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Relatório sobre Violência - SINAN NET nº [1]

Relatório sobre Violência - SINAN NET nº [1]

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Vigilância de Violências

Volume 1, número 1 Semestre 1/ 2010

Relatório Técnico
Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis-DANT
As doenças e agravos não transmissíveis (DANT) constituem um importante problema de saúde pública. As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) passaram a liderar as causas de óbitos no país, ultrapassando as taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias (DIP) a partir da década de 80. Os acidentes e as violências, causas externas, configuram um problema de saúde pública de grande magnitude e transcendência, que tem provocado intenso impacto na morbidade e na mortalidade da população. de redução de acidentes e do enfrentamento à violência.

Nessa perspectiva, no ano de 2003, houve a criação da Coordenação Geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (CGDANT) na Secretaria de Vigilância em Saúde pelo Ministério da Saúde. No mesmo ano, a Superintendência de Epidemiologia/ Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais promoveu a estruturação da Coordenadoria de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (CDANT) acompanhando o modelo nacional e entendendo a necessidade Tendo em vista a necessidade de en- de ampliar a vigilância epidemiológitender e acompanhar esse panorama ca para DANT no Estado. organizou-se o sistema de vigilância que já era utilizado para as doenças Os agravos que fazem parte da vigitransmissíveis, objetivando subsidiar lância da DANT são os acidentes e os sistemas de saúde com coleta e aná- violências e estes se expressam com lise das informações capazes de norte- impacto no adoecimento e morte da ar as políticas de prevenção das doen- população, perpassando por todas as ças não transmissíveis, os programas faixas etárias e interferindo na quali-

dade de vida. Conforme a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) – 10ª revisão, as causas externas correspondem aos capítulos XIX e XX, referente às “Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de Causas Externas” e às “Causas Externas de Morbidade e de Mortalidade”, respectivamente.

Índice:
Vigilância de DANT Conceitos: Acidentes e violências Tipologia das violências Natureza das violências Tipologia e Natureza da Violência (figura) Vigilância epidemiológica das violências VIVA-Vigilância de Violências e Acidentes Ações para a implantação de Vigilância de Violências em MG Ficha de notificação de violência doméstica, sexual e/ou outras violências: importante instrumento de vigilância de violências Algumas publicações... Legislação sobre a temática da violência: algumas leis e portarias Análise dos dados de violências notificadas no SINAN Net—2009/2010 Considerações Finais
Capa 2 2 3 4 5 6 7

Coordenadoria de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (CDANT)
Gerência de Vigilância Epidemiológica Superintendência de Epidemiologia Subsecretaria de Vigilância em Saúde Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

8 9 10 11 20

Página 2

Vigilância de Violências

Conceitos: Acidentes e violências
Pode-se conceituar acidente “como um evento não-intencional e evitável, causador de lesões físicas e/ou emocionais no âmbito doméstico e em outros espaços sociais, como o do trabalho, o do trânsito, da escola, de esportes e o de lazer.” (BRASIL, 2001). A violência pode ser definida, segundo a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências (2001), como: “fenômeno complexo e representado por ações e omissões humanas realizadas por indivíduos, grupos, classes, nações, numa dinâmica de relações, ocasionando danos físicos, emocionais, morais e/ou espirituais a si próprio ou a outros.” (p.7) A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2002, conceituou violência como: “O uso da força física ou do poder real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha qualquer possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação.”

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Tipologia das violências
Em 2002, a OMS categorizou o fenômeno da violência e a dividiu em três tipos, estabelecendo uma diferença entre a violência que uma pessoa inflige a si mesma, a violência infligida por outro indivíduo ou por um pequeno grupo de indivíduos e a violência infligida por grupos maiores, como estados, grupos políticos organizados, grupos de milícia e organizações terroristas. (DAHLBERG; KRUG, 2006) Violência dirigida con- As violências interpessoais tra si mesmo (auto- dividem-se em duas subcategorias: 1) violência intrafaprovocada); miliar é a que ocorre entre Violência interpessoal; parceiros íntimos e por pessoas ligadas por laços familiViolência coletiva. ares, principalmente no ambiente doméstico, mas não A violência dirigida contra si mesmo é subdividi- unicamente; 2) violência da em comportamento comunitária é aquela que suicida e agressão auto- ocorre no ambiente social, provocada. O primeiro entre indivíduos sem relação inclui pensamentos sui- pessoal, entre conhecidos e cidas, tentativas de suicí- desconhecidos e, geralmendio – também chamadas te, ocorre fora dos lares. em alguns países de "para-suicídios" ou "auto -injúrias deliberadas" – e suicídios propriamente ditos. A auto-agressão inclui atos como a automutilação. A primeira subcategoria inclui formas de violência tais como abuso infantil, violência entre parceiros íntimos e maus-tratos de idosos. A segunda subcategoria inclui violência juvenil, agressões físicas, estupro ou ataque

