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INSTITUO DE EDUCAÇÃO RELIGIOSA E FILOSÓFICA DO MARANHÃO

APOSTILA PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM

2010

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IMPORTÂNCIA DA APRENDIZAGEM E NOTÍCIA HISTÓRICA DA EVOLUÇÃO DA PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM

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Importância da Aprendizagem na Vida Humana A importância da aprendizagem na vida do indivíduo varia, enormemente, de uma

espécie para outra. Entre os animais inferiores, as atividades aprendidas constituem, apenas, uma proporção relativamente pequena das reações totais do organismo. A aprendizagem é lenta, de pequena extensão e sem grande importância na vida animal. Os protozoários por exemplo, já nascem como organismos praticamente amadurecidos. Não possuem infância, propriamente, têm escassa capacidade para aprender, seu período de retenção é curto e os efeitos da aprendizagem quase não exercem influência em suas vidas. Seu equipamento de respostas inatas é suficiente para satisfazer suas necessidades. À medida em que se ascende na escala animal, o período da infância, a capacidade para aprender e a importância da aprendizagem na vida do organismo aumentam, regularmente, com um correspondente decréscimo dos comportamentos inatos, denominados instintivos. De todos os animais, o homem possui o menor número de reações inatas, fixas e invariáveis. Sua infância é mais longa e possui maior capacidade para tirar proveito da experiência. Seu repertório de rações é quase todo constituído de respostas adquiridas, isto é, aprendidas. Na vida humana a aprendizagem se inicia com o, ou até antes, do nascimento e se prolonga até a morte. Experiências várias têm demonstrado que é possível obter reações condicionadas em fetos. Logo que a criança nasce, começa aprender e continua a fazê-lo durante toda a vida. Com poucos dias, aprende chamar sua mãe com seu choro. No fim do primeiro ano, familiarizou-se com muitos dos objetos que formam seu novo mundo, adquiriu certo controle sobre suas mãos e pés e, ainda, tornou-se perfeitamente iniciada no processo de aquisição da linguagem falada. Aos cinco ou seis anos, vai para a escola, onde, por meio de aprendizagem dirigida, adquire os hábitos, as habilidades, as informações, os conhecimentos e as atitudes que a sociedade considera essenciais ao bom cidadão. Quando se consideram todas as habilidades, os interesses, as atitudes, os conhecimentos e as informações adquiridas, dentro e fora da escola, e suas relações com a conduta, a personalidade e amaneira de viver, pode-se concluir que a aprendizagem acompanha toda a vida de cada um. Através dela, o homem melhora suas realizações nas tarefas manuais, tira partido de seus erros, aprende a conhecer a natureza e a compreender seus companheiros. Ela capacita-o a ajustar-se adequadamente a seu ambiente físico e social. Enfim, a aprendizagem leva o indivíduo a viver melhor ou pior, mas, indubitavelmente, a viver de acordo com o que aprende. Portanto, quando o equipamento de respostas inatas não é satisfatório, o homem só consegue o ajustamento adequado através da aprendizagem. Supondo-se que um adulto não mais

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dispusesse dos resultados da aprendizagem, ter-se-á que imaginá-lo reduzido ao nível de uma criança, na primeira infância. Assim, por exemplo, teria fome e sede, mas não saberia o que comer e beber e nem saberia encontrar os meios para satisfazer estas necessidades; não poderia usar a palavra; não saberia o nome das coisas e das pessoas; perderia o próprio nome; e nem mesmo coordenaria as idéias, como habitualmente faz, porque não saberia expressar os conceitos através de palavras e perderia as noções de tempo e espaço. Cada indivíduo é o que é, em grande extensão, pelo que aprendeu e ainda pelos modos segundo os quais, em novas emergências de ajustamento, poderá aprender, integrando seu comportamento e experiência em novos padrões. A aprendizagem é, afinal, um processo fundamental da vida. Todo indivíduo aprende e, através da aprendizagem, desenvolve os comportamentos que o possibilitam viver. Todas as atividades e realizações humanas exibem os resultados da aprendizagem. Quando se considera a vida em termos do povo, da comunidade ou do indivíduo, por todos os lados são encontrados os efeitos da aprendizagem. Através dos séculos, por meio da aprendizagem, cada geração foi capaz de aproveitar-se das experiências e descobertas das gerações anteriores, como também, por sua vez, ofereceu sua contribuição para o crescente patrimônio do conhecimento e das técnicas humanas. Os costumes, as leis, a religião, a linguagem e as instituições sociais têm-se desenvolvido e perpetrado, como um resultado da capacidade do homem para aprender. Podem-se observar os produtos da aprendizagem nas hábeis realizações dos engenheiros, dos cirurgiões, dos artistas etc. São evidenciados nas espetaculares descobertas e invenções da ciência moderna, no pensamento do filósofo e nas decisões dos estadistas. O comportamento rotineiro do homem do povo, suas crenças, seus receios e sua submissão às tradicionais são, grandemente determinadas pelas tendências e predisposições adquiridas através da aprendizagem. A aprendizagem é um processo tão importante para o sucesso da sobrevivência do homem, que foram organizados meios educacionais e escolas para tornarem a aprendizagem mais eficiente. As tarefas a serem aprendidas são tão complexas e importantes, que não podem ser deixadas para obra do acaso. As tarefas que os seres humanos são solicitados a aprender, como por exemplo, somar, multiplicar, ler, usar uma escova de dente, datilografar, demonstrar atitudes sociais, etc., não podem ser aprendidas naturalmente. Se se pretende entender o comportamento e as atividades, os interesses e atitudes, os ideais e crenças, as habilidades e conhecimentos que caracterizam qualquer ser humano, é essencial compreender o processo de aprendizagem, porque ele e a maturação constituem as duas maiores influências que afetam o comportamento humano. O estudo e a aprendizagem, sua natureza, suas características e fatores que nela influenciam constitui, portanto, um dos problemas mais importantes para a psicologia e para o educador, seja ele pai, professor, orientador ou administrador de instituições educativas. Explicar o

retê-los e evocá-los. definidamente científico. pois. não só a escolha do método didático. fixar seus nomes. pela aprendizagem que o homem se afirma como ser racional.3 Aristóteles Apresenta um ponto de vista. elaborando-as com a formulação de sua doutrina das “reminiscências”. Assim. 1.1 Sócrates O conhecimento preexiste no espírito do homem e a aprendizagem consiste no despertar esses conhecimentos inatos e adormecidos. característico de seu sistema lógico.1 Concepções sobre a aprendizagem. Daí a razão porque as primeiras teorias se confundiram com as explicações dos processos lógicos e com as teorias do conhecimento. conhecer e aprender.1. experiências e hipóteses.2 Notícia Histórica da Psicologia da Aprendizagem Desde a antigüidade. Utilizou o método dedutivo.4 mecanismo da aprendizagem é esclarecer a maneira pela qual o ser humano se desenvolve. na antigüidade: 1. o método da “maiêutica” ou partejamento das idéias é que disciplinaria o espírito e revelaria as verdades universais. não pode ser dispensada a contribuição da psicologia da aprendizagem. Especialmente no setor da teoria e da prática educativa.1. portanto. organiza a sua conduta e se ajusta ao meio físico e social. Lançou. A alma está sujeita à metempsicose e guarda a lembrança das idéias contempladas na encarnação anterior que. 1. aplicando-o em suas observações.2. A noção de aprender se confundia com a ação de captar idéias. filósofos e pensadores preocuparam-se com os fatos da aprendizagem do tipo “verbal” ou “ideativo”.2 Platão Formulou uma teoria dualista que separava o corpo (ou coisas) da alma (ou idéias).1. a um tempo. Expôs as idéias de seu mestre Sócrates. como também a organização dos programas e currículos e até a formulação dos objetivos da educação. Para ele. . e. a aprendizagem nada mais é do que uma reminiscência. Isto seria. o método indutivo. ensina que todo conhecimento começa pelos sentidos. vai depender. Da solução dos problemas desta. pela percepção. 1. toma conhecimento do mundo em que vive. 1.2. É. voltam à consciência.2. o fundamento para o ensino intuitivo. rejeitando a preexistência das idéias em nosso espírito. forma a sua personalidade e se prepara para o papel que lhe cabe no seio da sociedade.2.

