Você está na página 1de 7

INCIDENTES PROCESSUAIS

- 1. Introdução:

- Incidentes processuais são aqueles que decorrem de questões


secundárias. Eles incidem sobre o processo principal e devem ser
decididos antes da decisão sobre a causa principal.

- Diferença entre questões prejudiciais e procedimentos incidentes :

A) as questões prejudiciais são pontos fundamentais, vinculados ao


direito material, que necessitam ser decididos antes do mérito da
causa, porque a este se ligam. EX; esbulho possessório e posse
legítima (art. 161, par. 1º , II CP) e discussão sobre a posse
legítima.

B) Os procedimentos incidentes são propostos ao longo da causa


principal, e devem ser julgados pelo juiz criminal antes de julgar o
mérito. Correm a parte do processo principal para não tumultuá-lo,
embora com ele tenham extrema ligação. Ex: exceções,
impedimentos, conflitos de jurisdição, medidas assecuratórias,
incidentes de sanidade e dependência, etc.

2. QUESTÕES PREJUDICIAIS

2.1. Prejudiciais homogêneas e heterogêneas

a) As homogêneas, também chamadas de próprias ou perfeitas, dizem


respeito à matéria da causa principal, que é penal (ex: decisão sobre a
exceção de verdade no crime de calúnia; falso testemunho).

b) As heterogêneas, igualmente chamadas de impróprias ou


imperfeitas, vinculam-se a outra áreas do direito, devendo ser
decididas por outro juízo. Ex: questões a serem resolvidas na esfera
civil...
2.2. Prejudiciais obrigatórias e facultativas

a) São obrigatórias as que impõem a suspensão do processo criminal,


enquanto se aguarda a decisão a ser proferida por juízo cível (art. 92
do CPP)

- São aquelas que se referem ao estado civil das pessoas, obrigando o


juiz a aguardar a solução da questão na órbita civil (art. 92 do CPP).

- Contudo, caberá ao magistrado suspender o processo caso seja séria


e fundada a controvérsia existente, caso contrario não. EX: discussão
sobre a filiação, para incidir a agravante, ou para o crime de
abandono...

- Assim, a controvérsia deve ser pertinente à existência da


infração...

- Estado civil – ex: bigamia

- A lei não faz referência ao inquérito policial, podendo este


prosseguir até o seu término, podendo o promotor oferecer a denúncia.
Somente depois do recebimento da denúncia é que pode o magistrado
optar pela suspensão do processo.

- O prazo da suspensão do processo é indefinido, dura até o transito


em julgado da questão debatida no juízo cível. Porém, existindo
necessidade de urgência em determinadas medidas a serem tomadas
no processo criminal, pode o juiz determiná-las. Ex: busca e
apreensão, oitiva de testemunhas idosas, perícias.

- art. 116, I do CP, o curso da prescrição ficará suspenso até que o


processo principal retome seu curso
- A decisão que determinar a suspensão comporta recurso em sentido
estrito (art. 581, CPP). Quando houver o indeferimento da suspensão,
não cabe recurso, embora possa estar o juiz a gerar uma nulidade
insanável.

- Quando houver decisão com trânsito em julgado na esfera cível, a


questão não poderá mais ser julgada no juízo criminal. Ex: casamento
anulado – bigamia...

- O art. 92 do CPP, buscou legitimar o MP para a propositura da ação


civil necessária a dirimir a controvérsia relativa ao Estado das
pessoas. Obrigatoriedade da ação penal

- Do mesmo modo o querelante.

b) Prejudiciais facultativas, ocorrem quando o reconhecimento da


existência do crime depender de questão diversa da prevista no
art. 92. Ou seja, toda questão diferente do estado das pessoas, sendo
da competência do juízo cível a sua apreciação (art. 93). Nestes casos,
são facultativas porque permitem ao juiz criminal, segundo seu
prudente critério, suspender o feito, aguardando a solução em outra
esfera.

- Neste caso, no entanto, é preciso ponderar dois aspectos


fundamentais: 1. Para ocorrer a suspensão do processo criminal torna-
se indispensável que a ação civil já esteja ajuizada; b) a questão em
debate no cível deve ser de difícil solução, não versando sobre direito
cuja prova é limitada pela lei civil.

- Pode a suspensão ser decretada de ofício ou a requerimento da parte


(art. 94 CPP).

- São questões diversas do estado das pessoas, por exemplo,


discussões sobre a propriedade, posse, relações contratuais ou
empregatícias, etc
- O art. 93 do CPP preceitua ser facultativa a suspensão do processo
nesses casos, embora deva sempre o juiz criminal ter sensibilidade
para suspender o curso do feito, evitando, com isso, decisões
contraditórias.

- Se decidir suspender o processo, precisa tomar tal decisão


fundamentado em questão da qual dependa a prova da existência da
infração penal e não simplesmente algo que envolva circunstância do
crime.

