda a produção exportada para a Inglaterra.. Apesar de boa parte da pesquisa de produção do estireno ter sido desenvolvida na Alemanha. Em 1929 a Union Carbide inaugura a unidade de copolimerização de cloreto de vinila e acetato de vinila. A Dow Chemical produz um elastômero sintético. produzindo um copolímero chamado “vinylite” que foi empregado nos discos da RCA Vitor. A Standard Oil of New Jersey negocia um acordo de troca de licenças com grupo alemão IG Farben. Neste mesmo ano. a primeira fábrica surge nos Estados Unidos. A Standard Oil of New Jersey negocia e assina com o grupo alemão IG Farben a licença do processo de hidrogenação à altas temperaturas do carvão em pó para a produção de hidrocarbonetos. após os trabalhos de Carl Wulff na Basf e de Hermann Mark no desenvolvimento do processo de produção de estireno por desidratação do etilbenzeno e também da sua polimerização. trietilenoglicol e trietanolaminas. ficando conhecido com o nome de “Thiokol”. a partir de dicloroetano e polissulfeto de sódio. Neste mesmo ano. que era a maior fábrica americana deste produto na época. Bristish Dyestuffs e a United Alkali. Em 1927 A Union Carbide inaugura a fábrica para fluído de refrigeração de motores à base de etilenoglicol.

Whinfield e J. Em 1935. alguilação de parafinas com olefinas. T. atualmente conhecido como polietileno de baixa densidade e inicialmente aplicado para fins militares em radares de aviões em função de suas propriedades dielétricas. No início da década de 1930. o que acarretou economias de um terço à metade do que seria investido para fazer a mesma fábrica no clima frio dos Estados do norte dos Estados Unidos (este modelo se tornou padrão para a construção de unidades químicas em regiões de climas tropicais e temperados de todo o mundo). Gibson da ICI descobrem o polietileno. usando caprolactama. Em 1939 a Union Carbide compra a Bakelite Company. e logo chegaram à formação de um polímero que apresentava ótimas propriedades como fibra (algumas superiores ao nylon) além de um Continua (. decidindo fazer um intercâmbio de licenças de fabricação. recuperação de tolueno por destilação/extração e butadieno via diclorobutano. o que efetivamente ocorreu em 1939. A Dow Chemical constrói uma planta petroquímica na região da Costa do Golfo (Freeport – Texas) utilizando conceitos revolucionários para a época ao instalar equipamentos a céu aberto. Este produto. Em 1938 alguns executivos da DuPont visitaram a fábrica da Aceta em Wolfen. imediatamente vislumbrou a possibilidade de produzir um fio semelhante.) .128 • • • • • a frio). o mínimo de edificações possível. na descrição de uma das patentes. começaram a estudar as patentes de Carothers e ficaram surpresos ao verificar que este havia incluído. O. responsável por determinar as condições exatas nas quais a reação se processava. a ICI desenvolve o polietileno de baixa densidade. e ficaram espantados com o progresso alemão na fabricação do “Nylon 6”. profissional contratado pela DuPont em 1927. ao ler a patente do Nylon depositada pela DuPont. com propriedades diferentes das apresentadas pelo fio de Nylon fabricado pela DuPont e que partia do caprolactama. o laboratório da Aceta estava produzindo um fio denominado “Nylon 6”. sem tubulações de processo enterradas. Carothers. Wallace H. por não apresentarem a estabilidade química das poliamidas (nylon) e terem ponto de fusão muito baixo. que continha 6 átomos de carbono. Esses pesquisadores testaram a reação de esterificação e polimerização entre o ácido tereftálico e o etilenoglicol. utilizado para a fabricação de bolas de bilhar em substituição do marfim. poucos meses antes do início da Segunda Guerra Mundial. W. que já trabalhava com fibras têxteis desde 1928. da firma Aceta (IG Farben). O químico alemão Paul Schlack. Este polímero que veio a se tornar o maior sucesso comercial de produto químico no mundo (desenvolvimento em escala industrial iniciado somente em 1939). sob a ação de catalisadores. os químicos ingleses J.. que poliésteres alifáticos (de cadeia reta) não eram adequados à formação de polímeros que pudessem ser transformados em fibras.. Fawcett e R. Em 1934 o Nylon é descoberto pelo professor e pesquisador da Universidade de Harvard. álcool isopropílico e acetona. mas não citava os poliésteres aromáticos (contendo a estrutura de um anel benzênico). Neste mesmo ano. Neste mesmo ano a Union Carbide já produzia e comercializava 35 produtos químicos produzidos a partir do eteno e 15 a partir do propeno. foi desenvolvido por Michael Perrin. E. alquilfenóis. registrando a sua patente nos Estados Unidos com poucos meses de antecedência em relação à Union Carbide. que atualmente é o termoplástico de maior produção mundial. empresa produtora de resina fenol-formaldeído. Dickson da Calico Printers Association. Em apenas alguns dias. R.

Em 1940.. Graças à introdução do conceito de Engenharia Química. Como estas unidades geravam muito propano e butano. toxafeno. aldrin. bastante prejudicial aos homens e animais e tiveram o seu uso proibido. Ainda na década de 30. sem os inconvenientes daqueles. dieldrin. Neste período dentre os processos e produtos desenvolvidos pelos norte-americanos destacam-se três: o craqueamento catalítico em leito fluidizado. ficando ao fim da guerra. desenvolvendo então um processo de reforma catalítica de hidrocarbonetos leves. para utilizar este processo na produção de gasolina sintética a partir do carvão. Neste período surge a maior realização da Standard Oil of New Jersey. praticamente equiparados à Alemanha no desenvolvimento de indústrias químicas. A esse poliéster deram o nome de “Terylene”. A Alemanha contava com uma posição vantajosa. as nações em litígio foram obrigadas a lançar mão dos seus químicos e engenheiros químicos para sintetizarem e produzirem. e a ICI não sabia o que fazer com estes gases. não só pelo grande número de cientistas e químicos de que dispunha. que muitos desses compostos apresentavam uma persistência residual na natureza. mas sobretudo pela empresa IG Farben. Pesquisas posteriores mostraram. até a presente data.000 toneladas por ano. filiada da Standard Oil of New Jersey desenvolveu e produziu a maior parte da gasolina de avião utilizada pelos Estados Unidos durante a guerra. a ICI faz um acordo de licenças com o cartel que havia financiado as pesquisas do processo Bergius (ao qual pertenciam a Shell holandesa e a IG Farben). enquanto que os Estados Unidos não contavam com a mesma tradição química alemã. seguindo-se de várias outras descobertas como o BHC.129 • • • 1939 a 1945 • • • • ponto de fusão elevado (240 ºC). Texas e Cornell entre outras). os Estados Unidos foram capazes de recuperar o tempo perdido.. a partir de matérias-primas locais. Em 1939. trabalho desenvolvido por Otto Bayer e Peter Kurtz (resinas acrílicas). criando duas unidades de gasolina sintética. formulado pelo MIT e logo seguido por muitas universidades norte-americanas (California Institute of Technology – Caltech. considerado o primeiro inseticida moderno. Em razão do sucesso do processo. Delaware. Purdue. para servir como ponto de partida para a produção de amônia e metanol. Com a impossibilidade de acesso às fontes usuais de matérias-primas. O primeiro processo prático para produção da acrilonitrila a partir do acetileno foi patenteado pela Bayer em 1939. a Alemanha produzia 20. o químico suiço Paul Müller descobriu o DDT. Este processo sintético de produção do metanol a partir de frações leves e gases naturais desenvolvido pela ICI é o mais empregado no mundo. a gasolina de avião e a borracha sintética. Período da 2ª. procurou então desenvolver processos para produzir amônia e metanol. entre outros. inúmeras empresas quiseram licenciá-lo. e clordano. na área de defensivos agrícolas (“crop protection chemicals” ) e após 20 anos de pesquisa. e as de Wisconsin. lindano. enquanto os Estados Unidos produziam 1 tonelada de borracha sintética por dia (planta piloto da Goodyear). Minnesota. No amplo acordo de trocas de Continua (. A Humble Oil Company. entretanto.) . o desenvolvimento do craqueamento catalítico em leito fluidizado. desenvolvimento este que teve uma participação muito ativa da equipe do MIT e que é a base do sistema de refino de petróleo no mundo inteiro. Novos defensivos agrícolas foram então desenvolvidos. os produtos necessários aos esforços de guerra. Guerra Mundial no qual foi promovido um avanço sem precedentes no desenvolvimento da indústria química mundial. benlate.

várias viagens à Alemanha para acompanhar o desenvolvimento da indústria química alemã. o solvente necessário para transformar a poliacrilonitrila em fibra. sabe-se hoje que os trabalhos de Ipatieff foram mais profundos e amplos que os de Sabatier. Neste mesmo ano. Gustav Egloff. também a Union Carbide e a Monsanto a desenvolverem Continua (. fundada em 1915 a partir da Standard Asphalt. em laboratórios próprios ou dos próprios clientes. A borracha sintética seria produzida pela Goodyear.. A produção da borracha sintética a partir do estireno e do butadieno exigia a fabricação de destes insumos. craqueamento de nafta e cloração-deidrocloração de butenos) e álcool etílico obtido por via fermentativa. levaram. pela Union Carbide e pela Koppers. atendendo a uma solicitação do governo britânico para todo o invento descoberto durante a Segunda Guerra Mundial que pudesse ter valor estratégico. O butadieno tinha duas origens distintas: indústria petrolífera (desidrogenação de butenos. foi a partir das informações das patentes alemãs que a Rubber Reserve Company começou o programa de desenvolvimento e produção de borracha sintética nos Estados Unidos. Goodrich. um dos “pais” da catálise. tendo como origem o benzeno que provinha da indústria metalúrgica (preparação do coque). Em função do afastamento de Hans Tropsch. Embora Sabatier tenha ganho o prêmio Nobel por seus trabalhos em catálise.. Acabou convidando em uma dessas ocasiões para trabalhar nos Estados Unidos o cientista Hans Tropsch. tornando-a muito semelhante a lã natural. Durante o período da Segunda Guerra Mundial surgiram nos Estados Unidos muitas empresas de consultoria (algumas já existentes antes da guerra). à base de acrilonitrila. surge de trabalhos independentes desenvolvidos tanto pela Bayer como pela DuPont. além da DuPont. Quando em 1942 os japoneses invadiram a Malásia. químico francês. vinil-piridina e ésteres acrílicos. à base de estireno e butadieno e a Buna N. de 1930.S. Além de consultor da UOP. As propriedades dessa fibra acrílica. imunidade ao ataque de traças e à formação de mofo e sobretudo seu poder de “afofamento” (“bulking power”).130 • • licenças entre a Standard Oil of New Jersey e a IG Farben. sendo possível produzir fibras tendo comonômeros como cloreto de vinila. O estireno seria produzido pela Dow. Em 1941 a fibra de poliéster denominada de “Terylene” foi patenteada pela empresa inglesa Calico Printers Association sob grande segredo. químico chefe do Departamento de Pesquisa da UOP havia feito antes do período da guerra. sobretudo sua grande resistência à luz solar. por motivos de doença. Rubber (depois Uniroyal). sobretudo a parte da síntese de combustíveis a partir do carvão. talvez devido aos esforços de guerra. As investigações sobre as condições da reação de polimerização e a utilização de comonômeros tinham avançado bastante. acabando com o envio de borracha natural para o resto do mundo. que se dispunham a desenvolver novos processos ou melhorar os existentes. denominado “dimetilformamida”. Estranhamente. Ao fim da guerra. a Standard Oil of New Jersey recebeu informações sobre os dois processos alemães de fabricação de borracha sintética: a Buna S. Dentre elas a Universal Oil Products – UOP. Firestone e U. a UOP contrata o cientista russo Vladimir Nicolaevitch Ipatieff. só os norte-americanos tiveram condições de prosseguir com os trabalhos.) . Ipatieff ocupava uma cátedra de química na Northwestern University. ambas as empresas descontinuaram as pesquisas. uma das maiores autoridades em catálise da época e considerado juntamente como Paul Sabatier. um dos cientistas envolvidos na criação da síntese. e que trouxeram uma contribuição notável ao desenvolvimento da indústria química.

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processos para a sua fabricação. Em 1943 J.R. Whinfield, agora trabalhando para o Ministério de Suprimentos, negocia com a ICI a cessão de patentes da Calico Printers Association, ao mesmo tempo em que a ICI deveria desenvolver a tecnologia de fiação no estado de fusão. A ICI foi escolhida não só porque já produzia uma das matérias-primas (o etilenoglicol), mas também porque tinha conhecimento das técnicas de fiação no estado de fusão, conhecimento obtido através de um acordo com a DuPont (Nylon Agreement), feito em 1939. O acordo da Calico com a ICI só foi efetivamente assinado em 1946, e a primeira fábrica de Terylene começou a operar em 1948. A Basf desenvolve um novo processo de produção de polietileno que era fabricado pela ICI em 1935. Nos Estados Unidos a produção de resinas vinílicas, que era pouco superior a 450 toneladas por ano em 1939, saltou para 54 mil toneladas por ano, em 1945. As fábricas atuais de PVC têm capacidade individual de 500 mil e 1 milhão de toneladas por ano. Com o fim da guerra, a Inglaterra resolveu revelar as patentes de inventos considerados estratégicos (e o Terylene foi um deles), dando oportunidade à DuPont de conhecer este invento, agora de propriedade da ICI, idêntico ao que ela mesma havia desenvolvido em 1944. Como as duas companhias tinham um acordo para a cessão de licenças; a DuPont para a produção do polietileno e a ICI para a produção do nylon, a DuPont reconheceu a precedência inglesa na descoberta da fibra de poliéster e acabou negociando com a ICI os direitos de utilização da patente inglesa. A fibra de poliéster tem características que a distinguem do nylon, como a extrema insensibilidade à água depois de estirada a frio, a grande resistência à maioria dos solventes, a possibilidade de imitar a resilência da lã quando “encrespada”, a possibilidade de “reter o vinco” após a lavagem (que foi o seu grande apelo na fase de marketing) e a possibilidade de misturar-se a fibras naturais, sobretudo ao algodão. Além disso, seu contato com a pele é considerado pela maioria das pessoas, como mais agradável que o nylon. De todas as fibras sintéticas, é a de maior produção mundial, correspondendo a aproximadamente 20% da produção da totalidade de fibras (incluindo as naturais e artificiais) nos Estados Unidos e Europa Ocidental e a 40% no Japão. Para entrar no mercado de fibras, a Monsanto, por não ter experiência industrial em processamento de fibras, resolveu fazer uma joint venture com a Amercian Viscose, na época a maior produtora de raion dos Estados Unidos, dando origem a Chemstrand. Como resultado desta parceria, foi montada a fábrica de “Acrilan” (nome dado pela Monsanto para a sua fibra acrílica), a qual inicia as suas operações no início dos anos 50. O produto entretanto apresentava um sério defeito, as fibras rompiam-se quando tensionadas (por exemplo, ao dobrar-se um cotovelo) e aparecia o substrato da fibra que não era tingido. O produto teve que ser recolhido e a Chemstrand quase foi à falência. A partir da década de 50 a indústria química mundial, agora liderada pelos Estados Unidos, passou por um desenvolvimento acelerado, introduzindo no mercado novos polímeros, que vieram a substituir em muitas funções outros materiais como o papel, madeira, vidro e metais. Também no campo das fibras sintéticas o avanço foi notável, em substituição às fibras naturais e às fibras artificiais à base de celulose. No campo dos defensivos agrícolas foram desenvolvidos dezenas de inseticidas, herbicidas e fungicidas. Os polímeros termofixos precederam os termoplásticos, tanto em desenvolvimento como na utilização prática. Continua (...)

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• • • 1952

• 1953 • 1955 1961 • • 1980 • 1995

Como os produtos elaborados com alguns termofixos (como a resina fenolformaldeído) apresentavam odor residual e não podiam ser coloridos, foram desenvolvidas resinas do tipo uréia-formaldeído e melanina-formaldeído, que não tinham cor nem odor residual e podiam receber qualquer cor desejável. A American Cyanamid foi uma das primeiras empresas norte-americanas a produzir essa nova resina, que mais tarde ficou conhecida com o nome de “Fórmica”, ainda hoje muito utilizada. No início da década de 50, Karl Ziegler, do Instituto Max Planck, retorma as experiências realizadas pela IG Farben na produção do polietileno de baixa densidade para produzir o polietileno de alta densidade. A primeira fábrica deste produto foi implantada pela Hoechst, na Alemanha, em 1955. Em 1950, a DuPont construiu a sua primeira fábrica de fibra acrílica (que recebeu o nome de “Orlon”) em Camden, Carolina do Sul. Em 1952, a DuPont constrói uma fábrica de fibra cortada (“staple fiber”), tendo já neste ano, uma capacidade total de produção acrílicas de 17.000 toneladas por ano. Neste mesmo ano, a Union Carbide inaugura a sua fábrica de “Dynel”, fibra acrílica com 40% de acrilonitrila e 60% de cloreto de vinila, tendo capacidade de 3.600 toneladas por ano de fibra cortada. Esta fibra era lavável, não encolhia, podia ser tingida de qualquer cor, aceitava vinco permanente, tinha a textura da lã e custava exatamente a metade do preço da lã. A Bayer instala a primeira fábrica de fibra acrílica na Alemanha, para a produção de fibra cortada. Essa fibra recebeu o nome de “Dralon” e veio a se constituir em um importante produto de exportação da Bayer. A Monsanto retoma as pesquisas de laboratório para resolver os problemas apresentados pelo “Acrilan” em 1949 e o produto pode ser relançado, sem os inconvenientes do primeiro lançamento. A Monsanto compra a participação da American Viscose na Chemstrand e passa a ser a sua única proprietária. Com a introdução dos catalisadores chamados de 2ª. geração para a polimerização de olefinas e do tipo “metalocenos”, o número de tipos de polietilenos e polipropilenos com propriedades físicas e químicas diferentes pode chegar a alguns milhares. A produção mundial de fibras artificiais atinge o volume de 2.350 mil toneladas, correspondente a aproximadamente 6% da produção mundial de fibras, incluindo fibras naturais.

Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999)

O período analisado e apresentado por Wongtschowski (1999) permite a realização de algumas reflexões quanto ao tipo de racionalidade adotado para a expansão da indústria química no mundo, a qual se faz presente nos diferentes segmentos industriais que constituem a sociedade industrial contemporânea. Em razão de sua importância estratégica, a história da indústria química mundial se confunde com a história das duas grandes guerras, onde por meio dos dados apresentados por Wongtschowski (1999), é possível perceber que a indústria química e parte significativa

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das pesquisas científicas desenvolvidas na época passaram a ser amplamente controladas e conduzidas pelos poderes estatal e privado para a satisfação das necessidades militares e concomitantemente, para o atendimento de interesses de mercado. Para Demajorovic (2003, p. 66) a “tecnologia, pesquisa e ciência fundidas em busca da produtividade encontraram no setor químico o terreno ideal para o seu desenvolvimento”. De acordo com o autor:
Não por acaso o setor é denominado ‘indústria baseada em ciência’, cuja principal característica é a contínua inovação propiciada pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento das ciências relacionadas nas universidades ou em outras instituições de pesquisa.(DEMAJOROVIC, 2003, p. 66 e 67)

Desta forma, a lógica da atuação da indústria química orientada para a produtividade, similar a de tantas outras organizações atuantes na sociedade industrial, pode ser associada ao domínio exercido pela racionalidade instrumental sobre a ciência na busca do atingimento de resultados e da obtenção de lucros. É importante ressaltar também que, apesar da indústria química produzir prioritariamente resultados orientados para o atendimento dos interesses estratégicos ou econômicos dos poderes que a controlam, é também responsável por produzir inúmeros benefícios a favor da humanidade. Segundo Wongtschowski (1999), somente no campo de produtos farmacêuticos, o desenvolvimento foi enorme, a começar pela penicilina e toda a família de antibióticos hoje conhecida, dando origem à indústria bioquímica, um campo muito particular da indústria química e que está atravessando uma fase de progresso enorme, através da engenharia genética. Apesar dos benefícios proporcionados à humanidade apresentados pelo autor e de outros aqui não relatados, é importante ressaltar que a maior parte das iniciativas promovidas pela indústria química mundial, a exemplo de outros tipos de organizações que operam sob a lógica econômica, visa atender objetivos econômicos atrelados aos interesses daqueles que a financiam e que dela esperam obter retorno financeiro. Esta constatação pode ser verificada, uma vez que a maior parte dos produtos produzidos

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pela indústria mundial somente estão disponíveis para as parcelas da sociedade que dispõe de recursos financeiros para a sua aquisição. 2.3.2. As Origens da Indústria Química no Brasil

A fabricação de produtos químicos no Brasil se inicia com o processo de colonização do país, com a necessidade primária de produzir localmente os primeiros artigos necessários para viabilizar a fixação dos colonizadores no novo mundo. Já o surgimento e a expansão da indústria química no Brasil segue a mesma lógica da indústria química em outros lugares do mundo, caracterizada pelo interesse econômico do desenvolvimento de uma indústria em solo nacional orientada para o suprimento das demandas locais, para a redução da dependência internacional (importações) e para a ampliação das exportações. Em seu estudo, Wongtschowski (1999) apresenta uma retrospectiva histórica envolvendo fatos relacionados ao surgimento e a expansão da indústria química no Brasil, que possibilitam estabelecer relações diretas desta com a história da indústria química mundial e com a racionalidade adotada pelo processo de expansão da sociedade industrial:

Quadro 7 – Retrospectiva Histórica da Indústria Química no Brasil
Período • Fatos Relevantes Instalação do primeiro engenho de açúcar no país. No final do século XVI a produção anual de açúcar na colônia chegava a 4.500 toneladas, geradas em 117 engenhos, localizados principalmente em Pernambuco e na Bahia. Associada à fabricação de açúcar ocorria a produção de aguardente. O sabão (produzido a partir de cinzas e de sebo de boi ou carneiro), o óxido de cálcio (obtido de sambaquis) e o hidróxido de cálcio foram produtos químicos fabricados desde cedo no País. Corantes de origem vegetal (como pau-brasil, anil, urucu) foram exportados já a partir de 1500-1530 em volumes crescentes. Início da produção de sal em escala comercial. Início da produção de salitre e, mais adiante, de pólvora. Ano em que D. João VI chegou ao Brasil. Neste ano, o Brasil já produzia açúcar, aguardente, sabão, medicamentos, potassa (carbonato de potássio), barrilha (carbonato de sódio), salitre (nitrato de potássio), cloreto de amônio e cal (óxido de cálcio). Produziam-se por extração, sal, drogas medicinais e resinas vegetais. Foram fundadas no País 5 fábricas de pólvora, 30 fábricas de sabões e velas, e 10 fábricas de produtos químicos diversos (medicamentos, potassa, hipoclorito de sódio, tintas e vernizes, graxas de lustro, tintas de escrever e água-de-colônia). Continua (...)

1500 a 1600

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1662 1702

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1808 • 1808 a 1844

135

1881 1883 1887 1889 1893 1894

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1899

1890 1891

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1898

1903

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1905 • • 1911 • • 1912 •

1909

Fundada em Sorocaba, São Paulo, a empresa F. Matarazzo, inicialmente operando no ramo alimentício. Inaugurada em Tremembé, São Paulo, a Companhia de Gaz e Óleos Minerais, primeira fábrica de ácido sufúrico. Inaugurada no Rio de Janeiro, a Companhia de Ácidos para produção de ácido sufúrico. Inaugurada em Maraú, Bahia, a John Grant & Co. para produção de ácido sufúrico. Foi fundada em São Paulo a indústria Dierberger Óleos Essenciais, voltada para a produção de produtos químicos e essências (existente até os dias atuais). Fundada em São Paulo a firma Queiroz, Moura e Companhia para a produção de ácidos e produtos químicos. Quando da Proclamação da República, o Brasil já possuía indústrias nas áreas de extração mineral, vegetal e animal, indústria siderúrgica, de papel, de vidro, de cimento, de sabões e velas e de adubos e inseticidas. Em termos de fabricação de produtos químicos, existiam inorgânicos de síntese (hipoclorito de sódio, carbonato de potássio, cloro, ácidos clorídrico e nítrico, iodeto de potássio, iodeto de ferro, cloreto mercuroso, bissulfato de cálcio, hipofosfito de cálcio, nitrato de prata, iodeto de chumbo, carbonato básico de chumbo e sulftato de magnésio) e produtos orgânicos (clorofórmio, éter dietílico, nitrato de etila, ácido tartárico e tartaratos, ácido acético e acetatos, ácido nítrico e citratos, ácido láctico e lactatos, iodofórmio, nitrocelulose e glicerina). Constituição da Companhia Melhoramentos de São Paulo para a implantação de uma fábrica de papel em Caieiras, São Paulo. Constituição da Companhia Antártica Paulista em São Paulo, para a produção de cervejas e bebidas em geral. Fundada em São Paulo a S.A. Fábricas Orion, para a produção de artefatos de borracha. Neste mesmo ano, foi consituída em São Paulo a Companhia Química Duas Âncoras, para a produção de cêras para assoalhos, pastas para calçados e saponáceos, e que ficou conhecida posteriormente pelo seu agressivo marketing de “Cito, Póx e Parquetina”. Inauguração da Companhia Vidraria Sta. Marina, pertencente ao grupo francês St. Gobain. Fundação em Santos, São Paulo, do Moinho Santista, empresa pertencente ao grupo multinacional argentino Bunge, que posteriormente implantou um respeitável conjunto de indústrias químicas no país: Sanbra (1934), Quimbrasil (1936), Serrana (1938) e Tintas Coral (fundada em 1654 e vendida para a ICI em 1996). Inauguração da fábrica do Ministério da Guerra, em Piquete, São Paulo, para a produção de ácido sulfúrico, ácido nítrico, pólvora e explosivos. Sob o nome de S.A. Indústrias Reunidas F. Matarazzo, muda-se para São Paulo, onde implanta uma moagem de trigo. Essa empresa foi responsável posteriormente, pela implantação de um grande parque industrial de fábricas químicas: óleos e gorduras (1920), raion-viscose (1924), pequena refinaria de petróleo (1936) e ácido nítrico (1942). Criação da Bayer do Brasil sob o nome de Frederico Bayer & Companhia, pertencente à Bayer da Alemanha. Criação da Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio em 1912, pertencente ao grupo belga Solvay. Criação da S.A. White-Martins, posteriormente pertencente à Union Carbide dos Estados Unidos. Continua (...)

136

1914 a 1918

• •

1918

1919 1951 1919 a 1939

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Período da Primeira Guerra Mundial. A indústria química brasileira ressentiu-se muito da ausência de matérias-primas, quase todas importadas. Várias indústrias surgiram neste período, sendo importante ressaltar a S.A. Indústria Votorantim (1918) em Sorocaba, para a produção de cerâmica e que deu origem ao grupo Votorantim, bastante forte no campo das indústrias químicas, entre as quais destaca-se a Nitro Química em São Miguel Paulista, São Paulo (1935). Fundação da Companhia Aga de Gás Acumulado, no Rio de Janeiro em 1915, para a produção de acitileno (pertence ao grupo sueco Aga). Pelo Decreto Legislativo nº. 3216 de 16/08/1917 o governo oferecia vantagens a quem em concorrência pública se propusesse a estabelecer a indústria de fabricação, em larga escala, de soda cáustica, a fim de atender as necessidades das fábricas de tecidos, de sabão e outros artigos. Essa fábrica só veio a surgir em 1945, quando a multinacional Solvay iniciou a sua implantação, no Alto da Serra do Mar, na parada Elclor, município de Santo André, de uma fábrica de cloro e soda. A empresa Queiroz, Moura e Companhia, que a partir de 1912 passou a se chamar Sociedade de Produtos Químicos L. Queiroz, já possuía quatro estabelecimentos industriais: fábrica de pólvora na estação de Sabaúna, fábrica de sulfeto de carbono na estação de São Caetano, fábricas de ácido sulfúrico, ácido clorídrico, salitre, sulfeto de carbono, amoníaco, adubos polysu, superfosfatos e sulfato de sódio na estação Barra Funda e drogaria Americana na Alameda Cleveland. Atualmente atua sobre a denominação de Elekeiroz S. A., com fábrica na cidade de Várzea Paulista, São Paulo. Criação da Companhia Química Rhodia Brasileira, pertencente ao grupo francês Rhône-Poulenc. A Geon do Brasil em associação com a norte-americana BF Goodrich inauguram uma fábrica para produção de PVC. São Paulo: Kodak Brasileira Com. Ind. Ltda. (1920) e Hélios S.A. Ind. e Com. (1922).

Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999)

De acordo com Wongtschowski (1999), no período entre as duas grandes guerras (1919 a 1939), o Brasil assistiu a um crescimento contínuo de sua indústria química, condizente com o desenvolvimento dos outros ramos da indústria, visando a substituição de produtos químicos até então importados. Neste mesmo período, empresas originadas de grupos multinacionais vieram a se instalar no País, conforme demonstrado no quadro 8:

Quadro 8 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1920 e 1939
Ano de Fundação 1920 1921 Nome da Empresa Kodak Brasileira Com. Ind. Ltda. Usina Colombina Município da Unidade Fabril São Paulo (SP) São Caetano (SP) Produtos Produtos para Fotografia Ácido Sulfúrico e Produtos Químicos Diversos Continua (...)

Nitro Química Brasileira Refinaria Ipiranga Cia. e Com. Ind.A. Inbra S. Hélios S.A. as quais eram até então. Dextrinas. Fitas para Máquina de Escrever Cerâmica Cabos e Condutores Elétricos. a indústria química brasileira foi privada de sua fonte de matérias-primas importadas. Eletro-Chimica Fluminense Indústrias Matarazzo de Energia S. Óleos. Merck S.A.A. Tintas e Pigmentos Cia.A. Brasileira Rhodiaceta. Papel Carbono. Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Cia. Fiat Lux de Fósforos de Segurança Indústrias Irmãos Lever Refinações de Milho Brasil Cia. Pneus e Artigos de Borracha Produtos Químicos e Farmacêuticos Raion-viscose Anilinas Cimento Cerâmicas Produtos Químicos Diversos Fósforos Sabões e Sabonetes Amidos.A. Artigos de Borracha Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999. Curtume Carioca Div. abundantes e relativamente . Fábrica de Raion Destilaria Sul Riograndense Globo S. DuPont do Brasil S. Reunidas F.A.A. Inds. João Jorge Figueiredo S. E Ind. Cia. Ácido Nítrico. ENIA Cia. p. Câmaras de Ar. Glicose.A.137 1921 1921 1922 1923 1923 1923 1924 1924 1925 1926 1928 1928 1929 1929 1929 1932 1935 1935 1936 1936 1936 1937 1939 1939 1939 S. Química Esso Química S. Cerâmica Mauá Pirelli S. Artigos de Borracha Pneus. Outros Produtos Derivados do Milho Ácido acético. Firestone do Brasil Rio de Janeiro (RJ) Rio de Janeiro (RJ) São Paulo (SP) Mauá (SP) Santo André (SP) Rio de Janeiro (RJ) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Caieiras (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Santo André (SP) Uruguaiana (RS) Mauá (SP) São Miguel (SP) Rio Grande (RS) Alcântara (RJ) São Caetano (SP) Barra Mansa (RJ) Diadema (SP) São Paulo (SP) Santo André (SP) Produtos Químicos para Curtume Produtos Derivados de Petróleo Tintas de Escrever. 76 e 77) De acordo com Wongtschowski (1999) em função da deflagração da Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945). raion acetato Refinaria de Petróleo Pigmentos e Óxidos de Ferro Ácido Sulfúrico. Inds. Nacional Indústria de Anilinas S. anidrido acético. Químicas Cia. ICI do Brasil Cia. Inds. Brasileira de Cimento Portland Perus Com. Fio de Raion Refinaria de Petróleo Soda Cáustica e Cloro Refinaria de Petróleo Produtos Químicos Diversos Produtos Químicos Diversos Pneus. Matarazzo Estabelec.A. Químicas S.A. Câmaras de Ar.A.

de Tintas e Vernizes “Super” Inds.A. E. Cloro. Reunidas Matarazzo S. Brasileira de Alumínio Fábrica de Pólvora do Ministério da Guerra Ind. Peróxido de Hidrogênio (Água Oxigenada) e Ácido Oxálico 1945 Ind. Para o autor este período serviu para que fosse estabelecida a convicção entre o empresariado e técnicos do setor quanto à necessidade de estabelecer as bases definitivas da indústria química brasileira ao invés de promover a substituição de matérias-primas em situações emergenciais. Segundo Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999). S. criou-se nessa época uma mentalidade orientada para o improviso. Química Mantiqueira Lorena (SP) Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999. Squibb e Sons do Brasil Ind. com resultados econômicos. Ind.138 baratas. O quadro 9 apresenta as iniciativas surgidas no período: Quadro 9 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1940 e 1945 Ano de Fundação 1941 1941 1941 1942 1942 1942 1943 1943 1944 1945 1945 Nome da Empresa Ind. carvão combustível por torta de algodão. Químicas Eletrocloro S. Químicos Alca Ltda. p. Química Anastácio S. Ind.A. Cia. – Elclor Município da Unidade Fabril São Paulo (SP) Sorocaba (SP) Piquete (SP) Itapira (SP) Comendador Ermelino (SP) Sta. duvidosos: enxofre importado por piritas brasileiras.R. muitas vezes.A. Pólvoras e Explosivos Ácido Láctico. Andrade Latorre S. Sulfato de Alumínio Ácido Sulfúrico. Estearina e Glicerina Ácido Sulfúrico. extrair sais de potássio das cinzas da torta de algodão. de Prod. Ácido Nítrico. Lactato de Etila Película Transparente de Viscose (Papel Celofane) Ácido Cítrico Benzeno. Reunidas Matarazzo Societé Anonyme du Gaz de Rio de Janeiro Inds. Tolueno e Xileno Fósforos e Clorato de Potássio Produtos Farmacêuticos e Penicilina Tintas e Vernizes Soda Cáustica. devido à enorme concorrência que faziam entre si as empresas IG Farben (Alemanha) e ICI (Inglaterra) pela conquista de novos mercados.A. numa tentativa de suprir a ausência das matérias-primas importadas por substitutas nacionais.A. 79) . Hipoclorito de Sódio Explosivos. Rosa de Viterbo (SP) Rio de Janeiro (RJ) Jundiaí (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) Santo André(SP) Produtos Ácidos Graxos. Ácido Clorídico . Lactato de Cálcio.

Siderúrgica Nacional Município da Unidade Fabril Rio de Janeiro (RJ) Volta Redonda (RJ) Produtos Moldados de Resina FenolFormaldeído Alcatrões. Inds. e Com. Segundo o autor. Maléicas e Fenólicas. Óleo de Creosoto e Piche Colódio (Dinitrocelulose). Adesivos e Laticícios Brasil-América Ceralit S. Amônia. Óleos. essa unidade iniciou suas atividades em 1957. Glicerina Resinas Alquidicas. No quadro 10. pela Petrobrás. Farmacêuticas FontouraWyeth S.A. ambas em Cubatão e próximas à Refinaria. BTX. São Paulo. Ind. anexa a Refinaria de Cubatão.A.) 1947 Nitro Química Alba S. abastecendo de eteno as unidades de estireno da Companhia Brasileira de Estireno e de polietileno de baixa densidade da Union Carbide. Chapas Rígidas. Naftalenos. Nitrocelulose para Explosivos Polietileno de Baixa Densidade Película Transparente de Viscose (Papel Celofane) Folhas. Bakol S.A. Anidrido Maléico e Resina de Poliéster em 1956 Ácido Sulfúrico. Ind.A. Ácido Nítrico. São Miguel (SP) 1947 1947 Curitiba (PR) São Paulo (SP) 1948 Resana S. S. Sais de Ácidos Graxos.139 No período posterior a Segunda Guerra Mundial novos empreendimentos foram inaugurados. Cia.A. Indústrias Votorantim Vulcan Artefatos de Borracha e Material Plástico S.A. e Chapas Flexíveis de Material Vinílico Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Essências e Aromas Produtos Farmacêuticos Produtos Farmacêuticos Continua (. Químicas São Bernardo (SP) 1948 1948 1948 1948 1949 1949 1949 1949 Indústrias Químicas Brasileiras Duperial Union Carbide do Brasil S. Elekeiroz Cia..A. Antraceno.A. Barra Mansa (RJ) Cubatão (SP) Sorocaba (SP) Mogi das Cruzes (SP) Várzea Paulista (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São Paulo (SP) . Nitrocelulose Industrial e Nitrocelulose para Pólvora (Trinitrocelulose) Formol e Hexametilenotetramina Ácidos Graxos. de uma unidade de recuperação e purificação de eteno contido nos gases residuais. e Com. Brasileira Givaudan Inds.A.. De acordo com Wongtschowski (1999) merece destaque o início da instalação em 1955. são apresentadas as indústrias químicas instaladas no Brasil entre 1946 e 1959: Quadro 10 – Empresas Químicas Instaladas no Brasil entre 1946 e 1959 Ano de Fundação 1946 1946 Nome da Empresa De La Rue Plásticos do Brasil S.

de Tintas e Vernizes R. Químicas Eletro Cloro S.A. Químicas Elekeiroz Rhodia Rilsan Brasileira S. Alba S. Inds.A. Câmaras e Artigos de Borracha Refinaria de Petróleo Refinaria de Petróleo Continua (. Ácido Acético e Acetona Resinas Fenólicas.A. Compostos de Tório e Urânio Pneus. Reunidas F.. Brascola Ltda. Anidrido Acético e Acetatos Rilsan (Fibra de Poliamida de Classe do Nylon) Amônia Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Soda Cáustica e Cloro Carbeto de Silício (Abrasivo) e Óxido de Alumínio (Coridón Artificial) Pesticida Benzeno Hexaclorado Poliestireno Estireno Butanol por via Fermentativa. Ind. Eletroquímica Fluminense Carborundum S.A. Matarazzo Refinaria Nacional de Petróleo S.A. Silicato de Zircônio. Reunidas F.A.A. Refinaria e Exploração de Petróleo União S.A. S.A.) 1953 1953 1953 1954 1954 1954 1954 1954 1954 Cia.A.A. Brasileira de Estireno Usina Victor Sence S. Refinaria de Petróleo Manguinhos S. Nitro Química Matarazzo Orquima Inds. Brasileira de Plásticos Koppers Cia. Inds. Químicas Cia.A.A. São Paulo (SP) Americana (SP) São Bernardo (SP) São Miguel (SP) São Caetano (SP) São Paulo (SP) Campinas (SP) Rio de Janeiro (RJ) Capuava (SP) . Cia.A. Fongra Prods. Brasileira de Abrasivos Inds. Montesanto Fiação Brasileira de Raion “Fibra” S.140 1949 1949 1950 1950 1950 1950 1950 1951 1951 1951 1951 1951 1951 1952 1953 1953 1953 1953 1953 1953 1953 Plásticos Plavinil S. Químicas Reunidas S. de Superfosfatos e Produtos Químicos Pan-Americana S. Maléicas. Acetato de Butila. Dunlop do Brasil S. Matarazzo Bristol-Labor S. Rhodia Quimbrasil Cia.A. Inds. Químicos S. São Paulo (SP) Suzano (SP) São Caetano (SP) São Paulo (SP) São Caetano (SP) Mataripe (BA) Cubatão (SP) São Paulo (SP) Capuava (SP) Rio de Janeiro (RJ) Várzea Paulista (SP) Santo André (SP) Osasco (SP) Santo André (SP) Santo André (SP) Alcântara (RJ) Salto (SP) Santo André (SP) São Bernardo (SP) Cubatão (SP) Campos (RJ) Filmes de Material Vinílico Produtos Químicos Diversos Soda Cáustica e Cloro Produtos Farmacêuticos Pesticida Benzeno Hexaclorado Refinaria de Petróleo Metanol Ácido Sulfúrico e Dióxido de Titânio Ácido Sulfúrico e Superfosfatos Soda Cáustica e Cloro Anidrido Ftálico e Ftalatos Ácido Acético. Alquídicas e Copais Raion-Viscose Adesivos e Colas Soda Cáustica e Cloro Sulfeto de Sódio Cloreto de Cério. Química Industrial – CIL Cia. Inds.A..

de Petróleo da Amazônia S. Rhodia Fábrica de Fertilizantes de Cubatão (FAFER) – Petrobrás Quimbrasil São Miguel (SP) Santo André (SP) Mauá (SP) São Caetano (SP) Campinas (SP) São Caetano (SP) Cubatão (SP) São Caetano (SP) Cubatão (SP) Guaratinguetá (SP) Rio Claro (SP) São José dos Campos (SP) Santo André (SP) Manaus (AM) São Paulo (SP) Campinas (SP) Cubatão (SP) Santo André (SP) Ácido Sulfúrico Pigmentos Inorgânicos Óxido de Zinco Carbeto de Cálcio Ácido Acético. Esmaltes. São Paulo).A. Antoine Chiris Ltda. Químicas S. Inds. Petrobrás Cia.A. Petróleo Brasileiro S. Anidrido Acético.141 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1955 1956 1956 1956 1956 1957 1957 1958 1959 Nitro Química Quimbrasil Ind. Lacas e Vernizes Cia. Brasileira de Pigmentos S.A. Ácido Fórmico e Formiatos Raion-viscose Resinas Sintéticas em Geral. Matarazzo Rhodia Quimbrasil Cia. proprietário da Refinaria União em Santo André. Fábrica de Tintas. de Produtos Químicos Idrongal Anilinas Holandesas do Brasil S.A. Coral S. 80 – 83) Segundo Demajorovic (2003) a estratégia de ampliação da produção de químicos foi assegurada com a construção de gigantescas unidades produtivas a partir da década de 1960. Acetatos. p. quando as companhias de petróleo passaram a produzir petroquímicos. Álcool Isopropílico Fenotiazina Negro de Fumo Resinas Acrílicas Refinaria de Petróleo Produtos Químicos Diversos Anilina. depois de duas tentativas frustradas de parceria com as empresas norteamericanas Gulf Oil Corporation e Phillips Petroleum. Rhodosá de Raion S. De acordo com Wongtschowski (1999). O projeto somente pode ser .A. Petroquímica Brasileira Copebrás Brasitex – Polimer Ind. com a criação dos três pólos petroquímicos: de São Paulo (1972). Indústria e Comércio Cia. Reunidas F. a grande arrancada e consolidação da indústria química brasileira ocorreu a partir desta década. O autor menciona alguns dados sobre constituição dos pólos e sobre as primeiras empresas que participaram de suas constituições: a) Pólo Petroquímico de São Paulo: surgiu da iniciativa da indústria privada nacional (Grupo Soares Sampaio. Tintas e Vernizes Refinaria de Petróleo Essências e Aromas Acetato de Polivilina Amônia. Ácido Nítrico e Fertilizantes Nitrogenados Fenol Fonte: Adaptado de Santa Rosa citado por Wongtschowski (1999.A. do Nordeste (1978) e do Sul (1982).A.

e Com. por força da Lei 2004 que a criou. Brasileira de Estireno Union Carbide do Brasil Eletroteno Inds. Rhodia Inds. p.A.A. o estudo encomendado pelo Conder – Conselho de Desenvolvimento do Recôncavo (empresa estatal da Bahia) a Clan – Consultoria e Planejamento recomendava a instalação do segundo pólo petroquímico na Bahia. Poliolefinas S.891 de 28/12/1967. Em 1969. Ind. Químicas e Têxteis S. Pxileno. A Lei 2004 foi revogada pela Lei 9478 de 06/08/1997.A. Butadieno. o que não era permitido à Petrobrás. O-xileno. No pólo petroquímico de São Paulo foram inicialmente instaladas as empresas apresentadas no quadro 11: Quadro 11 – Pólo Petroquímico de São Paulo Nome da Empresa Petroquímica União Ltda. 30 . Brasivil Resinas Vinílicas S. Tolueno.A. Benzeno. por meio de participações societárias em empresas do setor. que criou a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Plásticas S.142 realizado com a participação da então recém criada Petroquisa30. Propeno. 85) b) Pólo Petroquímico do Nordeste: surgiu na necessidade de expansão da produção brasileira de petroquímicos e da decisão pela implantação do segundo pólo petroquímico brasileiro. Município da Unidade Fabril Santo André (SP) Produtos Eteno. para desenvolver e consolidar a indústria química e petroquímica no Brasil. Copamo – Consórcio Paulista de Monômeros Ltda. Mistura de Xilenos e Resíduo Aromático Monômero de Cloreto de Vinila Polietileno de Baixa Densidade Cloreto de Polivinila Fenol Óxido de Eteno Tetrâmero de Propeno e Cumeno Estireno Expansão da Unidade de Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Alta Densidade Santo André (SP) Mauá (SP) Santo André (SP) Paulínia (SP) Mauá (SP) Mauá (SP) Cubatão (SP) Cubatão (SP) Santo André (SP) Fonte: Adaptado de ABIQUIM citado por Wongtschowski (1999. Com base em uma decisão política. e Com. Empresa Brasileira de Tetrâmero Cia. no lugar da ampliação do pólo petroquímico de São Paulo. o General e então Presidente da República Emílio Medici. sendo mais tarde regulamentada pelo Decreto 2455 de 15/01/98. Ind. De acordo com Wongtschowski (1999) a Petroquisa foi criada pelo decreto 61.A. Oxiteno S. mesmo minoritariamente.

Propeno. nos mesmos moldes da criação da Copene e para exercer a mesma função. em níveis equivalentes a um novo pólo. Benzeno e Tolueno Octano. p.143 oficializou a localização do segundo pólo em Camaçari. 86 – 87) c) Pólo Petroquímico do Sul: em 1975. é criada a Companhia Petroquímica do Sul Ltda. Butadieno. Para a criação do pólo. apesar do pólo petroquímico paulista já se encontrar em plena atividade e do pólo do nordeste estar em construção. Em 1976. Neste pólo foram instaladas as seguintes empresas: Quadro 12 – Pólo Petroquímico do Nordeste Nome da Empresa Copene Ciquine Petroquímica Ciquine Química Fisiba Melamina Ultra Metanor Nitrocarbono Pronor Acrinor Cobafi Copenor Cia. Etanolaminas e Ésteres Glicólicos Polietileno de Alta Densidade Polipropileno Polietileno de Baixa Densidade Fonte: Adaptado de Suarez e ABIQUIM citados por Wongtschowski (1999. P-xileno. no município de Triunfo. a qual seria responsável pelo fornecimento de Nafta. Para implantar a Central de Matérias-Primas a Petroquisa cria a Companhia Petroquímica do Nordeste – Copene (1972). a Petroquisa ficou responsável pelo projeto da Central de Matérias-Primas e pela criação de estímulos para a implantação de unidades de segunda geração. próximo à Refinaria Alberto Pasqualini. Em função destas estimativas. previsões de órgãos federais apontavam para a falta de produtos petroquímicos em 1981 e 1982. decisão confirmada pela Resolução 02/70 do CDI em 21/07/1970. Poliestireno e Tolueno Tolueno Diisocianato Óxido de Eteno. O-xileno. é definida a sua localização no Rio Grande do Sul. Hexametilenotetramina. Etileno-glicóis. Butanol e Isobutanol Andrido Ftálico. Anidrido Maléico e Plastificantes Ftálicos Fibras Acrílicas Melamina Metanol Caprolactama e Sulfato de Amônio Dimetilereftalato Acrilonitrila e Ácido Cianídrico Tecido de Cordonéis de Nylon e de Poliéster Formaldeído. – Copesul. Mistura de Xilenos. O quadro . Petroquímica de Camaçari – CPC Deten Estireno do Nordeste EDN Isocianatos Oxiteno Nordeste Polialden Polipropileno Politeno Produtos Eteno. Pentaeritritol e Formiato de Sódio Monômero de Cloreto de Vinila e Cloreto de Polivinila Alquibenzeno Linear Estireno.

