P. 1
In Far Ma 66

In Far Ma 66

|Views: 172|Likes:

More info:

Published by: Adriane Aparecida Guareski on Dec 02, 2010
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/05/2013

pdf

text

original

Infarma

ISSN 0104-0219
Informativo Profssional do Conselho Federal de Farmácia
I NFARMA • BRASÍ LI A • v. 20 • 7/8, 2008
20 (7/8)
Publicação do Conselho
Federal de Farmácia (CFF)
voltada aos profssionais
farmacêuticos. É permitida
a reprodução total ou
parcial das matérias desta
edição, desde que citada
a fonte. Conceitos emitidos
em artigos assinados não
refetem necessariamente
a opinião da revista ou
do Conselho Federal de
Farmácia (CFF).
COORDENAÇÃO
Prof. Dr. Anselmo Gomes de Oliveira
Faculdade de Ciências Farmacêuticas – Unesp
Grupo de Sistemas Biomiméticos – Fármacos
Endereço: Rodovia Araraquara-Jaú – km 01
Araraquara – São Paulo – Brasil
CEP 14801-902
E-mail: infarma@cff.org.br
Jornalista Responsável:
Aloísio Brandão – RP 1.390/07/65v/DF
Conselho
Federal de
Farmácia
AUTOMEDICAÇÃO COM ANTIMICROBIANOS PARA
INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS NA CIDADE DE FORTALEZA – CE
Everardo Albuquerque Menezes; Jorge Luís Silva de Mesquita
Andréa Bessa Teixeira; Márcio Souza Cavalcante
Francisco Afrânio Cunha; Cristiane Macedo Feijó
PROBLEMAS RELACIONADOS A MEDICAMENTOS EM IDOSOS QUE
UTILIZAM ANTI‑HIPERTENSIVOS. AVALIAÇÃO NO CENTRO DE SAUDE
ESCOLA DE CUSTODOPOLIS, CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ
Henrique Pessanha das Chagas Siqueira
Jaise Silva Ferreira
AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE FÓRMULAS LÁCTEAS INFANTIS
EM PÓ, PREPARADAS EM MAMADEIRAS. AVALIAÇÃO NO LACTÁRIO
DE UM HOSPITAL DA CIDADE DE RECIFE – PE
Abigail da Silva Araújo; Lúcia Roberta de Souza Filizola
Maria de Mascena Diniz Maia
EFEITOS TÓXICOS DE MEDICAMENTOS DECORRENTES DE
ERROS DE MEDICAÇÃO
Gustavo Henrique Reale Luiz; Leda Mezzaroba
FACETAS DA PRÁTICA DA AUTOMEDICAÇÃO NA CIDADE
DE DOURADOS – MS
Claudemyr Soares; Adriana M. Mestriner Felipe; Juliana Schneider
Juliane Coelho de Souza; Denise Di Raimo; Eliane Mauricio Morais
Josiane Barbosa Dutra; Cleber Massato Toda
PERFIL DA PRESCRIÇÃO E DISPENSAÇÃO DE FÁRMACOS
ANOREXÍGENOS EM FORTALEZA – CE
Geysa Aguiar Romeu; Priscilla Fernanda Campos Justino
Álisson Menezes Araújo Lima
ADESÃO À TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA
Edilson Almeida de Oliveira
UTILIZAÇÃO DE LAXANTES PELA POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO
DE CÉU AZUL – PR
Andressa Inayana Zuquelo; Terezinha Portes
Thaísa Pereira; Karina Muraro; Patrícia M. Ferreira Doblinski
Euclides Lara Cardozo Junior
Infarma, v.19, nº 3/4, Z007 2
./2-!3 0!2! !02%3%.4!±°/ $% 42!"!,(/3
)NFORMAÜESGERAIS
/ In[atma. sessáo da revisLa 0(!2-!#)!
"2!3),%)2!, e volLada exclusivanenLe a
publicaçáo de arLigos, revisoes, resenhas,
ensaios e Lraduçoes Lecnico-cienLíFcos na
area íarnaceuLica. Jrabalhos cujos assunLos
sejan de inLeresse da proFssáo, dirigidos a
praLica ou a íornaçáo conLinuada. So seráo
aceiLas resenhas de livros que Lenhan sido
publicados, no 8rasil, nos dois ulLinos anos,
e no exLerior, nos quaLro ulLinos anos.
0s Lrabalhos deveráo ser redigidos en
porLugues. L perniLida a sua reproduçáo en
ouLras publicaçoes ou a sua Lraduçáo para
ouLro idiona sonenLe con a auLorizaçáo
previa do represenLanLe legal do Conselho
Iederal de Iarnacia, orgáo responsavel pela
revisLa In[atma.
02%0!2!£²/$/3/2)').!)3
!PRESENTAÎO 0s Lrabalhos deven
ser apresenLados en arquivo eleLronico e
encaninhados exclusivanenLe aLraves do
site www.cíí.org.br, menu ¨íharnacia 8ra-
sileira", no íornulario do |in| Clique aqui
para enviar seu Lrabalho a iníarna. /rLigos
subneLidos, por ouLra via, sonenLe seráo
considerados, caso a cidade de origen dos
auLores náo Lenha neio de conunicaçáo por
InLerneL. hesLe caso, os arquivos poderáo
ser encaninhados en disqueLes aconpa-
nhados do arquivo µtintet (copia inpressa
Fel, do disqueLe), digiLados no prograna
ßotd [ot ßindous.
0s LexLos deveráo ser apresenLados en
lauda-padráo /4, espaços duplos, con nar-
gen superior e iníerior de 2,5cn e nargen
direiLa e esquerda de 3cn: paragraío jusLi-
Fcado e náo hiíenizado, digiLados usando
íonLe Iimes heu koman - Lananho 12. 0s
LexLos deven Ler, no nínino, cinco, e no
naxino 25, paginas. 0s arLigos que esLi-
veren íora dessas especiFcaçoes náo seráo
considerados para analise.
LsLruLura do Lrabalho. 0s Lrabalhos de-
ven obedecer a seguinLe sequencia: LíLulo:
auLores (por exLenso e apenas o sobrenone
en naiuscula). Fliaçáo cienLíFca dos auLo-
res (indicar a insLiLuiçáo ou o deparLanenLo,
insLiLuLo ou íaculdade, universidade-sigla,
CLí, Cidade, LsLado, íaís, e-mai| do auLor
responsavel): LexLo (inLroduçáo, naLerial
e neLodos, resulLados, discussáo e conclu-
sáo): agradecinenLos: reíerencias biblio-
graFcas (Lodos os Lrabalhos ciLados no
LexLo). 0 auLor responsavel pela publicaçáo
deve ser expressanenLe indicado enLre os
colaboradores.
Reíerencias bibliograFcas. 0everáo ser
relacionadas en orden alíabeLica pelo
sobrenone do prineiro auLor, seguindo a
h8R 10520 de 2001 e h8R 6023 de 2000,
da /8hJ. / seguir, sáo LranscriLos alguns
exenplos:
º Livros e outros moooqroüos
KI88L, /.ß. (Ld.) handboo| o[ µhatmaceutica|
exciµients. 3. Ld. washingLon: íharnaceuLical
íress, 2000. 665p.
I/RH/C0íLI/ brasileira, 4. Ld., Sáo íaulo:
/Lheneu, 1988. pLe. 1, 526p.
º Copítu/os de /ivros
IILSL, L.I.: ß/CLh, J./. íre-íornulaçáo. In:
L/CßH/h, L.: LIL8LRH/h, ß./.: K/hIC, J.K.
Ieotia e µtatica na industtia [atmacêutica. Lis-
boa: CalousLe Culbenkian, 2001. p.295-340.
º 1eses e dissertoçòes
íLRLS-íLRLS, í. 0btençao de sistema mu|ti-
µatticu|ado [utuante de meti|ce|u|ose e [ta|ato
de hidtoxiµtoµi|ce|u|ose de |ibetaçao contto|ada
uti|izando ti[amµicina como [atmaco mode|o.
2001. 91í. 0isserLaçáo (írograna de íos-gra-
duaçáo en Ciencias IarnaceuLicas) - Iacul-
dade de Ciencias IarnaceuLicas, bniversidade
LsLadual íaulisLa-bnesp, /raraquara.
º Artiqos de periôdicos
4btetiatutas. 0s LíLulos de periodicos de-
veráo ser abreviados coníorne o ßio|oaica|
4bsttacts. (hemica| 4bsttacts. Index /edicus.
(uttent (ontents.
Lxenplo:
LIH/, L.H.: 0LIVLIR/, /.C. Jissue Lolerance
oí dicloíenac sodiun encapsulaLed in liposo-
nes aíLer inLranuscular adninisLraLion. 0tua
0et. Ind. lhatm. v.28, p.673-80, 2002.
º 1robo/bo de cooqresso ou simi/or
{pub/icodo)
I0hSLC/, S.C.C.: C/SJR0, R.I.: S/hJ/h/,
0.í. ValidaLion oí analyLical neLhodology íor
sLabiliLy evaluaLion oí lapachol in soluLion.
In: VI íß/RH/JLCß: /hb/L HLLJIhC 0I JßL
S8JI, 2001, Reciíe. ltoceedinas o[ lI lhatme-
tch, Reciíe: S8JI, 2001. p.336-337.
º Moouois
8R/SILI/. HinisLerio da Iazenda. SecreLaria
do Jesouro hacional. 3ISTEMAINTEGRADODE
ADMINISTRAÎOlNANCEIRADOGOVERNOFEDE
RAL. 8rasília, 1996. 162 p. (Hanual SI/I, 5).
º Citoçòes do Ioteroet
8R/SIL. Conselho Iederal de Iarnacia.
Resoluçáo 357. 0isponível en: hLLp://
www.cíí.org.br/legislaçáo/resoluçoes/
res_357_2001.hLn . /cesso en: 11 jan.
2004.

º Citoçôo oo texto
/ ciLaçáo de auLores no LexLo (quando
necessaria) devera ser íeiLa pelo sobrenone
do prineiro auLor. ho caso de dois auLores,
os sobrenones deven ser separados por
&. Hais de dois auLores, indicar apenas o
sobrenone do prineiro seguido de eL al., e
pelo ano da publicaçáo.

º Aoexos e/ou opéodices
Seráo incluídos sonenLe, quando inpres-
cindíveis a conpreensáo do LexLo.
Jabelas. 0even ser nuneradas consecu-
LivanenLe con algarisnos arabicos, enca-
beçadas pelo LíLulo e inseridas direLanenLe
no LexLo nos locais apropriados.
Iiguras. 0esenhos, graíicos, napas,
esquenas, íornulas, nodelos (en papel
vegeLal e LinLa nanquin, ou conpuLador):
íoLograFas (en papel brilhanLe): radiogra-
Fas e cronos (en íorna de íoLograFa). /s F-
guras e suas legendas deven ser claranenLe
legíveis, apos sua reduçáo no LexLo inpresso
de 10 X 17cn. 0even ser inseridas direLa-
nenLe nos locais en que apareceráo no
LexLo. /s legendas deveráo ser nuneradas
consecuLivanenLe en algarisnos arabicos
e iniciadas pelo Lerno IICbR/, seguidas
pelo nunero correspondenLe. /s Fguras
deven ser inseridas, quando esLriLanenLe
necessarias para a conpreensáo do LexLo e
náo poden caracLerizar repeLiçoes de dados
de Labelas.
bnidades de nedida e sínbolos. 0even
resLringir-se apenas aqueles usados con-
vencionalnenLe ou sancionados pelo uso.
bnidades náo-usuais deven ser claranenLe
deFnidas no LexLo. hones dos íarnacos
deven ser ciLados, de acordo con a 0C8 e
nones conerciais deven ser ciLados enLre
parenLeses.
2%30/.3!"),)$!$%
0s dados e conceiLos eniLidos nos Lraba-
lhos, a exaLidáo do conLeudo do LexLo e
das reíerencias bibliograFcas e iníornaçoes
exLraídas de ouLras íonLes con reserva de
direiLos auLorais sáo de inLeira responsa-
bilidade dos auLores do LexLo. 0s LrâniLes
legais para a reproduçáo de publicaçoes
Lraduzidas ou uLilizaçáo de ilusLraçoes reLi-
radas de ouLras publicaçoes seráo de inLeira
responsabilidade dos auLores. 0s Lrabalhos
que náo se enquadraren nessas nornas
seráo devolvidos aos auLores.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 2
NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS
Informações gerais
PreParação dos orIgInaIs
resPonsabIlIdade
3 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
InTrodUção
A automedicação é um ato praticado, desde o iní‑
cio da história da humanidade. Nas diversas etapas da
evolução histórica, todas as civilizações buscavam o alí‑
vio e a cura das doenças, através da utilização de uma
variedade de recursos terapêuticos. A China e a Grécia
descobriram as propriedades terapêuticas do vinho, sais
inorgânicos e do fruto da soja, para a cura de furúncu‑
los e feridas infectadas. E, hoje, legalizada em todos os
países desenvolvidos, subdesenvolvidos ou em desenvol‑
vimento, existe uma série de fatores psicológicos indivi‑
duais e interesses sócio‑econômicos que estimulam essa
prática
9, 18 e 24
.
De acordo com Rey
20
1997, a automedicação é a
condição em que o paciente toma, por sua iniciativa, me‑
dicamentos não prescritos por médicos e, portanto, sem
indicação ou supervisão médica. Mesmo que os medica‑
mentos usados sejam de venda livre (sem receita), não são
sempre isentos de riscos, o que depende da adequação,
da posologia, da duração do tratamento e de eventuais
contra‑indicações, peculiares a cada indivíduo e seu esta‑
do de saúde. A automedicação pode ser defnida também
como um procedimento caracterizado pela iniciativa de
um doente, ou de seu responsável, em obter, ou produzir
e utilizar um produto que acredita que lhe trará benefícios
no tratamento de doenças ou alívio de sintomas.
3
Nos dias de hoje, de acordo com Paulo e Zanini
18

1997, pode‑se identifcar quatro tipos de automedicação:
instintiva (restrito e individual), cultural (tradicional e
popular), orientada (supervisão médica), induzida (sem
supervisão médica).
Assim como nos outros países do Terceiro Mundo,
uma parcela signifcativa da população brasileira não
recorre aos serviços médicos, mas aos balconistas das
farmácias, em busca de orientação para o tratamento de
infecções
8
.
A tarefa de escolha de um antimicrobiano apro‑
priado para o tratamento de infecções bacterianas
torna‑se cada vez mais complexa, e para utilizá‑lo no
tratamento das infecções é necessário que o médico
procure, de início, estabelecer um diagnóstico micro‑
biológico correto ou pelo menos provável, de acordo
com as manifestações clínicas do doente e por meio
de dados laboratoriais
22
.
Vários microrganismos podem ser encontrados nas
infecções do sistema respiratório, tais como: vírus respi‑
ratórios, Streptococcus pyogenes, Haemophilus infuenzae,
Staphylococcus coagulase positiva, Mycoplasma pneumo‑
niae, Streptococcus pneumoniae, Chlamydia pneumoniae
e outros
25
.
Os antimicrobianos continuam sendo comerciali‑
zados livremente nas farmácias, sem prescrição médica,
para o tratamento de vários tipos de infecções
8
. O Brasil
é um grande consumidor de antibióticos, existindo mais
de 151 nomes diferentes de penicilinas disponíveis co‑
mercialmente, facilitando assim sua aquisição
8
. Freqüen‑
temente, se gasta mais dinheiro com antibióticos do que
com outros medicamentos. O uso destes em países desen‑
volvidos são na maioria das vezes inapropriados, sendo
usados em doses baixas, por curto período de tempo e
sem as devidas indicações. Por exemplo: tratamento do
resfriado comum, da faringite viral e tratamento da febre
de origem desconhecida
1, 3 e 24
.
aUToMedICação CoM anTIMICrobIanos
Para InFeCçÕes resPIraTÓrIas na CIdade
de ForTaleZa – Ce
everardo albUqUerqUe MeneZes
1
Jorge lUís sIlva de MesqUITa
2
andréa bessa TeIxeIra
2
MárCIo soUZa CavalCanTe
2
FranCIsCo aFrânIo CUnha
1
CrIsTIane MaCedo FeIJÓ
2
1. Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Farmácia Odontologia e Enfermagem da
Universidade Federal do Ceará, Rua Capitão Francisco Pedro, 1210, 60.430‑370 – Fortaleza, CE.
2. Farmácias Pague Menos, Fortaleza, CE.
Autor responsável: E. A. Menezes.
E‑mail: menezes@ufc.br
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 4
Um dos erros mais comuns em antibioticoterapia é
a sua prescrição para doenças febris. Somente as viro‑
ses respiratórias são responsáveis por cerca de 60% das
enfermidades febris agudas de qualquer comunidade. A
falta do diagnóstico correto contribui para tais erros
20
.

