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APOSTILA_DE_LOGÍSTICA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÁO CARLOS-UFSCar

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA-CCET DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL-DECiv

LOGÍSTICA
ARCHIMEDES AZEVEDO RAIA JUNIOR Notas de Aula SÃO CARLOS 2007

LOGÍSTICA

NOTAS DE AULA

Prof. Archimedes Raia Jr.

Conteúdo
1 LOGÍSTICA: UMA FUNÇÃO ESSENCIAL .......................................................... 3 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 2 2.1 2.2 2.3 3 4 3.1 4.1 ORIGENS ...................................................................................................... 3 DEFINIÇÕES................................................................................................. 3 RELAÇÃO LOGÍSTICA E COMPETITIVIDADE ............................................ 6 APLICAÇÕES LOGÍSTICAS ......................................................................... 8 ESTRATÉGIA LOGÍSTICA ............................................................................ 9 FORMAS DE COMÉRCIO........................................................................... 11 O PAPEL DA LOGÍSTICA ........................................................................... 15 DEFINIÇÕES E CONCEITOS ..................................................................... 16 A CADEIA DE SUPRIMENTOS E SUA GESTÃO ....................................... 28 FUNÇÕES DE DEPÓSITOS E ARMAZÉNS ............................................... 33 Operação de Recebimento ................................................................... 35 Operação de Carregamento e Descarregamento ................................. 35 Movimentação ....................................................................................... 37 Armazenagem....................................................................................... 39 Preparo de pedidos ............................................................................... 40 Circulação externa e estacionamento ................................................... 41

RELAÇÕES ENTRE LOGÍSTICA E COMÉRCIO .............................................. 11

GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ..................................... 24 ARMAZENAGEM DE PRODUTOS EM DEPÓSITOS E ARMAZENS ............... 33 4.1.1 4.1.2 4.1.3 4.1.4 4.1.5 4.1.6

5

CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ............................................................................. 42 5.1 5.2 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ....................................................................... 43 Características dos canais de distribuição ............................................ 44 Etapa 1 – Definir os segmentos homogêneos de clientes .................... 45 Etapa 2 – Identificar e priorizar funções ................................................ 45 Etapa 3 – Realizar benchmarking preliminar ........................................ 46 Etapa 4 - Revisar o projeto ................................................................... 47 Etapa 5 – Analisar custos e benefícios ................................................. 47 Etapa 6 – Integrar com atividades da organização ............................... 47 DEFINIÇÃO DOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO .......................................... 45 5.1.1 5.2.1 5.2.2 5.2.3 5.2.4 5.2.5 5.2.6

6

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA .................................................................................... 52 6.1 6.2 COMPONENTES DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ..................... 52 TIPOS BÁSICOS DE DISTRIBUIÇÃO ........................................................ 53 Sistema de distribuição UM PARA UM ..................................................... 53 Sistema de distribuição UM PARA MUITOS .............................................. 56

6.2.1 6.2.2 7

O TRANSPORTE NA DISTRIBUIÇÃO FÍSICA ................................................. 60

LOGÍSTICA 7.1 7.2

NOTAS DE AULA

Prof. Archimedes Raia Jr.

ROTEIRIZAÇÃO.......................................................................................... 60 PROBLEMAS DE ROTEIRIZAÇÃO ............................................................ 61 Problemas de roteirização pura de veículos ......................................... 61 Problemas de programação de veículos e tripulações ......................... 63 Problemas combinados de roteirização e programação ....................... 64 Tendências tecnológicas da roteirização .............................................. 65 Roteirização no SIG TransCAD ............................................................ 66 Encontrando um menor caminho .......................................................... 67 Menor caminho ou Caminho mais Rápido ............................................ 67 Problema do Caixeiro Viajante.............................................................. 68 Particionamento de rede ....................................................................... 70

7.2.1 7.2.2 7.2.3 7.2.4 7.2.5 7.2.6 7.3 7.3.1 7.3.2 7.3.3

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE SIG EM LOGÍSTICA .............................. 67

7.3.4 Resolvendo um problema de roteamento de veículo com Janela de Tempo .............................................................................................................. 71 7.3.5 7.3.6 7.3.7 7.3.8 Resolvendo um problema de roteamento de arco ................................ 71 Resolvendo um problema de localização duplamente ponderado ........ 72 Resolvendo um problema de particionamento regional ........................ 73 Resolvendo um problema de localização da facilidade ........................ 73

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 75

um sistema logístico pode agregar valor de lugar ao conjunto de sala de visita. É preciso que se evite que situações de modismo acabem por influenciar o uso equivocado da palavra. quando saem das fábricas já possuem valores intrínsecos agregados a eles. Este fato se repetiu. expandindo seu escopo para a indústria. encontrando novas aplicações. no momento. é simplesmente deslocar materiais e . seu significado e. posteriormente. e ii) fábricas e os locais de origem de matérias-primas e componentes necessários para o fabrico de produtos. o que é mais grave. e virou moda. Inicialmente. 1 LOGÍSTICA: UMA FUNÇÃO ESSENCIAL Ouve-se. sem o status da estratégia belicista e de resultados vitoriosos da batalhas. nas empresas por um espaço de tempo considerável. deste à loja e. segundo Novaes (2001). termos. no entanto. um grupo de disponibilizasse o deslocamento. que no mercado. armamentos. denominações a respeito da logística. Para que os clientes finais possam realmente fazer uso destes produtos. A decisão de expansão das tropas segundo uma determinada estratégia militar. equipamentos e material de atendimento médico no campo de guerra. a palavra logística é derivada do radical grego logos. Estes. Porém. Assim. no momento certo. em geral. O conceito elementar de transporte. de armamentos e munições. os comandantes militares necessitavam ter sob seu comando. alimentos. Mas de onde vem o termo logística? 1. de suas técnicas e atividades. a logística foi desenvolvida na área militar para designar atividades de suprimentos. Qual a sua importância? Qual o seu significado? Qual é a definição de logística? Um aspecto básico do processo produtivo é a distância espacial existente entre: i) o sítio da indústria e os mercados consumidores. comércio e serviços em geral. as equipes militares que eram responsáveis pelos aspectos logísticos ficavam sempre em um plano inferior. Foi por este motivo. equipamentos. Este valor de lugar depende do transporte do produto desde a planta industrial ao depósito. que as atividades logísticas foram por muito tempo confundidas com as atividades de transportes e armazenagem. estocagem. da loja à residência do cliente. 1.2 DEFINIÇÕES O termo logística tem feito muito sucesso. Archimedes Raia Jr. Como este era um serviço de apoio. uniformes e tropas. Para que um conjunto de sala de visita tenha pleno valor para o cliente é preciso que ele esteja colocado na sua residência. Pode-se depreender disso que a logística significa "a arte de calcular" ou "a manipulação dos detalhes de uma operação". pouco se sabe sobre as atividades logísticas e como as mesmas devem ser definidas nas empresas. Atribui-se à logística a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso das diversas empresas. conceitos.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. é necessário que eles sejam colocados nos pontos desejados pelos clientes. comércio e serviços.1 ORIGENS Considerando o aspecto etimológico. que tem o significado de razão. Percebe-se. hoje em dia. no entanto. movimentação e transporte de bens tais como: remédios. no momento do reconhecimento. encontrando novas aplicações. muitas informações. A logística se desenvolveu muito após a Segunda Guerra Mundial. a logística muito se desenvolveu nas últimas décadas. expandindo seu escopo para a indústria.

muito importante. com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor”. distribuição. mesmo sendo de grande importância. têm incorporado o valor informação ao seu sistema logístico. Surgem. obrigando ao cumprimento de prazos estabelecidos de forma muito mais severa. em sua origem. O conceito de logística. norte-americano. obtenção. Segundo o Council of Logistics Management.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. passou a não satisfazer de maneira isolada às necessidades das organizações e clientes finais. Nos últimos anos. bem como os serviços e informações associados. movimentação. se está em trânsito. constatar que a tradicional logística empresarial passou por grande evolução. Isto se torna significativo porque o valor monetário dos produtos vem se elevando gradativamente. Na hipótese que o produto seja disponibilizado adequadamente desde a origem até o destino. estava associado a aspectos militares. de São Paulo. ou seja. Pode-se. Para que essas atividades produzam o efeito desejado. estejam intimamente relacionadas com as funções de manufatura e marketing. Pode-se citar a Livraria Cultura. com benefícios diretos aos clientes. Logística é definida como sendo a união de quatro atividades básicas. se já foi despachado. manutenção e evacuação de material. armazenagem e entrega de produtos. produzindo custo financeiro igualmente alto. então. implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos. tanto para fins administrativos ou operacionais. se já foi despachada. que é o valor qualidade. sejam elas de materiais ou de processos. ainda assim as funções logísticas não estariam exercidas de forma plena. passando a incorporar estes novos valores (tempo. “logística é o processo de planejar. tudo que não agregue valor aos clientes. consideradas básicas: aquisição. com o intuito de eliminar “gordurinhas” do processo logístico. Paralelamente. Com a evolução do sistema produtivo e do setor comercial. algumas empresas logísticas classe mundial vêm incorporando um fator adicional. o cliente pode acompanhar se ele já foi faturado. é fundamental que as atividades de planejamento logístico. em que depósito ela se encontra. do processo produtivo. portanto. Faltaria ainda um outro aspecto. A figura 1. etc. Várias empresas. o valor informação. que desde quando recebe o pedido de um livro via Internet. em nível nacional. . mercadorias de um ponto a outro no espaço. Os clientes podem acompanhar a posição espacial de sua encomenda desde a sua saída da agência de postagem até o destino. As informações permitem ao cliente rastrear a localização de uma determinada mercadoria. armazenamento. informação) à cadeia produtiva. Um outro elemento muito importante que passou a fazer parte da cadeia produtiva é o valor de tempo.1 apresenta o quadro contendo os principais elementos da logística. a moderna logística procura eliminar. Outro exemplo é o serviço Sedex dos Correios. significando como a parte da arte bélica que trata do planejamento e da realização de projeto e desenvolvimento. Archimedes Raia Jr. os conceitos de ECR-Efficient Customer Response e QR-Quick Response. cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo. O termo logística origina-se da língua francesa. no prazo estabelecido. o elemento transporte. qualidade. transporte. reparação. etc.

À medida que as organizações investem em novos parceiros comerciais. e que agora passarão a ser produzidos pela mais nova empresa horizontalizada. . proporcionada pelo ganho de escala na produção e pelo desenvolvimento tecnológico. ou seja. uma questão pode ser colocada: se os custos são tão altos. Archimedes Raia Jr. Ao se analisar essa situação de forma holística. Logística é a chave de muitos negócios por diversos motivos e dentre eles pode-se citar os elevados custos de operação das cadeias de abastecimento. uma vez que elas acabam por investir em tecnologia de ponta para os desenvolvimentos dos materiais. poderá ocorrer falência daquelas que não se enquadrarem neste novo paradigma. Figura 1. por que então horizontalizar e criar demandas para as atividades logísticas? A resposta para esta pergunta pode ser sintetizada em duas palavras. etc. a atividade logística passa a agregar valor aos produtos. ampliando o número de fontes de suprimento e dificultando a administração desse exército de fornecedores. constata-se que há. distribuição de petróleo e combustíveis. uma redução de custos. distribuição de bebidas transporte público. A partir desse momento. melhorando os níveis de satisfação dos usuários. Diante deste panorama. Um alerta precisa ser feito: se a mudança na atividade logística não for acompanhada pelas diversas organizações. Mas. alimentícias. quando devidamente acompanhada de estudos logísticos. focado agora em uma determinada linha de produto.1 – Principais elementos da logística Muitos são os tipos de organização do setor público ou privado que fazem uso dos serviços logísticos. de transporte de cargas. Mais significativa do que tal redução. na verdade. Verifica-se que a tendência das organizações é o processo de horizontalidade. é explicada pela especialização das empresas fornecedoras. a globalização do mercado. ainda pode ficar uma questão a ser esclarecida: como se dá essa propalada diminuição nos custos? Essa redução. muitos produtos até então produzidos por determinada empresa do fim da cadeia de fornecimento passam a ser produzidos por outras empresas. ampliam-se os gastos com o planejamento de toda a cadeia logística. Neste processo. até então produzidos pela empresa que está no fim da cadeia. a tendência é que exista uma redução de custos. serviços postais.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Pode-se citar como exemplos: empresas manufatureiras.

de modo geral. elas precisam também aumentar a sua qualidade e confiabilidade. terão ciclos de vida curtos. O sucesso desta empreitada. o que pode soar conflitante. no momento certo. retratado pelas possibilidades de consumo e produção globalizadas. simultaneamente. 1 O termo é muitas vezes utilizado para descrever coisas que podem ser graduadas. etc. conseqüentemente. o objetivo seria atingir esses alvos simultaneamente. ágeis e flexíveis. A ampliação do cenário de competição. a eficiência e a eficácia nesse processo. forçam as organizações a serem criativas. Sem dúvida. os clientes poderão ficar profundamente frustrados. algo em comum entre todas essas abordagens. Esses fatos têm evidenciado que a diferenciação pode ser obtida pela prestação de um maior e mais completo pacote de serviços. também a qualidade das operações passa a ser um atributo-chave. Alguns aspectos são comuns a todas elas: produzir a um custo menor. no entanto. os fabricantes estão caindo em uma vala comum. da redução dos preços praticados. nas condições adequadas para o cliente certo ao preço justo. inclusive para entrega futura. em geral. Numa situação como essas. e a mudança no perfil dos clientes. fica evidente a intenção de se atingir. essas vantagens deveriam ser as mais duradouras possíveis e devem tornar-se bem perceptíveis aos olhos dos clientes. 1. Numa situação ideal. no local certo. transformando os produtos em commodities1. As metas da logística são as de disponibilizar o produto certo. pois a oferta dessas commodities deve vir acompanhada da manutenção ou. Além disso. na quantidade certa. açúcar. Existem diversas teorias sobre a obtenção de vantagens competitivas. tais como o café. percebe-se que as marcas estão perdendo o seu poder de sedução e. Se as organizações não forem capazes suficientemente de cumprir as suas promessas. e que são compradas e vendidas numa Bolsa de Mercadorias. Recentes pesquisas mostram que os produtos. ao se criarem maiores expectativas para os clientes. essas são tarefas que estão desafiando os executivos em todo o mundo e exigindo maiores esforços. colocando a organização num patamar de supremacia diante de seus concorrentes. algodão. os quais. no entanto. Pode-se perceber que essas atividades logísticas estão inseridas nos mais diferentes setores das organizações e suas corretas aplicações se fazem necessárias para que as atividades sejam desenvolvidas de forma adequada.3 RELAÇÃO LOGÍSTICA E COMPETITIVIDADE A competição entre as organizações é uma realidade que não se pode mais ser ignorada. Existe. surge a implementação da logística para a obtenção de vantagem competitiva. Assim. a necessidade de lançamentos mais freqüentes de novos produtos. A atualização tecnológica. até mesmo. Muitas organizações buscam um diferencial em relação aos seus concorrentes para conquistar e manter os clientes. estão se tornando cada vez mais parecidos na percepção dos clientes. agregar mais valor.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Além disso. E. a aplicação de processos produtivos mais competentes e enxutos e o acesso a fontes de suprimento capazes de garantir matérias-primas de qualidade são realidades que estão permitindo o nivelamento dos fabricantes de um mesmo produto. Isto representa um desafio. está se tornando cada vez mais difícil. cada vez mais bem informados e exigentes. Archimedes Raia Jr. Para estas teorias. e poder atender de maneira mais efetiva às necessidades de um determinado nicho de mercado. .

em menores quantidades. e dá-se uma mudança no foco do relacionamento. b) o pessoal envolvido deve ser treinado e estar capacitado. a organização amplia sua visão e pode se tornar muito mais ágil e mais flexível do que seus concorrentes. com mais rapidez. Como existe parceria. A agregação de valor poderá surgir da oferta de entregas mais confiáveis e freqüentes. sem perda de qualidade no atendimento ao cliente final. que representem benefícios. novos arranjos produtivos podem ser desenvolvidos. podendo ser dotados de melhor funcionalidade e ser produzidos a custos totais mais baixos. através de um processo bem coordenado. . por exemplo. e eliminação dos desperdícios. A atividade logística está diretamente voltada para a resolução de uma questão crucial: como agregar mais valor e. além de otimização dos sistemas de transporte e armazenagem. o planejamento estratégico será compartilhado e os riscos serão divididos. Para que um sistema logístico seja corretamente implantado e atinja os objetivos planejados. c) devem ser definidos os níveis de serviços a serem oferecidos. uma maior utilização dos ativos envolvidos. Conceitos mais modernos como Outsourcing e o Global Sourcing passam a ser utilizados. e confiáveis permitem que o cliente trabalhe com estoques menores. 2002): a) o sistema deve ser planejado para atender as necessidades dos clientes. em menores quantidades. o emprego racional e a otimização de todos os fatores usados. onde se percebe que as montadoras de automóveis. que passará a ser feito de forma sincronizada com o fluxo de informações. portanto. melhores serviços de pós-venda. reduzir os custos. ou no consórcio modular empregado na fábrica de caminhões da Volkswagen. É o que se pode observar. Neste ambiente. Archimedes Raia Jr. em Resende (RJ). O projeto e o desenvolvimento conjunto de produtos permitem que uma cadeia lance novos produtos. lançaram mão de tais arranjos. minimizar os recursos necessários para a realização das atividades. Haverá. Pode-se citar como exemplo. entregas mais rápidas. d) a segmentação dos serviços deve dar-se de acordo com os requisitos de serviço dos clientes e com a lucratividade de cada segmento. Isto significa dizer que serão trocadas incertezas por informações que permitirão. garantindo o aumento da lucratividade? Ao adotar o conceito de Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento. maiores facilidades de se fazer negócio e sua singularização na organização. possibilitando uma redução dos inventários. alguns pontos precisam ser observados (Ferraes Neto & Kuehne Jr. nos condomínios industriais. possibilitando diminuir os seus investimentos. na recente instalação de suas modernas plantas produtivas no Brasil. A almejada redução de custos ocorrerá pela suavização e correta execução do fluxo de materiais. ao mesmo tempo. que passa a ser um esforço cooperativo na procura pelo aumento da lucratividade. empregando o conceito de co-localização.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. o que seria extremamente desejável. e) faz-se necessária a utilização de tecnologia de informação para integrar as operações. Todas essas facilidades poderão ser transformadas em um diferencial aos olhos do cliente. da oferta de maior variedade de produtos. que pode estar disposto a pagar um valor mais alto por melhores serviços.

distribuição e consumidor. diluídas ao longo da cadeia de suprimento. Archimedes Raia Jr. responsáveis em receber. mas sim.4 APLICAÇÕES LOGÍSTICAS A função logística. o grupo de empresas manufatureiras. o que irá ser refletido num aumento da lucratividade.2. será demonstrada esquematicamente uma cadeia de suprimentos. Uma empresa mais lucrativa e com menores custos estará. que transformam as diversas matérias-primas em produtos acabados. sendo necessário que esteja inserida no processo de planejamento de negócio da organização e alinhada com os demais esforços para atingir sucesso no seu segmento de atuação. o terceiro grande grupo. quanto e quando produzir determinado produto. a logística por si só não alcançará esses resultados. em cada um dos quatro grandes grupos.onde se vai produzir. países para o aumento de sua competitividade. encontrar respostas para algumas questões. f) há que haver consistentes previsões de demanda e a percepção do seu comportamento. sem dúvida. Porém.2 – Cadeia de suprimentos As atividades logísticas deverão. onde se vai instalar a fábrica. até mesmo. Não está se propondo que a logística seja a “tábua de salvação” de um negócio mal organizado e mal gerenciado. portanto. podese perceber a importância da atividade logística no desenvolvimento dos fornecedores. ou seja. ser o caminho para a diferenciação de uma empresa aos olhos de seus clientes. 1. manufatura. que são os consumidores finais.2. que ela seja vista como uma opção real que já foi adotada por muitas empresas e. acondicionar e entregar os produtos ao quarto grande grupo. em uma posição de superioridade em relação aos seus concorrentes. Aqui. g) necessita-se da adoção de indicadores de desempenho que permitam garantir que os objetivos sejam alcançados. para a redução dos custos e para agregação de valor. o segundo. Aqui fica clara a atividade de . Para facilitar a explanação. A logística poderá. Analisando a cadeia da figura 2. deve responder a algumas questões básicas. uma atividade de fundamental importância.de quem se adquirem materiais e componentes. na figura 1. tema que já foi abordado no item 1. quais sejam as aplicações em análise: a) Fornecedores . como sendo o grupo dos fornecedores. b) Manufatureiras . a exemplo do que estão fazendo as montadoras de automóveis. Figura 1. são os centros de distribuição. para ser bem executada. pode-se dividi-la em 4 grandes grupos: fornecedor. O primeiro. colocando os seus principais fornecedores dentro do seu parque fabril.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.

LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Não fossem suficientes as respostas a todas as questões acima.onde se devem armazenar produtos acabados? Onde se devem armazenar peças de reposição? Quanto se deve armazenar de peças e de produtos acabados? Aqui fica clara a preocupação com o nível de serviço a ser repassado ao consumidor. planejamento de materiais. não calcadas no “achismo” e em sensações estranhas. análises quantitativas são essenciais para a tomada de decisões inteligentes e científicas. seja de matéria-prima ou de produtos acabados. a atividade logística estará preocupada em definir para que mercado será fornecido o produto e com que nível de serviço. Nesse sentido. nesse sentido. tanto mais caro. e diversos locais de armazenagem melhoram. Some-se a tais dúvidas a dificuldade de se precisar o custo que sistemas logísticos irão gerar. Muitos produtos em estoque. da importância de se traçar uma correta estratégia e como ela pode ser efetivada.o que levaria ao emperramento de toda a cadeia de suprimentos. O que ocorre na situação descrita acima é que. diminuirá as vendas devido ao incremento nos preços de venda. sendo que as necessidades quantitativas desses produtos eram baseadas em planejamentos de compras ou planejamentos de demandas futuras. muitas empresas começaram a utilizar altos estoques para se resguardarem de eventuais quebras de estoque. como o impacto em múltiplas funções dentro das organizações. d) Consumidores . com o objetivo de garantir a satisfação das solicitações dos clientes e não faltar material . Historicamente. o custo dos inventários acaba subindo demasiadamente. . Uma definição estratégica inclui necessidades do negócio. não se pode esquecer ainda que essas definições logísticas envolvem algumas características fundamentais das organizações. decisões disponíveis e possíveis.este quarto e último grande grupo dentro da cadeia de suprimentos é o ponto central onde desembocam todos os outros grupos. Como a chance de erro ainda é bastante grande. não se deve supor de antemão que a organização será perfeita e atenderá a todos os mercados com a mesma presteza. o que nem sempre ocorria. diminuindo custos e barateando os produtos. indispensáveis para a verificação do rumo que a organização está tomando e dos resultados que as mudanças estão trazendo. o que. tática e visão do desenho e da operação do sistema logístico. o nível de serviço para o consumidor. a troca ou tradeoffs entre objetivos conflitantes. em ultima análise. mesmo que sumariamente.5 ESTRATÉGIA LOGÍSTICA Não se pode deixar de tratar. c) Centros de distribuição . Archimedes Raia Jr. deixando-a lenta e inflexível às rápidas mudanças exigidas pelo mercado -. sem sombra de dúvida. em nível estratégico. nos custos. porém com uma conseqüente elevação dos custos. os produtos tinham de ser empurrados pela cadeia de suprimentos. É sempre bom lembrar também que a definição do nível de serviço implica um incremento de custos: quanto maior o nível. além dos critérios de avaliação de desempenho de todo o sistema. 1. sejam peças de reposição ou produtos acabados. pois é a partir das decisões acima que poderá ser definida toda a política de estoques da organização em questão. Entretanto. como aumentar vendas. ou aumentar o nível de serviço. em curto prazo. com um acréscimo.

as organizações têm de se preocupar com a constante redução dos níveis de inventário e a conseqüente redução nos custos de armazenagem desse material. é preciso cuidado na forma das implementações. em alguns casos. Mas. Basicamente. com o atravancamento de todas as atividades logísticas. Mas o que fazer para melhorar esse cenário? Volta-se ao que foi exposto anteriormente. são atividades que aprimorarão toda a cadeia de abastecimento e. Dessa maneira. Poucos itens em estoque. Fica claro que a integração de membros e o fluxo de informações são atividades inter-relacionadas em uma cadeia de suprimentos. comprando mais vezes e em quantidades menores. não é suficiente a mera integração filosófica. Não existem pacotes fechados ou “receitas de bolo” para a implementação de plataformas logísticas. Não se está defendendo a idéia de que isso é fácil de ser feito. mas sim de que é. nas questões a serem respondidas para os quatro grandes grupos logísticos. Archimedes Raia Jr.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. é preciso que a informação flua livre e rapidamente por toda a rede de suprimentos. Somente com criteriosas análises é que as organizações sairão vencedoras nas implementações logísticas. qualidade assegurada com um bom desenvolvimento de fornecedores. ou será brevemente. Porém. melhor. . por diminuir o nível de atendimento. com redução de custos. a preocupação em manter altos níveis de estoque para elevar o nível de atendimento acaba. necessário ser feito. compras freqüentes. A correta e rápida transmissão de informações é um diferencial estratégico que coloca as organizações que investem em tais recursos em vantagem competitiva junto às demais. no médio prazo (e. O que se está procurando demonstrar é a importância da aplicação da filosofia JIT (Just-in-time) nas redes logísticas. Para que isso se consolide. a integração dos diversos membros de toda a cadeia é essencial. no curto prazo). dentre outras. Isso tudo explica o motivo do termo logística estar tão em moda ultimamente.

bem como um histórico da sua evolução. Esta história do comércio moderno pode ser resumida em algumas fases. por sua vez. . e varejistas e clientes. os pioneiros colonizadores que desbravavam a região oeste dos EUA precisavam de uma grande quantidade de mercadorias para concretizar a sua missão. ficavam mais restritas às regiões onde havia a presença do metal precioso. interessantes aos seus clientes. de modo geral. Eles ficavam disponíveis nas prateleiras até a consumação de sua venda. o cliente é abastecido pelo setor de varejo. nada mais é do que uma operação de troca de mercadorias (ou serviços) por dinheiro. o foco supremo e final é o cliente. serão apresentadas algumas das principais formas de comércio. Foi neste tempo que surgiram os chamados armazéns gerais3 que trabalhavam segundo determinadas condições. 2. com o forte desenvolvimento do chamado comércio eletrônico. na língua inglesa. Caso haja a presença de atacadistas.  Fase dos Armazéns Gerais No período colonial americano. permuta. 2 3 Troca. onde o ouro serviu de moeda em muitas transações. As indústrias adquirem suas matérias-primas e componentes de um grupo de fornecedores. das quais Novaes (2001) aponta as principais:    O comércio era realizado com dinheiro. vestimentas. ao longo de toda a cadeia produtiva. em um período onde as moedas dos países não tinham grandes credibilidades financeiras para que fossem aceitas em contexto mundial. e os vende ao setor atacadista ou mesmo direto às lojas de varejo. estas relações têm se alterado substancialmente. ou seja. Este canal liga o setor manufatureiro e o setor de fornecedores. Essa era a fase do escambo2. compram os produtos diretamente das indústrias ou de atacadistas. conforme o caso. Archimedes Raia Jr. revendendo-os aos clientes finais. que representa a operação final em um canal de comercialização de mercadorias. produtos alimentícios não-perecíveis. no entanto. Algumas transações são realizadas sem o uso do dinheiro. algumas mercadorias (ou serviços) são trocadas por alguma coisa que não seja dinheiro. 2 RELAÇÕES ENTRE LOGÍSTICA E COMÉRCIO O comércio. etc. Conhecidos como general stores. câmbio. Os varejistas. Na atualidade. preferencialmente. A oferta de produtos era muito diversificada (calçados. Era praticamente impossível a devolução de mercadorias encalhadas aos fornecedores e não era comum a promoção de campanhas de liquidação de estoques.1 FORMAS DE COMÉRCIO Na fase embrionária do desenvolvimento do comércio moderno. uma forma um pouco diferente de comércio. ou seja. ferramentas. estes vendem os produtos aos varejistas. Qualquer que seja o modo de comércio. Estas permutas. Em seguida. no entanto. Há. atacadistas e varejistas. e suas relações com a logística. De maneira mais comum.) O lojista fazia o pedido de produtos. os produtos (ou serviços) eram comercializados em postos de realização de trocas. hipoteticamente.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.

os caixeiros-viajantes. tipos. Um cenário onde existia uma grande quantidade de mercadorias encalhadas. Os pedidos eram acondicionados em caixas ou caixotes. a logística da época era precária para essa fase considerada primitiva do setor de varejo. Havia pouca variedade de mercadorias. surge uma nova forma de comercialização de mercadorias através de catálogos e encomendas via correio. Com o passar do tempo. aliado a isso. As encomendas dos comerciantes eram feitas aos representantes comerciais da época. considerando os diversos níveis de qualidade. o excessivo intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do caixeiroviajante. Isto representou um grande avanço em termos logísticos nas operações comerciais. . pois os clientes aumentaram as suas exigências. o pioneirismo e a ausência de competitividade desse tempo permitiam que estes custos fossem absorvidos pelos clientes finais. Como se pode esperar. Neste cenário. em termos de número de instalações. após a consolidação e organização dos pedidos. 2001):   Distribuição de mercadorias aos clientes finais com maior rapidez. ainda que atendesse razoavelmente aos clientes rurais do oeste americano. o extenso ciclo do pedido. o governo criou incentivos especiais às zonas não-urbanas. encaminhava-os aos fornecedores que. cores. que eram despachados pelo transporte ferroviário. através de tarifas subsidiadas. etc.  Fase da Comercialização por Catálogos e Remessa pelos Correios Com o tempo. teve seu modelo exaurido. que visitavam uma grande quantidade de clientes-varejistas. em 1886. Archimedes Raia Jr. num período que podiam levar até semanas. O correio tinha na época um atendimento que atendia às necessidades das regiões mais interiores e. tamanho. esses caixeiros-viajantes. No entanto. bem como a grande variabilidade entre os tempos de distribuição de mercadorias faziam com que houvesse elevação nos custos de comercialização. eles passaram a se localizar nos novos povoados que iam surgindo. surge. decoração de casas. As primeiras empresas que comercializavam produtos via catálogo foram a Montgomery Ward. marcas. esse sistema logístico disponível na época até que podia ser considerado aceitável. o esquema de operação dos armazéns gerais. A localização destes armazéns gerais se dava em pontos estratégicos da malha de transportes. tamanhos. maior variedade de produtos e estilos com mais sofisticação para mercadorias dos tipos: calçados. etc. Sob essas condições. então.LOGÍSTICA  NOTAS DE AULA Prof. vestuários. tais como terminais ferroviários. nas cidades. etc. Ato seguinte. com o intuito de fixar o homem ao campo. posteriormente. pontos por onde circulavam as principais caravanas. agora. variedade e tipos de mercadorias. em 1872. posteriormente. e a Richard Sears. providenciavam as remessas aos comerciantes varejistas. Houve a centralização de estoques em alguns locais que trazia algumas vantagens (Novaes. Queriam. Para uma situação onde prevalecia uma escassez de oferta de produtos. o sistema postal americano que trouxe novos impulsos ao comércio. através de novas tecnologias. produtos de beleza. Disponibilização de maior variedade de marcas.

Surgindo paralelamente ao comércio via catálogo. Já. e não simplesmente visualizar as mercadorias por meio de desenhos ou fotos. A Sears já tentava contornar este problema. brinquedos. na época. As diferenças também eram grandes quando se fala em termos logísticos. como resposta ao crescimento e aumento da sofisticação da demanda. exigindo pessoal mais qualificado. O seu slogan era “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”. uma grande empresa de comercialização via catálogos. portanto. a Sears precisava de um sistema logístico confiável. móveis.. principalmente calçados e vestimentas. Para que esta estratégia desse certo. no território americano. Archimedes Raia Jr. calçados. etc. surgiu a necessidade de soluções que contemplassem mais de um tipo de produto. o serviço de entrega das compras aos clientes precisou ser reestruturado. no início do século XX. na língua inglesa. São exemplos dessas lojas os açougues. produtos como eletrodomésticos. Com a diversificação e o crescimento da demanda. surgiram com grande sucesso. etc. vestuário. que passaram a ser comandas por profissionais afetos às respectivas áreas. proporcionando a ampliação das fatias de mercado. seria preciso estabelecer um canal de devolução que fosse confiável e prático. aproveitando os conhecimentos da área química que eles possuíam. Este modelo foi um grande sucesso. a optar por atuar também neste novo nicho de mercado. Eliminação de intermediários na comercialização como os casos de caixeirosviajantes e lojistas. através da possibilidade do cliente devolver a mercadoria caso não ficasse satisfeito. vestuário masculino ou feminino. de calçados. as primeiras lojas de departamento em nada poderiam ser comparadas com os armazéns rurais. veículos adequados. os clientes ainda mantinham expectativas da compra feita na loja. . filmes fotográficos. pois seus produtos eram oferecidos aos clientes em ares fisicamente separadas.. Também. Redução de preços. maquiagem. ou seja. com boa organização. estão as lojas que passaram a atuar com uma linha particular de produtos. Exemplo clássico são as drugstores.. distribuídos em departamentos especializados. Mesmo oferecendo um rol diversificado de produtos. Fase da Especialização do Setor Varejista Apesar do sucesso na comercialização através de catálogos. pois se o cliente recebesse um produto quebrado. etc. de outra forma. a empresa poderia perder o crédito com a população. A idéia para essas grandes lojas era aliar as vantagens da especialização. amassado ou com a embalagem violada. que incorporaram os trabalhos tradicionais dos farmacêuticos manipuladores. depósitos especializados. na língua inglesa. as lojas de departamentos5. com os grandes volumes de negócios proporcionados por estes tipos de investimentos.LOGÍSTICA    NOTAS DE AULA Prof. o que motivou a Sears. com produtos de beleza. Conhecidos como departament stores. reunindo em um único local. Uma nova logística precisou ser implantada para o sucesso desse tipo de comércio. oferecendo 4 5 Conhecidos como limited line stores. sem burocracia. com certa especialização no produto. pois podiam ver e tocar os produtos de interesse. as farmácias. chocolates. Uma vez que as lojas de departamentos operam com um grande número de produtos. as lojas especializadas4.

tamanhos etc.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. resultando em melhores condições na aquisição de mercadorias. com a alta motorização. etc. eliminando o trabalho anteriormente feito pelo varejista do armazém. Com o decorrer do tempo. nos Estados Unidos e na década de 1950. Com um volume de vendas elevado. calçados. Outra vantagem estava na operação do estabelecimento com uma quantidade relativamente baixa de funcionários. Este tipo de estabelecimento surgiu na década de 1930. um serviço de melhor qualidade ao cliente final. De outra parte. etc. produtos fonográficos. condições estavam propiciadas para o surgimento dos supermercados. padaria. Com a expansão dos negócios. e o conseqüente aumento da taxa de motorização da população. drugstores. passando a atrair outros empresários. que passam a oferecer lojas especializadas em vestuário. altamente lucrativos. na atualidade. tais como: utensílios domésticos. na fase de migração das lojas do centro comercial tradicional para bairros e periferias. no Brasil. aliado ao franco crescimento do uso de geladeiras e freezers nos ambientes domiciliares. uma grande quantidade de clientes. Uma nova modalidade de cadeias varejistas se consolida. essas empresas de departamentos passaram a dispor de um poder de compra muito maior. ocorreram com a abertura de novas lojas na cidade sede ou mesmo em outras cidades do estado e fora dele. restaurantes. Surgem. então. como também de lojas de departamentos. e por conseguinte. onde o franqueador transfere ao franqueado todo o conhecimento do negócio. inicialmente. através do conceito de franquias. uma maior competição no ramo. eles passaram a ter como sítio os bairros e as regiões periféricas das cidades. os hipermercados. Menores preços passaram atrair. que passou a ter mais força na hora da compra junto aos fornecedores. lanchonetes. modelos. nos prazos de pagamento e também em campanhas publicitárias. O franqueado paga uma certa quantia ao franqueador. O advento dos supermercados trouxe uma inovação nos conceitos comerciais e logísticos. devido às vantagens logísticas oriundas desse modelo. alimentação. de computação. Surgem.  Fase dos Supermercados Com o advento do surgimento e grande expansão da indústria automobilística. O novo modelo de comércio que surge está embasado no conceito do auto-serviço. surgem os shopping centers. porém mantém a propriedade do comércio. as novas cadeias varejistas. lanchonetes. não só de supermercados. para um público exigente. Nos supermercados. o cliente sozinho faz a compra. perfumarias. diversão. Archimedes Raia Jr. ao invés de buscar margens mais significativas nos lucros. além de fazer os investimentos necessários. os supermercadistas reduziram suas margens. escolhe dentre os produtos ofertados aqueles que lhe interessam e os paga na saída do estabelecimento. Os primeiros supermercados surgiram nas áreas urbanas centrais. apostando ganhar no grande giro de estoque proporcionado. permitindo aumentar a oferta de produtos sem o proporcional aumento de custo de mão-de-obra. Diferentemente de lojas . etc. possibilitando condições mais favoráveis de suprimento ao comerciante. essas lojas aumentaram o leque de produtos ofertados. que dialogava com o cliente e o ajudava na definição de marcas. portanto. Este tipo de operação comercial teve um crescimento significativo. comida pronta. em geral. posteriormente.  Fase dos Shopping Centers Ainda.

o processo logístico em sua totalidade. supermercados. A modalidade de vendas denominada de varejo por máquinas6. a logística é o setor que proporciona o embasamento para a execução das metas a serem cumpridas pelo setor de marketing. é difícil a operação. por ex. Paralelamente. etc. por qualquer motivo. Esta modalidade de comércio necessita de uma estrutura logística diferenciada. pode operar com moedas e dinheiro em papel. além de poder-se evitar os irritantes congestionamentos das áreas centrais. posteriormente via telefone e fax e. o shopping center oferece vagas de estacionamento. deve ser entendido de forma sistêmica. uma dificuldade existente é a ausência de contato entre o cliente final e o produto a ser adquirido. são muito utilizadas. de produtos considerados duráveis. não necessita de funcionários. Com uma logística deficiente essas metas ficam extremamente comprometidas. este modelo se resumia às vendas por catálogo. Momento desejado – a logística tem a função de garantir que o produto esteja com o cliente final no momento desejado.. sabor. O processo de fabricação e as funções logísticas da organização devem ser abraçadas de forma integrada e pensados conjuntamente. Produto – também aqui a logística tem uma função ímpar. e Japão e EUA. Em outros países da Europa. fax e Internet). Conforme o modelo varejista hoje prevalecente. se realizada de maneira equivocada. 2. ambiente coberto e seguro. normalmente comercializa produtos tais como refrigerantes. principalmente com a velocidade com que as mercadorias sofrem modificações com qualidade. na língua inglesa   6 . que se inicia com a matéria-prima e termina com o cliente final. etc. tamanho. em países com moeda volátil. Se esta data não for cumprida. No caso do varejo sem loja (correio. jornais. pet shops. lanchonetes. ou falha na operação do depósito. pois o dinheiro perde o valor rapidamente. como desvantagens: requer nível alto de segurança. como: cinemas. Conhecido como vending machines. etc. na atualidade. seja ele resultante falha(s) no sistema de informação. As principais serão brevemente descritas a seguir:  Informação – a logística tem atuação significante no processo de disseminação da informação. ar condicionado. podendo ocorrer de forma positiva se bem implementada ou negativa.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. houve um grande impulso no chamado varejo sem loja. Inicialmente. dificultando a competitividade. prejudicando os esforços mercadológicos. especializadas localizadas no centro comercial. quando da compra. academias. e é ainda pouco difundida no Brasil. Na organização. telefone.2 O PAPEL DA LOGÍSTICA A logística cumpre um papel de relevância no comércio moderno de produtos e serviços. se transformou em vendas pela Internet. Algumas vantagens: fácil de operar. permite a comercialização de número limitado de produtos. embalagem.  Fase do varejo sem loja e varejo por máquinas Com o desenvolvimento dos sistemas de comunicação e Internet. onde cada uma das partes depende das demais. recebe do comerciante uma promessa de data de entrega. Archimedes Raia Jr. O cliente. os shopping centers oferecem serviços adicionais. cigarros. passagens de metrô e ônibus.