de etnia e mantêm o domínio adultocêntrico sobre crianças e adolescente” (BRASIL. A violência estrutural se refere “aos processos sociais. rejeitar. negligência ou privação de cuidados. 2005. a miséria e as desigualdades sociais.pdf Natureza das violências A natureza dos atos violentos pode ser classificada em quatro modalidades: física. Negligência ou abandono se entende a ausência. 24). Na área política econômica. como mostrado na figura 1. políticos e econômicos e sugerem possíveis motivos para a violência cometida por grandes grupos ou por países.org. feridas. (DAHLBERG. 2002).Volume 1. 2006) Por violências coletivas se entendem os atos violentos que acontecem nos âmbitos macrossociais.Bicho de sete cabeças .. Outro tipo de violência foi acrescido à classificação feita no Relatório Mundial sobre a Violência e a Saúde da OMS (2002) e foi denominada de Estrutural. et al. psicológica. em escolas. sexual e envolvendo abandono. de gênero. G. 2005). locais de trabalho. atos terroristas. prisões e asilos. violência física ou ameaça (BRASIL. isolá-la do convívio social (BRASIL. humilhar a vítima. A violência coletiva cometida com o fim de realizar um plano específico de ação social inclui. dor ou incapacidade em outra pessoa (BRASIL.Má educação . crimes cometidos por grupos organizados. Abuso físico significa o uso da força para produzir injúrias. políticos e econômicos que reproduzem e cronificam a fome. 2009) Abuso psicológico nomeia agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar. restringir a liberdade ou ainda. As quatro descrições da natureza dos atos violentos ocorrem em cada uma das tipologias e de suas subcategorias descritas anteriormente. a recusa ou a deserção de cuidados necessários a alguém que deveria receber atenção e cuidados (BRASIL. número 1 sexual por desconhecidos e violência institucional que ocorre. por exemplo. por exemplo. pornográficas e sexuais impostas por meio de aliciamento. com exceção da violência autoprovocada. 2009) Abuso sexual diz respeito ao ato ou jogo sexual que ocorre nas relações hetero ou homossexual e visa estimular a vítima ou utilizá-la para obter excitação sexual e práticas eróticas. d a Organização Mundial da Saúde (KRUG .A excêntrica família de Antônia . KRUG. E. Página 3 Não deixe de ler: Relatório mundial sobre violência e s a ú d e . 2009). crimes de multidão. estão as guerras e os processos de extermínios de determinados povos e nações por outros. Sugestões de filmes: .br/ cedoc/hpp/ ml03/0329.opas. p. Acesse: http:// www.

Figura 1. 2002.Tipologia e natureza das violências Página 4 Vigilância de Violências Fonte: Adaptado de KRUG et al. .

