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Planejamento Estratégico e Business Intelligence

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Planejamento Estratégico e Business Intelligence

Moisés Back Böll UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina. moises.boll@unisul.br

Resumo: Em geral, o processo de Planejamento Estratégico nas pequenas e médias empresas é incompleto ou muito pouco desenvolvido. Por conta disso, a Gestão da Informação fica ainda mais complicada de ser implantada e consequentemente o BI (Business Intelligence) não pode ser aproveitado. Uma maior ênfase no Planejamento Estratégico traz grandes benefícios às organizações que podem melhorar, agilizar e personalizar o atendimento aos seus clientes além de aumentar a sua competitividade no mercado.

Palavras chave: Business Intelligence, Planejamento Estratégico, Gestão Estratégica, Gestão da informação.

1. Introdução O desenvolvimento de uma estratégia para uma empresa é o primeiro passo, essencial em sua formação. Através do Planejamento Estratégico que a organização vai definir suas metas a curto, médio e longo prazo, como ela irá competir no mercado e quais as políticas deverão ser implantadas para que estas metas sejam alcançadas dentro do prazo estabelecido. Empresas que não possuem uma estratégia bem definida, em geral são muito desorganizadas e tendem a ter suas informações armazenadas de forma completamente desestruturada, o que impossibilita a implantação de um projeto de Business Intelligence. O conceito de Business Intelligence (BI), ou Inteligência de Negócios, vem ganhando cada vez mais força junto aos mais variados tipos de organização. A busca do conhecimento tanto de seu desenvolvimento como de sua proliferação é fator crítico de sucesso para qualquer organização, podendo ser considerado elemento determinante de poder dentro da sociedade, fazendo com que as organizações invistam cada vez mais em meios que as tornem mais eficientes nesse processo de produzir e disseminar conhecimento, transformando os sistemas de informação (SI) em peças chaves para o sucesso das organizações, determinantes na definição das estratégias. 2. O que é Business Intelligence? É um conceito que possibilita às corporações realizar uma série de análises e projeções, de forma a agilizar os processos relacionados às tomadas de decisão. Portanto, o BI não é um sistema e nem uma ferramenta, mas sim um conceito que se aplica e que se vivencia no dia-a-dia de uma

acabam deixando de lado os altos investimentos e esforços necessários para a iniciativa de uma estratégia voltada à inteligência de negócios. os sinais do mercado. as pequenas e médias empresas tenham também capacidade de resposta imediata e que detenham um processo de tomada de decisões rápido. E que. No entanto. utiliza a inteligência de negócios.organização. médio e longo prazo. a quem se atribui a criação do termo. os norte-americanos ganharam fama pelo desenvolvimento das modernas ferramentas de BI. no formato esperado. Podemos até dizer que os altos custos com projeto de BI impedem que pequenas e médias empresas adotem esta solução no seu dia-a-dia. objetivo e eficaz. 3. Com isso. É o que defendia Howard Dresner. chamado de Business Intelligence (BI). a informação representa um recurso de alto teor estratégico. pois elas serão capazes de oferecer com rapidez serviços e produtos personalizados para seus clientes. complicam ainda mais o início de uma gestão voltada a informações. composto de mercado e ambiente empresarial altamente dinâmico e mutável. em planilhas ou arquivos textos. na maior parte das pequenas e médias empresas. e quais serão as políticas necessárias para o cumprimento destas metas. o mapeamento de grupos estratégicos e o cenário em que atuam. por definir melhor seu posicionamento através da análise de itens como a concorrência. algumas pequenas e médias empresas buscam soluções tecnológicas com os melhores custos/benefícios que podem encontrar e. para proporcionar ganhos nos processos decisórios gerenciais e da alta administração. exige que. Assim como ele. os processos de planejamento estratégico são incompletos. O desenvolvimento de uma estratégia é. o desenvolvimento de uma fórmula ampla que norteará o modo como uma empresa irá competir. poderão competir em um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo. Porém para isso a informação precisa estar disponível para as pessoas certas. utilizando modernas técnicas e softwares para análise de padrões e gestão da informação. em essência. além do planejamento estratégico. Dentro deste contexto. quais serão suas metas a curto. irregulares. quando era analista do Instituto Gartner. além disso. A fronteira entre o BI e um Planejamento Estratégico Em geral. A ênfase do planejamento estratégico com certeza trará benefícios significativos a essas empresas. por esta razão. . a grande maioria de pequenas e médias empresas ainda não tem uma infraestrutura ideal para a implantação de projetos de BI. os compradores e fornecedores. uma vez que muitas informações estão armazenadas de forma desestruturada. controlada e orientada para o mercado e ativa iniciação de mudança. Por isso. De um lado. Também é muito comum a falta de procedimentos e processos que facilitam a gestão de um negócio e que viabilizam a programação de sistemas de informação para apoio operacional às rotinas de trabalho. que necessita ser maximizado como gerador de diferenciais e vantagens competitivas. no momento e local desejados. os movimentos competitivos. informais e pouco sofisticados. O cenário atual. em 1989.

