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CEFETSP – UNED CUBATÃO – IND – 2º MÓDULO MÁQUINAS ELÉTRICAS – MEL

MEL – MÁQUINAS ELÉTRICAS


TRANSFORMADORES
TRANSFORMADOR ELEMENTAR
Um transformador é um equipamento usado para reduzir ou aumentar a tensão elétrica.
É constituído de um enrolamento primário (onde se aplica a tensão de entrada), um
enrolamento secundário (onde se obtém a tensão de saída desejada) e um caminho para
o fluxo magnético, construído de material ferromagnético (Figura 1). Quando a tensão
no lado primário é maior que a tensão no lado secundário, diz-se que o transformador é
“abaixador”. Quando a tensão no primário é menor que no secundário, o transformador
é chamado de “elevador”.

secundário
primário

Núcleo de material
ferromagnético

Figura 1 – Transformador monofásico representação gráfico e construção.

FUNCIONAMENTO DO TRANSFORMADOR
Seu funcionamento baseia-se nas leis de Faraday e de Lenz. Já se estudou que a
movimentação de um campo magnético sobre um condutor faz surgir uma tensão
induzida em seus terminais, isto é, um campo magnético variável produz fluxo
magnético variável, o qual produz a tensão induzida. Na Figura 1, alimentando-se o
primário com uma tensão variável (senoidal, por exemplo), fará surgir um fluxo
magnético variável no núcleo ferromagnético. Este fluxo variável atingirá o
enrolamento secundário, produzindo então em seus terminais uma tensão variável
induzida. Se for utilizada uma tensão de qualquer tomada no Brasil, esta tomada terá
uma tensão senoidal com freqüência de 60 Hz, isto fará surgir no secundário uma
tensão também com freqüência de 60 Hz.
Importante: um transformador não funciona com corrente contínua!
Uma propriedade muito importante nos transformadores e que o torna tão útil é a
relação entre o número de espiras nas bobinas dos enrolamentos primário e secundário
e os valores das tensões e correntes obtidas. A expressão abaixo mostra esta relação.
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Vprim Nprim
 a
V sec N sec
Sendo: Vprim = tensão no aplicada no enrolamento secundário em volts.
Vsec = tensão obtida no enrolamento secundário em volts.
Nprim = número de espiras do enrolamento primário.
Nsec = número de espiras do enrolamento secundário.
a = relação de transformação.
Da equação anterior se conclui que quanto maior o número de espiras do primário em
relação ao número de espiras do secundário, maior será a relação de transformação “a”
e, portanto, maior será a diferença de tensão entre o lado primário e o lado secundário.
A seguinte fórmula empírica ajuda a determinar o número aproximado de espiras do
enrolamento primário, quando este não é conhecido.
Vprim  10000000
Nprim 
4, 44  f  Sn  B
Sendo: Vprim = tensão no aplicada no enrolamento secundário em volts.
f = freqüência em hertz.
Sn = seção transversal do núcleo em cm2.
B = densidade magnética do núcleo em gauss.
A densidade magnética varia conforme o material utilizado no núcleo e seu valor pode
ser obtido na curva de magnetização do material. Os valores mais comuns para núcleos
construídos com aço ao silício são:
 8000 gauss (2% de silício).
 10000 gauss (3% de silício).
 12000 guass (4% de silício).
Outra propriedade importante do transformador é que ele não aumenta nem diminui a
potência de um sistema elétrico. Isto é a potência que entra no lado primário, sairá no
secundário. Lembrando a equação
P  VI
Sendo: P = potência elétrica em watts.
V = tensão elétrica em volts.
I = corrente elétrica em ampères.
E aplicando a propriedade, pode-se escrever:
Pprim  Psec , isto é a potência do primário é igual à potência do secundário.
Daí resulta:
Vprim I sec Iprim N sec 1
Vprim  Iprim  V sec Isec   →  
V sec Iprim Isec Nprim a
Isto que dizer que além da tensão ser diferente nos lados primário e secundário,
também a corrente será diferente. No lado de maior tensão circulará a corrente de
menor intensidade e no lado de menor tensão circulará a corrente de maior intensidade
CORRENTES DE FOUCAULT (CORRENTES PARASITAS)
As correntes induzidas são produzidas não somente nos fios condutores, mas em
qualquer condutor maciço, em movimento, num campo magnético ou atravessado por

