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DESAP OSENTAÇÃO

- FUNDAMENTOS JURÍDI COS, POSI ÇÃO DOS TRI BUNAI S E ANÁLI SE DAS PROPOSTAS LEGI SLATI VAS –
GIS ELE LEMOS KRAVCHYCHYN Advogada em Santa Catarina e Sergipe Pós Graduada em Direito Previdenciário Sócia da Kravchychyn & Barreto Advogados Associados Relações Públicas da Comissão de Seguridade Social da OAB/SC

ÍNDICE 1. 2. 3. DO DIREITO À APOSENTADORIA – DEFINIÇÕES ______________________ 2 A RENÚNCIA NO DIREITO BRASILEIRO_______________________________ 3 DO DIREITO À DESAPOSENTAÇÃO NO SISTEMA PREVIDENCIÁRIO

BRASILEIRO ____________________________________________________________ 4 4. PONTOS LEVANTADOS PELO INSS E DEMAIS OPOSITORES À

DESAPOSENTAÇÃO E COMENTÁRIOS DA AUTORA_______________________ 10 4.1. 4.2.
CARÁTER IRRENUNCIÁVEL DA APOSENTADORIA

___________________________ 10

NECESSIDADE DE ANUÊNCIA DO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO ENVOLVIDO – __________________________________________ 10 12

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA OU INSS

4.3. 4.4. 5.

AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL ________________________________________

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DO SEGURADO ________________________________ 13

DAS SUGESTÕES DE MODIFICAÇÃO LEGISLATIVA - PROJETO DE LEI Nº

7.154/2002 _______________________________________________________________ 14 6. 7. 8. CRÍTICAS A RESPEITO DO PROJETO DE LEI Nº 7.154/2002 _____________ 14 CONCLUSÃO _______________________________________________________ 17 BIBLIOGRAFIA _____________________________________________________ 19

1

. 7º. Celso Barroso.. Tal direito é mais uma vez tratado em nossa Carta Magna nos artigos 201 e 202. em caso de morte ou prisão. 7ª Edição. personalíssimo e individual. com caráter patrimonial e pecuniário. É a união que faz a força. juntamente com a pensão por morte. João Batista. 1. São Paulo: LTR. os que dele dependiam economicamente. ou a reforçar-lhes aos ganhos para enfrentar os encargos de família. bem como a renúncia no direito em geral. 4ª edição. p. 3 1 CASTRO. 2002. neles incluídos as aposentadorias como: Prestações pecuniárias. p. p. nas eventualidades que os impossibilite de. 2 . LAZZARI. Marcelo Leonardo. A Previdência Social ao alcance de todos. sendo regulamentado pelas Leis 8.) XXIV – aposentadoria. ou amparar. Ambas substituem. em caráter permanente (ou pelo menos duradouro). por seu esforço. Direito Previdenciário. um direito social dos trabalhadores. Manual de Direito Previdenciário. Vejamos o comentário de Celso Barros Leite: Embora se trate de poupança coletiva. 87. a base está na participação individual. ambas de 1991. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (. Carlos Alberto Pereira de. 3 LEITE. 14/15.) Falando em termos mais técnicos a previdência é um seguro obrigatório... 2006.213 e 8.212.2 A aposentadoria é. 1 Já Marcelo Tavares considera os benefícios previdenciários. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. devidas pelo Regime Geral de Previdência Social aos segurados. 543. os rendimentos do segurado e asseguram sua subsistência e daqueles que dele dependem. São Paulo: LTR. Segundo Carlos Alberto Pereira de Castro e João Batista Lazzari. com característica de seguro social. mas na realidade cada um de nós está cuidando de si mesmo e só depende dos outros n medida que os a outros dependem de nós (. 1993. 5ª edição. destinadas a prover-lhes a subsistência. DO DIREITO À APOSENTADORIA – DEFINIÇÕES A aposentadoria é um direito garantido à todo trabalhador pela Constituição Federal: Art. aposentadoria é: A prestação por excelência da Previdência Social. auferir recursos para isto. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. 2 TAVARES. portanto.Para que possamos analisar de forma mais aprofundada o da desaposentação ou renúncia à aposentadoria. devemos primeiro esclarecer a respeito do instituto da aposentadoria.

198. Os direitos de ordem privada têm interessados e destinatários o indivíduo ou os indivíduos envolvidos na relação. Wladimir Novaes. emitindo o ato administrativo de concessão do benefício. 3 . portanto. Desaposentação e Nova Aposentadoria. 812. Maria Helena. Setembro de 2003. Roseval Rodrigues da. ao contrário dos direitos públicos e aos de ordem pública. 2003. ante o caráter pessoal e sobretudo disponível destes. A renúncia passa a ser então uma das formas de extinção de direitos. p. Tomo II: previdência social. comportariam a possibilidade de desistência por seus titulares. p. 6 CUNHA FILHO. Curso de Direito Previdenciário. MARTINEZ. A RENÚNCIA NO DIREITO BRASILEIRO A desaposentação consistiria no ato de renúncia à aposentadoria. A renúncia é um instituto de natureza eminentemente civil. 2ª edição. A partir desse requerimento o órgão gestor fará a análise do cumprimento dos requisitos necessários para a aposentadoria e se considerar correta a documentação deferirá o requerimento. portanto. Perda voluntária de um bem ou direito. Apenas direitos de natureza civil são passíveis de renúncia. 7 DINIZ. Nesta razão.782/783. Dicionário jurídico. consideramos importante o esclarecimento do leitor a respeito do instituto da renúncia do direito brasileiro.6 Já Maria Helena Diniz define renúncia como: Desistência de algum direito. Saraiva. contudo transferência do mesmo a outro titular.7 4 5 Podem ser concedidas também a requerimento do empregador. Ano XXVII. Roseval Rodrigues da Cunha Filho conceitua renúncia como: O abandono ou a desistência do direito que se tem sobre alguma coisa. mesmo após a aposentação. Se regularmente concedida a aposentadoria nasceria com o ato de aposentação e acabaria com a desaposentação (se considerarmos possível a mesma) ou com a morte do segurado. 274. em alguns casos específicos. Revista de Previdência Social. sem que haja.As aposentadorias são concedidas mediante o requerimento do segurado4 / beneficiário do sistema. de direito privado. nos casos de regimes próprios. a renúncia importa sempre num abandono ou numa desistência voluntária pela qual o titular de um direito deixa de usálo ou anuncia que não o que utilizar. São Paulo: LTR.5 2. Wladimir Novaes Martinez lembra ainda que a Carta Magna assegura o direito de permanecer prestando serviço. Ato voluntário pelo qual alguém abre mão de alguma coisa ou direito próprio. tendo assim caráter eminentemente pessoal e. Nº. p. ou até de ofício. 36.