A maioria das doenças produzidas por vírus é autolimita‑
da e não responde a qualquer antiinfeccioso atualmente
disponível
11
.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o
farmacêutico, freqüentemente, constitui a única forma
de informação para o paciente que se automedica, por
isso sua intervenção é fundamental para, o melhor uso de
medicamentos
4
. O presente trabalho mostra a correlação
existente entre a aquisição, através de prescrição ou in‑
dicação, e o uso indevido desses antimicrobianos para o
tratamento de tonsilites e faringites.
MaTerIal e MéTodos
O estudo incluiu a coleta de dados quantitativos,
constituindo da aplicação de um questionário. A Aplica‑
ção do questionário foi feita durante os meses junho a
outubro de 2001, 100 pessoas foram entrevistadas neste
período, de ambos os sexos, com idade de 0 a 60 anos e
que apresentavam infecções do trato respiratório superior
(tonsilites e faringites). A seleção dos mesmos foi reali‑
zada em uma farmácia comercial de Fortaleza, sito a Av.
Antônio Sales n
0
876, bairro Aldeota.
O questionário foi aplicado aleatoriamente em pa‑
cientes com queixas de infecções nas vias respiratórias su‑
periores, sendo dada preferência as infecções das tonsilas e
faringe. O questionário era simples, fechado e continha os
seguintes dados: data, sexo, idade, medicamento adquirido,
sintomatologia, uso de prescrição (sim ou não), indicação
(farmacêutico, balconista e amigos), cultura com teste de
susceptibilidade aos antimicrobianos (sim ou não).
Os clientes foram abordados informalmente, com o
consentimento dos mesmos, sem a apresentação das f‑
chas, a fm de facilitar a comunicação e a obtenção dos
dados. Os dados foram coletados por um Farmacêutico e
oito auxiliares de farmácia, treinados anteriormente para
este estudo.
Os dados foram computados e analisados através de
programa estatístico.
resUlTados
Dos 100 pacientes estudados 75% dos antimicrobia‑
nos foram vendidos com prescrição médica e 25% caracte‑
rizaram automedicação induzida, isto é, foi adquirido sem
prescrição médica (fgura 1).
A fgura 2 mostra a faixa etária dos clientes da far‑
mácia que adquiriram antimicrobianos, observa‑se que a
faixa de zero a dez anos foi a que usou mais antimicrobia‑
nos com 34,67%, vindo, em seguida, 31 a 40 anos com
22,67% e a faixa de 11 a 20 anos com 17,33%. A faixa
que etária que adquiriu menos antimicrobiano foi a de 51
a 60 anos com 2,66%.
A fgura 3 mostra a relação dos antimicrobianos mais
vendidos em um estabelecimento farmacêutico, na cidade
de Fortaleza. Observa‑se que a amoxilina foi o mais adqui‑
rido com 29%, azitromicina com 25% e sulfametoxazol +
trimetropim com 14% e os menos adquiridos foram Ampi‑
cilina e cefaclor com 1% e cefadroxila com 2%.
Apenas 8% das pessoas entrevistadas fzeram cultura
com teste de susceptibilidade aos antimicrobianos (fgura
4). Este dado é preocupante porque a realização de cul‑
tura, bem como, o teste de susceptibilidade das bactérias
aos antimicrobianos, representam um parâmetro impor‑
tante para a terapêutica das infecções respiratórias.
E fnalmente a fgura 05 mostra as indicações para
a automedicação, isto é, a aquisição dos antimicrobianos
Figura 1. Aquisição de antimicrobianos por usuários com
tonsilites e faringites em um estabelecimento farmacêu‑
tico na cidade de Fortaleza
Figura 2. Faixa etária de usuários com tonsilites e faringi‑
te que adquiriram antimicrobianos em um estabelecimen‑
to farmacêutico na cidade de Fortaleza.
5 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
para infecções respiratórias sem prescrição médica, que
foram 25%. Observa‑se que 76% da automedicação in‑
duzida foi indicação de amigos, 20% dos balconistas do
estabelecimento farmacêutico e 4% dos farmacêuticos do
estabelecimento.
dIsCUssão
O conceito de automedicação induzida estabelece
uma interface de limites mal defnidos entre o que real‑
mente cada sociedade aceita como automedicação, o que
possa ser educação e onde possa estar iniciando a explo‑
ração do consumidor. Nos últimos anos, a automedicação
aumentou consideravelmente. Estudos realizados na Eu‑
ropa e nos Estados Unidos revelam que entre 50% e 90%
das doenças são inicialmente tratadas por automedicação
e somente um terço da população com algum mal‑estar ou
enfermidade consulta o médico
4
.
De acordo com a Associação Brasileira das Indús‑
trias Farmacêuticas (Abifarma), cerca de 80 milhões de
brasileiros são adeptos da automedicação. A má quali‑
dade da oferta de medicamentos, a não existência de
receita médica na hora da compra, a falta de instrução
e informação da maioria da população justifcam a pre‑
ocupação com a qualidade da automedicação praticada
no país
19
.
Na fgura 1, verifca‑se que o número de pessoas
que praticam a automedicação é de 25%. A fgura 2 evi‑
dencia que as prescrições de antibióticos são maiores na
faixa etária de zero a dez anos, com 34,67% dos pacientes
atendidos, na farmácia. Tal fato deve‑se, provavelmente,
a maior susceptibilidade das crianças a terem infecções
por não apresentarem um sistema imunológico totalmente
desenvolvido
22
. Esses valores podem ou não ser explicados
pela sazonalidade de algumas viroses, que acometem a
população em determinadas épocas do ano. Através dos
nossos resultados, verifcamos que, numa amostra de 100
pacientes, 75 destes procuraram um médico.
Na fgura 3 podemos observar que o antibiótico mais
vendido foi a amoxicilina com 29% das vendas, um deriva‑
do da penicilina, seguido pela azitromicina 25% das ven‑
das, um antibiótico do grupo dos macrolídeos. Notamos
uma variedade de antibióticos prescritos, sendo alguns
deles muito potentes como é o caso da ceftriaxona, uma
cefalosporina de 3
a
geração, que só deveria ser utilizada
quando outros antibióticos se apresentassem inefcazes,
uma vez que as bactérias adquirem facilmente resistência
a este antibiótico
14
.
Na fgura 4 observamos que das prescrições médicas,
apenas 8% realizaram exames microbiológicos (cultura
com teste de susceptibilidade aos antimicrobianos). A de‑
mora, o custo e a impaciência dos pacientes, que muitas
Figura 3. Relação dos antimicrobianos adquiridos por
clientes com tonsilites e faringite em um estabelecimento
farmacêutico na cidade de Fortaleza.
Medicamentos
Figura 5. Indicações para a automedicação dos clientes
com tonsilites e faringites que adquiriram antimicrobia‑
nos em um estabelecimento farmacêutico na cidade de
Fortaleza
Figura 4. Prescrições médicas com ou sem a realização
de cultura e teste de susceptibilidade em um estabeleci‑
mento farmacêutico na cidade de Fortaleza
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 6
vezes solicitam um tratamento imediato, talvez sejam al‑
guns dos fatores que possam explicar a baixa porcentagem
destes exames.
Em estudo realizado em Caxias do Sul objetivando
determinar a proporção de compra de medicamentos sem
receita médica e destes, os grupos farmacológicos adqui‑
ridos, determinou‑se que 64,87% dos entrevistados não
dispunham de receita médica ao adquirirem medicamen‑
tos, e dos que possuíam 16,21% tiveram sua prescrição
alterada. Os grupos farmacológicos mais adquiridos forma
os analgésicos, antipiréticos, antiinfamatórios não este‑
róides, anticoncepcionais orais e descongestionantes orais
e nasais
10
. No nosso trabalho o índice de automedicação
foi menor (25%), apesar de ter direcionado nosso estudo
para antimicrobianos para o tratamento de tonsilites e
faringites.
Em estudo semelhante sobre automedicação em Pas‑
so Fundo, Rio Grande do Sul, comparou‑se a prevalência
da automedicação entre o centro da cidade e os bairros
e o resultado encontrado foi de 42,1% para o centro e
40,9% para os bairros
5
.
O nosso índice de automedicação que foi de ape‑
nas 25 %, este resultado é menor que o encontrado na
literatura
3
, diante desses resultados, observa‑se uma boa
relação médica – paciente, contribuindo assim com a di‑
minuição da automedicação. Isso pode ser devido a um
maior esclarecimento da população com relação a auto‑
medicação, principalmente com relação aos antimicrobia‑
nos, uma vez que estes requerem uma atenção especial ao
serem prescritos ou indicados. Outro fator deve ser rela‑
tado é a localização da farmácia, em um bairro de classe
média da cidade de Fortaleza.
Em relação ao número de prescrições sem realização
do exame microbiológico e TSA podemos observar que a
demora nos resultados dos exames, a difculdade de retor‑
nar ao médico para a análise deste exame, o custo, dentre
outros fatores, podem explicar a baixa porcentagem de
prescrições médicas com o exame microbiológico.
No nosso trabalho dos 25 pacientes que não busca‑
ram orientação médica (Figura 5), verifcou‑se a indica‑
ção de amigos, contribuindo com 76%, balconista com
20% e Farmacêutico com 4%. Estudantes de Medicina e
Farmácia da Universidade Federal da Paraíba, estudando
a automedicação, em João Pessoa, visitaram 100 far‑
mácias, em 59 o balconista ao atendê‑los indicou um
medicamento, 6,8% dos medicamentos vendidos eram
os que só podiam ser vendidos com retenção da recei‑
ta azul. Em apenas 8% das farmácias os alunos foram
orientados a procurar um médico e, em apenas 3 % das
farmácias o balconista orientou sobre a possibilidade de
reações adversas, na maioria das vezes de forma errada
e incompleta
17
.
Em um estudo realizado sobre a automedicação ocu‑
lar tópica, em Florianópolis, foi observado que a faixa
etária de 26 aos 45 anos foi a mais freqüente, com 25,5%
revelando que se automedicam
2
. Neste estudo, foram en‑
trevistadas pessoas que usavam medicamentos oculares
tópicos. Em nosso estudo, a faixa mais prevalente encon‑
trada foi a de zero a dez anos e a prevalência também
foi de 25% (fgura 1), mas em pacientes que adquiriram
antimicrobianos para tonsilites e faringites.
A automedicação não é somente um problema de
cidades brasileiras. Lalama
15,
1999, estudando a autome‑
dicação, na cidade de Quito, no Equador, entrevistou 455
pessoas e descobriu que 36% revelaram fazer uso de au‑
tomedicação. Foi observado que os grupos farmacológicos
mais utilizados foram os analgésicos (46,4%), antibióticos
(22,8%) e antiinfamatórios (9,1%). Dentro do grupo que
realizou a automedicação 49% obteve informações através
de propagandas veiculadas em cartazes. A automedicação
de analgésicos é a que possui maior prevalência
6
.
A automedicação também ocorre em grupos com
alto nível de escolaridade como no estudo realizado por
Cesolari
7
et al 1999, que entrevistou 330 universitários,
destes 30,9% afrmaram que se automedicam. Não ocor‑
reu diferença signifcativa em relação ao sexo. Cerca de
22% admitiu que recebeu indicações de familiares e 18
% receberam informação na própria Farmácia. Os grupos
farmacológicos mais consumidos foram analgésicos 90%,
antibióticos 22% e vitaminas 17 %. 87 % dos medicamen‑
tos eram obtidos na Farmácia, 25 % em laboratórios de
medicamentos e 18% foram obtidos em quiosques.
Holthassen
13
et al 2001, ao estudar a automedi‑
cação entre acadêmicos da área de saúde observou um
índice elevado cerca de 72,5%, o que refete uma postura
negligente quanto ao uso do medicamento. No que se re‑
fere à consulta do profssional Farmacêutico no balcão da
Farmácia, observou que 56% dos futuros profssionais da
área de saúde não fazem uso da assistência farmacêutica.
A pesquisa demonstrou que os referidos universitários não
representam agentes multiplicadores de cunho educativo
no que se refere a riscos e benefícios da automedicação.
Sob pena de termos futuros profssionais da saúde coni‑
vente com a prática da automedicação.
Vilarino
26
et al 1998, estudando a automedicação
no Sul do País encontrou um percentual de 69,9% de
pessoas que se automedicam. Foi observada uma correla‑
ção signifcativa entre a idade e automedicação e que os
pacientes do sexo feminino se automedicam com maior
prevalência.
No Brasil, a bula representa o principal material
informativo fornecido aos pacientes na aquisição de me‑
dicamentos produzidos pela indústria farmacêutica. A
automedicação poderia ser incentivada por bulas acessí‑
7 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
veis e de fácil compreensão. No que diz respeito a infor‑
mação sobre a ação esperada medicamento, observa‑se
que, de um modo geral, as bulas não fornecem condições
para o paciente entender como o medicamento poderá
ajudá‑lo
12, 23
.
O farmacêutico, na farmácia, é o único profssional
habilitado a informar sobre o uso ou não de antibióticos,
quando na ausência da consulta médica. Diminuindo, as‑
sim, os possíveis efeitos adversos e o uso desnecessário
de antibióticos. Segundo Mota
16
et al 2000, na Farmácia
comunitária do futuro, como em outras áreas o Farma‑
cêutico deverá participar efetivamente do processo saúde
– doença, assim como questões que envolvam a farmaco‑
terapia.
Os autores afrmam também que a automedicação no
próximo milênio será algo crescente e inevitável no mun‑
do inteiro. Esse tipo de conduta possui um papel muito
relevante na saúde pública, seja diminuindo gastos para o
governo ou aumentando os custos orçamentários e, caso
não esteja bem orientada, pode tornar‑se um problema
de saúde.
A informação constitui, hoje, a melhor aliada no
combate a automedicação, principalmente no uso indis‑
criminado de antibióticos. A população precisa saber que
o uso indevido de antibióticos e o tratamento incompleto
poderão ocasionar problemas mais sérios, tendo muitas
vezes que utilizar outros antibióticos, mais potentes e
bem mais caros.
O estabelecimento farmacêutico além de assumir
compromisso com a saúde individual e comunitária, passa
a ter um papel fundamental na difusão do auto‑cuidado,
aplicando estratégias de educação do consumidor para o
uso racional dos medicamentos
21
.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
juntamente com as vigilâncias estaduais e municipais, pre‑
cisam coibir a venda de antibióticos em estabelecimentos
não farmacêuticos, diminuindo o seu uso indiscriminado,
uma vez que o Farmacêutico não esta presente para orien‑
tar sobre o uso correto, e exigir um controle mais rigoroso
nas prescrições e compra deste medicamento.
reFerenCIas bIblIográFICas
1. ACCIÓN INTERNACIONAL POR LA SALUD, 2000. Coordinación Inte‑
ristitucional de Medicamentos Essenciales. Lima: Boletin n.17.
2. ADAM NETTO, A. MULLER, S. Automedicação tópica ocular em Flo‑
rianópolis – Santa Catarina. Revista Brasileira Oftalmologia v.58,
n.3, p.199‑205, 1999.
3. ARRAIS, P.S.D.; COELHO, H.L.L.; BATISTA, M.C.D.S.; CARVALHO,
M.L.; RIGHI, R. E.; ARNAU, J.M. Perfl da automedicação no Bra‑
sil. Revista Saúde Publica, v.31, n.1, p.71‑7, 1997.
4. BALBANI, A.P.S; SANCHEZ, T.E.; BUTUGAN, O. Tratamento da sinu‑
site aguda em crianças nas famílias do interior de São Paulo. Rel.
Paul. Pediatria, v.14, n.4, p.158, 1996.
5. BRANCHER, M.C.; ZORZETTO, J.; PESCADOR, M.V.B.; RIBEIRO A.R.
Automedicação Passo Fundo‑RS. Revista Medica Hospital São Vi‑
cente de Paulo v.6, n.15, p. 35‑8, 1994.
6. CABEZAS, V.P.Y, ORMEÑO, E.A..M.; PABIAZA, L.C.V. Automedicaci‑
ón de analgésicos no narcótico / consultório Santo Tomás. Santia‑
go do Chile, 2000, 114 p.
7. CESOLARI, J.A M..; GARROTE, N.L.M.; PÉREZ, B.M.; BUSNAIL, L.I.
Automecación en adolescentes universitários. Medicina & Socie-
dad. v.22, n.2, p.103‑6, 1999.
8. CHETLEY, A. Medicamentos Problema. Health action international
(HAL‑Europa). Lima, 1994.
9. FABRA, A.R., 1994. Uso racional de los antibióticos. Acta Odonto‑
lógia Venezolana, v.32, n.1, p.22‑28.
10. GERSTNER, AP.; KAMPF, C.E.; TRITINAGLIA, G.; BARSÉ, G.N.; FES‑
TUGATTO, J.R.; DEWES R.; BERTELLI, M.S.B. Automedicação em
Caxias do Sul. Revista Cienifca. AMECS, v.2, n.1, p.9‑11, 1993.
11. GILMAN, A.S. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 9.ed. Rio
de Janeiro: Megraw‑Hill Interamericana Editores, 1996.
12. GONÇALVES, A.S.; MELO, G.; TOKARSKI, M.H.L.; BARBOSA‑BRANCO,
A. Bulas de medicamentos com instrumento de informação técni‑
co‑científca. Revista Saúde Pública, v.36, n.1, p.33‑9, 2001.
13. HOLTHAUSEN, C.N.; ADELMAN, J.; BORGES, J.N.; SOUZA, M.T.;
MATTAR, S.B.; MIGUEL M.D., 2001. Automedicação e os acadêmi‑
cos da área da saúde. Infarma, Brasília, v.13, nº1/2, p.76‑78.
14. KOROKOLVAS, A. Dicionário Terapêutico Guanabara. Rio de Janeiro;
Guanabara Koogan, 2001.
15. LALAMA, M., 1999. Perfl de consumo de medicamentos en la
ciudad de Quito. Education Medica Continuada, n.64, p.7‑9,
1999.
16. MOTA, D.M.; MARQUES, R.F.O., FERNANDES, M.E.P. A Farmácia co‑
munitária, a automedicação e o Farmacêutico: projeções para o
XXI. Mundo Saúde v.24, n.2, p.98‑105, 2000.
17. OLIVEIRA, R.A.G.; DINIZ, M.F.F.; MELO, S.; VASCONCELOS, E. Venda
de medicamentos sem receita nas farmácias de João Pessoa. Cen‑
tro de Ciências Saúde v.12, n. 1, p.7‑13, 1993.
18. PAULO, L. E. & ZANINI, A. C. Automedicação no Brasil. Revista
Associação Medica. Brasileira, v.34, n.2, p.71‑77, 1997.
19. PEREIRA, N. S. Princípios gerais do uso clínico dos antibióticos.
Jornal Brasileiro de.Medicina. v.70, n.4, p.19‑35, 1996.
20. REY, L. Dicionário de termos técnicos de medicamentos de medici‑
na e saúde. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A, 1997.
21. SILVA, M. A. S.; MENDES, I..J.M.; FREITAS, O. O medicamento,
a auto‑medicação e a farmácia. Infarma, Brasilia, v.15, nº3/4,
p.64‑6, 2002.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 8
22. SILVA, P. Farmacologia. 5
a
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan
S.A, 1998.
23. SILVA, T.; DAL‑PIZZOL, F.; BELLO, C.M.; MENGUE, S.S.; SCHENKEL,
E.P. Bulas de medicamentos e informação adequada ao paciente.
Revista Saúde Pública v.34,n.2, p.184‑9, 2000.
24. SOBRAVIME (Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos).
O que é uso racional de medicamentos. Acción internacional para
la salud‑America Latina y el Caribe. São Paulo, p.40‑52, 2001.
25. TRABULSI, L.R.; TOLEDO, M.R.F.; ALTERTHUM, F., 1999. Microbio‑
logia Médica. Livraria Atheneu Editora, 5ª edição, Rio de Janei‑
ro.
26. VILARINO, J.F.; SOARES, I.C.; SILVEIRA, C.M.; RÖDEL AP.P.; BOR‑
TOLI, R.; LEMOS, R.R. Perfl da automedicação em município do
sul do Brasil. Revista Saúde Pública v.32,n.1, p.43‑6, 1998.
9 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
InTrodUção
A hipertensão arterial é uma doença crônica dege‑
nerativa mais comum, em nosso meio, que atinge de 6% a
8% das crianças, cerca de 20% dos adultos e 65% dos ido‑
sos. Trata‑se, portanto, de um problema de saúde comum,
que pode passar despercebido, levando o indivíduo a pen‑
sar que não tem nada grave, mas apenas um mal‑estar ou
uma gripe
1
.
Para facilitar a compreensão do que vem a ser hiper‑
tensão, é fundamental relembrar o mecanismo de traba‑
lho do coração e função dos vasos sangüíneos que levam
oxigênio e nutrientes para os órgãos do corpo. A cada
batimento, o coração se contrai e joga o sangue em cir‑
culação, fazendo‑o percorrer milhares de quilômetros de
vasos sangüíneos ao longo do corpo humano
1
.
Quando o coração lança o sangue, a pressão sobe e
as artérias expandem‑se, movimento que recebe o nome
de pressão sistólica ou pressão máxima de saída de san‑
gue. Após cada batimento, o coração relaxa, cessa a en‑
trada de sangue e a pressão cai, processo que recebe o
nome de pressão diastólica ou pressão mínima
1
.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) defne que
pressão alta ou hipertensão é o aumento da pressão arte‑
rial acima dos níveis de 140 por 90 mm Hg
1
.
Nos países desenvolvidos, as doenças cardiovascula‑
res são responsáveis pela metade das mortes. Além disso,
são as principais causadoras de óbito na população brasi‑
leira, há mais de 30 anos. Dentre essas doenças, a hiper‑
tensão é comum, em todo o mundo, sendo responsável por
altos índices de morbi‑mortalidade entre os idosos
2
.
Fatores como envelhecimento, maior prevalência
das enfermidades crônico‑degenerativas e a poli‑farmácia
aumentam a incidência dos problemas relacionados aos
medicamentos (PRM)
2.
PRM são, então, problemas que se refetem na saú‑
de, entendidos como resultados clínicos negativos, devi‑
do à farmacoterapia que, provocados por diversas causas,
conduzem ao não alcance do objetivo terapêutico ou ao
aparecimento de efeitos não desejados. A classifcação
dos PRM segue três eixos principais: necessidade, efeti‑
vidade e segurança.
• Necessidade
PRM1 – O paciente apresenta um problema de saúde,
por não utilizar um medicamento que necessita.
PRM2 – O paciente apresenta um problema de saúde,
por utilizar um medicamento que não necessita
• Efetividade
PRM3 – O paciente apresenta um problema de saúde
por uma inefetividade não quantitativa.
PRM4 – O paciente apresenta um problema de saúde
por uma inefetividade quantitativa.
• Segurança
PRM5 – O paciente apresenta um problema de saúde
por uma insegurança não quantitativa do medicamento.
PRM6 – O paciente apresenta um problema de saúde
por uma insegurança quantitativa de um medicamento.
Apesar de não ser a única causa, a falta de informa‑
ções sobre medicamentos é apontada como uma das vari‑
áveis mais signifcativas e de maior impacto, em termos
mundiais, razões pelas quais os pacientes não cumprem
adequadamente seus tratamentos
3
.
ProbleMas relaCIonados a MedICaMenTos
eM Idosos qUe UTIlIZaM anTI‑hIPerTensIvos.
avalIação no CenTro de saUde esCola de
CUsTodoPolIs, CaMPos dos goYTaCaZes – rJ
henrIqUe Pessanha das Chagas sIqUeIra
1
JaIse sIlva FerreIra
2
1. Acadêmico do 8º período de Farmácia da Faculdade de Medicina de Campos – RJ.
2. Especialista em Atenção Farmacêutica, Sub‑coordenadora e docente do curso de Farmácia da Faculdade de
Medicina de Campos – RJ.
Autor responsável: J. S. Ferreira.
E‑mail: jaise@acessototal.com.br
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 10
No Brasil, com a taxa de analfabetismo de aproxi‑
madamente 13,7%, mas que, dependendo do Estado, pode
chegar a 30,5%, e com cerca de 29,6% da população aci‑
ma de 15 anos e com menos de três anos de estudo, em
que pese a carência de avaliações especifcas, é fácil su‑
por que a situação não é muito diferente
3
.
Orientar o usuário e desenvolver ações educativas
sobre medicamentos não são atividades exclusivas do far‑
macêutico. Ao contrário, devem estar intimamente rela‑
cionadas às atribuições de todos os profssionais da equi‑
pe de saúde. No entanto, a própria natureza da formação
do farmacêutico, somada à função de dispensar medica‑
mentos, dá a este profssional qualifcação e oportunidade
ímpar de estar com o paciente, antes que seja iniciado
o seu tratamento. Pesquisas recentes demonstraram que
usuários de medicamentos se mostram amplamente recep‑
tivos ao aconselhamento farmacêutico
3
.
O objetivo deste trabalho foi identifcar os principais
problemas relacionados com medicamentos anti‑hiperten‑
sivos administrados em idosos no Centro de Saúde Escola
de Custodópolis em Campos dos Goytacazes – RJ.
MaTerIal e MéTodos
Trata‑se de um estudo transversal observacional so‑
bre os principais PRM’s (Problemas Relacionados com Me‑
dicamentos) em idosos hipertensos de ambos os sexos que
utilizam anti‑hipertensivos e foram atendidos no Centro
de Saúde Escola de Custodópolis em Campos dos Goytaca‑
zes – RJ. Por se tratar de um Centro Escola, o acesso aos
pacientes foi bastante facilitado. Foram entrevistados 20
idosos com idade superior a 60 anos.
A coleta dos dados foi realizada, durante os meses de
março e abril de 2007, utilizando o Método Dáder, o qual
se baseia na obtenção do histórico farmacoterapêutico do
paciente, isto é, os problemas de saúde que ele apresenta
e os medicamentos que utiliza, e na avaliação do estado
de sua situação em uma determinada data a fm de identi‑
fcar os possíveis PRM’s apresentados pelo paciente
4
. Aten‑
dendo as questões éticas e legais associadas à pesquisa os
entrevistados foram esclarecidos quanto aos aspectos de
seu anonimato e de sua participação voluntária.
A tabulação dos dados foi realizada, utilizando‑se o
programa EPI DATA (3.1), tendo sido elaboradas tabelas
com os principais resultados obtidos.
resUlTados
Foram entrevistados 20 pacientes, com 35% (7) em
faixa etária que variou de 60 a 70 anos, 50% (10) entre 71
a 80 anos e 15% (3) entre 81 a 90 anos(Tabela 1). Do to‑
tal de pacientes, 70% (14) eram do sexo feminino e 30%
(06) do sexo masculino, sendo 95% (19) alfabetizado e
5% (1) analfabetos, 55% (11) dos pacientes apresentaram
algum tipo de PRM e 45% (9) não apresentaram PRM. Foi
observado a presença dos PRM 1, PRM 2, PRM 4, PRM 5 e
PRM 6 (Tabela 2).
Tabela 1. Distribuição dos pacientes por faixa etária.
Idade Quantidade
Porcentagem
(%)
60 a 70 anos 7 35
71 a 80 anos 10 50
81 a 90 anos 3 15
Total 20 100
Tabela 2. Principais PRM’s encontrados.
PRM´s Quantidade nº
Porcentagem
%
PRM 1 3 15
PRM 2 3 15
PRM 3 0 0
PRM 4 6 30
PRM 5 1 5
PRM 6 3 15
Do total de pacientes (20), 5% (1) são fumantes e
utilizam bebida alcoólica, 90% (18) não praticam exer‑
cícios físicos, 70% (14) não fazem uma dieta adequada,
30% (6) utilizam plantas medicinais e 55% (11) não uti‑
lizam os medicamentos corretamente.
Dos pacientes que não praticam exercícios físicos
55,6% (10) apresentam algum tipo de PRM (Tabela 3); dos
Tabela 3. Relação entre PRM e exercícios físicos.
Pacientes que: Apresentam PRM Não apresenta PRM Total
Não praticam exercícios 90% (18) 55,6% (10) 44,4% (8) 100%
Praticam exercícios 10% (2) 50% (1) 50% (1) 100%
11 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
pacientes que não seguem uma dieta adequada, 64,3%(9)
apresentaram algum tipo de PRM (Tabela 4) e dos pa‑
cientes que não utilizam os medicamentos corretamente,
todos apresentaram algum tipo de PRM (tabela 5).
dIsCUssão
O presente estudo apresentou uma amostragem de
20 pacientes que foram entrevistados no Centro Escola
de Custodópolis. Sendo esta uma amostragem específca,
já que se trata de um grupo de idosos que freqüentam o
Centro Escola semanalmente. A coleta de dados foi insu‑
fciente no primeiro encontro já que os pacientes tinham
difculdades em passar as informações, pois não se sen‑
tiam confantes e desconheciam o papel do Farmacêutico,
sendo necessário vários encontros posteriores para con‑
quistar a confança do paciente.
Foi observado neste estudo que 55% (11) dos pa‑
cientes apresentaram algum tipo de PRM. Considerando
que cada paciente pode ter mais de um PRM diferente, foi
encontrado um total de 16 PRM como mostra a tabela 2.
Na tabela 2 observou‑se que 15% (3) dos pacientes
apresentaram PRM 1, isso se deve ao fato de se tratar
de uma comunidade carente com difculdades fnanceiras
em adquirir a medicação que necessita e pela difculdade
ao acesso de medicamentos gratuitos; além do paciente
não se achar seguro em expressar os problemas de saúde
que lhe preocupam, ou pela rapidez do atendimento pú‑
blico, o que inviabiliza a disponibilidade de um atendi‑
mento mais racional e humanizado, prejudicando à saúde
do paciente. Segundo Arraias
5
em seu estudo, o médico
não oferece espaço para perguntas, o paciente fca inibi‑
do ou tem medo de fazê‑las ou ver a pressa do médico,
anulando‑se.
Observou‑se, também, que 15% (3) dos pacientes
apresentaram PRM 2, que, por uma questão cultural, não
procuram um tratamento adequado, fazendo o uso de me‑
dicamentos sem um acompanhamento necessário. O tem‑
po de espera por uma consulta médica no SUS faz com
que o paciente procure alternativas de tratamento como a
automedicação por exemplo.
Um fato que chamou a atenção na tabela 2 foi o
número signifcativo de pacientes com PRM 04 30% (6).
Deve‑se a falhas terapêuticas, sendo esta por vários fa‑
tores, como: uso de medicamentos de baixa qualidade,
resultando em processos falhos de seleção, abasteci‑
mento e controle de qualidade; erros de medicação tais
como doses inadequadas; interação medicamentosa; fe‑
nômenos de tolerância; freqüência de tomadas de me‑
dicamentos inadequada; duração de tratamentos inade‑
quada; armazenamento domiciliar incorreto e forma de
administração inadequada; falta de orientação quanto ao
tratamento, resultando em baixa adesão, mau uso e falta
de efetividade.
Assim, é de suma importância a atuação do farma‑
cêutico na prática da atenção farmacêutica, com o pro‑
pósito de alcançar resultados concretos que melhorem a
qualidade de vida do paciente, a fm de identifcar, resol‑
ver e prevenir PRM, visando a promover o uso racional de
medicamentos (URM) e a otimizar o tratamento, contri‑
buindo para uma farmacovigilância efcaz.
Como podemos ver na tabela 5, todos os pacientes
que apresentam PRM não utilizam medicamentos, corre‑
tamente. Segundo o Centro Regional de Informação de
Medicamentos
6
(março de 2007), os principais objetivos
da farmacovigilância incluem melhorar o cuidado com o
paciente e a segurança com o uso de medicamentos, con‑
tribuindo para avaliação, danos, efetividade e riscos dos
medicamentos.
Em relação aos PRM 5 e PRM 6 relacionados à se‑
gurança, observamos uma porcentagem de 5% (1) e 15%
(3), respectivamente, se deve ao fato de que o idoso
apresenta alterações fsiológicas e merece cuidados es‑
peciais. O acompanhamento de disfunções em diferentes
órgãos e sistemas compromete o processo de absorção,
Tabela 4. Relação entre PRM e dieta alimentar.
Pacientes que: Apresenta PRM Não Apresenta PRM Total
Não seguem Dieta 70% (14) 64,3% (9) 35,7% (5) 100%
Seguem uma Dieta 30% (06) 33,3% (2) 66,7% (4) 100%
Tabela 5. Relação entre PRM e uso correto de medicamentos.
Pacientes que: Apresentam PRM Não Apresenta PRM Total
Não usam corretamente 100% (11) 0 100%
Usam medicamentos corretamente 0 100% (9) 100%
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 12
distribuição, metabolização e eliminação de fármacos.
Segundo CRIM
6
(março de 2007), dentre os fatores que
contribuem para o aumento dos riscos, destacam‑se a
forma farmacêutica, redução do fuxo sangüíneo e do pro‑
cesso de biotransformação hepática, aumento da gordura
corpórea, o que resulta no aumento da distribuição de
fármacos lipossolúveis e o comprometimento da função
para depuração de fármacos que são primariamente ex‑
cretados pelo rim.
A prescrição de medicamentos para idosos envolve a
compreensão e o entendimento das mudanças funcionais
e estruturais dos órgãos e sistemas decorrentes da ida‑
de avançada, sendo comprometidas a farmacocinética e
a farmacodinâmica de diversos medicamentos, sendo ne‑
cessário seguir algumas regras básicas para a melhoria na
qualidade da terapia farmacológica dos idosos como: pre‑
ferir sempre a mono‑terapia, simplifcar os esquemas de
administração, evitar o uso de dois ou mais fármacos de
mesma classe terapêutica, preferir fármacos comprovados
através de evidências cientifcas, sempre iniciar o trata‑
mento com a menor dose possível, que deverá ser elevada
paulatinamente, com base na resposta terapêutica e na
tolerabilidade
6
.
Em funções das alterações farmacocinéticas citadas,
o idoso apresenta maior susceptibilidade a efeitos cola‑
terais e boas respostas a doses baixas de medicamentos.
Evitar drogas com acentuado perfl de efeito colateral
é uma saída terapêutica adequada. Além disso, o idoso
apresenta maior incidência de quedas, parkinsonismo, dis‑
cinesia tardia e delírio medicamentoso, quando compara‑
do com adultos jovens
7
.
ConClUsão
Conclui‑se que os principais PRM encontrados em
pacientes idosos hipertensos que freqüentam o Centro Es‑
cola de Custodópolis foram: PRM 1, PRM 2 com 15% dos
pacientes respectivamente, PRM 4 com 30% dos pacien‑
tes, PRM 5 com 5% dos pacientes e PRM 6 com 15% dos
pacientes. Sendo assim, é indispensável a implantação da
atenção farmacêutica, no qual um farmacêutico coopera
com o paciente e outros profssionais de saúde, mediante
descrição, execução e monitorização de um plano tera‑
pêutico que produzirá resultados terapêuticos específcos
para o paciente,
7
além de contribuir para a farmacovigi‑
lância, no sentido de melhorar a segurança com o uso dos
medicamentos em Campos – RJ, no atendimento básico
à saúde, já que o idoso faz uso de muitos medicamentos,
sendo altamente susceptível a interação medicamentosa.
O risco de danos é menor, quando os medicamentos
são dispensados por profssionais de saúde informados e
por pacientes que entendem e compartilham a responsa‑
bilidade do uso de seus medicamentos.
Os farmacêuticos têm de admitir e assumir sua res‑
ponsabilidade quanto a informar aos pacientes acerca dos
riscos e benefícios, potência, do tratamento. Devem, ain‑
da, ajudá‑los a reconhecer as reações adversas a medi‑
camentos (RAM), incluindo as relacionadas aos produtos
de venda livre, tanto convencionais como medicamento
ftoterápico.
reFerÊnCIas bIblIográFICas
1. BRASIL – Ministério da Saúde. Portal da saúde: Hipertensão Ar‑
terial. 2002. Disponível em: <www.portaldasaúde.gov.br> Acesso
em: 06 out 2006.
2. JUNIOR, D.P. DE LYRA; AMARAL, R.T.; VEIGA, E.V.; CÁRNIO, E.C.;
NOGUEIRA, M.S.; PELÁ, I.R. A farmacoterapia no idoso: Revisão
sobre a abordagem multiprofssional no controle da hipertensão
arterial sistêmica – maio/jun. 2006.
3. MARIN, N.; LUIZA, V.L; OSÓRIO‑de‑CASTRO, C.G.S.; MACHA‑
DO‑dos‑SANTOS, S.M. Assistência farmacêutica para gerentes mu‑
nicipais Rio de Janeiro: OPAS/OMS, 2003. p.373
4. MACHUCA, M; FERNÁNDEZ‑LLIMÓS, F.; FAUS, M.J.; MANUAL DE
ACOMPANHAMENTO FARMACOTERAPÊUTICO; MÉTODO DÁDER;
2004.
5. ARRAIAS, P.S.D.; BARRETO,M.L.; COELHO, H.L.L. Aspectos dos
Processos de prescrição e dispensação e de medicamentos na per‑
cepção do paciente : estudo de base populacional em Fortaleza,
Ceara, Brasil. Disponível em: http://regional.bvsalud.org/apps
desde Jan de 2003 acesso em 18 de maio de 2007.
6. A FARMACOVIGILANCIA É INDISPENSAVEL; Informativo do CRIM
(Centro Regional de Informação de Medicamentos) ano IX, março
de 2007.
7. CARRANZA, J.H.; TORREJÓN, J.C. Atencion Farmacêutica en Geria‑
tria. 2005 Elsevier – Espanha.
13 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
InTrodUção
Entre as unidades hospitalares responsáveis pela
preparação de alimentos e que merecem especial atenção,
devido ao risco de veiculação de microrganismos através
dos alimentos, encontra‑se o lactário, que é o local desti‑
nado ao preparo, higienização e distribuição de mamadei‑
ras de leites e seus substitutos, juntamente com água, chá
e demais hidratantes para alimentação de recém‑nascidos
e de pacientes da pediatria (SALLES & GOULART, 1997).
Assim, uma das formas de veiculação de microrganismos
patogênicos a recém‑nascidos e crianças de baixa faixa
etária podem ser as fórmulas lácteas infantis em pó pre‑
paradas em mamadeiras, diluídas em água.
Por defnição, fórmula infantil para lactente é o pro‑
duto em forma líquida ou em pó, destinada à alimentação
de lactentes, até o sexto mês, sob prescrição de um mé‑
dico ou nutricionista, em substituição total ou parcial do
leite materno, para satisfação das necessidades nutricio‑
nais deste grupo etário (BRASIL, 2002).
A legislação vigente, no Brasil, que trata dos Pa‑
drões Microbiológicos para Alimentos é a Resolução RDC
nº 12, de 02 de janeiro de 2001/Anvisa, a qual determina,
para a categoria de alimentos “fórmulas infantis”, a de‑
tecção dos seguintes microrganismos: coliformes a 35ºC
(totais), coliformes a 45ºC (termotolerantes), Estafloco‑
cos coagulase positiva, Bacillus cereus e Salmonella sp.
(BRASIL, 2001). Segundo RODRIGUES et al. (2004), o ali‑
mento será considerado impróprio para o consumo huma‑
no quando apresentar condições sanitárias insatisfatórias,
cujos resultados analíticos demonstrem a presença ou a
quantifcação de microrganismos patogênicos ou toxinas
que representem risco à Saúde Pública.
Uma vez que não há especifcação na legislação,
para a verifcação da presença de Pseudomonas aerugino‑
sa em fórmulas infantis e por se tratar de um patógeno
oportunista e responsável por vários episódios de graves
infecções, principalmente em pessoas imunocomprometi‑
das, é relevante a sua pesquisa neste alimento infantil.
O objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade mi‑
crobiológica de fórmulas lácteas infantis em pó, prepara‑
das em mamadeiras no lactário de um hospital da cidade
do Recife‑PE. Foi investigada a presença de microrganis‑
mos indicadores de condições higiênico‑sanitárias esta‑
belecidos pela RDC‑ANVISA nº12/2001 e a presença de
Pseudomonas aeruginosa.
MaTerIal e MéTodos
Foram coletadas amostras de fórmulas lácteas in‑
fantis em pó preparadas em mamadeiras no lactário de
um hospital da cidade do Recife/PE, durante o período
de março a junho de 2007. As amostras foram coletadas
em dias e horários variados, sendo obtidas 3 amostras em
março, 10 amostras em abril, 22 amostras em maio e 7
amostras em junho, totalizando‑se 42 amostras.
O material coletado foi encaminhado, devidamente
acondicionado e transportado em caixa isotérmica, ao La‑
boratório Central de Saúde Pública de Pernambuco para a
realização das seguintes análises microbiológicas: estima‑
tiva do número mais provável (NMP) de coliformes totais
e coliformes termotolerantes, pesquisa de Escherichia coli
e Salmonella sp., contagens de Staphylococcus coagulase
positiva (UFCg
‑1
) e Bacillus cereus (UFCg
‑1
), de acordo com
os métodos preconizados no “Compendium of Methods for
avalIação MICrobIolÓgICa de FÓrMUlas láCTeas
InFanTIs eM PÓ, PreParadas eM MaMadeIras.
avalIação no laCTárIo de UM hosPITal da CIdade
de reCIFe – Pe
abIgaIl da sIlva araúJo
1
lúCIa roberTa de soUZa FIlIZola
2
MarIa de MasCena dInIZ MaIa
3
1. Bióloga pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE.
2. Farmacêutica, mestre em Ciências Farmacêuticas, responsável pelo Setor de Bromatologia do Laboratório Central
de Saúde Pública de Pernambuco, LACEN‑PE.
3. Farmacêutica‑Bioquímica, doutora em Ciências Biológicas, professora associada do Departamento de
Biologia‑UFRPE.
Autor responsável: A. S. Araújo.
E‑mail: abigail‑araujo@ig.com.br
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 14
the Microbiological Examination of Foods” (DOWNES &
ITO, 2001), e pesquisa de Pseudomonas aeruginosa utili‑
zando como princípio metodológico o “Standard Methods
for the Examination of Water and Wastewater” (EATON ET.
al., 1995).
Os resultados obtidos das análises microbiológicas
foram comparados com os parâmetros microbiológicos
para alimentos estabelecidos pela Resolução RDC nº12/01
da Anvisa (BRASIL, 2001) e avaliados como satisfatórios
ou insatisfatórios com base nos limites de tolerância es‑
tabelecidos pela mesma (Tabela 1), exceto os resultados
para a pesquisa de Pseudomonas aeruginosa.
resUlTados e dIsCUssão
Os resultados das análises microbiológicas de fórmu‑
las lácteas infantis, em pó, preparadas em mamadeiras no
Tabela 1. Padrões de tolerância utilizados para a avalia‑
ção dos resultados das análises microbiológicas realizadas
com as amostras de fórmulas lácteas infantis em pó.
Microrganismo
Limite de
tolerância aceitável
pela legislação
Coliformes a 35°C/ml 10 NMPg
‑1
Coliformes a 45ºC/ml Ausência
Staphylococcus coagulase positiva/ml Ausência
Bacillus cereus/ml 10
2
UFCg
‑1
Salmonella sp./25ml Ausência
Fonte: Resolução – RDC nº12, de 2 de janeiro de 2001 (BRASIL, 2001).
lactário de um hospital da cidade do Recife/PE podem ser
visualizados na Tabela 2.
Tabela 2. Resultados das análises microbiológicas de fórmulas lácteas infantis, em pó, preparadas em mamadeiras no
lactário de um hospital da cidade do Recife/PE, 2007.
Amostras
Coliformes
totais
(NMP/ml)
Coliformes
termotolerantes
(NMP/ml)
E. coli
(NMP/ml)
Pesquisa de
Salmonella sp.
Contagem de
Staphylococcus
coagulase positiva
(UFC/ml)
Contagem de B.
cereus (UFC/ml)
Pesquisa de P.
aeruginosa
1 1100 75 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
2 150 43 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
3 >1100 35 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
4 1100 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
5 9,2 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
6 3,6 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
7 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
8 >1100 460 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
9 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
10 43 3,6 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
11 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
12 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
13 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
14 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
15 3,6 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
16 23 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
17 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
18 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
19 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
20 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
21 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
22 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
23 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
24 1100 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
25 460 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
26 460 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
27 93 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
28 460 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
29 93 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
30 150 <3,0 <3,0 Presença <10 <10 Ausência
31 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
32 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
33 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
34 9,2 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
35 1100 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
36 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
37 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
38 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
39 1100 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Presença
40 75 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
41 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
42 <3,0 <3,0 <3,0 Ausência <10 <10 Ausência
15 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
De acordo com os resultados obtidos, Staphylococ‑
cus coagulase positiva não foi evidenciado em nenhuma
das 42 amostras analisadas. SESSA & FURLANETTO (1990),
analisando as condições bacteriológicas de 40 amostras de
leites de lactários em São Paulo, verifcaram que 5% das
amostras estavam contaminadas por S. aureus. A pesquisa
deste microrganismo é importante neste tipo de alimento
porque, além de ser um grupo de bactérias potencialmente
patogênicas, sua presença em contagens elevadas indica
falta de higiene durante a manipulação (FRANCO & LAND‑
GRAF, 2005).
Com relação aos coliformes totais, 25 das 42 amos‑
tras apresentaram‑se dentro dos limites de tolerância exi‑
gidos pela legislação brasileira e 17 amostras apresen‑
taram‑se fora destes limites, com quantifcação variando
entre 23 à >1100 NMP/ml. Em estudo realizado por SALLES
& GOULART (1997) com amostras de preparações lácteas,
observou‑se que 58,3% das amostras analisadas do lac‑
tário A estavam contaminadas com coliformes totais fora
dos limites permitidos, ou seja, em condições higiênicas
insatisfatórias.
Técnicas inadequadas de manipulação, falhas duran‑
te o processo de higienização de equipamentos e uten‑
sílios ou até falta de higiene pessoal dos manipuladores
podem acarretar a contaminação por coliformes totais.
A sua presença em alimentos processados é considerada
uma indicação útil de contaminação pós‑processamento,
evidenciando práticas de higiene e sanifcação aquém dos
padrões para o processamento de alimentos (SILVA et. al.,
1997).
Verifcou‑se que cinco (11,9%) amostras estavam
contaminadas por coliformes termotolerantes, com popu‑
lações variando de 3,6 a 460 NMP/ml. A pesquisa dos co‑
liformes termotolerantes em alimentos indica, com maior
segurança, as condições higiênico‑sanitárias do produto
e uma melhor indicação sobre a eventual presença de
enteropatógenos (MUNIZ, 2005), isto é de extrema im‑
portância, principalmente, por se tratar de um produto a
ser administrado a pacientes em sua maioria imunodepri‑
midos, portanto mais suscetíveis ao desenvolvimento de
infecções (LIMA et. al., 2005). Essa contaminação pode
caracterizar uma defciência na manipulação, higieniza‑
ção de equipamentos e utensílios ou da água (mal fervi‑
da) utilizada na preparação das fórmulas lácteas infantis,
em pó.
Nenhuma amostra estava contaminada com E. coli.
SALLES E GOULART (1997) analisando 24 amostras de
preparações lácteas também não detectaram a presença
de E. coli em nenhuma delas. Entretanto, SESSA & FUR‑
LANETTO (1990) encontraram, dentre 40 amostras, nove
amostras positivas para E. coli. PESSOA et al. (1978)
analisando preparações lácteas no município de São
Paulo, constataram a presença de E. coli em 15,80% das
amostras.
Escherichia coli é um dos microrganismos tido como
habitante natural do trato intestinal de humanos e ani‑
mais de sangue quente, sendo, portanto, normalmente
encontrado nas fezes destes animais (DRUBI, 2005). A E.
coli é uma indicadora de poluição fecal na água, leite e
alimentos. A sua enumeração laboratorial auxilia na ava‑
liação do perigo potencial, da sua presença, na água e nos
alimentos fornecidos. A maioria das E. coli presentes no
trato intestinal são inócuas a menos que estejam distribu‑
ídas em outras as partes do corpo humano, como o trato
urinário ou meninges onde elas podem causar doenças
(HOBBS & ROBERTS, 1999).
Todas as amostras para a contagem de Bacillus ce‑
reus se encontraram em condições satisfatórias. SANTOS
& TONDO (2000), também, não encontraram amostras, do
lactário do Hospital das Clínicas de São Paulo, contami‑
nadas por Bacillus cereus. MUNIZ (2005) estudando dietas
em pó manipuladas em um hospital universitário público
no Brasil verifcou que Bacillus cereus estava presente em
contagens elevadas, em 37,5% das amostras analisadas.
Na presente pesquisa, foi detectada a presença de
Salmonella sp. em uma (2,4%) amostra analisada, a qual
foi encaminhada à Fiocruz – RJ e identifcada como Sal‑
monella typhimurium. Assim, uma amostra foi encontrada
em condição insatisfatória. SANTOS &TONDO (2000) in‑
vestigando preparações lácteas do lactário do Hospital
das Clínicas de Porto Alegre não evidenciaram a veicula‑
ção de patógenos como Salmonella sp. nas amostra ana‑
lisadas.
A Salmonella é uma enterobactéria que pode causar
graves infecções gastrintestinais de origem alimentar, o
que torna sua presença em alimentos um relevante proble‑
ma de Saúde Pública. No Brasil, sua ocorrência tem sido
observada em todos os tipos de alimentos, principalmente
os de origem animal. Em função dos riscos que a Salmo‑
nella representa para os consumidores, sua pesquisa em
alimentos é de fundamental importância.
Os produtores de alimentos, bem como os órgãos
competentes de fscalização, têm estado alerta para a ne‑
cessidade de garantir a ausência de Salmonella nos ali‑
mentos. Entretanto, essa garantia pode se tornar extre‑
mamente onerosa, uma vez que as técnicas laboratoriais
rotineiramente empregadas são extremamente trabalhosas
e demoradas no fornecimento de resultados (REIS et al.,
2002).
A Salmonella typhimurium é considerada uma das
principais bactérias causadoras de salmoneloses nos
animais e no homem em todo o mundo (PEREIRA et al.,
2007). Ela é um dos principais sorotipos isolados em ca‑
sos esporádicos ou surtos no Brasil e está associada a me‑
ningites, especialmente em crianças. Representando um
risco para a população que consome alimentos contami‑
nados por esta bactéria, devido ao seu potencial invasivo
e, portanto, eminentemente patogênico.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 16
Há aproximadamente 2.000 sorotipos diferentes de
Salmonella. Os mais comuns, atualmente, no mundo, são
Salmonella enteritidis e Salmonella typhimurium, sendo
que a Salmonella typhimurium fagotipo DT 104 é conside‑
rada um patógeno emergente e altamente virulento, resis‑
tente a vários antibióticos (SÃO PAULO, 2005).
A presença de Pseudomonas aeruginosa foi verifca‑
da em 9 (21,43%) amostras. SESSA & FURLANETTO (1990),
analisando as condições sanitárias do leite de lactários
isolaram durante a pesquisa de Salmonella sp. de três
amostras de leite, do lactário do hospital III, e de uma
amostra de leite, oriunda do lactário do hospital VII, ce‑
pas do gênero Pseudomonas, posteriormente, identifcadas
como pertencentes a espécie Pseudomonas aeruginosa. P.
aeruginosa é uma bactéria ubíqua, de vida livre e muito
encontrada em ambientes úmidos.
Embora raramente seja causadora de doenças em in‑
divíduos sadios, ela é uma grande ameaça para pacientes
hospitalizados, particularmente aqueles com sérias doenças
de base (pacientes com câncer e queimados). A alta mor‑
talidade associada a estas infecções deve‑se à combinação
de fatores como defesas enfraquecidas do hospedeiro, re‑
sistência bacteriana à maioria dos antibióticos e a produ‑
ção de enzimas extracelulares e toxinas (SILVA, 1999).
Segundo SESSA & FURLANETTO (1990), as bactérias
Pseudomonas aeruginosa são encontradas em feridas su‑
puradas, infecções do trato urinário, otites, lesões ocu‑
lares, podendo causar, também, meningite e septicemia,
particularmente em crianças ou adultos debilitados. P. ae‑
ruginosa pode desenvolver‑se no leite, mesmo quando são
mantidos em temperaturas baixas, e provocar alterações
de cor no leite. Podendo causar infecções ou toxinfec‑
ções alimentares em recém‑nascidos através da ingestão
do leite contaminado. Pseudomona aeruginosa poderia ser
usada como indicadora das Boas Práticas de Fabricação,
no que se refere à limpeza e sanifcação, uma vez que
freqüentemente pode não ser detectada na fonte (maté‑
ria‑prima), mas ser detectada nos equipamentos e produto
acabado (SANT’ANA et al., 2003) para o consumo.
Segundo GERMANO & GERMANO (2003), a contami‑
nação de alimentos secos, em pó, podem ocorrer durante
o processo de reconstituição, através da água, dos reci‑
pientes e utensílios contaminados e dos próprios mani‑
puladores.
ConClUsÕes
As amostras de fórmulas lácteas infantis, em pó,
preparadas em mamadeiras no lactário de um hospital da
cidade do Recife‑PE demonstraram estar impróprias para o
consumo dos lactentes, devido ao quantitativo de amos‑
tras contaminadas por coliformes totais e termotoleran‑
tes, bem como pela presença de Salmonella typhimurium
em uma das amostras, evidenciando, desta forma, a neces‑
sidade de uma maior fscalização e controle higiênico‑sa‑
nitário durante a manipulação deste alimento e, também,
pelo índice de amostras contaminadas por Pseudomonas
aeruginosa, representando risco à saúde dos lactentes;
Os resultados obtidos são preocupantes e exigem
que os cuidados no cumprimento de Boas Práticas de Ma‑
nipulação, em todas as etapas da preparação das fórmulas
lácteas infantis em pó em mamadeiras, sejam urgente‑
mente tomadas, para assegurar a qualidade desse produto
que é oferecido aos lactentes.
agradeCIMenTos
Ao laboratório Central de Saúde Pública de Pernam‑
buco pela permissão da realização das análises microbio‑
lógicas e ao hospital onde foram coletas as amostras.
reFerÊnCIas bIblIográFICas
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária
– ANVISA. Resolução RDC nº12, de 2 de janeiro de 2001. Dispo‑
nível em: http://www.anvisa.gov.br/resol/12_01rdc.html. Acesso
em: 15 de jan. 2007.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agencia Nacional de Vigilância Sani‑
tária – ANVISA. Resolução RDC nº 222 de 5 de agosto de 2002.
Diário Ofcial da União, Brasília, DF, 6 de ago. 2002. Disponí‑
vel em: http://e‑legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.
php?id=1631. Acesso em: 15 de jan. 2005.
DOWNES, F.P.; ITO, K. Compendium of methods for the microbiological
examination of foods. 4th ed. Washington: American Public Heal‑
th Association, 2001. 676 p.
DRUBI, A.J. Estudo microbiológico de matérias‑primas processadas de
origem animal utilizada na fabricação de alimentos na região de
Ribeirão Preto/SP. 2005. 33 f. Dissertação (Mestrado em Micro‑
biologia Agropecuária) – Universidade Estadual Paulista, Faculda‑
de de Ciências Agrárias e Veterinárias / Campus de Jaboticabal.
Jaboticabal, São Paulo.
EATON, A.D.; CLESCERI, L.S.; GREENBERG, A.E. Standard methods for
the examination of water and wastewater. 19th ed. Washington:
American Public Heart Association, 1995. 1325p.
FRANCO, B.D.G.; LANDGRAF, M. Microbiologia dos alimentos. São Pau‑
lo: Atheneu, 2005. 182p.
GERMANO, P.M.L.; GERMANO, M.I.S. Higiene e vigilância de alimentos.
São Paulo: Varela, 2003. 655p.
HOBBS, B.C.; ROBERTS, D. Toxinfecções e controle higiênico‑sanitário
de alimentos. São Paulo: Varela, 1999. 376p.
LIMA, A.R.C et al. Avaliação microbiológica de dietas enterais mani‑
puladas em um hospital. Acta Cirúrgica Brasileira, São Paulo, v.20,
supl. n.1, p.27‑30, 2005.
17 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
MUNIZ, C.K. Análise de perigos e pontos críticos de controle em dietas
enterais manipuladas em hospital universitário público do Brasil.
2005. 47 f. Dissertação (Mestrado em Imunologia e Parasitologia
aplicadas) – Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais.
PEREIRA, C.S.; MEDEIROS, L.M.; COSTA, R.G. Fagotipagem e perfl
de multirresistência antimicrobiana em S. typhimurium isoladas
de diferentes fontes no Brasil de 1999 a 2004. Brazilian Journal
of Microbiology, Rio de Janeiro, v.38, n.2, p.385‑390, abr./jun.
2007.
PESSOA, G.V.A. et al. Ocorrência de bactérias enterotogênicas em São
Paulo no septênio 1970‑1976. III Sorotipos Shigella e Escherichia
coli de gastroenterite infantil. Revista do Instituto Adolfo Lutz,
São Paulo, v.38, n.92, p.129‑139, 1978.
REIS, R.B.; MAMIZUKA, E.M.; FRANCO, B.D.G. Padronização de um tes‑
te imunoenzimático para detecção de Salmonella em alimentos.
Revista Ciência e Tecnologia de Alimentos, Campinas, v.22, n.2,
p.105‑110, mai./ago. 2002.
RODRIGUES, M.M. et al. Indicícios de Rotavírus na etiologia de um
surto de infecção de origem alimentar. Revista Ciência e Tecnolo‑
gia de Alimentos, Campinas, v.24, n.1, p.88‑93, jan./mar. 2004.
SALLES, R.K.; GOULART, R. Condições higiênico‑sanitárias e microbio‑
lógicas de lactários hospitalares. Revista de Saúde Pública, São
Paulo, v.31, n.2, p.131‑139, 1997.
SANT’ANA et al. Qualidade microbiológica de águas minerais. Revis‑
ta Ciência e Tecnologia de Alimentos, Campinas, v.23 (Supl.),
p.190‑194, dez. 2003.
SANTOS, M.I.S.; TONDO, E.D. Determinação de perigos e pontos crí‑
ticos de controle para implementação de sistema de análise de
perigos e pontos críticos de controle em lactário. Revista de Nu‑
trição, Campinas, v.13, n.3, p.211‑222, set./dec. 2000.
SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Saúde. Divisão de Doenças de
Transmissão Hídrica e Alimentar do CVE/CCD‑SES. Toxinfecção
alimentar por Salmonella em um evento científco, São Paulo,
2004. Revista Saúde Pública, São Paulo, v.39, n.3, p.515‑518,
jun. 2005.
SESSA, E.; FURLANETTO, S.M.P. Condições bacteriológicas de amostras
de leite de lactário obtidos em hospitais. Revista de Microbiologia,
São Paulo, v.21, n.2, p. 189‑197, 1990.
SILVA, C.H.P.M. Bacteriologia um texto ilustrado. Teresópolis, RJ:
Eventos, 1999. 531p.
SILVA, N.; JUNQUEIRA, V.C.A.; SILVEIRA, N.F.A. Manual de métodos
de análise microbiológica de alimentos. São Paulo: Varela, 1997.
295p.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 18
InTrodUção
As interações entre agentes químicos e organismos
vivos foram objeto de estudo em diferentes épocas da
história humana. Na Antiguidade, várias substâncias eram
utilizadas para a cura de enfermidades. Porém, o conhe‑
cimento científco nos primórdios da Farmacologia e da
Toxicologia era rudimentar, a cura era difcilmente alcan‑
çada e assuntos como doença e morte eram considerados
ocultos ou sagrados.
Apesar disso, pesquisadores, como Avicena, Para‑
celsus e Fontana, entre outros, construíram as bases das
ciências biológicas e deixaram um grande legado para a
humanidade (OGA; SIQUEIRA, 2003; RANG; DALE; RITTER,
2001). No decorrer do século XX, principalmente, durante
as grandes guerras mundiais, novas substâncias foram de‑
senvolvidas, graças aos avanços da tecnologia farmacêu‑
tica e da síntese química.
Descobriu‑se, no entanto, que tais substâncias não
provocavam apenas efeitos benéfcos, mas também efeitos
tóxicos e seqüelas, algumas observadas, até nos dias de
hoje. A partir das décadas de 50 e 60, a área da saúde se
desenvolveu rapidamente e a Farmacologia e a Toxicologia
passaram a se destacar como ciências multidisciplinares
(SILVA, 1998). Sabe‑se, porém, que apesar da tecnologia
disponível, a terapia por medicamentos estará sempre su‑
jeita aos erros inerentes à condição humana.
Vários estudos demonstraram que os erros dos pro‑
fssionais de saúde são inevitáveis, mas podem e devem
ser minimizados (COIMBRA, 2004). Na atualidade, os me‑
dicamentos constituem um símbolo de saúde sustentado
pela comunidade científca e pela população leiga. Porém,
se utilizados sem conhecimento técnico e critérios especí‑
fcos, podem inverter sua essência de promoção da saúde
e provocar efeitos deletérios.
O consumo indiscriminado, a automedicação e a
“indicação de remédios” por pessoas não capacitadas tec‑
nicamente são um grave problema de saúde pública no
Brasil. Profssionais da saúde e responsáveis pela regula‑
mentação da produção e utilização de fármacos estão en‑
tre os principais responsáveis por esta infuência negativa
relacionada ao uso indevido dessas substâncias, no País
(AMARAL; BARCIA 2003; CASTRO et al., 2006).
Por este motivo, ações mais sérias no controle da
legislação, produção, venda e propaganda de medicamen‑
tos precisam ser colocadas em prática para que a popu‑
lação não seja afetada por efeitos maléfcos ou que deles
se tornem vítimas (LUCHESSI et al., 2005). Isso, porque,
além do efeito terapêutico, os medicamentos têm o po‑
tencial de produzir também efeitos adversos, colaterais e
tóxicos.
Certas condições clínicas, no entanto, podem ser
previstas e a implementação de medidas simples auxilia‑
riam o profssional da saúde a evitar um efeito deletério
provocado pelo medicamento. Entre essas medidas podem
ser citadas a avaliação prévia, porém detalhada, das con‑
dições fsiológicas e patológicas do paciente, conheci‑
mento profundo do mecanismo de ação e toxicidade dos
fármacos, implantação de procedimentos sistemáticos na
administração, como, por exemplo, confrmação junto ao
prescritor de uma dose supostamente inadequada para o
paciente (OGA, 2003).
Os mecanismos de ação tóxica se iniciam, na maioria
das vezes, por acúmulo de metabólitos do fármaco em
determinados tecidos. Estes metabólitos podem produzir
peroxidação lipídica, geração de radicais tóxicos de oxi‑
gênio, depleção de glutation e modifcação de grupos sul‑
fdrílicos, além de interagirem diretamente com lipídios,
proteínas, carboidratos e com o DNA da célula atingida.
Devem ser consideradas também as variações biológicas
individuais observadas em organismos e populações dife‑
rentes (RANG; DALE; RITER; 2001).
Os medicamentos com maior probabilidade de cau‑
sar efeitos tóxicos são aqueles com margem terapêutica
eFeITos TÓxICos de MedICaMenTos deCorrenTes
de erros de MedICação
gUsTavo henrIqUe reale lUIZ
1
leda MeZZaroba
2
1. Farmacêutico, discente do Curso de Especialização em Análises Clínicas da Universidade Estadual de Londrina
(UEL), PR
2. Farmacêutica, docente do Curso de Especialização em Análises Clínicas da Universidade Estadual de Londrina
(UEL), PR
Autor responsável: L.Mezzaroba.
E‑mail: mezza@sercomtel.com.br
19 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
estreita. O índice terapêutico (IT) defne a relação entre
a dose letal 50 (DL
50
ou dose que provoca morte de 50%
dos animais de experiência) e a dose efcaz mediana (DE
50
ou dose necessária para produzir determinada intensidade
de um efeito em 50% dos indivíduos). Considera‑se que,
quanto maior o IT de uma droga, maior sua margem de
segurança pois ele indica a distância entre a DL
50
e a DE
50.
.
O uso seguro e efcaz do medicamento, portanto, depende
da dosagem periódica das concentrações sangüíneas do
fármaco, ou seja, da monitorização terapêutica do pacien‑
te (SILVA, 1998).
Apesar de os farmacêuticos constituírem, por for‑
mação, os profssionais mais qualifcados para lidar com
os medicamentos, eles estão naturalmente sujeitos a
cometer erros em todas as fases relacionadas à utiliza‑
ção de fármacos. Os erros de medicação constituem um
problema de saúde pública mundial, pois além dos danos
provocados à saúde do paciente, geram aumento de sua
permanência no hospital, da possibilidade de adquirir in‑
fecções nosocomiais, elevação dos custos de internação e,
conseqüentemente, contribuem também à limitação dos
recursos fnanceiros direcionados a este setor da saúde
(CASSIANI et al., 2004).
A comunidade científca é unânime no que diz res‑
peito às conseqüências destes erros não apenas para os
pacientes, mas também para os profssionais de saúde
que, por motivos sócio‑culturais, não relatam os erros
cometidos por medo de demissões ou por acusação de in‑
competência. Assim, considera‑se que a forma correta de
abordar os erros de medicação seria através de mudanças
no sistema de medicação, isto é, por meio da elabora‑
ção de normas rigorosas a serem seguidas pelos profssio‑
nais envolvidos na seleção, prescrição e dispensação de
fármacos. Além disso, sugere‑se a criação de ambientes
adequados que favoreçam a comunicação e a atenção dos
profssionais envolvidos no sistema de medicação, a con‑
solidação de programas e bancos de dados para que os
erros possam ser previstos, observados, relatados, compi‑
lados, estudados e sistematizados (COIMBRA, 2004).
A implantação de equipes multidisciplinares nos es‑
tabelecimentos de saúde que lidam com medicamentos,
também, é de suma importância para a minimização dos
erros de medicação (ANACLETO; PERINI; ROSA, 2006). O
presente artigo tem como objetivo descrever as principais
causas de erros de medicação apontados na literatura es‑
pecializada, sua relação com os efeitos tóxicos produzidos
e a possível ocorrência de intoxicações.
MeTodologIa
Foram realizadas consultas ao acervo da Biblioteca
Setorial Profª Ana M.Y. Ito e às bases de dados virtuais
PORTAL DA CAPES, LILACS e SCIELO, disponibilizadas pelo
Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de
Londrina (CCS/UEL). A normatização das citações e refe‑
rências obedeceu à NBR 14724 (ABNT, 2005) e às Normas
para Apresentação de Trabalhos do periódico (INFARMA,
2007). Como estratégias de busca, foram utilizados os
seguintes descritores em saúde: erros de medicação in‑
toxicação, efeitos adversos, efeitos colaterais, efeitos tó‑
xicos, automedicação e as respectivas terminologias em
língua inglesa: medication errors, medications systems,
drugs, intoxication e poisoning.
resUlTados e dIsCUssão
Desde os tempos mais remotos, o homem vem bus‑
cando no conhecimento das substâncias químicas a cura
para enfermidades do corpo, da mente e do espírito, obje‑
tivando, assim, o prolongamento da vida e até mesmo, a
imortalidade. Além disto, o conhecimento de tais substân‑
cias, também, foi, durante muito tempo, utilizado como
armas, seja sob a forma de venenos colocados em pontas
de fechas ou como constituintes de artefatos e bombas
usadas em guerras mais recentes.
Um dos documentos mais antigos que relata o fas‑
cínio do homem pela natureza é o Papiro de Ebers (1500
a.C.), o qual lista cerca de 800 ingredientes ativos prove‑
nientes de animais, vegetais e alguns minerais. Dioscóri‑
des (40‑90 d.C.) foi o primeiro a classifcar os venenos de
origens animal, vegetal e mineral, recomendava eméticos
nos casos de envenenamentos e o uso de ventosas nos
locais de picadas de cobras (OGA; SIQUEIRA, 2003).
Apesar da longa história do estudo das substâncias
químicas, somente no Século XIX, na Alemanha, a Farma‑
cologia foi reconhecida como ciência. Até aquela época,
havia uma imensa relutância em utilizar na terapêutica
qualquer foco científco, porque a noção de funcionamen‑
to normal e anormal do corpo era muito rudimentar. As‑
suntos, como doença e morte, eram considerados sagrados
e mais estudados mais em função de aspectos dogmáticos
ou autoritários que científcos.
Apesar disso, em meados do século XIX, houve vá‑
rias tentativas de criação de terapias, utilizando‑se as
propriedades das substâncias químicas. Os resultados ob‑
tidos, porém, na maioria das vezes, eram piores do que a
utilização de substâncias já relacionadas a alguma cura
no passado. Nesta época, os “remédios” preferidos eram a
sangria, os eméticos e os purgativos, os quais chegaram a
provocar muitas mortes.
Por estas razões, as intoxicações pelas substâncias
utilizadas eram comuns e aconteciam mais do que a cura
propriamente dita (RANG; DALE; RITTER, 2000). A Far‑
macologia e a Toxicologia evoluíram mais lentamente,
mas, já naquela época Avicena (980‑1077) discutiu o
mecanismo de ação de venenos e Paracelsus (1493‑1541)
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 20
revolucionou o estudo da Farmacologia, Toxicologia e da
Terapêutica com seu postulado mais conhecido: “todas
as substâncias são venenos; não há nenhuma que não
seja um veneno. A dose correta diferencia o veneno do
remédio”.
No século XX, principalmente durante as guerras
mundiais, várias foram as novas substâncias desenvolvi‑
das pelo avanço da tecnologia de síntese química. O con‑
tado do homem com tais substâncias tem provocado into‑
xicações e mortes, como, por exemplo, em 1937, quando
centenas de pacientes morreram devido ao tratamento
com sulfanilamida que continha dietilenoglicol utilizado
como solvente ou na década de 50 quando a conseqü‑
ência do uso de talidomida pelas gestantes entrou para
a história, deixando seqüelas até hoje observadas (OGA;
SIQUEIRA, 2003).
Ainda de acordo com esses autores, principalmente
a partir da década de 60, a Toxicologia se desenvolveu
velozmente com estudos focados não apenas em investi‑
gações de intoxicações, mas também com ênfase na ava‑
liação da segurança e risco na utilização de substâncias
