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Capítulo 4

SÉRIES DE FOURIER

4.1 Funções Periódicas

Definição 4.1. Uma função f : R −→ R é periódica de período T ∈ R se para todo x ∈ R temos


que:
f (x) = f (x + T ).

Toda função é periódica de período zero; logo, nestas notas, somente consideraremos
T 6= 0. As funções constantes são periódicas de qualquer período; logo, somente consi-
deraremos funções não constantes. Se T é o período de f , então n T para todo n ∈ Z−{0}
é período de f . De fato, se n > 0 para n = 2 temos:

f (x + 2 T ) = f ((x + T ) + T ) = f (x + T ) = f (x).

Suponha que a propiedade é válida para n − 1, então:

f (x + n T ) = f ((x + T ) + (n − 1) T ) = f (x + T ) = f (x).

Analogamente para n < 0. Logo, nestas notas, somente consideraremos T > 0.

Definição 4.2. O menor T 6= 0, se existir, tal que f (x + T ) = f (x), para todo x ∈ R é dito
período fundamental de f .

As funções constantes não pussuem período fundamental. É possível provar que as fun-
ções periódicas e contínuas não constantes possuem período fundamental.

Nestas notas consideraremos somente funções com períodos fundamentais.

Denotaremos por f (x) = f (x + T ) toda função periódica de período fundamental T . O


gráfico de uma função periódica de período fundamental T pode ser obtido a partir do
gráfico de y = f (x) no intervalo [a, a + T ], seguido de translações.

103
104 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Figura 4.1: Gráfico de uma função periódica.

Exemplo 4.1.

[1] As funções f (x) = sen(x) e g(x) = cos(x) são periódicas de período fundamental 2 π.

[2] As funções f (x) = tg(x) e g(x) = cotg(x) são periódicas de período fundamental π.

[3] f (x) = x, x ∈ [−1, 1) tal que f (x) = f (x + 2).

-4 -2 2 4

-1

Figura 4.2: Gráfico de f (x) = x, periódica.

[4] Seja:
(
1 se 0 ≤ x ≤ 1
f (x) =
−1 se − 1 ≤ x < 0.

tal que f (x) = f (x + 2).


4.1. FUNÇÕES PERIÓDICAS 105

-3 -2 -1 1 2 3

-1

Figura 4.3: Gráfico do exemplo [4]..

[5] Seja f (x) = |sen(x)|, x ∈ [0, π] tal que f (x) = f (x + π).

-6 -4 -2 0 2 4 6

Figura 4.4: Gráfico de f (x) = |sen(x)|, periódica.

Proposição 4.1. Se f e g são periódicas de período T , então:

1. α f + β g é periódica de período T .

2. f g é periódica de período T .

3. Se f é integrável em qualquer intervalo [a, a + T ]:


Z a+T Z T
f (x) dx = f (x) dx.
a a

A prova das propriedades seguem diretamente das definições. Veja [VC1].


A soma de funções periódicas de diferentes períodos pode ser ou não periódica de algum
período.

Exemplo 4.2.

[1] Observe que a função f (x) = sen(x) + cos( 3 x) não é períodica, por outro lado, a
função g(x) = cos(x)+cos(x/2) é períodica de período 4 π. Verifique! Gráficos de f (azul)
e g (verde)
106 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Figura 4.5: Gráficos de f e g, respectivamente.

O seguinte exemplo é fundamental nos próximos paragrafos


Denotemos por:  nπ
λn = ,

l

Φn (x) = sen(λn x) e (4.1)


Ψ (x) = cos(λn x); n ∈ N, l ∈ R
n

Determinemos o período fundamental de Φn e Ψn .


1. Devemos ter Ψn (x + T ) = Ψn (x) para todo x ∈ R, isto é:

cos(λn x) = cos(λn (x + T )) = cos(λn x) cos(λn T ) − sen(λn x)) sen(λn T ).

Logo: (
cos(λn T ) = 1
sen(λn T ) = 0,
2l
donde T = .
n
2. Suponha que T1 é outro período de Ψn , teremos:
n π T1
= 2 k π, então T1 = k T,
l
logo, T = 2 l é o período fundamental.
3. Analogamente para Φn .

4.2 Álgebra Linear


Seja A ⊂ R e denotemos por C(A) o conjunto das funções f : A −→ R integráveis sobre
A. O conjunto C(A) possui uma estrutura natural de R-espaço vetorial com as seguintes
operações: dada f, g ∈ C(A) e λ ∈ R, então:

f + g (x) = f (x) + g(x)

λ f (x) = λ f (x),
4.2. ÁLGEBRA LINEAR 107

para todo x ∈ A.
Lembramos que um produto interno definido num R-espaço vetorial V é uma função:

<, >: V × V −→ R,

que satisfaz às seguintes propriedades:


i) < u, u >≥ 0 e < u, u >= 0 se, e somente se u = 0, para todo u ∈ V.
ii) < u, v >=< v, u >, para todo u, v ∈ V.
iii) < α u + λ v, w >= α < u, w > +λ < v, w >, para todo u, v ∈ V e λ, α ∈ R.

Os vetores u, v ∈ V são ditos ortogonais se < u, v >= 0. Seja W ⊂ V, W é dito ortogonal


se < u, v >= 0, para todo u, v ∈ W.
Dado V, <, > um R-espaço vetorial com produto interno, definimos a norma do vetor


u ∈ V como:

kuk = < u, u >.

Seja [a, b] ⊂ R, então em C [a, b] definimos o seguinte produto interno:




Z b
para todo f, g ∈ C [a, b] .

< f, g >= f (x) g(x) dx,
a

A notação: < f, g >= f · g.


A prova de que é um produto interno segue diretamente das definições. Se as funções
não forem contínuas, < , > não é um produto interno. De fato, se f não é contínua,
< f, f >= kf k2 = 0 não implica em f = 0.

Proposição 4.2. O conjunto:

W = {1, Φn , Ψn / n ∈ N}

é ortogonal em C [−l, l] , onde Φn e Ψn são dados por (4.1).

De fato: Z l
2
k1k = 1 · 1 = dx = 2 l,
−l
e: Z l
1 · Ψn = cos(λn x) dx = 0, n 6= 0.
−l

Analogamente 1 · Φn = 0, para todo n ∈ N. Por outro lado:


Z l
Ψn · Φ m = cos(λn x) sen(λn x) dx;
−l
108 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

πx π
fazendo u = , então du = dx; logo:
l l
Z π
l
Ψn · Φ m = cos(n u) sen(m u) du
π −π
Z π
l  
= sen((n + m) u) + sen((n − m) u) du
2 π −π
= 0,
se n 6= m, para todo n ∈ N.
Z l
Ψn · Ψm = cos(λn x) cos(λn x) dx;
−l
πx π
fazendo u = , então du = dx; logo:
l l
Z π
l
Ψn · Ψm = cos(n u) cos(m u) du
π −π
Z π
l  
= cos((n + m) u) + cos((n − m) u) du
2 π −π
= 0,
se n 6= m. Se n = m:
π π
l l
Z Z
2
 
Ψn · Ψn = cos (n u) du = 1 − cos(n u) du = l.
π −π 2π −π

Analogamente Φn · Φn = l, para todo n ∈ N.

Corolário 4.1.
(
0 se n 6= m
Φn · Φm =
l se n = m.



 0 se n 6= m
Ψn · Ψm = l se n = m ∈ N

2 l se n = m = 0.

