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OFICINA DE

SONOPLASTIA

7º Encontro para a Consciência Cristã –


07/02/2005
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SONOPLASTIA

Meu nome é Alisson Teles Cavalcanti, tenho 28 anos completos em 2004, e


há quase 10 anos sirvo ao Senhor. Sou filho do músico e produtor Gabmar Cavalcanti
Albuquerque, bem conhecido aqui na cidade e região por ter sido, durante mais de 30
anos, tecladista do grupo musical Ogírio Cavalcanti, e por ter trabalhado com grandes
nomes do cenário musical secular de nosso país. Trabalho com música desde os 10 anos
de idade quando fiz meu primeiro curso de piano no Centro Cultural, ministrado pela
“tia” Clair, esposa do Pr. Herriot, da IC do Catolé. Desde então, tenho trabalhado em
todas as áreas do áudio, como técnico de eletrônica, tecladista, técnico de gravação,
mixagem e masterização, e produtor. Em 1996, montei o estúdio do meu pai, o SOLO
Studio, aonde tenho tido o prazer de trabalhar com excelentes músicos e de contribuir,
com os meus conhecimentos, para o ministério de louvor de diversos irmãos e irmãs
queridos. E desde 2001, tenho servido na Comunidade Cristã Semeando Vida como
pastor. Mas deixando de falar de mim, vamos ao que interessa:

Todos nós temos aqui algo em comum: gostamos de áudio. E quando falo de
áudio falo de tudo que ele engloba, tanto a área técnica, de equipamentos de som,
acústica, sonorização, quanto à área musical, porque música só existe porque existe o
áudio. Mas afinal de contas, o que é “ÁUDIO”?

Numa definição bem simples, áudio, ou som, é a variação de pressão,


periódica, que pode ser captada pelos nossos ouvidos.

Se vocês se lembram bem das aulas de biologia, nosso sentido da audição é


formado em essência pelo Tímpano (uma membrana móvel), por três ossinhos que se
movimentam a partir das vibrações do tímpano (Martelo, Bigorna e Estribo), e da
Cóclea. As variações de pressão vindas do ambiente fazem o tímpano vibrar, e este faz
movimentar os três ossinhos, que transmitem a vibração até a Cóclea, que então
transforma as vibrações em impulsos nervosos que são levados até o cérebro. Estas
variações de pressão nós chamamos de Ondas Sonoras.

As ondas sonoras são produzidas por qualquer objeto que, ao movimentar-se,


cause perturbação em um meio. Por exemplo: ao jogarmos uma pedra em um lago
tranqüilo, notamos que se formam ondas ao redor do lugar aonde a pedra caiu. Nas
piscinas de ondas artificiais, uma parede móvel em um dos lados da piscina, ao se
movimentar pra frente e pra trás, forma as maravilhosas ondas pra turista ver...

Nestes dois exemplos, não podemos escutar o som puro gerado por estas
ondas. Escutamos apenas o choque da pedra na superfície das águas, ou a onda
“quebrando” na praia. Por quê? Para entendermos, vamos estudar um pouco sobre as
Características das Ondas Sonoras:

1. Intensidade: A “força”, ou o volume da onda;


2. Freqüência: A altura, ou a “tonalidade” da onda (grave, média ou aguda);
3. Duração: O tempo que uma onda leva para desaparecer;
4. Timbre: A “coloração”, a propriedade que distingue uma flauta de um violino, por
exemplo;
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Para que possamos “ouvir” uma onda, é preciso que esta esteja dentro dos
valores de intensidade, freqüência e duração que o ouvido humano pode captar e
distinguir.

