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e s p e c i a l

Monte
Gordo
r e v i s t a

ponto
movel
cidade do
saber
nº 2

Sumário
GENTE QUE
FAZ 30

LÁ VEM
HISTÓRIA 32

SABERES E 16 DICAS
FAZERES CULTURAIS 34

QUEM CONTA
20 PAINEL
UM CONTO CRIATIVO 36

MOVIMENTO
ARTÍSTICO 22

AÇÃO
GOVERNAMENTAL 24

MONTE 06
GORDO 26 ESPAÇO
VERDE

NOSSA
12 SABOR DA TERRA 28 LAZER 38
GENTE

3

Editorial
e s p e c i a l

monte
gordo

Dentro do propósito de contribuir com a história e o quem faz a história e ajuda a perenizar seus saberes
fortalecimento das tradições de cada localidade visitada e fazeres.
pela sua unidade móvel, a Cidade do Saber – Instituto
Professor Raimundo Pinheiro reúne nesta publicação Como no primeiro fascículo, que trata de Barra do
um pouco do universo cultural de Monte Gordo, um Pojuca, convidamos o leitor a conhecer agora um
pedacinho do município de Camaçari. pouco mais sobre os habitantes, o cotidiano, as
tradições e até a culinária de Monte Gordo.
Seguindo a premissa do projeto de unir arte, cultura,
esporte e educação para a inclusão social, através desta Nas próximas edições vamos apresentar uma porção
revista, a Cidade do Saber busca também registrar, do universo cultural de Barra do Jacuípe, Jauá,
preservar e divulgar a cultura local. Aqui, é revelado um Arembepe, Areias, Vila de Abrantes e o povoado de
pouco do dia-a-dia dos personagens das comunidades Cordoaria (remanescente quilombola).
visitadas pelo Ponto Móvel para mostrar o universo de

Boa leitura!

Essa publicação segue as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, em vigor desde janeiro de 2009.

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Distrito de Monte Gordo Sejamdos bem vin Camaçari 1 Barra do Pojuca 2 Monte Gordo 3 Barra do Jacuípe Cidade do Saber Sede Camaçari 4 Arembepe 8 5 Areias Cordoaria Distrito de 6 Jauá Abrantes 7 Vila de Abrantes 5 .

Havia ainda o do de Camaçari. tecidos. Cascalheira. a 40 km de Salvador. conta.. Em volta do largo vendas esses estabelecimentos moviam Ouro. na Praia do Ponto. roupas. Entre os mais famosos diversificada quanto os nomes de suas pontos comerciais. em frente à Igreja como acontecia nos tempos dos grandes gente fazer roupa. o comércio ainda é comprava esses tecidos na loja Solto mantido. Sem contar com armazéns. Gordo. 6 . em Salvador. O centro Rafael Conceição e Waldemar Tavares. os remédios. Sem falar da dos pescadores (Sociedade São Francisco lembra um pouco desse tempo: “Meu piaçava. Manuel Gringo (turco) e o de José Monte Gordo) e também o espaço físico Gringo (italiano). Certo mesmo é mercado. “Eu me lembro que ele entorno. de farinha e mamona. e da Linda. armazéns locais. a sede Linda Giffoni. filha de José Gringo. Tão surgiram pequenas ruas. de propriedade de ou originalmente Bom Jesus de Monte alguns aspectos daquela época. os armazéns localidades é a história de Monte Gordo. Lá estão o mercado. etc. Quando chegava. e s p e c i a l monte gordo Um recanto de peculiaridades São Bento. utensílios. excelente para 1991 pela Prefeitura de Camaçari). Marimbondo. As mulheres vinham com pequena pecuária. Ao redor da praça encontram-se alimentos. a roupa era toda de São Francisco. mas não se troca mais a palha Maia. Antiga vocação. A história da localidade começa com o do ouricuri por um corte de tecido. Lá era possível encontrar de tudo: diferenças (ver boxe). no município reúne a Praça Rafael Arcanjo Vieira respectivamente. Vendia tecido. Junto com as pequenas rodada”. Capoeira Feia. o mercado (reconstruído em a fartura do coqueiral. o extrativismo do fruto. artigos de pesca. (antigo comerciante e conselheiro de Sr. a barbearia. a Capela de São Francisco e o Jesus. todos na Rua Bom Até a origem do nome é envolta em da feira. que a localidade já foi grande produtora serviços como os Correios. em Guarajuba. vendia tudo. da pesca sempre abundante de Guarajuba) e o restaurante de Dona pai tinha uma loja.. Todos os produtos o babaçu. Rua do a feira e o comércio. Jacaré. a economia. com o oricuri pra trocar por eram comercializados em Salvador e no Comércio forte tecido”. A configuração espacial atual guarda Conceição e Caboclo. mamãe tirava aqueles tecidos pra a surgimento de um largo.

que pertencia a uma das famílias mais tradicionais. Uma terceira versão remete a uma pessoa conhecida como o “gordo” do monte. Versões para o nome A falta de um documento que comprove a origem do nome Monte Gordo gerou versões. A última interpretação saiu dos livros de Luciano Reis. escritor e morador da vila. Outra diz que o nome veio com a criação da Freguesia de São Bento de Monte Gordo (1815) e o local se tornou famoso pela fartura do gado bovino de corte. no sul de Portugal. A primeira fala que o lugar foi batizado pelos índios por causa das altas dunas. Ele conta que o nome Monte Gordo derivou de uma região do Algarve. 7 .

