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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL


Disciplina: Tratamento de Águas Residuárias

LODOS ATIVADOS
DECANTADORES

Prof. Paulo Belli Filho


Introdução

Decantadores - papel fundamental no processo


de lodos ativados

•Separação dos sólidos em suspensão presentes no reator


•Adensamento dos sólidos em suspensão no fundo do decantador
•Armazenamento do sólidos em suspensão no decantador
•Retorno de lodo ao tanque de aeração

As características de sedimentabilidade e adensabilidade do


lodo estão intimamente associadas à estrutura do floco formado
no REATOR.
TIPOS DE SEDIMENTAÇÕES OBSERVADAS NO TRATAMENTO DE ESGOTOS
Tipo de Sedimentação Exemplo de Aplicação

DISCRETA CAIXA DE AREIA

FLOCULENTA DECANTADORES PRIMÁRIOS


PARTE SUPERIOR Dec. Sec.
TRATAMENTO FQ

ZONAL DECANTADORES SECUNDÁRIOS

COMPRESSÃO FUNDO DE DECANTADOR


SECUNDARIO
ADENSADORES POR GRAVIDADE
TIPOS DE DECANTADORES
Quanto a forma: Retangular de fluxo horizontal
Circular de fluxo vertical
DECANTADOR CIRCULAR
ÁREA SUPERFICIAL PARA OS DECANTADORES

Taxa de Aplicação Hidráulica (TAH) Taxa de Aplicação de Sólidos (TAS)

TAH = Q/A TAS = (Q +Qr).X / A

Taxas de aplicação hidráulica e de sólidos para decantadores secundários

Sistema Taxa de aplicação Taxa de aplicação de Referência


hidráulica (m3/m2.h) sólidos (Kg/m2.h)
Q média Q máxima Q média Q máxima

Lodo Ativado Convencional 0,67 - 1,33 1,70 - 2,00 4,00 – 6,00 10,00 (1)
0,67 – 1,20 1,70 – 2,70 4,00 – 6,00 - (2)
Aeração prolongada 0,33 – 0,67 1,00 – 1,33 1,00 – 5,00 7,00 (1)

SSTA < 3000mg/L ≤ 1,50 - ≤ 6,00 - (3)


3000mg/L ≤ SSTA < 4500mg/L ≤ 1,00 - ≤ 6,00 -
SSTA ≥ 4500mg/L ≤ 0,67 - ≤ 6,00 -

(1) Metcalf Eddy (1991); (2) WEF/ASCE (1992); (3) NBR – ABNT 12209 (1992)
Exemplo 7.1

Dimensionar a área requerida para os decantadores secundários de uma


estação de uma estação de lodos ativados convencional, que possui os
seguintes dados:
• Vazão afluente média: Q = 9820 m3/d (409 m3/h)
• Vazão afluente máxima: Qmax = 19212 m3/d (801 m3/h)
• Vazão de recirculação média: Qr = 9820 m3/d (409 m3/h)
• Concentração de sólidos no reator: SSTA = 3896 g/m3

Solução:

a) Calcular a Área Superficial com base na Taxa de Aplicação Hidráulica (TAH)


(Vide tabela 7.1)

Para Qméd: TAH = 0,80m3/m2.h


Para Qmax: TAH = 1,80m3/m2.h

Para Qméd Æ A = Qmed/TAH = 409/0,8 = 511 m2


Para Qmax Æ A = Qmax/TAH = 801/1,8 = 445 m2
b) Calcular a Área Superficial com base na Taxa de Aplicação de Sólidos

A carga de sólidos afluente ao decantador secundário é:

Para Qmed: (Q+Qr).X = (409+409).3896/1000 = 3187 KgSS/h

Para Qmax: (Q+Qr).X = (801+409).3896/1000 = 4714 KgSS/h

Com base na Tabela 7.1 adotar os valores da Taxa de Aplicação de Sólidos

Para Qmed: TAS = 5,0 KgSS/m2.h


Para Qmax: TAS = 10,0 KgSS/m2.h

A área superficial requerida é dada por:

Para Qmed: A = (Q+Qr).X/1000.TAS = 3187/5,0 = 637 m2

Para Qmax: A = (Q+Qr).X/1000.TAS = 4714/10.0 = 471 m2

c) Área Superficial Adotada

Corresponde ao maior valor entre quatro valores, ou seja: 637 m2


DETALHES DE PROJETOS DE DECANTADORES
Valores mínimos e recomendados para a profundidade da parede lateral de
decantadores secundários

Profundidade lateral (m)


Diâmetro do Tanque Mínimo Recomendado
< 12 3,0 3,3
12 – 20 3,3 3,6
20 – 30 3,6 3,9
30 – 40 3,9 4,2
> 40 4,2 4,5

A ABNT – NB 12209/92 recomenda:

Decantadores com remoção mecanizada: altura da parede lateral ≥ 2,0m


Decantadores sem remoção mecanizada: igual ou superior a 0,5m

Tempo de detenção hidráulica igual ou superior a 1,5 horas, relativo a vazão média
Vertedores de Saída

Vertedores de Saída em V – vista frontal


NA no tanque

Vertedor
triangular

Metcalf & Eddy (1991) sugerem os valores da taxa de vertedor (Tabela 7.7)
NB 12209/92 – ABNT recomenda valores da taxa iguais ou inferiores12 m3/m.h
WEF/ASCE – 5,2 m3/m.h para pequenas estações e 7,9 m3/m.h para estações
maiores.

Valores da taxa de vertedor

Decantador Condição Taxa de vertedor (m3/m.h)


Vazão Média Vazão Máxima
Pequeno - 5,0 10,0

Grande Fora da zona de virada das correntes - 15,0


Dentro da zona de virada das correntes - 10,0
Vertedor

Defletor
de escuma
Calha

Parede Defletor horizontal


externa

Defletor horizontal em vertedor visando a redução de arraste de sólidos


DEMAIS DETALHES DE PROJETO

De acordo com Metcalf & Eddy, 1991; WEF/ASCE, 1992

Decantador retangular
•Distribuição de vazão homogênea
•Relação comprimento/largura: < 10 a 15
•Se largura > 6m Æ adotar coletores de lodos múltiplos
•Mecanismo de remoção de lodo:
a) raspador com ponte móvel
b) raspador com correntes submersas
c) removedores por sucção

Decantador circular
•Diâmetro: 10 a 40m
•Relação diâmetro/profundidade < 10
•Remoção de lodo por raspadores rotativos
•Fundo do tanque com declividade 1:12 (raspadores)
Otimização da sedimentação - seletor

Seletor

TDH = 10 à 30 minutos (3 câmaras)


Densidade de Pot. > 10 W/m3
De acordo com a NB 12209/92 – ABNT

Decantador Secundário com Remoção Mecanizada de Lodo

•Dispositivo de remoção com velocidade ≤ 20mm/s


•Altura mínima de água (parede lateral): ≥ 2,0m
•Decantadores retangulares – relação comprimento/altura mín água: ≥ 4:1
- relação largura/altura mínima de água: ≥ 2:1
- relação comprimento/largura: ≥ 2:1
•Decantador retangular - Velocidade de escoamento horizontal: ≤ 20 mm/s
•Decantador circular – Fundo com inclinação 1:12 (remoção por raspagem)
•Decantador retangular com remoção por sucção: fundo horizontal

Decantador Secundário sem Remoção Mecanizada de Lodo

•Altura mínima de água (parede lateral): ≥ 0,5 m


•Decantador circular ou quadrado com poço de lodo cônico ou piramidal
Inclinação das paredes igual ou superior a 1,5 (vertical) por 1 (Horizontal) e
Diâmetro ou diagonal não superior a 0,70m
•Carga hidrostática mínima para a remoção do lodo: 2xperda de carga hidráulica e
não inferior a 0,5m.
•O decantador pode ser retangular em planta com alimentação pelo lado menor, com
poços piramidais de base quadrada não superior a 5,0m e descargas individuais.
•Tubulação de descarga: diâmetro mínimo de 150mm
DIMENSIONAMENTO DE DECANTADORES PRIMÁRIOS

•Vazão de dimensionamento: vazão máximaafluente a ETE


•Taxa de aplicação hidráulica: ≤ 120m3/m2.dia
•Tempo de detenção hidráulica para a vazão média: < 6h e > 1h para vazão
máxima
•Para vazão > 250 L/s deve possuir mais de um decantador primário
•Tubulação de remoçào de lodo: > 150mm
•Poço de acumulação de lodo com paredes 1,5 (V):1,0(H), terminando em base
com dimensão mínima de 0,60m.

