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EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO

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  • EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO
  • INTRODUÇÃO
  • DESENVOLVIMENTO
  • 1. SOBRE A ETIMOLOGIA DO TRABALHO
  • 2. CONCEITO GERAL DE TRABALHO. CONCEITO ECONÔMICO,
  • FILOSÓFICO E JURÍDICO
  • 2.1 CONCEITO GERAL DE TRABALHO
  • Papa João Paulo II refere-se ao trabalho como "dimensão fundamental da
  • 2.2 CONCEITO ECONÔMICO
  • 2.3 CONCEITO FILOSÓFICO
  • 3.1 FASES ARQUEOLÓGICAS
  • O trabalho consistia em uma simples cooperação. Não havia divisão de
  • 3.2 O TRABALHO ENTRE OS EGÍPCIOS
  • 4. O TRABALHO NA ANTIGÜIDADE CLÁSSICA. ROMA: A ESCRAVIDÃO,
  • OS COLÉGIOS ROMANOS, A "LOCATIO CONDUCTIO". O DIREITO
  • HEBREU. MESOPOTÂMIA: O CÓDIGO DE HAMMURABI. OS PENSADORES
  • GREGOS
  • 4.1 ROMA: A ESCRAVIDÃO
  • A estratificação social é composta por homens livres e escravos. O trabalho
  • Calcula-se que na Itália do final do século I a.C. os escravos chegaram a
  • Corresponde ao contrato de prestação de serviços. É apontada como
  • A locatio operis faciendi (locação de obra ou empreitada) era a execução de
  • Tudo indica que há existência de vida humana na Mesopotâmia desde o
  • A civilização se formou em torno dos rios Tigre e Eufrates. O solo era
  • O primeiro desses "códigos" da antiga Mesopotâmia surge no período entre
  • Hammurabi governou na Babilônia entre 1792 e 1750 a.C. É autor de 282
  • A organização da sociedade segue os padrões já estabelecidos no Código
  • 117: "Se uma dívida pesa sobre um awilum ± homem livre ± e ele vendeu sua
  • GUR de cevada por ano". Os §§ 257-258 fixam a remuneração anual de dois
  • I ± Fase Mitológica
  • II ± Fase Cosmológica, Naturalista ou Período pré-socrático (séc. VII a.C.)
  • Os maiores nomes dessa fase são Platão e Aristóteles
  • Platão imaginou o Estado ideal dividido em três classes. Deus criou três
  • Aristóteles também possui o amor dos gregos pela perfeição estática e
  • 5. CRISTIANISMO
  • A dignificação do trabalho vem com o Cristianismo. A palavra de Cristo deu
  • A Igreja exerceu uma notável ± e não determinante ± ação no sentido da
  • "a escravidão é uma punição imposta à humanidade pelo pecado do primeiro
  • A verdade cristã foi de grande importância para modificar a ótica até então
  • Agostinho e São Tomás de Aquino. Apesar de não condenarem a prática
  • São Paulo afirmou que "quem não trabalha não tem direito de comer"; São
  • Santo Agostinho e São Tomás acreditavam na escravidão como
  • São Tomás de Aquino refere-se ao trabalho como um bonum arduum
  • 6. SERVILISMO
  • O camponês vivia em uma situação miserável. Trabalhava longa e
  • A servidão começou a desaparecer no final da Idade Média. As grandes
  • 7. CORPORAÇÕES DE OFÍCIO
  • As Corporações regulavam a capacidade produtiva e a técnica de
  • As Corporações tiveram grande importância para o surto do moderno
  • Outras causas de extinção das Corporações foram a liberdade de comércio e o
  • 8. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. LIBERALISMO. OUTRAS CAUSAS DO
  • APARECIMENTO DO DIREITO DO TRABALHO
  • Vícios e conseqüências da liberdade econômica e do Liberalismo Político
  • O século XVIII representou para a história da humanidade um momento
  • Absolutismo Monárquico. Os filósofos atacavam duramente as instituições do
  • Pretendia-se liberdade social. Representado pela associação entre razão e
  • Quando eclode a Revolução Industrial a classe manufatureira parte para o
  • Corporações de Ofício. Os objetivos sociais passam a ser entendidos como a
  • Foi um fenômeno de mecanização dos meios de produção. Consistiu num
  • Revolução Industrial representa o momento decisivo da vitória do capitalismo
  • Na Inglaterra do séc. XVIII houve uma grande concentração de terras em
  • Resposta: "Sim. Agradeço a Deus por isso. Estou livre do peso de sustentá-
  • A desagregação do antigo sistema de produção expeliu para os centros
  • A Revolução Industrial acabou transformando o trabalho em emprego. Os
  • Robert Owen está ligado à formação das primeiras Trade Unions na
  • A concentração de massas leva à lutas e à criminalidade. A concentração
  • Falava das condições dos trabalhadores. A questão social (falta de
  • Em 1848 foi publicado o Manifesto Comunista por Marx e Engels. Criticava
  • Karl Marx afirmava que a nova revolução celebra a vitória dos industriais na
  • O direito do trabalho não surgiu instantaneamente. Há uma flutuação de
  • 9. O DIREITO DO TRABALHO
  • 10. A formação do Direito do Trabalho segundo Granizo e Rothvoss
  • 1ª Fase: FORMAÇÃO ± 1802 (Lei de Peel) até 1848 (Manifesto Comunista)
  • Passou a adotar práticas humanitárias em suas indústrias. A lei teve o
  • 2ª Fase: INTENSIFICAÇÃO ± 1848 até 1891 (Encíclica Rerum Novarum)
  • O Direito do Trabalho já existe e começa a se intensificar
  • 3ª Fase: CONSOLIDAÇÃO ± 1891 até 1919 (Tratado de Versailles)
  • 4ª Fase: APERFEIÇOAMENTO ± 1919
  • O processo de aperfeiçoamento é contínuo e inesgotável. Quando se consolida
  • *CONSTITUCIONALISMO SOCIAL: surge a partir do término da I Guerra
  • * CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR de 1919. A Constituição trazia garantias
  • * Os Conseils de prud¶hommes na França: a experiência pode ser
  • Itália deu impulso acentuado aos órgãos de solução das questões trabalhistas
  • III. CONCLUSÃO
  • ANEXOS
  • DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM
  • PREÂMBULO
  • Considerando que é essencial a proteção dos direitos do homem através de
  • A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos
  • Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão e o tráfico de
  • 1.Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação
  • Nações Unidas para a manutenção da paz
  • 2. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a
  • Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de
  • A função principal do trabalho tecnológico é de procurar rendimento e um
  • Devia caber mesmo à Idade Média ± que ficou marcada na história corrente
  • Nós faremos trabalhar a baixo salário os pobres tecelões./ Encontraremos
  • O COMUNISMO PERDEU, O CAPITALISMO NÃO VENCEU
  • Livro: 1962
  • José César de Oliveira)
  • HISTÓRIA DO DIREITO DO TRABALHO
  • 1) INTRODUÇÃO
  • 2) HISTÓRIA DO DIREITO DO TRABALHO NO BRASIL
  • A política trabalhista brasileira começa a surgir com Getúlio Vargas em
  • Essa preocupação transformou-se em 30 artigos da Constituição mexicana
  • A designação de Justiça do Trabalho surge pela primeira vez na
  • 1941. Estava dividida em três instâncias - Juntas de Conciliação, Conselhos
  • Regionais e Conselho Nacional do Trabalho - e ainda tinha caráter
  • Podemos considerar que a CONSOLIDAÇAO DAS LEIS TRABALHISTAS
  • Lei de Sindicalização. Seguem a "Convenção Coletiva": a Lei que regula a
  • "Juntas de Conciliação e Julgamento"; "Comissões Mixtas de Conciliação" e
  • - Terceira parte: "Previdência e Assistência Social" - era assim formada: lei
  • - A quarta parte: "Organizações Administrativas" continham os
  • 3) ORGANIZAÇÃO SINDICAL
  • Os interesses que esta relação põe em jogo são os interesses abstratos do
  • O direito coletivo tem caráter instrumental: meio para alcançar a criação de
  • As corporações de partes e ofícios da Idade Média tinham feição
  • Mas o Estado liberal foi além. A coalizão e a greve tornaram-se crimes
  • O VII Congresso Mundial da Confederação Internacional das Organizações
  • Geral do Trabalho-Força (CGT-FO); a Confederação Francesa dos
  • Trabalhadores Cristãos (CFTC) e a Confederação Geral dos Quadros (CGQ)
  • O sindicato é uma forma de associação instituída para proteger os
  • Nos países totalitários é evidente a natureza de pessoa de direito público do
  • 3.6) Formação Histórica dos Sindicatos no Brasil
  • A revolução de 1930 veio dar contornos mais precisos à nossa organização
  • A Organização sindical sofreu sensíveis alterações com o advento da
  • Constituição Federal de 1988. Passamos de um regime de grande interferência
  • I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de
  • Público a interferência e a intervenção na organização sindical;
  • II ± é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer
  • III ± ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou
  • IV ± a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de
  • V ± ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
  • VI ± é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas
  • VII ± o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações
  • VIII ± é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro
  • Parágrafo único: As disposições deste artigo aplicam-se à organização de
  • 3.8) Sindicatos Rurais e Colônias Agrícolas
  • 4) CONVENÇÃO COLETIVA
  • A possibilidade da celebração de convenção coletiva verificou-se na
  • 4.2) A convenção Coletiva no Direito Brasileiro
  • Os sindicatos só poderão celebrar convenções ou acordos coletivos de
  • As convenções e os acordos entrarão em vigor 3 dias após a data de
  • As cláusulas normativas da convenção são todas as que podem constituir o
  • As cláusulas normativas são inderrogáveis e se aplicam não só "aos
  • 5) ACORDO COLETIVO
  • A Constituição de 1988 reconhece não apenas as convenções coletivas de
  • 5.3) Funções da Negociação Coletiva
  • A negociação visa a um procedimento de discussões sobre divergências
  • 6) SENTENÇA NORMATIVA
  • 7) CONCLUSÃO
  • Revista e Atualizada de Acordo com e Constituição de 1988 e Legislação

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO

Autor: Fábio Ferraz

INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho é aprofundar o estudo da história do trabalho desde os tempos primitivos até a Revolução Industrial, para entender a necessidade e a importância do Direito do Trabalho, que é historicamente recente. Analisaremos a evolução do trabalhador patriarcal, escravo, servil, até o trabalhador "livre", da Revolução Industrial, explorado historicamente de formas diferenciadas.

A pesquisa examina o desenvolvimento do trabalho no decorrer do tempo, pois só assim é possível compreender o valor do Direito do Trabalho, sua dinâmica e sua relevância para as relações trabalhistas. Com o estudo histórico se possibilita um melhor entendimento dos problemas atuais. Como a firma Sérgio Pinto Morais, "é impossível ter o exato conhecimento de um instituto jurídico sem se proceder a seu exame histórico, pois se verifica suas origens, sua evolução, os aspectos políticos ou econômicos que o influenciaram".

DESENVOLVIMENTO

1. SOBRE A ETIMOLOGIA DO TRABALHO

A questão sobre a etimologia da palavra trabalho gera ainda controvérsias, é assunto que causa discussões.

À raiz indo-européia werg atribui-se µidéia de trabalho ou ação produtiva¶ e representa-se no grego érgon, inglês work, µobra¶ e µtrabalhar¶. Tudo leva a crer que não exista uma raiz indo -européia comum e que cada um dos troncos ou ramos ou língua indo-europeus desenvolveu, já isoladamente, já em pares, o conceito. Este se associa ora a uma noção de µação¶, ora à de produ to¶, ora à de µsofrimento, padecimento¶, ora à de µpeso, carga¶.

O latino labor significa labor, fadiga, afã, trabalho, obra e também cuidado, empenho, sofrimento, dor, mal, doença, enfermidade, desventura, desgraça, infelicidade.

Tilgher afirma que os gregos conceberam o trabalho como um castigo e como uma dor (o termo grego pónos significa trabalho, tem a mesma raiz da

palavra latina poena). Lucien Fébvre acredita que veio do sentido de tortura (tripaliare). Para Robertis, a antigüidade não possui uma p alavra que seja equivalente à nossa trabalho, na qual se destacam a fadiga e pena, e também força e altivez.

Mas hoje predomina o entendimento de que provém do neutro latino palum, através do adjetivo tripalis (composto de três paus) de que se deduziu tri palium, designativo de instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes até munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores batiam as espigas de trigo ou de milho e também o linho, para debulhar as espigas, rasgar ou esfiar o linho. Era também uma canga que pesava sobre os animais ou um instrumento de tortura, constituído de cavalete de pau, também usado para sujeitar os cavalos no ato de lhes aplicar a ferradura. Mais tarde, ganhou o sentido moral de sofrimento, fadiga, encargo, e depois adquire o sentido de trabalhar, labutar.

2. CONCEITO GERAL DE TRABALHO. CONCEITO ECONÔMICO, FILOSÓFICO E JURÍDICO

2.1 CONCEITO GERAL DE TRABALHO

Num conceito genérico, é "o objetivamente correlativo do impulso, isto é, a aplicação da força impulsiva a qualquer produção ou realização de um fim

da qual esta recebe a própria dignidade específica". A primeira vista. A outra visão acerca do trabalho entende este como sendo uma penalidade. na verdade. através de um esforço consciente. visto q ue apenas ele pode realizar trabalho com discernimento. sendo uma forma de punição aos seus erros e desobediências. a partir da . Essa visão não se contradiz à primeira. explorando e transformando. O trabalho humano foi sempre visto através de dois conceitos distintos. porém purificante e libertador. o que. o trabalho é concebido como "fonte de libertação. o trabalho é um castigo. um ser privilegiado em relação aos demais seres. Na visão Evangélica. pela qual é construída a cada dia a vida do homem. antes do pecado. O trabalho dá dignidade ao ser humano. progresso e realiza ção pessoal. O Papa João Paulo II refere -se ao trabalho como "dimensão fundamental da existência humana. pela razão de o colocar como administrador do universo. sensatez e liberdade. o trabalho era alegre e sem fadigas. A diferença é que. não acontece. e também o conceito de paz social. em sentido amplo. um castigo imposto ao homem decaído. como toda atividade humana que transforma a naturez a a partir de certa matéria dada. parece que há antagonismo entre os dois conceitos. Tem-se também. e.humano" (Paul Natorp). Na primeira visão. a terra e suas riquezas. fator de cultura. de bem-estar coletivo e dominação racional do universo".

O trabalho. como satisfação das necessidades do homem para manter-se e sobreviver. torna -se penoso.2 CONCEITO ECONÔMICO Era indispensável para o homem a satisfação de suas necessidades materiais. é empregado com finalidade lucrativa". em consórcio com os demais fatores de produção ± natureza e capital ± . ficando este obrigado a conquistar a natureza. Ou. . 2. Este conceito está ligado à idéia de utilidade. "toda energia humana empregada tendo em vista um escopo produtivo". O útil em economia possui o caráter de meio físico para o objetivo final que é satisfazer as necessidades do homem. quando o homem precisou trabalhar para se satisfazer. tirando dela a matéria-prima de seus produtos manufaturados. conceituado economicamente. "é toda energia humana que. de acordo com Francesco Nitti. para serem transformados em mercadoria (produto) e entrarem em circulação na sociedade.desobediência de Adão e de Eva.

Nesse sentido. Assim. secundário (atividade manufatureira ou industrial) e terciário (serviços de qualquer espécie). técnico ou intelectual. rica em manifestações e singularidades. É todo empenho de energia humana voltado para acudir a realização de um fim de interesse do homem".4 CONCEITO JURÍDICO . A atividade do homem é muito ampla. 2. o "trabalho é toda atividade realizada em proveito do homem. tendo um conc eito muitas vezes impreciso.As atividades humanas não consistem apenas em trabalhos manufatureiros.3 CONCEITO FILOSÓFICO O sentido filosófico é às vezes equívoco e ambíguo. instrumento de transformação útil das riquezas ou ainda como fator de redenção humana. o trabalho pode ser entendido como castigo e também como privilégio. mas também material. em sentido filosófico. 2. no setor primário (rural).

dependente. pela própria força de trabalho em favor de outro sujeito. em troca de uma retribuição. ou se obriga a prestar. que combina os primeiros critérios. que considera os sujeitos dessa relação. O conceito jurídico de trabalho supõe que este se apresente como objeto de uma prestação devida ou realizada por um sujeito em favor de outro. o trabalho precisa ter um conteúdo lícito. quando surgir de relação por meio da qual um sujeito presta. que leva em conta o seu objetivo. O Direito do Trabalho apenas se ocupa do trabalho subordinado. isto é. apesar de não serem errôneos. misto. Isso ocorre quando uma atividade humana é desenvolvida por uma pessoa física. Por serem os dois primeiros incompletos e insuficientes. essa atividade é destinada à criação de um bem materialmente avaliável. sob dependência de outrem. compreende-se como Direito do Trabalho o conjunto de princípi os e de normas que regulam as relações jurídicas oriundas da prestação de serviço . subjetivista. a relação de trabalho. aquele em que alguém coloca suas energias em favor de outra pessoa. Não precisa ser necessariamente produtivo. é realizada com intuito de ganho". Temos assim que trabalho "é toda atividade humana lícita que. trabalhando sob as ordens dela. deve ser valorável e socialmente proveitoso.Para o Direito. O Direito do Trabalho pode ser definido sob três critérios: objetivista.

num tempo em que inexistiam le gislações escritas. O trabalho na Antigüidade remota: fases arqueológica s. Nasceu espontânea e inteiramente nos antigos princípios que constituíram a família. Posteriormente. devido ao amplo quadro de hipóteses possíveis e proposições explicativas distintas. nas práticas de convívio familiar de um mesmo grupo social. fazia com que o direito fosse respeitado religiosamente. 3. egípcios Há grande dificuldade de se impor uma causa primeira e única para explicar as origens do direito arcaico. assim. as práticas primárias de controle são transmitidas oralmente. unido por crenças e tradições. . como conseqüência da situação econômico-social das pessoas que o exercem. é natural que se considere que a base geradora do jurídico encontra -se primeiramente nos laços de consangüinidade. A sociedade pré-histórica fundamenta-se no princípio do parentesco.subordinado e outros aspectos deste último. derivando das crenças religiosas universalmente aceitas na idade primitiva desses povos e exercendo domínio sobre as inteligências e sobre as vontades. O receio da vingança dos deuses. marcadas por revelações sagradas e divinas. pelo desrespeito aos seus ditames.

sem o intento de acúmulo. iniciou-se na fabricação de armas e instrumentos de defesa. Era. portanto. Posteriormente. contra os animais e contra os seus semelhantes. fica acima dos outros animais. Já era possível obter .3. Quando começou a sentir a necessidade de se defender dos animais e de outros homens. pesca e luta contra o meio físico. houve u ma organização social e certa divisão de trabalho. objetivando apenas a satisfação de suas necessidades imediatas para sobreviver. Dessa forma. Desenvolvia o seu trabalho de forma primitiva. a partir de um instrumento novo. uma economia apropriativa. com instrumentos de trabalho rudimentares.1 FASES ARQUEOLÓGICAS O homem sempre trabalhou para obter seus alimentos. cria novos instrumentos de trabalho. o homem descobre formas de polir seus instrumentos de trabalho e luta. Mais tarde aperfeiçoa as armas de caça e pesca. ferramentas de produção. Ele caça. No momento em que o homem desenvolve os utensílios.

sua primeira atividade industrial. uma questão de sobrevivên cia. Há maior densidade do grupo social. Não havia divisão de trabalho. e passou a controlar as leis naturais. Até então. visto que o homem não dominava tecnicamente a natureza. Este se torna chefe e uma espécie de líder militar nos períodos de guerra. e a cooperação era essencial. O homem não mais se contentava em colher os frutos espontâneos da natureza. No período paleolítico. com organização de comunidades. Dessa forma. Passa o homem a domesticar animais. Domestica. Trabalhavam conjuntamente. o homem e sua família trabalhavam para o seu próprio sustento. outros animais. O trabalho consistia em uma simples cooperação. na figura do patriarca. restava tempo para o lazer. Surge então o chefe. assim. . que era nômade. principalmente por causa da agricultura. criando. que fixou a vida humana. Assim. passa a lascar pedras para fabricar lanças e machados.abastecimento para dias. A população se dispersava em pequenos agrupamentos. agregando aos seus hábitos o pastoreio e a prática da agricultura. enquanto as mulheres colhiam os frutos (espontâneos) da natureza. então. O homem. foi organizada uma divisão de trabalho por sexo: os homens dedicavam -se ao trabalho de maior risco. inclusive com hierarquização. torna -se sedentário.

a urbanização se dá de forma gradual.C. a fase arqueológica.500 a. A humanidade agora caminha rumo à civilização.Finalmente.2 O TRABALHO ENTRE OS EGÍPCIOS Há indícios da existência da vida humana no Egito já na Era Neolítica. surgindo a necessidade de regras e leis de regulamentação.100 a 3. Conclui-se. o que resultou na formação das cidades entre 3. O povo egípcio da antigüidade era predominantemente dedicado à agricultura. concomitante à unificação dos povos do Sul e Norte (Baixo e Alto Egito).100 e 2. Os primeiros textos em hieróglifos surgem no período entre 3. havendo a complexidade na elaboração dos produtos econômicos. No Egito. A fusão de metais já não era mais segredo. fazendo surgir as primeiras civilizações.C.000 a. surge para o homem a Era dos Metais e a economia transformativa. O Egito é banhado pelo rio Nilo (as civilizações egípcias se formaram em torno do rio . em 5. Inventou-se a roda.890 a . visto que dispunha de condições geográficas vantajosas. 3.C. assim. As relações se tornam mais complexas.