foi inaugurada a sede da Sociedade do Governo do Estado. domingo era dia de Transporte difícil dos Pescadores de São Francisco de feira. alguns garantiram a diversão do lugar durante comerciantes locais resolveram investir Pescadores muito tempo. a criação desse frente da organização Aloísio Tavares. Salvador para fazer a linha Monte Gordo manifestações de cultura popular foi Lourival de Sena. pois a maioria se foi com os mercearia e conhecido por Seu Lorinho. A difícil. O comércio informal era armado Os tempos eram outros e o sistema Guarajuba. Um tempo depois. como o do os chamados “paus-de-arara”. em caminhões e passaram também a A primeira mobilização da sociedade civil manifestação criada pelos primeiros fazer o transporte dessas mercadorias de Monte Gordo se deu a partir de 1951. tendo à de transporte em Monte Gordo era morador e historiador. Nos anos seguintes. mesmo com uma população bem grupo propiciou o encontro das classes partir de dezembro de 1947. artísticas e dividido em boxes com quatro açougues. Rafael Conceição. o do Urubu e o do Macaco. animais (burro ou cavalo) e o trem Os moradores de Monte Gordo têm Era um galpão aberto. Por volta de Edital de Manifestações de Cultura Popular Salvador. a “brincadeiras”. ainda continua ativo. Caçador. João – Alagoinhas). a surgir os primeiros caminhões que realidade local já havia se transformado transportavam mercadorias e passageiros. e a vila já tinha a maior população do Diversos ternos de reis. No entanto. muitas das quais de origem passageiros chegou em 1954. Os meios de armazém. só nos anos 50. o proprietário do faltavam boas estradas. Lorinho conta que. capital. coberto por palha e “Pirulito” (que fazia a linha Mata de São diversas tradições culturais. também ex-dono de – Calçada. a localidade era de difícil acesso. manga. Seu distrito. vindo de africana. e s p e c i a l monte gordo Seu Lourival e Dona Linda Em Monte Gordo. Embora próxima à sociais da localidade. novas empresas criaram linhas para outras mestres que detinham os saberes dessas a partir da década de 1940 começaram localidades. O Mandú de Monte Gordo. boa parte das Segundo o marido de Dona Linda. coco. que até então pouco ser em frente ao Armazém Conceição. que se sendo inclusive um dos contemplados no para Camaçari. passou a inferior à de hoje. (carvão. Em meados dos anos 1970. O primeiro ônibus de religiosas. extinta. 1953. Segundo Adelmo Santos. 8 . via Jordão. farinha e peixe) por iniciativa dos pescadores. moradores da região. Tradição e cultura mercado em frente ao estabelecimento. conviviam entre si. próximo ao Largo do Jacaré. construiu um transporte mais usados eram o saveiro. Mata de São João e organizaram por uma sede.

Fazia-se uma fatada ou uma feijoada e convidava-se todos os vizinhos e amigos. “Antigamente.. se carregava barro e água”. Durante todo o dia. Nossas casas eram modestas. não havia muita coisa pra fazer. e eram construídas em mutirão. feitas de barro com varas. Dona Gilda 9 .

recorda-se. e s p e c i a l monte gordo Chegança. Sua população era de Souza. 1985. entre 1930 e 1940. Gilda fala Uma das brincadeiras de maior apelo popular é a de suas lembranças: “Tem muita coisa que a gente não Chegança. lamenta. o Bangariô. uma espécie de quilombo formado por filhos de ex. que cediam espaço para a brincadeira. Salvador. prováveis descendentes dos negros trazidos casas de moradores como Antonio Cardoso e Cassemiro da África pela Casa Garcia D’Ávila. que foi incorporada à tradição João José Reis. como a ‘Puxada de Rede’. eles mesmos dizem. que de cima da ponte e se sujando na areia branca de beira de conta com 30 homens e uma “artilharia” de 16 pandeiros. interesse entre a comunidade e teve grande vigência até a década de 1950. Mestre Careca organizou uma Chegança. local. “Monte Gordo era uma outra manifestação que estava inativa. Dança realizada por duas fileiras de Dissertação de Mestrado em Geografia. associada aos eventos festivos da comunidade. que dava no quintal das casas e fazia a diversão da garotada. pulando Em Caraíba. animada predominantemente negra. Deixou de acontecer até início da década Uma boa lembrança da infância de Gilda é o rio límpido de 1980. Os barcos chegavam do homens. a manifestação do boi acontecia em escravos. Entre 1940 e 1950. “começou a clarear”. filha de “brinquedo” do lugar pescador e moradora do Beco da Cebola. Liberdade por um fio: História dos Quilombos no Brasil. de Documento ATECPLAM. rio”. Salvador: Ufba. Hoje tempo e na memória da população . 1997. o A moradora Ermenegilda Guedes da Silva. indivíduos que executavam movimentos vigorosos. organizada e com participação exclusiva dos esquece. Sua presença em Monte Gordo se perde no mar e a gente ia puxando aquela rede cheia de peixes. como pelos tocadores João e Domingos Viola. diz que sente saudade de muita coisa do tempo de criança. Não só pelas bandas de Monte Gordo. belo efeito coreográfico. o Boi Estrela. 10 . Careca foi responsável pela ativação de Segundo o historiador João Reis. mas. Mudanças Sócioambientais e a resistência dos povos africanos trazidos à força para o Desenvolvimento em Monte Gordo e Guarajuba/ Município de Camaçari-Bahia. quando foi reativada. com a chegada de elementos de localidades mais próximas da capital”. Se as Cheganças cantam os feitos portugueses.despertava grande não existem mais tantos peixes”. mas também em Barra do Jacuípe. 2006. Brasil. em Monte Gordo existia uma outra manifestação que representava Fontes: Perpétua Maria Carvalho Brandão. “A gente tomava banho todas as tardes.

quando a areia já estava fria. ou Camaçari e pegar um trem chamado Pirulito. às 5 da manhã. O trem saía às 7 da manhã e • Nos finais de semana as mulheres iam retornava às 7 da noite. No Inverno. elas pescavam camarão. depois de colocar as roupas no quarador. para ir de Salvador a Monte Gordo era necessário passar por Dias D’Ávila (que se chamava Feira Velha) Para voltar era preferível sair mais tarde. tinha um Enquanto as roupas esquentavam no de Monte barco para fazer a travessia. para as lagoas lavar roupas. Para ir à praia sol. 11 . Passavam o dia inteiro. (caramujo). pois mariscavam a sua comida Baianas • Para Guarajuba o caminho era feito a pé. Curiosidades • Antigamente. na Lavagem passando pela lagoa. peixe. A estrada só veio em 1972 e o asfalto em 1987. aruá Gordo era preciso sair cedinho.

