KEILA PEREIRA SILVA

AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DE LEITURA E ESCRITA DOS ALUNOS DO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL PÚBLICO DE SANTA VITÓRIA – MG

FEIT 2010

KEILA PEREIRA SILVA

AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DE LEITURA E ESCRITA DOS ALUNOS DO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL PÚBLICO DE SANTA VITÓRIA – MG Monografia apresentada à Fundação Educacional de Ituiutaba – FEIT, como trabalho de conclusão do curso de Gestão Escolar: Administração, Inspeção e Supervisão. Orientadora: Profa. Maria Aparecida Augusto Satto Vilela.

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ITUIUTABA 2010

AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DE LEITURA E ESCRITA DOS ALUNOS DO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL PÚBLICO DE SANTA VITÓRIA – MG

KEILA PEREIRA SILVA

Esta monografia, apresentada à Coordenação de Estágio Supervisionado do curso de Gestão Escolar: Administração, Inspeção e Supervisão da Fundação Educacional de Ituiutaba - FEIT, foi julgada adequada para a obtenção do título de Bacharel em Administração.

________________________________________________ Coordenador

Banca Examinadora:

_________________________________________________ Orientador (a) professor(a) graduação ex: Msc, pra mestre

_________________________________________________ Segundo (a) professor(a) graduação ex: Msc, pra mestre _________________________________________________ Terceiro (a) professor(a) graduação ex: Msc, pra mestre

Aos familiares, que muitas vezes ficaram privados da nossa atenção, devido ao tempo dedicado aos estudos.

pelos momentos que compartilhamos. Layla Miella Silva. que sempre acreditaram na minha capacidade e me estimularam através de encorajadoras palavras. dedicação e disponibilidade. felizes ou tristes. Maria Aparecida Augusto Satto Vilela. e minha filha. pela força. apoio. Ao meu marido. Aos meus pais. Aos colegas de curso. saúde. pela paciência e pelo entendimento à minha ausência durante o curso. Floriano Francisco da Silva Júnior. sabedoria e coragem para atingir os objetivos os quais me propus. primeiramente. Minha eterna gratidão e reconhecimento às pessoas cuja contribuição tornou-se decisiva para a realização desse trabalho: À toda equipe de docentes que constituem o curso de Gestão Escolar: Administração. . em especial a professora MSc.AGRADECIMENTOS A Deus. permanecendo sempre as lembranças. pela orientação. Inspeção e Supervisão da Fundação Educacional de Ituiutaba – FEIT.

“A alegria não chega apenas no encontro do achado. fora da boniteza e da alegria.. mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura.” Paulo Freire .

...............................................................................................36 CONCLUSÃO.................................................................................................................................2 SUBTIPOS DE DA...............................................................................................................................2........3 Disgrafia.........................19 1....27 2......2..................2 – AS PRINCIPAIS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS E A VISÃO DOS PROFESSORES..................................1..................21 1................. Dislexia................. QUADRO GERAL DA ESCOLA................................1 Disfasia...........................................2............23 1..................2....28 2...............27 2................................................................................................26 2..................2.............14 1.............40 .....................................................33 2..................................................................SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...................................................................................22 1......Resposta I ..............................2 ..................31 2.....1 ..............................................9 1 AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS.................................... PROPOSTAS PARA DESENVOLVER HABILIDADES DE LEITURA .............................................................................34 2.............2.................................38 REFERÊNCIAS................................26 2...............Resposta III ..................5 Discalculia..........................................................2...................................................................3..30 2.............................. Leitura ......................................Questionário aplicado para os professores da Sala de Recursos da Escola Estadual José Paranaíba de Santa Vitória – MG...4..........................1...........................4 Disortografia..... AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS...................33 2....................................................................2..........................3 Estratégias para a superação da disgrafia dos alunos .................14 1.............................................4.........................1 CONCEITO DE DA .......................................2............................................................................................................................4......................4....................................2......................29 2................................................2......Resposta II .............................19 1........19 1..........................................3 FATORES INFLUENCIADORES DAS DA 2 AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS DO 3º ANO DO DA ESCOLA ESTADUAL JOSÉ PARANAÍBA DO ENSINO FUNDAMENTAL DA REDE MUNICIPAL DE SANTA VITÓRIA-MG............................................2 Estratégias para a superação da dislexia dos alunos ...4 .........................6 Hiperatividade........................................................................................3 ...............24 1.........................

escola estadual josé paranaíba . Objetivase a reflexão sobre estas dificuldades na leitura e na escrita no terceiro ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual José Paranaíba. Ao fim. bem como a visão dos professores com relação às dificuldades apresentadas. da cidade de Santa Vitória – MG. e as maiores incidências das DA.RESUMO Este trabalho se propõe a pesquisar sobre as dificuldades de aprendizagem. foram propostas algumas alternativas para a redução das dificuldades apresentadas. alguns subtipos das mesmas. Para a metodologia de trabalho utilizou-se as pesquisas quantitativa e qualitativa para saber respectivamente a porcentagem de crianças com Dificuldades de Aprendizagem na instituição. escrita. bem como propostas de incentivos de leitura. Palavras-chave: dificuldades de aprendizagem. Apresentase algumas definições de Dificuldades de Aprendizagem. e procura constatar quais são as maiores incidências no local pesquisado. leitura. ensino fundamental.

Sendo assim. os tipos de dificuldades devem ter verificadas suas principais ocorrências em casos cotidianos. A pesquisa irá especificamente abordar as principais dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita apresentadas pelas crianças do 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal José Paranaíba da Rede Municipal de Ensino de Santa Vitória MG. No caso especifico do 3º ano da Escola Municipal José Paranaíba. Para que seja respondida essa indagação. o estudo passa a ter como ponto principal de atividade analisar as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos do 3º ano primeiros anos do ensino fundamental da rede municipal de ensino de Santa VitóriaMG no processo de leitura e escrita. Para que tal objetivo possa ser alcançado. Mensurar a porcentagem de alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem no 3º ano do ensino fundamental da Escola Municipal São José de Santa . em relação à leitura e escrita. primeiro é necessário identificar quais são os principais tipos de dificuldades de aprendizagem recorrentes atualmente. em Santa Vitoria-MG. faz-se necessário: • Vitoria – MG. A pesquisa teórica trata exatamente de discorrer sobre esses tipos de dificuldades. • • dos alunos. Tal estudo foi proposto tendo seu objetivo principal voltado para a avaliação das dificuldades de aprendizagem apresentadas. foi definido que o trabalho ira tratar de quais são as principais dificuldades de aprendizagem. Como problema de pesquisa. Assim que observados e discutidos em seus conceitos. do Ensino Fundamental de Santa Vitória-MG. seus conceitos e aplicações. apresentadas pelos alunos do 3º ano da Escola Municipal São José. As dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita das crianças ingressantes nos anos iniciais do Ensino Fundamental são o foco principal do trabalho.9 INTRODUÇÃO O tema deste presente estudo aborda as dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita. Caracterizar os tipos de dificuldades de aprendizagem apresentados pelos Dimensionar o impacto causado pelas DAs no futuro desempenho escolar alunos e verificar quais as maiores incidências de cada tipo. a pesquisa exploratória poderá identificar as principais dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos e as principais soluções apontadas para o problema.

leitura. Vários podem ser os motivos apresentados.10 • Propor soluções para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem a fim de minimizar os prejuízos causados aos alunos pelas dificuldades de aprendizagem. Ainda de acordo com Fonseca (1995. deficiências sensoriais. A metodologia utilizada pelos profissionais da educação é também um importante item a ser analisado neste processo. O processo de ensino-aprendizagem é influenciado por vários fatores. a definição do National Joint Committe of Learning Disabilities (NJCLD. apesar de essas dificuldades ocorrerem juntamente com outras deficiências. sejam psicológicos. 1988 apud FONSECA.71). podem surgir complicações nos níveis de aprendizagem de uma criança que está iniciando sua vida escolar ou mesmo que já a tenha iniciado. otimizada. ambientais. instrução inapropriada ou insuficiente). a expressão dificuldades de aprendizagem é um termo geral que compreende as desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e manifestação da fala.70) ainda discute a situação dos diretores de . escrita e raciocínio matemático. p. O conceito de dificuldade de aprendizagem (DA) pode ter varias aplicações de acordo com suas origens. dependendo do método a ser aplicado. Segundo Vitor da Fonseca (1995). especificamente na cidade de Santa Vitória-MG. bem como podem ser várias as razões para que isso aconteça. audição. p. A função da escola torna-se então propiciar aos alunos caminhos para que eles aprendam cada vez mais e possibilitem aos mesmos atuar criticamente em seu meio social. As temáticas relacionadas às dificuldades de aprendizagem são de grande interesse para a contribuição do conhecimento acadêmico. A elaboração de uma solução para estes problemas dependerá desta analise das DAs observadas. sociais e ate biológicos. deficiência mental) ou extrínsecas (diferenças culturais. ou sofrer o efeito contrário. O papel da escola e dos grupos sociais percebidos pelos alunos é de fundamental contribuição para que possam ser evitados problemas relacionados a déficit de aprendizagem. Vitor da Fonseca (1995. elas não são necessariamente o resultado dessas condições. O ponto culminante deste estudo será sua aplicação na busca de soluções possíveis para este problema a fim de melhorar o desempenho dos alunos com dificuldades de aprendizagem. pessoal e profissional dos atuantes nesta área. A pesquisa a ser realizada em nível local. ou serem apresentadas sob influências intrínsecas (distúrbios emocionais. De acordo com essa definição. 1995) é a que reúne internacionalmente maior consenso. haja vista que a aprendizagem da criança pode ser acelerada. contribuirá para a extensão do conhecimento acerca dos vários tipos de dificuldades de aprendizagem apresentados pelos alunos da rede municipal de ensino. Neste contexto.

