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Universidade Lusíada de Lisboa

Professor Doutor Rúben Raposo Licenciatura em Economia

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Ao longo deste século( XX ), Portugal transformou-se de uma economia subdesenvolvida num pais desenvolvido integrado na Europa, embora continue com raízes, sobretudo culturais, nos países onde manteve uma presença secular. ` Identificavam-se quatro fases no crescimento económico português no séc. XX: - em 1910, a capitalização era de 920 dólares por pessoa ( economia claramente subdesenvolvida ) ; - em 1997, o rendimento per capita era já de cerca de 10 mil dólares correntes. Significa um rendimento já cerca 10 vezes superior ao de 1910. a taxa de crescimento média aumentou durante este período cerca de 3,5% ao ano. Mas foi a partir de 1950 que o crescimento acelerou de forma significativa ± nesse ano o rendimento per capita nacional era apenas de 1540 dólares por pessoa. De facto, a economia portuguesa foi, de entre os países da actual U.E., aquela que registou maior taxa de crescimento nos últimos quarenta e cinco anos, com cerca de 4,6% do ano.
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Que factores explicam este crescimento?
Segundo os cálculos do professor Abel Mateus, a acumulação de capital físico explica cerca de 27% do crescimento, o capital humano 20% e o trabalho 10%. Á semelhança da maioria dos países estudados na literatura económica com metodologia semelhante, o factor residual ou progresso técnico é dominante. Representa neste caso, cerca de 43% do total. 1. No período da I república ( 1910-1926): O pais foi dominado pela instabilidade politica e social e pela participação na grande guerra. Seguiram-se-lhe desequilíbrios macroeconómicos acentuados e uma elevada taxa de inflação ± a maior registada no século.

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2. O período da II republica ( 1926 ± 1974 ): Depois da estabilização económica houve, a partir de 1930, duas décadas de crescimento lento, mas que acabaria por criar as pré ± condições para o crescimento sustentado do país. A posição de Portugal como pais neutral durante a 2ª guerra mundial permitiu ao pais um substancial choque positivo nas suas razões de troca e acumular reservas de outro e de dividas. O número médio de anos de escolarização da população cresceu de cerca de 1 para 1.4, o que continuava, porém a revelar um nível extremamente baixo de acumulação de capital humano. A taxa de analfabetismo da população reduziu-se apenas de 65% para 50%. Já a taxa de investimento cresceu de cerca de 8% para níveis acima de 20% no inicio da década de 50. Quanto aos factores de crescimento, predominou a acumulação de capital físico e foi baixa a subida da produtividade total. Tendo a estrutura do PIB, como a da população activa tiveram pequenas transformações. É no período posterior à 2ª guerra mundial e até 1973, que se dá a época de ouro do crescimento económico português, com uma taxa de crescimento media anual do PIB per capita de 5.6% entre 1953 e 1973. Este crescimento devem-se não só à continuação da forte acumulação do capital físico mas também a uma progressiva dominação, à medida, que o período avançava, do factor progresso técnico. A produtividade total cresceu ao ritmo médio de 3.5% ao ano. Para esta evolução contribuíram em medida importante a integração europeia iniciada nos anos 60, a relativa liberalização da economia e a ³orientação desenvolvimentista´ da politica económica. A revolução do 25 de Abril de 1974 pôs fim à ditadura e iniciou o procuro da independência das colónias. As perturbações sociais e politicas que se seguiram, a alteração profunda do regime de propriedade e a socialização de grande parte da economia, e ainda os dois choques do petróleo, levaram a um período de crises sucessivas da balança de pagamentos e a um acentuar de divergência de nível de vida em relação aos níveis europeus. Crescimento médio de PIB per capita desacelera então para cerca de 2.9%.

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Com a integração de Portugal na U.E. dá-se um incremento veloz da abertura da economia ao exterior. Também a década de 70 e seguintes trazem uma forte subida do capital humano, passando o número médio de anos de escolarização da população de 2,2 anos, em 1970, para 7 anos, em meados da década de 90. A segunda metade dos anos 80 volta a evidenciar uma forte convergência para os níveis de rendimento europeus. Em inícios da década de 90, Portugal ultrapassa o limiar do PIB per capita normalmente considerado para um pais desenvolvido. Como membro da U.E. e, satisfazendo o esforço necessário para a entrada na União monetária, a politica económica de estabilização dá finalmente os seus resultados em meados da década de 90, corrigindo os graves desequilíbrios macroeconómicos das duas décadas anteriores e acabando por pôr termo ao surto inflacionista do pós-o 25 de Abril. Em 1996, e em termos de paridade poder de compra, o pais atinge o nível de 12139 ECU per capita, o que corresponde a 68% da media europeia, segundo dados da comissão europeia ou 12670 dólares por pessoa, segundo o Banco Mundial ( dados de 1995 ). No período de 1961 a 1997, o pais havia reduzido o GAP em relação à média da União Europeia, em 24 pontos percentuais.

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Portugal é hoje, um pais desenvolvido em termos do PIB per capita. A economia portuguesa registou, no período de 1910 a 1996, uma taxa de crescimento media anual do PIB de 3.5%, passando de uma capitalização anual de 159 para 1715 contos, a preços de 1997, ou em dólares correntes de 920 dólares por pessoal para cerca de 10 mil. O rendimento per capita cresceu ao longo do período cerca de 2,8% ao ano. Assim, no dealbar da década de 90, Portugal podia considerar-se um pais desenvolvido. O banco mundial considera pais desenvolvido aquele que ultrapasse um rendimento per capita de cerca de 9500 dólares. No período de 1913 a 1992, segundo dados do Professor Maddison em ³Monitoring the world Economy ³OCDE, 1995, Portugal reduziu o GAP em relação aos países da U.E. em cerca de 28 pontos percentuais, com quase totalidade dessa redução a ocorrer nas ultimas três décadas. O nível de vida multiplicou-se cerca de 10.8 vezes, entre 1910 e 1996. PORTUGAL REPRESENTA 68% DO PODER DE COMPRA DA U.E. Em 1996 e em termos de paridade poder de compra, Portugal atinge o nível de 12319 ECU per capita ( VER QUADRO 1 ) o que corresponde a 68% da media europeia, segundo dados da comissão europeia ou 12670 dólares por pessoa, segundo o Banco Mundial ( dados de 1995 ) No período de 1961 a 1997 havia reduzido em 24 pontos percentuais, o GAP em relação à média da U.E.

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AS CINCO FASES DO CRESCIMENTO MUNDIAL
O estudo de Maddison identifica cinco fases no crescimento mundial :

Fase I: ( 1820-1870 ) corresponde a uma aceleração do crescimento em relação aos séculos precedentes,
mas o crescimento apresenta-se ainda moderado em relação ao período seguinte, marcado pela formação da Itália e Alemanha como nações-estados. Fase II: ( 1870- 1913 ) é um período de grande prosperidade, com forte intensidade dos fluxos de população e de capitais a nível mundial, sendo a época colonial por excelência. Fase III: ( 1913- 1950) foi um períodos muito conturbado, marcado por duas guerras mundiais, pela hiperinflacção e grande depressão, pelo proteccionismo e pela decorrida do sistema financeiro internacional. Fase IV: ( 1950-1973) é conhecidos entre os historiadores da Europa, como a ³época de ouro do crescimento´, com ritmos de crescimento e progresso técnico nunca antes alcançados e marcada pela liberalização das trocas e sistema de câmbios de Bretton Woods ( que terminou em 1971 ). Esta fase termina com o primeiro choque petrolífero. Fase V: ( 1973- ) regista-se uma certa desaceleração do crescimento com duas crises do petróleo, a crise da divida dos países sub desenvolvidos e a queda do comunismo na Europa do Leste.

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PORTUGAL PERDE POSIÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À EUROPA ENTRE 1800 E 1913.
Se analisarmos o QUADRO II ( página seguinte ) , que representa as posições relativas dos países da U.E. verificamos que a Bélgica, a Holanda e o Reino Unido atingiram o seu auge em 1870, e posteriormente, vieram a perder posição relativa, sendo o Reino Unido a economia mais desenvolvida do mundo no século XIX- o caso mais dramático. O mesmo quadro representa também o arranque fulgurante das economias nórdicas no período de 1913 a 1950, em que passaram de subdesenvolvidas para o grupo das mais desenvolvidas da U.E. Também se vê que tanto Portugal como a Grécia tiveram uma perda de posição bastante acentuada até 1913, no caso de Portugal e até 1950, no caso da Grécia. Em ambos os casos o período de recuperação mais forte deu-se nas ultimas quatro décadas. Para além de Portugal e da Grécia, só um punhado de Países conseguiu ingressar na lista dos países desenvolvidos nos últimos quarenta anos: Singapura; Hong Kong; Taiwan; Coreia do Sul; Japão; Malta; Chipre.

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Ao analisarmos o gráfico 1 pode-se identificar dois períodos distintos no crescimentos económicos português. De 1910 a 1950, a taxa de crescimento média desta variável foi apenas de 1.4% ao ano, enquanto entre 1950 e 1997, a taxa de crescimento media foi de 4%. Uma aceleração que não deixa de ser notável.

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AS QUATRO FASES DO CRESCIMENTO PORTUGUÊS

Seguindo de perto a periodização de Maddison (1995 ) vamos dividir as fases de crescimento da economia portuguesa neste século em quatro. Primeira Fase: ( 1910- 1926 ), período perturbado pela Grande Guerra, pela instabilidade politica e social, pelos desequilíbrios macroeconómicos e pela inflação. Segunda fase: ( 1926- 1950 ) é caracterizada pela estabilização da economia, pelo lançamento das bases do crescimento moderno, pela II Guerra Mundial e pela neutralidade desta. Terceira fase: ( 1950- 1973 ), que constitui a época de ouro do crescimento português. Quarta fase: ( 1973- 1997 ) que é caracterizada por um certo abrandamento do crescimento, pelos dois choques do petróleo e a sua reversão parcial de 1983-84, pela revolução do 25 de Abril de 1974 e consequentes perturbações sociais e económicas que levaram a fortes desequilíbrios macroeconómicos e inflação. Esta ultima fase culmina num período de estabilização politica e social, retorna da construção de infraestruturas e convergência nominal, que viria a proceder a transição para a moeda única.

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A primeira recessão verifica-se entre 1913 e 1918, correspondendo à Grande Guerra, e que levou a que a economia entre 1916 e 1921 estivesse abaixo do PIB potencial. As perturbações sociais e politicas da I Républica e o mais sério episodio inflacionista português do recurso quando produziram novamente a recepção de 1924 a 1928. o PIB volta a estar a baixo do potencial até 1929. Em 1935 e 1936, verificam-se de novo quebras acentuadas da produção. Porém ao contrário do que muitos historiadores afirmam, a economia estava a crescer, na maioria do período ( 1929-1940 ), acima da tendência de longo prazo. Em 1940 e 1942, verificam-se recessões mantendo-se o PIB a partir de 1940 abaixo do potencial para o que indubitavelmente contribui o impacto da segunda guerra mundial. A partir de 1947, o PIB volta a estar acima do potencial. Exceptuando o ano de 1952, em que terá havido uma ligeira quebra, há lugar a um período de forte crescimento da economia portuguesa, com continua expansão. No inicio da década de 70, a economia encontrava-se cerca de 8% acima do potencial. Com o primeiro choque petrolífero e a revolução do 25 de Abril de 1974, dá-se uma forte recessão em 1975 e só em 1979 a economia recupera o nível da sua tendência. O segundo choque petrolífero e os fortes desequilíbrios macroeconómicos originam uma pequena recessão em 1984, chegando o PIB a estar cerca de 7% abaixo do potencial . A forte recuperação entretanto iniciada leva a que o PIB se encontra cerce de 5% acima do potencial no inicio da década de 90. A desaceleração de 1993, que esteve associada à crise na Europa, tem como consequência que a economia se situou novamente abaixo do potencial, embora de uma forma bastante ligeira, até a presente data.

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Augusto Mateus apresenta dois gráficos permitindo estudar o crescimento e as flutuações da economia portuguesa durante todo o período de 1910 a 1966. O gráfico 2 reporta os resultados obtidos, calculando a tendência da serie estatística, o que abstrai de flutuações cíclicas ou erráticas.

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O gráfico 3 dá-nos as diferenças entre o PIB verificado e o PIB potencial obtido através do referido calculo, o qual corresponde ao valor da tendência de longo prazo.

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Cinco anos resolvidos sobre o lançamento da Estratégia de Lisboa, os fracos progressos na sua implementação e os modestos resultados alcançados em termos de crescimento económicos e criação de emprego na U.E., vieram demonstrar a necessidade de recentrar os objectivos daquela estratégia, de forma a encontrar as respostas adequadas aos desafios que se colocam: -No plano interno, os decorrentes do envelhecimento da população e do processo de alargamento: -No plano externo, os desafios suscitados pela aceleração da globalização, com a consequente alteração da divisão internacional do trabalho e uma pressão crescente sobre recursos naturais escassos. O reduzido crescimento económico alcançado desde o lançamento da Estratégia de Lisboa reflecte a desaceleração da economia Mundial/ a lenta progressão das reformas estruturais e o fraco desenvolvimento potencial da U.E.. Em consequência na comparação com os Estados Unidos, o desnível aumentou face aos padrões de rendimento per capita e de produtividade, verificados nos Estados Unidos, os quais constituem o banchmarking implícito naquela estratégia. A revisão da Estratégia de Lisboa, decidida pelo Conselho Europeu de Março de 2005 procura ultrapassar os problemas de condicionavam a uma implementação, nomeadamente a dispersão de objectivos/ a falta de clareza recentrando-se no crescimento/ emprego. São também propostos arranjos mais eficazes para uma implementação, envolvendo grupos de interesses relevantes/administrações regionais e locais/ parceiros sociais e sociedade civil (de modo a reforçar no plano nacional a empenhamento na implementação da Estratégia de Lisboa). As acções no plano nacional, bem como de âmbito comunitário, deverão dar prioridade ao investimento no conhecimento, acelerando a transição para uma economia de conhecimento aumente no capital humano, na educação e investigação e inovação.

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A aquisição e difusão do conhecimento, pela educação e formação profissional ao longo da vida, promove a empregabilidade e a mobilidade da força de trabalho, reforçando a inclusão económica e social, o que permite assegurar níveis mais elevados de crescimento, emprego e produtividade. A elevada rentabilidade social do investimento em educação e formação é confirmada pelas análise empíricas desenvolvidas pela comissão Europeia que situam entre 0,3 e 0,5 p.p. o impacto adicional sobre o crescimento anual do PIB, em resultado da elevação dum ano de escolaridade do nível médio de qualificações da sua população activa. Por outro lado, a adição de novos conhecimentos via I x D e a aplicação prática através de novas tecnologias, produtos e processos inovadores, têm efeitos directos sobre o crescimento económico pela criação de novos mercados, sob a forma de novos produtos e serviços ou incrementos de valor já existente. A estes acrescem efeitos indirectos associados à difusão do conhecimento por toda a economia e à elevação por arrastamento dos padrões tecnológicos, nos sectores e empresas não directamente envolvidas em IxD. Neste domínio, a difusão das tecnologias de informação/comunicação, associada a novas formas organizacionais e a uma adequada estratégia de educação e formação dos recursos humanos é geradora de elevados ganhos de produtividade. O novo enfoque da Estratégia de Lisboa poderá assumir um papel relevante na retoma do crescimento sustentado da economia portuguesa e na retoma do processo de convergência do nível de rendimento per capita, de forma a colmatar o desnível que o separa do padrão médio da EU 15. Entre 1995 e 2004, este acentuou-se cerca de 1 pp, ao mesmo tempo que se alargou significativamente o fosso ao EM com melhor desempenho económico no mesmo período, a Irlanda - em 2004 o PIB per capita em Portugal situou-se cerca de 48% abaixo do da Irlanda o que compara em 26% em 1995 (ver gráfico 4 )

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O factor comercial da divergência entre Portugal e a U.E, reside na baixa produtividade do trabalho, onde se registam desvios acentuados face à média comunitária e dos melhores desempenhos, uma vez que as taxas de emprego e de investimento são mais elevados que as verificadas em média, na UE. (Ver gráfico 4) A produtividade do trabalho depende em larga medida do capital humano, que é um factor chave do crescimento e do reforço da competitividade. Uma das principais vulnerabilidades da economia portuguesa e da sociedade portuguesa em geral, reside nas reduzidas qualificações da sua população activa. Enquanto em 2002 ma EU só cerca de 36% da população activa tinha um nível de instrução inferior aos ensino secundário completo, em Portugal uma proporção é superior a 80% agravando-se a uma posição relativa quando em confronto com os novos E.M. onde apenas 18% da população tem qualificações inferiores a um grau de ensino. (ver gráfico 5) Esta situação desfavorável não alterou significativamente entre 1998 e 2002 e atingiu, embora de forma menos acentuada a população do 20 aos 24 anos de idade, onde os efeitos da elevação tardia da taxa de escolaridade e da duração da escolaridade obrigatória, comparativamente aos países mais avançados da U.E. e da O.C.D.E, já se deveriam ter dissipado de forma notória. Face à Espanha, cujo processo de massificação do ensino secundário se deu aproximadamente em paralelo ao português, Portugal revela um atraso significativo, com 47% da população daquela faixa etária sem ensino secundário completo, comparativamente a 32% naquele país, sendo que ambos se situam claramente abaixo da Irlanda. (ver gráfico 6) Apesar dos progressos registados na evolução da população dos 20 aos 24 anos de idade que completam o ensino secundário, que se elevou para 49%, em 2004, o resultado situa-se muito aquém da média de U.E 15, 73,8% e da U.E. 76,7%, e também abaixo da Espanha.

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Este atraso relativo reflecte, em larga medida, a elevada taxa de abandono escolar que abrange cerca de 2/5 da população dos 18 aos 24 anos que tendo, no máximo completado o 1ª ciclo de ensino secundário se encontra fora do sistema educativo ou da formação, o que compara com menos de 1/6 na U.E. 25. (ver gráfico 7) O elevado abandono escolar encontra a uma explicação nas características do mercado de trabalho em Portugal, onde ainda perduram e não criados empregos que requerem baixas qualificações escolares e profissionais e no sistema educativo que não conseguiu erradicar as elevadas taxas de insucesso escolar e assegurar as qualificações adequadas para a vida activa. (ver gráfico 8) Acresce ainda que os níveis de literacia da população escolar portuguesa de 15 anos, tal como ressaltam do PISA 2003 (1), revelam um desempenho modesto, comparado com os valores médios dos países da OCDE. Dantes, apenas o México se situa atrás de Portugal que fica em 24º lugar na literacia em leitura e no 27º nas literacias em ciência e matemática, sendo que neste ultimo caso verificou-se existir uma percentagem demasiada elevada de alunos portugueses de 15 anos com nível de proficiência inferior a 1, o que configura uma situação grave para cerca de 1/3 dos novos estudantes.

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PISA- (Project for International Student Assessment) procura medir a capacidade dos jovens de 15 anos (a idade normal para o final da escolaridade obrigatória) na literacia em leitura, matemática e ciências. O objectivo deste estudo é o de medir as competências que possuem nos desafios quotidianos e não o de medir o domínio das matérias curriculares específicas. O PISA foi lançado em 1997 pela OCDE no sentido de monitorizar de forma regular e comparando a nível internacional, os resultados dos sistemas educativos, em termos de desempenho dos alunos. Em contraste com os desempenhos educacionais, os recursos públicos afectos em Portugal à educação, expressos em percentagem do PIB, situam-se próximo de 6%, ou seja, acima dos valores médios de U.E.15, de Espanha a Irlanda. Esta divergência é ainda mais acentuada quando postos em confronto os recursos absorvidos pelo ensino primário e secundário -47% para o PIB em Portugal, contra 2,6% e 3%, respectivamente na Irlanda e na Espanha ± em resultado do rápido crescimento das despesas por aluno, nestes níveis de educação. O valor calculado para Portugal cerca de 5 mil dólares em ppp, é próximo do estimado para o Reino Unido e não muito distante do calculado para a Finlândia ± o País em primeiro lugar nos três rankings do PISA ± 5,7 milhões de dólares, o que naturalmente suscita a questão da eficiência do gasto público nestes níveis de ensino em Portugal. (ver gráfico 9) O elevado gasto por aluno no ensino primário e secundário em Portugal deve-se essencialmente ao nível de remuneração dos professores e à rápida progressão destes ao longo da carreira, já que o número de alunos por professor é próximo da média de OCDE naqueles dois níveis de ensino. Partindo de salários de base inferiores aos praticados em média na OCDE, ao fim de 15 anos de carreira, no ensino primário as remunerações já não inferiores, e no ensino secundário a diferença atenua-se para o topo da carreira, alcançável em 26 anos, atingiram valores muito inferiores aos verificados em média na OCDE.