filtragem. como fluxos de caixa. o termo Business Intelligence ganhou abrangência e abarcou uma série de ferramentas. além ter histórico de tudo que acontece. é possível criar estratégias que atendam melhor seus clientes e coloque a empresa em um patamar de competitividade mais lucrativo. Fundamentos do BI O desenvolvimento tecnológico que permitiu a criação de ferramentas para facilitar a captação. 4. que são capazes de projetar sistemas de informação para atender aos processos de trabalho das empresas. O Executive Information System (EIS) é. A partir da consulta às bases de dados das funções empresariais. etc. como o próprio EIS e as soluções DSS (Decision Support System – sistema de suporte à decisão). disponibilização e personalização dos dados levou as corporações a se interessarem pelas soluções de BI de forma mais contundente. ao tabular dados de todas as áreas da empresa e exibi-los de forma gráfica e simplificada. Todas buscam promover agilidade comercial. pensando em possuir uma ferramenta de informações gerenciais que possa dar suporte à decisões estratégicas. e profissionais qualificados.Por isso.Executive Information Systems. criado no fim da década 70 por de pesquisadores do MIT (Massachusets Institute of Tecnology-EUA). de fácil compreensão para usuários sem conhecimentos profundos de tecnologia. apresenta informações de forma simples e amigável. Permite o acompanhamento diário de resultados. Esses sistemas . um software que fornece informações a partir de uma base de dados. principalmente por volta de 1996. são facilmente encontrados no mercado de trabalho para atender esse tipo de mudança. Ferramentas OLAP (Online Analytical Process). os sistemas integrados de gestão empresarial cuja função é facilitar a operação das empresas. Data Marts. na verdade. a importância do BI no planejamento estratégico começa a ser sentida a partir do momento em que a pequena e média empresa adota uma postura de trabalho mais voltada à gestão da informação e que entende que. somente com a informação íntegra e confiável. atendendo principalmente às necessidades dos executivos da alta administração. Planilhas Eletrônicas. A história do Business Intelligence está profundamente atrelada também ao ERP (Enterprise Resource Planning). O interessante desta mudança para as empresas é que ela não envolve grandes investimentos em infraestrutura tecnológica. Com o passar dos anos. Muitos sistemas gratuitos também são encontrados e atendem perfeitamente muitos processos internos de uma pequena e média empresa. Data Mining. onde é possível obter respostas rápidas e mais confiáveis de uma determinada pesquisa. procurando utilizar sistemas de informação e bancos de dados estruturados. Portanto. dinamizar a tomada de decisões e refinar estratégias de relacionamento com clientes. quando o conceito de Business Intelligence passou a ser difundido como uma evolução do EIS . armazenamento. contas a pagar e receber. extração. Geradores de Consultas e de Relatórios. estoque e etc. uma vez que hoje já existem excelentes bancos de dados gratuitos que podem ser utilizados de maneira muito profissional e que são confiáveis. é necessário iniciar uma mudança na maneira de armazenar e trabalhar informações.