a transação quanto a esse direito. 8 Definimos portanto. e assim independe da vontade ou deferimento de outrem. Ano XXVII. muitos consideram que a mesma não se configuraria propriamente em renúncia mas sim numa transferência de direito. por isso que direito subjetivo e patrimonial decorrente da 8 CUNHA FILHO. sob o qual não se admite transação ou transferência a terceiros. portanto. 4 . Outro ponto importante trazido pela doutrina é a diferenciação entre o abandono e a renúncia. v. Roseval Rodrigues da.782/783. g. consistente no abandono voluntário de um direito ou de seu exercício. sendo este segundo aspecto de caráter subjetivo. 3. Cabe-nos agora analisar se a desistência da aposentadoria seria então uma renúncia ao direito e se a mesma seria permitida no direito brasileiro. como exemplo o usucapião. No caso. através do qual alguém abandona ou abre mão de um direito já incorporado ao seu patrimônio. pode-se conceituar renúncia como ato unilateral do agente. tratando-se de aquisição originária. que a renúncia é ato de caráter do p ossuidor do direito. A definição do direito à aposentadoria como direito público ou privado é ponto marcante na discussão quanto à possibilidade ou não da desaposentação. Roberto Luis Luchi Demo explica: A aposentadoria.. DO DIREITO À DESAPOSENTAÇÃO NO SISTEM A PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO Como já vimos a aposentadoria constitui direito personalíssimo. Desaposentação e Nova Aposentadoria. O abandono compõe-se do ato de abandonar a coisa e com o evidente propósito de abandonar. p. Nº 274. a par de ser direito personalíssimo (não admitindo.A renúncia típica ou própria constitui-se de ato explícito e voluntário de não exercício ou abandono de um direito sem que se opere a transferência do mesmo a outrem. só por isso. Revista de Previdência Social. ou até alienação. é ato. Importante destacar a ressalva que alguns doutrinadores fazem com relação à renúncia em favor de outrem. no tocante a esse trabalho. posto que tal depende do consentimento do destinatário. que independe da aquiescência de outrem. Setembro de 2003. O que não significa q a mesma seja ue um direito indisponível do segurado. Assim. por isso passaremos ao tópico seguinte. eminentemente voluntário e unilateral. Em tal ato o adquirente da coisa não tem relação jurídica com aquele que a abandonou. transferindo a qualidade de aposentado a outrem) é ontologicamente direito disponível.

que a desaposentação é muito mais fruto da construção doutrinária e jurisprudencial do que propriamente retirada do texto legal. Carlos Alberto Pereira de. por ausência de expressa proibição legal. 10 CASTRO. ao máximo. para fins de aproveitamento do tempo de filiação em contagem para nova aposentadoria. Hamilton Antônio. p. Aposentadoria. 263. outubro de 2002. Desaposentação: Um Novo Instituto?. 2006. Vejamos o entendimento de Felipe Epaminondas de Carvalho. não podendo ser reduzida ou diminuída por omissão. entramos na ceara do instituto da desaposentação. entretanto. Existe apenas um ditame no Decreto regulamentador. No caso.228. Direito disponível. Manual de Direito Previdenciário. no mesmo ou em outro regime previdenciário. É patente que um decreto. tanto no tocante a desaposentação quanto no tocante à nova contagem do tempo referente ao período utilizado na aposentadoria renunciada. 11 COELHO. Hamilton Antonio Coelho define como desaposentação: A contagem do tempo de serviço vinculado à antiga aposentadoria para fins de averbação em outra atividade profissional ou mesmo para dar suporte a uma nova e mais benéfica jubilação. O que existe no sistema previdenciário brasileiro é a ausência de norma proibitiva. 5 . Alguns princípios basilares do Estado brasileiro também coadunam com o instituto da desaposentação. Revista de Previdência Social. com o desfazimento da aposentadoria por vontade do titular.relação jurídico-previdenciária. Na legislação específica da Previdência Social tampouco existe dispositivo legal proibitivo da renúncia aos direitos previdenciários. Destacamos. p. Roberto Luiz Luchi. refletindo o bem estar social". Desaposentação. que seria essa desistência ou renúncia expressa do segurado à aposentadoria já concedida. Nº. posto que a limitação da liberdade individual deve ser tratada explicitamente. como norma subsidiária que é. LAZZARI. p. não pode restringir a aquisição de um direito do aposentado. p. subsiste a permissão. dos princípios da dignidade da pessoa humana e do mínimo existencial. 509. São Paulo: LTR. nov 1999. João Batista. São Paulo: LTR. Ano XXVI. vol. prejudicando-o.11 9 DEMO. posto que limitando direito quando a lei não o fez.1130-1134. De acordo com Carlos Alberto Pereira de Castro e João Batista Lazzari: a desaposentação é o direito do segurado ao retorno à atividade remunerada. 7ª Edição. o que se pode afirmar inconstitucional.9 Assim. que explica que o instituto da desaposentação objetiva “uma melhor aposentadoria do cidadão para que este benefício previdenciário se aproxime.887. Indenização ao sistema previdenciário.1130-1134. Revista de Previdência Social.10 Na Carta Magna não há qualquer vedação à desaposentação.

