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[e-book] Manual de Microbiologia Médica 2009 (by baroni)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA BÁSICA CURSO DE MEDICINA

(BP332 – Microbiologia Médica Aplicada)

TEÓRICOMANUAL TEÓRICO-PRÁTICO DE PROCEDIMENTOS BÁSICOS EM MICROBIOLOGIA MÉDICA
2ª EDIÇÃO

REALIZAÇÃO REALIZAÇÃO Professora: Professora: Professora: Professora: Professora: Professora: Acadêmico: Acadêmico: Drª Cristina Leise Bastos Monteiro (Coordenadora) Drª Laura Lúcia Cogo Drª Izabel Galarda Fernando Carlos Bortolozzi Filho

CURITIBA 2009

SUMÁRIO

A SEGURANÇA DOS ALUNOS NAS AULAS PRÁTICAS DE BACTERIOLOGIA E MICOLOGIA............................................................................... 3 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5 CAPÍTULO 1: CONTROLE DE MICRORGANISMOS .............................................. 13 CAPÍTULO 2: TIPOS MORFOLÓGICOS DE BACTÉRIAS E GRUPAMENTOS BACTERIANOS............................................................................ 29 CAPÍTULO 3: MORFOLOGIA COLONIAL................................................................ 35 CAPÍTULO 4: VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE BACTÉRIAS NO AR E SUA CONTAGEM ATRAVÉS DE CULTIVO.............................................. 37 CAPÍTULO 5: PREPARAÇÕES MICROSCÓPICAS ................................................ 39 CAPÍTULO 6: MEIOS DE CULTURA........................................................................ 52 CAPÍTULO 7: ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS ........................................... 55 CAPÍTULO 8: PROVAS BIOQUÍMICAS DIFERENCIAIS ......................................... 58 CAPÍTULO 9: MICROBIOTA NORMAL DO ORGANISMO HUMANO...................... 69 CAPÍTULO 10: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ATRAVÉS DO ISOLAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DE AGENTES ETIOLÓGICOS .................... 79 - PORÇÕES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS.......................................................... 79 - OROFARINGE ........................................................................................................ 88 - TRATO GÊNITO URINÁRIO ................................................................................. 106 - INTESTINAIS ........................................................................................................ 113 - FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE ....................................................................... 126 - TESTE DE SENSIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS .............................................. 131 CAPÍTULO 11: DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS........................... 136 CAPÍTULO 12: MICOBACTERIOSES .................................................................... 152 CAPÍTULO 13: LEPTOSPIROSE ........................................................................... 170 CAPÍTULO 14: OS FUNGOS E AS MICOSES ....................................................... 178 CAPÍTULO 15: HERPES-VÍRUS ............................................................................ 199 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 204 2

A SEGURANÇA DOS ALUNOS NAS AULAS PRÁTICAS DE BACTERIOLOGIA E MICOLOGIA

“A segurança de todos depende dos cuidados individuais dos alunos e dos professores.” Seguem-se as orientações para os alunos executarem as tarefas dentro dos parâmetros de biosegurança médica: 1. 2. 3. 4. 5. 6. É obrigatório o uso de avental (ou jaleco, guarda-pó, etc.) fechado na frente e de mangas compridas, para proteger a roupa e a pele dos braços. É expressamente proibido comer, beber ou fumar dentro do laboratório. Não usar anéis e pulseiras. Prender o cabelo comprido. Lavar as mãos antes e depois dos procedimentos. Após a lavagem das mãos utilizar álcool 70% para otimizar a desinfecção. Evitar o contato da pele e mucosas com materiais clínicos tais como sangue, pus, escarro, fezes, urina, outras secreções e exsudatos. Tratar sempre todas as amostras como potencialmente infectantes, sendo que os maiores perigos estão relacionados com o vírus da hepatite B, HIV, bacilos da tuberculose e salmonelas. Observação: cada mL de sangue pode conter 100 milhões de vírus de hepatite B e uma só partícula provoca a hepatite. Caso ocorram respingos pelo material contaminado sobre a pele, fazer imediatamente a antissepsia do local. O avental respingado deve ser colocado em cartucho plástico para não contaminar outros objetos. 7. 8. Não trabalhar nas proximidades de cadernos, mochilas e livros. As mochilas devem ser colocadas no fundo dos laboratórios no início das aulas práticas. Só utilizar pipeta quando esta tiver mecha de algodão no bocal. A mecha tem dois objetivos: proteger o operador do risco de contaminação com material patológico ou culturas de microrganismos e preservar o material manipulado da contaminação pela saliva do operador (aerossóis). 9. Jamais colocar o tampão de algodão dos tubos ou frascos sobre a mesa. Durante os procedimentos o tampão deve ser segurado com o dedo mínimo.

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10.

Jamais colocar a pipeta usada sobre a bancada ou mesa de trabalho. Ela deve ser colocada em recipientes que contêm desinfetantes (Lisoform, hipoclorito de sódio a 2%, etc.), bem como algodão para vidro (para não quebrar a ponta da pipeta) disponível em cada mesa.

11.

Evitar a formação de aerossóis, que são micropartículas que contém uma quantidade extremamente pequena de líquido (água, saliva, etc.) e algumas partículas infectantes (vírus, esporos bacterianos, etc.). Estes aerossóis podem cair sobre a mesa contaminando-a, ou ainda ficarem suspensos no ar e serem inalados, promovendo um possível ciclo de infecção. Tais partículas podem se formar em procedimentos como flambagem da alça metálica, flambagem de pinças, abertura brusca de tubos ou frascos com tampa de pressão, agitação de tubos com as mãos, centrifugação de tubos abertos, manipulação incorreta de seringas, homogeneizadores, etc.

12. a) b)

Ao término do trabalho: Desinfetar a bancada com um desinfetante disponível (hipoclorito, álcool 70%, clorexedine, álcool iodado, etc.). Lavar as mãos e antebraços com água e sabonete líquido. Em seguida utilizar, de preferência, solução degermante à base de polivinilpirrolidona-iodo (PVPI) a 10%. Enxugar com toalha descartável. Em seguida aplicar álcool 70% nas mãos para dar continuidade à desinfecção.

Observação: em caso de acidente, como de pipetas contaminadas, placas e frascos com material patológico ou cultura de microrganismos é obrigatório: a) b) c) Derramar sobre o material quebrado um desinfetante (por exemplo álcool 70% ou clorexedine). Cobrir com toalha de papel. Deixar em contato, no mínimo, por uma hora antes de remover o vidro com uma pinça e com a mão enluvada absorver o líquido com papel toalha, acondicionar em sacos apropriados e a seguir autoclavar.

ESTE MANUAL NÃO TEM FINS LUCRATIVOS USO PARA FINS ACADÊMICOS DENTRO DA UNIVERSIDADE
(Concentrado de obras que não estão disponíveis nas bibliotecas da Universidade, por isso esse texto é disponibilizado aos alunos).

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Algumas espécies bacterianas produzem cerca de 100 gerações num período de 24 horas. Os microrganismos constituem um grande grupo heterogêneo. Para o estudo destas ciências é preciso estar familiarizado com os microrganismos. Os microrganismos possuem muitas características que os tornam seres ideais para a investigação dos fenômenos biológicos. mas também como instrumento de outras áreas biológicas. A microbiologia pode ser estudada como ciência autônoma. no entanto.INTRODUÇÃO Micróbio: termo usado em 1878 por Charles Emmanocl Sedillot (cirurgião francês). possuem estrutura primitiva não apresentando tecidos ou órgãos especializados. do ponto de vista biológico. biologia molecular. Pode-se cultiválos facilmente em tubos (recipientes pequenos) o que requer menor espaço para manutenção do que plantas e animais. 5 . fungos. uma estrutura simples e indiferenciada. das quais resultam efeitos prejudiciais ou proveitosos para outros seres vivos. Trata ainda da sua distribuição na natureza e as relações entre si e com os demais seres vivos. engenharia genética. geralmente microscópicos) e suas atividades. e servem cada vez mais. apresentando características variadas. de modelos para as ciências modernas como: bioquímica. genética. metabolismo e identificação. A cada 15 minutos surge uma nova geração e de cada célula resultam 2 células filhas em uma progressão geométrica sendo que no final de 24 horas teremos milhões de descendentes. algas. Foram os microrganismos que serviram. etc. Microbiologia: é a ciência que estuda os microrganismos (seres pequenos. tendo. em comum o fato de conservarem ao longo do curso de evolução biológica. Estudam-se também as transformações físicas e químicas exercidas nos seus habitats. são simplesmente interações destrutivas entre vegetais e animais. reprodução. Em última análise os fenômenos chamados doenças infecciosas. o que não acontece com animais e plantas. estruturas. Crescem rapidamente e se reproduzem a um ritmo extraordinariamente elevado. São os protozoários. O estudo dos microrganismos compreende o conhecimento de suas formas. vírus e bactérias. ou seja.

Aparecem em maior abundância onde encontram condições favoráveis. Existem numerosas áreas onde a Microbiologia aplicada tem grande significado. genética bacteriana.Áreas de aplicação da microbiologia O microbiólogo. ar. Dispomos de meios para resistir à invasão daqueles que são potencialmente patogênicos. micologia estuda os fungos. Este ramo da microbiologia também estuda a prevenção e controle de doenças. e outras cavidades naturais. fisiologia dos fungos. o microbiólogo deve se limitar a um ou poucos ramos selecionados da microbiologia. o que os torna patogênicos para o homem. ar. desde o solo e as massas de água (mares. virologia estuda os vírus e ficologia estuda as algas. O microbiólogo também busca estudar os microrganismos em ambientes particulares: solo. rios). bacteriologia é o estudo das bactérias (muitas vezes o termo é usado como sinônimo de microbiologia). imunização. Distribuição na natureza (habitat) Os microrganismos são encontrados praticamente em todos os ambientes. umidade e temperatura adequada ao seu desenvolvimento. como substâncias nutritivas. nariz. bem como de plantas. trato digestório. A educação de um microbiólogo abrange um conhecimento geral da maioria das subdivisões. imunologia e os métodos diagnósticos. pode se especializar no estudo de certos microrganismos. Microbiologia médica: os microrganismos muito estudados são os que causam doenças em humanos e são chamados de patogênicos. água. podem produzir modificações devido ao seu metabolismo. Os microrganismos. que são favorecidos pelas mesmas condições que a população humana. Felizmente a maioria é inócua e habita a superfície do nosso corpo. etc. 6 . boca. Estritamente falando. esgotos. até as superfícies internas e externas de humanos e outros animais. É freqüente a especialização em algum aspecto da microbiologia: citologia bacteriana. etc. de uma maneira geral. Entretanto devido ao tremendo acúmulo de informações em cada especialização.

Algumas vezes os seres classificados em protistas eram denominados Protistas superiores e Protistas inferiores fundamentando-se em sua estrutura celular. Os protistas inferiores são procarióticos: 'bactérias e algas azul-esverdeadas. protozoários. para eliminar a confusão existente em relação à posição dos microrganismos e para lhes proporcionar uma posição no mundo vivente. Animmalia. quase não apresentando outras propriedades dos mesmos sendo também que nenhum fungo possui clorofila. Em 1969 foi proposto por Whittaker um outro sistema classificatório de seres vivos. Fungi. Fungi (fungos: leveduras e bolores). ficou claro que eles mostravam todas as combinações possíveis das propriedades dos vegetais e animais. absorção e ingestão. discípulo de Charles Darwin em 1866. Os superiores possuem célula eucariótica. fungos e bactérias. Uma abordagem a respeito da classificação microbiana foi oferecida por Stanier e Van Niel em 1941. fungos e algas. no entanto. 7 . compatível com os recentes estudos ultraestruturais. Os microrganismos são encontrados em três dos reinos: • • • Monera (bactérias e algas azuis esverdeadas). O Reino Protista compreendeu as algas. Os cinco reinos de Whittaker são: Plantae. bioquímicos. como os protozoários. Este terceiro reino foi chamado Protista (da palavra grega que significa primitivo ou primeiro). As outras algas e protozoários deveriam permanecer como pertencentes ao reino Protista. .Posição entre os seres vivos Após a descoberta dos microrganismos. o cientista alemão Ernest Haeckel. Protistas (outras algas e protozoários). os dois reinos de seres vivos admitidos na época. Desde o conceito original deste terceiro reino de seres vivos têm sido desenvolvidos numerosos critérios para determinar mais adequadamente onde classificar estas microvidas. propôs o estabelecimento de um terceiro reino. genéticos e os principais modos de nutrição: fotossíntese. ainda permaneciam como um enigma. Eles propuseram outra designação para outro reino chamado Monera. com exceção das algas azulesverdeadas. os fungos foram classificados como vegetais porque eram imóveis. Protista e Monera. aparecendo vários absurdos como por exemplo. Para evitar a distribuição arbitrária dos grupos intermediários (entre plantas e animais). que deveria conter algas azul-esverdeadas e as bactérias. Os vírus.

Nas Chaves as características descritivas são organizadas de tal forma que um organismo em estudo será prontamente identificado. Monera: células procarióticas. entre eles a de estabelecer critérios necessários para a identificação e acima de tudo. facilmente identificáveis. De tempos em tempos são propostos novos sistemas não aceitos em sua totalidade internacionalmente. De uma maneira geral as classificações podem ser: Naturais ou Filogenéticas e Artificiais ou Chaves. Todavia. tais como Serraria marcescens e as Sulfobactérias púrpuras. têm surgido muitas classificações. isto é. colocar numa chave um grupo de bactérias formadoras de pigmento vermelho. Na classificação filogenética.Classificação dos microrganismos A classificação dos seres vivos serve a vários propósitos. aqueles que tem um ancestral em comum. são observadas várias inconsistências. Infelizmente não existe um sistema classificatório inteiramente aceitável para todos os microrganismos. Dependendo da autoridade consultada. A classificação dos microrganismos apresenta problemas peculiares podendo se basear em muitas características. Durante os 100 anos da microbiologia como ciência. Protistas: Deve-se utilizar a terminologia moderna e mais amplamente aceita. eles são listados juntos porque apresentam algumas características em comum. 8 . Será perfeitamente razoável. principalmente para as bactérias. pois um pesquisador com a responsabilidade de identificar uma cultura com pigmento vermelho. agrupa-se tipos aparentados. Os organismos agrupados numa chave não precisam necessariamente apresentar relação filogenética. este agrupamento será de muita utilidade. eliminar confusões. imediatamente terá seu trabalho reduzido a poucos tipos bacterianos. O termo “protista” atualmente é empregado apenas para microrganismos eucarióticos. a) Bactérias b) Cianobactérias c) Arqueobactérias 2. Classificação atual dos microrganismos Uma classificação proposta atualmente poderia ser a seguinte: 1. por exemplo.

NATUREZA E ESTRUTURA CITOPLASMÁTICA Correntes citoplasmáticas Pinocitose Mesossomos Ribossomos Mitocôndrias Cloroplastos Complexo de Golgi Vacúolos limitados por membranas Ausentes Ausente Presentes Dispersos no citoplasma Ausentes Ausentes Ausentes Ausentes Presentes Presentes Ausentes Dispostos em membranas. NÚCLEO Membrana Nuclear Cromossomos Aparelho mitótico Histonas Genes 2.a) Algas b) Protozoários c) Fungos Elementos diferenciais entre as células 1. lineares Presentes Presentes Não agrupados 9 . circular Ausente Ausente Agrupados Eucarióticos Presente Um ou mais. retículos endoplasmáticos e cloroplastos Presentes Podem estar presentes Presentes Presentes Procarióticos Eucarióticos Procarióticos Ausente Um.

Taxonomia bacteriana geral Desde a primeira tentativa conhecida de classificação das bactérias. unicelulares e procarióticos. um grande esforço foi empregado na taxonomia bacteriana. derivado do grego "gotinhas" foi introduzido em 1828 pelo alemão C. mas até agora nenhum dos numerosos esquemas propostos recebeu aprovação universal. G. mas havendo um interesse em evitar confusão generalizada é preciso aceitar e permitir a evolução de algum plano razoavelmente exeqüível acompanhando naturalmente o progresso dos novos conhecimentos. Ausente Multifibrilas com microtúbulos Presente em alguns 4. Procarióticos Possui parte da maquinaria respiratória e fotossíntese Presente * Fibrilas simples Ausentes Eucarióticos Não desenvolve atividade respiratória ou fotossíntese. em 1773. RELAÇÃO GUANINA + CITOSINA Mols de Guanina e Citosina Procarióticos 28 a 73 Eucarióticos Cerca de 40 Bactérias O termo bactéria.3. realizada por Müller. Uma das classificações foi proposta pela Sociedade Americana de Microbiologia através de seu 10 . ESTRUTURAS CELULARES EXTERNAS Membrana plasmática Parede celular de Peptídeoglicano Organelas locomotoras Pseudópodos * ausente em Mycoplasma sp. Bactérias são organismos microscópicos. Ehrenberg como nome genérico de alguns tipos bacterianos característicos. Há falta de concordância nas classificações.

Bergey' s Manual of Detenninative Bacteriology ao longo de muitas edições. em função do metabolismo de movimentação e das características da parede celular. Se dois organismos têm proporções muito diferentes de bases. O parâmetro empregado com mais freqüência é a porcentagem de moléculas de guanina mais citosina no conteúdo total de DNA. Centenas de espécies têm sido caracterizadas desta maneira modernamente. sendo mais aceito que qualquer outro sistema. Em 1980 o Comitê Internacional sobre Sistemática Bacteriológica. Atualmente um dos esquemas da classificação semi-oficial disponível é o que foi publicado na 9ª edição do Bergey's manual de 1984. permitir aos pesquisadores determinar se ce11o microrganismo corresponde a uma espécie descrita. Novos conhecimentos causarão uma grande diferença nas futuras publicações a respeito da classificação microbiana. Nos últimos anos o sistema genético das bactérias foi estudado ao nível molecular a fim de determinar a homologia entre o DNA das células. em virtude da natureza procariótica de suas células. já tendo alcançado a 9ª edição. de Procaryotae. Desde 1º de janeiro de 1980 apenas a nova lista de nomes é considerada válida. Em cada edição subseqüente. no entanto. inclusive o acréscimo de novas espécies e excluindo outras. substituindo uma lista anterior de 30000. Bactérias: Uma chave classificatória para bactérias estabelece 4 grupos bacterianos. o acréscimo de novas ou quaisquer outras alterações.& edição do manual de Bergey tem como título: "Bergey' s Manual of Systematic Bacteriology". A substituição das denominações abandonadas. Ele reconhece o reino Monera de Whittaker. O manual de Bergey representa mais de 70 anos de evolução. isto é. obviamente não são muito relacionados. publicou uma lista de aproximadamente 2500 espécies. Devido às incertas relações filogenéticas das bactérias. 11 . têm sido feito vários avanços significativos. É amplamente utilizada como padrão de referência na taxonomia bacteriana. exigem publicações no International Journal of Systematic Bacteriology. A 1ª edição data de 1923. chamando-o. A composição das bases do DNA é uma característica constante de uma determinada espécie e é expressa em porcentagem de guanina mais citosina sobre o total da mols das bases. A 9. o manual admite que sua principal aplicação é determinativa.

Vírus: Complexo molecular vivo. *Os dados citados foram compilados de textos dados em aula. 12 . possuindo DNA ou RNA.

fisiológicos. Anti-sepsia: é o conjunto de meios usados para evitar a proliferação de germes.1: CAPÍTULO 1: CONTROLE DOS MICRORGANISMOS É indispensável o conhecimento do controle das populações microbianas para todos os profissionais da saúde. reduzindo infecções e a transmissão de doenças contagiosas. etc. puderam ser estudadas em todos os detalhes: morfológicos. reduzindo a “bioburden” (carga de organismos viáveis). Desinfecção: é o processo que remove a maioria dos microrganismos viáveis. saneamento e sanitização. Assepsia: conjunto de procedimentos que impede a penetração de microrganismos em local que não os contenha. O uso de materiais esterilizados é condição indispensável para o desempenho dos trabalhos microbiológicos. Esterilização: deve resultar na destruição total de todas as formas de vida presentes no material submetido ao processo em questão. reservando-se o termo desinfecção para objetos inanimados. etc. destinadas a destruir os germes potencialmente patogênicos. obtiveram populações bacterianas puras e. é importante conceituar vários deles. Saneamento: mantém a microbiota dentro dos valores populacionais previamente estabelecidos por instituições de saúde.. estas sim. tais como: esterilização. obter dados sobre seus fatores de virulência e outros. como anti-sepsia da pele. O termo anti-sepsia é geralmente usado referindo-se aos tecidos vivos. Antes de iniciar o estudo dos métodos de controle dos germes. A anti-sepsia é obtida pela ação de substâncias químicas chamadas anti-sépticos. inativando ou destruído-os. Os microbiologistas conseguiram estudar as espécies bacterianas. anti-sepsia de feridas. na maior parte das vezes. mas que são ineficientes contra a maioria dos esporulados. estruturais. assepsia. anti-sepsia (anti-sépticos). 13 . executando cirurgias assépticas. meios de cultura estéreis e técnicas de assepsia. A medicina progredia à medida que surgiam novos conhecimentos sobre o domínio dos microrganismos. após as aplicações artificiais de condições desfavoráveis à sua multiplicação. é conseguida pelo uso de substâncias químicas chamadas desinfetantes. A desinfecção. pois não destrói todos os esporos. O calor em temperaturas de 60 a 100oC também tem ação desinfetante. Através dos processos de esterilização dos objetos utilizados. desinfecção (desinfetantes).

Como agentes químicos podem ser usados muitos compostos. Além destes. ESTERILIZAÇÃO É importante o conhecimento das diferentes técnicas de esterilização.Calor Úmido • • • • Pasteurização Tyndallização ou Tindalização Água Fervente Autoclavação 14 . por processos mecânicos. é possível eliminar a microbiota presente em um líquido ou gás. e que cause dano mínimo ao material envolvido. depende do resultado que se deseja e do material ou local em que o processo vai ser aplicado. Para pessoas da área de saúde.Sanitização: usada em restaurantes e indústrias de alimentos. para casos específicos. tais como temperaturas elevadas e as radiações. radiações) exercem sobre o corpo humano. A escolha dos agentes e dos diferentes métodos. Segue-se o esquema e a descrição de alguns processos. refere-se à eliminação dos microrganismos em utensílios e equipamentos para impedir a deterioração ou transmissão de infecções pelos produtos alimentares. Esterilização e Desinfecção por Meios Físicos Calor . Os meios mais utilizados para esterilização são os meios físicos. para saber qual delas aplica-se melhor. é indispensável também conhecer os efeitos que alguns agentes esterilizantes (agentes químicos.Calor Seco • • • Flambagem Forno de Pasteur (estufa) Incineração . como a filtração.

15 . álcalis.Gama (γ) . . formaldeído. . detergentes. para reduzir a população bacteriana ao nível desejado. glutaraldeído. óxido de etileno.Discos • • Vidro Amianto – Seitz .Gasosos – brometo de metila.Ultravioleta (UV) – NÃO IONIZANTES .Filtração . na seleção da intensidade térmica e na duração da exposição.Algodão – para gases (ar) Radiações .IONIZANTES Esterilização e Desinfecção por Agentes Químicos Agentes Químicos: .Membranas • • Acetato de celulose: Millipore e HEPA Nitrato de celulose .Velas • • Chamberland – porcelana porosa Berkefeld – infusórios .Líquidos – álcoois. Esterilização e Desinfecção por Meios Físicos A ação letal do calor é uma relação tempo-temperatura afetada por numerosos fatores que devem ser levados em consideração.Sólidos – pastilhas de formalina.

meios de cultura. animais de experiência infectados e mortos. as bocas dos tubos e balões em que se faz a semeadura são aquecidos na chama (chamuscadas) sem. Os incineradores que possuem uma só câmara de combustão são ineficazes e inadequados. consiste em destruir os microrganismos junto com os materiais orgânicos onde eles se localizam. contaminando a atmosfera por microrganismos e substâncias tóxicas. etc. leválas ao rubro. etc. b) Ar Quente – Forno de Pasteur O Forno de Pasteur moderno é uma estufa de forma retangular de paredes duplas. Deixar o forno esfriar espontaneamente. Na porção superior possui orifícios para ventilação e colocação de termômetro graduado em 200oC. areia. talco. A destruição dos microrganismos ocorre por desidratação e oxidação dos constituintes celulares. ampolas. vaselina sólida. Observação: o aparelho e seu funcionamento serão mostrados em aula. c) Incineração O método de incineração. para a esterilização de materiais secos. A temperatura desejada é regulada e mantida por um termostato.CALOR SECO a) Flambagem É a exposição do objeto à chama de bico de Bunsen ou lamparina. O incinerador 16 . provetas. peças anatômicas. no entanto. óleo mineral.. objetos metálicos. A vidraria seca será esterilizada no forno a 170 – 180oC por uma hora. Limitações: não se pode esterilizar a seco a vidraria fina como balões volumétricos e pipetas graduadas de precisão. borracha. (há os incineradores usados na queima de lixo não hospitalar). isolada termicamente e aquecida por eletricidade. etc. do ponto de vista microbiológico. porém não devem escurecer demais ou tornarem-se quebradiços. A exposição ao ar quente constitui método usado correntemente em bacteriologia. Na técnica bacteriológica utiliza-se a flambagem para esterilizar a alça de platina pelo aquecimento até o rubro. As pinças. parafina. tais como: tubos. líquidos diversos. São materiais removidos dos curativos. Isto porque os materiais não são destruídos por completo. placa. O papel que protege o material e os tampões de algodão adquire cor parda. Em seu interior existem prateleiras móveis. as pipetas.

intercalados por períodos de incubação em temperatura ambiente. gera substâncias altamente tóxicas. “Incineradores. A temperatura de tindalização varia de acordo com o material a esterilizar. conseguia esterilizar a solução em estudo. tais como as dioxinas. Os esporos resistentes germinam durante o tempo de incubação e são destruídos nas subseqüentes exposições ao calor. na verdade. 03). principalmente européias. 17 . verificou que o aquecimento descontínuo. brucelas. aquecimento a 100oC. Alguns meios de cultura bacteriológicos. É um processo de desinfecção. a queima em altas temperaturas de matéria orgânica e plástico. estreptococos. durante 1 hora. Tyndall.8oC por 30 minutos ou 71. A incineração tem-se tornado um problema social e político em muitas comunidades. além da câmara de combustão principal. são indústrias de “ultragifte” – ultravenenos – expressão cunhada pela comunidade científica para designar dioxinas e furanos. serão aquecidas à temperatura que não altere as suas propriedades. b) Tyndallização ou Tindalização É uma esterilização fracionada. mas não a eliminação total dos germes contaminantes (bactérias esporuladas).7oC por 15 minutos) e a seguir submetido a resfriamento brusco (em torno de 4oC). Ideal é quando a 1a câmara está a 800oC e a segunda aquecida no mínimo a 1000oC.. no caso do leite: Salmonella. soluções de vitaminas ou enzimas. por exemplo). ou seja. Isto porque. bacilos da tuberculose. Processo pelo qual um determinado material (o leite. é aquecido a uma temperatura não elevada (62. CALOR ÚMIDO a) Pasteurização Ato de pasteurizar. em 3 dias consecutivos. o idealizador do processo. etc.” Observação: o criminoso Agente Laranja usado na Guerra do Vietnã era rico em dioxinas (Fonte: Proteção no 11 – vol.deve ter. soluções de carboidratos. uma câmara de combustão secundária. obtendo-se assim a morte dos germes patogênicos.

Orifícios para o manômetro. Modo de proceder: o material a esterilizar é embrulhado em papel ou sacos plásticos (como os de microondas) formando pacotes. válvula de segurança e torneira. Embora as células vegetativas das bactérias possam ser destruídas em poucos minutos. Pela fervura do material mergulhado em água ou exposto ao vapor em autoclave com válvula aberta (vapor fluente) só se consegue uma desinfecção e não esterilização. do tipo do continente e de seus volumes. esta repousa sobre um suporte. aquecidas a gás ou eletricidade. oferece o risco de contaminação por esporulados. Os pacotes são colocados dentro de uma cesta metálica. alguns esporos resistirão durante muitas horas. Autoclave usa vapor d’água sob pressão regulada. seringas de injeção.c) Água em Ebulição Os materiais ou objetos contaminados não podem ser esterilizados com segurança pela simples exposição à água em ebulição. Por exemplo: tubos de ensaio com meios líquidos podem ser esterilizados em 10 a 15 minutos a 121oC. É uma câmara de vapor saturado equipada com dispositivos que permitem a manutenção do vapor em determinada temperatura e pressão por quaisquer períodos de tempo. Os mesmos líquidos em balões de 10 litros requerem 1 hora ou mais sob a mesma temperatura e pressão. dependendo da natureza do material a esterilizar. evitando o contato com água do fundo da autoclave. tampa com borracha apertada por parafusos. há emissão de um jato intermitente de vapor e ar. O aparelho que utiliza-se nesse procedimento chama-se autoclave. Há vários modelos: horizontais. Iniciar o aquecimento com torneira aberta. Quando a água começar a ferver. d) Autoclave (temperatura superior a 100oC) É um método em que se utiliza vapor d’água sob alta pressão. A imersão em água fervente quando usada para esterilização de instrumentos cirúrgicos. Materiais utilizados em Biologia Molecular necessitam de 40 minutos de autoclavação (para agir no DNA). etc. neste momento fecha-se a 18 . verticais. ou ainda. de tal modo que é o meio mais prático. Autoclave de Chamberland: caldeira de paredes resistentes. Só deve ser usada em circunstâncias emergenciais. Quando todo o ar for expulso.. começa a sair um jato contínuo de vapor. alimentadas por vapor gerado em caldeiras separadas. rápido e barato de esterilização.

6. acompanhando os processos de preparação de material para a esterilização. espera-se até que o manômetro abaixe para zero. vaselina líquida e sólida e parafina. 4. Desvantagens e Limitações: alguns materiais não miscíveis na água. Mais econômico. e os microrganismos poderão sobreviver. 5. Algumas substâncias são alteradas (metais que oxidam) ou destruídas. Vantagens: 1. causando sua coagulação. haverá aumento de pressão acusado pelo manômetro.torneira. Grau de Umidade (%) 50 25 18 06 00 Temperatura de Coagulação da Ovoalbumina 56 80 90 145 170 19 . Após esse período desliga-se a corrente elétrica. que consequentemente não podem ser autoclavados. Só então se abre a torneira. Observação: a autoclave e seu funcionamento serão mostrados em seminários. Tais materiais não são atingidos pelo vapor. Maior condutibilidade. 3. óleos. catalisada pela água. Deve-se colocá-lo na estufa ± 60oC para a secagem. Há autoclaves mais modernas em que o material já sai seco. Grande poder de penetração em material denso. 120oC por exemplo. O material sai da autoclave impregnado de umidade. como a que existe no departamento de Bioquímica da UFPR. O talco e a areia umedecidos são difíceis de secar. marca-se o tempo. Com a continuação do aquecimento. quebrando ligações químicas envolvidas na manutenção da conformação espacial das proteínas. Para abrir a autoclave. Aquecimento rápido. Termocoagulação das proteínas. Ao ser atingida a temperatura desejada. Não deixa resíduos tóxicos. como gorduras. 2. O calor úmido desnatura proteínas.

a temperatura atingida no centro sobre apenas a 83oC. sendo necessário. Fardo de Flanela Calor Seco – 150oC – 4 horas Calor Úmido – 120oC – 1 hora e meia Temperatura Central 83oC 117oC Microrganismo Clostridium botulinum Bacillus anthracis Calor Úmido 120oC 20 minutos 15 minutos Calor Seco 120oC 120 minutos 120 minutos (150oC) Calor Úmido (tempo em minutos para várias temperaturas) Microrganismos Bacillus subtilis Clostridium botulinum Bactérias do solo Anaeróbios – putrefação Bactérias termófilas 780 400 100oC 300 530 420 105oC 115oC 40 20 30 06 11 120oC Testes para Controle de Eficiência da Autoclave Em geral.Eficiência Comparativa do Calor Seco e do Calor Úmido como Esterilizantes O calor úmido tem um poder de penetração superior. ao passo que. portanto. em um fardo de flanela exposto ao calor seco a 150oC durante 4 horas. através do isolamento de microrganismos no material processado. a temperatura central chega a 117oC. em vez de tentar reconhecer falhas. Esta diferença de poder de penetração do calor em estado seco ou úmido é exemplificada pela verificação de que. A penetração do calor seco é menor. esterilizar o equipamento e utensílios a temperaturas mais elevadas e por períodos mais longos. 20 . é necessário fazer o controle de esterilidade enquanto a autoclave está em operação. à temperatura de 120oC em autoclave durante 1 hora e meia.

Nos métodos físicos usa-se: 1. Os esporos podem vir acondicionados em frascos com meio de cultura ou impregnados em tiras de papel de filtro seco. Os esporos do Bacillus stearothermophillus morrem quando submetidos a 121oC por 15 minutos. FILTRAÇÃO A filtração é o método de escolha para esterilizar soluções contendo substâncias termossensíveis como o soro sanguíneo. solução de vitaminas. 21 . incubar a 55 a 57oC os esporos em caldo (ou no caso de usar as tiras. etc. centro e fundo da cesta. Após a autoclavação. solução de alguns carboidratos. Líquidos injetáveis são primeiramente filtrados e depois autoclavados para evitar pirogênios. Steritest® e outros. Após a autoclavação. colírios. numa concentração de 106 esporos em ambos os casos. Substâncias químicas em pó (acondicionadas em ampolas de vidro) cujo ponto de fusão é conhecido. Geralmente vêm em forma de fitas ou selos que mudam de cor na temperatura estabelecida. Os bioindicadores existem no comércio sob o nome de Esporofars®. transferi-las para um caldo) durante 24 a 48 horas. solução de enzimas. Indicadores que têm por base a reação de um composto químico quando expostos a um parâmetro necessário à esterilização. pontos em que a temperatura desejada é obtida com maior dificuldade.Embora a temperatura e a pressão sejam indicadas pelo termo-manômetro. fluidos para inoculação. todos os laboratórios microbiológicos fazem testes confirmatórios de esterilidade do material processado. Para tanto se pode recorrer a métodos físicos e biológicos. Observação: para cada método de esterilização existem indicadores químicos específicos. observar a substância que deve aparecer fundida. plasma. Estes são componentes termoestáveis da degradação das bactérias. indica que o bacilo proliferou e que a autoclavação foi insatisfatória. Colocar os esporos na autoclave em pontos críticos. Caso haja turvação. 2. No método biológico usam-se esporos bacterianos altamente resistentes como os do Bacillus stearothermophillus.

A filtração pode ser aplicada na descontaminação de gases como o ar. etc. acetileno. sem sofrer degradação. com isto o fluxo é em torno de 40 vezes mais rápido que pelos demais filtros. etano. Outro exemplo é a filtração do ar nas câmaras assépticas. álcool.Vidro. salas de cirurgia. parafina. . as bactérias vão proliferar dando colônias que podem ser quantificadas. Exemplo: Millipore. como por exemplo: a) b) c) VELAS DISCOS MEMBRANAS . metano. após a filtração. balões vazios ou contendo meio de cultura. como.000 ηm (para determinar o tamanho do vírus). etc. água.Berkefeld: terra infusórios. terpeno.Amianto. por exemplo.As técnicas de filtração são também usadas para recuperar pequenas quantidades de bactérias presentes em grandes volumes de líquido.05 a 10 µm (micrômetros). Cada cm2 contém milhões de poros. O exemplo disto é dado pelo uso de tampões de algodão que obturam a boca de tubos. Ultrafiltração Elford – colódio – membrana Gradocol (de nitrato de celulose). éter. Podem filtrar diversos líquidos: água. xilol. também chamados de filtros moleculares. toluol. . estudadas e identificadas.. 80% da membrana é espaço aberto e 20% de material sólido. Atualmente são as mais usadas nas técnicas de filtração. Elas apresentam a vantagem de poder ser autoclavadas. a membrana é colocada em meio de cultura adequado. naftalina. Tamanho dos poros: 0. Nestes casos. Há as descartáveis.Chamberland: porcelana. O algodão é suficientemente poroso para permitir a entrada de ar e impedir a entrada de germes. Acetato de celulose. 22 . . Poros: 10 a 10. Numerosos são os dispositivos e materiais usados na técnica da filtração.