- A decisão que determinar a suspensão comporta recurso em sentido


estrito (art. 581, CPP). Quando houver o indeferimento da suspensão,
não cabe recurso, embora possa estar o juiz a gerar uma nulidade
insanável.

- A lei não faz referência ao inquérito policial, podendo este


prosseguir até o seu término, podendo o promotor oferecer a denúncia.
Somente depois do recebimento da denúncia é que pode o magistrado
optar pela suspensão do processo.

- Diversamente da suspensão obrigatória (art. 92 CPP), no caso de


suspensão facultativa (art. 93) a lei impõe a inquirição de testemunhas
e a realização de outra provas de natureza urgente. Como já se viu, no
primerio caso estas provas só serão realizadas se forem urgentes.

- O prazo da suspensão do processo criminal deve ser fixado pelo juiz,


segundo critério discricionário. Deve ter em conta sempre a lentidão
do judiciário.

- A prorrogação do prazo de suspensão é admissível, desde que


impere a razoabilidade, desde que o atraso não seja imputável à parte
interessada (art. 93, par. 1º) . Caso o feito cível não haja terminado,
havendo atraso injustificável, imputável à parte, pode o juiz criminal
seguir com o processo, julgando o mérito.

- Assegura-se a intervenção do MP, visando o rápido desenvolvimento


do processo (art. 93, par 3º).

3. Procedimentos incidentes

a) Exceções (arts. 95 a 111 do CPP)

- São defesas indiretas, apresentadas por qualquer das partes, com a finalidade
de prolongar o trâmite processual ou provocar o seu encerramento, sem
apreciação do mérito. As que prolongam o processo são chamadas de dilatórias
(ex.: exceção de suspeição); as que causam o seu término, exceções
peremptórias (exceção de coisa julgada).

b) incompatibilidade e impedimentos

• Incompatibilidade é a afirmação de suspeição de ofício, sem provocação da


parte (ex.: o magistrado se declara suspeito de atuar no feito, invocando uma
das situações do art. 254 do CPP, demonstrando a sua incompatibilidade de
julgador imparcial).

• Impedimento é uma forma mais grave de obstáculo à atuação no processo,


pois evidencia maior ligação do juiz, do promotor, do perito, ou do
serventuário com a causa. Estão previstas no art. 252 do CPP.

c) Conflitos de competência (art. 113 a 117) do CPP

• É a situação provocada pela afirmação de competência para o julgamento de


determinada causa por dois ou mais juízes (ou tribunais), configurando um
conflito positivo de competência. Pode também ser negativo quando dois ou
mais juízes negam serem competentes para o feito.
d) Restituição de coisa apreendida (arts. 118 a 124 do CPP)

• Trata-se de procedimento legal de devolução de objeto apreendido a quem


de direito, quando não mais interesse a sua retenção. Pode ocorrer na fase
policial ou na fase judicial.

e) Medidas assecuratórios (arts. 125 a 144).

• São as providências tomadas, antes ou durante o processo criminal, com a


finalidade de assegurar futura indenização à vítima da infração penal,
pagamento de despesas processuais ou penas pecuniárias do Estado, e
também evitar o enriquecimento ilícito do criminoso.

• São elas:

• Seqüestro: medida tomada para tornar indisponíveis os bens móveis do


acusado advindos da prática da infração penal, com o objetivo de confisco
ou devolução para a vítima – É “o depósito de coisa litigiosa em mãos de
alguém, estranho ao litígio”. Podem ser objeto bens móveis e imóveis.

• Hipoteca legal: É direito real de garantia que incide sobre coisa alheia. É
medida assecuratória que recai sobre bens imóveis do acusado, tornando
estes bens indisponíveis, com o fito de assegurar a reparação do dano à
vitima.

• Arresto: medida que torna indisponíveis os bens móveis do acusado, com a


finalidade de garantir a indenização à vítima.

f) Incidente de falsidade (arts. 145 a 148 do CPP)

• È o procedimento incidente, voltado à constatação da autenticidade de um


documento, inserido nos autos do processo criminal principal, sobre o qual
há controvérsia.
• Se procedente o incidente de falsidade, desentranha-se o documento,
considerado falso, determinando o juiz as providências cabíveis para apurar,
à parte, a falsidade.

• Se improcedente, o documento é mantido e pode servir como prova para o


deslinde da causa.

• Pode ser provocado pelas partes ou de ofício pelo juiz.

g) Incidente de insanidade mental (arts. 149 a 154) do CPP)

• Trata-se do procedimento incidente instaurado para apurar a


inimputabilidade ou semi-imputabilidade do acusado, levando-se em
consideração a sua capacidade de compreensão do caráter ilícito do fato
praticado ou de se determinar de acordo com tal entendimento.

• Constatada a inimputabilidade, o réu dever ser absolvido (a denominada


absolvição imprópria), aplicando-se-lhe medida de segurança. Se for
considerado semi-imputável, deve sr condenado, com pena diminuída, como
estabelecido no parág. Único do art. 26 do CP.