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Tratado Descriptivo Do Brazil Em 1587 Sousa Gabriel Soares De

Tratado Descriptivo Do Brazil Em 1587 Sousa Gabriel Soares De

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TRATADO

DESCRIPTIYO DO B1MZ1L
EM 1587,
OBRA DK

GABRIEL SOARES DE SOUZA,
Êwjhor de rngenlio da Bahia, o'eUa residente dezetete aonot, teu vereadar da Câmara, etc.

BdiçAo castigada pelo ettudo • exame de muito • oodioei minuicripto» exittentet no Braail, em Portugal , Hespanka e Fraooa, • aoormeentada de algun» ooinmenUrioi 4 obra por Praaaitco Adolpbo de Varnhagen.

5£© D 3 J.41T3SaO
TYPOGRAPHIA UNIVERSAL DE LAEMMERT Rua do* Inválidos, 61 B. AdMH da renda e adraiUenvse subscripções unicamente na loja de 1'auU Brito, Prata da Constituirão n.« 64

1851

Em virtude da resolução da Mesa Administrativa, será considerado fraudulentamente vendido on adquirido todo o exemplar que , nesta pagina não esteja devidamente carimbado coiqjxjhiAre áa.lmtltuto.

H *è?~sTO'R»

AO

LVSTITITO HISTÓRICO DO BR.UIL.

SENHORES.

Sabeis como a presente obra de Gabriel Soares, talvez a mais admirável de quantas em portuguez produziu o século quinhentista, prestou valiosos auxílios aos escriptos do padre Cazal e dos contemporâneos Southey, Martius e Denis, que delia fazem menção com elogios oito equívocos. Sabeis também como as Reflexões critica» que sobre essa obra escrevi, Coram as primicias que offereei ás lettras, por intermédio da Academia das Sciencias de Lisboa que se dignou, ao acolhe-las no corpo do memórias, contar-me nos do seu grêmio. Sabeis «foella obra corria espúria, pseudonyma c cor-

Xi

AO INSTITUTO DO BRAZIL

rompida no titulo e na data, quando as Reflexões criticai lhe restituiram genuinidade de doutrina e legitimidade de autor e de titulo, e lhe fixaram a verdadeira idade. Sabereis, finalmente, como nada tenho poupado para restaurar a obra que por si constitue um monumento levantado pelo colono Gabriel Soares á civilisação, colonisação, lettras e sciencias do Brazil em 1587. Essa restauração dei-a por em quanto por acabada; e desde que o Sr. Ferdinand Denis a inculcou ao publico europêo, com expressões tão lisongeiras para um de vossos consocios , creio que devemos corresponder a ellas provando nossos bons desejos , embora a realidade do trabalho não vá talvez corresponder á expectativa do illustre escriptor francez quando disse: « Ce beau livre.... a été 1'objet d'une.... (permitti-me, senhores, calar o epitheto com que me quiz favorecer).... dissertation de M. Adolfo de Varnhagen. L e — écrivainque nous venons de nommer a soumis les divers manuscrits de Gabriel Soares à un sérieux examen , il a vü même celui de Paris, et il est le seul qui puisse donner aujourd'hui une éditioncorrecledecetadmirabletraité, si précieuxpour 1'empire du Brésil. » Sem me desvanecer com as expressões lisongeiras qiíè acabo de transcrever do benevolo e elegante escriptor, não deixo de me reconhecer um tanto habilitado a fazer-vos a proposta que hoje vos faço de imprimirdes o códice que offereço. Não ha duvida, senhores, que foi o desejo de ver o exemplar da Bihliotheca de Paris o que mais itie leVtfu

Em Inglaterra deve seguramente existir. seguindo as indicações de Nicoláo Antônio. pelo menos. Na Bibliotheca de Christovam de Moura. me foi permitíido desenganar-me por meu próprio exame. tive eu oeeasião de examinar uns vinte mais. !\ào ha duvida que. mas foram inúteis as buscas que ahi fiz após elle. e o terceiro na livraria convcntual de Jesus. outro se guarda no seu archivo . Igualmente vi três copias de menos valor que ha no Rio de Janeiro (uma dos quaes chegou a estar licenciada para a impressão). de Barbosa .Necessidades em Lisboa. mais três na Portuense. o original . pois que. graças á bondosa amizade deste cavalheiro. vil a5«#isa capital do mundo litterario em 1847. o códice que possuiu Southey. além d*este códice. um dos quaes serviu para o prelo.em Valencia e pertencente ao Príncipe Pio. Nenhum d'aquelles códices porém é.lt.AO INSTITUTO DO BRA7. A livraria do conde de Villa-Umbrosa guarda-se incom- . Vi três na Bibliotheca Eborense. e outros na das . a avulsa da collecção de Pinheiro na Torre do Tombo. e no Museu Britannico nem se quer encontrei noticia de algum exemplar. e uma que em Neuvvied me mostrou o velho príncipe Maximiliano. Vi mais dous exemplares existentes em Madrid: outro mais que pertenceu ao convento da congregação das Missões e três da Academia de Lisboa.. posso assegurar-vos que não existe elle. a quem na Bahia fora dada de presente. a meu ver. hoje existente . de Leon Pinelo e de seu addicionador Barcia. e baldados foram todos meus esforços para descobrir este.

Voltando áPenínsula dirigiu-se a Madrid. no que . em quanto o trabalho de outros e a discussão não o aperfeiçoem ainda mais. ao que me dispuz entendendo convir ao serviço de El-Rei nosso Senhor. emquanto a dilação de meus requerimentos me deu para isso logar. possa elle ser o original. municavel na ilha de Malhorca. A do conde de Vimieiro foi consumida pelas chammas. tão correcto quanto se poderia esperar sem o original. creio poder dar no exemplar que vos offereço o monumento de Gabriel Soares. as quaes tirei a limpo n'esta corte em este quaderno. e compadecendo-me da pouca noticia que n'estes reinos se tem das grandezas e estranhezas d'esta província.° de Março de 1587. Era filho de Portugal. Acerca do autor talvez que o tempo fará descobrir na Bahia mais noticias. e não ha probabilidade de que quando n'ella se ache ainda o códice que menciona Barcia. muitas lembranças por escripto do que me pareceu digno de notar.VIII AO INSTITUTO DO BRAZIL. as quaes pôde muito bem ser que devorassem os quadernos originaes do punho do nosso colono. fez-se senhor de engenho e proprietário de roças e fazendas em um sitio entre o Jaguarípe e o Jequiriçá. em que offertou seu livro a Christovam de Moura por meio da seguinte carta: « Obrigado de minha curiosidade fiz. por espaço de 17 annos que residi no Estado do Brazil. como terá de succeder. Graças porém ás muitas copias que nos restam—a uma das de Évora sobretudo. passou á Bahia em 1570. onde estava no 1.

faça dar a valia que lhe é devida. que talvez seriam para o leitor de mais eommodidade. Preferi este systema ao das notas marginaes inferiores. Abstive-me também da tarefa. doze annos depois. e entendendo que as obras que se escrevem tem mais valor que o da reputação dos autores dellas. offereço. e me fará mercê acceitaJ-a. f « anleparei algumas vezes movido do conhecimento de mim mesmo. de acompanhar o texto com variantes que tenho por não legitimas.—Gabriel Soares de Sousa. passando pelos desconcertos delia. Esta obra. pois a confiança disso me fez suave o trabalho e tempo que em a escrever gastei: de cuja substancia se podem fazer muitas lembranças a S. para que os moradores d'elle roguem a Nosso Senhor guarde a mui illustre pessoa de V. S. « Como minha tenção não foi escrever historia que deleitasse com estylo e boa linguagem. e lhe accrescente a vida por muitos annos. para que folgue de as ter deste seu Estado.AU INSTITUTO DO DRAZIL.' de Março de 1587. já existia em Portugal . porque não quiz interromper com a minha mesquinha prosa essas paginas venerandas de um escriptor quinhentista. que a V. aliás enfadonha para o leitor. S. M. » Para melhor intelligencia das doutrinas do livro acompanho esta copia dos commcntos que vão no fim. a que V. como está merecendo a vontade com que a offereço. Em Madrid o 1. S. não espero tirar louvor desta escriptura e breve relação (em que se* contém o que pude alcançar da cosmographia e descripção deste Estado).

a obra de um escriptor de nota. e em 1599 a cita e copia Pedro de Mariz na segunda edição de seus Diálogos. Mais tarde copiou d'ella Fr. vos custa a descobrir se elle. estaria hoje tão popular o nome de Soares como o de Barros. seria melhor geographo que historiador. como justificam as muitas copias que d'ella se tiraram. o titulo se trocasse e até na data se commettessem enganos! Pèze-nos ver nos tristes azares d'este livro mais um desgraçado exemplo das injustiças ou antes das infelicidades humanas. a parte as suas Noticias 51 a 5 5 . que o escripto descobre. Antônio Jaboatão. se vós o resolverdes. quasi primitivo no estylo. O nosso autor é singelo. vai finalmente correr mundo. mas era grande observador. Apesar dos grandes dotes do autor. mais de dous séculos correram sem que houvesse quem se decidisse a imprimil-a na integra. e do capitulo 70 a Noticia 66.AO INSTITUTO DO BRAZ1L. Se esta obra se houvesse impresso pouco depois de escripta. de um modo condigno. apesar de ser a obra tida em conta. e. melhor botânico que corographo. com estudos regulares. As mesmas copias por desgraça foram tão mal tiradas que disso proveio que o nome do autor ficasse esgarrado. Vicente de Salvador e por conseguinte o seu confrade Fr. ao ler o seu livro. melhor ethnographo que zoólogo. ou por copia ou em original. Assim. Sinião de Vasconcellos aproveitou do capitulo ÍO da l. Em 1825 realisou a tarefa da primeira edição com- .

XI pleta a Academia de Lisboa. mais que a mim. mas o códice de que teve de valer-se foi infelizmente pouco fiel.* de Março de 1851. Ainda assim muito devemos a essa primeira edição: cila deu publicameute importância ao trabalho de Soares. a Academia Real das Sciencias de Lisboa. a qual. a deveis á corporação vossa co-iruiàa. Madrid. F A.. sobre a obra os estudos que hoje nos fornecem a edição que proponho.AO INSTITUTO Dofl^AElI. e o revisor não entendido na nomenclatura das cousas da nossa terra. df VarnluHjcn. . e sem ella não teríamos tido oceasião de fazei*. 1.

.

o qual com pouca despeza d'estes reinos se fará tão soberano. João III passou d'esta vida para a eterna. a Ei-Rei nosso Senhor convém. convém que tenham principio. antas se arruinaram algumas povoações que em seu tempo se fizeram. o qual se vivera mais dez annos. que para o engrandecer melteu n'isso tanto cabedal. ROTEIRO GERAL COM U R G A S INFORMAÇÕES DE TODA A COSTA DO BRAZIL. para que lhe ponha os olhos e bafeje com seu poder. que seja um dos estados . as qualidades e estranbezas d'elle. o qual o principiou com tanto zelo. fertilidade • outras grandes partes que tem a Bahia de todos os Santos e o demais Estado do Brazil. pois está capaz para se ediiear n'elle um grande império. PROEMIO. deixara n'elle edificadas muitas cidades. com que se engrandeceram todos os estados que reinam debaixo da sua proteeçSo. o que se não effeituou depois do seu fallecimento. que lhe mostre.. o como o de minha pretenção ó manifestar a grandeza. o qual se engrandeça e estenda a felicidade. Como todas as cousas tem fim . do que ae os Reis passados tanto se descuidaram . por estas lembranças .PRIMEIRA PARTE. Em reparo e acereseentamento estará bem empregado todo o cuidado que Sua Magestade mandar ter d'este novo reino. os grandes merecimentos deste seu Estado. etc. porque está muito desamparado depois que El-Rei D. villas e fortalezas mui populosas. e ao bem do seu serviço. como é notório.

como fazem com a vista de qualquer náu grande. do que haverá muita quantidade. para n'elles entrarem grandes armadas com muita facilidade . nem terem ordem com que possam resistir a qualquer affronta que se offerecer. e vinho muito bom. cobre. com o que o pode mandar fortificar e prover do necessário a sua defensão. como das de Portugal. pois ha Perigo na tardança. o qual está hoje em tamanho perigo. e maravilhosos pescados. ouro. e em cuja costa sahe do mar todos os annos muito e bom âmbar. e muitos assucares tão bons como na ilha da Madeira. que estão sempre com o fato entrouxado para se recolherem para o matto. e em todas todos os fructos e sementes de Hespanha. o que pão convém que haja.ik REVISTA TRIMENSAL do mundo. Em algumas partes d'elle se dá trigo. se Sua Magestade mandar prover n'isso com muita instância. e de todas estas e outras podiam vir todos os annos a estes reinos em tanta abastança. e no descobrimento dos metaes que n'esta terra ha. mui seguros e grandes portos. onde se dão melhores algodões que em outra parte sabida. porque terá de costa mais de mil léguas. cristal e muito salitre. fresca e lavada de bons ares. do que vivem os moradores d'ella tão atemorisados. cuja terra é quasi toda muito fértil. lemendo-se serem corsários. porque lhe não falta ferro. É esta província mui abastada de mantimentos de muita substancia e menos trabalhosos que os de Hespanha. o que se pode facilitar sem Sua Magestade metter mais cabedal n'este Estado que o rendimento d'elle nos primeiros annos. esmeraldas. como se verá por este Tratado no tocante á cosmographia d'elle. para as quaes tem mais quantidade de madeira que nenhuma parte do mundo. e regada de frescas e frias águas. que se escusem os que vem a elles dos estrangeiros. que se n'isso cahirem os cossarios. a cuja affronta Sua Magestade deve mandar acudir com muita brevidade. e outros muitos apparelhos para se poderem fazer. aço. Tem muito páo de que se fazem as tintas. Dão-se n'ella muitas carnes assim naturaes d'ella. com mui pequena armada se senhorearáõ d'esta província por razão de não estarem as povoações d'ella fortificadas. porque se os estran- . mui sadia. Pela qual costa tem muitos. cevada.

ao que «gora se pôde atalhar acudiudo-lhe com a presteza devida. que n'esle tempo ia por capitão-mur pata a índia por mandado de El-Rei D. e como está arrumada. dos que trazia para o desc brimento da índia. e a provincia muitos ann JS foi nomeada por de Santa Cruz e de muitos Nova Lusitânia : e para solemnidade desta posse plantou este capitão no mesmo logar um padrão com as armas de Portugal. com o qiw $o inquietará toda Hespanha. a 3 de Maio. no logar onde já esteve a ilha de Santa Cruz. onde agora é a capitania do Porto Seguro. para onde levava ?ua derrota. o custará a vida de muitos capitães o soldados. CAPITULO I. cm cujo nome tomou posse desta provincia. pelo grande apparelho quo tem para u'elL-1 so fortilicarom . satisfaço da minha parle com o que se contém neste Memorial. ao pé da qual mandou dizer. em seu dia . qua ordenei pela maneira seguiute. mas de informarão do sobredito. debaixo da qual começa cila a correr junto do rio que 90 diz das Amazonas.MIL. Manoel. e vai correndo esta linha pelo sertão d'esta provincia até 45 grãos. Não se cré que Sua Magestade não tenha a isto por falta do providencia.ROTKIRO DO Bn. uma solemne missa cuin muita festa. que lhe não tom dado quem d'isso tem obrigação. A provincia do Brazil está situada além da linha equinocial da parle do sul. o muitos milhões do ouro cm armadas e no apparelho d'ellas. que assim se chamou por se aqui arvorar uma muito grande. E como a eu também tenho de seu leal vassallo. pois lhe sobeja para as maiores emprezas do inundo. pouco mais ou menos. Esta terra se descobriu aos 25 dias do mez de Abril de 1500 annos por Pedro Alvares Cabral. . 15 geiros se apoderarem dYsla torra custará muito lançal-os fora d'olla. onde se principia o norte da linha da demarcação e repartição. Em que se declara quem foram os primeiros descobridores da provincia do Brazil. por mandado de Pedro Alvares Cabral. pelo qual respeito se chama a villa do mesmo nome.

que por esta costa também tinha andado com outra armada. e com as primeiras e outras que lhe tinha dado Pero Lopes de Souza. e recolheu-se para o reino. as veio dar a El-Rei D.. João o III. que com ellas. A. e as metteu no fundo. o qual logo ordenou outra armada de caravelas que mandou a estas conquistas. A estas partes foi depois mandado por S. a que chamam o rio do Paraguassú. que já n'este lempo reinava. achou duas náos francezas que estavam ancoradas resgatando com o genlio. a qual entregou a Christovão Jacques. Para se ficar bem entendendo aonde demora. ordenou de fazer povoar esta Provincia. com o que se satisfez. fidalgo da sua casa que n'ella foi por capitão-mór. convém que em summa declaremos como se avieram os . João II de Portugal. e andando correndo a costa foi dar com a bocca da Bahia. para que descobrisse esta costa. onde deu suas informações a S. com as quaes andou por ellas muitos mezes buscando-lhe os portos e rios. com as quaes se pôz ás bombardas. em muitos dos quaes entrou . e plantou em muitas partes padrões que para isso levava.16 REVISTA TRIMENSAL. com as informações que! pôde alcançar. CAPITULO II. Em que se declara a repartição que fizeram os Reis catholicos de Castella com El-Rei D. pela qual entrou dentro. Contestando com a obrigação do seu regimento. E recolhendo-se Gonçalo Coelho com perda de dous navios. o qual foi continuando no descobrimento d'esta costa. e andou especulando por ella todos os seus recôncavos. no que passou grandes trabalhos pela pouca experiência e informação que se até então tinha de como a costa corria. A. e assentou marcos dos que para esto descobrimento levava. Gonçalo Coelho com três caravelas de armada. e do curso dos ventos com que se navegava. e se estende o Estado do Brazil. em um dos quaes. a que pôz o nome de todos os Santos. e trabalhou um bom pedaço sobre aclarar a navegação d'ella. do que faremos particular menção em seu logar. e repartir a terra d'ella por capitães e pessoas que se offereceram a metter n'isso todo o cabedal de sua9 fazendas.

sua mulher. para cada um mandar conquistar para a sua parto livremente. da coroa de Portugal. distantes da linha equinocial. tinham começado de entender no descobrimento dns índias oceidentaes a algumas illns. e lançada d'aqui uma linha nieridiana de norte sul. e lançada esta linha mental como está declarado. e altura do pólo antártico. E como tiveram o consentimento do Sua Santidade. que n'esta arte atinou melhor que todos os do seu tempo. por 45 gráos pouco mais ou menos. pela terra dos Ca ribas. que além de o approvar. que se começa a costa do Brazil além do rio das Amazona da banda de oeste pela terra que se diz dos Caribas do rio da Vicente Pinson. E aceordados os Reis «lesta maneira deram conta d'esle concerto ao Papa. por atalharem as diuVonras que sobre isso se podiam oITerecer. CAPITULO III. D'este rio de Vicente Pinson á ponta do rio . que se entenda a do Santo Antão. de barlavento mais Occidental. Mostra-se claramente. Os Reis calholicos de Caslclla. concertaram-se cnm 1^1-liei D. 17 Reis na repartição de suas conquistas. o qual se começa além da ponta do rio das Amazonas da banda de oeste.. Em que se declara o principio d'onde começa a correr a costa do Estado do Brazil. Isabel. Fernando e D. e contando d'ella 21 gráos e meio equinoeciaes de dozesete léguas e meia cada gráo. fazendo baliza no ilha das do Cabo Verde. João o III de Portugal se fizesse uma repartição liquida. que ficassem as terras e ilhas que estavam por descobrir para a parte do oriente. o louvou muito. Mathias. segundo o que se contém n"este capitulo atras. d'onde se principia o norte d'esta provincia. e indo correndo esta linha pelo sertão d'ella ao sul parte o Brazil e conquistas d'elle além da bahia de S. sem escrúpulo de se prejudicarem. e porque esperavam de ir esls d e f e r i mento em tanto crescimento como foi. D. como pelas cartas se pode ver segundo a opinião de Pedro Nunes. o que «o fez por esta maneira. fica o Estado do Brazil da dita coroa.ROTEIRO DO anazu. ordenaram arepartiçãod'esta concordância. e por esta conta tem de costa mil e cincoenta léguas.

o qual é muito povoado de gentio doméstico e bem acondicionado. . entrou por el!a dentro tanto espaço que se achou perto do nascimento deste rio. Mas toda a gente que por estas ilhas vive. o que é erro manifesto. são quinze léguas. E vendo-o tão caudaloso. vem do certão mais de mil léguas até o mar. c segundo a informação que se d'este rio tem. é povoado de Tapuias. anda despida ao modo do mais gentio do Brazil e usam dos mesmos manlimentos e muita parle dos seus costumes. gente branda e mais tratavel e domestica que o mais gentio que ha na costa do Brazil. e muito d'elle costuma pelejar com setas ervadas. em as quaes se embarcou com a gente que trazia e se veio por este rio abaixo ern o qual se houveram de perder por levar grande fúria c correnteza. porque n'esta conjuncção se descobre melhor o canal. as quaes demoram em altura de um terço de grão da banda do sul. fez junto d'el!e embarcações. Festas ilhas ha bons portos para surgirem navios. e indo por seu mandado com certa gente de cavallo descobrindo a terra. E ao mar doze léguas da bocca d'este rio estão ilhas. a qual ponta está debaixo da linha equinocial. mas para bem hão se de buscar de baixamar. com parte da costa da banda de leste. a que chamam o cabo Corso. nordeste-sudoeste. de cujos costumes diremos ao diante em seu logar. A este rio chama o gentio Mar doce por ser uni dos maiores do mundo. segundo o costume d'aquellas partes. andando na conquista do Peru em companhia do governador Francisco Pissarro. Em que se dão cm summa algumas informações que se tem deste rio das Amazonas.18 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Como não ha cousa que se encubra aos homens que querem commetter grandes emprezas. não pôde estar encoberto este rio do mar doce ou das Amazona sao capitão Francisco de Arelhana que . d'esta ponta do rio á outra ponta da banda de leste são trinta e seis léguas. Estas ilhas se mostram na carta mais chegadas á terra. e por elle acima algumas léguas. pelo qual ha muitas ilhas grandes e pequenas quasi todas povoadas de gentio de differenles nações e costumes. CAPITULO IV. e na boca d'este rio. das Amazonas.

d'onde sua mulher se tornou com a mesma armada para Hespanha. se veio á Hespanha e alcançou licença de El-Rei D. de cuja facilidade firou satisfeito. e n'este das Amazonas. Do que movido Luiz de Mello. na qual jornada teve muitos encontros do guerra com o gentio e com um grande exercito de mulheres que com elle pelejaram com nrcos o flechas. com a maior parte da gente que levava. o que não houve effeito por na mesma boca d'este rio falleccr este capitão de sua doença. Neste tempo pouco mais ou menos andava correndo a costa do Brazil em uma caravella como aventureiro Luiz do Mello. E depois de este fidalgo ser em Portugal. se passou á índia. e elle com algumas pessoas escaparam nos bateis o uma caravella em que foi ter ás Anlilhas. e muito mais das grandes informações que na ilha da Margarita lhe deram alguns soldados. que ficaram da companhia do capitão Francisco de Arelhana. acabou no caminho em anão S. os quaes facilitaram a Luiz de Mello a navegação d'estc rio. Dando suas informações ao Imperador Carlos V. d'onde se passou á Hespanha. c tomou língua do gentio. Joio III de Portugal para armar á sua custa e commetter esta empreza. 19 e com muito trabalho tomou a tomar porto em povoado. veio tanto por eslo rio abaixo até que chegou ao mar. "*em alé hoje se saber novas d'elle. que está em gloria. . Livrando-so este capitão d'esto perigo e dos mais por onde passou. o qual. querendo passar a Pernambuco. de cuja grandeza se contentou muito. que ali achou. filho do alcaide mor de Elvas. desgarrou com o tempo e as águas por esta cosia abaixo. onde acabou valorosos feitos: e vindo-so •para o Reino muito rico e com tenção de tornar a commelter esta jornada. d'ondo o rio tomou o nome das Amazonas. entrou no rio do Maranhão. com as quaes se perdeu nos baixos do Maranhão. para o que se fez prestes na cidade de Lisboa: o partiu do porto delia com três nãos e duas caravellas. em a qual partiu do porto de São Lucar com sua mulher para ir povoar a boca dVsie rio e o ir conquistando por elle acima.noTKiuo oo na MIL. Francisco quedesappareceu. e que com pouco cabedal e trabalho adquirisse por elle acima muito ouro e praia. e vindo correndo a ribeira. lhe ordenou uma armada do quatro nãos para commetter esta empreza. e dYlle foi ter a uma ilha que so chama a Margarita.

d'esta ponta ao rio da Lama ha 35 léguas. e as ilha? também. onde podem ancorar navios da costa: a qual {tonta está em dous gráos da banda do sul. e estarem muito seguras de todo o tempo.20 «ARRISL SOARES DE SOUZA. quando também se perderam nos baixos d'este rio. onde mandavam resgatar mantimentos e outras cousas para remédio de sua mantença. piloto da costa. Da ponta dos baixos á ponte do rio do Maranhão são dez léguas. o entre ponta e ponta tem a costa algumas abrigadas. onde chega a Serra Escalvada. o qual rio entra pela terra dentro muitas léguas. a qual está em altura de dous gráos e três quartos. e aqui n'esta ilba estiveram também os filhos de João de Barros e a tiveram povoada. uma ilha que se chama das Vacas. D'este rio á ponta dos baixos são nove léguas. onde fizeram pazes com o gentio Tapuia. que tem povoado parte d'esta costa. podem entrar por elle dentro. e muitos braços em que entram muitos rios que se mettem n'este: o qual affirmou ser toda a terra fresca. que será de três léguas. N'e6td rio entra o de Pindaró que vem de muito longe. Até aqui se corre a costa noroeste-sueste e toma da quarta de leste-oeste. A ponta de leste do rio das Amazonas está em um gráo da banda do sul. Tem este rio do Maranhão na boca. e por este rio acima. a qua' está em altura de um gráo e três quartos. cheia de arvoredo e povoada de gentio . CAPITULO V. N'esla ponta ha abrigada para os barcos da costa poderem ancorar. Que declara a costa da ponta do rio das Amazonas até o do Maranhão. onde esteve Ayres da Cunha quando se perdeu com sua armada n'estes baixos. a qual está na mesma altura de um gráo e 3/4. com um earavellào e foi por elle acima algumas vinte léguas. náos de 200 toneis. entre ponta e ponta d'ellas para dentro. Por este rio entrou um varão meirinho. . e d'esta ponta do rio á outra ponta são 17 léguas. e ainda que este rio se chame da Lama. onde achou muitas ilhas cheias de arvoredo e a terra d'ellas alcaniilada com soffrivel fundo.

porque esla cosia ató aqui de/. onde tem aurgidouro e boa abrigada e maneira para se fazer aguada n'ella. mas pnra bem não se ha decommeiler o canal do nenhum d'osies rios senão de baixa-mar na costa. DVta bahia ao Rio da Maio sSo 17 léguas. a qual está na mesma altura. o que se pode sabor pela lua. como por espraiar e esparwlar o mar oito e dez léguas da terra. pelo que é forçado chegar-se a terra de baixa-mar. Em que se declara a costa do rio do Maranhão até o Rio Grande. Do Rio de João da Lisboa á Bahia dos Sais «ia nove léguas. pois então se descobre o canal mui bem: e n'este rio do Maranhão não podem entrar por este respeito navios grandes. o em ronjuncçào da lua tem grandes macaróos. CAPITULO VI. a qual está em dous grão*. a esta bali ia é muito suja e tom alguns' ilhéos. onde também entram cararolloes por terem n'elle grande abrigada. N'esta bahia estão algumas ilhas alagadas da maré de águas vivas por entre as quaes entrâo earawsllões e surgem á vontade. o que convém que seja pelos grandes perigos que n'osta entrada se offerecem. equem entrar por entre clln e a ilha entra seguro. está em dous gráos e 3/4. o qual está na mesma altura. assim de macaréos. ha de se chegar bem a terra da banda de leste por fugir dos baixos e do aparoellado.ROTEIRO DO BRaZIL. o qual está na mesma altura de dous gráos. Quem houver de ir d'esto rio do Maranhão para o da Lama ou para o das Amazonas ha do so lançar por fora dos baixos com a sonda na mão. vindo do mar em fora. D'esta ponta á Bahia doa Santos sfo treze loguas. léguas ao mar. «lide lambera entram caravellões. e mio vá por menos de doze braç ts. mas também entram n'eila muitos navios da costa. 21 Para se entrar nesie rio do Maranhão. D'esta Bahia dos Santos ao Rio da João de Lisboa não quatro léguas. vasa e oncho nYlla a maré muito depressa. que se chama esparoelada. Atraz fica dito como a ponta de sueste do rio do Maranhão. Entre este rio e a Bahia dos Reis .

aonde enlrão navios da costa e tem muito boa colheita. no meio e dentro n'ella se vem metter no mar o Rio Grande dos Tapuias.2-2 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o qual se navega com barcos algumas . 10 léguas. D'este Rio do Meio á Bahia de Anno Bom são 11 léguas. da qual á Bahia da Coroa são. o qual vem de muito longe e traz muita água. Da Bahia da Coroa até o Rio Grande são três léguas. onde também os navios da costa tem boa colheita. d'esta companhia. e que achara uma lagoa muito grande que seria de 20 léguas pouco mais ou menos. um navio nos baixos do Maranhão. e que mais adiante achara outra muito maior a que não vira o fim. Por este Rio Grande entram navios da costa e tem n'elle boa colheita. a qual costa está na mesma altura de dous gráos. o Rio Grande está em dous gráos da parte do sul. affirmou um Nicoláo de Rezende. mas que a terra que visinhava com ella era fresca c escalvada. entra outro rio que se chama do Parcel. e que em uma e em outra havia grandes pescarias de qua se aproveitavam os Tapuias que viviam por esta costa até esto Rio Grande: dos quaes disse que recebera com os mais companheiros bom tratamento. da gente que escapou d'elle que veio por terra. o qual se chama dos Tapuias por elles virem por elle abaixo em canoas a mariscar ao mar d'esta bahia. haverá dezeseis annos. E corre-se a costa até aqui léste-oeste. Em que se declara a costa do Rio Grande até o de Jagoarive Como fica dito. onde começaremos o capitulo que se segue. e se navega um grande espaço pela terra dentro e vem de muito longe. por se metterem n'elle muitos rios: e segundo a informação do gentio nasce de uma lagoa em que se affirma acharem-se muitas pérolas. e está na mesma altura onde entram c surgem caravellões da costa. Perdendo-se. e que ao longo d'ella era a terra fresca e coberta de arvoredo. que a terra toda ao longo do mar até este Rio Grande era escalvada a mór parte d'ella. CAPITULO VII. a qual bahia tem um grande baixo. e outra cheia de palmares bravos.

i são quinze léguas c eslâ cm altura de dous gráos c dous terços. Do Monte de Li ao Rio de Jagoarive são dez léguas. a terra d'aqui até o Maranhão é quasi toda escalvada: e quem quizer navegar por cila e entrar em qualquer porto dos nomeados. a qual está em dous gráos o 1. D'eslo Rio Grande ao dos Negros são sete léguas. N'esta boca do Jagoarive está uma enseada onde navios de todo o porte podem ancorar e estar seguros. o tem lambem. e do rio dos Negros ás Barreiras Vermelhas são seis léguas. em direito um do outro. e quanto se chegar mais á terra se achará mais fundo. ou de junto d'ella. porque so meltem n'elle perto do mar dous riachos. mas dentro em toda t 11 bom surgiduuro 1 e abrigo. Deste rio ao do Parcel são oito léguas. o qual está em altura de dous gráos e um quarto. onde Lambem se criam pérolas.ROTEiaO DO SRA7II. que se chama o Rio Grande. c chama-se este Rio da Cruz.3. e esta na mesma altura. Das Barreiras Vermelhas á Ponta dos Fumos são quatro léguas. ha de entrar n'cstc rio de Jagoarive por entre os baixos e a terra. Da enseada do Macorive ao Monte de l. defronte da costa são baixos. onde ka porto e abrigada para os navios da costa. Aflirma o gentio que nasce este rio de unia lagoa. o em uma parle eoutra tem os navios da costa stirgidauro c abrigada. e junto da barra d'e$te rio se melte o tru n'elle. com que fica a água em cruz. o qual está cm dous gráos o 3/4. c no Rio das Ostras. que « • extremo entre os Tapuias c os Piligoares Veste rio entram navios de honesto porte até onde se corre a costa leste oeste. porque tudo até o Maranhão. Do Rio do Parcel á enseada do Macorive são onze I guas. que cslào na mesma altura. . D'esla ponta ao Rio da Cruz são sete léguas c está em dous gráos e meio em que lambem tem colheita os navios da rosta. que fica entre eua enseada u a do Parcel. e pôde navegar sempre por entre elles e a terra. por fundo de ires braças e duas c meia.u: o faz-se na boca d'este rio uma bahia Ioda csparcellada. achando tudo limpo. 23 léguas. o qual está cm dous gráos c uio. c entre este porto e a enseada de Macorive (em os mesmos navios surgidouro e abrigada no porto que se diz dos Parceis. a qual enseada é muito grande e no longo d'ella navegam navios da costa.

assim o gentio Pitigoar . pelos quaes se acha fundo de duas. três. onde acham bom surgidouro e abrigada. que lhe faz duas barras.2A «ABRIEL SOARES DB SOtZA. Na barra d'este rio está um ilhéo de arvoredo que lhe faz duas barras. Miguel são sete léguas. o qual está em altura de quatro gráos e um seismo: entre este cabo e a ponta do Rio Grande se faz de uma ponta á outra uma grande bahia. e entra-se n'esta bahia por cinco canaes que vem ter ao canal que está entre um arrecife e outro. onde bebem os peixes bois. em a qual os navios da costa surgem por acharem n'ella boa abrigada. cuja terra é boa e cheia de mato. de que aqui ha muitos. Em que se declara a costa do Rio de Jagoarive até o cabo de S. que se matam arpoando-os. Este rio tem duas pontas sabidas ao mar. quatro e cinco braças. e d'este Rio Grande ao Cabo de S Roque são dez léguas. os quaes arrebentam em três ordens. o qual está em altura de quatro gráos. e na ponta d'elle é o Cabo Corso. em cuja ribeira ao longo do mar se acha muito sal feito. pelas quaes entram navios da costa. que aqui vinha. a qual está em trcs gráos e l/i. em o qual entram e surgem por qualquer d'cstas barras os navios da Costa á vontade. que por aqui passam desgarrados. Defronte d'este rio se começam os baixos de S. por onde entram os navios da costa á vontade. . Defronte d'esta bahia estão os Baixos de S. a qual demora em altura de três gráos. Roque. como os caravellões da costa. D'esta bahia ao Rio Grande são quatro léguas. Roque. N'esta bahia se descobrem de baixa-mar muitas fontes de água doce muito boa. Roque. Do rio de Jagoarive de que se trata acima até á bahia dos Arrecifes são oito léguas. CAPITULO VIII. e entre uma e outra ha uma ilhota. D'esta bahia ao rio de S. D'este rio á Bahia das Tartarugas são oito léguas. a qual está em altura de três gráos e 2/3.

Da Ilapitanga ao Rio Pequeno. o qual está em altura de cinco gráos e 1/4. Do Cabo de S. de pouco arvoredo e sem gentio.hOTSIBO DO BRAZIL. onde corre água muito á vasante e tem dentro algumas ilhas de mangues. 25 Em que se declara o costa do Cabo dt S. a qual está em quatro gráos e 1/4. onde a costa é limpa o a terra escalvada. Tem este rio um baixo á entrada da banda do norte. porque tem a barra funda de dezoito até seis braças. Do Rio Grande ao Porto dos Búzios são dez léguas. as quaes são das náos que se recolhem na enseada da Ilapitanga. Esta terra do Rio Grande é muito soffrivel para este rio se haver de povoar. Roque á ponta de Goaripari são seis léguas. e está em xir 4 . De Goaripari á enseada da Ilapitanga são sete léguas. a qual está em cinco gráos e um seismo. pelo qual vão barcos por elle acima quinze ou vinte léguas e vem de muito longe. lhes mataram if este logar os Pitiguares com favor dos Francezes induzidos d'el!es muitos homens. e entre elles e a terra entram nãos francezas e surgem n'esta enseada á vontade. em o qual se mettem muitas ribeiras em que se podem fazer engenhos de assucar pelo sertão. sSo oito léguas. a terra por aqui ao longo do mar está despovoada do gentio por ser estéril o fraca. depois que se perderam. da ponta dYsta enseada á ponta de Goaripari são tudo ar recifes. N'este rio ha muito páo de tinta onde os Francezes o vão carregar muitas vezes. n'este Rio Grande podem entrar muitos navios de todo o porte. a qual está em quatro gráos c 1/4. a que os índios chamam Baquipe. e entra-se n'elle como pelo arrecife de Pernambuco por ser da mesma feição. D'este Rio Pequeno ao outro Rio Grande são três léguas. CAPITULO IX. N'este rio entram chalupas francezas a resgatar com o gentio c carregar do pão da tinta. sobre a qual está um grande médão dearéa. Andando os filhos de João de Barros correndo esta costa. Roque até o porto dos Búzios.

que quer dizer Ponta da Pipa. pouco mais ou menos. CAPITULO X. onde lambem ha surgidouro e abrigada para navios em que detraz da ponta costumavam ancorar náos francezas e fazer sua carga de páo da tinta. N'este rio Grande achou Diogo Paesde Pernambuco. Entre esta ponta e o porto dos Búzios está a enseada Tabatinga. Em que se declara a terra e costa do Porto dos Búzios até a Bahia de Traição. Do Porto dos Búzios á Itacoatajara são nove léguas. o qual está em seis gráos esforçados. De Itacoatajara ao rio de Goaramatai são duas léguas. se estende a capitania de João de Barros. N'este Porto dos Búzios entram caravellões da costa em um riacho que n'este logar se vem melter no mar. fez á sua custa uma armada de navios em que embarcou muitos moradores com todo o necessário para se poder povoar esta sua . altura de cinco gráos e 2/3: entre este porto e o rio estão uns lençóes de arêa como os de Tapoam junto da Bahia de todos os Santos. um Castelhano entre os Pitigoares. a que o gentio por este respeito pôz este nome. Desejoso João de Barros de se approveitar d'esta mercê. mas o próprio nome do rio é Garatui. entre os quaes andava havia muito tempo.26 GABRIEL SOARES DE SOUZA. de Tamaracá. e como João deBarrosmandoupovoar a sua capitania. feitor que foi da casa da índia. linguado gentio. c'os beiços furados como elles. a quem El-Rei D. e este rio se chama d'este nome por eslar em uma ponta d'elle uma pedra de feição de pipa como ilha. D'este porto para baixo. onde dos arrecifes para dentro entram náos francezas e fazem sua carga. o qual se embarcou em uma náo para França porque servia de lingua aos Francezes entre o gentio nos seus resgates. do Goaramatai ao rio de Caramative são duas léguas. o qual está em altura de seis gráos. João III de Portugal fez mercê de cincoenta léguas de costa partindo com a capitania de Pero Lopes de Sousa. e entre um e outro rio está a enseada Aratipicaba. o qual está em seis gráos e 1/4.

27 capitania. como fica dito alraz. a qual está em seis grãos e 1/3. N'esla armada. gastou muita somma de mil cruzados sem d'esta despesa lhe resultar nenhum proveito. Em que se declara a costa da Bahia da Traição até a Paraíba. de São Domingos. FTesta bahia fazem cada anno os Francezcs muito páo de tinta c carregam d'elle muitas náos. e proseguindo logo sua viagem em busca da costa do Brazil. D"esta Bahia da Traição ao rio Magoape sen três léguas. e em a qual mandou dous filhos seus que partiram com ella. e era outros navios que João de Barros depois mandou por sua conta em soccorro de seus filhos. IVeste naufrágio escapou muita gente com a qual os filhos de João de Barros se recolheram em uma ilha quo eslá na boca d'este rio do Maranhão. aonde passaram muitos trabalhos por se não poderem communicar d'esla ilha com os moradores da capitania de Pernambuco e das mais capitanias. por com ella matarem uns poucos de Castelhanos e Porluguezes que n'esta costa se perderam. Também lhe matáramos Pitagoares muita gente aonde se chama o Rio Pequeno. de onde elle vem de bem longe. despovoaram e se vieram para este reino. Tem este rio um ilhéo da boca para dentro que lhe faz duas barras. Do rio de Camaratibe até á Bahia da Traição são duas léguas. mas o rio de São Domingos se navega muito pela terra dentro. foram tomar terra junto do rio do Maranhão.ROTEIRO DO B i m i l . onde entram náos de duzentos toneis. e porque . Chama-se esta bahia pelo genlio Pitagoar Acajutibiro. Do rio de Magoape ao da Parahiba sáo cinco léguas. o qual está era seis gráos e meio. e no rio de Magoape entram cara vellas da costa. e pela que está da banda do norte entram caravelloes que navegam por entre a terra e os arrecifes até Tamanca. os quaes. CAPITULO XI. a pela outra barra entram as náos grandes. a este rio chamam na carta de marear. onde ancoram náos francezas e entram dos arrecifes para dentro. e os Porluguezes da Traição. depois de gastarem alguns annos. o qual está em seis gráos e trcsquarlos. cm cujos baixos se perderam.

o favor e ajuda que para isso deu Diogo Flores de Baldez. Em que se trata de como se tornou a commetter a povoação do rio da Parahiba. com os quaes fizeram n'estas capitanias grandes damnos queimando engenhos e outras muitas fazendas. trinta e seis homens e alguns escravos em uma silada. general da armada que foi ao estreito de Magalhães. se assentou que o governador n'aquella conjuncção não era bem que sahisse da Bahia. mas foi Deos servido que lhe succedesse mal com lhe matarem os Pitagoares (em cuja companhia andavam muitos Francezes). e se desavieram com Fructuoso Barboza de feição que se tornaram para suas casas e elle ficou impossibilitado para poder pôr em effeito o que lhe era encommendado. entravam cada anno n'este rio náos francezas a carregar o páo da tinta com que abatia o que ia para o Reino das mais capitanias por conta dos Portuguezes. e porque o gentio Pitagoar andava mui levantada contra os moradores da capitania de Tamaracá e Pernambuco com o favor dos Francezes. os quaes tinham n'este rio da Parahiba quatro navios para carregar do páo da tinta : e. o que se depois effectuou com. com o favor e ajuda dos Francezes. onde tinha por prover em grandes negócios convenientes ao serviço de Deos e de .28 GABRIEL SOARES DE SOUZA. com o qual successo se descontentaram muito os moradores de Pernambuco. que os fosse soccorrer contra o gentio Pitagoar que os ia destruindo. posto este negocio em conselho. assentou Sua Magestade de o mandar povoar e fortificar. pois não havia mais de seis mezes que era a ella chegado. vindo ahi do estreito de Magalhães com seis náos que lhe ficaram da armada que levou. Na Bahia de todos os Santos soube o general Diogo Flores. em que mataram muitos homens brancos e escravos. o que se começou a fazer com mui grande alvoroço dos moradores d'estas duas capitanias. que então era do Estado do Brazil. como os moradores de Pernambuco eTamaraoá pediam muito afincadamente ao governador Manoel Telles Barreto. CAPITULO XII. para o que mandou a isso Fructuozo Barboza com muitos moradores.

e. E sendo ausente Frucluoso Barboza veio o gentio por algumas vezes affrontar este forte e pòl-o em cerco. o que lho não serviu de nada. se ajuntaram e tornaram a este rio da Parahiba.ROTEIRO DO BRAZIL. quo um capitão e outro fossem fazer esto soecorro indo por cabeça principal o capitão Diogo Flores de Baldez. com Frucluoso Barboza. e pelo caminho lhe matou o gantio alguma gente que lhe ficou atraz. que o general desembarcou a pé enxuto sem lh'o poderem impedir. que se amassou tão mal com Frucluoso Barboza. que se chamava Francisco Castrejon. pois n'aque!le porto eslava o general Diogo Flores. o qual soffreu mal o capitão Francisco Castrejon. e se tomaram a apoderar d'este forte. que foi forçado deixal-o n'esle forte só e ir-se para Pernambuco. com a qual ancorou fora da barra o não entrou dentro com mais que com a sua fragata e uma náo das do Diogo Vaz da Veiga. era a qual o mesmo Diogo Vaz ia. a favorecerem com gente o inanlimeutos. como foram mulheres c outra gente fraca. passando-se porterraá capitania de Tamaracá que é d'ahi dezoito léguas. a qual gente foi por torra o o general por mar com esta armada. com aquella armada. e todos juntos ordenaram um forte deterrae faxina onde se recolheram. mas. Em os Francezes vendo esta armada puzeram fogo ás suas náos e lançaram-se com o gentio. 2ft El-Rei e do bem commum. o qual chegou a Pernambuco com a armada toda junta. desamparou este forte e o largou aos contrários. como o fizeram. não o querendo conhecer por governador. de quo era capitão Pedro Corrêa de Lacerda. sabendo os moradores de Pernambuco este destroço. de onde se queixou a Sua Magestade para que provesse sobre o caso como lhe parecesse mais seu serviço. e chegou a gente de Pernambuco e Tamaracá por terra com muitos escravos. e Diogo Vaz da Veiga com duas náos portuguesas da armada em quo do reino fora o governador. mas que. o qual . apertado dos trabalhos. com que veio o ouvidor geral Marlim Leilão o o provedor mor Marlim Carvalho para em Pernambuco. no qual Diogo Flores deixou cento e tantos homens das seus soldados com um capitão para os caudilhar. e com todos os baleis das outras náos. com o qual fizeram mostras de quererem impedir a desembarcarão. das quaes vinha por capitão para o reino.

que são seus contrários e se faziam cruelissima guerra uns aos outros. que se segue. á uma por tirar esta ladroeira dos Francezes d'elle. que visinham com elles pela parte do sertão. que tanto mal tem feito aos moradores das capitanias de Pernambuco e Tamaracá e á gente dos navios que se perderam pela costa da Parahiba até o rio do Maranhão. e se fazem ainda agora pela banda do sertão onde agora vivem os Caytés. á outra por se povoar. e se ajudam uns aos outros contra os Tabajàras. onde se acaba o limite por onde reside o gentio Pitagoar. tem os mesmos costumes e gentilidades. como todo o outro gentio. como convém. pois é a terra capaz para isso. onde se podem fazer muitos engenhos de assucar.30 GABRIEL SOARES DE SOUZA. antes que saiamos do seu limite. que é gente mais domestica. baços de cõr. Este gentio é de má estatura. e outros se tornaráõ a reformar que elles queimavam e destruíram. faliam a lingua dos Tupinambás e Caytés. e se veio viver á borda da água para ajudar a favorecer este forte. o que declaramos ao diante . a quem se ajuntou uma aldêa de gentio Tupinambá. Não é bem quo passemos já do rio da Parahiba. Dos quaes Pitagoares é bem que façamos este capitulo. Este rio da Parahiba ó mui necessário fortificar-se. Que trata da vida e costumes do gentio Pitagoar. porque em elles nascendo os arrancam logo. com quem estão ás vezes de guerra e ás vezes de paz. onde confinaram antigamente com outro gentio. e pela banda do Rio Grande são fronteiros dos Tapuias. Costumam estes Pitagoares não perdoarem a nenhum dos contrários que captivam. ficam seguros os engenhos da capitania de Tamaracá e alguns da de Pernambuco que não lavram com temor dos Pitagoares. E povoado este rio. porque os matam e comem logo. não deixam crescer nenhuns cabellos no corpo senão os da cabeça. munições e mantimentos necessários. que chamam os Caytés. CAPITULO XIII. Sua Magestade tem agora soccorrido com gente. Este gentio senhorêa esta costa do Rio Grande até o da Parahiba. que se apartou dos Pitagoares.

e amigo dos Francezes. Domingos. cuja terra é toda chàa. D'este rio ao da Abionabiajá sâo duas léguas. comem o bebem pela ordem dos Tupinambás. Cantam. Sao grandes pescadores de linha. e d'aqui entravam para dentro. CAPITULO XIV. Em que se declara a costa do rio da Parahiba até Tamaracá . bailam. cuja terra é alagadiça quasi toda. a são caçadores bons e laes flecheiros que não erram ílochnda que atirem. onde se fizeram mais se não foram os Pitagoares que vem correndo a terra por cima e assolando tudo. De Capivarimirim a Tamaracá são seis léguas e eslá cm sete gráos e 1/3. Até aqui. ao rio de Jagoaripesão duas léguas. Tamaraquá é uma ilha ds duas léguas onde eslá a caberá d'esta capitania e a villa de Nossa Senhora da Conceição. Este gentio o muito bellicoso. Do rio de Jagoaripe ao da Araroama são duas léguas. e quem foi o seu primeiro capitão. o qual está em altura de seis grãos e meio. e mais. como já lica dito. no titulo dos Tupiiiamhás. de que estão sempre mui providos. tem o rio de Tamaracá umas barreiras vermelhas na ponta da barra. e a outra . e quem houver de entrar por ella dentro ponha-se nordeste sudoeste com as barreiras e entrará a barra á vontade. assim no mar como nos rios de água doce. e d'ahi para dentro o rio ensinará por onde hiode ir. Por esta barra entram navios de cem toneis. em o quol entram barcos. Do redor d'csta ilha entram no salgado cinco ribeiras em três das quaes estão três engenhos.ROTEIRO «O BRAZIL. a qual fica da banda do sul da ilha. guerreiro ealraiçoado. que se diz também o rio de S. onde se declarara mi tida mente sua vida e costumes. D'este rio ao da Capivarimirim são seis léguas. e industriado dVlles inimigos dos Poriuguozes. onde entram caravellões dos que navegam entre a terra e o arrecife. a quero faz sompro boa companhia . Do rio da Parahiba. e entre um rio e outro ancoravam os tempos passados náos francezes. Sío grandes lavradores dos seus mantimentos. o qual está em altura de sete gráos. que équasi o gorai de lodo o gentio da costa do Brazil.

de quem foi por vezes cercado e offendido. a qual villa será de duzentos visinhos pouco mais ou menos. e em pessoa foi povoar esta capitania com moradores que para isso levou do porto de Lisboa de onde partiu. defronte da boca do arrecife. a qual está em altura de oito gráos. fica o Rio Morto pelo qual entram até acima navios de cem toneis até duzentos. em cujo termo ha Ires engenhos de assucar muito bons. Que declara a costa do rio de Igaruçu até Perriambucfi. onde convém que os navios estejam bem amarrados. porque trabalham aqui muito por andar n'este porto sempre o mar de levadio: por esta boca . por Pero Lopes de Sousa não tomar as cincoenta léguas de costa que lhe fez mercê S. andou por esta costa com armada á sua custa. aonde se extrema esta capitania da de Pernambuco. onde chamam Santo Amaro. João III de Portugal mercê a Pero Lopes de Sousa. no que gastou alguns annos e muitos mil cruzados com muitos trabalhos e perigos em que sé viu assim no mar pelejando com algumas náos francezas que encontrava (do que os Francezes nunca sahiram bem). todas juntas. N'este porto de Olinda se entra pela boca de um arrecife de pedra ao susudoéste e depois norte sul. pela qual se sefvem caravellões da costa. o qual» sendo mancebo. como em terra em brigas que com elles teve de mistura com os Pitagoares. que foi um fidalgo muito honrado. até que os fez affastar d'esta ilha de Tamaracá e visinhança d'ella: e esta capitania não tem de costa mais de vinte e cinco ou trinta léguas. mas tomou aqui a metade e a outra demazia junto á capitania de S. e. À. Vicente. barra da banda do norte se entra ao suéste. entrando para dentro ao longo do arrecife. Do rio de Tgaruçu ao porto da villa de Olinda são quatro léguas. tomam meia carga em cima e acabam de carregar onde chamam o Poço.3fê GABRIEL SOARES DK SOUZA. d'esta capitania fez El-Rei D. CAPITULO X V . De Tamaraquá ao rio de Igarosu são duas léguas. A villa de Cosmos está junto ao rio de Igaruçu que é marco entre a capitania de Tamaracá e a de Pernambuco.

N'este logar vivem alguns pescadores e ofliciaes da ribeira. e entre ella e elle se navega com barcos pequenos quem vem do mar em fora. A. com caravellòes o barcos. que lhe fizesse mercê de uma capitania n'esta costa. A villa de Olinda é cabeça da capitania de Pernambuco. Depois que Duarte Coelho veio da índia a Portugal a buscar satisfação de seus serviços. CAPITULO XVI. que logo lhe concedeu. e d'esta ponta da aréa da banda de dentro se navega esto rio até o varadouro. abalisando-hYa da boca do rio de S. por onde podem entrar barcos pequenos estando o mar bonançoso: d'esta Barreta por diante corre este arrecife ao longo da terra duas léguas. edo varadouro para cima se navega com barcos de navios obra de meia légua. que está ao pó da villa. de cujo esforço e cavallaria escusaremos tratar aqui em particular por não escurecer o muito que d'elie dizem os livros da índia. onde se faz aguada fresca para as náos da ribeira que vem do engenho de Jeronymo de Albuquerque: lambem so mettem n'este rio outras ribeiras por onde vão os barcos dos navios a buscar os assucares aos paços onde os trazem encaixados e em carros: este esteiro e limite do arrecife é muito farto de peixe de redes que por aqui pescam e do marisco: perto de uma légua da boca d'este arrecife está outro boqueirão. o estão alguns armazéns era que os mercadores agasalham os assucares e outras mercadorias. e quem foi o primeiro povoador d'ella. de cujos feitos estão cheios. . Do tamanho da villa de Olinda e da grandeza de seu termo. Francisco da banda do noroeste e correndo d'clla pela costa cincoenta léguas contra Tamaraquá que se acabam no rio de Iguaracú. e quem puzer os olhos na terra em que está situada esta villa parecerlhe-ha que é o cabo de Santo Agostinho por ser muito semelhante a elle. a qual povoou Duarte Coelho. 83 entra o salgado pela terra dentro uma légua ao pé da villa e defronte do surgidouru dos navios faz este rio outra volla deixando no meio uma ponta de arêa onde está uma ormida do Corpo Santo. que chamara a Barreta.ROTEIRO DO BRAZIL. pedio a S. que foi um fidalgo.

que quer dizer pela lingua do gentio. mas offendeu e resistio aos inimigos de maneira que os fez affastar da povoação e despejar as terras visinhas aos moradores d'ellas. em a qual trouxe sua mulher e filhos e muitos parentes de ambos. N'ostes trabalhos gastou Duarte o velho muitos mil cruzados que adquirio na índia. pór-se-bão em campo mais de três mil homens de peleja com os . que fazem tanto assucar que ostão os dízimos d'elles arrendados em dezenove mil cruzados cada anno. onde agora está a villa. onde veio com uma frota de navios que armou á sua custa. Esta villa de Olinda terá setecentos visinhos pouco mais ou msnos. mas elle com a constância de seu esforço não desistio nunca da sua pretenção. onde lhe mataram muita gente. que é muita gente. de onde depois seu filho. que é o que se chama Caité. não lhe faltaram para vir em pessoa povoar e conquistar esta sua capitania. onde muitos annos teve grandes trabalhos de guerra com o gentio e Francezes que em sua companhia andavam .3â GABRIEL SOARES DE SOUZA. e não tão somente se defendeu valorosamente. om um alto livre de padrastos. da melhor maneira que foi possível. como esta o é hoje em dia. e affastar mais de cincoenta léguas pelo sertão. que ainda agora está na praça da villa. dos quaes foi cercado muitas vezes. porque em cada um d'estes engenhos vivem vinte e trinta visinhos. pois d'ella resultou ter hoje seu filho Jorge de Albuquerque Coelho dez mil cruzados de renda. a qual despeza foi bem empregada. e outros moradores com a qual tomou este porto que se diz de Pernambuco por uma pedra que junto d'e!le está furada no mar. do mesmo nome. onde fez uma torre de pedra e cal. quando fôr necessário ajuntar-se esta gente com armas. e como a este valeroso capitão sobravam sempre espíritos para commelter grandes feitos. de maneira que. que lanlo lhe importa a sua redizima e dizima do pescado e os foros que lhe pagam os engenhos. Chegando Duarte Coelho a este porto desembarcou n'elle e fortificou-se. mal ferido e mui apertado. maltratando e captivando n'estc gentio. como já fica dito. lhe fez guerra. fora os que vivem nas roças afastados d'elles. Mar furado. que o fez despejar a costa toda. mas tem muitos mais no seu termo . dos quaes estão feitos em Pernambuco cincoenta.

em o qual entram barcos. 35 moradores da villa de Cosmos. . E parece que será tão rica o tão poderosa . o alguns de oi Io. Da ponta de Pero Cavarim ao rio de Jaboatáo é uma logua. porque por aquclla parte não ba outra serra da sua altura e feição. d'onde sahem tantos provimentos para estes reinos. Quem vem do mar em fora . verá por cima d'elle uma serra sellada . Magestade. o que se pode. CAPITULO XVII. o qual é o mais Uno quo so acha cm toda a costa. entre os quaes haverá quntroconlos homens de cavallo. Em que se declara a terra e costa que ha do porto de Olinda até o Cabo de Santo Agostinho. atalhar com pouca despeza c menos trabalho. que se devia de ler mais conta com a fortificarão dVlla e não consentir que esteja arriscada a uni corsário a saquear e destruir. Do porto de Olinda á ponta de Pero Cavarim são quatro léguas. que o tem agora novamente arrendado por tempo de dez annos por vinte mil cruzados cada anuo. a qual está quasi leste oeste com o cabo. o qual cabo está em oito gráos e meio. Esta genlo pôde trazer de suas fazendas quatro ou cinco mil escravos de Guino o muitos do gentio da terra. E para quem vem ao longo da costa bota o Cabo fora com pouco mato e em manchas. para conhecer este Cabo do Santo Agostinho. Ao socairo d'esle cabo da banda do norte podem surgir náos grandes quando cumprir.. dez mil cruzados.ROTEIRO DO nnAMi. onde tem boa abrigada. É tão poderosa esta capitania quo ha n'ells mais de com homens que tem do mil até cinco mil cruzados de renda. Do Cabo ale Pernambuco corre-se a costa norte sul. a Ilha de Santo Alcixo. e ver-lho-hão que tem da banda do sul. que é boa conhecença. Do rio de Jaboatáo ao Cabo de Santo Agoslinlio são quatro léguas. com os quaes entram cada anuo d'esta capitania quarenta e cincoenta navios carregados de assucar e páo-brazil. cinco léguas afastado dellc. e toma uma quarta de nordeste sudoeste. IVesta terra sahiram muitos homens ricos para estes reinos quo foram a ella muilo pobres. c importa tanto este páo a S.

que está duas léguas da banda do sul. Até este Cabo é a terra povoada de engenhos de assucar. N'este porto e rio das Gallinhas entram barcos da costa. onde se recolhem com tempo barcos da costa. Entre este e o rio Una se faz uma enseada muilo grande.36 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e mistura-se ao entrar do salgado com o rio de Ipojuca. Em que se declara a costa do cabo e rio do Ipojuca até o Rio ae S. D'este rio Una ao porto das Pedras são quatro léguas. o qual tem uns ilhéos na bocca. A terra que ha entre este porto e o rio de Ipojuca é todaalagadiça. que estão nos mesmos rios. Já fica dito como se mette o rio de Ipojuca com o do Cabo ao entrar no salgado. que é baixa e pequena. o qual tem na bocca uma ilha de mangues da banda do norte. o qual eslá em nove gráos. cuja fronteira é de um banco de arrecifes que tem algumas abertas por onde entram barcos da costa . da ilha de Santo Aleixo ao rio de Maracaipe são seis léguas . cuja terra é escalvada mas bem provida de caça. que tem um boqueirão por onde entram navios da costa. Do rio das Gallinhas á ilha de Santo Aleixo é uma légua. n'este rio entram e sahem caravelões do serviço dos engenhos. o qual sahe ao mar duas léguas do Cabo. em a qual ha surgidouro e abrigo para as náos. o qual está em nove gráos e meio. e está afastada da terra firma uma légua. Francisco. e por junto d'elle passa um rio que se diz do Cabo (onde também estão alguns). e mais adiante chegadas á terra tem sete ilhetas de mato. onde entram caravelões. Do Rio Formoso ao de Una são três léguas. De Maracaipe ao Rio Formoso são duas léguas. porque tanto tem de fundo. CAPITULO XVIII. E corre-se acosta doCabo de Santo Agostinho até este porto das Pedras nornordeste susudoeste. o ficam seguros de todo o tempo entre . onde podem surgir ebalraventar náos que nadem em fundo de cinco até sete braças. a qual se alaga com a maré. o qual tem um arrecife ao mar defronte de si. D'este porto ao rio Camaragipe são três léguas. agora digamos como d'ellc ao porto das Gallinhas são duas léguas.

37 os arrecifes e a terra. Francisco são seis legoas. Do Porto Novo dos Francezes ao de Sapetiba é uma legoa. mas . mas para dentro duas léguas é arresoada. que está em dez gráos. muitos homens nobres e outra muita gente. em o qual entram navios da costa. que seriam mais de cem pessoas brancas. cuja terra ao longo do mar é fraca. Pedro Fernandes Sardinha cora sua náo vinda da Bahia para Lisboa.ROTEIRO DO BRAZIL. o qual se diz da A lagoa por nascer de uma que esta afastada da costa . em a qual bem chegado a terra estão os arrecifes de D. cuja terra ao longo do mar é escalvada até o rio de Santo Antônio Merim. por se elles costumarem recolher aqui com suas náos á abrigada d'esta enseada. em a qual vinha Antônio Cardozo de Barros. Miguel são quatro léguas. uma aberta por onde os Francezes costumam a entrar com suas náos. ao qual rio rhamam os indios o porto Jaragoá. onde também se chama o Porto dos Francezes . até o rio de S. a qual escapou toda d'este naufrágio. e hiam por entre os arrecifes e a terra. afora escravos. onde estavam mui seguros. Miguel ao Porto Novo dos Francezes são duas legoas. contra o rio de S. tomar carga do páo da tinta no rio de Currurupe. e entre um e outro entra no mar o rio da Alagda . Do rio de Santo Antônio Merim ao Porto Velho dos Francezes sío ires léguas. e na ponta da barra d'elle da banda do sul tem umas barreiras vermelhas. onde também entrão caravelões . ondo elles costumam a ancorar com as suas nãos e resgatar com o gentio. do qual ao rio de Currurupe são Ires léguas. Aqui se perdeu o bispo do Brazil D. e d'aqui faziam seu resgate com o gentio. onde lambem entram caravelões da costa. D'este rio do Currurupe . provedor mór. Rodrigo. e ancoravam entre o arrecife e aterrapor ter fundo para isso. Francisco se vai armando uma enseada de duas legoas. Do rio de S. quo eslá d'ello duas léguas. e dous conegos e duas mulheres honradas e casadas. que fora do Brazil. N'esle rio de Camaragipo entram navios de honesto porte. Da ponta da barra de Currururipe. com suas lanchas. em o qual entrão navies da costa. Do Porto Velho dos Francezes ao rio deS. defronte do qual fazem os arrecifes que (vão correndo a costa).

onde sempre teve guerra cruel com os Piliguares. Francisco até o rio Parahyba. que viviam da outra parte do rio. Da banda do rio de S. corre-se a costa do rio de S. em cuja terra entravam a fazer seus saltos.38 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que comiam sem lhes perdoar. Francisco sem dizermos que gentio é este Caité. filho do meirinho da correiçãO. Francisco duas legoas da barra para cima. os despiram. Parece que não é bem que passemos adiante do rio de S. que n'este tempo senhoreava esta costa da boca d'este rio de S. e se matavam e comiam uns aos outros em vingança de seus ódios. em que cabiam dez . para execução da qual entravam muitas vezes pela terra dosPitiguares. não do gentio Caité. a que elles chamam timbós. que se d'ella faz . Francisco até o porto das Pedras nornordeste susudoeste. que fazem em Santarém . e lhes faziam muito damno. e com estes molhos atados em umas varas grossas fazião uma feição de embarcações . e toma da quarta de norte sul. a que elles chamam periperí. eram de uma palha comprida como a das esteiras de labúa. As embarcações. que tanto mal tem feito aos Portuguezes n'esta costa. Francisco até o da Parahyba: depois que estes Caités roubaram este bispo e toda esta gente de quanto salvaram . a qual vai entrar no rio de S. o que agora cabe dizer d'elles. Francisco guerreavam estes Piliguares em suas embarcações com os Tupinambás. que foram moradores na costa de Pernambuco. de que este gentio usava. e pouco a pouco os foram matando e comendo sem escapar mais que dous indios da Bahia com um porluguez que sabia a Iingoa. CAPITULO XIX. Que trata de quem são estes Caités . que são muito brandas e rijas. e amarraram a bom recado. Este gentio nos primeiros annos da conquista d'este estado do Brazil senhoreou d'esta costa da boca do rio de S. Francisco é toda alagadiça. onde captivavam muitos. A terra que ha por cima d'esta enseada até perto do rio de S. a qual palha fazem em molhos muito apertados com umas varas como vimes. cuja água se ajunta toda em uma ribeira.

o qual fez os damnos . que não matassem e comessem . e de tal feição os apertaram .iam uns a outros muito dainno. São estes Cailés mui belicosos o guerreiros. D'estes caplivos iam comendo os vencedores quando queriam fazer suas festas. donde os Tapuias lambem apertavam estes Caités. em cujo titulo se dirá muito do suas gentilidades. c deram-lhe nas costas. Confederaram-se os Tupinambás seus visinhos com os Tupinaês pelo sertão. ou c-iplivavam alguns contrários d'estes. E aconteceu por muitas vezos fazerem os Cailés d'esla palha tamanhas embarcações. e venderam d'elles aos moradores de Pernambuco e aos da Bahia infinidade de escravos a troco de qualquer cousa. que se remavam muito bem. que não quando faziam outro tanto oos Piliguares nem aos Tupinambás. que durassem mais tempo. mas mui alreiçoados e sem nenhuma fé nem verdade . que se perderam n'esta costa . Pela parte do sertão. E d'esta maneira se consumiu esle gentio. que as corriãoo sal (cavam. e ajuularam-se uns com os outros peta banda décima. e se fu/. que osfizeramdescer todos para baixo. para cujas nldêa» ordinariamente havia fronteiros. e «Vilas guerreavam com osTupinamhás ifoste rio do S. Francisco. ao que iam ordinariamente caravelões de resgate. cujos damnos Deus não permittiu. junto do mar. e os que não puderam fugir para a serra do Aqueliba não escaparam de mortos ou captivos. conluiava este gentio com os Tapuias e Tupinaês.ROTEIRO DO BRAZIL. á gente da não do bispo. tinham-no por mór honra . que vinham n'ellas ao longo da costa fazer seus saltos aos Tupinainbás junto da Bahia . que fica declarado. o se fazião cruéis guerras. e tem a vida e costumes dos Piliguares o a mesma lingoa queé em tudo como a dos Tupinambás. a Duarte Coelho. E quando os Cailés matavam. 39 adoro indios. dos quaes não escapou pessoa nenhuma. a qual Duarte Coelho de Albuquerque por sua parle acabou de desbaratar. onde os acabaram do desbaratar. que são cincoenta legoas. Este gentio é da mesma còr baça. e iodos vinham carregados d'esta gente. do qual não ha agora . e a muitos navios e caravelões . mas ordenou de os destruir d'esla maneira.

porque será escurecer tudo o que temos dito. o pai aos filhos. Francisco e seu nascimento. são grandes pescadores de linha e nadadores. a quem é necessário satisfazer com o devido. estavam alguns escravos resgatados. onde andou debaixo para cima um pedaço sem se afogar. Francisco estando n'elle algumas embarcações da Bahia resgatando com este gentio. até que de outra embarcação se lançou indio a nado por mandado de seu senhor que a foi tirar: onde a baptisaram e durou depois alguns dias. do qual se não pôde escrever aqui o que se deve dizer d'elle . em uma de um Rodrigo Martins. senão o que se lançou muito pela terra dentro. Eslá o rio de S. e não se pôde cumprir com o que está dito e promettido. que é tratar toda a costa em geral.£0 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Muito havia que dizer do rio de S. ou se misturou com seus contrários sendo seus escravos ou se aliaram por ordem de seus casamentos. Por natureza são estes Cailés grandes músicos e amigos de bailar. e d'aqui para cima é agoa doce. não havendo agoa do monte. os irmãos e parentes uns aos outros: e de maneira são cruéis. que toca a mor parte do gentio que vive na costa do Brazil. a qual enfadada de lhe chorar uma criança sua filha a lançou no rio. que a maré faz recuar outra duas legoas. Francisco em altura de dez gráose um quarto. CAPITULO XX. E como no titulo dos Tupinambás se conta por extenso a vida e costumes. A este rio chama o gentio o Pará. Francisco. se lhe coubera faze-lo n'este lugar. Que trata da grandeza do rio de S. em que entrava uma índia Caité. a qual tem na boca da barra duas legoas de largo. o qual é . que aconteceu o anno de 1571 no rio de S. E este rio contente-se por ora de se dizer d'elle em somma o que for possível n'este capitulo para com brevidade chegarmos a quem está esperando por toda a costa. por onde entra a maré com o salgado para cima duas legoas somente . e em particular da Bahia de Todos os Santos. também são mui cruéis uns para os outros para se venderem. temos que basta o que está dito até agora dos Caités.

E é tãorequestadoeste rio de todo o gentio. que o fazem espraiar muito mais que na barra. como os outros. pouco mais ou menos. que d "elle sahem furiosas e barrentas. no cabo das quaes arrebenta até onde se pôde navegar e faz seu caminho 6 . que se atavia com jóias de ouro. por onde entram navios de cincoenta toneis pelo canal do sudoeste. que pode estar da cachoeira oitenta ou noventa legoas. mais acima vivom os Tapuias do diferentes castas. Navega-se este rio com caravelões até a cachoeira . e n'este tempo se alagam a mor parte d'estas ilhas. Este genito se affirma viver á vista da Alagôa grande.ROTEIRO DO BRAZIL. Quem navega por esta costa conhece este rio quatro e cinco legoas ao mar por as aguagens. Por cima d'esta cachoeira. tão afamada e desejada de descobrir. até onde tem muitas ilhas .por onde vem escondido dez ou doze legoas. Da barra d'este rio até a primeira cachoeira ha mais de SOO ilhas. Ao longo d'esle rio vivem agora alguns Caités. e no verão cresce de dez até quinze palmos. até o sumidouro. da qual este rio nasce. que é mais fundo que o de nordeste. e tiveram uns com outras sobre os sítios grandes guorras por ser a terra muito fértil pelas suas ribeiras. de outubro por diante até janeiro. e por acharem n'cllo grandes pescarias. e por a terra d'elle ser muito fértil como já fica dito. pelo que não criam nenhum arvoredo nem mais que canas bravas. que estará da barra vinte legoas. Amoipiras. no inverno não traz este rio água do monte. E começa a vir esta água do monte. das quaes foi sempre muito povoado. de quo ha cortas informações. nem corra muito. e além d"ell. por ser muito farto de pescado e caça. se se lá fizerem. lambera se pode navegar este rio em barcos. que é (areado verão a'estas partes. de que se fazem flechas. Tupinaês. Al mui nomeado entro todas as nações. Ubirájaras e Amazonas. onde se dão mui bem Ioda a sorte de mantünentos naluraes da terra.as vive outro gentio (não tratando dos que communicam cornos Portugueses). onde este rio sahe de debaixodaterra. por onde também tem muitas ilhas. Este sumidouro se entende no lugar. de uma banda e da outra vivem Tupinambás. que é de pedra viva.

como se verá do roteiro que se fez da sua jornada. o que lhe aconteceu por não ter cabedal de gente para se fazer temer e por querer fazer esta jornada contra água. o qual trabalhou por descobrir quanto poude . Por cima d'esle sumidouro está a terra cheia de mato. mas até á barra é agoa doce. á conta da qual informação se fizeram muitas enlradas de todas as capitanias sem poder ninguém chegar ao cabo. se osfizeremlá: os Índios se servem por elle em canoas. que n'elle vivem. e d'este sumidouro paracima se pôde também navegar em barcos. mas desconcertou-se com S. o que não aconteceu a João Coelho de Souza. fazer grandes fazendas e engenhos até a cachoeira. e traz n'este tempo grande correnteza. E sendo governador d'este estado Luiz de Brito de Almeida mandou entrar por este rio acima a um Bastião Alvares. que será de três legoas de comprido. onde se perdem muitas vezes. que com pouco trabalho se pôde carregar. com este desengano e sobre esta pretenção veio Duarte Coelho a Portugal da sua capitania de Pernambuco a primeira vez. . e podem os moradores.ffê r. se trabalhou muito por se acabar de descobrir este rio. pelo não fartar das honras que pedia. sem se sentir que vai o rio por baixo. até o mar. Está capaz este rio para se perto da barra d'elle fazer uma povoação valente de uma banda e da outra para segurança dos navios da costa. e da segunda também teve desenho. por todo o gentio que n'elle viveu e por elle andou affirmar que pelo seu certão havia serras de ouro e prata. que para isso fazem. a cujas mãos foram mortos. VBRIEL SOARES DK SOUZA. e faz ficar aquella ponta de arêa e mato em ilha. A' boca da barra d'este rio corta o salgado a terra da banda do sudoeste. porque chegou acima do sumidouro mais de cem legoas. A. E quando este rio enche com água do monte não entra o salgado com a maré por elle acima. Depois que este Estado se descobriu por ordem dos reis passados. e por derradeiro veio acabar com quinze ou vinte homens entre o gentio Tupinambá. no que gastou quatro annos e um grande pedaço da fazenda d'El-Rei sem poder chegar ao sumidouro. que se dizia do Porto Seguro. em derredor da qual ha muito páo brazil. e dos que o tempo ali faz chegar.

e fora da barra acabavam de carregar com suas lanchas. Em que se declara a costa do rio de S. faz uma volla ao longo d'elle. em que acabavam de acarretar o páo que ali resgatavam com os Tupinambás. D'este rio Ubirapatiha a sete legoas está o rio de Seregipc em altura de onze gráos e dous terços. a qual tem diante de si tudo arrecifes de pedra. mas não tomavam dentro mais que rocia carga. Do rio de Guaraliha a sete legoas eslá um riacho a que chamam de Aguahoa . Tem este rio duas legoas por elle acima a terra fraca. /| '. A este rio vero o gentioTupinambá mariscar. como chega perto do salgado. por achar por aquelles arrecifes muitos polvos. CAPITULO XXI. Francisco «té o de Sergipe. com alguns boqueirões para barcos pequenos. D'este riacho de Aguaboa a uma legoa está o rio de l birapaliba .. o qual se navega pela terra dentro mais de três legoas. fazendo uma língua de terra estreita entre elle e o mar de uma legoa de comprido. onde se chama a enseada de Vazaharris. em o qual entram barcos da costa.A/H. mas d'ahi avante é muito boa para se poder povoar. lagostins e caranguejos. onde também resgatavam com os mesmos algodão e pimenta da terra. o qual. onde convém muito que se faça uma povoação. por onde vão barcos de um rio ao oulro. por onde podem entrar com bonança. assim para atalhar que não entrem ali Francezes. e faz um braço na entrada junto do arrecife. e a pescar á linha. por onde entra o salgado até entrar no rio de S. Do rio de S. Francisco ao de Guaraliha são duas legoas. o qual braço faz a ilha declarada. onde matam muito peixe. por cuja barra com baleis diante costumavam entrar os Francezes com suas náos do porte de cem toneis para baixo. que é a que vem da ponta da barra do rio de S. o no cabo dYsta legoa se melte o mar: entre um rio e outro é ludo praia de aréa. por cuja barra podem entrar barcos e caravelões da costa com a proa ao lesnorocsle. Francisco : este rio se navega pela terra dentro três legoas.ROTEIRO DO Ui. como por segurar aquella costa do gentio que vive pro . pelo cila ser . Francisco uma legoa da barra . e tem este rio na boca uma ilha.

que está afastado da barra algumas seis legoas./. e nos quo pelo mesmo respeito fogem de Pernambuco para a Bahia. porque no mais debaixo tem de fundo duas braças de baixamar. assim nos barcos. e quem quer entrar pelo boqueirão do baixio vai com a proa ao norte. a que outros chamam de Cannafistula. Francisco nornordeste susudoeste. os quaes de maravilha escapam que os não matem e comam. em que tem umas moitas verdes. e quem vem de mar em fora verá por cima d'este rio um monte mais alto que os outros. pelo qual ó a terra bem conhecida. D'este rio de Seregipo. Do qual até Seregipe faz a terra outra enseada. D'este rio de Cotigipe ao rio de Pereira. Em que se declara a costa do rioSeregipeatê o Rio Real./ t CABRIIiL SOARES DE SOUZA. no seio da qual está . A este monte chamam os indios Manhana . CAPITULO XXII. a que também chamam de Vazabarris. e no sertão d'ella tem grandes matas de páo brazil. pela barra do norte entram caravelões da costa. pela do sul podem entrar navios de oitenta toneis. Por este rio se navega três legoas. da feição de um ovo. a quatro legoas está outro rio. que quer dizer entre elles espia . qne se diz do Cotigipe. de que acima dissemos. Tem este rio á boca da barra uns bancos de aréa que botam meia legoa ao mar. o qual é muito farto de peixe e marisco. e como está dentro a loesnoroeste va demandar a ponta do sul. este rio acima. são quatro legoas. e mais para dentro tem cinco braças. cuja barra se entra lessueste e oesnoroeste. por se ver de todas as partes de muito longe E corre-se a costa d'este rio ao de S. e dentro cinco e seis braças. que tantas entra a maré por elle acima. a qual ilha faz duas barras a este rio. Tem este rio deSeregipe na barra de baixamar três braças. em meio do qual tem uma ilha. que enlram n'ella e no Rio Real no inverno com tempo. cuja boca é do meia legoa. cuja terra é sofrível para se poder povoar. e d'ella para dentro se vai ao norte . o qual todos os annos faz muito dainno. que commettem este caminho para Pernambuco fugindo á justiça. como em homens.

em que está. E para que esta costa esteja segura do gentio. Pelo sertão d'esle rio ha muito páo brazil. nornordesle susudoeste. que com pouco trabalho todo pode vir ao mar. CAPITULO WÍÍX. do que lhe prantarem. em a qual tem dous canaes. do que já El-Rei D . donde se corro a costa até Seregipe. onde se faz uma bahia de mais de uma legoa. Entra a maré por este rio acima seis ou sete lagoas. que eslá em gloria. foi informado. Magestade que mande povoar e fortificar este rio* o que se pode fazer com pouca despeza de sua fazenda . os quaes convém que venham a terreiro. e tem muito marisco. de que já falíamos. em a qual ha grandes pescarias de peixe boi. fl5 o rio de Cotigipe. Sebastião. E comecemos na altura. Parece que quem tem tamanho nome como o Rio Real. porque tem dous mares em flor: da barra para dentro tem o rio muito fundo. estando com as batizas necessárias. Do rio de Pereira a duas legoas está a ponta do Rio Real. em a qual se podem fazer engenhos de assacar. Que trata do Rio Real e seus merecimentos. para se poder carregar para estes reinos. eos Francezes desenganados de não poderem vir resgatar com elle entre a Bahia e Pernambuco. que são doze grãos escaços: a barra d'este rio terá de ponta a ponta meia legoa. convém ao serviço de S. para que cheguem á noticia de todos.ROTEIRO DO BEAZIL. que n'este tempo gover- . e de toda a outra sorte de pescado. e mandou mui afincadamente a Luiz de Brito. e divide-se em ires ou quatro esteiros onde se vero metter outras ribeiras de agoa doce. que deve de ter merecimentos capazes d'elle. e pela barra do sudoeste podem entrar navios de sessenta toneis. onde os naviostemgrande a brigada com todos tempos. Até onde chega o salgado. por se darem n'ella as canas muito bem. é aterrafraca e pouca d'ella servirá de mais que de criações de gado: mas d'ondo se acaba a maré para cima é a terra muito boa e capaz para dar todas as novidades. por onde entram navios da costa de quarenta toneladas. a que muitos chamam do nonio da enseada.

A. onde o mesmo governador foi em pessoa com a força da gente que havia na Bahia. e longe da terra boa . de cujo sitio elle e toda a companhia se descontentaram: e com razão. quando foi dar guerra ao gentio d'aquella parte. o que fez pelo lio acima ires legoas . cuja terra ao longo d'ella é muita fraca. que não buliu n'este negocio pelos respeitos. os quaes principaes do genlio foram mortos. A boca d'este rio é muito suja de pedras. para se aqui declararem. por se entender ser necessário fazer-se uma casa forte á custa de S. que lhe pudesse responder com as novidades costumadas. que não são sabidos.. porque eslava longe do mar para se valerem da fartura d'elle. mandando a isso Garcia d'Ávila . até o rio de Itapocurú. e sueceder-lhe Lourenço da Veiga . o qual passou por esta nova povoação. CAPITULO X X I V . que é um dos principaes moradores da Bahia. sem de um rio a outro haver na costa por onde entre um barquinho . Do rio Real ao de Itapocurú são quatro legoas. com muitos hemens das ilhas e da terra. mas podem-se quebrar umas pontas de baixamar de . sem lhe custar a vida a mais que a dous escravos. como se não deu n'aquellas partes. E quando se o governador recolheu. que ordenasse com muita brevidade como se povoasse este rio .tlQ GABRIEL SOARES DE SOUZA. ao qual Luiz de Brito deu tal castigo n'aquelle tempo. por que mandou destruir os mais valorosos e maiores dos corsários capitães d'aquelle gentio. para que assentassem uma povoaçâo onde parecesse melhor. no que elle metteu todo o cabedal. Donde se afastaram por temerem o gentio que por ali vivia. por tudo serem arrecifes ao longo da costa. nava este Estado. e os seus que escaparam com vida ficaram captivos. se despovoou este principio de povoação sem se tornar mais a bulir n'isso. a qual Luiz de Brito não ordenou por ser chegado o cabo do seu tempo. que nunca houve n'aquella costa. Em que se declara a terra que ha do rio Real. que não serve se não para criações de gado.

cincoenta ou sessenta legoas pelo sertão. se acharam pelas roças d'estes Índios. e tocado por fora nos beiços era láo salgado como so lhe dera o rocio do mar: n'esle mesmo campo afastado desta alagòa quinhentas ou seiscentas braças estava outra alagòa. pira poderem por ellu entrar caravolões da costa de meia agoa cheia por diante. a qual alagòa estava cercada de um campo todo cheio de perrexil muito mais viçoso que o que nasce ao longo do mar . e pela terra ao longo d'elle tem muita caça de toda a sorte. e para cima de peixe de agoa doce. cuja agoa era muito doce. com que lhe fique canal aberto. porque tem ribeiras que se n'elle metlem muito acommodadas para isso. Este rio perto do mar é muito farto de pescado e marisco. o qual no verão traz mais agoa que o Mondego.«r povoar. porque dá muito bem todos os manlimenlos. e dará muito bonscannaviaes deassucar. que viviam ao longo d'este rio. pelo que povoando-se este rio. uma alagòa de quinhenlas braças de comprido e cento de largo . Da boca d'esterio pira dentro faz-se uma maneira do bahia. e está povoado do gentio Tupinambá. ambas em um andar. mui grossas e mui formosas cannas do assucar. dos quaes o gentio matou muita quantidade dVlies. \J agoas vivas . e em ambas havia muitos porcos d'agoa. pouco mais ou monos. n'este mesmo tempo se achou entro este rio e o Real. e por aqui acima é a terra muito boa para so pod. e está em doze gráos : cujo nascimento é para a banda de loeste mais de cem legoas do mar.ROTEIRO DO nRAZIL. . as quaes so podem navegar com barros : o onde se mistura o salgado com agoa doco para cima dez ou doze legoas so pode também navegar com barquinhos poquenos. e o peixe que ambas tinham era da mesma sorte. onde do baixamar podem nadar náos do duzentos toneis: entra a maré por esto rio acima cinco legoas ou seis. que lhe plantam. porque quando Luiz de Brito foi dar guerra ao gentio do Rio Real. se podem fazer n'elle muitos engenhos do assucar . cuja agoa é mais salgada que a do mar.

como fica dito. e não serve se n3o para criação de gado. CAPITULO XXV. em a qual tem um capellão que lhe ministra os Sacramentos. a qual se chama de Santo Antônio . e um recolhimento onde estão sempre um padre de missa e um irmão. em o qual entram caravelões da costa com preamar : n'esta enseada tem os navios muito boa abrigada c surgidouro. nem chegar nenhum barco senão forno Itapocurú. Do rio Itapocurú a Tatuapará são oito ou nove legoas. Este Garcia d'Ávila tem toda sua fazenda em criações de vaccas e egoas. e uma igreja de Nossa Senhora. pela qual atravessam cinco rios e outras muitas ribeiras. porque toda esta costa do rio Real até Tatuapará ao longo do mar é cheia de arrecifes de pedra. cuja terra ao longo do mar é muito fresca e baixa . Tatuapará é uma enseada . que ha do Itapocurú até Tatuapará. que é um dos principaes e mais ricos moradores da cidade do Salvador. onde se mette um riacho d'este nome . que se espraiam muito. por se mctterem no mar por cima dos arrecifes sem fazerem barra por onde possa andar um barquinho. Aqui tem Garcia d'Avila. que grangeam. os quaes tem na aldêa uma formosa igreja de Santo Antônio. toda de abobada. no que os padres trabalham todo . de que não ha que tratar. mui ornada. de que se aproveitam os que andam pela costa. e terá alguns dez curraes por esta terra adiante: u os padres da companhia tem n'este direito uma aldéa de Índios forros Tupinambás. por onde não é possível lançar-se gente em terra. que vem sahir ao mar n'estas oito legoas. que doutrinam estes indios na nossa santa fé catholica. Em que se declara a terra. mas duas legoas pela terra dentro é sofrivel para mantimentos . onde haverá mais de trezentos homens de peleja: e perto d'esta aldéa tem os padres Ires curraes de vaccas.J58 GABRIEL SOARES DE SOUZA. uma povoação com grandes edifícios de casas de sua vivenda .

por onde com bonança podem entrar barcos. e do arrecife para dentro ficam seguros com todo tempo. qne ia para a índia. onde os arrecifes. onde se chama o porto de Braz Affonso . eficaremdentro dos arrecifes seguros. mas alraz uma legoa. D'este rio de Jacoipe ale o rio de Joanne são cinco legoas. Este rio de Jacoipe se passa de baixamar acima da barra uma legoa a váu . que foi forçado cortarem-lhe o mastro grande. por serem de terra baixa e fraca . CAPITULO XXVI. /|9 o possível. mas por demais. De Jacoipe a Arambepe são duas legoas. as quaes ao longo do mar estão orcupadas com curraes de gado. os quaes curraes são de Garcia d'Avila o de outras pessoas chegadas a sua casa. estando sobre amarra. e foi tanto o tempo que sobreveio. Em que se declara a terra e costa de Tatuapará Joanne. e corre-se a cosia d'aqui até o Rio Real nornordesle susudooste. podem entrar caravelões. até o rio de De Tatuapará ao rio Jacoipe são quatro legoas. onde os arrecifes fazem outra aberta.ROTIino DO RRAZIL. porque é este gentio tão bárbaro que até hoje não ha nenhum que viva como christão tanto que se apartam da conversação dos padres oito dias. e aqui com bonança ainda com trabalho. De Tatuapará até este rio não ha onde possa entrar um barco senão n'cste rio de Jacoipe. ao longo do qual tem o mesmo Garcia d*Ávila um curral de vaccas. Esta enseada do Tatuapará está em altura de doze gráos esforçados. fazem uma aberta. porque sendo esta costa ioda limpa afastada dos arrecifes foram varar por cima de uma lage não se sabendo outra . até onde são tudo arrecifes sem haver onde possa entrar um barco. que a fez ir á cacea. onde se perdeu a náo SantaClara. que vem de Tatuapará. senão onde chamam o porto de Arambepe. o que não bastou para se remediar. e os officiaes da náo desconfiados da salvação sendo meia noite deram a vella do traquete para ancorarem em terra e salvarem as vidas: o que lhe suecedeu pelo contrario.

CAPITULO XXVII.50 GABRIEL SOARES DE SOUZA. da aldeia de Santo Antônio. João. E á sombra e circuito d'estas aldeias tem quatro ou cinco curraes de vaccas ou mais. que grangeam. D'este rio até Tapoam são três legoas. mas não pôde entrar por ella nenhuma jangada por ser tudo pedra viva. e não serve ao longo do mar mais que para gado. de Pernambuco até a Bahia . três legoas do mar para o sertão. que n'ellas rezidem. a qual lage está um tiro de falcão ao mar dos arrecifes. que estes indios vão buscar. o qual dão aos padres. uma de Santo Espirito. os quaes os padres doutrinam. Em que se declara a costa do rio de Joanne até a Bahia. e até quatro legoas pela terra dentro está esle limite . e de preiamar não tem sobre si três palmos de agoa. onde se dão todos os manlimentos da terra muito bem por ser muito fresca com muitas ribeiras de agoa: n'este limite lança o mar fora todos os annos muito âmbar pelo inverno. o qual entra no mar por cima dos arrecifes. onde se esta náo fez em pedaços. tem os padres da Companhia duas aldêas de indios forros Tupinambás e de outras nações. onde tem grandes igrejas da mesma advocação e recolhimento para os padres. é a terra boa. como fica dito. E corre-se esta costa de Tatuapará até este rio de Joanne nornordeste susudoeste. com Luiz de Alter de Andrade. e para outros que muitas vezes se lá vão recrear. o qual se passa de maré vazia a váu por junto da barra . Este rio está em altura de doze gráos e dous terços. Por onde eslas aldeias estão. quando se mette no mar. e n'esta comarca. cuja terra é baixa e fraca. em as quaes teram setecentos homens de peleja pelo menos. e morreram n'este naufrágio passante de trezentos homens. como o Zezere quando se mette no Tejo. está povoada de curraes de vaccas de pessoas diversas. O rio do Joanne traz tanta agoa. Toda esla terra até o rio de Joanne. onde espraia muito. Est'outras se dizem . que ia por capitão. a qual anda ali sempre mui levantada. de que se ajudam a sustentar. três legoas do mar. e a outra de S.

quando lá estão. Francisco. por onde so conhece a entrada da Bahia. Esta terra e outra tanta além do rio do Joanne ó do concelho da cidade do Salvador. Francisco mui concertada e limpa. que é uma ribeira assim chamada. Em que se declara como Francisco Pereira Coutinho foi povoar a Bahia de todos os Santos e os trabalhos que nisso teve. esabe-lo-ha. e pira o sertão duas legoas está uma grossa fazenda de Garcia d'Avila com outra hermida de S. é a que na carta de marear se chama os Lençóes do Arêa. com uma hermida de S. que quer dizer pedra baixa: defronte. D'este rio Vermelho até a Ponta do Padrão é uma legoa. 61 c a terra d'elle orcupada com curraes de vaccas. IVesta ponta de Tapoam a duas legoas está o rio Vermelho. lêa os livros da índia. o corre-se a costa do rio de Joanne á Ponta do Padrão nornordeste sudoeste. o uma hermida muito concertada. ondo se vão recrear e convalescer das enfermidades. está uma fazenda do Sebastião Luiz. com um formoso tanque de agoa. onde os padres. e estarem barcos da costa ancorados nesta boca d'elle. dizem missa. até onde são tudo arrecifes cerrados sem entrada nenhuma. A Tapoain é «ma ponta sabida ao mar. Quem quizer saber quem foi Fraricisco Pereira Coutinho. a que o genlio chama d'este nome.R0TBIR0 DO BRAZIL. N'este rio Vermelho pode desembarcar gente com bonança. Esta ponta. d'esta ponta em um alto. não sendo travessia na costa nem ventos mareiros: até aqui está toda a terra ao longe do mar orcupada com criações do gado vaceum. com uma pedra no cabo cercada d'clle. em a qual tem umas casas de refrigerio. onde lhe coube por sorte a capitania da Bahia de todos os . E pela terra dentro duas legoas tem os padres da Companhia uma grossa fazenda com dous curraes de vaccas. CAPITULO XXVIII. e levam a folgar os governadores: ondo tem um jardim muilo fresco. que se aqui vem metter no mar . e verão seu grande valor e heróicos feitos dignos de differcnte descanço do que teve na conquista do Brazil.

E vendo este capitão sua gente . com a qual partiu do porto de Lisboa. quando o espedaçavam e comiam. toraando-lhe a água e mais mantimentos. tão determinada. porque lhe cercaram a villa e fortaleza. e para o sertão de toda a terra que couber na demarcação d'este Estado. no qual tempo os moradores fizeram suas roças e lavouras. onde esteve de paz com o gentio os primeiros annos. e nos engenhos quando deram n'elles» Poz este alevantamanto a Francisco Pereira em grande aperto. que estava com Francisco Pereira. E com bom vento fez sua viagem ató entrar na Bahia e desembarcou da ponta do Padrão d'ella para dentro. que já era mui pouca. ordenou de a pôr em salvo e passou-se por . que estiveram n'estes trabalhos. que ainda não acabavam de matar um homem. pelas quaes mataram muitos homens. pela primeira vez. E como este esforçado capitão tinha animo incansável não receou de ir povoar a sua capitania em pessoa.52 GABRIEL SOARES DE S0VZA. ora com tregoas sete ou oito annos. João III. e fortificou-se. dous engenhos de assucar. que se alevantou. os quaes n'este tempo lhe vinham por mar da capitania dos Ilheos. se determinou com elle apertando-o que ordenasse de os pôr em salvo. com o que a gente. de gloriosa memória tez mercê. com grande risco dos cercados. da terra que ha da Ponta do Padrão ató o rio de S. desesperada de poder resistir tantos annos a tamanha e tão apertada guerra . em o qual sitio fez uma povoação e fortaleza sobre o mar. que embarcou em uma armada. Francisco ao longo do mar. de que lhe El-Rei D. doenças e mil infortúnios . e destruiu todas as roças e fazendas. e lhe faz merco da terra da Bahia com seus recôncavos. ora cercados. Santos. entes que se acabasse de consumir em poder de inimigos tão cruéis. nos quaes passaram grandes fomes. com o que se ia apouquentando muito: onde mataram um seufilhobastardo e alguns parentes e outros homens de nome. que depois foram queimados pelo gentio . onde agora chamam a Villa Velha. D'esta povoação para dentro fizeram uns homens poderosos. a quem este gentio Tupinambá matava gente cada dia. e fez-se prestes com muitos moradores casados e outros solteiros. que fez á sua custa . que com elle foram. os quaes iam buscar da villa as embarcações .

e far-lfae-faemos seu offieio da melhor maneira que soubermos. D'esla maneira acabou ás mãos dos Tupinambás o esforçado eavalleiro Francisco Pereira Coutinho. porque lhe não eabe n este lugar dizer mais. que lhes elles davam a troco de mantimentos. o qual recado foi dVHe festejado. e o que tinha em Portugal. CAPITULO XXIX. pois ásua conta se fez outro memorial. de que pegaremos como acabarmos de correr a costa. que viviam u'esla ilha. para no seu se dizer o promettido. Em que se torna a correr a costa e explicar a terra a"elta da ponta éo Padrão até o rio de Camamú. em que vinha Diogo Alvares de alcunha o Caramurú. que o lançou sobre os baixos da ilha de Taparica. com o que deixou sua mulher e filhos postos no hospital. que como so foram os Porluguezes lhe ia faltando o sresgalos. Não tratamos da Bahia mais particularmente per ora. para a capitania dos llbeos: do que se espantou o gentio muito . 53 mar com dia em uns caravelões que tinha. e embarcou-se logo com alguma gente em um csravelao que tinha. e partiu-se para Bahia. o qual náo somente gastou a vida n'esta preteaçfo. e foi rendido d'estes bárbaros. E tornando á Ponta do Padrào d'ella.BOTBIRO DO BRAZIL. que está em altura de treze . os quaes se «juntaram. mas náo das mãos dos Tupinambás . e outro. e á trairão mataram a Francisco Pereira e a gente do seu caravelão. mas quanto em muitos annos ganhou na índia com tantas lançadas e espingardadas. onde deu á costa . cujo esforço não poderem render os Rumes e Malabares da índia. ordenaram do mandar chamar Francisco Pereira mandando-lhe promeller toda a paz e boa amizade. grande lingua do gentio. com boa linguagem. e arrependido da ruim visinlianra que lhe tinha feito. salvou-se a gente toda d'este naufrágio . movido também de seu interesso» vendo. e querendo entrar pela barra dentro lhe sobreveio muilo vento e tormentoso. do que escapou Diogo Alvares com os seus.

que lhe destruíram as fazendas e mataram muitos escravos. os quaes padres a começaram a povoar. que despejaram a terra firme com medo dos Aimorés. Da barra d'este rio para dentro tem uma formosa bahia com muitas ribeiras que se n'ella mettem. e quem quizer entrar d'esta Ponta para dentro pôde ir bem chegado ao morro. o qual se navega do salgado para cima cinco ou seis léguas até á cachoeira. e tem bom canal para poderem entrar n'elle náos grandes. o qual está em quatorze gráos. N'esta ilha de Tinharé junto do morro esteve a primeira povoação da capitania dos Ilhéos. a qual ponta está em treze gráos e meio. e achará fundo de cinco e seis braças. a cuja abrigada ancoram náos de todo o porte. a qual e a de Tinharé estam povoadas de Portuguezes. Paulo na ilha deTinharó são nove ou dez léguas. . Paulo.5/t GABRIEL SOARES DE SOUZA. De Tinharé á ilha de Boipeba são quatro léguas . esta ilha possuem os padres da companhia do collegio da Bahia. E corre-se a costa d'esta ilha ao Camamú norte sul pouco mais ou menos. onde se podem fazer muitos engenhos. porque pelo sertão se pôde navegar. De Boipeba ao TÍO de Camamú são três léguas. mas todos despejaram por mandado dos Aimorés que lhes deram tal trato que os fez passar d'alli para as ilhas de Boipeba e Tinharé. gráos esforçados: dizemos que d'esta Ponta á do morro de S. a qual ilha está tão chegada á terra firme que no mais estreito não ha mais canal que de um tiro de espingarda de terra a terra. as quaes hão de entrar chegadas á ponta da banda do sul. Faz esta ilha de Tinharé da banda do sul um morro escalvado. onde tem seis e sete braças de fundo. Tem este rio de Camamú uma bocca grande e n'ella uma ilha pequena perto da ponta da banda do norte. que se diz de S. porque traz sempre muita água: cuja terra com dez léguas de costa possuem os padres da Companhia por lhe fazer d'ella doação Mem de Sá. que lhe impede não se navegar muitas léguas. d'onde despovoaram logo por não contentar a terra aos primeiros povoadores. Este rio é muito grande e notável e vem de muito longe. e corre-se com a Ponta do Padrão nordeste sudoeste. e alguns outros moradores.

c para se conhecer . os quaes se passam a váo ao longo do mar. cuja cosia se corre norte sul. em o qual se meltem muitas ribeiras que o fazem caudaloso. pela qual e nlram navios de honesto porte. e delia para cima se pode lambem navegar. Tem este rio das Contas. D'este rio das Contas a duas léguas está oulro rio que se chama Amemoão. e d'elle a uma légua está oulro rio que se cliama Japarapc. Esto rio de Camamú eslá em altura de quatorze gráos. o delle ao das Contas são seis léguas. sobro a bocca uns campinhos descuberlos do mallo. para o conhecer quem vem de mar em fora. f>5 CAPITULO XXX. DeJaparape ao rio de Taype são ires léguas. e traz roais água sempre que o Tejo. e tem muitas ribeiras para engenhos que se vem mctler n'este rio (os quaes se deixam de fazer por respeito dos Aimorés. Jorge. E é muilo farlo de pescado e marisco e de muita caça. que é o dos llhéos. Este rio vem de muito longe. porque tem fundo e canal para isso bem chegado a esta |iedra. e ao mar uma pedra como ilhéo quo está na mesma bocca. cujo nascimento é de uma alagòa que tem em si duas ilhas. cuja terra é grossa o boa. a qual terra é toda boa e está muita d'ella aproveitada com engenhos de assucar. pelo que não está povoado) o qual eslá em quatorze gráos e um quarto. este rio de Taype vem de muito longe. ainda quo eslam mui apertados com esla praga dos Aimorés. Em que se declara a terra que ha do rio de Camamú até os llhéos. que lambem eslam despovoados. De Taype ao rio de S. por ter fundo para isso. a que os Indios chamam Jussiape. junto do qual engenho está uma alagòa grande de água doce em que se tomam muitas arraias c outro peixe do mar e muitos peixes bois. Da alagòa para baixo e perto do mar tem outra ilha e um engenho mui possante de Luiz Alvares de Espenha. cousa que faz grande espante por se não achar peixe do mar em nenhumas alagòas. o qual se navega da barra para dentro sete ou oito léguas até á cachoeira. são duas léguas.ROTRIRO DO BRAZIL.

e o rio tem grandes pescarias e muito marisco. João o 3. e fez sua viagem para esta costa do Brazil. do qual sitio se não satisfez. e corre-se a costa d'elle ao rio das Contas norte sul. onde os navios estam seguros com todo o tempo e também estam á sombra do Ilhéo grande. experimentado e prudente. e entre a terra e o Ilhéo grande ha bom surgidouro. a qual se começa da ponta da Bahia do Salvador da banda do sul. cuja terra é muita fértil e grossa e de muita caça.° repartiu parte da terra da costa do Brazil em capitanias. E como foi bem visto e descuberto do rio dos llhéos. a barra dos llhéos ha se de vir correndo a costa á vista da praia para se poderem ver os llhéos. e Braz Fragoso sendo ouvidor geral e provedor mór do Brazil) e vai correndo ao longo da costa cincoenta léguas. que assim se cha- . Em que se contém como se começou de povoar a capitania dos llhéos por ordem de Jorge de Figueiredo Corrêa. escrivão da sua fazenda. o qual está em altura de quinze gráos escassos. e três. fez mercê de umad'ellas. Este rio tem alguns braços que se navegam com caravelões e barcas para serviço dos engenhos que tem. com cincoenta léguas de costa. e foi ancorar e desembarcar no porto de Tinharé. E como Jorge de Figueiredo por respeito de seu cargo não podia ir povoar esta sua capitania em pessoa. e começou a povoar em cima no morro de S. ordenou de o mandar fazer por outrem. para o que fez prestes á custa de sua fazenda uma frota de navios com muitos moradores providos do necessário para a nova povoação. E mandou por seu logo-tenente a um Castelhano muito esforçado.56 GARRIEL SOARES DE SOUZA. porque são pequenos. Quando el-rei D. que se chamava Francisco Romeiro: o qual partiu do porto de Lisboa com sua frota. a Jorge de Figueiredo Corrêa. CAPITULO XXXI. e os navios que houverem de entrar no rio vão pelo canal que está norte sul como o Ilhéo grande. Paulo. que se entende da ilha de Tinharé (como está julgado por sentença que sobre este caso deu Mem de Sá sendo governador.

cm a qual nos primeiros annos leve muitos trabalhos de guerra cora o gentio.ROTBÍRO DO « H t m . segundo fica dito. o teve quatrocentos ou quinhentos visinhos. e fez-lhe tal companhia que com seu favor foi a capitania em grande crescimento. ondo homens ricos de Lisboa mandaram fazer engenhos de assucar. Esta villa foi muito abastada c rica. os quaes a despovoaram com medo d'estes brutos. Em que se declara quem são os Aimorés. filho segundo de Jorge de Figueiredo. A. onde agora eslá . em a qual está um mosteiro dos padresda Companhia. ê sua vida e costumes. Jorge. que estam junto dos engenhos de Henrique Luiz . fez pazes cora elles. Magestade com muita instância lhe não valer. porque em indo os escravos ou homens ao campo náo escapam a estes alarves. CAPITULO XXXII. de S. cuja costa era povoada dos Tupiniquins. com medo dos quaes fogo a gente dos llhéos para a Bahia. e outro que se agora cimoça. 57 ma criei t|ne tem defronte da barra. «ronde a capitania tomou o nome^ se passou com toda a gente para este rio. gente melhor «condicionada quo o outro gentio. vendeu a Lucas Giraldos. a qual se despovoara dte lodo se S. c se foram viver ao sertão. . nem ha morador que ouse plantar cannas. e estes náo fazem assucar. as quaes tem já muito pouca gente. e tem a terra quasi despovoada. com que se a torra ennobreceu muito. mm como eram Tupiniquins. a qual capitania Jcrouyrao de Alarcão. o não tem nenhuma fortificarão neta medo para se defender de quem a quizer afrontar. que lanlo damno tem feito a esta capitania dos llhéos. que n ella roetteu grande cabedal cora que a engrandeceu de maneira que veio a ter oito ou nove engenhos. Parece razão que não passemos avante sem declarar que gentio é este a quem chamam Aimorés. Bento. cora licença do S. Mas deu n'esia terra esta praga dos Aimorés do feição quo não ha ahi já mdis que seis engenhos. onde se fortificou e assentou a villa deS. dos quaes Tupiniquins não ha já n'csta capitania senão duas aldêas.

quanto os cobre. dos quaes nostemposd'atrás se ausentaram certos casaes. porque os arrancam todos. andam sempre de uma parte para a outra pelos campos e matos. mas são de maiores corpos e mais robustos e forçosos. Começou este gentio a sahir ao mar no rio das Caravellas junto de Porto Seguro. assentando-se em cocras. não pelejam com ninguém de rosto a rosto. e d'ahi veio a dar assaltos perto de Tinharé. como Vasconço. e não se lhe achou atégora outro rastro de gazalhado. nem plantar alguns mantimentos. e alguns se tomaram já vivos em Porto Seguro e nos llhéos. E são estes Aimorés tão selvagens que dos outros bárbaros são havidos por mais que bárbaros. pelejam com arcos e flechas muito grandes. a sua falia é rouca da voz. e não se poderá escrever. não tem barbas nem mais cabellos no corpo que os da cabeça. como o outro gentio. Este gentio tem a côr do outro. onde residiram muitos annos sem verem outra gente. nem saiba. e não descem á praia senão quando vem dar assaltos. e se lhes chove arrimam-se ao pé de uma arvore. nem desse com ellas pelos matos até hoje. nem ha quem lh'as visse. são mui ligeiros á maravilha e grandes corredores. Não vivem estes bárbaros em aldèas. Não costumam estes alarves fazer roças. onde engenham as folhas por cima. a qual comem crua ou mal assada. e foram-se para umas serras mui ásperas fugindo a um desbarate em que os puzeram seus contrários. efizeramoutra nova que se não entende de nenhuma outra nação do gentio de todo este estado do Brazil. Vivem estes bárbaros de saltear toda a sorte de gentio que encontram. dão assaltos pelas roças e caminhos por onde . Descendem estes Aimorés de outros gentios a que chamam Tapuias. e são tamanhos frecheiros que não erram nunca tiro. nem casas. e corre estes matos e praias até o rio de Camamú. dormem no chão sobre folhas. quando tem fogo. mantem-se dos fruetos silvestres e da caça que matam. toda a sua briga é atraiçoada. e tosquiam-se com umas cannas que cortam muito. machos e fêmeas todos andam tosquiados. eosque destes descenderam vieram a perder a linguagem. que se deixaram morrer de bravos sem quererem comer.58 GAERIEL SOARES DE S0-UZA. e nunca se viram juntos mais que vinte até trintafrexeiros. a qual arrancam da garganta com muita força.

e não atravessa ninguém por elle senão com muito risco de sua pessoa. onde se elles não atrevem a entrar: mas andamnos esperando que saiam á terra até á noite que se recolhem. e com estes muitos homens e muitos mais escravos. Estos bárbaros não sabem nadar. o que não tem o outro gentio que a não come senão ' por vingança de suas brigas e antigüidade de seus ódios. e dam-lbe uas costas empregando suas flexadas á vontade. esperando o outro gentio e toda a sorte de creatura em ciladas detrás das arvores cada um per si. mas como vem a gente desmandada fazem parada e buscara aonde fiquem escondidos até que passem os que seguem. que esla praga persegue estes duas capitanias. cujos engenhos não lavram assucar por lhe terem morto todos os escravos e gente d olles. Costumam-se ordinariamente cartearem-se os moradores da Bahia com os dos llhéos. e cada um trabalha por se por em salvo. e são estes salteadores tamanhos corredores que lhes não escapava ninguém por pés. e os que escaparam das suas mãos lhe tomaram tamanho medo que em se dizendo « Aimorés » despejam as fazendas. e se lhe fazem rosto logo fogem cada um para sua parto. e se senão busca algum remédio para destruírem estes alarves elles destruirão as fazendas de Bahia. onde tem mortos. salvo os que se Ibe mettiam no mar. e a das mais fazendas. e determinaram-se de virem vigiar estas praias e esperar a gente que por ellas passava. para onde vão caminhando de seu vagar. não foi possível saber mais . e qualquer rio que se não passa a váu basta para defeosfo d"elles. 50 andam. o que também fazem os homens brancos. pelo que este caminho está vedado. mas para o passarem vão buscar o váu muitas léguas pelo rio acima. e atravessavam os homens este caminho ao longo da praia como lhe oonvinha sem haver perigo nenhum. o que estes Aimorés vieram a sentir. d*onde nfo erram tiro. e todas as suas flexas empregara. E como elles são tão esquivo* inimigos de lodo o gênero humano. A capitania de Porto Seguro e a dos llhéos estam destruídas e quasi despovoadas com o temor d'estes bárbaros. mais de trezentos homens Porluguezes e de três mil escravos. dos quaes tem morto estes alarves de vinte o cinco annos a esta parte.ROTEIRO DO RRAZIL. Comera estes selvagens carne humana por mantimeuto.

o qual cavacam com qualquer ferramenta. e a terra por dentro baixa ao longo domar. e tem na bocca três moitas de mato que do mar parecem ilhas. por onde é muito bom de conhecer. costa começando dos llhéos por diante. com certos companheiros entrou pelo sertão . Sebastião Fernandes Tourinbo. e em nenhum d'elles podem entrar barcos. n'este rio será uma povoação muito proveitosa por ser muito grande e ter grandes pescarias e muito marisco e caça . e o que está dito pôde bastar por ora : e tornemos a pegar da. D'este rio a cineo léguas está outro rio que se chama Patipe. Em que se declara a costa do rio dos llhéos até o Rio Grande. os quaes entram n'este rio se querem. pelo qual vieram abaixo alguns homens dos que foram á serra das esmeraldas com Antônio Dias Adorno.60 GABRIEL SOAUES DE SOUZA- de sua vida e costumes. e d'ahi por diante três. os quaes vieram em suas embarcações a que chamam canoas. onde andou alguns mezes á ventura sem saber por onde caminhava. e ha d'cslas arvores algumas tamanhas que fazem d'ellas canoas que levam de vinle pessoas para cima. por não terem barra para isso. morador em Porto Seguro. onde se darão todos os manlimenlos que lho plantarem . que tem a casca muito dura e o mais muito molo. do qual a duas léguas está o rio Cururupe. euja terra é muito boa. CAPITULO XXXIII. quatro e cinco braças. e corre-se a costa d'este Rio Grande ao dos llhéos norte sul. D'este rio ao Rio Grande são sete léguas. Este rio se navega por elle acima em barcos oito ou dez léguas. de maneiraquelhe deitam todoomiolo fora. Na ponta da barra da banda do norte da parte de fora tem bom abrigo para ancorarem navios da costa. o qual está em quinze gráos emeio. Para satisfazermos com o promeltido convém quo digamos que terra corre do rio de S. eficasomente a casea. depois uma. cuja costa ó de praia e limpa. Jorge dos llhéos por diante. Este rio vem de muito longe o traz sempre muita água e grande correnteza. c melleu-se tanlo pela . que são de um páo. em cujo canal na barra tem duas braças.