. Vantagens Desvantagens .97% RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES (U. comprimento de onda de absorção máxima pelas bases púricas e pirimídicas do DNA. inibindo a replicação do DNA. O processo é 100% eficiente e ininterrupto. O material é esterilizado já acondicionado na sua embalagem final. em medicina. . Estes radicais altamente reativos quebram as ligações covalentes do DNA. . salas de cirurgia. cateteres e luvas. é limitado por danificar a córnea e a pele.) As radiações na forma de luz ultravioleta têm sua atividade melhor na faixa de 250260 ηm. 23 . Os raios gama e os raios X criam radicais livres ativos (OH. Há produção de fluxo de ar não turbulento ou laminar. etc. formando dímeros.Filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air) de Acetato de Celulose Utilizados para produção de fluxo de ar estéril em câmaras bacteriológicas assépticas. Uma camada fina de vidro ou água pode impedir a ação da luz U.V. Eficiência = 99. alterando as estruturas do DNA e das proteínas.operadores altamente especializados. equipamentos endovenosos.alto poder de penetração.alto custo.V. Não é uma técnica aplicável para uso descontínuo. O uso de raios U. É comum seu emprego para esterilização do ar em hospitais e também em laboratórios de microbiologia.V. pois não é possível ligar ou desligar.esterilização fria (indústria alimentícia e farmacêutica). Emprega-se esse tipo de radiação para reduzir a população microbiana da superfície dos equipamentos ou do ar. nas câmaras assépticas.. onde as condições de assepsia devem se manter rigorosamente controladas.e H+) pela hidrólise da água. Raios Gama e Raios X Os raios gama são atualmente muito usados para esterilizar grandes quantidades de itens de pequeno porte tais como agulhas. O seu poder de penetração é mínimo. seringas.

Ácido fênico em solução de 0. b) lesões de gônadas (alterações cromossômicas). . 24 . somente alguns são capazes de esterilizar. portanto usados apenas em objetos inanimados. embora se saiba que os produtos químicos podem agir como bacteriostáticos ou esterilizantes dependendo da concentração e do tempo de ação. Alguns são muito ativos. Outros apresentam instabilidade quando em solução.Irritante.2% age como bacteriostático e a 5% é esterilizante. • Deve .acarreta sérios danos à saúde..Atividade antimicrobiana de largo espectro. • Deve não ser . . maior estabilidade quando em solução e seu poder germicida. menor custo. Alguns são rapidamente inativados em contato com matéria orgânica. .Boa solubilidade.Estabilidade e homogeneidade quando em solução.Inocuidade para o homem. . mas tóxicos para os tecidos vivos. Assim temos: Produto Químico • Deve ter . Alguns produtos químicos são mais utilizados que outros devido a vários fatores: facilidade de obtenção.Não deixar resíduos. ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO POR AGENTES QUÍMICOS A esterilização por produtos químicos é indicada apenas para os materiais que não podem ser submetidos ao calor.Corrosivo. A escolha de um agente químico dependerá da finalidade do uso. tais como: a) alterações celulares (neoplasias malignas. Não existe uma substância ideal capaz de agir em todos os casos. A maioria dos agentes químicos age como desinfetante ou anti-séptico. como a leucemia).

compostos fenólicos. e) Limpeza. d) pH. causando irritações dos olhos e pulmões. óxido de etileno. edema pulmonar e danos à pele. no máximo 60oC. incluindo plásticos. óxido de propileno e formaldeído. AGENTES QUÍMICOS Agentes químicos são comumente empregados para a esterilização ou desinfecção de equipamentos: • Líquidos: ácidos e álcalis fortes. brometo de metila. papel. couro. plástico. borrachas. • Gasosos: ozônio. O gás é altamente inflamável e explosivo. O gás tem elevado poder de penetração em material orgânico. produtos desidratados. Na aplicação de qualquer agente químico é necessário observar-se as seguintes variáveis: a) Concentração. náuseas.. madeira. c) Temperatura. tecidos (lã). etc. glutaraldeído. não se podendo trabalhar em temperaturas elevadas. álcoois e compostos quaternários de amônio. β-propionalactona. Aplicações industriais são baseadas no uso de misturas contendo 10% de óxido de etileno e 90% de CO2 ou 50% de óxido de etileno e 50% de formato de metila. Concentrações acima de 100 mg/litro são tóxicas ao ser humano. não corrosivo e que se liquefaz a 10. • Sólidos: pastilhas de formalina. equipamentos de 25 . b) Tempo. sendo o líquido bastante solúvel em gás e solventes orgânicos. Óxido de Etileno É um gás incolor.9oC.Não alterar materiais como borracha.

é obrigatoriamente submetido à aeração. c) Grande variedade de materiais.CH2. o que recomenda muito o seu emprego. seringa. vidros e materiais elétricos. tempo e concentração do gás. c) Inflamável. Tempo de exposição de 2 a 12 horas.SCH2. que consiste na circulação de ar filtrado. O óxido de etileno atua como alquilante. O anel da molécula do óxido de etileno se rompe para formar –CH2 –CH2O que se insere entre átomos de enxofre e hidrogênio do grupo sulfidrila: o Desvantagens a) Alto custo. Condições: • • • • Temperatura entre 49 e 60oC. Umidade de 20 a 40%. H2C O H2C + R. como em grupos sulfidrila.anestesia e seringas sem danificá-los. d) Equipamento anestesia. inativando as enzimas e outras proteínas que têm átomos de H lábeis. b) Temperatura baixa 47-60 C. pressão de vapor d’água. O uso de óxido de etileno requer equipamentos adequados de alto custo. Um painel de controle onde está conectado o cilindro de mistura de gases.SH (enzima ativa) R. viricida. esporicida. Pode ainda ser utilizado em metais. Tendo condições adequadas de temperatura. Uma câmara secadora onde o material. Concentração do gás 450 mg/L. b) Tóxico. O ar passando pelos materiais faz a remoção dos resíduos de gás retido nos mesmo. após a esterilização. o ETO é muito eficiente.OH (enzima inativa) 26 . Óxido de Etileno Vantagens a) Bactericida. O aparelho esterilizador a ETO é formado de um conjunto de três unidades: Uma autoclave (câmara grande) tendo o gás ETO e vapor d’água.

A umidade e temperatura têm grande influência sobre sua ação antimicrobiana. como quartos de doentes contagiosos. Age lenta mas efetivamente. seus vapores são irritantes às mucosas. Em temperatura ambiente o formaldeído polimeriza-se. mas é extremamente tóxico. formando uma substância sólida. Ácidos e Álcalis: a variação acentuada de pH pode resultar em cessação do metabolismo e morte do microrganismo. algumas vezes em combinação com iodo. Usado na desinfecção de endoscópios e equipamentos de terapia respiratória. Outras substâncias de interesse na prática médica Álcoois: os mais usados são o álcool etílico e o isopropílico. é estável em altas concentrações e temperaturas elevadas. A ação dos álcalis depende do seu grau de 27 . O álcool etílico é muito usado na degermação da pele e desinfecção de superfícies. hidroxila. O formaldeído é utilizado na forma gasosa para esterilizar áreas fechadas. alterando a estrutura das proteínas e ácidos nucléicos. após a desocupação. introduzindo um radical (CH2). temperatura ideal de 22oC e umidade de 60 a 80%. A ação dos ácidos depende do seu grau de ionização: da concentração hidrogeniônica no caso dos ácidos minerais ou da natureza de suas moléculas no caso dos ácidos orgânicos. Tem a desvantagem do baixo poder de penetração. forma em que é comercializado. de estrutura simples (HCOH). carboxila e sulfidrila.Formaldeído O formaldeído. A sua ação é com os grupos amino. O álcool desestrutura os lipídios da membrana celular e desnatura as proteínas bacterianas. Formalina é a solução aquosa de formaldeído (37 a 40%). Glutaraldeído Age de modo semelhante ao formaldeído. mas é menos tóxico e dez vezes mais eficiente. Requer presença de água (álcool a 70%) para sua atividade máxima. incolor – paraformaldeído – que libera formaldeído pelo aquecimento.

muito utilizado na anti-sepsia da pele. O iodo é anti-séptico muito utilizado nas práticas médicas. Protargol. Por exemplo: mercúrio cromo. são pouco tóxicos e não corrosivos. Os iodóforos são complexos de iodo com detergentes ou outras moléculas carreadoras. Os mais usados são os detergentes de compostos quaternários de amônio. 28 .dissociação. É de efeito imediato. apresenta-se menos tóxico ao organismo humano que o próprio metal. não irritam a pele. etc. não tem odor irritante e não tingem os tecidos. A prata combinada com proteínas é antisséptico de mucosas do nariz e garganta: Argirol. Estes compostos têm amplo espectro bactericida e bacteriostático mesmo em altas diluições contra bactérias Gram positivas e Gram negativas. b) Detergentes catiônicos de carga elétrica positiva. O iodo reage especificamente com resíduos de tirosina das proteínas e inativa as enzimas que contém pontes de dissulfeto. da concentração de íons hidroxila e do íon metálico do álcali. É de alto poder desinfetante. cloro e compostos que liberam lentamente o cloro (cal clorada). também desnaturam as proteínas. O hidróxido de cálcio é um deles. vagões. como o cloreto de benzalcônio. Os iodóforos liberam iodo lentamente. Os produtos sintéticos são mais solúveis e mais baratos que os sabões convencionais. Os compostos quaternários de amônio são muito solúveis em água. Os detergentes agem sobre os lipídeos da membrana celular alterando sua função ou desintegrando-a. excretas. Metais Pesados: os mais usados são mercúrio e prata. Mertiolato. São: peróxido de hidrogênio. a) Detergentes aniônicos têm hidrocarboneto de cadeia longa de carga elétrica negativa. iodo. Detergentes: são agentes surfactantes ativos e podem ser aniônicos ou catiônicos. É encontrado em duas formas: Tintura de Iodo e iodóforos. Oxidantes: inativam as células oxidando os grupos sulfidrila livres. Ambos possuem boa atividade antimicrobiana. por exemplo: os sabões e produtos sintéticos semelhantes aos sabões. O mercúrio quando combinado a outras substâncias. Estes metais agem inativando as enzimas bacterianas através do grupo sulfidrila. usado em quartos de doentes.

c. Identificar nas preparações microscópicas focalizadas a forma da célula e o grupamento. 29 .2: CAPÍTULO 2: TIPOS MORFOLÓGICOS DE BACTÉRIAS E GRUPAMENTOS BACTERIANOS Objetivos a. elípticas. Observar estruturas bacterianas no interior das células (esporos. Exemplo: Staphylococcus aureus. Observar e comparar a morfologia das diversas bactérias em lâminas focalizadas. b) Alongada. COCOS Forma arredondada (perfeitamente esféricas. Coco-oval (alongado) Exemplo: Streptococcus pyogenes. as suas células podem agruparse em três tipos morfológicos fundamentais: a) Arredondada. Tipos Morfológicos Embora existam milhares de espécies bacterianas. granulações). Verificar se nos grupamentos há ou não arranjos sempre com o mesmo número de células. d. c) Ondulada. b. em chama de vela e riniformes. * VER PRANCHAS DE MORFOLOGIA NAS AULAS PRÁTICAS Esférico: Completamente arredondado.

Exemplo: Leptotrix buccalis. prefere-se o termo BACILO. Lactobacillus sp. Exemplo: Salmonella. Exemplo: Bacillus. Proteus. Fonte: Fernando Bortolozzi Gonococo e Meningococo: Forma riniforme (em forma de feijão ou rim) Exemplos: Neisseria gonorrhoeae (G) Neisseria meningitidis (M). espessura e forma das extremidades).Pneumococo (em forma de gota. VARIAÇÕES BACILARES: Finos e curtos: têm extremidades arredondadas. como será visto nas aulas de Patologia Médica Molecular – BP334). Curtos. No entanto. chama de vela) Exemplo: Streptococcus pneumoniae. Portanto para bactérias alongadas. BACILOS Forma alongada ou cilíndrica. Pseudomonas. Finas longas e extremidades agudas. Parece um fio de cabelo. Mycobacterium. Bastonetes. a denominação “bastonete” é de uso mais aconselhável para os neutrófilos imaturos que saem da medula óssea mielóide e vão para a corrente sanguínea suprir necessidades fisiológicas durante uma infecção (desvio à esquerda. (variações: quanto ao comprimento. 30 . Obs: Os bacilos eram também denominados bastonetes até alguns anos atrás. espessos e extremidades rombadas. Shigella. Finos e longos (forma filamentosa).

sempre o comprimento predomina sobre a espessura no mínimo uma vez e meia. ao contrário dos cocos. Curta e arredondada (cocobacilo). Haemophilus sp. Compreende: a) Espirilos b) Espiroquetas c) Vibriões a) Espirilo: possui corpo rígido. nos quais essas dimensões permanecem quase iguais. * VER PRANCHAS DE MORFOLOGIA NAS AULAS PRÁTICAS Nos bacilos.Exemplo: Fusobacterium nucleatum. Exemplo: Treponema pallidum 31 . FORMAS ONDULADAS Forma ondulada. Exemplo: Spirillum b) Espiroqueta: corpo flexível e móvel com o auxílio de filamentos axiais presentes sob a camada externa. espiralada ou helicoidal. movendo-se à custa de flagelos. Exemplo: Brucella.

abertas e irregulares. Exemplo: Borrelia. apenas um seguimento de espiral. número e amplitude de espiras. Algumas possuem pequeno número de espiras. 2005 Outros: Entre espirilos e espiroquetas aparecem diferenças notáveis de comprimento. Outras têm espiras numerosas. espessura.c) Vibrião: em forma de vírgula. regulares e apertadas à semelhança de dentes de serra. Exemplo: Vibrio cholerae Imagens: Tortora. Treponema pallidum Leptospira interrogans 32 .

Streptococcus pneumoniae (PNEUMOCOCO) Streptococcus pyogenes Estafilococos (irregular ou cacho de uva) Staphylococcus aureus Tétrades (cocos de 4 em 4 elementos. chamadas de grupamentos. é importante o conhecimento das diferentes disposições que as bactérias apresentam.GRUPAMENTOS BACTERIANOS Ao lado da forma da célula. formando cubos simetricamente) Sarcina (não visível no plano do MO) Quanto às células alongadas. os grupamentos não apresentam tanta importância: 1. Podem ocorrer os seguintes arranjos: Imagens: Fernando Bortolozzi e Tortora. Estas multiplicação. pelos quais pode-se diferenciar gêneros bacterianos. Neisseria gonorrhoeae Neisseria meningitis (GONOCOCO e MENINGOCOCO) 2. Estreptobacilos (em cadeia): (Geralmente esporulam) Imagens: Tortora. 2005 h associações são explicadas por peculiaridades dos processos de NOMENCLATURA DO GRUPAMENTO Diplococos (dois a dois) 1 2 Estreptococos (cadeias) FORMATO EXEMPLOS 1. 2005 33 . simetricamente) Micrococcus Sarcina (8 elementos. Diplobacilos (dois a dois): 2.

Independe das condições do meio. espirilos etc. Formas de Involução e Pleomórficas Pleomórficas: são bactérias sem parede e justamente por isso não têm forma definida ORIGINALMENTE (não se enquadram em cocos. toxinas. As formas onduladas apresentam-se individuais. Exemplos: Haemophilus. aberrantes ou intumescidas. bacilos. bacilos. composição do meio. Um dia foram cocos. observar a morfologia celular e o grupamento predominante. As células deste tipo mostram aspectos de intumescimento.3. O2. Observação: em uma preparação microscópica. como por exemplo. produtos tóxicos vindos do próprio metabolismo bacteriano. uma vez que nunca tiveram forma definida). Um outro movimento pós-divisional é em dobra. Alguns bacilos podem agrupar-se em paliçada. aberrantes e em degeneração. Quando em meio inadequado (pH. etc. quando o movimento pósdivisional é de deslizamento: Mycobacterium tuberculosis (PALIÇADA) 4. 34 . Chlamydia e o bacilo diftérico. não formando grupamentos. Involutivas: Bactérias em degeneração. etc.). Mycobacterium leprae (GLOBIA) Imagens: Fernando Bortolozzi 5. esses microrganismos perdem sua forma original. Globias: bacililos agrupados em formas concêntricas que se assemelham a um globo. a Yersinia pestis. onde as células formam ângulo à semelhança de letras e o conjunto lembra letras chinesas: Corynebacterium diphteriae 6. Proteus.. Mycoplasma.

pH. as bactérias apresentam uma notável constância de caracteres. a colônia representa a descendência de uma única célula. Em condições ideais. Características das Colônias Tamanho: puntiformes (menores que 0.. branca. facilitando a caracterização e a identificação das bactérias. temperatura.5mm) até alguns centímetros de diâmetro. castanha. etc. consistência. com pigmento difusível ou não. Introdução Fornecendo as mesmas condições de cultivo relacionadas à composição do meio de cultura. Definição Colônia é o crescimento dos microrganismos em meio sólido. superfície. amarela citrina. Avaliar a importância destes dados na sistemática bacteriana. Pode-se considerar as seguintes características coloniais pela variação de: tamanho. atmosfera. amarela clara. etc. tipos de bordas. elevação. cor. cromogênese (pigmento solúvel ou não). alaranjada. vermelha. • Forma: Circular Irregular Rizóide ou arborescente • 35 . Identificar as principais características culturais de bactérias. 2. brilho. rosada. transparência. forma.3: CAPÍTULO 3: MORFOLOGIA COLONIAL Objetivos 1. • Cor: amarela ouro.

seca • Transparência: Opaca. raiada Papiliforme • Com círculos concêntricos • Consistência: Cremosa. pregueada. transparente • Brilho: Fosca. rugosa.• Bordas: Lisa Denteadas Lobadas Elevação: Convexa alta Onduladas • Convexa baixa Acuminada Espraiada Centro-saliente Umbilicada Centro-deprimida Superfície: Lisa. translúcida. granulosa. brilhante 36 . viscosa.

pelo ar. 2. Fechar e incubar a 36oC durante 48h. Contagem Meio de cultivo: ágar simples (ASI) distribuído em placas de Petri de 10 cm de diâmetro. 3. placas. aeróbias e mesófilas. Contar as colônias desenvolvidas. etc. Calcular a quantidade de bactérias por m2 de acordo com os seguintes dados: 37 . 4. soros aglutinantes. cirurgias.. 3) Estudar as diferentes características coloniais. para justificar a necessidade de assepsia nos trabalhos bacteriológicos. material patológico. as placas abertas em diversos locais da sala de aula por 30 minutos (por exemplo).4: CAPÍTULO 4: VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE BACTÉRIAS NO AR E SUA CONTAGEM ATRAVÉS DE CULTIVO Observação A partir deste capítulo as aulas práticas serão participativas ou demonstrativas dependendo da disponibilidade de material para sua execução (meios de cultura. Expor à contaminação. 2) Prevenção de contaminação em salas de curativos.) Objetivos 1) Avaliar o ambiente quanto a presença e número de bactérias viáveis não exigentes. etc. Técnica 1. pipetas.

007854 m2.a.546 UFC/m2/h UFC = Unidades Formadoras de Colônia 1 m2 38 . Tempo de exposição: 30 minutos.273 → 0. b.273 UFC/m2 em uma hora: 1. Exemplo: 10 UFC → 0.5 hora x→ 1 hora x = 2. Área da placa de 10 cm de diâmetro = 0.007854 m2 x→ x = 1.

etc. A coloração composta é usada para evidenciar estruturas celulares e as propriedades tintoriais. Preparações a Fresco Campo Claro .. propriedades tintoriais. Servem para observar a mobilidade e/ou presença de bactérias. 2. Coloração Simples – um corante. 39 . • Campo Escuro . Introdução Existem muitos tipos de preparações microscópicas. Coloração Composta ou Diferencial – dois ou mais corantes • • • • A coloração negativa e a coloração simples são usadas para observar a presença de bactérias e sua morfologia. estruturas celulares.Entre lâmina e lamínula. .. Mortas: em preparações coradas. visando a observação dos microrganismos.Gota pendente.Entre lâmina e lamínula. Vivas: pelos exames a fresco. Preparações Coradas Coloração Negativa – usando contraste. A bacterioscopia pode ser feita com o objetivo de observar bactérias: 1. iniciar a identificação das bactérias.5: CAPÍTULO 5: PREPARAÇÕES MICROSCÓPICAS Objetivos Familiarizar o aluno com as técnicas de preparações microscópicas. variando com a necessidade de obter dados como: mobilidade.. Pelas características vistas.

Na falta de Vaspar pode-se utilizar vaselina sólida ou lanolina. algumas vezes torna-se difícil observá-las. exsudatos. azul de Nilo. Observar ao microscópio com quantidade reduzida de luz e objetiva de pequeno aumento (10x) para uma visão Técnica de preparação entre lâmina e lamínula panorâmica. 2) Cobrir com lamínula. Untar as bordas da concavidade com Vaspar. A lamínula colocada ficará aderida ao Vaspar. 3. Inverter a lâmina escavada sobre a lamínula e pressioná-la levemente para aderir ao Vaspar. 2. meios de cultivo líquidos. Nesses casos recorre-se aos corantes vitais. Os mais usados são: azul de metileno. Em seguida passar para 40x aumentando convenientemente a intensidade da luz. Sobre uma lamínula colocar uma pequena quantidade do Técnica de preparação em gota pendente líquido a ser examinado. Observação: para evitar a dessecação do material. podem ser examinados tais como se apresentam ou centrifugados e examinando-se o sedimento.Preparações a Fresco Nas preparações a fresco os materiais líquidos como urina. 4. pode-se cercar as gotas com Vaspar (mistura de vaselina e parafina). mas como as suas células têm um índice de refração próximo ao da água. 40 . vermelho neutro. atóxicos (para não prejudicar a mobilidade). Quando se tem material espesso (patológico ou de cultivo). com pouca luminosidade. deve-se diluí-lo em soro fisiológico estéril. LCR. em solução aquosa a 1%. Voltar rapidamente a lâmina à sua posição normal. entre outros. fechando a preparação. Usa-se para esta técnica a lâmina escavada de Koch (lâmina com ± 3 mm de espessura com concavidade central). Pode-se examinar as bactérias ao natural. 1. 1) Sobre uma lâmina colocar uma ou duas gotas do líquido a examinar.

VISTA DE CIMA Lâmina Vaspar

CORTE TRANSVERSAL (APÓS A MONTAGEM) Lâmina Lamínula Vaspar

escavação (concavidade)

Gota Pendente

Preparação a fresco em campo escuro Serve para a mesma finalidade que as técnicas precedentes, mas especialmente usada para observar bactérias muito delgadas, que são invisíveis em campo claro. Utilizada para observar a presença de espiroquetas em materiais como serosidade de cancro sifilítico (Treponema pallidum) ou urina suspeita de conter Leptospira (urina recém emitida e centrifugada, utilizar o sedimento). O campo escuro ao microscópio é obtido usando-se um condensador especial (como o cardióide) que impede a penetração de raios diretos de luz sobre o material examinado. As bactérias são iluminadas lateralmente, contrastando com o fundo escuro. A técnica de montagem da preparação é a mesma que entre lâmina e lamínula.

Preparações Microscópicas Coradas São as mais usadas em bacteriologia, onde as bactérias estão mortas e artificialmente coradas. Este tipo de preparação, que compreende a coloração de Gram, é muito importante na identificação presuntiva de microrganismos. A morfologia da célula, sua disposição e propriedades tintoriais são freqüentemente suficientes para definir o gênero. Etapas das preparações coradas: 1) Esfregaço 2) Fixação (a quente ou a frio) 3) Coloração

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1. Esfregaço: consiste em depositar o material a examinar no centro de uma lâmina e espalhá-lo numa espessura apropriada. Deixar secar espontaneamente ou numa estufa a 37oC. Se o material a examinar pela bacterioscopia for muito espesso (patológico ou cultivo), deve ser diluído em salina ou água estéril. Se for material líquido e pobre em microrganismos, deve ser centrifugado (urina, por exemplo); derrama-se o sobrenadante e examina-se o sedimento. 2. Fixação: tem por objetivo fixar o material à lâmina para que não se desprenda durante os procedimentos ulteriores. A fixação pode ser feita a quente ou a frio. Em ambos os casos há coagulação de célula bacteriana que a faz aderir à lâmina. A Quente • Pode ser feita “serrando” com a lâmina a chama da lâmpada ou bico de Bunsen, duas a três vezes, com a face que contém o material voltada para cima, para não ter contato direto com a chama. • Derrama-se álcool sobre a preparação e inflama-se. Observação: a exposição excessiva ao calor deforma a morfologia da bactéria e com aquecimento insuficiente haverá desprendimento do material. A Frio • Para não alterar muito a morfologia bacteriana ou quando há interesse de observar o aspecto citológico do material, como exsudatos, sangue, líquor, etc., usa-se fixação a frio, cobrindo o esfregaço com substâncias químicas: - Mistura de álcool e acetona. - Formol. - Solução de cloreto de mercúrio, etc.

3. Coloração propriamente dita: seguir as instruções do método de coloração a ser usado. Nos casos em que se queira observar apenas a presença de bactérias ou conhecer a sua morfologia ou grupamento, recorre-se à COLORAÇÃO SIMPLES, onde se usa um corante qualquer: azul de metileno, fucsina, violeta de genciana, etc.

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Coloração Simples Técnica 1. Cobrir o esfregaço com o corante e deixar agir um minuto; 2. Lavar com água; 3. Secar. Examinar no MO com a objetiva de 100x em imersão.

Coloração Composta ou Diferencial Nestas colorações participam fundamentalmente 4 componentes, cuja natureza química varia com o método escolhido. 1. Corante principal: é o primeiro a ser empregado determinando a característica tintorial (como por exemplo violeta de genciana na coloração Gram). 2. Mordente: é a substância que reforça a ação do corante principal (iodo no Gram). 3. Diferenciador: é o elemento que descora seletivamente as bactérias (álcool no Gram). 4. Corante secundário ou de fundo: é o que cora os elementos descorados pelo diferenciador (fucsina no Gram). O corante de fundo tem que ter cor contrastante com o corante principal. A coloração diferencial universalmente aceita, e usada em todos os laboratórios de bacteriologia, é a coloração de Gram, que separa as bactérias em dois grandes grupos: 1) Gram positivas. 2) Gram negativa.

A propriedade tintorial revelada pelo Gram está relacionada à composição química da parede celular bacteriana.

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COLORAÇÃO DE GRAM
Técnica 1. Cobrir o esfregaço com Violeta de Genciana e deixar agir durante 1 minuto. 2. Derramar o corante e cobrir com lugol, 1 minuto. 3. Lavar com água. 4. Descorar pelo álcool (tempo crítico) aproximadamente 15 segundos. 5. Lavar com água. 6. Cobrir com fucsina de Ziehl diluída 1:10, durante 30 segundos. 7. Lavar com água. 8. Secar. Observação: existem diversas modificações do método de Gram. Alguns laboratórios substituem a Violeta de Genciana (penta e hexametil pararosanilina) por Cristal Violeta (hexametilpararosanilina) que tem poder corante superior. As bactérias submetidas ao método de Gram comportam-se da seguinte maneira:
(Fonte: Tortora, 2005)

Etapa Até a 3a etapa Após a 5a etapa Após a 7a etapa

Gram Violeta Violeta Violeta

Gram Violeta Incolor Vermelha

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Uma vez que o TNF e a IL-1 estão elevados. cefalosporinas. Quando os macrófagos fagocitam os produtos bacterianos. Além disso. não consegue refazê-la. etc). É um importante local de produção de enzimas. em local e condições adequadas. Detalhes serão vistos na disciplina de Patologia Médica Molecular (BP334). estimulam leucócitos. que controla a temperatura corporal via AMPc. 2005 *** LPS: são pirogênios exógenos (geram calor) – No organismo humano. Ou seja. Essas bactérias que produzem β- 45 . como acontece na gripe por exemplo. carbapenêmicos. Esses antibióticos são assim chamados porque em sua composição têm um anel beta-lactâmico. ativando proteínas do choque térmico. Mais polissacarídeos e presença de lipídeo A formando os lipopolissacarídeos (LPS***) GRAM + Microscopia: Roxo Possui filamentos de teicoato. pois ela influencia na terapêutica antibiótica. a elevação da temperatura do corpo está relacionada a melhorar a resposta imune do indivíduo em resposta a bactérias patogênicas. os antibióticos mais utilizados no tratamento de infecções (leia-se penicilinas. sem lipoteicoato ± 1-2 camadas de peptídeoglicano (5-10%) (+ FINAS) Mais lipídeo (20%) e muitos aa Possui uma 2ª membrana ancorada às camadas de peptideoglicano (chamada membrana externa) externa à parede celular Formam ESFEROPLASTOS: quando a bactéria perde a parece celular. Por fim o hipotálamo aumenta a temperatura corporal. Uma enzima muito importante.GRAM – Microscopia: Rosa Possui uma parede celular mais diversificada. ligados à muranato 15 a 20 camadas de peptideoglicano (90%) (+ ESPESSAS) Tem pouco lipídeo (2%) e poucos aa Tem adjacente à membrana plasmática uma parede celular Formam PROTOPLASTOS: é a membrana de uma bactéria gram +. podem ser um dos produtores de febre. Porém sobrevive só com o protoplasto. a Il-1 e o TNF estimulam a produção de PGE-2 (prostaglandina E2) no hipotálamo. essa PC pode ser refazer. entre elas a β-LACTAMASE. diga-se de passagem. Tais proteínas proteínas aumentam a atividade os linfocitária. o sono aumenta e o apetite diminui. via rolamento. Se perdê-la. * Espaço periplásmico: é o espaço entre as camadas de peptideoglicano. para o tecido conjuntivo em combate às bactérias patogênicas. Quando restam partes da PC. Menos polissacarídeos CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Fonte: Robbins. Esses mediadores estimulam a ativação das integrinas dos neutrófilos no endotélio para que eles migrem. β-lactâmicos são uma classe de antibióticos. Esses leucócitos estimulados liberam os pirogênios endógenos Interleucina 1 (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF).

as PBP (Penicillium Binding Protein). etc. Exemplos de bactérias Gram positivas e Gram negativas mais comuns: Cocos Gram positivos Staphylococcus. Ou seja. teremos informações referentes à natureza química da parede celular e do seu comportamento frente aos agentes antimicrobianos (antibióticos. Haemophilus influenzae. Sulbactam. deixando a parede celular frouxa. De tal modo que. Até porque clinicamente não se sabe se trata-se de uma infecção por estafilococos. muitas vezes. Streptococcus. Clostridium. Ex: Clavulanato. deve ser prescrever um antibiótico JUNTO COM UM INIBIDOR DAS BETA LACTAMASES. são transpeptidases e carboxipeptidases. O mecanismo é simples. Haemophilus. Há vários esquemas de posologia que serão vistos nas disciplinas clínicas. Listeria Enterobacteriaceae (Salmonella.lactamases. É UM IMPORTANTE MECANISMO DE RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS! As principais bactérias que a produzem são os estafilococos (Staphylococcus aureus principalmente). No entanto. dará cabo das bactérias. além disso. etc. por exemplo: esta bactéria não produz β-lactamases. O clavulanato inibe as beta-lactamases e a amoxicilina. mas algumas bactérias da microbiota residente as produzem. ao verificarmos a Gram positividade ou Gram negatividade. Estreptococos geralmente não são capazes de produzir β-lactamases. Moraxella. Proteus. esses antimicrobianos fazem a inativação dos inibidores das enzimas autolíticas na PC. Corynebacterium. Existem enzimas responsáveis pela síntese de peptideoglicano. Micrococcus. Essas enzimas degradam o fármaco que iria matar a bactéria causadora da infecção e o medicamento acaba falhando. Por isso. em uma infecção tipo tonsilite por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield produtor de estreptolisina). Bordetella. etc. proteínas fixadoras de penicilina. a própria bactéria causadora da infecção pode ser produtora dessas enzimas. corantes. 46 . Escherichia coli. Enterococcus.). Shigella. mesmo para infecções estreptocóccicas. Antibiótico de primeira escolha para infecções de vias aéreas superiores. muitas vezes. Medicamentos com inibidores de β-lactamases: Amoxicilina + Clavulanato de Potássio (Clavulin®). estreptococos. deixando o mecanismo de ação antimicrobiano inativo. Eles inibem as β-lactamases e deixam o antibiótico agir (penicilina). etc). Moraxella. Mas. Alcaligenes O comportamento tintorial frente ao Gram está relacionado intimamente a outras propriedades das bactérias. uma vez que não será destruída pela ação dessas enzimas. Amoxicilina + Sulbactam (Trifamox IBL®) Mecanismo de ação dos B-lactâmicos: Inibição da síntese de peptideoglicano. são capazes de destruir esse anel dos antibióticos por hidrólise. Além disso. Veillonella Bacillus. Sarcina Cocos Gram negativos Bacilos Gram positivos Bacilos Gram negativos Neisseria (gonorrhoeae e meningitidis). esses antibióticos inibem essas enzimas (que geralmente se localizam na superfície externa da MP). Lactobacillus. Pseudomonas. Brucella. Prescreve-se um antibiótico β-lactâmico com um inibidor de β-lactamases que faz inibição enzimática e deixa essas penicilinases sem atividade catalítica. Moraxella e a maioria dos BGNs intestinais como a Escherichia coli.

No descoramento são usados o álcool e soluções de ácidos minerais. dificilmente tomam as cores da anilina. que se opõe à penetração do corante. a ponto de resistir à ação de descorantes como o álcool e ácidos minerais fortes e diluídos. Diferenciador Álcool etílico 95o Ácido clorídrico Corante de fundo Solução de azul de metileno. tais como o ácido nítrico. sobretudo na parede celular. 99 mL 1 mL • • 47 . O fenômeno de ácido-álcool resistência é atribuído à presença de um alto teor de lipídeos. mas uma vez coradas por técnicas apropriadas fixam fortemente o corante. Para vencer a resistência à coloração. sulfúrico ou clorídrico. aumenta-se a concentração do ácido fênico (mordente) da solução corante.3 g 10 mL 5 mL 95 mL Fenol fundido Água destilada Observação: em outras colorações usa-se o fenol aproximadamente em quantidade 5 vezes maior. prolonga-se a exposição ao corante (5 a 10 minutos) e aplica-se o calor (aquecimento) durante o tempo de coloração. que assim se comportam e por isso são chamadas Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR). Composição dos Reativos Usados no Ziehl-Neelsen Fucsina fenicada Fucsina básica Álcool 95 o • 0. como o bacilo da tuberculose e da hanseníase.COLORAÇÃO DE ZIEHL-NEELSEN: A Evidenciação de Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAARs) Certas bactérias. Daí o uso corrente do método de Ziehl-Neelsen ou de suas numerosas modificações para identificação das bactérias.

Método de Giemsa. até não sair mais o corante. 1 minuto. células epiteliais. Lavar com água. para observá-los. helicoidais. Exame a fresco em campo escuro. devido à natureza lipídica das estruturas mais superficiais: são microrganismos delicados que perdem a morfologia se forem fixados pelo calor numa preparação microscópica. filamentos de muco.). etc.2 µm de espessura). cor do azul de metileno (no caso do escarro: cocos. as técnicas mais comuns são as seguintes: 1. 7. 5. 2. Quando cessar a emissão de vapores. Lavar. de corpo flexuoso e deformável durante o movimento. aquecer a lâmina novamente. Não ferver nem deixar secar. Morosov. 48 . 3. secar. COLORAÇÕES DE ESPIROQUETAS Os espiroquetas são microrganismos muito delgados (a maioria tem cerca de 0. Coloração negativa com tinta-da-China (método de Burri). outros bacilos. Métodos de impregnação pela prata: Fontana-Tribondeau. etc.Técnica 1. Corar com azul de metileno. Cobrir com fucsina de Ziehl e aquecer até o desprendimento de vapores. a partir deste momento. Por estas razões. Fixar o esfregaço pelo calor. 4. contar 5 minutos. leucócitos. e os outros elementos coram-se em azul. Lavar com água. cor da fucsina. 3. 4. Os bacilos álcool-ácido resistentes aparecem em cor vermelha. A maior parte cora-se com dificuldade. Descorar com álcool ácido. 6. 2.

à maneira de esfregaços de sangue. hialinas. Deixar secar. Usando outra lâmina (não esborcinada). Composição dos reativos no método de Fontana: Fixador (Líquido de Ruge) Ácido acético – 1 mL Formalina – 2 mL Água destilada – 100 mL Mordente Tanino – 5g Água fenicada a 1% – 100 mL Solução impregnadora Nitrato de prata amoniacal 49 . etc. corantes. reunir os dois materiais e inclinando-a num ângulo de ± 40o. Fontana-Tribondeau (Impregnação pela Prata) Método tradicional para a identificação de espiroquetas como o Treponema palidum. diferenciadores. que possam desidratá-la ou deformá-la. 4. Uma das maneiras de preparar a lâmina para coloração negativa segue esta técnica: 1. bacilo diftérico. É um método que deforma em menor grau a célula bacteriana.Coloração Negativa (Método de Burri) São preparações com tinta-da-China (Nanquim) ou Nigrosina. isto é. 2. Usada para evidenciar: espiroquetas. contrastando com o fundo escuro formado pela tinta-da-China. incolores. 3.. Gotejar tinta-da-China. Os elementos (bactérias) aparecerão como se apresentam em natureza. Colocar o material a examinar sobre a lâmina. Examinar em imersão. uma vez que não usa fixação pelo calor. associação fuso-espiralar ou cápsulas bacterianas. estender sobre a primeira lâmina.