Ψn · Φm = 0, ∀n, m ∈ N

Exemplo 4.3.
[1] Os polinômios de Legendre são ortogonais, isto é:

Z 1  0 se n 6= m
Pn (x) Pm (x) dx = 2
−1  se n = m.
2n + 1
[2] Analogamente, os polinômios de Hermite são ortogonais.
4.3. SÉRIES DE FOURIER 109

Corolário 4.2. Os conjuntos:

W1 = {1, Ψn / n ∈ N} e W2 = {Φn / n ∈ N}

śão ortogonais em C [0, l] , onde Φn e Ψn são dados por (4.1).

4.3 Séries de Fourier


Suponha que, inicialmente, temos a seguinte expressão formal:

a0 X 
(4.2)

f (x) = + an cos(λn x) + bn sen(λn x) ,
2
n=1


onde an , bn ∈ R e λn = .
l
Gostaríamos de poder responder às seguintes questões relativas à (4.2).

1. Dada a função f , quando é possível escrevê-la como (4.2)?

2. Que relação existe entre an , bn e f ?

3. Em que sentido a série de funções dada em (4.2) converge?

Supondo que (4.2) é valida, responderemos à segunda questão. Para isto, utilizaremos
formalmente o produto interno definido na seção anterior.

Denotemos (4.2) por:



a0 X  
f= Ψ0 + an Ψn + bn Φn .
2 n=1

onde Φn e Ψn são dados por (4.1). Utilizando a ortogonalidade:



a0 X  a0
f · Ψ0 = Ψ0 · Ψ0 + an Ψn · Ψ0 + bn Φn · Ψ0 = Ψ0 · Ψ0 = a0 l.
2 2
n=1

1  1
Logo, a0 = f · 1 , então:

f · Ψ0 =
l l
l
1
Z
a0 = f (x) dx.
l −l

Fixemos m ∈ N; então:

a0 X  
f · Ψm = 1 · Ψm + an Ψn · Ψm + bn Φn · Ψm .
2 n=1

Pela ortogonalidade, temos:

f · Ψm = am Ψm · Ψm = am l
110 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

para todo m ∈ N; então:

1 l 1 l
Z Z
an = f (x) Ψn (x) dx = f (x) cos(λn x), dx n = 1, 2, . . .
l −l l −l
Analogamente, pela ortogonalidade, temos:
f · Φ m = bm Φ m · Φ m = bm l
para todo m ∈ N; então:

1 l 1 l
Z Z
bn = f (x) Φn (x) dx = f (x) sen(λn x) dx, n = 1, 2, . . .
l −l l −l

Se f pode ser escrita como em (4.2), então:


1. f deve ser periódica de período 2 l.
2. As constantes an e bn tem a propriedade:
Z l
1 l 1 l

1
Z Z
|an | =
f (x) Ψn (x) dx ≤
|f (x)| |Ψn (x)| dx ≤ |f (x)| dx
l −l l −l l −l
Z l
1 l 1 l

1
Z Z
|bn | =
f (x) Φn (x) dx ≤
|f (x)| |Φn (x)| dx ≤ |f (x)| dx.
l −l l −l l −l
Logo:
l l
1 1
Z Z
|an | ≤ |f (x)| dx e |bn | ≤ |f (x)| dx.
l −l l −l
Isto é, se f é absolutamente integrável em [−l, l], então garantiremos a existência de an
e bn .

Algumas observações básicas sobre integrabilidade de funções reais


1. Se f for integrável e limitada, então f é absolutamente integrável. A recíproca é falsa,
por exemplo, seja: (
1 se x ∈ Q
f (x) =
−1 se x ∈ / Q.
f não é integrável em [0, 1], mas |f (x)| = 1, para todo x ∈ [0, 1] e é integrável em [0, 1].

2. Se f não é limitada, a integrabilidade de f não implica em que f seja absolutamente


integrável.

3. Logo, existem funções integráveis que não são absolutamente integráveis e funções
não integráveis que são absolutamente integráveis.

4. Se f e |f | são integráveis, diremos que f está nas condições de Fourier.

5. A maioria das funções utilizadas nas aplicações satisfazem à condição de Fourier.


Denotemos por Cper o conjunto das funções periódicas de período fundamental 2 l.
4.3. SÉRIES DE FOURIER 111

Definição 4.3. Seja f ∈ Cper satisfazendo às condições de Fourier. A série de Fourier de f é


denotada e definida por:

a0 X  nπx nπx 
S[f ] = + an cos( ) + bn sen( ) ,
2 l l
n=1

onde:
l
1
Z
a0 = f (x) dx,
l −l
Z l
1 nπx
an = f (x) cos( ) dx, n = 1, 2, . . .
l −l l
Z l
1 nπx
bn = f (x) sen( ) dx, n = 1, 2, . . .
l −l l

Os coeficientes an e bn são ditos de Fourier da série.

A seguinte propriedade simplifica o cálculo de S[f ] quando f possui alguns tipos de


simetria. Para a prova veja [VC1].
Seja f integrável em [−l, l], se f é par, então:
Z l Z l
f (x) dx = 2 f (x) dx.
−l 0

Se f é ímpar, então:
Z l
f (x) dx = 0.
−l

Corolário 4.3. Seja f ∈ Cper , nas condições de Fourier e λn = .:
l
1. Se f é par, isto é, simétrica em relação ao eixo dos y, então bn = 0 para todo n ∈ N, logo:

a0 X
S[f ] = + an cos(λn x), onde
2
n=1
2 l
Z
an = f (x) cos(λn x) dx, n = 0, 1, 2, . . . .
l 0

2. Se f é ímpar, isto é, simétrica em relação à origem, então an = 0 para todo n ≥ 0, logo:



X
S[f ] = bn sen(λn x), onde
n=1
l
2
Z
bn = f (x) sen (λn x) dx, n = 1, 2, . . .
l 0
112 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Exemplo 4.4.
[1] Ache S[f ] se f (x) = |x| x ∈ [−l, l], e é tal que f (x) = f (x + 2 l).

Figura 4.6: Gráfico de f (x) = |x|, periódica.

f está nas condições de Fourier e é par; logo bn = 0, para todo n = 1, 2, . . . e:


2 l
Z
a0 = x dx = l e
l 0
2 l 2l 
Z
x cos(λn x) dx = 2 2 (1)n − 1 .

an =
l 0 n π
4l
Logo a2n = 0 e a2n−1 = − ; então:
π 2 (2 n− 1)2

l X 4l (2 n − 1) π x
S[f ] = − cos( ).
2 n=1 π 2 (2 n − 1)2 l

[2] Ache S[f ] se f (x) = x, x ∈ [−1, 1], e é tal que f (x) = f (x + 2).

-4 -2 2 4

-1

Figura 4.7: Gráfico de f (x) = x, periódica.

f está nas condições de Fourier; 2 l = 2, então l = 1 e f é ímpar; logo an = 0, para


todo n = 0, 1, 2, . . . e:
2 (−1)n+1
Z 1

bn = 2 x sen n π x dx = .
0 nπ
4.3. SÉRIES DE FOURIER 113

Logo:

X 2 (−1)n+1
S[f ] = sen(n π x).

n=1

Sejam as seguintes somas parciais de S[f ]

2 
S1 (x) = sen π x
π
2  1  2  1 
S4 (x) = sen π x − sen 2 π x + sen 3 π x − sen 4 π x .
π π 3π 2π

Observe o comportamento de f , S1 e S4 nos respectivos gráficos:

-1 1

-1

Figura 4.8: Gráficos de f (x) = x (azul), S2 (verde) e S4 (vermelho).

[3] Ache S[f ] se:


(
1 se 0 ≤ x ≤ π
f (x) =
0 se − π ≤ x < 0,

e é tal que f (x) = f (x + 2 π).

-3 -2 -1 1 2 3

Figura 4.9: Gráfico de f do exemplo [3].