portanto de tentativa de cumulação de benefícios.13 12 DUARTE. assim.br/revistajuridica/edicao_marco2007/discente/dis6. 6 . já que o órgão de origem deverá compensar sempre o órgão concessor. 2003. e assim não padece dúvida acerca desta.doc. notadamente. p. Disponível em http://www. na possibilidade de o segurado. Traduz-se.796/99. § 9°. Não obstante o confronto de opiniões.Devemos ter em mente ainda que a desaposentação não se confunde com a anulação ou revogação do ato administrativo da jubilação. Daniel Machado da (Coord. admitindo assim o referido instituto em ambas as situações. Desaposentação e revisão do benefício no RGPS. 201.Temas Atuais de Direito Previdenciário e Assistência Social. visto constar de forma expressa no texto constitucional. em virtude das contribuições vertidas após a aposentação. Porto Alegre: Livraria do Advogado. que pode ocorrer por iniciativa do INSS. 91-92. renunciar ao benefício para postular uma outra aposentadoria futuramente. já existe o instituto da contagem recíproca que possibilita a contagem do tempo de contribuição em determinado regime com o escopo de implementar os requisitos legais para a concessão do benefício de aposentadoria em um outro regime previdenciário. Desaposentação no direito brasileiro. Marina Vasques. disposta no art. Isabella Borges. entre regimes distintos. a teor do que determina a Lei n. Não se trata. que considera o instituto da desaposentação como cabível tanto na hipótese em que o aproveitamento do tempo de contribuição se dê no mesmo regime previdenciário. Marina Vasques Duarte adota tal posicionamento ao explicar que tanto quando se tratar de renúncia dentro do mesmo regime quanto entre regimes distintos não subsiste razão para a diferenciação. mas sim do cancelamento de uma aposentadoria e o posterior início de outra. O objetivo principal da Desaposentação é possibilitar a aquisição de benefícios mais vantajosos no mesmo ou em outro regime previdenciário. Um ponto a se destacar é que existem discordâncias doutrinárias a respeito da possibilidade de desaposentação para o aproveitamento do tempo em um mesmo regime.° 9. ao qual o segurado esteja devidamente vinculado na ocasião do requerimento do benefício. a concepção mais abrangente. 13 ARAUJO. motivada por ilegalidade na concessão.). quanto em um outro regime. 12 Isabella Borges de Araújo destaca ainda: Pondere-se que na hipótese de mudança de regime previdenciário. deve-se enfatizar que predomina. Isso acontece pela continuidade laborativa do segurado aposentado que. In: ROCHA. depois de aposentado. em função do novo tempo contributivo. pretende obter novo beneficio em condições melhores. A contagem recíproca já é garantia constitucional. CF/88. isto é.unifacs.

restituindo-se as partes.8. mas não do direito ao aproveitamento.2003. Rel.92. Achamos oportuno destacar o entendimento adotado pela Turma Recursal de Santa Catarina. no qual a mesma diferenciou renúncia de desaposentação. Ou seja. o que impõe ao segurado a obrigação de devolver todos os valores que recebeu em razão de sua aposentadoria. Se o segurado pretende renunciar ao benefício concedido pelo INSS para postular aposentadoria junto a outro regime de previdência. Pelo entendimento adotado no julgamento acima citado.003417-4. 3ª Seção. tendo decidido. a diferenciação básica seria a devolução de valores e a intenção de utilização do tempo de serviço. passível de renúncia ou desistência para eventual obtenção de certidão de tempo de serviço/contribuição.92. conseqüentemente.067002-2/RS. da competência da 5ª Turma. PROCESSUAL CIVIL. Vejamos a ementa: PREVIDENCIÁRIO. Para tanto. 1. Sessão de 5. RENÚNCIA À BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO EM OUTRO SISTEMA DE PREVIDÊNCIA. O TRF da 4ª Região já se manifestou sobre a matéria. Na desaposentação. o segurado abdica de seu benefício e.15 14 Turma Recursal dos Juizados Especiais de Santa Catarina. pelo STJ. nesse caso igualando a mesma à renúncia da aposentadoria. do Agravo em recurso especial de nº. Temos inúmeros precedentes entre eles o julgamento. Embargos Infringentes providos. mas de forma diversa da Turma Recursal. 15 EIAC nº 1999. NECESSIDADE DE RESTITUIR OS VALORES AUFERIDOS À TITULO DE APOSENTADORIA.003417-4. É portanto.01. com a contagem do tempo que serviu para o deferimento daquele be nefício. 2. favorável a desaposentação. Relator Juiz Ivori Luis da Silva Scheffer. Luiz Fernando Wowk Penteado. os proventos recebidos da autarquia previdenciária deverão ser restituídos. Gilson Dipp. Proc.2004. 2004. cujo Relator foi o Min. 7 . 2004.04.01. opera efeitos ex nunc. no julgamento do Processo n.14 Nessa decisão a Turma diferenciou institutos que a doutrina comumente traz como idênticos. ao status quo ante. do direito de utilizar o tempo de serviço que ensejou sua concessão. em Embargos Infringentes. mas não precisa restituir o que já recebeu a título de aposentadoria. a desaposentação nada mais é do que uma renúncia com efeitos ex tunc.95. Des Fed. DJU de 15. segurado e INSS. do tempo de serviço que serviu de base para o primeiro.95. o segurado também abdica do seu direito ao benefício.Temos que destacar que tanto doutrinária quando a jurisprudência pacificou-se o entendimento de que a aposentadoria é direito patrimonial disponível. Na renúncia. em outro benefício. mas salientando a necessidade de restituição dos valores recebidos. 497683. faz-se necessário o desfazimento do ato de concessão. Logo.