E depois que entraram n'elle navegaram nas suas canoas por elle abaixo vinte e quatro dias. o foram por elle abaixo com o rosto ao norte vinte e oito dias cm canoas. e a partes tom poços que tem seis e selo braças. Do Rio Grande ao seu Braço são duas legoas. o outro da banda do loeste. pouco mais ou menos um sumidouro. um da banda do leste. pelo qual Braço entram caravelões. cm os quaes chegaram so mar. e chegando no campo grande acharam alagoas. que so chama Razo-Aguipo. deram em algumas serras de pedra.v- . meia legoa da barra para cima.TKIRO DO RRAtlt. que se mediam n'cste Rio Grande: e indo com rosto ao noroeste. quo rabo sobre o Rio de Janeiro. que será etn meio caminho da mar. Este rio tem grande correnteza. e do Boiquisapo á ponta dos baixos de Santo Antônio são quatro legoas . e entram n'elle dous rios. achou no sertão d'eslo rio. com os quaes se vem meiler este rio RazoAguipa no Rio Grande. rindo sempre com a proa ao loeste. vinte ilhas afastadas uma da outra uma legoa. o quo suburam pela altura do sol. que vai por baixo da terra mais de ama legoa. Do Braço do Rio Grande ao rio Boiquisapo são três legoas. o mais. que se achou em direito do Rio de Janeiro. e duas e ires. que no inverno traz tanta agoa. Em que se declara a costa do Rio Grande até o de Santa Cruz. que este Sebastiflo Fornandcs sabia muito bem tomar. por ondo caminharam obra de trinta legoas. quando é no verão. c riachos. e da ponte de Santo Antônio ao seu rio é meia legoa: do rio de Sanlo Antônio ao de Sernaiibitibe são du. que alaga tudo. <>l (erra dentro. o tornando a leste alguns dias deram em uma aldeia do Tupiniquins junto de um rio. em as quaes andaram oitenta legoas. E fazendo esta gente sua viagem.RI. CAPITULO x x x i v . no mais largo d'elle. por ondo se pode navegar em grandes embarcações: e quasi toda a terra de longo d'elle <•muito boa. e por conhecerem a serra dos Órgãos. Do sumidouro para cima tem este rio grande fundo. e acharam quarenta legoas de barra . que por elle vam entrar no mesmo Rio Grande.

a qual terra estava povoada então de Tupiquinis. onde esteve a villa de Santa Cruz. Este Rio de Santa Cruz está em désesseis gráos e meio. CAPITULO X X X V . as quaes entram com a proa a loeste. onde estará segura . e surgem em uma enseada como concha. e descobriu esta terra.(j2 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o que se ha de fazer afastado da terra duas léguas por amor dos baixos. e corre-se a costa do Rio Grande até este de Santa Cruz nordeste sudoeste. por onde pôde entrar uma náo e ir ancorar pelo canal. Em que se declara a costa e terra d'clla do Rio de Santa Cruz até o Porto Seguro. E defronte do rio de Santo Antônio tem estes arrecifes do mar um boqueirão. que se diz de S. pele qual se pôde ir buscar o porto. Francisco junlo das barreiras vermelhas.de. que senhoreavam esta costado RÍQ de Camamú até o de Cricaré. onde estão muito seguras de todo o tempo.Sernanbitibe ao de Santa Cruz são duas léguas. N'este porto de Santa Cruz entram náos da índia de todo o porte. que se faz entre um arrecife eo outro. Do Rio de Itacumirim ao de Porto Seguro é meia légua: e entre um e outro está um riacho. quando hia para a índia. Defronte do Rio de . por onde podem entrar caravelões da costa defronte do rio dè Sernanbitibe. onde esteve um engenho de assucar. e d'este rio de Santo Antônio e da sua ponta ató o rio de Sernanbitibe estão uns baixos com canal entre elles e a costa . de cuja vida e feitos diremos ao diante. Do Rio de Santa Cruz ao de Itacumirim é meia légua : onde esteve o engenho de João da Rocha. e a passaram para junto do-Rio dè Sernanbitibe . legoas. e aqui tomou posse d'ella. no mesmo arrecife do mar está outro boqueirão. N'este porto de Santa Cruz esteve Pedro Alvares Cabral. e mais ao mar ficam uns arrecifes do mesmo tamanho com canal entre uns e outros. por onde entram barcos pequenos pela ponta de Santo Antônio. pela terra ser mais sadia e acommodada para os moradores viverem. Esta villa de Santa Cruz se despovoou d'onde esteve. Do rio.

que está em ura alto. Tiago do Alto. em o qual rio entram caravelões. que faz muitos milagres. onde esteve uma villa. que foi de Manuel Rodrigues Magalhães. Do Rio de Maniape ao de Urubuguape é uma légua. onde está o engenho de GoDçalo Pires. e vai acabar de carregar em Santa Cruz. E para conhecer bem a torra. . por onde entram navios do mesmo porte: quem entrar por esta barra. que parecem. ou balliza. De Santo Amaro ao Rio de Tororam é uma légua. que é bom alvo. Entra-se este rio leste oeste com a proa n'estas barreiras vermelhas até entrardenlro do arrecife. 08 Itacumirim até o de Santa Cruz vai uma ordem de arrecifes. e antes de chegarem a elle estão as barreiras vermelhas. e junto a este engenho uma povoação. que se diz de S. De Porto Seguro á villa de Santo Amaro é uma légua. como estiver dentro d'ella. que so comoçam defronto do engenho de João da Rocha. e ficará dentro do rio. que tinham os moradores d'clla com os Aimorés. a quem vem do mar. Francisco. Deste Rio de Tororam ao de Maniape são duas léguas. e quem vem de mar em fora vá com boa vigia por amor dos baixos. onde chamam a ponta de Cururumbabo. que se desjiovoou o anno de 1564 pela grande guerra. onde eslá um pico mui alto em que está uma hermida de Nossa Senhora d'Ajuda. e como o descobrir vi andando para dentro ale chegar ao porto. Do Rio de Urubuguape ao Rio do Frade ó uma légua. N este lugar esteve em engenho. descobrirá um riacho. o faz outra ordem de arrecifes baixos mais ae mar. Da outra banda dos baixos e contra o sul está outra barra. que se diz de S. e como estiver dentro vá com a proa ao sul. onde entram barcos: e chama-se do Frade por so n'elle afogar um nos tempos atraz. e por entre uns arrecifes. por onde entram barcos pequenos. Porto Seguro está em descssois grãos e dous terços. por onde entrara navios de sessenta toneis.ROTEIRO DO BRAZIL. onde está um engenho. olhe para ao pá da villa. e vera umas barreiras vermelhas. e se é navio grande. rochas de pedra. para por elle a conhecer. Do Rio do Frade ao de Juhuaccma são duas léguas. toma meia carga em Porto Seguro. quo tem quatro boqueirões. e os outros éa barrado Porto Seguro.

que foi um cavalleiro natural da villa de Vianna dâ foz dô Lima. mas como assentaram pazes. Não é bem que passemos mais avante sem declararmos cuja é esta capitania do Porto Seguro. e posto em grande aperto. é outra muita genle. Em que se declara. e fazendas. o qual lha fez tão cruel. e foi tomar porto no rio de Porto Seguro. que lhe fez o gentio Tupiniquim. que por isso lhe davam. Esta Leonor do . e apoz elle durou pouco. que o teve Cercado por muitas vezes. João ITI de Portugal mercê a Pedro de Campo Tourinho. o qual edificou mais a villa de Santa Cruz. que fez prestes. da qual fez El-Rei D. com â qual se partiu do porto de Vianna. cuja doação foi de cincoenta léguas de costa. no que teve nos primeiros annos muito trabalho com a guerra. onde agora está a villa cabeça d'esta capitania. a qual cm tempo de Pedro do Campo floreceu. que se chamou Leonor do Campo que nunca casou. de que já foliámos. e se fortificou no mesmo lugar. quem povoou a capitania de Porto Seguro. ficou o gentio quieto. que vivia n'aquella terra. é foi mui povoada de gente. a troco do resgate. a qual herdou uma filha do Pedro do Campo. e em seu tempo se ordenaram alguns engenhos de assucar. esforçado. com 0 que lhe malaram muita gente . prudente. e se começou fogo a desbaratar. seus parentes e amigos. e muito visto na arte do marear. e a de Santo Amaro. onde desembarcou com sua gente. em a qual se embarcou com sua mulher Ignez Fernandes Pinto efilhos. CAPITULO XXXVI. e quem foi o povoador d'ella. Para Pedro do Campo poder povoar esta capitania vendeu toda sua fazenda. homem nobre. e ordenou á sua custa uma frota de navios. Por morte de Pedro do Campo ficou esta capitania mal governada com seu filho Fernão do C Tourinho . E com bom tempo foi demandar a terra do Brazil.04 GARRIEL SOARES DH SOUZA. como as mais que ficam declaradas. e d'abi por diante ajudou aos moradores fazer suas roças. e muitos moradores casados.

N'esla capitania se não deu nunca gado vaceum por respeito de certa herva. em a qual se dão as cannas de assucar muito bem. e fazem nojo ás novidades. em a qual houve cm tempo do duque sele ou oito engenhos de assucar. que não tem já mais que um engenho que íaça assucar. Esta capitania parte com a dos Ilheos pelo Rio Grande pouco mais ou menos. fugindo dos Aimorés . e muitas uvas. e de jumentos lia tanta quantidade na terra. (». jumentos. c se leva á Bahia a vender por tal. de Vasco Fornandes Coutinho. que lhe faz câmaras. c cabras muito bem. « com navios que a cila lodosos annos mandava. João da Alencastro. onde a água de flor é finíssima. os quaes ficaram no campo dos moradores . pelo mato em bandos . e a villa de Santo Amaro e a de Santa Cruz quasi despovoadas de todo. de que vem a morrer. e postos por terra . que desta capitania se passaram para as outras . figos. e pela outra parte com a do Espirito Santo. que governam ainda agora algumas aldêas de Tupiniquins cbrislãos."» Campo com licença d'EI-Rei vendeu esln capitania a 1). para onde imãs caminhando. pelo que estão despovoados. o com mercadorias: onde mandou fazer á sua custa engenho do assucar. e provocou a outras pessoas de Lisboa a que fizessem outros engenhos. quo se trazia a este reino. e todas as fruetas de espinho. de que na terra ha muito. onde se lavrava cada anuo muito. que andam bravo. cm cujo tempo os padres da Companhia rdtficaram na villa do Porto Seguro um mosteiro. primeiro duque de Avciro. c a villa de Porto Seguro está mais damnificada. e muito páo de linta. mas dá-se a outra criarão de egoas. onde residem sempre dez ou doze religiosos. n qual a favoreceu muito com gente e capitão que a governasse .ROTEIRO no nnvrii. e falta de moradores. em o qual tem feito tamanha destruição . romãs. . que estão nesta capitania. por terem mortos todos os escravos dos outros c muitos Porluguezes. por cem mil réis do juro.

que por toda aquella terra ha. a qual apparece no cabo do arrecife. e costa de Porto Seguro. e pelo sertão é povoado do gentio bem acondicionado. que lhe plantam. cuja costa se corre norte sul: esta ponta c baixa . quando por manda- . Este rio vem de muilo longe. e póde-se fazer aqui uma povoação. e de arêa. que vão por elle acima para o sertão. até o Rio das Caravelas. Aqui n'este rio foi desembarcar Antônio Dias Adorno com a gente que trouxe da Bahia. que arrebentam em frol. Defronte de Jucurú eslá urna rodella de baixos. e muita caça. Da ponta de Corurumbabo ao cabo das barreiras brancas são seis léguas. em o qual caminho ha alguns baixos. que se navegam com barcos. que não arrebentam .66 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Por este rio acima entram caravelões da costa. onde os moradores d'ella estarão muito providos de pescado e mariscos. muito bem . e demora ao noroeste. Do cabo das barreiras brancas ao Rio das Caravelas são cinco ou seis léguas. Da villa de Porto Seguro á ponta Corurumbabo são oito léguas. que lhe faz duas barras. pelo qual entra a maré ires ou quatro léguas. CAPITULO XXXVII. que é necessário que sejam bem vigiados: e corre-se a costa de Corurumbabo até o Rio das Caravelas norte sul. de que se hão de guardar com boa vigia os que por aqui passarem. o qual está em dezoito gráos. Este arrecife é perigoso e corre afastado da terra légua e meia. Em que se declara a terra. a qual está povoada com fazendas. e criações de vaccas. que se dão n'ella muito bem. que não faz mal aos homens brancos. A terra por este rio acima é muito boa . afastado da terra légua e meia. até onde corre este arrecife. Tem este rio na boca uma ilha de uma légua. quo começa da ponta de Corurumbabo. mas tem na boca da barra muitas cabeças ruins. em que se dão todos os mantimentos. porque até ao cabo d'eslas barreiras brancas se corre esta costa por aqui. e eslá em altura de dezesete gráos e um quarto.

c toma da quarta nordeste sudoeste. Deste rio de Maruipe ao de Cricaré são dez léguas. e é muito capaz para se poder povoar. Em que se declara a terra que ha do rio das Caravelas até Cricaré. c o rio de muito pescado e marisco. e foi por este rio acima com rente e cincoenta homens. N'este rio entram caravelões da costa. Dodireitod*esta ponta se começam os Abrolhos e seus baixos. e quatrocentos índios de paz e escravos. muito marisco e caça. por a terra ser muito boa e de muita caça. D'este rio Peruipe ao de Maruipc são cinco léguas. e toda a maisterraé baixa. mas entre os baixos e aterraha fundo de seis e sete braças uma légua ao mar somente. porque ha n'ella grandes pescarias. e corre-se a cosia do rio das Caravelas até Cricaré norte sul. c navega-se quatro ou cinco léguas por elle acima : o qual tem na barra. o qual tem na bocca uma barreira branca como lençol. junto da qual a terra faz uma ponta grossa ao mar de grande arvoredo. o qual eslá dezoito gráos e meio. as quaes íe navegam pelo canal indo correndo a costa. as quaes estam na terra .ROTEIRO UO BRAZIL. e ha maré por elle acima muito grande cspiço. otodosforambem ralados e recebidos dos gentios. quatro abertas. por onde é bom de conhecer. boas para elles. uma légua e mais uma da outra. CAPITILO XXXVIII. onde se podem fazer engenhos do assucar por se meltercm n'ello muitas ribeiras de água. da banda do sul. Do rio das Caravelas ate o rio de Peruipe são Ires léguas. cuja terra é boa e para se fazer conta d'ella para se povoar. pelo qual entram navios de honesto porte. Por este rio Maruipe entram caravelões da costa á vontade. o qual rio Maruipe está cm dezoito gráos o três quartos. por onde vai o canal. Este rio vera de muito longe. quo acharam pelo sertão d'esto rio das Caravelas. 67 do do governador Luiz de Brito do Almeida foi ao sertão no descobrimento das esmeraldas.

mas pelo tempo adiante vieram afazer pazes. ao longo do mar. E quem vem do mar em fora parecem-lhe estas abertas boccasderios. Até aqui senhorearam a costa os Tupiniquins. e aos Aimorés que os offendiam por outra: pelo que se afastaram do mar. que se cumpriram e guardaram bem de parte a parte. o qual tem agora despovoado toda esta comarca fugindo dos Tupinambás seus contrários. grandes guerras e trabalhos. que é baixa e sem arvoredo. Este gentio é da mesma côr baça e estatura que o outro gentio de que falíamos. c não se tem por contrários verdadeiros. que os apertaram por uma' banda . vida e costumes e gentilidades dos Tupinambás. E ainda que são contrários os Tupiniquins dos Tupinambás. e de campinas. com quem a maior parte dos Tupiniquins agora estam misturados. e de então para agora foram os Tupiniquins muito fieis e verdadeiros aos Porluguezes. Com este gentio tiveram os primeiros povoadores das capitanias dos llhéos e Porto Seguro e dos do Espirito Santo. o qual tem a linguagem. do rio de Camamú até o rio do Cricaré. de quem receberam muitos damnos. os quaes Tupinaês lhe ficavam nas cabeceiras pela banda do sertão. Em que se declara quem são os Tupiniquins costumes. Este gentio e os Tupinaês descendem todos de um tronco. de quem é bem que digamos n'este capitulo que se segue antes que cheguemos á terra dos-Goaitacazes. ainda que muitas vezes tivessem difforenças c guerras. em cujo titulo sedeclarará mui particularmente tudo o que se pôde alcançar.6$ GABRIEL SOAnliS DE SOV7A. firme por erma da costa. por onde a terra é boa de conhecer. Pelo que não vivem agora junto do mar mais que os chrisfãos de que jáfizemosmenção. ainda que são seus contrários. nos primeiros annos. c sua vida e Já lica dito como o gentio Tupiníquím senhorcou e possuiu a terra da costa do Brazif. não ho entre elles . e fugindo ao máo tratamento que lhes alguns homens brancos faziam por serem pouco tementes a Deos. CAPITULO XXXIX.

c do que se descobriu por elle acima. os quaes são grandes pescadores de linha. c pelo Aceci. mas tem seu canal. caram. Tapuias o Tamoios. até onde o ajudou a maré. fit» na lingoa c costumes mais differença.ROTEIRO D O BR. caminhou por terra obra do vinte léguas com o rosto a les-sudoeste. c homens para muito. com certos companheiros. mas este gentio é mais doméstico . pescam. Do Rio de Cricaré até o Rio Doce são dezasele léguas. e foi dai com uma lagoa. como ainda hoje fazem esses poucos que se deixaram ficar junto do mar edas missas povoações. c entrando por um braço acima. caçadores e marinheiros. bailam. que dá todos os mantimentos acostumados muito bem. pelo qual Sebastião Fernandes Tourinho. contra n> Aimorés. do quem foliámos. o qual Rio Doce está em altura de dezanove gráos. como os Tupinambás. se os plantarem. CAPITULO XL. A terra d'este rio ao longo do mar é baixa e afastada da costa. da quo tem os moradores do Lisboa dos da Beira.vr. que se chama Mandi. A boca duslerio éesparccladabem uma légua c meia ao mar. onde desembarcou.. o so podem fazer alguns engenhos. o sempre nas guerras ajudaram aos Porluguezes. e verdadeiro que todo oulro da costa d'oste estado. onde se darão muito bons canaviaos de assucar . as quão se correm pela costa norte sul. por ter ribeiras mui accommodadas a elles. por onde entram navios de quarenta toneis . com quem \ izinbam muito bem. Em que se declara a costa de Cricaré até o Rio Doce. E gente do grande trabalho e serviço.do quem se faz muita conta a seu modo entre o gentio. por ella dentro tem arrumada uma serra. a que o gentio . o qual rio se navega pela terra dentro algumas léguas. Este Rio Doce vem de muito longe. cantam.it. são valentes homens. cuja terra ao longo do rio por ali acima é muilo boa . e corre até o mar quasi leste oeste. o nas coesas do guerra são mui industriosos. que parece a quem vem do mar cm fora. queéa mesma rosto. fez uma entrada navegando por elle acima.

Esta lagoa cresce ás vezes tanto. o qual achou . e quando esta gente ia do mar por este Rio Doce acima sessenta ou setenta léguas da barra. que faz grande enchente neste Rto Doce. se detiveram ali alguns dias. ató onde se mette n'esle rio outro a que chamam Aceci. ed'ella a quarenta léguas tem uma cachoeira. em que também acharam pedras verdes. e andando esta gente ao longo d'estó rio.70 GABRIÜL SOARES DE SOUZA. e quasi todas de pedra. da qual nasce um rio que se mette neste Rio Doce. que segundo sua informação tem ouro muito descoberto. que é quasi toda de crystal muito fino. D'esta serra para a banda de leste pouco mais de uma légua está uma serra. e outras pedras azues. chama boca do mar. fizeram nelle canoas de casca. sendo governador. d'ali cinco ou seis léguas da banda do norte achou Sebastião Fernandes uma pedreira de esmeraldas e outra de safiras. e no cabo d'ellas desembarcaram e foram por terra com o rosto ao noroeste onze dias. que sabe da lagòa>aisde trinta léguas. umas pedras verdoengas. as quaes estão ao pé de uma serra cheia de arvoredo do tamanho de uma légua. e tomam de azul. e indo mais acima quatro ou cinco léguas da banda do sul está outra serra. e affirmou o gentio aqui vizinho que no cimo d'este monte se tiravam pedras muito azues. por ser muitogranáe e funda. Com estas informações que Sebastião Fernandes deu a Luiz de Brito. e andaram cincoenta léguas ao longo d'elle da banda ao sul trinta léguas. è o acharam tão possante. tornando a caminhar andaram quarenta dias com o rosto a loeste: e no cabo d'elles chegaram . e foram por ali acima. em que aífirma o gentio haver pedras verdes e vermelhas tão compridas como dedos. pelo qual entraram e foram quatro léguas. acharam umas serras ao longo do Rio de arvoredo. e atravessaram o Aceci. D'esta lagoa corre este rio a leste. e outras azues todas mui resplandecentes. eque havia outras. era que se embarcaram. È como esta gente chegou a este Rio Doce. como já fica diloatraz. que tem que parecem turquesquas. eleva muita água. a qual cria em si muilas esmeraldas. Aqui achou esta gente umas pedreiras. mandou Antônio Dias Adorno. aonde se mette este rio no Doce. E quando esta gente passou o Aceci a derradeira vez. e andaram n'estes quarenta dias setenta léguas pouco mais ou menos.

cuja terra é muito fértil. em o qual ha grandes pescarias e muito marisco. havia nelle muitos niautimenlos que aqui iam resgatar os moradores do Espirito San Io. E Antônio Dias Adorno. e boa para se poder povoar. por não poderem trazer mais que as primeiras c com trabalho: a qual gente so tornou para o mar pelo Riu Grandu abaixo. porque estas estavam ú flor da terra. onde se podem fazer alguns engenhos de assucar. quando foi a estas pedras. quo nelle se multem. que debaixo da terra as deve de haver finas. 71 ao pó desta serra da banda de norte as esmeraldas. e notempoque eslava povoado de gentio. Em que se declara a costa do Rio Doce até o do Espirito Santo. que affirmein lerem ouro e praia. do quo mio trouxeram amostras. Navega-se neste rio da barra para dentro quatro ou cinco léguas. Umas e outras nascem no cryslal. do qual se faz pouca conta . do rio das Barreiras á pouta do Tubarão são quatro léguas. dondo trouxeram muitas o algumas muito grandes. Em muitas partes achou c$la gente pedras desacostumadas de grande peso. o da do leste a* saüeas. e corre-se a costa de um a outro nordeste sudoeste. era o qual entram navios da cosia. e com muito trabalho e risco de sua pessoa chegou á Bahia e fazenda de Gabriel Soares de Souza. CAPITULO XLI. mas Iodos baixas: mas presume-se. Na boca d este rio dos Reis Magos estão Ires ilhas redondas. muiaccommodadas para isso. Da terra dos üeis Magos ao rio das Barreiras são oito léguas. o que causava grande fertilidade. Do Rio Doce ao dos Reis Magos são oito léguas. sobre o qual eslá a serra do Mestre . se recolheu por terra atravessando pelos Tupinaês e por entro os Tupinambás. como já fica dito. efaz aterra de um rio ao outro uma enseada grande: o qual rio está em dezanove gráos e meio. por ler ribeiras.ROTRiaO DO RRAZIL. por ondeé bom de conhecer. e com uns e oulros teve grandes encontros.

que está nesta barra. se chama de. e como elle a foi povoar em pessoa. Razão tinha Vasco Fernandes Coutinho de se contentar com os grandes e heróicos feitos que tinha com as armas acabado nas partes da índia. Álvaro. que é grande e redonda. no que gastou o melhor de sua idade. que apertaram muito com ospovoadoresda Villa Velha. da ponta do Tubarão aponta do morro de João Moreno são duas léguas. de que se hão de guardar. o que se pôde fazer com pouca despeza'. onde está assentada a villa do Espirito Santo. a qual tem umas ilhas dentro. é capaz este penedo para se edificar sobre elle uma fortaleza. a quem vem do mar em fora. a qual está afastada das outras serras: esta serra apparece. o qual tem defronte da barra meia légua ao mar uma lagoa. Defronte da villa do Espirito Santo. muito longe. está a serra do Mestre Álvaro. a qual se edilicou no tempo da guerra pelos Goaitacazes. e mais para dentro eslá outra. D'csla ilha para a Villa Velha estão quatro penedos grandes descobertos: c mais para cima está a ilha de Anna Vaz: mais avante está o ilheo da Viuva . duas léguas pela terra dentro. onde está a villa de Nossa Senhora daVictoria: entre uma ponta e outra está o rio do Espirito Santo. D. Este rio do Espirito Santo está em altura de vinte gráos e um terço. CAPITULO XL1I. onde nos primeiros tempos de sua conquista se achou. da banda da Villa Velha está um penedo mui alto a pique sobre o rio. e no cabo desta bahia fica a ilha de Duarte de Lemos. quec por onde se conhece a barra: esta barra faz uma enseada grande. Em que se declara como El-Rei fez mercê da capitania do Espirito Santo a Vasco Fernandes Coutinho. Jorge. ao pé do qual se não acha fundo. e entrase nordeste sudoeste. Em direito desta ponta da banda do norte. que se diz de Valentim Nunes. pediu em satisfação d'elles . A primeira ilha. da qual se pôde defender este rio ao poder do mundo todo.72 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e passando-se para estes reinos fim busca do galardão de seus trabalhos.

que so na terra deram muito bem. A. . onde chegou a salvamento á sua capitania. João III de Portugal satisfez. o conquistar o sertão d'ella. a que agora chamam a Villa Velha. e foz sua viagem para o Brazil. que coubesse na sua demarcação. Como Vasco Fernandes viu o gentio quieto. a cujo requerimento El-Hei I). Siinão de Castello Branco. começando ondo acabasse Podro do Campo. em a qual desembarcou c povoou a villa de Nossa Senhora da Victoria. com sua gente na frota que estava prestes. entendendo estes índios que não podiam ficar bem do partido. e deixou a D. e concertando suas cousas. Embarcado este valoroso capitão. licença para entrarem outros maiores.ROTEIRO DO RRAZIL. capitão de Porto Seguro. se afastaram da vizinhança domar por aquella parte. onde se logo fortificou . entre fidalgos o criados d'ul-Rei. pudindo que lho fizesse mercê de uma capitania na costado Brazil. Jorgo de Menezes. quo por mandado de S. a qual em breve tempo se fez uma nobre villa para aquellas partes. mui provida do moradores o das munições de guerra necessárias. e D. A. A este gentio chamam Guaitacazes. como tiveram canas para isso. ordenou de vir para Portugal a se fazer prestes do necessário (para ir conquistando a terra pelo sertão até descobrir ouro o prata) e a outros negócios que lhe convinham. Contente esto fidalgo com a mercê que pediu. se partiu . 73 a S. com o qual se houve de feição que. Nestes primeiros tempos teve Vasco Fernandes Coutinho algumas escaramuças com o gentio seu vizinho. ordenou á sua custa uma frota de navios. fazondo-lhe mercê do cincoenta léguas de torra ao longo da costa no dito Estado. em a qual so embarcaram. porque a queria ir povoar. para satisfazer á grandeza de seus pensamentos. De redor d'esta villa se fizeram logo quatro engenhos de assucar mui bem providos o acabados . por escusarem brigas que da vizinhança se seguiam.e em termos de florecerde bem em melhor. o do Maluco. com Ioda a terra para o sertão. os quaes começaram do lavrar assucar. Jorge de Menezes para em sua ausência à governar. como relevava. de quem diremos adiante. easua capitania tanto avante .iam cumprir suas penitencias a estas partes. sessenta pessoas entre as quaes foi D. partiu do porto de Lisboa com bom tempo. com tudo o quo mais convinhu a esta empreza.

o que não foi em sua mão. com muita da sua gente ao embarcar. fizeram tão crua guerra que lhe queimaram os engenhos e muitas fazendas. se passaram a outras capitanias. que lhe succedeu na capitania. a despovoaram de todo e se passaram á ilha de Duarte de Lemos. onde ajuntou com elle a gente do Espirito Santo. e todo o patrimônio que tinha em Portugal. que o fez recolher para o mar. não podendo os moradores delia resistir ao poder do gentio. de uma batida e os Guaitacazes. por estar impossibilidado de gente e munições de guerra. que. e apertou com Fernão de Sá dó maneira. o . antes viveu muitos annos afrontado d'elle n'aquellá ilha. onde a seu requerimento o mandou soccorrer Mem de Sá. e deu sobre o gentio de maneira que opoz logo em desbarate nos primeiros encontros. desembarcou Fernão de Sá em terra. Simãode Castello Branco. e tem seus engenhos de assucar ô outras muitas fazendas.7!X GABRIEL SOARES DE SOUZA. No povoar d'esta capitania gastou Vasco Fernandes Coutinho muitos mil cruzados que adquiriu na índia. o qual ordenou na Bahia uma armada bem fornecida de geüto e armas. o desbarataram e mataram ás flexadas. mataram a Fernão de Sá. em uma das quaes está um mosteiro dos padres da Companhia. que era de navios da costa mareaveis. ao qual os Tupiniquins. e. vendo-a tão desbaratada. que n'aquelle tempo governava este Estado. E tornando-se Vasco Fernandes para a sua capitania. mas já agora esta capitania está reformada com duas villas. trabalhou todo o possível por tomar satisfação d'este gentio. da outra. Esta villa se povoou de novo com o titulo dò Espirito Santo. que com ella foi entrar no rio dé Cricaré. antes de poder chegar ás embarcações. e o gentio mui soberbo com as victorias que tinha alcançado. que todo para isso vendeu . onde ainda estão. que lhe Vasco Fernandes Coutinho mandou . e a outra muita gente. não se havendo ali por seguros do gentio. o que fez com tamanha desordem dos seus. e muitos dos moradores. e puzeram a villa em cerco e em tal aperto que . o que também fizeram depois a D. a qual ilha se afasta da terra firme um tiro de berço. sendo a gente toda juuta. da qual mandou por capitão a seu filho Fernão de Sá. o qual gentio se reformou e ajuntou logo .

75 qual acabou n'ella lào pobremente. ora quo o amortalhassem. o qual cabo está em vinte e dous gráos. o defronte do morro de João Moreno está a Ilha Escalvada. a qual ponta é de terra baixa. e toma da quarta ao norte sul. Chegado a este rio de Goarapari estão as serras. Pelo nome d'esle cabo o tomou a capitania também de S. que dizem do Perocão. Thomé são sete leguas. até o cabo de S. e a primeira está meia legoa da terra firme. que boja bem uma légua e meia. Thomé. até onde corre o limite dos Guaitacazes. Da Parahyba ao cabo de S. ires ilhas. as quaes tem bom surgidouro. De Leritibo até "Japomerim são qualro ou cinco legoas. a qual eslá em vinte gráos e ires quartos. e corre-se a costa do morro de João Moreno até este rio norte sul. De Tapemerim a Managé são cinco legoas. Thomé. de quem diremos em seu logar. Do Rio do Espirito Santo ao de Goarapari são oito léguas. E seu filho do mesmo nome vivo bojo na mosma capitania tão necessitado quo nfio tem mais de seu quo o titulo do capitão e governador d*ella. a qual foi povoada dos Guaitacazes. a qual está cm vinte e um gráos: de Managé ao rio de Parahyba são cinco léguas. o estão estas ilhas defronte do rio Goarapari. cuja costa se corre nordeste sudoeste. obra de duas léguas ao mar. o faz-se entre um e outro rio uma enseada. por dqrredor d'ello e ao longo do mor. . Este rio de Parahyba tom barra e fundo por ondo entrara navios de honesto porto. quo chegou a darom-lho de comer por amor do Deos. e corre-se a costa nordeste sudoeste. da banda do norte. cuja costa se corre nordeste sudoeste . Esta ponta de Lerilibe tem um arrecife ao mar. e corre-se a costa nordeste sudoeste. Do rio de Goarapari á ponta de Leritibi são sele léguas.ROTEIRO DO BRAZIL. A terra d'este rio até Lerilibe c muito grossa e boa para povoar como a melhor do Brazil. o não sei so teve um lençol sou . o qual rio de Parahyba está em vinte ura gráo e dous terços. CAPITULO XLIII. Em que se vai declarando a costa do Espirito Santo. cuja terra é muito alta: esta ponta tem. ao longo do mar. o qual se pode tornara povoar.

e que. e ver que não era soccorrido do reino como devera. e foi tomar terra eporto na sua capitania: e desembarcou no rio Parahyba. dando-lhe trinta léguas de terra ao longo da costa. o qual andou na costa do Brazil com Pedro Lopes de Souza. cavalleiro e experimentado. lhe dava sómenleo que houvesse. CAPITULO XLIV.76 OABRIEL SOARES DE SOUZA. que lhe puzeram mui prolongados. e o mais necessário para tal empreza: com a qual frota se partiu do porto de Lisboa. que a despovoasse . Da qual capitania foi tomar posse em uma frota de navios. com o que lhe foram matando muita gente. E vendo-se já sem remédio. E como . e d'ahi até onde acaba Marlim Affonso de Souza. que lhe mandou para isso algumas embarcações. Pedro de Góes foi um fidalgo muito honrado. que lhe logo quebravam . fazendo pazes. foi forçado a despejar a terra. e fez sua viagem com prospero tempo. e fez uma povoação em que esteve pacificamente os primeiros dous annos. não as havendo entre uma capitania e outra. que á sua custa para isso fez. da qual S. assim n'estas traições como em cercos. armas. quando repartiu as capitanias. que se começariam. o que não podendo os moradores soffrer. pediu a el-Rei D. e passar-se com toda a gente para a capitania do Espirito Santo. com o que padeceu cruéis fomes . A. Thômé. com quem teve depois guerra cinco ou seis annos . por lhe armarem cada dia mil traições. onde se acabava a capitania de Vasco Fernandes Coutinho. onde eslava a esse tempo Vasco Fernandes Coutinho. lhe fez mercê. que proveu de moradores. dos quaes se defendeu com muito trabalho e risco de sua pessoa. no que elle se determinou obrigado d'estes requerimentos e das necessidades em que o tinham posto os trabalhos. Em que se trata de como Pedro de Góes foi povoar a suá capitania de Parahyba ou de S. e pela affeição que tomou d'este tempo á terra do Brazil. o que não passaria dos baixos dos Pargos. apertaram com Pedro de Góes rijamente. que lhe fizesse mercê de uma . João. e se perdeu com elle no rio da Prata. com os gentios Guaitacazes seus vizinhos. onde se fortificou.

u muitos mil cruzados de Marlim Ferreira. é muito bárbaro. plantam somente legumes. e da caça que matam ás flexadas. que o favoreceu râuilo com pratençáo do fazerem por couta da companhia grandes eugenhos. que viviam entre elles eos Tupiniquins. pois lemos dito parte dos damnos quefizeramaos povoadores do Espirito Santo e aos da Parahyha. com o que ficaram senhores da costa. não é bem que nos despidamos d'ella. cujos contrários também são. como o gentio atraz. 77 Pedro de Góes teve embarcação. porque são grandes flexeiros. mas no chão com folhas debaixo . o que deu tantos trabalhos a Vasco Fernandes Coutinho. Esto gentio tem a cor mais branca que os que dissemos atraz. mas em campo descoberto . se tornou para eslos reinos mui desbaratado : dos quaes voltou a ir ao Brazil por cnpitáo-mór do mar com Thomé de Souza. o que não houve ofíeito pelos respeitos declarados neste capitulo. de quo se mantém. Em que se diz quem são os Guaitacazes. entre os quaes estava por marco o rio de Cricaré. N esla povoação quo Pedro do Góes foz na sua capitania gastou toda sua fazenda que linha no reino. vieram a ter com elles tão cruel guerra que os fizeram despejar a ribeira domar. coro quem ajudou a povoar o fortificar a cidade do Salvador na Bahia de iodos os Santos.ROTEIRO DO HRAMI. passando por elles. até confinar com os Tupiniquins . os quaes antigamente partiam pela costa do mar da banda do sul com os Tamoyos. Não costuma esta gente pelejar no mato. Pois que temos declarado quasi toda a costa que senhoreavaiii os Guaitacazes. e do norte com os Papanazes. e como eram seus contrários. não dormem em redes. e se matam e comem uns aos outros. e tem differente linguagem. e de sua vida e costumes. que n este estado foi o primeiro governador geral. CAPITULO X I V . e irem-se para o sertão.. o qual não grangea muita lavoura de manlimentos. nem são muilo amigos de comer carne humana. Este gentio foi o que fez despovoar a Pedro de Góes.

pintam-se e enfeitam-se com pennas de cores dos pássaros. que lhe mettiam pela garganta com tanta força que o afogavame matavam. entre a capUtania de Porto Seguro e a do Espirito Santo. andarem no mar nadando. onde agora tem sua vivenda. como fica dito. viveu ao longo do mar. lhe davam com o páo. Este gentio. por escusar proluxidade . tingir-se de genipapo. poc não terem outro remédio. e pelos Guaitacazes. não consentem cabello nenhum no corpo senãp os da cabeça. e o traziam a terra. andam nus como o mais gentio. d'onde foi lançado pelos Tupiniquins seus contrários. hoje seus inimigos. esperando os tubarões com um páo muito agudo na mão. não é bem que os guar-^ demos para mais longe. Em que se declara em summa quem são os Papanazes e seus costumes. de quem atrásfizemosmenção. como os Guaitacazes. senão para lhes tirar os dentes. e uns e outros lhe fizeram tão cruel guerra que os fizeram sahir para o sertão. que. Tem esse gentio muita parte dos costumes dos Tupinambás assirrfno cantar. ainda que mal Este gentio dorme no chão sobre folhas. que matam. CAPITULO XLVI. e porque passámos o limite de sua vivenda nos tempos antigos. e em remettendo o tubarão a elles. e outras gentilidades muitas. na feição do cabello da cabeça. cuja linguagem ©atendem os Tupiniquins o Guaitacazes. para os engastarem nas pontas das flexas. roantenvse estes selvagens de caça e peixe do rio. e no arrancar os mais cabefc los do corpo. não para o comerem. . os quaes são grandes flexeiros e pelejam com arcos e flexas. as guardamos para se dizerem uma só vez. para o que se não punham em tamanho perigo. de si. também se não occupa em grandes lavouras. Parece conveniente este logar para so brevemente dizer quem são os Papanazes. que também o eram e são.78 GABRIEL SOARES HE SOUZA. no bailar. Costumavam estes bárbaros.

Thomé até o Cabo Frio. tem muitas genlilidades. e todos n'este ajuntamento fazem grande pranto. mas enlTo st tem um costumo quo não é tão bárbaro como lodosos outros quo todo o gentio costuma. com capello sobre as costas. que logo o afogam e o enterram. o qual demora . que parece frade. a qual está afastada da terra firme duas léguas para o mar. lhe tomam um filho ou filha. mas fica caplivo do mais próximo parente do morto. Ê quem vem do mar emforapara saber se está tanto avante como está ilha. das quo usam os Tupinambás. Por aqui não ha de que guardar senão do que virem sobre a água. Esta Ilha de Santa Anna fica em vinte e dous gráos e um terço. ondo tem de fundo cinco e seis braçaSí e na terra firme defronte da ilha tem boa aguada. Em que se torna a dizer de como corre a costa do Cabo de S. Thomé á Ilha de Santa Anna são oito léguas. e iSerre^se a cosia nordeste sudoeste. CAPITULO XLVU. ao qual não matam. sáo obrigados os parentes do matador a enlrogal-o aos parentes do morto. A terra firme d'esra costa é muito fértil e boa. ou irmão. comendo e bebendo todos juntos por muitos dias. se o tem. ou por desastre. e na mesma ilha ha boa água de oma lagoa. e verá nomeio das serras um pico. quo ó. fio Cabo de S. e assim ficam todos amigos: e sendo caso que o matador fuja do maneira que os parentes o não possam tomar. e se não tem um nem outro. olhe para a terra firme. e tem dous ilhéos junto de si. so um Índio d'e$tes mata outro da mesma geração em alguma briga. o com isso ficara todos contentes o amigos como o eram antes do acontecimento do morto. entregam pelo matador o parente mais chegado.ROTEIRO »0 BRAZIL. Te» esta ilha da banda da costa bom surgidouro e abrigada por ser limpo tudo. 7ü caniam e bailam. E quem vem do mar em fora parece-lhe tudo uma cousa. ostnndo uns o outros presentes.

no meio das quaes é limpo e bom o porto para surgirem náos de todo porte. Em que se explicam os recôncavos do Cabo Frio. e defronte d'ella ficam as ilhas. e quando se vem chegando a elle apparece uma rocha com riscos brancos. No fim d'esta bahia para o norte está a Casa de Pedra. porque a terra. Ató esta Bahia Formosa corriam os Guaitacazes no sou tempo. porque o corta o mar por onde na se não enxerga de fora. na verdade o Cabo é ilha. e não ha senão guardar do que virem. Da Ilha de Santa Anna á Bahia do Salvador são três léguas. mas é de maneira que pôde passar um navio por entre elle e a terra firme á vontade. o qual parece. que está entre o Cabo e as serras. de duas braças de fundo. E ainda que pelo que se julga do mar a terra do Cabo parece ilha. mas vivem já mais afastados do mar. e de dez até quinze braças de fundo. Duas léguas do Cabo da banda do norte está a Bahia Formosa. por onde é muito bom de conhecer. e o não seja por onde o parece. e entre esta Bahia e as ilhas ha bom surgidouro. da Bahia Formosa ao Cabo Frio são duas léguas. O Cabo Frio está em vinte e três gráos. o mais é alto. afastado um pouco de uma ilha que eslá na bocca da Bahia. é muito baixa. E corre-se a costa norte sul. o podem os navios entrar por qualquer das bandas da ilha como lhe mais servir o vento. perto da qual está um rio pequeno. E tem um baixo n'este canal bem no meio. que basta para passar uma náo. e ancorar defronte entre ella e a terra firme. pelo que não ha que arrecear para se povoar qualquer parte d'esta costa do Espirito Santo ató o Cabo Frio. que tem de fora bom surgidouro. a quem vem do mar em fora. CAPITULO XLVIII.80 GABRIEL SOARBS DE SOUZA. ilha redonda com uma forcada no meio. a loeste noroeste. e d'esta bahia á Bahia Formosa são sete léguas. Perto do Cabo estão umas ilhas. E perto d'esta ilha .

onde do á© de Janeiro ate tode o Fevereiro se coalha a água muito depressa. e sem haver marinhas tiram os Indios o sal coalhado e duro. c de Maricá ao Rio de Janeiro são seis léguas. Costumavam os Francezes entrar por esto rio pequeno a earregar pio brazil. creou a natureza uma lagea de cincoenta braças de comprido e vinte e cinco de largo. Do Cabo Frio ao Rio de Janeiro são dezoito léguas. Este Rio tem de bocca. perto de meia légua. CAPITULO X1. porque o fundo da barra é por junto d'usta lagea li . entre ponta e ponta. Si é alto para ancorar náos. e uma d'estas s. Por esta bahia entra a maré muito |i«la terra dentro. cuja costa so corre leste oeste: o qual Rio eslá em vinte e Ires gráos. vindo do mar cm fora. de ponta a ponta. que traziam para as náos quo estavam surtos na bahia ao abrigo das ilhas. de Sacorema ás ilhas de Maricá são quatro léguas. mas perigoso. e tem sobre si umas serras mui altas que se vêem de muito longe. de debaixo da água.1X. porque vv»m com muita fúria como trovoada de Guiné. a que chamam os Órgãos. Jwn que se declara a terra que ha do Caio Frio até o Rio de Janriro. ás mãos cheias. onde se pode fazer uma fortaleza. que ó muito baixa. e de um ao outro se defenderá a barra valorosamente. sem ficar nunca em socoo. mas não é tão alto nem tão áspero. que seja uma das melhores do mundo. porque so venta sudoeste e oeste faz aqui damno no primeiro impeio. com o que so defenderá este Rio a todo o poder que o quizer entrar. ehegando-lhc sempre a maré. No meio d'osta barra. muito alvo.-rras parece do mar gavia de náo. e na de lessudoeste tem um pico de pedra m >ito alto e mui a pique sobre a barra Na outra ponta tem outro padrasto. por on le se conhece a terra bem.R0TPIR0 DO BRAZIL. que se repartem d'esta maneira: do Cabo Frio ao rio de Sacorema são oito léguas. o que se fará com pouca despeza . a qual trovoada é do vento socro < • claro.

Defronléxla barra desle Rio. e forçado as náos que quizerem entrar dentro hão de ir á falia d'ella . que se chama assim. e grande apparelho para se fazer muita cal de ostras. onde ha abrigada do vento sul. ao mar delia . mas a barra de leste é melhor por ser mais larga. pela muita pedra que para isso tem ao longo do mar. que está entre a ponta de Cara de Cão e a lagea. sueste. póde-se chegar á terra até quatro ou cinco braças de fundo para ficar bem. e segurando-se este pico ficará a fortaleza da lagea inexpugnável. E uma cousa e outra so pôde fortificar com pouca despeza . leste e noroeste. que serve para quem vem para o reino. e como for outro vento convém fugir na volta de leste ou do norte. assim para cantaria como para alvenaria. por ser este o nome do capitão francez. que é a que Mem de Sá tomou e arrazou. a que . e por cada uma dellas tem fundo oito até doze braças até á ilha da Viragalham : e quanto mais forem a loeste. ao sul d'ella. mas é este pico tão áspero que parece impossível poder-se levar artilharia grossa acima. a tiro de espingarda d'ella. que esteve com uma fortaleza nesla ilha. quatro ou cinco léguas-. efltre pela banda de leste. e quem houver de entrar no Rio.82 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e sendo o vento oeste. CAPITULO L. e para a banda de leste acharão mais fundo em passando a ilha de Viragalham. defois que passarem a Ilha. dando-lhe o vento lugar. de que n'este Rio ha infinidade. tanto menos fundo acharão . Defronte da barra do Rio de Janeiro. eslão duas ilhas baixas. bem defronte. d'onde lhe podem chegar com artilharia grossa. e quem houver de ancorar aqui. e ao noroeste d'ellas está um porto de arêa bem chegado á terra. vá pela barra de oeste pelo meio do canal. Em que se declara a entrada do Rio de Janeiro e as ilhas que tem defronte. e não lhe ficará outro padrasto mais que o do pico de pedra. está uma ilha .

a qual edilicou Mem de Sá um um alto. a qual está lançada d'este alto por uma ladeira abaixo. que defende o porto. a que chamam a ilha Raza. um modo de fortaleza cm uma ponta. a quo chamam Joribátuba.ROTEIRO DO RRAZII. mas náo a barra por lá não chegar bem a artilharia. que se chama da Carioca . que é um pico de pedra mui alto. do qual á ponta da barra que se diz de Cara de cão ha pouco espaço . donde bebe a cidade. e viraiido-se desta ponta para dentro da barra se chama Cidade Velha. onde se ella fundou primeiro. . mas náo ú muito grande por ella não ser muito alta. u tem cinco. a qual é afeiçoada em compasso alé outra ponta adiante . que se chama do mesmo nome. Sebastião. 83 chamam ilha Redonda . em uma ponta de terra que está defronte da ilha de Viragalham . para quo se veja como é capaz de se fazer mais couta delle do que se faz. u aterra. o tem em cima no alto um nobre mosteiro e collegio de padres da Companhia. em dorredor da qual estão quatro ilhotes. da feição do nome que tem. se quizerem. esla ponte de Cara de cão fica quasi em padrasto da lagea. e afastado delia para a banda de leste está outra ilha . porque o fundo é do vasa. Esta enseada se chama de Francisco Velho. E tamanha cousa o Rio de Janeiro da boca [tara dentro. CAPITULO LI. que fica entre esta ponta c o Páo de Assucar. Da ponta da Cara de cão á cidade pode ser meia legoa.. é baixa e cháa. Aqui se faz uma enseada. em que podem surgir navios. por ter aqui sua vivenda e grangearia. Em que particularmente se explica a bahia do Rio de Janeiro da ponta do Pão de Assucar para dentro. junto da qual entra uma ribeira. o chegando á terra eslá oulro ilhote. que está da banda deforada barra. E comecemos do Pão de Assucar. A cidade so chama S. o ao pé d'ella está uma estância com artilharia para uma banda e para a outra. que nos obriga a gastar o tempo em o declarar neste lugar. seis. e alé sele braças. o defronte desta ilha e a ponta da lagoa estão ires ilhas no meio.

que tem de preamar até vinte palmos de água. Ao pé d'esta cidade defronte da ponta do arrecife d'ella teim bom surgidouro. onde tem1 porto morto. onde se diz as casas de Manoel de Brito. e chegaqdo-se mais á terra tem três e qualro braças. que se diz a da Madeira . onde os navios tem abrigo para os ventos geraes do inverno. c fica a terra na boca d'esle . por onde enlra a maré três léguas. e passado este banco virando para detraz da ponta da cidade acharão bom' fundo. onde está o porto que se diz de Marlim. está uma illieta.. e á ponta se chama Braço Pequeno. CAPITULO LIT. e Ires e meia. por se lirar d'ella muita. que está delrar da cidade. por aterrafazer aqui uma enseada. fazendo aterra em meio uma enseada. hão de botar fora por entre a ilha e a ponla da terra firme pela banda do norte. E d'esta ponta a uma légua está outra ponta.8/l GABRIEL SOARES DE SOUZA. onde se faz um esteiro. E quandoos navios quizerem sahir d'este porto carregados. que se diz Yabubiracica: defronte d'este porto de Marlim Affonso estão espalhados seis ilheos de arvoredo. a qual serve aos navios que aqui se recolhem de coiieertar as vellas. e surgirem junto da ilha de Viragalham entre ella e a cidade»no qual lugar acharão de fundo três braças. e hão de rodear a ilha em redondo para tornarem a surgir defronte da cidade. Em que se explica a terra da Bahia do Rio de Janeira da ponta: da cidade para dentro até tornar á barra. que lem de fundo cinco e seis braças. E quem quizer ir para dentro ha de passar por um banco . onde os navios estão seguros de todo tempo. Na ponta d'esla cidade e ancoradouro dos navios. que são sul esusoeste. Affonso. E d'csta ponta por diante se torna a terra a recolher. e defronte d'este porto é o desembareadouro da cidade . D'esta ponta que se diz Braço Pequeno por diante foge a terra para Irazmuilo. á maneira de enseada. onde entra n'esla bahia um riacho. e d'ali a meia légua faz outra ponta e antes d'ella entra outro riacho no salgado. que se chama Unhauma.

e para o sueste oslão cinco em duas carreiras. . quo so chama Parnápirú. Docabo d'esla enseada graKde. sabida ao mar. Defronto d'esta enseada está a ilha do Salvador Corrêa. quo nasceao pé da serra dos Órgãos. onde se mette um rio. ondo faz outra ponta. eulra enseada apertada na boca. que so chama Pacata . quo dão páo brazil. E no meio bem cm direito das pontas ostá outra ilha cheia de arvoredo. que se chama Caiaíba. ema qual so mette um rio.. c bem em direito d'estas pontas. quo lavra com bois. a qual ilha tem de redorde si oito ou novo ilhas. que se chama Urumaré. E d*esla ilha Pacata direito ao sul estão SJÍS ilheos. D'estc Rio Sururuy a duas léguas entra oulro n'esta bahia.1 L. que se navega pela terra dentro quatro léguas. que se chama Baxindiba. o qual se chama Magipe. o faz uma volta tornando a terra a sahir para fora bem meia legua. está oulra ilha. quo eslá cinco léguas pela terra dentro. em a qual está um engenho du assucar. Defronte do Baxindiba. so faz. que se diz Suaçuna. Da ponta do Rio Macucú para a banda de leste se recolho a terra. e mais adiante legua o meia entra eutro riacho n'esta bahia que se chama Sururuy. o d'esta á de Salvador Corrêa ó legua e meia: c estão estas ilhas todas Ires em direito leste oeste umas das outras. c faz uma enseada alé outra ponta da lerra. que se chama Páo Doce. em que entra um riacho. a qual torra è alta até á ponta. que vem de muito longo. cheia de arvoredo.> esteiro de ponta a ponta. e d'esta ilha a uma legua eslá outra. que elle fez. Da ponta de Mutungabo se esconde a terra para dentro bem dous terços de legua. com muitos mangues nomeio. e uma do largo. o da ponta da terra alta. em a qual se melte outro rio. quo tem ires léguas do comprido. Defronte do rio de Macucú eslá uma ilha. que se chama Macucú . quede ponte a ponta são duas léguas. o a outra ponta d'esta enseada se diz Mutungabo. e da ponta d'este riacho á de Macucú é legua e meia. fS. em meio d'estu enseada. em o qual se moita outro rio. que se chama dos Guaitacazes. um tiro de berço: d*oude começa n terra a fozer outra enseada.ROTEIIIO DU 015A7. de Baxindiba se torna a afastara terra para dentro fazendo outra enseada. Atravessando esta ilha por mar á cidade são duas léguas. e haverá de ponta a ponta dua léguas. D'esla ponto á do Mutungabo é unia legua.

eslá outra ilha do arvoredo. e o cotovello d'esta lingua de terra faz uma ponta defronte da de Cara de Cão. e avisou d'isso a S. a quem encommendou particularmente . da ponta de Urumaré a dous terços de legua está outra ponta. que se chama de Piratininga. na qual ponta está outra lagea . que fica em padrasto sobre a lagea da< barra. E como El-Rei D. João III. mandou a D. Duarte fez com muila deligencia. e a ponta e lingua de terra d'ella vem quasi em direito de Viragalham. como fica dito. Duarte da Costa que n'este tempo era goveruador d'este Estado. suece- . que o salgado aparta de terra qualquer cousa. que trabalhasse por pôr esla ladroeira fora d'esterio. as quaes podem estar n'este rio seguras. que se diz de João Fernandes. CAPITULO LIII. que tinha eleito para governador geral d'cste eslado a Mem de Sá. A. e defronte d'esta ponta para o norte está uma ilha. Que trata como o governador Alem de Sá foi ao Rio de Janeiro. andando por dentro ató o mar. diante da qual eslá oulra mais pequena. a qual fica ao pé do pico do padrasto. que se assim chamava. Não é bem que passemos avanle sem primeiro se dar conta da muita. de Portugal fosse informado como os Francezes tinham feito n'este rio umafortalezana ilha de Viragalham. a tempo. onde se começam as barreiras vermelhas. E fallecendo El-Roi n'este conflito. que terá esta bahia do Rio de Janeiro cm redondo da ponta de Cara de Cão. que está sobre a barra. Entram por esla barra do Rio de Janeiro náos de todo o porte. Das barreiras vermelhas se vai afeiçoando a terra ao longo da água como cabeça de cajado. de maneira. que ficam defronte da cidade. D'esta ponta de Mutungabo á de Macucú são quatro léguas. que os annos passados se teve com o Rio de Janeiro. a qual ponta se chama de Lery. que D. onde bate o mar da bahia. que foi o capitão que nella residia. á outra ponta da lagea vinte léguas pouco mais ou menos que se navega cm barcos.86 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e pelo mais largo haverá de terra a terra seis léguas. onde se faz uma enseada.

o que náo foi bastante para Mem d • Si deixar de so chegar á fortaleza com os navios de maior porte a varejar com artilharia grossa . A. escreveu ao mesmo Mem do Sá. e como houve monçam se recolheu o governador para a Bahia ( visitando as capitanias todas) aonde chegou a salvamento. c lançaram-se na terra firme com o gentio Tamoyo. (pie tomou aos francezos . estranhou muilo a Mem de Sá o arrazar a fortaleza. Vicente. o avisou logo do suecedido a Rainha em uma náo franceza. mandou embarcar nella as armas e munições de guerra c os mantimentos necessários. com miiiios escravos e índios forros. e. •• não .ROTEIRO DO RRAZIL. 87 dendo no governo a Rainha D. Catharina sua mulher. que na Bahia havia. Mas náo alcançou esta victoria tanto a seu salvo que lhe não custasse primeiro a vida de muitos Porluguezes e indios Tupinambás que lhe os francezes mataram ás bombardadas eespingardadas. que os favorecia muilo. E indo o governador com esta armada correndo a costa . e mandou-a desfazer c arrazar por terra. á qual ajuntou outros navios do El-Rei. mandou o governador recolher a artilharia c munições de guerra. que com a brevidade possível fosso a esto Rio o lançasse os Francezes delle. que se puderam juntar. de todas as capitanias levou gente que por sua vontade o quizeram acompanhar nesta empreza. e entrada a fortaleza. e dez ou doze raravellões. que n'este rio tomou . e cornos navios pequenos mandou desembarcar a gente em uma ponta da ilha. seguindo sua viagem. e feita a frola prestes. que n'cste tempocra ido a França. quo está em gloria. chegou ao Rio de Janeiro com toda a armada junta. sabendo da vontade de S. mas como a Rainha soube d'esla victoria. quo nella havia. em a qual se embarcou a mor parte da gente nobre da Bahia. onde mandou asseslar artilharia . co-n muitasbombardadas. ao que obedecendo o governador fez prestes a armada . e os homens de armas. E como os francezes se viram apertados despejaram o castello e fortaleza uma noite . de quo ia por capitão mor Rarlholomeu de Vasconcellos. que do reino para isso lhe fora . onde o vieram ajudar muitos moradores de S. e entendendo quanto ronvinha á coroa de Portugal povoar-se e fortificar-se o Rio de Janeiro . E foi recebido da fortaleza de Viragalham. donde bateram a fortaleza rijamente.

N'estas cercas estavam recolhidos com os francezes os indios Tamoyos. CAP. que estavam já tão adestrados delles que pelejavam muito bem com suas espingardas . Partindo Mem de Sá para o Rio de Janeiro foi visitando a capitania dos Ilheos. mas uns e outros se recolheram contra sua vontade para as suas cercas. e a Gaspar Barboza. lhe mandou uma armada de três galeões . para se povoar este*' rio (o que elle não fez por não ter gente qne bastasse para poder defender este fortaleza). das quaes levou muilos moradores. onde tinham feito cercas mui grandes e fortes de madeira . Sebastião: e para que isto pudesse fazer com mais: facilidade .88 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e com dous navio*de El-Rei que andavam na costa . com a qual. com seus baluartes eartilharia. onde lhe suecedeu o que neste capitulo se segue. e o fortificasse edificando nelle uma cidade que se chamasse de S. se par-J tiu o governador da Bahia com muitos moradores delia que levavam muitos escravos comsigo . pessoa . de que ia por" eapitam mór Chrislovam de Barros. Que trata de como Mem de Sá foi povoar o Rio de Janeiro. com muitas espingardas. por de tudo estarem bem providos das náos acima ditas.TULO LIV. que logo foram cercadas e postas em grande aperto : mas primeiro que fossem entradas custou a vida a Estacio de Sá. porque o achou fortificado dos francezes na terra' firme. e partiu-se para o Rio de Janeiro. sobrinho do governador. qnc a guardasse e defendesse. deixar gente nella. Desembarcando o governador em terra tiveram os Portuguezes grandes escaramuças com os Francezes e Tamoyos. que lhes umas náos que ali foram carregar de páo deixaram . e como chegou ao Rio de Janeiro viu que lhe havia custar mais do que cuidava . e que logo sefizesseprestes e fosso povoar este rio. e outros seis caravellões . que como aventureiros os foram acompanhando com seus escravos nesta jornada . como lhe custou . para o que não lhe faltava pólvora nem o necessário . Porto Seguro e a do Espirito Santo.

Sebastião por capitão e governador Christovam de Barros. A. de que alcançou grandes victorias. A esta cidado mandou depois El-Rei D. se recolheram pela terra dentro . em que os |wdres ensinam latim . com as quaes a abalroou e tomou á força de armas. deixando nella por capitão a seu sobrinho Salvador Corrêa do Sá com muitos moradores o officiaes do justiça e de fazenda convenientes ao serviço d'EI-Rei eao bem da terra : o qual Salvador Corrêa defendeu esta cidade alguns annos mui valorosamente. i. E acabada de fortificar o povoar essa cidado. que so não podem particularisar em tão pequeno espaço. cm quo pôz artilharia necessária. E como os Tamoyos não tiveram entro si Francezes. quo agora é collegio. com canoas que levou do Rio do Janeiro . sendo capitão d'este rio. fazendo-lhe uma estância ao longo d'agua porá defender a barra. E como Mera do Sá viu quo tinha lançado os inimigos da porta . . donde vinham muitas vezes fazer seus saltos. do que nunca sahiram bem. .mercê cada anno do dous mil cruzados. que do Cabo Frio os vinham ajudar e favorecer . fazendo guerra ao gentio . ordenou o governador do se tornar para a Bahia. a qual depois reedificou Christovam de Barros. ondo cdilicou algumas igrejas com sus casa de misericórdia o hospital. 80 de muito principal estima. que a accrescenlou fazendo nella em seu tempo muitos serviços a S. o a outros muitos homens o escravos . quo murou com muros do taipas com suas torres. ordenou do fortificar este Rio. e com tudo foram as cercas entradas o muitos dos contrários mortos eos mais captivos. e assentou a cidade. A. que passava do duzentos toneis. o dos Francezes . e um mosteiro do padres da Companhia . para o que lhe faz S. aos quaes foi tomar dentro no Cabo Frio uma náo.ROTEIRO DO RRAZIL.

guerra ao gentio de Cabo Frio . e fez-se prestes para ir fazer. que estava na capitania de Pernambuco por mandado de S^ A. Sebastião do Rio de Janeiro . determinou de tirar essa ladroeira d'esse lugar. e para a terra ir em grande crescimento. CAPITULO LV. F+ era cabeça d'esta governança a cidade deS. e a outra. por conselho de Chistovam de Barros. ordenou de partir este Estado do Brazil em duas governanças. do dito lim. e d'alli ludo para o sul. Salema tamanho desaforo. que gloria haja. ancoravam com suas náos na bahia que atrazficadeclarado . A. que lhe S. se lançaram com o governador. que está dezoito léguas do Rio. e deu uma d'ellas ao Dr. que lhes desse a . e carregavam de páo de tinta á sua vontade: e vendo Antônio. onde acharam os Tamoyos com cercas muilo fortes recolhidos n'ellas com alguns Francezes dentro. Antônio Salema . onde.e. Sakma. Em qu. i Informado El-Rei D.ite até tudo que ha para ofnorte. mandou fazer. Esta repartição se fez no anno de 1572: começava no limite em que partem as duas capitanias dos Ilheos e do Porto Seguro. do Rio de Janeiro. o que ajuntou quatrocentos homens brancps e setecentQS Índios.com o gentio ao Cabo Frio. tempo que Antônio Salema governou o Rio de Janeiro. cpm os quaes. sendo mui necessário para °§ moradores fazerem suas cazas. foram ambos em pessoa ao Cabo Frio. para. o qual senão acabou. onde uns e os outros se defenderam valorosamente ás espingardadas e flechadas: e não podendo os Francezes soffrer o aperto cm que estavam. e comççpu um engenho . a qual repartição se estendia da capitania de Porto Seguro ató S. Vicente.90 GABRIEL SOA RE? DE SOUZA. deu a Luiz de Brito de Almeida. onde o governador assistiu. cpm alçada . No. se trata de como foi governador do Rio de Janeiro Anjtonio. e do muito para que estava disposto. iam cada anno náos francezas resgatar. para o que lhe mandou dar quatro mil cru zados. Sebastião .

Sebastião. o que viessem as appellações á Bahia. alcançaram.. Vendo El-Rei D. E porque d'este successo fez Antônio Salema um tratado. o captivos oito ou dez mil almas. e tombem serviu a S. como d'antes andava. e no fazer da guerra ao gentio. e de mandar por capitão o governador ao Rio de Janeiro somente a Salvador Corrêa do Sá. e favoreceu a Christovam de Barros para mandar fazer outro. N'este Rio de Janeiro se podem fazer muitos engenhos por ter terras e águas para isso. que faz muito assucar. onde tem feito muitos serviços a S. cujas obras Salvador Corrêa ajudou e favoreceu muito. Magestade. o so foram para o sertão. ficaram os Tamoyos tão atemorisados. que queriam entrar pela barra do Rio de Janeiro . quo os Portugueses. onde o dito Salvador Corrêa foi e está hoje em dia. e não quiz consentir que comrounicassem com a gente da terra. cevada. CAPITULO LVI. E foi esta cidade em tanto cresciméntoem seu tempo. havemos por escusado tratar mais d'esto caso n'esto capitulo. com o que os Tamoyos furão entrado*. em o qual se dão as vaccas muito bem. assentou de o tornar a ajuntar. por se dizer trazerem cartas do Senhor D . do modo como procede no governança e detehsão d"esta cidade. E com esta victoria. Magestade em pelejar com três náos Francesas. de que tem alcançado grandes victorias. que pela engrandecer ordenou de fazer um engenho de assucar na sua ilha. e monos infinitos. e com um formoso collegio dos padres da Companhia. <M vida. o pouco de que lhe servira dividir o Estado do Brazil em duas governanças. pelo que nao tornaram mais náos francesas a Cabo Frio a resgator. que lambem está moente e cofrerite. quo despejaram a ribeira do mar. com os quaes esta cidade eslá muito avante. que haja gloria. J?m que se conclue com o Rio de Janeiro com a tornada de Salvador Corria a elle. Antônio. . e todo o gado de Hespanha: onde se dá trigo. o que lhe defendeu ás bombardadas. como d"antes era.ROTEIRO DO BRAZIL.

vinho. Vicente. o qual porto é muito bom. marmelos. Esta Ilha Grande está em vinte e três gráos. Defronte d'«sta ilha na ponta d'ella da banda de loeste está a Angra dos Reis : e corre-se esta ilha leste oeste: e quem navegar por entre ella e a terra firme não tem que recear. sendo ella tanto para se fazer muita conta d'ella. porque tudo é limpo e sem baixo nenhum. Esta ilha se deu de sesmaria a um desembargador queé fallecido. Do porto dos Porcos á ilha de S. figos e todas as fructos de espinho. a qual está chegada á terra. a qual tem sete ou oito léguas de comprido. com águas boas para engenhos. Do morro de Caruçú á ilha das Couves são quatro léguas. cuja terra é boa para . eentreella e a Ilha Grande. e é muilo farto de pescado e marisco. a qual faz de cada banda duas barras com a terra firme. e navega-se por entre esta ilha e aterrafirmecom navios grandes e náos de todo o porte. porque tem em cada boca um penedo no meio. toda cheia de arvoredo. romãs. o qual morro está em vinte e três grãos e um quarto. e tem defronto uma ilha do mesmo nome. Sebastião são cinco léguas. Da ponta da Ilha Grande ao morro de Caruçú são nove léguas. Em que se declara a costa do Rio de Janeiro atéS. Quem vem do mar em fora parece-lhe esta ilha cabo de terra firme por estar chegada á terra. que lhe faz duas abertas. onde se faz uma enseada: e defronte d'esta enseada está uma ilha de arvoredo. que se chama de Jorge Grego.tom duas ou ires ilhetas de arvoredo. na enseada junto á terrafirme. Ao mar d'estailha está um ilheo. CAPITULO LVII. e detodosos inanjiioentos que se dão na costa do Brazil: onde ha muilo páo do Brazil. na qual ha muito bom porto para surgirem navios. e não a povoou. e tem cinco ou seis loguas de comprido. Da ponta de Cara de Cão do Rio de Janeiro á ponta do rio de Marambaya são nove léguas . que se chama a Ilha Grande. e muito bom. cuja terra é muito boa.92 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e tem ura ilheo na ponta. da ilha das Couves ao porto dos Porcos são duas léguas. a qual eslá em vinte e quatro gráos.

o a outra dos Búzios. Sebastião d'ahi a ires léguas ao sudoeste delia estão duas ilhotas: uma so diz da Victoria. por ter mais fundo. Vicente são quatro léguas. no que são muito destros. Estos Tamoyos ao tempo que os Porluguezes descobriram esla provincia do Brazil senboreavam a costa delle. por a costa da terra que elles senhorearam passar além do Rio de Janeiro até Angra dos Reis. e grandes caçadores e pescadores de Unha. coro quem partem. com quem lambera tem continua guerra. Vicente lesnordesto eoessudoeste. são valentes homens e mui bellicosos. onde agora vivem.ROTRIRO DO RRAZIL. pelo que se não podia dizer deites em outra parto mais accommodada. que se chama dos Alcatra/es. de que se aproveitavam quando não tinham anzoes. e são amigos unidos outros. do Monte do Trigo á barra do S. Ao sudoeste d'esta ilha eslá outra ilha. mas acostar antes á banda da ilha. Esto gentio é grande de corpo e mui robusto. Thomó alé a Angra dos Reis. Ainda que pareça ser já fora de seu lugar tratar aqui do gentio Tamoyo. e grandes mergulhadores. de quem se fazem parentes. do qual limito foram lançados para o sertão. São estes Tamoyos mui inimigos des Guaitacazes. e cada dia se matam e comem uns aos outros. Em que se declara quem i o gentio Tamoyo de que tanto faltámos. vida e costumes. e contrários de todo o gentio senão dos Tupinambás. c um d'elles muilo mais comprido que os outros. E corre-se esla costa da Ilha Grande até S. de quem já falíamos. Sebastião ao Monto do Trigo são quatro léguas. segundo já fie* dito. Pelejam estos índios com arcos e flechas. Por cst'outra parte de S. Da ilha de S. sem se perdoarem. a qual tem três picos de pedra. desde o rio do cabo de S. e tem as mesmas gentilidades. Por dentro d'esla ilha de S. e á flecha matam lambem muito peixe. não lhe cabia outro. E para boa navegação hade se navegar entre osta ilha e a terra firme. CAPITULO LVIII. 08 se poder povoar. As . Vicente partem com os Guayanazes. cuja falia se parece muito uma com a outra.

os quaes são grandes componedores de cantigas de improviso. e depois Antônio Salema no Cabo Frio. Costiimarft mais ém suas'festas enfeita. verá sobre ella uma ilha com um monte. São havidos estes Tamoyos por grandes músicos e bailadores entre todo o gentio. Nestes dous rios costumavam os Francezes resgatar cada anno muitos mil quintaes do páo brazil. e antes que cheguem á Villa estam os èh- . compres mâmilhões. pelo qual entra a maré cercando a terra de maneira que fica em ilha muito chegada á terra firme. as quaesficamdentro do rio mui seguras de todo o tempo. Vicente. por onde quer que vão. Com este gentio tiveram grande entrada os Francezes. ed'esta ponta á outra. rem-se com capas e carapuças de pennas de cores de pássaros. Ém que se declara a barra e povoações da capitania de S. onde os deixaram fortificar e viver até que o governador Mem de Sá os foi lançar fora. Trazem ôs beiços furados e n'elles umas pontas de osso compridas com uma cabeça como prego éhi que mettem esta ponta. é faz este braço do rio muitas voltas. para conhecer a barra. CAPÍTULO LlX. de quem foram bem recebidos no Cabo Frio e no Rio de Janeiro. e entrando por este rio acima está a terra toda povoada de uma banda e da outra de fazendas mui frescas. Vicente emáTtura de vinte e quatro gráos e meio. e tom as suas aldêas mui fortificadas com grandes cercas de madeira. se estende a barra de S. aonde carregavam delle muitas náos que traziam para França. está a villa de Nossa Senhora da Conceição. Na ponta d'esta barra. e para quenão caia a tal cabeça lheficade dèrtírõ do beiço por onde a mettem. Por esta bárrâ entram háOs de todo o porte. o qual rio tem a bocca grande e muito aberta onde se diz â barra de Estevam da Costêh E quem vem domarem fora. pólo que sãô muito estimados do gentio. suas casas são mais fortes que as dos Tupinambás e do outro gentio. Vicente. Está o rio ê barra deS. da banda de leste.9/l GABRIEL SOARES DE SOUZA. dâ feição de moelade gallinha. que se diz de Estevam da Gosta.

e verão os feitos maravilhosos que n'ella acabou. aceitou esta capitania com cincoenta léguas da costa.ROTEIRO RO BRAZIL. Amaro de seu irmão Pedro Lopes. que proveu de mantimcntos e munições de guerra como convinba. Amaro. e quem foi o povoador d'ella. e no cabo da sua capitania tomou porto no rio que se agora chama deS. Pelo sertão d'esta capitania nove léguas eslá a vjlla de S. Vicente. pelo esteiro da villa de Santos. Vicente. de Marlim Affooso de Souza com a de S. o no rio eslá uma ilhela além da qual a mão direita está a villa do S. donde começou a fazer sua viagem. Parece que énecessário. sendo capitao-mór do mar e depois governador. cuja fidalguia e esforço é tão notório a todos. declarar cuja é a capitania de S. Sendo este fidalgo inancebo. d'onde se comera a capitania da villa de S. e os que delle náo sabem muito vejam os livros da índia. Vicente. da qual fez El-Rei D. que é cabeça d'esla capitania. e do redor delia quatro ou cinco léguas estão quatro aldêas de índiosforroschrislaos. onde se fortificou . CAPITULO LX. 05 gciihos dos Esquortes de Fraudes o o do José Adorno. com os quaes se partiu do porto de Lisboa. Paulo. Em que se declara cuja é a capitania de S. em a qual embarcou muitos moradores casados que o acompanharam. E aparta-se esta capitania de S. quo é escusado bulir neste lugar n'isso. era a qual villa eslá um mosteiro dos padres da Companhia. João III de Portugal mercê a Marlim Affonso de Souza. e com prospero tempo chegou a esla provincia do Brazil. Tem esta villa mais dous ou três engenhos de assucar na ilha e terra firme. a qual determinou de ir povoar em pessoa. como as de que já fizemos menção. Vicente. desejo» de commetler grandes emprezas. que os padres doutrinam: e servora-se desta villa para o mar pelo esteiro do Ramalho. para o que fez prestes uma frota de navios. mas todos fazem pouco assucar por não irem lá navios que o tragam. Vicente. antes de passar mais adiante. onde geralmente se diz O Campo.

Magestade . como fica dito. que se diz do mesmo nome do rio que fez cabeça da capitania. d'onde lançou os Goaianazes. se veio para Portugal. o assentou a primeira villa. e o mesmo fez reinando El-Rei D. que é o gentio que a possuía e senhoreava aquella costa até contestarem c'os Tamoyos. N'estes fehces annos de Marlim Affonso favoreceu muito esta sua capitania com navios e gente que a ella mandava. Vicente grande commodidade para se fortificar e defender. Tem este rio de S. chamado de S. para o que tinha todas as partes convenientes. no tempo que governava a^Rainha D. o alguns engenhos de assucar. e foi correndo a costa descobrindo-a . João. por ser mui importante esta fortificação ao serviço de S. por ser pouco bellicoso e fácil de contentar. em que se lhe afogou alguma gente. E deixando nella quem a governassee defendesse. e deu ordem com que mercadores poderosos fossem e mandassem a ella fazer engenhos do assucar e grandes fazendas. como tem até hoje em dia . se embarcou em certos navios que tinha. Catharina sua avó . e os rios delia até chegar ao Rio da Prata. Henrique. Sebastião . aonde perdeu alguns dos navios pelos baixos do mesmo rio. donde se as outras capitanias proveram de cannas de assucar para plantarem. a qual assentou em uma ilha. E depois de a governar se veio para estes reinos que também ajudou a governar com El-llei D. porque.96 GABRIEL SOARES DE SOUZA. so se apoderarem delia os inimigos-. por ella ser a primeira em que se fez assucar na costa do Brazil. pelo qual navegou muitos dias com muito trabalho. a qual villa floreceu muito n'estes primeiros annos. pelo . Vicente e a da Conceição. E esta villa foi povoada de muita e honrada gente que n'esta armada foi. e depois o Cardeal D. e como fez pazes com elle. e inda agora florece e tem em si um honrado mosteiro de padres da Companhia . serão máos de lançar fora. e o mandou para as da índia. do que jáfizemosmenção. Com o gentio teve Marlim Affonso pouco trabalho. quo o fez do seu conselho d'Estado . donde se tornou a recolher para a capinia que acabou de fortificar como pôde. Altcza. e acabou de fortificar a villa do S. que se houve por servido d'elle n'aquellas partos. e de vaccas para criarem . ao que é necessário acudir com brevidade.

amaçaram-se muito mal os moradores deltas. Felippe faz uma ponta muito chegada a est'outra. á mão esquerda delle está situada a villa do mesmo nome. da banda da torra firme estão os rios seguintes. á mão direita delle. Está tão inistira a capitania de S. V/ cemmodo que tem na mesma terra. por onde fica Santo Amaro também era ilha. a qual fica lambem em ilha cercada de água toda. e quem povoou. e passando d'estas torres pelo esteiro acima. junto da qual está o engenho de Francisco de Barres. que se chama de S. Em que se declara a capitania de Santo Amaro . se d'estas fortalezas Iho não impedirem. eslá a villa de Santo Amaro. d'ella a três léguas ao longo da costa. Por morto do Marlim Affonso herdou esla capitania seu filho primogênito Pero Lopes do Souza. cabeça d'esla capjpania. Vicente. Defronto da fortaleza de S. Vicente. De Santo Amaro fez Pero Lopes de Souza. onde está outra torre com bombardeiros e artilharia. para se fortificarem nella. o por entre uma e outra podem entrar náos grandes por ter fundo para isso. estão no rio duas ilhotas. e da ponta onde está esla fortaleza . por onde entra a maré. cercando estatorraalé se ajuntar com csfoulro esteiro de S. antes que cheguem á ilha que n'elle esla . senão foram de dous irmãos. Vicente com a de Santo Amaro. Indo pelo rio de S. que se navega com barcos. que. o defenderem de quem os quizor lançar fora. Vicente acima. e entrando por este esteiro de Santos. c lhe dá jurisdicçáoda capitania de Santo Amaro. onde eslá uma forte com artilharia e bombardeiros. por cujo fallecimeuto a herdou sou filho l. Por esta barra entra a maré cercando esta terra alé se ajuntar com o esteiro de San tos. Thiago. e tornando á ponta do Estevam da Costa que eslá na boca da barra de S. que se diz de S. D'esta villa de Santo Amaro á barra de Brilioga são duas léguas. eslá a boca do esteiro e porto da villa de Santos.opo do Souza. as quaes iremos dividindo como podermos.ROTEIRO DO RRAZIL. CAPITULO LXI. Felippe. IIT 13 .

que estão povoados com engenhos e outras fazendas. Esta capitania foi povoar em pessoa estefidalgoe fez para o poder fazer uma frota de navios em que se embarcou com muitos moradores . Vicente e a de Santo Amaro o esteiro de Santos. e foi tomar porto no de S. do que se não usa na terra por osmantimentos d'ella serem muito bons e facilissimos de grangear. os quaes se vem meter aqui no salgado: rio dos Lagartos. o do engenho de Antônio do Valle. o de Manoel de Oliveira . por não ficar d'elle herdeiro barão a quem ella com a de Tamaracá houvesse de vir.98 GABRIEL SOARES DE SOUZA. de que os moradores são mui abastado e de muito pescado e marisco. e se dá trigo e cevada. o de Santo Amaro. o da Trindade. a qual agora possue uma sua neta. onde está o engenho de Domingos Leitão. com os quaes partiu do porto de Lisboa e se foi á provincia do Brazil. Do trigo usam somente para fazerem hóstias e alguns mimos. por onde levava sua derrota. o rio dos Frades. Tem esla . N'estas capitanias de S. em as quaes se dá o assucar muito bem. donde se negociou e fez as povoações e fortalezas acima ditas. Vicente e Santo Amaro são os ares frios e temperados como em Hespanha. o Piraqué. o do engenho de Paulo de Proença. no que passou grandes trabalhos e gastou muitos mil cruzados. o de S. que é já da capitania de S. cuja terra é mui sadia e de fresca e delgadas águas. CAPITULO LXII. Atraz fica dito como Pero Lopes de Souza não quiz tomar as cincoenta léguas de costa de que lhe El-Rei fez mercê todas juntas. onde se dão tamanhas ostras que tema casca maior que um palmo. concluindo é marco entre a capitania de S. Vicente. João. Em que se declara parte da fertilidade da terra de S. de que agora tratamos. Vicente. Miguel. o das Cobras . ede que tomou a metade em Tamaracá e a oulra em Santo Amaro. Vicente. e algumas muito façanhosas. o de S.

c os moradores da villa de S. o tanta marmelada que a levam a vender por as oulras capitanias. Que trata de quem são os Goainazes. E não ha duvida senão que ha nestas capitanias outra fruta melhor que é prata . e os marrados são tantos que os fazem de conservas . e matam-se uns aos outros cruelmente. o quo acham os moradores d'estas capitanias mais proveitosos e melhor quo do couro das vaccas. o com os Ci rijos da outra. muito mollar. nem refalsadbs. ás quaes a formiga náo faz nojo.Paulo tem já muitas vinhas. romãs. por se não criar na terra como nas outras capitanias: dão-se nestas capitanias uvas. ondo as carnes são muito gordas o gostosas. Já lica dito como os Tamoyos são fronteiros do outro gentio. por não ir á terra quem a saiba tirar das minas e fundir. o ha homens if cila que colhem já duas pipas de vinho por anno. o criam-se aqui tantos porcos o tamanhos quo os esfolam para fazerem botas. o outras muitas alimarias o aves. CAPITULO LX11I. 99 capitania muita caça de porcos e voados. e facilimos de crer em qualquer eonsa. É cento d»* pouco trabalho. [>or a lorra ser mais fria. não são os Goainazes maliciosos. e de seus costumes. o que so não acaba do descobrir. onde ficam visinhando com outra casta de genlios. Dão-se n'esla terra todas as frutas do espinho que cm Hespanha . maçãs e raarmelos cm muita quantidade. não u-mn entre si . figos. antes simples e bem acondicionados . e d'ahi até o rio do Cananea. e couros de cadeiras. Estes Goainazes tem continuamente guerra com os Tamoyos de uma banda. os quaes tem sua demarcação ao longo da costa por Angra dos Reis. e lambem ha já nesta terra algumas oliveiras que dam fruto. que se chamam os Goainazes. c muitas rosas. que se chamam os Cá rijos. do que n'estas capitanias ha muita quantidade por so na torra darem melhor que na Hespanha . c por causa das plantas é muilo verde.ROTEIRO IVO BRAZIL. e para senão avinagrar llie dão uma forvura no fogo. o fazem vantajem ás das outras capitanias. nem a outra cousa .

e toma da quarta de leste oeste. e corre-se esta costa de Santo Amaro até a Cananea nordeste sudoeste. entre os quaes é um que está onze léguas . a qual terra é toda boa para se poder aproveitar. porque é gente folgasã de natureza e não sabe trabalhar. são grandes flexeiros e inimigos de carne humana. como o mais gentio da costa. vivem de caça que matam e peixe que tomam nos rios. as quaes sabem empregar tão bem como seus contrários. são na côr eproporção do corpo como os Tamoyos. não fazem nenhum damno. da qual ao rio da Cananea são vinte e cinca léguas ou trinta . lavoura. se não no campo. Em que se declara a costa do rio de Santo Amaro até á Cananea.JOO GABRIEL SOARES DE SOUZA. e quem acerta de ter algum escravo Goainá não espera d'elle nenhum serviço. e como a villa de Santo Amaro é cabeça d'esta capitania. porque não sabem pelejar entre o mato . e tem muitas gentilidades. se encontram com gente branca. e tem muitos riachos. mas aceitam-nos por seus escravos. onde tem fogo de norte e de dia . CAPITULO LXIV. Não vive este gentio em aldeias com'. mas em covas pelo campo debaixo do chão. mas entendese com osCarijós . e das frutas silvestres que o mato dá. Vicente da de Santo Amaro pelo esteiro de Santos . antes que che- . Não matam aos que cativam. e fazem suas eamas de rama e pelles de alimarras que matam. e se defendem com seus arcos e flexas dos Tamoyos. A linguagem d'este gentio o differente da de seus visinhos. quo se vem metter no mar. quando lhe vem fazer guerra. como os Tamoyos seus visinhos. aonde vivem. casas arrumadas . antes boa companhia. com quem pelejam no campo mui valentemente e ás flexadas . Atrazficadito como se divide a capitania deS. antes da qual se acaba a capitania de Santo Amaro. nem os vão buscar nas suas vivendas. Náo costuma este gentio fazer guerra a seus contrários fora dos seus limites.

Por este rio entra a . que tem uma ilha junto ao rio. que se informaram do gentio. 101 gucm i Cananea. e tom na boca três Ilheos. por ter grande commodo para isso. Francisco. Francisco. ese navega por elle acima algumas léguas. e chama-se este cabo do Padrão. e toda a criação de gado que lhe lançarem . o qual está em vinte gráos esforçados e dous terços. a qual faz na boca uma enseada. Do rio da Cananea até o cabo do Padrão são cinco léguas . onde estão seguros de todo o tempo : chama-se este rio de S. Neste rio entram barcos da costa á vontade. o qual eslá em vinte seis gráos e dous terços. cm o qual rio entram navios da cosLi. Francisco são cinco léguas . em a qual se dão muitos mantimenlos dos naturaes. e que lhe afirmaram ser um braço do Pará. Em que se declara a costa da Cananea até o rio de S. e so dará tudo o que lhe plantarem. Francisco. N'esto rio entram navios da cosia. cuja torra é muito fértil. e para se fazer muita conta d'elle. o que não parece possível. d'onde vinha esto rio.ROTEIRO DO BEAZIL. junto do qual está uma ilheia chegada a terra . Este rio da Cananea está em vinte e cinco grãos e meio. segundo o lugar onde se vai meter no mar tão distante d'este. e é mui capaz para so poder povoar. que se diz a Ilha Branca. no meio da qual bem defronto do rio tem uma ilha. Do cabo do Padrão ao rio de Santo Antônio são oito léguas . por aqui se assentar um pelos primeiros descobridores d'esta costa. a que os Porluguezes chamam de S. Do rio Alagado ao de S. CAPITULO LXV. Do rio de Santo Antônio ao Alagado são cinco léguas. onde podem estar seguras náos de lodo o porte . Vicente . e nesta abra está grande porto e abrigada para os navios. que é o que já dissemos. por ser muito abastado de pescado e marisco. porque lera fundo para isso. Tem o rio da Cananea na boca uma abra grande . que entra no mar d'esta costa . porque afirmam os povoadores da capitania deS. e por ler muita caça . e entre um e outra está uma ilheia chegada á terra.

especialmente águas vertentes ao mar. a que outros chamão Jumirim. de que foliámos. em o qual se mettem muitas ribeiras. pelo qual entra a maré muito . Do rio de S. e uma e outra ó muito fértil e abastada de caça e muito acommodada para se poder povoar. onde ha boas pescarias e muito marisco. por onde se navega com barcos. Francisco nordeste sudoeste . que vivem na capitania de S. A terra d'este rio ó alia e fragosa . Francisco ao dos Dragos são cinco léguas. Vicente e Santo Amaro. o qual está em vinte c oito gráos escassos. pelo qual entram caravcllões. Este rio acima dito . Este rio tem grandes pescarias e muito marisco . e tem na boca três Ilheos. pela qual entram caravellõcs. onde se contratam. CAPITULO LXVI.102 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Do rio dos Dragos á bahia das Seis Ilhas são cinco léguas. maré muito. porque se navega muito espaço por ella acima. sem entre uns e outros haver desavença alguma. Este rio está povoado de Carijós contrários dos Goainazes. e corre-se a costa do Itapucurú ate o rio de S. A terra d'este rio é alta e fragosa e povoada de gentio Carijó. tem a boca grande o ao mar d'elle três ilhetas. Francisco norte sul. como a de Hespanha . e todas estas ilhas que estão por ella . Francisco até a de Jumirim ou Itapucurú. Francisco. A terra do sertão é de campinas. Já estes Carijós estão de paz com os Portuguezes. Corre-se esta costa da Cananea ató o rio de S. c corre-se por elle acima leste oeste. e grande commodo para se poder povoar. . tem bom porto e surgidouro para os navios ancorarem. os quaes vem por mar resgatar com elles n'este rio. e dará tudo o que lhe plantarem. e tem mais arvoredos que a terra atraz . por ser muito fértil. e a terra ao longo tem muita caça. d'esta bahia ao rio Itapucurú são qualro léguas. Em que se declara a costa do rio de S. e as que estão á boca do rio de S.

quo vai fazendo abrigo á. onde ha grande surgidouro e abrigada para náos de todo porte. por ser a terra grossa muito boa e ter grandes portos. por onde se navega. por a torra ser muilo fcrlil para tudo o quo lhe plantarem. Em que se declaram parte dos costume* dos Carijós. c tem muitas ribeiras d "água dentro. e corre-se norte sul. até o rio Do rio de Itapucurú ató o rio dos Patos são quatro legoas.. e como se matam uns aos outros.R0TRIR0 DO RRâZII. entre cllae a terra firmo. por onde entram os navios da costa. que está na ponta do sul. a qual tem muita caça de veados. e o rio é mui provido de marisco . e a maré muito espaço. c outro que tem na ponta do norte. Esto rio é muito grande . e tem grandes pescarias até onde possuem a terra os Carijós. Jagora cabe aqui dizer delles o que . Mcttem-se n'estc rio muitas ribeiras. o qual está em vinte e oito gráos. 10S CAPITULO LXVII. cuja boca se serra com a ilha de Santa Catharina. Atraz fica dito como os Carijós são contrários dos Guaianazos. CAPITULO LXVIII. n'esta enseada que se faz da ilha para a terra firmo estão muitas ilhotas: está esta boca e ponta da ilha da banda do norte em vinte oito gráos de altura. a qual da banda do mar náo tom nenhum surgidouro salvo um ilheo . Tem esla ilha de comprido oilo léguas. A' boca d'este rio está siluada a ilha do Santa Catharina . e tem grande commodidade para se poder povoar. cm que podem estar seguras de todo o tempo muitas náos. o qual é muito acommodado para se poder povoar. de porcos e de muitas aves . Em que se declara a terra que ha de Itapucurú dos Patos. c d'aqtii por diante é a vivenda dos Tapuias. a qual ilha é coberta de grande arvoredo. Mostra esla ilha uma bahia grande. e eslá por marro enlre uns o oulros este rio dos Patos. que vem do sertão. que fica a maneira de enseada. terra até junto de Itapucurú. que vai por detraz .

especialmente com os Guaianazes com quem tem suas entradas de guerra. segundo seu costume. onde plantam mandioca e legumes como os Tamoyos e Tupiniquins. onde ha grande abrigada e surgidouro. Do rio dos Patos ao rio de D. manhas e costumes. de boa razão. Este gentio é doméstico. o qual porto está em vinte e oito gráos e um quarto. e corre-se a costa norte sul. o qual está em uma bahia que a terra faz para dentro. pouco bellicoso. . o qual nome tomou por o porto ser uma calheta grande e redonda e fechada na boca que parece alagòa. Este gentio possue esta costa desde o rio da Cananea onde parte com os Guaianazes. nem mata a homens brancos que com elles vão resgatar. em a qual se fazem uns aos outros mui continua e cruel guerra. até onde a terra é algum tanto alta. outra por detraz. Este porto está no cabo da ilha de Santa Catharina. Vivem estes índios em casas bem cobertas e tapadas cora cascas de arvores. uma por diante. Rodrigo são oito léguas. Em que se declara a costa do rio dos Patos até o da Alagòa. Do porto de D. para os navios estarem seguros de todos os ventos. com o qual se não encrespa o mar. fazem suas brigas com os contrários em campo descoberto. sustentam-se de caça e peixe que matam. porque nem uns nem outros sabem pelejar por entre elle. que os Carijós sabem tão bem manear como seus visinhos e contrários. cuja linguagem é differente da de seus visinhos. por amor do frio que ha naquellas partes. CAPITULO LXIX. Costuma este gentio no inverno lançar sobre si umas pelles da caça que matam. e de suas lavouras que fazem. não come carne humana. Rodrigo ao porto e rio da Alagòa são treze léguas. se poude alcançar e saber de sua vida e costumes. tem mais muitas gentilidades. em cujo titulo se contam mui particularmente. e como os desbaratados se acolhem ao mato se tem por seguros. Esta gente é de bom corpo.10Ü GABRIEL SOARES DE SOUZA. pelejando com arcos e flexas. como os Tupinambás. tirado o nordeste que cursa no verão e venta igual.

e chama-se de Martim Affonso por elle o descobrir quando andou correndo esla cosia de S. Busque te declara a costa do porto da Alagòa até o rio de Martim Affonso. Tem este rio duas léguas ao mar uma ilha aonde ha bom porto e abrigada para surgirem navios de todo o porto. onde os moradores que nelle viverem estarão mui descançados.ROTSIRO DO BRAZIL. ó eslatorraá vista do mar sem mato. Do rio dos Patos atequi. como a de Hespanha. e por a terra ter muita caca. Rodrigo é sufficiente para ae poder povoar* pela fertilidade da terra e pela commodidade que tem ao longo do mar de pescarias e muito marisco. Do porto da Alagòa ao porto e rio de Martim Affonso são vinte e duas léguas. com que concluímos este capitulo. 106 onde lambem entram navios da costa e cstao mui seguros. onde se dará tudo o que lhe plantarem. aonde ha muito marisco. Esla terra é possuída dos Tapuias. pelo que este rio se pode povoar. as quaes se correm pela costa nordeste sudoeste e toma da quarta de norte sul. cuja terra é de campinas que estão sempre cheias de herva verde com algumas reboleiras de mato. E o porto da Alagòa. . e ter muitas águas de alagòas e ribeiras para o gado poder beber. em a qual se dará maravilhosamente a criação das vaccas e todo o mais gado que lhe lançarem. CAPITULO LXX. Vicente até o rio da Prata. e se criará todo o gado que lhe lançarem. por ser terra fria. o qual é povoado de Tapuias. cuja terra é baixa e da qualidade da de atraz. por ser a terra fria e ter muitas águas para o gado beber. entra a maré por este rio muito. Este rio lera muito bom porto de fora para navios grandes e dentro para os da costa. ainda que vivem algum tanto afastados do mar por ser a terra desabrigada desventos: mas o porto de D. tem um ilhéo junto da boca da barra. Esto rio está em trinta gráos e um quarto. mas eslá vestida de herva verde. onde se dão muito bem todos os fructos que lhe plantam.

Esta terra é muito baixa e não se vê de mar em fora senão de muito perto. que boja ao mar bem legua e meia. e muitas outras alimarias e aves. N'este porto ha um bom surgidouro e abrigada para os navios estarem seguros sobre amarra. onde ha muita caça de veados e porcos que andam em bandos. que cursam no inverno. E tem esta terra algumas reboleiras de mato á vista uma das outras. Pedro são quinze léguas. por onde ha muitas lagoas e ribeiras de água para o gado beber. assim naturaes como de Hespanha : e dos mantimentos de terra se aproveita o gentio Tapuia. .106 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Pedro se faz uma ponta de área. onde entram caravelões. por estarem lá mais abrigadas dos ventos do mar. e em um é em outro podem surgir os caravelões da costa. Do rio de Martim Affonso á bahia dos Arrecifes são dez léguas. em o qual se vem metter no salgado um rio de água doce. como a mais terra atraz. e toda é de campos coberta de hêrva verde. cuja costa se corre nordeste sudoeste : da banda do sudoeste d'esle porto de S. muito boa para mantença de criação de gado vaccum e de toda a sorte. Pedro. e da bahia ao rio do porto de S. em suas roças e lavouras. o qual rio está em altura de trinta e um gráo e meio . CAPITULO LXXI. onde ao longo d'elle não tem nenhum abrigo. Em que se declara a costa do rio de Martim Affonso até o porto de S. que fazem afastadas do mar três ou quatro léguas. e porque lhe fica a lenha muilo longe. Entre o porto da Alagòa e o de Martim Affonso eslá o porto que se diz de Santa Maria e o que se diz da Terra Alta. e ao longo dá costa ha grandes pescarias e sitios accommodados para potfoações com seus portos . em a qual terra se darão todos os frutos que lhe plantarem.

nem íaz mal a gente branca que os communica. porcos. Pedro até o cabo de Santa Maria. onde se darão todos os íructos de Hespanha muito bom. donde se pode prover toda a costa do Brazil.RUTRIRO DO BRAZIL. entre os quaes ea terra firme ha boa abrigada e surgidouro para náos do todo o porte. galinhas e outras couaas. Do porto de S. e pelo rio da Praia acima nas povoaçòes dos Castelhanos. Esto cosia desde o Rio dos Paios alé a boca do Rio da Prato é povoada de Tapuias «gente domestica e bem a condicionada. que vão em caravelões resgatar por esta costa com esto gentio alguns escravos. cera da torra. que não como carne humana. Vizorei da provincia de Chile. não vivem estes . e porque a terra é muito raza e descoberta aos ventos. 107 CAPITULO LXXII. como são os moradoras da capitania de S. a qual carregou n'este porto de trigo. o qual eslá em trinta e quatro grãos. e tem da banda do sucsto duas léguas ao mar três ilheos altos. Toda eslatorraé baixa sem arvoredo. a herva d estos campos é muito boa para criações de gado do toda surte. Pedro ao cabo do Santa Maria são quarenta o duas léguas. que aconteceu o auno de 83 vir ao rio de Janeiro uma das náos cm que passou D. que desembarcou em Buenos-A)ros. Afonso. as quaes se correm pela costa nordeste sudoeste. e não tem matos nem abrigadas. onde se dá tanto trigo. Vicente. Em que se conta como corre a costa do rio de S. que se vendeu no Rio de Janeiro a ires reates a fanega. pola qual ba muitas águas frescas para os gados beberem assim de lagoas como de ribeiras. como em S. mas cheia do herva verde cm lodo o anno. com quem não tem nunca desavença. que se dizem osCaslilhos. e no verto lavada de bons ares frescos e sadios. o ha partes que tem algumas reboleiras do mato . o qual se dará muito bem do Rio de Janeiro por diante. onde se dará muito bem por ser a terra muitotemperadano inverno. Vicente.

a qual está em trinta e quatro gráose dous terços. são trinta e quatro léguas. D'este Rio da Prata. cuja costa se corre nornordeste susudoeste. sao todos uns e tem quasi uma vida e costumes. e vem pescar e mariscar pela costa. D'esta ponta da ilha dos Lobos. e ainda que vivam tão afastados d*estes. á outra banda do rio. Não tratamos aqui da vida e costumes d'este gentio. que se chama do Arrecife. A torra junto da boca d'este rio é da qualidade da outra terra do cabo de Santa Maria. que se vem metter aqui no salgado. e tem suas povoações afastadas para o sertão ao abrigo da terra. porque se declara ao diante no titulo dos Tapuias. que se diz das Flores. Em que se declara a costa do cabo de Santa Maria até à boca do Rio da Prata. nem de sua grandeza não temos que dizer . que está na boca do Rio da Prata. e ao mar quarenta léguas. Entre esta ponta e a ilha ha boa abrigada e porto para navios. que está na boca de um rio. D'esta ponta se vai recolhendo a terra para dentro até outra ponta. cuja terra firme faz defronte da ilha á maneira de ponta. que se diz a ponta de Santo Antônio. onde se chama os baixos de Castelhanos. Do cabo de Santa Maria á ilha dos Lobos são quinze léguas. Está o meio da boca do Rio da Prata em trinta e cinco gráos e dous terços.108 GABRIEL SOARES DE SOUZA. CAPITULO LXXIII. bem em direito d'esta bocca do Rio está um ilhéo. onde se dará também grandemente o gado vaccum e tudo o mais que lhe lançarem. Tapuias ao longo do mar. porque aqui se perdeu uma náo sua. que está legua e meia afastada d'esta ponta. o qual ilhéo está na mesma altura de trinta e cinco gráos e dous terços. onde está outra ilha . que vivem no sertão da Bahia. cercado de baixos de redor d'ello obra de duas léguas. pelo haver d'ahi para dentro ató o Monte de Santo Ovidio.

da terra o povoações que por elle acima tem feito os Castelhanos. e aterramuito baixa. por onde se mettem alguns esteiros no salgado. a qual é cheia de baixos. do muito que se podo dizer dos seus recôncavos. Em que se declara a terra e costa.ROTEIRO DO BRASIL. que está da banda do sul. Do Cabo dos Correntes ao Cabo Aparcellado são oitenta e seis léguas. o qual Rio da Praia é povoado muitas léguas por elle acima dos Tapuias atraz declarados. fertilidade. demora em trinta e sob gráos o meio. porque é tão nomeado que se não pôde trator d'ollo sem grandes informações. que escaparam da armada que se n'ello perdeu ha muitos annos. que se diz de Santa Apollonia . defronte da qual são baixos uma legua ao mar. ilhas. cuja costa é cheia de baixos. Esto cabo está em trinta e nove gráos. os quaes so casaram com as índias da torra. D'este Cabo Aparcellado se toma a recolher a terra para dentro leste . 100 n'cste lugar. é toda de aréa. e corre-se a costa nornordesto susudoeste. o qual Cabo Aparcellado está em quarenta e um gráos. que são navios de uma só coberta que andão em seis e sete palmos de água. e a partes os tem cinco e seis legoas ao mar. onde se pedem recolher caravelões da costa. de que nascerão grande multidão de místicos que agora tom povoado muitos lugares. Esto Cabo Branco está em trinta e sete gráos e dous terços. rios que se n'elle incitem. e toda a costa de ponta a ponta uma e duas léguas ao mar são tudo baixos. ao mar da qual sete ou oito legoas são tudo baixos. Da ponta do Santo Antônio ao Cabo Branco são vinte e duas léguas. cuja costa se corre nornordesto susudoeste. Do Cabo Branco ao Cabo das Correntes são vinte e cinco léguas. c fica-lhe em meio uma enseada. Mathias. A ponto do Rio da Praia que se diz de Santo Antônio. CAPITULO LXXIV. da ponta do Rio da Prata da banda do sul até além da bahia de S. e fica entre um cabo e o outro a Angra das Aréas. e corre-se a costa de ponta a ponta lesnordeste oessudoeste.

Mathias até a ponta de terra do Marco são trinta e oito léguas. que serão vinte e sete léguas. que está em gloria. segundo a opinião do Dr. N'esta ponta do Marco se acaba a demarcação da coroa de Portugal n'esta costa do Brazil. Mathias. alé a ponta da habia de S.*<S-n . Pedro Nunes. Sebastião. que está na mesma altura de quarenta eum gráos. a qual é toda aparcellada.HO GABRIEL SOARES DK SOUZA. cuja costa se corre norte sul. Cosmographo d'El-Rei D. que n'esta arte foi era seu tempo o maior homem de Hespanha. era uma enseada que faz a terra. está uma ilheta. e da Ponta Aparcellada a quatro léguas. oeste. que está em quarenta e quatro gráos pouco mais ou menos. Da ponta da bahia de S. A terra aqui é baixa e pouco proveitosa. e antes de se chegar a esta ponta do Marco está outra ilha. 9*Ç&. e na ponta d'esta enseada da banda de loeste está outra ilha uma legua do mar.

que se nâo soffria naquelle lugar tratar-se das grandezas delia. o que se faria ao diante mui largamente. MEMORIAL E DECLARAÇÃO DAS GRANDEZAS DA BAUIA DE TODOS OS SANTOS. donde se pudessem ajudar e soecorrer todas as mais capitanias e povoações delia como a membros seus. e pondo S. maravilhosas águas e da bondade dos mantimentos delia. o governador geral de todo o estado do Brazil: ao qual deu grande alçada e poderes em seu regimento. do Portugal soube da morte do Francisco Pereira Coutinho. em a qual mandou embarcar Thomé de Souza do seu conselho. sabendo já das grandes partes da Bahia. Atrazficadito. CAPITULO I. Da qual podemos agora tratar e explicar o que se delia não sabe para que venham á noticia de todos os occultos desta illuslre terra. e o elegeu para edificar esta nova cidade. Jo9o III. Como El-Rei D.SEGUNDA PARTE. ordenou de a tomar á sua conta para a fazer povoar. DE SUA FERTILIDADE E DAS NOTÁVEIS PARTES QUE TEM. Alteza em effeito esta determinação tão acertada. com que quebrou as doações aos capitães . mas fundado ludo na verdade. passando pela Bahia de Todos os Santos. depois que se acabasse do correr a costa com quetemosjá concluído. mandou fazer prestos uma armada e prove-la de todo o necessário para esta empreza. como meio e coração de toda esla costa. pois n5o cabiam ali. e mandar edificar nella uma cidade. de que o foz capitão . ao que queremos satisfazer cora singelo estilo pois o náo temos grave. por cujos merecimentos devo de ser mais estimada ereverenciadado que agora é. bons ares. da fertilidade da terra.