químicas. Os testes de avaliação da toxicidade de medica‑
mentos, alimentos, agrotóxicos e domissanitários são, há
décadas, obrigatórios demonstrando o grande avanço da
Toxicologia no contexto socioeconômico e cultural.
Entre as ciências biológicas relacionadas ao co‑
nhecimento toxicológico, a Farmacologia ocupa lugar de
destaque. Segundo Silva (1998), a Farmacologia estuda
o efeito benéfco resultante da interação da droga com
um sistema biológico. Quando, no entanto, o efeito é
considerado maléfco para o sistema biológico afetado,
a droga é denominada agente tóxico e é estudada pela
Toxicologia.
A Toxicologia de Medicamentos é a área da Toxicolo‑
gia que estuda os efeitos nocivos dos medicamentos de‑
correntes do uso inadequado ou de variação biológica in‑
dividual. Nos dias atuais, a Farmacologia e a Toxicologia,
assim como outras ciências da saúde, contam com uma
avançada tecnologia para seu desenvolvimento.
A biotecnologia, a engenharia molecular e genética,
a terapia gênica, entre outras, constituem áreas que con‑
duzirão a terapêutica para um novo domínio (RANG; DALE;
RITTER, 2000). Ressalta‑se, entretanto, que todos os sis‑
temas de terapia, por mais elaborados que sejam, estão
sujeitos aos erros inerentes à condição humana.
Durante a história da humanidade, foram cometi‑
dos erros escandalosos, intencionais ou não, em nome
da ciência. Na Antiguidade, não havia fundamentação
científca sufciente para se evitar ou diminuir os erros,
mas, atualmente, a ciência possui modelos sufcientes
para implantar procedimentos que têm como objetivo a
diminuição constante dos erros de medicação e de suas
conseqüências maléfcas para o homem e o ambiente
(COIMBRA, 2004).
ERROS DE MEDICAÇÃO
É sabido que os medicamentos disponíveis, nos
mercados brasileiro e mundial, são submetidos a diversas
etapas de estudos as quais devem garantir sua segurança
e efcácia. Os profssionais da área da saúde, particular‑
mente os farmacêuticos, percorrem um longo caminho de
estudos sobre os medicamentos, a fm de adquirirem co‑
nhecimentos técnicos profundos para lidar com essa im‑
portante ferramenta de promoção da saúde.
Desta forma, por que ocorrem erros de medicação?
Sabe‑se que esses profssionais estão sujeitos a cometer
erros nas várias etapas que envolvem o processo de me‑
dicação dos pacientes. Há um consenso na comunidade
científca quanto à aceitação do erro humano, considerado
incontestável, e da necessidade de enfrentar esse proble‑
ma com medidas elaboradas e sistêmicas e não apenas
identifcar, punir ou treinar o culpado pelo erro (COIM‑
BRA, 2004).
Os erros de medicação ainda constituem um tabu
para a maioria dos profssionais que se sentem desconfor‑
táveis em discutir o assunto ou simplesmente em admi‑
ti‑los. A comunidade científca tem procurado encontrar
soluções para evitar ou minimizar este problema, pois, na
cadeia fnal, o paciente sofrerá as conseqüências de erros
provocados por um sistema de medicação falho.
Tais erros podem acontecer na dispensação e na ad‑
ministração, além da escolha errada do medicamento e da
dose (BRANDÃO, 2005). Porém, segundo o autor, a maior
causa dos erros na dispensação pelas farmácias decorre,
de fato, de letras ilegíveis nas receitas médicas que po‑
dem fazer com que o farmacêutico ou balconista troque,
inadvertidamente, de medicamento.
Resultados de pesquisa feita por alunos de farmácia
que simularam uma receita completamente ilegível com
medicamentos inexistentes e levaram a 40 diferentes far‑
mácias mostraram que foram vendidas 47 unidades de 17
diferentes medicamentos (BRANDÃO, 2005). Além disso,
vários estudos destacaram o conhecimento precário sobre
medicamentos de vários profssionais de saúde.
Segundo Coimbra (2004), auxiliares de enfermagem,
mesmo após terem sido treinados, não perceberam o atra‑
so na administração de medicamentos, não realizaram
monitoramento, após a medicação, com surgimento de
situações facilitadoras de erros que comprovaram falhas
no sistema de medicação hospitalar.
Há, sem dúvida, uma preocupação constante entre
os farmacêuticos e sua principal entidade de classe, o
Conselho Federal de Farmácia, com os erros de medicação,
no Brasil, o que pode ser observado pelo elevado número
de publicações sobre o tema. Esta insistência refete a
necessidade de educação continuada e discussões sobre
o assunto.
21 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
Um ponto parece convergente nesta discussão: a
abordagem dos erros deve ser realizada, de forma sistê‑
mica, isto é, no sentido de criar condições e normas a
serem seguidas pelos profssionais envolvidos no sistema
de medicação. A principal preocupação, hoje, é a pos‑
sibilidade dos profssionais da saúde identifcarem seus
erros, porém, não os notifcarem com receio de demissão
ou acusação de incompetência.
Carvalho e Cassiani (2002) analisaram as conseqüên‑
cias dos erros de medicação para pacientes que variaram
desde nenhuma reação ao erro, alterações nas condições
gerais do doente até dores, septicemia e parada respi‑
ratória. Houve pacientes que evoluíram bem e tiveram
alta, outros que tiveram alta hospitalar, porém deixaram
o hospital com lesões; pacientes que tiveram a interna‑
ção prolongada devido ao erro e aqueles que evoluíram ao
óbito. Além de danos ao paciente, os erros de medicação
aumentam o tempo de permanência do paciente no hospi‑
tal e, conseqüentemente, o custo relacionado ao paciente
(CASSIANI et al., 2004).
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância à Saúde
(Anvisa) dispõe da Rede Sentinela, um projeto criado pelo
setor de Vigilância em Serviços Sentinela, integrante da
área de Vigilância em Eventos Adversos e Queixas Técnicas
da Anvisa, em parceria com os serviços de saúde brasilei‑
ros (hospitais, hemocentros e serviços de apoio diagnós‑
tico e terapêutica), Associação Médica Brasileira (AMB)
e órgãos de Vigilância Sanitária Estaduais e Vigilâncias
Municipais.
O objetivo do projeto é criar uma rede de serviço,
abrangendo todo o território nacional, capacitada a no‑
tifcar eventos adversos e queixas técnicas de produtos
de saúde, insumos, materiais e medicamentos, sanean‑
tes, reagentes para provas laboratoriais e equipamentos
médico‑hospitalares utilizados, no País. A fnalidade é
aumentar e padronizar a vigilância de produtos utiliza‑
dos em serviços de saúde, garantindo, dessa maneira, sua
segurança e qualidade, uma vez que são utilizados por
pacientes e profssionais de saúde.
As informações recolhidas pela Rede Sentinela for‑
mam o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária Pós‑Co‑
mercialização, que fornece subsídios à Anvisa para regu‑
lamentação desses produtos no mercado (Anvisa, 2007).
Há, no entanto, uma imprecisão nos conceitos utilizados
na literatura para denominar os erros de medicação onde
a existência de diferentes nomenclaturas traz difculdades
na comparação de estudo sobre o tema e os profssionais
da saúde, muitas vezes, não sabem classifcar o evento
adverso que irão notifcar (ROSA; PERINI, 2003).
Assim, os erros de medicação são defnidos, segundo
a Anvisa (2007), como “qualquer evento evitável que, de
fato ou potencialmente, pode levar ao uso inadequado de
medicamento”. Isso signifca que o uso inadequado pode
ou não lesar o paciente e não importa se o medicamento
se encontra sob o controle de profssionais de saúde, do
paciente ou do consumidor.
Os erros podem estar relacionados à “prática profs‑
sional, produtos usados na área da Saúde, procedimentos,
problemas de comunicação, incluindo‑se prescrição, rótu‑
los, embalagens, nomes, preparação, dispensação, distri‑
buição, administração, educação, monitoramento e uso de
medicamentos” (Anvisa, 2007).
A prática da medicação deve ser compreendida como
um sistema onde vários componentes são necessários para
atender um único objetivo: o tratamento do paciente. O
processo de medicação é a forma mais comum de inter‑
venção no cuidado a saúde e práticas seguras devem ser
aplicadas a este processo. Para isto, é necessário que a
instituição empregadora desenvolva uma cultura de segu‑
rança voltada para o paciente (MIASSO et al., 2006). Nos
hospitais, de modo geral, os profssionais envolvidos com
medicação são o médico, que faz a anamnese e prescreve
o medicamento, o farmacêutico que dispensa o medica‑
mento e o enfermeiro que administra e acompanha o pa‑
ciente durante a farmacoterapia.
O pessoal de enfermagem desempenha papel de
grande importância no processo e está inserido em uma
das etapas mais sérias e de elevada responsabilidade no
sistema de medicação. Erros no preparo e administração
de medicamentos são uma triste realidade para estes pro‑
fssionais que, muitas vezes, acumulam atividades, devido
ao número reduzido de funcionários dos hospitais e uni‑
dades básicas de saúde.
Carvalho et al. (1999) concluíram que os principais
fatores de risco relacionados à atividade dos profssionais
de enfermagem foram a falta de atenção e a difculdade
de entender as prescrições médicas, tornando clara a ne‑
cessidade de treinamento dos profssionais (CARVALHO et.
al., 1999).
Miasso et al. (2006) identifcaram situações que fa‑
cilitariam a ocorrência de erros de medicação como falhas
relativas ao ambiente, preparo, administração, conferên‑
cia, registro da medicação, distribuição e estoque, vio‑
lação das regras da instituição, transcrição das receitas,
conhecimento sobre o medicamento e prescrição. Em hos‑
pitais, os sistemas de medicação variam de 20 a 30 etapas
entre a prescrição, transcrição, dispensação, administra‑
ção e monitoramento do medicamento (ANACLETO; PERI‑
NI; ROSA, 2006). Porém, estes números podem ser muito
maiores, como evidenciado por Cassiani et al. (2004) que
identifcaram a existência de 58 a 80 etapas no sistema
de medicação.
Este elevado número evidencia um potencial mui‑
to grande para ocorrência de erros de medicação. Outros
fatores encontrados foram a predominância de prescrição
manual, a utilização concomitante de nomes genéricos
e comerciais nas receitas e ausência de horário padroni‑
zado para a administração de medicamentos pela equipe
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 22
de enfermagem. Em três dos quatro hospitais estudados,
permitia‑se a utilização de mais de um tipo de bomba de
infusão, havia falta de dados referentes ao paciente, au‑
sência de um centro de informações sobre medicamentos
e revisão das prescrições médicas.
Em apenas um hospital, a farmácia funcionava 24
horas/dia, porém não havia um comitê formal para inves‑
tigação e análise dos erros de medicação. A dispensação
de medicamentos pelas farmácias hospitalares é uma das
últimas etapas do sistema de medicação onde o erro pode
ser reconhecido e eliminado. Erros ocorridos nesta etapa
mostram o rompimento de uma das últimas barreiras de
segurança que envolve o processo de medicação.
Um erro de dispensação é defnido como “discrepân‑
cia entre a ordem escrita na prescrição médica e o aten‑
dimento dessa ordem” (ANACLETO; PERINI; ROSA, 2006,
p. 33). Sabe‑se que a dispensação de medicamentos pelas
farmácias hospitalares é fonte de vários erros que, ge‑
ralmente, não são evidenciados, devido às manifestações
sub‑clínicas que acometem os pacientes ou à latência de
conseqüências mais graves para esses pacientes.
Acredita‑se que, no Brasil, haja uma alta taxa de
incidência de erros de medicação, embora não existam
números ofciais devido às subnotifcações desses erros
(COIMBRA, 2004). Rozenfeld (2007) observou a ocorrên‑
cia de 1,8 casos de reações adversas a medicamentos para
cada 1000 internações. Os mais atingidos foram os homens
(64,5%), internados nos leitos de psiquiatria e de clínica
médica dos quais 84,1% receberam alta hospitalar.
A maioria dos agravos foi por reações adversas e
intoxicações. Os pacientes com efeitos adversos foram os
mais jovens e permaneceram mais tempo internados. O su‑
pracitado autor concluiu que, apesar dos números estarem
abaixo dos patamares de estudos internacionais, o banco
de dados do Sistema de Internações Hospitalares é uma
fonte útil para estudos de agravos por medicamentos.
INTOXICAÇÕES POR MEDICAMENTOS
O medicamento representa um símbolo de saúde para
a população leiga e é defnido pela comunidade científca
como uma “droga ou preparação com drogas de ação far‑
macológica benéfca, quando utilizada de acordo com suas
indicações e propriedades” (SILVA, 1998, p.7). Ou seja, o
medicamento é uma preparação farmacêutica com fórmula
e forma defnidas, utilizada com fns curativos, paliativos
ou de diagnóstico.
Porém, quando utilizado de maneira indiscriminada,
seja por leigos ou por profssionais da saúde, o medica‑
mento adquire um potencial muito grande de provocar
intoxicações, invertendo sua essência de promoção da
saúde do paciente, podendo levar o indivíduo até mesmo
ao óbito. Atualmente, o consumo de medicamentos é, er‑
roneamente, livre e exagerado.
Existe um senso comum entre a população leiga
que aceita a automedicação e a indicação de “remédios”
por outras pessoas, mesmo quando incapacitadas tecni‑
camente. Mendonça e Carvalho (2005) constataram que
pacientes idosas consumidoras de benzodiazepínicos
além de se automedicarem, indicavam, ofereciam e em‑
prestavam de acordo com suas necessidades e de outras
pacientes, demonstrando o risco ao qual toda rede social
estava exposta.
Cerca da metade dos medicamentos distribuídos
pelo sistema privado de saúde é comprada diretamente
nas farmácias, sem receita médica. A atitude de médi‑
cos, farmacêuticos e responsáveis pela regulamentação da
produção e utilização dos medicamentos são fatores que
infuenciam no consumo inadequado de medicamentos
(AMARAL; BARCIA 2003). As propagandas de medicamen‑
tos veiculadas na mídia parecem possuir objetivos mera‑
mente comerciais. Elas estimulam o consumo exagerado
e crescente de medicamentos por parte da comunidade
leiga, sem alertar para os efeitos adversos ou tóxicos ge‑
rados por esse consumo indiscriminado.
Assim, parece necessário um controle mais sério por
parte das autoridades que precisam revisar a legislação
vigente tornado‑a mais efcaz e menos propensa a inter‑
pretações subjetivas. No Brasil, as propagandas de medi‑
camentos distribuídas em consultórios médicos, hospitais
públicos e privados, congressos e outros eventos, divul‑
gadas em jornais e revistas ou veiculadas em rádio e tele‑
visão apresentam irregularidades perante a legislação que
as regulamentam. Dados recentes indicaram que cerca de
3,6% dos medicamentos anunciados em campanhas publi‑
citárias não é registrada na Anvisa, 17,5% das campanhas
não informam ao usuário qual é a principal contra‑indica‑
ção do fármaco, 15,5% das propagandas estimulam e/ou
induzem o uso indiscriminado de medicamentos cujo con‑
sumo exige prescrição médica e 38,5% das campanhas de
vendas com receita médica não apresentam o número do
registro no Ministério da Saúde (LUCHESSI et al., 2005).
Todas as substâncias químicas podem produzir efei‑
tos benéfcos ou maléfcos. Portanto, todos os medica‑
mentos podem produzir efeitos adversos que são defnidos
como qualquer efeito indesejável decorrente da utilização
da droga (CASOY, 1998). Efeitos colaterais, por sua vez,
são efeitos “não desejáveis, mas muitas vezes toleráveis,
que aparecem durante a farmacoterapia” e diferem, por
sua vez, dos efeitos tóxicos que representam “manifesta‑
ções de efeitos lesivos de maior gravidade, podendo levar
até a morte” (OGA, 2003, p. 29).
Quando estas manifestações estão relacionadas ao
efeito farmacológico principal do medicamento, estas re‑
ações são previsíveis desde que o mecanismo de ação do
fármaco seja bem conhecido. Quando os efeitos não es‑
tão relacionados ao efeito farmacológico, também podem
ser previstos em determinadas situações, por exemplo,
23 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
quando utilizados em dose excessiva, durante a gravidez,
ou quando o paciente apresenta alguma doença de base
como diabetes ou hepatite. Assim, os efeitos nocivos são,
na maioria das vezes, produzidos por metabólitos quimi‑
camente reativos do fármaco original que apresentam to‑
xicidade direta ou de natureza imunológica. Em indivíduos
suscetíveis, os efeitos adversos podem ter conseqüências
sérias quando utilizados juntamente com outras drogas
e alimentos, além da possibilidade de ocorrerem efeitos
adversos imprevisíveis e raros.
A introdução de novos medicamentos no mercado é
precedida de inúmeros testes de toxicidade da aprovação
e uso pela população. Porém, algumas vezes, efeitos no‑
civos são observados anos após o lançamento e a utiliza‑
ção pela sociedade. Dessa maneira, a segurança do novo
medicamento pode ser estabelecida, de modo defnitivo,
somente durante ou após o seu uso em seres humanos
(RANG; DALE; RITTER, 2000). No entanto, a antecipação,
prevenção, reconhecimento e respostas aos efeitos noci‑
vos são muito importantes e devem constituir uma prática
constante entre os profssionais da saúde.
No Brasil, o órgão responsável pela coordenação do
processo de coleta, compilação, análise e divulgação de
dados referentes a intoxicações por substâncias químicas
é o Sinitox, criado, em 1980, pelo Ministério da Saúde,
devido à necessidade do governo brasileiro de possuir um
banco de dados de documentos e informações em Toxico‑
logia que abrangesse todo o território nacional e que ser‑
visse de fonte de informação aos profssionais da saúde,
autoridades e a população em geral.
O Sinitox é incorporado ao Centro de Informação
Científca e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (CICT/
Fiocruz) e utiliza dados coletados dos Centros de Informa‑
ção e Assistência Toxicológica, localizados, em 19 Estados
e no Distrito Federal, somando um total de 36 Centros
(Sinitox, 2007). Bortoletto e Bochner (1999) constataram
que as intoxicações por medicamentos constituíam a cau‑
sa mais comum de intoxicações e representavam 27% dos
217.512 casos de intoxicações por substâncias químicas
no Brasil e 18% do total de óbitos em conseqüência de
intoxicações entre os anos de 1993 a 1996.
Os medicamentos que mais causaram intoxicações,
no Brasil, neste período, foram os benzodiazepínicos, an‑
tigripais, antidepressivos e antiinfamatórios. Entre 1999
e 2004, os medicamentos foram ainda os principais res‑
ponsáveis pelas intoxicações humanas, no Brasil. Neste
período, foram registrados 458.448 casos de intoxicação
por substâncias químicas. Destes, os medicamentos foram
responsáveis por cerca de 28% das intoxicações e, do to‑
tal de óbitos, cerca de 17% foi causada por medicamentos
(BORTOLETTO; BOCHNER, 1999).
Apesar dos dados recolhidos pelo Sinitox serem
representativos e importantes, pois constituem pratica‑
mente a única fonte de registro de intoxicações e enve‑
nenamentos em seres humanos, no Brasil, estes números
podem ser muito maiores devido à sub‑notifcação. O sis‑
tema de notifcação não é compulsório e não cobre todo
o território brasileiro.
Além disso, muitas intoxicações não são evidencia‑
das, não têm diagnóstico confrmado, os pacientes rece‑
bem apenas tratamento sintomático ou ainda casos de
óbitos por intoxicações agudas poderem ocorrer sem que
tenha sido diagnosticada a intoxicação como causa da
morte (AMARAL; BARCIA, 2003).
MONITORAÇÃO LABORATORIAL DE FÁRMACOS
Certos fármacos requerem dosagens periódicas no
sangue dos pacientes a fm de garantir que as doses ad‑
ministradas sejam efcazes e não tóxica: aqueles que pos‑
suem margem terapêutica estreita, isto é, que apresentam
inefcácia devida a uma pequena diminuição nos níveis
séricos ou aqueles que se tornam tóxicos em decorrência
de um pequeno aumento na sua concentração no sangue.
O objetivo da terapia medicamentosa é garantir que
o nível sérico do fármaco seja constante para que a te‑
rapia seja efcaz. A droga administrada é metabolizada
e excretada constantemente pelo organismo obedecendo
ao tempo de meia‑vida dos compostos, ou seja, o tem‑
po decorrido para que metade da concentração da droga
seja eliminada após uma certa dose administrada. Se a
meia‑vida do fármaco é conhecida, é possível calcular a
dose e o intervalo entre as doses ou, ainda, a velocidade
de infusão da droga, para que a concentração plasmática
atinja o nível desejado e é desta maneira que as doses
conhecidas dos medicamentos são defnidas.
No início da terapia medicamentosa, as concen‑
trações dos fármacos sofrem futuações e, após um pe‑
ríodo de tempo variável, sua concentração se estabiliza.
Espera‑se, portanto, que a concentração estabilizada seja
efcaz, o que ocorre geralmente após quatro meias‑vidas
depois da administração inicial. Dosagens realizadas an‑
tes deste período podem resultar em valores irregulares e
as avaliações das dosagens devem ser feitas com cautela
levando em consideração este tempo (PINCUS; ABRAHAM,
1999).
De acordo com esses autores, para se saber qual é
a concentração efcaz do fármaco é necessário observar
se este será armazenado no tecido adiposo, em outros
tecidos ou se o fármaco será distribuído totalmente no
sangue. Para isto, é preciso determinar o volume de distri‑
buição do fármaco, ou seja, o volume de líquido biológico
onde a droga será dissolvida.
Se a droga está presente somente no sangue do pa‑
ciente, o volume de distribuição é igual ao volume sangü‑
íneo, o qual é determinado a partir de tabelas de conver‑
são relacionando o peso corpóreo ao volume de sangue.
No entanto, se a droga for armazenada em outros tecidos,
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 24
somente uma parte estará presente no sangue e o volu‑
me de distribuição será maior, evidenciando que a parte
armazenada poderá estar constantemente sendo liberada
dos depósitos, os quais podem aumentar de forma anor‑
mal a concentração sérica do fármaco o que pode levar
o paciente a uma intoxicação, caso sejam administradas
doses seguidas.
Certos pacientes, no entanto, apresentam diminui‑
ção na metabolização e excreção de drogas, seja por uma
doença de base ou outro tipo de variação individual e
necessitam de uma diminuição na dose pois o tempo de
meia‑vida dos fármacos pode estar aumentado. Por outro
lado, certos fármacos possuem a capacidade de induzir
o fígado a produzir mais enzimas envolvidas na metabo‑
lização e assim os tempos de meias‑vidas dos fármacos
podem se apresentar diminuídos. Por esta razão, o moni‑
toramento de drogas cujas margens terapêuticas são es‑
treitas é de grande importância para garantir a efcácia do
medicamento e prevenir intoxicações em pacientes (PIN‑
CUS; ABRAHAM, 1999).
DIMINUIÇÃO DA OCORRÊNCIA DE ERROS DE MEDICAÇÃO
A luta contra para elevar a qualidade dos serviços de
saúde pelos profssionais que atuam nesta área é imen‑
sa. Fora da área da saúde, existem organizações que são
modelos em segurança em suas áreas de atuação. Como
exemplo disso, podem ser citadas as empresas de aviação,
nas quais o ambiente de trabalho constitui um sistema
complexo com várias interfaces entre a tecnologia e as
pessoas. Mesmo assim, acidentes aéreos acontecem e são
seguidos de um exaustivo estudo para se possa aprender
com o erro e evitá‑lo futuramente (ROSA; PERINI, 2003).
Da mesma forma, o grande número de etapas dos
sistemas de medicação dos hospitais indica a necessi‑
dade da simplifcação deste sistema e a implantação de
uma equipe multidisciplinar que discuta e traga soluções
para a diminuição da ocorrência de erros (CASSIANI et
al., 2004). Os erros de medicação podem ser diminuídos
através de medidas simples, mas que devem se constan‑
temente acompanhadas por uma equipe multiprofssional
e interdisciplinar.
Os procedimentos relacionados às atividades dos
profssionais de saúde devem ser simplifcados e padroni‑
zados a fm de reduzirem sua complexidade. Desta manei‑
ra, o número de etapas do processo deve ser diminuído,
bem como a variedade de medicamentos, equipamentos,
suprimentos e regras. A comunicação deve ser efcaz e
facilitada favorecendo a troca de informações claras.
Os limites de vigília e atenção humanos devem ser
respeitados e tarefas que dependam da memória, diminuí‑
dos. A notifcação e relatos dos erros e situações de riscos
devem ser encorajados, pois o conhecimento dos erros
pode reduzir sua ocorrência. A automatização e aplicações
de barreiras nos processos podem garantir que determi‑
nado procedimento seja realizado da maneira correta. A
antecipação e análise dos erros que podem vir a ocorrer
devido a uma mudança no processo devem ser feitas para
se prevenir erros antes que eles ocorram e não depois. As
informações referentes aos medicamentos devem ser de
fácil acesso e aperfeiçoadas constantemente (ANACLETO;
PERINI; ROSA, 2006).
O farmacêutico é o profssional diretamente respon‑
sável pela dispensação dos medicamentos prescritos pelo
médico e deve garantir que a distribuição e utilização dos
mesmos sejam seguras. Para isto, deve seguir procedi‑
mentos padronizados para o cumprimento deste requisito.
Assim, o farmacêutico deve armazenar medicamentos com
grande potencial de causar erros em local seguro, diferen‑
ciado, contendo alertas, separados segundo o nome gené‑
rico, formas farmacêuticas, volume, via de administração,
sólidos, líquidos, etc., sempre promovendo normas de
conferência para que não sejam misturados ou guardados
em locais errados.
Aparelhos que provocam a distração, durante a dis‑
pensação, devem ser retirados do local, o qual deve ser
planejado e seguro para manter um fuxo de trabalho óti‑
mo. Medicamentos cujos nomes são parecidos devem ser
acompanhados de lembretes de conferência para que não
seja dispensado um medicamento errado. Deve‑se manter,
sempre, os medicamentos dispensados juntos à prescrição
médica para que não sejam administrados a outro pacien‑
te senão àquele para o qual a receita foi prescrita.
A conferência da prescrição deve ser realizada pelo
farmacêutico, antes da separação dos medicamentos e
dúvidas relativas à caligrafa da prescrição devem ser di‑
rimidas com o prescritor e nunca devem ser deduzidas. A
conferência do conteúdo do frasco do medicamento, com
o rótulo e a prescrição é de suma importância para pre‑
venir erros de estocagem e rotulagem e o registro dos
medicamentos prescritos deve ser feito, sempre.
Após a separação dos medicamentos a serem dis‑
pensados, deve ser realizada uma conferência fnal com
atenção redobrada a prescrições de pacientes de alto ris‑
co como os da pediatria e insufcientes renais crônicos
e prescrições de medicamentos com maior toxicidade.
O paciente deve sempre ter conhecimento do tratamen‑
to terapêutico sendo sempre informado o porquê e para
quê o medicamento está sendo usado, quais seus efeitos,
horários de administração e possíveis reações adversas,
tornando‑se um aliado na prevenção dos erros de medica‑
ção (ANACLETO; PERINI; ROSA, 2006).
Atualmente, os profssionais da saúde dispõem de
tecnologias que visam minimizar os erros, facilitar, otimi‑
zar e elevar o rendimento de procedimentos manuais. Um
exemplo desta tecnologia é a prescrição informatizada.
As prescrições informatizadas são aquelas que utilizam
um sistema computadorizado de digitação e seguem um
25 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
modelo de disposição de dados padronizado, isto é, todas
as prescrições impressas possuem características seme‑
lhantes.
Essas prescrições são mais seguras, uma vez que
afastam as difculdades da leitura e do entendimento do
leitor, uma das principais causas de erros na dispensação
de fármacos. Nas prescrições informatizadas, os erros po‑
dem ser corrigidos no momento da digitação, sem rasuras
ou rabiscos que aumentem a difculdade de entendimento
das informações nelas contidas. Portanto, as prescrições
informatizadas podem diminuir signifcativamente os er‑
ros de medicação ocorridos na prescrição, dispensação e,
conseqüentemente, na administração de medicamentos.
No entanto, há desvantagens no uso desta tecno‑
logia. No momento da digitação, podem ocorrer erros em
casas decimais com alterações nas doses dos medicamen‑
tos não percebidas pelo digitador. Devido à variedade de
programas para as prescrições, alguns tipos não alertam
o digitador sobre possíveis incoerências digitadas e os
erros podem passar despercebidos. Ao contrário, em pro‑
gramas estruturados, há alertas para possíveis reações
alérgicas, interações medicamentosas, freqüência de uso
e doses máximas que auxiliam o prescritor a identifcar
erros decorrentes de falta de atenção (FREIRE; GIMENES;
CASSIANI, 2004).
Há poucos estudos realizados, no Brasil, sobre a ef‑
cácia na implantação e utilização de prescrições informa‑
tizadas, uma vez que há poucos hospitais que utilizam
esta tecnologia dado o elevado custo de sua implantação
e manutenção. Freire, Gimenes e Cassiani (2004) estuda‑
ram a redação da prescrição eletrônica em um hospital
brasileiro. Observaram que 12,1% das prescrições eletrô‑
nicas apresentavam rasuras, 13,9% apresentavam medi‑
camentos suspensos e 28,2% apresentavam informações
que deixaram em dúvidas os profssionais de saúde que
trabalhavam com estas receitas.
Assim, apesar das prescrições informatizadas re‑
presentarem um grande avanço dentro das estratégias de
combate aos erros de medicação, elas não eliminam com‑
pletamente a possibilidade de sua ocorrência, fazendo‑se
necessárias algumas medidas para garantir sua efcácia.
Além disso, as prescrições não devem possibilitar a uti‑
lização de abreviações e símbolos, os profssionais que
irão lidar diretamente com estas prescrições deve ser bem
treinados e conscientizados da necessidade do uso cor‑
reto dessa tecnologia, o medicamento prescrito deve ser
requerido diretamente à farmácia, não possibilitar a in‑
trodução manual de medicamentos e não identifcar doses
com casas decimais para não confundir o leitor (FREIRE;
GIMENES; CASSIANI, 2004).
Um dos melhores meios para se combater os erros
de medicação é a análise desses erros, desde que sejam
notifcados. A notifcação dos erros de medicação, porém,
não é uma prática utilizada por todos os profssionais de
saúde uma vez que a sub‑notifcação é uma realidade, no
Brasil. A notifcação dos erros de medicação permite o
estudo de suas causas, para que, então, sejam passíveis
de prevenção.
Monzani (2006) confrontou os erros de medicação
notifcados e o relatório de ocorrências utilizado por um
hospital geral do Estado de São Paulo. Com o número de
notifcações de erros encontrado, 39 em seis anos de pes‑
quisa, fcou claro que eles eram sub‑notifcados naquela
instituição. Concluiu ainda que os profssionais daquele
hospital não tinham conhecimento da situação vivenciada
e a sub‑notifcação dos erros.
Assim, o relatório de divulgação de erros é uma im‑
portante ferramenta para o combate dos erros de medi‑
cação que deve ser revisado e divulgado constantemente
dentro das instituições a fm de envolver toda a equipe
multidisciplinar, além de aumentar o número de relatos de
erros. Conseqüentemente, é possível aumentar a seguran‑
ça dos pacientes e a qualidade do serviço prestado pelos
hospitais e instituições de saúde que lidam com medica‑
mentos (MONZANI, 2006).
ConClUsão
Os erros de dispensação podem ser minimizados
ou evitados pelo farmacêutico, principal responsável por
esta etapa do processo de medicação, através da algumas
medidas no ambiente de trabalho, ou seja, na farmácia,
armazenando os medicamentos com potencial maior de
erros em locais diferenciados contendo alertas. O local
onde o farmacêutico trabalha deve ser fsicamente ade‑
quado, calmo e silencioso, proporcionando a ele a aten‑
ção necessária para o correto cumprimento de sua função
(ANACLETO; PERINI; ROSA, 2006).
Os erros na administração dos medicamentos po‑
dem ser diminuídos por meio do treinamento contínuo
dos profssionais de enfermagem ou outros cuidadores de
pacientes. O acúmulo de atividades e a escassez de fun‑
cionários devem ser evitados para que estes profssionais
estejam sempre alertas em suas atividades de adminis‑
tração e acompanhamento da farmacoterapia (CARVALHO
et. al, 1999).
A simplifcação do número de etapas e a padroniza‑
ção do processo de medicação de uma instituição de saú‑
de podem reduzir, signifcativamente, os erros (CASSIANI
et al., 2004). Os profssionais de saúde devem ser incen‑
tivados a notifcarem os erros cometidos ou observados.
As instituições ou serviços de saúde deveriam sistematizar
relatórios de ocorrência de erros com uma equipe multi‑
disciplinar para analisar os dados recolhidos e promover
ações de combate aos erros de medicação. Por fm, e mais
importante, deveriam incentivar, em todos os funcioná‑
rios, o estabelecimento de uma cultura de segurança para
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 26
que eles façam parte da construção da qualidade dos ser‑
viços prestados (MONZANI, 2006).
São inegáveis os benefícios decorrentes do uso de
medicamentos para a humanidade. No entanto, devido à
grande complexidade conceitual e físico‑química desses
produtos, é necessário sempre disponibilizar aos profssio‑
nais da saúde aprimoramentos sucessivos e de qualidade
que lhes garantam subsídios para lidarem de forma segura
e efcaz com o medicamento. Mais ainda, no início da
formação do profssional, deveria ser‑lhes incutida a idéia
de que os medicamentos constituem seu objeto de estudo
e ferramenta de saúde.
Por isso, devem ser manipulados e utilizados, de
forma consciente e com profunda seriedade, levando em
consideração o bem‑estar do paciente e eliminando in‑
teresses comerciais ou pessoais. Desta forma, a terapia
medicamentosa se tornará mais efcaz e com menor pro‑
babilidade de lesar pacientes e usuários. Essas refexões
mostram que os profssionais de saúde precisam estar
atentos, durante todo o tempo em que o paciente estiver
sobre seus cuidados.
Qualquer desvio no padrão de utilização de um me‑
dicamento deve ser notifcado para que a equipe multi‑
disciplinar responsável pelo estudo dos erros de medica‑
ção verifque as causas da alteração desse padrão. Desta
maneira, situações semelhantes podem ser identifcadas
e evitadas, fazendo com que o paciente não sofra danos,
além daqueles que motivaram sua internação.
O estudo dos erros de medicação não pode ser ig‑
norado ou negligenciado, porque faz parte do conheci‑
mento científco global, um patrimônio construído pela
experiência humana, com a consciência de seus ganhos e
perdas, progressos, avanços e limitações.
reFerÊnCIas bIblIográFICas
AMARAL, D. A. do, BARCIA, S. A. D. Intoxicações por Medicamentos.
In: OGA, S.
Fundamentos de Toxicologia. São Paulo: Atheneu, 2.ed., 2003. pt.4
cap.13, p.367‑379.
ANACLETO, T. A., PERINE, E., ROSA, M. B. Prevenindo erros de dispen‑
sação em farmácias hospitalares. Infarma, Brasília. v.18. n.7/8,
2006.
ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 2007. Disponível
em: <http://www.anvisa.gov.br/ >. Acesso em: 13 fev. 2007.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. nbr 14724: infor‑
mação e documentação – trabalhos acadêmicos – apresentação.
Rio de Janeiro, dez.2005.
BORTOLETTO, M. E., BOCHNER, R. Impacto dos medicamentos nas in‑
toxicações humanas no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio
de Janeiro, v.15, n.4, p. 859‑869, out./dez., 1999.
BRANDÃO, A. Erros de Medicação: do silêncio e do estigma à luta por
mudança. Pharmacia Brasileira. Brasília, n.49, p. 04‑17, ago./
set. 2005.
CARVALHO, P. R. A. et al.. Identifcação de medicamentos “não apro‑
priados para crianças” em prescrições de unidade de tratamento
intensivo pediátrica. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro, v. 79,
n. 5, p. 397‑402. 2003.
CARVALHO, V. T. de et al.. Erros mais comuns e fatores de risco na
administração de medicamentos em Unidades Básicas de Saúde.
Revista Latino‑Americana de Enfermagem. Ribeirão Preto, v.7,
n. 5, p. 67‑75, dez.1999.
CARVALHO, V. T. de, CASSIANI, S. H. de B. Erros na medicação e con‑
seqüência para profssionais de enfermagem e clientes: um estudo
exploratório. Revista Latino‑Americana de Enfermagem..Ribei‑
rão Preto, v. 10, n. 4, p. 523‑529. jul./ago. 2002.
CASSIANI, S. H. de B et al.. Aspectos Gerais e número de etapas
do sistema de medicação de quatro hospitais brasileiros. Revista
Latino‑Americana de Enfermagem. Ribeirão Preto, v.12, n.5, p.
781‑789. set./out. 2004.
CASTRO, H.C. et al. Automedicação: entendemos o risco? Pharmacia
brasileira. Brasília, n.55, p.17‑20, set./out. 2006.
COIMBRA, J. A. H. Conhecimento dos conceitos de erros de medi‑
cação, entre auxiliares de enfermagem, como fator de segu‑
rança do paciente na terapêutica medicamentosa. 2004. 247p.
Tese (Doutorado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem de
Ribeirão Preto, Escola de Enfermagem, Universidade de São Pau‑
lo, São Paulo.
CASOY, J. Reações Adversas às Drogas. In: SILVA, P. Farmacologia. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. pt.1, cap. 22, p.168‑170.
FREIRE, C. C.; GIMENES, F. R. E.; CASSIANI, S. H. de B. Análise da
Prescrição informatizada, em duas Clínicas de um Hospital
Universitário. Medicina. Ribeirão Preto. n.37, jan./jun., p.
91‑96. 2004.
INFARMA. Boletim Profssional do Conselho Federal de Farmácia.
Brasília, v.19, 1/2, 2007.
LUCHESSI, A. D. et al. Monitoração de propaganda e publicidade de
medicamentos: âmbito de São Paulo. Revista Brasileira de Ciên‑
cias Farmacêuticas. v. 41, n.3, jul./set., 2005.
MENDONÇA, R. T., CARVALHO, A. C. D. de. O papel de mulheres idosas
consumidoras de calmantes alopáticos na popularização do uso
desses medicamentos. Revista Latino‑Americana de Enferma‑
gem. v. 13, p.1207‑1212,nov./dez., 2005.
MIASSO, A. I., et al.. O processo de preparo e administração de me‑
dicamentos: identifcação de problemas para propor melhorias e
prevenir erros de medicação. Revista Latino‑Americana de En‑
fermagem. Ribeirão Preto, v.14, n.3, p. 354‑363, 2006.
MONZANI, A. A. S. A ponta do iceberg: o método de notifcação
de erros de medicação em um hospital geral privado no mu‑
nicípio de Campinas‑SP. 2006. 120p. Dissertação de Mestrado
– Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São
Paulo, Ribeirão Preto, 2006.
27 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
OGA, S. Toxicodinâmica. In:______. Fundamentos de Toxicologia.
São Paulo: Atheneu, 2.ed., 2003. pt 1, p.27‑36.
OGA, S.; SIQUEIRA, M.E.P.B. Introdução à Toxicologia. In: OGA, S.
Fundamentos de Toxicologia. São Paulo: Atheneu, 2.ed., 2003.
pt 1, p.4‑6.
PINCUS, M. R.; ABRAHAM Jr, N. Z. Toxicologia e Acompanhamento de
Drogas terapêuticas. In: Diagnósticos Clínicos e Tratamentos
por Métodos Laboratoriais. São Paulo: Manole, 2.ed.,1999. pt.1,
cap. 17, p.374‑407.
RANG, H. P; DALE, M. M; RITTER, J. M. Farmacologia. 4.ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
ROSA, M. B.; PERINI, E. Erros de Medicação: quem foi? Revista da
Associação Médica Brasileira. São Paulo, v.49, n.3, p.335‑341,
2003.
ROZENFELD, S. Agravos provocados por medicamentos em hospitais do
Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Revista de Saúde Pública. Rio
de Janeiro, v.41, n.1, p.108‑115, fev. 2007.
SANTOS, D. B. dos, COELHO, H. L. L. Reações adversas a medicamentos
em pediatria: uma revisão sistemática de estudos prospectivos.
Revista Brasileira de Saúde Materna e Infantil. Recife, v.4, n.4,
p. 341‑349, out./dez., 2004.
SILVA, P. Natureza da Farmacologia. In:______. Farmacologia. 5.ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. pt.1, p.3‑12.
SINITOX. Sistema Nacional de Informações Toxico‑Farmacológicas.
Rio de Janeiro. 2007. Disponível em: <http://www.focruz.br/si‑
nitox> Acesso em: 05 fev. 2007.
WARNER, A. Therapeutic Drug Monitoring Guidelines for Laboratories.
Guidelines for Therapeutic Drugs Monitoring Services.
Cincinnati: The National Academy of Clinical Biochemistry, 1999,
p. 3‑5.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 28
InTrodUção
A automedicação é uma prática comum, utilizada
por civilizações de todos os tempos, com características
peculiares a cada época e a cada região (ARRAIS et al.,
1997). É defnida como sendo o uso de medicamentos sem
prescrição médica, em que o paciente, por si só, decide
qual medicação vai ser utilizada. Para Arrais et al. (1997),
a automedicação é um procedimento caracterizado fun‑
damentalmente pela iniciativa do doente, ou de seu res‑
ponsável, em obter ou produzir e utilizar um produto que
acredita lhe trará benefícios no tratamento de doenças e
alívio na dor. Trata‑se de um fenômeno nocivo à saúde,
podendo acarretar diversas conseqüências ao organismo,
como ocasionar alívio dos sintomas, mascarando a fase
inicial da doença, a qual poderá evoluir.
Segundo Carmargo et al. (2000), a prática da au‑
tomedicaçao não distingue classe econômica, apenas os
motivos sao distintos, ou seja, os que possuem difculda‑
des socio‑econômicas procuram automecicar‑se pela fal‑
ta de recursos para pagar por uma consulta, enquanto a
classe que dispõem de recursos acredita que sabe sobre os
medicamentos e, por isso, dispensa a orientação médica,
entendendo que algumas afecções são simples e não ne‑
cissitam de acompanhamento médico.
Esta prática é bastante difundida não apenas no
Brasil, mas também em outros países. Mesmo na maioria
dos países industrializados, vários medicamentos de uso
mais simples e comuns, como, por exemplo, os analgési‑
cos e antitérmicos, estão disponíveis em farmácias ou em
estabelecimentos não farmacêuticos e podem ser obtidos
sem necessidade de receita médica, favorecendo esta prá‑
tica (AUTOMEDICAÇÃO, 2001).
De acordo com Loyola Filho et al. (2002), em dois
povoados do sul da Bahia verifcou‑se a prevalência de
automedicação tendo sido realizada especialmente en‑
tre os antibióticos, anti‑helmíticos e antimicóticos. No
município de Santa Maria (RS), os medicamentos mais
consumidos foram analgésicos, antitérmicos e antiinfa‑
matórios não esteróides. Percebe‑se que várias são as ma‑
neiras de praticar a automedicação, tais como adquirir o
medicamento sem receita, compartilhar “remédios” com
outros membros da família ou do círculo social, utilizar
sobras de prescrições, reutilizar receitas antigas, descum‑
prir a prescrição, seja interrompendo precocemente, seja
prolongando a dosagem e período de tempo indicado na
receita.
Esse quadro ressalta que não há como acabar com a
automedicação, contudo existem meios para minimizá‑la.
Deste modo, sabe‑se que a atenção farmacêutica tem um
papel importante, podendo contribuir para a diminuição
desta prática, pois atenta para o uso racional dos medi‑
camentos, evitando a ocorrência de efeitos indesejáveis,
reações adversas e até mesmo intoxicação medicamento‑
sa. Segundo Rozenfeld (1998), não há substância química
totalmente segura ou totalmente tóxica. Já Pfaffenbach
et al. (2002) destacam que o uso de medicamentos em
uma sociedade tem várias facetas, pois por um lado pode
trazer benefícios, como erradicar certas doenças, aumen‑
tar expectativa de vida e, por outro lado, quando utiliza‑
dos inadequadamente, podem levar ao aparecimento de
reações adversas (RAM), ou seja, efeitos maléfcos aos
usuários.
Desta forma, o presente trabalho objetivou arreca‑
dar medicamentos de pessoas que não os esteja utilizando
normalmente, mantidos em casa proporcionando a even‑
FaCeTas da PráTICa da aUToMedICação
na CIdade de doUrados – Ms
ClaUdeMYr soares
1
adrIana M. MesTrIner FelIPe
2
JUlIana sChneIder
3
JUlIane Coelho de soUZa
3
denIse dI raIMo
3
elIane MaUrICIo MoraIs
3
JosIane barbosa dUTra
3
Cleber MassaTo Toda
3
1. Farmacêutico‑bioquímico, professor de Farmacologia do Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran),
mestre em Ciências da Saúde (UNB‑Unigran).
2. Farmacêutica‑bioquímica, mestre em Microbiologia (UEL) e Coordenadora do curso de Farmácia da Unigran
(Dourados – MS, CEP 79824‑900, Rua Balbina de Matos 2121).
3. Acadêmicos do curso de Farmácia da Unigran.
Autor responsável: C. Soares.
E‑mail: laudemyr2000@yahoo.com.br
29 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
tual criação das “farmácias caseiras”, com o intuito de
evitar o uso irracional de medicamentos, sustentando a
prática da automedicaçao.
MeTodologIa
A pesquisa foi realizada no municipio de Dourados
(MS). O primeiro passo foi a divulgação do projeto “Desar‑
mamento de Medicamentos”, através de folders, cartazes,
rádio e também pelos alunos do curso de Farmácia do
Centro Universitário da Grande Dourados – UNIGRAN, os
quais fzeram parte deste projeto, divulgando‑o nas salas
dos cursos da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde
da Unigran.
Em pontos estratégicos da cidade de Dourados, com
considerado movimento de pessoas, como em escolas,
igrejas, supermercados, cinema e também nas secretarias
de cada bloco da Unigran, foram colocadas urnas para que
as pessoas interessadas depositassem os medicamentos
que estavam em suas casas e que não mais seriam utili‑
zados. Para esta campanha, solicitou‑se medicamentos,
tanto dentro do prazo de validade, quanto fora dele, e
também aqueles que já tinham sido abertos e, por algum
motivo, não foram consumidos totalmente. Nesta ativida‑
de (coleta dos medicamentos) também foram envolvidos
os alunos do curso de Nutriçao e Biomedicina.
Após o período de coleta, de dois meses, estes me‑
dicamentos foram encaminhadas para o laboratório de
Farmácia da Unigran, onde foram analisados e avaliados
quanto ao estado em que se encontravam e, também,
quanto ao prazo de validade. Foram separados por datas
de validade e pelos grupos e subgrupos onde foram iden‑
tifcados, estatisticamente, quais os medicamentos mais
encontrados e utilizados pela população douradense.
Os medicamentos que já se encontravam vencidos
foram devidamente armazenados e encaminhados ao ór‑
gão responsável, ao término desta análise. Já os medi‑
camentos que estavam dentro do prazo de validade e em
bom estado para consumo foram doados para a Farmácia
Municipal de Dourados, estabelecimento que dispunha de
orientação farmacêutica.
resUlTados e dIsCUssão
O projeto conseguiu arrecadar cerca de 3.600 unida‑
des de medicamentos, estando 1.057,73 unidades fora do
prazo de validade.
Dentre os medicamentos vencidos estavam anti‑
concepcionais (30,6%), antibióticos (5,5%), antidepres‑
sivos (5,3%), antiinfamatórios não‑esteroidais (3,4%),
antiinfamatórios esteroidais (2,2%) e outros (53%)
(Figura 01).
Figura 1. Classe de medicamentos encontrados fora do
prazo de validade (n=1.057,27 unidades).
As classes de medicamentos dentro do prazo de va‑
lidade foram: antiinfamatórios não‑esteroidais (18,9%);
antibióticos (13,8%); diuréticos (9,5%); antieméticos
(7,4%); ansiolíticos e anticonvulsivos (5,6%); antidepres‑
sivos (2,3%); antiparkinsonianos (1,9%); antiinfamató‑
rios esteroidais (1,7%); antipsicóticos (0,8%); e outros
(38,1%) (Figura 2).
Figura 2. Classe de medicamentos recolhidos dentro do
prazo de validade, (n=2.552,27 unidades).
Para a classe de medicamentos tópicos recolhidos
dentro e fora do prazo de validade, foram, respectivamen‑
te, 7 e 29; os antiinfamatórios esteroidais, 3 e 9; antibi‑
óticos, 1 e 5; e antimicóticos, 2 e 6. Os antiinfamatórios
esteroidais apareceram em maior número, ressaltando que
o número de medicamentos de uso tópico vencido foi mui‑
to maior que os não vencidos.
Figura 3. Relação de medicamentos de uso tópico vencidos
e não vencidos organizados pela classe medicamentosa.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 30
Os medicamentos classifcados como soluções, xaro‑
pes e suspensões foram os mais freqüentes ainda dentro
do prazo de validade, talvez por seu uso ser mais fre‑
qüente ou o volume ser proporcional às dosagens. Dentre
os medicamentos arrecadados, estavam: analgésicos (2),
antibióticos (34), antieméticos (6), antiespasmódicos
(3), antiinfamatórios não esteroidais (14), antiinfama‑
tórios esteroidais (4), antifatulentos (3), antifúngico (2),
antitussígeno (3), broncodilatadores (2), expectorantes/
mucolíticos (12) e polivitamínicos (2). Os antibióticos
encontrados estavam dentro do prazo de validade. Já os
antiinfamatórios esteroidais foram encontrados fora do
prazo de validade. Dentre aqueles cuja totalidade estava
em condições de uso, dentro da validade, foram: ácidos
ascórbico, anestésicos, antigripais.
Um dado relevante é que a maior parte dos antibió‑
ticos estava dentro do prazo de validade. No entanto, esse
é um fator preocupante, pois, visto sob o ponto de vista
microbiológico, seu uso de forma não racional predispõe
a uma pressão seletiva para cepas mutantes. Entretan‑
to, os medicamentos de uso tópico estavam, na maioria,
vencidos. O contrário ocorreu com os medicamentos de
ingestão oral em que os comprimidos estavam dentro do
prazo de validade. No entanto, a forma farmacêutica “drá‑
gea” apresentou‑se, na sua totalidade, fora do prazo de
validade. Número expressivo e que poderia ser utilizada de
forma indiscriminada pela população.
Tabela 1. Comprimidos dentro do prazo de validade.
MEDICAMENTOS NÃO VENCIDOS
Comprimidos
Classe Farmacológica Quantidade
Analgésicos 35
Ansiolíticos 98
Antiácidos 48
Antianginosos 17
Antialérgicos 55
Antiarrítmicos 32
Antibióticos 208
Anticonvulsivos 32
Antidepressivos 30
Antidiarréicos 12
Antieméticos 120
Antienxaquecosos 4
Antiespasmódicos 24
Antifatulentos 133
Antifúngicos 10
Antigripais 24
Anti‑helmínticos 34
Antiinfamatórios esteroidais 37
Antiinfamatórios não esteroidais 410
Antiparkinsonianos 48
Antipsicóticos 20
Antiulcerosos 64
Diuréticos 242
Hipolipemiantes 3
Polivitamínicos 59
Relaxantes musculares 48
Suplementos nutricionais 14
Vasodilatadores 119
Total 1980
Para as medicações de ingestão via oral (sólida), as
cápsulas (438) também não estavam vencidas, no entan‑
to, destacou‑se muitos de uso controlado como os an‑
siolíticos (16) e antidepressivos (30). Mesmo com maior
número de antibióticos arrecadados nesta classe (110)
(Tabela 2)
Tabela 2. Medicamentos sólidos (cásulas) de via oral reco‑
lhidos, dentro do prazo de validade.
MEDICAMENTOS NÃO VENCIDOS
Cápsulas
Classe Farmacológica Quantidade
Analgésicos 1
Ansiolíticos 16
Antialérgicos 14
Antibióticos 110
Antidepressivos 30
Antieméticos 74
Anti‑hipertensivos 31
Antiinfamatórios não esteroidais 57
Antiulcerosos 69
Hipolipemiantes 24
Inibidor da secreção de prolactina 12
Total 438
ConsIderaçÕes FInaIs
Diante dos resultados apresentados pode‑se verifcr
que foram arrecadados medicamentos de todas as classes
medicamentosas, não estavam sendo utilizados, e que te‑
oricamente apenas ocupavam espaço nas “farmacinhas”,
tornando‑se um alvo fácil para a automedicação e possí‑
veis intoxicações medicamentosas. Portanto, ações como
estas se tornam úteis e de extrema importância quando se
busca o uso racional de medicamentos.
31 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
reFerÊnCIas bIblIográFICas
ARRAIS, P. S. D.; COELHO, H. L. L., BZATISTA M. C. D. S. et al. Perfl da
automedicação no Brasil. Rev. Saúde Pública, v.31, n.1, p.71‑77,
1997.
AUTOMEDICAÇÃO. Rev. Assoc. Med. Bras. v.47, n.4, p. 269‑270, 2001.
CAMARGO, F. M.; RIBEIRO, G.; MEDINA, H.; et al. Diferenças de au‑
tomedicação entre as classes alta e baixa de Bagé. Revista da
Saúde, v.5, n.2. p. 127‑132, 2000.
LOYOLA FILHO, A. I. De; UCHOA, E.; GUERRA, H. L. et al. Prevalência e
fatores associados à automedicação: resultados do projeto Bam‑
buí. Rev. Saúde Pública, v..36 n 1. p. 55‑62, 2002.
PFAFFENBACH, G., CARVALHO, O.M.; BERGSTEN‑MENDES, G. t al. Rea‑
ções adversas a medicamentos como determinantes da admissão
hospitalar. Rev. Assoc. Med. Bras., v.48, n. 3, p.237‑241, 2002.
ROZENFELD, S. Farmacovigilância: elementos para a discussão e pers‑
pectivas. Cad. Saúde Pública. v.14, n.2, p.237‑263,1998.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 32
InTrodUção
Segundo estatísticas da Organização Mundial de
Saúde (OMS), cerca de 25% da população mundial é obesa
e destes 25% morrem por conseqüências diretas ou indi‑
retas da obesidade (PASSOS, 2005). Estima‑se, hoje, que
nosso País possua quatro milhões de obesos mórbidos,
aproximadamente 4% da população, segundo a Associação
Brasileira para Estudo da Obesidade; 30% das causas de
morte, no Brasil, estão associadas à obesidade e a doen‑
ças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hiperten‑
são e problemas cardíacos (OSÓRIO, 2005).
Os portadores de obesidade e excesso de peso apre‑
sentam risco relativo elevado para hipertensão arterial sis‑
têmica (VGONTZAS et al, 2005; SHOCHAT, PILLAR, 2003),
infarto agudo do miocárdio (CAPLES et al, 2005; BERG,
SCHERER, 2005) doença vascular cerebral, dentre outras
condições clínicas, além de se envolverem em maior nú‑
mero de acidentes de trânsito e do trabalho (PINHO et al,
2005).
O tratamento farmacológico da obesidade está in‑
dicado na presença de IMC (Índice de Massa Corpórea)
maior que 25 Kg/m² com outras doenças associadas à
obesidade ou em pacientes com IMC maior que 30 Kg/
m², quando da falência do tratamento não farmacológico
isoladamente. Pode‑se, didaticamente, dividir os fármacos
para tratamento da obesidade em três grupos básicos: me‑
dicamentos anorexígenos de ação central, medicamentos
termogênicos e medicamentos que afetam a absorção de
nutrientes (MANCINI, 2004).
Atualmente, os critérios mais usados para avaliação
da efcácia de tratamentos anti‑obesidade são os do FDA
(Food and Drug Administration) e do CPMP (Committee of
the European Agency for the Evaluation of Medicinal Pro‑
ducts). O FDA cita como critério uma perda de peso maior
que 5% em relação ao placebo e que seja estatisticamen‑
te signifcativa, enquanto que o CPMP sugere uma perda
maior que 10% em relação ao placebo (WANNMACHER,
2004).
Os anorexígenos são fármacos que provocam ano‑
rexia, ou seja, redução ou perda de apetite, devendo ser
utilizados apenas como adjuvantes no tratamento da obe‑
sidade. Seu emprego não é recomendado como tratamento
primário para promover a perda de peso (KOROLKOVAS,
2002). A classe dos anfetamínicos é a mais conhecida
dentre os anorexígenos.
O grande problema dos anorexígenos são os efeitos
colaterais. Como eles também têm o poder de estimular o
sistema nervoso autônomo, podem causar inúmeras outras
reações. Os anfetamínicos, em particular a anfetamina e a
metanfetamina, apresentam um alto potencial de abuso,
propiciando o desenvolvimento de farmacodependência.
(HOFFMAN; LEFKOWITZ, 1996).
Esse grupo de fármacos é prescrito, no Brasil, de
forma muito mais indiscriminada do que se suspeitava.
Somente em Belo Horizonte, o nível de consumo dos ini‑
bidores de apetite derivados da anfetamina chega a ser 40
vezes maior do que na Europa (CARNEIRO, 2005). O fato
de esses fármacos serem utilizados para outras fnalidades
que não as terapêuticas constitui um grande problema de
saúde pública. Estima‑se que 80% dos anfetamínicos pro‑
duzidos legalmente destinam‑se às terapias de redução de
peso e 25% dos casos relatados de abuso de anfetamíni‑
cos resultam do consumo excessivo de prescrições médi‑
cas (CHASIN; SALVADORI, 2003).
Do ponto de vista ético‑profssional, cabe ao farma‑
cêutico atentar se as prescrições contendo anorexígenos
têm como fnalidade um tratamento racional e benéfco ao
paciente ou o são emitidas inadequadamente, promovendo
tratamentos considerados desvantajosos. O farmacêutico
tem o dever de promover a saúde e o direito de recusar a
realização de atos que, embora autorizados por lei, sejam
PerFIl da PresCrIção e dIsPensação de FárMaCos
anorexígenos eM ForTaleZa – Ce
geYsa agUIar roMeU
1
PrIsCIlla Fernanda CaMPos JUsTIno
2
álIsson MeneZes araúJo lIMa
3
1. Farmacêutica, mestre em Fármacos e Medicamentos (USP‑SP), docente do curso de Farmácia da Universidade de
Fortaleza, Unifor, Av. Washington Soares, 1321 – Edson Queiroz Bloco C, 60.811‑905, Fortaleza‑CE.
2. Farmacêutica, graduada pela Universidade de Fortaleza, Unifor.
3. Farmacêutico, mestrando em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Ceará – UFC.
Autor Responsável: G. A. Romeu
E‑mail: geysa@unifor.br
33 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
contrários aos ditames éticos, comunicado, quando for o
caso, ao usuário, ao outro profssional envolvido e ao res‑
pectivo conselho.
A avaliação da prescrição e dispensação de fárma‑
cos anorexígenos é de fundamental importância, visto que
“o Brasil é um dos países onde mais cresce o consumo
destes medicamentos” (JIPE, 2005). Sendo bastante re‑
levantes as informações a respeito desses medicamentos
e/ou associações que os contenham, pois o seu uso de
forma indiscriminada acarreta problemas de seguridade e
efcácia implicando em uma relação risco/benefício não
satisfatória.
Anfetaminas e seus derivados utilizados como ano‑
rexígeno ou no distúrbio de hiperatividade em crianças,
têm sua comercialização sujeita às exigências da Portaria
nº 344 de 12 de Maio de 1998, da Secretaria da Vigilância
Sanitária. Os anfetamínicos com propriedades alucinóge‑
nas são de uso proscrito em nosso país. São proibidos a
prescrição e o aviamento de fórmulas contendo associação
medicamentosa das substâncias anorexígenas, quando as‑
sociadas entre si ou com ansiolíticos, diuréticos, hormô‑
nios ou extratos hormonais e laxantes, bem como quais‑
quer outras substâncias com ação medicamentosa.
Sendo assim, procurou‑se avaliar o perfl da prescri‑
ção e dispensação de fármacos anorexígenos em uma rede
de farmácias do Brasil, mais especifcamente na cidade de
Fortaleza, capital do estado do Ceará.
MéTodos
O estudo proposto, do tipo quantitativo, descritivo
e retrospectivo foi realizado, no período de agosto a no‑
vembro de 2005, em uma rede que possui 264 farmácias,
em todo o País. Dentre elas, 96 localizam‑se, no Ceará,
sendo 80 fliais, em Fortaleza.
Analisaram‑se as especifcações e quantidades de
medicamentos anorexígenos dispensados em seis farmá‑
cias de Fortaleza, no mês de agosto de 2005; gênero do
paciente, a especialidade do profssional prescritor e as
informações da prescrição segundo legislação vigente
(Portaria nº 344/98). Essas prescrições foram coletadas
manualmente e os dados transcritos para formulário es‑
pecífco. As farmácias foram escolhidas de forma aleató‑
ria, respeitando as diversas regiões da cidade, isto é, foi
selecionada uma farmácia em cada Secretaria Executiva
Regional – SER (Figura 1).
Em relação às informações contidas nos receituários
analisaram‑se a identifcação do paciente, prescritor, for‑
necedor e comprador; data de emissão e dados sobre os
medicamentos tais como: especifcação (genérica ou co‑
mercial), concentração, forma farmacêutica, posologia e
quantidade ou dose a ser dispensada.
Os dados coletados foram analisados e os resulta‑
dos sistematizados sendo expressos por distribuição de
freqüên cias absolutas e percentuais. Este estudo obteve
Figura 1. Secretarias Executivas Regionais da cidade de Fortaleza.
Fonte: Conselho Municipal de Saúde de Fortaleza (CMSF).
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 34
Tabela 1. Distribuição dos anorexígenos dispensados segundo as Secretarias Executivas Regionais – SER de Fortaleza
(agosto, 2005)
MEDICAMENTO
SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI TOTAL
N % N % N % N % N % N % N %
Desobesi M® 4 3,2 15 12,1 3 2,4 4 3,2 7 5,7 4 3,2 37 29,8
Plenty® 2 1,6 10 8,1 6 4,8 2 1,6 1 0,8 9 7,3 30 24,2
Dualid S® 3 2,4 3 2,4 5 4,1 11 8,9 3 2,4 3 2,4 28 22,6
Inibex S® 3 2,4 5 4,1 2 1,6 1 0,8 0 0,0 4 3,2 15 12,1
Reductil® 1 0,8 4 3,2 0 0,0 1 0,8 1 0,8 5 4,1 12 9,7
Hipofagin® 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 0,8 1 0,8 0 0,0 2 1,6
TOTAL 13 10,5 37 29,9 16 12,9 20 16,1 13 10,5 25 20,2 124 100,0
aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universida‑
de de Fortaleza e seguiu os preceitos éticos das Diretrizes
e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Se‑
res Humanos (Resolução n° 196/96 CNS/MS).
resUlTados
Avaliaram‑se 102 prescrições, através das quais fo‑
ram dispensadas 124 unidades farmacêuticas, sendo que
45 (36,3%) corresponderam a anfepramona representada
pelos medicamentos Dualid S®, Inibex S® e Hipofagin®;
42 (33,9%) a sibutramina (Plenty® e Reductil®) e 37
(29,8%) ao femproporex, na apresentação de Desobesi M®.
O mazindol (Absten S®) não foi dispensado no período da
pesquisa, nas farmácias analisadas. A Figura 2 apresenta
os valores individuais de cada especialidade farmacêutica
e a Tabela 1 a distribuição dos fármacos dispensados nas
diversas Secretarias Executivas Regionais.
Figura 2. Distribuição dos medicamentos anorexígenos
dispensados (n=124).
Os pacientes do gênero feminino destacaram‑se
como os usuários de fármacos anorexígenos, sendo re‑
presentados por 76 (74,5%) receitas analisadas. Quanto
à especialidade médica observou‑se uma prevalência de
52,9% de clínicos gerais e 16,7% de endocrinologistas.
Em 4 (3,9%) prescrições, o carimbo do profssional pres‑
critor estava ilegível não sendo possível identifcar sua
especialidade (Tabela 2).
Tabela 2. Distribuição das prescrições segundo a especia‑
lidade médica
Especialidade Médica f %
Clínico Geral 54 52,9
Endocrinologista 17 16,7
Psiquiatra 5 4,9
Cardiologista 5 4,9
Neurologista 4 3,9
Dermatologista 4 3,9
Ginecologistas 2 2,0
Outros 7 6,9
Ilegíveis 4 3,9
TOTAL 102 100
f = freqüência; % = porcentagem
Todos os receituários informavam o nome do pa‑
ciente, porém, 85 (83,3%) não continham o endereço.
Os dados referentes ao fornecedor, data de emissão da
prescrição, do emitente e do comprador estavam ausentes
ou incompletos em 57 (55,9%), 28 (27,4%), 9 (8,8%) e
4 (3,9%) notifcações, respectivamente. Das informações
ausentes nos itens contendo medicamentos, 47 (46,0%)
35 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
foram referentes à forma farmacêutica; 34 (33,3%) à dose
a ser ingerida; 21 (20,6%) a posologia e 4 (3,9%) à quan‑
tidade a ser dispensada. Vale ressaltar que em uma mesma
prescrição pode conter mais de uma informação ausente.
dIsCUssão
Os anorexígenos são drogas ilícitas, com comércio
controlado e dependente de emissão de receita especial
por parte do médico ao farmacêutico. O controle é um
meio que a saúde pública possui para evitar o uso indevi‑
do destes medicamentos e garantir seu uso às necessida‑
des de ordem médica (MALTA JÚNIOR, 2003).
Apesar de a anfepramona ser considerada a menos
perigosa para pacientes com hipertensão leve ou mode‑
rada, existem relatos de danos à saúde. O uso continuado
desses medicamentos pode levar à degeneração de deter‑
minadas células do cérebro, produzindo lesões irreversí‑
veis, além de efeitos como agressividade, insônia, taqui‑
cardia até paranóias e alucinações (KOROLKOVAS, 2002;
CEBRID, 2005).
A sibutramina é um fármaco que proporciona, relati‑
vamente, baixo percentual de reações adversas, interações
medicamentosas e menores riscos ao usuário (MARGOTO,
2004). A grande propaganda da indústria farmacêutica,
possivelmente, é uma das maiores responsáveis pelo gran‑
de alcance de vendas dessa classe de anorexígenos. Ape‑
sar do pouco tempo no mercado (sete anos), em relação
aos fármacos que contêm anfepramona e femproporex (11
e 32 anos, respectivamente), já está entre os fármacos
anorexígenos mais vendidos, mesmo apresentando alto
valor comercial.
O femproporex age como neurotransmissor de no‑
radrenalina, inibindo o centro de fome hipotalâmico, por
sua ação central, possíveis danos à saúde são relaciona‑
dos (KOROLKOVAS, 2001). Muitos trabalhos publicados
vêm alertando sobre os efeitos nocivos do femproporex
(MARIZ et al, 2002). Mesmo assim verifcou‑se uma gran‑
de procura por esse medicamento nas farmácias estuda‑
das, provavelmente, devido ao baixo valor aquisitivo do
Desobesi‑M®.
Segundo Noto et al. (2002), de 26.930 receitas de
anorexígenos analisadas, a anfepramona (54,95%) e o
femproporex (40,63%) foram os anorexígenos mais pres‑
critos. O Brasil é um dos maiores consumidores desses
fármacos, importa 78% de medicamentos anorexígenos
produzidos no mundo (LIMA et al., 2001).
Entre 1989 e 1992, 72.947 kg de drogas anorexíge‑
nas foram trazidos ao Brasil. ‘‘Um dos interesses principais
na América do Sul continua a ser o abuso de anfetaminas
como estimulante na forma de anorexígenos...”. Em nos‑
so País, um dos mais afetados pelo abuso do sistema de
receita para estimulante, foi calculado que o uso de ini‑
bidores de apetite alcançou 20 toneladas em 1995 e 22
toneladas no ano seguinte (CEBRID, 2005).
Analisando a dispensação desses fármacos nas diver‑
sas áreas de Fortaleza, constatou‑se que as SER II e VI fo‑
ram as que adquiriram maior quantidade de Plenty® e Re‑
ductil®, medicamentos considerados mais caros. Pode‑se,
portanto, fazer uma suposta relação entre essa aquisição
e a concentração da população de Fortaleza com maior
renda nessas regiões. Entretanto, o mesmo não pôde ser
observado na SER III que, apesar da baixa renda da po‑
pulação, o medicamento Plenty® foi o mais procurado. O
consumo de Desobesi‑M®, Dualid‑S® e Inibex‑S® nas SER
I, III IV e V está de acordo com o poder aquisitivo da po‑
pulação. A SER II também apresentou quantidade expres‑
siva de vendas de Desobesi‑M®, mas como o estudo não
avaliou a profssão do consumidor, não se pode relacionar
essa procura pelas pessoas de baixa renda que trabalham
no local, mas é o que provavelmente pode ter ocorrido.
Em um estudo realizado, em São Luís do Maranhão,
foram analisados 137 receituários e o anorexígeno mais
dispensado foi o Reductil®, seguido pelo Inibex S® e o
Plenty® (MARIZ et al, 2002). Esses autores não detecta‑
ram nenhuma prescrição com Desobesi‑M®, em contraste
com nosso estudo onde essa especialidade farmacêutica
foi a mais dispensada. Azzolini (2003) encontrou, em sua
pesquisa, a anfepramona e o femproporex como sendo as
substâncias sujeitas a controle especial mais prescritas
nos estabelecimentos da DIR IV de São Paulo, o que de‑
monstra diversidade do consumo destas substâncias por
cada estado.
O International Narcotics Control Board (INCB) em
seu relatório do ano 1998 considera o uso de anorexí‑
genos como um dos assuntos principais na América do
Sul. Brasil, Argentina e Chile são os países mais afetados.
Conseqüentemente, este quadro internacional recomenda
a adoção de medidas legislativas e administrativas para
diminuir o problema. Estudos brasileiros têm mostrado um
crescimento anual especialmente na dispensação de ano‑
rexígenos em farmácias magistrais.