Volume 1. nos serviços de urgência e emergência e em unidades básicas de saúde. a Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) com a finalidade de viabilizar a obtenção Até então. Portanto. Secretaria de Segurança Pública. em 2006. nacionalmente. Sistema de Informação sobre (SIM). foi estruturada. Uma série de instituições. Conselhos Tutelares. Essa violência é invisível e. 3. Em Minas Gerais. Recentemente. o que possibilitará conhecer a permanossa 2. a vigilância epidemiológica das violências é realizada por meio dos seguintes sistemas de informações: 1. são fontes importantes de informação sobre ocorrências de violências. pois muitos não chegam até os serviços de saúde. frequentemente. nos locais de trabalho. Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN NET). Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde. dentre outros. por meio dos sistemas de informações. Assim. objetivos e funções sociais diferentes. Mortalidade violências diversas fontes de informações que podem ser utilizadas para compor indicadores que visam conhecer o perfil de morbimortalidade por esses agravos. do SUS magnitude desses graves problemas de saúde pública. necem velada em sociedade. aqueles casos que deram entrada em nível ambulatorial. Sabe-se que muitas das pessoas que sofrem violência não necessitam de internação. Existe um número maior de atos violentos que ocorrem nos lares. não era possível conhecer. Sistema de Internação Hospitalar (SIH/SUS). Embora cada uma delas possua atribuições. os dados e informações concernentes às violências não se restringem ao setor saúde. tais como Secretaria de Defesa Social. as informações existentes no setor saúde abrangiam apenas os casos de óbitos e internade dados e divulgação de informações sobre violências e acidentes. número 1 Página 5 Vigilância epidemiológica das violências Para das o monitoramento existem ções (realizadas pelo Sistema Único de Saúde). .

conforme Portaria MS nº 2. Sexual e/ou outras Violências Esta ficha deve ser utilizada para a notificação de qualquer caso suspeito ou confirmado de violência doméstica. Tal vigilância tem como objetivos específicos: descrever o perfil das violências e acidentes em unidades sentinelas. nas situações de violências envolvendo crianças. . de 31 de Agosto de 2010) e a vigilância pontual que abarca acidentes e violências. Apresenta como instrumento epidemiológico de coleta a Ficha de Notificação/ Investigação Individual de Violência Doméstica.Página 6 Vigilância de Violências O que é VIVA? VIVA-Vigilância de Violências e Acidentes O Ministério da Saúde juntamente com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde do Brasil. Tratase da Ficha de Notificação de Acidentes e Violências em Serviços de Urgência e Emergência. além da análise da tendência destes eventos. Esse componente não faz parte do SINAN Net. Para ambos componentes. em turnos alternados por pesquisadores de campo contratados.741/2003 (Estatuto do Idoso). de forma que medidas de prevenção. Quanto a vigilância pontual. Conforme determina as seguintes leis: nº 8069/1990 (Estatuto da Criança e Adolescente). 2004). em serviços de referência para violências. esta é realizada pelo Ministério da Saúde em conjunto com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde nas capitais e Distrito Federal. que utilizam como instrumento outra ficha diferente daquela utilizada na vigilância contínua. O componente de vigilância contínua faz parte do SINAN Net desde dezembro de 2008 e o fluxo da notificação deve seguir a rotina. nº 10. não é caracterizado como atividade de rotina dos serviços de saúde. Atenção! Notificar significa iniciar um processo cujo objetivo principal é o de interromper a violência no âmbito da família (BRASIL. A modalidade de vigilância contínua está sendo implantada. portanto. Esta ficha contribui para o aumento da cobertura das informações.472. conforme normas operacionais já estabelecidas na vigilância de todas as doenças e agravos de notificação compulsória. A pesquisa é desenvolvida por meio de inquérito em serviços de urgência e emergência pré selecionados. desenvolveram um projeto com o objetivo de implantar e implementar no SUS a notificação de violências e acidentes.778/2003 (Notificação de Violência contra a mulher) e nº 10. adolescentes. gradualmente no Estado. A coleta é feita por amostragem. mulheres e idosos a notificação é de caráter compulsório e contínuo. sexual e/ou outras violências conforme o Manual Instrutivo da ficha. Sua periodicidade é bi-anual e ocorre durante o período de um mês selecionado ao ano. Este Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) tem dois componentes: a vigilância contínua direcionada às vítimas de violências (notificação compulsória. de atenção e de proteção às pessoas vítimas ou em situação de violência sejam estabelecidas com base em evidências.