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As distorções dos níveis salariais dos professores em Portugal ficam ainda mais patentes quando se comparam os rácios entre as remunerações do fim de 15 anos e o PIB per capita -1,7, em ambos os níveis em Portugal, face a 1,4 e 1,3 em média na OCDE, respectivamente para o ensino secundário e ensino primário e no final da carreira, quando daquele rácio atinge 2,8 em Portugal, comparativamente a 1,7 em média na OCDE, para o segundo ciclo do ensino secundário. (ver gráfico 10) As estratégias políticas que têm vindo a ser seguidas em Portugal para a promoção dos recursos humanos assentam na generalização do acesso à educação e na melhoria da qualidade e eficiência deste, a par do desenvolvimento dum sistema de formação eficaz para aqueles que já se encontram no mercado de trabalho, ou para facilitar a transição da vida escolar para o mundo do trabalho. Em média de melhoria da qualidade do ensino, as medidas que têm vindo a ser tomadas dirigem-se à qualidade das aprendizagens, à identificação de défices de competência e ao estímulo às formações estratégicas. A redução do abandono escolar e da saída escolar precoce constituem um objectivo importante, corporizado no Plano Nacional para a prevenção do abandono escolar, o qual fixa como meta a redução para metade, até 2010, das taxas de saída escolar precoce. O principal instrumento para concretização deste objectivo é a criação até 2006, de uma rede de 20 escolas públicas de ensino técnico (rede EDUTEC), nessa parceria com entidades e associações empresariais que participam no seu financiamento e na elaboração de programas inovadores de educação ± formação. Outras medidas visando a melhoria da qualidade de ensino foram: - Integração dos diversos ciclos de ensino de base; - Reforma curricular do ensino secundário que veio alterar a organização e gestão curricular permitindo maior flexibilidade na passagem dum percurso escolar a outro;

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- Introdução do ensino obrigatório dos TIC no 9º e 10º ano de escolaridade e o reforço da infra-estrutura informática nas escolas; - Realização de exames nacionais no 9º ano de escolaridade. (ver gráfico 11) Inscrevem-se igualmente neste âmbito as medidas anunciadas já na vigência do século XVIII Governos Constitucional: - Lançamento dum programa para generalizar o ensino/utilização das tecnologias da informação nas escolas em regime extracurricular; - Introdução no próximo ano lectivo do ensino de Inglês no 3º e 4º ano de escolaridade, também em regime extracurriculares em pelo menos, 25% das escolas; - Alargamento em 2 horas do horário de funcionamento das escolas do 1º ciclo criando-se novas oportunidades de acesso a actividade extracurricular, estudo acompanhado e deporto escolar, prevendo-se que no próximo ano lectivo 50% das escolas esteja já a funcionar neste regime; - Lançamento de um programa de acompanhamento e formação contínua em matemática para os professores do primeiro ciclo do ensino básico, associado a dimensão da formação contínua à dimensão de acompanhamento e supervisão da actividade lectiva; - Revisão das condições de acesso e de formação inicial dos professores de 1º ciclo por forma a impedir que possam chegar a professores do primeiro ciclo alunos com percurso escolar negativo em matemática no secundário; - Alteração das habitações e condições de recrutamento dos professores de matemática do 2º e 3º ciclo que actualmente não são obrigatoriamente recrutados entre diplomas em matemática.

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Em termos de melhoria da eficiência destacam-se: - O encerramento das escolas do ensino básico e secundário com menos de 5 alunos; - A aplicação dum sistema de avaliação de todas as escolas de pré ± primário, primário e secundário, prevendo a auto ± avaliação e avaliação externa com certificação e publicitação de resultados. Em virtude do ciclo relativamente longo da educação formal, a melhoria da qualidade de ensino básico e secundário, não terá impacto no curto prazo e sobre a proficiência dos recursos Humanos. Deste modo a aprendizagem ao longo da vida através de formação profissional e vocacional constitui a via alternativa para obtenção de novas qualificações e competências que habilitem os indivíduos e adoptaremse melhor a um enquadramento cada vez mais convencional e em rápida evolução tecnológica e a formas de trabalho que requerem uma maior flexibilidade na interpretação e utilização dos conhecimentos. Todavia, a proporção da população activa portuguesa envolvida em actividades de formação profissional é ainda bastante reduzida, comparativamente ao padrão médio europeu. (ver gráfico 12) Apesar de alguns problemas de compatibilidade internacional, ressaltam ainda dois traços particularmente negativos; a muita reduzida proporção de empresas com formação profissional (na empresa, em cooperação ou outra), em particular, na industria transformadora e o facto dessa proporção ser igualmente baixa nas empresas que declaram utilizar novas tecnologias. (ver gráfico 13) A estratégia seguida neste domínio assenta na valorização do ensino tecnológico e do ensino profissional e no estímulo a uma maior participação dos trabalhadores na formação profissional contínua. A par da rede de escolas técnicas EDUTEC, já atrás referida, está previsto o lançamento de cursos de especialização tecnológica, um grau de ensino profissional pós ± secundário com uma componente de formação em contexto laboral.

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O incentivo à participação dos trabalhadores em acções de formação está previsto na legislação de implementação do Código do Trabalho através da obrigatoriedade de requisitos mínimos de formação em termos da proporção de trabalhadores e do número de horas. Por outro lado, o dispositivo de reconhecimento, validação e certificação de competências para profissionais vem colmatar uma lacuna importante no sistema de formação, possibilitando o reconhecimento de competências adquiridas para o ensino formal e portanto a portabilidade da formação adquirida. As qualificações educacionais de nível superior, que conjuntamente com a IxD constituem os dois pilares fundamentais em que aumenta a economia do conhecimento, desempenham em Portugal num papel importante no desenvolvimento de capacidade de gestão e de nessa cultura empresarial e na promoção do desenvolvimento tecnológicas. O mínimo de inscrições nos diversos tipos de instituições de ensino superior tem vindo a expandir-se bem como o número destas e a diversificar-se a oferta de curso que proporcionam o que permitiu recuperar parcialmente nos últimos dez anos, o atraso importante que Portugal tinha neste domínio, relativamente aos parceiros comunitários. (ver gráfico 14) ` Os recursos públicos afectos à educação superior, em %do PIB, não se afectam significativamente do que se verifica em Espanha, situando-se em ambos os países um pouco abaixo da média da U.E15. ` O mesmo se passa com a proporção de indivíduos com formação superior, o que permite concluir que os problemas de eficiência não se colocam neste nível de ensino com a mesma acuidade que no ensino secundário. (ver gráfico 15) ` Todavia, Portugal tem um défice importante no que respeita às qualificações nas áreas cientificas e tecnológica, comparativamente à, média da U.E., bem como à Espanha e muito marcadamente face à Irlanda, um dos países com melhor desempenho nesta matéria. (ver gráfico 16)

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Outros dos principais problemas deste nível de ensino é o excessivo número de cursos que oferece, alguns com um muito reduzido número de alunos, tendência que se deverá acentuar nos próximos anos em resultado da evolução demográfico em Portugal. Neste contexto, a implementação do sistema de avaliação a artificação do ensino superior deverá permitir a racionalização da oferta e melhorar a qualidade do ensino. No mesmo sentido vão as medidas de fixação da nota mínima de ingresso, a determinar por cada instituição e o estabelecimento dum limite para o número inscrições que podem ser efectuadas por um estudante no curso frequentado. Também o valor da propina, passou a ser estabelecida anualmente em função da natureza a qualidade dos cursos entre um limite máximo e mínimo, cabendo a uma fixação aos órgãos directos das instituições. O programa do XVIII Governo Constitucional fixou como uma das medidas imediatas na área de ensino superior à A.R. de uma proposta de alteração à Lei de Bares do sistema Educativo tendo em vista a criação do enquadramento legal necessário à concretização dos objectivos do processo de Bolonha. As alterações à lei de Bares do Sistema Educativo submetidas à Assembleia da República prevêem, entre outros aspectos: - Organização da formação superior com base no sistema de créditos europeus; - Adopção do modelo de três ciclos de estudos conducentes nos graus de licenciado, mestre e doutor; - Modificação das condições de acesso ao ensino superior para os que nele não ingressarem na idade de referência atribuindo aos estabelecimentos do ensino superior a responsabilidade pela selecção; - Atribuição de diplomas pela conclusão das diferentes etapas em que se organiza cada ciclo de estudos.

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A IxD constitui a outra chave na promoção da inovação e da sociedade do conhecimento. O atraso da U.E. face aos Estados Unidos em matéria de desenvolvimento e exploração de novas tecnologias esteve na base do lançamento de Estratégia de Lisboa e sua adopção, na Cimeira de Barcelona, do objectivo ambicioso de elevar a 3% do PIB, a proporção de recursos afectos a esta finalidade devendo 2/3 provir do sector empresarial. Em Portugal, a intensidade da IxD situa-se muito aquém do valor médio da U.E.25, em qualquer dos indicadores seleccionados, sendo o posicionamento particularmente desfavorável no que concerne o esforço desenvolvido ao nível do sector empresarial, onde é ainda muito pouco frequente a aposta na inovação científica e tecnológica como eixo central das estratégias da competitividade empresarial, que embora o facto de IxD empresarial ser aquele que precisamente mais impacto tem na difusão e comercialização de novas tecnologias, produtos ou serviços e consequentemente no acréscimo da produtividade das empresas. (ver gráfico 17) Entre 1997 e 2003, Portugal foi o país da União Europeia com o maior ritmo de crescimento e, IxD empresarial (cerca de 18% ao ano a preços constantes), admitindo-se que esta evolução esteja, em parte, associada à criação, em 1997, a título experimental do sistema de incentivos fiscais à IxD empresarial SIFIDE (foi estabelecido um regime de crédito fiscal para o investimento em investigação e desenvolvimento do que podem beneficiar os sujeitos passivos do IRC, que exerçam a título principal uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola). Mais de duas mil empresas tiveram actividades de IxD desde 1995, tendo o SIFIDE contribuído para o alargamento do número de empresas com actividades de IxD em Portugal e para a intensificação de esforço de IxD empresarial de forma contínua tendo a percentagem das empresas que investiram em IxD uma proporção igual ou superior a 3% das suas vendas passado de 42%em 1998 para 48% em 2003.

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Enquanto na primeira fase predominaram empresas mais antigas de sectores tradicionalmente com maior peso na IxD empresarial (química, equipamentos eléctricos e electrónicos, telecomunicações) a revisão do SIFIDE em 2001 viria a aumentar o peso relativo das empresas cridas após 1995, com predomínio de actividades tecnológicas mais modernas, como sejam o software, serviços á empresas, têxteis, técnicos e o despertar das empresas de biotecnologia. Adicionalmente, o número médio de investigadores por empresas cresce 50%. Um estudo realizado para as empresas que concorrem ao SIFIDE simultaneamente em 1998 e 2000 já tinha alias mostrado que este sistema tinha um papel importante na melhoria do grau de formação dos recursos humanos, já que nesse biénio essas empresas aumentavam em 17% o número de licenciados e em 57% o número de mestres e doutores. Tendo o SIFEDE sido eliminado no quadro da Lei do Orçamento de Estado de 2004, o apoio estatal à IxD empresarial passou a ser faculdade pelo sistema da reserva fiscal para o investimento criado em 2004. O actual Governo tem como meta triplicar as actividades de IxD desenvolvidas pelas empresas a laborar em Portugal tendo decidido repor os incentivos fiscais de dinamização da IxD empresarial em cooperação com as universidades e outras instituições de investigação, por um período de 5 anos. O apoio sob a forma de incentivo fiscal terá uma importância crescente, não só por ser empresas que queiram intensificar os seus investimentos de forma organizada a continuada, como por permitir alcançar os efeitos dos apoios financeiros. Nas medidas de apoio financeiro à IxD em consórcio entre empresas e instituições de investigação do 3º Quadro Comunitário de Apoio (Q CAIII) foi introduzida uma componente de apoio reembolsável, que representa um passo no envolvimento das empresas nos resultados dos projectos.

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Com o mesmo objectivo, foi criado o programa Inov ± Jovens ± Quadros para a inovação nas PME ± dirigido a PME empenhadas em processos de inovação e desenvolvimento empresarial em particular aqueles que viram ganharem e reforçar posição na produção de bens e serviços transaccionáveis. São destinatários os jovens até aos 35 anos, habituados com qualificações de nível superior nas áreas críticas para a inovação empresarial. As empresas que receberam apoio neste programa terão prioridade no acesso a outras medidas públicas de à inovação, ao desenvolvimento empresarial, ao emprego e ao investimento em formação contínua dos seus trabalhadores. Também a despesa nacional em tecnologias de informação, que constitui um dos esteios para a difusão de avanços tecnológicos, está abaixo da média comunitária, mas acima da Espanha e alinhada com a Irlanda. (ver gráfico 18) O número de utilizadores da internet tem vindo a aumentar anualmente tendo também sido significativo o crescimento percentual de agregados familiares com ligação à rede, designadamente através da banda larga. O recurso ao comércio electrónico começa já a assumir proporções relevantes. (ver gráfico 19) Em 2003, uma percentagem razoável dos serviços públicos encontrava-se já em linha, estimando-se que em 2004, a implementação e desenvolvimento de projectos com o Portal do Cidadão tenha impulsionado o acréscimo de serviços públicos disponíveis na internet. (ver gráfico 20) A larga maioria das empresas encontrava-se já ligada à internet, em 2002. O reforço da presença de empresas na rede, associado a uma forte dinamização do comércio electrónico, constitui desafios importantes para os próximos anos. (ver gráfico 21)

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CARACTERISTICAS GERAIS Forte dinamismo na evolução tecnológica, assente no vigor das forças empresariais que uma competição intensa a nível internacional e um adequado sistema de incentivos, a nível dalgumas das principais economias, permitem sustentar A dinâmica tecnológica e a criatividade de empresas inovadoras determinam o surgimento de indústrias e actividades completamente novas ou tecnologicamente renovadas, ao mesmo tempo que as posições de mercado são permanentemente postas em causa, levando nalguns casos ao declínio de sectores e de empresas anteriormente centrais nalgumas das principais economias. EVOLUÇÃO MACRO-REGIONAL Este cenário é marcado pela oposição entre os bons comportamentos das economias dos EUA e Japão, rodeadas de três regiões em franco desenvolvimento ± a Ásia/Pacífico, a Índia e a América Latina e pela evolução negativa da Europa Ocidental em interacção com as dificuldades da Europa Central, rodeadas pelas situações catastróficas ou fortemente negativas das suas periferias ± Rússia, CEI e África. É um cenário de definitiva ascensão asiática acompanhada pelo dinamismo americano e de paralisia e quiçá, recuo, porventura temporários, da Europa e da integração europeia.

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ECONOMIA DOS EUA O sector empresarial americano, sob a pressão concorrencial do Japão e das Economias Dinâmicas da Ásia, revelaria em pleno as suas capacidades de renovação, assumindo uma posição dianteira no processo de inovação tecnológica, registando um maior investimento e retomando o crescimento da produtividade e da competitividade internacional. A melhoria da produtividade e o crescimento da economia contribuiriam para gerar as receitas que tornariam possível reduzir o défice orçamental, em paralelo com o aumento dos investimentos em infra-estruturas e formação de recursos humanos. Esta evolução seria acompanhada por um reequilíbrio das contas externas, com obtenção de excedentes na Balança de Transacções Correntes, por volta da passagem do século. Os custos reais do capital manter-se-iam, por sua vez, a um nível baixo. ECONOMIAS DO JAPÃO E DA ÁSIA/PACÍFICO A economia japonesa realizaria um conjunto de alterações estruturais, no sentido de maior abertura ao exterior, da desregulamentação e da adopção de alguns modos de operar mais característicos das economias anglosaxónicas, que contribuiriam para a capacidade de ocupar lugares de vanguarda na fronteira tecnológica em alguns sectores. Prosseguiria a transferência de actividades para regiões com disponibilidades de mão-de-obra, nomeadamente na Ásia. As Economias Dinâmicas da Ásia prosseguiriam a sua ascensão na economia mundial, beneficiando da maior abertura da economia japonesa e da deslocalização de actividades por parte dos grupos e empresas nipónicos. O dinamismo da Ásia/Pacífico seria reforçado pelo êxito das reformas da China.

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Todo este conjunto de desenvolvimentos favoráveis no Japão e nas economias dinâmicas da Ásia favoreceriam um movimento amplo e rápido de liberalização do comércio e de movimento de capitais na Ásia/Pacífico, criando-se uma Comunidade Económica da Ásia. EUROPAS OCIDENTAL E CENTRAL As economias europeias ocidentais revelar-se-iam mal preparadas para florescer no ambiente dinâmico e competitivo emanado dos EUA e da Ásia/Pacífico. Tal facto estaria patente em aspectos como: - as reformas económicas e sociais destinadas a promover/restaurar a competição nos mercados, incluindo em particular o mercado de trabalho e a reduzir/modificar o sistema de ³ welfare state ³ não seriam levadas até ao fim, prevalecendo as preferências pela segurança, estabilidade e fuga do risco. - Os ritmos de crescimento ressentir-se-iam desta evolução, o desemprego cresceria de novo e as insuficiências nas capacidades de concorrência ameaçariam as posições europeias em sectores como os do automóvel, micro electrónica, informática, burótica e electrónica de consumo. - Um certo número de países não estaria na disposição de aceitar este veredicto dos mercados e defenderia a adopção, a nível da U.E., de uma postura mais proteccionista. Outros países opor-se-iam a esta escolha, alimentando conflitos no interior da União, acerca da qual o modelo preferível ± o anglo-saxónico ou o europeu continental. As divisões no seio da U.E. fariam recuar o processo de integração, sem deixar de reforçar as reacções proteccionistas.

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- Esta evolução na Europa Ocidental tornaria difícil a abertura dos seus mercados aos produtos das economias da Europa Central e levaria a uma incapacidade para fornecer a ajuda financeira que poderia facilitar a transição naquelas economias. As dificuldades que se acumulariam na Europa Central levariam a um forte movimento migratório para uma U.E. sem dinamismo económico e resistindo à integração desses emigrantes. Complicar-se-ia a situação política e social em vários países. RÚSSIA E CEI Neste cenário, a evolução nesta região seria negativa, estando bloqueados os processos de transição para a economia de mercado. As grandes diferenças sociais provocadas pelas fases iniciais desses processos gerariam tensões e afrontamentos, havendo uma tendência generalizada para a implantação de regimes autoritários. As Europa Ocidental e Central ficariam assim sem perspectivas de crescimento que resultariam duma inserção com êxito na economia mundial por parte da Rússia e das principais economias da CEI.

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CARACTERISTICAS GERAIS papel central da evolução tecnológica, mas com características e ritmos distintos, relativamente ao cenário anterior. Neste cenário, a globalização dá origem à consolidação de estruturas oligopolistas à escala mundial, numa multiplicidade de sectores, contribuindo para um abrandamento da evolução tecnológica, se comparado com o cenário anterior (em que firmas inovadoras, surgindo em cachos, introduziam mais rapidez, e mais ³destruição criadora´). Competição à escala mundial com mais forte intervenção dos Governos, quer apoiando as grandes empresas com raízes no respectivo país, quer concorrendo para atrair localizações de empresa de outros países e regiões. A globalização, sem deixar de existir, seria acompanhada pelo reforço e articulação das políticas industriais e comerciais e de apoio ao desenvolvimento de ³tecnologias estratégicas´, ao nível de grandes países ou de agrupamentos regionais. A globalização e as estruturas de mercado a nível internacional seriam menos marcadas pelo multilateralismo e pela competição aberta à escala mundial e mais pelo papel de agrupamentos ou blocos regionais, acompanhado pela existência de fricções que não impediriam, no entanto, a negociação entre eles e a existência de alianças empresariais à escala mundial, com pontos de ancoragem em cada um dos principais agrupamentos.