COLORAÇÃO DE GRANULAÇÕES METACROMÁTICAS As granulações metacromáticas são as que tratadas por certos corantes. Para evidenciá-las. método de Albert Laybourn. aquecendo a lâmina até a emissão de vapores. difteróide e lactobacilo.Processo 1. são encontradas em determinadas bactérias como: Spirillum volutans. tomam uma cor diferente da do corante. Lavar e secar ao ar. apresentam o fenômeno de metacromasia. 7. 3. 4. usam-se métodos de coloração especiais. Método de Albert Laybourn Reativos da Coloração de Laybourn Solução de Laybourn Azul de toluidina Verde malaquita Ácido acético glacial Álcool a 95% Água destilada Mordente Lugol forte 50 . os quais empregam corantes metacromáticos. Secar o esfregaço ao ar. Cobrir com solução de tanino fenicado. 6. isto é. As bactérias aparecem de cor marrom e o fundo da lâmina amarelo. São também chamadas de granulações de volutina ou de Babes-Ernst. Cobrir com líquido de Ruge e deixar agir por 1 minuto. Cobrir com solução de nitrato de prata e aquecer até a emissão de vapores durante ½ minuto. 2. durante 1 minuto. Exemplo: método de Neisser. bacilo diftérico. Lavar com água. 5. Lavar com água.

51 . Lavar com água. As bactérias aparecem coradas de verde-claro e as granulações ficam escuras (quase negras). Examinar em imersão. Fixar o esfregaço pelo calor. 5. Corar com solução de Laybourn por 3 a 5 minutos. Secar. é o azul de toluidina. Observação: o corante metacromático. 2. neste método. 3.Técnica 1. 4. Derramar o corante e cobrir com lugol por 1 minuto.

leite. Outros consistem em tecidos vivos (cultivo de tecidos) usados para Rickettsia e vírus. composição e finalidade. Alguns meios compõem-se apenas de soluções de sais inorgânicos. obtemos a variação da consistência de acordo com a necessidade. Aumentando ou diminuído a porcentagem do ágar. QUANTO À CONSISTÊNCIA Sólidos Semi-sólidos Xaroposos Líquidos A solidificação geralmente é feita acrescentando o ágar aos meios líquidos. consistência. O ágar é extraído de algas marinhas (gênero Gelidium é uma delas) de natureza química polissacarídica (D-galactose e L-galactose). Os meios de cultura podem ser divididos em diversos grupos de acordo com a procedência. É um solidificante ideal porque: 52 . QUANTO À PROCEDÊNCIA Naturais São usadas substâncias assim como elas se apresentam na natureza ou apenas com pequenas modificações. água peptonada. Artificiais São preparados no laboratório. Exemplos: caldo simples. outros se preparam com ingredientes complexos como extratos de tecidos ou órgãos de animais. pela mistura de diversas substâncias. como cocção. Exemplos: suco de tomate. Os meios de cultura microbiológicos consistem em uma mistura de substâncias nutrientes mais ou menos complexa. As exigências são decorrentes do maior ou menor poder de síntese da espécie.6: CAPÍTULO 6: MEIOS DE CULTURA O conjunto de substâncias nutritivas em que se cultivam os microrganismos em laboratório chama-se meio de cultura. batata. A composição varia ao infinito. dependendo das exigências nutritivas da espécie em estudo.

formando ácido silícico. Outras substâncias usadas para solidificar os meios de cultura são: a) Gelatina. etc. Usados no cultivo de bactérias exigentes. Uma vez na consistência de gel. Enriquecidos São meios adicionados de substâncias altamente nutritivas. líquido de ascite). vai solidificar apenas ao redor de 45oC. plasma sanguíneo. proteína da soja. com o que perde sua qualidade de gel. QUANTO À COMPOSIÇÃO Simples São destinados ao cultivo de germes pouco exigentes ou servem de base para outros meios. b) A sílica-gel é obtida pela ação de HCl sobre silicato de sódio. Exemplos: solução aquosa de sais minerais. Apresenta a desvantagem de ser hidrolisada por algumas bactérias. uma proteína rica em aminoácidos. uma vez liquefeito. Não é metabolizado pelas bactérias de interesse médico (apenas algumas espécies marinhas o digerem). Também porque à temperatura de 36oC (temperatura própria para o cultivo da maioria das bactérias de interesse médico) ela apresenta-se líquida. 2. fato que se aproveita para cultivar bactérias incorporadas ao meio de cultura a esta temperatura. Exemplos: ágar sangue e ágar soro. não possuir nenhum elemento nutritivo. Em seguida deixa-se solidificar (semeadura de Pour-Plate). gelose simples. 3.1. b) Sílica-gel. extratos de órgãos de mamíferos. caldo simples. Tem a vantagem de apresentar composição química definida. 53 . só se liquefaz à temperatura de 100oC (próprio até para o cultivo de termófilas = 65oC a 70oC). a) A gelatina é obtida a partir de osseína. água peptonada. ideal para solidificar os meios sintéticos. aminoácidos. como proteínas termocoaguláveis (sangue.

Os meios seletivos são sólidos. 54 . aminoácidos. facilitando o seu posterior isolamento em meio sólido. Sobre a composição. Exemplo: meio de Teague. consultar Diagnóstico Microbiológico (6a edição) 2001. possibilitando o desenvolvimento de outras. de modo que na cultura prevalecerá o germe que se deseja isolar. Seletivos-Diferenciais São os que simultaneamente selecionam e diferenciam as espécies. inibe o crescimento de algumas bactérias. Chapmann e SS.QUANTO À FINALIDADE Seletivos A adição de certas substâncias químicas. estejam em quantidade muito pequena ou quando a microbiota de acompanhamento seja muito rica. sem afetar os Gram negativos. inibe a proliferação de germes Gram positivos. Diferenciais São aqueles que permitem a diferenciação dos germes que neles crescem. MacConckey. ao meio de cultura. constituídos de solução de sais minerais ou orgânicos. pela mudança da cor das colônias ou do meio de cultura. De Enriquecimento São os meios líquidos ou xaroposos que favorecem a proliferação dos germes. São usados quando as bactérias que se deseja isolar. costuma-se adicionar substâncias impedientes ao meio. pela reação com produtos do metabolismo. Meios Sintéticos São meios de composição química bem definida. A penicilina e outros antibióticos são usados com a mesma finalidade. de Konemann e colaboradores. O cristal violeta na concentração de 1:20.000. hidratos de carbono e vitaminas. Neste último caso. preparo e ajuste de pH de meios de cultura.

deixar na horizontal. • As bocas de tubos. Introdução Em microbiologia nada pode ser feito antes de isolar a bactéria em cultura pura. 2. ou seja. cujas propriedades servirão para caracterização e posterior identificação.. Semear o material em estudo (patológico ou não) para obter o isolamento da bactéria em cultura pura. Para semeadura em meios líquidos. Objetivos 1. inclinar o tubo em um ângulo de aproximadamente 40o. são flambadas ligeiramente antes e após a transferência de material. As alças devem ser levadas ao rubro em posição vertical em relação à chama de gás ou lâmpada de álcool. etc. Treinar o aluno na manipulação dos meios de cultura. a cultura deve ser de uma única espécie. 55 . Para isso devem ser observados os seguintes cuidados: • Os tubos e placas estéreis ou com material em estudo somente devem ser abertos próximos a uma chama onde se forma uma área estéril (ou se usar câmara asséptica). • Nunca abrir os tubos ou frascos na posição vertical. evitar o aquecimento brusco para evitar os aerossóis). em condições de assepsia. Executar semeaduras em meios sólidos e líquidos. Só então é que se pode caracterizá-la. para evitar contaminações. pipetas. frascos. O cultivo de bactérias requer técnicas assépticas adequadas. 3.7: CAPÍTULO 7: ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS Técnicas assépticas de semeaduras para o isolamento e estudo das bactérias. O tubo com meio sólido. As alças ou agulhas devem ser flambadas imediatamente antes e após o uso (após o uso. • • Os procedimentos devem ser feitos de preferência por trás da chama.

dão crescimento Colônias isoladas confluente Quando se tem material muito rico em bactérias (verificar pela bacterioscopia). Em seguida aparece um grande número de colônias isoladas. Ocupar toda a superfície do meio de cultura. muito 56 . Não passar 2 vezes no mesmo local (salvo em semeaduras que Cuidados serão explicadas a seguir). faz-se estrias superficiais de lado a lado da placa. 2. Uma das maneiras corretas de semear Crescimento confluente Maneiras incorretas de semear Desperdício de meio de cultura sem conseguir culturas isoladas Estrias muito apertadas. 3. podese fazer estrias em quadrantes. flambando a alça na última estria do quadrante anteriormente semeado. As estrias não devem ser muito próximas nem muito distantes uma da outra (o objetivo é conseguir colônias isoladas). 1. Esgotamento Ponto de recarregamento Na semeadura por estrias haverá crescimento confluente na área de esgotamento e nas primeiras estrias. Com semeadura por esgotamento (para descarregar a alça).Isolamento em Placas O isolamento em placas é o mais usado para obter cultura pura de amostras que contenham população mista.

A investigação de somente um tipo dessas características raramente é suficiente para identificar a espécie. Logo após. atividades fisiológicas relacionadas com os diversos metabolismos de carboidratos. etc. Existem diversas maneiras de fazer estrias. Executar técnicas e interpretar resultados. portanto constituindo cultura pura. a ordem de crescimento se torna muito complexa. 57 . Familiarizar o aluno com a seqüência de etapas para conseguir caracterizar e identificar a bactéria para fins de diagnóstico.próximas umas das outras e de tamanho pequeno. O importante é que no final se consiga colônias isoladas. Identificação de Bactérias Objetivos 1. presumindo-se que são formadas por descendentes de uma única célula. Para a próxima etapa de identificação. mas também por interações entre colônias vizinhas. vai se preferir as colônias bem separadas. Só no final haverá espaçamento maior entre as colônias e estas terão o tamanho característico da espécie. conforme explicado anteriormente. devido à proximidade das células acumuladas. dependendo da preferência ou habilidade do laboratorista. O crescimento em colônias é afetado não só pelas interações celulares dentro de cada colônia. 3. (são as provas bioquímicas) e estrutura antigênica (reação antígenoanticorpo). entretanto. Inicialmente o crescimento é exponencial em relação ao tempo. É necessária a análise de todos os aspectos: morfologia celular. proteínas. Conhecer os princípios das provas bioquímicas diferenciais utilizadas na caracterização. Esta proximidade cria uma situação que pode ser chamada “aglomeração fisiológica” na qual as células competem entre si pelos nutrientes disponíveis e afetam-se mutuamente pelo acúmulo de produtos residuais. Observação: cultura pura é a condição indispensável para caracterização e identificação de bactérias. A identificação fundamenta-se na observação de um complexo conjunto de caracteres. 2. morfologia colonial.

nitratase e mobilidade. G. 2) Nitrogenados protéicos (indol). Provas de Fermentação Fermentação da Glucose Fermentação da Lactose Fermentação da Sacarose Fermentação do Manitol A aparência dos 4 tubos é igual. outras exigem dezenas delas. As provas bioquímicas baseiam-se no metabolismo de: 1) Carboidratos (fermentação de glucose. S e M. 3) Nitrogenados não protéicos (urease). acrescido do substrato a ser ensaiado. lactose. L. Com auxílio de indicadores observa-se se o substrato foi degradado.). Voges-Proskauer. sacarose e manitol. respectivamente. gás sulfídrico (H2S). gelatinase. Cada microrganismo possui um sistema enzimático específico. pela ação das enzimas bacterianas. citratase. Os sistemas de provas bioquímicas tornaram-se cada vez mais sofisticados na atualidade. prova do indol. Cada um destes substratos é misturado a meio nutritivo básico. etc. urease. Mesmo que a bactéria não utilize o substrato testado. vermelho de metila. A quantidade de provas depende da espécie a caracterizar. de que maneira ou se não o foi. levam a identificação das letras. lactose. Algumas so caracterizadas com menos de 10 provas. Para realizar as provas bioquímicas usam-se meios de cultura contendo meio nutritivo básico. ela crescerá a custa do meio básico. Entre outras. de acordo com a seguinte fórmula: 58 .8: CAPÍTULO 8: PROVAS BIOQUÍMICAS DIFERENCIAIS Através das provas bioquímicas verificam-se as transformações que ocorrem num substrato conhecido. As provas bioquímicas que vão ser executadas em sala de aula prática são: provas de fermentação da glicose.

2) Cor amarela = reação positiva. PROVA DO INDOL (Derivados Protéicos) Meio de cultivo: • Água peptonada de fórmula: Peptona (triptofano) 10g Água 1000 mL O triptofano quando metabolizado por desamimação pela enzima triptofanase. O OH FORMIASE H–C H2 + CO2 Os seguintes casos podem ser observados: 1) Cor vermelha (inicial) = reação negativa.ou 0 (zero). 3) Cor amarela com gás = reação positiva com gás. Reação positiva com gás = + ou AG (ácido e gás).Caldo simples 1000 mL Solução de carboidrato a 10% 100 mL Vermelho de fenol (indicador de pH) 2 mg Dentro do tubo com meio de cultura há um tubo pequeno. em casos que a bactéria elaborar a enzima formiase e que vai desdobrar o ácido fórmico (metanóico) em H2 e CO2. Uma das técnicas de verificar a presença do indol é extraí-lo da fase aquosa por meio de éter e evidenciá-lo por meio do reativo de Ehrlich. ácido pirúvico e NH3. A notação usada para reações: Reação negativa = . TRIPTOFANASE TRIPTOFANO INDOL + NH4+ + 59 . de boca para baixo (tubinho de Durham) que vai servir para captar os gases que se formam na decomposição do carboidrato. libera indol livre (benzil pirrol). Reação positiva = + ou A (ácido).

Técnica 1) Agitar a cultura com éter (na proporção de 3:1). Resultado Turbidez: prova positiva Limpidez: prova negativa 60 . que degrada o citrato. Resultado Cor vermelha imediata: prova + Cor amarela: prova POSITIVO NEGATIVO O princípio ativo do reativo de Ehrlich é: paradimetilaminobenzaldeido. pela composição. que a única fonte de C é o citrato. PROVA DA CITRATASE (Bactérias que usam Citrato como fonte de Carbono) O meio de cultura usado é o de Kirsh-Koser. cuja fórmula é: Fosfato de sódio amoniacal Fosfato monopotássico Sulfato de magnésio Citrato de sódio Água Nota-se. liberando o C. 3) Pelas paredes do tubo inclinado. Os outros componentes são sais inorgânicos. 2) Deixar em repouso para estratificar as camadas. Só vai proliferar a bactéria que produzir a enzima citratase. gotejar o reativo de Ehrlich até formar camada visível.

). Detecção do H2S pelos sais de metais pesados é na forma de sulfeto do metal pesado que é preto. 3. etc. um indicador de pH. chumbo. além da uréia. 2. resultando a alcalinização do meio observada pelo indicador de pH. O substrato sulfurado vai ser hidrolisado pela enzima dessulfidrilase. metionina ou tiossulfato) e um indicador de reação (sal de metal pesado: ferro. 61 . A urease é uma enzima que desdobra a uréia com liberação de amônia e dióxido de carbono. O gênero Klebsiella é urease tardia. O gênero Proteus hidrolisa rapidamente a uréia de 1 a 2h ou até 24h. PROVA DA UREASE O meio de cultura contém. azul de bromotimol. Prova positiva = meio de cultivo enegrecido. liberando S na forma de H2S. Acoplamento do S (S-2) com o íon H (H+) para formar H2S.PROVA DO GÁS SULFÍDRICO – H2S O meio de cultivo para esta prova contém composto sulfurado (cisteína. A uréia é uma diamida do ácido carbônico cuja fórmula é: Uréia A urease hidrolisa a uréia de acordo com a reação: A amônia reage em solução para formar carbonato de amônio. A seqüência de etapas que conduzem à produção e detecção do H2S é a seguinte: 1. Liberação do S a partir do composto sulfurado. Prova positiva = cor azul intensa. pode demorar de 3 a 4 dias para positivar.

4 (6 – amarelo. cujo substrato a testar é a glicose.4 – vermelho).5). ácido fórmico) provocando uma queda acentuada do pH do meio (<4.PROVA DE VM (VERMELHO DE METILA) E VP (VOGES-PROSKAUER) Ambas são realizadas no meio de Clark-Lubs. A acidez forte do primeiro caso é verificada pela prova de VM. coloração amarela = negativa. com produção de diferentes quantidades e tipos de ácido de acordo com a composição enzimática da bactéria. Enterobacter produz grande quantidade de acetoína e pequena quantidade de ácidos.5. 4. ficando em torno de 6 a 6. Glucose Succinato Ácido fórmico Acetil-CoA H2 + CO2 PIRUVATO Acetato Lactato acetil-metil-carbinol Muitas bactérias (incluindo todas as enterobactérias) produzem a fermentação ácida mista. Observação: o vermelho de metila é um indicador de pH com a zona de viragem entre 6 e 4. ácido láctico. A presença de acetil-metil-carbinol é detectada pela prova de VP. Técnica de VM No meio cultivado Clark-Lubs colocar 5 gotas do vermelho de metila. Por estas provas evidenciamos duas maneiras de decomposição da glicose: 1) A partir do ácido pirúvico há formação de ácidos orgânicos fortes (ácido acético. A acetoína é neutra e os ácidos formados não baixam muito o pH. 62 . Exemplo: Escherichia coli produz grandes quantidades de ácidos. Interpretação: coloração vermelha = positiva. 2) Ácido pirúvico é decomposto em acetil-metil-carbinol ou acetoína e pequena quantidade de ácidos orgânicos fortes.

Agitar para expor o meio de cultura ao contato com o O2 do ar. Meio solidificado = prova negativa. 63 . Após o cultivo. Para saber se a gelatina foi hidrolisada. Resultado: Coloração vermelha = prova positiva. e) Solução aquosa de KOH a 40%. Colocar 6 gotas de alfa-naftol e 4 gotas de KOH. coloca-se o tubo na geladeira por alguns minutos. ao tirar da estufa a 37oC o meio de cultivo apresenta-se líquido. PROVA DA GELATINASE O meio de cultura usado é acrescido de gelatina. dando resultado em 10 minutos. PROVA DA NITRATASE OU REDUÇÃO DO NITRATO (NO3-) O termo redução de nitratos inclui todos os processos pelos quais o nitrato desaparece do meio de cultura. É acelerada pelo catalisador alfa-naftol que se acrescenta à reação. A reação se processa assim: acetoína + O2 + KOH + alfa-naftol diacetila + O2 + KOH complexo colorido vermelho A reação é lenta. Se permanecer líquido é sinal de degradação da gelatina.Técnica de VP Ao Clark-Lubs juntar o reativo de Barrit: d) Alfa-naftol a 5% em álcool absoluto. Algumas bactérias decompõem a gelatina. que perde a qualidade de gel. Se o meio solidificou é porque a gelatina está intacta. de algumas horas. Observação: o alfa-naftol é catalisador. Resultado: Meio liquefeito = prova positiva. pela ação das enzimas bacterianas. aparecendo o nitrogênio sob forma menos oxidada.

2) Colocar 5 gotas da solução B. NO3 ⇒ NO2 ⇒ NO ⇒ NH3 ⇒ N Reativos usados: reativo de Griess-Ilosva A e B. a redução progride até a formação de amônia e nitrogênio molecular. no entanto. f) A – solução de ácido sulfanílico. Os nitratos são aceptores de H.+ 2H ⇒ NO2 + H2O Às vezes. Resultados 1) Cor vermelha = prova positiva. O pó de Zn reduz rapidamente o NO3 a NO2.Na maioria das espécies essa redução não prossegue além do estágio de nitritos: NO3 + 2e. Observação: não agitar. g) B – solução de alfa-naftil-amina. A cor vermelha é produzida pelo diazônio vermelho: p-sulfobenzeno-azo-alfa-naftilamina. a cor é fugaz. Agitar. Observação: o reativo de Griess-Ilosva só produz coloração vermelha em presença de nitritos. RESUMO 1a etapa Cor vermelha Incolor Prova positiva Prova positiva ou negativa 64 . Se após o Zn aparecer coloração vermelha. Técnica 1) Colocar no meio cultivado 5 gotas da solução A. Neste caso faz-se a contra prova que consiste em colocar uma pitada de Zn metálico em pó. 2) Cor inalterada = prova positiva ou negativa. a prova da nitratase é negativa.

Semeadura: picada superficial (cerca de 1mm). além de preparações a fresco. simplificada. pode ser observada através de cultivo. Meio de cultura: gelose semi-sólida distribuída em tubo (coluna alta).2a etapa (após o Zn) Cor vermelha Incolor Prova negativa Prova positiva PROVA DA MOBILIDADE A mobilidade bacteriana. Esquema da Prova da Mobilidade (Vista Lateral) Prova positiva Prova negativa Na página 66. As imóveis terão crescimento confinado ao ponto de inoculação. Resultado: as bactérias móveis dão crescimento difuso para dentro do meio de cultura. com algumas provas bioquímicas e respectivos resultados para bacilos Gram negativos. consta uma tabela parcial. 65 .

66 .

descritas acima. uréia. Estas devem somar-se às características das colônias. glucose. algumas vezes. 2. quanto ao tamanho.Estas são algumas das provas feitas com o substrato colocado separadamente em tubos de cultivo individuais. alguns microbiologistas empregam um número mínimo de provas na identificação de certas bactérias que apresentam aspectos coloniais e bacterioscópicos altamente característicos. uma identificação correta não depende. Existem. 67 . Também serão levados em consideração os seus custos e a complexidade dos testes. a identificação tornase fácil e precisa.. 4. Entre as desvantagens podem-se citar os custos elevados quando forem necessárias dez ou mais provas diferenciais. H2S. Com o registro dos resultados e programas de computação. formato. H2S. Além disso. como por exemplo. como a Escherichia coli. 3) Baracchini = glucose. até um ano. meios que são compostos por diversos substratos num único tubo: 1) Ágar – ferro Kligler (KIA) = glicose. no entanto. etc. 3. Além das provas bioquímicas. na identificação da Salmonella. Observação: existem disponíveis no comércio os chamados Sistemas Compactos de identificação de bactérias. morfologia da célula bacteriana e grupamento e às reações sorológicas. para a identificação final confiável. Por exemplo: alguns bacilos Gram negativos fermentadores de lactose podem ser identificados com poucas provas bioquímicas. lactose. lactose e H2S. motilidade. sacarose. sacarose. Ademais. uréia e H2S. lactose. já no isolamento primário. textura. reação hemolítica. lisina. Detalhes de composição e interpretação dos resultados do meio Baracchini serão dados no diagnóstico das infecções intestinais. apenas das provas bioquímicas diferenciais (como nos Sistemas Compactos). Características de crescimento facilmente observáveis. Longo prazo de validez dos meios de cultura. 2) Ágar – tríplice açúcar (TSI) = glucose. existem inúmeras outras e a escolha vai depender do microrganismo a identificar e da disponibilidade de meios de cultura no laboratório. 4) Rugai modificado (IAL) = indol. à propriedade tintorial pelo Gram. Precisam de pouco espaço para armazenamento e incubação. As vantagens destes sistemas são: 1. sacarose. cor. o que não ocorre com os meios convencionais. fenilalanina.

e não fazendo apologia das técnicas convencionais. ao observar a ação inibidora de um fungo contaminante sobre os estafilococos em isolamento numa singela placa de Petri. descobriu a penicilina que revolucionou a medicina. Conhecerão apenas os biotipos das bactérias. Não a teria descoberto. por exemplo. o biotipo da bactéria isolada e o antibiograma. Longe de desaprovar os progressos da tecnologia moderna.Aparelhos automatizados. são feitos. talvez. as características de seus componentes celulares. se estivesse usando os métodos sofisticados e apenas apertando os botões de um computador. em média. Os laboratórios de grande porte onde. 150 culturas de urina por dia. As suas mutações. variando com as condições que se lhe oferece. têm o seu trabalho facilitado pelos aparelhos automatizados. 68 . em algumas horas (6 a 12h). saindo o resultado no impresso computadorizado. precisamos admitir que os futuros bacteriologistas não terão a satisfação de conhecer o âmago da bactéria. as surpresas com o surgimento de resistência a um antibiótico. Fleming. fornecidas pelos cálculos eletrônicos e impressos computadorizados. que é prática e indispensável atualmente. Estes podem revelar.

A microbiota residente é benéfica quando evita a colonização pelas patogênicas. Esse estado de portador assintomático – que pode ser persistente. são portadoras de Staphylococcus aureus. 2. A microbiota normal também pode provocar doenças nos seguintes casos: 1. competição por receptores das células do hospedeiro.9: CAPÍTULO 9: MICROBIOTA NORMAL DO ORGANISMO HUMANO Objetivos 1. que pode ser constituída por microrganismos não patogênicos (de baixo potencial patogênico) ou alto potencial patogênico e que habitam a pele e mucosas por horas. Provocando enfermidades em pessoas debilitadas ou imunodeprimidas. Alertar para a necessidade dos cuidados higiênicos para evitar a propagação de bactérias. intermitente ou transitório. 3. Quando deslocada do seu ambiente para outros órgãos ou tecidos. Os surtos ocasionais devidos ao Staphylococcus aureus. Há também a microbiota transitória. Introdução O termo “microbiota normal” refere-se aos microrganismos presentes regularmente em determinados locais do corpo. 69 . prontamente se recompõe. 2. podem ser rastreados e relacionados com a pele e fossas nasais das pessoas que trabalham nestes locais. principalmente em ambientes hospitalares. em concentração elevada. para não incorrer em erros de interpretação. causa endocardite quando se instala no coração. inibição por produtos metabólicos tóxicos. etc. De 10 a 20% das pessoas normais da comunidade extra hospitalar. na nasofaringe. em cujo resultado possa constar a presença de microbiota normal. dias ou semanas. existentes sobre a pele e na fossa nasal. Se removidos. por diversos mecanismos: competição por substâncias nutritivas. pode alcançar 60 a 90% das pessoas em atividades hospitalares. principalmente em enfermarias re recém natos. Demonstrar a presença de bactérias de diversas espécies. Exemplo: Streptococcus do grupo viridans inócuo na orofaringe. É a também chamada microbiota residente. Atentar para os dados do exame laboratorial bacteriológico.

outros habitam folículos pilosos e atuam como reservatório para restabelecimento após a lavagem. fusobactérias. garganta e boca. Mas os brônquios inferiores e os alvéolos contêm poucos ou nenhum microrganismo. OROFARINGE Cerca de 50% da microbiota da garganta é constituída por ESTREPTOCOCOS: Streptococcus do grupo viridans (Streptococcus salivarius. Porém. Pseudomonas aeruginosa Micrococcus Streptococcus do grupo viridans Enterococcus Staphylococcus aureus Mycobacterium “não patogênico" (em regiões ricas em secreções sebáceas) TRATO RESPIRATÓRIO Grande número de bactérias coloniza as fossas nasais. formas onduladas. Staphylococcus epidermidis. Streptococcus mutans) e o Streptococcus pyogenes. Streptococcus sanguis. Streptococcus mitis. tem facilidade de apresentar a microbiota transitória. MICROBIOTA NORMAL DA PELE Staphylococcus epidermidis Corynebacterium sp. etc. 70 . Haemophilus influenzae. não patogênica ou patogênica. pela sua exposição ao meio ambiente. Staphylococcus aureus. Neisseria sp.A PELE A pele possui uma microbiota residente bem definida. O microrganismo predominante é o Staphylococcus epidermidis. lactobacilos. A maioria está localizada no extrato córneo. com cerca de 103 a 104/cm2 de pele.

“A cavidade bucal apresenta uma das mais concentradas e variadas populações microbianas (29 espécies) e cuja localização principal está no dorso da língua, sulco gengival e placa dentária. A contagem bacteriana em material da língua apresenta números que variam de 43 milhões a 5,5 bilhões por ml de saliva. Do sulco gengival e da placa a quantidade é pelo menos 100 vezes maior, aproximadamente 200 bilhões por grama. Os estreptococos constituem o grupo mais numeroso, a metade das viáveis.” (Microbiologia Oral, Burnet, Sherp, Schuster – 4a edição).

MUCOSA NASAL
A mucosa nasal é habitada por estreptococos e estafilococos, destes o mais importante é o Staphylococcus aureus. O Staphylococcus aureus pode ser disseminado causando doenças em hospitais: em enfermarias de recém-nascidos, de queimados, de imunodeprimidos e dos submetidos à cirurgia.

MICROBIOTA NORMAL DA MUCOSA NASAL Staphylococcus epidermidis Staphylococcus aureus Streptococcus pneumoniae Streptococcus do grupo viridans Neisseria sp. Haemophilus sp.

TRATO GASTROINTESTINAL (TGI)
No estômago existem poucos microrganismos devido ao baixo pH. Em situações patogênicas se encontra o Helicobacter pylori. O intestino delgado alberga pequeno número de estreptococos, lactobacilos e Candida albicans. O cólon possui grande quantidade de bactérias, cerca de 1011/g, aproximadamente 20% das fezes é constituído por bactérias, com predominância de anaeróbios. As bactérias mais numerosas são: bacteróides, coliformes, estreptococos, lactobacilos, clostrídeos, Pseudomonas, etc.

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TRATO GÊNITO-URINÁRIO (TGU)

Microbiota

vaginal:

lactobacilos

e

menos

freqüentemente

Escherichia

coli,

Enterobacter, Streptococcus agalactiae. Bexiga: a urina na bexiga é estéril em pessoas sãs, mas ao passar pela porção final da uretra, pode se contaminar com Staphylococcus epidermidis, coliformes, difteróides e estreptococos não hemolíticos. * Staphylococcus saprophyticus faz infecção em TGU inferior em mulheres jovens. A área em torno da uretra masculina e feminina pode apresentar Mycobacterium smegmatis (BAAR). A candidíase torna-se uma das doenças que mais acomente mulheres em idade fértil no mundo atual. A vagina é uma região favorável ao crescimento de microrganismos, como a Candida albicans, o Thichomonas vaginalis e os bacilos de Doderlëin (gram positivos). PRÁTICA Evidenciação da presença de bactérias na pele e mucosa nasal. O meio de cultura, usado para o isolamento primário em nossa aula prática, será o Ágar-sangue em placas de Petri. 1o dia Para coletar o material da pele do queixo, testa, aba do nariz e fossa nasal, usar swab ou zaragatoa, atritando a área em estudo (individualmente em cada área). Em seguida deslizar o swab em estrias na superfície do meio de cultura, ocupando toda a área da placa. Mãos Com um pincel, dividir o fundo da placa em 4 partes. Marcar as partes com letras para identificar a área semeada: S = sujo. L = lavado. E = escovado. D = com degermante.

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1. Com o dedo indicador (sem lavar) fazer estrias diretamente sobre o meio na parte S. 2. Em seguida, lavar as mãos com sabão normalmente. Não enxugar. Com o mesmo dedo fazer estrias na parte L. 3. Ensaboar as mãos e escovar os dedos. Enxaguar. Não enxugar e passar na parte E. 4. A seguir passar um anti-séptico disponível. Enxaguar. Fazer estrias sobre a parte D. Colocar as placas semeadas na estufa a 37oC. Representação esquemática da lavagem das mãos

Lavagem com água e sabão

Escovação Degermante e água

Recolonização

Recolonização (após horas)

2o dia 1. Retirar as placas da estufa e observar o crescimento. Verificar a quantidade de colônias em cada área. Anotar. 2. Estudar as características das colônias. Anotar. 3. Fazer bacterioscopia pelo método de Gram dos diferentes tipos de colônias. Anotar. Na placa semeada com os dedos notar onde houver maior crescimento de bactérias. Justificar. 4. Comparar com o resultado dos colegas e fazer um levantamento da bactéria predominante.

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5. Se houver crescimento de colônias com características de estafilococos, ou seja: de 1 a 3 mm de diâmetro, brancas ou amarelas, opacas, brilhantes, convexas altas, circulares, bordas lisas e superfície lisa, prosseguir com a caracterização utilizando as provas de Identificação Presuntiva dos estafilococos de interesse clínico.

dia: 3o dia: Identificação Presuntiva de Estafilococos da Pele e Mucosa Nasal
Sabemos que à microscopia simples, não conseguimos na maioria das vezes fazer o diagnóstico da espécie da bactéria. No máximo descobrimos o gênero e muitas vezes só o tipo bacteriano (ex: BGN). No caso dos estafilococos, à microscopia, nós damos o diagnóstico de Staphylococcus sp. Teremos que partir para as provas bioquímicas para diferenciar a espécie. Para ter certeza de que estamos trabalhando com uma colônia de estafilococos da placa de ágar (sem fazer microscopia) faremos a prova da catalase.

1ª PROVA: CATALASE Os estafilococos têm a capacidade de degradar peróxido de hidrogênio, pois eles produzem a enzima catalase. H2O2 H2O + ½ O2 (via catalase – processo enzimático)

A prova é simples: pingamos em uma lâmina em cima da colônia, água oxigenada a 3% (que contém H2O2 e água comum). Se borbulhar (liberar O2) é porque a colônia produz catalase, algo que estreptococo NÃO faz.

Fonte: Google

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quem a produz coagulase é somente o S. Portanto. para fazer uma cápsula fibrosa em torno das colônias no nosso organismo (ela usa fibrinogênio do plasma). basta semear a colônia no plasma de coelho e encubar à 37ºC. a reação que ocorrerá é a mesma. para seguirmos na identificação de estafilococos. coleções de infecção e inflamação aguda. Como no plasma de coelho também há fibrinogênio. Ela converte o fibrinogênio em fibrina seguindo a cascata da coagulação. São galerias de bactérias e exsudato. aureus. mergulharemos as colônias das amostras. CATALASE + CATALASE ESTAFILO ESTREPTO ou outro tipo de coco. Esses são os chamados abscessos. Se ocorrer um precipitado "coagulado". geralmente no tecido subcutâneo. Depois de 24h veremos se há precipitado ou não. 2ª PROVA: PLASMOCOAGULASE Usaremos agora só as colônias CATALASE +. como os estreptococos. Mas por que isso acontece? O Staphylococcus aureus produz uma enzima chamada coagulase. Digamos que seria uma colônia encapsulada. que estaria mais protegida contra as defesas do nosso corpo e os antibióticos. Fonte: Profa Alessandra Daur Dentre o grupo dos estafilococos de interesse médico. Por isso precisamos saber se nossa colônia em questão produz fibrina. dizemos que a prova é coagulase positiva.Esta prova diferencia os estafilococos de outros cocos Gram positivos. Em tubo de ensaio com plasma de coelho. 75 .

Semeia-se a colônia de ENPC em uma nova placa de ágar sangue e coloca-se um disco de novobiocina no centro. Coletar a colônia em estudo e emulsionar no plasma. que bactéria sempre devemos incluir no grupo de agentes etiológicos suspeitos? Procedimentos Num tubo estéril colocar: 0. Incuba-se. Resultados RESISTENTE: Staphylococcus saprophyticus SENSÍVEL: Staphylococcus epidermidis 76 . mas não de interesse médico tão importante. Atualmente são conhecidas outras espécies de ENPC que também são resistentes à novobiocina. Neste caso o coágulo formado é mais consistente. Resultados PLASMOCOAGULASE + PLASMOCOAGULASE Staphylococcus aureus (DIAGNÓSTICO DEFINITIVO) ENPC (Estafilococos não produtores de coagulase) 3ª PROVA: NOVOBIOCINA É um antibiótico.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Quando se evidencia a presença de um abscesso em um paciente. Se houver um halo de inibição (> que 14mm). dizemos que a bactéria é sensível à novobiocina. Se não houver. Ele vai testar a sensibilidade dos ENPC para fazer a diferenciação via halo de inibição. ela é resistente. Observar a formação de coágulo de ½ em ½ hora durante as primeiras 4 horas. deixar na estufa até 24 h para fazer a leitura. Se não houver formação de coágulo. Incubar em estufa a 37oC.5 mL de plasma sanguíneo diluído a 1/5. Observação: algumas técnicas recomendam usar o plasma sem diluição.

saprophyticus PROVA DO MANITOL (ALTERNATIVA) Semear o estafilococo em tubo (caldo) ou placa (ágar) com manitol e indicador de pH vermelho de fenol. Após 24h fazer a leitura. • • Cultura amarela = positiva. Cultura vermelha = negativa. A decomposição do manitol acidifica o meio de cultura. 77 . Colocar na estufa a 36oC.Fonte: Google RESUMO: Catalase + estafilo Plasmocoagulase + Plasmocoagulase Catalase estrepto ou outro coco Staphylococcus aureus ENPC Novobiocina S R S. produzindo a mudança da cor do indicador de vermelho para amarelo. epidermidis S.