ocorreu: . Dentre os temas enfocados . com a participação de coordenadores das GRS .000 habitantes.000 habitantes. . Um representante do Ministério da Saúde discorreu sobre o tema.Volume 1. Coronel Fabriciano. municípios prioritários e aqueles com população acima de 100. Participaram deste encontro representantes das 28 Gerências Regionais de Saúde (GRS). aconteceu uma Reunião Técnica de Estruturação da Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) e implementação das ações de prevenção de violências . municípios que receberam recursos financeiros para a estruturação de Núcleos e áreas técnicas da SES/MG . Em dezembro de 2008. Em setembro de 2009. novamente. destacamos o preenchimento da Ficha de Notificação de Violência. A CDANT compõe a equipe de docentes do “Curso de Transferência de Tecnologia de Abordagem da Violência e de Construção da Paz” realizado pelo Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais Nossa área técnica é responsável pelo módulo da Vigilância das Violências. O Mi n i st é ri o d a S aúd e/ CGDANT realizou capacitações para elaboração e aprimoramento das fichas (componente I e II ) . “II Oficina de Vigilância de DANT: ênfase em Vigilância de Violências”. Belo Horizonte.No mesmo ano. em 2009 e 2010. 2. de palestras em seminários organizados pela SES/MG para apresentação da Ficha de Notificação da Violência. promoção da saúde e cultura da paz. Unaí. 3. Algumas atividades desenvolvidas pela CDANT para implantação do “VIVA” em Minas Gerais: 1. 5. . Realização. número 1 Página 7 Ações para a implantação da Vigilância de Violências em Minas Gerais A Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais por meio da CDANT participou da construção da Vigilância de Violências e Acidentes. a equipe técnica da CDANT realizou capacitações sobre a vigilância de violências nas seguintes GRS: Patos de Minas.“I Oficina de Vigilância de DANT” que teve como público alvo coordenadores das GRS . Ubá e São João Del Rei apresentaram suas experiências de implantação da Ficha de Notificação de Violências. Nesta oficina as GRS de Divinópolis.000 e 100. Em maio de 2010. municípios prioritários e aqueles com população entre 80. 4.

da nt o me a da rra sm n ce e e e ra m d se ata A d deve ção ica a otif i ch f en ad d at . Esta prática compromete a qualidade dos dados e de sua análise. sempre que possível. sexual e/ou outras violências: importante instrumento de vigilância de violências A Ficha de Notificação/Investigação Individual de Violência Doméstica. para que esta vigilância seja efetiva. 2) A notificação é obrigatória nos casos suspeitos ou confirmados de violência contra: crianças e adolescentes. torna-se necessário primar pela qualidade dos dados advindos desta ficha. ou deixá-lo em branco. 8) É essencial que o município estabeleça uma rotina para identificação de duplicidade de caso e. 5) Todos os campos da ficha devem ser preenchidos.Página 8 Vigilância de Violências Ficha de Notificação/Investigação Individual de Violência doméstica. Por isso. realmente . 7) Procure inserir informações no campo observações adicionais para complementar os dados da ficha. Pois. bem como. as possíveis propostas de intervenções. A capacitação contínua dos técnicos é fundamental para a melhoria da No caso da notificação das violências. 6) Evite. cujas vítimas sejam adultos (20 a 59 anos) do sexo masculino. 1) A ficha deve ser preenchida conforme o Instrutivo de Preenchimento. citamos alguns pontos importantes para melhorar a qualidade da notificação. se houver. Entretanto. Lembrem-se: A implantação da F i c h a d e Notificação é um processo gradual e contínuo. Preencha com o item ignorado quando. preencher o campo com o item ignorado. Assim. 4) Os campos: nome do paciente e nome da mãe devem ser preenchidos de forma legível e sem abreviações. sabe-se que essas informações servirão de subsídios para os processos de tomada de decisão e planejamento de políticas públicas. NÃO há investigação epidemiológica de campo como é feita para as doenças de notificação compulsória. excluí-lo do banco de dados do SINAN NET. tenha-o sempre em mãos para esclarecer dúvidas. Os demais casos envolvendo homens serão notificados. 3) Esta ficha não se aplica aos casos de violência física ocorridos no ambiente extrafamiliar. Sexual e /ou outras violências constitui–se num importante instrumento para a vigilância de violências. não dispuser de informações suficientes sobre a variável em questão. mulher e pessoa idosa. desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

