CENTRO CIRÚRGICO

Na atualidade, podemos considerar o hospital como um dos tipos mais complexos de organização. Como organização, pode ser analisado num macrossistema que incorpora o avanço constante dos conhecimentos, de aptidões, da tecnologia e dos aspectos finais dessa tecnologia representada pelas instalações e equipamentos. O Centro Cirúrgico é um dos setores hospitalares que sofreu grandes transformações em função da evolução das técnicas cirúrgicas, anestésicas e dos recursos materiais e de equipamentos utilizados nos procedimentos cirúrgicos (GATTO, 1996). O Centro Cirúrgico requer suporte adequado de modo que os aspectos técnicoadministrativos referentes à planta física e localização, aos equipamentos, ao regimento, às normas, às rotinas e aos recursos humanos sejam assegurados como mecanismos que subsidiem a prevenção e o controle dos riscos e sustentem, na prática, a prática, a proteção ético-legal da equipe e da instituição. No Centro Cirúrgico, todas as atividades exigem estado permanente de alerta, pois há intervenções que podem colocar em risco a vida do paciente, nas cirurgias eletivas e, principalmente, nas cirurgias de urgência/emergência. Outro aspecto relevante diz respeito à utilização racional dos recursos humanos e materiais, com vistas à otimização de custos, tanto para o paciente, quanto para a instituição. As principais finalidades do Centro Cirúrgico são: - Realizar intervenções cirúrgicas e devolver o paciente à sua unidade de origem na melhor condição possível de integridade; - Servir de campo de estágio para o aperfeiçoamento de recursos humanos; - Servir de local de pesquisa e aprimoramento de novas técnicas cirúrgicas e assépticas. Neste sentido, podemos definir o Centro cirúrgico como o conjunto das áreas e instalações que permite efetuar a cirurgia nas melhores condições de segurança para o paciente, e de conforto para a equipe que o assiste. O CENTRO CIRÚRGICO É A UNIDADE MAIS IMPORTANTE DO HOSPITAL DEVIDO: - ser o local onde o paciente deposita toda a esperança de cura; - necessitar de tecnologia de ponta para prestar assistência à clientela; - ser praticamente o local mais caro do hospital; - ao grande número de profissionais que ali trabalham (Cirurgião; Anestesiologista; Enfermeiro; Técnico e Auxiliar de Enfermagem, Instrumentador Cirúrgico; Técnico de Rx; Farmacêutico); - ao grande número de alunos que ali estagiam; - aspectos específicos, principalmente em sua construção, relacionadas ao controle de infecção; - aos desperdícios de materiais que podem ocorrer durante os procedimentos cirúrgicos, - a necessidade de controle de assepsia - risco de infecção - técnica cirúrgica. Portanto, o Centro cirúrgico é o setor mais importante do hospital ou, pelo menos,

o que mais atrai a atenção pela evidência dos resultados. chuveiros e armários com chaves individuais. 4. seringas. Conforto . campos cirúrgicos. importância demonstrativa e didática e. . gazes. a fim de evitar que o pessoal os faça em local inadequado. agulhas. cateteres. depois de vestirem roupas privativas. compõe uma unidade do hospital. 3. 2. CIRURGIA É a técnica que abrange abertura do corpo para a remoção. portanto distante de locais de grande circulação de pessoas. Sala de enfermagem . 3. reparo ou substituição de uma parte e implantes de próteses ou de mesmos órgãos. Deve estar localizada em local de fácil acesso e com boa visão de todo o conjunto da Unidade.é a área destinada a lanches rápidos.é a área destinada para relatórios médicos e estar. onde se realiza o controle. pela decisiva ação curativa da cirurgia. próteses. do Pronto Socorro e da Unidade de Terapia Intensiva. 2. cubas. ESTRUTURA DO CENTRO CIRÚRGICO 1. aventais. de modo a contribuir a intervenção imediata e melhor fluxo de pacientes. Devem possuir sanitários. Elemento é a área ou compartimento com finalidade determinada que. e como também a dispersão do pessoal em horários necessários. em conjunto. LOCALIZAÇÃO DO CENTRO CIRÚRGICO O Centro Cirúrgico deve estar localizado em uma área que ofereça a segurança necessária à técnica asséptica. sondas). 4.é o local destinado ao controle administrativo da Unidade. armazenamento e distribuição de artigos estéreis (compressas. bacias. de ruído e poeira. Sala dos anestesiologistas/Cirurgiões .localizados na entrada do Centro Cirúrgico. A localização ideal deve ser a mais próxima das Unidades de Internação Cirúrgica. dramaticidade das operações.Seção de Bloco Operatório: Salas de operação devidamente aparelhadas. COMPOSIÇÃO FÍSICA DO CENTRO CIRÚRGICO O Centro Cirúrgico é constituído de elementos independentes e indispensáveis para o seu funcionamento. instrumentais). Vestiários: (Masculino e Feminino) . permitindo somente a entrada de pessoas autorizadas. 1.Seção de Recuperação Pós-Anestésica: Com leitos equipados para o atendimento dos pacientes no pós-operatório até que os mesmos estejam recuperados e em condições de irem para as suas áreas de origem.Seção de Centro de Material e Esterilização: Área para preparo. principalmente.Seção de Material: Guarda de artigos estéreis e não estéreis utilizados pelas várias equipes nas operações (fios de sutura.