principalmente no entardecer e quando a maré está baixa. Guarajuba foi originada de uma antiga vila de caranguejo. locais é possível ainda a prática da pesca e do mergulho. onde há uma maior Genipabu. os quais formam piscinas naturais. Guarajuba é um balneário bem estruturado. atmosfera poética de vila. que. ecossistema em sua diversidade de flora e fauna. devido à proteção das barreiras de da Indonésia. entre outros. Não deixe de visitar principalmente na área conhecida como Praia Praia Scar Reef: localizada na Fazenda do Porto de Guarajuba. por ser tão importante para o ventos são sempre constantes. Nesse local. e s p e c i a l monte gordo Também é Monte Gordo arrecifes. prática da Guarajuba natação e admiração da fauna marinha nas Como muitas localidades da orla de Camaçari. ideais para o banho de crianças. pescadores e ainda conserva esse ambiente rústico e bucólico em alguns pontos. paredes de corais: pinaúna (ouriço do mar). é considerada uma das melhores concentração de pescadores. numa referência canal ao lado que nunca fecha. A praia possui uma bancada perfeita de coral. faz parte de uma Área de Proteção Em companhia de experientes pescadores Ambiental (APA). O fundo de corais. com um imenso e significa garça dourada. 12 . Como se não bastasse isso. os lagoas. pequenos peixes. do Brasil para a prática de esportes náuticos os barcos de pesca ancorados criam uma como surf. possui praias de águas cristalinas e mar O nome Scar Reef faz referência a uma praia calmo. favorece a a uma ave muito comum na região das prática do surf. onde quebram muitas ondas direitas e A palavra Guarajuba vem do tupi-guarani esquerdas. windsurf e o kitesurf.

com diversas formações vegetais associadas ao rico ecossistema lagunar e de praia. se caracteriza por ser uma das últimas áreas representativas do ambiente natural da orla de Camaçari. A lagoa Guarajuba-Velado é considerada uma das áreas úmidas mais significativas do litoral norte da Bahia. Área ecologicamente importante. Fonte: CRA 13 . Guarajuba encanta os visitantes pela praia. lagoa e sua diversidade paisagística A APA Lagoas de Guarajuba é uma região de exuberante paisagem. com extenso coqueiral e praias calmas e limpas. Serve de tampões hidrológicos para reservatórios subter- râneos. reduzindo os efeitos da poluição. além de ser abrigo para aves migratórias e local de reprodução de jacarés e sucuris.

não candeeiro. Fui conhecer a em homenagem a conterrâneos. e fregueses ilustres. que transportava tudo. me dava o dinheiro pra eu comprar ou menos umas cinco horas. num saveiro grande. quando eu me casei. Ele me mandava levar Seu Narciso: Foi de saveiro. meu estômago não segurava nada ficou famoso pelos tira-gostos e pela boa e quando Seu Rafael não tinha algum do que eu comia. carga e passageiros. A gente comia carne de boi de oito em oito dias. ancorando na possui dotes literários: Seu Narciso guarda um em outra venda. Aí eu fazia as compras e Barra no horário de 5 horas da tarde. com passageiro e tudo. era muita fartura. eles ficavam bêbados por causa do tinguí e a gente saía catando. Durante o do Amarelinho”. dono do Quando meu pai chegava da pescaria. A viagem durava mais prosa do dono. cor do estabelecimento que peixe e um bilhete pra pegar as compras caminho. também produto. Comerciante. Seu Narciso: Sim. Aqui Revista Ponto Móvel: O senhor pode contar a gente pegava uma folha chamada RPM: E tinha o que para se distrair em um pouco sobre a história da sua família? tinguí. e criado em Monte Gordo. pisava na praia. deixava a areia bem Monte Gordo? 14 . RPM: Como foi a sua primeira viagem nas últimas décadas. salgava. Tudo que a gente precisava perto as muitas transformações na localidade ele trocava no armazém de Seu Rafael. Fazia Bahia num saveiro grande” moqueca. foi apelidado por seus fregueses de “Narciso pesava e levava lá. Além de comerciante. história da sua família e do lugar que escolheu nessa época? Era tão grande que cabia a carga de um para passar toda a sua vida. a para Salvador? bar “Recanto da Paz”. daqui às 10 horas da manhã. Até 1971. que chamava Aladim. 73 anos. acompanhou de plantava nada. caramuru. gente separava o peixe que ele escolhia. a gente ainda usava em casa um Narciso Augusto de Jesus. botava pra secar. Quando a água trazia os peixes. políticos ‘Bahia. nascido Seu Narciso: Meu pai era pescador. a cidade da Bahia’. caminhão. saindo caderno de anotações onde escreve poemas vinha embora pra casa. Ele conta um pouco da RPM: Tinha muito peixe em Monte Gordo. então não tinha como estocar nada em geladeira. e s p e c i a l monte Nossa gordo Gente Entrevista: Narciso Augusto verdinha. “Fui conhecer a cidade da polvo. na entrada do distrito. Não tinha luz.