ante a inexistência de norma legal expressa em sentido contrário. mediante a conseqüente devolução dos valores pertinentes ao INSS. no caso vertente. outro dado deve ser anexado ao estudo: a natureza alimentar das verbas recebidas a título de aposentadoria.16 Resumimos portanto que a desaposentação é possível no direito brasileiro. 5º.037653-5/SP-Ap. não explica se essa devolução seria apenas no caso da utilização do tempo para outra aposentadoria. visa proteger o cidadão das investidas do Poder Público.Ac. 420. XXXVI. que seria aquele na qual o aposentado não ressarce os cofres públicos..DJU 3. restariam sem qualquer tutela. Vejamos: Uma vez reconhecida a natureza alimentar dos benefícios previdenciários é inadmissível a pretensão de restituição dos valores pagos aos segurados. existindo. a aposentadoria se destina a prover a subsistência do aposentado. 8 . ficando portanto.A cláusula constitucional do direito adquirido. in Revista de Previdência Social 219/119. Logo. Rel. Entretanto. esculpida como um dos direitos e garantias individuais na forma do art. Previdenciário.1. em razão do princípio da irrepetibilidade ou 16 TRF-3º Reg. mas também não manteria o direito de utilizar o tempo já considerado. Como já definimos no item 2.325/SP.O TRF DA 3ª Região também considera necessário para o desfazimento da aposentadoria a devolução dos valores. Juros de moras. Por isso alguns julgadores e doutrinadores diferenciam a desaposentação da simples renúncia da aposentadoria.98. Honorários advocatícios. I – Não mais convindo ao beneficiário a percepção de aposentadoria previdenciária. Tal posicionamento vem sendo adotado pelos tribunais pátrios.03. 98. é lícito o pleito de sua desaposentação. Theotônio Costa.11. É pacífico o entendimento de que os valores recebidos mensalmente a título de aposentadoria têm natureza alimentar. discordâncias no tocante a necessidade da devolução dos valores recebidos a título de aposentadoria para que o tempo possa ser reutilizado para a concessão de novo jubilamento. n. entre eles o STJ. Aposentadoria proporcional por tempo de serviço. do ato de concessão. n. com o intuito de obrigá-lo a permanecer aposentado. Desfazimento. municia-o de instrumento para que possa ficar ao abrigo de eventuais medidas que venham a lhe trazer prejuízos que de outro modo. Correção monetária. Mas no caso.03. contra os seus interesses. Muitos propõe que para poder reutilizar esse tempo o segurado seria obrigado a devolver os valores recebidos anteriormente. Proc. Possibilidade. II. protegidos pelo PRINCÍPIO DA IRREPETIBILIDADE OU DA NÃO DEVOLUÇÃO DOS ALIMENTOS. Segue a decisão: Administrativo. 98. a pedido do próprio beneficiário. entretanto. da Carta Magna. não cabe invocá-lo contra o apelado.037653-5.

condição essa que. Assim. INCIDE. o caráter social das prestações pagas pela Autarquia-Previdenciária.19 A propósito do tema. DATA:16/05/2005 PÁGINA:399.049702-7/RS .17 É indevida a restituição dos valores recebidos a título de conversão da renda mensal do benefício previdenciário em URV por se tratar de benefício previdenciário.20 Cumpre aqui trazer à baila parte do Voto proferido no processo nº 2002. tampouco. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 697633. Tomo 9. como querem fazer parecer alguns julgadores. O PRINCÍPIO DA IRREPETIBILIDADE DOS ALIMENTOS. 18 Inadmissível o pleito de restituição dos valores pagos aos segurados por força da decisão rescindida. AGRESP . Data da decisão: 07/04/2005. elucidou o nobre Jurista PONTES DE MIRANDA que “os alimentos recebidos não se restituem. Deve ser ressalvado. minimamente. Precedentes.288. 18 STJ. Ed. a subsistência dos seus beneficiários. Bookseller. sempre tiveram uma vida de parcos recursos. 17 STJ. E tampouco estaria atrelada a possibilidade de utilização do tempo com a devolução dos valores recebidos. não pode deixar de ser reconhecida. 19 STJ. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 697397. deve ser destacada a natureza eminentemente alimentar dos proventos percebidos a título de benefício previdenciário. DJ DATA:02/05/2005 PÁGINA:414.723228. notadamente pelo fato de garantirem. ao contrário.TRF da 4ª Região. que tem natureza alimentar. a análise da devolução dos valores não é simples. SC SC DJ (a) 9 . Data da decisão: 19/04/2005 DJ DATA:16/05/2005 PÁGINA:399. na sua grande maioria. pelo caráter alimentar.01. pessoas que. Processo: 200401512200 UF: Órgão Julgador: QUINTA TURMA. historicamente têm sofrido significativa redução nos seus ganhos. ainda.da não-devolução dos alimentos. Relator (a) FELIX FISCHER. Processo: 200500205672 UF: SC Órgão Julgador: QUINTA TURMA. 200. conquanto. não se podem considerar indevidos os vencimentos pagos pelo INSS à época da aposentadoria. Data da decisão: 07/04/2005.p. Isso porque. 20 in Tratado de Direito Privado. pode ser considerada válida a vinculação da nova utilização do tempo com a devolução das verbas recebidas. À ESPÉCIE. Relator GILSON DIPP. em razão do reconhecimento da natureza alimentar dos benefícios previdenciários.04. ainda que o alimentário venha decair da ação na mesma instancia ou em grau de recurso”. Processo: 200401512008 UF: Órgão Julgador: QUINTA TURMA. indiscutivelmente.. e que após o seu jubilamento não experimentaram qualquer melhora financeira. in verbis: Em primeiro lugar.