114 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Se 2 l = 2 π, então l = π; logo:
Z π
1 1 π
Z
a0 = f (x) dx = dx = 1 e
π −π π 0
Z π Z π
1 1
an = f (x) cos(n x) dx = cos(n x) dx = 0
π −π π 0
Z π
1 1 π 1 
Z
1 − (1)n .

bn = f (x) sen(n x) dx = sen(n x) dx =
π −π π 0 nπ

2
Logo b2n = 0 e b2n−1 = ; então:
π (2 n − 1)

1 X 2
S[f ] = + sen((2 n − 1) x).
2 π (2 n − 1)
n=1

-1 1

Figura 4.10: Gráficos de S5 e S50 .

[4] Ache S[f ] se (


0 se −π ≤x<0
f (x) =
x se 0 ≤ x ≤ π,
e é tal que f (x) = f (x + 2 π).

-5 5

Figura 4.11: Gráfico de f do exemplo [4].


4.3. SÉRIES DE FOURIER 115

2 l = 2 π, então l = π; f não é par nem ímpar:


Z π
1 1 π π
Z
a0 = f (x) dx = x dx =
π −π π 0 2
Z π Z π
1 1 (−1)n − 1
an = f (x) cos(n x) dx = x cos(n x) dx =
π −π π 0 n2 π
Z π Z π
1 1 (−1)n+1
bn = f (x) sen(n x) dx = x sen(n x) dx = .
π −π π 0 n
2
Logo, a2n = 0 e a2n−1 = − :
π (2 n − 1)2
∞ 
 (−1)n+1

π X 2 
S[f ] = − cos (2 n − 1) x − sen n x .
4 π (2 n − 1)2 n
n=1

Observe o comportamento de f e S4 (x):


p

-p p

Figura 4.12: Gráfico de f (vermelho) e S4 (azul).

[5] Ache S[f ] se f (x) = |sen π x |, x ∈ [−1, 1] e é tal que f (x) = f (x + 2).


-2 -1 0 1 2

Figura 4.13: Gráfico de f do exemplo [5].

2 l = 2, então l = 1; f é par, logo, bn = 0 para todo n = 1, 2 . . ., l = 1:


Z 1
 4
a0 = 2 sen π x dx =
0 π
116 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER
Z 1 
an = 2 sen π x cos(n π x) dx
0
Z 1  
= sen (n + 1) π x + sen (n − 1) π x dx
0
2 ((−1)n + 1)
=− ,
(n2 − 1) π
se n 6= 1, calculando diretamente, temos:
Z 1

a1 = 2 sen π x cos(π x) dx = 0.
0
4
Por outro lado a2n+1 = 0 e a2n = − . Logo:
π (1 − 4 n2 )

2 X 4 
S[f ] = − cos 2 n π x .
π π (1 − 4 n2 )
n=1

Observe o comportamento de f e S2 (x). Compare como o comportamento nos outros


exemplos:

Figura 4.14: Gráfico de f (verde) e S2 (azul).

[6] Ache S[f ] se f (x) = x2 + 2 x, x ∈ [−1, 1] e é tal que f (x) = f (x + 2).

-4 -2 2 4

Figura 4.15: Gráfico de f do exemplo [5].


4.4. LINEARIDADE DOS COEFICIENTES DE FOURIER 117

2 l = 2, então l = 1; f não é par ou ímpar, logo:


1
2
Z

a0 = sen π x dx = .
−1 3

1
4 (−1)n
Z
(x2 + 2 x) cos(n π x) dx = 2 2
 
an =
−1 π n
4 (−1)n+1
Z 1
 2 
bn = (x + 2 x) sen(n π x) dx = .
−1 nπ

Logo:

1 4 (−1)n X  cos(n π x) 
S[f ] = + − sen(n π x) .
3 πn πn
n=1

4.4 Linearidade dos Coeficientes de Fourier


Sabemos que os coeficientes de Fourier de S[f ] dependem somente de f . Sendo calcu-
lados através de uma integral, resulta que estes coeficientes dependem linearmente da
função; se denotamos por an (f ) e bn (f ) os coeficientes de S[f ], então:

an α f + β g = α an (f ) + β an (g), n = 0, 1, . . .

bn α f + β g = α bn (f ) + β bn (g), n = 1, 2, . . .

para toda f e g nas condições de Fourier e todo α, β ∈ R.

Exemplo 4.5.
l
[1] Calcule S[h], onde h(x) = − |x|, x ∈ [−l, l] é tal que h(x + 2 l) = h(x).
2
Seja f (x) = |x|, x ∈ [−l, l] é tal que f (x + 2 l) = f (x); sabemos que sua série de Fourier é:

l X 4l
S[f ] = − cos(λ2n−1 x).
2 π 2 (2 n − 1)2
n=1

Utilizando a linearidade dos coeficientes de Fourier:


4l
a0 (f ) = l, an (f ) = − e bn (f ) = 0
(2 n − 1)2 π 2

para todo n ∈ N; então:


 
l l
a0 (h) = a0 − |x| = a0 (1) − a0 (f ) = l − l = 0
2 2
 
l l
an (h) = an − |x| = an (1) − an (f ) = − an (f ), n = 0, 1, . . .
2 2
bn (h) = bn (1) − bn (f ) = 0, n = 1, 2, . . .
118 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Note que h é par; logo:


X 4l
S[h] = cos(λ2n−1 x).
π 2 (2 n− 1)2
n=1

-2 -1 1 2

Figura 4.16: Gráfico de h para l = 1.

[2] Calcule S[h], onde h(x) = 2 x2 − x, x ∈ [−l, l] e tal que h(x + 2) = h(x).

Pela linearidade dos coeficientes de Fourier, devemos somente calcular a série de Fourier
de f (x) = x2 , x ∈ [−l, l] e tal que f (x + 2) = f (x); l = 1 e f é par:

1
2
Z
a0 = 2 x2 dx =
0 3
bn = 0, n = 1, 2, . . .
4 (−1)n
Z 1
an = 2 x2 cos(n π x) dx = 2 2 n = 1, 2, . . .
0 n π

Por outro lado, seja g(x) = x, x ∈ [−l, l] e tal que g(x + 2) = g(x); sabemos que g é ímpar
e sua série de Fourier é:

X 2 (−1)n+1 
S[g] = sen n π x .
n=1

Então:

4
a0 (h) = 2 a0 (f ) − a0 (g) = 2 a0 (f ) =
3
8 (−1)n
an (h) = 2 an (f ) − an (g) = 2 an (f ) = 2 2 , n = 1, 2, . . .
n π
2 (−1)n+1 2 (−1)n
bn (h) = 2 bn (f ) − bn (g) = −bn (g) = − = , n = 1, 2, . . .
nπ nπ

Logo:

2 X 2 (−1)n+1 4
 
S[h] = + cos(n π x) + sen(n π x) .
3 nπ nπ
n=1
4.5. EXTENSÃO PAR E ÍMPAR 119

-3 -1 1 3

Figura 4.17: Gráfico de h.

4.5 Extensão Par e Ímpar


Considere o seguinte problema: Dada uma função:

f : [0, l] −→ R,

é possível definir S[f ]?


Para responder a esta questão, lembramos primeiramente que os conjuntos

W1 = {1, Ψn / n ∈ N} e W2 = {Φn / n ∈ N}

são ortogonais em C [0, l] , onde Φn e Ψn são dados por (4.1).




Definição 4.4. Seja f : [0, l] −→ R:

1. A extensão par de f é denotada e definida por:


(
f (x) se 0 ≤ x ≤ l
fp (x) =
f (−x) se − l ≤ x < 0.

fp (−x) = fp (x), isto é, fp é par.

Figura 4.18: Gráficos de f (azul) e fp .