Em termos de Intensidade, ninguém consegue ouvir algo abaixo de 0dB, que


é chamado de “Limiar da Audição”. Por outro lado, uma intensidade superior a
aproximadamente 120dB causa DOR na maioria das pessoas. Falando em Decibel(dB),
ele é uma medida de relação entre duas grandezas. No caso da audição humana, 0dB
representa uma pressão sonora de 10-12 W/m2. Já se perguntou porquê não consegue
ouvir uma formiga andando? Certamente uma formiga faz barulho quando anda, mas
este barulho fica abaixo do limiar de audição, portanto não podemos ouvir diretamente.
Para você ter idéia, abaixo alguns exemplos:

dB EXEMPLOS
30 Biblioteca silenciosa, sussurro leve
40 Sala de estar, geladeira, quarto longe do trânsito
50 Trânsito leve, conversação normal, escritório silencioso
60 Ar condicionado com 6 m de distância, máquina de costura
70 Aspirador de pó, secador de cabelo, restaurante barulhento
80 Tráfego médio de cidade, coletor de lixo, despertador com 60 cm de
distância
90 Metrô, motocicleta, tráfego de caminhão, máquina de cortar grama
100 Caminhão de lixo, serra elétrica , furadeira pneumática
120 Concerto de Rock em frente as caixas de som, trovão
140 Espingarda de caça, avião a jato
180 Lançamento de foguete

Em termos de Freqüência, o ouvido humano só consegue ouvir ondas que


estejam aproximadamente dentro do espaço entre 20Hz e 20.000Hz, ou 20KHz. Falando
em Herz(Hz, lê-se “Rérts”), é o inverso do tempo que uma onda leva para se repetir, ou
seja, é o inverso do período. Lembram das aulas de física do ensino médio? Quanto
mais longo o período, menor é a freqüência, e vice-versa. Vamos fazer um cálculo bem
grosseiro de freqüência para entendermos melhor. Se me lembro bem, na piscina de
ondas do Veneza Water Park lá de Pernambuco, a parede móvel demora uns 2 segundos
para ir e voltar, gerando uma onda. Qual o período desta onda? Claro, 2 segundos. E a
freqüência? É o inverso do período, portanto: 1/2, que dá 0,5Hz. 0,5Hz está ABAIXO
do limite inferior de freqüência, que é 20Hz. Entendeu porque não podemos ouvir?

Quanto à duração basta dizer que quando alguém chega na sua casa e a
campainha está desligada, é mais fácil ouvir a pessoa se ela GRITAR ao invés de bater
palmas, não é? Por quê? Porque a duração da palma é curtíssima, da ordem de
milésimos de segundo, enquanto que um bom grito leva alguns segundos. Lógico que
estou supondo que a pessoa tenha pregas vocais tão fortes quanto suas mãos...

Dito isto, vamos entrar na parte mais prática desta oficina. Vamos analisar os
elos que compõem um sistema de som, lembrando que a qualidade final do sistema será
determinada pelo elo mais fraco da cadeia:

1. Captação
2. Processamento
3. Projeção
4. Acústica
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5. Operador
1. Captação

É composto por microfones, captadores, tudo que transforme pressão


acústica em tensão elétrica, pra ser processada e projetada sobre os ouvintes. Sendo o
primeiro elo do sistema, é determinante para a qualidade. Uma má captação não será
nunca “consertada” adiante pelos outros equipamentos. Um microfone “xing-ling”
absolutamente NUNCA ficará com som de bons microfones de marcas conceituadas.

Existem diversos tipos de microfones, cada um desempenhando uma função


dentro da captação. Os principais tipos são:

a. Microfones de bobina móvel, magnéticos, também chamados de


“Dinâmicos”;
b. Microfones capacitivos e de eletreto, chamados também de
Eletrostáticos. Estes últimos necessitam de uma tensão aplicada neles
para que funcionem, chamada de “Phantom Power”.