já cobravam pra gente atravessar a gente aqui tem saneamento básico. era Nossa Senhora das Dores. Tanto que serem recebidos. participava propriedade particular). a gente com políticos que visitam a comunidade para tava dormindo e eles nos acordavam pra saber das nossas necessidades. eu tenho foto com alguns desses políticos. No dia seguinte era de todas as reuniões. com as lideranças de Dia de Finados. E eles têm me atendido. (Casa da Torre dos Garcia D’Ávila). A época. A padroeira da igreja de lá pedem para eu falar com alguns políticos. pra festa Caetano (atual Prefeito de Camaçari. As pessoas daqui me festa nenhuma. que eu faço. Naquela fez o asfalto até ali em Lourinho. Tinha um caminho por aqui o seu primeiro mandato no ano de 1986) que dava na ponte do Rio Pojuca. mas a festa porque acham que eles me escutam e é o era de todos os santos. Dia 1º de novembro. aí tinha sambão também. a gente ia pra Torre Há 20 anos esse caminho não era asfaltado. Tinha o Terno localidade? do João Guará. eles saíam pelas casas Seu Narciso: Procuro participar das reuniões cantando e dançando. Em janeiro. RPM: É verdade que o senhor atua como Seu Narciso: Tinha uns ternos que saíam da articulador para trazer benefícios para a casa da avó da minha esposa. 15 . Eu lutei pé essa ponte (que ficava dentro de uma muito também pelo transporte. em 1986. que teve e pra missa. o das Melindrosas e o da Raposa. Às vezes. nem parecia que tinha tido todas as localidades.

e s p e c i a l monte Saberes gordo e Fazeres Mestra Helena e familiares Mestra Helena do Mandú Foi depois de ter se casado. Meu filho Antonio é quem 64 anos e mestra do Reisado do Mandú. Ilário Bispo dos Santos. que são simulados sai dançando”. apagar a luz e faz a surpresa”. no mandú um balaio e um cobertor uma surpresa pra uma amiga. antigamente os mandús “Eliene. 16 . geralmente é uma figura sem formas que veste roupa por cima da cabeça e uma vara. aos 21 anos. relata dona Helena. Hoje. No candomblé. Monte Gordo o mandú tem um guará. A gente manda fechar braços desengonçados. tem ativado o terno O Mandú de Monte Gordo foi eram pessoas ligadas ao candomblé que junto com o sanfoneiro e com uma contemplado no Edital de Manifestações participavam da festa cumprindo filha dele. Aqui em de Culturas Populares da Secretaria de preceitos religiosos (promessas). tem a cabeça agigantada e representa os dois braços. o mandú manifestações culturais. que quando é aniversário. Cultura do Governo do Estado em 2009. com bandeira. O que é o mandú? folguedo foi o marido. representado pela minha neta Eduarda que Dona Helena aderiu à brincadeira e e a irmã dela mais nova brinca com a apaixonou-se pela coisa toda. que já participava de outras O grupo tem mais de 20 pessoas que Em sua origem histórica. sendo inclusive saem pela localidade cantando e representava para o povo de santo um egum o boi de outro terno. por um cabo de vassoura. ninguém pode gente ia de casa em casa. que bota o pessoal pra ela conta que quem lhe apresentou o dançar”. dançando no dia 6 de janeiro. e chega à casa da larga e colorida. “Daí ele pessoa sem avisar. Segundo a mandú é mantido por toda a família: tradição oral. mas agora não saber quem está por baixo da indumentária A representação consiste em colocar fazemos isso mais. Às vezes a gente faz do egum. O tradicional mandú. chamada Ninha. minha filha. “Antes a ancestral. faz o caboclo. como o egum. O a casa.

neta da Mestra Helena Sanfoneiro Carlos Francisco Contatos para apresentações: 3674-1165 / 9626-4472 / 9947-4393 (Eliene) 17 . Janine.

“A gente tira duas e quem cuida hoje é meu cunhado. Ainda existe. Hoje em Seu Marival revela que seu sogro também do ofício que desempenha desde jovem. ou pra dar pra pessoas conhecidas. Seu Marival se orgulha pessoas que colaboram também. diz ele. “O “Eu nasci aqui. dia a gente só faz para a família mesmo. farinha na casa dos outros. diz Seu Marival Morador da localidade de Jacaré. porque não pode tirar casa é de azulejo. 18 . faço farinha e trabalho na gente não vende. mas era pra importante para a economia da região do Casado com Dona Alaíde. conta. Dono de uma sendo que apenas um deles ajuda na pescadores”. a produção é tudo de vez que a gente não dá conta. teve cinco filhos. feita de barro por produção. gente tirava uma quantidade que passava do saber de uma cultura que já foi muito uma semana fazendo farinha. Eu mesmo cargas. e s p e c i a l monte Saberes gordo e Fazeres A Casa de Farinha de Seu Marival “Faço farinha desde rapazote. Antigamente a Vieira Cavalcante é exemplo de detentor rapaz. não”. lá em Boa Esperança. mas a em Boa Esperança (Monte Gordo). uma carga. explica. quando pode. vender ou trocar em Guarajuba com os distrito de Monte Gordo. tem motor. minha luta sempre foi na roça”. típica casa de farinha. contando pai da minha esposa tinha uma casa de roça desde rapazinho. “Tem umas três suas próprias mãos. fiz essa casa aqui. É bem maior”. já tem mais de 20 anos”. mas. Marival construí essa casa de farinha com um uma mão-de-obra danada. Lá a que casei. Antes a gente fazia que a roça é no fundo da casa e a farinha farinha. produzia bastante em sua casa de farinha. depois é feita a cada 15 dias. compara.

Seu Marival 19 .

As pessoas vinham de toda a redondeza com suas latas e potes para apanhar água. apesar de ser vermelha. A população fazia mutirão pra limpar de ano em ano a fonte. que. foi abandonada pelos atuais moradores e quase secou. filhos do lugar”. Dentro dessa fonte haviam muitas rãs grandes. Algumas pessoas tinham medo delas e pagavam para outras fazerem a limpeza anual em seus lugares. a água escorria por um rego e no meio da fonte havia uma grande pedra. Hoje essa fonte praticamente não existe mais. tinha um sabor agradável e era fresquinha. Ficou somente a lembrança dos mais velhos. e s p e c i a l monte Quem Conta gordo um Conto? Fonte de beber Por Ermenegilda Guedes da Silva “Era um minadouro. 20 . que tinha uma água avermelhada e que todos acreditavam curar doenças.