Propeno. por se tratarem de gases. De acordo com o autor. Bahia e Rio Grande do Sul. Para Wongtschowski (1999) foi a partir da experiência de criação do Pólo Petroquímico do Nordeste que se consolidou o sistema dos “terços” ou “tripartite” 31 anteriormente adotado pela Petroquisa para a criação do pólo paulista. Benzeno e Xilenos Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Baixa Densidade Polietileno de Alta Densidade Polipropileno Etibenzeno.144 abaixo apresenta as empresas instaladas no pólo em seus primeiros anos de atuação: Quadro 13 – Pólo Petroquímico do Sul Nome da Empresa Copesul Poliolefinas Petroquímica Triunfo Polisul PPH Petroflex Produtos Eteno. Nakano (2007) menciona que o setor petroquímico brasileiro se originou de uma iniciativa do governo federal. p. um terço com uma empresa estatal nacional (em geral a própria Petroquisa) e um terço 31 Segundo Wongtschowski (1999). Borracha Estireno-Butadieno Fonte: Adaptado de ABIQUIM citado por Wongtschowski (1999. o capital estrangeiro através do aporte de tecnologia e o capital público. uma vez que tanto o eteno e o propeno. por meio da adoção do sistema “tripartite” ficavam resguardados dois aspectos importantes no entendimento do governo federal: maioria do capital nas mãos da iniciativa privada (sócio privado nacional mais sócio privado estrangeiro) e maioria do capital nacional (sócio privado nacional mais sócio estatal nacional) . 88) Para Nakano (2007) a formação de pólos consolidou-se como uma característica do setor. são mais facilmente transportados por dutos. que na década de 1960 criou o Grupo Executivo da Indústria Química (GEIQUIM). responsável pela elaboração dos planos que culminaram na implantação dos pólos de São Paulo. Neste sistema cada empresa teria um terço do seu capital nas mãos da iniciativa privada nacional. Por meio da elaboração destes planos foi implantado um modelo que envolvia três elementos em sua composição societária: o capital privado nacional. Butadieno. esta situação determina que as indústrias de primeira e segunda gerações se localizem em aglomerados.

por iniciativa do grupo Ultra em associação com a Phillips Petroleum norte-americana. Produção de ácido sulfúrico. O autor revela um dado interessante sobre a indústria de cloro e soda cáustica quando menciona que diferentes estágios de desenvolvimento de um país podem determinar que apenas a soda cáustica apresente interesse comercial (caso do Brasil na primeira metade do século) ou que apenas o cloro e seus derivados apresentem potencial de interesse.. Wongtschowski (1999) menciona que outros tipos de indústrias químicas atingiram um notável desenvolvimento no Brasil entre as décadas de 1960 e 1990: fertilizantes32. Além da indústria petroquímica. química fina e alcoolquímica. foi desfeito na década de 1980 por um grande número de empresas que o integravam.145 com uma empresa privada estrangeira (em geral fornecedora do conhecimento necessário para a implantação dos processos). Implantação em 1978 da Valefértil em Uberaba. já no pólo paulista. a indústria química sofreu um desenvolvimento notável a partir da década de 1960. com destaque para o Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola. para a produção de amônia a partir dos gases da Refinaria Presidente Bernardes. 33 Segundo Wongtschowski (1999) este tipo de indústria caracteriza-se pela produção simultânea de cloro e soda cáustica. pois gera um produto sem valor comercial e de difícil descarte em termos ecologicamente aceitáveis. mas de maneira mais completa no pólo baiano.. O autor considera que em ambos os casos a indústria de cloro e soda cáustica é prejudicada. ácido fosfórico. Wongtschowski (1999) menciona que o modelo tripartite de participação acionária adotado pelas indústrias petroquímicas. Implantação em 1965 da Ultrafértil com um complexo de fertilizantes em Cubatão (São Paulo). o crescimento da produção de fertilizantes foi de 8. parte das empresas multinacionais. 32 . cloro e soda cáustica33. ácido nítrico. já que é resultante da eletrólise de uma salmoura de cloreto de sódio. definido pelo Governo Federal em 1974. nitrato de amônio. O sal para a elaboração da salmoura tanto pode provir de minas subterrâneas (sal-gema).) • De acordo com Wongtschowski (1999). Minas Gerais. em geral detentoras de um terço do capital votante e fornecedoras do conhecimento necessário para a implantação dos processos resolveu vender sua participação aos acionistas brasileiros (privado e estatal). No quadro abaixo são apresentados alguns dados relevantes apresentados pelo autor sobre estas indústrias: Quadro 14 – Indústria Químicas por Tipo de Indústria Tipo de Indústria • • Fertilizantes • Fatos Relevantes Entre 1960 e 1994. com um complexo de grande porte para a produção de ácido Continua (.3% ao ano. como de salinas que evaporam água do mar (sal marinho). fosfato de diamônio e NPK. em 1965. Segundo o autor.

em Cabo. catalisadores. Criada para preencher uma das lacunas em termos de disponibilidade de produtos fabricados no Brasil como defensivos agrícolas. 1963 – fundação da Carbocloro em Cubatão. fosfato de monoamônio e fertilizantes granulados. fármacos. em Tapira e Patos de Minas. Minas Gerais.. aditivos. Em 1978. 45 eram estrangeiros e 5 nacionais. Precedeu a petroquímica em quarenta anos. Entre os 50 maiores laboratórios responsáveis por 80% da produção. 520 eram nacionais e 80 eram estrangeiros. e Araxá. butanol e acetona na Usina Victor Sence e eteno na Eletroteno (Solvay) e Union Carbide. Nitroclor. Ceme. A unidade de butadieno permaneceu desativada até o início da década de Continua (. um estudo conjunto realizado pela Secretaria de Tecnologia Industrial.146 • • • • • • • • • Cloro e Soda Cáustica • • Química Fina • • • • Alcoolquímica • sulfúrico. 1977 – fundação da Dow Química em Candeias. (Norquisa). entre outras. Suarez citado por Wongtschowski (1999) cita que 1982. Basf Química da Bahia. São Paulo. por iniciativa da Companhia Base do Rio Doce. corantes. 1972 – fundação da Companhia Química do Recôncavo em Camaçari. originalmente pela Petromin. Fibase. Ceped e Petroquisa apontou para uma série de intermediários que poderiam ser produzidos no país.) . Minas Gerais. Policarbonatos. Desenvolvimento e exploração das jazidas de fosfatos nacionais – em Jacupiranga. Carbonor. 1951 – fundação da Pan-Americana no Rio de Janeiro. originalmente da Metago (empresa do governo estadual de Goiás) e atualmente exploradas pela Copebrás e Ultrafértil. Secretaria de Minas e Energia da Bahia. CDI. Bahia. Ciquine Química. Em 1980 foi criada a Nordeste Química S. aromatizantes e flavorizantes. Sergipe. Desenvolvimento e exploração das jazidas de sais de potássio (silvinita e carnalita) de Taquari-Vassouras. fertilizantes fosfatados de alta e baixa concentração. A fusão destas duas empresas originou a Trikem em 1996. Na década de 1960 o País já produzia derivados acéticos a partir do etanol. na Rhodia e na Fongra (posteriormente adquirida pela Hoechst).. pela Serrana (pertencente ao grupo argentino Bunge). CibaGeigy do Brasil. São Paulo. São Paulo. Bahia. que viria a desempenhar para as indústrias de Química Fina o mesmo papel que a Petroquisa desempenhou para as indústrias de 2ª. geração do pólo baiano. dos 600 laboratórios produzindo fármacos e intermediários para a indústria farmacêutica.A. Entre as empresas pioneiras da indústria da química fina brasileira encontram-se: Norquisa. o éter dietílico e o ácido acético a partir do etanol. ácido fosfórico. produziu polibutadieno com butadieno obtido a partir do etanol. Entre 1965 e 1971 a Coperbo. 1948 – fundação da Eletrocloro (Solvay) em Santo André. pigmentos. que depois tornou-se Petromisa (Petrobrás) e atualmente arrendada à Companhia Vale do Rio Doce. Enia. 1977 – fundação da Salgema em Maceió (Alagoas) e Companhia Petroquímica de Camaçari em Camaçari (Bahia). Na década de 1920 a Rhodia produzia o cloreto de etila (para o lança-perfume). SmithKline do Nordeste. Pernambuco.

localizada ao lado da Coperbo.. Para os produtos que alternativamente também podiam ser produzidos pro rota petroquímica (eteno. Estes produtos foram utilizados pela Companhia Álcoolquímica Nacional. Para a indústria química o governo resolveu subsidiar a produção de álcool daqueles derivados orgânicos que pudessem ser produzidos alternativamente por rota petroquímica. os diferentes tipos de indústrias químicas sofreram os efeitos decorrentes da abertura de mercado. acetato de vinila) o preço do litro do álcool seria correspondente a 100% do preço FOB do litro da nafta. o governo federal retira a sua participação nas empresas.813 de 16/11/82 definiu a sistemática para a fixação do preço do álcool destinado à indústria química. O processo de desestatização empreendido pelo governo federal após 1990 levou à saída da Petroquisa de praticamente todas as empresas. óxido de eteno. Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999) De acordo com Wongtschowski (1999). gerido pela Comissão Nacional do Álcool. o Brasil passou a buscar fontes alternativas de matérias-primas visando a redução da dependência do petróleo importado. em Igarassú. Para os produtos sem rota petroquímica alternativa (éteres glicólicos. mantendo-se nas centrais petroquímicas – Continua (. O quadro 15 apresenta algumas destas informações: Quadro 15 – Fatos Ocorridos com a Indústria Química na Década de 1990 Tipo de Indústria • Petroquímica • Fatos Relevantes Na década de 1990 a indústria petroquímica sofreu fortemente com a abertura comercial e a simultânea redução dos preços dos seus produtos no mercado internacional no período de 1990 a 1994. mesma época em que. a partir do etanol. a partir da década de 1990.147 • • • • • • 1980. de desestatização e ampliação dos níveis de exigência da legislação ambiental. quando foi modificada para permitir a produção de aldeído acético e eteno a partir do etanol. para a produção de acetato de vinila monômero. segundo Nakano (2007). o eteno petroquímico tornou-se disponível. iniciando-se uma competição entre o eteno derivado do etanol e o derivado da nafta. O Decreto Lei 87. Em 1973.) . aldeído acético. Em 1969 a Eleikeiroz do Nordeste iniciou a produção de 2-etilhexanol. Em 1982 o preço do etanol destinado às indústrias alcoolquímicas passou a ser equiparado ao preço da nafta petroquímica. Na década de 1970. etilaminas) o preço do litro do álcool seria correspondente a 170% do preço FOB do litro de nafta. com a entrada em operação da Petroquímica União (1972) e da Copene (1978).. Pernambuco. com a crise do petróleo. Em 1975 foi criado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). ácido acético. dicloroetano.

incluindo a desestatização da Petrofértil e o Decreto 99.5% do valor da receita líquida. Os outros 50% foram adquiridos pela Fertibrás. passou a ser controlada por quatro dos principais grupos privados nacionais (Oderbrecht. a divisão de fertilizantes da Elekeiroz e consolidou seu controle sobre a Arafértil. a Norquisa. Em 1998.. Copene e Unipar e a Politeno pela Conepar. e a Polibrasil entre Shell e Suzano. Antes do Plano Nacional de Desestatização (PND). mediante pagamento de royalties de 2. Nitrocarbono. à Petrobrás. Vale lembrar que a Fosfértil detém praticamente 100% do controle acionário da Ultrafértil. comprou a Fertisul.64%). Oxiteno e Unigel. Nitriflex. No caso da Copene o controlador. a terem um controlador único. Companhia Brasileira de Estireno. Manah e Banco América do Sul. Fosfértil (77. Mariani). Neste processo a Petroquisa foi substituída. Estireno do Nordeste. Ipiranga Petroquímica. além de adquirir 50% da Indústria de Fertilizantes de Cubatão.33%). em todos os casos. Indústria e Comércio.031 de 12/04/90 e o Decreto 99. Ultrafértil (100%) e Arafértil (33. a PQU entre Unipar.226 de 27/04/90 que dissolvia a Petromisa. Ultra. por um prazo de 25 anos.33%).06% da Fertifós.463 de 16/08/90 que criou o PND. Empresas que anteriormente possuíam controle compartilhado como Ciquine. do grupo argentino Bunge. com participações entre 15% a 18% do capital votante das empresas. novo nome da Unidade Industrial de Mistura de Cubatão. Alcoolquímica. controladora da Fosfértil. compraram a Takenaka S. Com a desestatização da Petrofértil e a compra das suas controladas pela indústria privada de fertilizantes. Isopol e Proppet passaram. A partir de 1990 as reservas de silvinita e carnalita passaram a ser exploradas pela Companhia Vale do Rio Doce. da qual era parcialmente proprietária. a IAP. Fosfértil. são vendidas as participações da Petrofértil em suas empresas controladas conforme os percentuais: Indag (33. A Petroflex passou a ser controlada pela Suzano. iniciou-se um processo de reagrupamento das indústrias de fertilizantes. Copene e Copesul. a Serrana. única empresa que produzia superfosfatos no Paraná. A Takenata detinha 6. Goiásfértil (82. em etapas posteriores. Nitrofértil. a Copesul passou a ter controle compartilhado entre Odebrecht e Ipiranga. estas passaram a controlar acionariamente a Fertifós.A. Goiasfértil e ICC (além de ter como coligadas as empresas Arafértil e Indag) e a Petrobrás controlava a Petromisa. Suzano e Sumitomo/Itochu. Polibrasil. Outras como Acrinor. Suzano. Após a Lei 8. Polialden e OPP passaram a ter um único sócio controlador. Como a Serrana e a Manah possuiam cada uma 23.42%).) . Oxiteno.. Union Carbide. A Fertiza comprou o controle da Fospar.18% de participação acionária da Fertifós.148 • • • • Fertilizantes • • • • PQU. a Petrofértil controlava as empresas Ultrafértil. O Decreto 844 de 24/06/93 retira do PND a Petrofértil e a Nitrofértil. cujas unidades industriais passam a ser controladas diretamente pela Petrobrás. até então pertencente a Adubos Trevo. A Serrana. por um ou mais sócios com os quais ela anteriormente compartilhava o controle. com a compra da Takenaka. Continua (.

Muitas unidades industriais foram desativadas. limitações na utilização de solventes clorados e reduções drásticas na utilização de cloro elementar como agente branqueador na indústria de papel. tentativa de paralização das unidades que operavam com células a mercúrio. A indústria alcoolquímica dividia-se basicamente em dois grandes grupos: o que transformava o etanol em eteno ou acetaldeído (produção de polietileno. como a Rhodia e a Coperbo. que o governo havia eliminado em 1983. Neste período surgiram movimentos de junções. ésteres e etilaminas).149 • Cloro e Soda Cáustica • • Química Fina • • Alcoolquímica As indústrias de cloro e soda cáustica passaram a ser submetidas a vários tipos de pressão a partir da década de 1990. Outras empresas passaram a importar diretamente o ácido acético que necessitavam para seus produtos. gerando excesso de um dos dois produtos que tem de ser vendidos a preços marginais. já que apresentam grande dificuldade em sua destruição de forma ecologicamente aceitável. solventes acéticos) e aquele que utilizava o etanol pela sua função química como álcool (produção de éteres glicólicos. dicloroetano. O objetivo central de tais movimentos era aumentar a competitividade das empresas. Dentre elas destacam-se: o perigo potencial representado pelo cloro e seus compostos.. sendo as de natureza ambiental as mais significativas. Com a queda das barreiras alfandegárias. que somados correspondem a aproximadamente 70% do mercado da indústria química fina no Brasil. as indústrias do primeiro grupo pararam de consumir álcool. para consumir eteno obtido de nafta. simplificando as organizações e investindo nas relações com o cliente. Continua (. reagrupamentos e aquisições tanto entre empresas nacionais como entre empresas nacionais e empresas multinacionais já instaladas no país. 29% da capacidade das indústrias de cloro e soda em nível mundial e 22% no Brasil. Com o retorno da cobrança da taxa de contribuição ao IAA em novembro de 1984. para incentivar a exportação de produtos químicos produzidos via alcoolquímica. campanhas sistemáticas de ativistas ambientais contra a produção de cloro e seus compostos (a tentativa de eliminação do uso do PVC foi emblemática). eliminação dos clorofluorcarbonos. em 1996. algumas multinacionais paralisaram suas unidades de química fina. as indústrias de cloro e soda cáustica têm de enfrentar o problema crônico do desbalanceamento de consumo entre a soda cáustica e o cloro.. ácido acético.) . Além das pressões. enormes passivos ambientais das unidades que operam com células a mercúrio. Foi o ramo da indústria química que sofreu os maiores impactos gerados a partir da abertura do mercado e das substanciais reduções de alíquotas de importação implantadas pelo governo Collor em 1990. sobretudo no campo dos fármacos e defensivos. que representavam. possibilitando que as empresas multinacionais ampliassem a sua participação e domínio do setor de química fina. achando mais vantajoso importar o produto diretamente de suas fábricas no exterior. butadieno. estireno. tendências dos usuários finais em diminuir ou eliminar a utilização do cloro e de seus compostos. o que se esperava conseguir reduzindo custos fixos.

No auge do programa Proálcool. o que dificulta o acompanhamento e a definição da dimensão do setor. sindicatos e classificações de produtos. fato que também permite caracterizá-las como indústrias químicas. Segundo Furtado (2003). Uma forte evidência do sucesso da matriz de pensamento linear pode ser identificada pela ausência do conhecimento de grande parte da sociedade mundial quanto às reais dimensões da indústria química.3. Avaliando as informações disponibilizadas é possível perceber a grandeza e a complexidade da indústria química em termos econômicos. a química pela sua própria natureza. Para o autor indústrias como a farmacêutica ou a de alimentos.150 • O consumo de álcool etílico para a indústria alcoolquímica sempre foi pequeno. o número de atores envolvidos e da diversidade de produtos produzidos. uma vez que em função da ação racional instrumental. estando a produção atual na faixa dos 12 – 14 bilhões de litros de álcool por ano. um processo que nem sempre . quando comparado com o álcool consumido como combustível. Fonte: Adaptado de Wongtschowski (1999) Novamente na retrospectiva histórica da indústria química nacional é possível perceber os traços da lógica racional predominante na sociedade industrial. envolvendo empresas. 15 bilhões de litros de álcool. 2. se utilizam de uma infinidade de processos químicos. A Forma de Organização da Indústria Química Para Furtado (2003) existem dificuldades para o estabelecimento de fronteiras claras e aceitas no setor químico. foram produzidos anualmente. grande parte desta sociedade passou a ser privada de pensar o próprio mundo do qual é parte integrante. enquanto que as empresas desenvolvem-se criando novas atividades. é criadora de substâncias. cuja existência é atestada por inúmeros fatos do mundo real. Para Furtado (2003). Situando-se na faixa de 400 a 500 milhões de litros por ano. combinações de elementos e novas aplicações. a dificuldade de delimitar as suas fronteiras ocorre em função de que estas indústrias muitas vezes realizam afiliações sindicais duplas ou triplas.3.

são bens intermediários que servem para a produção de outros. passando Segundo Cremasco (2005) bens de produção.151 respeita as fronteiras criadas por definições técnicas e censitárias. 9) considera que: Os fundamentos científicos que permitem criar novos produtos e processos e alargar a fronteira desta indústria representam ao mesmo tempo um fator de expansão das empresas e um obstáculo à aplicação literal e sem nuanças de definições estatísticas estáticas. resumidamente. o autor considera que é na tecnologia. ácido sufúrico. de um modo geral. onde a designação genérica “química e petroquímica” é em geral utilizada para classificar empresas de diversos setores: de produtos químicos básicos. dentre os quais estão a escala. pode ser entendida como um conjunto de atividades econômicas que visa a manipulação e a exploração de matérias-primas e fontes energéticas. Para o autor. o setor químico reúne um conjunto diversificado de empresas. também conhecidos como bens de capital. Para Cremasco (2005) a indústria. Segundo Furtado (2003). um tipo de indústria de transformação. a comercialização e a tecnologia. Furtado (2003. p. e as definições estatísticas com seus números-resultados. de um lado. até perfumes e cosméticos. como soda cáustica. eteno e propeno. dificilmente teriam condições de gerar uma solução única e unanimemente aceita. a indústria química é. Segundo Nakano (2007). a indústria química transforma-se por meio de um processo expansivo com diferentes vetores. tanto quanto a produção de conhecimentos e a inovatividade das indústrias de base químico-farmacêutica alimenta a produção de novos produtos e processos nas indústrias química e petroquímica. De acordo com o autor. que se encontra o motor mais importante para o seu desenvolvimento. cujas atividades consistem na transformação de matéria-prima em produtos intermediários (indústrias de base ou pesada) e destes em bens de consumo (indústrias leves). este problema de compatibilidade entre a realidade das empresas e das atividades econômicas. com fundamentos científicos importantes e cada vez mais substantivos. 34 . bem como a transformação de produtos semiacabados em bens de produção ou de consumo34. Apesar de reconhecer a importância de cada vetor. O peso da atividade petrolífera representa uma massa econômica e financeira que dá sustentação a diversas empresas petroquímicas. enquanto que os bens de consumo atendem diretamente à demanda a médio e longo prazo.

e a partir do propeno. As empresas de segunda geração normalmente se localizam ao redor das empresas de primeira geração. e em muitos casos. utilizados por outras empresas de segunda geração e finais (resinas termoplásticas. da qual se produzem substâncias como o eteno. como o eteno e o propeno. entre outros. sendo considerado um setor intensivo em capital. um produto derivado do petróleo.). Em termos internacionais. automotivo. 2007) Ainda segundo Nakano (2007) a indústria petroquímica é um setor meio. que não tem contato com o mercado consumidor final. eletroeletrônico. que exige grandes investimentos em equipamentos e instalações. e o gás natural são as matérias-primas das centrais petroquímicas. fibras. fertilizantes etc. 35 2ª. produtos têxteis. a ABIQUIM faz parte do Conselho da Indústria Química do Mercosul (CIQUIM) e do Conselho Internacional das Associações de Indústria Química (ICCA). o polipropileno. plásticos como o polietileno. As centrais transformam a nafta. materiais esses que têm grande presença em nosso cotidiano: embalagens.) Segundo o Anuário da Indústria Química Brasileira elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). ou seja. Segundo o autor. para representar o setor no País e no exterior. este tipo de indústria produz insumos para diversos outros setores. de embalagens. o PET[2]. Geração . respectivamente) e os hidrocarbonetos aromáticos. fazendo parte dos estágios iniciais de diversas cadeias produtivas. (NAKANO. utilidades domésticas. detergentes. que compõem a primeira geração. Seus produtos são utilizados por outros setores produtivos como o têxtil. artigos eletro-eletrônicos. transporte e tratamento de resíduos industriais. configurando os chamados pólos petroquímicos. É a chamada indústria downstream. licenciamento de tecnologia. são associadas da ABIQUIM. a entidade foi fundada em 1964. produto obtido em refinarias de petróleo. Continua (. entre outros. médio e grande portes. automóveis. que transforma os petroquímicos básicos em produtos intermediários. Empresas químicas de pequeno.. o propeno (também conhecidos como etileno e propileno. pode-se classificar como “indústria petroquímica” a cadeia produtiva que se estrutura em torno da utilização de derivados do petróleo. a nafta petroquímica. e o gás natural em produtos petroquímicos básicos. o PVC[1]. etc. De acordo com Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) 35 . A partir do eteno são produzidos. as indústrias químicas brasileiras são classificadas da seguinte forma: Quadro 16 – Classificação das Indústrias Químicas Geração 1ª. borrachas. principalmente a nafta petroquímica. logística. pesticidas e plásticos.152 por fertilizantes.. bem como prestadores de serviços ao setor nas áreas de distribuição. a poliamida (o popular nylon) e os poliésteres. Para o autor: De forma simplificada. Geração Descrição No Brasil.

produtos que formam a base do setor petroquímico. produtos finais ou de terceira geração (ex: resinas PET). o Brasil passou a contar com quatro pólos petroquímicos.153 3ª. cujo detalhamento quanto a constituição societária e volumes de produção são apresentados na forma de diagramas extraídos do Anuário da Indústria Química Brasileira elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) e disponibilizados para consulta nos Anexos 2 e 3 deste estudo: . Cremasco (2005) apresenta um processo básico para obtenção de garrafas PET. Com a criação da Riopol em 2005. embalagens. entre outras. para finalmente chegar na transformação (garrafas PET). como fibras têxteis. produtos intermediários ou de segunda geração (ex: etilenoglicol). A denominação “terceira geração” é empregada basicamente para o conjunto das empresas que transformam as resinas termoplásticas em produtos finais. a partir da nafta: Figura 12 – Processo Básico de Obtenção de Garrafas PET a partir da Nafta Fonte: Cremasco (2005. materiais para construção civil. Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Utilizando-se da mesma classificação adotada pela ABIQUIM. autopeças. Geração É o último elo da cadeia produtiva. brinquedos e utilidades domésticas. 40) De acordo com Cremasco (2005) a partir da destilação do petróleo é possível obter a nafta e o GLP. p. A partir destes produtos são obtidos compostos orgânicos classificados como produtos de base ou de primeira geração (ex: etileno).

• • Por Atividade Permitir a coleta. é adotada pelo Brasil e demais países que integram o Mercosul.000 Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Wongtschowski (2002. No quadro 18 são apresentadas estas classificações: Quadro 18 – Classificações Adotadas pela Indústria Química Mundial Tipo de Classificação Objetivo Utilizadas principalmente para efeitos tributários (definições de alíquotas do IPI. Criada em 1996. para o conjunto da indústria química existem duas famílias de classificações: uma baseada em atividades e outra baseada em produtos. Canadá e México). Criada em 1997. Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). disseminação e análise de estatísticas econômicas • • Fonte: Adaptado de Wongtschowski (2002) . Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Nomenclature Générale des Activités Économiques dans les Commnautés Européennes (NACE). é adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). no caso do Mercosul) • • Denominação Por Produto Central Product Classification (CPC). 37) considera que “o estudo da indústria química deve ser precedido de uma concreta definição de quais produtos ou atividades nela estão incluídos”.154 Quadro 17 – Capacidade de Produção dos Pólos Petroquímicos Brasileiros Empresa Braskem Copesul PQU Riopol Total Localização Camaçari – BA Triunfo – RS Santo André – SP Duque de Caxias – RJ Capacidade Instalada – Produção de Eteno (em t/ano) 1.435. Criada em 1995. que substituiu a Standard Industrial Classification (SIC). é adotada pela Comunidade Européia. Porém o próprio autor reconhece que “infelizmente as definições adotadas pelos estudiosos do setor ou pelas associações nacionais ou regionais da indústria química não são homogêneas”.135. International Standard Industrial Classification of All Economic Activities (ISIC). Criada em 1990.000 1. é adotada pelas Nações Unidas.000 3.280. é adotada pelas Nações Unidas. no caso brasileiro) e para efeitos aduaneiros (definição da Tarifa Externa Comum (TEC). Criada em 1991. Criada em 1990. Segundo o autor.000 500. é adotada pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos e agências estatísticas dos países do NAFTA (Estados Unidos. p.000 520. North American Industry Classification System (NAICS).

Diferenciam-se das commodities por não serem vendidas através de especificações de sua composição química. . pela qual são definidos quatro grupos de produtos químicos: commodities. iv) Especialidades químicas: são produtos diferenciados. De acordo com Wongtschowski (2002. com especificações padronizadas. fibras artificiais e elastômeros. quase sempre compradas por poucos clientes que são grandes consumidores. projetados para finalidades específicas do cliente e frequentemente vendidos para um grande número de clientes que compram pequenas quantidades. Pharmacopeia ou Food Chemical Codex dos Estados Unidos ou seus equivalentes em outros países. produtos de química fina e especialidades químicas. corantes. a dinâmica da pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos. aromatizantes e fármacos. fabricados em pequenas quantidades geralmente com matérias-primas compradas de terceiros. no ano de publicação de seu livro. ii) iii) Produtos de química fina: assemelham-se às commodities por serem nãodiferenciados e geralmente não patenteados. número que. frequentemente a partir de matérias-primas cativas. já atinge 100.S. eteno. Exemplos: catalisadores. mas sim por especificações de desempenho. para um ou mais usos finais. para uma gama variada de usos. para uma ou mais finalidades. Alguns exemplos de pseudocommodities: resinas termoplásticas. a partir de matérias-primas em geral cativas. segundo European Inventory of Existing Commercial Substances (2007). Normalmente as commodities têm suas vendas concentradas em um número relativamente pequeno de clientes. são produzidos em pequena escala. São exemplos de commodities: amônia. Pseudocommodities: são produtos diferenciados. Entretanto. sacarina. enzimas e aditivos em geral. do tipo U. que têm em comum com as commodities o fato de serem produzidos em larga escala. o grande número de atores que atuam em nível mundial. pseudocommodities. 46). de acordo com padrões geralmente aceitos. ácido sulfúrico. São geralmente vendidos para um pequeno número de clientes. p. que eram produzidos no mundo aproximadamente 70. Wongtschowski (2002) afirmou. as características principais de cada grupo são: i) Commodities: são compostos químicos produzidos em larga escala. Wongtschowski (2002) cita a classificação por produto proposta por Charles H.000 produtos químicos. Kline em 1976.155 Alguns fatores como a quantidade de produtos químicos. em volumes pequenos. metanol e gases industriais. São exemplos: ácido acetilsalicílico.195 substâncias. os interesses econômicos e os diferentes padrões de classificação adotados pelas instituições para acompanhar o setor químico contribuem para dificultar o acompanhamento estatístico do setor.

enquanto outra parte do desenvolvimento é obtido de fontes externas. que divide seu tempo entre a operação e o desenvolvimento. seus clientes. Outra parte é obtida ou aprimorada pelo processo de polimerização. polipropileno. tanto para aumento de produtividade como para melhoria no grau de pureza do produto. na prática. elas não competem entre si de fato. instalações e pessoal especializado para a busca das soluções. que têm demandas específicas. No que tange o desenvolvimento de novos produtos. etc). enquanto uma terceira parte dessas características são introduzidas ou melhoradas pelo uso de aditivos durante a transformação das resinas puras em compostos finais. As empresas de segunda geração funcionam como líderes ou coordenadores do processo de desenvolvimento: levando as necessidades levantadas junto às empresas de terceira geração para os fornecedores de aditivos. as resinas plásticas (PVC. coordenando esforços com os fornecedores de equipamentos e fornecendo insumos. seus clientes são. também considera que a classificação da indústria química já foi motivo de muitas divergências. eficiência energética e redução de efluentes. Parte dessas características são intrínsecas ao composto químico. A inovação nessas empresas está centrada em três aspectos: desenvolvimento do processo. apresentada anteriormente: As empresas de primeira geração são produtoras de commodities. A inovação nessas empresas está localizada hoje principalmente em esforços de melhoria de processos: grau de pureza dos produtos. Nessas empresas o esforço tecnológico atual é fortemente voltado para o aumento de eficiência de processo. desenvolvimento de catalisadores e desenvolvimento de aditivos. resistência à luz e temperatura. Para essas atividades elas empregam corpo técnico reduzido. ao estabelecer uma relação entre a classificação de produtos apresentada por Wongtschowski (2002) e a classificação das indústrias químicas elaborada pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a). as empresas de segunda geração mantém seu olhar em dois pontos: no mercado final que consome os produtos plásticos. Parte das características ainda podem ser melhoradas (ou pioradas) no processo de transformação dentro das empresas de terceira geração. e lançam mão com certa freqüência de acordos com universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento de novas soluções. e nas empresas de terceira geração. PET. Parte do esforço tecnológico é interno. através principalmente do desenvolvimento de melhores catalisadores e do controle de processo. facilidade de transformação. e as especialidades: resinas especiais e os plásticos de engenharia. pois pela distância entre os pólos petroquímicos.156 Nakano (2007) apresenta uma importante contribuição para a melhor compreensão sobre a forma de atuação da indústria química. e não do confronto direto entre elas: apesar de serem três as empresas de primeira geração. . pseudocommodities. desenvolvimento de catalisadores e controle de processos. As resinas plásticas são diferenciadas por diversas características tais como: resistência mecânica e química. Os produtos das empresas de segunda geração podem ser divididos em três categorias: commodities (por exemplo o óxido de eteno). etc. cativos. A busca por eficiência por parte dessas empresas vem da preocupação com a competitividade da cadeia à jusante. polietileno. brilho e transparência. A Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). produtos de limpeza e perfumaria. explosivos e outros produtos químicos. nas divisões “20 – Fabricação de Produtos Químicos” e “21 – Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos”. preparações anti-sépticas. por aproximação. a fabricação de medicamentos e de outros produtos farmacêuticos. pode ser reconstituída.157 fato que dificultava a comparação e a análise dos dados estatísticos referentes ao setor. Desta forma. incluindo-a na revisão nº. fertilizantes. resinas e fibras.94-1). (21. através da agregação das seguintes classes de atividades: (20. 21 – Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos: esta divisão compreende a fabricação de produtos farmoquímicos. mesmo não compondo um segmento específico da CNAE. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). no ano de 2006. a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma nova classificação internacional para a indústria química. (20. não eram incluídos nas análises setoriais.10-6). com o objetivo de eliminar divergências. (21. o IBGE redefiniu toda a estrutura da CNAE. definiu. (20. (20. a partir de janeiro de 2007. em algumas ocasiões. 3 da International Standard Industry Classification (ISIC) e mais recentemente. com especificidades tecnológicas próprias. indústrias independentes. com base nos critérios aprovados pela ONU. como os de resinas termoplásticas e de borracha sintética. Esta . etc. uma nova Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). com o apoio da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). promovendo o enquadramento de todos os produtos químicos nessa classificação.22-0). No Brasil. 4. A química fina e suas especialidades.29-1). eram confundidas com a indústria química propriamente dita.21-1) e (21. Segundo a entidade. a exemplo do refino do petróleo. defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários.0: 20 – Fabricação de Produtos Químicos: esta divisão compreende a transformação de matérias-primas orgânicas ou inorgânicas por processos químicos e a formulação de produtos e a produção de gases industriais. na revisão nº. segundo a publicação. tais como: curativos impregnados com qualquer substância. enquanto que outros segmentos tipicamente químicos. Esta divisão compreende também a fabricação de produtos petroquímicos básicos e intermediários.93-2). estabelecendo que os segmentos que compõem as atividades da indústria química fossem contemplados.51-7). de acordo com as definições estabelecidas pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) na versão 2. tintas.

produtos de limpeza.29-1 20.21-5 20.71-1 20..12-6 20. esmaltes e lacas Fabricação de tintas de impressão Fabricação de impermeabilizantes.3 20. alimentos enriquecidos. complementos alimentares e semelhantes (divisão 10).52-5 20..93-2 20. detergentes.31-2 20.1 20. produtos de perfumaria e de higiene pessoal Fabricação de tintas.51-7 20.22-3 20. as divisões 20 e 21 são ainda subdivididas em grupo e classe.92-4 20.) .4 20.32-1 20. esmaltes.73-8 20.5 20.158 divisão não compreende a fabricação de alimentos dietéticos.9 20.91-6 20.94-1 Grupo Classe Denominação FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS Fabricação de produtos químicos inorgânicos Fabricação de cloro e álcalis Fabricação de intermediários para fertilizantes Fabricação de adubos e fertilizantes Fabricação de gases industriais Fabricação de produtos químicos inorgânicos não especificados anteriormente Fabricação de produtos químicos orgânicos Fabricação de produtos petroquímicos básicos Fabricação de intermediários para plastificantes.62-2 20.61-4 20.6 20. vernizes.33-9 20.40-1 20.63-1 20. solventes e produtos afins Fabricação de produtos e preparados químicos diversos Fabricação de adesivos e selantes Fabricação de explosivos Fabricação de aditivos de uso industrial Fabricação de catalisadores Continua (.0 do CNAE.72-0 20.7 20.13-4 20. lacas e produtos afins Fabricação de tintas.2 20.11-8 20. cosméticos. resinas e fibras Fabricação de produtos químicos orgânicos não especificados anteriormente Fabricação de resinas e elastômeros Fabricação de resinas termoplásticas Fabricação de resinas termofixas Fabricação de elastômeros Fabricação de fibras artificiais e sintéticas Fabricação de fibras artificiais e sintéticas Fabricação de defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários Fabricação de defensivos agrícolas Fabricação de desinfetantes domissanitários Fabricação de sabões. produtos de perfumaria e de higiene pessoal Fabricação de sabões e detergentes sintéticos Fabricação de produtos de limpeza e polimento Fabricação de cosméticos. visando estabelecer um detalhamento mais adequado da organização da indústria química brasileira: Quadro 19 – Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Divisão 20 20.19-3 20. vernizes.14-2 20. Na nova versão 2.

Cognis. Hoechst. Solvias.159 20. Companhias como a Ciba-Geigy. Imerys. Dynea.10-6 21. A Indústria Química na Contemporaneidade A indústria química. Sensient. assim como outros tipos de indústrias. Sandia. Solvin. Noviant. Rhône-Pounlec e Sandoz se transformaram primeiro em empresas especialistas em “ciências da vida” e em menos de três anos depois. enquanto que nomes tradicionais . os últimos anos têm testemunhado profundas alterações na indústria química mundial. a segunda metade da década de 1990 viu surgirem empresas como Acordis. Segundo Wongtschowski (2002). Avecia. em termos de atendimento de novas exigências do mercado e da sociedade. optou-se pela adoção da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) – versão 2. Solutia. estas empresas deram lugar a novas empresas: Novartis (fusão das áreas farmacêuticas da Ciba-Geisy e da Sandoz) e Aventis (fusão das áreas farmacêuticas da Hoechst e da Rhône-Poulenc).1 21. 2.3. De acordo com o autor.0.2 21. Astaris. Basell. Vantico e Wintech. Noveon. Syngenta. se encontra inserida em um dos contextos mais dinâmicos do período reconhecido como sociedade industrial.99-1 20 21.22-0 21. Clariant. Ineos.23-8 Fabricação de produtos químicos não especificados FABRICAÇÃO DE PRODUTOS FARMOQUÍMICOS E FARMACÊUTICOS Fabricação de produtos farmoquímicos Fabricação de produtos farmoquímicos Fabricação de produtos farmacêuticos Fabricação de medicamentos para uso humano Fabricação de medicamentos para uso veterinário Fabricação de preparações farmacêuticas Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007a) Com vistas a adotar uma classificação que possibilitasse uma aproximação dos dados obtidos neste estudo com outras pesquisas futuras desenvolvidas na área.21-1 21. onde suas capacidades.4. em empresas farmacêuticas. necessitam ser frequentemente revisadas e atualizadas. como referência para a identificação das indústrias químicas envolvidas na presente pesquisa. Por meio de processos de fusão.

DSM. Wongtschowski (2002) atribui estas transformações a globalização. Nova e Solvay). a indústria química padronizou seus produtos em função das características da demanda de grande parte de seus clientes. Equistar (Lyondell. Para Wongtschowski (2002). Shell e Montedison). Neste. Basf.160 como Albright-Wilson. Hoechst. Millenium e Occidental) e Exxon Mobil. Para o autor o setor passou por um processo de concentração na década de 1990. a especialização e a descentralização geográfica. Amoco. Hüls. Para Nakano (2007) as grandes empresas internacionais são líderes em seus mercados em função de apresentarem um perfil integrado e de possuírem em geral base sólida na produção de petroquímicos básicos. as quais são definidas pelo autor abaixo: a) Globalização: trata-se de um reflexo da mobilidade de capital. Hirutaka citado por Nakano (2007). a concentração. fazendo . Exxon-Mobil. Upjohn e outros desapareceram. o setor químico é dominado por grandes grupos de presença internacional. BP Solvay (BP. Union Carbide. das sete empresas estudadas em detalhe por Hirutaka no início dos anos 2000 (Dow. fator que contribuiu para a redução do número de empresas no contexto internacional. Dow (Dow e Union Carbide). Arco Chemical. da revolução nas comunicações e da abertura generalizada dos mercados. pelo avanço em direção aos produtos mais diferenciados. Para o autor a estratégia comercial dessas empresas se caracteriza. pelo domínio do mercado de produtos menos diferenciados (commodities) por meio de uma política agressiva de preços. Arco e Solvay). fruto de sua alta capacidade de produção e do aproveitamento das economias de escala. como conseqüência. por um lado. BP Almoco. Segundo Nakano (2007). Allied Signal. apresenta algumas das principais fusões e aquisições ocorridas no setor: Basell (formada por ativos da Basf. três já haviam passado por processos de fusão. Chevron/Phillips. e pelo outro lado. Segundo Nakano (2007). cuja margem é mais atrativa. Borealis (Borealis e PCD). que têm nos produtos químicos a sua principal atividade de produção ou uma expressiva porção de seu faturamento.

spin-offs36 ou jointventures37 de grandes empresas que reduziram seu foco: a Basell em poliolefinas. da Bayer e da Basf. a nona maior empresa química mundial em 2000. Beecham. a Equistar em eteno e polietilieno. guardando ou não vínculos acionários com a empresa da qual se separou. SKWTrostberg e Th. executada pela formação de uma nova entidade jurídica. Goldschmidt pela Degussa em 2000. da ExxonMobil. Na produção de resinas plásticas há novas empresas. entre outras. Glaxo e Burroughs-Wellcome). com a formação da BP Amoco (depois BP). a Ticona em plásticos de engenharia. Wongtschowski (2002) cita o processo de concentração que ocorreu na indústria farmacêutica com a criação da GlaxoSmithKline em 2000 (produto final da fusão entre a SmithKline. e na indústria de produtos químicos industriais. O autor cita como exemplos a 36 De acordo com Wongtschowski (2002). empresas de produtos de limpeza e higiene pessoal como a Unilever e a Henkel venderam as suas atividades químicas e a DyStar passou a concentrar o negócio de corantes da Hoechst. Segundo o autor. com a absorção da Union Carbide pela Dow em 1999 e da Degussa. 37 . Para o autor. Hüls. spin-off corresponde a separação de parte de uma empresa em uma nova entidade jurídica. clientes globalizados desejam que seus fornecedores atendam a demandas em qualquer lugar do mundo. com produto idêntico e em iguais condições comerciais. da TotalFinaElf e da ChevronTexaco. b) Concentração: processo de criação de empresas de grande porte que se beneficiam do poder de escala de produção. a ICI.161 com que não haja relação geográfica direta entre cliente e fornecedor. com objetivos específicos. reduziu de dez para quatro as suas áreas de atuação. transformando-se em uma empresa de especialidades químicas. O autor cita que o fenômeno da concentração também ocorreu na indústria de petróleo. joint venture corresponde a associação de duas ou mais empresas. d) Descentralização Geográfica: Wongtschowski (2002) considera este como sendo um fenômeno relativamente novo na indústria. Upjohn e da área farmacêutica da Monsanto em 2000). da Novartis e da Pharmacia (produto final da fusão da Pharmacia. c) Especialização: Wongtschowski (2002) menciona que a especialização ocorre em muitos setores. De acordo com Wongtschowski (2002).

condição que o colocou em 9º.1 35.3 33.0 93.6 44.8 64.4 46.7 125.7 92.5 43.1 2004 2.8 30.3 310.004.43% 76. passando de US$ 43.22% 84.8 2003 2.8 40. 17) .8 75. Quadro 20 – Faturamento da Indústria Química Mundial (em US$ bilhões) Países/Anos Total Mundial Estimado Estados Unidos China Japão Alemanha França Coréia Reino Unido Itália Brasil Índia Espanha Suíça Holanda Rússia Bélgica Irlanda Taiwan Canadá 2000 1.1 29.7 33.3 50. Nova Zelândia e Trinidad e Tobago abrigam grandes produtores de metanol.8 110.4 72.5 46.64% 39.8 55.35% 1% 63.1 35.5 245.78% 26.0 27.6 220.4 30.4 70.6 93.6 37.9 189.14% 93.5 23.9 48.6 Diferença Percentual entre 2000 e 2006 41.1 59.81% 65. A exemplo dos demais países.0 26.4 81.8 223. Indonésia.3 119.4 99.2 99. Chile.6 181.0 76.8 41.3 30.312.0 2006 2.1 30.1 38.2 154. o qual quase dobrou em apenas 6 anos.6 76. Kuwait e Venezuela abrigarão crescentemente unidades de produção de derivados de eteno.5 51.5 36.6 125.657.2 28.4 124.3 33.4 44.2 120.8 27.578.3 81.1 24.7 487.737.6 66. A dinâmica de atuação e expansão da indústria química mundial pode ser melhor compreendida por meio da análise dos volumes crescentes de faturamento apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).8 99.6 44.4 53.3 176.9 56.05% 121.2 49.4 107.6 29.4 58.2 52.5 40.0 53.6 203.2 66.8 32.9 49.9 60.4 36.6 41.6 26.2 37.7 604.5 39.0 2001 1. enquanto que a Malásia e as Filipinas atraem usuários de óleos láuricos.16% 116.9 73.1 54.9 201.0 637.3 40.0 49. 6 bilhões para US$ 81.0 89.4 22.0 540.6 78.6 33.1 227.4 41.6 438.1 52.22% 85.3 33. O volume crescente observado para os 18 (dezoito) países analisados pela entidade apresenta uma nova evidência inegável do sucesso econômico obtido pela sociedade industrial.1 2005 2.8 44.3 191.6 35.847.3 45.22% 65.162 produção de derivados de gás natural que migrou para os países em que esse insumo é excedente e portanto de baixo custo: Canadá. Arábia Saudita.80% 71.40% Fonte: Adaptado da Associação Brasileira da Indústria Química (2007b.13% 128.21% 78.3 25.9 71.7 152.6 bilhões (diferença de 87.1 222.6 28.5 121.4 59.87% 211.0 25.708.2 88.4 104.5 33.94% 87.2 29.7 100.8 24.4 45.8 2002 1.2 190. p. lugar no ranking da indústria química mundial em 2006.2 80. o Brasil ampliou o faturamento de sua indústria química no período de 2000 a 2006.0 462.9 43.5 38.3 55.4 79.8 30.16%).7 449.

d. n. n. n.d.d.d. 36 n.d. n. n.d.d. que passou de US$ 99. 17) .d. 2006 n. n. 325 231 198 198 n. Para Nakano (2007) os grandes grupos internacionais têm optado por fabricar produtos menos diferenciados em unidades localizadas em países periféricos.d. 84 n. Seguindo mais uma vez a lógica predominante da ação racional instrumental orientada para a otimização das estruturas visando à obtenção dos melhores resultados.163 Com exceção do Japão. Cabe destacar o expressivo aumento de faturamento da China. onde se localizam também os seus laboratórios de pesquisa e desenvolvimento. n. n.d.d.6 bilhões em 2000 para US$ 310. 69 63 n.d. n. n. n.d. concentrando a produção dos diferenciados em suas unidades centrais.d.d.d.35%).d. n.d. n.1 bilhões em 2006 (diferença de 211. que praticamente estabilizou o seu volume de faturamento no período analisado. n.d.d. p. Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. como é possível perceber nos dados de alguns países fornecidos pela ABIQUIM: Quadro 21 – Número de Empregados na Indústria Química em Milhares (2000 a 2006) Países/Anos EUA Alemanha Japão Brasil França Reino Unido Itália Espanha Canadá Holanda Bélgica Suíça México Suécia Irlanda 2000 980 470 366 311 235 235 206 134 83 76 70 60 69 38 23 2001 959 467 364 310 240 230 207 137 88 75 73 62 66 38 24 2002 928 462 354 310 241 229 208 133 88 75 71 62 72 39 25 2003 906 464 345 315 241 222 204 137 88 73 72 62 63 38 25 2004 887 445 341 320 235 207 198 133 85 73 70 62 61 36 23 2005 879 441 n. De acordo com Hirutaka citado por Nakano (2007) o setor se caracteriza pela tendência crescente do estabelecimento de uma divisão internacional de trabalho e de produção entre países. apesar do expressivo aumento dos volumes de faturamento. o número de empregos na indústria química mundial se manteve estável ou até mesmo foi reduzido. todos os demais países obtiveram um considerável acréscimo.