saude.gov.saude.pdf Painel de Indicadores do SUS Nº 5 .conass.org.pdf Violência: uma epidemia silenciosa nº 15.pdf Impacto da Violência na Saúde dos Brasileiros (2005) Disponível em: http://bvsms.pdf Notificação de Maus-tratos contra crianças e adolescentes pelos profissionais de saúde (2002) Disponível em: http://bvsms.br/bvs/publicacoes/impacto_violencia.gov.pdf http://www.br/portal/arquivos/pdf/Painel_de_Indicadores_do_Sus_5.saude.br/bvs/publicacoes/cd05_19.br/bvs/publicacoes/viva_vigilancia_violencias_acidentes.gov.com.saude.gov.pdf Violência Intrafamiliar (2002) Disponível em: http://bvsms. Viva : vigilância de violências e acidentes.gov.pdf Enfrentando a Violência contra a Mulher (2005) Disponível em: http://www.br/sites/100/163/00000906.pdf http://www.ucamcesec.org. número 1 Página 9 Algumas publicações.conass. 2006 e 2007 (2009) Disponível em: http://bvsms.Volume 1.br/arquivos/file/conassdocumenta17.br/bvs/publicacoes/notificacao_de_maus_tratos.gov.df.br/arquivos/file/conassdocumenta16.saude..pdf Enfrentando a Violência (2005) Disponível em: http://www.saude.br/arquivos/file/conassdocumenta15.conass.org.pdf .Prevenção de Violências e Cultura de Paz (2008) Disponível em: http://portal.br/arquivos/publicacoes/manual_enfrentando_violencia. 16 e 17-(2008 e 2009) Disponível em: http://www..

que define a relação de doenças.406/GM de 5 de novembro de 2004. Portaria Nº 2.741/2003—Estatuto do Idoso Lei Nº 10. agravos (dentre esses as violências) e eventos em saúde pública de notificação compulsória • .069/1990—Estatuto da criança e do adolescente • Portaria GM/MS Nº 1. às autoridades competentes. que institui serviço de notificação compulsória de violência contra a mulher e aprova instrumento e fluxo para notificação • Portaria MS/GM Nº 687 de 30 de junho de 2006—Política Nacional de Promoção da Saúde • Portaria Nº 1. que institui as diretrizes nacionais para prevenção do suicídio. que dispõe sobre a notificação. de 25 de outubro de 2001 .968. que institui o serviço de notificação compulsória de violência contra a mulher nos serviços públicos e privados de saúde Portaria Nº 2.876 de 14 de agosto de 2006.778/2003. de casos de suspeita ou de confirmação de maus tratos contra crianças e adolescentes atendidos nas entidades do Sistema Único de Saúde Portaria MS/GM Nº737 de 16 de maio de 2001—Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por acidentes e violências • • Lei Nº 10.472 de 31 de agosto de 2010.Página 10 Vigilância de Violências Legislação sobre a temática da violência: algumas leis e portarias • Lei Nº 8.

estão identificados todos os municípios com suas respectivas freqüências. com exceção das GRS Uberlândia e Leopoldina. Minas Gerais. Na tabela 1. O número total de notificações foi de 3. o que pode ser visualizado na figura 2. em ordem decrescente. Sexual e/ou outras violências. . houve municípios que apresentaram pelo menos uma notificação no SINAN Net. Figura 2– Municípios notificadores de casos de violências. Januária Unaí Montes Claros Pedra Azul Pirapora Teófilo Otoni Diamantina Patos de Minas Sete Lagoas Uberlândia Ituiutaba Uberaba Belo Horizonte Divinópolis Ponte Nova Passos Barbacena São João Del Rei Alfenas Varginha Juiz de Fora Pouso Alegre Ubá Leopoldina Manhumirim Itabira Coronel Fabriciano Governador Valadares Municípios Sem notificação Com notificação Área da GRS Dados atualizados em 13/08/2010. 2009-2010. nos anos de 2009 e 2010 (dados atualizados em 13 de agosto de 2010) provenientes da Ficha de Notificação Individual de Violência Doméstica. segundo GRS .Página 11 Vigilância de Violências Análise dos dados de violências notificadas no SINANNet—2009/2010 As informações apresentadas a seguir referem-se aos casos de violência notificados no SINAN Net de Minas Gerais. Em todas as Regionais de Saúde do Estado.488 casos.

