Você está na página 1de 8

UERGS – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul

Engenharia em Energia
Química Experimental – Prof. João Alifantes
Jonas Crixel e Priscila Telles
Data Experimento: 11/08/2010

Relatório 1
Miscibilidade, Solubilidade e Polaridade das substâncias.

Resumo

Este trabalho laboratorial apresenta o estudo da miscibilidade, solubilidade e


polaridade de algumas substâncias. Para isso, é analisada a miscibilidade e
polaridade dos líquidos utilizando dez tubos de ensaio com cinco substâncias,
alternando-as. Também é analisada a solubilidade e polaridade de três diferentes
substâncias em nove tubos de ensaio adicionando substâncias sólidas. Logo após é
feito a comparação entre as teorias e os experimentos visando o esclarecimento da
miscibilidade, solubilidade e forças intermoleculares.

1. Introdução

Durante o experimento foram utilizadas algumas substâncias químicas,


misturando-se dois tipos diferentes de materiais e logo após analisado o
comportamento desta solução, quanto a sua miscibilidade e solubilidade. E para
entender os resultados do experimento deve-se ter conhecimento sobre alguns
aspectos, como: Miscibilidade, que é a habilidade de duas ou mais substâncias
líquidas formarem uma ou mais fases quando misturadas, sendo considerada
miscível quando formar apenas uma fase e imiscível na formação de duas ou mais
fases distintas, indiferentemente de sua proporção; e a solubilidade, que é a
capacidade de uma substância se dissolver em outra, formando uma única fase,
sendo considerada insolúvel quando o solvente não dissolver totalmente o soluto e
solúvel quando o solvente dissolver totalmente o soluto.

1
Há uma generalização que informa: semelhante dissolve semelhante. Ou
seja, solventes polares tendem a dissolver solutos polares, e solventes não polares
a dissolver solutos não polares. Isso é explicado através do momento dipolar, pois
átomos com a mesma eletronegatividade não há polarização da ligação, logo se
trata de uma ligação apolar.
Assim, uma ligação será polar sempre que dois átomos distintos se unirem
possuindo eletronegatividade diferentes. A polarização da ligação apresenta uma
direção, um sentido e uma intensidade (que depende da diferença de
eletronegatividade entre os átomos, quanto maior a diferença eletronegativa, mais
polar a ligação). Logo, podemos representar a polarização por um vetor. Vetor
momento dipolar (µ) é aquele que representa a polarização de uma ligação. O vetor
µ possui a direção da reta que passa pelo núcleo dos átomos que tomam parte na
ligação considerada e é orientado no sentido do polo positivo para o negativo. As
ligações apolares possuem vetor momento dipolar nulo (µ = 0).
A polaridade de uma molécula com mais de dois átomos é expressa pelo
vetor momento de dipolo resultante (µᵣ). Se ele for nulo a molécula será apolar, caso
contrário será polar.
Quando as moléculas forem polares existirão três tipos de forças de interações:
forças dipolo-dipolo, ligações de hidrogênio e dipolo induzido, essas forças também
são chamadas forças de Van der Waals. Outro tipo de força atrativa é a força íon
dipolo, é muito importante em soluções. Todas as quatro forças são eletrostáticas
por natureza, envolvendo atrações entre espécies positivas e negativas.
• Forças íon-dipolo existem entre um íon e a carga parcial em certo lado de uma
molécula polar, esta por sua vez tem um lado positivo e outro negativo, os íons
positivos são atraídos pelo lado negativo de um dipolo, enquanto os negativo são
atraídos pelo lado positivo. As forças íon-dipolo são especialmente importantes
em soluções de substâncias iônicas em líquidos polares.
• As interações dipolo-dipolo ocorrem através de forças de interação ou
aproximação das extremidades negativas e positivas das moléculas polares.
Também conhecidas como interação dipolo-permanente ou interação dipolar.
• As ligações de hidrogênio ocorrem quando a molécula de Hidrogênio estiver
ligada a um dos três elementos mais eletronegativos (F, O, N), assim haverá uma

2
grande polarização desta ligação, acarretando para uma deficiência de elétrons no
hidrogênio.
• As interações dipolo induzido ocorrem entre moléculas polares e apolares
quando a nuvem de elétrons da molécula estiver um pouco mais deslocada para
um dos extremos da molécula, fazendo que por um curto espaço de tempo haja
na molécula dois polos distintos, e a extremidade positiva desse polo atrai os
elétrons da molécula vizinha. Embora esse evento ocorra centenas de vezes, são
interações bem mais fracas que os dipolos permanentes.
Quanto às soluções, as mesmas são formadas quando as forças atrativas
entre as partículas do soluto e do solvente possuem módulos comparáveis em
magnitude com as que existem entre as partículas do soluto ou entre as partículas
do solvente. Essas interações entre as moléculas de soluto e de solvente são
conhecidas como solvatação.