21 . pra botar na pastagem daqui. porque o gado engordava mais rápido. Então. Uns contam isso”. Monte Gordo Por Lourival Sena “O nome do lugar sempre foi Monte Gordo. Os donos dessas terras. por causa desse morro bem alto onde o gado pastava e engordava. Uns dizem que era por conta de um morro bem alto que tinha ali no fundo do Amarelinho (bar do Seu Narciso). eram os Garcia D’Ávila. traziam de lá de Itapuã pra cá. o nome ficou Monte Gordo. Eles pegavam o gado magro. que iam do Rio Vermelho até o Conde.

autores e intérpretes da banda a estudante da Faculdade de Jornalismo “Ecofrase”. sobretudo iniciativa do Palco da Cidade é mais que aqueles mais afastados do centro. Raquel da Silva Com uma programação bastante “Achei as apresentações muito variadas. poesia. 22 . já que há uma carência de espaços As apresentações abrangem diversas artísticos de um modo geral”. Raquel da Silva Santana. e André Luiz da Cidade do Saber. e esta é uma oportunidade de mostrar isso. arte circense. Os candidatos participam de foram Alessandro Ferreira de Oliveira. Santana diversificada. Yago Freire e Cleber Uma das finalistas em Monte Gordo foi Rios. a dos distritos da cidade. Silva. teatro. Para ela. opina. mobilizando a população de expressão artística”. do evento. literatura. e s p e c i a l Movimento Artístico monte gordo Palco da Cidade A criatividade e o talento artístico da (Facom) da Universidade Federal da gente de Camaçari são revelados através Bahia (Ufba). o palco promove pequenos contemplando diversas modalidades concursos. Outros finalistas em Monte Gordo entre outras. sendo que encantou a plateia com sua que as finais acontecem no Teatro da imitação de pássaros. Ela do Palco da Cidade. seletivas nas localidades da orla. um espaço criado apresentou a canção “Faz um milagre em pelo Núcleo de Produção do Teatro mim” e diz ter gostado muito de participar Cidade do Saber. bem vinda: “Existem muitos talentos desta forma. Adão Gomes. dança. ganham mais cultura e desconhecidos em nossa comunidade entretenimento. que. disse. linguagens artísticas: música. Luiz Carlos. Tony Novais. Welington Rios.

Alessandro Ferreira de Oliveira Plateia prestigiando o projeto 23 .

a relação de pertencimento à esfera do com capacidade para 80 pessoas. além da mais de dez quilômetros para comparecer cidadão de Camaçari às políticas oferta de cursos de hortifruti. A reestruturação e reforma das escolas Desde 2005. iluminação e arquibancada de rede coletora e 18 de rede condominial. As unidades do Cras garantem Além disso. o cuidado com as pessoas de Camaçari estão entre as prioridades Já os investimentos em infraestrutura estão tem sido priorizado. das ganhou uma nova quadra coberta. Prefeitura também tem melhorado o sistema de iluminação pública. também. atendendo a uma antiga beneficiada com os investimentos em o desenvolvimento de potencialidades. 24 . passaram a ter atendimento médico vicinais e de ruas que ainda não dispõem de ser citadas a reabertura da Casa de Farinha aos sábados. Entre as ações realizadas governamentais é o objetivo principal da criação de aves. de pesca e de às consultas. reivindicação da comunidade. com de valorização das potencialidades Amélia Rodrigues foi uma das contempladas: obras de esgotamento sanitário: agora a socioculturais e econômicas. na segurança pública no distrito está a administração pública municipal. esportivo e cultural em Monte Gordo. nova unidade do Centro de Referência reforma e a reativação do Pronto Atendimento da Assistência Social (Cras)/Casa da 24 horas e a unidade de saúde do distrito. como Lagoa vias urbanas. podem Seca. Ainda nesse âmbito. inauguração da 33ª Circunscrição Policial. A escola sendo ampliados em Monte Gordo. Durante O projeto da rede de esgoto contempla município e a integração da população do a inauguração do espaço foi anunciada também a construção de estações elevatórias centro e do litoral. os moradores pavimentação asfáltica e recuperação de fortalecimento de vínculos familiares e de povoados mais distantes. para fortalecer com banheiro. através de ações da política pública de educação. com a ampliação do No setor social. As ações empreendidas também a construção de um novo ginásio e Monte Gordo já ganhou a sua unidade. Agora já não é preciso percorrer calçamento. melhoramento de estradas comunitários. e s p e c i a l monte Ação gordo Governamental Gente que cuida da gente Garantir o acesso de todo e qualquer da Comunidade de Boa Esperança. A em Monte Gordo seguem esse foco. a localidade ganhou uma Ações importantes na área da saúde são a serviço para mais 30 ruas. vestiário localidade conta com mais de 13 quilômetros localidades da orla da cidade. A mobilidade dos moradores tem sido Família.

Saúde e educação estão entre as principais ações da Prefeitura Fotos: Carol Garcia. Nelinho Oliveira e Agnaldo Silva 25 .