Quando o contrário ocorre. de transporte de cargas. serviços postais. É ele que acaba recebendo as reclamações dos clientes. Logística é a chave de muitos negócios por diversos motivos e dentre eles pode-se citar os elevados custos de operação das cadeias de abastecimento. a globalização do mercado. distribuição de bebidas transporte público. O Correio brasileiro aposta em sua eficiência logística ao garantir ao cliente que sua encomenda/correspondência será entregue até as 10 horas do dia seguinte. pode resultar em prejuízos na imagem da empresa.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. ou bens duráveis entregues com especificação errada (cor. A continuidade na relação clientecomerciante na fase pós-venda é sempre difícil. problemas com assistência técnica. ou seja. Deficiências do tipo prazo de validade vencido. Pode-se citar como exemplos: empresas manufatureiras. em qualquer elemento cadeia. etc. para produtos de consumo rápido. ou com componentes faltando. que passa a atender diretamente as reclamações dos clientes. voltagem. ampliam-se os gastos com o planejamento de toda a cadeia logística.  Satisfação – a satisfação que o cliente sentirá no momento do consumo ou utilização de um determinado produto também está intimamente relacionada com a logística. sem precisar passar pelo varejista. vai constando a veracidade de suas afirmações e promessas. Para equacionais estes problemas. várias organizações criaram a figura do ombudsman.3 Muitos são os tipos de organização do setor público ou privado que fazem uso dos serviços logísticos. Verifica-se que a tendência das organizações é o processo de horizontalidade. Continuidade – este aspecto é considerado ainda como um grande problema para o setor de bens duráveis no Brasil. Ao se analisar essa . Diante deste panorama. vê suas reclamações e sugestões atendidas. distribuição de petróleo e combustíveis. a imagem negativa tende a se estender. DEFINIÇÕES E CONCEITOS   2. alimentícias. através do serviço Sedex 10. ou mesmo do sistema de transporte. por que então horizontalizar e criar demandas para as atividades logísticas? A resposta para esta pergunta pode ser sintetizada em duas palavras. Na medida que o cliente vai conhecendo melhor o comerciante. também. honestidade e profissionalismo do vendedor. Archimedes Raia Jr. para toda a cadeia. o varejista é o elemento da cadeia mais próximo do cliente. modelo) ao adquirido. preços inadequados dos serviços). À medida que as organizações investem em novos parceiros comerciais. muitos produtos até então produzidos por determinada empresa do fim da cadeia de fornecimento passam a ser produzidos por outras empresas. Esta relação poderá ser mais forte ou mesmo subjacente. sua confiança nele aumenta. Mesmo que problemas na relação comercial ocorram e sejam eles de responsabilidade do fabricante (falta de peças. ampliando o número de fontes de suprimento e dificultando a administração desse exército de fornecedores. Confiança mútua – a confiança mútua entre o comerciante e o cliente mesmo que seja de derivada de aspectos como atenção pessoal. que também se espalha por toda cadeia varejista. uma questão pode ser colocada: se os custos são tão altos. Neste processo. poderão arranhar substancialmente a imagem do comerciante. é fortemente dependente do desempenho logístico da cadeia de suprimentos em seu todo.

a atividade logística passa a agregar valor aos produtos. defende Novaes (2001). Mas. todo o sistema logístico precisar ser periodicamente avaliado. A partir desse momento.1 apresenta o quadro contendo os principais elementos da logística. Mais significativa do que tal redução. & Zuffo. bem como os serviços e informações associados. que devido à grande complexidade dos problemas logísticos e às suas características de sua natureza dinâmica. Diversas organizações entendem que o processo termina aqui. Após a fase de planejamento e a sua devida aprovação. origina-se da língua francesa. estejam intimamente relacionadas com as funções de manufatura e marketing. transporte. reparação. norte-americano. outros. cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo. com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor”. distribuição. quando devidamente acompanhada de estudos logísticos. Mas. em sua origem. armazenagem e entrega de produtos. “logística é o processo de planejar. Defende. tanto para fins administrativos ou operacionais. Alguns afirmam que ela vem do verbo francês loger (acomodar. ainda pode ficar uma questão a ser esclarecida: como se dá essa propalada diminuição nos custos? Essa redução. Um alerta precisa ser feito: se a mudança na atividade logística não for acompanhada pelas diversas organizações. segue as fases de implementação e operação. Logística é definida como sendo a união de quatro atividades básicas. Archimedes Raia Jr. sejam elas de materiais ou de processos. proporcionada pelo ganho de escala na produção e pelo desenvolvimento tecnológico. monitorado e controlado. A logística se inicia pelo estudo e o planejamento do projeto ou do processo a ser implementado. armazenamento.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. estava associado a aspectos militares. constata-se que há. ainda. alojar). melhorando os níveis de satisfação dos usuários. poderá ocorrer falência daquelas que não se enquadrarem neste novo paradigma. significando como a parte da arte bélica que trata do planejamento e da realização de projeto e desenvolvimento. No entanto. De outro lado. movimentação. Diferentes autores atribuem diversas origens à palavra logística. implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos. uma vez que elas acabam por investir em tecnologia de ponta para os desenvolvimentos dos materiais. o termo logística. Para que essas atividades produzam o efeito desejado. qual é a definição de logística? O conceito de logística. obtenção. Segundo o Council of Logistics Management. é explicada pela especialização das empresas fornecedoras. focado agora em uma determinada linha de produto. é fundamental que as atividades de planejamento logístico. uma redução de custos. situação de forma holística. manutenção e evacuação de material. Pode-se perceber que essas atividades logísticas estão inseridas nos mais diferentes setores das organizações e suas corretas aplicações se fazem necessárias para que as atividades sejam desenvolvidas de forma adequada. a tendência é que exista uma redução de custos. consideradas básicas: aquisição. afinal. e que agora passarão a ser produzidos pela mais nova empresa horizontalizada. dizem que ela é derivada da palavra grega logos (razão) e que significa a “arte de calcular” ou a “manipulação dos detalhes de uma operação” (Wood Jr. A figura 2. para outros autores. até então produzidos pela empresa que está no fim da cadeia. 1998). o autor que seja utilizado um certo tipo de . na verdade.

Além do fluxo de materiais (insumos ou produtos). além deste. passando pela manufatura. deve ficar claro. de materiais em processamento e de produtora acabados. Archimedes Raia Jr. denominada auditoria logística.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. o fluxo financeiro (dinheiro) e. Processo de planejar. é sempre o foco principal de toda a cadeia de suprimentos. Este. monitoramento e controle. existe paralelamente. especialização. operar e controlar Fluxo e armazenagem Matéria prima A partir do ponto de origem Produtos em processo Produtos acabados Informações Recursos financeiros Até o ponto de consumo De maneira econômica. que realiza de maneira sistemática e periódica as atividades de avaliação.1 – Principais elementos da logística Os fluxos relacionados com a logística e que envolvem a armazenagem de matériaprima. percorrem todo o processo. FLUXO DE MATERIAIS FLUXO DE INFORMAÇÃO FLUXO FINANCEIRO Figura 2. chegando ao cliente final. efetiva e eficiente Atendendo aos requisitos e preferências dos clientes Figura 2. em sentido contrário. há o fluxo (nos dois sentidos) de informações que está presente em todo o processo (ver figura 2.2). depois a varejista e. finalmente.2 – Fluxos logísticos CLIENTE FINAL FORNECEDOR FABRICAÇÃO DISITRUIÇÃO VAREJO . começando pelos fornecedores.

etc. A estrutura integrada de logística passa.1. uma vez que cita a integração de todas as funções. Além disso. etc. & Zuffo (1998). terceirização de serviços. A definição apresentada pelo Council of Logistics Management pode ser considerada como uma boa declaração de intenções. É de relevância observar que. 1998). Porém. que devem ser integradas à estratégia empresarial e orientadas para o atendimento às necessidades do cliente. de maneira subjacente. possui dez funções essenciais. alocação de recursos. Atividades táticas – relacionam-se com o desdobramento das metas estratégicas e ao planejamento do sistema logístico. mercados. produtos. alianças. o conteúdo estratégico só fica marcante na terceira e quarta fases. aponta a visão sistêmica. É o caso das alianças estratégicas. passando a ter também o enfoque estratégico. Esta afirmação pode ser constatada no Quadro 2. Archimedes Raia Jr. As atividades da função logística integrada podem ser decompostas em três grandes grupos. solução de problemas. & Zuffo.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. A função logística deve participar de decisões sobre serviços. quando a função logística passou a englobar processos de negócios fundamentais para a competitividade organizacional. nas quais a participação da função logística nas mais importantes decisões empresariais é ressaltada. e Atividades operacionais – relacionam-se à gestão do cotidiano da rede logística e envolvem a manutenção e melhoria do sistema. ou seja:  Atividades estratégicas – atividades relacionadas às decisões e à gestão estratégica da própria empresa. ressalta o foco no cliente e. nesta fase.. a tendência histórica direciona para a valorização da função logística (Wood Jr. ao mesmo tempo em que a função logística é enriquecida em atividades. Envolvem decisões sobre fornecedores. desde a entrada de matérias-primas até a entrega do produto final. ela igualmente deixa de ter uma característica puramente técnica e operacional. investimentos. etc.   . sistemas de controle da produção. das parcerias e dos consórcios logísticos. a articular toda a cadeia de suprimentos. rede de distribuição.. segundo Wood Jr. A logística.

pode-se dizer que a logística moderna procura incorporar. .LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. os seguintes aspectos:      Prazos previamente combinados e cumpridos integralmente. Procura pela otimização total. mantendo o nível de serviço (NS) previamente estabelecido e adequado. Integração efetiva e estreita. ou seja parcerias. Integração efetiva e sistêmica entre todos os setores da organização. Satisfação total do cliente. segundo Novaes (2001). no decorrer do toda a cadeia de suprimentos. entre fornecedores e clientes. Quadro 2.1 – Evolução do conceito de logística Fonte: Razzoni (2001) Por fim. Archimedes Raia Jr. considerando a racionalização dos processos e a redução de custos em toda a cadeia de suprimentos.

LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Quais as necessidades de serviço para cada segmento? ESTRATÉGIA DA ORGANIZAÇÃO Qual o melhor sistema de distribuição? Serviço Ao Cliente Nível estratégico Existem oportunidades de otimização no sistema de transportes? Como atingir a integração do canal? Projeto do canal Estratégia da rede Nível estrutural A gestão de estoques é adequada à demanda de serviços? Quais as melhores tecnologias / metodologias? Projeto / operação de armazéns Gestão de transportes Gestão de materiais Nível funcional Como definir e implementar mudanças? Como definir e implementar mudanças? Sistema de informações Políticas e procedimentos Instalações e equipamentos A distribuição de recursos está otimizada? Gestão da organização e mudanças Como melhorar o desempenho do sistema? Nível de implementação Figura 2. Archimedes Raia Jr.3 – Funções essenciais da logística Fonte: adaptado de Andersen Consulting (1997) .

o Grupo JP Morgan e o Grupo Martins. WIS-SIGMA – gestão de estoques e picking. A figura abaixo possibilita um melhor entendimento de todo o processo logístico da Submarino. a empresa fez uma parceria com o Grupo Intecom. que por sua vez tem o controle acionário dividido entre dois grandes grupos. Archimedes Raia Jr. LOGÍSTICA NA SUBMARINO A Submarino é uma das maiores empresas brasileiras no ramo de comércio eletrônico (e-commerce).LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. com bastante capilaridade no território brasileiro.  A Submarino realiza as operações de Picking e embalagem. a qualquer momento. Possibilita o cliente acompanhar. Trom . maior atacadista distribuidor da América Latina. As principais características do processo logístico da Submarino são:   Usa um operador logístico – Intecom.posicionamento da carga e comunicação com o motorista. sendo o restante do processo operacionalizado pela Intecom. SCOF – gerenciamento da operação da frota.rota geográfica em tempo real. Usa intensivamente a tecnologia da informação: o o o o o  Marbo Sat . Para permitir a operacionalização do seu processo logístico. e atua em todo o território nacional. o posicionamento de sua encomenda no território (Tracking). Geo Marbo .planejamento de rotas e cargas. . cujo negócio depende fundamentalmente da logística.

LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. Processo Logístico da Submarino Fonte: Schimtt & Shionara (2001) apud Viana (2002) .

LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. 3 GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Nos dias atuais. Neste período. Um exemplo pode ser dado quando se cita um fabricante de refrigerantes. visando à obtenção de um melhor desempenho da organização. permanentemente. a ampliação das atividades sob sua responsabilidade e. Archimedes Raia Jr. em sua fase inicial. ou seja. . assegurando aumento da lucratividade? A logística se apresenta como uma das mais freqüentes formas utilizadas para superar esses desafios. Em seu estágio mais avançado. quando se procurou a melhoria do desempenho de cada uma das atividades básicas de forma individual. ultimamente. As demandas impostas pelo aumento da complexidade operacional e pelas exigências de níveis mais elevados de serviço e menores preços pelos clientes. servem de exemplo. Caso isto não ocorra. A logística foi aplicada de forma fragmentada. A facilitação dessa mudança de paradigma se deu pelo avanço na tecnologia da informação e pela adoção de um gerenciamento voltado para os processos. Aqui parece surgir um paradoxo. A este processo se dá o nome de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos-GCS7. as áreas funcionais da empresa e. a coordenação e o alinhamento dos esforços das empresas no anseio de se obter menores custos e maiores valores agregados aos produtos visando o cliente final. vários fatores apontaram fortemente no sentido de que as atividades funcionais devessem ser executadas de forma integrada e harmoniosa. a assimilação de sua importância estratégica. exigindo que o canal de distribuição esteja preparado para atender de maneira satisfatória às necessidades e expectativas do cliente final. por um lado. a logística vem sendo adotada para subsidiar o planejamento de processos de negócios que integram. 7 Conhecido como Supply Chain Management-SCM. pois. no meio empresarial e acadêmico. toda a cadeia terá falhado. o começo se dá na correta escolha e no estabelecimento de parcerias com fornecedores. de outro. Este fato evidencia de forma cabal a idéia de que deva existir uma ligação forte entre esse fabricante e a empresa de varejo para que haja agregação de valor para o cliente final. como agregar mais valor aos produtos e. podendo ser substituída por outra mais considerada mais vantajosa. as empresas são constantemente desafiadas a operar de maneira sempre mais eficiente e eficaz para garantir a continuidade de suas atividades. na língua inglesa. A essa nova fase deu-se o nome de logística integrada. vantagens em novas frentes de atuação. A explanação mais significativa pode estar na sua capacidade de evolução para fazer frente às necessidades surgidas de mudanças profundas e constantes que as empresas se deparam. reduzir os custos. Ele conseguirá a sua realização se o cliente final aprovar a qualidade de seu produto e do serviço ofertado no momento da compra. simultaneamente. Em um segundo momento. A maneira como a logística vem sendo implantada e desenvolvida. Esta segunda fase denotou claramente que o processo logístico não se inicia e nem se extingue nos muros da própria organização. evidencia a evolução do seu conceito. obrigando-as a desenvolver. A ênfase era funcional e a execução dava-se por departamentos especializados. inexistia uma abordagem sistêmica.

que passa a ter dimensão interorganizacional. pois se mostra como um caminho a ser trilhado pelas demais organizações. informações precisam ser compartilhadas. melhorando o desempenho de seus produtos e obtendo êxito no lançamento de novos produtos em intervalos menores de tempo. e muitas vezes esquecido. essas empresas têm conseguido confiabilidade e flexibilidade mais elevadas. está o fato de que o elemento humano é de suma importância e. e como isso exige uma mudança de cultura. consiste no estabelecimento de relações de parcerias. visando agregar mais valor ao cliente final. O Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. Esse fato evidencia que está havendo. otimização dos transportes e eliminação das perdas. A sua adoção. o estabelecimento da cadeia requer tempo e esforço. inclusive aquelas relacionadas com os custos. garantindo a sua sincronização com o fluxo de informações. no entanto. em prazos dilatados. será responsável pela coordenação do sistema e seu desempenho neste papel será fundamental para a obtenção dos objetivos estabelecidos. na verdade. implicando na não existência de uma metodologia única para a sua implementação. portanto. Estes procedimentos proporcionam melhorias no desempenho conjunto pela busca de novas oportunidades e redução de custos. competitividade entre as diversas cadeias. Os relacionamentos devem ser construídos com base em confiança mútua. que deve ocorrer no sentido inverso. poderá ser uma fonte potencial de obtenção de vantagem competitiva para as organizações.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. em especial. O conceito de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos ainda está em fase de desenvolvimento. chamado de elo forte. Este fluxo vai desde os fornecedores e atingindo os consumidores finais. As empresas que optaram por implantar o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos estão obtendo como resultado: significativas reduções de estoque. entre os diversos integrantes de uma determinada cadeia produtiva que passarão a planejar estrategicamente suas atividades e partilhar informações de modo a desenvolverem as suas atividades logísticas de forma integrada. a medição de desempenho necessita de indicadores que permitam o controle da performance da cadeia como um todo. Um outro desafio é equacionar os diferentes tamanhos e objetivos dos componentes. Não se pode esquecer que deve existir compatibilidade entre os sistemas de informação dos elos. . de maneira resumida. Dada a complexidade desse novo arranjo. Assim. principalmente aquelas que acontecem nas interfaces entre as organizações e que são representadas pelas duplicidades de esforços. Como agregação de valor. deverá ser treinado e estar preparado para esta nova realidade. constata-se ainda a existência de muitas dificuldades na implementação do GCS. Por último. Archimedes Raia Jr. A visão funcional deve ser abandonada. que muitas vezes utilizam plataformas diferentes. Cabe registrar a escassez de profissionais nessa área. várias organizações vêm desenvolvendo significativos esforços na organização de uma rede integrada e na realização de forma eficiente e ágil do fluxo de materiais. através e entre suas organizações. Mesmo que resultados expressivos tenham sido atingidos. Esta implantação requer uma análise profunda na cultura das organizações que farão parte de uma determinada cadeia. aqueles com visão sistêmica e conhecedores de todas as atividades logísticas. o horizonte de tempo desloca-se do curto para o longo prazo e um dos elos.

LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Após a implantação da nova estrutura e do modelo de gestão. a Xispex passou a internacionalizar suas atividades a partir dos anos 1980. cresceu vigorosamente durantes os anos 1960 e 1970. fundada na década de 1940. São restritos os segmentos considerados mais evoluídos neste assunto. até o controle de distribuição de produtos acabados. a Xispex implementou. Esforços para mudar este cenário já estão sendo empreendidos. a partir de bases industriais no Cone sul. a etapa seguinte constou em rever os processos de trabalho. todas as funções logísticas. que une a estas idéias o que há de . Como parte do programa de mudanças foi implantado. acompanhando o boom da indústria automobilística. cujo objetivo foi a implementação da gestão de toda a cadeia de valores a partir de uma visão sistêmica da empresa. em cada uma destas áreas. A empresa hoje exporta para América do Norte. desde a entrada de matérias primas e suprimentos. Os passos estratégicos seguiram o padrão usual: i) início das atividades de exportação. Empresa familiar. EMPRESA XISPEX A Xispex (nome fictício) é uma importante empresa brasileira do setor de autopeças. Ásia. No Brasil. uma metodologia embasada na visão sistêmica da organização e no conceito de cadeia de valores. ii) abertura de escritórios de representação no exterior. melhorando assim sua competitividade. e iv) compra ou construção de fábricas nos principais mercados-alvo. Para acompanhar a estratégia de internacionalização e fazer frente a mudanças no contexto de concorrência interna. passando pelo planejamento e controle de produção. o conceito de logística integrada. o que aponta para um cenário mais otimista na aplicação da logística no aproveitamento de seus benefícios para o país. grande parte das organizações ainda está aplicando a logística de forma embrionária. Foi dessa maneira que a Xispex chegou ao Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. Sustentada por uma sólida competência tecnológica e aproveitando as oportunidades emergentes. Este programa inclui profissionalização da empresa. pode-se citar como exemplo o caso da indústria automobilística e do setor de supermercados. Oceania e Europa. Archimedes Raia Jr. o que as coloca em desvantagem diante de concorrentes do exterior. criação de unidades estratégicas de negócios e integração mundial das atividades técnicas e comerciais. Na prática. a partir dos anos 1990. iii) montagem de uma estrutura de assistência técnica e de distribuição junto aos principais clientes no exterior. em 1995. um amplo programa de mudança organizacional. a criação de coordenadorias de logística para cada uma das unidades de negócios significou reunir. Europa Ocidental e Europa Ocidental.

unificação de atividades de apoio (manutenção. Casos. Tudo isto resultou em maior eficiência. O conceito de logística integrada e a metodologia de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos talvez possam dispor de respostas a estas questões. Archimedes Raia Jr. como o da Xispex. deverão. Fonte: Wood Jr. muitos executivos finalmente se deram conta de que o barco estava apontado para a direção errada”. ferramentaria. desativação de armazéns (que se tornaram desnecessários). mais eficácia e custos menores. mais avançado em termos de ferramentas de racionalização e sincronização da produção. O passo seguinte foi a expansão dos conceitos para as atividades internacionais do Grupo Xispex e o maior envolvimento de fornecedores e clientes. se transformar em padrão para as organizações brasileiras. mudanças na organização do trabalho no chão de fábrica. os impactos já puderam ser observados: drástica redução de estoques. & Zuffo (1998) . “Após alguns anos cuidando da casa de máquinas.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.) e melhor nível de atendimento ao cliente. reparando velas e encerando o convés. Faltava-lhes visão de conjunto e também um conjunto de conhecimentos que permiti-se otimizar o todo. no futuro. Quase dois anos após o início do projeto. etc.

por exemplo. de recursos humanos e de recursos energéticos em um produto que seja útil ou saboroso. a partir do fabricante. o filme de polietileno. como uma bandeja de salgados. ao comércio atacadista/distribuidores. e é chamado de cadeia de suprimentos. Archimedes Raia Jr. O caminho é longo e vai desde a obtenção da matériaprima. 1997) . tais como a logística reversa (será estudada adiante) e as operações pós-venda. vendem o produto ao cliente final.1 NOTAS DE AULA Prof.LOGÍSTICA 3.1 – Modelo de cadeia de suprimentos (Fonte: Handy. Outros. por exemplo. Figura 3. plástico. Fornecedores de matéria-prima entregam insumos de natureza variada para a indústria/manufatura e também para os fabricantes de componentes. das mais diversas naturezas. a manufatura do produto. uma parte. requer: a coxinha. que participam da fabricação de um mesmo produto. como o automóvel. borracha. necessitam um grande número de matérias-primas. menos complexos. A CADEIA DE SUPRIMENTOS E SUA GESTÃO Quando se adquire um determinado produto. passando pela fábrica de componentes. Exemplos de produtos complexos. uma vez que muitos varejistas não comercializam um volume suficiente do produto que lhes proporcione a compara direta. As lojas varejistas. a etiqueta adesiva contendo informações sobre o produto e código de barras. o cliente não tem idéia da existência de um grande processo necessário para a conversão de matéria-prima. papelão. A indústria fabrica o produto em referência. etc. mas também a bandeja de isopor. que é distribuído ao comércio varejista e. o comércio varejista.1. Um modelo de cadeia de suprimentos está apresentado na figura 3. devidamente abastecidas diretamente pelo fabricante ou indiretamente pelo comércio atacadista/distribuidores.1. tais como: metais. tecidos. tintas. Existem ainda outros aspectos que não foram considerados na figura 3. chegando ao cliente final. os distribuidores.

Exemplo disso é o fluxo da figura 2. e não gostavam de ter dependências em relação a fornecedores. Na atualidade. pode-se identificar algumas especializações inerentes à logística.1 as setas são orientadas da esquerda para a direita (na parte superior da figura).LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. incluindo-se. Logística de produção .1 apresenta três novos conceitos: logística de suprimentos. que na figura 3. proporcionando o nível de serviço adequado. os conceitos de vantagem competitiva e core competence8 estão presentes estão presentes no momento da definição do planejamento estratégico para as grandes organizações. com confiança mútua significativa. diferenciando-a de maneira positiva em relação aos concorrentes. o setor de fabricação. segundo Ching (1999):  Logística de suprimentos .gerencia a relação empresa/consumidor. sem incorrer em custos desnecessários. quando se trata de cadeia de suprimentos. como ponto referencial. logística da produção e logística de distribuição. componentes e embalagens que atendam aos requisitos de fabricação. estacionamento. verifica-se que há um subsistema. componentes e produtos acabados. denominado logística de suprimentos. a logística de distribuição deve maximizar o atendimento ao cliente. Ao se considerar o setor de manufatura. por questões estratégicas e de poderio econômico. além de adquirir externamente componentes e/ou serviços associados a tudo que não estiver dentro da sua competência central. que é composto por insumos. porém este não é o tipo único de fluxo de cadeia de suprimentos. Archimedes Raia Jr. Esta realidade exige. Responsável pela distribuição física dos produtos acabados. dentro de prazos pré-definidos. Seus principais objetivos são desenvolver produtos e garantir a qualidade das matérias-primas. a matéria8 Competência central.2 (Capítulo 2). Chama-se logística de suprimentos aquela que trabalha com os fluxos de materiais de fora para dentro da manufatura. há muitos anos. os mais variados. Nessa maneira de gerenciar. segurança. etc. na cadeia de suprimentos. alimentação de empregados. aí.objetiva sincronizar a produção com as demandas. não somente os componentes e matérias-primas são adquiridos em outras empresas. evidentemente. ou seja. Era a chamada tendência de verticalização industrial. assessoria jurídica. A figura 3. tais como: distribuição. manutenção.   Ao se considerar as relações com o ambiente. de forma a obter o menor custo total possível dentro da cadeia logística. grandes organizações produziam grande parte dos componentes necessários à fabricação de seus produtos. A estrutura a cadeia logística integrada é composta em três grandes grupos. . Novaes (2001) enfatiza que. um grau elevado de sintonia entre as organizações que participam dessa cadeia. como também os serviços. pensa-se imediatamente em fluxo de materiais. Logística de distribuição . Entende-se que seja mais adequada a concentração de atividades naquilo que a organização consegue realizar com competência. armazenagem e transportes de insumos e produtos. Acontece que. Cabe à logística de produção transformar os materiais em produtos finais ou acabados. Por esse motivo.gerencia as relações entre a empresa e seus fornecedores. pois eram capazes de produzi-los com baixos custos. no que tange à matéria-prima.

é considera geralmente com o auxilia de metodologia própria. que proporciona redução de estoque. Kanban10. é chamado de setor de compras (Novaes & Alvarenga. e por isso inserida dentro da Programação e Controle da Produção (PCP). Archimedes Raia Jr. evitando-se assim a manutenção de maiores estoques. em empresas pequenas. com cartões. O fluxo constante e confiável de informações é fator determinante no gerenciamento da cadeia de distribuição e essencial para que bons resultados de satisfação das exigências dos clientes finais sejam atingidos (Silva. 2000). Transporte da matéria-prima desde a fonte de suprimentos até o local de manufatura. Embora a logística incorpore uma diversidade de fatores que vai muito além do domínio estrito da logística de distribuição.) além de outros aspectos (Novaes & Alvarenga. Neste trabalho. vai ser dado um enfoque mais evidente na logística de distribuição. nível de serviço. os armazéns e depósitos do sistema (movimentação interna. Seus componentes são:    Extração ou retirada da matéria-prima na sua origem e preparação da mesma para o transporte. 2000). além de outras variáveis do problema logístico. que será mais bem estudada nos próximos capítulos. otimização do fluxo de produção. marketing. despacho. Existem algumas técnicas e procedimentos americanos e japoneses bastante eficazes. os subsistemas de entrega urbana e interurbana de mercadorias. da cadeia de distribuição. dentro outros (Novaes & Alvarenga. 9 Manufacturing Resources Planning ou Planejamento dos Recursos da Manufatura. dependem de um alto grau de cooperação entre as empresas participantes. prima e outros insumos (peças. redução das perdas e aumento da flexibilidade. A logística de produção. Técnica que tem como filosofia atender ao cliente interno ou externo no momento exato de sua necessidade. abrangendo também aspectos associados à comercialização.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. tais como: MRP II 9. Just-in-Time (JIT)11. componentes. até que os produtos sejam industrializados. com as quantidades necessárias para a operação/produção. que cuida dos aspectos logísticos dentro da manufatora em si. seus estoques. outros produtos acabados que vão integrar o processo produtivo). 10 11 . estoques. 2006). específica. a logística de distribuição é parcela das mais importantes em virtude dos impactos produzidos nos custos. Técnica japonesa. mais especificamente. O sucesso e a eficiência da cadeia logística e. Estocagem da matéria-prima na fábrica. embalagem. 2000). tratamento de informação. etc. A logística de suprimentos é também chamada de logística de materiais ou logística de abastecimento. A logística de distribuição física atua de dentro para fora da manufatura e envolve as transferências de produtos entre a fábrica e os armazéns próprios ou de terceiros.

em geral. O segmento institucional (hospitais. que se estende desde os fornecedores de matérias-primas (fármacos) até o consumidor final.d. diretamente dos fabricantes.) CADEIA DE SUPRIMENTOS NA ÁREA FARMACÊUTICA A primeira figura representa a cadeia de suprimentos. LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO DA PETROBRÁS Fonte: ANP (2005) apud PUC-Rio (s. passando pelos fabricantes (laboratórios). . que entregam medicamentos diretamente às redes ou. constitui importante mercado. por meio de distribuidores. Archimedes Raia Jr. secretarias públicas estaduais e municipais de saúde).LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. ao lado das farmácias. que estoca os produtos e os aloca às lojas. centros de saúde. indiretamente. Os fabricantes e distribuidores entregam os medicamentos ao depósito central da rede. As farmácias compram também produtos de higiene pessoal e cosméticos.

Archimedes Raia Jr. & Amaral Jr.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. A segunda figura representa a cadeia logística que prevalece no setor farmacêutico. Fonte: Machline. (1998) .

gasolina. Archimedes Raia Jr. nozes. carvão siderúrgico.4 mostram exemplos de demandas ao longo do tempo: i) demanda permanente (creme dental. surgem fluxos de mercadorias entre os diversos nós da rede. no entanto. ii) demanda sazonal (enfeites de natal. entre fabricação e transferência.). fita de impressora. não se constituindo em objetivo deste capítulo. iv) demanda em queda (máquina de escrever. leite. a etapa de armazenagem e manuseio de mercadorias tem impacto significativo. etc. de uma grande loja. bacalhau. etc. iii) demanda irregular (cervejas. o período de permanência da mercadoria no depósito ou armazenagem é derivado de objetivos gerais da organização. Nos pontos de transição da rede logística estão localizados os diversos tipos de instalações para armazenagem (figura 4. sucata. surge a necessidade de armazenamento dos produtos por um espaço geralmente curto de tempo. este tempo pode ser maior. que dará ênfase aspectos mais proeminentes. Figura 4. 4. de uma empresa de varejo. com a aplicação do enfoque sistêmico necessário à solução de problemas logísticos. As figuras 4.. dentre outras. Um tipo mais comum é o depósito com objetivo de armazenamento e despacho de mercadorias de uma indústria. Segundo Ballou (1995). ou sazonalidade da produção (caso da soja. disquete. em geral. entre transferência e distribuição física. sabão em pó. que impõe que certas empresas façam o estoque de determinados produtos em certos períodos para aproveitarem níveis de comercialização mais altos em outros momentos. Este tempo é necessário somente para a realização da triagem da mercadoria que acabou de chegar e posterior reembarque. long play (LP). nos pontos de transição de um fluxo para outro. no natal (castanhas. etc.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. estimando-se que seja de 12% a 40% dos custos logísticos em uma organização. como é o caso de mercadorias para consumo. panetone. cimento. etc.). Em alguns casos. carburador.). Um outro tipo que é bastante comum é o depósito destinado à armazenagem de insumos ou matérias primas (minério de ferro. 4 ARMAZENAGEM DE PRODUTOS EM DEPÓSITOS E ARMAZENS Durante o fluxo logístico. sal. ovos e colombas de páscoa. dependendo do caso.). etc. protetor solar.1 FUNÇÕES DE DEPÓSITOS E ARMAZÉNS Como visto anteriormente.1 – Figura simplificada de um depósito O problema de movimentação interna nos depósitos ou armazéns é tratado como uma especialidade aparte. no caso de siderúrgicas). etc. refrigerantes.1). As interfaces do processo logístico. a estocagem de produtos está relacionada com a sazonalidade de consumo. . por exemplo.2 a 4. ou seja. Um outro caso é o efeito na variação de preços no mercado. por exemplo).).

a armazenagem de produtos assume as mais diversas funções. das mais diversas origens e clientes.3 . 2000):   Armazenagem – estocagem de mercadorias por um período curto ou longo.5 .LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. . As principais funções destas facilidades são (Alvarenga & Novaes. Archimedes Raia Jr. seja ela armazém.Exemplo de demanda em queda Pensando no aspecto da logística.Exemplo de demanda irregular Figura 4.2 – Exemplo de demanda relativamente invariável no tempo Figura 4. Consolidação – mercadorias chegam em pequenas quantidades. depósito ou centro de distribuição.Exemplo de demanda sazonal Figura 4. Permanecem por um tempo determinado para formar uma carga “completa” para ser encaminhada a outro ponto da rede logística. Figura 4.4 . variando conforme os objetivos gerais da organização e da função exercida pela facilidade no sistema.

A unitização corresponde ao agrupamento e arrumação da carga com volumes menores em unidades maiores. O termo invólucro refere-se ao contexto puramente logístico e de transportes. Para isso.1 Operação de Recebimento Os objetivos do componente recebimento do armazém são: i) retirar a carga do veículo. como caixas de madeira. sacarias. ii) conferir a mercadoria. O depósito e/ou armazém. onde os caminhões acostam de ré. envolvendo aspectos mais subjetivos e estéticos que têm como objetivo atrair o consumidor. um depósito de grande loja ou organização do ramo de varejo. levando-se em consideração seu papel no sistema logístico global da empresa. com aproximadamente 1. incluindo-se os produtos manufaturados. Figura 4. papelão.7). feitos em seguida. o termo embalagem está mais próximo ao marketing.8) e iii) contêineres (figura 4. 4. No entanto. é preciso definir com clareza seus objetivos. tais como uma empresa de transportes. ii) paletes ou estrados (figura 4. sacas e tambores (figura 4.9). onde carregamentos maiores são desagregados em lotes menores e encaminhados a distintos destinos. formando invólucros com dimensões mais aproximadas de um paralelepípedo. Segundo Alvarenga & Novaes (2001).2 Operação de Carregamento e Descarregamento No estudo desse componente ou subsistema. analisando o depósito como um sistema em si mesmo. a 90º (figura 4. de forma a dar mais agilização no processo de carga e descarga. iii) número. Esta última operação acontece nos depósitos que trabalham com distribuição física de produtos em trânsito. Para cargas secas não granelizadas. ii) equipamento e pessoal necessário pra realizar a descarga de um veículo do tipo padrão.20 metro do solo. o transporte e a movimentação se faz normalmente conforme três tipos mais usados de acondicionamento: i) invólucros diversificados. visando melhorar o nível de serviço do sistema e sua redução de custo. alguns aspectos devem ser abordados: i) característica da carga a ser descarregada.1. 4. Há que se fazer uma distinção entre os termos invólucro e embalagem. A doca para recebimento de mercadorias é constituída normalmente por uma plataforma elevada. bebidas e outros. anotando a zona e a região do destino. Desconsolidação – função inversa à anterior. precisam ser considerados como componentes do sistema logístico global. Archimedes Raia Jr. arranjo e dimensões das posições ou berços de acostamento dos caminhões da doca de descarga.LOGÍSTICA  NOTAS DE AULA Prof.6) ou 45º. metal e plástico.1. deve-se definir os seus principais componentes. . iii) efetuar a triagem da mercadoria. sendo elementos importantes na rede logística.6 – Caminhão acostado em setor de descarregamento de um depósito Um aspecto importante nas operações de carga e descarga está associado ao grau e tipo de unitização.

10 – Caminhões acostados em setor de carregamento de depósitos .8 – Alguns modelos de paletes (Fonte: Incomade.7 – Invólucros em caixa de papelão cintadas (a). O processo de carregamento (figura 4. 2007) Figura 4. em filme PVC (b). em big bag (d) e em tambores (e) (Fonte: de “b” a “e”.10) e despacho do veículo constitui outro componente do sistema. BOSCH. as mercadorias. (a) (e) (b) (c) (d) Figura 4. são encaminhadas a uma doca para o seu embarque no veículo de transporte. após serem devidamente preparadas e rotuladas para serem distribuídas ou transportadas. Figura 4.9 – Contêineres No final do processo. em sacos (c).LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.) Figura 4. Archimedes Raia Jr.d. s.

elas devem. formas. b e c). ser deslocadas até o ponto onde se consolidam as cargas para o carregamento.11a. Depois da operação de recebimento das mercadorias elas devem ser deslocadas até o local onde devem ser armazenadas. (a) (b) (c) (d) Figura 4. Na maioria dos casos a movimentação é feita com auxílio de uma empilhadeira (figura 4.1. Posteriormente. Existe uma grande quantidade de equipamentos mecânicos para o manuseio de grande variedade de tamanhos. Archimedes Raia Jr. Os tipos mais comuns são: i) empilhadeiras.12). iii) guinchos. empilhadeira manual (b) trator (c) e esteira (d) Figura 4. pórticos e pontes rolantes (figura 4. ii) transportadores e esteiras (figura 4. volumes e pesos de mercadorias.3 Movimentação NOTAS DE AULA Prof.11a).12 – Equipamentos de movimentação: ponte rolante (a) e pórtico (b) e guincho (c) (a) (b) (c) . novamente.11 – Equipamentos de movimentação: empilhadeira (a). empilhadeira manual e tratores (figura 4.11d).LOGÍSTICA 4.

A embalagem não deve ser maior ou mais elaborada que o essencial para proteger os itens (superdimensionada). impedindo que sejam danificados durante o transporte e. Archimedes Raia Jr. Embalagens retornáveis (ex: paletes PBR. de maneira geral. etc. foram definidos vários tipos de embalagens padrão que serão detalhados a seguir. caixas tipo "KLT") passíveis de agrupamento/intercâmbio (passíveis de trocas universais entre os agentes de carga.  As embalagens retornáveis devem possibilitar o seu completo esvaziamento/drenagem. .    Uso de materiais do mesmo tipo. O uso de materiais para acomodação interna dos itens deve ser minimizado (Ex: isopor. com impacto direto em praticamente toda a cadeia. Os seguintes princípios devem ser observados:   Evitar cargas soltas. As embalagens. plástico-bolha. diz respeito à padronização de embalagens. econômicos e quantitativos. que sejam capazes de ser levados diretamente às linhas de produção sem a necessidade de manuseio. MANUAL DE LOGÍSTICA – EMBALAGEM Um dos pontos mais determinantes para a realização de uma logística eficiente.   Deve servir para acomodação das peças e proteção contra intempéries.). Os tipos e sistemas de embalagens foram definidos a partir de diferentes critérios: ecológicos. ao mesmo tempo.  Quando do uso de embalagens descartáveis ou recicláveis.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. papel. esses materiais devem estar devidamente identificados de acordo com as normas e padrões dos serviços de reciclagem e retorno de embalagens. Tendo tal fato em vista. devem ser suficientemente robustas para acomodar os itens. É mandatório o uso de embalagens retornáveis para os fornecedores nacionais. fornecedores e clientes) devem ser preferidas.