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EVOLUÇÃO MACRO-REGIONAL Este cenário funciona quase como o negativo do anterior. A Europa seria capaz de sobreviver num mundo de blocos ³mitigados´, reformando o seu sistema de protecção social sem o pôr em causa, integrando a Europa Central e contando na sua periferia com uma transição bem sucedida na Rússia e nalguns países da CEI, o que permitiria encarar a organização duma grande massa euro-asiática. A economia dos EUA revelar-se-ia incapaz de ultrapassar os seus problemas, alimentando a crise da periferia mais próxima, a América Latina. Assistir-se-ia ainda a uma crescente integração das economias da Ásia, com o Japão a beneficiar muito mais do que os EUA do dinamismo da região. ECONOMIA DOS EUA As forças políticas dos EUA seriam incapazes de ultrapassar o impasse dos défices orçamentais e o sector empresarial manter-se-ia prisioneiro de orientações de curto prazo e de modos de gestão que dificultam a acumulação do capital humano. Assistir-se-ia à continuação da degradação de infra-estruturas e à incapacidade de melhorar a ³performance´ dos sistemas de ensino, nomeadamente nos níveis primário e secundário e no de formação. Manter-se-ia um crescimento lento da produtividade que, em conjunto com o abrandamento no crescimento da força de trabalho, levaria a crescimento económico mais lento. Os problemas com a Balança de Transacções Correntes agravar-se-iam, alimentando correntes proteccionistas.

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Os EUA, por umas ou outras razões, entrariam em choque com os parceiros comerciais ou com outros países, revelando em cooperar e comprometendo a sua capacidade de liderança. Num certo momento, antes do final do século e em consequência duma crise de confiança na economia americana, traduzida, por exemplo, num crash bolsista, assistir-se-ia a uma retirada de capitais externos e as autoridades americanas seriam forçadas a elevar as taxas de juro para travar uma queda dramática do dólar, entrando a economia num período de recessão. ECONOMIAS DO JAPÃO E DA ÁSIA/PACÍFICO O desenvolvimento económico da Ásia/Pacífico seria parcialmente travado pela evolução nos EUA, com o crescimento das Economias Dinâmicas da Ásia a ser mais prejudicado, não só pelo mais dificil acesso ao mercado americano, como pelo proteccionismo tecnológico que vigoraria. Os países da Ásia/Pacífico ± sujeitos às pressões de natureza comercial dos EUA, mas num contexto de segurança externa, em que supostamente seriam menores os perigos que poderiam deparar-se-lhes reforçariam a integração das suas economias e dirigiriam partes mais significativas do seu potencial exportador para a Europa e para a Rússia/CEI. O Japão manteria intactas algumas das características do seu modelo socioeconómico, ao contrário do que acontecia no cenário anterior, mas abriria o seu mercado, preferencialmente aos países asiáticos, aumentando o investimento directo na região.

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EUROPAS OCIDENTAL E CENTRAL As relações tensas com os EUA e a consciência mais clara de que muitos problemas com os países da região se defrontam têm uma natureza europeia, levariam a um relançar do processo de integração, com forte dose de vontade política e com o caminhar para o reforço de estruturas centralizadas, concretizando-se a U.E.M. A menor dependência económica do mercado dos EUA, faz com que a crise destes afecte menos a Europa do que a Ásia. A integração europeia seria acompanhada por um processo de profunda reforma dos sistemas de ³welfare´, em particular nos países continentais. Entre os elementos desta reforma, incluir-se-ia a introdução de mecanismos compulsórios para os beneficiários do seguro de desemprego, sob a forma de formação, treino e aceitação de empregos menos bem remunerados. O novo dinamismo da integração europeia traduzir-se-ia em novas iniciativas na área da política externa, da ajuda ao desenvolvimento ± especialmente em África, da defesa e indústrias da defesa, políticas da energia e do ambiente, políticas tecnológica e industrial e das infra-estruturas e redes transeuropeias. Seria igualmente aplicada uma política social orientada para o estabelecimento de ³standards mínimos´, consolidando o ³modelo social europeu´.

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O alargamento da U.E. aos países da Europa Central, que se daria já no próximo século, seria preparado desde já, através dum estatuto especial, incluindo a liberdade total de comércio e de aplicação de volumosos programas de ajuda financeira para apoio à fase de transição das economias destes países. O sector privado aceleraria o investimento directo nestes países e intensificar-se-iam as trocas comerciais, especializando-se os países de Leste, sobretudo na exportação de produtos trabalho intensivos. Como aspecto central do seu relacionamento externo, a U.E. procuraria criar uma densa rede de relações com a Rússia ± que recorreria com êxito, neste cenário, a sua transição para a economia de mercado ± e outros países da CEI, desempenhando a Carta Europeia de Energia um papel seguro e central neste processo ao permitir uma troca de abastecimento energético por fornecimentos de bens de equipamento, tecnologia, financiamentos e programas de melhoria ambiental.

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CARACTERÍSTICAS GERAIS Uma ruptura no processo de globalização, no contexto dum desequilíbrio que se agravaria entre os EUA e a EUROPA, por um lado, a as economias da Ásia, por outro, levando à constituição de blocos proteccionistas antagónicos. Uma quebra nos quadros de organização com escala mundial, em favor duma multipolaridade caótica, que dificultaria a cooperação necessária para gerir sem percalços a economia mundial e para enfrentar problemas ambientais e de destruição e carência de recursos naturais. Não se verificariam melhorias substanciais no controlo de evoluções ambientais com potencial de visão global (ex: emissões de CO2). As estruturas de mercado tornar-se-iam menos competitivas à escala internacional e a difusão de novas tecnologias seria travada por essa menor competição e por políticas de proteccionismo tecnológico; em consequência das tendências anteriores o crescimento da economia mundial seria substancialmente reduzido e regiões inteiras, como a África, seriam ³desligadas´ da evolução geral, assistindo-se a uma crise de subsistências e a fome em várias regiões. A formação a nível do Planeta de uma classe de marginalizados, que alimentaria correntes migratórias de grandes proporções.

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EVOLUÇÃO MACRO-REGIONAL Este cenário é caracterizado, não só pelas dificuldades simultâneas de ajustamento interno das economias europeias e americana e pela fragmentação da economia mundial em blocos antagónicos, como pela eclosão ± favorecida pela ausência de quadros de organização e cooperação à escala mundial ± de uma grande crise, muito provavelmente ao nível agrícola, com a explosão dos preços internacionais dos alimentos, à qual se seguiria uma recessão internacional. No período de recuperação que se seguiria seria possível estabelecer um mínimo de estruturas de cooperação e iniciar acções destinadas a enfrentar problemas globais, como os do ambiente. ECONOMIA EUA Um fraco crescimento da produtividade, acompanhado pela incapacidade de melhorar substancialmente, o estado das infra-estruturas e dos sistemas de ensino e de formação. Uma recuperação muito lenta do défice orçamental e a continuação de défices na balança de transacções correntes, com problemas no seu financiamento e com o reacender das tendências proteccionistas ao nível comercial e tecnológico.

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ECONOMIA DO JAPÃO E DA ÁSIA/PACIFICO A economia japonesa enfrentaria com relativo êxito, estrangulamentos potenciais ao seu crescimento, nomeadamente, o rápido envelhecimento da população. O aumento da taxa de actividade feminina e a introdução acelerada da automação, tornaria possível obtenção dum crescimento superior ao dos outros pólos industrializados. O modelo sócio-económico japonês permaneceria relativamente inalterado, provocando reacções defensivas por parte dos EUA e Europa, incapazes de inverter a tendência à acumulação de défices correntes com o Japão. Agravar-se-iam as tensões comerciais entre os elementos da Tríade com o Japão disposto a resistir às pressões de reforma interna vindos de outros pólos industrializados. As Economias Dinâmicas da Ásia, perante o reforço das políticas proteccionistas e ³anti-asiáticos´ nos EUA e na Europa, defenderiam de forma mais pronunciada do Japão como mercado, origem de capitais e gerador e difusor de tecnologias. EUROPA OCIDENTAL E CENTRAL As economias europeias revelariam incapacidade para proceder às reformas estruturais que condicionam um maior dinamismo, inovação e capacidade de competição à escala mundial. O crescimento reduzir-se-ia e o desemprego cresceria ainda mais. Agravar-se-iam as discussões no interior da U.E. com países membros, frequentemente em choque. Prioridades e agendas diferentes permitiriam apenas alcançar compromissos limitados que seriam insuficientes para impedir um enfraquecimento no processo de integração europeia.

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Na Europa Central, as economias seriam fortemente afectadas pela quebra crescimento a nível mundial e, em particular na U.E. , deparando-se com barreiras à penetração dos seus produtos e com a falta de investimento directo e de ajudas externas. Em consequência das crises económicas, aumentariam os fluxos migratórios e subiriam ao poder, forças populistas e nacionalistas que agravariam as tensões ente países da região. RÚSSIA E CEI Neste cenário, para além das dificuldades acrescidas na transição na Rússia, assistir-se-ia à desintegração da CEI e à separação dos países da Ásia Central ex-soviética, em que triunfariam as forças fundamentalistas islâmicas. OUTRAS REGIÕES No contexto dum crescimento mundial lento, do agravamento das tensões entre blocos comerciais antagónicos no norte, da falta de dinamismo do comércio internacional e da continuação dos baixos preços da generalidade das matérias-primas, as economias da América Latina, África e partes da Ásia, teriam evoluções negativas, assistindo-se, ao nível demográfico, as condições para um crescimento mais acelerado das populações nalgumas dessas regiões. A explosão populacional seria contrariada pela difusão de epidemias como AIDS e o desgaste mais acelerado dos recursos naturais (água, desflorestação).

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CARACTERISTICAS GERAIS Combinação, de uma forma não conseguida em qualquer dos outros cenários, do prosseguimento da globalização e dum forte dinamismo tecnológico, com o caminhar para um crescimento económico sustentável e generalizado a todo o planeta. A economia mundial entraria, assim num período de crescimento prolongado; Uma, como que a reciclagem dos principais modelos socioeconómicos de economias de mercado, quer das que põem o acento tónico no dinamismo e no papel auto-regulador do mercado (ex: economias anglo-saxónicas), quer das que dão mais relevo ao acompanhamento da dinâmica do mercado por esforços de coordenação envolvendo o Estado, os agentes económicos e parceiros sociais (ex: economias da Europa Continental, e com as suas especifidades próprias, o Japão), facilitando a cooperação entre elas. A globalização e as estruturas de mercado a nível internacional, reforçadas por novos países no sentido da liberalização das trocas, assegurariam uma forte competição e o crescimento acelerado do comércio internacional. Para além da dinâmica tecnológica, que desestabilizaria posições adquiridas, a emergência ou consolidação de novos pólos exportadores fora da Tríade contribuiriam para a intensificação da concorrência, ao mesmo tempo que alargariam o espaço geográfico em que esta se poderia exercer. A maior disponibilidade internacional para a cooperação traduzir-se-ia na celebração de importantes tratados que avançariam a redução de armamentos e reforçariam os elementos dum sistema de segurança à escala planetária. Permitiria também obter compromissos mais firmes na área da conservação ambiental, nomeadamente ao nível das emissões de Co2 (envolvendo a introdução generalizada de ³impostos verdes´, o apoio ao combate à desflorestação nas regiões tropicais, a ajuda financeira aos países em desenvolvimento ema áreas como a energia e o ambiente).

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EVOLUÇÃO MACRO-REGIONAL Este Cenário é o negativo do ³Crise Global´. Traduz uma maior equiparação nas potencialidades económicas dos três pólos da Tríade e o surgimento/consolidação de novos pólos dinâmicos de grande expressão a nível mundial ± de entre os quais, alguns países em desenvolvimento ± no contexto da passagem a um período de crescimento de longa duração, que permitiria enraizar a economia de mercado, de forma mais generalizada em todo o planeta. ECONOMIA DOS EUA Redução rápida do défice orçamental e, posteriormente, obtenção dum excedente, graças a um maior crescimento da economia e à combinação das reduções nas despesas da defesa, com um aumento ou criação de alguns impostos, nomeadamente, a introdução dum imposto Co2. Esta evolução favorável ao nível orçamental seria, no entanto, compatível com a redução de impostos destinados a estimular a poupança privada, e com a implementação de programas destinados a melhorara a qualidade do sistema de ensino e do conjunto das infra-estruturas. Assistir-se-ia, assim a um aumento da poupança nacional e a uma queda no custo real do capital, contribuindo para o desencadear de um´boom´ do investimento em infra-estruturas. A economia americana deslocar-se-ia claramente para uma especialização em sectores de alto valor acrescentado e baseados no conhecimento. Melhoraria a sua competitividade global, graças aos esforços anteriormente descritos, resultando no conjunto, na obtenção de excedentes significativos na balança de Transacções correntes, já no início do próximo século, com a paralela redução das pressões proteccionistas.

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ECONOMIA DO JAPÃO E DA ÁSIA/PACIFICO O envelhecimento da população japonesa reduziria a sua taxa de poupança e originaria uma assinalável carência de mão-de-obra, dando às novas gerações uma posição negocial especialmente forte para obterem resultados tais como, a redução dos horários de trabalho e maiores oportunidades de trabalho a tempo parcial. A degradação da posição competitiva do Japão que resultaria das evoluções anteriores, combinadas com as ineficiências dos sectores até agora protegidos da concorrência internacional, forçaria a uma maior abertura da economia, com uma libertação de mão-de-obra daqueles sectores em direcção aos sectores que mais exportar àquela concorrência. Uma maior atenção dada à qualidade de vida, em especial pelas gerações mais novas, exigiria maiores investimentos em habitação, infra-estruturas e ambiente, ao mesmo tempo que o envelhecimento da população levaria a maiores investimentos na área da saúde. A economia japonesa deixaria gradualmente de registar resultados económicos excepcionais, aproximando-se das economias dos outros países industrializados com as quais haveria igualmente uma aproximação nas ³preferências estruturais´, por parte da sociedade japonesa. A China manteria elevadas taxas de crescimento e teria êxito na ultrapassagem das heranças do seu período de ³economia de direcção central´, ainda hoje não resolvidas, contribuindo para o dinamismo das economias da região.

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EUROPA OCIDENTAL E CENTRAL Um reforço das estruturas dos incentivos, actualmente de fraca intensidade, bem como a remoção de vários factores de rigidez, exigiriam cortes nos actuais sistemas públicos de ³welfare´. Estes seriam substituídos por uma combinação de benefícios básicos, garantidos pela segurança social, com níveis mais reduzidos que os actuais e de seguros complementares decididos na base da indústria, da empresa ou dos indivíduos. Este processo abrangeria, quer as pensões de reforma, quer os cuidados de saúde. As reformas nos sistemas de segurança social e no mercado de trabalho permitiriam reduzir o desemprego e aumentar os níveis de actividade, quer de mulheres jovens, quer de trabalhadores com 55 e mais anos, em esquemas adaptados de emprego, compensando parcialmente o efeito do envelhecimento da população no volume de mão-de-obra disponível. Os Governos, além de diminuírem os custos orçamentais do ³welfare´, investiriam mais na educação e na melhoria das infra-estruturas, reduziriam drásticamente os subsídios, modificariam a estrutura dos impostos, reduzindo o peso dos que incidem no rendimento em favor dos ³impostos verdes´. No seu conjunto, a carga fiscal seria reduzida. O processo de integração europeia prosseguiria, mas conduzido pelas forças do mercado e pela competição entre politicas, no quadro definido pelo mercado único e pela UEM, sem que existissem orientações para a área fiscal e orçamental com carácter obrigatório, definidos pela Comissão. Este processo desenvolver-seia num contexto em que seriam reduzidas a transferências de soberania para instituições de carácter mais supranacional. As políticas comuns existiriam apenas nas áreas com elevadas externalidades ± politica comercial e ambiente. As perspectivas de União Politica seriam desvalorizadas e o processo de integração ganharia uma clara orientação de cooperação intergovernamental.

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O alargamento da U.E aos países da Europa Central realizar-se-ia mais rapidamente, sendo a perspectiva dessa adesão um elemento importante para fortalecer a vontade politica daqueles países em proceder às partes mais difíceis dos seus programas de transição, nomeadamente, no que respeita às indústrias estatais. OUTRAS REGIÕES Este Cenário inclui o sucesso das políticas de transição para a economia de mercado na Rússia e nalguns países da CEE, bem como das reformas de abertura, liberalização, privatização e desregulamentação nas principais economias da América Latina e da Índia.

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Mudança Global América do norte i) América Latina Japão Economias dinâmicas da Ásia Resto da Ásia Médio oriente e Norte de África Europa Ocidental Europa de Leste e CEI Resto de África Economia Mundial +++ ++++ ++++ +++++

Renascimento Europeu + +++ ++++ +++++

Crise Global + +++ +++ ++++

Crescimento equilibrado + +++++ +++ +++++

Taxas de crescimento tc < 0 0 < tc < 1,5 1,5 < tc < 2,5 2,5 < tc < ,5 ,5 < tc < 5 tc > 5

Legenda + ++ +++ ++++ +++++

+++++ ++++

++++ +++

++++ ++

+++++ +++

++ + +++ ++++

+++ ++ ++++ +++

+ ++ ++

+++ +++ ++++ ++++

i) Inclui a Austrália, a Nova Zelândia e a África do Sul

Tabela 3 : Taxas de crescimento médios anuais por regiões e para a economia mundial 1990/2015

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Os andamentos mais previsíveis da economia mundial, associados à globalização e à evolução da União Europeia, traduzem-se em vulnerabilidades e oportunidades para Portugal. A estrutura produtiva portuguesa terá de sofrer transformações significativas que a capacitem para aproveitar os mercados (geográficas e sectoriais) de crescimento rápido. Terá, nomeadamente, que se dar uma deslocação dos factores de competitividade para a qualificação/ criatividade dos recursos humanos, a acumulação de capital e a organização de redes de fornecedores e de distribuição. Nos próximos anos assistir-se-á a uma mais forte concorrência pela captação do investimento internacional na indústria e nos serviços. A abertura da Europa a leste e às novas redes transeuropeias facilitam a divisão espacial de funções produtivas em beneficio de regiões geograficamente mais centrais. As exigências de apoio ao leste da Europa e à orla do mediterrâneo poderão contribuir para uma travagem no crescimento dos fundos estruturais destinados a Portugal. Se não se conseguir responder ao crescente nível de qualificação e aspirações da população activa jovem, poderá assistir-se a um reforço dos movimentos migratórios pendulares de longa distancia para as regiões centrais, o que, a médio prazo, dificultaria a reestruturação do sistema produtivo. Simultaneamente, perspectivam-se novas oportunidades que poderão ser aproveitadas favoravelmente.

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Assim, o modo como a união europeia se encontra estruturada e algumas evoluções previsíveis em Portugal, por exemplo no campo demográfico, traduzem-se em vantagens de que se destacam: O acesso a um grande mercado, suportado por infra-estruturas de transportes e comunicações modernas; A disponibilidade duma população com maior juventude relativa (nomeadamente em certas regiões do país), que poderá propiciar a formação de bolsas de efectivos com qualificação intermédia ou superior; A diversificação e crescimento da procura turística e actividades afins A existência de condições para uma maior interpenetração de capitais nacionais e estrangeiros poderá facilitar as transferências de know-how e, sobretudo a inserção das PME mais dinâmicas, nas redes de acesso aos mercados internacionais. Em vários sectores produtivos, as economias de escala verão a sua importância reduzida em favor da produção flexível de médias e pequenas séries. A criação de redes mundiais de abastecimento, pelos grandes operadores industriais e de serviços, torna possível competir por funções bem definidas, dentro delas. A localização de Portugal numa posição centras na bacia do atlântico será uma vantagem potencial para os operadores que queiram aceder simultaneamente aos mercados da Europa e das Américas. Todavia, a possibilidade de Portugal explorar a sua posição face às principais rotas de navegação mundial, encontra obstáculos no facto dos grandes fluxos se organizarem preferencialmente sobre as interfaces que, se constituem como destinos ou origens principais dos tráfegos, situação que poderá ser agravada no caso português, pela deficiência de infra-estruturas.