homens com idéias.2. porque a ênfase na educação permaneceu teológica e teórica. neste clima de progresso científico. requerendo a observação e a experimentação. suas conclusões foram aceitas como irrefutáveis. BACON. como também a medida e a classificação da experiência.1. Afinal. o método científico de análise e de predição de eventos. como as de Santo Tomas de Aquino e Juan Luis Vives.6 Juan Luis Vives Insistiu nos métodos indutivos em psicologia e filosofia. formulou a célebre afirmação de que “nada está na inteligência que não tenha primeiro estado nos sentidos”. etc. propagaram uma nova fé no conhecimento.2. Organizou a teoria da associação com os princípios de semelhança. estabeleceu-se. como Santo Agostinho. 1. para justificar as generalidades sobre o homem e a natureza. que adotou a introspeção. GALILEU.1. apenas. exigindo as provas experimentais e a evidência empírica. 1. baseadas na autoridade divina. elaborada segundo a filosofia das concepções antigas. e as verdades religiosas. BACON. baseadas na pesquisa e experimentação. para registrar suas próprias experiências mentais e esposou a teoria das faculdades mentais. baseado no senso-percepção e no raciocínio lógico.5 Santo Tomás de Aquino Distinguiu as verdades científicas. Havia. a explicação do pensamento. o principal agente da aprendizagem é a atividade de quem aprende. 1. por séculos. Contudo. LOCKE. mas foi esquecido o fato de que ARISTÓTELES acreditou e utilizou os procedimentos científicos da observação e experimentação.2.5 Infelizmente. DESCARTES E LOCKE. de contraste e de contigüidade. Considerava a aprendizagem como um processo inteligente. 1.1. . Assim. Para ele.3 Contribuições Modernas para a Conceituação da Aprendizagem Alguns pioneiros que lançaram os fundamentos da ciência moderna como COPÉRNICO. vão surgindo as modernas concepções de aprendizagem. através de toda a Idade Média e no começo dos tempos modernos. voltaram a usar método indutivo de ARISTÓTELES.. eram exceções.4 Santo Agostinho Poucos tentaram reviver o método indutivo. DESCARTES. Combatendo a preexistência das idéias. dinâmico e auto-ativo. das idéias e da memória verbal ou dialética.

idéias. ou das idéias colhidas pela impressão das coisas (sensações. generalizações. a pedagogia aceitava com entusiasmo o chamado “método intuitivo” de ensino com coisas ou das “lições de coisas”. Este movimento provinha de PESTALOZZI. se pudesse formar por um simples exercício de suas “faculdades”. Combate a concepção das idéias inatas de Platão e insiste em que o espírito seria uma “tábula rosa”. Em toda a segunda metade do século passado. aceita logo por SPENCER que introduziu o darwinismo na psicologia. os comportamentos como base da aprendizagem. mas foi fortalecido por HERBART.1 Locke No século XVII.2 Herbart (1776-1841) Estabeleceu a doutrina da “apercepção” e os “Passos Formais” do ensino (preparação. A sistematização de muitas de suas idéias veio a ser feita por Herbart. Em certo sentido.3 Lloyd Morgan No fim do século. ao invés do exercício intelectual.4 No Brasil . 1. Embora combatesse a doutrina das “faculdades” e desenvolvesse a idéia da educação como fundamental na formação humana.3. na Alemanha e nos Estados Unidos. imagens. acontecimento de grande importância nas teorias modernas de aprendizagem. 1. Fröbel e Pestalozzi. juízo. começava-se a admitir a ação. Admitiu já a transferência e a generalização dos conhecimentos. retorna o princípio aristotélico: “Nada está na inteligência que não tenha estado primeiro nos sentidos”. formulava sua teoria de “ensino-e-erro”.3. Locke fez trabalho precursor para Comenius. raciocínio). apresentação.6 1. sistematização e aplicação). A influência de Herbart foi muito grande e ainda é patente nos trabalhos relativamente recentes de MAC MURRAY. ainda o fazia tocado pela influência das idéias intelectuais da tradição grega e medieval – “a educação pela instrução”. 1. Assim. Combate também a idéia da “disciplina formal” ou a crença de que o espírito. MORRISON (autor do Plano de Unidades Didáticas) e DECROLY.3. associação. Suas idéias tiveram enorme influência direta e indireta sobre a compreensão psicológica da educação na Inglaterra.

É interessante assinalar também a influência que já começaram a exercer. proposta por B. CLAPARÈDE e PIAGET. Outra realização a repercutir na aprendizagem. Assim. ADLER. é a instrução programada. 2 AS MÚLTIPLAS DIMENSÕES DA APRENDIZAGEM A aprendizagem é um processo dinâmico e multidimensional. BRUNER. DEWEY. a contribuição dos criadores da psicologia pedagógica moderna. S. BINET (um dos pioneiros da medida em psicologia). sobre as teorias contemporâneas da aprendizagem as teses psicanálise de FREUD. Ainda as novas perspectivas dos estudos sobre a Psicolingüística e a Teoria da Informação. neobehaviorista e autor de uma das teorias modernas da aprendizagem.1 Rui Barbosa O movimento do “método intuitivo” refletiu-se com a tradução do livro de CALKINS. 1. evolutiva. psicólogo norte-americano. mutáveis. Nada é estático para o ser humano: todo se caracteriza pela mobilidade e o dinamismo. a dos gestaltistas. que mais influiu sobre a formulação das novas teorias da aprendizagem. KÖHLER e WERTHEIMER. como KOFFKA. a aprendizagem é também um processo vital e sua vitalidade é mutacional. em 1882. apresentados à Câmara dos Deputados. têm oferecido substancial contribuição à psicologia da aprendizagem. a dos behavioristas. FROMM. SCHELER e MERLEAU PONTY. JUNG. bolinhas de gude dentro de uma sacola. LEWIN ofereceu apreciáveis contribuições para o estudo dos fatos da aprendizagem. Pesquisas recentes mostram que novos e . como HERBART.7 1. “As crianças não aprendem fatos como se estivessem ajuntando uma a uma.5 Outras Contribuições Atuais Foi. feita por Rui Barbosa e com as idéias de seus “Pareceres” sobre o ensino. sobretudo. Os fatos não são aprendidos em uma seqüência definida (temporal) como se fossem contas em um cordel esticado defronte da criança. Sem pretender organizar uma teoria da aprendizagem. SKINNER. “Lições de Coisas”. e do existencialismo de HEIDEGGER.4. também o psicólogo de campo K. como é o caso de J. bem como a dos reflexologistas como PAVLOV e BECHTEREV. baseada na situação do condicionamento operante. transformadora. que não está relacionado de modo algum com o movimento da Teoria da Informação. F. como WATSON e LASHLEY. Abrange fatos da vida e áreas de conhecimento sempre móveis. da fenomenologia de HUSSERL. THORNDIKE. em evolução e transformação. JASPERS e SARTRE. que se pode mencionar.

justamente porque há uma ausência geral de uma política de educação que dimensione o homem como um centro de valores qualitativamente insubstituíveis. A aprendizagem para o bem viver liga-se a valores. Portanto. além dos muros da escola. ainda. o que. a ausência de emoção e envolvimento afetivo é tão dramática que é comum ouvir-se. Claro está que simplesmente acreditar no menino que ensaia suas primeiras leituras e no jovem que contesta nossos valores dentro dos limites de uma sala de aula. as redes de água e esgotos mostram-se humílimas. e só esta aprendizagem é realmente duradoura: a que se liga à vida. A aprendizagem é tão difícil e multidimensional quanto a própria vida. autêntica e corajosamente. “A aprendizagem real liga-se a conceitos.” Acresce.” Infelizmente. curiosidade. coragem e prontidão”. interesse. como se a aprendizagem e a formação escolar fossem processos não existenciais. há valores envolvidos e as conexões com a vida são aparentes. em outras palavras. definitivamente apartados das naturais alegrias e dificuldades de viver. por toda a parte e em todos os níveis de escolaridade. mas também de uma nova política: obviamente a que assumir para si a . “para maior efeito didático”. significa “reinventar” o homem. a resposta para esta pergunta é múltipla e tão dramática quanto a escola brasileira contemporânea: as responsabilidades são de ordem política. os recursos sanitários preventivos e imediatos continuam irrisórios. O desenvolvimento econômico e tecnológico do Brasil não se equaciona em termos de um mesmo desenvolvimento social simultâneo e paralelo: o aumento populacional tem sido vertiginoso nos últimos vinte anos e. É preciso ser integralmente o ser humano que se é no mais profundo do nosso ser.8 importantes fatos memorizados e “jogados” dentro daquela suposta “sacola de aprendizagem. em nosso ensino. perdem-se facilmente e são logo esquecidos. social e educacional. o bom ensino é dimensional: os fatos são fundamentados em conceitos. Um homem novo para um mundo novo é construção não apenas de uma nova família e de uma nova escola. não é suficiente para se promover mudanças socioculturais estruturais de grande alcance. os alunos dizerem que a vida está lá fora. a rede escolar prossegue ínfima e. não são sequer lembrados pelos indivíduos quando têm um problema a resolver ou quando se vêem obrigados a uma escolha de valores. econômica. estáticas e superadas. que esses fatos “estendidos” ordenadamente em linha reta. a falta de qualificação profissional e desemprego são alarmantes. entretanto. Onde está o erro? Evidentemente. Significa dimensionar os outros seres humanos até o seu justo valor. dentro deste último contexto. para atender às necessidades dessa população “explosiva”. os níveis de ensino apresentam-se baixíssimos e indecorosos. Ela “envolve dimensões de sentimento.