Os períodos de cheia e recuo d as águas do Nilo são previsíveis e estáveis. todos obrigados. bem como à navegação fluvial. também controlados pelo Estado. ametista. O Egito era rico em vários materiais (ouro. A manufatura constituía também um ramo econômico de grande importância. A madeira era importada do Líbano. marfim e granito para a construção). à prestação de serviços em obras públicas. sem a utilização de moedas. essencial para o transporte de mercadorias e sofisticação do comércio. o chamado escambo. . tornando -o propício à agricultura.Nilo). que proporcionava a fertil idade do solo. Foram realizadas também atividades de importância. quando necessário. Todos esses fatores contribuem para um crescimento mais acelerado da população. sílex. O comércio era feito à base de trocas. bem como um maior desenvolvimento político e econômico. Foram realizadas grandes obras de irrigação e construídos açudes e diques. servos da gleba e trabalhadores livres. cobre. como a fabric ação de tecidos e a construção de navios. Ao Estado cumpria a direção e a regulamentação do trabalho rural do país. que era feito por escravos.

1 ROMA: A ESCRAVIDÃO A estratificação social é composta por homens livres e escravos. aproveitando os seus serviços. MESOPOTÂMIA: O CÓDIGO DE HAMMURABI. OS PENSADORES GREGOS. os adversários feridos eram mortos. Na Roma republicana. OS COLÉGIOS ROMANOS. 4. A escravidão fo i um fenômeno universal no mundo antigo. O TRABALHO NA ANTIGÜIDADE CLÁSSICA. onde os ofícios eram passados de pai para filho. percebeu-se que era mais útil escravizar o derrotado na guerra. A "LOCATIO CONDUCTIO". O DIREITO HEBREU. no Alto Império. Nas lutas contra grupos ou tribos rivais. Posteriormente. 4. O trabalho escravo predominava. a reposição de escravos era confiada principalmente às regras expansionistas.É aceita a idéia de ter havido também grupos profissionais de artesãos. ROMA: A ESCRAVIDÃO. A prática escravagista surgiu das guerras. a criação e o comércio do "gado . ao invés de matá los.

Isso gerou vários preconceitos sobre o trabalho humano. os escravos chegaram a dois milhões numa população total de seis milhões. os escravos nos territórios romanos chegaram a dez milhões numa população total de 50 milhões. penalidade. Ao lado do trabalho escravo. O trabalho manual ± exaustivo ± era exclusivo dos escravos. nos favores sexuais. Era tratado como carga. A vida de um escravo. e 150 d. Aristóteles afirmava que "a arte de adquirir escravos. é como uma forma da arte da guerra ou da caça". . No período imperial. fadiga. Da infância até a morte os romanos livres eram rodeados.C. na amamentação.. existia também o trabalho livre. considerado atividade subalterna. nas oficinas. durava cerca de dez an os. desonrosa para os homens válidos e livres. nas práticas públicas. nas tarefas domésticas.C. do momento da escravização até a morte.. entr e 50 a. servidos e mantidos pelo trabalho dos escravos: no cultivo da terra. Calcula-se que na Itália do final do século I a. nas minas.C..humano" predominaram com a captura de prisioneiros em batalha. portanto.

Era uma relação de direito real. Era exigido do escravo um trabalho produtivo. pelo progresso tecnológico e pela exigência de trabalhadores cada vez mais motivados. visto que a titularidade dos seus resultados pertencia ao amo. A relação de trabalho era estabelecida entre o dominus (sujeito titular de direitos) e a res (coisa). não era instituição de direito natural. entre o custo dos escravos e o custo de outros tipos de trabalhadores. O escravo era uma coisa do proprietário. alguns pensadores gregos ensinaram que a noção de escravo não era ser servo por natureza. e sem acesso aos bens que ele produzia. portanto. Quanto às causas da libertação da escravidão. vieram a se tornar livres. Muitos escravos. é preciso levar em conta não só a relação entre oferta e procura de escravos. posteriormente. sem nenhum direito. da qual ele podia usar e abusar e sobre a qual o senhor exercia o direito de vida e morte. Não passava de uma mercadoria. muito menos trabalhista.No direito romano predominava a economia rural fundada latifúndios. considerado um sujeito de direito. Mais tarde. e sim por convenção dos homens. sobretudo. além do papel exercido pelo cristianismo. e não pessoal. Era um trabalho realizado por conta alheia. mas. O senhor percebera que o trabalho livre é mais . Não era.

Os escravos ganhavam a liberdade. O custo para manter os e scravos nos latifúndios tornou-se cada vez mais elevado que o custo da subdivisão dos latifúndios em pequenas propriedades. Adam Smith constatou que "o trabalho executado por homens livres. a se sustentar. se juntarmos aos custos da vigilância os da manutenção. os trabalhadores rendiam mais quando eram melhor tratados. chefiadas pelos colonos. obrigados. no final das contas. mas com a vantagem de ganhar o salário. Com a passagem do baixo Império à Idade Média e com o enfraquecimento da autoridade central. mais produtivos e menos perigosos. mas não tinham outro direito senão o de trabalhar nos seus ofícios habituais ou alugando -se a terceiros.produtivo do que o trabalho escravo. como as rebeliões e a formação de maltas de escravos transformados em delinqüentes. ficaria cada vez mais difícil manter sob controle as grandes massas de "gado humano": as fugas tornaram-se freqüentes e ameaçadoras. os rendeiros podiam ser substituídos de um dia para o outro sem danos relevantes para o senhor. envelheci am ou morriam. Foram os primeiros trabalhadores assalariados. é mais barato do que o executado por escravos". a pagar a corvéia. a serem com efeito mais fiéis. Dessa forma. assim como crescia a tendência de os patrões exercerem uma seleção e controle severíssimos. Também crescia a tendência de os escravos fugirem ou se rebelarem. compreende-se como os proprietários chegaram a preferir a libertação dos escravos e a sua transformação em servos da gleba. desse modo. . Se os escravos constituíam para o proprietário prejuízo certo quando adoeciam.

quando o Império foi ao ponto de permitir sua livre formação e reunião. Os progressos de certas idéias filantrópicas explicam essa mudança de atitude. por tornarem às vezes o aspecto de pequenos clube s e por participarem nas perturbações políticas. submetendo a criação à autorização prévia e impondo à sua atividade limites que a polícia se encarregava de manter. o Império. Só se demonstrou maior benevolência no decorrer do século II.Mesmo nos tempos medievais a escravidão também existiu e os senhores feudais faziam grande número de prisioneiros. a escravidão continuou. especialmente entre os bárbaros e infiéis. Os colonizadores espanhóis escravizavam os indígenas e os portugueses também faziam viagens pela costa africana. mas as . conquistando escravos para trazer para o Novo Continente. com cotizações regulares. reconhecendo sua existência financeira e jurídica. Mas. desconfiou delas. no seu começo. Agrupavam pessoas humildes. principalmente com o descobrimento da América. Até mesmo na Idade Moderna.2 Os colégios romanos Eram associações corporativas. 4. Seus objetivos principais eram de ordem religiosa e funerária. para celebrar um culto e assegurar funerais decentes.

tendo esses passado a ter o trabalho regulamentado. Assim.necessidades econômicas intervin ham também. Davam assistência a seus membros. que era rudimentar. Nas províncias ocidentais. Operis" A locatio conductio é o contrato de arrendamento ou locação de empreitada. os colégios se haviam organizado desde o princípio do Império. Tinha por objetivo regular a atividade de quem se comprometia a locar suas energias ou resultado de trabalho em troca de pagamento. Com seus "patronos" honorários. Mais tarde surgem para organizar a produção romana. desempenharam grande papel na formação e na renovação das burguesias municipais. Assim. escritórios e festas. Operarum.3 "Locatio Conductio: Rei. estabelecia a organização do trabalho do homem livre. pois começava-se a esperar das corporações a prestação de serviços ou a execução de encomendas. foram criados grupos de artesãos que se reuniam para exercer a mesma função. 4. a locatio operarum e a locatio operis faciendi. . Havia três diferentes operações: a locatio rei.

na qual o conductor se comprometia a trabalhar sobre uma coisa que lhe confiava o locator. contrato pelo qual o locator se obrigava a proporcionar ao conductor. É apontada como precedente da relação de emprego moderna. ajustada entre conductor e locator. de homens livres. O locator entregava ao conductor uma ou mais coisas para que servissem de objeto do trabalho que este comprometeu a realizar para aquel e. pela qual o locator se comprometia a prestar determinados serviços durante certo tempo mediante remuneração.4 Direito Hebreu . A locatio operis faciendi (locação de obra ou empreitada) era a execução de uma obra. O objeto podia ser qualquer coisa corpórea. sobre promessa de retribuição. objeto do direito do trabalho. mediante pagamento. Tinham por objeto os serviços manuais não especializados. A locatio operarum (locação de serviços) é a prestação de serviços. mediante recebimento de aluguel. o desfrute ou uso dessa coisa. 4. não consumível. Corresponde ao contrato de prestação de serviços. O aluguel devia ser certo. Os serviços eram locados mediante pagamento. determinado.A locatio rei era o aluguel (arre ndamento) de coisas. Era a empreitada.

pelos hebreus espe rado. Exalta o trabalho como arena de virtudes e fator de preservação do ócio. que planta o trigo. Os hebreus prezavam e valorizavam o trabalho. Entre os hebreus. é preciso. prepará -lo não só com a prece. Proíbe. O reino não é só dádiva. Se o reino terreno. Todos os homens são iguais perante o Criador. Proíbem-se os maus-tratos aos escravos e assalariados. mas com o trabalho que cria o espírito da disciplina. que lavra a terra. se estabelecerá pela graça de Deus. colocando como um santo o homem que constrói sua casa. que o trabalho seja utilizado como fator de opressão . graças à atuação da lei mosaica e talvez também por já terem sido escravos no Egito. São reconhecidos direitos iguais aos homens. proclama o sentido alimentar do trabalho e também condena a preguiça. e a religião é monoteísta. 4.O Direito hebraico é religioso. ainda. A religião se derivou do cristianismo e exerceu enorme influência nos países ocidentais. Foi com a civilização hebréia que o trabalho adquiriu um elevado sentido.5 Mesopotâmia ± Código de Hammurabi . entretanto. mas também conquista. a prática da escravidão foi menos dura.

C. dotado de princípios gerais.C. A estrutura da sociedade transmitida pelo texto do código demonstra que existem duas grandes classes de pessoas.900 a. É o Código de Ur -Nammu.C. conceitos e institutos). A civilização se formou em torno dos rios Tigre e Eufrates. O primeiro desses "códigos" da antiga Mesopotâmia surge no período entre 2. havia carência de minerais (com exceção do cobre) e o solo..C.. na região da Suméria. Em regra. apresentava problemas quanto à dificuldade de drenagem e de contenção do avanço da vegetação desértica. essa expressão não deve ser entendida no seu sentido moderno (como um documento sistematizado. categorias. As cidades já existem entre 3. Quando se fala da existência de "códigos" na antiga Mesopotâmia.100 e 2.000 a. bem como .140 e 2. As cidades mesopotâ micas dependiam do comércio. apesar de bastante fértil.Tudo indica que há existência de vida humana na Mesopotâmia desde o ano de 7. O solo era propício à agricultura e à navegação fluvial.004 a. As primeiras inscrições cuneiformes aparecem em 3.100 a. os homens livres e os escravos.

Implantou a noção de direito e ordenou o território sob o seu poder. de funcionários que servem os palácios reais e os templos e que possuem uma liberdade limitada. É autor de 282 sentenças que foram reunidas e publicadas em estelas que constituíram o seu Código.uma camada intermediária. foi descoberto um código editado por volta de 1. na Acádia. um estrategista excelente. um rei poderoso e criador do Império Babilônico. foi encontrado o Código de Lipit-Ishtar. um exímio administrador. Na cidade de Isin. em 1901. Na cidade de Esnunna.930 a. Uma das características que marcaram a personalidade de Hammurabi e fizeram dele uma das maiores figuras de monarca do Oriente Antigo. Uma de suas primeiras preocupações foi a implantaçã o do direito e da ordem no país.870 a. no período do apogeu do império babilônico.C. O documento legal é gravado em pedra negra. Foi promulgado. enquanto reconstruía suas cidades e ornamentava seus templos. permitiu o culto da religião local. Aos povos conquistados.C. Como administrador. na Suméria. Hammurabi governou na Babilônia entre 1792 e 1750 a. O Código de Hammurabi foi descoberto na Pérsia.. redigido possivelmente em 1. construiu e manteve canais de irrigação e navegação. aproximadamente em 1. Hammurabi não foi apenas um grande conquistador.C. Ele foi. foi o seu .694 a. retificou o leito do rio Eufrates. incrementando a agricultura e o comércio.880 -1. antes de tudo.C.

§ 175: "Se um escravo do palácio ou um escravo de um muskênum tomou por esposa a filha de awilum e ela lhe gerou filhos o dono do escravo não poderá reivindicar para a escravidão os filhos da filha de um awilum"). O legislador quer determinar o tempo máximo de serviço pela dívida. de quem geralmente a sorte dependia do sentimento humanitário de seus senhores. Devido à reforma de Hammurabi. por exemplo. Os filhos do matrimônio serão livres. houve preocupação com o direito dos escravos.sentido de justiça. há um estrato de homens livres. uma camada de homens dotados de personalidade jurídica. O Código também disciplina . seu filho ou sua filha ou (os) entregou em serviço pela dívida. a que um membro da família de awilum pode ser submetido. O palácio (muskênum) não tem direito nenhum sobre eles. em seu Código. Assim. mas com responsabilidade limitada. Fixou. e a última camada da população babilônica era formada por escravos (equiparados a um bem móvel). eram obrigados à escravidão (§ 117: "Se uma dívida pesa sobre um awilum ± homem livre ± e ele vendeu sua esposa. no qual fica explicitado o conjunto de leis oferecido ao povo da Babilônia pelo deus Samas. em razão de dívidas. e não por decisão deste. no quarto ano será concedida a sua libert ação"). O seu Código seconstitui num extenso prólogo. limite máximo de tempo de serviço para aqueles que. A organização da sociedade segue os padrões já estabelecidos no Código de Ur-Nammu. por intermédio do rei Hammurabi. durante três anos trabalharão na casa de seu comprador ou daquele que os tem em sujeição.

veterinários. como filho de criação.). como seus honorários. Hammurabi também regulou a aprendizagem profissional (§ 188: "Se um artesão tomou um filho. a filh a do awilum tomará a outra metade para seus filhos").) "se o escravo morreu. pedreiros e barqueiros.. a esposa tomará consigo o seu dote. . e lhe ensinou o seu ofício. (§ 176: (. médicos. o dono do escravo tomará uma metade. esse filho de criação poderá voltar para a casa de seu pai". 1/6 (de um siclo) de prata". § 224: "Se um médico de um boi ou de jumento fez uma operação difícil em um boi ou em um jumento e curou -o.. barbeiros. § 219: "Se um médico fez uma operação difícil com um escapelo de bronze no escravo de um muskênum e causou-lhe a morte. mas tudo o que seu esposo e ela adquiriram depois que se uniram. ele não poderá ser reclamado". o dono do boi ou do jumento da rá ao médico.como proceder à divisão da herança no matrim ônio de um escravo com a filha de um homem livre. os direitos e obrigações de classes especiais de trabalhadores. dividirão em duas partes. § 189: "Se ele não lhe ensi nou o seu ofício. ele deverá restituir um escravo como o escravo".

§ 234: "Se um barqueiro calafetou um barco de 60 GUR para um awilum.§ 226: "Se um barbeiro. Os §§ 257-258 fixam a remuneração anual de dois tipos de trabalhadores rurais. dará 3 parsiktum de cevada por dia". dar-lhe-á 6 GUR de cevada por ano". § 257: "Se um awilum contratou um trabalhador rural. . § 271: "Se um awilum alugou bois. ele lhe dará. a legislação de Hammurabi surge como uma ampla experiência. de tabelamento oficial. um carro e o seu condutor. dar -lhe-á 8 GUR de cevada por ano". dar -lhe-á 8 GUR de cevada por ano". por cada sar de casa 2 siclos de prata". como seus honorários. Determinando um bom número de salários e preços. sem o consentimento do dono do escravo. § 228: "Se um pedreiro edificou uma casa para um awilum e lha terminou. o Código consagra alguma intervenção na atividade privada. uma época antiga. § 258: "Se um awilum co ntratou um vaqueiro. § 261: "Se um awilum contratou um pastor para apascentar o gado maior ou o gado menor. ele lhe dará 2 ciclos de prata como seus honorários". cortarão a mão desse barbeiro". por meio da delimitação de preços e salários. No que se refere ao domínio econômico. raspou a marca de um escravo que não é seu.

onde o proletariado era todo composto de escravos. O trabalho aprisionava o homem à matéria. limitando a sua compreensão das coisas mais elevadas. algumas atividades (como a fabricação de tecidos) eram praticadas por homens livres. . Heródoto assinala o despre zo pelo trabalho que reinava em muitas cidades gregas orientais. Desprezavam o trabalho dependente e qualquer atividade que comportasse fadiga física ou. mas esses não tinham qualquer amparo nas leis.Graças ao Código de Hammurabi. a execução de uma tarefa. Na Grécia havia fábricas de flautas. o trabalhador mereceu tratamento mais suave. impedindo-o de ser livre. Apesar do desprezo pelas artes manuais. 4. pelo reconhecimento de alguns direitos civis. de algum modo.6 Os pensadores gregos A filosofia grega é a primeira a ter uma preocupação racional. de facas. de sujeição do homem ao mundo exterior. Era aviltante. de ferramentas agrícolas e de móveis. sem base teológica ou metafísica. Os gregos consideravam o trabalho manual desprezível.

I ± Fase Mitológica O conhecimento ainda não tinha base racional. comparada à científica. a pesquisa tecnológica sofre um bloqueio. artística. Entre os trabalhos independentes também existia uma rígida hierarquia de prestígio social: a matemática e a medicina eram apreciadas. Fase Cosmológica e Fase Antropológica. era expressado por mitos e lendas. As principais fases são: Fase Mitológica. O conhecimento não tinha fundamentação científica. política e jurídica. a engenharia e cirurgia desprezadas. porque era envolvido com as atividades materiais. . Por toda a Antigüidade.Havia duas visões do trabalho: aquele que era o exercício do pensamento era admirado. filosófica. enquanto o trabalho manual era renegado.