Um estudo nas cidades
de São Paulo e Recife mostrou também o descuido com
quais médicos prescrevem estes agentes anorexígenos as‑
sociados a benzodiazepínicos (NOTO et al., 2002).
O resultado mostrando as mulheres como grandes
consumidoras de fármacos anorexígenos é um fato espera‑
do em função do apelo social por um padrão de beleza que
cultua corpos extremamente magros. Mariz et al. (2002)
verifcaram que o gênero feminino foi maioria consumis‑
ta de anorexígenos, com 72,26% dos receituários. Outros
trabalhos demonstraram esta mesma relação (MALTA JÚ‑
NIOR, 2003; NOTO et al., 2002). Um deles demonstrou que
relação de prescrições de anorexígenos para mulheres foi
dez vezes maior em relação às prescrições para homens.
Estas informações também estão de acordo com Wortmann
et al. (1994).
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 36
Em relação à especialidade médica do profssio‑
nal prescritor observou‑se uma predominância de clíni‑
cos gerais. Esse resultado permite supor que o uso do
anorexígeno, mesmo sob orientação médica, pode estar
ocorrendo de forma inadequada já que a literatura espe‑
cializada no assunto sugere que a recomendação de tais
medicamentos para casos específcos de tratamento de
redução de peso, deve ser realizada por médicos endocri‑
nologistas ou especialistas no assunto. Mariz et al (2002)
encontraram uma porcentagem maior de prescritores en‑
docrinologistas (50,4%), enquanto que os clínicos foram
responsáveis por 37,2% das prescrições de fármacos ano‑
rexígenos.
De acordo com a Portaria 344/98, é obrigatória a
presença no receituário de medicamentos controlados do
nome do medicamento ou da substância, prescritos sob a
forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dosagem
ou concentração, forma farmacêutica, quantidade (em al‑
garismos arábicos e por extenso) e posologia. A farmácia
ou drogaria somente poderia aviar a prescrição se todos
esses itens estivessem devidamente preenchidos.
Constatou‑se, entretanto, que na prática essa de‑
terminação não é seguida pelos profssionais prescrito‑
res nem pelos farmacêuticos no ato da dispensação, já
que foram identifcadas várias prescrições com ausên‑
cia de informações importantes, podendo acarretar re‑
dução da adesão ao tratamento e conseqüente prejuízo
ao paciente. Silveira et al. (2005) em uma drogaria em
Pelotas, RS encontrou que a maior freqüência de erros
na análise de notifcações de medicamentos psicotrópi‑
cos ocorreu por falta de endereço completo do paciente
(91,6%), ausência do nome do fármaco de acordo com a
DCB (80,5%), da quantidade em algarismo arábico e por
extenso (72,1%), forma farmacêutica (59,0%), posologia
e data de emissão (9,0%) e em 7,4% não constavam dose
ou concentração.
A omissão de informações na prescrição médica
difculta o trabalho de equipe e põe em risco a vida
do paciente. Os dados apresentados corroboram com a
necessidade de educação continuada dos profssionais
prescritores e dispensadores e adoção de outras medidas
para a melhoria da qualidade da prescrição e dispen‑
sação.
ConClUsão
Os medicamentos anorexígenos, sujeitos a controle
especial, em especial o femproporex, sibutramina e a an‑
fepramona continuam sendo bastante dispensados, mesmo
sem que o receituário esteja de acordo com a legislação
vigente. O não cumprimento da Portaria 344/98, tanto por
parte dos prescritores quanto dos dispensadores é alar‑
mante, podendo acarretar riscos à saúde pública.
É importante ressaltar que extrapolar os resultados,
generalizando‑os para a cidade de Fortaleza como um todo
é algo arriscado, uma vez que se trabalhou com uma amos‑
tra reduzida para tais propósitos e qualquer generalização
pode induzir a reprodução de dados e informações não
consistentes. Contudo esses dados preliminares mostram
que o consumo de anorexígenos em Fortaleza, a semelhan‑
ça de outras cidades, ocorre de maneira intensa e irracional
denotando a necessidade de implantar, de forma efetiva,
a participação do farmacêutico na monitorização do uso
de medicamentos anorexígenos e assimilar um processo de
educação para uso racional desses medicamentos.
agradeCIMenTo
À farmacêutica Cristiane Feijó que autorizou a reali‑
zação desse trabalho.
reFerÊnCIas bIblIográFICas
AZZOLINI, C.A. Perfl das substâncias e medicamentos sujeitos a con‑
trole especial, dispensados nas drogarias e farmácias dos muni‑
cípios da jurisdição da DIR IV. Infarma, v. 15, n
o
11‑12, p. 75‑8,
2003.
BERG, A.H.; SCHERER, P.E. Adipose tissue, infammation, and cardio‑
vascular disease. Circ Res., v. 96, n.9, p. 939‑49, 2005.
BRASIL. Portaria n. 344, de 12 de maio de 1998. Aprova o Regulamen‑
to Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle
especial. Disponível em: <http://e‑legis.bvs.br/leisref/public/
search.php>. Acesso em: 17 out. 2005.
BRASIL. Resolução n° 196 do Conselho Nacional de Saúde. Dispõe
sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envol‑
vendo seres humanos. Brasília, (Out, 10, 1996).
CAPLES, S.M.; KARA, T.; SOMERS, V.K. Cardiopulmonary consequences
of obstructive sleep apnea. Semin Respir Crit Care Med. V.26, n.1,
p. 25‑32, 2005.
CARNEIRO, M. Anfetaminas no Brasil: efeitos colaterais dos inibido‑
res de apetite. Nutrociências. Estado de Minas, 09 maio 2005.
Disponível em: <http://www.nutrociencia.com.br/temas_mostra.
asp?vid=22>. Acesso em: 08 out 2005.
CARAZZATTO, P.R. A farmácia magistral e o tratamento farmacotera‑
pêutico da obesidade. Assistência farmacêutica em obesidade.
Revista Racine. v.13, n.77, p.34‑40, 2003.
CENTRO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO DE MEDICAMENTOS PSICOTRÓ‑
PICOS (CEBRID). Medicamentos psicotrópicos no Brasil. Boletim n.
28, 36, 45, 46. Disponível em: <http://www.saude.inf.br/cebrid.
htm>. Acesso em: 08 out. 2005.
CHASIN, A.A.M.; SALVADORI, M.C. Estimulantes do sistema nervoso
central. In: OGA, S. Fundamentos de Toxicologia. 2.ed. São Paulo:
Atheneu, 2003. p.249‑255.
37 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
HOFFMAN, B.B.; LEFKOWITZ, R.J. Catecolaminas, drogas simpaticomi‑
méticas e antagonistas dos receptores adrenérgicos. In: GOOD‑
MAN; GILMAN. As bases farmacológicas da terapêutica. 9. ed. Rio
de Janeiro: Alfred Goodman Gilman, 1996. p. 160‑164.
JIFE, Boletim Informativo da Junta Internacional de Fiscalização de
Entorpecentes. Anorexígenos., 2005.
KOROLKOVAS, A. Metabolismo e Nutrição. Dicionário Farmacêuti‑
co Guanabara. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan., 2002. p.
13.1‑13.3.
LIMA, S. M; NOVO, P. I. Uso de psicoestimulantes no Brasil: um pro‑
blema ainda sem solução. Publicado em: 02/07/2001. Disponível
em: <http://www.unifesp.br/dpsiq/polbr/ppm/atu6_02.htm>.
Acesso em: 11 jul. 2005.
MALTA JÙNIOR, A.. Avaliação da dispensação de benzodiazepínicos
em farmácia comercial de Juazeiro do Norte – CE. Infarma, v.15,
n. 1/3, p. 50‑2, 2003.
MANCINI, M.C. Obesidade – como diagnosticar e tratar. Rev. Bras.
Med., v.61, Ed. Especial, dez. 2004.
MARIZ, S.R.; SILVA, R.M.A.; FERREIRA, J.C.; MORAES, O.K.D.N.; SIL‑
VEIRA, L.M.da S. Avaliação preliminar da dispensação de ano‑
rexígenos em São Luís – Maranhão. Infarma, v. 14, n. 9‑10, p.
56‑60, 2002.
MARGOTO, J.A. Conheça os vários aspectos de um tratamento de obe‑
sidade. Disponível em: <http://www.escelsanet.com.br/sitesau‑
de/artigos_cadastrados/artigo.asp?art=872> Acesso em: 09 out.
2004.
NOTO, A.R., MASTROIANNI, P., ALVES, V.C., NAPPO, S.A., KUROIWA,
W., CSIZMAR, J., COSTA, A.C., FARIA, A., HIDALGO, S.R., ASSIS,
O. & CARLINI, E.A. Análise da prescrição e dispensação de
medicamentos psicotrópicos em dois municípios do estado de São
Paulo. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v.24, n.2, p.68‑73,
2002.
OSÓRIO, L.F.F.; VIEGAS, F. Obesidade. Disponível em: <http://www.
cirurgiadaobesidademorbida.com.br/index.htm>. Acesso em: 24
set. 2005.
PASSOS, W.V. Obesidade: visão da nutricionista. Portal de ginecologia,
2002. Disponível em: <http://www.portaldeginecologia.com.br/
modules.php?nome=news&fle=article&sd=82>. Acesso em: 15
nov. 2004.
PINHO, R.S.N.; BASTOS, J.P.C.; MAIA, W.S.; MELLO, M.T.; DE BRUIN,
V.M.S.; DE BRUIN, P.F.C. Sonolência, estado de humor e uso de
drogas em motoristas profssionais de caminhão. Hipnos, Abstract
(in press)(2005).
SHOCHAT, T.; PILLAR, G. Sleep apnea in the older adult: pathophysio‑
logy, epidemiology, consequences and management. Drugs Aging.
v.20, n. 8, p.551‑60, 2003.
SILVEIRA, M.P.Y.; GARCIA, S.P.; RAMOS, T.S.; MEDEIROS, T.A. Aná‑
lise de notifcações de receitas de medicamentos psicotrópicos
e anorexígenos dispensados em uma drogaria do sul do Brasil.
[Abstract] In: I Congresso brasileiro sobre uso racional de medi‑
camentos; 2005 Out 12‑15; Rio Grande do Sul, Brasil; 2005.
VGONTZAS, A.N.; BIXLER, E.O.; CHROUSOS, G.P. Sleep apnea is a ma‑
nifestation of the metabolic syndrome. Sleep Med Rev. v.9, n.3,
p.211‑24, 2005.
WANNMACHER, L. Obesidade: Evidências e fantasias. Uso racional de
medicamento: temas selecionados. OPAS/OMS, v. 1, n.3, 2004.
WORTMANN, A.C; GRUDTNER, M.C; FIALHO, A.F; JARDIM NETO, J.C;
SCHAEFER, L.G; SEHN, F; PECHANSKY, F; SOIBELMAN, M. Consu‑
mo de benzodiazepínicos em Porto Alegre. Rev. Assoc. Méd. Bras.
v.40, n.4, p. 265‑270, 1994.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 38
InTrodUção
Estudos que destacam a perspectiva médica e do
paciente no processo de adesão à terapêutica utilizam
tanto o termo compliance como adherence
1,2
. Os termos
mais utilizados na língua inglesa adherence e compliance
possuem signifcados diferentes, sendo que o termo com‑
pliance pode ser traduzido como obediência, e pressupõe
um papel passivo do paciente, e o termo adherence, ou
aderência, é utilizado para identifcar uma escolha livre
das pessoas de adotarem ou não certa recomendação
3
.
Estas terminologias são discutidas com freqüência nas
pesquisas que procuram explorar e problematizar estes
conceitos na prática clínica
4
.
Partindo do entendimento de que são múltiplos
os fatores para a não‑adesão ao tratamento, tal como
prescrito e recomendado, tem‑se que o modelo biomé‑
dico não oferece suporte sufciente para compreender a
necessidade de controle e manejo da doença por parte
do médico, e a decisão favorável ou não do doente ao
tratamento
5
.
O processo de não‑adesão em algum grau é univer‑
sal
6
e está relacionado a diversos fatores que envolvem o
profssional de saúde, o tratamento propriamente dito, a
patologia e o paciente
7,8
. Apesar de que o normal é não
aderir
9
, a adesão ao tratamento prescrito depende de vá‑
rios fatores e sofre uma espécie de triagem para que se
concretize, enquanto as indicações populares, como as de
vizinhos, amigos e familiares, são aceitas mais facilmen‑
te
10
. Alguns estudos demonstram que o conhecimento e as
crenças do paciente sobre o tratamento são fatores muito
importantes para a adesão
1,11
.
Existe por parte do paciente o desejo de utilização
de um tratamento, de avaliar a sintomatologia e da ob‑
tenção de alívio, mas há controvérsias quanto à compre‑
ensão deste tratamento. A relevância desta questão na
terapêutica é indiscutível, pois da adesão ao tratamento
depende o sucesso da terapia proposta, a prevenção de
uma patologia, o controle de uma doença crônica e a cura
de uma enfermidade
12
.
MaTerIal e MéTodos
A opção metodológica deve estar fundamentada
na natureza do problema a ser estudado, bem como, no
recorte da realidade de cada pesquisa
13
. Assim, optou‑se
pela pesquisa bibliográfca, pois a bibliografa pertinente
fornece meios para defnir, resolver, não somente proble‑
mas já conhecidos, como também explorar novas áreas
onde os problemas não se cristalizaram de maneira sa‑
tisfatória
14
, e dessa forma, a pesquisa bibliográfca não
é mera reprise do que já foi escrito ou discorrido sobre
determinado tema, mas propicia que façamos uma análise
de um assunto sob novo ponto de vista ou abordagem,
chegando‑se a conclusões inovadoras
15
.
obJeTIvos
O presente artigo tem por objetivo destacar as dife‑
rentes abordagens sobre a temática da adesão, ressaltando
alguns aspectos para o aprofundamento da análise e dis‑
cussão, tais como os conceitos e pressupostos de adesão
adotados, os fatores relacionados à adesão terapêutica e
as metodologias utilizadas no estudo deste processo.
resUlTados e dIsCUssão
O termo compliance está mais focado no modelo bio‑
médico, onde o paciente é visto como um cumpridor de
recomendações
16
. O indivíduo é tratado com pouca, ou
nenhuma, autonomia para desobedecer às recomendações
médicas. Nesta relação médico‑paciente, o comportamen‑
to do paciente e o controle de sua patologia são tidos
como parte do profssional.
Neste caso, médico e paciente não possuem uma in‑
teração e comunicação adequada, fato este que em gran‑
de parte, explicita o porquê da noncompliance (falta de
cumprimento)
4
. Assim, o compliance acaba por enfatizar
os limites da própria disciplina médica
17
. Este conceito
adesão À TeraPÊUTICa MedICaMenTosa
edIlson alMeIda de olIveIra
Farmacêutico, residente em Saúde da Família, Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
Rua Souza Naves, 4013, Apto. 141, Centro, 85.810‑070, Cascavel – PR.
E‑mail do autor responsável: proedilson@ibest.com.br
39 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
não leva em consideração outros aspectos de igual valor
e relacionados ao paciente para discussão, tais como as
opiniões e interferências de sua família, do trabalho, dos
vizinhos, bem como suas representações de saúde, corpo
e doença, não considerando a inter‑relação entre os fato‑
res presentes no todo
16
. Entretanto, é impossível abranger
todos os pontos de vista do paciente
5
.
Já os termos adherence ou adhesion (adesão), procu‑
ram ressaltar a perspectiva do paciente, tomando‑o como
sendo capaz de uma decisão consciente e responsável em
relação ao seu tratamento
4
. A adesão ao tratamento com‑
preende que todos os pacientes possuem autonomia (pa‑
tient agency) e habilidade para aceitar ou não as recomen‑
dações médicas, algumas vezes, o termo tem a conotação
de atenuar ou retirar a responsabilizar da prática médica,
enquanto provedor e participante ativo deste processo.
Assim sendo, se o paciente não adere (nonadherence) ao
tratamento é porque ele assim escolheu, não é de respon‑
sabilidade dos médicos ou do sistema de saúde. Todavia,
esta “autonomia” para aceitar o tratamento não exime de
responsabilidade a saúde pública, pelo contrário, exige da
mesma uma política de atendimento adequada. Entretan‑
to, devido à comprovação de que em alguns pacientes não
ocorre a adesão, são desenvolvidos, no âmbito da saúde
pública, programas com características cada vez mais con‑
troladores
5
.
A utilização do termo adesão justifca‑se pela preo‑
cupação em abranger os múltiplos fatores que a determi‑
na, não concentrando a responsabilidade do tratamento,
de forma individualizada, no paciente. A adesão à tera‑
pêutica, por se tratar de um ponto fundamental na resolu‑
bilidade de um tratamento, tem sido discutida e estudada
por vários profssionais da saúde. Sendo que os fatores
relacionados ao tema envolvem questões referentes ao
tratamento, ao profssional de saúde e à doença propria‑
mente dita
12
.
A questão da não‑adesão ao tratamento medica‑
mentoso prescrito tem tomado importância no elenco das
preocupações dos profssionais e autoridades de saúde,
juntamente com outros fatores que infuenciam o uso ra‑
cional dos recursos terapêuticos.
Se há na população o “folclore hipocondríaco”, fca
o questionamento do porquê da existência de um grande
número de pacientes que não têm adesão ao tratamento
prescrito
18
.
Vários conceitos e pressupostos são adotados em
relação à adesão. O conceito de adesão, apesar das va‑
riações existentes entre os autores, de forma geral, é
compreendido como a utilização dos medicamentos ou
outros procedimentos prescritos em pelo menos 80% de
seu total, observando‑se os horários, doses e o tempo
de tratamento. No caso da farmacoterapia, representa
a etapa fnal de um processo denominado como o uso
racional de medicamentos
12
. E, entre os estudos de ade‑
são disponíveis, o grau de adesão varia muito, depen‑
dendo do conceito de adesão e do método utilizado no
es tudo
19
.
Autores defendem o entendimento do papel do
paciente como um sujeito ativo que participa e assume
responsabilidades sobre seu tratamento, que adere ou
não
16,20,21
.
A maneira como é visto o papel do paciente em seu
tratamento refete a forma de discussão dos fatores rela‑
tivos ao paciente na adesão, envolvendo desde a tenta‑
tiva de compreensão de suas crenças e valores em rela‑
ção à saúde, doença e tratamento, até a identifcação da
não‑adesão como comportamento irracional e desviante,
onde a responsabilidade pela não‑adesão ao tratamento
é defnida como ignorância dos pacientes ou de seus res‑
ponsáveis sobre a importância do tratamento, e como re‑
sultante da pouca educação da população ou ainda como
simples desobediência de ordens médicas
12
.
Nenhum homem é uma ilha, e esse ponto de vista é
verdadeiro, quando se estuda a adesão. A adesão ao uso de
medicamentos e ao cuidado de saúde, de uma forma geral,
é afetada ou direcionada pelo meio social e cultural em
que acontece
22
. Poucos trabalhos avaliam a questão social
e cultural sobre o uso de medicamentos como resultante
de um processo em que ocorre uma decisão racional e
que leva em conta múltiplos determinantes, que variam da
disponibilidade à crença no tratamento proposto
23
, como
decorrência da dinâmica de aprendizagem social vivida
3
e
resultado da forma de construção do seu enfrentamento à
doença
21
. Construção essa que deve ser compreendida no
nível individual e também no nível do macro contexto, de
sua comunidade e sociedade como um todo
22
.
Vários autores colocam a necessidade de compre‑
ensão das questões relacionadas ao paciente e ao meio
sociocultural em que o mesmo está inserido, como im‑
portantes no processo de adesão à terapêutica medica‑
mentosa
12
. O ponto de vista do paciente e o envolvimen‑
to do contexto social em seu comportamento ampliam a
discussão da adesão à terapêutica medicamentosa para
além das fronteiras da clínica
24
. As pesquisas sociais e
comportamentais sobre as pessoas que aderem ou não ao
seu tratamento são de relevância para o acompanhamento
e atuação nas mudanças epidemiológicas dos processos
patológicos
4
.
Variáveis demográfcas e sócio‑econômicas, como
idade, sexo, raça, ocupação, estado civil, renda e educa‑
ção, são consideradas importantes como indicadores de
não‑adesão
1
. No entanto, existem estudos em que estas
variáveis são vistas como inconsistentes e apontam para
outros fatores sobre o paciente para mensurar a não‑ade‑
são terapêutica
4,25
.
Entre os múltiplos fatores relacionados à adesão,
podemos conjeturar em primeiro plano na questão da ina‑
cessibilidade ao medicamento.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 40
O mercado farmacêutico concentra‑se em países
economicamente ricos e está voltado às classes sociais
abastadas, em detrimento dos medicamentos demandados
pelas necessidades mais comuns existentes nos países po‑
bres
26
. Em países como o Brasil, apesar dos gastos com me‑
dicamentos representarem grande parte dos investimentos
na saúde pública a dispensação gratuita de medicamentos
não cobre as necessidades existentes da população
12
.
Em estudo realizado, o principal fator relatado para
a ocorrência da não‑adesão ao tratamento farmacotera‑
pêutico em idosos foi o alto custo do medicamento. Sendo
que o custo mensal das prescrições dos pacientes que não
aderiram ao tratamento era, em média, o dobro do custo
mensal das prescrições dos que apresentavam adesão. As‑
sim, um maior número de fármacos prescritos encarece o
tratamento e se adere menos
27
.
Após atendimento em pronto‑socorro pediátrico,
39,1% dos casos de não‑adesão à prescrição teve como
motivo alegado o acesso econômico, também um menor
custo e menor número de medicamentos melhoram a ade‑
são
28
. Esse fator, sem dúvida, confgura o grande obstácu‑
lo para a adesão terapêutica e deve ser o primeiro aspecto
a ser analisado, pois somente se o paciente tiver acesso
ao medicamento, então ele estará em condições para ade‑
rir ou não ao tratamento
12
.
O maior número de medicamentos prescritos e o es‑
quema terapêutico proposto, também, estão associados à
não‑adesão, e isto ocorre inclusive quando o medicamen‑
to é fornecido gratuitamente
6,8
. Isto se caracteriza como
um dos principais fatores, relacionados ao medicamento,
que interfere na adesão à terapêutica anti‑retroviral, pois
seus esquemas terapêuticos geralmente são complicados,
exigindo empenho do paciente em adaptar sua alimenta‑
ção, horários e ritmo cotidiano para cumprir o tratamento.
Foram achadas evidências de que um tratamento compos‑
to por duas doses diárias é mais bem cumprido do que um
que possua três doses ao dia
29
.
Além disso, é importante citar que a percepção, por
parte do paciente, dos efeitos colaterais causados pela
terapia é um obstáculo à adesão, e pode ser chamado de
efeito protetor da não‑adesão, o que seria uma não‑ade‑
são inteligente à terapêutica
20
. O medicamento possui, no
mínimo, dois signifcados antagônicos, um positivo, re‑
lacionado à cura e ao restabelecimento da saúde, e outro
negativo, representado pelos efeitos colaterais, tamanho
e paladar
30
.
Conforme Leite & Vasconcelos (2003), vê‑se aqui
que esses fatores, normalmente identifcados ao medica‑
mento, na verdade estão relacionados à decisão do pa‑
ciente em mudar seu ritmo e estilo de vida ou de aceitar
certos efeitos adversos advindos da terapêutica medica‑
mentosa
12
.
Entretanto, fca evidente pelos resultados de alguns
estudos que um dos fatores decisivos para que ocorra a
adesão é a confança depositada pelo paciente na pres‑
crição recebida, na equipe de saúde que o assistiu ou na
pessoa do médico que o atendeu
7,31,32
. Pacientes que não
confam no sistema de saúde ou nos médicos que os aten‑
dem são mais predispostos à não‑adesão ao regime me‑
dicamentoso
25
. Já os pacientes crônicos despendem parte
de suas vidas no “papel de paciente” e, nestes casos, a
relação médico‑paciente é um dos fatores mais importan‑
tes na decisão do paciente em aderir ou não às recomen‑
dações
16
.
Certas atitudes do prescritor, como a linguagem uti‑
lizada, o tempo dispensado na consulta, a realização de
um atendimento acolhedor, o respeito para com as verba‑
lizações e questionamentos dos pacientes e a motivação
do paciente para o cumprimento da terapia, são fatores
citados na literatura para que ocorra a adesão. Apesar da
nítida infuência sobre a adesão, a relação médico‑pacien‑
te não é sufciente para explicar o processo da não‑adesão
à terapêutica. É sim, uma das possíveis barreiras que pode
e deve ser trabalhada pelas equipes de saúde
12
.
Analisando o tema da adesão, a partir do ponto de
vista do usuário, descrevem um “modelo de decisão te‑
rapêutica” em que, segundo eles, existem três tipos de
usuários de medicamentos na população: o primeiro, re‑
presentado por aqueles que aceitam e procuram cumprir a
prescrição médica, o segundo constituído pelos que acei‑
tam as prescrições, porém não sem testar suas variações e
então optar pelo seguimento ou não, e o terceiro no qual
se encontram os sépticos, que não aceitam as prescrições
médicas. Também de acordo com os mesmos autores, a
aceitação de um tratamento proposto está intimamente
relacionada com a aceitação da própria doença e não tan‑
to com outros fatores
21
.
Denomina‑se este “teste”, que alguns pacientes
desenvolvem com seu tratamento, de self‑regulation (au‑
to‑regulação), descrevendo‑o como uma forma do pacien‑
te avaliar o estado atual de sua doença e da possibilidade
de diminuir a dose ou até da retirada dos medicamentos
prescritos. Fato este que acontece principalmente nos
portadores de doenças crônicas. Isso, com a intenção de
suplantar o estigma de doente crônico, pois o ato da inge‑
rir regularmente o medicamento evidencia, o tempo todo,
que o paciente é um doente crônico
16
.
A presença de sensações corporais desagradáveis
lembra ao paciente constantemente que ele ainda está
com algum problema em função de sua doença. Alguns
pacientes, quando percebem que os sintomas melhoram,
acreditam que não estejam mais doentes, já que o seu en‑
tendimento de doença está ligado à presença de sintomas
indesejáveis
11
. O ato de tomar os medicamentos é tido
pelo paciente como uma forma reviver a sua enfermidade
que não mais se manifesta fsicamente
16
.
A adesão à terapêutica depende também de como o
indivíduo controla e articula o seu corpo, e de qual é a
41 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
sua visão do que seja ou não uma boa resposta deste às
sensações desagradáveis existentes em função de sua pa‑
tologia. Assim, quando o paciente percebe que a melhora
depende do seu comportamento, tende a seguir, o mais
corretamente possível, a terapêutica prescrita
24
. Além
disso, estudos sobre adesão a diversos tipos de terapias
dão a entender que o seguimento rigoroso das prescrições
implica em certa interferência no dia‑a‑dia, o que não é
desejado pelo paciente
12
. São as expectativas em relação
ao tratamento e à cura que demarcam alguns comporta‑
mentos durante a terapêutica
2
.
Com relação às metodologias para o estudo da ade‑
são no campo dos medicamentos, geralmente, não priori‑
zam o papel do paciente neste processo e nos lembra ain‑
da que vários estudos consideram a adesão pós‑consulta
médica e, em geral, avaliam o cumprimento da prescrição
médica como cena fundamental do processo saúde/doen‑
ça/tratamento
12
.
Quando o foco do estudo é adesão à terapêutica
prescrita, os métodos podem ser classifcados em dois ti‑
pos: diretos e indiretos
33
.
Os métodos diretos fundamentam‑se nos ensina‑
mentos de Hipócrates, que já aconselhava suspeitar das
informações fornecidas pelos pacientes em relação ao
seu tratamento. São baseados em técnicas analíticas
que por meio da identifcação de metabólitos dos fárma‑
cos ou de marcadores químicos, verifcam se o medica‑
mento foi administrado ou tomado na dose e freqüência
prescrita.
Os métodos indiretos incluem entrevistas e a con‑
tagem dos quantitativos de medicamentos que o pacien‑
te ainda possui em seu poder. A avaliação do efeito far‑
macoterapêutico esperado é um método para analisar a
adesão ao tratamento, fcando difícil nesse caso estimar
se a resposta terapêutica é diretamente proporcional ao
tratamento prescrito. Uma das metodologias mais utiliza‑
das para o estudo da adesão à terapêutica é a entrevista
estruturada, por sua aplicação acessível e menor custo.
Todavia, o maior problema apontado para esse método é a
super‑estimativa da adesão, pois o paciente pode ocultar
do entrevistador ou do médico a forma real como ele rea‑
lizou o seu tratamento
20
.
No caso de métodos qualitativos, são desenvolvidas
metodologias que propiciam o estudo de determinados
processos em profundidade, como na pesquisa participan‑
te, etnografa e entrevistas abertas. Os objetivos do estu‑
do enfocam fatores culturais, psicológicos e sociais e sua
infuência na utilização de medicamentos. A perspectiva
do paciente é um dos maiores subsídios da abordagem,
propiciando a manifestação de fatores complexos, até en‑
tão desconsiderados
8,31
, como nos estudos que identifca‑
ram a adesão à terapêutica prescrita como o resultante de
um processo de avaliação e aceitação do paciente de sua
condição enquanto doente
16,21
.
Motivos julgados sem importância pelo profssional
de saúde, muitas vezes são os que realmente determinam
a adesão ou não a um determinado tratamento por parte
do paciente
31
. Chama especial atenção, a conclusão de um
estudo em que a maioria dos pacientes com não‑adesão à
terapêutica prescrita mencionou para isto apenas poucos
motivos
32
.
ConClUsÕes
Excetuando‑se o quadro em que o paciente não tem
acesso ao medicamento, os múltiplos fatores que estão
relacionados à adesão dependem da percepção que o pa‑
ciente possui deste processo, da forma como ele enfrenta
a sua doença e os sintomas dela advindos
12
. Os profssio‑
nais de saúde só irão conseguir infuenciar na adesão à
terapêutica medicamentosa, quando atingirem o universo
sociocultural do paciente e estabelecerem com este uma
comunicação e relacionamentos efetivos.
O paciente necessita para uma adesão efetiva ao
tratamento, da oportunidade de expressar suas difcul‑
dades e seu entendimento a respeito de sua doença e
do tratamento, há necessidade de que o paciente e os
profssionais de saúde tenham uma relação de confan‑
ça e sinceridade, o que pode ser alcançado por meio da
atenção farmacêutica, pois o paciente ou seu responsável,
é objeto e objetivo das investigações e das ações para
promover a adesão, neles estão centralizados os fatores
que infuenciam na adesão à terapêutica medicamento‑
sa, refexo dos contextos individuais, familiares, culturais,
econômicos e sociais.
Entre os pressupostos assumidos para o estudo da
adesão, as diferenças mais evidentes encontram‑se entre
aqueles que focalizam o processo no paciente e aqueles
que procuram a compreensão em fatores externos ao pa‑
ciente.
Em relação aos fatores relacionados à adesão, a
maioria dos estudos focaliza a grande questão que an‑
gustia os profssionais de saúde: por que certos pacien‑
tes não aderem à terapêutica medicamentosa. Quando o
paciente não tem adesão, podemos nos questionar se ele
sabe o que é aderir ou se tem consciência da importância
da questão.
Devemos ter o bom senso de levar em consideração
o papel do paciente ou do responsável por sua saúde no
processo saúde/doença/tratamento como um ser social,
dotado de expectativas, conhecimentos, interesses, e que
possui valores socioculturais, que produzem uma opinião
sobre o uso ou resistência ao uso dos medicamentos.
A não‑adesão à terapêutica coloca estes pacientes
numa situação de vulnerabilidade quanto ao seu processo
saúde/doença/tratamento, pois ocorre desinteresse por
parte do indivíduo em relação a situações de perigo.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 42
No plano social, a vulnerabilidade é avaliada se‑
gundo os aspectos de acesso à informação, quantidade
de recursos destinados à saúde, acesso e qualidade dos
serviços de saúde, nível geral de saúde da população, as‑
pectos sócio‑políticos e culturais de segmentos popula‑
cionais específcos, grau de liberdade e expressão, grau
de prioridade política e econômica e pelas condições de
bem‑estar social
34
. Aqui, estão representadas as políticas
sociais, dentre as quais as políticas de medicamentos e de
assistência farmacêutica do Estado. Pois vulnerável é toda
a pessoa que se encontra menos apta a se proteger
35
.
É necessário que as pessoas saibam como se proteger
e se mobilizem para que os conhecimentos estruturais que
as tornam vulneráveis ao adoecimento ou que difcultam
sua acessibilidade ao tratamento e à adesão terapêutica,
sejam de fato modifcados.
Esta vulnerabilidade social é fruto de contextos
sócio‑políticos de opressão e pobreza, onde cidadãos de
países em desenvolvimento encontram‑se freqüentemente
em condição de vulnerabilidade em nome de sua falta de
poder político, carência de educação formal, pouca fami‑
liaridade com as intervenções médicas, extrema pobreza e
ainda necessidade de saúde
36
.
A refexão sobre o assunto pode ajudar a compreen‑
der esse universo complexo, o paciente não está preocu‑
pado em desobedecer ou não aderir ao receituário médico,
mas, sim, em lidar com sua condição de vida da forma
que lhe convenha e que lhe permita maior autocontrole
e liberdade
16
.
O tema da adesão à terapêutica medicamentosa faz
jus a uma profunda e continuada refexão sobre seus signi‑
fcados e “ressignifcados” quanto aos atos de prescrição e
dispensação e na forma de consumo de medicamentos, por
parte dos profssionais de saúde e do paciente
37
.
reFrÊnCIas bIblIográFICas
1. BARNHOORN, F.; ANDRIAANSE, H. Search of factors responsible
for noncompliance among tuberculosis patients in Wardha Dis‑
trict, India. Social Science and Medicine, 34:291‑306, 1992.
2. LIEFOOGHE, R.; MICHIELS, N.; HABIB, S.; MORAN, M. B.; DE
MUYNCK, A. Perception and social consequences of tuberculosis:
A focus group study of tuberculosis patient in Sialkot, Pakistan.
Social Science and Medicine, 41:1685‑1692, 1995.
3. BRAWLEY, L. R.; CULOS‑REED, N. Studying adherence to therapeu‑
tic regimens: overview, theories, recommendations. Controlled
Clinical Trials 21:156s‑163s, 2000.
4. SUMARTOJO, E. When tuberculosis treatment fails: A social beha‑
vioral account of patient adherence. American Review of Respira‑
tory Disease, 147:1311‑1320, 1993.
5. FARMER, P. Social scientists and the new tuberculosis. Social
Science and Medicine, 44:347‑358, 1997.
6. JORDAN, M. S. et al. Aderência ao tratamento anti‑retroviral em
Aids: revisão da literatura médica. In PR Teixeira et al. Tá difícil
de engolir? Editora Nepaids, São Paulo, 2000.
7. PAULO, L. G. & ZANINI, A. C. Compliance: sobre o encontro pa‑
ciente/médico. IPEX Editora, São Roque, 1997.
8. NEMES, M. I. B. et al. Aderência ao tratamento por anti‑retrovirais
em serviços públicos no Estado de São Paulo. Ministério da Saúde,
Brasília, 2000.
9. CHAISSON, R. Manuseio de infecções oportunistas. II Brazil Jo‑
hns Hopkins University Conference on HIV/AIDS. Disponível em
<http://www.hopkins‑aids.edu/>, 1998.
10. LEITE, S. N. Além da medicação: a contribuição da ftoterapia
para a saúde pública. Dissertação de mestrado, Faculdade de Saú‑
de Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.
11. MENEGONI, L. Conception of tuberculosis ant therapeutic choi‑
ces in Highland Chiapas, Mexico. Medical Anthropology Quarterly,
10:181‑401, 1996.
12. LEITE, S. N; VASCONCELLOS, M. P. C. Adesão à terapêutica medica‑
mentosa: elementos para a discussão de conceitos e pressupostos
adotados na literatura. Ciênc. saúde coletiva v.8 n.3 p.1‑11, São
Paulo, 2003.
13. SIMIONI, A. M. C.; LEFÉVRE, F.; PEREIRA BICUDO, I. M. T. Metodo‑
logia qualitativa nas pesquisas em saúde coletiva: considerações
teóricas e instrumentais. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública/
USP. [Série Monográfca nº 2, Eixo – Promoção de Saúde], 1997.
14. MANZO, A. J. Manual para la preparación de monografías: una
guía para presentar informes y tesis. Buenos Aires: Humanitas;
1971.
15. MARCONI, M. A. Técnicas de pesquisa: planejamento e execu‑
ção de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elabo‑
ração, análise e interpretação de dados. 4ª ed. São Paulo: Atlas;
1999.
16. CONRAD, P. The meaning of medication: another look at com‑
pliance. Social Science and Medicine 20(1):29‑37, 1985.
17. TROSTLE, J. A. Medical compliance as an ideology. Social Science
and Medicine, 27:1299‑1308, 1988.
18. BUCHER, R. Drogas e drogadição no Brasil. Editora Artes Médicas,
São Paulo, 1992.
19. JONES, J. G. Compliance with pediatric therapy. Clinical Pedia‑
trics, apr: 2.262‑2.265, 1983.
20. MILSTEIN‑MOSCATI, I.; PERSANO, S.; CASTRO, L. L. C. Aspectos
metodológicos e comportamentais da adesão à terapêutica, pp.
171‑179. In LLC Castro (org.). Fundamentos de farmacoepidemio‑
logia. AG Editora, [s.l.], 2000.
21. DOWELL, J.; HUDSON, H. A qualitative study of medication‑taking
behaviour in primary care. Family Practice 14(5):369‑375, 1997.
22. KIDD K.E.; ALTMAN D. G. Adherence in social context. Controlled
Clinical Trials 21:184S‑187S, 2000.
43 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
23. HAAIJER‑RUSKAMP, F. M.; HEMMINKI, E. The social aspects of
drug use. In MNG Dukes. Drug utilization studies. WHO Regional
Offce for Europe, Copenhagen, 1993.
24. GONÇALVES H.; COSTA J. S. D.; MENEZES A. M. B.; KNAUTH D.;
LEAL O. F. Adesão à terapêutica da tuberculose em Pelotas, Rio
Grande do Sul: na perspectiva do paciente. Cad. Saúde Pública
v.15 n.4 p. 1‑14, Rio de Janeiro, 1999.
25. HULKA, B. S.; KUPPER, L. L.; CASSEL, J. C; BABINEAU, R. Medica‑
tion use and misuse: Physician‑patient discrepancies. Journal of
Chronic Disease, 28:7‑21, 1975.
26. SOBRAVIME. O que é o uso racional de medicamentos? Sobravime,
São Paulo, 2001.
27. BRAND, F, N.; SMITH, R. T.; BRAND, P. A. Effect of economic bar‑
riers to medical care on patient’s noncompliance. Public Health
Reports 92:72‑78, 1977.
28. PESSOA, J. H. L.; BALIKJAN, P.; FRITTELLA, S.; NASCIMENTO, R.;
RIBEIRO, L. Não‑adesão à prescrição após atendimento em pron‑
to‑socorro pediátrico. Revista Paulista de Pediatria 14(02):73‑77,
1996.
29. SILVESTRE‑BUSTO, C. et al. Multi‑centre study of childrens’s adhe‑
rence to antibiotic treatment in primary care. Atención Primaria
27(8):554‑558, 2001.
30. LEFÈVRE, F. O Medicamento como Mercadoria Simbólica. São Pau‑
lo: Editora Cortez, 1991.
31. TEIXEIRA, P. R.; PAIVA V.; SHIMMA, E. Tá difícil de engolir? Edito‑
ra Nepaids, São Paulo, 2000.
32. AL‑SHAMMARI, S. A.; KHOJA, T; AL‑YAMANI, M. J. M. S. Com‑
pliance with short‑term antibiotic therapy among patients atten‑
ding primary health centers in Riyadh, Saudi Arabia. Journal of
Royal Society of Health, Aug: 231‑234, 1995.
33. CRAMER, J. A.; MATTSON, R. H.; PREVEY, M. L.; SÉLLER, R. D.;
OUELLETTE, V. L. How often is medication taken as prescribed?
JAMA 261(22):3.273‑3.277, 1989.
34. AYRES, J. R. C. M. Adolescence and Aids: evaluation of a preventi‑
ve education experience among peers, Interface‑Comunic, Saúde,
Educ 7(12):113‑28, 2003.
35. DINIZ, D.; CORRÊA, M. Declaração de Helsinki: relativismo e vul‑
nerabilidade. Cad. Saúde Pública v. 17 n.3 Rio de Janeiro, 2001.
36. GLANTZ, L.; ANNAS G. J.; GRODIN, M. A. Research in deve‑
loping countries: Taking “beneft” seriously. Hastings Center
Report;26:38‑42, 1998.
37. LUZ, M. Natural, racional, social: razão médica e racionalidade
científca moderna. Editora Campus, Rio de Janeiro, 1988.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 44
InTrodUção
A automedicação é um hábito que existe, no Brasil
e em outros países do mundo. De acordo com a Organiza‑
ção Mundial da Saúde, a automedicação é recomendada,
se feita de forma racional e orientada pelo profssional
farmacêutico. Porém o que se observa atualmente é um
uso descontrolado e desorientado dos medicamentos de
venda livre, aqueles que qualquer paciente pode adquirir
na farmácia sem a prescrição médica.
Entre os mais procurados e dispensados encontram‑se
os laxantes, também, conhecidos como antiobstipantes. A
facilidade de acesso e principalmente a presença de uma
cultura popular de automedicação fazem dos medicamen‑
tos laxantes, um dos grupos mais consumidos entre os
medicamentos de venda livre.
A obstipação é uma situação freqüente, quer com
caráter ocasional, quer surgindo com características crô‑
nicas, e a grande maioria dos casos deve‑se a erros habi‑
tuais cometidos no dia a dia, o que determina uma obs‑
tipação crônica. O farmacêutico deve ter conhecimento
de que esta situação pode ocorrer como conseqüência de
uma patologia intestinal grave, da ação de medicamentos,
da alteração de estilos de vida e principalmente de erros
alimentares, devendo estar apto a orientar o uso racional
dos laxantes a fm de prevenir problemas maiores para o
paciente usuário (FUCHS & WANNMACHER, 1988).
Os laxantes são medicamentos que promovem a de‑
fecação, segundo BRUNTON, 1996 o uso excessivo des‑
tes medicamentos por auto medicação pode refetir uma
concepção errônea sobre qual freqüência de defecação é
normal, desejável, ou mesmo necessária para o organismo
humano. O aumento da ingestão de água e do conteúdo
de fbras na dieta, a prática de exercícios físicos e o trei‑
namento do intestino freqüentemente resolvem a maioria
dos problemas relacionados à defecação sem a necessida‑
de do uso de medicamentos laxantes.
A obstipação não é considerada uma doença, mas
sim um sintoma de desordens digestivas que ocorre com
freqüência e pode ser originada por inúmeros fatores. Os
sinais normais de uma obstipação são uma ligeira anore‑
xia, enjôo e distensão abdominal. São, também, anoma‑
lias freqüentes, o mal estar abdominal e a resposta inade‑
quada às múltiplas variedades e doses de laxantes. De um
modo geral a obstipação é conseqüência de um ou mais
dos seguintes fatores:
1 – negligência em defecar quando há vontade, o
que enfraquece os refexos da defecação;
2 – falta da aquisição do hábito de uma defecação
regular;
3 – maus hábitos alimentares, como a não inclusão
de uma dieta sufcientemente volumosa, ingestão reduzi‑
da de legumes, frutas, fuidos, etc;
4 – mudança de ambientes, viagens;
5 – atonia ou hipertonia do cólon;
6 – hipertonia da válvula íleo cecal;
7 – insensibilidade do reto ao refexo de defecar;
8 – esgotamento cerebral;
9 – ingestão excessiva de alimentos que endurecem
as fezes, como queijo, chocolate, etc;
10 – administração prolongada de medicamentos
obstipantes, como o hidróxido de alumínio, carbonato de
cálcio, opiáceos e anticolinérgicos;
11 – abuso de laxantes e cirurgias.
UTIlIZação de laxanTes Pela PoPUlação
do MUnICíPIo de CéU aZUl – Pr
andressa InaYana ZUqUelo
1
TereZInha PorTes
1
Thaísa PereIra
1
KarIna MUraro
1
PaTríCIa M. FerreIra doblInsKI
2
eUClIdes lara CardoZo JUnIor
3
1. Acadêmica do Curso de Farmácia da Universidade Paranaense – UNIPAR, Campus Toledo.
2. Docente de Farmacologia e Atenção Farmacêutica da Universidade Paranaense – UNIPAR, Campus Toledo.
3. Docente de Farmacognosia e Fitoterapia da Universidade Paranaense – UNIPAR, Campus Toledo, Av. Parigot de
Souza, 3636, 85.903‑170, Jardim Prada, Toledo, PR.
Autor responsável: E.L. Cardoso Junior.
E‑mail: euclideslc@unipar.br
45 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
Os laxantes são amplamente usados, através de
automedicação, porém sua recomendação pode ser ne‑
cessária em certos quadros clínicos: para reduzir esfor‑
ço excessivo em doença cardiovascular ou em pacien‑
tes com hemorróidas, após ato cirúrgico ou quando a
constipação se deve a efeitos neurológicos, alterações
hormonais, como na gravidez, ou tratamento com certos
fármacos, como os hipnoanalgésicos (MELLO & WANNMA‑
CHER, 1998). Os laxantes são agrupados, conforme o seu
mecanismo de ação, tendo‑se, então, quatro mecanismos
gerais: os formadores de massa, os estimulantes da mo‑
tilidade intestinal, e os salinos e lubrifcantes (HARVEY
& CHAMPE, 1998).
Para avaliar o consumo desta classe de medicamen‑
tos pela população do município de Céu Azul no oeste do
Paraná, realizou‑se uma pesquisa buscando traçar o per‑
fl do usuário de laxantes no município, informações so‑
bre o consumo de medicamentos enfatizando o conheci‑
mento / desconhecimento, condições de uso e aplicação
de laxantes, formas de acesso da população ao referido
fármaco, a motivação e as fontes de informação para o
consumo dos mesmos. Também, se buscou conhecer os
hábitos da população e o conhecimento sobre o espaço
considerado normal para os movimentos intestinais e se
os usuários consideram constipação um caso para trata‑
mento médico.
MaTerIal e MéTodos
O Município de Céu Azul está localizado na região
Oeste do Paraná e apresenta população originária de
imigrantes europeus, a maioria vinda do Rio Grande do
Sul e Santa Catarina. Sua população é representativa da
composição populacional do extremo oeste paranaense.
Apresenta cerca de 6.000 hab., possui rede de saúde cons‑
tituída de hospital farmácia e posto de saúde. A pesquisa
foi realizada através de questionários direcionados aos
usuários dos serviços de saúde e realizou‑se no segundo
semestre de 2002.
Na primeira etapa da pesquisa, aplicou‑se ques‑
tionário (Anexo 1) com uma amostragem representativa
da população do município para termos acesso a infor‑
mações sobre o perfl do usuário de laxantes, produtos
utilizados, motivações para a utilização deste tipo de
medicamento, nível de conhecimento acerca da utiliza‑
ção de laxantes e condições ou ocasiões em que existe
o uso do fármaco.
Os entrevistados foram escolhidos entre os usuários
das unidades de saúde do município, farmácias e hospi‑
tais no momento do recolhimento dos dados. Foram en‑
trevistadas 100 pessoas, todas moradoras do Município de
Céu Azul / PR. Em seguida, realizou‑se levantamento de
dados junto aos profssionais de saúde ligados ao setor
farmacêutico, ambulatorial e médico do município atra‑
vés de questionário (Anexo 2), com o intuito de recolher
informações sobre a assiduidade, quantidade e sob quais
condições os pacientes procuram os laxantes. Nesta eta‑
pa foram entrevistados sete profssionais de saúde, sendo
quatro farmacêuticos e três médicos.
resUlTados e dIsCUssão
O perfl da população entrevistada é representa
como sendo a maioria formada por mulheres, na faixa de
15 a 25 anos, com baixa escolaridade e renda per capta
de até três salários mínimos. Com base nas entrevistas
realizadas com 100 usuários do sistema de saúde do Mu‑
nicípio de Céu Azul, constatou‑se que 75% pertenciam ao
sexo feminino e 25% ao sexo masculino; 30% apresenta‑
vam idade entre 15 e 25 anos, 15% entre 25 e 35 anos,
20% entre 35 e 45 anos e 35% acima de 45 anos. Quanto
à escolaridade dos entrevistados 15% eram analfabetos,
45% estudaram até a 4ª série, 30% até a 8ª série do en‑
sino fundamental, e apenas 10% cursaram ensino médio
e superior. Entre os entrevistados 70% das pessoas apre‑
sentavam renda familiar de um a três salários mínimos,
enquanto apenas 30% afrmaram possuir renda acima de
três salários mínimos.
Do total de pessoas entrevistadas, 70% faziam uso
de laxantes no período da entrevista e 30% não utiliza‑
vam nenhum tipo de laxante. Quando indagados sobre a
fonte da indicação do uso de laxantes, das 70 pessoas que
afrmaram utilizar este tipo de fármaco, 86% afrmaram
utilizá‑lo sem prescrição médica e apenas 14% utilizaram
devido à indicação médica.
Do total dos entrevistados que consumiam laxantes
sem prescrição médica 50% disseram consumir laxantes
por indicação do farmacêutico, 25% por indicação de
populares e 25% procuravam laxantes infuenciados pela
propaganda comercial, estes dados podem ser observados
na Figura 1.
Figura 1. Indicação para o uso de laxantes por usuários
dos serviços de saúde do município de Céu Azul – PR.
Com referência à freqüência de consumo do medica‑
mento, do total de entrevistados 5% utilizavam laxantes
diariamente, 45% utilizavam algumas vezes durante a se‑
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 46
mana e 50% utilizavam laxantes algumas vezes durante
o período de 30 dias, conforme pode ser observado na
Figura 2.
Figura 2. Freqüência quanto ao uso de laxantes por usuá‑
rios dos serviços de saúde do município de Céu Azul – PR.
Para avaliar o conhecimento da população sobre
problemas do consumo, indagou‑se sobre o risco do uso
de laxantes causarem algum efeito colateral, 60% das
pessoas disseram não saber que o fármaco pode causar
problema, 20% sabiam da possibilidade de ocorrer efeitos
colaterais, mas não possuíam conhecimento dos tipos de
efeitos colaterais e 20% das pessoas sabiam dos possí‑
veis efeitos colaterais com alguma noção de quais eram
esses efeitos, estes resultados podem ser observados na
Figura 3.
Os entrevistados também foram indagados sobre há‑
bitos condicionantes de problemas relacionados ao mau
funcionamento intestinal e ao conseqüente uso de laxan‑
tes. Das cem pessoas entrevistadas 50% consumiam de
4 a 6 copos de água; 25% consumiam de 4 a 6 cuias de
chimarrão, 15% consumiam de 1 a 3 copos de chá e 10%
de 1 a 3 copos de suco, todos com freqüência diária. Além
disso, 35% dos entrevistados afrmaram consumir cereais
integrais diariamente, 30% hortaliças cruas diariamente;
20% frutas uma vez por semana e 15% hortaliças cozidas
raramente.
Figura 3. Conhecimento sobre os efeitos colaterais do uso
abusivo de laxantes por usuários do sistema de saúde do
município de Céu Azul – PR.
Do total de entrevistados 50% se sentem com so‑
bre peso, 40% com peso normal e 10% com baixo peso.
Apenas 10% não fzeram dieta para emagrecer, enquanto
90% já fzeram algum tipo de dieta para esta fnalidade.
Das 90 pessoas que já fzeram algum tipo de dieta, 10
foram orientadas por nutricionistas, 45 por revistas e 35
por conhecidos. Segundo a pesquisa 80% das pessoas en‑
trevistadas não praticavam exercício físico, apenas 20%
das pessoas disseram praticar essa atividade. Das 20 pes‑
soas que praticavam atividade física, 15 disseram praticar
diariamente e 5 pessoas praticavam de 2 a 3 vezes por
semana.
Quanto aos principais produtos consumidos para so‑
lucionar problemas de constipação, observa‑se um grande
consumo de laxantes estimulantes com produtos à base
de Bisacodil, Antraquinonas Fenolftaleína e associações
destes. Produtos baseados em outros mecanismos como
os formadores de massa, os laxantes salinos e osmóticos
ou ainda os surfactantes aparecem com consumo menor
dentro da população estudada, incluindo neste caso pro‑
dutos à base de Picossulfato Sódico, Tamarindus indica,
Óleo Mineral e Ágar‑ágar.
Dos entrevistados usuários de laxantes 40% disseram
utilizar produtos à base de Bisacodil (Lacto Purga®), 20%
a base de Antraquinonas (Sene®) e 20% produto com as‑
sociação de Phenolphtaleina, Cassia senna D1, Polygonum
C1, Collinsonia C1 (Complexo Homeopático Almeida Prado
46®). Além destes, 10% disseram consumir produtos a
base de Cassia senna, Tamadindus indica, Cassia fstula e
Coriandrum sativum (Tamarine®), 5% consumiam produtos
com Picossulfato Sódico (Guttalax®) e 5% produtos com
Cassia senna, Cassuia fstula, Tamarindus indica, Corian‑
drum sativum e Glycyrrhiza glabra (Naturetti®). Os dados
constam da Figura 4. Do total de produtos consumidos,
Figura 4. Consumo de laxantes quanto ao tipo de produto
utilizado por usuários dos serviços de saúde do município
de Céu Azul – PR.
47 Infarma, v.20, nº 7/8, 2008
90% das vendas são feitas sem prescrição médica, en‑
quanto somente 10% delas são efetuadas com prescrição
médica. Dentre os usuários de laxantes, tanto aqueles
com indicação médica quanto aqueles que praticam auto
medicação, 60% das pessoas não são dependentes, en‑
quanto que 40% já desenvolveram dependência do uso
de laxantes.
A conduta seguida pelos três médicos entrevistados
que consultam pessoas com problemas de obstipação é
fazer uma anamnese para que o paciente relate seus pro‑
blemas e a partir destes relatos são feitas algumas indica‑
ções para que seja possível solucionar o problema exposto
da melhor forma possível. Os médicos só recomendam o
uso de laxantes em casos de constipação intestinal aguda,
caso contrário, é indicado que o problema seja resolvido
por outros meios, evitando assim o uso destes medica‑
mentos.
Geralmente, o perfl do usuário de laxantes é com‑
posto de pessoas idosas e com sobre peso, que recor‑
rem ao fármaco em decorrência da difculdade de praticar
métodos alternativos para solucionar a constipação. Na
maior parte das vezes, as pessoas que fazem consultas
médicas para tratamento do problema retornam ao mé‑
dico para manter controle sobre a dose do medicamento
prescrito.
A pesquisa apontou que, em geral, as pessoas que
procuram usar os laxantes como forma de solucionar o
problema da obstipação são sedentárias, apresentam peso
acima do considerado normal, já fzeram algum tipo de
dieta e não praticam exercícios físicos. Procuram solu‑
cionar um problema simples, que muitas vezes é advindo
de disfunções alimentares ou estresse e acabam se au‑
tomedicando ou, muitas vezes, recebendo aconselhamen‑
tos, através da mídia ou de conhecidos que indicam os
fármacos sem a devida análise ambulatorial do paciente
colaborando para a ampliação do problema e conseqüente
dependência.
ConClUsÕes
Diante das informações levantadas, percebeu‑se
que ainda há uma grande tendência pela automedicação
com laxantes, apesar de haver uma postura voltada para a
conscientização por parte dos profssionais que lidam com
pacientes com este problema. Isso decorre de uma série
de fatores, mas principalmente porque a maior parte das
pessoas desconhece os efeitos colaterais que os laxantes
podem provocar.
Refetindo sobre estas informações constatou‑se por
meio da pesquisa que os laxantes, assim como uma grande
parte dos medicamentos consumidos por automedicação,
continuam sendo considerados agentes inofensivos à vida
do homem, exatamente pela falta de acesso a informações
e ao descuido dos usuários pela própria reação do seu
organismo.
Diante dos resultados, fca clara a necessidade da
intervenção ativa do farmacêutico frente a este tipo de
problema, uma vez que, na maioria das vezes, o paciente
procura automedicar‑se, antes de recorrer a uma consul‑
ta médica. Por isso, a atenção farmacêutica dispensada
ao paciente, no que diz respeito à educação e orientação
quanto ao uso racional destes medicamentos, é muito im‑
portante e, havendo necessidade, deverá o farmacêutico
aconselhar o paciente a procurar uma consulta médica.
Dentre os conselhos gerais que o profssional farmacêutico
pode dar ao paciente, destacamos:
1 – Prática de exercícios regulares, os exercícios vão
melhorar o tônus muscular, sendo de maior utilidade os
que atuam sobre a musculatura abdominal;
2 – O paciente deve habituar‑se a não ignorar a ne‑
cessidade de defecar, devendo dedicar o tempo necessário
para a evacuação e o ambiente para a defecação deve ser
calmo.
Algumas orientações importantes devem ser repas‑
sadas ao paciente usuário dos laxantes, como:
1 – Os laxantes não podem ser utilizados por perío‑
dos superiores há uma semana, e caso não surtam efeito,
deve o paciente procurar um médico;
2 – Os doentes renais não devem utilizar‑se de la‑
xantes a base de sódio, magnésio e potássio;
3 – Caso apareçam reações alérgicas após a utili‑
zação do laxante, o mesmo deve ser suspenso imediata‑
mente;
4 – Os óleos minerais não devem ser utilizados em
crianças com menos de seis anos de idade;
5 – Os laxantes com fenoftaleína ou ruibarbo podem
mudar a cor da urina. Os primeiros podem igualmente al‑
terar a cor das fezes.
Levando‑se em consideração que o laxante pode ser
útil com menor efeito prejudicial ao paciente se a sua uti‑
lização for feita com auxilio da orientação do farmacêuti‑
co, a escolha do laxante deve levar em consideração sua
ação farmacológica, ausência de efeitos colaterais, preço
e aceitação pelo paciente. Após a escolha do laxante o
doente deve ser informado sobre os riscos do abuso dos
mesmos e sempre que houver a necessidade de indicar
um laxante o farmacêutico deve optar por aqueles que
aumentem o bolo fecal e que são menos prejudiciais ao
usuário.
reFerÊnCIas bIblIográFICas
BRUNTON, L. L. Fármacos que afetam a motilidade e o fuxo de água
gastrintestinais: êmese e antieméticos; ácido biliares e enzimas
pancreáticas. In: GILMAN, A. G. As Bases Farmacológicas da Tera‑
pêutica. 9ª ed. México: Ofgloma S.A, 1997. p. 675‑690.
Infarma, v.20, nº 7/8, 2008 48
GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5ª ed. São Paulo:
Atlas, 1999. p. 180.
HARVEY, R. A. & CHAMPE, P. C. Farmacologia Ilustrada. 2ª ed. Porto
Alegre: Arte Médica, 1998. p. 244‑245.
KOROLKOVAS, A., FRANCO. F. Dicionário Terapêutico Guanabara. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
MELLO, E.D. & WANNMACHER, L. Laxativos e antidiarréicos. In: FUCHS,
F. D. & WANNMACHER, L. Farmacologia Clínica. Fundamentos da
terapêutica racional. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
1998. p. 542‑548.

NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS
Informações gerais

PreParação dos orIgInaIs

resPonsabIlIdade

2

Infarma, v.20, nº 7/8, 2008

aUToMedICação CoM anTIMICrobIanos Para InFeCçÕes resPIraTÓrIas na CIdade de ForTaleZa – Ce
everardo albUqUerqUe MeneZes1 Jorge lUís sIlva de MesqUITa2 andréa bessa TeIxeIra2 MárCIo soUZa CavalCanTe2 FranCIsCo aFrânIo CUnha1 CrIsTIane MaCedo FeIJÓ2 1. 2. Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Farmácia Odontologia e Enfermagem da Universidade Federal do Ceará, Rua Capitão Francisco Pedro, 1210, 60.430‑370 – Fortaleza, CE. Farmácias Pague Menos, Fortaleza, CE.

Autor responsável: E. A. Menezes. E‑mail: menezes@ufc.br

InTrodUção A automedicação é um ato praticado, desde o iní‑ cio da história da humanidade. Nas diversas etapas da evolução histórica, todas as civilizações buscavam o alí‑ vio e a cura das doenças, através da utilização de uma variedade de recursos terapêuticos. A China e a Grécia descobriram as propriedades terapêuticas do vinho, sais inorgânicos e do fruto da soja, para a cura de furúncu‑ los e feridas infectadas. E, hoje, legalizada em todos os países desenvolvidos, subdesenvolvidos ou em desenvol‑ vimento, existe uma série de fatores psicológicos indivi‑ duais e interesses sócio‑econômicos que estimulam essa prática9, 18 e 24. De acordo com Rey 20 1997, a automedicação é a condição em que o paciente toma, por sua iniciativa, me‑ dicamentos não prescritos por médicos e, portanto, sem indicação ou supervisão médica. Mesmo que os medica‑ mentos usados sejam de venda livre (sem receita), não são sempre isentos de riscos, o que depende da adequação, da posologia, da duração do tratamento e de eventuais contra‑indicações, peculiares a cada indivíduo e seu esta‑ do de saúde. A automedicação pode ser definida também como um procedimento caracterizado pela iniciativa de um doente, ou de seu responsável, em obter, ou produzir e utilizar um produto que acredita que lhe trará benefícios no tratamento de doenças ou alívio de sintomas.3 Nos dias de hoje, de acordo com Paulo e Zanini 18 1997, pode‑se identificar quatro tipos de automedicação: instintiva (restrito e individual), cultural (tradicional e popular), orientada (supervisão médica), induzida (sem supervisão médica).

Assim como nos outros países do Terceiro Mundo, uma parcela significativa da população brasileira não recorre aos serviços médicos, mas aos balconistas das farmácias, em busca de orientação para o tratamento de infecções8. A tarefa de escolha de um antimicrobiano apro‑ priado para o tratamento de infecções bacterianas torna‑se cada vez mais complexa, e para utilizá‑lo no tratamento das infecções é necessário que o médico procure, de início, estabelecer um diagnóstico micro‑ biológico correto ou pelo menos provável, de acordo com as manifestações clínicas do doente e por meio de dados laboratoriais22. Vários microrganismos podem ser encontrados nas infecções do sistema respiratório, tais como: vírus respi‑ ratórios, Streptococcus pyogenes, Haemophilus influenzae, Staphylococcus coagulase positiva, Mycoplasma pneumo‑ niae, Streptococcus pneumoniae, Chlamydia pneumoniae e outros25. Os antimicrobianos continuam sendo comerciali‑ zados livremente nas farmácias, sem prescrição médica, para o tratamento de vários tipos de infecções8. O Brasil é um grande consumidor de antibióticos, existindo mais de 151 nomes diferentes de penicilinas disponíveis co‑ mercialmente, facilitando assim sua aquisição8. Freqüen‑ temente, se gasta mais dinheiro com antibióticos do que com outros medicamentos. O uso destes em países desen‑ volvidos são na maioria das vezes inapropriados, sendo usados em doses baixas, por curto período de tempo e sem as devidas indicações. Por exemplo: tratamento do resfriado comum, da faringite viral e tratamento da febre de origem desconhecida1, 3 e 24.

Infarma, v.20, nº 7/8, 2008

3

Um dos erros mais comuns em antibioticoterapia é a sua prescrição para doenças febris. Somente as viro‑ ses respiratórias são responsáveis por cerca de 60% das enfermidades febris agudas de qualquer comunidade. A falta do diagnóstico correto contribui para tais erros20. A maioria das doenças produzidas por vírus é autolimita‑ da e não responde a qualquer antiinfeccioso atualmente disponível11. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o farmacêutico, freqüentemente, constitui a única forma de informação para o paciente que se automedica, por isso sua intervenção é fundamental para, o melhor uso de medicamentos4. O presente trabalho mostra a correlação existente entre a aquisição, através de prescrição ou in‑ dicação, e o uso indevido desses antimicrobianos para o tratamento de tonsilites e faringites.

MaTerIal e MéTodos O estudo incluiu a coleta de dados quantitativos, constituindo da aplicação de um questionário. A Aplica‑ ção do questionário foi feita durante os meses junho a outubro de 2001, 100 pessoas foram entrevistadas neste período, de ambos os sexos, com idade de 0 a 60 anos e que apresentavam infecções do trato respiratório superior (tonsilites e faringites). A seleção dos mesmos foi reali‑ zada em uma farmácia comercial de Fortaleza, sito a Av. Antônio Sales n0 876, bairro Aldeota. O questionário foi aplicado aleatoriamente em pa‑ cientes com queixas de infecções nas vias respiratórias su‑ periores, sendo dada preferência as infecções das tonsilas e faringe. O questionário era simples, fechado e continha os seguintes dados: data, sexo, idade, medicamento adquirido, sintomatologia, uso de prescrição (sim ou não), indicação (farmacêutico, balconista e amigos), cultura com teste de susceptibilidade aos antimicrobianos (sim ou não). Os clientes foram abordados informalmente, com o consentimento dos mesmos, sem a apresentação das fi‑ chas, a fim de facilitar a comunicação e a obtenção dos dados. Os dados foram coletados por um Farmacêutico e oito auxiliares de farmácia, treinados anteriormente para este estudo. Os dados foram computados e analisados através de programa estatístico.

A figura 2 mostra a faixa etária dos clientes da far‑ mácia que adquiriram antimicrobianos, observa‑se que a faixa de zero a dez anos foi a que usou mais antimicrobia‑ nos com 34,67%, vindo, em seguida, 31 a 40 anos com 22,67% e a faixa de 11 a 20 anos com 17,33%. A faixa que etária que adquiriu menos antimicrobiano foi a de 51 a 60 anos com 2,66%. A figura 3 mostra a relação dos antimicrobianos mais vendidos em um estabelecimento farmacêutico, na cidade de Fortaleza. Observa‑se que a amoxilina foi o mais adqui‑ rido com 29%, azitromicina com 25% e sulfametoxazol + trimetropim com 14% e os menos adquiridos foram Ampi‑ cilina e cefaclor com 1% e cefadroxila com 2%. Apenas 8% das pessoas entrevistadas fizeram cultura com teste de susceptibilidade aos antimicrobianos (figura 4). Este dado é preocupante porque a realização de cul‑ tura, bem como, o teste de susceptibilidade das bactérias aos antimicrobianos, representam um parâmetro impor‑ tante para a terapêutica das infecções respiratórias. E finalmente a figura 05 mostra as indicações para a automedicação, isto é, a aquisição dos antimicrobianos

Figura 1. Aquisição de antimicrobianos por usuários com tonsilites e faringites em um estabelecimento farmacêu‑ tico na cidade de Fortaleza

resUlTados Dos 100 pacientes estudados 75% dos antimicrobia‑ nos foram vendidos com prescrição médica e 25% caracte‑ rizaram automedicação induzida, isto é, foi adquirido sem prescrição médica (figura 1).

Figura 2. Faixa etária de usuários com tonsilites e faringi‑ te que adquiriram antimicrobianos em um estabelecimen‑ to farmacêutico na cidade de Fortaleza.

4

Infarma, v.20, nº 7/8, 2008

a maior susceptibilidade das crianças a terem infecções por não apresentarem um sistema imunológico totalmente desenvolvido22.67% dos pacientes atendidos. Relação dos antimicrobianos adquiridos por clientes com tonsilites e faringite em um estabelecimento farmacêutico na cidade de Fortaleza. o custo e a impaciência dos pacientes. o que possa ser educação e onde possa estar iniciando a explo‑ ração do consumidor. seguido pela azitromicina 25% das ven‑ das. 2008 5 . a não existência de receita médica na hora da compra. que só deveria ser utilizada quando outros antibióticos se apresentassem ineficazes. que muitas Figura 3. Figura 4. cerca de 80 milhões de brasileiros são adeptos da automedicação. que foram 25%. com 34. sendo alguns deles muito potentes como é o caso da ceftriaxona. Tal fato deve‑se. Na figura 1. a automedicação aumentou consideravelmente. um deriva‑ do da penicilina. numa amostra de 100 pacientes. v. Na figura 4 observamos que das prescrições médicas. Indicações para a automedicação dos clientes com tonsilites e faringites que adquiriram antimicrobia‑ nos em um estabelecimento farmacêutico na cidade de Fortaleza Infarma. Na figura 3 podemos observar que o antibiótico mais vendido foi a amoxicilina com 29% das vendas. Estudos realizados na Eu‑ ropa e nos Estados Unidos revelam que entre 50% e 90% das doenças são inicialmente tratadas por automedicação e somente um terço da população com algum mal‑estar ou enfermidade consulta o médico4. provavelmente. uma vez que as bactérias adquirem facilmente resistência a este antibiótico 14. verificamos que. nº 7/8. Através dos nossos resultados. 75 destes procuraram um médico. Observa‑se que 76% da automedicação in‑ duzida foi indicação de amigos. que acometem a população em determinadas épocas do ano. dIsCUssão O conceito de automedicação induzida estabelece uma interface de limites mal definidos entre o que real‑ mente cada sociedade aceita como automedicação. verifica‑se que o número de pessoas que praticam a automedicação é de 25%. apenas 8% realizaram exames microbiológicos (cultura com teste de susceptibilidade aos antimicrobianos). uma cefalosporina de 3a geração. Notamos uma variedade de antibióticos prescritos.20. 20% dos balconistas do estabelecimento farmacêutico e 4% dos farmacêuticos do estabelecimento. um antibiótico do grupo dos macrolídeos. A má quali‑ dade da oferta de medicamentos. A de‑ mora. Nos últimos anos. Esses valores podem ou não ser explicados pela sazonalidade de algumas viroses. Prescrições médicas com ou sem a realização de cultura e teste de susceptibilidade em um estabeleci‑ mento farmacêutico na cidade de Fortaleza Figura 5.Medicamentos para infecções respiratórias sem prescrição médica. A figura 2 evi‑ dencia que as prescrições de antibióticos são maiores na faixa etária de zero a dez anos. De acordo com a Associação Brasileira das Indús‑ trias Farmacêuticas (Abifarma). a falta de instrução e informação da maioria da população justificam a pre‑ ocupação com a qualidade da automedicação praticada no país 19. na farmácia.

O nosso índice de automedicação que foi de ape‑ nas 25 %. Em nosso estudo. 25 % em laboratórios de medicamentos e 18% foram obtidos em quiosques. entrevistou 455 pessoas e descobriu que 36% revelaram fazer uso de au‑ tomedicação. 2008 . a bula representa o principal material informativo fornecido aos pacientes na aquisição de me‑ dicamentos produzidos pela indústria farmacêutica. Sob pena de termos futuros profissionais da saúde coni‑ vente com a prática da automedicação. A automedicação poderia ser incentivada por bulas acessí‑ 6 Infarma. A automedicação também ocorre em grupos com alto nível de escolaridade como no estudo realizado por Cesolari7 et al 1999. Estudantes de Medicina e Farmácia da Universidade Federal da Paraíba. os grupos farmacológicos adqui‑ ridos. com 25. principalmente com relação aos antimicrobia‑ nos. comparou‑se a prevalência da automedicação entre o centro da cidade e os bairros e o resultado encontrado foi de 42.8% dos medicamentos vendidos eram os que só podiam ser vendidos com retenção da recei‑ ta azul. Outro fator deve ser rela‑ tado é a localização da farmácia. verificou‑se a indica‑ ção de amigos. no Equador. visitaram 100 far‑ mácias. em apenas 3 % das farmácias o balconista orientou sobre a possibilidade de reações adversas. em 59 o balconista ao atendê‑los indicou um medicamento. Foi observada uma correla‑ ção significativa entre a idade e automedicação e que os pacientes do sexo feminino se automedicam com maior prevalência. Holthassen 13 et al 2001.4%). e dos que possuíam 16. contribuindo com 76%. Em estudo semelhante sobre automedicação em Pas‑ so Fundo. observa‑se uma boa relação médica – paciente. mas em pacientes que adquiriram antimicrobianos para tonsilites e faringites. anticoncepcionais orais e descongestionantes orais e nasais10. Em estudo realizado em Caxias do Sul objetivando determinar a proporção de compra de medicamentos sem receita médica e destes. antiinflamatórios não este‑ róides. Rio Grande do Sul. Neste estudo.9% afirmaram que se automedicam. ao estudar a automedi‑ cação entre acadêmicos da área de saúde observou um índice elevado cerca de 72.87% dos entrevistados não dispunham de receita médica ao adquirirem medicamen‑ tos. em Florianópolis. diante desses resultados. A automedicação não é somente um problema de cidades brasileiras. Lalama15. No nosso trabalho dos 25 pacientes que não busca‑ ram orientação médica (Figura 5). No nosso trabalho o índice de automedicação foi menor (25%). em um bairro de classe média da cidade de Fortaleza.9% de pessoas que se automedicam. estudando a automedicação.1% para o centro e 40. 1999. Em um estudo realizado sobre a automedicação ocu‑ lar tópica. na maioria das vezes de forma errada e incompleta 17. que entrevistou 330 universitários. este resultado é menor que o encontrado na literatura3. apesar de ter direcionado nosso estudo para antimicrobianos para o tratamento de tonsilites e faringites. a faixa mais prevalente encon‑ trada foi a de zero a dez anos e a prevalência também foi de 25% (figura 1). o que reflete uma postura negligente quanto ao uso do medicamento. antibióticos (22. A automedicação de analgésicos é a que possui maior prevalência6. Em relação ao número de prescrições sem realização do exame microbiológico e TSA podemos observar que a demora nos resultados dos exames. o custo. determinou‑se que 64. a dificuldade de retor‑ nar ao médico para a análise deste exame.1%). nº 7/8. Foi observado que os grupos farmacológicos mais utilizados foram os analgésicos (46. antibióticos 22% e vitaminas 17 %. foi observado que a faixa etária de 26 aos 45 anos foi a mais freqüente. dentre outros fatores. estudando a automedicação no Sul do País encontrou um percentual de 69. contribuindo assim com a di‑ minuição da automedicação.5%. Dentro do grupo que realizou a automedicação 49% obteve informações através de propagandas veiculadas em cartazes. podem explicar a baixa porcentagem de prescrições médicas com o exame microbiológico. estudando a autome‑ dicação. Vilarino26 et al 1998. talvez sejam al‑ guns dos fatores que possam explicar a baixa porcentagem destes exames. Os grupos farmacológicos mais adquiridos forma os analgésicos.8%) e antiinflamatórios (9. 6. No Brasil. foram en‑ trevistadas pessoas que usavam medicamentos oculares tópicos.20. No que se re‑ fere à consulta do profissional Farmacêutico no balcão da Farmácia. Cerca de 22% admitiu que recebeu indicações de familiares e 18 % receberam informação na própria Farmácia. observou que 56% dos futuros profissionais da área de saúde não fazem uso da assistência farmacêutica. A pesquisa demonstrou que os referidos universitários não representam agentes multiplicadores de cunho educativo no que se refere a riscos e benefícios da automedicação. Os grupos farmacológicos mais consumidos foram analgésicos 90%. Isso pode ser devido a um maior esclarecimento da população com relação a auto‑ medicação. v. uma vez que estes requerem uma atenção especial ao serem prescritos ou indicados. na cidade de Quito.9% para os bairros5. 87 % dos medicamen‑ tos eram obtidos na Farmácia. balconista com 20% e Farmacêutico com 4%.21% tiveram sua prescrição alterada.vezes solicitam um tratamento imediato. Não ocor‑ reu diferença significativa em relação ao sexo. Em apenas 8% das farmácias os alunos foram orientados a procurar um médico e. antipiréticos. em João Pessoa.5% revelando que se automedicam2. destes 30.

pre‑ cisam coibir a venda de antibióticos em estabelecimentos não farmacêuticos. BARBOSA‑BRANCO. Brasilia. 4.L. 8...D. n. Guanabara Koogan. R. 1996. A. Lima.J. mais potentes e bem mais caros. V. M.. A. BERTELLI. CABEZAS.F. M. Cen‑ tro de Ciências Saúde v. E. O medicamento. M. p.E. 1999. como em outras áreas o Farma‑ cêutico deverá participar efetivamente do processo saúde – doença. 1994.4. GONÇALVES...M. p. 5.70. Pediatria. BORGES. AP. Education Medica Continuada.12.71‑7. E. FABRA. ORMEÑO.15. CARVALHO.S.34.22. p.. Automedicaci‑ ón de analgésicos no narcótico / consultório Santo Tomás.6.A. Medicamentos Problema. Perfil de consumo de medicamentos en la ciudad de Quito. PEREIRA. ARRAIS.M. BUTUGAN. S. n. Medicina & Sociedad. KAMPF.E. Lima: Boletin n. Esse tipo de conduta possui um papel muito relevante na saúde pública..N.F..58.M.. 18. MELO. v. p. G... E.L. MENDES. os possíveis efeitos adversos e o uso desnecessário de antibióticos. Segundo Mota16 et al 2000.2. SILVA.N. RIGHI. Princípios gerais do uso clínico dos antibióticos. PABIAZA.C. SANCHEZ.199‑205. 2002.L..R.. S. B. ACCIÓN INTERNACIONAL POR LA SALUD. 13. 2001.. p. principalmente no uso indis‑ criminado de antibióticos..Medicina. MULLER.19‑35. v.H.N. HOLTHAUSEN. L. p. 16... SOUZA. L. MATTAR. Infarma. I. GERSTNER. 35‑8.C. 114 p. C. nº 7/8.2..R. n. G. L. Automedicação tópica ocular em Flo‑ rianópolis – Santa Catarina. BALBANI. 1997. A informação constitui. as‑ sim. OLIVEIRA. P. juntamente com as vigilâncias estaduais e municipais.15. Brasília..M. 15.1.veis e de fácil compreensão.. R. nº3/4. n.S. 10. MELO.M. Rio de Janeiro.. J. CHETLEY. MOTA. A.. p. 7.. caso não esteja bem orientada.24. v. R. 1997. 1993. D.. n.17. A Farmácia co‑ munitária. S.. Jornal Brasileiro de.. VASCONCELOS.A. na Farmácia comunitária do futuro. 2. N. assim como questões que envolvam a farmaco‑ terapia. Infarma..E. quando na ausência da consulta médica. A.B. M.1.. n.1.P. A.A M. 2008 7 . S. COELHO. 1994.D. 1999. M. Diminuindo.M. ADELMAN. E.. aplicando estratégias de educação do consumidor para o uso racional dos medicamentos21. 2001. Coordinación Inte‑ ristitucional de Medicamentos Essenciales.S. 1996. Revista Medica Hospital São Vi‑ cente de Paulo v.G. n. BARSÉ. Dicionário Terapêutico Guanabara. BUSNAIL. & ZANINI. pode tornar‑se um problema de saúde. Brasileira.. Revista Brasileira Oftalmologia v.T. Revista Cienifica.R. diminuindo o seu uso indiscriminado. Acta Odonto‑ lógia Venezolana. Automedicação no Brasil. a automedicação e o Farmacêutico: projeções para o XXI. M. p. J. MIGUEL M. DEWES R. 14. passa a ter um papel fundamental na difusão do auto‑cuidado.32. ADAM NETTO. 1999.9‑11.31. M. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. p. p.P. 19.3.. Automedicação Passo Fundo‑RS. O. 1999. Venda de medicamentos sem receita nas farmácias de João Pessoa. 20. C.7‑9.7‑13. de um modo geral.P. TRITINAGLIA. TOKARSKI. C. ZORZETTO. 11. A. FERNANDES..I. J. Revista Associação Medica. BATISTA. v. tendo muitas vezes que utilizar outros antibióticos.71‑77. 1997. FREITAS.14. PÉREZ. M. é o único profissional habilitado a informar sobre o uso ou não de antibióticos. Automecación en adolescentes universitários.36. 17. M. DINIZ. Rio de Janeiro: Megraw‑Hill Interamericana Editores. v. 1994. 9. G.B. Perfil da automedicação no Bra‑ sil. 1996.2. n. Tratamento da sinu‑ site aguda em crianças nas famílias do interior de São Paulo. Bulas de medicamentos com instrumento de informação técni‑ co‑científica.64‑6. RIBEIRO A. T. p. Automedicação em Caxias do Sul.1. A..V. A. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S. v. v. 2000. GILMAN. GARROTE. LALAMA. uma vez que o Farmacêutico não esta presente para orien‑ tar sobre o uso correto.O. n. O farmacêutico. N. 1.2. M. 2000. v. AMECS.. Rel. REY. 21.. 3. Uso racional de los antibióticos.33‑9.158..S. L. v. KOROKOLVAS. 1993. 6. Paul.S. a melhor aliada no combate a automedicação. n. J. nº1/2. A. M. hoje. BRANCHER. Mundo Saúde v. 23. J. MARQUES. Revista Saúde Publica.20. CESOLARI. 12. v. 2000. na farmácia.L.. n. Infarma.103‑6.4. Revista Saúde Pública.ed. A. FES‑ TUGATTO.22‑28. Automedicação e os acadêmi‑ cos da área da saúde. O. 9. a auto‑medicação e a farmácia.A. reFerenCIas bIblIográFICas 1. n. PAULO. O estabelecimento farmacêutico além de assumir compromisso com a saúde individual e comunitária.98‑105.S. seja diminuindo gastos para o governo ou aumentando os custos orçamentários e. ARNAU. No que diz respeito a infor‑ mação sobre a ação esperada medicamento.76‑78. p. 2001.. H. p. p...64. e exigir um controle mais rigoroso nas prescrições e compra deste medicamento. Dicionário de termos técnicos de medicamentos de medici‑ na e saúde. PESCADOR. Health action international (HAL‑Europa). A população precisa saber que o uso indevido de antibióticos e o tratamento incompleto poderão ocasionar problemas mais sérios. J.B. p. S.F.L.13. as bulas não fornecem condições para o paciente entender como o medicamento poderá ajudá‑lo12. v. n.C.D. Santia‑ go do Chile.V.Y. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). observa‑se que. Os autores afirmam também que a automedicação no próximo milênio será algo crescente e inevitável no mun‑ do inteiro.

v.. F. P. p. S.M. 2008 . Perfil da automedicação em município do sul do Brasil. p. nº 7/8.1.2. T..R. C. F..P. SOBRAVIME (Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos).34. São Paulo. 1998. Microbio‑ logia Médica. I.R. MENGUE.. Farmacologia.M.n. Acción internacional para la salud‑America Latina y el Caribe. 5a ed. R. 8 Infarma..F. 5ª edição. TOLEDO. VILARINO. 2001. DAL‑PIZZOL. 2000. 25. p. BOR‑ TOLI. SCHENKEL. SILVA. C.. SILVEIRA.. BELLO..A.184‑9.S. TRABULSI. Revista Saúde Pública v. M. SILVA. 24.20. Bulas de medicamentos e informação adequada ao paciente.P.n.F. ALTERTHUM. J. Revista Saúde Pública v. O que é uso racional de medicamentos.. 26. RÖDEL AP. 23. L.43‑6. R.. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.32. 1999...22. SOARES.C.R. Livraria Atheneu Editora.40‑52. E. LEMOS. 1998. Rio de Janei‑ ro.

devi‑ do à farmacoterapia que. Quando o coração lança o sangue. mas apenas um mal‑estar ou uma gripe1. cerca de 20% dos adultos e 65% dos ido‑ sos. entendidos como resultados clínicos negativos. em nosso meio. Sub‑coordenadora e docente do curso de Farmácia da Faculdade de Medicina de Campos – RJ. a pressão sobe e as artérias expandem‑se. provocados por diversas causas. a hiper‑ tensão é comum. efeti‑ vidade e segurança. Trata‑se. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define que pressão alta ou hipertensão é o aumento da pressão arte‑ rial acima dos níveis de 140 por 90 mm Hg1. Para facilitar a compreensão do que vem a ser hiper‑ tensão. Após cada batimento. o coração relaxa. são as principais causadoras de óbito na população brasi‑ leira. v. S. Acadêmico do 8º período de Farmácia da Faculdade de Medicina de Campos – RJ. que pode passar despercebido.br InTrodUção A hipertensão arterial é uma doença crônica dege‑ nerativa mais comum. sendo responsável por altos índices de morbi‑mortalidade entre os idosos2. problemas que se refletem na saú‑ de. PRM2 – O paciente apresenta um problema de saúde. movimento que recebe o nome de pressão sistólica ou pressão máxima de saída de san‑ gue. maior prevalência das enfermidades crônico‑degenerativas e a poli‑farmácia aumentam a incidência dos problemas relacionados aos medicamentos (PRM)2. processo que recebe o nome de pressão diastólica ou pressão mínima1. o coração se contrai e joga o sangue em cir‑ culação. então. Infarma. Fatores como envelhecimento. de um problema de saúde comum. E‑mail: jaise@acessototal. nº 7/8. por utilizar um medicamento que não necessita • Efetividade PRM3 – O paciente apresenta um problema de saúde por uma inefetividade não quantitativa. CaMPos dos goYTaCaZes – rJ henrIqUe Pessanha das Chagas sIqUeIra1 JaIse sIlva FerreIra2 1. em todo o mundo. razões pelas quais os pacientes não cumprem adequadamente seus tratamentos3. 2.20. Além disso. Nos países desenvolvidos. Especialista em Atenção Farmacêutica. levando o indivíduo a pen‑ sar que não tem nada grave. PRM4 – O paciente apresenta um problema de saúde por uma inefetividade quantitativa. que atinge de 6% a 8% das crianças. há mais de 30 anos. Autor responsável: J.com. a falta de informa‑ ções sobre medicamentos é apontada como uma das vari‑ áveis mais significativas e de maior impacto. é fundamental relembrar o mecanismo de traba‑ lho do coração e função dos vasos sangüíneos que levam oxigênio e nutrientes para os órgãos do corpo. PRM são. as doenças cardiovascula‑ res são responsáveis pela metade das mortes. PRM6 – O paciente apresenta um problema de saúde por uma insegurança quantitativa de um medicamento. avalIação no CenTro de saUde esCola de CUsTodoPolIs. A cada batimento. Apesar de não ser a única causa. A classificação dos PRM segue três eixos principais: necessidade. por não utilizar um medicamento que necessita. 2008 9 .ProbleMas relaCIonados a MedICaMenTos eM Idosos qUe UTIlIZaM anTI‑hIPerTensIvos. • Segurança PRM5 – O paciente apresenta um problema de saúde por uma insegurança não quantitativa do medicamento. • Necessidade PRM1 – O paciente apresenta um problema de saúde. Ferreira. em termos mundiais. portanto. Dentre essas doenças. conduzem ao não alcance do objetivo terapêutico ou ao aparecimento de efeitos não desejados. fazendo‑o percorrer milhares de quilômetros de vasos sangüíneos ao longo do corpo humano1. cessa a en‑ trada de sangue e a pressão cai.

com 35% (7) em faixa etária que variou de 60 a 70 anos. mas que. PRM 2. PRM 5 e PRM 6 (Tabela 2). Relação entre PRM e exercícios físicos. dá a este profissional qualificação e oportunidade ímpar de estar com o paciente.5%. Tabela 2. nº 7/8. Distribuição dos pacientes por faixa etária. 50% (10) entre 71 a 80 anos e 15% (3) entre 81 a 90 anos(Tabela 1). Ao contrário. Principais PRM’s encontrados. 2008 . Orientar o usuário e desenvolver ações educativas sobre medicamentos não são atividades exclusivas do far‑ macêutico. 70% (14) não fazem uma dieta adequada. o qual se baseia na obtenção do histórico farmacoterapêutico do paciente. dos Tabela 3.6% da população aci‑ ma de 15 anos e com menos de três anos de estudo. isto é. Aten‑ dendo as questões éticas e legais associadas à pesquisa os entrevistados foram esclarecidos quanto aos aspectos de seu anonimato e de sua participação voluntária. 70% (14) eram do sexo feminino e 30% (06) do sexo masculino.No Brasil. somada à função de dispensar medica‑ mentos. é fácil su‑ por que a situação não é muito diferente3. Dos pacientes que não praticam exercícios físicos 55. tendo sido elaboradas tabelas com os principais resultados obtidos. a própria natureza da formação do farmacêutico. Foi observado a presença dos PRM 1. 90% (18) não praticam exer‑ cícios físicos. Pacientes que: Não praticam exercícios 90% (18) Praticam exercícios 10% (2) Apresentam PRM 55. v. antes que seja iniciado o seu tratamento.6% (10) 50% (1) Não apresenta PRM 44. Pesquisas recentes demonstraram que usuários de medicamentos se mostram amplamente recep‑ tivos ao aconselhamento farmacêutico3.4% (8) 50% (1) Total 100% 100% 10 Infarma. devem estar intimamente rela‑ cionadas às atribuições de todos os profissionais da equi‑ pe de saúde. No entanto. PRM 4. 55% (11) dos pacientes apresentaram algum tipo de PRM e 45% (9) não apresentaram PRM.1). dependendo do Estado. Idade 60 a 70 anos 71 a 80 anos 81 a 90 anos Total Quantidade 7 10 3 20 Porcentagem (%) 35 50 15 100 MaTerIal e MéTodos Trata‑se de um estudo transversal observacional so‑ bre os principais PRM’s (Problemas Relacionados com Me‑ dicamentos) em idosos hipertensos de ambos os sexos que utilizam anti‑hipertensivos e foram atendidos no Centro de Saúde Escola de Custodópolis em Campos dos Goytaca‑ zes – RJ. utilizando‑se o programa EPI DATA (3. e na avaliação do estado de sua situação em uma determinada data a fim de identi‑ ficar os possíveis PRM’s apresentados pelo paciente4.7%. Do to‑ tal de pacientes. 30% (6) utilizam plantas medicinais e 55% (11) não uti‑ lizam os medicamentos corretamente. O objetivo deste trabalho foi identificar os principais problemas relacionados com medicamentos anti‑hiperten‑ sivos administrados em idosos no Centro de Saúde Escola de Custodópolis em Campos dos Goytacazes – RJ. sendo 95% (19) alfabetizado e 5% (1) analfabetos. Tabela 1. pode chegar a 30. utilizando o Método Dáder. os problemas de saúde que ele apresenta e os medicamentos que utiliza. 5% (1) são fumantes e utilizam bebida alcoólica. em que pese a carência de avaliações especificas.6% (10) apresentam algum tipo de PRM (Tabela 3). o acesso aos pacientes foi bastante facilitado. A coleta dos dados foi realizada. com a taxa de analfabetismo de aproxi‑ madamente 13. PRM´s PRM 1 PRM 2 PRM 3 PRM 4 PRM 5 PRM 6 Quantidade nº 3 3 0 6 1 3 Porcentagem % 15 15 0 30 5 15 Do total de pacientes (20). A tabulação dos dados foi realizada. resUlTados Foram entrevistados 20 pacientes.20. durante os meses de março e abril de 2007. e com cerca de 29. Por se tratar de um Centro Escola. Foram entrevistados 20 idosos com idade superior a 60 anos.

com o pro‑ pósito de alcançar resultados concretos que melhorem a qualidade de vida do paciente. O acompanhamento de disfunções em diferentes órgãos e sistemas compromete o processo de absorção. Assim. que 15% (3) dos pacientes apresentaram PRM 2. Relação entre PRM e dieta alimentar. v. Como podemos ver na tabela 5. a fim de identificar.7% (4) Total 100% 100% Tabela 5. duração de tratamentos inade‑ quada.7% (5) 66.3%(9) apresentaram algum tipo de PRM (Tabela 4) e dos pa‑ cientes que não utilizam os medicamentos corretamente. resol‑ ver e prevenir PRM. respectivamente. fazendo o uso de me‑ dicamentos sem um acompanhamento necessário. Pacientes que: Não seguem Dieta 70% (14) Seguem uma Dieta 30% (06) Apresenta PRM 64. 2008 11 . falta de orientação quanto ao tratamento. o paciente fica inibi‑ do ou tem medo de fazê‑las ou ver a pressa do médico. visando a promover o uso racional de medicamentos (URM) e a otimizar o tratamento. armazenamento domiciliar incorreto e forma de administração inadequada. Observou‑se. contri‑ buindo para uma farmacovigilância eficaz. o médico não oferece espaço para perguntas. os principais objetivos da farmacovigilância incluem melhorar o cuidado com o paciente e a segurança com o uso de medicamentos. observamos uma porcentagem de 5% (1) e 15% (3).3% (2) Não Apresenta PRM 35. ou pela rapidez do atendimento pú‑ blico.20. além do paciente não se achar seguro em expressar os problemas de saúde que lhe preocupam. Pacientes que: Não usam corretamente Usam medicamentos corretamente Apresentam PRM 100% (11) 0 Não Apresenta PRM 0 100% (9) Total 100% 100% pacientes que não seguem uma dieta adequada. danos. Um fato que chamou a atenção na tabela 2 foi o número significativo de pacientes com PRM 04 30% (6). por uma questão cultural. Segundo o Centro Regional de Informação de Medicamentos6 (março de 2007). erros de medicação tais como doses inadequadas. se deve ao fato de que o idoso apresenta alterações fisiológicas e merece cuidados es‑ peciais. Segundo Arraias5 em seu estudo. interação medicamentosa. o que inviabiliza a disponibilidade de um atendi‑ mento mais racional e humanizado. fe‑ nômenos de tolerância. efetividade e riscos dos medicamentos. resultando em processos falhos de seleção. O tem‑ po de espera por uma consulta médica no SUS faz com que o paciente procure alternativas de tratamento como a automedicação por exemplo. todos apresentaram algum tipo de PRM (tabela 5). sendo esta por vários fa‑ tores. é de suma importância a atuação do farma‑ cêutico na prática da atenção farmacêutica. já que se trata de um grupo de idosos que freqüentam o Centro Escola semanalmente. Em relação aos PRM 5 e PRM 6 relacionados à se‑ gurança. dIsCUssão O presente estudo apresentou uma amostragem de 20 pacientes que foram entrevistados no Centro Escola de Custodópolis. todos os pacientes que apresentam PRM não utilizam medicamentos. como: uso de medicamentos de baixa qualidade. 64.3% (9) 33. também. resultando em baixa adesão. corre‑ tamente.Tabela 4. Infarma. Foi observado neste estudo que 55% (11) dos pa‑ cientes apresentaram algum tipo de PRM. anulando‑se. nº 7/8. pois não se sen‑ tiam confiantes e desconheciam o papel do Farmacêutico. Relação entre PRM e uso correto de medicamentos. con‑ tribuindo para avaliação. isso se deve ao fato de se tratar de uma comunidade carente com dificuldades financeiras em adquirir a medicação que necessita e pela dificuldade ao acesso de medicamentos gratuitos. sendo necessário vários encontros posteriores para con‑ quistar a confiança do paciente. Na tabela 2 observou‑se que 15% (3) dos pacientes apresentaram PRM 1. freqüência de tomadas de me‑ dicamentos inadequada. Sendo esta uma amostragem específica. não procuram um tratamento adequado. Deve‑se a falhas terapêuticas. Considerando que cada paciente pode ter mais de um PRM diferente. foi encontrado um total de 16 PRM como mostra a tabela 2. A coleta de dados foi insu‑ ficiente no primeiro encontro já que os pacientes tinham dificuldades em passar as informações. que. mau uso e falta de efetividade. abasteci‑ mento e controle de qualidade. prejudicando à saúde do paciente.

br> Acesso em: 06 out 2006. NOGUEIRA. reFerÊnCIas bIblIográFICas 1. O risco de danos é menor. MÉTODO DÁDER. PELÁ. 7. ain‑ da. F. 2004. Além disso.. ConClUsão Conclui‑se que os principais PRM encontrados em pacientes idosos hipertensos que freqüentam o Centro Es‑ cola de Custodópolis foram: PRM 1. BARRETO. Sendo assim..S. preferir fármacos comprovados através de evidências cientificas.R.G. quando compara‑ do com adultos jovens7. 12 Infarma. ajudá‑los a reconhecer as reações adversas a medi‑ camentos (RAM).D.. FAUS. Atencion Farmacêutica en Geria‑ tria. Brasil. sendo comprometidas a farmacocinética e a farmacodinâmica de diversos medicamentos. o idoso apresenta maior susceptibilidade a efeitos cola‑ terais e boas respostas a doses baixas de medicamentos. 2008 . Aspectos dos Processos de prescrição e dispensação e de medicamentos na per‑ cepção do paciente : estudo de base populacional em Fortaleza. 6. destacam‑se a forma farmacêutica. 2003.V.. Disponível em: <www.M. COELHO. tanto convencionais como medicamento fitoterápico. MARIN. dis‑ cinesia tardia e delírio medicamentoso. com base na resposta terapêutica e na tolerabilidade6.L. Disponível em: http://regional. incluindo as relacionadas aos produtos de venda livre. JUNIOR.portaldasaúde. no sentido de melhorar a segurança com o uso dos medicamentos em Campos – RJ. do tratamento. A prescrição de medicamentos para idosos envolve a compreensão e o entendimento das mudanças funcionais e estruturais dos órgãos e sistemas decorrentes da ida‑ de avançada. I. que deverá ser elevada paulatinamente.gov... CÁRNIO. OSÓRIO‑de‑CASTRO. p..bvsalud. MANUAL DE ACOMPANHAMENTO FARMACOTERAPÊUTICO. FERNÁNDEZ‑LLIMÓS.H.L.C.. 5. BRASIL – Ministério da Saúde. DE LYRA. Informativo do CRIM (Centro Regional de Informação de Medicamentos) ano IX. S.distribuição. 2. N.T. R. o que resulta no aumento da distribuição de fármacos lipossolúveis e o comprometimento da função para depuração de fármacos que são primariamente ex‑ cretados pelo rim. sendo altamente susceptível a interação medicamentosa. Ceara. sendo ne‑ cessário seguir algumas regras básicas para a melhoria na qualidade da terapia farmacológica dos idosos como: pre‑ ferir sempre a mono‑terapia. E. potência. aumento da gordura corpórea.J. mediante descrição.. LUIZA.org/apps desde Jan de 2003 acesso em 18 de maio de 2007.. M. 3. PRM 5 com 5% dos pacientes e PRM 6 com 15% dos pacientes. 2006. P. AMARAL. quando os medicamentos são dispensados por profissionais de saúde informados e por pacientes que entendem e compartilham a responsa‑ bilidade do uso de seus medicamentos. no qual um farmacêutico coopera com o paciente e outros profissionais de saúde. VEIGA. H. Assistência farmacêutica para gerentes mu‑ nicipais Rio de Janeiro: OPAS/OMS. março de 2007.S. evitar o uso de dois ou mais fármacos de mesma classe terapêutica. Devem. MACHA‑ DO‑dos‑SANTOS. sempre iniciar o trata‑ mento com a menor dose possível. J.M. Segundo CRIM6 (março de 2007).P. nº 7/8. execução e monitorização de um plano tera‑ pêutico que produzirá resultados terapêuticos específicos para o paciente. CARRANZA. E. parkinsonismo. v. Evitar drogas com acentuado perfil de efeito colateral é uma saída terapêutica adequada.373 4.L.L. ARRAIAS. simplificar os esquemas de administração. A farmacoterapia no idoso: Revisão sobre a abordagem multiprofissional no controle da hipertensão arterial sistêmica – maio/jun. MACHUCA. dentre os fatores que contribuem para o aumento dos riscos. A FARMACOVIGILANCIA É INDISPENSAVEL.20. TORREJÓN.S. D. M. J. C. PRM 2 com 15% dos pacientes respectivamente. M. Em funções das alterações farmacocinéticas citadas. já que o idoso faz uso de muitos medicamentos. Os farmacêuticos têm de admitir e assumir sua res‑ ponsabilidade quanto a informar aos pacientes acerca dos riscos e benefícios. é indispensável a implantação da atenção farmacêutica. no atendimento básico à saúde. Portal da saúde: Hipertensão Ar‑ terial..7além de contribuir para a farmacovigi‑ lância. PRM 4 com 30% dos pacien‑ tes. V.C. metabolização e eliminação de fármacos. redução do fluxo sangüíneo e do pro‑ cesso de biotransformação hepática. o idoso apresenta maior incidência de quedas. 2002. 2005 Elsevier – Espanha.

devidamente acondicionado e transportado em caixa isotérmica. para a verificação da presença de Pseudomonas aerugino‑ sa em fórmulas infantis e por se tratar de um patógeno oportunista e responsável por vários episódios de graves infecções. prepara‑ das em mamadeiras no lactário de um hospital da cidade do Recife‑PE. sob prescrição de um mé‑ dico ou nutricionista. Estafiloco‑ cos coagulase positiva. v.br InTrodUção Entre as unidades hospitalares responsáveis pela preparação de alimentos e que merecem especial atenção. 2. ao La‑ boratório Central de Saúde Pública de Pernambuco para a realização das seguintes análises microbiológicas: estima‑ tiva do número mais provável (NMP) de coliformes totais e coliformes termotolerantes. O material coletado foi encaminhado. Autor responsável: A. 3. Por definição. o ali‑ mento será considerado impróprio para o consumo huma‑ no quando apresentar condições sanitárias insatisfatórias. 2008 13 . MaTerIal e MéTodos Foram coletadas amostras de fórmulas lácteas in‑ fantis em pó preparadas em mamadeiras no lactário de um hospital da cidade do Recife/PE. professora associada do Departamento de Biologia‑UFRPE. coliformes a 45ºC (termotolerantes).com. juntamente com água. cujos resultados analíticos demonstrem a presença ou a quantificação de microrganismos patogênicos ou toxinas que representem risco à Saúde Pública. encontra‑se o lactário. para satisfação das necessidades nutricio‑ nais deste grupo etário (BRASIL. LACEN‑PE. S. contagens de Staphylococcus coagulase positiva (UFCg‑1) e Bacillus cereus (UFCg‑1). A legislação vigente. O objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade mi‑ crobiológica de fórmulas lácteas infantis em pó. Assim.20. Farmacêutica. doutora em Ciências Biológicas. Farmacêutica‑Bioquímica. uma das formas de veiculação de microrganismos patogênicos a recém‑nascidos e crianças de baixa faixa etária podem ser as fórmulas lácteas infantis em pó pre‑ paradas em mamadeiras. mestre em Ciências Farmacêuticas. UFRPE. (2004). de acordo com os métodos preconizados no “Compendium of Methods for Infarma. Segundo RODRIGUES et al. avalIação no laCTárIo de UM hosPITal da CIdade de reCIFe – Pe abIgaIl da sIlva araúJo1 lúCIa roberTa de soUZa FIlIZola2 MarIa de MasCena dInIZ MaIa3 1. diluídas em água. Bacillus cereus e Salmonella sp. 2002). até o sexto mês. 10 amostras em abril. pesquisa de Escherichia coli e Salmonella sp. fórmula infantil para lactente é o pro‑ duto em forma líquida ou em pó. sendo obtidas 3 amostras em março. totalizando‑se 42 amostras.avalIação MICrobIolÓgICa de FÓrMUlas láCTeas InFanTIs eM PÓ. que é o local desti‑ nado ao preparo. (BRASIL. a de‑ tecção dos seguintes microrganismos: coliformes a 35ºC (totais). Foi investigada a presença de microrganis‑ mos indicadores de condições higiênico‑sanitárias esta‑ belecidos pela RDC‑ANVISA nº12/2001 e a presença de Pseudomonas aeruginosa. é relevante a sua pesquisa neste alimento infantil. Araújo. As amostras foram coletadas em dias e horários variados. destinada à alimentação de lactentes. 22 amostras em maio e 7 amostras em junho. devido ao risco de veiculação de microrganismos através dos alimentos. Bióloga pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. a qual determina. para a categoria de alimentos “fórmulas infantis”.. responsável pelo Setor de Bromatologia do Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco. durante o período de março a junho de 2007. no Brasil. principalmente em pessoas imunocomprometi‑ das. PreParadas eM MaMadeIras. E‑mail: abigail‑araujo@ig. que trata dos Pa‑ drões Microbiológicos para Alimentos é a Resolução RDC nº 12. Uma vez que não há especificação na legislação. de 02 de janeiro de 2001/Anvisa. em substituição total ou parcial do leite materno. nº 7/8. 2001). 1997). chá e demais hidratantes para alimentação de recém‑nascidos e de pacientes da pediatria (SALLES & GOULART. higienização e distribuição de mamadei‑ ras de leites e seus substitutos.