MEIO DE MANITOL-HIPERTÔNICO (CHAPMAN) Extrato de carne Peptona NaCl Manitol Ágar Vermelho de fenol Água 1g 10 g 75 g 10 g 15 g 0.Para diferenciar as três principais espécies.5% de NaCl permitindo o crescimento de poucas bactérias. entre elas o estafilococo (os meios comuns contêm em geral 0. A bactéria que crescer pode apresentar hemólise do sangue ou não. No caso de hemólise total.5% de NaCl).025 g 1000 mL É um meio seletivo e diferencial. Seletivo: pela concentração de 7. pode se utilizar o seguinte esquema: DIFERENCIAÇÃO DAS TRÊS ESPÉCIES DE Staphylococcus Coagulase Staphylococcus aureus Staphylococcus epidermidis Staphylococcus saprophyticus v = 11 a 89% positivos.(v) Novobiocina Sensível Sensível Resistente ÁGAR SANGUE Meio diferencial e não selietivo (muito enriquecido. vai haver destruição dos glóbulos vermelhos aparecendo um halo claro ao redor das colônias. Composição do ASA: gelose simples acrescida de 5 a 10% de sangue desfibrinado de carneiro. + Manitol + . 78 . uma vez que possui proteínas e outros substratos provenientes do sangue).

Estreptococos e Pseudomonas sp. relativos à hipótese diagnóstica formulada a partir de dados epidemiológicos. dividiremos o conteúdo didaticamente de acordo com os locais de acometimento mais comuns no ser humano. Para isto. facilitando o isolamento do agente efetivo da infecção. deverá orientar o paciente quanto à maneira correta de coletar a amostra. 115). “O médico deve dominar os conhecimentos que lhe permitam escolher e indicar a realização de exames complementares específicos. 79 . 3) Acompanhar a seqüência dos exames laboratoriais bacteriológicos necessários na identificação do agente para fins de diagnóstico e tratamento. capítulo 10 – pág. 2) No futuro. Doenças Transmissíveis. como clínico solicitante do exame laboratorial. Luis Parellada Ruiz. Paulo Kiyoshi e Dr. Cabe-lhe também orientar a colheita dos materiais adequados para o exame e saber interpretar com rigor e segurança os resultados fornecidos pelo laboratório. clínicos e laboratoriais inespecíficos. de conservá-la e transportá-la ao laboratório de análises.” (Dr. a fim de evitar contaminantes.10: CAPÍTULO 10: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ATRAVÉS DO ISOLAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DOS AGENTES ETIOLÓGICOS DAS INFECÇÕES Neste capítulo abordaremos os possíveis tipos de microrganismos que podem ser agentes etiológicos das mais diversas infecções. Objetivos 1) Familiarizar o aluno com as técnicas da coleta adequada do material patológico. PORÇÕES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS Estafilococos.

o tipo celular predominante de células é NEUTRÓFILO (devido a liberação de quimiocinas. ativando as integrinas dos neutrófilos circulantes. não necessitam habitualmente de confirmação por exames laboratoriais.Introdução Algumas doenças bacterianas podem ser diagnosticadas presuntivamente. características da inflamação aguda). No processo patológico desenvolvido. a amidalite purulenta bacteriana. a difteria. Enterobacter. identificado como infecção bacteriana piogênica. No entanto. lançando mão de dados epidemiológicos e clínicos (como sinais e sintomas típicos ou patognomônicos) que podem por si só. Exemplos disso são: o tétano. IL-1 e TNF pelos macrófagos.. no entanto. O exame laboratorial. existe um número grande de doenças que necessitam exames laboratoriais para confirmar a suspeita clínica. As mais comuns são estafilococos e estreptococos. o quadro clínico de determinadas infecções. Como já referido acima. Fonte: Robbins. Além do Staphylococcus aureus e do Streptococcus pyogenes. Proteus). as outras bactérias mais freqüentemente encontradas nas infecções são: Enterococcus sp. As infecções são causadas por diversas bactérias. Pseudomonas e Enterobactérias (Escherichia coli. escarlatina e furunculose. bactérias cuja ação promove a formação de exsudato ou derrame inflamatório que contém grandes quantidades de componentes celulares do hospedeiro. algumas vezes. fazer o diagnóstico sem necessitar do exame microbiológico. a coqueluche. Esse exsudato é descrito como purulento. como as piodermites causadas por estafilococos. 2005 80 . é indispensável quando houver necessidade da avaliação da resistência do estafilococo aos antimicrobianos.

mais de 103 leucócitos/µL. vindo de uma cirurgia. pericárdico. poucas células. Eles vêm geralmente devido a uma obstrução no fluxo venoso. muitas proteínas. Ela é o principal carboidrato utilizado no metabolismo bacteriano. Os leucócitos presentes estão promovendo uma resposta imunológica imediata frente aos microrganismos. Transudato: geralmente são líquidos cavitários (pleural. Ocorre em abdome ascítico (hepatopata). para caracterizar se o líquido é um exsudato ou um transudato o exame que é feito no Brasil é a CULTURA (nos mais diferentes meios sólidos e líquidos). peritoneal. Pus é sinônimo de exsudato purulento. ascítico. Exsudato: cor opaca. Além da microbiologia. como será detalhado na disciplina de Patologia Médica Molecular (BP334). por exemplo). os líquidos de cavidades devem ser encaminhados à Anatomia Patológica para averiguar a presença de células neoplásicas por exame de citologia oncótica (o líquido pode ter se acumulado devido a uma metástase). que pode ser superficial ou profundo. derrame pericárdico. de característica transparente.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Há dois tipos de secreções patológicas: o exsudato e o transudato. Uma vez que há presença de bactérias. pleural. Quando há um líquido suspeito. Ambos são secreções liberadas como resposta pelo nosso organismo. a glucose estará diminuída. uma enzima que converte o lactato em piruvato e vice versa. mais de 200UI de LDH e menos de 45mg/dL de glucose. como o líquor (para caracterizar uma meningite. poucas proteínas. para pesquisar se há presença de microrganismos. b) O isolamento de contaminante pode levar a uma terapia incorreta. Para caracterizar um exsudato tem que haver mais de 3g/dL de proteína. além de ser uma enzima gluconeogênica). Nas infecções. Uma característica muito importante é a presença de POUCA GLUCOSE. edema agudo de pulmão e por aí vai. Isso se deve à ausência de bactérias nesse líquido. Os exames bioquímicos como glucose e LDH são utilizados em secreções mais “nobres”. e uma das enzimas que participa desse processo é a LDH. de cavidades diversas. muitos leucócitos. de uma punção pleural. O principal deles nesse caso é o neutrófilo. porque ele pode apresentar um padrão diferente de sensibilidade aos antimicrobianos do que o agente efetivo da infecção. a coleta varia com a forma clínica e a localização do processo. c) A coleta deve ser feita antes da antibioticoterapia. líquor). prejudicando a identificação. ou mesmo prejudicial. pouca LDH e TAXAS NORMAIS DE GLUCOSE. Coleta do material A coleta correta do material é a etapa mais importante para o estudo do agente etiológico e deve ser precedida dos seguintes cuidados: a) Uma quantidade insuficiente de material dificulta os procedimentos laboratoriais. 81 . muita desidrogenase lática (LDH. que é a primeira linha de defesa do organismo e vem da fase de rolamento sobre o endotélio capilar.

Em localização profunda estão a osteomielite. produzindo necrose tecidual com acúmulo de células inflamatórias. Lesões superficiais As infecções de pele geralmente causadas pelos estafilococos são: a foliculite. que muitas vezes adquire a característica nodular com muita hiperemia ativa (pústula interna). envolvendo o folículo piloso. A furunculose é uma infecção mais profunda na derme. Se por um lado a parede de fibrina evita a disseminação do estafilococo. infecções nas articulações e outras coleções fechadas de pus. por outro lado dificulta o acesso de antibióticos e elementos sanguíneos de defesa. O local da punção deve ser rigorosamente descontaminado com sabão cirúrgico ou outro anti-séptico adequado. ectima. 82 . Observação: uma vez drenado o pus.. sob o risco de disseminar a infecção (por analogia. de característica purulenta. embebida em anti-séptico ou salina estéril. lanceta. 2) Secar com gaze estéril. Nestes recorre-se à punção aspirativa do exsudato purulento com seringa e agulha estéreis. a furunculose e o impetigo. etc. A bactéria elabora a enzima coagulase que forma coágulo (fibrina) em torno da lesão e dentro dos linfáticos. O estafilococo estabelece-se em um folículo piloso.) segue-se o seguinte esquema. resultando numa parede que delimita o processo. estéreis) levantar a afastar a película ou crosta superficial. promiosite. A foliculite é uma pústula mais superficial (em “cabeça de prego”). tais como furúnculo (ou outras piodermites: impetigo. etc. evitar espremer “espinha”). sinusite. a lesão cicatriza rapidamente. observando rigorosa assepsia: 1) Descontaminar a superfície do abscesso com o auxílio de uma gaze estéril. que acomete o folículo piloso. 3) Com um objeto perfurocortante (agulha. meningite. No centro da lesão ocorre liquefação do tecido necrótico e o abscesso “aponta” na direção de menor resistência. Coleta em lesões superficiais Nas formas superficiais. A parede de fibrina evita a propagação dos estafilococos e não deve ser rompida por manipulação ou trauma. Nas endocardites e septicemia coleta-se o sangue para hemocultura.

No Ágar-sangue: Vão crescer estafilococos. para eliminar os contaminantes. que exijam técnicas próprias de microscopia e cultivo. 4) Teste de Sensibilidade aos Antibióticos (TSA). estreptococos e bacilos (exigentes e não exigentes). 1) Ágar-sangue. 3) Identificação. Onde vamos cercar as possibilidades de isolar estafilococo. Observação: em caso de lesões abertas. Bacterioscopia Rotineiramente a bacterioscopia é feita pelo método de Gram (triagem). No Teague/MacConkey: Vão crescer bacilos Gram negativos (BGN) pouco exigentes. Exame laboratorial O material enviado ao laboratório será submetido aos seguintes procedimentos: 1) Bacterioscopia. o tipo morfológico e propriedade tintorial da bactéria. 2) Cultivo. remover a secreção superficial com gaze estéril com salina. 2) Teague (EMB) ou MacConkey. Cultivo Na nossa aula prática o cultivo é feito em dois meios e visando apenas as bactérias aeróbias e anaeróbias facultativas. revelando a presença.4) Coletar o material purulento da profundidade da lesão com swab (ou aspirar com seringa) tendo o cuidado de não tocar as bordas da pele adjacente. estreptococo e qualquer bacilo Gram negativo pouco exigente (Pseudomonas. se suspeita de microrganismos menos freqüentes. Observação: o médico deve comunicar ao laboratório através da requisição dos exames. 83 . enterobactérias) ou exigente como o Haemophilus.

84 . A cultura geralmente apresenta odor perfumado de essência barata de uva (trimetilamina). Repicar para gelose inclinada. a) Interpretar a coagulase. Fazer catalase. a) Se a catalase por positiva. 3o dia Semear em diversos meios para provas bioquímicas. A característica marcante da Pseudomonas aeruginosa (88% delas) é a produção de pigmento azul-esverdeado. As espécies (mais de 100) são diferenciadas por provas bioquímicas (pois é um bacilo gram negativo que não se diferencia dos demais BGNs à microscopia simples). Cerca de 70% destas são produzidas por Pseudomonas aeruginosa. Em geral. em tubos separados as L+ e L3. Fazer Gram 2o dia 2. chamado piocianina. Incubar a 35oC ± 1oC. Pseudomonas sp. segundo o tipo de hemólise observada. Se negativa. b) Se a catalase for negativa. b) Realizar provas de identificação para estreptococos. o odor do material infectado é muito fétido e ruim. prosseguir a identificação de outras espécies de estafilococos. proceder a identificação para estreptococos. (Bacilo Piociânico) É freqüente o encontro de Pseudomonas sp. 2. deixando os meios de cultura claros e o pus com esta coloração. Meios de cultivo Ágar-sangue Semear por estrias na superfície do meio. Incubar a 35oC ± 1oC. 1.Procedimentos Dia Teague ou MacConkey 1o dia Semear por estrias na superfície do meio. do bacilo Gram negativo (BGN). repicar para tubo contendo plasma de coelho. Fazer Gram. em infecções. Interpretar as provas bioquímicas e 4o dia consultar tabelas para identificação Interpretar provas adicionais para ENPC. 1.

A droga de escolha mais adequada é o ciprofloxacino. bem como nas publicações mais atuais. * Ciprofloxacino NUNCA é medicamento de primeira escolha (terapia empírica) para pneumonias. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Na clínica médica de rotina. que bloqueia a síntese protéica das células do hospedeiro (à semelhança da exotoxina do bacilo diftérico). inclusive. especialmente e em pessoas hospitalizadas. O homem alberga na pele. obviamente. Nas infecções por Pseudomonas. vegetais e. onde a mortalidade pode chegar a 50%. Tratado de Medicina Interna 2006”. além de feridas cirúrgicas. cloranfenicol e tetraciclinas. Após procedimentos com cateteres urinários. Identificação dos Bacilos Não Fermentadores – BÑF 85 . cirurgias oculares. gentamicina. Com exceção da polimixina. Ela é tão pouco exigente que cresce até em água mineral. Imunocomprometidos também são alvos preferenciais. É sensível apenas à polimixina. tais como: vários betalactâmicos. Este fármaco é citado muitas vezes como quinolona anti-pseudomonas pelos livros de clínica médica como “Harrison. visto que ela apresenta resistência a muitos antibióticos. etc. garganta (5% de pessoas normais) e fezes. É uma bactéria oportunista. o clínico sempre pede antibiograma. cardíacas. água. São freqüentes as infecções em queimaduras e feridas cirúrgicas. moxifloxacino e gemifloxacino) são drogas mais apropriadas para infecções pulmonares. podendo causar várias doenças. Pode causar infecções graves. é um agente que sempre deve ser considerado em infecções intestinais e do trato gênito urinário feminino. de acordo com os critérios adotados pelas disciplinas clínicas de Pneumologia e Otorrinolaringologia do ciclo profissionalizante do curso de Medicina. amicacina e algumas penicilinas semisintéticas (carbenicilina). a bactéria pode adquirir resistência aos antimicrobianos citados por mutação ou aquisição de plasmídios de resistência. uma fluoroquinolona de 2ª geração. uma vez que é uma droga pouco eficaz contra germes gram positivos como pneumococo (o agente etiológico mais comum das pneumonias bacterianas). punções lombares. Entre os fatores de virulência destaca-se a toxina A. Fluoroquinolonas de 3ª geração em diante (levofloxacino. Faz uma lesão em pele chamada de ectima gangrenosa (de odor muito fétido). Pode ser utilizado. em pneumonias causadas por Pseudomonas aeruginosa (pós confirmação bacterioscópica). em tecidos orgânicos.A Pseudomonas aeruginosa é ubiquitária: cresce em solo.

Para verificar este tipo de metabolismo usa-se meios de cultura especiais.2% de peptona para 1% do carboidrato testado. pode ser apenas contaminante e não o causador da infecção. de Konemann e colaboradores. diferente da relação 2:1 dos meios usuais para fermentação. Os bacilos não sacarolíticos não produzem alteração em nenhum dos tubos. secreções de ferimentos e hemoculturas. Hugh e Leifson foram os primeiros a idealizar um meio de cultivo que chamaram de Oxidação-Fermentação (O-F). Os bacilos fermentadores produzem ácido em ambos os tubos.2% da peptona para 1% do carboidrato. Os BÑF podem ser isolados de infecções urinárias. Nos casos de locais não estéreis. Entre as bactérias não fermentadoras mais freqüentemente isoladas das infecções estão: • • • Pseudomonas aeruginosa Acinetobacter baumanii Outras Pseudomonas 70-75% 25% 5% As Pseudomonas utilizam os carboidratos por via oxidativa. O meio de O-F de Hugh e Leifson contém 0. O isolamento de bacilo não fermentador de sítios anatômicos originalmente estéreis é forte indicador de ser este o responsável pela infecção. Exemplo: Pseudomonas = metabolismo oxidativo Alcalígenes = não sacarolítico Para maiores detalhes da identificação dos bacilos oxidativos consultar: Diagnóstico Microbiológico. A prova é realizada em dois tubos para cada açúcar: um com óleo mineral e outro sem óleo na superfície. Meios de cultura usados nesta aula prática Ágar sangue: Ver página 78 86 . como secreção de ferida cirúrgica. Os bacilos oxidativos produzem ácido somente no meio exposto ao ar. A acidez produzida pelas bactérias oxidativas é muito pequena e não deve ser neutralizada pelos produtos de decomposição da peptona.Pacientes imunodeprimidos são muito suscetíveis à infecção por este grupo de bactérias. razão da proporção 0.

Seletivo: pelos corantes que inibem o crescimento da maior parte das bactérias Gram positivas. LACTOSE POSITIVA (L+) Os fermentadores de Lactose. Alguns autores descrevem pequenas diferenças entre a composição do EMB e do TEA. 3) Secas com brilho metálico. Colônias: 1) Cor vermelha opaca. Composição: Ágar simples Lactose Solução de eosina 2% Solução de azul de metileno 0.Teague (EMB / HHT / TEA) Também chamado de Holt-Harris-Teague (HHT) ou ágar eosina-azul de metileno = EMB (“Eosin Methilene Blue”). 87 . a finalidade desses meios no laboratório é a mesma. LACTOSE NEGATIVA (L-) Os não fermentadores de Lactose. No entanto.5% 100 mL 10 mL 2 mL 2 mL É um meio seletivo-diferencial para Bacilos Gram negativos (BGN) não exigentes. Diferencial: pela decomposição ou não da lactose evidenciada pela cor das colônias (os corantes funcionam como identificadores de pH). 2) Cor vermelha com ponto central preto. Colônias: Vermelhas claras transparentes. Observação: podem crescer colônias intermediárias destes tipos.

por exemplo. parainfluenza. bacilos pseudodiftéricos (Corynebacterium pseudodiphetheriticum ou Corynebacterium hofmanni) e outros. Exemplos são os estreptococos do grupo viridante (Streptococcus salivarius. citomagalovírus (CMV). ajuda na identificação da Escherichia coli. A infecção mais freqüente do trato respiratório superior manifesta-se sob a forma de faringite e tonsilite (amigdalite) causada por Streptococcus pyogenes (ESTREPTOCOCO BETA HEMOLÍTICO DO GRUPO A DE LANCEFIELD) = angina estreptocócica (90%). É uma infecção que requer atenção especial. OROFARINGE Estreptococos. A dor é devido à infecção demasiada da mucosa ou da própria resposta inflamatória do organismo. Streptococcus mitis). Herpes vírus tipo 1 e coxsackie A. Neste capítulo. Streptococcus sanguis.. 14 e 21). Streptococcus pyogenes. 7. pelo estreptococo e bacilo diftérico. visto que. otite.. Faringite Estreptocóccica Quase 70% das dores de garganta agudas são causadas por vírus. As infecções virais serão vistas mais adiante. Os principais vírus que podem causar faringites são os adenovírus (tipos 3. Com isto chamando-se a atenção para dificuldade de isolamento do agente real da infecção da orofaringe como. mastoidite e vias aéreas inferiores provocando broncopneumonias. Neisseria sp. rinovírus. 4. Haemophilus. o brilho metálico das colônias no Teague. Staphylococcus epidermidis. Por exemplo. coronavírus. apesar de não lhe ser específico. 88 . influenza. Streptococcus pneumoniae (PNEUMOCOCO). Esptain-Barr (EBV). Haemophilus sp. além de disseminar-se a outros locais causando sinusite.Observação: embora existam muitos meios de cultura seletivos e diferenciais para enterobactérias e mesmo havendo diferenças quanto à capacidade de inibição de bactérias indesejáveis. os bacteriologistas dão preferência àqueles que lhes oferecem dados mais visíveis. abordaremos as faringoamigdalites (faringites e tonsilites são os termos mais apropriados pela nômina anatômica atual) bacterianas. Moraxella e Corynebacterium A microbiota da orofaringe é constituída principalmente por ESTREPTOCOCOS (50% da população total bacteriana).

além da presença de febre na maioria dos casos. As características clínicas são semelhantes ao Haemophilus e à Moraxella. Fonte: Rubin. Nas tonsilas palatinas existem as criptas amigdalianas. promovendo uma maior exposição de epítopos aos nódulos linfáticos confuentes que existem subjacentes à mucosa. ainda pode provocar seqüelas graves pósestreptocócicas como Febre Reumática e Glomerulonefrite Aguda (GNA). Essas placas são facilmente removidas com swab e esse é o material que se utiliza para fazer semeadura em ágar sangue. que são invaginações da mucosa. aumentando a superfície da tonsila. Durante uma tonsilite. acumulase exsudato purulento nessas regiões.pneumonias e empiema (pus no espaço pleural). 2006 89 . dando o aspecto de placas amarelo-esbranquiçadas sobre as tonsilas. Nessas criptas não há drenagem de ductos das glândulas salivares menores. portanto ali o acúmulo de material é facilitado.

quanto mais a cepa (se é resistente ou não). Muitas vezes o paciente necessita de prótese valvar (tamanho é o estrago) nos casos de valvulopatia severa e transplante renal nos casos mais intensos de glomerulonefrite não tratada. pois o paciente relata muitas vezes que sente que está sendo “comido vivo”. A taxa de letalidade é relativamente alta. Os aspectos morfológicos destas lesões serão abordados com detalhes na disciplina de Anatomia Patológica (MP313). imunológica. o estreptococo beta hemolítico ainda pode desencadear infecções hospitalares severas. usam-se os critérios de Jones. Por isso é importante sempre tratar as faringoamigdalites com antibióticos mesmo dos casos mais brandos e silenciosos. uma vez que várias espécies da microbiota normal produzem tais enzimas. Enfim. Para a terapia antimicrobiana. com muitas áreas infectadas. Uma doença maligna que pode ocorrer em feridas cirúrgicas. “um mal que deve ser cortado pela raiz” Na parte externa da parede celular de algumas cepas da espécie do estreptococo beta hemolítico. o quadro clínico se assemelha a infecções por Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. etc. Streptococcus pyogenes e as infecções hospitalares Além de ser um potente causador de infecções do trato respiratório. Além disso. É conhecida como “doença da bactéria carnívora”. tecidos sadios com complexos imunes (reação de hipersensibilidade tipo III). mesmo os de maior eficácia. que degrada o C5a. que estão principalmente na membrana basal do glomérulo renal. O sistema imunológico acaba por dar cabo da bactéria produzindo anticorpos contra essa proteína. A esse fenômeno pós-estreptocóccico dá-se o nome de febre reumática (cepas que produzem estreptolisina O). Um exemplo disso é a Fasciite Necrotizante. o Streptococcus pyogenes tem uma enzima chamada peptidade do C5a. microrganismos potencialmente produtores dessas pelicilinases. necroses extensas. Além disso. depois de um tempo. Também produz hialuronidase. e por conseqüência a quimiotaxia de neutrófilos. nas válvulas cardíacas. Porém. há uma proteína chamada de proteína M (uma proteína que inclusive. impedindo um via do sistema complemento. de difícil controle que muitas vezes levam o paciente inevitavelmente ao óbito. que ataca. não conseguem eliminar a infecção. Até porque nunca se sabe ao certo qual a espécie de bactéria envolvida na infecção. causando cardiopatia reumática e glomerulonefrite pósestreptocóccica. essa proteína é muito parecida com proteínas do organismo humano. E o quadro clínico comprova isso. Esse assunto será abordado com detalhes em seminários promovidos pela disciplina de Imunologia Médica Aplicada (BP333). Além disso. por exemplo. Uma vez desenvolvidos anticorpos pelos linfócitos B contra essas proteínas dos estreptococos. como visto nas aulas teóricas desta disciplina. destruindo nossas próprias células e membranas (complexos imunes). tecidos putrefados e exsudato intenso.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Streptococcus pyogenes. os tecidos necrosados produzem muitas toxinas pelo 90 . o antibiótico de escolha é a amoxicilina. uma enzima que destrói o hialuronato do tecido conjuntivo e contribui para uma permeabilidade mais fácil nos tecidos sadios. as manifestações pós estreptocóccicas de uma infecção mal tratada fazem parte de uma doença reumática. Pode ser administrada sozinha ou associada a um bloqueador de β-lactamases. uma vez que a carga bacteriana já está tão elevada que os antibióticos. degrada o fator C3b e não deixa a cascata do sistema complemento agir). antes do desenvolvimento destes anticorpos. o organismo entra em uma operação de auto-ataque. Para diagnóstico de febre reumática.

Apresentam bom crescimento em ágar sangue e ágar chocolate. “Haemophilus” significa “Gosta de sangue” e o nome “influenzae” foi dado porque originalmente se pensava que causasse gripe. No entanto. bronquites. ministrada obrigatoriamente pelo calendário de vacianação brasileiro em três doses. os pacientes mais acometidos por essa espécie são usuários crônicos de álcool. o ágar DNase (azul de toluidina). meningite (em casos mais severos quando há bacteremia). São diplococos gram negativos (às vezes chamadas de cocos ovais). oxidase positiva e catalase positiva. O meio de Hitchens-Pike também pode ser utilizado. influenzae em crianças com sinais clínicos. Não se sabe ao certo o porquê. sobretudo em pacientes com carcinoma de pulmão ou doença pulmonar de base. 91 .metabolismo desorganizado. Acomete muito as crianças. o H. o meio específico para o hemófilos é o ágar Mueller-Hinton (alta especifidade). sinusites. influenzae é um potente causador de pneumonias (2º agente mais comum). mas agora se sabe que é um invasor secundário do trato respiratório. mas epidemiologicamente. otites. Além de faringites e tonsilites. 15 a 20% das cepas patogênicas do Haemophilus influenzae produzem β-lactamases. A Moraxella catarrhalis (originalmente denominada Branhamella catarrhalis) hoje é considerada uma causa crescente de faringites e pneumonias. pyogenes são o Haemophilus influenzae e a Moraxella catarrhalis. Há seis sorotipos (a-f). CORRELAÇÕES CLÍNICAS: As cepas não encapsuladas do Haemophilus influenzae geralmente fazem parte da microbiota normal da orofaringe. O Haemophilus influenzae é um coco-bacilo gram negativo. Os microrganismos mais comuns além do S. artrite séptica. 4 e 6 meses de idade. pois essa resposta depende de alguns linfócitos T que o timo ainda não foi capaz de fabricar. Sempre suspeitar de infecção por H. além de ser o principal agente etiológico da epiglotite. Há vacina e é eficaz. distinguíveis sorologicamente pela cápsula polissacarídica. Há um meio com alta especificidade. ou por PCR. O tipo b (encapsulado) é muito menos comum em microbiota normal e é o principal sorogrupo causador de infecções. e quando esse material atinge o sangue pode gerar estragos bem maiores. Crianças até 2-3 anos de idade não são capazes de fabricar tais anticorpos. O meio de cultura mais adequado é o ágar chocolate em microaerofilia (alta sensibilidade). portanto a terapia sem bloqueador dessas enzimas pode ser ineficaz. principalmente lactentes e pré-escolares. aos 2.

As tonsilas palatinas e os pilares faríngeos adquirem úlceras em forma de verdadeiros “buracos”. É causada pela associação fusoespirilar (Treponema vincentii e Fusobacterium nucleatum). os pilares anteriores e a úvula se recobrem com exsudato pseudomembranoso. sugere muito a origem etiológica da infecção. quando atinge a traquéia (tosse estridante). Difteria Faríngea A difteria que se caracteriza por inflamação da garganta (angina diftérica) onde as tonsilas palatinas. com roquidão e voz velada. o trato genital e a pele. mais comum entre o primeiro e o sétimo ano de vida. O quadro clínico.Outros tipos de Faringites Angina de Vicent (Angina de Plaut-Vincent) Outra infecção na forma de tonsilite úlcero-membranosa é a chamada Angina de Plaut-Vincent. É uma infecção muito grave. pulso rápido. Essa pseudomembrana não é facilmente removida com swab. o bacilo diftérico pode colonizar a laringe. ou até mesmo um fragmento da pseudomembrana. causada por cepas do Corynebacterium diphteriae (também chamado de bacilo diftérico ou bacilo de Klebs-Loeffler). diferente das infecções estreptocóccicas onde há placas purulentas nas criptas. Pode causar obstrução respiratória fatal (crupe). palidez e adinamia (falta de disposição). ocasionalmente. diferente das demais bactérias. as fossas nasais. O diagnóstico é confirmado pelo exame bacterioscópico direto e pela cultura dos exsudatos faríngeos. A principal diferença para uma faringoamigdalite comum é o aspecto de falsa membrana que recobre as tonsilas. 92 . Além da faringe. ouvidos e. Esta bactéria produz uma endotoxina (responsável pelos fenômenos locais da doença) e uma exotoxina (extracelular) que se introduzir na corrente circulatória provocando febre (baixa).

2) Tipo β (beta) 4) Tipo γ (gama) produz um halo de hemólise total. intermediário entre os precedentes. deve-se fazer a prova da catalase (que deve ser negativa) para o início da caracterização do estreptococo. 1) Tipo α (alfa) produz em torno das colônias um halo verde de hemólise parcial (transformação da hemoglobina em substância semelhante à biliverdina). Produzida por estreptococos conhecidos como do grupo viridans. Ou seja. 93 . pelo PADRÃO DE HEMÓLISE EM ÁGAR SANGUE. onde se diferenciam em quatro tipos.Identificação Presuntiva dos Estreptococos Classificação A classificação para um estudo preliminar dos estreptococos baseia-se no crescimento (comportamento) em placa ágar-sangue. É a classificação de Schottmüller-Brown. de difícil observação. ou inerte que não altera o sangue (espécies não hemolíticas). segundo a hemólise que produzem. 3) Tipo α1 (alfa-primo) Fonte: Profª Alessandra Daur Ao isolar cocos Gram positivos da lesão.

Semear a bactéria em ágar-sangue e colocar o disco de bacitracina (0. devem-se fazer todos os testes para gama hemólise. o diagnóstico é de Streptococcus pyogenes. há necessidade de se fazer a prova de Camp Test. A presença de halo de inibição de qualquer tamanho. Fonte: Profa Alessandra Daur Prova de Bacitracina Ela diferencia as colônias beta hemolíticas em grupo A e B de Lancefield.04 µg). Se for sensível. Se resistente. Fonte: Profª Alessandra Daur 94 .Prova de Optoquina Aplica-se para as colônias alfa hemolíticas. Incubar 24h a 35oC. Incubar 24h em tensão de CO2. (para auxílio no diagnóstico dos estreptococos β-hemolítico pode se utilizar disco de Sulfametoxazol-trimetropim). Se for resistente. Se sensível. o diagnóstico é de Streptococcus pneumoniae (pneumococo). A bactéria é sensível se apresentar um halo de inibição ≥ 14 mm. Semear a bactéria em ágar-sangue e colocar um disco de optoquina. indica sensibilidade.

aureus. denominado fator Camp. Microrganismos Besc positivos crescem em presença de 40% de bile e hidrolisam a esculina. Semear linhas perpendiculares à linha de S. Fonte: Profª Alessandra Daur Prova de tolerância ao sal (MTS) Para Gama hemólise fazer prova de tolerância ao sal. 95 .5%).Prova de Camp-Test (C-T) Em linha. porém sem contato físico de uma linha com a outra. fazer a prova da Bile-escurina. A atividade hemolítica do estafilococo é intensificada pelo fator extracelular do estreptococo do grupo B. Se positivo Enterococcus sp. formando um precipitado negro em 2/3 ou mais do ágar inoculado. uma amostra semeada de Staphylococcus aureus também beta hemolítico. a turvação do meio e/ou a viragem do indicador de pH para amarelo indica positividade à prova (tolerância do microrganismo à alta concentração de NaCl 6. diagnostica-se Streptococcus agalactiae. Semear a bactéria em caldo MTS (NaCl 6. A zona de intensificação da lise assume forma semelhante à ponta de flecha. na intersecção das duas estrias. Prova de Bile-esculina (Besc) Cultivar a bactéria na superfície do gar e incubar 24h a 35oC.5%). Se ocorrer hemólise intensificada em forma de flecha (hemólise intensificada). Se negativa. Incubar 24h a 35oC.

Cuidar para que as paredes laterais da boca. usar meio de enriquecimento. 4. 96 . (A descrição destes dois meios encontra-se no final deste capítulo).Bile esculina + Bile esculina - Estreptococos do grupo D Estreptococos do grupo Viridans CLASSIFICAÇÃO DE LANCEFIELD (Muito importante) A classificação de Lancefield é baseada nas características antigênicas de um polissacarídeo. é indicada a utilização de um meio de cultura de transporte. 2. o meio de Stuart. Produz β hemólise. Neste sentido. carboidrato C. Coletar as amostras antes da antibioticoterapia. para não haver dificuldade na interpretação do exame bacteriológico enviado pelo laboratório. O Streptococcus pyogenes é do grupo A. Em culturas da orofaringe o resultado positivo para estas bactérias não deve ser valorizado. como por exemplo. O Streptococcus agalactiae é do grupo B. Pesquisa do estreptococo Cuidados na Coleta 1. Para facilitar o isolamento de Streptococcus pyogenes. Produz β hemólise. 3. foi dada ênfase especial no capítulo que trata da microbiota normal do corpo humano. Nesta classificação os estreptococos são designados pelas letras maiúsculas do alfabeto: de A a V. evitando os resultados falsonegativos. o meio de Hitchens-Pike. pelos estreptococos enverdescentes e ENPC. como por exemplo. com isto evitando a contaminação pela microbiota normal. Caso haja demora entre a coleta do material e o seu processamento no laboratório. Por exemplo. localizado na parede celular. língua e gengivas não sejam tocadas.

O estreptococo não cresce em meios simples. Desta maneira consegue-se melhor isolamento. Exames Do material obtido procede-se ao exame: 1) Bacterioscópico (pelo Gram). grupamento típico e a Gram positividade. tocar a área semeada com swab e puxar várias estrias.Coleta do material da garganta Orientar o paciente a abrir a boca e falar um “aaaa” demorado que abre a garganta e ergue a úvula. Bacterioscopia Na bacterioscopia pelo Gram. passar o swab nas partes hiperemiadas. tocando os pontos de pus ou placas (alguns recomendam removê-las e coletar material que estava por baixo delas). Semeadura com swab Stabs 97 . 2) Cultivo em meios enriquecidos como ágar-sangue. observar a morfologia celular. Cultivo 1o dia O cultivo é feito em ágar-sangue semeando com o swab numa pequena área da placa (1/5). deslizar em movimentos suaves na faringe posterior. com o auxílio de alça metálica. Na falta destas lesões. tonsilas ou fossa tonsilar. Em seguida. Pressionar para imobilizar a língua com um abaixador de língua e com auxílio de um swab (zaragatoa).

a sensibilidade à Bacitracina não é um diagnóstico definitivo do Streptococcus pyogenes. os “stabs”. Semear a colônia β hemolítica para o teste da Bacitracina. isto deve constar no laudo enviado ao médico: “Streptococcus beta-hemolítico do grupo A. observar o crescimento no ágar-sangue. 2. numa reação Ag-Ac. pois em aerobiose não produzem hemólise. O estreptococo cresce dando colônias pequenas. Teste definitivo é a aglutinação com o soro específico anticarboidrato C. perdendo-se um diagnóstico importante para Streptococcus pyogenes. alguns estreptococos alfahemolíticos são também sensíveis a 0.Ainda com a alça. pelo teste da bacitracina”. 98 . 2o dia No segundo dia. delimitadas. Técnica e recomendações: 1. visto que. Se o laboratório usar apenas o teste da Bacitracina para identificar o Streptococcus pyogenes. Portanto. Para surpreender estas linhagens faz-se os stabs para obter hemólise em anaerobiose. num ângulo aproximado de 40o para introduzir os estreptococos abaixo da superfície do meio de cultura e evidenciar a hemólise pela estreptolisina O que é oxigênio instável. 2) Estreptolisina S = oxigênio estável. Nos cortes cria-se atmosfera de relativa anaerobiose. Observações a respeito da hemólise O estreptococo produz duas hemolisinas: 1) Estreptolisina O = oxigênio sensível. fazer cortes curtos e profundos. Cerca de 2% do Streptococcus pyogenes produz apenas a estreptolisina O. puntiformes. Testar apenas amostras β hemolíticas. bordas lisas. Observar a hemólise: • • Fazer Gram das colônias β hemolíticas.04 µg.