23 0.11 .11 0.00 0.75 1.17 0.26 0.66 0.07 11.23 1.17 0.43 0.12 1.55 1.20 0.26 0.11 0.11 0.49 5.17 0.Página 12 Vigilância de Violências Tabela 1.56 3.75 1.09 12.20 0.14 0.14 0.Frequência de casos por município de notificação. Minas Gerais.17 0.26 0.24 9.11 0.96 3.34 0.26 0.43 1.11 0.79 5.29 0.30 2.87 2.57 0.11 0.26 0.17 0.10 3.14 0.32 0.20 0.17 0.38 1. MUNICÍPIOS Belo Horizonte Patos de Minas Contagem Uberaba Juiz de Fora Betim Montes Claros Várzea da Palma Machado Sete Lagoas Santa Luzia Cruzília Governador Valadares São Sebastião do Paraíso Buritis Ribeirão das Neves Poços de Caldas Bambuí Serro Passa Quatro Passos Jaboticatubas Corinto Varginha Pitangui Araxá Visconde do Rio Branco n 596 421 392 331 202 178 138 124 115 100 74 61 61 60 54 50 48 43 35 34 23 20 15 12 11 10 10 % 17. 2009 -2010.29 MUNICÍPIOS Antônio Dias Carangola Ituiutaba Pedra Azul Pouso Alegre Teófilo Otoni Três Pontas Desterro do Melo Esmeraldas Mariana Brasília de Minas Campo Belo Conceição do Pará Ibirité Paracatu Paraguaçu São Lourenço Conceição da Aparecida Ponte Nova São Domingos das Dores Abaeté Conceição do Rio Verde Congonhas Guanhães Matozinhos Mercês Monte Belo n 9 9 9 9 9 9 8 7 7 7 6 6 6 6 6 6 6 5 5 5 4 4 4 4 4 4 4 % 0.97 0.72 1.17 0.26 0.

03 0.03 0.03 0.09 0.06 0.06 0.06 0.03 0.03 0.06 0.09 0.09 0.03 0.06 0.03 0.03 0.03 0.06 0.09 0.06 0.09 0.03 0.09 0.09 0.03 São Francisco Carmo do Rio Claro Itajubá Pará de Minas Piedade do Rio Grande Pratinha Presidente Kubitschek São João Del Rei São José do Goiabal Ubá Viçosa Antônio Carlos Barão de Cocais Boa Esperança Cabeceira Grande Coronel Fabriciano Coronel Pacheco Engenheiro Navarro Itabira Lagoa Dourada Lagoa Santa Ouro Preto São Domingos do Prata São Vicente de Minas Seritinga Serranos Unaí Vargem Alegre Vespasiano Areado Bela Vista de Minas Botumirim Braúnas Cabo Verde Carmo da Cachoeira Dom Joaquim Guidoval Igarapé Iguatama Itapagipe Janaúba Januária João Pinheiro Lagoa da Prata Lagoa Grande Medeiros Mirabela Nepomuceno Piau Pirapora Pompéu Prados Presidente Bernardes Sabará Santo Antônio do Amparo Santo Antônio do Monte São Gonçalo do Abaeté São Sebastião do Rio Verde Senhora dos Remédios Turmalina Uruana de Minas .06 0.03 0.03 0.11 0.03 0.06 0.03 0.03 0.09 0.03 0.03 0.06 0.03 0.03 0. número 1 Página 13 MUNICÍPIOS n 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 1 % 0.09 0.03 0.09 0.03 0.06 0.03 0.03 0.06 0.06 0.03 0.03 0.06 0.03 0.06 0.03 0.06 0.06 0.03 0.06 0.03 MUNICÍPIOS n 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 % 0.03 0.Volume 1.03 0.