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O comportamento futuro duma pequena economia aberta como a portuguesa, se se pretender reduzir o actual desnível face aos parceiros da U.E., explorando a dinâmica da globalização, depende principalmente da melhoria da competitividade global da economia, traduzida numa evolução da estrutura produtiva e da especialização internacional. A evolução da economia portuguesa no horizonte de 2015 dependerá igualmente dos modos de vida dominantes e das repercussões que têm sobre a aplicação dos rendimentos disponíveis das famílias. Assim, diferentes estruturas de emprego e qualificações, níveis e distribuição de rendimentos das famílias, grau e formas de urbanização, rapidez de absorção dos padrões culturais dominantes nos países desenvolvidos, terão uma influência determinante nos modos de vida e, consequentemente, nas estruturas de aplicação dos rendimentos das famílias.

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ECONOMIA GLOBAL Entre as vulnerabilidades potenciais, para Portugal, destacam-se: - Uma estrutura produtiva que se encontra fracamente capacitada para aproveitar os mercados de crescimento rápido, quer em termos sectoriais, quer em termos geográficos, beneficiando pouco das oportunidades de abertura de mercados a nível mundial e mantendo Portugal, muito dependente dos ritmos de crescimento europeu; - Uma visão real de perda de competitividade das produções em sectores tradicionais, assentes no trabalho manual pouco qualificado face à tendência dos países industrializados se abastecerem de bens de consumo corrente de massa e banalizados aos menores custos; - Será necessária uma deslocação dos factores de competitividade para a qualificação/criatividade dos recursos humanos, a acumulação de capital e a organização de redes de fornecedores e de distribuição; - Uma mais forte concorrência pela captação de investimento internacional móvel, na área da indústria e dos serviços. São exigidas estratégias mais estruturadas para atrair ³cluster´ de investimentos que mutuamente se reforcem e se articulem com a estrutura produtiva existente, apoiando-se num conjunto de vantagens comparativas adequadamente desenvolvidas: Ambiente favorável ao desenvolvimento das empresas; Qualidade dos recursos humanos e do sistema de ensino e formação; Capacidades empresariais locais; Infra-estruturas de internacionalização que potenciam a posição geográfica e a qualidade de vida urbana.

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São oportunidades para Portugal: A redução da importância das economias de escala, em vários sectores e a viabilidade de explorar a produção flexível de médias e pequenas séries, abrem mais oportunidades aos fabricantes portugueses ± na maioria dos casos de dimensão média ou pequena, à escala mundial; A localização de Portugal numa posição central na bacia do atlântico constitui uma vantagem potencial para os operadores que queiram simultaneamente aceder aos mercados da Europa e das Américas, quer de componentes, quer de produtos finais. ESPAÇO EUROPEU São visas potenciais: - A abertura da Europa aos países de leste cria novos concorrentes ao investimento internacional (europeu ou não), ao mesmo tempo que as novas redes transeuropeias, poderão desacelerar os processos de deslocalização de actividades produtivas para a periferia sudoeste da Europa. (tal risco só pode ser contrariado com: qualificação de mão-de-obra; diversificação da estrutura industrial; condições para a exploração da posição geográfica); - Exigência de reforço das disponibilidades financeiras comunitárias em resposta às necessidades emergentes do leste europeu e na orla do mediterrâneo, poderá contribuir para uma travagem no crescimento dos apoios a Portugal por via dos fundos estruturais;

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- Tendências para a reorganização dos grupos económicos internacionais, no sentido da concentração, da maior especialização e automatização, visando a obtenção de economias de escala, tenderão a acentuar-se com o aprofundamento da União Económica Monetária, que: Levantará problemas a Portugal (dado o menor juro relativo do mercado regional em que se insere e dada a sua perificidade geográfica); Poderá induzir fenómenos de desindustrialização em áreas em que o investimento externo se orientar para a exploração do mercado nacional; Incapacidade de resposta, ao crescente nível de qualificação e aspirações da população activa jovem, aliada à liberalização da circulação de trabalhadores, poderá reforçar os movimentos migratórios pendulares de longa distância e duração para as regiões centrais (a curto prazo, pode ajudar a resolver pressões no mercado de trabalho; a médio/longo prazo, dificultará a própria reestruturação do sistema produtivo). São oportunidades para Portugal: - O acesso a um grande mercado, suportado por infra-estruturas de transportes e comunicações modernas, onde surgirão vários nichos que podem ser preenchidos pelas produções nacionais, na base da promoção de factores de competitividade relativamente aos nossos concorrentes extra-europeus; - Disponibilidade duma população com uma maior juventude relativa (nomeadamente em certas regiões do país), que poderá propiciar a formação de bolsas de afectivos com qualificação intermédia e superior, susceptíveis de constituírem factores de localização de actividades industriais e terciárias intensivas em trabalho;

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- A diversificação e crescimento da procura turística e actividades decorrentes da crescente mobilidade da população, do aumento da percentagem dos idosos, a tempo inteiro ou parcial residir em países com clima atraente; - Existência de condições para uma maior interpenetração de capitais nacionais e estrangeiros, o que poderá facilitar as transferências de ³know-how´ e sobretudos a inserção das PME mais dinâmicas nas redes de acesso aos mercados internacionais;

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Numa pequena economia aberta como a portuguesa, alcançar taxas de crescimento que permitam reduzir o actual desnível face aos parceiros da U.E., explorando a dinâmica da globalização, depende crucialmente da melhoria da competitividade global, traduzida numa evolução da estrutura produtiva e da especialização internacional que permitam atingir três objectivos: - Melhorar a capacidade de estar presente e aumentar as quotas de mercado em produtos (Bens e serviços) e em destinos geográficos, que revelem taxas de crescimento inferiores à media da economia europeia; - Evoluir com êxito para segmentos mais dinâmicos e de maior valor acrescentado, nos mercados relativamente saturados em que a economia portuguesa esta actualmente especializada na Europa; - Explorar o potencial de crescimento associado, quer a mudança de modos de vida e de consumo do país, quer à recuperação do atraso nos sectores de serviços às famílias e às empresas, que ainda à modernização das infra-estruturas, nomeadamente de transportes e de comunicações; O conjunto de transformações da estrutura produtiva não poderá reduzir-se a escolhas simples: - Do tipo indústria versus serviços; - Sectores tradicionais versus sectores novos; - Sectores baseados nos recursos naturais versus sectores baseados no conhecimento; - Terá de se realizar um conjunto de combinações distintas destes vários elementos.

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A dinâmica do emprego, numa pequena economia aberta depende de três factores: A rapidez com que se diversifica a oferta competitiva de bens e de serviços, e se articularem entre si os exportadores directos e indirectos (fabricantes de componentes e subsistemas) (a modernização dos sectores tradicionais ± sendo crucial para evitar uma crise generalizada de emprego,não vai ser criadora líquida de empregos directos. - A forma como as actividades mais expostas à concorrência internacional se articulavam com as actividades de serviços, mais protegidas daquela concorrência e com características trabalho intensivas. Tal é o caso de: - Serviços às empresas, nas áreas de consultoria, marketing e logística. - Serviços associados ao ensino, formação, investigação e difusão tecnológica. - Artes gráficas e embalagem. - Audiovisual e indústrias culturais que possam complementar o turismo. - O ritmo e o modo como forem abertos à iniciativa privada, sectores com forte perspectiva de crescimento e em cuja oferta predominava tradicionalmente o Estado/Empresas públicas (ex: serviços associados às telecomunicações e cuidados de saúde). - A evolução da economia portuguesa no horizonte 2015, defenderá igualmente dos modos de vida dominantes e das repercussões que terão sobre a aplicação dos rendimentos disponíveis das famílias.

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Modos de vida diferentes traduzir-se-ão, potencialmente em alterações estruturais das defesas do conjunto das famílias: - Despesas associadas à alimentação e bebidas e ao consumo de serviços de hotelaria e restaurantes. - Despesas com a habitação e formas que reverte (arrendamento e aquisição de casa própria) e com equipamento doméstico. - Despesas com transportes e comunicações, incluindo a aquisição e manutenção de veículos, o uso dos transportes públicos, o maior ou menor peso das comunicações. - Importância das despesas com a educação, cultura e diversão e com as despesas de saúde. - Maior ou menor peso com outros serviços (seguros, produtos financeiros, etc). Neste contexto, definiram-se três cenários para o horizonte 2015, que se diferenciam pelo modo como respondem a este conjunto de questões, sendo a posição central o culpado pela evolução da estrutura produtiva.

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Perspectivas para a economia portuguesa, estrutura produtiva e especialização interna Cenário 1
Este cenário seria caracterizado pela permanência dum sector de exportação de bens e serviços tradicionais, que manteriam um forte peso na estrutura das exportações e do emprego e por uma viragem mais pronunciada para a exportação de outros sectores industriais com tradição na estrutura industrial portuguesa. Aspectos mais importantes: O papel central desempenhado pelos sectores têxtil / vestuário e calçado, com estratégias de competitividade centrados na melhoria da qualidade / inovação dos produtos e na modernização dos processos produtivos, contribuindo para a mudança da imagem de Portugal, como produtor de bens mais elaborados. Nesta estratégia, incluir-se-ia a criação de marcas próprias a comercializar na Europa. Manutenção do perfil das actividades florestais exportadoras, com o lugar central ocupado pela pasta e papel, continuando o país a ser exportador de pasta e reforçando-se a presença da maioria dos sectores florestais no mercado espanhol. (Seria preciso um grande investimento na floresta ± aumento da área plantada, racionalização das explorações, protecção fito-sanitária e contra incêndios).

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Crescimento das exportações cerâmicas e de produtos metálicos e uma viragem para a exportação de sectores tradicionalmente mais virados para o mercado interno, que sofreriam uma alteração no seu padrão de trocas com o exterior, passando a ser dominantes as trocas intra-industriais (ex: materiais de construção, matérias plásticas, metalomecânicas, ligeiras, etc). O mercado espanhol e outros mercados europeus próximos desempenhariam um papel central nesta evolução. Continuação do crescimento do turismo, com mais forte presença do mercado espanhol (especialmente junto das camadas médias) e da gama baixa do mercado europeu, assegurando elevadas taxas de ocupação. Manter-se-ia a predominância do produto ³sol-praia´, com a implantação de produtos nas áreas do turismo desportivo (golfe e desportos náuticos) e do turismo rural e de habitação. Tudo isto tem a ver com: - Sectores exportadores tradicionais de bens e serviços ± peso e estratégias de competitividade. - Diversificação produtiva ± importância e direcções principais. Neste cenário, a diversificação sectorial dos sectores exportadores não seria um objecto central. A estratégia de diversificação de actividades com presença externa contaria, com a atracção do investimento estrangeiro, centrada na exploração do custo da mão de obra qualificada e no acesso ao mercado europeu.

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Aspectos positivos do cenário: o desenvolvimento previsto para o projecto Auto Europa e o forte crescimento de empresas produtoras de componentes que se tornariam fornecedoras do sector automóvel europeu. Aspectos negativos: assistir-se-ia a uma redução nas actividades de montagem, não se instalando novas unidades de fabrico e/ou integração de veículos. (Não se consolidaria internamente um ³cluster´ automóvel, com crescimento auto-sustentado). Os sectores da mecânica e electromecânica (incluindo a engenharia pesas) teriam um curto crescimento para exportação, com base na expansão de algumas das empresas existentes, mas com uma especialização estreita. Na indústria Pesada, confirmar-se-ia a redução de capacidades na química de base e na siderurgia, com o sector químico a consolidar-se em torno dos fornecimentos aos sectores exportadores tradicionais e à construção. No terciário, assistiu à continuação do seu crescimento, sobretudo para o mercado interno ± serviços às famílias, serviços às empresas, com destaque para o apoio às que estão mais expostas à competição internacional. Desenvolver-se-iam os serviços com base industrial ou associados à engenharia (ex: manutenção aeronáutica, projecto de engenharia e as obras públicas).

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Emprego e formação de capital humano. Criação de empregos ± dinâmica sectorial Duas tendências dominam este cenário, do ponto de vista da criação do emprego. - Os sectores industriais expostos à concorrência internacional não seriam criadores líquidos de emprego. Neles aumentaria o peso do emprego qualificado nas indústrias mecânicas e eléctricas e do material de transporte em detrimento do emprego menos qualificado das indústrias de bens de consumo corrente, sujeitos a importantes esforços de modernização e racionalização produtiva, economizadores de postos de trabalho. - O essencial da criação de empregos seria assegurada nos sectores mais abrigados de concorrência internacional, nomeadamente nos serviços, com destaque para os serviços às empresas, que se desenvolveriam de forma mais equilibrada em todo o litoral. (Os serviços à famílias nas áreas urbanas conheceriam, igualmente, um forte desenvolvimento, com maior peso para o lazer, mas com forte componente de serviços públicos nas áreas de educação e saúde. Só o turismo, entre os serviços, forneceria emprego em associação com a exportação).

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Principais exigências de formação e de actividades de I&D. No que respeita à formação, qualificação e investigação, o cenário seria caracterizado pelos seguintes aspectos: As principais exigências de formação centrar-se-iam na qualificação profissional na indústria tradicional e nalgumas actividades associadas ao investimento estrangeiro, assim como na formação de quadros do ensino superior politécnico para a indústria e de quadros para o terciário do ensino universitário (ex: tecnologias de informação). Existiria uma aporta no ensino de ³design´ para os sectores tradicionais exportadores de bens de consumo corrente e para a embalagem. As actividades de I&D de natureza aplicada seriam dirigidas às tecnologias de informação e à assimilação de novas tecnologias horizontais necessários à produção flexível e com qualidade. Transportes e comunicações Principais tendências: - Reforço do peso do transporte rodoviário, na colocação das exportações portuguesas (que continuariam a dirigir-se sobretudo para os actuais mercados, com destaque para a Espanha). - Manutenção do papel preponderante do transporte rodoviário na movimentação interna de mercadorias, associado ao aumento significativo do peso do transporte público. - Modernização das telecomunicações internas e internacionais e a multiplicação nas áreas metropolitanas, dos modos de oferta audiovisual. 

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Modos de vida e padrões de consumo Haveria uma evolução gradual dos padrões de despesa familiar, para as estruturas mais próximas das que caracterizam actualmente os países do sul da Europa ± mais desenvolvidos ± Itália e França ± aceitando uma forte presença estadual no fornecimento de serviços em áreas como o ensino, saúde e segurança social, embora com um maior envolvimento de contribuição das famílias. Os principais grupos de despesas das famílias seriam: - A alimentação, bebidas e tabaco, a que se juntariam as despesas com serviços de ³restaurante e cafés´. Manteriam a posição cimeira que ocupam actualmente. - Transportes e comunicações, em que teriam peso dominante, as despesas com aquisição e manutenção automóvel, transportes colectivos urbanos e suburbanos, com preços menos subsidiados. - Haveria o reforço da urbanização, acompanhado pela existência de fortes manchas suburbanas, criando a necessidade de deslocação de grandes massas, entre o local de habitação e o trabalho. - Habitação, que viria a crescer o peso no conjunto (maior recurso ao arrendamento a preços de mercado e à aquisição de casa própria).
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Nos outros grupos de despesa, destacar-se-iam o vestuário e calçado e equipamento doméstico. Ver-se-ia crescer outras despesas como saúde, ensino, cultura e diversão e outros serviços.

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Factores críticos do cenário A exequibilidade deste cenário seria prejudicada com os seguintes factores: Um crescimento lento na Europa e um acumular de dificuldades na economia espanhola que, devido à forte orientação das exportações portuguesas para esses mercados, teriam um impacto negativo nas perspectivas do crescimento português. Uma elevação pronunciada nos preços do petróleo e do gás, contribuindo para o acumular de dificuldades na balança de transacções correntes. Uma abertura mais rápida e pronunciada dos mercados europeus às importações de bens de consumo corrente de países da periferia da Europa ou de regiões asiáticas, num ³timing´ mais acelerado do que da modernização e qualificação dos sectores tradicionais. Uma crise na ³agricultura de pluriactividade´ que se combina com alguns dos exportadores tradicionais localizados no norte e centro litoral, contribuindo para a sua competitividade a nível salarial. Um crescimento mais lento, e durante vários anos, do mercado automóvel na Europa, em especial dos segmentos em que está localizada a produção realizada no país, restringindo o papel da diversificação do sector automóvel. Uma concorrência mais forte do que o esperado na área turística, com novos destinos especializados nos produtos ³sol-praia´, sem que houvesse possibilidade de, a tempo, alterar o perfil da oferta. Se este conjunto de factores tivessem uma evolução negativa, então estar-se-ia perante um cenário de crise,
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No inicio do século XX, a economia portuguesa era das mais atrasadas da Europa, em termos económicos e sociais. O rendimento per capita português, em 1913 andaria por 1354 dólares, em PPP (Paridade do Poder de Compra) e a preços de 1990. Portugal teria um PIB per capita de apenas 40% da média dos países que hoje pertencem à União Europeia. De acordo com Abel Mateus (embora os dados sejam muito precários), Portugal deve ter perdido 24 pp no grau de convergência ao longo prazo do período de 1820-1913. O rendimento per captita português era cerca de a1513 dólares por pessoa em 1910, a dólares de 2005, o que compara com numerosos países subdesenvolvidos actualmente. Portugal tinha a taxa de analfabetismo mais elevada da Europa (70 a 75%), Espanha (53%), Itália (45%). Portugal em 1910 na Europa, era constituído pelo território continental + Ilhas dos Açores e Madeira (População estimada de 5 milhões e 937 mil habitantes). À semelhança de outros países europeus, possuía um império colonial: Guine - Bissau; Cabo Verde; S. Tomé e Príncipe; Angola; Moçambique (em África); Goa, Damão e Piu; Macau; Timor (na Ásia).

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Nestes territórios de fraco desenvolvimento viviam apenas umas dezenas de milhões, de portugueses de origem europeia. Para além destas, a diàspora portuguesas estendia-se essencialmente à América do Sul e em especial, ao Brasil. A estrutura industrial (censo 1913) revelava que os têxteis, vestuário, calçado obtinham 41% do total de mãode-obra; Alimentação, tabaco e bebidas (15%); Mobiliário, madeiras, cortiça (12%); Químicos (10%); Metais e Metalomecânica (9%). Vale apenas referir que o complexo industrial do Barreiro, da CUF, foi fundada em 1907 por Alfredo Silva. Uma das maiores fábricas de algodão foi estabelecida em Riba de Ave por Narciso Ferreira. A 1ª fábrica moderna de papel foi construída no Caima em 1911, e a indústria de resinas também começou a sua elaboração no início do século. As exportações de têxteis corresponderam apenas a cerca de 45% do total das exportações, no período de 1910 a 1929. Por destinos as exportações dirigem-se para o Reino Unido (21% total) Colónias (14%); Brasil (12%); França (10%); Alemanha (7%) no mesmo período temporal.

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Portugal tinha abandonado o sistema padrão - ouro em 1891. A declaração duma moratória em relação às dúvidas externas, dando origem a um nível insustentável cidadanias autónomas. A dívida externa mostrava-se a cerca de 420% das exportações (40 milhões de libras esterlinas em 1910) rácio que indicava incapacidade de serviço da dívida em qualquer país. Segundo LAINS no seu livro (1988) ³A evolução da agricultura e indústria em Portugal (1850 ± 1913) ´ na última década do Séc XX registou-se um crescimento de 2% do PIB (tendo como mercado de crescimento na ultima década ultramarina). Na última década do Séc XIX, registou-se um crescimento de cerca de 2% do PIB, tendo sucedido, uma quase estagnação (0,3 de crescimento ao ano) na primeira década do século XX. Era crescente a instabilidade política ± social que culminou com o assassinato de D. Carlos I (1908) e do príncipe herdeiro e com a proclamação da Republica em 5 de Outubro 1910.

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Este período foi conseguido/caracterizado pela instabilidade política e social (em cerca de 16 anos houve uma média de 50 governos). É um período em que se verifica o maior afastamento relativo dos níveis de desenvolvimento em relação aos países que hoje são membros da EU. Pouco depois da instauração da 1ª Republica, Portugal participava na 1ª Grande Guerra, Crise de abastecimento originou de forma generalizada de mais levantamentos população nas zonas urbanas. Elevada dívida externa, a par do agravamento dos défices (orçamental e da balança de pagamentos). Com o final da Guerra e à semelhança de muitos países europeus, Portugal regista o maior surto inflacionista do século causado pelo elevado défice orçamental mais incapacitado de sucessivos governos para cobrar receitas fiscais e conter as despesas. Défice orçamental que é financiada pela emissão monetária (devido à dificuldade de recorrer ao endividamento externo). Em 1925, a inflação, a desvalorização do escudo param devido: Retornam ao equilíbrio orçamental; Várias medidas para equilibrar a balança de pagamentos. Em 1928, com Oliveira Salazar atinge-se a estabilidade monetária definitiva, através da alteração do regime de política macroeconómica: Equilíbrio orçamental; Regras monetárias para limitar a oferta da moeda.