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um fluxo magnético variável. Dentro de um material condutor podemos encontrar


vários percursos fechados para a circulação de uma corrente. Em cada percurso fechado
o fluxo magnético varia com o tempo; portanto tensões induzidas fazem circular
correntes induzidas no interior do material condutor maciço. Estas correntes induzidas
são chamadas de Correntes de Foucault.
As Correntes Parasitas ou Correntes de Foucault são correntes que circulam em núcleos
metálicos sujeitos a um campo magnético variável. Observando-se de frente e em corte,
pode-se perceber que as correntes parasitas são pequenos círculos concêntricos como
mostra a Figura 2. Pode-se perceber também que em cada ponto no interior do núcleo a
corrente é nula, pois o efeito de uma corrente é anulado por outra. No entanto, isso não
acontece na periferia. Aí as correntes, todas com mesmo sentido, se somam e circulam
pela periferia do núcleo. Isso faz com que o núcleo se aqueça por efeito Joule, exigindo
uma energia adicional da fonte.

(a) (b) (c)


Figura 2 – Correntes de Foucault: a) correntes parasitas induzidas em todo o material; b) corrente parasita
resultante nas bordas; c) núcleo laminado e isolado impede a circulação das correntes parasitas.

Estas correntes podem atingir valores muito elevados, provocando aquecimento do


material. Se este aquecimento for indesejado, ele constitui as chamadas Perdas
Foucault. É por essa razão que essas correntes são chamadas de parasitas. Este
aquecimento pode ser utilizado nos fornos de indução, usados para fundir metais. Para
reduzir o efeito das correntes parasitas, principalmente em transformadores, deve-se
laminar o núcleo na direção do campo, isolando-se as chapas entre si. Isso impede (ou
pelo menos reduz) que as correntes se somem e as perdas por efeito Joule serão
menores. Também se pode reduzir os efeitos das correntes de Foucault através da
adição de elementos que aumentem a resistividade do núcleo (como o Carbono), sem
no entanto, comprometer as propriedades magnéticas do núcleo.
Apesar de serem na maioria dos casos
indesejáveis, as correntes de Foucault têm sua
aplicação prática na confecção de medidores de
energia a disco de indução, relés e freios
eletromagnéticos. Com a aplicação da Lei de
Lenz, essas correntes induzidas opõem-se ao
movimento que as produz. Por exemplo: seja
um disco de cobre colocado entre os pólos de
um eletroímã, como mostra a Figura 3. Fazendo
o disco girar, o movimento não oferece
Figura 3 – Correntes de Foucault.
dificuldade enquanto o eletroímã não for ligado.
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Quando o eletroímã for ligado, no disco surgem correntes induzidas que se opõem ao
movimento, fazendo o disco parar. Este fenômeno mostra que no disco surgem
correntes induzidas que se opõem ao movimento, gastando energia em forma de calor.
Uma das aplicações desse fenômeno são os freios eletromagnéticos que existem nos
trens de metrô, por exemplo. Se o fluxo magnético for variável, criado por uma
corrente alternada, as correntes induzidas se opõem à variação do fluxo fazendo o disco
girar. Este é o princípio de funcionamento dos medidores de energia.
TRANSFORMADOR TRIFÁSICO
Muito utilizado na distribuição
de energia pública e por indús-
trias. Podem ser vistos como um
conjunto de três transformadores
monofásicos idênticos, isto é
com as mesmas características
construtivas, número de espiras,
seção dos condutores, potência e
principalmente impedância. Isto
Figura 4 – Transformador trifásico – esquema elétrivo
significa que haverá três primá-
rios e três secundários. Na
Figura 4 há três enrolamentos
primários e três secundários,
cada qual em uma coluna do
entreferro do transformador. Os
terminais do primário foram
identificados com a letra H e o
secundário com a letra X.
A potência total do transforma-
dor trifásico será a soma das po-
tências de cada unidade monofá-
sica. Na Figura 5 se vê como é
construído um transformador
Figura 5 – Transformador trifásico – construção
trifásico
Grupos de transformadores trifásicos
A defasagem angular do trafo determina a que grupo ele pertence. Os trafos do grupo A
possuem defasagem angular de 0º e os do grupo B possuem 30º. A defasagem depende
de como foi enrolado o transformador e do tipo de ligação doprimário e do secundário.
O fabricante determina as ligações para o trafo de acordo com o grupo. Não se pode
ligar trafos de grupos diferentes em paralelo.
Ligações em transformadores trifásicos
O esquema de ligação fornecido pelo fabricante utiliza as letras H e X, mas, além disso,
as bobinas componentes das fases são identificas com a numeração normalizada. Para a
fase R: (1 e 4); fase S: (2 e 5) e fase T: (3 e 6). Para reequilibrar as correntes
desequilibradas no secundário, os transformadores trifásicos de distribuição têm o
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primário ligado em
triângulo.De acordo com a
defasagem angular, o
fabricante reco-menda um
grupo de liga-ções para o
transformador. Ao lado,
na Figura 6, se tem os
esque-mas de típicos de
ligação triângulo/estrela
para transformadores do Figura 6 – Esquema de ligação triângulo e estrela.
grupo B.
OUTROS TRANSFORMADORES
Serão apresentados brevemente outros tipos de transformadores.
Autotransformador
Este transformador não difere muito de um transformador monofásico quanto ao núcleo
ferromagnético. A diferença está nos enrolamentos das bobinas, pois no
autotransformador não há bobina do primário e bobina do secundário, como
enrolamentos distintos. O que há é um único enrolamento que servirá como primário e
como secundário ao mesmo tempo.