p. pais que as apóiam suficientemente e capacidades intelectuais normais ou até mesmo acima do normal. deveria ser observada uma gama de atributos e características cognitivas a fim de definir um conceito com teoria passível de prova. mostram progresso na alfabetização surpreendentemente mais lento do que o de seus colegas da mesma idade e do mesmo nível intelectual. dificuldades psicomotoras e dificuldades de comportamento. 2001.10) Com base no nível de inteligência das crianças com idade para ingressar no ensino fundamental. No tratamento às crianças disléxicas. porém torna-se acentuado nas crianças que apresentam dislexia. raciocínio. As dificuldades cognitivas estão ligadas a disfunções no processo de conhecimento. (NUNES et al.11 escola. uma vez que precisam de informações válidas como pontos de referência. p. todos relacionados às características principais que as definem. Terezinha Nunes. o conceito de Dificuldades de Aprendizagem torna-se totalmente subjetivo. o que vai contra a linha de raciocínio e julgamento para uma política educativa voltada para crianças com DA. estão problemas enfrentados por uma quantidade considerável de crianças.] são crianças cujas dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita são muito maiores do que se esperaria a partir do seu nível intelectual.. juízo. como a dislexia e a dispraxia. A dislexia está intimamente ligada ao processo de aprendizagem da leitura e da escrita. imaginação.11) afirmam que uma das questões mais importantes para que se possa aplicar alguma metodologia está na resposta sobre a natureza da diferença entre as crianças disléxicas e as demais crianças. esse desnível é pequeno. recebendo motivação adequada. pode-se notar que algumas superam os empecilhos na aprendizagem da leitura e da escrita com um pouco mais de êxito que outras. p. embora com as mesmas oportunidades que as outras crianças têm para aprender a ler. Nunes. a qual os coloca em posição de não poderem subjugar o conceito das DA. percepção. professores e legisladores. Para que estas possam ser identificadas como portadoras de dificuldades de aprendizagem. Essas crianças. Buarque e Bryant (2001. Do contrário.. que envolve atenção. memória. Geralmente. Lair Buarque e Peter Bryant (2001. As crianças disléxicas [. pensamento e linguagem. As preocupações econômicas e administrativas têm se tornado a maior base das decisões políticas por parte dos atuantes da área da educação. 2007). Existem alguns subtipos de dificuldades de aprendizagem. A dispraxia constitui-se em uma disfunção motora neurológica que impede o cérebro de desempenhar os movimentos corretamente (SILVA. São eles: dificuldades cognitivas. . No âmbito das dificuldades psicomotoras.10) abordam a dificuldade de crianças com dislexia no desenvolvimento do processo de alfabetização. em vez de opiniões.

deve-se buscar o estímulo cognitivo. será o mais utilizado. especialmente pela falta de capacidade de interpretação de seu conceito e aplicabilidade por parte da maioria dos agentes do ensino. segundo José Luis Neves (1996). Dentro deste contexto. profissionais da área da educação e demais pessoas integrantes do convívio cotidiano dos alunos com DA. A pesquisa qualitativa tem como principal utilidade avaliar e qualificar os tipos de dificuldades de aprendizagem analisadas. será aplicada a pesquisa documental e bibliográfica.2 . para apurar o número de crianças com DA e as maiores principais incidências dos fatores causadores. artigos e outros veículos de informação periódicos (revistas.Pesquisa documental – Pesquisa em documentos (arquivos e sites da internet) relacionados ao tema Dificuldades de Aprendizagem 1. que é baseado totalmente em premissas e informações concretas. 2005).12 Sem dúvida as DA são um dos principais problemas da educação contemporânea. o método dedutivo.1 – Pesquisa de campo – Visitas à Escola Municipal São José.Documentação indireta 1. A base deste estudo será dividida entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. para o embasamento teórico. Para conduzir a pesquisa qualitativa. é maciçamente guiado pelo método indutivo. os procedimentos metodológicos deste estudo serão constituídos da seguinte forma: 1 . que. tendo o questionário como principal ferramenta de aplicação. de Santa Vitória-MG. jornais) que tragam abordagens sobre as DA. Sendo assim.Pesquisa bibliográfica – Pesquisa em livros. 2. fazendo-se necessário mais de um tipo de procedimento metodológico. 2004 apud PEREIRA et al. o qual parte de questões particulares até chegar a conclusões generalizadas. Há autores que confirmam que o fracasso escolar é um marco para os estudantes com distúrbios de aprendizagem. conseqüentemente podem se tornar particularmente vulneráveis a problemas emocionais e dificuldades na adaptação escolar (MARTINEZ & SEMRUD-CLIKEMAN. que é basicamente composta de técnicas estatísticas. a metodologia a ser utilizada pelos profissionais de educação se constituirá na maior ferramenta para que esse déficit no processo de ensino-aprendizagem seja diminuído. . será utilizada a pesquisa quantitativa. Este fator será uma condição primordial abordada na pesquisa realizada pelo presente estudo.1 .2 – Entrevistas – Gravações com alunos. A pesquisa qualitativa. Na outra vertente. boletins. Em tais casos. 2 – Documentação indireta 2. Por fim. O universo das dificuldades de aprendizagem é bastante complexo.

como é o processo de ensinoaprendizagem em sala de aula. O trabalho será dividido em dois capítulos.13 2. O capitulo trata ainda dos fatores que podem influenciar o surgimento das DA. Posteriormente. Espera-se com o desenvolvimento do trabalho que a pesquisa possa contribuir para o aprendizado dos conceitos e das aplicações de DA. Quantos alunos necessitam de atendimento. e quais são as propostas para que haja solução dos problemas relacionados às DA. na cidade de Santa Vitória – MG. . o trabalho trata de como é a situação atual na Escola Municipal José Paranaíba. bem como a criação de soluções para os problemas apresentados pelos alunos com dificuldades de aprendizagem. bem como seus conceitos.3 – Elaboração de Questionários – Distribuição de questionários com o intuito de coletar informações estatísticas relacionadas às características das crianças portadoras de DA. definições e aplicações. A primeira parte do estudo discorre sobre os variados tipos de DA . quais são os tipos de DA apresentados e discutidos. com subtítulos contidos em cada um deles.

Ainda de acordo com Fonseca (1995. juízo. Para que estas possam ser identificadas como portadoras de dificuldades de aprendizagem. 2007). o conceito de Dificuldades de Aprendizagem torna-se totalmente subjetivo. percepção. . a definição do National Joint Committe of Learning Disabilities (NJCLD.1 CONCEITO DE DA O conceito de dificuldade de aprendizagem (DA) pode ter varias aplicações de acordo com suas origens. raciocínio. deficiência mental) ou extrínsecas (diferenças culturais. memória. a qual os coloca em posição de não poderem subjugar o conceito das DA. São eles: dificuldades cognitivas. p.14 1 AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS 1. p. escrita e raciocínio matemático”. a expressão “dificuldades de aprendizagem é um termo geral que compreende as desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e manifestação da fala. dificuldades psicomotoras e dificuldades de comportamento. Existem alguns subtipos de dificuldades de aprendizagem. No âmbito das dificuldades psicomotoras. apesar de essas dificuldades ocorrerem juntamente com outras deficiências. todos relacionados às características principais que as definem.71). uma vez que precisam de informações válidas como pontos de referência. como a dislexia e a dispraxia. instrução inapropriada ou insuficiente). o que vai contra a linha de raciocínio e julgamento para uma política educativa voltada para crianças com DA. 1995) é a que reúne internacionalmente maior consenso. As preocupações econômicas e administrativas têm se tornado a maior base das decisões políticas por parte dos atuantes da área da educação. A dispraxia constitui-se em uma disfunção motora neurológica que impede o cérebro de desempenhar os movimentos corretamente (SILVA.70) ainda discute a situação dos diretores de escola. Vitor da Fonseca (1995. pensamento e linguagem. elas não são necessariamente o resultado dessas condições. Segundo Vitor da Fonseca (1995). deficiências sensoriais. As dificuldades cognitivas estão ligadas a disfunções no processo de conhecimento. professores e legisladores. ou serem apresentadas sob influências intrínsecas (distúrbios emocionais. 1988 apud FONSECA. estão problemas enfrentados por uma quantidade considerável de crianças. em vez de opiniões. imaginação. que envolve atenção. Do contrário. audição. deveria ser observada uma gama de atributos e características cognitivas a fim de definir um conceito com teoria passível de prova. leitura. De acordo com essa definição.