Minas Gerais. Concluímos. em 2009 e nesse ano ocorreram 2. Em seguida. 44.1% e 3. A notificação de violência doméstica. Dentre todas as notificações (n= 3. Minas Gerais.5%.Página 14 Vigilância de Violências Figura 3. Figura 5. sexual e/ou outras violências f0i inserida ao SINAN. Quanto à raça/etnia (Figura 5). Minas Gerais. 2009- Figura 6. que entre esses dois anos houve um progresso quanto ao aumento do número de casos notificados.Frequência de casos por raça/etnia. ambas totalizam 37. Minas Gerais. 2009-2010.Frequência de casos por sexo.Frequência de casos por ano de notificação.3% dos casos. 2009-2010. . portanto. a maior frequência foi registrada na branca com 35.1%. (Figura 6) observa-se que houve um maior número de casos entre os jovens de 20 a 39 anos. representando. Em 2010. com 12. Figura 4. mais da metade delas tiveram como vítima mulheres (Figura 4). 2009-2010.6% dos casos. ao somarmos a parda e a preta. Em segundo lugar. respectivamente.002 notificações. Em relação à faixa etária. Porém. Aquelas cuja variável foi ignorada representou 24%.Frequência de casos por faixa etária. Houve aumento percentual de 23% no número médio de notificações por mês (Figura 3) Tal fato reforça a disseminação e a importância desse agravo na rede de saúde do Estado.486 até o momento. Os grupos etários que representaram menores números de casos foram as crianças de 0 a 9 anos e idosos de 60 e mais anos. (dados atualizados em 13/08/2010) foram 1.9%.4% do total de notificações. conforme figura 11. destaca-se a faixa etária de 10 a 19 anos que foi responsável por 25.488) presentes no banco de dados. aparece a faixa etária de 40 a 59 anos. totalizando 14.

que representa os casos por zona de ocorrência. Em relação às demais. A análise desse campo da ficha de notificação revela a violência doméstica dentro dos lares da população mineira. Página 15 Figura 7.2%) quando comparada aos outros locais.1% (Figura 9). Figura 8. Minas Gerais. 2009-2010. Figura 9. número 1 A figura 7.4%) dentre o total de notificações (Figura 8). A “residência” foi o local de ocorrência com maior número de notificações (40. A somatória do número de notificações na qual esse campo foi deixado “em branco” ou preenchido com “ignorado” correspondem a 31. Na variável escolaridade 44. Enquanto que aquelas com ensino superior incompleto ou completo representou 2.Frequência de casos por zona de ocorrência. a violência nas vias públicas. .Frequência de casos por local de ocorrência.5% do número total de notificações. Minas Gerais. 2009-2010.5%). Antes da inserção da ficha nos serviços de saúde. 2009-2010. tinha maior visibilidade. A opção “ignorado” apresenta um considerável percentual (30.8% das notificações tiveram o campo ignorado preenchido.Volume 1.Frequência de casos por escolaridade. Minas Gerais. mostra que a urbana é a que possui o maior número de notificações (62. percebeu-se que as pessoas com nível de escolaridade inferior ao ensino superior correspondeu ao percentual de 37%.

trabalho infantil apresentou o mesmo número de notificações (Figura 10). freqüentes foram: violência física com 2. Ao analisar os tipos de violência segundo faixa etária (Figura 11). Figura 11. violência sexual com 931 casos (26. Entre os homens. O sexo feminino apresentou percentual mais elevado que o sexo masculino em quase todos os tipos de violência. 2009-2010.6%. Na violência financeira/ econômica os idosos foram as maiores vítimas com 31. segundo faixa etária. segundo sexo. torna-se necessário cautela.Frequência de casos por violência sofrida. Dentre as faixas etárias que sofreram intervenção legal. lência. sofrendo variação de acordo com a modalidade da violência (Figura 9). Minas Gerais. observou-se que as crianças foram as que mais sofreram negligência/ abandono (47. Deve-se ressaltar que devido à possibilidade da ocorrência de mais de um tipo de violência em um mesmo caso.4%) das notificações. Em ambos os sexos. as três formas mais 2009-2010.1% de casos notificados. Minas Gerais. a tortura foi o tipo de violência predominante (76.5%).4%). os adolescentes tiveram 57.Página 16 Vigilância de Violências Com relação ao tipo de vio.Figura 10. .Frequência de casos por violência sofrida.621 notificações (75.6%) e violência psicológica/moral com 753 notificações (21. pois as análises dos tipos de violência nesse relatório foram feitas de forma isolada.1%).