não cabendo sua utilização em desfavor do aposentado. Vejamos os mais comuns: 4.4. As aposentadorias por idade. a mesma já resta pacificada na jurisprudência pátria. CARÁTER IRRENUNCIÁVEL DA APOSENTADORIA Os opositores da desaposentação defendem o caráter indisponível e irreversível da aposentadoria. conforme disposto no artigo 181-B do Decreto n. PONTOS LEVANTADOS PELO INSS E DEM AIS OPOSITORES À DESAPOSENTAÇÃO E COM ENTÁRIOS DA AUTORA A autarquia previdenciária e alguns doutrinadores vêm defendendo a impossibilidade da desaposentação. quando o mesmo optar pela desaposentação. não pode restringir a aquisição de um direito do aposentado. ou até trinta dias da data do processamento do benefício. de 29/11/99) Parágrafo único. E no tocante a admissibilidade da renúncia. quando da pretensão de tolhimento do benefício pelo concessor do mesmo. de 9/06/2003) Entretanto. tempo de contribuição e especial concedidas pela previdência social. NECESSIDADE DE ANUÊNCIA DO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO ENVOLVIDO – ADM INISTRAÇÃO PÚBLICA OU INSS Alguns doutrinadores sustentam sua posição no entendimento que a renúncia não poderia ser configurada como renúncia posto que depende de requerimento e 10 . na forma deste Regulamento. Vejamos os ditames do Decreto: Art. Não podem prosperar os argumentos de irrenunciabilidade e irreversibilidade da aposentadoria. prejudicando-o.2. 3. que constituem garantias em favor do segurado. é patente que um Decreto. (Artigo acrescentado pelo Decreto nº 3.181-B. quando a lei quedou-se omissa. O segurado pode desistir do seu pedido de aposentadoria desde que manifeste essa intenção e requeira o arquivamento definitivo do pedido antes do recebimento do primeiro pagamento do benefício.729. prevalecendo o que ocorrer primeiro. são irreversíveis e irrenunciáveis. como norma subsidiária que é. 4. Acrescentado pelo Decreto nº 4.1.048/99.265. ou de sacar o respectivo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço ou Programa de Integração Social. tendo embasado seu posicionamento em diversos pontos.

Isso porque. a anuência do poder ou órgão gestor deveria ser automática. Desaposentação.793. Assim. veículo introdutor da aposentadoria. previsão legal. além do interesse público. ainda que subsistam lado a lado. caráter solidário do sistema) é um direito eminentemente pessoal e individual. a aposentadoria. Portanto. o enriquecimento ilícito do segurado. obrigar alguém a continuar aposentado. como vimos anteriormente. a Autarquia poderia apenas criar requisitos para a anuência da desaposentação. objeto lícito e mora – face à aferição de vantagem em detrimento do equilíbrio financeiro dos Regimes de Previdência. não haveria que se falar no interesse público. o fato natural: inatividade remunerada pelos cofres públicos torna-se jurídica e exigível através de um ato administrativo vinculado: aposentação. Não se pode portanto. Por óbvio que no caso em análise o direito individual se sobrepõe ao público. necessário se fará um outro ato administrativo vinculado: o ato da desaposentação. Lorena de Mello Rezende.21 Nesse tópico devemos lembrar que restando pacificado o entendimento da disponibilidade do direito a aposentadoria não haveria que se falar na impossibilidade de renúncia. nº 301. 11 . é uma norma. no caso da desaposentação. de expressa previsão legal. Destacamos o posicionamento de Lorena de Mello Rezende Colnago: É de suma relevância lembrar que um fato jurídico ingressa no mundo jurídico através de um suporte que. da mesma forma que não se poderia obrigá-lo a continuar trabalhando uma vez implementadas as condições para a concessão de uma aposentadoria. sendo intransferível. com requisitos idênticos à emissão do ato de aposentação. não há interesse público. nem mesmo. apesar de influir no direito da coletividade (fundo previdenciário do regime geral. para que o fato jurídico aposentadoria seja retirado do ordenamento. e. se adotarmos tal entendimento. como por exemplo a devolução dos valores. geralmente. da continuidade da aposentadoria) poderia se sobrepor ao do indivíduo (que seria o da desaposentação). de objeto lícito e moral. Embora haja o interesse do segurado. Entretanto. p. E assim.concordância da Administração (órgão pagador e gestor do benefício). até porque não nos parece lógico pensar que o interesse público (no caso. pelo princípio da paridade das formas. 21 COLNAGO. dezembro de 2005. No caso da aposentadoria. ano XXIX. desde prevista a necessidade em lei. que necessita de um agente capaz. excluindo-se assim a necessária unilateralidade do instituto. ou seja. Revista de Previdência Social.