esse desnível é pequeno. Dentro deste contexto. p. tais crianças têm sido ignoradas. logo. Tais dificuldades. Muitas são as crianças e os adolescentes que hoje. Há autores que confirmam que o fracasso escolar é um marco para os estudantes com distúrbios de aprendizagem que. Dificuldade de Aprendizagem em sala de aula desperta a atenção para a existência de crianças que freqüentam a escola e apresentam problemas de aprendizagem. Em tais casos. no contexto sócio-cultural brasileiro. desviando toda a provável deficiência do professor e da entidade de ensino para os problemas de fatores externos à escola. especialmente pela falta de capacidade de interpretação de seu conceito e aplicabilidade por parte da maioria dos agentes do ensino. nas classes sociais menos favorecidas a questão se agrava ainda mais. apresentam dificuldades no processo de aprendizagem. a metodologia a ser utilizada pelos profissionais de educação se constituirá na maior ferramenta para que esse déficit no processo de ensino-aprendizagem seja diminuído. porém torna-se acentuado nas crianças que apresentam dislexia. Corrêa (2001) ressalta que "pesquisas sobre as representações que os professores têm do fracasso escolar denunciam que eles estão convencidos de que o problema é do aluno e da sua família".11) afirmam que uma das questões mais importantes para que se possa aplicar alguma metodologia está na resposta sobre a natureza da diferença entre as crianças disléxicas e as demais crianças. No tratamento às crianças disléxicas. mal diagnosticadas e maltratadas. 2005). conseqüentemente podem se tornar particularmente vulneráveis a problemas emocionais e dificuldades na adaptação escolar (MARTINEZ & SEMRUD-CLIKEMAN. Nunes. 2004 apud PEREIRA et al. deve-se buscar o estímulo cognitivo.15 Com base no nível de inteligência das crianças com idade para ingressar no ensino fundamental. Buarque e Bryant (2001. pode-se notar que algumas dessas crianças superam os empecilhos na aprendizagem da leitura e da escrita com um pouco mais de êxito que outras. Por muitos anos. pois na maioria das vezes não encontram solução para esse problema. . Este fator será uma condição primordial abordada na pesquisa realizada pelo presente estudo. o estigma de menos capaz ao contexto e às exigências escolares. ele é rotulado como deficiente. Sem dúvida as DA são um dos principais problemas da educação contemporânea. A dificuldade de aprendizagem vem frustrando a maior parte dos educadores. pois o menor já carrega desde muito cedo. determinado pelas condições precárias de sua vida. Geralmente.

tornando-se frustrada e rebelde. retraída. Excluídos por não ser dada oportunidade de expressarem o que desejam. segue alguns conceitos. Também se pode pensar em Dificuldades de Aprendizagem quando a criança freqüentemente fica confusa. uma crise de comprometimento com as Dificuldades de Aprendizagem que se apresentam em alguns alunos. a expressão DA tem sido usada para designar uma grande variedade de fenômenos. freqüentes modelos incoerentes. apresentados por estudiosos. alertar que vivemos com a diversidade. torna a escola simplesmente reprodutora do problema. p. Essa problemática de não se saber ao certo como proceder diante dessas crianças com dificuldades. temos o próprio aluno que se sente fracassado e excluído de um sistema de ensino concebido apenas para crianças que tem um “bom ritmo de aprendizagem”. em virtude de sua forma de organização. o que resulta em duas situações peculiares: de um lado encontra-se o professor em uma situação de conflito. passa hoje por um desencontro de ações. dada à ocorrência de uma miscelânea desorganizada de dados que se espalham por vários conceitos confusionais. que refletem. O processo educacional. deprimida. argumenta sobre a dificuldade de encontrar uma maneira de unificar as definições: “De fato. incapaz de auxiliar nesses casos. porque em alguns casos não recebeu uma formação específica para trabalhar com esses alunos. como por parte de muitos pais. p.32): “Dificuldades de aprendizagem são transtornos permanentes que afetam a maneira pela qual os indivíduos com inteligência normal ou acima da média selecionam.. no fundo. Fonseca (1995. Pretende-se aqui. etc. Sabe-se que as definições construídas ao longo da história do das Dificuldades de Aprendizagem são muitas e a cada dia recebem contribuições das mais variadas áreas que hoje se fundem para melhor colaborarem nas intervenções.16 Quantos excluídos têm nas escolas deste Brasil. hiperativa ou desorientada. impulsiva. um paradigma ainda obscuro entre normalidade e excepcionalidade. As informações que entram ou que saem podem ficar desordenadas conforme viajam entre os sentidos e o cérebro. Alguns pesquisadores contemporâneos defendem o conceito elaborado por Dunn (1997. especialmente nas séries iniciais do Ensino Fundamental. vários construtos vulneráveis. Essa falta de comprometimento acontece tanto por parte da escola. indexadores de outros sob paradigmas como os da “para normalidade” e/ou da “para excepcionalidade”.” . E de outro. e a escola é feita para iguais. múltiplas teorias insubstanciais. é desajeitada.287). ou agressiva. retêm e expressam informações. A fim de compreender melhor essas dificuldades.

diagnóstico e os programas de intervenção específica começaram a surgir. hiperatividade.21). que mais tarde em 1989. especificamente a neurologia. Samuel Kirk popularizou o termo Dificuldades de Aprendizagem (learning disability) em uma comunicação apresentada na “Conference on Exploration into Problems of the Perceptually Handicapped Child” nos Estados Unidos (GARCIA. e geralmente estavam presentes em crianças com lesões cerebrais (TORGESEN. Em todos os tempos. As DA tiveram nesta etapa. embora sempre tenha prevalecido como método de ensino o tradicional. a humanidade tem se preocupado com as diferenças. p. Este discurso foi o grande impulsionador para que neste mesmo dia se criasse a “Assocition for Children with Learning Disabilities” (ACLD). que utiliza as mesmas estratégias para todos. em alguns casos. apud CRUZ. uma abordagem clínica. como se todos aprendessem da mesma maneira. e tão distintas das crianças deficientes mentais.1999. de pacientes com lesão cerebral causadas por acidentes. tão diferentes entre si. 1999. diziam que os processos de aprendizagem deficientes centravam-se naquilo que atualmente chamamos de distrabilidade. da fala e da aprendizagem. Pesquisadores da época. 1974. como a grega (APUD CRUZ. 1999). p. A seqüência histórica das DA pode ser dividida em quatro fases. . e sua relação com perdas ou distúrbios de linguagem. 22): Fase de fundação (1800 a 1930) – Nesta fase da medicina. 1999. conforme: (Wiederholt. trazendo profissionais da psicologia e da educação para figurar junto com a área médica. interessou-se pelos problemas de aprendizagem.1991 APUD CRUZ.19). apud CRUZ. 1995. A preocupação passou da fase do diagnóstico para a de recuperação. com dislexia e outros “rótulos” similares eram. Fase de Integração (1963 a 1980) – No ano de 1963. Fase de transição (1930 a 1963) – Nesta segunda fase os psicólogos e educadores desenvolveram instrumentos e programas úteis para diagnóstico e recuperação de distúrbios manifestados pelas crianças na aprendizagem. Essas considerações são reforçadas por Fonseca (1995) quando afirma que as crianças diagnosticadas com disfunção cerebral mínima. mudou o nome para “Learning Disabilities Association of América” (LDA).17 Mann (1979) relata que as possíveis causas e conseqüências das diferenças individuais no funcionamento mental remota a ‘antigas civilizações. Diante deste fato tão marcante e de importância ímpar para o estudo das DA foi que os métodos de avaliação. p. quedas ou doenças. problemas perceptivo-visuais e perceptivos-motores.

Convém notar que no Brasil os estudos acerca dos problemas de aprendizagem ainda são recentes e pouco divulgados. que trouxe consigo noções de Disfunção Cerebral Mínima e de Dislexia.20). Alguns conceitos psicanalíticos foram introduzindose na área médica e modificando a visão dominante de doença mental. Daí em diante muitos educadores. No Brasil. que estudou os problemas de aprendizagem escolar. Fase Contemporânea (1980 à atualidade) .Nesta última observou-se um esforço em ampliar o diagnóstico como a intervenção para além das idades escolares. a corrente comportamentalista é ainda muito forte. Lerner (1988 apud Cruz. Os conceitos de anomalias genéticas foram progressivamente sendo substituídas por instrumentos da Psicologia Clínica. Os indicadores de alunos que possuem algum tipo de DA são inexistentes. Perspectiva do processamento de informações: Essa teoria (Que teoria?) é baseada no processamento da informação através do cérebro. e também definir os termos ‘distúrbios’ e ‘dificuldades’. pedagogos. 1994. .37).20). e entre a comunidade educacional este tema é pouco difundido no seu aspecto teórico. Suas obras foram durante muito tempo. segundo Scoz (1994. o único trabalho empírico publicado no Brasil a respeito do assunto (SCOZ. chega ao Brasil a abordagem psiconeurológica de desenvolvimento humano. Por influência da Psicologia Cognitiva é que foi dada ênfase no contexto do processamento das informações. p. embora segundo a autora citada Ramos tenha tentado chamar atenção para relação adulto/criança. Ainda hoje se busca um diagnóstico ligado à dimensão orgânica e de hereditariedade. psicólogos educacionais e psicopedagogos começaram a “chamar atenção para o peso das condições mais amplas da sociedade na determinação dos problemas de aprendizagens” (SCOZ. p. p. Na década de 60. como também as concepções das causas das Dificuldades de Aprendizagem. refere-se “a tendência de unir os esforços entre escolas do ensino regular e de educação especial. porém. persistindo ainda uma visão baseada no senso comum que sustenta as práticas vivenciadas pelos escolares. assim como a utilização de novas tecnologias tanto no diagnóstico quanto no tratamento”. 1994. a corrente psicanalítica foi divulgada por Arthur Ramos. 1999 p. 20). servem de parâmetro a muitos conceitos de serem as DA um problema em um ou mais processos psicológicos.18 que exigiam uma definição mais abrangente e transdisciplinar do que a tradicional avaliação médica psicométrica. médico formado pela Faculdade de Medicina da Bahia.