Opunha à humanidade agitada pela luta e pela conquista uma outra que se fundasse na justiça e no trabalho. "Theogonía" (Gênese dos Deuses) narra a estória da criação do homem.Hesíodo foi o primeiro filósofo a tentar explicar o trabalho huma no com significado ético. filha predileta de Zeus. O trabalho agradava aos deuses e fazia os homens independentes e afamados. está obrigado a se defender do tormento de Zeus. a mulher leva o homem a trabalhar. Exalta a Justiça. "Erga kai homérai" (Trabalho e os Dias). e sobretudo a morte. e. Pandora. Sua primeira obra. como a única esperança dos . Os deuses ficam irados. como castigo. Prometeu. a alma nos impulsiona ao trabalho. É uma nova condição do homem. Para Hesíodo. guerras. Ao desejar riqueza. para sustentar os seus inúmeros caprichos. Um titã. a Prometeu. pestes. Em outra obra. agora. Pandora abre a caixa proibida. doenças. Cheia de curiosidade e querendo dar maravilhas aos homens. mas nunca deveria ser aberta. Dela saíram todas as desgraças. para dissuadir o irmão das práticas desonestas. Assim é explicada a origem dos males da humanidade. roubou o fogo do Divino Olimpo e criou o primeiro homem. enviam uma mulher encantadora. Este. A ela foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas. Hesíodo estabelece um elo entre o fardo do trabalho e o surgimento da mulher: esta é a responsável pelo surgimento do trabalho. Hesíodo dedica a primeira parte do poema a dois mitos que realçam acima de tudo a necessidade do trabalho duro e honesto. Por isso o trabalho torna -se necessário.

atividad e necessária à coexistência humana. Viviam em paz e alegres. com inúmeros bens e riquezas. política e cultural da Grécia. da Prata. Por ter descrito a vida do campo com realismo. Hesíodo foi chamado o primeiro poeta do trabalho. É a época de maior florescimento da democracia. O autor ainda trata o trabalho como uma decadência experimentada pelo homem em cinco etapas: Idade do Ouro.C. os homens não precisavam trabalhar. As mais importantes para o estudo do trabalho são a Idade do Ouro e a Idade do Ferro. superstição. surge a raça humana. só dispõem de um recurso: trabalhar a terra com as próprias mãos. Na última. Estes. com seres violentos. Dispunham de todos os frutos da natureza em abundância. para entrar em contato com os deuses. Na segunda parte é didático: estabelece normas de agricultura. II ± Fase Cosmológica. do Bronze.) Atenas tornou-se o centro da vida social. dos Semideuses e do Ferro. O trabalho é um antídoto à violência. . Naturalista ou Período pré -socrático (séc. vivendo seu período de esplendor.homens. Na primeira. VII a. educação dos filhos.

cabe a manutenção econômica do Estado. graduando -as em nove níveis decrescentes: o filósofo. portanto. entre aqueles que têm que trabalhar para ganhar a vida. os de prata devem ser soldados. ou entre os que o Estado livrou de . a segunda de prata e o rebanho vulgar de cobre e ferro. que não será encontrada. e os restantes devem encarregar-se dos trabalhos manuais. como a maioria dos filósofos gregos. que era submetida às outras. Os que são feitos de ouro servem para guardiães. Platão imaginou o Estado ideal dividido em três classes. pelo desprezo que Platão tinha pelo trabalho manual. o desportista. considera va o ócio essencial à sabedoria. a melhor feita de ouro.A filosofia volta-se para questões morais. com a organização social e com os problemas humanos ligados ao direito. o demagogo e o tirano. À esta classe produtora (agricultores e artesãos). o poeta. Platão. se preocupando com o homem. o agricultor e o artesão. o adivinho. Deus criou três espécies de homens. Chega a apresentar uma class ificação ético-prática das profissões. Os maiores nomes dessa fase são Platão e Aristóteles. o bom rei. à igualdade e à justiça. o político. mas só entre os que dispõem de meios suficientes para ser independentes.

abelha ou formiga. Se. se libertou da escravidão da carne. ou entrará no corpo de um animal. os propósi tos do governo são essenciais para determinar -se qual o trabalho de cada homem. ou outro animal sociável. pois. universal e necessária. Para ele. Mas a alma impura. como por exemplo. . Platão também fala que a justiça consiste em cada homem dedicar -se a seu trabalho. O mestre chegou a dizer: "Não vais querer dar tua filha como esposa a um mecânico ou engenheiro!". um burro. um lobo ou gavião. depois da morte. Seu trabalho tem que ser decidido ou pelos próprios gostos ou pelo juízo do Estado quanto às suas aptidões. despr ezando os trabalhadores. imutável. para viver em companhia dos deuses. transformar -seá num fantasma a assombrar o sepulcro. Ele considera algumas atividades perniciosas. a poesia. para o mundo invisível. O trabalho é por ele considerado como uma oposição à sabedoria. A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual. A alma do filósofo que. que amou o corpo.preocupações quanto à sua subsistência. Aquele que foi virtuoso sem ser filósofo se transformará numa vespa. Assim. sabedoria implica conhecimento em si mesmo. nenhum destes é sábio em função de sua arte". O filósofo afirma que "os trabalhadores da terra e os outros op erários conhecem só as coisas do corpo. somente o verdadeiro filósofo vai para o céu. em vida. partirá. que permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível.

eram vis. "Os cidadãos não deveriam dedicar -se ao artesanato ou ao comércio. Ele não reconhecia direitos humanos par a os escravos (mas não lhes negava a natureza humana). Para e le. ardentes e inteligentes. o objetivo do Estado é produzir cavalheiros cultos. Há homens que nasceram para comandar e há outros que nasceram para ser mandados. as raças meridionais. ao mesmo tempo. alguns homens não são escravos por convenção. Só os gregos são. diz ele.Aristóteles tinha um pensamento a respeito do trabalho humano que não divergia muito de seu mestre Platão. Eles exerciam atividade inferior. Para Aristóteles. Para ele. Os homens que trabalhavam para viver não deviam ser admitidos à cidadania. pois tal vida é ignóbil e inimiga da virtude". O filósofo chegou a afirmar que. Aristóteles também possui o amor dos gregos pela perfeição estática e preferência mais para a contemplação do que para a ação. inteligentes. as atividades mecânicas eram opressoras da inteligência. Sua doutrina da alma ilustra este aspecto de sua filosofia. Achava qualquer trabalho manual próprio dos escravos. As raças nórdicas. pois seria inconveniente que fossem ardente s. mas os agricultores deveriam ser escravos de uma outra raça. Os cidadãos deviam possuir propriedades. os escravos deveriam ser de raças meridionais. e sim por natureza. pois isso não lhes permitiria momento de ócio. homens que combinem a mentalidade aristocrática com o amor do saber e das artes. são ardentes. Também não deveriam ser lavradores. para . portanto. não exerciam atividades para o espírito.

que são por isso impostos aos escravos e às mulheres. envolvendo apenas força física. O trabalho não tinha o significado de realização pessoal. Para ele. Entre os sofistas. Os três primeiros tipos de atividades são acessíveis a todos os homens. a escravidão de uns era necessária para a virtuosidade de outros. Assim. Mostram o valor social e religioso do trabalho. Qualquer produção de objetos materiais representava para eles uma atividade de segunda ordem comparada à produção de idéias. era necessário ser rico e ocioso e que isso não seria possível sem a escravidão. o último. . Para esses filósofos. que é uma forma superior de jogo. encontramos a compreensão da importância do trabalho na vida da sociedade. era certo que nenhum homem livre aceitaria fazer trabalhos desagradáveis. está reservado aos seres humanos livres. criando riquezas e tornando os homens independentes. Platão e Aristóteles entendiam que o trabalho tinha um sentido pejorativo. os afazeres (ascolía).conseguir cultura. o jogo (paidía). que agradaria aos deuses. tediosos e degradantes. o gosto cultivado (skolé). O grande pensador tenta uma classificação das atividades humanas em quatro categorias: o trabalho cansativo (pónos).

contrapondo-se aos pensamentos grego e romano. na época. Apesar de considerar o saber como fundamento da virtude. revolucionários. Também condenava a acumulação de riquezas e a exploração dos menos afortunados. o trabalho é a retri buição da dor mediante a qual os deuses nos vendem os bens. CRISTIANISMO A dignificação do trabalho vem com o Cristianismo. favoráveis à escravidão e contrários aos princípios da dignidade do trabalho e . que ganha justa e inegável sublimação. Pródico enalteceu o valor de qualquer trabalho. Para Xenofonte. defendia o trab alho pelo seu alto sentido. com o reconhecimento expresso da dignidade humana de todo e qualquer trabalhador. que. pensamento e práxis. confere dignidade à vida.Protágoras condenava o dualismo entre trabalho manual e intelectual. A virtude é trabalho. ação e reflexão. Sócrates também acentuou a dignidade do trabalho. como finalidade última. Tais ensinamentos eram. O Cristianismo trouxe um novo conceito de dignidade humana ao pugnar pela fraternidade entre os homens. A palavra de Cristo deu ao trabalho um alto sentido de valorização. Porque nada do que é bom e belo concederam os deuses aos homens sem esforço e sem estudo. Não há progresso sem estudo e sem fadiga. 5. sem qualquer distinção valorativa entre a atividade intelectual e manual.

A verdade cristã foi de grande importância para modificar a ótica até então existente sobre o problema da escravidão entre os homens. defendiam tratamento digno e caridoso para os escravos. diferenciando-o dos outros animais. A escravidão sofre mudanças. pois eles constituíam imagem viva do Criador. O que na filosofia pagã era imputado à natureza. mas a culpa". e consideravam todos os homens iguais. Isidoro de Sevilha afirma que "a escravidão é uma punição imposta à hu manidade pelo pecado do primeiro homem". será na filosofia cristã imputado ao pecado original. ainda que ela própria usasse escravos. condenasse a sua insubordinação e justificasse a existência deles e até lhes tornasse cruel a condição. . A Igreja exerceu uma notável ± e não determinante ± ação no sentido da escassez da escravidão. disseminando as artes.das ocupações. O trabalho torna se um meio: o da elevação do homem a uma posição de dignidade. A Igreja passou a exercer grande influência civilizadora. O abade de Saint -Michel escreveria: "Não foi a natureza que fez os escravos. Apesar de não condenarem a prática escravagista. por influência principalmente de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. o saber e exaltando as v irtudes.

e o ócio assume uma conotação negativa. assim. a pior escravidão: ele tornava os homens escravos de suas paixões. Para justificar a escravidão dos negros. São Paulo afirmou que "quem não traba lha não tem direito de comer". pecaminosa. Valoriza -se o trabalho como um corretivo. Santo Agost inho supõe que seriam descendentes de Cam. Dizia que a escravidão era conseqüência do pecado. o filho de Noé que fora amaldiçoado pelo pai por ter zombado de sua nudez. A Bíblia fornecia. Para ele. . Santo Agostinho mostra que o trabalho não seria apenas um meio de impedir que o ócio criasse campo propício para os vícios. na verdade. O pecado era. um argumento racista em favor da escravidão. que é inimigo da alma. todo trabalho é útil. pois vivem do trabalho das suas mãos. reprovável. Jesus era um artesão.O trabalho é resgatado. como os nossos pais e os apóstolos". os seus apóstolos eram pescadores. São Benedito escreve que os monges "agora são verdadeiros monges. Mas também afirmava ser legítima a escravidão. antídoto ao ócio.

"foi a palavra de Cristo que deu ao trabalho um alto sentido de valorização. mas somente sobrenatural. Arduum porque o seu exercício provoca fadiga. não tendo consistência as alegações dos que afirmam que Jesus condenava o trabalho material. podendo administrá -las. cansaço. Cristo quer que as preocupações materiais não se sobreponham às espirituais. o homem teria de ganhar o pão com o suor de suas próprias mãos e seria com o seu esforço que ele deveria viver para ser digno". Reputavam legítima a escravidão.Santo Agostinho e São Tomás acreditavam na escravidão como conseqüência do pecado original. o que confere ao trabalho valor e dignidade (Cristo passou a maior parte de sua vida terrena numa oficina de carpinteiro. não podendo ser superada de modo natural. Bonum porque é fator de transformação da natureza e instrumento de produção de bens e serviços. fundada no ensinamento de Cristo: "amai-vos uns aos outros". Inaugurou-se uma nova postura do trabalho humano. Deus criou as coisas e deu ao homem o direito de usá-las para satisfazer suas próprias necessidades. Neste mundo. Assim. através da resigna ção cristã de quem é escravo e da caridade fraterna do amo. dispêndio de energia. Para ele. . dedicando-se ao trabalho manual). A própria Igreja e os eclesiásticos possuíam escravos. São Tomás de Aquino refere-se ao trabalho como um bonum arduum. mas com tratamento digno. Como afirma Segadas Vianna. aceitavam a escravidão.

6. o trabalho qualificado e o trabalho inferior: os irmãos devem servir -se entre si. pois a comunidade está organizada de modo a que nenhum fique isento dos ofícios mais humildes. da limpeza da cozinha. trazida pelo Cristianismo: ganhar para ter o que repartir. . se adquire mérito e caridade". como antídoto aos males do tédio e forma de prover as necessidades do grupo monástico. por exemplo. ele afirma "não há nenhuma distinção entre o trabalho intelectual e o trabalho manual. Nas ordens religiosas do período. o trabalho sempre foi prática obrigatória.Surge uma nova visão a respeito do trabalho. na humildade. Felice Battaglia esclarece que os monges de Tebalda eram trabalhadores. apesar da escravidão não ter sido completamente abolida. SERVILISMO Após a escravidão. segue-se o servilismo. A servidão é uma característica das sociedades feudais. como aqueles para os quais. trabalhar para ter o que compartilhar com o necessitado.

em que o indivíduo. Mais uma vez. não dispunha de liberdade. sem ter a condição jurídica de escravo. com o dever de rezar. Trabalhava longa e arduamente em suas faixas de terra espalhadas e conseguia arrancar do solo apenas o suficiente para uma vida miserável. O senhor podia mobilizá-los obrigatoriamente para a guerra e também cedia seus servos aos donos das pequenas fábricas e oficinas existentes. O camponês vivia em uma situação miserável. submetidos a um regime de estrita dependência do senhor feudal. A estratificação social da sociedade feudal era assim dividida: a aristocracia (bellatores). Sujeitavam -se à abusivas restrições. . inclusive de deslocamento. Dois ou três dias por semana. Havia muitos pontos comuns entre a servidão e a escravidão. com o dever de trabalhar para criar riquezas e nutrir a comunidade inteira. o trabalho produtivo era relegado ao último degrau da hierarquia social. Foi um tipo de trabalho organizado. Cada propriedade feudal tinha um senhor. os clérigos e monges (oratores). O trabalho servil significou uma forma mais branda do escravagismo. os camponeses (laboratores). visto que seus senhores eram os donos da terra e de todos os direitos.A maioria das terras agrícolas na Europa estava dividida em área s conhecidas como feudos. com o dever de combater para defender a comunidade.

. Na época. sem pagamento. Havia impostos a vários títulos. assim como a circulação monetária. como por exemplo. Jamais se pensou em termos de igualdade entre senhor e servo. inexistiam governos fortes centralizados. Ao servo era proibido recorrer a juízes contra os senhores feudais. Havia muitas limitaçõ es. ficavam presos às glebas que cultivavam. O direito de propriedade era inteiramente respeitado. tinha que pagar uma multa ao senhor. com uma única exceção: no caso de querer se apossar do arado e dos animais que o servo possuía. e pesava-lhes a obrigação de entregar parte da produção rural como preço pela fixação na terra e pela defesa dada pelos senhores. Assim. A economia era baseada basicamente na ag ricultura e na pecuária. podendo o proprietário usar. Os servos tinham que entregar parte da produção rural aos senhores feudais em troca da proteção que recebiam e do uso da terra. gozar e dispor da forma que quisesse. Eram quase ilimitadas as imposições do senhor feudal ao camponês. A terra do senhor tinha que ser arada.tinha que trabalhar a terra do senhor. ceifada e semeada primeiro. sistemas legais organizados ou qualquer comércio intenso. se uma viúva desejava casar-se outra vez.

a habitação. e concedia a terra não a quem cultivava. o vestuário. Quando fugia. com serviços. Na época. em troca de proteção. . com dinheiro. Os nobres não trabalhavam. tirando como proveito próprio a alimentação. o senhor o perseguia. o servo era também vendido. desde que pagasse um tributo ao senhor. obrigando -o a voltar. Os seus filhos eram também servos e o juramento de fidelidade era transmitido de geração a geração. deixava as classes trabalhadoras à mercê das classes parasitárias. O sistema feudal repousava sobre uma organização que. Quando o senhor vendia a terra. muitas vezes ilusória. mas aos capazes de dela se apoderarem. posteriormente. o trabalho era considerado um castigo. A relação se estabelecia entre o senhor feudal e o servo. O uso da terra era retribuído com produtos da agricultura.O homem trabalhava em benefício exclusivo do senhor da terra. O servo estava vinculado perpetuamente à terra e podia cultivá-la. e. considerado por alguns como "um acessório da terra pertencente ao dominus".

Sabia que o trabalhador que deixava sua terra para cultivar a terra do senhor o fazia de má vontade. davam oportunidade à fuga dos escravos e também à alforria. sem produzir o máximo. proporcionaram ao servo meios para rompe r os laços que mantinha com o senhor feudal. CORPORAÇÕES DE OFÍCIO O corporativismo foi o resultado do êxodo rural dos trabalhadores para as cidades e da ativação do movimento comercial da Idade Média. a introdução de uma economia monetária. podia pedir e receber mais pelo seu trabalho. 7. O crescimento do comércio. decorrentes das epidemias e das Cruzadas. Além disso.A servidão começou a desaparecer no final da Idade Média. causando uma aglomeração de trabalhadores. O progresso das cidades e o uso do dinheiro deram aos artesãos uma oportunidade de abandonar a agricultura e viver de seu ofício. O trabalhador camponês valia mais do que nunca. Suas raízes mais remotas estão nas organizações orienta is. nos collegia de Roma e nas guildas germânicas. o senhor feudal percebeu que o trabalho livre é mais produtivo. sendo atribuído maior valor ao serviço dos que continuavam vivos. As grandes perturbações. Era melhor deixar de lado o trabalho tradicional. que se uniam em . Morriam muitas pessoas. A Peste Negra também foi um grande fator para a liberdade. o crescimento das cidades. O extremo poder dos nobres sobre os servos determinou o êxodo para as cidades.

Além disso. principalmente naquelas que tinham conseguido manter -se livres. organizados rigidamente. Este não podia exercer seu ofício livremente. a vida econômica medieval ressurgia de forma intensa. O homem. passa a exercer a sua atividade em forma organizada. em torno do século X. . As Corporações eram grupos de produtores. foi simplesmente uma forma menos dura de despojar o trabalhador. era necessário que estivesse inscrito em uma Corporação. por ter o trabalhador um pouco mais de liberdade. O sistema significava uma forma mais branda de escravização do trabalhador. o corporativismo foi um sistema de enorme opressão. assim. Apesar de significar um avanço em relação ao servilismo. A necessidade de fugir dos campos levava à concentração de massas de população nas cidades. Os objetivos eram os interesses das Corporações. mas não gozava de inteira liberdade. Assim foram se formando as Corporações. As Corporações regulavam a capacidade produtiva e a técnica de produção. Nas corporações de artesãos agrupavam -se todos os artesãos do mesmo ramo em uma localidade. de modo a controlar o mercado e a concorrência. bem como garantir os privilégios dos mestres.defesa de seus direitos. Assim.