0 <3.0 <3. em pó.0 <3. Coliformes totais (NMP/ml) 1100 150 >1100 1100 9.0 <3. exceto os resultados para a pesquisa de Pseudomonas aeruginosa. nº 7/8.0 <3.0 <3.0 43 <3. em pó.0 <3. Padrões de tolerância utilizados para a avalia‑ ção dos resultados das análises microbiológicas realizadas com as amostras de fórmulas lácteas infantis em pó. lactário de um hospital da cidade do Recife/PE podem ser visualizados na Tabela 2.0 <3.0 <3.0 <3.6 <3. 2001). aeruginosa Presença Presença Ausência Presença Presença Ausência Ausência Presença Presença Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Presença Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Presença Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Presença Ausência Ausência Ausência Amostras 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 14 Infarma.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 1100 460 460 93 460 93 150 <3.0 <3.0 <3.0 <3. Resultados das análises microbiológicas de fórmulas lácteas infantis.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3. 2008 .0 <3.0 <3.0 <3. Tabela 1.6 <3. 2007.0 <3. preparadas em mamadeiras no Fonte: Resolução – RDC nº12.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 9.0 <3.0 <3.0 3.0 E.0 <3./25ml resUlTados e dIsCUssão Os resultados das análises microbiológicas de fórmu‑ las lácteas infantis.0 1100 75 <3.0 <3.0 460 <3..0 <3.2 3.0 <3.0 <3.0 <3. Limite de tolerância aceitável pela legislação 10 NMPg‑1 Ausência Ausência 102 UFCg‑1 Ausência Microrganismo Coliformes a 35°C/ml Coliformes a 45ºC/ml Staphylococcus coagulase positiva/ml Bacillus cereus/ml Salmonella sp.0 <3. cereus (UFC/ml) <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 Pesquisa de P . al. Tabela 2.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.2 1100 <3.0 Coliformes termotolerantes (NMP/ml) 75 43 35 <3.0 <3. 2001).0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3. 1995).0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.20.0 <3.0 <3.0 <3. Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Presença Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Ausência Contagem de Staphylococcus coagulase positiva (UFC/ml) <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 <10 Contagem de B. 2001) e avaliados como satisfatórios ou insatisfatórios com base nos limites de tolerância es‑ tabelecidos pela mesma (Tabela 1). coli (NMP/ml) <3.0 <3.0 3.the Microbiological Examination of Foods” (DOWNES & ITO. Os resultados obtidos das análises microbiológicas foram comparados com os parâmetros microbiológicos para alimentos estabelecidos pela Resolução RDC nº12/01 da Anvisa (BRASIL.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 Pesquisa de Salmonella sp.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3. e pesquisa de Pseudomonas aeruginosa utili‑ zando como princípio metodológico o “Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater” (EATON ET.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.0 <3.6 23 <3. preparadas em mamadeiras no lactário de um hospital da cidade do Recife/PE.0 <3.0 <3.0 >1100 <3.0 <3.0 <3. v. de 2 de janeiro de 2001 (BRASIL.

normalmente encontrado nas fezes destes animais (DRUBI. SESSA & FUR‑ LANETTO (1990) encontraram. a qual foi encaminhada à Fiocruz – RJ e identificada como Sal‑ monella typhimurium. coli em 15. coli.6 a 460 NMP/ml. coli presentes no trato intestinal são inócuas a menos que estejam distribu‑ ídas em outras as partes do corpo humano. A maioria das E. 2007). Assim. leite e alimentos. em 37.9%) amostras estavam contaminadas por coliformes termotolerantes. Verificou‑se que cinco (11. SESSA & FURLANETTO (1990). Todas as amostras para a contagem de Bacillus ce‑ reus se encontraram em condições satisfatórias. A sua enumeração laboratorial auxilia na ava‑ liação do perigo potencial. observou‑se que 58. No Brasil. ou seja. MUNIZ (2005) estudando dietas em pó manipuladas em um hospital universitário público no Brasil verificou que Bacillus cereus estava presente em contagens elevadas. da sua presença. sua pesquisa em alimentos é de fundamental importância. Ela é um dos principais sorotipos isolados em ca‑ sos esporádicos ou surtos no Brasil e está associada a me‑ ningites. (1978) analisando preparações lácteas no município de São Paulo. com popu‑ lações variando de 3. nº 7/8. A pesquisa deste microrganismo é importante neste tipo de alimento porque. sua presença em contagens elevadas indica falta de higiene durante a manipulação (FRANCO & LAND‑ GRAF. 25 das 42 amos‑ tras apresentaram‑se dentro dos limites de tolerância exi‑ gidos pela legislação brasileira e 17 amostras apresen‑ taram‑se fora destes limites.. portanto. têm estado alerta para a ne‑ cessidade de garantir a ausência de Salmonella nos ali‑ mentos. 2005). em condições higiênicas insatisfatórias.De acordo com os resultados obtidos. contami‑ nadas por Bacillus cereus.. Na presente pesquisa. Entretanto.5% das amostras analisadas. Essa contaminação pode caracterizar uma deficiência na manipulação. bem como os órgãos competentes de fiscalização. o que torna sua presença em alimentos um relevante proble‑ ma de Saúde Pública. eminentemente patogênico. Em função dos riscos que a Salmo‑ nella representa para os consumidores. dentre 40 amostras. falhas duran‑ te o processo de higienização de equipamentos e uten‑ sílios ou até falta de higiene pessoal dos manipuladores podem acarretar a contaminação por coliformes totais. foi detectada a presença de Salmonella sp. Em estudo realizado por SALLES & GOULART (1997) com amostras de preparações lácteas. Técnicas inadequadas de manipulação. como o trato urinário ou meninges onde elas podem causar doenças (HOBBS & ROBERTS. A Salmonella é uma enterobactéria que pode causar graves infecções gastrintestinais de origem alimentar. A Salmonella typhimurium é considerada uma das principais bactérias causadoras de salmoneloses nos animais e no homem em todo o mundo (PEREIRA et al. sendo. aureus. 2002). Escherichia coli é um dos microrganismos tido como habitante natural do trato intestinal de humanos e ani‑ mais de sangue quente. uma vez que as técnicas laboratoriais rotineiramente empregadas são extremamente trabalhosas e demoradas no fornecimento de resultados (REIS et al. isto é de extrema im‑ portância.3% das amostras analisadas do lac‑ tário A estavam contaminadas com coliformes totais fora dos limites permitidos. A E. não encontraram amostras. portanto mais suscetíveis ao desenvolvimento de infecções (LIMA et.20. evidenciando práticas de higiene e sanificação aquém dos padrões para o processamento de alimentos (SILVA et. Com relação aos coliformes totais. al. também. al. v. SANTOS &TONDO (2000) in‑ vestigando preparações lácteas do lactário do Hospital das Clínicas de Porto Alegre não evidenciaram a veicula‑ ção de patógenos como Salmonella sp. Representando um risco para a população que consome alimentos contami‑ nados por esta bactéria.. 2008 15 . A pesquisa dos co‑ liformes termotolerantes em alimentos indica. por se tratar de um produto a ser administrado a pacientes em sua maioria imunodepri‑ midos.. em uma (2. Nenhuma amostra estava contaminada com E. portanto. principalmente os de origem animal. 1997). do lactário do Hospital das Clínicas de São Paulo. verificaram que 5% das amostras estavam contaminadas por S. especialmente em crianças. SANTOS & TONDO (2000). sua ocorrência tem sido observada em todos os tipos de alimentos.4%) amostra analisada. nove amostras positivas para E. as condições higiênico‑sanitárias do produto e uma melhor indicação sobre a eventual presença de enteropatógenos (MUNIZ. essa garantia pode se tornar extre‑ mamente onerosa. com maior segurança. além de ser um grupo de bactérias potencialmente patogênicas. em pó. higieniza‑ ção de equipamentos e utensílios ou da água (mal fervi‑ da) utilizada na preparação das fórmulas lácteas infantis. coli. uma amostra foi encontrada em condição insatisfatória. Staphylococ‑ cus coagulase positiva não foi evidenciado em nenhuma das 42 amostras analisadas. analisando as condições bacteriológicas de 40 amostras de leites de lactários em São Paulo. Os produtores de alimentos. Infarma. 2005). com quantificação variando entre 23 à >1100 NMP/ml. 2005). constataram a presença de E. coli é uma indicadora de poluição fecal na água. coli em nenhuma delas. principalmente. PESSOA et al. nas amostra ana‑ lisadas. devido ao seu potencial invasivo e. SALLES E GOULART (1997) analisando 24 amostras de preparações lácteas também não detectaram a presença de E.80% das amostras. A sua presença em alimentos processados é considerada uma indicação útil de contaminação pós‑processamento. 2005). Entretanto. na água e nos alimentos fornecidos. 1999).

LANDGRAF. M. no que se refere à limpeza e sanificação. HOBBS. Pseudomona aeruginosa poderia ser usada como indicadora das Boas Práticas de Fabricação.I. otites. Acta Cirúrgica Brasileira. Os resultados obtidos são preocupantes e exigem que os cuidados no cumprimento de Boas Práticas de Ma‑ nipulação. DF.. agradeCIMenTos Ao laboratório Central de Saúde Pública de Pernam‑ buco pela permissão da realização das análises microbio‑ lógicas e ao hospital onde foram coletas as amostras.000 sorotipos diferentes de Salmonella. Resolução RDC nº12. re‑ sistência bacteriana à maioria dos antibióticos e a produ‑ ção de enzimas extracelulares e toxinas (SILVA. mas ser detectada nos equipamentos e produto acabado (SANT’ANA et al.S. a contami‑ nação de alimentos secos. SESSA & FURLANETTO (1990). 2005. 655p.E. 182p.S.P.. 2003) para o consumo. oriunda do lactário do hospital VII. supl. e de uma amostra de leite. 2005. DOWNES. 2002. Podendo causar infecções ou toxinfec‑ ções alimentares em recém‑nascidos através da ingestão do leite contaminado. de 2 de janeiro de 2001. São Paulo. 2001. 19th ed. F. n. São Paulo.1. ce‑ pas do gênero Pseudomonas. mesmo quando são mantidos em temperaturas baixas. Faculda‑ de de Ciências Agrárias e Veterinárias / Campus de Jaboticabal. ROBERTS. atualmente. de vida livre e muito encontrada em ambientes úmidos.anvisa. de três amostras de leite. evidenciando. Acesso em: 15 de jan. devido ao quantitativo de amos‑ tras contaminadas por coliformes totais e termotoleran‑ tes. 676 p. 2005. meningite e septicemia. podendo causar. Segundo GERMANO & GERMANO (2003). Higiene e vigilância de alimentos. em pó.43%) amostras. 16 Infarma. Brasília. Embora raramente seja causadora de doenças em in‑ divíduos sadios. Os mais comuns. CLESCERI. identificadas como pertencentes a espécie Pseudomonas aeruginosa. podem ocorrer durante o processo de reconstituição. ela é uma grande ameaça para pacientes hospitalizados. A. DRUBI.br/resol/12_01rdc. ITO. Segundo SESSA & FURLANETTO (1990). php?id=1631. Estudo microbiológico de matérias‑primas processadas de origem animal utilizada na fabricação de alimentos na região de Ribeirão Preto/SP. sejam urgente‑ mente tomadas.. LIMA. A presença de Pseudomonas aeruginosa foi verifica‑ da em 9 (21.20. 4th ed. infecções do trato urinário.html. 6 de ago. 1325p. do lactário do hospital III. 2007. Diário Oficial da União.. bem como pela presença de Salmonella typhimurium GERMANO. também.20. v.Há aproximadamente 2. M. São Paulo: Varela. 1999. 1999).R. preparadas em mamadeiras no lactário de um hospital da cidade do Recife‑PE demonstraram estar impróprias para o consumo dos lactentes. Toxinfecções e controle higiênico‑sanitário de alimentos. A.. no mundo. BRASIL. através da água.D. Avaliação microbiológica de dietas enterais mani‑ puladas em um hospital. 2003. 2005.C. analisando as condições sanitárias do leite de lactários isolaram durante a pesquisa de Salmonella sp. em pó. 2005). em todas as etapas da preparação das fórmulas lácteas infantis em pó em mamadeiras. particularmente aqueles com sérias doenças de base (pacientes com câncer e queimados). 33 f. reFerÊnCIas bIblIográFICas BRASIL. para assegurar a qualidade desse produto que é oferecido aos lactentes. são Salmonella enteritidis e Salmonella typhimurium. Agencia Nacional de Vigilância Sani‑ tária – ANVISA. Acesso em: 15 de jan. K. e provocar alterações de cor no leite. dos reci‑ pientes e utensílios contaminados e dos próprios mani‑ puladores. A.G.D. D. ae‑ ruginosa pode desenvolver‑se no leite. a neces‑ sidade de uma maior fiscalização e controle higiênico‑sa‑ nitário durante a manipulação deste alimento e. representando risco à saúde dos lactentes. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Disponí‑ vel em: http://e‑legis. B. Resolução RDC nº 222 de 5 de agosto de 2002. Compendium of methods for the microbiological examination of foods. GREENBERG. Ministério da Saúde. nº 7/8. Jaboticabal.L. também. desta forma. EATON. pelo índice de amostras contaminadas por Pseudomonas aeruginosa. sendo que a Salmonella typhimurium fagotipo DT 104 é conside‑ rada um patógeno emergente e altamente virulento. aeruginosa é uma bactéria ubíqua. P.gov. A alta mor‑ talidade associada a estas infecções deve‑se à combinação de fatores como defesas enfraquecidas do hospedeiro. Washington: American Public Heart Association.J. São Pau‑ lo: Atheneu. p. Dissertação (Mestrado em Micro‑ biologia Agropecuária) – Universidade Estadual Paulista. Ministério da Saúde. uma vez que freqüentemente pode não ser detectada na fonte (maté‑ ria‑prima). FRANCO. P.anvisa.C et al. as bactérias Pseudomonas aeruginosa são encontradas em feridas su‑ puradas. A. particularmente em crianças ou adultos debilitados. L. em uma das amostras. resis‑ tente a vários antibióticos (SÃO PAULO. lesões ocu‑ lares..br/leisref/public/showAct. 376p. posteriormente. 2008 . São Paulo: Varela. Dispo‑ nível em: http://www. P.gov. 1995. GERMANO. v. B. ConClUsÕes As amostras de fórmulas lácteas infantis. Microbiologia dos alimentos..27‑30. Standard methods for the examination of water and wastewater.M. Washington: American Public Heal‑ th Association.

2005. p./jun. Fagotipagem e perfil de multirresistência antimicrobiana em S.F.20.K.S. Padronização de um tes‑ te imunoenzimático para detecção de Salmonella em alimentos. R.I.P. R.38.D. MAMIZUKA.24.G. v./dec..31.129‑139. 1997. São Paulo..3. 531p.131‑139. São Paulo.. Condições higiênico‑sanitárias e microbio‑ lógicas de lactários hospitalares. 2003. Revista do Instituto Adolfo Lutz.190‑194.2. v.S.1. set. jan. R.39. V. 1990. B.. Revista Saúde Pública. Secretaria de Estado da Saúde. M. v. Campinas. Qualidade microbiológica de águas minerais.M. Revista Ciência e Tecnolo‑ gia de Alimentos.V. 2000. p. n. v. RJ: Eventos.3. v. Rio de Janeiro. jun.MUNIZ.K. PESSOA. 1997. III Sorotipos Shigella e Escherichia coli de gastroenterite infantil. Toxinfecção alimentar por Salmonella em um evento científico. et al. Brazilian Journal of Microbiology.105‑110. Indicícios de Rotavírus na etiologia de um surto de infecção de origem alimentar. SÃO PAULO. Revista Ciência e Tecnologia de Alimentos. SESSA. JUNQUEIRA. n. São Paulo. Revista de Microbiologia.M. SILVEIRA. Ocorrência de bactérias enterotogênicas em São Paulo no septênio 1970‑1976. 2002.21. Bacteriologia um texto ilustrado. p./mar. Dissertação (Mestrado em Imunologia e Parasitologia aplicadas) – Universidade Federal de Uberlândia.C.515‑518. 1999.22. p.385‑390. REIS. M. typhimurium isoladas de diferentes fontes no Brasil de 1999 a 2004. Análise de perigos e pontos críticos de controle em dietas enterais manipuladas em hospital universitário público do Brasil.A. E. SALLES.A. COSTA. nº 7/8. G. v. L. Manual de métodos de análise microbiológica de alimentos.D.13.B. Teresópolis. v. 2004.38. N.. SANT’ANA et al. Condições bacteriológicas de amostras de leite de lactário obtidos em hospitais. São Paulo: Varela. Determinação de perigos e pontos crí‑ ticos de controle para implementação de sistema de análise de perigos e pontos críticos de controle em lactário. n. Campinas. GOULART. p...A. p. mai. SANTOS.23 (Supl. Revista de Nu‑ trição./ago. v. São Paulo. SILVA.211‑222. n. SILVA. Revis‑ ta Ciência e Tecnologia de Alimentos. S.M. Revista de Saúde Pública. RODRIGUES. E. R. p. C. v. Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar do CVE/CCD‑SES.. n.M. 2007. 295p. et al. dez. FURLANETTO.2. 2008 17 . C. 2005.P. C. n. p. v. PEREIRA. Campinas. São Paulo.92. 189‑197. Campinas. n. 47 f. MEDEIROS.. 2004. FRANCO.2. Minas Gerais.88‑93.G. E. p.).M.2. abr. Infarma. N. 1978. TONDO. n.H.

depleção de glutation e modificação de grupos sul‑ fidrílicos. a terapia por medicamentos estará sempre su‑ jeita aos erros inerentes à condição humana. 2001). proteínas. principalmente.. Porém. RITTER. além do efeito terapêutico. nº 7/8. Isso. A partir das décadas de 50 e 60. RANG. que apesar da tecnologia disponível. DALE. várias substâncias eram utilizadas para a cura de enfermidades. Para‑ celsus e Fontana. Devem ser consideradas também as variações biológicas individuais observadas em organismos e populações dife‑ rentes (RANG. Estes metabólitos podem produzir peroxidação lipídica. das con‑ dições fisiológicas e patológicas do paciente. como Avicena. podem inverter sua essência de promoção da saúde e provocar efeitos deletérios. até nos dias de hoje. Vários estudos demonstraram que os erros dos pro‑ fissionais de saúde são inevitáveis. 2004). E‑mail: mezza@sercomtel. ações mais sérias no controle da legislação. os me‑ dicamentos constituem um símbolo de saúde sustentado pela comunidade científica e pela população leiga. 2008 . Porém. na maioria das vezes. Na atualidade. porém.. implantação de procedimentos sistemáticos na administração. discente do Curso de Especialização em Análises Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). algumas observadas.eFeITos TÓxICos de MedICaMenTos deCorrenTes de erros de MedICação gUsTavo henrIqUe reale lUIZ1 leda MeZZaroba2 1. 2006). v. no entanto. mas podem e devem ser minimizados (COIMBRA. Descobriu‑se. conheci‑ mento profundo do mecanismo de ação e toxicidade dos fármacos. 1998). 2. graças aos avanços da tecnologia farmacêu‑ tica e da síntese química. Sabe‑se. SIQUEIRA. que tais substâncias não provocavam apenas efeitos benéficos. No decorrer do século XX. colaterais e tóxicos. Por este motivo. Entre essas medidas podem ser citadas a avaliação prévia. produção. o conhe‑ cimento científico nos primórdios da Farmacologia e da Toxicologia era rudimentar.Mezzaroba. no entanto. Apesar disso. 2003. docente do Curso de Especialização em Análises Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL).20. novas substâncias foram de‑ senvolvidas. BARCIA 2003. os medicamentos têm o po‑ tencial de produzir também efeitos adversos. no País (AMARAL. construíram as bases das ciências biológicas e deixaram um grande legado para a humanidade (OGA. porque. pesquisadores. PR Autor responsável: L. além de interagirem diretamente com lipídios. Os medicamentos com maior probabilidade de cau‑ sar efeitos tóxicos são aqueles com margem terapêutica 18 Infarma. a cura era dificilmente alcan‑ çada e assuntos como doença e morte eram considerados ocultos ou sagrados. DALE. Os mecanismos de ação tóxica se iniciam. Certas condições clínicas. a automedicação e a “indicação de remédios” por pessoas não capacitadas tec‑ nicamente são um grave problema de saúde pública no Brasil. Profissionais da saúde e responsáveis pela regula‑ mentação da produção e utilização de fármacos estão en‑ tre os principais responsáveis por esta influência negativa relacionada ao uso indevido dessas substâncias. entre outros. CASTRO et al.br InTrodUção As interações entre agentes químicos e organismos vivos foram objeto de estudo em diferentes épocas da história humana. 2001).com. porém detalhada. geração de radicais tóxicos de oxi‑ gênio. venda e propaganda de medicamen‑ tos precisam ser colocadas em prática para que a popu‑ lação não seja afetada por efeitos maléficos ou que deles se tornem vítimas (LUCHESSI et al. RITER. se utilizados sem conhecimento técnico e critérios especí‑ ficos. 2005). 2003). PR Farmacêutica. mas também efeitos tóxicos e seqüelas. a área da saúde se desenvolveu rapidamente e a Farmacologia e a Toxicologia passaram a se destacar como ciências multidisciplinares (SILVA. Farmacêutico. Na Antiguidade. carboidratos e com o DNA da célula atingida. podem ser previstas e a implementação de medidas simples auxilia‑ riam o profissional da saúde a evitar um efeito deletério provocado pelo medicamento. por acúmulo de metabólitos do fármaco em determinados tecidos. confirmação junto ao prescritor de uma dose supostamente inadequada para o paciente (OGA. O consumo indiscriminado. como. por exemplo. durante as grandes guerras mundiais.

por for‑ mação. obje‑ tivando. mas. o qual lista cerca de 800 ingredientes ativos prove‑ nientes de animais.Y. Ito e às bases de dados virtuais PORTAL DA CAPES.. porém. O índice terapêutico (IT) define a relação entre a dose letal 50 (DL50 ou dose que provoca morte de 50% dos animais de experiência) e a dose eficaz mediana (DE50 ou dose necessária para produzir determinada intensidade de um efeito em 50% dos indivíduos). recomendava eméticos nos casos de envenenamentos e o uso de ventosas nos locais de picadas de cobras (OGA. disponibilizadas pelo Infarma. As‑ suntos. o prolongamento da vida e até mesmo. Nesta época. foi. resUlTados e dIsCUssão Desde os tempos mais remotos. automedicação e as respectivas terminologias em língua inglesa: medication errors. Além disso. ROSA. Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina (CCS/UEL). utilizado como armas. 2005) e às Normas para Apresentação de Trabalhos do periódico (INFARMA. Por estas razões.). também. eram piores do que a utilização de substâncias já relacionadas a alguma cura no passado. Apesar disso. da monitorização terapêutica do pacien‑ te (SILVA. o homem vem bus‑ cando no conhecimento das substâncias químicas a cura para enfermidades do corpo. a imortalidade. vegetal e mineral. prescrição e dispensação de fármacos. efeitos adversos. O presente artigo tem como objetivo descrever as principais causas de erros de medicação apontados na literatura es‑ pecializada.estreita. Os resultados ob‑ tidos. Dioscóri‑ des (40‑90 d. Os erros de medicação constituem um problema de saúde pública mundial. relatados. o conhecimento de tais substân‑ cias. também. geram aumento de sua permanência no hospital. observados. da possibilidade de adquirir in‑ fecções nosocomiais. efeitos colaterais. 2007). na maioria das vezes. sugere‑se a criação de ambientes adequados que favoreçam a comunicação e a atenção dos profissionais envolvidos no sistema de medicação. LILACS e SCIELO. contribuem também à limitação dos recursos financeiros direcionados a este setor da saúde (CASSIANI et al. ou seja. somente no Século XIX. é de suma importância para a minimização dos erros de medicação (ANACLETO. foram utilizados os seguintes descritores em saúde: erros de medicação in‑ toxicação. 2004). da mente e do espírito.. medications systems. 1998). não relatam os erros cometidos por medo de demissões ou por acusação de in‑ competência. 2008 19 . depende da dosagem periódica das concentrações sangüíneas do fármaco. porque a noção de funcionamen‑ to normal e anormal do corpo era muito rudimentar. Apesar de os farmacêuticos constituírem. maior sua margem de segurança pois ele indica a distância entre a DL50 e a DE50. na Alemanha.20. pois além dos danos provocados à saúde do paciente. Considera‑se que. isto é. sua relação com os efeitos tóxicos produzidos e a possível ocorrência de intoxicações. A normatização das citações e refe‑ rências obedeceu à NBR 14724 (ABNT. utilizando‑se as propriedades das substâncias químicas. por meio da elabora‑ ção de normas rigorosas a serem seguidas pelos profissio‑ nais envolvidos na seleção. portanto.C. estudados e sistematizados (COIMBRA. RITTER. A Far‑ macologia e a Toxicologia evoluíram mais lentamente. A comunidade científica é unânime no que diz res‑ peito às conseqüências destes erros não apenas para os pacientes. mas também para os profissionais de saúde que. os quais chegaram a provocar muitas mortes. 2000). A implantação de equipes multidisciplinares nos es‑ tabelecimentos de saúde que lidam com medicamentos.C. as intoxicações pelas substâncias utilizadas eram comuns e aconteciam mais do que a cura propriamente dita (RANG. a Farma‑ cologia foi reconhecida como ciência. 2003). elevação dos custos de internação e. eram considerados sagrados e mais estudados mais em função de aspectos dogmáticos ou autoritários que científicos. seja sob a forma de venenos colocados em pontas de flechas ou como constituintes de artefatos e bombas usadas em guerras mais recentes. 2006). SIQUEIRA. Um dos documentos mais antigos que relata o fas‑ cínio do homem pela natureza é o Papiro de Ebers (1500 a. eles estão naturalmente sujeitos a cometer erros em todas as fases relacionadas à utiliza‑ ção de fármacos. conseqüentemente. Como estratégias de busca. intoxication e poisoning. drugs. os profissionais mais qualificados para lidar com os medicamentos. Além disto. os eméticos e os purgativos. assim. nº 7/8. efeitos tó‑ xicos. a con‑ solidação de programas e bancos de dados para que os erros possam ser previstos. DALE. quanto maior o IT de uma droga. Apesar da longa história do estudo das substâncias químicas. por motivos sócio‑culturais. como doença e morte. Assim. vegetais e alguns minerais. v. 2004). PERINI. os “remédios” preferidos eram a sangria. durante muito tempo. em meados do século XIX. considera‑se que a forma correta de abordar os erros de medicação seria através de mudanças no sistema de medicação. O uso seguro e eficaz do medicamento. havia uma imensa relutância em utilizar na terapêutica qualquer foco científico. houve vá‑ rias tentativas de criação de terapias.) foi o primeiro a classificar os venenos de origens animal. compi‑ lados. Até aquela época. já naquela época Avicena (980‑1077) discutiu o mecanismo de ação de venenos e Paracelsus (1493‑1541) MeTodologIa Foram realizadas consultas ao acervo da Biblioteca Setorial Profª Ana M.

Resultados de pesquisa feita por alunos de farmácia que simularam uma receita completamente ilegível com medicamentos inexistentes e levaram a 40 diferentes far‑ mácias mostraram que foram vendidas 47 unidades de 17 diferentes medicamentos (BRANDÃO. segundo o autor. quando centenas de pacientes morreram devido ao tratamento com sulfanilamida que continha dietilenoglicol utilizado como solvente ou na década de 50 quando a conseqü‑ ência do uso de talidomida pelas gestantes entrou para a história. além da escolha errada do medicamento e da dose (BRANDÃO. no entanto. várias foram as novas substâncias desenvolvi‑ das pelo avanço da tecnologia de síntese química. 2000). auxiliares de enfermagem. Ressalta‑se. nos mercados brasileiro e mundial. deixando seqüelas até hoje observadas (OGA. em nome da ciência. Os testes de avaliação da toxicidade de medica‑ mentos. Ainda de acordo com esses autores. de medicamento. de letras ilegíveis nas receitas médicas que po‑ dem fazer com que o farmacêutico ou balconista troque. há décadas. são submetidos a diversas etapas de estudos as quais devem garantir sua segurança e eficácia. o Conselho Federal de Farmácia. DALE. a engenharia molecular e genética. principalmente durante as guerras mundiais. nº 7/8. sem dúvida. Tais erros podem acontecer na dispensação e na ad‑ ministração. Esta insistência reflete a necessidade de educação continuada e discussões sobre o assunto.20. mesmo após terem sido treinados. inadvertidamente. não havia fundamentação científica suficiente para se evitar ou diminuir os erros. Porém. entre outras. RITTER. O con‑ tado do homem com tais substâncias tem provocado into‑ xicações e mortes. A dose correta diferencia o veneno do remédio”. percorrem um longo caminho de estudos sobre os medicamentos. por que ocorrem erros de medicação? Sabe‑se que esses profissionais estão sujeitos a cometer erros nas várias etapas que envolvem o processo de me‑ dicação dos pacientes. 2003). Há. a fim de adquirirem co‑ nhecimentos técnicos profundos para lidar com essa im‑ portante ferramenta de promoção da saúde. contam com uma avançada tecnologia para seu desenvolvimento. 20 Infarma. Desta forma. A Toxicologia de Medicamentos é a área da Toxicolo‑ gia que estuda os efeitos nocivos dos medicamentos de‑ correntes do uso inadequado ou de variação biológica in‑ dividual. o que pode ser observado pelo elevado número de publicações sobre o tema.revolucionou o estudo da Farmacologia. Quando. mas também com ênfase na ava‑ liação da segurança e risco na utilização de substâncias químicas. considerado incontestável. principalmente a partir da década de 60. 2008 . a Farmacologia e a Toxicologia. punir ou treinar o culpado pelo erro (COIM‑ BRA. com surgimento de situações facilitadoras de erros que comprovaram falhas no sistema de medicação hospitalar. com os erros de medicação. 2005). em 1937. uma preocupação constante entre os farmacêuticos e sua principal entidade de classe. A comunidade científica tem procurado encontrar soluções para evitar ou minimizar este problema. a Farmacologia ocupa lugar de destaque. o paciente sofrerá as conseqüências de erros provocados por um sistema de medicação falho. vários estudos destacaram o conhecimento precário sobre medicamentos de vários profissionais de saúde. agrotóxicos e domissanitários são. constituem áreas que con‑ duzirão a terapêutica para um novo domínio (RANG. 2005). entretanto. SIQUEIRA. 2004). v. Toxicologia e da Terapêutica com seu postulado mais conhecido: “todas as substâncias são venenos. a terapia gênica. mas. por mais elaborados que sejam. como. a ciência possui modelos suficientes para implantar procedimentos que têm como objetivo a diminuição constante dos erros de medicação e de suas conseqüências maléficas para o homem e o ambiente (COIMBRA. pois. alimentos. No século XX. de fato. o efeito é considerado maléfico para o sistema biológico afetado. atualmente. Os erros de medicação ainda constituem um tabu para a maioria dos profissionais que se sentem desconfor‑ táveis em discutir o assunto ou simplesmente em admi‑ ti‑los. a maior causa dos erros na dispensação pelas farmácias decorre. que todos os sis‑ temas de terapia. Além disso. após a medicação. intencionais ou não. Segundo Coimbra (2004). Os profissionais da área da saúde. no Brasil. e da necessidade de enfrentar esse proble‑ ma com medidas elaboradas e sistêmicas e não apenas identificar. A biotecnologia. particular‑ mente os farmacêuticos. Nos dias atuais. assim como outras ciências da saúde. a droga é denominada agente tóxico e é estudada pela Toxicologia. Na Antiguidade. 2004). na cadeia final. Entre as ciências biológicas relacionadas ao co‑ nhecimento toxicológico. ERROS DE MEDICAÇÃO É sabido que os medicamentos disponíveis. não realizaram monitoramento. Há um consenso na comunidade científica quanto à aceitação do erro humano. não há nenhuma que não seja um veneno. a Toxicologia se desenvolveu velozmente com estudos focados não apenas em investi‑ gações de intoxicações. por exemplo. não perceberam o atra‑ so na administração de medicamentos. estão sujeitos aos erros inerentes à condição humana. obrigatórios demonstrando o grande avanço da Toxicologia no contexto socioeconômico e cultural. foram cometi‑ dos erros escandalosos. Durante a história da humanidade. Segundo Silva (1998). a Farmacologia estuda o efeito benéfico resultante da interação da droga com um sistema biológico.

Para isto. a utilização concomitante de nomes genéricos e comerciais nas receitas e ausência de horário padroni‑ zado para a administração de medicamentos pela equipe Infarma. sua segurança e qualidade. conhecimento sobre o medicamento e prescrição. 2003). o custo relacionado ao paciente (CASSIANI et al. no País. O processo de medicação é a forma mais comum de inter‑ venção no cuidado a saúde e práticas seguras devem ser aplicadas a este processo. administra‑ ção e monitoramento do medicamento (ANACLETO. Em hos‑ pitais. O pessoal de enfermagem desempenha papel de grande importância no processo e está inserido em uma das etapas mais sérias e de elevada responsabilidade no sistema de medicação. que faz a anamnese e prescreve o medicamento. preparação. é necessário que a instituição empregadora desenvolva uma cultura de segu‑ rança voltada para o paciente (MIASSO et al. A finalidade é aumentar e padronizar a vigilância de produtos utiliza‑ dos em serviços de saúde. muitas vezes. capacitada a no‑ tificar eventos adversos e queixas técnicas de produtos de saúde. A principal preocupação. conseqüentemente. a Agência Nacional de Vigilância à Saúde (Anvisa) dispõe da Rede Sentinela. produtos usados na área da Saúde. um projeto criado pelo setor de Vigilância em Serviços Sentinela. registro da medicação. abrangendo todo o território nacional. administração. materiais e medicamentos. Porém. rótu‑ los. 2006). nomes. Outros fatores encontrados foram a predominância de prescrição manual. septicemia e parada respi‑ ratória. 2008 21 . outros que tiveram alta hospitalar.20. nº 7/8. incluindo‑se prescrição. os sistemas de medicação variam de 20 a 30 etapas entre a prescrição. problemas de comunicação. estes números podem ser muito maiores. dispensação. como “qualquer evento evitável que. embalagens. alterações nas condições gerais do doente até dores. (2006) identificaram situações que fa‑ cilitariam a ocorrência de erros de medicação como falhas relativas ao ambiente. A prática da medicação deve ser compreendida como um sistema onde vários componentes são necessários para atender um único objetivo: o tratamento do paciente. em parceria com os serviços de saúde brasilei‑ ros (hospitais. Há. Este elevado número evidencia um potencial mui‑ to grande para ocorrência de erros de medicação. al. pacientes que tiveram a interna‑ ção prolongada devido ao erro e aqueles que evoluíram ao óbito. Houve pacientes que evoluíram bem e tiveram alta. porém. não os notificarem com receio de demissão ou acusação de incompetência. conferên‑ cia. 2007). v. garantindo. O objetivo do projeto é criar uma rede de serviço. dispensação. hemocentros e serviços de apoio diagnós‑ tico e terapêutica). Assim. de modo geral. 1999). Carvalho et al. As informações recolhidas pela Rede Sentinela for‑ mam o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária Pós‑Co‑ mercialização. 2007). é a pos‑ sibilidade dos profissionais da saúde identificarem seus erros. reagentes para provas laboratoriais e equipamentos médico‑hospitalares utilizados. procedimentos. isto é. muitas vezes. distri‑ buição. no sentido de criar condições e normas a serem seguidas pelos profissionais envolvidos no sistema de medicação. No Brasil. que fornece subsídios à Anvisa para regu‑ lamentação desses produtos no mercado (Anvisa. de fato ou potencialmente. dessa maneira. educação. sanean‑ tes. insumos. Além de danos ao paciente. Carvalho e Cassiani (2002) analisaram as conseqüên‑ cias dos erros de medicação para pacientes que variaram desde nenhuma reação ao erro.. transcrição. os erros de medicação são definidos. como evidenciado por Cassiani et al. transcrição das receitas. monitoramento e uso de medicamentos” (Anvisa. uma imprecisão nos conceitos utilizados na literatura para denominar os erros de medicação onde a existência de diferentes nomenclaturas traz dificuldades na comparação de estudo sobre o tema e os profissionais da saúde. PERI‑ NI. não sabem classificar o evento adverso que irão notificar (ROSA. do paciente ou do consumidor. segundo a Anvisa (2007)... uma vez que são utilizados por pacientes e profissionais de saúde. hoje. de forma sistê‑ mica. o farmacêutico que dispensa o medica‑ mento e o enfermeiro que administra e acompanha o pa‑ ciente durante a farmacoterapia.Um ponto parece convergente nesta discussão: a abordagem dos erros deve ser realizada. Associação Médica Brasileira (AMB) e órgãos de Vigilância Sanitária Estaduais e Vigilâncias Municipais. Nos hospitais. no entanto. Os erros podem estar relacionados à “prática profis‑ sional. 2006). Isso significa que o uso inadequado pode ou não lesar o paciente e não importa se o medicamento se encontra sob o controle de profissionais de saúde. (2004) que identificaram a existência de 58 a 80 etapas no sistema de medicação. os profissionais envolvidos com medicação são o médico. administração. pode levar ao uso inadequado de medicamento”. porém deixaram o hospital com lesões. Erros no preparo e administração de medicamentos são uma triste realidade para estes pro‑ fissionais que. ROSA. Miasso et al. (1999) concluíram que os principais fatores de risco relacionados à atividade dos profissionais de enfermagem foram a falta de atenção e a dificuldade de entender as prescrições médicas. 2004). distribuição e estoque. acumulam atividades. integrante da área de Vigilância em Eventos Adversos e Queixas Técnicas da Anvisa. PERINI. tornando clara a ne‑ cessidade de treinamento dos profissionais (CARVALHO et. preparo. vio‑ lação das regras da instituição. devido ao número reduzido de funcionários dos hospitais e uni‑ dades básicas de saúde. os erros de medicação aumentam o tempo de permanência do paciente no hospi‑ tal e.

livre e exagerado.de enfermagem. p. a farmácia funcionava 24 horas/dia. permitia‑se a utilização de mais de um tipo de bomba de infusão. Ou seja. haja uma alta taxa de incidência de erros de medicação. quando utilizada de acordo com suas indicações e propriedades” (SILVA.5% das campanhas não informam ao usuário qual é a principal contra‑indica‑ ção do fármaco. utilizada com fins curativos. no Brasil. 2003. Atualmente. que aparecem durante a farmacoterapia” e diferem. ge‑ ralmente. A maioria dos agravos foi por reações adversas e intoxicações. Quando estas manifestações estão relacionadas ao efeito farmacológico principal do medicamento. o banco de dados do Sistema de Internações Hospitalares é uma fonte útil para estudos de agravos por medicamentos. sem receita médica. p. todos os medica‑ mentos podem produzir efeitos adversos que são definidos como qualquer efeito indesejável decorrente da utilização da droga (CASOY. podendo levar o indivíduo até mesmo ao óbito. o medicamento é uma preparação farmacêutica com fórmula e forma definidas. Rozenfeld (2007) observou a ocorrên‑ cia de 1. au‑ sência de um centro de informações sobre medicamentos e revisão das prescrições médicas. Portanto. Todas as substâncias químicas podem produzir efei‑ tos benéficos ou maléficos. Assim. 2008 . 2006.5% das propagandas estimulam e/ou induzem o uso indiscriminado de medicamentos cujo con‑ sumo exige prescrição médica e 38. estas re‑ ações são previsíveis desde que o mecanismo de ação do fármaco seja bem conhecido. o medica‑ mento adquire um potencial muito grande de provocar intoxicações. porém não havia um comitê formal para inves‑ tigação e análise dos erros de medicação.20. Erros ocorridos nesta etapa mostram o rompimento de uma das últimas barreiras de segurança que envolve o processo de medicação. farmacêuticos e responsáveis pela regulamentação da produção e utilização dos medicamentos são fatores que influenciam no consumo inadequado de medicamentos (AMARAL. O su‑ pracitado autor concluiu que. Elas estimulam o consumo exagerado e crescente de medicamentos por parte da comunidade leiga. Os mais atingidos foram os homens (64. Dados recentes indicaram que cerca de 3. indicavam. havia falta de dados referentes ao paciente. 2004). Cerca da metade dos medicamentos distribuídos pelo sistema privado de saúde é comprada diretamente nas farmácias.6% dos medicamentos anunciados em campanhas publi‑ citárias não é registrada na Anvisa. 17. sem alertar para os efeitos adversos ou tóxicos ge‑ rados por esse consumo indiscriminado. não são evidenciados. demonstrando o risco ao qual toda rede social estava exposta.1% receberam alta hospitalar. BARCIA 2003). Porém. ROSA. 22 Infarma. Quando os efeitos não es‑ tão relacionados ao efeito farmacológico. 15. INTOXICAÇÕES POR MEDICAMENTOS O medicamento representa um símbolo de saúde para a população leiga e é definido pela comunidade científica como uma “droga ou preparação com drogas de ação far‑ macológica benéfica. o consumo de medicamentos é. As propagandas de medicamen‑ tos veiculadas na mídia parecem possuir objetivos mera‑ mente comerciais. invertendo sua essência de promoção da saúde do paciente. por sua vez. internados nos leitos de psiquiatria e de clínica médica dos quais 84.. as propagandas de medi‑ camentos distribuídas em consultórios médicos. embora não existam números oficiais devido às subnotificações desses erros (COIMBRA. A atitude de médi‑ cos. quando utilizado de maneira indiscriminada. mesmo quando incapacitadas tecni‑ camente. paliativos ou de diagnóstico. p. Mendonça e Carvalho (2005) constataram que pacientes idosas consumidoras de benzodiazepínicos além de se automedicarem. 1998). Um erro de dispensação é definido como “discrepân‑ cia entre a ordem escrita na prescrição médica e o aten‑ dimento dessa ordem” (ANACLETO. congressos e outros eventos. nº 7/8.5% das campanhas de vendas com receita médica não apresentam o número do registro no Ministério da Saúde (LUCHESSI et al. Sabe‑se que a dispensação de medicamentos pelas farmácias hospitalares é fonte de vários erros que. por exemplo. Em apenas um hospital. divul‑ gadas em jornais e revistas ou veiculadas em rádio e tele‑ visão apresentam irregularidades perante a legislação que as regulamentam. mas muitas vezes toleráveis. são efeitos “não desejáveis.5%). seja por leigos ou por profissionais da saúde. devido às manifestações sub‑clínicas que acometem os pacientes ou à latência de conseqüências mais graves para esses pacientes.7). er‑ roneamente. Em três dos quatro hospitais estudados. dos efeitos tóxicos que representam “manifesta‑ ções de efeitos lesivos de maior gravidade. PERINI. podendo levar até a morte” (OGA. Os pacientes com efeitos adversos foram os mais jovens e permaneceram mais tempo internados. Acredita‑se que. 29).8 casos de reações adversas a medicamentos para cada 1000 internações. 1998. Existe um senso comum entre a população leiga que aceita a automedicação e a indicação de “remédios” por outras pessoas. A dispensação de medicamentos pelas farmácias hospitalares é uma das últimas etapas do sistema de medicação onde o erro pode ser reconhecido e eliminado. hospitais públicos e privados. parece necessário um controle mais sério por parte das autoridades que precisam revisar a legislação vigente tornado‑a mais eficaz e menos propensa a inter‑ pretações subjetivas. ofereciam e em‑ prestavam de acordo com suas necessidades e de outras pacientes. 33). apesar dos números estarem abaixo dos patamares de estudos internacionais. v. Efeitos colaterais. por sua vez. No Brasil. também podem ser previstos em determinadas situações. 2005).

foram os benzodiazepínicos. muitas intoxicações não são evidencia‑ das. produzidos por metabólitos quimi‑ camente reativos do fármaco original que apresentam to‑ xicidade direta ou de natureza imunológica. Bortoletto e Bochner (1999) constataram que as intoxicações por medicamentos constituíam a cau‑ sa mais comum de intoxicações e representavam 27% dos 217. Neste período. se a droga for armazenada em outros tecidos. neste período. 1999). No Brasil. ainda. Se a droga está presente somente no sangue do pa‑ ciente. em 19 Estados e no Distrito Federal. ABRAHAM. Entre 1999 e 2004. Além disso. prevenção. somando um total de 36 Centros (Sinitox. o qual é determinado a partir de tabelas de conver‑ são relacionando o peso corpóreo ao volume de sangue. compilação. Assim. análise e divulgação de dados referentes a intoxicações por substâncias químicas é o Sinitox. o tem‑ po decorrido para que metade da concentração da droga seja eliminada após uma certa dose administrada. o volume de líquido biológico onde a droga será dissolvida. pois constituem pratica‑ mente a única fonte de registro de intoxicações e enve‑ nenamentos em seres humanos. do to‑ tal de óbitos. sua concentração se estabiliza. o que ocorre geralmente após quatro meias‑vidas depois da administração inicial. nº 7/8. isto é. foram registrados 458.448 casos de intoxicação por substâncias químicas. Dosagens realizadas an‑ tes deste período podem resultar em valores irregulares e as avaliações das dosagens devem ser feitas com cautela levando em consideração este tempo (PINCUS. para que a concentração plasmática atinja o nível desejado e é desta maneira que as doses conhecidas dos medicamentos são definidas. Se a meia‑vida do fármaco é conhecida. é preciso determinar o volume de distri‑ buição do fármaco. em outros tecidos ou se o fármaco será distribuído totalmente no sangue. No entanto. algumas vezes. a segurança do novo medicamento pode ser estabelecida. a antecipação. a velocidade de infusão da droga. localizados. No início da terapia medicamentosa. Para isto. não têm diagnóstico confirmado. o órgão responsável pela coordenação do processo de coleta. Espera‑se. somente durante ou após o seu uso em seres humanos (RANG. no Brasil. em 1980. 2008 23 . MONITORAÇÃO LABORATORIAL DE FÁRMACOS Certos fármacos requerem dosagens periódicas no sangue dos pacientes a fim de garantir que as doses ad‑ ministradas sejam eficazes e não tóxica: aqueles que pos‑ suem margem terapêutica estreita. v. ou quando o paciente apresenta alguma doença de base como diabetes ou hepatite. 2003). ou seja. antidepressivos e antiinflamatórios. que a concentração estabilizada seja eficaz. no Brasil.quando utilizados em dose excessiva.512 casos de intoxicações por substâncias químicas no Brasil e 18% do total de óbitos em conseqüência de intoxicações entre os anos de 1993 a 1996. 2000). no Brasil. 2007). reconhecimento e respostas aos efeitos noci‑ vos são muito importantes e devem constituir uma prática constante entre os profissionais da saúde. os efeitos adversos podem ter conseqüências sérias quando utilizados juntamente com outras drogas e alimentos. autoridades e a população em geral. as concen‑ trações dos fármacos sofrem flutuações e. A droga administrada é metabolizada e excretada constantemente pelo organismo obedecendo ao tempo de meia‑vida dos compostos. an‑ tigripais. BARCIA. que apresentam ineficácia devida a uma pequena diminuição nos níveis séricos ou aqueles que se tornam tóxicos em decorrência de um pequeno aumento na sua concentração no sangue. portanto. No entanto. O objetivo da terapia medicamentosa é garantir que o nível sérico do fármaco seja constante para que a te‑ rapia seja eficaz. na maioria das vezes. cerca de 17% foi causada por medicamentos (BORTOLETTO. RITTER. de modo definitivo. após um pe‑ ríodo de tempo variável. Porém. A introdução de novos medicamentos no mercado é precedida de inúmeros testes de toxicidade da aprovação e uso pela população. ou seja. os medicamentos foram responsáveis por cerca de 28% das intoxicações e. o volume de distribuição é igual ao volume sangü‑ íneo. além da possibilidade de ocorrerem efeitos adversos imprevisíveis e raros. pelo Ministério da Saúde. Destes. para se saber qual é a concentração eficaz do fármaco é necessário observar se este será armazenado no tecido adiposo. O Sinitox é incorporado ao Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (CICT/ Fiocruz) e utiliza dados coletados dos Centros de Informa‑ ção e Assistência Toxicológica. criado. DALE.20. Os medicamentos que mais causaram intoxicações. estes números podem ser muito maiores devido à sub‑notificação. 1999). De acordo com esses autores. é possível calcular a dose e o intervalo entre as doses ou. Infarma. BOCHNER. Em indivíduos suscetíveis. durante a gravidez. os efeitos nocivos são. os pacientes rece‑ bem apenas tratamento sintomático ou ainda casos de óbitos por intoxicações agudas poderem ocorrer sem que tenha sido diagnosticada a intoxicação como causa da morte (AMARAL. Dessa maneira. Apesar dos dados recolhidos pelo Sinitox serem representativos e importantes. devido à necessidade do governo brasileiro de possuir um banco de dados de documentos e informações em Toxico‑ logia que abrangesse todo o território nacional e que ser‑ visse de fonte de informação aos profissionais da saúde. os medicamentos foram ainda os principais res‑ ponsáveis pelas intoxicações humanas. efeitos no‑ civos são observados anos após o lançamento e a utiliza‑ ção pela sociedade. O sis‑ tema de notificação não é compulsório e não cobre todo o território brasileiro.

evidenciando que a parte armazenada poderá estar constantemente sendo liberada dos depósitos. sólidos. As prescrições informatizadas são aquelas que utilizam um sistema computadorizado de digitação e seguem um 24 Infarma. seja por uma doença de base ou outro tipo de variação individual e necessitam de uma diminuição na dose pois o tempo de meia‑vida dos fármacos pode estar aumentado. bem como a variedade de medicamentos. DIMINUIÇÃO DA OCORRÊNCIA DE ERROS DE MEDICAÇÃO A luta contra para elevar a qualidade dos serviços de saúde pelos profissionais que atuam nesta área é imen‑ sa. A conferência da prescrição deve ser realizada pelo farmacêutico. deve seguir procedi‑ mentos padronizados para o cumprimento deste requisito. As informações referentes aos medicamentos devem ser de fácil acesso e aperfeiçoadas constantemente (ANACLETO. Por esta razão. Assim. certos fármacos possuem a capacidade de induzir o fígado a produzir mais enzimas envolvidas na metabo‑ lização e assim os tempos de meias‑vidas dos fármacos podem se apresentar diminuídos. A comunicação deve ser eficaz e facilitada favorecendo a troca de informações claras. sempre. A automatização e aplicações de barreiras nos processos podem garantir que determi‑ nado procedimento seja realizado da maneira correta. podem ser citadas as empresas de aviação. sempre.somente uma parte estará presente no sangue e o volu‑ me de distribuição será maior. o moni‑ toramento de drogas cujas margens terapêuticas são es‑ treitas é de grande importância para garantir a eficácia do medicamento e prevenir intoxicações em pacientes (PIN‑ CUS. otimi‑ zar e elevar o rendimento de procedimentos manuais. o grande número de etapas dos sistemas de medicação dos hospitais indica a necessi‑ dade da simplificação deste sistema e a implantação de uma equipe multidisciplinar que discuta e traga soluções para a diminuição da ocorrência de erros (CASSIANI et al. existem organizações que são modelos em segurança em suas áreas de atuação. os medicamentos dispensados juntos à prescrição médica para que não sejam administrados a outro pacien‑ te senão àquele para o qual a receita foi prescrita. PERINI. 2008 . ROSA. devem ser retirados do local. v. pois o conhecimento dos erros pode reduzir sua ocorrência. separados segundo o nome gené‑ rico. Atualmente. horários de administração e possíveis reações adversas. mas que devem se constan‑ temente acompanhadas por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar. equipamentos. deve ser realizada uma conferência final com atenção redobrada a prescrições de pacientes de alto ris‑ co como os da pediatria e insuficientes renais crônicos e prescrições de medicamentos com maior toxicidade. Após a separação dos medicamentos a serem dis‑ pensados. os profissionais da saúde dispõem de tecnologias que visam minimizar os erros. 2006). PERINI. caso sejam administradas doses seguidas. etc. Os procedimentos relacionados às atividades dos profissionais de saúde devem ser simplificados e padroni‑ zados a fim de reduzirem sua complexidade. acidentes aéreos acontecem e são seguidos de um exaustivo estudo para se possa aprender com o erro e evitá‑lo futuramente (ROSA. Desta manei‑ ra. sempre promovendo normas de conferência para que não sejam misturados ou guardados em locais errados. Fora da área da saúde. Certos pacientes. suprimentos e regras. apresentam diminui‑ ção na metabolização e excreção de drogas. 2003). contendo alertas.. 2006). nº 7/8. formas farmacêuticas. antes da separação dos medicamentos e dúvidas relativas à caligrafia da prescrição devem ser di‑ rimidas com o prescritor e nunca devem ser deduzidas. líquidos. tornando‑se um aliado na prevenção dos erros de medica‑ ção (ANACLETO. Para isto. o qual deve ser planejado e seguro para manter um fluxo de trabalho óti‑ mo. o número de etapas do processo deve ser diminuído. Por outro lado. Deve‑se manter. O paciente deve sempre ter conhecimento do tratamen‑ to terapêutico sendo sempre informado o porquê e para quê o medicamento está sendo usado. ROSA. Da mesma forma. PERINI. 1999). com o rótulo e a prescrição é de suma importância para pre‑ venir erros de estocagem e rotulagem e o registro dos medicamentos prescritos deve ser feito. O farmacêutico é o profissional diretamente respon‑ sável pela dispensação dos medicamentos prescritos pelo médico e deve garantir que a distribuição e utilização dos mesmos sejam seguras. no entanto. ABRAHAM. Os erros de medicação podem ser diminuídos através de medidas simples. Mesmo assim. os quais podem aumentar de forma anor‑ mal a concentração sérica do fármaco o que pode levar o paciente a uma intoxicação. quais seus efeitos. Um exemplo desta tecnologia é a prescrição informatizada. 2004). via de administração. Os limites de vigília e atenção humanos devem ser respeitados e tarefas que dependam da memória.20. A antecipação e análise dos erros que podem vir a ocorrer devido a uma mudança no processo devem ser feitas para se prevenir erros antes que eles ocorram e não depois. Como exemplo disso. A notificação e relatos dos erros e situações de riscos devem ser encorajados. facilitar. Medicamentos cujos nomes são parecidos devem ser acompanhados de lembretes de conferência para que não seja dispensado um medicamento errado. durante a dis‑ pensação. diferen‑ ciado. volume. diminuí‑ dos.. A conferência do conteúdo do frasco do medicamento. nas quais o ambiente de trabalho constitui um sistema complexo com várias interfaces entre a tecnologia e as pessoas. o farmacêutico deve armazenar medicamentos com grande potencial de causar erros em local seguro. Aparelhos que provocam a distração.