deprimida. segundo Morais (2006 p.19 Muitos escritores brasileiros adotam a definição sobre DA. impulsiva. enfocando o aspecto das informações que ‘viajam entre os sentidos e o cérebro’ e a criança que freqüentemente fica confusa. é desajeitada.1 Disfasia Dentre as alterações de aprendizagem.2 SUBTIPOS DE DA 1. hiperativa ou desorientada. Isto se deve a um transtorno na recepção e análise do material áudio verbal”. pois está relacionada à lesão na parte motora e não à área da linguagem leitura (dislexia). diferentes da “dislalia” ou “atraso simples da linguagem” em que ocorrem trocas simples e evoluem para melhora rapidamente. Para ele a disfasia é “um distúrbio relacionado a aquisição da linguagem.2. apresentando ainda alterações no padrão neurológico. tais como: Dificuldade na linguagem e na . Dislexia A dislexia. a criança possui inteligência e audição normal. lenta. tornando-se frustrada e rebelde. Para se constatar uma criança com dislexia é preciso descartar algumas outras situações que não devem ser confundidas. apesar do nível de inteligência ser normal ou acima da média. porém sua fala não evolui. Com atendimento fonoaudiológico e se estiverem relacionados com falta de maturidade e fatores ambientais será facilmente superada. “aço” por palhaço) com 3 ou 4 anos de idade.2. 1. nesta idade ou até antes.81). escrita e soletração. ela é uma condição hereditária com alterações genéticas. ou agressiva. p 96) destaca a disfasia. é um termo que se refere às crianças que possuem dificuldades na leitura e conseqüentemente na escrita. A disfasia é diferente das disartrias. A criança pode ter dificuldade de expressão (disfasia expressiva) ou de compreensão (disfasia compreensiva).2. O risco da criança apresentar dislexia ou disortografia na idade escolar é muito grande. retraída. Drouet (1990. Deve-se considerar que as “disfasias” são quadros preocupantes e graves. caracterizadas por voz arrastada. 1. A dislexia segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) é definida como: “um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura. Clinicamente o comprometimento é importante: são crianças que não elaboram frases. apresentando alguns sintomas como sinais de alerta. O atendimento fonoaudiológico deve ser precoce. expressam as partes finais das palavras (“eta” por borboleta.

para diagnosticar a Dislexia é preciso atenção nos sintomas apresentados pelas crianças que pode ser percebido na escola ou mesmo em casa. como déficit intelectual.br> Acesso em: 21 de maio de 2010).dislexia.. As crianças disléxicas [. . conforme a ABD. Essas crianças.org. Dificuldade com ortografia. Lentidão na aprendizagem da leitura. memória e análise visual. Precisa de um trabalho fonético e repetitivo. até uma leitura quase normal.20 escrita. garantindo uma maior abrangência do processo de avaliação. Uma equipe multidisciplinar formada por Psicóloga. p.] são crianças cujas dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita são muito maiores do que se esperaria a partir do seu nível intelectual. desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais.” (ABD – Em: <www. a complexidade. mas motivadores. A criança disléxica não deve ser alfabetizada pelo método global. A dislexia está intimamente ligada ao processo de aprendizagem da leitura e da escrita. independente de classe sócio-econômica. 2001. e deve-se procurar ajuda especializada. mas silabada. deve iniciar uma minuciosa investigação. Fraco desenvolvimento de atenção. sem automatização. p.10) abordam a dificuldade de crianças com dislexia no desenvolvimento do processo de alfabetização. como Neurologistas. pois apresentam sintomas como: Dispersão. pois se exclui a didática deficiente. Surge em 7 a 10% da população infantil. No inicio da alfabetização pode-se observar se as crianças estão propensas a ser disléxicas. O distúrbio se encontra nas funções de percepção. Lair Buarque e Peter Bryant (2001. mais esses são conseqüências e não causas da Dislexia). embora com as mesmas oportunidades que as outras crianças têm para aprender a ler. uma vez que não consegue perceber o todo. disfunções ou deficiências auditivas e visuais. recebendo motivação adequada. pois terá muita dificuldade na fixação dos fonemas. A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de Dislexia. Segundo a ABD.10) O quadro de dislexia pode variar desde uma incapacidade quase total em aprender a ler. lesões cerebrais (congênitas ou adquiridas). Outros fatores deverão ser descartados. pais que as apóiam suficientemente e capacidades intelectuais normais ou até mesmo acima do normal.. Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clinica. aumentando gradativamente e só à medida que lhe for possível. Terezinha Nunes. Necessita de um plano de leitura que inicie por livros muito simples. Dificuldade em escrever. Oftalmologistas entre outros conforme o caso. mostram progresso na alfabetização surpreendentemente mais lento do que o de seus colegas da mesma idade e do mesmo nível intelectual. (NUNES et al. verificando a necessidade do parecer de outros profissionais.

A segunda ocorre quando a motricidade está particularmente em jogo. crianças com dificuldade para escrever corretamente a linguagem falada apresenta disgrafia. • Falar francamente com o aluno sobre sua dificuldade. no entanto. não esta necessariamente associada a disortografia. a posição da folha de papel. dos números. porém.21 Problemas na fala e na linguagem. Baixa estima.137). mas. Timidez profunda (ABD – Em: <www. • Orientar quanto à percepção de espaço e tempo. as palavras e as frases. mas também de fatores emocionais (restrição do eu. • Dar dicas e instruções simples. A disgrafia é a dificuldade parcial. das sílabas entre outros. das silabas. Dificuldade na coordenação motora.135) define Disgrafia “como uma deficiência na qualidade do traçado gráfico.br> Acesso em: 21 de maio de 2010).3 Disgrafia Morais (2006 p. e ‘disgrafia motora’. etc. ressalta que para se ter uma boa produção gráfica a criança depende de vários fatores. a . A disgrafia é também chamada de letra feia. • Estar em contato com o profissional que estiver cuidando da Dislexia. • Certificar que as tarefas de casa foram compreendidas. o que altera a forma da letra. Substituição das letras. Quanto aos fatores que causam a Disgrafia. Dificuldade em aprender rimas. Na disgrafia há uma inversão das letras.dislexia. Na primeira delas não se estabelece uma relação entre o sistema simbólico e as grafias que representam os sons. entre eles: “a postura adequada para se sentar e pegar o instrumento da escrita. A isto se denomina discaligrafia. Segundo a ABD o professor deve: • Incentivar o aluno valorizando o que ele gosta. 1. A isto se denomina simplesmente disgrafia. • Ressaltar os acertos ao invés dos erros. • Certificar que a criança consegue ler o que escreveu. • Valorizar o esforço que o aluno faz para aprender.org. Morais (2006 p. entendendo-a não somente como o resultado de uma alteração motora. Essa pode ser dividida em dois termos: a ‘disgrafia específica’ ou propriamente dita. • Respeitar seu ritmo de aprendizagem. • Não insistir em exercícios de fixação. sendo que essa deficiência não pode ter como causa um “déficit” intelectual e/ou neurológico”. A atuação do Professor frente a um aluno Disléxico é muito importante. • Conversar com os pais sobre as dificuldades apresentada pela criança em casa e na escola.). não a impossibilidade para aprendizagem da escrita de uma língua. mas o sistema simbólico não.2.