Assim. – El Educador Nato – B. Isto não parecerá tão incrível se o leitor souber que é justamente o professor a única pessoa não mencionada pelos adolescentes nos relatos de seus afetos. observam-se mudanças nas maneiras de agir. Comumente. Desta maneira. Aires. raramente lhe dá lugar entre seus amores e quase sempre o coloca no elenco das pessoas que lhe são indiferentes ou odiosas. neste ano os dez primeiros anos de magistério. no curso deste trabalho.1 PRODUTOS DA APRENDIZAGEM: APRENDIZAGEM COGNITIVA Introdução Toda aprendizagem resulta em alguma mudança ocorrida no comportamento daquele que aprende. Afinal. de sentir-se atraído ou retraído das coisas e pessoas do mundo em que vive. no limiar de um novo século. porque. quem é este individuo tão odiado. antes que possa nascer um novo tempo” (Spranger E. O . mas o predomínio de um dos produtos sobre os outros. de pensar em relação às coisas e às pessoas e de gostar.9 responsabilidade de dar ao homem o único destino que merece. se verifica que os produtos da aprendizagem são de natureza diferente. não se encontra um produto de aprendizagem puro. humilhado e degradado muitas e muitas vezes pelas múltiplas situações escolares desumanas e insolúveis e sempre angustiado e atormentado quando não desesperado. me pareceu tão difícil quanto escrever sobre o professor e sua influência no processo de aprendizagem. 1960). os produtos da aprendizagem são agrupados em automatismo (em que predominam os elementos motores). em cada situação. de fazer coisas. mal preparado para exercer função tão relevante. Ele simplesmente não figura entre as pessoas que lhes são significativas (JERSILD) e. elementos cognitivos e elementos afetivos ou apreciativos. é preciso nascer um novo modo de pensar. não se sabe se de amor ou de ódio? Quem é este indivíduo. O Professor: Quem é? Nada. diante de uma infância e de uma juventude para quem seus valores já não significam tanto ou nada? 3 3. temível e desconhecido. geralmente. quando um ou outro jovenzinho o menciona. ou não gostar. o de viver uma vida realmente digna de ser vivida. “Primeiro. temido e criticado que tem em suas mãos a responsabilidade de formar as gerações mais jovens para viverem. muito embora eu comemore. na maior parte das vezes. uma nova existência. embora forçando um pouco os fatos. sendo possível sua classificação.

ansiedade. como sonhando. durante a reflexão. pelo menos. se não toda ela. O individuo que aprende. também possui componentes. Foi demonstrado que ligeiros movimentos da língua e da laringe ocorrem em pessoas normais. que foram previamente fontes de frustrações. se constitui uma forma adequada de socialização. ou correlatos intelectuais. artificialmente abstraídos. uma noção da natureza geral e do significado deste processo. que visa a aproximar. e a atividade adquire uma conotação positiva ou negativa. Os aspectos da atividade do indivíduo. relações ou conseqüências motoras. de tonalidade positiva. por exemplo. Estas mesmas pesquisas revelam que o relaxamento muscular completo e a reflexão são incompatíveis. também. adquire alguns sentimentos referente à atividade: passa a apreciá-la ou desprezá-la. mãos e braços. executam ligeiros movimentos dos dedos. Quando alguém imagina estar passeando pela rua. pode-se captar impulsos periódicos dos músculos da perna. conflito. são percebidas como ameaçadoras e conceituadas como perigosas e más situações. forma. ou possui repercussões motoras. Uma pessoa constitui uma unidade e. sem algum nexo afetivo. Um alto nível de atenção ou concentração sempre envolve um aumento de tensão muscular geral. pessoas ou objetos. em diversas proporções. a detestá-la ou valorizá-la. há um aumento de tensão muscular. ou se pensa. em que foram agradáveis as experiências anteriores semelhantes. Qualquer atividade predominante cognitiva (conceitual). que é de natureza predominantemente afetiva. e todo o processo aprendido possui componentes motores. igualmente. é a pessoa como um todo responde. ou um exercício físico sadio. se é interessante ou enfadonho. culpa ou dor. Ao contrário. têm seus componentes. ou motores.10 homem é um organismo que pensa. quando . É igualmente verdade que os sentimentos e as emoções. parte integrante da reação total. Assim. ideativos e afetivos. muscular. O pensamento é. Toda emoção agradável traz consigo uma tendência para repetir a experiência agradável. Sua atividade sempre possui componentes motores (predominantemente musculares). que utilizam a linguagem de sinais. atraindo-o ou repelindo-o. quando se percebe. jamais. reações de aversão e uma tendência reacional que visa o afastamento da situação estimuladora. Ao mesmo tempo. tanto ao pensar. ao agir. Expectativas cognitivas e significados perceptivos e conceituais tornam-se. a patinação. Cada experiência afetiva. Ao contrário. prolongar e perpetuar esta vivência. possui aspectos ou correlatos motores. Todos estes fatos indicam que grande parte da atividade cognitiva. ou conseqüência cognitiva. para fins de classificação e estudo dos produtos da aprendizagem nunca existem isoladamente na Vida real. envolve uma tendência motora positiva. os surdos-mudos. o indivíduo adormece e não pode pensar. como. por exemplo. sente e atua. ao passo que estados emocionais desagradáveis acarretam tendências de fuga. percebe-se com amigáveis e desejáveis as situações. prolongando a situação. quando os músculos estão perfeitamente relaxados. ou para deixar as coisas como estão. ideativo (em grande parte neurológicos) e afetivos (principalmente viscerais). parcialmente. Ninguém. pensa sobre o que faz ao aprender. Da mesma forma. adquire um hábito motor.

em virtude da experiência.2. ideativos e afetivos também se alteram. o raciocínio. os aspectos motores. abstração julgamento etc. suas vivências anteriores e suas necessidades presentes. atenção. trata-se de uma informação. o conhecimento das causas de um teorema na solução de um problema matemático. tais como a percepção. serão estudados alguns destes fatores. a aprendizagem ideativa não pode prescindir do trabalho das funções cognitivas. como a percepção. raciocínio. no momento ou seja: sua motivação. ainda. é determinada por: a) Sua experiência anterior. b) Seu interesse pelos estímulos..2. Na aprendizagem ideativa.2. memória etc. a memória etc. a atenção. .1 Percepção A forma pela qual um indivíduo interpreta os estímulos do meio ambiente. 3. 3.1 Caracterização A aprendizagem cognitiva é aquela em cujo processamento predominam os elementos de natureza intelectual.11 os padrões comportamentais do indivíduo se modificam. como as condições orgânicas. c) Sensibilidade dos órgãos do sentido para aqueles estímulos particulares. a menos que ocorra a pseudoaprendizagem – apenas a memorização e não a compreensão das relações de causa e efeito do fato estudado.. a utilização de processos intelectuais ou cognitivos. raciocínio. constituem uma aprendizagem do tipo ideativo. 3. por quem percebe. a data da descoberta da América etc.2 Aprendizagem Cognitiva 3. imprescindíveis na aprendizagem intelectual.2 Fatores determinantes Além das condições comuns a qualquer tipo de aprendizagem. Qualquer interpretação dada aos estímulos sensoriais. Assim. utilizando sua experiência. são imprescindíveis para que o aprendiz reelabore o conhecimento a ser adquirido. a motivação etc. A seguir. porque esta tarefa envolveu apenas a memória .2.sendo desnecessário qualquer outra atividade intelectual. maturidade para aprender. os processos mentais de percepção.. constitui um ato de perceber. Entretanto. Quando o aluno aprende a data da descoberta da América. para a aprendizagem das causas da independência brasileira. se pode distinguir entre conhecimentos e informações. O funcionamento dos órgãos dos sentidos e a atividades mental são necessários a percepção. especialmente. pois vão envolver.