 Embalagens movimentadas manualmente não devem exceder 18 kg. contaminação e danos. como é o caso das montadoras automobilísticas.d.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Este plano deve incluir: dimensões da embalagem. número de peças por embalagem. só será aceita fita de poliéster. com exceção do grupo de matérias primas metálicas.” Fonte: BOSCH (s.  O fornecedor deverá ter um plano de embalagem para os itens fornecidos.  A cor das embalagens retornáveis de propriedade do fornecedor deverá ser azul “RAL 5012”. Para os paletes. Quando as peças ou produtos apresentarem características ou superfícies críticas quanto à qualidade ou operação. atendendo em conjunto demais regulamentações governamentais. ser fornecidas instantaneamente. etc. todas deverão possuir o nome e ou logotipo do fornecedor gravado em local de fácil visualização. No entanto.  Embalagens danificadas deverão ser retiradas de circulação imediatamente e a manutenção das mesmas ficará a cargo do fornecedor. conforme norma do SESMT (Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho).1. Para facilitar a identificação da propriedade das embalagens.   Materiais a granel devem vir acondicionados sobre paletes e cintados de forma segura. a gravação deverá estar na sua lateral. Ballou (1995) questiona a necessidade de espaço físico para estocagem e justifica: se as demandas pelos produtos da empresa forem conhecidas com precisão e se as mercadorias puderem. em geral.) 4. teoricamente não há necessidade de manter espaços físicos para estoque.13). que fazem uso da técnica just in time. Archimedes Raia Jr.  Materiais perigosos deverão estar devidamente identificados e rotulados conforme Norma Técnica NBR 7500. peso de embalagem cheia/vazia. sujeira. A armazenagem e manuseio de mercadorias são componentes essenciais no conjunto das atividades logísticas (figura 4.4 Armazenagem O processo de armazenagem ocorre por períodos curtos ou longos. material da embalagem. deverão vir com proteção contra ferrugem.  Para o cintamento das embalagens. assim como apresentar facilidade de limpeza. muitas vezes não é prático nem econômico operar desta . número de embalagens por palete.

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maneira, pois, em geral, a demanda não pode ser prevista com precisão. Para alcançar uma perfeita coordenação entre oferta e demanda, a produção deveria ter tempo de resposta instantâneo e o transporte deveria ser totalmente confiável, com tempo de entrega nulo. Isto não acontece em operações reais. Assim, as organizações usam os estoques para melhorar a coordenação entre a oferta e a demanda e diminuir os custos totais. Portanto, manter inventário gera a necessidade de espaço de armazenagem e de movimentação interna de materiais. Um leiaute de uma unidade armazenadora pode ser visualizado na figura 4.14.

Figura 4.13 – Locais de armazenagem em um depósito

Figura 4.14 – Leiaute básico de unidade armazenadora (Fonte: FJG, s.d.)

4.1.5 Preparo de pedidos Em certos tipos de armazéns, os pedidos dos clientes são preparados em uma área determinada do depósito (figura 4.15). As mercadorias são acondicionadas em caixas, pallets, contêineres, etc. Ao acondicionamento das mercadorias é acrescentado rótulo externo contendo o nome do cliente e endereço, para depois serem encaminhados à doca de embarque.

Figura 4.15 – Setor de preparo de pedidos

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4.1.6 Circulação externa e estacionamento Os depósitos, em geral, devem possuir áreas apropriadas para a circulação interna e estacionamento dos veículos (figura 4.16). Em vários casos, há a possibilidade de se usar a via pública para executar esta tarefa, o que não é desejável.

Figura 4.16 – Área de circulação externa de um depósito de cimento

A figura 4.17 apresenta um leiaute geral de um depósito, além da disposição de seus diversos componentes.

Figura 4.17 – Leiaute de um depósito e seus componentes

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5 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO
O processo de abastecimento da manufatura com matéria-prima e componentes é denominado inbound logistics na literatura internacional, sendo que no Brasil é normalmente denominado de logística de suprimento. Segundo Novaes (2001), a logística de suprimento é uma parte muito importante pelo seu aspecto estratégico e pela importância econômica a ela associada tanto pelo setor público como pelo privado. Para as atividades ligadas ao varejo, o setor da logística que movimenta os produtos acabados desde a planta da fábrica até o consumidor é normalmente chamado de distribuição ou outbound logistics, com uma importância mais específica. Os especialistas em logística chamam de distribuição física de produtos ou simplesmente distribuição física os processos operacionais e de controle que possibilitam a transferência dos produtos desde o local de manufatura até o local onde o produto é entregue ao cliente final. Geralmente, esse cliente final é o ponto de varejo, porém existem casos de entrega da mercadoria na residência do cliente, particularmente para mercadorias com grande peso ou volumosas. Os responsáveis pelo setor de distribuição física trabalham com elementos específicos, de natureza preponderantemente material, ou seja, depósitos, veículos para transporte, estoques, equipamentos de carga e descarga, etc. Grande parcela das mercadorias comercializadas no setor de varejo chega ao consumidor final por meio de empresas intermediárias, isto é, o fabricante produza a mercadoria, o atacadista ou o distribuidor, o varejista e, eventualmente, outros intermediários. Segundo essa visão, os elementos que formam a cadeia de suprimento, que começa na fabrica e vai até o varejo, compõem aquilo que se chama canais de distribuição. Assim canais de distribuição constituem conjuntos de organizações interdependentes envolvidas no processo de tornar a mercadoria ou serviço disponível para uso ou consumo. Há certo paralelismo e uma correlação forte entre as atividades que constituem a distribuição física de produtos e os canais de distribuição, conforme pode ser visto na figura 5.1.

Figura 5.1 – Paralelismo entre Distribuição Física e Canais de Distribuição

podem ser configurar em custos muito elevados. da forma com que ela compete no mercado e da estrutura geral da cadeia de suprimentos.1 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO A definição mais detalhada dos objetivos dos canais de distribuição depende essencialmente de cada organização. Serviço de pós-venda – uma vez comercializados os serviços ou mercadorias. uso ou não de paletização ou de tipos especiais de acondicionamentos em embalagens. analisando a cadeia de suprimentos na sua totalidade. Por vezes. precisa-se oferecer os serviços de pós-venda. inicialmente. Porém. ou seja. tais como (Novaes. A definição do canal ou de canais de distribuição. a rede logística e o sistema de distribuição física derivadas. atuando em conjunto com os parceiros. principalmente relacionada aos fatores mais significativos associados à distribuição física. buscar lotes mínimos dos pedidos. etc. As atividades logísticas associadas à distribuição física são então definidas a partir da estrutura planejada para os canais de distribuição.      Os canais de distribuição podem desempenhar quatro funções básicas. de maneira integrada. centros de distribuição. urge que se pense de maneira sistêmica na projeção dos canais de distribuição e na estruturação da distribuição física subjacente.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. é possível a identificação dos deslocamentos físico-espaciais que as mercadorias deverão obedecer. Em conseqüência da estratégia competitiva adotada pela organização. a partir dessa análise. isto é buscar parcerias entre fabricante e varejista que possibilitem a exposição mais adequada da mercadoria nas lojas. estoque de produtos. Definidos os canais de distribuição. é possível identificar alguns fatores gerais. 2. Intensificar ao máximo o potencial de vendas do produto sob enfoque. transporte usado e as estruturas complementares de serviço. e Procurar redução de custos. não dispensa de uma análise criteriosa de suas implicações sobre as operações logísticas. 2001):  Assegurar a rápida disponibilidade do produto no mercado identificado como prioritários. comum na maioria deles. restrições de tempo de espera. Assegurar nível de serviço estabelecido previamente pelos parceiros da cadeia de suprimentos. segundo as modernas concepções trazidas pelo supply chain management: 1. e . Satisfação da demanda – é necessário comercializar os serviços ou mercadorias para satisfazer a demanda. Indução da demanda – as empresas da cadeia de suprimentos necessitam gerar ou induzir a demanda de seus serviços ou mercadorias. 5. 3. Garantir rápido e preciso fluxo de informações entre os parceiros. o produto precisa estar disponível para a venda nos estabelecimentos varejistas do tipo correto. Archimedes Raia Jr. Promover cooperação entre os participantes da cadeia de suprimentos. escolhe-se um esquema de distribuição específico. condições de descarga. ou seja. com os serviços a eles associados. Tal como deve ocorrer em todas as etapas da logística. A rede logística compõe-se de: depósitos (ou armazéns). detalhando-se. as soluções propostas.

LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Como exemplo pode-se citar o caso da Avon Cosméticos. dentifrícios. que por sua vez. segundo Novaes (2001). ligadas às trocas de informações eletrônicas. considerados desde a manufatura até o consumidor final. onde cada patamar de intermediação da cadeia de suprimentos se caracteriza como um nível do canal. A estratégia neste caso sugere distribuição seletiva. pois o fabricante vende seu produto direto ao consumidor. certa pesquisa de condições antes de sua aquisição (TVs. geladeiras. a figura dos atacadistas. a estratégia aponta para a distribuição intensiva. verifica-se um novo paradigma de canais mais curtos na cadeia de suprimentos eliminado-se. e que têm sua aquisição caracterizada pela esporadicidade. mas com certo controle. ii) distribuição seletiva: com amplitude múltipla. geralmente. e ii) encurtamento de canais. Archimedes Raia Jr. em geral. existindo. em domicílio.). acrescendo-se também os consumidores que disponibilizam um retorno importante tanto para os fabricantes quanto para os varejistas. o consumidor procura o representante exclusivo da marca. A partir da realidade de sistemas logísticos de entregas rápidas. Os produtos de consumo freqüente – são as mercadorias consumidas cotidianamente (xampus. etc. Os fabricantes . O canal nível 2 é aquele onde existem dois intermediários. revendendo-os nas próprias lojas. sabonetes. Os produtos que envolvem pesquisa antes da aquisição – são os produtos que requerem. em número de três: i) distribuição exclusiva: com amplitude um. que comercializa suas mercadorias por meio de suas próprias vendedoras. Encurtamento de canais A partir de novas realidades proporcionadas pelo avanço da tecnologia da informação. como é o caso das canetas Mont Blanc.). Neste caso. 4. apenas um nível intermediário da cadeia. Este é o caso da distribuição exclusiva. móveis. o varejista. como é o caso dos grandes supermercados. Troca de informações – o canal viabiliza a troca de informações ao longo de toda a cadeia de suprimentos. que sejam diferenciados.1. A escolha de uma dessas alternativas leva em consideração: Os produtos especiais – mercadorias de valor elevado. inclusive com a criação do comércio eletrônico. em geral. sendo. sem controle. e iii) distribuição intensiva: com amplitude múltipla. portanto.1 Características dos canais de distribuição As características principais dos canais de distribuição são: i) extensão e amplitude. etc. o setor varejista tem menor dificuldade em fazer seus pedidos de maneira direta aos fabricantes. Neste caso. como é o caso de pequenos mercados que adquirem as mercadorias através de atacadistas. A amplitude (largura do canal) determinada para cada segmento intermediário da cadeia de suprimentos é representada pela quantidade de empresas que nela trabalham. adquire-nas dos fabricantes. 5. O canal nível 1 prevê que os varejistas de grande porte compram os produtos diretamente dos fabricantes. Extensão e amplitude A extensão de um canal de distribuição é associada à quantidade de níveis intermediários na cadeia de suprimentos. O canal nível zero não possui níveis intermediários.

Estes requerem maior assistência no abastecimento de seus estabelecimentos e condições mais favoráveis de crédito. ou seja. não dando a devida importância aos elementos seguintes da cadeia de suprimentos. contam com modernas tecnologias de tratamento de informações.2 DEFINIÇÃO DOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Para a estruturação da cadeia de suprimentos. que abastece um grande supermercado. 5. Archimedes Raia Jr. de encarar o cliente mais próximo como se fosse o cliente final. Com o aumento da concorrência. As empresas de refrigerantes. de forma se obter uma maior competitividade no mercado. os fabricantes utilizam distribuidores e atacadistas com o objetivo de chegar a locais geograficamente distantes. 5. permitindo o monitoramento e o atendimento dos pedidos individuais do setor varejista. As funções são enquadradas em oito categorias:  Informações sobre o produto – evolução tecnológica. Portanto.2. tanto atacadistas quanto distribuidores devem adotar posturas proativas. um dos aspectos estratégicos a ser abordado é sobre qual seria o melhor projeto de canais de distribuição. por exemplo.1 Etapa 1 – Definir os segmentos homogêneos de clientes Nesta etapa procura-se agrupar os clientes com necessidades e preferências semelhantes nos canais específicos e. neste caso.supply chain management (SCM). os clientes são assumidos como sendo os usuários finais do produto.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. A idéia mandatária é não se cometer erros graves segundo a visão moderna de gerenciamento da cadeia de suprimentos . fiscalizadas pelo varejista ao invés de também se preocupar com a qualidade inerente ao produto a ser sentida pelo consumidor final. com a oferta de serviços mais modernos de informação e rápida resposta ao atendimento dos pedidos dos clientes.2. Este fato pode ser mais bem entendido no exemplo de um produtor de geléias. são 6 as etapas a serem empreendidas para o projeto dos canais de distribuição. Segundo Novaes (2001). Ex. 5. de maneira total ou parcial. para proporcionar maior cobertura a seus clientes a partir de estoques dos intermediários e para atendimento a pequenos varejistas.2 Etapa 2 – Identificar e priorizar funções Após a definição dos canais a empresa deve identificar quais são as funções deverão ser associadas a cada canal de distribuição. Para determinados tipos de mercados. têm como foco o consumidor final na definição dos seus canais de distribuição e não o comerciante. o uso da figura de distribuidores e/ou atacadistas pode ser uma boa solução.: detergente biodegradável. No caso das empresas que produzem a embalagem plástica para os refrigerantes devem focar as indústrias que produzem as bebidas e não o consumidor final. preocupação com a saúde e meio ambiente produzem no cliente exigências de informações em abundância e com qualidade. procurando tão somente atender as especificações de qualidade.  Customização do produto – alguns produtos precisam de modificações técnicas para se adaptar a determinadas condições de mercado e/ou exigências dos . associada ao avanço das grandes empresas varejistas na repartição dos mercados.

movimentação.  Logística – grande parcela das sete funções citadas anteriormente produz impactos significativos nas operações logísticas de uma determinada organização. Ex. onde o cliente compra o produto e precisa da instalação. Ex. para um pequeno supermercado. transporte (próprio ou terceirizado). versões.2. a embalagem poderá ser menor. considerando as despesas com a aquisição. etc.3 Etapa 3 – Realizar benchmarking 12 preliminar Após serem definidas e detalhadas as funções atribuídas a um canal ou vários canais de distribuição. o fornecimento de garrafas de refrigerante poderá se dar em grandes embalagens paletizadas com quantidades maiores. em geral. cadastramento e monitoramento de informações. hardware e periféricos.: Atacadistas de materiais elétricos precisam dispor de lâmpadas com voltagem 127 Volts e 220 Volts. Ex. o nível de satisfação dos requisitos dos clientes com o enfoque na cadeia de suprimentos. Ex.: Varejistas em regiões mais abastadas de uma grande cidade podem necessitar dispor de maior disponibilidade de variedades de iogurte (sabores. compatíveis ao seu nível de comercialização. comparando uma empresa com outras. consertos. etc. comparando-o com práticas consideradas de referência de concorrentes e verificando-se. Archimedes Raia Jr.: para grandes empresas varejistas.) do que em região da periferia.  Tamanho dos lotes – função associada mais especificamente à capacidade de comercialização dos clientes.  Disponibilidade de variedades – determinados consumidores querem maior disponibilidade de variedades de um mesmo produto para diferentes regiões. realização de atualização de software. tais como: instalação. clientes. . particularmente.. 12 Processo sistemático usado para estabelecer metas para melhorias no processo. quando comercializados por determinados canais. atendimento de reclamações. Ex. onde uma menor variedade pode satisfazer à clientela. de outras empresas que apresentam o desempenho “melhor da classe”.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. não sendo necessariamente concorrentes. facilidade de armazenagem. diet ou light. 5. Ex. manutenção de rotina.: No caso de computadores. As medidas de benchmark derivam.: empresa que comercializa álcool com a indústria química precisa garantir mais qualidade do que no fornecimento para uso geral. eventuais manutenções. tamanhos. é necessário fazer uma análise do projeto. manuseio e custos de estocagem. Ex. que vão além da garantia tradicional. com menos unidades. etc.: venda de motos para países com exigente controle de emissão de poluentes.  Afirmação de qualidade do produto – certos produtos necessitam uma afirmação mais explícita de sua qualidade e confiabilidade. nos produtos etc.  Variedade de características – certos canais de distribuição que atendem diferentes regiões do país precisam ter diversidade para atendimento das diversas necessidades.: Serviços de pós-venda de refrigeradores podem precisar de visitas técnicas.  Serviços de pós-venda – os clientes precisam de serviços diversificados. nas funções.

são avaliados os custos e benefícios associados a cada alternativa gerada na etapa 4. dentre eles o gerente de marketing. 5. Este grupo de trabalho. inicialmente:  Grupo 1 . Neste sentido. além de analisar os canais de distribuição da mercadoria. considerar a repartição de mercado e os investimentos a serem realizados considerando cada opção. Comparando-se os elementos de investimentos. de forma sistemática.6 Etapa 6 – Integrar com atividades da organização Uma empresa quando lança um produto no mercado. Como visto. com a estrutura de canais já existentes na organização. 5. Precisa-se. A definição das alternativas deve-se estar assentada nos objetivos da organização. identificou dois segmentos homogêneos de clientes. os fatores estratégicos de longo prazo assumem grande significado. de custos e benefícios. mudanças radicais na estrutura dos canais de distribuição representam grandes custos e podem apresentar. em alguns casos. chega-se. obtido na etapa 5. então. levando-se em conta os requisitos do consumidor e devidamente delimitados considerando as práticas das empresas concorrentes. à escolha da alternativa que melhor atenda aos interesses da organização. É necessário proceder a determinadas melhorias nas funções atualmente desempenhadas ao longo dos canais existentes. Nesta etapa.2. imprevisíveis conseqüências. Empresa GeloFrio A Empresa GeloFrio é parte de um conglomerado bastante significativo no mercado brasileiro. Archimedes Raia Jr.5 Etapa 5 – Analisar custos e benefícios Na etapa 5. de maneira a proceder a compatibilização do novo produto.Clientes institucionais – órgãos governamentais e grandes organizações. através de licitações públicas ou grandes pedidos. A Alta Direção do Grupo designou uma equipe de analistas. representantes do setor de vendas. geralmente. que compram lotes grandes da mercadoria. compreendendo alternativas possíveis de canais de distribuição e de suas funções. obtidas pelo benchmarking realizado na etapa 3.4 Etapa 4 . é necessário questionar se a estrutura de distribuição proposta assegura vantagens de mercado e se existe condições de estabilidade por um período longo de tempo. e alguns engenheiros especialistas em logística. chamado de GCD. Inicialmente. e . adicionalmente. Eles tinham a missão de encontrar a definição.2. e está sendo implantada na região de Bauru. engenheiros do produto. já produz ou comercializa outros produtos. 5.Revisar o projeto A combinação dos resultados obtidos nas etapas 2 e 3 pode definir algumas alternativas. é necessário integrar o projeto de distribuição.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.2. com previsão de produção de refrigeradores.

um “canal de 1 nível”.Clientes formados por pequenas organizações ou famílias – que compram quantidades pequenas da mercadoria. Em vista disso. que atendem diretamente os clientes do Grupo 1. O gerente de marketing procurou deixar claro de que a organização precisará encurtar os “canais de 2 níveis” para “canais de 1 nível” tão logo haja um adensamento de demanda capaz de justificar economicamente a alteração. uma ou duas unidades. e “canal de 2 níveis”. seria a distribuição seletiva. em função de suas características e da concorrência. sem o processo licitatório. pois a equipe de vendedores da GeloFrio. em geral. em um “canal de 1 nível” para as regiões Sudeste e Sul. não dispõe de tempo e disposição para atender os pequenos clientes do Grupo 2. para o resto do território nacional. Eles fazem a sugestão de se criar dealers (representantes regionais) que comercializariam o produto atuando diretamente junto às pequenas e médias empresas. em termos espaciais. representando. especialmente montada para esse fim. e que seria antieconômico. levando-se em conta o nível de renda da população e a participação no mercado (market share) nessas regiões. A figura mostra esquematicamente os 4 canais propostos nas reuniões do GCD. portanto.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Esses distribuidores teriam a missão de abastecer as empresas varejistas de suas regiões específicas e agiriam de maneira exclusiva para a Empresa Gelofrio. Um colaborador do setor de vendas. por outro lado. o varejo seria fracionado. Muitos debates se sucederam até que o consenso apontasse para a solução proposta pelos engenheiros de logística.  Grupo 2 . por sua vez. o GCD decidirá pelo número de locais de venda conforme cada região do território nacional. através de uma equipe de vendedores. O GCD sugere que o Grupo 1 seja atendido de maneira direta pelo departamento de vendas da fábrica. e “canal de 1 nível” para o varejo. O representante do departamento de marketing apontou que a maneira mais apropriada de distribuição para este tipo de mercadoria. O gerente de marketing sugere que a empresa abasteça de forma direta os clientes do Grupo 1. por um lado. demonstrou uma preocupação com o atendimento aos varejistas de pequeno porte. Os clientes do Grupo 2 seriam atendidos através de lojas varejistas. A 1ª etapa da . O engenheiro de logística fez alguns estudos e aponta que o abastecimento direto a todas as empresas varejistas no território nacional requer muitos recursos. uma vez que o mercado básico da organização está basicamente localizado nas regiões Sudeste e Sul. Assim. fazendo jus a uma parcela de ganho a ser definida posteriormente. Archimedes Raia Jr.