deve-se ter conhecimento de todos os símbolos gráficos que representam os sons falados.4 Disortografia A Disortografia muitas vezes acompanha a Dislexia. . palavras escritas erradamente etc. deve saber juntar os símbolos gráficos para formar linguagens lingüísticas com sentido. mas pode também vir sem ela. • O predomínio lateral. ela se caracteriza como sendo “um transtorno da escrita. Espera-se que ao terminar o ensino fundamental. A criança escreve seguindo os sons da fala e sua escrita. o lado que a criança costuma escrever. nem todas as crianças têm facilidade em aprender a usar os processos gráficos para representarem a linguagem oral. torna-se incompreensível. • Orientação e organização espacial. a capacidade de organização do traçado gráfico na folha de papel”. uniões de letras mal feitas.137) também ressalta outros que contribuem para a Disgrafia como: • O desenvolvimento motor: trabalha a parte toda do corpo esta influencia na escrita. Além desses fatores citados Morais (2006 p. educadores devem estar atentos ao ritmo que cada aluno possui na aprendizagem. • A adaptação afetiva a falta de motivação. que gera a desordem na estrutura da frase. por isso. sendo muitas vezes espelhadas. deve ter entendido a relação existente entre linguagem escrita e linguagem falada. a seqüência de idéias. • Ortografia pode ser considerada como causa da disgrafia a partir do momento que exige rapidez ao um determinado ritmo gráfico.2. de uma criança que ainda não automatizou a relação som e letra.118). É a impossibilidade de visualizar a forma correta da escrita das palavras. por vezes. 1. e usar corretamente a pontuação.96) é a dificuldade de aprendizagem e do desenvolvimento da escrita que atinge muitas crianças em toda parte do mundo. Geralmente. para Morais. A disortografia para Coelho (2004 p. uma criança já faça uso da escrita de forma adequada. estas crianças são classificadas como disortográficas (MORAIS 2006 p. refere-se a lateralidade da escrita a direção cima ou baixo. No entanto. de vontade faz com que a criança apresente uma letra descuidada.22 perfeita coordenação motora fina. Para tanto. A disgrafia muita vezes é causada porque a criança tem dificuldade em acompanhar o professor e acaba querendo escrever rápido de qualquer jeito.

sentindo-se frustrada por não conseguir transferir suas idéias de forma escrita. Isso pode ser feito através dos quadros onde constem as letras do alfabeto. A memória visual da criança que apresenta disortografia deve ser estimulada constantemente. Ainda conforme Coelho (2004 p. em função de uma didática inadequada e excesso de conteúdos. e/a. • Soma de palavras: batata batatata. Tudo o que se refere à dificuldade de leitura e escrita deve ir para o segundo capítulo. contas. in/i. • Devido às trocas visuais: b/d. A criança de primeira série não tem condições de operar sem o concreto e precisa estruturar demoradamente a construção do número e o raciocínio de situações problema.. Se . p/b. devido a sua má formação profissional. picoca. A Discalculia é a incapacidade de compreender o mecanismo do cálculo e a solução dos problemas. pipoca. e não consegue produzir um texto próprio. • Palavras com o mesmo som: exame. 1. Casa.. ch/j. É um quadro bem mais raro e quase só acontece acompanhado de síndromes.23 Portanto não é considerada uma doença. Algumas vezes essas dificuldades estão enraizadas na própria pedagogia do educador. bio. dexa. para que ela possa utilizá-lo enquanto faz seu trabalho escrito. a vaca viu. • Omissões de palavras: caixa. on/o. tabuada). pelo fica. vida. mais encontra dificuldade em aplicá-los em problemas. e até mesmo de ler. trata-se de uma dificuldade que pode ser contornada com um acompanhamento adequado’. • Junções de palavras avacaviu. caxa. na/a.96) As crianças com problemas de disortografia costumam fazer confusões de letras: • Devido ao som: f/v. b/h. • Inversões de palavras: boi. porque tem dificuldade na leitura do mesmo. A aprendizagem incorreta da leitura e da escrita na fase inicial pode originar lacunas na base da aprendizagem.A criança que apresenta desordem na formulação escrita tem dificuldade em colocar seu pensamento em símbolos gráficos no papel. • Confusões de palavras semelhantes: pato. p/q. caza. as famílias silábicas e os números. en/e. um/u. O aluno pode automatizar os aspectos operatórios (as quatro operações. deixar. O que ocorre com maior freqüência é uma estruturação inadequada do raciocínio matemático.131) a discalculia é um termo usado para indicar dificuldades em matemática. Às vezes não consegue entender o enunciado dos problemas. f. trazendo como conseqüência à insegurança para escrever.2. ezame.5 Discalculia Segundo Drouet (1990 p. t.

déficit de atenção e falta de autocontrole (COLLS. ocasionada por: febre. no entanto. professores. A criança com hiperatividade possui dificuldade em prestar atenção e ficar parado no lugar o que dificulta a aprendizagem. • As diferenças culturais e sociais. Porquanto. anemia. • Falta de maturidade para iniciar o processo de alfabetização. ela não é capaz de compreensão e usa a estratégia da mecanização.24 isto não lhe é permitido e lhe são exigidos logo números grandes e situações problema abstratas. dor de ouvido. • O aspecto carencial da população. dor de cabeça. Drouet (1990 p. equipes pedagógicas) deverão estar atentos para os primeiros sinais apresentados pelas crianças e tomar as providências necessárias para saná-los o mais cedo possível. pertence a um processo lingüístico complexo. esta habilidade aparecerá no decorrer dos anos do indivíduo. 1995. • Fatores intra-escolares (currículo. estabelecer idades é algo perigoso. PALACIOS E MARCHESI. no período inicial escolar é que todos (pais. que lhe impede a aprendizagem verdadeira.160). porque diante de várias causas já vistas. mas especificamente. Colaborando com estes conceitos apresentados acima.3 FATORES INFLUENCIADORES DAS DA Morais (2006.2. isso pode ser retardado. p. relação professor/aluno: • Deficiência mental. verminose e todos os . que acontece por volta dos 7 anos. • Problemas emocionais.24) aponta várias causas da dificuldade escolar tais como: • Falta de estimulação adequada nos pré-requisitos necessários • À alfabetização: • Métodos de ensino inadequado. 1.6 Hiperatividade O termo Hiperatividade refere-se a um dos distúrbios do comportamento mais freqüentes na idade pré-escolar e escolar. p. sistema de avaliação. O processo de letramento não se constitui em uma habilidade isolada. cólicas intestinais. asma.96) ressalta que as causas relacionadas à dificuldade de aprendizagem podem ser: Causas físicas . 1. caracterizado por um nível de atividades motoras excessivas e crônicas. • Problemas físicos ou sensoriais (déficits auditivos ou visuais).são perturbações do estado físico geral da criança.

Morais ressalta (2006 p.25 males que atinjam o físico de uma pessoa levando a um estado anormal de saúde. da medula e dos nervos. ou os respectivos sistemas de condução entre esses órgãos. tendo dificuldade para compreender o que se passa ao seu redor. audição. tato. tanto do cérebro. reflexo postural.25) que os distúrbios de aprendizagem são oriundos de causas múltiplas. portanto não se pode esperar que um determinado fator seja o único responsável pela dificuldade para aprender. que as causas da dificuldade de aprendizagem englobam diversos fatores. pois cabe a ele reconhecer as crianças com dificuldade de aprendizagem e encaminhá-las para um profissional especializado com o objetivo de determinar a real causa do não aprender. equilíbrio. Causas sócio-econômicas. Pode-se concluir. cabendo ao profissional realizar o diagnóstico. É importante que exista uma preocupação em determinar precocemente as dificuldades de aprendizagem para que haja uma superação das dificuldades escolares.são distúrbios que se originam com o meio social e econômico do individuo. segundo os autores mencionados acima. que acarreta muitas vezes em evasão escolar. olfato. de raciocinar sobre os seres animados e inanimados. evidenciar a área mais comprometida e. No diagnóstico da dificuldade de aprendizagem o professor tem um papel de destaque. como do cerebelo. conseqüentemente. Causas educacionais – o tipo de educação que a pessoa recebe na infância ira condicionar distúrbios de origem educacional. gustação. Causas emocionais – são distúrbios psicológicos ligados as emoções e aos sentimentos dos indivíduos e á sua personalidade. isto é a capacidade de entender e compreender o mundo que vive. que estão ligados diretamente com a vida do individuo. causando problema para captar as mensagens do mundo exterior. Causas intelectuais ou cognitivas – são aquelas que dizem respeito à inteligência do individuo. . recomendar a abordagem terapêutica mais indicada para a superação. Causas neurológicas – são as perturbações do sistema nervoso. Causas sensoriais – são todos os distúrbios que atingem os órgão de sentido visão.

ale dos alunos com DA. foi constatado que aproximadamente 14 alunsos apresentam dificuldades de aprendizagem. que atendem cerca de 76 alunos. Santa Vitoria. para que qualquer pessoa interessada em ler o presente trabalho fique com uma idéia do universo escolar do local da pesquisa. QUADRO GERAL DA ESCOLA A escola que foi escolhida como universo para extração dos alunos que serão analisados possui o seu histórico que é considerado importante. como uma das alternativas para diminuir o problema dos alunos com DA. 2. através do Programa de Inclusão e Apoio ao aluno com Necessidades Especiais e Défcit de aprendizagem e Atenção. sendo 10 de pré-escola e ensino fundamental e 3 com ensino médio. criou um projeto prevendo a construção de uma Sala de Recursos. de acordo com o IBGE (2007) possui aproximadamente 16. A Sala deverá estar presente como um trabalho que permita que a Inclusão aconteça. A proposta de viabilização da Sala de Recursos da Escola surge da preocupação em encontrar alternativas que consigam garantir um ensino de qualidade para os alunos com DA.000 habitantes. A Escola Estadual José Paranaíba. e possui do município gira em torno de 13 escolas. e oferece apenas a modalidade de ensino fundamental. com a inserção dos alunos com necessidades especiais.26 2 AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS DO 3º ANO DO DA ESCOLA ESTADUAL JOSÉ PARANAÍBA DO ENSINO FUNDAMENTAL DA REDE MUNICIPAL DE SANTA VITÓRIA-MG . e a garantia . sendo 3 salas correspondentes ao 3º ano do ensino fundamental. De acordo com o regimento interno da escola. situado no interior de Minas Gerais. mais precisamente na região do Triângulo Mineiro. A Escola Estadual José Paranaíba se localiza no município de Santa Vitória. os alunos com DA serão atendidos em classes comuns e também na sala de recursos no contra turno. em 2010 realizou ações colaborativas com uma Sala de Recursos com serviços de natureza pedagógica destinado a alunos com necessidades educacionais especiais e dificuldades de aprendizagem matriculados no ensino regular.1. A Sala de Recursos terá como objetivo trabalhar as necessidades especiais e oferecer melhor qualidade no processo educativo. A Escola. A instituição foi fundada em 1964. Desse total.