Por sua vez, existem diversos tipos de microfones dinâmicos, e também


diversos tipos de capacitivos. O que vai determinar o tipo de microfone que devo usar é
simplesmente o quê pretendo captar. Fontes sonoras diferentes, em ambientes
diferentes, requerem microfones diferentes. Microfones dinâmicos são normalmente
pouco sensíveis. Isto significa que eles não são bons para captar sons fracos. Já os
capacitivos são extremamente sensíveis. Dinâmicos não respondem bem a toda faixa de
freqüências que o ouvido percebe. Normalmente são pobres para captar sons agudos. Os
capacitivos respondem razoavelmente bem a toda gama de freqüências perceptíveis. Há
outras diferenças mais sutis, mas são principalmente estes dois fatores que determinam
a escolha de um ou de outro. Falando assim, parece óbvio que microfones capacitivos
são melhores que os dinâmicos. Mas a prática mostra que não é bem assim. Micronones
dinâmicos são ótimos para captações de som ao vivo, como bateria, voz, percussão,
cubos de guitarra e baixo, etc, pelo fato de que, como não captam bem sons que estejam
distantes dele, são menos propensos a gerar realimentações, as terríveis “microfonias”.
Uma microfonia é simplesmente um som qualquer sendo amplificado e re-amplificado,
ficando cada vez mais forte, e estourando ouvidos e auto-falantes se não for detido a
tempo... Também estes sofrem menos com outras fontes sonoras que estejam próximas
da fonte a ser captada. Já os capacitivos são mais utilizados em estúdio, quando não há
interferência de outras fontes e quando se quer melhor qualidade. Outro fator
determinante é o ambiente no qual está inserido a fonte a ser captada. Se este for bem
barulhento, cheio de ruídos, e você não quiser captar estes ruídos, a escolha será usar os
dinâmicos.

Na parte de captação, também utilizamos as “Direct Boxes”, que são


equipamentos feitos para adequar tipos de sinal e impedância entre a fonte e a mesa/pré-
amplificador, de forma que entre as duas pontas não seja captado nenhum ruído (como
interferências eletromagnéticas) e que haja a melhor transferência de sinal possível, sem
perdas.
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2. Processamento
Aqui entra a parte mais “vistosa” de um sistema de som. Compreende todo e
qualquer equipamento que mude a característica do sinal captado na etapa anterior. Isto
inclui pré-amplificadores, equalizadores, compressores, noise-gates, efeitos, crossovers,
mesas de som, amplificadores, etc. Vamos analisar cada um deles:

a. Pré-amplificador: Serve para amplificar o nível(amplitude) de


um sinal, de modo que possa ser devidamente amplificado por
um amplificador. Se usa normalmente com microfones,
guitarras, baixos, etc, porque estes não têm nível suficiente
para excitar diretamente um amplificador. Tente ligar um
microfone diretamente ao amplificador, e você verá que o som
ficará bem baixinho, insuficiente para ser útil;
b. Equalizador: Serve para limitar ou alterar a resposta de
freqüências de um sinal. Por exemplo: quando captamos o
bumbo da bateria, normalmente cortamos determinadas
freqüências(agudos) e reforçamos outras(graves) para tornar o
som do bumbo amplificado mais consistente e “bonito”. No
outro extremo, quando captamos o chimbal, cortamos tudo
menos os agudos. Dividem-se em equalizadores gráficos e
equalizadores paramétricos.
c. Compressor: Serve para limitar a amplitude de um sinal,
comprimindo-o para não passar de níveis determinados. Usado
no microfone do pregador, por exemplo, não deixa que ele dê
sustos nos irmãos, quando de uma ora para outra deixa de falar
distante do microfone para quase engoli-lo. O compressor, se
usado adequadamente, aumenta automaticamente o volume
quando ele fala baixo ou longe do microfone, e também abaixa
automaticamente quando este fala alto ou perto do microfone.
d. Noise-gate: Como o nome em inglês diz, serve para cortar
ruídos. É como uma porta que só deixa passar sinais com
níveis acima do especificado.
e. Efeitos: São diversos, como geradores de eco(voz de difusora),
reverbs, distorção, flanger, phaser, pitch shifter, etc. Mudam
drasticamente o som que passa por eles, como no caso das
dirtorções para guitarra.
f. Crossover: Serve para dividir o sinal em faixas de freqüências
diferentes(sub graves, graves, médios e agudos, por exemplo),
para cada uma ser amplificada por um amplificador diferente e
projetada por uma caixa diferente.
g. Mesa de som: Na verdade, não é um equipamento distinto, mas
o conjunto de todos ou quase todos os equipamentos mostrados
acima, reunidos numa mesma “caixa” para ser melhor operado.
h. Amplificador: Serve para amplificar o som de modo a ser
aplicado numa caixa de som correspondente e ser ouvido
adequadamente. Se utiliza a potência RMS (Root Mean
Square) para definir a potência de um amplificador.
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Dentro do Processamento, cada um dos equipamentos acima, se necessários,