soluções de Business Intelligence estão em bancos de varejo. precisa e abundante porque a sobrevivência no mercado será medida pela capacidade de “gerar conhecimento”. O BI e a internet No começo o BI era utilizado apenas pelos especialistas em extração de dados e seus resultados eram apresentados somente aos altos executivos das organizações. A necessidade de as organizações atingirem metas crescentes exigiu maior envolvimento corporativo maior e a democratização da informação. Mas as empresas que implementaram esses sistemas logo se deram conta de que apenas armazenar grande quantidade de dados de nada valia se eles se encontravam repetidos.registram. incompletos e espalhados em vários sistemas. corporações de pequeno. a maioria dos fornecedores de ERP passou a embutir em seus pacotes os módulos de BI. A velocidade imposta aos negócios pela Web exige que se dê. em empresas de telecomunicações. O retorno de um sistema de BI depende das prioridades de cada empresa. Por essa razão. hoje. refletindo potencial de crescimento do mercado. Percebeu-se que era preciso dispor de ferramentas que reunissem os dados numa base única e trabalhá-los de forma a permitir análises diferentes sob ângulos variados. a quem decide. é preciso analisar dois fatores: quanto vai se gastar e o que se espera obter . que se sofisticam cada vez mais. E somente uma boa gestão do conhecimento fundamenta políticas e estratégias eficazes. Porém com o crescimento da Internet esse cenário sofreu uma brusca mudança. estações de trabalho e nos servidores da empresa. Atualmente. A maioria dos analistas considera o BI aplicável em todas as companhias. 5.ou seja. inclusive nas de faturamento reduzido. seguradoras e em toda instituição que perceba a tendência da economia globalizada. Se até então o conceito era levar informação a poucos funcionários para orientar as decisões. Internamente o BI não mudou exatamente de mãos. Para conhecer e atender a essas necessidades uma empresa precisa cada vez mais de agilidade comercial. O Gartner reconheceu que o início do século 21 mudou a visão da aplicabilidade dos softwares. a rede permite disponibilizar soluções de BI para um número maior de pessoas. em que a informação tem de chegar aos usuários de forma rápida. capacidade de tomar decisões e refinar suas estratégias para os clientes – o mais rápido possível. As ferramentas evoluem. autonomia para agir. em tempo real. é necessário alinhar o projeto com os interesses e as estratégias da corporação. processam e documentam cada fato novo na engrenagem corporativa e distribuem a informação de maneira clara e segura. da tomada de decisão à otimização do trabalho. mas ganhou mais adeptos e principalmente mais cabeças pensantes com acesso às informações. O que se pode . médio e grande porte necessitam do BI para as mais diversas situações. previsão de crescimento e elaboração de estratégias. No Brasil. Para que um projeto de BI leve a empresa ao melhor desempenho. desde que analisado o custo/benefício. O Business Intelligence passou a ser encarado como aplicação estratégica integrada. disponível por meio de desktops. redução de custos.