Em que se contêm quem foi Thomé de Souza e de suas qualidades. ainda que bastardo. partiu Thomé de Souza do porto de Lisboa aos 2 dias de Fevereiro de 1549 annos. que pelo tempo em diante servirão. que comsigo levou. de que se elles aggravaram a S. onde se mostrou mui valoroso cavalleiro em todos os encontros em que se achou. e alguns moradores casados. para onde levava sua derrota. e a outros sacerdotes. para ministrarem os sacramentos nos tempos devidos. povoação que Francisco Pereira edificou. Alteza. Pedro Borges. de alcunha o Carajnurú. aos vinte e nove dias de Março do dito anno. Thomé de Souza foi um fidalgo honrado. e desembarcou no porto de Villa Velha. e outros creados d'El-Rei que iam providos de cargos. para doutrinarem e converterem o gentio na nossa santa fé catholica. convém a saber: seiscentos soldados e quatrocentos degradados. confiando de seus merecimentos e grandes qualidades que daria a conta delia que se delle esperava. homem avisado. Alteza. mereceu fiar d'elle El-Rei tamanha empreza como esta que lhe encarregou. assim no crime como no eivei.112 GABRIEL SOARES DE SOUZA. prudente e mui experimentado na guerra de África e da índia. pelos quaes serviços e grande experiência que tinha. E como a dita armada esteve prestes. que no caso os nSo proveu. porque ató então não havia ordem em uma cousa nem em outra. E no tempo que Thomé de Souza desembarcou achou na Villa Velha a um Diogo Alvares. e levando prospero vento chegou á Bahia de Todos os Santos. pôr o governo da justiça em ordem em todas as capitanias. ea Antônio Cardozo de Barros para também ordenar neste Estado o tocante á fazenda de S. onde pôz mil homens. entendendo convir a si a seu serviço. CAPITULO II. a quem deu por ajudadores ao Dr. grande lingua . para com elle servir de ouvidor geral. proprietários por terem demasiada alçada. e cada um vivia ao som da sua vontade. O qual Thomé de Souza também levou em sua companhia Padres da de Jesus.

dos que escaparam da desventura do Francisco Pereira.ii. c outros homens. mandou passar a frota para lá por ser muito limpo e abrigado. e onerecer-se a o servir: oqu. Etomadaesta resolução se pôz era ordem para este edifício. arrumou a cidade dVIla para dentro. o que pareceu bem a Iodas as pessoas do conselho quo nisso assignaram. cora ellas feitas. os quaes. por ser muito desabrigado. andando ordinariamente trabalhando naforlitiraçàoda cidade a troco do resgate que lhe por isso davam. ora com anuas. onde não eslava segura. Como foi acabada. mandou descobrir a bahia . arruaiido-a po' . Como Thomé de Souza acabou de desembarcar a gente d'armada e a assentou na Villa Velha. o. e como leve a armada segura mandou descobrir a terra bem. ora com boas razões. e achou que defronto do mesmo porto era o melhor silio que por ali havia para edificar a eidade. para os trabalhadores e soldados poderem estar seguros do gentio. 111 do gentio. por cujo mandado Diogo Alvares quietou o gentio e o fez dar obediência ao governador. CAPITULO tll. para a tirarem d'aquellc porto da Villa Velha.il gentio em seu tempo viveu muito quieto c recolhido. que agora está defronte da cidade. se veio dos llhéos a |wvoar o assento das casas era que d'aules vivia. e por se achar logo o porto e ancoradouro. que o acompanharam. se foram defendendo e sustentando até á chegada do Thomé do Souza. ondo sefortificoue recolheu cora cinco genros quo tinha. e por respeito do porto assentou que náo convinha fortificarse no porto de Villa Velha.ROTMRO no nnAf. e que lhe buscassem mais para denlro alguma abrigada melhor quo a em que estava a armada. que era afastado da povoarão . o qual depois da morte de Francisco Pereira foz pazes com o gentio. Em que se declara como sr edtfcou a cidade do Salvador. fazendo primeiro uma cerca muito forte de páo a pique. por defronte d'este porto estar uma grande fonte bem á borda da água que servia para aguada dos navios e serviço da eidade..

em a qual foi o bispo D. o qual levou toda a clerezia .L SOARES DE SOUZA. mantimentos. Pedro Fernandes Sardinha. em cada um d'elles assentou muito formosa artilharia que para isso levava . ornamentos. pecas de prata e outras alfaias do serviço da igreja. pessoa de muita autoridade. cadeia. ordenou de cercar esta cidade de muros de taipa grossa. e outras officinas convenientes ao serviço de S. para viverem os governadores. em a qual o governador fundou logo um collegiodos padres da Companhia. e por capitão d'ella Antônio de Oliveira com outros moradores casados e alguns forçados. munições de guerra. Ecomo todos foram agazalhados. fazenda. algumas donzellas de nobre geração. Alteza em favor d'esta cidade outra armada. armazéns. da qual foi por capitão Simão da Gama de Andrade com o galeão velho muito afamado e outros navios marchantes. E logo no anno seguinte mandou S. sinos. Em que se contem como El-Rei mandou outra armada em favor de Thomé de Souza. casas da câmara. o que fez com muita brevidade. contos. passante de trezentos mil cruzados. ordenados dos officiaes. Catharina. Alteza. com dous baluartes ao longo do mar e quatro da banda da terra. das que mandou criar e recolherem Lisboa no mosteiro das . e no cabedal que se metteu na artilharia. boa ordem com as casas cobertas de palma ao modo de gentio . Logo no anno seguinte de 1550 se ordenou outra armada.iüi CABBIF. que está em gloria. com o que a cidade ficou muito bem fortificada para se segurar do gentio . em as quaes por entretanto se agazalharam os mancebos e soldados que vieram na armada. CAPITULO IV. em soccorro d'esta nova cidade. e outras igrejas e grandes casas. e todo o mais conveniente ao serviço do culto divino: e sommou a despeza que se fez no sobredito. grande exemplo e estremado pregador. em a qual mandou a Rainha D. soldos. alfândega. com gente e mantimentos.

que se logo embarcou na dita . mandou pôr. e desembarcou na cidade do Salvador.» orpháas.. A. II. vaccas e egoas que S. CAPITULO V. com o quo a cidado so foi enobrecendo. para que as (-azasse com pessoas príncipes d'aqucllc tempo. Alteza que o mandasse tornar para o reino. o muita fazenda . por na terra náo haver ainda em que pudessem fazer seus empregos. Duarte da Costa. com um rollo á roda branco. em quo passou a este Estado. e a pomba lem três folhas do oliva no bico. o com os escravos de Guiné . ao qual deu a armada conveniente a tal pessoa. com a qual chegou a salvamento á Bahia de Todos os Santos.vzii. nem havia para que. o quo pagassem o custo por seus soldos e ordenados. com letras de ouro quo dizem Sic illa ad Arcam reversa est. Duarte da Costa foi governar o Brasil. Como Thomé do Souza acabou o seutempodo governador. a quem mandava dar em casamento os officios do governo da fazenda e justiça. as quaes foram visitadas pelo governador o [tostas na ordem conveniente ao serviço d'EI-Rci. que gastou lao bem gastado n'este novo Estado do Brazil. Alteza mandou a esta nova cidade. e lhe deu por armas uma pomba branca em campo verde. para que so repartissem pelos moradores dYlla. nome que lhe S.UOTEIIIO no Hn. e ao bem de sua justiça c fazenda. Em que se traia como D. onde lhe foi dada posse da governança por Thomé de Souza. por a esse tempo não irem a essas parles mercadores. as quaes iMicoiiiinoiidoii muito ao governador por sua-' cartas. Alteza mandava cada anno em soecorro dos mo redores d'esta cidade uma armada com degradados moços orphãos. e o mais lhe mandava pagar em mercadorias pelo preço que custavam em Lisboa. a cuja petiçáo El-Rei satisfez com mandar por governador a D. do que as mais capitanias so foram lambem ajudando. do seu conselho . requereu a S. cora o que a foi enobrecendo o povoando com muita presteza . pelo qual respeito S.

o qual Mem de Sá foi pouco favorecido d'estes reinos. foram esfriando os favores e soccorros. E tornando a D. por lhe fallecer logo El-Rei D. de veador. João o 111. mui prósperos de edifícios. o qual foi também governar este Estado por mandado d'EIRei D. Catharina. Álvaro da Costa que n'estes trabalhos o acompanhou. João que com tanto fervor trabalhava por acrescentar e engrandecer este seu Estado. ao qual succedeu Mem de Sá. no tempo que governou estes reinos . Catharina em quanto viveu. mas como ella desistiu da governança d'elles. os quaes elle emendou dissimulando alguns com muita prudência. e se mostrou n'elles mui valoroso capitão. quarenta engenhos de assucar. a quem a fortuna favoreceu de feição em quartorze annos. pelo que este Estado tornou atraz de como iaflorecendo. e como elles estão merecendo por seus serviços. escravaria e outra muita fabrica. da bahia para dentro. Duarte governou o Brazil. a quem a Rainha D. foi imitando. foi todos os annos favorecido e ajudado com armadas que do reino lhe mandavam . trabalhou quanto foi possível. que subjugou e desbaratou todo o gentio Tupinambá da comarca da Bahia e a todo o mais até o Rio de Janeiro. edifícios e fazenda como agora tem. Sebastião. nasceu-lhe da grande fertilidade da terra que ajudou aos moradores d'ella . onde serviu a El-Rei D. que cada anno esta nova cidade recebia. e no mesmo cargo serviu depois á Rainha D.11(1 GABBIEL SOARES DE SOUZA. se os moradores foram favorecidos como convinha . dos quaes houvera muitos mais. armada e se veio para o reino. em cujos feitos já tocámos. Joàoe a seu neto El-Rei D.E se esta cidade do Salvador cresceu em gente. para a qual não mandaram d'ali por diante mais que um galeão d'armada. que foi governador do Brazil. fazendo-lhe crua guerra. de maneira que tem hoje no seu termo. a qual caudilhava seu filho D. de cujos feitos se pôde fazer um notável tratado . em que iam os governadores que depois a foram governar. por fortificar e defender esta cidade do genlio que em seu tempo se alevantou e cometteu grandes insultos . Em todo o tempo que D. com os quaes o . Duarte. como tomou a posse da governança. e castigando outras com as armas. e em que lhe foram muitos moradores e gente forçada com todo o necessário .

sem lhe darem soldo nem mantimentos. que ha travessia na cesta de Perto Seguro alé o cabo Santo Agostinho. Em que se declara o clima da Bahia . sudoeste e tessuesle. E todos foram fazer estos e outros muitos serviços á sua custa. e dura ali todo o mez de março. Começa-se o verão em agosto como em Portugal em março.ROTIlho DO BRAZIL. fugiram para o sertão o so afastaram do mar mais de quarenta léguas. e a troco d'estes serviços e despezas dos moradores d esla cidade. 117 governador Mem de Sá destruiu e desbaratou o gentio quo vivia do redor da Bahia. onde os dias em lodo o anno são quasi iguaes com as noites e a differença que tom os dias do verão aos do inverno é una hora até hora e meia. onde acabaram muitos d'estes moradores som alé boje ser dada nenhuma satisfação a seus filhos. como se costuma na índia e nas outras partos. senão ao gentio. e correm as água». por quatro e cinco mezes. E começa-se o i nverno d'esta provincia no mez de Abril. e ás vezes cursam os ventos do sul. porque andam despidos. como fica dito atraz . Em todo esto tempo do inverno correm as águas ao longe da costa a cem léguas ao mar delia. em o qual tempo náo faz frio que abrigue aos homens se chegarem ao fogo. das parles do sul para os rumos do norte. como cruzam os ventos nu sua costa. o os que escaparam de mortos ou cativos. o com os mesmos raoradoros soceorreu o ajudou o dito Mem de Sá as capitanias dos llhoos. A Bahia de Todos os Santos eslá arrumada em treze grãos e um terço. náo se fez ato bojo nenhuma honra nem mercê a nenhum d'elles. do que vivem mui escandalisados e descontentes. as quaes estavam mui apertadas do gentio dáquollas partos e com elles foi lançar por duas vezes o» Francezes fora do Rio de Janeiro o a povoa-lo. Porto Seguro e a do Espirito Santo. e acaba-se por todo o julho. em e qual tempo reinara os ventos nordestes . a quem queimou e assolou mais do trinta aldoias . CAPITULO VI.

a que mathematicos dêem razões sufficientes que satisfaçam a quem quizer saber este segredo. seja pelo que for. em que se correm touros quando convém. fazem os céos da Bahia as mais formosas mostras de nuvens de mil cores e grande resplandor. escurece juntamente o dia e cerra-se a noite logo. E ha-se de notar que. quando chove. Em lodo o tempo do anno. Em que se declara o sitio da cidade do Salvador. pela qual razão se não navega ao longo d'esta costa senão com as monções ordinárias. o que causa grande admiração. em que se aga- . nasce com ella juntamente o sol. haverá mais de dous mil visinhos.ÜS f:\BRlKL SOARES DE SOUZA. assim no inverno como no verão. e. A cidade do Salvador está situada na Bahia de Todos os Santos uma legua da barra para dentro em um alto. pelo que elles sabem. d'entre os quaes e os da cidade. quando cumprir . agora não ha memória aonde elles estiveram. e lesnordestes. com o rosto ao poente. quinhentos homens de cavallo e mais de dous mil de pé. a qual cidade foi murada e torreada em tempo do governador Thomé de Souza. porque os mareantes e philosophos que a esla terra foram. que a edificou. E em se recolhendo o sol á tarde. Terá esta cidade oitocentos visinhos. em rompendo a luz da manhã. CAPITULO VII. como atraz fica dito. e correm as águas na costa ao som dos ventos da parte do norte para o sul. em todos os recôncavos da bahia. se pôde ajuntar. que se nunca viram em outra parte. a fora a gente dos navios que estão sempre no porto. n'esta comarca da Bahia. e por fora d'ella. ou por se a cidade ir estendendo muito por fora dos muros. sobre o mar da mesma Bahia. pouco mais ou menos. em a qual estão da banda do sul umas nobres casas. Está no meio d'esta cidade uma honesta praça. em o que se descuidaram os governadores. cujos muros se vieram ao chão por serem de taipa e se não repararem nunca. nem outros homens de bom juizo não tem atinado até agora com a causa porque isso assim seja.

ROTPIRO DO BRAZIL. aonde está o desembarcadouro geral das mercadorias. da banda do mar. donde a terra vai muito apiquo sobre o mar. e sustenta-se somente de esmolas que lhe fazem os moradores da terra que são muitas. o da banda do norte tem as casas do negocio da fazenda. com um taboleiru de- . os quaes em suas necessidades não tem outro remédio que o que lhe esta casa dá. nem de pessoas particulares. E tornando á praça. ondo cslão assentadas algumas peças de artilharia grossa. docem dous caminhos cm voltas para a praia. o caminho que está da parte do sul é serventia para Nossa Senhora da Conceição. correndo d'ella para o norte vai uma formosa rua de mercadores alé a sé. ao longo do qual ó tudo rochedo mui áspero . por a muita gente do mar e degradados que d'estes reinos vão muilo pobres. A Sé da cidade do Salvador está situada com o rosto sobre o mar da Bahia. Magestade. e do desembarcadouro da gente dos navios . e so esta casa não tem grandes officinas e enfermarias. defronte do ancoradouro das náos. o da parte do leste lera n casa da câmara. cuja igreja nãoé grande. dos cantos d'clla. cujas esmolas importam cada anno três mil cruzados pouco mais ou menos. CAPITULO VIII. cadêa o outras casas do moradores. I l¥ zalham os governadores. um da banda do norte quo é serventia da fonte que se diz do Pereira. no cabo da qual. mas sáo as necessidades mais. que se gastam com muita ordem na cura dos enfermos e remédio dos necessitados. aa Sé por diante. é por ser muito pobre e não ter nenhuma renda de S. com quo fica esta praça em quadro e o pelourinho no meio d"ella. ao qual desembarcadouro vai ter outro caminho do carro. esfci situada a casa da misericórdia e hospital . mas mui bem acabada e ornamentada. alfândega o armazéns. por onde se estos mercadorias e outras cousas que aqui se desembarcam levam em carros para a cidade. o d'osla mesma banda da praça. Em que se declara o sitio da cidade . a qual da banda do poente eslá desabafada com grande vista sobro o mar.

casas em que vivam e de comer: e n'estes logares rendemlhe suas ordens e pé de altar outro tanto. cada anno. e outras officinas muito necessárias. alta e bem assombrada . o que lhes não basta para se vestirem. dous meios conegos. Magestade não deve estar informado. Está esta Sé muito necessitada de ornamentos eosde que se serve estão mui damnificados i e de maneira que nas festas principaes se aproveita o cabido dos das confrarias. e muitos d'eslesministros não são sacerdotes. o que custa ao bispo um grande pedaço da sua casa. pois manda receber os dízimos d'esleseu Estado. A igreja 6 de três naves. do que os clérigos fogem por não ter cada conego mais de trinta mil réis. tivera já mandado prover esta ne* cessidade.j20 GABRIEL SOARES DE SOUZA. mas não está acabada da torre dos sinos e da do relógio. por contentar os sacerdotes que prestam para isso. . donde tem grande vista. quatro capellães. de que S. por ser muito pobre e não ter para fabrica mais do que cem mil réis. tirado o deão que tem quarenta mil réis. onde tem de partido sessenta mil réis. e as dignidades a trinta e cinco . o que lhe falta. fronte da porta principal. que se o estivera. quatro moços de coro e mestre da capella. e ainda que são tão poucos. e dous altares nas hombreiras da capella mór. bem a pique sobre o desembarcadouro. seis conegos. fazem-se n'ella os officios divinos com muita solcmnidade. em que está o culto divino. Pelo que querem antes ser capellãesda misericórdia ou dos engenhos. e estes muito mal pagos. Serve-se n'esta igreja o culto divino com cinco dignidades. cuja cabeça está tão damnificada que convém acudir-lhe com remédio devido com muita presteza. um cura c coadjutor. com lhe dar a cada um um tanto com que queiram servir de conegos e dignidades. de honesta grandeza. onde os pedem emprestados. Está esta Sé em redondo cercada de terreiro. a qual tem cinco capellas muito bem feitas e ornamentadas.

que se na torra dáo em muita abastança. artes. outros ensinam latim. Em que se declara como corre a cidade do Salvador da Sé por diante. o qual collegio tem grandes cercas até o mar. aonde so representam as festas a cavallo por ser maior que a praça. o qual eslá muito rico.R0TRIR0 DO IIHA/11. a qual os padres tom sempre mui limpa e cheirosa. parto dos quaes ficam sobrei o mar com grande vista. c por baixo lageadas com muita perfeição. porque tem muitos curraes de v accas. e ao longo do mar tem umas terracenas. IIT. que nesta torra parem todos os annos. onde se affirma que trazem maisdeduas mil vaccasde ventre. cuja obra é de pedra ecal. 16 . Tem este collegio ordinariamente oitenta religiosos. theologia e casos de consciência. e tom outra muita grangearia de suas roças e fazendas onde tem todas as novidades dos mantimentos. com todas as escadas. com uma formosa e alegre igreja. Passando além da Sé pelo mesmo rumo do norte. cora água muito boa dentro. e importar-lhe-ba a outra renda que tem na terra oulro tanto. Tem esto collegio grandes dormitórios e muito bem acabados. onde recolhem o que lhe vem embarcado do fora. 121 CAPITULO IX. cora o que tem feito muito fruto na terra. cada anno quatro mil cruzados e davantagem. e cubículos mui bem forrados. M. parlas c janellas de pedrarias. também occupáda cora lojas de mercadores. que se oecupam em pregar e confessar alguma parto d'elles. corre outra rua mui larga. a qual vai dar oomsigo em ura terreiro mui bom assentado c grande . com varandas. o qual está cercado em quadro de nobres casas. porque tem deS. E oecupa este terreiro e parle da rua da banda do mar um sumpluoso collegio dos padros da Companhia de Jesus. onde se servo o culto divino com mui ricos ornamentos.

muito larga e povoada de casas e moradores. com a qual e o mais recolhimento que está feito. E ao longo . figueiras. a qual cidade por esta banda da terra está toda cercada com uma ribeira de água. CAPITULO X . vai outra rua muito comprida pelo mesmo rumo do norte. no cabo da qual está uma hermida de Santa Luzia . CAPITULO X I . onde está uma estância com artilharia. a qual cerca vem correndo de cima onde está o mosteiro até o mar. está um mosteiro de Capuchinhos de Santo Antônio. os quaes estão povoados de palmeiras carregadas de cocos e outras de tamaras. que ao longo d'ella estão. e pelo tempo adiante lhe farão oulro recolhimento como os padres quizerem. Em que se declara como corre a cidade da praça para a banda do sul. com casas de moradores com seus quintaes. Em que se declara como corre a cidade por este rumo até o cabo Passando avante do collegio. que serve de lavagem e de se regarem algumas hortas. corre outra rua muito formosa povoada de moradores. E tornando d'este mosteiro para a praça pelo banda da terra vai a cidade muito bem arruada. pondo o rosto no sul. que ha pouco tempo se começou de esmolas do povo que lhes comprou este'assento. romeiras e parreiras^ com o queficamuito fresca. e de larangeiras e outras arvores de espinho. em um alto. Tornados ã praça. em que lhe os moradores fizeram uma igreja. se podem acommodar até vinte religiosos.122 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e outros devotos lhe deram outros chãos juntos d'elle. os quaes tem neste recolhimento sua cerca com água dentro. além da qual no arrebalde da cidade.

Passando mais avante com o rosto ao sul. das quaes se serve lambem muita parle da cidade. no principio d'esta cidade esteve a Sé. lambem ioda povoada de lojas de mercadores. cm quem será bem empregada pelas necessidades que tem. que lhe nasce dentro. no outro arrebalde da cidade. cujos religiosos vivem santa c honesta vida. Bento é muito pobre.ROTEIBO DO BRAML. os quaes tem sua cerca e horta com uma ribeira de água. e estão bcmquislos o mui bem recebidos do povo. que lhes os moradores delia fizeram á sua custa com grande fervor c alvoroço. . cm um alto o campo largo. no qual sitio. Magestade. No principal desembarcadouro está uma fraca hermida de Nossa Senhora da Conceição. dando de si grande exemplo. c no topo d'olla está umaformosaigreja de Nossa Senhora d'Ajuda com sua capella de abobada. Bento. cm as quaes os marcantes fazem sua aguada bem á borda do mar. por serem estas fontes de muito boa água. Este mosteiro de S. onde se agasalbam vinte religiosos que n'aquello mosteiro ha. que é a que rodea toda a cidade. Em que se declaram outras partes que a cidade tem para notar. Tem esta cidade grandes desembarcadouros com três fontes na praia ao pé delia. o qual se nianlcm do esmolas que pedem os frades pelas fazendas dos moradores. está situado um mosteiro do S. com sua claustra. e fora nunca acabar querc-las particularisar. Magestade fundar este mosteiro. que foi a primeira casa de oração e obra em que se Thomé de Souza oecupou. porque sSo muitas. que foram a esta cidade com licença de S. como fica atraz dito. CAPITULO XII. E náo se faz aqui particular menção das outras ruas da cidade. o largas oflicinas o seus dormitórios. c não tem nenhuma renda de S. 123 d'csta rua lhe fica outra muilo bem assenlada. os quaes haverá três annos.

peças de prata e ouro. que lhe tomam. segundo a afferção. por estar o nascimento (Telia pizadõ dos bois. e o mais do tempo o está do pão que se faz das farinhas que levam do reino a vender ordinariamente á Bahia . A vista d'esta cidade é mui aprazível ao longe. Em que se declara o çQmç se tratam Pt mpradore? da cidade do Salvador. do que está sempre mui provida . d'ondeseremedea toda a gente da cidade que o não tem de sua lavra. onde também levam mmitos vinhos da ilha da Madeira . fructas e hortaliças. e de melhor cheiro e còr e suave sabor. e das Canárias. a saber: de palmeiras que apparecem por cima dos telhados. uma e duas léguas á roda.ànno estão carregadas de laranjas. a cuja praça se vai vender. Na cidade do Salvador e seu termo ha muitos moradores ricos de fazendas de raiz. e as mais mercadorias acostumadas. e de laranjeiras que todo Ó. o que se pode fazer com lhe ficar dentro uma ribeira de água. n'este alto. e outros mantimentos de Hespanha. se a cercarem como ella merece. e todas as drogas.nnos de toda a sorte. d'onde a possam offender. e alguma? qualidades Mas. onde se lavram muitos mantimentos. e porcos. da qual se não aproveitam os moradores por haver outras muitas fontes de que bebe cada um. e da que lhe fica mais perto se ajuda por serem todas de boa água. Não tem a cidade nenhum padrasto. onde são mais brandos. mas limpa é muito boa água. a qual se não bebe agora. cuja vista de longe é mui alegre.12. que a vai cercando toda. por estarem as caças com os quintaes cheios de arvores. jaezes de cavallos. sedas p pa. que vão beber.4 CABRIEL SOARES DE SÔUZA. e alfaias de casa . que são como os casaes de Portugal. A terra que esta cidade tem. por a cidade se estender muito ao longo d'elle. os quaes se vendem em lojas abertas. CAPITULO XIII. especialmente do mar. em tanto que ha muitos homens que tem dous e três mil . que nasce junto d'ella. que nas mesmas ilhas d'onde os levam. está quasi toda occupada com roças.

tom suas casas mui bem concertadas e na sua mesa serviço de praia. mormente entre a gente de menor condição. no que fazem grandes despezas. os quaes tratem suas pessoas mui honradainente com muitos cavallos. que tem El-Rei Nosso Senhor obrigação de cora muita instância mandar acudir ao desamparo em que esla cidade está. c dnvantagem . eoutros que tom mais. porque está arriscada a ser saqueada de quatro corsários. Náo parece despropósito dizer n'cste lugar. e trazem suas mulheres mui bem ataviadas de jóias de ouro. Que trata de como se pôde defender a Bahia com mais facilidade. o ora outra que está na ponta do Padrão. e a da cidade não ter onde se possa defender. os quaes. se a commettorem. por a torra não ser fria. especialmente as mulheres. CAPITULO XIV. de artilharia miúda: a artilharia grossa eslá asseslada nas estâncias atraz declaradas. e trazem as mulheres com vasquiuhas o gibões do mesmo. croados o escravos. pouco mais ou menos.ROTEIRO DO BRASIL. Ua na Bahia mais de cem moradores que tom cada anno do mil cruzados até cinco mil de renda. por que qualquer peão anda com calções e giháo de aelim ou damasco. porque é a barra muito grande e podem passar as náos que quizerem. e com vestidos demasiados. para defender a entrada da barra aos navios dos corsários. sem lhes a artilharia fazer nojo. 125 cruzados em jóias de ouro eprato lavrada. mandando-a cercar de muros o fortificar . e quarenta. alé que a gente das fazendas e engonhos a . corno convém ao seu serviço e segurança dos moradores d cila. por ser a gente espalhada por fora. donde lhe náo pôde fazer mais damno que afasta-los da carreira. Tem esta cidade quatorze pecas de artilharia grossa. para que náo possam tomar o porto do primeiro bordo. que a forem corometter. cujas fazendas valem vinte mil ató cincoenta e sessenta mil cruzados. porque náo vestem senão sedas. comotomqualquer possibilidade.

e muitas alfaias de casa. mui bons flexeiros. á sombra das quaes podem pelejar muilas barcas dos engenhos. especialmente á Bahia de Todos os . em que se pôde cavalgar artilharia. tanto das mercadorias como de muilo dinheiro de contado. que sahirem em terra. pelo desapercebimento que esta cidade tem. muitas peças de ouro e prata. os quaes se não levarem a cidade do primeiro encontro. que estão tomando carga de assucar e algodão. com o qual corpo de gente. para poderem pelejar. e ser-lhe-ha forçado recolher-se com muita pressa. e pesados por entre o malto que ó mui cego. d'onde podem tirar grande presa. estava tão afeiçoado ao Estado do Brazil. não a entram depois. CAPITULO XV. e muita somma d'elle recolhido pelas terracenas que estão na praia dos mercadores. o que Deos não permitia que aconteça . Em que se declaram as grandes qualidades que tem a Bahia de Todos os Santos. e seis mil indios da terra. não tem remédio mais fácil para se poder defender dos corsários que na bahia entrarem. porque pôde ser soccorrida por mar e por terra de muita gente portugueza até a quantia de dous mil homens. da maneira que agora eslá. que juntos com a gente da cidade se fará mui arrazoado exercito. a saber: quatro mil pretos de Guiné. que está em gloria . e outros barcos. se a commetterem com qualquer armada. Mas emquanto não fôr cercada . sendo bem caudilhada. possa vir soccorrer. que de continuo estão no porto oito e dez. do que sabem a certeza os Inglezes. de entre os quaes podem sahir dez mil escravos de peleja. em as quaes se pôde meller gente da terra para a defender. João III de Portugal. se pôde fazer muito damno a muitos homens de armas. porque acharão no porto muitos navios carregados de assucar e algodão. e estarem sempre armadas. que pelo mar com quatro galeotas que com pouca despeza se podem fazer.126 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e d'aqui para cima até quinze e vinte . El-Rei D. e alguma artilharia com que offender aos contrários . e esta armada se pode favorecer com as náos do reino. que a cila foram já. aonde se hão de achar mui embaraçados.

e mui abastada de mantimentos naluraes da terra. a qual Thomé de Souza. como na verdade so deve de entender.ROTEIRO DO BRAZIL. sobre a quem pertenciam os dízimos do pescado. que se vivera mais alguns annos. a qual está arrumada pela maneira seguinte. a qual sentença se deu por haver duvida entro os rendeiros da capitania dos llhéos e da Bahia. assim em grandeza como em fertilidade e riqueza. que se entende a Bahia da ponta do Padrão alé Tinharé. entre as quaes pontas da banda do dentro dYIIas está lançada uma ilha de sele léguas de comprido que se chama Itaparica. entre uma barra e a outra. como já fica dito. e engrandecera a cidade do Salvador de feição que se poderá contar entre as mais notáveis de seus reinos: para o que ella eslava mui capaz. Alteza depois confirmou. Porquo esla Bahia ó grande. mui delgados esadios. c lhe fez nova doação . que se pescava junto a esto morro do Tinharé. Acima fica dito como dista a ponta do Tinharé da do Padrão novo eu dez léguas. o qual dizimo se sentenciou ao rendeiro da Babia. sendo governador geral do Estado do Brazil. A Bahia se entende da ponta do Padrão ao morro do Tinharé que demora um do outro nove ou dez léguas. do muito frescas edelgadas águas. edificára n'elle um dos mais notáveis reinos do mundo. e como está arrumada a ilha de Taparica. CAPITULO XVI. por se averiguar entender-se a Bahia do morro para dentro. do bons ares . porque é senhora deste Bahia. primeiro conde do Castanheira. Antônio de Ataide. e muitose mui saborosos pescados e frutas. 127 Santos. Em que se declaram as barras que tem a Bahia de Todos os Santos. que é a maior e mais formosa que se sabe pelo mundo. de muita caça. e agora o eslá ainda mais em poder e apparelho para isso. o que lhe S. ainda que o capitão da capitania dos llhéos não quer consentir que se entenda senão da ponta da ilha de Taparica á do Padrão: mas eslá já averiguado por sentença. deu de sesmaria a D.

sem atégorá se1 averiguar esta causa. porque' comimarulho não se enxerga o cânnL 'Escorregrande perigo quertf se aventura a comraetter esta barra de Jaguaripe com tempo fresco e tormentoso. em qué pcden^efitràr' náos detodo o porte. com'fundd eporto. mtástehi úmfeátíaf estreito. aoquévéiu cóm ethhá¥^ gos a câmara dá cidade do Salvador. ondeeátá ó cürfáldéCóshiéGarçâo'..' pelo qual enlrám caráveHõeS dáeóstá'e barcas dos engenhos'." que J é mais sahida ao' márí Dà banda dá ilha tora'èsVabárrá uma' leguá dé baixos de pedra1. a qüáf barra é aparcellada por ser cheia dôbaíxoédèiafêâ. e entre a 'outra pòntà dá ilha e à porftii de Jaguaripe está a barra de loeste. A barra principal da Bàhia/e a da banda de festeya que uriáeharuam a barra da cidade e outros de Santo Antônio? por esWjiíílto d'ella da banda de dentro em um alto uma sua hermida. e fica à barra pdronde às náos costumam . d'ella.128 GABRIEL' S0ARB5 DE SOUZA. más há1 dó'ser5 com tempos bónáhçòsos. Haverá dàlerra firme a está ponta da ilha perto1 de Uma légua d£ terra a terra!. de que se aproveitam muitas1 vezes aínáosque' vritóhdo1 reiisd j quando lhe escaceá^o vento>. e . a qual barra tem de terra a terra' doas legúâs. sobre o que coiiiedaêni1 há irfais detririta annoy. com titulo de capitão e governador . ondéo mkránda ô màiè dó tempo" em Tlòr*! Pôr 'entre estes baixos há'urfrcânal por òn"de 'eiUram'có'ml)oríança navios de quarenta toneis. Da ponta d'esta ilha de ItíarJàrteá. e'temgrande'âflcoTadôtíróJe abrigada ásòhibrà domorro. por cada uma d'estas bárras'sè entra na bahia com a proa ao norte: A barra de loeste se chama'de Jaguaripe por se metter n'ella uni rio do mésmd nome. CAPITULO XVII. por onde navegam. e lhe impediu sénlprêà jürisdicçáo. não podênf entrar nèl'baríiof da ilha para dentro. Etu que se declara como se navega ptht barra de Santo Antônio para entrar na Bahia. á! pohta 'dd Padrãoesfá^a barra de leste. e tatítodfâtá âá^fjotitá' dô Padrão á terra de Taparica còrrití á ponta1. Deixa! eâta ilha entre si e o morro dé Tiriliaré outra bahia mui grande.

Da cidade á ilha de Maré são seis leguas. sem haver de que so guardar . que chamam do Paraguaçú. Da banda da cidade á terra firme da outra banda. Por esta barra podem entrar as náos de noite e dia com todo o tempo. De maneira que da ponta da ilha de Taparica até á dos Frades. são nove ou dez léguas de travessia. e como ficam a barlavento d'ella. por onde entram náos da índia de todo o porto. e de algumas ilhas. em as quaes se amarram os navios muito bem. que de maravilha acontece. Ao norte d'esta ilha está outra. Da ilha dos Frades á de Taparica são quatro leguas. que tem uma legua de comprido e meia de largo. ainda que é muilo rijo. onde ficam seguros sobre amarra de todos os ventos tirado o sudoeste. e d'este porto da cidade. efican este meio uma ilha. que sabem bem esta costa. em o qual espaço não ha baixo nenhum. se não podem alcançar esta barra com de dia. que. a qual tom uma legua de largo. portodoeste mar até á boca da barra. que chamam de Maré. navegam com a proa ao norte e vão dar comsigo no ancoradouro da cidade. e ficara seguros d'esta tormenta. e d'esta corda para a cidade. que chamam a dos Frades. e os pilotos. á ponta do Padrão pode ser uma legua. que tem duas leguas de comprido. Da ilha de Maré á torra firme da banda do poente haverá espaço de meia legua. e conhecem a terra. e dista uma ilha da outra três léguas. e d'ella á terra firme contra o rio de Maloim. e á ilha de Maré.aoTsino DO BRAZIL. como se afastarem iir 17 . Em que se declara o tamanho do mar da Bahia em que podem andar náosávella. e haverá outro tanto da mesma eidade á ilha dos Frades. 120 entrar esahir da parto do Padrão. no inverno. maream-se com a ponta do Padrão. CAPITULO XVIII. quando venta. e uma de largo.. onde os navios ancoram. em o qual tempo se ajudam os navios uns aos outros de maneira que não corre perigo. quando a vêem de mar em fora. se pode balraventoar com náos detodoo porte sem acharem baixos nenhuns. que toda tom fundo. nunca passa a suatormentade vinte e quatro horas.

onde tem suas grangearias de roças de mantimentos. . por ficar mais segura e melhor assentada e muito forte. e a suas ilhas. quando se fundou a cidade. muito bem concertada. a qual ponta bem chegada ao cabo d'ella tem uma aberta pelos arrecifes. com seu cura que administra os Sacramentos a estes moradores.130 GABRIEL SOARES CE SOUZA. da terra um tiro de berço. os quaes tem aqui uma igreja de Nossa Senhora das Neves. no meio d'este caminho se faz um engenho de água em uma ribeira chamada água dos Mehinos . a qual está norte e sul com a ponla do Padrão. Em que se declara a terra da Bahia. cuja terra é fraca para canaveaes de assucar. e da boca da barra para dentro tem uma calheta onde estes caravellões e barcos estão seguros. que se chama Christovam de Aguiar de Alto. com seis ou sete lavradores. Este engenho faz um morador dos principaes da terra. houve pareceres que ella se edificasse. mestre da capella da Sé. a qual ilha tem muitas águas mas pequenas para engenhos. que n'ella tem da sua mão. com criações de vaccas e porcos. e nesta ponta de Tapagipe estão umas olarias de Garcia de Ávila e um curral de vaccas do mesmo. da cidade até á ponta de Tapagipe. Atraz fica dito como da cidade até á ponta do Padrão ha uma legua: agora convém que vamos correndo toda a redondeza da Bahia e recôncavos d'ella . N'esta ponta. aonde estão assentados de sua mão passante de vinte moradores. A ilha de Maré é muito boa terra para canaveaes. onde está um engenho de assucar que lavra com bois. que é de Bartholomeu Pires. o qual não será muito proveitoso por ser tão perto da cidade. o qual está de assento n'ella. por onde entram caravellões. que é uma legua. Esta ilha dos Frades é de um João Nogueira. . lavrador. Começando da cidade para a ponta de Tapagipe. e todos os mantimentos. e algodões. CAPITULO X I X . para se mostrar o muito que tem para ver . que com tempo se reeolhem aqui. e que notar.

Sebastião muito bem concertada. icm uma formosa vista de tres engenhos de assucar. por onde entram náos do quatrocentos toneis. e oulras muitas fazendas mui formosas da vista do mar. o qual engenho anda arrendado em seissenlas e cincoenta arrobas de assucar branco cada anno. pondo os olhos na terra firme . Em que se declaram os engenhos de assucar que ha neste rio de Pirajá. d'onde so provém d"elle os mais dos engenhos. Pelo sertão d "este engenho. A' mão esquerda d'este engenho de S. ora uma d ellas tem nma praia ondo se põe os navios a monte muito á vontade. pois se purga o assucar com esto barro. D'cste esteiro para dentro ao longo d'esta ponto estão três ilhetas povoadas o lavradas com canaveaes e roças. por onde se serve com suas barcas. Magestade esta outro de João de Barros Cardozo. e no cabo do salgado se mette n elle uma formosa ribeira de água. que ali está feito com uma igreja de S. J3I Virando dVsla ponta sobre a mão direito esli um esteiro mui fundo. o se calafetam muito bem ás mares.R0TK1R0 DO BRAZIL. o qual engenho tem grande aferida e fabrica de escravos. por haver aqui muito e bom barro. Bártholomeu . o qual está muito ornado de edifícios com uma igreja de S. canaveaes e curraes de vaccas. Este esteiro faz para dentro grandes voltas. com que móe um engenho de assucar de 9. onde também está uma hermida de Nossa Senhora da En- . freguezia d'aquelle limite. meia legua para a banda da cidade até onde este esteiro faz um braço. aonde se queimam o calafeteam bem. e na terra d'esla ponta osiâo outras duas olarias de muita fabrica. meia legua d'elle. está outro de Diogo da Rocha de Sá. que móe com outra ribeira. Magestade. CAPITULO XX. ao qual chamam Pirajá. porque com as águas vivas descobrem até a quilha. Entrando por este esteiro . grandes edifícios e outra muita grangearia de roças.

ao longo da qual está tudo povoado de mui alegres fazendas. cujo senhorio se chama Fran- . que a tem muito bem concertada. Braz. pelo ella ser e muito formosa. que não cansam os olhos de olhar para ellas. a qual igreja está uma legua do Rio de Pirajá e duas da cidade. Leonor Soares. que é d'ahi uma legua. onde ás vezes vão convalescer alguns padres de suas enfermidades. e de um engenho de assucar que móe com bois. por ella acima. em o qual andam sempre sete ou oito barcos de pescar com redes. com uma hermida de S. Em que se declara a terra e sitio das fazendas que ha da boca de Pirajá até o rio de Matoim. Por este rio de Pirajá abaixo. A' mão direita d'este engenho de S.132 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o qual móe com uma ribeira de água com grande aferida e está bem fabricado. onde se toma muito peixe. carnação muito bem concertada de todo o necessário. cujo espaço se chama a Praia Grande. que foi alcaide mór de Villa Velha. a qual é de Antônio Nunes Reimão. e está muito bem acabado. que é uma formosa igreja dos padres da Companhia. e da boca d'elle para fora ao longo do mar da Bahia. e no inverno em tempo de tormenta pescam dentro n'elle os pescadores de jangadas dos moradores da cidade e os das fazendas duas leguas á roda . CAPITULO XXI. mulher que foi de Simão da Gama de Andrade. por ser o logar para isso. e sempre tem peixe de que se todos remedeiam. e vai correndo esta ribeira do mar da Bahia com esta formosura até Nossa Senhora da Escada . De Nossa Senhora da Escada para cima se recolhe a terra para dentro até o porto de Paripe. de que se mantém a cidade e fazendas do sua visinhança. vai tudo povoado de formosas fazendas e tão alegres da vista domar. E entre um engenho e outro está uma casa de cozer meles com muita fabrica . Magestade está outro de D. Este rio de Pirajá é mui farto de pescado e marisco. E no principio está uma de Antônio de Oliveira de Carvalhal.

freguezia da povoação de Paripe. por cima das quaes apparece a igreja do Nossa Senhora do O . Entra a maré pelo rio de MatofaD^g0na quatro legues. e á mão direita por um . e entrando por elle acima mais de uma legua twpovoado de muitas e mui frescas fazendas. que está junto d'ella. Do porto de Panpe ao rio de Matoim sâo duas leguas.esiá outro engenho de bois que foi de Vasco Rodrigues Lobato. Toda atorrapor aqui é mui fresca. fazendo algumas voltas. que diz o gentio. d'onde atorratorna a recuar para traz até á boca do rio de Matoim. de terra a terra. de que se faz muitos arrobas. D'este porto de Paripe obra de quinhentas braças pelatorradentro . umtiro. e no cabo d'esta legua se alarga o rio muito de torra a torra. fazendo outra praia mui formosa e povoada de mui frescas fazendas. que fizera aquelles signaes com os pés. e corro assim obra de uma legua. todo cercado de canaveaes de assucar. castelhano de nação. o qual tem da boca. arruada e povoada de moradores. Do porto do Pa ripo se vai a terra afeiçoando á maneira de ponto lançada ao mar. que ca mais antiga povoação e julgado da Bahia. 133 cisco de Aguilar. ao pá do qual ao longo do mar estão uma pegadas assignaladas cm uma lagea. esteirose enseadas. Em que te declara o tamanho do rio de Matoim e os engenhos que tem. onde está nma hermida de S. que diziam seus antepassados que andara por ali havia muito tempo um santo. donde se ella torna a recolher para dentro. e de Matoim á cidade são cinco leguas.ROTEIRO DO BRAZIL. Thomé oro um alto. e outras frutos de Hespanha e da terra. CAPITULO XXII. homem principal. tudo povoado de alegres fazendas. povoada de canaveaes e pomares de arvores de espinho. D'esla praia se torna a terra a aíeiçoar á maneira de ponta para o mar.defcereouma da outra. e na mais sabida a elle se chama a ponta do Toquetoque.

Junto d'este engenho está uma ribeira em que se pode fazer um engenho d'agua mui bom. mui povoada de nobres fazendas. braço acima está o famoso engenho de Paripe . e em uma de Francisco Barbuda. e descendo uma legua abaixo do engenho de Cotigipe está uma ribeira que se chama de Aratú. e tornando por este rio abaixo. a que também chamam do Tubarão. entre partes que a pretendem. cousa muito para ver. de que é senhorio Jorge Antunes. que se diz de Sebastião da Ponte. onde não está engenho feito por haver letigio sobre esta água. está uma hermida de S. Na boca d'esla ribeira está uma ilha muito fresca. sobre a mão direita obra de meia legua. tudo de pedra e cal. E virando d'este engenho para cima sobre a mão direita. o qual está mui petrechado . o qual se não faz por haver demanda sobre esta água. está outra hermida de Nossa Senhora: e assim vai correndo esta terra até o cabo do salgado . Bento. mercador. que móe com uma ribeira que chamam Cotigipe. mui formosa por estar toda lavrada de canaveaes. e outras arvores. com grandes edifícios de casas de purgar e de vivenda. a uma legua está um engenho de bois. em a qual Sebastião de Faria tem feito um soberbo engenho de água. Jeronymo. e no meio d'ella em um alto tem umas nobres casas cercadas de larangeiras arruadas. mui ornadas de aposentos: e no cabo d'este está um engenho de bois de duas moendas de Gaspar Dias Barboza. vai tudo povoado de fazendas. está urna ilha de Jorge de Magalhães. e uma igreja de S.134 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o qual engenho está muito adornado de edifícios mui aperfeiçoados . e pelo rio acima duas leguas. A este engenho pagamforotodas as fazendas que ha no porto de Paripe. o qual tem n'elle uma igreja de Santa Catharina. até a boca de Matoim. que foi de Affonso de Torres e agora é de Balthazar Pereira. que é de Nuno Fernandes. em outra fazenda de Christovarn de Aguiar. Da outra banda d'este engenho está assentado outro. peça de muito preço . no que gastou mais de doze mil cruzados. Meia legua d'este eugenho pelo rio abaixo está uma ribeira a que chamam de Carnaibuçú. e mais adiante.

onde está outro engenho de Sebastião de Faria. virando sobro a mão direita . 155 de edifícios de casas. Sahindo pela boca de Matoim fora. que se diz de Pedro Fernandes.ROTK1R0 DO BR1ZIL. a qual está cm uma ponta da terra. da qual fica dito atraz o que se podia dizer. a qual fazenda mostra tanto apparato da vista do mar. que é fregueziad'este limite. que parece uma villa. no comprimento d'ella. ató onde eslá tudo povoado do fazendas c lavrado[de canaveaes: este engenho tem mui grandes edifícios o uma igreja de Santo Antônio. no meio da qual está um formoso engenho do boisdeChristovam de Barros. com uma hermida de Nossa Senhora muito concertada. cujos edilicios o canaveaes estão á visto d'esto rio. e tem uma formosa igrejade Nossa Senhora da Piedade. Defronte da boca d'esto rio de Matoim eslá a ilha de Maré. de duas moendas que lavram com bois . E indo correndo a ribeira do salgado. CAPITULO XXIII. de vivenda ede outras officinas. vai a terra fabricada com fazendas e canaveaes dali a meia legua . está tudo povoado de fazendas. onde elle vive com sua familia. d'este engenho a meia legua. e tem sua grangearia de canaveaes c roças com água dentro. como de casasde purgar. que começa a correr d'elle para cima . D'este engenho até a boca do rio será uma legua pouco mais ou menos. e tom uma igreja de Nossa Senhora do Rozario. em a qual está uma ribeira . Defronte dVsla ponta bem chegada á (erra firmo está uma ilha. o qual tem grandes edifícios assim do engenho. e os engenhos que tem em si. Em que se declara a feição da terra da boca de Matoim até o esteiro de Mataripe. o terá segundo a feição da terra duas leguas. Esta enseada está cm feição de meia lua . oqual está povoada dn mui grandes fazendas. e no cabo está uma que foi do Dcão da Sé. que é mui formoso o largo do alio ató abaixo. Da fazenda do Deão se começa de ir armando a enseada que dizem de Jacarecanga.

que é de Luiz Gonçalves Varejão. D'este engenho se torna a afeiçoar a terra fazendo ponta para o mar. torna a terra a correr para o mar obra de meia legua. de água. o qual tem mui ornados edifícios. que se dizdeMataripe. e uma hermida de Nossa Senhora mui concertada. defronte da qual à ilha de Maré está um Ilheo que se chama de Pacé. D'este engenho a uma legua é o cabo de um esteiro . em que se pôde fazer um engenho. que terá comprimento de meia legua. Defronte d'esta ponta está o fim da ilha de Maré. onde está uma casa de meles de João Adrião mercador. donde tomou o nome a terra firme d'este limite. em que entra uma casa de meles de Marcos da Costa. está povoada de fazendas e formosos canaveaes. o que se não faz por haver contenda sobre a dita ribeira. sobre a vista da água. o qual se deixa de fundar por se não averiguar o letigioque sobre ella ha.a terra recuar para traz outra meia legua por um esteiro acima. e daqui torna a fugir a terra para dentro. que toda está povoada do nobres fazendas e grandes canaveaes. Por aqui se serve o engenho de Miguel Baptista. da qual torna. um de Tristão Rodrigo junto da ponta da enseada. e toda esta enseada a roda. em o qual tem outra igreja de Nossa Senhora do Rosário. E tornando atraz ao esteiro e porto de Petinga. O outro engenho está no cabo d'esta terra. Esta Petinga é uma ribeira assim chamada. em a qual estão dous engenhos de bois. até onde está tudo povoado de fazendas e canaveaes.136 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que é freguezia d'esse limite. Este engenho de Tristão Rodrigo tem uma fresca hermida de Santa Anna. até onde está tudo povoado e plantado de canaveaes mui formosos. que está pela terra dentro meia legua. e no cabo d'ella se chama a ponta deThomaz Alegre. E sahindo d'esta enseada. no cabo da qual eslá um formoso engenho de água deThomaz Alegre. virando sobre a ponta da mão direita. vai correndo a terra fazendo um canto em espaço de meia legua. por este esteiro . que se diz a Petinga . onde está uma formosa fazenda de André Monteiro. fazendo um modo de enseada em espaço de uma legua. que tem uma hermide de Santo Antônio mui bem concertada. onde se pôde fazer um formoso engenho de água. onde faz uma ponta em redondo .

fazenda muito grossa de escravos c canaveaes. povoação em que vivem muitos moradores que lavram n'esto sertão algodões e nuihiimcnlos. edefronte d'esta enseada bem chegadas á terra firme eslíío ires ilhas: . que a tem arrendada a sete ou oito moradores. Em que se declara o sitio da terra da boca do esteiro de Mutn ripe até á ponta de Alarapè . que se diz Ilapitanga. e julgado do logardeTayaçupina ('?). CAPITULO XXIV. D'( ste engenho de André Fernandes para cima vai fazendo a terra u ma enseada de uma legua. que é de meia legua do comprido. a qual eslá toda lavrada e aproveitada do muitos canaveaes que os moradores. Entre esta ilha e a dos Frades estão duas ilhetas. onde tem uma hermida da Santíssima Trindade mui concertada com as mais officinas necessárias. no cabo da qual está o esteiro de Parnamirim. e são de Antônio da Cosia. n'ella vivem. tem foilo. com uma fresca igreja de Nossa Senhora das Neves muito bem acabada. 1 37 se serve a igreja. que. e dos engenhos que em si tvm. Ao longo d'esla terra. do qual esteiro corre a lerra quasi direita obra de uma legua ou mais. está estendida a ilha do Ctirurupeba.ROTEIRO DO RBAZ1L. que por esta terra vivem. com nobres edifícios de casas. que a lavra.' peça do muita estima. o qual é de Martim Carvalho. um liro de berço. l)'este esteiro de Mataripe ao de Caípe será meia legua. o qual engenhou do André Fernandes Margalho. N'este esteiro de Caipc eslá um engenho do bois de duas moendas. que eslá meia legua pela terra dentro cm um alio á vista do mar. meia legua ao mar. cm cada uma das quaes está um morador. ou menos. no cabo da qual eslá oulro engenho de bois. a qual ó dos padres da Companhia. que o herdou de sen pai com muita fazenda. e a igreja é da invocação de Nossa Senhora do O. Defronte d'este esteiro de Caipe está um ilheo de pedra.

a qual teria se chama Tamararí. Partindo com a terra da Tamarari começa a do engenho do conde de Linhares. que agora são de seu genro o conde de Linhares. que é de João Nogueira. CAPITULO XXV. e junto d'esta ilha está outra mais pequena. que é do mesmo. que é freguezia d'este limite. e povoado de formosas fazendas. a qual vai correndo até á boca do rio de Seregipe. Em que se declara o rio de Seregvpe. e virandod'elfo sobre a mão direita vai fugindo a terra para traz. que está mui bem acabado. onde tem alguns moradores que lavram cannas e mantimentos. a qual está muito mettida para dentro fazendo uma maneira de enseada.138 GARRIEL SOARCS DB SOUZA. onde também vivem sete ou oito moradores. E tornando á boca d^steesteiro. Esta terra faz nocabouma ponta . que tem perto de meia legua. A terra de todas estos tres ilhas ó alta e muito boa. donde tira lenha para o engenho. está tudo povoado de moradores. a primeira defronte do engenho. andando sobre a mão direita d'ahi a uma légua. no meio da qual está uma igreja de Nossa Senltora. até dar em oulro esteiroque chamam Marapé. Entra a maré por este rio . no meio do quaí es(á uma ilha de Vicente Monteiro. e terra d'elh à boca de Paraguaçú. e mais avante de Parnamirimestá outra ilha. onde se começam as terras de Mem de Sá. Por este esteiro de Parnamirim entra a maré uma legua. que estão povoadas de mui grossas fazendas. Na boca do esteiro de Parnamirim está um engenho de bois de Belchior Dias PòrcaJho.*todalavrada com umaformosafazenda. que tem uma hermida de Santa Catharina. no cabo da qual está outro engenho de bois de Antônio da Costa. que se diz a das Fontes. que é do mesmo André Fernandes. Este esteiro de uma parle e da outras está todo lavrado de canaveaes. e terá a grandura de duas leguas. a que chamam Marapé. a qual é de meia legua. onde tem muito boas fazendas de canaveaes e algodões.

quo «5 diz Farreirey. ondo o . E bem chegado á torra firme. onde se pode fazer outro engenho muito bom. pelo que está em mortuorio. ató onde chamam o Acura. com uma igreja de Nessa Senhora da Piedade. onde esteve já um engenho. onde dizem missa aos vizinhos. a qual tombem com as duas atraz são do conde de Linhares. legua e meia sobre a mão direito. o qual eslá mui fabricado de casa fone e de purgar t com grande machina de escravos e outras bemfeilorias. entre os quaes está uma. a qual é do conde de Linhares. que ali se vem meltor no salgado. vai fazendo a terra grandes enseadas. D'esta banda do engenho ató á barra do rio. com mui formosos canaveaes. que foi de um Gonçalo Annes que se metteu frade de S. onde os frades tom feito uma igreja do mesmo Santo com seurecolhimento. mas da outra banda do rio. Bento.ROTEIRO DO RRAZU. onde se mette uma rilwira. virando ao sahir delia sobrea mào direita. que n'ella toro bons canaveaes e roças de mantimentos. ora a qual se podem fazer dous engenhos. por entre a qual e a terra firme escassamente páde passar um barco. de meia legua em quadro. Descendo por este esteiro abaixo. em espaço de quatro leguas. está uma ilha que chamam Cajaiba. onde estão assentados dez ou dose moradores. Na boca d'este rio. os quaes não estão feitos por ser esta terra do engenho do conde de Linhares e não a querer vender nem aforar. está situado o afamado engenho de Mem de Sá. que agora é do conde de Linhares seu genro. e por ter perto da barra uma ribeira. está tudo povoado de muitos fazendas. que podem ser duas leguas. Da boca d'este rio de Seregipc. de muito boa terra. Junto d'esla ilha está outra pequena despovoada. por ser necessária a terra para o meneo do engenho. | . que fea Antônio Dias Adorno. pelo que vivem poucos moradores n'ella. mas não estará assim muito tempo por ser a terra muito boa e para se meltor n'ella muito cabedal. que lhe custou muito a fazer. fora da barra d'elle. o qual se despovoou por lhe arrebentar um açude. no cabo do rio da banda do engenho está outra ilha. por ter o mesmo nome uma ribeira. não vive nenhum morador. de cima alé abaixo. que será de uma legua de comprido e meia do largo.19 deSeregipe passante de três legues.

salvo de alguns curraes de vaccas. que chamam dos Francezes. pondo a vista sobre a mão direita'. despovoadas do fazendas. onde'elles em tempo atraz chegavam com suas náos por ter fundo para isso. e estavam n'esla ilha seguros do gentio. quo agora a possue com algumas fazendas quo n'ella fez onde a terra ó boa. são três ou quatro loguas. c terá na boca de terra a lerra um tiro do falcão . Esla terra foi dada a Braz Fragoso de sesmaria . e defronte d'esta ilha dos Francezes está uma casa de moles de Anlonio Peneda. com o qual faziam d'ella seus resgates á vontade. que serão duas leguas. D'esta ilha para cima se abre uma formosa bahia. e pelo rio de Paraguaçú acima quatro leguas. CAPITULO XXVI. c os seus engenhos na terra d'El-Rei. alé a boca do rio da Água Doce. por a terra ser fraca o não servir para mais que para criação de vaccas. é a terra alta e fraca e mal povoada. mui allerosa. que sóbc por elle acima sois leguas. conde tem um formoso curral de vaccas. E tornando acima no cabo d'estas duas leguas eslá uma ilha. cousa mui formosa. Do cabo d'esla terra do conde á boca do rio Paraguaçú. que é pelo rio acima." E sahindó d'esta ilha para fora. Em que se declara a grandeza do Rio Paraguaçú. e de uma banda e da outra até á ilha dos Francezes. mas choios de arvoredo . faz este rio urri recôncavo do três leguas. cuja terra é baixa e fraca. que terá cm roda seiscentas braças. a qual se chama dé Gaspar Dias Barboza. e olhando pela mão esquerda se estende porto do duas leguas . por o qual entra a maré. a qual se vendeu a Francisco de Araújo.'parle dasquaés estão ocrupadas coai tres ilheos despovoados. a que chamam Uguapc . onde estão alguns curraes d'ellas. Da barra d'estc rio para dontfo eslá uma ilha de meia legua de comprido. e de quinhentas braças de largo e a parles de menos. que são duas leguas.4/|0 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Eslc rio de Paraguaçú ó mui caudaloso.

E indo d'esto engenho para cima. quo pode ser a ires leguas com barcos grandes. junto da terra d'elle. o qual engenho tem mui grande aferida. sem se acabar. o do uma ilha de Antônio do Paiva . João. outra nesta bahia. E antes do so chegar a este engenho. o qual engenho é de pedra e cal. e tom grandes cdiíicios de casas. é a terra fraca e não servo senão para curraes do vaccas. virando d'ella para a enseada do Uguapc. e muito formosa igreja de S. E auto . 1 'ti quo se podem povoar. ura tiro do berço delle. quo ostá aproveitada com canaveaes. que está senborcando esta bahia com a visto. estão três ilheos de aréa pequenos cheios do mangues. e móe com uma ribeira quo vem a esto sitio por uma levada de uma legua. Mas tornando á casa do meles de Antônio Poneda . que ficará acima d'esta ilha o rio do terra a terra uma meia legua. Esto engenho móe com grande ferida > o eslá mui ornado com edifícios de pedra o cal. vão dar com o notável c bem assentado engenho de João de Brito de Almeida. sobro a mão direito ao longo do salgado. sobre a mão direita. e vai-se cada dia tirando tonto quo faz espanto. de pedra o cal. No cabo d'cslas duas leguas começa a torra boa que está povoada até o engenho do Antolonio Lopes Ulboa. d'onde so tem tirado tanto quantidade quo so fizeram de ostras mais de dez mil moios do cal. cindo por elle acima sobrou mão direita tem poucas fazenda?. vai povoada a terra do fazendas o canaveaes.BOTBino DO BRA I. onde a terra firme so vai aportando . no que haverá espaço do uma legua. por ser aterrado engenho do João do Brito. que Antônio Dias Adorno levo já cheia de manlimenlos. que podem ser duas leguas. além da qual está outra ilha • que chamam da Ostra. de muitos canaveaes e formosas fazendas . e a ribeira com que móe se chama jUbirapitonga. o rio da Água Doce do Paraguaçú • o qual terá na boca do torra a torra ura tiro de falcão do espaço. feita toda por pedra viva ao picão com suas açudadas.IL. Acima d'este engenho. ondo se vai mariscar. que esto rio aqui faz. d'aqui a duas leguas. No meio d'cste caminho está uma ilha rasa. e navega-se por elle acima ató á cachoeira. com muros o bolareos do pedra e cal > cousa muito forte. em que entra uma casa do meles do Antônio Rodrigues» c andando assim ató junto do rio da Água Doce do Paraguaçú.

e mal povoada de fazendas. Até agora tratámos n'este capitulo atraz da grandeza do rio de Paraguaçú.vai dar no braço que se diz de Igaraçú: e por elle acima espaço de duas leguas vai o rio mui largo. No cabo d'estos duas leguas se aparta este rio em três braços. E no braço da mãodireita está o engenho de Lopo Fernandes. por onde entra a maré. e a igreja. e por elle acima outrasdez leguas. rom seus canaveaes ao redor do engenho. de que MieEI-Rer D. e sallindo pela boea fora á"este rio á hahia que o salgado n'elle faz. está oulro engenho de água mui bem acabado. de chegarem á cachoeira. mameluco. de que diremos n'este capitule. se . que tem da boca da barra d'esle rio por elle acima dez leguas de terra . obra de uma legua. e da banda direita é a terra boa. mas muito fragosa e povoada de fazendas. CAPITULO XXVII. sem haver ainda nenhum engenho. dó campinas. do que faz muilo assucar. que é da eapt-' tania de D. e declarar a terra da outra banda.. e de pedra e cal assim o engenho como os mais edifícios. e d'aqui por diante convém' tratar do mesmo rio. entque se mettem outras ribeiras. no tocante á terra d'El-Rei. tocante á capitania de D. o qual rio está povoado de muitos moradores por onde faz muitos esteiros. com titulo de capitão e governador d'esla terra. e virando sobre a mão direita . o qual fez um Rodrigo Martins. junto do qual vivem. obra mui forte. . por sua conta. descendo sobre a mão direita. ao longo das ilhas de que já dissemos. Álvaro. obra mui bem acabada. muitos mamelucos com suas fazendas. e de Luiz de Brito de Almeida. João lhe fez mercê. Álvaro da Costa. que é de Nossa Senhora da Graça.1/J2 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e ao longo do mar da bahia até o rio de Jagoaripe. á vista d'ella. Em que se declara a terra do rio de Paraguaçú. Começando da cachoeira d'este rio de Paraguaçú para baixo. cuja terra da parte esquerda é fraca.

e em toda aterrad'este rio ha muita caça. João. e do uma banda e da outra é tudo povoado de roças e canaveaes. Do cabo de rio Paraguaçú. e por outra duas de largo. e tem grandes pescarias. cujos herdeiros o possuem agora. J?m que se declara o como corre a terra do Rio de Paraguaçú ao longo do mar da Bahia. especialmente ostras muito grandes. que eslam povoadas de curraes de vaccas e de pescadores. se vai armando em enseadas obra de três leguas que estam povoadas. e passada da outra banda tom sete ou oito ilheos de aréa cheios de mangues. CAPITULO XXVIII. pouco mais ou menos. o qual edificou Antônio Adorno. vai fazendo a terra umas enseadas de aréa obra de duas leguas. e no cabod'estas duas leguas faz a terra uma ponta de aréa muito sahida ao mar da bahia.S Pelo braga do meio vai subindo a maré duas leguas. no cabo das quaes se metia nelle uma formosa ribeira do água. Na ponta d'esta torra entre um esteiro e outro está uma hermida de S.ROTEIRO DO BRAZIL. e tornando a correr a cosia contra Jaguaripe . e quando é cheia fica parte d'esta ponta em ilha. com grandes edifícios de casas do vivenda e de purgar. até a boca de Jaguaripe e por este rio acima. de curraes de vaccas e . ató em direito da ilha da Pedra. ha muito marisco detodaa sorte. Esto engenho é copioso como os mais do rio. N*esto rio de Paraguaçú e em Iodos os seus recôncavos. assim de rede como de linha. a qual corta a maré a passos. quo so diz Igaruçu. onde se elle mette na bahia grande. onde ee pode fazer um engenho. o polo outro esteiro que está a mão esquerda está um prospero engenho de pedra e c a l . l/. especialmente na bahia que faz abaixo. por onde entra o salgado. porque por uma banda tem duas legoas de comprido. onde em uma maré vasia quatro negros carregam um barco deltas. e una formosa igreja.

a qual o salgado com a força da maré faz recuar até á cachoeira. que se diz a de Fernão Vaz. que se n'ellas podem mui bem fazer. Este rio de Jaguaripe é tamanho como o Douro. a qual costa por detraz d'estas ilhas terá três leguas de espaço até chegar ao rio de Jaguaripe. virando sobre a mão direita. que valem a oitocentos réis cada arroba. que se chama Pujuca. Esta ilha da Pedra é de pouco mais de meia legua de comprido e tem muito menos de largura . que não serve senão para vaccas e roças de mantimentos. em o qual se vem melter três ribeiras por esta mesma banda. Bento mui bem acabada . por amor da aferida. e será necessário fazer o engenho um pedaço pela terra dentro . e duas leguas abaixo da cachoeira é a água doce. que no cabo do anno vem a montar oitenta a cem arrobas de assucar. que se vem melter a este rio. obra mui formosa e ornada de nobres edifícios de casas de vivenda e de outras officinas. o qual engenho está feito nas terras de El-Rei. D'este engenho para baixo vivem alguns moradores que tem suas roças e canaveaes ao longo do rio. capazes de três engenhos. mas aterra d'esta banda é raza e de arôa. e mais avante está outra ilha que tem mais de legua de comprido. e do cabo d'estas duas leguas até á cachoeira é a terra soffrivel e tem cinco ribeiras'. que estão livres de todo o foro. ainda que junto do porto vem a água baixa.ll|4 GABBIEL SOARES DE SOUZA. que não plantam mais que mantimentos. mas mais aprazível na frescura: navega-se alé a cachoeira que está cinco leguasda barra. a qual terraficano cabo em lingua . Junto da cachoeira. Por detraz d'esta ilha vai correndo a costa da terra firme mui chegada a ellas. e de uma igreja de S. em que se podem fazer cinco engenhos-. E virando da boca de Jaguaripe para cima. duas leguas abaixo do Fernão Cabral. que não serve para mais que para lenha dos mesmos engenhos. fazendas de gente pobre. é a terra mui fraca. os quaes não são já feilos por o capitão desta terra não querer dar as águas menos de a dous por cento de foro. d'ahi a duas leguas. onde se mette no salgado uma ribeira. que costumam poros capitães. que servirá para um engenho. tudo terra despovoada por ser fraca de campinas. para baixo está um engenho de água de Fernão Cabral de Ataide. que o aformoseam muito. de que se mantém.

até onde a água salgada se mette por dous esteiros acima. onde se ajuntam com elle duas ribeiras do água em as quaes estão dous engenhos. Lonfcnço . que é uma das melhores peças da Bahia. ó ludopovoado'ác'canaveaes e fazenda de moradores. 14o estreita defronte da ilha de Fernão Vaz. onde se vem ajuntar o rio de Irnjuhi com o do Jaguaripe. da ponta duas leguas polo rio acimp . está um soberbo engonhocom grandes casas de purgar é de vivenda . indo por elle aciniá. por que eslá mui bem acabado . alem da qual junto á cachoeira está situado o engenho de Diogo Corrêa de Sando. com a mao direita ao longo da forra.i defuntos os maniiinoiítos e de rauilos rnnavcaís <fo Rssurar. e (Í'es!o engenho ao de Diogo Corrêa náo ha mais disútnWqitè quatrocentas braças de caminho do carro. que vai por este meio um quarto de legua para cima.ROTRÍRO «O BRAZIL. * . e multas ou iras officinas. é atravessam estes rio. CAPITULO xx. com grandes aposentos e outras officinas. Correndo por esla ponto de entre ambos os rios acima. e uma fresca igreja de Vera Cruz. os quaes deixemos estar para dizermos primeiro do rio de Irajubí. a qual ó tio Gabriel Soares do Soííza. a qual ponta tom uma ilhota no rabo. onde vivem muitos visinhos em uma povoação que sè diz áfirfcíosíi/Esla terra ó muilo forlil o abaslad. e para visinhàremse/fervem os carros do um engenho ao oulro por cima do duas punir*'. Ê tornando abaixo ao esteiro da mão direita. Em que se explica o tamanho e formosura do rio Irajúfii e seus recôncavos. povoado de canaveaes e fazendas em que entra uma casa de meles de muita fabrica de Gaspar de Freitas.>. com grande o formosa igreja te è . eficamos engenhos á vista um'do outro.x. que se chama Cnipe. daqpi para cima umá legua da cachoeira d"este rio. é a terra fraca que não sorve senão para lenha dos engenhos-..

porque o {jentio. onde ha três esteiros que entram por ella dentro duas leguas. CAPITULO X X X . tudo terra de pouca substancia. cuja terra é baixa e fraca com pouco mato. Em que se declara a terra que ha da boca dá barra de Jaguaripe até Juquirijape. andando mais de uma legua. mas a terra não é capaz para dar muitos annos canas. Da ponta da barra de Jaguaripe ao rio de Juquirijape são quatro leguas. de que se fez já menção. e entre esta ilha e a de Taparica e a torra firme. onde este rio é como o Tejo de Villa Franca para cima. fica quasi em quadra uma bahia de uma legua. Este rio de Juquirijape . defronte do qual está outra ilheta no cabo da ponta de ambos os rios. e d'ahi até o rio de Una. todo este esteiro está povoado de fazendas de moradores com formosos canaveaes. com a qual móe outro engenho que agora novamente fez o mesmo Diogo Corrêa. em os quaes se meltem ribeiras com que se podem moer engenhos . da mão direita. á feição de enseadas quasi pelo rumo de norte e sul. ao longo do mar. E i]'aqui ató em direito da ponta que divide o esteiro de Jaguaripe é a torra fraca. a qual terra não serve para mais que para criações de vaccas. ao longo da terra. e descendo por este rio abaixo. o qual eslá mui bem acabado e aperfeiçoado com as officinas necessárias. pelo qual atravessam das campinas quatro ribeiras de pouco cabedal. E abaixo d'estcs esteiros está uma ilheta que chamam do Sal . vai a terra povoada da mesma maneira . I)'esta ilha até á ponta da barra haverá uma legua. onde se mette a barra que se chama de Jaguaripe . quando vivia mais perto do mar. E tornando ao oulro esteiro que fica da outra banda do rio do Irajuhí. costumava-o vir fazer ali.OxQ GABRIEL SOARES DE S0VZ1. onde se mette a ribeira que so diz de Jacorú. IVesla terra á ilha de Fernão Vaz é perto de uma legua.

da qual vai fugindo a terra para dentro fazendo uma enseada ato o rio Una . Na barra d'eslo rio tem uma roça com mantimentos. onde o tempo leste e lessueste é travessia. Por este rio entra a maré mais de duas leguas. E*to rio é lào formoso como o do Guadiana . náo tem outro remédio so não varar em terra .R0TEIB0 DO BBAZIL. Toda esla praia e costa no inverno é mui desabrigada até á barra do Jaguaripe. onde se mettem três ribeiras que nascem nas campinas desta terra. da outra banda é a terra mais sonienos. a terra fraca. ondo Gabriel Torres tem começado um engenho . da barra para dentro até a cachoeira é muilo fundo . e tem indo por elle acima. para a banda da cachoeira uma legua toda do vargea. e se toma aqui os caravellões da costa que se mettem por esta barra. Ilo esteiro mais do rabo. e gente com que se grangea. de uma banda e da oulra alé duas leguas. tudo despovoado em feição de enseada . mas tem muito mais fundo. e junto d'esla cachoeira se vom melter uma ribeira com grande aforida . no cabo das quaes eslá situado o engenho do Sebastião da Ponte. o frutas silvestres. o . e do uma parto á outra podo haver quatro leguas. Este rio ó muito provido de pescado. onde não ha perigo das pessoas por ser tudo aréa. que será Ires leguas todas de praia. Este curral do Sebastião da Ponte está em uma ponta sabida ao mar com o rosto no morro do Tinharé . e assentado uma aldeia de escravos com um feitor quo os manda. cm os quaes so podem fazer dous engenhos. por ondo podem navegar navios de cem tonois e do mais. 1 \7 tem a barra pequena e baixa. cm o qual tem feilo grandes bemfeilorias. marisco o muita caça . por ondo não podem en'rar mais quo caravellões da costa por ler uma lagea na boca quo a toma toda. o terra muilo gro<sa para canaveaes . c elles não acertam com a boca de Juquirijape para se recolherem dentro . o pela mór parte do campinas com muitos alagadicus. que tem duas moend is do água em uma casa quo móe ambas com uma ribeira. que não servem para mais que para criação do vaccas. torra boa para vaccas . Da barra de Juquirijape ao curral de Sebastião da Ponte serão cinco leguas ao longo do mar. e tom indo por elle acima mais avante dous esteiros.

onde os . que lhe fizeram já muito damno. CAPITULO X X X I . Em que se explica a terra do Rio Una até Tinharé. de que atraz se faz menção . e da ilha Da boca do Rio Una a uma legua se mette no mar oulro rio. qual engenho ó mui grande e forte . Da Boca dVto rio deTairirí a esta ilha pôde ser um tiro de falcão. onde Fernão Rodrigues de Souza fez uma populosa fazenda com um engenho mui bem acabado e aperfeiçoado. aonde o mar quebra ordinariamente. Tornando á ilha de Taparica. porasua terra ser alta. Esta ilha faz abrigada a esta terra atéá ponta do curral. que n'el!a estão assentados da mão de Domingos Saraiva. fazendo uma enseada de obra de três leguas até a ponta'do ninri'0. Gcns com Ires capellas de abobada : e por este rio Una vivam alguns moradores que n'elle tem feito grandes fazendas de canaveaes e nianlimontps. No tíiàr que lia entre esla ilha e a terra firme . a qua! ó fraca para canaveaes. E tornando á boca d'esle rio. DE SOUZA. a-qual peba banJa da doutro da bahia tem muitos portos. d'onde vai correndofato o morro.1/|8 GABRIEL SOARES. onde vivem alguns moradores. onde tem muitos homens de soldo para se defenderem da praga dos Aimorés. pela banda de Tinharé não tem porto aonde se possa desembarcar por ser cercada de baixos de pedra . o qual vivia n'olla e tem abi sua fazenda com g-aiules criações e uma hermida onde lhe dizem missa. onde se acaba o que se entende a Bahia de Todos os Santos. pelo qual entra a maré duas ou três leguas. de purgar e outras officinas. que se dizTairirí. que está mui visinho da ilha de Tinharé. de Taparica com outras ilhas. ha grandes pescarias e muito marisco. com as officinas acostumadas "e uma igreja de Nossa Senhora do Rosário muito bem concertada. está mui bem fabricado de casas de vivenda. quê é senhor d'esta ilha. onde por muitas vezes no inverno lança o mar fora n'esla ilha o nas praias de defronte até o Juquirijape âmbar gris1 muilo bôm. com uma formosa igreja do S.

que chamam dos Porcos. e junto d "elles está uma ilheia. que será de seiscentas braças em quadro. e criam vaccas. E«ta ilha Tamanhos tora uma legua de comprido. Junto da Tamarãliba da bunda da terra firme eslá uma ilheta S. ondo o mais do tempo estão difforenles pescadores do rede. «pio so diz do Lopo Rebcllo. o diante d'ella estão Ires ilbeos razos. está um engenho de assucar que lavra com bois. cuja terra não sene para mais que para manlimontos. aonde com tormenta so recolhem as embarcações. que lavrara eaunas e manliiiientos. entro a qual ca ilha do Tamarãliba haverá espaço de ura tiro do falcão.BOTKIBO DO BRAZIL. a qual é do condo do Castanheiro. ondo vive um morador. fazendo uma ponta ao mar contra a outra que vem da banda do Paraguaçú . quo se chama ponta da Cruz alé onde está povoada a ilha de moradores. onde tem uma igreja de Santa Cruz : e d'este engenho a duas leguas está a ponta de Taparica . No cabo da ilha Tamarãliba entro cila e a de Taparica estão três ilbeos de aréa pequenos. o qual é de Gaspar Pacheco. 1 '. que lavram mai ti nentos e algumas canas. por haver ali muitos lanços. e pode haver de uns aos outros uma legua. que so diz de João Fidalgo. o d'aqui alé Tainaràliba serão duas leguas da costa d'esla ilha. e meia de largo. Mais avante junto datorrade Taparica eslá outra ilheta. Na ponta d'csta ilha do Taparica defronto da barra do Jagoaripe está uma ilheta junto a ella . Tem esla ilha pola banda de dentro grandes pontas o enseadas. Gonçalo. Avante d'csla ilheia. quo vivem junto 33 mar. muito raza. cheia do arvoredo. que é mais sabida ao mar. d'onde se tira muita madeira. em uma enseada grande que Taparica faz. quo vem das outras partes da bahia para a cidade. cuja terra é fraca e do arèa. E d'aqui para dentro é povoada Taparica do alguns moradores. D'esla ponta uma legua ao norte eslá uma ilha que se diz a do Medo. ondo vivem seis ou sete moradores. que está cheia do arvoredo. cuja terra ó raza o despovoada por ser do arca c náo lor água.0 barcos podem desembarcar com todo o tempo. do mar contra a ponta de Taparica eslá outro ilheo razo com arvoredo que náo servo senão a pescadores de redes. por cujo porto se servem os moradores que vivem pelo sertão da ilha. .

convém a saber: vinte e um que moem com água e quinze que moem com bois. que junto todas fazem a somma de cincoenta e cinco . e outras sete Pagara aos curas os freguezes . nomeando-os emsumma. Mas comecemos nos engenhos. Alteza. cincoenta e três leguas. e quatro que se andam fazendo. Em que se contém quantas igrejas. engenhos e embarcações tem a Bahia. convém a saber: nove vigarariasque paga S. e a mór parte das outras igrejas tem . e tem a Bahia da ponta do Padrão. Da ponta de Taparica se torna a recolher a terra fazendo rosto para a cidade. os quaes são moentes e correntes trinta e seis. CAPITULO XXXII. das quaes são dezaseis freguezias curadas. convém que lhe juntemos o seu poder. que são dezaseis entre grandes e pequenas. c om seus recôncavos sessenta e duas igrejas. não tratando da gente. Tem a Bahia. que são trinta e nove. de muita fabrica e mui proveitosas. e muitas conservas. andando-a por dentro sem entrar nos rios. até chegar a ponta do Tinharé. Tem mais oito casas de cozer meles. pois o fizemos atraz. Sabem da Bahia cada anno d'estes engenhos passante de cento e vinte mil arrobas de assucar. em que entra a Sé. a qual está toda povoada de moradores que lavram muitos mantimentos e canaveaes.foraas ilhas que ha dentro nos rios. E na fazenda de Fernão de Souza está uma igreja mui bem concertada daadvocação de Nossa Senhora. a saber vinte e duas ilhas e dezasete ilheos. havendo que dizer d'elles e de sua machina muito. onde os visinhos d'esta banda tem missa aos domingos e dias santos.150 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e três mosteiros de religiosos. Pois que acabamos de explicar a grandeza da Bahia e seus recôncavos . E por aqui temos concluído com a redondeza da Bahia e suas ilhas. ainda que particularmente se dissesse de cada um seu pouco.

Magestade. se ajuntaraô na Bahia mil e quatrocentas embarcações: de quarenta e cinco para setenta palmos]do quilha. as quaes se dão de feição que . que n'esta terra se plantam. o náo ha pessoa que nãotenhaseu barco ou canoa pelo menos. pelo que os homens se mantém honradamente com pouco cabedal. CAPITfLO XXXIII. se se querem acommodar com a terra o remediar com os mantimentos delia. e todas estas igrejas estão mui concertadas. e todas estas embarcações mui bem remadas. e como produz em si as criações das aves e adularias de Hespanha e os frutos d'ella. é bem que digamos a fertilidade d'ella um pedaço. e não ha engenho que não tenha de quatro embarcações para cima. ajuntar-sc-háo trezentos barcos de trinta e quatro palmos de quilha para baixo. Em que se começa a declarar a fertilidade da Bahia e como se nella dá o gado da Hespanha. Tratando em summa da fertilidade da terra. Todas as vezes quo cumprir ao serviço de S. levaram-nas de Cabo Verde e depois de Pernambuco.ROTEIRO DO BRAZIL. 161 capellães e suas confrarias como em Lisboa. cem embarcações mui fortes . e se. e mais de duzentos conòas. porque se servem todas as fazendas por mar. em cada uma das quaes podem jogar dous falcões por proa e dous berços por banda. e ainda com ellas não são bem servidos. limpas e providas de ornamentos. do que é muito abastada e provida. cumprir ajunlarem-se as mais pequenas embarcações. e do quarenta o quatro palmos d 5 quilha até trinta e cinco so ajunlaráõ oilocentas embarcações. E são tantas as embarcações na Bahia . Pois se tom dado conla tão particular da grandura da Bahia de Todos os Santos e do seu poder. ras quaes pode jogar pelo menos um berço por proa. As primeiras vaccas que foram á Bahia. digo que acontece muitos vezes valer mais a novidade de uma fazenda que a propriedade. em as quaes nos dias dos oragos se lhe faz muita festa.

os cavallos não querem tomar as burras por nenhum caso. e dizem que tem virtude. Os jumentos se dão da mesma maneira que as egoas. e ha homens que tem em suas grangearias quarenta ecincoenta. onde valem a duzentos e a trezentos cruzados è mais. como as vaccas. se não consentem nos curraes os louros velhos . cabras. por ellas serem grandes e elles pequenos. e aos dous annos vem paridas. e algumas vezes parem duas crianças juntas. mas os asnos tomam as egoas por invenção e artificio. umas e outras são muito leves e duras. quando as tomam. os quaes até a idade de cinco annos são bem acondicionados. ovelhas e porcas. assim elles como as e^oas andam desforrados. as pellas das mais velhas são pretas e lisas que parecem vidradas no resplandor e brandura . Da Bahia levam os cavallos a Pernambuco por mercadoria. e as egoas esperam-nos bem. como as melhores de Hespanha. o que se lambem vê nas éguas. pelo que acontece muitas vezes mamar o bezerro na novilha e a novilha na vacca juntamente. e esperam o cavallo poldras de um anno. as vaccas são muito gordas e dão muito leite. o fazem-se mui desassocegados.152 CABRIEL SOARES DE SOUZA parem cada anno e não deixam nunca de parir por velhas. as novilhas como são de anno esperam o touro. mal arrendados e ciosos. de que se faz muila manteiga eas mais consas de leite que se fazem em Hespanha. ainda que são pequenas.bem feitas e de muito trabalho. . mas não faltam por isso em nada por serem mui duros de cascos. que lhe não podem chegar. São tão formosas as egoas da Bahia. e pela maior parte como passam d'aqui criam malícia. e depois de velhas criam algumas no buxo umas maçãs tamanhas como uma pélla e maiores. as quaes parem cada anno. mas estas que ha.e quando são ainda novas tem o carão deforacomo o couro da banda do carnaz. multiplicaram de uma tal maneira que valem agora a dez e a doze mil réis. porque são pezados e derream as novilhas. dasquaes nascem formosos cavallos o grandes corredores. pelo que ha poucas mulas. As egoas foram á Bahia de Cabo Verde. pelo que levavam lá muitas todos os annos e cavallos. mas são de casta pequena . das quaas se inçou a terra de modo que custando em principio a sessenta mil réise a mais. são muitoformosas. e porque as novilhas esperam o louro de tão tenra idade.

salvo os que se criam nas capitanias de S. os quaes se criam sem mais cereraonias que as gallinhas. e davanlagem. que como são de tres mezes. polo que multiplicam rousa de espanto. A carne dos porcos é muito sadia o saborosa. em quanto são novos e depois de velhos não lem preço . umas o outras parem . E tombem se dáo muito bem os patos e ganços de Hespanha. Os gaüipavos se criam. o quanto mais •olha é melhor. e lambem fazem tão formosos como em Hespanha . As gallinhas da Bahia são maiores e mais gordas que as do Portugal. duas crianças e muitas vezes três. as quaes se dão muito bem . os quaes são muilo tenros e saborosos. pelo que so não podem criar em pombaes. cuja carne é muito gorda e saborosa. a dos carneiros é magra . se lhes não falia o macho. a carne dos bodes ê gorda e muito dura. e como a leiloa é de quatro mezes espera o macho . mas não fazem os loucinhos tão gordos como em Portugal. mas fazem-lhe muilo nojo as cobras que lhe comem os ovos c os filhos.ROTRIRO DO BRAZIL. e grandes poedeiras c muito saborosas. de que so fazem queijos e manteiga. tirada a primeira paridura. Vicente e na do Rio de Janeiro. porque ordinariamente andam prenhes. por cm nenhum tempo ser prejudicai. o umas c outras dão muito o bom leite. c os frangãos da mesma idade tomam as fêmeas. e criam sobre o racho um» carne como iibre de vacca de ires dedos de grosso. c come-se todo o anno. o parem cada anno pelo menos duas vozes. 153 As ovelhas e as cabras foram «Io Portugal e de Cabo Verde . mas é do espantar. 20 . de feição que parem Ires vezes no anno. mui sadia e saborosa. a qual se dá aos doentes como gallinlia. as quaes emprenham como são de quatro mezes. cuja carne é sempre muito gorda. os quaes são feitos gallos c tão tenros. Os cordeiros e cabritos são sempre muitos gordos e saborosos. cuja carne é muito gorda e soborosa. A porca pare infinidade de leilões. esperam o gallo. As pombas de Hespanha se dáo na Bahia. saborosos e gordos como se não viu em outra parte.

e como as canas são de seis mezes. Trucíente. que se dáo na Bahia de todos os Santos. Thomé. e como se criam nella. e ainda assim são canas mui curtas . sem se eslercar a terra.15/» GABRIEL SOARES DE SOUZA. e quantas vezes a podam. Na ilha da Madeira e nas mais partes aonde so faz assucar cortam as canas de pranta de dous annos por diante o a soca de três annos. e na Bahia plantam-se pelos altos e pelos baixos. nem se regar. e na terra baixa não se faz assucar da primeira novidade que preste para nada. as quaes recebeu esta terra de maneira em si que as dá maiores e melhores que nas ilhas e parles d'ondd vieram a ella e que em nenhuma outra parte que se saiba que crie canas de assucar. a qual se dá de maneira n'esta terra que nunca lhe cahe a folha. se as não misturam com canas velhas. Das arvores a principal é a parreira. porque acamam as canas e estam tão viçosas que não coalha o summo d'ellas. S. CAPITCLO X X X I V . porque aqui se dáo tão compridas como lanças. Valencia e na índia não se dão as canas se se não regam os canaveaes como as hortas e se lhes não estercam as terras. porque na ilha da Madeira. e como são de quinze mezes logofiamnovidade ás canas de prantas. e as de soca como são de anno logo se cortam. e porque . tantas dá fruto. cuja planta levaram á capitania dos Ilbeos das ilhas da Madeira e de Cabo Verde. logo acamam e é forçoso corta-las para plantar em outra parte. onde a terra não dá mais que duas novidades. E na Bahia ha muitos canaveaes que ha trinta annos que dão canas: e ordinariamente as terras baixas nunca cançam e as altas dão quatro e cinco novidades e mais. Parece razão que se ponha em capitulo particular os frutos de Hespanha e de outras partes. so não quando a podam que lh'a lançam fora. Em que se declara as arvores de Hespanha que se dão na Bahia. Cabo Verde. E comecemos nas canas de assucar. Canárias.

Também ha outras figueiras pretas que dão figos bobaras mui saborosos . o ha . o fruto d'ellas é maravilhoso no gosto e de bom tamanho. dão figas om lodo o anuo. o assim cm lodo o anno tem uvas maduras. ondo ha homens que colhem ja a Ires o quatro pipas do vinho cada anno. mas nau dão a nov idade tão depressa como ella. e como se da na capitania do S. era unia só parreira . polo que não ha na Bahia tanto vinho como na ilha da Madeira. que dáo mui grandes o saborosos figos pretos . e não lhes cabo nunca a folha do lodo . mas dão romãs emtodoo anno. c iwo H . e as arvores não são muito grandes. logo so eurliem do uns carra|iatos que as comem. lhe cortam a folha o fruto e o lançam no chão. e dahi por diante. ao qual dão uma forvura no fogo por se Ibo não azedar. o quo so faz em qualquer tempo do anno conformo ao tempo que cida un qujr as uvas. As romeiras se plantam do quaesquer raminhos. mas não ha n'aquella terra mais planta que de uxaslerraes e outras uvas pretos. jwrque não tom formiga quo lhe faça nojo. o que deve de nascer das plantas. e as que dão logo novidade efigosora lodo o anuo são figueiras pretos . as quaes são maiores arvores e durara perfeitos mais annos quo as oulras. as quaes nunca cahe folha. porque como são do cinco.ROTEIRO DO BRAZIL. os quaes ligos prelos não criam bichos como os do Portugal. Vicente. e níto amadurecem todas juntas. nem duram muilo tempo. outros rora agraços . os quaes pegam c logo dão fruto aos dous annos. As figueiras se dão do maneira que no primeiro anno que as plantem vem com novidade. elbes faz cahir afolliao ensoar o fruto. so as podam muitas vezes no anno. é a poda ordinária duas vozes pira darem duas novidades. s«is annos. mas náo dão muitas romãs por pecarem muito. p. as arvores não são nunca grande». e cabirom no chão estando em flor. uriosos que lera nos seus jardins pé de parreira quo tom uns braços com uvas maduras. com as quaes arvores tem as formigas grande guerra. !?>•> duram poucos annos com a fertilidade.irquo em lodo o anuo inadurocem e são muito doces e saborosas. outros com fruto em flor o outros podados do novo. o so não ha n'csla terra muitas vinhas é por respeito das formigas que cm uma noite que dáo em uma parreira.

mas com pouco trabalho se defendem d'ellas. pelo que sé sustentam com trabalho estas arvores e as parreiras. e as cidras são grandíssimas c saborosas. As cidreiras se plantam de estaca. onde ha poucas que dem fruto azedo. e plantam-se de pevide também. que á figueira não faz a formiga nojo. Dão-se na Bahia limões francezes tamanho. e todos aos dous annos vem com .156 GABRIEL SOARES DÈ SOtZA. mas de pevide se dão melhor. aquém a formiga faz o mesmo damno. o qual é o mais formoso e grande que ha no mundo. e outros limões do perdiz o os galegos1. como no sabor. assim no grandor. As laranjeiras so fazem muito grandes é formosas. outras pequenas c muila flor. assim no grandor . e faz-lhe a terra tal companhia. que em três annos se fazem arvores mais altas que um homem . verdes . Tomam estas arvores a flor em Agosto. Algumas tem o âmago doce. As limeiras se dao da mesma maneira. outras azedo. porque tem cidras maduras. porque tem o pé da folha muito duro. como cidras de Portugal. por ella lhe dão fogo tal assalto que lhe lançam a folha toda no chão . e as laranjas doces tem mui Suave Sabor. defendem dellas senão com testos de água ao pé que fica no meio . e n'este terceiro anno dão fruto. por se não usard'elle na terra. e em todo o anno as cidreiras estão de vez para dar fruto . e tomam muita flor. As limas doces são muito grandes. e a camiza branca com que se vestem os gomos é também muito doce. ás quaes arvores as formigas em algumas partes fazem nojo. se lhe pôde chegar. e é o seu doce mui doce. em que so começa n'aquellas partes a primavera. uns c outros se plantam de pevide. porque dão fruto ao segundo anno. e. as quaes fazem muita vantagem ás de Portugal. As arvores das limas são tamanhas como as laranjeiras. deque sefozagoa muito fina édémais suave cheiro que a de Portugal. e se se atravessa uma palha por cima. formosas e muilo saborosas. e são mui saborosos. as quaes fazem muita vantagem ás de Portugal. como no sabor. a quem as formigas não fazem nojo. As larangeiras se plantam de pevidé. e faz-se d'ellas muita conserva. como as laranjeiras doces são velhas. dão as laranjas com uma ponta de azedo muito galante.

d'abi a oito annos. porque. como eslá dito das cidreiras) e alguns d'estos limoeiros se fazem muito grandes. de que não ha muitos na torra. c na índia não dáo estos palmas fruto em vinte annos. Os cocos são maiores e melhores que os da6 outras partos. c a côr dosramosé do um verde claro. a palmeira que d elle nasce dá coco em cinco o seis annos. se dáo na Bahia melhor quo na índia . CAP1TILO x x x v . as fêmeas tem uma copa cm rima. por so nao aproveitarem n'ella d'esto fruto. Foram os primeiros cocos á Bahia de Cabo Verde. 1 f>7 novidade. As palmeiras que dão os cocos. e a arvoro que é macho não dá fruto c c mui ramalhuda do meio para cima. que dão tomaras mui perfeitas. deram fruto e dos caroços deste fruto ha outras arvores que dão j á . mas não foz ninguém conta d'ellas. e começou-se de plantar obra do meia arroba d'oMc. o qual dáo em lodo o anno. mas não lia quem lhes saiba matar esto bicho. porque se tem que quem semeia estas tomaras. Da ilha de S. c as folhas são do côr verde escuro. dizem que lhes nasce um bicho no olho que os foz seccar. as primeiras nasceram dos caroços que foram do Reino e depois de semeadas o nascidas. Tanureiras se dão na Bahia muito formosas. espuclalmento os galegos. como sio de oito o doz annos para cima. Estos tamarciras não dáo fruto senão houver macho entre ellas. os quaes muito depressa so fazem arvores mui formosas e tomem muito fruto. Também so dão na Bahia outras arvores do espinho quo elutnam azambôas. mettido um coco debaixo da torra. repartindo pui muitas pusso. e aproveitar-<=o do muilo proveito que na índia se faz dos palmares. e houvera infinidade d'elles se oio se secaram. pelo que não se faz n'csla terra conto d'estos arvores.is. o . donde se encheu a torra. Em que se conta de outros frutos estrangeiros que se dão na Bahia. e pode-se contar por estranheza esla brevidade.ROTEIRO DO RRACIL. elle nem seus filhos lhe comem o fruto senão seus netos. Thomé levaram á Bahia gengihre.

CAVITULO XXXVI. Da ilha de Cabo Verde e da de S. a qual é com muita vantagem do que vem da índia. de cada alqueire de semeadura se recolhe de quarenta para sessenta alqueires.ais de quatro mil arrobas. Não ó razão que deixemos de tratar das sementes de Hespanha que se dão na Bahia. se comem muito d'ella. Como se isto soube o deixaram os homens pelo. são mais saborosos. porque os seus. Em que se diz as sementes de Hespanha que se dão na Bahia. como for terra baixa é sem duvida que o anno dê novidade. e por não terem nenhuma sabida para fora apodreceram na terra muitas logeas cheias d'elle. e de como frulificaram. Thomé foram á Bahia inhames que se plantaram na terra logo. o qual é tão grado e formoso como o de Valencia: e a terra em que se semea se a tornam alimpar dá outra novidade. onde se deram de maneira quo pasmam os negros de Guiné. senão a que lhe cahiu ao colher da novidade.158 GABRIEL SOARES DB SOUZA. e colhem inhames que não pôde um negro fazer mais que tomar um ás costas: o gentio da terra não usa d'elles. a que chamam carazes. do qual se fazia muita e boa conserva . como o da índia. sem o quererem recolher . E peguemos logo dos melões que se dáo em algumas parles muito bem. qual se deu na terra de maneira que d'ahi a quatro annos se colheram „. mas não o sabiam curar bem. sem lhe lançarem semente nova. que são os quo usam mais d'elle. e. porque o semeam em brejos e em terra enxuta. Levaram a semente do arroz ao Brazil de Cabo Verde . em grandeza e fineza . mas . e são mui arrazoudos. porque se colheu d'elle penca que pezava dez e doze arreteis. Arroz seda na Bahia melhor que em outra nenhuma parte sabida. do que se não usa já na terra por El-Rei defender que o nao tirem para fora. cuja palha se a comem os cavallos lhe faz muito mormo. por que ficava denegrido . morrem disso. campos. de quem diremos em seu logar. e o como se procede com ellas.

os rabãos queimam muito. e dão novidade que é infinita. onde lhes arrebentam muitos filhos. Pepinos se dão melhor quo nas hortas de Lisboa. 1Í>9 não chegam todos a maduros. da6 quaes se fazem latadas quo durara todo o verão verdes. se tornam a semear. as quaes espigam c dão semente muilo boa. e onde os semeara uma . muitas e mui gostosas. da qual ordinariamente nascem raostardeiras. cujas pevides tornam a nascer se as semeara. porque lhes corta ura bicho o pé. e dão alguns tão grossos como a poma de um homem.lL. cujas pevides H das outras abóboras. Endros se dão tão altos que parecem funcho. que como são do tamanho da couvinlia. as tiram e plantam como couvinham. e colhe-se cada anno muita e boa mostarda. Alfaces se dão a maravilha de grandes e doces. as quaes pegam todos sem seccar uma. Abobaras de quaresma. melancias e pepinos. Melancias se dão maiores e melhores que ondo so podem dar bem em Hespanha. Nabos e rahSos se dão melhores quo entre Douro e Minho. nem estercados. o duram quatro e rineo mezes os pepineiros. som se seccarero. dando sempre novidade mui pcrfeiLas. o nada se rega. se dão na Bahia façanhosas de grandes. Mostarda so semea ao redor das casas das fazendas uma só voz. a quo se chamam de Guiné. e faz-se d'ellas conserva mui substancial. e crião-se delles melhores couves que da couvinlia. como as colhem corlam-nas pelo pé. dando sempre novidade. mas uns nem outros não dão semente senão fallida c pouca e que não torna a sen ir.ROTEIRO DO BRAf. os quaes espigam e dão muita semente. som serem regados. As couves tronchudas e murcianas se dão tão boas como cm Alvalade. das quaes so faz muita conserva e as abohreiras duram todo um anno. com o que se escusa semente de couve. Abóboras das de conservas so dão mais e maiores quo nas hortas de Alvalado. Coenlros se dão tamanhos que cobrem um homem. mas não dão sementes.

e nasce de cada uma um cebolinho. a qual está em flor e com o pezo que tom . Funcho se dá com vara tamanha. e não ha quem os desince da terra onde se semeam uma vez. e dá muita semente como os endros. mas não dá semente. Poejos se dão muito e bem aonde quer que os plantam > Jayram a lerra toda como a horlelã. ainda que lh'a não cavem.. nunca se secca. a qual dá muita seinente que se espalha pela terra que se toda inça d'ella. Agriões nascem pelas ruas onde acertou de cahir alguma semente. Tanchagem se semea uma só vez. as quaesfezerngrandes arvores. e d'elles se dão muito boas cebolas. A semente de cebolinho nasce mui bem. se lixe alimpam a terra. Alhos não dão cabeça na Bahia. nem espiga. o qual se cria assim e cresce até ter disposição para se transpor. e também os ha naturaes da terra pelas ribeiras sombrias. mas não secca aquella maçaroca em que criam a semente. Bringelas se dão na Bahia maiores e melhores que em nenhuma parte. a cujo pé chegam uma pequena de torra. e fazem-se muito formosos. que parece uma eana de roca muito grossa. e dão tanta semente que não ha quem os desince. eterna a nascer a sua semente muito bem. Vicente se faz cada dente que plantam tamanho comp uma cebola em uma só peça. .160 GABRIEL SOARES DE SOUZA. outros tomam a nascer. as quaes espigam . mas na eapitania de S. mas não espigam nem florescem. mas quantas são tantas pegam no chão. e so no verão tem conta com ella. vez. faz vergar o grefo até dar eom esta maçaroca no ehão. a qual semente vai ás vozes misturada coro a da hortaliça. o cortar-se era talhadas para se pizarem. ainda que seceara. para que não abale o cebolinho. A hovtelã tem na Bahia por praga nas hortas. cujas flores se não soccam. porque onde a plantam lavra toda a terra e arrebenta por entre a outra hortaliça. e pelos quintaes quando chove. deitando-lhe uma pouca de água. A salsa se dá muito formosa. por mais que os deixem estar na terra. e portam o grelo da cebola.

Até agora so disse da fertilidade da terra da Bahia tocante ás arvores de fruclo de Hespanha. são naluruos da mesma torra. cuja rama ó delgada e da côr como ramos de sibugueiro. todos prendem. dis|tondo raminbos som raiz epor pequenosquo sejam. e a criação que tem. mas não espigam. a que em Portugal chamão farinha de páu. E já que se sabe como n esta provincia fructificuui as alheias. saibamos dos seus mantimentos naUiraes : o peguemos primeiro da mandioca. que so nella dão. que é o principal raaiUimcnlo e do mais substancia. Alfavaca se planta da mesma maneira. somsecem nenhum como se tivessem reinos. nem os cardos: vai muita semente de Portugal. e dura todo o anno njo o deixando espigar. nem dio semente. Em que se declara que cousa é a mandioca. a qual so faz mais alto o forte que era Portugal. nas hortas e quinlacs e em qualquer torra que esto limpa de mato. o quo se não usa. porquo nascem infinidade de uns e de outros.i . CAPITULO XXXVII. sem os semearem. porquo cora ura só pé se encho todo um jardim. Ilacasla do mandioca. Mandioca é uma raiz da feição dos inhames c batatas. As aenouras.ROTEIRO DO BRAZIL. de que os moradores aproveitam. As chicorias e os malurços se dão muito bem e dão muita semente e boa para tornar a semear. e fofos por dentro. a folha é do feição o da branduii da d. I (> 1 Mangcricàoso dá muito hora do somonte. selgas. a quem a formiga náo faz damno como ao mangericão. a qual so dá [velos matos tão alia que cobre um homem. espinafres se dão muito bem . e ás outras sementes. c tem a grandura conforme a bondade da terra. BukJros nem beldroegasse não semeara. mas foto «*• usa d'ella na terra. o espiga com muita semente se UYa querem apanhar.

e ha outras castas. quando a planta rebonla ó por estes nós. quatros annos. que se a deixam criar. como os das mesmas folhas das parreiras. que se dizem manaitinga e parati. Ha outras castas. parra.os pés destas folhas são compridos e vermelhos. de palmo cada um. que chamão taiaçu e manaibarú. e se passa de anno apodrecem muito. apo- . Arrebenta a rama d'esta mandioca dos nós d'cstes páusinhos aos três dias até os oito. mas ha uma casta. que se fazem ao pó de cada folha.162 GABRIEL SOARES DE SOUZA. dá raizes de cinco seis palmos de comprido. mas tem a côr do verde mais escura. qu^«0qucrem comestas de um anno por diante. donde nascem e se geram as raizes. segundo a fresquidão do tempo . porque em fresco deitam leite pelo corte. os quaes paus quebram á mão. A grandura da raiz e da rama da mandioca é conforme a lerra em que a plantam. e tão grossos como a perna de um homem: queremos» as roças da mandioca limpas de herva. c a parles cobre um homem a cavallo. e quando os olhos nascem delles são como de parreira. Ha uma casta de mandioca. ou os cortam com faca ao tempo que os plantam. porque a não arranque e quebre o vento. que de sua natureza dá pequenos ramos. até que tenha disposição para criar boa raiz. por onde quebram muito. Planla-se a mandioca em lodo o anno náo sendo no inverno. e em cada cova se mettem três quatro pauzinhos da rama. Ha casta de mandioca. e outra que chamam manaibussú. que se diz mauipocamirim. e não entram pela terra mais que dous dedos. e duram estas raizes debaixo da lerra sem apodrecerem Ires. e fazem-se estas plantadas mui ordenadas seis palmos de uma cova a outra. esla mandioca manaitinga e parati se quer plantada cm terras fracas e de arèa. se o inverno é grande. os quaes ramos são muito tenros e muito cheios de nós.v mas ordinariamente é a rama mais alta que um homem. e quer mais tempo secco que invernoso. a qual plantam em lugares sujeitos aos tempos tor>mentosos. que se começam a comer do oito mezes por diante. que se quer com esta de anno e meio por diante. Planta-se a mandioca em covas redondas como melões muito bem cavadas. e a criação que lem.

que cobre bem a torra com a rama. A formiga faz muito damno á mandioca.. ovelhas. e nasterrasnovas não ha formiga que faça nojo a nada. e todos engordam com ellas comendo-as cruas. outros costumam ás tardes. a qual folha o gentio como cozida ora tempo de necessidade. CAPITULO x x x r m . com pimenta da torra. porque acha sempre pelo chão as folhas. e se lhe come a folha. O lli. Que trata das raizes da mandioca e do para que sen-tem. em que ellas dão os seus assaltos. e por onde quer que quebram a folha lança leite. para que de noite. que ellas comem. cabras. o qual caminho fazem muito limpo. mais de uma vez. As raizes da mandioca comem-nas as vaccas. per onde vão e vem a vontade. com o que. se detenham em tornar a furar a terra para sahirem fora. e se as comem os índios. que não tem nenhum cheiro. e das da mandioca velha. fa-la serrar. e cortam-lhe a herva com o dente. porcos e a caça do mato. morrem disso por serem muito peçonhentas. N 'este trabalho andam os lavradores até que a mandioca é de seis mezes. c para se aproveitarem os índios e mais gente destasraizesdepois do arrancadas. Lança a rama da mandioca na entrada do verão. que então não lhe faz a formiga nojo. lançam-lhes desta folha no caminho rentes que entrem na roça. o lançam-lhe de redor folhas de arvores. quando sahem acima se embaraçam até pela roanháa. e se as formigas vem de fora das roças a comer a ellas. e para so defenderem as roças d'csia praga da formiga. buscam-lhe os formigueiros donde as arrancara com enchadaseasquoimam. egoas. quo se recolhem aos formigueiros . ainda que sejam assadas. rapam-nas muito bem . e desviam-na do caminho. pitarem a lerra dos olhos dos formigeiros com pirões muito bem. antes que se recolham. umas flores brancas como de jasmins.ROTRIRO D BRASIL. a qual como é contesta delia nunca dá boa raiz. que cabem de cima.l drece a raiz da mandioca nos lugares baixos. com o quo se contentam.