E no nosso entender. não haveria que se falar em direito a desaposentação. Agora. No caso. mas interpretando de forma oposta aos defensores da tese. nos parece absurda. Ou seja. assim como a concessão do benefício. Até porque. Isso até se admite no âmbito administrativo.4. mas uma vez sai vitoriosa a interpretação que a liberdade individual se sobrepões ao direito da administração. seja complicado para a autarquia previdenciária criar um procedimento para a desaposentação em virtude da ausência da previsão legal. para ponderar o defendido pela corrente. a desaposentação também seria um ato vinculado feito pela Autarquia Previdenciária. Já outros defendem que à Administração pública somente é permitido aquilo que a lei prevê. Destacamos também a impossibilidade do INSS de “abrir mão” desses valores em benefício de um único segurado. Entretanto. No caso. Até pelo que já foi levantado anteriormente no tocante a devolução dos valores. Portanto. a ausência de previsibilidade legal para o procedimento de desaposentação e suas implicações no sistema de seguridade seria impeditivos da concessão do requerimento por parte da Autarquia. ainda que judicial. devemos novamente analisar na forma direito individual versus direito coletivo ou da administração pública. 12 . AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Também é invocado pelo INSS bem como pelos opositores da desaposentação o princípio da legalidade de observância obrigatória para a administração pública. pela ausência de previsão. Sob esse enfoque. até se entende que. Logo. da impossibilidade da Autarquia de cobrar. nos termos do artigo 37. a liberdade concedida e garantida constitucionalmente de que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei é mais consistente do que o dever da administração de somente fazer aquilo que a lei permite ou determina. uns defendem que no tocante ao segurado ela seria possível porque ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei. interna corpus. discutir esse enfoque de forma a justificar a impossibilidade de deferimento. frente ao caráter alimentar da verba. em detrimento da coletividade. caput da CF/88. os autores defendem que a Administração Pública estaria impedida de conceder a desaposentação por ausência de previsão legal.3. e no caso.

para que o fato jurídico aposentadoria seja retirado do ordenamento. Lorena de Mello Rezende. veículo introdutor da aposentadoria. além do interesse público.793. Inclusive.22 Mas. Desaposentação. que seria a desistência da aposentadoria com o intuito da utilização do tempo na busca de uma melhor aposentadoria. não há interesse público. e. objeto lícito e mora – face à aferição de vantagem em detrimento do equilíbrio financeiro dos Regimes de Previdência. 13 . Até porque o recebimento das verbas não foi indevido ou ilícito. parece mais volumosa a corrente que defende a desnecessidade de devolução de valores. No caso. necessário se fará um outro ato administrativo vinculado: o ato da desaposentação. sem o interesse de utilização do tempo. previsão legal. Embora haja o interesse do segurado. se não é exigível do segurado a devolução das verbas por seu caráter alimentar. com requisitos idênticos à emissão do ato de aposentação. o enriquecimento ilícito do segurado. Entretanto. no caso da desaposentação.4. Nesse caso. Revista de Previdência Social. da desaposentação. ano XXIX. de objeto lícito e moral. ENRIQUECIM ENTO ILÍCITO DO SEGURADO Tema controverso no tocante a desaposentação é a devolução dos valores recebidos a título da aposentadoria que se esta renunciando. No caso da aposentadoria. nem mesmo. aqueles que acreditam ser necessária a devolução dos valores ao erário para que o tempo possa ser contato para nova aposentadoria. é uma norma. o fato natural: inatividade remunerada pelos cofres públicos torna-se jurídica e exigível através de uma ato administrativo vinculado: aposentação. p. de expressa previsão legal. nº 301. 22 COLNAGO. O entendimento da jurisprudência muitas vezes tem pendido para tal necessidade. a natureza alimentar das verbas recebidas a titulo de aposentadoria impossibilitam a devolução das parcelas recebidas. existem. E nesse ponto. ou seja. como já vimos. dezembro de 2005. mesmo entre os autores que defendem a possibilidade de desaposentação. geralmente.4. como já vimos anteriormente. que necessita de um agente capaz. Vejamos o posicionamento de Lorena de Mello Rezende Colnago: É de suma relevância lembrar que um fato jurídico ingressa no mundo jurídico através de um suporte que. e portanto. há quem diferencie a renúncia simples (no caso. os opositores da desaposentação alegam o enriquecimento ilícito do segurado bem como o ferimento ao princípio da isonomia. Assim. não haveria que se falar em enriquecimento ilícito. sem a necessidade de devolução dos valores). pelo princípio da paridade das formas. as mesmas restaram “consumidas” e não é exigível do segurado a devolução.

Vejamos algumas: 14 .213/91. poderão. Na hipótese de renúncia à aposentadoria devida pelo Regime Geral da Previdência Social. Logo. na forma da lei. Vejamos a redação final do referido projeto: Art. 96.) Parágrafo único.5. por si só. a qualquer tempo. a redação trazida. (. 96 (.. Entretanto. 6.154/2002 O Deputado Inaldo Leitão apresentou em 2002 o Projeto de Lei de nº 7.. ser renunciadas pelo Beneficiário. que teria o seguinte teor: As aposentadorias por tempo de contribuição e especial concedidas pela Previdência Social. isso não tem sido o bastante para que o INSS aceite.. CRÍTICAS A RESPEITO DO PROJETO DE LEI Nº 7. DAS SUGESTÕES DE M ODIFICAÇÃO LEGISLATIVA . salvo na hipótese de renúncia ao benefício. respectivamente.. O projeto foi então modificado pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. já seria benéfico para o sistema previdenciário brasileiro.154. uma previsão mais expressa da Lei no tocante a possibilidade de renúncia. tendo por objetivo acrescentar o parágrafo único do artigo 54 da Lei 8. ficando asseguradas a contagem de tempo de contribuição que serviu de base para a concessão do benefício. a desaposentação nos demais casos. tendo sido transferida a modificação para a seção de cuida da contagem de tempo recíproca de tempo de serviço.154/2002 No nosso entender. Claro que podemos interpretar o retorno ao trabalho ou à atividade especial como formas de renúncias tácitas para a aposentadoria por invalidez ou especial.PROJETO DE LEI Nº 7. se o projeto for convertido em Lei vai ao menos trazer a vantagem da previsão legal da desaposentação. ou seja. tanto no projeto original quanto no projeto modificado deixa inúmeras duvidas. da possibilidade de renúncia da aposentadoria. mediante indenização da respectiva contribuição. com os acréscimos previstos no inciso IV do caput deste artigo. mediante a alteração do art. Entretanto. somente será contado o tempo correspondente a sua percepção para fins de obtenção de benefício por outro regime previdenciário. administrativamente. com nova redação a uma dos incisos e acréscimo de um parágrafo único.) III – não será contado por um regime previdenciário o tempo de contribuição utilizado para fins de aposentadoria concedida por outro.