Haemophilus influenzae em laringites. Cerca de 85% de Streptococcus pyogenes são sensíveis a 0. pela pesquisa de anticorpos séricos 2 a 3 semanas após o início da doença. Prof. Conforme é sabido. 99 . por exemplo: Neisseria gonorrhoeae.04 µg de bacitracina. “Outro aspecto importante do diagnóstico. da garganta. A responsabilidade do germe pelo processo infeccioso terá que ser determinada tendo-se em conta as manifestações clínicas do paciente e de maneira mais segura. em faringites em pacientes que praticam sexo oral sem preservativo. Treponema: 10 a 20 µm de comprimento. Microbiologia Trabulsi – 2a edição. Dr. as infecções por estes estreptococos não são seguidas de febre reumática e glomerulonefrite. 115. com freqüência.3o dia Observar a sensibilidade à Bacitracina. O exame bacterioscópico é feito pelo método de Gram ou Giemsa. é feito em anaerobiose. o isolamento de uma amostra de Streptococcus pyogenes de um paciente com faringite. Está bem demonstrado que os estreptococos beta-hemolíticos (além do Grupo A) podem ser isolados. Fusiforme: 4 a 8 µm de comprimento. O cultivo. particularmente os dos grupos C. “É de importância fundamental que tanto o bacteriologista como o clínico compreenda o pouco valor da identificação dos estreptococos. não requerendo assim os cuidados terapêuticos exigidos pelas infecções provocadas pelo Streptococcus pyogenes”.” Observação: outros patógenos serão pesquisados. Qualquer halo de inibição dá positividade. etc. somente pela atividade hemolítica. poder ser mera coincidência. se necessário. Luiz Rachid Trabulsi. Angina de Plaut-Vincent Esta angina pode ser diagnosticada com segurança pelo exame bacterioscópico. revelando a presença de bacilos fusiformes e espiroquetas (associação fusoespirilar) que são o Fusobacterium nucleatum (fusiformes) e o Treponema vincentii. quando requisitado por médico. refere-se ao fato de que 10 a 20% dos indivíduos normais podem albergar Streptococcus pyogenes na garganta. B e G. ambos Gram negativos. Pág. Titular de Microbiologia da Escola Paulista de Medicina – São Paulo. Por esta razão.

piriforme. sendo apenas um teste presuntivo. Laybourn: revela as granulações metacromáticas (azuis) no interiordo bacilo. O bacilo diftérico tem as mesmas características que as outras corinebactérias que fazem parte da microbiota normal da garganta. o exame bacterioscópico de esfregaços corados pelo Gram ou por outros processos como os usados para granulações metacromáticas. são utilizados para exame bacterioscópico e outros dois destinados ao cultivo. (Microbiologia Trabulsi. seja formando paliçada ou formando ângulos V. Dr. Luiz Rachid Trabulsi. A bacterioscopia tem pequeno valor diagnóstico. não têm valor diagnóstico. Provavelmente as manifestações clínicas apresentadas pelo paciente são mais úteis para o diagnóstico etiológico do que um exame bacterioscópico. quando suspeita de difteria”. “No diagnóstico da difteria. recomenda-se coletar o material com quatro swabs: dois da garganta (G1 e G2) e dois da região nasofaringea (N1 e N2). pág. N1 e G1. Os agrupamentos dos bacilos são peculiares. têm a mesma morfologia e a mesma propriedade tintorial. também chamado Corynebacterium pseudodiphtheriticum) que fazem parte da microbiota normal da orofaringe. Bacterioscopia Os esfregaços são corados pelo Gram e Laybourn (bacilo verde claro). de acordo com o Manual de Procedimentos Básicos. o médico solicitar uma bacterioscopia de secreção de garganta. 2a edição. Visto que os bacilos pseudodiftéricos (Corynebacterium hofmanii. fusiforme e em halter. O bacilo diftérico tem tendência ao pleomorfismo apresentando formas em clava. L. Dois swabs. Gram: o bacilo diftérico aparece Gram positivo com extremidades dilatadas. A morfologia típica é observada melhor quando se usa a coloração negativa com tinta-da-china. Y. Infelizmente este conceito não é suficientemente difundido e por esta razão é freqüente em nosso meio. 129) 100 . que em conjunto tem aparência de letras chinesas.Difteria Coleta do material No caso da difteria da orofaringe.

O tratamento com antitoxina (soro antidiftérico) deve ser uma decisão clínica. Observação: o bacilo diftérico somente produz toxina quando lisogenizado por bacteriófagos contendo o gene tox. Cultivo O cultivo é feito em meio de Loeffler (soro sanguíneo coagulado). O diagnóstico de certeza é dado somente pelas provas da produção de toxina pelo bacilo diftérico. O teste de certeza pode ser realizado de duas maneiras: 1) In vitro. Do cultivo é feita nova bacterioscopia. 8 a 10h. In vitro Teste in vitro pode ser feito por imunodifusão radial = IDR (como recomendado pelo prof. cuja fase-lag é mais demorada. O Corynebacterium diphtheriae que não é lisogenizado não produz toxina e não é patogênico. a fim de evitar a propagação da difteria aos familiares e à comunidade (escola). neisserias. não crescem com igual rapidez. um teste positivo de probabilidade. Luiz Carlos Duarte Formiga – Divisão Nacional de Laboratórios de Saúde Pública e utilizado no Lacen). tão logo se suspeite de difteria com base nos sintomas apresentados. Neste meio o bacilo diftérico apresenta colônias após um período curto de incubação. Outras bactérias como estafilococos. mesmo assim. recomenda-se reisolamento em placas. O vírus integra o seu DNA ao cromossomo bacteriano e a toxina é sintetizada. estreptococos. O diagnóstico laboratorial completo terá valor retrospectivo na confirmação do diagnóstico clínico e como ponto de partida às medidas profiláticas. Caso sejam encontrados caracteres morfotintoriais do bacilo diftérico será. Dr. Para as provas seguintes: bioquímicas e de virulência. no máximo produz manifestações clínicas discretas e localizadas. 101 . 2) In vivo.

ela se difundirá no meio e reagirá com o soro antidiftérico. Técnica Numa placa com meio transparente colocar uma tira de papel de filtro impregnada com soro antidiftérico.cultura em meios adequados.mais demorado. após 48h desenvolve-se uma linha branca de precipitação na bissetriz do ângulo entre a tira e semeadura. Se houver produção de toxina. Se o bacilo produzir a toxina. semear a bactéria suspeita isolada em forma de “spots” de aproximadamente 4mm de diâmetro. Semear o bacilo suspeito perpendicularmente ao papel. Resumo dos testes Segundo Otto Bier: 1) Diagnóstico de possibilidade 2) Diagnóstico de probabilidade 3) Diagnóstico de certeza . .Técnica Em placas contendo meio de cultura acrescido de soro antidiftérico.pelo exame bacterioscópico. 102 . Esses testes não são usados por questões bioéticas. Incubar. que se manifesta como precipitação em torno da colônia. . Haverá reação Ag–Ac. Teste de IDR (hemodifusão radial – Ag-Ac) Teste de Elek (tem anti-soro) In vivo O teste de virulência in vivo é feito em cobaia inoculando o bacilo suspeito e observando a ação da toxina. porém o único seguro. que determina a virulência (testes in vivo e in vitro). Outro método é o teste de Elek. fundamentando-se no mesmo princípio.

103 .

extravasamento durante o transporte.2 g 1g 10 g 10 g 4g 1L É uma solução tampão.000) Solução aquosa de cristal violeta (1:25. mantendo as bactérias viáveis por 24h (tempo de segurança) ou 48h. Fórmula • • • • • • Infuso de coração bovino Peptona NaCl Ágar Solução aquosa de azida sódica.2 g 1. O meio apenas preserva a viabilidade das bactérias durante o transporte. O tioglicolato de sódio funciona como agente redutor. para melhorar o isolamento dos anaeróbios e a pequena quantidade de ágar fornece consistência semi-sólida. sem multiplicação significativa dos microrganismos. peptonas ou outras substâncias nutritivas de crescimento.5 mL evitando oxigenação e o 104 . O meio de Stuart pode ser líquido ou semi-sólido.000) 1L 10 g 5g 1g 40 mL 12.15 g 0. até que sejam semeadas em meios específicos para crescimento. não contendo carboidratos.Meios de Cultura Meio de Stuart É utilizado para transportar amostras para culturas de cocos Gram positivos e bacilos Gram negativos. NaN (1:1. Fórmula do meio de Stuart (semi-sólido) • • • • • • • • • Cloreto de sódio Cloreto de potássio Fosfato dissódico Fosfato monossódico Tioglicolato de sódio Cloreto de cálcio 1% aquoso Cloreto de magnésio 10% aquoso Ágar Água destilada 3g 0. Meio de Hitchens-Pike Meio de enriquecimento para estreptococos – consistência xaroposa.

Gama) Beta (Alfa. CLASSIFICAÇÃO DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES DE ESTREPTOCOCOS PATOGÊNICAS PARA O SER HUMANO GRUPO A PRINCIPAIS ESPÉCIES S. cárie Pneumonia. tem semelhança com estalactites. TGU e TGI Endocardite Endocartite. escarlatina. mitis S. sanguis S. mutans Outros: S. salivaris Grupo Viridans: S. ITU. incluíndo o Peptostreptococo Gama (Beta. Beta) Beta (Alfa. endocardite ITU Endocardite B S. faecium Não enterococos: S. abscesso pulmonar e cerebral NÃO GRUPAVEIS ESTREPTOCOCOS ANAERÓBIOS Vários. infecção puerperal. Gama) Gama (Alfa. tonsilites. Alfa) 105 . canis Enterococos: E. endocardite. faringites ITU. O crescimento de estreptococos no meio Hitchens-Pike. Gama) Beta (Alfa. pneumonia. Sinusite. Infecções de pele. peritonite. agalactiae Beta (Alfa. equi S. Sepse neonatal. Gama) Gama (Alfa) Alfa Alfa C G S. anginosus S. endocardites. faecalis E. endocardites. faringe e traquéia Orofaringe. pyogenes PADRÃO DE HEMÓLISE Beta HABITAT Orofaringe Pele Nasofaringe TGU Nasofaringe Pele TGU e TGI Nasofaringe Pele TGU e TGI TGU e TGI TGI PRINCIPAIS DOENÇAS Faringites. formando filamentos que pendem da superfície do meio. meningites. Gama) Beta (Alfa. faringites Infecções de pele. bovis S. TGI pneumonias Orofaringe Orofaringe Boca. etc. piodermites. pneumoniae D F H K Orofaringe. otite média.O cristal violeta impede o crescimento dos outros cocos Gram positivos e a azida sódica inibe a microbiota Gram negativa. Sinusite TGU e TGI Meningite Orofaringe e Abscesso cerebral. sinusite. Gama) Alfa (Beta.

fornecidos pelo Laboratório de Análises Clínicas. 106 . coxas. quando existe suspeita de infecção do trato urinário. 4) A seguir observar se há quantidade suficiente de urina para o exame. nádegas e abdômen. trocar o coletor por um novo. desde que o paciente retenha a urina no mínimo por 2 a 3 horas antes da coleta. tampa de rosca e boca larga. O restante da micção não deve ser utilizado. fazendo uma nova assepsia. Após a higienização da região genital. Em crianças com fraldas ou em pacientes que não têm controle de micção. 2) Enxugar com gaze estéril. Outras amostras também podem ser obtidas. Coleta de urina De preferência coletar a primeira urina da manhã. para controle de tratamento ou em pacientes assintomáticos com alto risco de infecção.TRATO GÊNITO URINÁRIO (TGU) Os agentes etiológicos mais freqüentes das infecções do aparelho urinário são: 1) Enterobactérias: Escherichia coli (90% dos casos) Klebsiella Proteus 2) Pseudomonas aeruginosa 3) Enterococcus 4) Staphylococcus aureus 5) Staphylococcus saprophyticus (este é considerado atualmente o principal agente de infecção urinária em mulheres jovens). desprezar o 1o jato e coletar o jato médio da urina. devemse usar coletores próprios de urina. em frasco estéril. Amostras de urina são submetidas à cultura. Caso não houver micção em uma hora. Pode ser adquirido em farmácias. 3) Aplicar o coletor autocolante. O material para o diagnóstico laboratorial é a urina. 1) Fazer anti-sepsia rigorosa do períneo.

107 . fazer coloração de Gram para observar a presença ou ausência de leucócitos e bactérias. 2) Cultivo da urina. Cultivo da urina homogeneizada Mergulhar uma alça de platina na urina e semear por estriais superficiais em placa de Teague e ágar sangue. caso contrário. Incubar a 37oC. 4) Antibiograma. Diagnóstico bacteriológico Uma vez no laboratório o exame segue as seguintes etapas: 1) Bacterioscopia (Gram) do sedimento.UROCULTURA É um exame QUANTITATIVO. o exame laboratorial deve ser feito o mais rapidamente possível (dentro de uma hora após a coleta). 3) Contagem de colônias (bactérias ou contagem de UFC = unidades formadoras de colônias). não mais que cinco horas. Descrição dos procedimentos 1o dia 1) Centrifugar a urina em um tubo coberto com cápsula de papel alumínio. 2) Derramar o sobrenadante e do sedimento. Para evitar a multiplicação das bactérias na urina coletada. pode se manter o material à temperatura de geladeira.

108 . Observar as características coloniais. realizar o teste IMVIC. A contagem pode ser feita das seguintes maneiras: 1. a fim de espalhar ao máximo o material.01 ou 0. Estriamento 2o dia Do Teague (EMB). Somente serve para contagem de viáveis. estria-se perpendicularmente à primeira linha semeada. fazer a série completa de provas bioquímicas. Se for um bacilo L+. Com alça calibrada. Esquema da Contagem Bacteriana Com Alça 1. Contagem com alça (é a mais utilizada) Para a contagem semiquantitativa usa-se alça metálica calibrada de 0. em urina homogeneizada e semear uma única estria central em placa de Teague e Ágar-sangue. 2. 2) Em seguida. Lâmino-cultivo. 1) Imergir a alça. de forma vertical. Se for um bacilo L-.Contagem bacteriana (contagem de colônias) – UFC A técnica de contagem em placa é baseada no princípio de que cada célula bacteriana quando cultivada em meio sólido ao se multiplicar forma uma massa macroscópica que é a colônia. IMVIC é uma série bioquímica simplificada para caracterizar as bactérias do grupo coliforme. 3. I = Indol M = Vermelho de Metila V = Voges-Proskauer C = Citratase 2. Esgotamento (Inoculação primária) 2. 1. Por diluições.001mL.

Contagem das colônias Contagem de colônias (UFC) por alça calibrada. para evitar os números com Mais de 100. caracterizá-los como nos capítulos precedentes. Se houver crescimento de estafilococos ou estreptococos.001 muitos zeros. 90.01 2) Alça 0. Leitura das características do estafilococo e estreptococo.000 col/mL urina.000 se a alça utilizada for de 0. se lactose negativa (L-).000 9. 109 . Exemplo: colônias contadas = 40.001. Exemplos: • • • • • • 3o dia Leitura do IMVIC e das provas bioquímicas do BGN.000 100.I Escherichia coli Enterobacter Klebsiella Citrobacter + + M + + V + + - C + + + móvel (urease tardia) imóvel Do crescimento em ágar sangue fazer Gram.000 100 45.000 = superior a 105 col/mL ou UFC/mL • • O Esquema de Urocultura está apresentado na página 109. 40 x 1.000 = 40.5x104 col/mL ou UFC/mL = 105 col/mL ou UFC/mL 40 x 100 = 4. O resultado é dado pelo laboratório usando potenciação. 1) Alça 0.000 col/mL urina.01 e por 1.000 = 9x104 col/mL ou UFC/mL = 9x103 col/mL ou UFC/mL = 102 col/mL ou UFC/mL = 4. • O número de colônias é multiplicado por 100 se a alça utilizada for de 0.

110 .

pielonefrite. Tratamento prévio com antibióticos. Bacteriúria sem piúria. pielonefrite. A A Identificação do MO e antibiograma. UFC/mL P P Identificação do MO e antibiograma. * Cistite. Piúria asséptica causada por desidratação / inflamação. * Bacteriúria sintomática. A A Identificação do MO. > 105 UFC/mL A P Identificação do MO e antibiograma. Provável uretrite ou paciente sob uso de antibióticos. Comentários Não existe infecção urinária. Sem crescimento P A Não houve crescimento de MO. * P P Identificação do MO e antibiograma. Contaminação (crescimento de várias espécies de MO). Provável contaminação ou colonização. Bacteriúria assintomática (gravidez ou paciente idoso). Bacteriúria assintomática (gravidez ou paciente idoso). P A Identificação do MO e antibiograma. P P Não houve crescimento de MO. Bacteriúria assintomática. Cistite.Interpretação dos resultados das análises de urina relacionados com sintomatologia clínica Contagem bacteriana Leucócitos Sintomas Como reportar o resultado A A Não houve crescimento de MO. P < 10 5 A Identificação do MO. * 111 .

considerar a predominante. 112 .Legenda: Sintomatologia Leucócitos MO = microrganismo P = presença de disúria e/ou freqüência urinária A = ausência de disúria e/ou freqüência urinária A = < 10/campo P = ≥ 10/campo * = se houver crescimento de mais de uma espécie de MO.

Ao exame microscópico observa-se a presença de muitos leucócitos. Há ausência de leucócitos no exame microscópico das fezes. A diarréia sanguinolenta é causada por bactérias invasivas e produtoras de citotoxinas que invadem ou destroem as células epiteliais do intestino. Shigella e Escherichia coli invasora e Escherichia coli enteropatogênica clássica. As evacuações são sanguinolentas e pouco volumosas. para a pesquisa do patógeno. Estas bactérias aderem à mucosa intestinal sem interferir na integridade das células epiteliais. sendo respectivamente: 113 . vibriões (Vibrio cholerae. As bactérias enteropatogênicas pesquisadas de rotina em coprocultura são: Salmonella. 2) Diarréia não sanguinolenta. de volume grande e evacuações freqüentes. Clostridium (Clostridium difficile e Clostridium perfringens) e Staphylococcus aureus são pesquisados somente em situações especiais e quando solicitado pelo médico. em meio de Teague ou SS. Vibrio parahemolyticus e Campylobacter jejuni). 2) Semear 3 a 4 alçadas das fezes em um caldo de enriquecimento (caldo GN. As fezes ficam liquefeitas. tetrationato ou selenito) 3) Incubar o Teague e SS (ágar Salmonella-Shigella) a 35oC ± 1oC por 24 horas e caldo de enriquecimento a 35oC ± 1oC. As fezes devem ser coletadas no início da diarréia. A diarréia não sanguinolenta é causada por bactérias produtoras de enterotoxinas. sendo que o período de incubação varia de acordo com o caldo utilizado. Cultura de Fezes 1o dia 1) Semear uma alçada de fezes ou swab anal. Outras bactéria como a Yersinia enterocolitica. As diarréias agudas podem ser divididas em dois grupos: 1) Sanguinolenta.INTESTINAIS Diversos são os agentes que podem causar doenças diarréicas e entre eles as bactérias. por estrias superficiais.

pois quando estas bactérias estão presentes em pequena quantidade podem ser prejudicadas pela competição com a microbiota intestinal. conforme esquema abaixo. Desoxicolato). 2o dia 1) Observar o crescimento nas placas de Teague. Repicar as colônias suspeitas do Teague e SS para os tubos contendo EPM e MILI. A inoculação em EPM é feita com agulha por picada profunda e. fazer estriais superficiais na parte inclinada do meio. 4) Repicar do caldo de enriquecimento para uma placa de SS ou XLD (Xilose. O meio de MILI deve ser semeado fazendo-se uma picada central próxima ao fundo do tubo.GN – 4 a 6 horas Selenito – 8 a 12 horas Tetrationato – 12 a 24 horas O enriquecimento é necessário para recuperação e isolamento da Shigella e Salmonella. Lisina. sem recarregar a agulha. Esquema da Inoculação Com Agulha Por Picada Profunda Vista Lateral Vista Anterior EPM EPM 114 .

EPM – Cor original: verde Verde acastanhado – LTD positivo Bolhas de ar – gás positivo Amarelo – glicose positivo Azulado – uréia positiva Preto – H2S positivo 6 MILI – Cor original: roxa Formação de anel vermelho ao adicionar o reativo de Kovacs – indol positivo Formação de anel amarelo ao adicionar o reativo de Kovacs – indol negativo Turvação ao redor da linha de inoculação motilidade positiva Amarelo – lisina negativa Qualquer cor diferente do amarelo lisina positiva 115 . 2) Se houver suspeita de algum patógeno significativo. que veio do enriquecimento.3o dia 1) Realizar a leitura do EPM/MILI. realizar provas bioquímicas complementares (se necessário) e soroaglutinação específica. semear as colônias claras no Baracchini. 3) Do SS.

antes de utilizar os soros monoespecíficos. a mais freqüente é a Salmonella typhimurium. No nosso meio. Em seguida repetir a mesma técnica usando o soro polivalente H. misturando 1 gota do anti-soro e 1 gota da suspensão bacteriana a identificar. Caso haja aglutinação com todos os soros que correspondem à fórmula antigênica de Salmonella typhimurium. A Salmonella possui antígenos somáticos O e antígenos flagelares H. Sobre uma lâmina colocar uma gota de soro polivalente O e 1 gota de suspensão bacteriana a identificar. fica comprovada a sua identificação. têm que dar positivas. 2.Enteropatógenos O fluxograma de triagem para enteropatógenos em Coprocultura após o cultivo em MILI e EPM encontra-se demosntrado na página 123. O e H. Caso haja especificidade. Ambas as aglutinações. Iniciar com soros correspondentes às salmonelas que mais comumente se isolam na região. Misturar com alça até ficar com aparência homogênea. A aglutinação H forma flocos grandes e frouxos. Técnica 1. Os antígenos flagelares podem pertencer a fase 1 ou fase 2 (Salmonelas difásicas). Com movimentos basculantes contínuos. promover maior contato entre o soro e as bactérias. Uma primeira orientação é obtida com misturas de soros O (polivalentes O) e soros H (polivalentes H). Em seguida fazer aglutinação com soros monoespecíficos: somáticos e flagelares. ocorre reação Ag-Ac que se manifesta pelo fenômeno da aglutinação. 3. a aglutinação O forma grumos miúdos e compactos. Teste de Identificação Sorológica O teste é feito por aglutinação rápida em lâmina. 116 .

inganda S. 9. 6 1. tennessee S. 12 1. 5 1.Observação: a identificação sorológica de todas as salmonelas (mais de 2200 sorotipos) só pode ser feita em Laboratórios de Referência. 7 1. eimsbuettel S. thompson S. n. 5 e. infantis S. 12 1. 12 3. h e. 9. m. 4. 5. 7 6. w 1. 5 1. tokodari S. typhi S. montevideo S. 7 6. 12 1. e. 10 3. bonariensis S. 2 1. 5 1. 2 1. 12 4. 4. schwarzerngrund S. decatur S. sendai S. w 1. n. 5 1. n. z15 1. 8 6. 27 6. 2 1. 5 1. 12 1. 12 1. 12 9. t i i l. salinatis S. oslo S. maleagridis S. paratyphi – A S. 12 1. 12 1. 5 1. 7 6. 5. newport S. 12. 8 6. 7 6. 9. 8 6. 6 1. h e. haardt S. 12 4. dublin S. 5 1. oranienburg S. 8 6. 5 1. 2 1. nchanga Antígeno O 1. 14 1. 5. 2 C1 C2 C3 C4 D E 117 . typhimurium S. 7 6. 5. 8 8 8. 6 1. 7 6. 12 1. 7. 5 e. 4. 7 e. h e. e. x 1. 7 1. w 1. 9. g. h e. 7 d. h l. 2. 7 6. birkenhead S. 5 1. lichtfield S. 4. 4. h f. w Fase 2 1. 4. 10 3. 2 1. california S. belem S. v b e. panama S. anatum S. 7 6. kentucky S. v k l d a d g. 5 1. p. 27 4. saint-paul S. h i i l. livingstone S. agama S. x 1. t k r z10 z29 c c d e. 10 3. 12 (Vi) 1. 2 1. butantan S. 7 6. Os laboratórios clínicos dispõem apenas dos soros das salmonelas mais freqüentemente isoladas. m g. chester S. 9. 12 (Vi) 1. derby S. s g. p l. g f. h e. 6 1. muechen S. 12 1. Grupo A B Sorotipo S. cholerae-suis S. norvich S. s m. v a c c c d e. 4. 7 6. 7 6. 5 1. paratyphi – C S. x 1. 10 Fase 1 a b d d. gallinarum S. 4. 7 6. bredeney S. 7 (Vi) 6. 5. agona S. 5 z6 1. reading S. 2 1. kaapstad S. 12 1. h g. m. 12 4. 20 6. enteritidis S. 8 6. 4. paratyphi – B S. 12. 12 1. 5. n.

118 . ETEC possui fatores de colonização (adesinas fimbriais) – ligam a bactéria a sítios esfecificos na superfície celular dos enterócitos. LT atua na adenilato ciclase e a ST na guanilato ciclase (aumenta assim aprodução de fluidos e causa diarréia).Shigella Possui 4 espécies. Escherichia coli A principal bactéria da microbiota intestinal é a Escherichia coli. Há 167 sorogrupos e desde 60 existem em humanos: 25 microbiota normal. mas destrói microvilosidades (adesão-aplainamento) por fímbrias formadoras de feixes. Produzem poderosas enterotoxinas codificadas por plasmídeos – LT (termolábil) ou ST (termoestável). 35 patogênicas. uma proteína translocase. cada espécie com diversos sorotipos. É caracterizada somente pelo antígeno O (é desprovida de antígenos H e K). As espécies: Shigella dysenteriae Shigella flexneri Shigella boydii Shigella sonnei A Shigella é imóvel. intimina e seu receptor. Técnica O teste de aglutinação segue a técnica anterior. As Escherichia coli patogênicas são distribuídas em 5 sorogrupos: EPEC – enteropatogênica clássica ETEC – toxigênica EIEC – invasiva EHEC – hemorrágica EAEC – aderente EPEC não produz nenhuma toxina. As não patogênicas podem causar infecção urinária e meningite.

Hemorrágica. Faz que nem tijolo empilhado. K e H – a partir deles fazemos a diferenciação das cepas de E. Isso faz aparecer sangue e muco nas fezes. 114. 167 6. 119. 15. provocando destruição tecidual. multiplicam-se e disseminam-se para as células adjacentes. 112. a bioquímica e a sorologia se fazem necessárias. Atuam no intestino delgado e fazem diarréia persistente. 63. penetram nas células do epitélio intestinal por endocitose. 152. No interior das células. Tem muitas fímbrias que foram transcritas a partir de genes plasmidianos. 124. 128. 55. 164. necrose e ulceração. 158 28. 126. 20. A verotoxina atinge as células epiteliais e causa diarréia. inflamação. 78. 142. * Testes específicos são necessários para identificar cepas de E. Observações EPEC (associados somente com diarréia infantil) EIEC (associados com disenteria bacilar) ETEC Intestinal 143. Duas conseqüências são: a colite hemorrágica e a síndrome hemolítica urêmica. utilizamos a sorologia por meio desses três antígenos. coli – para fazer a diferenciação de qualquer cepa de Escherichia coli. 115. EAEC – liga-se às células na cultura de tecido. principalmente em crianças. coli possui os antígenos O. igual à EPEC. Sorogrupos de Escherichia coli associados a infecções humanas Infecção Sorogrupo O 26. mas é uma técnica muito cara (diagnóstico molecular). Produz uma toxina verotoxina (que é idêntica à toxina Shigalike da Shigella). 144. 136. EIEC se liga especificamente à mucosa do intestino grosso – utiliza genes associados a plasmídeos. 29.EHEC . 111. 157 EHEC (associados com a colite hemorrágica) 119 . 86. 25. Ela se fixa na mucosa do intestino grosso pelo processo de adesão aplainamento. 8. 128. coli patogênicas Por fazer parte da microbiota normal intestinal. Produz toxinas termolábeis. * E. 125. lisam o vacúolo endocítico. 148 26. PCR pode ser utilizada.

inibe a maior parte das bactérias Gram positivas. 22. 11. 8. 9. Coprocultura positiva para Escherichia coli enteropatogênica clássica. A fórmula antigênica da Escherichia coli é representada por números arábicos colocados após as letras. 2. 120 . Coprocultura positiva para Shigella flexnerii. existem 171 antígenos O. 83 1. Ou citar o sorotipo quando efetuadas as tipagens sorológicas completas. o laboratório envia ao médico o resultado. Exemplos conforme o resultado obtido: 1. 75 Membros da microbiota normal dos intestinos Meningite do recém-nascido Bacteremia 1. Após a conclusão dos testes. 7. 18. inibem coliformes e Gram positivas. K e H. Meios de cultura usados nesta prática Meio SS Seletivo diferencial. 100 antígenos K e 57 antígenos H. 76 A Escherichia coli possui antígenos O. 25. 16. Exemplo: O26:K60:H11. 18. 9. Fórmula: Lactose: é diferencial. Aglutinação: as técnicas de aglutinação são feitas como nas anteriormente citadas. 7. A identificação só é completa após os testes sorológicos. 25. 6. Coprocultura positiva para Salmonella sp. 3. Hipossulfito de sódio: inibe outros Gram negativos. SS – iniciais de Salmonella e Shigella. 11. 4. 6. 6. Sais biliares: favorecem a Salmonella. 22.Urinária 1. Vermelho neutro: indicador de pH. 2. Coprocultura negativa para bactérias enteropatogênicas (citar as bactérias pesquisadas) Observação final: as provas bioquímicas são insuficientes para a identificação das enterobactérias patogênicas. 4. 4. Verde brilhante: seletivo. 2. 62. geralmente aglutinando-se com o soro anti-O. 7. 8.

Ágar simples. Roxo escuro com brilho metálico: suspeita de E. coli Incolor (com ou sem centro negro): suspeita de Salmonella spp.5 g/L) e altas concentrações de citrato de sódio. coli Azul ou verde azulado: suspeita de Salmonella spp. (com ou sem centro negro).5 g/L – os outros meios têm 1. Vermelha. Pode inibir Shigella spp. Colônias cor de rosa: suspeita de E. pelas altas concentrações de sais biliares (8. 2002 121 . Rugai e sorotipagem Fonte: Opustil et al. a ponto de não ser aconselhado por microbiologistas de renome. coli Transparentes ou roxo claro: suspeita de Salmonella spp. Amarela: suspeita de E. Amarela: suspeita de Klebsiella spp.. É formulado para prejudicar a maior parte das Gram negativas. Crescem BGNs somente Seletivo para Salmonella e Shigella. Shigella spp. Inibe CGPs. inclusive os coliformes. e algumas E. coli MC Rugai e sorotipagem EBM TEA HHT bactérias. Crescem BGNs somente Isolamento de entero- ASPECTO DAS COLÔNIAS SUSPEITAS Lactose negativa (transparente ou sem cor): suspeita de Salmonella spp. Colônias negras: suspeita de Salmonella spp. Incolor: suspeita de Shigella spp. Lactose positiva (co de rosa): suspeita de E. PROCEDIMENTO DE IDENTIFICAÇÃO MEIO DE CULTURA FINALIDADE DO MEIO Isolamento de enterobactérias. Inibe CGPs. O meio SS é muito seletivo. Rugai e sorotipagem HE Contém indicador da produção de H2S (ácido sulfídrico) Seletivo para Salmonella spp. coli invasoras.Cloreto férrico. Rugai e sorotipagem SS Contém indicador da produção de H2S Rugai e sorotipagem Seletivo para VB Salmonella spp. Shigella spp. rosa forte ou translúcida circundadas de vermelho: suspeita de Salmonella spp.

Produção de indol a partir de triptofano. Hidrólise da uréia pela enzima urease. Produção de gás pela fermentação da glucose.5g 4g 1. 20g 1g 2g 5g 0. Fermentação da glucose. Indol e Lisina) É um meio semi-sólido onde pode ser lido: Motilidade. MILI (Motilidade.5g 5g 122 .EPM (Escola Paulista de Medicina) Este meio trata-se de uma modificação do meio de Rugai e Araújo pela retirada da sacarose e da prova do indol. GN Broth (Bacilo Gram Negativo – Caldo) Triptose Dextrose D-manitol Citrato de sódio Desoxicolato de Na Fosfato de potássio Fosfato monopotássico NaCl P/ 1000mL de H2O. Neste tubo pode ser lido: Desaminação do L–triptofano. Produção de H2S. Descarboxilação da lisina.

123 .

Salmonella sp. 4. Lactose e Sacarose 7) Uréia 8) Vermelho de Fenol 9) Azul de Timol 10) Ágar É importante estabelecer a proporção de glucose de 1:10 em relação a cada um dos demais carboidratos. Base amarela. 3. H2S. 2. Enterobacter sp. em forma de bisel. além da produção ou não de urease. com ou sem enegrecimento e com o ápice violeta. 6. com ou sem enegrecimento e com o ápice amarelo. sem gás. Base violeta. ápice amarelo ou amarelo avermelhado.. Base amarela. O meio sólido é distribuído para apresentar uma base em coluna alta de aproximadamente 3cm de altura e o ápice inclinado do mesmo comprimento que a base. Proteus sp.MEIO BARACCHINI Este meio permite observar a decomposição de três açúcares: glucose. Escherichia sp. Base amarela. Citrobacter sp. As bactérias inoculadas no fundo vão ter uma relativa anaerobiose. com enegrecimento e com o ápice vermelho. 1) Extrato de carne 2) Triptose 3) NaCl 4) Tiossulfato de Sódio Composição deste meio de cultura 5) Sulfato Ferroso 6) Glucose.. Base amarela. gás e indol. sem gás e ápice vermelho. É um meio que promove sete provas bioquímicas em uma só. Klebsiella sp. Pseudomonas aeruginosa Bactérias Gram Positivas 124 . com enegrecimento e com o ápice vermelho. 5. com gás. Base e ápice vermelhos. Shigella sp. 7. com gás. DIAGNÓSTICO Salmonella typhi Salmonella arizona. lactose e sacarose. sem gás. ASPECTO 1. Base amarela.

onde não existe o O2. A bactéria é não fermentadora de lactose e fermentadora de glucose. 125 . os quais são facilmente neutralizados pelas aminas alcalinas. temos três resultados: CASO 1 Base alcalina Ápice alcalino Não fermentadora CASO 2 Base ácida Ápice ácido Fermentadora de lactose e sacarose Inicial Ápice e base ácidos Não fermenta lactose Fermenta glucose CASO 3 Posterior Base ácida (amarela) Ápice vermelho CASO 1: Quando a bactéria é incapaz de fermentar qualquer açúcar testado. a lactose ou a sacarose. Devido à maior proporção. se fermentadas. A base e ápice apresentam cor amarela (pH abaixo de 6. CASO 3: Ilustra o metabolismo inicial e a transformação posterior definitiva. A glucose em pequenas quantidades nesse meio (1:10) em relação aos outros carboidratos.Resultados Relacionados apenas com a decomposição de açúcares (não considerando a uréase e o H2S). Inicial: A base e o ápice aparecem amarelos indicando acidificação (fermentação de glucose).0). ao transformarem aminas a partir da descarboxilação oxidativa do O2 do ar (no fundo do tubo. produz pequenas quantidades de ácidos. Há produção de ácidos. produziriam pequenas quantidades de ácidos. a decomposição dos peptídeos é quase nula). CASO 2: Quando a bactéria é fermentadora de glucose e sacarose ou lactose. e que as aminas formadas não conseguiriam neutralizar. A base e o ápice conservam a cor vermelha inicial (pH alcalino). Posterior: A superfície do bisel gradualmente volve ao pH alcalino (meio vermelho inicial).

CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Como quase sempre o paciente chega ao serviço de saúde logo na primeira semana. 2) Reação de soro-aglutinação Períodos da doença e as porcentagens de positividade Primeira semana = hemocultura (80 a 100% de positivo). Estes sintomas persistem por uma semana ou mais e são seguidos de sintomas gastro-intestinais. pode haver casos isolados e será a anamnese que nos guiará a qual exame deverá ser feito. mal-estar e anorexia. hemocultura (40%). Segunda semana = hemocultura (75%).FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE A febre entérica é adquirida através da ingestão de água ou alimentos contaminados com material fecal. quase sempre o exame a ser feito é a hemocultura. O diagnóstico laboratorial é feito por duas provas: 1) Hemocultura diagnóstico direto. Agente etiológico: Febre Tifóide Salmonella typhi Salmonella paratyphi A. que aumenta gradualmente. Reação de Widal (diagnóstico indireto). mialgias. Widal (10%). Terceira semana = Reação de Widal (100%). Widal (75%). Salmonella schottmuelleri (antiga Febre Paratifóide Salmonella paratyphi B) e Salmonella hirschfeldii. com queixas inespecíficas de cefaléia. No prazo de 10 ou 14 dias após a ingestão dos bacilos aparece febre. “Há quanto tempo o(a) senhor(a) está com essa febre?” NA PRIMEIRA SEMANA: FAZER HEMOCULTURA NA SEGUNDA SEMANA: INDIFERENTE NA TERCEIRA SEMANA: FAZER WIDAL 126 . No entanto.