que é da maior importância da aprendizagem. tanto no estímulo como no indivíduo. poderá ser solucionada se o mesmo não puder perceber os elementos nela envolvidos. A New Look in Perception (Nova Moda na Percepção) chamou a atenção dos psicólogos e educadores para a influência dos fatores motivacionais do percebedor. Entretanto há outros fatores a serem destacados. as condições subjetivas tanto podem deformar a situação estimuladora a ser percebida.2. a experiência interior e o estado emocional do movimento vão provocar no indivíduo uma predisposição (set) que influi nos processos de percepção e de pensamento. os muitos estímulos do meio ambiente. e) Novidade. d) Relevância para as necessidades individuais. isto é. incluindo o significado e interpretação. valores.3 Problemas da percepção Múltiplos são os fatores envolvidos no processo de percepção.2. Dessa maneira. organiza. que acompanha a experiência associada ao processo iniciado pelo estímulo. A percepção leva à aquisição de conhecimentos específicos a respeito dos objetivos. pessoas e fatos. A percepção é a consciência da sensação. atividades etc.2 Atenção A atenção faz com que. 3. para resultarem na percepção. como dinamizar um processo de defesa perceptiva. Vários fatores. seus interesses. impedindo a captação dos elementos objetivos. Os fatores motivacionais.12 d) Pela integração. através da estimulação dos órgãos dos sentidos.2.2. integra e interpreta as experiências sensórioperceptivas. Nenhuma situação problemática que se apresente a um indivíduo. Na realidade. ou organização. pode-se destacar: a) Intensidade do estímulo. As impressões sensoriais não são tomadas. do que ocorre. pois a mesma nem será percebida como um problema. b) Subtaneidade da mudança. o indivíduo selecione e perceba somente alguns aspectos ambientais. . 3. na experiência do indivíduo. a sensação e a percepção não são processos reparáveis. que estimulam os órgãos dos sentidos. diretamente. o indivíduo recebe. necessidades. contribuem para a focalização da atenção em alguns aspectos ambientais. Dentre os fatores que influem a atenção.

sugerindo várias tendências de agrupamento ou estruturação. A primeira etapa na formação de um conceito. Uma imagem mental é associada com outras imagens semelhantes. A perfeição dessa imagem mental depende de uma completa e segura percepção original. Mais tarde. Trata-se dos problemas de camuflagem e da concessão de privilégios a certo fatores na situação problemática.2. na ausência do objeto. que transcendem a qualquer percepção particular de uma situação. embora apresentem diferenças individuais. provém da concessão de privilégios a um fator que pode ou não dissimular o trajeto perceptivo para a solução. o conceito é geral ou universal. talvez. da mesma espécie ou categoria.4 Formação de conceitos: generalização A atividade mental de conceituação leva à aquisição de conhecimentos organizados sob a forma de conceitos. a descoberta da melhor “gestalt”. pois essa é a sugestão perceptiva que se insinua. advindo da abstração dos atributos gerais. Face a essas rápidas considerações sobre o bloqueio como expressões de um mecanismo perceptivo de defesa se é levado a concluir que as deficiências de rendimento da aprendizagem não podem ser explicadas apenas em termos de deficiência de equipamento intelectual ou ausência de aptidões específicas. porém. 3. Consiste em se perguntar o número de patos que nadam sob a ponte. Exemplo frisante é a formulação de Harrower. o resultado da percepção – o percebido – refere-se a urna situação individual. ou idéias gerais. aplicando-se a todos os indivíduos da mesma espécie. Parece claro que a resposta são seis patos. sua imagem é evocada. que essas situações de bloqueio podem provir-nãosomente do sujeito que percebe. Os perceptos e imagens mentais particulares levam à formação de um significado geral ou conceito. associados e extraídos dos perceptos e imagens de outros objetos ou situações particulares. Os conceitos são expressos . Foi concedido privilégio ao fator par em detrimento da idéia de fila indiana que levará à solução do problema e. nem seja considerada. face à maneira pela qual o problema foi formulado. é a percepção de um objeto. dois no meio de dois e dois atrás de dois. muitas vezes tais problemas vêm perturbar a aprendizagem. que o percebedor deverá enfrentar. citado por Koffka. mas também da situação estimuladora. advindas da formação de perceptos das situações ou objetos particulares da mesma espécie.2. sabendo-se que dois nadam na frente de dois. dificultando o “insight” e resultando um bloqueio do processo perceptivo. particular ou específica. A idéia fila indiana foi submetida a pesado bloqueio na captação dos estímulos a serem estruturados a idéia de par dominou-a. objeto ou pessoa. a ser percebida. que conduz á solução do problema. determinando uma solução errada. isto é. Outro aspecto importante na organização do campo perceptivo. A camuflagem ocorre quando o professor propõe um problema formulado de modo inadequado.13 É interessante assinalar. No processo de comunicação o professor-aluno.

sujeita a condições emocionais do indivíduo. 3. também. porque apenas decorou a palavra. Entretanto. na aprendizagem dirigida.2. Os fatores mnemônicos são responsáveis pela fixação e retenção do conteúdo da aprendizagem. às vezes. afim de propiciar aprendizagem de grande número de conceitos. A linguagem é o meio pelo qual o indivíduo expressa seus conceitos.. leituras. mas não conhecerá o conceito expresso pela mesma. Entretanto é essencial que sejam aprendidos os significados convencionados para cada palavra (símbolo). Ela possibilita a memorização dos conceitos necessários para as atividades mentais. de conceitos e princípios. retenção. devem ser adquiridos através da participação do aprendiz em muitas formas de atividade.2. A memória.5 Memória A aprendizagem ideativa não pode basear-se unicamente na memória porque as funções desta fixação. anteriormente.3 Processos de Aprendizagem Cognitiva Conforme a natureza da tarefa a ser aprendida. portanto. se não tiver retido e puder evocar uma série de perceptos e imagens percebidas. mas a simples memorização de uma palavra. discussões em classe etc. A falta de evocação pode resultar de uma atitude de defesa contra a lembrança da imagem ou de um percepto desagradável ao sujeito. a memória constitui um dos fatores que colabora para o exercício das funções do raciocínio e da generalização. faz com que aquilo que está sendo aprendido seja assinalado. ficando impossibilitada de aplicar adequadamente o conceito. por exemplo.14 através de símbolos-números ou palavras. às vezes. na comunicação social. poderá decorar a palavra candelabro. o mesmo processo aplica-se a tarefa de natureza diferente. isto é. e. não resultará na formação de um conceito. 3. que não viu vários candelabros diferentes. emprego de auxílios audiovisuais. podem-se assinalar os processos do “insight” e do ensaio-e-erro. evocado ou reconhecido quando aparece no campo da consciência do indivíduo. Um indivíduo não poderá compreender uma dada situação. Uma criança. retido e depois lembrado pelo indivíduo. Se os Conceitos decorrem da experiência. . usada para expressar os conceitos e as idéias. Na aprendizagem ideativa. os processos de aprendizagem variam. Conforme a natureza da tarefa a ser aprendida. a escola deve proporcionar experiências diretas. porque não formou uma imagem mental através da percepção e abstração das características essenciais desta espécie de objeto. isto é. os processos de aprendizagem variam e. É interessante assinalar que a evocação está. evocação e reconhecimento – não envolve os demais processos necessários para a compreensão das situações da realidade vivenciada. essenciais para adaptação às várias situações de vida e para a aprendizagem de novos conceitos. o mesmo aplica-se a tarefas de natureza diferente. Assim.

3. . Se o aprendiz analisa e critica sua percepção. formando uma estrutura.15 Na aprendizagem mental. que foi então aprendida. integrando os elementos em um todo. compreende a situação – teve o “insight”.. A aprendizagem por “insight” é uma aprendizagem inteligente. como já foi analisado. mais ou menos subitamente constitui o “insight”. podem-se assinalar os processos de “insight” e do ensaio-e-erro. que será tratado novamente no capítulo relativo à teoria gestaltistas. ou das tentativas de soluções. menos precisamente. a aprendizagem por ensaio-e-erro obedece a objetivos. da percepção. As primeiras interpretações de uma situação desconhecida. para reprodução posterior. em uma situação.3. foi bem sucedida. se bem sucedido ou não. Esta compreensão das relações leva à organização de princípios gerais.2 Ensaio-e-erro Este processo é conhecido como “aprendizagem pela seleção de respostas bem sucedidas” e. através da concentração da atenção. ou percepção incompleta das relações entre meios e fins. conforme a lei da pregnância da “gestalt”. Desta maneira. desde o início.1 O “insight” A aprendizagem de idéias está intimamente ligada à interpretação da situação encontrada. subitamente. juízos etc. resultando numa compreensão das relações existentes em uma situação problemática. pela qual um problema é visto em todas as suas relações. constituindo tentativas para alcançar sua completa compreensão. isto é. A menos que haja um completo conhecimento da situação. Envolve sempre a observação. sem possibilidade de aplicação na solução dos problemas diários. de conceitos e princípios. por ensaio-e-erro. não constituindo um processo cego. A integração mental. significa que a pesquisa mental. aplicáveis a outras situações semelhantes e não à repetição grosseira de fórmulas memorizadas. em algum grau. da associação de idéias. levando à compreensão da situação. mecânico. 3. ou seja. em grande parte. Caracteriza-se pela percepção mais ou menos vaga. geralmente. À medida que se ascende na escala biológica. aumenta a capacidade de observação das relações existentes e a necessidade de ensaio-e-erro diminui. Quando o sujeito consegue perceber todas as relações existentes em uma situação problemática. que será estudada posteriormente. até na aprendizagem animal. a comprovação das hipóteses. O “insight”. o discernimento súbito. e cada passo no processo. ele tende a melhorá-la. ele. É uma aprendizagem dirigida para algum objetivo. e esta depende. é planejado. são provisórias. mesmo do tipo mais elementar.3. está sempre presente. interpretativa e integrativa. da observação.