Os mestres eram os proprietários das oficinas e que já tinham passado pela prova da "obra mestra". e recebia privilégios concedidos pelos reis. estabeleciam uma rígida hierarquia. e a eles era imposto um duro sistema de trabalho. Possuíam um estatuto com algumas normas disciplinando as relações de trabalho. entretanto. Os pais dos aprendizes pagavam taxas. muitas . O mestre poderia impor -lhe inclusive castigos corporais. os próprios reis e imperadores sentiram a necessidade de restringir os direitos das corporações. Equivalem aos empregadores de hoje. mediante rigorosos contratos nos quais o motivo não era simplesmente a "locação de trabalho". Os aprendizes (trabalhavam a partir de 12 ou 14 anos) estavam submetidos à pessoa do mestre. para evitar sua influência e também p ara amenizar a sorte dos aprendizes e trabalhadores. Eram jovens trabalhadores que aprendiam o ofício. Tinham sob suas ordens os trabalhadores. os companheiros e os aprendizes. Além do salário. Além disso. Havia três categorias de membros: os mestres.Cada Corporação estabelecia as suas próprias leis profissionais. os trabalhadores tinham a proteção de socorros em casos de doenças. Mais tarde.

O companheiro só passava a mestre se fosse aprovado no exame de "obra mestra". Apesar de o ajudante de artesão objetivamente ser um operário dependente. Não era exigido qualquer exame dos filhos dos mestres. terminava com o pôr-do-sol. ele tinha. chegando até a 18 horas no verão. Se o aprendiz superasse as dificuldades dos ensinamentos.vezes elevadas. e além de ter que pagar para realizá -lo. não para proteger os aprendizes e companheiros. que vendia a seu mestre a força de seu trabalho. livres. mas para qualidade do trabalho. passava a esta condição. As Corporações tiveram grande importância para o surto do moderno capitalismo. O . Quem se casasse com a filha de mestre ou casasse com a viúva do mestre. porém. pas sava ao grau de companheiro. Os companheiros eram trabalhadores qualificados. instrumentos de crédito e sistemas de contabilidade ainda imperfeitos. a real esperança de estabelecer -se autonomamente ao cabo de alguns anos. para o mestre ensinar seus filhos. O comércio então já era realizado por meio de d inheiro. Normalmente. que dispunham de liberdade pessoal e recebiam salário salários dos mestres. a prova era muito difícil. A jornada de trabalh o era extensa. desde que fosse companheiro.

Cada grupo familiar buscava suas necessidades. LIBERALISMO. realizado em ambiente patriarcal. Não havia necessidade de interferir. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. escravo. 8. Não havia relação entre empregado e empregador. No trabalho servil ou escravo. por serem consideradas incompatíveis com o ideal de liberdade do homem. de normatizar as normas de trabalho. não há liberdade. o que havia era arbítrio. O trabalho passava de uma geração para outra. havia trocas. OUTRAS CAUSAS DO APARECIMENTO DO DIREITO DO TRABALHO Revolução Industrial Anteriormente à Revolução Industrial o trabalho era basicamente servil. sendo severas as penas contra a especulação ou manobras fraudulentas. Outras causas de extinção das Corporações foram a liberdade de comércio e o encarecimento dos seus produtos. Em muitos casos os salários eram fixados pela autoridade pública da ci dade ou pela autoridade eclesiástica.sistema salarial tornava-se regra e a produção começou a centralizar-se em grandes grupos incorporados. sem visar acúmulo. O direito do trabalho é produto da história recente da . e o direito só atua em ambiente de igualdade. Com a Revolução Francesa as Corporações de Ofício foram suprimidas.

forma-se e se adensa o novo sistema de pensamento cultural e econômico: o pensamento liberal. sobretudo graças ao direito das eleições democráticas da Constituição de 1973 e à ditadura revolucionário plebéia dos jacobinos. sucedem fatos. com o esforço de libertação das normas estatais. liberdade de contrato e liberdade individual são os o bjetivos. O liberalismo constitui a corrente ideológica que melhor expressa as aspirações da nova ordem burguesa. Na crise das novas relações de classe.humanidade. quando a sociedade passou por modificações significativas. a mudança da história européia no sentido da imposição dos direitos humanos e da democracia. No século XIX. . ingredientes sociais que propiciaram o surgimento do direito do trabalho. Liberdade de empresa. O marco principal é a Revolução Industrial. A nãointervenção do Estado na esfera econômica e social é uma das principais características do liberalismo clássico. a mecanização do trabalho humano em setores impor tantes da economia. A Revolução Francesa viera a possibilitar. Causas do surgimento do Direito do Trabalho: Vícios e conseqüências da liberdade econômica e do Liberalismo Político.

do egoísmo sobre a caridade. ao contrário do Mercantilismo. aliás. Opunham-se os liberais ao Absolutismo. Pregaram a separação dos poderes e a insurreição. em forma de teoria "científica". da moeda sobre a troca. Montesquieu e Voltaire. O laissez-faire.O século XVIII representou para a história da humanidade um momento novo. rejeitando o direito divino dos Reis e a Religião de Estado. A liberdade veio como uma reação ao Absolutismo Monárquico. Adam Smith será o maior teórico dessa nova economia impregnada de Iluminismo e da nascente sociedade industrial marcada pela mecanização. no qual a primazia pela razão elegeu o homem e suas virtudes como responsáveis pelo progresso material e técnico e pela descoberta de que essa nova experiência só podia alcançar seus objetivos se a liberdade de viver e pensar fosse o leito do novo caminho. laissez-passer (a intervenção do Estado na economia) opunha-se à idéia de que a economia se faz por si mesma. A riqueza das nações (1776) decretará definitivamente a superioridade da indústria sobre a agricultura. força suficiente para impelir seus representantes em direção à prática . Destacaram-se Adam Smith. Smith e seus sucessores apenas sistematizaram. Jean-Jacques Rousseau. do lucro e da mais -valia sobre a renda. Locke. os interesses da nova classe industrial. Os filósofos atacavam duramente as instituições do Antigo Regime. Classe que já possuía. entre outros.

Mas a liberdade de contratar não dava meios ao operário. tendo retribuição miserável. definido pelo direito natural e pela liberd ade. Essa nova sociedade deveria ser liberta da religião e do Estado. Ao Estado competia somente resguardar a Ordem Pública.política. o operário tornava -se cada vez mais dependente do patrão. no controle dos conflitos sociais e na expansão imperial em busca de novos mercados para suas fábricas. o Século das Luzes inaugurou uma nova forma de ver a humanidade. nos aparelhos de Estado. Surgia uma concepção de direito contrária aos interess es do proletariado. de mero espectador da luta pela vida em sociedade. Pretendia-se liberdade social. O papel do Estado deveria ser passivo. onde a igualdade foi a reação ao domínio aristocrático das sociedades. a recusar uma jornada que muitas vezes se estendia durante quinze horas. . Teoricamente livre. premido pela fome. nas associações de classe. A igualdade levava a um afastamento do Estado também no plano econômico. O trabalho livre era considerado como uma das mais marcantes comprovações da liberdade do indivíduo. Representado pela associação entre razão e liberdade. As críticas se constituíram na base ideológica de um novo projeto de sociedade. contrário a qualquer forma de privilégio que não decorresse da avaliação da ação produtiva dos homens.

ou melhor. A questão não se limitava apenas à repressão das reivindicações dos assalariados. sem interferência do Estado. a µliberdade¶ da mão -de-obra para os novos empreendimentos prosperarem. Quando eclode a Revolução Industrial a classe manufatureira parte para o combate à legislação protecionista (mercantilista) que remontava ao feudalismo. A liberdade e a igualdade permitiam que se instituísse uma nova forma de escravidão. O individualismo define a nova ética. Os objetivos sociais passam a ser entendidos como a soma dos objetivos individuais.O laissez-faire está no cerne da regulamentação das novas atividades industriais. O individualismo levava a uma exploração do mais fraco pelo mais forte. mas sobretudo na "liberdade do homem em sociedade". As novas relações seriam reguladas por me io do contrato social. O operário não passava de um simples m eio de produção. da vida das fábricas e da produção pelo governo. e não mais pelos valores fixados rigidamente pelas Corporações de Ofício. não só na liberdade de empresa. O capitalista livre mente podia impor. com o crescimento das forças dos privilegiados da fortuna e a servidão e a opressão dos mais débeis. era essencial aos negócios. Até porque a mobilidade. Pressupunham os ideólogos do liberalismo que todos os cidadãos deviam ser "iguais perante a lei" ± o que certamente era difícil numa sociedade que tendia cada vez mais a separar os proprietários (capital) dos não-proprietários (trabalho). mais precisamente no mercado de trabalho. as suas . Implicava também o controle das relações de trabalho.

Imaginava-se que as pessoas podiam auto regulamentar seus interesses pelas regras do Direito Natural. concentração da riqueza nas mãos de poucos. Havia mera igualdade jurídica. O legislador precisava tomar medidas para garantir uma igualdade jurídica que desaparecia diante da desigualdade econômica. podendo os cidadãos conduzir -se como melhor lhes aprouvesse. A própria dignidade humana estava rebaixada diante da opressão econômica. A desprotegida massa operária sofria. O homem naturalmente escolhem como viver em sociedade. A intervenção do Estado é negativa". Aumentava a legião dos empobrecidos. na convicção liberal de que seu papel não devia ir além da ordem p ública. Revolução Industrial. O Estado não podia servir somente para as finalidades individuais. O mais forte subjuga o mais fraco. A submissão da vontade do mais fraco levou à prática de injustiças. O Estado não deveria interferir. . enquanto o Estado assistia inerte. O individualismo teria que passar a um plano secundário para que o inter esse social tomasse realce. estavam os mais ricos cada vez mais ricos e os mais pobres cada vez mais pobres. Jonh Locke afirma: "ao Estado não cabe interferir. as relações econômicas se auto regulamentam. O homem é livre.condições ao trabalhador. Em curto tempo.

como até os operários e os escravos se limitavam a trabalhar não mais de quatro ou cinco horas por dia. quando não existia. como diz Marx. reduzia os trabalhadores a desocupados e estes a "sub -proletariado": trapos ao vento. Os camponeses ficavam inativos muitos meses por ano. O trabalho artesanal foi substituído pelas máquinas. O trabalho. deformava os músculos e o cérebro. A manufatura cedeu lugar à fábrica. política e cultural. passou a ser um esforço cruel para o corpo do operário e preocupação estressante para sua mente. mas das regras empresariais e dos ritmos da máquina. Houve a substituição do trabalho escravo. que surgiram as primeiras máquinas. com a chegada da indústria. Antes da indústria. . não apenas os nobres não trabalhavam de fato. antes de qualquer outra região. as primeiras fábricas e os primeiros operários. Posteriormente. milhões de camponeses e artesãos se transformaram em trabalhadores "subordinados". aquilo que antes era fabricado em pequenas quantidades. que podi a durar até quinze horas por dia. os tempos e os lugares de trabalho passaram a não depender mais da natureza. por volta do fim do século XVIII. Consistiu num movimento de mudança econômica. A Revolução Industrial representa o momento decisivo da vitória do capitalismo. Quando existia. que passaram a produzi r em grande quantidade. social. servil e corporativo pelo trabalho assalariado em larga escala. dos quais o operário não passava de uma engrenagem. Foi na Inglaterra.Foi um fenômeno de mecanização dos meios de produção.

que trabalhavam mais horas. Resposta: "Não. estimulando o seu deslocamento para as cidades. melhores ganhos e maior qualidade de vida. mas estão mortos. sobre cuja base se desenvolverão as fábricas. percebendo salários inferiores. graças a Deus!" Pergunta: "Expressa satisfação pela morte de seus filhos?" . As pessoas desocupadas começavam a se deslocar para os grandes centros. Mulheres e crianças também disputavam o mercado de trabalho. XVIII houve uma grande concentração de terras em mãos de poucos (os cercamentos) e multiplicação das manufaturas. A mecanização da indústria. O objetivo do trabalhador era sair da miséria e vir para o centro urbano. Os agricultores deixaram o campo para vir se engajar nos subúrbios industriais. trocando o ritmo solar pelo relógio de ponto. seduziram o trabalhador campesino.Na Inglaterra do séc. Tinha dois. Subst ituía-se o trabalho adulto pelo das mulheres e menores. pelas oportunidades de trabalho que oferecia. Um exemplo que ilustra muito bem a exploração se dá com o testemunho de Thomas Heath: Pergunta: "Tem filhos".

Nos primeiros anos do século XIX. Em face de uma legião de desempregados e com menos necessidade de trabalhadores. para obter um determinado resultado na produção não era necessário tão grande número de operários. sem meios de sustento. Passou a haver uma excessiva oferta de mão -de-obra e o trabalho human o se tornou mais barato. Estou livre do peso de sustentá los. as regras eram exploradoras. A Revolução Industrial acabou transformando o trabalho em emprego. Pelo fato de haver mais procura do que oferta de trabalho. e permitiu que os industriais estabelecessem as condições de trabalho. mesmo com o aparecimento das grandes oficinas e fábricas. ocorreu o aviltamento dos salários. O trabalhador recém-chegado não estava preparado para a máquina.Resposta: "Sim. A desagregação do antigo sistema de produção expeliu para os centros fabris grande massa de despossuídos. Agradeço a Deus por isso. Os trabalhadores passaram a trabalhar por salários. e eles. as fábricas são numerosas. para receber o processo de industrialização num momento em que o Estado não interferia. pobres criaturas. estão livres dos problemas desta vida mortal". . A máquina importa na redução da mão -de-obra porque. as cidades industriais abrigam um grande conting ente de mão-de-obra.

separando o capital do trabalho. A sociedade contemporânea não é mais de estamentos. ou seja. controlando mecanismos de crucial importância para a afirmação da nova ordem capitalista: no plano das relações com os trabalhadores e na regulamentação das atividades produtivas. separando o trabalhador dos meios de produção. As relações passam a ser mais objetivas. o modo de produção feudal. As revoluções burguesas implantaram um sistema separando duas sociedades distintas. As revoluções burguesas implantaram a ordem burguesa. A classe proletária (numerosa. Assim. não dispunha de poder) e a capitalista (impunha ao proletariado a orientação que tinha de ser seguida). O proletariado nascente estava longe de possuir uma consciência política da situação. mas de classes. baseado na hereditariedade (o filho de um nobre é um nobre. Houve a emergência de uma nova sociedade: a sociedade de classes do modo de produção capitalista. a nova sociedade industrial nasce com essa . menos dependentes das obrigações. com projetos socia is e horizontes mentais conflitantes em seus interesses fundamentais: a burguesia e o proletariado. vassalagens e fidelidades típicas do modo de p rodução anterior.A classe industrial soube se impor. o filho de um alfaiate é também alfaiate). A separação em classes não é mais expressão de um ordenamento medieval.

multiplicou a produção em escala nunca antes verificada. Não havia proteção à saúde e à segurança do trabalhador. a acumulação.. por meio de um novo tipo de concentração do trabalho.característica trágica: a divisão em sua unidade.). exploração. O operário prestava serviços em condições insalubres. Ocorriam muitos acidentes de trabalho. aumento da criminalidade. intoxicação por gases. A i ndustrialização trouxe progresso. ampliando o mercado e demandando uma renovaç ão contínua das técnicas de produção. indigência. acidentes de trabalho. sujeito a incêndios. acelerando revolucionariamente a concentração de renda. Os donos das indústrias ficavam cada vez mais ricos. lucro. O empresariado burguês situa-se no centro dos acontecimentos da passagem do sistema doméstico dispersado ao sistema fabril concentrado.. explosões. Não havia regras estatais. Mas havia a face cruel: problemas sociais. inundações e desmoronamentos. mecanizou o processo de produção. além de várias . o novo sistema multiplicou os meios de produção. benefícios. A mecanização do trabalho humano propiciou uma otimização do trabalho produtivo (melhoria e aumento da produção. "unidade" discutível que o pensamento liberal se esforça rá em justificar e defender. acelerada pela automatização das máquinas e por novas fontes de energia. O objetivo último do sistema fabril era o lucro. Com a fábrica e suas modernas máquinas a vapor. A divisão do trabalho é levada ao extremo. A relação trabalho ± capital tornase impessoal e o operário vê-se distante da direção da empresa e dos destinos da mercadoria. O capital.

Verificaram -se movimentos de protesto e até mesmo verdadeiras rebeliões. pois entendiam qu e eram elas as causadoras da crise do trabalho. restrições legislativas. passou a te r uma conotação diabólica: ocupava o seu posto. emocionando a opinião pública. quase vitalícios. . só a s que interessavam ao dono do empreendimento: vontade arbitrária dos industriais. A máquina. e os governantes não puderam se manter alheios a esse drama. Engels descreveu os processos de miséria e fome nas cidades industriais usando as cidades inglesas. Os contratos eram verbais. Os ludistas organizavam-se para destruir as máquinas. principalmente a tuberculose. ou então enquanto o trabalhador pudesse prestar serviços. com a destruição das máquinas.doenças decorrentes dos gases. Ao lado do progresso via -se a exploração. só exploração. Não havia prevenção contra acidentes de trabalho. Regras. Era imposta uma vida infame às crianças nas fábricas e nas minas. diminuindo a procura de emprego. revelada com todos os seus horrores. a asma e a pneumonia. do trabalh o em local encharcado. A riqueza estava acumulada nas mãos de poucos. para o trabalhador. da poeira. implicando verdadeira servidão. O trabalhador estava despreparado para lidar com a máquina. Não havia direitos.

As falhas e conseqüentes males caus ados pelo regime capitalista foram apontados. O socialismo utópico propunha uma sociedade ideal do futuro. graças à propriedade privada dos meios de produção. econômicos. Foi a primeira das testemunhas contra a organização industrial do trabalho. viviam com luxo e conforto. os mais pobres. O socialismo criticava o capitalismo e o liberalismo. preconizava nova organização da sociedade. Os perigos da industrialização ± físicos. Pedia uma lei para pôr fim à exploração dos adultos e das crianças e também a todas as conseqüências nefastas da desesperada aplicação do princípio regulador da atividade industrial e comercial: "o do ganho pecuniário imediato acima de qualquer outra coi sa". políticos ± começavam a revelar-se à medida que a indústria se difundia. beneficiando as classes mais numerosas. culturais. Owen afirmava a lógica do capitalismo tinha lançado os trabalhadores em condições materiais e espirituais verdadeiramente piores que as pré -industriais. e ele próprio foi. riqueza e felicidade para todos. em grande parte.Nascem as idéias socialistas. surgidas em resposta aos problemas econômicos e sociais criados pelo capitalismo. os poucos que não trabalhavam. No capitalismo. . o proletariado. Robert Owen está ligado à formação das primeiras Trade Unions na Inglaterra. onde houvesse saúde. a chamada Questão Social. Para ter sucesso nessa corrida. o inspirador dos regulamentos de fábrica. A solução que os socialistas utópicos apresentaram era a propriedade comum dos meios de produção.

. cartistas. Muitas pessoas com necessidades comuns se revoltam contra o empregador e contra a máquina. associar-se. Concentração de massas e de capital.os concorrentes em disputa "levaram as classes inferiores. A concentração de massas leva à lutas e à criminalidade. Os trabalhadores começaram a reunir-se. serviu para despertar a consciência da burguesia e induzi -la a um tratamento mais humano dos operários. Fourier tem o mérito de haver sugerido o princípio do 'direito de trabalhar' e o estabelecimento das 'oficinas nacionais' da França. a um nível de verdadeira opressão. revoluções. diminuição das jornadas excessivas e contra a exploração de menores e mulheres. tudo clamando pela ação do Estado na regulamentação da vida econômica ± provocam comoção social. Por conseguinte. eram submetidos. para reivindicar melhores condições de trabalho e de salários. A crítica do socialismo utópico ao direito de propriedade e à exploração de que o proletariado. inclusive mulheres e crianças. eles se encontram atualmente numa situação de degradação e miséria muito maior do que aquela em que se encontravam antes da introdução dessas indústrias. A concentração de capital leva à exploração de classes. As lutas de classes ± ludistas. de cujo sucesso depende hoje a sua mera subsistência". de cujo trabalho deriva hoje essa riqueza...