Incubação Invasão ativa e Bacteremia ACME Fonte: Rubin. 2006 Observação: como nem sempre o paciente sabe especificar o início da doença. independente do período da infecção. para obter maior probabilidade diagnóstica. alguns clínicos recomendam realizar ambas as provas simultaneamente. 127 .

como nos frascos de penicilina). Mas como o pico febril geralmente 128 . Foi por isso chamada de Mary Typhoid. trocar a agulha e inocular no frasco com meio de cultivo. 3) Aplicar álcool iodado a 1%. porque é o período de maior concentração de bactérias circulantes. 4) Passar álcool 70% para retirar o iodo. que consiste num frasco com meio de cultura e vácuo. Recomenda-se fazer: 1) Lavagem com sabão medicinal. Muitos livros de microbiologia citam o caso de uma cozinheira americana que trabalhou para oito famílias durante oito anos e foi a fonte de contaminação de sete epidemias de Febre Tifóide com mais de duzentos casos. Extraído o sangue. 2) Enxaguar com água estéril. Hemocultura É o cultivo do sangue do paciente em meios adequados. Período da coleta Recomenda-se a coleta de sangue imediatamente antes do pico febril. em virtude da infecção crônica da vesícula biliar em alguns pacientes. Para comprovar que o paciente não alberga a Salmonella é preciso fazer três coproculturas de três evacuações consecutivas. A coprocultura não tem por objetivo o diagnóstico da doença e sim para confirmar o estado de portador. O portador elimina a Salmonella através das fezes podendo propagar a doença. Puncionar a veia com a agulha do próprio sistema e o sangue é aspirado diretamente para o frasco. Em ambos os casos. As três devem ser negativas. Pode-se usar também um sistema fechado.Quarta semana (fase de convalescença) = realiza-se a Coprocultura-Teste de libertação. O sangue é obtido por punção da veia usando seringa e agulha. o local da punção deve ser rigorosamente descontaminado. No caso da Salmonella pode se usar o caldo bileado. perfurando a tampa de borracha (o diafragma de borracha. Após a anti-sepsia não palpar a veia com os dedos.

Uso de antibióticos Se o paciente estiver usando antibióticos. é aconselhada a coleta de duas amostras com uma hora de diferença. realizam-se duas coletas. até 30 dias). colher de 1 a 5 mL. Alguns meios para hemocultura disponíveis no comércio contêm anticoagulante polianetol-sulfonato de sódio (PSS) que. neutraliza-se a sua ação. além de evitar a coagulação do sangue. Se forem sulfamídicos. lisozima. Nos casos de estado febril agudo em que haja a necessidade de terapia imediata. visto que o número de bactérias circulantes é pequeno. Neisseria meningitidis e Gardnerella vaginalis não se deve usar este anticoagulante. porque ele inibe o crescimento destes agentes. Cultivo Os frascos com o sangue devem ser incubados a 37oC e observados durante vários dias (para Listeria. na vigência do tratamento com antibióticos. um microrganismo da ação bactericida do sangue. Devido ao pequeno número de microrganismos. de 10 a 20 bactérias por mL. 3 em adultos que não estejam em tratamento e 4 a 6 amostras. Volume do sangue a cultivar Para hemocultura de adultos. a diluição necessária para preservar. o 129 . retira-se 10 mL de sangue. acrescentando penicilinase ao meio de cultura (50 u%). acrescentase ácido p-amino-benzóico (5 mg%). Em crianças de até um ano. Normalmente recomenda-se colher 2 amostras em crianças. Observação: quando há suspeita de que a septicemia é causada por Neisseria gonorrhoeae. fagocitose e inativa aminoglicosidios. inibe a ação do complemento. o fato deve constar na requisição do exame dando o nome do medicamento. in vitro.não pode ser previsto. Proporção: semear em meios de cultura guardando a proporção de 1 para 10. uma em cada braço. Se for penicilina.

Nesta ocasião. pág. O resultado de Gram é enviado ao clínico para orientação preliminar. Isolamento em placas para caracterização. dirigida contra os antígenos O e antígenos H. Por exemplo: Hemocultura positiva para bacilos Gram negativos após cinco dias de incubação. visto que eles existem em pequenas quantidades em sangue de pessoas normais. Para detalhes técnicos e interpretação de resultados da Reação de Widal. Caracterização bioquímica em andamento. manda-se o resultado definitivo ao médico. Um vez identificada a bactéria. Para que a Reação de Widal tenha valor diagnóstico é necessário titular os anticorpos presentes. 635 a 642. 130 .crescimento é lento. consultar Microbiologia e Imunologia de Otto Bier. O crescimento é percebido pela turvação do meio. tirar uma pequena porção da cultura e fazer: • • Bacterioscopia pelo Gram. no sangue do paciente. Reação de Widal A Reação de Widal é uma soro-aglutinação e pesquisa anticorpos anti-salmonela. edição 1990.

Após incubação.88 mcg/mL 0.5 mcg/mL 3. Já o tubo com 7.94 mcg/mL Nos tubos são colocadas quantidades conhecidas e decrescentes do antimicrobiano e quantidades fixas de bactérias em todos os tubos. O CIM deste antibiótico é = 7. Este método. No exemplo acima houve crescimento nos três tubos da direita.TESTE DE SENSIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS (TSA) São testes utilizados para observar a resistência ou sensibilidade aos antimicrobianos de bactérias isoladas de amostras clínicas representativas de um processo infeccioso. cuja sensibilidade não é previsível.5 mcg/mL.5 mcg não apresentou turbidez. é sempre usado em situações onde o método de difusão fornece dados inseguros. fornecendo dados quantitativos.75 mcg/mL 1. Exemplo: 30 mcg/mL 15 mcg/mL 7. b) Quantidades constantes de bactérias. Portanto temos: a) Quantidades variáveis do antimicrobiano. 1) Por diluição do antibiótico 2) Por difusão do antibiótico Diluição O teste da diluição em caldo é empregado para determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) que é dada pela quantidade da droga no tubo onde não houver mais crescimento (a quantidade é expressa em mcg/mL). observar os tubos com crescimento revelado pela turbidez. Também quando os pacientes não respondem 131 .

2) Espessura uniforme de 4 mm com superfície perfeitamente plana. 3) As placas não devem ter umidade excessiva na superfície do meio e na tampa. 4) O meio deve ser recente (não ressecado). o Teste de Sensibilidade aos Antibióticos (TSA) ou antibiograma.3 a 7. mas a mais usada em Laboratórios de Análises Clínicas é a técnica de difusão do disco (confete) de papel de filtro.4. Difusão O segundo método. Para outros microrganismos ainda são feitas investigações para efeito de padronização. o que permite correlação com os dados de CIM e os níveis antimicrobianos a nível de sangue e urina. apresentada pelo antibiótico. Cuidados com o inóculo A suspensão bacteriana deve ter turvação idêntica ao tubo no 5 do padrão de sulfato de bário (escala de Mac Farland – 0. podendo-se usar: comprimidos. de se difundir no meio de cultura sólido.a uma terapêutica aparentemente adequada ou então que apresentam recidivas no curso do tratamento. O método de Kirby-Bauer foi padronizado para patógenos de crescimento rápido. A variação da concentração do inóculo pode resultar em erros superiores a 50%. É o método de Kirby-Bauer que é prático.5 mL de BaCl 1% + 99. barato e de fácil execução.5 mL de H2SO4 a 1%). 132 . embebido em antibiótico. seguro. escavações nas quais se coloca o antibiótico. como enterobactérias. com a dosagem habitual do antibiótico prescrito. Staphylococcus aureus e Pseudomonas. A padronização requer os seguintes cuidados relacionados aos meios de cultura: 1) pH 7. intermediário (ou pouco sensível) e resistente. As técnicas variam. Há vantagem também na apresentação do resultado em três níveis: sensível. baseia-se na capacidade.

de 15 cm aproximadamente. 133 . Os discos podem ser individuais ou polidiscos. retirar da geladeira ou freezer e usar somente quando os frascos atingiram a temperatura ambiente. Retirar o excesso do líquido pressionando-o contra a parede interna do tubo. 1o dia Semeadura em placa 1) Mergulhar um swab estéril no inóculo a testar. os discos podem ser aplicados manualmente (com auxílio de pinça estéril) ou por dispositivos mecânicos simples ou múltiplos. para evitar gotas de condensação. 2) Deslizar o swab sobre a superfície em todas as direções (semeadura em massa). 2) Antes de usar.Cuidados com os discos de papel de filtro 1) Devem ser conservados a 4oC (ou menos). observando que não fique nem uma área sem semear. Aplicação dos discos 1) Com cuidados de assepsia. Ligações inertes Discos impregnados A placa é de diâmetro grande. Os polidiscos são usados em laboratórios de rotina grande. em frascos originais.

indicam quantidade insuficiente de bactérias. 134 . No caso dos discos individuais deve se respeitar o espaçamento entre eles de 3 cm e 2 cm entre o disco e a borda da placa. 2) Medir com régua milimetrada o diâmetro da zona de inibição de crescimento ao redor do disco (inclusive o disco). muito separadas. Observar a variação. do halo de inibição em relação ao antimicrobiano e a bactéria testada (as tabelas estão nas páginas seguintes). Usar um antibiótico de cada grupo. bacitracina e vancomicina.Há economia de tempo e trabalho visto que se coloca o polidisco de uma só vez. 3) Inverter a placa e incubar a 37oC. No centro da placa colocar os antibióticos com menor poder de difusão: polimixina. No exemplo acima o polidisco tem 13 antibióticos. 2) Após colocar o disco. 3) Crescimento de colônias isoladas dentro do halo indica presença de mutantes resistentes ou contaminantes (cultura mista). na “Tabela de Agentes Antimicrobianos Sugeridos para Uso Rotineiro em Antibiograma” e “Tabela de Interpretação de Diâmetro dos Halos de Inibição”. fazer uma pressão leve com a pinça para deixá-lo aderido à superfície do meio. Colônias isoladas. 2o dia 1) Observar o crescimento que deve ser semiconfluente. São recomendados meios de cultura especiais para antibióticos pouco solúveis em água.

) Enterococos (E.) Haemophilus sp.) Pneumococos quando 1 mcg ≤ 19 ≥ 20 sensíveis à penicilina G Penicilina G (..) Estafilococos 1 mcg 11 – 12 ≤ 10 ≥ 13 (.. bovis 10 unidades ≤ 19 20 – 27 ≥ 28 Rifampicina 30 mcg ≤ 16 17 – 19 ≥ 20 Tetraciclina 30 mcg 15 – 18 ≤ 14 ≥ 19 Tobramicina 10 mcg ≤ 12 13 – 14 ≥ 15 Trimetoprim / sulfametoxazol 1......) N.... 10 mcg ≤ 19 ≥ 30 (. bovis) 10 mcg ≤ 21 22 – 29 ≥ 30 (.Interpretação do Diâmetro dos Halos de Inibição Antimicrobiano Potência do Diâmetro do halo de inibição (mm) Resistente Intermediário Sensível disco Amicacina 30 mcg ≤ 14 15 – 16 ≥ 17 Ampicilina (.) Listeria monocytogenes 10 mcg ≤ 19 ≥ 20 Carbecilina 100 mcg (..) Enterococo 10 mcg ≤ 16 ≥ 19 (..25/23..) Gram-negativos entéricos 10 mcg ≤ 11 12 – 13 ≥ 14 (..) L..) Estafilococos 10 mcg ≤ 28 ≥ 29 (... gonorrhoae 10 unidades ≤ 19 ≥ 20 (. faecalis) 10 unidades ≤ 14 ≥ 15 (..) Pseudomonas ≤ 13 14 – 16 ≥ 17 (..) Gram-negativos entéricos ≤ 17 18 – 22 ≥ 23 Cefotaxima 30 mcg ≤ 14 15 – 22 ≥ 23 Cefoxitina 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Ceftazidima 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Ceftriaxona 30 mcg ≤ 13 ≥ 21 14 – 20 Cefalotina 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Cloranfenicol 30 mcg 13 – 17 ≤ 12 ≥ 18 Clindamicina ou Lincomicina 2 mcg ≤ 14 15 – 20 ≥ 21 Eritromicina 15 mcg ≤ 13 ≥ 23 14 – 22 Fosfomicina 50 mcg ≤ 13 14 – 22 ≥ 17 Gentamicina 10 mcg ≤ 12 ≥ 15 13 – 14 Imipenem 10 mcg ≤ 13 14 – 15 ≥ 16 Metilmicina 30 mcg ≤ 12 13 – 14 ≥ 15 Oxacilina (.) S..75 mcg ≤ 10 11 – 15 ≥ 20 Vancomicina 30 mcg ≤ 9 10 – 11 ≥ 28 Antimicrobianos específicos para infecções urinárias Ácido pipemídico 20 mcg ≤ 13 14 – 18 ≥ 19 Ácido nalidixo 30 mcg ≤ 13 14 – 18 ≥ 19 Nitrofurantoína 300 mcg ≤ 14 ≥ 17 15 – 16 Norfloxacina 10 mcg ≤ 12 13 – 16 ≥ 17 Sulmamídicos 250 a 300 mcg ≤ 12 13 – 16 ≥ 17 Drogas para Germes Urinários 135 ..) Estafilococos 10 unidades ≤ 28 ≥ 29 (.....) Estreptococo (S... monocytogenes 10 unidades ≤ 19 ≥ 20 (....

Atualmente o número de doenças transmitidas pelo contato sexual aumentou (ver tabela). hepatites. Ureoplasma urealyticum. entre os quais: • • • • Maior liberdade sexual. Há as que são causadas por vírus: Herpes. Giardia e Enterobius são transmitidas após o contato bucolingual-anal. O aumento das DST foi devido a mudanças do comportamento sexual. Shigella. AIDS. A Entamoeba histolytica. Herpes vírus e o protozoário flagelado Trichomonas vaginalis.11: CAPÍTULO 11: DOENÇAS SEXUALMENTE TRASMISSÍVEIS PRINCIPAIS AGENTES ETIOLÓGICOS: Cancro mole/cancróide Gonorréia Sífilis Outras: Haemophilus ducreyi Clamydia trachomatis Neisseria gonorrhoeae Linfogranuloma venéreo (LGV) Treponema pallidum Gardnerella vaginallis. Multiplicidade de parceiros. Candida albicans. ligado a diversos fatores. Infecções por bactérias: Salmonella. o qual vocês verão com detalhes na Parasitologia Médica (BP331). Maior expressão social feminina Doenças infecciosas e infestações transmitidas por contato sexual Tipo de Agente Agente Específico Doença ou Síndrome Citomegalovírus Citomegalovirose Vírus da hepatite A Hepatite A Vírus da hepatite B Hepatite B Vírus do herpes simples tipo 2 Herpes simples genital Vírus Vírus da imunodeficiência AIDS humana Vírus do molusco contagioso Molusco contagioso Vírus do papiloma genital Condiloma acuminado 136 . Calymmatobacterium granulomatis. Início precoce da atividade sexual. Mycoplasma hominis. Campylobacter.

epidimite.Calymmatobacterium granulomatis Campylobacter sp. Cervicite. febre puerperal e pielonefrite Gonorréia (uretrite e outras síndromes) Salmonelose Shigelose Sífilis Uretrite. febre pós-abortamento. O treponema penetra através de mucosas íntegras ou em efrações da pele. A sífilis é uma doença de evolução lenta e pode ser dividida em quatro fases: Fase da Doença 1 – Sífilis Primária 2 – Sífilis Secundária 3 – Sífilis Latente 4 – Sífilis Terciária Cancro duro Roséolas Caracterização Sem sintomas ou sinais Sífilis cardiovascular ou neurossífilis (demência) 137 . endometrite. Treponema pallidum Ureaplasma urealyticum Fungo Protozoários Helmintos Artrópodes Candida albicans Entamoeba histolytica Giardia lamblia Trichomonas vaginalis Enterobius vermicularis Phthirus pubis Sarcoptes scabiei SÍFILIS Sífilis ou lues é causada por Treponema pallidum. geralmente. acidentes de laboratório ou por via placentária. Mais raramente pode ser adquirida por transfusão de sangue. uretroprostatite e corioamnionite Vulvovaginite e balanopostite Amebíase intestinal Giardíase Vulvovaginite e uretrite Enterobíase Ptiríase ou pediculose pubiana Escabiose Bactérias Gardnerella vaginalis Hemophilus ducreyi Mycoplasma hominis Neisseria gonorrhoeae Salmonella sp. Shigella sp. peri-hepatite e linfogranuloma venéreo (no sexo feminino) Vaginite Cancro mole ou cancróide Salpingite. bartolinite. Chlamydia trachomatis Granuloma inguinal ou donovanose Enterite e enterocolite Uretrite. salpingite. A umidade favorece a instalação. transmitida sexualmente ou em relações muito íntimas. proctite. proctite e linfogranuloma venéreo (no sexo masculino). síndrome uretral.

vulva. parede vaginal. indolor e de fundo liso com cor avermelhada. O cancro duro cura espontaneamente ao fim de 1 a 3 meses. 2006 2. Na pele aparecem manchas eritematosas chamadas roséolas sifilíticas (principalmente no tronco). reto e na cavidade oral (faringe e tonsilas). vulva. Sífilis Secundária O Treponema pallidum dissemina-se a partir da lesão inicial e pode acometer vários órgãos e tecidos. As localizações mais freqüentes são: pênis. Cobre-se facilmente com secreção purulenta devido à infecção por contaminantes. geralmente circular e única. bordas endurecidas (daí o nome) e elevadas. mucosa retal. É uma lesão de 1 a 2 cm de diâmetro. Sífilis Primária Aparece de 2 a 6 semanas após o contágio e se manifesta com o aparecimento de uma lesão chamada cancro duro ou protosifiloma. canal endocervical e em menor freqüência no ânus. Fonte: Netter. 2006 Fonte: Rubin. prepúcio e reação 138 .1. Na mucosa bucal a lesão tem semelhança com a afta e é rica em treponemas. Podem aparecer lesões nas amígdalas.

como foi visto em Histologia I). da mãe infectada para o feto. Esta fase pode durar de 1 a 30 anos. Sífilis Terciária É quando o caráter de infecção já é neurológico e cardiovascular. Pode ocorrer aortite sifilítica. que é um tipo de endarterite obliterante dos vasa vasorum (os microvasos que nutrem os leiomiócitos da túnica média dos grandes vasos. pode ocorrer neurossífilis lesando meninges. pode ocorrer um aneurisma sifilítico e outras lesões que serão discutidas na disciplina de Anatomia Patológica (MP313). com disseminação nos tecidos fetais. apenas revelada em provas sorológicas. 5. Além destas lesões. 2005 3. Fonte: Mims. ou sintomas inespecíficos como rinite. Pode se apresentar de maneira assintomática.ganglionar. as lesões e os sintomas desaparecem após 1 a 3 meses. hepatite. córtex cerebral. Sífilis Latente Segue-se a sífilis latente que é assintomática. meningite. Sífilis congênita É quando a sífilis é transmitida in utero. e a sífilis terciária benigna (surgimento de uma goma em qualquer órgão). medula e pares cranianos. Em pacientes não tratados. 4. etc. havendo proliferação e posterior resposta inflamatória. Além disso. 139 . pode haver envolvimento de órgãos internos (nefrite. Em alguns casos dá-se origem à tríade de Hutchinson. que é um diagnóstico patognomônico da sífilis congênita.).

Observação: em certas ocasiões. principalmente de mucosas e em material ganglionar. os clínicos requisitam bacterioscopia de lesões secundárias de sífilis. 2005 Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico laboratorial depende da fase da doença: Sífilis Primária Diagnóstico direto – bacterioscopia para revelar a presença do agente causador. visto que esta fase pode durar até 3 meses e já após a segunda semana começam a surgir anticorpos específicos.Tríade de Hutchinson . através de provas sorológicas. Como também alguns solicitam exame sorológico em sífilis primária. Secundária Sífilis Latente Terciária Diagnóstico indireto pela pesquisa de anticorpos no sangue do paciente. 2006 Fonte: Robbins. 140 .hipocusia (surdez) vestibular (labiríntica) .dentes ebtalhados semi lunarmente (o destista pode fazer o diagnóstico) Resumo: Fonte: Rubin.queratite parenquimatosa com conseqüente cegueira .

as formas espiraladas. Encontrado em lesões sifilíticas secundariamente infectadas e também em lesões genitais não luéticas. A bacterioscopia pode ser feita por diversos métodos: a. de grande sensibilidade e uma positividade ao redor de 95%. Fontana-Tribondeau. Limpar a superfície da lesão com gaze embebida em solução salina estéril. para remover os contaminantes. 2. 3. regulares e numerosas (de 10 a 14). cobrir com lamínula e observar. tem espiras mais abertas e menos numerosas. b. Secar com gaze estéril. Com experiência percebem-se logo as diferenças: o Treponema refringens é mais refringente (daí o nome). podem dar resultados falso-negativos.2 µm de espessura. utilizando alça metálica. Técnica Imediatamente após coletar a serosidade. apresentam espiras apertadas. o Treponema refringens. c. Imunofluorescência direta. Deve-se ter o cuidado de não confundir com outro espiroqueta. Os treponemas medem de 6 a 10 µm de comprimento e 0. tubo capilar ou fazendo um “imprint” com a própria lâmina. 141 .Coleta do material para bacterioscopia 1. como o Treponema microdentium. Campo escuro (95% de positividade). Campo escuro É o método de escolha. Coloração negativa. Em campo escuro aparecem apresentando grande mobilidade. O uso de drogas antitreponêmicas locais ou sistêmicas ou o material coletado em lesões antigas. d. habitante freqüente da genitália. Fazer pressão leve na base endurecida e coletar a serosidade que poreja da lesão. de morfologia muito semelhante ao Treponema pallidum pode ocasionar resultados falso-positivos. mais calibroso. Em lesões bucais.

É usado nas reações de floculação: Kahn. O antígeno treponêmico é usado em várias reações. 1. 2. O soro sobrenadante é submetido a diversos exames. visando encontrar anticorpos contra o treponema. Caso haja interesse em outros métodos. É usado também em reação de Wassermann. 3. Reações com antígenos treponêmicos. por Fixação de Complemento. coletar o sangue e deixar coagular. limite de visibilidade em MO. Há formação de reação Ag-Ac. Ag (bactéria) com anticorpo correspondente e o Treponema aparece fluorescente. O antígeno não treponêmico é a cardiolipina extraída de coração bovino. Após a assepsia do local. Observação: os clínicos costumam solicitar a pesquisa de anticorpos sifilíticos através de: Soro Lues. Reações Sorológicas A partir da fase secundária da sífilis. Neste caso o laboratório clínico só fará: Kahn. 142 . devido a composição em lipídios. são feitos exames sorológicos. O sorodiagnóstico é feito por dois tipos de reação: 1.2 µm. deve constar na requisição. VDRL e outras. 2. entre elas: TPI: Treponema pallidum Immobilization. Mesmo se corasse. É muito frágil e não suportaria a fixação pelo calor usado no Gram. Kline e VDRL. Reações com antígenos não-treponêmicos. não seria observado. Observação: não se usa o Gram para evidenciar o Treponema pallidum por três motivos: 1. 2. quando observado ao microscópio de luz ultravileta. Kline. O material é o sangue do paciente. pois seu calibre é de 0. Imunofluorescência Direta Na imunofluorescência direta são usados anticorpos específicos conjugados com fluoresceína. o método de Fontana é usado principalmente em laboratórios clínicos de pequeno porte que não dispõem de microscópios de campo escuro.Técnica de Fontana-Tribondeau Apesar de menos sensível e mais trabalhoso que a pesquisa direta em campo escuro. Cora-se mal pelos corantes de anilina.

Absorvidos os anticorpos comuns. Mas não é muito utilizado em laboratórios clínicos por ser caro e de difícil execução. Atualmente cada vez mais usado em laboratórios clínicos é o FTA-ABS. que devem ser mantidos no biotério em temperaturas próximas de 18oC. O FTA-ABS consiste em dois sistemas Ag-Ac. uma vez que o soro suspeito é absorvido com antígenos de treponemas não patogênicos (Treponema de Reiter). 2005 O TPI é muito específico. Mas cada um deles tem antígenos próprios. apresentando reação cruzada apenas com o Treponema pertenue (bouba) e Treponema carateum (pinta). FTA-ABS: Fluorescent Treponema Antibody Absorved Test Fonte: Mims.FTA: Fluorescent Treponema Antibody. que é de fácil execução e de grande sensibilidade e especificidade. ficam somente aqueles do Treponema pallidum. Há necessidade de manter o Treponema pallidum suficientemente patogênico em inoculação em coelhos. O Treponema pallidum e o Treponema reiterii têm antígenos em comum e geram a formação de anticorpos comuns. Treponema pallidum x Anticorpo Anticorpo (gamaglobulina) x Soro antiglobulina humana (conjugado com fluoresceína) 143 .

Fica alojado dentro de neutrófilos em secreção (ela consegue entrar no PMN graças à proteína Rmp). Colocar o complexo soro antigamaglobulina humana + fluoresceína. As infecções do trato genital. A gonorréia é normalmente sintomática em homens e geralmente assintomática em mulheres. É de transmissão pela relação sexual. Levada ao microscópio de luz U. a antigamaglobulina reagirá com ele. Observação: o treponema pallidum não se cultiva em meios bacteriológicos artificiais e nem em cultura de células. Sobre uma lâmina preparada com Treponema pallidum fixado é colocado o soro suspeito absorvido. 2. Caso haja anticorpos anti-sifilíticos. Os recém nascidos podem ser contaminados durante o parto ao atravessarem o canal vaginal. chamada oftalmia do neonato. Acontece com maior freqüência nos adolescentes e adultos jovens.Técnica 1. anal.V. A manifestação na orofaringe aparece em indivíduos que praticam sexo oral sem preservativo. aparecerão os treponemas fluorescentes em caso positivo. 144 . Soro suspeito com Ac Treponema pallidum Antigamablobulina com fluoresceína GONORRÉIA Gonorréia ou blenorragia é causada pela Neisseria gonorrhoeae. do reto e da faringe atuam como fontes na propagação do gonococo. A Neisseria é um diplococo Gram negativo justaposto pela face plana ou côncava em forma de grão de café ou dois rins justapostos. e apresentar infecção ocular gonocócica.

Podem ocorrer manifestações extragenitais como anorretite. haverá propagação da infecção em 50% dos casos masculinos. Geralmente os casos são de endocervicite. artrite. Fonte: Netter. Nas mulheres somente 10 a 20% apresentam quadro clínico agudo. podendo aparecer vulvovaginite com secreção purulenta e abundante. Se a gonorréia não for tratada nas 2 semanas iniciais. causando peritonite ou proctite Quadro clínico As manifestações ocorrem após 2 a 5 dias do contágio. orquite. meningite e endocardite. para glândulas anexas causando epididimite.Transmissão Não-sexual a) Oftalmia neonatal b) Vulvovaginite em crianças a) Cistite b) Pielite Gonococo mucosas Homens (uretrite) c) Proctite d) Orquite e) Epididimite Transmissão Sexual Mulheres (cervicite) a) Salpingite: podendo esterilizar b) Metrite: podendo disseminar. Em mulheres a propagação resultará em metrite e salpingite. 2006 145 . e a mais freqüente é a prostatite. Nos homens aparece fluxo mucoporulento uretral abundante.

antes da primeira micção: 1. 1. Observação: pode-se coletar outros materiais como: urina (1o jato miccional). 3. Na bacterioscopia aparecerão os gonococos na forma de diplococos Gram negativos. Fonte: Tortora. 2005 146 . Após introduzir o especulo. A coleta deve ser feita pela manhã. Enxugar. Em mulheres: Dar preferência à secreção do canal endocervical. 2. Retirar o swab com cuidado para não contaminar com bactérias da vagina. Bacterioscopia pelo Gram Tem valor diagnóstico somente em uretrites gonocócicas masculinas e nas vulvovaginites agudas. 2 cm no canal uretral após a fossa navicular e absorver a secreção. Em todos os outros casos é necessário fazer a cultura de bactérias. Introduzir um swab fino. Limpar a secreção externa com gaze estéril embebida em salina. 3.Diagnóstico laboratorial: Bacterioscopia e Cultura Coleta do material Em homens: O melhor material é a secreção uretral. 2. intra e extracelulares. esperma e líquido prostático. limpar com gaze estéril a secreção da vagina e do colo do útero. Introduzir o swab no canal endocervical e absorver a secreção.

ou raros) diplococos Gram negativos intra e/ou extracelulares. O TMM é específico para cultura de gonococo. Pode ser utilizado o ágar chocolate também. No fundo da lata colocar uma mexa de algodão embebido em água para preservar a umidade deste ambiente. ou de 20 a 25 p/c. Fazer bacterioscopia pelo Gram: após a cultura aparecerão as formas de autólise: os gonococos vão aparecer em formas atípicas como cocos intumescidos com fraco contorno e palidamente coradas. Após a incubação examinar as colônias: gonococo cresce dando colônias brilhantes. 3. A seguir realizar provas bioquímicas. Colocar uma tampa para baixo em uma lata que possa ser fechada hermeticamente (lata de biscoitos). colocar uma vela e acendê-la. 2. própria para a proliferação do gonococo. 4. Cultura: positiva para Neisseria gonorrhoeae. Técnica (recomendada pelo Ministério da Saúde/PN-DST-AIDS) e seguida pelo Lacen: 1. colistina. Liberação de Laudo Negativo: não foram encontrados diplococos Gram negativos no exame bacterioscópico. 7. Com alça de platina fazer estrias em sentido transversal ao Z. Polimorfonucleares acima de 30 por campo. que é um ágar chocolate acrescido de antibióticos: vancomicina. Fechar a tampa e segurar. Estriar o meio em forma de Z rolando o swab suavemente sobre a superfície. No fundo da lata ou sobre a placa. A vela apaga quando o O2 fica exaurido. 5. 147 . nistatina e trimetoprim. mucóides e acinzentadas de tamanho variável. abaixo de 5 p/c. Incubar com a lata em estufa a 35oC durante 48h. ou alguns. deixando uma atmosfera de aproximadamente 5 a 10% de CO2. 6.Cultivo O cultivo é feito de preferência no meio de cultura de Thayer-Martin Modificado (TMM). 5 a 10 p/c. Positivo: presença de numerosos (ou vários. 8. Cultura: não houve crescimento de Neisseria gonorrhoeae em meio de Thayer-Martin após 48h de incubação.

protozoários e vírus. ccervicite (do cérvix na mulher). têm a Clamydia também. A partir da circulação linfática. que fazem lubrificação na vagina). mas forma infecções em linfonodos inguinais. No ser humano a uretrite por Chlamydia é a infecção mais comum. bartolinite (uma inflamação nas glândulas de Barthollini. proctite (inflamação no ânus). etc. Ureaplasma urealiticum. Para cultivá-las precisamos utilizar meios de cultura que tenham células eucarióticas. outras bactérias. As lesões iniciais são mais freqüentes em sulco bálano prepucial e face interna dos pequenos lábios. epididimite. Não confundir com Dovanose (granuloma inguinal) causada pelo Calymmatobacterium granulomatis 148 . “salpingus” vem de tuba) 15-20% dos pacientes que tem gonorréia. Abscessos (pontos de flutuação) fistulizam e disseminam para o resto do organismo via linfática. vírus. Pode fazer hepatite. Gardnerella vaginalis. LGV (Linfogranuloma Venéreo) Agente etiológico: Clamydia trachomatis Ocorre mais em homens. portanto. na verdade. ela pode se disseminar para outros órgãos. temos que coletar a célula. cefaléia e mialgia. salpingite (salpingite de tubas UTERINAS. Faz adenopatia inguinal unilateral. Pode haver febre. meningoencafalite. Tanto que se acreditava que as clamídias eram. Há material purulento espesso. não tubas auditivas. A Clamydia se oculta. Lembrando que clamídias são intracelulares obrigatórias. É a maior causa de uretrite não gonocóccica.URETRITES NÃO GONOCÓCICAS As uretrites não gonocócicas são causadas por Chlamydia trachomatis. Primeiro forma-se uma ulceração local formada por uma pápula ulcerada no local da inoculação. Por via inguinal pode causar uretrite. Infecção sistêmica acometendo tecido linfático. pneumonite. causando edema. não só a secreção.

sendo parasitas intracelulares obrigatórios. Nos homens a uretrite por clamídia apresenta quadro clínico semelhante à uretrite gonocócica. As clamídias são organismos cocóides. Nas mulheres pode infectar útero. cultura de tecidos. As complicações podem aparecer em tempo variável. podendo ser graves. A mais importante no homem é quando acomete a próstata e às vezes as vesículas seminais. enquanto o do gonococo é de 2 a 7 dias. a uretrite por Chlamydia e 2.Fonte: Netter. levando à infertilidade. Devido o seu parasitismo obrigatório. utilizando coloração de Giemsa ou usando anticorpos específicos conjugados com fluoresceína. Estas inclusões podem ser observadas ao microscópio. não é possível cultivá-la em meios artificiais. trompa e ovários. O período de incubação é de duas a três semanas. embora a secreção uretral seja mais moderada ou escassa e menos purulenta. Só se cultivam em sistemas vivos: saco vitelino de ovos embrionados. 2005 Há 3 fases: Primária: Pápulas nos órgãos genitais Secundária: Manifestações sistêmicas Terciária: Fibrose. sendo mais aquosa ou mucóide.5 vezes mais freqüente do que a uretrite gonocócica. Alguns pesquisadores (Belle Grayston. 2006 Fonte: Mims. mas as mais usadas são as células Hela e células McCoy. formando inclusões características. 149 . imóveis. drenagem linfática inapropriada. Duplicam-se no citoplasma das células do hospedeiro. 1986) afirmam que no sexo masculino. Outros dados mais recentes apresentam a Chlamydia como responsável por 50% das uretrites.

para a cultura é feito o esfregaço das células e/ou aspirado de linfonodos (onde o Haemophilus pode se alojar).CANCRO MOLE (CANCRÓIDE) Agente etiológico: Haemophilus ducreyi Meio de cultura: ágar chocolate em microaerofilia. O pH vaginal geralmente é maior que 4. O principal agente etiológico envolvido é a Gardnerella vaginalis. muitas vezes associado ao aumento do fluido vaginal.5. também conhecida como vaginite anaeróbia. Manifestam-se como úlceras genitais DOLOROSAS. ainda não foi claramente definida. Uma das características marcantes da secreção de vaginose bacteriana à microscopia óptica é a presença de clue cells (células epiteliais da vagina cobertas de bactérias). Clue-cells Fonte: Google Imagens 150 . Às vezes a paciente pode se queixar de prurido vulvar ou erupção perivulvar. A sintomatologia típica é queixa de mau odor. (o cancro da sífilis NÃO é doloroso) Fonte: Netter. 2006 Fonte: Google Imagens VAGINOSE BACTERIANA Esta doença. freqüentemente mais notado após a menstruação ou coito.