120 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

2. A extensão ímpar de f é denotada e definida por:


(
f (x) se 0≤x≤l
fo (x) =
−f (−x) se − l ≤ x < 0.

fo (−x) = −fo (x), isto é, fo é ímpar.

Figura 4.19: Gráficos de f (azul) e fo .

Exemplo 4.6.
 π
x se 0 ≤ x <
Considere a função: f (x) = π 2
π − x se ≤ x < π.
2
Então:  π
 −x se − ≤x<0
2


 π
se

π + x

−π ≤x<−
fp (x) = π 2
 x se 0≤x<
2


 π
se

π − x
 ≤ x < π.
2

p
2

p p
2

Figura 4.20: Gráficos de f (azul) e fp .


4.5. EXTENSÃO PAR E ÍMPAR 121

 π π
x se − ≤x<
2 2 π



fo (x) = −π − x se −π ≤x<−
 π 2
se

π − x

≤ x < π.
2

p
2

p p
2

Figura 4.21: Gráficos de f (azul) e fo .

As funções fp , fo : [−l, l] −→ R são tais que fp (x) = fo (x) = f (x) se x ∈ [0, l]. Se f está
nas condições de Fourier, então fp e f0 satisfazem às condições de Fourier.
Se f é definida num intervalo I do tipo [a, b) ou (a, b], então podemos estender f para
todo R de forma periódica de período T = b − a, fazendo f (x + k T ) = f (x) para todo
x ∈ I e k ∈ Z. Por exemplo:

Exemplo 4.7.
π π
A função f (x) = sen(x), − ≤ x ≤ pode ser estendida de forma periódica de período
2 2
π para todo x ∈ R e seu gráfico é:

-2 p -p p 2p

-1

Figura 4.22: Gráficos de f (vermelho) e sua extensão.

Considerando fp e fo periódicas de período 2 l e satisfazendo às condições de Fourier,


podemos definir as respectivas séries de Fourier.
122 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

4.6 Séries dos Co-senos e dos Senos


4.6.1 Séries dos Co-senos
Seja f : [0, l] −→ R e fp sua extensão par, periódica de período 2 l e nas condições de
Fourier; então:

a0 X
S[fp ] = + an cos(λn x),
2
n=1

onde:
l l
1 2
Z Z
an = fp (x) cos(λn x) dx = f (x) cos(λn x) dx, n = 1, 2, . . .
l −l l 0


tal que λn = . Na última integral utilizamos o fato de que fp = f em [0, l].
l

4.6.2 Séries dos Senos


Seja f : [0, l] −→ R e fo sua extensão ímpar, periódica de período 2 l e nas condições de
Fourier; então:

X
S[fo ] = an sen(λn x),
n=1

onde:
l l
1 2
Z Z
bn = f0 (x) sen(λn x) dx = f (x) sen(λn x)) dx, n = 1, 2, . . .
l −l l 0


tal que λn = . Na última integral utilizamos o fato de que f0 = f em [0, l].
l

Definição 4.5. S[fp ] é dita a série dos co-senos de f ; analogamente, S[fo ] é dita a série dos senos
de f .

Como, f = fp = fo em [0, l], definimos a série de Fourier de f como:

S[f ] = S[fp ], ou S[f ] = S[fo ].

Exemplo 4.8.

[1] Seja f (x) = x tal que x ∈ [0, 1]. Ache S[f ].


Determinemos fp : (
x se 0 ≤ x ≤ 1
fp (x) =
−x se − 1 ≤ x < 0,
isto é, fp (x) = |x| onde x ∈ [−1, 1]; fazendo fp periódica de período 2:
4.6. SÉRIES DOS CO-SENOS E DOS SENOS 123

Figura 4.23: Gráfico de fp .

l = 1, então a0 = 1 e:

2 (−1)n − 1
Z 1

an = 2 x cos n π x) dx = .
0 n2 π 2

4
Logo a2n = 0 e a2n−1 = − e a série dos co-senos de f é:
π 2 (2 n − 1)2

1 X 4
S[fp ] = − cos (2 n − 1) π x).
2 n=1 π 2 (2 n − 1)2

Determinemos f0 : (
x se 0 ≤ x ≤ 1
f0 (x) =
x se − 1 ≤ x < 0,

isto é, f0 (x) = x onde x ∈ [−1, 1]; fazendo fo periódica de período 2:

-4 -2 2 4

-1

Figura 4.24: Gráfico de fo .

l = 1, então:
1
2 (−1)n+1
Z
bn = 2 x sen n π x) dx = .
0 nπ
124 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Logo, a série dos senos de f é:


X 2 (−1)n+1
S[fo ] = sen n π x).

n=1

Observe que S[f0 ] não é igual a f no ponto x = 1.

[2] Seja f (x) = x2 tal que x ∈ [0, π]. Ache S[f ].

Determinemos fp :
(
x2 se 0 ≤ x ≤ π
fp (x) =
(−x)2 se − π ≤ x < 0,

isto é, fp (x) = x2 onde x ∈ [−π, π]; fazendo fp periódica de período 2 pi:

Figura 4.25: Gráfico de fp .

2 π2
l = π, então a0 = e:
3
π
2 4 (−1)n+1
Z
an x2 cos n x) dx = .
π 0 n2

Logo, a série dos co-senos de f é:


π 2 X 4 (−1)n+1
S[fp ] = − cos(n x).
3 n2
n=1

Determinemos f0 :
(
x2 se 0 ≤ x ≤ π
f0 (x) =
−x2 se − π ≤ x < 0,

onde x ∈ [−π, π]; fazendo fo periódica de período 2 pi:


4.7. CONTINUIDADE E DIFERENCIABILIDADE POR PARTES 125

Figura 4.26: Gráfico de fo .

l = π, então:
π
2 2 [−2 + (−1)n+1 (2 − n2 π 2 )]
Z
bn = x2 sen x) dx = .
π 0 n3 π

Logo, a série dos senos de f é:



X 2 [−2 + (−1)n+1 (2 − n2 π 2 )]
S[fo ] = sen(n x).
n3 π
n=1

4.7 Continuidade e Diferenciabilidade por Partes


4.7.1 Continuidade por Partes
Definição 4.6. O salto de uma função f no ponto x0 é denotado e definido por:

sal(f )(x0 ) = f (x+ −


0 ) − f (x0 ),

onde f (x+ −
0 ) = lim f (x) e f (x0 ) = lim f (x).
x−→x+
0 x−→x−
0

sal(f)(x 0)

x0

Figura 4.27: Salto de uma função.

Se f é contínua em x0 , então sal(f )(x0 ) = 0.


126 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Definição 4.7. Uma função f é contínua por partes se:

1. f tem um número finito de descontinuidades em qualque intervalo limitado e

2. sal(f )(x) é finito para todo x ∈ R.

Se f é contínua, então f é contínua por partes. Se f e g são contínuas por partes, então
f + g e f g são contínuas por partes. Se f é contínua por partes em [−l, l] e é tal que
f (x + 2 l) = f (x), então f é contínua por partes em R.
As funções contínuas por partes em [a, b] são limitadas e integráveis em [a, b]. Logo,
satisfazem à condição de Fourier.

Exemplo 4.9.

[1] Considere a função f (x) = sign(x), o sinal de x:

-3 -2 -1 1 2 3

-1

Figura 4.28: Gráfico de f (x) = sign(x)

f (x) = sign(x) é contínua por partes, pois só tem uma descontinuidade em x0 = 0 e


sal(f )(0) = 2.
1
[2] A função f (x) = , x ∈ R − {0} não é contínua por partes, pois sal(f )(0) não existe.
x

1
Figura 4.29: Gráfico de f (x) =
x
4.8. CONVERGÊNCIAS 127

4.7.2 Diferenciabilidade por Partes


Definição 4.8. Uma função f é diferenciável por partes se:

1. f é contínua por partes e

2. f ′ é contínua por partes.