é muito doce e saborosa. masficamtão iguaes como obroas . o que faaetn ôôm cascas de ostras. Antes de passarmos avante. depois de espremida. que lhe faz lança? a agita que tem toda fora. que se fazem de maça de trigo. qtte^ o mantimento que se usa entre gente de primor.'em o qual deitam esta maça e a enxugam sobre ofogo. e quem quer que a bebe não escapa por mais contrapeçonha que lhe dem. Fazem mais cFésíá mtéfò. espremem esta maça em1 uni engenho dè palma . sadios ede boa digestão. convém que declaremos a natural estranheza da água da mandioca que ella de si deita quando a espremem depois de ralada. CAPITULO XXXIX. o que foi inveritatro pelas mulheres porluguezas. de maneira que fieam tão delgadas comofilhosmouriscas. as quaes se eozem n'este alguidar até que ficam' muito seccas e torradas. e querem*§ÍN comidas quentes. a que chamam tapitim. e depois de bem raladas. e fazem-se no mesmo alguidar como os beijí&V mas não são de tão boa digestão. da qual sa foz á farinha que se come. e deste maneira se come. ralam-nas em uma pedra ou rafo que para isso «em. como quem foz confeitos. que o gentio não usava d*elles^ Fazem mais d'esta mesma maça tapioeas. que cozem em um alguidar para isso feito. porque é a mais terrível peçonha que ha nas partes do Brazil. iVesies beijús são mui saborosos. as quaes são grossas como filtós de polme e moles.164 GABRIEL SOARES DE SOUZA. onde1 uma india a meche com um meio cabaço. a qual é de qualidade que as gallinhas em . nem tão sadios. a que chamam beijúá. alé ficarem alvissimas. esrèndéhdo-a no alguidar sobre o fogo. umas filhos. e com assucar clàff~ ficado também. e fica esta maça toda muito enxuta. mas mais branca. Em que se declara quão terrível peçonha é a da água da mandioca. e depois de lavadas. até que fica enxuta'6 sem nenhuma humidade^ e fica como cuscuz. com leite tem muita graça.

senão por necessidade. 105 lhetocandocom o bico» «lavando uma só gota para baixo. . segundo dizem. lha come era vinte e quatro horas. e não se sento esto mal senão quando não tem remédio nenhum. era bebendo o primeira bocado dão ires e quatro voltas em redondo e cabem mertas. e em outras parles. a qual se faz d'eslas raizes. e os Porluguezes. com os quaes muitas indias mataram seus maridos o senhores. do que se aproveito o gentio. porque não mala com tanta presteza empo a agoa de que se criáo. espingarda ou outra qualquer corna cheia de ferrugem. ovelhas. se criam da água d ella uns bichos brancos como vermos grandes que são peconbenttssimos. aonde Rio faça nojo ás criações. doquetombemse aproveitavam. CAPITULO XL. perus. cabras. e por esta razão se espreme esla mandioca por curtir em covas cobertos. Nos logares onde se esta mandioca espremo. papagaios a a todas as aves. Tem esla água tal qualidade que se matem n'ella uma espada ou coçolete. e matara a quem querem. de maneira que ficam limpas como quando sabem da mó.R0TRIR0 SO BRAZIL. O mantimeoto de mais estima e proveito que se faz da mandioca é a farinha fresca. que não fazem a farinha da mandioca crua. pais os porcos. engordam com ella e não lhes faz danino. e basta lançar-se um d'estes bichos no comer para uma pessoa não escapar. a o mesmo acontece aos paios. que se lançam primeiro a curtir. do que se aproveitam algumas pessoas para limparem algumas poças de armas da ferrugem que na mó se não podem alimpar sem entrar pelo são. algumas mulheres brancas contra seus maridos. sem lhe aproveitar alguma contrapeçonha. a se estos aliraarias comem a mesma mandioca por espremer. cabem todas da oulra banda mortas. e o mesmo acontece a todo gênero da atinaria que a bebo. cuja cama se faz logo negra e nojenta. Que trata da farinha fresca que se faz da mandioca. de que atraz temos dilo.

masfaz^>4 se secca . e ficam os caroços em cima.166 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que é como joeira . qual mandam misturar algumas raizes de mandioca crua. que toda se gastou na água. posto sobre a postema a molefica de maneira que a faz arrebentar por si. cuja água é cruelissima peçonha. as quaes se comem assadas e são muito boas. CAPITULO XLI. e a mesma raiz secca é contrapeçonha. e quem é bem servido em sua casa.virtude para curar postemas. eficacomo cuscuz . depois de bem espremidas desmancham esla massa sobre uma urupema. e o pó que se coou lançam-no em um alguidar que está sobre o fogo. e d'esta maneira se aproveitam da mandioca. por onde se côa o melhor. as quaes raizes escascadas ficam muito alvas e brandas sem nenhuma peçonha. como em ser sadia e de boa digestão. Muilo é para notar que de uma mesma cousa saia peçonha e contrapeçonha. i. aonde se enxuga e coze da maneira que fica dilo. a qual cm quente e em fria é muito boa e assim no sabor. quando não tem perto a corrente . a qual farinha fresca dura sem se damnar cinco a seis dias . Costumam as indias lançar cada dia d'estas raizes na agna corrente ou na encharcada. a qual se chama carimá que se faz . está curtida. e feito da massa um emplasto. i e quente. com o quefica* a farinha mais alva e doce. Estas raizes da mandioca curtida tem grande. como da mandioca. se a não querem furar. E para se fazer a farinha d'estas raizes se lavam primeiro muito bem . e depois desfeitas á mão. se espremem no lapetí. cuja água não faz mal. Os índios» usam d'estas raizes tão curtidas queficamdenegridas e a farinha azeda. as quaes se pizam muito bem sem se espremerem. da qual traz para casa outra tanta como lança na água para curtir. come-a sempre fresca . onde está a curtir até que lança a casca de si. Que trata do muito para que prestam as raizes da carimã. e como eslá d'esta maneira.' Os Porluguezes não a querem curtida mais que alé dar a casca-.

Fuinha do guerra so diz. se poe a ouxugar sobre o fogoom cima do umas varas. a sua dieta é fazerem d'este pó da cariou uns raldinhos no fogo (como os do poejos) que bebem. c o mesmo usam os brancos no inalto lançando-lhe mel ou a socar. até quo deixa a ferida limpa. e como se faz da carimá. comofiradito. a qual carimá se dá d'esta feição: tomam estas raizes seccas. bons de comer. ficam muito duras.iim pela tua lingua . e lein outras tantas virtudes: a prkacifiat servo de roílrapoçouha para os mordidos das cobras. o quo comem bichas peçonlieiilos. que fique como amendoada. I(">7 « esla maneira. o como estão hora scrcas. com o «pio a poçouha quo tem no corpo não vai por diante. porque quaud<_' determinam de J . com o quo se acham bem . que chamara aipis. assim pelos índios. e uma rousa e outra está muito experimentada. o rapam-lho o defumado da parle de fora c ficara alviariinase pizam-nas muilo bom. como pelos Portiigueze*. aos quaes so dá a beber desfeita na água.il iu tuna i liainar lhe a. Depois que as raízes da niamliota estão curtidas na 1 água. CAPITULO XLII. c tomo os Indios estão doentes.ROTEIRO DO RR1ZIL. quo se parecem com cila . Da mesma farinha da carimá se foz uma massa que posta sobro feridas velhas que tem canie podre llúi come toda. o depois peneiraui-as. alovantodas Ires e quatro palmos do chão. Em que se declara que cousa é farinha de guerra . cuidando que são outras raizes . as quaes raizes sorvem para mil musas. o dada a beber ao tocado da peçonha. faz-lhe arreveçar quanto tem no bucho. porque o gentio do Bu/. o outras muilas cousasde comer se fazem «Cesta carimá que se apontam no capitulo quo se segue. o para os quo comera a mesma mandioca por curtir assada. e mato-lbesas lombrigas todas. E lambem servo esla carimá para os meninos que tem lomhrigas.o fica o pó «folias tão delgado o mimoso como de farinha muito boa. e tomada uma pouca d'csta farinha o delida em água fria. com «pie se acham mui bem |K>r ser muito levo . e outras causas.

e trazem-na sobre o fogo. gente até Portugal. parasse sustentar». com os mesmos materiacs.168 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e os que estão fora d'ellas na cidade. e os navios. que levam ás costas ensacada em uns fardos de folhas. e bolos amassadas com leite e gemmas de ovos. com que sustentam seus creados o escravos. não se molha. que vem do Brazil para estes reinos. e embrulhada unia com outra a vão mechendo sobre o fogo. Também costumam levar para o mar malalotagem de beijúsgrossos muito torrados. se prove d'esta farinha. e d'esta mesma massa fazem mil invenções de beilhós. lançam uma pouca d'esla massa em um alguidar. que para isso fazem. que dura um anno. que para isso tem. alé que fica muito enxuta e torrada . que a tiram fora. E como tem esta carimá prestes. não tem outro remédio de matalotajem. o se a quo . que está sobre o fogo. e molhada no caldo da carne ou do peixeficabranda^ c lào saborosa como cuscuz. e depois de espremidas como se faz á primeira farinha que dissemos atraz. senão o da farinha de guerra . e assim como se vai cozendo lhe vão lançando do pó da carimá. e ralam como convém uma somma d'ellas. em que da índia trazem especiaria e arroz. enos engenhos se provêm d'ella para sustentarem a gente cm tempo de necessidade. como no capitulo antes fica dito. mais saborosos que de farinha de trigo. e um alqueiref d'ella da medida da Bahia. a qual farinha de guerra é muito sadia e desenfastiada. tomam as raizes da mandioca por curtir. e como é bem pizada a peneiram muito bem. c pelas festas fazem as fruclas doces com a massa d'esla carimá. da feição de uns de couro. a qual depois de rapada a pisam em um pilão. mas são muito mais pequenos. D'esta carimá e pó d'ella bem peneirado fazem os Porluguezes muito bom pão. D'esta farinha de guerra usam os Porluguezes que não tem roças. e por cima d'clla uma pouca de farinha da carimá. de maneira que ainda que lhe caia em um rio o que lhe chova em cima. que tem dous de Portugal. Para se fazer esta farinha se foz prestes muita somma de carimá. ir fazer a seus contrários algumas jornadas fora de sua casa. se dá de regra a cada homem para um mez. c mais sem se danarem como a farinha de guerra. onde levam esta farinha muito calcada e enfolhada. em lugar da farinha de trigo.

Em que se declara a qualidade dos Aipins. a* quae' se comem lambem cozidas. de milho. e como passam do oiio mezes apodrecem muito. porque como são do cinco mezes se começam a comer assados. e não se assam bem. inhames e cocos. ff >( » vai á Bahia do reino não é muilo alva e fresca. e como passam do seis mezes.ROTEIRO IKI B I U Í I L . a que o gentio chama aipins. sem haver nenhuma «lilTerença. assadas são muito dores. CAPITULO XLIII. e tem o sabor das mesmas castanhas assadas.. esão muito saborosas. antes a farinha de carimá. não presta a par da mandioca . mas os que mais so estimam. como fazem os Porluguezes. I>á-se n'esta lerra outra casia do mandioca. concluamos que o mantimenlo d'elta é o melhor que se sabe. a qual fazem tudo muito primo. .„. E estasraizesdos aipins são alvissimas. o planto-se de mistura com a mesma mandioca. arroz.„ :ls l n t l | | i m . de centeio. . que é mais doce que a da mandioca . Os indios se vaiem dos aipins para nas suas festas fazerem dellcs cozidos seus vinhos. cm. o para se recolherem estas raizes as conhecem os indios pela cor «tos ramos.•. Ü'osles aipins se apruveitoiu nas povoações novas. que é alvissima « lavra-se melhor. E porque tudo é mandioca. por serem mais saborosos.. D'estes aipins ha sete ou oito castas. no que alinam poucos Porluguezes. as quaes raizes duram pouco debaixo da terra. porque p Jo de itfou do mar. a rama e a folha são da mesma maneira. são uns que chamara gerumús. e «le uma maneira e da oatra sao ventosas como as castanhas. tirado o do bom trigo. mas servem enlão para beijús epara farinha fresca. como esláo cruas sabem ás castanhas cruas d Hespanha . de cevada. c desvantagem. para o que os plantara mais que para os comerem assados.. cujas raizrt são da feição da mesma mandioca. fazem-se dures.

e começam a colher a novidade em Agosto. Ha umas batatas grandes. Como fica dito da mandioca o que em breve se pôde dizer d'ella. Duarte e Mem de Sá não comiam no Brazil pão de trigo. os governadores Thomé de Souza. as quaes tornam a nascer das pontas das raizes. quando se colheu a novidade d'ellas. que são naturaes da lerra e se dáo n'ella^ de maneira que onde se plantam uma vez nunca mais se desinçam. e mui saborosas. CAPÍTULO XLIV. donde tem que tirar até todo o Março. que dão na terra sem ser mais cavada. ha outras verdoengas muito doces e saborosas. ha outras que são todas encarnadas e mui gostosas. as quaes se plantam em Abril. ha outras que são côr azul anilada muito fina. E por se averiguar por tal.170 GABBIEL SOARES DE SOUZA. por se não acharem bem com elle. . de côr almecegada. por ser de melhor digestão. as quaes tingem as mãos. As batatas não se plantam da rama como nas Ilhas. e assim o fazem outras muilas pessoas. convém que declaremos d'aqui por diante outros mantimentos que se dão na Bahia debaixo da terra. e em cada enxadada. mettem uma talhada de batata. e ficam outras pequenas. e outras todas amarellas. mui saborosas. e brancas e compridas como as das Ilhas. que se vão criando em quinze e vinte dias. Em que se apontam alguns mantimentos de raizes que se criam debaixo da terra na Bahia. de que se não faz muita conta entre gente de primor. ha outras pequenas e redondas como tubaras da terra . que ficaram na terra. como ao diante se verá. ha outras batatas que são roxas ao longo da casca e brancas por dentro. porque colhem umas batatas grandes. e ha outra casta. de côr muilo tostada. senão entre lavradores. D. mas de talhadas das mesmas raizes. mas não se tem lá por mantimento. as quaes são todas humidas e ventosas. e ainda digo que a mandioca é mais sadia e proveitosa que o bom trigo. E peguemos logo nas batatas. Milho de Guiné se dá na Bahia.

e são de feição de maça rocas. o cozidos com carne tem muito graça. e quando se colhem arrancara-nos debaixo datorraem louças corao juoça. as quaes se chamam taiaobas. mas muito maiores. que se comem esperregadas como elles. e tombem servem cozidas com o peixe. são mui gostosos. mas sempre fitara tezas. que são os melhores. outros são todos negros como pós. corao raizes de cannas do roça.ROTEIRO DO BRAZIL. mas tem melhor sabor: os mais d'ellos são brancos. As . poem-lhe ao pé uns páos. Dão-se niesta terra outras raizes. e os que se plantara em Setembro so colhem cm Janeiro. mus cintadas com uns perfilos com barbas. o do mor sabor. como os foliamos. e não se cava a torra toda. os que se plantara em Março so colhem em Agosto. e uns e outros se curam no fumo. e tira-se do cada pó duzentos c trezentos juntos. que é a planto donde nasceram os outros. mas limpa do mato a cada enehadada meltera uma talhada. As raizes d'estes mangarazes se comem cozidas com água e sal. As folhas d'esles mangarazes nascem em moulas corao os espinafres. o duram «Io um anno para o outro. c são da mesma côr e feição. com assucar fazem as mulheres d elles mil manjares. o qual se guarda para se tornar a plantar: e quando o plantam se foz ora talhadas. que se chamam mangarazes. outros brancos por dentro e roxos [>or fora junto á casca. que se chamara laiázes. por onde alropam os raiuos que lançara. e assim molles como as dos espinafres. Estes carazes se plantara em Mareo o colhem-se em Agosto. Dão-se n'esta terra outras raizes tamanhas como nozes o avelãas. a «pie os indi. c como nascem.» thamam carazes. outros roxos. que se plantam da mesma maneira «pie as batatas. e molhados em azeite e vinagro. as quaes se comem cozidas na água. Da massa d'estos carazes fazem a» Portuguezas muitos manjares com assucar. mas plantara-se tão juntos e pela ordem cora que se dispõe a couvinba. e o que está no meio é como um ovo. 171 Dão-se na Bahia outras raizes maiores que batatas. os quaes se comem cozidos o assados. e são mui medicinaes. e como um punho. como as batatas e carazes. corao herva. e colhem-se duas novidades no anno. que se plantam como os mangarazes. e dão a casca como tremoços.

. o lodo se planta á mão. e tem uma mesma qualidade. quatro. ha outro almecegada . Este milho come o gentio assado por fruta.172 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o que. aos quaes chamam taiaobuçú. e os mestiços não so desprezam delle. uma em Agosto. com o que se acham bem. são de mais de palmo. e criação das gallinhas e cabras. e com favas verdes em lugar das alfaces. CAPITULO XLV. e da grossura das cannas da roça. e com muito somma de pimenta. de feição e côr das dos plalanos que se adiam nos jardins de Hespanha. comem-se estas folhas eozidas com peixe em lugar dos espinafres. a que os indios chamam ubatim. que éo milho de Guiné. que em Portugal chamam zaburro. em todo o Brazil. com nós e vãs por dentro. e fazem seus vinhos com elle cozido. os quaes tomam com o bafo delle. Em que se contêm o milho que se dá na Bahia. e outra em foneiro. e colhe-se a novidade aos três mezes. oulro vermelho. e mais espigas destas em cada vara. e aos negros de Guiné o dão por fruta. c o para que serve. e tem mui avantajado sabor : os indios as comem cozidas na água e sal. Dá-se outro mantimento. porque este milho por natureza é frio. folhas são grandes. Costuma este gentio dar suadouros rom este milho cozido aos doentes de boubas. os quaes o não querem por mantimento sendo o melhor da sua terra : a côr geral deste milho é branca . dos quaes suadouros se acham sãos alguns homens brancos e mestiços que se valem delles. e dá três. Este milho se planta por entre a mandioca e por entre as ca»nas novas de assucar. que este milho dá. o bebem-no mui valentemente. cuja arvore é mais alta que um homem. . oulro preto. natural da mesma lerra. parece mysterio. ovelhas e porcos. e os Porluguezes que communicam com o gentio. com o qual se embebedam. Plantam os porluguezes este milho para maniesça dos cavallos. As espigas.

por onde alrepam como <e faz as ervilhas. o estas favas se cântara á mão na entrada do inverno. que sempre é molle. e dío em cada bainha quatro e cinco favas. que os indios chamam comenda. que se nella criam. Dão-se nesta terra infinidade de feijões naluraes delia. e são muito melhores de cozer. c outros pintados do branc. Estas favas são em verdes mui saborosas.ROTEIRO UO RRAtll. Pois que até aqui tratámos dos mantimentos naluraes da lerra da Bahia. como fazem em Portugal ás ervilhas. ondo se conserva para so não danar. outros prelos. CAPITULO XLVI. e sobem de . assim as declaradas como a outra casto de favas. outros vermelhos. do «piai fazem os Portugueses muito hora pflo e bolos com ovos o assinar. e do tamanho e maiores que as de Évora cm Portugal. e preto. o qual é mais saboroso qno o arroz. mas maior. e de uma maneira e de outra fazem muita vantagem no sabor ás de Portugal. e de geHinha. as quaes são muito alvas. como as de Hespanha. e se tem por onde atrepar fazem grande raraada: a folha é como a dos feijões de Hespanha. 173 Ha outra casta de milho. mas são pequenas. O mesmo milho quebrado e pirado no pilão o bom para se cozer com caldo do carne. Em que se apontam os legumes que se dão na Bahia. quo são brancas o pintadas todas de pontos negros. o depois de seccas se cozem muito bem. os quaes se plantam á mão. mas são delgadas e amassadas. uns são brancos. c como nascem põe-se ao pé de cada uma um páo por onde atrepam. E comecemos peles favas. ou pescado. e dura de um anno para oulro. e são reimosas como as do Reino. como os figos passados.. a flor é branca: eemeçam a dar a novidade no fim do inverno e dura mais de três mezes. Ha outras favas meias brancas e meias pretas. é bem que digamos dos legumes. c tomo nascem poe-sc-lhe atada pé um páo. e cozem-se com as eeremontas que se costumam em Portugal. e de uma casto e outra se curam ao fumo. e não criam bichos.

J7ft GABRIEL SOARES DE SOUZA. as quaes se estendem muito pelo chão. Estes abobras ou cabaços semeia o gentio para fazer d'el)as vasilhas para seu uso. as quaes não costuma comer. os quaes são da mesma feição que os de Hespanha. das quaes tem entre si muitas castas de differentes feições. e como estam de vez curam-nas no fump. pelo meio. e outros despejos. que se não tira nunca. tirando as abobras compridas ? de que dissemps atraz. e curam-se po fumo para durarem todo o anno. ppr ostras pequenas bebem. das quaes ha dez ou doze castas. e lhes deitam as pevides fora. e dão-lhes por dentro uma tinta preta. por fora outra amarella. e são mui saborosos. que são naturaçs d'esta terra. Costuma p gentio cozer e assar estas abobras inteiras por lhe não entrar água deptro. mas não são tamanhas como as da casta de Portugal. chama 0 gentio pela sua lingua gerumuyê. e ha alguns d'estes cabaços tamanhos que levam dous almudes e mais. cada uma de sua feição. de que fazem depois vasilhas para acarretarem água. e costumam também cortar estes cabaços em verdes. em terra humida e solta. e em quanto são verdes cozem-se com a casca como fazem ás ervilhas. e depois de curadas estas metades servem-lhes de gambás. em os quaes guardam as sementes que hão de plantai". e afolhae flor como as ervilhas. . As que em Portugal chamamos cabaços. e são assim mais saborosas que cozidas em talhadas. eplantam-nas duas vezes no anno. mastemmais compridas bainhas. e cada pé dá infinidade de feijões. e estas são as suas porcelanas. cozem-se estes feijões sendo seccos como em Portugal. maneira para cima que fazem delles latadas nos quintaes. mas deixain-nas estar nas abobreiras até se fazerem duras. Chamam os indios gerumús as abobras da quaresma. e deppjs de cozida? as cortam como melões. e as ametades dos pequenos servem-lhes de escudelas. e dã cada abobreira muita somma. e são mui desenfastiados. como estão duros. outras meias levam ás costas cheias de ag«a quando caminham.

ROTKIRO DO RRAZIL. e torrados fora da casca são melhores. em a qual planta e beneficio delia não entra homem macho. onde os tem até vir outra novidade. os quaes são tamanhos como bololas. e o para que servctn. e as mestiças. Comestos crus tem sabor de gravanços crus. que são da feição dos pinhões com casca. e tom para si que se elles ou seus escravos os plantarem. E cada pé dá um grande prato d'estes amendois. E as fêmeas os vão apanhar. que fazem das amêndoas. mas comem-se assados e cozidos cem a casca. e tom a casca da mesma grossura e dureza. onde se plantam á mão. a quem como muitos. de que fazem pinhoadas. e tom os ramos ao longo do chá». mas é branca e crespa. os quaes nascem debaixo da torra. e n'esla lavoura não entendem os maridos. e cortados os fazem cobertos de assucar de mistura como os confeitos. que se não sabe haver senão no Brazil. soas índias os costumam plantar. um palmo um do outro. se é doente delia. e segundo seu uso hão de ser as mesmas que os plantem. que se lhes sabe logo como a do miolo dos pinhões. Plantam-se estes amendois em terra solta e faumida. por tal a come se lh'a dão. as suas folhas são como as dos feijões de Hespanha. Em que se declara a natureza dos amendots. De uma maneira e d'outra é esta fruta muito quente em demazia. e cauzam dor de cabeça. e são muito saborosos. e ainda mais grossos. e quem os não conhece. e para durarem todo o anno curam-nos no fumo. que nascem nas pontos das raizes. e tem dentro de cada bainha três e quatro amendots. porque é cousa. Dos aroendois lemos que dar conta particular. que não hão de nascer. o qual miolo é alvo. D'esta fruto fazem as mulheres portuguezas todas as cousas doces. Tem uma tona parda. como as castanhas. E também os curam em peças delgadas e compridas. 175 CAPITULO XLV1I. O próprio tempo em que se os .

o que as fêmeas vão fazer com grande festa. em verde não queima tanto como quando é madura. e dura muitos annos sem se seecar. e de uma maneira e d'outra queimam muito. que é vermelha. e o gentio come-a inteira misturada com a farinha. e não estão debaixo da terra mais que até Maio. que é comprida e delgada. Costumam os Porluguezes. SOUZA. a qual queima muito. e entre os brancos se traz no saleiro. CAPITULO XLVIII. e usam d'ella como da de cima. amendois plantam ó em Fevereiro. quando não tem qi*e comer com ella. seccarem esla pimenta. e faz arvore meã. a qual tem bico. come-se em verde crua e cozida como a de cima. segundo nossa noticia : e digamos logo da que chamam cuihem. Ha outra pimenta. e depois de madura faz-se «ermelha. ao que chamam juquiray. as quaes se comem em verdes. e todo o anno dá novidade. e na sua visinhança. podemos ajuntar quantas castas de pimenta ha na Bahia. a que pela lingua dos negros se chama mihemoçu. . esta é grande e comprida. Em que se declara quantas castas de pimenta ha na Bahia. Ha outra casta que chamam cuiepiá. verdes. que é otempoem que se lhes colhe a novidade. feição. e flor. a quem as gallinhas e pássaros tem grande affeição. Os indios a comem misturada com a farinha. e depois de estar bem secca a pizam de mistura com sal. Estas pimenteiras fazem arvores de quatro e d e cinco palmos de ano. que em todo o anno dá novidade. e não descontenta a ninguém. que chamam sabãa. em a qual molham o peixe ea carne. A' sombra d'estes legumes. e duram muitos annos sem se seecar. e tamanho de gravanços. imitando o costume dos indios.176 GABRIEL SOARES DF. que são tamanhas como cerejas. sempre tem pimentas vermelhas. e como é madura faz-se vermelha. e depois de maduras cozidas inteiras com o pescado e com os legumes. Ha outra casta. e faz arvores de altura de um homem.

que é bravia o nasce pelos matos. e lambem se usa «IVIIa cômoda mais. esta quando é verde lem a ròr azulada « • como é madura se faz vermelha. Estas arvores são como figueiras grandes. lera a casca da mesma còr. ruja arvore è pequena e em lodo o anno «lá novidade Ha oulra casto que chamam ruma ri. c qoando se acha d'esta não se come da outra. Ha outra casta que dá o fruto da mesma feição. . pois é uma arvore «le muita estima. 177 cuja arvore é pequena. Ha oulra casto que so chama cuihejuriinu .ROTKIRO 110 BRAZIL.Ia feição da cidreira e mais macias. c demos o primeiro logar e capitulo por si aos cajueiros. o é mais gostosa que todas . águas vertentes ao mar c á vista d'ollc. A sombra d'estos arvores ó muilo fria c fresca. campos o pelas roças. CAPITULO XLIX. e quando é madura foz-se vermelha. As folhas dos ollios novos são vermelhas. lem as flores brancas como as mais. dá fruta lo. por ser mais pequena que gravanços. e ha tantos ao longo do mar o na vista d'elle. a qual nasce «Io feitio dos pássaros que a comem muito. Convém trator d'aqui por dianto das arvores de frulo naluraes da Bahia. !»z-se arvore pequena. mas queima mais que Iodas asque dissemos. a flor ó como a do sabuguciro. mas são cm tudo maiores que os peros e da mesma còr. cujas folhas são . começando r. outras o dão da mesma côr c redondo. ha outras arvores que dáo o frulo amarello e comprido como peros d'EI-Bci. assim amassada. mas muito breve. Daqui por diante se dirá das arvores de fruto. mas a partes vermelho e noutras de côr almecegada. o frulo é formosíssimo. muito brandas c frescas. o a madeira branca e mele como figueira. |ior ser da feição de abobra.fo o anno.os cajus e cajuis. de bom cheiro. e dá novidade em lodo o anno. algumas arvores dão fruto vermelho e comprido. da qual so usa como das mais «le que lenws dilo.

deita esta casca um óleo tãoforte. que é de bom cheiro e saboroso. e quer arremedar no sabor aos pinhões. a uns e outros são muito gostosos. o azeite que tem a casca pellar as mãos a quem as quehra. os quaes $Q desfazem todos cm água. o que tem graça na suavidade do sabor. e para se comerem logo cozidos no assucar co-. cria ranço. Cria-se n'estas arvores uma resina muito alva. mas éde muita vantagem. so esta muitos dias fora da casca. sumarentos e de suave cheiro. e são medieinaes para doentes de febres. e fazem bom bafo a quem os come pela mania. Ha outras arvores que dáo este fruto redondo.17S GABRIEL SOARES DE SOWZA. os que se criam nas roças e nos quintaes çomem-se todos sem terem que lançar fora por não travarem. do azeite que-tem-em si. tamanho como o de uma amêndoa grande. com que se embebeda. a que chamamos castanha. o. a qual castanha tem a casca muito dura e de natureza quentissima e o miolo que tem dentro. que é muito suave. Nascem estas arvores das castanhas r e em dous annos se fazem mais ajtas que- . e » muitas pessoas lhes tomam o sumo pefos manhãs em jejum. E' para notar que no olho d'este pomo tão formoso cria a natureza outra fructa parda. e se as cortam tornam logo a rebentar. mas.-que aonde tpca na carne faz empola . a qual ó muito saborosa. que é da feição e tamanho dó um rim de cabrito. e por mais que se cama o/elles nãofozemmal a nenhuma hora de dia» e são de tal digestão que era dous credos se esmoem. A natureza d'estes cajus é fria .miolo d'estas castanhas. castanha o miolo branco. Estas arvores se dão em arôa eterras-fracas. da qjual as mulheres se aproveitam para fazerem alcorce de assucar em Vogar-de alquitira. D'estas castanhas fazem as mulheres todas as conservas doces que cost\nnam fazer com* as amêndoas. bertos de canella não tem preço. Fazem-se estes cajus de conserva.o cheira mui forte. o que fazem poucas arvores n 'estas partes. e para quem tem fastio. Do sumo d'esta fruta faz o gentio vinho. Os cajus silvestres travam/junto do o|ho que se lhes bota fora. Tem esta. para conservação do estômago. o qual óleo é da côr de azeite e tem. quando sequebram estas castanhas para lhes tirarem' o mioloy inv. ps quaesfozembom estômago .

ROTEIRO DO BRAMI. e dependuram-iio em parte onde amadureça . que lha chega um homem do chão ao mais alto d'ella a colher-lhe o fruto. mas mais escura. as quaes arvores se não dão ao longo do mar. senão quanto ó muilo mais pequena. e no mesmo tempo dão frulo . cortam a arvore pelo pé. cujasfolhass « de doze o quinze á> pilinos de comprido c de Ires e quatro do largo . c como esta fruta eslá madura. e o mesmo ht. Em que se declara a ntttireza das paço fias e bananas. as do junto ao olho são menores. e do ura só gol|io que lhe dão cora uma fouee a cortam eercea. cuja arvore é nem mais nem menos que a dos cajus. á mesma arvore E como so corta esta pacobeira. c dentro era vinte o quatro horas torna a lançar do meio do corte um olho mui grosso d'onde se gera outra arvore. quo os índios charaão rnjui. Cada arvore destas não dá mais que um só cacho que pelo menos lem passante de duzentos pncobas. Ha outra casta d'esla fruta. e na «rasa ondo sefizerfogoamadurecera mais depressa cora a qucnlura . é avantajado no cheiro o sabor. na índia chamara a estas pacoboirasfigueirasc ao frueto figos. que 4 amarello. mas nas campinas do sertão alem da Cátioga. e como esto cacho está de vez. muito verdes umas e outras. cheira muilo bom. de redor d'esto pé arrebentara muitos filhos que aos seis mezes dão frntlo. o qual. e a arvoro «Ia mesma côr. mas não é maior quo as cerejas grandes. Pacuba é uma fruto natural desta terra. e se façam araarellas as pacobas. CAPITULO L. do qual corte corre logo água era fio. e tem maravilhoso sabor com pontinha de azedo. o criam lambem saa castanha na ponta. como se fora uni nabo. tiram-lhe o cacho que tem o fruto verde e muito tozo. 179 um homem. emquanto as arvores são novas. Cada pacoha d'estas tem um palmo de comprido o a grossura de um po- . a «piai so dá era uma arvore muito mollc e fácil de cortar.

e não ha nas arvores de umas ás outras nenhuma difforença . e passadas ao sol sabem a pecegos passados. cm tudo mui excellentes. o cozidas no assucar com cannella são estremadas. e são muito gostosas. das quaes se faz marmelada muito soffrivel. As bananeirastemas arvores. que os índios chamam pacobamirim. Thomé. c d'ellas usam nas suas roças. sobre o que os contemplativos tem muito que dizer. e so dão e criam da mesmo maneira das grandes. que são do comprimento de um dedo . muito saboroso. e a estas pacobas chama o gentio pacobuçú. o lambem se dão em terras seccas e de arèa . e fica-lho o miolo inteiro almocogado. que quer dizer pacoba grande. ver-lliesha no meio uma feição de crucifixo. mas muito melhores no sabor. Os negros de Guiné são mais affoiçoados a estas bananas que ás pacobas. pino. e umas e outras se querem plantadas em valles perto da água. e vermelhaças por dentro quando as cortam . ou ao monos cm terra que seja muito humida para se darem bem . Dão-se estas pacobas assadas aos doentes ern logar de maçãs. folhas e criação como as pacobeiras. que são de grossura das das favas. as quaes oram ao Brazil de S. Basta quede toda a maneira são muito boas. as quaes são mais curtas quo as pacobas. tem a casca da mesma còr c grossura da das pacobas. e o miolo mais molle e cheiram melhor como são de vez. o que fazem na arvore . mas no inverno não ha fontes como no verão. ás quaes arregoa a casca como vão amadurecendo e fazendo algumas fendas ao alto. estas são tão doces como tamaras. que quer dizer pacoba pequena . Ha outra casta. e lambem as concertam como beringelas.180 íiABRIEL SOAfiES DE SOUZA. mas mais grossas e de três quinas. . quem cortar atravessadas as pacobas ou bananas. mas mais grossas. ás quaes tiram as cascas. aonde ao seu fruto chamam bananas c na índia chamam a estasfigosde horta. Ha outra casta que não são tamanhas. e dão-se em todo o anno. e não são tão sadias como as pacobas.

a quo chamam mamões. o ao segundo começaram de dar fruto. d'esta maneira tem esta fruta a tasca. os seusramossão as mesmas folhas arrumadas como as das palmeiras. o sabor é doce o muito gostoso.ROTUIRO n o I t R U I l . e o sabor toca << 1 azedo. N'esta torra da Bahia so cria outra fruta natural «1'olla. os quaes são do tamanho o da feição o còr do grandes peros ramoezes. e se fizeram as arvores de mais do vinte palmos de alto. e tal agazalhado lhe fez a terra que no primeiro anno se fizeram as arvores mais altas que um homem. o pira so comerem cortam-se cm talhadas como mata. Em que se diz que fruto é o que se chama mamíks e jacarateàs. ás quaes talhadas se apara a casca. «pie M lhe apara quando se como. c nasceram logo . e o que se come ó da côr e brandura do melão. e umas o outras em poucos annos se fazem polo pé tão grossas como uma pipa. Estas sementes so semearam na Bahia. da feição o tamanho dos figos béboras ou longaes brancos. que so fazem nas arvores. senão quo são mais pequenos. de cuja madeira se não usa. e d'avantagem. mas tem a arvoro delgada. Esta arvoro dá a flor branca. como á maçã . . quo tem a casca dura o grossa. e pelo pé tão grossas como um homem pela cinta. á qual os indios chamam jaracateá. c cria-se o fruto no tronco entre as folhas. que náo dáo fruto como as tamaroiras. c tem unias sementes pretas <|ue se lançam fou. quo cm ludo se parece com estes mamões do cima. tem bom cheiro. o lem muito bom cheiro como são de voz. mas são crespas o pretas como grãos de pimenta da índia. 1S| CAPITULO LI. a quo chamam em Portugal longaes. Entre estas arvores ha machos. o fruto é amarello por fora. o como são maduros so fazem molles como melão. o tiram-lho as pevides que tora envoltas em tripas como as de melão. Do Pernambuco veio á Bahia a semente do uma fructa. e em casa acabam do amadurecer.

é de boa digestão e foz bom estômago. que se chamam mangabeiras. Quando estas mangabas não estão bem maduras. A madeira é muito molle e serve para fazer decoada para os engenhos.182 GABRIEL SOARES DE SOUZA. enão se lhe come senão um doce que lem derredor das pevides. que é muito medicinal e gostosa. cuja casca é tão delgada que se lhe pella se as enxovalham. tema casca grossa e áspera. as quaes em verdes são todas cheias de leite. Engá é arvore desaffeiçoada que se não dá sertão em terra boa. E dá uma freta da feição das aifarrobas de Hespanha. a cascaé como a das ameixas. e o frueto é amarello do tamanho das ameixas. ainda que comam muitas. Esta fruta se come toda Sem se deitar nada fora como figos. Tem os troncos delgados. com copa como pinheiro. . de cuja lenha se faz boa decoada para os engenhos. que são tamanhas como ameixas e outras maiores. o que fazem de um dia para o oUtro. Em que se diz de algumas arvores de fruto que se dão na visinhança do mar da Bahia. a qual cheira muito bem e tem suave sabor. ao qual chamam mangabas. que é muito pegajoso. e colhem-se inchadas para amadurecerem em casa . e tem dentro umas pevides como as das ai farrobas. Na visinhança do mar da Bâhià se dão umas arvores nas campinas e terras fracas. que é muito saboroso. cuja natureza é fria. dá a flor branca como de maccira. CAPITULO LU. travam na boca <íomo&s sorvas verdes em Portugal. & a folha miúda. pelo que ó muito boa para os doentes1 de febres por ser muito leve. Cajá é uma arvore comprida. porque se amadurecem na arvore cahenl no chão. e quando estão inchadas sao boas para conserva de assucar. Esta fruta arregoa. como pecegos calvos. tem grande caroço e pouco que comer. que são do tamanho de pecegueirbs. o fruto é amarello córado de vermelho. o se a picam deita um óleo branco como leite em fi#. e a flor como a do marmeleiro.

e tirada. a qual so lhe lira muilo bem. Bacoropary ê outra arvore do honesta grudara. onde a natureza criou a estas arvores para remédio da sede que os indios por alli passam. ficam umas castanhas alvissimas. e cheiram muito bem o fruto e as flores. e tem a mesma còr e sabor. que sabem como pinhões crus. e lera doutro dous caroços juntos. e achara-se algumas afastadas da arvore . CAPITULO L m . a qual cabo com o vento no chão.se lhe come. e cada arvore dá d'islo muito. Dá esta arvore um fruto tamanho como fruta nova. por ser fria e appotitosa. que é de maravilhoso sabor. que se dá peto sertão da Ambú é uma arvore pouco alegre á visto. outras maiores e menores. o chama-se corao a arvore» quo se dá aotangodo mar. Que trata da arvore doe ambús. e quando a cortam corre-lhe um óleo grosso d'entre a madeira e a casca. de cuja madeira se dirá adianto. redondas e compridas como batatas. muito amarello e pegajoso como visco.de pouca água. como é madura. de mesmo nome. cuja natureza á fria e sadia. Piquihi é uma arvore real. e o caroço maior. dão esta fruta aos doentes de febres. que se dá perto do mar. com ponta de atado. a qual arvore dá fruta como castanhas. Esta arvore lança das raizes naluraes oulras raizes tamanhas e da feição das botijas. o sabor e precioso. no matos qoe se chama a Cátinga. e lera a casca grossa como hranja. Dá-se esta fruta ordinariamente pelo sertão. e o fruto. e com espinhos come romena.ROTEIRO DO RRAZtL. do tamanha r feição das ameixas braneas. e do seu tamanho. sobre os quaes tora o que. áspera da madeira. que é terra seeca. que está pelo menos afastado vinte leguas do mar. a qual tom a folha miúda. queó amarello o cheira muito bem. Dá esta arvore umas flores brancas. cuja casca é parda e teza . 183 so lhe chovo. que sao brancas o formosas.

D'estas arvores ha já algumas nas fazendas dos Porluguezes. com o que a gente que anda pelo sertão mata a sede onde não acha água para beber. mas não tem nenhum cheiro. Nasce d'esla flor uma bola de páo tão dura como ferro. e tem a boca tapada com uma tapadoura tão justa que se não enxerga a junta d'ella. e não fez nunca mal a ninguém que comesse muita d'ella. a qual se não despega senão como a frueta que está dentro é de vez. que são muito grandes. ou mais comprida. E para o genlio saber onde estas raizesestão.|g£ GABRIEL SOARES DE SOUZA. Afastado do mar da Bahia e perto d'elle se dão umas arvores que chamam Sabucai. onde dão o mesmo fruto e raizes CAPITULO LIV. Esto arvore toma tanta flor amarella. e tão sumarento que se desfaz na boca tudo em água frigidissima e mui desencalmada. as quaes castanhas são muito alvas e saborosas. que nasceram dos caroços dos ambús. e outras mais ao perto. de cujo frueto tratamos aqui somente. Piquiá é uma arvore de honesta grandura. que está por dentro cheia de frueto. e outras se acham á flor da terra . e mata afomecomendo esta raiz. ás quaes se tira uma casca parda que tem. e em cada um uma fruta tamanha como uma castanha de Hespanha. assim assadas como cruas. e ficam alvissimas e brandas como maçãs de coco. por cujo tom o conhece. e despegadas estas bolas das castanhas e bem limpas por dentro. a qual flor é muito formosa. Terá esta bola uma polegada de grosso. Em que se diz de algumas arvores de fruto afastadas do mar. cujo sabor é mui doce. que esta bola cahe no chão. que é mui sadia. a qual tem por dentro dez ou doze repartimentos. onde cava etira as raizes de três e quatro palmos de alto. cincoenta e sessenta passos. onde pizam o sal e a pimenta. tem a madeira amarella e boa de lavrar. anda batendo com um páo pelo chão. que se lhe não enxerga a folha ao longe. como a dos inhames. servem de graes ao gentio. a qual dá um fruto tamanho como .

e como são maduras se fazem «lecòr prd. e como são maduras tomam a còr almecogada. faz -s^lYlla conserva. A sua folha é como de castanheiro. mas tem grand*caroço. o qual mel se lhe come em sòrvce. como á» |KÍ.I. mais preta se faz.ua. cuja cascasse lhe apara. Quando esta fruto é pequena. coma qual tinta se tinge toda . « o que se lhe come se tira era talhadas. c pelatorradentro dez ou doze leguas. e quanto mais a lavam. Colhem-se inchadas para amadurecerem era casa. Tem virtude esta tinta pira faz T seecar as busk-las dasboubas aos indios. a que chamam guli que ó de honesta grandura. lança de si um leito muito alvo e pegajoso.são iodas cheias de leito. do còr |iarda por fora. e quaiuto pile « ta liula é branca corao água. dá uma fruta do mesmo nome. delgada e muito quubradica. o tem misturado umas pevides como de maçãs. da qual lhe nasce muita fruta . e quando são verdes travam muito . e sio tamanhas como maçãs pequenas. e a quem se cura cora cila. cujo sabor é mui suave.. o dura nove «lias. mm algumas pevides dentro. rom os pós compridos e côr verdoaoga. quo lhe corre em fio. Macugé é uma arvore comprida. as quaos sãotamanhascomo limas. e . Geripa|K> é uma arvore que se dá ao longo do mar e |H-1U sertão . e tem muilo bom cheiro. do que loma cada anno muita quantidade. comem-se todas como figos. e por dentro é todo cheio de um mel branco muito doce. e como égrande antes «le amadurecer tinge o sumo delia muito. esto fruto lem a casta dura e grossa como cabaço. a qual dá umas frutas do mesmo nome. a flor é branca. e refresca muito no verão. de cujo fruto aqui tratamos somente. e tal que lhe não ganha nenhuma frula de Hespanha. de que estas arvores nascem. 1 S5 marraolos que tem o nome da arvoro. e como se enxuga so faz preta como azevicbe. Pela terra dentre ha outra arvore. nem de oulre nenhuma parle. e da sua feição. redondas. Quando cortam esta arvore. e raolles. no cabo dos quaes se vai tirando.ROTÜIRO DO BRAÇO. e tem honesto sabor e jnuilo que comer. são de còr verdoenga. • >I» 21 . e dá-se em áreas junto dos rios.-i nação do gentio em lavores polo corpo . perto do salgado. do tamanho e còr das peras pardas.

e Irepa por outra arvore qualquer. e o frulo amarello do mesmo nome. o qual se parte pelo meio como fava e fica em duas metades. o dá umas frutas prelas e miúdas como murlinhos. e tem sabor mui soffrivel. Faz-se desta fruta marmelada muito gostosa . que o a sua semente. como-se como sorva lançando-lhe o caroço fora e uma pevide que tem dentro. Esta fruta é mui saborosa. lia outra arvore como larangeira que se chama comichã. tamanhas «oino avelãs. a qual fruta é muilo gostosa. Estas melados lem a casquinha muito delgada como maçãs. e o mais quo se come ó da grossura de uma casca do laranja . n é muito saboroso . a qual carrega todos os annos de umas frutas vermelhas. que lem dentro lies e «|uatro caroços. o frulo que dá ó do uns oilo dedos de comprido e de três a quatro de largo. Nas campinas ha outra arvore a que chamam ubucaba. e lainjadas estas talhadas om vinho não tem preço. do tamanho. da mesma còr o sabor. e tem ponta de azedo. sabe e cheira a camoezas. a qual dá uma flor branca. faz-se d'esla fruta marmelada muilo . cuja arvore ó como vides. lem estremado sabor. que se comem todas lançando-lhes fora uma pevide preta que tem. emuilodoce. cuja madeira é molle. feição e còr das maçãs d'anafega. a qual tem pouca folha. Dá-se no mato perto do mar e afastado d'elle uma fruta quo se chama curuanhas. tamanhas e de feição de murtinhos. de feição da fava.186 GAlililtL SOARES Dli SOUZA. que é a semente d'estas arvores. a qual fruta é muito saborosa. romendo-se esla fruta crua. Camhuy é uma arvore delgada de cuja madeira se não usa . da feição das colas de Guiné. lança-se-lhe fora um carocinho que lem dentro como coentro. Mondururúé outra arvore que dá umas frutas prelas. e assada tem u mesmo saboi d'ellas assadas. lançando-lhe fora umas pevides brancas que tem. de côr vermelha. quo se comem iodas. os quaes caroços tem virlude para o ligado. a qual tem grande virtude para estancar cambras de sangue. que se comem . Matidiha é uma arvore grande que dá fruto do mesmo nome tamanho como cerejas.

e em verde «'• lavrado como pinha . A flor é branca. Quando são verdes lem a eòr venfo. que é muilo foia e melhor pira doentes de cambras. arregoa todo pelo*favoresque ficam então brancos. O seu fruto nasce em ouriço cheio de espinhos como os das castanhas. Esta írula «e «•orne Ioda. Ha qual se faz mar melada. Este fruto por natureza é frioe «adio. e todo mais se tomo. e tem o sabor «le |iera«la nlmiscarad. que sito da feição das nesperas. feiiao . cujas arvores si o grandes. cuja folha é muilo verde escura.i. como de cabaços. <)s araçnzeiros são outras arvores qu«» nela maior parle «> dão em « lerra fraca na visinhança «Io mar. no «piai «param a easi-a |>or ser muito grossa. das quaes nascem ««ias amres. Perto do salgado ha outm rasta de araçazeiros. «Ia foirSo da de murta.na M. Como esle frutlo •'• maduro.. lem o olho como nespera*. a casta da arvore éromo de loureiro. «pie tem muito bom sabor com ponta do azedo . e o j»omo é muilo molle e cheira muito bem. esfarrapida da folha .i e pouco vistosa.r. «• tomo *io maduros tem a ròr das peras. |S7 Imã.ROTEIRO r o r. lançando-lhe fora umas pevides «pie lem amarellas e roniprulas. e |HM «lenlro caroços cniim ellas. mas mui saboroso. a qn:l é d«> tamanho e feição da folha da parra. e da mesma còr. mas.« lam. se toiilmce debaixo «pie e«tá maduro pelo cheiro. e cheira muilo Item. na corda casca.comer corta-e em quartos. ma« muilo mais pequenos. a madeira é muito molle. lavor é lizo c branco. mas o frutlo é Limanho como uma pinha. no rheiro da folha e na «Vir o feição d'olla. e lem ponta «le nzwlo mui saboroso. [. Ao fruto chamam amçnzes. a qual fruta é para a calma mutdesenfastiada. °ino é uma arvore comprida. a flor é fresca. e aparam-lhe a casca de fora que é muilo delgada. e quem a não ronhe» nlende « • allirma que é perada. Araticú v uma arvore do tamanho de uma nmoroirn . a qual por sua natureza envolta no assucar cheira a almisr. e o fruto tomo laranja.ir.. mas alguns muito maiores. delgada.inhoéo seu cheiro que. e tirado este ouriço fora fira umn cousa do tamanho do uma noz. as «pin«»s são ronin miirieiras na üramlura. gross. \ m . •atando em rima da arvore. da feição da da larangeira mn< maior.

de que se fazem amendoados. mas tem maior caroço. cuja folha é áspera. Esta arvore dá um fruto do mesmo nome. mas nunca são pretas. incham e ficam muito dosou fastiados para comer. e dá uma flor branca e pequena. come-se como ameixas. o sabor é doce e saboroso. natural donde lhe chegue o rocio do mar. e cobertos de um pello tão macio como velludo. mais pequenas que cerejas. com ponta de azedo. Abajerú é uma arvore baixa como carrasco. Amaytim é uma arvore muito direita. tamanhos como os das uvas mouriscas. as quaes arvores se dão ao longo do mar e á vista d'elle. e são bons para dòr de cabeça. Apé é uma arvore do tamanho e feição das oliveiras . Estas arvores se dão nas campinas perto do mar em terras fracas. lançados em água fria . dá uns cachos maiores que os das uvas ferraes. de que se fazem todas as frutas doces que se costumam fazer das amêndoas . Murici é uma arvore pequena . mettem-se estes bagos na boca c tiram-lho fora um caroço como de cereja . SOUZA. . e tem a còr brancaoenta. cuja madeira mão serve para nada. pelo que se não dão estas arvores'senão ao longo das praias. mas lem a madeira áspera e espinhosa como romeira . tem os bagos redondos. e tiram-lhe de dentro dez ou doze pevides do tamanho de amêndoas sem casca . muito secca da casca e da folha . entre a qual e o caroço tem um doce mui saboroso como o sumo das boas uvas. dá umas frutas amarellas. que nascem em pinhas como ellas. Dão-se estas arvores em ladeira sobre o mar e á vista d'elle .e muito esfarrapados. cuja eôr é roxa. que tem o sabor como as amêndoas.188 GABRIEL S0VRES DF. mas mais delgadas . e a pelle que tem o pello . comprida e delgada. os quaes pinos. mui appetitoso para quem tem faslio. a qual fruta é molle e come-se toda. em terras dependuradas. O fruto é do mesmo nome e da feição e tamanho das ameixas de cá. o qual lhe quebram. cheira e sabe a queijo do AlemtejG querequeima. tem bom sabor. da feição das amoras. ás quaes tiram uma camisa parda que tem como as amêndoas. tem a folha como figueira. e fica-lhe o miolo alvissimo. o dureza . com os pés compridos. a folha é da feição de pecogueiro e da mesma còr. come-se como as amoras . o de còr roxa.

quo dá umas frntias amarellas do mesmo nome. Esta fruLi so tome tomo uvas. e tem uma pevido preta quo so lhe lança fora. convém que as arrumemos todas neste capitulo. Só lhe cabe aqui dizer do seu frueto.ROTRIRO no nnvzii. e muilo dote e. e p r a os indios lhe colherem esta frnla corLim as arvores polo pé como fazem a todas que são altas. Dão-se «•slas arvores ao longo do mar o «Io* rios \wr oiule entra a maré. que cheiram muito hera. mas lem maior caroço e pouco «pie comer. cuja tasca ó teza e tom duas pevides detilro. assim na eòr «Ia casei «Io tronco tomo na folha. que «'• «foce o muilo saboroso . c algumas junto do mar. Maçarandiba é uma arvore real do cuja madeira st! «lira ao diante. e aparam-lhe a casta de fora. tamanhas como abricoques.. quo é da còr dos medroiihos e do seu tamanho. Em que se contém muitas castas de palmeiras que dão fruto pela terra da Bahia no sertão. < «pie se lhe como é de maravilhoso > sabor . a qual carrega por Iodos os ramos do uma fruta preta do mesmo nome . o tem grande caroço. e lem o sabor d'elIas quando as vendimam. e ijuem como muita d'esta fruta «pio se chama como a arvore. que são muito altas e "rossas. Como ha tanta diversidade de palmeiras quo dão fruclo na lerra da Bahia. a qual dá umas frutas amarellas. Cambucá é oulra arvore «le honesta grandura. tamanhas como abrimpies. OAIMTILO LV. que é muito doce e pegajoso. e o fruclo em . que dáo flor como as tamareiras. pegam-se-lhe os bigodes com o sumo d'ella. ijn • se lhe lançam fora com a casca. u toma tantos ordinariamente quo negrejani ao longo. começando logo em umas a que os índios chamam pindoba. Estas se dáo ao longo do mar ou a vista dello Mocurv v uma arvore granile que se dá porto do mar. «]uo esl/ío muilo madura». maior quo nuirlinhns. 180 Copiuba é uma arvore da feição «Io loureiro. o mais so lhe come. de honesto sabor.

e se não é de vez. cachos grandes como os coqueiros. Anajámirim é outra casta de palmeiras bravas que dão muilo formosos palmitos. o qual é tamanho como uma bolota. De junto do olho d'estas palmeiras tira o gentio três e quatro folhas cerradas. com as quaes cobrem as casas. mas serve para remédio de quem caminha pelo mato cobrir com ella as choupanas. mas são os cocos mais pequenos. e mui alvo e duro para quem tem ruins dentes. d'ondo. a qual palma no verão é fria. e ficam da feição de almadia. muito formosa. e outra dentro de um dedo de grosso. eo frueto como as palmeiras acima. da qual se servem os indios como de gamellas. e tão grossos como a perna de um homem. porque é muito rara e não cobre bem. que também serve de manti- . o qual faz d'estes cocos azeite para suas mézinhas. que também são grandes arvores. e a maçaroca fica muito liza por dentro e dura como páo. com que também cobrem as casas onde se não acham as palmeiras acima. é muito melhor e mais sadia cobertura qu3 a da telha. e se não fora o perigo do fogo. depois de coberta. a que chamam pindobuçú. e as palmas que se lhe tiram de junto dos olhos tem a folha mais miúda. com o que fica uma casa por dentro. Do olho d'estas palmeiras se tiram palmitos façanhosos de cinco a seis palmos de comprido. que se depois abrem á mão. as quaes palmeiras dão também palmito no olho e seus cachos de cocos. mas não serve a folha para cobrir casas. Qs cachos d'estas palmeiras c das outras acima nascem em uma maçaroca parda de dous a três palmos de comprido. e no inverno quente. muito dura. cada um dos quaes é tamanho que não pôde um negro mais fazer que leva-lo ás costas. e como este cacho quer lançar a flor arrebenta esta maçaroca ao comprido e sahe o cacho para fora . se tira com trabalho. e tem a casca de fora como coco. é muito tenro e saboroso. com o miolo como as mais. Ha outras palmeiras bravas que chamam japeraçaba.190 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e de uma maneira e outra é bom mantimento para o gentio quando não tem mandioca. e dentro d'ella um miolo massiço com esta casca. tamanhos como um punho. em os quaes cachos tem os cocos tamanhos como peras pardas grandes.

que é maiitiracnto. sobre o fogo. quesofende ao machado muito bom.VZIL. com pello como marraolos. as mais grossas são pelo pó corao a coxa do ura homem . c quem anda pelo . com o seu miolo pequeno quo so como. porque tom a casca muito dura. ondo se lhe gasta a humidade. as quaes lambem dáo palmitos muito bons. corao os abricoques. donde se lhe lira um miolo como o das avelãs. As principaes palmeiras bravas da Bahia são as que chamam ururucuri. a que chamam farinha de páo. substancial e proveitoso aos que andam pelo sertão. e também dão palmitos. para quem anda pelo sertão. e «Ia umas folhado cinte e sois palmos de rompritfo e dou* o Ires d* largo . que náo são muito altas. molle e venle-esciira. i|ue tem muitos nós. 101 monto ao gentio. cheio de ura miolo alvo e solto como cuscuz. o molle. e por dentro é estopenta . que é alvo e tenro c muito saboroso. Paty ó oulra casta de palmeiras bravas muito compridas o delgadas . estas tem a folha da parte de fora verde e da de dentro branca. por ser brando o do soffrivel sabor. a qual ripa quando se lavra por dentro cheira a maçãs maduras. mas são miúdos. tom u rama pequena. que é tão dura quo cora trabalho a passa um prego. Estas palmeiras tem o tronco fofo. D'estas arvores so usa muito. que lambem dão cocos em cachos.sio mui estimados do todos. a que chamara pataiba. é de t«u . muito bom. aos quaes so como o de fora. e dáo uns cachos de cocos pequenos o amarellos por fora.sertão tira este miolo o coze-o em ura alguidar ou tacho. Palioba é como palmeira nova no tronco e olho.ROTRIRO n o lin. o do fazerem azeite. o qual c o do cima tem o cheiro muito forlum. os «|uaes «'oquinhos . Pii/andós são umas palmeiras bravas o baixas quo so dão em terras fracas. e os cocos tamanhos como nozes. porque tem o miolo muito saboroso como avelãs. e quobrande-lhe o caroço. da «mal so faz ripa para as casas. e é mantimento muito sadio. Ha outras palmeiras que chamam bory. Os palmitos quo «lao são pequenos. o dáo uns cachos do cocos muito miúdos do tamanho e côr dos abricoques.

e para as choupanasdosque caminham. eslas lem as folhas do um palmo de . mas mui gostosos. na Bahia. em hervas que não fazem arvores. fazem-se em pregas tão lindas como de leques da índia . e tudo o que tem dentro se come. a casca é da grossura da das laranjas de côr verde-clara . verde e leza como pergaminho.a para desafogar. E comecemos logo a dizer dos maracujás. Modurucú é nem mais nem menos que uma figueira das que se plantam nos jardins de Portugal . Em que se declaram as licrvas que dão fruto são arvores. pondo-se em cima de qualquer nascida ou chaga. muitos annos. é muito azeda. que lem as folhas grossas . quando se estas folhas seccam. tem ponta de azedo e é mui desenfasliada . e quando nascem. d'onde nascem umas fruclas como laranjas pequenas. porque duram. Esta frueta é fria de sua natureza e boa para doentes de febres. a qual atrepa pelas arvores e as cobre todas . A folha da herva é muito fria e bo. faz-se d'ella boa conserva . sem se seecar. que é uma rama como hera o tem a folha da mesma feição. o cm quanto é nova. a quo chamam figueiras da Índia . mas não tem bom sabor senão para os indios. que não Como na Bahia se criam algumas frutas que se comem. que além de ler bom cheiro tem suave sabor. muito lizas por fora. e dá uma fruta como bagos de uvas brancas coradas do sol e molles. a qual so come. e tem outras muitas virtudes. sahem feitas em pregas. pareceu decente arruma-las n'este capitulo apartadas dasoutras arvores.192 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Canapú é uma herva que se parece com herva moura . e serve para cobrir as casas no logar onde se não acha outra. dá palmitos pequenos . e em quanlo não é bem madura. do que se fazem nos quinlaes ramadas muito frescas. como eslá um leque estando fechado. e dá uma ilôr branca muito formosa e grande que cheira muito bem . CAPITULO LVI.

e nascem a. cujo sabor «• mui apetiloso e fresco. de quem é mui estimada. folha-' nas pontas umas das outras. que ú da feição do maçaroca. l'. o amarello pw fora. cujo. e dito o frulo nas pontase nas ilhargas das folhas. as quaes são todas cheias «le espinhos lama nltos e tão duros como agulhas. por que solho déramos o primeiro. Ao longo do mar se criam umas folhas largas . Em que se declara a propriedade dos ananazes tão nomeados. CAPITULO LVII. que é mui doce. a qual comem os índios e os místicos crua. que so prece na folha • ora coenlro. mas empola-se a Loca a quem come muito fruta d'esta. ' áreas ao longo do mar. que dáo um fruto a que chamam carauato.ROTKIRO DO HiAV/ll. os «|uaes tom a casca dura e roxa por fora. feitos os fios em cordões cheios do bagos como os do uvas forraes. com a casca grossa «pio so não tome. não se pozeram os olhos nas frutas declaradas nu . o tão agudas como ellas. tem bom cheiro. otemperamas panellasdos seus manjares com ella . espinhos são prelos. e o caroço «lenho tomo cerejas. o tão agudos como agulhas.-. e gosta-se do um sumo que tom dentou doce e suave. que c o seu . mas deixamo-los para elle. e o prelo » como azeviche. « miolo é de malhas brancas e pretas. c queima como mastruços. a casca grossa o teza . Náo foi descuido deixar os ananazes para este logar por esquecimento. Marujaiba são unsramosespinhosos. a qual se lança fora para se comer o miolo. que são unsfigostamanhostomo os lamparos. o qual com a casca se lhe lança fora. o «pie se cria na.)> Comprido e quatro dedos de largo o um «Io grosso. mas lim|ios dos espinhos ficam umas canas pretas que servem de bordões como renas «le rola . c do mesmo tamanho. o branco o idvissimo . vermelhos por fora. Nos pés d'estc ramos se dão uns cachos como os dastaraareiras.. Ha uma herva que se chama nhamby.

e para o pormos só. que entre elles nasce. ainda que estejam com as raizes para o ar fora da terra ao sol mais de um mez . Ananaz é uma fruta do tamanho de uma cidra grande. muito vermelho. e os olhos que nascem no pé e no olho do ananaz. lançando-lhe a casca toda fora. e tem as folhas armadas. e em cima d'elle lhe nasce o fruto tamanho como alcachofre. que dura oito mezes. como de laranja ou ao comprido. e com uma ponta e bico em cada signal das pencas. Para se comerem os ananazes hão de se aparar muito bem. e lança um grelo da mesma maneira . vai perdendo a côr e fazendo-se verde. A herva em que se criam os ananazes é da feição da que em Portugal chamam herva babosa. Os ananazeiros se transpõe de uma parte para a outra. lançam outros ao pé do ananazeiro. mas é todo maciço . quanto mais velhossão dão mais novidade. ecomo vai amadurecendo. e o que se lhe come é da còr dos gomos de laranja. se vai fazendo amarello acatacolado de verde. e o corpo lavrado como alcachofre molar. mas mais comprido. e a ponta de junto do olho por não ser tão doce. e no inverno dão menos fruto que no verão .19/j GARRIEL SOARES DE SOUZA. Os ananazeiros duram na terra. em que vem aforçada^novidade.do tamanho da herva babosa. e desfaz- . que também espigam e dão seu ananaz . e alguns ba de côr mais amarella. como a mãi donde nasceram. e. e quando se corta lira o prato cheio de sumo que d'elle sabe. mas não são tão grossas. e pegam sem se seecar nenhum. capitulo atraz.ficando-lheo grelo quetemdentro. e depois de aparado este fruto. tem olho da feição dos alcachofres. que lançam ao pé do fruto e no olho. o qual assim como vai crescendo. pois se lhe não podiadar companhia conveniente a seus merecimentos. que vai correndo do pé até o olho. e muitos ananazes lançara o olho e ao pé do fruto muitos olhos tamanhos como alcachofres. e se andam limpos de herva . o cortam em talhadas redondas. os quaes se transpõem. os qíaes dão novidade d'ahi aseis mezes: e além dos filhos. a qual herva ou ananazeiro espiga cada anno no meio como o cardo. sem se seccarem. toda a vida. os quaes não dão o frueto todos juntamente . mas em todo o anno uns mais temporãos que os outros. e como é maduro conhece-se pelo cheiro como o melão.

e náo tem a queiitura c humidade de quando so come em fresco.l se tudo em sumo na boca. e tiram com ellas as nodoas da roupa ao lavar. e seja a primeira arvore do balsamo que se chama cabureiba. o tão suave que nenhuma fruto de Hespanha lhe chega na formosura. e muilo damnoso pira quem tem ferida ou chaga aberta : os quaes ananazes sendo verdes são proveitosos paru curar chagas com elles . aparada da casta. Não se podiam arrumar era outra parte que melhor estivessem as arvores de virtude que apoz das que dâo frulo. CAPITULO LTI1I. para que os colhem mal maduros. dando-lhe piques alé um certo logar. quando são maduras. do que se aproveita o gentio: e em tanta maneira como esta fruta . o qual se recolhe era algodões. a qual é muito formosa c saborosa.ROTEIRO DO RRAZIL. cujo sumo come todo o cancere. D'csla arvore se Ura o balsamo suavíssimo. ora a outra. com «pio so embebedam. oulros a tomoezns: mas no cheiro e no sabor não ha quem so saiba afirmar em nada . porque uns cheiram a melão muito fino. D'esta fruta se foz muita conserva. como o gomo de laranja. cuja madeira é pardaça e incorruptível. A natureza d'eslo fruto é quente e humido. que são arvores mui grandes do que se fazem eixos para engenhos. mas é muito mui? suniarento. os indios fazem vinho. I ! '. que alimpam com as suas cascas a ferrugem das espadas o facas. donde começa de chorar esto suavíssimo licor na mesma hora . ora sabe e cheira a uma cousa. o sabor dos ananazes é muito doce. o carne podre. que lhe incitem nos golpes. Quando lavram esta madeira cheira a rua toda a balsamo. porque. do cujo sumo. no sabor o no cheiro. Daqui por diante se tão arrumando as arcores e hercas de virtudes que ha na Bahia. do qual vinho todos os mestiços e muitos Porluguezes são mui afeiçoados. para ser mais azedo. c como . e todas as vezes que se queima cheira muito bem.

o qual c da còr e clareza de azeite sem sal. c amassa-so com o mesmo balsamo. Em que (rala da virtude da embaiba c caraobuçú c caraobamirim. CAPITULO LIX. que ó grosso e da côr do arrobe. atè que lhe chegam á veia. O caruncho d'cstc páo. e as estocadas ou feridas que não levam pontos se curam com elle. que depois de seccas ficam de maravilhoso cheiro. c preciosíssimo no cheiro.ãoncm matéria. e tem a côr pardaça. e quem se untar com este oleo ha-se de guardar do ar. e fazem «resta massa contas. estão bem molhados do balsamo. o para tirar os sinaes d'ellas no rosto. que tem cada uma quatro canadas. a qual não dá fruto que se coma. cuja madeira não ó muito dura. que se cria no logar donde sahiu o balsamo . sem outras mézinhas. mas tão áspera . e lança tanta quantidade cada arvore que ha algumas que dão duas botijas cheias. c como lhe chegam corra este óleo em fio. e algumas pessoas querem afirmar que ato no vidro mingoa. o qual é milagroso para cifrar feridas frescas. e antes de se saber de sua virtude servia de noute nas candeias. com o qual se cria a carne ató encourar. e faz se d'ella taboado.i96 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e as que levam ponlosda primeira cura soldam se as queimam com elle. porque ó prejudicial. que faz uma copa em cima de pouca rama. Embaiba ó uma arvore comprida o delgada . os espremem em uma prensa. a folha ó como de figueira. o é tão subtil que se vai de todas as vazilhas. Para se tirar este óleo das arvores lhes dão um talho com um machado acima do pó. e não deixa criar nenhuma corrup<. Este óleo tem muito bom cheiro. De tão santa arvore como a do balsamo merece ser companheira o visinha a que chamam copaiba que é arvore grande. e é excellenle para curar feridas frescas. Para frialdades. so não são vidradas. mas um óleo santíssimo em virtudes. dores de barriga e pontadas de frio ó este oleo santíssimo. onde lhe tiram este licor.

e cora o oleo do copaiba. com o quo se secam muito depressa : c quando isto não basta. o assim no tronco como nos ramos é toda oca por «lenlro. . tomam os Porluguezes doentes d "estos males suadouros. 197 que os indios copilhara cora ellas os seus arcos o hastes de dardos. que lem necessidado d'cste remedio-para curarem seus males. O frulo d'esla arvore sao umas candeias o cachos como as dos caslanhoiros. Tem o olho d'esta arvoro grandes virtudes para cora elle curarem feridas. o como amadurecem as comem os passarinhos o os indios. e dizem que tem mais virtude. o lhes faz sahir todo o humor para fora e secar as hostol Ias. e o sumo da mesma folha bebido por xarope. de que muitos tem muitos. tomando d'estes nove suadouros. com o que lambem so curara feridas o chagas velhas: e laes curas se fazem cora o olho d'esta arvore.ROÍ t i n o DO HKAI. com as folhas d'esta arvore cozidas. e se curam com elle com muita brevidade. porque cada ura o ó cm sua casa. o tora doutro uns grãos do milho. pondo-a com o sumo em cima das bostellas ou chagas. as quaes so náo dáo em mato virgem. cujo saibo é adocicado. estando muito «pieiite. Caraobuçu ó uma arvore como pocegueiro. queimam om uma telha estas folhas. c com ella pisada curam as boubas. seccam estas bostellas.IL. queó a semente de quo estas arvores nascem. onde se criam infinidade «le formigas miúdas. tomo os figos passados. como a da amendoeira : esta madeira c muito dura e de còr almecegada. Caraobamirim é outra arvore da mesma casta. mas tem a madeira muito seca e a folha miúda. sem outros unguentos. da qual se aproveitam tomo da caraoba de cima . tomando o bafo desta água. de que acham muito bem. e tem a folha mais miúda. a <|ual se pároco com o páo das Antilhas. i «mia qual so põe a madeira melhor quo com a pello do lixa. cuja casca é delgada : da folha se aproveitam os indios. senão na lerra que foi já aproveitada. senão quanto ó mais pequena. feitas em carvão. o qual depois do pisado so põe sobre feridas moriaes. que se não oecupam na Bahia cirurgiões. o com o pó d'ellas. o o entroeisco deste olho tem ainda mais virtude. do que lambem se aproveitam os Porluguezes.

e para fazer vir a furo postemas. e para uma arvore lançar muita picam-na ao longo da casca com muitos piques. e tem a mesma virtude para os dentes. Que trata da arvore da almecega e de outras arvores de virtude. que o estila de si. na flor. tem honesta grandura. e na virtude como o de Guiné. porque se não acha junto de outras arvores. que é no cheiro. de que lança grande quantidade. Em algumas partes do sertão da Bahia se acham arvores de canafislula. com a qual almecega se fazem muitos unguentos e emplastos para quebraduras de pernas. CAPITULO LX. e derretida é boa para escaldar feridas frescas. os quaes faz arrebentar por si. Naturalmente se dão estas arvores em terra de areia. Esta almecega é muito quente por natureza . a qual é maravilhosa almecega. Ha outras arvores de muita estima. Corheiba é uma arvore . mas valem-se da sua resina. á qual os indios chamam icica. debaixo de cujas raizes se acha muito anime. e logo começa a lançar por elles esta almecega. mas de agrestes dão a . pelo baixo do tronco da arvore. que são tamanhas como oliveiras. e é differente na grandura das arvores. na vista. pelo que se entende. a que os indios chamam ubiracica. na baga e no cheiro é a aroeira de Hespanha.198 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que na folha . de cuja madeira se não aproveitam. e quando a deita é muito molle e pegajosa. aonde a vão ajuntando e fazem cm pães. que faz muita vantagem á que se vende nas boticas. e lhes chupa de dentro oscarnegões. de cuja madeira se faz boa cinza para decoada dos engenhos. da qual fazem emplastos para defensivo da frialdade. e faz muita vantagem á trebentina de beta. que lhe os indios vão apanhando com umas folhas. e para soldar carne quebrada. a que o genlio chama geneüna.

Estes mangues fazem as arvores muito direitas. |iorque nio sabe o para que ella presta. de que elles nascem. que nasceram «Iassementes «pio foram de S. Cuipeuna é uma arvore pontualmente como a murla de Portugal. 199 canafistula muito grossa e comprida. as quaes se chamam mucunás. assim nas pevides que lem tomo no prelo. as quaes tomem todo o cancere e carne podre. com o que fazem tâo bom curtume como com elle. que tem a madeira vermelha e rija. d'esta maneira. Ha uns mangues. cuja casca é muito áspera. porque tem a mesma virtude desecaliva. Estas favas para comer são rteçonhentos. e do tamanho de um tostão. em lugar de sumagre. Thomé. as cura muito bem. as quaes dão umas favas aleonadas pequenas. da feição das de Portugal. mas não dá murtinhos. por ondo lançam muitos ramos romo vides. cujo fruto são umas favas redondas e aleonadas na còr. Em algumas fazendas ha algumas arvores de canafistula. e cobrir as chagas cora os pós dellas. Criam-se nesla terra outras arvores semelhantes ás de cima. de que se faz carvão. mas tem grande virtude. Depois de serem estas favas bem seccas. para que ella serve. . «piedáo o fruto mui perfeito como o das índias. que alrepam por outras maiores. sem outros unguenlos. da qual não usa o gentio . da qual raurta se usa na Misericórdia para a cura dos penitentes e para todos os lavalorios. e na cabeça um olho branco. que tem dentro uma semente como lentilhas. ao longo do mar. cuja flor e o cheiro delia é da murla. para curar com ellas feridas velhas. e lem a codea áspera. e não tom outra differença quo fazer maior arvore e ter a folha maior do viço da terra. as quaes lem um circulo preto. eda mesma feição. liáo-se de pizar muito bem. que se come o tem o mesmo saiho. a que o gentio chama apareiba. e dão umas candeias verdes compridas. as quaes alrepam por outras arvores grandes. que se chamam o cipó das feridas. Ao longo do mar da Bahia nascem umas arvores que tem o pé como parras. mas quebrada. a qual se dá pelos campos da Bahia. e tem tal virtude que serve aos curtidores para curtir toda a sorte de pelles. cuja folha pizada e posta nas feridas.ROTEIRO DO BRAZIL.

e metlidas em um canudo de folha de palma. pelas grandes mostras que tem dado da sua virtude. ajuntando muitas folhas d'estas. cuja natureza é muito quente. torcidas umas com as outras. onde ha muita delia pelas hortas e quintaes. e sorvem-lhe o fumo para dentro até que lhe sabe pelas ventas fora. como foi adoecerem do sèsso. e põe-lhe o fogo por uma banda. é muito eslimada dos indios o mamelucose dos Portuguezes.200 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e com o sumo d*esla herva lhe encouram. com a qual se curam também as chagas o feridas das vaccas e das egoas sem oulra couza. e criarem bichos nelle. pelo que não diremos d'esta herva senão o que não é notório a todos. com a qual se tem feito curas estranhas. e depois que se soube o seu mal. da qual doença morreu muita somma d'esta gente. CAPITULO LXI. matam a fome e sede com esle fumo . A folha d'esta herva. Todo o homem que se toma do vinho. mettem este canudo pela oulra banda na boca. sem terem necessidade de outra mézinha. Daqui por diante se vai relatando as qualidades das hervas de virtude que se criam na Bahia. e como faz braza. Pino é pontualmente na folha. como ó matarem com o seu summo os vermes que se criam em feridas e chagas de gente descuidada. pelo que o trazem sempre comsigo. e não ha duvida senão que este fumo tem virtude contra a asma. que bebem o fumo d'ella. e se curam hoje em dia os tocados d'este mal. como as que em Portugal chamam . e os que são doentes delia se acham bem com elle. se curaram com esta herva santa. sem se entender de que. como é seca e curada. Pelume é a herva a que em Portugal chamam santa. e comecemos logo a dizer da herva santa e outras hervas semelhantes. Afirmam os indios que quando andam pelo mato e lhes falta o mantimento. Deu na costa do Brazil uma praga no gentio. bebe muito deste fumo. c dizem que lhe faz esmoer o vinho.

CAPITULO LXII. Em que se declara o modo com que se cria o algodão. que são por dentro alvissimas. as suas raizes são como de junta brava. c faz maravilhas. como eidrada. que serve na candeia. depois de seccas. e tomam d 'estas talhadas. bebido serve tanto como purga de ranafistola . pira cada purga o pezo de dous reates de prata. e de outras hervas que fazem arvore. os quais dáo umas sementes preLis tomo enilh. c secram-nas muito bem ao sol. o lança por einn da terra uns ramos como as batatas.ieas grandes . que com assucarrezadode Alexandria. as quaes raizes se cortam emtalhadasem verdes. tamanho como um feijão. I) estas raizes se faz conserva em assucar raladas muilo bem . do que se usa muilo na Bahia . cuia um d'eMes bagos tem dentro um grão pardo. 201 figueira do inferno. mas mais grossas. bebido < s« »t > azeite. redonda e brancacenta . Jeticuçú é uma herva. que são maravilhosas para purgar. do que se usa tomando uma pequena d'est. « • lhe passa o aetidente logo : ns folhas d'csla herva são muito < boas pira desafogarem chagas e postemas. as quaes tem grande virtude para estancar cameras.i raiz pizada e lançada em água. cuja folha «• ' pequena. e tomada pela manhã uma colher d'esta conserva faz-se com ella mais obra. deitam estas hervas umas raizes por baixo d. que nasce pelos campos. cujas arvores parecem marmeleiros arruados em pomares.ROTEIRO DO BMZIL. iodo* cheios de bicos. tamanhos como avelãs. o qual pi/a«!o se desfaz todo em azeite. e lançando em vinho ou cm água muilo bem pizado se dá a beber ao doente de madrugada. e de sua virtude.iim chamam os indios ao algodão. Mar. e para os doentes «Io eólica. Pecacuem são uns ramos que alrepam como parra.i lerra tomo bnlaLis. mas a madeira delle é como de nr 2ü . Esla herva dá o fruto em cachos cheios do bagos. posta a serenar e dada a beber ao doente «te cameras de sangue lh'as faz «lançar logo.

que cheira a lieWa. que é de Agosto por diante. cidreira. do que se usa muito naquellas partes. as flores são como cravos de Tunes. para que a herva os não acanhe. que dá flores brancas da mesma feição. abrem-se estas folhas. A flor do algodão é uma campainha amarella muito formosa. que ao longe parece uma noz verde. a qual tema mesma virtude. < para que lancem outros filhos novos. tem a sua água muito bom cheiro e virtude para sarar sarna e comichão. de que esta herva nasce. da feição das com que se fecham os botões das rozas. sabu-ueiro. e como lhe cahe a flor. donde nasce um capulho. porque se seccam. lavando-as com esta água quente. com que sé fecham estes capulhos. que comem os meninos e os passarinhos. e como o algodão está de vez. que é a semente. Camará é uma herva que nasce pelos campos. .202 GABRIEL SOARES DE SOUZA. cada um do tamanho de um capulho de seda. a folha parece de parreira. com muitos ramos como de roseira de Alexandria. ficam-lhe umas camarinhas denegridas. e para seecar chagas de boubas. e cada capulho bestes tem dentro um caroço prelo. assim a uma como a outra.) As arvores d'estes algodoeiros duram sete e oito annos e mais. e cada carocinho e tamanho e da feição do feitio dos ratos. com quatro ordens de carocinhos pretos. que é a semente donde o algodão nasce. e se não o apanham logo. a qual faz arvore. mas de feitio mais arteficioso. amarellos. com o pé comprido e vermelho. da mesma feição. e da mesma feição. quebrando lhe cada anno a = pontas grandes á mão. Ha outra casta d'este camará. o qual no mesmo anno que se semea dá novidade. mole e oca por dentro. cuja madeira é seca e qucbradiça. Nas campinas da Bahia se dão urzes de Portugal. Vistes caroços do algodão come o gentio pizadós e depois cozidos. em que tomam mais novidade. o qual se fecha com três folhas grossas e duras. e em cada capulho d'estes estam quatro de algodão. a folha é como da herva cidreira . os quaes algodões se alimpam á enchada. que se faz em papas que chamam mingáu. com o sumo da qual se cüfam feridas espremido nellas. duas e três vezes cada anno. e vão-se seccando e mostrando o algodão que tem dentro muito alvo. cahe no chão. Cozidas as folhas e flores d'esta herva.

A folha d'osta herva mellida . onde so cria a semente do que nasce. E também se dáo na Bahia as canuas do Hespanha. e as raizes da mesma maneira. sem dar nenhuma pena. e a côr de verde claro como alface. o tem a folha molle. ao harbear. Jaborandi é uma herva. e tem a aspereza da hortelã ordinária. quem lem a boca damnada. do que os indios fazem as flexas com que atiram. a qual cheira a hortelã franceza. e dáo o mesmo nome da de cima. os pós dellas alimpam o cancere das feridas. do que usam os indios no seu modo de tintas. dos quaes ramos cozidus na água so aproveitam os indios pira seecar qualquer humor ruim. a cura muilo depressa . Dão-se ao longo da ribeira da Bahia umas hervas. mas não dáo camarinhas. duas ou tres vezes cada dia. que lavram a lerra muito. onde ha umas sementes como gravanços. mas não crescem tanto como as da terra. Esta herva dá umas candeias como castanheiro. a folha será de palmo de comprido. e tem outras muitas virtudes. das quaes c das flores se faz tinta amarella tomo açafrão muito fino.nOTEIItO DO BRAZIL. mastigando as folhas d'esta herva. e da largura da folha da cidreira. que lera as flores brancas da feição dos bommcqucres. cheias de nos por fora e maciças por dentro. a que chamam os indios caapiam. A arvore que faz esta herva é como a do alecrim. a que os índios chamara jaborandiba. cujas espigas são do quinze e vinte palmos do comprido. as quaes cozidas em água tem a mesma virtude deseraliva que as de Hespanha. por onde estalam muito corao as apertam. o lança umas varas era nós como cannas. as quaes tem folhas como as do Hespanha. por se parecer nos ramos com ella. As calmas «Ia Bahia chama o gentio ubá. Espigam estas ca nuas cada anno. Nascem outras hervas pelo campo.\ assim nos ramos corao na flor. ainda que tem o miolo mole e osloponlo. ou chagas nella. e trazendo-a na boca. e os homens que andaram na índia lhe chamam bétele. EsLis canoas são compridas. 'M). por se parecer cm tudo cora elle. a água cozida com estas folhas é loura e muilo cheirosa e boa para lavar o rosto. que faz arvore do altura de um homem. «pieiraadas estas folhas.

e serve para desafogar chagas: com este sumo curam o sesso dos indios e das galinhas. e o cheiro da fortidão da arruda. a qual é muito macia. da feição dâs folhas de pecegueiro. CAPITULO LX. são sanissiraos para este mal do fígado. e faz arvore como couve espigada . o outras pessoas. Pelos campos da Bahia se dáo algumas hervas que lançam grande braços como meloeiros. e mastigadas estas folhas e trazidas na boca. so lhe não açodem com tempo. Ha outras hervas menores. os ramos tem muitos nós. as quaes dão umas flores brancas que se parecem até no cheiro com a flor do legacão em Portugal. porque criam nelle muitas vezes bichos de que morrem. e tem o verde muito escuro. começando na que o gentio chama tararucu. a qual é muilo macia.e 20k GABRIEL SOARES DESOUZA. lh'as cura cm poucos dias. Em que se dcclaru a virtude de outras hervas menores. Esta herva faz arvore do tamanho das mostardeiras. Estas hervas dão umas flores amarellas como as da páscoa . mas tem a folha redonda muito grande com o pé comprido. que alrepam se acham por onde. Quem SJ lava com ella cozida nas partes eivadas do fígado. se as pizam. tiram a dòr de dentes. a arvore faz umgrelo . por onde estala muito. o cozidos os olhos e comestos. e dizem acharem-se bem com elles. e tem as folhas cm ramos arrumadas como folhas de arvores. das quaes faremos menção brevemente neste capitulo. as quaes são muito macias. de muita virtude. pelos campos. e os Porluguezes fedegosos. Cápeba é uma herva que nasce em boa terra perto da água . de que se aproveitam os indios e os Porluguezes. mas tem o verde muito escuro. cujos olhos comem os índios doentes de boubas. A arvore que faz esta herva é tão alta como um homem. estas folhas deitam muito sumo. o qual do natureza é muito frio. e afirma-se que esta ca salsaparrilha das Anlilhas. das quaes lho nascem umas bainhas com semente como ervilhacas.I1I. na boca requeima como folhas de louro.

que causa dòr do cabeça a . [tara o que tem grande virtude. soca-se esta folha do maneira quo fica áspera.RoTEISO DO BRAZIL. lança umas randoias crespas em que dá a somente. cuja natureza é fria . nem mais nem menos quo os do Hespanha. a quo os índios chamam campuava. a qual pizain os indios e curara com ella feridas frescas. as desafoga. e como está seta se lhe põe outras até que o fogo abrande. e posta sobro chagas e coçaduras das pernas que lem fogagem. de que nasce. porque não tem oulra differeuça do de Portugal que ser muito viçoso. as quaes são brancas da banda debaixo. quo se dá nos jardins de Porlugual. que são mentrastos. Nas campinas da Bahia se cria outra herva. e sãotontosque juncam com elles as igrejas pelas oiidocnças. e depois de bem espigado. da qual fazem as vassouras na Bahia. com cujas folhas passadas polo ar do fogo. cuja água cozida « boa para lavar ' • os pés . dá qual usara os médicos da Bahia. e dá a flor roxa. com quo varrem as casas. que tom dentro umas sementes como lentilhas grandes . e os Porluguezes malvaisco. e são da còr da salva. e se a fbgagem é grande. -'05 oco por dentro. Esta herva é do natureza frigidissima. mas tom a mesma virtude. a que o gentio chama caapiá. Criam-se outros hervas pelos campos da Bahia. «|ue tem as folhas do três em Ires juntas. que está esquentada. quo so chama guaxima. so desafoga toda a chaga e incharão. eencourain com cilas. da feição de tonchagem. da feição de escudete. mas tem as folhas mais pequenas. para fazerem vir a foro as postemas o inchaçõcs. e muito tenro. a qual herva tem o cheiru muilo fortum. pondo-lho estos folhas em cima. quando é necessário. Por estes campos se cria outra herva. e tem a mesma virtude. a que o gentio chama caameuam. do quo nasce. do quo nasce uma bainha como do tremoços. era logar de rosmaninhos. sem outros uugueDtos. e tom o pé comprido. cuja natureza c fria. Poipeçaba é uma herva que se parece com bclverdo. c também entre os Porluguezes so cura com o sumo d'esta herva o mal do sesso. a qual náo dá flor. mas semente muito miúda. Petos mesmos campos se criam outras hervas.

os quaes não poderam aturar o trabalho mais que até o meio d& i » porque todos adoeceram com o cheiro d'ella de dôr de cabeça. que trata do vinhatieo e cedro. a qual é incorruptível. a que o gentio chama sabigejuba. de que se tira taboado de três. convém que se declare as arvores reaes. e brandura ao lavrar c todo um : a esla arvore chama o genlio acajacatinga. e os homens que tem conhecimento da herva besteira d? Hespanha. Ha também foçanhosos páos d'esta casta. começando neste capitulo 64. Os cedros da Bahia não tem differença dos das Ilhas senão na folha . assim sobre a terra como debaixo d'ella. daqui para baixo. Daqui por diante se vai dizendo das arvores reqes e o para çifç servem. > e poz um dia mais de duzentos escravos a arranca-la do campo. quem a colhe: o gado que come esta herva engorda muito no primeiro anno com ella. e serve para as rodas dos engenhos. CAPITULO LXIV. mas os muito grandes pela maior parte são ocos por dentro. mui grandes. E parece razão que se dê o primeiro logar ao vinhatieo.200 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e depois dá-lhe.. e para casas e outras obras primas. cuja madeira se não . e acham-se muitos páos maciços. de que se fazem os engenhos de assucar e outras obras. para outras obras d'elles. cuja madeira ê amarella e doce de lavrar. de cuja grandeza ha tanta fama. Esta madeira não se dá senão em terra boa e afastada do mar. e a viram n'esta terra. que se acham muitos de cem palmos de roda. e outros. o que fez espanto. dos quaes se fazem canoas tão compridas cpmo galeotas. çoino cameras de que morre : pelo qual respeito houve quem quiz desinçar esta herva de sua fazenda. quatro e cinco palmos de largo. que a côr da madeira e o cheiro. afirmam que é esta n^espia beffia a besteira. Como temos dito das arvores de fruto. que se dão na Bahia. e das que tem virtude para curar enfermidades.

E" esta madeira tão pesada que em a deitando na água se vai ao fundo. de que se fazem gangorras. da . o qual cheirava a vinagre. Pelo rio dos Ilheos trouxe a cheia um páo de cedro ao mar. que havia dezeseis annos que estava debaixo da tolha de ura engenho. e o fato que se mette nas caixas de cedro não toma nenhum cheiro d*ellas. e tanto que o prego começou a entrar para dentro. acham-se muitas «festas arvores de quarenta acincoeuta palmos de roda . em terras baixas. o faz uma vantagem o redro da Bahia ao das Ilhas. mas acham-se alguns maciços. e sobejou madeira . e sempre que se tiram delia os cavacos molhados. tamanho que se tirou d'elfo a madeira e taboado com que se mtdeirou e mrrou a igreja da Misericórdia. começou a rebentar pelo mesmo furo ura torno de água em fio que correu até o chão. uiezas . Quando lavram esta madeira cheira a vinagre. ainda que esteja lançada sobre a terra ao sol e á chuva. 207 corrompe nunca. CAPITULO ixv. o já se viu melter um prego por uma gangorra. virgens e esteios para engenhos. em quatro horas não pega n'elles. da qual se acham mui grandes pios «pie pela maior parle são ocos. o daranam com elle o fato que se nellas agasalha. cuja madeira é parda. nem levantam lavareda.ROTEIRO DO BRAZIL. Que trata da» qualidade» do pequihi e de outras madeiras reaes. estopenta . de que se faz muito taboado pare o forro das casas e para barcos. de quo se lira taboado «le três e quatro palmos de largo. ainda que esteja cortada de cem annos. a qual «• branda ' detorrar• proveitosa par» obras primas e outras obras dos engenhos. a qual dura sem apodrecer para fim dos fins. e as obras do cedro das Ilhas nunca jamais perderam o cheiro. e se mettem os cavacos d esta madeira no fogo. que se dá perto do mar. quo logo perde a fórtidao do cheiro. humidas e fracas. Pequibi é uma arvore grande. muilo pesada. e já quando pega não fazem braza.

. acham-se muitas arvores d'esta casta de cincoenta a sessenta palmos de roda. que nunca se viu podre. e acham-se muitas arvores tão compridas d'esta casta. Estas arvores são naturaes de vargeas de arêa yisinhas do salgado. virgens. Sabucai é outra arvore real que nunca apodreceu. virgens. de que se fazem gangorras. cuja madeira é vermelha e mui fixa. cuja madeira é vermelhaça e muito fixa . fusos. ainda que é muito dura e tão pesada que se vai na água ao fundo. a que o gentio chama jutaypeba . que nunca apodrece. da qual se acham grandes arvores. Não são estas arvores muito altas. Ha outras arvores também naturaes de vargeas de arêa. tinem n'ellas os machados como se dessem por ferro. de. mesas. mas ha outras de honesta grandeza maciças.que se achas» muitas de trinta e quarenta palmos de roda. fora o delgado. que fica no mato.20S CABRIEL SOARES DE SOUZA. como são os eixos. eixos. que cortadas direito. o grosso dá vigas de oitenta a cem palmos de comprido. e são tão pesadas que em lançando a madeira na água se vai logo ao fundo. Quaparaiva é outra arvore real muito grande. mesas. mesas. cuja madeira é vermelhaça. de quo se fazem gangorras. e é mui dura ao lavrar. e pela maior parte estas grandes são ocas por dentro. onde se quebram muito. assim debaixo da terra como sobre ella. esteios e outras obras dos engenhos. de cujo frueto tratamos atraz. virgens e esteios para engenhos e outras obras. e a madeira é boa de lavrar. de que se fazem gangorras. mas tiram-se d'ellas gangorras de cincoenta a sessenta palmos de comprido. esteios e outras obras de engenhos. dura e tão pesada que se vai ao fundo . Quando se cortam estas arvores. qual se fazem bons liamos e outras obras para barcas grandes e navios. por se desordenarem peto alto. de que se fazem frexaes e tírantes dos engenhos. lançando grandes troncos.

' Maçarandiba é outra arvofe real. c os Indios andurababapari . mas de honesta grandura. mesas. Ha outras arvores reaes. esteios e outras obras miúdas. e de pesado se vai ao fundo. Juquitibá ó oulra arvore real. e boas caixas por ser madeira leve e boa de lavrar e honesta côr. l!()í* • CAPITULO LXVI. virgens. eixos. as quaes são muito grandes o acham-se muitas de mais de vinte palmos de roda de que fazem gangorras. esteios 5 outras obras dos engenhos. e Uo dura de lavrar que não ha ferramenta quo lhe espere. mas não é muilofixoao longo da torta. cuja madeira < • amarella de corformosa. e é tão pesada quese vai ao fundo.. a que os Portuguezes chamam Angelina. na folha. quo não é tamanha como as de cima. u acham-se muitas de trinta a quarenta palmos de roda. de que so fazem gangorras. de cujo frueto já fica dito atraz: são naturaes estas arvores da visinhança de mar. as quaes se parecem na feição. com carvalhos. Nas várzeas de aréa se dão outras arvores reaes. eixo-. Ha outra arvore real que se chama jataymondé. virgens. na còr da madeira. esteios c outras obras dos engenhos. de quo se fazem eixos. esteios e outras obras dos engenhos e das cazas de vivenda. e para taboado. a «jue os índios chamam curuà.' virgens. fusos. façanhosa na grossura e coroprizif 27 . cuja madeira ó de cor de carne de presunto . Estos arvores sãotoocompridase direitas que se aproveitam do grosso «fdlade cem palmos para cjraa. virgens. e não se dá cm ruim terra. e nunca so corrompem. o qual lambem serve para liames de navios e barcos. eixos.ROTRIBO DO BRAZIL. mezas. e é tão pesada que se vai ao fundo. fusos. de que se fazem gangorras. e acham-se alguns de vinte e cinco a trinta palmos de roda . « Em que se acaba de concluir a informação da» arvores reaes que se criam na Bahia. mesas.muitorija c doce de lavrar e incorruptível.

Ubiraem é oulra arvore real. de que se fazem gangorras. que sâó muito compridas e de grossura. e muito taboado. e já se cortou arvore destas tào comprida d grossa. e toda a obra de casas e de primor: a côr desta madeira é amarella com umas veras vermelhas. e outras obras. não são arvores muito grandes. de que se também fazem carros muito bons.. de que se fazem gangorras. mas dão três palmos de testai Esta é das mais lixas madeiras que ha no Brazil. esteios para os engenhos. e vai-se ao fundo. que em certo tempo se enchem de flor como de pecegueiro.. e boa de lavrar. Pelas campinas e terra fraca se criam muitas arvores. e pára Ilação de navios e barcos é a melhor que ha no mundo. Esta madeira lem a côr brancactínla. que soffre melhor o prego e nunca apodrece. esteios e fuzos para os engenhos * a madeira é parda e muito rija . a quem o gusano não faz mal. . mas tiram-se d'ellas virgens. porque nunca se corrompe. Putumujú é uma arvore real.210 GABBÍEL SOARES DE SOjÜZA. qué cada uma pelo menos lia de ter cincoenta palmos de comprido.e taboado para navios. de que se aòham muitas de vinte palmos de roda para cima. por serem desordenadas nos troncos. e outras muitas obras de casas. esteios dos engenhos. mesas. é leve e pouco durável onde lhe chove. virgens. mas muilo doce de lavrar. que se chamam urueuranas. e é boa de lavrar e serrar. lnento. cuja côr ó amãrellaça. mesas dos engenhos é outras obras. quatro de assento e cinco de alio. que deu no comprimento e grossura duas gangorras. que fazem dellas virgens e esteios para os engenhos. não são arvores muilo façanhosás na grandura. Ha outras arvores. fuzos. e não se dá senão em terra muito boa..e tão liada que nunca fende. que se chamam sepepiras. e taboado para navios. e é tão pesada esta madeira que se vai ao fundo. a qual madeira é pesada. tem a côr de carne de fumo. virgens. não se dão estas arvores em ruim terra.é pesada e dura. não muito pesada. da qual se fozem eixos.

o com elle armam os moços ai* . !>l f CAPITULO LXVII. de que se fará miiila quantidade. das quaes se liram frccliaes o tiranias para engenhos de tom palmos. e palmo o meio afora o delgado da ponta. ainda que mais alva. que serve pira outras eousas.ROTKIIIO DO H I W / I I . E comecemos no camaçari que silo arvores naluraes de aréa o terras fracas. centre ella e o páo lança um leite grosso. ha tantas na Bahia. e é da mesma còr. e lança muita quantidade. das quaes diremos alguma parto das que chegaram á nossa noticia. o qual pega tomo visco. São estas arvores muito compridas e direitas. n qual madeira serve para toda a obra das casas. Cria-se entre a casca e o âmago d'esla arvore uma matéria grossa ealva. quo «ingressará o coalhará tomo rezina. E«ta madeira tem a còr vcrmelhaçn . e de còr amarella muito fina. que pega como teniientina.'e melhor de serrar. que pirecem torneadas. Madeiras meSs. e cada uma deita muita matéria d'esla. o so loca nas mãos. quo so náo podem contar. Daqui por diante se trata das madeiras meãt. o que iançi dando-lhe piques na casca em lio. por haver muita somma d estas arvores a borda d'agua . que serve para obrado casas em parte aotufo lhe não toque a água : a casca d'esta arvore é muito amarella por denlro. que servirá para brear os navios. não se tira senão com azeito. e não muilo gnKo. IVestas arvores se fazem nia«lms para os navios. e se foram mais leves eram melhores quo os «Io pinho. as quaes arvores são tão roliças. e de toda a sorte. Guanandi é uma arvore comprida. e se isto não •'• lermcntina. o o mesmo lança ao lavrar e ao serrar. por serem mais fortes. boa do lavrar. do quo se faz muito taboado para ellas e para os navios. parece que fazendo-lhealgum cozimento. cuja madeira é amãrellaça. e de cento e vinte de comprido e dous de largo.

que se chama ibiriba. CAPITULO L X V I H . e estão abertas até pela manhã. « a qual madeira se não faz conta. Estas arvores se csfoSlam c obrem-se á mão. de que se fazem esteios para os engenhos. tirando taboado por ser má de serrar. e não apaga o vento os fachos d'ellá. a qual se esfolla das arvores. nora se aproveitam delia 3 senão em obras de pouca dura. e não ha machado com que se possa cortar. cujo cheiro é suave. Açham-se pelos matos muitas arvores de que se tira a envira para 'calafelar: e comecemos a dizer das que se chamam enviroçú. que estão fechadas 4a mesma maneira . com que so servem de noute á falta d'ellas. as quaes tem a easca áspera por fora. cuja madeira amole.tirantese frechaes. e ainda que «eja verde cortada d'aquella hora. e para andarem de noute. que serve. direitas e roliças. de que se fazem mastros para navios.. a qual os indios fazem em fios para fachos com que vão mariscar. as quaes arvores são muito compridas. e outra obra de casas. Esta madeira é muito dura o má de lavrar. como de candeias. que nao quebre ou se trate mal. as quaes se abrem como se põe b sol. e da mesma feição. é muito forte para . que são arvores grandes. pega o fogo n'elIa como emalcatrão. pássaros. Que trata das arvores que dão a envira ? de que se fazem cordas e estópa para calafetar navios. mas muito mimoso. e não se faz conta delia senão para o fogo. e se pisam muito bem . e cm casa servem-se os indios das achas d'esta madeira.todo o trabalho. é muito boa defender. Dão estas arvores umas flores brancas como . e como apertam com ellas não cheiram.212 (ÍABRIEL SOARES DE SOUZA. emquanto lhe não dá o sol: e como lhe chega se tornam a fechar. para calafetar. e as que são mais velhas cabem no chão. Ha outra arvore meã. faz-se branda como estopa . as quaes .cebola cocem muilo formosas.

quo se liam como canliamo. os quaes amassam e pisam coro uns páos coro que os fazem estender. . de que os indios fazem aljaras. que todo o mais é branco que apodrece fogo. e ficam 13o delgados como lona. se faz tflo branda e mais que estopa. de que fazem cordas e niurrões de espingarda. i Goayaimbira é uma arvore pequena. com o que se calafetam os navios e barcos. porque náo quebram.XIX. cadeiras o outras obras delicadas. e fazem muito boa braza. D estes condurús novos se fazem espeques para os engenhos. e csfolam-na inteira para baixo como coelho. de que se fazem leitos. que fazem os negros de Guiné d'elle pannos de cinco a seis palmos de largo. que se nito apagam nunca. de que se fazem amarras e toda a sorte de cordoalha. c acham-se algumas que tem ires palmos de tosta. que não é mMgrossa que a perna do um homem. mas muito macios. porque nfio apodreço n água. que é tão forto como de cairo. e pisada esto casca muito bem. c não dáo um palmo de âmago vermelho. c o vermelho é incorrutivel. O condurú é arvore de honesta grossura. Embirili é outra arvore rooã. o do enlre«•ascodYlta se tira envira branca. cortam-n'a os indios em rolos de dez. cm que mettem os arcos • flechas. com es quaes se eid|Bm o cobrem. cuja madeira é molle. Que trata de algumas arvores muito duras. coro que se fazem cordas U o alvas T como de algodão. e para debaixo d'agua ó muito melhor que estopa.ROTEIRO DO BRAZIL. o sabem os entrecascos inteiros. a qual envira é muito alva. o incha muito. por darem muito de si quando lhe fazem força. CAPITULO I. e do comprimento que querem. o qual ontrecasco se tira tão facilmente.dozo palmos. . 213 se fazemtodasora fios muitos compridos. e morrões de espingarda muito bons.

a que os Porluguezes chamam espinheiros. e com as mesmas águas. cuja madeira é preta. de que so fazem tirantes e frechaes de casas. e vem criando outra casca nova por baixo d'aquella pelle. a qual pella cada anno. que sé d!ella fazem. por se não corromper nunca. por serem muito duras e trabalhosas de cortar. Ubirapariba é arvore grande. em tocando n'agua. que pelo ser se não aproveitam destas arvores. e ó muito dura de lavrar e de cortar. muito direitas. a madeira é alvissima como martim . por quebrarem os machados n'ellas. que tem as folhas como . a madeira tem a côr parda. Que trata das arvores que se dão ao longo do mar. em os quaes se faz aleonada depois de cortada: e é tão pesada que. tem estas arvores a casca lisa. Esta madeira é pesada e vai-se ao fundo. por ser madeira de muita dura. de que os indios fazem os seus arcos. a qual é muito dura. de que se fazem esteios dos engenhos o virgens. CAPITULO LXX. de que se tira grossura até palmo e meio detesta. Ha outras arvores grandes de que se fazem esteios para os engenhos. e de còr amãrellaça. de honesta grossura e comprimento. Mandiocahi é uma arvore assim chamada pelo genlio. a que os indios chamam ubiraetá.. a que o genlio chama ubirapiroca : são arvores compridas. se vai logo ao fundo. Ao longo do mar se criam umas arvores. e é muito rija e boa de lavrar. cujo tronco não é mais grosso que a perna de um homem. as quaes arvores se dão em terra de pedras e lugares ásperos. muito dura de lavrar. Ubirauna são arvores grandes do que se fazem esteios para os engenhos. cuja madeira se não corrompe.2l£ GARRIEL SOARES DE SOUZA. e serve para marchetar em lugar de marfim. c os indios talagiha. cuja madeira é pardaça e incorruptível. Ha outras arvores. e os Portuguezes páo-ferro. muito dura. a qual é pesada e boa de lavrar. nem estallâm os arcos. Suaçucanga é uma arvore pequena. e tão pesada que se vai ao fundo se a lançam n'agua.

direitos. com o pezo das quaes vero obedecendo ao chão até que pega d'elle. cujas pontas tornam para baixo em ramos muito lisos. e tem dentro um fruto. e osramoscheios de espinhos. que tem tio juntos que se afogam uns aos outros. por serem muitos compridos e rijos. CAPITULO LXXI. Pelo salgado ha uma casta «le mangues. de que se tiram taboões. que parecem taboas postas ali á mão. que so criara onde descobre a maré. os quaes lançam muitos filhos ao pé todos de uma grossura. á maneira de favas. e os mais grossos servem para as casas dos engenhos. cuja madeira é molle. para os engenhos fazerem decoada. e lançam mil filhos ao longo d'agua. Canapaúba é outra casta de mangues.ROTEIRO DO BltAZIL. a qual so lavra muito bem. delgados. que vio crescendo mui desafoiçoados. cujas arvores são'muito tortas e desordenadas. as quaes lhe cortara ao machado. ajnadoira por fora ó muito áspera o por dentro amarella de cor fina. sem embargo de ser dura. 215 romeira. muito ásperas da casca. e por derredor d'ella. lVestos mangues se faz lambem lenha para os engenhos. e ó tão fixa que não ha quem visse nunca um páo d'estes podre. e como pega logo lança ramos para cima. a que os indios chamam sereiba. Em que se trata de algumas arvores moles. e como esla chega a elles logo criam ostras. de feição das dos feijões. de que se mantém os caranguejos r que por entre elles se criam. e vem assim crescendo para baixo. de que tornam a nascer ao pé da mesma arvore. de grossura que servem para encaibror as casas de inalo. ede grossura bastante. e dão estas arvores umas espigas de um palmo. alé que chegam a maré. de que so fazem muitas obras boas. Ha umas arvores muito grandes. e não serve senão para cinza. a que o gentio chama copaubuçú. Estas arvores tem umas raizes sobre a terra. feitas por tal artificio.aflitos» que se fazem amarellas. aos quaes cabem algumas . de que se fazem . em quanto novos e direitos.

a qual arvore se corta de dous golpes de machado. e sete e oito de comprido . a madeira é muito mole e oca por dentro. e d'eslas folhas podem manter bichos de seda. c se fazem vasos de sellas. e da vantagem na levidão. Pelo sertão da Bahia se criam umas arvores muito grandes cm . muito direita. que serve para mastros e vergas das embarcações da terra . que não dão fruto. de que se tiram curvas para barcos. e dá umas favas brancas. que se parecem com os cajueiros. d'onde se fazem também muitas rodellas. a qual ao longe parece na brancura e grandura o alamo. cuja madeira não sorve mais. Paraparaiba c uma arvore. e a que se esfolla a casca muito bem. crespa o áspera como de amoreira. tem a casca muito verde e lisa . a casca d'estas arvores é secca como de sobreiro. seis palmos de largo. para fazer d'elles uma jangada para pescar no mar á linha. que são como as de adargoeiro. gamellas de cinco. A madeira é leve. Tem esta arvore a folha como figueira. porque a corrompe a chuva. mas não dura muitos annos. que se chama cajupeba. se os levarem a estas partes. Apeyba é uma arvore comprida muito direita. de que fazem bombas aos caravelões da costa. as quaes arvores se não dão senão em terra muito boa. tem estas arvores a folha brancacenla. que traz um indio do mato ás costas três páos d'estes de vinte e cinco palmos de compridoe da grossura da sua coxa.21(5 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que se dá pela terra dentro. quo se dá em boa terra que foi ja lavrada. que para o fogo. que não fende. mas os pés mais compridos. e muito grossa em cima. a qual em poucos annos se faz muito alta e grossa . mas muito liada. e é tão leve esla madeira. cuja madeira é leve e de côr de pinho. cuja madeira é estopenla e muito branda. e tem a casca brancacenta. por ser muito mole. Dão-se nas campinas perto do mar umas arvores. e por dentro tem muitas iníindas formigas. a qual é defoada no pé. Penaiba é uma arvore comprida e delgada. a qual dá de si muito e não estala . que não fende. cuja madeira é muito branca. de que já falíamos. Geremari é outra arvore.

e cheira. que lhe servo de canoas. cuja madeira «• ' sobre o molle. Entro as arvores de cheiro. c sabe como cancha. c é muito «lura. Jucuriaçu é uma arvoro que se dá em terras fracas. 4 CAPITULO LXXII. que será muilo fina. e não é demasiada na grandeza. cuja madeira ê preta com algumas águas. que se dá nas campinas era terras fracas. «Ias quaes fazem umas embarcações pira pescarem pelo rio o navegarem. que se gasta no fogo dos engenhos.ROTKino DO nnAi. -217 comprimento e grossura.ilissimas «fo fazer. e fica a casca só. mas náo na baga. na casca e no cheiro aos loureiros de Hespanha. o parece que se a beneficiarem.li. é xir. o porquo se cortam retas arvores muilo depressa por não ler dura mais. a qual lem muito bom cheiro. em que se embarcam vinte c trinta pessoas. a que os indios chamam iihiragara. de sessenta e setenta palmos de comprido. que se acham na Bahia. ha uma»a quo os indios chamara cariinje. que se prece na folha. mas tem a quentura mais branda. c é muito pczada.. que a casca e o âmago é muito molle c tanto que dous indios em ires «lias tiiam com suas foures o miolo lodo a estas arvores. AnhaybalSa é uma arvore que se dá cm várzeas humidas e ilo área a qual na grandeza c feição é como o louro. tapadas as cabeças. quo são fac. mas com tudo se acham algumas. porque o cnlrccasco dos ramos queima mais do que o do tronco da arvore. queima. e sem duvida que parece canella. que dão três palmos de testa: a madeira d'csla arvoro náo se corrompe nunca. ainda que lhe dé o sol c chuva. o não se corrompe nunca sobre a terra. o entre casco d'csla arvoro é da côr de canella. cuja madeira é muilo molle e de côr almecegada . Jacarandá 6 uma arvore de bom tamanho. 28 . e boa de lavrar para obras primas. Em qur se apontam alguma* arvores de cheiro.

pezada. tem afolha«orno castanheiro. esta madeira 'não fende nem estalla. nunca se corrompe do tempo. cujas arvores são altas. e cabos e cepos para toda a ferramenta de toda a sorte. a qual se dá em terras humidas e de arêa. São estas arvores de meã . e outra vermelhaça. Em que se trata de arvores de que se fazem remos e hastes de lanças. que cheira muito bem. e na casa onde se lavra sahe o cheiro por toda a rua.218 GARRIEL SOARES DE SOUZA. com águas também pretas. dura. Entagapena é uma arvore que tem a madeira dura. a que chamam em Pernambuco páo santo. Ha uma casta de côr parda. Huacã é outra arvore de que se fazem remos para os barcos. Ubirataya é outra arvore que não é grande. e o gentio as suas espadas. CAPITULO LXXHI. com água sobre aleonado. de que se faz também toda a sorte de poleame. como buxo. Atraz tratamos do genipapo no tocante ao fruto. mas boa de lavrar e melhor de tornear. de côr parda. e na casa onde se queima recende o cheiro por toda a rua. umas e outras da feição do chamalote. e de honesta grossura. cheira muito bem.-cuja madeira é de honesta grossura. e cheira muito bem. e muito boa de lavrar para obras primas. a qual madeira é muito estimada em toda a parte pelo cheiro e formosura. Mucetayba é uma arvore que se dá em terras boas e nSo é de demaziada grandeza. com águas pretas. e os seus cavacos no fogo cheiram muito bem. e tem boas águas. agora lhe cabe tratar no tocante á madeira. que duram mais que os de faia. muito rija e pezada. de que se fazem muitos e bons remos. de que se fazem contas muilo cortezãs. mas depois de secos são muito leves. para se delia fazer obras de estima. em quanto verdes são pezados. por ser doce de lavrar. a madeira é de côr branca. cuja madeira é mole. e umas e outras tem o cheiro suavíssimo.

por mais que so lavo. mas compridas e direitos. depois de derrubadas. quese fazem muitoformosos. e quem pega d'elles não se lhe lira o cheiro. cascas e madeira federa a alhos. de que se fazem obras de casas. cujas arvores são grandes e desordenadas nos troncos. Ao pé de algumas arveies se criam uns ramos como parreiras. Vestes matos se acham umas arvores mefis e direitas. como as oliveiras. Ha outra casta de ubirarema. Ha outras arvores. para fazerem os remos. os quaes cipós cheiram a alhos. os quaes alrepam pelas arvores acima como as videiras. folhas. e tem estas arvores asfolhasda feição das ameixeiras. da grossura e da feição de uma corda meã. a sua madeira por fora c almecegada e o âmago por dentro muito preto. e quando se lavram fazem um roxo claro muito formoso. a côr da madeira é açafroada o boa de fender. e chegar os cavacos aos narizes é morrer. cm lodo aquolfo dia . e tom a casca áspera. que não são grossas. . a que os indios chamam ubiratinga. mas quando a lavram não ha quem lhe sofra e fedor. a estas arvores chamam os indios ubirareiua. o quo se lhe faz para fazerem hastes do lança e arremeçõos.R0TR1R0 DO BRAZIL. que tão terrível fedor lem: e meltendo-se aofogose refina mais o fedor. Em que se dit de algumas arvores que tem ruim cheiro. mas mais duras e formosas. as quaes. porque é peor que o do umas necessárias. de feição que quem os aporto coro as mãos lhe fieatn fedendo de maneira que se lhe não lira em todo o dia o cheiro. cujos ramos.c do dardos que são mais pesadas que as de Biscaia. as fondcm os indios de alto a baixo era quartos. quo não duram tanto como os do genipapo. a que os indios chamam cipós. que quer dizer madeira que fede muito. Dão-se estas arvores oratorrasbaixas e humidas perto do salgado. 219 grossura. mas dura-lhe pouco a cor. CAPITULO LXXIV.

os quaes servem para tentos. e cheira muito bem. a que os índios chamam comedoy. Aralicurana é uma arvore do tamanho e feição do marmeleiro. definascores. lavrado pela casca. Esta arvore dá umas bainhas como feijões. e muito lizo.2*i0 GABRIEL SOARES DE SOUZA. as quaes se criam nos alagadiços. Cuièyba é uma arvore tamanha como nogueira.toradentro em si uma cousa branca edura. ondo se ajunta a água doce com a salgada. o qual arregoa como é maduro. o vão curando estas . «pie é como o dos cabaços. Dáo estas arvores um fruto tamanho como marmelos. affeiçoada como pente. o qual frulo se não dá entro asfolhascomo as outras arvores. do cuja madeira se náo foz conta. do que os gentios se aproveilavamantesde communicarem com os Portuguezese se valerem dos seus pentes. por «jue tem para si que quando os caranguejos da terra fazem mal. e são para isso mui estimados. e como os colhem . e tem a folha como nogueira. edá umasfloresbrancas grandes. queé como melões. meios vermelhos e meios pretos. Este frulo comem os indios a medo. CAPITULO 1 X X V . cada um por si: estando esta fruta na arvore. Em que se apontam algumas arvores que dão frutos silvestres que se não comem. cujo fruto são umas bainhas grandes. que é a semente de que as arvores nascem. maiores o menores de feição redonda e comprida. senão pelo tronco da arvore o pelos braços d'ella. como pinha. Anhangáquiabo quer dizer pente do diabo. cortam-nos peto meio ao comprido o lançam-lhe fora o miolo. é arvore de bom tamanho . a qual se não cria em ruim terra. cuja madeira é mole o liza que se esfola toda em lhe puxando pela casca. Nos matos se criam umas arvores de honesta grandura. Da madeira se náo trata. porque as não cortam os indios: por estimarem muito o seu fruto. mui duros. é da côr dos cabaços verdes. que ó por comerem esta fruto naquello tempo.