Figura 7 – Autotransformador, esquema elétrico e construção.

Um autotransformador proporciona economia, pois se tem apenas um enrolamento,


porém a isolação elétrica entre a entrada e a saída é perdida, pois ambas utilizam o
mesmo enrolamento.
Outro ponto importante é quanto à
potência que se pode ter neste tipo de
transformador, uma vez que o mesmo
fio usado para o primário será o usado
para o secundário, o que acarreta
limitações na corrente que poderá
circular em um dos lados do
transformador. Um exemplo de como
circulam as corrente em um
autotransformador pode ser vista na Figura 8 – Autotransformador, esquema elétrico e
construção.
Figura 8.
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Transformador de potencial (TP)


A Figura 9 apresenta dois modelos de
transformador de potencial. Este transfor-
mador é utilizado na proteção e medição
de sistemas elétricos de potência. Nestes
sistemas as tensões utilizadas ultrapassam
os 1000 V e é necessário instalar dispo-
sitivos para indicar o valor destas tensões,
bem como relés que irão atuar em caso de
alguma falha relacionada a estas tensões.
Por exemplo, se um sistema trabalha em
13,8 KV é perigoso ligar um voltímetro
diretamente nesta tensão. Aí entra o trans-
Figura 9 – Transformador de potencial.
formador de potencial, que irá reduzir esta
tensão para um valor de 115 V, permitindo a utilização de instrumentos comuns. Claro
que o voltímetro terá uma escala de 0 a 13,8 KV, mas a posição da sua agulha ou do
visor, caso seja um instrumento digital, será proporcional a voltagem no secundário do
transformador de potencial.
Transformador de corrente (TC)
A Figura 10 ilustra um transformador de corrente
comercial. O transformador de corrente também é
utilizado em sistemas de elétricos de potência nas
funções de proteção e medição. Quando se depara
com valores altos para correntes, inviabiliza a
aplicação direta de pequenos amperímetros para a
medição da corrente. Vale lembrar que para se
medir a corrente é necessário que se instale o am-
perímetro em série no circuito. Por exemplo, um
circuito onde circula uma corrente de 1500 A e se
instala um TC, no seu secundário se tem normal-
mente uma corrente padronizada de 5 A, então se Figura 10 – Transformador de corrente.
diz que o TC tem uma relação de 1500 A para 5 A.
Uma informação importante sobre a utilização de TCs é que após a sua instalação em
um circuito ele não poderá ficar com o seu secundário aberto, pois surgirá uma tensão
induzida elevada, podendo causar algum acidente, além de poder danificar o próprio
TC, devido a isso devem ser instalados circuitos que conectem em curto-circuito o
secundário do TC quando este tiver que ser retirado do circuito.

BIBLIOGRAFIA:
CARVALHO, G. – Máquinas Elétricas – Teoria e ensaios. 1ª edição. Editora Érica –
São Paulo/SP. 2006.

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