Exemplo 4.10.
[1] A função f (x) = |x| é diferenciável por partes em x0 = 0. Pois:
(
′ 1 se 0 < x
f (x) =
−1 se 0 > x,

é contínua por partes.



[2] A função f (x) = x2 , |x| ≤ 1 é contínua e não é diferenciável por partes em x0 = 0.
3

De fato:
2
f ′ (x) = √ ,
3 3x
se x 6= 0. Logo, f ′ (0+ ) e f ′ (0− ) não existem.

Figura 4.30: Gráfico de f (x) = x2/3

f ′ não está necessariamente definida em todos os pontos; por exemplo, f ′ não pode existir
onde f seja descontínua, mas f ′ também pode não existir ainda nos pontos onde f é
contínua. Veja o exemplo anterior.

4.8 Convergências
4.8.1 Convergência Pontual
Teorema 4.4. (Dirichlet) Seja f ∈ Cper diferenciável por partes; então, para cada x:

f (x+ ) + f (x− )
S[f ](x) = .
2
128 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Corolário 4.5. Seja f ∈ Cper diferenciável por partes; então, para cada x onde f for contínua:

S[f ](x) = f (x).

Exemplo 4.11.
[1] Seja: (
1 se 0 ≤ x ≤ π
f (x) =
0 se −π ≤ x < 0,
tal que f (x) = f (x + 2):
(a) Esboce o gráfico da série de Fourier de f .
(b) Utilize S[f ] para determina a soma:

X (−1)n+1
n=1
2n − 1

Figura 4.31: Gráfico de f (x)

(a) Como f é diferenciável por partes, pelo teorema de Dirichlet S[f ](x) = f (x) se x 6= n π
1
e n ∈ Z. Por outro lado, para todo x0 = n π tal que n ∈ Z, sal(f )(x0 ) = . Logo, o gráfico
2
de S[f ] é:

Figura 4.32: Gráfico de S[f ]


4.8. CONVERGÊNCIAS 129

(b) Determinemos S[f ]:

a0 = 1
Z π
1
an = cos(n x) dx = 0
π 0
1 − (−1)n
Z π 
1
bn = sen(n x) dx = .
π 0 nπ
2
Logo, b2n = 0 e b2n−1 = e:
(2 n − 1)π

1 X 2 
S[f ] = + sen (2 n − 1) π x .
2 (2 n − 1)π
n=1
π
f é diferenciável por partes e contínua em x0 = ; então, aplicando o teorema, temos:
2 
S[f ](x0 ) = f (x0 ) = 1. Utilizando que sen (2 n − 1) π x = −cos(n π) = (−1)n+1 , temos:

1 X 2 (−1)n+1
1= + .
2 n=1 (2 n − 1)π

Isto é:

X (−1)n+1 π
= .
2n − 1 4
n=1

[2] Utilize a série de Fourier de f (x) = x2 , x ∈ [−l, l] e f (x) = f (x + 2 l) para calcular a



X 1
soma da série .
n2
n=1

Figura 4.33: Gráfico de f

Como f é par bn = 0 para todo n ∈ N. Por outro lado:

2 l 2 2 l2
Z
a0 = x dx =
l 0 3
Z l
2 n π x 4 l2 (−1)n
an = x2 cos dx = , n ∈ N.
l 0 l n2 π 2
130 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER


l2 X 4 l2 (−1)n n π x
Logo, S[f ] = + cos . Aplicando o teorema para x0 = l :
3 n2 π 2 l
n=1

l2 4 l2 X 1
l2 = + 2 .
3 π n2
n=1

Isto é:

X 1 π2
= .
n=1
n2 6
[3] Utilize a série de Fourier de f (x) = ex , x ∈ [−π, π] e f (x) = f (x + 2 π) para calcular a

X 1
soma da série 2+1
.
n=1
n

-4 -2 2 4

Figura 4.34: Gráfico do exemplo [3]

Como f não é par ou ímpar:


Z π
1 1 2 senh(π)
a0 = ex dx = (eπ − e−π ) =
π −π π π

π
1 (−1)n 2 (−1)n senh(π)
Z
an = ex cos(n x) dx = (eπ
− e−π
) = , n = 1, 2, . . .
π −π π (n2 + 1) π (n2 + 1)

π
1 2 (−1)n n senh(π)
Z
bn = ex sen(n x) dx = − , n = 1, 2, . . .
π −π π (n2 + 1)
Logo:

(−1)n 
 
senh(π) X 
S[f ] = 1+2 cos(n x) − n sen(n x) .
π n2 + 1
n=1

f (π + ) + (π − )
Aplicando o teorema para x0 = π, temos que = cosh(π) ; logo:
2
∞ ∞
2 senh(π) 1 X (−1)n
   
2 senh(π) 1 X 1
cosh(π) = + cos(n π) = + .
π 2 n2 + 1 π 2 n2 + 1
n=1 n=1
4.8. CONVERGÊNCIAS 131

Isto é:
∞  
X 1 1 π
= −1 .
n=1
n2 + 1 2 tgh(π)

4.8.2 Convergência Uniforme


O seguinte teorema segue diretamente do teste M de Weierstrass, temos:

X ∞ ∞
  X X
an cos(λn x) + bn sen(λn x) ≤ an cos(λn x) + bn sen(λn x) ≤ an + bn ,
n=1 n=1 n=1


onde λn = . Então:
l

Teorema 4.6. A série de Fourier S[f ] tal que f ∈ Cper está nas condições de Fourier, converge
absolutamente e uniformenente a f no intervalo [−l, l] se:

X 
|an | + bn |
n=1

converge e, neste caso f = S[f ] .

Exemplo 4.12.

Seja f (x) = |x|, x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2); então, para todo n = 1, 2, . . . bn = 0,
4
a1 = 1 e a2n = − 2 .
π (2 n − 1)2

1 X 4
S[f ] = − cos((2 n − 1) π x).
2 π 2 (2 n − 1)2
n=1

Por outro lado:


∞ ∞
X  X 1
|an | + bn | = 2
.
n=1 n=1
(2 n − 1)

Como a última série é convergente, temos que S[f ] converge uniformemente a |x| em
[−1, 1], na verdade em R, logo:

1 X 4 
|x| = − 2 2
cos (2 n − 1) π x .
2 π (2 n − 1)
n=1

Observações sobres os coeficientes de S[f ]

Com a hipótese de f ∈ Cper e estar nas condições de Fourier, nos parágrafos anteriores,
obtivemos:
132 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

l
1
Z
|an | ≤ |f (x)| dx
l −l
Z l
1
|bn | ≤ |f (x)| dx.
l −l

Suponhamos que f ∈ Cper e que f ′ está nas condições de Fourier, então, integramos por
partes:

1 l
Z
(1) an = f (x) Ψn (x) dx
l −l
1 l
Z
(2) bn = f (x) Φn (x) dx.
l −l

Logo, (1):
l l
1 1 1
Z Z
l
an = f (x) Φ(x) −l − f ′ (x) Φ(x) dx = − f ′ (x) Φ(x) dx,
nπ nπ −l nπ −l

tomando valor absoluto:


l
1
Z
|an | ≤ |f ′ (x)| dx.
nπ −l
Analogamente:
l
1
Z
|bn | ≤ |f ′ (x)| dx.
nπ −l

Suponhamos que f ∈ Cper , que f ′ é contínua e que f ′′ está nas condições de Fourier.
Voltando a integrar por partes, obtemos:
Z l Z l
l l
|an | ≤ 2 2 |f (x)| dx e |bn | ≤ 2 2
′′
|f ′′ (x)| dx.
n π −l n π −l
Z l
l
Como f está nas condições de Fourier, denotamos a constante 2
′′ |f ′′ (x)| dx por M ,
π −l
logo:
M M
|an | ≤ 2 e |bn | ≤ 2 .
n n
Então:
an cos(λn x) + bn sen(λn x) ≤ |an | + |bn | ≤ 2 M ;

n2

X 1
como converge, pelo teorema, a série S[f ] converge uniformemente a f .
n=1
n2
As condições impostas anteriormente a f são muito restritivas e deixam de fora uma
grande quantidade de exemplos interessantes. O seguinte teorema nos diz com que classe
de funções ainda é possível obter convergência uniforme.
4.8. CONVERGÊNCIAS 133

Teorema 4.7. Se f ∈ Cper é contínua por partes e f ′ está nas condições de Fourier, então S[f ]
converge uniformemente para f em todo intervalo fechado que não contenha pontos de desconti-
nuidade de f .