ambiente onde existe risco aumentado de transmissão de infecção. Sala de Operação ÁREA SEMI RESTRITA: área que permite a circulação de pessoal e equipamentos de modo a não interferir nas rotinas de controle e manutenção da assepsia da área restrita. Secretaria . .é a área destinada à reserva de materiais e utensílios utilizados na limpeza do Centro Cirúrgico.destina-se ao controle administrativo e funcional da unidade de Centro Cirúrgico. Privativa do pessoal vestido com a indumentária cirúrgica completa. hidráulica e mecânica).é a área destinada para receber os pacientes no Centro Cirúrgico. não precisa de uniforme privativa.realizam a previsão e provisão de todo o material utilizado pelos anestesiologistas. com rotinas próprias para o controle e manutenção da assepsia. 1994) e 930/92 (Brasil. por ser o local onde o paciente permanece a maior parte do tempo e onde atuam as equipes que lhe prestam assistência.realiza a previsão e provisão de medicamentos e principalmente o controle dos entorpecentes e psicofármacos.Serviços Gerais (Manutenção . . 8. ZONEAMENTO O Centro Cirúrgico é considerado pela Portaria 1884/94 (Brasil. permitindo a entrada no Centro cirúrgico somente pessoas que ali trabalham ou com autorização do corpo administrativo. Administração.Segurança . Auxiliam o anestesiologista durante o ato anestésico.compõe de uma área com câmara escura para revelação e fixação. pelos procedimentos ali realizados.Farmácia . Elementos de apoio: . Área de recepção de pacientes . .Laboratório e Anatomia Patológica . Vestiários.Raio X . .este elemento da Unidade do Centro Cirúrgico exige um enfoque especial. onde ficam sangue e hemoderivados reservados para as cirurgias eletivas previstas para o dia. 1992) como área critica. ÁREA RESTRITA: entendida como a que tem limites definidos para a circulação de pessoal e equipamentos. Corredores do bloco operatório. Sala de material de limpeza .Auxiliares de Anestesia . 6. Apoio Técnico-Administrativo: .equipe que promove a segurança da equipe que assiste o paciente. que será especificado à parte. Sala de operação . . ÁREA NÃO RESTRITA: entende-se como a área de circulação livre no ambiente interno do Centro cirúrgico.sala equipada com um ou mais refrigeradores. com rígido controle de trânsito e assepsia.elétrica. Compreendendo corredores. . ou seja. com a finalidade de diagnóstico emergencial. 7.sala equipada com aparelhos e uma mesa destinada a exames. eletrônica.5.Banco de Sangue . a recuperação pós anestésico deve estar com uniforme privativo do Centro Cirúrgico.

durável. · ensino REQUISITOS BÁSICOS PARA GARANTIR A SEGURANÇA E A EFICIÊNCIA DAS TÉCNICAS APLICADAS. impermeável. O formato da sala deve ser retangular ou oval. ser absorvente de luz. Ortopedia. com dimensão mínima igual a 4. com dimensões mínimas igual a 4 m. resistente a agentes químicos comuns. não porosa. com dimensão mínima igual a 6m. esta proporção merece uma análise devido ao advento da cirurgia ambulatorial e aos avanços tecnológicos aplicados à técnica cirúrgica. O tamanho da sala de operação: Portaria 1884/94 Sala pequena de Operação: 20 m2 . Operações: Otorrino e Oftalmologia. realçar a sujeira. resistente ao choque. Sala grande de Operação: 36 m2 . Exemplo: granilite. Não é aconselhável que uma sala de operações seja quadrada. assim. Cardiovascular. . PORTAS As portas devem ser suficientemente largas para facilitar a passagem da maca e equipamentos cirúrgicos. mármore. Operações: Geral. a menos que tenha uma área de maior dimensão. a estrutura das mesmas. A capacidade de Centro Cirúrgico é estabelecida segundo a proporção leito cirúrgico e Salas de Operação. Operações: Neurologia. A porta lateral com visor é destinada à entrada e saída de membros da equipe. possuir metal na altura da maca para evitar o estrago das mesmas. TAMANHO O tamanho das salas não depende do tamanho da cirurgia a ser realizada e sim. sem fendas ou fissuras. Sala média de Operação: 25 m2 . acompanhando. que reduziram o período de internação hospitalar.7 m . ter aspecto estético. laváveis e resistentes. dos equipamentos necessários aos tipos de intervenção.SALA DE OPERAÇÃO A sala de operação é o local destinado a realização dos procedimentos cirúrgicos. Pela Portaria 400 MS: 1SO/25 leitos cirúrgicos 1SO/50 leitos -geral Nos dias atuais. PISO O piso deve ser de superfície lisa. além disso o trilho do chão dificulta a limpeza e pode causar acidentes. Características: · Duração do movimento cirúrgico · Especialidades cirúrgicas · Tipos de operações. A porta de correr é contra-indicada pois. de fácil limpeza e de boa condutibilidade. As portas deverão ser de materiais incombustíveis. necessita do uso das mãos para abri-la e causa barulho.