planejando atividades destinadas a determinado conteúdo ou habilidade a qual o aluno encontra dificuldade.2. da rede de Ensino Fundamental. 2. Com o atendimento dos alunos na Sala de Recursos. do município de Santa Vitória-MG. Qual a participação da família no processo de ensino aprendizagem? 7. Quais as dificuldades mais comuns encontradas nos alunos? 4. fará um atendimento individualizado. Outra atribuição importante da Sala de Recursos será o auxilio aos professores. com o objetivo de conhecer e compreender quais sejam a Dificuldade de Aprendizagem. 2. os quais foram distribuídos para os professores da sala de recursos. Qual a metodologia que você utiliza para trabalhar com este aluno? 5. No decorrer do capítulo serão apresentadas três respostas de professores atuantes na escola. Para o desenvolvimento desta pesquisa. da Escola Estadual José Paranaíba.2 – AS PRINCIPAIS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS E A VISÃO DOS PROFESSORES. 1.Questionário aplicado para os professores da Sala de Recursos da Escola Estadual José Paranaíba de Santa Vitória – MG. utilizou-se como instrumento de coleta de dados. contendo dez perguntas. Como é feito para que o aluno seja encaminhado para sala de recurso? 3. Qual a sua formação para atuar na sala de recursos? 2. auxiliando assim o aprendizado escolar. com o oferecimento de um espaço aos alunos com um profissional da educação destinado aqueles alunos que apresentem alguma dificuldade de aprendizagem. um Questionário.27 da possibilidade de um acompanhamento pedagógico que propicie seu desenvolvimento.1 . Qual a maior dificuldade encontrada para trabalhar com os alunos que possui problemas de aprendizagem? 8. que por sua vez. atuando em suas dificuldades. o desempenho na sala regular será conseqüente. O aluno será encaminhado ao professor responsável. Você faz cursos de Capacitação? Quais? . Quais os materiais pedagógicos que você utiliza? Como são Adquiridos? 6.

tangran. A metodologia a ser trabalhada com ele vai de acordo com o seu grau de dificuldade sendo individualizada para cada aluno. Relate um caso de experiência marcante na sala de recursos. quebra-cabeça. 2. nos disse que é Pedagoga. Qual o progresso dos alunos da sala de recursos. a qual realiza uma avaliação no contexto escolar e caso diagnosticado a dificuldade de aprendizagem ele é encaminhado para sala de recursos. da sala de recurso da Escola Estadual José Paranaíba. havendo assim uma necessidade de um trabalho intenso. . mais com o passar do tempo se torna visível. conforme um aluno vai superando um estágio necessita de materiais diferentes. desvio de comportamento e por algum comprometimento mental. hiperatividade. bambolês.2 . Quanto aos pais. ele passa a ser observado por uma equipe pedagógica. Quanto ao progresso do aluno nos primeiros dias quase não se percebe. formada no Curso Adicional na Área de Deficiência Mental/Psicopedagogia e que o aluno para ser encaminhado para sala de recursos primeiro deve ser constatado pelo professor sua dificuldade na aprendizagem. necessitando de uma assistência social.28 9.Resposta I A professora V.A. dominó diversificado etc. trilha. jogos de memória. novos que estimule seu desenvolvimento.L. a Dificuldade de Aprendizagem decorre muitas vezes por distração. A Professora também relatou que sua maior dificuldade é quando os alunos estão desmotivados e quando tem faltas freqüentes.2. ligado à auto-estima. os que estão próximos à participação é constante. motivação. dama. Segundo ela. jogos de alfabetização (famílias). por não as possuir ou por questão judicial. pois. desmotivação. Após isso. A professora costuma fazer constantemente curso de aperfeiçoamento dentro da educação. Esses alunos se encontravam desmotivados para a vida. na classe onde estuda? 10. Os materiais utilizados são diversos: bola. Para ela estes materiais não são suficiente. Dentre tantas dificuldades de aprendizagem apresentada pelas crianças à professora relatou que a mais marcante foi daqueles alunos que não moravam com a família.

Resposta II A professora N. está é extremamente importante para auxiliar o trabalho do professor. Os materiais didáticos são confeccionados pela própria professora e alguns deles são comprados. Músicas e todos os recursos pedagógicos necessários à aprendizagem. mas também na classe comum se percebe a mudança de comportamento desse aluno. quando apresentam dificuldade de aprendizagem são encaminhados para uma avaliação Equipe Pedagógica da escola e pela professora da sala de recursos.2. Ela relatou que os alunos de 1ª á 4ª série do Ensino Fundamental. O progresso na aprendizagem é visto na série em que o aluno se encontra. Os resultados não são vistos apenas na sala de recursos. Quanto à família. da sala de recursos da Escola Estadual José Paranaíba. A metodologia utilizada na sala de recursos: Psicomotricidade. incluindo obviamente os alunos do 3º ano. o governo não manda recursos pedagógicos para auxiliar o trabalho na sala de recursos. acontecem uma vez por ano acrescentando que deveriam ser mais freqüente para que haver troca de experiência entre professores.3 . A maior dificuldade encontrada pela professora da sala de recursos é quando o aluno falta e também pela falta de materiais pedagógicos. Segundo a professora as dificuldades mais comuns na aprendizagem são: Dificuldade Acentuada de Aprendizagem. Quanto aos cursos. Se este aluno não tiver freqüentando a sala de recursos o professor e a equipe pedagógica devem verificar o porquê dessa falta. é formada em Pedagogia e tem pós graduação em Educação Especial e curso de DM ( Deficiência Mental). Jogos. onde ele terá que aprender aquilo que o professor esta ensinando e conseqüentemente melhorar seu rendimento escolar. . no contexto familiar e manter a professora informada sobre a evolução da criança. Sempre quando necessário há intervenções pedagógicas de vários profissionais da educação para o desenvolvimento no processo de aprendizagem. Mas quando é um aluno que necessita de uma avaliação psicológica é encaminhado para o Psicólogo. uma vez que tem informações a respeito do aluno.29 2. Distúrbio na Aprendizagem e Deficiência Mental. Também a família deve observar o comportamento do aluno.. mas capacita os profissionais da educação para trabalharem nesta modalidade de ensino.

autoconfiantes. outro ao falar de suas experiências quando mais novo começou a chorar. 2. onde os alunos também realizam palestras para os alunos da classe comum. tem especialização em Educação Especial. sentindo mais seguros. O professor nos relatou que já teve várias experiências marcantes na sala de recursos. Não existem problemas quanto aos materiais para trabalhar. jogos dos sete erros. Freqüentemente tem participado de encontros no núcleo regional de ensino e cursos com especialistas em Curitiba para trocas de experiências e capacitação. Infelizmente a família não participa das atividades desenvolvidas e não acompanha o desenvolvimento do aluno.Resposta III O professor A.4 . O professor especialista faz uma avaliação e dá um parecer sobre o educando e se necessário inicia as aulas na sala de recursos. uma série de fatores que interferem na aprendizagem. A lentidão no avanço da aprendizagem é considerada uma das maiores dificuldades encontradas com esse trabalho. O aluno da sala de recursos . mas que. o mesmo nos disse que o professor do ensino regular é quem encaminha para sala de recursos. Perguntado sobre como é feito o encaminhamento do aluno. palavras cruzadas etc. o progresso com os alunos tem sido satisfatório como a elevação da auto-estima. disse que prepara os materiais conforme as necessidade educacionais de cada aluno. ou seja. que atua na Escola Estadual José Paranaíba. atividades que despertam o raciocínio como: labirinto.30 Para a professora o mais marcante em sua profissão é acompanhar o processo de alfabetização e desenvolvimento de projetos com resultados satisfatórios. trabalham também com música. jogos educativos.. A metodologia adotada para trabalhar com alunos da sala de recursos envolve atividades que estimula valores e a auto-estima do aluno. no entanto sempre é alcançado.. O profissional nos relatou que as dificuldades mais encontradas para trabalhar com esses alunos são os traumas psicológicos. como alunos que diziam que não eram capaz de fazer algo e que diziam ser burros.2. Segundo o professor A. a auto-estima baixa.