Em particular, se f (−l) 6= f (l), então S[f ] não pode convergir para f . Se f ∈ Cper é
contínua e diferenciável por partes, então S[f ] converge uniformemente para f em todo
R.
Se f é definida em (−l, l) e a extensão periódica de f satisfaz às condições do teorema,
então S[f ] converge uniformemente para f em [−l, l].

Exemplo 4.13.
[1] A função f (x) = |sen(x)|, x ∈ [−π, π] tal que f (x) = f (x + 2 π) é contínua e diferen-
ciável por partes; logo S[f ] converge uniformemente a f .
[2] Considere a função f (x) = x, x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2); logo S[f ] não
converge uniformemente para f , pois f (−1) 6= f (1).
Teorema 4.8. Se f é definida em (−l, l) é é contínua por partes, f ′ está nas condições de Fourier
e f (l− ) = f (l+ ), então S[f ] converge uniformemente para f em [−l, l].

Uma função periódica ímpar é contínua se f (0) = f (−l) = f (l) = 0, então a extensão
ímpar de uma função definida em (0, l) pode ter descontinuidades. As extensões pares
não apresentam esta dificuldade.
Corolário 4.9.

1. Se f é definida em (0, l) e é contínua por partes, f ′ está nas condições de Fourier e f (l− ) =
f (l+ ) = 0, então a série dos senos de f converge uniformemente para f em [−0, l].

2. Se f é definida em (0, l) e é é contínua por partes e f ′ está nas condições de Fourier, então a
série dos co-senos de f converge uniformemente para f em [−0, l].

Note a diferença do comportamento das somas parciais das séries de Fourier em relação
à função quando S[f ] converge uniformemente ou não para f :

1. Seja f (x) = |x|, x ∈ [−1, 1]. A série S[f ] converge uniformemente em [−1, 1]; dese-
nhos de f (azul) S1 e S2 (vermelho), respectivamente:

1 1

-1 1 -1 1
134 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

2. Seja f (x) = x, x ∈ [−1, 1]. S[f ] não converge uniformemente em [−1, 1]; desenhos
de f (azul) S1 e S3 (vermelho), respectivamente:

1 1

-1 1 -1 1

-1 -1

Teorema 4.10. Se f ∈ Cper é contínua por partes e diferenciável por partes, então a série de
Fourier de f é única.

4.8.3 Fenômeno de Gibbs


Nos parágrafos anteriores observamos que se existir um ponto de descontinuidade de f
num intervalo, a série de Fourier S[f ] não converge uniformemente a f nesse intervalo.
Na vizinhança de um ponto de descontinuidade de f , as somas parciais de S[f ] não
ficam próximas de f ; pelo contrário, tem um comportamento oscilatório. Na verdade,
na vizinhança de um ponto de descontinuidade, o valor de f e das somas parciais de
S[f ] diferem num valor aproximado de 9% do valor do salto na descontinuidade. Este
comportamento é conhecido com o nome de fenômeno de Gibbs.
Definindo ωn (x0 ), a oscilação da soma parcial de ordem n de S[f ], no ponto de descon-
tinuidade x0 , como a diferença entre o máximo e o mínimo da soma parcial de ordem n
no ponto x0 , Gibbs observou que o valor desta oscilação não se aproxima do sal(f )(x) se
x ∈ (x0 − ε, x0 + ε), não importando se ε é arbitrariamente pequeno. Vejamos o seguinte
exemplo.

Exemplo 4.14.

Seja (
1 se 0 ≤ x ≤ π
f (x) =
−1 se −π ≤ x < 0.
tal que f (x) = f (x + 2 π):
Consideremos a seguinte soma parcial de S[f ]:
n
X 4 
Sn = sen (2 k − 1) x .
(2 k − 1) π
k=1

Observemos os gráficos de f e da somas:


4.8. CONVERGÊNCIAS 135

4  
S1 = sen(x)
π  
4 sen(3 x)
S2 = sen(x) +
π 3
 
4 sen(3 x) sen(5 x)
S3 = sen(x) + +
π 3 5
 
4 sen(3 x) sen(5 x) sen(7 x)
S4 = sen(x) + + +
π 3 5 7
A seguir os gráficos de f (vermelho) e Sn (azul) para n = 1, 2, 3, 4, no intervalo [−π, π]:

1 1

-3 -2 -1 1 2 3 -3 -2 -1 1 2 3

-1 -1

1 1

-3 -2 -1 1 2 3 -3 -2 -1 1 2 3

-1 -1

Note que nos desenhos verifica-se o teorema de Dirichlet. Nos seguintes desenhos o
gráfico de f e S100 :

-3 -2 -1 1 2 3

-1
136 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

Nos seguintes desenhos um zoom dos desenhos anteriores

1.03
1
1.02

1.01

0.2 0.4 0.6 0.8


0.99

0.98

0.97
0.2 0.4 0.6 0.8

1 +
Note que sal(0) = 2 e f (0 ) + f (0− ) = 0. É possível provar que o ponto de máximo

2
π
mais próximo pela direita de 0 é x = e que:
2n
π  2
lim S2n−1 = Si(π) ≃ 1.1789 . . .
n→+∞ 2n π
x
sen(t)
Z
onde Si(x) = dt. Por outro lado f (0) = 1, ou seja excede em, aproximada-
0 t
mente, 0.18, isto é 9% do sal(0) = 2.

4.9 Integração e Derivação das Séries de Fourier


Sabemos que se uma série de funções converge uniformemente para uma função, então, a
função preserva as mesmas propriedades das funções que formam a série. Mas, as séries
de Fourier pussuem a seguinte propriedade notável:

Proposição 4.3. Se f ∈ Cper é contínua por partes, então:

1. S[f ] pode ser integrada termo a termo:

x ∞ Z x Z x
a0
Z X  
f (t) dt = (x − a) + an cos(λn t) dt + bn sen(λn t) dt ,
a 2 n=1 a a


onde a, x ∈ [−l, l] e λn = .
l
x
a0 
Z
2. A função F (x) = f (t) − dt é periódica de período 2 l, contínua e F ′ é contínua
0 2
por partes, e:

x ∞ ∞
a0  l X bn l X 1
Z

f (t) − dt = + − bn cos(λn x) + an sen(λn x) .
0 2 π n π n
n=1 n=1

Este resultado é notável pois vale mesmo que S[f ] não convirga para f .
4.9. INTEGRAÇÃO E DERIVAÇÃO DAS SÉRIES DE FOURIER 137