uma vez que o serviço requer mão-de-obra especializada. Archimedes Raia Jr. Porém. A intenção de encurtar o canal 4 (figura). onde foram identificados os segmentos homogêneos de clientes. com um nivelamento correto. poderiam oferecer o serviço de nivelamento dos pés com facilidade. o que extrapola as funções mais comuns dos varejistas. para que mostrem claramente este aspecto e que não assuste o consumidor potencial. Um dos especialistas em logística lembrou que os representantes regionais. eliminando futuramente o dealer. O gerente de marketing sugeriu que toda a produção saísse com este tratamento. por isso. medidos em capacidade (litros). O gerente de marketing apontou para a necessidade de se ter três capacidades diferentes do refrigerador. Criou-se um subgrupo composto por engenheiros do produto e de logística. O gerente de marketing selecionou alguns aspectos importantes com relação às informações do produto: i) o refrigerador GeloFrio foi desenvolvido de forma a não gerar qualquer tipo de ruído. necessitaria fazer uma operação de benchmarking para conhecer melhor o que os concorrentes estavam pensando a respeito. Portanto. Diante disso. definição dos canais de distribuição ficou concluída. precisa levar de alguma forma esta informação ao cliente pessoa física. em função do gasto extra com a instalação dos dispositivos dos pés. igual comportamento não poderia ser esperado dos pequenos varejistas. afetando seu desempenho e estética. O que foi aceito por todos do GCD. Um representante de vendas alertou que os concorrentes estavam oferecendo um produto que se oxidava rapidamente nas cidades litorâneas. para garantir esta qualidade o eletrodoméstico necessita de uma montagem especial dos pés hidráulicos. o engenheiro do produto alertou que essa diversificação resultaria em um processo adicional na fabricação do produto. Questões propostas: 1. necessitando um tratamento adicional antiferrugem para essas regiões. Haveria maiores custos e benefícios a serem analisados e. independente da praça a qual se destinaria. e gerente de marketing para estudar a questão e apresentar resultados para serem discutidos no GCD. bem como os clientes formados pelas pequenas lojas. preocupados com o atendimento de empresas de pequeno porte. implicando em custos adicionais de fabricação. todo o grupo entendeu que esse seria um problema bastante complexo. mas. não é de fácil . que foram agrupados em canais específicos.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. e disponíveis nas voltagens 127 e 220 Volts. A seguir o GCD passou a analisar quais seriam as funções inerentes aos canais de distribuição. estocagem e problemas na linha de distribuição. se apresentando como uma vantagem competitiva no mercado.

Faça um confronto entre as estruturas logísticas necessárias para atender os canais 3 e 4. Delinear uma seqüência de tarefas para a questão. especificando os objetivos. Discutir as vantagens e desvantagens de adoção desde o início a mesma estrutura de distribuição do canal 3. de uma área cinzenta entre dois mercados. a metodologia ser empregada. iv) serviços pós-venda. poderia ocorrer com certa probabilidade. daqui a 5 anos? 2.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. para todas as regiões no território nacional. Por que separar os clientes “empresas pequenas” dos clientes pessoa física? Os primeiros não poderiam adquirir o refrigerador diretamente das lojas? Quais as vantagens e desvantagens de efetuar essa separação? 3. Foram explicitados pelo grupo GeloFrio de forma completa e adequada? 6. De maneira geral. Admitindo que o esquema da figura seja adotado. principalmente. execução. Archimedes Raia Jr. propondo soluções para contornar o problema. Admita que você foi designado como líder do subgrupo incumbido de analisar o problema do tratamento do produto contra ferrugem. 8. Considerar os aspectos ligados à logística. as seguintes funções: i) customização do produto. Como proceder ao benchmarking da estrutura de distribuição definida pelo GCD. você considera satisfatórios os resultados definidos até o momento pelo grupo de estudos da GeloFrio? Por quê? Por ex. Considerar os aspectos ligados à logística. ao marketing e às vendas. neste exemplo.. indicados na figura. e) serviços logísticos. e os resultados de cada tarefa. 5. Por quê? O que poderia ser feito no futuro para evitá-lo? 4. Analisar a questão. onde o grupo trouxe a visão do cliente para a elaboração de suas propostas? Você acha que ficou faltando alguma coisa ou se poderia simplificar a estrutura proposta? 9. à manufatura. 7. iii) variedade. ii) afirmação da qualidade do produto. Um conflito mercadológico entre dealers e os varejistas. quais dificuldades. por ex.. Outro conflito entre os dealers e o corpo de vendas do fabricante poderia ocorrer como decorrência. que formam os canais 2 e 3 da figura. Identificar. no que diz respeito aos clientes de médio porte (são grandes ou são pequenos?). considerando os principais concorrentes da GeloFrio? . custos e investimentos que se deslumbra para proceder ao encurtamento do canal. particularmente. à manufatura de cada tarefa.

Archimedes Raia Jr. Fonte: adaptado de Novaes (2001) .LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.

no momento certo e com o nível de serviço desejado. O custo de capital dos produtos acabados que permanecem estocados nos depósitos da fábrica. acabamento e cores. Informações – no caso de distribuição.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Isto se deve ao fato do produto ser de grande volume ou peso. o projeto mercadológico escolhido. Veículos – já que os produtos são normalmente comercializados em pontos distintos em relação ao local de fabricação. 6. Archimedes Raia Jr. sua distribuição implica o deslocamento espacial das mercadorias. com variedade de tipos. distribuidores e varejistas. em geral. Internet ou telefone. isto é. porém há muitos casos em que o produto é entregue posteriormente ao comprador em seu domicílio.1 COMPONENTES DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A distribuição física dos produtos é feita com a participação de alguns componentes. ou pelo fato do varejista oferecer ao cliente este serviço. capacidade. Entre o fabricante e o consumidor existe apenas um intermediário. 2001). o varejista. sejam eles físicos ou informacionais: 1. favorece a opção de veículos de menor porte e capacidade. Na transferência de produtos desde o fabricante até o centro de distribuição do varejista (ou depósito do atacadista) emprega-se veículos maiores. Também. até sua entrega final ao consumidor. na prática. no abastecimento de lojas. com mais condições de manobrabilidade em áreas urbanas. é necessário fazer o detalhamento do processo logístico que realizará. nos casos onde a aquisição é feita através de fax. são usados veículos menores. cita Novaes (2001).. o produto é transportado desde o fabricante para o centro de distribuição do varejista. para vários pontos de varejo. no ato da compra. Isto porque a oferta de produtos se abriu num leque de opções muito grande. Estoque de produtos – é formado pelo estoque de produtos ao longo de todo o processo. No estudo do supply chain. caso de bebidas e cigarros. o produto é despachado da fábrica para o depósito de um atacadista. passou a ser um encargo elevado para as empresas. 2. transporte interno e carregamento dos veículos de distribuição. para lugares certos. A distribuição física tem como objetivo geral levar os produtos certos. ocasionando um acréscimo expressivo nos níveis do estoque. nos centros de distribuição dos atacadistas. é fundamental dispor de um cadastro de . 6 DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A cadeia de distribuição física é formada por um “canal de 1 nível”. 3. nunca vistos. Após a definição dos canais de distribuição (Capítulo 5). em outros. Em muitas atividades varejistas o produto é entregue diretamente ao consumidor na loja. com mais capacidade. 4. uma geladeira ou jogo de sofá. a distribuição física cobre os segmentos que vão desde a saída do produto da fábrica. por exemplo. Em certos casos. a necessidade de maior freqüência nas entregas de produtos às lojas. nas lojas de varejo e nos veículos de transporte. Não são raros os casos onde o fabricante abastece diretamente as lojas de varejo. necessitando de veículos para realizá-lo. Dispõem de facilidades para descarga de produtos. pelo menor custo possível (Novaes. Instalações físicas – fornecem espaços destinados a abrigar as mercadorias até que sejam transferidas para as lojas ou entregues aos clientes. por ex.

Outras informações são: quantidade de produtos a ser entregue a cada cliente. Distância entre os pontos de origem e de destino é um dos elementos que mais influenciam nessa forma de transporte. programada e controlada através de softwares aplicativos. na prática. segundo Novaes (2001): Distribuição UM PARA UM – o veículo é totalmente carregado (lotação total) no depósito da fábrica ou CD varejista e transporta a carga para um único ponto de destino. monitoramento de frota. além de outras informações importantes para a operação logística. e Distribuição UM PARA MUITOS – também chamada de compartilhada. em todos os níveis. Archimedes Raia Jr. Pessoal – para que um sistema de distribuição física funcione adequadamente e de forma competitiva. o dimensionamento da frota. etc. com freqüência. Atualmente. pois condiciona a seleção do tipo de veículo. como é o caso do modelo ABC-Activity Based Costing. é necessário adotar uma estrutura mais eficaz para os serviços logísticos de distribuição física. horários para entrega. o carregamento do veículo é realizado de forma a lotá-lo por completo. motoristas. o emprego de formas de custeio modernas. Estrutura de custos – deve ser adequada e constantemente atualizada. e o frete a ser cobrado do usuário. roteiros de distribuição.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. endereço (com coordenadas geográficas para uso de SIG ou roteirizadores). o custo. 5. com o objetivo de se obter um melhor aproveitamento de sua capacidade. A distribuição UM PARA UM é influenciada por 12 fatores. devoluções. Ao carregar o veículo. 7. Devido à diversidade de custos associados à distribuição física. vai se acomodando a carga nos espaços disponíveis. é preciso que a empresa disponha de colaboradores devidamente treinados e capacitados. que auxiliam na preparação dos romaneios de entrega. administrativos. Hardware e software – grande parte das atividades de distribuição é planejada.2. uma vez que na distribuição de um para muitos.1 Sistema de distribuição UM PARA UM Na distribuição do tipo UM PARA UM. precisando de um roteiro de entregas elaborado previamente. não se consegue. 6. pode-se sintetizá-las duas configurações básicas. clientes. roteirização de veículos. quando enfocada sob o ponto de vista da logística: 1. controle de pedidos. Esses softwares funcionam em computadores (hardware) instalados para favorecer o uso dos softwares. composto pela razão social. tipo de acondicionamento. Este aspecto é importante. ajudantes. 6. seja ele uma loja ou outro CD. é imperativo. um bom aproveitamento do espaço do veículo.2 TIPOS BÁSICOS DE DISTRIBUIÇÃO Embora possa existir. uma quantidade significativa de tipos de distribuição física de produtos. 6. . etc. Isto porque se é obrigado a carregá-lo na ordem inversa das entregas. o que impede a otimização do arranjo interno da carga no caminhão. etc. onde o veículo é carregado no CD varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes. sejam eles técnicos logísticos.

porém planejado e operado conforme suas especificações. A velocidade operacional é a velocidade média entre os pontos de origem e de destino.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. isto é. a empresa pode optar por um serviço próprio de distribuição. além de grandes clientes. os tempos de carga e descarga. esta mesma carreta pode ser descarrega em 25 minutos. isto é. etc. De nada adiantaria uma empresa de transporte aéreo oferecer os aviões mais velozes para deslocar produtos de um local a outro. para carregar uma carreta de forma manual. conferência. emissão de documentos. é feita com o uso de pallet. os tempos de carga e descarga. 3. principalmente. a velocidade operacional é calculada da seguinte maneira: Vop  Onde: D AB t AB Vop =velocidade operacional entre os locais A e B D AB = distância entre os locais A e B. reduzem bastante a velocidade operacional dos veículos. Quando os volumes não comportam um sistema especialmente implantado para tal. descontando os tempos nos terminais. para uma transferência entre dois locais A e B. requer-se cerca de duas horas e quatro funcionário. tempos de espera para a carga ser recebida no cliente. Dessa forma. se a mercadoria sofrer retenções e atrasos excessivos no solo. tempos de espera para a carga ser recebida no cliente. 2. Nas viagens intermunicipais. principalmente para distâncias relativamente curtas. 4. isto é. operando com frota própria ou terceirizada. O tempo de carga e descarga afeta bastante as características operacionais e econômicas da distribuição UM PARA UM. prejudicando sua produção (menos toneladas-quilômetro realizadas por ano) e acarretando aumento nos custos operacionais. como é o caso de supermercados.. Tempo porta a porta é um dos fatores mais importantes para o usuário do serviço de transporte. t AB = tempo total de viagem entre os locais A e B. no transporte doméstico. Uma forma de redução dos tempos de carga e descarga é utilizar outras formas de acondicionamento da carga. Por ex. a velocidade operacional é fortemente condicionada pelas características das estradas (ou rodovias. tempos de espera para a carga ser recebida pelo cliente. Quando os volumes transportados são elevados. que atende um grande número de pequenos varejos. ou ferrovias). Tempo de carga e descarga é o tempo total gasto na pesagem. etc. descontando os tempos nos terminais. a empresa se vê obrigada a usar os serviços de transportadores autônomos ou empresas . atualmente. descontando os tempos nos terminais. bem como nas operações de carga e descarga propriamente ditas. 5. retirando os tempos de carga e descarga. etc. caso a mesma tivesse sido carregada com a carga unitizada em pallets e com o auxílio de uma empilhadeira e seu operador. sua unitização que. As condições de má conservação das rodovias. Archimedes Raia Jr. Pode ser citar o caso da Coca Cola. Quantidade ou volume transportado também e outro fator de grande significância na distribuição física dos produtos.

visto que as transportadoras são obrigadas a atender clientes diversos. 8. com maior volume. em que a densidade média e muito baixa. É o caso dos móveis citados anteriormente. no transporte doméstico. Neste caso. como também a empresa transportadora em alguns casos. transportadoras. controle de vazamentos. por exemplo. o controle do nível de serviço é obviamente mais difícil. o transportador autônomo. Como exemplo. Grau de fragilidade da carga tem influência nos cuidados necessários no processo de embalagem do produto. Em alguns casos. quase sempre caros. Disponibilidade de carga de retorno – a não disponibilidade de carga de retorno. Densidade de carga afeta a escolha de um tipo de veículo adequado ao serviço e. que vem sofrendo de constantes assaltos. com diferentes tipos de carga e com diferentes prioridades. é feita geralmente por meio de pallets. no seu manuseio e no transporte. Archimedes Raia Jr. Custo global da distribuição de produtos do tipo UM PARA UM tem características peculiares. o custo do transporte. válvulas de segurança. tubos e sofás longos. Um veículo de molas muito duras pode levar à perdas excessivas no transporte de ovos. Dimensões e a morfologia da carga também afetam seu transporte. principalmente sua unitização que. de forma a cobrir seus custos. 14. dificultando a estivagem dos mesmos dentro do veículo e as operações de carga e descarga. que exige veículos bastante sofisticados. que apresentam formas diversas. 6. 9. 7. Valor unitário da carga pode implicar no uso de veículos especiais e na implantação de sistemas de segurança e de monitoramento adequados. Há casos de mercadorias com dimensões muito diversas. Compatibilidade entre produtos de natureza diversa. que possa assegurar o frete à transportadora quando o veículo volta ao ponto inicial. num ambiente de grande concorrência.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Grau de periculosidade da carga tem implicações severas na distribuição de produtos. Mercadorias de baixa densidade acabam lotando o veículo por volume e não por peso. é comum a escolha de carrocerias especiais (baús). com sistema de reaproveitamento dos vapores (para evitar que sejam lançados na atmosfera). obrigando as transportadoras a instalar antenas de rastreamento de veículos e dispor de equipes de segurança. etc. pode-se citar o transporte de remédios e aparelhos eletrônicos. principalmente nos países mais desenvolvidos. 11. Acondicionamento – uma das formas de reduzir significativamente os tempos de carga e descarga é utilizar outras formas de acondicionamento da carga. por conseqüência. apresenta forte economia de escala. 12. pode negociar o frete admitindo que haja carga de retorno. o manuseio e o transporte. pode afetar o nível de serviço oferecido ao cliente. Em geral. 13. compartilhando com outros clientes o uso de veículos e terminais. Isto porque. 10. como é o caso de distribuição de gasolina na Europa.. . como por ex. As formas da carga também afetam o seu arranjo.

mensal. a granel. Tempo de parada em cada cliente. Distância d entre o CD e a zona de entrega. também conhecido como distribuição compartilhada. 11. efetuando coletas e entregas. Grau de fragilidade. V1 no percurso entre o depósito e a zona. etc. 7. Freqüência das visitas às lojas ou aos clientes. Dimensões e morfologia das unidades transportadas. 14. Valor unitário.1. 2. Divisão da região a ser atendida em zonas de entrega. 12.2. Custo global. onde o veículo parte do depósito carregado e percorre uma distância d até a zona de entrega. 9. sendo cada zona alocada normalmente a um veículo. e executa um roteiro de entrega determinado. 6. paletizada. b. novamente. o veículo realiza n visitas a diversos clientes. 5. ou seja. Compatibilidade entre produtos de naturezas distintas. e 15. A distribuição UM PARA MUITOS é influenciada por 15 fatores. o veículo é carregado no CD do varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes. Findo o serviço. 8. Densidade da carga. A situação típica é mostrada na figura 6. 4. Dentro da zona. Tempo de ciclo – necessário para completar um roteiro.2 Sistema de distribuição UM PARA MUITOS Neste sistema de distribuição de UM PARA MUITOS. Acondicionamento – carga solta. . percorrendo uma distância d. 13. Archimedes Raia Jr. Quantidade de mercadoria a ser entregue em cada loja do roteiro. Grau de periculosidade. semanal. 10. 6. quando enfocada sob o ponto de vista da logística: 1. volta ao depósito. Velocidades operacionais médias: a. 3. V2 no percurso dentro da zona. diária.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. etc.

restrições de áreas para circulação. técnicos do fornecedor do software acompanharão os motoristas nas entregas. etc. muitos profissionais ainda não conhecem os detalhes operacionais de um software roteirizador ou um de controle de fretes. Como esclarecimento.  Necessita uma alimentação inicial como base de dados. para avaliar/dimensionar estas médias de tempos. dias de recebimento.  O software se utiliza das informações já existentes no cadastro de pedidos/faturamento. horários de recebimento ou os mais indicados para recebimento. produtos a distribuir com conversão de quantidades. explicarei abaixo o funcionamento de alguns softwares. fazendo com que exista uma maior automação na geração da programação de entregas. essas médias estarão sendo ajustadas. desenvolvidos para atender as operações de transporte/distribuição em geral: Roteirizador Este software geralmente é instalado no Sistema de Vendas. Figura 6. evitando .1 – Esquematização básica para a DF UM PARA MUITOS SOFTWARES DE TRANSPORTES/DISTRIBUIÇÃO. chegando a ficar muito próximas da realidade.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Archimedes Raia Jr. SAIBA MAIS SOBRE ELES Apesar de já estarem sendo utilizados por várias empresas.  Na implementação. tempos médios de espera para descarga. tempos de trânsito. onde são necessários: localização geográfica dos clientes. Com o passar do tempo.

capacidade.  Emite relatório com consolidação de quantidades por tipo de produto. definindo a escolhida em cada nova cotação. etc. o roteirizador necessita aproximadamente de 15 a 20 minutos para rodar o sistema e mais uns 15 minutos para ajustes posteriores. sendo necessário este ajuste manual. que especificará a ordem em que o veículo deve ser carregado.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. gráficos de roteiros e outros adicionais.  Utilização maximizada da frota ou otimização de dimensionamento da frota necessária. rápidas e eficientes.  Atende os benefícios do Rastreador (é compatível). impostos. Ex. na ordem inversa do roteiro de entregas (primeira a entrar. custos das operações.  Emite relatórios com a seqüência de entregas. Archimedes Raia Jr. Pode ser aplicado em rede local ou em qualquer microcomputador PC/AT compatível. O software não consegue ler esta flexibilidade.  Reduz custos com a distribuição racional dos produtos. taxas. O software vem a automatizar o trabalho.). última a sair). porém não deixa de receber por causa de 5 a 10 minutos de atraso. conforme necessidade do usuário.).: O cliente tem horário para recebimento. fazendo a comparação de preços entre várias transportadoras cadastradas no sistema. economia de tempos de trabalho e quilometragem. por terem grande freqüência de transportes para vários lugares diferentes.  Emite um tipo de relatório. ou seja. etc. . seguro. Automação para concorrência.  Cadastra-se frota própria e/ou de terceiros com seus dados (placa. controle e conferência de fretes O software deve ser instalado e utilizado pelo departamento que realiza o controle.  Emite as notas fiscais já na seqüência das entregas. para que a Expedição separe previamente as cargas que sairão (nas áreas de preparação de cargas). simulando os gastos. além de gerar rotas otimizadas. condição de pagamento. Indicado para empresas que fazem constantes concorrências de preços. redigitação ou manutenção de cadastros paralelos.  Para uma média de atendimento de 200 clientes por dia. considerando as condições comerciais de cada uma (tabelas de preço. com volumes significativos.