que já www. * Afonso Ligori faleceu uma semana após a capacitá-los a ter uma renda”. criar as esculturas. bem como as vitrines e ainda podemos ganhar dinheiro”. ele contou que o madeira de desmatamento encontrada nas “Esse trabalho tem várias vertentes. além de entrada de Monte Gordo começarem a sumir.jardimdeflores. em Rodelas. já tinha vivido basicamente de plantar coco e essa matéria. “Fiz uma oficina. a 700 km desmatamento na região. Sobre uma de suas mais famosas obras. Ambientais) para realizar esse sonho. de bijuterias. do Forte. Estava trabalhando na criação de xaxim. seja o coco seco ou a garças da Cidade do Saber. desse grande artista e ecologista.br 26 . hoje quase que não existe da Cidade do Saber. grande objetivo é despertar a consciência no protesto social. colocar em cima das dunas. explicou. as é todo reaproveitado. fiquei entrevista para a Revista Ponto Móvel Cidade do tão triste que resolvi fazer alguma coisa pra Saber. mas o trabalho mostra o quanto a arte é importante matas da região. Fica aqui a nossa homenagem ao trabalho Em seu atelier “Oficina do Coco”. com carros passando por cima delas. mas em lugares como Barra do Pojuca e Praia prima era jogada fora. serviu de mirante para os pescadores da www. Promovi cursos de quando ele estava com 100 garças prontas. reconhecido comunidade. Sua mais. de Guarajuba”. passando ensinar jovens a reaproveitar os subprodutos a se dedicar a esse trabalho. além de chamar a atenção das pessoas”. O material usado do coco. Afonso produzia o “xaxim” de coco seco. que substitui o tradicional em Ele idealizou a criação de 300 garças para Para saber mais: extinção e com comercialização proibida. Antes de morar em daqui. e s p e c i a l Espaço Verde monte gordo A arte ecológica de Afonso Ligori As garças que embelezam a entrada da sede estamos ajudando a preservar a natureza localidade. do Espaço Conviver.com.br “Temos muita casca de coco por aqui. na Cidade do Saber. “Quando vi as dunas da ecológica de crianças e jovens. Seu Afonso chegou artista de Camaçari. As garças. onde o pessoal vive a ter autorização do CRA (Centro de Recursos Monte Gordo por 12 anos. O lugar. destacam o trabalho vontade era expandir o trabalho para a são prejudicadas pela poluição das lagoas e de Afonso Ligori de Oliveira*.com. que já estão em extinção. objetos de decoração e foi convidado para fazer a exposição “Garças uma organização não-governamental para utensílios”.cocoverderj.

Ao optar por estes produtos. Desde 24 de maio de 2001. o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) criou a resolução nº 278. é a planta de cujo tronco se extrai o xaxim (para a fabricação de vasos e substratos). conhecida como samam- baiaçu. a Dicksonia selowiana. Típica da Mata Atlântica. como vasos feitos com a fibra do coco e substratos como a palha do coco. em razão da intensa exploração comercial. Afonso Ligori O QUE É XAXIM? Uma das espécies vegetais mais antigas. está na lista do Ibama das espécies brasileiras ameaçadas de extinção. ajudamos a preservar a Dicksonia selowiana. que determina a proibição do corte e exploração dessa espécie ameaçada de extinção. ardósia e carvão. 27 . Há produtos alternativos que substituem o xaxim.

que podem ser iguarias nas praias da região. cocada de simples. Nos finais de suculentas cocadas ou queijadas. e s p e c i a l monte Sabor gordo da Terra Divino fruto O coco é o principal ingrediente da A venda das cocadas está entre as atividades culinária local. encontradas ao longo de suas principais ruas. que tem o coco como ingrediente coco queimado. Para quem preferir a forma A partir do chamado “divino fruto” é in natura. a cocada branca. jambo). a cocada de sabores (abacaxi. Bom apetite! amendoim. já que tem vasta produção que ajudam a complementar a renda das em Monte Gordo. bolachinhas de goma ou ainda incrementar o beiju de tapioca. goiaba. Do fruto são feitas as famílias de Monte Gordo. Conheça na página ao lado uma receita cenoura. beterraba. 28 . as codadeiras comercializam as também são conhecidas. sendo muito apreciadas pelos Também do coco é possível fazer as frequentadores do lugar. cocada-puxa e cocada de principal. que contempla de coco e comer o próprio fruto. uma outra opção é saborear a água possível variar a produção. abóbora. como semana. maracujá.

Fora do fogo. Volte com a panela ao fogo e deixe cozinhar. Cocada Mulata Ingredientes: Modo de preparo: • 4 xícaras de chá de açúcar Em uma panela. Quando desgrudar. coloque o • 2 xícaras de chá de coco ralado restante dos ingredientes e misture • 1 colher de sopa de manteiga bem. Está pronta. queime o açúcar • 1 copo de leite em fogo baixo até que fique escuro. 29 . Coloque algumas colheres de cocada em uma pedra de mármore até esfriar. retire do fogo novamente.

e s p e c i a l monte Gente gordo que Faz Aquicultores participam da cooperativa Parceria que deu certo Uma experiência interessante na área de surgiu a necessidade de uma organização piscicultura resgatou um antigo projeto cooperativismo pode ser vista na localida. criar abelhas nativas (como a uruçu) e afri- va Agropecuária e Industrial Coqueiro de canizadas. para que as mulheres de Coqueiro ga- Pequenos Agricultores Nova Esperança de dos cooperados (agricultores. “Agora fazemos em grupo Através de um acordo entre o Governo e vendemos nas feiras e praias”. rantissem qualidade na produção e melhor Coqueiro de Monte Gordo). secretária da Coo. foi aprovado o projeto “Profissio- A partir daí. “no início havia 20 cooperados. a Coopermonte. busca atender às necessidades ras. permonte. distribuição. presidida por Adria. produzindo frutas. em 1987. em pro. Segundo Eliane Costa. nefícios para o Campo do Coco. O núcleo de apicultura/ de de Coqueiro. coca. Foi então meloponicultura busca incentivar jovens a do. que já produzia nalização das cocadeiras do Litoral Norte” do próprio trabalho. o Campo do Coco. Foram criados quatro renda das cooperadas. criada em 2005 para ser o Hoje. da associação. vice-presi- sociação na área onde funcionava um do a qualidade de vida e o resgate da dig. comprado de produtores da associação e mílias foram assentadas no local. já havia a produ- campo experimental. Trata-se da Coopermonte (Cooperati. começou a trabalhar com o me. aquiculto. viabilizando atividades Tudo começou com a criação de uma as. meloponicultores. de residências. nidade de seus integrantes. lhor aproveitamento dos produtos. Com o crescimento. sendo a maioria mulheres contas da cooperativa e complementa a uma área comunitária para a construção entre 18 e 50 anos”. O coco é Estadual e a Prefeitura de Camaçari. Também foi criado um núcleo Monte Gordo). os assentados puderam viver O núcleo de agricultura. frutas. a comercialização dos produtos ajuda nas priedades de duas tarefas. dente da Coopermonte. Em 2005. com direito a agora são 36. zona rural de Monte Gor. O de Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). núcleos com projetos em cada área. 35 fa. formalizada a Apane. res. dedicado à profissionalização das cocadei- braço comercial da Apane (Associação dos na Santos. apicultores. 30 . de produção e comercialização. Segundo Greiciane das Neves. deiras e doceiras). socioeconômica para a obtenção de be. melhoran. ção individual. em um edital da Fundação de Amparo à verduras e hortaliças.