ás quaes cabe a folha cada anno . e serão da mesma grossura. e ficam uns fios mui lindos como do rota da índia em cadeiras. a que os indios chamam jaluaihu. o fazem d'ellcs cestos melhores que de vimes. e os brancos quo náo podem mais. N"estes mesmos matos se criam outras cordas mais delgadas o primas. Que trata dos cipós e o para que servem. servem do mesmo. a que chamam cipós. mas tora comprimento de cinco o seis braças. o torna arebentardo novo. por entre os seus arvoredos. com que escusam pregadura: e em outras partes servem em logar do cordas. laças o do ou iras cousas. mas não são tão rijos . umas cordamuito rijas e muitas. que nascem aos pés das arvores o alrepam por ellas acima. que são mais rijos quo os cipós acima. o qual amaruja e requeima como ella. . Esto arvoro dá umas frutas brancas dotamanhoo feição do azeitonas cordovezas. pucaros. que é da mesma feição dos limbos. Deu a natureza no Brazil. que os indios chamam limbos. Pelo certão se criam umas arvores aquo os indios chamam beribebas. quando não achara os tinibúi. e com estes fios atam a palma das casas quando as cobrem com ella. c fazer-sc-ha d'cllos tudo que se faz da rola da índia. Ha outras arvores méis.ROTEIRO DO Hn. cuja madeira é muito pczada . Ha oulra casta. cscudelas. que os indios chamam limborana. do que fazemtombemcestos finos. aos quaes fondem também em quatro partes. CAPITULO LXXVI. do «juo so aproveitara o indios. quo dão um fruto de tamanho e feição de noz moscada. ao que os indios chamara cuias. dando-lhe por dentro uma tinia preta o por fora amarella que se não tira nunca. ~-l peças até se fazerem duas.MIL. com que os indios atam a madeira das suas casas. quo lhe servem do pratos.

e assentam-nas sobre o emmadeiramento das casas. mas em cada pé estão pegadas quatro folhas como as atraz. pegadas umas nas outras. cujas folhas são como de cannas do reino. a vara onde se criam é cheia de espinhos pretos. com estas folhas arma o gentio em umas varas uma feição como esteira muito teeida. ediira uma cobertura d'estas sete. e tem o pé de quatro e cinco palmos de comprido. cujo nascimento é também ao pé das arvores. atar. Cáeté é uma folha que se dá em terra boa e humkk . e tiram d'ella o mais fino linho do mundo. e se acertam de quebrar. por onde atrepam. Servem estasfolhasaos indios para fazerem d'ellas uns vasos> em que metem a farinha. ou algum outro caminho . as quaes nascem em. e são tão rijos que tiram com elles as gangorras dos engenhos do mato e as madeiras grossas. que nasce como a de cima. Que trata de algumas folhas proveitosas que se criam no mato. a que os indios chamam cipó-embé. que . e não fazem arvore. touças muito juntas. oito annos o mais. Criam-se tombem n'estes matos uns cipós muito grossos. onde a farinha vai de feição que ainda que chova muito não lhe entra água denlro. e fica cada esteira de trinta palmos de comprimento e três do largo. com o que ficam muito bem cobertas. tornam-se logo a. mas de quatro e cinco palmos de comprido. e acham-noa tão grossos como são necessários . e são muito tezas.sem quebrarem. e com elles varam as barcas em lerra. mas mais curtas e brandas.222 GARR1EL SOABES DE SOUZA. Tocum é uma herva. que é da feição das folhas das alfaces estendidas. pelos quaes puxam cem e duzentos índios. e as deitara ao mar. Capara é outra folha. o limpa d'ellesficacomo rota da índia. Estas folhas quebram os indios ás mãos. quando vão a guerra. com os quaes se escusam calabretes de Unho» CAPITULO LXXVII.

é tamanha como as águias de Hespanha. as quaes tom as pennas muito . nem as notáveis qualidades e virtudes que tem. se quizerem. as quaes se criam pela terra dentro em campinas. achamos que bastava para o propósito d*esto compêndio dizer o que se contém em seu titulo. e eu vi um quarto de uma depennada tamanho de um carneiro grande. as unhas grandes e muito voltadas. Si que lemos satisfação com o que está dito no tocante ao arvoredo que ha na Bahia de Todos os Santos. tem o bico revolto. ou seda que d'elle sahe. São estas aves brancas. e sustentam os filhos da caça que tomam. a que o gentio chama nhandú. e ainda que o que se disse é o menos que se pode dizer. é pontualmente do loque da herva da índia. mas ha-se de notar que aos arvoredos d'esla província lhe náo cahe nunca a folha. e são tamanhas como as da África. por haver muitas mais arvores. e se mantém de seus frutos e frescura d'elle. de que se mantém. grandeza e estranbezas d'ella. outras cinzentos. CAPITULO LXXTIII. onde fazem seus ninho e põem dous ovos somente. criam em montes altos. e com os frutos. as pernas compridas. ?2. E peguemos logo da águia como da principal ave de todas as criadas. e assim o parece. de que se fazem apitos. A águia. Criam-se n'estes matos emas muito grandes. de que fazem linhas de pescar torcidas á mão. e em todo o anno estão verdes e formosos. Este lorum. a que o gentio chama cabureaçü. Sumnutrio das aves que se criam na terra da Bahia de Todos os Santos do Estado do Brazil. e silo tão rijas que não quebram com peixe nenhum. convém que se de conta quaes aves se criam entra estos arvoredos. de qual se farta obras mui delicadas. lem o corpo pardaço e as azas pretas.ROTEIRO DO RRAflL. e outras malhadas de preto.t parece seda. E porque se não pode aqui escrever a infinidade das arvores e hervas que ha petos matos e campos da Bahia .

em ninhos como de gallinhas. azas e barriga branca. tem as pernas altas. cheias de escamas verdoengas. Tabuiaiá é uma ave muito maior que pato. voam pouco e ao longo do chão. tem sobre o bico. Estas aves fazem os ninhos no chão . os ovos são tomo de patos. e fazem d'ellas uma roda de penachos. onde criam. e mantém os filhos com cobras. e ás vozes as matam as flexadas. mas muito gostosa: das pennas se aproveita o gentio. a mais carne ó sobre «lura. as quaes são tenras como de perdiz. onde põe muitos ovos. e as tomam com cãss a coco. e sobre a . mas boa para comer. criam no chão. grandes. que é branco. Macuagoá é uma ave grande de côr cinzenta. que tem cm muita estima. correm em pulos. Tem estas aves as pernas compridas. tem as pernas compridase pretas.22/t GARRIEL SOAnES DE SOUZA. CAPITULO LXXIX.temo bico pardaço da feição da gallinha . e de cançadas as tomam. são do tamanho dos gallipavos. Criam cm arvores altas. por onde correm muito. as quaes não voam levantadas do chão . esobre a cabeça umas pennas levantadas. uma maneira de crista vermelha. e tanto as seguem. mantem-se de frutas do mato. mas tem a casca verde de còr muito fina. o bico grosso e grande. cuja carne é dura. mas cozida é muito boa. nem tamanhos como os das da África. cuja carne é dura. e mantem-se das frutas do mato. e com frutas do campo . os pés grossos . e outros bichos que tomam. Motúm são umas aves pretas nas costas. até que as cancam. mas tem no peito mais titellas que dous galipavos. com as azas abertas: tomam-nas os indios a coco. que pelas suas festas trazem nas costas. Em que se declara a propriedade do macucagoá . mas não tem nellas tanta penugem como as da Alemanha. o da mesma côr. Tem estas aves as pernas e pescoço compridos. a còr parda. do tamanho de um grande pato. motum e das gallinhas do mato. sendo assada . como poupa. os seus ovos não são redondos.

matam-nas o* indios ás floxadas. grande e grosso. o as c isias acatasoladas de azul e verde. Criam no chão. o depois arrevoçam-o. muito alvos. tom as azas pretas. correm muito pelo chão. o muilo tenras. e tem o peito cheio de titelln* como perdiz «Ia mesma còr. e o mais branco. 225 rabeca umas pennas levantadas como pavão. criam no chão. Tom estas aves o bico preto como do corvo. CAPITULO LXXX. a mais carne é «lura para a-s. barriga e collo amarellas. a carne d'estas aves è muito boa. e tão crespos da casca como confeitos. a qual enfastia muito. e papo vermelho. cacaream como perdizes. Em que se declara a natureza dos canindés. e repartem-no pelos filhos. c são do tamanho dns gallinhas e pretas. e a cabeça por cima azul. e voam pouco «• baixo. o bico preto. e as pennas do rabo e . e ao redor do bico amarello. e toem o v«V) muito curto. araras e tucanos. cuja carne é muito boa. Canindé é um pássaro tamanho corao um grande gallo. e tem no peito muitas mais titellas. rada um como um grande punho: mantém os filhos com peixe dos rios. mantõm-so defruetas. tem o bico preto. o tocado ao redor do vermelho.ROTEIRO DO HRAZIL. c reeo/em-o no pipo. do côr muito fina.es chamam gallinhas «Io mato. os sous ovos saotamanhoscomo «fo pata. mas tem as pernas mais compridas.-vh. o qual tem muito comprido. e cozida é muito boa. lera o pescoço muilo grande. ondo os matam a floxadas o as tomam n coco com cães. Tuyuyú é uma ave grande do altura de cinco palmos. cm montes muito altos. á maneira de crista. Jaciis são umas ares a que os Portugiiiv. e o bico de dous palmos de comprido: fazem os ninhos no chão. pontualmonto como a de gallipivos. e as das azas oraboazues. tem as pennas das pernas. a rabeca o pós corao galtinha. onde fazem grande ninho. cm que põem dous ovos. o qual comem primeiro. o a clara d'clles é como matoiga de porco derretida.

como se fosse uma inxó. Tem a cabeça pequena. Os indios tomam estes pássaros quando são novos nos ninhos . tem as pernas* curtas e pretas. e do rabo azues. o peito cheio de frouxel muito miúdo definissi-moamarello. e tão duro que quebram com elle uma cadeia de forro. e o bico branco1 e muito grande'. Os indios se aproveitam cfas suas pennas amarellaspara as suas carapuças. o bico branco e amarello. com voz alta e grossa: os quaes mordem mui valentemente.de cujas pennas se aproveitam os indios. os quaes mordem muito e gritam mais. e algumas verdes. muito grosso.» o qual os indios esfolam para forro de carapuças.a penna das cestas azulada. os quaes depois de grandes cortam com o bico por qualquer pão. que são de três e quatro palmos. A sua carne é como a dos'canindés. para os criarem. e tão pesados que não podem com elle quando comem. Criam estas aves em arvores altaí. os bravos matam os indios á flexa. e tomam-nos novos para se criarem em casa. comem fructas do mato e milho pelas roças . .-mas aproveitam-se delia os que andam pelo mato.-e em caza tudo quanto lhe dão. a das azas e do rabo anilada. e alguns são tãocompridos como um palmo.curtir. Arara é outro pássaro do mesmo tamanho e feição do eaninde.corvo. e a mandioca quando está a. Criam em arvores altas. porque tomam grande bocado. Tucanos são outras aves do tamanho de um. mas tem as.226' BARRIRA SOARES DE SOUZA. cuja carne é dura. Criam esteã pássaros em arvores altas. e as do rabo. porque faliam e gritam muito. das azas.pennas do collo. e as dascostas . com o que viram o bico para cima. para as embagaduras das suas espadas. pernas e barriga vermelhas. para lhe esíolarem o peito. e comem fructas das arvores. cuja carne ó muito dura e magra-. as das azas são vermelhas pela banda debaixo. onde os indios os lomam novos nos ninhos. como lêem. para se criarem nas casas. e a cabeça e pescoço vermelho. porque não pôde o pescoço com tamanho pezo..

tomamos indios estas adens. com que offondem aos pássaros com que pelejam. Comem peixe. Criam-se mais ao longo d'estes rios e nas alagòas muitas adens. do que se mantém. mas muito maiores. mantem-se do peixe. pescoço o bico mui comprido. e nas pontas deltas outros dous . e mantem-se de caracóes que buscam. as quaes dormem em arvores altas. a que o gentio chama uratinga. e criam-nas era casa. Andam estas aves nas alagòas. o derredor do bico uma rosa muito amarella. Ao longo dos rios da água doce se criam mui formosas garças. e da mandioca que eslá a curtir nas ribeiras. c criam no chão perto da água. que fazem nas barreiras sobre os rios. a barriga branca. tem as peruas muito compridas. quando são novas. Em que se diz das aves que se criam nos rios e lagoas da água doce. onde se fazem muito domesticas. tem o bico comprido. e são estas garças muilo magras. o peito vermelho. Jabacatim é um pássarotamanhocomo um pinlâo.R0TR4RO DO BRAZIL. c esperam mal que lhe atirem. o tamanhas como as de Hespanha. e o pescoço e o vestido do pemia aleonada. criam em buracos. as costas azues. e tem entre os encontros um molho de plumas. Aguapeaçoca é uma ave dotamanhode um frangão. que são mui alvas e fonnosas. e tom nos encontros das azas dous esporões de osso amarello. e para estimar. as quaes são brancas. e criara no chão junto da água. que são da feição das do Hespanha. a que o genlio chama upera. onde põem Ires ovos não mais. 227 CAPITULO LXXXI. Tem as pernas longas. . e criam nas junqueiras junto deltas. que lhe chegam á ponta do rabo. ao longo dos quaes andam sempre cora os pés peja água a tomar peixinhos. pernas e pésamarellos. que tomam nos rios.

Das aves que se parecem com perdizts . e criam cm ninhos que fazem no chão. e da mesma còr. a que os indios chamam piquepebas. rolas e pombas. também criam no chão. Jocuaçu são outras aves da feição das garças grandes. tem os pés e bico vermelho. cuja carne é muito tenra e boa. e tomam-nos em redes.'J28 (íABlilEL SOARES DE SOUZA. cria no chão. c tem as pernas vermelhas e o bico preto. mais pequena alguma cousa . mas são aleonadas. estas andam sempre pelo chão. onde criam . andam nos rios e lagoas. Jurutis é outra casta de rolas do mesmo tamanho . e boa carne. onde põem dous ovos. Payrary é uma ave do tamanho. buscando umas pedrinhas brancas de que se mantém. criam ao longo dellas e dos rios. e tomam-nas em redes. em que põem dous ovos. c põem dous ovos. mantem-se do peixe que tomam. e do seu tamanho . CAPITULO LXXXII. e tem o bico pardo. E lia outros mais pequenos da mesma feição e costumes. são pardas e pintadas de branco. os pés vermelhos. . Nambú é uma ave da côr e tamanho da perdiz. côr e feição das rolas. as quaes o mais do tempo andam esgara vaiando a terra com o bico. as quaes tem o peito muito cheio. Picacu ó como pomba brava. Estas aves tem grande peito cheio de titellas muito tenras e saborosas. tem o peito e carne mui saborosa. que são da feição das rolas. mas são mais pequenas. voam ao longo do chão. e amançam-nas em casa de maneira que criam como pombas. a «|iic o genlio chama garirama. por onde correm muito. Ha outras ayes. as quaes criam no chão em ninhos. onde põem muitos ovos. no chão . tem a còr cinzenta. onde põemdousovos.

onde faliam muito claro e bem. Ha outros pássaros todos verdes. '220 CAPITULO LXXXIII. Ageruaçu são uns pipagaios gramfes Iodos verdes. cuja carne comem os que andam pelo mato. de que se mantém. o bico grosso e sobre o grande. a que os indios chamam tuim. e voltado para baixo. Ageruèté sio uns papagaios verdadeiros que so levara a Hespanha. onde faltam muilo bem: ««tos no mato criam cm ninhos. em ninhos de palha. cm arvores alias. os quaes andam em bandos:tomam-nosem novos para se criarem cm casa. Em que se relata a diversidade que ha de papagaios. são muito gordos e de boa carne. e para se amançarem tomam-nos novos. os quaes criam cm ninhos nas arvores. Marcará é um pássaro verde todo. que são todos verdes. os quaes sio verdes. o comera a frueta deltas. perto do mar e não os ha pelo sertão. onde faltam muito bem . donde fazem grande damno nas searas do milho. criam nas arvores em ninhos. maiores que os tuins. cuja carne é dura. e o toucado da cabeça amarello. e algumas pennas nas azas encarnadas . e tom muita graça no «pie dizem. que tem os pós e bico branco. e tora os encontros das azas vermelhos. cuja carne se coroe. e criam em arvores.torao bico revolto para baixo. Ha uns passarinhos todos verdes. mas come-a quem não tem outra melhor. os quaes se fazem mui domésticos cm casa . em ninhos. como papagaio. e não tom mais que o só queixo amarello. que tem " bico branco voltado. . mas hão de ser cozidos.que criam em arvores.RolRIRi) » 0 RRAZIL. tomam-nos novos para se amançarem em casa. Ha outros papagaios a que chamara contas. que tem tamanho corpo reino uma adem. mas é dura. o rabo comprido e vermelho: criam-se em arvores altas . tem a cabeça toucada de amarello. o muito saborosos.toucadode amarello c azul. e aroançam-se alguns porque faliam.

perto da terra por onde andam. se criam garcetes pequenas. até que cabem como mortos. ou do vento sul que lhe vem nas costas ventando. tem as pernas vermelhas. Estes pássaros andam no mar perto da terra. as pernas compridas . em ninhos. Ha outros pássaros. uraleon: são pardos. d'onde se recolhem para a Bahia. e andani sempre . a que os indiqs chamam. o bico delgado e mais que de palmo de comprido . mas criam em terra ao longo d'elle. são mui ligeiros. aonde foliam lambem: estes andam em bandos destruindo as milharadas. de que se mantém. d'onde se tomam em novos. CAPITULO LXXX1V. Jaború é outra ave tamanha como um grou . d'onde tornam logo fazer volta ao mar. Em que se conta a natureza de algumas aves da água salgada. tamanhos como frangãos. que são pardos. a que os indios chamam carabuçú: algumas são brancas e outras pardas.230 GABRIEL SOARES DESOUZA. o bico prelo e eqinprido. estas aves criam em terra ao longo do salgado. a que os mareanles chamam rabiforcado. e voam. os quaes se vão cincoenta e sessenta leguas ao mar. muito fidalgas para gorro. Ao longo do salgado so criam uns pássaros. que se criam perto do salgado. e são tamanhos como adens. todas criam ao longo do mar. tem a côr cinzenta. a que os indios chamam uirateonteon. o bico verde. onde tomam peixe. e caranguejos novos. e tem os pés da sua feição. as quaes dão umas plumas cinzentas pequenas. e esperam bem a espingarda. e tem o pescoço branco. Carapirá é uma ave. e comem o peixe que tomam no mar. diante de algum navio do reino. e vcam ao longo d'agua lauto sem descançar. e assim descançam até que se tornam levantar. Na Bahia ao longo da água salgada y nas ilhas que ella tem. para se criarem em casa .

o bico do poralto . a que os indios chamam socéry. Estas aves se criam ao longo do salgado. Urubus são uns pássaros pretos. mas tio sajos que fazem seu feitio pelas pernas abaixo. e as pernas pretas. lem as pernas mui compridas. e está sempre olhando para o chão o como vé gente foge dando um grande grito. tem o corpo branco. mas tem o bico mais grosso. de eòr pardaça. com que cortam o peixe como com tesoura . e a cabeça como gallinha cucurutada . tamanhos como franganitos. Matuimirim são outros pássaros do feição dos de cima . aonde se mantém do peixe que n'elle tomam. perto da água salgada. saltando em pulos. tem as pernas curtas e brancas. 3Sl sobre a água salgada. que andara sempre sobro os mangues. o bico e pescoço longo . do «pie cornem. mas mais pequenos o braucaeentos. o peito pintado de branco e pardo. Ha umas aves como parcelas. Margui é um pássaro pequeno e pardo. e mantem-se do peixe quetomarano mar. e . a quo os indios chamam alv. onde põem dous ovos. Pitooão são passarinhos detamanhoe eòr dos canários. criam em torra no chão. e uns e outros criam no chão ao longo do salgado. Em que se trata de algumas aves de rapina que te criam na Bahia. Maluim-açú são uns pássaros. CAPITULO LXXXV. e mantem-se de peixe quo tomam. que lem as pernas compridas e amarellas. o pescoço longo. e de caranguejos dos mangues. e lem uma coroa branca na cabeça. tamanhos como corvos. e mantem-se dos peixinhos que alcançam por sua lança. lem as pomas e bico prelo. e lodo o mais pardo.ROTEIRO DO BRAZIL. mantem-se do peixe que tomam . fazem grandes ninhos nos mangues. andam Sempre nas barras do rio buscando peixe. ao longo dos rios salgados. espreitando os peixinhos de que se mantém. Áo longo de mar se criam ontroà pássaros. as azas pretas.

e em povoado deslroem uma fazenda de gallinhas e pintãos. as cobras lhes fogem. por que lhe não escapam. que chamam suiriri. as quaes criam em arvores altas: algumas ha mancas em poder dos indios que tomaram nos ninhos. ôs quaes se mantém de carrapatos. e vive de rapina no mato. com as quaes mantém os filhos. para que as larguem. e quando faliam se nomeam pelo seu nome. o rabo e azas pretas e brancas. ementem-se da mandioca que furtam dos indios quando está a curtir.532 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e do lagartixas que tomam. a que os indios chamam urubutinga. que andam pelos monturos. E quando o gentio vai de noite pelo mato que se teme das cobras vai arremedando ostes pássaros para as cobras fugirem. até que de perseguidos se põem no chão. o bico preto voltado para baixo . o peito vermelho. tem as ôOstte pretas. e quando as levam no bico vão apoz elles Uns passarinhos. as costas pardas. Sabiápitanga são uns pássaros pardos como pardaes. Pela terra dentro se criam umas aves. osqitaeâ criam em ninhos em arvores. e em povoado não lhe escapa pintão que não tome. são pretos e tem grandes azas. os quaes vivem de rapina no mato. o pescoço branco . em os ouvindo. que é o que andam sempre buscando para sua mantença . o bico revolto para baixo. que trazem as alimarias. Oacaoam são pássaros tamanhos como gallinhas. para a defender. Uraoaçú são como os minhotos de Portugal. as quaes põem um só ovo . teto a Cabeça grande. na côr e no tamanho um gavião. tornam-nofogoa comer. Tôató é um pássaro. que é na feição. as azas pintadas de branco e o rabo. Carácará são uns pássaros tamanhos como gaviões. e tem crista como os gallipaves. que são dotamanhodosgallípnvos. cujas pennas os indios aproveitam para empenarem as flexas. sem terem nenhuma differença. Estes pássaros comem cobras que tomam. e sãotodosbrancos. a barriga branca. Estas aves comem carne que acham pelo campo morta . e correm pelo chão com muita Irgeíreza. e ratos que tomam. . e criam em afVores altas. Estas aves tem grande faro de cousas mortas. com á lagartixa debaixo dos pés. e vâo-nos picando.

e no inato cria em locas «fo arvores grandes. tem a cabeça grande. EsLi ave é d. e duas pennas nella dofoiçà«>do orelhas. e são todos pardos e muilo cheios de penujera. a que os indios chamam ubujaús. acabtra grande com ires listas pardas por ella que parecem cuidadas. criam nos concavos das arvores.é mantém nVllc o filho com ratos que llie trazem para comer. Ha outros pássaros pardos. umas são ciiuentas e outras brancas: gritam «le noite como corujas . os quaes andara do noite gritando cuxaiguigui. que tem tamanhos dentes como gatos. que são pintados . c mantem-se das frutas c folhas de arvores. Ha outros pássaros. CAPITULO I. o rabo comprido. onde lhoamanhece. com que. os quaes andam ordinariaraonto gritando oitibó. Ilrutuream é uma ave. e nas casas o logares escuros. e de dia não os vê ninguém. os quaes andam de madrugada dando os mesmos gritos e uns e outros criam no chão. de cujas alampadas comem o azeito. quo cm povoado anda «le noite pelos telhados. o mantem-se das frutas do mato.«. a quo os indios chamam oitibó. as quaes criam no mato em troncos de arvores grossas. ondo põem d m•-. e em povoado nas igrejas. pontualmente tomo as corujas d<.Hespanha . e aonde quer que está.i còr brancarenüt. totla noite esta grilando pelo seu nome. lem as pernas curtas. que são tamanhos como pinláus. e ha alguns muito grandes.ROTRIUO no ni. Jucuriitú è uma ave tamanha corao um franga.MI 2*5 que mettem em um buraco. o anda ao longo «tos caminhos. « * Em que se contém a natureza de algumas ares nucturnas. Ha outros pássaros do mesmo nome mais pequenos. as »i» »« .XXXVt. com que tem grande agouro. onde o tiram. Aos morcegos chamam os indios andura. ou>s tomeiite .mordem .

Uranhertgatá é uma ave do tamanho de um estorninho.am infinidade d'elles. . aos quaes os indios esfolam os peilos para forrarem as carapuças . e pegados com as unhas ao pescoço da ma. que tem as pontas das azas pretas. por serem muilo formosos. Íemeas parem quatro filhos o trazem-os pendurados ao pescoço com as cabeças para baixo. barriga e coxas de fino amarello . mantem-se das pimentas que buscam. e as costas. espreitando as aranhas. fozem-no tão sublilmente que se não sente. onde se fazem tão domésticos. o tão delgados como alfinetes: comem aranhas pequenas e fazem os seus ninhos das suas têas. onde fazemseus ninhos . Em que se declara de alguns pássaros de diversas cores é costumes. Tiépiranga são pássaros vermelhos do corpo. que tem as azas pretas.. criam em locas de arvores. que é como de ratos. mas a sua mordedura e mui peçonhenta. onde os tomam em novos e os criam em casa. Sabiátinga são uns passarinhos brancos. que tem os bicos maiores que o corpo.2 3/ ( GABRIEL SOARES DE SOUZA. de côrapavonada. e a cabeça o de redor do bico um so queixo amarello. e comem muito d'elle. Gainambi são uns passarinhos muito pequenos. de cujo feitio se criam pelo campo muitas pimenteiras. criam em arvores. e as pernas e pés como flouba. sujando o assucar com o seu fertio. . os quaes criam em ninhos em arvores altas. Nas casas de purgar assucar se cr. ondo fazem muito damno. que vão comer ao mato o tornam pata casa. azas e rabo de côr 'preta mui fina. os quaes criam em ninhos que fazem nas arvores. tem as azas pequenas e andam sempre bailando no ar. e as do rabo que tem compridas. pescoço. quando 'esles morcegos mordem alguém que eslá dormindo de noite. que tem o neilo. CAPITULO LXXXVII. e são°lamanhos como pintarroxos.

as costas e o rabo pardo. ondo fazem osninhos. dependunidos por um lio da mesma arvore. onde põem «lous ovos: e fazem os ninhos desta feição por fugirem as cobras que lhes comem os ovos. com curucheos por cima muiioagudos. a barriga amarella. e tem os bicos compridos. Tiéjuba são passarinhos pequenos que tom o corpo amarello . criam em tocas de arvores. fazem estes pássaros os ninhos nas pontas das arvores. Jaçanã são uns pássaros pequenos todos encarnados e os pés vermelhos: criam-se era arvores altas. que tem o bico prelo. e mantem-se da fruta d'eHas. o bico prelo. quo são (amanhos tomo papagaios todos verdes. 2A5 Ha outra ave. Macacica é um pássaro pequeno que tem as azas verdes. o mantem-so das frutas do mato. e os ninhos são de barro e palha. das «pio . e o bico preto. e mantem-se do bichinhos. de cuja fruta se mantém. o mantem-se do |iedrinlias que apanham pelo chão. muito delgados. Ha outros pássaros quo os indios chamam sijá . que é do tamanho de uma franga toda vermelha . Em que se trata de alguns passarinhos que cantam. Ha outros passarinhos pequenos todos vestidos de azul. Suiriri são uns passarinhos como chamarizes. os quaes se mantém com bichinhos o formigas. os «iiiaes criam era tocas de arvores. aos quaes os indios chamam sayubui. e crião em arvores. que criam em ninhos nas arvores. fazem seus ninhos em arvores altas. e criam nas arvores. tem o bico verde. còr muito subida . Tupiana são uns passarinhos que tem o peito vermelho .ROTEIRO DO DRAZIL. e servem-se por uma porlinha. CAPITULO LXXXVIII. os pés prelos o o cabo do bico amaçado como pata. a que os indios chamara ayayá. o o bico revolto para baivo . se os acham em oulra parte. as azas ventos. em ninhos. a barriga branca e o mais azul. e mantem-se dos bichinhos da terra.

onde criam e se mantém com o fruto d'ellas. cuja carne é dura. onde chega a mure de aguus vivas. que andam sempre por cima das arvores. a que em Portugal chamam agudes. a que ô genlio chama sabiá coca. Queiejuá são uns passarinhos todos azues de côr finíssima . os quaes cantam nas gaiolas muito bem. Ha outros passarinhos. tem os pés como gallinha. e come-se cozida. põem muito ovos . criam nos buracos das arvores e das pedras. CAPÍTULO LXXX1X. Muiepereru são uns passarinhos pardos tamanhos como carriças. que tem as pernas muito compridas . que são todos aleonados muito formosos. mas comem no chão bichinhos e canlam muito bem. Nhapupé ó uma ave do tamanho de uma franga. que são quasi todos amarellos. que criam em ninhos de palha que fazem nas arvores. estes se criam em gaiolas. a que os indios chamam uraenhangatâ. de còr aleonada. que se mistura com . de côr aleonada. Que traía de outros pássaros diversos. Saracura é uma ave tamanha como gallinha. com os encontros amarellos. onde cria e põem muitos ovos de fina còr aleonada. onde põem dous ovos .0J(5 GABRIEL SOARES D|i SOUZA. cantam como roxinõos. a qual anda sempre pelo chão. onde cantam muito bem. mas não dobram tanto como elles. mas não dobram muito quando cantam. e cantam muito bem. Criam-se em arvores baixas em ninhos outros pássaros. Pexarorem são uns passarinhos todos pretos tamanhos como caIhandros . cria no chão. que andam sempre por cima das arvores. os quaes cantam muilo bem. comem aranhas e minhocas. que criam em ninhos de palha. tem azas. a que os índios chamam urandi. e o pescoço e bico comprido . Ha outros pássaros pretos. os quaos cantam muilo bem.

nom polo mato grande. c o pescoço tão longo que quando vòa o faz em voltas. tem as costas pardas. tem as pernas corao de frangãos. a que os indios chamam tirauna. mas os dedos muilo compridos c o rabo longo. que faz tamanho vulto corao uma garça . Magoari c oulra ave de còr branca. criam em arvores baixas em ninhos. criara-se estas aves em arvores. e comem fruta d'elIas. Anú é outra ave preta. mas ao longo delle: do noite carta roa como perdiz. quo faz espanto. c andam sempre em bandos. do tamanho o feição do grelha. que lhes querem tomar. comem o frulo dollas. que criam em ninhos do palha. que leva ao longo do peito alé abaixo onde se juntara. as pernas v erdoengas. Aracoâ é oulro pássaro tamanho como um frangão. as quaes não andam pelo salgado. o peito e a barriga branca. e quando tom filhos nos ninhos reraettera aos indios. porque tudo é penna. Uanandi c um pássaro pequeno pardo . e tora o peito cheio de titollas tenras. e mantem-se de uma baga preta como murlinhos. <|uo andam sempre entre arvoredo. e corre pelo cháo por entre o mato . e a mais carne é boa lambem. Aliaçú é um pássarotamanhocomo um esterninho . o rabo comprido. de côr parda . os olhos vermelhos. ambas por uma banda. Orús sio umas aves tamanhas como papagaios. e tem o bico curto e o peito muito agudo e nenhuma carne. e tem as pernas e pés mais compridos que as garças. e cantam em assobios. 237 agua doce. criam nas arvores em ninhos de palha. e de outras frutinhas que buscam. voando de arvore cm arvore ao longo do chão. e tem duas goelas. manlora-so do frutas o minhocas. estas aves tom grande peito cheio de titollas. criam em arvores altos. pintado de preto pelas . criam era arvores. o vòa muito ao longe. Sabiáuna são uns passarinhos pretos. comem frutas e bichinhos. Ha uns passarinhos pequenos todos pretos. de còr preta o o bico revolto. as quaes e a mais carne são muito tenras o saborosas como gallinha.ROTEIRO DO RRAZIL.

Como foi forçado dizer-se de todas as aves comoficadito. a que o gentio chama tacura . e quando voam abrem-nas como pássaros e não são muito daninhos. com azas brancas. mas não fazem mal a nada. convém que junto u"ellas se diga de outros bichos que tem azas e mais aparência de aves que de alimarias. e perde-se com o venlo. a que os indios chamam arará. e não torna ao lugar donde sahiu. e criam nas tocas das arvores. que não sahem do ninho senão depois quo chove muito. e sahe lanta multidão que cobre o ar. Ha outros bichos a que os indios chamam tacuranda. a que o gentio chama uapicú. chamão os indios sarará. CAPITULO XC Que trata de alguns bichos menores que tem azas e tem alguma semelhança de aves. de que se mantém. soa a pancada a oitenta passos e mais. outros verdes e de differentes cores. e tem maiores azas que os de Hespanha. e quando sahem fora é voando. tão duro e agudo que fura com elle as arvores que tem abelheiras até que chega ao mel. e andam muita vezes em bandos. os quaes se criam na Bahia muito grandes. costas e branco na barriga . Nas tocas das arvores se criam uns bichinhos como formigas.238 GABRIEL S0ARRS DE SOUZA. os quaes pássaros tem na cabeça um cucuruto vermelho alevanlado . ainda que sejam immundicias. e ha outros pintados. Ha outros pássaros. e em Portugal saúdes. e cria em ninhos de palha que faz nas arvores. lêem o corpo preto e as azas pintadas de branco. pintados e grandes. Ás borboletas o que chamam mariposa. os quaes são muilo formosos. e pouco proveitosas ao serviço dos homens. . Comecemos logo dos gafanhotos. e lera o bico curto. os quaes são da côr dos que ha em Hespanha . tamanhos como tontos. e o bico comprido. e o primeiro dia de sol. e quando dao as picadas no páo.

o são tão |ierlux. Em que conta a propriedade das abelhas da Bahia. o outras amarellas.'«s quaes andam de noite de redor «kis eantleias. o ellas são pretas e mui cruéis. e outras pintadas. do queellas fogem muito. lia outra casta de borboletas grandes. a que os indios chamam taluraina. estas criam nas arvores alias. c ellas mordem muito. «pie são grandes e pardas. a quem os indios tomem as crianças. o não deixam as candeias «lar sen lume. maiorme nlo em casas pai luvas do mato. Na Bahia ha muitas castas de abelhas Primeiramente ha umas a «pie o genlio chama herii.i. as «juacs mordem valentemente. o que acontece em povoado. e cm noites do escuro. maiores que as de Hespanha.is ás vozes quo não ha quem se valha com ellas. as quaes vem ás v«»zes de passagem no verão em tanta multidão. por amor das cobras. Estas Uirbtdetas fazem muilo dam no nos algodões quando «stam era ftòr.ROTEIRO DO BRASIL. a que os indios chamam tapiuja.i oulra I anda «Ia Bahia . 230 . «pie são nove ou «lez leguas «le [lassageiu. estas fazem o ninho no ar. que cobrem o ar. . que lhe os indios tiram com fogo. n a oulra casta de abelhas. Ha outra casta do abelhas. e criam em ninhos que fazem nas pontas dos ramos das arvores com barro. como os pássaros de que dissemos atraz. e põem logo todo um «lia < m passar por > cima da cidade «Io Salvador . umas brancas. que lambem são grandes. a «pie os indios chamara panamá. CAPITl"LO xr. onde fazem seu favo e criam mel muilo bom e alvo. cuja abobada é tão subtil que não é mais grossa que pipel. e dentro criam seu mel em favos. o qual é bato. Estas abelheiras crestara também com fogo. fazendo seu ninho de barro ao longo do (rouco deltas. porque so vem ao rosto e dão enfadameuto ás ceas. porque se põem no comer. muito formosas n vista.

que desce da ponta de um raminho: e são tão bravas que. e mordem muito a quem lhe vai bolir no seu ninho. CAPITULO XCII. que se criam em ramos de . que mordem muito. que não é bom. os quaes são de barro.qpe todas. Cabatan são outras abelhas que não sào grandes. Saracoma são outras abelhas pequenas que fazem seu gazaihado entre folhas das arvores.2£0 GARRIEL SOARES DE SOUZA. e nestes ninhos armam seus favos.. a que chamam os indios terigoá. que são amarellas. onde tem os favos. Capueruçú é outra casta de abelhas grandes: criam seus fa. os indios os crestam com fogo. em especial umas.. e mordem muito. Criam-se na Bahia muitas vespas. e lhes comem os filhos. o dobram umas folhas sobre outras. do tamanho de uma panella. e convém levar aparelho defogoprestes. e fazem alli seu favo. etem serventia ao longo do chão. em sentindo gente. e criam nas tocas das arvores. onde criam mel muito alvo e bom. a que os indios chamam caapoam. que mordem muito.remettemlogo aos beiços. olhos eorelhas. com o qual lhe tiram os favos cheios demel muito bom. as quaes também mordem onde chegam a quem lhes vai bolir. que fazem seu ninho no ar. estas mordem rijamente. que lambem fazem o ninho em arvores. de barro sobre um torrão. e em sentindo gente remettem logo a ella. a que o gentio chama cabaojuba. e são mais croe*. dependurado por um fio. onde mordem cruelmente. que lhe acham. onde não criam mais que sete ou oito juntas. Ha outra casta de abelhas a que o genlio chama cabecé. onde criam seu mel. Ha outra casta de abelhas. que tecem com uns fios como aranhas. em que criam mel muito bom ealvo. o qual é redondo. onde criam mel branco e bom. que fazem no chão. do tamanho de UB» panella.vO£em ninhos. Que trata das vespas e moscas. que fazem no mais alto das arvores. que são pequenas. as quaes são louras. Ha outra casta de abelhas.

começando a morder onde chegam. e se tocam em sangue ou chaga. mas são sir 31 . a que os indios chamam muriianja. é que ha boa novidade.*. 2'il arvores pomas juntas e cobrem-se com uma cepa que pare«v fos «Io aranha. mas mais pequenas e muilo negras. E porque as moscas se não queixem. e logo fazem arrebentar o sangue pela mordedura: aconteceu moitas rezes pocem oitos varejas a homens que estavam iformindo. donde farem seu offlein em sentindo gento. os quaes náo mordem. Que trata dos mosquitos. e ellas mordem a quem lhe VAÍ bulir nelle. que morreram alguns disso. que ato á maneira dn mosca. togo lançam varejas. so se sente sua picada. nas ventas e no céo da boca. bisouro» e broca que ha na Bahia. e nas barreiras da terra. que sao mais miúdas que as de cima e azuladas. Merús. qoeikunbem mordem onde chegam. e lavrarem de feição por dentro as varejas. Digamos logo dos mosquitos. as quaes adivinham a chuva. o qual ninho é de barro. sem se saber o que era. sfo outras moscas grandes e azuladas que mordem muito. que são as moscas gentes eenfodonhasque ha em Hespanha. convém que digamos de sita pnura virtude: e comeremos nas que se chamam mutuca. Também ha' outras como as de cavallo. grillos. do maneira que.. Ha outra casta de moscas. tamanhos como uma castanha com um olho ttn meio. por onde uniram. onde chegam t tonto que por cima de rede passara o gtbam a quem eslá lançado nella. CAPITULO xcm. a que chamam afaitinga. Amisagoa é outra casta da vespas. estas seguem sempre «> > cão» e comem-lho as orelhas. que fazem nas paredes. e são muito pequenos e da feição das moscas.ROTMRii DO RRA/II. que se criam em sm ninho.nas orelhas.

e se criam também nas casas de palha.9/(2 GARRIEL SOARES DE SOUZA. mas se faz vento não apparece nenhum. e chupam-lhe a peçonha que tem. e zunem de noite. e mordem a quem anda onde os ha. em quanto sao novas. de maneira que fazem muita perda. Pium é outra casta de mosquitos tamanhos como pulgâs grandes com azas. deixam-lhe a peeottha nella. que andam nuas* mormente quando andam sujas do seu costume. logo sangram sem se setltif. e voam sem lhe enxergarem azas. que tem as pernas compridas. Ha outra casta de mosquitos. aquechamamosbrocas. ecrescem em partes despoVoadàs. mormente quando as águas são vivas. muito enfadonhos. e sãti tamanhos como um pontinho de pennâ. como gafanhotos. Ha outra casta que se cria entre os mangues. é quer-se espremida do sangue por não fazer goadelhão na carne. salvo se tiveram azeite. Ha também grande copia de grillos na Bahia . que se criam pelo maio e campos. que são como pulgas. que é ao longo do mar. e em chegando estes á carne. os quaes onde chegam são fogo de tamanha comicbão e ardor que fazem perder a paciência. de que todos são inimigos. Estes mosquitos seguem sempre em bandos as índias. desfazem-se logo em pó. e não deixam dormir de dia no campo. nas quaes se reco- . e era lhe tocando com a mão se esbofracham. e furam todas as pipaá e bâiTis vazios. estes são do pernas compridas. e se lhe põem a mão. a que os indios chamam nhalium-açu. e apparecem quando não ha ventú. a que os indios ehamam inhatiúm. porque se põem tios oihos4 lios narizes. e se se vão porem qualquer cossadura de pessoa sã. que entram nas casas onde não1 ha fogo. senão faz vento. so as não vigiam. Também se cria na Bahia oulra immundicia. Estes são amigos de chagas. cuja mordedura causa muita comichão depois. do qlie se vem muitas pessoas a encher de boiibas. que andam em bandos. os quaes estãV cheios de sangue. as quaes furam as pipas do vinho e do vinagre. e mordem é zunefn? pontualmente como os que ha em Hespanha . e nas terras povoadas de poueo fazem mais damno. Marguis são uns mosquitos qué se criam áo longo do salgado» e outros na terra perto d'agua.

comera frutos silvestres e hervas. mas mais baixas das pernas . e emqiianlo são pequenas são raiadas de preto e amarello tostado ao . os quaes são muito daninhos. asquaes são pardas. e parecem de azeviche. que se criam na Bahia e da condição c ttatureza delia». comas mãos. •'«•te togar que alimarias se mantêm e criam com a fertilidade d» Bahia. para se acabar de crere entender o muito que se diz de tuas grandezas. pescoço epernas muito resplandecentes. com o cabello assentado. e o rabo muito curto. mas são muito maiores que os de Hespanha. o qual cortam de maneira que parece cortado á tesoura. o são negros. tem azas. o metiem-se muitas vezes nas caixas. parem uma só criança . Em que se declara a natureza das antas do Brazil. Não correm muito. defendem-se estas alimarias no maio. Também se criam n estos partes muitos bisouros. com a cabeça. porque roem muito os vestidos.e tom azinhas. mas nfo fazem tão ruim feitio com as maçãs que fazem os de Hespanha. das outras alimarias.ROTBIao DO RRAZIL. 243 dhcm muitos entre a palma quo vem do mato. andam por logares sujos. de tamanho de «ma multa . . a quo podem chegar. sem mais cabello que nas ancas: e tem o foeinho como multa. onde fazem destruição no falo qw achem 09 chio. e tem as unhas fendidas como vacca. a que os indios chamam unauna. e saltam corao gafanhotos. e o beiço de cima mais comprido que o debaixo. o tom dous corsos virados cem as pontas uns para os outros. em que lem muita força. o tudo muito duro. E comecemos das antas (a que os indios chamam tapirurú) por ser a maior alimaria que estaterracria. com o que fazem damno aonde chegam. mas eemoas|psas são defumadas recolhem-se todos para o maio: estes làp grande* e pequenos. CAPITULO XCIV. e são pezadas para saltar. Apontamento» das alimarias.

comem a caça que matam. jaguareté é onça . Em que se trata de uma alimaria que se chama jaguqreté.2ll \ GABRIEL SOARES DE SOUZA. CAPITULO XCV. se são bem cortida^ se fazem mui boas couraças. e os ossos tom os cachorros e gatos de mistura. Matam-nas em fojos. e o cabello n'ellecomo nas ancas. e brincam totlos juntos. fallo dos machos. mas não tem sebo. para o que são mui ligeiras. estão os machos por elles emquanto a fêmea vai buscar de comer. porque as fêmeas são maiores. as suas pelles são muito rijas . os olhos como gato. o todos tem o cabello nedio. o rabo comprido. A carne é mnito gostosa. A maior parto d'estas alimarias são ruivas. que as não passa estocada. tem os braços e pernas muito grossos. e as mãos e unhas muito grandes. e em muitas partè| as não passa fiexa ainda que seja de bom braço. parem as fêmeas uma e duas crianças. em que cabem . e saltam por cima a-pique altura de dez. cuja grandura ó como um bezerro dé seis mezes. doze palmos. e tanto que lhes não escapa nenhuma alimaria grande por pés . e no peito não tem nada. Tem prezas nos dentes como libréo. cheias do pintas pretas. onde matam todos quantos podem alcançar. Os ossos d'estas alimarias queimados e dados a beber são bons pare estancar câmaras. Se tomam estas antas pequenas. as quaes os Indioi tomem cozidas pegadas com acarne. ás flexadas. mas depois de grandes tornam-se pardas: e emquanto os filhos não andam. e tem o cacho como maçã do peito da vacca. e algumas fêmeas são todas pretas. o trepam pelas arvores apóz os indios . que lhe Itizem de noite tanto que se conhecem por isso a meia legua. . se lhes matam algum filho andam tão bravas que dão nas roças dos indios. e quer-se bem cozida. ©outros dizem que é tigre. D'estas pelles. criam-se em casa. comprido do corpo. e o rosto a modo de cão. c são muito formosas. porque é dura . Tem para si os Portuguezes que. onde se fazem" muito domesticas. e tão mansas «jue comera as espinhas. como a de vacca.

ROTEIRO DO RRAZIL. 245 quando o ironto ó gramo. onde os matam e comem. ondo lhe põem um cachorro ou oulra alimaria preza. ao que os indios açodem e a matam ás floxadas. elambem aos indios quo podem apanhar. se «cs náo sentem fogo. e tem as quatro prezas dos dentes do tamanho de um palmo: criam-se na água d'este rio. salteam o genlio de noilo pelos caminhos. com uma só porto. Criam-se estas alimarias pelo sertão longe do mar. quo é muilo dura. o ajuntam-se Ires e quatro d'estas alimarias. Jaguaracangoçú óoutra alimaria o casta de tigre ou onça da quo tratamos já: e são muito maiores. cuja cabeça c tão grande como do um hora novilho. Quando estas alimarias matam algum indio que se encarniçam n'cllc. CAPITULO x c v i . onde a comem a sua vontade. e tora tanta força que com uma unhada que dão era uma vacca lhe derrubara a anca no cliüo. Criam-se no rio de S. equando andam esfaimadas entram-lhe nas «•asas das roças. de que primeiro faltamos. onde dá grandes bramidos.to matem o comam. ás quaes os indios chamam jagoaruçú. e indo para atomarcahe esta arvore que está deitada sobre esta alimaria. e não lem nenhum sebo. no sertão. Francisco umas alimarias tamanhas como poklros. fazem despovoar toda uma aldeia. náo escapa que a u. ondo Iho armam tora uma arvore alta e grande levantada do chão. quo é uma tapigem do páo a-piquo. . ao que lem grande medo. E ua visinhança das povoacões dos Porluguezes fazom muito damno nas vaccas. Que trata de outra casta de tigres e alimaria daninhas. que são pintadas do riiivoc preto e malhas grandes. Anuam os indios a estas alimarias cm mondóos. porque era sahindo alguma pessoa d'ella fora de casa. donde sitiem a terra fazer suas prezas em antas. muilo alta e forte. e a outras alimarias. para levarem nos dentes a anta ao rio. e corao se co roeram a enrarniçar n'ellas dostroem um turrai. e comem-lho a carne. ciem as foiçoes e mais condições dos tigres.

que é do tamanho de ura rafeiro. tem o cabello comprido e macio. e com cães . e Jhe comem a carne. Tomara-nos em armadilhas. maiores que os de Hespanha. e tem as pelles m. Em que se declaram as castas dos veados que esta terra cria. mas são muito maiores que os primeiros. .uüo grossas. as fêmeas parem uma só criança. e são semelhantes na rapina ao lobo. chamam suaçú. dos quaes se acha armação pelo mato de cinco e seis palmos de alio. e de muitos galhos. as quaes seourtem com casca cfo mangues. e pela terra dentro as ha muito maiores que na visinhança do mar. Criam-se nos matos d'csta Bahia muitos veados. CAPITULO XCVII. SOUZA. o rosto carrancudo. os quaes matam em armadilhas. ás floxadas. «e criam uns veados ruivaços. Ha outra alimaria. cuja carne é sobre o duro. que não são tamanhos como os de Hespanha.: os quaes andam em bandos como cabras. o rabo como cão. mas tem maiores unhas e mui agudase voltadas. e não tem nenhum sebo : as fêmeas parem uma só criança . os quaes não lem cornos nem sebo. Entrando pelo mato além das campinas. Mais pala terra dentro pelas campiaas se criam outros veados brancos que tem cornos. tem muita ligeireza para correr e saltar. Correm muito. ás quaes os indios chamam suaçupára. na terra dos Tabajáras. e fazem-se mais brandas que os dos veados de Hespanha. a que os índios.2-4<j GABRIEL SOARES DP. como os de Hespanha. em quo os tomam. os quaes mudam os cornos como os de Hespanha. Para os indios matarem estas alimarias esperam-nas em cima das arvores. as quaes não tem mais que uma só tripa. vivem de rapina .. e de maior cornadura. doade as fteKam. que são ruivos e tamanhos como cabras . a que o gentio chama suçuarana. as mãos como rafeiro. mas saborosa: as pelles são muito boas para botas. e tem a mesma qualidade das que se criam perto do mar. cuja carne é muito boa . e matam os indios se os podem alcançar.

tem o foeinho como furão e mais comprido. é Í 1 M par* â ponta é mdite fefpado. ondetomamas gallinhas «pie podem alcançar . e tamanhos e tantos que se cobre todo cem elles quando dorme. e despovoa ama fazenda de gallinhas que furta. são mui ligeiras. o rabo delgado m arraigada. Maracajàs sao uns gatos breves tamanhos como cabritos do seis mezes. tem as mãos como cão. Coaty é um bicho tamanho «eme gato. o qual trazem sempre levantado para o ar. que tom»<fepçot * em povoado faz oflfeie de raposa. que tom muito eompriéa. quo tem o flaWeeiifofuIflei a. a que ferem eora as unhas mui valentemente: os novos se ameaçam em casa.ROTKIRO OO HIUZIL. Si» pretos. e tem o meto de cordeiro. th CAPITULO XCVIII. e como a sente bem cheia recolhe-a para dentro.o # * pHtt. e na feição pontualmente como os outros . Temindoi é uttttHftd do tamanho de tuna raposa. e de pássaros que adias tomam. 88 unhas agudas. o que faz até que não pôde comer mais. e alguns novos. tem pouca carne. são muilo gordos. e com o cabello curta. Em que se trata dé algumas alimarias que te mantém de rapina. Jaguapitanga é uma alimaria do tamanho de um cachorro . deita-se ao longo d'elle como morto. andem petas trvereet de cujas frutas se mantém. de que se fazem apitos. e engole-as. de côr preta-. o rabo grande e folpudo. Temem-nos os cães quando es acham fora do mato. ao que açodem as formigas com muita pressa: e cobrem-lhe a lingua umas sobre outras. as fêmeas parem três e quatro. tem os p«'-s como gato. cuja carne comem es indios velhos. com grandes unhas e muito voltadas. e tem n'ella o> ca hei V* grossos como eavalb. que os mancebos tem nojo d'ella. Esto bicho se mamem de formigas que tomada maneira seguinte: chega-se a um formigueiro. e étJetig«fm'qiet se mantém no mato de aves que andam pelo chão. e lança-lhe a lingua fora.

e não ba quem por ali possa passar mais de dous mezes. lema côr pardaça e o cabello comprido. por ficar tudo tão empeçonhentado com o máo cheiro que se não pode soffrer. emquanto são pequenos. parem muitosfilhos. eesfregam-se com a terra por tirarem ofedorde si.2Í|8 GABRIEL SOARES DE SOUZA. cousa muito formosa. as fêmeas tem na barriga um bolso em que trazem os filhos metidos. onde pare uma só criança . escondidos espreitando as aves. mas vào-se logo lançar na água. e o rabo comprido . o rosto como cão. que se lhe fecha o bolso. e andam pelo chão. e sãofelpudos. o qual é tão estranho e fedorento. Vivem estes de rapina. onde osfilhosmamam. o qual se mantém das frutas do mato. onde trazem os filhos até que podem andar com a mãi.emantem-sedasavesque tomam pelas arvores. e se abre quando parem. gatos. o que fazem par muitos dias sem lhes aproveitar. não ha quem o possa soffrer. i CAPITULO XCIX. de côr preta e alguns ruivaços. • Jaguarecaca é um animal do tamanho de um gato grande. por onde andam como bogios.mas tem o cabo muito macio. Anda sempre pelo chão. que está fechado. Serigoé é um bicho do tamanho de um gato grande. que não matem. e quando cmprenham geram osfilhosn'este bolso. mas pintados de amarello e preto em raias. e em povoado as gallinhas. e são tão ligeiros que lhes não escapam. e parem quatro e cinco. e o caçador fica de maneira que por mais que se laveficasempre com . que por onde quer que passa deixa tamanho fedorque. tem as tetas junto do bolso. P'este animal pegam os cães quando vão á caça . Que trata da natureza e estranheza do jaguarecaca. tem o focinho comprido. e as unhas grandes emuito agudas. em o qual. nem na cabeça. Os que se tomam pequenos fazem-se em casa muito domésticos. não tem cabello . e o rabo. e os pés c mãos da feição dos bogios . um tiro de pedra afastado de uma banda e d'outra. mas não lhe escapa gallinha nem papagaio.

emquanto eslá na casa. que encontrando com um d'estes bichos. mas nem isso basta para deixar de feder na rua. cuja artilhariatomtantaforça que a onça e os outros inimigos que o buscam se tornam. Eaconteceu a um Português.ROTRIRO DO BRASIL. por onde andam em bandos. que sâo de còr parda e pequenos. nem toucinho. mas a casa aonde está fede toda a vida. e se foi para casa doente do cheiro que era si trazia . senão uma pello viscosa. e coro estas armas se defende das onças e de outros nnimaes. e carregada para quem não tem boa disposição. quando so vô perseguido «1'elles. c vao-se logo lavar e esfregar pela torra. A carne d'este bicho é boa para estancar câmaras de sangue. ficou tão fedorento que náo podendo soffrar-se a si se fez mui amarello. lança de si tanta venlosidade. tudo tom semelhante com o porco. Tajaçutirica é outra casta de porcos montezes maiores que os primeiros. mas saborosa. onde os matam com cachorros e armadilhas. e tem embigo nas costas. as fêmeas parem muitos no mato. Criam-se nos matos da Bahia porcos montezes . que não tem mais comprido que uma polegada. os quaes náo tora banha. e tao peçonhenta que perfuma d'esta maneira a quem lhe fica perto. que lhe dure três e quatro mezes : o como este bicho se vô era pressa perseguido dos cães. a que os indios chamam tajaçú. que lhe durou muitos dias. e os . depois de bem seca ao ar do fogo. que trazia o seu caçador do mato morto para mézinhas. Em que se declara a natureza dos porcos do mato que ha na Bahia. pelo que as Índias a tem assada muito embrulhada em folhas. a carne é toda magra. e a tem no fumo para se conservar. que tem os dentes Cbmo os montezes de Hespanha . comendo as frutas d'elle. senão o rabo. 249 esto terrível cheire. CAPITULO c. eo deixam . por tirar de si tão terrível cheiro. e ás flexadas.

e estes o os mais andam em bandos pelo mato. e grandes prezas e o embigo nas costas. e a côr cipzenta. CAPITULO Cl. qüe não são tamanhos como os porcos do mato. os quaes parem e criam os filhos debaixo da água. e tem mais outros dous queixaesj todos no queixo debaixo. e não tem banha t nem toucinho. e fazem mito damho nos canaveaes de assucar. os quaes fazem muito damno nas roças e nos canaveaes de assucar. e em tudo mais são como elles. A estes porcos cheira o embigo muito mal. . donde sahem em terra . ihdios que os flaxam . e se lho cortam é muito saborosa. Dos porcos e outros bichos que se criam na água dóce^ Nos rios de água doce e nas lagoas também se criam muitos porcos. ambos debaixo na dianteira . os quaes são muilo ligeiros e bravos. porqúése se não põem em salvo com muita presteza. os quaes tem pouco cabello. cheira-lhe a carne muito ao mato. a que os indios chamam tapibaras. onde os matam cm armadilhas: cuja carne é molle . c roças que estão perto da água . e o toucinho pegajoso. que são do comprimento e grossura de um dedo. é tem também o embigo nas costas.250 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e se quando os matam lh'o náo cortam logo. que no de cima não tem nada. hão de ter prestes aonde se acolham. onde tomam peixinhos o camarões que comem. Tajaçucté é outra casta de porcos rrtoritezes que são maiores qué os de que fica dito * e lem toucinho como os montezes de Hespanha . e não tem na boca mais que dous dentes grandes. onde as fêmeas parem muitos filhos: e no tempo das frutas entram pelas aldêas dos indios e pelas casas. mas a carne mais gostosa que os outros. e cada um é fendidopelo meio e fica de duas peças. e o rabo como os outros. hão lhes escapam. também comerrl herva ao longo da água . mas não são tão bravos e perigosos para os caçadores. os quaes os fazem levantar com os cachorros para os flexarem.

CAPITULO Cl|. cuja carne tomem os índios. São do tamanho «Io um gozo. como carneiro. e a boca muilo rasgada o vermelha por dentro e no» dentes grandes preza». as pernas curtas. andam sempre na água. a que os indios chamam vivia. o tão macio como vulludo. «lu còr parda. as orelhas pequenas. ereraeUem a gente com muita braveza : as fêmeas parem muilo» filhos juntos . Criam-se nos nos de água doce outros bichos. lem a cabeça como de gato. -. que é toda cheia de . e outros pretos. (elpudos do cabello. Tem a feição do cão. dotamanhode uma casca de Iramoço. que tem o cabello prelo. nomeara-se pelo seu nome. cgjo corpo é como um baroro. Arerá é oulro bicho da água doce. o focinho comprido cheio de conchas. «pie se parecem cora lontras de Portugal. quando gritam no rio. o ladram como cão. tom as mãos e unhas de cão. e «le eòr cinzenta .ROTEIRO DO H R A / i l . as orelhas pequeninas e redondas. onde as fêmeas pirem muitos filhos. Tatuaçú é um animal estranho. Mantem-se do peixe e dos camarões que tomam na água . mas carregada paia quem nau lera saudo. e se os tomam novos. ondo criam e parem muitosfilho»e onde so mantém dos peixes quetomarae de camarões: não sahem nunca fora da água.">l mas salpreza «boa de toda a maneira. tem o focinbo comprido e agudo. onde gritara quando vera gente ou oulro bicho. a quo o genlio chama jagoarapeba. e a cabeça. tem as pernas curtas cheias de escamas. Nos mesmos rios se criam outros bichos. tem o rabo muito comprido e grosso pela arreigada. onde se fazem domésticos. cuja carne coroem os indios. tamanho como um grande rafeiro. criam-se em casa. De uns animaes a que chamam tatus. mantem-se do peixe e camarões que tomam. Andam sempre n'agua . que são dotamanhodo» gozo».

A estes chamam tatúmerim. que estendidas são tamanhas como uma adarga. o rabo comprido e muito agudo coberto de conchas até a ponta. que ficam nesta addição acima. cuja carne é muito boa. e tem o corpo todo coberto de conchas feitas em lâminas. e são muito carrancudos. mas cheira ao mato. o não comem mais que minhocas. fazem-se em uma bola toda coberta em redondo com suas armas. e parem duas crianças. os dentes de gato. que cavalga uma sobre outra. Ha uma casta de tatus pequenos da feição dos grandes. cuja carne é muito gorda e saborosa. mas quando se temem de lhe fazerem mal. mette-se todo debaixo d'estas armas. as unhas de cão. e em tudo o mais são semelhantes aos de cima: e malam-tios os indios quando vêem bolir a terra. e por cima sua coberta de lâminas como os grandes que são muilo rijas. que alravessam o corpo todo. e são muito baixos das mãos e pernas. mantem-se de frutas e minhocas. os quaes tem as mesmas manhas e condição. tem as pernas curtas cobertas de conchas. cujo corpo não ó maior que de um leitão. e tem-nas muito grossas. que não são tamanhos como os primeiros. como assada. comem e criam como os grandes. e na barriga não tem nada. cuja carne quando estam gordos é boa. a cabeça comprida cheia de conehas. Tatúpeba é outra casta de tatus maiores que os communs. de que se acham muitos no mato. de que tem armado uma formosa coberta. e quando se este animal teme de outro. o rabo comprido cheio de lâminas em redondo. e tem a barriga vermelhaça toda cheia de verrugas. tem as unhas grandes. tem trabalho para se virar. Mantem-se de frutas silvestres e minhocas. os quaes lem as conchas mais grossas. com que fazem covas debaixo do chão. onde criam. . cuja carne é muito boa. onde ficam mettidos sem lhes apparecer cousa alguma. criam debaixo do chão em covas.252 GABRIKL SOARES DE SOUZA. as quaes são muito fortes. e tem as mais manhas e condições dos outros. e andam sempre debaixo do chão como toupeiras. tiram-lhe o corpo inteiro fora d'estas armas. assim cozidas. andam de vagar. conehinhas. sem lhe ficar nada do fora. e se cahem de costas. Matam-nos os indios em armadilhas onde cahem. Ha outros talús meàos. os olhos pequeninos.

como to/ida : itella-se como leilão sem »e «isfolar. onde se defendem (»m os dentes. jtõlt CAPITULO CHI.«s. também se tomam em latos. a cabeça com o fotinho agudo. tem a barriga grande. porque roem muito o fato. assim assada. e os pés e mãos curtes.ROTKIRO ll«. cuja carne é muilo sadia e gusu»<i. a que os índios chamam pacas. e são muito felpudas. e os dentes mui agudos. Tomam-sc com cães. mantem-se com frutas. «jue alli tem compridos. e assada faz couros tomo leilão. As fêmeas [tarem duas e ires crianças. corao que os índios *e sarjauí como com uma lanceta. em lanlo que não ha cio «pie MS lome. Em que se relata a propriedade das pacas e cotia*. criam cm covas. os dous dianteiros sao compridos e agudissimos. cozida e assada é muito Ima. com que se cobrem: e trepam muito pelas arvores. raiado de pretoebranco ao comprido docor|io. cuja carne se não esfola. lem o cabello i-oino lebre. são algumas vezes muito gordos . o pello muito macio. a calteta «oiiio lebre. fazem-se tão domesticas como coelhos.IL. como leitão. e tem o rabo muito felpudo. quando correm fa/ein na anta uma ruda de cabello». criam em covas. tem o rabo muilo comprido. e «le Ioda a maneira é muito boa carne. lera os pese mãos como coelhos. tem o fotinho comprido. de côr parda . se as tomam em pequenas. e com armadilhas. e teui a banha como porco . o qual viram para cima e passa-IJie a folpa por cima da cabeça. são muito ligeiras. a que chamam ntondeos. Cotimerim é oulra casta de cotias do tamanho de um lapare . Cotias são uns bichos tamanhos tomo coelhos grandes. que são do tamanho do leilões de seis me/. correm pouco. mas sai» muito barrigudos. RRtr. senão nas covas. comem frutas e herva. mas pellam-nas. onda . a* unhas tomo cachorros. mas são damninlias. Criam-se nestes matos uns animais. cm que parem duas e três crianças. as unhas comu cáo.

os quaes criam nas tocas das arvores. E se atiram algumaflexadaa algum. matam outros bichos.a se mantém. Nos matos da Bahia se criam muitos bogios de diversas maneiras: a uns chamam guigós. o que os faz muito formosos. de cujos frutos e da ca«. que os flexou. se os tomam novos. e de pássaros que tomam. e outras vezes deixam-se cahir com a flexa na mão sobre o indio. que tem o pello amarello muilo maeio. o» . e mantem-se do fruto dellas. Do Rio de Janeiro vem outros saguins da feição d'estes de cima. e atirarem com ella ao indio que lhe atirou. e tem os dentes muito agudos. e o rabo muito comprido. com que tomam o sangue e so curam . de maneira que em um momento corre a nova em espaço de uma legoa. estes bogios criam em tocas de arvores. e ferirem-no com ella. raiados de pardo e prelo e branco. os quaes como se sentem flexados dos indios. que cheiram muito bem. mastigando folhas. com que entendem que é entrada gente. criam em covas debaixo do chão. a qual trazem sempre arrepiada. que andam em bandos pelas arvores . para se porem em salvo. matam-se todos de rizo. estes tem barbas como um homem. que chamam saguins. Estes bogios criam também nos troncos das arvores. e como sentem gente. o aconteceu muitas vezes tomarem aflexaque tem em si. Saguins são bogios pequeninos muito felpudos e de cabello macio.•JÒk GABRIEL SOARES DE SOUZA. Guaribas é outra casta de bogios que são grandes o mui entendidos. tem o rabo comprido o muita felpa no pescoço. se não cahem da flexada. de cujas frutas se mantém. dão uns assobios com que se avisam uns aos outros. fogem pela arvore acima. e as fêmeas parem uma só criança. do que se mantém. Que trata das castas dos bogios e suas condições. onde se fazem muito domésticos. CAPITULO CIV. e o não acertam. e mettendo-as pela flexada . e criam-se em casa. e das aranhas que tomam.

as orelhas como coelho. e coelhos t outros ratos de casa. que tem o cabello vermelho. *>55 quaes e os de traz são muito mimosos. que quer dizer bogio diabo. com o cabello branco. cuja carne é muito saborosa. que são mais peçonhentas que as das arvores. a quo os indios chamam saianhangá. e tem o rosto da feição de leitão. cuja carne é muilo boa. e morrem em casa. Em toda a parte dos maios da Bahia se criam coelhos tomo os de Hespanha. e criam em concavosde arvores. a que o? indios chamamtapotim. e parece-se com a dos coelhos.tamanhostomo coelhos. e o cabello como lebre. o não andam senão de noite. onde andam sempre saltando de ramo em ramo. Ha nos matos da Bahia outros bogios. Mais pela terra dentro ha outros bichos da feição de ratos. e comem frutas. e como os ouvem gritar. cuja carne é romode coelhos.ROTRIRO DO RRA7IL. CAPITULO CV. comem frutas oca n nas de assucar. cuja carne é muilo estimada de toda a pessoa. mantem-se de frutas silvestres. criam em covas. os quaes criam em covas. e das aranhas de casa. criam em covas. sadia e saborosa. dizem que hade morrer algum.se comem. e são tamanhos como laparos . a . Que trata da diversidade dos ratos qu. que não tem rabo. e mantem-se da fruta do mato. por ser muilo saborosa. Pelo sertão ha uns bichos a que os indios chamam saviá. Aperiás são outros bichos tamanhos como laparos. são da feição dos outros. a que os indios chamam saviátinga. tem o rabo comprido o cabello como lebre. mas nâo são tamanhos. a que fazem muito damno. que são muito grandes. criam em covas no chão: mantem-se das frutas silvestres. do qualquer frio. o o gentio tem agouro nelles. mas tamanhos como coelhos. tomara-nos em armadilhas. a que os indios chamara saviácoea. No mesmo sertão ha outros bichos da feição de ralos.

CAPITULO CVI. Em qualquer parte dos matos da Bahia se acham muitos cagados. e metidos em casa comem tudo quanto acham pelo chão. sobre o grande. onde criam debaixo de arvoredo. Ha outros cagados. Aos ratos das casas chamam os indios saviá. como chicharos. . que se criam pelos pés das arvores. onde se criam infinidade delles. os quaes tem os mesmos lavores nas conchas. os quaes criam em covas. Em algumas partes dos maios da Bahia se criam uns bichos. os quaes criam em os troncos das arvores velhas. tem pouca carne e mui saborosa: criam e mantem-se pela ordem fios décima. ha uns que são muito maiores que os de Hespanha. Estes cagados tem as mãos. com todas as feições e parecer de ratos.256 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que senãocomem. pescoço e cabeça. e de noile vem-se meter nas casas. que caem pelo chão. até que são criados. a que os indios chamam jabutiapeba. estes põem infinidade de ovos. e muito saborosa. cuja carne ó muito gorda. os lavores dos compartimentos são pretos. pernas. e de dia andam pelo mato. Que trata dos cagados da Bahia. porque o não tem . os quaes são muito damninhos. e as fêmeas parem muitos. muito vermelhas. sem irem á água. mais altos e de mais carne. pés . e tem as costas muilo chãs. sem irem á água. todas as feições tem de coelhos. saborosa e sadia para doentes. mantem-se de frutas. e as fêmeas tem um bolso na barriga em que trazem sete e oito filhos. a que os indios chamam jabuty. de que nascem em terra humida. mas são muito amassados. que também se criam no mato . e tem as conchas lavradas em compartimenlos oitovados de muito nolavel feitio. a que os gentios chamam jupati. e agudas nas pontas. e o meio de cada um é branco e almecegado. senão o rabo. que tantos parem. e não tem verrugas. cuja carne é como a dos coelhos. cheios de verrugas tamanhas.

frio. nomo certo mui acomniodado a este animal. e faz espaço entro uma e a outra. o dos que so criam na água ha muitas castas de diversas feições. E parerou-mo decente arrumar neste capitulo os cagados por serem aniraaes quo so criara na terra. o depois á cabeça. e tral-a dos que a pare. tem as unhas como cão e muilo voltadas. a quo os indios chamam ahv. c se não faz vento. os dentes como galo.ROTEIRO DO HRAZIL. quo lambem são mui saborosos o niedieinacs. 257 Ha outras castos do cagados da feição dos de Hespanha. CAPITULO CMI. nem outro nenhum perigo que veja diante. por nenhum caso so move do lugar ondo eslá encolhida até que o vento lhe chegue: os quaes dão uns assobios. o natureza. náo chega ao meio delia desde pela manhã até ás vésperas . ainda que esteja morta de fome c sinla ladrar os cães que a querem tomar . calma. e não so desce nunca ao chão. e muita lã. com pouca carne. ao pescoço dependurada pelas mãos. que se criam o andara sompro na água. quando estam comendo de tarde era tarde. c náo remetera aa . n que os índios chamam jabutomirim. de cujas folhas se mantém. sem se pôr nunca sobre os pés o mãos. os braços e pernas grandes. Nestes maios se cria um animal mui estranho. mas mui diferentes na grandura. o andando sempre. «pio tom as mesmas manhas. que o faça mover uma hora mais que outra. o qual c felpudo tomo cão dágua. e os porluguezes preguiça. fogo. e depois a oulra. e do mesmo tamanho. alé que é criada o pôde andar por si: e parem em cima das arvores. mas muda uma mão só muito de vagar. c lera a côr cinzenta. mas coberta de gadelhas. As fêmeas parem uma só criança. a taboca como galo . e da mesma maneira faz aos pés. o são estes animaes tão vagarosos que poste um ao pé de uma arvoro. pois não ha fome. nem bebem. c se mantém do frutas delta. Em que se declara que bicho é o que se chama preguiça. água. que lhe cobrem os olhos. o tem sempre a barriga chegada á arvore.

c é todo cheio de cabellos brancos e tezos. náo corre muito. cria no tronco das arvores onde está metido de dia. Ha outro bicho que no mato se cria a que chamam os indios coandú. a nada. que ó do tamanho de um bogio. e lingua tão negra. nem fazem resistência a quem quer pegar d'elles. o rabo comprido. que ó do tamanho de um gato. por ser muito ligeiro . <muia SOARES HF. e os filhos. E no lugar onde pariu abi vive sempre. a que chamam copy. e toda a sua geração que delle procede. pelo que lhe chamam noite. eanda de noite. onde o tem quinze e vinte dias. Que trata de outros animaes diversos. cuja carne os indios não romem por terem nojo delia. e tem a còr pardaça. e por entro o cabello c lodo cheio de espinhos ató o rabo. que quer dizer noite. com os quaes se defende de quem lhe . o focinho como doninha. lem os pés muito curtos. os quaes são tamanho? como alfinetes. e mantem-se dos frutos silvestresEste animal tem a boca por dentro ató as goelas. que é tamanho de um laparo. e não buscam oulro lugar senão quando não cabem no primeiro. CAPITULO CVIII. cuja carne não comem por terem nojo delia. SOUZA. e de noite sabe da cova ou ninho a andar pela arvore. e acontece muitas vezes tomarem os indios um d'estes animaes. cabeça. cria no concavo «Ias arvores. Cuim é outro bicho assim chamado dos indios. sem comer couza alguma. onde paro um só filho. até quo de piedade o tornam a largar. mais que pegarem-se com as unhas á arvoro onde estam. e levarem no para casa. por ser pezado no andar. e anda de arvore em arvore como bogio. Nestes matos se cria um animal.258 r. Este bicho pare uma só criança. pés. que faz espanto. o qual dorme todo o dia. com o que fazem grande preza. a que os gentios chamam jupará. onde faz sua morada a buscar uma casta de formigas que se cria nella. de que se mantém.

veados o outra muita caça. onde |iarem uuu só criança. nem mais nem menos. Acham-se outras bichos polo mato a «pio os indio» chamam quuiruá. o que engolem sem mastigar. como ouriços caoheiros de Portugal.outros bichos. criam debaixo «Io chão. ou outra «jualquer caça. *i->l> quer fazer mal. e entre os queixos lhe moem o» ossos feira o poderem engolir. com o que fero os outros animaes. Em que se declara a qualidade das cobras. c um indio. nem eqwdaçar. não se sabe onde as haja. o dormem em lerra. que são. «pio acham pefo ehàu. e cornos mesmos espinhos. o como tem segura a preza. bustara-lheo sesso com a ponta do rabo. c cuin razão: ponpio tantas o tão estranhas. Estas andam nos rios e alagòas. cuja carne os indtos não comem. das quae» ha muitas de cincoenta e sessenta palmos do comprido. os «pines espinhos são amarello-.. E como tem a aula.ào. CAPITULO CIX. moein-na entre os queixos para a poder melhor engolir. onde tomam muitos porcos d'agua.R O T l ll\<> U I I IIRV/II. ou outra couza grande que não pôde digirir. Comecemos logo a dizer das cobras a quo os indios chamou giboias. o não ha duvida senão quo engolem uma anta inteira. o que fazem porque não tem dentes. sncoiliiulo-iis do >i co«n muita lima. A«*ora cahe aqui dizermos que cobras são esta-* do Brazil. que comem. mantem-se «to minhocas e «le frutas que raliein «Ias arvores. do que tanto se falia em Portugal. o mantem-se do minhocas o frutas. o como tem morta a caça. e d'aqui para baixo. tam o que tem abarcado . empanturra de maneira . onde tomam muitos [wrc»-. « II geiii-so com ella muito bem. E para matar uma anta ou ura indio. lagartos <. o por ondo ustam |wgndo» no couro sao farpada Estes bichos correra pouco. e criam ora covas «lehuixo «Iochão. < lem as (Miia-* • pretas e mui agudas. da mesma fei«. por ondo o metem alé que lu.

cuja carne os indios tem em muita oslima . os quaes o afirmam assim. no caminho. a qual tinha mais de sessenta palmos de comprido . Estas cobras lem as pelles cheias de escamas verdes. ficando como d'antes: o que se tem por verdade. que não pôde andar. que está pegado na cabeça e na ponta do rabo. o qual touro sahiu acima da água depois deafogado. Vicente. epesava mais de oito arrobas. e affirmou que n'este mesmo logar mataram seus vaqueiros outra cobra que tinha noventa e três palmos. almoxarife da capitania de S. e os mamolucos. achara uma cobra d'estas. por se ler tomado disto muitas informações dos indios e dos lingoas que andam por entre elles no sertão. e tudo o mais. e eu vi uma pelle de uma cobra d'estas que linha quatro palmos de largo. e homem de verdade. E um Jorge Lopes. lhe achara dentro quatro porcos . e não pôde levar o touro para baixo pelo impedimento que lhe tinha feito o libreo. e que acabando de matar esta cobra. e que os largara . e assim como lhe vai crescendo a carne. amarellas e azues. afíirmava que indo para uma aldeia do gentio no sertão.260 GABRIEL SOARES DÉ SOUZA. grande lingua. do que dá o faro logo a uns pássaros que se chamam urubus. na Bahia. . andavam duas cobras que lhe matavam e comiam as vaccas. por estar podre. e que lho levou para dentro de uma lagoa. o qual affirmou que adiante d'elle lhe sahira um dia uma . começa a bolir com o rabo. e junto do curral de Garcia de Ávila. e torna-lhe a crescer a carne nova. pela acharem muito saborosa. das quaes tiram logo uma arroba de banha da barriga. com o que ficou sem força para os apertar. até que lhe apodrece a barriga. vão-se os pássaros. até que fica cobra em sua perfeição. comendo-lhe a barriga com o que tem dentro. E como se sente pezada. e torna a reviver. e é muito duro. lança-se ao sol como morta. os quaes livrara d'este perigo ferindo a cobra com a espada por junto da cabeça e do rabo. e não lhe deixam senão o espinhaço . ao qual a cobra arremetteu e engoliu logo. que remetteu a um touro. e dão sobre ella. e como isto fica limpo da carne toda. a que acudiu um grande libreo. que tinha liado três indios para os malar. e o que tem nella.

ROTEIRO DO RRA/.II..

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CAPITULO CX.

Que trata de algumas cobras grandes que se criam nos rios da Bahia. Sucuriúé outra casta «le cobras, que andam sempre na água , e não sahem a terra: são muito grandes, tem as escamas pardas e brancas , das quaes matam os indios muitas de quarenta e tiutoenla palmos de comprido. Esta* engolem um porco d'agua , cuja carne m indios e alguns Portuguezes comem, o dizem ser muilo gostosa. Boiuna é oulra tasta de cobras , quo se criam na água , nos rios do serlão , as quaes são descompassadas de grandes e grossas, cheias de esta mas pretas, e lem tamanha garguula que engolem um negio sem o lomarem, em tanloipie quando o engolem ou alguma alimaria, se mettem na água para o afogarem doutro, o não sahem da água senão para remetterem a uma pessoa ou caça , que anda junto do rio ; ese com a pressa com que engolem a preza se embaraça e peja, com o que não pôde tornar para a água donde sahiu, morre em terra, e sabe->e a pessoa ou alimaria de dentro viva; e a (firmam os línguas, que houve indios , que estas cobras engoliram , que estando dentro da sua barriga tiveram acordo de as matar com a faca que levavam dependurada ao pescoço, como costumam. Nos rios e lagoas se criam umas cobras, a «pie os indios chamam araboya; que são mui grandes, e tem o corpo verde e a cabeça preta, as quaes não sahem nunca a lerra , e mantem-se dos peixes < • bichos, que tomam na água; cuja carne os indios comem. Ha outra casta de cobras que se criam nos rios, sem sahirem á terra, a que os indios chamam taraiboia, que são amarellas e muito compridas e grossas; as quaes se mantém do paixe que tomam nos rios, e sao muito gordas e boas para comer.

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GABRIEL SOARES DE SOUZA.

CAPITULO CXI.

Que trata das cobras de coral e das gereracas. Pelos matos e ao redor das casas se criam umas cobras, a que os indios chamam gereracas; as maiores são de sete e oito palmos de comprido, e são pardas e brancacentas nas costas, as quaes se põem ás tardes ao longo dos caminhos esperando a gente que passa, e em lhe tocando com o pé lhe dão tal picada, que se lhe não açodem logo com algum defensivo, náo dura o mordido vinte e quatro horas. Estas cobras se põem também em ramos de arvores junto dos caminhos para morderem a gente, o que fazem muitas vezes aos indios , o quando mordem pela manhã, tem a peçonha mais força, como a vibora ; as quaes mordem também as egoas e vaccas, do que morrem algumas, sem se sentir de que, senão depois que não tem remédio. Tem estas cobras nos dentes prezas, as quaes mordem de ilharga ; e aconteceu na capitania dos Ilheos morder uma d'estas cobras um homem por cima da bota, e não sentir cousa que lhe doesse, o zombou da cobra, mas elle morreu ao outro dia ; e vendendo-se o seu fato em leilão comprou outro homem as botas e morreu em vinte quatro horas com lhe inchar as pernas; pelo que se buscaram as botas, e acharam n'ellas a ponta do dente, como de uma agulha, que estava meltida na bota ; no que se viu claro, que estas gereracas tem a peçonha nos dentes; estas cobras se criam entre pedras e páos podres, e mudam a pelle cada anno; cuja carne os indios comem. Ububocas são outras cobras assim chamadas dotamanhodas gereracas , mas mais delgadas, a que os Porluguezes chamara de coral, porque tem cobertos as pelles de escamas grandes vermelhas e quadradas , que parecem coral; e entre uma escama e outra vermelha, tem unia preta pequena. Estas cobras não remettem á gente, mas se lhe tocam, picam logo com os dentes dianteiros, e são as suas mordeduras mais peçonheçtas que as das gereracas, e de maravilha escapa

ROTEIRO DO RRAZIL.

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pessoa mordida dellas. E quando estao enrascadas no chão parecem um ramal do coraes; ehouvc homem que lomou uma quo estava dormindo, emeleu-a no seio, cuidando serem roraos, e náo lho foz mal; as quaes criam debaixo de penhascos o da rama secca.

CAPITULO CXII.

Em que se declara que cobras são as de cascavel, e as dos formigueiros, e as que chamam boitiapòia. Boicininga quer dizer cobra que tange, pela lingua do gentio; as quaes são pequenas e muito peçonhentas quando mordem; chamam -lhe os Porluguezes cobras de escavei, porque tem sobre o rabo uma peite dura, ao modo de reclamo, tamanha como uma bainha de gravanço, mas é muito aguda na ponta que tem para cima, onde tem dous dentes com que mordem, que são agudos. Esta bainha lhe relino muito, quando andam, pelo que são logo sentidas, e não fazem Lauto damno. Eaffirmam os indios, que as cobras d'esta casta não mordem com a boca, mas com aquelle aguilbáo farpado que tem n'esle cascavel , o qual também reline fora da cobra : e tem tantos reclamos , como a cobra tem de annos; ecada anno lho nasce um; as quaes cobras mordem ou picam com esta ponta de cascavel de salto. Nos formigueiros velhos se criam outras cobras, quo se chamam uhojára,quesãode três até cinco palmos, e tem o rabo rombo na {tonta, da feição da cabeça; e não tem outra differcnça um do outro que ter a cabeça boca, em a qual não tem olhos e são cegas; e sahem dos formigueiros, quando se elles enchem com a água da chuva ; o como so sahem fora, ficam perdidas sem saberem por ondo andam ; e so chegam a morder, são também mui peçonhentas. Estas cobras não são ligeiras como as outras, e andam muito de vagar, tem a pello do còr acatasolada pela banda de cima , c pela de baixo são brancas ; raanteiii-se nos formigueiros das formigas quando as podem alcançar, e do seu maiilimeuto, donde lambem so sabem apertadas da fome.

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GABRIEL SOARES DESOUZA.

Boítiapoias são cobras de cincoenta e sessenta palmos de comprido c muito delgadas, que não mordem a nada; porque tem o foctnho muito comprido, e o queixo debaixo muito curto; onde tem a boca muito pequena e não podem chegar com os dentes a quem querem fazer mal, por que lho impede o focinho; mas para matarem uma pessoa ou alimaria enroscam-se com ella, e apertam na rijamente, e buscam-lhe com a ponta do rabo os ouvidos, pelos quaes lha mettem com muita presteza, por que a tem muito dura e aguda; e por este lugar matam a preza, em que se depois desenfadam á vontade.

CAPITULO CX.III.

Em que se declara a natureza de cobras diversas. Surucucu são umas cobras muilo grandes e brancas na côr, que andam pelas arvores, donde remettem á gente, e á caça que passa por junto d'ellas, as quaes lem os dentes tamanhos que quando mordem levam logo bocado de carne fora. D-estas cobras são os indios muilo amigos, e tomam-nas em umas armadilhas, que chamam mondeos; e se o macho acha ali a fêmea preza e morta , espera ali o armador, com quem se cinge, e não o larga até que o mata: e torna a esperar ali alé que venha outra pessoa., a quem morde somente, e com esta vingança se vai d'aquelle lugar. Ha oulra casta de cobras, a que os indios chamam tiopurana, que são de quarenta e cincoenta palmosdecomprido, que não mordem nem fazem mal a gente nenhuma , e mantem-se da caça que tomam. Eslas lomamos indios ás mãos, quando são novas, e prendem-nas em casa, aonde as criam , e se fazem tão domesticas que vão buscar comer ao mato e tornam-se para casa , cuja carne é muito saborosa. Caninam são outras cobras meàs na grandura, com a pelle prela nas tostas e amarella na barriga, as quaeseriam em osconcavosdos páos podres, e são muilo peçonhentas, e os mordidos d'ellas morrem muilo do pressa , se lhes nao açodem logo.

ROTEIRO DO IIRA7.II .

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Boiuhú quer dizer cobra verde, «pie náo são grandes, e criam-se no campo, ondo se mantém «'«un ratos «pio tomam listas lambem mordem gente se podem , mas são muilo |HVOU bentas, as «pines s: eu restam cora as lagartixas, ralos o com outros bichos tom que se atrevem , que lambera matara para comerem. Ha outra cisia «le cobras a quo os indios chamam ubiracoa , quo sào |iequoiias o do còr ruivaça , as quaos andam sempre |»elas arvoro, donde mordera no rosto o |>elos lugares allos das pessoas, e não se «tecem nunca ao chão; e se não açodem á moidediira d'estas com brevidade, é a sua peçonha láo fina que faz arrebentar o sangue «-m lies horas pur l«j«las as parles, de que o mordido morro logo. Urapiagárassão outras cubras, que andam pelas arvores salleando pássaros, c a comer-lhes os ovos nos ninhos, do «jue se mantém ; as quaes não sio grandes , mas muilo ligeiras.

CAPITULO CXIV.

Que trata dos lagartos e dos canuleões. Nas lagoas c rios de água doce se criara uns lagartos a «pie os indios chamara jacaré, «his quaes ha alguns tamanhos como um homem , o «|uc tem a cabeça como um grande libreo ; estes lagartos são totfos «oberlos de conchas muito rijas, os quaes não remetem á gente, antes fogem d'ella; e mantem-se do peixe quo tomam, e da herva que comem ao longo da água; e lia alguns negros que lhes tora perdido o metlu, o se vão a elles, chamando-os pelo sou nome ; o vão-se chegando a elles até que os tomam ás mãos e os inalam para os comerem ; cuja carne é algum tanto adocicada, e lão gorda «pie tem na barriga banha «mio porco, a qual é alva e saborosa e cheira bem. Os leslicufos dos machos cheiram como os dos gatos de algalea, c ás fêmeas cheira-lhes a «ame de junto do vaso muito bem. No maio se criara outros lagartos, a que os indios chamara senembús, que lambera são muilo grandes, mas não tamanhos tomo os
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GARRIEL SOARES DÉ SOIIZA.

jacarés; estes remetem a gente, ecriam-se nos troncos das arvores ; cuia carne é muito boa e saborosa. Criam-se no mato outros lagartos tamanhos como os de cima, aqué os indios chamam tijuaçú, os qüaes são mansos, e criam em covas na terra, mantem-se das frutas que buscam pelo mato; cuja carnee havida por muito boa e saborosa. Pelos matos se criam outros lagartos pequenos pintados como os de Hespanha , a que os indios chamara jacarépinima, os quaes criam por entre as pedras, e era tocas de arvores, com os quaes tem as cobras grandes brigas. Anijuacangas sao outros bichos que não tem nenhuma d.ffeíença doscameleões, mas são muito maiores que os de Afnca euja còr naturalmente é verde, a qual mudam como fazem os de África, o estão lo-o presos a uma janella um mez sem comerem nem beberem; e eslão s°empre virados com o rosto para o vento, de que se mantém; e não querem comer cousa, que lhes dêem , do que comem os outros animaes; são muito pezados no andar, e tomam-nos as mãos, sem se defenderem; os quaes tem o rabo muito comprido, e tem um modo de prepatanas n'elle como os cações.

CAPITULO

CXV.

Que trata da diversidade das rãs e sapos que ha no Brazil. Chamam os indios cururús aos sapos de Hespanha , do que não tem nenhuma differença, mas não mordem, nem fazem mal, estando vivos, mortos sim, porque o seu fel é peçonha mui cruel, e os figados e a pelle , da qual o gentio usa quando quer matar alguém. Estos sapos se criam pelos telhados, e em tocas de arvores e buracos das paredes, os quaes tem um bolso na barriga em que trazem os ovos, que são tamanhos como avellàs e amarellos como gemmas de ovos, do que se geram os filhos, onde os trazem metidos até que são para

ROTEIRO UO BRAZIL.

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buscar sua vida; estes sapos buscam de comer do noite, a quem os indios comem, corao ás rãs; mus liram-lheas tripas o fure ura fora, do maneira que lhe náo arrebente o foi; porque se arrebenta fita a carne toda peçonhenta, e não eseapa quem a come, ou alguma cousu «Ia pello o foreura. E porque as rSssào de differentes feições e costumos, digamos logo de umas a que os indios chamam juiponga, quo são grandes, o quando cantam parecem caldeirem* quo malhara nas caldeiras: o estas são pardas, e criam-se nos rios onde desovara cada lua; as quaes so comem, e são muito alvas e gostosas. D'esta mesma casta so criam nas lagoas, ondo desovam omquanlo tom agna, mas como se secca, recolhem-se para o mato nos (roncos das arvores, onde estão alé que chove, e como as lagtias tora qualquer água, fogo se tornam para ellas, ondo desovam ; o os seus ovos são pretos, ede cada um nasce um bichinho com prepatanas o rabo, e as prepatanas se lhes convertem nos braços, o o rabo so lhes converte nas pernas. Emquanto são bichinhos Ihos chamam os indios juins.do «pie ha sempre infinidade delfos. assim nas lagoas como no remanso «losrias; do que se enchera balaios quando os tomam , o para os alimparein apertam-nos entre os dedos , o lançara-lhes as tripas fora, o embrulham-nos ás mãos cheias cm folhas, e assam-nos no borraiho; o qual manjar gabara muito os línguas que tratam com o gentio, e os místicos. Juigiã ó oulra casta do rãs, que são brancacontas, o andam sempre na água, e quando chove muito faliam de maneira quo parecera crianças que choram, as quaes se comem esfoladas, como as mais; e são muito alvas e gostosas. Ha oulra casta de rãs, a que os indios chamam juihi; o são muilo grandes., e «le côr pretoça. o desovam na água como as outras, as quaes, depois de esfoladas, lera tamanho corpo como um honesto coelho. Cria-se na água oulra casta de rãs, a que os indios chamam juiperega, que saltam muito , em tanlo que dão saltos do chão em cima dos telhados, onde andam no inverno, o cantam de cima como chove:

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GABRIEL SOARES DE SOUZA.

as quaes são verdes, e desovam lambera na água era logares humidos; c esfoladas comem-se como as outras. Ha outra casta de rãs, a que os indios chamam juigoaraigarai, que são pequenas, e no inverno quando ha de fazer sol e bom tempo, cantam toda noile no alagadiço , onde se criam, o qual signal é muito certo; estas são verdes, o desovam na água que corre entre junco ou rama , e também esfoladas se comem e são muito boas. Como não ha ouro sem fezes, nem tudoé á vontade dos homens, ordenou Deus que entre tantas cousas proveitosas para o serviço d'ellcs, como fez na Bahia, houvesse algumas immundicias que os enfadasse muito, para «pie não cuidassem que estavam em outro paraizo térrea I, de que diremos daqui por diante; começando no capitulo que se segue das lagartas.

CAPITULO

cxv;.

Que trata das lagartas que se criam na Bahia Soca chamam os indios á lagarta , que é tamanha como bichos de seda, quando querem morrer que estão gordos, a qual se cria de borboletas grandes que vão de passagem. A's vezes se cria essa lagarta com muita água e morre como faz sol, outras vezes se cria com grande secca e morre como chove. Uma e outra destroe as novidades de mandioca, algodão, arroz; e faz mala cana nova de assucar, e ás vezes ó tanta esta lagarta que vão as estradas cheias dellas, e deixam o caminho varrido da herva, e escaldado. E quando dão nas roças da mandioca chascam de maneira que sé ouve um tiro de pedra, ás quaes comem os olhinhos novos, e depois as outras folhas; e muitas vezes é tanta que comem a casca dos ramos da mandioca; e se se não muda o tempo, destroem as novidades de maneira que causa haver fome na terra, e o chão por onde esta praga passa, ainda que seja mato, fica escaldado de maneira que não cria herva em dous annos. Imbua é outra casta de lagartas verdes pintadas de preto e a cabeça

as quaes crestam a lerra e arvores por onde passara. assim em Portugal como na Bahia. muito sulis o do estranho feitio. o quo o impossível poder-se contrafazcr com pintura. estes tem os indios por mau peçonhentas que todas. so criam umas lagartas ruivaças. e de meio palmo de comprido. tão delgados como cabellos da cabeça. as quaes como sentem gente debaixo.ROTEIRO 1)0 IIRAIIL. onde parecem candeias muito claras. deitando-se ás escuras. que faz inchara carne so lhe locam. Que trata das lucernas e de outro bicho estranho. c outros cagalumc. todas cobertas de pello. «Io que se espanta ruidnmlo ser oulra cousa: dos quaes bichos lia muita quantidade em lugares mal povoados. e fogem muito dellas. todas cobertas de csgalhos verdes. Nos limoeiros e em oulras arvores naluraes da torra se criam outras lagartos verdes. CAPITULO CXVII. quo são pretas. Em outras arvores que se chamam cajuzciros. com cujo pello os indios fazem crescer a nalura. e toda* são tão grossas como ura dedo. Limanlias como as das couves ora Portugal. porque alumiam uma casa toda. e na carne onde chega. a que os indios chamam mainoás. era cujos matos os ha muito grandes: os quaes entram de noite nas casas ás escuras. e chamam a estas socauna. e oulras pintadas de vermelho o preto. aos quaes chamam em Portugal lucernas. 26í) branca. que andam em noites escuras. do còr muilo fina. c afirmara que fazem secar os ramos das arvores por onde passam com lhes morderem os olhos. Na Bahia se criam uns bichos. em tanto que ás vezes acorda uma pessoa de supilo vendo a casa clara. o táo peçonhento. cora muitas pernas. Ha outras mais pequenas que as de traz. . se levanta logo tamanha comichão que é peior que a das orligas. sacodem este pello de si. o que dura todo ura dia : e criam-se estas nos ramos velhos. todas cheias de pello tao macio como veludo.

Também se criam outros bichos na Bahia mui estranhos. remetem á gente de salto. se não alímpam as cazas muitas vezes. a que os indios chamam buijeja. o qual é muito resplandecente. no concavo delles. em tanto que estando de noite em qualquer casa. c como esta sevandija o tão nojenta . mui resplandecente. em o qual bolso criam mais de duzcnlas aranhas. escusamos de dizer mais delia. e tornava-sefogoa juntar e reviver. e tomando-o na mão parece um rubim. CAPITULO CXVIH. e tão estranhas que convém declarar a natureza de algumas. cujas mordeduras são mui perigozas. E peguemos logo nas a que chamam nbanduaçú. e quando anda é ainda mais resplandecente. e" criam-se em páos podres. Tem este biche uma natureza tão estranha que parece encantamento. o no. e muito cabeíludas c peçonhentas. se tornafogoa juntar e andar como d'antes. e de oito reates. e cada uma vai fazer seu ninho. povoado em paredes velhas. e se o fazem em pedaços. com a humidade da terra que.270 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que são do tamanho de uma lagarta de couve. e sobre assinte se viu por vezes em differentes partes cortar-se um d'esles bichos com uma faca em muitos pedaços. e se tornarem logo a juntar. Na Bahia se cria muita diversidade de aranhas. Estas fazem um bolso na barriga inuiloalvo. ede quatro. não ha quem se defenda dellas. e cada dia o espedaçavam em migalhas. ou lugar fora delia. se criam tantas no Brazil. ató que enfadava. Ha outra casta de aranhas. a que os indios chamam nhandui. e tem os dentes tamanhos como ratos. que é do tamanho. as quaes são tamanhas como grandes carangueijos. e o largavam. parece uma candeia aceza. de dous rcales. que parece de longe algodão. e depois o embrulharam em um papel durante oito dias. Que trata da diversidade e estranheza das aranhas e dos lacráos. e como podem viver sem a mãi largam o bolso de si com ellas. . que são as acostumadas em toda a parte de que.