até que seja encontrada a hipótese ou resposta que conduza à solução da situação problemática. predominam os ensaios-e-erros mentais e. sendo dispensados ensaios-e-erros para a descoberta da resposta certa. podem ser classificados em três categorias. f) Integração da resposta certa na conduta do indivíduo. não significando que. embora. Quando os diferentes aspectos da situação são percebidos e integrados. em que as respostas corretas são feitas ao acaso. pela eliminação das respostas erradas. . através da produção de diferentes respostas. b) Estímulo interior. que é o problema encontrado. Sintetizando. também não sejam envolvidas atividades mentais. tanto a solução de um problema matemático como a de um quebra-cabeça mecânico exigem do aprendiz. portanto. porque a recompensa alcançada pelo ensaio-e-erro satisfez aos motivos individuais.4 Produtos da Aprendizagem: Aprendizagem de Automatismos 3. podemos enumerar os seguintes fatores ou componentes necessários a uma situação de aprendizagem por ensaio-e-erro: a) Estímulo chave. Também é pertinente referir que o processo de ensaio-e-erro surge quando a situação problemática é difícil para o indivíduo. as atividades de ensaio-e-erro resultam no “insight”.1 Introdução Como já foi referido.4. tal como é considerado pela psicologia gestaltista. e) Descoberta da resposta certa. e age a um só tempo. os ensaios-e-erros motores. comprovação das diferentes hipóteses e seleção da hipótese adequada. conforme o predomínio do tipo de atividade individual envolvida. imediatamente. a aprendizagem exige a atividade do educando e os resultados ou produtos dessa aprendizagem. o emprego de várias tentativas e erros. na realidade. Por exemplo. d) Formulação de hipóteses ou tentativas de solução. não deve ser identificada com mera atividade ao acaso.16 A aprendizagem por ensaio-e-erro. que é o motivo ou necessidade do indivíduo. quanto na aprendizagem motora. que é obrigado a produzir diferentes respostas até resolver o problema. sente. É interessante referir que o processo chamado de ensaio-e-erro tanto é utilizado pelo sujeito na aprendizagem ideativa. Na aprendizagem ideativa. Quando aplicadas a problemas capazes de resultar em princípios gerais. e) Observação necessária para a percepção das relações na situação problemática. na motora. não possam aparecer totalmente isolados porque a personalidade funciona sempre como um todo – o indivíduo pensa. ou seja. modificando seu comportamento. 3. nesta última. advém o “insight”.

atirar. escrever as palavras. a leitura rápida. que vão possibilitar a formação de automatismos motores. A aquisição de automatismos depende da prática.4. em tempo e em qualidade. 3. por exemplo. o homem toma-se capaz de realizar esses atos com o máximo de rendimento. do treino. como escrever e usar instrumentos que requerem a coordenação de pequenos músculos. podem ser classificados em dois tipos: os primários e os secundários. com seu raciocínio. com a experiência. Todo o movimento realizado obedece a sinais. Nesse processo ocorre a percepção e diferenciação de sinais e uma contínua correção de erros. A maioria das habilidades motoras envolve ambos. como andar. pentear-se. A aquisição de automatismos libera a atividade mental do indivíduo. Os automatismos tanto podem ser mentais. Um perito em qualquer habilidade descobre muitos sinais que podem ajudá-lo a selecionar a resposta certa. cortar alimentos. a cortesia. Os “sinais” podem ser definidos “como estímulos internos ou externos que ajudam a pessoa a reconhecer o momento exato para agir”. os segundos envolvem o controle de músculos menores. Os sinais podem ser vistos. todas as suas ações para a descoberta dos movimentos que levam à melhor solução do problema. a indução etc.. Os automatismos são padrões fixos de conduta selecionada. quanto motores e até sociais. ou estímulos captados e incorporados à experiência do indivíduo a reagir de forma mais adequada. Uma situação problemática nova leva o homem a estudar os movimentos mais adequados e rápidos e a orientar. dirigir automóveis. através da experiência e do treino.17 Neste capítulo. A eficiente realização de atividades dessa natureza depende de um bom desenvolvimento dos hábitos e das habilidades mentais e motoras. a retenção mnemônica. sem mesmo necessitar concentrar a sua atenção para executá-los. em sua vida. porém inclui reações de tipo automático e. sem exigir muito do trabalho mental. que permitem ao indivíduo enfrentar as situações constantes e rotineiras da vida e da profissão. ouvidos ou sentidos. será estudada a aprendizagem de automatismos. Um aprendiz principalmente reage a um reduzido número de sinais. os movimentos globais e a coordenação de pequenos músculos. que propicia ao aprendiz meios de adaptação às situações de vida. correr. para a solução de problemas mais complexos. A observação. constituem exemplos de hábitos mentais. etc. O homem necessita saber vestir-se. com agilidade. . portanto necessita de prática para ser atingida. A aprendizagem de hábitos e habilidades é realizada da mesma maneira que as outras. rapidez e economia de tempo e esforço. Os primeiros incluem os movimentos globais do corpo. operar matematicamente e de uma série de atos usados a todo momento. no sentido de aproveitamento das experiências anteriores.2 Caracterização da aprendizagem de automatismos Os padrões de desenvolvimento motor. da repetição. nadar. A percepção de maior número de sinais aumenta portanto. quando necessário. como. saltar. o cavalheirismo a cooperação etc..

3. ou condições que contribuem para que a aprendizagem de automatismos ocorra. para a execução de movimentos precisos da escrita ou da própria memória. a previsão de movimentos bem sucedidos. precisa e dependente da coordenação de uma série de relações. possibilitando a inferência de princípios gerais de funcionamento. vai captando os sinais que possibilitam movimentos flexíveis. 3.4. pois o sujeito pode aprender a realizar movimentos automaticamente. a compreensão da situação e de seus elementos determina uma aprendizagem mais rápida e mais eficiente. deve-se considerar. 3. Entretanto. a transferência de movimentos adequados de uma situação para outra. o aprendiz precisa discriminar e selecionar os movimentos mais adequados. ocorre o processo de aproveitamento das experiências anteriores. por exemplo.18 Uma criança. que é . para reter e evocar uma seqüência de etapas. do processo. tal como referido. agarrando o lápis com toda força. corrigindo os erros cometidos. tudo isto conseguido através de um complexo processo. Para alcançar a coordenação de movimentos.3 Fatores auxiliares da aprendizagem de automatismos Vários são os fatores. sem nada compreender dos mesmos. rápida. nos exercícios.4.3. 3. para que possam ser percebidos e automatizados por aquele que aprende.1 Compreensão da situação e percepção de seus elementos. coordenando as ações desse campo. Na aprendizagem motora.2 Coordenação de movimentos Depende do controle de pequenos músculos. Qualquer habilidade mental ou motora se caracteriza por ser automática.4. numa reação de “boa forma” (segundo a orientação gestaltista). Assim. no sentido de reorientação da atividade. seqüências ou de pequenos neurônios. todo o seu corpo fica tenso. Com a prática. ou seja. a prevenção de erros. ou a seguir a seqüência de um processo. pelo aprendiz As funções intelectuais não constituem os fatores essenciais na aprendizagem de automatismos. mesmo uma caneta. conclui-se que é necessário apresentar ao aprendiz as dificuldades de forma gradativa. b) Começa a fazer discriminações do geral. quando começa a aprender a escrita. até se tornar capaz de manusear. a coordenação óculo-manual. também que as dificuldades a serem transpostas só o são depois que: a) O indivíduo tem a concepção geral do que vai aprender. seus dedos rígidos.