Cocadeiras da Coopermonte Contatos: Coopermonte: (71) 8207-4809 E-mail: cooper- monte@gmail. com 31 .

foi elevada à agricultura de subsistência até o final dos anos 60. sendo chamada de Vila de Abrantes. No condição de vila. por influência culturais. A cidade foi fundada em 1558 pelos jesuítas. lagoas. Em 1938. ano foi marcado. localizada nas na comida e na religião. é sua gente simples e significa “árvore que chora”. passou sua diversidade. chamava-se Aldeia do Espírito Santo. sobretudo em localidades margens do Rio Joanes. Inicialmente Camaçari. e s p e c i a l Lá vem monte gordo História A trajetória de São Bento de Monte Gordo Mais de 40 quilômetros de belas praias. como É forte a presença das culturas negra e indígena em centro de catequese dos índios Tupinambás. que teve diversos nomes. a criação do município. Sem dúvida. por verter uma seiva em suas hospitaleira. Um dos Camassary é uma espécie da Mata Atlântica e o nome seus maiores patrimônios. folhas. sede de um dos mais importantes pólos industriais do país e berço de tradicionais manifestações A cidade chegou a se chamar Montenegro. A economia de Camaçari era baseada na pecuária e na quando. pela expulsão dos jesuítas. ainda. A marca dessas culturas é vista no artesanato. Camaçari pode ser traduzido por política de um dos herdeiros de suas terras. A data oficial de fundação é 28 de setembro de 1758. rios e coqueirais. por decreto do Marquês de Pombal. uma mudança significativa acontece na década 32 . como se fossem lágrimas. Uma característica que se mostra desde definitivamente a ser denominada Camaçari. dunas. Na origem. Aquele entanto. distribuída entre a orla e a sede. no entanto. remanescentes de quilombos.

A localidade de Guarajuba. não só Camaçari. estação de originalmente como pontos de parada. integrado do Hemisfério Sul. com a sua vendas e quitandas. de São Bento de Monte Gordo foi criada através de Fonte: Documento ATECPLAM. pontos para trocas de mercadorias escolha para estação de veraneio por pessoas da elite e abastecimento. cujas era um pequeno arraial. A Freguesia subsistência. área de antiga fazenda do mesmo nome. Berço da Civilização Brasileira. que. nota-se que a Posteriormente. a localidade passou a ser uma indústria assume a ponta como setor mais importante. Sua História. era denominado “Capela de São Bento de mas a Bahia passa a ter um novo perfil econômico. depois contou a seu favor vilas e arruamentos rurais. Gordo data da época da colonização brasileira. A partir daí. bomba para abastecer as máquinas. passagem atendimento. ao longo da costa. do gado ou conexões de caminhos onde surgiram residências de ferroviários e. agricultura de subsistência. de Sandra Parente. e Abrantes. posteriormente. quando a Montegordo”. serviram com maior investimento físico e humano. consulte Camaçari. originalmente uma vila. a população foi se interiorizando. Partindo-se dos dados e documentos raros. Desde então. Assim. de 70: o início da implantação do maior complexo industrial uma resolução a pedido dos moradores do distrito. até então. 33 . Sua Gente. capitaneadas pela família Costa Pinto – cujo chefe onde as atividades eram exclusivamente a pesca e a era líder da indústria açucareira. de Eduardo Cavalcanti. 1985. O histórico de ocupação humana do distrito de Monte Camaçari. freguesia. foi onde se deu o primeiro Monte Gordo assentamento dos pescadores de Monte Gordo. com a expansão da agricultura de vila de Monte Gordo foi fundada em 1815. Para saber mais sobre a história de Camaçari. foram surgindo as vilas local.

os fiéis participam de espalhou pela Europa. na Itália. À frente partir do meio-dia. A a santidade. o papa Paulo VI o integrantes do grupo afoxé Filhos de também recebe o nome do padroeiro. baianas abençoam a quermesse e prestigiam apresentação de santos por meio dos ensinamentos de Jesus multidão com água-de-cheiro. geralmente no História na sexta-feira. onde é celebrada a missa. mas com identidade o tradicional Baile dos Coroas e shows. O evento acontece na praça. do padroeiro da localidade. em Guarajuba. depois de uma caminhada de sai da Escola Municipal Hermógenes Desde a juventude dedicou a vida à oração. em março. O cortejo São Bento nasceu em Úmbria. A regra beneditina logo se direção a Monte Gordo. banda de sopro e cavaleiros. e s p e c i a l Dicas Culturais monte gordo Padroeiros em dia de festa São Bento São Francisco Próximo à localidade de Bom Jesus de festa inclui também a parte profana. quase oito quilômetros . de janeiro. com a lavagem da terceiro ou quarto final de semana. com A Festa de São Francisco acontece Monte Gordo. A designou como santo padroeiro da Europa. Elas são acompanhadas de roda. por formar cristãos do cortejo.da Praça Bispo de Souza em direção à Igreja meditação e aos diversos exercícios para da Juventude. Gandhi. 34 . que evangélicos. sempre no terceiro final de semana cultural bastante própria. a festa escadaria na capela do padroeiro. fica São Bento. Os festejos se iniciam Lá acontece. Em 1964. e prática dos mandamentos e conselhos e lavanda. em São Bento. flores grupos locais de capoeira e samba-de.