2. Procedimento Experimental

Inicia-se com o treino sobre técnicas de pipetagem e logo após a


interpretação do relatório de experimentos, verificam-se os componentes da
bancada de práticas dos quais serão usados:
- Pipeta graduada
- 19 tubos de ensaio
- 01 Proveta
- Estante para os tubos de ensaio
- Água Deionizada
- Frasco Lavatório

2.1. Experimento 1: Miscibilidade e Polaridade dos líquidos.

Numeram-se de 1 a 10 os tubos de ensaio, conforme o número de


experimentos. Adiciona-se a cada tubo de ensaio duas substâncias líquidas, sendo 1
mL de cada, conforme tabela 1:

3
Tabela 1: Listagem de experimentos – miscibilidade.
Tubo Misturas
1 1 mL de água e 1 mL de Etanol
2 1 mL de água e 1 mL de Diclorometano
3 1 mL de água e 1 mL de Clorofórmio
4 1 mL de água e 1 mL de Hexano
5 1 mL de Etanol e 1 mL de Diclorometano
6 1 mL de Etanol e 1 mL de Clorofórmio
7 1 mL de Etanol e 1 mL de Hexano
8 1 mL de Diclorometano e 1 mL de Clorofórmio
9 1 mL de Diclorometano e 1 mL de Hexano
10 1 mL de Clorofórmio e 1 mL de Hexano

Com as misturas em seus respectivos tubos, agitam-se os mesmos e


observa-se o estado final das misturas, verificando se as substâncias são
miscíveis ou imiscíveis.

2.2. Experimento 2: Solubilidade e Polaridade de substancias.

Numeram-se de 1 a 9 os tubos de ensaio, conforme o número de


experimentos. Adiciona-se a eles duas substâncias, sendo uma líquida contendo 3
ml e uma substância sólida na quantidade de 0,2 g, conforme tabela 2:

Tabela 2: Listagem de experimentos – solubilidade.


Tubo Misturas
1 3 mL de Água e 0,2 g de NaCl
2 3 mL de Água e 0,2 g de KOH
3 3 mL de Água e 0,2 g de I2
4 3 mL de Etanol e 0,2 g de NaCl
5 3 mL de Etanol e 0,2 g de KOH
6 3 mL de Etanol e 0,2 g de I2
7 3 mL de Hexano e 0,2 g de NaCl
8 3 mL de Hexano e 0,2 g de KOH
9 3 mL de Hexano e 0,2 g de I2

Com as misturas em seus respectivos tubos, agitam-se os mesmos e verifica-


se o estado final das misturas, observando se as substâncias são solúveis ou
insolúveis.

3. Resultados e Discussão Experimental

3.1. Experiência 1: Miscibilidade e polaridade dos líquidos.


4
Neste experimento analisam-se os 10 tubos de ensaio, com intuito de estudar
o fenômeno da miscibilidade, classificando os compostos resultantes das misturas
como miscíveis ou imiscíveis, obtendo os seguintes resultados:

Tabela 3: Miscibilidade das misturas.


Tubo Misturas Miscibilidade
1 1 mL de água e 1 mL de Etanol Miscível
2 1 mL de água e 1 mL de Diclorometano Imiscível
3 1 mL de água e 1 mL de Clorofórmio miscível
4 1 mL de água e 1 mL de Hexano Imiscível
5 1 mL de Etanol e 1 mL de Diclorometano Miscível
6 1 mL de Etanol e 1 mL de Clorofórmio Miscível
7 1 mL de Etanol e 1 mL de Hexano Imiscível
8 1 mL de Diclorometano e 1 mL de Clorofórmio Miscível
9 1 mL de Diclorometano e 1 mL de Hexano Imiscível
10 1 mL de Clorofórmio e 1 mL de Hexano Imiscível

Tubo 1 – A mistura tornou-se miscível, pois apesar da água ser uma substância
polar e o etanol apolar, apenas a hidroxila OH do etanol interagiu com as moléculas
de água, criando uma força de interação do tipo Ligação de Hidrogênio.

Tubo 2 – Essa substância tornou-se imiscível, pois a água é polar e o diclorometano


um hidrocarboneto halogêneo, logo polar não dissolve apolar.

Tubo 3 – Essa substância tornou-se imiscível, pois a água é polar e o clorofórmio um


hidrocarboneto halogêneo.

Tubo 4 – Essa substância tornou-se imiscível, pois a água é polar e o hexano um


hidrocarboneto.
Tubo 5 – Essa substância tornou-se miscível, pois o etanol e o diclorometano são
moléculas apolares. Entre elas haverá uma interação do tipo força de Van der
Waals.