1%). seguida da ameaça (12%) e da utilização de objeto pérfurocortante (9.Frequência de casos por parte do corpo atingida.4%). Minas Gerais. Em relação à natureza da lesão principal (Figura 13). Minas Gerais. Minas Gerais.5%. excluindo as opções “não se aplica”. número 1 A respeito do meio de perpetrar a agressão (Figura 12). que respondem por 23% dos casos.6% dos casos notificados. 2009-2010. “em branco”e “ignorado”. 2009- . As variáveis em branco e ignorado totalizaram 16.5% do número das notificações.Volume 1.Frequência de casos por natureza da lesão. seguida pela contusão (22. nota-se que a força corporal/espancamento foi a mais frequente com 55. O que requer cuidado para a interpretação dos dados. Página 17 Figura 12.Frequência de casos por meio de agressão. Figura 13. devese levar também em consideração o fato de que pode haver mais de uma forma de agressão para o mesmo caso.1%. percebemos que a parte do corpo mais atingida durante os atos violentos correspondeu à opção “cabeça/face” com 38. Observando os dados apresentados na figura 14.9% do número de notificações. seguida de “múltiplos órgãos” com 7. perfuração e laceração. Figura 14. Em segundo lugar está a opção “membros superiores” com 16. em primeiro lugar destacam-se as lesões por corte. Entretanto. As demais apresentaram percentual inferior a 5% para cada tipo de lesão.

observase que na maioria dos casos. Figura 17.8%.6% e o sexo feminino com 10. enquanto que 24. Ao se analisar o número de autores envolvidos. 2009-2010. Por outro lado.Frequência de casos por sexo do provável autor da agressão. posteriormente.9%. respectivamente. a opção “ignorado” vem com 27. Minas Gerais. (Figura 15) Figura 16.3% dos casos notificados foi referido que não havia suspeita de uso de álcool pelo agressor. Minas Gerais. apenas um autor estava envolvido (56. o sexo masculino foi referido como sendo o principal autor das agressões com 58. Somente 14. 2009-2010. Minas Gerais.Frequência de casos por número de autores envolvidos.Frequência de casos por suspeita de uso de álcool pelo agressor. 2009-2010. .4% do número total de notificações.Página 18 Vigilância de Violências Figura 15.8%). Na Figura 16.4% das notificações tiveram envolvimento de dois ou mais autores. as opções ignorado e em branco somaram 28. Quanto a variável suspeita de uso de álcool pelo agressor (Figura 17) em 32.8% declararam haver suspeita de consumo de bebida alcoólica.

4% (Figura 14). o que sugere que as violências sofridas pelas vítimas têm gerado cuidados ambulatoriais. o encaminhamento ambulatorial foi o mais frequente com 50.Frequência de casos por encaminhamento no setor saúde.7% das notificações. Minas Gerais. .5%. o que interfere na qualidade dos dados. significando que não houve necessidade de encaminhamentos da vítima no setor saúde. Dentre as notificações de violências. Ao se agrupar as variáveis: “ignorado” e “em branco” estas totalizaram 16.Página 19 Vigilância de Violências Figura 18. 2009-2010. Logo em seguida a variável “Não se aplica” com 823 notificações que correspondem a 23.

Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis Avenida Afonso Pena .mg.gov. embora incipiente e com limitações. que este componente do VIVA vem cumprindo um de seus objetivos: contribuir para o aumento da cobertura das informações.7254 E-mail: cdnt@saude. de forma que medidas de prevenção. portanto. solução deve ser pensada por todos” (autor desconhecido) .br Elaboração Coordenadoria de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (CDANT) Considerações Finais A análise dos dados obtidos por meio da vigilância epidemiológica das violências (componente I). de atenção e de proteção às pessoas vítimas ou em situação de violência sejam estabelecidas com base em evidências Equipe: Maria Leonor Ferreira Abasse (Coordenadora) Carolina Guimarães Marra Hugo Ferreira Costa Janaína Passos de Paula Juliana Alves Belo Leandro Sérgio da Silva Thiago Miranda Bicalho Tiago Campos Silva “Violência: problema comum. Pode-se dizer. aponta para a necessidade de elaborar medidas de prevenção e controle deste evento. 2300/15º andar .7253 ou 3215. Os resultados mostram uma realidade que ao longo dos tempos foi velada e/ou silenciada.Funcionários Telefones: (31) 3215.

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