Decantador Primário com Remoção Mecanizada de Lodo

•Dispositivo de remoção com velocidade ≤ 20mm/s Æ decantador retangular


≤ 40mm/s Æ decantador circular
•Altura mínima de água (parede lateral) ≥ 2,0m
•Relação: L/H água ≥ 4:1 (decantador retangular)
•Relação: B/H água ≥ 2:1
•Relação: L/B ≥ 2:1
•Velocidade de escoamento horizontal (retangular): ≤ 50mm/s
≤ 20mm/s se recebe excesso de
Lodo Ativado
•Volume útil do tanque: área de decantaçãoxaltura mínima de água
Decantador Primário sem Remoção Mecanizada de Lodo

•Altura mínima de água (parede lateral): ≥ 0,50m

•Decandor circular ou quadrado em planta. Poço de lodo único cônico


ou piramidal de base quadrada, descarga por gravidade, inclinação
das paredes ≥ 1,5 (vertical) por 1,0 (Horizontal) e diâmetro ou
diagonal não superior a 7,0m.

•O decantador pode ser retangular em planta com alimentação pelo


lado menor, com poços piramidais de base quadrada não superior a
5,0m e descargas individuais.

•Carga hidrostática mínima: 1,0m

•Volume útil: Produto da área de decantaçãoxaltura mínima de água


Decantador Secundário – Lodos Ativados – ETE Industrial
Decantador Secundário – Lodos Ativados – ETE Industrial
Decantador Secundário – Lodos Ativados – Brasília
Decantador Secundário - Brasília
IVL (Índice Volumétrico de Lodo)
INDICA:
A qualidade do lodo indicando a decantabilidade.
O VL divido pelos SSTA ou SSTLR forma o ÍVL em mL/g.

⎡ ⎤
IVL = Volume do lodo no TA = VL ⎢⎢ml ⎥
g
Sólidos em Suspensão no TA SSTA ⎣ ⎥⎦

¾ >200 ml/g significam uma decantabilidade ruim à péssima, a qual pode


ser causada por ex. por uma formação de fios ou lodo intumescido.
¾ 100 – 200 - média
¾ 50 - 100 ml/g representam uma decantabilidade boa do lodo. Os flocos
são menores e não há formação de fios
¾ < 50 - ótimo

ÍVL > 150 chama se Lodo intumescido, provocado por bactérias filamentosas
que impedem a decantação. Perigo de perda de lodo com efluente final !
Determinação da velocidade de sedimentação da interface

Índice Volumétrico de Lodo

IVL = H30 . 106


H0 . SS

IVL = índice Volumétrico de Lodo


H30 = altura da interface após 30 minutos (m)
H0 = altura da interface no instante 0 (m)
SS = concentração dos sólidos em suspensão da amostra (mg/L)
106 = conversão de mg em g, e de L em ml

Início Fim
Esquema da realização
do teste IVL
H0

H30

t = 0 min t = 30 min
PARÂMETRO – indices p/ lodo
VL (Volume de Lodo)

Coloque 1000 ml Deixe sedimentar


de lodo ativado durante 30 minutos
tirado de tanque de sem mexer e sem
aeração (SBR: posicionar no sol.
ultima fase aerada Após este tempo lê o
de ciclo) numa volume (VL30)
proveta de 1litro. através das unidades
da proveta

Se o valor (volume Diluição: uma parte


de lodo) superar do lodo ativado e 1, 2,
250 ml/l a análise 3 ... partes do efluente
deve ser repetida decantado até o VL
com uma diluição ficar abaixo de 250
de lodo com ml/l depois de 30 min.
efluente final
VL (Volume de Lodo)

Efluente turvo! Lodo ascendente! Depois 30min -lodo Lodo decantou até
Controle O2, pH Controle Nitrato, não decantou até 200 ml efluente
intoxicação e menos tempo de 250 ml – repetir com transparente –
eficiência! aeração diluição VL = 200 ml/L