devem estar bem interligados para que o sinal captado possa ser amplificado
corretamente. Do contrário o resultado será desastroso. Exemplos comuns de ligações
mal-feitas:
a. Ligar um teclado na entrada “mic” da mesa se som. Resultado: Som
distorcido, e/ou com “chiado” ou “zumbido”;
b. Ligar um microfone na entrada “line” da mesa de som. Resultado: som
baixo ou nenhum som;
c. Ligar a saída de efeitos da mesa na saída do processador, e a entrada de
efeitos da mesa(retorno) na entrada do processador de efeitos. Resultado:
nenhum som. As ligações devem ser sempre cruzadas(entrada na saída e
saída na entrada);
d. Ligar o processador de efeitos na saída geral da mesa, entre esta e o
crossover/amplificador. Resultado: tudo será processado, e isto não é
bom para a inteligibilidade geral. Em outras palavras, vai ficar tudo
“embolado”. Não deve ser feito, a menos que você saiba exatamente o
que está fazendo;

Outro problema que ocorre com freqüência é o abuso dos equipamentos.


Equipamentos de áudio devem ser utilizados de forma a alterarem o mínimo das
características do áudio tratado. Por outro lado, estes não fazem milagres. Já ouvi
técnicos dizendo que conseguem transformar um violão de cordas de nylon em cordas
de aço apenas “mexendo” no equalizador da mesa... Na verdade o máximo que ele
conseguirá é tornar o som aveludado deste violão em um som extremamente irritante,
ou pior ainda, pode até queimar os tweeters das caixas!

Aliás, o equalizador é o principal recurso mal-utilizado nos sistemas de som


que tenho visto. Em 99% dos casos aonde há um destes no sistema de som, nele é
colocada uma curva “sorridente”, aquela clássica, com os graves e agudos reforçados e
os médios cortados. Isto é terrível, porque sistemas bem projetados NUNCA precisam
de equalizadores! Estes servem para melhorar ou corrigir a resposta de freqüências de
um sistema de som, de forma que este sistema reproduza TODAS as freqüências
desejáveis de forma equivalente. Se um sistema tem deficiências nos agudos, o
equalizador será utilizado para reforçar esta faixa de freqüências ATÉ que o sistema as
reproduza tão bem quanto as outras. Da mesma forma, se tem médios demais, corta-se
no equalizador para que estes fiquem na mesma faixa que os outros. Isto é bem aquilo
que a palavra “equalizador” significa: tornar igual, equivalente.

Um efeito desagradável que os equalizadores produzem é que estes


introduzem uma rotação de fase nos sinais que passam por ele, e isto resulta em
cancelamentos de fase que empobrecem o som. O pior é que, por causa do
cancelamento de fase, a tendência é “mexermos” ainda mais no equalizador, causando
ainda mais cancelamentos e piorando ainda mais o som!

Falando de amplificadores, embora este seja o equipamento que menos causa


problemas pelo mau uso, ainda assim ocorrem diversos problemas. Certo dia, visitando
uma igreja, vi uma cena horrível: um som totalmente distorcido e com bastante ruído.
Olhei para o equipamento e vi DOIS amplificadores. Pensei que fosse um para o som da
frete e outro para o retorno. Qual não foi minha surpresa quando, interrogando o pastor,
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este falou que a saída de um amplificador estava ligada na entrada do outro, porque ele
achava que a potência dos dois seria somada...
Três problemas. Primeiro, a saída do primeiro amplificador (baixíssima
impedância), ligado à entrada do outro (alta impedância) não consegue trabalhar a
contento, não consegue transferir adequadamente a potência gerada, o que pode causar a
queima do circuito de saída; segundo, o outro amplificador recebe um sinal muito forte
na sua entrada, o que pode causar a queima do circuito de entrada. Terceiro, por causa
do alto nível na entrada do segundo, todo tipo de ruído é amplificado exageradamente
por este.