O acúmulo de atividades e a escassez de fun‑ cionários devem ser evitados para que estes profissionais estejam sempre alertas em suas atividades de adminis‑ tração e acompanhamento da farmacoterapia (CARVALHO et. não possibilitar a in‑ trodução manual de medicamentos e não identificar doses com casas decimais para não confundir o leitor (FREIRE. uma vez que afastam as dificuldades da leitura e do entendimento do leitor. Ao contrário. em todos os funcioná‑ rios. e mais importante.1% das prescrições eletrô‑ nicas apresentavam rasuras. ConClUsão Os erros de dispensação podem ser minimizados ou evitados pelo farmacêutico. uma vez que há poucos hospitais que utilizam esta tecnologia dado o elevado custo de sua implantação e manutenção. Por fim. todas as prescrições impressas possuem características seme‑ lhantes. na administração de medicamentos. o medicamento prescrito deve ser requerido diretamente à farmácia. Gimenes e Cassiani (2004) estuda‑ ram a redação da prescrição eletrônica em um hospital brasileiro. A notificação dos erros de medicação permite o estudo de suas causas. 2006). deveriam incentivar. Nas prescrições informatizadas. v. os profissionais que irão lidar diretamente com estas prescrições deve ser bem treinados e conscientizados da necessidade do uso cor‑ reto dessa tecnologia. Monzani (2006) confrontou os erros de medicação notificados e o relatório de ocorrências utilizado por um hospital geral do Estado de São Paulo. 2004). armazenando os medicamentos com potencial maior de erros em locais diferenciados contendo alertas. Conseqüentemente. Há poucos estudos realizados. CASSIANI. sobre a efi‑ cácia na implantação e utilização de prescrições informa‑ tizadas. Os erros na administração dos medicamentos po‑ dem ser diminuídos por meio do treinamento contínuo dos profissionais de enfermagem ou outros cuidadores de pacientes. significativamente.modelo de disposição de dados padronizado. as prescrições informatizadas podem diminuir significativamente os er‑ ros de medicação ocorridos na prescrição. há desvantagens no uso desta tecno‑ logia. CASSIANI. 2008 25 . Concluiu ainda que os profissionais daquele hospital não tinham conhecimento da situação vivenciada e a sub‑notificação dos erros. para que. As instituições ou serviços de saúde deveriam sistematizar relatórios de ocorrência de erros com uma equipe multi‑ disciplinar para analisar os dados recolhidos e promover ações de combate aos erros de medicação. o estabelecimento de uma cultura de segurança para Infarma. interações medicamentosas. dispensação e. A notificação dos erros de medicação. Assim. sejam passíveis de prevenção. Essas prescrições são mais seguras. Observaram que 12. alguns tipos não alertam o digitador sobre possíveis incoerências digitadas e os erros podem passar despercebidos. em pro‑ gramas estruturados. PERINI. GIMENES. podem ocorrer erros em casas decimais com alterações nas doses dos medicamen‑ tos não percebidas pelo digitador. ou seja.. Além disso. porém. Portanto. 13. No momento da digitação. Um dos melhores meios para se combater os erros de medicação é a análise desses erros. ficou claro que eles eram sub‑notificados naquela instituição. Assim. 2006). sem rasuras ou rabiscos que aumentem a dificuldade de entendimento das informações nelas contidas. nº 7/8. elas não eliminam com‑ pletamente a possibilidade de sua ocorrência. principal responsável por esta etapa do processo de medicação. fazendo‑se necessárias algumas medidas para garantir sua eficácia. ROSA. uma das principais causas de erros na dispensação de fármacos. calmo e silencioso. na farmácia. No entanto. Devido à variedade de programas para as prescrições. no Brasil. além de aumentar o número de relatos de erros. no Brasil. Com o número de notificações de erros encontrado.9% apresentavam medi‑ camentos suspensos e 28. as prescrições não devem possibilitar a uti‑ lização de abreviações e símbolos. há alertas para possíveis reações alérgicas. O local onde o farmacêutico trabalha deve ser fisicamente ade‑ quado.2% apresentavam informações que deixaram em dúvidas os profissionais de saúde que trabalhavam com estas receitas. GIMENES. é possível aumentar a seguran‑ ça dos pacientes e a qualidade do serviço prestado pelos hospitais e instituições de saúde que lidam com medica‑ mentos (MONZANI. os erros po‑ dem ser corrigidos no momento da digitação. 2004). freqüência de uso e doses máximas que auxiliam o prescritor a identificar erros decorrentes de falta de atenção (FREIRE. conseqüentemente. não é uma prática utilizada por todos os profissionais de saúde uma vez que a sub‑notificação é uma realidade. isto é. Os profissionais de saúde devem ser incen‑ tivados a notificarem os erros cometidos ou observados. 2004). al. então. desde que sejam notificados. A simplificação do número de etapas e a padroniza‑ ção do processo de medicação de uma instituição de saú‑ de podem reduzir. 39 em seis anos de pes‑ quisa. através da algumas medidas no ambiente de trabalho.20. os erros (CASSIANI et al. 1999). apesar das prescrições informatizadas re‑ presentarem um grande avanço dentro das estratégias de combate aos erros de medicação. o relatório de divulgação de erros é uma im‑ portante ferramenta para o combate dos erros de medi‑ cação que deve ser revisado e divulgado constantemente dentro das instituições a fim de envolver toda a equipe multidisciplinar. Freire. proporcionando a ele a aten‑ ção necessária para o correto cumprimento de sua função (ANACLETO.

1998. et al. levando em consideração o bem‑estar do paciente e eliminando in‑ teresses comerciais ou pessoais.4 cap. 2002. Brasília. M. CARVALHO.ed. Brasília. 1/2. 120p. de B. Universidade de São Paulo.12. No entanto.br/ >. p. R. Pharmacia Brasileira. O estudo dos erros de medicação não pode ser ig‑ norado ou negligenciado. 67‑75. v.1999. T. S. A. além daqueles que motivaram sua internação. de. LUCHESSI. v. F. 2005. Mais ainda.49... n. p. 2006. Disponível em: <http://www. E. durante todo o tempo em que o paciente estiver sobre seus cuidados. no início da formação do profissional. Rio de Janeiro.. 2003. cap. A ponta do iceberg: o método de notificação de erros de medicação em um hospital geral privado no mu‑ nicípio de Campinas‑SP. INFARMA. Revista Latino‑Americana de En‑ fermagem. CASSIANI. T. 2005. A. ago.19. Ribeirão Preto. devido à grande complexidade conceitual e físico‑química desses produtos. p. CASSIANI. B. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. A.. BARCIA. Farmacologia. nbr 14724: infor‑ mação e documentação – trabalhos acadêmicos – apresentação. D. Revista Latino‑Americana de Enfermagem. do. situações semelhantes podem ser identificadas e evitadas.5. A. 22. FREIRE. CASTRO. p.168‑170. 2008 . n. p. Acesso em: 13 fev. progressos. de et al./ago. 2007. In: OGA. 781‑789. H. P. n. C. BOCHNER. In: SILVA. como fator de segu‑ rança do paciente na terapêutica medicamentosa../dez. CASOY. BORTOLETTO.20. 397‑402. 5. Ribeirão Preto. H. Brasília. R.37.55. n. 2006. Rio de Janeiro. PERINE. v. 2006. p. Prevenindo erros de dispen‑ sação em farmácias hospitalares.3. Revista Brasileira de Ciên‑ cias Farmacêuticas. p. E. de forma consciente e com profunda seriedade. Desta forma./set. nº 7/8.7. porque faz parte do conheci‑ mento científico global. fazendo com que o paciente não sofra danos.2005. 13. 4.gov. 859‑869. Ribeirão Preto. CARVALHO. ROSA. n. a terapia medicamentosa se tornará mais eficaz e com menor pro‑ babilidade de lesar pacientes e usuários. D. São Paulo. S. GIMENES. O papel de mulheres idosas consumidoras de calmantes alopáticos na popularização do uso desses medicamentos. A. A.C. Dissertação de Mestrado – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Automedicação: entendemos o risco? Pharmacia brasileira. Conhecimento dos conceitos de erros de medi‑ cação. 2. com a consciência de seus ganhos e perdas.. devem ser manipulados e utilizados. São Paulo: Atheneu. Qualquer desvio no padrão de utilização de um me‑ dicamento deve ser notificado para que a equipe multi‑ disciplinar responsável pelo estudo dos erros de medica‑ ção verifique as causas da alteração desse padrão. n. São inegáveis os benefícios decorrentes do uso de medicamentos para a humanidade. C.anvisa. Essas reflexões mostram que os profissionais de saúde precisam estar atentos. Fundamentos de Toxicologia. A. J. H.18. Rio de Janeiro. n. em duas Clínicas de um Hospital Universitário. R. H. de B.4. Medicina. n. CASSIANI. p. MENDONÇA. Erros na medicação e con‑ seqüência para profissionais de enfermagem e clientes: um estudo exploratório. n. Monitoração de propaganda e publicidade de medicamentos: âmbito de São Paulo. 2006). Tese (Doutorado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. I. J. Erros mais comuns e fatores de risco na administração de medicamentos em Unidades Básicas de Saúde. C. de B et al. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Análise da Prescrição informatizada. Revista Latino‑Americana de Enfermagem.. dez. Aspectos Gerais e número de etapas do sistema de medicação de quatro hospitais brasileiros. dez. 10. Revista Latino‑Americana de Enfermagem. A.15. BRANDÃO. P. v./ set. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. ANACLETO. Impacto dos medicamentos nas in‑ toxicações humanas no Brasil. V.. A. p. T.17‑20. set.. v. 5.. 2005. 2007. pt. 2004. Jornal de Pediatria. 354‑363. D. Reações Adversas às Drogas. Universidade de São Pau‑ lo./jun. 04‑17.13. n.que eles façam parte da construção da qualidade dos ser‑ viços prestados (MONZANI./dez. M. Ribeirão Preto. 2004. T. et al. Brasília. E. O processo de preparo e administração de me‑ dicamentos: identificação de problemas para propor melhorias e prevenir erros de medicação. Intoxicações por Medicamentos. 2006.. v. Revista Latino‑Americana de Enferma‑ gem. COIMBRA. de.1. A. A. out. Identificação de medicamentos “não apro‑ priados para crianças” em prescrições de unidade de tratamento intensivo pediátrica.. MIASSO. ANVISA. 2006. um patrimônio construído pela experiência humana. 91‑96. pt. Desta maneira. 2003./out. S.14. CARVALHO. 247p.3. Infarma.Ribei‑ rão Preto. V. 2004. entre auxiliares de enfermagem. CARVALHO. n. v. et al. v. H. reFerÊnCIas bIblIográFICas AMARAL. S. S. D. Por isso.7/8. 79.nov. 523‑529. v. set. et al. Cadernos de Saúde Pública. S.. MONZANI.. avanços e limitações. v.1207‑1212. 41. Erros de Medicação: do silêncio e do estigma à luta por mudança. Ribeirão Preto.367‑379. deveria ser‑lhes incutida a idéia de que os medicamentos constituem seu objeto de estudo e ferramenta de saúde.. é necessário sempre disponibilizar aos profissio‑ nais da saúde aprimoramentos sucessivos e de qualidade que lhes garantam subsídios para lidarem de forma segura e eficaz com o medicamento. 1999. jul. v. jan. 26 Infarma./out. jul.. p. Boletim Profissional do Conselho Federal de Farmácia. p. p.. R. 2007. Escola de Enfermagem.

In:______.1. RITTER. Revista de Saúde Pública. Fundamentos de Toxicologia. Rio de Janeiro. 2004. pt.P.. Toxicologia e Acompanhamento de Drogas terapêuticas. Reações adversas a medicamentos em pediatria: uma revisão sistemática de estudos prospectivos. Farmacologia. Therapeutic Drug Monitoring Guidelines for Laboratories. A. Z.4. D.20. S. M.ed.br/si‑ nitox> Acesso em: 05 fev. Agravos provocados por medicamentos em hospitais do Estado do Rio de Janeiro. R. p. v. Farmacologia. Fundamentos de Toxicologia. 2008 27 . Disponível em: <http://www.ed.1999. Sistema Nacional de Informações Toxico‑Farmacológicas.108‑115. Erros de Medicação: quem foi? Revista da Associação Médica Brasileira. PINCUS. H. ROSA.1. Rio de Janeiro. Natureza da Farmacologia. DALE. nº 7/8.3. COELHO. p. ROZENFELD. PERINI. dos. Brasil. M. n. B. L. 2003. cap. In:______..4. p. M. 17.B. 2003. 3‑5. 2007. In: Diagnósticos Clínicos e Tratamentos por Métodos Laboratoriais. Revista Brasileira de Saúde Materna e Infantil. S. Recife./dez.. 1999.3‑12. Guidelines for Therapeutic Drugs Monitoring Services. 2000. 4. 341‑349. pt 1. WARNER. OGA. B. S.. São Paulo: Atheneu. N..OGA. 2. J. São Paulo. RANG. SANTOS. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. SINITOX.fiocruz. São Paulo: Atheneu.335‑341. M. E. pt. L. H. out.27‑36. p.. 2003. Infarma. M. p. v. fev. 2. n. pt 1.374‑407. Toxicodinâmica.ed.ed. p.41.4‑6. 2007. P. Introdução à Toxicologia. Cincinnati: The National Academy of Clinical Biochemistry. v.. 5. p. ABRAHAM Jr.49. 2.ed. v. M.1.E. São Paulo: Manole. SILVA. p. SIQUEIRA. In: OGA. P. 2007. 1998. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. S. n.

seja prolongando a dosagem e período de tempo indicado na receita. os medicamentos mais consumidos foram analgésicos. É definida como sendo o uso de medicamentos sem prescrição médica. antitérmicos e antiinfla‑ matórios não esteróides. como ocasionar alívio dos sintomas. nº 7/8. (1997). vários medicamentos de uso mais simples e comuns. entendendo que algumas afecções são simples e não ne‑ cissitam de acompanhamento médico. utilizada por civilizações de todos os tempos. reações adversas e até mesmo intoxicação medicamento‑ sa. por exemplo.com. 1997). podendo acarretar diversas conseqüências ao organismo. não há substância química totalmente segura ou totalmente tóxica. quando utiliza‑ dos inadequadamente. No município de Santa Maria (RS). Segundo Rozenfeld (1998). Percebe‑se que várias são as ma‑ neiras de praticar a automedicação. Mesmo na maioria dos países industrializados. os analgési‑ cos e antitérmicos. Deste modo. anti‑helmíticos e antimicóticos. ou seja. Farmacêutica‑bioquímica. em dois povoados do sul da Bahia verificou‑se a prevalência de automedicação tendo sido realizada especialmente en‑ tre os antibióticos. descum‑ prir a prescrição. em obter ou produzir e utilizar um produto que acredita lhe trará benefícios no tratamento de doenças e alívio na dor. Segundo Carmargo et al. mestre em Microbiologia (UEL) e Coordenadora do curso de Farmácia da Unigran (Dourados – MS. MesTrIner FelIPe 2 JUlIana sChneIder 3 JUlIane Coelho de soUZa 3 denIse dI raIMo 3 elIane MaUrICIo MoraIs3 JosIane barbosa dUTra3 Cleber MassaTo Toda3 1. 2001). favorecendo esta prá‑ tica (AUTOMEDICAÇÃO. (2002). evitando a ocorrência de efeitos indesejáveis. a automedicação é um procedimento caracterizado fun‑ damentalmente pela iniciativa do doente. Esse quadro ressalta que não há como acabar com a automedicação. 2008 . v. tais como adquirir o medicamento sem receita. mantidos em casa proporcionando a even‑ 28 Infarma. Rua Balbina de Matos 2121). utilizar sobras de prescrições.FaCeTas da PráTICa da aUToMedICação na CIdade de doUrados – Ms ClaUdeMYr soares 1 adrIana M. compartilhar “remédios” com outros membros da família ou do círculo social. Esta prática é bastante difundida não apenas no Brasil. 2. dispensa a orientação médica. pois por um lado pode trazer benefícios. De acordo com Loyola Filho et al. ou de seu res‑ ponsável. reutilizar receitas antigas. por isso. Farmacêutico‑bioquímico. a qual poderá evoluir. 3. podendo contribuir para a diminuição desta prática. pois atenta para o uso racional dos medi‑ camentos. enquanto a classe que dispõem de recursos acredita que sabe sobre os medicamentos e.br InTrodUção A automedicação é uma prática comum. E‑mail: laudemyr2000@yahoo. (2002) destacam que o uso de medicamentos em uma sociedade tem várias facetas. como. ou seja. mas também em outros países. Para Arrais et al. Desta forma. o presente trabalho objetivou arreca‑ dar medicamentos de pessoas que não os esteja utilizando normalmente. Trata‑se de um fenômeno nocivo à saúde. Já Pfaffenbach et al. a prática da au‑ tomedicaçao não distingue classe econômica.. efeitos maléficos aos usuários. professor de Farmacologia do Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran). Soares.20. CEP 79824‑900. podem levar ao aparecimento de reações adversas (RAM). como erradicar certas doenças. seja interrompendo precocemente. contudo existem meios para minimizá‑la. (2000). com características peculiares a cada época e a cada região (ARRAIS et al. aumen‑ tar expectativa de vida e. por outro lado. mascarando a fase inicial da doença. por si só. decide qual medicação vai ser utilizada. em que o paciente. estão disponíveis em farmácias ou em estabelecimentos não farmacêuticos e podem ser obtidos sem necessidade de receita médica. mestre em Ciências da Saúde (UNB‑Unigran). os que possuem dificulda‑ des socio‑econômicas procuram automecicar‑se pela fal‑ ta de recursos para pagar por uma consulta. Autor responsável: C. Acadêmicos do curso de Farmácia da Unigran. apenas os motivos sao distintos. sabe‑se que a atenção farmacêutica tem um papel importante.

(n=2. e antimicóticos. antiinflamatórios esteroidais (2. Em pontos estratégicos da cidade de Dourados. antiparkinsonianos (1. Já os medi‑ camentos que estavam dentro do prazo de validade e em bom estado para consumo foram doados para a Farmácia Municipal de Dourados. respectivamen‑ te. também. antiinflamatórios não‑esteroidais (3. antibióticos (5. ansiolíticos e anticonvulsivos (5. onde foram analisados e avaliados quanto ao estado em que se encontravam e.4%).tual criação das “farmácias caseiras”. tanto dentro do prazo de validade. com o intuito de evitar o uso irracional de medicamentos. quanto fora dele. ressaltando que o número de medicamentos de uso tópico vencido foi mui‑ to maior que os não vencidos. divulgando‑o nas salas dos cursos da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Unigran. antibi‑ óticos. O primeiro passo foi a divulgação do projeto “Desar‑ mamento de Medicamentos”. Foram separados por datas de validade e pelos grupos e subgrupos onde foram iden‑ tificados. antidepres‑ sivos (5. Para a classe de medicamentos tópicos recolhidos dentro e fora do prazo de validade. v. antidepres‑ sivos (2. foram. estando 1.7%). Relação de medicamentos de uso tópico vencidos e não vencidos organizados pela classe medicamentosa.6%). não foram consumidos totalmente.8%). supermercados. Classe de medicamentos encontrados fora do prazo de validade (n=1. com considerado movimento de pessoas. antibióticos (13. diuréticos (9. Nesta ativida‑ de (coleta dos medicamentos) também foram envolvidos os alunos do curso de Nutriçao e Biomedicina. Figura 2.600 unida‑ des de medicamentos. Infarma. Os medicamentos que já se encontravam vencidos foram devidamente armazenados e encaminhados ao ór‑ gão responsável. quais os medicamentos mais encontrados e utilizados pela população douradense.27 unidades).8%). Após o período de coleta. cinema e também nas secretarias de cada bloco da Unigran.057. os quais fizeram parte deste projeto.1%) (Figura 2). resUlTados e dIsCUssão O projeto conseguiu arrecadar cerca de 3. os antiinflamatórios esteroidais.27 unidades). rádio e também pelos alunos do curso de Farmácia do Centro Universitário da Grande Dourados – UNIGRAN.3%).552.3%).9%). Classe de medicamentos recolhidos dentro do prazo de validade. antipsicóticos (0.20. foram colocadas urnas para que as pessoas interessadas depositassem os medicamentos que estavam em suas casas e que não mais seriam utili‑ zados. como em escolas. antiinflamató‑ rios esteroidais (1. MeTodologIa A pesquisa foi realizada no municipio de Dourados (MS). As classes de medicamentos dentro do prazo de va‑ lidade foram: antiinflamatórios não‑esteroidais (18. antieméticos (7. estabelecimento que dispunha de orientação farmacêutica. nº 7/8.057. e outros (38.2%) e outros (53%) (Figura 01). estatisticamente. sustentando a prática da automedicaçao.6%). através de folders. estes me‑ dicamentos foram encaminhadas para o laboratório de Farmácia da Unigran.9%).4%). igrejas. e também aqueles que já tinham sido abertos e.73 unidades fora do prazo de validade. Figura 3. 2008 29 . ao término desta análise. por algum motivo. Os antiinflamatórios esteroidais apareceram em maior número. quanto ao prazo de validade. Figura 1.5%). 2 e 6. 1 e 5. cartazes.5%). solicitou‑se medicamentos. Para esta campanha. Dentre os medicamentos vencidos estavam anti‑ concepcionais (30. 7 e 29. de dois meses. 3 e 9.

antibióticos (34). tornando‑se um alvo fácil para a automedicação e possí‑ veis intoxicações medicamentosas. esse é um fator preocupante. ações como estas se tornam úteis e de extrema importância quando se busca o uso racional de medicamentos. destacou‑se muitos de uso controlado como os an‑ siolíticos (16) e antidepressivos (30). as cápsulas (438) também não estavam vencidas. antiinflama‑ tórios esteroidais (4). estavam: analgésicos (2). Mesmo com maior número de antibióticos arrecadados nesta classe (110) (Tabela 2) Tabela 2. MEDICAMENTOS NÃO VENCIDOS Cápsulas Classe Farmacológica Quantidade 1 16 14 110 30 74 31 57 69 24 12 438 Tabela 1. antiinflamatórios não esteroidais (14). no entan‑ to. seu uso de forma não racional predispõe a uma pressão seletiva para cepas mutantes. Número expressivo e que poderia ser utilizada de forma indiscriminada pela população. antifúngico (2). visto sob o ponto de vista microbiológico. v. dentro da validade. No entanto. na maioria. antieméticos (6). antiespasmódicos (3). vencidos. Um dado relevante é que a maior parte dos antibió‑ ticos estava dentro do prazo de validade. talvez por seu uso ser mais fre‑ qüente ou o volume ser proporcional às dosagens. No entanto. antigripais. antiflatulentos (3). broncodilatadores (2). pois. antitussígeno (3). 2008 . dentro do prazo de validade. MEDICAMENTOS NÃO VENCIDOS Comprimidos Classe Farmacológica Analgésicos Ansiolíticos Antiácidos Antianginosos Antialérgicos Antiarrítmicos Antibióticos Anticonvulsivos Antidepressivos Antidiarréicos Antieméticos Antienxaquecosos Antiespasmódicos Antiflatulentos Antifúngicos Antigripais Anti‑helmínticos Antiinflamatórios esteroidais Quantidade 35 98 48 17 55 32 208 32 30 12 120 4 24 133 10 24 34 37 Analgésicos Ansiolíticos Antialérgicos Antibióticos Antidepressivos Antieméticos Anti‑hipertensivos Antiinflamatórios não esteroidais Antiulcerosos Hipolipemiantes Inibidor da secreção de prolactina Total ConsIderaçÕes FInaIs Diante dos resultados apresentados pode‑se verificr que foram arrecadados medicamentos de todas as classes medicamentosas. Já os antiinflamatórios esteroidais foram encontrados fora do prazo de validade.Os medicamentos classificados como soluções.20. anestésicos. Os antibióticos encontrados estavam dentro do prazo de validade. os medicamentos de uso tópico estavam. Portanto. na sua totalidade. Dentre aqueles cuja totalidade estava em condições de uso. Medicamentos sólidos (cásulas) de via oral reco‑ lhidos. Antiinflamatórios não esteroidais Antiparkinsonianos Antipsicóticos Antiulcerosos Diuréticos Hipolipemiantes Polivitamínicos Relaxantes musculares Suplementos nutricionais Vasodilatadores Total 410 48 20 64 242 3 59 48 14 119 1980 Para as medicações de ingestão via oral (sólida). 30 Infarma. foram: ácidos ascórbico. O contrário ocorreu com os medicamentos de ingestão oral em que os comprimidos estavam dentro do prazo de validade. Dentre os medicamentos arrecadados. expectorantes/ mucolíticos (12) e polivitamínicos (2). fora do prazo de validade. Entretan‑ to. nº 7/8. xaro‑ pes e suspensões foram os mais freqüentes ainda dentro do prazo de validade. a forma farmacêutica “drá‑ gea” apresentou‑se. Comprimidos dentro do prazo de validade. não estavam sendo utilizados. e que te‑ oricamente apenas ocupavam espaço nas “farmacinhas”.

. n. G.20. Rev. S.. Prevalência e fatores associados à automedicação: resultados do projeto Bam‑ buí. n. p. CARVALHO. D. 269‑270. p. et al. n.1998. GUERRA. BZATISTA M. Revista da Saúde. Bras.47. 127‑132. 2002. De.237‑263. Farmacovigilância: elementos para a discussão e pers‑ pectivas.. n. 2008 31 .31. L. E.. v. H. Rea‑ ções adversas a medicamentos como determinantes da admissão hospitalar. 1997. 2001. LOYOLA FILHO. Assoc.48. Assoc. Med. L. Rev. p. C. P. H. Perfil da automedicação no Brasil.4. 55‑62. D.2. Cad. p. I. MEDINA. v. RIBEIRO. v. v. S. CAMARGO. Rev. 2000. O. Saúde Pública. G. AUTOMEDICAÇÃO.5. Bras. nº 7/8. UCHOA. Diferenças de au‑ tomedicação entre as classes alta e baixa de Bagé. A. n. ROZENFELD. t al. et al. Saúde Pública..36 n 1. Med. G. F.reFerÊnCIas bIblIográFICas ARRAIS.237‑241. p.14. COELHO. 2002.. Infarma.. et al. S. Saúde Pública.M..2. PFAFFENBACH. H. L. M..71‑77.1. Rev. v.. BERGSTEN‑MENDES. 3. p. v. v.

mestre em Fármacos e Medicamentos (USP‑SP). Somente em Belo Horizonte. 30% das causas de morte. 2005). no Brasil. Os anfetamínicos. A classe dos anfetamínicos é a mais conhecida dentre os anorexígenos. SCHERER. 60.br InTrodUção Segundo estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Pode‑se. estão associadas à obesidade e a doen‑ ças crônicas não transmissíveis. Os anorexígenos são fármacos que provocam ano‑ rexia. redução ou perda de apetite. Do ponto de vista ético‑profissional. Unifor. os critérios mais usados para avaliação da eficácia de tratamentos anti‑obesidade são os do FDA (Food and Drug Administration) e do CPMP (Committee of the European Agency for the Evaluation of Medicinal Pro‑ ducts). Estima‑se. cabe ao farma‑ cêutico atentar se as prescrições contendo anorexígenos têm como finalidade um tratamento racional e benéfico ao paciente ou o são emitidas inadequadamente. como diabetes. graduada pela Universidade de Fortaleza. além de se envolverem em maior nú‑ mero de acidentes de trânsito e do trabalho (PINHO et al. BERG. aproximadamente 4% da população. O farmacêutico tem o dever de promover a saúde e o direito de recusar a realização de atos que. em particular a anfetamina e a metanfetamina. ou seja. 2005). 2005. 2004). 2003). Romeu E‑mail: geysa@unifor. mestrando em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Ceará – UFC. O tratamento farmacológico da obesidade está in‑ dicado na presença de IMC (Índice de Massa Corpórea) maior que 25 Kg/m² com outras doenças associadas à obesidade ou em pacientes com IMC maior que 30 Kg/ m². Como eles também têm o poder de estimular o sistema nervoso autônomo. medicamentos termogênicos e medicamentos que afetam a absorção de nutrientes (MANCINI.811‑905. nº 7/8. 2005) doença vascular cerebral. propiciando o desenvolvimento de farmacodependência. apresentam um alto potencial de abuso. 2004). embora autorizados por lei. segundo a Associação Brasileira para Estudo da Obesidade.20. PILLAR. O FDA cita como critério uma perda de peso maior que 5% em relação ao placebo e que seja estatisticamen‑ te significativa. 2002). Estima‑se que 80% dos anfetamínicos pro‑ duzidos legalmente destinam‑se às terapias de redução de peso e 25% dos casos relatados de abuso de anfetamíni‑ cos resultam do consumo excessivo de prescrições médi‑ cas (CHASIN. O fato de esses fármacos serem utilizados para outras finalidades que não as terapêuticas constitui um grande problema de saúde pública. 2005). o nível de consumo dos ini‑ bidores de apetite derivados da anfetamina chega a ser 40 vezes maior do que na Europa (CARNEIRO. SHOCHAT. cerca de 25% da população mundial é obesa e destes 25% morrem por conseqüências diretas ou indi‑ retas da obesidade (PASSOS. dentre outras condições clínicas. O grande problema dos anorexígenos são os efeitos colaterais. 2. 2005). A. sejam 32 Infarma. dividir os fármacos para tratamento da obesidade em três grupos básicos: me‑ dicamentos anorexígenos de ação central. Os portadores de obesidade e excesso de peso apre‑ sentam risco relativo elevado para hipertensão arterial sis‑ têmica (VGONTZAS et al. Autor Responsável: G. Farmacêutico. 2005. que nosso País possua quatro milhões de obesos mórbidos. quando da falência do tratamento não farmacológico isoladamente. LEFKOWITZ. Farmacêutica.PerFIl da PresCrIção e dIsPensação de FárMaCos anorexígenos eM ForTaleZa – Ce geYsa agUIar roMeU1 PrIsCIlla Fernanda CaMPos JUsTIno2 álIsson MeneZes araúJo lIMa3 1. podem causar inúmeras outras reações. hiperten‑ são e problemas cardíacos (OSÓRIO. 2003). no Brasil. Unifor. Atualmente. 2008 . infarto agudo do miocárdio (CAPLES et al. hoje. 3. 1321 – Edson Queiroz Bloco C. Fortaleza‑CE. de forma muito mais indiscriminada do que se suspeitava. Esse grupo de fármacos é prescrito. Washington Soares. Av. enquanto que o CPMP sugere uma perda maior que 10% em relação ao placebo (WANNMACHER. Seu emprego não é recomendado como tratamento primário para promover a perda de peso (KOROLKOVAS. (HOFFMAN. Farmacêutica. didaticamente. docente do curso de Farmácia da Universidade de Fortaleza. devendo ser utilizados apenas como adjuvantes no tratamento da obe‑ sidade. promovendo tratamentos considerados desvantajosos. SALVADORI. 1996). v.

quando as‑ sociadas entre si ou com ansiolíticos. v. gênero do paciente. diuréticos. Os anfetamínicos com propriedades alucinóge‑ nas são de uso proscrito em nosso país. 96 localizam‑se. ao outro profissional envolvido e ao res‑ pectivo conselho. sendo 80 filiais. bem como quais‑ quer outras substâncias com ação medicamentosa. têm sua comercialização sujeita às exigências da Portaria nº 344 de 12 de Maio de 1998. em uma rede que possui 264 farmácias. Secretarias Executivas Regionais da cidade de Fortaleza. a especialidade do profissional prescritor e as informações da prescrição segundo legislação vigente (Portaria nº 344/98). 2008 33 . Em relação às informações contidas nos receituários analisaram‑se a identificação do paciente. concentração. hormô‑ nios ou extratos hormonais e laxantes. Infarma. comunicado. A avaliação da prescrição e dispensação de fárma‑ cos anorexígenos é de fundamental importância. forma farmacêutica. do tipo quantitativo. no período de agosto a no‑ vembro de 2005. São proibidos a prescrição e o aviamento de fórmulas contendo associação medicamentosa das substâncias anorexígenas.contrários aos ditames éticos. foi selecionada uma farmácia em cada Secretaria Executiva Regional – SER (Figura 1). ao usuário. Sendo assim. Fonte: Conselho Municipal de Saúde de Fortaleza (CMSF). Este estudo obteve Figura 1. MéTodos O estudo proposto. descritivo e retrospectivo foi realizado. respeitando as diversas regiões da cidade. data de emissão e dados sobre os medicamentos tais como: especificação (genérica ou co‑ mercial). quando for o caso. isto é. Sendo bastante re‑ levantes as informações a respeito desses medicamentos e/ou associações que os contenham. Anfetaminas e seus derivados utilizados como ano‑ rexígeno ou no distúrbio de hiperatividade em crianças. no Ceará. pois o seu uso de forma indiscriminada acarreta problemas de seguridade e eficácia implicando em uma relação risco/benefício não satisfatória. nº 7/8. Os dados coletados foram analisados e os resulta‑ dos sistematizados sendo expressos por distribuição de freqüências absolutas e percentuais. procurou‑se avaliar o perfil da prescri‑ ção e dispensação de fármacos anorexígenos em uma rede de farmácias do Brasil. Dentre elas. mais especificamente na cidade de Fortaleza. em Fortaleza. visto que “o Brasil é um dos países onde mais cresce o consumo destes medicamentos” (JIPE. for‑ necedor e comprador. prescritor. 2005). Essas prescrições foram coletadas manualmente e os dados transcritos para formulário es‑ pecífico. no mês de agosto de 2005. Analisaram‑se as especificações e quantidades de medicamentos anorexígenos dispensados em seis farmá‑ cias de Fortaleza. As farmácias foram escolhidas de forma aleató‑ ria.20. da Secretaria da Vigilância Sanitária. posologia e quantidade ou dose a ser dispensada. em todo o País. capital do estado do Ceará.

Distribuição dos anorexígenos dispensados segundo as Secretarias Executivas Regionais – SER de Fortaleza (agosto.0 6. sendo que 45 (36. nas farmácias analisadas.8 2.1 9. do emitente e do comprador estavam ausentes ou incompletos em 57 (55.4 4. 42 (33.7 1.8 0. Quanto à especialidade médica observou‑se uma prevalência de 52.1 1. o carimbo do profissional pres‑ critor estava ilegível não sendo possível identificar sua especialidade (Tabela 2).2 4. 2008 .1 2.0%) Tabela 1.2 22.6 12.8 4.5%) receitas analisadas.2 7.6 2.3%) não continham o endereço.20.8 0.9%).7 0. Os pacientes do gênero feminino destacaram‑se como os usuários de fármacos anorexígenos. na apresentação de Desobesi M®.6 100.2 1. porém. nº 7/8.6 8.9 0. 47 (46.0 34 Infarma.0 12.9 16. O mazindol (Absten S®) não foi dispensado no período da pesquisa. Das informações ausentes nos itens contendo medicamentos.5 SER VI N 4 9 3 4 5 0 25 % 3.2 TOTAL N 37 30 28 15 12 2 124 % 29.9 SER IV N 4 2 11 1 1 1 20 % 3.9%) prescrições.4%).4 3. Distribuição dos medicamentos anorexígenos dispensados (n=124).9 3.8 24.0 20.3 2.8%) e 4 (3. Os dados referentes ao fornecedor.9 3.0 0.7% de endocrinologistas. 9 (8.3%) corresponderam a anfepramona representada pelos medicamentos Dualid S®.2 0.9 3. respectivamente.1 8. através das quais fo‑ ram dispensadas 124 unidades farmacêuticas.4 2.aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universida‑ de de Fortaleza e seguiu os preceitos éticos das Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Se‑ res Humanos (Resolução n° 196/96 CNS/MS).4 0.0 29. 28 (27.1 SER V N 7 1 3 0 1 1 13 % 5.7 4. Inibex S® e Hipofagin®. data de emissão da prescrição. A Figura 2 apresenta os valores individuais de cada especialidade farmacêutica e a Tabela 1 a distribuição dos fármacos dispensados nas diversas Secretarias Executivas Regionais.9% de clínicos gerais e 16. 2005) MEDICAMENTO Desobesi M® Plenty® Dualid S® Inibex S® Reductil® Hipofagin® TOTAL SER I N 4 2 3 3 1 0 13 % 3.9 2. sendo re‑ presentados por 76 (74. % = porcentagem f 54 17 5 5 4 4 2 7 4 102 % 52. Em 4 (3.8 0. 85 (83.8 10.8 0.0 0.9 SER III N 3 6 5 2 0 0 16 % 2.4 4.1 3.9%) notificações. resUlTados Avaliaram‑se 102 prescrições.4 0.0 10.6 0. Todos os receituários informavam o nome do pa‑ ciente.8 16.5 SER II N 15 10 3 5 4 0 37 % 12.1 0.9 100 Figura 2.9%) a sibutramina (Plenty® e Reductil®) e 37 (29.9 4.8%) ao femproporex.2 1. Tabela 2. Distribuição das prescrições segundo a especia‑ lidade médica Especialidade Médica Clínico Geral Endocrinologista Psiquiatra Cardiologista Neurologista Dermatologista Ginecologistas Outros Ilegíveis TOTAL f = freqüência. v.

interações medicamentosas e menores riscos ao usuário (MARGOTO. Em nos‑ so País. 2002. A SER II também apresentou quantidade expres‑ siva de vendas de Desobesi‑M®. dIsCUssão Os anorexígenos são drogas ilícitas. em relação aos fármacos que contêm anfepramona e femproporex (11 e 32 anos. medicamentos considerados mais caros. Estas informações também estão de acordo com Wortmann et al. Mesmo assim verificou‑se uma gran‑ de procura por esse medicamento nas farmácias estuda‑ das. nº 7/8. Um estudo nas cidades de São Paulo e Recife mostrou também o descuido com quais médicos prescrevem estes agentes anorexígenos as‑ sociados a benzodiazepínicos (NOTO et al.26% dos receituários. 2002). Azzolini (2003) encontrou. mas é o que provavelmente pode ter ocorrido. mas como o estudo não avaliou a profissão do consumidor. (2002) verificaram que o gênero feminino foi maioria consumis‑ ta de anorexígenos. respectivamente). Em um estudo realizado. o mesmo não pôde ser observado na SER III que. este quadro internacional recomenda a adoção de medidas legislativas e administrativas para diminuir o problema. 2001). em sua pesquisa. Brasil.947 kg de drogas anorexíge‑ nas foram trazidos ao Brasil. Vale ressaltar que em uma mesma prescrição pode conter mais de uma informação ausente. o medicamento Plenty® foi o mais procurado. 2001). 2002). Muitos trabalhos publicados vêm alertando sobre os efeitos nocivos do femproporex (MARIZ et al. Analisando a dispensação desses fármacos nas diver‑ sas áreas de Fortaleza. insônia.. 2003). mesmo apresentando alto valor comercial.. possivelmente. além de efeitos como agressividade. ‘‘Um dos interesses principais na América do Sul continua a ser o abuso de anfetaminas como estimulante na forma de anorexígenos. baixo percentual de reações adversas. O femproporex age como neurotransmissor de no‑ radrenalina.6%) a posologia e 4 (3. Infarma.930 receitas de anorexígenos analisadas. Entretanto. Argentina e Chile são os países mais afetados. 2003.”. Entre 1989 e 1992. O International Narcotics Control Board (INCB) em seu relatório do ano 1998 considera o uso de anorexí‑ genos como um dos assuntos principais na América do Sul. constatou‑se que as SER II e VI fo‑ ram as que adquiriram maior quantidade de Plenty® e Re‑ ductil®.95%) e o femproporex (40. é uma das maiores responsáveis pelo gran‑ de alcance de vendas dessa classe de anorexígenos. devido ao baixo valor aquisitivo do Desobesi‑M®. 2002). relati‑ vamente. Estudos brasileiros têm mostrado um crescimento anual especialmente na dispensação de ano‑ rexígenos em farmácias magistrais.. 34 (33. a anfepramona e o femproporex como sendo as substâncias sujeitas a controle especial mais prescritas nos estabelecimentos da DIR IV de São Paulo. O Brasil é um dos maiores consumidores desses fármacos. Mariz et al. seguido pelo Inibex S® e o Plenty® (MARIZ et al. inibindo o centro de fome hipotalâmico.20. 21 (20. (1994). 2008 35 . provavelmente. Dualid‑S® e Inibex‑S® nas SER I. existem relatos de danos à saúde. 2004). a anfepramona (54. CEBRID. A grande propaganda da indústria farmacêutica. já está entre os fármacos anorexígenos mais vendidos. um dos mais afetados pelo abuso do sistema de receita para estimulante. 2002). Outros trabalhos demonstraram esta mesma relação (MALTA JÚ‑ NIOR. produzindo lesões irreversí‑ veis. o que de‑ monstra diversidade do consumo destas substâncias por cada estado. em São Luís do Maranhão. O resultado mostrando as mulheres como grandes consumidoras de fármacos anorexígenos é um fato espera‑ do em função do apelo social por um padrão de beleza que cultua corpos extremamente magros.. taqui‑ cardia até paranóias e alucinações (KOROLKOVAS.foram referentes à forma farmacêutica. 2005). Um deles demonstrou que relação de prescrições de anorexígenos para mulheres foi dez vezes maior em relação às prescrições para homens. Esses autores não detecta‑ ram nenhuma prescrição com Desobesi‑M®. III IV e V está de acordo com o poder aquisitivo da po‑ pulação. de 26. A sibutramina é um fármaco que proporciona. 2005). possíveis danos à saúde são relaciona‑ dos (KOROLKOVAS. apesar da baixa renda da po‑ pulação. foram analisados 137 receituários e o anorexígeno mais dispensado foi o Reductil®. NOTO et al. com comércio controlado e dependente de emissão de receita especial por parte do médico ao farmacêutico. por sua ação central. foi calculado que o uso de ini‑ bidores de apetite alcançou 20 toneladas em 1995 e 22 toneladas no ano seguinte (CEBRID. fazer uma suposta relação entre essa aquisição e a concentração da população de Fortaleza com maior renda nessas regiões. O uso continuado desses medicamentos pode levar à degeneração de deter‑ minadas células do cérebro. O controle é um meio que a saúde pública possui para evitar o uso indevi‑ do destes medicamentos e garantir seu uso às necessida‑ des de ordem médica (MALTA JÚNIOR. Apesar de a anfepramona ser considerada a menos perigosa para pacientes com hipertensão leve ou mode‑ rada. Pode‑se.3%) à dose a ser ingerida. (2002). não se pode relacionar essa procura pelas pessoas de baixa renda que trabalham no local. importa 78% de medicamentos anorexígenos produzidos no mundo (LIMA et al.63%) foram os anorexígenos mais pres‑ critos.. Segundo Noto et al.9%) à quan‑ tidade a ser dispensada. em contraste com nosso estudo onde essa especialidade farmacêutica foi a mais dispensada. v. 72. Conseqüentemente. com 72. portanto. Ape‑ sar do pouco tempo no mercado (sete anos). O consumo de Desobesi‑M®.

Adipose tissue. Perfil das substâncias e medicamentos sujeitos a con‑ trole especial. Disponível em: <http://e‑legis.2% das prescrições de fármacos ano‑ rexígenos. de forma efetiva. v..26.249‑255. 2003. A farmácia magistral e o tratamento farmacotera‑ pêutico da obesidade. 2. ausência do nome do fármaco de acordo com a DCB (80. deve ser realizada por médicos endocri‑ nologistas ou especialistas no assunto. 75‑8. 2008 .A. 2003. Revista Racine. 28.. M. sibutramina e a an‑ fepramona continuam sendo bastante dispensados. Constatou‑se. KARA. São Paulo: Atheneu. inflammation. p.bvs. htm>. asp?vid=22>. Cardiopulmonary consequences of obstructive sleep apnea.E. que na prática essa de‑ terminação não é seguida pelos profissionais prescrito‑ res nem pelos farmacêuticos no ato da dispensação. 45. no 11‑12.6%). 36 Infarma. ConClUsão Os medicamentos anorexígenos.C. Silveira et al. 2005. O não cumprimento da Portaria 344/98. em especial o femproporex.inf. Boletim n.1%). p. forma farmacêutica.9. dispensados nas drogarias e farmácias dos muni‑ cípios da jurisdição da DIR IV. 2003. SCHERER. enquanto que os clínicos foram responsáveis por 37. Semin Respir Crit Care Med. agradeCIMenTo À farmacêutica Cristiane Feijó que autorizou a reali‑ zação desse trabalho. 25‑32. BRASIL. é obrigatória a presença no receituário de medicamentos controlados do nome do medicamento ou da substância.Em relação à especialidade médica do profissio‑ nal prescritor observou‑se uma predominância de clíni‑ cos gerais. 344.H. S. SALVADORI. (Out.ed. reFerÊnCIas bIblIográFICas AZZOLINI.saude. n. C.br/temas_mostra. Fundamentos de Toxicologia. Contudo esses dados preliminares mostram que o consumo de anorexígenos em Fortaleza. Esse resultado permite supor que o uso do anorexígeno. 09 maio 2005. SOMERS. Disponível em: <http://www. Estimulantes do sistema nervoso central. Mariz et al (2002) encontraram uma porcentagem maior de prescritores en‑ docrinologistas (50. mesmo sem que o receituário esteja de acordo com a legislação vigente.1. Acesso em: 08 out 2005. 46. p. P.. podendo acarretar riscos à saúde pública.php>.nutrociencia. n. BERG. 96. da quantidade em algarismo arábico e por extenso (72. M.A. podendo acarretar re‑ dução da adesão ao tratamento e conseqüente prejuízo ao paciente. Disponível em: <http://www. Estado de Minas.5%). A omissão de informações na prescrição médica dificulta o trabalho de equipe e põe em risco a vida do paciente. quantidade (em al‑ garismos arábicos e por extenso) e posologia. Circ Res.M.20. ocorre de maneira intensa e irracional denotando a necessidade de implantar.0%). Os dados apresentados corroboram com a necessidade de educação continuada dos profissionais prescritores e dispensadores e adoção de outras medidas para a melhoria da qualidade da prescrição e dispen‑ sação.K. uma vez que se trabalhou com uma amos‑ tra reduzida para tais propósitos e qualquer generalização pode induzir a reprodução de dados e informações não consistentes. sujeitos a controle especial. Assistência farmacêutica em obesidade. mesmo sob orientação médica. A.77. V. a semelhan‑ ça de outras cidades. (2005) em uma drogaria em Pelotas. CARAZZATTO. v. 2005. É importante ressaltar que extrapolar os resultados. De acordo com a Portaria 344/98. n. Anfetaminas no Brasil: efeitos colaterais dos inibido‑ res de apetite.4%). and cardio‑ vascular disease.R. prescritos sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB). Infarma.. RS encontrou que a maior freqüência de erros na análise de notificações de medicamentos psicotrópi‑ cos ocorreu por falta de endereço completo do paciente (91. p. p. Acesso em: 17 out. 939‑49. entretanto.br/cebrid. CHASIN. v. Nutrociências. CARNEIRO. a participação do farmacêutico na monitorização do uso de medicamentos anorexígenos e assimilar um processo de educação para uso racional desses medicamentos. 15. Brasília. Medicamentos psicotrópicos no Brasil..4% não constavam dose ou concentração. 1996). Portaria n. A.com. nº 7/8. já que foram identificadas várias prescrições com ausên‑ cia de informações importantes. Acesso em: 08 out. Resolução n° 196 do Conselho Nacional de Saúde.0%) e em 7. posologia e data de emissão (9. de 12 de maio de 1998. BRASIL. v. Aprova o Regulamen‑ to Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial.34‑40. dosagem ou concentração. tanto por parte dos prescritores quanto dos dispensadores é alar‑ mante. 10. generalizando‑os para a cidade de Fortaleza como um todo é algo arriscado. CAPLES. Dispõe sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envol‑ vendo seres humanos. S. V. In: OGA. T. 2005. CENTRO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO DE MEDICAMENTOS PSICOTRÓ‑ PICOS (CEBRID). forma farmacêutica (59.13. A farmácia ou drogaria somente poderia aviar a prescrição se todos esses itens estivessem devidamente preenchidos. pode estar ocorrendo de forma inadequada já que a literatura espe‑ cializada no assunto sugere que a recomendação de tais medicamentos para casos específicos de tratamento de redução de peso. 2005.br/leisref/public/ search. P. 36.M.