271 Surajú chamam os indios a um bicho corao m tocraos de Portugal. e criam-se em tocas do arvores velhas no podre «folias. cheio de água . mas náo periga. e trilham o caminho por onde passam. e não sal tenra senão de noite. . cujas monleduras são mui perigosas. Criam-se. Não fêo para lembrar as immundicias de que nté aqui tratamos. a Bahia se podéra chamar outra terra de promissão. pòem-lhc ura (esto de barro ao redor do pé. conde chegam destroem as roças da mandioca.ROTEIRO DO HRAZIL. houvera na Bahia muitas vinhas e uvas de Portugal. que sr chamam saüba. o tem duas horas compridas. e por atalharem . as hortas das arvores de Hespanha. esto atormentada com ardor vinte quatro horas. as quaes formigas vem de muito longe de noite buscar uma roça «le mandioca. mas diremos era breve de algumas. Se estas formigas não foram. «pie éa praga do Brazil. as quaes são corao as grandes do Portugal. romeiras e parreiras. e muito peçonhentos. e ao que se pode atalhar cora alguns remédios. os quaes são todos cheios de pello. CAPITULO CXIX. a que o gentio chama iissaúha. mas mordem muilo. e se de dia se lhe secou a a<nia . as laranjeiras. Que trata das formigas que mais damno fazem. Muito havia que dizer das formigas do Brazil. |iorqiie se cilas não foram. masá praga das formigas nSose pode compadecer. e duas bocas tamanhas como de lagosta . das quaes começaremos a dizer daqui por diante. na Bahia outros bichos «In feição dos lacráos. mas sao tamanhos como camarões. começando nas que mais damno fazem na terra. o so mordem uma pessoa. |>or se escusar prolixidade.1 não comerem as arvores a que fazem nojo. os quaes lera o corpotamanhocomo ura rato. porque suo pouro «laiiimisas. a quo os índios chamam nhandoahijú. corno se fosso gente por elle muitos dias. o que se deixa «le fazer Lio copiosamcnte corao «u |«nlem fazer.

orelhas e narizes. e todos os bichos que acham. as aranhas e os ratos. lhe dáo com toda a folha no chão. e não ha duvida senão que trazem espias pelo campo. a que os indios chamam goajugoajú. e torna a fazer bom tempo que se lhe enche a cova de água. e dão em uma casa onde lhe não fica caixa em que não entrem. ou lhe cahiu uma palha de noite que a atravesse. o que esta maldição impede de maneira que lira o gosto aos homens de plantarem senão aquillo sem o que não podem viver na terra. inaiormenle depois que chove muilo. onde foram as primeiras. e encontrarem outras no caminho e virarem com ellas. porque se viu muitas vezes irem três e quatro formigas para os formigueiros. pois se dá nelle tudo o que se pôde desejar. trazem taes espias que são logo disso avisadas. e dão-lhe com a folha no chão. nem buraco. e passa logo por aquella palha tamanha multidão dellas que antes que seja manhã. E como se d'eslas formigas não diz o muito que dellas ha que dizer. para a levarem para os formigueiros. e são tantas que os cobrem de improviso. nem greta pelo chão epelas paredes. c tornarem todas carregadas. saltam nellas de noite. estas de tempos em tempos se sahem da cova.272 GARR1EL SOARES DE SOUZA. e entrarem assim no formigueiro. como quem entende que tem gosto a gente disso. e entrara-lhes pelos olhos. Temos que dizer de oulra casta de formigas mui estranha. Em que se trata da natureza das formigas de passagem. e pelas partes baixas. onde matam as baratas. as quaes são pequenas e ruivas. CAPITULO CXX. que levam avizo aos formigueiros. e tem tantos ardis que fazem espanto. e sahirem-se logo delle infinidade dellas a buscarem de comer á roça . e mordem muito. é melhor não dizer mais senão que se ellas não foram que se despovoara muita parte de Hespanha para irem povoar o Brazil. mas tanto que as vêem limpas. e assim os levam para . e se as roças e arvores estão cheias de mato de redor não lhes fazem mal.

lhes arrebentam formigueiros dentro. dão nelles de feição. Nesta terra se criam umas formigas grandes. o como correm uma rasa toda passam por diante n outra. lançando-. Que trata da natureza de certas formigas grandes. que são as que em Portugal chamam agudes. e pflem em passar por mu lugar ioda uma noite. 273 os seus aposentos. e como lhes toca qualquer cousa . quo os fazem voar. por onde as tratam c mordem tão mal.is fora. Estas sahem dos formigueiros depois que chovo muito. o são da mesma côr. e vão diversas voando por lugares onde enxameam granrlo somma de formigas. e são tantas estas formigas. as quaes tem o corpo tamanho como passas de Alicante. e andar por cima das caixas n cadeiras. e so acham cachorros e gatos dormindo. CAPITULO CXXI.i no chão. e se ns rasas em que entrara são (erreas. e não pôde ser menos «i'estas enxamearem de vôo. e de feição que as acabam.ROTEIRO DO RRAZIL. ondo fazem o mesmo e a toda unia aldéa. snpateando. cobrem unia pessoa ioda. porque em hortas cercadas de água quo ficam em ilha. e inalara lambem as cobras que acham descuidadas. Criam-se na mesma terra outras formigas. mas são maiores. as quaes tem azas como os agudes. e não podem passar por respeito da água que cerca estas hortas. o'matam-nas primeiro enlrando-lhe pelos olhos e ouvidos. a que os indios chamam içans. e se entrara de dia to«lo um dia: as quaes vão andando em ala «le mil om cada fileira. e cossando. por onde ellas subam. fazem alcvantar mui depressa a quem nella jaz. em chegando. quando passara. porque ellas. e viu-se por muitas vezes levarem-nas eslas formigas a raslfles infinidade dellas. e a tudo o que matam. e lambem se saem . o acham a roupa da cam. e em outros animaes. estando antes a terra limpa dellas. ou lhes da o vento logo lhes cahem as azas e morrem. que náo ha fogo que baste para as queimar. a que os indios chamara guibuquibura.

o succedeu muitas vezes terem os sapateiros o calçado feito. Que trata de diversas castas de formigas. a estas formigas comem os indios torradas sobre o fogo. que são pequenas do corpo e . e fazem ninhos na terra nestas arvores. o grande boca . c tem o corpo tamanho com grão de trigo. onde criam . a enxugar-se ao sol. Ha outras formigas a que os indios chamam tarusãn. onde roem o fato que está ncllas. quando a maré está vazia. e de outros bichinhos que tomam pelo chão. e fazem-lhe muita festa . Tacibura é outra casla de formigas. übiraipú é outra casta de formigas. a queos indios chamam tacicema. obrados como favo de mel. e tão aguda. eoque acham pelo chão.as quaes se mantém das folhas das arvores e de minhocas. CAPÍTULO CXXII. e a tinham Ioda abocanhada. em o qual fazem lavores. e os místicos as tem por bom jantar. e o gabam de saboroso. que se criam nos pés das arvores. dos formigueiros depois que chove muilo. a qual terra vão buscar enxuta. que cortam com ella como lezoura o foto a que chegam. dizendo que sabem a passas de Alicante.27^ GABRIEL SOARES DK SOUZA. as quaes se mantém das folhas das arvores. que são da feição e natureza dos caracoes. e ficar nas encospeas no chão. mas mordem muito. e quando pegam na carne de alguma pessoa seaferram de maneira que não se podem tirar senão cortando-lhe a cabeça com as unhas. onde lhe chegaram de noite. e da podridão doconcavo dellas. e tom grande boca. o alguns homens brancos que andam entre elles. que se criam nos mangues que eslam com a maré cobertos de água até o meio. e torradas são brancas por dentro. o mantem-se dos olhos dos mangues e de ostrinhas que se nelles criam. e quando veio pela manha as acharam todas lavradas pela banda da flor. que são ruivas. Ha outra casta. as quaes são pequenas. que parecem feitos á tesoura. são pardas e pequenas. e de uns caramujos quesecriam nas folhas d'estes mangues. as quaes são amigas das caixas.

niatilem-se delles e da liumidado que esles pios tem em si. lambera mordem muito. que vai todo coberto com uma abobada de barro de volta de berço. Outras formigas chamam o« indios t. o mordem muito. qw ha na Bahia. uns tamanhos como bollas.ROTEIRO DO IIRA7IL. que lem as |wredt»s de lerra. pelas juntas de madeira em redondo. e criam-se nos pios podres que estam no chão. E«tes bichos «e criam nas arvores e na madeira das casas. com dous torninhos nella . e trepam pelas paredes aos forros e emmadeiramento dellas. tousa sublilissima e tão delgada a parede delia como casca de castanha. cora o que enfadam muilo. e criam-se debaixo «Io chão. o servem-se por d«'iilro por onde sempre caminham. nem oulras de tumer.itiahi. Tncipitanga é outra casLi de formigas pequenas. e tamanhos como potes.» defenda delles. os quaes vem do mato por baixo do chão a entrar nas casas. V. «vriTUi. e fazem de barro um caminho muilo para ver. são preta*. e ficam fedendo a percevejos: e são brancacenfis. Copl são uns biclios que são tão prejuditiaes tomo as formigas.XXIII. se se não lera muito tento nisto. <>. «fostroem umas casas. e. e comem-lhe a madeira. outro< como botijas.o «. mas não h» quem possa defender dellas as «-ousas dotes. mas como as cousas dotes entrara era casa. onde não ha quem s. E*la< «e. Em que se trata que musa r o cop!. l«igo lhes dão assalto. as quaes nao monlem. os quaes arremedam na feição á< formigas. e dos carrapatos. uns para cima e outros para baixo. criam pelas rasas em lugares ocultos que se não podem achar. e fazem nas partes mais altas das casas seus aposentos. c apodrentani-iia .~ f> tem grande cabeça. mas são mais curtos. e são muito certas em casas velhas. que sã«> graixfos « • prelas. redondose muito nojento-. mas náu se afastam muito «Io seu formigueiro. e se lhe locam tom as mãos logo se esborratham.

e mantem-se disto.27G GABRIEL SOARES DE SOliZA. a que os indios chamam tungaçú. dos quaes se cria infinidade delles no maio. Que trata das pulgas e piolhos. D'estes carrapatos se pegam muitos na caça grande. e todas estas che. onde se fazem muito grandes. Também se criam nas palmeiras uns caracoes do tamanho de oito reales. que são baixos e enroscada a casca em voltas como a poslura de uma cobra quando eslá enroscada. e é mais ligeiro que o de cima. com que as fazem secar: e é necessário que se alimpem as casas delle. que os esperam muito bem.as d'este copi. e nas vaccas. e fazem grande comichão no corpo. nas folhas das arvores. este mordo muito. Ha na Bahia muilos carrapatos. de quando em quando. como estam sujas. como os piolhos ladros. o qual lançam ás gallinhas com o que engordam muito. mas como se uniam com qualquer azeite. Dos caracoes de Hespanha se criam muitos nas arvores e nas hervas. e quem anda por baixo d'estas arvores leva logo seu quinhão. Pulgas ha poucas no Brazil. e faz seus ninhos pelos ramos das arvores secas. entre os indios so criam alguns nas redes em que dormem. se comem muitos. que os matam ás alimarias e ás vaccas. e dos bichos. e do tamanho e feição do gorgulho. Pelas arvores se cria outra casta de copi prelo. mas tem as casas mais miúdas. e com o vento caem no chão. quo em Hespanha se cria no trigo. e lavram-nos todas por denlro. os quaes são compridos com feição de pernas. toda • e o mesmo feitio fazem nas arvores. os quaes fazem mal aos índios. logo morrem. CAPITULO CXX1V. o quando lhe tiram fora estes aposentos. e de nenhum proveito qua se criam na Bahia. mas ha uns pássaros de que dissemos atraz. o ntnhuns piolhos do corpo entre a gente branca. dos quaes nasce grande comichão. eslam todos lavrados por dentro como favo de mel. convém que se diga . Para se arrematar esta parle das informações dos bichos prejudiciaes. que se criam nos pés.

e tomo e<te« bichos entram na carne. pouco maiores quo ouç«ies.» tamanhos tomo cini. a quo os indios chamam tiingas. e náo se senle mais dòr nenhuma . como faziam os primeiros povoadores. como is pulgas em Portugal. o os que estam entre as uuln<. Criam-se em ra*as despovoadas. que <e melem nos pé* da gento. No principio da povo. porquo estam por dentro UKION cheios de lendeas.i. doem muito ao tirar. e como arrebentara vão estas lemkaí lavrando os [»és. Daqui por diante vão arrumados oi peixes que se criam no mar da Bahia e nos rios delia. e «mires «|ue fazem comichão como de frieiras. mas nos pè> ó a morada a que ell. o em casas sujas «fo negros que ns mio «limpam. o que não acontece agora . Pois queremos manifestar as grandezas da Bahia de Todos os Santos. vieram alguns homens a perder os pés. e outros a encherem *. mas os preguiçosos esujosque nunta lavam tu p'•.íi se descuidam tanto de si. mormente «o estam «MU lerra «oiia o do muito pó. deixam «Mar os bichos nelles.<e lirarn em menos espa-o de nma Avu Maria . e dos brancos que fazem o mesmo. que ao. mormente junto das unhas. a fertilidade da lerra. do que se vem a fazer grandes chagas. e n. Ha alguns «pio doem ao (Miinr na carne. em os quaes lugares esles bichos -aliam como pulgas nas pernas descalças. o> qu i •. nem nasterre.irinh. e abastança dos mantimentos.i còr.» pretinhos.wqu<>andam limpas. frutos o caça d'ella.outros homem não. -* por que todos os sabem lirar.-•. on«lo vem a crescer. os quaes sã. porqnn eslam metidos pela carne. d • hoohas.s sio mais inclinados. convém que se saiba se tem o mar tão abundoso de pescado .ROTEIRO UO BRVJIL. u náo aiiikira nas casas subradndas. c fazerem-s. logo so sentem corao picada «Io agulha.içàodoBra/il. *>77 quo süo estos bichos tão temidos era Portugal. em «pie põem-lhe uns pós de cinza ou nada. e donde saem liei uin-i eowrih.is e «laquell. nem fazem mal a quem anda calcado: aos preguiçosos c sujos fazem « esles bichos mal. porque em os sentindo «süram fogo com a ponta d • um alfinete tomo quem lira ura oução.

Que trata das baleas que se entram no mar da Bahia. onde andam até o fim de Dezembro que se vão: e n'este tempo de inverno. como já fica dito. foge o peixe do meio d'ella para os baixos e recôncavos onde ellas não podem andar . a fêmea tinha a boca tamanha que vi estar um negro metlido entre um queixo e outro. e dezasete de alto. pela tormenta que faz no mar largo. o que se não pôde medir. e marisco como tem a terra do muito que se se nella cria . gastando um pedaço em relatar a diversidade de peixes que este mar e os rios que n'elle enlram criam . e n'este tempo tornam as fêmeas a emprenhar. que lhe tinham levado para azeite. o macho era sem* comparação maior. três e quatro mezes. que elles tem disposição para seguirem as mais pelo mar largo. e trazem aqui os filhos. sem tocar no beiço de cima . comecemos logo no capitulo seguinte. as quaes foi ver quem quiz .278 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que estava inteira. E em quanto as baleas andam na Bahia. e eu mandei medir a fêmea. e a borda do beiço era tão grossa como um barril de iSeis almudes. fora o que tinha mellido pela vasa. das quaes entram na Bahia muitas em o mez de Maio . ( como do maior peixe do mar d'ella) a que os indios chamam pirapuã. as quaes ás vezes pelo irem seguindo dão em secco. parem as fêmeas á abrigada da terra da Bahia. que ficaram n'este rio duas em secco . que é o primeiro do inverno n'aquellas partes. depois que parem. por a este tempo estar já despido da carne . c o beiço debaixo sahia para fora mais que o de cima . cortando com um machado no beiço debaixo com ambas as mãos. Entendo que cabe a este primeiro capitulo dizermos das baleas que enlram na Bahia. e porque havemos de satisfazer a esta obrigação. como aconteceu no rio de Pirajá o anno de 1580. em a qual obra fazem grandes estrondos no mar. . CAPITULO CXXV. em que estava assentada . e tinha do rabo até a cabeça setenta e três palmos de comprido. que reina até o mez de Agosto. macho e fêmea .

Quando estas baleas andam na Bahia acompanhara-se era bandos do dez. a que os índios chamara pirapicú .W. e como vinha cora muita força. a quem se punha de . vir ura grande vulto «Io mar fazendo grande inarulho do diante apóz o peixe miúdo que lhe vinha fugindo para a terra. 271) tanto que so podia arrumar de cada banda n'ello um quarto do mearão. e já aconteceu por vezes espedaçarein barcos. ate dar em secco. em que andam. ao que acodirara os vizinhos d'aquella comarca a desfazer este peixe. dozo juntas. e com esta revolta . varou cm terra pela praia. o qual tinha trinta e sele palmos de comprido. donde se não pôde tornar ao mar por vazar a maré c lhe faltar a água para nadar. e tiraram-lho de dentro um lilho tamanho com oura barco de trinta palmos de quilha . onde chamam Tapoara. como faz a bahia. cm o verão do anno do 1584 . e em saltos. em «pie deram com o rabo.IL. Entram na Bahia. o não tinha escama. que se desfez lodo em azeite. o que se vê do três o quatro leguas de espaço. e fazem tamanho estrondo quando pelejara. Je côr vordoenga . Aconteceu na Bahia . levantando sobre a água tamanho vulto e tanta d'ella para cima. lançando a água mui alta para cima . o qual peixe «>ra tão alio e grosso que tolhia a vi-la do mar. o matarem a gente dVIles. e fazem grande temor aos que navegam por ella era barcos. oulros peixes muito grandes. a qual balêa estava prenhe. e os Porluguezes espadartes . os quaes tem grandes brigas cora as baleas. mas couro muito grosso egordo como toucinho . fazem grande espanto ao oulro peixe miúdo. com o que fogo para os rios e recôncavos da Bahia. porquo andam urrando. e se fez em ambas de duas tanto azeito que fartaram a lerra d'ello dous annos.ROTEIRO DO BR. no tempo das baleas. que parece de longe um navio á vella . Que trata do espardatc e de outro peixe não conhecido que deu á costa. CAPITULO CXXVI.

e linha por natureza um só olho nomeio da frontaria do rosto. e aos que andam pela borda da água. traz d'elle . as espinhas e ossos eram verdoengas: ao qual peixe não soube ninguém o nome. e alguns morrem disto. os quaes andam pelo rio d'agua doce pelo tempo do verão. E um mestre de assucar do meu engenho afirmou que olhando da janella do engenho que está sobre o rio . viu um vulto maior que um homem á borda d'agua. muitos homens marinhos. e mettem-nos debaixo d'agua onde os afogam : os quaes sahem a terra com a maré vazia afogados e mordidos na boca . Que trata dos homens marinhos. mas que se lançou logo n'ella . e dizem outros indios pescadores que viram tomar a estes mortos que viram sobre água uma cabeça de homem lançar um braço fora d'ella o levar o morto. e já aconteceu tomar um monstro destes dous indios pescadores de uma jangada e levarem um. ao qual mestre de assucar as negras disseram que aquella fantasma vinha para pegar n'ellas. de que se admiraram muilo.280 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e salvar-se oulro tão assombrado que esteve para morrer. cuja cabeça era grandíssima. Náo ha duvida senão que se encontram na Bahia e nos recôncavos d'ella. narizes e na sua natura. metidos «'ella. a que os indios chamam pela sua lingua upupiara. onde os tomam. que estavam lavando umas fôrmas de assucar . CAPITULO CXXVII. do que ficaram tão atemorizados que não quizeram tornar a pescar d'ahi a muitos dias. onde fazem muito damno aos indios pescadores e mariscadores que andam em jangadas. uma noite. a uns e outros apanham. por nao haver entre os indios nem porluguezes quem soubesse dizer que visse nem ouvisse que o mar lançasse outro peixe como este fora. o que também aconteceu a alguns negros de Guiné . as quaes fantasmas ou homens marinhos mataram por vezes cinco indios meus. e que aquelle era o homem . e os que isso viram se recolheram fugindo á lerra assombrados. e que grilavam umas negras.

sete palmos de comprido . tubarões. eandam sempre acata do peixe iniudo. que serve para a gente do serviço. qne no inverno nfio (alta nunca nenhum negro. Estes setomamcom auzoes de cadea cora ai poeiras compridas. os quaes tem tamanhos fígados que se tira «1'elles vinte. segundo o peixe .ROTRIRO DO BUAJU. Este peixe naturalmente é secco. de que ha muita somma no mar da Bahia.icontecimeiiios ncontecem muitos no verão. Por tempo de calma apparecem no mar da Bahia toninhas. e lera tamanhos fígados. aos quaes matam cora anzoes de cadea com grandes arpociras. e de menos . das quaes também foge o peixe miúdo para li v 36 . o vinte quatro canadas de azeito. que lhe largam para quebrar a fúria e se vazar do sangue. que os engastara nas pontas das flexas. e fazem-no em lassalhos pira se seecar. as quaes estiveram assombradas muitos «lias.Porluguezes rh. corao o peixe serra. e os que os tem são muito estimados dVlles. Uperu é o peixe a que os Porluguezes chamam tubarão. °Sl marinho. CAPITULO CXXVI1I. se lhe chegam a lanço. é a espinha de seis . estes come n gente. e lixos. mas tem no fotinho uma espinha de osso muilo dura. toninhas. e em lassalhos seccos se gasta com a gente dos engenhos. e outros de mais. uns de moio palmo. como nos do mar largo. que serve para a candeia e para concertar o broo para < s > barcos.imam peixe serra : os quaes tem o touro e feição dos tubarões. que se tomam muitos de cujos ligados se tiram trinta a quarenta canadas de azeite. o dVsies . cuja carne comem os indios. a que os indios chamam pojuji. cora dentes «le ambas as bandas mui grandes. em os quaes acham pegados os peixes romeiros. cujos dentes aproveitam os indios. os quaes se defendem com ellas dos tubarões c de outros peixes. Que trata do peixe serra. Aragoagoay e chamado pelos indios o p >ixe a que o.

CAPITULO CXXIX. que serve para tudo o para que presta a de porco. atados a grandes arpoeiras mui fortes . e salpreza . e tem dous colos como braços. A esles peixes se mata com arpões muito grandes. as quaes tem tamanhosfigadosque se tira delles quinze e vinte canadas de azeite . tem o corpo muito maciço. as quaes andam ao longo da arêa onde ha pouco fundo. mas tem o raboá feição de peixe e a cabeça e focinho como boi. o qual derretem como banha de porco. que o peixe leva alraz de si com muita fúria. não tem°escama . Goará<'oá é o peixe a que os porluguezes chamam boi. e tomam-nas com arpeos. que anda «a água salgada e nos rios junto da água doce. de que elles bebem. em nenhum tempo. que se dá ao longo da água. e uma só tripa . o qual tem osfigadose bofes e a mais forçura como boi. alé que o peixe se vasa lodo do sangue. e se vem acima da água morto. porque lhe largam com o arpão a arpoeira. e comem de uma herva miúda como milha. e no cabo d?ellas atado um barril ou outra boia . e duas goellas. õs recôncavos. e tudo muilo bom . onde o esfolam como novilho. mas pelle parda e grossa. que apparecem em certa monsão do anno. nao tem pés. o qual levam atado a terra ou ao barco. e para matalotagem da gente que ha de passar o mar.282 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e n'elles umas mãos sem dedos . uaon* No mar da Bahia se criam muitas lixas maiores que as de Hespanha . e se desfaz todo em manteiga. Que trata da propriedade do peixe boi. cuja carne é muito gorda e saborosa: e tem o rabo como toucinho sem ter n'elle nenhuma carne magra. o que esperam bem. mas não se faz conta d'ellas para as matarem. o qual peixe tem o corpo tamanho como um novilho de dous annos. e o arpador vai em uma jangada seguindo o rasio do barril ou boia . e seccas e escaladas servem para a gente dos engenhos. e tem muilo melhor sabor : a carne d'este peixe em fresco cozida com comes sabe a carne de vacca .

era cuja língua quer dizer olho de boi. etera saborosissimo sabor: a sua cabeça é quasi inassiça . tamanho e da feição do solho. foi Ia em três peças. lambem morrem á linha. e pardo na còr: lera a cabeça grande e gorda como toucinho. e «le vinha d'alhos. as fêmeas tem as ovas amarellas. as quaes são muito saborosas. o faz-lho vantagem no sabor. o na tabeço entre os miolos tem uma pedra tamanha como ura ovo de pala . e porque ha poucos indios que os saibam tomar. e os machos tom os testículos c vergalhocomo boi. posta de fumo faz-se muilo vermelha. e assim a vão seguindo alé que cahem no anzol. Que trata dos peixes pesados e grandes.ROTR1RO UO BRAZIL. mas tem mais que comer. cujos ossos são muito tenros. Andam estes peixes pelos baixos ao lonso da arêa. senào quanto c mais barri- .1 salpreza. e feita o:n lassalhos. a qual so faz muilo vermelha e é feita toda emfovrascom sua gordura misturada : o em fresca . CAPITULO CXXX. mas hão lhe ir andando com alinha pira comerem a isca. «adubada parece e lera o sabor de carne do porre. e tora grandes virtudes contra a dôr de pedra : as fêmeas parem uma só criança. o qual lera os dentes corao boi. é-o muito. a qual é muilo alva e dura corao marfim. ondo não bolem comsigo.cozida. as màoscozidas d'eslo peixe são como as do [wm-o. e tora o seu sexo como outra alimaria. aonde esperam bem que os arpoem. Beijupirá é o mais estimado peixe do Brazil. o parece e tem o sabor. cujas escamas são grandes : quando este peixe é grande. e cada uma enche um pralo grande. pelo qual nomeo noraeam os Porluguezes. esie peixeé quasi da feição do beijupirá. morrem poucos. na pellc não tem cabello nem escania. Tapyrsiçá é outro peixe assim chamado pelos indios. de caruo do porco muito boa. e desfazem-se na boca cm manteigi todos. 28* melhor. assada pároco lombo de porc».

e morre á linha . Carapitanga são uns peixes que pela lingua do gentio querem dizer vermelhos. Ha outro peixe a que os indios chamara piraquiroâ. as fêmeas tem ovas tamanhas que enchem um grande prato cada uma d'ellas. mas cheio de escainas grossas do tamanho da palma da mão. e os pequenos como gorazes. Camuropi ê outro peixe muito prezado o saboroso. porque. e muitos morrem tamanhos que lhe caberia na boca um grande leitão de seis mezes. e outro de carne. e quando estão gordos não tem preço. são muito saborosos era extremo. e por façanha se meteu já um negrinho de três annos dentro na boca de um d'cfte? peixes. e quando este peixe é gordo é mui saboroso. os quaes são mui grandes. e cortado em poslas. o qual lera lambem grandes ovas e muito boas. os quaes morrem em todo o anno. eoutras mais pequenas. o qual morre á linha no verão . mas mais vermelhos uns e outros. e sal prezo é estimado CAPITULO CXXXI Que trata das propriedades dos meros . está arrumado um eilo de espinhas grandes. e são muitos d'elles tamanhos que dous indios não podem com umas costas atado em um páo. e muito gostosas . Estes peixes morrem á linha em honesto fundo. pescadas e xareos. porque o são na côr: os grandes são como pargos. gudo . e mais saborosos. como são gordos. os quaes a seu tempo tem ovas grandes.284 GABRIEL SOARES BE SOUZV. que são como os corcovados de Portugal. e t-ão mui sadios. cavallos . e no cabo tem muitas juntas corao o savel. Cunapú são uns peixes. e é muito saboroso e de grande estima. tamanho conto uma pescada muito grande e da mesma feição. que se tomam á linha. e ordinariamente em todo o anno morre muita somma delles. os quaes . a que chamam em Portugal meros. os quaes são muito estimados.

ao que os Porluguezes chamam charéo. Esto peixe é muito saboroso. mas compridos. os quaes não comem a isca estando queda. o salpimenlados suo muito bons. os seus ossos dos focinhos se desfazem todos entre os dentes em manteiga . as quaes se tomam á linha. nas tostas. prateado e tezo . com a criação que desovaram na Bahia. e se faz todo em folhas como pescada. e açodem então á isca. o qual cozido e recheado dos figados tem muilo bom sabor. tão grossos no meio como avelãs. e pegam do anzol.WIL. a quo os indios chamam camboas onde morrem muitos. Chamam os indios guiará. e tem nas pontas«tasespinhas. São esles peixes maiores que grandes pescadas. o couro d'esie peixe é tão grosso como um dedo e muito gordo . fazem as postas folhas como as boas pescadas do Lisboa e em extremo são saborosas. que e peixe largo. branco . Guarapicú sao uns peixes a que os Porluguezes chamam cavadas . mas muito maiores e mais gostosas. o «|ual quando é gordo « ? em extremo saboroso. das quaes ha muitas que começam a entrar na Bahia no verão com os nordestes. mas da feição e côr dos saveis. e no tempo das águas vivas setomamem umas tapages de pedras e do páos. o qual peixe morre á linha e era redes em Icxfo «»anuo . uns ossos alvos atonelados. por trabalhar muito como se sente prezo. Cupá são uns peixes a que os Porluguezes chamam pescadas bicudas que são pontualmente da feição das das ilhas Terceiras . mas e muito avaut. e tem o bucho tamanho como uma grande cidra . pelo que os pescadores vão andando sempre com as jangadas.R.ido no sabor e levidão. e tem grandes ovas em extremo saborosas. os quaes salprezos são muito bons. e salprezo este peixe é muito gostoso. cujoraboé gordissimo. 2Rõ tem tamanhos figados como ura carneiro.ij. que é grande. o qual se toma cora qualquer anzol e linha. . e recolhem-se com elles. e salprezas de um dia para outro. e quando está gordo sabem as suas ventrecbas a savel. o além de ser gostoso é muito sadio.UTRIRO DO BR. sem trabalharem por se soltar d'el!e.

as quaes mordem muito. as quaes chamam os indios jabubirá p sflo de muitas castas como as de Lisboa. que se tomam á linha e com redes. Aos cações chamam os indios socori. onde as tomam ás mãos. não as ha senão junto das pedras. e os pequenos são mui leves e saborosos. mas temo couro amarello. e é muito leve e gostoso. Ha outro peixe. do que ha muitos na Bahia. das quaes ha muitas. Chamam os indios ás moréas caramurú. da boca dos rios para dentro até onde chega a maré. e morrem á linha e em redes: . Ha outra casta de bagres. o são muito gordas e saborosas. que em tudo o parecem. a que os indios chamam guris e os Portuguezes bagres: tem o couro prateado sem escama. Arraias ha na Bahia muitas . e os pequenos frescos. de palmo e meio e de dous palmos. tomam-se á linha. que tem a mesma feição. mas muito dura. este peixe se toma em todo o anno. e uns e outros não tem na feição nenhuma differença dos que andam e se tomam em Hespanha. CAPITULO CXXXII- Em que se trata dos peixes de couro que ha na Bahia. Panapaná é uma casta de cações . os pequenos á linha e em redes de mistura com o oulro peixe. frescos e seccos. e tem muitas espinhas. cujas pelles se pegam muito nos dedos. e não são tão saborosos como os bagres brancos. se não quanto tem na ponta do focinho uma roda de meio compasso. comem-se os grandes reccos em tassalhos. o qual peixe tem grandes fígados como tubarões. e tem o miolo d^ella duas pedrinhas brancas muito lindas. e são muito gostosos e leves. que também morrem em todo o anno á linha. e os grandes lomam-se com anzoes de cadêa. tem a cabeça como enxarroco. mui grandes e mui pintadas como as de Hespanha . a que os indios chamam urulús.286 GABRIEL SOARES DE SOUZA.

o qual peixe é secco e toma-se á linha. No mesmo tempo enlram na Bahia muitas albacoras. e morre :«linha: do que ha muilo por estes rios. que são como as das Ilhas. Abróteas morrem na Bahia. e tem uma còr amãrellaça era fresco. . Também entram na Bahia no verão muitas douradas. e salprezo.ROTEIRO UO BR VIU. mas muito maiores. os quaes são poucas vezes gordos e nenhumas estimadas. CAPITULO CWXIII. que são muito saborosas e sadias. Piracuca chamara os indios as garoupas. «me são tomo as que seguem os navios. Esto peixe tem na cabeça metidas nos miolos duas pedras muito alvas do tamanho de um vintém . Camuris são uns peixes. e lera a carne molle . bonitos . assim chamados pelos índios . tomam-se á linha . mas muito sadio e saboroso. que se parecem com os roballos de Portugal. 287 ha umas muito grandes e outras pequenas . mas tem bichos nas ventrechas que se lhes tiram. Que trata da natureza das albacoras. e secco lambera. o não ó havido por bom peixe. corrinas e outros. que são como os «pie se criam na carne. faz-se em folhas corao pescada. e lera a espinha verde. morrem á linha . e tem-se em pouca estima. é peixe molle. dourados. tem o peixe molle. que são pontualmente como as das IlliasTerceiras. Tacupnpirema « ura peixe <|ue arremeda as comuns «Io Hespanha . morrera a linha das botas dos rios para doutro até onde chega a maré. e é muito gostoso. mas mais setcas . pescam-se onde o fundo seja de pedra . que morrem á linha: são corao os do mar largo. a que os iudios chamam caraoatá. «piesão da feição das do mar largo. * o qual morre no verão. Bonitos entrara também na Bahia no verão muita somma. «is boca d«>s rios para dentro até ondo chega a maré . mas em fresco é saboroso e sadio.

as quaes são muilo verdes. seis palmos de comprido: são muito gordos e de muitas espinhas. de que fica dito atraz. e tem grandes fígados e muito gordos e saborosos. dos quaes morrem em todo o anno muitos á linha. as quaes põem nas arêas infinidade de ovos. ainda que estejam no fogo oito dias a cozer ou assar. tem muitas espinhas farpadas como as do savel. mas muito carnudos o tezos e de bom sabor. que vem no verão d'arribação á Bahia. e ha d'esta casta muitos peixes pequenos. que morrem á linha no verão. Em que se contém diversas castas de peixes que se tomam em redes. morrem á linha e são de pouca estima. porque roncam no mar como porco. e ha alguns de cinco. são do. Ha outros peixes na Bahia. e apoz elles as cavallas de que dissemos atraz . de que fazem a isca para as cavallas. a que os indios chamam ubaranas. CAPITULO CXXXIV. se toma nellas o que se contem neste capitulo . Goaivicoára são uns peixes a que os Portuguezes chamam roncadores. porque roncam debaixo d'água.tamanho e feição dos sargos. não se hão de coalhar nunca. Sororocas são outros peixes da feição e tamanho dos chicharros. que não morre á linha. a que os indios . os quaes morrem em todo o anno á linha. E comecemos logo do principal. e sempre estão como as dos ovos crus de gallinhas. Além dos peixes que morrem nas redes. Chamam os índios ao peixe agulha timuçú. por que as claras. e é peixe levee pouco estimado. que são as tainhas. Maracuguara é um peixe a que os Portuguezes chamam porco. que se parecem com tainhas. e em todo o anno se toma este peixe á linha. e tomam-se muitas na costa brava tamanhas que as suas cascas são do tamanho de adargas.28S GABRIEL SOARRS DE SOUZA. Chamam os indios ás tartarugas girucóa. e é peixe muito saboroso e sadio. dos quaes se comem somente as gemmas.

e são muito gostosas. de. •|ue morrem nas redes e qne lera o mesmo sabor. que é o nome que tem oulro peixe quo morre nas redes. saborosos e leves. que são baixos e largos. e quando eslão gordas. para que se venham todas abaixo a meter nas redes: e d*esta maneira carregam uma canoa de tainhas. estoo cheias de banhas.. Chamam os indios coirimas a outros peixos dafeiçãodas tainhas.quando a maré vaza. muito delgado e largo.e de oolro peixe qne entra no esteiro. e como a maró está cheia tapam-lho a porta. que é quasi quadrado. o são estas tainhas. Estas tainhas sotomaraera redes. Tareira quer dizer enxada. das quaes sahem logo em um lanço Ires.. as tomam «K indios com umas redinhas de mão. e poem-Uie »sredinhasao longo datapagem. que morrem nas rodes em to«lo o anno. o tapam a boca A» um esteiro com varas e rama. Arabori é um peixe de arribaçao. muito delgado pela banda da barriga e grosso pelo lombo. e os Portuguezes gallo. o andara na Bahia ordinariamente a ellas mais de cincoenta redes de pescar. qne chamara puçás. e em todo o anno são gordos. e ajnntam-se muitos indios. com uma boca pequenina. mas muito mais ^osiosas . Carapebas são uns peixes. do quo ha infinidade «folias na Bahia. quatro mil tainhas. oa gonte«los navios do Beiuo. mas sáo muito maiores. 5g() ehamam paratis. ponpm andam sempre em cardumes. que lambem tom boas oras. e assim cheias de espinhas.m as quaes secasse mantom osengenhos. eé muito saboroso e leve. as qua»* morrera nas enseadas.< gordas. Ha outro peixe que morre nas redes. cora águas vivas. a que os indios chamara zabucaí. e outros batom na água no cabo do esteiro. da feição das savelhas de Lisboa.ROTEIRO no «Ruir. e nada de perallo. as quaes salprezas arremedam ás sardinhas de Portugal no sabor. o qua! também nada de perallo. c. nem mais nem menos «orno as de Hespinha. :57 . e faz na cabeça uma feição conm crista. e tom grandes ovas. etomara-seem redes.|uo fazem matalotogem para o m»r. do tamanho dos sarguetes. E de noite. este peixe é muito levo e saboroso. quo vfloataila* em uma vara arcada. o qual é alvaccnto.

que lhe comem todo o ceo da boca. que por não enfadar não digo delles. que se dá na costa das Ilhas . Que trata de algumas castas de peixe medicinal. este peixe se dá aos doentes. e muito leve para doentes. CAPITULO CXXXV. e são tão leves que se dão aos doentes. dos quaes ha muitos na Bahia. que morrem a linha : e quando é gordo. nas pedras. na côr. no ceo da boca tem uns carrapatos. é muito saboroso . Bodiaens é um peixe de linha. e outros muitos peixes ha. que lhe os bichos fazem . e largos como choupas.290 GABRIEL SOARES DE SOUZA. os quaes morrem á linha junto das pedras. tamanho como cachuchos. que se tomam á canna. Atucupa são uns peixes pequenos. que são em todo o anno muito gordos e saborosos. e são tão leves que se dão aos doentes. . no sabor os salmoneles de Hespanha. muito medicinaes para doentes e de muita substancia . Piraçaquem é um peixe da feição dos safios de Portugal. muito saborosa. Tomam-se na Bahia outros peixes que são pontualmente na feição. e leves para doentes. o qual não tem escama. Jagoaracá é um peixe que morre á linha. Goayibicoati são uns peixes azulados pequenos. é peixe saboroso. e tem a côr de peixe cabra. estes peixes nascem no inverno com água do monte. tem os figados vermelhos como lacre. mas muito gostoso e leve. e feição de salmonete. morre á linha em todo o anno. é peixe molle. os quaes lhe morrem no verão em que lhe torna a encourar a chaga. a carne d'este peixe é muito teza.

e grande fraqueza. ao qual os judios com fome csfolam. mas o peixe é muito gostoso e sadio. cujo sabor não ó muito bom. e comem-nos. e de noite se tomam melhor eom fachos de fogo. sem o açouLirom . nas concavidades que tem os arrecifes. Aimoré é um peixe que se cria na vasa dos rios da água salgada. mas as ovas são peçonhentas. e o mesmo peixe. e são como os de Hespanha sem nenhuma differenea. e liraui-lhe o peçonhento fora. onde se tomam nas covas da vasa. Baiacú é um peixe que quer dizer sapo. o qual se toma debaixo da vasa ou com redes. os quaes não andam nunca em cima d'agua. ondo ficam com pouca água. e fazem arvoar a cabeça. são sobre o molle. u mui peçonhento. e vomitar. faz-se cm pedaços. e tomam-se na baixamar do maré de águas vivas.ROTEIRO UO BRAZIL 1MH CAPITULO CXXVVI. as suas ovas são pequenas e gostosas. Estes quando eslão ovados. da mesma còr o feição. . Que trata da natureza de alguns peixes que se criam na lama e andam sempre no fundo. e dòr de estômago. mas são tão peçonhentas que de improviso fazem mal a quora as come . e são muito saborosas. tem as ovas tão compridas quo quasi lho chegam á ponta do rabo . e se o cozem ou assam . Nos arrecifes se tomam muitos polvos. mormente a pelle. mas passa este mal logo. que se criam na vasa dos mesmos rios do salgado. mas muito gostosos cozidos e fritos. mas mais curtos e assim escorregadios. a que os indios chamara caiacanga. os ligados e o fel. Uramaçá é uma casta do peixe da feição delingoados do Portugal. que são da feiçio dos eirós de Lisboa. os quaes são da feição e còr dos enxarrocos: e lio escorregadios como elles. o mui leves. e de improviso se acha mal quem as come como as dos aimorés. Chama o genlio aimorèoçús a outros peixtís. e tem a cabeça da mesma maneira.

ao qual os índios comem esfolado. com as cheias. e no fim dellas duas perpatanas duras como as do rabo . mas se lhes derrama o fel. e o mais é còr vermelhaça . todos cheios de espinhos tamanhos como alfinetes grandes. Piraquiroà é um peixe da feição de um ouriço cacheiro. e é dos hombros para baixo muito estreito. CAPITULO CXXXVII. mas anda sempre pela arêa sobre as mãos. dous buracos. mas delgado e duro como osso e muito prelo. os quaes andam sempre ao longo da arêa no fundo. os quaes se tomam na água salgada em eamboas. uns bichos como minhocas. easperpatanas do rabo são duras e grossas. e ficam com a maré . e tem as costas cheias de sarna como ostrinhas. Este peixe não nada. quando não tem outra cousa. Piraquiras são uns peixinhos como os peixes reis de Portugal.1U2 GABRIEL SOARES 1)1-. que lhes morrem no verão. da feição de choupinhíis. os quaes andam sempre no fundo da água. e tem na barriga. incha quem o come até rebtítitar. delgado e duro como nervo.soça onde se esles peixinhos vem recolher fugindo do peixe grande. tomam-se em redes. com os quaes peixes assados os indios matam os ratos. e na despedida do rabo tem duas pernas corno rãs. onde ha pouca água. os quaes tem pegados na polle por duas pontas com que estam arraigados. e como as ruivocas de água doce. debaixo das mãos. mas tem a boca muilo pequena e redonda . e debaixo na barriga tem dous bracinhos curtos. que se tomam á cánnanos rios do salgado: são tezosede fraco sabor . e comem-lhe a carne. Mirocaia ó um peixe. mie são umas cercas de pedra en. SOUZA. Bacupuá é um peixe da feição do enxarroco nos hombros e na cabeça. assim chamado dos indios.cm cujas bocas se criam no inverno. ou lhes fica alguma pclle. e da cabeça lhe sabe um corno de comprimento de um dedo. Que trata da qualidade de alguns peixinhos e dos camarões. a quem os indios esfolam. e nelles maneira de dedos.

O maristo mais proveitoso á gente da Bahia sm uns e. e pintailosde pardo e amarello. por estuzar prolixidade .*V vazia dentro nas poços. criam-se «jstes nos esteiros d'agua salgada . e em tudo o mais lem a mesma feição e feilio: e triarn-se nas tontavidades dos arrecifes . c para se tomarem bem esles lagoslins. onde s > enchem balaios «folies : (. E afora estes peixinhos ha iv. e ficam depois de assados todos pegados á feição de uma maçaroca. que é nas marés da lua nova. os quaes tem as unhas curtis. mas eslá entendido que onde ha tanta diversidade de peixes grandes. embrulhados era umas folhas debaixo do burralho. e são sempre gordos e muilo bons pira doente*.il castas de outros de que se não faz menção.ROTEIRO l>i> RRA/.em terlo « tempo trazemos índios«I'esles lugares sacos cheiosdVstcs peixinhos. onde se tomam era conjunção das águas v ivas muilos. ha ile ser de noite com fachos de fogo. Pequilinins são uns peixinhos muilo pequininns que se tomam em poças d'agua. as barbas compridas . Polipemas chamam os indios aos camarões. e nas red«s grand«ís de pescar vem de mistura tora o oulro peixe CAPITULO CXXXVI1I. e tomara-se era redinhas de mão. os quaes são redondos como choupinhas. e sãoesborrachados na feição: tem a casta branda c são mui saborosos. Que trata da natureza dos lagostins c ussús.ll 2ft. mas mais pequenos alguma tousa. e os machos muito gordos. em a qual estão cheios «le coraes muito grandes as fêmeas. ondo fitara tomo a maré varia.irauguej<r- . a em seu tempo. haverá muilo mais dos [icquenns. que são tomo os de villa Franca. Carapiaçaba são uns peixinhos que se tomam á ranna. e são tamauinns que os indios assam mil juntos. estão melhores que na lua cheia . Aos lagoslins chama o gentio potiquequiâ: os quaes sao da maneira das lagosLis.

que trazem vivos em um cesto serrado feito de verga delgada. o qual amarga muito. e fazem dor de barriga aos que os comem . e de cada engenho vão quatro e cinco d'estes mariscadores. e são mui sadios para mantensa dos escravos e gente do serviço . Estes carangueijos tem as pernas grandes . os machos estão mui gordos. os quaes se querem antes assados que cozidos. que todos apparecem e sahem das covas da lama.29ÍI GABRIEL SOARES DE SOUZA. a que os indios chamam ussás. e faz espanto a quem atenta por isso. e o que se dellas como o o mais do rarangueijo. e é necessário tiral-o a tento. e duas bocas muilo maiores com que mordem muito . os quaes são grandes e tem muito que comer . porque não faca amargar o mais. e tem coraes uma só vez no anno . em as quaes tem tanto que comer como as das lagostas. assim os machos como as fêmeas. pouco mais ou menos. estes caranguejos se criam na vasa entre os mangues. e façam criação. tanto que parece o seu casco estar cheio de manteiga. onde fazem sua morada. e como desovam pellam a casca. é muito gostoso. e recolhem em cada samurá d'estes um cento. e como tiram as fêmeas fora as tornam logo a largar para que não acabem. e nasce-lhes outra casca por baivo. a que os indios chamam samurá. do tamanho que hão de ser. . com os quaes dão de comer a toda a gente de serviço. Estes ussás são infinitos. e quando assim estão são mui gostosos. e emquanto a tem molle estão por dentro cheios de leite. e é não haver quem visse nunca carangueijos d'esta casta quando são pequenos. e quando as fêmeas estão com coraes. E não ha morador nas fazendas da Bahia que não mande cada dia um indio a mariscar d'estes carangueijos. das quaes covas os tiram os indios mariscadores com o braço nú. Tem esles caranguejos no casco um fél grande. de cuja folha se mantêm. e bucho junto á boca com que come. e não ha indio d'estes que não tome cada dia trezentos e quatrocentos carangueijos.

e uns e outros são sadios e gostosos. e os machos estão muito gordos. que se descobre na vasante da maré . e os machos os lera brancos. uns e outros. em quanto não vêem gente. Criam-se outros caranguejos na água salgada . Ha outros caranguejos. e como a sentem se mettem logo nas covas : e aconteceu já fazer ura indio tamanha cova. e são poucos e gostosos. e eslào muito gordos. ondo os tomam ás mãos. e tem as pernas curtas e pequenas bocas: são muito poucos mas muito bons. a que os índios chamara serizes. a quo os índios chamam goaiá: estes são compridos. uma vez no anno. que . mas tem a casca molle. tem muilo que comer. *?95 CAPITULO CXXXIX. dos quaes ha infinidade. e tem as covas mui fundas. para tirar ura d'estes caranguejos. como os de Portugal. que lem outra feição mais natural com os caranguejos do Portugal. de cuja folha e casca se mantêm . e andam sempre pelas praias. e os hratos dellas quadrada*. Goaiaussá são outros caranguejos que se criam dentro d'aréa . que se criam nos rios. Ha outros caranguejos. em o que tem muito que comer. os quaes são pequenos e brancos. e náo tem foi como os ussás. e em seu tempo. Aralús são oulros caranguejos pequenos. tem as fêmeas coraes. mas são muito maiores. os quaes são mui lizos e de còr apavonada. e sempre lhe eslão roeiufo nos pés. onde a água doce se mistura com a salgada. que se tomam no rio de Sacavem em Lisboa . as pernas curtas. e tem o casco redondo. e lera as duas botas muito compridas e grandes. criara-se enlre os mangues.ROTEIRO DO RRAriI. Que trata de diversas castas de caranguejos. e em todo o tempo são muilo gostosos e sadios: criam-se na praia d'area dentro na água . Estes desovam em cada lua nova. quando a maré enche. era a qual as fêmeas lera grandes coraes vermelhos. os quaes. a que os indios chamam goaiarara.

que o peixe come bem . as boas se dão dentro da vasa no salgado . os quaes tem a casca muito molle ordinariamente. e criam-se nas raizes e ramos d'elles até onde lhes chega a maré de preamar. e estão na con- . estão mui doces e sem sabores. a que os indios chamam leripebas. a qual é muito alva. que se criam em baixos de arêa de pouca água . da feição de vieiras. porque tiradas umas. porque lhes serve este goaiaussá de isca . defronte do Barreiro. e em algumas partes os tem tamanhos que se não podem comer senão coriadas em talhadas . as quaes estão sempre cheias. como se vè na Bahia. que se não enxerga o páo. e nunca se acabam . as quaes raizes e ramos estão tão cobertos d'estas ostras. mas muito gostosas. que se criam no rio de Lisboa . e tem ordinariamente grandes miolos. E ha tantas ostras na Bahia e em outras partes que se carregam barcos d'ellas muito grandes para fazerem cal das cascas. Estas leripebas são um marisco dü muito gosto. Que trata das qualidades das ostras que ha na Bahia. Nos mangues se criam outras ostras pequenas. assadas e fritas são muito gostosas . no que os indios tomam tanto trabalho. logo lhe nascem outras. e ha engenho que se gastou nas obras d'elle mais de três mil moios de cal d'estas ostras : as quaes são muito mais sadias que as de Hespanha. as quaes cruas. e pelos rios onde se junta a água doce ao salgado se criam muitas na vasa. onde lhe os indios chamam leriuçú . e não se comem por pequenos. e em todo o tempo são muito boas e muito leves. mas quando ha água do monte. a que os indios chamam lerimerim. e muito grandes. Ha outras ostras.296 GABRIEL SOARES DE SOUZA. As mais formozas ostras que se viram são as doBrazil. e ha infinidade d'ellas. de que se faz muita e muito boa para as obras. e eslào umas sobre outras. as quaes são como as salmoninas. lhe cahiu arêa em cima. de maneira que não pôde tirar a cabeça e afogou-se. as quaes são pequenas. CAPITULO CXL.

I.ii/a . ns quaes. além descrera maravilhosas no sabor. que são como as ameijoas grandes de Lisboa . Criam-se na vasa da Bahia infinidade de mexilhões. a que os indios chamam tercobas. e o mais que tem os do Lisboa . CAPITULO CXI. o um cheiro forlum que assado e cozido lem . Na Bihia se criam oulras sortes de marisco miúdo debaixo da arêa. e são mais pequenos. e tem dentro grande miolo de còr pard. a que os índios chamam sururús. a que os indios chamam sarnambitinga . tom que a gente d'ella e «Io seu limite teve «pie comer mais de dous annos. que são da mesma feição dos de Lisboa. Qw trata de outros mariscos que ha nu Bahia. que são da medrai feição e tamanho o sabor dos mexilhões de Lisboa. mas tem a casta muito redonda e grossa . muilo grandes: « |. cujo miolo «'• sobre o te/o e muito exeellente. e lera-se em casa na água salgada vivas. e com a minguante da lua <s>tão muito cheios. Primeiramente sernambis é marisco que S«Í cria na vasa. em as quaes so acham grãos de aljofar fiequenos. nas praias da arca. mas tem a casca mais grossa. mas o melhor d'este marisco e frito. e de toda a maneira este marisco é prezado. e criam-se logo serras «1'esLis leripebas umas sobre as outras. Em os baixos da aréa que tem a Bahia se cria ontrn marisco. os quaes tem taranguejinhos dentro. que se come assado e cozido. e tem o mesmo gosto e sabor . por que se lhe gasta no fogo a muiLi reima que tem . que são da feição •• tamanho das ameijoas de Lisboa. . são muilo leves. quinze c vinte dias.« > aconteceu «lescer com a maré serra dVllas ale defronte da tidade.ROTEIRO DO BRAZIL *2U7 inncção da lua nova muilo cheias . T)os berbigões ha grande multidão na Bahia. assim cruas tomo abertas no fogo: as quaes se tiram do deliaixo da arêa .

e também crus. comem-se abertos no fogo. com que tangem. nem casa de indios onde não haja três e quatro. o da mesma grossura. a que os indios chamam oapuaçú. A estes búzios furam os indios pelo pé por tangerem com elles. e no que a boca abre para fora são mui formosos. os quaes soam muito mais que as buzinas. Tapuçú são uns búzios tamanhos de palmo e meio. e algum tanto tezo. e criam-se estes búzios na arca. que se come aberto no fogo . cheios de bichos muito bem a foi- . estes tem grande miolo bom para comer. os quaes búzios servem aos indios de buzinas. a que os Portuguezes dizem lingoeirões. Ha outros búzios. que se criam na arêa. os quaes são tão compridos como um dedo e mais. CAPITULO CXLII. que se lhe tira bem. que se lhe lira facilmente. os quaes são algum tanto baixos. na vasa dellas. que requeima algum tanlo na lingoa. Que trata da diversidade da búzios que se criam na Bahia. e a casca se abre como a das ameijoas. e não ha barco que náo tenha um . e no miolo lem uma tripa cheia delia. mas tora um certo sabor. tamanhos como nozes e maiores. e são mui gostosos. Perigoas são outros búzios. a que os indios chamam oatapú. que tem uma horda estendida para fora no comprimento do búzio 'de um coto de largo. se cria outro marisco. Também se criam na arêa outros búzios de três quinas. Nas enseadas da Bahia. sobre o tezo. c criam-se na arêa . que são tamanhos como uma grande cidra. onde lem uma tripa cheia de arêa. e pontagudos no fundo. mas é muito tezo. são brancos. e tem grande miolo. e roucos com grande boca. que os indios comem. e tem um miolo grande e mui gostoso. também servem de buzinas aos indios.29S GABRIEL SOARES DE SOUZA. a que us indios chamam goaripoapem. que são tamanhos como uma pinha & maiores. o qual tem uma tripa cheia de arêa. cujo miolo é grande e saboroso.

Assim como se na terra criam mil immundicias de bichos prejudiciais ao remédio da vida humana. so lhes lira tora a mão muito bem. como atraz no titulo das alimarias fica declarado. e lambem tora tripa de aréa. os quaes se criam em pedras. os quaes tem grande miolo. tamanhos tomo um ovo. que cozidos o assados. e silo muito bons e saborosos. que se criam na aréa. o são muito alvos. lambera pintados. da mesma maneira se criam no mar. o «piai o muilo saboroso. que sao muilo lizos. com um grande bico no fundo. o sorriam lambem na arêa .ROTEIRO DO RRAZIL 299 eoailos. que por atalhar prolividadesc não diz aqui delles. que so lhes lira. e tem uma tripa cheia de aréa fácil «le tirar. que são corno os da costa de Portugal. Ticoerauna são uns búzios pequenos da feição de caramujos. Ha oiilros bu/ios. Este marisco é de muito gosto o love. a «pio os indios chamara ticoarapuâ. e rum tormenta lança-os o mar fora nas enseadas. o cozidos tirara-se cora alfinetes como caramujos. Pindá chamam os indios aos ouriços que se criara no mar da Bahia. como se verá pelo que neste capitulo se contem. Oulras muitas castas ha destes búzios pequenos. . a que os indios chamara oacare. e lera grande miolo. do que ha muita quantidade. Sacurauna é outra casta «le búzios. tamanhos como [«eras pardas. que se criara na arêa. Ha outros búzios. os quaes se criam nas folhas dos mangues como caracoes. CAPITULO CXL1II. do quo ha muita somma. pintados por fora. mas sobre o duro. os quaes tem ura miolo dentro. Em que contém algumas estranhezas que o mar cria na Bahia. «pie sorvera de tentos. que são ásperos por fora. Estes búzios são os cora que as mulheres burilem e assentara as costuras. e sobro o tezo. lavrados era caracol por fora: lera miolo grande tom tripa como esfoutros. outros compridos. e pintados por fora.

que é cousa estranha. soltas. a que os indios chamam jaci. nem para outra cousa alguma que aproveite para nada. Nas redes de pescar sahem ás vezes umas pedras brancas. retorcida. e na Bahia sahem ás vezes juntas duas. com o que se enganaram muitos homens cuidando ser âmbar. e o que se cria na doce morra na salgada. com tormenta. Lança este mar fora muitas vezes. a que os indios chamara muciqui. a que os indios chamam itamanbeca. e tem a cabeça e boca dura. as quaes não servem para nada. este guzano. e para esle guzano não fazer tanto damno nas embarcações. e três mil dellas .SOO GABRIEL SOARES UE SOUZA. que o corpo do bicho de dentro manda para onde quer. Também esle mar lança fora pelas praias alforrecas ou coroas de frades. epara roer não lança fora d'esta casca mais que a boca. donde umas sahem delgadas e molles. pois fura as pedras. Aos guzanos chamam os indios ubiracoca. umas estrellas da mesma"feição e tamanho das que lança o mar de Hespanha. do qual não é deespantar furara madeira dos navios. e outras tezas e aperfeiçoadas. permitiu a natureza que o quo se cria na água salgada morra entrando na água doce. a não usa ninguém delles para se comerem. as quaes se acham cada hora lavradas delles. mui liada como fígado de vacca. Também deita o mar por estas praias muitas vezes esponjas. com que faz o caminho diante d'esta sua camisa. e é uma água morta. feitas em castelletes alvissimos . onde não acha páos. mas já agora não ha tanto que faça mal aos navios e outras embarcações. alva e dura. os quaes são muilo duros e resplandecentes. e furadas de uma banda e outra . Na Bahia houve já muito. e de tanto artificio. como aquellas que sabem no rio de Lisboa na praia de Belém o em outras partes. é ura bicho molle e comprido como minhoca. as quaes se criam no fundo do mar. o qual se cria em uma casca roliça. por se criarem no fundo do mar. segundo a opinião dos mareantes. Muitas vezes se acha pelas praias da Bahia uma cousa preta. e com ella faz as obras e damno tão sabido . como búzio. lindos. e da mesma feição. que fizeram já aos homens lerem pensamentos que era coral branco. e dizem alguns . «|ue são lão delicados.

quo se criam debaixo das pairas. do que «'• bem «|ue «ligamos J'aqui por diante. e maior. muilo gostoso c sadio. Tamoatássão outro peixed'eslcs rios «pie se não escamani. mas não ainda aperfeiçoados. de còr mui prateada . pelo «pie os indios se náo atrevera a meter n'agua onde ha este |>eixe. o é peixe miúdo . os quaes se tomara á linha. os quaes se tomara ás mãos. Piranha quer dizer tesoura : é peixe de rios grandes. este peixe é muito gordo e gostoso. Não menos são de noLir os pescados. Tarciras são peixes tamanhos como miigens. o é da feição dos sargos. mas lera Lies dentes «|ue corta o anzol eereco. o ondo o ha. e loma-se a linha. E comecemos das eirns.11. que se criam nos rios de água tfote da Bahia. é muilo. CAPITULO CXLIV. entre as pedras. o elles mui branco*. Que trata da natureza e feições do peixe de água doce. leva-lho. as quaes são da feição e sabor das de Portugal. se lhes alcamjam os geuilaes. por terem a casca mui grossa e dura. o maiores. que ha nestes rios. e tem muitas espinhas. a que os indios chamara motim. da côr dos enxarrocos.ROTEIRO ltlt II HA 7. os quaes se tomam á linha nos rios de água doce: tem boas ovas e nenhuma cscama. e é mui saboroso. mas mais pequenos. tomo cousa quo so vai criando.101 toulemplaliv» que st criam dos limos do mar. mas são prelos. e «jue so lhe tira fora inteira depois de assados ou cozidos. «pie os que se criam no mar delia.1»' . porque remete a elles muilo e morde-os cruelmente. do que ha grandes [«estarias. Juquiás chamam os índios a outros peixes da feiijáo dos safios de Hespanha. |Hinpie se acham alguns muitas vozes cnfurinhados «Io aréa congelada e dura. . o qual peixe náo tem escama.

mas por ora deve de bastar o que eslá dito para que possamos dizer de algum marisco que se cria na água doce. que são pequenos . Assim como a natureza criou tanta diversidade de marisco nu água salgada. c veia pelos mexilhões que se criam nas pedras d'esles rios o no . a que os indios chamam piábâ. que são como ruivacas. que é peixe muito saboroso . que são tamanho e feição das choupas de Portugal. a cabeça mettida nos hombros e duas pontas como cornos . Tomam-se n*estes rios outros peixes. Também se tomam n'estes rios á cana outros peixes a que os indios chamam maturaqué . e é muito estimado e soboroso . CAPITULO CXLV. o qual é peixe saboroso e de poucas espinhas. o qual peixe se toma á linha. e o mesmo faz á caça que atravessa os rios á*de este peixe anda. Cria-se nestes rios outro peixe. da feição dos pnchôes do rio de Lisboa. fez o mesmo nos rios c alagòas da água doce.30'2 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e tem as mesmas espinhas e muitas. a que os indios chamam oaquari. tamanhos como bezugos. ila outros peixes nos rios a que os indios chamam goarara. como . e lem a pello grossa . o qual se toma á cana. o qual se toma á cana. que para se escrever houvera-se de tomar muito de proposilo mui largas informações . Que trata do marisco que se cria na água doce. largos e muito saborosos. mas tem o focinho mais comprido . Ha outras muitas castas de peixes nos rios da água doce . a qual os indios tem por con Ira peçonha para mordeduras de cobras e outros bichos. Acaras são outros peixes do rio. Ouerico é um outro peixe de água doce da feição das savelhas . que são pequenos. mas tem o rabo agudo . os quaes se tomam á cana. e tem a barriga grande. cerceos.

e. « quaes w não são tão gostosos por serem doces. tem a casca nedia e as pernas curtas. mas são mais grossos e tem a$ barbas curtas. que sao da feiçãoe (amanho dos do mar. que são da mesma maneira dos primeiros. uns mexilhões de palmo de comprido e quatro dedos de largo. que silo pela banda de dentro da côr e Insiro da madre pérola. os quaes se criam entre as pedras das ribeiras e entre as rai/es das arvores. e o pescoço da mesma maneira . que tem pequeno corpo e duas bocas como alacrâos e a cabeça de cada «ma é tamanha como o corpo. quo por serem de água doce nío sao mui gostosos corao os do mar. na lamas dellas. que os indios chamam potim. os quaes tom grandes miolos. que vizinham com a água.ROTEIRO DO BRAZIL . pelo lugar onde nascem. que se criam e tomam do maneira dos de eiroa. e são muilo saborosos. a que os indios chamam aralúcm .. a que os indios chamam mpicaretá. Poliuaçú são uns camarões que se criam nas cavidades das ribeiras. os quaes se criam em pedras no concavo d'ellas. a que os indioa chamara como as do mar.1 fundo das lagoas. No fundo das lagoas. muito ensoças. do tamanho dos grandes de Lisboa. Também se criam na pedras d'estes rios caramujos maiores que os do mar e compridos. mas mais pretos na còr. nos riosgrandes. N estos ribeiras se criam outros camarões a que os índios chamam aralure. de que os indios se aproveitam tomaodo-osãs mãos. e lem tamanho corpo como os lagostins. começando primeiro dos mais genes. que servem de colheres aos indios. Mais pelo sertão se criam. e cm ou(ro tem o casco gordo como lagostas. e da terra das ribeiras. Também se criam n'estes rios muitos e mui diversos camarões. e em qnaesquer hervas qne se criam na água. que se também tomam ás mãos.". e tem a casca mais dura.0. as quaes são. Ha outra casto de camarões. se criam ameijoas redondas que tom grande miolo. e estes e os mais mio são nada carregados. que são muito gostosos e tomam-se ás mãos. . os quaes criam coraes em certo tempo. os quaes cozidos são muito bons. que são muitos. dos quaes diremos o que foi possível chegar á nossa noticia.são muito saborosos.

e para os contar com os animaes lambem parece que lhe não cabia esse lugar. Em que se declara a natureza dos caranguejos do mato. onde os mordem mui valentemente. pois se elles criam na terra.30/í GABRIEL SOARES DE SOUZA. os quaes se criam em vargeas humidas. pois se parecem com o marisco do mar. sem lhe achar lugar commodo. Andei buscando até agora onde agazalhar os caranguejos do mato. e até meado de Março. porque para os arrumar com os caranguejos do mar parecia despropósito. onde tem as bocas com tamanhos bicos n'ellas. que é no cabo do inverno. No mez de Agosto. os machos são muito maiores que as fêmeas. e por nãoficaremsem gazalhado n'estas lembranças. o que é tão duro como ferro. A estes caranguejos da terra chamam os indios guoanhamú . e tão compridos e voltados que faz com elles tamanha apparencia como faz o dedo demonstrativo da mão de um homem com o pollegar. porque se se derrama faz amargar tudo opor onde elle chegou. todas cheias de coral mui vermelho . se sahem os machos e fêmeas ao sol. sem verem nem tocarem água do mar. tão fundas que com trabalho se lhe pôde chegar com o braço e hombro de um indio metidos n'ella. em o qual . o qual e tudo o mais é muito gostoso. e tem tanto no casco como uma lagosta . os apozentei na vizinhança do marisco da terra. mas em lugares humidos por todas as ribeiras. com o que anda a terra coberta d'elles. e tamanhos que tem os braços grandes. tiram-lhe o fel ou bucho que tem. CAPJTULO CXLVI. náo muito longe do mar. cheio de tinta preta muilo amargosa. Criam-se estes caranguejos em covas debaixo da terra. e onde pegam com esta boca não largam até os não matarem. No mez de Fevereiro estão as fêmeas. mas na visinhança da água doce. com o casco*e pernas mui luzentes. os quaes são muito grandes e azues. ainda que se não criam n'agua estes caranguejos .

e dizem os indiosque 1:0tempocm quo fazem mal comem uma fruta. o<. a que chamam arilicurana. com o que elles abafam nas covas.1 Vila. . < são então > bons de tomar.• tempo ae sahem ao sul passeando do unia pirte pua oulra . Daqui por diante se trata da rida e costumes do gentio da terra da Bahia. e por não acharam caminho dcsorapedidu morrera á boca da cova abafados. do que se tom dito Lintas maravilhas. de que jáfizemosmontão. mas são carregados: « para os • indios os tiraram das covas som trabalho. e n esta coujuncçfio andam os machos iao gordos que tom os cascos cheios de uma amarellidão corao gemas «Io ovos. ao que começamos satisfazer d'aqui por diante. que é uma casta de genlio muito antigo. Já era tempo de dizermos quem foram os povnadorcs e possuidores d'estaterrada Bahia . Que trata de quaes foram o» primeiros povoadores da Bahia. cuja vida c costumestomosprometido por tantas vezes n'cste tratado. n qual é peçonhento.{). CAPITULO CXLVII. Os primeiros povoadores que viveram na Bahia do Todos os Santos e sua comarca. Estos Tapuias foram lançados fora da terra da Bahia e da vizinhança do mar . segundo as informações que se tem tomado dos indios muito antigos. quaes são mui gostosos a maravilha. c quem são estos Tupinambás tão nomeados. por outro genlio seu contrario.taparo-lirnscora ura molho «Io hervas. o se vêem para tomar ar. que desceu do sertão. á fuma da fartura da terra e mar d'esla provincia. que se chamam Tupinaês. foram os Tapuias. *i» i'j . de quem diremos ao diante cm sou lugar. Algumas vezes morrerão possoosifotomeremesiogiianhamú.'.ROTEIRO p«i URAKIL.

fazendo guerra aos Tupinaês que a possuíam . e irem-se para o sertão. üs Tupinambás são homens de méã estatura . de que estavam senhores. e bem assombrados. os quaes se foram para o sertão e despejaram a terra aos Tupinambás . a qual os Tupinaês possuíram e senhorearam muitos annos. até á vinda dos Portuguezes a ella : dos quaes Tupinambás e tupinaês se tem tomado esta informação. miúdos. E estas Tupinaês se foram pôr em frontaria com os Tapuias seus contrários.SOO GABRIEL SOARES DE SOUZA. todos lem bons dentes. que a ficaram senhoreando. em cuja memória andam estas historias de geração em geração. aos quaôs faziam crua guerra com força. per se afastarem dos Tupinambás que os apertavam da banda do mar. CAPITULO CXLV1II. e como se dividiram logo. fi fizeram guerra um gentio a outro* tanto tempo quanto gastou para os Tupinaês vencerem cdesba ratarem aos Tapuias. Em que se declara a proporção e feição dos Tupinambás. se ajuntaram e vieram d'além do rio «fo S-. c chegando á noticia dos Tupinambás a grossura e fertilidade «Testa lerra. que vinham seilhoreando . tendo guerra ordinariamente pela banda do sertão com os Tapuias» primeiros possuidores das faldas do mar. sem lhe nunca apodrecerem . os pés pequenos. elh'os fazerem despejar a ribeira do mar. cm Iodas as outras partes do corpo os não consentem . e assim foram possuidores desta provincia da Bahia muitos annos. matando aos que lhe faziam rosto. fazendo guerra a seus contrários com muilo esforço. sem poderem tornar a possuir mais esta terra de que eram senhores. destruindo-lhe suas áldêas e roças. irazem o cabello da cabeça sempre aparado . tem as pernas bem feitas. da qual os faziam recuar pela terra dentro . muitoalegres dó roslo. sem perdoarem a ninguém. até que os lançaram fora das vizinhanças do mar. alvos. de côr muito bata . Francisco descendo sobre a terra da Bahia. bem feitos e bem dispostos.

CAPITULO CXL1X Que trata de como ss dividiram os Tupinambás. som lh'a querer tornar. e para muito. com as quaes faziam ciladas uns aos outros. ondo se davam batalhas navaes era canoas. Gomo se esto genlio viu senhor da terra da Bahia. Francisco e o rio lleal so declaram por inimigos dos quo so apozentaram do rio Kcal até á Bahia. onde havia grande mortandade do parte a parte. e passaram-se a ilha do Taparica. o grandes caçadores o pescadores. que eslá no meio da Bahia . no quo continuaram alé o tempo dos Portuguezes. o eneorporaram-se tora os vizinhos do rio Paraguassú . e so comiam . o a que davam vida. E os moradores da Bahia da banda da cidado so declararam por inimigos dos outros Tupinambás moradores da outra banda da Bahia. e se passaram á ilha de Taparica e delia a Jaguaripe. por entre as ilhas. e coniiani-so uns aos outros: « os que cativavam. e amigos de lavouras. que orara indios primipaes. uo limito do rio de Paraguassíi o do «le Seregipc . dividiu-se em bandos por certas differonras que tiveram uns com os outros.ROTEIRO DO RRAZIL 307 o os arrancam como lhes nascera : são homens do grandes feiras o «le muito trabalho j são muilo belicosos. e demasiadamente luxuriosos. e assentaram suas nldAas apartadas. com a gente das suasaldéas. com os quaes so lançou outra muita genlo . o faziam escravos uns aos outros. a cujo limite chamavam Ciramurè. « • faziam-se cada dia cruel guerra . o faziam-se cruel guerra uns aos outros por mar. c fizeram ^u-rra aos da cid ide. e sal toavam- . Entre os Tupinambás moradores «Ia banda da «idade armaram desavenças uns com os outros. o em sua maneira esforçados. sobro uma moça que um tomou a seu pai por forca . ficavam escravos dos vencedores. com a «|ual desavença so apartou toda a parentella do pai «Ia moça. ainda que ntraiçoados: são muilo amigos do novidades. tom o quo so inimizaram : os que se apozentaram entre o rio de S.

por so esconderem delraz d'ella . Destes Tupinambás. E em tempo que os Portuguezes tinham já povoado este rio de Jaguaripe . houve na sua povoação grandes ajuntamentos das aldèas dos indios ali vizinhos.temiam que se viessem a confederar uns com os outros para lhe virem fazer guerra . que ainda hoje. se querem tamanho mal que se matam uns aos outros se o podem fazer. por que se. com grandes festas. que se chama a do Medo . sendo toda uma por sua avoenga . os quaes não adoram nenhuma cousa. Ainda «pie os Tupinambás sedividiram em bandos. com o que tomam nome novo. Tinharé e a costa dos llhéos.oOís GABRIEL SOARES 1)E SOUZA. todos faliam uma lingua que é quasi geral pela cosia do Brazil . lhe desenterram a caveira. Em que se declara o modo e linguagem dos Tupinambás. nem lem nenhum . o de novo se tornam a inimizar. onde faziam ciladas uns aos outros com canoas. enlre esses poucos que ha. c Iodos tora uns costumes em seu modo de viver o gentilidades. e ainda hoje cm dia ha memória de uma ilheta . que se passaram á ilha de Taparica. e tamanho ódio se criou entre esta gente. se povoou o rio de Jaguaripe . em tanto que se encontram alguma sepultura antiga dos contrários. para o que as enfeitavam com pennas de pássaros ao seu modo . as quaes caveiras foram desenterrar a uma aldèa despovoadas para vingança de morte dos pais ou parentes dos quebradores d'ellas. para quebrarem caveiras em terreiros . se uns aos outros cada dia. e se assegurarem com isto os Portuguezes «pio viviam n'este rio. para osquebradores das cabeças tomarem novos nomes. e lh'a quebram. cm que se matavam cada dia muitos dVlles. o que ordenáramos Portuguezes ali moradores para se escandilizarom os parentes dos defuntos. CAPITULO CL. o que foi bastante para o não fazerem . e seinimizaram uns com outros. em as quaes festas houve grandes bebedie*. e se quererem de novo mal.

e cada ura vive . cousa muito pnra so nolar. Tem muita graça quando faliam. nem o filho ao pai. nem ao pai o filho. mas falta-lhe três loiras da «Io . para ler quem ajude a fazer suas rotas .«o do -CIMÇO que . E so não tora esta letra U na sua proiiunciatâo. porque senão tem F. que são F. L.4 B C. se lhes niette na cabeça.ROTEIRO 1)11 IIRAZIL. 300 conhecimento da verdade .10 som «Ia sua vontade : para dizerem Francisco dizem Pancico. mormente as mulheres: são mui conipondiosas na forma «Ia linguagem. nora os nasridos entre os chrisláos e doutrinados pelos padres da Companhia lera fé era Deus Nosso Senhor. é por que náo tem rei que os reja. para dizerem Rodrigo dizem Rodigo. o afrontado e bemquislo . nem tem lei uns com os oulros. Agrando oudohrailo. nem lera verdade. Que trata do sitio e arrumação das aldcas . e para «lizerera Lourcnço dizem Rorento. >-||c laiwa pri iro m. nem preceitos pira se governarem. o cada um faz lei a seu modo. é |»rquc náo tem lei nenhuma que guardar. Este principal ha de ser valente homem [«ara o toiihecerera |K»r tal . nem lealdade a nenhuma pessoa. «pie no tempo de paz tada nm faz o a que o obriga seu ajielite. nora sabem mais quo ha morrer c viver: e qualquer cousa que lhe digam.10 tem fé em nenhuma cousa que adorem . E se nao lem L na sua pronunciaçao. e as quantidades dos principaes dellas. o por este modo pronunciara todos «»s vocábulos era «|uc enlram estas três letras. o são mais bárbaros que quantas crealiiras Deuscroou. a que seguem somente na guerra. quo lho faça bem. sem haver entro elles leis com «jue se governem. è porque 11. e a quem obedeçam . e muito copiosusno seu orar. mas «punido as faz com ajuda '!•' seus (un-iiles e ch. onde lhe dão alguma ohedrentia. CAPITULO CLI. nem obedecera a ninguém. |>ela confiança quo lera cm seu esforço e experientia .'ga«|os . Era cada aldéa dos Tupinambás ha um principal. e ao som da sua vontade.

e pela mesma ordem vai arrumando a gente da sua casa. das casas. onde fazem bailes e os seus ajuntamentos. para não apodrecerem. iodos. c as outras casas da aldéa so fazem lambem muito compridas. que lhes dura Ires. e entre um e outro é ura rancho onde se agazaíha cada parentella. coberta da palma. e algumas velhas. e por cima d'estes tirantes das casas lançam umas varas arruinadas bem juntas. salvo se fôr algum mancebo solteiro. e não vivem mais n'esta aldéa. vinte e trinta palmos. busca sempre um sitio alto o desabafado dos ventos. e o principaj toma o seu rancho primeiro. mancebas. o ao recolher se . para <juo> se lhe os contrários entrarem dentro . para que lhe lave as casas. que se aqui curam ao fumo. eque aterra tenha disposição para de redor da aldèa fazerem suas rotas e grangearias. e da mesma maneira se arrumam o ordenam nas outras casas. faz o principal sua casa muito comprida. sem se pejarem uns dos outros. quatro annos. mas sempre o macho com fêmea.creados solteiros. e em umas e oulras a gente que se agazaíha cm cada lanço d'estes. c todos juntos. Em estas casas tein este gentio ajuntamento . Quando comem é no chão em cocras. Se estas aldôas estão em frontaria de seus contrários. o casar. porque em tal caso se irá para o lançq pnde está sua mulher. sua mulfierefilhos. a que chamam juráos. que ha de ser indio antigo e aparentado. E n'estas casas não ha nenhuns repartimentos.310 GABRIEL SOARES DE SOUZA. com suas portas e seleiras. que q servem. que em quanto lhes não apodrece a palma. fazem de redor delia uma rede de madeira. e em lugares de guerra. o afastado da cerca. a que os indios chamam pindoba. o quo tenha a água muito perto. donde se não poderão mudar. para lhe os outros que virem n'estas casas terem respeito. lhe sahirem. em que guardam suas alfaias c seus legumes. faz este genlio de roda daald«!a uma cerca de páo a pique muito forte. e em cada aldèa ha um cabeça. com suas entradas deforapara entro ella o a cerca. e como escolhe o silio a contentamento dos mais antigos. e arrumadas de maneira qqo lhe fica no meio uni terreiro quadradro. onde se elle aiTuma cfim. E corao lhe chove muito n'el!as passam a aldèa para outra parte. cada parenteUa em seu lanço . Quando este principal assenta a sua aldèa. e os principaes deitados nas redes. mais que os tirantes.

a qual lera armado sua rede junto da «Io marido. porque pela mor parte sio mais velhas «|ue as oulras. o como lera ajuntamento natural. em que dormem. e entre uma e oulra tem sempre fogo acezo. A mulher verdadeira dos Tupinambás c a primeira que o homem teve e conversou. mormente a mulher primeira. a quem os namoradores fazem a ro«. vai-se lançar com ella na rede. e lhe trazem a lenha do mato. e sempre ha entre estas mulheres ciúmes. e do menos gentileza. elles se vâo agazalhar no lauto dos sogros cora as mulheres. o que lem mais lilhas é mais rico e mais estimado. mas ellas «lio todas a obediência á mais antiga. e Iodas a servem. Que trata tUi maneira dos casamentos dos Tupinambás e seus amorrS. onde se delem só aquello «ispaço d'esle contentamento. os quaes servem os pais das damas dous o ires annos primeiro <|ue lhas dém por mulhem. e quando o marido se «|uer ajuntar com qualquer dellas. e apartam-se dos pais. e fogo entro cada duas rodes. e náo lera era seus casamentos oulra ceremonia mais que «lar o pai a lilha a seu genro. CAPITULO CLII. so tem por mais honrado e estimado. e as outras mulheres lera as suas redes. porque sio as filhas mui requestadas dos niancebos quo as namorara . quedezejam de ter. mais afastadas. e vão pescar c eaijar para os sogros. e por nenhum caso se enlrega a dama a sou marido era quanto lhe náo vom seu corturao. e como . e mais I arentella cora quem danles estavam .a . 31 t embaraçarem de maneira quo os possam (levar e desbaratar. e mais honrado de todos. E quando o principal nio é o maior da aldèa dos índios das oulras casas. ficam casados: c os indios principaes tem mais do uma mulher. e loma-sc para o seu lugar. o qual ajuntamento é publico diante de Iodos.ROTEIRO DO RRtZIL. o não as dáo senão aos «jue melhor os servem. e corao os sogros lhes entregam as damas. tomo acontece muitas vezes. mais o irrnáos. c o que mais mulheres tem.

Que trata dos afeites deste gentio. Costumam os mancebos Tupinambás se depenarem o* cabellos de todo o corpo. e alguns o trazem cortado por cima das orelhas. E como o marido lhe leva a flor. e se tem damas. e os mais cabellos de todo corpo. CAPITULO CL1I1. os quaes desastres lhes acontecem muitas vezes. e arrecadas de osso nas orelhas. cilas lem cuidado do os pintar : lambem trazem na cabeça umas pennas amarellas. lhe vem é obrigada a moça a trazer atado pela cinta um fio de algodão. mas o pai não se enoja por isso. onde lhe pegam umas . pestanas. sobrancelhas. E «mando se estes mancebos querem fazer bizarros. e não pelo cobrir. e aqui senão entende o preceito acima. ainda que seja em segredo. e pintam-se de lavores pretos. como já fica dito. e muilo bem aparado. que de outra maneira cuidará que a leva logo o diabo. que por natureza cortam muilo. lançadas ao pescoço . e lhe arrancam os cabellos da barba. arrepiam o cabello para cima com almecega. que fazem com tinta de genipapo. é obrigada a noiva a quebrar esles fios. e a vai criando até que. e grandes contas brancas. aos quaes as mesmas damas rapam a testa com umas canninhas. o pai lha dá sendo menina. que fazem de búzios. para que seja notório que c feita dona. com umas cannas.lhe venha seu coslume. antes que tivessem tezouras. porque elle a leva para o seu lanço.312 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e antes disso por nenhum caso lhe loca. o ainda que uma moça d'estas seja deflorada por quem não seja seu marido. que trazem losquiados de muitas feições. o que faziam. pegadas pelos pés com cera. c se algum principal da aldèa pede a outro indio a filha por mulher. e não deixar mais que os da cabeça. porque não falta quem lha peça por mulher com essa falta. e em cada bucho dos braços outro. ha de romper os fios da sua virgindade. os quaes cobrem os membros genitaes com alguma cousa por galantaria. para que venha á nolicia de iodos.

e dizem que se lhe der o ar que far. Que trata da criação que os Tupinambás dão aos filhos . «. que são do fio de algodão . 3 1 'A perminhas amarellas pagadas nelle. nem fazem outras ceremoni. niss de maneira que as possam lirar.APITl LO CI. e 40 . onde se lavam . grossos e prelos os quaes para lerem isto os untain muitas vezes c<tin oleo de cotos bravos. não buscam parteiras.a. era o qual lugar o visitam seus parentes e amigos. e as crianças que pariram: e vèm-se para casa. e sua diadema das mesmas pennas na tabe<. ainda que com trabalho. e nos braços umas nianilhas «le pennas amarellas. Quando estas indiaseiitram em dores «feparir.ROTEIRO DO BRAZIL. o «piai está muilo empnado para que lhe não d«o ar. e o q-ut fazem quando lhe nascem.i muito nojo á criança .IV. e depois de casadas os maridos. se llus «pierein bem . tecido de maneira ipio lh'asnão podem tirar. por outras mulheres. e sobraram oulras coutas brancas. era quanlo o marido está assim parido. o que lem três dedos de largo. c«>m iniiilos lavores. e a mulher lhe faz muitos rniuios. onde eslá muito coberto. as «piaes motas são barbeadas. até que seca o embigo da criança. para que lhe engrossem as pernas («elas barrigas. as quaes as trazem nas pernas em quanlo sSo namoradas. e em quanlo sà«> solteiras pintam-nas as mais.i«. e póem nas pernas por baixo do joelho umas lapacuras. e lhe trazem presentes de comer e beber. As moças lambem so pintara de tinta de genipapo. o que lhe piiem as mais em quanlo são cnchopas. Estas índias lambem turara os cabellos para que sejam compridos. mui louçáos: e piem grandes raraaes de tontas de ioda a sorte ao pescou» o nosbratos. E põem nas pernas. não se guardam do ar. de todos osrabelfos que os uiantebos liram. se vão ao rio ou fonte . tinto do vermelho. em quanlo crescem. a seu modo. parem pelos campos e em qualquer outra parte tomo uma alimaria: e em acabando de parir. onde c marido se deita logo na rede .

que. e ha alguns que tem todos estes buracos. os quaes sofrem estas dores por parecerem temerosos a seus contrários. parecem os demônios. em que metem >pedras. . que se se erguerem e forem ao trabalho. porque o filho lhe sahio dos lombos. Não dão os Tupinambás a seus filhos nenhum castigo. CAPÍTULO CLV. ás fêmeas ensinam as mais a enfeitar se. e a fiar algodão. peças de armas. como espelhos de borracha. em as quaes ha alguns que tem nas faces dous e três buracos. e uns c outros mamam na mãi até que torna a parir outra vez. com as pedras nelles. com pontas para fora . nem os doutrinam. Em que se declara o com que se os Tupinambás fazem bizarros. pelo que mamam muitas vezes seis e sete annos. aos quaes furam logo obeiço debaixo. e que ellas não põem da sua parte mais que terem guardada a semente no ventre Onde se cria a criança. aves. e a fazer o mais serviço de suas casas conforme a seu costume. io d'outras couzas diversas. Como nascem os filhos aos Tupinambás. logo lhe põem-o nome que lhe parece. como fazem as Portuguezas. senão da sua. como é fazerem depois de homens três e quatro buracos nos beiços debaixo.e depois aos pássaros.314 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que lhe morrerão osfilhos. que ficam ingeridas nas faces. e o mesmo ás fêmeas. nem os reprehendem por cousa que façam . onde lhe põem. e outros furam os beiços décima. arvores. aos machos ensinam-nos a atirarcom arcos e flexas ao alvo. verdes e pardas. depois que São maiores.e elles que serão doentes da barriga. e trazem-nos sempre ás costas até a idade de sete e oito annos. e não ha quem lhes tire da cabeça que da parte da mãi não ha perigo.tombemcomo-os debaixo. pedras por gentileza. com grandespontas para fora. mantimenlos. onde metem pedras. os quaes nomes que usam entre si são de álimâriás. peixes. Para se os Tupinambás fazerem bizarros uzam de muitas bestialidades mui estranhas. onde também melem pedras redondas.

e ensinara-lhes a fazer « qm. com dentes de tubarão . e depois misturados tom outros. quo lho faz tamanho vulto que lho cobre as costas iodas de alio abaixo . atada ao pescoço. fiexas. com quo vai tangendo e cantando. ondo trazem fogo juntos dous. «. CAPITULO CIAI. ou em oulra. e na direita ura maracá . e certas campainhas de pennas amarellas.ROTEIRO UO BRAZIL. com seu cabo. Ornam-se raais estes índios . que parecem negros de Guiné. e levam na mão esquerda seu arto «. nem de noile. grangeara instes meninos. o nos pés uns cascavéis de tortas hervas da feição da castanha.elles não sabem. por detraz. e para se fazerem mais feios se tingem todos de genipapo. [>elas quaes andam cantando e tangendo sós. os quaes fazem eolarcs para o pescoço do dentes dos contrários. 3l5 Usam lambem entre si umas carapuças de pennas amarellas e vermelhas. e fazem estas bizarrices para quando na sua ahfoa ha grandes vinhos. que lb'a cobre alé ás orelhas . o tingem os pés de uma tiuta vermelha muito fina. levara uma espada de pio ma rebelada cora casca de ovos do pássaros do cores diversas. não os deixam de dia . e na erapuiihadura umas pennas grandes de pássaros. o as faces. porque as velhas. os quaes sendo de muilo pouca idade tem conta com mulheres. cujo teniilo se ouve muilo longe. e quando so ataviam com iodas estas peças. que põem na cabeça.pie não ha peccado de luxuria que não cometam . Que trata da luxaria destes bárbaros. onde vão folgar. tomos «juaes atavios se fazem temidos e estimados. que ê ura cabaço cheio de pedrinhas. fazendo-lhes mimos e regalos. c bem mulheres. já desestimadas dos que são homens. e outras pequenas de pennas nos braços. que atam sobre as ancas. do uma roda do pennas de ema. Ires mil dentes. a qual espada lançam. São os Tupinambás tão luxuriosos . o põem sobraçadas muitas contas de búzios. É esle genlio tão luxurioso que poucas vezes tem respeito ás irmãs e lias c porque e-te [«ceado «j . para suas hizarrices.

pelo que mamam muitas vezes seis e sete annos. aos quaes furam logo obeiçodebaixo. que lhe morrerão os filhos. em que metem ipedras. parecem os demônios. pedras por gentileza. aves. Em que se declara o com que se os Tupinambás fazem bizarros. que. onde lhepõem. tombem como os debaixo. que se se erguerem e forem ao trabalho. e elles que serão doentes da barriga. e que ellas não põem da sua parte mais que terem guardada a semente no ventre Onde se cria a criança. arvores. e ha alguns que tem todos estes buracos. e outros furam os beiços décima. porque o filho lhe sahio dos lombos. em as quaes ha alguns que tem nas faces dous e três buracos. como é fazerem depois de homens três e quatro buracos nos beiços debaixo. que ficam ingeridas nas faces. ás fêmeas ensinam as mais a enfeitar se. nianlimentos. cora as pedras nelles. e uns e outros mamam na mãi até que torna a parir outra vez. nem os doutrinam. onde metem pedras. . aos machos ensinam-nos a atirar com arcos e flexas ao alvo. e depois aos pássaros. e não ha quem lhes tire da cabeça que da parte da mãi não ha perigo. CAPÍTULO CLV. como espelhos de borracha. e trazem-nos sempre ás costas até a idade de sele e oito annos. peixes. onde também melem pedras redondas. nem os reprehendem por cousa que façam . depois que são maiores. e a fazer o mais serviço de suas casas conforme a seu costume. e d'outras couzas diversas. verdes e pardas. Para se os Tupinambás fazerem bizarros uzam de muitas bestialidades mui estranhas. Não dão os Tupinambás a seus filhos nenhum castigo.314 GABRIEL SOARES DE SOUZA. com pontas para fora . logo lhe põem o nome que lhe parece. como fazem as Portuguezas. os quaes nomes que usam-entre si são de alimarias. peças de armas. e a fiar algodão. Como nascem os filhos aos Tupinambás. e o mesmo ás fêmeas. senão da sua. os quaes sofrem estas dores por parecerem temerosos a seus contrários. com grandespontas para fora.

Ires mil doutos. e quando se ataviam com todas «stas peças.VI.er o «jm. e levara na mão esquerda seu arto «. com dentes de tubarão . grangeam estes meninos. que põem na cabeça. e outras pequenas de pennas nos braços. e tingem os pés de uma tinta vermelha muilo fina. que parecem negros de Guiné.vnlio lão luxurioso que poucas vezes tem respeito ás irmãs e ius. Ornam-se mais esles indios . cora que vai tangendo o cantando. e põem sobraçadas muitas contas do búzios. onde vão folgar. São os Tupinambás tão luxuriosos que não ha peccado de luxuria que não cometam . que é ura cabaço cheio de pedrinhas. e iras pés uns cascavéis de certas hervas da feição da castanha. e bem mulheres. pelas quans andam cantando o tangendo ais. flexas. a qual espada lançara. e na direita um inaracá .elles nao sabem. cora seu cabo. por detraz. atada ao pescoço. fazendo-Ihes roimos e regatos. levara uma espada de pio marclietada com casca de ovos de pássaros do tôres diversas. 315 Usam também entre si umas carapuça* «le pennas amarellas e vermelhas. ja deseslimadas dos que são homens. e porque e-le peeeado i) . de uma roda do pennas de ema. para suas hizarrices. Que trata da luxurta d'estes bárbaros. tomos quaes atavios se fazem temidos e estimados. nem de noite. e fazotn estas bizarrites para quando na sua aldèa ha grandes vinhos. cujo teniilo se ouve muilo longe. E este . e ensinam-lhes a fa/. e pira se fazerem mais feios se Ungem todos de gonipapo. os quaes sendo «le muito pouca idade tem conta com mulheres. CAPITULO CI. quo lho faz tamanho v ulio que lhe cobre as costas todas de alto abaixo . porque as velhas. os quaes fazem colares para o pcswoço do dentes «los contrários. e depois misturados com outros. e cortas campainhas de pennasamarcllas.ROTEIRO DO BRAZIL. e as faces . ondo trazem logo juntos dous. e não os deixam de dia . c na erapunhadura umas pennas grandes de pássaros. que lh'a cobre ato as orelhas . ou em outra. que aLuu sobre as ancas.

é obrigado o irmão mais velho a casar com sua mulher. pelos contentarem. o alguns com suas próprias filhas.3T6 GABRIEL SOARES DE SOCZA. com o que lem grandes dores. e as peitam para isso. contra seus costumes. mormente as que vivem entre os Portuguezes. Costumam os Tupinambás que quando algum morre que é casado. e ainda que achem outrem com as mulheres. mas teem muitas. dormem com ellas pelos matos. e quando muito espancam as mulheres peto caso. com o membro genital como a natureza o formou. as quaes lhe levam a rede onde dormem . E em conversação não sabem fallar senão nestas sujidades. Como os pais e as mais vêem os filhos com meneos para conhecer mulher. nem sofrer: e não contentes estessalvagens de andarem tão encarniçados neste peccado. onde lhe pedem muito que se queira deitar com os maridos. e o que serve de macho. E as que querem bem aos maridos. cousa que não faz nenhuma nação de gente. os quaes são tão amigos da carne que se não contentam. que lh'o faz logo inchar. senão esles bárbaros. elles Ufa buscam. e contam esta bestialidade por proeza . com o que se lhe faz o seu cano tão disforme de grosso que os não podem as mulheres esperar. que cometem cada hora. naturalmente cometido . entre os quaes se não tem por afronta . mais de seis mezes. e não se contentam com uma mulher. são mui afeiçoados ao peccado nefando. CAPITULO CLVII- Que trata das cerernonias que usam os Tupinambás nos seus parentescos. se tem por valente. não inalam a ninguém por isso. mas ha muitos que lhe costumam pôr o pello de um bieho tão peçonhento. e quando . como já fica dito. buscam-lhe moças com que elles se desenfadem. e os ensinam como a saberão servir: as fêmeas muito meninas esperam o macho. que se lhe vão gastando por espaço de tempo. pelo que morrem muitos de esfalfados. para seguirem seus apetites. Os machos d'estes Tupinambás não são ciozos. e nas suas aldêas pelo certão ha alguns que tem tenda publica a quantos os querem como mulheres publicas.

»Ü tio. Já fica dito como os principaes dos Tupinambás quando comera. entre os quaes comem lambem os seus criados e escravos. e preza-se esle genlio de seus [«rentes. mas lem-na era lu^ar de (ilha. CAPITULO CLVIll. que eslá no meio de todos. Que trata do modo de comer c do beber dos Tupinambás. e quando qualquer indio apreiiU.-a.do tein agazalhado seus parentes em sua casa e lanço. t senão«piorcas. não casa tom a sobrinha. e mais honrado o temido. irmão do pai da nnx. e da mesma maneira chamara os netso ao irmão e primo de seu avô. mas não lhe tem tamanho acatamento como aos lios da parte do pai. e depois lhe da o marido que lho vera á vonLide. não tem irmão. e o irmão da viuva « obrigado a casar cora sua filha se a tem . |ierleiice-lho |«or marido o parente mais chegado da parle de sua mãi. mas ella obedece ao mais chegado parente. e ella como a pai lhe obedete. deila-se na sua rode. o «punido a > mài da mota náo lera irmão. avô.•'17 ROTEIRO DO RRâZIL.e fazer corpo com elles em qualquer parte cm que vivem . sempre. e assentam-se em cócoras. onde lhe põem o que ha de comer em uma vasilha . . e elles aos tios pais. irmão de seu pai. e o que mais parentes «: parentes tem. c todos comera juntos do «jue lem na vasilha. tomam em seu lugar o parente mais chegado. o aos filhos dos netos. o parente mais chegado pela [arte masculina . e netas de >eus irmãos e primos. suas mulheres e filhos. grandes e • pequenos. e trabalha muito pelos chegar para si. e a todos os parentes da prte do pai em lodo o grão chamam pai. c elles a elles netos. e como comera com elles os parentes. estão deitados na rede. quando ha de comer.irtom«^a sua sobrinha. « Iodos seus parentes. c os agazalha corasi^o . depois da morte do pai. nSo tolhera a ninguém doirair cora ella . nem lhe tora quando fazem o que devem. e elles a ella filha. e da |«arlo da mãi lambem es irmãos e primos dellas chamam aos sobrinhos filhos. e pai lhe chama : e quaiuto estas motas não lera lio.

nem lhe tiram as tripas. assim machos. nem água. mas é sobre o preto. mas comem a carno dos porcos do mato e da água: os quaes também não comem' azeite. até que os vence o somno . e virados com as costas para o fogo. o qual fazem de todos os seus legumes. Este gentio não come carne de porco. em cousa alguma. que ó o que dizem que lhe põem a virtude. que se coze. com que temperam o seu comer. e quando tem que. com a vasilha. dos que se criam em casa. antes quando o peixe ou carne não ó que sobeje. e requeima. e muitas. a esta água e sumo d'eslas raizes lançam em grandes poLes. e . e assim como vem do mar ourios. senão depois de comer. e depois pizam-na e tornam-na a cozer. que este gentio come. Quando os Tupinambás comem á noite. Este genlio é muito amigo de vinho. até da farinha que comem. o algum mastigado com a boca. o por outra parte mantem-se este genlio com nada..318 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o principal o reparte por quinhões iguaes. ao peixe não escamam. som lhe terem nenhum respeito. se não os ladinos : toda a caça. e chamuscam-na toda ou pellam-na na água quente. e pescando-lhes ordinariamente.. mas o seu vinho principal é de uma raiz a que chamam aipim. não a esfola. em qne comem todos no chão no meio delles. pelo que os que são escravos dão pouco trabalho a seus senhores pelo mantimenlo. segundo a sua genlilidade. e as tripas mal lavadas. e caçando. e está ató que se faz azedo... e em que molham o peixe e carne. toda a noite não fazem outra cousa. buscam as mais formosas moças da aldèa para expremer esles aipins com as mãos. e ficam todos ás escuras. quando comem. antes elles mantém os senhores. espremido na vasilha. onde este vinho se coze. com o que se remedeam. o que fazem depois de comer. assim o cozem ou assam: o sal de que usam. o bebem com grandes cantares. é no chão como eslá dito. que para isso tom. e como o está bem. e depois. e não praticam. o três dias sem comer. fazendo-lhes suas roças. a qual comem assada ou cozida. senão são os escravos criados entre os brancos. e em quanto comem não bebem vinho. e como é bem cozida. fazem-no da água salgada que cozem tanto em uma va-zilha sobre o fogo até que se coalha e endurece. e anda logo dous. como fêmeas. vezes fica elle sem nada. os quaes estão lados em cócoras.

Não fazem os Tupinambás entre si oulras obras primas «|ue balaios de folha da palma. em os quatvs se fazem sempre brigas. porque não dormem sem fogo ao longo das redes . o nfioeomjtn neste tempo senão depois dVslas horas. CAPITULO CLIX.o outras vasilhas em lavores. e as fêmeas plantam o maiiliuiento o o alimpam: os machos vão buscar a lenha com «|ue se aqueutam o se servem. e o «pie faz mais desatinos nestas hebedites.IR0 DO I1RAZ1L. as fêmeas vão buscar a água á fonte o fozcin de comer. São costumados a almoçar primeiro que se vão ás suas roças a trabalhar. onde não comera cm quanto andara no trabalho. 310 cantam e bailam lixla uma noite ás vosporas do vinho. e as moças solteiras tia casa andam dando o vinho era uns meios cabaços. bailar e t-antar. c alguns empalhados e lavrados de branco e preto. o outras vasilhas da mesma folha a seu modo . a sabem dar liuta do vermelho e amarello á= . e do seu uso: fazem arcos e flexas. o os queimara e alimpam a terra d'elfos. feitio de muito artificio : fazem ceslos de varas. o os machos costumara ir lavar as red<s aos rios . esse é mais estimado dos outros. a «pie chamam cuias. quando eslão sujas. que ú a sua cama. ao que aoodein os amigos. Quanilo os Tupinambás. a que chamam samburá. que vera a rahir do bêbados por esse chão. vão ás suas roças. e ao «miro dia pela manhã começam a beber. senão depois que se vera para casa. porque aqui se lembrara de seus ciúmes. aos que andam cantando. eos muito diligentes ate' horas de véspera. «pie se vem para suas casas: os machos costumam a roçar os matos.R0TI-. e jogam as liçoadas uns tom os outros. não trabalham senão das sete horas da manhã até ao meio dia. Em que se declara o modo da grangearia dos Tupinambás e de suas habilidades. o outras obras de penna do seu uso. os quaes uso comem nada em quanto bebem. o que fazem de maneira. corao as de rola da índia: fazem carapuças e capas do pennas do pássaros. e castigam por isso as mulheres.

somente liam algodão . e umas cordas tecidas. que tem o feitio dos cabos de cabresto que vem de Fez. pucaros e alguidares a seu uso. que bebem: fazem mais estas velhas panellas. e de outros laços. com o •que se embebeda o peixe de maneira que se vem acima d'agua como morto. e fazem-lhe nascer outras amarellas : fazem mais estes indios. os que são principaes. alimpain-se com um bordão que tem sempre junto de s i . onde lhe lançam muita somma de umas certas hervas pizadas . e quando ellas vão fora levam-nos ás costas. pennas brancas. redes lavradas de lavores de esteiras. que não são lavradas. como poderam . quando com seu costume. e algumas mais largas. As quaes. que levam na mão quando vão fora de casa . porque não sabem lecer: fazem d'este fiado as redes em que dormem. arrancando-lhe as verdes . as quaes lambem folgam de criar gallinhas e outros pássaros em suas casas. As mulheres já de idade tem cuidado de fazerem a farinha de que se mantém. os atravessam com uma tapagem de varas. e fazem alguns tamanhos que levam tanto como uma pipa . Quando este genlio quer tomar muito peixe nos riosd'agua doce e nos esteiros d'agua salgada. a que chamam timbó . nem lavram . As fêmeas d'estes genlios são muitoafeiçoadas a criar cachorros para os maridos levarem á caça. e não se pejam de se alimparem . e as que são muito velhas tem cuidado de fazerem vasilhas de barro á mão. o também conlrafazem as pennas dos papagaios com sangue de rãs. de que não fazem tèas. a que chamam muçuranas. de algodão. em que cozem a farinha. que não seja a que a fez. em os quaes e em oulros menores fervem os vinhos. as quaes velhas ajudam lambem a fazer afarinha que se faz no seu lanço. a qual louça cozem em uma cova que fazem no chão. e outros em que a deitam e em que comem . onde tomam ás mãos muita somma d'elle. e poem-lhe a lenha por cima. e batem o peixe de cima para baixo . e umas fitas como pa--'samancs. e de trazerem a mandioca das roças ás costas para casa. como são os potes em que fazem os vinhos. As mulheres d'este gentio não cozem . lavrados de tintas de cores. que ha de arrebentar no fogo. com que ennastram os cabellos. e tem e crèm estas Índias que se cozer esta louça outra pessoa.320 GABRIEL SOARUS DE SOUZA.

como não for cousa de conto. que matam. nem de as verem comer piolhos. e d'esla maneira matam mais peixe qoe outros á linha. veados e outras alimarias. n que fazem quando se catam nas cabeças umas as oulras. com o que as fazem voar: são tombem muito engenhosos para tomarem quanto lhes ensinam os brancos. é coram ura a todos os da sua casa que querem usar d*elle. Tem esles indios mais que s3o homens enxutos. mas para carpinteiros de machado. serradores. Costumam mais estes indios. tem grande destrato. Sao os Tupinambás grandes flexeiros.ROTEIRO DO RRAI. que remam em pé vinte e trinta indios. grandes corredores e estremados marinheiros. como os melem nos barcos e navios. Tem estes Tupinambás uma condição muito boa para frades franciscanos. carreiros e para todos os officios de engenhos de assucar. quando vem do caçar ou pescar. mui ligeiros pira altar e trepar. onde com todo o tempo ninguém toma as velas como elles. e o mais entregam a soas mulheres. CAPITULO C. que fazem de um só páo. o a lagartos que andam na água. porque suo para isso muito bárbaros. o que não fazem pelos comer.IL. para saberem logo estes offitios. e como os encontra a que os busca. 321 diante «le gente. os dá i que os trazia na cabeça. como . tamanhos como elles. os quaes não nrreceam arremeter grandes cobras. assim para as aves como para a caça dos porcos. Que trata de algumas habilidades t costumes dos Tupinambás. assim nassuascanòas. que tomam vivos a braços. e ha muitos que matara no mar e nos rios da água doce o peixe á flexa. e para criarem vaccas tom grande mão e cuidado.LX. e quanto tem. oleiros. ou a quem tem o cuidado «le os agazalhar no seu lanço. e são grandes remadores. que logo os trinta entre os dentes. assim das ferramentas. porque o seu fatio. que é o que mais estimara. mas em vingança de os morderem. nem de sentido. partirem sempre do que trazem com a principal da casa em que vivem.

por entenderem com quanta facilidade se mette em cabeça a esta gente qualquer cousa . esão taesque se de noite não tem com que pescar. os quaes pela maior parte não sabem nada. para o que tem muita habiidade. CAPITULO CLXr. o tomam as mãos de mergulho. sem lh'o impedirem nem fazerem por isso carranca. Que trata dos feiticeiro se dos que comem terra para se mata/rem. tomam muito bem o cozer e lavrar . São os Tupinambás grandes nadadores e mergulhadores. quando estão' comendo. os quaes os fazem muitas vezes ficar em falia com o que dizem. se as tem. pela qual não ousa ninguém de entrar em sua casa. e fazem-se estremadas cozinheiras. SOARES DF. lhe dizem. pôde comer Com elles quem quizer. por lhe metterem em cabeça mil mentiras . se deitam na água. pelo que não-são tão cridos dos indios como temidos. mas ha alguns que faliam com os diabos. — vai que has de morrer. os quaes se se escandalisam de algum indio por lhe não dar sua filha ou oulra «ousa que lhe pedem. Também as moças d'este gentio. ainda quô seja contrario. A estes feiticeiros chamam os Tupinambás pagos . e quando lhes releva. que fera este nome entre elles.?)22 GABBIEI. que os espancam muitos vezes. nem de lhe tocar em cousa d'ell'a . ao qne . e para fazerem cousas doces. mas são muito namoradas e amigas de terem amores com os homens brancos. os quaes feiticeiros vivem em casa apartada cada um por s i . que se criam e doutrinam Com as mulheres portuguezas. e para Se fazerem estimar e temer tomam esteofficio. SOUZA. e dá mesma maneira tiram polvos e lagostins das concavidádes do fundo dó mar. e fazem todas as obras de agulha que lhe ensinam. e como sentem o peixe comsigo. ao longo da costa. Entre esle gentio Tupinambá ha grandes feiticeiros . das suas roupas. edo seumantimcnlo. a qual é muito escura e tem a porta muito pequena. os quaes. nadam três e quatro leguas.

ao qual se vai logo uma velha ou velhas. e sem pronunciarem nada. se anojara do maneira quo determinara do morrer. e os espanca. por so assegurarem suas vidas. ao que estas obedecem. que vivem nas outras. cada dia uma pouca. do que morrem de pasmo. com sua auzencia. som quererem comer \ e do pasmo so deixara morrer. sem haver quem lho posssa tirar da «-abeça quo pod01» escapar do mandado dos feiticeiros. era o qual pranto lho dizem as saudades. os trabalhos que uns e outros passaram. até que se enfadara. e como choram c cantamGisturaain os Tupinambás que vindo qualquer d'clles do fora. corao se determinara a comer a terra. o que afirmara quo lho ensinou o diabo. e põem-se a comer terra. em ura alguidar. e sSo tão bárbaros quo se vão deitar nas redes pasmados. e lhe da novas de cousas não sabidas. e piiein-fe ora cocaras diante d'elle a chora-lo era altas vozes. lhe dão as boas vindas. 3-3 chamam lançar a morto. mas a outros não faz mal. até que vem a dilinhar o inchar do rosto e olhos. peixe . o mandam ás velhas (1ue se calem. o a morrer d'isso. o que elle assim deitado í-orae: c tomo acaba de comer lhe vera dar as boas vindas todos os da . e as parentes. era entrando pela porta. que delle tiuham. sem lhe ninguém poder valer. se vai fogo deitar na sua rede. o vem chorar d'esta maneira todas as fêmeas mulheres d'aquella casa. com medo d'olles. Que trata das saudades dos Tupinambás . tudo junto posto no chão. a que os ranchos lhe respondera chorando era altas vozes . e trazem-lhe de comer. «pie se tomam qualquer desgosto. Muitas vezes acontece apparocor o diabo a este gentio. aos quaes dão alguus indios suas filhas por mulheres.ROTKIRO DO BRAZIL. e como acabam de chorar. Tem esle genlio oulra barbaria muito grande. e que lhes apparece. ora lugares escuros. e se o chorado vera de longe. nem desviar de se quererem matar. CAPITULO CLXII. carne e farinha.

IVlli

CAIir.ll.I. àOARES

Uli SOUZA.

aldèa ura e tira, e lhe perguntara como lhe foi pelas partes por onde andou ; e quando algum principal vem de fora, ainda que seja da sua roça, o vem chorar Iodas as mulheres de sua casa, uma e uma, ou duas em duas, e lhe trazem presentes para comer, fazendo-lhe as ceremonias acima ditas. Quando morre algum indio, a mulher, mãi e parentas, o choram com um tom mui laslimoso, o que fazem muitos dias,1; em o qual choro dizem muitas lastimas, e magoam a quem as entende bem; mas os machos não chorara, nem se costuma enlre elles chorar por ninguém que lhes morra Os Tupinambás se prezam de grandes músicos, e, ao seu modo, cantam com sollrivel tom, os quaes teem boas vozes; mas todos cantam por um tom, e os músicos fazem motes de improviso, e suas voltas, que acabam no consoante do mote; um só diz a cantiga, e os oulros respondem com o fim do mote, os quaes cantam e bailam juntamente em uma roda, em a qual um tange um tamboril, era «pie não dobra as pancadas; oulros trazem um maracá na mão, que é um cabaço, com umas pedrinhas dentro, com seu cabo, por onde pegam; e nos seus bailos não fazem mais mudanças, nem mais continências que bater no chão com um só pé ao som do tamboril; e assim andam todos juntos á roda, e entram pelas casas uns dos outros; onde tem prestes vinho, com que os convidar; õ ás vezes andam um par de moças cantando entre elles, enlre as quaes ha também mui grandes musicas, e por isso mui estimadas. Entre este gentio são os músicos mui estimados, e por onde quer que vão, são bem agazalhados, e muitos atravessaram já o sertão por entre seus contrários, sem lhe fazerem mal.
CAPITULO CLXII1.

Que truta como os Tupinambás

agazalham os hospedes.

Quando entra algum hospede em casa dos Tupinambás, logo o dono do lanço da casa, onde elle chega , lhe dá a sua lede, e a mulher lhe põe de comei' diante, sem lhe perguntarem quem c, nem

RO 11.1110 !)<> BRAZIL.