Assim. A auto regulamentação de classes. com a necessidade de manter a tranqüilidade e a ordem. As classes se antecipavam ao Estado. O direito de associação passou a ser tolerado pelo Estado. Algumas categorias se auto regulamentavam. A idéia de justiça social é cada vez mais difundida como reação contra a questão social. a voz dos trabalhadores já era ouvida nos parlamentos. Na política. travavam-se choques violentos entre essas massas e as forças policiais ainda movimentadas pela classe capitalista. Os governos. Os . Os trabalhadores passaram a reivindicar seus direitos através dos sindicatos. criando verdadeiras normas coletivas de trabalho. faziam concessões à medida que as reivindicações eram apresentadas e reconheciam a importância do trabalho operário. a sociedade começou a despertar para a necessidade do Estado regulamentar as novas relações. criavam-se organizações proletária s. Provocavam-se greves. Começaram a ser tecidas normas no próprio ambiente de trabalho.

e proclama a necessidade da união entre as classes do capital e do trabalho. Foi publicada em 15 de maio de 1891 pelo Papa Leão XIII. a especulação com sua miséria e os baixos salários. Sua remuneração não pode ser deixada à mercê do jogo automático das leis de mercado. Falava das condições dos trabalhadores. O Papa dizia que "não pode haver capital sem trabalho. O trabalho deve ser considerado. A encíclica Rerum Novarum. na teoria e na prática. deve ser estabelecida segundo as normas de justiça e eqüidade. mas também aos próprios fundamentos do Estado. A questão social (falta de garantias aos trabalhadores) mereceu consid eração. mas um modo de expressão direta da pessoa humana. Condenou a exploração do empregado. não mercadoria. O Estado . Pontifica uma fase de transição para a justiça social. traçando regras para a intervenção estatal na relação entre empregado e empregador. Tentaram mostrar que a existência de entidades operárias com poder de pressão era uma ameaça não só ao funcionamento dos estabelecimentos fabris.esforços da burguesia em negar a legitimidade às organizações operárias foram violentos. nem trabalho sem capital".

Nela se apontou o dever do Estado de zelar pela harmonia social. mesmo que de forma mínima. Criticava as condições de trabalho da época e exigia mudanças em benefício do mundo obreiro. A Encíclica condena a influência da riqueza nas mãos de pequeno número ao la do da indigência da multidão. O Manifesto teve grande relevância nas lutas proletárias. dando força para sua intervenção nos direitos individuais em benefício dos interesses coletivos. Em 1848 foi publicado o Manifesto Comunista por Marx e Engels. conta principalmente com a proteção do Estado. Influência do marxismo. incentivando o interesse dos governantes pelas classes trabalhadoras. do espírito de luta do proletariado contra o capitalismo.não poderia apenas assistir àquela situação. as relações de trabalho. A classe indigente. Ao Estado compete zelar para que as relações de trabalho sejam reguladas segundo a justiça e a eqüidade. Ajudou a despertar a consciência dos . A propriedade privada é um direito natural que o Estado não pode suprimir. agora era indispensável a sua presença para regular. A palavra do sacerdote impressionou todo o mundo cr istão. sem riquezas que a protejam da injustiça.

. reduzidos a mercadorias: "Esses operários. uma sociedade comunista. a lutar pelos seus direitos. E se faria através da Revolução Proletária. Os socialistas pretendem substituir a ordem social fundada na liberdade individual.) Com a difusão do uso das máquinas e a divisão do . que são obrigados a vender-se por minuto. O ponto fundamental do programa do comunismo era a abolição da propriedade privada burguesa. para suprimir o capital. na propriedade privada e na liberdade contratual. (. Seu lema básico era: "Trabalhadores de todos os países. baseada no primado social. Pregava a união dos trabalhadores para a construção de uma ditadura do proletaria do. quando a prosperidade e o controle dos meios de produção devem estar nas mãos do Estado.trabalhadores. Karl Marx procurou estudar as instituições capitalistas e compreendeu que o capitalismo se baseia na exploração do trabalho pelos donos dos meios d e produção. derrubando. são uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial. Karl Marx afirmava que a nova revolução celebra a vitória dos industriais na pele dos trabalhadores. com uma passagem prévia pela apropriação estatal dos bens de produção. base da exploração capitalista. por outra ordem. e posteriormente. pela força.. todas as condições sociais existentes. Propõe a Revolução como única saída: a classe trabalhadora revolucionária implantaria o Socialismo. uni-vos".

Os governos de muitas nações precisavam interessar -se pelos problemas do trabalho. fundando uma nova sociedade finalmente sem classes e sem Estado. era necessário incentivar os trabalhadores. é preciso que os proletários se reconheçam como portadores de interesses comuns. . faz regredir cada trabalhador ao nível de classe subalterna.) Operários concentrados em massa nas fábricas são organizados militarmente e dispostos como meros soldados da indústria. (. organizem-se em classe antagonista e cumpram a sua revolução proletária.. o reduz à mercadoria da indústria capitalista. Iª Guerra.trabalho. Houve necessidade do deslocamento de massa masculina para lu tar. o trabalho proletário perdeu todo o caráter independente e com isso todo o atrativo para o operário. extremamente monótona e facílima de aprender. unam-se a nível mundial. que passa a ser um simples acessór io da máquina e ao qual se pede apenas uma operação manual simplíssima.. Só quando os trabalhadores se tiverem apropriado das fábricas terminará a sua transformação em mercadoria. O trabalho. Para que isso aconteça. que deveria ser a mais alta expressão do homem. Para que a produção sustentasse a guerra. O remédio está na eliminação da divisão entre produtores e proprietários dos meios de produção. sob a vigilâ ncia de toda uma hierarquia de suboficiais e oficiais".

Esse direito foi sendo processado de forma lenta. O individualismo contratual dá lugar ao dirigismo contratual. O Estado passou a buscar um equilíbrio entre os sujeitos do contrato. o Estado começa a limitar. impondo peias à liberdade de contratação. Fazia -se inadiável a criação de um direito novo. . a destruir a diferença entre classes e grupos. Dessa f orma. O DIREITO DO TRABALHO O Estado começou a legislar sobre o assunto. 9. O direito do trabalho vem para igualar juridicamente a diferença econômica. a fazer sobressair o interesse coletivo. Abertamente se pleiteava o estabelecimento de uma legislação do trabalho e até a criação de um Ministério para cuidar dos problemas do proletariado. estourando as muralhas do individualismo da sociedade burguesa. Há uma flutuação de valores. valorizando o coletivo. para harmonizar as relações entre capital e t rabalho. de idéias até que o direito surgisse. para que a relação se torne mais igualitária. à intervenção jurídica do Estado. tornando relativo o direito individual. limitando o seu exercício quando ele contraísse o interesse da sociedade. protetivo. limitando a autonomia da vontade. O direito que surge terá que ser profundamente tutelar. deixando de ser mero espectador do drama social para impor regras conformadoras da vontade dos contratantes. em etapas. Protege economicamente o mais fraco para compensar a desigualdade econômica.O direito do trabalho não surgiu instantaneamente.

A formação do Direito do Trabalho segundo Granizo e Rothvoss Foi feita a divisão em quatro fases com objetivo meramente didático. Assim. O trabalhador passa a ser protegido jurídica e economicamente. Passou a adotar práticas humanitárias em suas indústrias. como orientador da ação individual.O intervencionismo vem para realizar o bem-estar social e melhorar as condições de trabalho. Peel lançava os fundamentos de um direito novo e mais humano. 10. em benefício do interesse coletivo. como órgão de equilíbrio. A lei começa a estabelecer normas mínimas sobre condições de trabalho. A lei teve o propósito de diminuir a exploração dos trabalhadores menores de idade. sensibilizado com a condição nefasta a que eram submetidos os menores. . 1ª Fase: FORMAÇÃO ± 1802 (Lei de Peel) até 1848 (Manifesto Comunista) Lei de Peel (Moral and Health Act ) foi feita por um industrial inglês. que o empregador deve respeitar. proibindo o trabalho noturno e diminuindo a jornada diurna. passa o Estado a exercer sua verdadeira missão.

O Manifesto Comunista desperta a consciência de classes. Significou a humanização das co ndições de trabalho. seguindo métodos e princípios. a conscientização dos trabalhadores. resistir. O Manifesto serviu de base para a resistência. 3ª Fase: CONSOLIDAÇÃO ± 1891 até 1919 (Tratado de Versailles) Tratado de Versailles: cada país se comprometeu a criar normas reguladoras do Direito do Trabalho. O Tratado se ocupou da questão social. Criou a OIT. 2ª Fase: INTENSIFICAÇÃO ± 1848 até 1891 (Encíclica Rerum Novarum) O Direito do Trabalho já existe e começa a se intensificar. com a finalidade de lutar por condições dignas de trabalho no âmbito internacional. O tratado foi um sopro estimulante em matéria de . O trabalhador passa a perceber que seu trabalho agrega valor à mercadoria. auxiliando na busca pela paz social. serviu de base para a luta operária. convencendo seus signatários a regulamentar a questão. expedindo convenções e recomendações nesse sentido. Assim os trabalhadores passaram a reivindicar.

legislação trabalhista. incluindo o Direito do Trabal ho. *CONSTITUCIONALISMO SOCIAL: surge a partir do término da I Guerra Mundial. entre outros. inaugurando o constitucionalismo social. 4ª Fase: APERFEIÇOAMENTO ± 1919. de normas de interesse social e de garantia de certos direitos fundamentais. jornada noturna máxima de sete horas. descanso semanal. proteção contra acidentes de trabalho. Quando se consolida o Direito do Trabalho surge uma nova problemática: o trabalho subordinado. O direito do trabalho tornou -se disciplina autônoma e foi se aperfeiçoando. que contribuiu para o aceleramento do processo de regulamentação do trabalho.. Ele cristaliza o novo espírito. O processo de aperfeiçoamento é contínuo e inesgotável. NO MÉXICO. * CONSTITUIÇÃO DE 1917. proibição de trabalho a menores de 12 anos. . seguro social. Estabelecia jornada de oito horas. direito de sindicalização e de greve. É a primeira constituição do mundo que dispõe sobre direito do trabalho.. salário mínimo. proteção à maternidade. limitação da jornada do s menores de 16 anos a seis horas. É a inclusão de preceitos relativos à defesa social da pessoa nas Constituições.

com faculdade para intervir também nas contravenções de pesca. íntegro). em 1464 os prud¶hommes foram autorizados a interferir nos conflitos entre fabricantes de seda radicados em Lyon. considerada a base das democracias sociais. autorizando a liberdade de coalização dos trabalhadores. os pescadores resolviam suas divergências por meio de prud¶hommes radicados em Marselha e outros portos. o conselho da cidade designou vinte e quatro prud¶hommes para colaborarem com o primeiro magistrado municipal encarregado de resolver as questões entre fabricantes e comerciantes. Em Paris. Disciplinava a participação dos trabalhadores nas empresas. A Constituição de Weimar repercutiu na Europa.* CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR de 1919. A Constituição trazia garantias sociais básicas. Em 1776 esses órgãos foram extintos pela idéia liberalista e a exaltação do individualismo. que chegava a considerar toda organização prejudicial à livre . efetividade a norma. * Os Conseils de prud¶hommes na França: a experiência pode ser considerada a primeira com atribuições paritárias e inicialmente extrajudiciárias (prud¶homme: homem prudente. por isso a transferência desses direitos para a Constituição. Além dos industriais de Lyon. No reinado de Luís XI. tratou da representação dos trabalhadores na empresa. poderes mais tarde ampliados para as questões entre esses mesmos industriais e seus operários. A norma constitucional dá mais segurança. Criou um sistema de seguros sociais e também a possibilidade dos trabalhadores colaborarem com os empregadores na fixação de salários e demais condições de trabalho. em 1426.

Espanha e Brasil. Não obstante esse órgão fosse constituído apenas em Lyon. O Estado interferiria nas relações entre as pessoas com o objetivo de poder moderador e . inclusive dos patrões. os fabricantes de seda de Lyon solicitaram a volta dos conselhos de prud¶hommes. além de impor regras a todas as pessoas. Foram atendidos. As mulheres passaram a ser admitidas como conselheiras em 1907. a lei previa a possibilidade da instituição de organismos idênticos em outras cidades. semanalmente o plenário do conselho se reunia para as decisões. em 1932. como Portugal. promo vendo o interesse nacional. constituídos de empregadores e com atribuições para conciliar as questões trabalhistas e julgar as reclamações de valor até 60 francos. Sua competência estendeu -se. Os tribunais comuns passaram a decidir as questões que antes competiam aos prud¶hommes. e em 1806. mostrando as dificuldades decorrentes da sua supressão e as vantagens que o restabelecimento podia trazer. Foi instituído o sufrágio universal para a escolha dos conselheiros (1848). * CARTA DEL LAVORO. O corporativismo visava organizar a economia em torno do Estado. de 1927: instituiu um sistema coporativo -fascista. à agricultura.iniciativa dos homens. Posteriormente. bem como a representação dos trabalhadores foi admitida no órgão. que passou a ser constituído por patrões e operários. que inspirou outros sistemas políticos. Napoleão determinou a instituição dos conselhos. além das reuniões de conciliação. além do comércio e indústria. mas com protestos gerais. As partes não pagavam custas e. Surge com o fim de organizar os interesses divergentes da Revolução Industrial. Em 1921 existiam 205 conselhos. O sistema permanece até hoje com ampliações.

Em 1893 seu âmbito de atuação ampliou se para outras categorias além da indústria. CONCLUSÃO É de grande valia o estudo histórico do trabalho. * OS PROBIVIRI.organizador da sociedade. humano e jurídico na conceituação e v alorização do trabalho. porque o empregador dispõe de enorme privilegiação econômica. instituídos em 1800. Nada escapava à vigilância do Estado. Eram integrados por representantes do governo. O Estado regulava praticamente tudo. O trabalhador é facilmente . para entender a importância do Direito do Trabalho. A organização corporativista na Itália deu impulso acentuado aos órgãos de solução das questões trabalhistas. O interesse nacional colocava -se acima dos interesses dos particulares. determinando o que seria melhor para cada um. dos empregados e empregadores. intervindo nas relações entre empregado e empregador. que muitas vezes não é suficiente. O sistema liberal representou uma igualdade jurídica ao lado de uma desigualdade econômica. NA ITÁLIA: Eram conselhos semelhantes ao da França. sua evolução. É necessária essa intervenção. III. O Direito do Trabalho vem dar um sentido social. organizando a produção nacional. Tinham competência para conhecer as controvérsias surgidas na indústria. para que o mais forte não subjugue o mais fraco. A desumanidade da Revolução Industrial demonstra a necessidade de intervenção.

valorizada pelo Liberalismo. férias remuneradas periódicas. . da justiça e da paz no mundo. A liberdade. como reação ao Absolutismo. PREÂMBULO Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis cons titui o fundamento da liberdade. ser dependente. que acaba se submetendo a uma situação claramente abusiva. não só pela ingenuidade. por não ter escolha. etc. mas pela necessidade. Com o excesso de mão-de-obra disponível. tutelar. repouso e lazer. como limitação razoável de trabalho. torna -se cada vez mais fácil para o empregador abusar da desvantagem do empregado.manipulado. ANEXOS DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM A Declaração é de dezembro de 1948. beneficiou fundamentalmente os proprietários em detrimento do trabalhador. e prevê alguns direitos aos trabalhadores. causando uma reação: o surgimento do Direito do Trabalho intervencionista.

. para que o homem não seja compelido. de novo. em supremo recurso à revolta contra a tirania e a opressão. a sua fé nos direitos fundamenta is do homem.Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer. libertos do terror e da miséria. Considerando que é essencial a proteção dos direitos do homem através de um regime de direito. Considerando que. Considerando é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações. na carta os povos da Nações Unidas proclamam. na igualdade de direitos do homem e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla. na dignidade e no valor da pessoa humana. foi proclamado como a mais alta inspiração do homem.

o seu reconhecimento e aplicação universais e efetivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob sua jurisdição. tendo -a constantemente no espírito. Artigo 1 ° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. por medidas progressivas de ordem nacional e internacional. . o respeito universal e efetivo dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover. devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade.Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover. Dotados de razão e de consciência. Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso: A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações. em cooperação com a Organização das Nações Unidas. se esforcem. a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade. pelo ensino e pela educação.

sob todas as formas. desumanos ou degradantes. de religião.Artigo 2 ° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração. jurídico ou internacional do país o u do território independente. de opinião política ou outra. sob tutela ou sujeito a alguma limitação de soberania. Artigo 3 ° Todo o indivíduo tem direito à vida. de origem nacional ou internacional. . ou de qualquer outra situação. de sexo. nomeadamente. Artigo 4 ° Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão e o tráfico de escravos. de nascimento. são proibidos. de fortuna. não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político. Além disso. sem distinção alguma. de língua. Artigo 5 ° Ninguém será submetido a tortura nem a pena de morte ou a tratamentos cruéis. de cor. de raça. à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 7 ° Todos são iguais perante a lei e.Artigo 6 ° Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica. detido ou exilado. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. sem distinção. Artigo 10 ° . Artigo 9 ° Ninguém pode ser arbitrariamente preso. Artigo 8 ° Toda a pessoa tem direito a recurso para as jurisdições nacionais competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei. têm direito a igual proteção da lei.

Toda a pessoa tem direito. não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo. nem ataques à sua honra e reputação. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume -se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. no seu domicílio ou na sua correspondência. na sua família. Artigo 11 ° 1. Artigo 12 º Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada. 2. Contra tais intromissões ou ataques toda a pess oa tem direito à proteção da lei. em plena igualdade. no momento da sua prática. . Ninguém será condenado por ações ou omissões que. a que a sua causa seja eqüitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ele seja deduzida. não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido.

ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito c omum ou por atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. Todo o indivíduo tem o direito a ter uma nacionalidade. Artigo 14 º 1. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra. e o direito de regressar ao seu país. porém.Artigo 13 º 1. incluindo o seu. Este direito não pode. Artigo 15 º 1. 2. . 2. Todo a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.

Durante o casamento e na altura da sua dissolução. 2. Artigo 16 º 1. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos. sem restrição alguma de raça. tem direito à propriedade.2. Artigo 17 º 1. 2. nacionalidade ou religião. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado. o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família. A partir da idade núbil. . Toda a pessoa. Ninguém pode der arbitrariamente privado da sua propriedade. ambos têm direitos iguais. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidad e. individual ou coletivamente. 3.

Artigo 20 ° 1. receber e difundir. o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar. sem consideração de fronteiras. . informações e idéias por qualquer meio de expressão. pelo culto e pelos ritos.Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. 2. de consciência e de religião. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. pela prática.Artigo 18 ° Toda pessoa tem direito de pensamento. este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção. assim como a liberdade de manifestar em público como em privado. pelo ensino. Artigo 19 ° Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão.

Artigo 22 ° Toda a pessoa. graças ao esforço nacional à cooperação internacional. 2. quer diretamente. às funções públicas do seu país. em condições de igualdade. Toda a pessoa tem direito de acesso. com voto secreto ou segundo p rocesso equivalente que salvaguarde a liberdade de voto. tem direito à segurança social. sociais e culturais indispensáveis. Artigo 23 ° .Artigo 21 ° 1. 3. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios públicos do seu país. e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos. de harmonia com a organização e os recursos de cada país. e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos. quer por intermédio de representantes livrementente escolhidos. como membro da sociedade.