De fato, F é contínua, pelo teorema fundamental do cálculo e F ′ (x) = f (x) se f for


contínua. F é periódica de período 2 l, logo:

c0 X  
F (x) = + cn Ψn + dn Φn .
2
n=1

Integrado por partes, relacionaremos os coeficientes de Fourier de F com os de f :


 l Z l 
1 l l l
cn = F (x) Φn − F ′ (x) Φn dx = − bn ,
l nπ −l n π −l n π
se n > 1. Analogamente:
l
an , dn =

se n > 1. Como F (0) = 0, da série de Fourier de F , temos:

c0 X
0= + cn ,
2
n=1

2 l X bn
ou seja, c0 = , isto é:
π n
n=1
∞ Z l
l X bn 1
= F (x) dx.
π n 2 l −l
n=1

X bn
A série é, necessariamente, convergente.
n
n=1
O teorema se aplica da seguinte forma. Se:

a0 X  
S[f ] = + an cos(λn x) + bn sen(λn x) ,
2
n=1

entâo:
x 2l ∞
a0  1 l X  bn an
Z Z

F (x) = f (t) − = F (x) dx + − cos(λn x) + sen(λn x) ,
0 2 2l 0 π n=1 n n

Exemplo 4.15.
[1] A série

X sen(n x)
ln(n)
n=2
é uma série de Fourier?
A resposta é não, pois a série:
∞ ∞
X bn X 1
=
n n ln(n)
n=1 n=1
138 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

é divergente.

-2 -1 1 2

-2

-4

-6

Figura 4.35: Gráfico de S20 , do exmplo [1].

[2] Sabemos que



X 2 (−1)n+1
x= sen(n x),
n=1
n

2 (−1)n+1
se x ∈ (−π, π). Como an = 0 e bn = , então:
n
Z π Z π Z x
π2

1 1
F (x) dx = t dt dx = .
2 π −π 2 π −π 0 6

Logo:

x2 π 2 X 2 (−1)n
= + 2
cos(n x).
2 6 n=1
n

Integrando novamente:

x3 π 2 x X 2 (−1)n
− = sen(n x).
6 6 n3
n=1

Proposição 4.4. Se f ∈ Cper é contínua por partes e diferenciável por partes, então:
′
S[f ′ ] = S[f ] .

Isto é, S[f ] pode ser derivada termo a termo.

Exemplo 4.16.

Sabemos que f (x) = |x|, x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2), é contínua por partes,
diferenciável por partes e:

1 X 4 
|x| = + cos (2 n − 1) π x .
2 π 2 (2 n − 1)2
n=1
4.10. CONVERGÊNCIA EM MÉDIA 139
(
1 se 0 < x < 1
Então a série de Fourier de f ′ (x) = é:
−1 se −1 < x < 0



X 4 
S[f ] = − sen (2 n − 1) π x .
(1 − 2 n) π
n=1

Note que a série não converge nos pontos onde f ′′ não existe.

4.10 Convergência em Média


Uma função f : [a, b] −→ R é dita de quadrado integrável se:
Z b
|f (x)|2 dx < +∞.
a

Observações 4.1.

1. Se f for limitada e integrável sobre [a, b], então é de quadrado integravél sobre [a, b].
De fato, se f é limitada, existe k > 0 tal que |f (x)| ≤ k para todo x ∈ [a, b] e:
Z b Z b
|f (x)|2 dx ≤ k2 dx = k2 (b − a).
a a

2. Se f não for limitada, ainda assim pode ser integrável e |f |2 não integrável. Como
1
no caso de f (x) = √ em (0, 1).
x

Definição 4.9. Seja a sequência fn n∈N tal que cada fn é de quadrado integrável em [a, b].


Dizemos que fn n∈N converge em média quadrática para uma função f de quadrado integrável,
se: Z b
f (x) − fn (x) 2 dx = 0.

lim
n→+∞ a

Observações 4.2.
Z b
1. f (x) − fn (x) 2 dx é dito erro médio quadrático de aproximação.

a

2. A seguir, verificaremos se as somas parciais de S[f ], onde f é de quadrado integrá-


vel, convergem em média quadrática a f .

Primeiramente, consideremos a função:


N
X
gN (x) = c0 + cn Ψn + dn Φn ,
n=1
140 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

onde Φn e Ψn são dados por (4.1). Denotemos por:


Z l Z l Z l Z l
f (x) − gN (x) 2 dx = 2 2

EN = f (x) dx − 2 f (x) gN (x) dx + gN (x) dx.
−l −l −l −l

Por outro lado:


Z l Z l N
X Z l Z l
f (x) gN (x) dx = c0 f (x) dx + cn f (x) Ψn dx + dn f (x) Φn dx
−l −l n=1 −l −l
N
X  
= l c0 a0 + l cn an + dn bn .
n=1

Análogamente, utilizando a ortogonalidade de Ψn e Φn , temos:


Z l N
2 X
gN (x) dx = 2 l c20 + l
 2
cn + d2n .

−l n=1

Logo, podemos reescrever:


Z l  N   N 
2 X   2
X  2 2

EN = f (x) dx − 2 l c0 a0 + cn an + dn bn + l 2 c0 + cn + dn .
−l n=1 n=1

Derivando para achar os pontos críticos, temos:

∂E N
= −2 l a0 + 4 l c0 = 0
∂c0
∂E N
= −2 l a1 + 2 l c1 = 0
∂c1
∂E N
= −2 l b1 + 2 l d1 = 0
∂d1
..
.
∂E N
= −2 l an + 2 l cn = 0
∂cn
∂E N
= −2 l bn + 2 l dn = 0
∂dn
a0
Não é difícil ver que os valores c0 = , cn = an e dn = bn minimizam E N ; então:
2
gN (x) = SN ,

onde, SN é a N -ésima soma parcial de S[f ]. Denotemos por EN o menor dos E N , utili-
zando os mesmos argumentos anteriores:

l  2 X N 
a0
Z
2  2 2

EN = f (x) dx − l + an + bn ;
−l 2
n=1
4.10. CONVERGÊNCIA EM MÉDIA 141

como EN ≥ 0, temos:
l N
1 a20 X  2
Z
2
an + b2n ;

f (x) dx ≥ +
l −l 2 n=1

esta desigualdade é válida para todo N ; então, fazendo N −→ +∞, obtemos:


l ∞
1 a20 X  2
Z
2
an + b2n ;

f (x) dx ≥ +
l −l 2 n=1

esta desigualdade é chamada de Bessel.


A desiguladade de Bessel implica que:

X
a2n + b2n
 

n=1

converge e o seguinte resultado, que foi fundamental no desenvolvimento da teoria das


séries de Fourier:

Lema (Riemann-Lebesgue) Se f ∈ Cper e é contínua por partes, então:

lim an = lim bn = 0,
n−→+∞ n−→+∞

onde an e bn são os coeficientes de S[f ].

Teorema 4.11. Se f ∈ Cper e é de quadrado integrável, então S[f ] converge em média para f .

Logo, se f ∈ Cper e é de quadrado integrável, então obtemos:


l ∞
1 a2 X  2
Z
2
f (x) dx = 0 + an + b2n ,

l −l 2
n=1

esta igualdade é chamada identidade de Parseval.

4.10.1 Aplicações
Normalizemos o erro médio quadrático, da seguinte forma, seja:

2 1
EN = EN ,
2l
então:
l N
1 a20 X  2
Z   
2 1 2 2

EN = f (x) dx − + an + bn .
2l −l 2 2 n=1
Utilizando a identidade de Parseval:
∞ N
1 a20 X  2 1 a20 X  2
   
2 2 2
 
EN = + an + bn − + an + bn ;
2 2 2 2
n=1 n=1
142 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

logo:

2 1 X
a2n + b2n .
 