não será admitida a contagem em dobro ou em outras condições especiais. da modificação transferida para o artigo 96 23 24 . inviabilizaria o procedimento de desaposentação. o que constituiria ilegalidade e certamente suscitaria questionamentos neste 23 Art. pois sem a previsão na lei regulamentada o decreto estaria extrapolando suas finalidades. constante em nossa CF no art. da igualdade e da isonomia.154-C) tal diferenciação já não resiste. quando concomitantes. pode-se entender que a modificação legislativa diz apenas respeito as situações em que o aposentado optaria por renunciar a aposentadoria e utilizar o tempo para outro regime. ou mesmo a inconstitucionalidade da Lei. tais como o do necessário equilíbrio atuarial. IV . Ao tratamos ainda do projeto com alterações. Destacamos que na redação do projeto modificado (7. 24 Seção VII . Acredito que esta localização da modificação no artigo 96 acabará por trazer confusões no tocante a possibilidade de desaposentação para utilização de tempo para um mesmo regime. II . ao menos em seu primeiro momento.o tempo de serviço anterior ou posterior à obrigatoriedade de filiação à Previdência Social só será contado mediante indenização da contribuição correspondente ao período respectivo. O tempo de contribuição ou de serviço de que trata esta Seção será contado de acordo com a legislação pertinente. Roseval Rodriges da Cunha Filho levanta alguns: Haverá quem argumentará que a inexistência de disposição na Lei pertinente à devolução de alguma importância ao regime concessor da aposentadoria renunciada. Também. sanando apenas o problema para a utilização em regimes diferenciados. O que não foi a intenção do projeto. observadas as normas seguintes: I . não poderia o decreto que viesse a regulamentar a lei.não será contado por um sistema o tempo de serviço utilizado para concessão de aposentadoria pelo outro.No caso do projeto original a redação prevê apenas a possibilidade de renúncia no caso de aposentados especial e por tempo de serviço. conquanto estaria indo além da mera regulamentação da lei. suscitando princípios constitucionais. Isso deixa de fora os aposentados por idade. 15 .Da Contagem Recíproca de Tempo de Serviço. 5º caput. ou seja. passando à excedê-la. com acréscimo de juros moratórios de um por cento ao mês e multa de dez por cento. A possibilidade ali parece estar sendo aplicada a qualquer espécie de aposentadoria do RGPS. devemos considerar que a seção em que estará inserida a norma será referente a contagem recíproca. Outro ponto importante no tocante ao projeto de Lei mencionado é a ausência de manifestação acerca da devolução de valores ao regime do qual esta se renunciando a aposentadoria em questão. Assim.é vedada a contagem de tempo de serviço público com o de atividade privada. No nosso entender não existe justificativa jurídica para essa diferenciação. 96. a determinação de devolução de “algo” ao regime concessor da aposentadoria renunciada. Existiria aí um grave atentado ao princípio da isonomia. III . Tal omissão por certo levará à algumas discussões quando da aplicação da lei.

portanto. ser renunciadas pelo Beneficiário. Assim. no nosso entender. Nº 263. o projeto em si carece de enfoque técnico. Logo. como aliás de todo o procedimento de desaposentação à norma regulamentadora. As aposentadorias por tempo de contribuição e especial concedidas pela Previdência Social. remetendo a instrumentalização de tal devolução. Indenização ao sistema previdenciário. p. erroneamente falando de devolução de verbas de natureza alimentar.213/91. ou mesmo para dar possibilidade de devolução de valores conforme uma equação a ser definida e aplicável a cada caso concreto. E ainda. 26 DEMO. outubro de 2002. ao menos buscando a discussão da desaposentação. a qualquer tempo.791/792. Revista de Previdência Social. Direito disponível.ponto. Ano XXVI. Aposentadoria. ficando condicionada a certificação do tempo de contribuição que serviu de base para concessão do benefício. Ano XXVII. 25 CUNHA FILHO. nos termos do regulamento. poderão. importante a existência do projeto legislativo em comento. carece o referido projeto de lei de modificações. Setembro de 2003. Desaposentação. contudo o mesmo necessita de ajuste no sentido de que se defina a questão da devolução de importância ao regime concessor da aposentadoria renunciada. Da maneira como está atualmente. O projeto carece. Nº 274. pelo que se apresenta até o momento. ao pagamento de indenização proporcional à compensação previdenciária e ao total recebido a título de aposentadoria. o que já resta pacificado na jurisprudência como indevido. seja para afastar expressamente tal devolução. Vejamos a proposta: Parágrafo único. Desaposentação e Nova Aposentadoria. a sua inserção no direito brasileiro acabará por aumentar a confusão já existente na matéria. Roseval Rodrigues da. 16 . na forma da lei. Assim. Revista de Previdência Social. de correção no sentido de que se defina a questão da devolução de importância ao regime concessor da aposentadoria renunciada.889/890. Entretanto. para que fixe a necessária devolução de alguma importância ao regime do qual se retira o desaposentando. seja para determinar a devolução integral dos proventos aposentários até então recebidos.26 Mas nesse caso novamente estaríamos criando uma diferenciação ilegal dos aposentados por idade. Roberto Luiz Luchi. a existência de um projeto de lei que busca trazer ao regime jurídico brasileiro uma solução para o impasse da desaposentação é muito válido. 25 Roberto Luiz Luchi Demo sugere nova redação ao parágrafo único a ser inserido ao artigo 54 da Lei nº 8. p.