enquanto as aplicações analíticas possibilitam. sistemas de apoio à decisão (Decision Support Systems – DSS). BPM (Business Performace Monitoring) e Data Mining. servindo como base somente para os analistas de informação. Isso tem sido muito útil pelo . Atualmente. Pode conter pouca ou nenhuma agregação de dados. como as ferramentas de back end (retaguarda) – com os ETLs (Extract. HOLAP e DOLAP -. 6.imaginar para o futuro é muito menos o que podemos chamar de ferramentas e muito mais o que o mercado necessita com urgência: soluções. com o menor custo de propriedade e mantendo o desempenho. Apesar dessa incompatibilidade de ambientes. As técnicas de armazenamento e recuperação são totalmente diferentes. existem basicamente dois tipos de aplicações: as que sustentam o negócio. dando apoio à decisão e servindo de base para novas ações. transformação e limpeza/carga). ferramentas OLAP (Online Analytical Processing). Algumas empresas também utilizam o ODS (Operational Data Store). já que armazena dados operacionais num banco corporativo centralizado e íntegro. o ODS precisa estar intimamente ligado aos sistemas transacionais. contabilidade etc) e constituem os principais alimentadores das soluções analíticas. Toda alteração de registro nos ambientes operacionais deve ser refletida no ODS. O que os arquitetos de BI das corporações devem ter em mente é adotar ferramentas que permitam acessar detalhes das bases volumosas de dados. as informações são modificadas diariamente). controle de estoque. por volta dos anos 90. Mas é importante salientar que em nenhuma hipótese o ODS pode ser combinado com o DW em um único sistema. Nas corporações. MOLAP. e as que o analisam sob vários ângulos. controle da produção. cujas informações estão organizadas por área de negócios. até soluções mais sofisticadas. também chamados de OLTP (Online Transacional Processing ). o ODS é uma fonte ideal para o Data Warehouse. A escolha por uma ou outra ferramenta dependerá basicamente da necessidade específica de cada empresa e da sua capacidade de investimento. e rodam nos sistemas transacionais. apenas acessos de leitura (porque lidam com dados estáticos). As ferramentas de BI As ferramentas de BI vão desde simples planilhas eletrônicas.ferramentas de BAM (Business Activity monitoring). normalmente. No início de sua concepção. sem perder a integração. Em geral. A diferença fundamental é que as aplicações OLTP permitem atualizações constantes de dados (ou seja. era visto como sendo um tipo de Data Warehouse. base de dados com uso previsível. geradores de queries (consultas) e relatórios. parcialmente estruturada e analítica. Transform and Load – extração. – e suas derivadas como ROLAP. EIS (Executive Information System). bem como a finalidade. É como se fosse um retrato da base obtida da extração de dados dos sistemas transacionais da empresa. as quais possibilitam mudanças e correções de rumo na estratégia corporativa. o ODS vem sendo utilizado como uma base de dados intermediária entre as bases de dados dos Sistemas OLTP e Data Warehouse. Tratase de base com histórico menor (de apenas um dia ou até de alguns meses). metadados. Para isso. as aplicações OLTP servem para registro das transações cotidianas (conta corrente.

para depois esses mesmos dados passarem pelo processo de derivação e agregação. as classes I. Porém.). A mais antiga é a classe III. transformações e limpeza dos dados sejam feitas e gerem uma base comum com esses dados já limpos e pré-organizados. Inicialmente atendia a cerca de 20 pessoas e hoje conta com mais de 600 usuários. Trabalha com as soluções MicroStrategy Intelligence Server. gerentes e diretores. criada especialmente para o projeto. com diferentes sistemas e planilhas. que reflete as informações desde um pedido até sua entrega ao consumidor. . Outro benefício é a facilidade na criação de relatórios. Mais do que isso. e finalmente para o DW. responsáveis pela compra de materiais indiretos. OLAP Server. São atendidas pela solução as áreas de Marketing e Vendas. supervisores. previsão de vendas de veículos (demand sensing) e análises de vendas on-line e da performance de processos internos ligados ao consumidor final. Ela foi desenvolvida para manter os executivos e a alta gerência com dados atualizados e relatórios integrados. Narrowcast. É necessário que as extrações. à GM. criada uma área específica denominada „Executive Information Management‟. A General Motors do Brasil e o BI Muitas empresas no Brasil já estão utilizando as soluções de BI. a GM possuía vários processos e áreas dependentes de informações derivadas de diferentes negócios para tomar suas decisões. novos clientes. eram projetos elaborados manualmente. Finanças e Compras. número total de pedidos realizados e produtos disponíveis. Planilhas etc. então. A GM obtém qualquer informação do sistema e com mais rapidez e conta com maior facilidade para o cruzamento dos dados existentes. trocar informações entre seus escritórios em todo o país e entender melhor o perfil dos consumidores. são atualizados a cada dia. Havia a necessidade de estabelecer uma tecnologia para apoias às ações da empresa de maneira consistente e integrada. A implementação das soluções ficou a cargo da área “Executive Information Management”. como por exemplo filtros por região. Web Analyst e Desktop Analyst. os ODS já fazem parte da estratégia de informação da empresa. Esses dados. com a missão de otimizar o potencial de uso da solução de BI. 7. na maioria das vezes.simples fato de que as bases de dados dos Sistemas OLTP possuem hoje os mais diversos tipos de armazenamento (Bancos de Dados relacionais. Antes de fazer essa opção.. que não interagiam. II. A General Motors do Brasil (GM) padronizou sua infraestrutura de análise de dados com plataforma de Business Intelligence (BI). entre analistas. Foi. III e IV. focadas no processo „Order to Delivery”. Existem quatro classes de ODS. normalmente. o que dificulta o processo de derivação e a agregação de dados diretamente dessas bases. as áreas de Manufatura. Estes consistiam de tópicos tais como total de vendas no dia. A mais recente aquisição foi a plataforma de BI totalmente integrada e baseada na Web. coordenadores. tempo ou modelos dos veículos comercializados. os executivos sabem pelos os relatórios eletrônicos quanto foi vendido no dia anterior. base de dados hierárquicas. Assim. O uso da plataforma de BI permitiu ainda.