4. 3. obrigatoriamente. costurar. mas um automatismo não o pode. A compreensão da situação.3 Automatização da aprendizagem A automatização da atividade resulta da prática e consiste na execução de um movimento. praticar esportes etc. Ninguém aprende a escrever. que serão estudados. 3.4 Processos de aquisição de automatismos 3. pois que a aprendizagem ideativa e até mesmo a apreciativa. exigidos para a aquisição da habilidade desejada. a escrever a máquina. a percepção dos elementos que a compõem é fundamental para a automatização rápida e correta. modelar. recebem a colaboração da prática. uma idéia podem ser adquiridos. . uma vez conseguida a coordenação muscular efetiva. um conceito. A escola elementar e secundária modernas. a repetir a ordem dos números inteiros etc.. a extensão da habilidade do aprendiz será determinada pela prática apropriada. cozinhar.19 uma tarefa inteiramente individual. ou super-aprendizagem. apenas a prática não pressupõe.3. Aquilo que constitui uma boa coordenação para um aprendiz pode não constituir para outro. através da atividade.4. porém seu papel preponderante se faz sentir na aprendizagem de automatismos Os automatismos não podem ser aprendidos sem a prática. os automatismos realizam-se sem que o sujeito tome conhecimento de seu processamento e a consciência só interfere nesses atos. vêm concedendo muita atenção à tarefa de desenvolver a coordenação muscular dos estudantes. apenas em uma experiência vivenciada. pode haver prática sem aprendizagem.4. a desenhar. sem a repetição dos movimentos coordenados. O aluno é treinado a escrever. detalhadamente quando se tratar dos fatores pedagógicos ou métodos de aprendizagem.4. a aprendizagem. As atividades habituais. também. Portanto. indicando que a prática às cegas não deve ser executada pela escola interessada em acelerar e tornar mais eficiente o processo de aprendizagem.1 A prática ou experiência ou treino É uma condição de aprendizagem geral. a distribuição da prática com períodos de treino intervalares etc.. a falar uma língua estrangeira. Há vários fatores que tornam a prática mais eficiente. de uma habilidade. quando não são adequados para a realização do ajustamento desejado. como a existência de um objetivo em vista. sem a utilização do trabalho consciente. pelo indivíduo. o exercício Um princípio. Não há mais dúvida de que.

que poderão ser fixados com a prática. mas constitui processo mais complexo através do qual se realiza. como na escola com o professor. pois que não se pode esperar perfeição no início da aprendizagem. em vez da análise formal. Desta. a imitação desempenha seu papel. postura. Neste sentido. Através da imitação consciente e inconsciente os comportamentos habituais. Finalmente. da literatura lida. Na educação formal. de enunciação. o aluno deve ser levado à execução da atividade e o professor deve supervisionar seus movimentos. ou mera cópia. constituem poderosos modelos para imitação dos mais jovens. para o aprendiz.4. etc. enfatizando as partes mais difíceis da tarefa. . como a escrita. Também poderão ser apontados ao aprendiz os elementos passíveis de transferência. tanto a aprendizagem de automatismos. impedindo a realização de erros.4. depende da imitação.2 A demonstração didática Consiste na execução do automatismo. sem finalidade consciente. quando possível. a imitação se limitaria a apenas um ato. maneira.20 3. do líder escoteiro.. o professor deve dar uma explicação geral da habilidade a ser praticada. onde a mera uniformidade do movimento é desejada. Em uma segunda fase. como a aprendizagem apreciativa. A tendência é geralmente inibida. sem a consideração de suas finalidades. diante do aluno. deve realizar a demonstração de cada etapa. a personalidade do professor. suas coordenações. na fase inicial de aprendizagem. sabe-se que a imitação não se reduz somente à repetição automática de um ato. ou a própria ação digna de imitação. ou originalidade. de uma aprendizagem para outra. com a configuração envolvendo a compreensão e a finalidade. necessariamente. o professor pode permitir uma execução inicial de forma imperfeita.3 A imitação Alguns psicólogos pretendem explicar a imitação como uma simples repetição de uma atividade observada. ou inconsciente. na escola primária. Não com muita precisão técnica. serve como estímulo. a imitação não é exata. atendendo a certas exigências didáticas. a imitação direta ou consciente se faz das habilidades de rotina. a imitação é definida como a tendência para repetir as ações observadas em outros. procedendo. as demonstrações didáticas. A conduta dos pais. que se acha no âmbito das possibilidades do imitador. possa construir apenas um exercício. Entretanto. a uma demonstração da situação total a ser aprendida. A correção de defeitos de linguagem. linguagem cálculo etc. a menos que a pessoa a ser imitada seja superior. as habilidades específicas (parcialmente) e os códigos morais do meio social são integrados na personalidade da criança. Para os gestaltistas. embora a imitação de movimentos como tal.4. Onde quer que haja modelos. em vez de destruir a iniciativa. a fim de oferecer uma percepção de conjunto ao aprendiz. dos filmes. A imitação pode ser consciente. Entretanto. 3. a imitação é sempre a reprodução de um movimento.4.

A terceira etapa será constituída pela repetição e prática dos movimentos selecionados. como também a imitação.21 A imitação constitui importante meio de educação moral. que é uma habilidade elevada a seu máximo de perfeição..4. posição na carteira. levando a habilidade a se tornar uma destreza. O professor mostrará a técnica ideal.5. 3. cada tentativa coroada de sucesso é um passo no caminho do progresso. precisa ser suplementado pela direção verbal do professor. na aprendizagem. contribuem para o sucesso do aluno em aprender a escrever. . mas dever ser demonstrada para o aluno imitar. Por exemplo. Atualmente. social. porque o aprendiz não tem uma percepção clara da habilidade a ser aprendida. etc. na aprendizagem de qualquer habilidade.1 Caracterização da aprendizagem apreciativa Os objetivos da escola moderna não são apenas intelectuais (aprendizagem ideativa) e de aquisição de habilidades e destrezas (aprendizagem de automatismos). que conduzirem ao êxito. para ser mais econômico e eficiente. um processo de seleção de movimentos. Finalmente.5 Produtos da Aprendizagem: Aprendizagem Apreciativa ou Afetiva 3. A aquisição da habilidade é assim. para fixação do aprendido e seu aperfeiçoamento. visando maior controle mental deliberado. enquanto a orientação verbal e instrução são usadas como medidas de conexão. a escola pretende contribuir para a equilibrada formação da personalidade do aluno e sua integração ao ambiente sociocultural. como foi referido em relação à aprendizagem ideativa. O primeiro passo no desenvolvimento da habilidade caracteriza-se por muitos movimentos inúteis e pelo gasto desnecessário de uma grande quantidade de energia. O progresso da primeira fase à final. através do ajustamento de seus sentimentos. atitudes e ideais aos do grupo a que o mesmo pertence. o processo de ensaio-e-erro é considerado fundamental. essencialmente. Uma vez atingido este ponto. de colocar o papel. a prática. como também de aquisição de automatismos e será estudada com mais detalhes em relação à aprendizagem apreciativa.4 O ensaio-e-erro Em alguns aspectos da aprendizagem motora. afetiva. vem a repetição. 3. é realizado pela eliminação de todos os movimentos desnecessários da atividade total e pelo aperfeiçoamento dos movimentos adequados e úteis. a maneira de segurar o lápis. A imitação é o ponto de partida. A segunda etapa é gradativa eliminação de ensaios infrutíferos e a seleção e o uso de ensaios bem sucedidos. O ensaio-e-erro. que não deve ser deixada para o ensaio-e-erro casual.4.

Sem essas reações. um adolescente dizendo que adora geografia. por exemplo. ultrapassando o currículo escolar. e. O melhor índice da educação e cultura de um indivíduo não está na sua habilidade para fazer as coisas. as que são proporcionadas pelo jogo e pela arte. isto é. é prova evidente de que a emoção constitui um elemento necessário à vida. Como se pode concluir. além de aprender a disciplina. atitude do aprendiz pode variar. pelo convívio social. costumes.22 Diante de um novo conhecimento ou habilidade. em grande proporção. Sem emoções. modifica e aperfeiçoa a personalidade do educando. etc. se eliminadas as perniciosas. A aprendizagem apreciativa compreende atitudes e valores sociais. seguindo pela vida afora. ou provoca reação de agressividade. suas atitudes e preferências. quando se observa. que poderão ser proveitosas ao indivíduo e à sociedade. adquiriu uma atitude favorável ao estudo da matéria. Muitos estados afetivos no homem. o que se expressa na sua maneira constante de agir. A aprendizagem apreciativa influi. a vida não teria sentido. o respeito. nem na massa de informações e conhecimentos por ele armazenados. como tudo seria indiferente. mas na qualidade e intensidade de seus ideais. a gostar ou não de dirigir carro. pelas viagens e excursões. como diz Thorndike. apreciar o belo e praticar o bem. a respeitar as regras de trânsito. aprendizagem tipicamente motora e automática. fruto da experiência e da educação. o sentimento atlético e moral. ou mesmo indiferente. traduzidos por gostos preferências. o sentimento de justiça. Desta maneira. Quem aprende a dirigir um carro. que constituem os princípios mais gerais de conduta humana. simpatias. “Nunca se aprende uma só coisa de cada vez” é uma verdade incontestável. inibição ou aversão. as palavras felicidade e desgraça. à cultura e ao meio social e profissional em que vive. diante das diferentes situações. que desempenham papel da maior relevância na vida social. aprende. A aprendizagem apreciativa resulta em respostas afetivas. pelo cinema e pelo rádio. revelando-se positiva. . a tomar cuidado com a vida de outras pessoas. crenças. concomitantemente. os fatos mais vulgares e as maiores catástrofes deixariam o homem completamente impassível O interesse com que todos os seres humanos buscam as emoções moderadas. encontra-se também na sua capacidade para avaliar a verdade. A aprendizagem apreciativa pode ser positiva ou negativa. a aprendizagem apreciativa possibilita a formação do caráter do aprendiz. sentimentos. seriam inteligíveis. A escola e a família devem exercitar essas respostas afetivas e outras. decorrente do estabelecimento de uma relação afetiva entre a matéria e o mestre. o “hábito de experimentar com oportunidade sentimentos apropriados”. formando-se. concomitante às outras aprendizagens. emocional ou afetiva sempre acompanha as demais. hábitos e ideais de ação. que se estrutura sob bases hereditárias em constante interação com o meio ambiente. a admiração. porque o professor é formidável. em relação à vida.. mostrando que. se cria uma reação individual favorável. valores e ideais. como o amor. a aprendizagem apreciativa. são. amor e ódio. que são aprendizagens do tipo apreciativa. prazer e dor. negativa. por exemplo.