possibilitará ao aluno a valorização do seu eu e do outro tornando o processo mais favorável de ensino aprendizagem. Era uma intuição que a idade tivesse a ver com as capacidades para dominar uma língua.31 não trabalha só com conteúdos. Esta tem que buscar alternativas com os recursos que dispõe. pode resultar de baixa credibilidade a partir das experiências próprias e das considerações de professores e da sociedade em geral. como objeto de estudo. Com um trabalho de construção gradativa e contínua da auto-estima e autoconfiança. para dar um atendimento diferenciado a esse aluno. respeitando seu tempo e suas limitações. provavelmente por vergonha de se incluir na maioria para não mentir. oferecendo condições para sua aprendizagem. Constatou-se que em .3. Deve ter apoio de uma equipe multidisciplinar e profissionais especializados. 2. Existem outros fatores que interferem na aprendizagem do aluno. quer dizer que a imensa maioria dos alunos reconhece ter dificuldades. Com base nos relatos apresentados há de se entender que as salas de recursos têm que ser considerado como mais uma ferramenta que vem auxiliar o professor do ensino regular. conseguiu-se saber que 80% dos alunos inquiridos declaram ter dificuldades na Língua Portuguesa. considerado alunos com DA pela equipe pedagógica da instituição. buscar novas metodologias de aprendizagem para que o aluno realmente consiga aprender. e desenvolver de acordo com sua faixa etárias. A escola tem que fazer a sua parte oferecendo condições para que esses alunos se desenvolvam de maneira que não prejudique sua fase adulta. É preciso que a instituição de ensino desenvolva um trabalho de investigação junto à família do aluno para conhecê-lo melhor e traçar estratégias e uma metodologia adequada para trabalhar com esse aluno. Por tal motivo analisou-se a relação entre estes elementos. AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS. O fato de que somente 8% dos alunos declaram não ter problemas. isto fica um tanto confirmado porque 12% abstêm-se de responder à questão colocada. Na pesquisa realizada com a amostra de 14 alunos da Escola Estadual José Paranaíba. Mas para que tudo isso aconteça de maneira positiva e que surta os resultados desejados é necessário que o profissional da área realmente goste do que faz e estar comprometido com o processo de ensino aprendizagem.

entre aqueles que reconhecem ter dificuldades. sinais de pontuação e nenhum problema nos sinais gráficos. pretendeu-se conhecer como as classes anteriores cursadas pelos alunos influenciaram no fato de terem problemas de aprendizagem com a língua portuguesa. Não obstante o sexo masculino estar majoritariamente representado na amostra e na escola objecto de estudo. É de salientar que 75% dos que declaram não ter dificuldades correspondem a alunos não-repetentes de classe. Tal situação resulta contrária a toda lógica que conduz a pensar que as dificuldades na língua diminuem com a ascensão do nível escolar. na medida em que o nível de escolaridade avança. tendo em conta as complexidades que as caracterizam e a experiência habitual indicada. Não se reconhecem dificuldades significativas na redação. e mostra-se em dúvida que efetivamente não tenham dificuldades nas áreas referidas. parece estar sendo demonstrado que as línguas são mais atrativas para as crianças do sexo feminino. na gramática. Relativamente à área em que os alunos têm dificuldades foi manifestada pela classe cursada. entre as dificuldades mais significativas a relação vem de encontro ao senso comum antes referido. soube-se que na Escrita e na Interpretação as dificuldades são maiores nos alunos repetentes do que os alunos que não repitiram a série cursada. precisamente nessa ordem. Só no caso da gramática. na distribuição por sexo das dificuldades nas áreas viu-se que o sexo masculino revela ter maiores dificuldades que o sexo feminino numa relação de 2:1. uma possibilidade é que possa-se atribuir esta tendência às necessidades de atrativo do sexo feminino. só um assumiu ter dificuldade e quatro se abstiveram de responder. Segundo a proporção em que estão representadas . o que leva as meninas geralmente à prestarem uma maior atenção ou cuidado na aprendizagem da língua. Parece ser. Desta forma. Mas é curioso que na faixa etária da maioria dos alunos. Atraiu mais ainda a atenção pelo grau de importância. conforme a uma lógica simples. Mas não se apreciam diferenças significativas entre os alunos. por influência dos pais ou da própria sociedade. Considera-se que estes resultados constatados têm a ver com as áreas mais exercitadas ou usadas no ensino da disciplina. compreendida entre oito e dez anos. onde se constatou que os maiores problemas se localizam na escrita. A implicação é que o comentário anterior relativo à vergonha ou temor está localizado nesta faixa Foi de grande interesse saber como a confissão de dificuldades na língua portuguesa tem a ver com a classe. Quer dizer. as dificuldades para o domínio da língua vão em diminuição. a área em que os alunos têm dificuldades. relativamente à questão. na leitura e na interpretação. segundo a consideração dos alunos inquiridos.32 termos gerais não se observa uma relação significativa entre a idade e os problemas na língua portuguesa.

na (Universidade de la Habana CEPES. A maneira em que o sujeito alcança uma representação significativa do texto enquanto lê. Ou para compreender e aprender o que o autor coloca. deve ser experimentada e ajustada segundo seja necessário. como habilidade cognitiva de ordem superior. à seguir uma proposta metodológica que visa a melhorar às habilidades de leitura e escrita. Estas propostas têm como referência. adaptando-a a nossa necessidade e condições.33 as classes na escola e na amostra.4. com sucesso. e rapidamente esquecermos tudo que foi lido. Visto que a referida proposta apresenta elementos valiosos que contribuem para o melhoramento das dificuldades de leitura. experiências exitosas realizadas em outros países relativamente à formação de estratégias de aprendizagem. Descodificar a informação. 2001) durante vários anos. Processar a informação para alcançar um nível de compreensão.1. Tendo em conta que existem dificuldades na aprendizagem da Língua Portuguesa. resumem-se em três ações fundamentais: a. No item “interpretação”. PROPOSTAS PARA DESENVOLVER HABILIDADES DE LEITURA (CEPES). Leitura Pode-se ler de diversas formas. 2. A última forma garante uma assimilação com qualidade dos conhecimentos e o êxito do estudante. A proposta de orientação a formação de habilidades de leitura e compreensão de textos apresentada. aparecem 18% como não-repetentes e 20% como repetentes. b. identificado somente as palavras. De forma mecânica. . Apresenta-se. Daí cobre uma grande importância e transcendência na habilidade do estudante para poder analisar e conservar os conteúdos que lê. ao passo que na “Gramática” se aprecia 27% como repetentes e 17% como não-repetentes. no entanto 31% dos que têm esta dificuldade são repetentes.4. Em particular se toma como referência uma investigação desenvolvida em Cuba. encontramos 12% dos alunos não-repetentes que têm dificuldades na escrita. mas constitui um ponto de partida para contribuir na solução dos problemas que apresenta a escola e pode ser utilizada também em outros contextos. escrita e interpretação de texto. 2. segundo o que os dados revelam.

Estratégias para a superação da dislexia dos alunos O progresso dos objetivos da leitura deve ser suave e uniforme.4. Segundo. 2. Fixar a informação na memória para sua conservação. e aquilo que se diz deste sujeito. ensinar a ler o que se pode chamar programa básico de leitura. aquilo de que ou de quem se fala. que pode-se considerar como o sujeito lógico. as atividades desenhadas para que o aluno aplique seus conhecimentos de leituras e diferentes matérias do programa. que pode-se considerar como o predicado lógico. então pergunta-se: a quê ou a quem o autor se refere (sujeito lógico) e o que diz dessa coisa ou pessoa (predicado lógico). . É importante ter em conta que o restabelecimento da estrutura temática duma leitura se efetua traduzindo as idéias do autor às próprias palavras ou termos do leitor. na sua ordem hierárquica. 2002). de captar a lógica seguida pelo autor na sua expressão (Iliazov. favorecer confiança ao aluno em suas próprias forças. Deve suscitar. O caráter contínuo implicativo do processo da leitura e a dificuldade da sua aprendizagem requerem a elaboração de um bom programa com quatro etapas de trabalho: • • Primeiro.2. de interpretação do que se lê. apud Gonzáles et. estimulante e bem motivado.al . em relação a ordem hierárquica. O aluno deve ir compreendendo o valor desta aprendizagem para o seu próprio aperfeiçoamento intelectual e pessoal. A primeira ação considera-se já formada ao nível das primeiras classes. 1986p. Qualquer escritura. que certa extensão está constituída por uma série de temas que formam uma estrutura temática. Compreender o conteúdo de um texto escrito consiste antes de tudo em distinguir a composição e o sistema de temas tratados nele. vigoroso.26.34 c. Por isto para compreender o que se lê é necessário realizar um trabalho de restabelecimento da estrutura temática das idéias colocadas pelo autor. Ao fazê-lo reflete-se o nível da compreensão. desde o ponto de vista da lógica das ideias tratadas pelo autor. Esta estrutura deriva-se de algo muito simples. A segunda ação está relacionada com a compreensão das diferentes temáticas tratadas pelo autor do texto. à curiosidade do aluno. Para isso é necessário distinguir a estrutura sujeito-lógico e predicado-lógico do seu conteúdo. Nesta estrutura é perfeitamente distinguível. O único cuidado que se deve ter ao fazê-lo é que não se desvirtue o sentido que o autor deu inicialmente as suas ideias. mas sem pressões excessivas.