Artigo 25 ° . especialmente. 4. Todos têm direito. a salário igual por trabalho igual. Toda a pessoa tem direito ao trabalho. por todos os outros meios de proteção social. se possível. a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas. 2.1. que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana. a condições eqüitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego. Artigo 24 º Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e. sem discriminação alguma. e completada. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para a defesa dos seus interesses. 3. à livre escolha do trabalho. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória.

ao vestuário. na invalidez. na doença. na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. 2. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente pare lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem -estar. O ensino elementar é obrigatório. gozam da mesma proteção social. a tolerância e a amizade entre todas as n ações e todos os . principal mente quanto à alimentação. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários. ao alojamento. 2. em função do seu mérito. Toda a pessoa tem direito à educação. Artigo 26 ° 1. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado. A educação deve ser gratuita. pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. e tem direito à segurança no desemprego. o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade. na viuvez. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio. A educação deve visar a plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão.1.

Artigo 27 ° 1. no plano social e no plano internacional. Artigo 28 ° Toda a pessoa tem direito a que reine. bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.grupos raciais ou religiosos. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos. 3. uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciados na presente Declaração. 2. de fruir as artes e de participar no progresso cientifico e nos benefícios que deste resultam. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica. Artigo 29 ° . literária ou artística da sua autoria. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade.

agrupamento ou indiv íduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados. 2. O indivíduo tem deveres para com a comunidade. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral. 3. Artigo 30 ° Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado.1. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Reinventar o trabalho . fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. da ordem pública e do bem estar numa sociedade democrática.

destruiu o ato de trabalhar. é preciso. nem ação. Sendo o trabalho para nós um valor existencial. Viver é também mostrar atividade. A sociedade. de leis. que subsistem ainda em muitos lugares. reconquistá-lo. à época da taylorização que não permitia conhecer a totalidade do objeto pois só tinha intervenção sobre uma ínfima parte. um produtor de objetos. lugar de embrutecimento físico e mental. Viver é brincar. amar. agarrá-lo com força para fazer dele um espaço de autonomia. portanto. é produzir. Elas o anularam definitivamente no contexto dos siste mas robotizados porquanto não há neles nem objeto. mas é também trabalhar. de formas. Elas o destruíram em suas origens transformando as fábricas em verdadeiras prisões de trabalhos forçados. mas é também genitor. O homem é uma criança que se diverte. de moléculas.O trabalho é a vida. sonhar. . A estratégia das sociedades industriais consiste em nos substituir e nos mandar às praias para brincar. de idéias. e mais ainda a sociedade tecnológica. Elas o destruíram reduzindo o trabalho a mil migalhas. ou ao menos um dos aspectos da vida que consiste em dispender suas energia s sobre a realidade para transforma -la. reinventá-lo. mas abstração total.

e para isso a primeira condição é de não ser elemento seqüencial de uma série. A CIDADE E A BÚSSOLA . Por que fazer as pessoas executarem trabalhos automatizados. mas constituir um todo. São Paulo. por que não lhe pagari a as horas que a informatização pode economizar? Porque esta sociedade não ousa olhar de frente a realidade. 1ª ed. AZNAR. Prefácio de André Gorz. uniformatizados e fastidiosos? Por que ser p ródigo no sofrimento de homens e mulheres quando se poderia abrandá -lo? Para conservar-lhe um emprego de tempo integral e de salário integral? Mas se a sociedade está disposta a pagar lhe por horas de trabalho inutilmente esbanjadas. Trabalhar menos para trabalharem todos (Travailler moins pour travailler tours). não ousa assumir o desenvolvimento contrário aos dogmas caducos da ideologia das classes dominantes.. Guy.A função principal do trabalho tecnológico é de procurar rendimento e um status social (um emprego) em contrapartida de uma participação concedida a tempo à boa marcha do sistema. Editora Página Aberta: 1995. 253 a 257. O trabalho deve ser envolvido. Pgs.

o primeiro grande episódio de concentração inventiva em um curto período de tempo e numa pequena região geográfica. agricultura intensiva. como tal. arte. recorda: "A cidade. não restava senão dedicar-se ao progresso do espírito. um enorme salto de qualidade em filos ofia. De resto. literatura. atingindo -se um nível de progresso científico que permaneceria praticamente imutável por dezenas de séculos. até a Idade Média eur opéia. a matemática e a astronomia. teatro. A civilização exige uma hierarquia social e econômica estratificada". a Grécia e Roma não deram grande contribuição ao progresso tecnológico. há c inco mil anos foram fundadas as primeiras cidades e as primeiras escolas e inventadas a escrita. no entanto. uma magistratura e um sacerdócio letrados. como derivado de "viver na cidade") sobre o campo se afirma com prepotência. efetuando. Mas o Egito. Entre o Tigre e o Eufrates. no terreno de aluvião da Mesopotâmia meridional. um dos mais encarniçados inimigos da permanência.A civilização mesopotâmica representou.C. a supremacia da cidade (e da civilidade.. política e direito. aparece com assombrosa rapidez no final do quarto milênio a. artes especializadas como a cerâmica e a metalurgia e o controle de uma burocracia. Aristóteles estava convencido de que todo o possível progresso material do homem tinha sido atingido: portanto. Bruce Chatwin. talvez. numa área não maior do que a Lombardia e o Piemonte juntos. Na base dessa transformação houve obras de irrigação. . Daí em diante.

AS DELÍCIAS DO FABRICANTE DE TECIDOS DE Là ou . a pólvora. para um acúmulo de capital que favoreceria o nascimento da primeira burguesia na Europa cristã. a invenção do purgatório lançou uma ponte entre o céu e a terra. Brasília. DF: Ed. No mesmo período. contribuindo. do moinho d¶água. a vela moderna. A invenção do relógio.Devia caber mesmo à Idade Média ± que ficou marcada na história corrente pela centralização na vida religiosa e mística ± a tarefa de interromper o sono multissecular do progresso técnico com algumas invenções fundamentais para o avanço da humanidade. 72-73. através do comércio de indulgências. O Futuro do Trabalho: fadiga e ócio na sociedade pós industrial. dos modernos arreios de cavalo. a imprensa permitiram a substituição de muita mão-de-obra e determinaram a grande onda de desocupação tecnológica que se traduziu na libertação dos escravos e sua transformação em servos da gleba. pp. a difu são da bússola. 1999. Domenico de Masi. Rio de Janeiro: José Olympio. Da UnB.

reduz os salários de seus trabalhadores./ Não sem que isso nos acarrete maldições./ Nossa indús tria não periga desaparecer. alegre./ Graças ao nosso comércio.A alegria do rico e a tristeza do pobre./ Amealhamos tesouros.. reduzi -los-emos/ De oito "groats" as vinte libras à uma meia-coroa.. . mas que nos importa?. no campo como na cidade. . De todos os ofícios que se exercem na Inglaterra. ganhamos grandes riquezas/ À força de se despojar e oprimir pobres homens. Em todo o reino./ É assim que enchemos nossas bolsas./ eles jamais ficarão tristes./ Far -lhes-emos crer que o comércio não vai bem. E inicialmente. os penteadores./ O fiandeiro e a fiandeira. na Inglaterra. nós lhe faremos pagar caro os salários que ganham./ Não há um que alimente um homem mais fartamente que o nosso./ E se murmuram e dizem: é muito pouco!/ Dar-lhesemos a escolha entre isso e a ausência de trabalho. o nde é descrita a malícia com a qual um grande número de fabricantes de pano./ Enquanto o penteador de lã souber manejar seu pente/ E enquanto o tecelão cuidar de sua tarefa. todo o ano sentados à sua roca.....

mas quando voltamos. haja ou não./ Dos pence por shilling. sem outra forma de viver. É assim que adquirimos nosso dinheiro e nossas terras: / Graças a homens pobres que trabalham dia e noite./ Nem sem suportar mais de uma maldição. que cai em nossas redes. de maneira a aviltar ainda mais seu salário. os torcedores também. e saberemos obtê -los../ Se os negócios vão mal. cedo perceberão. Se são clientes habituais de uma taverna.. Quando partimos para o mercado./ Encontraremos defeitos. . mas se os negócios melhorarem./ temos o cuidado de nos entender com a taverneira: Contamos em conjunto e reclamamos nossa parte./ Dir-lhes-emos que a lã não mais vai ao ultramar/ E que nós não nos preocupamos em continuar a vendê -la. aparentamos um ar triste./ É por esses meios engenhosos que aumentamos nossa fortuna./ Se eles não estiverem lá para dispender todas as suas forças. os tecelões.../ Pois tudo é pe ixe. / ficaremos ameaçados../ Os penteadores./ É graças a seu trabalho que enchemos nossas bolsas.Nós faremos trabalhar a baixo salário os pobres tecelões. disso não saberão jamais../ com os fiandeiros que se extenuam por um salário ínfimo. nossos trabalhadores regozijam -se.

no melhor dos casos. no máximo umas poucas centenas. (. Mas mesmo a experiência trabalhista. mesmo as sociedades de trabalhadores especializados. a uns poucos milhares de membros. Além disso. não foi suficiente para criar elementos novos e poderosos como sovietes na Revolução Russa. Livre) O significado de 1848 O objetivo popular de 1848. organização.) Mas o que significava socialismo para os seus . Mesmo a mais elementar das formas. a república democrática e social. os chapeleiros na França. pioneiros em sindicalismo. o sindicato. 1848 foi a primeira revolução na qual soci alistas ou mais precisamente comunistas ± pois o socialismo pré-1848 era um movimento largamente apolítico para construir utopias cooperativas ± aparecem na frente da cena desde o início.. apareceram pela primeira vez durante a revolução ± os impressores na Alemanha. Trad. Freqüentemente. cantada nas t avernas do sudoeste da Inglaterra. Os socialistas e comunistas organizados eram ainda mais limitados em número: umas poucas dúzias.(Canção popular do final do século XVII. era simultaneamente social e político. era restrito a umas poucas centenas ou.. ideologia e liderança eram lamentavelmente pouco desenvolvidas. Portanto. acrescentada de novos elementos institucionais baseados na prática de sindicatos e da ação cooperativista.

uma transição de uma revolução burguesa incompleta para uma revolução proletário -popular. De fato. o "p roletariado de Paris ainda era incapaz de ir além da república burguesa de outra forma que não na idéia. numa segunda. Mesmo na França. . Rio de Janeiro. Seria numa primeira instância uma república democrática. quais eram as perspectivas políticas de uma classe trabalhadora mesmo que socialista? O próprio Karl Marx não acreditou que a revolução estivesse na agenda. com suas próprias aspirações a uma sociedade diferente do capitalismo e baseada na sua derrubada? Mesmo seu inimigo não estava claramente definido. na imaginação". 1997. pp. e finalmente uma ditadura do proletariado (.).. nada sobre "capitalismo". A era do capital. Paz e Terra.seguidores além de um nome para uma classe trabalhadora autoconsciente. "Suas necessidades imediatas e confessadas desviavam -nos da vontade de derrubar a burguesia e nem eles possuíam os instrumentos para ta l efetuar". 1848 -1875. mas. durante a revolução. 42-43. Eric Hobsbawm. O máximo que poderia ser atingido seria uma república burguesa que trouxesse à luz a verdadeira natureza da futura luta ± a confrontação entre a burguesia e o proletariado ± e fixasse na lembrança dos trabalhadores que "sua posição como classe ficara mais insuportável e que seu antagonismo com a burguesia tornara-se mais agudo". Falava-se muito de "classe trabalhadora" e mesmo de "proletariado"..

arregaçar as mangas e mexer -se para projetar um novo modelo de vida e de trabalho que. 1999. DF: Ed. portanto. Domenico de Masi. Rio de Janeiro: José Olympio. o poder e o saber. mas não saber produzi -la. Da UnB. Vaclav Havel. É preciso. enriqueça com humildade e os ultrapasse com coragem. BIBLIOGRAFIA . Brasília.O COMUNISMO PERDEU. O CAPITALISMO NÃO VENCEU Dos dois grandes modelos que se confrontaram no século XX. nascendo dos despojos dos outros dois. O Muro de Berlim tinha caído fazia pouco. mas o capitalismo não venceu". O Futuro do Trabalho: fadiga e ócio na sociedade pós industrial. abandonar a orgulhosa autocomplacência que o capitalismo celebrou depois daquela queda. o capitalismo demonstrou saber produzi -la mas não distribui-la ± nem distribuir eqüitativamente o trabalho. V. Num debate radiofônico. o comunismo demonstrou saber distribuir a riqueza. 15-16. me disse: "O comunismo perdeu. presidente da então Tchecoslováq uia. pp.

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cabe ressaltar que este trabalho tem como objetiv o trazer à baila temas que nos dias atuais geram muita polêmica e controvérsia. que é de suma importância para a sociedade em que vivemos. Assim sendo. quer no âmbito nacional. Pois é bem verdade que só iremos entender o desenvolvimento da ciê ncia ao longo dos anos estudando o passado. sendo este o caminho primordial para que possamos entender a evolução do Direito do Trabalho. Para que possamos ter um conhecimento mais amplo do Direito. dentre estes o trabalho escravo e a servidão. é necessário que tenhamos uma noção de seu desenvolvimento no transcurso do tempo. Tendo sido há algum tempo a maneira encontrada pelas classes privilegiadas para se projetaram econômica e socialmente.1) INTRODUÇÃO Esse trabalho tem como objetivo nos dar um conhecimento mais amplo no que se refere ao Direito do Trabalho. quer no âmbito internacional. . possibilitando ao acadêmico de direito galgar mais um degrau para o conhecimento sobre esta matéria.

e na imigração de trabalhadores europeus.Além da observação histórica acima mencionada. . o Brasil é um país novo. No tocante à História do Direito do Trabalho no Brasil. a nossa CLT é um dos principais meios de se obter a paz social atinente às relações trabalhistas. 1º. que passaram a reivindicar medidas de proteção legal. possuindo grande quantidade de recursos naturais. iremos discernir sobre o principal instrumento de cunho trabalhista analisado e discutido pelos estudiosos de Direito. Assim sendo. que é a Consolidação das Leis do Trabalho. Apesar de ser tratada por alguns como instituto legislativo de origem fascista. podemos dizer que a História do Direito do Trabalho no Brasil tem origem na abolição da escravatura. em função do uso da mão de obra escrava. CLT). esses por sua vez com tradição sindicalista. 2) HISTÓRIA DO DIREITO DO TRABALHO NO BRASIL. t endo sido descoberto no século XVI. posto que. pois a mesma é o principal liame que demonstra as regulam entações existentes entre "as relações individuais e coletivas de trabalho" (art. cabe -nos observarmos que ela tem como fonte inspiradora a Evolução do Direito do Trabalho no mundo.

sobre o trabalho das mulheres em 1932. Indúst ria e Comércio. jornada de oito horas de trabalho. sobre o salário mínimo em 1936.A política trabalhista brasileira começa a surgir com Getúlio Vargas em 1930. como órgão da antiga Liga das Nações. salário mínimo. de onde se originou a Organização Internacional do Trabalho . 121). como conseqüência de longo processo que se desenrolava no exterior. Cabe chamarmos a atenção no tocante a Proteção ao Trabalhador. de 1891. A primeira Constituição a tratar de Direito do Trabalho foi a de 1934. hoje da Organização das Nações Unidas. quando foi criado o Ministério do Trabalho. isonomia salarial. garantindo a liberdade sindical. Estava contida também no Tratado de Versalhes. sobre a Justiça do Trabalho em 1939. de 1919. etc. férias anuais remuneradas (art. repouso semanal. Essa preocupação transformou-se em 30 artigos da Constituição mexicana de 1917.OIT. que passou a expedir decretos. a partir de então. . posto que a Legislação Trabalhista e a Justiça do Trabalho surgiram. sob forte influência dos princípios de proteção aos trabalhadores expostos pelo P apa Leão XIII em sua encíclica Rerum Novarum. proteção do trabalho das mulheres e menores. no Brasil. sobre as profissões.

O juiz pedia a outra parte que fizesse igual indicação. o juiz o homologava. Em 1917 foi criado o Departamento Nacional do Trabalho como órgão fiscalizador e informativo. foi criado órgão especializado em resolver divergências nas relações de trabalho. de 10/10/22.313. que regulamentou o trabalho dos menores de 12 a 18 anos. um Tribunal Rural "para conhecer e julgar as questões. ele próprio decidia a questão. de 1891. criou. O interessado que levasse a questão ao Tribunal já indicava um dos membros. O Tribunal compunha-se do Juiz de Direito da comarca onde estivesse situada a propriedade agrícola e de dois outros membros designados um pelo locador e outro pelo locatário. Em 1907. A partir da Revolução de 1930. Se os membros chegassem a acordo. Se não. iniciando-se então o que o ministro Mo zart Victor Russomano classifica de fase . até o valor de quinhentos mil réis (500$000). como é o caso do Decreto nº 1. decorrentes da interpretação e execução dos contratos de locação de serviços agrícolas". Em 1922.No Brasil. uma lei tratou da sindicalização rural. acelerou -se esse processo. A lei estadual nº 1. as primeiras normas nesse sentido começaram a surgir antes da virada do século passado.869. em cada comarca de São Paulo.

A Carta Constitucional de 10 de novembro de 1937 é decorrente do golpe de Getúlio Vargas. passou. no dia 1 de maio de 1 939 e instalada dois anos depois. e na Constituição polonesa. ministro Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes). Começava a nascer a atual Justiça do Trabalho. a ter competência para opinar em matéria contenciosa e consultiva e. no dia 10 de maio de 1941. para julgar. Era uma Constituição corporativista .contemporânea do Direito do Trabalho no Brasil. nas palavras do primeiro presidente do TST. tendo sido mantida na Carta de 1937. Estava dividida em três instâncias . O Conselho Nacional do Trabalho.Juntas de Conciliação. porém. mas como órgão administrativo. cujo titular podia reformar as suas decisões. Conselhos Regionais e Conselho Nacional do Trabalho . de 1923. de 1927. assim como o são a Justiça Eleitoral e a Justiça Militar. a Justiça do T rabalho passou a integrar o Poder Judiciário.e ainda tinha caráter administrativo. inspirada na Carta dei Lavoro. em 1931. em 1934. Com a Constituição de 1946. Ela só foi criada. vinculado ao Ministério do Trabalho. como órgão especializado. . Naquele mesmo ano criou -se o Ministério do Trabalho. A designação de Justiça do Trabalho surge pela primeira ve z na Constituição de 1934 ("primeira Constituição social -democrática do País".

sendo que o Estado participava do produto da sua arr ecadação. ao ser lançada. imposto por lei. podendo haver intervenção estatal direta nas suas atribuições. mas apenas a reunião das normas já existentes de forma sistematizada. mas hoje. sem o acabamento necessário. Foi criado o imposto sindical. A greve e o µlockout" foram considerados recursos anti -sociais. exercendo funções delegadas de poder público.O artigo 140 da referida Carta era claro no sentido de que a economia era organizada em corporações. através do Decreto Lei nº 5. a Legislação Trabalhista Brasileira aí está. nocivos ao trabalho e ao capital e incompatíveis com os interesses da produção nacional (art.452 de 10 de maio de 1943. Como quer que seja. Ins tituiu o sindicato único. vinculado ao Estado. como um enorme e imponente edifício. Estabeleceu-se a competência normativa dos tribunais do trabalho. antes. por sua vez. pois não traz um conjunto de regras novas. tornando-se necessária sua sistematização. . no Estado Novo. a CLT não é um código. em virtude de haver várias normas trabalhistas esparsas. lançada em 1936. 139). Foi criada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). exercendo função delegada de poder público. que tinham por objetivo principal evitar o entendimento direto entre trabalhadores e empregadores. aperfeiçoada. sendo consideradas órgãos do Estado.

assistência social e respectivos aparelhos. base de toda a legislação trabalhista. pela sua organização tinha diver sas funções: julgava os conflitos de trabalho. No titulo preliminar.Na primeira parte: "Contratos de Trabalho. fiscalizava as Caixas de Aposentadoria e .Podemos considerar que a CONSOLIDAÇAO DAS LEIS TRABALHISTAS reúne e ordena sistematicamente todas as leis reguladoras do trabalho. Naquela ocasião o Conselho. Naquela ocasião. em certas instituições. verificava -se que. "Comissões Mixtas de Conciliação" e "Conselho Nacional do Trabalho". Seguem a "Convenção Coletiva": a Le i que regula a estabilidade dos empregados (Lei nº 62). um título preliminar e um apêndice. complemento da Lei de Sindicalização. por falta de divulgação. tornou -se verdadeiro pioneiro das inovações sociais. "Juntas de Conciliação e Julgamento". as leis trabalhistas eram desconhecidas. o Brasil passou a possuir uma legislação trabalhista das mais adiantadas e. Conflitos e órgãos Julgadores" teve primazia a Lei de Sindicalização. por muitos colegas de lutas forenses. Naquela época. . as Leis sobre "Nacionalização". A CLT estava dividida em quatro partes principais. foram transcritos alguns artigos da Constituição Federal pertinentes às questões do trabalho e cujo conhecimento era indispensável para a boa interpretação das leis trabalhistas. seguindo-se-lhe a lei que instituiu as "Carteiras Profissionais". em sua grande parte.