3. porque as idéias podem suscitar emoções mais facilmente.. para isso convém preparar as situações em que um sentimento de agrado se una à reação desejada na aprendizagem. Este preceito tem menor aplicação aos alunos mais velhos. ou ridículo. Lançando-se à tarefa. de maneira direta e imediata. mediante aulas orientadas na base dos métodos de aprendizagem ideativa. será interessante apresentar alguns princípios básicos da aprendizagem apreciativa direta: a) O aluno deve ser preparado para a aprendizagem. não poderá esperar alcançar os objetivos visados. pois nada mais absurdo. como o cinema por exemplo. no segundo. atitudes e valores que deseja cultivar nos alunos. ao meio social e à profissão. ainda que a aprendizagem de apreciação não tenha lugar fixo nos horários. etc. a mãe vestiu-o com seu traje preferido. que não expresse em seus comportamentos as atitudes que deseja formar nos aluno.5. o mesmo não ocorre com a apreciativa. em muitos casos. d) O professor deve oferecer oportunidade para as reações afetivas do aluno. Um professor. ideais e atitudes. mediante situações que provoquem resposta afetiva. de formação de atitudes e preferências devem ser ocasionais. Burton conta a história de uma mãe a quem um médico recomendou que desse espinafre a um filho pequeno.2 Processos de aquisição da aprendizagem apreciativa Enquanto que a aprendizagem ideativa e motora pode submeter-se a regras e processos definidos. são em parte. Daí poderem ser cultivados. a aprendizagem apreciativa exige um ataque direto. A aprendizagem apreciativa. pintura e muitas atividades sociais. etc. atuando os processo de condicionamento. que constitui os recursos fundamentais de integração à vida. Em outros casos. b) Os princípios de motivação da aprendizagem devem ser atendidos. do que assinalar no programa uma aula sobre o gozo de uma obra de arte ou sobre o remorso produzido por uma ação má. poesia. Assim. c) O professor deve vivenciar os ideais. No cultivo acidental dos aspectos afetivos é preciso levar em conta a personalidade do educador. o professor impulsivo não pode inculcar nos alunos o valor do domínio de si mesmo. da geografia.23 Todo este conteúdo da aprendizagem apreciativa. já depois da adolescência. a aprendizagem apreciativa se realiza de forma indireta e. ideais e atitudes afetivas. No primeiro caso. estudos analíticos das idéias relacionadas com esses valores. Entretanto. que é feita de forma indireta se verifica na aprendizagem da história. das ciências naturais. que ainda não dispõe de técnicas específicas. o cultivo dos valores. não surge espontaneamente. intelectuais. como na arte dramática. exige. freqüentemente. mas precisa ser ensinado e cultivado pela escola. vestiu-se também com um vestido que a criança . ideais. o método de aprendizagem e a situação que serve de base ao ensino. Os valores. Os exercícios de apreciação. atitudes de apreciação.

a espinafre. 2. a justiça. em sua opinião. comeu espinafre com prazer aparente. fazendo com que venha a ser apreciado. será considerado segundo outros aspectos. em forma de conversação. estejam de acordo com certos valores. fará com que se associem e o estado afetivo já ligado a alguns elementos se ligará ao novo estímulo apresentado – espinafre. agora. O processo de condicionamento será analisado. desse ponto de vista. a bondade. O agrado e a satisfação alcançaram facilmente o fim desejado.24 preferia. oralmente ou por escrito. como a melhor roupa. associá-se a mesma. é observar os alunos. . através do estudo das biografias e dos grandes feitos da história. todas as disciplinas oferecem campo à aprendizagem afetiva. A educação cívica pode inculcar o desejo de um bom governo e oferecer alguma prática das funções e deveres de cidadania. Enfim. fez com que tocassem música agradável. ou emocional. a fim de determinar se sua conduta está de acordo com os seus ideais. A melhor técnica é a discussão simples e natural. podem cultivar valores e ideais de conduta. pelos quais se realiza a aprendizagem apreciativa: 1. por sua vez. e) As aulas sobre os conteúdos da aprendizagem apreciativa não devem ser formais. a história e a literatura. às situações ou sejam estímulos que provocam reações agradáveis. A criança aprendeu prontamente a saborear espinafres. a camaradagem etc. Na escola. simultaneamente. Um processo muito usado para julgar os alunos. O processo de imitação Este processo já começou a ser tratado. quando forem estudadas as Teorias Modernas de Aprendizagem em capítulo posterior. neste campo. é pedir-lhes que façam. A mãe procurou associar um elemento não aceito pelo filho. sobretudo os de graus mais adiantados. e ela. a música etc. Processo de condicionamento de reações Uma resposta afetiva agradável. no caso. interesse e simpatia pelos povos estrangeiros. deu-lhe a colher e o prato predileto. valores ou atitudes. uma lista de ações que. o da geografia humana. f) As diferenças individuais devem ser respeitadas. estímulo até negativo. por exemplo. O estudo das ciências naturais pode inspirar amor e interesse pela natureza. O caso da criança que aprendeu a comer espinafre é um exemplo frisante. Dois são aos processos básicos. a beleza. ideais e atitudes. por exemplo. A repetição da apresentação dos vários elementos. a veracidade. g) As formas de medir outras aprendizagens não são adequadas para aprendizagem apreciativa. por determinada situação. com detalhes. em relação à aprendizagem de automatismos e. A melhor maneira de se obter medidas. pelo processo de condicionamento. ou à situação semelhante.

Os fatores mencionados e outros podem produzir a uniformidade no comportamento de grupos de pessoas. conformar-se ao grupo traz compensações e o indivíduo passa a observar o comportamento dos outros membros do grupo. faço o mesmo porque estava com sede. com proveito. realizando a imitação propriamente dita. observar aquilo que os outros fazem e repeti-lo. Observando-se o processo de imitação verdadeira. ou de padrões culturais comuns. dos que são capazes de realizar. porque são mais econômicos. destarte. as ações alheias podem chamar a atenção de outrem para situações ou objetos. necessariamente. pela aplicação de castigos e recompensas. porque poderá proceder de mecanismos inatos comuns. Além das conseqüências que o “ser diferente” acarreta. o indivíduo pode descobrir que progride mais rapidamente ao pautar sua conduta pelos atos dos mais bem sucedidos. momentos há em que respostas como esta podem representar a “verdadeira imitação”. ou de um ensaio-e-erro motivado. desviar-se demasiadamente do grupo provoca críticas e até exclusão. . mas atingem os mesmos resultados finais. assim como de adquirir habilidades motoras e sociais que possibilitam isto. Quando alguém imita. A pessoa que imita. A dona de casa que deseja projetar-se socialmente não imita o vestuário de sua cozinheira. vejo alguém se dirigir a um bebedouro e beber. Por exemplo.. descobre-se que utilizar as ações de outras pessoas. não repete exatamente a outras pessoas. Por exemplo. observa outro realizar determinado ato e esta observação é o fator essencial que a leva a agir de forma semelhante. a imitação. O adolescente copia o modo de falar. aproximadamente. podem eventualmente gerar uma tendência genérica de imitação. aquelas coisas que deseja fazer. ou genérico.25 A imitação não consiste apenas em um processo de. da mesma forma. seletiva. independentemente por indivíduos diferentes. raras vezes é um procedimento rotineiro. mas copiará as líderes sociais. como modelo a ser copiado. portanto não é um fim em si mesmo. com mais eficiência. A imitação. A tendência imitativa. age propositadamente para atingir um objetivo que considera desejável ou para evitar conseqüências desagradáveis. de andar. A imitação é um modo mais eficiente de obter prestígio. pode portanto. O imitador. de seu ídolo e não de seus colegas mais próximos. aceitação social e segurança emocional. Por outro lado. A imitação é. em dispêndio de tempo e energia. do que o ensaio-e-erro cego. que não envolvem. A simples semelhança de comportamento pode não decorrer de imitação. etc. Os modos comuns de realizar certos atos podem ser adotados. geralmente. Isto leva a uma tentativa consciente e deliberada de imitação para atingir mais rapidamente objetivos desejáveis. apenas. originar-se de um condicionamento. Entretanto. que são deliberadamente ensinados às crianças. não é apenas uma tendência para copiar cegamente a ação dos outros. aos quais então reage de modo apropriado às suas necessidades.