3. Projeção

O terceiro elo da cadeia é a parte referente às caixas de som, que finalmente


transformam a potência elétrica gerada pelos amplificadores em potência acústica.
Alguns tipos de caixas são:

a. “Full Range”: Caixas que respondem de forma razoavelmente


plana à todas as freqüências audíveis. São utilizadas
principalmente em sistemas pequenos e em som residencial,
visto que são mais caras e pouco eficientes. Um tipo especial
de caixas Full Range são as caixas de Referência, aonde se
exige a maior exatidão possível na reprodução das diversas
freqüências. Este tipo de caixa é comumente utilizado em
estúdios de gravação, e são bastante caras.
b. Caixas de PA: Caixas que não têm resposta plana, mas são
sintonizadas em uma freqüência específica, de modo a tornar
mais eficiente a reprodução. Em outras palavras, estas caixas
“falam mais alto” que as Full Range, em detrimento da
qualidade. São utilizadas em sistemas grandes, na casa das
centenas ou milhares de Watts RMS. Nestes sistemas, a perda
de qualidade não é percebida por causa de outros fatores
envolvidos, como a acústica e a absorção do ar. Sendo assim,
no final das contas, se utilizadas caixas Full Range, além do
custo altíssimo, não teriam a mesma eficiência daquelas,
prejudicando a inteligibilidade. Nesta categoria também estão
as caixas dedicadas a um tipo específico de instrumento/fonte
sonora, como os “cubos” de guitarra e baixo, que têm uma
resposta ainda mais reduzida.

A colocação das caixas na sala também é muito importante. Em linhas


gerais, devemos observar o seguinte:

a. Caixas de subgraves/graves devem ser colocadas nos cantos de parede se


possível, se não, devem ser colocadas sempre no chão, tão próximas
quanto possível dos cantos.
b. Caixas de médios/agudos, devido à diretividade, devem ser colocadas
elevadas e apontando para a platéia. Se a sala comportar, pode-se utilizar
o sistema chamado de “Fly PA”, aonde as caixas ficam suspensas por
cabos de aço presos firmemente ao teto, e são apontadas para o meio da
platéia. Dão resultados excelentes quando bem projetadas.
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4. Acústica

Este elemento é importantíssimo para nosso estudo. A acústica de uma sala


pode ser definida como a característica que ela tem de refletir, difundir, absorver e
transmitir ondas sonoras geradas em seu interior.

a. Reflexão: A onda sonora,


chocando-se contra uma
superfície lisa e dura,
ricocheteia como uma bola.
Produz o ECO;

b. Difusão: Se a onda chocar-


se contra uma superfície
dura, porém irregular, como
uma parede de pedra por
exemplo, esta sofrerá
reflexões múltiplas, em
todas as direções. Produz a
REVERBERAÇÃO.

c. Transmissão: Quando a onda


atinge uma superfície e parte
dela aparece do outro lado,
de forma atenuada.

d. Absorção: Quando a onda


atinge a superfície e não
retorna, ou retorna bem
fraca, ocorre este fenômeno.
Ela é absorvida pelo material
aonde incide.
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Quando analisamos o comportamento acústico de uma sala, geralmente


todos estes fenômenos ocorrem. De fato, uma sala “morta”, como chamamos uma sala
aonde não ocorrem estes fenômenos, assemelha-se ao ar livre. Não soa agradável. Uma
sala bem projetada deve prever estes fenômenos e utilizá-los para tornar a audição
dentro dela agradável. Quando um engenheiro ou arquiteto projeta um templo, ou
qualquer sala aonde será montado um sistema de som, ele deveria atentar para estes
fenômenos, o que diminuiria e muito as dores de cabeça que certamente começarão a
aparecer depois da sala pronta. Se isto for feito, os gastos com o tratamento acústico
seriam sensivelmente menores. O tratamento acústico compreende a colocação de
Absorvedores e Difusores para completar uma sala bem projetada, ou tentar corrigir
uma com má acústica.