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d'on«levcin, nem o «jue quer; e tomo o hospede come, lhe perguntam pela sua lingua : Vieste já? e ello respondo sim : as quaes boas vindas lho vem dar todos os que o querem fazer, o depois d'isso praticara muito do vagar. E quando algum hospedo estrangeiro enlra era alguma d'estas aldèas, vem pregando, o assim anda correndo toda a aldéa alé que dá cora a casa do principal, o som faltar a ninguém deita-se era uma rodo qualquer quo acha mais á mão, ondo lhe pwra logo de comer, e corao acaba do comer, lho manda o principal armar uma rede junto «Ia porta do seu lanço do unia banda, o ello arma a sua da oulra banda , fitando a porta no meio para caminho de quem quizer entrar, o assim os da aldèa lhe vem dar as boas vindas, como acima está declarado; e neste lugar so põem a praticar o principal com o hospedo muito do vagar, do redor dos quaes se vera assentar os indios da aldéa, que querem ouvir novas, onde ninguém não responde, nem pergunta cousa alguma, até que o principal acabe de fadar, c como dáfimás suas praticas, lho Jiz que destance de sou vagar; e depois quo se o principal despede do hospedo, vera oulros a faltar com elle, para saberem novasd'aquelIas parles d'ondco hospede vem; e ao oulro dia se ajunta este principal ora outra casa, ondo so ajuniam os anciãos da aldèa, o praticara sobre a vinda do indio estrangeiro, e sobre as cousas que contou donde vinha ; e lançam suas contas, se vera do bom titulo ou náo; e se é seu contrario, de maravilha escapa que o não matem , o lhe façam seu officio cora muita festa e regozijo; ao qual hospede chorara as velhas, lambem antes que coma, como atraz fica declarado.

CAPITULO

CLXIV.

Que trata do uso que os Tupinambás tem em seus concelhos c das ceremonias que n elles usam. Quando o principal da aldéa «píer praticar algum negocio de importância, manda recado aos indios de mais conta, os quaes se ajuiilain no meio do terreiro da aldèa, onde era estacas, que tem [«ara

326

GíBRIEL SOARES DE SOUZA.

isso mellidas no chão, armam suas redes de redor da do principal, onde também se chegam os que querem ouvir estas praticas, porque entre elles não ha segredo; os quaes se assentam todos em cocaras, e como tudo eslá quieto, propõe o principal sua pratica , a que todos estam mui attenlos; e como acaba sua oração, respondem os mais antigos cada um por s j ; e quando um falia, callam-se todos os outros, alé que vem a concluir no que hão de fazer ; sobre o que tem suasaltercações muitas vezes. E alguns dos principaes, que eslam n'este conselho, levam algumas cangoeiras de fumo, de que bebem; o que começa de fazer o principal primeiro; e para isso leva um moço, que lhe dá a cangoeira aceesa, e como lhe toma a salva, manda a cangoeira a outro que a não tem, e assim se revezam todos os que a não tem, com ella; o que estes indios fazem por aulhoridade, como os da Índia comem o bétele, em semelhantes ajuntamentos; o que lambem fa?em muitqs homens brancos, etodos os mamalucos; porque tomam este fumo por mantença, e não podem andar sem ello na boca, aos quaes dana o bafo e os dentes, e lhe faz mui ruins cores. Esta cangoeira de fumo é um canudo que se foz de uma folha do palma sècca, e lem dentro Ires quatro folhas sôccas da herva sanla , a que os indios chamam petume, a qual cangoeira atam pela banda mais apertada com um fio, onde estão as folhas do pelume, e accendem esta cangoeira pela parte das folhas do pelume, e como lem braza , a incitem na bocca, e sorvem para dentro o fumo, que logo lhe entra pelas, caehagens, rnui grosso, c pelas goelas, e sabe-lhe pelas ventas fora, com muita fúria, ; como não podem soffrer este fumo, liram a cangoeira fora da boca.
CAPITULO CLXV.

Que trata de como se este gentio cura em suas

enfermidades,

São os Tupinambás mui sujeitos á doença das boubas, que se pegam de uns aos outros, mormente emquanto são meninos; porque se não guardam de nada : e lem para si que as hão de ler tarde ou cedo, e

ROTEIRO no nnv/ii..

3J7

que o bom « tereni-iias eniquanto são meninos, aos quaes não fazem « ' outro remédio senão fnzer-lhas sm-ar, quando lhe sahem para fora, o que fazem com as tingirem cora ginipapo; o quando islo não hasta, curam-lho estas buslollas das houbas cora a folha da «-aranha, de cuja virtude tomos já feito menção, o como se estas btisiellas serram, lem para si que esláo s3osd'eslo máo humor, e na verdade não tem dores nas juntas como se ellas seccam. Em alguns loui|ios e lugares, mais quo outros, são estos indios doentes de terças o quartas, que lhe nasce de andarem |>ela calma, sem nada na cabeça, e de quamlo estão mais suadas se banharem com água fria, melendo-se nos rios e nas fontes, muitas vezes ao dia polo tempo da calma; ou quando trabalham, que cslão cansados e suados: ás quaes febres não fazem nenhuma cura senão comendo uns ming/ios, que são uns caldos de farinha de carimã, como já fica dito, que sio muito leves o sadios: e uniam-se cora água do geiiipnpo, tom o «pie litam iodos tintos de preto, ao que lera grande devoção. Curam estes indios algumas postemas c bexigas tom sumo de hervas de virtude, que ha entre elles, cora que fazem muitas curas mui notáveis, corao já fica dilo atraz; e quando se sentem carreados da cabeça, sarjain nas fontes e ao< meninos sarjam-nos nas pernas , quando tem febre, mas em sècco; o «pio fazem as velhas cora um dente da coda muito agudo, «pie tem jeira isso. Curam as grandes feridas o Ü -vidas cora umas hervas, que chamara cabureiba, que é milagrosa, e cora outras hervas, de cujas virtudes fica dito atraz no seu titulo; tom as quaes curam o «ano , que se lhes enche muitas vezes de cancere; e as (levadas penetrantes e outras feridas, de que se vêm era perigo, turain por um estranho modo, fazendo era cima do fogo ura leito de varas largas umas das outras , sobre as quaes deitam os feridos, tomas feridas lnx-.« abaixo em cima d'esle fogo , pelas quaes com a (|uenlura se lhes sabe todo o sangue que tem dentro e a humidade ; c ficara as feridas sem nenhuma huinidade; as quaes depois turain cora oleo e balsamo , ou hervas , «le que já fizeDios menção, cora o que tem saúde em poucos dias; e não ha enlre esle gentio médicos assignalados , mas sáo-no muito bons os

3*28

GABRIEL SOARES DE SOUZA.

recochilhados. D'estes indios andarem sempre nús, e das fregueinces que fazem dormindo no chão, são muitas vezes doentes de corrimentos a que elles chamam caiváras, de que lhes dóe as juntas; das quaes são os feiticeiros grandes médicos, chupando-lhe com a boca o logar onde lhe dóe, onde as vezes lhe mette os dentes, e tira da boca algum pedaço de ferro, páo ou outra cousa, que lhes mete na cabeça tirar d'aquelle logar onde chupava, e que quando lhe doía lhe sahira fora , onde lhe tinge com genipapo, com que dizem que se acha bem logo.
CAPITULO CLXVI.

Que trata do grande conhecimento que os Tupinambás tem da terra. Tem os Tupinambás grande conhecimento da terra por onde andam, pondo o rosto no sol, por onde se governam; com o que atinam grandes caminhos pelo deserto , por onde nunca andaram; como se verá pelo que aconteceu já na Bahia, d'onde mandaram dous indios d'estes Tupinambás degradados pela justiça, por seus delidos, para o Rio de Janeiro , onde foram levados por mar ; os quaes se vieram de lá, cada um por sua vez, fugidos, afastando-se sempre do povoado, por não ser sentidos por seus contrários ; e vinham sempre caminhando pelos matos; e d'esta maneira atinaram com a Bahia, e chegaram á sua aldèa, d'onde eram naturaes, a salvamento, sendo caminho mais de trezentas leguas. Costuma este gentio, quando anda pelo mato sem saber novas do logar povoado , deitar-se no chão, e cheirar o ar, para ver se lhe cheira a fogo, o qual conhecem pelo faro a mais de meia legua, segundo a informação de quem com elles trata mui familiarmente; e corao lhe cheira a fogo, se sobem as mais altas arvores que acham, em busca do fumo, o que alcançam com a vista de muito longo , o qual vão seguindo, se lhes vem bem ir aonde elle está; e se lhe convém desviar-se d'elle, o fazemantes que sejam sentidos; e por os Tupinam-

ROTEIRO DO niiAMi..

3-20

hás terem este conlieciinenlo «l.i terra e do fogo, so faz muita tonta delles, quando se offerece irem os Portuguezes á guerra a qualquer parto, onde os Tupinambás vão sempre diante, correndo a terra |x>r serem de recado, o mostrando á mais goolo o caminho p r ondo há«> de caminhar, e o logar onde se hão «to aposentar caifo noite.
CAPITULO CLXVH.

Que trata de como os Tupinambás guerra.

se apercebem para irem á

Corao osTiipinambás são muilo belicosos, todos os seus fundamentos são como farão guerra aos seus contrários ; para o ijue se ajiuilani no terreiro da sua ahfea ,v> |»cssoas mais |>rintipaos, o fazem seus roocelhus, tomo líc.i declarado; onde assentara a que p r l e hão de ir dará dita guerra, e em quo tempo: para o quo so mitifica a tolos que se façam prestes de arcos e floxas e alguns pa vezes , que fazem •le ura pao molle e muilo leve, o as mullieres entendera em lhes fazerem a farinha que hao «le levar, a que chamam «ie guerra; porque dura muilo, para se fazer a dita guerra, d'oude tomou o nome; o tomo Iodos csião prestes de suas armas e mantimentos, as noites antes da partida anda o principal pregando ao redor das casas, e n'«jsta pregação llie diz onde vSo, e a obrigação «pio lem de ir tomar vingança de seus toulrarios, |iondo-llies diante a obrigação <iue lera pira o fazerem e pira pelejarem valorosamente ; prometlerufo-lbe victoria contra seus inimigos, sem nenhum perigo da sua parte, do «pie ficará d'elles memória para os que aiio^ elles vierem cantarem seus louvores; e i|ue pela manhã comecem do caminhar. E era amanhecendo, depois de almoçarem, loma ca«la ura seu quinhão de farinha ás costas, e a rede em que.ha de dormir, seu pavez e arco e flexas na mão, e oulros levam além disto uma espada de páo a liracollo. Os roneailores levam tarnboril, oulros levara buzinas, quo vão tangendo pelo caminho, eom «pie fazem grande estrondo, tomo chegara á vista dos tonlrarios. E os |'iiuci|i;ies d'«iste genlio levam toinsigo as mulheres carregadas «le
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«;AI;I.ILL SOARES ITli SUlZA.

manumeiilns, e elles não levam mais «pie a sua rede o armas ás costas, « arco e lfoxus na mão. E autos que se abalem, faz o principal capitàb • da dianteira , que elles tem por grande honra, o qual vai mostrando o caminho e logar ondo hão de dormir «ida noite. E a ofdenança com que se põe a caminho, é um diante do outro, por que não sahem andar de oulra maneira; o como sabem fora dosscus limites, e enlram pela terra dos contrários, levam ordinariamente suas espias diante, que são sempre mancebos muito ligeiros, que sabem muito bem esleollicio; c com muito cuidado , os quaes não caminham cada dia mais de legua e meia até duas leguas, que é o que se pôde andar alé ás nove horas do dia; que ó o tempo em «pie apozeiilara sou arraial, o que fazem perto d'agua, fazendo suas cliopauas , a que chamara tajupares, as quaes fazem arruadas, deixando um caminho pelo inoio iPelIas ; e d'esta maneira vão fazendo suas jornadas , fazendo fogos nos tajupares.
CAPITULO CLXV1II.

Que trata de como os Tupinambás dão em seus contrários. Tanto que os Tupinambás chegam duas jornadas da aldèa «le seus contrários, não fazem fogo de dia, por não serem sentidos d'elles pelos fumos que se vêm de longe; e ordenam-se de maneira que possam dar nos contrários de madrugada , e em conjuneção de lua cheia para andarem a derradeira jornada de noite pelo luar, e tomarem seus contrários desapercebidos e descuidados; e em chegando á áldêa dão todos juntos tamanho urro, gritando, que fazem com isso e com suas buzinas e tamboris grande espanto; e d'esta maneira dão o seu salto nos contrários: e do primeiro encontro não perdoam a grande, nem a pequeno; para o que vão apercebidos de uns páos a fefoüo de arrochos, com uma quina por uma ponta , com o que da primeira pancada que dão na cabeça ao contrario, lha fazem em pedaços. E ha alguns d'estes bárbaros tão carniceiros «pie cortam aos vencidos, depois de mortos, suasnaturas, assim aos machos como ás

ROTIIRO

1>.» B R V 7 I I . .

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fêmeas, as quaes finara pira «forem a SII.K mulheres, ipie as gualdam «lepois de mirradas no fogo, pira nas suas festas ns «forem .1 comer aos maridos por roliipiias, o «pie lhes dura muito tempo; e levam os contrários, quo não mataram na briga, cativos, piradepoisns matarem em terreiro com as festas costumada*. No despojo d'esta guerra não tem o principal cotisa eerla, e cada ura leva «• «pie pode apanhar, o, quando «>s vencedores so recolhem, põem fogo ás casas da aldéa em que «leram, «pie são cobertas de palmas ate o chão. E recolhem-se logo. andando lotfo o que lhe rosla do «lia , I ' ioda a noite pelo luar cora o passo mais apressado, trazendo suas espias «lelraz. jior se arrete-irera «fe se .-«juntarem muitos dos contrários, o virem toiuar vingança do acont fido a seus visinhos, como cada dia lhes acontece. E sendo caso que os Tupinambás achem seus contrários apercebi«los com a sua cerca feils, e elles se atrevem nos cortar, fazem-lhe por de redor oulra ronlracerea de rama e espinhos muilo liada tom madeira «pie melem 110 chão , a «jue chamam eaiçá, pela qual, emquanto verde não ha tensa «pie os rompa , o ficam com ella seguros «Ias flexas dos cenlrarios, .1 qual eaiçá fazem liem chegada a «•erra dos contrários, e de noite foliam mil roncarias, e jogam as pulhas de parte a parte, ate «|ue os Tupinambás abalroara a cerca ou levantam cerco, se se não atrevem tom elle, ou por lhes faltar o inanlinx-olo.
CAPITULO CI.XIX.

Que trata de como os contrários dos Tupinambás dão sobre elles quando se recolhem. Acontece muitas vezes aos Tupiuamlw*, quando se vera reiolbemlo liara suas (asas, dos assaltos que deram em seus contrários, ajuntar-se grande somma delles, e virem-lhe 110 alcance alé lhe náo poderem fugir; e ser-lhe necessário espera-los, o que fazem ao longo d'agua , onde se fortificara fazendo sua cerca de eaiçá ; o que fazem cora muita pressa para dormirem ali seguros de seus contrários , mas com Loa

andam saltando de uma banda para a outra. e as mesmas pregações costumam fazer quando elles tem cercado seus contrários. do que ficam muito mal tratados. para empregarem todas as suas flexas á vontade. Quando osTupinambás eslão cercados de seus contrários. se tornam a recolher. e os avisa para que se apercebam e estejam alerta: e as mesmas pregações lhe faz» quando andam fazendo as cercas de eaiçá. e façam aquella obra com muila pressa. E estes assaltos* que os Tupinambás vão dar nos Tupinaês e outros contrários seus. e os querem abalroar. guardando-se das flexas que lhe lançam seus contrários. . esão mais prevenidos. porque muito depressa se verão vingados d'elles. onde muitas vezes são cercados e apertados dos contrários: mas os cercados vêem por detraz d'esta cerca a quem está de fora . vigia. e lançando-lhe as suas com muita fúria. por não poderem abalroar aos Tupinambás corao queriam. eosde fora náo vêem quem lhes atira. as pessoas de mais authoridade d'enlre elles lhes andam pregando de noite que se esforcem e pelejem como bons cavalleiros» e que não temam seus contrários. se não são avisados primeiro.L SOARES Dl! SOUZA. para que se animem. estando juntos todos á noite atraz. e quando os Tupinambás pelejam no campo. lhes aconte«:e também a elles por muitas vezes. dando com a mão no peito. e apercebidos . passêa o principal de redor dos seus» e lhes diz em altas vozes o que hão do fazer. quando se vêem n'estas afrontas de mandarpedirsoecorro a seus vizinhos» e lh'o vem fogo dar com muita presteza. sem estarem nunca quedos» assobiando.332 UABRIF. mas as mais das vezes elles são os que offondem a seus inimigos. porque lhes não tardará o soecorro muito. e antes que dêm o assalto. e se não vem apercebidos para os abalroarem » ou de mantimentos para continuarem cora o cerco -.

o toda a noite. se recolhe pari a sua rtule. tanto «pie vem para sua casa. costumam. e lomareni-lh. < • fiu louvores do «pie matou. se ordenam log«i novas cantigas fundadas sobre a morte «raipielle que morreu. e corao é grande. liiigem-se a véspera a tanfe «legeiiipapo. . e ha de «leixar levar tudo sem fatiar palas ra: e tomo o matadur faz estas festas deixa crescer o cabello por do alguns dias.* CAP1TILO CLXX. como anojaifo |M>r certos «lias. e era quanto o riscado vive. tomando-se a encher ir tingir «Igeüipapo. e c notório aos in««radures d Vila da tal morte do contrario. o lem por gratufe bizarria.loque elle não ha tfo resistir por nenhum caso. «pie manda fazer grandes vinhos. «• iiÃo cinne 11'elles certas tousas. que ti««kt aquelfe que mata contrario. Em que se declara como o Tupiiuuubà que moto* « contruno. «|ue lera |wr aguuni se as tumor dentro «1'aquelle tenqHi.?. o depois que lera cantado um grande pedaço. e como esUo («ara se po«fort«m beber. toma logo nome.«.«OYF1RO DO lIRtML. e »e riscaram tantas vezes que não lera parte onde não esteja o corpo viscjdo. Todo o TupinamUi que inalou na guerra ou ora oulra qualquer parle algum contrario. arremerareui-se todos ao seu lanço. e dáo por estas sarjatf uras uma tinta tom <jue ficara vivas. o qual tantlxíiu se risca era algumas prtes do tor[»o com o dente de tolia. ao qne sv faz de rogar. o lauto ipie o diz. Costuma-se enlre <is Tu pinam bas. *. e us ceremomm qw nisso fazem. ha alguns indius quo tomaram lautos nomes. ijue diga o nuimr que tomou. toma foga nome enlre si. mas náo o «li* senão a seu ieni|>o. e 30 «lia «pie se fofo «le beber os vinhos si* tusquia u matador. ordena outros vinhos para tirar o dó. e cometam á tarde » «atilar.» as armas e Iodas as sins alfaias de seu uso. anda Ioda a gente da aldèa rogando ao maUidor. e lira o «to. rumo se acabara aquellas festas « • vinhos. em o matador entrando em casa. era lavores. ao «pie foz suas vésperas cantadas. . o qual.

e a mulher que lhe dão. e fazem o mesmo pelos primos. que para isso tem mui louças. e fazem lambem suas festas com seus vinhos como elles. dáo a cada ura por mulher a mais formosa moça. cria a criança até idado que se pôde comer. o qual lhe quebra a cabeça em terreiro com as ceremonias. o que tem por grande honra. e dando alguns riscos em si. se lavam primeiro muito espaço com água muito quente. Os contrários que os Tupinambás cativam na guerra. com o que o cevam cada hora. e com ellas os atam pela cinta e pelo pescoço. e estam estes cativos para se poderem comer. a que chamam muçuranas. como pare. com quem se elle agazalha. que ha na sua casa. quo é o fim para que os engordam. e lhe fazem muitos regalos. mas muitos ficam d'ellas lão mal tratados que se põem em perigo de morte. as quaes são cordas de algodão grossas. ou de oulra qualquer maneira. a comem assada e com grande festa. até que engordam. e como os Tupinambás tem esles contrários quietos e bem seguros nas prisões. e não sentem as sarjaduras. CAPITULO CLXXI. e lhe fazem bom tratamento. como acontece muitas vezes. Costumam também as irmãs dos matadores fazerem as mesmas ceremonias quefizeramseus irmãos. a qual moça tem cuidado de o servir. a que também chamam irmãos. que lh'o agradece muito.334 GABRIEL SOARES DE SOUZA. onde toma o nome. tosquiando-se. e a mãi é a primeira que come d'esta carne. com que lhe enteza a carne. e de lhe dar o necessário para comer e beber. e como a criança é morta. onde lhe dão muilo bem de comer. e para se não sentir a dòr do riscar. E se esta moça omprenha do que está preso. todas as vezes que quer. e tingindo-se do genipapo. que se adiante seguem. metem-nos em prisões. que a offerece para isso ao parente mais chegado. as quaes são tecidas como os cabos dos cabrestos de África. Que trata do tratamento que os Tupinambás fazem aos que cativam. pelo .

«pie lho deram muilo geilo para se acolherem o fugirem das prisões. para as quaes ba grandes ajuntamentos «Io parentes e amigos. a que esles indios chamam runhambira. e ás vezes depois do os criarem . e ao dia . que não matem. quo elles cortam com alguma ferramenta. e não os entregaram a seus pircntos pira os matarem . tora grandes «autoras. que bebem cora grandes festas. os matam por fazerem uma festa d'estas. e a mái quo náo come sou próprio filho. para a vinda dos quaes fazem grandes vinhos. folgara do lerem escravos para lh'os venderem. ordenam de fazer grandes festas a cada ura. o que elles não fazem por estarem á sua vontade. Comoos Tupinambás vêem que os contrários. antes de fugir. o lhe foram pôr no mato. que reino ch«?gam a essa idade logo escapim da fúria dos seus conlrarius. se o não entregam seus irmãos. que tem calivos. que ellas ás escondidas lhes «leram. Mas lambem ha algumas. que tomaram tamanho amor aos cativos que as tomaram por mulheres. manliinenlos |«ara o taininho: c estas taes criaram seus filhos com muilo amor. antes osguanlaram e defenderam d'elles ate serem motos grandes.ROTEIRO DO BRAZIL. «pie «pior dizer filho do contrario. mas fazem-nas muilo maiores para o dia do sacrilicio do <|ue ha de padecer. e em pcor. Muitas vezes deixam os Tupinambás de matar alguns contrários que taúvarara por serem moços. c a véspera era todo dia cantara e bailara. que |wra isso são chamados de trinta e quarenta leguas. ou parentes cora muito contentamento. tem-na em ruim conta. Que traia da (esta e apparalo que os Tupinambás fazem para matarem em terreiro seus contrários. e se quererem servir d'elfos. CAP1TILO CLXXII. aos quaes criam e fazem tão bom tratamento que andam de maneira que podem fugir. mas depois que esle gentio teve coinmercio com os Portuguezes. 3A5 que de maravilha escapa nenhuma criança quo nasta d'estes ajuilLimeutos. estão já bons para matar.

manílhas nos braços e nas peruas. e melem-no entre dous maurões.. . uniam o cativo lodocom mel de abelhas. as quaes eslão furados. contando grandes façanhas suas e mortes que deu aos parentes do matador. dizendo que seus parentes o vingarão. dizendo suas proezas e louvores . e melem-lhe uma espada de páo nas mãos para que se defenda de quem o quer matar com ella. que lambera bebe com elles. E começara a levar esle preso a um terreiro fora da aldèa. começam a pregar e dizer grandes louvores de sua pessoa. que para esla execução eslá preparado. pinta-lo com lavores de genipapo todo o corpo. e seu rabo de pemia» . «: põem-lhe nr» cabeça uma carapuça de pennas amarellas e uma diadema. Costumam os Tupinambás. e pintam-no a lugares de genipapo. que accoilao morrer com muito esforço. ao qual ameaça e a toda a gente da aldèa . e por cima d'este mel o empenam todo com pennas de cores. CAPITULO CLXXIH. E antes de lho chegar a execução. contemos como se prepara «t matador. pois tem o fira tão chegado. ao «pie o cativo responde cora grande coragem. das mesmas pennas. e os pés com uma tinta vermelha. com motes que dizem sobre a cabeça do «jue ha de padecer.se bebem muitos vinhos pela manhã. e como esles cativos vêem chegada a hora em que hão de padecer. pouco mais ou menos. Que trata de como se enfeita e apparata o matador. e antes que bebam os vinhos. como puder. onde lhe as velhas dizem «pie se farte de ver o sol. que estão melidos no chão. grandes rainaes do contas brancas sobraçadas .33t5 GABRIEL SOARES DE SOUZA. afastados ura do outro vinte palmos. e por cada furo metem as pontas das cordas com «jue o contrario vem preso. onde fica preso como touro de cordas. E os que cantam fundam nesta festa suas cantigas vituperando o que ha de padecer e exaltando o matador. «pie pois elle lem a vingança da sua morte tão certa. enfeita-lo muilo bem. primeiro que o matador saia ao terreiro. dizendo que já eslá vingado de quero o !ia do matar.

em lavores ao seu modo.ROTEIRO DO BRV7II. toma logo entre si . do que tomam também novo nom«\ rom as mesmas festas e ceremonias «ine já ficam ditas . m.«foiira nome. que entre o gentio ê a maior qne pode ser.. ". e no rabo «IVsta espada tem jrrandes penachos de pennas «fo pássaros feitas em molho < «fe» pnndiiradas da empunhadura. assentado tudo.-«(|. li» 43 . poisrhe«oii a ganhar tamanha honra. ehimando-lhe bemnvvnlurado . onde tira as armas e petrechos com que se enfeitou.fomos . como «• vingar a morte ' «li* «eu» tniei«r«ss.7 «le ema nas anr. «Ia qual *• se qu«*r desviar o pre«o para alguma banda. mas o solto remeiie a elle rom a sua espada «fo ambas as mãos. liram» nodas cordas. sobre tnra. < • acabado o matador de executar sua ira no cativo.indn com grandes tnntare» etangeresdos seus hnzio*. e lhe diz que «e defenda. e tom ««ste estronifo entra no terreiro da exernrao. não lhe aproveita . a quem responde o preso tom mil rontarias. e levam-no onde se «os inu.-i repartir esta carne. e uma espada «le pio •!* ambas a. o que tira mui igualado e bom feito. por mais que o pobre trabalha . e pintada tom tascas de ovos de cores. d'onde o vem nroinp. chega tom a sua espada »•• matador e o traUí muito mal.s e «le seus irmãos e parentes. que « > está esperando com jrramfe coragem tom uma espada de pão na mão . mãos muito pesaila. e vai-se doterreirorecolher para o seu lanço. e aeonlece muitas vezes «pie o preso primeiro que morra . marchetada com continhas brancas de.". •• torao o matador está preste* parareceberesi.is. n qne ell«>s chamam embagadnra . o que se não faz com menos alvoroço que aos próprios nwtailore*. onde a rende nas mãos do -J-II inimigo.i honra. e vão-im buscará sua rasa. e a mesma honra fitam recebendo aquelles que primeiro pegaram «fos cativos na guerra . porque vem para o matar. porque tudo < dilatar a vida mais dous • credos. onde esLi o que ha de padecer.inli. ajunlam-se svus parentes e amigos. o qual declara depois tom as ceremonias que ficam ditas atraz. que lhe faz a cabeça <m pedaços com sua espada : e como se acaba esta execução. som embargo de lhe não deixarem as cordas chegara elle . gaitas t» tamlmros.is os qne tem cuidado «Ias cordas purham por «?llas «le feita» que o fazem cs|i«!rar i pautada .. diante «fo quiMii chega o matador.

como fica dito.338 GABRIEL SOARES DK SOUZA. ou outro algum. o espedaçam logo os velhos da aldèa. onde como chegam fazem grandes vinhos para com grandes festas . mas atam as mãos ao que ha de padecer. qne. E se este moço matador. assada do moquem para as suas aldèas. e guardam alguma da assada domoquem por relíquias. onde o não quiz matar para o trazer cativo para a sua aldèa. Em que se declara o que os Tupinambás fazem do contrario que mataram. se se não offerecer tão cedo matarem outro contrario. que lhe deram do morto. e os homens mancebos e mulheres moças provam-na somente. CAPITULO CLXXIV. Acabado de morrer este preso. e reparte-se a carne por todas as casas da aldèa e pelos hospedes que vieram de fora a ver estas festas e matanças . e mui estimado de todos. Acontece muitas vezes cativar um Tupinambá a um contrario na guerra. e tiram-lhe as tripas efreçura. a que este gentio chama moquem . os beberem sobre esta carne humana que levam . segundo sua gentilidade. cozem e assam para comer. com as mesmas ceremonias. mal lavadas. e outra assam muito afastada do fogo de maneira que fica muito mirrada. se não quer riscar quando tomam novo nome. para com isso o filho tomar nome novo e ficar armado cavalleiro. a qual se não come por mantimento senão por vingança. como fica dito. . o qual mata em terreiro. contentam-se com se tingir de genipapo. onde o faz engordar com as ceremonias já declaradas para o deixar matar a seu filho quando é moço e não tem idade para ir á guerra. para a provarem e se alegrarem em vingança de seu contrario que padeceu. a qual repartem por todos os da aldéa. e os velhos e velhas são os que se metem n'esta carniça muito. E os hospedes que vieram de fora a ver esta festa levam o seu quinhão de carne. a qual carne se cozefogopara se comer nos mesmos dias de festas . para com ella de novo tornarem a fazer festa.

quandotomaranome novo. o por cima do mel o entpennam com pennas de pássaros de cures. quanlo E' costume enlre os Tupinambás que. uma cova muito funda e grande.ROTRIRO DO BRAZIL.LXXV. o leva a enterrar embrulhado na sua rede em «pio dormia . d onde se tornam para sua casa. o armara-lhe sua rede em baixo de maneira que não toque o morto no chão. . o põe-lhe uma carapuça de penna na cabeça. é costume que os maridos lhe façam a cova. se as lera. cora sua estacada por ifo redor. Que trata da» ceremonias que os Tupinambás. eesUo-no pranteando ato que fica bem coberto «fo terra. e como os enterram. E quando morre algum principal da aldéa em que vive. cora os cabellos soltos sobro o rosto. e põem-lho dt . e se morrera as mulheres destes Tupinambás. efüzem-lhe fogo ao longo da rode para se aqueutar.V. Primeiramente o uniam com inol todo. onde a viuva chora o marido por muitos dias. e depois de morto alguns dias. as quaes vão pranteando alé a cova. c so não tem já marido. antes de o enterrarem fazem as ceremonias seguintes.'V. CAPITrLO C. e o niaraca cora quo costumava tangei.) e deixar crescer o cabello o losquia-lo. quo para elles o grande bizarria .o oinle elle vivia. e os que so riscara . a cada nome que tomam fazem sua feição do lavor. jazem morre algum. cora as corouionias atraz declaradas . e quando o levara a enterrar vão-no acompanhando mulher. e o parente mais chegado lhe ha de (azar a cova . para quetenhaaterraque não caia sobre o defunto. filhas e parentes. o irmão ou parente mais chegado lhe faz a cova. e ajudem a levar ás costas a defunta. 0111 a qual rede o metem assim enfeitado. e a sua espada. e todos os mais enfeites «pie elles costumam trazer nas suas festas. e põem-lhe junto da rede seu arco e flexas. e tem-lho feito na mesma casa o lan«. quando morro qualipioi d'elles. para que so veja quantos nomes tom.

onde o filho e]o pai. até que lhe dá pelos olhos. o náo os lendo «jue tenham partes para isso. metem-no era cocaras. e as que se fazem por morte delia lambem. com rama debaixo primeiro. CAPITULO CLXXVI. e todas as vezes que o fazem. elegem um parente seu. Costumam os indios. Que trata do successor ao principal que morreu . sobre a qual sepultura vive a mulher.3/|() l. e água em ura tabaco. são chorados muilo* dias. e tinge-se de novo do genipapo. que não lem muita idade. so é capaz de tal «. ou o não tem. como d'aiites. filho de algum principal.AHltlLI. e torna-se a losquiar para tirar o dó. e tomo esta íiialafotagem eslá feita. É costume enlre as mulheres dos principaes Tupinambás. Costumara os Tupinambás quando morre o principal da aldéa. c das ceremonias que faz sua mulher. E quando morre algum moço. e se o defunto tem filho que lhe possa succeder. logo faz sua festa cora vinhos. As quaes choram seus maridos muitos dias. aceitam ura seu irmão era seu lugar. a mulher cortar os cabellos por dó. deixarem .argo. o se não casa com outro. e sobre esta madeira moita somma de lerra. SOARES UE S o U Z * . e são visitadas do suas parenlas e amigas. tornam com a viuva a prantear de novo o defunto. lançam-lhe muita somma do madeira igual no andar da rede de maneira «|ue não loque no corpo. como gallinha. em ura pote era que elle caiba. ou de oulro qualquer indio. e quando náo é para isso. atados os joelhos com a barriga. para que não caia terra sobre o defunto. se é morto. a elle aceitam por sua cabeça. e tingir-se toda de genipapo. e lhe põem também sua cangoeira «le fumo na mao. e lem as partes atraz declaradas. e enterram o pote na mesma casa debaixo do chão. as quaes deixam crescer o cabello. elegerem entre si quem succeda era sou logar. quando lhe marrom as mulheres. tomei em um alguidar.

no «pio náo tora tempo certo. e não trabalham os seus mais chegados por lhe dar a vida. CAPITULO CLXXVII. cantando toda a uoito. porque como chega a perder a falia dáo-no logo por morto. muitos dos quaes tiveram saúde e viveram depois muitos annos. e quando so querem tosquiar. e de um indio que se achou muito alvo. o o viuvo toaquia-se ã véspera a tarde. N"estas festos se cantam as proezas do defunto ou defunta. para a qual so ajuuto muita geuto para estos cântaros. o do que tira o dó. ainda que o tragam por uma mesma pessoa. é logo julgado por morto. pai e mâi do defunto. e corao o doente chega a estar mal. Ainda «|ue pareçaforade propósito o «|ue se contém n'este capitulo. e levam a enterrar outros ainda vivos. e o mesmo dó tomam os irmãos. mas este sentimento houveram do ter os vivos dos mortos.RdltlRii UO IIRA1IL. quo fazem a sou modo. o liiigem-so do genipapo por do. e entre os Portuguezes aconteceu muitos vezes fazerem trazer de junto da cova escravos seus para casa. que para que é dar-lhe de comer. e cada um por si faz sua festo. e tanto é isto assim que morrem muitos ao desamparo. e curam d'elle muito pouco. antes o desamparam. com os quaes o. por as mulheres os julgarem por mortos. logo aborrece a todos os seus. para se melhor "iitender a natureza e condição dos Tupinambás. e não tem remédio. nem curar d'elle. que quando algum está doente. so tornara a tingir do prelo á véspera da festa dos vinhos. filhos. 361 crescer o cabello. . pirecen decente escrever aqui o «|ue n'elle se contém. e a doença c comprida. e o que n'eslo dia mais bebeu fez mor valentia. e ao outro dia ha grandes revoltos de cantar e bailar. Que trata de como entre os Tupinambás ha muitos mamelucos que descendem dos Franceses. ainda que vomito o perca o juizo. o beber muito. quando estavam doentes. dizendo que pois ba de morrer. mas são tão desamoraveis os Tupinambás. quando tira o dó apartado.

eemmercio. alvos e sardos. era muito preta. que são louros. esào mais bárbaros que elles. pestanas e sobrancelhas tão alvas como algodão. e tinha os cabellos da cabeça. outro liro de bombarda. e não era muito preto. um menino de idade de dez annos para dozo. e morreram como gentios. o julgava por esse sem o eo/ihecer. que é de Gabriel Soares. alguns annos antes quo se povoasse a Bahia. a qual ia para uma roça a buscar mandioca. do qual se enfadou a mãi de maneira que lhe fez uma cova com uni páo no chão. que seria d'alli distancia de ura bom tiro de bombarda. que seria d'onde a criança ficava enterrada. e ainda que este menino era assim branco. que ioda a pessoa que o via. onde morreram. que nasceram. achou-se que o pai d'este indio branco não descendia dos Francezes. e tornou-se cora ella para casa. no anno de 1586. entre outros Tupinambás. que havia pouco que viera do sertão. N'esta povoação onde este índio branco veio ter. estando fazendo a . sem se quererem tornar para França. E não é de espantar serem estesdescendentes dos Francezes alvos e louros. com quem era tão natural. e a mãi que vinha na companhia. tinham.3/(2 GABRIEL SOARES Dlí SOUZA. os quaes se «imancebarani na terra. e quando se iam para França com suas nâ«36 carregadas de páo de tinta. que era tão alvo. pois que sahem a seus avós. que viram esta crueldade de mãi. dos quaes ha hoje muitos seus descendentes. masé de maravilhar trazerem do sertão. e pelas informações que se então tomaram dos outros Tupinambás da companhia. dos quaes. se inçou a terra de mamelucos. e pimenta. deixavam entre os gentios alguns mancebos para aprenderem a lingoa e poderem. e o enterrou vivo: e foi-se a india com as outras á roça. que de o ser muito não podia olhar para a claridade. levando um filho de ura anno ás costas. era muito feio. e dos que viuham todos os annos á Bahia e ao rio de Segeripo em náos de França. Francezes. nem elfeg foram áquellas partes. nunca. e arrancou a mandioca. aconteceu um caso estranho a uma indiaTupinambá. sobre o que as outras Índias. e viveram como genlios com muitas mulheres. servir na terra. que ia buscar. viveram. que ia chorando. com o qual vinhja seu pai. quando tornassem de França. algodão. d'onde esta gente vinha. e havidos por indios Tupinambás. para lhes fazer seu regato.

e foram -no contar á sua senhora. que logo se informou do caso como acontecera. em algumas partes. quo ainda acharam viva. e entretodasellas lhe chamam Taburas. Daqui por diante te vai continuando com a vida e costumes dos Tupinaês e outras castas de gentio da Bahia que vire pela terra dentro de seu sertão. como fica dito no titulo dos Tupinambás. Que trata de quem são os Tupinais. que os lançaram d'elle oara o sertão. vida e coslumesdos Tupinambás. do» quaes diremos o que podemos alcançar deite»: e começando logo no» Tupinaês. como duem os indios antigos d'esta nação. SàoosTupiiiaèsiiiaisatraiçoadiJsque os Tupinambás. alguns Tapuias. a «piai viveu depois seis mezes. ma* tem-se por tão contrários uns dos outros que se comem aos bocados. e pelo nome tao semelhante destas duas castas de genlio se parece bem claro que antigamente foi esta gente toda uma. e mais amigos . do que tem os moradores de Lisboa dos de Enlre Douro e Minho. e nào rançam de se matarem em guerras. Os quaes Tupinaês nos tempos antigos viveram ao longo do mar. a sabendo a verdade d'elle mandou a toda a pressa desenterrar a criança. onde agora vivem. mas são-no de todas as oulras nações do genlio do Brazil. Tupinaês ó uma gente do Brazil semelhante no parecer..'> fajjÉKKaipuzerama praticar. que continuamente tom. CAPITCXO CLXXVUI. e não láo somente são inimigos os Tupinaês dos Tupinambás.ROTKIRO D O iin.o quWuviram oulras índias «Ia mesma rasa ladinas. maravilhando-sedo «aso acontecido. e terão occupado uma corda de terra de mais de duzentas leguas: masficamentres achados cora elles.ena lingoagem não lem inais differeiiça uns dos oulros. e por ser pigf a fez baplisnr logo. com quem tem lambem continua guerra. •"*«.vrii. mas a dos Tupinambás ó mais pulida. que quer dizer contrários.

são músicos de natureza. por ser gente do sertão. como elles. e grandes cantores de chacotas. lhe comem logo a criança. pelo não haverem em costume. caçam e pescam. e outros o trazem copado sobre as orelhas. de menos fé e verdade . se fazem mais bizarros. Que trata de alguns costumes e trages dos Tupinaês. do que ficaram mui odiados de todas as outras nações do gentio. em parindo. e na guerra usam dos mesmos tambores. d'onde foram sempre lançados do outro gentio. por suas ruins condições. e quando se enfeitam o fazem na forma dos Tupinambás. e alguns tosquiam a dianteira até as orelhas sobre pentem . os quaes sao muito mais sujeitos ao peccado . de uma maneira e outra fica muito affeiçoado. sem perdoarem a ninguém. quasi pelo modo dos Tupinambás. e a mesma mãi ajuda fogo a comer o filho que pariu. como os Tupinambás . e ainda. CAPITULO CLXXIX. e por detraz o cabello comprido . buzinas que costumam trazer os Tupinambás.3U& GABRIEL SOARES DE SOUZA. Costumam enlre os Tupinaês trazerem os homens os cabellos da cabeça compridos até lhe cobrirem as orelhas . a que lambem chamam cunhãembira . muito aparados sobre ellas. trombetas. e não pescam senão nos rios d'agua doce. como elles. São os Tupinaêsmais fracos de animo queos Tupinambás. de menos trabalho. Estes Tupinaês andaram antigamente correndo toda a costa do Brazil. e a seu modo. porque todos mafom e comem. e pedras n'elles e no rosto. o esmorecerem. E quando as fêmeas emprenham dos contrários. como crenchas. Traz este genlio os beiços furados. de comer carne humana. e desafogado por diante. em tanto. se fazem mais furos n'elle . com quem ficavam visinhando. e trazem ao pescoço colares de dentes dos contrários como elles. mas não são pescadores no mar. como se acham n'elle. bailam. que se lhes não acha nunca escravo dos contrários que cativam. e pelejam em saltos.

onde certas aldêasVellea foram fazendo guerra aos 44 . tora os «piaes foram sempre apertando alé que os fizeram ir visinhar com os Tapuias. o qual se consumiu com fomes e guerras que tiveram com seus visinhos. Quando os Tupinaês viviam ao longo do mar. e quando o tangem vão locando com o fundo do canudo no chão. Esles Tupinaês são os fronteiros dos Tupinambás. residiam os Tupinambás no sertão. por estarem espalhados por toda a terra. e o tratara. e «Testa maneira se remedeam. e tão grosso que cabe um braço. de quem temos muilo que dizer ao diante. ou se acha em parlo onde lho falta fogo . o qual fogo pega nas flexas. qne ficam em meio para uma das bandas. e tôa tanto tomo o> seus tambores. por doutro «Iclle. do que são os Tupinambás. D esto genlio Tupinaês ha já muito pouco. CAPITULO CLXXX.ROTRIRO U0 URAZIL. por que descendem dou Tupinambás. do que lambem so aproveitara os Tupinambás. Quando esto genlio aiuh algum caminho. quando se dizem sons louvores. -li-) nefendo. por grosso que seja. o qual canudo é aberto peto banda de cima. com flexas fundidas. fazem acender esfregando muilo cora as mãos alé que levanto labareda. no cabo d'esta historia da vida o costumes do gentio. da maneira que os elles tangem. do uma parto eda oulra. Convém arrumarmos aqui os Amoipiras. «puiido tom necessidade de fogo. Francisco : e passamos pelos Tupuias. esfregando ura páo rijo que pura isso ira/mu . além do rio de S. Em que te declara quem tão o» A mo ip ir as e onde vivem. em comparação dó muilo que houve. e os quo servem «Io macho so prezam muito d'isso. Costumam estes indios nos seus cântaros tangerem com um canudo de uma cana de seis a sele palmos de comprido. e por estarem na fronteira dos Tupinaês. da qual sabem como lhe ordena a fortuna. com quem tom sempre guerra som entenderem era oulra cousa.

os Amoipiras aos Tapuias. os quaes os metteram tanto pela terra dentro. como já fita dito . onde se contentaram da lerra . que se fazem cruel guerra uns aos outros. assentaram de se passarem da outra banda do rio de S. que fazem da casta de arvores grandes. Tem os Amoipiras a mesma linguagem dos Tupinambás. mais de cem leguas. que tomaram os caminhos áquelles «jue iam seguindo os Tapuias. nem verdade. ao que os Tupinambás não podiam resistir. cujo feítio fica atraz declarado. e vendo-se tão apertados de seus contrários. e a differença que tem é ora alguns nomes próprios . e do outro os Tupinaês. e lem os mesmos costumes e gentilidade . quo os lançaram fora da ribeira do mar. E n'este tempo outros Tupinambás fizeram despejar aos Tupinaês de junto do mar da Bahia. . CAPITULO CLXXXI. onde agora vivera: e ficam-lhe em fronteria d'est'outra parte do rio. a que o gentio chama o Pará. mas são mais atrafeoados e de nenhuma fc. deram-lhe nas costas e apertaram com elles rijamente. Que trata da vida e costumes dos Amoipiras. afastando-se dos Tupinambás. e assentaram ali sua vivenda. «|ue foram visinhar com o rio de S* Francisco. e souberam desfoutrosTupinambás que seguiram os Tapuias. corao se sentiram desaprcssados dos Tupinambás. Francisco. a quora foram perseguindo por espaço de anuos tão rijamente que entraram tanto pela terra dentro. de um lado os Tapuias.S/l (3 GABRIEL SOARES DL SOUZA. chamando-se Amoipiras> por o seu principal se chamar Amoipira: onde esta gente multiplicou de maneira que tem senhoreado ao longo d'oste rio de S. que. quo no mais ontoiidein-se muito bem. Francisco. o que lambem fizeram da sua parte os Tapuias fazendo-lhe crua guerra. dando grandes assaltos nos contrários. que atravessam o rio emalraadias. Tapuias que tinham por visinhos. pelo que não poderam tornar para o mar por terem diante os Tupinaês. passando com embarcações ao seu modo á outra banda.

iralias. e usara na guerratamboresque fazem de um só páo que cavara por dentre com fogo tanto ato que ficam mui delgados. antes quo communirasso cora genle branca.poi nao lerem rommcrcio rom «is Portugueses. E para plantarem na terra a sua mandioca e legumes. CAPITll. e se i na Li m e tomem uns aos outros com muito crueldade. que Ibes servem do enxadas. . Trajem os Amoipiras <K beiços furados o pedras n'ollos corao «s Tupinambás. ou da cannada perna das alimarias que matam. e enfeitam-se como elles. P*sca ««le genlio cora uns espinhostortosque lhe sorvera «fo «•mu**. Estes Amoipiras tem por vizinhos no sertão detraz de si outro genlio. «pie para isso fozem . <R quaes toam muito hera. do quetamborase aproveitava antigamente lodo o oulro gentio. cora quem tem guerra ordinariamente. e á flexa . a qual lavram e engastam em um pão.) vive estão mui faltos «foferramentas. vive uma certa nação de gente . na mesma guerra usam de troinbetas que fazem de uns búzios grandes furados. pintam-se de genipapo. |iara o «juo são mui certeiros. e seus Pelo sertão da Bahia além do rio de S.O t CLXXXII. dos quaes fica dito largamente no seu titulo. Em tudo o mais seguem os cosiuraes dos Tupinambás. e as mulheres trazem os eabellos compridos como nsTupin. sem perdoarem as vidas . Os quaes Amoipiras trazem o cabello da cabeça ro|«ado e aparado ao longo d s orelhas. com o que ainda quo com muito trabalho roçam o mato para fizerem suas roças.V|7 Na terra onde esto gemi. Francisco. guando se cativam.Ie «-orlam as arvores cora umas ferramentas de pedra . e pira matarem muita taça. cora que matam muito peixe. a que chamam llhirajaras. cavam nYlla com uns páos tostados agudos. partindo toei os Amoipiras da outra banda do sertão. as>im na guerra tomo na paz.«» aperta«los «Ia mtessida.ROTEIRO n o URWII. Que trata brevemente da vivenda dos Vbirajaras costumes.

e cativam-se. assim os machos coinoas fêmeas. os quaes com estas armas se defendem de seus contrários tão valorosamente como seus visinhos com arcos e flexas. em lhes nascendo . porque a fazem com uns páos tostados muilo agudos. e matam muita caça com certas armadilhas que fazem. a que chamam Ubirajaras. é necessário que não fique por . e pescam nos rios com os mesmos espinhos. Estes Ubirajaras não viram nunca gente branca . como fica dito. barbara. e pela outra com umas mulheres. que. pouco mais ou menos cada um. e com outras armadilhas que fazem com hervas. e trazem os cabellos muito compridos. com os quaes tem sempre guerra por uma banda. os quaes se não entendem na linguagem com outra nenhuma nação do gentio: lem contínua guerra com os Amoipiras. como se diz das Amazonas. que quer di/er senhores «los páos.3^8 GABRIEL SOARES DE SOUZA. A peleja dos Ubirajaras é a mais notável do mundo. e não consentem em seu corpo nenhuns cabellos que. se lhe espera o tiro . dos quaes não podemos alcançar mais informações. matam-se. leva cada um seu feixe d'estes páos com que peleja. e d'esta maneira matam também a caça. e é gente muito barbara. não lhe escapa. Fazem estes Ubirajaras suas lavouras . e se "overnam e regem sem maridos. como fica dito dos Amoipiras . que pelejam com arco e flexa. não arranquem. e são tão certos com elles que não erram tiro . * Começa a vida e costumes dos Tapuias. que dizem ter uma só teta . da estatura e côr do outro gentio. de comprimento de três palmos. e comem-se uns aos outros sem nenhuma piedade. ecom estas armas são muito temidos dos Amoipiras. e quando vão á guerra. com o que tem "rande chegada. e são agudos de ambas as pontas. Como a tenção com que nos oecupamos n'estas lembranças foi para mostrar bem o muito que ha que dizer da Bahia de Todos os Santos. nem tem noticia «1'ella. nem da vida e costumes d'estas mulheres. com os quaes atiram a seus contrários como com punhaes. em que lhe facilmante cae. cabeça do Estado do Brazil.

vjor. do «piai ella foi toda senhoreada desde a boca do rio <la Prata alé a do rio das Amazonas. para não poderem resistir a seus contrários cora as forças necessárias. 3/|W declarara vida e costumes dos Tapuias. que é o mais antigo genlio que vive iiiwta cosia . « pelo sertão vera povoando por uma corda de terra por cima de todas as nações do gentio nomeadas. antes tem cada dia difforen<. nâ"o se acmoinando uns tora os oulros. os contrários tiveram forcas para poucoa pouco os irem lançando da ribeira do mar de «pie elles eram possuidores. corao se vê do que eslá hoje povoado e seiihortado d'elles . os quaes se foram recolhendo para o sertão por espaço de tempo. primeiro* possuidores d'e«ta provincia da Bahia .tivemos noticia. desde o rio da Prato alé o das Amazonas. coraeçaiKlo no capitulo que so segue. «. «pie o esforço dos poucos nao pode resistir ao poder dos muitos. Atraz fita dito corao foram lançados os Tapuias da Bahia e seu limite pelos Tupinaês. e toiia a mais costa senhorearam nos tempos atra/. e de algumas nações «pie vivera polo sertão. não entendendo o que esta tao entendido.as « • brigas. porque da banda do rio da Prata senhoream ao luugo da costa mais de cento e cincoenta leguas. . Que trata da terra que os Tapuias possuíram r possuem hoje em dia. donde por espaço «Io tempo foram lançados de seu-) contrários. e se inalara muitas vezes era campo . «le «piem começamos a dizer o «pie se |MHI<* alcançar «Folies. por onde so não favoreceram. <• deixamos de faltar dos Tapuias. onde alégora vivem divididos era bandos. por onde so diminuem em poder. CAPITULO CLWXIII. kit . por se elles dividirem e iiiiraizarem uns cora os outros. e da parte •!•• rio «Ias Amazonas senhoream para contra o sul mais de duzentos leguas. por se fiarem muito era seu esforço e animo.i tratamos de iodas as castas do gentio que vivia ao largo «fo m «r da cosia dn Brazil.ROTKIRO DO URA III. de qo<.

antes se recolhem logo para suas casas. que são os Maracás. São estes Tapuias muito folgazões. Que trata de quem são os Tapuias. como costumam os Tupinambás. mas pouco amigos de abalroar cercas.350 GABRIEL SOARRS DE SOUZA. mas servem-se delles como de seus escravos. não os matam. São estes Tapuias grandes flexeiros. e se tomam na guerra alguns contrários. se se elles recolhem em alguma cerca. e grandes homensde pelejarem em campo descoberto. e quando dão em seus contrários. nem plantam mandioca. não pronunciam nada. e não trabalham nas roças. como os Tupinambás. o qual gentio folia sempre de papo tremendo com a falia. era necessário de propósito e de vagar tomar grandes informações de suas divisões. nem eomem senão legumes. e grangeam emterrassem mato grande. Quando estes Tapuias cantam. sobre quem se fundaram todas estas informações que neste caderno estão relatadas: começando logo que os mais chagados Tapuias aos povoadores da Bahia são uns que se chamam de alcunha os Maracás. CAPITULO CLXXX1V. para so poder dizer delles muito. esãomuito ligeiros e grandes corredores. trataremos de dizer dos que vizinham com a Bahia.mulheres os cabellos compridos atados detraz. vida e costumes. as quaes tem em aldêas ordenadas. assim para a ca«. e as . por ser tudo garganteado. a quem o outro gentio folga muilo de ouvir cantar. Estes Tapuias não comem carne humana. Como os Tapuias são tantos e estão tão divididos em bandos. mas pois ao presente não é possível. e não se entende com outro nenhum genlio que não seja Tapuia. os quaes são homens robustos e bem acondicionados. costumes e linguagem. não se detém muito em os cercar. são entoados e prezam-se de grandes músicos. .a como para seus contrários. trazem o cabello crescido até ás orelhas e copado. mas a seu modo . e por taes os vendem agora aos Portuguezes que com elles tratam e communicam. que lhe as mulheres plantam.

como Ibe fazem a elles. se colhem a ellas. não os hao de matar dentro. doa Tupinambás que vivem por aquelbs partes. a que são muito afeiçoados. tudo povoado de Tapuias contrários d'estes de que até agora tratamos que so dizem os Maracás. cantam e bailam de uma mesma feição. Em que se declara o sitio em que vivem outros Tapuias. o tem os mesmos costumes no proceder da sua vida e genlilidades. donde porforçade armas foram lançados: os quaes sio homens de grandes forças. fugindo. Pelo sertão da mesma Bahia. estão umas serras que se estendera por uma banda e para a outra . e se seus contrários.lhe da briga. e esperam que se saiam para fora. pouco mais ou menos. entre os quaes ha umas serras. andam nus como o mais gentio. e não consentem em si mais cabellos que os da cabeça. e para o sertão mais de duzentas leguas. e está povoado d"este gentio por esto banda cincoenta ou sessenta leguas de torra. Estos Tapuias sio conquistados. por lerem guerra com elles ao tempo qie viviam justo do mar. ou ae lhe passa a ira e acceilam-mis por escravos. e de parte de seus costumes. nem fazer-lbe nenhum aggraw. como os Tupiiuuubus. e por outra parto os vem saltoar os Tupinaês. e trazem os beiços furados e pedras nelles. por mais irados que estejam. São os Tapuias contrários de todas as oulras nações do gentio. ao que sio mais afeiçoados que a mata-los. como muito pouca differenta.ROTEIRO DO BRAZIL 361 a que pfteui o fogo para fazerem suas sementeiras: os homens orcupam-se em caçar. CAPITCLO CLXXXV. de que elles fazem as que trazem metidas nos beiços por bizarria. mas todos faliam. para a banda do poente oitenta leguas do mar. . onde ha muito salitre e pedras verdes. que vivera da banda do poente: e vigiam-se ordinariamente de uns e dos outros. pela banda do rio de Seregipe. Costuma este genlio não matar a ninguém dentro em suas casas.

Em que se declaram alguns costumes dos Tapuias d'estas parles. o que sabem tão bem manejar como todo o genlio do Brazil. para plantarem suas sementeiras. Francisco. e cavam a terra com páos agudos. Esles Tapuias «jue vivem nesta comarca são muilo músicos. porque não tem ferramentas com que roçar o mato e cavar a terra. e ás arvores grandes põem fogo ao pé d'onde está lavrando até que as derruba . mas muito largas. Vivem estes Tapuias em suas aldêas em casas bem tapadas pelas paredes. São estes Tapuias grandes homens de fazer guerra a seus contrários. dos quaes se vigiam de continuo. que tem os cadilhos tão compridos que bastam para lhe cobrirem suas vergonhas. e o mais do tempo se mantém com frutas silvestres e com caça. como faz todo o gentio d'esta comarca. que lhe ficam a um lado muilo vizinhos. o que não trazem nenhumas mulheres do gentio d'eslas J 'o parles. Costume d'e?te genlio Tapuia é trazerem os machos os cabellos da cabeça tão compridos que lhe dão pela cinta. e matam-se uns aos oulros cruelmente. . e são mais esforçados que conquistadores. e cantam pela maneira dos primeiros. e ás vezes os trazem entrançados ou emnastrados com fitas de fio de algodão. Estes Tapuias lem guerra por uma banda com os Tupinaês. por amor dos contrários os não entrarem e tomarem de súbito . trazem os beiços debaixo furados. e as fêmeas andam tosquiadas. que são como passamanes. e armadas de páo a pique a seu modo. Não costuma este gentio plantar mandioca. como os Tupinambás. que lhe ficam em fronteira da outra banda do rio de S. com fogo áilharga . CAPITULO CLXXXVI. contra quem pelejam com arcos e flexas. e por falta d'ella quebram o maio pequeno ás mãos.35*2 GARRIEL SOARES DE SOUZA. em as quaes dormem em redes. e por outra parte a tem com os Amoipiras. nem fazer lavouras senão de milho e outros legumes. a que são muito afeiçoados. e trazem cingidas de redor de si umas franjas de fio de algodão. e mais fieis que os Tupinaês. muito fortes.

Corre esta corda dos Tapuias ioda «sla lerra do Brazil pelas cabeceiras do outro genlio . mas não é tão alvo corao o quo náo foi queimado. r . que são mais agrestes e náo vivem era casas. porque não lera anzoes. c sáo contrários iras dos oulros. Francisco. que estáo com elles desavindos. Enlre estos Tapuias lia outros mais chegados ao rio de S. e a terra queimada. mas o salilre torna fogo acrescer na serra para cima. que esta enlre elles. mas mui compridos e brandos. D'aqui por diante se declara o grande commodo que a Bolmi tem para se fortificar. e fica feito o sal em um pão . o tomam as mãos o peixe pequeno. que lavram de vagar. os quaes tora os mesmos costumes que os de cima. e com esle sal temperara seus manjares. Costumara estes Tapuias. com mui differentes costumes. e lotem-nos tomo rede. lançam-na na água do rio cm vasilhas. a qual fita fogo salgada . roçando-as com outras pedras tanto ató quo as H|>eifeiçoam a sua vontade. Não pescaiu estes indios nos rios a linha. d'on«fo tomam aquella cinza. os quaes deitara no rio. fazem guerra muitas vezes e se matam sem nenhuma piedade. e os metaes que se nella dão.ROTKIRO DO KRAT. « uns lem • niáo n'csta rede e outros batera a água era cima. 353 e nelles umas pedras verdes roucas e compridas. queimarem uma serra do salilre. Náo parece despro|nisiui arrumar á sombra do qoe esta dito da Bahia de Todos os SIIIII«JS< OS grandes apparelhos « tommodos ipie • tem para se forlific. por onde se. onde se ajutiia . e tapara no de uma parle a outra . paru fazerem sal. e fazem sua vitenda era furnas ondo so recolhem. e tem uma d'estas serras mui áspera omle fazem sua habitação. r« mo convém ao serviço de El-ltei N« s o Seii* 45 . e põem-na ao fogo ondo a cozem e ferve tanto alé que su coalha . donde o peiva fogo e vem-se decemlo ale dar nella.ll. e ha enlre elles differontes castas. mas para matarem peixe. enlre os «piaes ha grandes discórdias. e o grande matara ás «levadas sem errarem um. colhera uns ramos «le umas hervas tomo vides.

que está sete leguas da cidade na mesma Bahia . mas trabalhosa de lavrar que gasta as ferramentas muito. como pela terra . que iam buscar por mar ao porto de Itapitanga. por estarem eortados pela natureza conforme o para que são necessários. ha muitas lagoas de pedra molle como lufo. e muitas campas e outras obras proveitosas. portaes e cunhaes e outras obras de meio relevo. o que começamos a declarar pelo capitulo que se segue. mas depois se descobriu oulra pedreira melhor. nhore ao bem da terra. que o tempo nunca gasta . da qual fizeram as columnas da Sé. CAPITULO CLXXXVII. c pelos limites d'esta cidade ha muita pedra molar. e campas de sepulturas mui grandes. se aproveitaram os edificadores c povoadores d'ella de uma pedra cinzenta boa de lavrar. de que se fazem obras mui primas e formosas. com os quaes se liam os edifícios que se na terra fazem. a qual pedra é alva e dura . A primeira cousa qne convém para se fortificar a Bahia é que tem pedra de alvenaria e cantaria.A. parase poder resistira quem a quizer offender. por que de redor da cidade ha muita pedra preta. como a de alvenaria de Lisboa. e parece a quem islo tem attentado que esta . com que se faz boa obra: e ao longo do mar. e grande quantidade para se poder fazer grandes muros. Em que se declara a pedra que tem a Bahia para se poder fortificar. assim ao longo do mar. de que se fazem cunhaes em obra de alvenaria . a qual éde pedreiras boas de quebrar. meia legua da cidade. e em muitos logares mais afastados. e se affeiçoam os eunhaes d'estas lages com pouco trabalho . com a qual se fazem paredes mui bem liadas.a eidade do Salvador.354 CABSIEL SOARES DE S«)U/. Quando se edificou. de que ha em todo o seu circuito muita commodidade. que se arranca dos arrecifes eme se cobrem com a preiamar da maré de águas vivas ao longo do mar. fortalezas e outros edifícios.

a qual e alvissima.ROTülRO DO BRAZIL >lu 6 pedra se foz da aréa congelada. corao a do Alcântara. quando não houvera esto remédio tao fácil . o fazem-se «Folia guarniçôes de estoque mui alvas e primas. mas acham-se soltas em muita quantidade. porque so faz de umas pedras quo so criam no mar nesta sitio d'esta ilha c era oulras partia. doze horas. como se faz. fita muito bem cozida. . porque ao longo dos mesmo» arrecifes. e lisa lambera. Estas pedras são sobre o leve . na ilha de Taparica que esta defronte da cidade esláo três fornos do cal. CAPITILO CLXXXVIII. ondo se faz muita . que so vendo a cruzado o moio . o alguns paos de ramos do arvores lambem cobertos desta massa láo dura corao so foram d«i pedra. por serem por dentro organisadas com alfobas. A mor |iarto da tal que se faz na Bahia é das cascas das ostras. com sua abobada fechada por cima da mesma pedra. a qual quando a lavrara faz sempre uma grá nreonta. como os em que cozem a louça. o é láo forte que se quer caldcada. e a cal <|ue se faz das ostras o mais fácil de fazer que «lepolras. Quanlo mais que. o uns seixinhosde aréa. porque gasta pouca lenha e cora lhe fazerem fogo <]ue dure dez. é tudo rochedo do pedra preta. Em que se declara o commodo que lem a Bahia para se poder fazer muita cal. e ao caldear fervo cm pulos como a cal do pedra do Lisboa. mas não é muilo macia . o que é fácil de crer. o achain-so muitas vezes no âmago destas pedras cascas do ostras o do oulro marisco . e esl'outra ó muilo branca. depois de lavrada. a qual cal é mui estranha. Esta pedra se enfórna em fornos do arcos. as quaes são muito crespas e artificiosas pira oulras curiosidades. porque so achara por estas praias limos enfarinhados do aréa . polo quo so tora que esta pedra so formou «fo aréa e que se congelou cora a frialdado da água do mar. c náo nascem em pedreiras. bem chegado a elles. de quo ha tanta quantidade que so fazd'ella muita cal. que está congelada e dura como pedra.

Em que se declara os grandes apparelhos que ha na Bahia para. de que se fará toda a obra prima. e se se não vale d'ella para fazerem cal é porque acham est'outro remédio muito perto e muito fácil. que se serram muito bem. Magestade se quizer apoderar d'el!a . e para as mesmas obras e edifícios que forem necessários. e lia a obra que se d'ella faz como a de Portugal. galeões e galés. para quem não faltarão remos. como em seu logar fica dito. do «|ue ha em cada engenho um forno da tijollo c telha. cuja cal é muito alva. quanto mais cal. porque ha muitas castas de madeiras. com que se elles possam remar. muito estremados. e o fogo metlese-lhe por baixo dos arcos com lenha grossa. Quanto mais que. pois para se fazer muito taboado para estas embarcações sobeja commodo para isso. e era outras partes ha muita pedra lioz. como ja fica dito atraz . e coze muilo bem. mas sobro os arcos está o forno todo cheio de pedra . se nella fazerem grandes armadas. mas não leva tanta arêa como a cal que se faz das ostras e de outro qualquer marisco. de que tambom se faz muito alva e boa para todas as obras. para se fazerem muitas náos. e coze em uma noite e um dia. como a de Alcântara. quando não houvera remédio tão fácil para se fazer infinidade de cal como o que está dito . para as quaes o que falta são serradores. e muito tijolo de toda a sorte. porque na Bahia. e caldeam-na da mesma maneira. em os quaes se coze tombem muito bpa louca e formas que se (az do mesmo barro : CAPITULO CLXXXIX.356 GABRIEL SOARES DE SOUZA. para o que tem tantas e tão maravilhosas e formosas madeiras. para o que se tem já experimentado e coze muito bem. tem a Bahia muilo barro de que se faz muita e boa telha . com umas veias vermelhas. de que ha tantos . Pois sobejam apparelhos á Bahia para se poder fortificar. a qual pedra é muito dura . no rio de Jaguaripe. entenda-se que lhe não faltam para se poder fazer grandes armadas com que se possa defender e offender a quem contra o sabor de S. com pouco trabalho se podia fazer muita cal.

galeões e galés que se podem fazer n'clla . ha tantas ferramentas na terra de trabalho . porque ha nos matos d'esta provincia infinidade de arvores que dão envira. c muitas vergas. barcas do engenho c barcos de toda a sorte. o ajuntar-se-hão mais quarenta carpinteiros da ribeira. pira ajudarem a fazer as embarcações . mas que cm quanto se não lavra será necessário ir de outra parte . como está pisada é muito branda . quo convindo ao serviço de S. Parecerá impossível achar-se na Bahia apparelho de estopa para se calafotarem as náos. os quaes se oecupim cm fazer navios que na terra fazem . mas se a necessidade for muita . Bem sei que mo estão já perguntando pela pregadura para estas armadas. . como temos dite. o que tudo se achará á borda da água. porque ha muitos mastros inteiros para se emmastrearom náos do toda a sorte . e com os mais que tem tenda na cidade e em outras partes se pode juntar cincoenta tendas de ferreiros. CAPITULO CXC. e por que tardo já em lhe dar ferreiro. ao quo respondo quo na terra ha muilo ferro de veas para se poder lavrar. e duzonto» ^scravos carpinteiros de machado. quando falíamos da propriedade d'ellas. O que resta agora do madeira para fazerem estas náos o galés são mastros e vergas: disto ha mais apparelho na Bahia quo nas províncias de Flandes. com seus mestres obreiros. Portuguezes o místicos. Magestade trabalharem todos o fazer taboado . e. ajuntar-so-hão polo menos quatro centos serradores escravos muito destros. digo que em cada engenho ha ura ferreiro com sua tenda. para o que tem facillissimo remédio. caravellões. Em que se apontam os mais apparelhos que ha para se fazerem estas armadas. a qual envira lhe sahe da casca quo «tão grossa como um dedo. tantos ferragens dos engenhos que so poderão juntar mais de com mil quintaes do ferro .ROTEIRO DO BRAZIL 357 na Bahia escravos de diversas pessoas. o que tudo é mais forte que os de pinho e de mais dura (mas são mais pesados).

e á sombra de quem.358 GARRIEL SOARES DE SOUZA. onde residem seis mezes do anno e mais. dez ou doze. e far-se-ha tanta quantidade que poderão carregar náos d'esta resina . do que ha muita quantidade na terra. quanto mais que se á Bahia forem Biscainhos ou outros homens que saibam armar ás baleas. lixa e outros peixes. a qual para debaixo da água é muito melhor que estopa. com que se alumiam os engenhos e se bream os barcos que ha na terra. na Bahia se foz muita de tubarões. etodasas embarcações. e porque se não podem brear as náos sem se misturar com a resina graxa. será muito boa para brearem com ella os navios. que entre a casca e o âmago lançam infinidade de resina branca. E se cuidar quem ler esles apontamentos que não haverá officiaes que calafetem estas embar cações. é tudo povoado de umas arvores. se houver quem lbe saiba fazer algum cozimento. e ha muitos escravos também na terra que são calafates por si sós. de que ha tanta quantidade como já dissemos atraz . em terras baixas de arêa. que se chamam camaçarl. afirmo-lhe que ha estantes na Bahia mais de duas dúzias . porque ao longo do mar. a qual. mas ê por falta de se não dar remédio a isto. e achar-se-hão nos navios. que senão tira das mãos senão com azeite quente. que são calafates das mesmas náos. que sempre estão no porto. Em que se apontam os mais aparelhos que faltam para as embarcações. e incha muito na água. e as costuras que se calafetam com a envira ficam muito mais fixas que as que se calafetam com estopa. grossa como termentina de Beta. a qualé tão pegajosa. de que se fará tanta graxa que não haja embarcações que a possam trazer á Hespanha. d'esta envira se calafetam as náos que se fazem no Brazil. Breu para se brearem estas embarcações não temos na terra. por que na*o apodrece tanto. o sabem bem fazer. convém que lhe demos os aparelhos com que . Pois que temos aparelhos para lançar as embarcações que se podem fazer na Bahia ao mar. o que é bastante para se adubar o breu para muitas náos. em nenhuma parte entram tantas como nella. CAPITULO CXCI.

pois era todos os annos se fazem grandes carregações «fo algodão. de que andam velejados os navios e barcos da tosta. pira o que ha muitos tecedeiras. de que se farto de toda a sorte. de que se fazem amarras muito fortes e que nunca apodrecem. aberta em febres á mão. as quaes são muilo boas. Pois os poleames se fazem do uma arvore que chamara genipapo . o para navios |ie*|uenos ha umas arvore* que a natureza furou por dentro. de comprimento do quinze e vinte palmos. e muita picaria e armai de algodão. e ha na terra envira cm abastança para se poder fazer muita quantidade de ensarcea eamarras: o para amarras tem a terra outro remédio das barbas de umas palmeiras brabas que lhes nascem ao pé. o outra muita gente branca de trabalho. de uiuiia dura e muito leves. que é muito bom do lavrar. a qual se fia táo bem como o linho'. «pio HTVCIU do bombas nas navios da costa. o láo boa como a do Cairo. e d'esta mesma enviia se fazem amarras muito fortes e grossas e de muita dura . quo se gastam em vestidos dos indios.r)Ç) estas embarcações possam navegar: o demos-lha primeiro as bombas.". saibamos so tem alguns .ROTEIRO DO HRAZII. escravos de Guiné. . de que so dá muito na terra. Ensarcea para as embarcações tem a Bahia em muita abaslança. do qual podem fazer grandes teaes de panno grosso. porque se faz «Ia mesma em ira cora que calafetam. se a forem commeter. antes de se amassar. Em que se aponta o aparelho que a Bahia tem para se fazer pólvora. de que ha muita quantidade pelos matos para se fazerem muitas quando cumprir. porque lera estrumadas madeiras para ellas. e dentro na Bahia trazem muitos barcos as velas de panno de algodão que se fia na terra. que se oecupam em tecer teaes de algodão. c nunca feuAe tomo esta secco. CAPITULO CXCII. Pelo que nSo falta mais agora para estas armadas que as velas. que é muito bom para velas. e é mais durável e mais rija quo a de esparlo. que se fazem na torra muito lwas «fo «luas peças. Pois temos dito o aparelho que a Bahia tem para se fortificar e defender de corsários. para o que ha facilissimoremédio.quando as não houver de lonas e panuo de treu.

E chegando ao principal. do que se os Portuguezes querem antes armar que ds coçoletes. nem coura<. sem esperar que lhe venha de Allemanha. geralmente por todas as casas dos moradores* as quaes não passa besta. e davantagem por serem mais leves e estopentas. mas digamos das maravilhosas armas de algodão que se fazem na Bahia. e outros muitos homens brabos naturaes da terra sabem pelejar.360 CABRIEL SOARES DR SOUZA.as. de que se deve de fazer muita conta. nãofoliandonos arcos e flexas do genlio. d'onde trazem este salitre com lanta despeza e trabalho. . e deste estofado de algodão armam os Portuguezes os corpost e fazem do mesmo estofado celladas para a cabeça. Magestade é rei e senhor. de quefizemosmenção quando falíamos da natureza d'esta arvore. do que ha tanta quantidade nesta provincia. as quaes rodellas são tão boas como as do adargoeiro. o qual está em pedra alvissima sobre a terra. tãofinoque assim pega o fogod'elle como de pólvora muirefinada. que os Tupinambás sabem muito bem fazer. nem flexa nenhuma. ha muitas de que se pôde fazer muita picaria* e infinidade de dardos de arremeço. com que se forneçam todos os estados de que S. nem de oulras partes. e das arvores de que se estas hastes tiram. em todo o mundo se não sabe que haja tão bom aparelho para ella como na Bahia. porque a flexada que dá nestas armas resvala por ellas e faz damno aos companheiros. aparelhos naturaes da terra com que possam offender seus inimigos. Dão-se na Bahia muitas hastes de lanças do comprimento que quizerem. que é a pólvora. com o que os escravos de Guiné. porque tem muitas serras que não tem outra cousa senão salitre. pelo que se pôde fazer na Bahia tanta quantidade d'ella que se possa d'ella trazer tanta para Hespanha. Fazem também na Bahia pavezes e rodellas de copaiba. as quaes são mais pesadas que as de feia* mas são muito mais fortes o formosas. do que se farão infinidade d'ellas muito grandes e boas. e muito boas adargas. mamelucos.

os quaes trouxeram mostras d'este cobre em pedaços. E nesta serra estiveram por vezes alguns indios Tupinambás o muitos mamelucos. mas iodos afirmaram estar esle cobre daquella maneira descoberto na a-rra. mas não se deixou de fazer |x»r falia «le ribeiras de água.R0TF. cora que se fez este lavor no cobre. paia > o que Luiz do Brito levou aparelhos para fa/er ura engenho «le ferro por couta de S. A. e officiaes d'eslo mister. ou ao menos que andou fogo por esta serra. c outros homens que vinham do resgate. nem por falta de lenha e carvão. «' não lem que fazer mais que lavrar-se era vergas para se poder fazer obra cora elle.O CXCIII. o qual esta em pedia sem oulra nenhuma mistura «le terra nem pedra . do que lia rauita quantidade que esta perdido sem haver quem ordene de o aproveitar. feito era concav-idades. Também na Bahia. Em que se declara o ferro. crespo que não parece senão quo foi já fundido. Milão. e o porque se não fez.» III 3til CAPITll. pois o ella esta mostrando cora « dedo era tantas |>arles. pois era qualquer parte onde se o< engenhos de ferro assentarem ha disto muita abundância. que está descoberto sobre a terra era [ledatos. aço e cobre que tem a llilua Ifora por culpa de quem a lera não ha na Bahia muitos engenhos de forro.s sobre a terra de mais fino ato que o d.IR0 DO 1! 11. E cincoenta ou sessenta leguas pela terra donlro lera a Bahia uma serra muito grande escalvada que não tem outra cousa senão cobre. . pois a terra tem tantas e 13o capazes para tudo.-scobert. que se não foram tantas as pessoas que viram esla serra se não podia crer senão que o derreteram no caminho de algum pedaço de caldeira que levavam. ha algumas minas d. e d'esta pedra do aço so servem os índios [«ara amolarem as suas ferramentas tora ella á mão.-. não serve de nada dizer-se . trinta leguas pela terra dentro. «Io que ha tanta quantidade que senão acabara nunca.

que se podem tirar pedaços inteiros de dez. e de grande largura efornimento. de que os indios fazem pedras que mettem nos beiços. que tem muita formosura e resplandor. as quaes lavram como as de cima. se acham pedaços de finissimo cristal e de mistura algumas pontas oitavadas como diamante. e afirmaram alguns Portuguezes que as viram que parecem de longe as serras de Hespanha quando estão cobertas do neve. No mesmo sertão ha muitas pedreiras de pedras verdes coalhadas muito rijas. . do qual crislal pôde vir á Hespanha muita quantidade para poderem fazer d'elle obras mui notáveis. CAPITULO CXCIV. de que o gentio também faz pedras para trazer nos beiços roliças e compridas. roçando-as com outras pedras. e estas pedras tem grande virtude contra a dòr de eólica. doze palmos de comprido.362 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Deve-se também notar que se acham também no sertão da Bahia umas pedras azues escuras muito duras e de grande fineza . das quaes se podem fazei* peças de muita estima e grande valor. e fazem-nas muito roliças e de grande lustro. nos cavoucos que fazem as invernadas na terra. por terem a còr muito formosa . lavradas pela natureza. Em muitas outras partes da Bahia. e podem-se tirar da pedreira pedaços de sele e oito palmos . do que se podem lavrar peças muito ricas e para se estimarem enlre príncipes e grandes senhores. as quaes se acham muito grandes. os qoacs e muitos mamelucos e indios que viram estas serras dizem que está tão hem criado e formoso este cristal em grandeza . com o que ficam muito lustrosas. Em que se trata das pedras verdes e azues que se acham no sertão da Bahia. E não ha duvida senão que entrando bem pelo sertão d'esta terra ha serras de cristal finissimo. e entre ellas ha algumas que tem umas veias aleonadas que lhe dão muita graça. que se enxerga o resplandor d'ellas de muilo longe.

. E ao pé da mesma serra da banda do poente so acham outrapedras muito escuras que tombem nascem no cristal. d'onde trouxeram uns indios amostras. mas não as podem lavrar como as pedras ordinárias que trazem nos befeos do que já falíamos. as quaes mostrara um roxo côr de purpura muilo fino.IRO UO RRAZIL.i Bahia se acham esmeraldas mui limpas o de honesto tamanho . e tem-se grande prosumpção d'estas pedras poderem ser muilo finas o do muita estima. arrebenta o cristal. e de muito preço. pequenas e de grande resplandor. como o cristal é mui transparente . as quaes nascera dentro era cristal. trespassam acsmeraldas com seu resplandor da outra banda . que so contentavam 'le trazerem as que acharam sobre a terra. de maneira que lhe possam tirar as esmeraldas do dentro. com o que ellas perdem a core muita parte do sou lustro. porque ao pé d'esta serra «Ia banda do nascente se acham muitas esmeraldas dentro no cristal solto onde ellas nascem. « • como ellas crescem muito. que o scram muito as que so buscarem debaixo d'ella. J".'tlio CAPITULO CXCV. Em que se dclara o nascimento das esmeraldas c sttfiru».Roll-. põem-lhe o fogo pira o fazerem arrebentar. deve do ser escoria das boas que ficam debaixo . E perto d'esta serra está outra de quem o gentio conta que cria umas pedras muito vermelhas. . e os índios quando as achara dentro n'olle. nem chegaram a ellas mais que mamelucos e indios. que é ao pé do uma serra. das quaes esmeraldas se servem os indios nos beiços. e em uma das parles onde se acham estas esmeraldas. omlc é denotar muito o seu nascimento. Em algumas partos do sertão d. porque a torra despedo de si. cousa muito para ver.ua as pontas da banda de fora que parece que as mclteram á m. ás quaes lhe lic. porque. . entende-se que assim como estas esmeraldas que se achara sobre a terra são finas. as quaes se não buscaram ale agora por quem lhe fizesse todas as diligencias.o -u V cristal.

que é o ouro e prata. mas um diamante de um anel entrava por ellas . do que pôde vir á Hespanha cada anno maiores carregações do que nunca vieram das índias oceidentaes. que quando as viu teve pensamento que seriara diamantes. Em que se declara a muita quantidade de ouro c prata que ha na comarca da Bahia. e da outra banda onde pegavam da bola tinham uma cabeça tosca. as quaes são de uma banda o. cujo fundamento é inoslrar as grandes qualidades do estado do Brazil . para so haver de fazer muita couta foíle. Tarao. onde acham aquella bola arrebentada em quartos como romã. Magestade for d'isso servido .364 GABRIEL SOARES DE SOUZA. os Tupinaês . nem fazer ao caso da tenção d'estas lembranças. onde toou este estouro . què os guardamos para o remate e fim d'esta historia. ao que açodem os indios e cavam a lerra. e a casca da bola era de pedra não muito alva e ruivaça por fora. forlificando-lhe os portos principaes. «pie dá tamanho estouro como uma espingarda . e que lhe sahem de dentro muitos pontas cristalinas do tamanho de cerejas.os e Tapuias e os indios que cora elles tratara .tavadas e lavradas mui sutilmente em ponta como diamante. Vicente . do que não tratamos miudamentèpor não haver para que. Dos metaes de que o mundo faz mais conta. n'este sertão da Bahia e no da capitania de S. Afirmam os índios Tupinambás. pondo os olhos . que debaixo da terra se cria uma pedra do tamanho e redondeza de uma bola. «. o que se pôde fazer sem se melter n'esla empreza muito cabedal de sua fazenda. havendo-se de dizer d'elles primeiro. a qual arrebenta debaixo da terra. das quaes trouxeram do sertão amostras 'folias ao governador Luiz de Brito. CAPITULO CXCVI. fazemos aqui tão pouca. pois esta terra da Bahia tem folie tanta parte quanto se pôde imaginar. pois tem tanto commodo para isso como no que toca á Bahia está declarado '•> o que se devia pôr em effeilo com muita instância. se S.

c tora todos os mantimentos que tiverem por suas fazendas. o que lhe ha do ser forçado fazer para tom isso resgatarem as vidas: e com a força da gente da terra se poderão apoderar e fortificar «Io maneira que náo haja poder humano com que se possam lirar do Brazil estes inimigos. com seus escravos. quo Deus deixe crescer em seu santo serviço. com que o seu santo nome seja exaltado. d'onde podem fazer grandes damnos a seu salvo em todas as terras marítimas da coroa de Portugal e Castella. que seja isto. que deixará estar estes inimigos da nossa santa fé calholica rom a cegueira que até agora tiveram de náo chegar á sua noticia o conteúdo neste tratado. porque não hão de achar nenhuma resistência n'elles. bois. onde com pouca força que levem de gente bem armada se podem senhorear dos portos principaes. barcos. para que lhe náo façam tantas offonsas estes infiéis. o que Deus não nermitlirú. pois náo tem nenhum modo de fortificaçáo. como lhe ficarão fazendo se se senhorearem d*esta terra . donde os moradores so possam defender nem offonder a «piem os quizer entrar. 30S no perigo em quo eslá do cliegar á noticia dos Lulteranos parlo do conteúdo neste tratado. de cuja bondade confiamos. para que Sua Magestade a possa possuir por muitos e felices annos com grandes contentamentos. adiarão todos os comraodos quo lemos declarado e muita mais para se fortificarem.ROTEIRO DO BRAZIL. para fazerem suas armadas. >-jgK< «ai «a» . Se Deus o permiltir por nossos peccados. o so irem povoar esta provincia. porque hão de fazer trabalhar os moradores nas suas fortificações tora as suas pessoas. carros o tudo o mais necessário.

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tivemos a fortuna de alcançar nessa parte a coadjuvatáo do nosso amigo e consocio o Sr. e lhe serve como de prefacio. com maior extensão do que os que havíamos escriplo em Madrid. HSTRODÜCCÍO. Silva. não podíamos imaginar que tão cedo veríamos em execução a nossa proposta. Dr. entregamos ao prelo o manuscripto da obra sobre que tanto tínhamos trabalhado. e seguimos com igual voto sua impressão. chamados a desempenhar as funcções do cargo do primeiro secretario do nosso Instituto Histórico. Ainda assim tal era a difficuldade da empreza que nos escaparam na edição algumas ligeiras irregularidades c imperfeições que se levantarão na folha das erratas. anda annexa a direcçào dos annaes que ha quatorze annos publica esta corporação. pelos novos estatutos. e menos podíamos adevinhar que concorreríamos até para a realisar. Animados pelo voto da maior parto de nossos consocios.BREVES COMMENTARIOS PRECEDENTE OBRA DE GABRIEL SOARES. sem desfeiteal-a com interrupções. ao chegar á corte. cargo a que. Quando em princípios de Março d'esto anno escrevíamos em Madnd. a dedicatória que precede a presente edição da obra de Gabriel Soares. que se prestou a esse enfadonho trabalho com o amor do estudo que o distingue. Edandonos por incompetentes para a revisão das provas de um livro que quasi sabemos de C«JT. ou se advirtirão nestes commentarios que ora redigimos. sendo. e que mencionamos na .

roceiros e pescadores.° das Memórias Ultramarinas. cuja existência queríamos accusar aos litteralos. insectos. Muitos dos nossos actuaes commentos versarão sobre as variantes dostextos. por certo que já hoje nos nao apoquenta. 3. não repetiremos quanto dissemos nas Reflexões criticas escriptas ainda nos bancos das aulas com o tempo que forrávamos depois de estudar a liçSo. Nos presentes commentarios.TRATADO DESCR1PT1VO DO BRAZIL-que adoptámos no rosto para melhor dar a conhecer o conteúdo da obra: pelo contrario conservamos eneclivamente em toda esla o titulo com que . por ventura deslocadas. O tempo fará ainda descobrir algumas correcções mais que necessitar esta obra.e sobre as differenças principaes que houver entre a nossa edição e a da academia das sciencias de Lisboa (Tom. evitaremos aqui de consignar citações que podessem julgar-se nascidas do desejo de ostentar erudição. Nem sequer n'ellas ousamos introduzir o titulo .368 BREVES C0MMENTARI0S dedicatória/ É mais difficl do que parece a empreza de restaurar um códice antigo do qual existem. desejo que se existiu em nos alguma vez quando principiantes. e só conhecidos dos caçadores.) Não faltará talvez quem censure o não havermos dado melhor methodo ao escripto de Soares acompanhando-o de notas que facilitassem mais a sua leitura. uma infinidade de copias mais ou menos erradas em virtude de leituras erradas feitas por quem não entendia do que lia. Além de havermos em alguns pontos melhorado nossas opiniões. Âlguem quereria talvez que aproveitássemos para esta edição muitas noticias que. e esse serviço já está feito. se encontram nas Reflexões criticas.ptos nos livros. já pelo que diz respeito a nomes de locaes que hoje só poderão pelos habitantes d'elles ser bem averiguados. em vez do original. De propósito porém não quizemos sobrecarregar mais estes commentaríos: alem de que as noticias úteis que excluímos serão unicamente algumas bibliographicas de obras inéditas. e principalmente de peixes não descr. ja por alguns nomes de pássaros. Bepetimos que nao ousamos ingerir nossa mesquinha penna em meio fossas paginas venerandas sobre que já pesam quasi três séculos.

680 e Tom. idade o titulo chamaram a attenção dos litteratos sobre o que haviam consignado . 1710) e 4 . poderá lambera consultar-se tomo indica destes coiiraTAMos. ter feito ao livro de Soares um novo sen iço. 127 e 177). por meio de vinte títulos. 3. Marlius e outros o iam quasi fazendo passar por obra de um tal Francisco da Cunha.° p. tantot annos . 2. 321). 399). 1 parte. \ 2.*col. 2. 1. 3.* «ap. de modo que a numeração do capitulo d'«»sla ultima a que se refere o commentario será conliecida logo que ao numero que tiver esle se abater o mesmo 74. só talvez por tradição. «Stc. 76 .' col. para não introduzirmos nova numeração e adaptarmos melhor os commentarios á obra a que se destinam. 509 e. 2. 3. Cremos com esto índice que será publicado era seguida «lestes ronimentarios. sem em nadv alterar a ordem e numeração dos capítulos. os numeraremos succes«ivamente segundo os capítulos. tom os seus tilufos etc. Assim o Índice da obra. da 2.° pag. O quo sim fizemos a beneficio dos leitores foi redigir um indico lacônico o claro. O publico sabe já como esto livro corria anonymo. 30. quando as Reflexões criticas para accusar delle o autor. 2. 29. 1." parle . o s 7 5 . 2.* parte se terá o do commentario respetivo. a divisão philosophica da segunda parte. E vice-versa: addicionaudo-se 7 i ao numero do capitulo da 2.' caps." a Bibliotheca Lusitana (Tora. Como sobre cada um dos capítulos do Soarestemosalguma reflexão a fazer. ' o próprio autor que consignou o seu nome na sua obra (Parte 1 . pertencerão aos t .* a obra de Nicoláo Antônio (Tom. " até o 74 serão elles referentes aos respectivos capítulos da i.*. 40 e Part. Tom.*. 77 «. O principio desta obra contém na parle histórica muitos erros. sendo que Cazal. 369 ja ella é conhecida e citada de —ROTEIRO GERAL—que aliás so compete á primeira parte. o Hespanhol Barcia (Tom. assim desde o i .° p. nascidos «fo entrever o autor. 1. introduzindo nelle.Vc.A' OBRA DE SOARRS.° a do addicionador do Americano Pinelo.

João 3. Éoplienomeno chamado Hyger e Bore no Severn e Parret. o que eqüivalia a dizer uns vinte annos mais tarde. deduz-se que o A. que estavaelladescubertamaisdevínteantios antes. de algum ignorante possuidor de códice. 3. quando a do Medo ou do Boqueirão nao tem uma legua. como na lingua dos indígenas. e por conseguinte depois de Jaques.* pag. Parte 2.370 BREVES COJIMENTARIOS depois dos suceessos que narra." e Dec. e portanto a ilha em que naufragou Ayres da Cunha deve ser a de Santa Anna. como no que diz respeito á doutrina do 1. A missa de posse teve lugar no dia 1. Coelho voltou á Europa fogo depois. e a 3 já a frota ia pelo mar fora.°. e não quando já reinava D. José.» de Maio. Em França lambem o . não pôde servir para nada de aulhoridade. Pero Lopes passou a primeira vez ao Brazil com seu irmão Martim Affonso em 1530. 4. A ida deste cavalheiro á índia em 1557 e seu naufrágio em 1573— Consulte-se Diogo de Couto. 5. e a expediçSo do Luiz de Mello por 1554. e não aos 24. o nosso A. que terá a extensão que lhe dá Soares. 7 e 58. 27 — e Antônio Pinto Pereira. 9 Cap. 2. a sua vinda de Hespanha em meado de 1545 . a respeito de quem se pôde consultar a memória que escrevemos intitulada : Âs primeiras negociações diplomáticas respectivas ao Brazil. cumpre advertir que essa parte da costa era então pouco freqüentada pelos nossos. 2. mas não foi o descobridor da Bahia.* Cap. Christovam Ja«jues foi mandado por este ullimo rei como capitão mór da costa.* Liv. 5. que o copista aproveitasse. A costa do Brazil foi avistada por Cabral aos 22 de Abril. Pororoca. Macaréo é o termo veidadeiramente portuguez para o que nós chamamos. Dec. se refere á bahia deS. Á vista da posição em que se indicam os baixos. O descobrimento do Amazonas porOrellana foi em 1541. Acerca das informaçt>es que dá o autor dos terrenos ao norte do Amazonas. o que deve ter procedido de nota marginal.°. e por tanto n'este capitulo. 7. O texto da Academia de Lisboa nom«5a erradamente Clemente VII como autor da bula em favor dos reis catholicos.

Neste capitulo se contem a histeria do castelhano feito botocudo que se embarcou para França. como esta capitania de Barros era mixta. Os Atlas de La/aro Luiz o Fernam Vaz Dourado e outros amigos manuscriptos trazem aqucllo nome. e que hojelemtó certeza de haver sido escripta pelo próprio governador D. 7. A expedição leve logar por Outubro de 1535. 11. Pitagoares diz aqui o nosso autor. Veja a nossa disserta«. o que corresponde talvez ao nosso Acajutibiro. A respeito da cofoinsação da Parahiba deve consultar-se a obra especial mandada escrever pelo P. . Outros escrevem Pitaguàrat. E«te nome de Cabo Corso aqui repetido. talvez assim chamado porque so parecia ao de igual nome na Ásia. obra cilada por Moraes no Diccionario." 30 e 87. Diogo «fo Menezes. chama á Bahia da traição Tebiraeajmtiba. vem em muitas cartas antigas e modernas. 8. e tambcin nos Jortiaes do Coimbra n. será o de Aracaty. pelos documentos que encontramos na Torre do Tombo. Tabajaras significa os habitantes dasaldcas. e era nome que se dava a todos os indígenas que viviam aldeados. o que se nio dá a respeito do outro do commonto 3. 14. 6. 9.A' OURA DR SOAREI. . o quo quereria dizer que esses índios se sustentavam de camarões.'171 tom a Gironda cem o nome cremos quo de Mascarei. sendo elle donatário ao mesmo tempo que Fernam Alvares d'Andrade e Ayres da Cunha de 225 leguas de costa o não do cincoenta separadas só para elle.ão sobre este assumpto que o Instituto so dignou premiar. Este Hio Grande é o actual Parnayba. 197. vulgarmente chamado Barleus. 13. Cristovam de Gouvéa : d'ella temos por autor o P Jerouynw Machado. 10 É boje sabido. queCazal leu (Tom. o deu talvez origem a unir-se este focto ao nome «le ftiogo Alvares. Baerl. — A « > 1 Amazonas é descripta por Condamino. O Monte de Li. Aramama deve ser o mesmo rio Guiramame mencionado na Razão do Estado do Brazil. Abionabiajá lia de ser a lagoa Aviyajá cilada tia conhecida Jornadu do Maranhão. 12.) Àcejulibirò. o Cararaurú. 1* p.

pela qual entra por sete. está o lugar ( de Serenhem. Pimentel escreveu (p. A melhor entrada da barra ó pela banda do sul. está cercada da banda do mar com arrecifes. e uma barra de sete braças de fundo na boca. O nome era naturalmente de objecto indigeno. com pilotos o anno de 1632. 11) disser Percaauri. e degenerou em outro que se poderia crer de algum piloto europeu. Trata-se dos habitantes do Peru. seis braças. A correcçso da palavra indígena—manhana—para significar —espia—se collige do üiccionario Brazilico. cabem n'esla enseada cem navios e mais. 21. nos transmitte dos gentios d'além do rio deS. que na palavra—vigia — Ira/. o significado— manhane. tenente de artilharia. < Tamanduaré é uma enseada oito leguas ao sul do cabo do Santo c Agostinho. Este nome denuncia que o sitio era freqüentado por navios européos. desemboca n'ella o rio das Ilhotas ou Mambucaba. As notas que o texto acadêmico admittiu a este capitulo que trata do litoral da actual provincia das Alagòas são evidentemente estranhas a elle. ebem junto a terra quatro : tem bom fundo . 'a . e logo mais dentro seis. por elle acima quatro leguas. a mesma orlhographia seguiu Antônio Mariz Carneiro. Ponta de Pero Cavarim. porque tem de fundo braça e meia. O porto eslá do banda do sul. » 19. P. Rio de Igaruçu ou de Igara-uçú quer dizer rio da Canoa grande. São curiosas as informações que Soares. e pela banda do norte entra por cinco e quatro : e não se ha de entrar pelo meio. só por noções dos indígenas. 17. 20. em baixamar de águas vivas . ou rio da Náo. pois uma até refere ura facto de 1632. A doação de Duarte Coelho era de 60 leguas de costa e não de 50. 18. Francisco que se ataviavam com jóias de ouro. na maior parte d'ella cinco. Lopes (Diário pag. e uma legua ao sul do rio Formoso.3/2 RRÊVE9 COMMENTARIOS 15. 215) Pero Cabarigo. e duas ao norte do rio Una. Foi sondal-o Andrés Marim. 16. A serra á'Aquetiba será talvez a que hojo se diz da Tiuba. — Aqui as daremos correctas para evitar ao leitor o trabalho de as ir ler onda estão : « Weste rio Formoso.

Tab. O rio Itapocurú diz-se bojo Tapicurú. Boipeba. redonda. p. 3. é noras mais correclo do que .» da 2. Jeronymo. 21 . com a Corographia Brazilica . porém mais conforme á etymologiafora dizer-se eescrever-so Itapuam.A' OBRA DE SOARES. Bento. O nome de Torre do Tombo. corao escreve Soares. 28. puam. 29. de Lázaro Luiz e Vaz Dourado se chamou de S. 27.* da 2. impressa no Tom.—Vej. a cerca do facto que deu logar a ser Diogo Alvares apellidado do Carainurú. pedra. a salgada. do qual «nisto na bibliolhoca publica do Madrid um exemplar mais aprimorado ainda «Io que o «pio se guarda com tanto recaio no archivo chamado da Torre do Tombo do Lisboa." serie da Revista do Instituto pag. etc. 24. 217. Paganino pag. 9 ) . O texto da academia náo mencionava o nome Real onde na lin. e por isso os papeis so diziam guardados na Torre de Tombo. veio de que o tombo o arehivos da coroa portugueza se guardavam antigamente era uma torro do Caslcllo de Lisboa (onde estavam lambem os paços dWlcaçova). diz o texto acadêmico. Astron. porque o nome quer dizer o e-4oiro ou igarapé do jacú. No logar ondo se lê : — Até ondo chega o salgado. 373 22. Parece ter sido o que nosraappasdo Ruysch (1508). 35. com o antigo nome. 129. Paganino e as Taboas Perpétuas astronômicas escreveram Tapou. 8* se diz:—porque toda esta costa do rio Real. Do nome —Hio do Pereira—so faz menção no famoso Atlas de Vaz Dourado . onde ainda eslá. No final d'este capitulo 28 se encontra a noticia quo melhor se desenvolve no capitulo 2. Mariz Carneiro Tapoam. para «pio de uma voz satisfaçamos cm assumpto sobre quo algumas pessoas nos lem por vozes pedido informações. inapp do Jos«. Pimenlel. expressão esta mui freqüente no nosso autor pira desiguar o mar. quanto a nós menos correctamente. Jacoipe se lé nos códices que vimos: tomos porém por melhor orlhographia o escrever Jacuhtpe ou Jacuhype." pirte (cora. pelo habito.Teixeira (de 1764). O terremoto do 1755 destruiu a tal torre. Perpet. Consulte-se a dissertação que citamos (cora. 76). lia. etc. 23. 26. e o archivo passou para as ahobadas do (bojo exlinclo) mosteiro de S.

—Cazal (ou o eseripto que o guiou) chegou a adulterar este nome. como faz Cazal (Tom. Confirmamos não haver alteração na palavra Amemoão ao lermos Memoam na viagem de Luiz Thomaz de Navarro (1808). Deixámos o nome Romeiro aportuguezado. Sernambitibi ou Sernambi-tiba. raça esta que. graças sobre todo f. p. O amanuense do exemplar que serviu á edição anterior escreveu na ultima syllaba um f em vez de p. e por ventura por um pouco de filaucia em termos por línguas sabias c aristocráticas unicamente o grego . Patipe quer dizer—esteiro do coqueiro (paty). Boi-peba significa cobra achatada. que é ainda hoje nome de famílias castelhanas.onomeseapresentava como muitodifferenle dequeé. e Mamoam no mappa de Balthazar da Silva Lisboa. segundo dizíamos nas Reflexões criticas (n. não só em Simão de Tyba (II. por assim o acharmos nos melhores códices. 26. 32.—Assim melhor se escreverá.lendo-se Gaimúres. como o de um pouco de grego e latim. 22). 30. 78) em João de Tyba ! —Estas o outras hão de chegar a convencer os nossos governos de que o conhecimento de um pouco da lingua indígena 6 para nós pelo menos tão importante para não escrevermos disparates. 71 ) . ainda nao podemos classificar entre as d'esta America Antártica. p. e nos chamarão a juizo por muitos erros em que houvermos cahido por nossa ignorância . 33. como fogo depois (II.—Os antigos pronunciavam ás vezes gaimurés. 2. e quando faltavam com o acento na ultima syltaba. segundo a etymologia. e salva de perecer de todo. um dia os vindouros o farão . p. pelas palavras que se conhecem de sua lingua.—A lingua guarani já está reduzida a escripta .— Cremos piamente que sem má intenção arranjou a palavra que d'ahi resultou. 31. 34. Os Aimorés sào talvez os Puris de hoje. 101) Patype.° p.Z7U RREVRS COMMENTARIOS o de Boypeda Hsado por Pimentel e seguido nos roteiros inglezes. E senão tratamos de reiraprimir estes livros e de os estudar.o Thesouro e á Arte e Vocabulário de Montoya. mas o homem chamava-se Romero. é o verdadeiro nome do rio que de tantos modos se tem eseripto.

37. de Leyden. e o Dr. 38. e Neuwied (I. 39. Esta edição latina foi a 3. 2. Deste capitulo aproveitou Cazal no Tom. Por Jucurú se noniêa o rio que no mappa 3 . Tupiniquim ou Tupin-iki qoer dizer simplesmente o Tupi do lado ou—eúinAo lateral: —Tupinaé significa— Tupi maú.—Veja-se a nossa dissertação tobre a necessidade do estudo e ensino das línguas indígenas no Tom. Maruipe é quanto a nós um erro que se repetiu nos códices.A* ORRA DR SOARES. e eyme. Juaci quer dizer sede . numa das cartas do Novus Orbi» impresso em 1633. A doação da Ilha a Duarte de Lemos teve logar em Lisboa. ou sem água.' da Revista pag. que Luiz Thomaz Navarro. que depois se publicou em francez. Este capitulo 40 foi o que Vasconeellos transcreveu quasi na integra nas suas Noticia» (51 a 55). Aceci de Brito Freire. O príncipe Maxirailiano «fo Neuwied em sua viagem (Tom. Laet nesta obra. 3. aos 20 de Agosto de 1540.* p. 376 e o latira. Deve ler-se Mocurvpe com Piiaentel (pag. — O rio mencionado diz-se hoje Mucury. 1°. 35.*. A mulher do donatário chamava-se Ignez Fernandes. e que nos serviu para confirmar que elle tivera conhecimento da obra do Soares. que foi interpretado Insuacoma em vez do Juhuacema. ' da Razão do Estado se diz Jocoruco. 236) escreveu Mucuru. 70 e 72. consultou sobre o Brazil os escriptos do paulista Manoel de Moraes. de 1625 e 1630. 295) diz Jaússema. 83. pelos serviços que o mesmo Lemos prestara . pag. que no sertão chamam a oulro—o lgarey—rio da sede. Pontes na sua caria geographica poz Juacein. Novo exemplo dos inconvenientes de ignorar inteiramente a liugua indígena nos dá o nome de uni rio do fim d'esto capitulo 35.—nome que esto muito no gosto dosque davam os indígenas. 41. escreveu Juatsema. 36. sendo as primeiras holbndezas. de modo que o nome do rio significa talvez— Rio que nãotorasede. e n'uina grande carta do Deposito Hidrográfico de Madrid Jucurucu. Aceci hade ser o — Guasisi—da Razão do Estado. 239) e com Laet. sem . e seu filho Fernão do Campo.— 40.

O texto d'Academia diz Tapanazes em vez de Papanazes. foi." 43. e por ella conhecemos que é de feltra sua o texto do códice do Diário de Pero Lopes existente na Ajuda. Deve ler-se accentuado Goarapari. e com elle se perdera no Rio da Prata. Lerilibe é adulteração de Leriliba que em guarani significa — A ostreira. que no nosso se encontram no fim do 2. na defonsa da capitania. 338) escreve Goaraparim. e isso se confirma com o asseverar aqui Soares que Góes acompanhara sempre o mesmo Pero Lopes. e pelos nossos antigos — peixe martello. Este nome ou alcunha derivou. á vista do que assevera agora—de que os Papanazes se fazem entender dos mesmos gentio guaitacá e do tupininquim. 108 v. na ilha de Gorriti do porto do Montevideo. Fiquem estas advertências aqui consignadas. isto é. aliás importantes.— 44. quanto a nós. Tivemos occasiüo de consultar e de conservar em nossas m5os uma carta authographa de Pero de Góes para Martim Ferreira. da Zygaena chamada pelos indígenas Papaná. que hoje distinguimos perfeitamente. de quem se faz menção neste capitulo 44. J.376 BREVHS COMMENTARÍOS ao Donatário. (Chanc de D. não podemos entender essa afirmativa muito em absoluto. III.° § e principio do 3. A confirmação regia é datada de Almeirim aos 8 de Janeiro de 1549. As emendas feitas nas primeiras paginas do dito texto do Diário são de lettra de Martim Affonso. Neste capitulo faltem no texto acadêmico umas cinco linhas. Remettemos a tal respeito o leitor para o que dizemos em um . O texto acadêmico dizia Goarapira. segundo sabemos. 45. Isto vai conforme com á idéa sabida de que os invasores que dominavam o Brazil na Jépoca da colonisação eram geralmente da mesma raça.-r46. que dêmos a luz. ora quanto não temos para ellas melhor lugar. havendo que exceptuar os Aimorés que depois apareceram acoçados talvaz do oeste. Ainda que o author no capitulo precedente havia dito que o gentio guaitacá tem linguagem differente dos seus visinhos Tupiniquins.) 42. e a Razão do Estado Guaraparig. que Vasconcellos na Vida de Anchieta (pag.

mas sim no importante códice mais antigo de Évora. não. á latitude da Ilha de Santo que em oulros códigos achamos 22 1 3 ou 22* 20'. Os nomes Unhauma. A descriptáo da enseada desta nossa bahia não poder estar mais exacta. e que o saco do Botafogo se chamava do Francisco Velho. por pertencerem essasterrasaotalveztronco primitivo da família—Velho—no Brazil.« mais se aproxima da de 22* 25" S. que quer dizer do Coqueiral (de Jeribás) — ó o que hoje se diz— I. 48. o não Sacorema. O ilheo de Jtribatuba. e em outros.— As palavras—que se chama da Carioca—não se lêem no texto da Academia.— 51. Por este capitulo se confirma que a primeira fundação de uma colônia nesta bahia do Janeiro teve lugar na Praia Vermelha. que hoje so lho calcula. 52. quanto a nós. 47. Sururuy. |KIÍS soria adulterai-os o substiluiki pela mais correcta Villegagnon que alias é menos eupbonica para nos. que nobaptismo se chamou Martrm Affonso. são hoje quasi os mesmos. que o arruma em 23.* «Ia 2. Conservamos a palavra Viragalhão dos códices. A ilha da Madeira è a das Cobras. por via do celebre capitão de igual nome.°49. H77 escripto impresso no Tomo 5. Baxindiba e Macucú.—Chegou ao Rio a 21 de Fevereiro. do que não «o estava longe no tempo do nosso aulhor. O Cabo-Frio jaz segundo Roussin em 23" 1' 18" S. Mem de Sá foi nomeado por provisão de 23 de Julho de 1556. O texto da Academia dá 22* 3/4 ou 22 a 45' S. Chamou-sed'aquelle nome.A OBR4 UF SOARK*. rendeu o inimigo a 15 de Março. Antes tinha-se .» Serie da Revisia do Instituto pag.. dos Coqueiros. Salvador Corrêa governou tanto tempo o Rio de Janeiro que a sua ilha se ficou chamando até hoje do Governador. 54. 373 e seg. o qu. 53. mas sim da aldéa do principal Ararigboia . 50. Partiu da Bahia para a conquisto do forte de Villegagnon em 16 de Janeiro de 1560. Saquarema se diz hoje. o segundo Livingston (1824) em 23° 1' 2" S. Porto de Marlim Affonso era o esteiro que vai ter ao Aterrado.

segundo Sladcn . Do texto da Academia consta que Salvador Corrêa foi nomeado governador por provisão de 10 de Setembro de 1557. A ilha da barra do porto de S. o que comprova as nossas fortes conjecturas de que a emigração tupica marchou do norte para o sul. 17. ascendente. Sebastião chamávamos indígenas. mandou sim providencias.) 58. Esse grande capitão não voltou a S. do Gato . Vicente depois deser donatário. Martim Affonso recebeu cem leguas de costa por doação. Vicente. e aos vizinhos do sul apellidavam os Temiminòs. 02. Era o nome tom que os indígenas de S. 59. Os Tamoios chamavam-se^ si Tupinambás. 55. O morro e ponta de Caruçú chama-se hoje vulgarmente de Cairuçú. eainda assim a sua capitania sahiu uma das mais pequenas em braças quadradas. E' sem verdade que Soares afirma que não havia n'outro . Tamoio quer dizer avô. Vicente designavam os d'esta provincia fluminense . mas não cremos que fosse escripta. ele. segundo Hans Staden. Os—EsquertesdeFlandres —eram uma família flamenga que se estabeleceu em S. A pezar de todas as diligencias ainda até hoje nos não foi possível encontrar o manuscripto de Antônio Salema sobre a Conquista do Cabo Frio. e á dos Alcatrazes Uraritan. 56. 286) e Fr. Um dos indivíduos chamava-se Erasmo Esquert. antepassado. Nos melhores códices não se encontra essa cláusula57. O primeiro sesmeiro da Ilha Grande foi o Dr. Vicente que Soares diz parece moela de gallinha. Tão pouco nos consta que Pero Lopes voltasse mais ao Brazil depois de ser aqui donatário . segundo Pedro Taques. isto é seus—netos—ou descendentes. Gaspar da Madre de Deus (p.378 BREVES COMMENTARIOS denominado ParnapicÚ . dos Maracaiás e dos Engenhos. chama-se ainda hoje da Moela. e não eincoenta. 61. e já assim escreveram Vasconcellos ( p. Viceute da Fonseca por carta de 24 de Janeiro de 1569. e lemos quasi certeza que não. Meyembipe. A' ilha de S. logar-tenentes. 60. — Isto parece verdade.