7%. enquanto que nos Estados Unidos. sobre o emprego na indústria química européia e norte-americana reforçam os dados apresentados pela ABIQUIM.1% nos 10 últimos anos. o índice registrado aponta para um decréscimo de 2. Segundo a entidade. conforme indicado na figura 13: Figura 13 – Empregos na Indústria Química Européia e Norte-Americana Fonte: European Chemical Industry Council (2007) .164 Dados apresentados pelo European Chemical Industry Council (2007). o número de empregos na indústria química européia apresentou um decréscimo de 2.

que passou a ocupar em 2006 o primeiro lugar em vendas em nível mundial. fato justificado pelo aumento da participação em vendas da China e da Índia: Figura 14 – Volume de Vendas Mundial (2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) . os quais retratam o crescimento da produção química do continente asiático.165 O fenômeno da descentralização geográfica mencionado por Wongtschowski (2002) pode ser percebido pelos dados apresentados pelo European Chemical Industry Council (2007) na figura 14.

Europa e Japão apresentaram desempenho inferior ao percentual mundial. consequentemente. dado que revela a expansão de mercado e. Estados Unidos.166 Na figura 15.5% nos últimos 10 anos. enquanto que países como a . a ampliação da utilização de recursos naturais: Figura 15 – Crescimento Internacional da Produção da Indústria Química (1996 a 2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Dados do European Chemical Industry Council (2007) indicam que as vendas de produtos químicos cresceu 5. são representadas as trajetórias de crescimento da produção química mundial.

167 China. pode ser constatado o aumento da participação do continente asiático nas vendas mundiais (excluindo Japão). Índia e Brasil apresentaram desempenho superior. Neste mesmo gráfico. percebe-se mais uma vez o crescimento da indústria química mundial. que passou de € 962 bilhões em 1996 para € 1641 bilhões em 2006. conforme demonstrado na figura 16: Figura 16 – Taxa de Crescimento de Vendas em Países e Regiões Selecionadas Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Na comparação entre os anos de 1996 e 2006 elaborada pelo European Chemical Industry Council (2007) e apresentados na figura 17. Turquia. fortalecendo a tendência mundial da descentralização da produção: .

conforme demonstrado na figura 18: . elaborado pelo European Chemical Industry Council (2007).168 Figura 17 – Participação nas Vendas Mundiais (1996 e 2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) O fenômeno da concentração citado por Wongtschowski (2002) pode ser constatado por meio da relação das 30 (trinta) maiores companhias químicas do mundo. somente estas companhias foram responsáveis por € 526 bilhões de um total de € 1641 bilhões das vendas ocorridas no ano de 2006. De acordo com a entidade.

. PP. contrárias à tendência mundial de integração que possibilita vantagens de economia de escala na produção e diluição das despesas em pesquisa em desenvolvimento. que integrou a antiga Copene a empresas produtoras de resinas.169 Figura 18 – Relação das 30 (Trinta) Maiores Companhias Químicas (2006) Fonte: European Chemical Industry Council (2007) Nakano (2007) considera que devido ao processo de formação da indústria petroquímica nacional. as centrais e as empresas de segunda geração são em sua maioria isoladas. apesar da entidade como associação representar a totalidade da indústria química brasileira. PE. No Brasil as principais estatísticas sobre o setor são geradas e disponibilizadas pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) no site da entidade e por meio de suas publicações anuais. ela ainda é caracterizada pelo seu baixo nível de integração. ou seja. PVC e PET. O autor faz apenas uma ressalva para o caso da Braskem. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b). determinados segmentos da indústria química são representados e acompanhados estatisticamente por associações congêneres.

as estatísticas produzidas pela entidade acompanham cerca de aproximadamente 3. resinas termofixas e elastômeros). Confirmando a dificuldade de se estabelecer fronteiras e controles estatísticos para o acompanhamento dos segmentos e produtos químicos existentes. . e ABRAFATI (tintas e vernizes). a classificação do IBGE. a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) subdividiu alguns itens. intermediários para fertilizantes. Objetivando maior precisão nos levantamentos setoriais. perfumaria e cosméticos). gases industriais e outros). produtos orgânicos (produtos petroquímicos básicos. a própria Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) menciona que a entidade não acompanha estatisticamente todos os segmentos e produtos químicos. associadas ou não à entidade e que figuram no cadastro de associados da ABIQUIM e no Guia da Indústria Química Brasileira produzido pela entidade. catalisadores. concentrando-se com algumas exceções. De acordo com a entidade.000 (três mil) produtos fabricados aproximadamente 800 (oitocentas) empresas. entre outras. a ABIQUIM toma como base um painel formado por cerca de 200 (duzentos) produtos químicos de uso industrial. Para um acompanhamento estatístico mais detalhado do setor. ANDA (fertilizantes). o SINDAG (defensivos agrícolas) e a ABIHPEC (produtos de higiene pessoal. produtos e preparados químicos diversos (adesivos e selantes. intermediários para resinas e fibras e outros).170 como FEBRAFARMA (produtos farmacêuticos). Ainda segundo a entidade. resinas e elastômeros (resinas termoplásticas. essa amostra segue. aditivos de uso industrial. produtos químicos para fotografia e outros). o que resultou no seguinte âmbito setorial: a) Produtos químicos de uso industrial: produtos inorgânicos (cloro e álcalis. desde 1998. no segmento de produtos químicos de uso industrial utilizados no âmbito de outros setores industriais e da própria indústria química.

Fabricação de resinas termofixas . foco principal das estatísticas elaboradas pela entidade: Quadro 22 – Classificação ABIQUIM para Análises Estatísticas38 Classificação FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS INORGÂNICOS Detalhamento da Classificação .Outros produtos químicos orgânicos . esmaltes e vernizes. p.Intermediários para detergentes . resinas e fibras . 19): Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).Fabricação de aditivos de uso industrial FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS FABRICAÇÃO DE RESINAS E ELASTÔMEROS FABRICAÇÃO DE PRODUTOS E PREPARADOS QUÍMICOS DIVERSOS Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. a entidade optou por manter essas subdivisões. tintas.Fabricação de produtos petroquímicos básicos . a classificação de produtos químicos para uso industrial.Intermediários para fibras sintéticas . defensivos agrícolas.Fabricação de adesivos e selantes . higiene pessoal.Fabricação de resinas termoplásticas . O quadro abaixo apresenta em detalhes.Fabricação de produtos químicos inorgânicos não especificados anteriormente .Intermediários para plastificantes .Intermediários para plastificantes . sabões. 38 .171 b) Produtos químicos de uso final: produtos farmacêuticos.Intermediários para plásticos . entre outros.Fabricação de cloro e álcalis . adubos e fertilizantes. 15) De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.Corantes e pigmentos orgânicos .Solventes industriais . a abertura dos grupos de produtos grafados em itálico na tabela não aparece na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Em função da ABIQUIM já realizar um levantamento desses grupos em separado.Intermediários para resinas termofixas .Fabricação de produtos químicos orgânicos não especificados anteriormente . perfumaria e cosméticos.Fabricação de intermediários para plastificantes. p.Fabricação de intermediários para fertilizantes . detergentes e produtos de limpeza.Plastificantes .Fabricação de elastômeros .

1 bilhões Defensivos Agrícolas US$ 3.95 bilhões em 2005.9% acima do valor do ano anterior. da elevação da oferta. No cenário internacional. a indústria química teve um desempenho razoável. o que vem se refletindo em pressões sobre os preços. 20) . 13. 13. Esmaltes e Vernizes US$ 2. destaca-se a forte elevação da cotação do barril de petróleo em 2006 e. As importações também cresceram e atingiram o recorde de US$ 17.7 bilhões. ano em que o PIB registrou alta de apenas 3.38 bilhões.8 bilhões. valor 2.7 bilhões.92 bilhões. no mesmo ritmo.2% no volume de exportações.9 bilhões Sabões e Detergentes US$ 4.6 bilhões Higiene Pessoal.9 bilhões Total: US$ 81. o faturamento líquido chegou ao recorde de US$ 81.8% mais que no ano anterior.6 bilhões Adubos e Fertilizantes US$ 5. A demanda internacional por produtos químicos. Outros US$ 2.6 bilhões Produtos Químicos de Uso Industrial US$ 45. 20. Medido em dólares. p.3 bilhões Tintas. equivalentes a US$ 45.172 Em 2006 o faturamento líquido da indústria química brasileira. Houve aumento de 14. alcançou R$ 177. tem se mantido em patamares elevados.7%. considerando todos os segmentos que a compõem.9 bilhões (13. Apesar do baixo crescimento da economia brasileira em 2006. resultando em receita de US$ 8. De acordo com os dados fornecidos pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) é possível perceber a predominância da fabricação de produtos químicos de uso industrial. O gráfico abaixo apresenta a composição do faturamento líquido da indústria química brasileira por segmentos no ano de 2006.4 bilhões.4 bilhões Gráfico 1 – Faturamento Líquido da Indústria Química Brasileira por Segmentos (2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.6%) seguido pela fabricação de produtos farmacêuticos. com faturamento de R$ 23. com vendas totais de R$ 98.9 bilhões Produtos Farmacêuticos US$ 10. O déficit na balança comercial brasileira de produtos químicos em 2006 ficou em US$ 8.4 bilhões (55.3% superior ao de 2005. Na seqüência os demais segmentos somados responderam por US$ 25.1% do total. contra US$ 7. o equivalente a 31. com expressivo reflexo no preço internacional de diversos produtos químicos. equivalentes a US$ 10.3%).6 bilhões. impulsionada pelo crescimento da economia mundial. consequentemente.3% mais que no ano anterior. Perfumaria e Cosméticos US$ 6.46 bilhões. sem a contrapartida. da nafta petroquímica e do gás natural.

5 1.6 2.4 bilhões Resinas Termoplásticas US$ 7.0 bilhões Total: US$ 45. de 1990 a 2006.1 3.5 1.7 bilhões Petroquímicos Básicos US$ 7.0 bilhão Outros Produtos Químicos Orgânicos US$ 7.3 2.5 bilhões Intermediários para Fertilizantes US$ 2.4 1.9 2.3 1.1 1.4 4.6 38.3 43. destacaram-se os grupos de higiene pessoal.9 3 3.9 3.2 3.4 1. Na série histórica.1 2. são apresentados os faturamentos líquidos obtidos por cada um dos grupos: Quadro 23 – Faturamento Indústria Química Brasileira em US$ Bilhões (2000 a 2006) Segmentos Produtos Químicos de Uso Industrial Produtos Farmacêuticos Higiene Pessoal.8 3. realizou um faturamento de US$ 45.1 1. que em 2006.1 2. por segmentos da indústria química.4 bilhões Gráfico 2 – Faturamento Líquido da Indústria de Produtos Químicos Industriais (2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) .4 6.2 4.3 4.2 10.0 bilhões Resinas Termof ixas US$ 1.8 19. 19) No gráfico 2 é apresentado um detalhamento do faturamento líquido da indústria de fabricação de produtos químicos industriais. no período de 1990 a 2006.0%.6 Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b.2 bilhões Outros Inorgânicos US$ 2. no Brasil.3 5.7 5.8 2 2. conforme mencionado anteriormente.9 5. produtos farmacêuticos e defensivos agrícolas.6 1.9 3.2 5.1 2.5 2.4 24.6 3.4 45.6 6.6 2.173 Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b).5 6.5 1.5 59.1 bilhões Cloro e Álcalis US$ 1.9 4.4 71.1 33 39.4 bilhões Gases Industriais US$ 2. p.9 1.8 37.2 3.3 45. Esmaltes e Vernizes Outros Total 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 22.6 5.3 bilhões Elastômeros US$ 1.4 bilhões.6 81. perfumaria e cosméticos.9 bilhões Intermediários para Resinas e Fibras US$ 4.6% do total de faturamento da indústria química brasileira: Produtos e Preparados Químicos Diversos US$ 8.5 5.7 5.8 9. Perfumaria e Cosméticos Adubos e Fertilizantes Sabões e Detergentes Defensivos Agrícolas Tintas.4 3 2. que apresentaram taxas de crescimento anual médio acima de 8. correspondendo a 55.3 1.6 19.5 1.

19) considera que “a indústria química participa ativamente de quase todas as cadeias e complexos industriais.174 O sucesso da indústria química se deve principalmente ao seu nível de inserção no segmento industrial. a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) menciona que a participação da indústria química no PIB total em 2006 foi de 3. maior que a participação de 2% registrada nos Estados Unidos (maior indústria química do mundo). inclusive serviços e agricultura. p. A Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. O gráfico abaixo demonstra a evolução histórica da participação da indústria química no PIB total brasileiro: 3.0 2.7 3.6 3. servindo de fornecedora de insumos e matérias-primas para a quase totalidade dos demais tipos de indústrias que operam na sociedade industrial.1%.0 3.3 3. Com base em dados recentemente revisados pelos IBGE. desempenhando papel de destaque no desenvolvimento das diversas atividades econômicas do País”. 19) .1 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Gráfico 3 .2 3. p.Participação da Indústria Química no PIB Total Brasileiro (2000 – 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (2007b.

Exclusive Máquinas e Equipamentos Artigos de Borracha e Plástico Celulose. o setor químico ocupou em 2005 a terceira posição no PIB da indústria de transformação. a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) apresentou uma nova estimativa apontando para um novo crescimento do faturamento da indústria química brasileira em 2007.8% 3.7% 5.3 bilhões. conforme indicado no gráfico 4: Alimentos e Bebidas Coque.8% 8.1% 3. Reboques e Carrocerias Máquinas e Equipamentos Metal.6% Gráfico 4 – Participação da Indústria Química no PIB Industrial (2005) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) No mesmo encontro.2% 3. a qual passaria dos US$ 81. Aparelhos e Materiais Elétricos Material Eletrônico Fabricação de Produtos Têxteis Indústria do Couro Outros Equipamentos de Transporte Móveis e Indústrias Diversas Outros 4.6 bilhões registrados em 2006 para US$ 101. ocorrido em dezembro de 2007.3% 2.5% 11. Impressão e Reprodução de Gravações Máquinas.3% 13. Petróleo e Combustíveis Produtos Químicos Metalurgia Básica Veículos Automotores.8% 1. Papel e Produtos de Papel Minerais Não Metálicos Edição.2% 1.6% 3. Refino. respondendo por 11.3% 2.7% 8.175 De acordo com os dados recentemente apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) no Encontro Nacional de Indústrias Químicas (ENAIQ).8% 1.3% do total.2% 5.1% 2.0% 17. .

0 120. Baseado no princípio da recursividade apresentado por Morin (1998).5 bilhões Adubos e Fertilizantes US$ 8.0 60.2 138.176 Outros US$ 2.9 bilhões Sabões e Detergentes US$ 5.8 123.4 bilhões Defensivos Agrícolas US$ 4.4 154.0 145.8 160. responsável pelo fornecimento de recursos naturais. 180.2 80.0 162.0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Gráfico 6 .0 40.3 106.0 0.1 140.0 96. podem prejudicar o meio ambiente.Evolução Produção de Produtos Químicos de Uso Industrial (1990 a 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) .0 113.2 bilhões Gráfico 5 – Estimativa de Faturamento Líquido da Indústria por Segmentos (2007) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) Seguindo a lógica da produção em escala. Esmaltes e Vernizes US$ 2. os valores crescentes de faturamento somente foram possíveis em função do aumento de produção.9 bilhões Higiene Pessoal.6 115.2 136.6 bilhões Tintas. que quando produzidos em quantidade.6 bilhões Total: US$ 101.3 117.0 Índice 1990 = 100 139.9 100.3 bilhões Produtos Químicos de Uso Industrial US$ 54.0 20.3 154.1 125. Perfumaria e Cosméticos US$ 9.2 100. pode-se imaginar que o aumento da produção significa a ampliação da utilização dos recursos naturais e consequentemente o aumento da geração de resíduos oriundos do aumento de produção.4 134.1 bilhões Produtos Farmacêuticos US$ 13.0 99.

do comportamento da economia brasileira e da disponibilidade de matéria-prima. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) a maior parte dos investimentos em expansão. Outro dado interessante sobre a indústria química brasileira.4 bilhões. refere-se a projetos ainda em estudo. aproximadamente US$ 11. envolve o equivalente a US$ 8. No gráfico 7 são apresentados os dados históricos desta seqüência. o do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (COMPERJ).177 Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) o setor opera perto do limite de sua capacidade instalada. o que significa que o setor químico nacional contribui significativamente para o déficit da balança comercial brasileira. este valor que sobe para US$ 15. um único projeto. As estimativas são de que esses projetos de investimento poderão gerar cerca de 5. para sua efetiva execução. mesmo percentual registrado nos dois anos anteriores. Historicamente. Segundo a entidade. . dependentes. De acordo com a entidade. o Brasil sempre importou mais produtos químicos do que exportou.2 bilhões. meio ambiente e troca de equipamentos. diz respeito ao déficit da balança comercial brasileira.6 bilhões quando computados projetos diversos em manutenção. no segmento de produtos químicos para uso industrial. segurança. melhorias de processo.8 mil empregos diretos. em 2006 a taxa de ocupação de capacidade manteve-se em 87%.6 bilhões. A entidade apenas ressalta que do total de investimentos previstos. o que indica a necessidade de novos investimentos para a ampliação da capacidade e construção de novas unidades industriais. Recentes estudos realizados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) mostram que as previsões de investimentos em aumento de capacidade previstos até 2011. somam US$ 14.

As importações brasileiras de produtos químicos tiveram como principais origens a União Européia.5% de todas as exportações realizadas em 2006 pelo Brasil e 19% do total das importações. p. o que representa incremento de 27% em relação a 2005. o Brasil importou mais de US$ 2.4% mais do que o registrado em 2005. Paraguai e Uruguai).7 10.4 bilhões.3 17.0 15.0 3. .8 4. Essa movimentação representa aumento de 14.8 bilhão).2 bilhões). 6.4 8. O volume de importações. o déficit na balança comercial brasileira de produtos químicos foi superior a US$ 8.9 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Exportações Importações Gráfico 7 – Importações/Exportações Brasileiras em US$ Bilhões FOB (2000 a 2006) Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b. a América do Norte (Canadá.4 milhões de toneladas.8 10.4 bilhões de produtos químicos.2% na comparação com 2005.5 10.5 bilhão).1 11.9 bilhões. foram exportadas pelo País mais de 9. com 17% (US$ 1.9 7.4 bilhões. Os produtos químicos representaram 6.2 bilhões). com 30% (US$ 5.5 milhões de toneladas em produtos químicos. Estados Unidos e México).1 bilhões). estabelecendo um novo recorde. com 25% do total exportado (US$ 2. As importações somaram US$ 17.178 14. As exportações brasileiras de produtos químicos para a Ásia somaram US$ 753 milhões. e a União Européia. Ainda assim.3%. Os principais destinos foram os demais países do Mercosul (Argentina. com aumento de 13.8 5.5 3. Da Ásia.4 4. 20) Segundo o Relatório Anual 2006 disponibilizado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a): As exportações brasileiras de produtos químicos cresceram 20. com crescimento de 8.8% em 2006. superando o valor de US$ 8. Em volume.7% mais que no ano anterior. 10. com 20% (US$ 1.9% foi superior a 21. e a América do Norte. com 29% (US$ 5.

elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) com base no CNAE 1. este número apresenta variações de acordo com os critérios adotados ou estabelecidos pelas entidades responsáveis durante a produção e publicação de dados estatísticos. para o desenvolvimento deste estudo.52% do total de indústrias de transformação.7 bilhões em exportações contra US$ FOB 23.264 (sete mil duzentas e sessenta e quatro) indústrias do ramo químico (divisão 24 – Fabricação de Produtos Químicos). enquanto que dados do Anuário Estatístico da Relação Anual de Informes Sociais (RAIS). estabelecendo. o Relatório Anual 2006 elaborado pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) menciona que em 2006 existiam no país cerca de 4. um novo recorde no déficit na ordem de US$ FOB 13.500 (quatro mil e quinhentas) indústrias químicas. por critérios específicos definidos pela entidade responsável pela geração da informação ou por questões como a informalidade. elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (2007). Em função do nível de detalhamento das informações disponíveis.179 Dados mais recentes. existiam no Brasil em 2005.1 bilhões. Segundo a pesquisa. Com relação a quantidade de indústrias químicas existentes no país. se confirmado. por aspectos relacionados a mudanças de critérios (classificações). No quadro abaixo são apresentados os totais de indústrias . optou-se pela adoção dos dados apresentados na Pesquisa Industrial Anual 2005 (PIA). justificam possíveis divergências que dificultam uma clara definição das fronteiras da indústria química. Esta ausência de critérios comuns ou a mudança deles ao longo do tempo.0 e que considera apenas empresas com 30 (trinta) ou mais pessoas ocupadas.152 (vinte e três mil cento e cinqüenta e duas) indústria químicas em 2005.8 bilhões em importações em 2007. o que correspondia a 4. 7. divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007a) no Encontro Anual da Indústria Química (ENAIQ) estimavam um US$ FOB 10. Apenas como um exemplo de divergência estatística. Esta variação se justifica pela dificuldade encontrada pelas diferentes entidades no correto dimensionamento do setor. apontavam para um total de 23.

Lacas e Produtos Afins 24. 14% 827 .264 1.52% 3. Região Sul e Paraná: Quadro 24 – Total de Indústrias Químicas – Brasil.1 Fabricação de Produtos Químicos Inorgânicos 24.357 498 Percentual 4. Fios. 17% 999 . detergentes.3 Fabricação de Resinas e Elastômeros 24.684 43. o setor de fabricação de sabões. Esmaltes. Região Sul e Paraná (2005) Total de Indústrias de Transformação 160. 11% 224 .153 . 3% 1.797 (mil setecentos e noventa e sete) ou 24% do total.61% Brasil Região Sul Paraná Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Do total de 7. Cabos e Filamentos Contínuos Artificiais e Sintéticos 24. Produtos de Limpeza e Artigos de Perfumaria 24.5 Fabricação de Produtos Farmacêuticos 24.09% 3.180 químicas em relação às indústrias de transformação em níveis: Brasil.7 Fabricação de Sabões. Detergentes.2 Fabricação de Produtos Químicos Orgânicos 24.9 Fabricação de Produtos e Preparados Químicos Diversos Gráfico 8 – Total de Indústrias Químicas por Setor (2005) Fonte: Adaptado do Instittuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) . 24% 184 . 11% 775 .259 .856 13.8 Fabricação de Tintas. produtos de limpeza e artigos de perfumaria é o que apresenta o maior número de indústrias.6 Fabricação de Defensivos Agrícolas 24. Vernizes. 1% 1.264 (sete mil duzentas e sessenta e quatro) indústrias.797 .788 Total de Indústrias Químicas 7. Em seguida aparecem os demais setores conforme apresentado no gráfico: 1. 16% 24. representado pelo total de 1. 3% 47 .4 Fabricação de Fibras.

68%).00% Rio Grande do Sul Paraná Santa Catarina Total Região Sul Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Em 2005 o Paraná ocupava uma posição significativa no contexto nacional em termos de número de indústrias químicas instaladas. posição em nível nacional.55% 3.78%).68% 10.57% 498 36. representando um total de 36. O segundo lugar é ocupado pela região sul.487 1. Quadro 26 – Participação por Estados – Região Sul Número de Participação Indústrias Químicas (%) 537 39.70% 322 23. com 4. com 1. No quadro abaixo é apresentado o percentual de participação de cada região: Quadro 25 – Total de Indústrias Químicas por Região (2005) Número de Indústrias Químicas 4.357 744 403 272 7. 498 (quatrocentas e noventa e oito) indústrias.487 (quatro mil quatrocentas e oitenta e sete) indústrias (61.75% 100.78% 18. logo após dos Estados que possuem pólos petroquímicos. .263 Participação (%) 61.357 (mil trezentas e cinqüenta e sete) indústrias (18. o Rio Grande do Sul se destaca em função da presença de um pólo petroquímico. se situava na 5ª. a região sudeste apresenta o maior número de empresas.00% Região Sudeste Região Sul Região Nordeste Região Centro-Oeste Região Norte Total Brasil Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Entre os Estados localizados na região sul.24% 5.73% 1.357 100.181 Em termos de concentração. O Paraná possuía em 2005.70% de participação na região sul.

23% 15 0.77% 46 0.61% 40 0.55% 39 0.04% 0 0.54% 36 0.36% 17 0.02% 69 0.95% 56 0.21% 4 0.39% 498 6.182 Quadro 27 – Número de Indústrias Químicas por Unidade da Federação (2005) Número de Indústrias Participação Químicas (%) 2947 40.263 100.39% 26 0.06% 3 0.63% 44 0.261 (noventa e um mil duzentos e sessenta e um) ou 27%.833 (trezentos e trinta e nove mil oitocentos e trinta e três) empregados.42% 569 7. são apresentadas as participações dos demais setores: .43% 259 3.50% 34 0.43% 193 2.00% 7. Em seguida. Dentro deste universo.86% 121 1.58% 902 12.57% 249 3.83% 537 7. sendo responsável por 91.00% São Paulo Minas Gerais Rio de Janeiro Rio Grande do Sul Paraná Santa Catarina Bahia Goiás Pará Pernambuco Ceará Mato Grosso Espírito Santo Maranhão Mato Grosso do Sul Paraíba Amazonas Sergipe Rio Grande do Norte Distrito Federal Alagoas Piauí Rondônia Tocantins Acre Amapá Roraima Total Brasil Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) o número de pessoal ocupado na indústria química em 2005 era de 339.66% 135 1.67% 74 1.47% 28 0. o setor que detinha o maior número de empregados em 2005 era o de Fabricação de Produtos Farmacêuticos.86% 322 4.

222.717 . Lacas e Produtos Afins 24. Detergentes. 5% 67. 12% 27.964 Percentual 5. 10% 15. 8% 45. 20% 11.Brasil.633 .73% 3. 2% 24.183 39.421 16.6 Fabricação de Defensivos Agrícolas 24.9 Fabricação de Produtos e Preparados Químicos Diversos Gráfico 9 – Total de Empregados na Indústria Química por Setor (2005) Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) No quadro abaixo são apresentados os percentuais de pessoal ocupado nas indústrias químicas em relação às indústrias de transformação. Esmaltes. Região Sul e Paraná (2005) Total de Indústrias de Transformação 6. 27% 5.261 .46% 2.259 . Fios. Vernizes.362 . 13% 35.1 Fabricação de Produtos Químicos Inorgânicos 24.334 479. regional e estadual: Quadro 28 – Total de Pessoal Ocupado .833 43.7 Fabricação de Sabões. Cabos e Filamentos Contínuos Artificiais e Sintéticos 24.899 . 3% 91. Produtos de Limpeza e Artigos de Perfumaria 24.906 .590.3 Fabricação de Resinas e Elastômeros 24.2 Fabricação de Produtos Químicos Orgânicos 24.8 Fabricação de Tintas.732 .4 Fabricação de Fibras. estes números apresentam mais uma vez evidências do sucesso da racionalidade econômica no setor e apontam .53% Brasil Região Sul Paraná Fonte: Adaptado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007b) Os números apresentados neste capítulo apresentam a dimensão econômica e a velocidade de expansão da indústria química na contemporaneidade.973 Total de Indústrias Químicas 339.064 .5 Fabricação de Produtos Farmacêuticos 24. Além de revelar as dimensões do setor químico em nível mundial e nacional.472 1. nas esferas nacional.

Infelizmente todas as vantagens obtidas pela capacidade humana de estabelecer o seu domínio sobre os meios de produção e sobre a ciência. o incremento da população mundial e o crescimento dos volumes de produção industrial. A evolução tecnológica trouxe também. A introdução do gás para iluminação e como combustível contribuiu para melhorar as condições do ar nas grandes cidades. 2. comprovam a predominância da racionalidade instrumental no mundo corporativo e o poder político e econômico por ela oferecido aos . os riscos se potencializaram: Os combustíveis líquidos. cujos efeitos sobre a saúde humana e o meio ambiente eram ainda pouco conhecidos. bem como aplicações para novos elementos químicos – cloro. como resultado. novos materiais produzidos pela síntese química – ácidos. Os primeiros experimentos com os elementos radioativos e o uso. ainda desprovido de proteções adequadas. inexistentes com o uso do carvão. vieram acompanhadas por uma lógica exponencial de destruição da natureza e consequentemente da criação de novos riscos. p. das radiações ionizantes. produzidos a partir do petróleo. Os números apresentados neste estudo e que retratam o sucesso econômico obtido pela indústria química mundial. agregaram novos fatores de risco de acidentes com a chegada ao século XX.184 para a manutenção de sua expansão no futuro. álcalis. cádmio. se comparado com a queima do carvão. introduziram novas variáveis – volatilidade. bromo. fato que poderá contribuir para níveis crescentes da utilização dos recursos naturais bem como para o aumento dos níveis de geração de resíduos que poderão contribuir de alguma forma para o agravamento da saúde ambiental planetária. Indústrias Químicas.5. anilinas. mas trouxe mais riscos de vazamento e o fator pressão. De acordo com Lage e Valle (2004. inflamabilidade mais intensa que no carvão – que aumentam os riscos de acidentes e facilitam as contaminações por infiltração no solo e dispersão nas águas. e que em um primeiro momento prometiam o atingimento de melhores condições de vida. fluidez. 25) com os avanços tecnológicos alcançados no final do século XIX.3. Sociedade e Meio Ambiente O sucesso econômico alcançado pela predominância da racionalidade instrumental na sociedade contemporânea pode ser facilmente percebido pelos números que comprovam a expansão da economia mundial. flúor.

garrafas plásticas passaram a ocupar espaços crescentes nas prateleiras dos supermercados. representada pela intensa mobilização da sociedade em torno da problemática ambiental. autonomia quase total para comandar seus próprios negócios. incrementando a produtividade das diversas monoculturas. 72 e 73): Em diversos países desenvolvidos. a análise restrita dos números encobriu uma faceta inerente ao desenvolvimento químico: o aumento dos riscos socioambientais. Segundo Demajorovic (2003. transformando idéias em produtos comerciais e com uma eficiente campanha de divulgação que criava novas necessidades de consumo. propiciar o crescimento da autocrítica. portanto. Demajorovic (2003. Fibras sintéticas ganharam mercados antes dominados pelas fibras de algodão. Para Demajorovic (2003). poucos setores industriais contribuíram tanto para a emergência da modernização reflexiva ao criar uma variedade de riscos socioambientais e.185 controladores das atividades econômicas. de acordo com Demajorovic (2003) a expansão crescente da produção e do consumo não significou apenas o aumento do faturamento do setor. e uma infinidade de novos pesticidas e adubos prometiam uma revolução verde no campo. . as empresas tiveram. o crescimento promissor das indústrias químicas. particularmente nos Estados Unidos. com efeitos muitas vezes desconhecidos sobre o meio ambiente e os seres humanos”. o setor aumentava os lucros na medida em que conseguia assegurar um mercado ávido por absorver uma quantidade e variedade de produtos cada vez maior. até a década de 1960. Contudo. p. ao mesmo tempo. Para o autor. do emprego e das condições de atendimento de novas necessidades dos consumidores. uma incrível capacidade de autofinanciar seu crescimento. p. desbancando as tradicionais garrafas de vidro. Sempre inovando. Sem se preocupar com a intervenção do setor público ou a pressão da sociedade. Apesar de considerar que a atividade química não seja a principal responsável pela geração de resíduos. De acordo com Demajorovic (2003. apresentou. Embora por vezes ajudado por empréstimos e contratos governamentais. desde os anos de 1920. significou também o crescimento exponencial do volume de resíduos gerados. poucos setores industriais se desenvolveram de forma mais independente dos governos do que o setor químico. p. 73) afirma que “nenhum outro setor produziu tamanha quantidade e variedade de resíduos tóxicos. 73): Nada parecia ameaçar.

o presidente Nixon declarou guerra total à doença e. eram simplesmente lançados em lixões a céu aberto ou em corpos d´água. uma vez que o câncer já constituía um tema particularmente sensível entre a opinião pública norte-americana. em função do grande crescimento econômico e da prosperidade vividos nos quinze anos que se seguiram logo após o final da Segunda Guerra Mundial. conforme apresentado no quadro 29: Quadro 29 – Pesquisas sobre os Efeitos Nocivos de Produtos Químicos Ano 1950 Pesquisa Dois pesquisadores da Universidade de Siracusa (Nova Iorque). De acordo com Demajorovic (2003). em 1972. continuava ignorando o fato de que alguns insumos e produtos estavam intoxicando trabalhadores e consumidores ou de que resíduos gerados. Representou para as empresas químicas o início de grandes investimentos para cumprimento de regulamentações. p. levando a uma acentuada queda de fertilidade. no mesmo momento em que grande parte da população nos países industrializados sorvia os benefícios de um boom econômico sem precedentes. 74 e 75) . a EPA decretou o fim do uso do DDT no país. Além dos gastos com novos equipamentos industriais. Em 1971. sem qualquer tipo de tratamento. Segundo Piasecki citado por Demajorovic (2003) de 1970 a 1978 mais de um terço de todos os conflitos judiciais envolvendo unidades industriais nos Estados Unidos teve como protagonistas empresas do setor químico. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos publicou estudos indicando a maior incidência de tumores no fígado de camundongos expostos ao DDT. Algumas destas situações passaram a ser gradativamente identificadas por especialistas entre as décadas de 1950 e 1970. 1962 1969 Década de 1970 Fonte: Adaptado de Demajorovic (2003. a partir dessa década. Foi o combustível ideal para que os ambientalistas aumentassem sua pressão para banir o uso do produto. Verlus Frank Linderman e Howard Burlington. as grandes empresas tiveram de criar estruturas para organizar e coletar as informações exigidas pelo governo. De acordo com o autor. Nos Estados Unidos. cerca de 10% de todos os investimentos em novas unidades industriais passaram a ser destinados a programas de controle de poluição. em quantidades cada vez maiores. de Rachel Carson – o primeiro livro a expor os efeitos nocivos do uso indiscriminado de produtos químicos. até os anos 1960 pouco se sabia sobre os subprodutos associados ao desenvolvimento industrial químico. alertavam para o fato de que o uso do Dicroro Difenil Tricloroetano (DDT) em excesso poderia alterar a química hormonal dos animais. Publicação do livro Primavera Silenciosa.186 A ampliação da produção mundial de produtos químicos com a conseqüente ampliação da geração de resíduos industriais e urbanos propiciou que os efeitos não desejados passassem a ser gradativamente detectados por especialistas e pelas diferentes sociedades locais que habitavam localidades próximas às indústrias químicas poluidoras.

Paralelamente. entre outras. dos resíduos e consequentemente dos riscos inerentes de sua própria operação. a posição da maior parte das empresas do setor químico continuava a ser tipicamente reativa. O objetivo principal era reverter a imagem do setor perante a opinião pública visando reduzir os custos impostos pela legislação. 2003. O esforço de indústrias importantes no cenário mundial como a DuPont ou a Dow Química. Demajorovic (2003) menciona que apesar das mudanças decorrentes da pressão de grupos ambientalistas e da regulação ambiental mais restritiva. que restringiam as possibilidades de crescimento do setor (DEMAJOROVIC. nos processos e no acesso às informações em poder dos governos e das indústrias. 76). o setor químico mundial passou a sofrer maiores . “as entidades públicas e privadas que tradicionalmente conjugaram seus esforços visando o crescimento econômico viram-se em lados opostos. já havia sido incorporada na sociedade dos países industrializados. as empresas passaram a financiar grandes campanhas publicitárias para “educar” o público em geral sobre os benefícios da indústria química. Segundo o autor. 2003. especialmente em relação à indústria química. De acordo com Demajorovic (2003) os resultados esperados para as campanhas não atingiram o objetivo de mudar a opinião pública. Com a ampliação da produção. Segundo o autor: Para representantes da Chemical Manufactures Association (CMA). a maior união de indústrias químicas nos Estados Unidos. nos produtos. p. uma vez que “novas leis impostas pelos órgãos ambientais passaram a controlar de forma mais restritiva produtos e processos industriais químicos” (DEMAJOROVIC. 76).187 De acordo com Demajorovic (2003. era barrar ou retardar a aprovação das leis de controle ambiental. resultando em um grande número de adesões aos diversos grupos envolvidos na luta contra os produtos tóxicos. Dentre as principais reivindicações dos grupos organizados destacavam-se: mudanças no consumo de matérias-primas. as empresas tratavam a nova situação regulatória como um complô dos grupos ambientalistas. neste momento a preocupação ambiental. 77). pelo menos no que concerne à problemática ambiental”. uma vez que ambos não podiam mais ignorar a pressão dos grupos não-governamentais organizados. p. estas situações ocorridas nos Estados Unidos contribuíram para o estabelecimento de uma nova relação entre empresas e órgãos de governo. De acordo com o autor. p.

contribuíram direta e indiretamente para a formação de uma imagem negativa do setor perante a opinião pública: Quadro 30 – Acidentes Ocorridos com Indústrias Químicas/Produtos Químicos Ano Local Fato Ocorrido Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). se caracterizando como a mistura de gases.188 pressões por parte da sociedade organizada em decorrência de acidentes de grandes proporções ocorridos nas mesmas décadas que demarcaram sua expansão. 78) “os inúmeros acidentes envolvendo indústrias químicas em diversos países colocaram no centro do debate os problemas associados ao consumo de produtos tóxicos. Smog é um fenômeno que ocorre principalmente nas grandes cidades. Bombas atômicas são utilizadas. formando uma grande massa de ar.) 1914 Europa 1928 1929 1930 1932 Alemanha EUA Bélgica Japão 1945 Japão De acordo com Mundo e Educação (2007) A palavra “Smog” é uma junção de duas palavras da língua inglesa: “smoke” e “fog”. p. o qual revelou ao pesquisador que o seu pai havia lutado na 1ª. Este fato foi confirmado por um dos entrevistados que participou desta pesquisa. ao final da Segunda Guerra Mundial. De acordo com Demajorovic (2003. os quais revelam a existência de riscos na produção. fato que contribuiu para a ampliação da regulamentação do setor. fumaça e vapores de água.. destino dos resíduos industriais. Estes acidentes serviram para reforçar a opinião pública quanto aos riscos envolvidos na fabricação. contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki. compostos voláteis orgânicos (VOC). Guerra Mundial e que naquela época os gases produzidos por indústrias químicas já eram utilizados como arma de guerra. 39 Uma ocorrência de smog próximo a Liège causa 100 vítimas fatais.. Início da produção comercial de bifenilas policloradas (PCB´s). ao seu gerenciamento e à distribuição dos riscos decorrentes da expansão da atividade”. Os efeitos do mercúrio sobre o organismo eram então desconhecidos. Mais precisamente. 39 . no transporte. fumaça e neblina. causando cerca de 100 mil mortes. no destino de resíduos industriais e no consumo. gases tóxicos são utilizados por ambos os lados em combate. o smog é formado por óxidos de nitrogênio (NOx). transporte e consumo de produtos químicos. Continua (. Indústria química instalada às margens da baía de Minamata passa a lançar no mar efluentes contaminados com mercúrio. causando mais de 120 mil mortes e provocando a contaminação radioativa de extensas áreas naquelas cidades. Estes fatos somados. Acidente com gás venenoso fosgênio em um fábrica de Hamburgo mata 10 pessoas e envenena gravemente outras 150. No quadro 30 são apresentados diversos fatos e acidentes ocorridos com produtos químicos e indústrias químicas em diferentes épocas e países. respectivamente. aerossóis ácidos e gases. dióxido de sulfureto.

com autorização do governo. de sementes de trigo tratadas com fungicidas com base de mercúrio provoca muitas mortes. Quarenta lagos e rios são considerados contaminados com metilmercúrio originado. no atol de Bikini. afetando os litorais da Inglaterra. contamina com radioatividade uma área com cerca de 18 mil quilômetros quadrados do oceano e atinge algumas ilhas habitadas. Acidente em uma instalação nuclear. resultante da queima de carvão mineral. passa a ser habitada. O uso impróprio.) .. Um acidente em uma indústria química. Continua (. no estado de Nova York – e posteriormente usada como depósito de resíduos tóxicos. em 1963 no Paquistão e em 1966 na Guatemala. para alimentação. O Presidente Kennedy autoriza o emprego da guerra química com o uso do agente laranja.189 1951 EUA 1952 Japão 1952 Inglaterra 1953 EUA 1953 Alemanha Federal Oceano Pacífico 1954 1956 Iraque 1957 Inglaterra 1957 União Soviética 1960 1961 1961 1961 1965 1966 1966 1966 1967 1967 Brasil Vietnã EUA URSS Japão Mar do Norte México EUA Mar do Norte Suécia Indústria do Estado de Ohio lança. Três técnicos morrem em um acidente com um reator nuclear experimental em Idaho Falls. Navio desconhecido lança cerca de 35. O navio-tanque Heimvard lança cerca de 50. provoca emissões de tetraclorodibenzoparadioxina (TCDD). acarretando graves conseqüências para a saúde dos seus moradores. O smog ocorrido em Londres durante cinco dias.000 toneladas de óleo no mar. O navio-tanque Sinclair Petrolore lança cerca de 60.000 toneladas de óleo no mar. O navio-tanque Anne Mildred Broving lança cerca de 20. Um teste nuclear com bomba de hidrogênio. provoca a contaminação radioativa de uma vasta área e causa centenas de vítimas fatais devido à radiação recebida. acarretando mais de quinhentas vítimas humanas fatais entre aquelas que se alimentaram com peixes e frutos do mar da região. Relatório publicado em 1992 relata que mais de 8 mil pessoas haviam morrido. libera quantidades de material radioativo que contaminam corpos d´água. França e Holanda. próximo de Vera Cruz.000 toneladas de óleo na baía de Campeche. nos montes Urais. na cidade de Ludwigshafen. devido a mudanças imprevistas na direção dos ventos. em uma vasta área de ilhas Britânicas. animais e o leite. de sementes tratadas com mercúrio. na usina de Windscale. em decorrência desse acidente. que afetam 55 pessoas. provavelmente. um dos tipos de dioxina.. Radiação disseminada no interior do primeiro submarino nuclear soviético mata o comandante e vários tripulantes. cerca de 200 toneladas de poeira radioativa no meio ambiente.000 toneladas de óleo próximo à ilha de Hokkaido. Desastres desse mesmo tipo se repetem em 1960 e 1972 no Iraque. O navio-tanque Torrey Canyon lança cerca de 120. Identifica-se que a contaminação por mercúrio lançado na baía de Minamata é a causa de disfunções neurológicas em pessoas e animais. Esta ação teve início em 1961 e terminou somente em 1971. Acidente com um reator de plutônio. até aquele ano. causando 35 vítimas comprovadas e aumento dos casos de câncer na população nos anos subseqüentes. desfolhante associado a dioxinas. causa mais de 4 mil vítimas fatais. Reator experimental na região de Detroit funde-se parcialmente devido à uma falha no sistema de refrigeração.000 toneladas de óleo ao largo da costa. A área ocupada por um canal inacabado – o Love Canal.

fretado pela Petrobras. Movimentos de conscientização para a poluição gerada pelo Pólo Industrial de Cubatão exigem a recuperação ambiental da região.000 toneladas de óleo no golfo de Omã. O navio-tanque Othello lança cerca de 70. O navio-tanque Amoco Cadiz lança cerca de 230.000 toneladas de óleo a 100 km da costa de Durban. uma indústria lança acidentalmente no ambiente 2. O navio-tanque Epic Colocotronis lança cerca de 60.000 toneladas de petróleo no litoral de São Paulo.000 toneladas de óleo perto da costa chilena.000 toneladas de óleo na baía de Guanabara. Continua (. Incêndio em usina nuclear no Alabama faz baixar o volume da água de resfriamento do reator a níveis alarmantes O navio-tanque British Ambassador lança cerca de 50.000 toneladas de óleo no mar a 100 km da costa. O navio Borag lança cerca de 35.000 toneladas de óleo na costa de Honolulu. O navio-tanque Amoco Cadiz derrama cerca de 6. O navio-tanque grego Tarik.000 toneladas de óleo no litoral. O navio-tanque Napier perde cerca de 40.000 toneladas de óleo a 300 quilômetros da costa de Iwo Jima. Rowland demonstram a relação entre os compostos de clorofluorcarbono (CFC´s) e a destruição do ozônio nas camadas superiores da atmosfera. Mario Molina e L.000 toneladas de óleo próximo à costa belga.. O navio-tanque St.000 toneladas de óleo ao largo da costa da ilha de Honshu. O navio Urquiola encalha na costa e lança cerca de 95.5 quilos de dioxinas. O navio-tanque Jacob Maersk lança cerca de 90.000 toneladas de óleo no estreito de Magalhães. O navio-tanque Texaco Denmark lança cerca de 100. Um curto-circuito na instalação nuclear de Lubmin causa um incêndio que quase provoca a fusão do núcleo do reator.000 toneladas de óleo próximo de Chilung.000 toneladas de óleo no oceano próximo à costa dos Açores. O navio-tanque Sea Star lança cerca de 130. S. Peter lança cerca de 35. O navio-tanque Hawaiian Patriot lança cerca de 95.000 toneladas de óleo na baía de Tralhavet. O navio-tanque Wafra lança 40.. provocando contaminação de moradores e obrigando o sacrifício de cerca de 70 mil animais.000 toneladas de óleo no oceano próximo a essas ilhas. Havaí. contaminando mais de 200 quilômetros da costa francesa.000 toneladas de óleo no oceano Atlântico.000 toneladas de óleo na baía de La Coruña.000 toneladas de óleo próximo à ponta de Manglares. O navio-tanque Yuyo Maru lança mais de 50.) . próximo ao porto de Leixões.000 toneladas de óleo na costa de Portugal. O navio-tanque Metula lança cerca de 50.190 1968 1969 1969 1970 1970 1971 1971 1972 1973 1974 1974 1974 1975 1975 1975 1975 1975 1975 1976 1976 1976 1976 1977 1977 1978 1978 África do Sul Suíça Portugal Ilhas Seychelles Suécia África do Sul Mar do Norte Omã Oceano Pacífico EUA Japão Chile Brasil Porto Rico Alemanha (República Democrática) EUA Japão Portugal Espanha Colômbia Itália Brasil EUA China Brasil França O navio-tanque World Glory derrama cerca de 50. Na cidade de Seveso. O navio-tanque Julius Schindler lança cerca de 90. derrama cerca de 6. Radiação emitida devido ao mau funcionamento de um reator experimental obriga à lacração da caverna onde estava instalado. O navio-tanque Ennerdale lança cerca de 50.

O navio-tanque Patianna derrama cerca de 40.000 toneladas de óleo na entrada da baía de Galveston.000 toneladas de óleo próximo à costa da Bretanha. em uma usina em Tsuruga. O navio-tanque Independenza lança cerca de 95. .191 1978 1978 1978 1979 1979 1979 1979 1979 1979 Indonésia Espanha Atlântico Norte Tobago Turquia Dubai EUA França EUA 1979 URSS 1979 1979 1979 1980 1980 Canadá EUA Alemanha Federal Mar do Norte Grécia O navio-tanque Tadotsu perde cerca de 45. causando a morte de pelo menos 68 pessoas. Identificados casos de anomalias congênitas na população que vive na região do Pólo Industrial de Cubatão. foi iniciado um plano de controle das fontes de poluição nas empresas de Cubatão. pela Grã-Bretanha. um ano depois da instituição da Política 40 Nacional do Meio Ambiente . O navio-tanque Globe Asami lança cerca de 16. 61 toneladas de óxido de nitrogênio e 78. O navio-tanque Andro Patria lança cerca de 50. metal pesado venenoso.000 toneladas de óleo próximo à costa do cabo Villano. tornando as terras impróprias para a agricultura e desfolhando árvores. no estado de São Paulo. Em Lengerich uma fábrica de cimento contamina a região com tálio.000 toneladas de óleo no oceano. 8. próximo a Dumai. O navio-tanque Gino lança cerca de 35. com a qualidade de vida da população da região. Na década de 1980. O navio Burmah Agate lança 35. Uma plataforma de petróleo no golfo do México libera cerca de 170. Continua (. Segundo estudos da época.000 toneladas de óleo no mar Báltico. na região de Toronto.000 toneladas de petróleo no mar antes de ser controlada nove meses depois. Descarrilhamento de trem com produtos químicos provoca incêndio e escapamento de cloro.000 toneladas de óleo no estreito de Bósforo. 109) a “Política Nacional do Meio Ambiente representou um marco histórico ao introduzir a responsabilização por crimes ambientais e eleger o Ministério Público como importante ator para a solução de conflitos judiciais ligados à degradação ambiental”.6 toneladas de poeira.. em Three Mile Island.000 toneladas de lixo nuclear no oceano. Uma fábrica de armas biológicas situada em Sverdlovsk liberou acidentalmente uma nuvem de esporos de antraz. liberando água radioativa. funde parcialmente.7 toneladas de amônia. matando 123 pessoas. Um dos reatores da usina nuclear de Harrisburg.. entidades criam uma intensa movimentação da opinião pública em torno dos dramáticos impactos socioambientais provocados pelo descaso das indústrias instaladas em Cubatão. de 2. Texas. O navio-tanque Atlantic Empress lança cerca de 278. A plataforma Alexander Keillan naufraga no campo petrolífero de Ekofisk. 2.3 toneladas de dióxido de enxofre. matando milhares de pássaros.000 toneladas de óleo no mar. O navio-tanque Irenes Serenad lança cerca de 40. que separa a Europa da Ásia.000 toneladas de óleo no estreito de Málaca. próximo a esse emirado.6 toneladas de fluoretos. p. A organização ambientalista Greenpeace tenta impedir o lançamento.) 1980 Brasil 1981 1981 40 URSS Japão De acordo com Demajorovic (2003. Em 1982. obrigando à evacuação de 226 mil moradores na cidade de Mississauga. entre outros gases.000 toneladas de óleo no porto de Arzew. 45 funcionários são expostos a radioatividade. as empresas instaladas na região eliminavam diariamente cerca de 236. em 1980.