Pensões e Institutos Congêneres e é órgão administrativo propriamente dito, de modo que o desdobramento do Decreto nº 24.784, nessas subdivisões, era matéria muito complexa, pelo que a sua reprodução na parte referente à Organização administrativa", era uma necessidade evidente.

- A segunda parte: "Condições de trabalho" - (duração, repouso e segurança) era constituída pela lei geral reguladora do trabalho no comércio, suas modificações e as leis especializadas em referência às barbearias, farmácias, casa de diversão, casa de penhores, bancos e casas bancárias, armazéns e trapiches, hotéis e pensões e transportes terrestres; a lei reguladora do trabalho na industria e as leis especiais sobre padarias, frigoríficos, telegrafia e radio telegrafia e ferroviários, lei que regulava a profissão de leiloeiros; as leis reguladoras das profissões liberais; agrônomos, engenheiros, arquitetos e agrimensores, químicos, e do Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura; lei reguladora do trabalho de mulheres e menores; acidente de trabalho e salário mínimo. A lei de seguro contra acidente no trabalho foi incluída na parte referente à Previdência e Assistência Social, visto ser, como é uma lei previdenciária.

- Terceira parte: "Previdência e Assistência Social" - era assim formada: lei geral de Caixa de Aposentadoria e Pensões e suas modificações; leis reguladoras dos diversos serviços peculiares às referidas Caixas, leis especiais que regulam as Caixas de Aposentadorias e Pensões da Imprensa Nacional, Trapiches e Armazéns de Café, dos Estivadores; leis especiais referentes aos

Institutos dos Marítimos, Comerciários e Bancários e lei sobre Seguro de Acidente de Trabalho.

- A quarta parte: "Organizações Administrativas" continham os regulamentos do Conselho Nacional do Trabalho, Departamento Nacional do Trabalho, Inspetorias Regionais, Delegacias do Trabalho Marítimo e a lei relativa á Fiscalização das leis trabalhistas.

O "Trabalho" é, no sentido técnico geral, o desenvolvimento de energia, a transformação de uma forma de utilidade em outra; no sentido restrito, trabalho é o esforço desenvolvido por um homem com a finalidade de produção.

No conceito de economia pública, trabalho é a ati vidade produtiva que vai associada ao emprego de determinada quantidade de energia; na economia comercial representa a forma de atividade lucrativa.

Quando essa atividade tem lugar em benefício de terceiro, ou para exploração de uma empresa, e mediante um a remuneração, há, então, a relação de trabalho.

Para os vernaculistas, examinada como contrato, essa relação é a "convenção ou acordo pelo qual uma ou mais pessoas se obrigam a dar, a fazer, ou a não fazer, alguma coisa." (Aulette), é o acordo em que uma ou mais pessoas transferem entre si algum direito ou se sujeitam a alguma obrigação". (Cândido Figueiredo).

Para Griolet e Vergé, em seu dicionário jurídico, é a "convenção ou acordo de duas ou mais pessoas em torno de um interesse jurídico, dando nascim ento a uma ou mais obrigações."

Os juristas, o definem, como Clovis, como "acordo de vontades para o fim de adquirir, resguardar, modificar ou extinguir direitos". Para Dyonisio Gama é o "ato jurídico, em virtude do qual duas ou mais pessoas se obrigam, p or consentimento recíproco, a dar, fazer ou não fazer alguma coisa. Jorge Giorgi o declara como "figura jurídica destinada a criar uma obrigação.", e Carvalho de Mendonça o entende como a fonte mais fecunda, mais comum e mais natural dos direitos de crédit o."

Se assim entende vernaculistas e juristas o contrato, sob um aspecto geral, ou melhor, sob seu aspecto no direito privado, em face do Direito Trabalhista ele tem que ser considerado de maneira especial, porque é, como bem afirma Gaete o "contrato do qual depende a subsistência de 99% dos homens, para não dizer de 100%".

ou possam a ele pertencer. e não os interes ses mediatos. . bem tinha posição -. São instituições do direito coletivo do trabalho: .ou melhor dizendo. quer dizer uma relação jurídica cujos sujeitos nela figuram em função de um grupo social. o contrato de trabalho tinha essa posição. reflexos e concretos dos indivíduos que pertençam.Desprezado a ponto de não merecer uma distinção especial entre os individualistas. como tal. era apenas "coisa". porque o velho direito vinha fundamentado nos princípios do direito romano. 3) ORGANIZAÇÃO SINDICAL 3. Os interesses que esta relação põe em jogo são os interesses abstratos do grupo.1) Direito Coletivo do Trabalho O direito coletivo pressupõe uma relação coletiva de trabalho. quando o trabalho era obrigação dos escravos. pelo que se assimilava á locação de coisas ou à compra e venda.

com a participação daquelas. c) Convenção coletiva. Significa a organização permanente de empregados. O direito coletivo tem caráter instrumental: meio para alcançar a criação de novas condições de trabalho. em defesa dos interesses das respectivas categorias. O estabelecimento de normas sobre condições de trabalho pelas próprias categorias a que se destinam. ou de empregadores. Fundamento do direito coletivo. proc essualmente.2) Liberdade de Coalizão . 3. d) Dissídios coletivos de trabalho. de grupos. podem ser. traduzindo a possibilidade jurídica da união em defesa de interesses comuns: o direito de greve é uma conseqüência do reconhecimento desta liberdade.a) Liberdade de coalizão. Reconhecimento pelo direito de que os conflitos entre interesses abstratos. através de normas estabelecidas pelas próprias categorias interessadas ou pela Justiça do Trabalho. b) Associação profissional. resolvidos.

a luta pela conquista da liberdade de coalizão. lágrimas e sangue". viram por isso os operários.As corporações de partes e ofícios da Idade Média tinham feição aristocrática. como salienta Mario de la Cueva. não entenderam por que o novo regime queria também destruir as associações de companheiros. . a revolução industrial concentrou nas mãos dos patrões todos os meios de produção. ia tornar-se irrisória quando. Inicia-se. no início do século XIX. isoladamente colocado diante do empregador. Na Inglaterra. a coalizão foi proibida por lei de 1799. vitoriosa a Revolução Francesa. A coalizão e a greve tornaram-se crimes. Com a queda do antigo regime. então. companheiro e aprendiz. estabelecida pela Constituinte. sendo que a ascensão acabou por se tornar praticamente impossível pela natureza hereditária da posição de mestre. com "suor. A igualdade teórica entre patrão e empregado. escalonadas na gradação de mestre. como conseqüência da exploração de que era vítima o empregado. Mas o Estado liberal foi além.

um empregador humano e compreensivo. É a fase da tolerância. que os trabalhadores iriam obter o direito de associação. a 29 de fevereiro foi decretada a liberdade associativa. Instalada a célebre Comissão de Luxemburgo. Ainda não se reconhecera a greve. Apesar disto. Pela reforma de 15/05/1864. por sua vez.Na Inglaterra. graças a Francis Place. . entrou a França.61824. Por lei de 27/11/1849. como um direito. em 21. Mas o sentido nitidamente popular das reformas sociais anunciadas assustou a burguesia. cujo triunfo ficou assegurado com a eleição de Luis Bonaparte para a Presidência da República. por Ato do Parlamento. a princípio. foram restabelecidos os artigos do Código Penal que puniam a coalizão. nem a existência dos sindicatos (trade unions). Em 1848 eclodiu em França novo movimento revolucionário e pareceu. mas cessava a perseguição aos que se reunissem em defesa de seus interesses comuns. deixa a coalizão de ser proibida aos trabalhadores. não cessou a agitação e as greves eclodiram. de Napoleão III. na fase de tolerância: a greve pacífica já seria admitida. depois dos combates de rua de 23 a 26 de junho.

o reconhecimento dos seguintes princípios": . porém. tais Ordenanças foram. assegurou o desenvolvimento sindical através das trade unions. revogadas e suprimidas as punições para a coalizão que visasse à melhoria das condições de trabalho. de 1919. A liberdade de coalizão e m França é reconhecida em 1884. reproduziram -se velhas Ordenanças contra os companheiros medievais.3) Liberdade Sindical Não há sindicalismo verdadeiro sem o autogoverno democrático das associações (Ardau). Em 21/05/1869 (lei ulteriormente ratificada para o Império. na Prússia. E a Constituição de Weimar. provocou a lei anti-socialista de 21/10/1879. seguido de agitações operárias.Na Alemanha.. em 1872). 3. consolidada em 1906. dá início. a liberdade sindical "importa necessariamente. na Europa. Nas palavras de Mario Giuliano. lei de 1875. ao processo de constitucionalização do direito coletivo do trabalho. em 1845. Na Inglaterra. Mas a expansão extraordinária do movimento socialista.. com a conseqüente redação do Programa de Gotha.

Em França. o da pluralidade e o da autonomia. c) autogoverno dos sindicatos em relação aos próprios interesses. O sistema legal dos sindicatos. repousa sobre três grandes princípios: o da liberdade. e não obrigação. reafirmou "os direitos fundamentais dos trabalhadores de todo o mundo de estabelecer e aderir a organizações sindicais livres e independentes de todo controle. realizado em Berlim de 5 a 12/07/1962. O VII Congresso Mundial da Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres.a) liberdade. d) possibilidade de mais de um sindicato para a mesma categoria. b) liberdade de auto-organização dos sindicatos. sem outra obrigação que a de um ordenamento interno democrático. de constituição de sindicatos e de adesão a estes. seja dos governos o dos patrões". sem interferência alguma do Estado. Devem agrupar .

Na Inglaterra. formaram novo organismo de cúpula. a Confederação Francesa dos Trabalhadores Cristãos (CFTC) e a Confederação Geral dos Quadros (CGQ). limitar-se à defesa dos interesses profissionais. Nos Estados Unidos da América do Norte. em 1937. O congresso dos sindicatos é o órgão de cúpula da organização sindical dos trabalhadores ingleses. ou atividades similares. Nesse mesmo ano f undou-se o Partido Trabalhista (Labour Party). liderados por John Lewis.12. Encontram-se os sindicatos franceses reunidos em quatro grandes entidades de cúpula: a Confederação Geral do trabalho (CGT). Ambas . a Federação Americana do Trabalho (AFL). em 1886. sindicatos dissidentes. como resultado do Congresso dos sindicatos ingleses (Trade Unions) de 1903. o Congresso de Organizações Industriais (COI). foi criada. com sede em Düsseldorf.1906.os sindicatos somente pessoas exercendo a mesma atividade. a liberdade sindical foi assegurada por lei de 21. a principal organização sindical é a Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB). a Confederação Geral do Trabalho-Força (CGT-FO). cujo movimento operário reconquistou a liberdade com o término da II Guerra. entendendo demasiado moderada a ação da AFL. que aboliu o delito civil de conspiracy. Na Alemanha Ocidental.

as entidades uniram-se numa poderosa Central de Trabalhadores. pertençam ou não ao sindicato com o qual celebrou a convenção. em dezembro de 1955 (AFL -CIO). A Lei Talf-Hartley. Na Suíça. No México admite -se cláusula do tipo closed shop. de exclusão dos sindicatos. declarada esta cláusula ilegal pelos tribunais. que lhe permite escolher livremente seus empregados. . com a liberdade sindical. que impede o empregado de contratar trabalhadores que não sejam associados do sindicato com que fez a convenção. Os sindicatos. defende o regime da open shop. de 1947. foi substituída pelo pag amento de uma quota de solidariedade com a qual os trabalhadores não associados ao sindicato convenente contribuem para a manutenção deste. não podendo utilizar -se da cláusula da non union shop. o empregador procura conservar sua liberdade e. Questão das mais controvertidas é a que se refere à compatibilidade do sindicato único. a fim de beneficiar se da convenção por ele celebrada. pugnam pela cláusula closed shop. Quando se conclui uma convenção coletiva. proibiu a cláusula da closed shop. oficialmente reconhecido como representante de toda a categoria. por sua vez. ou seja. agrupando 15 milhões de aderentes.

se infringir norma sindical.Em uma sociedade democrática. É o caso típico da unidade sin dical inglesa. correndo o risco de vir a ser despedido pelo empregador. O problema da liberdade sindical envolve. embora não a determinado sindicato. como na Inglaterra. b) pode estar obrigado a associar-se a um sindicato. Quatro são os sistemas pelos quais se estruturam tais relações entre indivíduo e sindicato: a) o indivíduo pode estar obrigado associar -se e a continuar associado de determinado sindicato. . os conflitos de interesses que inevitavelmente existirão dentro dele. a unidade do movimento sindical não deve ser legalmente imposta pelo Estado. por instrumentos próprios. como ocorre na Suécia. também. superando. principalmente através de órgãos de cúpula. o da liberdade de individuo no que respeita às suas relações com o sindicato e à ação por este desenvolvida. mas resultar da unidade mesma do grupo profissional.

por conta própria. como indivíduo. . no plano individual. como ainda acontece entre nós (contribuição sindical). dada a desigualdade econômica entre empregado e empregador. importa. por conseguinte. se possa chegar. apesar das várias tentativas objetivando extinguir tal contribuição. como acontece na Bélgica. para negociar. a que decorre. as condições de seu contrato de trabalho. e d) consideradas ilegais todas as fontes de exclusividade sindical. por isso que pode estar obrigado a respeitar a convenção coletiva. em maior ou menor grau. a uma relação contratual justa. Mas essa restrição. pode ter o indivíduo liberdade de associar -se ou não a sindicato ou de associar -se ao sindicato que escolher (pluralidade sindical). França. Note-se que. Cumpre à lei garantir a liberdade do trabalhador. pressuposto da existência mesma dos sindicatos. República Federal Alemã e Suíça. como tal. empecilho a que em geral. em relação ao sindicato.c) pode ser obrigado a mero apoio econômico. como indivíduo. visa a beneficiar o próprio indivíduo. das normas legais que regem tal contrato. nem por isso. ainda quando o indivíduo possa negar -se a ser associado de sindicato. certa restrição à liberdade do trabalhador. escapará ao controle coletivo sindical. também. como aliás. A prevalência dos interesses coletivos do grupo. sempre e necessariamente.

Integra o aparelho estatal de tipo corporativo. 3. Somente o molde sindical "permite aos agrupamentos profissionais alcançar a plenitude de personalidade e ação". "a mais freqüente.resguardando-lhe o direito de associar-se ou não e de participar nas deliberações do sindicato. Mas. Nos países totalitários é evidente a natureza de pessoa de direito público do sindicato.4) Sindicato O sindicato é uma forma de associação instituída para proteger os interesses profissionais dos que o integram. as associações do tipo mutualista ou amistoso. agem apenas como grupo de pressão. sem faculdade para celebrar convenções coletivas. Mas.5) Natureza Jurídica do Sindicato A personalidade de direito público pressupõe que participe a entidade da essência da atividade do Estado e disponha de parcela do poder de império. num regime . mas não a única". Como escreve Georges Friedmann e Jean René Treanton. sem ví nculo que lhes unifique a ação. 3.

A prova de existência desta luta resulta irretorquível do esplêndido trabalho de Evaristo de Moraes Filho sobre "O Problema do Sindicato Único no Brasil". no sentido de melhoria das condições de trabalho". porém. no Brasil não houve luta sindical". c om sede na Capital . "sempre orientadas. É que o sindicato participa de atividades que envolvem uma col aboração mais direta com o poder público. Não há identificação entre os fins do Estado e do sindicato.6) Formação Histórica dos Sindicatos no Brasil Escreve Roberto Barreto Prado que. Data vênia. não nos é possível concordar com tal afirmação do eminente jurista e magistrado de São Paulo. No primeiro congresso da Federação Operária Regional. 3.democrático. predominando em relação a este os interesses do grupo organizado. o caráter de pessoa de direito privado é uma decorrência do próprio princípio de liberdade sindical. "ao contrário do que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos da América do Norte.

A 05/01/1907. c om a vitória das reivindicações operárias. em 1906. Junho e julho daquele ano foram meses de greves no Rio de Janeiro. o movimento grevista teve início em maio. geral e pacífica. a greve. ainda para os mais legalitários. cessou. Recife e Salvador). São Paulo.7. . para os trabalhadores. de 06/01/1903.637 c riou as sociedades cooperativas e estendeu o direito de sindicalização a todos os trabalhadores. igualmente. a greve eclodida a 6.6. Em pleno desenrolar dessas greves-lê-se na obra de Evaristo ± envia o então Presidente da República. Na capital baiana. Delfim Moreira. facultara -se a constituição de sindicatos de âmbito rural. sem a qual.19 foi praticamente geral e terminou vitoriosamente. surgiram greves nos principais centros do país (Rio. o Decreto nº 1.Federal. ao Congresso. em 16/03/1919.19. Em 1919. foi aprovada resolução em que se reconhecia "a necessidade iniludível da ação econômica direta de pressão e resistência. mensagem encarecendo a urgente necessidade da legislação social. Em Pernambuco. Em São Paulo. não há lei que valha". a 29. Pelo decreto-lei nº 979.

de 19/03/1931. cuja constituição e funcionamento foram regulados pelo Decreto nº 1. A investidura sindical passou a ser conferida à associação mais representativa. recém -criado. de cassação da carta de reconhecimento sindical. exigindo 1/3 de empregados da mesma profissão para a constituição de sindicato. Foi -lhes exigido o reconhecimento pelo Ministério do Trabalho. Esta organização sindical foi completada pelo Decreto nº 24. Várias hipóteses foram admitidas. e se lhes fixou finalidade estritament e profissional. O golpe de 1937 e a Carta Constitucional dele decorrente consagraram o sindicato único. . em seu art. de 05/07/1939. como prerrogativa dos sindicatos. Foi permitida a intervenção do Estado nas entidades sindicais. inclusive a desobediênci a às normas de política econômica ditadas pelo Presidente da República. de 12/07/1934. Previramse as convenções coletivas de trabalho. estabeleceu distinção mais nítida entre os sindicatos de empregados e os de empregadores.A revolução de 1930 veio dar contornos mais precisos à nossa organização sindical.402. entretanto. Assim. A greve era proibida (crime). regulamentado: caiu no vazio. a juízo do Ministério do Trabalho. 120.770.694. o Decreto nº 19. A Constituição de 1934. Tal preceito nunca foi. garantiu a pluralidade sindical e a completa autonomia dos sindicatos.

considerando -se a proibição constitucional de greve nos serviços públicos e atividades essenciais (art. de 01/06/1964. alem de reconhecer o direito de greve (art. como a de 1946. afinal regulamentado pela Lei nº 4. a única alteração realmente verificada no sentido de democratização do nosso sistema de organização s indical foi o reconhecimento do direito de greve e assim mesmo regulamentado por lei. 165.330. em termos tais que a regulamentação legal tornou -se praticamente incompatível com o próprio direito cujo exercício foi disciplinado ao máximo. declara ser "livre a associação sindical". Mas. Quanto a mais. foi posteriormente incorporado na Consolidação das Leis do Trabalho.Tal sistema. 3. em 1943. a despeito disto.7) A Organização Sindical no Brasil após a Constituição de 1988 . continuaram os sindicatos sujeitos ao mesmo regime decorrente do espírito da Carta de 1937. cuja forma de constituição. representação legal nas convenções coletivas e o exercício de funções delegadas pelo poder público serão regulados por lei (art. 162). de inspiração indisfarçadamente fascista. 166). XX). A Constituição de 1969.

a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato.A Organização sindical sofreu sensíveis alterações com o advento da Constituição Federal de 1988.É livre a associação profissional ou sindical. 8º . representativa de categoria profissional ou econômica. II ± é vedada a criação de mais de uma organização sindical. que expressamente dispõe: "art. III ± ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos o u individuais da categoria. que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados. ressalvado o registro no órgão competente. em qualquer grau. 80. na mesma base territorial. A matéria está disposta o art. inclusive em questões judiciais ou administrativas. não podendo ser inferior à área de um Município. observado o seguinte: I . sem entretanto adotar a liberdade sindical. Passamos de um regime de grande interferência estatal para um sistema que consagra a autonomia das entidades sindicais. . vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical.

