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DEIXIS

A deixis ( palavra importada do grego antigo, com o significado de “acção de mostrar” ) é uma
das formas de conferir o seu referente a uma sequência linguística, situando um enunciado no espaço
e/ou no tempo em relação ao enunciador.
É uma forma de designar o tipo de relação referencial que se estabelece entre uma expressão
linguística ( dita deíctica ) e um elemento da situação de enunciação. O modelo deste tipo de referência
é o signo eu, que designa, no enunciado, a pessoa que diz “ eu “.
Distinguem-se algumas espécies de deícticos:
os deícticos pessoais eu e tu ( ou as formas do plural correspondentes ) que designam as
pessoas da interacção: Eu acho que vou à praia. E tu?;
( Para além dos pronomes pessoais relevam também da deixis pessoal os possessivos, a flexão
verbal e os vocativos, certas formas de tratamento ( você, o senhor, vossa excelência, ... )
os deícticos espaciais, que dizem respeito aos determinantes e pronomes demonstrativos:
Este saco é teu? E aquele também é?; ao advérbio apresentativo eis: Eis o homem de que falávamos há
pouco!, Ei-la que chega! Até que enfim!; aos advérbios ou grupos adverbiais: Aqui está-se bem!; Eu virei
à
esquerda;
( Incluem, ainda, certos verbos de movimento, como, por exemplo, ir, vir, trazer, levar que
gramaticalizam a relação de proximidade maior ou menor relativamente ao lugar ocupado pelo locutor:
Esta mesa é mais larga do que aquela: fica melhor aqui do que ali. )
os deícticos temporais referentes quer aos advérbios de tempo: Hoje ainda não preguei olho;
quer às desinências verbais específicas dos tempos no presente, no pretérito ou no futuro: Ela roga
que
a ouças; Eu esperava por ela há três horas; Eu telefonar-lhe-ei.
A deixis estabelece-se entre uma expressão linguística e um elemento exterior ao enunciado.
Satisfaz-se com as indicações fornecidas pelo próprio acto de enunciação e da mostração: se alguém diz
“Eu quero este carro” , o referente de “eu” é identificado de forma completa pelo facto de ser “eu quem
enuncia a frase”. Mas para relevar o “carro que eu quero entre os outros que estão expostos”, é preciso a
presença do deíctico este, elemento da “mostração” por meio do gesto, da atitude, do olhar.
Deixo-te aqui o trabalho para hoje; volto já.
Quase todos os termos usados são deícticos: apontam para elementos da situação de
enunciação – os participantes do acto verbal, o lugar e o momento do tempo em que eles se situam – e a
sua interpretação exige, portanto, o conhecimento compartilhado dessa situação.
No sábado fui ao Centro Comercial e voltarei amanhã se ainda houver saldos.
É a partir do triângulo enunciativo – eu /aqui /agora – que se estabelece um antes ( No sábado )
e um depois ( amanhã ), num determinado lugar ( o Centro Comercial ) e em relação a um determinado
referente ( os saldos ).

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