Exame laboratorial O exame laboratorial é feito pela demonstração do agente causador por microscopia pelo Gram ou Preparação a Fresco. mas a maioria das infecções (particularmente em mulheres) resultam de auto-inoculação do reto. A cultura não é muito utilizada. Na prática médica a doença pode se manifestar com sintomas em apenas um dos parceiros. CANDIDÍASE A infecção por Candida albicans é a infecção fúngica mais comum na prática genitourinária. No primeiro caso as manifestações microbiológicas são negativas. Os sintomas podem ser causados por hipersensibilidade ou infecção. com a relação sinérgica entre o número aumentado de Gardnerella e anaeróbios. É considerada por alguns pesquisadores como resultado do desequilíbrio entre a microbiota vaginal normal. O microrganismo é raramente encontrado em homens. mas é essencial examinar e tratar o parceiro assintomático para reduzir a chance de reinfecção. Mais detalhes: ver páginas 189 a 192. A cultura pode ser feita no Meio de Sabouraud.Exame laboratorial A microscopia do exsudato vaginal pelo Gram. mostra células-chave (células epiteliais cobertas por um grande número de cocobacilos Gram-variáveis) com pequeno número de leucócitos polimorfonucleares e número diminuído de lactobacilos. 151 . A candidíase pode ser transmitida ou exacerbada pela relação sexual. Patogenicidade A patogenicidade da Gardnerella vaginalis ainda não foi estabelecida.

a qual é denominada de "cerosa" pelo Robbins. São bacilos retos ou um pouco curvados. tornandos-os fracamente positivos neste método. etc. Registram-se atualmente cerca de 5 milhões de casos. Principais espécies de interesse médico: Mycobacterium tuberculosis e Mycobacterium leprae Outras espécies: Mycobacterium bovis. uma vez que eles retêm os corantes quando tratados com álcool e ácido. A tuberculose é um grave problema de 152 . sendo que este número tem crescido. Esse ânion é quem dá a esses microrganismos a característica de Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR). imóveis e dispostos na forma de paliçada ou de globias. Sua classificação é de bacilo pela forma e micobactéria pela bioquímica da parede. não se coram facilmente pelo Gram.12: CAPÍTULO 12: MICOBACTERIOSES Micobactérias são assim classificadas por terem sua parede celular diferente das demais bactérias. Ou seja. O micolato é o principal componente da parede celular. como três milhões por ano. Mycobacterium avium. TUBERCULOSE (TB) A tuberculose é uma doença extremamente contagiosa. Causa grande mortalidade no mundo inteiro.

saúde pública, visto que cada tuberculoso pode disseminar o bacilo no convívio familiar e social. Apesar de se conhecer o agente causador, a maneira de transmissão e o tratamento adequado, a tuberculose é um problema preocupante. A tuberculose humana é causada também pelo Mycobacterium bovis e outras espécies (ver tabela). Espécies de micobactérias de maior significado clínico Espécie M. ulcerans M. tuberculosis M. bovis M. marinum M. kansasii M. scrofulaceum M. xenopi M. avium M. intracellulare M. fortuitum M. smegmatis Transmissão: doença inflamatória infecciosa, de caráter contagioso, que evolui por surtos, sendo o acometimento pulmonar a maior causa de morbidade e mortalidade . Contágio: aquisição de bacilos através do contato direto com os portadores da doença (perdigotos), através do uso de utensílios contaminados (fômites), também através de permanência contínua e prolongada em meio ambiente contaminado. Aerossóis respiratórios são a principal forma de disseminação, pois ela é uma bactéria aeróbia e tem tropismo por alvéolos. Desta forma, as pessoas cujo escarro possui BAARs visíveis à microscopia são consideradas portadoras da micobactéria. Fatores predisponentes: doenças ou condições debilitantes. Essas pessoas são enquadradas dentro de grupos de risco: marginalizados, tóxico-dependentes, idosos, HIV+, transplantados, portadores de IRC, câncer, etilistas, diabéticos, portadores de neoplasias, grupos socialmente desfavorecidos, desnutridos e emigrantes. Há a TB gastrointestinal (Mycobacterium bovis), a aquisição do bacilo se faz pela ingestão de leite não-pasteurizado. IV (rápidos crescedores) Geralmente não-patogênicas III (não-cromógenas) Geralmente patogênicas II (escotocromógenas) Geralmente patogênicas I (fotocromógenas) Geralmente patogênicas Grupos de Runyon Significado clínico Sempre patogênicas

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Fisiopatologia: Inalação do BAAR via aerossóis ainda não tem resistência). As micobactérias são fagocitadas pelos macrófagos alveolares.
Fonte: Fernando Bortolozzi Fonte: Netter, 2005 (Fisiologia)

alvéolo

Primeiras semanas: a infecção primária ocorre no pulmão (lembre-se de que o hospedeiro

Macrófago alveolar Dentro dos macrófagos, os BAAR têm dois destinos: 1) Serem mortos e eliminados. 2) Continuarem resistentes e fazerem lise dos macrófagos. Os macrófagos liberam quimiocinas e fazem quimiotaxia de neutrófilos e monócitos circulantes (circulo vicioso). O Mycobacterium tuberculosis possui uma cápsula de composição lipoprotéica que interfere na fusão deste microrganismo com os fagolisossomos dos macrófagos alveolares. Isso possibilita a sobrevida dos BAAR no interior destas células, se não houver o correto direcionamento da ação enzimática dos macrófagos pelas linfocinas. As quimiciocinas se ligam na α-hélice dos receptores transmembrânicos dos monócitos e neutrófilos. Isso ativa a cascata das integrinas e provocam alterações no citoesqueleto, promovendo a migração destas células para os tecidos.

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Há Reação de Hipersensibilidade tipo IV (Tardia) formam o ganuloma (um tipo de inflamação crônica).

macrófagos cercam o bacilo e A Imunologia Médica (BP333)

explicará os mecanismos imunológicos da hipersensibilidade e a Patologia Médica Molecular (BP334) mostra os mecanismos deste tipo de inflamação crônica. Tentemos entender: de um lado os macrófagos ativados estão tentando conter a infecção e do outro eles provocam dano tecidual nos órgãos infectados (liberam EROs). EROs é uma sigla que quer dizer espécies reativas de oxigênio. São radicais livres. Geralmente são produzidos dentro de fagócitos como neutrófilos e macrófagos. Essas células os produzem no intuito de dar cabo das bactérias patogênicas. Nos pulmões, esse processo leva a cavitações e a disseminação de bactérias. Posteriormente há fibrose extensa e isso pode ser demonstrado em radiografias do tórax. (Aspecto radiográfico típico da tuberculose, o pulmão "em cavernas" na radiografia que será visto nas aulas de propedêutica). O Mycobacterium tuberculosis promove a formação de um granuloma "imunológico" (o termo imunológico é utilizado pela presença de linfócitos na lesão). Células gigantes e células epitelióides são os tipos celulares mais comuns encontrados nesses granulomas. As mononucleadas, porém aumentadas são as epitelióides. Elas são derivadas de macrófagos ativados pelas citocinas. Estas células secretam continuamente TNF, fazendo com que o processo inflamatório continue. As células polinucleadas são as células gigantes do tipo Langerhans (originadas pela fusão de vários macrófagos). Célula gigante típica de granulomas

Fonte: Junqueira, 2004 (Histologia Básica)

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O Granuloma

Granuloma é um tipo de inflamação crônica, que tenta conter a propagação de algo que o organismo não conseguiu dar cabo. Também é o padrão da resposta de hiperssensibilidade tipo IV. Esse tipo de resposta imune será abordado nas aulas de Imunologia Médica (BP333), bem como haverá um seminário específico para a imunopatogênese desta doença. A Histologia de um Granuloma Tuberculoso Uma área central de necrose caseosa (núcleo semi-sólido macio), circundada por uma outra área cheia de macrófagos, células epitelióides e células gigantes. Adjacente a essa coroa existe uma bainha de linfócitos T e mais externamente uma deposição fibrosa, com fibroblastos e formação de colágeno tipo I (está começando a ser formada a tríplice hélice do pró-colágeno. Uma vez empacotado pelo complexo de Golgi, esse colágeno fica mais denso e delimita os granulomas). Se a pessoa infectada for incapaz de produzir uma resposta imunológica adequada, o granuloma é bem menos organizado e pode consistir apenas em um agregado de macrófagos, sem arquitetura clássica das células gigantes. Ou seja, a anatomia patológica pode sugerir por si só um quadro de imunocomprometimento (suspeitar de HIV e correlacionar sempre com a história clínica do paciente).

Histologia do granuloma

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Isquemia é o bloqueio na condução do sangue para uma certa região do corpo. Granulomas à microscopia óptica (isso será visto com detalhes na Anatomia Patológica) Fonte: Bogliolo. Isso ocorre nas isquemias prolongas.Necrose caseosa: a área central necrosada adquire um aspecto de queijo branco (do latim caseum). etc. Necrose é a morte celular forçada. 157 . A própria formação do granuloma explica que a imunidade é celular. eletrólitos. também não terá mais oxigênio nem suprimento para as células. Como não tem sangue. substratos. por exemplo. Quando uma célula não tem mais suprimento de O2. E isso explica o porquê da imunidade na tuberculose é do tipo celular. 2006 Fonte: Rubin. 2006 Complexo de Ghon Complexo de Ghon é um nome que damos a um quadro na TB. alimento. quando a célula atinge o ponto de não-retorno.

na qual a resposta imunológica não consegue controlar a multiplicação dos BAAR da tuberculose. o colabamento do lobo médio ("síndrome do lobo médio") é uma conseqüência comum dessa compressão.As células T sensibilizadas liberam linfocinas (linfocina é uma citocina que recebe esse nome porque veio do linfócito). às vezes comprimindo os brônquios a ponto de produzir atelectasias do pulmão distal. O foco de Ghon no pulmão aumenta e pode mesmo erodir dentro da árvore brônquica. Resumo: Complexo de Ghon = granulomas no pulmão + linfonodos hilares e mediastínicos comprometidos. Complexo de Ghon Formas clínicas: Tuberculose Primária: Complexo de Ghon Tuberculose Primária progressiva: Uma pequena porção de microrganismos fica viável por anos. Na verdade o próprio granuloma explica isso. A tuberculose pulmonar primária progressiva é uma evolução alternativa menos comum. Os linfonodos hilares e mediastínicos acometidos também aumentam. uma vez que o organismo não consegue dar conta de matar o BAAR. 158 . mas é comum nas crianças com menos de 5 anos de idade e em pacientes com imunidade suprimida ou prejudicada. A infecção toma esse curso em menos de 10% dos adultos normais.

cinza. rins. A cavidade tuberculosa em geral comunica-se livremente com um brônquio. disseminando microrganismo pelos pulmões (pneumonia tuberculosa). em geral de TB pulmonar secundária. que compreende núcleos necróticos moles. É a TB cavitária. Os segmentos apical e posterior dos lobos superiores são mais comumente acometidos. É a reativação da região de granulomas. O termo miliar é usado porque tem aparência amarela (como milho). Tuberculose Secundária: Esse estágio é quando há reativação da TB pulmonar primária ou uma nova infecção em hospedeiro previamente sensibilizado por TB primária. fibrótica e difusa. Disseminação bronquial Tuberculose Miliar: A infecção localiza-se em disseminadas regiões produzindo lesões nodulares amarelas (granulomas tuberculosos). Pulmões. 159 . A luz é preenchida de material caseoso contendo BAAR. suprarenais. pequenas e múltiplas em vários órgãos. A lesão progressiva pode atingir as meninges e provocar meningite tuberculosa. mas muitas vezes de TB pulmonar primária ou de outros locais. fígado.Em alguns casos. uma zona média de tecido de granulação e uma borda colagenosa. linfonodos. A parede da cavidade é feita de uma membrana interna delgada. Ocorre uma resposta imune celular após um intervalo latente e essa resposta provoca a formação de muitos granulomas e necrose tissular extensa. Resulta da disseminação hematogênica dos BAAR. Desenvolve-se uma lesão mal definida. que exibe áreas focais de necrose caseosa. os linfonodos infectados erodem em uma via respiratória. e a liberação do material infeccioso para as vias aéreas serve para disseminar a infecção no pulmão. baço e medula óssea são locais comuns de lesões miliares.

2006 160 .Disseminação hematogênica e TB miliar Fonte: Rubin.

Pulmonar: 1 – Escarro.Revisando: Fonte: Robbins.Sopro anafórico . 2005 Exame Físico da TB Pulmonar .Diminui murmúrio vesicular .Hepatoesplenomegalia Diagnóstico Laboratorial Material: de acordo com a localização. 2 – Conteúdo gástrico.Sibilos e Roncos . 161 .Broncofonia (pelo derrame pleural) .

urina. Indireto 1. Orientar o paciente que recolha material da expectoração e não a saliva. 2. Técnica 1. podem-se usar outros materiais conforme citado. Sorológico: hemaglutinação. coelho. Inoculação: cobaia. Urina. 3. Coleta do material 1. derrame articular. Quando este resultar negativo. líquido pleural (colheita asséptica.3 – Lavado gástrico. antes e após homogeneização. pus de abscessos fistulizados. 2. Alérgico: intradermorreação com PPD pela técnica de Mantoux ou outras. O material a coletar é o escarro. fixação do complemento. A localização mais freqüente é a tuberculose pulmonar. Depositar a parte do escarro de preferência mais purulenta ou sanguinolenta e distribuir uniformemente. Cultura: Löewenstein-Jensen (30 dias). No laboratório o escarro será submetido a uma bacterioscopia pelo método de Ziehl-Neelsen. Levar ao laboratório. 4 – Lavado brônquico. Diagnóstico Laboratorial Direto (bacterioscopia) 1. Bacterioscopia: Ziehl-Neelsen. Não precisa descontaminar: líquor. 2. Renal: Meningite: Observação: Descontaminar: escarro. Óssea / ganglionar: Punção. 162 . Recolher o escarro em frasco limpo. frasco estéril). Líquido cefalorraquiano. derrame peritoneal.

isolados ou dispostos em grupos irregulares ou paliçada.2. BACILOSCOPIA DO ESCARRO A colocaração de rotina é o Zeihl Neelsen. mais de uma. em caso de não aparecer os BAAR. Considerado como exame básico obrigatório em todos os laboratórios de análises clínicas. aparecerão os BAAR em vermelho em maior ou menor quantidade. Corar pelo método de Ziehl-Neelsen. Em caso positivo. Resultado Quantitativo No escarro é necessário usar a contagem de maneira sistemática anotando-se o número de campos examinados e a quantidade de bactérias. Fixar na chama. referência internacional em tuberculose). Paliçada é uma disposição como se fosse um muro. apresentam-se como bacilos retos ou ligeiramente curvados. 2005 Paliçadas do Mycobacterium tuberculosis observadas ao MO em escarro de paciente. Fonte: Robbins. devem ser examinadas exaustivamente. examinar no mínimo 400 campos microscópicos em cada lâmina (segundo a recomendação do Instituto Pasteur. Secar. À microscopia ópica. temos os resultados da seguinte maneira: 163 . Segundo a OMS. que fazem rotina bacteriológica para diagnóstico e controle de tratamento. 4. 3. As lâminas.

+ ++ +++ Nenhum BAAR em 100 campos examinados. O bacilo da tuberculose é de crescimento lento. em caso negativo. Centrifugado em seguida. mudar o esquema da terapêutica. Cultivo O cultivo é feito em meios especiais como o de Löewenstein-Jensen enriquecido com lipídeos. Menos de 1 BAAR por campo. De 1 a 10 BAAR por campo. em 50 campos examinados. Existem diversos materiais usados para esta finalidade. como: tratar com KOH ou ácidos diluídos ou trifosfato de sódio. Do sedimento faz-se nova bacterioscopia pelo Ziehl-Neelsen. em 100 campos examinados. Mais de 10 BAAR por campo. uns mais agressivos. rico em microbiota contaminante. Quando o resultado direto do escarro der negativo. Fechar o tubo com parafina para evitar a ressecação do meio que vai ficar incubado a 37oC de 30 a 60 dias. o tempo de geração é de mais ou menos 20h. Meio de cultura: Lowenstein-Jensen Fonte: Profª Alessandra Daur 164 . O clínico pode requisitar o antibiograma caso haja resistência do bacilo aos medicamentos prescritos. concentra as bactérias antes presas na viscosidade do muco. Estes produtos vão fluidificar o escarro dissolvendo a mucosidade. pode se recorrer à chamada homogeneização. Persistindo suspeita clínica. o clínico pode avaliar o resultado do tratamento adequado ou em caso que os bacilos não estejam diminuindo. Com o resultado quantitativo. utilizar o restante do sedimento para cultura. outros menos. solicitar novas amostras de escarro. Ao mesmo tempo serve para descontaminar o escarro. em 20 campos examinados.

É bom lembrar que ele só dará positivo num período de 4 (às vezes até 6) semanas semanas após a infecção do bacilo. 2005 165 . 4) Teste PPD cutâneo Para identificar M. tuberculosis quando a bacterioscopia deu negativa. e aguarda-se 48-72h para ver se tem endurecimento local e eritema. Será que o indivíduo já não foi vacinado com a BCG? O PPD mais serve para ver como está a imunidade do paciente frente ao bacilo do que como um método de diagnóstico propriamente dito. reação cutânea em TB Tratamento da Tuberculose: terapia RIP Rifampicina Isoniazida Pirazinamida Fonte: Robbins. TA (tuberculina antiga) CORRELAÇÕES CLÍNICAS: DIFERENCIAR HIPERSENSIBILIDADE TUBERCULÍNICA DE HIPERSENSIBILIDADE GRANULOMATOSA (BP333).O meio Bactec consegue promover crescimento do bacilo da tuberculose dentro de 15 dias e pode ser uma revolução no cultivo desta espécie para diagnóstico. Isso será discutido na disciplina clínica de Pneumologia. É feito uma inoculação do Mycobacterium bovis atenuado na pele.

os do tecido conjuntivo normal chamam-se histiócitos. Contato direto e inoculação de aerossóis. Estudada exaustivamente durante muito tempo. Em patogenicidade experimental em homens. há descrições de multiplicação do bacilo de Hansen em camundongos. os do SNC de micróglia. ainda assim pouco se sabe sobre o período de incubação e maneira de transmissão. Outros mamíferos têm o BAAR. A exposição prolongada a uma fonte infectada é necessária para ocorrer transmissão. Na verdade o agente etiológico é sempre o mesmo. Há dois tipos de Hanseníase. Ele é um agente monoxeno. o Mycobacterium leprae. O bacilo causador. Mycobacterium leprae. As características clínicas da hanseníase dependem de resposta celular. Hanseníase tuberculóide (TT): lesões eritematosas com áreas anestesiadas na face. não é cultivável em meios bacteriológicos ou culturas celulares. Mas há dois tipos de manisfestações clínicas. e sim. Espessamento palpável dos nervos periféricos (o BAAR se multiplica nas bainhas dos nervos periféricos) O indivíduo tem resposta alérgica exagerada 166 . mas não o manifestam. O Mycobacterium leprae cresce dentro de outras células Especialmente histiócitos (histiócitos são aqueles macrófagos não ativados que residem no tecido conjuntivo e ficam esperando algo para algum dia fagocitar. bem como os macrófagos não ativados da pele chamam-se células de Langerhans. Acredita-se que para contrair a doença tenha que se ter uma predisposição genética. tatus e primatas. são detectáveis clinicamente. os do fígado de células de Kupffer. as tentativas resultaram infrutíferas. Transmissão: aglomerações excessivas e falta de higiene. tronco e extremidades..HANSENÍASE (Mal de Hansen) É uma doença crônica conhecida desde a mais remota antiguidade. Em animais de laboratório.

Há destruição do septo nasal e a parede nasal fica rica em bactérias. orelhas e bochechas. pode haver destruição intensa das estruturas faciais. No exame. Fonte: Mims. nervos periféricos. tuberculóide. chama-se MADAROSE). pela conseqüente falta de sensibilidade. Fonte: Profª Alessandra Daur Fonte: Anatomia Patológica do HC 167 . com conseqüente infecção bacteriana secundária. resultando na aparência típica leonina. Com o tempo. Há perda parcial das sobrancelhas (um sinal clínico importantíssimo e PATOGNOMÔNICO da hanseníase. espessamento e dilatação das narinas. por isso. o que. Há formação de granulomas na derme. a resposta imune celular é fraca. Nessa fase. Há intensa resposta da imunidade celular. SECREÇÕES (PRINCIPALMENTE NASAIS) DE PACIECTES COM HANSENÍASE LEPROMATOSA SÃO INFECTANTES (HÁ GLOBIAS). 2005 Hanseníase lepromatosa (LL): Tem envolvimente extenso da pele.e tem maior predisposição a outras infecções bacterianas. leva a traumatismos repetitivos em mãos e pés. os BAAR tornam-se extracelulares e agrupam-se em globias.

1. 168 . que são características do Mycobacterium leprae. 5. Secar os esfregaços ao ar. isolados e formando grupamentos chamados globias. Identificar os esfregaços e a lâmina. Fazer assepsia do local com álcool iodado. Cresce em temperaturas menores do que 37° por isso sua preferência por habitar a C. O diagnóstico laboratorial é feito praticamente pela bacterioscopia. por Ziehl-Neelsen em material coletado das lesões ou da serosidade da pele. de aproximadamente de 5 mm de comprimento e 2 mm de profundidade e recolher a serosidade (linfa) sobre uma lâmina nova. LD LE CD CE 6. O crescimento é lento. eventualmente poderão ser usadas provas sorológicas.Diagnóstico Laboratorial Mycobacterium leprae não cresce em nenhum meio de cultura. pele e a linfa (tecidos periféricos que têm temperaturas mais baixas). Fixar na chama. Técnica de Wade (para coleta de linfa cutânea) Local da coleta: a) 2 lóbulos da orelha. pode levar até anos para que ocorram as manifestações clínicas. Com o bisturi. 3. 2. b) 2 cotovelos. fazer cortes na pele. Leitura: os bacilos aparecerão em vermelho. Fazer isquemia com auxílio de pinça ou dedos para evitar o fluxo de sangue. Corar pelo método de Ziehl-Neelsen. 4. A linfa será coletada dos quatro locais uma ao lado da outra sobre a mesma lâmina.

2006 169 . Fonte: Profª Alessandra Daur Fernando Bortolozzi Fonte: Tortora.À microscopia são vistos BAAR em forma de globias. 2005 Histologia dos Tipos Clínicos de Hanseníase Fonte: Rubin.

No entanto alguns conceitos estão mudando. já foi classificado em 18 genomoespécies (só distinguidas por PCR). em meio ao mundo contemporâneo das técnicas de Biologia Molecular. A Biologia Molecular classifica o gênero Leptospira em 16 a 18 espécies genômicas (não só as duas espécies clássicas da imunologia). Fonte: Google Imagens 170 . estes sorovares se agrupam em aproximadamente 27 sorogrupos (24 sorogrupos patogênicos e 3 sorogrupos saprófitas). a Leptospira biflexa. seis com sorovares saprofitas e duas com sorovares patogênicos e saprófitas. Destas 18 genomoespécies. biflexa. interrogans e a L. há uma classificação mais detalhada). Sorogrupos relacionam a relação antigênica entre os sorovares. dez são constituídas por sorovares patogênicos. As duas espécies juntas apresentam aproximadamente 260 sorovares (cepas – aglutinação com soro anti-sorovares conhecidos). E estas cepas podem ser classificadas por biologia molecular (genótipo) e por sorologia (fenótipo). Sorologicamente. esse gênero possuía apenas duas espécies: a L. Classicamente. distinguidas fenotipicamente. A espécie patogênica era a Leptospira interrogans e a saprófita.CAPÍTULO 13: LEPTOSPIROSE AGENTES ETIOLÓGICOS O gênero Leptospira.

de uma maneira geral. Apresentam um movimento rotacional ativo e possuem dois flagelos internos (periplasmáticos). muito espiraladas. ou impregnação pela prata (Fontana Trebondeau). por isso seu nome. 171 . uma vez que as técnicas de PCR ainda são relativamente novas. São aeróbios obrigatórios e necessitam de ácidos graxos de cadeia longa para sua nutrição. Eles não se coram adequadamente pelos corantes de rotina e necessitam de microscopia de campo escuro. para sua visualização ao MO. que se originam em cada extremidade da bactéria (isto permite que ela escave tecidos do hospedeito).Classificação Molecular: 18 espécies genômicas 10 com sorovares patogênicos 06 com sorovares saprófitas 02 com patogênicos e saprófitas Classificação Sorológica: 24 sorogrupos patogênicos 03 sorogrupos saprófitas (+ de 260 sorovares) No entanto. As extremidades da Leptospira interrogans curvam-se no formato de um "ponto de interrogação". Os microrganismos do gênero Leptospira são espiroquetas finas e móveis. os microbiologistas ainda denominam a Leptospira interrogans como agente etiológico da leptospirose. com 5-20 µm de comprimento.

Os meios de cultura utilizados são os meios de Fletcher. ela está entre as doenças comuns e disseminadas mais mal diagnosticadas que existem. em particular os ratos. a Leptospira sobrevive por anos nos túbulos contorcidos proximais destes animais. podendo ser necessárias várias semanas para que a cultura se torne positiva (o período de multiplicação é de aproximadamente 12 horas). pecuários e domésticos também fazem parte dessa lista. As espiroquetas morrem com exposição ao ressecamento. estes mamíferos desenvolvem infecção renal crônica assintomática (e não tem grande número de bactérias na urina). ao calor ou a detergentes e desinfetantes. A relação é harmônica do tipo mutualismo. de distribuição mundial. No entanto. 172 . Os roedores.Estas bactérias necessitam de condições e meios especiais (meio Fletcher) para que haja crescimento. mas permanecem viáveis por várias semanas na água alcalina e no solo úmido. É também uma doença infecciosa emergente que ocorre em surtos. no entanto. A notificação ao Ministério da Saúde é compulsória. Outros animais silvestres. O microrganismo acomete cerca de 160 espécies de mamíferos. EPIDEMIOLOGIA A leptospirose é uma (antropo)zoonose importante. são os reservatórios naturais mais importantes.

trabalha ou brinca em água contaminada. o homem é um hospedeiro acidental. As epidemias de leptospirose podem resultar da exposição prolongada a águas de enchentes contaminadas pela urina de animais. hardjo de bovinos. pomona de porcos.093). 87% do total de casos). inclusive. de modo que a infecção pode ser adquirida quando o indivíduo nada. No globo. Em muitos países em desenvolvimento. principalmente em grandes centros urbanos onde há esgoto a céu aberto. Os humanos são infectados pela ingestão ou exposição à água ou alimentos contaminados.A Leptospira é um ser euribionte. Certos grupos ocupacionais correm risco particularmente elevado. fazendeiros. ela pode. No entanto. Exemplos são os sorovares icterohaemorrhagiae/copenhageni de ratos. uma vez que a contaminação está ligada ao trabalho do paciente. dos quais 401 foram a óbito (taxa de mortalidade de 0. a leptospirose ainda representa um problema 173 . empregados de abatedouros e trabalhadores da indústria pesqueira. A contaminação pode suceder o contato direto com urina. encontrado em todos os estados do Brasil. grippotyphosa de ratazanas. A Leptospira é excretada na urina humana. etc. próximo ao Equador. no restante da América do Sul e nos EUA. trabalhadores com água de esgoto. Em 2006 no Brasil houve 4308 casos reportados (272 no Paraná). TRANSMISSÃO É importante lembrar que cada sorovar tem ser mamífero hospedeiro próprio. assim como na Ásia. Esses indivíduos podem adquirir leptospirose por exposição direta ou contato com água e solo contaminados. sendo esta um importante veículo de transmissão. ou após a exposição a um ambiente contaminado. O clima e as precárias condições de higiene favorecem a sobrevida do patógeno. a região em que mais ocorre leptospirose é entre os trópicos. mas a transmissão interpessoal é rara. Portanto. ser considerada uma doença ocupacional. mineradores. penetram através de abrasões da pele ou mucosas íntegras. As bactérias. a bactéria sobrevive por meses em água doce. auxiliadas por sua motilidade. Ou seja.. ou seja. grande número de bueiros e outros habitats de roedores. sangue ou tecidos de um animal infectado. etc. América Central. agricultores. nesses grupos estão incluídos veterinários. apresentam risco elevado de contaminação (isso também explica o porquê da maior prevalência do sexo masculino. canicola de cães.

windsurf. maus hábitos de vida. Microgotículas de água que contenham a bactéria podem ser ingeridas ou a bactéria entrar por escoriações da pele.subestimado. Em resumo. etc. Dados confiáveis da morbidade e da mortalidade da leptospirose começaram gradualmente a aparecer. FATORES DE PATOGENICIDADE A Leptospira penetra em pele com abrasões e nas membranas mucosas integras (principalmente conjuntiva e revestimentos da orofaringe e nasofaringe). A leptospirose também pode ser enquadrada entre as "doenças do viajante". pois está associada com higiene. Ela então se dissemina através da corrente sangüínea (leptospiremia) e disseminação para todos os órgãos. onde a população de ratos está se expandindo. A leptospirose também foi reconhecida em cidades do interior semi-abandonadas. de imensa importância em saúde pública. A multiplicação ocorre no sangue e nos tecidos e a bactéria pode ser isolada no sangue e no LCR nos primeiros 4-10 dias da doença. esse microrganismo secreta hialuronidade. uma vez que essa bactéria possui dois flagelos periplasmáticos em suas extremindades. principalmente quando o destino são os países tropicais. Enzimas lipolíticas também fazem parte do arsenal de patogenicidade da Leptospira. esqui aquático. que facilitam a sua introdução no hospedeiro (movimento "saca-rolha"). pessoas que praticam natação em rios. canoagem. A maioria dos casos ocorre durante o verão e outono nos países ocidentais e durante a estação chuvosa nos trópicos. 174 . a leptospirose é uma patologia intimamente associada a condições sócio-econômicas. Além disso. etc. destruindo ácidos graxos insaturados da epiderme. facilitando a introdução do patógeno. Além disso. uma enzima que destrói as moléculas de ácido hialurônico e outras glicosaminoglicanas da matriz intersticial do tecido conjuntivo da derme e de submucosas.

produzindo poros nas membranas celulares. etc. mucosas. A bactéria pode penetrar por pele. A lipoproteína LipL32. quimiotaxia e patogenicidade.FISIOPATOLOGIA O mecanismo ainda não está totalmente elucidado. Cepas virulentas exibem quimiotaxia. mas principalmente da resposta imune do hospedeiro. penetração em boca. faringe e esôfago durante a ingestão de água. como motilidade. causa hemólise. aumenta a expressão de quimiocinas e do fator NFkB. As cepas saprófitas permanecem com os antígenos ligados à parede celular bacteriana. O sorovar patogênico libera o antígeno de membrana na circulação desencadeando a reação inflamatória. As lesões causadas pela Leptospira são causadas em virtude de seus efeitos diretos. a proteína LigA (immunoglobulin-like) e as proteínas fibronectiba-ligantes auxiliam a invasão dos tecidos 175 . É importante salientar que quem causa o efeito patológico são os anticorpos e a reação inflamatória. Glicoproteínas. Isso pode explicar porque algumas cepas não são patogênicas. e não o microrganismo em si. o que facilita a mobilidade e produz várias enzimas citotóxicas. A proteína de membrana OmpL1 e a esfingomielinase H são citotóxicas. por exemplo.

vômitos e mialgia. com febre. A vasculite é responsável pelas manifestações mais importantes da doença. as mialgias e a febre têm intensidade menor. No entanto. são assintomáticos. Tipicamente. o dorso e o abdome. por facilitarem sua adesão com a pele e mucosas. O achado clínico mais comum nessa fase é a febre junto à sufusão conjuntival. náuseas. Por esses achados. e os casos mais leves nem sempre incluem a segunda fase. Na fase anictérica. Obtêm-se avidências sorológicas de infecção inaparente pregressa em 15-40% dos indivíduos expostos. A distinção entre a primeira e a segunda fase nem sempre é clara. A miagia afeta principalmente as panturrilhas. Ou seja. SINTOMATOLOGIA É importante procurar obter uma história de exposição a materiais contaminados. essa resposta está envolvida na formação da uveíte e talvez das lesões pulmonares. ou dos neutrófilos com o endotélio. Esses complexos são responsáveis pela lesão endotelial e consequentemente pela hemorragia. sem dúvidas. Além de ser responsável pela imunidade. a fase leptospirêmica aguda é seguida de uma fase leptospirúrica imune. Nos casos de quem apresenta sintomatologia. O período de incubação varia de 2 a 20 dias.pela bactéria. O papel da resposta imune do hospedeiro durante a infecção ainda é obscuro. classificamos a leptospirose como uma doença bifásica. A resposta humoral é. A sintomatologia não está relacionada ao sorogrupo que o paciente esteja portando. grandes bacteremias podem ocorrem mesmo quando haja um grande título de anticorpos circulantes. exantema. Os órgãos alvos preferenciais da leptospirose são os rins. A maioria dos pacientes se torna assintomática em aproximadamente uma semana. o fígado e os pulmões. mas que não adoeceram. uma grande vilã nesse quadro patológico. cefaléia intensa. A reação imunológica acaba por ocasionar uma reação de hipersensibilidade tipo III. sendo a mais comum entre o 7º e o 14º dia pós-exposição. Nessa fase. coincide com o surgimento dos anticorpos na circulação sangüínea. Pode ocorrer 176 . esta pode se apresentar de maneira leve (mais de 90% dos casos). comprometimento pulmonar com tosse. a leptospirose pode se apresentar semelhantemente a uma gripe. dor torácica e hemoptise. gerando complexos imunes. às vezes grave e fatal em alguns casos (menos que 1%). calafrios. O início da segunda fase. Em alguns casos pode haver irritação da garganta. a imune.

principalmente em crianças. petéquias. o qual desaparece após duas semanas. O tratamento pode. Às vezes a diálise se faz necessária. No rim. iridociclite e coriorretinite são complicações tardias que podem ocorrer e persistir por vários anos. Na forma leve a terapêutica ainda é discutida. Nos casos de leptospirose moderada a grave. Com freqüência ocorre comprometimento pulmonar. disfunção renal. usa-se amoxicilina via oral ou penicilina G intramuscular. Durante a leptospirose grave. diátese hemorrágica e taxa de letalidade de 5 a 15%. O início da doença é semelhante ao da leptospirose de grau leve. Ainda há uma boa resposta dos indivíduos tratados com beta lactâmicos. síndrome da agústia respiratória do adulto. Embora não mais que 15% dos pacientes exibam sinais e sintomas de meningite. choque cardiogênico. no entanto. a hipovolemia e a diminuição da perfusão renal contribuem para o desenvolvimento de necrose tubular aguda. ser iniciado após os primeiros quatro dias da doença. após 4 a 9 dias. com achados clínicos já relatados anteriormente. Não é necessário introduzir antibiótico associado aos bloqueadores de beta lactamases. podem ser perceptíveis já na terceira semana da doença. a icterícia surge junto à vasculite a disfunção renal. sendo caracterizada por icterícia. hemólise (pela lipoproteína LipL32). TRATAMENTO A terapia antimicrobiana é indicada para as formas mais graves da doença. pancreatite necrosante e falência de múltiplos órgãos. A pele fica com uma tonalidade laranja e nesse estágio geralmente ocorre necrose hepática com hepatomegalia perceptível à palpação profunda do hipocôndrio esquerdo. A Síndrome de Weil é a forma mais grave da leptospirose. com oligúria ou anúria.meningite asséptica nessa fase. púrpuras e equimoses. miocardite. Irite. insuficiência cardíaca congestiva. uma vez que a Leptospira interrogans não tem potencial para produção desta enzima. pericardite. inclusive. 177 . Observam-se manifestações hemorrágicas na síndrome de Weil: epistaxe. descreveram-se rabdomiólise. muitos exibem pleocitose no LCR. os antibióticos de escolha são a doxicilina e a ampicilina. Em alguns casos. Na forma leve.

ASPECTO SECO Exemplos: Penicillium sp. algodão em inglês).Macroscopicamente aspecto pulvurulento. Predadores: capturam pequenos animais. Mutualistas: sem grande importância médica. Aspergillus sp. Seres UBIQUITÁRIOS: vivem em qualquer lugar que tenha matéria orgânica em decomposição (ex: tecidos necrosados). Podem ser aeróbios e anaeróbios.14: CAPÍTULO 14: OS FUNGOS E AS MICOSES CARACTERÍSTICAS GERAIS São seres eucariontes. Parasitas: obtém alimentos de organismos vivos. fermentos. Vivem sobre a matéria orgânica. plumoso. etc. uni ou pluricelulares (99% são pluri) SEM CLOROFILA e HETERÓTROFOS FUNGOS NÃO FORMAM TECIDOS VERDADEIROS (no máximo formam hifas) Aproximam-se muito mais do Reino Animmalia do que do Reino Plantae: • • Armazenam GLICOGÊNIO Parede celular de QUITINA A digestão pode ser extracorpórea. leveduras. Ex: Candida albicans. Trycophyton sp. MODOS DE VIDA Sapróbios: obtem seus alimentos decompondo organismos mortos. levedos. São os liquens (cianobactéria + fungo) e micorrizas (fungo + raiz de fanerógama). BOLORES . cotonoso (de “cotton”.. Exemplos: Mofos. TIPOS BÁSICOS DE FUNGOS 1. por meio de enzimas no substrado. bolores. cogumentos. 178 .

ASPECTO ÚMIDO Exemplos: Cryptococcus neoformans. Aspecto macroscópico cremoso. oval. temperatura). Causam doenças endêmicas e são potentes patógenos em indivíduos imunocomprometidos (principalmente doenças pulmonares). depende da condição do ambiente (umidade. Ex: Histoplasma capsulatum.Fonte: Koneman. 2005 3. pastoso. 2001 Fonte: Mims. Paracocciodioides brasiliensis Histoplasma capsulatum Fonte: Google Imagens 179 . Fonte: Koneman. DIMÓRFICOS – podem ser bolores e leveduras. tem parede dupla ao MO. LEVEDURAS – Formato esférico. 2001 2. gelatinoso. Candida albicans.

encontramos um corpo formado por HIFAS (filamentos multinucleados). denominado MICÉLIO. Micélio é o coletivo de hifas. As hifas são pequenos filamentos secos que correspondem ao corpo do fungo. Fonte: Material didático do Grupo Positivo 180 . 2005 HIFAS: Nos bolores. não por tecidos.Fonte: Mims.

Fonte: Grupo Positivo CONÍDIO = reprodução por brotamento ESPORO = reprodução sexuada 181 . como nas formas unicelulares (Candida albicans e Paracocciodioides brasiliensis quando se apresenta como levedura) ou por fragmentação do micélio nas pluricelulares (Aspergillus sp. por brotamento. A reprodução sexuada envolve a união de hifas gaméticas com a formação do zigoto. Podem ser móveis (zoósporos) ou imóveis (aplanósporos) que são transportados pelo vento (fungos do ar). O reprodutivo chama-se de corpo de frutificação e geralmente são os que ficam pra fora da pele nas lesões cutâneas. em que as hifas têm a função de propagação e dão origem aos esporos. O principal meio de reprodução é a formação de ESPOROS.Há dois tipos de micélio: o vegetativo (hifas que adentram nos tecidos ou substrato em busca de alimento) e o reprodutivo. Fonte: Grupo Positivo REPRODUÇÃO DOS FUNGOS A reprodução pode ser assexuada. As estruturas que produzem os esporos são denominadas esporângios.).