Infelizmente, na maioria dos casos, a acústica nas nossas igrejas nunca é


lembrada, ou então é entregue aos “Engenheiros Achômetros”. Não deveria ser assim
porque a acústica é uma ciência, e como tal, deve ser exercida por profissionais
competentes. Falta de conhecimento nesta área leva invariavelmente a gastar dinheiro à
toa, com resultados insatisfatórios.

5. Operador
Chegamos enfim ao componente humano do sistema, que creio ser o mais
importante. Maus operadores podem arruinar um sistema excelente, tornando-o inútil,
enquanto que bons operadores podem extrair de um equipamento mediano tudo o que
ele pode dar, compensando suas fraquezas. Só não pode fazer milagres. Erros ocorrem
em qualquer área aonde um ser humano coloque seus dedos.

Quando comecei a trabalhar em uma determinada igreja, na área de som,


notei algo interessante. Aquela igreja possuía retornos que ficavam bem próximos dos
músicos, por conta do pouco espaço. Os cantores gostavam de segurar seus microfones.
Às vezes, alguém esquecia que tinha um retorno à sua frente, e baixava a mão que
segurava o microfone, apontando-o para o retorno. Resultado: aquele apito insuportável
dentro da igreja. Imediatamente, toda a congregação olhava para trás com olhares de
reprovação para o pobre operador, que no caso era eu...

No outro extremo, temos a falta de preparo da grande maioria de nossos


operadores. É verdade que não temos escolas de áudio na nossa região, mas é curioso
como muitas igrejas enviam seus obreiros mais dedicados para um seminário, mas
deixam seus operadores de áudio aprenderem com os próprios erros ou, pior, nem
aprendem nada...

A operação de áudio é realmente um ministério nos nossos dias, já que, se


não for bem feita, comprometerá todo o bom funcionamento de toda a reunião. O
operador de áudio ministra o louvor junto com o grupo de louvor; dirige o culto junto
com o dirigente; prega a Palavra junto com o pregador; ele participa de toda a reunião.
Já pensou nisso?

Lembremos destes versículos da Palavra de Deus:


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Romanos 10:17 De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.

Romanos 10:13-15 13 Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. 14
Como, pois, invocaräo aquele em quem näo creram? e como creräo naquele de quem
näo ouviram? e como ouviräo, se näo há quem pregue? 15 E como pregaräo, se näo
forem enviados?

Hebreus 2:1-3 1 Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às
verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. 2 Se, pois, se tornou firme a
palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo
castigo, 3 como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual,
tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a
ouviram;

Do ouvir dependem a fé e a correta compreensão da Verdade da Palavra. E o


ouvir se relaciona diretamente com nosso ministério! É glorioso sabermos isto! Daí a
importância que os líderes devem dar ao ministério de áudio, e aos seus integrantes. A
igreja deve investir na preparação deles, para que possam cumprir sua função com
excelência.

Um bom operador não opera apenas a parte de Processamento, mas saberá


atuar também nos outros elos – Captação, Projeção e Acústica – de modo a extrair do
seu sistema a maior eficiência possível, lembrando que isto depende sempre do elo mais
fraco da cadeia.

Um bom operador não é o que “tira” o som mais alto, mas o que “tira” o som
mais agradável. Na verdade, um bom operador nem será notado pela congregação leiga
no assunto, pois as pessoas querem apenas ouvir bem o que está sendo
tocado/cantado/falado na igreja. E ouvir bem não significa ouvir alto.