A organização Greenpeace documenta o lançamento de rejeitos atômicos no oceano. Vazamento na Central Nuclear de Philipsburg resulta no lançamento de iodo-131 no ambiente. provocado por vazamento de gás no campo de Enchova. para onde o material foi exportado. na Bahia. causando milhares de mortes. O navio-tanque Nova lança cerca de 70. em uma planta química. Continua (. contaminam o rio Reno com pesticidas e mercúrio. entre 1983 e 1988. Dois acidentes. causando intensa contaminação radioativa em toda a região. por parte da Grã-Bretanha e Holanda. afunda ao largo da costa de Table Bay. Armas químicas são utilizadas por esses dois países em guerra. Constata-se que a usina de reprocessamento nuclear de Sellafield está lançando no mar resíduos oleosos radioativos.400) e afeta seriamente a saúde de aproximadamente 200 mil. construída junto a oleodutos. As autoridades soviéticas informaram a ocorrência de 31 mortes devido ao acidente e a necessidade de evacuação de mais de 100 mil habitantes das regiões vizinhas. Seu conteúdo é utilizado por uma siderúrgica para fazer vergalhões de construção. em Bhopal. Furto do combustível derramado por membros da população local provoca incêndio que causa 99 mortes. da marinha britânica. De acordo com Demajorovic (2003) o acidente causou a morte de 10.000 toneladas de óleo próximo à costa de Omã. Um incêndio e explosões na favela da Vila Socó. 3 milhões de litros de óleo vazam de oleoduto em Bertioga. estado de São Paulo.400 pessoas (alguns cálculos chegam a 6.000 mortes. mata mais de 100 pessoas. Uma cápsula de cobalto-60.000 toneladas de óleo.000 pessoas e mais um número incalculável de casos de câncer em vários países da Europa. O navio-tanque Pericles GC lança cerca de 50.000 toneladas de óleo próximo à ilha de Kharg. na Basiléia. O navio-tanque Assimi lança cerca de 53. bacia de Campos. carregado com cerca de 260.) . Vazamento de isocianato de metila.000 toneladas de óleo na costa de Doha. em duas plantas químicas distintas. seguido de explosão.. em São Paulo. com explosões sucessivas de tanques de armazenamento e botijões de gás liquefeito de petróleo (GLP). causa a morte de 37 pessoas. provoca morte de 3. Incêndio. com intervalo de 6 meses. Incêndio em refinaria na Cidade do México. suspeito de conduzir armas nucleares. Experimentos com armas biológicas provocam mais de 1. em Santos. Acidente com trem transportando gasolina em Pojuca. contaminando centenas de prédios nos EUA. explode. Explosão destrói uma base de submarinos nucleares causando 10 vítimas fatais imediatas e um número desconhecido de mortes posteriores provocadas por exposição à radiação. é afundado pela aviação argentina durante a Guerra das Malvinas.192 1982 1982 1983 1983 1983 1983 1983 Atlântico Sul Atlântico Norte África do Sul Golfo Pérsico Brasil Brasil Irã-Iraque 1983 México 1983 1983 1983 1984 1984 1984 Qatar EUA GrãBretanha Índia Brasil Brasil 1984 México 1985 1985 1986 URSS Irã URSS 1986 URSS 1986 Suíça O destróier Sheffield. tem como conseqüência a morte de cerca de quinhentas pessoas e ferimentos em mais de 4 mil.. O navio-tanque espanhol Castillo de Bellver. na atual República da Ucrânia. é levada de um hospital em Juarez para um depósito de sucata. intensamente radioativa. supostamente devido a contaminação com antraz. Um dos quatro reatores da Usina Nuclear de Chernobyl. com efeitos em diversos países vizinhos.

sem a proteção de roupas adequadas. Acidente em uma planta química próxima a Frankfurt provoca danos à saúde de 192 pessoas. lança cerca de 85. acarretando mais de duzentos mortos. O navio-tanque Aragon perde cerca de 25. deixada em um hospital desativado é violada por um sucateiro. O navio-tanque Braer. O navio-tanque ABT Summer se incendeia ao largo da costa de Angola.000 quilômetros de costa. A plataforma de petróleo Piper Alpha explode.000 toneladas de óleo na costa africana. Centenas de milhares de toneladas de petróleo queimam diariamente. causando 140 mortes e provocando a poluição com óleo na costa de Livorno. durante a Guerra do Golfo.000 toneladas de óleo. em Goiás. causando 43 mortes. libera radiação que contamina e mata várias pessoas em um bairro de Goiânia. matando 167 dos 232 homens que trabalhavam em suas instalações. O navio-tanque Aegean Sea encalha e lança cerca de 80.000 toneladas de óleo na baía de La Coruña. superam a cifra dos US$ 10 bilhões. O cargueiro Anne Broere afunda com 24. em retirada. matando milhares de animais e contaminando as águas da região numa extensão de mais de 2. no mar Mediterrâneo.193 1987 1988 1988 1988 1988 1988 Brasil Canadá Iraque EUA Canal da Mancha Mar do Norte Uma cápsula de césio-137.800 litros de acrilonitrila tóxica. O navio-tanque Maersk Navigator atinge a costa em Sumatra e perde uma quantidade desconhecida de óleo. cerca de 15 mil desabrigados.000 toneladas de óleo. O navio-tanque Exxon Valdez encalha em um recife no estreito Prince William e lança cerca de 40. 5 mil curdos são mortos com gás mostarda e outras armas químicas utilizadas pelo exército iraquiano.000 toneladas de óleo no oceano a 560 quilômetros da costa da Terra Nova. pagas ou pleiteadas. durante meses. no deserto de Nevada.) 1989 EUA 1989 1989 1989 Mar do Norte Ilhas Canárias Ilha da Madeira Kuwait 1991 1991 1991 1991 Itália Itália Angola 1992 México 1992 1992 1992 1992 1993 1993 1993 Moçambique Espanha Holanda França Alemanha Ilhas Shetland Indonésia .. O navio-tanque Katina P lança cerca de 72. em Forbach. A cidade de Guadalajara é sacudida por uma explosão em seu sistema de esgoto municipal. O navio-tanque Khark 5 explode ao norte dessas ilhas. causada por infiltração de combustível. Próximo à costa da Alemanha. o cargueiro Oostzee enfrenta mar agitado transportando 4 mil tambores de epicloridrina. Um grave acidente é evitado por pouco. O ferry Moby Prince abalroa o navio-tanque Agip Abruzzo.000 toneladas de petróleo.000 toneladas de óleo no mar no Norte.000 toneladas de óleo na costa do Alasca. 25 quarteirões destruídos e uma cratera de quase 2 quilômetros de comprimento. Três funcionários são contaminados ao entrar em um acelerador nuclear de partículas. Continua (. carregado com 260. Explosão de fábrica que produzia perclorato de amônia (combustível para foguetes). ao partir-se em dois. O navio-tanque Haven se incendeia próximo a Gênova e afunda no mar Mediterrâneo com 143.000 toneladas de óleo. perdendo cerca de 80.. O navio-tanque Odyssey lança cerca de 132. Avião de carga transportando explosivos e produtos químicos cai nos arredores de Amsterdã. graças à pronta ação de salvamento realizada. Gasto com a limpeza das costas atingidas e ações de indenização. como conseqüência da destruição dos campos petrolíferos desse país promovida pelas tropas iraquianas. isótopo radioativo.

6 milhão de metros cúbicos de rejeitos de uma mina de cobre escoam para o rio Boac e três de seus afluentes. causam a morte de centenas de pessoas. O navio-tanque Sea Empress encalha e lança cerca de 70. Doze pessoas morrem no metrô de Tóquio.000 toneladas de óleo na costa galesa. causando a morte de vários pacientes. Uma barragem de mina se rompe próximo a cidade de Baia Mare. destruindo uma reserva natural e um santuário de pássaros. 6. Incêndio provocado por um caminhão no interior do túnel do monte Branco. O navio Bona Fulmar. provoca 35 mortes Cerca de 150 toneladas de óleo combustível são lançadas ao mar quando o navio graneleiro New Carissa parte-se ao meio na costa do Oregon.000 toneladas de óleo diesel.000 toneladas de óleo no estreito de Cingapura. O navio-tanque Evoikos.3 milhão de litros de óleo na baía de Guanabara. em Pernambuco. Continua (. lançando no mar cerca de 1.000 toneladas de óleo que contaminam mais de 400 quilômetros de costa. Rio de Janeiro. dispersando cerca de 10. Explosões em oleodutos.) . atingindo a costa. vítimas do gás sarin (também denominado gás dos nervos). A qualidade imprópria da água utilizada por um hospital de Caruaru.000 toneladas de lama que contaminam com cianeto parte da bacia do rio Danúbio. A ruptura de uma barragem de contenção de uma mina provoca uma avalanche de 5 milhões de metros cúbicos de lama contaminada com substâncias tóxicas. O navio-tanque Volgoneft 248 afunda na costa francesa. Das 17. lança cerca de 4. Cerca de 100 automóveis têm sua pintura danificada. O navio-tanque Diamond Grace encalha próximo a Tóquio e perde cerca de 1. afetando também Hungria e Iugoslávia. lançado por fanáticos religiosos. e sua popa afunda na costa do Japão. o navio-tanque Petron lança cerca de 200. Cerca de 12 toneladas de toluilendiamina escapam de uma indústria química em Dormagen. O navio-tanque Bahía Paraíso afunda próximo ao Cabo Horn. provocadas possivelmente por furos efetuados para roubar combustível. A parte da proa do navio é rebocada para alto-mar e torpedeada para que afunde.000 toneladas de óleo no mar. carregado de 120. contamina equipamentos de diálise renal. abalroado por outro.000 litros de óleo no mar na costa sul das Filipinas.. Centenas de passageiros são intoxicados.194 1995 1995 Coréia do Sul Japão 1996 1996 1996 1996 Brasil Alemanha País de Gales Filipinas 1997 1997 1997 1997 Japão Canal da Mancha Filipinas Cingapura 1997 1997 Alemanha Japão 1998 Espanha 1999 1999 1999 Antártica França-Itália EUA 1999 Japão 1999 Turquia 2000 2000 2000 Romênia Nigéria Brasil Explosão provocada por vazamento de gás no metrô de Daegu provoca 101 mortes. Não se registram vítimas humanas. A ruptura de um oleoduto libera cerca de 1.000 toneladas de óleo. afetando mais de 20 mil moradores na região. que liga os dois países.. choca-se com um cargueiro e lança 25. Dois acidentes sucessivos em indústria química de Frankfurt contaminam o ar e o rio Meno.000 toneladas vazam para o mar. liberando 100. O navio-tanque russo Nakhodka parte em dois. Na ilha de Marinduque mais de 1. Após uma explosão a bordo.000 toneladas de óleo que transportava.500 toneladas de óleo. Um acidente na planta de reprocessamento nuclear de Tokai-Mura provoca a contaminação de mais de quatrocentas pessoas pela radioatividade liberada.

000 litros de ácido sulfúrico.000 litros de óleo combustível sobre um condomínio residencial em Barueri. Acidente com o navio-tanque Norma provoca derramamento de 400.000 litros de nafta no porto de Paranaguá. de bandeira italiana. Trem cargueiro descarrila próximo a Knoxville. que transportava 31.442 pessoas. O navio-tanque Taurus derrama cerca de 7. que transportava cerca de 4.000 litros de ácido sulfúrico no rio Meuse. Uma explosão na plataforma de petróleo P36. da Petrobras.000 toneladas que transportava e. Tennessee. no arquipélogo de Galápagos. numa região que anteriormente já fora utilizada para dispor rejeitos nucleares e munições.. matando 20 pessoas. parte-se em frente à costa espanhola. O navio coreano Dayong lança 23. registrado nas Bahamas. se incendeia depois de encalhar na costa japonesa. Acidente em uma fábrica de munições na cidade de Lagos mata mais de 1.. levando consigo o restante da carga. O navio de carga Hual Europe.000 toneladas de estireno na foz do rio Yang-tse-kiang. Ruptura de um duto de gás liquifeito de petróleo.000 toneladas de petróleo. cetona. Derrama mais de 11. em São Paulo. afunda. A ruptura de um oleoduto libera cerca de 4 milhões de litros de óleo nos rios Barigui e Iguaçú. próximo a Shangai. resultando na liberação de gás cloro para a atmosfera. O navio-tanque francês Limborg explode e incendeia-se ao largo da costa carregado com 397.195 2000 2000 Holanda Brasil 2000 Inglaterra 2000 2000 2001 2001 2001 2001 França Filipinas Equador China Brasil Brasil 2001 2001 2001 2001 2002 2002 2002 2002 2002 Brasil França Peru Brasil Equador República Tcheca África do Sul Iêmen EUA 2002 Espanha 2002 Japão 2002 Nigéria Uma fábrica de fogos de artifício explode na cidade de Enschede. Avalanche de lixo acumulado próximo a uma favela provoca centenas de mortes por soterramento em distrito urbano de Manila. provocando mancha de óleo com 11 quilômetros de extensão.000 moradores no município de Barueri. conduzindo mais de 6. afetando áreas ambientalmente preservadas desse arquipélago. Não houve vítimas fatais. mata onze pessoas. obrigando à evacuação de milhares de moradores da região. metil-etil. provocada pela cravação de uma estaca no local.000 litros de óleo combustível.) . álcool isopropílico e outros produtos) afunda no canal da Mancha. registrado nas Bahamas.000 barris de petróleo. com cerca de 300. no Paraná. ferindo 150 e destruindo grande parte da cidade.000 automóveis.000 pessoas são mortas pisoteadas ou afogadas devido ao pânico. Não houve vítimas fatais. em São Paulo. Não foram registradas mortes. na bacia de Campos. Continua (. Inundação provocada por chuvas intensas afeta uma indústria química. Ruptura de um duto lança um jato de 200.000 litros de óleo diesel na costa da ilha Isabela. Operários em greve de uma fábrica têxtil descarregam propositalmente cerca de 5.000 toneladas de óleo combustível das 70. A plataforma afunda posteriormente. Explosão de fogos de artifício na cidade de Lima provoca 282 mortes e mais de 100 feridos. O navio-tanque Prestige.000 toneladas de produtos químicos (estireno. Outras 1. O navio-tanque Jessica se acidenta nas ilhas Galápagos. depois de colidir com outro navio. O navio Ievoli Sun. derramando cerca de 660. incendeia-se ao largo da costa. Explosão de fábrica de fertilizantes na região de Toulouse causa 31 mortes e fere 2.000 pessoas pelo impacto da explosão. no Paraná. O navio-tanque italiano Jolly Rubino. obriga a evacuação de cerca de 2.

198-214). Perfuração acidental de gasoduto subterrâneo. em Minas Gerais. Entra em vigor o Tratado Antártico. Criação do Clube de Roma. Firmam um tratado que dá fim aos testes nucleares acima do solo. Explosão em um campo de gás natural na região de Chongqing libera uma nuvem de gases tóxicos que mata pelo menos 193 pessoas. Os diversos acidentes ocorridos e a ampliação dos riscos foram acompanhados da realização de diversas plenárias ao redor do mundo. O acidente foi atribuído a um curto circuito elétrico. Constatadas as primeiras evidências da destruição da camada de ozônio. que estipula que aquele continente somente pode ser utilizado para fins pacíficos. Vazamento de vapor não radioativo mata 4 trabalhadores e fere outros 7 na usina nuclear de Mihama. Fonte: Adaptado de Demajorovic (2003) e Lage e Valle (2004. deixa centenas de queimados e obriga a evacuação de 41. convenções e regulamentos como forma de mitigar os efeitos industriais não desejados. matando pelo menos 295 pessoas e ferindo mais de 200. dedicado a estudos relacionados com a degradação da natureza. próximo a fronteira com a China. Acidente com trem transportando produtos químicos provoca contaminação das águas que abastecem a cidade de Uberaba. Trem carregado com dinamite explode em Ryongchon.. causada por uma obra de construção civil em andamento próximo a Bruxelas. situada a 320 quilômetros a oeste de Tóquio. fertilizantes. Dentre as diversas plenárias apresentadas no quadro 31 encontram-se algumas que tratam especificamente da produção e do uso de produtos químicos: Quadro 31 – Tratados. O acidente não liberou radioatividade. Explosão em refinaria da cidade de Skikda mata 13 trabalhadores e fere pelo menos 74. a partir das quais foram elaborados tratados. O acidente foi causado pela faísca de um motor utilizado para perfurar o oleoduto a fim de roubar combustível. não pode receber resíduos nem ter sua área utilizada para testes nucleares. Trem com vagões carregados de enxofre. nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. provoca explosão que resulta em 15 mortos e mais de 200 feridos.. Continua (.) . gasolina e algodão explode na cidade de Neyshabur. causando centenas de mortes e milhares de feridos. Acordos e Convenções para a Preservação do Meio Ambiente Ano 1913 1925 1961 1963 1963 1968 1968 Evento Realização em Berna da Primeira Conferência Internacional sobre a Conservação da Natureza. Acordo de proteção do rio Reno contra a poluição.000 habitantes. acordos. Explosão de oleoduto mata mais de 100 pessoas na região da Abia. O Protocolo de Genebra proíbe o uso de armas químicas e biológicas. p.196 2003 2003 2003 Brasil Brasil Nigéria 2003 2004 2004 China Argélia Irã Coréia do Norte Bélgica 2004 2004 2004 Japão Ruptura de barragem de contenção de rejeitos de uma indústria de celulose provoca grande contaminação das águas dos rios Pomba e Paraíba do Sul.

Convênio relativo à intervenção em alto-mar nos casos de acidentes com óleo. Publicado o relatório da Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento. Convenção de Londres sobre o Banimento do Despejo de Resíduos Radioativos nos Oceanos. Publicação da Diretiva de Seveso.. que cria mecanismos para a eliminação das substâncias que esgotam a camada de ozônio. a ampliação da pressão social resulta em uma atuação mais contundente dos órgãos ambientais nos grandes centros produtores: Rio de Janeiro. Continua (. determinando mudanças nas políticas socioambientais das empresas do setor químico. concedido pela indústria química. A Câmara de Comércio Internacional publica a Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. que transforma a Antártica em reserva natural. Suíça. voltada especialmente para as práticas de gerenciamento de unidades industriais químicas. que regula internacionalmente os movimentos transfronteiriços de resíduos tóxicos. Convênio sobre responsabilidade civil na esfera de transporte marítimo de materiais nucleares. para assegurar maior rigor ao gerenciamento ambiental nas unidades desse setor industrial em todo o mundo. Firmada a Convenção de Viena para a proteção da camada de ozônio. Firmada a Convenção da Basiléia. Realizada em Estocolmo a 1ª. produzido a pedido das Nações Unidas. cujo capítulo 19 trata do tema de Segurança Química: todos os produtos químicos devem ter todas as suas características conhecidas e informadas aos usuários. Assinada em Londres a convenção internacional que proíbe o lançamento de rejeitos nucleares nos oceanos. Resposta e Cooperação em Caso de Poluição por Óleo (conhecida como OPRC/90) Firmado o Protocolo sobre Proteção Ambiental. Este plano exigiu que todas as empresas do setor químico com dez ou mais empregados estimassem o volume das emissões de seus resíduos gasosos.. É aprovado nos Estados Unidos o Emergency Planning and Community Right do Know Act (EPCRA). Rio Grande do Sul. Realiza-se no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Criado o Comitê Técnico 207 da Organização Internacional para a Normalização (ISO) incumbido de criar um sistema de normas internacionais para a gestão ambiental. Convenção Internacional sobre Preparo. com a totalidade de sua área protegida. o Congresso Norte-Americano aprova a legislação Sara Title II. quando são assinados diversos acordos e convenções ambientais de alcance global. dentre eles a Agenda 21. mais conhecido como Relatório Brundtland. Após o acidente de Bhopal. Conferência Mundial das Nações Unidas para o Meio Ambiente e instituído o Dia Internacional do Meio Ambiente (5 de junho) Firmada a Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (Cites) (Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas). do qual resultaram as normas ISO 14000. Em meados da década de 1980. também conhecido como Sara Title III. Criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Bahia e São Paulo. líquidos e sólidos. Firmado o Protocolo de Montreal. Publicado o primeiro relatório do Clube de Roma. intitulado Os Limites do Crescimento. Implantado pela primeira vez o Programa Atuação Responsável. de modo a proteger a saúde humana e o meio ambiente.) . Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (conhecida como Marpol) Conferido pela primeira vez o selo ecológico Anjo Azul a produtos que se distinguem por suas qualidades ambientais. anexo ao Tratado Antártico.197 1969 1969 1969 1972 1972 1972 1973 1973 1978 1982 1983 1984 1984 1985 1985 1986 1987 1987 1989 1990 1991 1991 1992 1993 1993 Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil por Danos Causados por Poluição por Óleo.

Hexaclorobenzeno. também conhecida como Rio + 10. Realiza-se em Johannesburgo. Terminais. a Estratégia Política Ampla (OPS) e o Plano de Ação Global (GPA). na qual são elaborados os documentos “Declaração da Bahia” e “Prioridades de Ação para Além do Ano 2000”. a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Continua (. Nela foi aprovado o “Plano de Ação de Johannesburgo” cujo parágrafo 23 trata de produtos químicos e estabelece que “em 2020 os produtos químicos devem ser fabricados de modo tal que levem à minimização de efeitos adversos à saúde e ao meio ambiente” Código Internacional de Gerenciamento para Operação Segura de Navios e Prevenção da Poluição (conhecido como Código ISM) Início dos trabalhos de Abordagem Estratégica para a Gestão Internacional de Produtos Químicos – SAICM (Strategic Approach to International Chemicals Management). 293. 269. Criação do Fórum Intergovernamental de Segurança Química (IFCS). Reunião do Fórum Intergovernamental de Segurança Química (IFCS) em Salvador – Bahia. a partir da qual foram estabelecidas regras para o Consentimento Previamente Informado de Produtos Químicos no Comércio Internacional (PIC). que estabelece metas para a redução das emissões de gases que contribuem para o efeito estufa. até 1999. Esta negociação destina-se a desenvolver a estratégia para garantir o atendimento do parágrafo 23 do Plano de Johannesburgo. Mirex. particularmente no que tange a recursos hídricos. Convenção de Roterdã sobre Consentimento Previamente Informado para o Comércio Internacional de Certas Substâncias Químicas e Agrotóxicos Perigosos (PIC) 3ª. destacam-se o hexaclorobenzeno e o hexabutadieno. Publicação da Diretiva de Seveso II. Firmada na Suécia a Convenção de Estocolmo para o banimento de 12 poluentes orgânicos persistentes (POP´s). Dieldrin. Bifenilas Policloradas (PCB´s)). Segundo a Associação dos Contaminados Profissionalmente por Organoclorados (ACPO). relacionados a problemas de câncer e graves problemas de intoxicação. para o registro de substâncias químicas e de suas aplicações para permitir a sua comercialização na Comunidade Européia. DDT.. assinada por Ministros de Estado. Plataformas e Respectivas Instalações de Apoio (Resolução Conama nº. com a missão de promover a implementação do capítulo 19 da Agenda 21. Entre os produtos. África do Sul. de 14/09/2000). Toxafeno. Proposta do “White Paper” da Comunidade Européia para produtos químicos. de 12/12/2001). Início das negociações do sistema de controle baseado no “Reauthorization and Evaluation of Chemicals” (REACH). Regulamento para Uso de Dispersantes Químicos em Derrames de Óleo no Mar (Resolução Conama nº. É firmado o Protocolo de Kioto. criado com o objetivo de estabilizar a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera. Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Prevenção de Grandes Acidentes. a partir da qual foram estabelecidas regras para a eliminação de uma lista de produtos organoclorados e para o controle de dioxinas e furanos (Aldrin. Endrin. Dutos. Clordano.198 1993 1993 1994 1996 1996 1997 1997 1998 2000 2000 2001 2001 2001 2001 2002 Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC). Foram produzidos 3 documentos: a Declaração Política de Alto Nível (HLD)..) 2002 2003 . Plano de Emergência para Incidentes de Poluição por Óleo Originados em Instalações Portuárias. Início da negociação da Convenção de Estocolmo sobre segurança química. sete funcionários já haviam morrido por causa da contaminação ocorrida. Início da negociação da Convenção de Roterdã sobre segurança de produtos. bem com o Sistema Globalmente Harmonizado para a Classificação e Rotulagem de Substâncias Químicas (GHS). Heptaclor. A Justiça de Cubatão determinou a total interdição da unidade química da Rhodia em Cubatão em razão da contaminação da sua planta com produtos altamente prejudiciais à vida humana e ao meio ambiente.

O risco é inerente a essas unidades industriais em razão de seu próprio processo de produção e do tipo de produto gerado. fabricadas na União Européia ou importadas de outros países. Avaliação. Criação do Sistema REACH (Registro. que as normas de segurança das empresas mostram-se inadequadas para evitar ou gerenciar as ocorrências. segundo Rasmussen citado por Demajorovic (2003). Conferência Internacional. metais e outras) deverão implementar os elementos da SAICM. Demajorovic (2003). firmada em 2001. serão autorizados os usos de produtos químicos naquele bloco. os governos. Com base nas informações prestadas pelas empresas. Conferência Internacional de Gestão de Produtos Químicos (International Conference on Chemicals Management – ICCM).] embora outros setores industriais também sejam responsáveis por gerar acidentes ampliados ou maiores. . que as autoridades locais não possuem informações e a organização necessárias para mitigar seus efeitos sobre a população e o meio ambiente e. ou de primeira e segunda geração. as representações sindicais. que proíbe o uso de 12 poluentes orgânicos persistentes (POP´s). grande parte dos eventos ocorreu em indústrias químicas de base. apontando para a existência de insuficiências nos conceitos de segurança e controle de riscos desenvolvidos a partir das premissas da matriz de pensamento linear. as organizações de caráter científico e a indústria (química. confirmam a existência dos riscos e da incerteza em diferentes etapas dos processos de produção.. uma vez que não está preparada para enfrentar eventos inesperados. Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007a). Autorização e Restrição de Substâncias Químicas). Os fatos ocorridos ao longo das décadas de demarcaram a expansão da sociedade industrial. as organizações não governamentais. que a população local desconhece os riscos das unidades industriais próximas. p. De acordo com Demajorovic (2003. Lage e Valle (2004. explosões e vazamentos de gases. que fabricam uma série de produtos empregados como matérias-primas em outras indústrias. Estes casos demonstram. tornando-se extremamente vulnerável em casos de acidentes. Entra em vigor a Convenção de Roterdã que trata sobre a segurança de produtos Conclusão da negociação da SAICM e a realização da 1ª. havendo a previsão de realização de eventos para avaliação dos progressos obtidos. que incluirão a 2ª. proposta para 2009. 83): [. da água e do solo. além da contaminação do ar. Como resultado. p. 198-217). finalmente. e os riscos mais comuns são incêndio. distribuição e consumo. novas ou existentes. Trata da criação de um sistema de registro com informações sobre os perigos e riscos de substâncias químicas. Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2008).199 2004 2004 2006 2006 Entra em vigor a Convenção de Estocolmo. incluindo agro-químicos..

O índice de pessoas que se declararam favoráveis ao setor sofreu um decréscimo de 27% em 1991 para 21% em 1995. Esta situação pode ser evidenciada a partir dos resultados obtidos por diferentes relatos e pesquisas relacionadas. É também o potencial de gravidade e extensão de seus efeitos ultrapassarem os seus limites espaciais de bairros. Bhopal e Seveso. tais como explosões. em especial do segmento químico. incêndios e emissões. 1988 Chemical Manufactures Association (CMA) • • • • 1998 Janice Mazurek – The Use of Unilateral Agreements in the United States: The Responsible Care Initiative • . associados com os danos ambientais causados por produtos químicos.. cidades e países – e temporais – como a teratogênese. mutagênese e danos a órgãos-alvo específicos. O que caracteriza os acidentes químicos ampliados não é somente a sua capacidade de causar grande número de óbitos. no período de 1990 e 1995. Continua (. individualmente ou combinados. o setor químico ocupou a segunda posição. A maioria não confiava na indústria química e pensava que o governo deveria controlar a indústria química muito mais restritivamente e com uma legislação muito mais rigorosa. envolvendo uma ou mais substâncias perigosas com potencial de causar simultaneamente múltiplos danos ao meio ambiente e à saúde dos seres humanos expostos. uma pesquisa realizada em várias cidades brasileiras. embora sejam frequentemente conhecidos por isso. demonstrou que mais de 56% dos entrevistados eram mais preocupados com a indústria química em comparação com outras indústrias. contribuíram significativamente para a ampliação da percepção de diferentes atores de sociedades locais sobre os riscos das atividades industriais em escala global.200 A ocorrência de acidentes químicos ampliados41 como os casos ocorridos na baia de Minamata no Japão. As opiniões desfavoráveis aumentaram de 40% para 58% As opiniões favoráveis decresceram de 30% para 14% As pessoas que acreditavam que as empresas do setor químico não eram suficientemente regulamentadas aumentaram de 57% para 74% Aqueles que consideravam a indústria como essencial diminuíram de 49% para 38% Na pesquisa de opinião pública favorável feita em dez setores industriais norte-americanos. como a destruição da camada de ozônio pelo uso indiscriminado de gases CFC´s e os diversos derramamentos de óleo em rios e oceanos. conforme demonstrado no Quadro 32: Quadro 32 – Pesquisas de Opinião Pública sobre a Imagem da Indústria Química: Ano Responsável • 1986 Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) Dados Coletados Em 1986..) 41 Segundo Freitas citado por Demajorovic (2003) acidentes químicos ampliados correspondem a eventos agudos. perdendo apenas para a indústria de tabaco.

O resultado revelou que o público interno possui uma percepção diferente do público externo: 43% consideraram que a indústria química é insegura. e somente 13% considera que o meio ambiente é assunto prioritário para elas. • 2001 Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM) • • 2006 European Chemical Industry Council Fonte: Demajorovic (2003). De acordo com o autor. este se viu obrigado a demonstrar preocupação com os efeitos não desejados . organizações não governamentais. posição entre 8 diferentes tipos de atividades. dados de pesquisas feitas em 1999 revelaram que na Argentina e na Inglaterra só as indústrias nuclear e de tabaco recebiam uma avaliação pior que a do setor químico. A pesquisa do público externo envolveu amostras dos seguintes segmentos: público em geral. formadores de opinião (jornalistas. onde a indústria química ocupa a 6ª. De acordo com Demajorovic (2003). ambos com 38%. Esta pesquisa também foi direcionada ao público interno das empresas associadas (dos 694 questionários enviados a comissões e diretores das empresas associadas. representantes do governo). na Argentina as pesquisas mostram que apenas 12% da população acredita que as empresas estão efetivamente preocupadas com a comunidade. O setor químico ocupou a primeira posição da lista com um índice de 68%. • Nelson Culer Representante da Câmara da Indústria Química e Petroquímica da Argentina 1999 Em uma declaração afirmou que a percepção da sociedade sobre a indústria química em diversos países é muito semelhante. ficando a frente somente das atividades relacionadas a energia nuclear e petróleo.201 1999 Ana Lúcia M. foram devolvidos apenas 138). Demajorovic e Soares (2006). professores univertários. universitários. enquanto que 5% consideram a empresa onde trabalham como insegura. A pesquisa revelou que o setor com imagem mais desfavorável era o químico e de petróleo. Pesquisa de imagem realizada na Europa. comunidades vizinhas a indústrias. 81% consideram que a indústria química agride o meio ambiente enquanto que 26% consideram que a empresa onde trabalham agride o meio ambiente. Guedes – Dissertação: Programas ambientais de empresas multinacionais no Brasil: estudos de caso no setor químico • Em sua dissertação de mestrado apresentou dados de uma pesquisa realizada no Brasil que apontava o setor químico como aquele que acarreta mais risco ou problemas socioambientais. Pesquisa realizada pela ABIQUIM para avaliar a percepção dos públicos (externo e interno) e partes interessadas sobre os setores químico e petroquímico. Chiummo (2004) e European Chemical Industry Council (2007) Em razão das pressões exercidas pela sociedade organizada sobre os governos e as indústrias químicas e pela imagem formada pela opinião pública sobre o setor químico.

o comitê apresentou os princípios do Programa Atuação Responsável para a Diretoria da ABIQUIM. definido como um “compromisso do setor químico para a melhoria contínua em todos os aspectos relacionados à saúde. planos e objetivos”. Início das primeiras discussões sobre o Responsible Care no Brasil. Em outubro do mesmo ano. Continua (. Líderes de empresas nacionais que já tinham programas ambientais deram suporte à iniciativa. à segurança e ao desempenho ambiental. Internacionalmente o programa é coordenado pelo Responsible Care Leadership Group – RCLG (Grupo de Liderança do Responsible Care) do International Council of Chemical Associations – ICCA (Conselho Internacional das Associações da Indústria Química) e no Brasil pela Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM).. Implementado oficialmente em 1988 nos Estados Unidos por meio da Chemical Manufacturers Association (CMA). o Programa Atuação Responsável (Responsible Care) foi criado no Canadá em 1984 com o intuito de reverter a imagem pública das indústrias químicas por meio de ações que visem promover a ampliação da segurança e a redução dos riscos relacionados à indústria química. 1989 Criado o International Council of Chemical Associations (ICCA) com o objetivo de coordenar em nível mundial a implantação do programa Atuação Responsável.) 1990 1991 De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (2007a). garantindo a transparência de suas atividades. A diretoria não aceitou a proposta de imediato.. solicitando seis meses para analisá-la. e dois novos comitês foram formados para o programa. 42 . foi criado em decorrência dos sucessivos acidentes com grande repercussão e que afetaram a imagem da indústria química mundial deste o início da década de 1970. Criados os princípios diretivos e definidos os elementos do Programa Atuação Responsável. De acordo com Lage e Valle (2004) o Programa Atuação Responsável. O nome “Atuação Responsável” foi proposto e aceito pelo Comitê Ambiental da ABIQUIM. O programa Atuação Responsável foi levado para os Estados Unidos e Inglaterra. Segundo Demajorovic (2003) foi por meio deste programa que iniciou-se uma campanha integrada com o objetivo de modificar práticas gerenciais no campo socioambiental para reverter a imagem negativa do setor perante a opinião pública. No quadro 33 são apresentados alguns dados relevantes sobre o processo de criação e implantação do Programa Atuação Responsável no mundo: Quadro 33 – Dados sobre o Programa Atuação Responsável Ano 1984 1987 1988 Fatos O programa tem sua origem em uma iniciativa da Canadian Chemical Producers Association (CCPA).202 oriundos de suas atividades como forma de garantir a continuidade de suas operações. a exemplo da ação relacionada ao Programa Atuação Responsável42.

segundo a ABIQUIM.) 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 . assinaram o compromisso com o Programa Atuação Responsável. com a participação de auditores de empresas certificadoras. participação do empregado e sistema de gestão. Definição do novo modelo do Programa Atuação Responsável e início do processo de revisão. dos 156 membros da ABIQUIM. os membros da ABIQUIM não eram obrigados a assinar o compromisso com o Programa Atuação Responsável. A ABIQUIM promove a primeira auto-avaliação. denominado VerificAR. cobrindo 87% da produção química mundial. A ABIQUIM divulga o primeiro relatório público. especialmente norteamericanas. em função do modelo se mostrar complexo e burocrático. A ABIQUIM realiza uma pesquisa de imagem da indústria química. e da necessidade da sua atualização em relação a legislação brasileira e acordos internacionais (quando o programa foi lançado apenas algumas práticas gerenciais eram obrigatórias por lei). no mesmo ano da realização da Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (UNCED). transporte e distribuição. A ABIQUIM desenvolve em conjunto com empresas certificadoras. proteção ambiental. fazendo com que em abril de 1992 fosse endossado o programa Atuação Responsável brasileiro. somente 74 de 103 companhias submeteram-se a avaliação. com a participação de 50% dos associados da ABIQUIM (devido a participação de grandes empresas. Neste ano as multinacionais americanas eram as mais avançadas na implementação do programa. segurança e saúde do trabalhador. Publicação de guias dos códigos de práticas. De acordo com Mazurek citado por Demajorovic (2003) a iniciativa já atingia 43 países.203 1992 Adoção do Programa Atuação Responsável pela Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007). resposta a emergências e diálogo com a comunidade. A ABIQUIM reporta que 70% dos seus 133 membros tinham adotado o programa. 104 de 138 companhias químicas assinaram ou renovaram seu compromisso com o Programa Atuação Responsável. o seu primeiro modelo de sistema de verificação externa do Programa Atuação Responsável. São gerados os primeiros indicadores. e gerenciamento de produto. 118 ou 75% dos associados. Neste mesmo ano. o programa inicialmente envolveu aproximadamente 90% da indústria brasileira do setor em termos financeiros). A ABIQUIM desenvolve seis códigos de práticas (com guias e checklists) para o Programa Atuação Responsável: segurança de processos. acabou revertendo a resistência à iniciativa. dos 133 membros 75% tinham implementado o código de segurança de processo.. Neste mesmo ano inicia-se a aplicação do VerificAR. Em maio do mesmo ano o programa foi oficialmente estabelecido no Brasil. que representavam mais de 90% das companhias líderes de mercado. e 30% o de resposta a emergências e gerenciamento de produto. Neste mesmo ano o programa passa a ser obrigatório para os membros da ABIQUIM. profissionais de empresas associadas e representantes das comunidades vizinhas. Disponibilização dos códigos de práticas. Neste ano. realizada na cidade do Rio de Janeiro. Continua (. A ABIQUIM decidiu por não replicar os códigos e as guias de implementação do Responsible Care e colocou ênfase em liderança.. Nesta época. processo que permite às empresas acompanhar o andamento da implementação das Diretrizes. Neste ano. A pressão de multinacionais atuando no país. atendimento de novas demandas de empresas que já implantaram 100% do programa. conhecida como “Eco 92”. 50% o de prevenção a poluição e transporte e distribuição.

112) isto se devia ao fato de que: Para muitos representantes de empresas químicas nacionais. definidas no formato do ciclo do PDCA (Plain. Check e Action) e elaboradas com base em diversas normas nacionais e internacionais de gestão (Ex: ISO). aprovação dos textos da Visão. O seu conteúdo é integralmente adequado e incorporado nas novas Diretrizes. para a aceitação. início da redação do novo conjunto de práticas gerenciais do Programa Atuação Responsável. Empresários nacionais também argumentavam que a iniciativa poderia atrair ainda mais a atenção dos órgãos ambientais para o setor. Porém no Brasil. iniciada a construção do novo espaço na internet dedicado ao Atuação Responsável (Canal AR) e. ou reduzir o grau de soberania das empresas associadas na medida em que preconizava um programa uniforme a ser implementado indistintamente . conjunto de diretrizes. tais como o Global Reporting Initiative (GRI) e o Balanced Scorecard. p. Produção do 1º. p. 2005 2006 Fonte: Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007). para equilibrar as forças em jogo e para incrementar suas operações. visto que várias empresas nacionais questionavam a utilidade da iniciativa e sentiam-se inseguras sobre importar um programa na forma de “pacote fechado”. Demajorovic (2003. a questão da imagem pública do setor limitava-se às corporações multinacionais. além das experiências das próprias empresas associadas. com o objetivo de proteger a legitimidade da indústria química mundial para evitar legislações mais restritivas. nos critérios do Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ). culminando em uma legislação ambiental mais restritiva. De acordo com Jonhson citado por Demajorovic (2003). os antigos códigos e práticas deixam de existir. Missão e Princípios Diretivos do Programa. o VerificAR não possuía total compatibilidade com as auditorias para normas de sistemas de gestão. sustentável. foram as próprias empresas multinacionais que optaram pela adoção desta alternativa racional visando o lucro. a implementação do Programa Atuação Responsável encontrou diversas barreiras. para a implantação e para adaptação do Programa Atuação Responsável revela a resistência e as dificuldades apresentadas pelas indústrias químicas baseadas na racionalidade econômica em adaptar-se a uma nova realidade compatível com um desenvolvimento de fato. iniciada a revisão do VerificAR para possibilitar uma única auditoria integrada. considerando outros tipos sistemas de gestão.204 2004 Criação do Conselho Consultivo Nacional (CCN) reunindo diversas personalidades de diferentes áreas e setores. Demajorovic e Soares (2006) e Relatório de Atuação Responsável (2007) O longo período exigido para o surgimento. Apesar de amplo. Segundo Demajorovic (2003. especialmente em seus países de origem. nos indicadores do Instituto Ethos e outros instrumentos reconhecidos. 95). Do. segundo o autor. Com a revisão do Programa Atuação Responsável.

a contaminação do ser humano pelo chumbo. onde os responsáveis pela produção ou utilização desses produtos não reconhecem o nexo causal. fase da contestação. principalmente pequenas e médias empresas. fase da aceitação passiva e a fase da ação pró-ativa. Por fim. as pequenas empresas. o efeito tóxico de metais pesados e a ação dos clorofluorcarbonos (CFCs) sobre a camada de ozônio. Logo. De acordo com Lage e Valle (2004) esta fase normalmente é seguida pela fase da contestação.205 por todos os associados. Esta dificuldade para a aceitação do programa pelos responsáveis pelas indústrias químicas pode ser melhor compreendida pela definição de cinco fases propostas por Lage e Valle (2004): fase do desconhecimento. Segundo os autores. diz respeito à dificuldade enfrentada para a sua adoção em escala global: provavelmente por razões políticas e interesses econômicos associados. a causa identificada. A primeira delas. fase da contemporização. conforme ilustrado na figura 19: . Outra questão relevante. na origem. a exemplo do Brasil. apesar do programa envolver as maiores indústrias químicas existentes no país. apesar de já possuírem dados suficientes para admiti-lo. é que a exigência para a sua adoção é aplicada apenas para as indústrias químicas associadas à ABIQUIM. não atinge a totalidade das indústrias químicas instaladas no território nacional. preocupavam-se principalmente com a possibilidade de aumento dos custos que a iniciativa implicava sem gerar qualquer retorno financeiro. não associadas a conglomerados internacionais. responsáveis por uma considerável participação na produção industrial mundial. O Programa Atuação Responsável desenvolvido pela entidade que representa a indústria química em nível mundial e que é adotado pelas entidades que representam as indústrias químicas em nível local apresenta algumas limitações. como por exemplo. a fase do desconhecimento é caracterizada pela ausência de conhecimento sobre os efeitos danosos de certos agentes químicos. representam uma lacuna em termos globais para a efetivação do programa. Para os autores normalmente estas duas fases são seguidas pelas fases da contemporização e da aceitação passiva para que somente depois ocorra a fase da ação pró-ativa e consciente que visa eliminar. países como a China e a Rússia.

o projeto assemelha-se à ISO 14000. uma vez que esta também não trabalha com indicadores de desempenho.206 Figura 19 – Mapa da Presença do Programa Atuação Responsável no Mundo Fonte: Associação Brasileira de Indústrias Químicas (2007a) Demajorovic (2003. . com base em compromissos éticos com a sociedade”. Demajorovic (2003. p. limitando-se a certificar sistemas de gestão. 97) acredita que o maior problema do programa. ou fragilidade perante a opinião pública. 97) considera que “o Programa Atuação Responsável apresenta-se para as indústrias químicas como uma nova forma de conduzir seus negócios. p. O autor menciona que os seus representantes não o consideram propriamente um programa. Seu critério de desempenho é verificar se os códigos referentes aos sistemas de gestão foram implementados pelos associados nos diferentes países. nesse aspecto. talvez esteja na forma escolhida para sua avaliação. De acordo com o autor. buscar melhorar a percepção do público em relação às formas de gerenciamento das unidades químicas. Como se trata de um programa voluntário. mas sim uma mudança cultural na maneira como a indústria química realiza seus negócios de forma a na prática. o Atuação Responsável não impõe objetivos quantitativos para a redução da poluição ou prazos para que determinados tipos de emissão cessem ou diminuam.

em função destas não contarem com dados sistematizados que permitam o fornecimento das informações solicitadas. Sheldrake (2001) e Fernandes (2004). Outro fator apresentado pelos autores é o receio das empresas em divulgar dados e informações sobre seu desempenho. A exemplo dos fatos ocorridos em outros campos científicos fundamentados na matriz do pensamento linear. Este estudo busca estabelecer as percepções de um pequeno número de profissionais de empresas paranaenses do setor químico. 2. foram considerados os conceitos de percepção propostos pela Chauí (2000). as tradicionais linhas de pensamento empirista e intelectualista divergiram sobre as suas respectivas concepções sobre percepção. para tentar identificar como estas estabelecem as suas relações com o meio ambiente. mesmo quando acordadas condições de garantia de sigilo.207 Demajorovic e Soares (2006) acreditam que algumas críticas continuam sendo feitas ao desempenho do programa no Brasil. Este estudo apresentará a percepção de profissionais que atuam em indústrias químicas distantes da realidade enfrentada por grandes organizações do setor. De acordo como os autores. Estas indústrias se revelam diferentes pelo fato de não serem associadas às entidades que a representam em nível nacional. as tentativas de definição de . uma vez que a ABIQUIM tem dificuldades de manter o apoio efetivo de todos os associados. um dos problemas verificados é o baixo retorno das auto-avaliações principalmente das pequenas e médias empresas. Em sua obra. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente (1991). por não possuírem vínculo com o Programa Atuação Responsável e por não serem consideradas em estudos relacionados a indústrias químicas. Egler e Silva (2007). Chauí (2000) menciona que na história da filosofia. PERCEPÇÃO Para este estudo. que busca revelar algumas das percepções que os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense têm das relações de suas organizações com o meio ambiente.4.