. por origem. Este sistema servirá portanto. Archimedes Raia Jr. por destino. Se as informações efetivas de cada operação (dados da nota fiscal) forem alimentadas neste sistema (via importação do sistema de faturamento da empresa ou mesmo através da digitação pelo usuário). Fonte: VERLANGIERI (1997). por data do transporte. para conferência das cobranças das transportadoras. por data de pagamento ou alguma outra situação desejada pelo usuário. o sistema poderá gerar os valores a serem pagos. por percurso.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. podendo ser separados por transportadora.

7. que necessitam de atendimento. 1997). o processo de roteirização visa proporcionar um serviço de nível elevado aos clientes.1 ROTEIRIZAÇÃO O termo roteirização é a designação que vem sendo adotada como equivalente ao inglês “routing” ou “routeing”. e uma das atividades mais importantes para a concretização desta perspectiva é o transporte. O transporte é uma área chave de decisão no arcabouço logístico. o transporte absorve. em média. embora este termo seja mais comumente utilizado quando associado às redes computacionais (Cunha. que pode ser definida como transporte local ou entrega. mantendo os custos operacionais e de capitais tão baixos quanto possível. As atividades de distribuição de uma organização compreendem toda a movimentação e estocagem de bens “a jusante” da fábrica. as principais são: i) escolha modal.como objetivos principais. a porcentagem mais elevada de custos do que qualquer outra atividade logística. Assim.as decisões dizem respeito à alocação de um grupo de clientes que deve ser visitado. e iv) consolidação do embarque. o transporte representa cerca de dois terços. faz-se necessário um aprofundamento no estudo das decisões a ela relacionadas. representa a etapa mais custosa da cadeia de distribuição. ou seja. dos centros de distribuição para os consumidores. . 7 O TRANSPORTE NA DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A logística contempla em seu conceito a perspectiva de adicionar valor de tempo e lugar ao serviço e/ou produto direcionado ao cliente. Para esta etapa seja realizada de forma eficiente. Segundo Bowersox e Closs (1997). Como atividade ao mesmo tempo similar e compreendida no transporte surge a distribuição que. objetivando visitar um conjunto de pontos geograficamente dispersos.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.  Decisões . A importância dos problemas de distribuição diz respeito à magnitude dos custos associados a esta atividade. com exceção dos custos de bens adquiridos. Ballou (1995) aponta que os custos logísticos correspondem a 23% do PIB dos EUA. iii) programação de veículos. envolvendo também a programação e o sequenciamento de visitas. apesar de restringir-se à distância a ser percorrida entre o armazém ou almoxarifado até o cliente. objetivos e restrições. A última etapa nesta movimentação. a organização precisa desenvolver o planejamento e a execução da atividade de transporte de forma racional. paralelamente. porém. compreende decisões da mesma complexidade e merece igual atenção. Um problema real de roteirização é definido por 3 fatores fundamentais: decisões. Há pesquisas que apontam que os custos de distribuição física agregam cerca de 16% do valor final de um item. para designar o processo de determinação de um ou mais roteiros ou seqüências de paradas a serem cumpridos por veículos de uma frota. Embora as decisões de transporte se expressem em uma variedade de formas. Archimedes Raia Jr.  Objetivos . ii) roteirização do transportador. para a adoção de medidas necessárias ao bom desempenho das atividades de distribuição. em locais pré-determinados. a um conjunto de veículos e motoristas. O termo roteamento também é utilizado alternativamente por alguns autores. e destes custos.

al. Apesar disso. Finalmente.2 PROBLEMAS DE ROTEIRIZAÇÃO Os problemas de roteirização podem ser classificados em três grupos principais. Nos últimos anos.  distribuição de combustíveis para postos de gasolina. O objetivo é definir uma . como a definição do melhor roteiro de entregas a ser seguido. deve-se respeitar os limites de tempo impostos pela jornada de trabalho de motoristas e ajudantes. Em seguida.  Restrições – adicionalmente. onde as condicionantes temporais não são consideradas na geração dos roteiros para coleta e/ou entrega. com softwares específicos sendo desenvolvidos para resolver os problemas de roteirização. trabalhando com médias ou distâncias euclidianas. deve-se obedecer a certas restrições. a restrição de comprimento máximo da rota pode ser considerada. e iii) combinação de roteirização e programação de veículos. 7. deve-se completar as rotas com os recursos disponíveis.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Como exemplo pode-se citar a localização geográfica exata dos pontos a serem atendidos (clientes) ou a consideração das restrições de tráfego rodoviário. ou Geographic Information Systems (GIS).2. os chamados roteirizadores. Em alguns casos.  entrega domiciliar de correspondência.  distribuição de produtos dos Centros de Distribuição (CD) de atacadistas para lojas do varejo.  coleta de lixo urbano. Galvão (1997) afirma que muitos deles pecam por não serem capazes de abordar a componente espacial do problema. mas cumprindo totalmente os compromissos assumidos com os clientes. em domicílio.  distribuição de dinheiro para caixas eletrônicos de bancos. segundo Bodin et. Archimedes Raia Jr. Problemas de roteirização ocorrem com bastante freqüência na distribuição de produtos e serviços no dia a dia e alguns exemplos são apontados por Novaes (2001):  entrega. Inicialmente. Nesse tipo de problema. devem ser respeitadas as restrições de trânsito. houve o crescimento na utilização da informática como ferramenta de apoio e de sua capacidade de processamento. no que se refere às velocidades máximas. O SIG pode ser definido como uma ferramenta que permite manipular dados georeferenciados e alfanuméricos para.  distribuição de bebidas em bares e restaurantes. ii) programação de veículos e tripulações. existe um conjunto de nós e/ou arcos que devem ser atendidos por uma frota de veículos. etc. (1983): i) roteirização pura de veículos. horários de carga/descarga. de produtos comprados nas lojas de varejo ou pela internet. a partir de análises espaciais. Uma das alternativas para esse problema é a utilização de roteirizadores como módulos associados a uma plataforma de Sistemas de Informações Geográficas (SIG). tamanho máximo dos veículos nas vias públicas. por exemplo. apoiar a tomada de decisão espacial.1 Problemas de roteirização pura de veículos O problema de roteirização pura de veículos é primariamente um problema espacial. 7.

Archimedes Raia Jr. Situações freqüentes que se inserem dentro deste contexto são: varrição de rua. Não há restrições no número de nós que cada veículo deve visitar. Figura 7.1 – Problema de roteirização de veículos . de capacidade.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. É um problema de cobertura de nós. seqüência de locais (a rota) que cada veículo deve seguir a fim de se atingir a minimização do custo de transporte. Os n veículos na frota têm suas rotas iniciadas e terminadas em um único depósito comum a todos.clássico problema de roteirização de veículos – PRV.é uma generalização do problema do caixeiro viajante onde há a necessidade de se levar em consideração mais de um caixeiro viajante (veículos). são:  Problema do caixeiro viajante .1 apresenta um exemplo onde três itinerários são estabelecidos para os veículos atenderem os pontos de demanda a partir de um único depósito. de tal maneira que a demanda total em qualquer rota não exceda a capacidade do veículo alocado para esta rota. A determinação de itinerários dos veículos implica em se fazer entregas a partir de um depósito para vários pontos de parada. de forma a minimizar a distância total a ser percorrida por toda a frota. etc. coleta de lixo. segundo Naruo (2003). serviços de endereçamento postal.  Problema do carteiro chinês . A Figura 7. exceto que cada veículo deve visitar ao menos um nó.  Problema de roteirização em nós com um único depósito . etc. dentro de uma área. É um problema de cobertura de arcos.consiste em encontrar uma rota de percurso mínimo. todos os pontos de parada devem ser designados para veículos.consiste em determinar uma rota de mínimo custo que passe por todos os nós de uma rede exatamente uma vez. passando ao longo de cada arco pelo menos uma vez. Este problema admite que o indivíduo (ou veículo) que vai efetuar o roteiro não seja limitado por restrições de tempo. Os principais problemas de roteirização pura de veículos. e é uma extensão do problema do caixeiro viajante. A demanda em cada nó é assumida como sendo determinística e cada veículo possui capacidades conhecidas. Existe quando há restrições de tempo ou capacidade dos veículos. Cada ponto de parada é servido exatamente uma vez e.  Problema de múltiplos caixeiros viajantes . somado a isso.

Assim. embora o problema de programação de tripulações envolva restrições mais complexas.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.2 Problemas de programação de veículos e tripulações Os problemas de programação de veículos e de tripulações podem ser considerados como problemas de roteirização com restrições adicionais relacionadas aos horários em que várias atividades devem ser executadas. Com relação a programação de tripulações.generalização do problema anterior. pode requerer que o atendimento seja feito em um horário específico. É semelhante ao problema anterior. Esta restrição é comumente encontrada na prática e corresponde a restrições de combustível.consiste no particionamento dos nós (tarefas) de uma rede acíclica em um conjunto de caminhos. Estes dois tipos de problemas são essencialmente semelhantes. com algum mecanismo de interação entre ambos. considerações de manutenção. (1983) classificam os problemas desta categoria em dois grupos: i) programação de veículos.considera restrições de tempo máximo de viagem ou de distância máxima percorrida pelo veículo antes dele voltar para o depósito. Uma função objetivo que minimize o número de caminhos efetivamente minimiza os custos de capital desde que o número de veículos necessários seja igual ao número de caminhos. Bodin et. e ii) programação de tripulações. segundo Pelizaro (2000). Existe um período de tempo associado a cada tarefa a ser executada..  Problema de programação de veículos com restrições de comprimento de caminho . mas modelos que incorporam ambos os problemas em um único problema de otimização são geralmente mais complexos. Ocorre onde as tarefas podem ser realizadas por veículos a partir de mais de um depósito. de modo que uma determinada função custo seja minimizada. como horário de parada para almoço e outros aspectos de natureza trabalhista. Cada caminho corresponde a um veículo. em que uma frota de veículos está alocada em um número D de depósitos ao invés de um. Naruo (2003) apresenta os seguintes problemas: . ambos os problemas deveriam ser resolvidos simultaneamente. Consequentemente. Estes dois tipos de problemas interagem entre si: a especificação da programação dos veículos definirá certas restrições na programação das tripulações e vice-versa. 7. Archimedes Raia Jr.  Problema de programação de veículos com múltiplos depósitos. são:  Problema de programação de veículos com um único depósito .  Problema de roteirização em nós com múltiplos depósitos . e estes ao final do serviço retornam aos seus depósitos de origem. Todas as outras restrições com relação ao PRV são aplicáveis. ex.considera a possibilidade de que veículos com diferentes capacidades estejam disponíveis para realização das tarefas. Os principais problemas de programação de veículos. as condicionantes temporais devem ser consideradas explicitamente no tratamento do problema. p. Cada ponto de parada.2.  Problema de programação de veículos de vários tipos .. etc. Idealmente. muitas estratégias de solução adotam procedimentos seqüenciais que resolvem um problema primeiro e então o outro. al.

Vale a pena se distinguir aqui as janelas de tempo hard e soft. em geral utilizados para o transporte porta-a-porta de idosos e deficientes (Naruo.se caracteriza pela programação diária que varia de um dia para outro.3 Problemas combinados de roteirização e programação Quando existe a ocorrência de aplicações com restrições de janelas de tempo (horário de atendimento) e de precedência de tarefas (coleta deve preceder a entrega e ambas devem estar alocadas ao mesmo veículo). que cita os seguintes casos exemplificativos: . 2003).  Problema de programação de veículos e tripulações no transporte público de massa .consiste em determinar a alocação ótima de veículos a um conjunto de viagens programadas de linhas. de um restaurante pode desejar que as entregas de produtos sejam feitas entre 8:00 horas e 9:00 horas. Assume-se que os trabalhadores são intercambiáveis e que um determinado trabalhador possa ser deslocado ao final de cada período de tempo e que outro possa ser alocado no início de cada período de tempo. se um veículo chega ao cliente muito cedo. o problema pode ser visto como um problema combinado de roteirização e programação de veículos. segundo Bodin et al.2. que são problemas de roteirização e programação de serviços de transporte de pessoas. Archimedes Raia Jr. (1983). em função de restrições legais.  Problema de programação de pessoal em um local fixo . um número de pontos para atendimento tem uma ou mais janelas de tempo durante o qual o serviço pode ser executado. No caso de janelas de tempo do tipo hard. as restrições de janelas de tempo podem ser violadas. O proprietário. ex.. mas sujeitas à penalidades. entregas postais. O problema de roteirização e programação de veículos com janelas de tempo (PRPVJT) é uma importante variação do PRV. p. Em contraste. sindicais. Assim. No PRPVJT. trabalhistas. qualquer rota que envolva esta tarefa deve assegurar que o tempo de entrega esteja dentro dos limites de tempo especificados.  Problema de programação de pessoal em turnos de revezamento . havendo um rodízio de turno de pessoal. A necessidade de revezamento no cumprimento das tarefas ocorre pela necessidade de uma equalização da carga e das condições de trabalho para atividades que percebem a mesma remuneração. Estes problemas combinados de roteirização e programação de veículos freqüentemente surgem na prática e são representativos de muitas aplicações do mundo real.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. de equalização de esforço de trabalho e outras. nas janelas de tempo do tipo soft. considerando que as trocas de serviço e de turno só podem ser realizadas em pontos específicos dos trajetos das linhas. estão os problemas do tipo dial-a-ride. Exemplos específicos de problemas com janelas de tempo hard incluem entregas bancárias.consiste em encontrar um conjunto de programação de trabalho que seja capaz de atender todas as necessidades de tarefas em todos os períodos de tempo. ele terá que esperar para iniciar o atendimento. 7. e determinar também as jornadas das tripulações. coleta de rejeitos industriais e roteirização e programação de ônibus escolares. Dentro das instâncias do problema com janelas de tempo soft.

o planejamento ocorria num dia. para uma frota conhecida. Com a utilização de Palm-Tops. se dispõe no mercado de um número razoável de software de roteirização (roteirizadores). segundo Farkuh Neto & Lima (2006). que fornecem a latitude e a longitude do caminhão em tempo real. a tendência atual dos software de roteirização é de executarem a programação em tempo real através da Internet. na qual se precisa associar os clientes (paradas) a serem atendidos a determinados veículos e numa seqüência ótima. na maioria das vezes o contato só era realizado em algumas ocasiões. ou seja.  Problema de roteirização em atacadistas. O principal objetivo desse problema é minimizar os custos de transportes para os municípios. em que o motorista conseguia um acesso telefônico.  Problema de definição de roteiros e programação de serviços de coleta de resíduos domiciliares e de varrição de ruas é semelhante ao problema do carteiro chinês. pequenos computadores de bordo. o que obriga as empresas a controlarem de modo bastante preciso a distribuição dos produtos.  Problema de roteirização e programação de ônibus escolares para atendimento de um conjunto de escolas consiste de um número de escolas e cada uma delas possui um conjunto de paradas de ônibus com um dado número de estudantes vinculados a cada uma destas e uma janela de tempo correspondente aos horários de início e término do período escolar. combinado com uma base geográfica de dados de um SIG. Problema comum de roteirização logística. como por exemplo. Hoje. scanners portáteis. motoristas dos veículos poderão não somente se comunicar com a sede como também obter informações sobre tráfego e . os avanços tecnológicos disponibilizam ferramentas como telefones celulares. na rede viária. que auxiliam as empresas a planejarem e programarem os serviços de distribuição física. de duração máxima da jornada e de janelas de tempo associadas aos horários de proibição de estacionamento. Por isso. Atualmente. A razão para isso é fundamentalmente a busca por estoques cada vez menores. No entanto. segundo Farkuh Neto & Lima (2006). e as entregas eram realizadas no dia seguinte. os roteirizadores focalizavam o planejamento da distribuição no CD dentro de um prazo mínimo de 24 horas . o objetivo consiste na minimização da frota ou em um objetivo correlato. Archimedes Raia Jr. Diversos veículos são hoje equipados com rastreadores. No entanto. mas com restrições de capacidade dos veículos. perguntam quando os produtos serão entregues e querem saber onde está a carga. muitas vezes dispondo de receptores GPS (Global Positioning System). O GPS. Essa facilidade permite alocar o veículo mais próximo e disponível a uma tarefa emergencial. de forma a possibilitar a execução do serviço de varrição. que minimize o custo total. Em geral. por exemplo. muitos clientes indagam constantemente sobre a situação de seus pedidos. a qualquer instante. de forma a evitar situações emergenciais irreparáveis. permite ao despachante localizar o veículo.2. 7. os despachantes localizados nos depósitos e CDs só conseguiam falar com os motoristas dos veículos através de rádio e assim mesmo quando estavam dentro da área de alcance das transmissões. e ligava para sua sede. pagers alfanuméricos. na minimização do tempo morto total.4 Tendências tecnológicas da roteirização Há algum tempo atrás. num passado não muito distantes. Hoje. respeitando as janelas de atendimento.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.

na resolução do problema em si de roteirização e programação de veículos e na elaboração das rotas. Essa situação é particularmente problemática no Brasil.  Janela de tempo rígida . Algumas características do módulo de roteirização do TransCAD são apresentadas a seguir (Pelizaro. Obviamente.  Tempo fixo de serviço .  Tempo por unidade .corresponde ao montante de tempo requerido em cada parada. Archimedes Raia Jr. 2006).5 Roteirização no SIG TransCAD O TransCAD é um Sistema de Informação Geográfica aplicado à área de transportes. Infelizmente. o software possui um módulo específico que resolve diversos tipos de problemas de roteirização de veículos. além das funções básicas de um SIG. 2006). as bases de dados georeferenciadas nem sempre estão disponíveis no mercado. rotinas específicas para soluções de problemas de logística. por exemplo. atuando na fase preliminar de preparação dos dados.  Restrição de comprimento total da rota . ou o tempo para colocar o veículo em uma doca de descarga e verificar a mercadoria. ou em função da jornada de trabalho do motorista. .tempo necessário para descarregar (ou carregar) cada unidade da mercadoria demandada.  Frota heterogênea de veículos . Dentre essas rotinas. 2001). como um tempo de espera em filas para descarregar o veículo. que vêm tentando suplantar tais deficiências. em que pesem os esforços de algumas entidades e empresas. É considerado. 7. é necessário. quando necessário (Novaes. em função do seu horário de funcionamento.esta restrição é dada em função do tempo máximo permitido para realizar uma rota. Outra meta das empresas fornecedoras de roteirizadores é tornar os software mais fáceis de serem utilizados pelos despachantes. e quando estão. 2000):  Múltiplos depósitos . tanto na forma de relatórios quanto na forma gráfica (Farkuh Neto & Lima. muitas vezes estão incompletas.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. que se possua uma representação digital adequada da rede viária e uma base de dados georeferenciada dos endereços dos clientes.pode considerar veículos de diferentes capacidades. os Sistemas de Informações Geográficas acabam sendo o termo automaticamente associado (Farkuh Neto & Lima. quando se fala em dados georeferenciados. que incorpora. entre outras requisitos.é definida por todas as paradas em função de restrições de horários de atendimento.é possível determinar antes da roteirização quais as paradas que serão atendidas por um determinado depósito. de pesquisa operacional e transportes em geral. imprecisas e desatualizadas.2. independente da quantidade de produto (ou serviço) demandada. É atribuída também ao depósito. sobre condições de tempo. ou deixar que o próprio sistema se encarregue de alocar as paradas ao depósito mais adequado. além de trocar mensagens com os clientes e solicitar socorro. Para isso.