Assim. nem sempre um benefício com mais tempo de contribuição resultará num valor de renda mensal maior. CONCLUSÃO Não restam dúvidas. Procurador do Estado de São Paulo e Graduando em atuária: O aumento no tempo de contribuição e a diminuição da expectativa de vida podem. 6º painel. Emenda constitucional nº 41. Entretanto. deve ser interpretado de forma a permitir a desaposentação. além de uma expectativa de fundamento legal. o que acabará se equilibrando com um aumento de valor do benefício. cabe lembrar a colocação do Jurista Wladimir Novaes Filho. Mas com relação ao equilíbrio financeiro e atuarial do sistema. garantir o equilíbrio atuarial do sistema. a ausência de impedimento expresso. dia 27/06/07. fazendo uso do instituto da desaposentação. 28 Citamos as mais importantes: Emenda constitucional nº 20. 17 . Encontra-se fundamento doutrinário. quanto ao direito dos beneficiários de renunciarem a suas aposentadorias.7. tudo a respaldar o direito de renuncia à aposentadoria para a desaposentação e o conseqüente direito de aproveitamento do tempo de serviço que tenha dado origem ao benefício para efeitos de nova jubilação. Sem falarmos nas parcelas vertidas ao regime após a primeira aposentadoria.876/99. o Projeto de Lei nº 7. e a própria jurisprudência difere nos entendimentos sobre a necessidade ou não da devolução aos cofres públicos. Isso porque. não parece trazer solução para esse problema. devemos lembrar que uma aposentadoria concedida mais tarde significará um pagamento por menos tempo. jurisprudencial e legal (permissiva omissiva). Lei 9. que acabaram por transformar de forma marcante o cálculo de renda mensal dos benefícios previdenciários. O maior problema para a instrumentalização da desaposentação nos aprece a necessidade ou não de devolução dos valores recebidos a título da aposentadoria que se vai renunciar. pelo menos como se encontra até o momento. no presente caso. Como o assunto ainda não é pacífico. Tema Desaposentação. no caso concreto. portanto. No tocante a permissão legal. a análise sobre a benéficie da 27 Palestra concedida no 26º Congresso Brasileiro de Previdência Social. Atualmente.154/2002. Emenda constitucional nº 47. somente uma resolução legislativa poria fim a discussão.27 Outro ponto importante a ser atentado pelos aposentados é que a legislação previdenciário tem sofrido inúmeras modificações 28 tanto para o regime geral quanto para o regime próprio.

desaposentação deve ser feita caso a caso. já que ainda que legalmente cabível. mais vantajoso ao segurado permanecer aposentado pelas regras anteriores. a análise deve ser cuidadosa de forma a prever as modificações legais que poderão afetar o valor final desse novo benefício. 18 . ainda que reste comprovado o direito dos aposentados que continuarem a contribuir em optarem pela desaposentação visando um aumento de seus benefícios. pode ser Desta forma. Principalmente se estivermos considerando a hipótese ainda não excluída totalmente da devolução dos valores recebidos a título da aposentadoria renunciada.

Desaposentação.com.8. Aposentadoria. Marcelo Leonardo. A Previdência Social ao alcance de todos. Ano XXVII. In: ROCHA. Tomo II: previdência social.html. COLNAGO. 7ª Edição. Desaposentação e nova aposentadoria. 5ª edição. 2002. DUARTE. Revista de Previdência Social. ano XXV. Carlos Alberto Pereira de. CASTRO. 2003. BIBLIOGRAFIA ARAUJO. Desaposentação: Uma Luz no Fim do Túnel. Isabella Borges. dezembro de 2005. 2006. Desaposentação no direito brasileiro. Roberto Luiz Luchi. LEITE. Revista de Previdência Social. Nº. nº 301. Desaposentação e revisão do benefício no RGPS. CUNHA FILHO. 198. Indenização ao sistema previdenciário. Desaposentação: Um Novo Instituto?. Direito disponível.br/Artigos/Autor/FelipeCarvalho/ desaposen-tacao. Direito Previdenciário. Desaposentação e Nova Aposentadoria. Porto Alegre: Livraria do Advogado. nº 244. Celso Barroso. 4ª edição. Manual de Direito Previdenciário. MARTINEZ. Desaposentação. 263.unifacs. DEMO. Disponível em http://www.forense.º 228. São Paulo: LTR. Roseval Rodrigues da. 19 . São Paulo: LTR. Maria Helena. Nº 274. 2003. LAZZARI. Lorena de Mello Rezende.Temas Atuais de Direito Previdenciário e Assistência Social. n. São Paulo: LTR. Ivani Contini. outubro de 2002. Felipe Epaminondas de.br/revistajuridica/edicao_marco2007/discente/dis6. Curso de Direito Previdenciário. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. 2ª edição. TAVARES. Ano XXVI. Wladimir Novaes. São Paulo: LTR. CARVALHO. João Batista. BRAMANTE. Saraiva. Revista de Previdência Social. ano XXIX. Hamilton Antônio. DINIZ.).doc. Daniel Machado da (Coord. Disponível:http//:www. Revista de Previdência Social. COELHO. Dicionário jurídico. Revista de Previdência Social. março 2001. Setembro de 2003. 1993. Marina Vasques.

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