Tubo 6 – Essa substância tornou-se miscível, pois o etanol e o clorofórmio são


moléculas apolares. Entre elas haverá uma interação do tipo força de Van der
Waals.
Tubo 7 – Essa substância tornou-se miscível, pois o etanol e o hexano são
moléculas apolares. Entre elas haverá uma interação do tipo força de Van der
Waals.
5
Tubo 8 – Essa substância tornou-se miscível, pois o diclorometano e o clorofórmio
são moléculas apolares. Entre elas haverá uma interação do tipo força de Van der
Waals.

Tubo 9 – Essa substância tornou-se miscível, pois o diclorometano e o hexano são


moléculas apolares. Entre elas haverá uma interação do tipo força de Van der
Waals.

Tubo 10 – Essa substância tornou-se miscível, pois o clorofórmio e o hexano são


moléculas apolares. Entre elas haverá uma interação do tipo força de Van der Waals

3.2. Experiência 2: Solubilidade e polaridade das substâncias.

Neste experimento analisam-se os 09 tubos de ensaio, com intuito de estudar


o fenômeno da solubilidade, classificando os compostos resultantes das misturas
como solúveis e insolúveis, obtendo os seguintes resultados:

Tabela 4: Solubilidade com o solvente água.


Solvente Soluto Solubilidade
Tubo 1 – 0,2 g de NaCl Solúvel
Tubo 2 – 0,2 g de KOH Solúvel
3 mL de água
Tubo 3 – 0,2 g de I2 Solúvel

Tabela 5: Solubilidade com o solvente Etanol.


Solvente Soluto Solubilidade
Tubo 4 – 0,2 g de NaCl Insolúvel
Tubo 5 – 0,2 g de KOH Solúvel
3 mL de Etanol
Tubo 6 – 0,2 g de I2 Solúvel

Tabela 6: Solubilidade com o solvente Hexano.


Solvente Soluto Solubilidade
Tubo 7 – 0,2 g de NaCl Insolúvel
Tubo 8 – 0,2 g de KOH Insolúvel
3 mL de Hexano
Tubo 9 – 0,2 g de I2 Solúvel

Nas reações envolvidas observa-se que o NaCl dissolve-se em àgua,


isto é devido ao efeito gerado entre um íon e a água, chamado de íon-dipolo, esta
6
interação ocorre de forma que devido a atração das cargas o Cl‾ fica cercado por átomos
de H+ e os átomos de Na+ ficam envoltos por OH- e essas duas estruturas ficam atraídas
entre si formando uma estrutura bastante forte (processo de solvatação).
Essa mesma interação com o NaCl não foi possível com o Etanol e o
Hexano por razão de que esses compostos são hidrocarbonetos, sendo uma substância
apolar não dissolve substância polar.
O mesmo processo ocorre no KOH quando misturado com o I2, dado
que o KOH também é um composto iônico. Já com o etanol e água, houve solubilidade,
memo que de pouca quantidade, pois as hidroxilas do KOH atraíram e interagiram com as
hidroxilas do etanol.
No último experimento, com I2, tem-se que é solúvel em todos os
componentes do experimento, em água devido às forças de interações que são do tipo
dipolo induzido, no qual o dipolo da água induz um dipolo no Iodo, que é apolar, e
também é solúvel, em etanol, pois possuem forças intermoleculares semelhantes. Com o
Hexano, O Iodo se solubilizou por ambos se tratarem de substâncias apolares que
utilizam as forças de Wan der Waal para se solubilizar.

4. Conclusão

Nos experimentos realizados neste trabalho, pode-se observar o


comportamento das substancias quando misturadas com outras substancias, quanto a
sua miscibilidade e solubilidade. Podemos afirmar com as analises apresentadas, que
moléculas polares somente terão alguma interação quando forem misturadas com outras
moléculas polares, o mesmo acontecendo com as moléculas apolares, isso justifica a
teoria de que semelhante dissolve semelhante. Quando há esta interação, também foi
possível determinar qual tipo de força que estava exercendo esta ligação e se a mesma
era forte ou fraca. Também pode ser observado nas soluções que um soluto somente
será solúvel com um solvente compatível ou semelhante, resultando na solvatação da
substancia.

5. Referências Bibliográficas

7
• Russel, J.B. Química Geral. Trad. De J. Vicentini et al. São Paulo, Mc Graw-
Hill, 1982.

• Brady, James E. e Humiston, Gerard E. Química Geral – Livros técnicos e


científicos. Segunda edição.

• Atkins, Peter. Princípios da Química – Questionando a vida moderna e o meio


ambiente. Trad. Bicca de Alencastro, Ricardo. Terceira edição. Bookman.

• Pavia, Donald L. e Kriz, George S. Química Orgânica Experimental – Técnica


de escala pequena. Segunda edição.

• Theodore L. Brown, H. Eugene Lemay, Jr., Bruce E. Bursten. Química, a


Ciência Central. 9ª edição, Pearson Prendice Hall, 2005.