A capacidade de atenção. o programa de ensino deve possuir as seguintes características: • O desenvolvimento na leitura se assemelha mais a um processo contínuo do que a um avanço através de etapas sucessivas e relativamente independentes entre si. O programa corretivo se fundamenta na compreensão das causas das anomalias da leitura. acentuado ao mesmo tempo a compreensão e às técnicas da leitura. os exercícios devem ser curtos. nos resultados do diagnóstico e nos princípios gerais do ensino correto da leitura. atrativo e adequados ao nível da maturidade do aluno. deve-se-lhe ser mostrada a importância e à utilidade de tais procedimentos e do processo total. alargando-os gradualmente a medida que o aluno avança na aprendizagem. os interesses e o gosto do aluno se desenvolvem gradualmente. Assim. Para progredir na leitura é necessário que o aluno sinta desejos de compartilhar as experiências.35 • • Terceiro: atividades concebidas com finalidade recreativa e aperfeiçoamento individual o chamado programa de leituras dirigida a leitura. De princípio. • O processo da leitura deve ser significativo e intencional. Este período implica que o programa de leitura deve ser harmonioso e equilibrado. Os livros de leitura devem ser interessantes. • • O programa da leitura não pode limitar-se a ensinar o que o aluno deve ler nas distintas disciplinas. durante o qual vai desenvolvendo gradual e simultaneamente à sua capacidade. . consecutivo e sistemático. Deve prever um tratamento sistemático e sucessivo de modo que a iniciação de cada atividade pelo aluno se leve a cabo no momento de maturidade mais oportuno. Quarto: atividades destinadas e reeducar alunos que se deparam com dificuldades de aprendizagem a fim de evitar que tais dificuldades se compliquem com outros problemas pessoais. mas deve determinar também como lê-lo. originando serias deficiências ao aluno. portanto a complexidade alcança o número dos objetivo da leitura que serão incrementados da mesma forma e com o mesmo ritmo. o chamado programa corretivo. ao mesmo tempo que a criança aprende as técnicas para reconhecer palavras novas. os interesses e gostos e reconhecimento de palavras. idéias e êxitos com o autor do texto. • O programa de leitura deve ser ordenado. o aluno tem que adquirir o domínio de todo um conjunto hierárquico de técnicas e destrezas através de um largo período de tempo. Para aprender a ler.

A instrução direta e sistemática. • É necessário acentuar o diagnóstico na aprendizagem da escrita. intelectualmente estimulante e que favoreça o trabalho criado. e a aprendizagem da leitura será mais eficaz.4. o aluno perderá interesse pela leitura. Estratégias para a superação da disgrafia dos alunos • • O professor deve aproveitar toda a oportunidade para desenvolver nos seus alunos o desejo de expressar idéias por escrito. deve-se agrupar os alunos por níveis de desenvolvimento e necessidades instrutivas evitando em qualquer momento à total coletividade do ensino. As dificuldades específicas como a forma incorreta da letra ou do espaçamento inadequado . A aprendizagem da escrita é um processo de desenvolvimento gradual através de certas etapas bem definidas desde o grafismo sem sentido do aluno que brinca de escrever a forma gráfica já madura do adulto. familiarizando os alunos com às causas mais freqüentes de elegibilidade e com os meios para identificá-los. • Nem todos os alunos progridem ao mesmo ritmo no domínio e controlo dos complicados movimentos gráficos. • As medidas para melhorar a qualidade. • A aula deve desenvolver-se numa atmosfera amistosa. se for excessivamente fácil não haverá progresso. Se o texto é demasiado difícil. o qual contribuirá para reduzir em número e gravidade as anomalias dos alunos. Nas classes superiores. Um bom programa de leitura deve estar organizado de tal maneira que as aptidões e destrezas do aluno se desenvolvam gradualmente através de exercícios e materiais de dificuldade crescente. 2.3. dada a intima relação entre estes e os problemas emocionais e sociais do aluno. velocidade e legibilidade da escrita devem apoiar-se nas necessidades individuais de cada aluno. Estas condições ambientais reforçam o sentimento de segurança dos alunos e o espírito de grupo. fará uma interpretação deficiente do conteúdo e surgirão problemas no aluno.36 • A dificuldade da matéria deve ser proporcionada a capacidade de leitura do aluno. Por isso o ensino deve ser individualizado estreitamente supervisionado pelo professor nas primeiras etapas. Pelo contrário.

como também uma aprendizagem prévia (pré-aptidões) que possibilite o aluno o prazer de aprender deficientemente e facilmente. É contra producente a imposição pelo professor e uma espécie de rito da escrita cuja prática nenhum aluno se pode desviar. 3. 4. 2. O aluno só assim pode vir aprender a ler. exige não só. A aptidão para leitura. a consciencialização da imagem do corpo. com o que se vê e lê. o crescimento do aluno. Aprender a ler. a escrever. visão. à maturação cognitiva e atitudes sociais. bem como à sua viabilidade. as capacidades perceptivas e psicomotoras. ou para outras aprendizagens escolares exige numerosos fatores dos quais numeramos os seguintes: 1. educação. descriminação auditiva e visual. . A leitura é um duplo sistema simbólico que representa a realidade e a experiência. Perante a leitura. às capacidades de raciocínios. Fatores intelectuais que incluem a capacidade mental global. às experiências do aluno. Fatores emocionais e de personalidade que inclui na estabilidade emocional e à concentração e controlo de atenção que são independentes do grau de auto controlo que o aluno possui e que influenciam a atitude e o desejo de aprender. e fundamentalmente a qualidade da vida familiar e todas as relações sociais que influenciam diretamente à segurança e o desenvolvimento global do aluno. cuja à existência ou inexistência necessariamente condiciona o desenvolvimento do vocabulário. a psico-maturidade e funcionamento dos órgãos da linguagem articulada. cultural e lingüísticos dos pais. etc. à oportunidade de jogo e de espaço que o aluno tem. de resolução de problemas e de novas situações que refletem no seu todo o comportamento adaptativo do onde se relacionam aspectos da comunicação verbal com os da comunicação não verbal.37 serão objeto de tratamento decreto. passa primeiro pela relação simbólica entre o que se ouve e o que se diz. sua estabilidade. A aprendizagem da leitura. Fatores psicodinâmicos que inclui a maturidade global. escrita. e mais tarde. à organização cerebral. uma maturação de estrutura de comportamento. Fatores sociais que inclui nível econômico.

mais especificamente no 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual José Paranaiba. estimulando a capacidade criativa dos alunos. neste trabalho de pesquisa. ressaltando o apoio da direção da escola. complexos e difíceis de explicar. e a importância da Sala de Recursos. Nem sempre o meio em que a criança vive pode ser um fator que impeça o seu desenvolvimento normal. É necessário ter conhecimento com o desenvolvimento global de todos alunos. A intenção. sejam normais ou portadores de déficits intelectuais. Sendo assim. pode ser ressaltada a importância do comprometimento profissional. com base em programas e sugestões. colocando a culpa do não aprendizado do aluno no contexto familiar e social a que está inserido. bem como as causas do fracasso escolar e algumas das práticas utilizadas pelos professores e pedagogos para facilitar a aprendizagem da leitura e da escrita do 3º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual José Paranaiba. nunca reflete sobre o processo de ensinoaprendizagem.38 Deste modo deve-se pensar do aluno para escola e não escola para aluno. Este trabalho abordou as dificuldades de aprendizagem durante o processo de ensino. para que os mesmos construam seus conhecimentos. da busca pela continuidade de estudos. haja vista que os fenômenos relacionados às dificuldades de aprendizagem são. o que exige o abandono do ensino despersonalizado e normalizado. este trabalho se constitui no início de um estudo que não possui respostas simples. Os professores têm que estarem mais atentos ao desenvolvimento intelectual dos seus alunos. ampliam o seu conhecimento para poderem atuar ainda melhor no âmbito escolar. apresentando algumas das possibilidades de contribuição da pedagogia. bem como a busca por metodologias alternativas de trabalho para que melhorias significativas possam ser obtidas no processo educacional. CONCLUSÃO Os alunos com Dificuldades de aprendizagem são vistos pelo professor e pela sociedade em geral como alunos problemas. Mesmo porque a Dificuldade de Aprendizagem pode se apresentar em qualquer classe social. Entretanto. Novos caminhos devem ser abertos para educação escolar. Essas melhorias. foi a de contribuir com a discussão sobre dificuldades de aprendizagem. certamente devem considerar o trabalho em sala de . em sua maioria. A capacitação para professores é importante uma vez que.

O tema escolhido para o estudo é bastante amplo. e várias outras possibilidades poderão ainda ser abordadas. pesquisadores. possam se aprofundar no tema. A consciencia do aprendizado durante o desenvolvimento do presente trabalho reforça a contribuição do tema estudado e da pesquisa desenvolvida para que outros atuantes na área. .39 aula em especial com as possíveis dificuldades de aprendizagem dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual José Paranaíba.

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