.) b) Oomicetos: Engloba fungos unicelulares até micélios filamentosos.. Penicillium sp. Aspergillus sp. que causa ferrugem ou requeima no tubérculo de batata). Deslizam sobre o solo e englobam partículas orgânicas. Nos unicelulares. c) Ascomicetos: constituídos por hifas septadas. Podem se alimentar de matéria orgânica em decomposição (Saprolegnia sp. Em certas fases da vida se assemelham aos protozoários (emitem pseudópodos). Seus esporos chamam-se ascósporos e são produzidos por esporângios em forma de um pequeno saco. Alguns são parasitas de vegetais (Phytophthora infestans. denominados ascos. além de bactérias e outros fungos. Ex: bolor preto do pão (Mucor sp. do vinho e do pão). Saccaromyces cervisiae (fermento da cerveja.CLASSIFICAÇÃO DOS FUNGOS 1) Mixomicetos: Fungos gelatinosos que habitam ambiente úmido e sombrio. Divididos em grupos: a) Zigomicetos ou ficomicetos: Fungos primitivos constituídos por hifas não septadas. Os ascomicetos também são os fungos que se cultivam no interior dos 182 . Não possui parede celular. Pode ser formado por células uninucleadas ou se assemelhar a um plasmódio (polinucleado). de onde vem a ergotamina). no entanto algumas espécies podem parasitar plantas e animais. Próximo ao gargalo e à tampa podem se formar colônias pretas de oomicetos. Fonte: Corel Shock Photos 2) Eumicetos: "fungos verdadeiros". a reprodução pode ocorrer por brotamento. Claviceps purpurea (Esporão do centeio. Reproduzem-se por alternância de gerações Geralmente são decompositores. Reproduzem-se assexuadamente por zoósporos flagelados e sexuadamente por gametas distintos. Podem ser formar em garrafas plásticas de água mineral quando o recipiente for reutilizado diversas vezes. apenas uma membrana flexível. Ex: levêdos.).

Fotos na seção de micoses. Podem ser encontrados em tronco de árvores. Ex: maioria das micoses. Fonte: Fernando Bortolozzi Aspergillus sp. Os chamados fungos "imperfeitos". A maioria é patogênica ao ser humano. Exemplos: cogumelos e orelhas de pau. Trycophyton sp.5 x 105 m2. O maior organismo do planeta é um fungo! Pertence ao gênero Armillariella e é encontrado nos EUA. Alguns são parasitas de vegetais.guarda-roupas. São pluricelulares e constituídos por hifas septadas. O corpo de frutificação chama-se basidiocarpo (chapéu). d) Basidiomicetos: São os fungos mais conhecidos (cogumelos) e os mais evoluídos. (que causa as frieiras). cobrindo uma área de 1. solos úmidos. que em muitos casos pode desencadear asma alérgica por reação de hiperssensibilidade tipo I (anafilática). principalmente no vestuário de inverno. plantas e em matéria orgânica. não apresentam fase sexuada no ciclo reprodutivo. Formam esporos (basidiósporos) que se fixam externamente em estruturas chamadas basídios. Amanita muscarina. 183 . Agaricus campestris (champignon). Candida albicans. Penicillium sp. Fonte: Google Imagens e) Deuteromicetos: os fungos de maior importância MÉDICA. causando o odor forte típico. Cryptococcus neoformans.

No entanto. que é utilizada no Parkinson e em distúrbios endócrinos. por inativar os receptores de dopamina. e Psilocybe sp. Alcalóides são uma classe de medicamentos. Os fungos patogênicos podem ser classificados com base nas suas formas de crescimento ou no tipo de infecção que causam. em outros locais a ergotamina é um antagonista parcial de serotonina – a 5-hidroxitriptamina (5-HT). que trata a síndrome carcinóide. Micose é infecção por fungo. que é utilizada para evitar hemorragia pós-parto.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Ergotamina é um alcalóide. Neste caso. Fungos que produzem drogas alucinógenas (possuem muitos alcalóides): Amanita muscarina (age nos receptores muscarínicos). que fazem vasocontrição. FUNGOS E MEDICINA Aproximadamente 106 espécies patogênicas. gerando um quadro de intoxicação por substâncias orgânicas. A ergotamina é a matéria prima do LSD. Essa espécie também produz outros alcalóides como a ergometrina. O Claviceps purpurea infecta plantações de cereais e pode ser responsável por casos ocasionais de envenenamento em seres humanos que consumiram aquele cereal. a metisergida. Essas reações alérgicas por esporos fúngicos (os imunógenos em questão) se enquadram nas 184 . micotoxicose é ingestão e/ou inalação de fungo que produz produtos tóxicos ao organismo humano (ex: alcalóides). Micotoxicose: NÃO é sinônimo de micose. o fungo não se desenvolve nos tecidos. São agonistas α-adrenérgicos nos vasos sangüíneos. utilizados nas crises agudas de enxaquecas. Doenças de Hipersensibilidade: Respostas alérgicas que certas pessoas têm quando vestem um casaco que estava há muito tempo guardado no armário (ascomicetos). e a bromocriptina. Podem gerar micotoxicose em humanos. Conocybe sp. por exemplo. As manifestações patológicas ocorrem em virtude da produção de imunoglobulinas pelos linfócitos B sensibilizados.

Exemplos de anafilaxia por fungos: renite alérgica. As lesões são observadas com maior freqüência em palmas das mãos e plantas dos pés. de bordos delimitados. por isso. A Piedra Negra é uma infecção nodular dos fios de cabelo causada pela Piedraia hortae. alveolite. Tipos de Micoses 1) SUPERFICIAIS: Colonizam as camadas mais superficias da pele (córnea e lúcida). quando existem. e as manifestações clínicas.reações de hipersensibilidade tipo I (anafilaxia). O tratamento consiste na remoção dos pêlos e aplicação de antifúngicos tópicos. Muitas vezes estas duas doenças estão associadas à falta de higiene do paciente. Caracteriza-se por lesões acrômicas ou hiperpigmentadas. incluindo os pêlos. os fungos etiológicos são denominados DERMATÓFITOS (que vivem às custas da queratina da pele e das unhas) e por espécies do gênero Candida. 185 . localizadas no couro cabeludo. tórax. púbicos. etc. pescoço e face. O tratamento pode ser feito com sulfeto de selênio. abdome. conferindo uma coloração marrom à lesão. asma brônquica. b) Tinha Nigra: O agente etiológico é a Exophiala werneckii. vistas na disciplina Imunologia Médica (BP333). A Piedra Branca é decorrente da infecção por Trichosporon beigelii. que são elevadas acima da superfície. barba e cabelos). a) Ptiríase Versicolor: Seu agente etiológico é a Malassezia furfur. incluindo doenças invasivas de pêlos e unhas. É normalmente assintomática. Provocam alterações de importância estética. principalmente. c) Piedra: Há dois tipos de Piedra – a Piedra Branca e a Piedra Negra. 2) CUTÂNEAS: Localizam-se mais profundamente na epiderme (camada granulosa e basal). consistem em lesões maculares bem demarcadas (manchas pigmentadas na pele). São as DERMATOMICOSES. um fungo dimórfico que produz melanina. manifesta-se na forma de nódulos amarelados. maiores e de consistência mais mole nos pêlos (axilares.

A adição do outro termo indica o local anatômico afestado. rubrum T. O tratamento consiste na utilização de derivaros imidazólicos como o cetoconazol. Crescem em baixo das unhas. Tinha manus: Micoses nas mãos. 2005 Candida em pele 186 . diabetes meliltus. gypseum E. floccosum Microsporum Epidermophyton As manifestações clínicas dos dermatófitos são também conhecidas como tinha ou tinea. pêlos. b) Dermatomicoses por Candida sp. pé-de-atleta). o miconazol. O termo tinha (ou “tinea”) origina-se do Latim e significa “verme” ou “traça”. unhas e mucosas de indivíduos que apresentam fatores predisponentes como obesidade. o fluconazol e principalmente o Itraconazol. Fonte: Mims. canis M. Tinha capitis: Micoses do couro cabeludo (pode causar alopecia). GÊNEROS Trichophyton ESPÉCIES T. mentagrophytes M. Tinha corporis: Micoses generalizadas no corpo.Dermatófitos: Pertencem principalmente a três gêneros. Tinha unguium: Micoses nas unhas (ONICOMICOSE).: Ocorrem principalmente pela contaminação com Candida albicans. Tinha pedis: Micoses dos pés (frieiras. Podem determinar lesões de pele. uso prolongado de antibióticos ou glicocorticóides e indivíduos que manuseiam muita água.

itraconazol e os demais derivados imidazólicos. A infecção acontece mediante a um traumatismo. Os nódulos amolecem. 2005 187 . São infecções que afetam a derme. Posteriormente atinge as cadeias linfáticas.As lesões mais freqüentes são em unhas e espaços interdigitais das mãos. nas roseiras. Surge como uma pequena pápula ou nódulo subcutâneo que se desenvolve entre 1 semana e 6 meses. como o Staphylococcus aureus. músculos e fáscias. 3) SUBCUTÂNEAS: Os fungos que provocam micoses subcutâneas normalmente residem no solo e na vegetação. O agente etiológico é o fungo Sporothrix schenckii. o tratamento é intrahospitalar com Anfotericina B. rompem-se e liberam exsudato purulento. TEM QUE HAVER TRAUMA CUTÂNEO PARA ATINGUIR A DERME (TECIDO CONJUNTIVO). Penetram na pele ou tecido subcutâneo por inoculação traumática com material contaminado. Quando a infecção assume caráter sistêmico. em cascas de árvore e nas briófitas. É também conhecida como Doença do Jardineiro e do Floricultor (é uma doença ocupacional). nos arbustos. A paroníquia é uma tumefação anormal ao redor das unhas que pode ser causada por diversos agentes. Isso será visto na disciplina de Propedêutica Médica II. Podem ser doenças ocupacionais por causa do tipo de trauma. a) Esporotricose: É uma infecção crônica caracterizada por lesões nodulares e ulcerativas (local correto para a coleta do material para exame microscópico) que se desenvolve ao longo dos vasos linfáticos. Ex: cortadores de coco. É um fungo saprófito encontrado no solo. A lesão que se encontra ao redor do leito ungueal (paroniquia) também é comum. Em geral as lesões tornam-se granulomatosas (reação de hipersensibilidade tipo IV) e propagam-se lentamente a partir da área de implantação. tecidos subcutâneos. Outras formas raras de esporotricose incluem solução saturada de iodeto de potássio. Fonte: Mims.

a Lobomicose e a Rinosporidiose. Rhinocladiella aquaspersa. torna-se necessário o uso de quimioterápicos. a) Paracoccidioidomicose (blastomicose Sul-Americana ou Micose de Lutz-Splendore Almeida): O agente etiológico é o fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. com parede celular melaninizada. Localizam-se principalmente nos órgãos internos e vísceras podendo abranger muitos tecidos diferentes. É a única micose pulmonar que atinge o imunocompetente Na prática clínica a paracoccidioidomicose é chamada de PCM 188 . porém de incidência muito baixa. desenvolvem a forma de leveduras. Esses microrganismos habitam o solo e coletivamente são denomindos fungos dematiáceos. a Zigomicose. Os pontos enegrecidos são os locais certos para a coleta do material para exame. Existem outras micoses subcutâneas. Nos tecidos e nos meios de cultura especiais (entre 35 e 37° C). o Micetoma Eumicótico. Fonsecaea compacta e Cladosporidium carrionii. 4) SISTÊMICAS: Todos os fungos que causam infecções sistêmicas são DIMÓRFICOS. que é a forma parasitária. É uma doença comum em trabalhadores rurais. O tratamento consiste na cauterização e na remoção cirúrgica das lesões inicias. Mas há outras espécies que podem provocar a cromoblastomicose: Phialophora verrucosa. Muitas vezes lesões na boca aparecem antes (até dois anos) das manifestações pulmonares. O agente etiológico predominante no Brasil é a Fonsecaea pedrosoi. Há preferência pelos pulmões. Aspectos Clínicos: Aspecto radiográfico do pulmão em asa de borboleta Presença de vesículas no sulco gengival (muitas vezes o diagnóstico é feito pelo cirurgião-dentista e o paciente chega ao médico por encaminhamento) O 1º órgão de acometimento é o pulmão.b) Cromoblastomicose (cromomicose): Crescimento de nódulos verrucosos que aparecem nos locais de inoculação. Já na doença avançada. principalmente nas áreas descobertas do corpo. Em meios de cultura simples (entre 24 e 28° e na natureza formam colônias micelianas C) formadas por hifas (bolores). Com o tempo assume o aspecto de couve flor. entre elas a Feo-Hifomicose. o 2º órgão é a mucosa bucal.

Além do pulmão, pode fazer lesão osteolítica, disseminar-se para o SNC, órgãos genitais, TGI. Às vezes o cirurgião encontra ao fazer uma laparotomia. A infecção pode resultar tanto da inoculação de estruturas do fungo consideradas infectantes, como a reativação de algum foco pré-existente. O número de homens afetados é desproporcional ao número de mulheres (9:1). Esta diferença foi atribuída a fatores de alto risco, doença subjacente, desnutrição e diferenças hormonais. Pneumonia por Paracoccidioides brasiliensis é muito difícil de tratar. O tratamento consiste no uso prolongado de Itraconazol, algumas vezes associado a Sulfametoxazol e Trimetropim (Bactrim®).

5) OPORTUNISTAS: Números fungos foram identificados como agnetes etiológicos de infecções oportunistas. Muitas vezes ocorre em ambientes hospitalares. Pacientes transplantados, usuários crônicos de glicocorticóides e HIV positivos merecem atenção especial nesses casos, uma vez que a cura torna-se muito dificultada. a) Candidíase, candidose e Candida sp. A Candida sp. é o patógeno fúngico mais comum do paciente imunocompetente. É uma levedura oportunista em uma variedade de pacientes e em vários sítios do corpo. No intestino ela atua como agente de microbiota normal. A espécie mais comum, epidemiologicamente, é a Candida albicans. Essa levedura gera diversos tipos de quadros clínicos como “candidíase bucal” e “candidíase vaginal”. Hoje em dia estes termos não são mais utilizados pela nômina anatômica moderna. Usa-se o termo CANDIDOSE para manifestações na cavidade bucal e o termo CANDIDÍASE para as demais infecções por Candida sp. Além disso, pode provocar alterações cutâneas, gastrointestinais e endocardites, particularmente em usuários de drogas ilícitas.

Fonte: Koneman, 2001

Candida sp.

189

A

candidose

pode

ser

encontrada

em

uma

variedade

de

pacientes

imunocomprometidos, pessoas com uso de próteses odontológicas mal adaptadas, portadores de diabetes mellitus, em tratamento com antibióticos de largo espectro, usuários crônicos de glicocorticóides, xerostomia (hipoprodução de saliva) entre outros. A manifestação mais freqüente se dá por meio de placas esbranquiçadas (forma pseudomembranosa) de fácil destaque com o auxílio de um algodão, principalmente em dorso de língua e palato duro. Há também a forma eritematosa, que se manifesta por meio de lesões hiperemiadas. O tratamento pode ser feito com o uso tópico de nistatina, anfotericina e derivados imidazólicos. Se o paciente for imunocomprometido e/ou a infecção já tiver adquirido caráter mais invasivo, deve se apelar para o uso de antifúngicos sistêmicos. * Causas comuns xerostomia: pacientes que fazem quimioterapia (que destrói grândulas salivares colateralmente) e usuários de antidepressivos como inibidores da recaptação de serotonina (5-HT). Esses pacientes são fortes candidatos a possuiem candidose. Aspecto pseudomembranosos em palato duro Pseudohifas e leveduras

Fonte: Rubin, 2006

A candidíase vaginal é uma das doenças que mais comumente acometem mulheres jovens, principalmente em países de clima tropical como o Brasil. Esta patologia pode, inclusive, ser enquadrada dentro do grupo das DSTs, uma vez que o contato sexual é uma das formas mais comuns de contágio. O homem tem a Candida albicans na microbiota normal peniana, portanto uma atividade sexual sem preservativo faria com que a mulher

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entrasse em contato direto com a levedura. Se ela estiver em uma queda imunológica pode desenvolver a doença, bem como cultivá-la, fazendo sexo repetidamente com o mesmo parceiro (portador). Salienta-se também que as pessoas que fazem sexo oral sem proteção estão sujeitas a contraírem candidose por entrarem em contato com a microbiota normal do pênis. É imprescindível que o tratamento seja feito com o casal, ambos devem prosseguir com a terapia até a erradicação das leveduras. Outra fonte de contágio são os fômites contaminados (toalhas, roupas íntimas, acessórios diversos, etc.). O compartilhamento deste tipo de material pode acarretar um intercâmbio de espécies de Candida sp., ou mesmo de diferentes cepas de Candida albicans, geralndo infecções com mecanismos mais resistentes.

Fonte: Netter, 2006

A candidíase mucocutânea é uma manifestação rara e não invasiva, embora persistente, das membranas mucosas dos cabelos, da pele e das unhas. Em crianças, com defeito específico de células T, podem se tornar alérgicoa à Candida, tendo que fazer uso de antifúngicos intermitentes. A candidíase gastrointestinal é encontrada em pacientes que passaram por cirurgia gástrica ou abdominal (ex: cirurgia de redução de estômago), ou em pacientes que têm neoplasias. O microrganismo pode atravessar a parede intestinal e disseminar-se a partir de um foco gastrointestinal. O diagnóstico in vivo é difícil, e cerca de 25% dos pacientes não apresentam sintomas nos etágios iniciais da doença. Se ocorrer disseminação a partir do intestino, as hemoculturas podem se tornar positivas e antígenos de Candida podem ser detectáveis no soro. A terapia fungicida deve ser iniciada precocemente em pacientes com suspeita de infecção, mas a doença disseminada é frequentemente fatal.

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A candidíase disseminada é provavelmente adiquirida via TGI, mas também pode se originar de infecções relacionadas a cateteres intravasculares. Pacientes com linfomas e leucemia correm maior risco. A disseminação hematológica alcança quase todos os órgãos. Infecções nos olhos (endoftalmia) e da pele (lesões mucocutâneas nodulares) são importantes porque fornecem evidências para o diagnóstico, sem as quais os sintomas inespecíficos de febre e choque séptico dificultam o diagnóstico precoce. Pacientes imunocomprometidos, por vezes, recebem terapia antifúngica empírica se apresentam febre e falham em responder aos agentes antibacterianos de largo espectro. Hoje em dia há aumento da resistência aos antifúngicos para tratar as espécies de cândidas. A Candida albicans responde bem aos derivados imidazólicos como o cetoconazol e fluconazol. No entanto, está aumentando gradativamente as infecções pelas Candida não-albicans, e estas espécies possuem mecanismos de defesa bem mais resistentes. O fluconazol apresenta atividade muito reduzida contra essas espécies, fazendo com que os pacientes sejam obrigados a usarem o Itraconazol via oral por longos períodos. A anfotericina B também é um antifúngico com boa atividade contra as cândidas, porém ela tem muitos efeitos colaterais e seu uso na prática médica é mais reservado.

CORRELAÇÕES CLÍNICAS: A secreção da candidíase é diferente das demais secreções infecciosas da vagina. O aspecto pseudomembranoso da cândida se manifesta como placas brancas facilmente destacáveis com auxílio de algodão, sem odor fétido. As demais secreções como a do Trichomonas vaginalis, das vaginites e vaginoses bacterianas são verde-amareladas (exsudato purulento), viscosas e geralmente de odor fétido.

Fonte: Netter, 2006

Colo uterino: Candida spp.

Colo uterino: Trichomonas vaginalis, gonococo, Gardnerella vaginalis e Chlamydia trachomatis

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Nos casos de meningite criptocóccica. linfomas. a mortalidade gira em torno de 50%. Curitiba é certamente uma cidade com uma população densa dessas aves.b) Criptococose O agente etiológico é o Cryptococcus neoformans. A identificação também pode ser feita pela detecção do antígeno no teste de aglutinação em látex. a levedura pode ser demonstrada no líquido cérebro-espinhal. A inoculação geralmente é pulmonar e assintomática. Inalação pulmões meningite via hematogênica SNC 193 . O prognóstico varia muito de acordo com a doença de base do paciente. Pacientes com leucemia. Essa forma de meningite é responsável pela morte de muitos pacientes com AIDS e outros imunocomprometidos na imunidade celular. e o fungo adquire sua verdadeira forma ativa e infectante. junto a produção de melanina e enzimas). usando látex recoberto com anticorpos específicos. A resposta imunológica do hospedeiro se faz pela ativação dos linfócitos CD4 e produção de IFNγ. É um microrganismo euribionte. portanto é uma importante questão de saúde pública que merece atenção especial. pois a cápsula de carboidrato não se desenvolve no interior da ave. a cápsula se desenvolve a partir dos carboidratos do nosso metabolismo (é um fator de patogenicidade. linfoma de Hodgkin ou sarcoidose merecem atenção especial também. Esse fungo tem tropismo pelo SNC (vem dos pulmões por via hematogênica). O tratamento engloba uma combinação entre anfotericina B e flucitosina. uma vez que o criptococo é transmitido pelas fezes dos pombos. Um fungo leveduriforme que possui uma cápsula espessa de polissacarídeos complexos ao redor de sua parede celular. No entanto alguns pacientes imunocompetentes são acometidos também. LES. Pode fazer meningite criprocóccica quando atinge as meninges. além de terem uma cura mais rápida e eficaz. Acredita-se que o criptococo possa atravessar a barreira hematoencefálica via infecção de monócitos e/ou células endoteliais. No pombo o fungo é inativo. nos pacientes severamente imunocomprometidos. Nos pacientes com AIDS é praticamente impossível erradicar o microrganismo. porém numa porcentagem bem menor e com sintomas mais brandos. mesmo com a terapia intensiva. e pode ser monitorado pela queda na concentração de antígenos no LCE. Por fim. Quando a levedura chega ao organismo humano.

mas a biópsia e o exame histológico da medula. Este fungo cresce em áreas contaminadas com excretas de morcegos e aves. Embora as aves não sejam infectadas. áreas escuras. Com o tempo ocorre dissiminação linfática. Os esporos ou fragmentos de hifas são aspirados nos alvéolos e estes são fagocitadas pelos macrófagos alveolares e em seguida convertidos em leveduras (são capazes de se replicar dentro dos macrófagos). 2005 Histoplasma capsulatum colonizando linfonodo de paciente imunocomprometido 194 .Fonte: Mims. necessários para chegar a um diagnóstico definitivo. Na maioria dos casos é assintomática. etc A doença ocorre no mundo todo. fígado e de linfonódos são. de medula. porém benigna em pessoas saudáveis. Nos casos sintomáticos observam-se sintomas clínicos de pneumonia aguda. Nos imunocompetentes os macrófagos controlam a infecção eliminando as hifas. O fungo pode ser encontrado em porões. ocorre infecção natural nos morcegos. Trata-se de um fungo altamente infeccioso que causa infecção pulmonar aguda. Doença dos Espeleólogos O agente etiológico é o fungo dimórfico Histoplasma capsulatum. 2005 Cryptococcus neoformans e a cápsula de carboidratos c) Histoplasmose: Doença das Cavernas. de escarro e de LCR podem conter Histoplasma no paciente suspeito. Fonte: Robbins. Culturas de sangue. torre de igreja. muitas vezes. seguidos com menor freqüência de doença disseminada progressiva. No imunocomprometido a infecção prossegue.

destroem alvéolos e septos alveolares. quais outros agentes etiológicos de infecções também são parasitas intracelulares de macrófagos? c) Aspergilose O Aspergillus sp. Aspergillus nos pulmões podem desencadear um processo de hipersensibilidade tipo I e culminar em asma brônquica. das quais a que merece maior destaque é o Aspergillus fumigatus. É um gênero que contém várias espécies. . como seu nome sugere. O mecanismo da asma será abordado em seminários da disciplina de Imunologia Médica (BP333). que. Seus esporos são regularmente inalados sem conseqüências danosas. . 2005 195 . Esses fungos não invadem os tecidos pulmonares. A aspergilose invasiva geralmente é fatal no imunocomprometido.Doença disseminada no paciente imunocomprometido quando o fungo invade a partir dos pulmões.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Além do Histoplasma capsulatum. pois os pacientes são neutropênicos (com poucos neutrófilos circulantes). a qual é denominada aspergiloma. O crescimento das hifas é em ângulo de 45º. o que acaba por destruir a arquitetura pulmonar. As hifas deste fungo. é uma resposta alérgica à presença do antígeno. é ubiquitário no meio ambiente e faz parte da microbiota normal do organismo humano. O fungo coloniza a cavidade e cresce para produzir uma massa de hifas em forma esférica. Fonte: Mims. porém o tamanho do aspergiloma pode desencadear dificuldade respiratória. quando crescem. tais como: .Aspergiloma em pacientes com cavidades pulmonares preexistentes (ex: seqüela de TB) ou distúrbios pulmonares crônicos.Aspergilose broncopulmonar alérgica. que pode provocar diversas manifestações patológicas.

Os esporos são liberados quando estes reservatórios se rompem. incluindo o anti-HIV (ELISAWestern Blot). Em especial o Aspergillus fumigatus. a prednisona. Candida e Paracococcidioides. etc. este último.d) Pneumocistose O Pneumocystis jiroveci (antigamente chamado de Pneumocystis carinii) é um fungo atípico. com infiltração de plasmócitos. comumente encontrado em seres humanos normais e roedores. Pneumonia em paciente idoso: investigar infecção por fungos. assim interferindo no metabolismo do ácido aracdônico. O Pneumocystis sp. com até 5 µm de diâmetro. Histoplasma. Para tratar. Paciente portador de pneumonia fúngica deve necessáriamente ser submetido a exames para investigação de imunossupressão. os fármacos de escolha ainda são os derivados imidazólicos tradicionaos de grande abrangência (Itraconazol). Aspergillus. E imunossupressores 196 . a betametasona. a mimetasona. 4ª e 5a geração (levofloxacino. A tigeciclina é uma alternativa em teste. a partir de 2007 surgiram novas drogas triazólicas no mercado farmacêutico que prometem dar uma nova abordagem ao tratamento dessas pneumonias. pneumonia fúngica é o pior tipo de pneumonia que existe. o tratamento com esses antifúngicos é de custo muito elevado e não pode ser bancado pela grande maioria dos pacientes. No entanto. também em imunocompetentes. como foi visto nas aulas de Patologia Médica Molecular (BP334). Apenas causa doença sintomática em pessoas com a imunidade celular deficiente. As drogas referidas como glicocorticóides são a dexametasona. A doença ocorre em indivíduos debilitados e imunodeficientes. uma alta proporção dos pacientes com AIDS desenvolvia pneumonia por pneumocistos. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Fazem pneumonia: Pneumocystis. a terapia HAART (que será discutida nos seminários de Imunologia Médica). na forma de esporocistos e reservatórios de esporos. Nos casos de pneumonias fúngicas. O voriconazol e o posoconazol são exemplos delas. moxifloxacino e gemifloxacino respectivamente). a predinisolona. A classe de drogas de primeira escolha em pneumonia bacteria são as quinolonas de 3ª. A doença está associada a uma pneumonite instesticial. ocorre em uma forma trófica. As bacterianas são infinitamente mais fáceis de curar com os antimicrobianos. São muito utilizados no tratamento das doenças auto-imunes. A anfotericina B pode ser uma arma de retaguarda. A infecção é transmitida por meio de gotículas respiratórias (aerossóis). Já foram relatadas infecções em locais diferentes que não o pulmão. Essas drogas mimetizam a atividade catalítica dos glicocorticosteróides produzidos pelos espongiócitos da camada fasciculada do córtex da glândula adrenal. podendo ser fatal. Todavia. Antiinflamatórios por fazerem inibição da enzima fosfolipase A2. Antes do advento da terapia antiretroviral altamente ativa. Seus efeitos são antiinflamatórios e imunossupressores.

ele tem a mesma função do colesterol nas membranas celulares animais. Porém. Na sua prática clínica. Haverá uma aula teórica dentro da disciplina de Imunologia Médica (BP333) para abordar este tema. Porém. você prescreveria o uso prolongado de IFN para este paciente? Por quê? Drogas Antifúngicas A base do tratamento delas é inibir a síntese do esgosterol da membrana celular do fungo. ao lado do Itraconazol. um paciente portador de HBV com um quadro de esteatose avançada. Assim. NÃO MATEM SEUS PACIENTES! 2) Nistatina Mecanismo de ação: impede a ligação ao ergosterol da MP fúngica. Principais grupos de drogas: 1) Agentes poliênicos – Anfotericina B Mecanismo de ação: liga-se ao ergosterol da MP do fungo. Padrão ouro para cândida. toda a atividade imunológica do indivíduo estará comprometida enquanto ele estiver fazendo o uso deste medicamento. suprimindo sua atividade como célula apresentadora de antígeno e silenciando a transcrição dos genes do MHC. em hipótese alguma. chega a você. dor abdominal. MAS IMPORTANTÍSSIMO: Anfotericina B não pode. anemias.porque essas drogas interferem na ação do IFNγ nos macrófagos. lesão renal. Por isso dizemos que os antifúngicos atingem tanto o hospedeiro como o fungo. 197 . esse ergosterol é muito parecido com a nossa molécula do colesterol. Para pensar: O tratamento das hepatites virais. como a hepatite B é feito com altas doses de IFN (interferon). pois potencializa a ação e pode causar intoxicação digitálica. reações alérgicas. ser administrada em pacientes que fazem uso de digitálicos cardíacos (digoxina). Com base no mecanismo de ação descrito acima e aprofundado nas aulas de Imunologia Médica. ele é portador de artrite reumatóide (uma das doenças auto-imunes que é tratada com glicocorticóides). CURIOSIDADE. Também usada no tratamento de Leishmanioses. Por sinal. A droga se confunde e destrói ambos os lipídeos. médico. Efeitos colaterais: hipotensão.

Terapia para 5 dias: R$3.3) Flucitosina Mecanismo de ação: inibição da síntese de ácidos nucléicos. São medicamentos que em geral têm melhor absorção em pH ácido. fazendo com que o paciente sinta um gosto amargo de metal durante o tratamento (o que às vezes dificulta a adesão ao mesmo). Efeitos colaterais: depressão da medula óssea. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Efeito colateral dos antifúngicos: quase todos eles deixam resíduos metabólicos na cavidade bucal. Miconazol. Pode ser utilizada no tratamento da candidíase sistêmica. O que é o trocisco? 198 . ou com refrigerante do tipo cola. São muito caros. 4) Derivados azólicos: Cetoconazol.000. Portanto é bom recomentar o paciente tomar o medicamento junto às refeições. anemias e discrasias sangüíneas.00 (em 2007). porém sua toxicidade é seletiva. Fluconazol. Clotrimazol. Itraconazol Mecanismo de ação: inibição da síntese de ergosterol 5) Novas drogas triazólicas: voriconazol e posaconazol (um dos antifúngicos mais fortes que existem).

urina. O nome refere-se a inclusões intranucleares que são respostas características desse patógeno. Eles causam a mononucleose infecciosa (esse termo é mais usado para o EBV). 199 . O CMV também pode ser transmitido pelo sangue. de maneira siminar) HHV-6: Causa roséola infanto HHV-7 HHV-8: Pode causar o Sarcoma de Kaposi EBV e CMV – Muito comuns e importantes. conhecida também como doença do beijo (também mais usado para o EBV).hoje em dia 1 e 2 estão em conflito no sítio por causa do sexo oral). HHV-3 ou VZV: Varicela Zoster Vírus HHV-4 ou EBV: Epstein-Barr Vírus (Mononucleose infecciosa) HHV-5 ou CMV: Citomegalovírus (Mononucleose também. Ela é transmitida beijando. Pode fazer carcinoma genital. via saliva. CitoMEGALOvírus.CAPÍTULO 15: HERPES-VÍRUS HHV-1 ou HSV-1: Herpes Simplex Vírus 1 (Herpes bucal – não é oral) HHV-2 ou HSV-2: Herpes Simplex Vírus 2 (Herpes Genital . É o maior herpes vírus humano e só tem um sorotipo. sêmen e secreções cervicais. Comparar o tamanho desta célula setada com as demais. Fonte: Fernando Bortolozzi Doença de inclusão citomegálica em pulmão de perinato.

e estes são expressos nas células infectadas. Os linfócitos T respondem imunologicamente às células B infectadas (aumentanto cerca de 50 vezes em número) e aparecem no sangue periférico como "linfócitos atípicos do EBV". Dissemina-se via linfócitos e monócitos (os MONOMORFONUCLEARES. colo uterino. que se liga ao vírus). EBV – Epstein Barr Vírus . São alvos ruins para as células T citotóxicas por interferirem no transporte de moléculas do MHC-I e induzem a transcrição de genes que codificam receptores Fc. ANTICORPOS HETEROFÍLOS O EBV se multiplica nos linfócitos B (eles tem na membrana um receptor. Essa doença é uma verdadeira "guerra civil imunológica". Esses vírus "escapam" das defesas imunológicas. Esses linfócitos B infectados são estimulados a diferenciar-se e produzir anticorpos (ativação policlonal das células B. Conhecida como a DOENÇA DO BEIJO. testículos e epidídimo.É transmitido pela saliva.A infecção pelo CMV geralmente é assintomática. glândulas salivares. os antígenos precoces (EA) que são produzidos antes da síntese do DNA viral e os antígenos nucleares associados ao EBV (EBNA).Só tem um sorogrupo. Digamos que as células T não se habituam com as células B infectadas em fazem um confronto por meio de citocinas. Auto anticorpos também são produzidos. túbulos renais. . que estão no núcleo das células infectadas. semelhante aos estragos que as armas bélicas fazem numa região onde está tendo uma guerra. O vírus condiciona-se a células epiteliais. Há febre e letargia. O QUE É RESPONSÁVEL PELA FORMAÇÃO DOS ANTICORPOS HETERÓFILOS DO EBV – reação com eritrócitos de carneiro ou de cavalo). como o IgM para eritrócitos (crioaglutininas). . o C3d (CD21). MMN) e envolve linfonodos e baço (defesa secundária e terciária). Antigenicamente diferente do CMV. E essas citocinas das células é quem causam os sintomas da doença. Uma infecção muitas vezes silenciosa do trato respiratório superior.Utilizados no diagnóstico: o capsídeo viral (VCA). Os linfócitos T em guerra são denominados de células de Downey. 200 .

na doença do soro (+++) e mesmo em indivíduos normais (+). NEOPLASIAS INDUZIDAS PELO EBV Linfoma de Burkitt: só o EBV não consegue fazer o linfoma. 2005 Os anticorpos heterofilos são detectados pela Reação de Paul Bunnel (>40 é positivo. varicela. bem como o IgG. enfraquecendo o controle das células T e talvez causando ativação policlonal das células B. 2005 Fonte: Mims. que também mostram uma translocação dos oncogenes myc no cromossomo 8 para o locus da cadeia pesada da imunoglobulina localizada no cromossomo 14. 201 . Ele se associa com algumas espécies de Plasmodium sp. O DNA e o RNA transcritos são encontrados nas células tumorais. tornando-as suceptíveis a maior formação neoplásica. o que faz com que a doença siga seu curso autolimitado em pacientes sadios e não-imunocomprometidos. Ex: gripe. O médico deverá pedir IgM contra o capsídeo viral para o diagnóstico. Hemograma é útil por causa da formação dos linfócitos atípicos. Autolimitada é uma doença que se cura sem intervenção medicamentos. Não há antiviral eficaz contra o EBV. Outros achados clínicos incluem a esplenomegalia. hepatomegalia e linfadenopatia. <40 é negativo) Esses anticorpos podem aparecer na mononucleose infecciosa (+++). como o Plasmodium falciparum ou o Plasmodium infantum.Linfócitos atípicos do EBV Fonte: Robbins.

2005 Fonte: Robbins. 2006 Fonte: Mims.Fonte: Robbins. 2005 Resultado = Fonte: Bogliolo. 2005 202 .

CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Antes de chegar a estas aberrações. à direita. Fonte: Mims. e um cocarcinógeno. Vão prescrever antibióticos para qual dos dois quadros mesmo? Clínica sem diferenciação: Infecções por Streptococcus pyogenes / Haemophilus influenzae / Moraxella catarrhalis Fonte: Fernando Bortolozzi 203 . 2005 À esquerda. Fatores genéticos do hospedeiro que controlam o HLA (“human leucocyte antigen”) e a resposta imune podem ser fatores de suceptibilidade. a MEMBRANA nas tonsilas palatinas ocasionada pelo EBV. entre outros agentes.Carcinoma Naso-Faringeal: O DNA do EBV é detectável nas células tumorais. as placas proporcionadas pelo já conhecido de vocês. temos como obrigação fazer o diagnóstico. possivelmente de nitrosaminas ingeridas com peixes em conserva. Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield). Boa anamnese e bom exame físico são essenciais. HHV-2 faz carcinoma genital e HHV-8 faz Sarcoma de Kaposi.

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