caminho mais rápido e caminho com o menor custo percebido. Click em na barra de ferramentas. o menor caminho. via de regra. ocorre em vias maiores.  Caminho com menor custo percebido . pois. O TransCAD atualiza a barra de status para mostrar Nes_hwi. apresenta-se a seguir alguns exemplos de aplicação do software TransCAD (versão 4.map. Nem sempre o menor caminho em distância é aquele que permite menor tempo de deslocamento ou menor custo percebido. tais como: distância. na pasta Tutorial. ou que tenham menos congestionamento. Click em na barra de ferramentas.  Caminho com menor distância ou menor tempo . Alguns SIGs têm a capacidade de encontrar o caminho mais curto ou o melhor caminho entre dois pontos em uma rede. O menor caminho é o conjunto de links em uma rede que conectam dois pontos. basicamente. desejam andar menos para chegar ao seu destino e o menor em tempo é o desejado pelo motorista. Archimedes Raia Jr. de três maneiras: caminho com menor distância. Verifique que LENGHT já esteja selecionada como o campo Minimize para definir a rota mais curta.O caminho com menor distância ou menor tempo entre dois pontos é aquele onde a somatória dos vários segmentos entre dois pontos A e B conduzem a um menor valor.1 Menor caminho ou Caminho mais Rápido Neste caso vamos obter o menor caminho entre um CD (Here) e uma loja (There).7 demo) na área de logística. Em geral. para que se possa avaliar o potencial dessa ferramenta na solução de problemas do setor. Layout”. Figure.net. como um atributo na rede (Raia Jr. avenidas. 7. utilizando o sistema rodoviário de um estado qualquer. Atributos de custo percebido em uma rede podem incluir algum tipo de dado. que permitem desenvolver maiores velocidades. O menor caminho é aquele que minimiza o valor total de um atributo particular de uma rede. em termos de distância é desejado pelos pedestres.3. Layout”.3 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE SIG EM LOGÍSTICA A partir de exemplos extraídos de Raia Jr. 7. Dataview. Isso. 1.em geral.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof.. na pasta Tutorial.net como rede ativa. A determinação do menor caminho é um problema que aparece com certa freqüência. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. 3. que não necessariamente é o mais curto. o arquivo Nes_hwi. Esteja certo que layer Highway esteja mostrada na lista “cortininha” da barra de ferramentas. tal que poder-se-ia encontrar uma rota para material perigoso que minimiza o número de pessoas que vivem na área de influência da rota escolhida. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. Além disso. 7. 4. o arquivo S_path. através de uma fórmula. quase sempre de maneira indireta em processos de otimização em redes de transportes. . Podem também encontrar rotas que minimizam uma combinação de atributos. pode-se também incluir pontos intermediários na solução do problema de menor caminho. minimizando a distância. 2. (2006).2. Escolha Networks/Paths-Shortest ou ( ) na barra de ferramentas para exibir a caixa de ferramentas Shortest Path. tempo ou custo monetário. Figure.6 Encontrando um menor caminho O problema de menor caminho pode ser caracterizado. o tempo ou algum outro atributo de rede. 2006). Dataview. os motoristas preferem os caminhos que conduzem a um menor tempo de viagem.

Repita esta mesma seqüência. ou seja. Click em na caixa de ferramentas Shortest Path. Click em na caixa de ferramentas Shortest Path. O TransCAD calcula e mostra a menor distância e mostra uma janela de mensagem com a distância total calculada. Click Ok para continuar. 8. sem salvar as alterações. vamos acompanhar o cálculo da rota do problema de caixeiro viajante. 5. Em seguida. Escolha File–Close e click No para fechar o mapa contendo o caminho mais rápido (menor tempo). THROUGHT POINT e THERE. 9.LOGÍSTICA 5. passando por um cliente intermediário (Throught Point). passando por todos os . ou seja.2 – Exemplo de caminhos menor e mais rápido entre um CD e um cliente. Archimedes Raia Jr. Click em NOTAS DE AULA Prof. 10. o caminhão de entregas sai do CD (Home).2 Problema do Caixeiro Viajante Neste exercício. 7.2). na caixa de ferramentas e click no mapa nos pontos rotulados HERE e THERE. Repita a operação para o caminho mais rápido. Escolha. além do banco de dados (atributos) 7. O TransCAD calcula e mostra o caminho mais rápido e mostra uma janela de mensagem com o tempo total calculado. Perceba que os caminhos são diferentes (ver Figura 7. vamos calcular o menor caminho (em seguida o menor tempo) para uma entrega saindo do CD (Here). Click em na caixa de ferramentas e click no mapa nos pontos rotulados HERE. agora considerando não mais o comprimento. Figura 7. a opção [Travel Time] no campo Minimize para definir a rota mais rápida. Click Ok para continuar.3. Click em para limpar os pontos selecionados de início e fim do trajeto. mas minimizando o tempo. a rota com menor tempo de percurso. antes de chegar no cliente final (There). 6.

O caminho é exibido na tela e uma janela de mensagem mostra o tempo total de viagem.net. Escolha. Escolha File–Close e click No para fechar o mapa contendo o caminho mais rápido (menor tempo). novamente. a rota com menor distância de percurso. devendo entregá-las em 7 lojas e retornando ao CD. 11. Escolha Highway nas opções da “cortininha” na barra de ferramentas. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. Figura 7. Click em na barra de ferramentas. 5. indo de do CD (HOME). Escolha a opção [LENGHT] no campo Minimize para definir a rota mais CURTA. Networks/Paths-Traveling Salesman Problem para exibir a caixa de diálogo Traveling Salesman Problem. Escolha a opção [Travel Time] no campo Minimize para definir a rota mais rápida. baseado na distância total de viagem. 2. Veja na Figura 7. O TransCAD encontra o menor caminho. 1. Dataview. 10. 7. o arquivo Travel_s. Click Ok. passando em 7 lojas e retornando ao CD (HOME). Neste caso. baseado no tempo de viagem. sem salvar as alterações. indo do CD (HOME). Click Ok para fechar a janela de mensagem. passando em 7 lojas e retornando ao CD (HOME). 8. ou seja. Click Ok para fechar a janela de mensagem. um caminhão sai carregado de mercadorias do CD. Veja isto no canto direito inferior da tela. O TransCAD exibe um mapa de rodovias e de pontos de paradas em lojas em Southern New England e abre o arquivo de rede Nes_hwy. Escolha Networks/Paths-Traveling Salesman Problem (Problema de Caixeiro Viajante) para exibir a caixa de diálogo Traveling Salesman Problem. 7 clientes e retornando ao CD. 4. 9. 6.map. Click Ok.3 – Calculo de rota entre CD e 7 lojas.3 a rota traçada e o banco de dados de atributos.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. Layout”. 3. na pasta Tutorial. ou seja. a rota com menor tempo de percurso. O TransCAD encontra o menor caminho. Archimedes Raia Jr. através do problema do caixeiro viajante . O caminho é exibido na tela e uma janela de mensagem mostra o tempo total de viagem. Figure.

Esteja certo que na caixa de diálogo Network Patitioning tenha as seguintes opções selecionadas: no campo Settings/Service Locations.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. neste caso). sem salvar as alterações.4). e Based on.3. 7. 4. 2. Escolha File–Close All e click No para fechar o mapa contendo a divisão da rede viária em subredes de atendimento por veículos de emergência (ambulâncias. Esteja certo de que a opção Streets esteja selecionada na “cortininha” da barra de ferramentas. Escolha Networks/Paths-Network Patitioning para exibir a caixa de diálogo Network Patitioning.4 – Repartição de zonas de atendimento de ambulâncias do sistema de saúde . LENGHT. Click em para verificar os dados do banco de dados relacionados com a partição de redes de serviços de atendimentos das ambulâncias.3 Particionamento de rede Neste exercício vamos ver como o SIG calcula a repartição de zonas de atendimento de emergência de 3 ambulâncias do Sistema de Saúde (SAMU) para minimizar o tempo de atendimento aos pacientes. O software exibe cores temáticas para mostrar as 3 zonas. Digite “my_emzone” como o nome do arquivo e click Save.map. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Store Link Table. 5. na pasta Tutorial. 8. 1. Ambulance. Click em na barra de ferramentas. 3. O TransCAD exibe um mapa de sistema viário urbano com a localização 3 pontos de referência de localização de ambulâncias em postos SAMU e abre o arquivo de rede Net_part. o arquivo Net_part. Figura 7. Dataview. 7. Archimedes Raia Jr. 6. Também é exibida a caixa de diálogo Results Summary (Síntese dos resultados) (Ver Figura 7. Click Close para fechar a caixa de diálogo Results Summary. Layout”.net. Veja isto no canto direito inferior da tela. O TransCAD particiona o sistema viário urbano em 3 zonas baseadas na proximidade com os pontos de localização das ambulâncias. Figure.

5. Feche o programa de roteamento contido no Notepad e click Close na caixa de diálogo Results Summary. contendo os tipos. em Route Table. 7. Click em na barra de ferramentas. Digite “my_route” como o nome do arquivo e click Save para retornar para a caixa de diálogo Output File Settings. Dê uma olhada em cada uma delas para conhecer os dados utilizados na determinação do roteamento com janela de tempo. 17. 13. No campo Selecting a Operation Mode. Matrix e Vehicle estão com os dados corretos. Click.3. Click no ícone . New Jersey. 8. Digite “my_vproutes” como o nome do arquivo e click Save. 11.ex. Click Ok. na pasta Tutorial. de 27 colunas por 27 linhas.map.4 Resolvendo um problema de roteamento de veículo com Janela de Tempo Este exemplo se aplica aos casos onde.wrk. Se Routing/Logistics não aparecer na barra de menu. 16. Click Close para fechar a caixa de diálogo Vehicle Routing with Time Window (Roteamento de veículo com janela de tempo). Verifique que esteja ativa a rede Boston.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. capacidade e custo. Escolha Routing/Logistics-Vehicle Routing para exibir a caixa de diálogo Vehicle Routing with Time Window (Roteamento de veículo com janela de tempo). por exemplo. adiciona-o ao mapa e abre uma planilha com os dados das paradas da rota. Click no ícone . uma matriz de tempo de roteamento de veículo. click em delivery.). Abra o mapa Vrptw. Escolha no campo Files of type (arquivos do tipo) “Map. agora. 15. As “orelhas” Depot. 18.5 Resolvendo um problema de roteamento de arco 1. Escolha File–Close All e click No para todos para fechar o mapa contendo as rotas na rede viária e o os outros arquivos. 6.net no canto inferior da tela. Digite “my_itinerary” como o nome do arquivo e click Save para retornar para a caixa de diálogo Output File Settings. o arquivo Arc_rte. Escolha File-Open Workspace na barra de ferramentas. O SIG cria o sistema de rotas. na pasta Tutorial. 9. O TransCAD exibe um mapa contendo 2 depósitos e 25 pontos de entregas de mercadorias (lojas. 10. dentre as opções da caixa de diálogos Output File Settings e click Save As. Stop. O relatório de itinerários aparece em Notepad contendo o itinerário de cada veículo. 7. Click Go para exibir a caixa de diálogo Save Route System As. para tonar ativa a janela do mapa e veja as rotas. p. 12. Figure. O TransCAD exibe um mapa de Bayone. 3. novamente. contendo 3 .3. 4. 7. As páginas Matrix/Network e Route Table estão corretas. Layout”. Archimedes Raia Jr. se pretende mostrar o cálculo de uma roteirização 1. 2. Click Go para exibir a caixa de diálogo Output File Settings.net na pasta Tutorial. dentre as opções da caixa de diálogos Output File Settings e click Save As. Uma tabela de veículos. O TransCAD resolve o Problema de Roteamento de Veículo e exibe a tabela de rotas contendo uma lista de paradas (lojas) em cada uma das rotas. sem salvar as alterações. escolha ProceduresRouting/Logistics. Click em Itinerary File. escolha File-Open e abra a rede Boston. Dataview. 14. Caso ela não esteja.

Click Close para fechar a caixa de diálogo Results Summary. Digite “my_matching”como o nome do arquivo e click Save. . Perceba que valores nulos na matriz indicam que um faxineiro em particular não pode ser alocado a um trabalho específico. escolha Procedures. O TransCAD exibe um mapa contendo 8 escritórios que necessitam de limpeza e 8 funcionários faxineiros. Click na “orelha” Turn Penalties da caixa de diálogo Networking Settings para exibir a página Turn Penalties. Click Ok para fechar a caixa de diálogo Networking Settings. 9. Você quer determinar qual faxineiro deveria ser alocado a cada escritório. Caso ela não esteja. Escolha File-Open Workspace na barra de ferramentas. 25 para conversão de retorno (Uturn). com o objetivo de minimizar a viagem (menor distância). Archimedes Raia Jr.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. 2. Verifique que a penalidade para conversão esteja em 10 para conversão à esquerda (left turn). Escolha a opção BUILDING no campo Destination-Layer e All Features no campo Destination-Set.6 Resolvendo um problema de localização duplamente ponderado 1. Escolha a opção CLEANER no campo Origin-Layer e All Features no campo Origin-Set. 7. Se Routing/Logistics não aparecer na barra de menu. A matriz de distância é também exibida. 7. 6. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Save Route System As. 10. Click Close para fechar a caixa de diálogo Results Summary.net na barra de status no botão da tela. escolha File-Open e abra a rede Bayone. Se Routing/Logistics-Weighted Matching não aparecer na barra de menu. 10. escolha ProceduresRouting/Logistics. 3.map na pasta Tutorial.net na pasta Tutorial. Abra o mapa Assign. Acione o campo minimization no campo Objective. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Save As. sem salvar as alterações. 2. Todos os conjuntos serão preenchidos automaticamente. depósitos de veículos com pás para raspar a neve das vias. O TransCAD resolve o problema de roteamento em arcos (segmentos) e adiciona um sistema de rotas ao seu mapa. 8. 9. A atribuição de faxineiros aos prédios de escritórios está exibida em uma planilha. 5. 3.Routing/Logistics. 4. e 3 vias que necessitam serem raspadas (eliminação da neve). Verifique que esteja ativa a rede Bayone. 8. Escolha Routing/Logistics-Weighted Matching para exibir a caixa de diálogo Weighted Matching. 4. e está também ilustrado em um mapa usando linhas feitas “à mão”. 6. e 5 para movimentos em frente (through movements).3. Digite “my_plow” como o nome do arquivo e click Save. Escolha Routing/Logistics-Arc/Street Routing-Arc Routing para exibir a caixa de diálogo Arc Routing. Acione o campo Bipartite no campo Problem Type. Ele também mostra um resumo dos dados (summary data) dos procedimentos de roteamento em arcos. 5. O TransCAD determina a melhor atribuição de faxineiro ao prédio de escritório. Escolha File–Close e click No para todos para fechar o mapa contendo as rotas. 7. Escolha Network/Paths-Settings e a caixa de diálogo Networking Settings será exibida.

Verifique que o arquivo Adjacency of Block Group esteja selecionado no campo Adjacency Matrix-Matrix File da caixa de diálogo Regional Partitioning. então. chamada New Terrotories é juntada ao seu mapa. All features. No mapa estão 46 clientes. 5. Escolha a opção [School Age Childres] no campo Balancing Condition-Zone Size na caixa de diálogo Regional Partitioning. 7. a matriz e a planilha sem salvar as alterações. 12. Archimedes Raia Jr. 9.8 Resolvendo um problema de localização da facilidade 1. Uma layer adicional no mapa. p. como a porcentagem tolerada na variação das zonas.wrk na pasta Tutorial. Escolha Window-Map1-Caliper Office Cleaning Co para tornar o mapa a janela ativa.3. Escolha Routing/Logistics-Regional Partitioning para exibir a caixa de diálogo Regional Partitioning.3. Uma matriz de adjacência se abre também. 12. Escolha Common Border Length no campo Adjacency Matrix-Matrix da caixa de diálogo Regional Partitioning. Abra o espaço de trabalho (workspace) . Isto determinará ao SIG checar a densidade pelo exame da relação de perímetro e área. 7. O TransCAD construirá. 10. 2. escolha ProceduresRouting/Logistics. 11. Escolha Routing/Logistics-Faciliting Location para exibir a caixa de diálogo Faciliting Location. para fechar o mapa. Digite “my_schooldist” como o nome do novo arquivo geográfico e click Save. Digite “5” no campo Tolerance. Fac_loc. escolha ProceduresRouting/Logistics. 3. O TransCAD exibe um mapa da cidade de São Francisco contendo grupos de quadras. Escolha File-Open Workspace na barra de ferramentas.) existente e 8 facilidades candidatas. Uma matriz se abre também. Abra o espaço de trabalho (workspace) Regional.wrk na pasta Tutorial. Digite “my_partition” para atribuir nome à tabela e click Save.ex. O exercício consta em criar 5 distritos escolares ao redor dos grupos de quadras em cor laranja. O exercício consta em determinar quais duas facilidades serão adicionadas para minimizar o custo de transporte de mercadores entre essas três facilidades e os 46 clientes. distritos balanceados ao redor dos 5 blocos considerados “sementes” (núcleos) e exibe a planilha com os resultados.7 Resolvendo um problema de particionamento regional 1. Se Routing/Logistics não aparecer na barra de menu. Esteja certo que no campo SettingsLayer esteja selecionado a opção Black Group e no campo Settings-Zone. 4. 7. Escolha File-Open Workspace na barra de ferramentas.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. uma facilidade (depósito. O TransCAD exibe um mapa da região nordeste de Sales. 11. 8. 2. Se Routing/Logistics não aparecer na barra de menu. O TransCAD exibe a caixa de diálogo Save District Layer As. Escolha File-Close All e click No para todos (All) para fechar o mapa de partição sem salvar as alterações. Click Close na caixa de diálogo Results Summary. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Save Output Table As. Cada distrito deverá ter um mesmo número de crianças em idade escolar. 3. . Escolha File-Close All e click No para todos (All). 6.

9. Escolha Demand no campo Cliente Settings-Weight da caixa de diálogo Facility Location. Digite “my_facility” para atribuir nome à tabela e click Save. 7. 10. Escolha Window-Map 1-Facility Location Problem para tornar o mapa a janela ativa e veja as novas facilidades destacadas no mapa. A seleção chama New Facilities. Archimedes Raia Jr. a matriz e a planilha juntada (joined) sem salvar as alterações. minimizarão os custos de transportes para os 46 clientes. Click Ok para exibir a caixa de diálogo Store Assigment Table. 4. é exibida no mapa. Digite “2” no campo Facilities-# New Facilities.LOGÍSTICA NOTAS DE AULA Prof. O TransCAD determina as duas novas facilidades que deverão ser abertas (ou construídas) que. Repita agora as operações anteriores. 5. 11. 13. 12. considerando a propostas de 3. Escolha Facility no campo Facility Settings-Layer da caixa de diálogo Facility Location. 14. na caixa de edição Facility Location. Escolha Customer no campo Cliente Settings-Layer da caixa de diálogo Facility Location. Click Close na caixa de diálogo Results Summary. contendo essas novas facilidades. Uma tabela está associada à layer Customer mostrando qual facilidade servirá cada cliente. 6. . 4 e 5 novas facilidades. Escolha File-Close All e click No para todos (All) para fechar o mapa. em conjunto com a facilidade já existente em New York. 8.

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