EN =
2
n=N +1

Exemplo 4.17.
[1] Sabemos que se f (x) = |x|, x ∈ [−1, 1] é tal que f (x) = f (x + 2), então:
∞ 
1 4 X cos (2 n − 1) π x
|x| = − 2 .
2 π (2 n − 1)2
n=1
Z 1
2
f é de quadrado integrável e |x|2 dx = . Aplicando a identidade de Parseval, temos:
−1 3

1 X 16 2
+ 4 4
= ,
2 (2 n − 1) π 3
n=1
logo:

X 1 π4
= .
n=1
(2 n − 1)4 96
[2] Seja f (x) = x, x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2). Quantos termos deve ter Sn para
que S[f ] convirga em média para f com um erro menor que 1%?

X 2 (−1)n+1
Sabemos que: S[f ] = sen n π x , logo:


n=1
∞ ∞
2 1 X 4 2 X 1
EN = 2 2
= 2 .
2 n π π n2
n=N +1 n=N +1

Por outro lado:


∞ +∞ b  
1 dx dx 1 1 1
X Z Z
≤ = lim = lim − = .
n2 N x2 b−→+∞ N x2 b−→+∞ N b N
n=N +1
2
Então, EN
2 ≤ < 0.01; donde N > 20.26. Logo são necessários 21 termos.
π2 N

-1 1

-1

Figura 4.36: Gráfico de S21 .


4.10. CONVERGÊNCIA EM MÉDIA 143

[3] Seja f (x) = |x|, x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2). Quantos termos deve ter Sn para
que S[f ] convirga em média para f com um erro menor que 1%?
∞ 
1 4 X cos (2 n − 1) π x
Sabemos que: S[f ] = − 2 , logo:
2 π (2 n − 1)2
n=1

∞ ∞
2 1 X 16 8 X 1
EN = 4 4
= 4 .
2 (2 n − 1) π π (2 n − 1)4
n=N +1 n=N +1

Por outro lado:


∞ +∞
1 dx 1
X Z
≤ = .
(2 n − 1)4 N (2 x − 1)4 6 (2 N − 1)3
n=N +1

8
Então, EN
2 ≤ < 0.01; donde N > 1.05. Logo são necessários 2 termos.
6 π 4 (2 N − 1)3

-1 1

Figura 4.37: Gráfico de S2 .


144 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

4.11 Exercícios

1. Verifique que se f e g são períodicas de periódo T , então f + g e f g são períodicas de


periódo T .
Z x
2. Seja F (x) = f (t) dt. Verifique que:
0
a) F é par se f é ímpar

b) F é ímpar se f é par

α
3. Seja f (x) = cos(α x) + cos(β x). Verifique que f é periódica se ∈ Q.
β

4. Se f é periódica de período 2 l, verifique que:


x 
a0
Z
F (x) = f (t) − dt,
0 2

onde a0 ∈ R, é periódica de período 2 l.

5. Sejam P = Pn (x) os polinômios de Legendre. Verifique que são ortogonais em C([−1, 1]):
Z 1
Pn · Pm = Pn (x) Pm (x) dx = 0,
−1

2
se n 6= m e Pn · Pn = . Utilize a fórmula de Rodrigues.
2n + 1
6. Determine S[f ], se:

a) f (x) = 2 x; x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2)

b) f (x) = 2 x − 1; x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2)

c) f (x) = x2 + x; x ∈ [−π, π] tal que f (x) = f (x + 2 π)

d) f (x) = ex , x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2)

e) f (x) = senh(x), x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2)

f) f (x) = cosh(x), x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2)

g) f (x) = 2 cos2 (x), x ∈ [−π, π] tal que f (x) = f (x + 2 π)

h) f (x) = cos(3 x) + cos2 (x), x ∈ [−π, π] tal que f (x) = f (x + 2 π)


4.11. EXERCÍCIOS 145

1


 +x se −1≤x<0
2

i) f (x) = , tal que f (x) = f (x + 2)

 1
 − x se 0 ≤ x < 1

2
(
−x + π se − π ≤ x ≤ 0
j) f (x) = , tal que f (x) = f (x + 2 π)
x se 0 < x < π

0 se − 3 π ≤ x < π

k) f (x) = 1 se π ≤ x < 2 π , tal que f (x) = f (x + 6 π)

2 se 2 π ≤ x < 3 π

(
0 se − π ≤ x < 0
l) f (x) = , tal que f (x) = f (x + 2 π)
x se 0 ≤ x < π
2

(
0 se − π ≤ x < 0
m) f (x) = , tal que f (x) = f (x + 2 π)
x se 0 ≤ x < π
3

n) A função que tem como gráfico:

−π π 2π

o) A função que tem como gráfico:

-3

-6 -3 3 6
146 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

p) A função que tem como gráfico:

−π π

−π[

7. Determine S[f ], onde:


a) f (x) = a x + b, x ∈ [−l, l], tal que f (x) = f (x + 2 l)

b) f (x) = a x2 + b x + c, x ∈ [−l, l], tal que f (x) = f (x + 2 l)

8. Determine a expressão matemática de fp , fo e esboce os gráficos de fp e fo das funções:

a) f (x) = 2 x, x ∈ [0, 1] e) f (x) = cos(π x), x ∈ [0, 1]

b) f (x) = x2 + 1, x ∈ [0, 1] f) f (x) = x3 , x ∈ [0, 1]

c) f (x) = x2 − x + 1, x ∈ [0, 1] g) f (x) = cosh(x), x ∈ [0, 1]

d) f (x) = ex , x ∈ [0, 1] h) f (x) = senh(x), x ∈ [0, 1]

i) A função que tem como gráfico:

2π/3 π
4.11. EXERCÍCIOS 147

j) A função que tem como gráfico:

1 2

−2

k) A função que tem como gráfico:

9. Determine a série dos cosenos S[fp ] e dos senos S[fo ], onde f é dada pelo ítem anterior.

10. Esboce os gráficos das somas parciais até de ordem 4, do ítem anterior.

(
0 se −5<x<0
11. Seja f (x) = tal que f (x + 10) = f (x).
3 se 0 < x < 5,
Como se deve redefinir f para que S[f ] convirja em [−5, 5].

12. Utilize a série de Fourier de f (x) = ex , x ∈ [−π, π] tal que f (x) = f (x + 2 π) para
achar o valor da série:

X (−1)n
2+1
.
n=1
n
148 CAPÍTULO 4. SÉRIES DE FOURIER

13. Utilize a série de Fourier de f (x) = x2 , x ∈ [−π, π] tal que f (x) = f (x + 2 π) para
verificar que:

X 1 π2
a) =
n=1
n2 6

X (−1)n+1 π2
b) =
n2 12
n=1

X 1 π2
c) =
n=1
(2 n − 1)2 8

14. Esboce o gráfico das séries de Fourier do ítem 1.

15. Utilize a série de Fourier de:


(
−1 se − π ≤ x < 0
f (x) =
1 se 0 ≤ x < π,

f (x) = f (x + 2 π), para determinar por integração a série de Fourier de f (x) = |x|,
x ∈ [−π, π] tal que f (x) = f (x + 2 π).

16. Determine se a série de Fourier das seguintes funções convergem uniformemente:


a) f (x) = ex , x ∈ (−1, 1)

b) f (x) = senh(x), x ∈ (−π, π)

c) f (x) = sen(x) + |sen(x)|, x ∈ (−π, π)

d) f (x) = x + |x|, x ∈ (−1, 1)

17. Seja f (x) = x + 1|, x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2). Quantos termos deve ter Sn
para que S[f ] convirga em média para f com um erro menor que 1%?

18. Seja f (x) = x2 + x, x ∈ [−1, 1] tal que f (x) = f (x + 2). Quantos termos deve ter Sn
para que S[f ] convirga em média para f com um erro menor que 1%?