a economia da região em 1228 também registra um incremento por conta pela Igreja Igreja da maior movimentação no local. mas seu nome foi mudado pouco tempo depois para Francisco. a imagem a “Ordem dos Frades Menores”. domingo. Gordo. mais de São Francisco de Assis é levada. em Monte fundamento são a pobreza e a humildade. grande roda de samba na beira da Praia dedicando-se a dar esmolas e oferecer do Porto. Em 1198. São Francisco adoeceu 35 . na Itália. Criou uma regra na qual seu principal À noite. Por seu de São Francisco de Monte Gordo. mudou o nome do filho em homenagem ao local em que fazia bons negócios. Iniciou de uma hora em alto mar. em setembro de 1181. em Guarajuba. Segunda-feira é dia da procissão São Francisco abriu mão de sua fortuna marítima. veranistas e devotos o santo protetor dos animais de São Francisco de Assis. em conhecida como Ordem Franciscana. que era comerciante e viajava muito. São Francisco é de Assis o nome de “Lavagem de Guarajuba”. turistas. Durante e foi canonizado as comemorações. suas roupas aos pobres. tendo quase cinco mil em frente à Capela Foto: Carol Garcia Realizada desde 1951. No dia seguinte. encerra a festa. a festa do Padroeiro frades no distante ano de 1221. Católica. A Ordem Franciscana cresceu com o Concentração passar dos anos. No sábado pela manhã é realizada uma e começou a se converter gradualmente. São pescadores. Matriz de São Bento História São Francisco nasceu na cidade de Assis. Além de manter a tradição Francisco morreu em 3 do lugar. padroeiro dos e do meio ambiente. Depois e passou a viver na pobreza. aconteceu um conflito entre a nobreza e os comerciantes de Assis. Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietri. ocorre a missa em homenagem ao santo. reúne mundialmente conhecido como moradores. pois seu pai. procissão terrestre. que se popularizou com apreço à natureza. a festa também é um espaço de de outubro de 1226 valorização dos artistas locais. de volta à capela. com dez embarcações. o Baile dos Coroas.

com um total de 1. que foram A cada três meses. E. Painel e s p e c i a l monte gordo Criativo Ponto Móvel Um caminhão-baú totalmente adaptado e capaz de artes plásticas (pintura em tecido). a participação foi social da Cidade do Saber. para a realização de atividades como o Palco da Cidade. a estrutura itinerante muda de concentradas na praça em frente à associação de endereço para garantir a pulverização das atividades. resultado alcançado. A moradores”. o projeto vai fazer novas visitas às localidades julho e outubro de 2009. musicalização. criação literária e Inauguração transformar o dia-a-dia das comunidades. através do Ponto Móvel. sempre às terças-feiras. foram Monte Gordo. “Alguns alunos andavam quilômetros para não perder as atividades. Barra do fora da sede de Camaçari. Há. até a próxima visita! 36 . O mais gratificante para Jucilene é ver o estrutura do caminhão dispõe de acervo bibliográfico. levando arte.213 esporte precisam fazer parte do dia-a-dia do processo alunos matriculados. “Muitas comunidades se sentiam computadores com acesso à internet. completa. DVD e uma esquecidas e nós pudemos ver como os moradores brinquedoteca. para não deixar os alunos com gostinho de quero Os primeiros lugares visitados pelo Ponto Móvel. Jucilene Santos. Em Monte Gordo foram realizadas oficinas de futebol. É a partir desse Oficina de instrumento que os moradores de locais distantes da Para a coordenadora do Ponto Móvel. já que cultura. Barra do Pojuca e Areias. arte e Jacuípe. entre mais. um palco na parte externa elevam a autoestima após o projeto”. Ponto Móvel: esporte. também. de construção da cidadania. pintura sede de Camaçari participam das ações de inclusão apesar da distância dos povoados. TV LCD. educação e entretenimento. excelente em Monte Gordo. Monte Gordo.

Alunos de musicalização no teatro Mostra dos alunos da oficina de pintura em tecido 37 .

Carolina Dantas. Clemente Junior.Prefeitura Municipal de Camaçari Fotos: Carol Garcia. Coordenação do Projeto Revista Ponto Móvel Cidade do Saber Assessoria de Comunicação da Cidade do Saber (ASCOM) Responsável: Carolina Dantas Pesquisa: Bárbara Falcón Fotos Ascom: Daniel Quirino e Clemente Junior Equipe Ascom: Bárbara Falcón. Caminho das Árvores. e s p e c i a l Expediente monte gordo Lazer Cidade do Saber Diretora geral: Ana Lúcia Silveira Diretor de infraestrutura: Utilan Coroa Diretor do saber: Arnoldo Valente Ligue os pontos Diretora do teatro: Osvalda Moura e descubra a figura que eles escondem. os pontos na cor laranja com lápis laranja e os pontos amarelos com lápis amarelo. Ed. sala 1207. CEP: 41. Daniel Quirino. 38 . Elba Coelho.distribuição gratuita Agradecimentos: ASCOM .000 exemplares . Agnaldo Silva e Nelinho Oliveira Dicas: Ligue os pontinhos nas cores preta e cinza com lápis preto. Tediarlen Silva Realização AG Editora Diretora executiva: Ana Lúcia Martins Executiva de projetos: Júlia Spínola Textos: Luciana Amorim Edição: Ana Cristina Barreto Fotos: Paulo Macedo Revisão: José Egídio Endereço: Rua Coronel Almerindo Rehem. Bahia Executive Center. 82.Salvador-BA Tel: (71) 3014-4999 Projeto gráfico: Metta Comunicação Editoração: Jean Ribeiro e João Soares Ilustrações e arte: Jean Ribeiro Tiragem: 2.820-768 .

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