emoções e paixões) e as idéias (imagens das impressões). da repetição e da sucessão dos estímulos externos e de nossos hábitos. um odor) ou uma associação de sensações numa percepção (vejo um objeto vermelho. na sensação. volta a percorrer nosso sistema nervoso e chega aos nossos sentidos sob a forma de uma sensação (uma cor. na percepção. neste caso. Não haveria algo propriamente chamado percepção. elementares e. etc.208 um conceito para percepção também envolveram questões relacionadas à disjunção ocorrida entre sujeito e objeto.. Nesta linha. estando na origem das idéias abstratas formuladas pelo pensamento. sua organização ou síntese seria feita pela inteligência e receberia o nome de percepção. A passagem da sensação para a percepção é. o sujeito é ativo e a coisa externa é passiva. Hume.). o pensamento filosófico e científico deve abandonar os dados da percepção e formular as idéias em relação com o percebido. que confere organização e sentido às sensações. sentir e perceber são fenômenos que dependem da capacidade do sujeito para decompor um objeto em suas qualidades simples (a sensação) e de recompor o objeto como um todo.. dando-lhe organização e interpretação (a percepção). a percepção é a única fonte do conhecimento. mas sensações dispersas ou elementares. afirma que todo conhecimento é percepção e que existem dois tipos de percepção: as impressões (sensações. ou seja. Nesse caso. indo ao cérebro e voltando às extremidades sensoriais. Assim. isto é. o conhecimento é obtido por soma e associação das sensações na percepção e tal soma e associação dependem da freqüência. sinto o sabor de uma carne. “sentimos” qualidades pontuais. Cada sensação é independente das outras e cabe à percepção unificá-las e organizá-las numa síntese. de modo que a sensação e a percepção são efeitos passivos de uma atividade de corpos exteriores sobre o nosso corpo. a percepção é considerada não muito confiável para o conhecimento porque depende das condições particulares de quem percebe e está propensa a ilusões. conforme demonstrado no quadro 34: Quadro 34 – Linhas de Pensamento sobre Percepção – Empirista X Intelectualista Linha de Pensamento Principais Características Nesta linha. dispersas. um ponto do objeto externo toca um de meus órgãos dos sentidos e faz um percurso no interior do meu corpo. “sabemos” que estamos tendo a sensação de um objeto que possui as qualidades sentidas por nós. Nesta linha de pensamento. causadas por estímulos externos que agem sobre nossos sentidos e sobre o nosso sistema nervoso. trata-se de explicar e corrigir a percepção. Nas teorias racionalistas intelectualistas. um ato realizado pelo intelecto do sujeito do conhecimento. a sensação e a percepção dependem das coisas exteriores. recebendo uma resposta que parte de nosso cérebro. A sensação seria pontual. Nas teorias empiristas. Para a concepção racionalista intelectualista. um sabor. A causa do conhecimento sensível é a coisa externa. por exemplo. pois frequentemente a imagem percebida não corresponde à realidade do objeto. Empirista Intelectualista Fonte: Adaptado de Chauí (2000) . sinto o cheiro da rosa. a sensação e a percepção dependem do sujeito do conhecimento e a coisa exterior é apenas a ocasião para que tenhamos a sensação ou a percepção.

isto é. criando as condições necessárias para a formulação de uma nova concepção do conhecimento sensível43. Segundo Chauí (2000) a fenomenologia e a Gestalt demonstram que não há diferença entre sensação e percepção. 152 e 153). que depende da atividade do entendimento”. De acordo com Chauí (2000). o conhecimento intelectual alcança a essência das coisas. O conhecimento verdadeiro é puramente intelectual. enquanto que “para os intelectualistas. sensações separadas de cada qualidade. que depende do objeto exterior”. ii) Conta o intelectualismo. p. iii) Contra o empirismo e o intelectualismo.209 De acordo com Chauí (2000. percepção. que a percepção não é uma atividade sintética feita pelo pensamento sobre as sensações. científicas e técnicas. que não há diferença entre sensação e percepção. este campo científico foi capaz de alterar estas duas tradições. que depois o espírito 43 Segundo Chauí (2000) Platão diferencia e separa radicalmente duas formas de conhecimento: o conhecimento sensível (crença e opinião) e o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição). pontuais ou elementares. uma vez que nunca temos sensações parciais. Para Descartes. a sensação conduz à percepção como uma síntese passiva. imaginação. isto é. a sensação conduz à percepção como síntese ativa. . sendo que ambas mostraram: i) Contra o empirismo. as linhas empirista e intelectualista concordavam em um aspecto no qual consideravam que a sensação era uma relação de causa e efeito entre pontos das coisas e pontos de nosso corpo e a percepção era considerada a atividade que unia as partes numa síntese que seria o objeto percebido. parte das idéias inatas e controla (por meio de regras) as investigações filosóficas. 152). ou seja. Chauí (2000) afirma que a partir do último século. o conhecimento sensível (isto é. memória e linguagem) é a causa do erro e deve ser afastado. “para os empiristas. sensação. que a sensação não é reflexo pontual ou uma resposta físico-fisiológica a um estímulo externo também pontual. afirmando que somente o segundo alcança o Ser e a verdade. Para Chauí (2000. Para os intelectualistas. O conhecimento sensível alcança a mera aparência das coisas. p. Representando a filosofia. estas mudanças foram trazidas pela fenomenologia de Husserl e pela Psicologia da Forma ou teoria da Gestalt44. as idéias. as idéias são provenientes das percepções. Ainda segundo a autora “para os empiristas. a sensação e a percepção são sempre confusas e devem ser abandonadas quando o pensamento formula as idéias puras”.

suas partes. nunca podemos perceber de uma só vez um objeto. a percepção possui as seguintes características: i) É o conhecimento sensorial de configurações ou de totalidades organizadas e dotadas de sentido e não uma soma de sensações elementares. 156): A percepção sempre se realiza por perfis ou perspectivas. mas está organizado em formas e estruturas complexas dotadas de sentido. Uma paisagem. fazendo parte de nosso mundo e de nossas vivências. seus movimentos. uma vivência corporal.. isto é. o percebido é dotado de sentido e tem sentido em nossa história de vida. O cavalo-percebido não é um mosaico de estímulos exteriores (empirismo). Para Chauí (2000. nosso intelecto compreende uma idéia de uma só vez. não é uma soma de coisas que estão apenas próximas umas das outras.. mas é a percepção de coisas que 44 De acordo com Chauí (2000. 153-155). iv) O próprio mundo exterior não é uma coleção ou uma soma de coisas isoladas. .] ter a sensação e a percepção de um cavalo é sentir/perceber de uma só vez sua cor (ou cores). 152) “Gestalt é uma palavra alemã que significa: configuração. isto é. sensação e percepção são a mesma coisa. seu tamanho. a percepção é considerada originária e parte principal do conhecimento humano. isto é. nem um objeto indeterminado esperando que meu pensamento diga às minhas sensações: “Este objeto é um cavalo” (como suporia o intelectualista). É o conhecimento de um sujeito corporal. ii) iii) É sempre uma experiência dotada de significação. de modo que a situação de nosso corpo e as condições de nosso corpo são tão importantes quanto a situação e as condições dos objetos percebidos. figura estruturada. exatamente. A autora considera que na teoria fenomenológica do conhecimento. totalidades estruturadas dotadas de sentido ou de significação.210 juntaria e organizaria como percepção de um único objeto. ou seja. a autora ilustra sua concepção de percepção: [. p. mas é. pois somente percebemos algumas de suas faces de cada vez. seus ruídos. p. Para Chauí (2000. 153) considera que sentimos e percebemos formas. Chauí (2000. seu lombo e seu rabo. que opera com idéias. um cavalo-percebido. p. sua cara. por exemplo. O cavalo-percebido não é um feixe de qualidades isoladas que enviam estímulos aos meus órgãos dos sentidos (como suporia o empirista). mas com uma estrutura diferente do pensamento abstrato. No exemplo a seguir. sem precisar examinar cada uma de suas “faces”. forma”. nem uma idéia (intelectualismo). no pensamento. p. seu porte. seu cheiro.

o azul do céu só pode ser percebido por causa do verde da vegetação e o marrom da terra. sedutora ou repelente) e por essa percepção definimos nosso modo de relação com ela. A percepção é uma conduta vital. Percebemos as coisas e os outros de modo positivo ou negativo. v) A percepção é assim uma relação do sujeito com o mundo exterior e não uma reação físico-fisiológica de um sujeito físico-fisiológico a um conjunto de estímulos externos (como suporia o empirista). se o sujeito da percepção for um viajante que descobre que precisa ultrapassar a montanha. nossa afetividade.211 formam um todo complexo e com sentido: o vale só é vale por causa da montanha. bela ou feia. essa paisagem será um espetáculo de contemplação se o sujeito da percepção estiver repousado. sabores. x) A percepção envolve nossa vida social. viii) A percepção depende das coisas e de nosso corpo. isto é. objetos que para nossa sociedade não causam temor. nossa história pessoal. os corpos dos outros sujeitos e os corpos das coisas. distâncias. um rio e um caminho. nossos desejos e paixões. Quando percebemos uma outra pessoa. Em resumo: na percepção. isto é. ix) A percepção envolve toda nossa personalidade. motrizes. tamanhos. Assim. pois as coisas fazem parte de nossas vidas e interagimos com o mundo. depende do exterior e do interior. no . A relação dá sentido ao percebido e ao percebedor. em nossa sociedade. sonoras. vi) O mundo percebido é qualitativo. mas a percebemos como tendo uma fisionomia (agradável ou desagradável. e um não existe sem o outro. depende do mundo e de nossos sentidos. as árvores. O mundo é percebido qualitativamente. temporais e lingüísticas. uma comunicação. mas será um objeto digno de ser visto por outros se o sujeito da percepção for um pintor. de modo que a percepção é uma forma de comunicação que estabelecemos com os outros e com as coisas. sadia ou doentia. serena ou agitada. a percepção é uma maneira fundamental de os seres humanos estarem no mundo. olfativas. isto é. e por isso é mais adequado falar em campo perceptivo para indicar que se trata de uma relação complexa entre o corpo-sujeito e os corpos-objetos num campo de significações visuais. por exemplo. texturas. estruturado e estamos nele como sujeitos ativos. nem uma idéia formulada pelo sujeito (como suporia o intelectualista). efetivamente e valorativamente. meios de nos vermos em imagem. valor ou função. reagimos positiva ou negativamente a cores. vii) O mundo percebido é um mundo intercorporal. os significados e os valores das coisas percebidas decorrem de nossa sociedade e do modo como nela as coisas e as pessoas recebem sentido. podem causar numa outra sociedade. percebemos as coisas como instrumentos ou como valores. ou será um obstáculo. damos às coisas percebidas novos sentidos e novos valores. gustativas. cuja altura e distância só podem ser avaliadas porque há o céu. odores. a partir da estrutura de relações entre nosso corpo e o mundo. uma interpretação e uma valoração do mundo. o mundo possui forma e sentido e ambos são inseparáveis do sujeito da percepção. as relações se estabelecem entre nosso corpo. isto é. tácteis. Por exemplo. não temos uma coleção de sensações que nos dariam as partes isoladas de seu corpo. espaciais. o verde do vale só pode ser percebido por contraste com o cinza ou o dourado da montanha. um espelho ou uma fotografia são objetos funcionais ou artísticos. significativo.

212 entanto. Egler e Silva (2007) evidenciam a presença da multidisciplinaridade nos estudos que tratam sobre percepção quando revelam que a compreensão dos campos da percepção não é tarefa de um único campo do conhecimento. natural ou criado por ele. conceito que se aproxima da definição da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente (1991) a qual considera que a percepção é a maneira pela qual o homem sente e compreende o meio ambiente. 3) consideram que: . p. que o permitirá ter outras sensações da realidade e por isso interpretá-la de um outro modo. Egler e Silva (2007. Para Egler e Silva (2007. xii) A percepção não é uma idéia confusa ou inferior. olfato. tato. paladar... para muitas sociedades indígenas. visão. xi) A percepção nos oferece um acesso ao mundo dos objetos práticos e instrumentais. possua uma percepção reduzida. as teorias sobre percepção encontram-se em diversas áreas e possuem enfoques diferenciados sobre o que venha a ser percepção. de modo que a percepção de um espelho ou de uma fotografia pode ser uma percepção apavorante. Egler e Silva (2007. mas uma maneira de ter idéias sensíveis ou significações perceptivas. os quais são influenciados por fatores externos e internos aos indivíduos. 3) citam que: [. a percepção é uma forma de conhecimento e de ação fundamental para as artes. 3). mas dado a sua dificuldade de visualização ele poder utilizar outros sentidos. Desta forma. a percepção nos permite formar idéias. Para Egler e Silva (2007). por isso. até por que os estímulos externos são captados pelos sentidos audição. ver a imagem de alguém ou a sua própria é ver a alma desse alguém e fazê-lo perder a identidade e a vida. nos orienta para a ação cotidiana e para as ações técnicas mais simples. que são capazes de criar um “outro” mundo pela simples alteração que provoca em nossa percepção cotidiana e costumeira. isto é. a concepção de percepção na visão dos fenomenologistas é formada por dois mecanismos que se complementam: os sentidos e a cognição. Não que um cego. p. Para as autoras. p. imagens e compreensões do mundo que nos rodeia. xiii) A percepção está sujeita a uma forma especial de erro: a ilusão. Como forma de ilustrar esta concepção. como julgava a tradição.] um cego não pode possuir percepções do mundo igual a uma pessoa que detém a visão.

nossa mente se estira por distâncias astronômicas até tocar aqueles astros. p.] a luz penetra nos olhos. a teoria triunfa da experiência e uma doutrina metafísica é aceita como fato objetivo. a noção de percepção ambiental se faz importante. morais. de fato. 92) acredita que da mesma forma que “[. o sujeito do objeto. Do ponto de vista “erudito”. mas dentro de suas cabeças. a percepção ambiental pode ser definida como sendo uma tomada de consciência do ambiente pelo homem. p. Fazendo referência a Piaget.. Acreditam em sua experiência pessoal. para o autor.. por não conseguirem distinguir o interno do externo. as imagens e percepções se projetam dos olhos para o mundo que nos cerca”. aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo. a mente deve estender-se para além do corpo. Sendo que.. Ela se projeta para abarcar tudo o que vemos. Para Fernandes (2004). Sheldrake (2001. a visão escapa dos olhos”. o ambiente é trazido para dentro de nós. reage e responde diferentemente às ações sobre o ambiente em que vive. ou seja. As respostas ou manifestações daí decorrentes são resultados das . o ato de perceber o ambiente que se está inserido. Na questão específica de um estudo envolvendo a variável meio ambiente. em que se é possível interpretar o mundo. Para Faggionato citado por Fernandes (2004). se são imagens em nossa mente. pelos valores éticos. Ora. Assim como a luz penetra nos olhos.. que é mediada pela motivação. quando aprendem que os pensamentos e as percepções não estão fora. as crianças assim como os povos primitivos e ignaros são considerados gente confusa. A visão se projeta do corpo. Sheldrake (2001. se se acham tanto dentro da mente quanto fora do corpo. Se contemplamos as estrelas distantes.213 [. os quais deveriam estar nitidamente separados. se confundem. Sheldrake (2001) menciona que as crianças de nossa própria cultura também pensam o mesmo e que perdem esta noção com cerca de 11 anos. Sujeito e objeto. mas nós também vamos até ele. Desse modo. No entanto. há uma contribuição da inteligência no processo perceptivo. julgamentos e expectativas daqueles que percebem. Graças às percepções. estão também fora de nossos corpos. Para o autor: Nossas percepções são construções mentais que envolvem a atividade interpretativa da mente. 92) considera que “povos tradicionais do mundo inteiro raciocinam de modo diferente. interesses. cada indivíduo percebe.] a percepção é um processo ativo da mente.

De acordo com Fernandes (2004) a importância da pesquisa em percepção ambiental para o planejamento do ambiente foi ressaltada pela UNESCO em 1973. Para Marques citado por Fernandes (2008) a percepção ambiental desponta como uma arma na defesa do meio natural. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3. no plano social. Para Demo (1987. já que é capaz de despertar uma maior responsabilidade e respeito dos indivíduos em relação ao ambiente em que vivem. anseios. O autor considera que um estudo da percepção ambiental é de fundamental importância para a melhor compreensão das inter-relações entre o homem e o ambiente. reflitam sobre suas ações e sobre a necessidade do desenvolvimento de uma nova racionalidade que seja mais compatível com a correta utilização dos recursos naturais e a preservação do ambiente natural. visando um futuro com mais qualidade de vida para todos. 19) a metodologia: . satisfações e insatisfações. e poderia ser traduzido como “caminho para” ou então “prosseguimento. pesquisa”. e ajuda a reaproximar o homem da natureza. este estudo busca criar oportunidades para que profissionais da área e a sociedade da qual são apenas uma parte integrante. suas expectativas.214 percepções (individuais e coletivas). nesses ambientes. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA Segundo Laville e Dionne (1999) o termo método deriva do grego methodos. O autor considera que um das dificuldades para a proteção dos ambientes naturais está na existência de diferenças nas percepções dos valores e da importância dos mesmos entre os indivíduos de culturas diferentes ou de grupos sócio-econômicos que desempenham funções distintas. julgamentos e expectativas de cada pessoa. 3. dos processos cognitivos. p.1. Além de revelar algumas das percepções dos profissionais da indústria química. julgamentos e condutas. formado por meta (para) e hodos (caminho).

41) “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema. optou-se pela adoção de procedimentos metodológicos que favorecessem os princípios dialógico. sem que isso represente a eliminação do rigor necessário para a realização de pesquisas. imprescindível trabalhar com rigor. característica esta que possibilita a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado.. Este capítulo busca apresentar os “caminhos metodológicos” adotados para o desenvolvimento deste estudo exploratório de natureza qualitativa bem como apresentar os motivos e escolhas que justificam os procedimentos metodológicos adotados pelo pesquisador. dos caminhos.. recursivo e hologramático presentes na proposta de Morin para a complexidade. Para Laville e Dionne (1999.] é uma preocupação instrumental. das ferramentas. para assegurar a si e aos demais que os resultados da pesquisa serão confiáveis e válidos”. p.. 11) é “. S. Diferentemente das preocupações predominantes em pesquisas aplicadas de natureza quantitativa.215 [. .1. A finalidade da ciência é tratar a realidade teórica e prática. Tipo de Estudo De acordo com Gil (2002) é usual classificar as pesquisas com base em seus objetivos gerais. pois segundo Gil (2002. com método. Para o autor estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. p.1. com vistas a torná-lo mais explícito”. elaborada por Wiens (2007) ou da pesquisa sobre a influência e a percepção do setor automotivo na sustentabilidade ambiental da região metropolitana de Curitiba. a exemplo da pesquisa sobre a proposta de criação de um índice de qualidade do ambiente sustentável para os bairros de Curitiba. Para atingirmos tal finalidade. 3.. Quanto ao tipo de estudo esta pesquisa se caracteriza como sendo exploratória. Cuida dos procedimentos. classificando-as em três grandes grupos: exploratórias. sendo por tanto o seu planejamento bastante flexível. colocam-se vários caminhos. Disto trata-se a metodologia. trata-se das formas de se fazer ciência. elaborada por Santos. E. descritivas ou explicativas. dos (2007).

através da delimitação do estudo. 65): [. sendo difícil a formulação e a operacionalização de hipóteses.. como o estabelecimento da dialógica entre campos científicos distintos. teoria. M.] implica em estudos segundo a literatura pertinente ao tema. entrevistas e análise de dados. p.1. levantamento bibliográfico. da participação do pesquisador e da comunicação entre o tema e o ambiente.. M.. optou-se pelo desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa.216 Para Oliveira. Para Oliveira. ao dar uma explicação geral. que deve ser apresentada de forma descritiva”. M.. caracterizada pelos princípios da . observações.] esse tipo de pesquisa desenvolve estudos que dão uma visão geral do fato ou fenômeno estudado [.. 3. envolvendo as variáveis “Meio Ambiente” e “Indústrias Químicas”. 37) a pesquisa qualitativa é “[.. Natureza Com o objetivo de atender princípios presentes na proposta da complexidade. leitura e análise de documentos”. A escolha pela realização de uma pesquisa de natureza qualitativa também se deu em razão das características complexas e subjetivas do tema de estudo proposto. de (2007... a pesquisa exploratória.] um processo de reflexão e análise da realidade através da utilização de métodos e técnicas para compreensão detalhada do objeto de estudo em seu contexto histórico e/ou segundo sua estruturação”. de (2007. De acordo com Gil (2002) na maioria dos casos estas pesquisas envolvem um levantamento bibliográfico. M. pode levantar um novo problema que será esclarecido através de uma pesquisa mais consistente”. sujeitos e objetos envolvidos no tema de pesquisa. Segundo Oliveira.2. M. de (2007. p. p. M... como forma de promover uma aproximação entre pesquisador. entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a sua compreensão. e como alternativa a forma tradicional de construção do saber científico. Para a autora a pesquisa qualitativa “[. aplicação de questionários. Para a autora “. 65) “este tipo de pesquisa objetiva dar uma explicação geral sobre determinado fato.] um estudo exploratório é realizado quando o tema escolhido é pouco explorado.

para quem as câmeras se voltam. preferencialmente em linguagem formal e clara. Para Santos citado por Mattos (2006). devem ser considerados. . assim como qualquer explicação que resulte de idéias inatas ou anteriores a qualquer experiência. que considera que as “realidades sociais se manifestam de formas mais qualitativas do que quantitativas. indiretamente. p. o que fica gravado. cada um deve reconhecê-lo tal como é”. e toda a investigação se volta para o objeto de interesse. O trabalho de análise é. eventualmente manipulado. 2004. Desta forma qualquer conhecimento.217 objetividade45. p. em si. A análise racional deles. “tirá-lo de cena” exatamente pela objetivação total do resultado da observação. dificultando procedimentos de manipulação exata” e de Flick (2004. para quem a “relevância específica da pesquisa qualitativa para o estudo das relações sociais deve-se a pluralização das esferas da vida”. O entrevistador apenas faz perguntas. 18) Algumas limitações em termos da abordagem da objetividade empregada na forma tradicional da construção do saber científico podem ser encontradas nos preceitos básicos da pesquisa positivista. O sujeito conhecedor não “deve” existir no texto científico. Para os autores. o conceito de objetividade considera que “o conhecimento positivo deve respeitar integralmente o objeto do qual trata o estudo. 355). na pesquisa objetiva: Só fatos. no caso a entrevista. 27). fica de fora. não se harmoniza com a idéia de Para Laville e Dionne (1999. inclusive entre as ciências empíricas. situações tão novas para eles que as suas metodologias dedutivas tradicionais – questões e hipóteses de pesquisa derivadas de modelos teóricos e testadas sobre a evidência empírica – fracassam na diferenciação de objetos (FLICK. aplicado e reproduzido. com novos contextos e perspectivas sociais. os efeitos não controlados dessas intervenções” 46 45 Para Laville e Dione (1999) o empirismo se define como um conhecimento gerado à partir de uma experiência. 17). Para o autor: A mudança social acelerada e a conseqüente diversificação de esferas de vida fazem com que os pesquisadores sociais defrontem-se. hoje é consensual. este conceito considera que “o sujeito conhecedor (o pesquisador) não deve influenciar esse objeto de modo algum. Algumas justificativas para esta decisão podem ser encontradas nas considerações de Demo (1987. tendo uma origem diferente da experiência da realidade parece suspeito. cada vez mais. definidas por Guba e Lincoln citados por Mattos (2006. p. p. leva ao conhecimento objetivo. o conhecimento positivo parte da realidade como os sentidos a percebem e ajusta-se à realidade. Segundo os autores. p. embora possível para fins práticos e tecnológicos. que pode assim tornar-se produto. ao mínimo. do empirismo46 ou da aplicação de métodos quantitativos. que a ficção de um conhecimento sem a marca cultural do autor. deve intervir o menos possível e dotar-se de procedimentos que eliminem ou reduzam. Fatos são o que ele diz. as respostas do personagem em cena. o entrevistado. 16). Segundo os autores.

de (2007. esquecendo-se do essencial. Frente aos fatos sociais tem preferências.. p. agem e reagem”. 60): Oliveira. apagar-se desse modo. p. A concepção deste estudo trata-se de uma tentativa de contribuir para a redefinição do conceito de objetividade defendido por Santos citado por Mattos (2006) e de testar a proposta de transformação do conceito de objetividade definido por Laville e Dionne (1999).. ou seja. uma vez que os objetos de estudo pensam.] “interessa-se por eles e os considera a partir do seu sistema de valores”. M. M. 34) “.. Para Laville e Dionne (1999. define-se a objetividade. de (2007. de (2007) sugere uma neutralidade científica. Logo. Para Laville e Dionne (1999. segundo o qual o pesquisador passa a ter consciência de que é ele quem provoca numerosas de suas observações e que sem a sua intervenção elas não aconteceriam. bem como sua eventual subjetividade47.”.. p. os fatos dificilmente podem ser considerados como coisas. interesses particulares” [. M. Para os autores “em ciências humanas. se faz necessário redefinir o conceito original de objetividade. Segundo Minayo citado por Oliveira. p. M. M. a partir de então. p. situação que coincide com o caso do pesquisador “. p. inclinações. relacionada mais ao sujeito pesquisador e seu procedimento do que ao objeto de pesquisa” (LAVILLE E DIONNE. M. e que os “fatos” também recebem codificação pessoal e social.. 47 . a fidedignidade às significações presentes no material e referida a relações sociais e dinâmicas”. 39). De acordo com Oliveira. o pesquisador não pode. p. para o autor. o pesquisador é mais que um observador objetivo: é um ator aí envolvido” (LAVILLE E DIONNE. 33) “em ciências humanas. controlada e desvendada”. De acordo com Laville e Dionne (1999.. 102) a subjetividade “leva o pesquisador a sucumbir à magia dos métodos e técnicas.218 ciência racionalmente sustentável. ele também é um ator agindo e exercendo sua influência”. frente aos fatos sociais. Para os autores “é sob esse ângulo que. 39) “o papel do pesquisador passa a ser reconhecido. 34). Para os autores “são atores podendo orientar a situação de diversas maneiras. 1999. ter essa objetividade. isto é.. que se espera todavia ser racional. 1999.. conceito pelo qual o autor deve evitar ao máximo a subjetividade. o autor deve manter-se distante de suas emoções durante a construção do conhecimento de forma a evitar o “achismo” que pode interferir nos resultados da pesquisa.

do lado do pesquisador do qual se espera que tome metodicamente consciência desses fatores e os racionalize. do lado daquele ao qual serão comunicados os resultados da pesquisa. Para os autores: É a mente do pesquisador que. objetivo. a seu modo. para ele e para os outros. de outra. p. 335) definem objetivação como a “operação pela qual o pesquisador torna consciente. A opção pelo desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa justifica-se pela busca da experiência da objetivação. M. teorias e descobertas são limitados e aproximados” e que este tipo de postura do pesquisador “[. De acordo com Laville e Dionne (1999) o que garante o valor deste saber é um princípio denominado objetivação48. uma conexão entre a realidade cósmica e o homem. escolhê-los e interpretá-los. 1999. 43 e 44).. aliás.] é esse modo e essas razões que são o objeto da objetivação: de uma parte. de (2007.219 A opção por uma abordagem qualitativa deve ter como principal fundamento a crença de que existe uma relação dinâmica entre o mundo real. oposto ao antigo paradigma. Parafraseando Cláudio Oliveira. 60) menciona que “todos os conceitos. p. considerando atentamente. da promoção de reflexões sobre o tema Laville e Dionne (1999.. entre a objetividade e a subjetividade. Para Laville e Dionne (1999. como. o pesquisador (a) deve ser alguém que tenta interpretar a realidade dentro de uma visão complexa. concreto e o sujeito. M.] “trata-se de compreender.. a natureza do objeto de estudo. e por diversas razões. Para a autora na abordagem qualitativa. que preconizava a verdade absoluta das coisas”. p. [. das demais ciências” [. p.] se fundamenta no novo paradigma da ciência contemporânea. efetua as escolhas e as interpretações. 41) “a idéia de problema está no centro do realinhamento das ciências humanas. retraçar seus múltiplos fatores. É esse princípio de objetivação que fundamenta a regra da prova e define a objetividade.. Poder-se-ia dizer que a objetividade repousa sobre a objetivação da subjetividade (LAVILLE E DIONNE. Para os autores.. as coordenadas de seu problema de pesquisa e a perspectiva na qual o aborda” 48 . portanto. o pesquisador tem consciência que as compreensões assim produzidas são compreensões relativas e que dependem do talento do pesquisador para determinar o problema que escolhe para estudar. sua complexidade e o fato de ser livre a atuante. sempre cuidando para não deformá-lo ou reduzi-lo”.. Oliveira. que espera que o pesquisador lhe informe tudo para que possa julgar a validade dos saberes produzidos.

28). p. 153). a escolha do instrumento de pesquisa dependerá do tipo de informação que se deseja obter ou do tipo de objeto de estudo. 3. R. pela preocupação do estabelecimento de uma relação de equilíbrio entre objetividade e subjetividade e pela intenção do compartilhamento das percepções dos entrevistados e do pesquisador sobre o tema de pesquisa. 27 e 28) "chama-se fontes de pesquisa os lugares/situações de onde se extraem os dados de que se precisa" e que ainda segundo o autor podem ser "[. 89) “em pesquisas de campo. ou seja. p. 48).. que de acordo com Fachin (2003. Método de Abordagem O tipo de abordagem utilizada foi a pesquisa de campo.] o campo. Para os autores. Normalmente a pesquisa de campo se faz por observação direta. Para Barros e Lehfeld (2000. levantamento ou estudo de caso". . a pesquisa de campo é aquela que “recolhe os dados in natura. dos (2002. p. é “qualquer pesquisa realizada em ambiente natural (campo). coleta de dados é a “operação através da qual se obtêm as informações (ou dados) a partir do fenômeno pesquisado”. como percebidos pelo pesquisador. de forma a produzir um estudo de características inclusivas sem intenções de ser conclusivo. p. Para Santos. Para a realização da coleta de dados. A. 89) “a coleta de dados significa a fase da pesquisa em que se indaga e se obtêm dados da realidade pela aplicação de técnicas”. dos (2002. foram utilizados como recursos metodológicos o diário de campo.4.3.. R.1. p. 3. Coleta dos Dados Para Appolinário (2004.220 pesquisado. é comum o uso de questionários e entrevistas”. Para Barros e Lehfeld (2000. o laboratório e a bibliografia". o questionário e a entrevista semi-estruturada de natureza qualitativa. p. não controlado (laboratório)”. Ainda para Santos.1. A.

os questionários têm como principal objetivo descrever as características de uma pessoa ou de determinados grupos sociais. p.. de evitar um excesso de questões que tornariam o seu preenchimento pelo entrevistado pesquisado exaustivo.] registro de fatos observados através de notas e/ou observações”. como forma de possibilitar ao pesquisador conhecer as percepções destes profissionais sobre as relações de suas respectivas organizações com o meio ambiente. foi aplicado um questionário antes da realização das entrevistas. Seguindo a recomendação dos autores. Para Oliveira. de (2007. situações vivenciadas e sobre todo e qualquer dado que o pesquisador (a) deseja registrar para atender os objetivos do estudo. p. servindo também como uma agenda cronológica do trabalho de pesquisa. 90). 83): O questionário pode ser definido como uma técnica para a obtenção de informações sobre sentimentos. Para a coleta dos dados que compõem o perfil dos profissionais entrevistados e o perfil ambiental das indústrias químicas pesquisadas. além da obtenção de algumas informações preliminares necessárias para a realização da entrevista semi-estruturada.221 Para Barros e Lehfeld (2000. Para a elaboração do questionário foi definida uma quantidade limitada de questões abertas e fechadas.. p. M. este instrumento foi utilizado para registrar as atividades diárias e as não efetivadas com suas justificativas. Nele foram registradas com exatidão as observações.. Para Barros e Lehfeld (2000. Para a realização das entrevistas foram entrevistados profissionais diretamente relacionados com gestão ambiental da organização. visando criar uma aproximação entre o pesquisador e o entrevistado. optou-se pela realização de entrevistas individuais com diferentes tipos de profissionais que atuam nas indústrias químicas em atividades relacionadas ao meio ambiente. M. percepções.. expectativas. trata-se do “. instrumento mais usado para o levantamento de informações”. Devido a natureza dialógica e qualitativa proposta para o estudo. Em regra geral. incluindo impressões pessoais sobre o observado e o executado na pesquisa de campo. 89) o diário de campo corresponde ao ”[. . visando atender a recomendação de Barros e Lehfeld (2000). crenças. apenas as consideradas relevantes para o desenvolvimento deste estudo. vivências e experiências obtidas na pesquisa.

86) considera que “a entrevista é um excelente instrumento de pesquisa por permitir a interação entre pesquisador (a) e entrevistado (a) e a obtenção de descrições detalhadas sobre o que se está pesquisando”. Oliveira.222 Para Richardson citado por Barros e Lehfeld (2000. Análise dos Dados e Delineamento da Pesquisa Para a análise dos dados e delineamento da pesquisa foi escolhido o método de análise de conteúdo de natureza qualitativa. de (2007) recomenda a adoção deste tipo de entrevista como forma de se estabelecer um padrão de perguntas para cada pessoa ou grupo que se pretende entrevistar. Desta forma.1. mas na qual o entrevistador pode acrescentar perguntas de esclarecimento”. de (2007. M.. p. Para o desenvolvimento deste estudo optou-se pela adoção de uma entrevista do tipo semi-estruturada. 90) o termo entrevista é “[. feitas verbalmente em ordem prevista. a aplicação do método de . entre e vista.] “o termo entrevistado refere-se ao ato de perceber o realizado entre duas pessoas”. 188) corresponde a uma “série de perguntas abertas. o entrevistador permite-se explicitar algumas questões no curso da entrevista. 3. Para os autores. p.. M. p. Entre indica a relação de lugar ou estado no espaço que separa das pessoas ou coisas” [.5.. De acordo com Barros e Lehfeld (2000. M. como proposta para o desenvolvimento deste estudo. ter preocupação de algo. uma vez que não está presa a condição de entrega de um documento para cada um dos interrogados. Corroborando com Barros e Lehfeld.] construído a partir de duas palavras. Para Laville e Dionne (1999) a entrevista oferece maior amplitude do que o questionário em relação à sua organização. M. assim como reformulá-las para o atendimento das necessidades do entrevistado. p. 91) “a entrevista é uma técnica que permite o relacionamento estreito entre entrevistado e entrevistador”. por meio do qual se buscou a interpretação e a valorização das transcrições das falas dos entrevistados como elemento central para a análise dos dados coletados. que segundo Laville e Dionne (1999. Oliveira. Vista refere-se ao ato de ver.. evitou-se de forma proposital.

pelo menos. Para Mattos (2006) o problema metodológico da análise de conteúdo consiste em encontrar uma resposta para a seguinte questão: Como saltar legitimamente da fala de um entrevistado e. Outro motivo que contribuiu para esta tomada de decisão foi o princípio da precaução. em seguida. p. caracterizado pela realização de análises quantitativas de dados e pela utilização de softwares estatísticos. intermediado.. na prática.223 análise de conteúdo tradicional. numa tentativa de evitar a utilização autômata de recursos computacionais para a análise dos dados. Esta decisão foi tomada primeiramente pelo interesse do pesquisador em tentar atribuir um maior nível de fidelidade em relação ao tratamento dispensado aos dados coletados. uma conciliação estranha entre “o rigor e a descoberta”. inclusive à luz de teorias supostamente pertinentes ao . um salto não-objetivável. 353). o autor confronta a recente multiplicação de softwares de análise de conteúdo com o que antes disso advertia Bardin: Isto [“a atitude de vigilância crítica”] sem que se caia na armadilha: construir por construir. representa um risco de substituição dos significados originais por conceitos “pré-moldados”. Em relação a análise de conteúdo e baseado em Bardin. Mattos (2006. por outro. de vários deles. mas só se completa na “descoberta dos conteúdos”. esquecendo a razão do seu uso (BARDIN CITADO POR MATTOS. A análise exaustiva “satisfaz as consciências”’ que precisam saber-se seguras contra uma “projeção da própria subjetividade”. Em sua análise sobre os possíveis riscos inerentes ao uso inadequado destas ferramentas.. por um trabalho de organizar as informações resultantes das entrevistas. Sucumbir à magia dos instrumentos metodológicos. ou como diz a autora “uma função heurística: a análise de conteúdo enriquece a tentativa exploratória. para um significado interpretativo? O autor considera que isso é precedido ou. que por um lado permite a multiplicação da produção acadêmica e facilita a vida de mestrandos e pesquisadores menos experientes.] prevalece. Para Mattos (2006) a tecnicização. buscando com isso a preservação da originalidade destes e das idéias espontâneas resultantes da transcrição literal das entrevistas. 2006. aplicar a técnica para se afirmar a boa consciência. para que seja possível proceder a inferências maiores. p. aumenta a propensão à descoberta”. 354) considera que: [.

e seu caráter problemático reside no fato de que ele não pode estar dissociado da própria produção. afinal. p. Ela constitui. sua criação pessoal. Por se tratar da primeira experiência deste pesquisador no desenvolvimento de um estudo de natureza qualitativa. contudo. de (2007). p. Para Laville e Dionne (1999. De forma mais restrita. algo identificável e ocorrente entre pessoas). M. Desta forma para o autor: A objetivação torna-se possível por que a linguagem é um fenômeno social (fatos. 216). Assim. e seu significado só surge desta relação. por parecerem irreconciliáveis. antes. tornam-se geradores de todas as dificuldades dos pesquisadores: criar significados e garantir objetivação em todo o trabalho. Para os autores: A análise de conteúdo não é. um método rígido. Para Mattos (2006) há dois imperativos inseparáveis que. para produzir entendimento autêntico. pelo pesquisador. em efetuar um recorte dos conteúdos em elementos que ele poderá em . A compreensão exige a prática da objetivação. atos de fala. p. p. (MATTOS. foram utilizados para a análise dos dados e o delineamento deste estudo as recomendações de Laville e Dionne (1999). ou seja. 351) Para Laville e Dionne (1999. 351) “a reconciliação está na concepção pragmática e dialogal da linguagem produzida na entrevista”. M.224 caso. 2006. p. 216) “uma das primeiras tarefas do pesquisador consiste. do novo significado interpretativo. 214) o princípio da análise de conteúdo consiste em desmontar a estrutura e os elementos do conteúdo coletado para esclarecer suas diferentes características e extrair a sua significação. pois. Para Mattos (2006. 1999. um conjunto de vias possíveis nem sempre claramente balizadas. pertinente e sustentável em relação ao que enuncia. para a revelação – alguns diriam reconstrução – do sentido de um conteúdo (LAVILLE E DIONNE. de Mattos (2006) e de Oliveira. no sentido de uma receita com etapas bem circunscritas que basta transpor em uma ordem determinada para ver surgirem belas conclusões. o pesquisador tem que jogar com os fatos da relação lingüística. Mattos (2006) considera que a questão está exatamente neste trabalho de organização.

Para Larousse citado por Oliveira (2007. 93) define categoria como sendo um “agrupamento de informações similares em função de características comuns”... de (2007. Para Oliveira. mais precisamente a partir da definição do tema central de estudo. no momento em que surge a necessidade de afunilamento dos conteúdos. textos e documentos. é que são definidos e construídos os instrumentais para a pesquisa de campo. b) Categorias Empíricas: segundo Oliveira. Este afunilamento das leituras pertinentes ao objeto de estudo implica no estabelecimento de critérios para o aprofundamento do conteúdo que possam direcionar a posterior construção dos instrumentais de pesquisa. p. De acordo com Oliveira. M. M.. de (2007) as informações obtidas durante o desenvolvimento de uma pesquisa podem ser classificadas em três níveis: categorias teóricas. M. Desta forma cada questão ou tópico adotado para a realização das entrevistas serve como referencial para a criação das categorias empíricas. possibilitando a sistematização dos dados pesquisados. M. das leituras convergentes e da definição das categorias teóricas.. ou durante a análise de conceitos em livros didáticos. M. M. p. M. . M.225 seguida ordenar dentro de categorias49”. de (2007) com base no quadro teórico. mais precisamente. a um agrupamento de elementos que são sistematizados pelo pesquisador (a) após a pesquisa de campo.] em pesquisa é preciso se estabelecer categorias para que se faça um trabalho sistematizado e coerente [. 49 Legendre citado por Oliveira. a) Categorias Teóricas: para a autora as categorias teóricas vão surgindo na medida em que as leituras vão sendo assimiladas. 93) “categoria é a classificação que se faz em função de certos princípios gerais e que tenham identidade comum”. cumpre que esses sejam portadores de sentido em relação ao material analisado e às intenções da pesquisa”. vamos ter em mente que a palavra categoria está relacionada à classificação ou. 93): [. de (2007.] portanto. Para os autores “dado que a finalidade é evidentemente agrupar esses elementos em função de sua significação. categorias empíricas e unidades de análise. p.

especialmente quando essas categorias são construídas de maneira indutiva. 1999. M. M. M. p. a qual fornece os dados e informações que devem ser sistematizados para facilitar o processo de análise. Para um melhor entendimento sobre a estrutura de classificação proposta por Oliveira. mas em outros casos sua determinação é precedida do recorte dos conteúdos. 219) . Para os autores: A ordem desses dois momentos da análise de conteúdo pode variar: às vezes. de (2007) para a classificação de dados em uma análise qualitativa. ao longo dos progressos da análise.226 c) Unidades de Análise: para Oliveira. a autora propõe uma representação gráfica conforme demonstrado na figura 20: Categorias Gerais Categorias Empíricas Unidades de Análise Figura 20 – Classificação dos Dados Fonte: Oliveira. M. de (2007). é uma tarefa que se reconhece primordial. o pesquisador define primeiro suas categorias. M. a definição das categorias analíticas ou rubricas. sob as quais virão a se organizar os elementos de conteúdo agrupados por parentesco de sentido. (LAVILLE E DIONNE. de (2007) as unidades de análise correspondem aos dados e informações obtidos com a aplicação dos instrumentais de pesquisa (entrevistas/questionários). de (2007) Para Laville e Dionne (1999) além do recorte dos conteúdos. M. M. Para a autora dizem respeito a fala dos atores sociais. M. anteriormente denominadas de categorias empíricas por Oliveira. isto é.

mesmo que isso o obrigue a ampliar o campo de suas categorias. mas tomam forma no curso da própria análise. a modificar uma ou outra. M. pois. foram inicialmente definidas e propostas as seguintes categorias e unidades de análise: . com base nas quais foi desenvolvida a revisão teórica.] não quer se limitar a modelos pré-determinados. mas o pesquisador se permite modificá-las em função do que a análise aportará. ao adotar este modo de definição das categorias “[. M. apoiando-se em um ponto de vista teórico que se propõe o mais frequentemente submeter à prova da realidade.227 Para Laville e Dionne (1999. Isto posto.. Logo em seguida. b) Modelo Fechado: onde o pesquisador decide a priori categorias. partindo das categorias teóricas e da definição do conceito de modo misto proposta por Laville e Dionne (1999). 222) “a construção de uma grade mista começa. aperfeiçoar ou precisar as rubricas”. de (2007). servindo-se dos dois modelos precedentes: categorias são selecionadas no início. p. o pesquisador.. Durante o desenvolvimento da fundamentação teórica deste estudo foram identificadas as categorias teóricas “Meio Ambiente”. c) Modelo Misto: situa-se entre os dois. espera poder levar em consideração todos os elementos que se mostram significativos. foram inicialmente identificadas as categorias teóricas definidas por Oliveira. “Indústrias Químicas” e “Percepção”. a eliminá-las. com a definição de categorias a priori fundadas nos conhecimentos teóricos do pesquisador e no seu quadro operatório”. Em função de sua característica dialógica. Para Laville e Dionne (1999. p. 219) existem três modos para a definição das categorias: a) Modelo Aberto: onde as categorias não são fixas no início. foi empregado neste estudo o modo de definição das categorias pelo modelo denominado misto. Segundo os autores.

228 a) Categoria Analítica: Perfil Ambiental da Indústria Química Unidades de Análise: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Ramo de atuação Classificação do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE) Classificação da organização quanto ao porte Tipo de empresa (matriz ou filial) Tempo de existência da organização (em anos e meses) Tempo de atuação no município (em anos e meses) Produtos fabricados Declaração formal de valores e missão (se considera o meio ambiente) Sistema de gestão ambiental Tempo de existência do sistema de gestão ambiental (em anos e meses) Certificações na área ambiental Descrição dos cargos dos profissionais relacionados com a gestão ambiental Matriz energética Percentuais de gastos ou investimentos ambientais realizados nos últimos 3 anos com base na receita bruta (%) Descrição dos gastos ou investimentos em gestão ambiental nos últimos 3 anos (%) Descrição dos cursos realizados na área ambiental nos últimos 3 anos Considerações sobre a legislação aplicada a indústria química (nível de adequação) Principais motivações para gastos ou investimentos na área ambiental (além das exigências legais) Principais dificuldades encontradas para a realização de gastos ou investimentos na área ambiental (além da questão financeira) Histórico de acidente ambiental ocorrido na organização Geração de resíduo industrial (descrição e destino) Controle para emissão da poluição .

b) Categoria Analítica: Perfil do Profissional Unidades de Análise: • • • • • • Cargo Gênero Faixa etária Formação Tempo de experiência como profissional (em anos e meses) Tempo de experiência do profissional na indústria química (em anos e meses) c) Categoria Analítica: Profissional e Meio Ambiente Unidades de Análise: • • • • • Percepção do profissional sobre meio ambiente Percepção do profissional sobre a sua relação com o meio ambiente Percepção do profissional sobre o meio ambiente em suas tomadas de decisão Influências internas e/ou externas sofridas pelo profissional quanto a tomada de decisões relacionadas ao meio ambiente Importância atribuída pelo profissional do meio ambiente para a sua organização d) Categoria Analítica: Indústria Química e Meio Ambiente Unidades de Análise: .229 • • • Registro de reclamação da comunidade em relação às suas operações Seguro para acidentes ambientais Ações na área ambiental previstas para o horizonte de 2015.

Já a elaboração das questões pertencentes à categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” foram inspiradas pelo contato com as pesquisas realizadas para a Cepal por Oliveira. fato que possibilitou uma maior aproximação do pesquisador. A elaboração das questões pertencentes à categoria “Perfil do Profissional” foram inspiradas nas recomendações de Oliveira. de (2007) quanto à definição do perfil do entrevistado.230 • • • • • • • • • Percepção do profissional sobre como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais Lembrança de acidente ambiental provocado por indústrias químicas Riscos que a indústria química representa ao meio ambiente Lembrança de acidente ambiental ocorrido na organização Nível de risco que as atividades desenvolvidas pela organização representam para o meio ambiente Nível de suficiência das ações ambientais para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais Pressões exercidas sobre a organização para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente Percepção do profissional sobre a relação de sua organização como o meio ambiente Percepção do profissional sobre o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente As duas primeiras categorias analíticas “Perfil Ambiental da Indústria Química” e “Perfil do Profissional” surgiram da necessidade identificada pelo pesquisador durante o planejamento do instrumento de pesquisa. K. um melhor encaminhamento da . P. de (2005). M. Por meio dos dados coletados para estas duas categorias. de conhecer melhor os sujeitos e os objetos envolvidos na pesquisa. que trata sobre o panorama do comportamento ambiental no setor empresarial no Brasil e na Pesquisa Gestão Ambiental na Indústria Brasileira realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). foi possível conhecer algumas características relevantes dos sujeitos e objetos envolvidos na pesquisa. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) (1998). M.

3. denominada “Indústria Química e Meio Ambiente”. Esta categoria foi criada pelo pesquisador com o objetivo de tentar explicitar qual é a percepção de cada tipo de profissional em relação ao meio ambiente. foi criada com o objetivo de buscar revelar quais são as percepções dos profissionais da indústria química sobre a relação de sua organização com o meio ambiente. A terceira categoria analítica. o termo população ou universo significa a totalidade de pessoas que habita uma determinada área geográfica. Universo e Amostra Segundo Oliveira. Para a autora. com o objetivo de facilitar as atividades de realização das entrevistas e de tabulação dos dados coletados. de (2007. independentemente das atividades que são praticadas pelas suas respectivas organizações. M. A quarta e última categoria. foi criada como o objetivo de buscar um entendimento sobre quais são as percepções individuais que os diferentes tipos de profissionais envolvidos com a gestão ambiental da organização têm em relação ao meio ambiente.1.6. 87) “em pesquisa. denominada “Profissional e Meio Ambiente”.231 entrevista com os entrevistados e consequentemente um melhor tratamento dos dados coletados. . M. Esta categoria foi criada com o intuito de responder o problema de pesquisa proposto para esta pesquisa: Como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem a relação de suas organizações com o meio ambiente? As perguntas de pesquisa foram desenvolvidas a partir das unidades de análise e agrupadas de acordo com a sua respectiva categoria. ou o conjunto de elementos que compõem o objeto de nosso estudo”. As perguntas de pesquisa são apresentadas no instrumento de pesquisa (Anexos 4 e 5) e ao longo do capítulo que trata da apresentação dos resultados obtidos no estudo. p.