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Portugal foi dominado pela instabilidade política e social mais participação na I Grande Guerra: Seguiram-se desequilíbrios macroeconómicos e uma elevada taxa de inflação (a maior registada no século anterior); A taxa de crescimento do PIB, neste período, foi apenas de 1,4%. A taxa do PIB per capita foi de apenas 0.8%; De acordo com os dados do crescimento Maddison, o ponto mais baixo do PIB foi registado em 1911, com uma quebra de 11% em relação a 1913 (justamente, um ano anterior ai início da I Grande Guerra); Durante a guerra registaram-se várias greves/distúrbios sociais (fruto das precárias condições de abastecimento do País). O esforço de Portugal para a Grande Guerra foi pequeno, quando comparado com outros países. Na Flandres; No norte de Moçambique. Segundo Wheeler, em Novembro de 1916, havia mais de 110000 soldados portugueses a combater nos vários teatros de Guerra. O esforço de Guerra foi quase todo financiado pelo acumular da dívida pública. Nos períodos de 1913-1919, os défices acumulados atingiram naquele período, um total de 2 milhões de euros correntes (apenas foi aberto um crédito de 2 milhões de libras no Banco de Inglaterra). Assim a maioria dos défices foi financeira pela emissão monetária, com o consequente imposto inflacionista. Este atingiu em média 8,3%, para um máximo de 15% em 1920 (valores significativos à luz de qualquer Norma Internacional). A recuperação económica depois da guerra processou-se em Portugal, com uma taxa de crescimento do PIB de cerca de 3,9% ao ano entre 1919 a 1926 (taxa similar aos 3,2% registados na Europa desenvolvida).

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Os principais factores que contribuíram para o crescimento nesta fase foram: Capital Humano (0,7% ao ano); Trabalho (0,3% ao ano). Entre as principais novas industrias que se estabeleceram neste período, destaque-se a fábrica de cimento da Macieira (criada por Henrique Summer em 1920). A taxa de escolarização subiu entre 1910 e 1930, de 46% para 56%. O ritmo lento do desenvolvimento da educação apresenta um dos aspectos mais negativos da política da I Republica. Teixeira Santos vem demonstrar que o rápido crescimento do nível de preços deste período resultantes da monitorização dos elevados défices públicos registados, foram acomodados pela forte depreciação do escudo mais as rupturas nas condições de abastecimento dos mercados. (Os salários reais em 1924 estavam ainda cerca de 10% abaixo do nível de 1924, só a partir da estabilização começaram a subir novamente cerca de 20% entre 1924 e 1930).

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O desequilíbrio orçamental atingiu 13% do PIB em 1919 e cerca de 4,4% em 1922 numa situação de forte endividamento do Estado. Até 1918, a emissão de moeda em notas pelo Banco de Portugal estavam sujeitos a limites, devendo manter uma reserva metálica mínima. A partir daquela data, porém, deixou de haver qualquer restrição. Perante um mercado financeiro interno (ainda subdesenvolvido) e a dificuldade de obter empréstimos externos, a única via que restava para financiar o défice era a emissão monetária. Durante a guerra, a taxa da inflação tinha passado a 11% (1915) para cerca de 60% (1918). O pico da inflação anual foi atingido em 1920 (73,5%) e em 1924 (a taxa de inflação ainda era de 54%). A origem deste processo inflacionista encontra-se no acumular de défices orçamentais ao longo da década anterior, financiados quase na totalidade pela emissão monetária. Constata-se no livro de Abel Mateus (Gráficos 9 e 10) uma e correlação: Entre taxas de inflação e o crescimento da massa monetária: Entre a dívida do Estado junto do Banco de Portugal e a circulação fiduciária. Entre 1919 e 1923, a taxa de câmbio do escudo em relação à libra esterlina desvalorizou-se aproximadamente 13 vezes enquanto os preços internos subiram 5,2 vezes. (Segundo Teixeira dos Santos, a taxa de câmbio real bilateral em 1922, entre o escudo e a libra mostrava um depreciação de 114% em relação a 1919). O rácio da dívida pública, em resultado da forte inflação decrescia de 149% do PIB (1910) para cerca de 53% (1920).

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Esta quebra abrupta do valor dos títulos devia-se ao facto duma parte significativa ser dívida consolidada (a longo prazo) denominado em escudos e teve como consequência, a ruína financeira de quem possuía. A mais elevada taxa de inflação verificada em Portugal em tempo de paz, foi atingida entre Novembro de 1920 e Março de 1921. A partir desta data, registou-se uma queda súbita da inflação, que parece eliminada no início de 1922. Para esta situação contribuía a redução do défice orçamental de 4,4% do PIB mais corte substancial de despesas em 1921 e 1922 mais aumentos de impostos no ano de 1922. Foram tomadas também outra mediadas: O mercado cambial foi regulamentado; Foi imposto o pagamento dos direitos em ouro; Foi aumentado p subsídio ao ³pão político´. Apesar desta acalmia, a inflação volta a subir acentuadamente a partir de Junho de 1922. ` Porquê? Forte depreciação do escudo, que se intensifica a partir daquela data; A depreciação foi provocada pela determinação da balança de bens e serviços (que passou de um défice de 5% em 1919, para mais de 13% nos dois anos subsequentes (devido à explosão das importações no período do pós ± guerra mais saída substancial de capitais). (Quando o défice era 5%, o défice era coberto pelas remessas dos emigrantes mais rendimentos de capitais).

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A taxa de câmbio real em relação à libra e ao dólar, com base 100 em 1910, apresentava o valor de 39 em 1922/23. (Esta deterioração está também ligada à forte baixa, em termos reais, dos níveis de protecção nominal da economia) A baixa de direitos de importação resultou sobretudo do facto de serem em grande parte, direitos específicos. Por outras palavras, do facto de serem direitos de importação fixados em valor e não segundo taxas ad valorem. O gráfico 16 do livro de Abel Mateus mostra uma forte correlação negativa entre a taxa de câmbio e as reservas de ouro e divisas do Banco de Portugal.

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Como foi conseguida a estabilização financeira? a) Desde logo, pelo método clássico de eliminação da principal causa dos desequilíbrios macroeconómicos ± o défice orçamental. O défice orçamental foi reduzido para 3,4%, no exercício de Julho de 1923 a Junho de 1924 no Governo de António Maria da Silva, mediante: x a eliminação de serviços; x a redução de funcionários públicos; x suspensão do subsídio ao ³ pão político´ As despesas públicas foram cortadas no equilíbrio de 4 pontos percentuais. (De 1919 a 1924, a despesa tinha sido reduzida de 16 pontos percentuais do PIB). Registou-se alguma reversão dessas medidas nos dois anos seguintes (voltou a surgir o ³pão político´). Mas em compensação registou-se um aumento de imposto equivalente a 3 pontos percentuais. Conseguiu-se nova redução do défice, agora para 1,9% do PIB em 1925. Note-se que, de 1925 a 1935, se deu o congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos. A inflação sofre uma redução drástica em 1925, ao passar de uma taxa de 54% no ano anterior, para uma deflação de -13%. A inflação encontra-se dominada em Maio de 1925. O PIB que havia caído e 1924 (-3,4%), regista uma recuperação notável em 1925 (+ 5%). As importações acusam uma forte redução (em consequência da acentuada desvalorização real do escudo). As exportações crescem favoravelmente. Défice da balança de bens e serviços reduz-se favoravelmente embora de forma moderada. Passa para 1925 (10% do PIB).

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b) Estabilização Cambial Do ponto de vista do mercado cambial, tomam-se também algumas medidas para aumentar a oferta de divisas e reduzir a procura. Em Julho de 1922, obrigam-se os exportadores a depositar metade das receitas de exportação em moeda estrangeira no Banco de Portugal. Em Novembro, cria-se um adicional sobre as importações. Em Fevereiro de 1923, decreta-se o pagamento, em escudo da dívida externa em posse dos nacionais. Em Setembro eleva-se para 75% a obrigação aos exportadores de depositarem divisas. Em Dezembro de 1923 autorizou-se o Banco de Portugal a lançar no mercado as reservas de moeda de prata na conta do Estado contudo, só depois das medidas orçamentais acima referidas, é que é detido o processo de depreciação do escudo. Uma das razões mais importantes foram o inicio do reequilíbrio, tanto do orçamento como da balança, foi a subida dos direitos aduaneiros em 1926. Entre 1925 e 1929, as receitas aduaneiras em proporção do PIB, subiram para o dobro. Outra conclusão significativa: não se pode afirmar que a política de estabilização recaída em Portugal tenha tido custos reais significativos. Embora se tenham verificado dois anos com crescimento negativo (1924 e 1928) e o PIB estivesse abaixo do potencial entre 1924 e 1926 e novamente, a recuperação foi rápida.

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c) Instauração de uma Ditadura. A instabilidade política mais constante agitação social levou ao golpe militar de 1926 e à imposição da ditadura. Por outro lado, Portugal tinha uma dívida interna equivalente a cerca de 74% do PIB. Em 1926 e 1927 no ministério de (Sinel Cordes), o défice orçamental voltava a deteriorar-se. Em Janeiro de 1927 foi pedido em empréstimo de 12 mil contos à casa Baring Brothers, tendo sido recusado em virtude de exigências formuladas pelo Banco Inglês. Novamente em 1927, o Governo requereu um empréstimo à sociedade de Nações, que voltou a não se concretizar devido às condições exigidas. d) Programa de Estabilização Em Abril de 1928, Salazar é nomeado Ministro da Finanças. Salazar definiu como um principal prioridade a estabilização do valor da moeda e como meios para atingir esse objectivo, o equilíbrio do orçamento mais redução da dívida pública ( o que não se afastava das recomendações feitas pela sociedade das Nações). Orçamento de 1928/29 fecha com um excedente orçamental de cerca de 1,7% do PIB, excedente que se repetiria nos anos seguintes. De 1927 a 1929, dá-se um aumento de cerca de 5 pontos percentuais da receita e a estabilização do peso das despesas. Este aumento das receitas foi corrigido pelo aumento da base tributária. (A principal medida tomada foi mais uma reforma dos direitos aduaneiros, que fez subir as receitas, em proporção das importações, de cerca de 11,8% em 1928 para 28% em 1931).

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No que respeita à política orçamental foi adoptada a distinção entre despesas ordinárias e extraordinárias (incluíam o grandes investimentos mais as despesas causadas pela guerra/situação excepcionais. O orçamento corrente deveria estar equilibrado e apenas, as despesas extraordinárias poderiam ser financiadas através do recurso à divida pública. Os excedentes orçamentais foram canalizados para a redução da dívida flutuante. A dívida externa foi eliminada em 1929. A dívida interna foi parcialmente liquidada (sendo o remanescente convertido em dívida a médio e longo prazo). No domínio da política monetária, foram impostas importantes regras monetárias Ao Banco de Portugal foi cometida despesa da estabilidade monetária, (nesse sentido, foi constituída uma reserva cambial em ouro e divisas, que deveriam constituir 30% das responsabilidades monetárias do Banco). A partir de 1 Julho de 1931, Portugal voltou a aderir ao sistema do Padrão ± ouro que foi abandonada em 1891, restabelecendo a convertibilidade do escudo, a uma paridade equivalente de 110$00 por libra.

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1. A Grande Depressão e Portugal 2. O Estado Novo e a intervenção estatal dos anos 30 e 40 3. A II Guerra Mundial
Depois da estabilização económica, seguiram-se duas décadas de crescimento lento mas que acabariam por criar as pré ± condições para o crescimento sustentado do país. A posição de Portugal como país neutral durante a 2ª Guerra Mundial permitiu uma evolução substancial positiva nas razões de troca e uma acumulação de reservas de ouro/divisas. O número médio de anos de escolaridade da população cresceu de cerca de 1 para 1,4 (continuando o nível a ser extremamente baixo). A taxa de analfabetismo (na população activa) caiu de 65% para cerca de 30%. A taxa de investimento cresceu de cerca de 8% no início da fase para cerca de 20% no início da década de 50. Entre factores de crescimento predominou a acumulação do capital físico (sendo diminuto o aumento da produtividade total) Tanto a estrutura do PIB como a estrutura da população activa alteraram-se ligeiramente. Durante toda a década de 30, a taxa de câmbio efectiva real manteve grande estabilidade.

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Depois da estabilização monetário conseguida por Salazar, em 1930 (em breve retorna ao padrão ± ouro em 1931, Portugal foi obrigado a abandonar a convertibilidade) mas a taxa de câmbio em relação à libra esterlina manteve-se constante até ao início da 2ª Grande Guerra Mundial. O peso das relações comerciais portuguesas com o Reino Unido (25% do comércio externo) e o facto da maior parte dos activos externos do Banco Central estarem denominados em libras esterlinas justificou a decisão de abandonar a convertibilidade. (As colónias nunca desempenhavam papel importante no comércio esterno português. Em 1930 davam origem a 7,9% das importações e 10,8% das exportações.) Em consequência deste abandono, o escudo português acompanhava a desvalorização da libra em relação a outras moedas, decorrentes da crise económica inglesa. Para esta decisão, a crise financeira em que o Brasil estava envolvido contribuiu. Registou-se uma quebra de remessas dos emigrantes. Estava-se em plena Grande Depressão.

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A grande depressão atingiu sobretudo a Alemanha, EUA, e França. As maiores quebras da produção industrial verificaram-se nos: ` EUA (-48% entre 1927 e 1932) ` Alemanha (-37%) ` França (-26% em 1929 ainda estava 25% abaixo de 1929) ` Reino Unido: apenas sofreu uma quebra de 9%. Portugal: Grande Depressão: não teve efeitos de monta na produção industrial. Uma das razões desta imunidade relativa da economia portuguesa encontra-se no facto dos nossos principais parceiros não terem registado grandes quebras. O índice da procura externa dado o PIB registou um quebra máxima de 8% em 1932, mas em 1939 já estava 14% acima do nível de 1929. No período de 1928/1937, as exportações cresceram em média, cerca de 3,4% em volume e 6,3% em valor. Este episódio foi acompanhado por uma quebra do nível de preços (deflação): ` Em França menos de 60% do nível de 1929; ` Nos EUA, Alemanha: menos de 70% ` Em Portugal, a queda dói acentuada, tendo o nível de preços atingido em 1931, 83% do nível de 1929. A Grande Depressão causou nos países industrializados elevado desemprego: ` EUA 26,1% para a taxa de desemprego industrial nos EUA no período de 1930-38; ` Alemanha 26,1%

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Reino Unido 15,4% ` Portugal o PIB manteve-se abaixo do potencial entre 1924-26 e novamente em 1928 (mas recuperou rapidamente e em 1929, já estava acima da tendência de longo prazo. Segundo o censo da Direcção ± Geral da Estatística em colaboração com o Instituto de Seguros Sociais, havia em Agosto de 1931, 38225 desempregados (correspondiam a uma taxa de desemprego de 1,5%).
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A Grande Depressão teve efeitos moderados em Portugal Tal deve-se, para além das razões estruturais, também as políticas macroeconómicas apropriadas que foram seguidas em Portugal. Quais as razões da Grande Depressão? Uma interpretação que tem grande aceitação coloca a origem no boom de construção dos anos 20 nos EUA, a que se seguiu uma parte quebra da procura de investimento, devido à queda dramática dos valores das casa fruto do excesso de oferta e no crash bolsista de Outubro de 1929. A quebra da riqueza mais baixa das cotações das empresas verificada, levou uma forte deterioração do consumo privado e do investimento. Uma vez iniciada a depressão agravou-se devido a dois factores: ` Falência generalizada do banco que produziu uma quebra de oferta monetária de 25% entre 1929/1933. ` Política orçamental contraccionista o ³revenue act´ de 1932 aumentou acentuadamente os impostos (porque ambos os partidos provocaram equilibrar o orçamento).

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Embora as taxas de juro se tenham reduzido em termos nominais de 5,9% (1929) para 2,6% (1931) a taxa de juro real cresceu de 7% para 19%. Originou uma forte subida em termos reais dos débitos dos consumidores e das empresas. Os dois países que estiveram no epicentro da Depressão (EUA, Alemanha) foram também aqueles onde houve falências generalizadas de bancos. A Grande Depressão voltou a acentuar-se devido aos efeitos de interdependência entre os países industrializados. As barreiras aduaneiras mais desvalorizações competitivas provocando exportar o desemprego, levavam quebras sucessivas da procura e exportações. O mercado de capitais internacional entrou em colapso e o sistema liberal de comércio internacional foi destruído. O início deste desastre foi desencadeado pela lei tarifária de Smoot ± Hawley nos Estados Unidos da América em 1929-1930, o qual originou uma série de medidas retaliatórias noutros países. O reino Unido introduziu a preferência imperial em 1932, abrangendo o princípio multilateral.Seguiram-se-lhe a França; Japão; Holanda, introduzindo também tácticas militares. Pior ainda foram as restrições quantitativas e os controlos cambiais (de que a Alemanha foi pioneira). O volume do comércio internacional caiu de ¼ e o pico de 1929 não voltou a ser atingido senão em 1950. Muitos países deixaram de pagar as suas dívidas externas e a derrocada dos arranjos para pagamentos de reparações da guerra levou a saídas maciças de capitais da Europa para os EUA. Por outro lado, a Grande Guerra e os elevados défices e dívida pública tinham causado grandes surtos inflacionistas em diversos países.

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Ora a uma moeda em relação ao ouro, para atingir os antigos valores de referência de uma moeda em relação ao ouro, eram necessários grandes reduções do nível de preços, isto é, deflação. Ora também por esta via se acentuavam e propagavam internacionalmente as ondas contraccionistas. A recuperação levou quase uma década, no caso da Alemanha, a política de recuperação alemã está baseada na redução rápida do desemprego, mantendo os salários mais constantes. A política de recuperação americana estava baseada na subida dos salários reais (aumento substancial), contribuindo para a persistência do desemprego, O desemprego americano só foi eliminado com a II Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, as diferentes políticas do Presidente Roosevelt orientavam-se para a criação do emprego através dos programas públicos, as agências do alfabeto do NEW DEAL. Também foi dada uma grande ênfase à deflação dos preços para reduzir o peso da dívida. Os preços foram suportados através da legislação que garantiu os preços agrícolas (reduziu-se a área cultivada a destruía-se a produção) e encorajavam os sindicatos a fazer subir os salários.

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A 5 de Fevereiro de 1932, OLIVEIRA SALAZAR sobe à posição de Primeiro Ministro ± posto onde permanecerá até 27/9/1968. Dá início a uma ³nova ordem económica´ designada por Estado Novo. Era uma Estado Corporativo. A célula de base era a familia. A base da organização económico-social eram as corporações económicas, morais e intelectuais. Os elementos primários da organização corporativa económica eram constituídos pelos sindicatos de trabalhadores + grémios de empresários + casas do povo dos rurais. As caracteristicas fascistas e antidemocráticas do novo regime inspiravam-se em grande parte no: ` - Fascismo italiano (organização corporativa + supressão dos sindicatos + liberdade imprensa controlada + política de auto-suficiência(campanha do trigo) ` - em algumas outras correntes ideológicas europeias da época (rejeitavam a liberdade individual + organização partidária). As bases do novo regime económico eram: economia nacionalista. (autarcia económica; supressão das liberdades dos trabalhadores (vigora o direito à greve); auto-suficiência alimentar; condicionamento industrial para ³racionalizar´ o investimento; cartelização de alguns sectores por intervenção do Estado, suprimindo a concorrência. Na época, as tendências intervencionistas eram generalizadas: ` Fascismo Italiano ` Regimes Totalitários (Alemanha, Rússia) ` New Deal Americano

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Os textos de base do novo regime foram: ` a CRP de 1933 ` o Acto Colonial ` a Carta Orgânica do Império ` o Estatuto do Trabalho Nacional ` o Programa da União Nacional (Partido Único) POLÍTICA ADUANEIRA PROTECCIONISTA 1929 : É adoptada uma nova pauta aduaneira de cariz proteccionista 1932 : É introduzida uma sobretaxa de importação de 20%. Aumenta-se a taxa de protecção efectiva dalgumas indústrias, através da isenção de direitos das matérias-primas importadas e equipamentos. A primeira legislação do condicionamento industrial (1931) limita a criação de novas empresas + restringe a concorrência + o investimento directo estrangeiro. Auto-suficiência alimentar inspira o lançamento da Campanha do Trigo (1929), que além de dar incentivos à produção + introduz a garantia dos preços (mas acaba por estar sempre condicionado à lógica do ³pão político´).