estimular o aluno. Motivo. na linguagem comum. modo de pensar etc. O estudo dos “motivos” realizado pela psicologia. E também há forças sociais que nos levam a agir. o adulto normal apresenta quatro desejos fundamentais Desejo de segurança. As forças que levam os animais a agirem denominam-se impulsos ou instintos. Desejo de reconhecimento. fadiga. prestígio ou aprovação social. por exemplo. 4.26 4 4. Os psicólogos adotaram a palavra “motivo” para designar tanto as forças sociais como as fisiológicas que levam os seres humanos a agir. tenham afinidade com os nossos. como.1 MOTIVAÇÃO DA APRENDIZAGEM Introdução “Motivação de Aprendizagem” significa causar ou produzir a aprendizagem. que se tornou muito conhecida. tem sentido de causa. William Thomas. Usa-se a palavra “motivo” apenas quando nos referimos ao comportamento humano. adquirir propriedades etc. sociólogo americano. o ser humano procura contatos sociais e sexuais. Segundo ele. o desejo de agradar as pessoas com quem convivemos. apresentou uma pequena lista de motivos. doença etc. despertar interesse ou entusiasmo pela aprendizagem. Temos necessidade de nos relacionarmos com pessoas cujos sentimentos. Exemplo de forças fisiológicas que acionam nosso comportamento: fome. tem por finalidade determinar o porquê de nossa ações. A palavra “motivação” deriva de “motivo”. .2 Classificação dos Motivos Os primeiros estudiosos do assunto fizeram uma longa enumeração das causas que nos levam a agir. Este é o “motivo” que nos leva a atender as nossas necessidades físicas: tratar da saúde. Por este “motivo”. ideais. Desejo de correspondência ou resposta. que são causadas por dois tipos de forças: as fisiológicas e as sociais.

É comum observarmos regressão no comportamento de crianças quando nasce mais um bebê na família: chupam o dedo. uma criança frustrada no lar. voltam a molhar a cama. em grande parte. durante um ano. mas apresentava características de idade inferiores. na adolescência. eram geralmente rejeitadas no lar. entre elas. observadas enquanto brincavam alegremente com um telefone de brinquedo. . Por exemplo. demonstra agressividade nas ações. do sexo e da idade da pessoa. brincaram como crianças bem mais novas. a agressividade. arrastaram-no no chão. Assim. Observou. o desejo de correspondência parece ser mais intenso na mulher que no homem. da Universidade de Colúmbia. A força dos motivos depende. “desligavam” etc. Em seguida. Tamara Dembo. o fenômeno chamado “regressão”. mostra-se agressiva na escola com o professor. 4.3 Frustração dos Motivos Frustração é a impossibilidade de satisfazer um “motivo”. e. apresentam os quatro motivos. crianças de escola maternal.27 É o que nos leva a praticar atos que sejam aprovados por nosso grupo social e a evitar as ações reprovadas. Notou que as crianças amadas no lar gostavam de cooperar e eram bem ajustadas na escola. de modo geral. antagônicas. temos prazer na aventura. fez um estudo experimental sobre a frustração em crianças. discípula de Kurt Lewin. As pessoas normais. ao passo que as crianças birrentas. Muitos autores estudaram as conseqüências da frustração. o comportamento não correspondia à idade. Muitas crianças demonstraram regressão no comportamento com o “telefoninho”: levaram-no a boca. entonação de voz ou. procuramos variar as experiências e fugir à monotonia. A agressão dirige-se ao agente frustrador ou transfere-se a um substituto deste. parece predominar o desejo de aprovação social em ambos os sexos. e notaram. embora raramente com a mesma intensidade. sugando-o. na nossa cultura. exigem novamente a mamadeira. no comportamento de crianças frustradas. Desejo de novas experiências. Por exemplo. palavras. Percival Symonds. agiam como adultos telefonando: discavam. falavam. Por este “motivo” quebramos a rotina. pelos pais. enfim. estudou crianças de jardim de infância. manifestando agressividade na escola contra os colegas ou contra o professor. punham o fone ao ouvido. no comportamento. Quando alguém é frustrado. pedem colo etc. puxando-o pelo fio. foram frustradas pela observadora que lhes tomou o brinquedo e o devolveu logo depois. isto é.

Um grupo foi elogiado todos os dias diante da classe por fazer um excelente trabalho. Comparando os resultados dos dois dias anteriores com os desse dia. O . porém. 4. apresentasse algum progresso em comparação com desempenho dos dias anteriores. notas. No fim da semana.4. a atenção dos alunos.2 Emprego de incentivos nas escolas Para despertar o interesse. A um grupo chamou experimental(GE) e ao outro. censuras. 4. 4. e fazendo a mesma comparação com os resultados obtidos pelo grupo de controle – crianças que resolveram os mesmos exercícios.4 Incentivos 4.4. Durante uma semana. como que adormecidos. Leuba dividiu os alunos em dois grupos e os colocou em salas separadas. capaz de despertar um motivo. motivo é força interna. é força externa. Vejamos alguns experimentos realizados para verificar o efeito do emprego de incentivos. sem prometer recompensa alguma. e anotou o desempenho diário de cada aluno. de controle(GC). Clarence Leuba deu exercício de multiplicação a todos os alunos.4 Efeito do elogio e da censura A doutora Elizabeth Hurlock realizou um experimento importante para demonstrar que elogio e censura afetam a aprendizagem. Ela formou quatro grupos de crianças iguais na habilidade aritmética. pertence à nossa personalidade.3 Efeito da promessa de recompensa O professor Clarence J. o professor lança mão de vários incentivos: elogios. naquele dia. punição e recompensa são exemplos de incentivos. sem promessa de recompensa – Leuba concluiu que o incentivo aplicado ao grupo experimental fora eficiente.28 4. Elogio.1 Conceito Os motivos estão sempre dentro de cada pessoa. Há fatores temporários que têm o poder de fazê-los se manifestarem “Incentivos” são fatores externos que têm o poder de despertar motivo. embora. para o grupo experimental. O incentivo.4. censura.4. prêmios. castigos etc. Leuba demonstrou que a promessa de uma barra de chocolate deu ótimo resultado numa classe do 5° grau. Portanto. prometeu uma barra de chocolate ao aluno que.

com historietas. trabalhando isolado. elogio e censura. usam como incentivos notas.. Continuamos o experimento. é usado pela escola tradicionalista ou escola antiga.5 Motivação do Ensino Motivar o ensino é relacionar o trabalho escolar aos desejos e necessidades do aluno. Em outra sala. mas. o elogio trouxe melhores resultados. certos “motivos”. embora ouvisse os elogios e as censuras dirigidas ao outro grupo. também chamada de “motivação externa” ou “extrínseca”. o aluno se esforçará para dar atenção ao trabalho escolar. A doutora Hurlock concluiu que o elogio e a censura motivaram igualmente. prêmios. no aluno. etc. são exemplos de “motivação interna” ou “intrínseca”. O grupo ignorado melhorou. certos motivos que a levarão a estudar. como por exemplo: o desejo de novas experiências. Atualmente. despertando. a atenção voluntária. 4. O quarto grupo. nos alunos. isto é. Os resultados apareceram claramente: o grupo elogiado e censurado logo melhoraram. dramatização etc.29 segundo grupo foi severamente censurado por seu mau desempenho. servia para comparação ou “controle”. recomenda-se que os professores procurem transformar o próprio trabalho escolar em incentivo. castigos. de aprovação social. a doutora Hurlock notou que o grupo ignorado e tratado com indiferença apresentavam os piores resultados. As aulas ministradas como brincadeiras. embora menos que os dois primeiros. É apresentar “incentivos” que despertem. Este tipo de motivação. Os professores. o quarto grupo trabalhava sem nada saber o que acontecia com os colegas. a duração da atenção voluntária é muito curta. . cantos. O terceiro sempre ignorado. Essa motivação produz. Em um período mais longo. na criança. tradicionalmente. devido à pouca idade das crianças de 1° grau.

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