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Seção: Estudo bíblico

Título: A caverna não é o seu lugar


1 Reis 19.1-15
A Bíblia nos relata a história de Elias, profeta usado por Deus de forma poderosa. Porém,
em um momento da sua vida, ele vivenciou muito temor e forte estresse emocional. Nessa
ocasião escondeu-se numa caverna. Elias sentiu medo, angústia, rejeição, vontade de
morrer. Ele experimentou a depressão. Tais sentimentos são comuns a todos os seres
humanos, mesmo àqueles que seguem a Cristo, porque fazem parte da natureza humana. A
diferença entre o cristão e o descrente está na postura diante das dificuldades e na
segurança quanto ao socorro do Senhor. Esses sentimentos poderão nos atacar, entretanto,
não ficarão enraizados dentro de nós, pois o Espírito Santo frutifica os sentimentos que
levam a vencer as disposições negativas e destrutivas.
A Bíblia diz que Elias, deprimido e abatido, entrou numa caverna. Segundo o dicionário
Aulete Digital, caverna significa: “cavidade grande e funda no interior do solo, em rocha ou
terreno rochoso; furna; gruta. Qualquer cavidade muito profunda; antro; cova. A parte mais
interna ou íntima, recôndita, pouco acessível. Lugar obscuro e fechado”. Elias, realmente,
quis se esconder num lugar onde ninguém pudesse encontrá-lo.
A caverna representava a alma de Elias, fechada e temerosa para tudo e para todos. Ele
vinha de uma batalha espiritual contra os profetas de Baal, no monte Carmelo, e saiu
vitorioso, pois Deus manifestou o seu poder de maneira extraordinária. O nome do Deus
altíssimo foi glorificado por todos.
A rainha Jezabel, esposa de Acabe, rei de Israel, adoradora de Baal, ficou enfurecida e
lançou uma palavra de morte contra Elias. Ele fugiu temeroso, com medo de morrer.
Talvez você também questione a atitude de Elias. Depois de vencer tantos profetas do mal,
ele fugiu com medo das palavras de uma mulher. Pensando bem, depois de uma grande
batalha espiritual, a fragilidade é maior. Basta uma palavra para nos derrubar ou levantar.
No caso de Elias, uma ameaça de morte o levou a uma profunda depressão.
Compreendemos, com isso, que a intimidade com Deus e o poder de Deus na vida do
cristão não o tornam imune ao abatimento moral ou físico. Basta deixarmos de olhar para o
Senhor por um pouco de tempo para oscilar a nossa visão espiritual.
Os nossos olhos devem estar fixos em Deus; corpo, alma e espírito ligados Nele, para que
as palavras lançadas pelo maligno não nos atinjam. O escudo da fé tem que estar na posição
certa para nos abrigar dos dardos inflamados do maligno. Há palavras que vem como
dardos inflamados, lançados pelo adversário com o objetivo de destruir a nossa fé, tirar a
nossa alegria, a nossa esperança, a nossa vontade de viver e de fazer a obra de Deus. Há
palavras mais destrutivas que a agressão física, pois marcam a alma e deixam feridas
profundas, que só Deus consegue curar com suas palavras de vida – porque há coisas que
só Deus pode fazer.
Aprendemos na história de Elias que não somos supercrentes, imbatíveis por nós mesmas.
Imbatível é o Espírito Santo que habita em nós. A Palavra de Deus diz: “Filhinhos, sois de
Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no
mundo” (1Jo 4.4). Ele é a nossa força. Só com Ele vencemos o reino das trevas.
Aprendemos que, por um momento, até podemos entrar na caverna, mas a caverna não é
nosso lugar. A maneira como Deus tratou Elias na caverna é admirável. Ele agiu como
psicólogo. Deus é o “Psicólogo dos psicólogos”, porque Ele nos sonda e nos conhece
melhor do que nós mesmas.
Veja o que Deus disse a Elias na caverna: “E ele lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste
monte perante a face do Senhor. E eis que passava o Senhor, como também um grande e
forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante da face do Senhor, porém o
Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto, também o Senhor não estava
no terremoto; e depois do terremoto um fogo, porém também o Senhor não estava no fogo;
e depois do fogo uma voz mansa e delicada. E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o
seu rosto na sua capa, e saiu para fora, e pôs-se à entrada da caverna. E eis que veio a ele
uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?” (1Re 19.11-13).
O que Deus estava revelando a Elias através desses fenômenos da natureza? O que o
Senhor nos ensina com a experiência de Elias?
Ele nos faz entender que na vida enfrentamos ventos que sopram de maneira contrária, mas
o Senhor não está nesse vento. Ele está conosco para nos ajudar a passar pelo forte vento, a
fim de que não sejamos levadas para longe dele.
Há momentos que passamos por conflitos e abalos, como os de um terremoto. São situações
que desestruturam e transtornam a vida. O Senhor não está nesse terremoto. Ele está
conosco, impedindo que as perturbações nos enfraqueçam e nos tirem da sua presença. O
Senhor jamais nos deixa.
Na vida também vivenciamos situações que causam dor, sofrimento e fazem grandes
estragos. Assim como o fogo. Mas o Senhor não está nesse fogo. Ele está conosco para o
nosso bem-estar, para nos consolar, nos aquecer com o seu Espírito, nos restaurar.
De repente, Elias sentiu uma brisa suave. O Senhor estava nessa brisa, envolvendo o seu
servo com a sua paz, libertando-o dos seus temores, sarando o seu interior. Logo em
seguida saiu da caverna para dar prosseguimento a sua missão. O Senhor tinha prazer na
vida de Elias, por isso estava sempre ao seu lado.
É assim também que Deus age conosco, porque nos ama. Jesus está à destra de Deus
advogando a nossa causa diante do Pai, pois Ele compreende as nossas fraquezas e nos
perdoa quando confessamos os nossos pecados. Um dia Jesus esteve entre nós como
homem e Deus encarnado, por isso conhece a nossa estrutura, as nossas debilidades, as
nossas virtudes.
Jesus venceu tudo: o mundo, a carne e o diabo (Shedd, Russell. “O mundo, a carne e o
diabo”) e Nele somos justificados pela fé (Gálatas 2.16) e podemos vencer também. O
diabo vem para nos perturbar, desestruturar, afligir, mas Jesus veio para destruir as obras do
diabo (1João 3.8) e nos dar vida em abundância (João 10.10).
Como Deus esteve com Elias, estará sempre conosco. O Senhor jamais nos deixará
prostrados e acovardados dentro de uma caverna, porque há muitas vidas precisando ouvir
da mensagem do evangelho. Na caverna a luz não pode brilhar. Não se esconda na caverna
da solidão, do desânimo, do pecado, da frustração, da amargura, dos vícios etc.
São tantas as cavernas onde as pessoas estão escondidas! Falemos para nós mesmas e para
essas pessoas o que Deus disse para Elias: “Que fazes aqui, Elias? Que fazes aí jovem? A
caverna não é o seu lugar.”
Rosangela Maria Nascimento
Bacharel em Teologia e Bibliocária, RJ
e-mail: rosangela1466@hotmail.com

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