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POLÍTICA SOCIAL Cria-se um subsídio ao desemprego aplicável à indústria + sector privado dos serviços. Em 1930 a taxa de escolaridade obrigatória é reduzida para 3 anos. Em 1938 com as Bases da Reforma do Ensino Primário, decreta-se a orientação prioritária de proporcionar a educação primária a toda a população. A taxa de escolarização global cresceu de 56% para 64% entre 1930 e 1940 (e atingiu 70% em 1950). Nestas duas décadas, a taxa de analfabetismo de 61,8% para 40,4%. (Estas elevadas taxas de analfabetismo são encaradas como um dos principais factores de atraso do País). O Plano de Educação Popular (1952) e a Campanha Nacional de Educação de Adultos, que se lhe segue, são o esforço mais sério até aí empreendido para reduzir aquelas taxas. CONDICIONAMENTO INDUSTRIAL A 2ª lei do Condicionamento Industrial (1937) reconhece o carácter demasiado dirigente da primeira e estabelece o regime como excepcional. É apenas aplicável: ` aos casos de indústrias sobreequipadas (moagem, refinação de açucar) ` utilizadores de matérias-primas importadas (têxteis) ` das que empregassem muita mão-de-obra, susceptíveis de mecanização no curto prazo, a fim de evitar o desemprego/desaparecimento de pequenas empresas (calçado,tipografia) das que produzissem bens de equipamento ou tivessem elevadas economias de escala (refinação do petróleo) e bem assim, das exportadoras.
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A lei possibilitava a concessão de monopólios legais até 10 na instalação de novas indústrias e sujeitava à autorização, o investimento directo estrangeiro. FOMENTO DAS INFRA-ESTRUTURAS 24 de Maio de 1953 : Lei da Reconstituição Económica que se lançou o primeiro esforço coordenado de construção de: ` infra-estruturas ` telecomunicações ` rede eléctrica ` hidráulica agrícola ` edifícios públicos ` urbanização ` colónias (Vai decorrer de 1936 a 1950) Período 1928/1939: as despesas públicas em infra-estruturas representam 0,6% do PIB (com cerca de 70% em portos e estradas). As despesas em educação são 9,3% do orçamento (1930), 11.1% (1950) e 11.9% (1960). Nota-se um crescimento constante.

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Período 1928/1938: o PIB cresce à taxa média de 2,3% ao ano. A decomposição por factores de crescimento mostra que a acumulação do capital físico contribuiu com 0.4%, o trabalho com 0.5% e o capital humano com 0,7%, para um total de 1.8% ao ano entre 1930 e 1940. (durante este período, não houve qualquer acréscimo da produtividade total dos factores.) Para esta evolução contribuíram a forte queda do grau de abertura da economia portuguesa. Passou de 21% (meados da década de 1920, para metade em 1931-36). Isto foi o resultado da forte contracção do comércio internacional e barreiras aduaneiras que os países ergueram, devido à Grande Depressão, para metade em 1931-36. A taxa de investimento subiu de 7,6% do PB para 10,2% (entre 1931- 36). O número médio de anos de escolarização subiu de 1,04% (1927) para 1,38% (1936). O rácio da divida publica em relação ao PIB caiu de 5.6% (1930) para 37.5% (1939), devido ao acumular dos excedentes orçamentais. A estrutura produtiva manteve-se constante (agricultura representava 33% do PIB, industria representava 26% do PIB.)

BAIXO CRESCIMENTO DA PRODUTIVIDADE Nos anos 30, restabeleceram-se os equilíbrios macroeconómicos e a estabilidade monetária e lançaram-se as bases do crescimento que se iria intensificar mais tarde. Fenómeno mais interessante deste período é a taxa de crescimento nula da produtividade total.

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POLITICA AGRICOLA Esta politica de auto-suficiência da produção de trigo fixava os preços anuais a pagar ao produtor e estabelecia quotas para a importação e limitava a capacidade de moagem. A taxa nominal de protecção ao cultivo do 43 trigo em 1932 atingia 85% (a produção agrícola em 1932 é 137% superior à de 1926). Entre 1932 e 1934: tomam-se novas medidas. O governo introduz a cartelização obrigatória da produção de trigo, criando a Federação Nacional dos Produtos de Trigo (é-lhe conferido o monopólio da compra do cereal aos lavradores, sua armazenagem, assistência técnica e financeira à produção). As empresas de moagem são cartelizadas na Federação Nacional das Industrias de Moagem - que distribui quotas de moagem em cada fábrica. Para não haver degradação dos preços, há redução da capacidade produtiva. Dai o decreto que cria a FNPT, ordena a expropriação, com indemnização das fábricas não necessárias à satisfação das necessidades de consumo, até um limite máximo de 15% da capacidade. O governo decreta em finais de 1936, o fim da campanha de trigo, embora permaneçam importantes traços desta política. DIRIGISMO DO ESTADO A partir de 1936, acentua-se o dirigismo do Estado sobre a economia ± perante um sistema de comércio internacional afectado pelo proteccionismo crescente o Estado Novo estende a organização corporativa a quase todo o comércio externo.

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Assim surgem: ` Os organismos de coordenação económica; ` As comissões reguladoras do comércio; ` As juntas e institutos que subordenam a si, os grémios obrigatórios da empresa: Para além do comércio externo, a organização corporativa tenta disciplinar os mercados dos sectores que enfrentam um excesso de oferta devido à quebra das exportações. São eles: ` Instituto do vinho do porto; ` Junta nacional do Vinho; ` Junta nacional do Azeite; ` Instituto de conservas de peixe; Ou empresas consideradas de importância estratégica: ` Junta nacional de marinha mercante; ` Instituto nacional do pão. Com a guerra de 1939/45: no inicio da guerra há 22 organismos de coordenação e em 1945 há 24. Estes organismos passam a controlar a produção e a comercialização, alem dos preços, competência que já detinham.

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As novas atribuições incluem: Obrigatoriedade de manifestos; Poder de requisitar produtos; Passar guias de trânsito; Estabelecer padrões e sistemas de quotas; Entre 1943/45: a intervenção e controlo do Estado atingiu o máximo, indo para além dos sistemas de economia de guerra sujeitas a racionamento generalizado. 1943: Surge a lei da ³racionalização do capital´ que estabelece, que no futuro, só se podiam instalar em sectores relevantes, empresas em que pelo menos 60% dos capitais fossem portugueses. São sectores relevantes: ` Exploração de serviços públicos; ` Actividades em regime de exclusivo; ` Outras finalidades que interessem fundamentalmente negociar à defesa do Estado ou à economia da Nação.. São particularmente importantes os acordos celebrados com a Inglaterra (Aliados) e Alemanha (Eixo), com vista: ` A controlar os preços de exploração do volfrâmio mais outros produtos (vitais para os beligerantes) ` Condições de abastecimento do País (obtenção de petróleo, transporte de mercadorias tanto para exportação como para importação) devido à escassez de barcos portugueses e às dificuldades de movimentação.

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O crescimento da organização corporativa à semelhança das múltiplas formas de intervenção estatal nas décadas de 50 e 70, típicas dos países subdesenvolvidos ± ocasionou fortes distorções na afectação de recursos. Apesar deste intervencionismo, vão-se criando novas indústrias pela iniciativa privada: ` Fibrocimento ` Refinação do petróleo ` Vidro ` Pilhas eléctricas ` Motores eléctricos ` Bicicletas Politica Salarial Uma das teses defendidas é que nos regimes fascistas (o italiano e o alemão), ao contrário do socialismo democrático (por ex: o New Deal americano), mantiveram um controlo apertado dos salários que se reflectiu em aumentos muito limitados do salário real. Os dados disponíveis dos salários, no INE, permite afirmar que jamais, o Estado Novo tenha tentado favorecer o crescimento dos salários reais.

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Qual o impacto da II guerra mundial? Portugal e Espanha foram países neutrais neste conflito mundial. Portugal manteve-se imune à mortandade e destruição do capital físico. Beneficiou da posição de país abastecedor de alimentos/matérias-primas aos beligerantes. Mas a ³guerra total´ que afectou o mundo, não deixou de ter profundos efeitos políticos/sociais/económicos. Com o fim da guerra mais o recomeço das condições normais de comércio internacional, o grau de abertura aumentou de 12,1% para cerca de 17,4% do PIB. ` Forte melhoria das razões de troca O fenómeno mais interessante neste período, foi o choque externo positivo, sob a forma de expansão da procura dirigida aos novos produtos e explosão das razões de troca. Verificou-se uma forte subida dos preços de exportação (conservas, têxteis, calçado e volfrâmio ± cerca de 40% em relação ao período que antecedeu os preparativos da guerra). O volfrâmio, conservas, fios e tecidos de algodão, vinhos e cortiça representavam cerca de 60% do total das exportações (o preço do volfrâmio subiu cerca de 30 vezes, desde 1938, atingindo um máximo em 1942). O total do valor das exportações cresceu 3,5 vezes entre 1938 e 1943 (o máximo atingido). A partir de 1943, a subida dos preços de importação ultrapassou a subida dos de exportação, fazendo regressar as razões de troca a níveis de pré-guerra. A inflação importada e as dificuldades de abastecimento, apesar do racionamento e controlo de preços fizeram subir a inflção em Portugal para cerca de 22% em 1943.

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Acumulação de reservas Pela primeira vez neste século, a balança comercial registou saldos positivos (1941-1943). Portugal acumulou mesmo créditos elevados em relação ao Reino Unido (em finais de 1944, a dívida inglesa atingia 70 milhões de libras e quando a guerra terminou, rondava os 80 milhões de libras). Em 1944 foi celebrado um acordo de pagamento nos termos dos quais 15 milhões de libras seriam utilizados em compras à Inglaterra, e o remanescente (?) poderia ser pago em ouro (a partir de 1955), em fracções anuais de 2,75% do saldo recaindo (?) uma taxa de juro de 0,75% ao ano. Esta entrada de capitais, acompanhada do afluxo de divisas trazidas pelos refugiados e pelas organizações que não (?) ajudaram, determinaram um forte acréscimo das reservas de ouro e divisas do Banco de Portugal mais forte aumento dos activos das famílias numerosas. Subida dos custos de trabalho e dutch disease A dutch disease significa a expansão da procura dirigida aos novos produtos e exploração das razoes de troca, fenómeno que viria a ser conhecido como a dutch disease, com importantes consequências no domínio da poupança e do investimento. O fenómeno da dutch disease traduziu-se numa forte subida dos custos reais unitários do trabalho ( 49,5% em 1938 e 1945 ), enquanto que o índice de salários reais rurais, calculado a partir de dados do INE, crescia a 41% entre 1938 e 1946, e na apreciação da moeda, que subiu cerca de 46% entre 1940 e 1941, em termos efectivos.

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Embora se tenha seguido uma forte depreciação real, de cerca de 27% o que ocorreu em 1938 e 1940 a apreciação do estudo foi uma das principais causas de forte deterioração da balança comercial. A política orçamental respondeu desadequadamente através da geração de excedentes durante o período de 1939 e 1946, ainda que de baixo montante. Entre 1943 e 1946, após o choque ter (?), os salários reais vieram a crescer 19% o que é atribuído a movimentos de reivindicação dos trabalhadores. Como se via, o ajustamento ao choque viria a processar-se através do aumento do défice externo e da desacumulação dos recursos de ouros e divisas mais uma certa rigidez da taxa de câmbio para conter o impacto inflacionário. Politica ³desenvolvimentista´ No pós-guerra surgem as teses dos ³sub-desenvolvimentistas´ ( que defendem a electrificação rápida promovida pelo estado e a industrialização) em conjunto com as teses ³ruralistas´ ( preocupadas com a manutenção duma economia agrária e de pequenas e medias empresas ). Ferreira Dias (1945) é considerado o principal expoente da primeira. Depois de caracterizar o grande atraso relativo de Portugal apenas tem vantagens comparativas na agricultura e justifica a necessidade de uma industrialização mais rápida para prosseguir o desenvolvimento. Esta devia ser baseada, numa primeira fase, na electrificação acelerada e na protecção Juntal (?) moderada (15 a 20% de direitos). Ferreira dias defende o fim da protecção aos sectores obsoletos, baseada em taxas de protecção de mais de 100% e o rápido desenvolvimento da industria química, siderúrgica e papel, e dos sectores tradicionais que haviam crescido durante a guerra, conservas de peixe e produtos vegetais. Porem, continua a defender uma industrialização virada para o mercado interno e colonial.

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O II congresso da união nacional, em Maio de 1944 constitui um fórum que se confronta estas ideias. Contudo, a lei da reorganização industrial (de princípios de 1945), ainda está eivada de muitos princípios intervencionistas (prevendo a concentração e modernização das industrias existentes, ou por acordo dos interessados ou por recurso a intervenção estatal). O plano de electrificação é finalmente corporizado em fins de 1944. Visa o abastecimento dos dois principais centros urbanos e pólos industriais, através do lançamento de vários projectos hidroeléctricos por concessão a privados, mas em que o Estado assume posição maioritária. No domínio dos transportes (área que se mostrou critica durante a guerra e essencial para a intensificação das relações com as colónias), determinou a renovação de: ` Marinha mercante ` Reorganização/ concentração dos transportes rodoviários ` Criação duma concessionária rodoviária única para os transportes ferroviários com controlo estatal ` Lançamento de linhas aéreas internacionais e com as colónias Subida do investimento Assistiu-se, nessa altura, a uma explosão de investimento. A taxa de investimento sobe de 9,7 para 21,5% do PIB entre 1938 e 1948.Divida externa reduz-se novamente para baixos níveis em 1940. Apresenta um rácio em relações às exportações que cai abaixo dos 20%, registados no final da guerra. Estavam lançadas as bases do moderno crescimento português (entrava-se na fase de ouro do nosso crescimento em sintonia com toda a Europa).

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Embora a expansão do capital humano tivesse estagnado e os níveis educacionais continuassem a ser uma fraqueza em relação aos países da U.E. Impacto da II guerra Mundial O impacto do 2º conflito mundial foi muito diferenciado por países. ` França (1945) tinha um volume de produção equivalente a 47% do verificado em 1939 ` Holanda também registava uma quebra da mesma ordem ` Reino Unido utilizou recursos cerca de 20% acima do seu PIB (gastando as reservas de ouro/divisas que detinha, acumulando divida externa e recebendo donativos de países como os EUA e Canadá) Entre 1938/46 o declínio da produção tinha sido de 50% na polónia e Áustria de 40% na Finlândia, Grécia, Hungria, Itália, Jugoslávia, de 25% na Checoslováquia, de 10/20% na França/Holanda/Bélgica. A destruição do capital físico foi muito mais vasta do que na primeira grande guerra. ` A Rússia seguiu uma política de ³terra queimada´. ` Os aliados despejaram 2 milhões de bombas no continente (sobretudo na Alemanha). ` A Alemanha atacou o Reino Unido com grandes quantidades de bombas e foguetões. ` Os submarinos afundavam grande parte das frotas mercantes de ambas as partes e os estruturais ficavam seriamente danificados na Alemanha, Reino Unido e Rússia. No pós-guerra, os territórios sofreram as maiores quebras de produção durante a guerra.

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Tanto os EUA, Reino Unido e países beligerantes (como Portugal, Espanha) registavam quebras de produção no período do pós-guerra (ao reajustarem as economias para as condições de paz). - Os ajustamentos do pós-guerra foram relativamente vastos e tocaram grande parte da economia mundial. - Em todos os países beligerantes se verificaram episódios inflacionistas durante e no pós-guerra. Recuperação rápida na Europa A recuperação foi bastante rápida na Europa. O nível de produção de 1939 levou: - 6 anos a ser retomado na Alemanha. - 5 anos a ser retomado em França. - 5 anos a ser retomado em Itália. - 7 anos a ser retomado no Japão Em 1952, já todos os países envolvidos no conflito haviam recuperado os seus níveis de produção de 1939. Porque esta recuperação tão rápida? Em grande parte, fruto de politicas macroeconómicas e de reconstrução do sistema monetário internacional não terem repetido os erros dos anos 20 (havendo uma compreensão mais clara dos problemas a enfrentar). O sistema monetário internacional que nasceu de Bretton-Woods- e as organizações internacionais de suporte ± o Plano Marshall, o Plano de Recuperação Europeia, o Sistema Europeu de Pagamentos e a OCDE/OCCE contam ±se entre as instituições que inspiraram as politicas económicas do pós-guerra ( embora o impacto de Bretton-Woods e as suas organizações só se desse essencialmente depois de 1950).

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A ideia crucial defendida pelos economistas (Keynes, White, Nurske) era que uma Europa destruída levaria muitos anos a recuperar isoladamente. O processo de retoma da poupança e investimento seria muito demorada e alem disso, poderia arrastar para recessão, os países que tinham ficado, relativamente, como os EUA. Os EUA deveriam pôr recursos financeiros à disposição dos países destruídos, para que estes pudessem fazer importações dos primeiros, sobretudo dos bens de capital necessário para reconstrução. (Contrasta-se esta posição com a do pós primeira Grande Guerra ± em que os vencedores estavam sobretudo interessados em penalizar os vencidos, através de pagamentos das reparações). Através do multiplicador do comercio internacional e da exploração das externalidades e economias de escala industriais, podia pois, iniciar-se um processo virtuoso de crescimento e reconstrução. O Sistema Monetário de Bretton-Woods O sistema monetário internacional que nasceu de Bretton-Woods tinha todas as moedas cotadas em relação ao dólar americano. Os países comprometiam-se a manter uma paridade fixa em torno de 1% da taxa central. Por sua vez, o dólar estava fixa em relação ao ouro (35 dólares por peça de ouro). Este sistema, também conhecido como padrão dólar ± ouro, tinha o dólar como moeda angular e constituía uma moeda de reserva dos bancos centrais. Foi o receio de não só o ouro ser um bem escasso e com uma taxa de crescimento da sua oferta que pudesse não acompanhar as necessidades de liquidez mundial, para além da sua distribuição ser muito enviesada a favor dos americanos, que fez adoptar o dólar como moeda padrão.

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EUA eram os únicos que não tinham de respeitar, o défice da balança de pagamentos. Pelo contrário, só acumulando défices é que poderia fornecer moeda a outros países em termos líquidos. Este regime só podia vigorar, enquanto o dólar fosse a moeda ( porque estava em competição com o ouro). A inflação dos anos 60 (guerra do Vietname) mais sucessivos défices da balança de pagamentos americana acabaram por destruir a confiança na conversibilidade entre o dólar e o ouro e depois a declarar inconvertível. Esta última medida tomada em 1971, maçou o fim do sistema de Bretton-Woods e o começo da flutuação entre as principais moedas internacionais. Progresso Técnico Acumulado Outro factor importante foi acumulação enorme de progresso técnico que ocorreu na primeira metade do século. Maddigon (1995) cita o dinamismo técnico da economia dos EUA (que não foi destruída pelas guerras e que se traduziu num crescimento de produtividade de trabalho de 2,5%, entre 1913 e 1950. Esta aceleração ocorreu em resposta à: ` - Acumulação maciça de infra-estruturas físicas e capital físico. ` - à maior proporção de investimento em maquinas e equipamentos. ` - ao esforço em investigação/desenvolvimento cada vez mais institucionalizado nas empresas/universidades/instituições afins. ` - à exploração de economias de escala introduzida pelos novos métodos de produção industrial e de gestão.