W.C. J.. M.24. dez.N.. J. 14. Uso de psicoestimulantes no Brasil: um pro‑ blema ainda sem solução. L. O. WORTMANN. Hipnos.A. 2005. cirurgiadaobesidademorbida.M.C. GARCIA. JARDIM NETO.9.3. Acesso em: 11 jul. MELLO.. 2002. Rio Grande do Sul. 2005. 2005 Out 12‑15.J.R. T. epidemiology.htm>. A. R.. VGONTZAS.V. SILVEIRA. [Abstract] In: I Congresso brasileiro sobre uso racional de medi‑ camentos. DE BRUIN..P.. Sleep apnea is a ma‑ nifestation of the metabolic syndrome. n.C.. S. V. Sleep Med Rev.4. Acesso em: 24 set. In: GOOD‑ MAN. A.40. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. v. Bras.A. Obesidade: visão da nutricionista. Drugs Aging.. Rev. PASSOS.. 8.C.G.portaldeginecologia. 1996. GILMAN.. NAPPO. MEDEIROS. 1994. Acesso em: 15 nov. p. MORAES. SEHN. Publicado em: 02/07/2001. A. Ed. Assoc.. F.escelsanet. E.D.. G. Obesidade: Evidências e fantasias.C. FIALHO. Infarma.. 2003.Y. NOVO. Consu‑ mo de benzodiazepínicos em Porto Alegre. 2003. HIDALGO. Sonolência. P. OSÓRIO. SCHAEFER.2. BASTOS.. 2004.P.com. Brasil. L. 9. v.M. MANCINI. Dicionário Farmacêuti‑ co Guanabara. MAIA. consequences and management.211‑24. LIMA. L. Boletim Informativo da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes. 2002. PILLAR. S. S..3.F.br/sitesau‑ de/artigos_cadastrados/artigo. Rio de Janeiro: Alfred Goodman Gilman.da S. Aná‑ lise de notificações de receitas de medicamentos psicotrópicos e anorexígenos dispensados em uma drogaria do sul do Brasil. 2005. ALVES.php?nome=news&file=article&sd=82>.O. P. M.R. n.20.S.S.. p..HOFFMAN..br/index.htm>. T. PINHO. & CARLINI. v. Portal de ginecologia. FARIA. São Paulo. n. 160‑164. Disponível em: <http://www. NOTO. J.com. v. Especial. M. A. SOIBELMAN. CHROUSOS. CSIZMAR.. L.B. MALTA JÙNIOR. R.C.20. M. ed. O.S. drogas simpaticomi‑ méticas e antagonistas dos receptores adrenérgicos. S. v.S. v. p.F. SILVA.. Disponível em: <http://www.P. 9‑10. 50‑2. MARGOTO. As bases farmacológicas da terapêutica. 2008 37 . P.N. I. 2004. SHOCHAT.C. Metabolismo e Nutrição. n. 2004. JIFE. T. n. 2004. SIL‑ VEIRA.A.N. 265‑270. V. n. WANNMACHER.asp?art=872> Acesso em: 09 out. BIXLER.br/dpsiq/polbr/ppm/atu6_02. KOROLKOVAS. A.15.. n. M. FERREIRA.com. W.. Bras.61. KUROIWA. J. 2002. F. 2005.551‑60.P.. J.C. p..A.. Conheça os vários aspectos de um tratamento de obe‑ sidade. estado de humor e uso de drogas em motoristas profissionais de caminhão. F. OPAS/OMS. A. Catecolaminas.F. 2002. E. Rev. Obesidade.K. B.3.. MARIZ. W. Avaliação preliminar da dispensação de ano‑ rexígenos em São Luís – Maranhão. MASTROIANNI.M.A. R. v.unifesp. COSTA. G.. p... Med. RAMOS.68‑73. Revista de Saúde Pública.R. p. Abstract (in press)(2005). DE BRUIN. Infarma. M. Disponível em: <http://www. Avaliação da dispensação de benzodiazepínicos em farmácia comercial de Juazeiro do Norte – CE. 1. VIEGAS.C. Obesidade – como diagnosticar e tratar. Disponível em: <http://www. A. 13. v.br/ modules. v. A.T.F. p. Análise da prescrição e dispensação de medicamentos psicotrópicos em dois municípios do estado de São Paulo. 2005. 1/3. 56‑60. nº 7/8. Méd. Infarma. S. LEFKOWITZ. Anorexígenos. Uso racional de medicamento: temas selecionados. GRUDTNER..1‑13. Sleep apnea in the older adult: pathophysio‑ logy. ASSIS. PECHANSKY. p.

a patologia e o paciente7. 85. O processo de não‑adesão em algum grau é univer‑ 6 sal e está relacionado a diversos fatores que envolvem o profissional de saúde. 2008 .adesão À TeraPÊUTICa MedICaMenTosa edIlson alMeIda de olIveIra Farmacêutico. ou nenhuma. Neste caso.8. como também explorar novas áreas onde os problemas não se cristalizaram de maneira sa‑ tisfatória14.11. optou‑se pela pesquisa bibliográfica. Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE. é utilizado para identificar uma escolha livre das pessoas de adotarem ou não certa recomendação3. e o termo adherence. mas há controvérsias quanto à compre‑ ensão deste tratamento. pois a bibliografia pertinente fornece meios para definir. a adesão ao tratamento prescrito depende de vá‑ rios fatores e sofre uma espécie de triagem para que se concretize. e pressupõe um papel passivo do paciente. Cascavel – PR. Apto. o comportamen‑ to do paciente e o controle de sua patologia são tidos como parte do profissional. Assim. A relevância desta questão na terapêutica é indiscutível. os fatores relacionados à adesão terapêutica e as metodologias utilizadas no estudo deste processo. são aceitas mais facilmen‑ te10. como as de vizinhos. enquanto as indicações populares. tal como prescrito e recomendado. ou aderência. autonomia para desobedecer às recomendações médicas. o tratamento propriamente dito. v. ressaltando alguns aspectos para o aprofundamento da análise e dis‑ cussão. E‑mail do autor responsável: proedilson@ibest. resUlTados e dIsCUssão O termo compliance está mais focado no modelo bio‑ médico. Assim. Centro. pois da adesão ao tratamento depende o sucesso da terapia proposta. Partindo do entendimento de que são múltiplos os fatores para a não‑adesão ao tratamento. chegando‑se a conclusões inovadoras15. MaTerIal e MéTodos A opção metodológica deve estar fundamentada na natureza do problema a ser estudado. e dessa forma. no recorte da realidade de cada pesquisa13. explicita o porquê da noncompliance (falta de cumprimento)4. não somente proble‑ mas já conhecidos. Rua Souza Naves. onde o paciente é visto como um cumpridor de recomendações16. tais como os conceitos e pressupostos de adesão adotados. Este conceito 38 Infarma. a pesquisa bibliográfica não é mera reprise do que já foi escrito ou discorrido sobre determinado tema. Apesar de que o normal é não aderir9. 4013. residente em Saúde da Família. 141.20. Estas terminologias são discutidas com freqüência nas pesquisas que procuram explorar e problematizar estes conceitos na prática clínica4. médico e paciente não possuem uma in‑ teração e comunicação adequada. Existe por parte do paciente o desejo de utilização de um tratamento. bem como. Os termos mais utilizados na língua inglesa adherence e compliance possuem significados diferentes. nº 7/8.com.810‑070. o compliance acaba por enfatizar os limites da própria disciplina médica17. Nesta relação médico‑paciente. resolver. de avaliar a sintomatologia e da ob‑ tenção de alívio. mas propicia que façamos uma análise de um assunto sob novo ponto de vista ou abordagem. amigos e familiares. sendo que o termo com‑ pliance pode ser traduzido como obediência. e a decisão favorável ou não do doente ao tratamento5. obJeTIvos O presente artigo tem por objetivo destacar as dife‑ rentes abordagens sobre a temática da adesão. fato este que em gran‑ de parte. tem‑se que o modelo biomé‑ dico não oferece suporte suficiente para compreender a necessidade de controle e manejo da doença por parte do médico. o controle de uma doença crônica e a cura de uma enfermidade12.br InTrodUção Estudos que destacam a perspectiva médica e do paciente no processo de adesão à terapêutica utilizam tanto o termo compliance como adherence1.2. O indivíduo é tratado com pouca. Alguns estudos demonstram que o conhecimento e as crenças do paciente sobre o tratamento são fatores muito importantes para a adesão1. a prevenção de uma patologia.

são desenvolvidos. envolvendo desde a tenta‑ tiva de compreensão de suas crenças e valores em rela‑ ção à saúde. A questão da não‑adesão ao tratamento medica‑ mentoso prescrito tem tomado importância no elenco das preocupações dos profissionais e autoridades de saúde. nº 7/8. ao profissional de saúde e à doença propria‑ mente dita12. como idade. Sendo que os fatores relacionados ao tema envolvem questões referentes ao tratamento. representa a etapa final de um processo denominado como o uso racional de medicamentos12. Nenhum homem é uma ilha. raça. E. bem como suas representações de saúde. podemos conjeturar em primeiro plano na questão da ina‑ cessibilidade ao medicamento. até a identificação da não‑adesão como comportamento irracional e desviante. onde a responsabilidade pela não‑adesão ao tratamento é definida como ignorância dos pacientes ou de seus res‑ ponsáveis sobre a importância do tratamento. Autores defendem o entendimento do papel do paciente como um sujeito ativo que participa e assume responsabilidades sobre seu tratamento. são consideradas importantes como indicadores de não‑adesão1. como im‑ portantes no processo de adesão à terapêutica medica‑ mentosa12. programas com características cada vez mais con‑ troladores5. tomando‑o como sendo capaz de uma decisão consciente e responsável em relação ao seu tratamento4. Vários autores colocam a necessidade de compre‑ ensão das questões relacionadas ao paciente e ao meio sociocultural em que o mesmo está inserido. No caso da farmacoterapia. que variam da disponibilidade à crença no tratamento proposto23. 2008 39 . existem estudos em que estas variáveis são vistas como inconsistentes e apontam para outros fatores sobre o paciente para mensurar a não‑ade‑ são terapêutica4. Entre os múltiplos fatores relacionados à adesão. As pesquisas sociais e comportamentais sobre as pessoas que aderem ou não ao seu tratamento são de relevância para o acompanhamento e atuação nas mudanças epidemiológicas dos processos patológicos4. Poucos trabalhos avaliam a questão social e cultural sobre o uso de medicamentos como resultante de um processo em que ocorre uma decisão racional e que leva em conta múltiplos determinantes. fica o questionamento do porquê da existência de um grande número de pacientes que não têm adesão ao tratamento prescrito18. o termo tem a conotação de atenuar ou retirar a responsabilizar da prática médica. observando‑se os horários. se o paciente não adere (nonadherence) ao tratamento é porque ele assim escolheu. Vários conceitos e pressupostos são adotados em relação à adesão. Variáveis demográficas e sócio‑econômicas. Já os termos adherence ou adhesion (adesão). de forma individualizada.25. juntamente com outros fatores que influenciam o uso ra‑ cional dos recursos terapêuticos.20. sexo. Entretanto. no âmbito da saúde pública. e esse ponto de vista é verdadeiro. Infarma. pelo contrário. estado civil.21.não leva em consideração outros aspectos de igual valor e relacionados ao paciente para discussão. não considerando a inter‑relação entre os fato‑ res presentes no todo16. é impossível abranger todos os pontos de vista do paciente5. v. Construção essa que deve ser compreendida no nível individual e também no nível do macro contexto. No entanto. de uma forma geral. entre os estudos de ade‑ são disponíveis. que adere ou não16. esta “autonomia” para aceitar o tratamento não exime de responsabilidade a saúde pública. tem sido discutida e estudada por vários profissionais da saúde. A utilização do termo adesão justifica‑se pela preo‑ cupação em abranger os múltiplos fatores que a determi‑ na. A adesão ao uso de medicamentos e ao cuidado de saúde. O conceito de adesão. de forma geral. A adesão à tera‑ pêutica. algumas vezes. por se tratar de um ponto fundamental na resolu‑ bilidade de um tratamento. tais como as opiniões e interferências de sua família. Se há na população o “folclore hipocondríaco”. exige da mesma uma política de atendimento adequada. A maneira como é visto o papel do paciente em seu tratamento reflete a forma de discussão dos fatores rela‑ tivos ao paciente na adesão. não concentrando a responsabilidade do tratamento. enquanto provedor e participante ativo deste processo. ocupação. Entretan‑ to. dos vizinhos. é compreendido como a utilização dos medicamentos ou outros procedimentos prescritos em pelo menos 80% de seu total. procu‑ ram ressaltar a perspectiva do paciente. Assim sendo. devido à comprovação de que em alguns pacientes não ocorre a adesão. é afetada ou direcionada pelo meio social e cultural em que acontece22. doses e o tempo de tratamento. depen‑ dendo do conceito de adesão e do método utilizado no estudo19. apesar das va‑ riações existentes entre os autores. como decorrência da dinâmica de aprendizagem social vivida3 e resultado da forma de construção do seu enfrentamento à doença21. O ponto de vista do paciente e o envolvimen‑ to do contexto social em seu comportamento ampliam a discussão da adesão à terapêutica medicamentosa para além das fronteiras da clínica24. Todavia. quando se estuda a adesão. no paciente. o grau de adesão varia muito. e como re‑ sultante da pouca educação da população ou ainda como simples desobediência de ordens médicas12. renda e educa‑ ção. doença e tratamento. do trabalho. não é de respon‑ sabilidade dos médicos ou do sistema de saúde. corpo e doença. A adesão ao tratamento com‑ preende que todos os pacientes possuem autonomia (pa‑ tient agency) e habilidade para aceitar ou não as recomen‑ dações médicas.20. de sua comunidade e sociedade como um todo22.

Entretanto. o respeito para com as verba‑ lizações e questionamentos dos pacientes e a motivação do paciente para o cumprimento da terapia.O mercado farmacêutico concentra‑se em países economicamente ricos e está voltado às classes sociais abastadas. A adesão à terapêutica depende também de como o indivíduo controla e articula o seu corpo. dois significados antagônicos. Apesar da nítida influência sobre a adesão. nº 7/8. o tempo dispensado na consulta. exigindo empenho do paciente em adaptar sua alimenta‑ ção. o dobro do custo mensal das prescrições dos que apresentavam adesão. vê‑se aqui que esses fatores. também. normalmente identificados ao medica‑ mento. um positivo. quando percebem que os sintomas melhoram. Também de acordo com os mesmos autores.20. Conforme Leite & Vasconcelos (2003).1% dos casos de não‑adesão à prescrição teve como motivo alegado o acesso econômico. e pode ser chamado de efeito protetor da não‑adesão. que interfere na adesão à terapêutica anti‑retroviral. também um menor custo e menor número de medicamentos melhoram a ade‑ são28. a relação médico‑pacien‑ te não é suficiente para explicar o processo da não‑adesão à terapêutica. que não aceitam as prescrições médicas. Após atendimento em pronto‑socorro pediátrico. que o paciente é um doente crônico16. Foram achadas evidências de que um tratamento compos‑ to por duas doses diárias é mais bem cumprido do que um que possua três doses ao dia29. Isto se caracteriza como um dos principais fatores. relacionados ao medicamento. em detrimento dos medicamentos demandados pelas necessidades mais comuns existentes nos países po‑ bres26. 39. e outro negativo. e o terceiro no qual se encontram os sépticos. v. dos efeitos colaterais causados pela terapia é um obstáculo à adesão. o tempo todo. O medicamento possui. Esse fator. são fatores citados na literatura para que ocorra a adesão. Pacientes que não confiam no sistema de saúde ou nos médicos que os aten‑ dem são mais predispostos à não‑adesão ao regime me‑ dicamentoso25. descrevem um “modelo de decisão te‑ rapêutica” em que. é importante citar que a percepção. Isso. Alguns pacientes. na equipe de saúde que o assistiu ou na pessoa do médico que o atendeu7. no mínimo. Fato este que acontece principalmente nos portadores de doenças crônicas. É sim. de self‑regulation (au‑ to‑regulação). re‑ lacionado à cura e ao restabelecimento da saúde. com a intenção de suplantar o estigma de doente crônico. a relação médico‑paciente é um dos fatores mais importan‑ tes na decisão do paciente em aderir ou não às recomen‑ dações16. uma das possíveis barreiras que pode e deve ser trabalhada pelas equipes de saúde12. a realização de um atendimento acolhedor. horários e ritmo cotidiano para cumprir o tratamento. Denomina‑se este “teste”. a aceitação de um tratamento proposto está intimamente relacionada com a aceitação da própria doença e não tan‑ to com outros fatores21. o que seria uma não‑ade‑ são inteligente à terapêutica20.31. A presença de sensações corporais desagradáveis lembra ao paciente constantemente que ele ainda está com algum problema em função de sua doença. Analisando o tema da adesão. sem dúvida. em média. pois seus esquemas terapêuticos geralmente são complicados. fica evidente pelos resultados de alguns estudos que um dos fatores decisivos para que ocorra a adesão é a confiança depositada pelo paciente na pres‑ crição recebida. segundo eles. As‑ sim. por parte do paciente. Sendo que o custo mensal das prescrições dos pacientes que não aderiram ao tratamento era.8. Certas atitudes do prescritor. Em países como o Brasil. apesar dos gastos com me‑ dicamentos representarem grande parte dos investimentos na saúde pública a dispensação gratuita de medicamentos não cobre as necessidades existentes da população12. um maior número de fármacos prescritos encarece o tratamento e se adere menos27. a partir do ponto de vista do usuário. porém não sem testar suas variações e então optar pelo seguimento ou não. descrevendo‑o como uma forma do pacien‑ te avaliar o estado atual de sua doença e da possibilidade de diminuir a dose ou até da retirada dos medicamentos prescritos. existem três tipos de usuários de medicamentos na população: o primeiro. pois o ato da inge‑ rir regularmente o medicamento evidencia. O maior número de medicamentos prescritos e o es‑ quema terapêutico proposto. tamanho e paladar30. 2008 .32. e de qual é a 40 Infarma. nestes casos. configura o grande obstácu‑ lo para a adesão terapêutica e deve ser o primeiro aspecto a ser analisado. então ele estará em condições para ade‑ rir ou não ao tratamento12. já que o seu en‑ tendimento de doença está ligado à presença de sintomas indesejáveis11. Já os pacientes crônicos despendem parte de suas vidas no “papel de paciente” e. o principal fator relatado para a ocorrência da não‑adesão ao tratamento farmacotera‑ pêutico em idosos foi o alto custo do medicamento. acreditam que não estejam mais doentes. pois somente se o paciente tiver acesso ao medicamento. Em estudo realizado. como a linguagem uti‑ lizada. na verdade estão relacionados à decisão do pa‑ ciente em mudar seu ritmo e estilo de vida ou de aceitar certos efeitos adversos advindos da terapêutica medica‑ mentosa12. que alguns pacientes desenvolvem com seu tratamento. o segundo constituído pelos que acei‑ tam as prescrições. Além disso. e isto ocorre inclusive quando o medicamen‑ to é fornecido gratuitamente6. estão associados à não‑adesão. re‑ presentado por aqueles que aceitam e procuram cumprir a prescrição médica. O ato de tomar os medicamentos é tido pelo paciente como uma forma reviver a sua enfermidade que não mais se manifesta fisicamente16. representado pelos efeitos colaterais.

31. não priori‑ zam o papel do paciente neste processo e nos lembra ain‑ da que vários estudos consideram a adesão pós‑consulta médica e. em geral.sua visão do que seja ou não uma boa resposta deste às sensações desagradáveis existentes em função de sua pa‑ tologia. como na pesquisa participan‑ te. pois o paciente pode ocultar do entrevistador ou do médico a forma real como ele rea‑ lizou o seu tratamento20. pois ocorre desinteresse por parte do indivíduo em relação a situações de perigo. conhecimentos. A não‑adesão à terapêutica coloca estes pacientes numa situação de vulnerabilidade quanto ao seu processo saúde/doença/tratamento. São baseados em técnicas analíticas que por meio da identificação de metabólitos dos fárma‑ cos ou de marcadores químicos. Os métodos indiretos incluem entrevistas e a con‑ tagem dos quantitativos de medicamentos que o pacien‑ te ainda possui em seu poder. são desenvolvidas metodologias que propiciam o estudo de determinados processos em profundidade. os métodos podem ser classificados em dois ti‑ pos: diretos e indiretos33. Quando o paciente não tem adesão. quando o paciente percebe que a melhora depende do seu comportamento. e que possui valores socioculturais. por sua aplicação acessível e menor custo. propiciando a manifestação de fatores complexos. Motivos julgados sem importância pelo profissional de saúde. podemos nos questionar se ele sabe o que é aderir ou se tem consciência da importância da questão. econômicos e sociais. a maioria dos estudos focaliza a grande questão que an‑ gustia os profissionais de saúde: por que certos pacien‑ tes não aderem à terapêutica medicamentosa. Com relação às metodologias para o estudo da ade‑ são no campo dos medicamentos. é objeto e objetivo das investigações e das ações para promover a adesão. da forma como ele enfrenta a sua doença e os sintomas dela advindos12. nº 7/8. pois o paciente ou seu responsável.21. até en‑ tão desconsiderados8. Uma das metodologias mais utiliza‑ das para o estudo da adesão à terapêutica é a entrevista estruturada. Entre os pressupostos assumidos para o estudo da adesão. O paciente necessita para uma adesão efetiva ao tratamento. Infarma. verificam se o medica‑ mento foi administrado ou tomado na dose e freqüência prescrita. Assim. Todavia. as diferenças mais evidentes encontram‑se entre aqueles que focalizam o processo no paciente e aqueles que procuram a compreensão em fatores externos ao pa‑ ciente. v. avaliam o cumprimento da prescrição médica como cena fundamental do processo saúde/doen‑ ça/tratamento12. a conclusão de um estudo em que a maioria dos pacientes com não‑adesão à terapêutica prescrita mencionou para isto apenas poucos motivos32. tende a seguir. há necessidade de que o paciente e os profissionais de saúde tenham uma relação de confian‑ ça e sinceridade. geralmente. 2008 41 . o que não é desejado pelo paciente12. o que pode ser alcançado por meio da atenção farmacêutica. o mais corretamente possível. ficando difícil nesse caso estimar se a resposta terapêutica é diretamente proporcional ao tratamento prescrito. Além disso. A perspectiva do paciente é um dos maiores subsídios da abordagem. os múltiplos fatores que estão relacionados à adesão dependem da percepção que o pa‑ ciente possui deste processo. interesses. da oportunidade de expressar suas dificul‑ dades e seu entendimento a respeito de sua doença e do tratamento. reflexo dos contextos individuais. que já aconselhava suspeitar das informações fornecidas pelos pacientes em relação ao seu tratamento. culturais. que produzem uma opinião sobre o uso ou resistência ao uso dos medicamentos. No caso de métodos qualitativos. Os objetivos do estu‑ do enfocam fatores culturais. São as expectativas em relação ao tratamento e à cura que demarcam alguns comporta‑ mentos durante a terapêutica2. muitas vezes são os que realmente determinam a adesão ou não a um determinado tratamento por parte do paciente31. psicológicos e sociais e sua influência na utilização de medicamentos. Os profissio‑ nais de saúde só irão conseguir influenciar na adesão à terapêutica medicamentosa. o maior problema apontado para esse método é a super‑estimativa da adesão. Em relação aos fatores relacionados à adesão. etnografia e entrevistas abertas. quando atingirem o universo sociocultural do paciente e estabelecerem com este uma comunicação e relacionamentos efetivos. Devemos ter o bom senso de levar em consideração o papel do paciente ou do responsável por sua saúde no processo saúde/doença/tratamento como um ser social. dotado de expectativas. Quando o foco do estudo é adesão à terapêutica prescrita.20. como nos estudos que identifica‑ ram a adesão à terapêutica prescrita como o resultante de um processo de avaliação e aceitação do paciente de sua condição enquanto doente16. Chama especial atenção. ConClUsÕes Excetuando‑se o quadro em que o paciente não tem acesso ao medicamento. familiares. Os métodos diretos fundamentam‑se nos ensina‑ mentos de Hipócrates. a terapêutica prescrita24. neles estão centralizados os fatores que influenciam na adesão à terapêutica medicamento‑ sa. estudos sobre adesão a diversos tipos de terapias dão a entender que o seguimento rigoroso das prescrições implica em certa interferência no dia‑a‑dia. A avaliação do efeito far‑ macoterapêutico esperado é um método para analisar a adesão ao tratamento.

apr: 2. Compliance with pediatric therapy. N. PEREIRA BICUDO. H. MENEGONI. sejam de fato modificados. o paciente não está preocu‑ pado em desobedecer ou não aderir ao receituário médico.. JONES. Faculdade de Saú‑ de Pública. CASTRO. saúde coletiva v. 1997. Além da medicação: a contribuição da fitoterapia para a saúde pública. 27:1299‑1308. as‑ pectos sócio‑políticos e culturais de segmentos popula‑ cionais específicos. Conception of tuberculosis ant therapeutic choi‑ ces in Highland Chiapas. Family Practice 14(5):369‑375. [s.. São Paulo. I. J. 1985.No plano social. Aspectos metodológicos e comportamentais da adesão à terapêutica. dentre as quais as políticas de medicamentos e de assistência farmacêutica do Estado. 5. carência de educação formal. IPEX Editora. A. Brasília. Mexico. 11. 2008 . A. 12. American Review of Respira‑ tory Disease.262‑2.. DOWELL. LIEFOOGHE. São Paulo. A reflexão sobre o assunto pode ajudar a compreen‑ der esse universo complexo. quantidade de recursos destinados à saúde. 42 Infarma. II Brazil Jo‑ hns Hopkins University Conference on HIV/AIDS. Ciênc. M. 2000. Pakistan. I. 3.E. VASCONCELLOS. MILSTEIN‑MOSCATI.. 44:347‑358. MORAN. & ZANINI. estão representadas as políticas sociais. DE MUYNCK. 1996. I. R. AG Editora. grau de prioridade política e econômica e pelas condições de bem‑estar social34. Metodo‑ logia qualitativa nas pesquisas em saúde coletiva: considerações teóricas e instrumentais. et al. 2003.]. 41:1685‑1692. L. 19. H. J. A. amostragens e técnicas de pesquisas. A. P. MICHIELS. Clinical Pedia‑ trics. A. CULOS‑REED. análise e interpretação de dados. Dissertação de mestrado. 147:1311‑1320. 34:291‑306.. HUDSON. L. a vulnerabilidade é avaliada se‑ gundo os aspectos de acesso à informação. 1992. 1995. 171‑179.20. Aqui. 1999. Controlled Clinical Trials 21:184S‑187S. sim. Search of factors responsible for noncompliance among tuberculosis patients in Wardha Dis‑ trict. CONRAD. 1992. 1998. FARMER. 6. In PR Teixeira et al. C. F. Pois vulnerável é toda a pessoa que se encontra menos apta a se proteger35. 7. 10:181‑401. 16. NEMES. M. grau de liberdade e expressão. B. Técnicas de pesquisa: planejamento e execu‑ ção de pesquisas. [Série Monográfica nº 2. elabo‑ ração. 8. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública/ USP. KIDD K. In LLC Castro (org. 1997. 1971. Fundamentos de farmacoepidemio‑ logia. Buenos Aires: Humanitas. JORDAN. LEITE. G. São Paulo. BRAWLEY. Social Science and Medicine. M. S. The meaning of medication: another look at com‑ pliance. Manual para la preparación de monografías: una guía para presentar informes y tesis. PAULO. R.. C. L. TROSTLE. 1993. et al. S. Adherence in social context. ALTMAN D. acesso e qualidade dos serviços de saúde. T. 4. nível geral de saúde da população. O tema da adesão à terapêutica medicamentosa faz jus a uma profunda e continuada reflexão sobre seus signi‑ ficados e “ressignificados” quanto aos atos de prescrição e dispensação e na forma de consumo de medicamentos. Perception and social consequences of tuberculosis: A focus group study of tuberculosis patient in Sialkot. Drogas e drogadição no Brasil. E. Aderência ao tratamento por anti‑retrovirais em serviços públicos no Estado de São Paulo. 2000. B. CHAISSON.. L. 1988. 20. PERSANO. 2000.). G. 2000. Social Science and Medicine. 2. Eixo – Promoção de Saúde]. por parte dos profissionais de saúde e do paciente37. Controlled Clinical Trials 21:156s‑163s. 18. When tuberculosis treatment fails: A social beha‑ vioral account of patient adherence.hopkins‑aids. L.8 n. 1997. pp. Adesão à terapêutica medica‑ mentosa: elementos para a discussão de conceitos e pressupostos adotados na literatura. Esta vulnerabilidade social é fruto de contextos sócio‑políticos de opressão e pobreza. 1997. É necessário que as pessoas saibam como se proteger e se mobilizem para que os conhecimentos estruturais que as tornam vulneráveis ao adoecimento ou que dificultam sua acessibilidade ao tratamento e à adesão terapêutica. Social Science and Medicine. Manuseio de infecções oportunistas. F... M. Editora Artes Médicas. 2000. MANZO. N. onde cidadãos de países em desenvolvimento encontram‑se freqüentemente em condição de vulnerabilidade em nome de sua falta de poder político. S. Social Science and Medicine 20(1):29‑37. Disponível em <http://www. Medical Anthropology Quarterly. pouca fami‑ liaridade com as intervenções médicas. São Roque. MARCONI. J. 2000. SIMIONI. C.. Aderência ao tratamento anti‑retroviral em Aids: revisão da literatura médica. M. G. 10.3 p. v. SUMARTOJO. 9.l. LEITE. P. ANDRIAANSE. Ministério da Saúde. 17. M. 1983. São Paulo: Atlas.. S. C. R. BUCHER.edu/>. 22. A qualitative study of medication‑taking behaviour in primary care. BARNHOORN. A. R. N. Compliance: sobre o encontro pa‑ ciente/médico. 13. S. Universidade de São Paulo. M. N. HABIB. 14. LEFÉVRE. J. 21.1‑11.265. theories. Studying adherence to therapeu‑ tic regimens: overview. nº 7/8. em lidar com sua condição de vida da forma que lhe convenha e que lhe permita maior autocontrole e liberdade16. São Paulo. Tá difícil de engolir? Editora Nepaids. Medical compliance as an ideology. India. P. reFrÊnCIas bIblIográFICas 1. extrema pobreza e ainda necessidade de saúde36. Social Science and Medicine.. 4ª ed. 15. recommendations. Social scientists and the new tuberculosis. mas.

Public Health Reports 92:72‑78. Rio Grande do Sul: na perspectiva do paciente. racional. M. Com‑ pliance with short‑term antibiotic therapy among patients atten‑ ding primary health centers in Riyadh.. COSTA J. P. E. M. S. 29. OUELLETTE. 1993. CASSEL. Educ 7(12):113‑28. AYRES. 1995. Declaração de Helsinki: relativismo e vul‑ nerabilidade. Atención Primaria 27(8):554‑558. 2001. São Paulo. R. O Medicamento como Mercadoria Simbólica. 1998. J.15 n. 35. et al. Rio de Janeiro. F. P. J.. L. R. Aug: 231‑234. Editora Campus. 2000. R. São Pau‑ lo: Editora Cortez. Saudi Arabia. AL‑SHAMMARI. 17 n. L. C. HAAIJER‑RUSKAMP. J. Drug utilization studies. MATTSON. Saúde Pública v. F. PAIVA V. C. Interface‑Comunic. R. 28. R. 34. Adolescence and Aids: evaluation of a preventi‑ ve education experience among peers. BABINEAU. SILVESTRE‑BUSTO.. Journal of Royal Society of Health. B. BRAND. T.. O que é o uso racional de medicamentos? Sobravime. D. AL‑YAMANI.. HEMMINKI.. Effect of economic bar‑ riers to medical care on patient’s noncompliance. R. V. Cad. 31. 1‑14. D.. Research in deve‑ loping countries: Taking “benefit” seriously. L. A. Revista Paulista de Pediatria 14(02):73‑77.. PESSOA.20. D. The social aspects of drug use. KHOJA.. E. CORRÊA. C..4 p. MENEZES A. 1977. social: razão médica e racionalidade científica moderna. B. N. M... 2001. 2008 43 . BRAND. Multi‑centre study of childrens’s adhe‑ rence to antibiotic treatment in primary care. 33. São Paulo.. Infarma. H. H.. S. J. L. 25. M. DINIZ. HULKA. Natural. nº 7/8. TEIXEIRA. LEFÈVRE. M.26:38‑42.277... SMITH. A. GLANTZ.23. M. L. PREVEY.3 Rio de Janeiro. P. 1991.. 1996. BALIKJAN. S. 1999. 32. Journal of Chronic Disease. A. 26. Saúde Pública v. v. 1989. M.. M. L. LUZ. F.. NASCIMENTO. Adesão à terapêutica da tuberculose em Pelotas. Copenhagen. 1988. A. Hastings Center Report. How often is medication taken as prescribed? JAMA 261(22):3. 1975. J. F. CRAMER. L. SOBRAVIME. 2001.. Medica‑ tion use and misuse: Physician‑patient discrepancies. 30. Rio de Janeiro. ANNAS G. S. Tá difícil de engolir? Edito‑ ra Nepaids. SHIMMA. S. In MNG Dukes. J. 2003. R. Saúde.. 24.273‑3. FRITTELLA. RIBEIRO. GONÇALVES H. 28:7‑21. LEAL O. Cad.. Não‑adesão à prescrição após atendimento em pron‑ to‑socorro pediátrico. 37. M. SÉLLER. KUPPER. 27. GRODIN.. T. KNAUTH D. 36. WHO Regional Office for Europe.

como a não inclusão de uma dieta suficientemente volumosa. De um modo geral a obstipação é conseqüência de um ou mais dos seguintes fatores: 1 – negligência em defecar quando há vontade. etc. E‑mail: euclideslc@unipar. se feita de forma racional e orientada pelo profissional farmacêutico. Acadêmica do Curso de Farmácia da Universidade Paranaense – UNIPAR. PR. Entre os mais procurados e dispensados encontram‑se os laxantes. nº 7/8. 44 Infarma. Autor responsável: E. 1996 o uso excessivo des‑ tes medicamentos por auto medicação pode refletir uma concepção errônea sobre qual freqüência de defecação é normal. como queijo. 4 – mudança de ambientes. Jardim Prada. A obstipação é uma situação freqüente. 10 – administração prolongada de medicamentos obstipantes. 7 – insensibilidade do reto ao reflexo de defecar. 5 – atonia ou hipertonia do cólon. desejável.903‑170. anoma‑ lias freqüentes. devendo estar apto a orientar o uso racional dos laxantes a fim de prevenir problemas maiores para o paciente usuário (FUCHS & WANNMACHER. Toledo. carbonato de cálcio. Parigot de Souza. no Brasil e em outros países do mundo. fluidos. da alteração de estilos de vida e principalmente de erros alimentares.L. também. 1988). ingestão reduzi‑ da de legumes. o que enfraquece os reflexos da defecação. 11 – abuso de laxantes e cirurgias. A obstipação não é considerada uma doença. 8 – esgotamento cerebral. 2 – falta da aquisição do hábito de uma defecação regular.20. um dos grupos mais consumidos entre os medicamentos de venda livre. conhecidos como antiobstipantes. São. chocolate. Campus Toledo. enjôo e distensão abdominal. o mal estar abdominal e a resposta inade‑ quada às múltiplas variedades e doses de laxantes. a automedicação é recomendada. 9 – ingestão excessiva de alimentos que endurecem as fezes. De acordo com a Organiza‑ ção Mundial da Saúde. da ação de medicamentos.UTIlIZação de laxanTes Pela PoPUlação do MUnICíPIo de CéU aZUl – Pr andressa InaYana ZUqUelo 1 TereZInha PorTes 1 Thaísa PereIra 1 KarIna MUraro 1 PaTríCIa M. segundo BRUNTON. como o hidróxido de alumínio. A facilidade de acesso e principalmente a presença de uma cultura popular de automedicação fazem dos medicamen‑ tos laxantes. 3 – maus hábitos alimentares. O farmacêutico deve ter conhecimento de que esta situação pode ocorrer como conseqüência de uma patologia intestinal grave. também.br InTrodUção A automedicação é um hábito que existe. 2. Os sinais normais de uma obstipação são uma ligeira anore‑ xia. v. opiáceos e anticolinérgicos. e a grande maioria dos casos deve‑se a erros habi‑ tuais cometidos no dia a dia. frutas. a prática de exercícios físicos e o trei‑ namento do intestino freqüentemente resolvem a maioria dos problemas relacionados à defecação sem a necessida‑ de do uso de medicamentos laxantes. mas sim um sintoma de desordens digestivas que ocorre com freqüência e pode ser originada por inúmeros fatores. 85. 2008 . Porém o que se observa atualmente é um uso descontrolado e desorientado dos medicamentos de venda livre. aqueles que qualquer paciente pode adquirir na farmácia sem a prescrição médica. etc. Campus Toledo. O aumento da ingestão de água e do conteúdo de fibras na dieta. Docente de Farmacologia e Atenção Farmacêutica da Universidade Paranaense – UNIPAR. 3. 6 – hipertonia da válvula íleo cecal. quer com caráter ocasional. Os laxantes são medicamentos que promovem a de‑ fecação. ou mesmo necessária para o organismo humano. o que determina uma obs‑ tipação crônica. FerreIra doblInsKI 2 eUClIdes lara CardoZo JUnIor 3 1. Av. Docente de Farmacognosia e Fitoterapia da Universidade Paranaense – UNIPAR. Campus Toledo. viagens. Cardoso Junior. 3636. quer surgindo com características crô‑ nicas.

Os laxantes são agrupados. enquanto apenas 30% afirmaram possuir renda acima de três salários mínimos. nível de conhecimento acerca da utiliza‑ ção de laxantes e condições ou ocasiões em que existe o uso do fármaco. ambulatorial e médico do município atra‑ vés de questionário (Anexo 2). aplicou‑se ques‑ tionário (Anexo 1) com uma amostragem representativa da população do município para termos acesso a infor‑ mações sobre o perfil do usuário de laxantes. realizou‑se uma pesquisa buscando traçar o per‑ fil do usuário de laxantes no município.000 hab. então. 45% estudaram até a 4ª série. possui rede de saúde cons‑ tituída de hospital farmácia e posto de saúde. se buscou conhecer os hábitos da população e o conhecimento sobre o espaço considerado normal para os movimentos intestinais e se os usuários consideram constipação um caso para trata‑ mento médico. resUlTados e dIsCUssão O perfil da população entrevistada é representa como sendo a maioria formada por mulheres. Do total de pessoas entrevistadas. MaTerIal e MéTodos O Município de Céu Azul está localizado na região Oeste do Paraná e apresenta população originária de imigrantes europeus. Na primeira etapa da pesquisa. com baixa escolaridade e renda per capta de até três salários mínimos. alterações hormonais. Quando indagados sobre a fonte da indicação do uso de laxantes. 45% utilizavam algumas vezes durante a se‑ Infarma. Com base nas entrevistas realizadas com 100 usuários do sistema de saúde do Mu‑ nicípio de Céu Azul. informações so‑ bre o consumo de medicamentos enfatizando o conheci‑ mento / desconhecimento. 86% afirmaram utilizá‑lo sem prescrição médica e apenas 14% utilizaram devido à indicação médica. 70% faziam uso de laxantes no período da entrevista e 30% não utiliza‑ vam nenhum tipo de laxante. após ato cirúrgico ou quando a constipação se deve a efeitos neurológicos. v. e os salinos e lubrificantes (HARVEY & CHAMPE. como na gravidez. Apresenta cerca de 6. 30% até a 8ª série do en‑ sino fundamental.20. Quanto à escolaridade dos entrevistados 15% eram analfabetos. quatro mecanismos gerais: os formadores de massa. farmacêutico. farmácias e hospi‑ tais no momento do recolhimento dos dados. sendo quatro farmacêuticos e três médicos. a motivação e as fontes de informação para o consumo dos mesmos. com o intuito de recolher informações sobre a assiduidade. na faixa de 15 a 25 anos. constatou‑se que 75% pertenciam ao sexo feminino e 25% ao sexo masculino. estes dados podem ser observados na Figura 1.. do total de entrevistados 5% utilizavam laxantes diariamente. Em seguida. Indicação para o uso de laxantes por usuários dos serviços de saúde do município de Céu Azul – PR. Para avaliar o consumo desta classe de medicamen‑ tos pela população do município de Céu Azul no oeste do Paraná. 15% entre 25 e 35 anos. produtos utilizados. todas moradoras do Município de Céu Azul / PR. Sua população é representativa da composição populacional do extremo oeste paranaense. Também. quantidade e sob quais condições os pacientes procuram os laxantes. motivações para a utilização deste tipo de medicamento. a maioria vinda do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Foram en‑ trevistadas 100 pessoas. nº 7/8. 1998). 30% apresenta‑ vam idade entre 15 e 25 anos. Entre os entrevistados 70% das pessoas apre‑ sentavam renda familiar de um a três salários mínimos. os estimulantes da mo‑ tilidade intestinal. conforme o seu mecanismo de ação. A pesquisa foi realizada através de questionários direcionados aos usuários dos serviços de saúde e realizou‑se no segundo semestre de 2002. 25% por indicação de populares e 25% procuravam laxantes influenciados pela propaganda comercial. 20% entre 35 e 45 anos e 35% acima de 45 anos. formas de acesso da população ao referido fármaco. através de automedicação. condições de uso e aplicação de laxantes. 2008 45 . 1998). tendo‑se. Os entrevistados foram escolhidos entre os usuários das unidades de saúde do município. Nesta eta‑ pa foram entrevistados sete profissionais de saúde. Do total dos entrevistados que consumiam laxantes sem prescrição médica 50% disseram consumir laxantes por indicação do farmacêutico. ou tratamento com certos fármacos. das 70 pessoas que afirmaram utilizar este tipo de fármaco. Com referência à freqüência de consumo do medica‑ mento. realizou‑se levantamento de dados junto aos profissionais de saúde ligados ao setor Figura 1. como os hipnoanalgésicos (MELLO & WANNMA‑ CHER.Os laxantes são amplamente usados. e apenas 10% cursaram ensino médio e superior. porém sua recomendação pode ser ne‑ cessária em certos quadros clínicos: para reduzir esfor‑ ço excessivo em doença cardiovascular ou em pacien‑ tes com hemorróidas.

20% sabiam da possibilidade de ocorrer efeitos colaterais. incluindo neste caso pro‑ dutos à base de Picossulfato Sódico. Para avaliar o conhecimento da população sobre problemas do consumo. 10% disseram consumir produtos a base de Cassia senna. 46 Infarma.mana e 50% utilizavam laxantes algumas vezes durante o período de 30 dias. Os entrevistados também foram indagados sobre há‑ bitos condicionantes de problemas relacionados ao mau funcionamento intestinal e ao conseqüente uso de laxan‑ tes. Das cem pessoas entrevistadas 50% consumiam de 4 a 6 copos de água. 40% com peso normal e 10% com baixo peso. 30% hortaliças cruas diariamente. 60% das pessoas disseram não saber que o fármaco pode causar problema. v.20. Apenas 10% não fizeram dieta para emagrecer. 90% já fizeram algum tipo de dieta para esta finalidade. Os dados constam da Figura 4. Das 20 pes‑ soas que praticavam atividade física. Além destes. observa‑se um grande consumo de laxantes estimulantes com produtos à base de Bisacodil. Tamarindus indica. Freqüência quanto ao uso de laxantes por usuá‑ rios dos serviços de saúde do município de Céu Azul – PR. estes resultados podem ser observados na Figura 3. mas não possuíam conhecimento dos tipos de efeitos colaterais e 20% das pessoas sabiam dos possí‑ veis efeitos colaterais com alguma noção de quais eram esses efeitos. Óleo Mineral e Ágar‑ágar. indagou‑se sobre o risco do uso de laxantes causarem algum efeito colateral. 20% frutas uma vez por semana e 15% hortaliças cozidas raramente. Tamarindus indica. Conhecimento sobre os efeitos colaterais do uso abusivo de laxantes por usuários do sistema de saúde do município de Céu Azul – PR. Das 90 pessoas que já fizeram algum tipo de dieta. Antraquinonas Fenolftaleína e associações destes. Collinsonia C1 (Complexo Homeopático Almeida Prado 46®). 2008 . conforme pode ser observado na Figura 2. nº 7/8. 15% consumiam de 1 a 3 copos de chá e 10% de 1 a 3 copos de suco. Do total de produtos consumidos. Cassia fistula e Coriandrum sativum (Tamarine®). Quanto aos principais produtos consumidos para so‑ lucionar problemas de constipação. Segundo a pesquisa 80% das pessoas en‑ trevistadas não praticavam exercício físico. 15 disseram praticar diariamente e 5 pessoas praticavam de 2 a 3 vezes por semana. Produtos baseados em outros mecanismos como os formadores de massa. Tamadindus indica. Polygonum C1. 5% consumiam produtos com Picossulfato Sódico (Guttalax®) e 5% produtos com Cassia senna. Cassuia fistula. 20% a base de Antraquinonas (Sene®) e 20% produto com as‑ sociação de Phenolphtaleina. enquanto Figura 4. Além disso. 25% consumiam de 4 a 6 cuias de chimarrão. 35% dos entrevistados afirmaram consumir cereais integrais diariamente. Dos entrevistados usuários de laxantes 40% disseram utilizar produtos à base de Bisacodil (Lacto Purga®). Consumo de laxantes quanto ao tipo de produto utilizado por usuários dos serviços de saúde do município de Céu Azul – PR. Do total de entrevistados 50% se sentem com so‑ bre peso. Figura 2. 10 foram orientadas por nutricionistas. Cassia senna D1. 45 por revistas e 35 por conhecidos. todos com freqüência diária. os laxantes salinos e osmóticos ou ainda os surfactantes aparecem com consumo menor dentro da população estudada. Figura 3. apenas 20% das pessoas disseram praticar essa atividade. Corian‑ drum sativum e Glycyrrhiza glabra (Naturetti®).

5 – Os laxantes com fenoftaleína ou ruibarbo podem mudar a cor da urina. 3 – Caso apareçam reações alérgicas após a utili‑ zação do laxante. muitas vezes. Na maior parte das vezes. Algumas orientações importantes devem ser repas‑ sadas ao paciente usuário dos laxantes. deverá o farmacêutico aconselhar o paciente a procurar uma consulta médica. Por isso. mas principalmente porque a maior parte das pessoas desconhece os efeitos colaterais que os laxantes podem provocar.A. 2008 47 . é indicado que o problema seja resolvido por outros meios. já fizeram algum tipo de dieta e não praticam exercícios físicos. as pessoas que fazem consultas médicas para tratamento do problema retornam ao mé‑ dico para manter controle sobre a dose do medicamento prescrito. Diante dos resultados. o paciente procura automedicar‑se. deve o paciente procurar um médico. devendo dedicar o tempo necessário para a evacuação e o ambiente para a defecação deve ser calmo. fica clara a necessidade da intervenção ativa do farmacêutico frente a este tipo de problema. as pessoas que procuram usar os laxantes como forma de solucionar o problema da obstipação são sedentárias. evitando assim o uso destes medica‑ mentos. Refletindo sobre estas informações constatou‑se por meio da pesquisa que os laxantes. recebendo aconselhamen‑ tos. e ao descuido dos usuários pela própria reação do seu organismo. v. a escolha do laxante deve levar em consideração sua ação farmacológica. magnésio e potássio. Isso decorre de uma série de fatores. na maioria das vezes. 60% das pessoas não são dependentes. México: Ofgloma S. o perfil do usuário de laxantes é com‑ posto de pessoas idosas e com sobre peso. preço e aceitação pelo paciente.20. no que diz respeito à educação e orientação quanto ao uso racional destes medicamentos. ausência de efeitos colaterais. Os primeiros podem igualmente al‑ terar a cor das fezes. o mesmo deve ser suspenso imediata‑ mente. os exercícios vão melhorar o tônus muscular. A pesquisa apontou que. como: 1 – Os laxantes não podem ser utilizados por perío‑ dos superiores há uma semana.90% das vendas são feitas sem prescrição médica. que recor‑ rem ao fármaco em decorrência da dificuldade de praticar métodos alternativos para solucionar a constipação. en‑ quanto somente 10% delas são efetuadas com prescrição médica. Fármacos que afetam a motilidade e o fluxo de água gastrintestinais: êmese e antieméticos. é muito im‑ portante e. continuam sendo considerados agentes inofensivos à vida do homem. L. uma vez que. nº 7/8. p. sendo de maior utilidade os que atuam sobre a musculatura abdominal. que muitas vezes é advindo de disfunções alimentares ou estresse e acabam se au‑ tomedicando ou. As Bases Farmacológicas da Tera‑ pêutica. a atenção farmacêutica dispensada ao paciente. apresentam peso acima do considerado normal. assim como uma grande parte dos medicamentos consumidos por automedicação. 9ª ed. Levando‑se em consideração que o laxante pode ser útil com menor efeito prejudicial ao paciente se a sua uti‑ lização for feita com auxilio da orientação do farmacêuti‑ co. Dentre os usuários de laxantes. 2 – Os doentes renais não devem utilizar‑se de la‑ xantes a base de sódio. Dentre os conselhos gerais que o profissional farmacêutico pode dar ao paciente. caso contrário. In: GILMAN. 675‑690. A conduta seguida pelos três médicos entrevistados que consultam pessoas com problemas de obstipação é fazer uma anamnese para que o paciente relate seus pro‑ blemas e a partir destes relatos são feitas algumas indica‑ ções para que seja possível solucionar o problema exposto da melhor forma possível. Geralmente. e caso não surtam efeito. em geral. 4 – Os óleos minerais não devem ser utilizados em crianças com menos de seis anos de idade. G. A. Infarma. L. 1997. Procuram solu‑ cionar um problema simples. Os médicos só recomendam o uso de laxantes em casos de constipação intestinal aguda. tanto aqueles com indicação médica quanto aqueles que praticam auto medicação. en‑ quanto que 40% já desenvolveram dependência do uso de laxantes. havendo necessidade. ConClUsÕes Diante das informações levantadas. exatamente pela falta de acesso a informações reFerÊnCIas bIblIográFICas BRUNTON. apesar de haver uma postura voltada para a conscientização por parte dos profissionais que lidam com pacientes com este problema. antes de recorrer a uma consul‑ ta médica. destacamos: 1 – Prática de exercícios regulares. Após a escolha do laxante o doente deve ser informado sobre os riscos do abuso dos mesmos e sempre que houver a necessidade de indicar um laxante o farmacêutico deve optar por aqueles que aumentem o bolo fecal e que são menos prejudiciais ao usuário. através da mídia ou de conhecidos que indicam os fármacos sem a devida análise ambulatorial do paciente colaborando para a ampliação do problema e conseqüente dependência. percebeu‑se que ainda há uma grande tendência pela automedicação com laxantes. ácido biliares e enzimas pancreáticas. 2 – O paciente deve habituar‑se a não ignorar a ne‑ cessidade de defecar.

A. A. L. 5ª ed. C. & WANNMACHER. 180. F. p. 244‑245. v. Farmacologia Clínica. A. 542‑548. p. Dicionário Terapêutico Guanabara. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.. F. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. Laxativos e antidiarréicos. 2002. E. p. Porto Alegre: Arte Médica.GIL. In: FUCHS. & CHAMPE. 48 Infarma. São Paulo: Atlas. 2ª ed. Fundamentos da terapêutica racional. nº 7/8. D. KOROLKOVAS. L. MELLO.20. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.D. R. Farmacologia Ilustrada. 1999. 2ª ed. 2008 . HARVEY. P. 1998. C. FRANCO. 1998. & WANNMACHER.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->