O tiro. em informações que auxiliem a tomada de decisão. consequentemente do e-business.Para comportar todas essas informações. os ERPs (Enterprise Resource Management). a começar pelo desconhecimento do que de fato é Business Intelligence. Em parte. com raras exceções. o planejamento e o foco de implementação devem ser outros. além disso. e com o crescimento da Internet e. ao contrário do ERP. 8. costuma ser traumática. Grande parte das empresas ainda considera o BI como mais um projeto de Tecnologia da Informação e não como um conceito atrelado à estratégia corporativa. no entanto. Essas técnicas foram usadas inicialmente pelas indústrias para planejamento de produção e controle de materiais. e que tem como principal foco transformar os dados. Integrando o BI em um ERP O ERP – Enterprise Resource Planning –. Com o aperfeiçoamento dos sistemas. A confusão é ainda maior porque até alguns anos atrás a TI (tecnologia da informação) não era vista como parte da estratégia da empresa. mas se adequam a ela e estão intimamente atrelados à estratégia de negócios. demorada e complexa. Dificuldades na implantação do BI Apesar da demanda crescente por soluções de inteligência de negócios. mais da metade dos projetos de BI não é concluída. tiveram projetos de CRM malsucedidos e. Na ânsia de vender produtos. surgiu no começo da década de 70 como uma evolução das técnicas de MRP e MRPII (Material Requeriment Planning). saiu pela culatra. Portanto. que acabou sendo mais conhecido como Sistema de Gestão Empresarial. 9. a TI passou a ser encarada como uma ferramenta fundamental para apoiar e dar sustentação às estratégias de negócios. então. em grande parte em função justamente do ERP. a GM possui vários bancos de dados de portes médio e grande que constituem Datamarts especializados. mostram-se mais cautelosas no que se refere a investimentos em novos projetos que envolvam tecnologia. ou fracassa. precedida pelas duas anteriores – ERP e CRM (Customer Relationship Management – gerenciamento do relacionamento com o cliente). que pode ou não utilizar ferramentas tecnológicas. Porém. não modificam a forma de trabalhar da empresa de maneira tão radical. os conceitos de BI. que ficaram mais amigáveis e próximos aos usuários finais. Isso acontece por uma sucessão de erros. O BI. após consumir milhões de dólares sem propiciar os resultados esperados. A adoção de um sistema de gestão empresarial requer uma mudança de cultura interna da organização e sua implementação. muitos desenvolvedores de ferramentas de extração e de análise de dados tentaram empacotar essas soluções e oferecê-las nos moldes dos sistemas de gestão empresarial. coletados pelos sistemas transacionais. assim. No Brasil. os fornecedores de soluções têm certa culpa por essa desinformação do mercado. Aos poucos esses conceitos passaram a ser empregados também para o controle . mas apenas como uma forma de automatizar os processos e aumentar a produtividade. passou a ser "vendido" como a terceira onda tecnológica. muitas empresas ainda estão finalizando implementações do tipo e. cara.