. 88) “[. definir o tamanho de sua amostra50”. de. de (2007. Por razões do compromisso de confidencialidade assumido junto aos profissionais que participaram da pesquisa. p. p. Para o desenvolvimento deste estudo. Esta condição foi assumida na proposta original da pesquisa com o objetivo de viabilizar a sua realização.] cabe ao pesquisador (a).. M. a partir da totalidade (universo).] o pesquisador (a) decide analisar um determinado fenômeno sem ter a preocupação de fazer generalizações em relação ao universo da pesquisa” (OLIVEIRA. “Sendo a amostra uma representação da população ou universo da pesquisa.] a amostra é um subconjunto ou parte dos elementos que compõem o universo”. 2007. 88). o qual foi selecionado por ser considerado de pequeno porte e por possuir um número significativo de indústrias químicas instaladas. logo “[.. A escolha deste parâmetro de delimitação foi também motivada pelo interesse de que a pesquisa retrata-se as percepções de profissionais de indústrias químicas que compartilham um mesmo ambiente geográfico. 88 e 89). ou todas as pessoas e grupos que se situam na área que delimitamos para nossa pesquisa de campo”. M. sendo mantida ao longo do desenvolvimento do estudo. 2007. Para a delimitação do universo de pesquisa.232 “nem sempre é possível pesquisar a totalidade desses elementos.. M. conforme apresentado no quadro 35: Para Oliveira. foram cruzadas informações cadastrais de 7 (sete) fontes de dados distintas. 50 . optou-se por uma amostra nãoprobabilística intencional. Amostra não-probabilística porque “o pesquisador (a) determina a quantidade de elementos ou o número de pessoas aptas a responder um questionário” e intencional em função de que “[. os dados que permitem identificar o município.. as indústrias químicas e os profissionais envolvidos na pesquisa não serão revelados. M. faz-se necessário estabelecer critérios no processo de seleção para que ela seja significativa” (OLIVEIRA. Para a identificação das indústrias químicas que compõem o universo de pesquisa deste estudo. de. M.. M. optou-se pela adoção da limitação geográfica de um município do Estado do Paraná. p.

br) Total de Indústrias Químicas Instaladas no Município 11 33 47 41 64 1 0 Fonte: O Autor (2008) O resultado do cruzamento de todas as fontes de dados apontou para um total de 119 (cento e dezenove) indústrias químicas instaladas no município. ausência de padrão nos critérios aplicados para a classificação das indústrias. número superior ao total de empresas originalmente previsto para a realização do estudo. a ausência da adoção de procedimentos periódicos para a sua atualização e a informalidade. o total apresentado compreende apenas o número de indústrias que são associadas às respectivas entidades. No caso específico destas duas entidades representativas do setor. Este dado revelou a fragilidade das fontes de dados pesquisadas em termos de abrangência e de nível de atualização.sinqfar. É provável que algumas destas fontes de dados ainda considerem indústrias que já encerraram suas atividades ou que desenvolvem atividades diferentes daquelas que caracterizam uma indústria química. a vinculação dos dados das indústrias que integram o Catálogo das Indústrias do Paraná 2006 dependia do interesse de adesão das próprias indústrias e que no caso do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) e da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). situação geradora de divergências e que pode ser atribuída a fatores como: a vinculação voluntária das indústrias aos cadastros das entidades.233 Quadro 35 – Fontes de Dados X Indústrias Químicas Instaladas no Município Entidade Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) Associação Comercial e Industrial do Município Prefeitura Municipal Junta Comercial do Paraná (JUCEPAR) Instituto Ambiental do Paraná Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) Fonte de Dados Catálogo das Indústrias do Paraná 2006 Relatório Cadastral Relatório Cadastral Relatório Cadastral Relatório de Licenças Ambientais Fornecidas para Indústrias Químicas Guia da Indústria Química Brasileira 2007 Relação de Associados Disponível no Site da Entidade na Internet (www.org. os números revelam um baixo nível de associação das indústrias químicas do . Cabe ressaltar que no caso da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP).

Até o fechamento deste estudo. 30 (trinta) foram por lançamento de efluentes líquidos fora dos padrões exigidos em legislação própria e 108 (cento e oito) por construção.sinqfar. para a confirmação do total de indústrias químicas instaladas no município foram utilizadas as informações dos associados disponibilizadas no site da entidade (www. as informações sobre as indústrias químicas juntamente com o histórico sobre autuações e acidentes ambientais envolvendo indústrias químicas instaladas no município. os quais não poderiam ser disponibilizados em razão de uma decisão tomada em assembléia. reforma e/ou sem a devida licença ambiental (não . Por este motivo. o sindicato não havia manifestado interesse pela pesquisa. Quanto ao número de autuações ambientais ocorridas no município do período correspondente a 01 de janeiro de 2003 a 11 de dezembro de 2007. sendo que destas apenas 15 (quinze) eram efetivamente classificadas como indústrias químicas e 21 (vinte e uma) consideradas como indústrias potencialmente impactantes devido à intensa utilização de produtos químicos. foi efetuado em 04 de dezembro de 2007 um contato por telefone com a entidade. apesar da região possuir um número representativo de indústrias instaladas. no intuito da obtenção dos dados cadastrais das indústrias químicas instaladas no município selecionado para o estudo. Em resposta a solicitação. No caso do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). foram solicitadas por carta encaminhada via correio eletrônico no dia 11 de dezembro de 2007 (ver Anexo 7). o instituto informou que de um total de 138 (cento e trinta e oito) ocorrências.234 município pesquisado em relação às entidades que as representam no contexto estadual e nacional. Com o intuito de levar ao conhecimento da entidade a proposta do estudo a ser realizado. Neste contato o pesquisador foi informado que a entidade não possuía dados sobre as indústrias químicas instaladas no Estado do Paraná e que somente possuía dados de seus associados. as quais apontaram a inexistência de indústrias químicas associadas ao sindicato patronal no município. No caso do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR). o instituto limitou-se a informar que haviam no município 36 (trinta e seis) indústrias licenciadas.org.br). foi encaminhada no mesmo dia uma carta via correio eletrônico ao Presidente do referido sindicato mencionando os objetivos da pesquisa (ver Anexo 6).

No caso do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Junta Comercial do Estado Paraná (JUCEPAR). uma vez que a grande maioria das ocorrências ainda estava sendo discutida juridicamente. ABIQUIM e Associação Comercial e Industrial do Município). total diferente do apresentado no primeiro retorno. Em relação aos acidentes ambientais envolvendo indústrias químicas no mesmo período. por meio dos dados cadastrais disponíveis em algumas das fontes de dados pesquisadas (FIEP. foram identificados os dados de contato de apenas 36 (trinta e seis) empresas. pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pela Junta Comercial do Estado do Paraná (JUCEPAR) representaram um fator limitante para a realização desta pesquisa. o IAP informou que o detalhamento sobre os mesmos não poderiam ser disponibilizados. de abril de 2008 uma nova relação de indústrias químicas instaladas no município. de pesquisas complementares realizadas na internet (sites locais) e na lista telefônica do município. o IAP disponibilizou em 1º. A Prefeitura Municipal informou que não dispunha destes dados em função de estar implantando um novo sistema.235 obrigatoriamente indústrias químicas). novos contatos foram estabelecidos com o intuito da obtenção dos dados originalmente solicitados. Do total das 119 (cento e dezenove) indústrias químicas apontadas. fato que impedia a sua disponibilização para efeitos de divulgação pública. O quadro 36 revela a situação cadastral das 36 (trinta e seis) indústrias químicas em relação às fontes de dados pesquisadas: . a qual apontou um total de 64 (sessenta e quatro) empresas. estes dados não foram disponibilizados nos relatórios fornecidos. A ausência da disponibilização dos dados cadastrais como telefone e endereço das indústrias químicas instaladas no município nos relatórios fornecidos pela Prefeitura Municipal. por meio de vários contatos por telefone. por correio eletrônico e de uma visita pessoal. o IAP informou que houveram 2 (duas) ocorrências. motivo pelo qual os dados cadastrais das indústrias químicas instaladas no município não estavam disponíveis. Em razão do IAP ter disponibilizado apenas totais sem o fornecimento dos dados cadastrais e o detalhamento das autuações e acidentes envolvendo indústrias químicas. Em relação aos dados sobre autuações e acidentes ambientais. Depois de muita insistência.

As justificativas pelas quais 13 (treze) empresas foram desconsideradas são apresentadas no quadro 37: . apenas 23 (vinte e três) foram consideradas para efeitos de desenvolvimento desta pesquisa.236 Quadro 36 – Indústrias Químicas X Fontes de Dados Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Indústria 10 Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 Indústria 14 Indústria 15 Indústria 16 Indústria 17 Indústria 18 Indústria 19 Indústria 20 Indústria 21 Indústria 22 Indústria 23 Indústria 24 Indústria 25 Indústria 26 Indústria 27 Indústria 28 Indústria 29 Indústria 30 Indústria 31 Indústria 32 Indústria 33 Indústria 34 Indústria 35 Indústria 36 FIEP X X Associação Prefeitura Comercial Municipal X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Junta Comercial do Paraná IAP ABIQUIM X X X X X X X X SINQFAR X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Fonte: O Autor (2008) Das 36 (trinta e seis) indústrias químicas identificadas.

No convite constavam: o detalhamento dos objetivos da pesquisa. Nesta ocasião o pesquisador realizou uma visita a cada uma das empresas no intuito de confirmar a sua localização e de realizar o convite oficial por meio da entrega de um ofício nominal. orientações sobre a possibilidade de não-participação e dados de contato do pesquisador para o esclarecimento de eventuais dúvidas das empresas convidadas (ver Anexo 8). Além dos dados sobre a realização da pesquisa. como forma de contribuir para a sua tomada de decisão quanto a participação na pesquisa. Empresa não localizada Empresa ainda estava em fase inicial de instalação de sua unidade industrial no município Fonte: O Autor (2008) No início do mês de dezembro de 2007 foram iniciados os contatos com as 23 (vinte e três) indústrias químicas consideradas para a realização do estudo. apenas atua no ramo de comercialização e distribuição de tintas. A empresa apenas utiliza matéria-prima oriunda da indústria química no processo de fabricação de produtos cirúrgicos Empresa não localizada Empresa não localizada Empresa não localizada Empresa não localizada O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos. . apenas atua no ramo de comercialização e distribuição de adesivos. as condições de confidencialidade estabelecidas para a realização da pesquisa. incluindo resíduos gerados por indústrias químicas. apenas aplica esmaltes nas telhas que fabrica. as empresas convidadas também receberam uma cópia do instrumento de pesquisa (Anexos 4 e 5). Empresa não localizada O proprietário informou que a empresa deixou de atuar no ramo de fabricação de produtos químicos para atuar no segmento de reciclagem de resíduos industriais. O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos.237 Quadro 37 – Justificativas para a Não Inclusão das Indústrias na Pesquisa Indústrias Químicas Indústria 24 Indústria 25 Indústria 26 Indústria 27 Indústria 28 Indústria 29 Indústria 30 Indústria 31 Indústria 32 Indústria 33 Indústria 34 Indústria 35 Indústria 36 Justificativas para a não Inclusão das Indústrias na Pesquisa O proprietário informou que a empresa não é classificada como indústria química em função de não fabricar substâncias químicas. Os resíduos são preparados para serem incinerados em fornos de cimenteiras Empresa encerrou suas atividades O proprietário informou que a empresa não fabrica produtos químicos.

conforme demonstrado no quadro 38: Quadro 38 – Total de Contatos Realizados Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Indústria 10 Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 Indústria 14 Indústria 15 Indústria 16 Indústria 17 Indústria 18 Indústria 19 Indústria 20 Indústria 21 Indústria 22 Indústria 23 Número de Contatos 1 1 2 2 3 4 13 4 6 0 9 7 7 7 4 10 8 3 2 5 7 8 9 Status Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Entrevista Realizada Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Convite não Aceito Retorno Pendente Retorno Pendente Retorno Pendente Convite não Aceito Convite não Aceito Retorno Pendente Retorno Pendente Retorno Pendente Fonte: O Autor (2008) Do total das 23 (vinte e três) indústrias convidadas. 8 (oito) empresas ou 34. 9 (nove) empresas ou 39. apenas a Indústria 10 efetuou um retorno para o convite.13% aceitaram participar da pesquisa. Apesar das várias tentativas realizadas pelo pesquisador para que um número maior de empresas participasse da pesquisa. informando a sua impossibilidade de participação na pesquisa. .78% não aceitaram o convite e 6 (seis) empresas ou 26.238 Das 23 (vinte e três) indústrias contactadas. As demais indústrias demandaram um esforço adicional do pesquisador quanto à necessidade de realização de novos contatos para a confirmação do seu interesse em participar na pesquisa.09% não efetuaram retorno para os contatos estabelecidos.

todo nosso resíduo é remanipulado e reaproveitado para uso. encontrar empresas do ramo químico que fabricam as matérias primas para transformação. ou seja a maioria de nossos produtos já vêem manipulados apenas fracionamos e envasamos os produtos já acabados. 2. Apesar do retorno negativo em relação à participação na pesquisa.Sa.239 As 8 (oito) empresas que não aceitaram participar da pesquisa apresentaram as seguintes justificativas: Quadro 39 – Justificativas das Empresas que não Aceitaram Participar da Pesquisa Indústrias Químicas Indústria 10 Justificativas O proprietário informou que a empresa estava nos meses de maior volume de produção e que os profissionais relacionados com a área ambiental não dispunham de tempo para participar da pesquisa. e o principal deles é que não somos uma Indústria total de transformação.Desta forma achamos muito difícil que para um trabalho de mestrado como este. Agradecemos ao oficio recebido e as chamadas referente ao tema.. se possível. este informou que a empresa passava por uma reestruturação e que somente teria condições de agendar uma reunião para 2009. Até o fechamento deste estudo. A secretária responsável pelos retornos sempre informou que o proprietário não se encontrava na empresa ou que esta ocupado. contatar-nos para o segundo semestre deste ano. mas. o proprietário da empresa enviou uma mensagem eletrônica ao pesquisador informando:” 1. a empresa não havia se manifestado sobre o novo convite. já que não temos muitas das informações que com certeza serão necessárias para conclusão do seu trabalho. Depois de vários contatos realizados.) Indústria 11 Indústria 12 Indústria 13 . Agradecemos seu interesse por nossa empresa e ficamos a sua disposição para dirimirmos possíveis dúvidas a respeito. Depois de vários contatos realizados. no último contato telefônico estabelecido pelo pesquisador com o proprietário da empresa. realizando outras atividades. Gostaríamos de oportunizar este tema para um futuro devido a modificações estruturais que estão em curso na fábrica neste momento. possamos ser úteis. as quais poderiam lhes dar melhores subsídios para seu trabalho.. o proprietário da empresa enviou uma mensagem eletrônica ao pesquisador informando: “Desculpe-nos a demora em responder sua solicitação a respeito do assunto acima. por diversos motivos. não podemos ajudá-los.” Observação: a justificativa relacionada ao período de férias coletivas informada pelo proprietário não foi informada em nenhum dos 9 (nove) contatos estabelecidos com a empresa. o pesquisador efetuou um retorno para a mensagem eletrônica informando que mesmo diante das situações informadas pela empresa. que teria interesse que a empresa participasse do estudo. Continua (.. Por favor.outra questão é a respeito dos resíduos. nossa empresa estava em férias coletivas no período em questão. Agradeço a compreensão. nossa empresa não tem resíduos para serem lançados fora. quando a nova fábrica estivesse concluída. Achamos que o melhor seria V. sobre sua solicitação queremos salientar que estamos lisonjeados pela escolha de nossa empresa.” Depois de vários contatos realizados.

Indústria 15 Indústria 19 Indústria 20 Fonte: O Autor (2008) Das 6 (seis) empresas que não efetuaram um retorno. previa a realização das entrevistas em duas etapas distintas. Depois de vários contatos realizados. criada com o intuito de proteger a bacia hidrográfica que fornece água para um reservatório de abastecimento existente próximo às instalações da empresa. conforme apresentado no quadro 40: . 4. o responsável pela empresa informou que a empresa estava passava por mudanças estruturais e que naquele momento não seria possível participar da pesquisa. apesar das várias tentativas de contato. afirmando de forma enfática que caso os proprietários da empresa tivessem interesse em participar da pesquisa. a Indústria 22 chama a atenção por se tratar da única empresa instalada no município que é associada à Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM). a empresa não retornou a nenhum dos 8 (oito) contatos que foram realizados por meio de visita para entrega do convite. Depois de vários contatos realizados. a empresa não havia se manifestado sobre o novo convite. O responsável pela empresa informou que talvez fosse possível a participação na pesquisa a partir da metade do ano.240 Indústria 14 Depois de vários contatos realizados. eles estariam efetuando um retorno. foi estabelecida em data posterior à instalação da indústria no município. Apesar desta característica e do seu porte. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO ESTUDO A proposta original de pesquisa apresentada no convite encaminhado para as empresas. uma funcionária da empresa informou que os proprietários ainda não haviam analisado o convite. um funcionário da empresa estabeleceu um contato com o pesquisador para informar que a empresa não participaria da pesquisa em virtude da química responsável pela área do meio ambiente estar de licença maternidade e do responsável pela produção estar afastado por licença médica. o proprietário informou por meio de sua secretária que a empresa não participaria da pesquisa em função de diversos compromissos internos. Depois de vários contatos realizados. Até o fechamento deste estudo. Esta APA. telefonemas e mensagens eletrônicas. Uma das hipóteses encontradas para a ausência de retorno por parte desta indústria reside no fato de que suas instalações se encontram dentro dos limites de uma Área de Proteção Ambiental (APA).

a proposta original para as entrevistas não pode ser efetivada. entre outros. químicos. entre outros) Fonte: O Autor (2008) Esta divisão em etapas pretendia estabelecer uma melhor condição para a realização das entrevistas e por subseqüência. uma melhor qualidade dos resultados. coordenadores da área de qualidade/SGA. a proposta consistia na realização de entrevistas com diferentes profissionais de uma mesma empresa. Das 9 (nove) empresas entrevistadas. Alguns fatores se demonstraram limitantes para a realização da proposta das entrevistas em duas etapas como a ausência de disponibilidade de tempo por parte dos profissionais das empresas entrevistadas. Em função da existência de uma realidade diferente da idealizada pelo pesquisador. como forma de realizar uma primeira aproximação entre o pesquisador. Na segunda etapa. como forma de possibilitar o cruzamento de suas respostas e analisar pontos convergentes e divergentes no discurso. coordenadores de produção. motivo pelo qual a pesquisa foi realizada com 10 (dez) entrevistados. . a dificuldade de acesso ao principal executivo da empresa (grandes empresas). a ausência de quadro técnico composto por diferentes tipos de profissionais (pequenas empresas) e a própria condição da necessidade de convencimento de algumas empresas para que estas participassem da pesquisa. identificar o perfil ambiental da empresa e os profissionais diretamente envolvidos com a área ambiental. apenas na Indústria 3 foi possível entrevistar o principal executivo e o profissional responsável pela área ambiental. Etapa 1 Etapa 2 Entrevista com o principal executivo da empresa e com os profissionais identificados na etapa 1 (químicos. como executivos. o sujeito e o objeto de pesquisa. para definir o perfil ambiental e identificar quais são os profissionais diretamente envolvidos com as questões ambientais na indústria química entrevistada. a primeira etapa propunha uma entrevista com o principal executivo da empresa.241 Quadro 40 – Etapas Propostas para a Realização da Pesquisa Etapas Descrição das Etapas Entrevista com o principal executivo da empresa. Desta forma.

Esta situação. faixa etária e tempo de experiência profissional e de atuação na indústria química. possibilitou que os profissionais da Indústria 1 e da Indústria 6 realizassem o preenchimento do questionário em substituição da realização da entrevista. Estas categorias serão utilizadas como forma de organização para a apresentação dos resultados da pesquisa. 4. Em virtude das duas empresas não terem aberto a possibilidade de realização de entrevistas. e indústria química e meio ambiente. Dentre os 10 (dez) entrevistados. como proposta para a realização deste estudo foram idealizadas 4 (quatro) categorias de análise: perfil do profissional. profissional e meio ambiente. Conforme citado anteriormente no capítulo dos procedimentos metodológicos. perfil ambiental da indústria química. Com relação à faixa etária. Esta decisão foi tomada em virtude da importância das empresas e de suas respostas para o contexto da pesquisa. 4 (quatro) ou 40% dos entrevistados declarou ter entre 41 e 50 anos. Deste total.1. 1 (um) ou 10% ter entre 31 e 40 anos e 1 (um) ou 10% ter entre 20 e 30 . 1 (uma) ou 10% técnica ambiental. Perfil do Profissional As entrevistas com os profissionais da indústria química revelaram a existência de uma diversidade de perfis profissionais em termos de cargos. criada com o objetivo de possibilitar que as empresas convidadas avaliassem a proposta de pesquisa na íntegra antes de decidir sobre a sua participação. 1 (uma) ou 10% ter entre 51 e 60 anos. 7 (sete) ou 70% se declararam proprietários da empresa. 8 (oito) ou 80% são do sexo masculino e 2 (duas) do sexo feminino.242 Outro fator limitante relacionado à realização das entrevistas ocorreu em função da disponibilização do instrumento de pesquisa anexo ao convite. no tópico específico que trata sobre os procedimentos adotados para a análise de dados e o delineamento da pesquisa. 3 (três) ou 30% ter acima de 60 anos. 1 (um) ou 10% encarregado de produção e 1 (um) ou 10% gerente de produção. por meio da transcrição das respostas dos questionários. as suas participações foram tratadas para efeitos de apresentação dos resultados deste estudo.

Grau 60 anos 55 anos Indústria 6 Entrevistado 7 Proprietário Masculino 2º. Grau (Incompleto) Técnico em Contábeis (1982) Técnico em Química (1988) Administração (2000) Engenheiro Civil (1984) 2º. Grau 15 anos Não Informado Indústria 7 Entrevistado 8 Gerente de Produção Masculino Entre 41 e 50 anos 25 anos 25 anos Indústria 8 Entrevistado 9 Proprietário Masculino Entre 41 e 50 anos Entre 51 e 60 anos 28 anos 5 anos Indústria 9 Entrevistada 10 Proprietária Feminino 31 anos 31 anos Fonte: O Autor (2008) . Desta forma percebe-se que boa parte da amostra. Grau 48 anos 43 anos Indústria 5 Entrevistado 6 Proprietário Masculino 1º. composta por 8 (oito) entrevistados é constituída por profissionais acima de 41 (quarenta e um) anos. conforme indicado no quadro 41: Quadro 41 – Perfil Profissional dos Entrevistados Indústria Química Entrevistado Cargo Gênero Faixa Etária Formação (Ano de Conclusão) Engenharia Agronômica (1985) Especialização em Gerenciamento Ambiental (2004) Tempo de Experiência Profissional Tempo de Experiência na Indústria Química Indústria 1 Entrevistada 1 Técnica Ambiental Feminino Entre 41 e 50 anos 22 anos 10 anos Indústria 2 Entrevistado 2 Proprietário Masculino Entre 31 e 40 anos Entre 20 e 30 anos Acima de 60 anos Acima de 60 anos Acima de 60 anos Entre 41 e 50 anos Analista de Sistemas (Incompleto) Farmácia (2006) 25 anos 15 anos Indústria 3 Entrevistado 3 Encarregado de Produção Masculino 14 anos 10 anos Indústria 3 Entrevistado 4 Proprietário Masculino 1º.243 anos. dado que revela a constituição de um grupo que possui maior tempo de experiência profissional e de experiência na indústria química. Grau 47 anos 22 anos Indústria 4 Entrevistado 5 Proprietário Masculino 1º.

o que revela a inexistência de um zoneamento industrial que concentre as indústrias químicas instaladas no município.1.244 As entrevistas com os profissionais também revelaram uma diversidade em termos de formação educacional e apontaram que apenas 2 (dois) profissionais ou 20% possuem formação relacionada com a área química e que apenas 1 (uma) profissional ou 10% possui formação na área ambiental. Destas indústrias. Dentre estas indústrias. 4.03 Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Não Informado Localização Área Urbana Área Industrial Área Urbana Área Urbana Área Urbana Área Industrial Área Urbana Área Industrial Área Industrial Fonte: O Autor (2008) Dentre as indústrias químicas entrevistadas. apenas a Indústria 1 conhecia o seu respectivo código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). 2 (duas) possuem instalações visivelmente precárias em função das condições físicas de suas instalações e 2 (duas) desenvolvem suas atividades em instalações que carecem de adequações e melhorias em termos de infraestrutura. 4 (quatro) estão localizadas em áreas industriais e 5 (cinco) em áreas urbanas. dado que revela a ausência de .2.21. As demais empresas desconheciam a existência do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) ou do seu respectivo código. Perfil Ambiental da Indústria Química As 9 (nove) indústrias que participaram desta pesquisa estão distribuídas em 3 (três) regiões distintas do município. As indústrias pesquisadas desenvolvem as atividades apresentadas no quadro 42: Quadro 42 – Atividades Desenvolvidas pelas Indústrias Químicas Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Descrição das Atividades Cosméticos e Alimentos Nutricionais Tintas e Vernizes Produtos Fitoterápicos Água Sanitária Água Sanitária Resinas Uréicas Graxas e Óleos Fertilizantes Fertilizantes CNAE 21.

67% declararam que eram micro empresas (até 19 empregados). conforme indicado no quadro 43: Quadro 43 – Tempo de Existência da Indústria X Tempo de Atuação no Município Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Tempo de Existência (Anos) 22 15 20 30 16 4 31 5 31 Tempo de Atuação no Município (Anos) 16 11 12 30 7 4 31 5 31 Fonte: O Autor (2008) No quadro 44 é possível perceber que a maioria das indústrias químicas pesquisadas possui um longo tempo de atuação no município.56% iniciaram as suas atividades dentro do próprio município. 6 (seis) indústrias ou 66. Quanto ao porte. Com relação à declaração formal de missão e valores. diferentemente da proposta original do estudo que previa classificar as atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas entrevistadas por meio da utilização do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Todas as unidades visitadas correspondem a matriz da empresa. Por este motivo. as indústrias apresentaram as seguintes respostas: . sendo que destas.11% declarou que era uma pequena empresa (de 20 a 99 empregados) e 2 (duas) indústrias declararam que eram de porte médio (de 100 a 499 empregados). 1 (uma) ou 11. números justificados pelo fato de que as empresas são nacionais e na maioria dos casos de origem local. Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e certificações na área ambiental. 5 (cinco) indústrias ou 55.245 conhecimento dos entrevistados com relação a este aspecto burocrático que rege a classificação das atividades da indústria de transformação no país. foram adotadas as descrições das atividades fornecidas pelas próprias empresas.

você vai ter um universo maior de empresas exigindo isso: certificação ISO 9000 para ter rastreabilidade e ISO 14000 e 18000. eu não vejo antes disso. Num futuro próximo. a empresa somente conseguiu implantar um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). Quando uma empresa exige alguma coisa na qual nós não nos enquadramos. que possui uma declaração formal de missão e valores que contempla a questão ambiental e um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que conta com um profissional dedicado para o gerenciamento das atividades relacionadas às questões ambientais. o qual também se encontra paralisado em função da prioridade de implantação da nova filial.246 Quadro 44 – Declaração de Missão e Valores. meio ambiente. em especial das indústrias de menor porte demonstraram desconhecimento sobre missão e valores. são poucas as empresas que colocam isso como uma pré-condição. Alguns entrevistados. até a parte de saúde ocupacional e terceiro setor. Quando questionado se algum cliente já havia exigido alguma certificação na área ambiental. se não atende nós não mudamos o nosso foco em função da exigência daquela empresa” (Entrevistado 8). a exemplo da ISO 14000. porque o Brasil é um país continental onde você tem diversos tamanhos e diferentes necessidades. Durante os preparativos para a implantação da ISO 9000. A única exceção é a Indústria 1. daqui uns 5 ou 6 anos. seria segurança. sistema de gestão ambiental e certificações . No caso da Indústria 7 a empresa informou que iniciou os procedimentos para a implantação da certficação ISO 9000. a empresa conta com a certificação ISO9001/2000. mas que os mesmos foram interrompidos em função da abertura de uma nova filial. nós colocamos a solicitação no nosso cronograma. sistema de gestão ambiental e certificações ambientais. SGA e Certificações Ambientais Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Missão e Valores Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Sistema de Gestão Ambiental (SGA) Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Certificações Ambientais Não Não Não Não Não Não Não Não Não Fonte: O Autor (2008) A pesquisa revelou que 8 (oito) indústrias ou 88. Apesar da empresa não possuir certificações ambientais.89% não possui declaração de missão e valores. o Entrevistado 8 informou: “Ainda não. se ela puder esperar nós fazemos negócio.

o óleo combustível para o funcionamento de um trator e a energia elétrica é utilizado para o funcionamento das máquinas do processo produtivo. em maior proporção para o seu processo produtivo.247 ambientais. fato que revela um certo distanciamento das certificações ambientais da realidade destas indústrias. a maior parte deste grupo de entrevistados confundiu o questionamento realizado com as licenças ambientais exigidas para a operação da empresa. a maior parte das indústrias declarou que se utiliza. da eletricidade fornecida pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL). as indústrias informaram: . Quanto a matriz energética. Algumas empresas declaram fontes energéticas complementares. conforme demonstrado no quadro 45: Quadro 45 – Indústrias Químicas X Matriz Energética Indústrias Químicas Indústria 1 Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 Indústria 6 Indústria 7 Matriz Energética Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (95%) Óleo Combustível (5%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (100%) Energia Elétrica (95%) Lenha (5%) Energia Elétrica Lenha O entrevistado não soube informar os percentuais O pó de serra é utilizado para o funcionamento de uma caldeira. No caso específico das certificações. O entrevistado não soube informar os percentuais Observação O óleo combustível é utilizado para o funcionamento de uma caldeira Indústria 8 Energia Elétrica Pó de Serra Óleo Combustível Indústria 9 Energia Elétrica (90%) Lenha (10%) Fonte: O Autor (2008) Com relação aos gastos ou investimentos realizados na área ambiental nos últimos 3 (três) anos.

248 Quadro 46 – Gastos/Investimentos Realizados na Área Ambiental (Últimos 3 Anos) Indústrias Químicas Indústria 1 Percentuais de Gastos ou Investimentos 2005 (0.102%) 2005 (1%) 2006 (1%) 2007 (1%) 2005 (5%) 2006 (5%) 2007 (5%) 2005 (0%) 2006 (0%) 2007 (0%) 2005 (0%) 2006 (0%) 2007 (0%) 2005 (3%) 2006 (2%) 2007 (2%) • • • • • • • Descrição dos Gastos/Investimentos Tratamento de Efluentes Separação de Resíduos e Disposição Adequada Indústria 2 Contratação de empresa para co-processamento de resíduos Estação de Tratamento de Efluentes Despesas com Laboratório (Análises de Efluentes) Consultoria na Área Ambiental Não realizou gastos ou investimentos Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 • • • • • Não realizou gastos ou investimentos Recuperação de Água (Re-uso na Produção) Sistema de Decantação dos Resíduos (Re-uso na Produção) Captação de Água para Sistema de Resfriamentos O entrevistado mencionou que os gastos ou investimentos com a área ambiental não possuíam um centro de custo e que por este motivo. o que demonstra evidências da ausência de controles específicos para o gerenciamento dos recursos aplicados na área ambiental. Os únicos gastos ou investimentos realizados nos últimos três anos foram a elaboração de um plano de contingência e de um plano emergência para situações de acidente que possam ocorrer na planta. as demais empresas apresentaram percentuais estimados de gastos ou investimentos realizados.5%) 2007 (0. Reflorestamento no Entorno da Empresa (Contenção de Pó) Lavadora de Gases Sistema de Sucção da Fábrica Enclausuramento dos Barracões Tanque de Decantação Lavadora de Gases Filtros de Manga Lonas (Tipo Cortina) Indústria 6 Indústria 7 Não soube informar Indústria 8 2005 (3%) 2006 (3%) 2007 (3%) 2005 (0.019%) 2006 (0.5%) • • • • • • • • Indústria 9 Fonte: O Autor (2008) Com exceção da Indústria 1. ele não saberia informar os percentuais. Este dado confirma a observação efetuada por .008%) 2007 (0.5%) 2006 (0. que apresentou percentuais precisos baseados em controles internos. apesar das realizações efetuadas na área.

7 (sete) indústrias ou 77. boa parte dos gastos ou investimentos foram realizados em atendimento a exigências legais e a freqüente atuação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) no município. o que fez com que os valores investidos passassem a representar um percentual maior em relação à receita bruta. o Entrevistado 9 informou: . Percebe-se no quadro 46 que a maioria das empresas realizou investimentos na área ambiental. apenas a Indústria 1 e a Indústria 6 informaram ter realizado algum tipo de curso. segurança e meio ambiente.249 Demajorovic e Soares (2006) quando mencionam que a ausência de controles sistematizados em empresas de pequeno e médio porte impede que estas disponibilizem dados para pesquisas realizadas na área.78% não participaram de nenhum tipo de curso relacionado com a área ambiental. a legislação está cada vez mais rigorosa. Com relação aos cursos realizados na área ambiental nos últimos 3 (três) anos. os percentuais investidos são mais altos que os apresentados pelas demais empresas. em função da redução do faturamento observada nos últimos 3 (três) anos. Quando questionado sobre se achava o rigor bom ou ruim. Quando questionados sobre o nível de adequação da legislação aplicada à indústria química. com exceção da Indústria 4 e da Indústria 5. dado que revela que os diversos gastos ou investimentos realizados por estas empresas na área não contemplaram a formação e a atualização dos profissionais. Cabe ainda ressaltar que. enquanto que a Indústria 6 informou que realizou o curso de prevenção. A Indústria 1 informou que realizou os cursos de resíduos sólidos urbanos e da indústria e de gerenciamento de resíduos de laboratório (físico e químico). no caso da Indústria 3. Para o Entrevistado 9. Conforme relatado pelos entrevistados. a maior parte dos entrevistados informou que considerava a legislação pertinente e que estavam de acordo com as exigências estabelecidas. fato que contribuiu em parte para que os proprietários não realizassem novos investimentos em suas respectivas fábricas. as quais mencionaram durante as entrevistas que enfrentaram nos últimos anos dificuldades financeiras em função de um contínuo decréscimo de produção. Desta forma.

A Entrevistada 10 mencionou: “Eu acho que eles estão certos. e muitas vezes você tem uma legislação e depende da resposta que eles recebem do profissional. eu acho que tem que ter mesmo. . talvez tivessem algumas outras exigências pertinente a parte preventiva. Eu acho que tem que exigir mesmo” (Entrevistada 10). O que mais eu acho que complica não é a questão da quantidade de pessoal. ou seja. o pessoal dos dois órgãos ambientais eles não conhecem como deveriam os ramos aos quais eles vão fiscalizar. O corretivo. claro que para a gente tem que gastar mais dinheiro e as coisas ficam mais difíceis. e se for uma empresa do setor químico. é o fato de que eles não se atualizam em relação aos ramos de atividade. eu tenho que fazer cursos para me manter no mercado. Só que eu teria de olhar as especificações do produto. não tem o que fazer. só que eu penso que a forma como é cobrado das empresas é que não é apropriada. Quando questionada se as exigências impactavam muito no desenvolvimento das atividades de sua empresa. Não havia exigência porque as leis ambientais eram outras. como eu tenho conhecimento técnico. das várias empresas que atuam na região.[hesitação]. O Estado não tem esta condição. Eu trabalho no mercado há 25 anos. o ramo deles também. que se eles tivessem mais conhecimento (a fiscalização) com certeza. nós temos um plano de emergência que tem 9 anos. se não estiver certo eles dão um prazo para você regularizar aquilo” (Entrevistada 10). O Entrevistado 8 fez algumas considerações importantes sobre nível de adequação da legislação. eles tomam aquilo como grade fidedigna. Como eu sou químico vou falar da área técnica não como representante da área gerencial da empresa. Apesar da empresa já ter 31 anos. e nem sempre o que é colocado ali é levado a risca. a Entrevistada 10 afirmou: “Não.250 “Eu acho que. apresentando algumas evidências sobre a fragilidade da estrutura e dos processos de controle exercidos pelos órgãos de fiscalização. ficamos praticamente 21 anos sem plano de emergência. As necessidades cresceram e o staff de profissionais do IAP não foi incrementado. a empresa derruba a multa. algumas são poluidoras em potencial e outras nem tanto. Na sua opinião: “O nível de adequação da legislação está correto. dão um parecer.. de armazenagem. e eu vejo que o Estado fiscaliza e multa. já aconteceu o evento. ela poderia ser melhor aplicada. Eu falo isso. tem que fazer alguma coisa porque senão daqui a alguns anos . é uma coisa que não depende da gente e a gente sabe que é um processo que cada vez será mais exigido” (Entrevistado 9). isto é líquido e certo. seja a prefeitura ou o próprio IAP. Existem alguns riscos deste produto em termos de transporte. mas se a multa não é bem fundamentada. Então aí eu diria o seguinte: nós teríamos um outro aparato técnico relativo à prevenção e até a efetiva cobrança. se tivéssemos um pessoal que conhecesse mais da sua região. Os órgãos ambientais. Eles procuram orientar. não é da legislação.. Não vou dizer que eu gosto né. de manipulação. Correto está. Se o meu ramo me exige isso. Nós temos aqui 15 a 20 matérias-primas. e nem sempre isso é verdadeiro. quais produtos fabrica. mas é uma tendência que não depende da gente e a gente tem mais é que se adaptar. ou seja. Para você fundamentar uma multa você tem que ter muito conhecimento técnico. etc. eu te digo isso com o máximo de propriedade: com certeza há uma legislação.

o Entrevistado 8 respondeu: “Eu estou falando para você como um profissional da química não como empresa. até nisso é uma coisa que é um pouco complicada. E aí é assim. e a pessoa acaba não pressionando mais. o Entrevistado 8 apresenta evidências sobre um certo distanciamento existente entre órgãos fiscalizadores e empresas: “Eu acho que tem que ter uma sintonia fina entre a empresa e o órgão fiscalizador e eu penso que qualquer tipo de legislação que possa ocorrer. vamos dizer assim. então você não têm contingente suficiente. e o motivo nem sempre é um motivo tecnicamente justificável. que é preciso as pessoas e os funcionários que administram os órgãos ambientais estejam em sintonia com o mercado. levar para um órgão ambiental e achar que a pessoa vai ser o big boss. não polui” (Entrevistado 8). e aí você não tem esse time acertado e aí que está o problema. não acompanha a evolução.251 isso eles tem. E se eu sou um órgão fiscalizador/normatizador é pior ainda. e esse prazo ele vai se dilatando. Eu diria que falta talvez uma atualização ou uma reciclagem profissional. como é que eles fazem: novas empresas são rigorosamente fiscalizadas. Em seu depoimento. ou o Estado é competente para fiscalizar. deveria ser feita de forma . por isso que eu digo que neste caso específico se o Estado. Quando questionado se estas questões poderiam ser atribuídas à dinâmica do setor químico. Eu concordo que esta dinâmica dificulta mas acho que o Estado é pesado em relação a isso e esse peso faz com que ele faça mal feito. eu não concordo com a justificativa da dinâmica da química. e ela é uma resposta às vezes politicamente correta. e se para fiscalizar ele tem que ter informações do mercado que somos nós para se auto-regulamentar para depois fiscalizar seria o correto. Na Europa. a legislação existe. porque lá também tem isso. porque muitas vezes você não tem um OK para uma planta funcionar. Se eu falar que não polui. Quando você faz um pedido de autorização de processo. você tem que fazer o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental). Estou no mercado há 30 anos. na Europa e em qualquer lugar. e pior que isto. ou seja. Então tem os dois lados. A química é dinâmica e por ser dinâmica quem trabalha com a química precisa ser dinâmico. quando há contingente ou quando fiscaliza. eu mostro os meus conhecimentos técnicos e aí isso causa uma certa inibição. A química é dinâmica. eu vou lhe dar um prazo X por complascência mesmo. as mais antigas para se adequar custa muito caro. a química era de um jeito. faz um dos termos que está colocado lá. Por isso é que eu digo. eu não vou estar concatenado com o mercado. nos Estados Unidos. então ele faz pró-forma e a empresa faz pró-forma também e é o pró-forma que gera esses acidentes ambientais homéricos que ocorrem não só no Brasil. Você faz algumas coisas. mas ele não pode contestar porque falta argumentação. e assina um termo de ajuste e tem uma dilação de prazo. não há profissionais para fazer a fiscalização. não justifica. isto vai se estendendo. no Brasil. Só que quando você chega na última exigência que estava naquela relação de termos de ajuste. como órgão fiscalizador fizer a sua parte já ajuda muito. é do ramo de atividade da empresa autuada. hoje já não é mais assim. quando eu fiz engenharia química. senão não acompanha a tecnologia. o expert” (Entrevistado 8). não tem contra-argumentação. tudo é dinâmico. Mas eu penso que você não pode pegar alguém da academia. Você dá uma resposta para ele. porque se eu sou um profissional da empresa e aqui eu respondo pela parte técnica e se eu disser para você que a química é mais rápida do que eu profissional eu estou errado. OK. então eles tem lá uma certa condenscendência e fazem o que. já mudou muita coisa. Eu concordo com você que a dinâmica dificulta. ele não consegue falar com os profissionais do mercado com propriedade. já houveram modificações ou na planta de processos ou na matéria-prima. ou seja.

Quando eu levo o protocolo no IAP eu tenho um cronograma que eu vou dizer para o IAP. Isso foi uma das coisas mais certas que já ocorreram. Então não há uma aproximação das empresas em relação aos órgãos ambientais. Deveria ser o contrário. o Entrevistado 6 menciona: “São muitas exigências. os entrevistados informaram: . a empresa não está se negando a participar. o problema é seu” (Entrevistado 6). É melhor você gastar para prevenir do que você ter um evento que você gasta 3 ou 4 vezes mais. Quando questionados sobre quais eram. É muito comum você ter câmaras técnicas nos órgãos ambientais. porque você ia verificar na sua planta de produção quais eram as suas mazelas. fizeram. isenta. eu tenho 10 nãoconformidades. teve uma normativa do IAP que tinha que fazer uma auditoria compulsória. há uma certa fobia da empresa em relação ao órgão ambiental. As empresas que fizeram.252 conjunta. Quando você faz a auditoria compulsória. Com relação às questões burocráticas e a disponibilização para orientações. só que isto perdeu efetividade. de condição técnica. só que são câmaras técnicas que tratam de eventos que já aconteceram. Eu acredito que a maior parte da poluição é doméstica. porque ela é paga para aquilo. o Entrevistado 3 considera que: “Apenas gostaria que a fiscalização e a cobrança fossem as mesmas para empresas e residências. Estes órgãos deveriam auxiliar muito mais a empresas e dar referências sobre o que fazer para não errar. não são realizadas muitas cobranças” (Entrevistado 3). como nós fizemos. você vai ter que adequar. e das 10 eu vou fazer 5 em 2008 e 5 em 2009. a amplitude da fiscalização. Vire-se. e pior. então você vai gastar com o evento e gastar com a adequação. teve acho que fazem 2 ou 3 anos atrás aproximadamente. ao IAP que as 5 não-conformidades que ficaram pendentes não vão gerar riscos eminentes” (Entrevistado 8). Quanto à amplitude da fiscalização. Alguns dos entrevistados reclamaram sobre alguns aspectos relacionados às questões burocráticas. as principais motivações para a realização de gastos ou investimentos ambientais. da postura autoritária de alguns fiscais. ela faz uma análise crítica. Sem atenção para com a pessoa que está trabalhando. se você tiver um evento na sua planta. Você contrata uma auditoria que vem para a sua fábrica. desde que eu diga a ele. então você mostra somente aquilo que ele quer ver. Se você precisa de alguma coisa eles mandam você ver na internet. A FIEP (Federação das Indústrias do Paraná) entrou com uma liminar contra o IAP e derrubou isso. e quando ele vem para dentro da empresa ele acaba inibindo. você percebe de A a Z quais são os seus problemas e aí você apresenta para o órgão ambiental um cronograma de acordo com o seu time (tempo). seja de orçamento. e ela é co-responsável e eu levo aquilo e protocolo no IAP. E aí que eu acho que existe uma discrepância. Não sei se você acompanhou. das limitações do órgão fiscalizador em termos de disponibilizar orientações antes de realizar as cobranças. além das questões legais. Apesar da legislação ser moderna. do que esperar para multar.