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Finalmente, importa referir que a acumulação do capital humano, sob forma de conhecimento tecnológico/educação básica/formação profissional, não tinha caído com a guerra, vindo mesmo, a acelerarse. Em alguns pises da Europa Ocidental, o dirigismo económico da guerra foi prolongado através da planificação indicativa: ` - Bélgica (plano de 1947-56) ` - França (plano Monet de 1947-51) ` - Holanda (1946-1952), tendo em vista a reconstrução das infra-estruturas e a recuperação industrial. Plano de Marshall A ajuda americana desempenhou um papel fundamental no período do pós-guerra. Desde Julho de 1945 que os EUA começavam a fornecer à Europa bens de primeira necessidade através de várias organizações e até inícios de 1948, cerca de 16 biliões de dólares haviam sido canalizados para o continente europeu- incluindo a Europa do leste- sendo metade em donativos e a outra metade em empréstimos em condições bastante vantajosas. 1ª fase da ajuda: destinava-se a assegurar a sobrevivência das populações, não havendo qualquer orientação para o desenvolvimento.

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2ª fase da ajuda: reconhecimento da pouca eficiência da ajuda, à medida que as condições melhoravam e acentuavam da guerra fria e o receio de que os regimes comunistas espalhavam o seu domínio para o Ocidente, levavam à institucionalização do plano Marshall em Junho de 1947. Os fundos eram administrados nos Estados da América pela Economia Cooperativa fins administrativos; do lado europeu 18 nações juntaram-se constituindo a OEEC. Áustria; França; Grécia; Irlanda; Finlândia; Bélgica; Dinamarca; Itália; Luxemburgo; Holanda; Noruega; Portugal; Suécia; Turquia; Reino Unido. O plano Marshall começou de facto em Abril de 1948 e durou cerca de 4 anos. Os fundos deviam ser doados para promoção da recuperação das economias. OCCE estimava as necessidades de cada país através dos défices das balanças comerciais e de pagamentos de cada um. Os EUA financiaram 5,5 biliões de dólares para produtos alimentares e 6,2 biliões de dólares para bens industriais. Este esquema financiou as necessidades criticas de diversos países europeus participantes, numa altura em que as reservas estavas exaustas. Alemanha: no período de 1947 a 1949, 57% das importações foram financiadas por ajuda externa Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Holanda: receberam ¾ da ajuda externa Portugal não pediu, nem recebeu ajuda nos primeiros anos do plano Marshall.

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A situação da balança de pagamentos e das reservas de ouro deteriorou-se fortemente entre 1946 e 1949, período caracterizado por uma forte expansão do investimento - a taxa de investimento aumento 5% do PIB entre 1946 e 1948, embora se tenha retraído em 1949. Alarmado com esta situação e temendo que a falta de fundos do Plano de fomento, o governo solicitou ajuda ao abrigo do plano, tendo vindo a recebe-la a partir de 1950. O total da ajuda recebida ± 50,5 milhões de dólares ± foi muito inferior à obtida em termos per capita, por outros países. Devido a falta de projectos industriais apresentados pelas autoridades, apenas 16,8 milhões de dólares foram utilizados para importação de equipamentos. Cerca de 40% foi utilizado para a importação de equipamentos e 26% para produtos petrolíferos.

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O período subsequente à 2ª guerra mundial até 1973, é a época de ouro do crescimento económico português, com uma taxa média de 5,7% do PIB per capita, entre 1953 e 1973. este crescimento deve-se à forte acumulação de capital físico, notando-se no decurso do período uma progressiva dominação do factor progresso técnico. A produtividade total cresceu ao ritmo de 1,5% ao ano, entre 1955 e 1974. Os anos de 1950 e 1973 foram igualmente os anos de ouro do crescimento mundial. O PIB per capita mundial cresceu, em média, 2,9% ao ano ± mais do que três vezes do ocorrido entre 1913 e 1950. O PIB mundial progrediu a uma taxa de 4.9% ao ano e as exportações cresceram a uma taxa de 7%. A maior aceleração do crescimento registou-se na Europa e na Ásia. Esta prosperidade é consequência de vários elementos: A. Em primeiro lugar, a factores internacionais: as economias ocidentais criaram uma ordem internacional que funcionou com códigos de conduta eficientes e instituições de cooperação que exerceram uma forte liderança e não deixaram de se adaptar ás necessidades dos novos tempos ( OCDE, FMI, BANCO MUNDIAL), os quais não existiam antes. A guerra fria tinha criado um cisma entre o ocidente e o leste, conduzira a uma harmonização dos interesses entre as economias capitalistas, evitando as politicas destrutivas de entre as guerras. Os USA desempenharam um papel de liderança responsável, dando um fluxo generoso de ajuda à Europa, quando esta se mostrou mais urgente e encorajando esquemas de cooperação e liberalização de trocas entre as nações europeias. O movimento de integração europeia, iniciado nos anos 50, favoreceu também uma forte expansão do comércio intra-europeu e desenvolveu a cooperação de politicas económicas entre os países envolvidos.

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Até 1970, o dólar e o sistema monetário contribuíram para uma grande estabilidade nas taxas de câmbio e deram uma âncora à estabilidade de preços. As relações Norte-Sul foram deixando de ser baseadas, nos regimes coloniais e permitiram o estabelecimento de relações de comércio internacional na base do mercado e da ajuda ao desenvolvimento. A enorme expansão do comércio entre as economias capitalistas desenvolvidas transmitiu, por seu turno, um impacto dinâmico a toda a economia mundial. B. O segundo elemento tem a ver com as politicas económicas nacionais, que permitiram a manutenção dum elevado nível de procura e pleno emprego, com o ciclo económico a mostrar variações muito modernas. A inflação manteve-se a um nível baixo apesar do Boom perdurar. C. O terceiro elemento foi o aproveitamento do progresso técnico que havia sido acumulado nas décadas anteriores, com forte liderança dos USA, país que adoptou politicas liberais na difusão da tecnologia. Este aproveitamento foi possível devido às elevadas taxas de poupanças e investimento que a Europa ( e a Ásia ) conseguiram e que permitiram reconstituir rapidamente níveis máximos de acumulação de capital atingidos no pós-guerra e mesmo rapidamente ultrapassá-los. Por outro lado os níveis de capital humano cresceram acentuadamente na Europa, no Japão e nos Tigres Asiáticos e na América do Norte. Os países da Europa do Sul cresceram a ritmos ainda superiores aos da Europa Ocidental, beneficiaram da sua reintegração nos fluxos de comércio internacional e de transferência de tecnologia e investimento. Além disso, beneficiaram de dois factores específicos: a explosão dos fluxos do turismo e as remessas dos emigrantes ( primeiro a Itália, depois a Espanha, Grécia e Portugal ).

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1. RAZÕES DO CRESCIMENTO ECONÓMICO PORTUGUÊS 2. A ACUMULAÇÃO DAS RESERVAS DE OURO E DIVISAS NO PÓS-GUERRA 3. OS PLANOS DE DESENVOLVIMENTO 4. A PRIMEIRA FASE DA INTEGRAÇÃO EUROPEIA E A EMIGRAÇÃO

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Forte crescimento do progresso técnico Em 1950, e apesar de ter ganho cerca de 7% no progresso de convergência desde 1913, Portugal era um dos Países mais atrasados da Europa. Apenas a Grécia tinha um nível do PIB per capita inferior, mas isso devido à tremenda destruição que sofreu com a II guerra mundial e com a guerra civil que lhe seguiu. Era generalizada a consciencialização do nosso atraso. Mas, ia iniciar-se um ciclo de ouro do crescimento. Uma análise dos factores de crescimento do período revela um dos fenómenos mais importantes de toda a análise do desenvolvimento da economia portuguesa no século XX: a produtividade total dos factores, que estagnada ao longo das duas décadas anteriores, cresce de uma forma acentuada. Na década de 50, cresce ao ritmo anual de 1,8%. Acelera fortemente a partir de 1961, atingindo níveis só ultrapassados pelos ³Tigres Asiáticos´. Em média, entre 1961 e 1972, a produtividade cresceu 4,2%. A contribuição do capital físico mantém-se em cerca de 1,3% ao ano, durante a totalidade do período. A taxa de investimento sobe de 20% em 1950, para 36% em 1973, que com 1974, representa o máximo jamais atingido pela economia portuguesa. Os sectores mais dinâmicos da indústria foram os químicos (refinação de petróleo, adubos e fibras artificiais) e as metalomecânicas, material eléctrico e de transporte (reparação naval e de aeronaves, em particular) A taxa de câmbio efectiva real cai, ao longo da década de 50, aproximadamente 20% em termos reais. A competitividade continua a subir até 1965, ano em que as autoridades monetárias começam a deixar apreciar a moeda, atingindo cerca de 18% até 1973. No domínio educacional assiste-se ao dobro do número médio de anos de escolarização da população entre 20 e 65 anos de idade (passou de 1,3 para 2,6 entre 1950 e 1974). A taxa de escolarização ao nível do ensino superior passa de 5,5% para 13,5%. A taxa de escolarização ao nível do 3ºciclo do ensino básico passa de 20% para 51,8%.

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NASCIMENTO DA CEE E DA EFTA A cooperação económica europeia desempenhou um papel fundamental no lançamento das bases do crescimento da Europa ± promoção da integração económica+coordenação de políticas +funcionamento eficiente dos sistemas de pagamento. 1947: Bélgica, Holanda, Luxemburgo formam um mercado comum chamado BENELUX. 1948: Criou-se a Organização para a Cooperação Económica Europeia entre 16 países europeus+3 zonas alemãs para planear a utilização do Plano Marshall. 1950: É criada a União de Pagamentos Europeia (para promover a liquidação multilateral de pagamentos). 1950: É criada a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Mercado Comum destes produtos. 1951: À R.F.A.+ França juntaram-se Itália, Bélgica, Holanda, Luxemburgo. Criou-se a CEE (Comunidade Económica Europeia). 1957: O Tratado da CEE foi redigido nesta data. Pretendia-se abolir todas as tarifas entre os associados até 1967. Estabelecer uma pauta comum com tarifas baixas para o comércio com terceiros Espírito do Tratado era trabalhar para a construção duma União entre os associados. Foi estabelecida a Comissão Europeia que zelaria pelo cumprimento do Tratado+teria que responder perante o Parlamento Europeu. O órgão supremo era o Conselho de Ministros Europeus que discutia/deliberava seus assuntos de interesse comum (em decisões importantes, teria que decidir por unanimidade). Em 1961, 1967 o Reino Unido pediu a adesão, mas De Gaulle vetou-a porque considerava este país dominado pelos EUA.

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Só em 1973, o Reino Unido é admitido, juntamente com a Dinamarca e a Irlanda. Os ³6´ passam a ser ³9´. Perante a decisão dos 6 de constituírem uma CEE e a incapacidade da OCDE de estabelecer uma zona de comércio livre mais vasta, 7 países resolveram estabelecer, através da Convenção de Estocolmo ± 4/Jan/1960, a Associação Europeia do Comércio Livre (EFTA). EFTA = Áustria; Dinamarca; Noruega; Portugal; Reino Unido; Suécia; Suíça Tinha duas características: ` - Não formavam uma área geográfica contígua. ` - Não tinham uma pauta comum. PORTUGAL ENTRA NA EFTA Portugal começa a abandonar o isolacionismo do pós-guerra e a participar nos movimentos de internacionalização políticos sobretudo a partir de 1960, com a entrada na EFTA. 21-11-1960 é aprovada a participação de Portugal no FMI e no Banco Mundial. 6-4-1962 Portugal assina o protocolo de adesão ao GATT. Portugal enfrentava várias dificuldades na adesão à CEE. ` - Regime politico de ditadura + política colonial colocavam problemas aos países do Tratado Roma. ` - Por outro lado, o Governo Português queria manter um espaço de manobra com as ultramarinas (É no inicio dos anos 60 que surge a ideia duma zona escudo + constituição dum espaço económico português). ` - Governo Português estava preocupado com a baixa produtividade de muitas empresas + dificuldades que pudessem enfrentar numa zona de comércio livre.
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A solução EFTA foi a preferida pelo Anexo G à Convenção de Estocolmo, era reconhecido que Portugal era ainda um país sub - desenvolvido, pelo que a eliminação das suas barreiras aduaneiras, se faria de forma gradual, excluindo-se estatutariamente a agricultura. A participação de Portugal na EFTA foi um dos factores mais importantes sujjacente ao crescimento das exportações a uma taxa de 19% ao ano, no período de 1960-72.

PORTUGAL CELEBRA ACORDO COM A CEE A 22 de Julho de 1972, Portugal assina com a CEE um acordo de comércio livre para os produtos industriais. Com a adesão do Reino Unido + Dinamarca à CEE, Portugal passa a depender do Mercado Comum em cerca de 40% das suas exportações e 50% das importações. Do ponto de vista das exportações, o acordo estabelece as regras de desmantelamento das barreiras aduaneiras às exportações portuguesas de produtos industriais nos 6 países da Comunidade e na Irlanda + manutenção no quadro da EFTA, a favor das exportações portuguesas para o Reino Unido + Dinamarca (o desmantelamento far-se-ia de forma progressiva em 5 etapas ± entre 1 de Abril de 1973 e 1 de Julho de 1977). Do ponto de vista das importações, prevê-se regra de abaixamento de protecção à indústria a um ritmo mais acelerado que no caso da EFTA (reduzindo os direitos em 5 etapas de 20% cada uma). Foi introduzida uma cláusula de protecção às indústrias novas.

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PORTUGAL ENTRA NOS ORGANISMOS INTERNACIONAIS O 1º financiamento do Banco Mundial a Portugal realizou-se em 1963. Até 1990 foi-lhe concedido 1,3 mil milhões de dólares, em 35 operações que cobriam vários sectores: ` - electricidade ` - indústria manufactureira (adubos, metalomecânica, têxtil, PME) ` - agricultura ` - estradas/pontes ` - abastecimento de águas ` - habitação ` - ensino e formação profissional PORTUGAL RECORRE A CAPITAIS EXTERNOS Portugal tinha estado arredado do mercado financeiro internacional desde 1902, como devedor soberano. Sessenta anos depois, a 6 de Julho de 1962, é colocado junto de um sindicato de bancos americanos, os primeiros empréstimos no valor de 12 milhões de dólares. Depois de mais algumas operações, a política a partir de 1967, foi no sentido de conceder avales do Estado, tendo avultado as operações destinadas ao financiamento da grande barragem de Cahora-Bassa, em Moçambique.

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EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO No domínio da educação, só na década de 50 e princípios de 60 é que se consegue alcançar a escolarização completa ao nível da escola primária. (Deve-se sete esforço a 2 ministros de educação: Pires de Lima (1947-55) e Leite Pinto (1955-61). A reforma de ensino técnico, em finais da década de 1940 é um importante marco no nosso sistema educacional, ao introduzir um sector de ensino essencialmente profissionalizante, que vai fazer subir de modo significativo, o nº e a qualidade da oferta de operários e técnicos a nível elementar e médio. No ensino superior, a taxa de escolarização subiu de 2,3% em 1950, para cerca de 5% em 1960. O nº médio de anos de escolarização da população cresce de 1¶9 para 2,66 (continua a ser um nível bastante baixo). No início da dedada de 70, importa falar da Reforma Veiga Simão, que unificou os ciclos do ensino primário e secundário eliminando o ensino técnico profissionalizante. Embora se tenha previsto que este devesse ser ministrado através do ensino médio (politécnicos), estes nunca chegaram a funcionar de forma a criar técnicos de nível intermédio que tantas análises mostraram como essenciais ao processo de desenvolvimento do país. A escolaridade obrigatória sobe, entretanto, para 8 anos.

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TRANSFORMAÇÃO PROFUNDA DAS ESTRUTURAS O progresso económico alcançado manifestou-se na transformação profunda das estruturas produtivas. É nas décadas de 50 e 60 que se dá uma forte redução da proporção de mão-de-obra no sector primário (49% em 1950 para 34% em 1973), que a industria sobe cerca de 7 pontos percentuais. Em termos de estrutura do PIB, em que o sector primário passa a representar, em 1973 apenas 12% do produto, em contraposição com os 32% de 1950.

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Portugal iniciou em 1931, quando regressou ao sistema padrão-ouro, a reconstituição de reservas de ouro e divisas, (contudo é especialmente no período da 2ª Guerra Mundial e do Pós-Guerra que se inicia um processo de acumulação de reservas de ouro e divisas que iriam colocar o País entre os níveis per capita mais elevados do mundo). O stock de ouro no Banco de Portugal subiu de 71 toneladas, em 1937, para 860 toneladas, em 1973. Neste período há que distinguir 3 fases distintas: ` 1-Vai de 1937 a 1946, em que se acumulam fortes reservas, devido à expansão das exportações; ` 2-Vai de 1946 a 1953, em que se dá uma diminuição e depois, um retorno aos níveis do pós-guerra, devido a enormes défices da balança comercial do período 1947-49. ` 3-Desde 1953 a 1973 3m que o volume do ouro volta a duplicar atingindo as referidas 860 toneladas e as reservas totais ascendem a cerca de 4,5 biliões de dólares ou 111 milhões de contos. Este montante era equivalente a cerca de 14 meses de importações de bens e serviços, com o ouro avaliado a preço de mercado. Como foi possível acumular este volume de reservas? Decorre das elevadas excedentes da balança comercial, que chegaram a atingir 12% do PIB em 1942. Se adicionarmos os excedentes acumuladas da balança de comercial entre 1937/45 e as remessas de emigrantes, contacta-se que entraram 10,4 milhões de aumento das reservas do Banco de Portugal no mesmo período. Esta diferença terá sido devido a entradas de capitais, que segundo vários economistas, resultaram da passagem de refugiados pelo País, bem como a uma balança de serviços que poderá ser mais excedentária que a tendência. A 2ª fase da forte acumulação de reservas deu-se entre 1966 e 1973 e correspondeu a 27 milhões de contos.

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Durante o período do pós-guerra, realizaram-se 3 planos de fomento e um intercalar e estar em lançamento o quarto, quando se deu a revolução do 25 de Abril. O Plano indicativo (era da inspiração Francesa+Holandesa). Este planeamento era entendido como um investimento e um conjunto de medidas obrigatórias para o sector público. Era meramente indicativo em termos de projecções macroeconómicas e de medidas de enquadramento para o sector privado. Os Planos eram elaborados por um departamento que deu origem ao secretariado da Presidência do Conselho. A uma execução anual estava articulada com a preparação e execução do Orçamento do Estado. I Plano de Fomento (1953-58) No seguimento da lei de Reconstituição Económica, o I Plano de Fomento é um conjunto de investimentos orientados para a construção de infra-estruturas: ` -Electricidade e rede (35%); ` -Transporte e comunicação (32%); ` -Hidráulica agrícola, silvicultura e pesca (17%); ` -Investigação e ensino técnico (2%); ` -Industrialização (as industrias de base contam 12%). Os gastos totais são 2% do PIB. Durante entre os períodos a taxa de investimento atingiu em média 23,6% do PIB (contra cerca de 20,9% no quinquénio anterior).

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II Plano de Fomento A política de substituição de importação domina a estratégia da industrialização dos anos 50 e 60. O II congresso dos Economistas Portugueses + II Congresso da Industria Portuguesa (1957) defendiam um nacionalismo industrialista (o qual reconhece, todavia, a dependência externa dos movimentos de integração europeus). Já na lei da Reorganização Industrial e de Fomento de 1945 se reconhecia a necessidade de desenvolver: ` -A industria siderúrgica; ` -A refinação de petróleos; ` -A industria dos adubos azotados; ` -a folha-de-flandres. É a estes 4 sectores+celulose+papel que o 2º plano de Fomento (1959-64) vai atribuir prioridade na estratégia do investimento, mas com base na iniciativa privada. Quanto à construção de infra-estruturas, as maiores parcelas são a electricidade (36%), os transportes e as comunicações (46%) O esforço de investimento em infra-estruturas (excluindo a industria) corresponde agora a cerca de 4% do PIB: o dobro do I Plano de Fomento. Os investimentos utilizados na promoção de novas indústrias eram: ` -o acesso ao mercado de capitais; ` -prioridade no acesso ao crédito; ` -condicionamento industrial (que assegurava um mercado activo); ` -assistência técnica gratuita; ` -os incentivos fiscais. ` A taxa de investimento sobe 2 pontos percentuais para 25,6%.