ante acústico e não refletor de luz (cores claras . material liso. e todas as tomadas devem ser aterradas para evitar queimaduras e choques no paciente e na equipe cirúrgica. lavável. resistente. · manutenção da unidade relativa do ar em torno de 55 a 60%.1. não permitindo a entrada de poeira e insetos.25 trocas/hora. · produzir o mínimo de calor no campo operatório. verde). VENTILAÇÂO O sistema de ventilação está relacionado com a situação econômica da instituição que lhe permite ou não a utilização de recursos técnicos mais aperfeiçoados. não conter ranhuras. ILUMINAÇÂO A iluminação natural na sala de operação ajuda a compensar o esforço visual e age como germicida por meio dos raios ultravioletas. O uso de janelas está relacionado com dois componentes importantes: a ventilação e a iluminação. As lâmpadas do teto deverão estar protegidas para evitar a queda e facilitar a limpeza. para cada 2 salas de operação: · 1 lavabo com 2 torneiras munidas de características especiais.PAREDES As paredes com cantos arredondados. que tornem possível abri-las ou fechá-las sem uso das mãos. cinza.azul. facilitar a limpeza e contribuir para a manutenção das condições de menor risco ambiental. com sistema de insuflação e exaustão mantendo discreta pressão positiva dentro da sala. A iluminação é feita através de foco e este. Os degermantes anti-sépticos a serem utilizados devem estar regulamentados por . a iluminação artificial é de mais fácil controle nas 24 horas e pode ser adaptada tipo de construção. para ser eficiente precisa: · oferecer luz semelhante à natural. e as intersecções de paredes devem ser arredondadas. · espaço suficiente para duas pessoas lavarem-se simultaneamente .5 m do piso. sem sombras e reflexos. · troca do ar ambiental . Entretanto. como medida de segurança. JANELAS As janelas são necessárias apenas para facilitar a entrada de iluminação artificial. · fornecer iluminação adequada ao campo cirúrgico. lavável. TETO O teto deve ser de material resistente. O sistema de ventilação deve: · proporcionar temperatura ambiente em torno de 22 a 23°C. LAVABO É previsto. ser focada em qualquer direção. Essas recomendações decorrem da necessidade de se evitar reflexos. · remoção do ar da sala de operação. podendo ainda. · nível sonoro de instalação mínimo.10 m2 por torneira. TOMADAS Nas salas de operação devem ser colocados tomadas e interruptores a 1.

É de grande importância a instalação de um relógio para o controle do tempo de escovação. Diário Oficial da União. Os equipamentos podem ser fixos (aqueles adaptados à estrutura da sala de operação) e móveis (aqueles que podem ser deslocados ou acrescidos na sala de operação). Portaria 1884 de 11 de novembro de 1994. Diário Oficial da União.órgão governamental . EQUIPAMENTOS DA SALA DE OPERAÇÃO No planejamento de equipamentos e materiais a serem utilizados na sala de operação. 4 de set de 1992. Gatto. 12279-82. Brasília. Ministério da Saúde. Dispõe sobre normas e instruções para o controle de infecções hospitalares no país. Portaria 930 de 27 de agosto de 1992. Ministério da Saúde. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Brasil. 15 dez. 19523-549.Escola de Enfermagem. 1994. 155p. 1996. Dispõe sobre normas destinadas ao exame e aprovação dos projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de saúde. .616/98 e 15/88 e autorizados pela comissão de infecção do Hospital. Análise de utilização de salas de operações. MAF. Universidade de São Paulo. Seção I. Brasília. Seção I.Ministério da Saúde: 2.Portarias . Brasil. Tese (Doutorado) . a quantidade é um aspecto importante a ser observado. pois implica na durabilidade dos mesmos e na segurança para o paciente. São Paulo.

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