“Preocupação com o meio ambiente e com a imagem da empresa”. por tudo. ou seja. Exigências de clientes certificados (um dos clientes estabeleceu um prazo de 5 anos para a empresa adequar-se). Como é que eu posso quantificar o quanto aquilo contaminou para frente. se ela for levantada a montante ou a jusante. Uso seguro e responsável dos recursos naturais. É importante passar esta percepção para os clientes e para as autoridades”. Eu sei que se eu fabricar um creme e muitas pessoas tiverem problema de pele. vai perceber que a partir das empresa onde nós estamos. certo. A Entrevistada 10 informou “Eu acho que é necessário. a empresa vai fechar. prevenção. ele caminha. Preservação do meio ambiente em nossa unidade fabril. As empresas que não se adequarem não vão conseguir continuar no ramo. eu vou lutar para que isso não aconteça. Porque que digo critério ético: porque nós temos profissionais e profissionais. eu vou ter uma maior contaminação. ele tem que ser bem destinado de forma adequada. Então a primeira coisa é o critério ético. Com o tempo todas as empresas terão que se adequar. Não realizou gastos ou investimentos na área ambiental. Então eu vou ter uma contaminação.253 Quadro 47 – Motivos para Gastos/Investimentos Ambientais Entrevistado Entrevistada 1 Entrevistado 2 • • • • • Motivos Informados Preservação do meio ambiente. mesmo que não tenha uma legislação. e uma outra questão é o critério de que tudo que não se resolve hoje você vai gerar um passivo ambiental para empresa que é quase incomensurável. saber que você está poupando problemas para a empresa” Fortalecer a marca da empresa (apelo ambiental . você tem que pensar como homem de produção e se eu tenho parte da produção que eu não consigo aproveitar e que vai gerar um resíduo qualquer. porque você não consegue fazer uma análise extrapolando valores dos números de hoje para daqui 5 a 10 anos. É legal perceber que os clientes estão buscando empresas ecologicamente corretas. Segundo ele “eu tenho responsabilidade: eu sei por exemplo que se peixes começarem a morrer e as autoridades comprovarem a minha responsabilidade. Entrevistados 3e4 • Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 7 • • • • Entrevistado 8 • Entrevistado 9 • • Entrevistada 10 Fonte: O Autor (2008) . Reclamações de vizinhos em relação ao pó e aos odores emitidos pela empresa. Para o Entrevistado 4 “Interesse em isenção de impostos para medidas adotadas para preservação do meio ambiente”. Aí entra o critério ético. para o futuro”. a empresa vai fechar. O Entrevistado 8 informou “Critério ético eu diria. Se eu sei que aquela matéria-prima é potencialmente poluidora e se eu descartar de forma errada no meio ambiente eu vou gerar um problema. Não realizou gastos ou investimentos na área ambiental. Para o Entrevistado 3. pela saúde. A conseqüência disso é que a empresa terá que estar a altura das exigências das autoridades.produtos naturais . O Entrevistado 3 acredita que “o cliente vai gostar mais da empresa se a empresa tiver uma imagem limpa. ele não é estático. Se eu estudei química e eu sei que tem a lei de Lavosier que na natureza nada se cria. tudo se transforma. Além do desempenho. certo. Como o meu compromisso é com a empresa e não com a fiscalização.respeita o meio ambiente). No caso eu gerencio a área de produção e respondo pela área técnica. Se eu contamino por exemplo um lençol freático. “Melhorar o desempenho da empresa”. É o tipo de passivo que eu não tenho como mensurar a não ser numa condição generalizada”.

talvez a questão seja você priorizar. Nós não temos um setor específico que só pense meio ambiente”. Entrevistados 3e4 • • • Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 7 • Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10 • • Fonte: O Autor (2008) Com relação aos históricos de acidentes ambientais ocorridos na empresa. No nosso segmento existem profissionais que fornecem serviços especializados”. “Muitas informações só são encontradas quando de uma fiscalização ficamos sabendo do que é preciso ser realizado dentro da indústria. tudo que tiver que ser feito seria feito com certeza. Se ele disser que tem que fazer 10. “Eu acho que só financeira mesmo. Não investiu na área ambiental. “Encontrar profissionais qualificados”. Pelo nosso nível de faturamento e pelo pouco capital ou pelo pouco investimento necessário na área ambiental. aí eu vou falar como empresa e não como profissional da área técnica. Eu não diria que a questão financeira seja uma questão que hoje impacta. Apenas 3 (três) indústrias ou 33. a questão financeira não é o problema. priorizamos outras questões que é fazer o dia-a-dia em termos de produção e aí isso não fica no primeiro plano. quais seriam as principais dificuldades encontradas para a realização de gastos ou investimentos na área ambiental. fazemos 100. tudo que tem que ser feito na área ambiental é feito. Não é a questão financeira que pega para a gente não fazer não. fazemos 10. Este dado não pode ser confirmado em função da não disponibilização de informações detalhadas pelo IAP sobre acidentes e autuações envolvendo indústrias químicas no município. se ele disser para fazer 100. “Custo para montar a gestão de processamento de resíduos é alto”. Nós. O que importa é o seguinte: o órgão fiscalizador quando vier aqui tem que ter propriedade de dizer o que precisa ser feito. Aí é mais por que nós como empresa. Faltam mais informativos referentes a aplicações especificas para cada segmento de mercado químico”. que permitisse estabelecer a atual preocupação que a empresa tem com o meio ambiente.33% informaram registros de . eu acho que não tem outras dificuldades. 6 (seis) indústrias ou 66. Não Investiu na área ambiental. Muitos profissionais se preocupavam apenas com coisas supérfluas”.67% informaram que não possuíam nenhum registro de ocorrências. os entrevistados informaram: Quadro 48 – Dificuldades Encontradas para Gastos ou Investimentos Ambientais Entrevistado Entrevistada 1 Entrevistado 2 • • • Dificuldades Encontradas “A burocracia existente nos órgãos ambientais”. Outra dificuldade apontada foi em relação à mão-de-obra e sua manutenção “A empresa demorou para encontrar um profissional capacitado na área química.254 Quando questionados sobre. “Desculpe. além da questão financeira. “Uma das principais dificuldades é encontrar empresas especializadas (prestadores de serviços e treinamento)”.

quando precisávamos descartar efluente da estação de tratamento de efluentes. a Entrevistada 1 informou que: “Sim. no ano passado. interno os dois foram. do local onde ocorreu o vazamento na parte interna e externa para fazer uma bioremediação. As 3 (três) outras indústrias que informaram não gerar resíduos (Indústrias 6. 3 e 7. o Entrevistado 3 informou que: “Depois que a gente começou a cuidar da água e fazer exames de laboratório. que exigiu uma manutenção de limpeza. foi contido internamente. a aí não teve maiores problemas não” (Entrevistado 8). Segundo ele: “Um dos acidentes foi externo por que o óleo vazou para a área externa da empresa. O Entrevistado 8 mencionou que os acidentes estavam relacionados a derramamento de óleo de um tanque de armazenagem. Quando questionados sobre a geração de resíduos. No caso da Indústria 1. há dois anos e meio. em função das características de produção da água sanitária. a Indústria 4 e a Indústria 5 informaram que não geram nenhum tipo de resíduo industrial. que deve fazer entre 7 a 8 anos. e o segundo não. onde eventuais resíduos são incorporados novamente na linha de produção. foram identificados problemas de contaminação na tubulação interna.56% informaram que não geram resíduos. Por questão técnica operacional. Foi uma ocorrência importante. sendo que apenas 1 vez a gente falhou. Já na Indústria 7. o Entrevistado 8 informou que ocorreram dois eventos: “Um que foi eu diria o mais expressivo. e um outro que foi interno. já foram feitas aproximadamente 440 amostras da indústria.255 acidentes ambientais: as Indústrias 1. a qual permite o total aproveitamento das matérias-primas sem a necessidade de geração de resíduos. que ocasionou sobrecarga nas lagoas de tratamento” (Entrevistada 1). só que um extrapolou os limites da empresa. Foi uma contaminação de extratos vegetais em nível microbiano (matériasprimas utilizadas pela indústria). 8 e 9) mencionaram que o seu processo industrial ocorre dentro de um circuito fechado. de mínimo impacto. No caso da Indústria 3. foi parte com lodo biológico. . o IAP quis autuar" (Entrevistado 3). Dentre estas empresas. Graças a nós termos o histórico do primeiro e a escola do primeiro fez com que nós fossemos mais eficientes no segundo e logicamente contivemos ele na área de produção” (Entrevistado 8). Desde o início da instalação da estação de efluentes. Nós fizemos uma análise da extensão. 5 (cinco) indústrias ou 55.

5 (cinco) indústrias ou 55. mencionaram que seguem as determinações estabelecidas pela legislação com relação a contratação de uma empresa especializada para a elaboração de relatórios de emissões. o Entrevistado 3 faz uma declaração que revela a presença da ação racional instrumental descrita por Serva (1996) nos negócios corporativos em relação às questões ambientais e a geração de resíduos: "A questão ambiental era secundária. os quais são periodicamente disponibilizados aos órgãos ambientais.256 As 4 (quatro) empresas que informaram gerar resíduos industriais declararam as seguintes descrições e destinos para os resíduos: Quadro 49 – Indústria Química X Descrição dos Resíduos X Destino Indústria Química Indústria 1 Indústria 2 Descrição do Resíduo Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Borra de Tinta Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Resíduos de Fabricação de Extratos Vegetais Resíduos Líquidos Resíduos Sólidos Destino Estação de tratamento de efluentes Separação e disposição adequada Empresa especializada em tratar os resíduos industriais para serem incinerados no forno de cimenteiras Estação de tratamento de efluentes Catadores de papel e usinas de reciclagem Adubo orgânico para hotel fazenda pertencente ao proprietário da empresa Empresa de reciclagem de óleo Empresa especializada em tratar os resíduos industriais para serem incinerados no forno de cimenteiras e empresas de reciclagem Indústria 3 Indústria 7 Fonte: O Autor (2008) Com relação aos resíduos. Com relação à existência de controles de emissão de poluição. No caso da Indústria 7. As 4 (quatro) empresas ou 44. somente depois que se atingiu a qualidade dos produtos é que a gente começou a se preocupar com o resíduo" (Entrevistado 3).56% informaram que não possuem controles pelo fato de não realizarem emissões gasosas na atmosfera. Ou seja.44% que informaram possuir controles. o Entrevistado 8 detalhou como funcionam os procedimentos para controle de emissão de gases e de monitoramento do lençol freático: “Nós fornecemos periodicamente ao IAP alguns documentos para que nós tenhamos a nossa licença de operação mantida. das caldeiras nós temos que semestralmente .

No caso da Indústria 3.257 fornecer os mapas de emissões. que eu diria que foram feitos a mais ou menos nove anos. depois colocamos lavador de gases. Em cima desta situação de reclamações nós fomos para o mercado. Os vizinhos reclamavam do pó. como eu falei. O nosso produto era feito. foram nos dando algumas orientações em relação ao nosso problema. era feito em tacho aberto. situação que em uma semana foi resolvida” (Entrevistado 3). tipos de voláteis. segundo o Entrevistado 8. Foi apenas uma reclamação verbal do supermercado vizinho em relação ao cheiro exalado. houveram uma série de reclamações. No caso da Empresa 7. apenas 3 (três) indústrias informaram possuir registros de reclamação. A cada três meses é feita a drenagem dos poços. Da mesma forma que as pressões exercidas pela sociedade organizada foram fundamentais para que o governo e o setor químico assumissem uma nova atitude em . aí junto com a equipe técnica fizemos algumas alterações de processo (temperatura de cozimento. conforme explica o Entrevistado 8 “Como a fábrica já está aqui há mais de 20 anos. Então nós temos um cheiro específico do nosso processo produtivo e aí ao longo do período. e aí de uma forma muito companheira porque eles nos ajudaram nisso. nós tínhamos uma série de problemas. Temos duas empresas terceirizadas que fazem estes controles” (Entrevistado 8). preenchem o documento que é enviado ao IAP para protocolo. Então toda a parte de voláteis do processo ficava no ambiente interno do prédio e uma parte saia. mudança de matérias-primas). uma vez que o fato ocorrido quase determinou a mudança de endereço da empresa. depois condensador. Na questão relacionada à existência de registro de reclamações da comunidade em relação às suas operações. o Entrevistado 9 também informou um único registro: “Somente reclamação verbal. não há problemas com a comunidade. Já tivemos sim. Nós temos pontos de monitoramento na parte interna. Logicamente hoje. mas isso já está totalmente sanado” (Entrevistado 8). fizeram até um abaixo-assinado junto ao IAP e ele veio aqui. vimos alguns equipamentos para o nosso processo. a situação foi um pouco mais séria. o Entrevistado 3 informou que se tratava de apenas uma ocorrência: “Sim. apenas uma vez quando a estação de tratamento de efluentes foi instalada. Por este motivo investimos recursos em melhorias. não temos nenhuma reclamação e temos o Ok do IAP. inicialmente. que é para verificar até que ponto nós estamos mantendo o lençol freático tal como era antes de nós nos instalarmos aqui. ou seja. fazem a análise da água. Nós temos um contrato com uma empresa que faz o levantamento e o laudo para envio ao IAP (caldeiras). a exemplo do reflorestamento do entorno da fábrica” (Entrevistado 9). já chegou até a ter abaixoassinado para que nós saíssemos daqui em função disso. fazem a coleta dos poços. na parte de graxas. saímos de tanque aberto para tanque fechado. No caso da Indústria 8.

todos os anos são realizadas tentativas porém o seguro nunca é obtido.258 relação ao tratamento dispensado para as questões ambientais. fiação elétrica. enquanto que a Entrevistada 1. As seguradoras não fazem este tipo de seguro e quando fazem algum tipo de orçamento de apólice. de que a condição da iminência do risco se torna institucionalizada a partir do momento que a sociedade passa a desenvolver atividades que deixaram de ser cobertas por seguros. nos casos relatados pelas 3 (três) indústrias percebe-se que as reclamações dos vizinhos foram essenciais para que os problemas fossem solucionados. O Entrevistado 2 informa que: “A dificuldade para a obtenção de seguro é muito grande para a própria empresa. A empresa já investiu mais de R$ 50. A minha empresa atende apenas as exigências do bombeiro e da medicina do trabalho” (Entrevistado 5). e para confirmar a afirmação de Beck (2006). O último investimento realizado para atendimento de uma das exigências das seguradoras envolveu a transferência da armazenagem dos produtos da parte interna para a parte externa e mesmo assim o seguro não pode ser realizado” (Entrevistado 2). a exemplo de novas legislações e da criação do Programa Atuação Responsável. O Entrevistado 3 informou que a sua empresa não possui em função do seguro ser muito caro e das exigências das seguradoras. informa que a opção pela não contratação de seguros se deve ao fato de que considera que a . os custos são altos: exige troca das portas de madeira. os profissionais entrevistados foram questionados se suas respectivas indústrias químicas possuíam algum tipo de seguro para acidentes ambientais. de modo a garantir a continuidade de suas operações. O Entrevistado 6 menciona que a sua empresa não possui seguro em função da falta de recursos para a sua contratação. mas mesmo assim ainda não conseguiu atender os requisitos das seguradoras. devido ao nível de exigências das seguradoras.000. Em suas respostas. Foi a partir destas reclamações que as 3 (três) empresas buscaram adotar medidas para resolver os problemas apontados. sistemas de comandos eletrônicos e motores a prova de explosão. O mesmo ocorre com o Entrevistado 5.00 em melhorias. quando menciona: “Não possuo seguro. Para confirmar a existência de riscos inerentes às atividades de fabricação e de manipulação de produtos químicos. alguns dos entrevistados confirmam a situação de iminência do risco retratada por Beck (2006) ao revelarem que não possuem seguro. as companhias seguradoras impõem muitas exigências.

predial. Segundo o Entrevistado 8: “No ramo seguro. patrimonial. a gente faz seguro aqui para o escritório. não sei como se chama. os entrevistados mencionaram que possuíam seguro de suas instalações. compostagem). No caso das Indústrias 6. Contratar uma empresa especializada para atendimento de situações de emergência (na atualidade a única alternativa é o bombeiro). carro e patrimonial e as seguradoras nunca mencionaram” (Entrevistada 10). Manutenção das ações já realizadas. Realizar adaptações no processo produtivo para o re-uso da água Instalações próprias (adequadas). 8 e 9. 7. Continua (. As respostas obtidas para estes questionamentos foram as seguintes: Quadro 50 – Ações Previstas na Área Ambiental para o Horizonte de 2015 Indústrias Químicas • Indústria 1 • • • • • • • • • • • Ações Previstas Separação e correta destinação do material de laboratório (incineração.. Não há projetos previstos.) Indústria 2 Indústria 3 Indústria 4 Indústria 5 . reciclagem. Já o Entrevistado 9 foi categórico em afirmar que não. a última questão desta categoria buscou identificar se haviam nestas empresas ações previstas na área ambiental para o horizonte de 2015. O mesmo ocorre com a Entrevistada 10 quando afirma que: “Até hoje as seguradoras nunca ofereceram este tipo de produto. Implantação de um sistema de prevenção de incêndio.. Obtenção de certificações. Eu nunca vi. Como forma de avaliar qual é o nível de planejamento das indústrias químicas em relação às questões ambientais futuras. caminhão. Não há projetos previstos. Eu não sei dizer qual é o teor desta cláusula porque eu não conheço estes detalhes” (Entrevistado 8). Promover ações para separação de lixo reciclável. Realizar novos investimentos em segurança do trabalho.259 atividade desempenhada pela empresa não gera riscos significativos de acidentes ambientais. uma vez que as empresas de seguro nunca haviam ofertado para sua empresa uma proposta de seguro nesta área. há sim uma cláusula específica quanto a isso. Melhorar a estrutura interna da empresa. porém ficaram em dúvida sobre a cobertura e até mesmo a existência de seguros para acidentes ambientais.

uma vez que é dele que partem as decisões que podem. Por entender a importância do indivíduo no contexto das organizações.3. Melhorar o sistema de lavagem de gases em relação a sua eficiência. Criação de um novo plano de emergência. Profissional e Meio Ambiente Esta categoria de análise foi criada com a intenção de possibilitar que os profissionais envolvidos na pesquisa. por receio da divulgação de suas opiniões em função de . esta categoria se demonstrou fundamental para a exploração do tema de estudo proposto. Readequação e treinamento do quadro profissional em função da criação da nova filial no Rio de Janeiro. uma vez que o pesquisador não atua no setor químico e não possui vínculos de relacionamento com os entrevistados que participaram desta pesquisa. o Entrevistado 7 alegou que não havia respondido as questões por opção própria. Investir em melhorias. Criação de uma nova brigada de incêndio. revelassem quais eram as suas percepções sobre meio ambiente antes de realizar suas considerações sobre a relação de suas respectivas indústrias químicas e o meio ambiente. como indivíduos. foi o único dentre os entrevistados a não fornecer respostas. dar origem aos riscos. o principal objetivo da categoria de análise “Perfil Ambiental da Indústria Química” foi o de possibilitar uma aproximação entre o pesquisador. 4. Não há projetos previstos. de acordo com Beck (2006). o Entrevistado 7. com a intenção de que as categorias de análise “Profissional e Meio Ambiente” e “Indústria Química e Meio Ambiente” pudessem ser melhor exploradas. sujeitos e objetos de pesquisa. Criação de um novo plano de contingenciamento . que optou pelo preenchimento do questionário ao invés da realização da entrevista. Com relação aos questionamentos efetuados para esta categoria.260 Indústria 6 • • • • • • • • Indústria 7 Indústria 8 Indústria 9 Promover ações para a conservação do verde. Com base na realização desta primeira etapa da pesquisa foi possível estabelecer uma aproximação entre pesquisador e entrevistados. Quando do estabelecimento de um novo contato do pesquisador para a obtenção das respostas ausentes no questionário. Fonte: O Autor (2008) Como mencionado anteriormente.

Em sua maior parte. Depende do relacionamento das pessoas e da evolução do homem dentro do meio. as quais serão utilizadas como estrutura de tópicos para a apresentação dos resultados obtidos. que pode ser feita dentro de casa ou no trabalho. é educação da comunidade por que ela faz parte do meio ambiente. Continua (. não distinguindo o homem dos demais seres vivos” “Onde nós vivemos. as respostas foram fornecidas logo após momentos de hesitação e em muitos casos. Para esta categoria foram criadas 5 (cinco) questões. O entendimento sobre o meio ambiente começa na educação básica. O meio ambiente para mim faz parte do ambiente das empresas. mencionando que o meio ambiente e a religião estão em todos os lugares. Eu entendo o meio ambiente. Cuidar com o futuro dos herdeiros” “É onde a gente mora. das indústrias químicas e dos entrevistados participantes da pesquisa. Primeiro educação e conscientização. o que é meio ambiente? Com relação ao significado de meio ambiente.261 representar a indústria química. é onde a gente trabalha”. ele também faz parte do meio ambiente”. da comunidade onde as pessoas trabalham. é o relacionamento funcional dos funcionários e familiares. fatos que podem indicar evidências do distanciamento ocorrido entre ser humano e meio ambiente. as respostas revelam um total distanciamento ou desconhecimento dos entrevistados sobre o que venha a ser meio ambiente.. Devemos ter preocupação com o meio ambiente. o Entrevistado 3 falou muito sobre religião. os profissionais entrevistados realizaram declarações que possibilitam uma melhor compreensão sobre como o meio ambiente é por eles percebido. o Entrevistado 7 manteve a sua opção de não responder aos questionamentos desta categoria. “Todo mundo entende meio ambiente somente como plantar árvores. Mesmo diante da reafirmação do compromisso de confidencialidade assumido pelo pesquisador com relação à não disponibilização de dados que possibilitassem a identificação do município. Em seu depoimento.) Entrevistado 3 Entrevistado 4 . Em alguns casos. tentando estabelecer uma comparação. preservação da água. primeiro passo é educação. de forma objetiva ou cercadas de insegurança. Quadro 51 – Significados dos Entrevistados para Meio Ambiente Entrevistados Entrevistada 1 Entrevistado 2 Significado para Meio Ambiente “É tudo que pode afetar a vida.. Onde tudo ocorre. a) Para você. Para o Entrevistado 3 “A TV cria um imaginário que faz com que as pessoas pensem que o meio ambiente é algo que não faz parte da vida delas”.

sem ele não há vida” Fonte: O Autor (2008) Nas respostas é possível perceber a ausência de simbolismo e a presença do antropocentrismo de Descartes. em usar a TV para orientar e educar a população.262 Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10 O Entrevistado 5 não conseguiu definir o que é para ele meio ambiente. eu gero impacto ambiental. para os animais. Para a gente . pessoas.. eu tenho que minimizar este impacto. Então eu penso que qualquer atividade. “A preservação do nosso planeta. papel não se pode jogar no chão. para a gente que está nesse ramo é um problema. O mercado exige que a gente tenha todas as adequações mas a rentabilidade do negócio não permite fazer quadro. que possuem pessoal. contratar profissionais para cuidar desta área. o mundo.. tem dificuldades de se adequar.. em especial na fala do Entrevistado 9. desde a parte de equipamentos. Para a gente que é uma empresa pequena representa algum entrave. não se joga papel no chão. Eu ri para o meu pai e meu pai segurou na minha orelha até eu juntar. quando por exemplo. para os seres humanos. é tudo. padronizar os carrinhos dos catadores e da falta de iniciativas para educação da população. e eu como profissional devo trabalhar de maneira tal que devo conseguir manter este sincronismo de forma que um ajude ao outro. eu não consigo fazer produção sem ter o impacto ambiental. você vai ter definições e definições de meio ambiente. Vou lhe contar de que maneira eu fui criado: quando eu era criança meu pai me deu uma bala. serviços e até lazer” “É a nossa casa. Para nós aqui meio ambiente é onde nós estamos trabalhando e seria o que. a gente sempre tem que estar às voltas com isso aí. Desde que você tenha recurso e profissionais especializados. coloquei ela na boca e joguei o papel no chão. assim que eu aprendi. objetos. Toda vez que eu pego uma bala eu lembro do meu pai. bom eu vou ser bem sincero. Para mim. Em algumas respostas percebe-se indícios da racionalidade instrumental. . você resolve qualquer problema” “Meio ambiente. quando considera que o meio ambiente representa um problema em termos de gestão. normalmente prejudicial ao meio ambiente. eu descasquei uma bala. É assim que precisa ser feito. Só que aí existe um pouco de utopia.. só o fato de eu me locomover da minha casa até aqui.. Tem tantas coisas para falar: a primeira coisa é a educação do indivíduo. é uma coisa necessária para a sobrevivência. como que eu poderia te explicar. As exigências muitas vezes são feitas pensando em empresas mais estruturadas. meio ambiente é isso. Muitas vezes você precisa indicar as soluções para os terceiros. Não tenho um profissional assim contratado full-time. Meu pai era alemão e eu não quero dizer com isso que alemão seja melhor que os outros” “Dependendo do que você fala e de onde você está. Meu pai falou para mim: meu filho... O meio ambiente para mim é qualquer lugar onde nós estamos inseridos. Falou em aquecimento global. tem que fazer com que o impacto seja o menor possível. produtos. Aí as empresas que não tem toda esta estrutura.. matériasprimas e o ambiente interno e externo. onde nós temos todos os tipos de interação com coisas. o meio ambiente é considerado apenas como algo necessário para a sobrevivência dos seres humanos. trabalho com terceiros que não tem um foco dedicado para a empresa...

b) Como você enxerga a sua relação com o meio ambiente? Quando questionados sobre como os entrevistados enxergavam a sua relação com o meio ambiente. Ao ser questionado se encontrava dificuldades para ir além da separação do lixo. o Entrevistado 4 se aproxima do princípio hologramático proposto por Morin (1998). de origem japonesa. o Entrevistado 3 apresentou novas evidências sobre o distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. O Entrevistado 2 acredita que: “Poderia fazer mais pelo meio ambiente. esta última no caso do entrevistado. o Entrevistado 4 revela que a percepção sobre o que é meio ambiente não depende apenas do nível de educação formal. eu faço pouco hoje. poderia dar maiores contribuições para o meio ambiente” (Entrevistado 2). de higiene da criança são totalmente urbanas. Quando menciona a importância da educação básica para a compreensão do meio ambiente. Ele comentou que sua sensibilidade para o tema vem de sua educação familiar. fazer um reflorestamento. uma em especial chamou a atenção do pesquisador em termos de clareza e posicionamento. Ela sempre vai viver . as noções de limpeza. ao considerar que o homem faz parte do meio ambiente. do pai que é agricultor e que sempre atou em projetos sociais. nós hoje somos poluidores do meio ambiente. Queira ou não queira. e que envolve outros aspectos como a experiência de vida e a formação cultural. A criança vai se afastando das conseqüências. O Entrevistado 3 declarou que busca ter cada vez mas cuidado. aquisição de novos equipamentos. mas o todo está na parte. Ter recursos para manter uma entidade. principalmente com o lixo e a preocupação com o futuro dos filhos. ambientes que aparentemente são limpos mas que geram muita sujeira. Para onde vai o lixo do shopping?. Em sua fala. do descuido ambiental e ela vive esta maquiagem. gostam de brincar em shoppings. além de fazer compostagem do lixo biológico e da separação e destino do lixo em sua propriedade rural. o qual considera que não apenas a parte está no todo. algumas respostas revelaram indivíduos sensíveis às questões ambientais.263 Dentre as respostas. uma vez que a sua formação é primária. retratado anteriormente por Sheldrake (1993): “Eu nunca tinha pensado nisso. porém presos a perspectiva realista definida por Beck (2006).

conscientizando. Se cada um fizer a sua parte seria importante” (Entrevistado 5). Na chácara são recolhidas aproximadamente 200 garrafas pet que vem no rio e que ficam presas em três grades. do apartamento. ocorrida em função da contaminação de agrotóxicos aplicada em uma plantação de tomate. é praticar. as quais se aproximam de algumas das características presentes na perspectiva construtivista definida por Beck (2006): “Eu me considero um homem consciente. Mas está melhorando. Deixei claro que se ele não tomasse as providências necessárias. o Entrevistado 6 fez questão de mencionar um fato ocorrido com ele: “Dia desses eu me deparei com um rapazinho que estava ameaçando quebrar uma árvore nova. que possam servir para o conjunto da sociedade. O ser humano precisa de mais orientação. Como forma de demonstrar que preserva o meio ambiente. deixe que nasça. meu pai sempre dizia: derrubou uma árvore plante duas. É necessário proibir a concentração urbana. além de outras coisas.264 dentro do shopping. Por isso é que eu falo que o meio ambiente começa dentro de casa. diferente os seres humanos que possuem um maior contato com a natureza como os agricultores e os índios” (Entrevistado 3). educando. Como é que você vai pegar uma árvore dessa. o ser humano de um modo geral está se afastando da natureza e está perdendo a responsabilidade por que não é o primeiro a sentir os efeitos mas é o primeiro a causar os efeitos. Há um tempo atrás houve uma grande mortandade de peixes no rio que corta a chácara. Tenho procurado mecanismos que possam se adaptar a nossa comunidade. No Japão as crianças recebem educação orientadas para um maior contato com a natureza. Apresentando dificuldades em definir a sua relação com o meio ambiente. todos aprendem a cuidar do ambiente. participando. muitas plantas que existem na chácara onde eu moro foram plantadas pelo meu pai. Eu falei para ele: meu amigo esta árvore é uma vida. Apresentando novas evidências da presença da racionalidade instrumental. o Entrevistado 4 revela traços de uma racionalidade substantiva ao mencionar sua proximidade com a natureza por meio de suas ações. as Entrevistadas 1 e 10 consideram de forma objetiva que a sua relação com o meio . todos são responsáveis pela limpeza do ambiente que utilizam. Eu vivo a relação com o meio ambiente na minha chácara. É importante conscientizar desde criança. Em sua resposta. eu considero que nos últimos anos está melhorando” (Entrevistado 6). Eu solicitei ao meu caseiro para que rastreasse a origem da poluição e quando ele descobriu eu fui falar com o proprietário para que ele tomasse as medidas necessárias para evitar novos acidentes. é uma vida que está aí. que demora tempo para crescer. que estava crescendo. Nós seres da cidade. Desde pequeno eu recebi noções sobre o meio ambiente na minha educação. o Entrevistado 5 menciona: “A natureza não tem explicação. faria uma denúncia para a fiscalização” (Entrevistado 4). nunca vai tomar uma água do rio. Não é só falar. Desde cedo.

Em apenas uma das respostas foi possível identificar traços ou características presentes na perpectiva construtivista. eu penso que eu estou sintonizado com o que eu preciso fazer para minimizar os impactos e faço tudo o que é possível de trabalhos para minimizar e procuro colocar para as pessoas abaixo ou acima do meu nível hierárquico todo tipo de informação para que isso seja difundido e implementado. Busco reciclar. o Entrevistado 9 afirmou: ”Particularmente. O Entrevistado 9 faz uma revelação em tom de desabafo que revela limitações oriundas da racionalidade econômica vigente na sociedade industrial. c) Você considera o meio ambiente em suas tomadas de decisão? . na minha casa nós separamos o lixo. eu procuro fazer a minha parte. é possível perceber que a maior parte do grupo de entrevistados se aproxima da perspectiva realista definida por Beck (2006).265 ambiente é boa. Quando questionado sobre a sua relação pessoal com o meio ambiente. Eu particularmente procuro agir desta forma. família e trabalho. meus conhecimentos na parte técnica potencializam a autonomia em relação ao que eu posso ajudar e contribuir junto a alta administração. Com base nas respostas. Eu penso que a minha condição hoje é inserido e comprometido para minimizar o impacto” (Entrevistado 8). faz bem agir desta forma” (Entrevistado 9). Eu separo lixo. produtos com selo de qualidade. a qual rege o comportamento da grande maioria das organizações: “Eu gostaria de ter condições de atender até mais as exigências. tem que ter ação. Segundo ele: “Como eu ocupo um cargo de gerência eu tenho uma certa autonomia sobre a atividade. Então é assim. A gente sempre acaba tendo que se adequar às exigências dos órgãos ambientais. consumir produtos recicláveis de indústrias que não agridam o meio ambiente. Às vezes a gente se sente frustrado por que acaba não tendo condições de atender 100% as exigências. Da mesma forma o Entrevistado 8 mencionou que considera a sua relação pessoal com o meio ambiente bastante coerente em diferentes níveis: casa. em cima das normas. Eu gostaria de ter uma empresa mais enquandrada. quando na realidade a gente consegue no máximo ficar dentro das normas” (Entrevistado 9). porque só a palavra não resolve.

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Quando questionados se o meio ambiente era considerado durante as tomadas de decisão, todos os entrevistados foram unânimes em informar que sim. O Entrevistado 3 afirmou:
“Eu considero sim, mas ele é um dos fatores que eu considero. A primeira preocupação na tomada de uma decisão é que ela esteja de acordo com as normas sanitárias. A segunda preocupação é a rentabilidade/viabilidade financeira. Em terceiro as questões burocráticas de registros junto aos órgãos competentes, entre eles o IAP. O IAP é colocado por último, em função da necessidade de estar bem embasado para solicitar a autorização” (Entrevistado 3).

Para o Entrevistado 4 o meio ambiente é muito mais importante que qualquer outra questão. Em sua resposta ele dá novas evidências da presença da racionalidade substantiva em seus comportamentos e ações quando menciona:
“Considero que o meio ambiente seja mais importante que o econômico em função da minha concepção sobre o que é o meio ambiente. Não adianta eu ser economicamente perfeito, se o meio ambiente faz parte do homem dentro deste processo, e ele não tiver capacidade de evolução e relacionamento” (Entrevistado 4).

Demonstrando novamente a predominância da racionalidade instrumental em sua organização, o Entrevistado 8 declara:
“Sempre, eu sempre. Só que aí eu não vou destoar do nosso objeto social, que é produzir e vender lubrificantes. Se o impacto ambiental for de encontro à condição de produção eu tenho que ser flexível com a minha convicção, e aí eu tenho que ser um pouco permissível em algumas condições. Senão eu seria radical e não poderia estar aqui como eu estou há 20 anos. Eu acho que isso é um trabalho feito par e passo, eu não posso a toda hora ser impositivo, tem que ser negociador, e aí eu penso que eu poderia ter um aliado que seria o próprio Estado, que ajudaria muito. A empresa se enquadra quando você tem leis e fiscalização, só um ou só outro não vai resolver, é preciso ter um trabalho conjunto” (Entrevistado 8).

d) Você sofre alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão? De que tipo? Quando questionados se sofriam alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão, os entrevistados informaram que sofrem influências de diferentes naturezas: cumprimento da legislação, interesses econômicos, questões relacionadas à imagem da empresa, questões financeiras e reclamações dos vizinhos. O Entrevistado 3 considera que:

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“No momento não, porque estou atendendo as exigências legais. Porém considero que a maioria das empresas sofre influências relacionadas a questões financeiras, os empresários nunca falam sobre o meio ambiente. A maior pressão ocorreu antes da implantação quando da estação de tratamento, agora são apenas as fiscalizações” (Entrevistado 3).

Para o Entrevistado 8, as pressões internas e externas ocorrem da seguinte forma:
“Na parte interna, a alta administração não tem como objeto principal o meio ambiente e sim a parte de produzir e gerar lucro. Na parte externa, como a gente atende as exigências da legislação, não há pressões externas que comprometam as atividades” (Entrevistado 8).

e) Em um contexto geral, como você considera a importância do meio ambiente para a sua organização?

Para encerrar os questionamentos da categoria “Profissional e Meio Ambiente”, os entrevistados foram questionados sobre como, num contexto geral, consideram a importância do meio ambiente para as suas respectivas organizações. Apresentando evidências de um comportamento utilitarista, alguns dos entrevistados consideram em sua maioria que o meio ambiente é importante pelo fato de ser fornecedor da matériaprima necessária para a produção dos produtos que as respectivas indústrias fabricam. Como exemplo desta afirmação, o Entrevistado 2 considera que para a produção de tintas o meio ambiente é:
“100% importante para a empresa, pois a produção das resinas provém de matérias-primas de florestas plantadas, a exemplo do pinus que gera o breu” (Entrevistado 2).

Da mesma forma, o Entrevistado 3 caracteriza que o meio ambiente é importante em termos de fornecimento de matéria-prima:
“A empresa utiliza diversas matérias-primas que não são sintetizadas na indústria, que são oriundas do meio natural, a exemplo da água. Quanto mais suja estiver a água, maiores serão os gastos em produtos químicos para limpeza” (Entrevistado 3).

Confirmando novamente a sua posição baseada na racionalidade instrumental adotada pela sua empresa, o Entrevistado 8 acredita que:
“É importante, mas não é preponderante. Nós tomamos decisões considerando o meio ambiente, mas não colocando o meio ambiente em primeiro plano. Então o primeiro propósito é o que: a matéria-prima, produzir e vender. Sempre que possível comprar de uma

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empresa que não polua, produzir de forma que não polua e transportar da forma que não polua. Mas o primeiro objetivo é comprar, produzir e vender. Não é assim vou comprar uma matéria-prima que seja a menos impactante, produzir da maneira menos impactante, e transportar da forma menos impactante. É importante mas não é preponderante. Eu acho muito importante, eu acho importante. Se a gente quiser continuar com a empresa precisa estar adequado com as normas ambientais, se você não estiver adequado você não vai conseguir vender, não vai conseguir prosperar com o negócio” (Entrevistado 8).

4.4. Indústria Química e Meio Ambiente

Esta categoria de análise foi criada com a intenção de encontrar respostas sobre as relações das indústrias químicas e o meio ambiente, em especial a partir das percepções de profissionais que atuam em empresas instaladas em um município paranaense. Para esta categoria foram criadas 9 (nove) questões, as quais serão utilizadas como estrutura de tópicos para a apresentação dos resultados obtidos.

a) Na sua opinião, como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais?

Com relação a esta questão, boa parte dos entrevistados confirmou a condição verificada nos resultados de diferentes pesquisas apresentadas neste estudo (quadro 32), de que a indústria química é mal vista pela sociedade. Para o Entrevistado 2:
“Todos os acidentes ambientais de grande proporção estão relacionados com a indústria química, principalmente acidentes envolvendo estatais” (Entrevistado 2).

O Entrevistado 8 confirma a imagem negativa da indústria química perante a sociedade. Para ele a indústria química é vista:
“Como vilã, com certeza. A indústria sabe disso, a sociedade sabe disso e os órgãos ambientais sabem disso. Só que eu penso que a evolução tecnológica e de processos produtivos estão à frente da questão de legislação e pior que isso, se houver uma maior fiscalização, ou você vai ter que produzir menos, ou mudar algumas matérias-primas que vai impactar no aumento de preços, que não vai ter compromisso seu socializado, próximo ao seu cliente. Então eu penso que em detrimento dessas decisões que teriam efeitos colaterais é que existe este rótulo negativo das indústrias químicas e a indústria sabe disso, o mercado, a sociedade e também os órgãos ambientais. Não é uma visão positiva, é sempre vista como uma empresa ou que não polui que vai poluir ou já poluiu muito” (Entrevistado 8).

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Em sua resposta, o Entrevistado 9 também confirma a imagem negativa da indústria química:
“Acho que ela é vista como uma indústria poluidora, pelo próprio processo. É diferente uma indústria química de uma indústria de software, por exemplo, de um prestador de serviço, que fica dentro de um escritório, separa lixo, coloca uma lixeira e acha que faz sua parte. A gente faz notificações de processo, tem fornalha soltando fumaça, tem máquina circulando matéria-prima, então ela naturalmente é mais difícil de se adequar ao meio ambiente. No caso do setor metalúrgico, que pega o material pronto, não interessa se para produzir aquele ferro tenha poluído para caramba dali para trás, mas eles pegam o ferro bonitinho, limpinho, dentro do plástico, daí pegam uma lixeirinha e separam o plástico de um lado, os resíduos de limalhas de ferro do outro lado, então eles são ambientalmente super corretos. A gente não, a gente está na parte anterior da deles, a gente tem que fazer movimentação, tem que fazer processos de produção que geram resíduos, que geram poluição, então eu acho que as indústrias químicas nesse ponto, são vistas um pouco como poluidoras, pois naturalmente elas poluem alguma coisa. Já poluíram muito mais, hoje já com as normas as empresas estão se adequando, mas ainda existem resíduos de produção” (Entrevistado 9).

A Entrevistada 10 também acredita que a indústria química é mal vista, porém confirma a necessidade de sua existência:
“Muitos acidentes envolvem produtos químicos na natureza, resíduos. Porém é necessário, se não houver indústrias químicas [hesitação]... eu acho que é um mal necessário” (Entrevistada 10).

O Entrevistado 4 assumiu um posicionamento de que a indústria química não é a única culpada pela poluição ambiental. Ele considera que a indústria química é vista pela sociedade:
“Sempre como poluidora, que estraga a natureza. Os meios de comunicação divulgam muito os acidentes envolvendo a indústria química e meio ambiente. Porém eu acho que a indústria química não é a única poluente, o conjunto da sociedade é responsável pela poluição” (Entrevistado 4).

Já o Entrevistado 5 e o Entrevistado 6 apresentam evidências sobre o distanciamento da sociedade em relação às questões ambientais e o nível de importância que ela atribui a indústria química. Eles acreditam que:
“A sociedade não tem conhecimento do que é uma indústria química. O povo não conhece a realidade de uma indústria química” (Entrevistado 5). “Não sei, eu acredito que não se importam, está entendendo. Um sabonete que fazem, é cheiroso, está bom, é um desodorante que está cheiroso. Eles não ligam está entendendo, eles ligam para o preço, o preço da prateleira, isso aí é que eles ligam. Eles não se importam, não há interesse, você está entendendo. No meu ver, no meu parecer eu acredito

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que eles não conhecem o funcionamento de uma indústria química, eles não dão valor para isso” (Entrevistado 6).

A Entrevistada 1, ao se aproximar do discurso do desenvolvimento sustentável, acredita que:
“No passado, a indústria química recebia uma conotação apenas de poluidora. Com a atual legislação, mais rígida e atuante, hoje ela é vista como uma necessidade humana que pode ser ambientalmente sustentável” (Entrevista 1).

Ao considerar aspectos regionais, o Entrevistado 3 faz considerações relevantes:
“Depende da região. Eu acredito que os pólos químicos da região não são de química pesada, nós temos uma indústria voltada para a indústria cosmética. O Paraná, diferente de São Paulo, que tem uma indústria maior, é um Estado mais ligado em questões relacionadas ao meio ambiente. Em São Paulo, a indústria é mais mal vista, uma vez que a poluição industrial é mais facilmente percebida. A questão de acidentes ambientais é mais comum em São Paulo do que no Paraná. No Paraná eu acredito que a indústria química é bem vista” (Entrevistado 3).

b) Você lembra de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas?

Quando questionados se lembravam de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas, os entrevistados em sua grande maioria, lembraram de acidentes envolvendo a Petrobrás. No quadro 53 são apresentados os acidentes ambientais envolvendo produtos químicos ou indústrias químicas que foram mencionados pelos entrevistados:

Quadro 53 – Acidentes Ambientais
Entrevistados Entrevistada 1 Entrevistado 2 Entrevistado 3 Entrevistado 4 Entrevistado 5 Entrevistado 6 • • • • • • • • • • • Acidentes Ambientais Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Contaminação do Rio dos Sinos em Porto Alegre – RS Vazamento de gás em Bophal – Índia Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Acidente com a plataforma da Petrobrás no Rio de Janeiro – RJ Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Derramamento de Óleo no Porto de Paranaguá – PR Acidente nuclear de Chernobil – Ucrânia Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Derramamento de Óleo no Porto de Paranaguá – PR Lembrou de um acidente ocorrido há 30 anos atrás na cidade onde morava. Um concorrente seu, ao fabricar hipoclorito de sódio, teve problemas de vazamento na sua linha de produção. Como a empresa também fabricava Continua (...)

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Entrevistado 7 Entrevistado 8 Entrevistado 9 Entrevistada 10

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álcool, o fogo rapidamente tomou conta da fábrica. Na época os bombeiros foram na fábrica do Entrevistado 6 para pegar máscaras, porque na época eles não dispunham de equipamentos para trabalhar com produtos químicos. Não lembrou de nenhum acidente Derramamento de Óleo pela Petrobrás em Araucária – PR Contaminação da Shell em Paulínia – SP Contaminação por chumbo pela Indústria Plumbum – Adrianópolis – PR Não lembrou de nenhum acidente

Fonte: O Autor (2008) Como é possível perceber no quadro 53, a grande maioria dos entrevistados lembrou de acidentes ocorridos no Paraná, fato que pode revelar que os efeitos ocasionados por acidentes químicos são mais facilmente percebidos nas regiões onde ocorrem. Um dos fatores que provavelmente contribuiu para que acidentes ocorridos no Paraná tenham sido mais lembrados em relação a acidentes ocorridos em outros lugares do mundo pode estar associada a ampla cobertura jornalística local, situação que somente se repete em escala global quando acidentes ambientais atingem grandes proporções. A simples lembrança pelos entrevistados, de acidentes envolvendo indústrias químicas ou produtos químicos, reforça a questão dos riscos que este tipo de indústria de transformação representa para o meio ambiente, para as sociedades locais onde suas plantas industriais se encontram inseridas e consequentemente para as sociedades globais quando efeitos não desejados dos produtos que fabricam ou dos resíduos que geram atingem grandes proporções que extrapolam os limites de suas plantas industriais.

c) Você considera que a indústria química representa algum risco para o meio ambiente?

Quando questionados se a indústria química representa algum risco para o meio ambiente, a grande maioria dos entrevistados considerou que sim. A Entrevistada 1 acredita que a indústria química representa um risco elevado, principalmente se for priorizado apenas o lado econômico, enquanto que o Entrevistado 2 acredita que a indústria química representa riscos em termos de vazamentos e explosões. Da mesma

Por isso que eu acho que há um certo descompasso entre a indústria química poluidora e a condição de chegar matéria-prima até ela e de sair produtos dela para o mercado consumidor. além da questão dos seguros apontada por Beck (2006): “Com certeza. uma doença. sem serem vigiadas. Eu acredito que a indústria química representa muito risco para o meio ambiente. e indo além. inclusive em função disso há acidentes freqüentes pelo mundo. na terra. você não tem uma malha viária com segurança. se utiliza de uma justificativa associada a lógica instrumental para determinar a necessidade de . nós temos uma 51 malha viária muito precária que oferece riscos eminentes. Quando você trabalha na indústria química. por causa dos produtos que podem degradar a natureza. eles tem resíduos de produtos químicos que caem na cadeia alimentar. além de mencionar a questão do risco. isto já é uma revelação que a atividade pode representar algum risco de contaminação. não permita que as indústrias que não se adequaram dentro de um prazo de tempo adequado continuem funcionando” (Entrevistado 3). porque você tem uma série de participantes neste ciclo produtivo. Uma pessoa que entra em contato todos os dias com produtos químicos pode desenvolver uma mutação genética. pela própria atividade que ela desempenha. Quando você transporta. mencionando que os riscos não ficam restritos ao ambiente interno das indústrias: “Sim. uma alergia. ou do ponto A ao ponto C. você recebe um bônus no seu trabalho chamado risco de insalubridade. Você não tem uma condição preventiva e preditiva para você fazer um embarque de uma carga perigosa que você tenha toda a precaução. Por mais que ela tenha precaução em sua planta de processo. as matérias-primas que são ou tóxicas ou poluidoras em potencial elas precisam ser transportadas do ponto de produção da matériaprima até o ponto de industrialização e isso gera um risco eminente do ponto A ao ponto B. O problema é que muitos destes animais que tem câncer e morrem. O Entrevistado 8 também acredita que sim. quando já não estão rompidos” (Entrevistado 8). Só o fato desta condição existir.272 forma Entrevistada 10 acredita que sim. Isto não existiria se fosse uma atividade boa. independente do cargo. o Entrevistado 3 apontou mais uma evidência da existência do risco. Além de afirmar categoricamente que sim. o produto acabado. O condutor da carga perigosa não tem total ciência do que está transportando devido a sua má formação. para a saúde e eu reforço que a legislação que é bastante adequada. você não tem condição viária de transportar com segurança. desde o primeiro ponto. as bactérias que vivem nos rios. no ar que as indústrias químicas estão poluindo todos os dias. há bem pouco tempo que existe legislação específica do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) que normatiza cargas perigosas. Se estes animais tivessem câncer e morressem seria uma realidade. Se eu adotar segurança na minha planta e o meu transporte tiver segurança. E os animais. Mesmo com SASSMAQ e tudo. não só no Brasil. O Entrevistado 5. com elos fracos que podem se romper.

Trata-se de um serviço integrado desenvolvido pela entidade para a prevenção e atendimento de acidentes rodoviários envolvendo produtos químicos 51 . “Desde que respeitadas as legislações não vejo dessa forma” (Entrevistado 7). Uma indústria de soda eu não posso fazer aqui. todos os entrevistados mantiveram as mesmas respostas fornecidas para esta mesma pergunta. Esta questão foi propositalmente colocada de forma repetida no instrumento De acordo com a ABIQUIM (2007) a sigla SASSMAQ corresponde a Sistema de Avaliação de Segurança. Se eu fosse fazer aqui os órgãos ambientais não permitiriam” (Entrevistado 6). diferente da fabricação do hipoclorito de sódio que exige uma estrutura própria. momento em que deixam de se preparar adequadamente para realizar as suas atividades. quando realizada na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química”. um amaciante de roupa. Porém dela depende a sobrevivência dos empregados” (Entrevistado 5). d) Você lembra de algum acidente ambiental ocorrido na sua organização? Quando questionados se lembravam de algum acidente ocorrido em sua organização. desde se trabalhe dentro das normas de segurança e ambiental” (Entrevistado 9). apesar da existência de possíveis riscos. Dentre os entrevistados. apenas o Entrevistado 9 e o Entrevistado 7 apresentaram opiniões diferentes para a questão do risco que a indústria química representa para o meio ambiente: “Não existem riscos. Ele considera que: “É uma faca de dois gumes. um desinfetante não vai prejudicar.273 existência das atividades de sua empresa. normalmente ocorre na ganância das empresas em obter resultados. O Entrevistado 4 também concorda com a questão da existência do risco. conforme o tipo de produto fabricado. de que o risco depende do produto fabricado. Saúde. o Entrevistado 6 afirma que: “Depende do que você vai fabricar. Se você vai fazer um detergente. Meio Ambiente e Qualidade. Seguindo a mesma lógica defendida pelo Entrevistado 5. o qual segundo ele.