O nome de ilha do Santa Catharina foi dado pelos casthelhanos da armada de Loaysa. 379 teui|K)formigasum S. que tão tristes episódios [«assou n'esta costa. Porto da Alagôaé o da Laguna. ou se a causou algum copista que não quiz adinittir era sua copia aquellas palavras hespanboladas. O nome de Porto de D. A bahia das Seis Ilhas e naturalmente a enseada formada pelo rio Tajay. 70. Segundo o exame que abi fizemos pessoalmente era Janeiro de 1841 esse padrão ou padrões (pois existem ires iguaos) foram abi postos por ordem de Marlim Affonso. Rodrigo proveio de abi ter estado o infeliz D. o que se deduz da leitura altenla do D. mas isso não se deve entender mui reslriclamentc .ar. as sanhas o ás lotas do copius. O Cabo do Padrão rhaina-so bojo Ponta do Itaquaruça. 71. 66. Paulo é desgraçadamente terra proveihial «pianta ás tanajuras. Diz aqui Soares que a linguagem dos Carijós é difforcnlc da « o seus vizinboá. mi» entenda-se que náo foi n"este rio.A' OBRA DE SOARES. 1 l«or quanto no capilulo 63 assevera que com elles se entendem os Guaianás. cuja armada (segundo P. 69. 65. Rodrigo da Cunha. Antes chamavam-lhe Ilha dos Patos. «3. que é a mesma. fronteira á ponta do padrão. — A" lagoa dos Pato* chamavam alguns antigos de . Não sabemos se a adulteração veio da poiina do autor. Chama-se aqui rio de Marlim Affonso ao Mauipiluha. L»pes. Lopes) se dedemorou 44 dias no visinho porto da Cananea. E S. Em vez do ijoainú ou antes Guaianà escrevo Sladon Wayganna. Já Anchiela dá d'ellas conta. do quo no capitulo seguinte so trata. 68. O leitor podo consultar o que ponderamos a tal respeito no Tom.o de P. mas sim no pequeno Chuim que aquelle capitão naufragou . 67. c já lemos que os indígenas a denominavam Xerimertm. 5" du 2' Serio da Revistado Instituto pag. Paulo. 375. 64. Ilha Branca é talvez adulteração do 1. do Abrigo.

como os mais códices. »— De expressões quasi idênticas se serve o seu contemporâneo Pedro de Magalhães Gandavo . segundo nos assegura o Sr. Ás sabias providencias da metrópole em favor da colonisação da Bahia deveu talvez Portugal a conservação de todo o Brazil» segundo melhor desenvolveremos em outro logar. embaixador d'el-rei D. Monte de Santo Ovidio é o conhecido cerro da bahia de Montevidéu . ainda quando vivendo a grandes distancias uns dos outros. 76. e segundo a tradição onde hoje eslá o bairro da Victoria. 28. O texto da Academia põe a sabida de Thomé de Souza de Lisboa a 1 de Fevereiro e não a 2 . 74. 75. o amigo de Camões. 78. mas cremos que houve n'este numero também engano . No texto da Academia se dão mais as seguintes informações acerca do governador D." § não se contém no texto acadêmico. »— Não as admittimos por não se acharem nos melhores códices. a que Pero Lopes quiz infructuosamente chamar — monte deS. 80. e que Soares poria com os pilotos do tempo o cabo em 38".. quando apor- . As noticias sSo ainda mais minuciosas que as que chamaram nossa attenção no com. Volve Soares a occupar-se do celebre Caramurú . Nas ultimas linhas d'este capitulo 72 confirma Soares a geral opinião de que os indígenas de toda esta costa. com manifesto erro. filho de D. a cujo assumpto parece que dedicava certa predilecçSo. 79. A explicação—dePorto Seguro alé o Cabo Santo Agostinho — com que conclue o 1. Manoel ao imperador Carlos V. Duarte: « fidalgo muito illustre. «são todos uns e tem quasi uma vida e costumes. O primeiro assento da povoação da cidade era próximo á barra. o Cabo das Correntes em 36° de latitude S. 81. Pedro.880 RREVES COMMEWTARIOS Tibiquera ou —dos cemitérios—talvez em virtude de alguns dos indígenas que ainda hoje por ali se encontram . O texto da academia arruma. Ao lermos esta parle da descri peão da cidade. outros textos que seguimos dáo 39°. Álvaro da Costa. 77. conselheiro Baptista de Oliveira72. 73.

bate o mar n'ella. <S.A ORRA DK SOARES. Também aqui seguimos os melhores códices. Este capitulo foi bastante retocado á vista das copias mais dignas de fé. tem uma cruze ihuribuIo de prata. Quasi no fim do capitulo em vez de — capellães da raisorirordia ou dos engenhos — diz incorrectamento o texto da Academia —capellães da misericórdia ou dos engeitados.. . a igreja é capaz bom cheia de rires ornamentos de damasco branco e roxo. os mais d'elles tom as janellas para o mar. que é tão boa como a de pedra de Portugal. 82. veludo verde e carmesim. todos com tela de ouro. 86. Fernão Cardim. Corrigimos hortas onde no fim do capitulo dizia outras o texto acadêmico. que imprimimos em 1847. os navios estarem tão perto que quasi ficam á falia. A observação de Soares de melhorarem de sabor e aroma os vinhos fortes que passam a linha é hoje láo admittida como é verdade que da Europa se mandam vinhos a viajar através da zona torrids . 85. está cheia de arvores de espinho. em vez de doze. os portaes de pedra. as portas de angelim forradas de cedro: das janellas descobrimos grande parto da Bahia.. 381 tomos na Bahia em principio de Maio deste anno..e. só para os beneficiar... tem uma fonte perenne de boa água com seu tanque. os cubículos são grandes. como o leitor pode deduzir pela confrontação. A cerca é mui grande. é uma quadra formosa com boa capella. o edificio é todo de pedra e cal destra. e vimos os cardumes dos peixes e baleas andar saltando nagua. — 83. 8*. por dentro se vão os padres embarcar. A respeito do collegio dos padres da Companhia na Bahia parece-nos que o leitor levara a bem que lhe demos aqui outra deeeripeão: ainda quando náo seja senão para lhe fazer constar a existência de um curioso livrinho como é a obra de P. escrevendo Sua Magestade duas vezes e náo Sua Alteza. e lambem segundo a lição dos melhores códices dizemos vinte religioso». Diz este escriptor em 1585: «Os padrestomaqui collegio novo quasi acabado. &c. livraria e alguns treze cubículos.. quasi que acom panhavamos o autor passo a passo: tanta verdade ha em sua descripção. aonde se vao recrear.

° do capitulo 13 dizia erradamente o primitivo texto—por civilidade —. a saber: dois mil colonos europeus.382 RREVES COMMENTARIOS 87. João IV tratou a Hespanha de lhe ceder o Brazil. O marquez de Pombal ideou trazer ao Pará a sede da monarchia. depois d'elle o poeta Alvarenga convocava para o Brazil a rainha Maria I. 370) e o alferes Lisboa (em 1804). Receberam ambas foral em 1556. pag. pag. podéra ter aqui edificado « um dos mais notáveis reinos do mundo. e seis mil indios civilisados. que. —Estes fados pelo menos são curiosos. o que se teria realisado se a França não se mettesse de permeio. quatro mil africanos. se comprehendia a de Tamarantiba. O nosso autor que tanto enlhusiasmo e predilecçSo mostra pelo Brazil.°. Chamamos a attenção do leitor sobre a relação de 1 : 2 : 3 entre as classes dos defensores da Bahia em 1587. (obra escripta no século de seiscentos) da profecia do astrologo. Na doação da ilha de Taparica. A ilha de Maré de que se faz aqui menção é a mesma que inspirou o poeta bahiano Manuel Bolelho de Oliveira que tão bellu- . 2. ao chegar a Lisboa a nova do descobrimento da lerra da Vera Cruz. 90. Onde se diz—da parte do Padrão—parece-nos que houve salto de uma palavra e se deve entender—da parte da ponta do Padrão. e tornar a reunir a si Portugal. [Florilegio da poesia brasileira. vaticinou que havia ella de ser abrigo e amparo da metrópole. 92. ou Itaparica como agora se diz. João III. 89. desejava que em Minas o príncipe D. com mais alguns annos devida. Depois da acclamação de D. Na anto-penultima linha do § 1. 88. 574). não contente com o haver dito no proemio que este estado era a capaz para se edificar n'elle um grande império »— repete esta sua aspiração á nossa independência e nacionalidade dizendo n'este capitulo que já D. » É sabida a aneodota referida pelo autor dos Diálogos das grandezas do Brazil. em vez de—possibilidade— como escrevemos. 91. João fosse estabelecer seu império (Florilegio. T.

e admilliiiios a li«. A palavra Tayacuptna a quo puzemos ura ponto de interrogação náo nos foi possível decifrar adequadamente. ao saber que havia por alli ura engenho tora tal nome. 96. 127. em vez de Jacareccnga e Petinga. » 91.) — Essa bonita composição foi reproduzida no Florilegio. 134.»— D<? Ilapitanga volve a oecupar-se o autor no cap. bem no fira de Perua merim. 93. que Deus perdoe. Diz o mesmo texto—Ponta do Toque em\M do P do Toquetoque—corao sabemos que se chama. 187. quo depois foi de Estevão de Brito Freire. 1.i. No mesmo texto se léainda erradamente Sacarecanga o Pitanga.—No texto mencionado lé-se lambem Curnuibão em vez de Cmmaibuçú ou tarnaybuçú como lemos no J. e outra mais |ieqtieu. 383 mente a descreveu na sua Musica do Parnaso J." pag.» pag. uma maior do uma Linda. lé-se no texto dAcaderaia depois da frase—que está mui bem acabado—as seguintes palavras— evidentemente anachronicas para o livro de Soares: u. e de\eraos julgar introduzida* por eiiriuMis: «lista enseada tem ua barra do fundo duas braças «le preamar. para a banda da fre^uezia Tamarari de água das melhores que hoje no Brazil ha. de Coimbra n. o que se náo dá segando nos asseveram vários Bahiauos entendidos cora o nume Et um do texto acadêmico-—Otuim e Viuim se l«. os quaes entrara desi-arreg.i da oulra.Catpe ou Cahype quer dizer o—esteiro do maio—. Tom. Notam-se grandes variantes entre o nosso texto o o d'Aca- . Aratú lemos uniii dos c«idices. o fez oulro engenho por nome S.nlos o hão «fo sair lia mesma forma. O texto da Academia contém depois da palavra Pirajá do 3 $ d'esle capitulo. 98. 67. — 95. cabem ale 80 navios do forca. 99. 97. O texto a que no» lemos referido trazia —Alteza—onde oulra vez adiuiltinios—Mageslado.i»ho.porém em alguns raanuscriptos. Tiago. Tratando do engenho de Antônio da Costa. 170. 86 pag. as seguintes linhas que não cnconlranios nos melhores códices. Tem na Ixita «luas forlifu-açoes.ão.A' OBRA DE SOARRA.

As primeiras éguas valiam a 6 0 $ rs. 105. 100. graças à confrontação de tantos códices. como fica dito (com. sem metter os rios d'agua doce. 103. entrando 16 freguezias. o que quasi eqüivalia aos preços da Bahia. o que prova que habitualmente alli chegavam. Pujuca è o nome que dá o nosso texto á ribeira que. e nessa extensão conta 39 ilhas além de 16 do interior dos rios.38/4 RREVES COMMENTARIOS demia. e permitta-se que as recapitulemos: 36 engenhos. Algumas variações encontrará o leitor no nosso texto. em vez de Antônio Peneda e Rodrigues Martins. 15). 62 igrejas . nem mais exacto alumno. O rio Irajuhi ó o que hoje se diz Pirajuhia. 135) á cerca das plantas de socca—«que são as que rebentam e brotam das primeiras cortadas» —Foi por certo explicação de algum copista animado de excesso de zelo. e não a 20 e a 30. etc. o da Academia escreveu Puinqua. e 3 mosteiros e 1400 barcos de remo. 104. avalia em 53 leguas. como encontramos nos códices mais dignos de credito. eficaramdepois a 1 2 $ . . 106. A topographia do Recôncavo ainda até hoje não teve melhor. CajaíbaeTamararí. No texto da Academia encontra-se Irayaha. No mesmo texto acadêmico lê-se Antônio Penella e Rodrigo Muniz. Marapé. entre outros. 102. Acúm. Conclue Soares com a sua minuciosa descripção de todos os Recôncavos da Bahia cuja extensão. leram-se errados os bem conhecidos nomes Paraguaçú. 108. e não eram a 1 0 0 $ eficarama 2 0 $ . 101. No exemplar da Academia diz-se (pag. São curiosas as notas estatísticas da Bahia (em 1587). 107. Jiquiriçá é o nome que hoje se dá ao rio que Soares designa por Jequoirijape. Além de linhas que lá foliam. o que procedeu naturalmente de má leitura de copista. Aqui temos um novo rio de Igaraçú. os cavallos que por negocio se levavam embarcados a Pernambuco eram lá pagos a 200 e 300 cruzados. que exportavam annualmente para cima de 120 mil arrobas d'assucar. Farreirey foi erro que escapou ainda no nosso texto: lêa-se Tareiry. as náos dos Europeus.

segundo iremos vendo. 110. que é nome indigeno. . No ultimo § . era vez daquolle nome.A' ORRA fít SOARR*. com outras composições análogas. « i c — 111. basilicuui — Amaramhos blitum—Portulaca oleracea — Cichoneum endivia — Lipidium salivum—Daucus carola — Beta vulgaris—Spinacea oleracea.'I8. como lautos outros nossos indígenas. o de taiobas. — Este nome o o da mandioca são puros guaranis. e não so encontra nos mais coilicos: mas sim inhames. Náo respondemos pela devida exaciidáo na orlhographia dos nomes das espécies de mandioca apontados no capitulo 37. e publicado na Bahia. o foram ambos adoplados pela Europa. Não deixou Rodrigues do Mello de escrever com elegância acerca das propriedades venenosas do sumo «Ia mandioca crua: 4'. — No texto acadêmico vem diflerenlemcnte. e por este apontadas no capitulo 36: — Cucumis sativtis—Cucurbiia pepo—C citrullus — Sinapis nigra — Brassica napus —Raphanus sativus — Brassica oleracea crispa—B. e Marcgrafe Vasconccllns trazem oulras denominações. miirciana—Lactuca saliva —Coriandrum salivum — Anelhum graveolons—A. Santos Reis. fceniculum— Apium petroselinuin — Menlha saliva — Allium cepa — Allium salivum — Solanum raelongena — Plantago—Mentha pulegium — Sisymbrium naslurlium — Ociniura niinimum — O. 112. este tratado era dois cantos foi traduzido pelo Sr. tratando-se dos inhames trazidos das ilhas do África. vem no texto d'Acadomia.'> 109.— 113. O mesmo foz José Rodrigues de Mello. A tapioca de que Soares trata ora preparada um pouco differenteincnte da que hoje se usa no commercio. Hortaliças que já se cultivavam na Bahia em tempo de Soares. que escreveu era verso latino o melhor tratado que conhecemos i cerca desta raiz alimentícia.i . em um lomo tora o adequado titulo do Geor- gica Brasileira. o.

27) era qualquer crivo: a orthographia de Soares é a seguida por Moraes. 5. 120). de Lisboa. 526). Qua? sueco nocuit radxi. Moraes adoptou aquella primeira. 114. 7 1 . I o . Vasconcellos também uma vez assim escreve (not. p. I o . liv. gurupemba (Mem.—Soares com o seu contemporâneo Candavo (fl. temo-la por mais conforme á dos indígenas do que a de tapeti. alferes Lisboa. .386 HREVES COMMENTARIOS Fac procul bine habeas armênia .°. P. 2. Braz. Et gyrosagitant crebros. 69). mas esla ultima parece-nos mais euphonica.*. 140). de Martinière (T. — Urupèma (segundo o Dicc. A pronunciação tipeti ou aportuguesadamente tipitim. 135 da edição da Rochelle de 1578). tapetim. 1576J. Hilaire. Rebello (pag.— Ha porém quem escreva gurupema (Cunha Mattos). É curiosa a variedade de orthographia com que se tem escripto o nome que adoptamos dos indígenas para a planta de raiz amylacea que Pohl denominou Manihot Aypi. do Tesoro Guarani.' Ed. 73 e 7Z|). 110) e os viajantes Spix e Martius (T. not. goropêma (João Daniel. «&c. 16 da ed. positos neque tangere suecos Perraittas: namque illa quidem niveoque colore Innataqiie trahit pecudes dulcedine captas Potio: mortiferum tamen insidiosa venenum Continet: etfibris ubi pestem hausere. &c. p. da Acad. seguindo para esta denominação da espécie a orthographia de Lery (p. As palavras —algumas jornadas — no principio do capitulo faltam no texto acadêmico. pag. 117. pag. Botelho de Oliveira escreveu aypim . 117 da 1. bem que em geral seja n'isso irregular (V. parece ter preferido a mais aportuguesada de aipim. que adoptaram Denis e St. 7 °). p. furoro Huc illuc actae pecudes per prata feruntur.) 115. feret ipsa salulem Jam praelo domita elicitoque innoxia sueco diz Rodrigues de Mello a respeito da carimã. omnemque volucrum Atilium gentem. 116. por Vandelli. 24) e oropêma (Anlonil. Tom. seguida por Anlonil (pag.

Ao Eea Mais L. com Piso. que tombem dão impim. 141 ) chama á pimenta qutgi. aipim. a Diotcorea sativa. Em Hespanha chamam-lhe avellanas (avelãs) americanai. longum e fruteteens.* ed. 119. braz. quiya. O autor do Carainurú (C.A URRA DE SOARUS. chama Soares. como se proviesse de amêndoa. pag. A' conhecida planta leguminosa Arachis hypogaa L. se diz no texto que chamavam os indios ubatim: cremos que diria Soares abatim. braz. e o P.) mandouy. 19) escreveu aipi. 115) igualmente. —Cremos que o nosso autor menciona suecessivamente o Capticum ceraeifornme. 7 0 ) . No capitulo 44 descreve Soares vários Convolvulut. 1. O nome é degenerado do mandubi ou mandui indígena. e assim se lé no Coro dat Musas (T. das quaes não se esqueceu de tratar Fingerhuth na sua monographia imp. 120. 889). 826 v. Luiz Figueira na sua grammatica da lingua geral (pag. • 138. Marcgraf qipü.refere que os indígenas do Maranhão chamavam ás favas comanda. pois abaty e avaty encontramos em muitos autores. p. Poecile de Scholt. Monteiro de Carvalho. 4 *. 143 j . amendoi. Abbevitie (fl. — Montoya ( Arte y Bocab. p.). baccatum. p. pag. 52.) dá o mesmo significado. o Dicc.) fio códice da Bib. 181. 118. e nos diccionarios portuguezes. Portuense («£-•) le-se mais no fim d'e8le capitule o seguinte:— . Nocapitulo48tralaSoaresdaspimenlasquedIovariassolaneas capsicinas de Brazil.*. cordiforme. 87 da 4. em 1832. com os clássicos Gandavo e Soares. Abbeville escreveu (fl. Esperamos que o leitor nos desculpe a digressão quo fizemos sobre esta palavra. nós em linguagem preferiríamos. Apezar da preferencia que já a sciencia deu a aypi. 142) e Cazal (I. kyynha. 387 {Floril. á portugueza. est. Jukiray quer dizer —molho de sal — i'u*yre sal ( Dicc. acerca da qual desejávamos que se assentasse em uma orthographia. e talvez o C. e ay molho (td. o Caladi um tagittifolium (Vent.

que em lodo o anno dá fruto. porque é muito boa e não tem oulro mal que queimar mais que a da índia . e d'ellas nascem us pimenteiras quando as semeara. e dá fruta em todo o anno: todas eslas pimentas sSo cheias por dentro de umas sementes brancas da feição da semente de inastruços.388 BREVES COMMENTARIOS <i Ha outra casta de pimenta a que chamam Cuiêmerim . e queima a seis palmos.il. a qual se faz também em conserva em assucar e so faz arvore grande.—Ha outra pimenta a «|ue chamam Cuiepiá.— « A outra casta a que chamam Ayo. a qual como é madura so faz vermelha. que se lhe lan- . e dá todo a anno novidade: estas pimentas se fazem em conserva em assucar. por ser mais pequena que todas. da qual se usa como da demais e tem as mesmas qualidades. que queima mais que a casca. estima-la-iam muito mais que o páo bra/. •— « Ha outra pimenta a que chamam Cuiepupuna do tamanho do um gravanço muito redondo. Magestade dera licença para isso: de tal massa é esla terra da Bahia . a qual se faz vermelha como é madura. e de toda a maneira é muito doce. da qual por esse respeito se gasta pouca no Brasil. porque da casca vermelha se aproveitam nas tintas da mesma côr. cuja arvore é pequena. que na feição é mais redonda e pequena da qual se usa como das mais e tem as mesmas qualidades.— E já que dissemos das pimentas que queimam . poderá entrar em Hespanha muita somma. que o não fazem e que são muito doces. com o que a refinam e abatem : ainda que so faz este beneficio a esta pimenta. e quem muito a lem em costume folga mais com ella. e se quando vão resgatara esta costa achassem muita d'ella. cuja arvore é de cinco a seis palmos. uma das quaes se chama Saropó que é tamanha como uma avelã. cuja arvoro não é grande. « Não é bem que se faça pouca conta da pimenta do Brazil. onda os Francezes vão buscar a natural da terra . e do seu tamanho. e sempre é muito doce. se S. Esta em verde é muito preta o depois de madura faz-se vermelha. e das sementes de dentro se aproveitam pisando-a bem e lançando por cima das pimentas da índia. digamos agora das. o acha-lhe mais gosto que á da índia. que é da feição de uma bolola.

186. a Spondias myrobalar.us de Vellozo (Flora Flum. a Moronobea escu(*) Na presente edição deve alleuder se i di>foc*çao que |«or descuido jypogrjphjco padeceram alguns períodos que devendo ir n'eM«j capitulo depois do 1* S •»• P*8. Soares dá noticia de mais espécies de anacardios do quo as conhecidas dos naturalistas. 81 e 82). mato brancacento.* 8 * • P»"* r » U J P a r a •* l^g'1""» * • ' • 188 e 189.) não é fruta indígena do Brazil -. D'esle capitulo parece deduzir-se que já antes da introducção no Brazil das bananas da África e da Ásia.—S'esle» comoienlaiius ros nao demos coin-ideraçào a e«sa deslocaçào accidviital. Flum. bem como as guaiabas. alé—Cambacá—exclusivamente. 185. mas no sertão vimos nós ainda uma espécie (talvez gênero) mas cuja planto ò rasteira.•1 OBRA DE SOAIIRS. 224 escreve Ouagirou) que parece um Chrysobalanus. Mamão (Carica Papaya L. est. ao gênero Psidium. » 183. IV. havia na terra pelo menos duas espécies de pacobas: grandese pequenas. os araçás pertencem. de quo so dirá adianto. As arvores frutíferas indígenas com que se oecupa Soares no capitulo 52 (*) estão boje quasi todos conhecidos e descriptas pelos naturalistas. quo tora o sabor d'ella. . se não derivou d "esta mesma aceepçso. e dá outras arvores que dáo canella: se fòr á lerra «piora a saiba beneficiar será como a de Ceilâo. 218. 389 çarein a semente do cravo o dará. deve ser voz afrirana. est. Vrj. a errai». porém outro tonto não suecede â papayacea jaracatiá a. Calinga no sentido de mau cheiro. 134. A palavra caiinga no sentido de malto rarrasquenio ou charncca de moutas e malagaes é de origem indigen a e deriva de ca e tinga. O caju oriental « ' • descripto pelo conhecido botânico porluguez Loureiro. 1790 II. o araticú 6 uma A nona: vem depois o abajerú (Abbeville foi. 304).) Carica dodecaphylla. Esles periodüs perfazem qnaci du»s paginas e meia desde — Os araçasciiuelusire. que o nosso Velfoso chamou (Flor. A mangaba é a Hancornia speciota de Gomes. como noz moscada. notamos depois entre outras a Byrsonima Crisophylla de Kunth. segue talvez a rosacea Rubtts idaeut ou occidenlalis ( Velloso V. e Berlim 1793 p. a Vitex Tarumãe Ingá edulis de Marlius. na Flora Cochinchinensi» (Ed. 185).

390.

BREVES COMMJBXTAJUOS,

lenta d'Arruda ou Platonia excelsa de Martius,, o Caryocar. Pequi, etc. Tudo isto salvo engano.— O ambú, imbú, ombú ou umbu (que para todas as orthog.rapbia,s. ha autoridades ) é a notável planta que o nosso Arruda (Discurso dos jardins) denominou Spondias tuberosa. 128. Das fructas do sertão da Bahia que Soares reúne nq cap. 54 ha menos conhecimento. Trata-se de um Lecythis, segue-sé talvez, uma planta rhisobolacea, outra apocjnea (talvez outro carioçar), um Genipa , e o conhecido oyty de que Arruda fez o novo gênero Pleragina. Cazal (II. 60) escreve goyty, Vasconcellos ( I I ; 87) gutti, Abbeville ouíty.— Este capitulo necessita mais esludq. 129. Para melhor se identificar o leitor com a synonimia da? palmeiras remettemo-lo ao exame da magnífica monograpl|ia d'e,sta família do celebre Martius, ^-precedendo a elle, se for possível, o conhecimento pratico das mesmas. Nas Reflexões criticas enganámo-nos a tal respeito era varias de nossas conjecturas, feitas sem fundamento e só quasi inspiradas, como em oulros logares da secção 4a desse escripto , pelo desejo de acertar. 130. Bem conhecida é a passiílora maracujá-açú , com que se começa o capitulo das hervas fructiferas: —Náo nos acontece outro tanto com a planta de que se trata depois, e que nos parece alguma solanea. Segue um Cactus, com nome indigeno por nós desconhecido , fogo depois um Astrocarium e termina o capitulo èm duas plantas bem conhecidas; uma bromeliacea e um Piper, segundo cremos; talvez o unguiculatum de Ruiz e Pavon. No nosso texto se escrevem ellas carautà e nhamby. Esta ultima palavra escreve Piso ea Pharmacopea Tubalense nhambi. Quanto áquella, Vasconcellos ( I I , not. 70) diz caragoatá; Anloníl( p, 113) caravatà ; Piso e Brotero caraguatá; Bluteau caragoatá e também caroatá; Fr. Antônio do Rosário carautá e Moraes carahuatá', mas hoje mais geralmente em quasi todas as nossas províncias se adoptou gravata. 131. O ananaz offerece exemplo de mais uma palavra itldigena nossa que passou ás linguas da Europa, e á linguagem das sciencias,

*.' OBRA DE SOARK*.

J01

depois trae Thunberg formou o gênero Ananassa. Vamos registando estes fados para decidir se para nós a lingua guarani o ou não digna, a par da grega , de ser cultivada como lingua sabia , necessário para -daí esclarecimentos néo só na elhnographh o na botânica, corao nos differenles ramos da zoologia. Só na botânica, além do mencionado gênero Annassa, lemos com nomes brazileiros os gêneros (não foliando nas espécies) Andira , Apeiba, focar anda, Icica e Ingá. 132. A cabureiba eslá hoje designada como Miroxylon Cabriuva. NSo sabemos qual espécie de copaifera é mais gorai na Bahia, á qual se referia Soares. As virtudes do sen oleo foram já em 1694 apregoadas pelo Dr. João Ferreyra na Rosa no Tratado da Constituição Pestilencial de Pernambuco, pag. 51 a 56. 133. Embaiba (ou segundo outras orthngrepbias embauba, imbaiba, ambaiba e ambayvai é a conhecida Cecropia, arvoro urlicacea de cujas folhas se alimento a preguiça (animal, se entende). Quanto às caraobas, os indígenas davam este nomo a varias plantas bignoniaceas, e náo nos é fácil acertar quaes d VI Ias são as duas de que se eceupa Soares, bem que imaginemos a primeira a da estampa 50 da Flora de Velloso: e era tal caso é a que Marlius classificou como

Cybistax antisyphilitica.
134. A arvore da almecega ou icica (ygcyca no Dicc. Braz.) é do gênero que Aublet designou com o próprio nome guianense (e que tombem é nosso) de Icica.—Cornetba é a Schinut aroeira, de Velloso; Geneúna i uma Cássia, não nos é fácil saber qual; — cuipeúna parece um Myrtus; seguem dous cipós leguminosos; e o conhecido Rhizophora mangle, L. ou mangue vermelho. 135. As plantasdescriptas no capitulo 61 sãotodasde uso commum e por issomui conhecidos; vem a ser: a nicociana, orieino oumamona, a batata de purga ou jalapa (jeticuçú) e a rubiacea ipecacuanha, que o nosso autor escreve pecacuem, e os antigos jesuítas ipecaeoaya, donde derivou o nome poaya, que muitos lhe dão. Ao tabaco chama Soares petume; segundo Montoya (Voe. pag. 203) dizia-se em Guarani petyma, ou como traz o üiec. Braz. pylyma. Damiáo de (íoesÇCBron. de D. Manuel P. 1.» cap. 56) e com eHeBahhasarTeHés

JWS

nhliVES

l.OHllIíNTAKIOS

(Chron. da Comp. de Jesus P. 1.DLiv. 3 cap. 3.« pag. 442), chamam-lhe betum. O chronisla do rei D. Manuel narra corao essa planta foi levada á Europa por seu irmão Luiz de Góes; que ao depois f i jesuíta; e de quem nenhum botânico tem feito caso alé hoje, « apezar do serviço que fez, muilo maior do que Nicot. As minuciosas informações sobre o como se fumava são hojemui curiosa prolixidade, por isso mesmo que todos sabem o que é beber fumo, como Soares chama ao fumar. 136. Manyú deve entender-se o nome indígena do algodoeiro [Gossgpium vitifolium de Lam.) — O Dicc. Braz. diz amanyú, a Montoya (pag. lol) Amandiyú :—em Abbeville (foi. 226 v.) lemos amonyiou.—A Lantana Camará é hoje conhecida por ioda a parte: ubá ou taboca é o Ginerium sacharoides de Kunlh: Náo sabemos se ha engano na palavra jaborandi ou na ultima jaborandiba, quando nos diz o autor que o nome dado pelos indígenas ás duas plantas era o mesmo : o ultimo é evidentemente o Piper jaborandi de Velloso. Não afiançamos a correcçSo orthographica em caapiam; deveria talvez ler-se, com Piso, caaopiá, planta do gênero que Vandelli denominou Vismia, em honra do seu amigo Mr. de Visme. 137. Aos fedegosos (Cássia sericea,• Sw.) chamavam os jesuítas tureroguy, donde se pôde ver que não haverá erro no nosso texto em tararucú; bem que nos inclinemos mais á desinencia em quy, e seriamos de opinião que a preferíssemos para a nossa lingua em todos os casos idênticos; poisaté pareccque os muitos u «tomam a linguagem tristonha. Para redu/.ir as outras plantas, apezar de terem algumas nomes conhecidos, até na bolanica, encontramos contrariedades, as quaes todas só poderá aplanar algum naturalista que se ache na província em que o autor vivia. 138. O cedro chamado acayacâ pelos indígenas (Dicc. Braz. p. 23) é segundo se nos assegura do gênero Cedrela. 139. N5o respondemos pela correcção do nome da segunda arvore que o nosso texto chama Guaparaiva, e menos ainda pela do da Academia quoapaijú ; pois nem sabemos o que seja. Dzjutaipeba

A ' ODRA

DH ROARKS.

SÇlS

propoz-se B.ilih.izar Lisboa a fazer uni novo gênero rom o nonin «fo Jatahypebu ralenciann. 140. Também quiz o mesmo Ilalihazar trear ura novo gênero com o nome de Massnrnnduba, talvez sem saber se esta sapotacea, embora no Brazil seientifiraniente desconhecida então, não pertencia a algum vellio gênero.—Para se classificar de novo na botanira é necessário ler sobretudo muita erudição dos escriptos da st iencia : muitos gêneros so contam boje «pie se h5o pouco a pouco ir reduinido a espécies do outros. Quanto ás espécies, printipalmenic na America, onde as phvsionomias naturaes lem tanta semelhança umas cora outras, apezar das distancias, estamos persuadidos que mais de metade dellas se verão reduzidas a simples variedades, quando haja viajantes naturalistas que percorram lodo este ronlinente, e tratem de harmonisar os trabalhos dispersos de tantos, rada qual a querer-sc fazer celebre caos seus protectores. — l ra elassilicador de plantas devo ser exclusivamente botânico. Segundo o nosso texto chamavam os Indios andurahnbapari ao angelim, que Piso chama Andira Ibacariba, c Marlius reduziu sob o titulo de Andira rosea. A palavra andira faz crer que alguma cousa tinham os morcegos que ver com esta arvore. O códice acadêmico diz andurababajari , c o roronel Carlos JtiliSo (ull. num. do Patriota p. 98) o teria visto em manusrripto No Dicc. Braz. (pag. 12, chama se-lhe Pobiira — Arruda linha denominado o angelim Skolemora pernambucensis. Lamarck havia já proposto o gênero Andira, de que o synonimo o CeofTroya dn Jacquin. O gequitibá não sabemos que esteja reduzido. Lbiraem é naturalmente o burayén de Anlonil (p. 57), que o Sr. Riodel classificou corao Crysophyllum Buranhem. — Sepcpira é a sicopira ( assim escreve Moraes) :talveza mesma que Ballhasar queria designar com o nome de Joanesia Magestas. —Antonil (p. 51 , 56 56) escreve sapupira, e o autor do poema Cararaurú supopira. A Bowdichia major de Martins é uma sicopira ; a IJrucurana do Rio de Janeiro foi reduzida pelo Sr. I)r. Freire Allemâo a ura gênero

Z9Í

BREVES COMMENTARIOS

novo a que deu o nome de Hyeronima alchorneoides. Náo sabemos se a da Bahia é ditTerente. 141. Antonil (p. 57) escreve Camassari e Cazal camaçari. —O autor pondera mais adiante ( cap. 191) o valor d'esta arvore, da qual seria fácil extrahir alcatrão. —Guanandi é talvez uma clusiacea , e poderá ser a mesma Moronobea coccinea que encontrou Aublet na Guiana franceza. 142. Das arvores que dão embira mencionadas no capitulo 68 é mais conhecida a que Velloso (IX est. 127) designou por Xylopia muricata. 143. Das madeiras de lei de quo n'este commentario cabe tratar, só nos consta que estejam classificadas a do páo forro, e a que Soares diz ubirauna, se é a braúna vulgar (Melanoxylon Brauna de Schott.) — Ubira-una significa madeira preta e ubira-piroca madeira cascuda ou escamosa. 144. Tatagiba ou antes Tatajuba (juba significa amarello) é a Broussonetia linetoria , Mart.; — Sereíba a Avicennia nitida , L.; e a terceira arvore, cujo nome n5o podemos ainda justificar, é a Laguncularia racemosa de Gaertner. 145. Á apeiba, com este mesmo nome, deu a scienoia um gênero, na ordem natural das Tiliaceas. Aqui trata-se da jangadeira ou arvore das jangadas, que Arruda apellidou A. cimbalaria.— Sobre as outras arvores não nos atrevemos a fazer reflexões sem mais conhecimento especial d'ellas: deixamos essa tarefa para os que forem botânicos de profissão; o fim principal d'estes commentario; é outro, e ainda quando estudássemos toda a vida as sciencias que abrange hoje o livro de Soares, em alguns pontos deixaríamos de ser juizes competentes. O nome da arvore com que cometia o capitulo deveria etymologicamente talvez ser Catanimbúca, isto é, páo de cinza. Ubiragàra quer dizer arvore de canoas. — Cremos que seja a figueira do mato ou gameleira (Ficus doliaria, Mart.)—Se soubermos algum dia a lingua tupi ou guarani, e estudarmos bem os seus nomes de arvores, animaes, etc, acharemos que todos elles terão como este

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sua explicação das propriedades e usos dos respectivos ubjorlos;—o que já advertimos com a palavra andira no tora. 140. 146. Carunje parece-nos palavra adulterada. Inhiiilxitan escreve J. André Anlonil. ( p. 57.) Jacarandá ó já uni gênero botânico troado por Jussicu : não sabemos so a ello pnrtenceode Smros.- Mocetayba escreve o jezuita Vasconcellos ( I I , 80 ) , o messetuüba Anlonil ( p. 56 o 57. ) — l'birataya é talvez a ubiralahi ou uratalu descripta por José Barbosa de Sa foi. 361 v . ) , n'uni extenso livro manuscriplo do século passado, obra feita no sertão quasi cora tantas informações filhas da própria observarão do autor, corao esta de Soares que ora commentamos. Tangapemas lemos em Vasconcellos (II , n. 18.,—Referiino-nos deste jesuíta quasi sempre ás Nolicias Curiosas, qne tiveram terceira edição no Rio de Janeiro era 182'i, em um volume de 183 paginas de 4.° 147. Vbiratinga quer dizer madeira branca. 148. .4nt*wwi significa—cheirar mal — ( Dicc. Braz. p. 40 ) ; do modo que ubirarema quer dizer— madeira fedorenta — Guararema se lé no Patriota (III, 4 *, 8 '; oulros dizem ibirarema. 149. A foguininosa de <|ue primeiro se trata com o nome eomedoy é naturalmente do gênero Ormosia.—Araticupana (como diz o texto da Academia e vem era Moraes1 é a .4nona paluslris L.—Anhangákybába seria mais correntemente a tradueçáo de—pente do diabo. — Cuié-yba , ou arvore das cuias é a conhecida Crescenlia Cujetc L. Da jatuaiba ou jutuahiba trata lambem Barbosa de Sá, foi. 365 v. 150. O limbó-cipó é a Paullinia pinnata de Linneo; o cipó-embé o Philodendron Imbé de Schotl íVell. Flora Flum. IX est. 109.) 151. Tocum, segundo é sabido, é uma espécie de Astrocarium. 152. A ave que Soares designa por águia Caburéaçú é, pelos indícios que nos da, a Trachypcte* Aquilus de Spix.—Nhandú ou ema é a Slruthia Rhea do Linneo.—Abbcvillc ( foi 242) escreveu Yandou. — O Tabuiáiá, que Baona (Curogr. p. 100 ) diz Tombuiaiá , pela tlvmologia se julgaria ura Anser , pois que atá quer dizor paio; mas a descriptão conforma-se mai< a «pi» «<'ja afoum Cassicus.

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Í-.IIEVES COMMIúNr.UUOS

153. O Macucagoá descriplo por Soares não é o macuco vulgar : parece antes a Perdix Capoeira deSpix. e por conseguinte não Tinamus: — Abbevillo escrevo macoxicaoua, e Staden mackukawa (P. 2.a cap. 28.)—O motum de Soares è cxactamento o Crax rubrirostrts deSpix (Av. II, Tab. 67.) O jaca por ello descriplo não nos parece nenhum dos gallinaceos classificados no gênero Penelope; cujos nomes brazilicos para as especiesjaciipema,jacutinga, ele , a ornythologia já admittiu. Tuiuiú é reconhecidamente o Tantalus loculator do Lin. Em Cayena chamam porém Touyouyou á Micteria americana. 154. O Canindé de Soares é uma variedade da Aratingaluteus de Spix (Av. Tom. I o Tab. 16). Confronte-se lambem a descripçfio deBuffon (Hist Nat. Tom. T p. 154 e 155, edic. 4a gr.) —A arara e tocanos são bem conhecidos.—Embagadura, entre os indígenas, era o punho da espada, segundo melhor se explica no capitulo 173. 155. Uratinga (Ouira-tin de Abbeville foi. 241), ó a Ardea egrettaàeUn.; Upeca, Vpec de Abbeville (foi. 242), Ipecii do Dic. Braz. (pag. 59), é ave do gênero—A nas. —Aguapeaçoca ou Piassoca a Palamedea comuta de Lin.; Jabacatim a ribeirinha que Moraes (no voe. — Papapeixe —) designou por Jaguacati. Os gariramas são do gênero Tringa. [Jacuaçú é evidentemente a Ardea Scolopacea do Gmelin, para a qual Vieillot propoz o gênero Aramus» havendo sido por Spix denominada Rallus ardeoides. 156. O Nhambú ó conhecidamente o Tinamus plumbeus do Temniiik. Picaçú , parari, juriti epiquepeba parecem as Columbinas griseola, strepitans, caboclo e campetris de Spix. "~157. Papagaio é voz africana; era o nome dado em Guiné aos cinzentos, primeiros que se levaram a Portugal. O nome brazilico é agerúou ajurú como admitte Moraes (Dico. Port.)—Abbeville (foi. 234 ) escreveu juruue. — Assim agerú-assú, (que outros escrevem juru-assú) significa papagaio grande, o agerú-élé papagaio verdadeiro. O primeiro, bem como corica parecem antes do gênero Ara. Thevet (f. 93 das Singul.) escreveu Aiouroub. Tuim será um dos Psitaculus gregarius de Spix. —Soares escreveu com Gandavo

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oniu nu SOARES.

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niaracaná ; oulros porém dizem niflrflfnwJ. —Consullo-so Muregraf : pag. 20) ; Johnslon , Avi . pag. 112; Willugby, Ornilhol. pag. ll\ o Brisson, Ornilhol. Tom. 4", |»ag. 202. 158. O capitulo 81 occupa-sedo varias aves ribeirinhas;talvezda Ardea garzetla «Io (iineliu; da Sterna magnirolris «Io Spix ; do umaProcellaria; da Miclerta americana; do algum íbis, Tringa oic. — Socory devo ser Sòa>boy ou -4r«V« Cocoi do Lalh. Em vez de margui lemos em uns códices mnrgusi, otalvezso devesse ler majui quo é o nome dado ás andorinhas ( Dicc. braz. p. 12. ) — Pitahuãa parece que se diz no Peregrino da America ( p. 48) que era o bemtevi; mas a descripção de pitaoão não se conforma. 159. Urubu é o Yultur Jota de C. Bonoporte: carácará o Polyborus vulgaris de Vieillot: oacauoam o Astur cachinnans do Spix (Tom. 1*, tab. 2 \ ) —Irubuttngu, á vista do descripção não podo deixar do ser o Calhartes Papa , o impropriamente chamou Linneo a uma águia negra Falco Urubutinga quando esta ultima palavra quer dizer urubu branco: mas igual troca já se foz cora a Araraúna. Diflicil será reduzir a espécie do Falco ou Mihius do quo trata o autor tom tão po ueo explicação. 160. A primeira e terceira aves parecera Slrix. A segunda cremos que será o Trogon Curucui de Levaillanl. — Desculpe-se a Soares o cecupar-se, a par dfostes, de uni cheiroptero, seu companheiro de noite. —Quanto á orthographia dos nomes Souza Caldas escreveu (Canto das Aves; Jacorutú, e Abbevillo em franoez Joucouroutou. 161. Uranhengatà é o passarinho do Brazil que substitue no canto o canário e o pintosilgo. Gorinbatá escrevem alguns; e Nuno Marques Pereira, no Peregrino da America (Lisboa, 1760 pag. 48), Guarinhatáa. Hoje diz-se Grunhalá (Cazal I , 84. o Rcbello, Cor. da Bahia, 1829, pag. 56).-Parece o Iclerus eitrinus de Spix. Sabiatingu (que ainda hoje era algumas partos so chama tabui branco) o o Turdus Orpheut do Spix. Tié piranga ó o nosso mu» conhecido lihé (Tangara nigrogularis de Spix) — tiainambi o o nome indigeno dos beija-flores, que bojo constituem vários gêneros:

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BREVES COMMENTARIOS

o Agayá o da linda colhereira que Vieillot designou como Plalalca aiaia. Jaçanã, pelo nome, deve ser do gênero Parra; e neste caso talvez a de que trata Soares seria encarnada por metamorphose quo essa espécie soffra, como acontece aos guarás (íbis ruber)—Segue-se a Tangara calestis de Spix, e mais duas aves que também podem ser do mesmo gênero, se alguma não é antes Muscicapa ou Lanius. A ultima ave é da família psittacina. 162. Os pássaros que melhor conhecemos, além do que primeiro tratou no cap. anterior, e torna a occupar-se, são: o sabiácoca ou sabiá da praia que Spix denomina Turdus rufiventer, e do qual diz (pag. 69 do texto) ser « cantu melódico uti philoraela europsea insignis»: e o Querejua ou Crejoá que é a Ampelis Cotinga do Linneo. 163. Nhapupé é o Tinamus rufescens de Temnink. A saracura pertence ao gênero Rallus: Spix descreve-a como Galinula Saracura. Orú é o Trogon sulphureus de Spix, e Anú (que Moraes dhAnum) o Crotophaga Aní deLimico. Segue-se a Ardea Maguari de Vieill, e talvez um Tinamus, vários Turdus; e conclue-se o capitulo com um trepador picapáu (Picus), manifestamente o que Spix denominou P. albiroslris, e que, segundo Cuvier julga, lem analogia com o P. Martius de Linneo. 164. Occupa-se o autor de dar noticia geral dos orthopteros c lepidopteros. No Dicc. Braz. (pag. 42) lemos tucuna, e em Abbeville (foi. 255 e 235 v.) pananpanam e araraa. 165. Seguem vários hyraenopteros da família mellifera. Da canajuba traia Baena (Corog. pag. 121) e da copueruçú Carvalho (cap. 351) e Piso (pag. 287), que lambem se occupa da Taturama (pag. 289). 166. Outros da família diptoptera de Latreille—e alguns diptcros etc. Abbeville escreve (para ser lido por Francezes) tururugoirc e merou ou berou por terigôa o merú. 167. Mais dipteros, ura orthoptero e um coleoplero da família dos longicornios de Latreille, ou cerambycios de Lamk. 168. Tapir-elé ou simplesmente tapir era o nome que davam

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os indígenas ao conhecido pichydcrino Tapir americanas que Buffon descreve no tomo tindocimodo sua obra (Edic. de 4.°, pag. 4/i4).--Os Castelhanos lho chamaram ante o danta, e os Porluguezes <IHÍ«, porque designavam a esse tempo com tal nome (derivado do arabigo que é semelhante) o bufalo {Bos Bubalusiio Lin.) quo havia na África e no sul da Europa, e cujas pelles curtidas do còr amarella, que muito se empregavam nos vestuários o armaduras no século 16, poderain substituir pelas do nosso tapir, cora mais vantagem ao menos no preço. A resistência das couras de anta á estocada era provcrbial. 169. Jaguareté ou jaguar verdadeiro é a Felis onça de Lin. 170. Ha talvez engano era suppor ura animal Felis hahitador dos rios ou amphibio; no tamanho das presas lambera deve haver engano; pois náo podem ser do ura palmo. 171. Julgamos mais acertado nào querer reduzir sem bastante segurança as três espécies de cervos de quo se oecupa Soares; se bem que uma nos pareça o C. rufus de Cuvier, e outra o C. tentticornisde Spix. 172. Occupa-se o autor do tamanduã-açú ou Myrmecophagu jubala. Segue-se talvez uma espeeie aguarachai ou Canis A zarie • e depois o coaly . espécie de Xasua, o maracaiá ou Felis trigrtna «j o serigué ou gambá , que no Rio da Prata chamara micuré, espécie do Didelphis de Linneo. Gandavo (fl. 22 v.) escreveu cerigoés o Vasconcellos'Li v. 2 ° , n o l . 101) çarigué. — Ao bolso do abdômen chamavam os indígenas tambeó. 173. Jaguarecaca (talvez antes jaguatecaca) diz Soares ler sido o nome do conhecido Mephilis fada de III., que Cazal (I., 64) designou por Jaraticaca. 174. Os pachydermes que se descrevem todos parecera dicotyles e nenhum sus. Deixemos a reducção das espécies aos que tenham a vista bons exemplares adquiridos nas iinmediatjõesda Bahia. — Os nom«3S nos manuscriptos não soffrerain adulteração; mas hoje alguns variam em caitelú , tayatilú e teririca. 175. Poucas palavras teráõ soffrido entre nós mais variedade na orthographia do que a da capivara, que assim se pronuncia e escreve

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BREVES COMMENTARIOS

hoje quasi geralmente o nome do Hydroclmrm Capibara do Cuvier. — Os outros amphibios não podemos determinar só pelos nomes: um pôde ser a Mustela lutra brasiUensis', os outros talvez Flvcrras. 176 Chama-se Tatú-açú ao Tatú-ai ou Dasypus Umcinctus ; tatà-bola é o D. tricintus; os dois últimos parecem ambos da espécie D. novemcinctus. 177 As pacas e cotias bem conhecidas são, assim do vulgo como dos naturalistas. -Colimerim ou antes Coatimerim é o estimado Caximguenguelé, espécie do gênero Scinrus. 178 O capitulo 104 dá razão de cinco animaes da ordem dos quadrumanos, cada um de seu gênero. O guigó 6 Callitrix; a guariba Mycetes; os saguins da Bahia, Jacchus; os do Rio, Mídas; o os anhangásou diabos são evidentemente Nocthora. 179. Se o autor andou tão systematico no capitulo que acabamos de commenlar, não succedeu assim no immediato, onde ajuntou vários animaes mui differentes: Saviâ (ou talvez Sauiu) e seus compostos S. tinga e S. coca, são espécies dos gêneros Mus o do JTerodondeNeuwied.—Aperiás são os Preàs ou Ancema Cobaia L.: Tapotim é a Lepus brasiUensis de Gmelin; o Jupaíi um marsupial, provavelmente a denominada marmola (Bidelphit murina.) 180. Para não interrompermos o pouco que falta da classe dos mammiferos, não nos deteremos com largo exame no capitulo em que Soares dá noticia de alguns reptís do gênero Emys, e talvez de mais algum da família chelonida. O nome brasilico jabuti já está lambem consignado nos tratados da sciencia zoológica, e nos museos do Universo. 181. A preguiça (gênero Bradypus de Lin.) é pelo jesuita Vasconcellos denominada (Liv. 2.° n.% 100) Aig. - Haüt dizia Thcvet. 182. Não sabemos como entende Soares que Jupará ou antes Jurupará queira dizer noite. Jurú significa boca, o noite ou escuro traduz-sc por pytuna. — Sabemos que existe ainda nas nossas

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províncias «Io norte um animal «laqucllo nome, que se caça «le noite, quando vera comer fruta em certas arvores, o quo era algumas lerras lhe chamara jurupary. Esto norao quasi eqüivalia enlre os indígenas ao de anhangà. Assim talvez o animal seja algum do gênero Nocthora (cora. 178^. O cnandú, ciiim e qtteiroá sáo «'species do Hystrix. 183. Enceta-se uma das ordens dos reptis cora a giboia mui propriamente chamada Boa Constrictor. Anualmente ha duas dellas vivas no nosso museu. Veja-se a dissertação sobre Ophiologia do Sr. Burlamaque na Bibliotheca Guanabarense, quo publica os trabalhos da Sociedade Vellosiana (Agosto de 1851. i 184. São conhecidos os ophidios de que traia o capitulo. Ao ultimo chamou Abbeville Tarehuboy, e Bacna (Cor. do Pará p. 114) Tarahiraltoia. 185. Hoje diz-se vulgarmente jararaca [Trigonocephalus jararaca, Cuv.) — A ububoca ou coral, pelo nome, deve ser a Elaps Maregracii do Spix. 186. O nome de Boicininga cahiu era desuso e so ficou o de cascavel (Crotalus Cascatella). Os Chiriguanos chamavam-lhe emboicini o boiquirá; assim corao, segundo J. Jolis (Saggio dei Chaco p. 350', chamav:i„i boi l tapou que Soares diz B"itiap-jia, mais conhecida por cobra d*, cipó, lalvoz pelo uso dos indígenas de açoutarem com cila. pelas cadeiras, a .-nas mulheres quando lhes não davam filhos. Lbojara é naturalmente a CariUa Ibiara, I)..ud, pag. 63 o64. 187. Trigonocephalus Surucucu ti ->T>-' Cuvier ao opbidio que em vulgar designamos tora esle uiiimo nome. — O uhiracoi parece a Xatrix punetatissima de Spix. Os outros são talvez espécies de Xiphosoma. Lrapiagára ou Guirauptagára quer dizer «comedora dos ovos dos pássaros. » 188. Na ordem dos saurios menciona Soares um jacaré, que como se sabe é gênero da família dos crocodilos. — Sanainbús o Tijús (ou Teyús) são Iguanas. Anijuacanga talvez seja adulteração de Teju-acanga.
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BREVES C0V.MEHTARIOS

189. Trata-se de alguns amphibios da família Banidas. — O sapo é o PipaCururú de Spix. Juí-giá quer dizer rã do gemido, — e por este nome é hoje conhecido em algumas províncias este batrachio. 190. Não sabemos individuar os apteros myriapodes, que Soares descreve neste capitulo, por nossa mingua de conhecimentos entomologicos, e falta de collecções que nos sirvam de guia. Piso (p. 287) escreve Ambuà. 191. Outro tanto dizemos acerca dos pyrilampos ou vagalumes que devem naturalmente pertencer, como os que conhecemos, á ordom dos Coleopteros. — Piso (p. 291) disso Memoà. 192. Da classe arachnidea trata-se no capitulo 118 , bem como dos articulados do gênero Scorpio, Mygala, etc. 193. Não nos foi possível encontrar collecções contendo os Hymenopteros tratados nos quatro capítulos que seguem. Abbeville (foi. 255 v.) chama Ussa-ouue á formiga saúba ou tocanteira. 194. A palavra goajugoajú parece-nos não ter soffrido adulteração : é uma Formica destructrix. 195. O Diccionario de Moraes anda falta de ura accento na segunda syllaba da palavra Içás. 196. Tacjba é em geral a paiavra para dizer formiga na lingua guarani. 197. Copiou Cupim é o conhecido Termes fatale de Lin. (Cuvier T. 3." p. 443). — Neste capitulo ha no nosso texto melhoramentos de variantes importantes. 198. Abbeville (foi 256) chama lou ao que Soares e o Padre Luiz Figueira (Gram. p. 48) dizem tunga, eAtlun HansStaden. É a nigua dos Hespanhoes, e chique dos Francezes (Labat, Viag. 1724; T. l.«p. 52e53.) 199. O nome pirapuã dado pelos indígenas ao cetáceo balêa pôde traduzir-se por peixe redondo — ou — peixe ilha. 200. Segundo nos informa o Sr. Maia não consta que o espadarte freqüente hoje a nossa costa. E se nunca a freqüentou é elle de opinião que o de que Soares trata seja antes o Hiitiophorus

com o mesmo nome quoSoares. A idéa de homens marinhos era familiar aos índios. e Vai. Braz. O peixe monstro de quo so faz montão seria naturalmente algum cachalote do extraordinário tamanho. Panapaná (nome quetambémnos transmittem Thevet e Abbeville) é a Zygena malleus de Valoncicnncs. Lago (p. cao seu século: pois que era «Uh . altendida naquelles a orthographia franecza. Gandavo e Pitta (p. 245 v. Ainda que sejam mui nomeados os peixes quo Soares reuniu no capitulo 131.) 206. scomberoide do gênero Cybium (Cuv. foi. E fauno pulIuUr quest' acqua ai summo.» cap.. gênero da familia dos Squalidaz. Do Camoropi tratam Laet (p 570). om. Melhor acertamos acerca dos peixes cartilaginosos. flOA «mcrreoniis de Cuv. Romeiro ó o Echeneis Remora de Lin. •> As assaltadas de que so faz menção seriam talvez obra de tubarões ou do jacarés. etc. p. uma vez que por ali não consta haver phocas. Abbeville (foi. . e hoje classificado como Elacate americana (Cuv. sem questão o mais estimado peixe do Brazil como assevera Soares. 201. 11) também se inoslra em tal assurapio crédulo.) Houperou.) escreveu Araouaoua.. desPois. — Soares não poude ser superior ao quo t. Goaràguá ou Guirabá 'Dicx.rminantemenle ouvia afirmar . 967 v. O beijupirá. 35) dá noticia delles. apenas diversamente escripio. Hist.) é o conhecido cetáceo do gênero Trichechus. 203. — Hipupiára. 42). confessamos que só d'elles conhecemos a cavalla. com as soreas etc. eThevel (Singul. O P. Abbeville líol. des Pois. 133 e Cosmogr. 202. Trata o cap. 204. bem. 8. 244). Squalus. 1. 8.334) Olho de boi (que deve ser algum Thinnus) diz-so em guarani Tapir-siçá. o que comprova aexaclidáo nos termos Aragoagoay e Uperu de Soares. é o scomberoide antes denominado Centronotus. Gandavo (foi. Bom conhecida é a p^sagom de Danietantasvezes citada : • Che solto 1'arq-ja ha pente ehe «ospirs . pag 181. 62). e Vai. foi. 60. João Daniel no Thesouro do Amazonas (P. 205.ntiga lambem na Europa. Hist. 128 de peixes dos genoros Pristis.".A OBRA DE SOAnRi.

uma Coryphena. como se juntos tivessem sabido de um lanço de rede. pertence ao citado gênero Mugil.teve a lembrança pouco feliz de arrumar n'este capitulo. segundo os paizes.. o nome das tartarugas. que Soares. pag. A coirimá ou coriman. 62) para a pescada. O peixe gallo era questão é do gênero Argyreyosus ou do Blepharis. segundo Piso. Preparemo-nos para encontrar em um capitulo peixes muito dissemilhantes entre si. Arobori deve ser dos Clupidas.RIOS como os cações. Jurucuáé. 56). Caramurú é um cyclostomo. 207. ou de algum dos outros que constituiam o Zeus de Lin. . Quanlo aos nomes indígenas temos por exactos todos os do nosso t ex t 0 . Piso trata d'elles com nomes análogos Curui e Urutu. talvez Petromyzon. Jabybyra é significado que se confirma no Diccionario Brazilico. De novo attende Soares a outros peixes. as agulhas dos Esocidas. Boi (a negra). porém a enxada peixe. — O nome Atucupâ verifica-se pelo de Oalucupá. que é dos mais abundantes da nossa costa. Treme-treme. Pororé é o nome que significa enxada. (pag. 209. Barboleta e Manteiga. o peixe porco dos Balistidas e este ultimo mui provavelmente Monocanthus.—pirasaquê do gênero Conger. Asraiasdo Brazil são de vários gêneros: Raia. um Scomber. por quanto guaibi ou guaimim (segundo escreveu o autor do Diccionario Brazilico) quer dizer velha. —Vereis ao lado de algum Lobotes (?) um Thynnus. Jaguariçá é naturalmente da família dos Cyprinidas. que dá o Dicc. quanto alcançam nossos exames. os quaes se podem comprehender na familia dos Scomberoides. «Stc. um Serranos. e do gênero Ephippus. um Elops. Ticonha. Trata-se primeiro da Mugil Albula de Linneo. 208. O bodião é peixe differente. 66. ou o peixe enxada é da familia chetodonlida. Os bagres são Siluridce talvez do gênero Galeichthys ePimelodus. Julgamos o roncador dos Scienidas.404 BREVES COMMENTA. e carapeba do gênero Seiena. Paslinaca o Rhinoptera: e os nossos pescadores d'esta parte da costa as distinguem com as denominações de Santa. Braz. _ Guaibi-coara explica a denominação que menciona Piso (pag.

depois de parar algum tempo admirando Soares a descrever a Malthea Vesperlilio. « do gênero Pleuroncctes. Grapsus. designaram elles por sapo. Deixamos para os que venham a fazer ex-professo estudos sobre a nossa Ichtyologia. quo tem o nosso museo do Rio de Janeiro. Estes dous peixes da familia gymnodonlida servem de confirmar a propriedade que guardavam os Guaranis em suas denominações : ao haiacú que ainda hoje sorvo de proverbial comparação para os que imitam a rã da fábula. Uramaçá ou aramaçá. Vacupuá é seguramente adulteração de Baiacu-puá. Concluiremos o que temos a dizer sobre o cap. e ainda uos lembramos da graça que os Tamoios acharam ao francez Lery de ter um nome corao o d'elles.i' OBRA DE SOARES. — Ussá é o Câncer uca de L. O nosso autor dava-lbe novo cunho de autoridade. com o nome de morcego do mar. os exames que não nos é possível ultimará cerca da doutrina deste capitulo.) 215. Mais crustáceos do gênero Câncer. quo tivemos bemoccasiSo de admirar o gênio observador e talento descriptivo de Soares. ou Ocypode fossor de Latr.) 210. 212. Leri é o nome genérico da ostra. 207. Abbeville ( foi. e depois com oulro que se acabava de pescar. O de quo tratamos conclue com um crustáceo bem conhecido. segundo os que soguora Marcgraf. not 59. Mytilus. 204 ) diz Bery. que Uto freqüente é em nossas águas. tão pouco estudada até agora. Aimoré pareço um Lophiiis—O haiacú ó um Telraodon e o pira-quiroá ura Diodon. o d'esta maneira de pronunciar (mais exacta visto qne segundo Soares os indigenas náo tinham o 1 de Lei) veio Reritygba ( Vasconc. Foi com um exemplar preparado. 213. nome dado pelos pescadores. 211. . 136. á vista. Unio. e pira-quiroá traduzido ao pé da letra quer dizer peixe-ourico ou peixe porco-espinho . Seguem outros crustáceos. ele— O uso já adrailliu a pronuncia e orthographia de Seri com preferencia a todas as outras. Os testaceos de que trata Soares sio conhecidamento Anodon. além do muito que deixamos nos capítulos já commentados. 214. frOíi A palavra (rouyói-coali tem o que quer quo seja quo ver cora velha (com.

de água doce. 39). etc. os mais aos menos civilisados. isto é Tapuia branco. da cyprinida dastrahiras. Descreve-se a Ampularia Gigas deSpix. contrários dos nossos. Braz. O fraccionamento crescente na raça tupica./. Não havia. Helk. como actualmente ainda no Pará. 217. Nos nomes indígenas notam-se variantes dos do texto acadêmico que traz o Papesi. a . da percida dos ocaris. 220. alguns Bulimus. que seestendia por quasi todo o Brazil na época do descobrimento. no Brazil nação Tapuia. como já dissemos (cora. e os indígenas a applicavam até aos Francezes. 218. Polypos. e deram aos vencidos. que empurraram para o sul o para o sertão. e insistimos ainda n'esta idéa. e tapuia se iam chamando uns aos outros. etc. Quando os Tupis invadiram o Brazil do norte para o sul (e não do sul para o norte como pretendeu Hervas e com elle Martius). chamava-se tapuia ao gentio bravo.06 BREVBS COMMENTARIOS 216. isto é Tupis lateraes e Tupis máos. (Veja-se o Dicc. São-nos mui familiares os nomes e o gosto dos peixes lembrados no cap. chamaram Tapuias ás raças que elles expulsaram. da silurea dos lamoalâs. chamando-lhes Tapuytinga. era tal. 219. 222. que a si se chamavam Tupinambás ou Tupis analisados. Lisb. Vem de novo alguns testaceos e crustáceos: são Anodon. pag.. os quaes se encontram nos rios do sertão : mas sem exemplares á vista não queremos arriscar opinião sobre o logar que elles occupam na Ichtyologia. Oatapesi e Jatetaosu differentes. o nome de Tupiikis e de Tupin-aem.: 1795. Esta palavra quer dizer contrario. etc. foram logo seguidos de outros de sua mesma raça. 221. que não exageram os quo crêem que a não ter lugar a colonisação europea. Helix. 144 .. Parenchymalosos. Otextoda academia nomeava Goachamoi o que em outros códices lemos Guoanhamú : hoje dizemos Ganhamú. Antigamente no Brazil. —Os Tupis. Unio. sendo mui natural que pela maior parte estejam por classificar: ainda assim conservamos lembrança da forma petromyzonida dos muçús. 42). etc. Comprehende o capitulo vários Echinodermes. que se chamavam também a si Tupinambás.

A* ORRA DB HOAIUI. mesclando-se com ella em interesses. alias poderosas. No nosso museo ha o retraio de um de Mato-Grosso todo vestido de gala. 226. 251) Esseescripto de Anchieta devemos á bondade do nosso amigo°o Sr. corao quasi vai suecedendo n'esses inaltos virgens em quo lemos Índios bravos . protegendo sempre um dos partidos. 1. da Rev. As axorcas usadas pelas mulheres eram denominadas como . o alé em relações de parentesco. e que nações. A07 mesma raça devia perecer assassinada por suas próprias mãos. nfio conquistariam muitas vezes nações fracas. era o de Tupinambás: —o que faltavam geralmente a mesma lingua por toda a costa.. do Insl. Anchieta (Tora. &c. Cunha Rivara. e tinham os mesmos costumes. o que tantos outros serviços tem prestado ás leltras brazileiras.— Cremos ser a mesma Bahia o local a que se quiz referir Thevet (fl. — Sem a desunião da raça tupica nunca houvera uma nação peipieua como Portugal colonizado extensão do terra tão grande como a que vai do Amazonas ao Prata. fazendo-se uns a outros crua guerra. o que não deve admirar quando vemos que isto ainda hoje é seguido.' S. O nome indígena do termo da Bahia deve estar certo. 227. Nao andaria porém já n'este nome a idéa da residência do Caramurú ? 224. 129) cora o nome de Pointe de 6Yoi*esímourou. porquanto os Jesuítas o repetem escrevendo-o porém Quigrigmuré. N'este capitulo confirma Soares que o nome dos indígenas. bibliothecario de Évora. O principal ou cacique dos Tupinambás tinha (e tem ainda) entre elles o nome de morubixaba. pag. se dentro d'estas não adiassem partidos discordes em quem podesse encontrar ponto de apoio sua alavanca terrível. — Os primeiros colonos seguravum-se na terra á custa d'esta desunião. 225.» da 2. e se unia aos da nova colônia . <Scc. Ás vezes chegavam a fomentar a desunião política. antes de se dividirem. que com essa superioridade ficava vencedor. e que no baptismo so chamou (como o governador) José Saturnino. A respeito da condição da mulher entre os Tupinambás consulte-se o que nos diz o P. Dr. 223.

2. &c." de mantimentos. 4. Pereiras. Assim a idéa da fraternidade de que o Evangelho se serviu . nem que tivessem a boca cheia. o que lambem era admittido entre os antigos Egypcíos. nem sempre são modelo dos sentimentos puros. Cajus. 229. 5° Lanças. Os primeiros apellidos derivavam entre os Tupis. Carneiros. Trigos. Lobos. de âmbar e de cristal de rocha. sob o nome de Socaúna. a falia dos gentios se difficultava ou antes era mais difficit entende-los.° Leões. 1. Farinhas. como diz Thevet. Pacas. caridosos e pios que o christianismo quiz symholisar com a fraternidade. 231. Couraças. Titara . allemães. «SÍC. &c." de animaes. O que dizemos dos nossos nomes pôde applicar-se aos inglezes. e sendo aquelle o segundo pai. segundo Soares. 3.° Pinheiros." Sardinhas. &c. Pelo sangue de mãi não havia parentesco.. 228. Lamprêas. 5° de peças de armas. não era a que grassava entre essas raças: o na verdade já desde Caim e Abel. pois que o confirma Abbeville escrevendo (fl. outras vezes eram como uma muleta em miniatura. &c." de arvores. Metara era o nome indigeno dos botoques da cara : ás vezes tinham a forma de uma bolota grande. &c.408 BREVES COMMENTARIOS diz o nosso autor. &c. O parentesco mais prezado d'este genlio depois do de pai a filho. 274) Tabacourá. Temos visto botoques de mármore. É claro que com taes corpos estranhos na boca e nas faces. E o que succede por toda a parte com a raça humana. Cordeiros. c Leites. 2. Coelhos. O bicho em questão de pelle peçonhenta é descriplo por Soares no cap. e por graça deitavam elles ás vezes por ali a lingua de fora. Nos nossos mesmos nomes não acontece isso? Vejamos: — 1. Romeiros. os irmãos por via de rivalidades quotidianas. 66. 230. Quando tiravam o botoquesahia a saliva pelo buraco. francezes. 3. era o de tio paterno a sobrinho. e se servem hoje os philanlropos como prototypa dos sentimentos da piedade e caridade. Os Tupis da- . padrinho ou preceptor nato." de peixes. Os Romanos também faziam grande differença entre o parentesco dos tios paternos e maternos distinguindo patruus de avunculus. 4.

Segundo Thevet (fl. Era IIespinha e Portugal. Também chamamos a atlenção sobre este capitulo. como mis hoje era communhSo social nos dizemos irmãos. irmão diz-se so aos pobres. 237. mas são filhas de duvidas que temos. e quem sabe so mesmo d'elles africanos.'. o pai ou paisinho aos pretos. Tupi-aem os tios máos . ainda so chama tio a qualquer homem do campo ou do mato a qmmi so não sabe o nome . quando so lhes nao dá «ísmota. e mesmo entro nós no sertão. o caçando os nossos africanos (a que chamam macacos do chão) só para os comer! 235. O fimòõ e tingui são o trovisco do Brazil—Quanto á criação de animaes a pássaros domésticos era ella anterior á colonisação . Os nossos africanos ainda se traiam mutuamente por tios . á cerca do que Lord Kingsborough apresentou tantas probabilidades. MURES.«m preferencia ao parentesco Ao patruismo. etc. que por philantropia estamos deixando nos matos tragando-se uns aos outros. E' certo que a mesma expressão Tupi quer dizer lio. e pôde muito bem ser quo o nome que bojo damos á raça não signifique senão tios.T 52 . Recommendamos a leitura d'este capitulo 160 aos que sustentam o pouco prestimo do nosso gentio.09 \. assim Tupi-mbá significaria os tios boa gente. 232. sobretudo quando velhos Temos idèa do haver lido «|ue o uso antigo do chamar-se a gente |M»r tios. por quanto já da carta de Pero Vaz de Caminha se vô que com isso se oecupavam os das aldéas vizinhas a Porto Seguro.) para fazer o sal ferviam a água do mar até engrossa-la e ficar ella em metade . procede do tempo dos Phenicios e dos Egypcios. como do dos Tupis. Tupi-ikis os tios contíguos . Não faltara quem ache estas nossas opiniões demasiado metaphysicas.A OURA III. — e talvez que não só em virtude do uso europeo.—Sendo assim teríamos n'este factos mais ura ponto de contado para a possibilidade de relações do outr ora entro o Egv pio e a America. 234. e tinham então uma substancia com que faziam cristalisar esta calda salitrosa. O uso de comer terra e de mascar barro é cousa ainda hoje vista entre alguns caboclos e moleques. 114 v. Tal é a X. e publicando-as não fazemos mais que leva-las ao terreiro da discussão. 233. segundo Montoya. c di/iatn-so por ventura uns aos outros tios. .

e ainda nos tempos modernos se vê confirmado por todos os viajantes que tem visitado as cabildas errantes em nossas malas. quando diz que se curavam ao fumo. Como typoda eloqüência guerreira indígena eram consideradas as declamações do celebre principal Quoniambebe. -21) tejupaba. Jeronymo Machado.— Ereiupê era oSalamaláh da raça tupi. tapume silvado ou sebe. 241. Eram os riscos como uma farda ou condecoração. —As relações dos prisioneiros com as gentias. Thevet. que lhes davam por companheiras. O apuro dos sentidos entre os indígenas é proverbial. o que era honra de que só usava quem a conquistava. 244. . Para memória dos novos títulos sarjavam o corpo de riscos indeléveis. quando trazidos por quem não as houvesse de direito. 245. em logar de ser de papel. e 121) aiupawe. Cangoeira de fumo era nem mais nem menos do que um cigarro monstro. E palavra que se encontra três vezes na Relação da tomada da Parahiba doP. Braz. e Abbeville (foi. Cazia diz o texto acadêmico. 242. 243. 63 v. Deste modo encaramos o assumpto do Caramurú como romance histórico. deque tratámos (com. poderia talvez explicar a salvação de alguns. que promoveriam o riso. Mazaraca dizia aqui. em vez de muçurana. de quem trataremos em oulra occasião. o texto acadêmico. 239. O ultimo § d'este capitulo não se encontra no texto da Academia. ou de folha de milho ou do mesmo tabaco.£jlO BREVES COMMENTARIOS magia da musica e da poesia que a apreciam até os povos sepultado na maior brutalidade. 238. cuja capa exterior se fazia de folha de palmeira. 240. que fazia a contracerca ou circumvalação das tranqueiras ou palancas. Oappelido de nascença. 228). Fernão Cardim e mais viajantes antigos. 237. Em vez de tajupares escreveu o autor do Dicc. só servia aos indígenas em quanto por alguma façanha não conquistavam outro mais honroso. O uso de curar feridas com fogo debaixo de si foi advertido por Pero Lopes. Caiçá era o nome do tapigo . Quanto aqui se relata é confirmado por Lery. ( p. Póde-se dizer que com este segundo nome ficavam titulares.

lequel ayanl le dessus de son ennemy. porque tudo o que por amor lhe fazem attribuem é com medo e se danam com isso » — O mesmo assegura Thevet na sua Cosmogr. Moquem (donde derivou o nosso verbo moquear) é a mesma expressão que na America do Norte se converteu em boucan. 909. 250." 19) da Revista do Instituto. «El estiniont celuy là poltron.A* OURA l)U SOARES. nas pontas do suas frochas. A. Embagadura é o nome do punho da espada tangapoma.acocoradas que se tem encontrado em tolhas contém cadáveres que se possam julgar de pessoas adultas. 247. et lasche de coeur. donde veio bucaneiro. fatiando dos antigos Tupinambás ou Tamoiosdo Rio de Janeiro.i. nelles confiam. acha-se repetido neste tratado no cap. foi. disse que elles não agradeciam esses meios brandos. depois de lhes fazer presentes. £ra para o gentio reputado vil cobardia do prisioneiro o não afrontar a morte com arrogância. Os bugres recebem presentes de ferrinhos que no anno seguinte enviam contra o bemfeitormui aguçados. ou assassinam aqueitos que. et sans le massacrar» E o que ainda suecede com os dos nossos sertões. imaginando que provinham de medo. 80. Foi por isso quo â câmara da Bahia. Assim os indígenas deviam fazer triste idéa dos chrislaos quando elles podiam a Deus misericórdia na hora da morte. h1 1 246. 249. descripto em um numero anterior (o. le laisse aller sans se venger. antes se enfatuavam mais com elles. Por esto capitulo 175 vemos que enlre os Tupinambás da Bahia só os moços iam á cova dentro de talhas pintadas (iguaçabas ou camueins): falto pois examinar se essas múmias . represou laudo ao rei contra a ineflicacia das ordens regias de se levarem os mesmos indígenas por meios do brandur. — «Se V. Algumas particularidades narradas por Soares tem analogia . Ainda temos na idéa o horror quo nos causou o assassinato do sertanista Barboza. 248. e seus dous companheiros. ou faziam alguma oulra supplica. e o não exhalar o ultimo suspiro com alguma afronta contra os vencedores. quizer tomar informações por pessoas que bem conheçam a qualidade do genlio destatorraachará que por mal e não por bem se hão de sujeitar e trazer á fé.

assim será: mas não se confunda com Tabajaras que quer dizer Os das Aldêas ou Os Aldeões •' Talvez o nome em questão se devesse antes ler Tapurá. — Sem nos occuparmos da etymologia dessa palavra (que é árabe. nem das accepções differentes em que foi tomada. O pequeno mui alvo de que dá noticia Soares. Merece pois quanto a nós menos credito a etymologia de Soares de um chefe chamado Amoipira. bem que pela . 253. 255. lingua que não conhecemos). 32 v. 252. e neste caso seria quasi o mesmo que Tubirá ou Timbirá que ainda hoje se dá a uma nação do sertão: Timbirá é nome injuriosocomo patife. A freqüência e familiaridade com que Soares se serve já em seu tempo da palavra mameluco faz-nos crer que ella foi adoptada no Brazil com analogia ao que se passava na Europa. Tabuáras dizem algumas copias em vez de Tapuras. 297 v. e talvez também em Portugal. 254.412 BREVES COMMENTARIOS com o que praticava a antigüidade. mamelucos os filhos de christão e moura ou de mouro e christã. Abbeville (foi. é o caso de um albino na raça tiipinambá. quanto a nós. No nosso museo da Corte e no do Instituto Histórico se guardam vários utensis em tudo primitivos.) é de parecer que Tabaiares quer dizer grandes inimigos. O nome brasilico para mestiço era Caribóca. Amoipiras quer dizer os — Parentes cruéis—Amôig — parente (Tesoro de Montoya foi. cruel foi. sabemos que no século XV e XVI chamavam vulgarmente na Hespanha. tanto no que respeita ao carpir os mortos. As folhas dos machados eram umas cunhas de pedra esverdeada como de syenito ou diorito. 261 v.) e Pira. o que pouco dista de Tapuias. Não temos noticia de outros fados ou exames a tal respeito. Pelo que nos revela Soares a invasão dos Tupinaéns devia ser muito numerosa. como ao desamparar ou matar os doentes em perigo. O que Soares conta da industriados Amoipiras é applicavel em tudo ao que praticava o mais gentio antes de communicar com os Europeos. por quanto diz que elles « andavam correndo toda a costa do Brazil» antes da vinda dos Tupinambás. que hoje se emprega n'outra accepção. 251.

G7. Malto Grosso e Pará. » 258.— Com as fôrmas feitas de barro. A rocha que tanta admiração causa ao autor é talvez alguma de formação secundaria ou terciaria abundante de incrustações. Allude Soares. o a perfeição como são feilas basta para caraclerisar a pacioncia dos artistas. Da arvore camaçari tratou sufficienlemente Soares no cap. 262. Os habitantes das serras do sertão que viviam corao iroglodictas seriam naturalmente os Paretis. nora de niós. 261. corao as alavancas ordinárias. queria talvez Soares designar os potes . explica a verdadeira causa da victoria dos estrangeiros Tupis contra as amigas raças quo habitavam o nosso território pela desunião dellas entre si: «Por onde so diminuem em poder para não poderem resistir a seus contrários. 146 o 148) dá noticia do oulra nação do Igbirayáras a quo os nossos chamavam bilreiros. Soares cora seu espirito penetrante. 259. cântaros. que náo usavam do motaes. . 260. Vasconcellos (p. do tremerem elles com a falia o imitarem com isso a hulha dos maracás. O nome de Maracás procedeu talvez. Temos de novo que lastimar a crcdulidade do século: agora são mulheres do uma só teta.A' OBRA DE SOARES. 257. quo pelejavam como Amazonas. não entendendo o que esta tão entendido quo o esforço dos poucos não pode resistir ao poder dos muitos. e só por informações geraes. segundo muito bem nos lembra o nosso erudito amigo o Sr. cora forras necessárias. por so fiarem muito em seu esforço o animo. que lhes serviriam «fo arma offonsiva. etc. sem ser louça nem tolha e lijollo (se não houve erro dos copistas). —Cremos que até hoje não se tem ninguém aproveitado de sua lembrança para fabricar delia alcatrão e mais produetos resinosos. a todo gentio quo habitava as terras das hoje províncias de Goyaz . 263. Joaquim Caetano da Silva. As pedras d'alfebassão naturalmente produetos zoophylos. Dá uma idéa da prosperidade da Bahia em 1587 o haver abi 240 carpinteiros e 50 tendas de ferreiros.l dureza se deviam julgar do porfulo. —Do pedra usavam também grandes bordões. com seus obreiros. 264. &i. no sul do Brazil. 256.

269. que das minas do Brazil poderiam quasi. onde só seattendia ás riquezas do Peru e á guerra aos hereges. As rochas eram evidentemente de amelhista ou quartzo liyalin violeta . Thevet ( France Antarctique foi. 63 ) diz ter visto pedras que se podiam julgar verdadeiras esmeraldas./tili BREVES COMMENTARIOS como a therebentina. 121 ) em 1557. » Não teremos aqui a primeira noticia de diamantes no sertão da Bahia? — Quando ás pedras verdes dos beiços. 270.". conclue sua obra com asseverar: 1. e o nome dragoeiroanda corrompido se acaso a madeira da arvore serviu alguma vez para adargas. sem trabalhos nem dos- . breu e o competente ácido pyrolenhoso ou água russa. já prompto. que que se tiravam de montanhas já d'ellas faz menção Thevet (foi. As esmeraldas descobertas no século 16 seriam naturalmente as turmalinas. Cabral viu já dessas pedras em 1500 . receoso que essa corte. Soares não contente com ter inculcado a um valido de Filippe II a grande importância do Brazil (no livro que por vezes elle denomina francamente Tratado). 266. qual é que se guarda na Historia Natural de Lisboa. Soares levado de bons desejos acreditou na existência do minas de aço. A palmeira de cujas barbas diz Soares que se faziam amarras era a conhecida Piassaba. Já dá Soares noticia que no seu tempo vinham do sertão de mislura com o cristal « pontas oitavadas como diamantes lavradas pela natureza de muita formosura e resplandor. Adargoeiro é talvez a arvore africana que hoje se diz dragoeiro que dá o sangue de Drago. segundo Caminha. 268. 265. a ponto que de junto da Caxoeira sahiu um dos maiores pedaços de cobre nalivo conhecidos. 267. Quanto ao que diz do cobre nativo não tardou que os fados o confirmassem. nome que em Portugal se adoptou pronunciando-o piaçá. não se commovesse senão por alicientes análogos. cuja abundância em nossos sertões é tal que foi causa de «jue baixassem de preço no mercado taes pedras. e imaginou por venlura que o aço se tirava em Milão da rocha .

como Soares.A' ORRA DR SOARES. quo se não cuidavam do Brazil e os Lutheranos viessem a saber o quo por cá havia. veio a passar vida tão obscura que nem sabido é quando . nem onde morreu. o se o chegassem a effecluar muilo custaria a botal-os fora. lirar mais riquezas «loque das índias Occidentaos . 15 de Setembro de 1851. . e ainda outro dia. F. não tardariam em se assonhorear da Bahia. 2.— Os llollandczcs vieram na America vingar-se «fo Filippell e dosou Duque do Alba . do século passado para cá. a meditar e a escrever nenhum caso naturalmente so fez. um Tratado verdadeiramente etieyclopodito do Brazil. Rio de Janeiro .". O seu livro esteve «piasi dousseculoso meio som publicar-se. Assim aconteceu lambem. o o autor naturalmente depois da dilacção ícomo elle diz) do seus requerimentos em Madrid. de oiro e diamantes. o as minas do Minas inundaram o Fui verso. Adolpho de Varnhagen. Estas duas venlades proféticas fariam só por si a reputarão do um homem. ao homem quo depois do Soares mais noticias deu a c«?rca do Brazil: — ao modesto autor da Corographia Brazilica. ainda quando ello não houvesse eseripto. \ÍÒ pezaS. — Do homem superior «jue tinha entregue grainfo parte do seu tempo a observar.

ib. . . 34. . . até o de Seregipe. . João I I . PáR. ib. Do Cabo de S. Do Rio Seregipe até o Rio Real 23. ib. Do Rio dos Ilheos até o Rio Grande. 19. i b m 64 66 . . Roque . . Francisco. 4. ib. . Quem são os Caités 20. R e p a r t i ão que fizeram os reis catholicos com El-Rei I). e da grandeza de seu termo. Da villa de Olinda. e de seus merecimentos 24. Como Francisco Pereira Coutinho foi povoar a Bahia. Donde começa a correr a costa do Brazil. . 25. ROTEIRO GERAL Proeini. Costa do Amazonas até o Maranhão 6. . Do Rio de Santa Cruz até o de Porto Seguro. Do Rio de Joanes até á Bahia 28. Como se tornou a commetter a povoação da Parahiba • 13. Do Rio Real. . ib. 372 ib. . . • 2. 18. Do Jagoarive até o Cabo de S. Do porto de Olinda até o cabo de S. Do rio de Camamú até os llhéos 31. De Tatuapará alé o rio de Joanes 27. de Portugal '}. 9. Do Ttapocuru até Tatuapará 26. . e quem foi o primeiro povoador d'ella 17. Primeiros descobridores do Bra7. «Io «'.5. . h i. Como se começou de povoar a capitania dos ílheos! 32. Do Rio Real até o rio de Tapocuru . ib. Do rio da Parahiba até T a m a r a c á . . . .Do Rio Grande até o de Jagoarive 8. ib. . 375 ib. ib. ib. ib. . . . . Quem povoou a capitania de Porto Seguro . il>. Do Rio de S. V Com. e como está arrumado • • . Agostinho.'. 13 1. 13. ib. Roque até o porto dos Búzios. Do rio Amazonas 5. ib.'. . quem foi o primeiro capitão 1. ib. nEDICATORI*. ib. Francisco.ÍNDICE DA OBRA E DOS COMMENTARIOS DE GABRIEL SOARES ARRANJADO PELO COMMENTADOR. ib. Do rio de Igaroçii até Pernambuco 16'. Do Rio Grande até o de Santa Cruz . b ib. Do porto dos Búzios até a bahia da Traição. 374 ib. 37. . e como J o ã o de Barros mandou povoar a sua capitania 11. ib.ora PARTE PRIMEIRA. Da grandeza do rio de S. e os trabalhos que n'isso teve 20. . Do cabo e rio de Ipojuca até o Rio de S. .1l.'. 1 35. ib. Francisco 21. De Porto Seguro até o Rio das Caraveilas. 36. . ib. Quem são os Aimorés 33. ib. 22. i. il). 371 ib.i <-AIMTIILOS : DA COSTA BRAZILICA. 15 1 369 16 17 18 20 21 22 24 25 26 27 28 30 32 33 35 36 38 40 43 44 45 46 48 49 50 51 53 56 57 60 61 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 ih. Do Maranhão até o Rio Grande 7. 373 ib.". Da ponta do Padrão ale o rio Camamú 30. Vida e costumes do gentio Petigoar 11. Da bahia da Traição até a Parahiba 12. I>ag.

Thomé até o Cabo Frio . . . rvt/°J?. h i b i. Francisco alé o de Itapocurú . da banda do Sul. Do Rio de Martim A «Tonto até» porto de 8. 1U0 66. b i. . . Costa do Rio ale 8.ho« a u * • f o i P<»»«>ar em pessoa . Capitania de Santo Amara 97 68. 2. Vicente i . . 74. b 380 ib. Do Rio das Caravellat até n Cricaré 39. ] 13 77 jD. 51. i b i. Da Cananea até o Rio de S. J>o Cricaré até o rio Doce ! . . Vicente. i. i. b i. . b ín 2° Cabo FHo *'* " R l ° ** *••"«> . i. ! . 54. i. ib. . Pedro . 95 61. Mathias 65. Como foi governador do Rio de Janeiro. 69. b 379 ib. Como corre a costa do Rio de 8. Vicente 98 63. Do Rio de 8. 67 fiá 69 71 79 75 76 77 78 79 fio 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 4S 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 61 65 66 67 68 69 70 71 72 73 i b i b i b I. Entrada do Rio de Janeiro. . . 18. io í?° rio . Armada de Thomé de Souza 111 75 jD. Dita da ponta da cidade para dentro . b i b i. Governador Mem de Si no Rio de Janeiro. Povoacao d*esta cidade 55. . . Barra< en. 68. b 377 ib. Quem tão o« Goaianaves ? 99 64. 45 Quem «toai Goitacasetr • . . Nova armada em favor da coloiiisaç£o 114 78 ib! 5. 0 15* S "™ "*" °* P»P»na«es f 4 1. . Thomé . . AS. ib. « • ( npimnia do Etpirílo Santo a Vatco Fernandes . Do cabo de Santa Maria até ao Rio da Prata . . Do cabo d» 8. . Antônio Salema 56. Pedro até o cabo de Santa Maria. . b i b i. J8. «mm.- PARTE SEGUNDA. .. Do porto da Alaguna até o Rio de Marlim AlTonso . . MEMORIAL E DECLARAÇÃO DAS GRANDEZAS DA BAHIA. . i. b i. . . Ponta do Rio da Prata. Edificação da Cidade do Salvador. Quem foi Tbomé de Souza 111 76 jb 3. Com. . . Recôncavo do Cabo Frio . 94 Sr i ? e 0 • ' ' • capitania de 8. Vicente 94 58. 7178. . 43. Quem ê o gentio Tamoio 93 59. . . . b ib. . 1. '. . Governo de Duarte da Costa 115 79 "j^ «*5» . . P M . Bihia do Rio de Janeiro.F»|. 73. . Fertilidade da terra de S. b i. TITULO I. 67. d* 38. . ib. . . « . . . 4.açao tia Bahia. . Pedro de Ooes Uri povoar a iua capitania da Parahiba oa de S. Do Espirito Santo até o Cabo de S. Costa do rio de Santo Amaro até i Cananea . . e ilha* que tem defronte .ri t° Sanio. De Ilapocorú até o Rio dos Patos Coatames dos Carijós Costa do Rio dos Fatos até o da Alaguna. Thomé. . até além da bahia de S. — Historia da Coloni. ' . . . povoaçSes da capitania de S. da ponta do Pão-oV-\»siK-nr para dentro S8. Quem sao oa Tupiniquins. ' * 50. . . 70. b 378 ib. Francisco 102 103 103 104 105 106 107 108 109 101 74 ib. o c e • • ' ° ** E *P . Coocloe-se com o Rio de Janeiro cota a tornada dé Salvador Corrêa 81 82 83 H » 8(2 88 90 9) 57. b ib. .". . . . b 37S i.

Algumas arvores de Hespanha. Sitio da cidade 1'y ftíj fl. . Clima da Bahia: curso dos ventos na costa. • 1*° 33. JH5 ib. Barras que tem. edos engenhos que em si tem . e d'ahi até o rio Una 1*6 31. Da farinha fresca que sr faz da mandioca .D ' Íí8i %b ~ 10103 101 105 ] io.Zllíj 1NDIGE Pag. . . 6.^ ib| 38 jD ib] :[. Quão terrível é a água da mandioca 164 40. e seus recôncavos • • Uâ 30. ' >- xaparica * iQQ 37. ° Com. ib. e corno está arrumada a ilha de T-. . e como se criam . Engenhos de assucar de Piraj * • JJl 21. . 123 o» 13. engenhos e embarcações tem a Bahia. 15. Como se pôde defender a Bahia com mais facili125 88 dade T I T U L O 3 . e mais engenhos 133 24. e da ilha de Taparica . !b«bibJ89 06 107 WS jü» 11" JJ* II113 111 . — D e s c r i p ç ã o T o p o g r a p h i c a «ia B a h i a . até Juquirijape. ribeiros e engenhos. . Do Rio Una até Tinharé. . Cidade do Salvador \iH ^ 8.. Da mandioca „ 38. T I T U L O 2 . — Da agricultura da B a h i a . Tamanho d o R i o de Matoim e engenhos que tem . 137 25. Quantas igrejas . — D a e n s e a d a d a B a h i a . e do para que servem . com outras ilhas 1*8 32. Fazen'das que ha da barra de Pirujá até o Rio de Matoim . . . 140 27. !''ib. . Grandes qualidades que tem a Bahia . IJ. 34. Das raizes da mandioca. Como corre esta da Sé por diante 1-' ' íí 10. e suas ilhas 30 20. .. . Tamanho do mar da Bahia. 1-»^ 22.„„ wt12. Fertilidade da Bahia.rin " *%' 9 U . . ^ '"• ib. Como segue por este ramo • • • 11.e os seus engenhos . . . «*>. !'• >b. .n-. 158 I6 l 37.1 " -. Como se tratam os moradores do Salvador e algumas qualidades suas • • • 14. lu - .e como se n'ella dá o gado. Das sementes de Hespanha. suas i l h a s . Jo3 39. e de algumas ilhas . Como corre a mesma da banda da praça para a banda do Sul .°° Com. P*S. Da terra da boca do esteiro de Mataripe ate a ponta de Mairapé. Álvaro .• • 28. Outras partes que a cidade tem para se notar . 164 35. ijo 18. 156 89 16. 151 T I T U L O 4. Como se navega para entrar na Bahia . e das águas nas monções ]|7 ' 7. . Terra da Bahia da cidade até aponta de Tapagipe. Feição da terra da boca de Matoim até o esteiro de Metaripe. r e c ô n c a v o s . Tamanho e formosura do rio Irajuhí. «b. 1°J oi ->^ *>9. Rio de Seregipe e terra d'elle á boca do P a r a íroaçú ^ ° 26.J 19. Da boca da barra de Jagoaripe. ib. Grandeza' do Rio Paragoa<. Como corre a terra do rio de Paragoaçú ao longo do mar da Bahia até a boca de J a g o a r i p e . D'outros fruetos estranhos 157 36. Terra do Riode Paragoaçú tocante i capitania de 1 4 2 D . 133 23.ú. e por este rio acima • • 1*3 29.íJ £6 Ji i* 100 ]01 íh ™i 38. que se dão na Bahia .

Daa Pacobeiraa e Bananeiras. du Com.INDU. T I T U L O 1 0 . 49. Doa mamões ejacarate-s 181 145 ib. . piqtiià. que M-dâ) xn longo domar 414 144 ib.):) T I T U L O 9 . . Da arvore dosambús 183 147 390 64. Algumas arvore* de cheiro '.Arvores. Dos amendoins {maadoblnsí 175 141 ib. Legumes. 44.is . 41. Das bervas de virtude. 47. 48. Doa aipins 16» 117 ib. e de oulrvs madeirns reaci . e de outras arvores de virtude 198 111 ib. e como se f m da enrim* .'17 146 395 73. 74. 65. 70. 6U. 66. Do vinhatieo e cedro 406 133 . Da arvore da almecega. . Da farinha «le guerra. e de outros arbustos 401 136 394 4»3. T I T U L O 6. macule. Das arvores de virtude 195 132 391 59. . emas ele . 46. 184 126 ib. 51. mulum. 64.-quihi. . Como se cria o algodão . Da ramacari e gnanandi 211 141 394 08. D«»ripôs. Du P.Do macurugu». e de sua virtude. .es «Io carimá . JR9 149 ib56. 44.' 1 151 ib. 7a» Da águia. Arvore. 179 144 ií. Arvores de que se fazem remos. De algumas arvores moles 215 145 il».. 418 147 ib. etc 4(19 135 ib. 77* Folhas proveitosas que se rriain no mato . D e algumas arvore* que dão Cructos. que dü» fruetos silvestre». 173 140 ib. 177 143 339 50. T I T U L O 8. !>«• alguma* arvores de fruclo afastadas domar . Hervas que dão frueto 194 130 ife57. TITULO 7 D a s hervas m e d i c i n a e s . e pnra o que servem 221 j. Em que se a< alia a infirmaçu» das arvores reaes . 167 116 ib. AtO Pau. 75.e ha-tes de lan. De algumas arvores muilo duras 413 14i ib.. '. 53. 1S6 133 ib. Do milho 179 11» Ib. '4. 55. Da embaiba e caraobui. Algumas arvores que tem ruim cheiro 'J19 148 ib. 223 15? ib79. 67. — D a s a r v o r e s e p l a n t a s i n d í g e n a s que dao f n s e t o q n e s e coroe. 76. 91 -7 139 ib. — Das a r v o r e s r e a e s e paus de lef. D o muito paru que prestam asrair. Alguns mnntimentos de raizes que se criam d -baião da terra 170 118 38" 45. 43. 61.íO ib. t>4.ú. . 241 1. Das arvores que dão a envira 214 142 ib. etc .U •••St Com. . 58. Virtudes de outras hervas menores 404 137 ib. — Das a r v o r e s m e d i c i n a e s . sapucaia. labaco. — Das a r v o r e s nseaos cosn d i f e r e n t e s p r o p r i e d a d e s . dos c i p ó s c folhas a t e i s . 166 115 ib. Em que se contém muitas f astns de palmeiras . que dão frueto . 71.->J 39t> . genipapo etc 184 128 ib. . que se não tomem 520 119 ib.. Quantas casta» de pimenta ha 176 142 Ib. 52. . e raraoba merim. 69. gallinhas do mato. 209 140 '«. Doa cajúaeeajuins.Dua anananr* Itu 1 JI ib T I T U L O 6. — D a s aves.

rolas e pombas 83. . Dos lagartos e cameliões 265 188 ib. . Aves de rapina 86. Da cobra giboia. Das lagartas 26s ]g0 jb. . ib. . 263 186 ib. . ib. . . ' 261 184 ib. Diversidade das rans e sapos 266 189 402 1 6 . ib. — D o s m a m m i f e r o s t e r r e s t r e s e a m p h i b i o s . Uas lucernas e de outro bieho estranho . 259 183 401 110 Cobras grandes que se criam nos rios . . Das antas 243 168 Dojaguareté 244 169 Tigres e alimarias daninhas 245 170 Dos veados 246 J7 L Alimarias que se mantém de rapina 247 172 Entranheza do jaguaretacua 248 173 Dos porcos do mato 249 174 Dos porcos e outros bichos que se criam na a»ua x^006 . ' . ib. íio" £ a S / o r m ' S a s que mais damno fazem 271 193 ib140. . Bicho que se chama preguiça 257 lgl jb108. 107. . 100. 90. T I T U L O I I . . 95. T I T U L O 12.De vários inseetos sevandijas 276 198 ib. . Uas aranhas e larráos 270 192 ib T I T U L O 14. — D e v á r i o s h y m e n o p t e r o s e t c . . ™„ J02. 397 jb. ib. Dos Kàgados 256 180 ib. Com. 80. 106. grillos. . i l j . 101. Das aves que se criam nos rios. IH cobras de coral e das gereracas 262 185 ib. Que cobras são as de cascavel. 99. 118. 88. Alguns pássaros de diversas cores e costumes . e as dos formi°-ueir s • . De outros animaes diversos 258 182 ib. T»f. T I T U L O 1 3 — D a h e r p e t o g r a p h i a e dos b a t r a c h i o s e v á r i o s o u t r o s . 92. 250 175 Dos tatus • . — Da entomologia hrazilica. • . .-. Alguns insectos com azas Das abelhas Das vespas e moscas Dos mosquitos. ib. Das aves que se parecem com perdizes. . <!» Com. 251 I76 Das patas e cutias 253 177 bogios ÍMÍ* K " S .'254 178 105. 93. ib. . De outros pássaros diversos 225 227 228 229 230 231 233 231 235 236 154 155 156 157 158 ] (39 160 161 162 163 ib. ib.A20 ÍNDICE Pag. Algumas aves nocturnas 87. Uiversas castas de formigas 274 196 ib' 113. Diversidade dos ralos que se romem 255 179 ib. ib. i i ^ . Das formigas de passagem 272 194 ibCer aS t o n n i a s 100 7? ' S grandes 273 195 ibUl. 112. Cobras diversas 2H4 w ib _ 114. 98. 94. Dos canindés. . . Algumas aves da água salgada 85. 89. e lagoas da água doce 82. 269 191 ib. . . ib. llq r?113. .Do copim e dos carrapatos 275 197 ib124. Diversidades de papagaios que ha 84. ib. 109. ' . 97. 103. 399 ib. 91. . 398 ib. De alguns passarinhos que cantam . ib. ib. araras e tucanos 81. 400 ib ib! . ib. 96. bizouros e broca 238 239 240 241 164 165 166 167 ib.

% • 314 447 ib. 147. . 130. 147. 149. tuninhas e lisas . e dos camarões . douradas* curvinas etc. 156. \1\ « . Dos caranguejos do mato 304 440 ib. 161. 487 407 404 134. Maneira do* rasameotas dos Tupinambás e seus amores. e dos peixes d'agua doce. . 160. 319 433 ib. — Noticia ethnographiea do gentio Tupinambá que povoava a Bahia. Como os Tupinambás agazalham os hospedes. . il. . . 161. 162. . . Qae trata de qnaes foram os primeiros povoadores da Bahia 303 241 ib. 151. Das ostras 29fi 414 ib. Diversas castas de caranguejos 495 413 ib. 138. 494 411 ib. . Modo da rranrearia dos Tupinambás. . 139. Dos enfeites d'este gentio . 481 404 ib. 344 437 ib. Dacreaçãoque os Tupinambéa duo aosfilhos. Do peixe-boi » !B2 jí:a ib. 154. pescadas e xareos . e como choram e cantam 353 486 ib. eebinodernes ate. 153. Do peixe serra. 306 444 ib. Do espadarte. . — Doa mammiferos marinhos • dos peixes do mar .. . 499 417 Ib. 131. 157. V7 . 141. . . Linguagem dos Tupinambi» 308 444 ib. TITULO 16. . . 317 434 409 159.M deu * costa. e como se dividiram logo . 144. Dealgumashabilidadese costumes dosTupinambís. . . 145. . Das saudades dos Tupinambás. . Doa peixes de couro v 486 406 ib. 163. Do aiarisco que se cria n'agua doce 302 419 ib. 878 199 io. e de outro peixe não conhecido que . . . . 158. . Algumas castas de peixe medicinal. Doa lagostina. Do que o autor julgava homens msrinhos . 483 404 ib. 498 416 406 143. 133. cavallas. 136.. . . e das ceremonias que n'estesu«nui . . . Pis. Do uso que os Tupinambás lêem em seus conselhos. CIMII. . TITULO 17. T I T U L O 10. «79 400 ib. Da diversidade de botios. «noltoscos. 139. Das baleas. e andam sempre no fundo 491 410 405 137. DasaWease seus principaes 309 445 ib. (orno se dividiram os Tupinambás 307 443 407 150. 135. 316 431 ib. . 325 438 ib. 490 409 ib. De oatros mariscos §97 315 ib. . tubarões. 314 429 ib. Da qualidade de alguns peixinhos. 148 Proporção e feição dos Tupinambás. . Dos feiticeiros e dos que comem terra para se matarem 345 S35 ib. . Doa peixea preiadoa e grandes . bonitos. . 145. . . . . 146. 339 234 ib. Dos meros. 114. . Da luxuria d'estes bárbaros 315 430 ib.e o que fazem quaodo lhes nascem 313 448 408 155. 140. .ÍNDICE P»f. . 154. Dos peixes d'agua doce 301 418 ib. 1 » . Das albacoras . camarões ato. 311 246 ib.—Dos crustáceos. 480 401 4ti3 148. e de suas habilidade! . O com que os Tupinambás se fazem bizarros. Peixes que se tomam em rede* 338 408 ib. . . 186. . . xoopby tos. Das ceremonias que usam os Tupinambás nos seus parentescos.«li. IPalguns peixes que se criam na lams. . . 484 405 ib. Do modo de comer e beber dos Tupinambás . . e uejs 293 414 ib. . Eatraabecaa qae o mar cria na Bahia . .

195.s e .Íl22 ÍNDICE T»g. . 165. Aparelhos que faltam para as embarcações . picaria. ib. 182. 354 261 355 262 356 ' 263 357 264 358 265 359 26b ib. ih. . e parte de seus costumes 186. e a mulher que lhe dão . . ib. ib. Dito para se fazer pólvora. ib. e como se faz . . aço. . . . ib. . Pedra para fortifiencões Commodo para se poder fazer cal. . . 1S7188. — R e c u r s o s da B a h i a p a r a d e f e n d e r . A i m o r é s . 174. . ib. 172. ib. Das ceremonias qHe os Tupinamb. . r as ceremonias que n'isto fazem . quando se recolhem . . e armas. Da festa e apparato que os Tupinambá's fazem para matarem em teireiro a seus contrários 173. ih. Mais aparelhos para se fazerem armadas. . 192. 179. Como os contrários dos Tupinambás dão sobre elles. 176. 331. ib. ib. ib T I T U L O 20. " 170. . 361 362 363 364 267 268 . IS5Dos Tupinaês Costumes. c onde vivem Vida e costumes dos Amoipiras Da vivenda dos Ubirajaras. ib. 194. . Como os Tupinambás se apercebem para irem á guerra 168. 167. Do tratamento que os Tupinambás fazem aos que captivam. . e como o enterram. Como os T u p i n a m b s dão a seus contrários . ib. 191. . ib. . ib. 190. . De como se enfeita e apparata o matador. 169. e trnges dos Tupinaês Quem suo os Aimorés. T I T U L O 19. ib. . I9t>. A m o i p i r a . .'>s fazem quando morre algum. Dorrande conhecimento que os Tupinambás tem da teTra . ib. 371. Da terra que os Tapuias possuíram De quem suo os Marac-is Sitio em que vivei» outras gentes. De como se este gentio cura em suas enfermidades. . 180. . Do ferro. Paa. . Dos aparelhos. 269 270 ibibibib- . e as que se fazem por morte d'ella também 177. e de um Índio que se achou muito alvo 326 328 329 330 331 333 334 335 336 338 339 340 341 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 249 450 251 ib. . JS9. e t c . âo Cot». Com. Ubirajara. 178. . para se fazerem grandes armadas. ibib. O que os Tupinambás fazem do contrario que mataram 175. 193.nes do sertão Dns esmeraldas e outras pedras Da quantidade de ouro e prata. — Metaes e pedras preciosas. ib. c o m o T u p i n a é . T I T U L O 18. . 183. ih. ibib. 166. De como entre os Tupinambás ha muitos mamelucos que descendem dos Francezes. . e seus costumes. Successor ao principal que morreu. e das ceremonias que faz sua mulher. — I n f o r m a ç õ e s e t h n o g r a p h i c a s a c e r c a de o u t r a s n a ç õ e s visinhas da B a h i a . 184^. Alguns outros costumes 343 344 345 346 347 349 350 351 352 252 253 254 255 256 257 258 259 260 ib. e cobre Das pedras verdes e ar. ComooTupinmnbi que matou o contrario toma logo nome. ib.

. Maruipe em dote de casamento. .i. Arai ir tirana 9 sujos.ERRATAS... idem Tamaror.. roca 3 tapeti tapitim 4 aipins. aajoa aboixo ultima couraças ronras. PAU.. Iagororu Tamaraci.. genito Mocuripe.'e d*aqui ai é. abaixo.. Igaruçu.. e 16 28 25 2 ultima 10 16. vaccas.. pagam. d'aipii até.. jabutrmirim 2 presados. ultima Paga» rota.24 e 44 3 1* 19 94 2 9 ERRO EM KMn* 26 30 31 ib... 187 até ai Unha 40 inclusive da pagina 189. ai pis 8 penúltima roça rota.. leguas da costa S.. 6 locaes. Tamaraquá gentio. pesado* Allero. Entre a linha M e 20 deve seguir o quese encontra desde a 4. 13 3 . 34 33 41 67 115 ib.. toaysa 19 radix radxi 17 falto falta 1» . Alto Tareiry. 1'. leguas de costa. 18. copanibuca..... A . Tamaraqtii Tàmaraquí. mocos orpbãos pejados.. Madrid. Itacoatajaroí Pitiguar. M. 1 4 . . Farreiry vaccas. Tamaracá. penúltima S.. Ltir.. 26 ropaubucú Araticupana. 126 130 139 149 150 ib. de locaes 6 capitulo» commeolo1» poderia poder 25 escripti) por Soares. pesados 14 araticarana araticupana. 12 jabuti merim. linha dte pag. senão escriptai 8 erudição de algum copista Gabto cm 1526. em casamento moças orphus. 10 Madrid. Pitagoar idem. 160 164 167 171 184 215 240 431 441 457 483 305 367 368 371 377 378 379 386 403 Itacoatigara.

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