Um bom operador saberá como tornar a voz do pregador acima de tudo,


inteligível. Um reverb é excelente para “amaciar” a voz dos cantores, mas é péssimo
para a pregação, porque afinal de contas não somos homens das cavernas para participar
de um culto dentro de uma! Outra coisa péssima para o entendimento da mensagem são
microfones sem espumas protetoras. Particularmente acho um martírio ouvir um
pregador estrondando o ambiente toda vez que fala alguma palavra que contém a letra
“p”... Uma simples espuma, que custa míseros 4 reais, resolve o problema.

Um bom operador saberá equilibrar e deixar inteligível todos os


instrumentos/vozes do grupo de louvor, de forma que a mensagem cantada seja
perfeitamente entendida. Para isto deverá estar familiarizado com o estilo musical do
grupo e dos instrumentos/vozes que o compõem. Se a característica do grupo é tocar
forró, deve saber como equilibrar forró. Se for rock, louvor congregacional, pagode, etc,
a mesma coisa.

Neste aspecto, tenho visto sérios problemas em nossas igrejas. Já vi músicos


praticamente brigarem com os operadores em pleno período de louvor, porque o
operador esqueceu de aumentar o volume de seu instrumento quando ele iria fazer um
solo. Por mais que o operador tenha sua culpa, cantores e músicos devem lembrar para
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quem estão tocando/ministrando. Será que alguém que quase briga com outro para que
seu instrumento apareça está realmente ministrando a Deus? Certamente que não. Da
mesma forma, um operador que não está nem aí certamente não está levando seu
ministério a sério, e ainda compromete o funcionamento do louvor. Temos uma
advertência clara na Palavra acerta daqueles que fazem a Obra de Deus relaxadamente:

Jeremias 48:10a - Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR


relaxadamente!
Um bom operador saberá valorizar o seu ministério, preparando-se tanto
tecnicamente quanto espiritualmente para melhor exercê-lo. É um erro grave
negligenciar um e supervalorizar o outro. Sendo ciência, o áudio precisa ser estudado.
Sendo ministério, precisa ser feito na Unção do Espírito. Isto soa paradoxal, mas é
verdade.

Se você não acha que deve estudar para operar o som da sua igreja, trate de
mudar sua opinião, e rápido! Um operador é muito mais que alguém que liga os fios e
aperta no botão para ligar o equipamento! Aprenda, leia, pergunte, reclame se
necessário, mas nunca deixe o conhecimento de lado.

Se você acha que não deve orar e buscar a face do Senhor para operar o som
da sua igreja, trate de mudar sua opinião, e rápido! Ou você tem intimidade com Seu
Senhor, ou não o ouvirá quando Ele lhe orientar a melhorar o som quando for
necessário. Nenhum operador de som é melhor que o Espírito Santo, porque ele é
onipresente e onisciente, além de onipotente! Então, busque ser guiado por Ele toda vez
que apertar no mute ou mexer no volume dos canais de sua mesa!

Deixo meu email para que vocês possam comunicar-se comigo:

alissonteles@gmail.com

Na internet existem diversos sites especializados em áudio. Dentre eles


gostaria de destacar os seguintes:

www.audionasigrejas.org – Excelente site para nós, técnicos de igrejas.


www.musitec.com.br – site da revista Áudio, Música e Tecnologia. Revista secular que
é padrão na área de áudio no Brasil.
www.backstage.com.br – Site da revista Backstage, do mesmo quilate que a anterior.
br.groups.yahoo.com/group/somigrejas e
br.groups.yahoo.com/group/audio_evangelicos - listas de discussão de técnicos de
áudio que servem ao Senhor, voltadas para a operação nas igrejas. Faço parte das duas,
e a inscrição é gratuita.
www.audiolist.cjb.net – Site da lista de discussão Audiolist, provavelmente a maior
fonte de informação sobre áudio na internet brasileira.

Um graaaande abraço, e a Paz do Senhor!

Seu mano,
Alisson Teles Cavalcanti
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Fontes consultadas:

Apostila “Curso de Sonoplastia” de Petrônio Braga.


Site http://www.audionasigrejas.org/
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