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O plano intercalar (1965-1966) Este plano intercalar surge na altura dalguma incerteza sobre a evolução da economia portuguesa. (reforçavase a ideia da criação de um espaço político-económico único entre a metrópole e as colónias e, em paralelo, surgiam duvidas sobre a evolução futura da integração europeia). O esforço da construção de infraestruturas mantém-se em cerca de 4% do PIB; A taxa de investimento em FBCF sobe 23% (1964) para 27% no final do plano A energia, os transportes e as comunicações continuaram a absorver cerca de 60% destas despesas; ` No domínio industrial passou a dar-se importância às: Indústrias metalúrgicas Indústrias metalomecânicas Indústrias de material de transporte Indústrias químicas Petróleo Cimentos
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No plano intercalar aparecem novas preocupações: ` Planeamento regional mais distribuição mais equitativa do rendimento ` Necessidade de liberalização do comercio externo mais as empresas enfrentarem a concorrência externa;

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III Plano de Fomento (1067-73) Reconhece-se a necessidade de abandonar o modelo de crescimento baseado na orientação interna por uma visão baseada nas vantagens comparativas e na visão da concorrência internacional. Surge claramente a ideia da necessidade duma politica de promoção das exportações dos limites e custos das politicas de redistribuição substituição das importações e orientados para o mercado interno. Afirma-se que ³na indústria portuguesa tem de conseguir o alargamento dos seus mercados através da exportação ³. Rogério Martins defendia um novo regime industrial, baseado: ` Primazia do mercado e eliminação do condicionamento industrial; ` Apoio a formas de concentração técnica e financeira através da cooperação empresarial; ` Política agressiva de exportações; ` Captação do investimento estrangeiro sobretudo portador de tecnologia e capital intensivo; ` Política antimonopolista e de defesa da concorrência; ` Utilização dum conjunto de incentivos para a reorganização interna das empresas. Durante a execução deste plano, a taxa de investimento sobe de 27% para 36%. Foi durante este plano que se lançou o pólo industrial de Sines, a primeira experiencia de desenvolvimento regional integrado tentada em Portugal.

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IV Plano de Fomento (1974-79) No inicio da década de 70 prepara-se o IV plano de fomento, que teve apenas um ano de execução. Bastante extensivo e abrangente. Este plano é menos preciso que os anteriores. Surge com maior acento tónico, a preocupação com a distribuição do rendimento e com os sectores sociais. Mais a necessidade de assegurar um elevado crescimento para manter o pleno emprego.
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Com a entrada de Portugal no movimento de integração europeia pela entrada na EFTA em 1960, dá-se uma importante viragem na política económica do país. Anteriormente, predominava na política industrial, as ideias de basear o desenvolvimento no mercado interno. Esta visão foi-se alterando de forma substancial: ` Os agentes económicos não reagem apenas a estímulos de política mas também às oportunidades reais dos mercados. ` Ora, passaria o crescimento económico português, a partir de 1960, a ser dominado mais pela substituição de importações ou pela promoção de exportações? Qual foi o impacto dos acordos celebrados nas taxas de protecção efectiva e na industrialização? ` Forte subida do grau de abertura O grau de abertura da economia, medido pelo peso médio das exportações e importações de bens e serviços, subiu de 18% para 25%, entre 1959 e 1973, o que corresponde a um acentuar do processo de integração internacional, iniciado em princípios dos anos 50. A estrutura das taxas de protecção efectiva em 1964, mostra uma concentração nas taxas superiores a 37% para os bens de consumo (já para os bens intermédios a protecção é inferior). Adesão à EFTA Em 1959, a EFTA absorvia cerca de 18% das exportações, a CEE 23% e os EUA 12% (as colónias absorviam 25%). É evidente o impacto dos movimentos de integração: o índice de quotas de mercado das exportações portuguesas subiu a cerca de 26 pontos percentuais.
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Em relação à EFTA, Portugal ganhou cerca de 56 pontos percentuais na quota de mercado entre 1959 e 1970 (o que é notável). Esta subida deve-se ao progresso técnico que se alargou a vários sectores e aos efeitos de escala e de externalidades que o aumento das exportações que a EFTA proporcionou. Liberalização do comércio externo O desmantelamento aduaneiro reflectiu-se no total das receitas de direitos aduaneiros, que baixou de 12% das importações em 1959, para 7,3% em 1967. Contudo, os cálculos de vários economistas revelam que a taxa de protecção efectiva da economia se manteve entre 25% (1964) e 28% (1970). Só a partir de 1970 se verificaria um forte abaixamento. O regime geral para a eliminação dos direitos aduaneiros sobre o comércio no interior da EFTA foi inicialmente fixado em 10 anos, mas foi reduzido para 6 anos. Contudo, Portugal dispôs, para a eliminação dos direitos, de um período, inicialmente fixado em 20 anos, que acabou por varias vezes por ser prolongado e só veio a terminar em 1992. Apenas nas mercadorias de que não havia produção interna é que Portugal acompanhou o ritmo dos seus parceiros. A protecção aduaneira das indústrias novas ao abrigo da convenção de Estocolmo, não podia exceder 20% em termos nominais e deveria crescer rapidamente. Uma das indústrias que beneficiou deste regime foi a de montagem de automóveis, onde se estabeleceram mais de 20 empresas (muitas delas ineficientes e que vieram posteriormente a ser eliminados). A inclusão de concentrado de tomate/ conservas de peixe / bem como o tratamento preferencial dado aos vinhos na liberalização dos países da EFTA permitiu uma forte expansão das exportações destes produtos. Outros sectores que beneficiaram foram: nos têxteis; vestuário; pasta de papel.
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Impacto da integração na EFTA Fernando e Álvares (1972), dois economistas começaram por referir que as exportações portuguesas para a EFTA se expandiriam à taxa de 17% ao ano entre 1959 e 1970 (enquanto que na década precedente o seu crescimento fora de 4% ao ano) Por outro lado, as exportações que beneficiaram do anexo G expandiram-se cerca de 8 vezes, enquanto os totais para o estrangeiro cresceram apenas 3 vezes, no mesmo período. O efeito da EFTA sobre as nossas exportações é estimado em cerca de 60% sobre as exportações para a EFTA observadas em 1970, ou seja, em cerca de 20% em relação ao total das exportações. Segundo as estimativas de Fernandes e Álvares a contribuição potencial deste acordo seria de cerca de 13% ao ano, sobre as exportações para esta região, se se mantivessem as taxas de crescimento globais na década de 60 e com as participações no comércio de 1970. Um estudo do secretariado da EFTA estimava em cerca de 15% , no período de 1959-65, o efeito sobre as exportações ³devido à EFTA´ ± o efeito mais interno entre os diferentes participantes. As exportações que mais beneficiaram seriam: ` Metalúrgicas ` Material eléctrica ` De transportes ` Calçado ` Plásticos
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Taxas de protecção efectiva No período de 1970 a 1974, a taxa de protecção efectiva média na economia reduziu-se de 28 para 12%, segundo as estimativas de vários economistas, enquanto a protecção nominal baixou de 13 para 4%. As medidas de política introduzidas por Marcelo Caetano reflectiram largos incentivos ao investimento industrial (lei do fomento industrial) e a redução da lista de indústrias sujeitas a condicionamento/quotas. Aumentaram também os benefícios ao investimento directo estrangeiro, que desde o novo código de 1965 havia registado uma expansão de cerca de 10 para 1000 milhares de contos e que em 1973 ultrapassou os 2 milhões de contos.
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Emigração Outro fenómeno fundamental para compreender o crescimento económico português nesta época foi o elevado ritmo de emigração e a sua contribuição para o equilíbrio da Balança de Pagamentos. O nº de emigrantes totais (Legais e clandestinos) subiu de 34 mil (1957) até atingir um máximo de 180 mil (1970). Em termos de população activa a proporção de trabalhadores emigrados subiu de 0,5% ao ano para cerca de 3,6% em 1970. Segundo Mateus, o nº de trabalhadores portugueses residentes em França (1973): 553 mil pessoas, na Alemanha 68 mil, nos EUA 81 mil e no Canadá 57 mil. O impacto deste enorme fluxo migratório na Balança de Pagamentos foi essencial para financiar o défice da balança de bens e serviços.
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As transferências privadas a crédito (remessas de emigrantes) subiram de cerca de 2,5 biliões de francos franceses em 1960 para 11,7 biliões em 1973. Enquanto que no período 1960-63, apenas cobriam 54% daquele défice (devido aos custos da guerra), a partir de 1966 as remessas passam a cobrir totalmente o défice e em 1970-73 representavam 147% do défice. Também em termos do PIB o seu acréscimo é importante, passando de 3% (1960) para 8,2% (1972).

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O impacto sobre a população activa e emprego é substancial. Em termos acumulados, o total de emigração de trabalhadores representa uma diminuição da população activa de cerca de 25% (só no período de 1957 a 1973). Os efeitos desta redução traduziram-se na diminuição da taxa de desemprego, na redução do desemprego e subemprego agrícola, (uma grande maioria da população vinha das zonas rurais) e numa subida da taxa de salário. Os salários reais cresceram cerca de 163% entre 1957 e 1972, ligeiramente acima do PIB per capita, que cresceu 157% a preços constantes reflectindo a escassez de trabalho. Em conclusão, a intensa emigração provocou uma forte transformação das estruturas rurais no campo português, com elinminação de grande parte do subemprego existente. O enorme volume de remessas de emigrantes sustentou uma subida do rendimento nacional que atingiu cerca de 7% no final do período e que veio contribuir para cobrir uma parte substancial do défice da balança de bens e serviços. Finalmente, alguma escassez da oferta de trabalho que se sentiu, reflectiu-se numa forte subida do coeficiente de intensidade capitalística. A subida dos salários começou a fazer-se sentir mais intensamente e o sobreaquecimento da economia levou a uma subida da taxa média de inflação para cerca de 4,6% entre 1963 e 1972. Transferência de tecnologia Um estudo sobre a transferência da tecnologia importada durante o período identifica 326 contratos de tecnologia importada.
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As formas que a transferência da tecnologia assumiu são variadas: ` Transferência de ³conhecimentos técnicos´ ` Patentes ` Formação de pessoal ` Estudos de viabilidade ` Serviços de controlo/manutenção de equipamentos ` Aquisição de bens de capital A transferência esteve associada ao IDE (investimento directo estrangeiro), sendo o período de maior intensificação a partir de 1965. ` Os principais fornecedores de tecnologia nos anos 60 e inícios dos anos 70, foram: ` França ` Reino Unido ` Alemanha ` EUA ` Bélgica ` Suiça ` Itália

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Os principais sectores beneficiados foram as: ` Indústrias metalomecânicas ` Indústrias químicas ` Indústrias farmacêuticas ` Industrias de componentes e material eléctrico ` Têxtil ` Alimentar O investimento directo estrangeiro O IDE em Portugal foi diminuto até aos anos 50 (0,6 milhões de dólares por ano), limitado pela política nacionalista do regime e por políticas económicas viradas para o mercado interno. Apenas no início dos anos 60, o IDE começa a ter relevância. Em 1966-68 atingiu a média anual de 26,1 milhões de dólares. Em 1972-74 cerca de 98,4, valores ainda baixos por comparação internacional aos níveis dos anos 90. O crescimento deu-se em todo o caso, devido à abertura ao exterior e integração de Portugal na EFTA, à liberalização que começou a ocorrer no regime de licenciamento de importações e movimentos de capitais e à atribuição de incentivos fiscais aos investidores, tanto nacionais como estrangeiros. Para a sua intensificação contribuiu decisivamente o Código do Investimento Estrangeiro de 1965.
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Exceptuando os sectores dos: ` Derivados do petróleo ` Transportes ` Comunicações ` Armamento ` Actividades em regime de concessão (Embora ainda esteja em vigor, o condicionalismo industrial mitigado) assegurava-se o repatriamento dos lucros, proíbe-se a expropriação sem indemnização. Principais sectores que beneficiam do IDE: ` Indústria transformadora ` Comércio ` Turismo Principais países investidores: ` Alemanha 26% (1969-74) ` EUA 22% ` Reino Unido 14%

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O economista Dougs em 1980 considerava e estamos a falar de dados de 1975, que as empresas com participação de capital estrangeiros representavam: 16,6% da produção industrial e 12,3% do emprego. Em 1975, Portugal detinha apenas 5,3% do capital investido nos países do Sul da Europa pela OCDE com a: Espanha, Grécia e Turquia (à frente) O impacto do IDE não deixa de ser importante: ` Contribuiu 3,6% para F.B.C.F ao ano, entre 1965-74 ` Contribuiu 4,5% para o emprego industrial Mas é sobretudo em relação às exportações que desempenha um papel estratégico, contribuindo com cerca de 42,5% em média, naquele período. Os estudos mencionados identificam os seguintes sectores como aqueles em que o capital estrangeiro contribuiu para as exportações: ` Máquinas ` Material de transporte ` Material eléctrico ` Papel e pasta de papel ` Têxteis ` Vestuário ` Calçado ` Reparação naval ` Metalomecânica

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Acentuar de convergência A economia teve no período que vai de 1950 aos inícios de 1974, o período de ouro do seu crescimento, acompanhando o resto da Europa. O grau de convergência é bem patente numa redução da divergência em 25 pontos percentuais, para 61% da média da CEE-15 do PIB per capita avaliado em PPP. Entre os factores determinantes daquele progresso destaca-se: ` A abertura da economia ao exterior, com o impacto da integração europeia e transferência de tecnologia que se operou através do IDE, e das diferentes formas de comércio internacional e de esforço de construção de infra-estruturas. ` O coeficiente de intensidade capitalística subiu fortemente. ` Balança de bens e serviços foi equilibrada pela forte corrente emigratória e pelas remessas de emigrantes associados. ` Progressiva liberalização da economia ` Manutenção da estabilidade macroeconómica ` Orientação ³desenvolvimentista´ introduzida nos planos de fomento ` Política de industrialização Tudo isto favoreceu um clima favorável de crescimento.
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Em Abril de 1974, acaba o regime do Estado Novo, derrubado por uma revolta militar. As perturbações sociais e políticas, a alteração radical dos direitos de propriedade do país, bem como os fortes desequilíbrios macroeconómicos, que também derivaram de dois choques petrolíferos, levaram a duas quebras sucessivas do produto e a um recuo no processo de convergência com a Europa. Só em 1976 surge um novo regime constitucional que não deixou de reflectir as perturbações que o país atravessava e que levaram vários anos a normalizar. Entre 1973 e 1985, o fosso face à União Europeia alargou-se em cerca de 7 pontos percentuais. Com a integração de Portugal na CEE, em 1986, dá-se um aumento rápido da abertura da economia ao exterior, em conjunto, com uma melhoria das razoes de troca que permitiu o reequilíbrio da Balança de Pagamentos (associado a 2 programas de estabilização negociados com o FMI). A recuperação da economia foi bastante forte, entre 1977 e 1980, pelo que o crescimento apresentou uma taxa de 1,8% ao ano, em termos de per capita. A década de 70 e seguintes trazem uma forte subida do capital humano, passando o número médio de anos de escolarização da população de 2,2 em 1970, para 7 anos, em meados da década de 90. No princípio da década de 90, Portugal ultrapassa o limiar do PIB per capita normalmente considerado na definição de País desenvolvido. Como membro da U.E. e satisfazendo o esforço necessário para a entrada na União Monetária, a politica económica finalmente frutos (convergindo os graves desequilíbrios das duas décadas anteriores ) Em 1996 e em termos da paridade do poder de compra, Portugal antige o nível de 12319 por pessoa, de acordo com os dados da Comissão Europeia ou 12670 , segundo o Banco Mundial.
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No período de 1961 a 1997, Portugal havia reduzido o gap em relação à média da U.E. em 39 pontos percentuais. Enquadramento Internacional No início doa anos 70, embora as raízes já viessem da década anterior (com a inflação nos EUA mais o Boom dos preços da matérias primas), as economias dos países industrializados estavam sobreaquecidas. Os governos tiveram de enfrentar fortes pressões inflacionistas mais o choque do preço do petróleo imposto pela O.P.E.P. Em 1974/75 deu-se uma forte redução do crescimento económico ³de ouro´ da época anterior, não mais se restabelecendo a antiga situação. A época de 1973/96 é caracterizada por evoluções muito diferenciadas, abaixo da sua capacidade produtiva. Em 1982, estala a crise da divida externa entre os países subdesenvolvidos, que marca o inicio de uma década de quase estagnação na América Latina. A década de 80, em termos de situação económica europeia, recebe o nome de ³euro-esclorose´. Devido ao fraco ritmo de crescimento e ao aumento continuo do desemprego: ` - Há países como Espanha, Irlanda, Dinamarca que atingem taxas de desemprego de 15% a 25%. ` - No final dos anos 80, a persistência dos défices orçamentais origina níveis considerados insustentáveis da dívida pública que atinge médias de 60% do PIB e em alguns países (Bélgica, Itália), chega a 120% e 140%.
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- Na Suécia, Finlândia, Holanda, Dinamarca, atingem-se níveis de peso do sector público sobre a economia mais o desincentivo ao trabalho (fruto da chamada welfare stade) que são consideradas incomportáveis pelos respectivos governos (alguns deles encetam programas de redução dos custos destas politicas). Mas o acontecimento mais marcante desta época é a queda dos regimes comunistas na Europa do Leste. O muro de Berlim cai em 1989 (inicia-se o processo de reunificação da Alemanha). Por toda a Europa de Leste os regimes comunistas (que tinham mantido uma fachada de crescimento económico, poder militar e uma elevação de nível de bem-estar de população) vão caindo uma a um, através de movimentos populares, mostrando a falência da economia socialista planificada. ` - Com o desfazer da URSS surgem 15 novos países. ` - Com o desfazer da Jugoslávia, surgem 6 novos países. ` - Com o desfazer da Checoslováquia, surgem 2 novos países. O nível de produção nestas economias, depois de estarem estagnadas durante uma década, cai cerca de 1/3, chegando nalguns casos a mais de metade. Inicia-se o processo de transição destas economias para o capitalismo, implicando reformas profundas no sistema económico e a formação duma classe empresarial (o que se revelou mais penoso e lento do que os economistas previam e as populações ansiavam).
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da desaceleração e retoma de convergência 2. A crise de 1975-79 e o primeiro programa de estabilização com o apoio do FMI 3. A crise de 1982-84 e o segundo programa de estabilização com o apoio do FMI 4. As alterações estruturais institucionais na economia portuguesa 5. As relações laborais, direitos dos trabalhadores e custos de trabalho

1. Causas

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A taxa de crescimento do PIB, no período de 1974-97 foi de 3,6% (contra 5,9% em 1953-73). A desaceleração do crescimento, comum aos países desenvolvidos é, por vezes, associada ao primeiro choque petrolífero, mas este fenómeno é sobretudo o resultado da «desaceleração da produtividade». Nesta desaceleração há causas comuns aos países desenvolvidos e em particular à Europa, Portugal teve causas especificas que interessa ressaltar: - Atraso demorado no ajustamento da balança de pagamentos, depois do desequilíbrio iniciado em 1974, que só veio a ser resolvido com a melhorias das razoes de troca em 1983-84 e após dois programas de estabilização apoiados pelo FMI. - O arrastar do ajustamento do desequilíbrio orçamental desencadeado em 1975 e que não começaria a ser resolvido duradouramente senão na década de 90, permanecendo ainda sérios problemas sobre a sustentabilidade no défice público alargado (incluindo segurança social, empresas públicas, dívida garantida directa e indirectamente) ainda actualmente. - As profundas alterações nos direitos de propriedade, que levaram à nacionalização de um parte substancial da actividade económica em 1975. As ineficiências na gestão, mais as enormes perdas acumuladas que dai resultaram. Só começaram a ser invertidas depois de 1985 e em particular, com o processo de privatizações iniciado em finais da década de 1980. A estabilidade económica, a clareza, a segurança nos direitos de propriedade são determinantes básicos para a moderna teoria do crescimento.

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Flutuações Conjunturais Em termos de flutuações conjunturais, dá-se em 1975, a recessão mais séria desde 1940, com o PIB a cair cerca de 5%. A recuperação é rápida. A persistência de elevados défices da balança, mais o orçamento, provoca uma nova crise em 1983-85. Assim entre 1975 e 1985, a taxa de crescimento do PIB reduz-se para 3%. Entre 1986 e 1992 dar-se-ia uma forte recuperação, com o PIB a subir ao ritmo anual de 5,6%. Com a recessão instalada na Europa, a partir de 1992, Portugal acaba por registar uma desaceleração do crescimento, tendo o PIB entre 1992 e 1997, crescido a uma média de 2,3%.
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Revolução do 25 de Abril O acontecimento que marca o início desta fase foi a revolução de 25 de Abril de 1974, de que resultaria mais tarde, a restauração da Democracia em Portugal.
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