Microsiga. porque. criada pelos professores Robert Kaplan e David Norton. O Unibanco foi o primeiro banco do mundo a implementar o SAP SEM Corporate Performance Management (SEM-CPM). migrou para a plataforma mySAP. como a PeopleSoft. quando o que está em jogo é a qualidade de sua gestão. entre outras. A área de seguros do Unibanco trabalha com cerca de 50 indicadores estratégicos e a de varejo com 28. incorporados.administrativo e dos demais departamentos das corporações. da Harvard Business School. Ao definir metas e estratégias. O banco tem duas outras grandes divisões: atacado e gestão de patrimônio. sempre que necessário. ABC71. com a identificação instantânea dos pontos críticos. teve início uma relação de causa e efeito. De outro lado. empregado em mainframes.com e adotou o my SAP Financials como a principal solução de inteligência de negócios. Oracle. JD Edwards. no entanto. o envolvimento da alta direção e o correto treinamento dos funcionários. também passaram a disputar uma fatia desse mercado promissor. Para muitas empresas. Se não houver um bom planejamento. Caso de Sucesso do Unibanco O Unibanco é um dos maiores bancos privados brasileiros. funcionários e resultados da unidade. resolveu substituir alguns sistemas desenvolvidos internamente por soluções de mercado. para a utilização da metodologia de Balanced Scorecard. em que as discussões estratégicas não se restringiam mais a um grupo fechado. a fornecedora lançou o R/3 voltado para a plataforma cliente-servidor. A alemã SAP foi a precursora nesse tipo de solução no Brasil. Baan. resultaram no ERP. monitorar resultados e corrigir rumos. acompanhando a evolução dos indicadores de cada área – da agilidade dos processos internos ao índice de satisfação dos clientes. gerando novos módulos e funcionalidades que. O ERP é um sistema complexo. cada profissional passou a ter as informações necessárias para . a implementação pode ser traumática e trazer mais problemas do que soluções. as empresas que passaram por essa fase com certa tranquilidade e concluíram a implementação também não ficaram plenamente satisfeitas. esta mudança não é muito simples. e as genuinamente nacionais como Datasul. 380 executivos do primeiro escalão consultam o sistema. que requer a mudança da cultura interna. componente da plataforma Strategic Enterprise Management. formado inicialmente apenas pelas corporações de grande porte. Os executivos passaram a observar uma tendência de aumento da lucratividade de todas as áreas. Outras desenvolvedoras dos então chamados “pacotes”. Só o fato de os executivos obterem as informações em apenas alguns segundos já torna as reuniões bem mais objetivas. Implementada a solução. o Unibanco não quer correr absolutamente nenhum risco. 10. A instituição usava o sistema de gestão SAP R/3 e . na medida em que se deram conta de que apenas dispor de sistemas integrados não era suficiente para melhorar a sua performance. Pouco depois. com o R/2. Para os executivos do banco. SSA. o que ampliou o universo de pessoas comprometidas com os resultados e geração de valor.

Números significativos. Caso de Sucesso da TIM No início de suas operações. os sistemas de BI da TIM atendem aos setores de marketing. baseado no SAP Business Information Warehouse. Foram contratados fornecedores nacionais para a implantação de todo o projeto de BI da TIM. demissão em massa. São notáveis os ganhos de eficiência na realização do database marketing. Para ajudar a resolver isso. Existe pouca ou nenhuma exportação. Os números aparentemente otimistas não devem enganar um olhar menos experiente: existem. desenvolvendo remuneração variável. uma das maiores empresas de telecomunicações mundo. tornando a empresa mais ágil e mais apta a disputar o acirrado mercado de telefonia móvel. Mas ainda resta uma perspectiva. vinculada ao desempenho. resume as informações gerenciais e alimentará o Balanced Scorecard. Data Mining e Tariff Impact. a TIM tem um grande volume de dados dos sistemas operacionais. A implementação da solução de Balanced Scorecard foi concluída em pouco mais de três meses. incluindo módulos do Decision Support System (DSS). 11. Após quase um ano de projeto. 20 mil empresas fornecedoras de soluções que empregam 300 mil funcionários diretos e outros 500 mil indiretos. São centenas de milhares de chamadas realizadas diariamente. O quadro no Brasil Ao examinar o crescimento de Tecnologia da Informação no Brasil. A TIM/Telecelularsul era a maior operadora de telefonia móvel da região sul do Brasil. produzindo informações gerenciais para subsidiar as decisões de seu time executivo. englobando os estados do Paraná. Santa Catarina e a região de Pelotas (RS). algumas vezes alcançando a casa dos milhões. Além disso.resolver gargalos e dar o maior aproveitamento possível às oportunidades de mercado. O resultado: retração dos investimentos. . Balanced Scorecard. mas que deveriam ser muito maiores. necessárias para as rápidas tomadas de decisões dos executivos. Subsidiária da Telecom Italia. o Unibanco iniciou a construção de seu Management Information System (MIS). Principalmente quando se pensa em Tecnologia da Informação voltada para o apoio à gestão empresarial. a balança comercial do segmento de TI está extremamente deficitária. O problema é transformar esse grande volume de dados em informações úteis. 12. Em parte porque a indústria de informática enfrenta um dos piores inimigos para esse mercado: a pirataria. solução de datawarehousing da SAP. Paralelamente à implementação do projeto. menos impostos recolhidos pelo governo e poucas empresas produzindo no Brasil. verificase que a situação não está como deveria. vendas e diretorias executivas. bem como redução da taxa de troca de operadora realizada pelo cliente. que. atualmente. a TIM contratou um time de consultores a fim de ajudálos a construir um conjunto de soluções de BI. O Unibanco firma contratos de gestão com seus colaboradores.