IV ± a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente a contribuição prevista em lei;

V ± ninguém será obrigado a filiar -se ou a manter-se filiado a sindicato;

VI ± é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;

VII ± o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;

VIII ± é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo e direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um no após o final do mandato,salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

Parágrafo único: As disposições deste artigo aplicam -se à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer."

O caput do mencionado artigo inicia deixando nítida impressão de que assegura a liberdade sin dical. Porém, em seguida condiciona o exercício do direito às disposições dos incisos subseqüentes que se atritam com os postulados daquela liberdade.

A substituição processual pela entidade sindical continua restrita às hipóteses expressamente autorizada s em lei, que atualmente são as seguintes:

ação de cumprimento de sentença normativa ou acordo homologado em processo de dissídio coletivo;

procedimento administrativo para aferição e insalubridade ou periculosidade em estabelecimento ou local de trabalh o;

ação de cobranças adicionais de insalubridade ou periculosidade;

ação objetivando a efetivação dos depósitos relativos ao FGTS e

ação para cobranças de reajustes decorrentes da política nacional de salários.

A contribuição sindical legal será paga d e uma só vez, anualmente, e consistirá:

a) na importância correspondente a remuneração de um dia de trabalho, para os empregados, qualquer que seja a forma da referida remuneração;

b) para os agentes ou trabalhadores autônomos para os profissionais liberais, numa importância correspondente 30% do valor de referência vigente no País;

c) para os empregadores, numa importância proporcional ao capital a respectiva firma ou empresa.

A contribuição mínima, independentemente do capital social, é fixada em 60% do maior valor de referência.

de 08/06/1973. na ocasião em que requeiram às repartições o registro ou a licença para o exercício a respectiva atividade. como empregadores ou empregados. a necessidade de disciplinar. legalmente. O decreto-lei nº 1.O recolhimento da contribuição sindical dos empregadores efetuar -se-á no mês de janeiro de cada ano. de 15/04/1971. de 10/11/1944. a legislação mencionada foi recepcionada pela . O Estatuto do Trabalhador Rural. exerçam atividade ou profissão rurais". dispôs sobre o enquadramento e a contribuição sindical rural e foi mantido pelo art. praticamente. em seu art. Portanto. principalmente no Norte do país colocou diante do Estado. A agitação camponesa.038. defesa e coordenação de seus interesses econômicos ou profissionais. já agora como caráter de urgência. dispunha sobre a "sindicalização rural". equiparando.1º.8) Sindicatos Rurais e Colônias Agrícolas O Decreto nº 7. para os que venham a estabelecer -se após aquele mês. estatuindo. de 02/03/1963. o movimento de associação dos trabalhadores do campo. 19 da Lei nº 5. 3. de todos os que. ser "lícita à associação para fins de estudo. tais trabalhadores aos dos centros urbanos para efeito de proteção do trabalho. ou.889.166.

diante do empregador economicamente poderoso e que. por reunir sob o seu controle os meios de produção funcionalmente organizados. que o contrato de trabalho se resumia na adesão forçada do trabalhador às cláusulas que lh e eram impostas pelo contratante mais forte e que constavam do regulamento da empresa. A possibilidade da celebração de convenção coletiva verificou -se na Inglaterra desde 1824. uma "coalizão". no dizer de Adam Smith. Bélgica. na Inglaterra. em si mesmo. mas os empregadores não estavam obrigados a aceita la. tendo em vista que esta remeteu à legislação ordinária a competência para definir as condições da sindicalização rural.Constituição. Daí resultou. "Esta generalização foi anterior ao reconhecimento da . como sabemos. 4) CONVENÇÃO COLETIVA O Estado liberal e individualista deixara o trabalhador isolado e enfraquecido. já representava. permitiu-lhes lutar vantajosamente no sentido do estabelecimento coletivo das condições de trabalho. A união dos trabalhad ores. França e Alemanha.

O Código Civil Holandês. 4. das relações individuais entre os integrantes das categorias ou grupos convenentes. isto é.nova figura jurídica pela doutrina e por lei. sejam ele sindicalizados ou não. começou a ser reconhecida pelo legislador. durante o prazo da respectiva vigência. suscitaram e suscitam controvérsias doutrinárias quanto à sua natureza jurídica. por não se ajustarem aos esquemas clássicos do direito comum. . de 01/02/1909.1) Conceito e Natureza Jurídica Convenção coletiva é a solução. fato q ue explica as dúvidas e hesitações doutrinárias. variam os tipos legais de convenção coletiva. Segundo o direito de cada país. dos conflitos de interesses coletivos de grupos ou categorias. com maior ou menor âmbito de efi ciência normativa." Enquanto os civilistas se esforçavam por encaixar a convenção coletiva no esquema do direito comum e falhavam no seu intento. através do estabelecimento de normas e condições de trabalho reguladoras. por via de acordo. cujas normas obrigam todos os integrantes das categorias representadas pelos sindicatos. são as que. foi o primeiro diploma legal a lhe dar cobertura. As convenções com eficácia geral.

A convenção coletiva. a princípio. teoria da personalidade moral fictícia (que não explica a obrigatoriedade das condições ajustadas). por su a vez. Juntamente com o acordo coletivo. procurando. aproveitar os moldes tradicionais do direito comum: teoria do mandato (incapaz de explicar a inderr ogabilidade. . historicamente. que os juristas a procurassem explicar. teoria do contrato inominado (insuficiente por insistir no esquema contratual). pela figura do contrato. regulando entre particulares: o Estado a ignorava.2) A convenção Coletiva no Direito Brasileiro A convenção coletiva é uma das vias em que se pode desdobrar a negociação coletiva. Natural. portanto. A negociação coletiva. das cláusulas estabelecidas pelos sindicatos mandatários). sempre. foi amplamente valorizada pela Constituição de 1988 como processo mais adequado e eficaz na busca da composição dos conflitos coletivos de trabalho. pelos supostos mandantes. renunciável. 4. através do contrato individual. representa a solução do conflito coletivo pela autocomposição por parte dos interlocutores naquele processo. por natureza). teoria da estipulação em favor de terceiro (que implica aceitação do benefício. aventadas para lhe dar uma justificação jurídica. sucessivamente. teoria da gestão de negócios (que pressupõe o proveito individual do dono do negócio e a responsabilidade do gestor pelos prejuízos que excederem a este proveito). nasceu no campo do direito privado. Outras teorias foram.

As convenções e os acordos serão celebrados por escrito. na Secretaria Nacional do Trabalho. dentro de 8 dias da assinatura da convenção ou acordo. As convenções e os acordos entrarão em vigor 3 dias após a data de entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo.3) Conteúdo e Efeito das Convenções Coletivas . pra fins de registro e arquivo. Os sindicatos convenentes ou as empresas acordantes promoverão. ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho. em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual. em tantas vias quantos forem os sindicatos convenentes ou as empresas acordantes. 4. sem emendas nem rasuras. conjunta ou separadamente. consoante o disposto nos respectivos estatutos. Os sindicatos só poderão celebrar convenções ou acordos coletivos de trabalho por deliberação de assembléia -geral especialmente convocada para esse fim. o depósito de uma via do mesmo. nos demais casos. além de uma destinada a registro.

no plano da empresa e sobre participação nos lucros. estabelecendo condições contrárias ao que tiver sido ajustado em convenção ou acordo que lhes for aplicável. assim como o plano de participação quando for o caso.As cláusulas normativas da convenção são todas as que podem constituir o conteúdo de uma relação individual de trabalho. quando mais favoráveis. como aos que já existiam anteriormente". o modo de funcionamento e as atribuições das comissões. Os empregados e as empresas que celebrarem contratos individuais de trabalho.4) Extinção das Convenções . 4. prevalecerão sobre as estipuladas em acordo. As cláusulas normativas são inderrogáveis e se aplicam não só "aos contratos que vierem a ser celebrados depois de sua entrada em vigor. As condições estabelecidas em convenção. As convenções e os acordos poderão incluir entre suas cláusulas disposição sobre a constituição e funcionamento de comissões mistas de consulta e colaboração. serão passíveis da multa neles fixada. Estas disposições mencionarão a forma de constituição.

Extinta a convenção coletiva, claro que suas cláu sulas contratuais, obrigando, diretamente, as partes convenentes, se extinguem, também. Quanto às cláusulas normativas, que estabelecem condições de trabalho, às quais terão que se subordinar os contratos individuais, perdem, evidentemente, sua eficácia em relação aos novos contratos que se irão celebrar, individualmente, depois de extinta a convenção. No que se refere aos contratos por ela modificados, automaticamente, ou celebrados durante o período de vigência da norma, não nos parece que, em nosso direi to positivo do trabalho, possa haver outra solução: continuam regidos pelas normas da convenção extinta. É que elas se incorporam nos contratos individuais e as condições de trabalho nestes incorporadas não podem sofrer alteração, nos termos expressos no a rt. 468 da Consolidação.

5) ACORDO COLETIVO

É um dos instrumentos pelo que é possível por fim aos conflitos coletivos, ou seja, é a negociação no plano do nosso direito positivo, que tem como objetivo por termo aos conflitos coletivos através da negocia ção coletiva, negociação esta denominada de: acordo coletivo e convenção coletiva de trabalho.

Cabe observar que o ponto em comum do acordo e da convenção coletiva é que em ambos serão estipuladas condições de trabalho que serão aplicadas aos contratos individuais dos trabalhadores, que tem efeito normativo. Tendo como diferenças entre os instrumentos em referência os sujeitos envolvidos, posto que o acordo coletivo é feito entre uma ou mais empresas e o sindicato da categoria profissional, enquanto na convenção coletiva o pacto é realizado entre sindicato da categoria profissional, de um lado, e sin dicato da categoria econômica, de outro.

É facultado aos sindicatos celebrar acordos coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho aplicáveis no âmbito daquelas, às respectivas relações de tr abalho (CTL, art. 611, § 1º); a legitimação para o acordo coletivo, pelo lado patronal, é da empresa, porém a CF/88 (art. 8º, VI) considera obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas.

O acordo tem um efeito mais restrito na medida em que atinge apenas os trabalhadores e empresas que celebraram o acordo. É um pacto feito entre o sindicato dos trabalhadores e a empresa (acordo se formaliza com a presença tão somente do sindicato da categoria profissional, sendo desnecessária a da categoria econômica).

De acordo com a Constituição Federal de 1988 (art. 8º, VI) é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas. Porém, não é permitido que o empregado negocie acordos coletivos (caso contrário não seria necessária a existência dos sindicatos), salvo quando o sindicato for acionado e não cumprir o pedido daquele que o faz nesse caso é permitida a negociação. O sindicato exerce o monopólio da negociação mesmo se desenvolvida diretamente perante uma empresa.

5.1) Evolução Legislativa

Tem-se que a negociação não se confunde com contrato ou pacto, da mesma maneira que a causa não se confunde com o efeito. Negociação é o procedimento de discussão que leva a um contrato, no sentido estrito, ou a um pacto, no sentido amplo.

O Decreto-lei n0 229, de 28 de fevereiro de 1967, deu nova redação aos artigos 611 a 625 da CLT, eliminando a expressão contrato coletivo e utilizando a expressão convenção coletiva ("caput") e acordo coletivo. Tais pactos têm efeito normativo, aplicados a todos os membros da categoria.

A Constituição de 1988 reconhece não apenas as convenções coletivas de trabalho, mas também os acordos (art. 70 XXVI). Em outras três passagens a

5.2) Negociação Coletiva Negociação coletiva. c) regular as relações entre empregadores ou suas organizações e uma ou várias organizações de trabalhadores ou alcançar todos estes objetivos de uma só vez. b) regular as relações entre empregadores e trabalhadores. O inciso XIII. um empregador. de uma parte. O inciso XIV. porém os salários poderão ser reduzidos por convenção ou acordo coletivo. segundo a Convenção n0 154 da OIT. A negociação coletiva é uma forma de ajuste de interesses entre as partes. entretanto possibilita a compensação de horários e a redução da jornada.Lei Maior se refere a convenção ou acordo coletivo. O inciso VI. do artigo 70 prevê a irredutibilidade salarial. do artigo 70 disciplina a jornada de 6 horas nos turnos ininterruptos de revezamento. . que acertam as diferentes posições existentes. permitindo turnos superiores mediante negociação coletiva (acordo ou convenção coleti va). do artigo 70 estabelece a duração da jornada de 8 horas diárias e 44 semanais. de outra parte. uma ou várias organizações de trabalhadores visando a: a) fixar as condições de trabalho e emprego. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. compreende todas as negociações que tenham lugar entre. um grupo de empregadores ou uma organização ou várias organizações de empregadores e. visando encontrar uma solução capaz de compor as suas posições.

econômicas. 616 da CLT). mesmo as que não tenham representação sindical. c) compositiva. não poderão se recusar à negociação coletiva (art. Há uma periodicidade menor nas modificações. Os sindicatos das categorias econômicas ou profissionais e as empresas. com trâmites mínimos se comparados com os da elaboração da lei. como forma de superação dos conflitos entre as partes.Funda-se a negociação na teoria da autonomia privada coletiva. criando normas aplicáveis às relações individuais de trabalho. visando suprir a insuficiência do contrato individual do trabalho. III . IV . mais rápido. de fomentar o diálogo. Tem um procedimento mais simplificado.ordenadora. quando ocorrem crises. passando a ser específica.3) Funções da Negociação Coletiva Tem várias funções a negociação coletiva: 1 . E descentralizada. devendo as partes resolver suas divergências entre si. flexível. 5.políticas.jurídicas: a) normativa. atendendo a peculiaridades das partes envolvidas. de distribuição de riquezas. b) obrigacional. II . ou de recomposição de . determinando obrigações e direitos para as partes. em virtude dos interesses antagônicos delas.

ou. ainda. 80. Entretanto. da CF). pois a negociação concretizada se constitui em lei entre as partes. Os sindicatos devem participar obrigatoriamente das negociações coletivas de trabalho (art. ao garantir aos trabalhadores participação nas decisões empresariais. a interpretação sistemática da Lei Maior leva o intérprete . As autoridades públicas. Declara. ainda. V -social. A negociação deve ser feita não só pelos sindicatos. A negociação visa a um procedimento de discussões sobre divergê ncias entre as partes. como pelas federações e confederações. assim. procurando um resultado. a participação obrigatória do sindicato patronal nos acordos coletivos. assim como não se deve exigir a dependência de homologação pela autoridade pública. O direito de negociar livremente constitui elemento essencial da liberdade sindical. entretanto. por entidades sindicais registradas ou não registradas. A convenção e o acordo coletivo são o resultado desse procedimento. não pode rão restringir o direito de negociação. o § 4º do artigo 616 da CLT que nenhum processo de dissídio colet ivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas tendentes à formalização de acordo ou convenção coletiva. Se a negociação for frustrada não haverá a norma coletiva. Haveria. VI.salários. prestigiando a autonomia privada coletiva.

porque aquele obriga apenas os contratantes. E nesse sentido que deve ser interpretada a Consolidação das Leis do Trabalho. impessoais e abstratas. As c onvenções coletivas têm campo de aplicação que não se limita aos sindicatos. Observe-se.a verificar que o sindicato profissional é que deve participar obriga toriamente das negociações coletivas. que integram a categoria econômica dos empregados. ao contrário. na medida em que não traduz incidência da norma jurídica sobre a relação já configurada. que pertencem à categoria dos trabalhadores. sendo proferida pelo Poder Judiciário Trabalhista. no âmbito das relações laborais. quando dispõe que as . pois nos acordos coletivos só ele participa juntamente com as empresas e não o sindicato da categoria econômica. que há diferença entre o contrato do direito comum e as convenções do Direito do Trabalho. distinguindo -se da sentença clássica. mas. 6) SENTENÇA NORMATIVA Representa a atribuição do Poder Judiciário de fixar. normas jurídicas. em processos de Dissídio Coletivo. que são as partes que diretamente o ajustam.os empregados. e as empresas. Projetam -se sobre todas as pessoas que os sindicatos representam . expressa normas gerais. contudo.

convenções coletivas são um acordo de caráter normativo. de não o fazendo. sob pena. têm que juntar a sua inicial esses acordos coletivos. é de importância capital que o advogado adune ao seu processo esses dissídios coletivos. São normas jurídicas portanto. São normas elaboradas pelos sindicatos. a data. concluímos que o Direito do Trabalho tem como objetivo principal regular as relações entre patrão e empregado e. . devidamente homologados pelo Poder Judicial. Entretanto. 7) CONCLUSÃO Na análise geral deste estudo. aos neófitos. O Juiz é obrigado a conhecer as Leis. grande parte deles modificando -se anualmente. mas. que devem ser citadas pelo número e se possível. atribui-lhe efeitos e a considera parte integrante da ordem jurídica. não podem saber de todos eles. assim. pela quantidade de dissídios coletivos existentes. O Estado admit e a atividade normativa sindical. posteriormente solucionar possíveis conflitos de interesses existentes entre empregados e empregadores e de ambos com o Estado. é bom lembrar que ao ingressarem com uma ação trabalhista onde alguns direitos encontram proteção unicamente nos dissídios coletivos. respeita -a. perder a demanda.

Podemos concluir que o Direito do Trabalho é um conjunto de norma. tendo em vistas os atuais salários irrisórios. tendo em vista o desenvolvimento econômico. Cumpre salientar que em virtude do grande índice de desemprego.Após longo estudo da matéria em discussão. trabalho infantil. que um mal pouco distante de nossa realidade. a beira da miséria e da fome. 8) BIBLIOGRAFIA: . buscando da melhor maneira possível suprir suas necessidades e carências. que fornece subsídio ao Poder Público para regular os interesses entre empregados e empregadores. mesmo que vá em desencontro com as aptidões profissionais dos trabalhadores. não importando qual seja. qualquer trabalho atualmente é motivo de grande satisfação para que está desempregado. falta de estrutura trabalhista. etc. podemos dizer como foi árdua e duradoura a conquista de direitos dos nossos trabalhadores e principalmente o desligamento do homem com o trabalho escravo.

São Paulo. . Evaristo de. 1982. Délio e CARVALHO. 2000. 3) ANDRADE. Saraiva. Everaldo Gaspar Lopes de. 2ª ed. 3ª ed.. 26ª ed. 1996. Direito do Trabalho. 2003. Iniciação do Direito do Trabalho. 1992 4) NASCIMENTO. Rio de Janeiro. 5) MORAES FILHO. Da Fundação Getúlio Vargas. Curso de direito do Trabalho..1) MARANHÃO. Amauri Mascaro.. 17ª ed. 17a ed. Luiz Inácio B. São Paulo: LTr Editora... 2) MARTINS. Revista e Atualizada de Acordo com e Constituição de 1988 e Legislação Posterior. Ed. Direito do Trabalho. Sérgio Pinto. Atlas. Introdução ao Direito do Trabalho. São Paulo: LTr Editora. revista e aumentada.

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