Ele considera que os produtos que fabrica contribuem com a sociedade quando menciona que a água sanitária está matando até a dengue. os riscos são mínimos” (Entrevistado 1). “Os funcionários que efetuam o manuseio são preparados e a empresa inclusive deixou de utilizar insumos que representassem risco de contaminação” (Entrevistado 2). os Entrevistados 4. os riscos não se limitam ao ambiente interno da empresa: . É óbvio que o nível de toxidade destes produtos tem que ser o menor possível” (Entrevistado 3). 7. Para o Entrevistado 4: “Nenhum. A Entrevistada 1 e o Entrevistado 3 acreditam que: ”Desde que cumpridas as normas legais.274 de pesquisa com o intuito de verificar se os entrevistados manteriam as informações originalmente informadas ou se ao longo da entrevista revelariam outras situações ocorridas e não mencionadas. 9 e 10 foram categóricos em afirmar que não. “Os produtos cosméticos e os alimentos que fabricamos são feitos para passar sobre a pele ou para ser ingeridos. de acordo com a estrutura da empresa hoje considero ser risco zero” (Entrevistado 4). O Entrevistado 6 também acredita que não. 6. e) Você considera que as atividades desenvolvidas pela sua organização representam algum risco para o meio ambiente? Quando questionados se as atividades desenvolvidas pela sua organização representavam algum risco para o meio ambiente. O Entrevistado 3 e o Entrevistado 2 consideram que os maiores riscos estão na manipulação da matéria-prima: “O maior risco está na utilização da matéria-prima e nas atividades de manipulação dos produtos químicos” (Entrevistado 3). em virtude do seu processo de fabricação ser fechado e que somente haveria risco se em sua planta industrial fosse fabricado o hipoclorito de sódio. 5. Para o Entrevistado 2 e para o Entrevistado 8.

a não ser que ocorra um problema de processo” (Entrevistado 8). crítica do risco. nós podemos ter problemas mas não problemas gerados diretamente por nós. não gera risco. f) Você considera que as ações ambientais desenvolvidas em sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais? Com relação a esta questão. o Entrevistado 8 apresenta evidências da existência do risco em duas de suas colocações. Eu poderia somente me preocupar com o destino do lixo biológico que é separado. vai passar por vários locais que vão estar vulneráveis. “Às vezes a gente não conhece o risco. apenas o Entrevistado 8 acredita que as ações ambientais promovidas pela empresa não são suficientes. Eu gerencio a empresa há 10 anos. principalmente pela máconservação das estradas” (Entrevistado 8). Apesar de considerar que as atividades desenvolvidas pela sua empresa não representam riscos. vai ser via rodoviária. mas nós somos coresponsáveis. e aí ele vai fazer um raio X sobre como está a nossa planta” (Entrevistado 8). porém depois que passa do portão eu não sei para onde vai” (Entrevistado 3). ele vai fazer questionamentos para mim e para nossos colaboradores. Dentre os entrevistados. Se eu tenho um caminhão nosso indo para o Rio Grande do Sul. pois há uma melhoria contínua na medida em que os processos de fabricação vão sendo alterados” (Entrevistada 1). O Entrevistado 3 também considera que ações ambientais desenvolvidas pela empresa são suficientes mencionando alguns fatores: “A energia utilizada pela empresa é limpa (energia elétrica). eu estou tão acostumado com o que eu faço que eu às vezes não tenho a visão crítica da minha atividade. “Até chegar para nós e sair da nossa planta para chegar no nosso cliente. A Entrevistada 1 acredita que: “Sim.275 “Durante o transporte pode ocorrer algum risco de vazamento” (Entrevistado 2). O Entrevistado 8 menciona que: . quando menciona: “Então com certeza a nossa atividade em si. Um pessoal de fora que venha aqui. vai olhar no detalhe. 9 (nove) entrevistados ou 90% afirmaram que sim. o consumo de matérias-primas é controlado (interesse econômico) e os resíduos líquidos são tratados.

Então se há algum tipo de risco. seguramente sim. Da mesma forma é o sistema produtivo.0 ou 4. Se eu faço uma aquisição de uma máquina qualquer. apenas o Entrevistado 1 afirmou sofrer pressões do mercado em relação à necessidade de se criar uma imagem ambientalmente correta da empresa. esta última em função da possibilidade de alguns produtos químicos serem utilizados para fabricação de entorpecentes. Falando tecnicamente. Então seguramente o que nós temos hoje não é o supra-sumo. Dentre os entrevistados. na minha empresa. muito mais segura. eu tenho hoje sistemas de processo muito mais moderno. eu posso fazer tudo o que eu faço hoje de outra forma. Como máquina é um bem durável. aí sim eu vou ter aquela lacuna maior e isso potencializa o risco” (Entrevistado 8).276 “Não. Por mais que você tenha.3 por exemplo. porém eu não tenho riscos eminentes. os entrevistados mencionaram que eram questionados somente pelos órgãos de fiscalização como o IAP. usando uma analogia: eu posso daqui a Curitiba de várias maneiras. eu não vou trocá-la. . Mesmo de carro eu posso ir com um carro 1. 2. como associações de moradores. mesmo que ela se deprecie eu não troco pela depreciação. e aí ou vou poder ir mais rápido ou mais confortável. Se o elemento humano falhar. ainda é por questões econômicas. o que pode acontecer. com certeza nós podemos ter muito mais artifícios e até modificação em equipamentos que você possa aí sim ter alguma coisa próxima do zero. até que eu não tenha nessa máquina produtividade.000. só que vai demandar investimentos” (Entrevistado 8). O que eu faço é ter procedimentos de trabalho que eu vou me salvaguardar. porque é assim. Só que aí vai depender de como eu vejo a questão ambiental no meu escopo de trabalho. eu vou daqui até lá sem problema nenhum. ir de carro. Quando questionado se esta situação poderia significar riscos. Como a planta existe há 30 anos. Então não é por questões de eu ser ecologicamente correto. isto sem sombra de dúvidas. porque eu não tenho a melhor condição tal qual eu poderia ter. a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil. enquanto ela não se depreciar. pelos padrões de hoje. Agora se eu for analisar criticamente o processo produtivo. enquanto que em nenhuma das respostas foram citadas pressões exercidas por Organizações Não Governamentais (ONG) ou por outros tipos de entidades. o que é perda. de ônibus ou a pé. eu consigo ver lacunas onde pode ocorrer o erro. o Entrevistado 8 informou: “Existe. vai depender de um cuidado excessivo com o elemento humano para se precaver de uma condição que não é a mais apropriada. eu vou trabalhar com ela mais tempo. só que eu tenho o que. eu tenho o pay-back do meu investimento. g) A sua organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente? Quando questionados se a organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente. não são suficientes não.

“Boa. se encontra em uma situação de poluir o quanto menos. nem queimar plásticos por que polui. E eu não estou falando por outras empresas. que são desafios que ela precisa vencer. mas a preocupação é sempre poluir menos”. é um mineral retirado da natureza que gera Continua (. Houve melhorias. mais coerente e mais preparada para atuar de forma preventiva”. de vendas.) Entrevistado 2 Entrevistado 3 Entrevistado 4 Entrevistado 5 Entrevistado 6 Entrevistado 8 Entrevistado 9 . Com relação às exigências legais. é possível perceber a predominância da racionalidade instrumental: Quadro 52 – Relações das Organizações com o Meio Ambiente Entrevistados Entrevistada 1 Relações das Organizações com o Meio Ambiente “A empresa tem programa de gerenciamento de todos os seus resíduos. ela está cumprindo com suas obrigações”. é um bem não renovável. é uma empresa de dono e não de profissionais. a fim de minimizar os impactos por ela causados”. houve. “Está fazendo um bom trabalho. programa com a comunidade local e compromisso com seus funcionários. “Nós respeitamos muito o meio ambiente. “Como a nossa empresa não é profissionalizada como um todo. de aumentar as vendas. “É harmônica. Então hoje as preocupações giram mais em torno do faturamento do que com a consciência ambiental.. foi possível realizar uma primeira aproximação sobre como estes profissionais enxergavam a relação de suas respectivas organizações com o meio ambiente. como problemas de mercado. É claro que sempre polui um pouco. eu não acho que ela tenha uma postura de todo integrada com a questão ambiental. Faz parte da vida do ser humano. este estoque de matéria-prima não é renovável. Até injeção. eu que sou diabético levo para um hospital para não jogar no lixo. apesar de que eu vejo também que todo tipo de atividade acaba denegrindo um pouco o meio ambiente. O básico e principal que é o tratamento da água do esgoto já foi feito. contribui com o meio ambiente. Neste momento as questões ambientais estão em segundo plano. tem muitos problemas de outras naturezas dentro dela. A empresa se encontra agora em um momento de explorar um novo mercado.. pelo menos. mas só a custa de acidentes ou por força da legislação. daí é que eu digo se ela fosse mais efetiva esta consciência da empresa seria por obrigação. para evitar a contaminação por bactérias”. Até um vidro quebrado nós separamos. uso racional de recursos. “Considero ser uma ótima relação. Existem cuidados que são tomados na empresa”. Falta maiores investimentos em educação orientada para a higiene. não deixo queimar a grama. você gasta recursos que não são renováveis. Em boa parte das respostas. por questão de sobrevivência. O meu princípio é religioso: ama ao teu seu próximo como a ti mesmo”. Eu não deixo queimar lixo lá fora.277 h) Como você enxerga a relação de sua organização com o meio ambiente? Uma vez reconhecida a posição pessoal e individual de cada um dos entrevistados sobre meio ambiente. estou falando desta empresa onde eu trabalho há mais de 20 anos. porém os cuidados já implantados estão sendo mantidos como a estação de tratamento de efluentes e os testes de laboratório. ou seja. “A empresa ainda tem muitas coisas que precisam ser melhoradas.

Em algumas respostas é possível perceber o reconhecimento de que as atividades desenvolvidas pelas empresas geram impactos ambientais. “Se eu for considerar hoje esta evolução. A Entrevistada 1 e o Entrevistado 4 pensam que: “Se prevalecer o lado econômico. estaremos abreviando nossas vidas e das próximas gerações. A continuidade nesta gana do ganho. esquecendo o meio ambiente. É extramente perigosa. Quanto maior o consumo maior a gana” (Entrevistado 4). para não prejudicar nada no meio ambiente”. quando menciona que a empresa somente passou a efetivamente se preocupar com a questão ambiental depois que dois acidentes ocorreram e por força das exigências legais. eu acho que vai ser muito nefasta. . O Entrevistado 8.278 Entrevistada 10 impacto ambiental”. Em seu depoimento. apresenta em seu depoimento indícios da predominância da racionalidade instrumental na organização quando menciona que as preocupações da empresa estão voltadas muito mais para as questões relacionadas ao faturamento do que para as questões ambientais. algumas respostas revelam a sensibilidade de alguns dos entrevistados em relação às questões ambientais e quanto aos limites de expansão da racionalidade econômica. boa parte dos entrevistados acredita que as suas empresas estabelecem um bom relacionamento como o meio ambiente. Eu não estou falando da pequena empresa. E sem retorno rápido e com custo econômico e social” (Entrevistada 1). “Faço todo o possível para fazer tudo certo. i) Como você enxerga o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente? A última questão realizada aos entrevistados diz respeito ao futuro da relação da indústria química com o meio ambiente. em especial. o Entrevistado 8 revela fatos comuns a muitas empresas. Fonte: O Autor (2008) Com relação aos relatos. e sim da grande empresa. Para esta questão.

vai ser alguma maluquice que eles vão inventar para limpar o meio ambiente. Para ele: “Cada vez mais a química produz soluções. Reforçando a lógica da racionalidade econômica. Porém o homem ignora algumas soluções pelo fato de algumas reações químicas serem inviáveis financeiramente” (Entrevistado 3). por exemplo. Quando perguntado se a própria indústria química pode desenvolver novas tecnologias ou novos processos para resolver a sua relação com o meio ambiente. O Entrevistado 2 demonstra possuir uma opinião diferente do Entrevistado 7: “Dentro da nova filosofia na conservação do meio ambiente. Eu acredito que as propostas que estão sendo discutidas no mundo não serão capazes de salvar o meio ambiente. Eu acredito que a ciência vai encontrar soluções mais inteligentes para que o homem continue tendo a possibilidade de poluir. Para fazer uma autorização da vigilância sanitária são muitas exigências. muitas delas que nós nem entendemos” (Entrevistado 6). o Entrevistado 6 e o Entrevistado 8 novamente demonstram preocupações com a manutenção do seu negócio. As indústrias químicas ainda aplicam técnicas tradicionais oriundas do período de sua descoberta. “As indústrias químicas deveriam se preocupar mais com o meio ambiente. aplicando sobre elas poucas inovações. quando consideram que: “As indústrias pequenas vão desaparecer. já que ele gosta de fazer isso. Quando questionado se a tecnologia seria capaz de estabelecer esta condição. jogar bactérias no oceano que consumam o lixo. . Algumas respostas apresentaram divergências. o Entrevistado 3 respondeu com convicção que: “A química consegue fazer qualquer coisa. porém ainda estão distantes da prática. fabricar alguma substância para soltar no ar para fazer o seqüestro de carbono. o Entrevistado 3 informou que sim. somos o segmento que mais se preocupa com o futuro da preservação ambientais” (Entrevistado 7). existe muita burocracia. As empresas receptoras de produtos químicos deveriam receber mais treinamentos para reduzir as chances de acidentes ambientais” (Entrevistado 2). principalmente em função dos custos financeiros” (Entrevistado 3). fazer mais investimentos.279 O Entrevistado 3 demonstra sua crença na ciência e na sua capacidade de resolver todos os problemas: “Eu acredito que a principal solução para esse problema. A única chance de sobrevivência do planeta terra e dos animais é criar novas tecnologias de reaproveitar os resíduos a nosso favor” (Entrevistado 3).

ou seja. até todo mundo se adaptar e ter uma visão que tem que preservar o meio ambiente e evitar acidentes” (Entrevistada 10). você vai ter um tempo para se adequar. para entrar mesmo no que tem que ser. os dois lados. aí é com empresas grandes que podem perder valor se não tiverem essa consciência ecológica muito clara” (Entrevistado 8). e a gente nem vai lembrar que existe meio ambiente. O que acontece. com certeza nós vamos ter uma situação de menos empresas no mercado. o Entrevistado 9 e a Entrevistada 10 se aproximam do princípio dialógico presente na complexidade de Morin (1998). A minha visão no médio e longo prazo são menos empresas. . Aquilo que é um problema a tendência é você resolver e vai surgindo propostas de equipamentos e processos que se adequem a essas novas normas mais rigorosas e isso aí vai fazer parte da produção da empresa. se você não se adequar não vai conseguir continuar produzindo. Em suas respostas. Vai chegar num ponto que isso vai ser normal. porque hoje ainda a gente está na fase de estar se adequando às normas. ou você se adequa ou você fecha” (Entrevistado 9). e as que ficarem terão um responsabilidade ecológica maior por questões de obrigação não por opção. cobrando ou cobrada. “O meio ambiente vai exigir e até as indústrias chegarem naquilo que é necessário vai ser uma batalha. e outras coisas. por isso que eu acho que vai deixar de ser um problema. Para o Entrevistado 9 o futuro será cada vez mais harmonioso enquanto que para a Entrevistada 10 será uma batalha: “Será cada vez mais harmonioso. por exigências.280 “No futuro a médio e longo prazo eu diria que nós vamos ter menos empresas porque nós vamos ter mais exigências e por questões de investimentos em plantas de processo você vai ter um afunilamento. Vai ser necessário muita pressão e multas. a empresa que tem capital aberto com ações na bolsa. Tem que trabalhar a governança corporativa. se não estiver adequado não vai continuar funcionando. Como nós temos uma questão ambiental cada vez mais. tudo fará parte do processo. aí ela tem por questões de governança corporativa. vai fazer parte do processo. As pressões serão cada vez maiores. para um ramo com menos exigências. Isto aí vai ser uma condição para o funcionamento. então você vai operar durante este tempo e quando chegar no deadline você vai ter que resolver: ou você aporta o capital e se ajusta ou você vai ser responsável por algo maior ou você vai estancar a atividade e mudar de ramo.

a qual Leff (2003) considera como sendo uma crise do nosso tempo. Contrapor a noção hegemônica da linearidade com a noção da complexidade representou um desafio pessoal para este pesquisador em termos de reflexões sobre os limites estabelecidos pelo seu próprio arquétipo mental para o desenvolvimento de um estudo de características multi e interdisciplinares. foi possível perceber que o sucesso econômico obtido pela sociedade industrial e as inúmeras descobertas científicas trouxeram consigo não apenas os benefícios da modernidade. mas também a ampliação dos riscos e dos efeitos indesejados. Com base nas diferentes evidências apontadas ao longo deste estudo. os quais se apresentam na contemporaneidade como os principais elementos geradores da crise sócio-econômica-ambiental em curso. O reconhecimento destas limitações fizeram este pesquisador sentir uma forte necessidade de substituir as certezas produzidas pela forma de produção do conhecimento tradicional por uma nova proposta de produção do conhecimento iluminada pelos princípios da complexidade.281 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta inicial de revelar as percepções de profissionais de indústrias químicas de um município paranaense sobre as relações de suas respectivas organizações com o meio ambiente gradativamente se transformou em um espaço maior para a promoção de reflexões sobre como este pesquisador e cada um dos mais de seis bilhões de indivíduos que integram a sociedade contemporânea estabelecem as suas relações particulares e coletivas com o meio ambiente. . em especial as indústrias químicas e o meio ambiente. exigiu o reconhecimento do modo de funcionamento da matriz de pensamento linear de produção científica bem como as influências que esta gera sobre as ações e comportamentos desenvolvidos pela sociedade industrial. Representou também um desafio em termos de aproximação e de compreensão dos reais fatores que determinam a crise ambiental. onde o risco ecológico torna-se capaz de questionar o conhecimento do mundo. Compreender um pouco mais sobre as diferentes realidades e a complexidade das relações estabelecidas entre sociedade e meio ambiente. a exemplo da degradação dos recursos naturais e do aumento da geração de resíduos.

estas evidências foram capazes de apontar que tais efeitos indesejados não resultam apenas de ações isoladas promovidas por um ou outro tipo de ator social. Com o objetivo de gerar uma contribuição para a sociedade em termos da promoção de reflexões que possibilitem uma melhor compreensão da crise sócioeconômica-ambiental. as quais apontam para o agravamento da crise sócio-ambiental anunciada. este estudo buscou caracterizar alguns dos desafios que necessitam ser enfrentados pela humanidade na busca pelo atingimento da sustentabilidade. Da mesma forma como observado no processo de expansão de . ao promover reflexões sobre uma das partes mais criticadas nas relações estabelecidas entre sociedade e meio ambiente: as indústrias químicas. mas sim de ações paralelas de produção e consumo desenvolvidas em escala global pelos diferentes atores que operam sob a lógica da racionalidade econômica. O autor considera que a ecologização da economia não se trata de um problema de adequação de ritmos e escalas. buscou-se tornar evidente a grandeza dos desafios que necessitam ser enfrentados. a exemplo das indústrias químicas. a partir da qual se espera que sejam criadas novas vias de transformação do conhecimento através do diálogo e da hibridação dos saberes. Ao longo do seu desenvolvimento. Ao apresentar algumas das limitações da racionalidade econômica vigente. de que não basta postular a estabilização da economia e da população em algum momento no próximo século sem questionar a possibilidade de deter a escala e desconstruir a economia para internalizar as condições de sustentabilidade ecológica. uma vez que esta é considerada como uma indústria de base necessária para o desenvolvimento de outros tipos de indústrias.282 Mais do que isso. é possível perceber que o processo de expansão da indústria química mundial se confunde com a própria história de surgimento e expansão da sociedade industrial. este estudo buscou inspirações no princípio hologramático da complexidade ao tentar caracterizar a realidade do todo e das partes. a exemplo da reflexão de Leff (2006). mas de mudança de estrutura e construção de uma nova racionalidade produtiva capaz de operar conforme os princípios da sustentabilidade e de promover o diálogo entre diferentes racionalidades. Pelos fatos que foram apresentados ao longo deste estudo.

o pesquisador teve a oportunidade de conhecer a localização e a estrutura física das empresas.283 outros setores que constituem a ociedade industrial. os quais. Em razão da necessidade de ampliação da produção para o atendimento das demandas crescentes de consumo e do compromisso de geração de resultados impostos pela racionalidade econômica. este estudo buscou se aproximar da realidade de uma pequena parcela de indústrias químicas instaladas em um município paranaense. Diante da impossibilidade de estabelecer um diálogo com todos os representantes da indústria química mundial. Durante as visitas para a entrega dos convites e realização de entrevistas. estas indústrias passaram por um período de franca expansão dos seus próprios processos produtivos. os quais em seu conjunto contribuíram para a construção da imagem negativa da indústria química por diferentes sociedades em nível local e global. este pesquisador se deparou com indústrias químicas diferentes das que havia inicialmente idealizado por meio de contatos com pesquisas e trabalhos especializados. Diferente da realidade apresentada por entidades representativas e por grandes multinacionais do setor por meio da promoção de campanhas e da produção de peças publicitárias. no mesmo momento em que os novos conhecimentos científicos passaram a ser gradativamente patrocinados pela iniciativa privada e submetidos aos interesses e controles impostos pela lógica da racionalidade econômica. quando fugiram do controle de seus controladores. esta pesquisa se deparou com empresas de menor porte que se distanciam da realidade das grandes organizações industriais. fato que demonstra o poder e a influência dos diferentes tipos de mídias e estudos científicos no processo de construção das percepções da sociedade em relação às organizações industriais. a partir da promoção de um estudo das percepções dos profissionais que nelas operam. foram responsáveis pelos graves acidentes ocorridos em diferentes épocas e locais. Durante as suas visitas. o sucesso obtido pela indústria química mundial e os inúmeros benefícios que ela gerou para a humanidade também foram acompanhados por uma crescente ampliação dos riscos e pela produção de efeitos indesejados. Conforme os dados detalhados na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” algumas das empresas se .

situação que pode ser comprovada pelas descrições dos gastos e investimentos efetuados pelas indústrias na área ambiental (ver quadro 46). Ao longo do estabelecimento deste diálogo com representantes da indústria química local.284 encontravam instaladas em áreas urbanas enquanto que outras apresentavam uma infra-estrutura visivelmente precária para a realização de suas atividades. associado ao tempo de experiência na indústria química. Este dado. as quais divulgam com freqüência por meio de publicações. de realizar uma série de questionamentos na busca de revelar algumas das percepções que os profissionais que atuam nestas indústrias tem das respectivas relações de suas organizações com o meio ambiente. este pesquisador teve a oportunidade. Durante as visitas foi possível perceber que boa parte dos imóveis ocupados pelas indústrias não foi projetado para abrigar indústrias químicas. Este dado revela o distanciamento da maioria das indústrias químicas entrevistadas em relação às suas entidades de representação em nível nacional. Os dados informados indicam que as formações educacionais de uma parcela significativa dos profissionais entrevistados não possui vínculos diretos com as atividades desenvolvidas pela indústria química. como representante da sociedade. Ao efetuar os questionamentos da categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” foi possível perceber que boa parte dos profissionais das indústrias químicas entrevistadas desconhecia o Código Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). revistas especializadas e sites na internet as atividades que . Os questionamentos relacionados com a categoria “Perfil do Profissional” revelaram um baixo nível de formação educacional dos profissionais entrevistados em relação às atividades que desempenham na indústria química. apesar deste ter recentemente sofrido ajustes para alinhar a classificação das atividades desenvolvidas pela indústria química nacional com os padrões internacionais estabelecidos para a classificação da indústria química mundial. revelou uma faceta interessante dos profissionais entrevistados: a de que seus conhecimentos sobre as atividades desenvolvidas são oriundos do seu tempo de experiência profissional na indústria química e não de uma formação específica na área química.

285 realizam em prol das indústrias químicas. fato que justifica alguns dos motivos pelos quais as companhias seguradoras oferecem resistência para a liberação de seguros de cobertura para empresas que atuam neste ramo de atividade. O segundo fato diz respeito a dificuldade apresentada pela maior parte dos entrevistados em definir o que é meio ambiente. Os motivos e as dificuldades encontrados para a realização dos gastos e investimentos foram apresentados no quadro 47 e no quadro 48. Boa parte dos gastos ou investimentos efetuados foram realizados para a melhoria da infraestrutura física das empresas. alguns dos entrevistados revelaram o histórico das ocorrências de acidentes ocorridos em suas respectivas indústrias. Em suas respostas. Já na primeira questão sobre a imagem da . Os questionamentos realizados na categoria “Perfil Ambiental da Indústria Química” também revelaram que as indústrias químicas entrevistadas realizaram gastos ou investimentos na área ambiental em função de exigências da fiscalização. Esta dificuldade se apresentou para o pesquisador como uma forte evidência do distanciamento ocorrido entre ser humano e natureza. Este fato revelou o receio do entrevistado. Da mesma forma foi possível perceber o distanciamento destas empresas da realidade dos Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) e das certificações ambientais. Para os questionamentos efetuados para a categoria “Profissional e Meio Ambiente” alguns fatos ocorridos chamaram a atenção. principalmente para o tratamento de resíduos gerados no processo de produção. Para a categoria “Indústria Química e Meio Ambiente” foram estabelecidos os principais questionamentos desta pesquisa. como representante da indústria química. O primeiro deles diz respeito a resistência do Entrevistado 7 em fornecer respostas para os questionamentos desta categoria. uma vez que a maioria dos profissionais entrevistados confundiu certificação ambiental com licença ambiental. A questão dos riscos inerentes às atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas foi confirmada por meio das respostas efetuadas para o questionamento sobre os acidentes ambientais ocorridos com as indústrias químicas entrevistadas e para o questionamento sobre a existência de seguros. em fornecer respostas que pudessem comprometer a imagem da indústria química.

Quando questionados sobre como enxergavam a relação de sua respectiva organização com o meio ambiente. confirmando os dados de pesquisas semelhantes descritos no quadro 32. em especial. fato que demonstra a predominância do sentimento de certeza na tecnociência oriundo da matriz de pensamento linear. as questões ambientais eram colocadas em segundo plano. O primeiro deles diz respeito a ausência no Estado . Quando questionados sobre a lembrança de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas. boa parte dos entrevistados demonstrou sinceridade ao afirmar que a indústria química é mal vista. que as indústrias estavam desenvolvendo ações para minimizar o seu impacto ambiental. Porém em algumas respostas foi possível perceber novamente a predominância da racionalidade econômica. que trata das pesquisas de opinião pública sobre a imagem da indústria química. a grande maioria dos entrevistados considera que as atividades ambientais desenvolvidas pela sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais. Contrariando as respostas anteriormente fornecidas. quando questionados se a indústria química representa algum risco para o meio ambiente. acidentes ocorridos no Estado do Paraná. a grande maioria dos profissionais entrevistados mencionou que considerava ser uma relação de boa qualidade. quando mencionado que por razões financeiras. Da mesma forma. esta pesquisa revelou vários dados relevantes sobre a realidade da indústria química em nível estadual.286 indústria perante a sociedade. além de apresentar uma nova evidência da existência dos riscos nas atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas: a questão do bônus pago a trabalhadores da indústria química por riscos de insalubridade. Da mesma forma. boa parte dos entrevistados considera que as atividades desenvolvidas pela sua respectiva organização não representam riscos para o meio ambiente. a grande maioria dos entrevistados respondeu que sim. Além de possibilitar que os profissionais das indústrias químicas revelassem algumas de suas percepções sobre as relações de suas respectivas empresas com o meio ambiente. novamente os entrevistados demonstraram sinceridade aos citar vários acidentes ocorridos.

No entendimento do pesquisador. muitas .287 do Paraná e em especial no município pesquisado. Além das dificuldades apresentadas para o fornecimento dos dados solicitados. Outro fato que chamou a atenção do pesquisador diz respeito a ausência de preparo demonstrada por parte de algumas indústrias químicas convidadas a participar da pesquisa em realizar a devida análise e tratamento de suas correspondências. A ausência deste controle revela mais uma condição favorável para a eminência da sociedade de risco proposta por Beck (2006). de um cadastro que contenha todas as informações cadastrais das indústrias químicas instaladas no município e dos respectivos produtos químicos que fabricam. o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) também não conta com nenhum serviço de consulta em seu site na internet que possibilite o acesso on-line a dados de licenças ambientais. a ausência da disponibilização pública destes respectivos dados impede a participação efetiva da sociedade na fiscalização das indústrias que operam no Estado do Paraná. Apesar do convite nominal conter todas as orientações sobre como o convidado deveria proceder no caso do seu interesse de participar da pesquisa e deste convite ter sido entregue pessoalmente pelo pesquisador nas indústrias químicas selecionadas. Durante os contatos realizados com o instituto. uma vez que não foi possível obter com precisão uma relação das indústrias químicas existentes no município bem como das atividades que cada uma desempenha. Os dados parciais obtidos junto ao instituto e que foram apresentados nesta pesquisa foram disponibilizados somente depois de muita insistência por parte do pesquisador. impediram que o pesquisador comparasse as respostas dos entrevistados com os fatos ocorridos no município. ficou evidente que os próprios funcionários públicos tem receio de disponibilizar dados sobre as indústrias químicas paranaenses. Outro dado relevante diz respeito a ausência de uma estrutura adequada por parte do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para o atendimento das solicitações efetuadas pela comunidade. autuações ambientais e acidentes ambientais ocorridos no Estado. A ausência de dados detalhados sobre as autuações ambientais e os acidentes ocorridos no município pesquisado.

Na percepção do pesquisador. receio de exposição pública. de uma parte que normalmente não é contemplada em pesquisas desenvolvidas por entidades do setor. em especial a comunidade acadêmica. apesar deste ter disponibilizado no convite formal todas as orientações sobre como o convidado deveria proceder caso não tivesse interesse de participar da pesquisa. entre outros. apresenta as condições necessárias para a efetivação do conceito de sociedade de risco defendido por Beck (2006). O desenvolvimento deste estudo possibilitou dentre outras coisas. as indústrias químicas entrevistadas figuram dentre aquelas muitas empresas brasileiras que apresentam maiores dificuldades de adaptação em termos de questões e condições relacionadas ao pleno atendimento das exigências legais estabelecidas na área ambiental. Diferentemente da realidade das grandes indústrias químicas que atuam no setor e que são responsáveis pelos maiores volumes de produção. associado com a predominância da racionalidade instrumental e econômica no ambiente de negócios e a ausência de infra-estrutura adequada do Estado para o exercício da fiscalização e controle das atividades desenvolvidas pelas indústrias químicas. Este quadro. já revela a . esta ausência de cuidado para solicitações realizadas pela sociedade. apesar de novas tentativas de contato realizadas. A simples ausência de procedimentos regulares para a atualização de algumas bases de dados cadastrais pesquisadas. uma maior aproximação do pesquisador com relação à realidade da indústria química brasileira. não deram nenhuma satisfação para o pesquisador. Algumas das indústrias. ausência de preparo das indústrias químicas em relação ao atendimento de solicitações efetuadas pela sociedade. as quais deveriam servir como referência para o estabelecimento dos controles sobre as operações desenvolvidas pelas indústrias químicas no Estado do Paraná.288 empresas exigiram a realização de contatos adicionais para a confirmação de sua participação. Nas entrevistas realizadas foi possível perceber as limitações financeiras que estas empresas enfrentam para a realização de novos investimentos na área ambiental e para a contratação de mão-de-obra especializada para a aplicação de novos procedimentos que possibilitem a adoção de melhores práticas produtivas. podem estar associadas a fatores como: ausência de interesse das indústrias na participação de pesquisas. sem os quais as entrevistas não teriam sido realizadas.

Espera-se agora que o espaço criado para reflexões por meio deste estudo possa ser compartilhado com todos aqueles que buscam refletir sobre suas próprias ações e de suas organizações com vistas a criar melhores condições para a construção e reprodução da vida em sociedade.289 fragilidade e a existência das condições necessárias para o surgimento e efetivação da presença dos riscos. .

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depois de morto . pensar em sua oferta. o cavalo. deixa para trás os túmulos de seus antepassados. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra. os sumos da campina. porque esta terra é para nós sagrada. e nem se importa. Portanto. o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. pois ela é a mãe do homem vermelho. quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. A terra não é sua irmã. terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus. ele vai embora. Ficam . o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. e depois de a conquistar. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. quando . Minha palavra é como as estrelas .são nossos irmãos. Mas não vai ser fácil. porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. Vamos. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. mas sim o sangue de nossos ancestrais. o calor que emana do corpo de um mustang. cada folha reluzente de pinheiro. o cervo. Como podes comprar ou vender o céu. As cristas rochosas. Isto é gentil de sua parte. Portanto. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa.vai vagar por entre as estrelas. ele exige muito de nós.elas não empalidecem. e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.296 ANEXO 1 – Carta do Chefe Indígena Duwamish (Chefe Seatle) O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra. O homem branco esquece a sua terra natal. cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. cada praia arenosa.todos pertencem à mesma família. pois sabemos que se não o fizermos. pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade. As flores perfumadas são nossas irmãs. Se te vendermos nossa terra. Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água. eles apagam nossa sede. Os rios são nossos irmãos. Se te vendermos a terra. o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. e o homem . como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. a grande águia . cada véu de neblina na floresta escura. porém. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Para ele um lote de terra é igual a outro. Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. mas sim sua inimiga.

o barulho parece apenas insultar os ouvidos. o homem. Se decidirmos aceitar. ou recendendo a pinheiro. Assim pois.os animais. Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo.297 esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Tudo quanto fere a terra . Se os homens cospem no chão. terás de te lembrar que o ar é precioso para nós. o homem morreria de uma grande solidão de espírito. de noite. Ele trata sua mãe . Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados. conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende. Porque tudo quanto acontece aos animais. . Tudo está relacionado entre si. também recebe o seu último suspiro. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto. purificado por uma chuva do meio-dia. Não sei. adoçado com a fragrância das flores campestres. vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra. Mas se te vendermos nossa terra. deixando para trás apenas um deserto.a terra . como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende. porque todas as criaturas respiram em comum . Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. logo acontece ao homem. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós . as árvores. deverás mantê-la reservada. E se te vendermos nossa terra. Nossos modos diferem dos teus. cospem sobre eles próprios. O ar é precioso para o homem vermelho. vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida. O homem branco parece não perceber o ar que respira. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou.fere os filhos da terra.e seu irmão . para que tenham respeito ao país.como coisas que podem ser compradas. feita santuário. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta.o céu . Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.os índios) matamos apenas para o sustento de nossa vida. ele é insensível ao ar fétido. saqueadas. Como um moribundo em prolongada agonia. abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento.

Todas as coisas estão interligadas. Vamos ver. envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Esse destino é para nós um mistério. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite. cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo. sobrará para chorar. Poderíamos ser irmãos. Mais algumas horas. talvez. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. vocês brilharão com fulgor. agride os filhos da terra. Somos. será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver. Se consentirmos. quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. porém. E depois da derrota passam o tempo em ócio. Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias. ao perecerem. talvez. as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Esta terra é querida por ele. disso temos certeza. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. por algum desígnio especial. selvagens. sufocado em teus próprios desejos. lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Lá. pode ser isento do destino comum. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias . Tudo está relacionado entre si. Tudo o que ele fizer à trama. e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. será para garantir as reservas que nos prometestes. se conhecêssemos com que sonha o homem branco. mesmos uns invernos. talvez. Se te vendermos a nossa terra. talvez mais cedo do que todas as outras raças. ama-a como nós a amávamos. Tudo quanto agride a terra. e por serem ocultos. a si próprio fará. Os brancos também vão acabar. ao homem: é o homem que pertence à terra. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos. Proteje-a como nós a protegíamos. agora. pois não podemos imaginar como será. pela força de Deus que os trouxe a este país e. Porém.eles não são muitos. como o sangue que une uma família. porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe. apesar de tudo. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco.298 De uma coisa sabemos. possamos viver os nossos últimos dias conforme desejamos. sobre os túmulos um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso. que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra. temos de escolher nosso próprio caminho. Talvez julgues. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias. e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques. um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. quando todos os bisões forem massacrados. A terra não pertence. Nem o homem branco. Restará dar adeus à andorinha e à caça. Onde estará a águia? Irá acabar. de uma coisa sabemos que o homem branco venha. "Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse": E . se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno. abrasados. os cavalos bravos domados. mas não podes. Compreenderíamos.

Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum. esta terra é por ele amada.299 com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração .conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. .

300 ANEXO 2 – Estrutura da Indústria Petroquímica Brasileira Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) .

301 ANEXO 3 – Estrutura da Indústria Petroquímica Brasileira Fonte: Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) (2007b) .

Tempo de Existência da Organização (em anos e meses): 6.0 ( ) CNAE 2.302 ANEXO 4 – Instrumento de Pesquisa – Perfil Ambiental da Empresa Perfil Ambiental da Indústria Química 1. Tempo de Atuação no Município (em anos e meses): 7._____% ._____% .0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1. Classificação da Organização quanto ao Porte: ( ) Micro – até 19 empregados ( ) Pequena – de 20 a 99 empregados ( ) Média – de 100 a 499 empregados ( ) Grande – acima de 500 empregados Obs: Classificação CNI para pesquisas 4. esta considera o meio ambiente? 9. Possui Sistema de Gestão Ambiental: ( ) Sim Tempo: __________ ( ) Não 10. Nome e Descrição dos Cargos dos Profissionais Relacionados com a Gestão Ambiental: 12.0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1.0 ( ) CNAE 2. Produtos Fabricados: 8._____% .0 ( ) CNAE 2. Código(s) do Cadastro Nacional de Atividade Econômica (CNAE): Código: _____________________ CNAE 1. Possui uma declaração formal de valores e missão? Caso positivo._____% .0 ( ) CNAE 2. Matriz Energética (descrever tipo e percentual de utilização): ( ) Gás Natural ( ) Carvão Mineral ( ) Lenha ( ) Bagaço de Cana ( ) Óleo Combustível . ( ) Matriz ( ) Filial 5._____% . Possui Alguma Certificação Relacionado a Área Ambiental? Qual(is)? 11.0 ( ) 3. Ramo de Atuação: 2.0 ( ) Código: _____________________ CNAE 1.

entre outros 16. porque motivo: 24. qual? 22. Possui Seguro para Acidentes Ambientais: ( ) Sim ( ) Não Se não. tratamento redução de perdas e refugos de materiais e produtos acabados. Descrição dos Gastos ou Investimentos em Gestão Ambiental nos últimos 3 anos Exemplos: tratamento e controle de efluentes líquidos e sólidos. implantação de sistema de gestão ambiental. Ações na Área Ambiental Previstas para o Horizonte de 2015: ( ) Não ._____% 13. melhoria da imagem da empresa. Possui algum Registro de Reclamação da Comunidade em Relação às suas Operações: 23. Gera Algum Tipo de Resíduo Industrial: ( ) Sim Descrição e Destino do Resíduo Industrial: 21. adoção de fontes de energia mais limpas. Percentuais de Gastos ou Investimentos Ambientais Realizados nos Últimos 3 Anos com base na Receita Bruta: 2005: _____% 2006: _____% 2007: _____% 14. Considerações sobre a Legislação Aplicada a Indústria Química/Nível de Adequação: 17. tratamento e controle de ruídos e conservação de energia. Certificação ISO. Se sim. 18. Além das Questões Legais. acesso a novos mercados. quais são as Principais Motivações para Gastos ou Investimentos na Área Ambiental: Exemplos: atendimento a requisitos legais. 15. Meio Ambiente de Trabalho._____% ( ) ______________________ . entre outros). Além da Questão Financeira. recirculação e recuperação da água.303 ( ) Coque de Carvão Mineral ( ) Hidroeletricidade ( ) Carvão Vegetal . A Organização Possui algum Histórico de Acidente Ambiental: 20._____% . entre outros. melhoria do projeto/design e embalagem do produto._____% . tratamento e controle de emissão de gases. quais são as Principais Dificuldades Encontradas para a Realização de Gastos ou Investimentos na Área Ambiental: 19. Possui algum controle para emissão de poluição ( ) Sim ( ) Não. melhoria da gestão/política social. Descrição dos Cursos Realizados na Área Ambiental nos últimos 3 anos: Exemplos: Prevenção de Riscos Ambientais.

Formação: ( ) Entre 31 e 40 anos ( ) Acima de 60 anos ( ) Entre 41 e 50 anos ( ) 1º Grau – ( ) Completo ( ) Incompleto ( ) 2º Grau – ( ) Completo ( ) Incompleto Se técnico. Descrição do Cargo: 2. descrição: ______________________________________________ Graduação: Ano de Conclusão: Especialização: Ano de Conclusão: Mestrado: Ano de Conclusão: Doutorado: Ano de Conclusão: 5.304 ANEXO 5 – Instrumento de Pesquisa – Perfil Profissional. Profissional e o Meio Ambiente e Organização e o Meio Ambiente Perfil do Profissional 1. Tempo de Experiência como Profissional de Indústria Química (em anos e meses): . Tempo de Experiência como Profissional (em anos e meses): 6. Faixa Etária: ( ) Entre 20 e 30 anos ( ) Entre 51 e 60 anos 4. Gênero: ( ) Masculino ( ) Feminino 3.

Você considera o meio ambiente em suas tomadas de decisão? 4.305 Profissional e o Meio Ambiente 1. Para você. como você considera a importância do meio ambiente para a sua organização? Indústria Química e Meio Ambiente 1. Como você enxerga a sua relação com o meio ambiente? 3. A sua organização recebe pressões de alguma natureza para a adoção de medidas que visem a preservação do meio ambiente? 8. Em um contexto geral. Você considera que as ações ambientais desenvolvidas em sua organização são suficientes para evitar ou minimizar possíveis impactos ambientais? 7. Na sua opinião. Você considera que as atividades desenvolvidas pela sua organização representam algum risco para o meio ambiente? 6. como a indústria química é vista pela sociedade em relação às questões ambientais? 2. Você lembra de algum acidente ambiental provocado por indústrias químicas? 3. Como você enxerga o futuro da relação da indústria química com o meio ambiente? . Você considera que a indústria química representa algum risco para o meio ambiente? 4. Como você enxerga a relação de sua organização com o meio ambiente? 9. o que é o meio ambiente? 2. Você lembra de algum acidente ambiental ocorrido na sua organização? 5. Você sofre alguma influência interna e/ou externa para considerar o meio ambiente em suas tomadas de decisão? De que tipo? 5.

disponibilizo logo abaixo os meus dados para contatos futuros. apenas no sentido de levar ao seu conhecimento a pesquisa que eu estarei realizando. 04 de dezembro de 2007 Prezado Sr. empresas estas instaladas em um pequeno município paranaense. Presidente do Sindicato de Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná Sou aluno do programa de mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE – e venho por meio desta levar ao seu conhecimento que estou desenvolvendo uma dissertação de mestrado sob o título: Indústrias Químicas e o Meio Ambiente Estudo das Percepções de Profissionais que atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Em função do tema da dissertação escolhido envolver indústrias químicas representadas pelo Sinqfar.com – 9127-3965 . em razão de uma decisão tomada pelos associados em assembléia. Atenciosamente.306 ANEXO 6 – Carta ao Presidente do Sindicato de Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná (SINQFAR) Curitiba. Na ocasião eu fui gentilmente atendido pela Sra. Neiva. Angelo Guimarães Simão Aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE Dados para contato: Angelo Guimarães Simão – angelogs@yahoo. eu solicitei a ela para que lhe encaminha-se este comunicado. Caso o Sinqfar tenha interesse em conhecer a proposta de pesquisa na integra. Durante o contato estabelecido com a Sra. recentemente eu estabeleci um contato com esta instituição com o intuito de obter os dados de contato das empresas que compõem o universo de pesquisa. Neiva e informado por ela que os dados solicitados não poderiam ser fornecidos.

307 ANEXO 7 – Carta ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) Curitiba. alguns pontos importantes foram considerados: Esta pesquisa tem fins exclusivamente acadêmicos. dos profissionais participantes e do município envolvidos na pesquisa. Para a realização desta pesquisa. que visa levantar alguns dados sobre como os profissionais de indústrias químicas instaladas em um município paranaense percebem as relações de sua organização com o meio ambiente. solicitar ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a disponibilização de alguns dados necessários para a elaboração da pesquisa de dissertação sob o título: Indústria Química e o Meio Ambiente: Estudo das Percepções de Profissionais que Atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Esta pesquisa trata-se de um estudo acadêmico de percepção. 11 de dezembro de 2007 A/C: Diretoria de Controle de Recursos Ambientais – DIRAM Venho pela presente. Os dados fornecidos pelo IAP que permitam identificar as indústrias ou os profissionais envolvidos na pesquisa serão tratados com rigorosa confidencialidade. . solicito ao IAP a disponibilização das seguintes informações: • • • Relação de Indústrias Químicas Instaladas no Município de XXXXXX – PR Histórico de Autuação de Indústrias Químicas no Município de XXXXXX – PR (últimos 5 anos) Histórico de Acidentes Ambientais envolvendo Indústrias Químicas no Município de XXXXXX – PR (últimos 5 anos) Com relação a realização desta pesquisa. a sua realização visa o cumprimento de uma das etapas necessárias para a conclusão da dissertação. Na versão final da dissertação de mestrado não serão apresentados dados que possibilitem a identificação das indústrias. na condição de aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE. conforme compromisso firmado com as indústrias que participarão da pesquisa.

com – 9127-3965 . Atenciosamente. Desde já agradeço a atenção e coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos. Angelo Guimarães Simão Aluno do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE angelogs@yahoo. Esta pesquisa tem como objetivo desenvolver atividades de ensino e pesquisa de natureza interdisciplinar e formar pesquisadores para pesquisas científicas. com a finalidade de produzir e disseminar conhecimento sobre organizações e desenvolvimento no exercício de funções decisórias para a promoção da sustentabilidade. capazes de integrar esforços e recursos.308 No caso dos dados fornecidos pelo IAP serão utilizados apenas os dados de natureza quantitativa.

Na versão final da dissertação de mestrado não serão apresentados dados que possibilitem a identificação das indústrias e dos profissionais participantes envolvidos na pesquisa . coordenadores da área de qualidade/SGA. convidar a sua indústria para participar da pesquisa de dissertação elaborada pelo aluno ANGELO GUIMARÃES SIMÃO. na condição de orientador e coordenador do Programa de Mestrado em Organizações e Desenvolvimento – UNIFAE. esta pesquisa será realizada em duas etapas: Etapa 1 Entrevista com o principal executivo da empresa. 01 de dezembro de 2007 Empresa XXXXXX Venho pela presente. a sua realização visa o cumprimento de uma das etapas necessárias para a formação do aluno Os dados das indústrias e dos profissionais participantes serão tratados com rigorosa confidencialidade.309 ANEXO 8 – Convite Enviado às Indústrias Químicas Instaladas no Município Pesquisado Curitiba. entre outros) Com relação a realização desta pesquisa. alguns pontos importantes foram considerados: Esta pesquisa tem fins exclusivamente acadêmicos. Para atender aos objetivos propostos. para definir o perfil ambiental e identificar quais são os profissionais diretamente envolvidos com as questões ambientais na indústria química entrevistada Etapa 2 Entrevista com o principal executivo da empresa e com os profissionais identificados na etapa 1 (químicos. sob o título: Indústria Química e o Meio Ambiente: Estudo das Percepções de Profissionais que Atuam em Indústrias Químicas Instaladas em um Município Paranaense Esta pesquisa visa levantar alguns dados sobre como os profissionais de indústrias químicas percebem as relações de sua organização com o meio ambiente.

com a finalidade de produzir e disseminar conhecimento sobre organizações e desenvolvimento no exercício de funções decisórias para a promoção da sustentabilidade. Caso a sua empresa opte em não participar da pesquisa. José Edmilson de Souza-Lima Coordenador do Programa de Mestrado em Organizações edmilson@fae. Atenciosamente. as entrevistas serão gravadas em fita de áudio (desde que previamente autorizado). Como forma de valorizar e reconhecer a importância da participação de sua empresa. depois de realizada a conclusão da pesquisa. apenas para facilitar o processo de transcrição dos depoimentos coletados. Apenas para fins de controle da pesquisa. Prof. solicitamos para que seja enviado um e-mail ao pesquisador.edu – 2105–4170 Mestrado em Organizações e Desenvolvimento . Dr. as indústrias participantes receberão uma cópia em meio digital da dissertação do mestrado.com. nós respeitaremos a sua decisão. Desde já agradecemos à atenção e colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos .310 Por se tratar de um estudo sobre percepção. capazes de integrar esforços e recursos. informando o motivo da não participação: angelogs@yahoo. Esta pesquisa tem como objetivo desenvolver atividades de ensino e pesquisa de natureza interdisciplinar e formar pesquisadores para pesquisas científicas.

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