Outro instituto. A banda larga também é outro segmento que deve exigir investimentos. haverá uma nova onda de inovação e um grande ganho de produtividade. informa que os investimentos em Tecnologia da Informação deverão crescer a uma média anual de 6% até 2008. Segundo o relatório. de relacionamento com o cliente. a Forrester Research. Entre as prioridades na lista de investimentos em TI pelas empresas está o item ferramentas de segurança. que ocupava o 29º lugar no ranking global. Entre 2006 e 2009. e de BI (Business Intelligence) são alguns exemplos de tecnologias que demandarão investimentos pelas empresas. A divisão de hardware deve crescer a uma taxa de 9% até 2008. que traz anualmente um ranking baseado nas informações de 82 países. que tirou os Estados Unidos da liderança consagrada nos últimos anos. uma vez que consideram algumas das ferramentas de fácil utilização e que justificam os investimentos. terceirização e redes. demonstrou que essas nações monitoram constantemente o progresso em relação à consolidação do setor de tecnologia e às mudanças nos cenários econômico e político de cada região. . O Brasil. a pesquisa mostra que apenas 22% das corporações possuem softwares do tipo. No caso do Business Intelligence. na avaliação do Gartner. do inglês Real Time Enterprise)". ficou na primeira posição da América Latina. de acordo com o instituto. Dentro do porcentual de investimento previsto . pede diferenciais competitivos entre as organizações. Os dados da pesquisa indicam que aplicativos como o CRM (Costumer Relationship Management). As ferramentas de tecnologia e gestão que o conceito de BI abarca trazem novas possibilidades a um mercado que. Entre as previsões do Gartner para o período. o líder mundial em avanços na área de TI é a Finlândia. período em que a economia do segmento de tecnologia deverá viver um novo "boom". que dará lugar para o item "tecnologias para suportar a companhia em tempo real (RTE. a Forrester indica que os gastos deverão ser canalizados principalmente para hardware. está o fato de que o verdadeiro poder da TI vai ser finalmente descoberto.Estudo realizado pelo Fórum Econômico Mundial. Depois vem o tópico "desenvolvimento eficiente e infraestrutura flexível". mesmo contido. mas demonstram interesse crescente em implementações.

conceito este de grande relevância dentro do novo paradigma organizacional. . buscou-se dar um enfoque à implantação do conceito BI dentro das empresas mostrando que planos estratégicos deficientes podem trazer grandes problemas para o futuro. onde o conhecimento é considerado o principal ativo de qualquer organização. Dentro desse contexto.Conclusão Este artigo teve o intuito de apresentar os aspectos envolvidos com o conceito de Business Intelligence. principalmente quando for utilizar o BI. Para isso foram mostrados estudos de caso de grandes empresas alocadas em território nacional que obtiveram sucesso e ótimo retorno com a utilização do conceito de Business Intelligence. Vimos que o comércio eletrônico acelerou os negócios em diversos níveis de desenvolvimento e popularização do BI nas organizações.

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